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Numero do processo: 10830.903844/2013-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1001-000.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
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Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 38 44 /2 01 3- 18 Fl. 78DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 02/15, de n. 33897.01904.230410.1.3.046021, de 23/04/2010, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos de IRPJ (PA 30/09/2003). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 057844021 de 02/08/2013 (efl. 08), que analisou as informações e concluiu que o crédito estava integralmente utilizado, bem como determinou a não homologação da DCOMP em análise. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 0374.893 4ª Turma da DRJ/BSB, efls. 37/42). Pela precisão na descrição dos fatos seguintes, reproduzo a seguir o Relatório constante do Acórdão da DRJ: Cientificado dessa decisão, bem como da cobrança do débito confessado na DCOMP, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, acrescida de documentação anexa, onde alega, em síntese, o seguinte: Teria postulado a compensação após constatar divergência entre o valor de IRPJ informado em DIPJ e DCTF; Os documentos não estariam mais disponíveis, pois o procedimento adotado pela contabilidade da empresa seguiria os ditames do artigo 195 do CTN; A declaração de compensação teria ocorrido em 2010 e apenas três anos após teria sido emitido o despacho decisório, o que estaria em desacordo com o artigo 49 da Lei nº 9.784/99, bem como no disposto no artigo 24 da Lei nº 11.457/07. É o relatório. A decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o contribuinte não trouxe aos autos as provas sobre a inexigibilidade do crédito e rebateu as questões de direito postas sobre a guarda de documentos e prazo para emissão do despacho decisório. Cientificada da decisão de primeira instância em 07/06/2017 (efl. 48) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 05/07/2017 (efl. 50), em que afirma que já anexou os documentos comprobatórios (DARF) de seu crédito e reclama que o processo administrativo deve seguir o due process of Law e o contraditório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN). Desta forma faziase necessário verificar na decisão de primeira instância a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10830.903844/201318 Acórdão n.º 1001000.892 S1C0T1 Fl. 79 3 análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Mas o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado (quando da apresentação da manifestação de inconformidade) dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Destaquei) Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado foi indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Observo que nem para esta segunda instância o recorrente pretende trazer os documentos contábeis que comprovariam, segundo alega, seu crédito. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é o indeferimento do pleito. Por fim, haveria nulidade (art. 59, II do Decreto 70235/72) se tivesse havido preterição do direito de defesa na fase processual, ou seja, após instaurado o litígio (fase posterior à lavratura do ato pela autoridade fazendária). A respeito há que se ressaltar que não vislumbramos caracterizada a hipótese de nulidade por preterição do direito de defesa porque as fases do contencioso foram todas cumpridas, razão pela qual o próprio contribuinte trouxe à discussão os argumentos de defesa. Pelo exposto, voto por em rejeitar a preliminar suscitada e negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 80DF CARF MF 4 Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.690784/2009-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem que não homologara a compensação declarada, relativamente a suposto crédito da Contribuição (PIS/Cofins), em razão da ausência de comprovação da existência do direito creditório pleiteado. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu, em síntese, o apensamento de outros 22 processos correlacionados (mesma origem e fundamento do crédito), a conversão do julgamento em diligência e/ou perícia técnica (verdade material) e a homologação da compensação, alegando (i) ausência de intimação prévia à análise da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 90 78 4/ 20 09 -9 6 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10880.690784/200996 Resolução nº 3301000.982 S3C3T1 Fl. 3 2 declaração de compensação, (ii) a ocorrência de erros materiais em suas declarações (CFOP) e (iii) tributação indevida de receitas decorrentes de operações de vendas destinadas ao exterior por meio de empresa comercial exportadora (não incidência das contribuições) e empresas comerciais fabricantes (erro na aplicação de alíquotas). A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de comprovação do crédito pleiteado, e indeferiu o pedido de apresentação de provas após o prazo da Impugnação ou a realização de perícia/diligência. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu a reforma da decisão de piso, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3301000.979, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.690781/200952, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301000.979): O Recurso Voluntário interposto diante da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1632.897 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário objetiva reformar a decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/07/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação não homologada a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10880.690784/200996 Resolução nº 3301000.982 S3C3T1 Fl. 4 3 DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. PEDIDO DE PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. Indeferese o pedido de apresentação de provas após o prazo da Impugnação, ou a realização de perícia e diligência, quando não são atendidas as exigências contidas na norma de regência do contencioso administrativo fiscal vigente à época da Impugnação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O presente processo tem como questão central a discussão acerca de pedido de ressarcimento e compensação (PER/DCOMP) no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2007. O Contribuinte alega que fez recolhimento indevido por intermédio de DARF e requer com o ressarcimento desse crédito a quitação de débitos. O entendimento da administração administrativa fiscal foi no sentido de não homologar a compensação por constatar que inexiste crédito declarado pelo Contribuinte. Diante de 22 (vinte e dois) PER/DCOMP, com o mesmo direito creditório discutido, instauraramse vinte e dois processos administrativos que possuem a seguinte numeração: 10880.690.786/200985, 10880.690.781/200952, 10880.690.782/200905, 10880.690.784/200996, 10880.690.785/200931, 10880.690.787/200920, 10880.690.788/200974, 10880.690.789/200919, 10880.690.783/200941, 10880.915.257/200908, 10880.690.790/200943, 10880.690.794/200921, 10880.690.796/200911, 10880.690.793/200987, 10880.690.797/200965, 10880.690.792/200932, 10880.925.615/200982, 10880.690.798/200918, 10880.690.791/200998, 10880.690.795/200976, 10880.690.799/200954 e 10880.925.616 7/200927. No primeiro ponto do Recurso Voluntário o Contribuinte requer, como já o fez quando da interposição da Manifestação de Inconformidade, a conversão do julgamento em diligência para que fosse apensado todos os processos administrativos acima relacionados. Constatase que o presente processo, na condição de processo paradigma, contempla outros 11 (onze) processos com a seguinte numeração: 10880.690782/200905, 10880.690783/200941, 10880.690784/200996, 10880.690785/200931, 10880.690787/200920, 10880.690788/200974, 10880.690789/200919, 10880.690790/200943, 10880.690792/200932, 10880.690793/200987 e 10880.690794/200921. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10880.690784/200996 Resolução nº 3301000.982 S3C3T1 Fl. 5 4 Entendo necessária a juntada ao presente processo paradigma dos processos nºs 10880.690786/200985, 10880.690796/200911, 10880.690797/200965, , 10880.690798/200918, 10880.690791/200998, 10880.690795/200976, 10880.690799/200954 para que sejam julgados conjuntamente. Saliento que os processos nºs 10880.915257/200908, 10880.925615/2009 82 e 10880.925616/200927 já foram julgados nos acórdãos nºs 3802001.986, 3802001.987 e 3802001.997, respectivamente, em que se negou provimento ao recurso do Contribuinte. Alega também o Contribuinte, que cometeu erro na apuração de débitos de PIS e COFINS, no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2007, pois incluiu nas receitas decorrentes de operações de venda destinadas (i) ao exterior por meio de empresa comercial exportadora (exportação indireta) e (ii) a empresas comerciais fabricantes. No primeiro caso, o Contribuinte alega que informou erroneamente o Código Fiscal de Operações e de Prestações (CFOP) nas notas fiscais de saída a rubrica 5101 – “venda de produção do estabelecimento”, sendo que o correto, no seu entendimento, seria a rubrica 5501 – “remessa de produção do estabelecimento com o fim específico de exportação”. Esse alegado equívoco resultou na incidência da tributação sobre as receitas, sendo que nas operações de exportação indireta não incidiria PIS e COFINS, de acordo com o art. 5º, III, da Lei nº 10.637/2002 e art. 6º, III da Lei nº 10.833/2003, com isso, passou a deter crédito objeto de PER/DCOMP. No segundo caso, o direito creditório decorre das vendas efetuadas às empresas Rassini e Magnet Marelli, empresas comerciais fabricantes, com alíquotas comuns de 1,65% e 7,6% de PIS e COFINS respectivamente e não as alíquotas diferenciadas de 2,3% e 10,8% que se aplicam às vendas para empresas comerciais atacadistas ou varejistas de acordo com o que dispõe o art. 3º, I e II da Lei nº 10.485/2002. Sustenta ainda o Contribuinte, que demonstrou o alegado por intermédio de planilhas sintéticas e analíticas acostadas aos autos e requer, em nome da verdade material, a conversão do julgamento em diligência ou designação de perícia técnica, com a devida indicação da perita contadora Sra. Sônia Regina Senhorini Rodrigues, para que se possa apurar o equívoco cometido, bem como, a existência do crédito. Assim consta do recurso (fls. 611 e seguintes): Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10880.690784/200996 Resolução nº 3301000.982 S3C3T1 Fl. 6 5 (...) Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10880.690784/200996 Resolução nº 3301000.982 S3C3T1 Fl. 7 6 (...) (...) (...) Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10880.690784/200996 Resolução nº 3301000.982 S3C3T1 Fl. 8 7 Considerando o princípio da verdade material, o Contribuinte requer em seu recurso que se promova diligência que contemple os seguintes quesitos: Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10880.690784/200996 Resolução nº 3301000.982 S3C3T1 Fl. 9 8 Com este pedido de diligência formulado pelo Contribuinte, e lembrando do pedido acerca da reunião dos demais processos, cabe salientar que no Processo nº 10880.690796/200911, processo principal, bem como em mais 8 processos, foi convertido o julgamento em diligência. Com isso considerado voto, por converter o julgamento em diligência para que a) a autoridade de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado; b) seja intimado o Contribuinte a se manifestar em 30 dias após a realização da diligência; c) que retorne o presente processo (nº 10880.690781/200952), bem como os processos nºs. 10880.690.786/200985, 10880.690.782/200905, 10880.690.784/200996, 10880.690.785/200931, 10880.690.787/200920, 10880.690.788/200974, 10880.690.789/200919, 10880.690.783/200941, 10880.690.790/200943, 10880.690.794/200921, 10880.690.796/200911, 10880.690.793/200987, 10880.690.797/200965, 10880.690.792/200932, 10880.690.798/200918, 10880.690.791/200998, 10880.690.795/200976 e, 10880.690.799/200954, ao CARF, distribuídos ao presente conselheiro relator prevento, para que sejam julgados em conjunto. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que: a) a autoridade de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado; Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10880.690784/200996 Resolução nº 3301000.982 S3C3T1 Fl. 10 9 b) seja intimado o Contribuinte a se manifestar em 30 dias após a realização da diligência; c) que retorne ao CARF o presente processo (nº 10880.690.784/200996), bem como os processos nºs. 10880.690781/200952, 10880.690.786/200985, 10880.690.783/2009 41, 10880.690.785/200931, 10880.690.787/200920, 10880.690.788/200974, 10880.690.789/200919, 10880.690782/200905, 10880.690.790/200943, 10880.690.794/200921, 10880.690.796/200911, 10880.690.793/200987, 10880.690.797/200965, 10880.690.792/200932, 10880.690.798/200918, 10880.690.791/200998, 10880.690.795/200976 e, 10880.690.799/200954, para que sejam julgados em conjunto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 363DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.721143/2012-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PAGAMENTO A PROFISSIONAIS DE SAÚDE. MÉDICOS E DENTISTAS CREDENCIADOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXIGÊNCIA OBRIGATÓRIA.
O pagamento realizado aos profissionais de saúde está sujeito à incidência da contribuição previdenciária, com base no artigo 22, III da Lei nº 8.212/91.
O credenciamento acompanhado da remuneração pela prestação de serviços, a utilização dos serviços submetidos ao controle da recorrente, com a possibilidade de glosa caracteriza a existência de relação jurídica entre os prestadores e a recorrente, capaz de ensejar o lançamento de contrições previdenciárias na qualidade de contribuinte individual.
Numero da decisão: 9202-007.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Nos termos do art. 58, §5º, do Anexo II do RICARF, a conselheira Ana Paula Fernandes não votou quanto ao conhecimento e mérito, por se tratar de questão já votada pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada) na reunião anterior.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada).
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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PETROBRÁS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PAGAMENTO A PROFISSIONAIS DE SAÚDE. MÉDICOS E DENTISTAS CREDENCIADOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXIGÊNCIA OBRIGATÓRIA. O pagamento realizado aos profissionais de saúde está sujeito à incidência da contribuição previdenciária, com base no artigo 22, III da Lei nº 8.212/91. O credenciamento acompanhado da remuneração pela prestação de serviços, a utilização dos serviços submetidos ao controle da recorrente, com a possibilidade de glosa caracteriza a existência de relação jurídica entre os prestadores e a recorrente, capaz de ensejar o lançamento de contrições previdenciárias na qualidade de contribuinte individual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Nos termos do art. 58, §5º, do Anexo II do RICARF, a conselheira Ana Paula Fernandes não votou quanto ao conhecimento e mérito, por se tratar de questão já votada pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada) na reunião anterior. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 43 /2 01 2- 17 Fl. 4207DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada). Relatório Tratase de Auto de Infração, DEBCAD 37.327.2928, referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais, a cargo da empresa, destinadas ao financiamento da Seguridade Social, no período de 01/2008 a 12/2008. No relatório fiscal de fls. 60/69 a fiscalização informou, em síntese, que: apurou, através da análise das DIRF, folhas de pagamento e GFIP que o contribuinte não incluiu na base de cálculo das contribuições, as remunerações pagas a determinados mediante intimação, solicitou ao contribuinte que prestasse esclarecimentos acerca da natureza dos pagamentos realizados, bem como da razão para não declararem em GFIP, nem incluírem na base de cálculo da contribuição previdenciária, obtendo como resposta a explicação de que os serviços médicos e odontológicos eram prestados diretamente ao beneficiário, sendo apenas um agente pagador dos profissionais credenciados. Quanto aos demais prestadores de serviços não apresentou qualquer explicação para a falta de declaração em GFIP e inclusão na base de cálculo; os serviços prestados pelos profissionais da área da saúde para a empresa consistem na vantagem remuneratória oferecida aos beneficiários e revertida em prol da contratante, através da mão de obra de melhor qualidade, mais satisfeita e produtiva; através da análise do Manual de Operação da AMS é possível concluir que a empresa não é meramente um agente pagador por conta e ordem de seus beneficiários, mas a gestora do plano de saúde; a prestação de serviços médicos obviamente sempre terá como destinatário final a pessoa, mas não significa que não possa ser prestado à pessoa jurídica, ou tornaria letra morta a previsão legal do artigo 22, III da Lei 8.212/91; os valores pagos foram contabilizados como despesas operacionais dedutíveis e houve retenção de IRRF dos profissionais que prestaram os serviços, o que contradiz a informação de que não recebeu a prestação dos serviços. No caso de terem sido prestados aos beneficiários, deveria ter contabilizado as despesas como remuneração dos empregados e descontado destes o IRRF; Fl. 4208DF CARF MF Processo nº 16682.721143/201217 Acórdão n.º 9202007.277 CSRFT2 Fl. 3 3 em relação aos prestadores de serviço não pertencentes à área da saúde a empresa, embora intimada, não apresentou qualquer consideração; relacionou nos anexos 2 e 3 os prestadores de serviços, com base nas informações prestadas pela empresa em resposta aos TIF 2, 3 e 4; realizou a comparação das multas para aplicar a mais benéfica, considerando as alterações decorrentes da MP 449/08, de maneira que aplicou multa de ofício no percentual de 75 % na competência 12/2008 e o percentual de 24% nas demais competências, conforme explicitado no relatório fiscal. O autuado apresentou impugnação, tendo Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pelo autuado, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 09/12/2015, foi negado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2401003.967 (fls. 3.930/3.937), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PLANO DE SAÚDE. MÉDICOS CREDENCIADOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA O pagamento realizado aos profissionais de saúde está sujeito à incidência da contribuição previdenciária, com base no artigo 22, III da Lei nº 8.212/91. Quando uma empresa contrata serviços, estes podem ser executados a ela diretamente, aos seus clientes ou aos seus colaboradores. Em todas essas situações, a empresa figura como contratante, como tomadora do serviço, embora possa haver um outro beneficiário (cliente ou colaborador). Para fins de custeio previdenciário, o que importa é que os serviços sejam contratados em benefício de seus interesses, de sua atividade. O credenciamento acompanhado da remuneração pela prestação de serviços caracteriza a existência de relação jurídica entre os prestadores e a recorrente, mormente quando a utilização dos serviços é submetida ao controle da recorrente, havendo submissão dos prestadores (credenciados) e empregados (beneficiários) ao preenchimento de documentos, formulários e autorizações, inclusive com a possibilidade de glosa de pagamentos. Assim, o vínculo jurídico é, em primeiro plano, com a contratante dos serviços e secundariamente com o empregado, beneficiário. ALEGAÇÃO DE VÍCIO NO LANÇAMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO OU DEMONSTRAÇÃO. Fl. 4209DF CARF MF 4 A teor do que dispõe o artigo 16, III do Decreto 70.235/72, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Sendo assim, não é admissível a argumentação genérica, sem que a recorrente aponte, sequer, um caso, ou apresente uma prova do que está alegando. Recurso Voluntário Negado Cientificado em 29/03/2016, o contribuinte opôs, em 04/04/2016, portanto, tempestivamente, Embargos de Declaração (fls. 4.001/4.008) que foram rejeitados pelo Despacho nº 2401033, de 26/04/2016, da 1ª TO da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF (fls. 4.053/4.054) e pelo Despacho de Saneamento s/nº, da 4ª Câmara, de 15/06/2016 (fls. 4.063/4.065). O sujeito passivo foi cientificado da decisão denegatória dos embargos opostos, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) em 06/06/2016 (fls. 4.061), e apresentou tempestivamente, em 20/06/2016 (Termo de Solicitação de Juntada às fls. 4.066), Recurso Especial (fls. 4.067 a 4.097). Registrase, por oportuno, que existe despacho da Demac/RJ (fls. 4.179) informando que após ciência do despacho de admissibilidade dos embargos opostos, houve saneamento do referido despacho, para correção de vício formal, tendo o contribuinte tomado ciência (fls. 4.176) do novo despacho, em 24/06/2016, e não apresentado outro Recurso Especial. Ao Recurso Especial do contribuinte foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº da 4ª Câmara, de 14/02/2017 (fls. 4.180/4.188), considerados os acordos nsº 9202002.246 e 2402004.873. Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido, reconhecendo a não incidência da contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, §9º, alínea “q”, da Lei nº 8.212/91. Da não ocorrência do fato gerador. · Argumenta que ao analisar a norma legal utilizada (Lei nª 8.212/91, art. 22) pelo agente fiscal para imputar o auto de infração à recorrente, verificase a preocupação do legislador pátrio ao definir claramente qual a hipótese de incidência tributária, designando a imposição da contribuição previdenciária quando efetivamente ocorrer o fato gerador e o seu real sujeito passivo. · Diz que a questão semântica é essencial para a obtenção do critério material da regramatriz de incidência, que consiste no verbo “prestar”, acrescido do complemento “serviços”, não sendo correta qualquer interpretação que inclua como sujeito passivo aquele que não tenha recebido aludidos serviços; e somente ocorrendo o fato previsto na norma é que esta incidirá sobre ele, produzindo efeitos jurídicos e impondo ao sujeito passivo a obrigação de recolher o tributo. Fl. 4210DF CARF MF Processo nº 16682.721143/201217 Acórdão n.º 9202007.277 CSRFT2 Fl. 4 5 · Alega que se existe essa definição legal, não pode a Administração Tributária fugir desse princípio (o da legalidade), sendo vedado à fiscalização estender o alcance que o texto legal consigna, alterando o sujeito passivo por interpretar os dispositivos legais em dissonância com a amplitude que possuem, com o único fito de fazer recair a exação sobre quem a ei não definiu como responsável. · Afirma ser necessário, então, apurar a existência de casualidade jurídica entre o evento ocorrido e a norma, o que irá consubstanciar o fato tributário, quando somente a partir de então passará a existir a obrigação tributária; e sendo assim, não pode a exação ter alcance distinto daquilo expressamente previsto, mostrandose evidente, então, que a Recorrente não é a efetiva tomadora de serviços médicos, clínicos e odontológicos, pois os serviços foram (e são) prestados diretamente aos seus empregados, aposentados e pensionistas, beneficiários da AMS. · Acrescenta que o fato da recorrente manter um benefício trabalhista não basta para ela ser equiparada àquela a quem os serviços são efetivamente prestados, sendo vedado pelo art. 110 do CTN mudar conceitos do direito privado, verbis: “Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias.” · Verifica que a hipótese de incidência tributária, adotandose como parâmetro a Lei nº 8.212/91 para elaborar a regramatriz, tem como critério material o núcleo da descrição fática (“prestar” + “serviços”); como critério espacial, considerando que o tributo é de competência da União, que o mesmo está delimitado em todo o território nacional; e como critério temporal, o mês de competência em que os contribuintes individuais prestarem seus serviços (antecedente); como critério pessoal, os sujeitos ativo (União Federal) e passivo (“o empregador, a empresa ou entidade a ela equiparada”), conforme definido na CF/88, art. 195, I, a quem os “segurados contribuintes individuais prestam serviços; como critérios quantitativos, a base de cálculo, que é a grandeza correspondente aos serviços prestados, e alíquota de 15% ou 20% sobre tais remunerações (consequente); e dai conclui que a recorrente não participa de qualquer etapa ou mantém relação, sequer, de dever instrumental (Obrigação acessória), pois não é ela, PETROBRÁS, que recebe os serviços prestados. Da Lei dos Planos de Saúde – Lei nº 9.656/98. Do efetivo tomador de serviços. Traz os arts. 196, 197 e 199 da CF/88 que dispôs que: Fl. 4211DF CARF MF 6 Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Art. 197. São de relevância pública as ações de saúde, cabendo ao Poder Público dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e controle, devendo sua execução ser feita diretamente ou através de terceiros e, também, por pessoa física ou jurídica de direito privado. Art. 199. A assistência à saúde é livre à iniciativa privada. · Alega que a obrigação de prestar serviços de saúde incube ao Estado, ainda que esse serviço seja prestado pela iniciativa privada de forma complementar assim como a recorrente, através da AMS, de forma supletiva, substitui o Estado na prestação desses serviços; e que assim, então, surgiu a necessidade de regular esse segmento e foi editada a Lei nº 9.656/98, posteriormente alterada pela MP 2.17744, de 24 de agosto de 2001, que estipulou as definições legais e traçou as diretrizes do setor. · Argumenta que para efeitos de abrangência das coberturas contratuais, a referida Lei equiparou as denominadas autogestões de saúde às operadoras de seguros privados de assistência à saúde, consoante o disposto no art. 1º, verbis: Art. 1º. Submetemse às disposições desta Lei as pessoas jurídicas de direito privado que operam planos ou seguros privados de assistência à saúde, sem prejuízo do cumprimento da legislação específica que rege a sua atividade, adotandose, para fins de aplicação das normas aqui estabelecidas, as seguintes definições: I – Plano Privado de Assistência à Saúde: prestação continuada de serviços ou cobertura de custos assistenciais a preço pré ou pósestabelecido, por prazo indeterminado, com a finalidade de garantir, sem limite financeiro, a assistência à saúde, pela faculdade de acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente escolhidos, integrantes ou não da rede credenciada, contratada ou referenciada, visando a assistência médica, hospitalar e odontológica, a ser paga integral ou parcialmente às expensas da operadora contratada, mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor; II – Operadora de Plano de Assistência à Saúde: pessoa jurídica constituída sob a modalidade de sociedade civil ou comercial, cooperativa, ou entidade de autogestão, que opere produto, serviço ou contrato de que trata o inciso I deste artigo; · Salienta que a Lei dos Planos de Saúde definiu expressamente por conta e ordem de quem são tomados esses serviços, o que impede a fiscalização do INSS de ampliar a interpretação, de acordo com o art. 110 do CTN e afirma que, ou ocorre o fato previsto hipoteticamente no antecedente e, nesse caso, subsumese ela à norma positivada que Fl. 4212DF CARF MF Processo nº 16682.721143/201217 Acórdão n.º 9202007.277 CSRFT2 Fl. 5 7 lhe faz incidir os respectivos efeitos, ou, como no presente caso, em que os serviços não lhe são prestados, não há fato gerador a irradiar efeitos sobre a hipótese. · Diz que não se sustenta o argumento levantado pelo Fisco de que é a recorrente que realiza os pagamentos aos profissionais, clínicas etc, pois ao contrário da legislação do imposto de renda, que obriga ao recolhimento aquele que paga os honorários, na condição de substituto tributário, não existe na legislação previdenciária norma nesse sentido. · Conclui que não havendo descrição legislativa hipotética para esse tipo de serviço, se estará diante apenas de um evento, sem qualquer consequência jurídica, por não haver subsunção do fato à norma, o que afasta a obrigatoriedade tanto de reter, quanto de recolher/pagar o tributo. Dos procedimentos administrativos adotados pela recorrente em relação à questão do credenciamento e da contabilização dos pagamentos realizados. · Afirma que, ao contrário do que consta nos autos, a recorrente não é beneficiária dos serviços prestados pelos diversos prestadores de serviços de saúde que atuam no âmbito da AMS, sendo que a PETROBRÁS apenas disponibiliza as informações sobre a existência dos profissionais, clínicas, hospitais etc, dentro de determinadas regiões, para que, a critério dos beneficiários, estes possam recorrer àqueles; ou seja, o credenciamento em questão é mero procedimento administrativo, necessário para atingir a satisfação dos beneficiários, bem como para a melhor operacionalização do sistema. · Alega que são três as formas com que os profissionais, hospitais, clínicas etc podem se tornar “integrantes da rede credenciada”, de acordo com o inciso I, art. 1º, da Lei nº 9.656/98, que são credenciamento (modo pela qual a recorrente optou), contratação e referência; e que no credenciamento, acontece uma “habilitação” do prestador de saúde, pessoa física ou jurídica, que, dada suas qualificações, obtém uma “credencial” tornandoo apto a atender aos beneficiários da AMS. · Argumenta que, não obstante as regras legais até aqui expostas, que afastam a obrigatoriedade do recolhimento das contribuições sociais lançadas, por conta da desvinculação da base legal ao conceito de autônomo/contribuinte individual, verificase também que o §9º, inciso XVI, art. 214, do Decreto nº 3.048/99, prevê a não incidência da contribuição, verbis: Art. 214. (...) Parágrafo 9º. Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: Fl. 4213DF CARF MF 8 (...) XVI – o valor à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou com ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. · Registra, ainda, a forma como a recorrente lança os registros contábeis dos pagamentos efetuados aos profissionais, hospitais, clínicas etc corroborando a afirmação de que eles são feitos a conta e ordem dos beneficiários da AMS: são lançados na rubrica “despesas de pessoal/encargos sociais e trabalhistas – AMS Empregados”, o que não deixa dúvida quanto a nãoincidência da Contribuição Previdenciária, por força expressa de lei, como se denota no disposto na Consolidação das Leis do Trabalho – CLT: Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuários ou outras prestações “in natura” que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (...) §2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão considerados como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (...) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; Dos demais prestadores de serviço. · Afirma que no que concerne aos prestadores de serviços declarados no Anexo 3 da DIRF, sob o código 0588, a autuação também merece ser declarada insubsistente, uma vez que a recorrente apurou que pelo menos 603 prestadores de serviços apontados no AI tiveram seus pagamentos devidamente declarados na GFIP, e que, além disso, vários prestadores de serviço que tiveram valores divergentes entre os declarados em DIRF e GFIP são, na verdade, transportadores autônomos, circunstância que faz reduzir a base de cálculo da contribuição previdenciária, nos termos do §4º, do art. 201, do Decreto nº 3.048/99 · Por fim, traz inúmeras jurisprudências dos Tribunais sobre a questão assentando que não incide contribuição previdenciária sobre os valores atinentes a planos de saúde concedidos aos empregados. O processo, então, foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 16/03/2017, para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. Fl. 4214DF CARF MF Processo nº 16682.721143/201217 Acórdão n.º 9202007.277 CSRFT2 Fl. 6 9 A Fazenda Nacional apresentou, tempestivamente, em 22/03/2017, contrarrazões (fls. 4.189/4.199). · Em suas contrarrazões, a Fazenda Nacional observa que a Constituição Federal (CF/88) dá os contornos da base de cálculo das contribuições previdenciárias, em seu art. 201, § 4º c/c art. 195, inc. I: Art. 195 A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Alterado pela EC000.020 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; · Salienta que, segundo a norma constitucional supra, a contribuição do empregador incide não somente sobre folha de salários, mas também sobre os demais rendimentos pagos a qualquer título à pessoa física que lhe preste serviço. · Cita também a Lei nº 8.212/91, que instituiu o Plano de Custeio da Previdência Social, regulou o disposto na Carta Magna, determinando que são contribuintes individuais as pessoas prestadoras de serviços de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; bem como que a base de cálculo da contribuição previdenciária devida pela empresa será de 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos segurados contribuintes individuais, nos termos do art. 12, inc. V, “g” c/c art. 22, inc. III. · Ressalta que, no caso em exame, a autuada atua na qualidade de operadora de programa de assistência à saúde, na modalidade de autogestão, conforme Manual de Operação da AMS1, e efetua pagamentos a profissionais da área de saúde, enquadrados como contribuintes individuais, quando ocorre atendimento a seus beneficiários. · Lembra que a AMS se trata de ente sem personalidade jurídica, conforme art. 34 da Lei 9.656/98 ("Art. 34. As entidades que executam outras atividades além das abrangidas por esta Lei deverão, na forma e prazo definidos pela ANS, constituir pessoas jurídicas independentes, com ou sem fins lucrativos, especificamente para operar planos privados de assistência à saúde, na forma da legislação em vigor e em especial desta Lei e de seus regulamentos. Parágrafo único. A obrigatoriedade prevista neste artigo não alcança as operadoras que atuem Fl. 4215DF CARF MF 10 exclusivamente em atividades relacionadas ao setor de saúde e às operadoras enquadradas no segmento de autogestão patrocinada, na forma disciplinada pela ANS”). · Afirma que os referidos profissionais são previamente selecionados pela empresa operadora, que os credencia através de procedimento por ela definido e os remunera, na forma estabelecida pela empresa no Manual de Operação da AMS apresentado pela recorrente, que disciplina a prestação de serviço no âmbito da Assistência Multidisciplinar de Saúde (AMS). · Afirma que, ainda que o médico preste, do ponto de vista material, serviço ao cliente, e, portanto, ao beneficiário da operadora do plano assistencial, ele está, simultaneamente, do ponto de vista jurídico, prestando um serviço à empresa operadora, na medida em que sem o trabalho por ele realizado não pode a mesma desincumbirse da obrigação assumida; e assim, os serviços prestados pelos profissionais credenciados assumem papel fundamental, condicionando à própria existência ou funcionamento regular do sistema privado de assistência à saúde, criado e operado pela recorrente, não podendo ser tida como “terceiro”. · Conclui que o médico e o odontólogo prestam, sim, serviço à empresa, qual seja, de disponibilizar atendimento médico/odontológico aos seus clientes; e tanto é assim, que assinam contrato de convênio ou credenciamento, e o serviço (de atendimento), posteriormente prestado ao beneficiado, é remunerado conforme a tabela previamente estipulada pelo plano de saúde ou pela seguradora, e não pelo médico (como ocorreria se o serviço fosse prestado diretamente ao paciente, sem a cobertura de um plano de saúde). · Acrescenta ainda que, se o segurado, em determinado período, deixe de pagar o valor para o programa de assistência à saúde, a obrigação da empresa com o médico, de lhe remunerar pelo atendimento já prestado ao segurado, subsiste; e mais, caso o médico não receba sua remuneração, ele não irá cobrála do paciente, mas da seguradora/operacionalizadora do plano de saúde. Ressalta que, se realmente houvesse intermediação no caso, não deveria o segurado pagar qualquer valor nos meses em que não usufruísse do plano de saúde, pois não haveria intermediação nesses meses, o que, todavia, não corresponde à lógica das empresas operadoras de planos de saúde, que lidam com a álea e cobram mensalmente as prestações de seus segurados – sob pena de estes ficarem desamparados da cobertura securitária – independentemente da efetiva utilização do plano em um dado mês3. · Finalmente, ressalta que discussão semelhante à travada no presente feito já foi objeto de solução de controvérsia envolvendo o Banco Central do Brasil (Bacen) e a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), culminando com a elaboração do Parecer AGU/SRG nº 01/08, sem força vinculativa, mas que se adota também como fundamentação, do qual se extrai o seguinte: Fl. 4216DF CARF MF Processo nº 16682.721143/201217 Acórdão n.º 9202007.277 CSRFT2 Fl. 7 11 “38. Com efeito, a primeira observação a ser produzida deve estar vinculada à regra legal a ser observada para aferir a caracterização, ou não, da obrigação tributária. 39. Na redação originária do art. 22, da Lei nº 8.212/91, já havia a previsão de pagamento de contribuição previdenciária – cota patronal –, por parte de pessoa jurídica – empresa –, diante da remuneração auferida por trabalhadores autônomos que lhe prestassem serviço: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (Vide Lei nº 9.317, de 1996) I 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados, empresários, trabalhadores avulsos e autônomos que lhe prestem serviços; 40. Com as alterações normativas, houve detalhamento da disciplina, já imposta e a elevação da correspondente alíquota, de quinze para vinte por cento, esta diante do advento da Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996. 41. Atualmente, a regra contempla os seguintes termos – com a redação alterada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99: ‘Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços’; 42. A incidência da mencionada disciplina ao Banco Central do Brasil decorre da configuração da condição de empresa, para os termos fiscais, responsável pelo pagamento dos trabalhadores autônomos que lhe prestam serviço decorrentes de estarem credenciados para o atendimento de saúde vinculado ao PASBC. 43. Não é possível sustentar o argumento de que ocorre indevida aplicação do art. 108, do Código Tributário Nacional, pois não se está a interpretar para exigência de tributo não previsto em lei: a uma, a contribuição previdenciária cogitada detém previsão legal; a duas, a aplicabilidade ao Banco Central está no fato de que é este a pessoa jurídica que promove o pagamento da remuneração dos trabalhadores autônomos que atendem as necessidades do PASBC, conceituado como ‘empresa’, por estrita previsão legal – art. 15, da Lei nº 8212/91 e não por interpretação ampliativa da legislação de regência”. (destaques lançados) · Em relação ao que alegou a recorrente de que sua tese fora acatada pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, conforme Acórdão 9202002.246, na Sessão de Agosto de 2012, que declarou a não incidência das contribuições previdenciárias sobre as Fl. 4217DF CARF MF 12 remunerações pagas aos contribuintes individuais – profissionais da área médica e odontológica, tendo como contribuinte também a PETROBRÁS, afirma que não foi verdadeiramente submetida à CSRF a questão de mérito acerca da incidência das contribuições, mas tão somente firmado que o citado Parecer AGU SRG 01/08 não possui força vinculativa, pois não foi aprovado pelo Presidente da República. · Diz que, como o único fundamento para a maioria do Colegiado a quo para manter o lançamento fiscal foi o Parecer AGU/SRG nº 01/2008, pela crença de seu efeito vinculante, a 2ª Turma da CSRF deu provimento ao recurso da PETROBRÁS, tendo em vista o efeito não vinculante do citado parecer, prevalecendo conclusão pela improcedência do lançamento da maioria do colegiado a quo. · Conclui, assim, que a questão de mérito, qual seja, incidência das contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas pela prestação de serviços médicos e odontológicos por contribuinte individuais não foi analisada pela CSRF e, mesmo na inexistência do dito parecer da AGU, o lançamento fiscal se encontra respaldado pela Lei n° 8212/91. Traz também várias jurisprudências no sentido de que incide sim a contribuição previdenciária discutida no caso. É o relatório. Fl. 4218DF CARF MF Processo nº 16682.721143/201217 Acórdão n.º 9202007.277 CSRFT2 Fl. 8 13 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Recurso Especial do Contribuinte Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 4180. Não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito De forma objetiva a delimitação da lide, conforme consta do despacho de admissibilidade, cingese a incidência de contribuições previdenciárias em relação aos pagamentos feitos pela recorrente a médicos e odontológicos na qualidade de contribuintes individuais. No relatório fiscal de fls. 60/69 a fiscalização informou, em síntese, que: apurou, através da análise das DIRF, folhas de pagamento e GFIP que o contribuinte não incluiu na base de cálculo das contribuições, as remunerações pagas a determinados mediante intimação, solicitou ao contribuinte que prestasse esclarecimentos acerca da natureza dos pagamentos realizados, bem como da razão para não declararem em GFIP, nem incluírem na base de cálculo da contribuição previdenciária, obtendo como resposta a explicação de que os serviços médicos e odontológicos eram prestados diretamente ao beneficiário, sendo apenas um agente pagador dos profissionais credenciados. Quanto aos demais prestadores de serviços não apresentou qualquer explicação para a falta de declaração em GFIP e inclusão na base de cálculo; os serviços prestados pelos profissionais da área da saúde para a empresa consistem na vantagem remuneratória oferecida aos beneficiários e revertida em prol da contratante, através da mão de obra de melhor qualidade, mais satisfeita e produtiva; através da análise do Manual de Operação da AMS é possível concluir que a empresa não é meramente um agente pagador por conta e ordem de seus beneficiários, mas a gestora do plano de saúde; a prestação de serviços médicos obviamente sempre terá como destinatário final a pessoa, mas não significa que não possa ser prestado à pessoa jurídica, ou tornaria letra morta a previsão legal do artigo 22, III da Lei 8.212/91; os valores pagos foram contabilizados como despesas operacionais dedutíveis e houve retenção de IRRF dos profissionais que prestaram os serviços, o que contradiz a informação de que não recebeu a prestação dos Fl. 4219DF CARF MF 14 serviços. No caso de terem sido prestados aos beneficiários, deveria ter contabilizado as despesas como remuneração dos empregados e descontado destes o IRRF; em relação aos prestadores de serviço não pertencentes à área da saúde a empresa, embora intimada, não apresentou qualquer consideração; relacionou nos anexos 2 e 3 os prestadores de serviços, com base nas informações prestadas pela empresa em resposta aos TIF 2, 3 e 4; Por outro lado, apresentou o recorrente argumentos no sentido de inexistir prestação de serviços a PJ, mas apenas aos beneficiários diretamente, não devendo perdurar a incidência de contribuições previdenciárias, primeiro pela inexistência de prestação de serviços ou mesmo que estaria suprindo direcionamento constitucional de assegurar direito a saúde a todos. Contudo, não vejo como acatar seus argumentos de forma a desconstituir o lançamento, tendo em vista a expressa subssunção dos fatos narrados a norma previdenciária que determina a exigência de contribuições face a contratação de contribuintes individuais. Aliás, foi essa mesma linha de raciocínio a adotado pelo acórdão recorrido, ao qual concordo com os fundamentos, inclusive adotando como razões de decidir. AMS. Assistência Multidisciplinar de Saúde da Petrobrás. Aduz a recorrente que os pagamentos realizados aos profissionais de saúde credenciados na AMS –Assistência Multidisciplinar de Saúde da Petrobrás, feitos em decorrência de diversos e sucessivos Acordos Coletivos de Trabalho, não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, pois os serviços, prestados exclusivamente aos beneficiários e reais tomadores dos serviços (empregados e seus dependentes), são escolhidos sem interferência da recorrente, não existindo, portanto, qualquer vínculo jurídico entre a Petrobrás e os profissionais de saúde. A recorrente apenas viabiliza e operacionaliza o sistema, fazendo as intermediações necessárias. Diferentemente do que alega, entendemos que o pagamento realizado aos profissionais de saúde está sujeito à incidência da contribuição previdenciária, com base no artigo 22, III da Lei nº 8.212/91, pois os serviços foram prestados por segurados contribuintes individuais à recorrente. Quando uma empresa contrata serviços, estes podem ser executados a ela diretamente, aos seus clientes ou aos seus colaboradores. Em todas essas situações, a empresa figura como contratante, como tomadora do serviço, embora possa haver um outro beneficiário (cliente ou colaborador). Para fins de custeio previdenciário, o que importa é que os serviços sejam contratados em benefício de seus interesses, de sua atividade. No caso, a recorrente credencia e remunera prestadores em benefício de seus trabalhadores. Estes, ao serem atendidos por quaisquer dos prestadores credenciados, beneficiamse de um serviço contratado, ofertado e remunerado pela recorrente. Há sim uma relação jurídica entre os prestadores e a recorrente. Ou Fl. 4220DF CARF MF Processo nº 16682.721143/201217 Acórdão n.º 9202007.277 CSRFT2 Fl. 9 15 não há acordo de vontade que gere direitos e obrigações recíprocos? A recorrente alega que apenas disponibiliza as informações sobre a existência dos profissionais, clínicas, hospitais, etc., dentro de determinadas regiões, para que, a critério dos beneficiários, estes possam recorrer àqueles. Assim, o credenciamento em questão seria mero procedimento administrativo. Ocorre que, como destacado pela autoridade fiscal, a recorrente não realiza mero cadastramento de profissionais, clínicas e hospitais, menos ainda, é simples agente pagador por conta e ordem de terceiros. O Manual de Operações da AMS demonstra que toda a estrutura normativa e operacional é gerida pela recorrente, que detém total controle e poder decisório quanto aos profissionais e hospitais que serão ou não credenciados, ou descredenciados, a qualquer tempo, à revelia da vontade dos empregados. Outrossim, a utilização dos serviços é submetida ao controle da recorrente, havendo submissão dos prestadores (credenciados) e empregados (beneficiários) ao preenchimento de documentos, formulários e autorizações em meio papel ou eletrônico, no portal da AMS http://tissweb.petrobras.com.br/tissweb/manual/manual_credenc iado.pdf), inclusive com a possibilidade de glosa de pagamentos. Ora, a mera atividade de credenciamento de prestadores e de repasse de pagamento não se coaduna com o arcabouço normativo e operacional, nem com este nível de ingerência na fruição dos serviços, menos ainda com a alegada autonomia dos beneficiários. Como destacado na decisão a quo: 12. Não se pode concordar com a tese de inexistência de relação jurídica contratual com os profissionais de saúde credenciados, pois ela surge no momento em que os profissionais e a Impugnante manifestam suas vontades, os primeiros, no sentido de prestarem atendimento na área da saúde (solicitando cadastramento), a segunda, no sentido de aceitar a prestação do serviço (admitindo o cadastramento). Os profissionais de saúde filiaramse ao programa da AMS, gerido pela Impugnante, PETROBRAS, e se submeteram às regras e valores por esta estabelecidos, independentemente de quem seja o beneficiário. 13. O vínculo jurídico é, em primeiro plano, com a Impugnante e secundariamente com o empregado, beneficiário. O profissional não diz que presta serviços para este ou aquele beneficiário, ele diz que é credenciado e presta serviços para a PETROBRAS, e exige desta, administrativa ou judicialmente os seus haveres. O vínculo com o beneficiário, diferentemente da Impugnante, encontrase no campo da responsabilidade civil, decorrente da sua atuação como promotor de saúde. Quanto à afirmação de que o pagamento dos serviços ocorreu por conta e ordem de terceiros, neste caso, os empregados, que, Fl. 4221DF CARF MF 16 supostamente, seriam os contratantes, cumpre ressaltar que o ACT 2007/2009, na cláusula 44ª, estabeleceu que o custeio das despesas com o programa AMS seria realizado com a participação financeira da recorrente na proporção de 70% dos gastos e 30% pelos beneficiários. Ademais, a própria recorrente contabilizou a sua participação como despesa operacional dedutível, o que evidencia que os pagamentos ocorreram por conta própria, ou seja, na condição de contratante dos serviços prestados. Os precedentes trazidos pela recorrente tratam da hipótese em que as operadoras de planos repassam valores aos profissionais médicos pelos serviços prestados aos seus clientes. No caso em tela, não se trata de mero repasse de valores, mas de pagamento por conta própria, em função dos serviços prestados pelos profissionais de saúde à recorrente, que, inclusive, transitaram por conta de resultado. Caso fossem meros repasses, transitariam em conta patrimonial transitória, exclusivamente para operacionalizar a intermediação e remessa de numerários do tomador para o prestador, o que, de fato, não ocorreu. Aponta ainda a recorrente que lançamento referente a período anterior, sobre o mesmo fato gerador, foi julgado improcedente pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (processo n° 35301.003300/200634). É preciso ressaltar, todavia, que a recorrente juntou apenas a certidão de julgamento do Recurso Especial, mas que da análise do acórdão constatase que os Conselheiros não adentraram na análise da matéria, apenas concordando que o Parecer AGU/SRG01/ 2008 não vinculava toda a Administração Pública por não ter sido aprovado pela Presidência da República (§ 1° do art. 40 da Lei Complementar n° 73/93), constando da própria ementa que “com relação ao mérito, embora a posição da maioria do Colegiado a quo tenha sido no sentido da improcedência do lançamento, mantevese a exigência exclusivamente em função do caráter vinculante do Parecer AGU/SRG n° 01/2008”, sendo que, “afastada tal premissa, adotada de forma equivocada, deve prevalecer a conclusão inicial, ou seja, a notificação fiscal de lançamento de débito é improcedente”. Ou seja, a Câmara Superior não adentrou na análise da incidência ou não de contribuições previdenciárias em casos como o presente. Demais prestadores. Alega a recorrente que dentre os prestadores identificados na DIRF e incluídos no lançamento, pelo menos 603 foram declarados em GFIP e vários outros são transportadores autônomos, o que ensejaria a redução da base de cálculo. A autoridade fiscal esclareceu que a recorrente foi intimada a prestar esclarecimentos acerca dos pagamentos realizados aos prestadores de serviços e, na ocasião, nada mencionou acerca dessas alegações. Em sua peça recursal, restringise a afirmar, sem qualquer comprovação, que parte dos contribuintes individuais já estavam declarados nas GFIP e vários outros eram transportadores. Não há nos autos sequer a especificação de quais deles deveriam ser retirados do lançamento ou mesmo a base de cálculo que deveria ser retificada. Fl. 4222DF CARF MF Processo nº 16682.721143/201217 Acórdão n.º 9202007.277 CSRFT2 Fl. 10 17 A teor do que dispõe o artigo 16, III do Decreto 70.235/72, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Sendo assim, não é admissível a argumentação genérica, sem que a recorrente aponte, sequer, um caso, ou apresente uma prova do que está alegando, de forma que se deve manter o lançamento inalterado, também, nesta questão. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Assim, como apreciado pelo acórdão recorrido a situação ora sob análise, embora tenham sido apresentados diversos argumentos pode ser resumida a possibilidade de incidência ou não de contribuição previdenciária sobre os pagamentos feitos pela recorrente a médicos e odontólogos. Vejamos os dispositivos que fundamentam o lançamento: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; Conforme trazido no relatório fiscal, não há dúvida que os pagamentos foram efetuados pela recorrente, tendo inclusive os valores sido lançados como despesa em sua contabilidade e efetivado o correspondente IR, tendo sido a DIRF(código 0588) o instrumento que ensejou a identificação de pagamentos a trabalho sem vínculo de emprego e ensejou a solicitação de esclarecimentos. Ao contrário da interpretação adotada pelo sujeito passivo não vejo qualquer possibilidade de afastar a tributação, tendo em vista que resta demonstrado no presente caso, por meio do relatório fiscal a organização, credendiamento, pagamento dos profissionais postos a disposição dos seus empregados e colaboradores. Assim, como já explicitado no acórdão recorrido, o que ensejou o lançamento das contribuições previdenciárias, não foi a prestação de serviço diretamente a Petrobrás, mas o pagamento por parte desta a profissionais da área de saúde para pessoas a ela vinculados na condição de empregados ou colaboradores. Não há como considerar mera intermediação de pagamento, posto que o gerenciamento dos credenciadores dentre outras normas de modalidade de auto gestora acabam por ensejar elo entre a recorrente e os médicos credenciados. Aliás essas questões encontramse descritas no relatório fiscal em relação a criação do Programa de Assistência Multidisciplinar de Saúde AMS. NO termos do documento que define a estrutura de funcionamento do Programa AMS o Ao Órgão Normativo da AMS (RH/CO) cabe a gestão corporativa e a elaboração de políticas, diretrizes e normas do Programa, bem como o controle e auditoria das ações dos órgãos executores. De igual forma fica clara a gestão por parte da recorrente quando assim delimita: I CONDIÇÕES GERAIS PARA CREDENCIAMENTO 1.1 OS credenciamentos deverão ser processados levandose em conta que as características e condições da comunidade, bem como a clientela potencial, é que determinarão o número, Fl. 4223DF CARF MF 18 especialidade e outros aspectos relativos ao quadro de credenciados. 1.2 A inscrição dos profissionais e instituições e o respecitivo credenciamento poderão ser processados a qualquer época do ano, através dos órdãos credenciadores da AMS, levandose em conta as necessidades locais. 1.3 OS descredenciamentos poderão ser realizados quando for conveniente para a Companhia a qualquer tempo, levandose em consideração a legislação em vigor. Identificando o pagamento aos profissionais autônomos pagos por meio da Petrobrás, qual outro enquadramento poderseia vislumbrar sendo o pagamento efetuado pela autuada. OU seja, existe vínculo de prestação de serviços a beneficiários da autuada, pagos por ela, situações que se subssume a incidência de contribuição previdenciária na qualidade de contribuinte individual. Notese que não se pode argumentar o fato de que nos termos da legislação trabalhista (art. 458, §2º da CLT) o fornecimento de assistência médica não integra a remuneração, ou que o próprio decreto 3.048/99 (art. 214, §9º) exclui o valor da assistência médica do conceito de salário de contribuição. Na verdade, tratamse de contribuições distintas e fatos geradores distintos: No lançamento o fato gerador lançado é o pagamento a profissionais contribuintes individuais que restaram serviços aos beneficiários da autuada, enquanto que as duas normas citadas no parágrafo anterior descrevem a exclusão da base de cálculo do benefício fornecido, ou seja, a exclusão do valor do plano de saúde, reembolso de medicamentos do conceito de salário de contribuição dos beneficiários. TRatamse de fatos geradores distintos, sendo que em relação ao benefício concedido aos empregados não existe qualquer lançamento ora em discusão. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso do Contribuinte, por entender não existir qualquer reparo a ser feito no acórdão recorrido. Conclusão Face o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 4224DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.002184/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora que julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte, para excluir, por decadência, o valor relativo ao período de apuração junho/2005, mantendose o restante do crédito tributário lançado. Versa o processo sobre auto de infração lavrado em 26/07/2010 para a exigência da contribuição ao PIS/Pasep, juros de mora e multa de ofício, no valor total de R$ 586.657,64, consolidado até 30/06/2010, relativamente aos períodos de apuração de junho de 2005 a abril de 2010. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .0 02 18 4/ 20 10 -4 1 Fl. 968DF CARF MF Processo nº 10640.002184/201041 Resolução nº 3402001.471 S3C4T2 Fl. 969 2 Consta no Relatório Fiscal que: (...) Depreendese, portanto, que as cooperativas em geral somente poderão excluir da base de cálculo de incidência do PIS/PASEP e da COFINS, as receitas previstas nos incisos I, II, III e IX do art. 3.° da IN SRF n.° 145/99 citada anteriormente, não lhes sendo acessíveis as exclusões previstas no art.15 da MP 2.15835/2001, pois se referem às cooperativas de produção. Por outro lado, a mesma Medida Provisória (2.15835/99), no seu art. 2.°, ao dar nova redação ao art.3.° da Lei n.° 9.718/99, incluiu o parágrafo nono a saber : " § 9º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I coresponsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades. (NR)" Assim, de acordo com o estabelecido em seu art. 92, a citada Medida Provisória entrou em vigor na data de sua publicação produzindo efeitos, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de dezembro de 2001, relativamente ao disposto no § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Nas planilhas apresentadas pela fiscalizada constatamos que na determinação da base de cálculo do PIS foram excluídos os custos referentes aos atendimentos realizados aos próprios associados da operadora (hospitais, clinicas médicas, laboratórios, etc). As exclusões especificas da base de cálculo da contribuição para o PIS das operadoras de pianos de assistência à saúde são: coresponsabilidades cedidas, parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas e valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades. (Art. 3°, parágrafo 9º, da Lei 9.178/98, com redação dada pela MP n° 2.15835/2001) (...) As importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades representam as quantias recebidas pela empresa, oriundas da outra operadora, a quem caberia a responsabilidade pelos eventos que se transferiram (atendimentos médicos, hospitalares, etc) para ressarcir a empresa por aqueles desembolsos. A fiscalizada só pode realizar a dedução do valor pago que corresponder a atendimentos a associados de outra operadora. Pelo exposto, concluímos que as deduções específicas da receita bruta das operadoras de planos de assistência à saúde, para determinação da base de cálculo do PIS, não abrangem os custos referentes aos atendimentos realizados aos próprios associados da operadora. A contribuição incide sobre o faturamento auferido, e não sobre o resultado (sobras). (...) Inconformada, a interessada impugnou o lançamento, alegando, em síntese: a) decadência parcial; b) os atos praticados estariam no escopo da perseguição dos objetivos da cooperativa, não cabendo se falar em atos não cooperados quando, por exemplo, paga hospitais ou laboratórios; c) possibilidade de exclusão dos valores pagos aos profissionais e empresas de saúde pelos exames, consultas e serviços hospitalares prestados aos pacientes associados a seu próprio plano, e não somente os desembolsos relacionados a eventos de associados de outros planos de saúde em decorrência de coobrigação assumida; e d) a especificidade da operação de planos de saúde exige ajustes nas bases de cálculo das contribuições lançadas de forma a se Fl. 969DF CARF MF Processo nº 10640.002184/201041 Resolução nº 3402001.471 S3C4T2 Fl. 970 3 tributar somente o que se configurar como efetivo faturamento, ou seja, a comissão ou taxa de administração. A Delegacia de Julgamento acatou parcialmente as razões de defesa da impugnante, somente no que concerne à decadência parcial, sob os seguintes fundamentos principais: Quanto à decadência, aplicase ao presente caso a regra do § 4º do art. 150 do CTN. Como a ciência do auto de infração se deu em 27/07/2010 (fl. 5), o período de julho/2005 foi alcançado pela decadência. A partir de novembro de 1999, a base cálculo das contribuições de PIS/Cofins passou a ser a receita bruta proveniente de atos cooperativos e não cooperativos, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. As deduções especificamente destinadas às operadoras de plano de assistência à saúde não autorizam a exclusão dos custos decorrentes do atendimento a seus usuários, como despesas hospitalares, honorários médicos, custos com exames, etc, para fins de apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Cientificada dessa decisão em 10/05/2013, a interessada interpôs recurso voluntário em 11/06/2013, repisando as alegações da impugnação, sob o seguinte pedido: Diante do exposto, requer a Recorrente o provimento do presente Recurso, sem prejuízo do êxito parcial já obtido na decisão recorrida, e declarandose a improcedência do auto de infração de PIS, ante:: (i) a definição jurídicoeconômica de operadora de planos de saúde da Recorrente, reconhecendose a possibilidade de se proceder a necessários ajustes na base de cálculo daquelas contribuições, de forma a se colher somente o que se configurar efetiva receita (comissão/taxa de administração), destacandose a previsão contida no §9º do art. 3o da Lei n.° 9.178/98, com redação dada pelo artigo 2° da MP n.° 2.15835/01, deduzindo se todos os custos assistenciais repassados a terceiros médicos, hospitais etc., tanto no atendimento de usuários próprios quanto de usuários de outras operadoras atendidos dentro da área de atuação da Recorrente (não deduzidos nos autos de infração); e (ii) a não incidência tributária que respalda os atos cooperativos das sociedades cooperativas (artigos 79, 87 e 111 da Lei n.° 5.764/71), e na extensão em que postulado no presente recurso voluntário (atendimento médico e pela rede credenciada, integralidade das sobras dentre outros); e (iii) impossibilidade de composição da base de cálculo do PIS e da COFINS com ingressos estranhos ao conceito de faturamento/receita operacional (juros de aplicações financeiras, decorrentes de inadimplência, multas, aluguéis, rendimentos e participações societárias e demais receitas não operacionais); (iv) a ausência de previsão legal para a incidência da SELIC sobre a multa de ofício, limitandose a legislação a exigila sobre o tributo e sobre a multa de ofício nas hipóteses de auto de infração sem tributo. (v) a nulidade e improcedência do auto de infração, tendo em vista o caráter confiscatório da multa de ofício exigida. Requerse ainda, a realização da perícia/diligência acima requerida, sob pena de afronta aos direitos ao contraditório e à ampla defesa. É o relatório. Voto Fl. 970DF CARF MF Processo nº 10640.002184/201041 Resolução nº 3402001.471 S3C4T2 Fl. 971 4 Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. Conforme noticiado nos autos, acerca da tributação do PIS/Pasep, a interessada impetrou o Mandado de Segurança nº 2002.38.01.0052540, no qual discute a não incidência da contribuição sobre a prática de ato cooperativo, sem que tenha havido qualquer decisão judicial que lhe seja favorável; bem como propôs a Ação Ordinária nº 2008.38.00.0021688, a qual objetiva o ajuste da base de cálculo aplicável às operadoras de planos de saúde, tendo a interessada obtido decisão de primeira instância favorável em parte, somente para o período de novembro de 99 até a produção dos efeitos do artigo 2° da atual MP 2.15835/2001, para a exigência de PIS somente sobre a taxa de administração, deduzidos os repasses especificados1. Dessa forma, para os períodos de apuração sob análise no recurso voluntário, de julho/2005 a abril/2010, não consta nos autos nenhuma medida judicial favorável à recorrente relativamente à exigência de PIS/Pasep. Não obstante isso, foi informado no Relatório Fiscal que a interessada efetuou depósitos judiciais nos autos do referido mandado de segurança, mas que não contemplam a totalidade da contribuição devida no período autuado, conforme demonstrado em planilha, razão pela qual foram lavrados dois autos de infração: um com a exigibilidade do crédito tributário suspensa em face desses depósitos (processo nº 10640.002183/201004) e outro com a exigência da contribuição, multa de ofício e juros de mora e sem a suspensão de exigibilidade (processo nº 10640.002184/201041, ora sob análise). 1 Processo n° : 2008.38.00.0021688 Classe : 1.100 — Ação Ordinária Tributária Autor(es) : UNIMED Muriaé Cooperativa de Trabalho Médico Ltda Réu(s) : União Federal Sentença Tratase de ação ordinária, com pedido de antecipação dos efeitos da tutela, ajuizada por Unimed Muriaé Cooperativa de Trabalho Médico Ltda, devidamente qualificada na inicial, contra a União Federal, por meio da qual a Autora pretende provimento judicial que declare "V.3.1) o direito da Autora de se sujeitar, enquanto operadora de planos de saúde, e até a produção dos efeitos do art. 2° da atual MP n. 2.15835/2001, à exigência do PIS incidente somente sobre a sua taxa de administração/comissão [entradas/ingressos abatidos os repasses — pagamentos (por conta e ordem — aos profissionais da saúde, sejam associados ou não, credenciados (hospitais, laboratórios, clinicas, transporte de pacientes, medicamentos e demais eventos), outras operadoras (interceimbio) e ressarcimento ao SUS, bem como os valores mantidos em provisões técnicas, reconhecendo, em decorrência disso, a insubsistência do PTA nº 13639.000628/200221, com a declaração de nulidade do lançamento fiscal, ou no que seja recalculado o seu valor, de forma a se aferir o que representa efetiva receita tributável da Autora, com o proporcional decote na base de cálculo do tributo exigido. (...) (...) Nessas razões, Julgo procedente em parte o pedido autoral para declarar o direito da Autora de se sujeitar, enquanto operadora de planos de assistência saúde, desde novembro de 1999 e ate a produção dos efeitos do artigo 2° da atual MP 2.158 35/2001, à exigência do PIS incidente somente sobre a sua taxa de administração/comissão, [entradas/ingressos deduzidos os repasses — pagamentos por conta e ordem — aos profissionais da saúde, associados ou não, credenciados (hospitais, laboratórios, clínicas, transporte de pacientes, medicamentos e demais eventos), outras operadoras (intercâmbio) e ressarcimento ao SUS, bem como os valores mantidos em provisões técnicas, assim como para determinar à Ré que recalcule o valor do lançamento fiscal consubstanciado no PTA no. 13639.000628/200221, de modo a se aferir o que representa a efetiva receita tributável, nos termos em que aqui reconhecido. (...) Fl. 971DF CARF MF Processo nº 10640.002184/201041 Resolução nº 3402001.471 S3C4T2 Fl. 972 5 De todo modo, antes do julgamento do recurso voluntário, é importante que se conheça o inteiro teor das petições iniciais das duas ações judiciais para se aferir com maior segurança a eventual concomitância, ainda que parcial, com o presente processo; bem como que seja trazido aos autos a situação atual dos referidos processos judiciais para, se for o caso, aplicação da coisa julgada. Ademais, o presente lançamento demanda a intervenção da autoridade fiscal para adequálo às interpretações supervenientes acerca da matéria, como abaixo será esclarecido. Nos últimos anos ocorreram importantes alterações na interpretação das normas relativas à tributação do PIS/Pasep e Cofins, em especial, sobre as operadoras de planos de assistência à saúde, dentre as quais se destacam: i) Foi declarada a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido2 (vide Acórdãos nºs 9303007.041 e 3301004.666 3). ii) No Recurso Extraordinário (RE) nº 599.362, transitado em julgado em julgado em 25/11/2016, em sede de repercussão geral (Tema nº 323 Incidência do PIS sobre 2 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006)Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). 3 Acórdão nº 9303007.041–3ª Turma, de 10 de julho de 2018 Relator: Andrada Márcio Canuto Natal (...) PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO. STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A decisão que considerou constitucional o caput do artigo 3º da Lei 9.718/98 e declarou a inconstitucionalidade de seu § 1º estabeleceu que apenas o faturamento mensal da sociedade empresária, representado pela receita bruta advinda das atividades típicas da pessoa jurídica, integram a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. (...) Acórdão nº 3301004.666 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 22 de maio de 2018 Recorrente UNIMED ITABIRA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO Relatora: Semíramis de Oliveira Duro (...) BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, §1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Os valores recebidos dos clientes dos planos de saúde operados pela Cooperativa correspondem a seu faturamento pela prestação de serviços e integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, ou seja, o faturamento é a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde). Isso porque, as cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral,a qual advém de não associados. Com o reconhecimento pelo STF, com efeitos ex tunc, da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998, através do RE n° 585.235/MG (repercussão geral), deve ser afastada a tributação das receitas financeiras e receitas nãooperacionais. (...) Fl. 972DF CARF MF Processo nº 10640.002184/201041 Resolução nº 3402001.471 S3C4T2 Fl. 973 6 os atos cooperativos próprios), o STF firmou a seguinte tese: "A receita auferida pelas cooperativas de trabalho decorrentes dos atos (negócios jurídicos) firmados com terceiros se insere na materialidade da contribuição ao PIS/PASEP". iii) No RE nº 598.085, que transitou em julgado em 27/10/2017, também sob repercussão geral (Tema nº 177 Revogação, por medida provisória, da isenção da contribuição para o PIS e para a COFINS concedida às sociedades cooperativas), o STF firmou a tese de que: "São legítimas as alterações introduzidas pela Medida Provisória 1.858/1999, no que revogou a isenção da COFINS e da contribuição para o PIS concedidas às sociedades cooperativas". iv) No art. 3º da Lei nº 9.718/98, foram introduzidos os §§ 9ºA e 9ºB, de caráter expressamente interpretativo (vide Acórdãos nºs 9303006.773, 3402004.337 e 3402 005.3354), nos seguintes termos: 4 Acórdão nº 9303006.773 3ª Turma, de 16 de maio de 2018 Interessado: UNIMED UBERABA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO LTDA. Relatora: Érika Costa Camargos Autran ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 SOBRAS. DEDUÇÃO. BASE DE CÁLCULO. As cooperativas podem deduzir da base de cálculo das contribuições sociais as sobras até o limite destinado à formação dos fundos, de reserva e FATES, com base nos atos cooperativos, nos termos estatuídos no art. 1º, § 2º da Lei nº 10.676/2003. As operadoras de planos de assistência à saúde podem deduzir da base de cálculo da Contribuição para a COFINS e do Programa de Integração Social PIS/PASEP, as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários, por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, bem como aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade, em conformidade com o preceptivo do art. 3º, § 9ºA da Lei nº 9.718/98, introduzido, em caráter interpretativo, pela Lei nº 12.873/2013. (...) Acórdão nº 3402004.337– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 26 de julho de 2017 Relatora: Maysa de Sá Pittondo Deligne Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. Na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir os custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, nos termos do §9ºA, art. 3º da Lei 9.718/98.Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep. (...) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 NORMA INTERPRETATIVA. RETROATIVIDADE. POSSIBILIDADE.Nos termos do art. 106, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, a norma que seja expressamente interpretativa aplicase, em qualquer caso, a ato ou fato pretérito, restando excluída a aplicação da penalidade à infração dos dispositivos interpretados. Amoldase o comando da retroatividade benigna do art. 106, I, do CTN ao §9ºA, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, norma de caráter interpretativo, introduzido em 2013 pela Lei nº 12.873, que retroage para alcançar os fatos geradores do presente processo administrativo. Recurso de Ofício Negado. Acórdão nº 3402005.3354ª Câmara / 2ª Turma, de 20 de junho de 2018 Recorrente UNIMED ENCOSTA DA SERRA/RS SOCIEDADE COOPERATIVA DE SERVIÇOS DE SAÚDE LTDA. Fl. 973DF CARF MF Processo nº 10640.002184/201041 Resolução nº 3402001.471 S3C4T2 Fl. 974 7 Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (...) §9oNa determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Icoresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IIa parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IIIo valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) § 9oB. Para efeitos de interpretação do caput, não são considerados receita bruta das administradoras de benefícios os valores devidos a outras operadoras de planos de assistência à saúde. (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) [negrito] No presente caso, concluiu a fiscalização autuante que "as deduções específicas da receita bruta das operadoras de planos de assistência à saúde, para determinação da base de cálculo do PIS, não abrangem os custos referentes aos atendimentos realizados aos próprios associados da operadora", ou seja, a seu ver, a UNIMED só poderia realizar a dedução do valor pago que correspondesse a atendimentos a associados de outra operadora. Esse entendimento pode não estar em consonância com a norma interpretativa acima, mesmo porque foi veiculada após a lavratura do auto de infração. Pelo que se depreende do teor do Relatório Fiscal, parece também que se considerou no lançamento sob análise, como base de cálculo das contribuições, a totalidade das receitas auferidas, nos termos do §1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, posteriormente declarado inconstitucional. Dessa forma, tendo em vista a obrigatoriedade de reprodução nos julgamentos do CARF do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC/1973 ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC/2015; bem como a retroatividade benigna da norma interpretativa (art. 106, I do CTN); e resguardando eventual julgamento posterior nesse sentido por este Colegiado, entendo que Relator: Pedro Sousa Bispo (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. CUSTOS. ABATIMENTOS LEGAIS Nos termos do § 9ºA do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, nos custos de utilização pelos beneficiários do plano, incluemse os despendidos com seus próprios beneficiários e com os beneficiários de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade. (...) Recurso Voluntário Provido Fl. 974DF CARF MF Processo nº 10640.002184/201041 Resolução nº 3402001.471 S3C4T2 Fl. 975 8 deve ser solicitada à fiscalização que aparte do lançamento eventuais parcelas que não se coadunem com a interpretação dada pelos §§ 9ºA e 9ºB do art. 3º da Lei nº 9.718/98 ou com a declaração de inconstitucionalidade do §1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98. Por fim, com relação à questão das sobras líquidas, assim decidiu a DRJ: No tocante à exclusão das sobras líquidas (art. 32, inciso VI, do Decreto n.º 4.524/2002 c/c o art. 36 da MP n.º 66/2002), o art. 1º da MP n.º 101/2002, convertida na Lei n.º 10.676/2003, introduziu as seguintes alterações: Art. 1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1º As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2º Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados à formação dos Fundos nele previstos. § 3º O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória n.º 1.85810, de 26 de outubro de 1999.” (Grifei). Dessa forma, no que tange às sobras líquidas para as cooperativas médicas, a exclusão ficou restrita aos valores destinados à formação do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social. Acontece que tais valores não estão evidenciados nos autos. A defendente limitouse a pedir a referida exclusão, sem contudo destacar quais seriam os valores destinados aos fundos acima (que seriam os dedutíveis). Assim, não se pode amparar a reclamação da interessada. De outra parte, alega a recorrente que teria direito a dedução das sobras, requerendo a exclusão de tais valores do auto de infração, seja sob a perspectiva do ajuste da base de cálculo de operadora de planos de saúde (repasse), ou seja na perspectiva do ato cooperativo (produção de cooperados), ressaltando que tais montantes estariam demonstrados nos autos, nestes termos: Tais montantes estão demonstrados nas planilhas apresentadas por ocasião da Impugnação, bem como nas atas de Assembléia anexadas e balancetes. Com relação especificamente às sobras destinadas ao FATES e ao Fundo de Reserva, a despeito de se entender que as deduções não se limitam a estes fundos, a Delegacia não observou aqueles documentos, todos juntados por ocasião da Impugnação. Destaquese estes valores estão registrados nas contas. 2.713200000001 (FATES) e 2713100000001 (Fundo de Reserva) dos balancetes. Dessa forma, também nessa questão das sobras, é prudente solicitar a análise da autoridade fiscal dos documentos mencionados no Recurso Voluntário a fim de verificar se assiste o direito à dedução pleiteado e, em caso afirmativo, em que medida. Assim, em face de todo o exposto, voto no sentido de determinar a realização de diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e dos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, para que a Unidade de Origem adote as seguintes providências: Fl. 975DF CARF MF Processo nº 10640.002184/201041 Resolução nº 3402001.471 S3C4T2 Fl. 976 9 a) Junte aos autos a cópia integral das petições iniciais do Mandado de Segurança nº 2002.38.01.0052540 e da Ação Ordinária nº 2008.38.00.0021688, bem com a Certidão de Objeto e pé demonstrando a situação atual de tais ações judiciais; b) Em demonstrativo detalhado, segregue do lançamento as parcelas que se façam necessárias em face da interpretação introduzida pelos §§ 9ºA e 9ºB do art. 3º da Lei nº 9.718/98, bem como da declaração de inconstitucionalidade do §1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98. c) No que concerne às sobras líquidas da cooperativa, verifique a habilidade dos documentos mencionados no Recurso Voluntário para comprovar o eventual direito da recorrente à dedução pleiteada e, em caso afirmativo, em que medida. d) Elabore Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas nos itens acima, especificando, se for o caso, as exonerações do lançamento que se fariam necessárias em face dos entendimentos acima, de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF; e e) Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, devolva o processo a este Colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 976DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.722422/2015-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE MATÉRIA. NULIDADE PARCIAL.
É parcialmente nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar ponto da impugnação relativo a um dos potenciais efeitos da decisão a ser proferida. Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre o capítulo da impugnação não apreciado.
INOVAÇÃO NOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO PELAS AUTORIDADES JULGADORAS. IMPOSSIBILIDADE.
Às autoridades julgadoras de primeira instância não compete o aprimoramento do lançamento realizado. A adoção de critérios novos para a manutenção do lançamento, em conteúdo diverso daquele inicialmente utilizado, importa em efetiva nulidade da atuação das autoridades julgadoras.
Numero da decisão: 1302-003.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau e, em consequência, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos de relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011, 2012 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE MATÉRIA. NULIDADE PARCIAL. É parcialmente nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar ponto da impugnação relativo a um dos potenciais efeitos da decisão a ser proferida. Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre o capítulo da impugnação não apreciado. INOVAÇÃO NOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO PELAS AUTORIDADES JULGADORAS. IMPOSSIBILIDADE. Às autoridades julgadoras de primeira instância não compete o aprimoramento do lançamento realizado. A adoção de critérios novos para a manutenção do lançamento, em conteúdo diverso daquele inicialmente utilizado, importa em efetiva nulidade da atuação das autoridades julgadoras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau e, em consequência, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos de relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 24 22 /2 01 5- 81 Fl. 2762DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.763 2 Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado em relação ao Acórdão nº 06 54.344, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/Curitiba), de 4 de abril de 2016 (fls. 2.498 a 2.574), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo, conforme ementa a seguir: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e de não se tratar de caso de inobservância dos pressupostos legais para lavratura do auto de infração, é incabível falar em nulidade do lançamento ausente qualquer transgressão alguma ao devido processo legal. PERÍODOS ANTERIORES. DECADÊNCIA. EFEITOS TRIBUTÁRIOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. Os contribuintes estão sujeitos à fiscalização de fatos ocorridos há mais de cinco anos, ainda que não seja mais possível efetuar exigência tributária, em face da decadência, quando houver repercussão de seus efeitos em exercícios futuros ainda não decaídos; assim, não há como se iniciar a contagem do prazo decadencial no momento da geração do ágio interno, pois não havia ainda crédito tributário algum a ser constituído; apenas com o início da amortização do ágio interno passou a haver redução indevida do resultado tributável, quando, então, foi iniciada a contagem do prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública efetuar o pertinente lançamento de ofício. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. FUNDAMENTO ECONÔMICO EM EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. EMPRESA VEÍCULO. OPERAÇÕES SOCIETÁRIA ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA. TRANSAÇÃO ENTRE PARTES ASSOCIADAS EM JOINT VENTURE. AUSÊNCIA DE SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. É descabida a amortização pela interessada do ágio questionado, com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, apurado pela empresa veículo sobre o seu próprio patrimônio líquido da interessada, mediante operações Fl. 2763DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.764 3 societárias estruturadas em sequência envolvendo partes vinculadas, pois não é possível reconhecer maisvalia de investimento quando originado de transação de pessoas jurídicas vinculadas, haja vista a ausência de substância econômica e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias. ÁGIO INTERNO APURADO SOB JUSTIFICATIVA DE REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA. CRIAÇÃO DE CONDIÇÕES ARTIFICIAIS PARA JUSTIFICAR A APURAÇÃO DO ÁGIO INTERNO PELA EMPRESA VEÍCULO. Independentemente das razões e dos propósitos almejados com a reorganização societária do grupo econômico, é inegável que as operações societárias estruturadas em sequência, com utilização de empresa veículo, em questão de meses, criaram condições artificiais para justificar a apuração do ágio impugnado, com finalidade de gerar ganhos indevidos de natureza tributária; a liberdade de autoorganização não endossa a prática de atos sem motivação negocial, pois o ágio amortizável de que trata o art. 7º, III, da Lei nº 9.532, de 1997, é aquele em que houve um efetivo dispêndio ou ônus assumido por terceiro em um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as partes. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS Dada a correção da glosa do ágio artificial promovida pela Autoridade Fiscal a quo, resta evidente que os prejuízos fiscais (no total de R$ 3.526.666,34, em 2011, e deR$ 4.875.720,89, em 2012) foram indevidamente compensados pela contribuinte. MODIFICAÇÕES DA NORMA JURÍDICA TRIBUTÁRIA RETIRAM EFICÁCIA DA DECSIÃO TRANSITADA EM JULGADO FAVORÁVEL À CONTRIBUINTE. Acolhese a argumentação da fiscalização de que as modificações posteriores introduzidas por diversas leis na legislação que instituiu a CSLL retiram a eficácia da decisão com trânsito em julgado anteriomente favorável a contribuinte haja vista que constitui o crédito tributário com base em norma de incidência distinta que não deve ser confundida com lei que a veicula. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PERDAS EM OPERAÇÕES DAY TRADE. A legitimidade do lançamento relativo ao IRPJ, quanto à glosa de prejuízos de operações daytrade não se estende, por Fl. 2764DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.765 4 tributação reflexa, à CSLL, pois não há previsão legal expressa para sua inclusão na base de cálculo da contribuição." O presente processo é fruto de procedimento fiscal realizado junto à Recorrente, resultando na lavratura de autos de infração relativos ao IRPJ e CSLL, anos calendários de 2010 a 2012, com base nas seguintes infrações: (i) Falta de adição de despesas indedutível na apuração do IRPJ (amortização de ágio) (ii) Compensação indevida de prejuízo operacional com resultado da atividade geral (iii) Multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimada (iv) Falta de declaração e pagamento da CSLL (v) Multa isolada por falta de recolhimento da CSLL sobre base de cálculo estimada Para todas as infrações, foi aplicada a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). Em apertada síntese, o lançamento relativo ao IRPJ decorreu de reorganização societária, descrita no Relatório de Auditoria Fiscal (RAF) de fls. 32 a 57, do seguinte modo: "II.1.a.2 Do Acordo Firmado entre Acionistas Satélite (Sat) e Acionistas Ale Combustíveis (Ale) 27. Em 30/03/2006 empresas ligadas à Satélite Distribuidora de Petróleo S.A, CNPJ 70.052.352/000176 e à Ale Combustíveis S.A, CNPJ 23.314.594/000100, efetuaram acordo, denominado “Acordo de Associação”, visando a exploração compartilhada de atividades empresariais relativas a combustíveis, na proporção de 50% para cada uma dessas duas empresas. 28. Esclarecemos que a Ale Combustíveis S.A, de CNPJ 23.314.594/000100, é a empresa objeto desta Fiscalização, cuja razão social atual é Alesat Combustíveis S.A. 29. O “Acordo de Associação” foi realizado pelas seguintes partes e intervenientes: a) De um lado, empresas ligadas à interveniente Satélite Distribuidora de Petróleo S.A, CNPJ 70.052.352/000176, aqui denominada “Satélite” ou “Sat”; a.1) TAS Participações S.A, CNPJ 07.901.744/000126, aqui denominada TAS Participações ou Veículo SAT; a.2) SAT Holding S.A, CNPJ 05.969.901/000100, e DBVA SAT Holdings Administração e Participações Ltda. Aqui Fl. 2765DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.766 5 denominada a primeira de SAT Holding e a segunda de DBVA SAT, e em conjunto de “Acionistas SAT”; b) Do outro lado, empresas ligadas à interveniente Ale Combustíveis S.A, CNPJ 23.314.594/000100, aqui denominada de “Ale” ou “Alesat”: b.1) Ale Participações Societárias Ltda., CNPJ 07.816.657/000170, aqui denominada de “Veículo Ale” ou Ale Participações; b.2) ISA participações S.A, CNPJ 01.513.782/000125, Samor Administração e Participações S.A, Garan participações Ltda, CNPPJ 01.524.562/000105, Metminas Participações e Empreendimentos Ltda, CNPJ 01.513.698/000101, JM Participações S.A, CNPJ 01.530.077/000136, e Vivan Moraes e Filho Participações Ltda, aqui denominadas em conjunto de “Acionistas Ale” 30. Nos “Considerando” do “Acordo de Associação”, entre as empresas Satélite Distribuidora de Petróleo S.A (Sat) e Ale Combustíveis S.A (Ale), ficou estabelecido que: a) Itens (i) e (ii) Os ramos de atuação de ambas as empresas são assemelhados; b) Item (iii) Com exceção de 07 ações detidas por membros do Conselho de Administração, os “Acionistas Sat” são titulares de 100% das ações representativas do Capital Social da Satélite (Sat); c) Item (iv) Os “Acionistas Sat” são titulares de 100% das ações representativas do Capital Social da TAS Participações S/A (veículo SAT); d) Item (v) Os “Acionistas Ale” são titulares de 100% das ações representativas do Capital Social da Ale Participações Societárias Ltda. (Veículo Ale); e) Item (vi) Com exceção de 46.370 ações detidas por membros do Conselho de Administração, a “Ale Participações Societárias Ltda. (Veículo Ale) é titular de 100% das ações representativas do Capital Social da Ale Combustíveis (Ale). 31. Para tanto, nesse “Acordo de Associação”, ficou estabelecido: a) Item (2.1) Que devido à diferença entre os valores econômicos intrínsecos atribuídos à Ale Combustíveis (R$ 278.573.000,00) e à Satélite (R$ 203.973.000,00), para que cada veículo possa deter 50% do capital da Ale Combustíveis (Ale) da qual a Satélite será subsidiária integral após as operações é necessário equalizar os valores econômicos através da reestruturação das duas empresas; Fl. 2766DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.767 6 b) Item (3.2) Que a Ale Combustíveis (Ale) deverá ser uma subsidiária integral do Ale Participações Societárias Ltda (Veículo Ale); c) Item (3.3) Que “Acionistas Sat” farão subscrição de capital da “Companhia Sat Participações” (Cia Sat) no valor da equalização dos valores econômicos; d) Item (6.1) Que a “Cia Sat” deverá ser titular do total das ações da Satélite (Sat). e) Item (6.1) – Que a totalidade do capital da “Cia Sat” deverá ser detida pelo “Veiculo Sat”, que por sua vez terá a totalidade do seu capital detida pela SAT Holding e Pela DBVA SAT, na proporção de 64% e 36%, respectivamente; f) Item (6.3) – Que “Cia Sat” incorporará a totalidade das ações de emissão da Ale; g) Item (7.1) – Que a “Cia Sat” na sequência será incorporada pela Ale; h) Item (7.3) – Que a Ale incorpore sua subsidiária integral, a Satélite. 32. Em resumo, e no que mais interessa à presente Fiscalização, observamos que as empresas envolvidas acordaram: a) que a “Cia Sat” (detentora de 100% das ações da Satélite) promova a incorporação de ações da Ale Combustíveis (Ale); b) que, na sequência, a “Cia Sat” agora a controladora da Ale, seja incorporada por sua controlada – a Ale Combustíveis S/A (Ale); c) por fim, que Ale Combustíveis (Ale), incorpore a sua subsidiária integral, a Satélite, atingindo neste momento o objetivo final do “Acordo de Associação”. II.1.a.3 Das reorganizações societárias 33. Do exame das Atas das AGE das empresas envolvidas, verificamos a realização de várias reorganizações societárias entre 03/07/2006 e 12/01/2007 em cumprimento ao “Acordo de Associação” de 30/03/2006, até a incorporação da Satélite pela Ale Combustíveis (Ale). 34. Para esta Fiscalização, tomamos como início, a data de 23/03/2006, quando houve a constituição da Companhia Sat Participações (Cia Sat) pelas empresas Sat Holding e TAS Participações, as quais subscreveram a totalidade do Capital Social da nova empresa no valor de R$ 1.000,00; cujo objeto era de “participação no capital social de outras sociedades”. 35. Em 30/03/2006 foi firmado o “Acordo de Associação”, no qual a Satélite e Ale Combustíveis (Ale) figuram como Fl. 2767DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.768 7 intervenientes, para explorarem econômica e empresarialmente suas atividades de forma compartilhada (Como acima já relatado, verificamos que esse acordo tem como objetivo a incorporação da Satélite pela Ale Combustíveis (Ale)). 36. Em 01/06/2006, a “Cia Sat” aumentou, em R$ 20.581.760,00, seu Capital Social, que era de R$ 1.000,00. O aumento foi subscrito e integralizado pela empresa “Sat Holding” mediante conferência à “Cia Sat” de créditos de titularidade da subscritora. 37. Na data de 08/06/2006 (às 09h00), a “Cia Sat” aumentou seu Capital Social em R$ 7.075.131,00 com integralização feita pelas empresas “Sat Holding” e “DBVA” em que ambas conferem a “Cia Sat” ações da Satélite de que eram titulares 38. Nesse mesmo dia (08/06/2006), às 09h30, a “Cia Sat” aumentou seu capital em R$ 11.798.900,00, sendo a sua integralização feita pela DBVA mediante a compensação de créditos detidos pela subscritora contra a Companhia. 39. Em 09/06/2006 a “Cia Sat” realizou outro aumento de capital, dessa vez no montante de R$ 15.752.326,00 com integralização feita pela empresa “TAS Participações”, que confere a “Cia Sat” ações da Satélite de que era titular. 40. Em resumo, todas essas reorganizações foram feitas para tornar a “Cia Sat” titular de todas as ações da Satélite (tal como acertado no “Acordo de Associação” acima já mencionado). 41. Em 03/07/2006, a Cia Sat (Companhia Sat Participações, CNPJ 07.933.395/000124), em operação de incorporação de ações com a “Veiculo Ale” (Ale Participações Ltda., CNPJ 07.816.657/000170), tornouse titular de todas as ações da empresa Ale (Ale Combustíveis S/A CNPJ 23.314.594/0001 00), passando essa última empresa de subsidiária integral da segunda (Veículo Ale) para subsidiária integral da primeira (Cia Sat): (...) 42. Como se vê, da leitura do Protocolo de Justificação de Incorporação de Ações, o conjunto de operações realizadas pelas empresas resulta na fusão das atividades de distribuição de combustíveis – conforme foi estabelecido no “Acordo de Associação”; e não a aquisição de uma pela outra." Como resultado das operações acima e desdobramentos posteriores, a Recorrente passou a registrar ágio decorrente de aquisição de participação societária na Cia Sat (conta 13040204 Ágio por Rentabilidade Futura Cia Sat), amortizado em 120 meses, na proporção de R$ 1.959.937,07 ao mês. O RAF, assim, descreve o surgimento do referido ágio: "II.1.a.4 Da criação do ágio e do seu ingresso no patrimônio da “Alesat” Fl. 2768DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.769 8 43. Nesse conjunto de operações, o ágio foi criado na incorporação de ações da Ale pela Cia Sat, que ocorreu da seguinte forma: a) O Capital da Cia Sat, que era de R$ 55.209.117,00, foi aumentado em R$ 55.209.117,00, passando a ser de R$ 110.418.234,00; b) A empresa “Veículo Ale” (Ale Participações Societárias Ltda.) subscreveu todas as ações, sendo o capital integralizado com a transferência de 100% das ações da Ale (Ale Combustíveis S/A), de titularidade daquela empresa, para a Cia Sat. 44. O valor patrimonial da Ale Combustíveis S/A (Ale) era de R$ 6.080.551,34, no entanto, para avaliar seu preço de mercado, seria necessária a contratação de empresa especializada. 45. Conforme consta na Ata da AGE da “Cia Sat” (Companhia Sat Participações S/A), de 03/07/2006 (em seu item 6 – Deliberações), a empresa “AVALIAR AVALIAÇOES E ASSESSORIA LTDA” foi nomeada como responsável pela elaboração dos laudos das duas empresas (Cia Sat e Ale). De acordo com a referida ata, os laudos foram elaborados e arquivados na sede da Cia Sat (Companhia Sat Participações S.A.). 46. Em fiscalização anterior, determinada pelo MPF nº 04001002102.00049, que resultou em lavratura de auto de infração formalizado por meio do processo administrativo nº 10469.723360/201362, foi apresentado Laudo de Avaliação da Ale (Ale (Ale Combustíveis S/A), que foi avaliada em R$ 313.597.000,00. Esse valor, descontados os dividendos de 2006 e as cisões ocorridas, resultou num montante de R$ 241.273.000,00. 47. Naquela oportunidade, a Fiscalizada informou não existir laudo de avaliação da “Cia Sat” de que trata a Ata da AGE da Cia Sat de 03/07/2006. 48. No entanto, mesmo não existindo laudo valorando as ações emitidas pela Cia Sat, como afirmou a Fiscalizada, quando do “lançamento dessas ações”, foi constituída uma Reserva de Capital – Ágio em Ações, no valor de R$ 186.063.883,00 da seguinte forma. Fl. 2769DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.770 9 Valor (R$ Descrição 235.192.448,66 Ágio da Ale Combustíveis (Ale) 6.080.551,34 Patrimônio líquido da Ale combustíveis (Ale) Total 241.273.000,00 Valor de Avaliação da Ale Combustíveis (Ale) 55.209.117,00 Valor do aumento de Capital Social na Cia Sat 186.063.883,00 Reserva de Capital Ágio na emissão de Ações Total 241.273.000,00 Valor incorporado ao patrimônio da Cia Sat 49. É oportuno salientar, e o “Acordo de Associação” entre as partes envolvidas ratifica, que não houve aquisição, isto é, compra e venda. Ou seja, não existiu pagamento, e sim uma permuta de ações, devidamente planejada, para que as empresas se fundissem, permanecendo os mesmos sócios de ambas. 50. Acrescentese o fato de que as novas ações emitidas pela Cia Sat não possuem qualquer avaliação que ateste (respalde) o seu valor de mercado, o qual serviu de base para a constituição da Reserva de Capital denominada de Ágio na Emissão de Ações. 51. Apesar de existir uma referência a essa avaliação na Ata da AGE da Cia Sat de 03/07/2006, a Fiscalizada esclareceu que tal documento inexiste: (...) 52. Ou seja, não existe um laudo a amparar a entrega pela Ale Participações das ações da Ale Combustíveis, avaliadas por 241.273.000,00, em troca de ações da Cia Sat no valor de R$ 55.209.117,00. 53. Mas, a sucessão dos fatos transcorreu com Cia Sat aumentando seu Capital Social, o qual era de R$ 55.209.117,00, em igual montante, passando esse a totalizar R$ 110.418.234,00, com subscrição pela Ale Participações Societárias, com integralização mediante entrega das ações da Ale Combustíveis (Ale), da qual era titular. 54. Com isso, a Cia Sat passou a ter em seu Ativo Permanente um investimento em “Ale Combustíveis” de R$ 6.080.551,34 e um “Ágio em Ale Combustíveis” de R$ 235.192.448,66, assim como um aumento na sua conta de Capital Social de R$ 55.209.117,00 e na conta de Reserva de CapitalÁgio na Emissão de Ações de R$ 186.063.883,00. 55. Dando continuidade ao processo de reestruturação societária, a Ale Combustíveis (Ale), na qualidade de investida, incorporou, a valor de livros, em 24/07/2006 a sua (recente) controladora Cia Sat (em operação denominada “incorporação às avessas”) e passou a registrar em sua contabilidade o “Ágio Ale Combustíveis”, na conta 13040104 Ágio Rentabilidade Futura Cia Sat. 56. Destaquese que esse ágio, agora registrado na Ale Combustíveis (Ale) corresponde ao mesmo ágio originado de sua avaliação quando da operação anterior (aquisição pela Cia Sat), no montante de R$ 235.192.448,00 isto é, ágio de si mesma sobre o qual não houve pagamento, mas tão somente permuta de ações. Fl. 2770DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.771 10 57. A Satélite, então subsidiária integral da Cia Sat, passou a pertencer a Ale Combustíveis na mesma condição. 58. Em 12/01/2007, a Ale Combustíveis (Ale) e a Satélite firmaram protocolo para que esta fosse incorporada por aquela. Com essa operação, as pactuantes atingiram o objetivo final do “Acordo de Associação”. 59. Finalmente, Em 25/04/2007, a Ale Combustíveis (Ale) alterou sua denominação para Alesat Combustíveis S/A, nome atual da empresa fiscalizada." A conclusão da autoridade fiscal, portanto, foi que as despesas de amortização do citado ágio seriam indedutíveis na apuração do IRPJ. Em primeiro lugar, apontou equívoco no cálculo do valor do ágio decorrente da operação: "66. O ágio ora tratado (de R$ 235.192.448,86) é aquele originado quando do lançamento das novas ações da Cia Sat no momento em que ela passou a ser controladora da Ale . Nesse momento, a Ale Participações entregou todas as ações da Ale, avaliadas em R$ 241.273.000,00, em troca de ações da Cia Sat, no valor de R$ 55.209.117,00 (como já anteriormente relatado não há laudo de avaliação das ações da Cia Sat). 67. Consta para a empresa Ale (Ale Combustíveis S.A futura Alesat) o laudo avaliandoa em R$ 241.273.000,00, mas o valor integralizado pela Ale Participações no aumento do Capital Social da Cia Sat foi de R$ 55.209.117,00. 68. Dessa maneira, não tem a AGE de 03/07/2006 da Cia Sat base para atribuir o valor de R$ 241.273.000,00 às ações emitidas para aumento do seu capital no valor de R$ 55.209.117,00. 69. Nesse ponto identificamos equívoco nos lançamentos contábeis efetuados pela Cia Sat por ocasião da operação de incorporações de ações. 70. O capital da Cia Sat foi aumentado em R$ 55.209.117,00, integralizado por ações da Ale correspondentes ao patrimônio líquido desta empresa no valor de R$ 6.080.551,34. O fato contábil que surge da operação é um aumento do patrimônio líquido (capital) e um aumento do ativo imobilizado (investimentos) no valor de R$ 55.209.117,00. 71. Considerando que as ações recebidas correspondem ao patrimônio líquido da Ale Combustíveis no valor de R$ 6.080.551,34, há um ágio no valor de R$ 49.128.565,66. Não há fato contábil que justifique o registro de ágio no valor de R$ 235.192.448,66. Eis que, as ações da Ale foram avaliadas ao valor de mercado por R$ 241.273.000,00, entretanto, essas ações foram entregues à Cia Sat em troca de ações dessa última pelo valor de R$ 55.209.117,00 e não de R$ 241.273.000,00. Fl. 2771DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.772 11 72. Para uma amortização em 120 meses, o ágio de R$ 49.128.565,66 resulta num valor de R$ 409.404,71 por mês, ou seja, R$ 4.912.856,57 por ano; diferente dos R$ 1.959.937,07 por mês e de R$ 23.519.244,87 por ano, como está registrado pelo contribuinte." Além disso, considerou não ter havido aquisição de participação societária nas operações, de modo que não teriam sido atendidas as exigências do art. 386 do RIR/99, para a dedutibilidade das despesas de amortização do ágio na base de cálculo do IRPJ: "73. Ademais, temos que observar que, mesmo que as ações da Cia Sat fossem avaliadas pelos R$ 241.273.000,00 (como quis considerar a empresa), no conjunto das duas últimas operações realizadas incorporação das ações da Ale pela Cia Sat e a posterior incorporação desta empresa por aquela – não há a presença de participação societária adquirida com ágio, como é exigido pelo art. 386 do RIR/1999. (...) 76. Assim, o ato jurídico de aquisição exige que haja a transferência de titularidade do bem objeto do ato. Esse fato não ocorreu no conjunto de operações procedidas pela fiscalizada. Vejamos porque. 77. Na primeira operação, na incorporação de ações, a ações da Ale antes pertencentes à Ale Participações passaram a ser de propriedade da Cia Sat. Juridicamente podese dizer que houve uma operação de aquisição, pela qual a Cia Sat adquiriu a propriedade das ações da Ale, antes de propriedade da Ale Participações. No entanto, essa transferência de titularidade é apenas aparente. Por quê? 78. Primeiro, porque a incorporação de ações é uma operação regulada pelo art. 252 da Lei nº 6.404/1976, pela qual o antigo proprietário não perde completamente a titularidade das ações transacionadas. E, nesse caso, a Ale Participações deixou de ser titular das ações da Ale, sua anterior controlada, mas passou a ser titular de ações, representativas de 50% do capital da Cia Sat, a nova titular das ações da Ale; ou seja, não houve a desvinculação jurídica entre a Ale Participações e a Ale, pois, esta continua controlada ou coligada daquela. 79. Segundo, porque com a incorporação da Cia Sat pela Ale, a situação jurídica volta ao estado inicial, ou seja, a Ale Participações é proprietária de ações da Ale, sem modificação de quantidade ou de valores. 80. Desse modo, as ações para as quais houve reconhecimento contábil de ágio eram de titularidade da Ale Participações e assim continuaram. 81. Em suma: não houve transferência de titularidade dessas ações, portanto, não se pode dizer que no bojo dessas operações há ações adquiridas com ágio. Fl. 2772DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.773 12 82. Conforme se verifica no regramento acima, é claro que o requisito da dedutibilidade está condicionado ao fato da pessoa jurídica que está absorvendo o patrimônio de outra, possua, nessa outra, participação societária adquirida com ágio. 83. No presente caso, não se pode admitir como efetiva a ocorrência de aquisição de investimento com ágio na operação, pois não houve efetivo pagamento/assunção dívida. O ágio ora tratado é meramente escritural, não havendo qualquer pagamento, distorcendo por completo a figura desse instituto. 84. A Reorganização Societária realizada consistiu numa série de procedimentos que construiu uma situação contábil de aproveitamento (indevido) do benefício fiscal de amortização do ágio previsto no art. 386 do RIR/99." Deste modo, foi lavrado o auto de infração com a adição dos valores referentes à amortização do referido ágio ao lucro líquido. Em adição, como decorrência da constatação anterior e do fato de a Recorrente apurar o IRPJ com base no lucro real anual, foi apurada a ausência de recolhimentos por estimativa em diversos meses dos anoscalendários auditados, resultando na exigência da multa isolada prevista no art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei nº 9.430, de 1996. Finalmente, como resultado da infração apurada, o prejuízo fiscal registrado pela Recorrente em relação ao anocalendário de 2010, no valor de R$ 2.741.610,41, passou a representar um lucro real de R$ 20.777.634,45. Como o Sistema de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal (Sapli) não registrava nenhum saldo de prejuízos fiscais acumulados em 31/12/2009, foi lavrado auto de infração pela compensação indevida de prejuízos nos anoscalendários de 2011 e 2012, nos montantes, respectivamente, de R$ 3.526.666,34 e R$ 4.875.720,89. Em relação à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a autuação decorreu da ausência de declaração e pagamento por parte da Recorrente, que se julgava albergada por decisões judiciais proferidas nas seguintes ações judiciais: a) Ação Ordinária nº 89.00013068 (000278332.1989.4.01.3800), da 7ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais (MG); b) Recurso Especial nº 1.118.893 MG (2009/00111359) c) Apelação Cível nº 2007.01.99.0269513 (002765583.2007.4.01.9199) do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, processo originário nº 0000.27.06.0928895/MG. De acordo com a análise realizada no RAF, contudo, a partir das conclusões exaradas nos Pareceres PGFN/CRJ nº 492/2011 e nº 975/2011, não haveria decisão judicial que amparasse a prática da Recorrente nos anoscalendários de 2011 e 2012, posto que posteriores ao trânsito em julgado da decisão proferida na ADI nº 152/DF. Fl. 2773DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.774 13 Assim, foram constituídos os valores relativos à CSLL relativa aos anos calendários auditados, com o reflexo da indedutibilidade da despesa com amortização do ágio já tratado. Foi constituída, ainda, a multa isolada em relação aos meses em que não houve o recolhimento da CSLL por estimativa, de modo semelhante ao que ocorreu para o IRPJ. Na Impugnação de fls. 2.315 a 2.402, a Recorrente principia descrevendo as operações ocorridas, no que não diverge do RAF. Contesta o lançamento, porém, com os seguintes argumentos: (i) decadência do direito de o Fisco questionar a formação do ágio, uma vez que a incorporação de ações ocorreu em 2006 e as amortizações foram iniciadas em agosto daquele ano; (ii) a separação entre custo avaliado por equivalência patrimonial e o ágio ou deságio não é uma opção do contribuinte, mas uma determinação do art. 20, §1º, e art. 21 do DecretoLei nº 1.598, de 1977; (iii) é "irrelevante o título jurídico pelo qual o investimento tenha sido adquirido, podendo a aquisição ter ocorrido por qualquer ato ou negócio jurídico" e a contraprestação da aquisição corresponder a um pagamento em dinheiro ou a outra qualquer obrigação da adquirente; (iv) o ágio em discussão seria real, tendo decorrido de efetiva aquisição de participação societária, verificada entre partes independentes, além de estar devidamente registrado e lastreado em documentação necessária e suficiente, para evidenciar seu fundamento econômico, consistente em expectativa de rentabilidade futura; (v) nulidade em relação à impossibilidade de dedutibilidade de ágio decorrente de incorporação de ações, posto que a acusação não teria embasamento legal; (vi) a incorporação de ações implicaria a aquisição de participação societária, sendolhe aplicável a legislação relativa à dedutibilidade do ágio, uma vez que esta não restringe a modalidade de aquisição; (vii) a aquisição de que tratam os autos teria sido real, com a formação de uma nova empresa; (viii) a incorporação de ações, apesar de não ser uma permuta, teria os mesmos efeitos desta, forma de aquisição/alienação de investimento que seria reconhecida pelo Fisco; (ix) a incorporação de ações não seria uma permuta, pois a transferência de titularidade se daria com valor estipulado diverso do custo do bem; a contraprestação teria um preço equivalente ao valor atribuído às ações quando do aumento de capital da companhia incorporadora; na permuta, os bem permutados já existiam, ao passo que na incorporação de ações somente existiam as ações incorporadas; e, na incorporação de ações, haveria a sub rogação real legal; Fl. 2774DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.775 14 (x) "ainda que se pudesse equiparar a incorporação de ações à permuta, esta também seria modalidade de alienação e, como consequência, de aquisição de investimento", de modo que aplicável o regime de amortização fiscal do ágio; (xi) a alegação de ausência de efetivo pagamento não invalidaria a apuração do ágio, posto que qualquer aquisição geraria ágio, e não apenas as decorrentes de compra e venda com o pagamento de preço em dinheiro; (xii) não haveria ágio "em si mesma", pois o ágio adviria de operações praticadas entre partes não relacionadas e o art. 8º da Lei nº 9.532, de 1997, considera válida a incorporação reversa; (xiii) a pessoa jurídica incorporadora era "empresa operacional, que detinha todos os requisitos materiais para incorporar a outra", de modo que a incorporação praticada efetivamente não mereceria qualquer censura; (xiv) em consonância com o art. 252 da Lei nº 6.404, de 1.976, o custo de aquisição não corresponderia "ao preço de emissão das novas ações (R$ 241.273.000,00), mas, sim, ao valor efetivamente registrado como aumento de capital (R$ 55.209.117,00), devendo ser desprezado o valor de R$ 186.083.883,00, registrado em reserva de capital"; (xv) "nas ações sem valor nominal, o preço de emissão das ações pode ser fixado de acordo com a realidade do mercado, sendo que novas ações podem ser emitidas pela companhia por preço superior ou inferior às emissões anteriores", sendo que parte do preço de emissão das ações que ultrapassar a importância destinada à formação do capital será registrada em reserva de capital, por força do art 182. §1º, alínea "a", da Lei nº 6.404, de 1976; (xvi) o valor de R$ 241.273.000,00 é o valor de mercado da ALE Combustíveis constante em laudo de avaliação juntado aos autos e não questionado pela fiscalização; (xvi) a ausência do laudo de avaliação das novas ações emitidas pela Cia SAT não interfere no valor do custo de aquisição do investimento, que seria "mera decorrência do preço de emissão das ações"; (xvii) a lei fiscal não condicionaria "a apuração do custo de aquisição à obtenção de qualquer laudo ou trabalho técnico, estando o custo apenas sujeito à prova de sua efetividade, o que se dá por todos os meios de prova admitidos em direito"; (xviii) não haveria fundamento para sustentar que o valor das ações emitidas pela Cia SAT seria R$ 55.209.117,00, quando estas não possuíam valor nominal; (xix) a Lei nº 6.404, de 1976, não "exige laudo para a avaliação das ações da empresa incorporadora, exigindoo apenas para a empresa incorporada"; (xx) no caso tratado não havia acionistas minoritários, de modo que a avaliação das empresas, na forma do art. 264 da referida Lei, seria desnecessária; (xxi) o saldo de prejuízos fiscais acumulado constante da parte B dos Lalur relativos aos anos de 2010, 2011 e 2012 seria suficiente para as compensações realizadas, ainda que se considere as adições referentes à amortização do ágio; Fl. 2775DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.776 15 (xxii) haveria erro na determinação da matéria tributável em relação ao lançamento da CSLL, posto que a autoridade fiscal teria aplicado a alíquota de tal contribuição ao valor do lucro real, base de cálculo do IRPJ; (xxiii) apenas quando haja norma específica, as adições e exclusões relativas à base de cálculo do IRPJ não podem ser aplicadas por analogia à CSLL; (xxiv) as despesas financeiras com operações "daytrade" não são indedutíveis para a apuração da base de cálculo da CSLL; (xxv) por conta dos referidos erros, haveria nulidade do lançamento; (xxvi) a superveniência das Leis nº 7.856, de 1989, 8.034, de 1990, 8.212, de 1991, e Lei Complementar nº 70, de 1991, não ten o condão de afastar a decisão judicial com trânsito em julgado favorável à Recorrente, conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no Resp nº 1.118.893/MG); (xxvii) a decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região na Apelação Cível nº 2007.01.99.0269513, aplicou o precedente do STJ e atestou que o julgamento posterior do Supremo Tribunal Federal na ADI nº 15/DF não afasta a coisa julgada; (xxviii) os precedentes do CARF confirmam a tese da Recorrente; (xxix) as orientações dos Pareceres PGFN/CJF nº 492 e 975 são incompatíveis com o sistema constitucional brasileiro e representam uma afronta à coisa julgada; (xxx) haveria vício na autuação da CSLL (violação ao art. 146 do CTN), por mudança em critério jurídico, uma vez que, em fiscalização anterior, teria sido respeitada a coisa julgada em favor da Recorrente; (xxxi) inaplicabilidade da multa de ofício ao lançamento referente à CSLL, posto que a impugnante agiu em observância a decisão judicial com trânsito em julgado, conforme art. 76, inciso II, alínea "a" da Lei nº 4.502, de 1964; (xxxii) descabimento da multa isolada relativa às estimativas mensais não recolhidas, após o término do período de apuração e em concomitância com a multa de ofício; (xxxiii) não incidência dos juros sobre a multa de ofício. A DRJ/Curitiba proferiu, então, o Acórdão ora recorrido (fls. 2.498 a 2.574), no qual: a) rejeitou a alegação de nulidade por ausência de fundamentação legal dos autos de infração, uma vez que todos os requisitos formais invocados pela Impugnante teriam sido rigorosamente obedecidos pela autoridade fiscal; b) afastou a alegação de decadência do direito de o Fisco questionar a formação do ágio, posto que "a contagem do prazo decadencial de cinco anos somente começou quanto a contribuinte passou a amortizar o ágio em tela"; Fl. 2776DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.777 16 c) considerou que os grupos ALE e SAT formavam, a partir do Acordo firmado em 30/03/2006, um grupo de fato; d) julgou inexistir justificativa econômica para que o capital de Cia Sat fosse elevado de R$ 1.000,00 para R$ 55.209.117,00, servindo o artifício para a geração do excedente contabilizado como Reserva de Ágio, o qual teria sido aproveitado pela ALE Combustíveis S/A, constituindo "ágio de si mesma"; e) reputou procedente, portanto o lançamento fiscal, pois não se poderia "admitir a redução do resultado tributável em decorrência da amortização de ágio artificial", o qual "não decorreu de uma expectativa de rentabilidade futura apurada no momento da fusão acordada", mas de uma reavaliação do patrimônio de uma das partes, transmitida para a interessada mediante uma troca de papéis, sem ônus algum para as partes; f) sustentou que o surgimento do ágio dedutível exige a ocorrência de negociação entre partes independentes e que in casu "não houve a avaliação independente do patrimômio da Cia SAT, elemento essencial para a determinação do ágio", valendo as conclusões do OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007 da Comissão de Valores Mobiliários – CVM; g) apontou que o ágio "representa, portanto, uma antecipação paga por um fluxo de rentabilidade futura que antes não se possuía, mas nas negociações entre ALE e SAT não se verifica essa relação de substituição patrimonial, pois o controle comum já estava previamente decidido, e, desse modo, a rentabilidade seria de qualquer forma reconhecida em suas demonstrações por meio de futura equivalência patrimonial"; h) afastou a alegação de que as conclusões do referido OfícioCircular não se aplicariam ao caso, por ser posterior aos fatos discutidos, pois ele faz referências a situações anteriores à sua publicação; i) rejeitou a aplicação da jurisprudência administrativa citada pela Impugnante, por não possuir caráter normativo, na forma do art 100 do CTN; j) assinalou que, para a dedutibilidade do ágio ser admitida, é imprescindível que "a pessoa jurídica que incorporou a sociedade adquirida, ou foi por ela incorporada, seja a que de fato suportou o ônus do ágio na aquisição da participação societária", o que não teria ocorrido na hipótese dos autos; k) argumentou que "o ágio deve ser conceituado como a diferença entre o custo de aquisição e o valor patrimonial do investimento", não havendo distinção entre o conceito contábil e tributário; l) em relação à compensação indevida de prejuízos fiscais, apontou divergência entre o saldo acumulado registrado pelo sujeito passivo e aquele constante do Sapli, pelo que conclui pela procedência da autuação; m) no que tange à CSLL, considerou que as legislações posteriores que modificaram a Lei nº 7.689, de 1998, alteraram a norma de incidência da CSLL, de modo a afastar o alcance da coisa julgada favorável à Impugnante; Fl. 2777DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.778 17 n) julgou procedente a Impugnação, no tocante à ausência de previsão legal para a inclusão da glosa de prejuízos das operações "daytrade" na base de cálculo da CSLL, no anocalendário de 2011; o) rejeitou a alegação de mudança de critério jurídico, em relação à CSLL, por entender que a constatação de infrações à legislação tributária ocorridas em períodos posteriores aos já auditados, com base em novo fundamento jurídico, não ofende o art. 146 do CTN; p) por fim, manteve a aplicação da multa isolada pelo não recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL, por se tratar de penalidade distinta da multa de ofício incidente sobre o saldo apurado no encerramento de cada anocalendário. Intimado da decisão de primeira instância, o sujeito passivo apresentou o Recurso Voluntário de fls. 2.588 a 2.662, por meio do qual argui, inicialmente, a nulidade da decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa, em decorrência de inovação no julgamento, referente à alegação de operação intragrupo, de utilização de princípios contábeis e da prevalência da substância econômica sobre a forma jurídica e de que o ágio amortizado não decorreu de uma expectativa de rentabilidade futura. Repete a alegação de decadência do direito de o Fisco contestar a amortização do ágio após cinco anos de sua formação. Rebate as fundamentações do Acórdão da DRJ, sustentando que: (i) o ágio amortizado não se confunde com o valor registrado em conta de reserva de capital a título de "ágio de subscrição de ações". Após repetir o já trazido na Impugnação, para detalhar o ágio amortizado, afirma que o ágio na emissão de ações, "diferentemente do ágio na aquisição de investimentos, surge quando a subscrição de capital compreende montante superior ao valor nominal ou ao valor destinado à formação do capital social, no caso de ações sem valor nominal"; (ii) a operação não ocorreu entre partes relacionadas, mas se tratou de uma reorganização societária envolvendo grupos distintos; (iii) o OfícioCircular CVM nº 01/2007 não tem aplicação, posto que o ágio fiscal não se confunde com o ágio contábil; (iv) o princípio da primazia da substância econômica sobre a forma jurídica "somente pode produzir efeitos quando o legislador tributário tiver utilizado um conceito contábil como ponte de intermediação entre o sistema jurídico e a economia"; (v) não havia na legislação vigente à época dos fatos de que tratam os autos, vedação à apuração de ágio entre partes relacionadas, o que só veio a ocorrer após a edição da Medida Provisória nº 627, de 2013. Repete, então, os argumentos já trazidos na Impugnação, acerca da amortização do ágio e das demais matérias. Fl. 2778DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.779 18 O processo foi distribuído, por sorteio, ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves, que se declarou impedido à fl. 2.760, de modo que, mediante novo sorteio, foi redistribuído a este Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator 1. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via eletrônica, em 05 de maio de 2016 (fl. 2.585), tendo apresentado Recurso Voluntário em 06 de junho de 2016, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, uma vez que o último dia do referido prazo (04/05) foi um sábado. O Recurso é assinado física e digitalmente por Procuradores, devidamente constituídos conforme fls. 2.663 a 2.694. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, incisos I e IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 2. DA NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO Antes da apreciação do Recurso, cabe suscitar, de ofício, a nulidade parcial da decisão de primeira instância, posto que deixou de analisar uma das matérias contidas na Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. É que, embora a Recorrente não tenha dedicado tópico específico da sua Impugnação para defender a impossibilidade da aplicação de juros sobre as multas de ofício aplicadas, a leitura da parte final da peça impugnatória revela que o sujeito apresentou alegações em relação a esta matéria: "Mas, ainda na hipótese de ser mantida a exigência fiscal, inclusive as multas, deve ser afastada a incidência dos juros de mora sobre o valores das penalidades, pois a lei somente prescreve a aplicação do referido encargo sobre as multas isoladas. Realmente, o art. 61, "caput" e parágrafo 3ª , da Lei nº 9.430, somente autoriza a incidência de juros sobre débitos "decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" (grifo da impugnante), sendo que os parágrafo 1º e 2º tratam minuciosamente do cálculo das multas sem prescrever a incidência de juros sobre elas. Fl. 2779DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.780 19 Ora, em decorrência do art. 3º do CTN, as multas não possuem natureza jurídica de tributo ou contribuição, o que, inclusive, é indisputado na doutrina e na jurisprudência. Diante disso, não cabe a aplicação do art. 61 da Lei n. 9.430, que não previu a incidência de juros sobre as multas, mas apenas sobre o valor do principal de tributos e contribuições. (...) A comparação entre os dispositivos citados demonstra que a lei determina a cobrança de juros apenas sobre a multa isolada, que se constitui em crédito tributário principal, e não a determina sobre o valor da multa calculada proporcionalmente ao principal do tributo devido, pois é este que constitui o crédito tributário principal." O Acórdão recorrido, contudo, é totalmente silente em relação a tal matéria. A omissão do julgador caracteriza a hipótese de nulidade prevista no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972, "preterição do direito de defesa", pois, ao mesmo tempo, não analisa as razões recursais trazidas pelo autuado e não lhe possibilita ter o tema analisado pela segunda instância do contencioso. Destaquese que a matéria é reiterada no Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo, nos mesmos termos trazidos na Impugnação, de modo que a manifestação desta Turma, diante da omissão da autoridade a quo, constituiria supressão de instância. Diante do princípio utile per inutile non vitiatur, esta turma, repetidamente, tem decidido pela anulação parcial do Acórdão, devolvendo à autoridade julgadora de primeira instância apenas a apreciação da matéria sobre a qual não se pronunciou. É o que se observa nos seguintes julgados: Acórdão nº 1302002.041 (Rel. Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, sessão de 15 de fevereiro de 2017), Acórdão nº 1302001.948 (Rel. Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, sessão de 09 de agosto de 2016), e Acórdãos nº 1302002.562 (sessão de julgamento de 21 de fevereiro de 2018), nº 1302002.267 (sessão de 13 de março de 2018) e 1302003.035 (sessão de julgamento de 17 de agosto de 2018), todos da relatoria deste Conselheiro. No caso sob apreciação, porém, conforme preliminar sustentada pela Recorrente, o Acórdão recorrido padece de outra nulidade, esta a macular todo o julgamento realizado. É que a autoridade fiscal, conforme bem sintetizado pela Recorrente, fundamentou a glosa da amortização do ágio, nos seguintes aspectos: "1 não se pode falar em ágio gerado em operação de incorporação de ações, uma vez que não há efetivo pagamento, mas simples troca de papéis; e 2 não houve transferência de titularidade do investimento, visto que a Ale Participações deixou de ser titular das ações da Ale Combustíveis, mas passou a ser titular de ações representativas de 50% do capital da Cia Sat, nova titular das ações da Ale." Fl. 2780DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.781 20 Entretanto, os julgadores a quo, ao apreciarem a Impugnação, fundamentaram a decisão em argumentos distintos para a manutenção do lançamento, quais sejam: (i) que os grupos ALE e SAT formavam, a partir do Acordo firmado em 30/03/2006, um grupo de fato, de modo que a operação que resultou no surgimento do ágio amortizado foi realizada intragrupo, o que impediria a sua dedutibilidade ; (ii) que não haveria distinção entre o conceito contábil e tributário de ágio, fazendo a utilização de princípios contábeis e da prevalência da essência das transações sobre os aspectos formais; (iii) que o ágio amortizado não decorreu de uma expectativa de rentabilidade futura apurada no momento da fusão acordada, mas de uma reavaliação do patrimônio de uma das partes. É sabida a impossibilidade de que os critérios utilizados no lançamento sejam alterados pelas autoridades julgadoras, uma vez que tal conduta atentaria contra a segurança jurídica e violaria o direito ao contraditório e à ampla defesa assegurado aos contribuintes. É que, no momento da constituição do crédito tributário, são fixados, pela autoridade responsável pelo lançamento, as premissas fáticas e jurídicas sobre as quais o ato administrativo é praticado. É em relação a tais fundamentos que o autuado vai construir a sua defesa, a qual será submetida às instâncias do contencioso administrativo. Tornase, portanto, inadmissível que, no momento do julgamento, seja introduzido novo fundamento jurídico, totalmente alheio aos autos e ignorado, até então, pelo litigante, que não teve a oportunidade de a ele se contrapor. A inovação operada no Acórdão recorrido conduz à constatação da ocorrência da nulidade de que trata o já referido art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972. De fato, a manutenção da glosa da dedutibilidade da amortização do ágio sob fundamentação totalmente diversa daquela utilizada no lançamento, constitui cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, ocasionando a nulidade do Acórdão da DRJ. O procedimento encontra abrigo na jurisprudência do CARF, conforme o seguinte julgado: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2002 INOVAÇÃO NOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO PELAS AUTORIDADES JULGADORAS. IMPOSSIBILIDADE. Às autoridades julgadoras de primeira instância não compete o aprimoramento do lançamento realizado. A adoção de critérios novos para a manutenção do lançamento, em conteúdo diverso daquele inicialmente utilizado, importa em efetiva nulidade da Fl. 2781DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.782 21 atuação das autoridades julgadoras." (Acórdão nº 1201001.557 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, sessão de 14 de fevereiro de 2017, Relator Conselheiro Luís Fabiano Alves Penteado) E, inclusive, desta Turma Julgadora, conforme Acórdão nº 1302002.267, sessão de 13 de março de 2018, de relatoria deste Conselheiro e ementa de mesmo teor do Acórdão acima. 3. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para declarar a nulidade da decisão de primeira instância, determinando, então, o retorno dos autos à DRJ/Curitiba, para que seja realizado novo julgamento, atendose aos critérios jurídicos utilizados no lançamento, e analisando todas as matérias suscitadas na peça impugnatória. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 2782DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16027.000365/2010-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
A fruição do beneficio fiscal decorrente de estabelecimentos instalados na área da extinta SUDAM dar-se-á a partir da data em que a pessoa jurídica apresenta pleito nos termos do art. 18 da Portaria do Ministério da Integração Nacional n. 2091/07.
Numero da decisão: 1402-003.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar as compensações realizadas até o limite do crédito reconhecido. Ausentes momentaneamente os conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados).
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausentes momentaneamente os conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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A fruição do beneficio fiscal decorrente de estabelecimentos instalados na área da extinta SUDAM darseá a partir da data em que a pessoa jurídica apresenta pleito nos termos do art. 18 da Portaria do Ministério da Integração Nacional n. 2091/07. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar as compensações realizadas até o limite do crédito reconhecido. Ausentes momentaneamente os conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados). (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausentes momentaneamente os conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 7. 00 03 65 /2 01 0- 56 Fl. 286DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face da r. decisão proferida pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SP que, por unanimidade de votos, decidiu julgar improcedente a Manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Ante o minucioso relatório da r. DRJ adotoo em sua integralidade, complementando ao fim com o que entender necessário: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório de fls. 92 a 96 que homologou em parte o PER/DCOMP nº 22844.80171.171208.1.3.040011, transmitido com o objetivo de compensar débito(s) próprio(s) com crédito de IRPJ, Código de Receita 2430, no valor original na data de transmissão de R$ 1.831.652,53, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 29/02/2008. A DCOMP em tela, foi analisada pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária (SEORT) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba que emitiu o Despacho Decisório em comento, pelo qual o crédito indicado foi reconhecido em parte. A autoridade administrativa relata que o contribuinte deduziu do imposto apurado o montante de R$ 1.689.250,14 decorrente de incentivos fiscais incidente sobre projetos aprovados na área da SUDAM. Cita que o Pedido de Reconhecimento do Direito à Redução do IRPJ protocolado na DRF/SOROCABA em 14/07/2008, não foi apreciado. Entende, que em face do disposto nos parágrafos 1º e 2º do artigo 60 da IN SRF nº 267 de 23/12/2002, somente a partir de 12/11/2008, o contribuinte poderia usufruir do beneficio fiscal em comento. Conclui que é incabível a aplicação do incentivo no anocalendário de 2007. A glosa em comento implicou na alteração do saldo de IRPJ a apagar de R$ 76.365.566,76 para R$ 78.054.816,90, de forma que o credito disponível para compensação foi reduzido a R$ 125.509,89. Cientificado em 04/02/2011, o contribuinte por meio de seu procurador, impugnou o despacho decisório em 09/03/2011, manifestando a sua inconformidade às fls. 148 a 152, alegando em apertada síntese que segundo o disposto no artigo 8º, parágrafo 10 do Decreto nº 64.214/1969, bem como no § 1º do artigo 80 da IN SRF nº 267/2007: A fruição do benefício fiscal darseá a partir da data em que a pessoa jurídica apresentar ao órgão competente do MI requerimento solicitando a declaração de que satisfaz as condições estabelecidas para o gozo do favor fiscal. Conclui que a fruição do beneficio se dá com o Protocolo do Projeto datado de 03/05/2007 que anexa às fl. 154. Após analisar os autos, assim decidiu a r. DRJ: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/02/2008 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A fruição do beneficio fiscal decorrente de estabelecimentos instalados na área da extinta SUDAM, após 25/08/2000, darseá a partir do anocalendário da expedição do laudo pelo órgão competente do Ministério da Integração Social, quando o mesmo for emitido após o ultimo dia útil do mês de março. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 287DF CARF MF Processo nº 16027.000365/201056 Acórdão n.º 1402003.412 S1C4T2 Fl. 1.112 3 A Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário em que aduz o cerceamento do direito de defesa, haja vista a simples citação do dispositivo legal sem a indicação precisa de sua correlação com o fato objeto de indeferimento do direito creditório. Afirma que é inconteste o direito a redução do IRPJ. A controvérsia cingese ao momento em que a Recorrente poderia se aproveitar do incentivo. De um lado a Administração Pública apresenta o prazo previsto no art. 60, § 1º da IN 267/2002 enquanto a Recorrente apregoa a aplicação do art.18 da Portaria DO Ministério da Integração Nacional nº 2091/2007. Sustenta eu o art. 84 da IN SRF 267/02 somente se aplica a novos empreendimentos protocolizados a partir de 2000, enquanto no caso não se está diante de um novo empreendimento, já que este existiria desde 1993, o que seria comprovado inclusive a partir dos documentos apresentados ao Ministério da Integração Nacional, como por exemplo, o pedido de manutenção de empreendimento de fls 154. Segue afirmando que afastado o art. 60, §§ 1º e 2º pelo acórdão da DRJ, somente seria possível seguir as diretrizes prescritas nos arts. 17 e 18 da Portaria Ministerial nº 2091/07, o que lhe permitiria fruir do benefício já em 2007. Afirma ainda que não existiriam condições para convalidação do benefício nos termos do art. 178 do CTN. Cita jurisprudência do e. STJ. É o relatório. Fl. 288DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. MÉRITO A controvérsia cingese ao momento em que se verifica a fruição do benefício fiscal de redução do IRPJ de empreendimento localizado na SUDAM. A autuação pautouse na premissa de que o empreendimento verificouse a partir de 2006, pois o empreendimento está vinculado a um CNPJ que foi aberto em 24.05.2006, aplicável, portanto, o disposto no art. 84 da IN SRF 267/02: Art. 84. Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do anocalendário de 2000 e até 31 de dezembro de 2013, as pessoas jurídicas que tenham projeto protocolizado e aprovado após 24 de agosto de 2000, para instalação de empreendimentos enquadrados em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, na área de atuação da extinta Sudam, terão direito à redução de 75% (setenta e cinco por cento) do imposto, inclusive adicional, pelo prazo de até dez anos, incidente sobre os resultados adicionais por eles criados, calculado com base no lucro da exploração. § 1º A fruição do benefício fiscal referido no caput darseá a partir do anocalendário subseqüente àquele em que o projeto de instalação entrar em operação, segundo laudo expedido pelo órgão competente do MI até o último dia útil do mês de março do ano calendário subseqüente ao do início de operação. § 2º Na hipótese de expedição de laudo constitutivo após a data referida no § 1º, a fruição do benefício darseá a partir do anocalendário da expedição do laudo. § 3º O prazo de fruição do benefício fiscal é igual ao período compreendido entre o ano de início de fruição e 31 de dezembro de 2013, não podendo exceder a dez anos. § 4º O laudo a que se referem os §§ 1º e 2º será expedido em conformidade com normas estabelecidas pelo MI. A Recorrente de sua parte entende que o empreendimento existe desde 1993, não se aplicando referido dispositivo a contenda, referido CNPJ apenas refletiria a incorporação do estabelecimento pela Recorrente. De minha parte, entendo que a incorporação deve ser neutra em relação à determinação dos efeitos para aproveitamento do benefício em questão. Este entendimento pode ser extraído a partir do disposto no art. 85, § 6º da IN SRF 267/02: Art. 85. As pessoas jurídicas que tiverem projetos aprovados ou protocolizados até 14 de novembro de 1997, na extinta Sudam, relativamente a modernização, ampliação ou diversificação de empreendimentos industriais ou agrícolas na área de sua atuação, ficarão isentas do imposto, inclusive adicional, calculado sobre os resultados adicionais por eles criados, pelo prazo de até dez anos a contar do período de Fl. 289DF CARF MF Processo nº 16027.000365/201056 Acórdão n.º 1402003.412 S1C4T2 Fl. 1.113 5 apuração em que o projeto de modernização, ampliação ou diversificação entrar em fase de operação, segundo laudo constitutivo expedido pelo órgão competente do MI. § 1º O benefício de que trata o caput aplicase também às pessoas jurídicas que tenham modernizado, ampliado ou diversificado empreendimento industrial ou agrícola na área de atuação da extinta Sudam até 31 de dezembro de 1997. § 2º Somente serão contemplados com a isenção prevista neste artigo, as pessoas jurídicas cujos projetos de modernização, ampliação ou diversificação acarretarem, pelo menos, cinqüenta por cento de aumento da capacidade real instalada do respectivo empreendimento, compreendida toda a unidade produtora. § 3º O órgão competente do MI expedirá laudo técnico atestando a equivalência percentual do acréscimo da capacidade instalada. § 4º A isenção concedida para projetos de modernização, ampliação ou diversificação não atribui ou amplia benefícios a resultados correspondentes à produção anterior. § 5º A fruição da isenção fica condicionada à observância, pela empresa beneficiária, dos dispositivos da legislação trabalhista e social e das normas de proteção e controle do meio ambiente, podendo o órgão competente do MI, a qualquer tempo, verificar o cumprimento do disposto neste parágrafo. § 6º Para os efeitos do benefício de que trata este artigo, não se considera como modernização, ampliação ou diversificação, a simples alteração da razão ou denominação social, a transformação, a incorporação ou a fusão de empresas existentes. Adotando esta premissa, pareceme que não se aplica a espécie o disposto no art. 84 da mesma IN. Em relação ao disposto nos arts. 17 e 18 da Portaria do Ministério da Integração Nacional nº 2.091/07, a própria Portaria aponta como fundamento de validade o art. 8º do Decreto nº 64.214/1969. Não podendo a autoridade administrativa fazer juízo de validade da referida Portaria, sob risco de usurpação de competência. Isto posto, entendo que assiste razão a Recorrente. O início da fruição do benefício se dá a partir da data em que a pessoa jurídica apresenta pleito a SUDAM nos termos do art. 18 da Portaria do Ministério da Integração Nacional n. 2091/07. Fl. 290DF CARF MF 6 3. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto pela reforma do r. Acórdão recorrido para dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar as compensações realizadas até o limite do crédito reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 291DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.722509/2014-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 09/09/2014
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO.
A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria.
Numero da decisão: 3301-005.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL
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DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 25 09 /2 01 4- 22 Fl. 35766DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo a exigência da multa substitutiva da pena de perdimento em razão da falta de comprovação da origem lícita, da disponibilidade e da transferência dos recursos empregados na operação de importação, tendo se por configurado dano ao Erário em razão da interposição fraudulenta presumida na importação. Em sua Impugnação, o contribuinte requereu a declaração de nulidade do auto de infração ou, alternativamente, o cancelamento da ação fiscal, em razão da ausência de provas da prática das infrações apontadas, cancelandose a pena de perdimento imposta e extinguindose, por conseguinte, o respectivo processo administrativo. Foram apresentados os seguintes argumentos de defesa (ora descritos de forma sintética); a) nulidade da autuação por vício no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), em razão de ofensa aos princípios da legalidade, impessoalidade, isonomia, publicidade e quanto aos critérios norteadores da seleção para a nova fiscalização, bem como vício formal consistente na falta de autorização da autoridade competente para deflagrar o procedimento especial e vícios materiais decorrentes da imposição de restrições e exigências ao arrepio da lei; b) o auto de infração encontrase sedimentado em presunções, carregadas de subjetividade, devendo ser também no campo do provável que deveriam ser usados os argumentos da Impugnante, sempre em estrita obediência aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade admitidas em direito; c) quem não importou nem adquiriu mercadorias estrangeiras não pode ser sujeito da aplicação da penalidade de perdimento; d) foram apresentados os documentos requeridos pela Fiscalização, ainda que não na forma e nos formatos digitais requeridos, o que por si só não configura interposição fraudulenta presumida; e) regularidade da empresa como importadora, licitude e legalidade das importações da forma realizadas; f) ofensa ao princípio da verdade material, dada a impropriedade da alegação de interposição fraudulenta presumida; g) inexistência de falsidade ideológica e inexistência de simulação de negócio jurídico; h) ausência de demonstração do dolo específico de fraudar e impossibilidade de caracterização da infração de interposição fraudulenta; Fl. 35767DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 4 3 i) ausência de dano ao erário em razão do não cometimento das alegadas infrações (presunção de inocência) e em face do recolhimento dos tributos incidentes. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 16069.594, julgou improcedente a Impugnação, considerando configurado o dano ao erário e aplicável a pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao seu valor aduaneiro. Afirmou, ainda, a autoridade julgadora que a presunção decorre de lei e implica na inversão do ônus da prova, atribuindose ao importador a responsabilidade da demonstração da forma de financiamento de suas importações; e que a incidência do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 é específica para a prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros onde o importador de fato (sujeito passivo oculto/real comprador) encontrase identificado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos da Impugnação. Na análise do Recurso Voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF decidiu converter o julgamento da lide em diligência, com vistas a se verificar a existência de conexão entre este processo e outros processos administrativos. É o relatório. Fl. 35768DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.088, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 12466.720114/201576, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3301005.088): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A primeira alegação preliminar feita pela recorrente foi quanto à nulidade da intimação do Auto de Infração por edital, uma vez que a recorrente possuía endereço certo e sabido. Conforme se consignou na decisão recorrida, houve mudança de endereço da Recorrente, mas a Fiscalização envidou esforços e logrou a efetiva intimação da contribuinte, conforme excerto abaixo (fl. 7201): A MULTIMEX recebeu sua correspondência no novo endereço em 15/05/2014. Nesse termo, intimouse a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por conta própria, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução, no prazo de 5 (cinco) dias úteis. Também a empresa foi cientificada do indeferimento da prorrogação de prazo para entrega dos arquivos digitais, solicitada na resposta de 29/04/2014. Importante destacar que, em 16/05/2014, compareceu perante a fiscalização procurador com poderes substabelecidos, que tomou ciência do TERMO DE INTIMAÇÃO N° 201400040006, conforme TERMO DE CIÊNCIA PESSOAL (CIÊNCIA PESSOAL 2014 00040 006). Em 14/05/2014, a MULTIMEX apresentou resposta (RESPOSTA 14 05 2014) ao TERMO DE DILIGÊNCIA E INTIMAÇÃO 201400040005. Foi através desse termo que a fiscalização comunicou à MULTIMEX sua inclusão no procedimento previsto na 228/2002, e a intimamos a apresentar livros, documentos e informações relativas ao período de 2014 incluído na fiscalização. Portanto, a fiscalização observou à legislação aplicável. Dessa forma, mantémse o entendimento da decisão recorrida nessa preliminar. Alega adiante (item III.1) a preliminar de nulidade do procedimento de fiscalização porque o Fiscal teria aplicado o procedimento especial da IN 228/02 sem prévia autorização do inspetor da Alfândega ou da Coana. Cumpre anotar que o Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento administrativo, cujo eventual descumprimento poderia levar a efeitos administrativofuncionais, mas não é requisito essencial do lançamento, nem altera a competência do auditor fiscal para a realização da fiscalização, nem Fl. 35769DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 6 5 para a lavratura do Auto de Infração, cuja atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN. Destacase ainda que a Lei nº 10.593/2002, em seu artigo 6º, dispõe sobre a competência do auditor fiscal, estabelecendo que o Poder Executivo poderia regulamentar as atribuições, o que foi efetivado pelo Decreto nº 6.641/2008, que em seu artigo 2º dispôs sobre a competência para constituir o crédito tributário e praticar os atos relacionados ao controle aduaneiro etc, abaixo transcrito: Art. 2º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; [...] c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1,192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; A recorrente alegou que a fiscalização não provou a imprestabilidade da contabilidade, nem a falta de origem lícita e disponibilidade dos recursos e presumiu que todas as importações foram fraudulentas. Neste ponto, conforme já informado na decisão recorrida, as alegações de falta de prova por parte da fiscalização a validar a presunção do § 2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, e as alegações de ilegalidade, atipicidade e cerceamento de defesa estão ligadas à produção probatória confundemse com o mérito. Salientase que a descrição dos fatos foi clara no sentido de aplicação da multa prevista no § 3º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, transcrito abaixo, por presunção de interposição fraudulenta prevista em seu § 2º, abaixo transcrito, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for Fl. 35770DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 7 6 localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O mérito do litígio se concentra na comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos. Neste ponto, a recorrente arguiu que a fiscalização não provou que a contribuinte não possuía capacidade financeira, mas apenas presumiu, a partir da imprestabilidade da contabilidade mercantil, tal incapacidade. Alega a Recorrente que comprovou a origem lícita de recursos; demonstrando que obteve (fl. 7269): financiamento bancário efetivo, reiterado e contínuo ao longo dos anos para seu capital de giro; desconto de duplicatas em bancos de suas vendas no mercado nacional, gerando capital de giro; financiamento especial (FINIMP) na importação de máquinas e equipamentos para seu capital de giro; concessão de linha de crédito por seus fornecedores, de seus principais e maiores produtos, o que lhe permitiu fluxo de caixa com a origem de recursos dos seus próprios fornecedores no exterior. fluxo de caixa decorrente de suas vendas realizadas no mercado interno; fluxo de caixa decorrente dos recursos auferidos por meio das subvenções para investimento e/ou benefícios fiscais concedidas pelos Estados, especialmente de Rondônia e Espírito Santo, relativo ao ICMS; Ressaltese que a acusação fiscal é de que o importador MULTIMEX não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados no comércio exterior. Tratandose de importação por encomenda, é o importador o responsável pela aquisição da mercadoria no exterior, efetuando o pacto de compra e venda e sendo o responsável pelo pagamento do preço da mercadoria e das despesas de sua nacionalização. Assim, deve dispor de capacidade econômicofinanceira para tanto. A partir de indícios de incompatibilidade entre o volume transacionado e a capacidade econômicofinanceira da recorrente, a fiscalização deu início ao procedimento especial da IN SRF 228/2002 tendente à verificação da comprovação da origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações. Das intimações, restou evidenciado que a contabilidade era imprestável, pois não apresentava os lançamentos relativos às movimentações financeiras, inclusive bancárias. Após intimações e reintimações, a recorrente também não entregou os extratos bancários, informando que estariam representados nos demonstrativos contábeis, as planilhas de formação de preços que identificam os custos e despesas incorridos nas importações, alegou não possuir os DANFES das notas fiscais emitidas, conforme consta do Auto de Infração (fl. 12): Em 29/04/2014, a MULTIMEX apresentou nova resposta (RESPOSTA 29 04 2014), onde informou, em resumo: alegou não ter condições nem conhecimentos técnicos para corrigir os leiautes dos arquivos da IN 86/2001, e solicitou mais 30 dias de prazo, que indeferimos, haja vista a constante demora no atendimento às intimações; alegou não possuir os DANFEs das NFe emitidas, e que não tem condições de apresentálos; apresentou uma caixa de arquivo morto contendo contratos de câmbio Fl. 35771DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 8 7 e, posteriormente, em 05/05/2014, complementou o atendimento apresentando mais duas caixas de arquivo morto com outros contratos de câmbio. Em relação ao pedido do extrato original das DI relativas às importações por conta própria, a Recorrente respondeu, conforme fl. 26/27 do Auto de Infração: que, devido à instauração do procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002, não tem condições de gerar faturamento e manter uma estrutura operacional mínima; que demitiu seus funcionários; e que não tem condições operacionais para separar os documentos e entregálos na forma solicitada, ou seja, agrupados por DI e em ordem cronológica. Requereu prorrogação de prazo até dia 06/06/2014. (...) Em 05/06/2014, intimamos a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por encomenda, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução. A empresa não apresentou resposta e não prestou qualquer esclarecimento, razão pela qual foi autuada também em relação a esses documentos, através do Auto de Infração nº 0727600/00401/14, consubstanciado no Processo Digital nº 12466.722001/201424. Assim, ao longo dos trabalhos não foram disponibilizados os documentos solicitados ou o foram em desordem, com pedidos de prorrogação de prazos por vezes sem justificativa, pois que se referiam a documentos e arquivos aos quais a recorrente estava, legalmente, obrigada a mantêlos em perfeita ordem. Alegou, a recorrente, a falta de funcionários e conhecimentos técnicos para proceder ao atendimento de algumas entregas de documentos e arquivos digitais da contabilidade. A fiscalização concluiu que (fl. 22): A empresa não apresentou os documentos de instrução das DI, e nem dispõe de contabilidade idônea. Os documentos citados pela MULTIMEX nem sempre identificam a operação de importação, e a empresa sequer foi capaz de apresentar os documentos de instrução por DI, quanto mais os comprovantes de despesas e custos. A inexistência desses controles gerenciais é claro indício de interposição fraudulenta, onde a empresa que registra a Declaração de Importação em seu nome não é o verdadeiro responsável pela operação, mas uma mera mandatária, que não tem o total controle das operações e não pretende expor ao Fisco a forma que as operações são realizadas, para não revelar a fraude. (grifouse) De fato, a análise da ECD de 2010, 2011 e 2012 revelou as seguintes incorreções (fl. 45 e seguintes): 1. Com relação à escrituração de 2010, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (11104) e “Estoques” (11107), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (111), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (11102), devem estar nesse agrupamento; b. A conta “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (111020025) só possuem dois lançamentos, no primeiro e último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: Fl. 35772DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 9 8 c. As contas de “Aplicações Financeiras” (11103) só possuem lançamentos no último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: 2. Com relação à escrituração do anocalendário 2011, as contas do Ativo Circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.1.01.001.5), no primeiro dia do ano, conforme abaixo: Data Cód.Conta Conta D/C Valor Saldo D/C Histórico Fl. 35773DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 10 9 3. Com relação à escrituração de 2012, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (1.11.04.0000) e “Estoques” (1.11.07.0000), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (1.11.00.0000), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (1.11.01.0001) e “Bancos Conta Movimento” (1.11.02.0000), devem estar nesse agrupamento; b. As contas do ativo circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.11.01.0001), no primeiro dia do ano, cujo histórico aponta que não houve movimento, conforme abaixo: Verificouse que a contabilidade de fato era imprestável para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de importação, pois não refletia as movimentações financeiras, especialmente as bancárias, efetuadas pela recorrente. Em resposta, a recorrente informou que tivera problemas com a contabilidade, que estaria empenhada em corrigila e solicitou prorrogações de prazo de 180 dias, embora tais problemas já eram de conhecimento da recorrente desde meados de 2012, quando já estava sendo fiscalizada em relação ao ano de 2008, cuja apresentação de ECD não fora cumprida. A fiscalização demonstrou que o Diário de 2010 possuía apenas 136 lançamentos, quase todos no primeiro e último dia do ano, sem qualquer vinculação com as operações efetuadas em cada DI, de modo a comprovar a disponibilidade dos recursos por ocasião do pagamento do preço e das despesas de tributos e outras aduaneiras. O Diário de 2011 possuía apenas um lançamento de Caixa a Capital Social e o de 2012, também um único lançamento de Caixa A Fornecedores. A fiscalização concedeu prazo até 28/05/2014 para apresentar a ECD de 2010 e até 28/07/2014 para apresentar as ECD de 2011, 2012 e 2013, mas a recorrente não cumpriu tais prazos e não prestou outros esclarecimentos. Posteriormente, apresentou a ECD de 2013, mas com apenas um lançamento de Caixa a Assistência Contábil de valor R$ 1,00 (cf. fl. 56). Está plenamente comprovada a imprestabilidade da contabilidade para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recurso utilizados nas operações de importação que giraram em torno de 2600 DI´s e R$ 33.423.039,79 no período de 2010 a 2014, sendo que deste montante, R$ 154.591.519,12 eram importações por conta própria. Sobre a exigência de se manter a escrituração contábil nas operações de importação e exportação está expressamente prevista no artigo 18 do Decreto nº 6.759/2009, assim como, de forma genérica, no artigo 251 do Decreto 3.000/1999 (RIR/99) e no artigo 509 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010): Art. 18. O importador, o exportador ou o adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem têm a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial Fl. 35774DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 11 10 estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, e de apresentálos à fiscalização aduaneira quando exigidos (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, caput): § 1º Os documentos de que trata o caput compreendem os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, bem como outros que a Secretaria da Receita Federal do Brasil venha a exigir em ato normativo (Lei no 10.833, de 2003, art. 70, § 1º).(Grifo nossos) Por seu turno, a recorrente juntou em impugnação contratos de empréstimo e financiamento à importação com diversos bancos, às fls. 911 e seguintes (BICBANCO, Banco do Brasil, Banco Santander, Banco Real, Banco Itaú); relação de faturas comerciais de importação (invoices), relação de DI´s, saldos de aplicação e empréstimos em 31/12/2010, 31/12/2011, 31/12/2012, relatório do Banco Central do Brasil indicando as operações com os bancos referidos, relação de extratos de descontos de títulos liquidados com extratos bancários, cópia dos termos de entrega dos arquivos SINTEGRA de 2012, 2013 e 2014; contratos de venda de máquinas, lubrificantes e outros produtos, notas fiscais de serviços tomados, notas fiscais de prestação de serviços de manutenção de máquinas, extratos de folhas de pagamento, contrato de representação comercial dos produtos da MULTIMEX, relação de clientes. As origens foram resumidas nas planilhas de fls. 1604/1605, e seriam decorrentes de descontos de duplicatas, empréstimos e capital de giro, financiamento de importações, recebimento de operações próprias e por encomenda, créditos de subvenções e créditos concedidos por exportadores. Segundo a Recorrente, os referidos documentos comprovariam a capacidade econômicofinanceira da recorrente e que o registro contábil não é o único meio de prova, conforme artigo 6º da IN SRF nº 228/2002. Realmente, referidos documentos são indicativos da origem de recursos lícita, conforme dispõe o artigo 4º e 6º da IN SRF nº 228/2002, abaixo reproduzidos: Art. 4º Durante o procedimento especial de fiscalização, a empresa será intimada a comprovar as seguintes informações, no prazo de 20 (vinte) dias:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) I o seu efetivo funcionamento e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, mediante o comparecimento de sócio com poder de gerência ou diretor, acompanhado da pessoa responsável pelas transações internacionais e comerciais; e(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) II a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) [...] Art. 6º Para efeito de cumprimento do disposto no inciso II do caput do art. 4º, além dos registros e demonstrações contábeis, poderão ser apresentados, dentre outros, elementos de prova de: I integralização do capital social; II transmissão de propriedade de bens e direitos que lhe pertenciam e do recebimento do correspondente preço; III financiamento de terceiros, por meio de instrumento de contrato de financiamento ou de empréstimo, contendo: Fl. 35775DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 12 11 a) identificação dos participantes da operação: devedor, fornecedor, financiador, garantidor e assemelhados; b) descrição das condições de financiamento: prazo de pagamento do principal, juros e encargos, margem adicional, valor de garantia, respectivos valoresbase para cálculo, e parcelas não financiadas; e c) forma de prestação e identificação dos bens oferecidos em garantia. § 1º Quando a origem dos recursos for justificada mediante a apresentação de instrumento de contrato de empréstimo firmado com pessoa física ou com pessoa jurídica que não tenha essa atividade como objeto societário, o provedor dos recursos também deverá justificar a sua origem, disponibilidade e, se for o caso, efetiva transferência. § 2º Os elementos de prova referentes a transações financeiras deverão estar em conformidade com as práticas comerciais. § 3º No caso de comprovação baseada em recursos provenientes do exterior, além dos elementos de prova previstos no caput, deverá ser apresentada cópia do respectivo contrato de câmbio. § 4º Na hipótese do § 3º, caso o remetente dos recursos seja pessoa jurídica, deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. Porém, devese ter em mente que a comprovação deve ser da origem lícita, da transferência e da disponibilidade dos recursos empregados nas operações de importação. Como bem esclarecido na decisão recorrida, é um trinômio que se deve comprovar e não apenas a origem ou a transferência ou a disponibilidade. Se os contratos apresentados podem servir de comprovação de origem, certamente não são suficientes para comprovar a transferência ou a disponibilidade. Se os extratos comprovam a transferência da liquidação dos descontos de títulos, certamente não são suficientes para comprovar a disponibilidade para execução das operações. Do mesmo modo, apenas a escrituração contábil, desacompanhada dos referidos documentos, também não é suficiente para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos. Assim, é o conjunto probatório que deve se mostrar idôneo a comprovar o trinômio, ou seja, a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações. Tal distinção restou bem explanada no acórdão atacado, cujos fundamentos abaixo transcrevo (fl. 7397/7398): Há que se ter em mente que para fins de comprovação do financiamento de operações de comércio exterior o trinômio origem, disponibilidade e transferência deve ser interpretado como um critério indivisível. A comprovação da origem, da disponibilidade ou da transferência de recursos utilizados em operações de comércio exterior tomados de forma isolada, não atende o preceito da norma: possibilitar a completa ciência do fluxo de dinheiro de que se vale o importador. De outra forma, em não se adotando essa postura rígida, correse o sério risco de se deixar uma brecha que viabilize a utilização de transações com o exterior para operações destinadas à “lavagem de dinheiro”. Para a demonstração do grau desse risco, que é elevado, procedese primeiramente com a conceituação em separado de cada um dos três termos: Origem Diz respeito à gênese lícita do recurso. Deve ser demonstrada de onde o recurso provém – se decorrente de atividades lícitas ou não e se em sua obtenção foram observadas as normas de incidência tributária, quando for o caso. Fl. 35776DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 13 12 É muito comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. Esse tipo de prova evidência apenas que no momento de honrar a transação o importador possuía aquela disponibilidade e que de fato a importação foi paga. Mas a fiscalização nunca põe em dúvida a existência do recurso para adimplemento da transação. Se não houvesse o recurso o contrato de câmbio não seria fechado. O depósito em conta corrente limitase a demonstrar que ocorreu o pagamento da mercadoria importada na data avençada. Nada mais. Outros se limitam a alegar a integração do Contrato Social. Mas a questão perdura: O recurso que integralizou o Contrato Social é de origem lícita? Ao se falar em origem se quer saber o que ocasionou o surgimento do recurso na conta bancária do importador. O que propiciou o depósito. Sua causa. De onde e quando adveio. Qual sua efetiva contrapartida lícita. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. Disponibilidade É a demonstração que o importador possuía esse recurso disponível no exato momento de honrar a transação com o fornecedor externo (fechamento do câmbio). É a paridade entre a posse do numerário e o pagamento da obrigação na data em que ela ocorre. O importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior demonstra que vendeu um imóvel registrado em seu nome e que com aquele dinheiro iniciou suas operações de comércio exterior. A origem lícita do recurso resta demonstrada, mas quem garante que efetivamente aquele recurso foi utilizado para honrar a transação com o exterior? É necessário que se demonstre a posse desse recurso no momento do pagamento da obrigação. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lícita se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía aquele mesmo recurso. Ao se satisfazer com a origem lícita proveniente da venda de um imóvel, por exemplo, correse o sério risco de se permitir que recursos de origem ilícita financiem as operações de comércio exterior, tendo apenas por limite o valor da venda do imóvel. Quanto maior for o valor dessa venda, que serve para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior. Transferência É justamente a ligação entre a gênese e o destino do recurso. A demonstração de que o recurso permaneceu e migrou pelas vias regulares (legais) desde sua origem lícita até o adimplemento da obrigação com o fornecedor externo. É o que se denominou até então de seu “oferecimento a regular tributação”. Em outros termos, o recurso contabilizado à disposição da empresa para adimplir suas obrigações. Um exemplo que ilustra bem a interação dessas três condições é a situação em que determinada pessoa jurídica foi constituída com um capital totalmente integralizado em dinheiro. Para que esse valor seja admitido em operações de comércio exterior, é necessário: que os sócios possuam disponibilidade para realizar a integralização (rendimentos declarados tributáveis, isentos ou não tributados). Se o valor integralizado pelos sócios está justificado em suas declarações de imposto de renda, presumese tanto a origem licita quanto sua disponibilidade; e Fl. 35777DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 14 13 comprovar a efetiva transferência, que nesse caso se faz por meio de crédito em contacorrente da empresa, coincidindo em data e valor com a integralização de capital. Admitese também como prova o saque do valor correspondente nas contas correntes bancárias dos sócios. Ou seja, em pelo menos "uma das pontas" da cadeia, deve ficar demonstrada a movimentação do recurso. Se o importador não consegue efetuar a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, isso implica na sua impossibilidade de demonstrar o trânsito dos recursos pelas vias legais. De nada vale exibir o saldo em conta corrente, o volume de receitas, a quantidade de vendas, a margem de lucro praticada, se o importador nenhum demonstrar o trânsito regular do recurso, assim compreendido: A origem do recurso, sua disponibilidade no momento do fechamento do câmbio, e sobretudo, o seu trânsito pelas vias contábeis para honrar cada importação praticada. O impugnante empresa MULTMEX alega no item (74) da impugnação: 74. Com relação ao Demonstrativo de Fluxo Financeiro, período compreendido entre 2010 e 2014, verificase que a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo em média superior a R$ 1.500.000,00. No ano, perfazia um fluxo de caixa positivo de R$ 17.000.000,00 considerando apenas receitas e despesas operacionais e empréstimos contraídos. Descontadas as despesas administrativas, o resultado continua positivo, em torno de R$ 4.330.287,89. Nos anos posteriores do período submetido à fiscalização, o fluxo de caixa situase na faixa de RS 20.000.000,00 sem considerar as despesas administrativas. Isso é clara evidência que a empresa possuía recursos suficientes a sustentar suas atividades. Como dito, é comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. É preciso que se demonstre a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lastreada no volume de transações da empresa importadora se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía o recurso. Quanto maior for esse volume, que serviria em princípio para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. E é onde a argumentação do impugnante nos remete: apresenta como origem um capital de giro anual da ordem de anual total de RS 89.537.008,96, o que corresponde a uma média mensal de R$ 7.461.418,00, mas é incapaz de demonstrar a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, dada que sua contabilidade é imprestável como será visto a seguir. Sem a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, fica caracterizada a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX alega nos itens (78) e (79) da impugnação: 78. Assim, a contribuinte tanto valese de recursos próprios para importar mercadorias e nacionalizálas, como importa por conta e ordem de terceiros. O rol de atividades da contribuinte é vastíssimo, inclusive exercendo atividades de industrialização, remanufatura e diversas exportações. 79. Muito embora não tenha apresentado as demonstrações contábeis referentes aos exercidos abrangidos pela ação fiscal, nos exatos termos Fl. 35778DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 15 14 requeridos pela Fiscalização, os documentos acima colacionados constituem provas de que a contribuinte desenvolve atividades empresariais de forma lícita, bem como que dispunha de recursos próprios para empregar nas atividades de comércio exterior, empréstimos e financiamentos bancários e de fornecedores estrangeiros. Finalizando, importa considerar ainda que o volume das operações praticado pela Impugnante por mais de uma década não permite que sem qualquer critério a Fiscalização Aduaneira simplesmente declare que não houve comprovação de origem de recursos. De modo algum, pois sem a apresentação das demonstrações contábeis é inviável a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, o que implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX aborda esse assunto nos itens (97), (98) e (99) da impugnação: 97. Resta, porém, verificar se a imprestabilidade da contabilidade, poderia ser óbice insuperável, como quer a douta Fiscalização, à constatação que a contribuinte possuía condições econômicas, financeiras e operacionais para exercer suas atividades e realizar as operações de comércio exterior a que se propôs. 98. Na verdade, não poderia. Não poderia porque, como demonstrado, não há na legislação de regência norma jurídica que determine que somente os demonstrativos contábeis podem ser utilizados para fins de comprovar a origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior. Na verdade, todos os meios admitidos em direito são válidos para se fazer a prova, ao contrário do que de forma subjetiva, discricionária, abusiva e arbitrária estabeleceu a Fiscalização. 99. Conforme demonstrado, a douta Fiscalização teve acesso aos dados de um auto de infração lavrado pela Delegada da Receita Federal em Vitória/ES, onde consta o balanço patrimonial de 2009 da MULTIMEX. Nesse balanço há provas suficientes que a Impugnante possuía recursos com origem lícita capaz de fazer frente às suas operações de comércio exterior (doc.2). Da análise das disponibilidades, do estoque declarado, do capital social e da reserva de lucro, bem como da capacidade de financiamento das operações, verificase facilmente a capacidade econômica e financeira da Impugnante. Ou seja, a referida demonstração contábil faz prova a favor da Impugnante. Não é possível atender o trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA a partir de um balanço patrimonial. Eventualmente, e vamos frisar que é uma situação bastante eventual, o importador até poderia identificar a origem dos recursos, mas jamais sua DISPONIBILIDADE e TRANSFERÊNCIA, pois como se sabe o balanço patrimonial reproduz uma situação estática, enquanto que as operações de importação são transações dinâmicas. De nada vale demonstrar que a empresa possuía o recurso no início do ano se não for comprovado que esse mesmo recurso financiou uma operação de importação em meados de setembro. Tal qual reproduzido no ‘ (74) da impugnação, é afirmado que ... a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo de origem de receitas e de recursos proveniente de descontos de duplicatas, empréstimos bancários para capital de giro, Finimp, valores recebidos de operações próprias e de encomenda e por créditos concedidos pelos exportadores, seja nas operações próprias, seja nas operações de encomenda,... E ainda destaque para o alegado pela empresa MULTMEX nos itens (148) e (149) da impugnação: 148. OS recursos utilizados para o pagamento das despesas com o fechamento do câmbio e com os tributos aduaneiros possuem como origem vendas de mercadorias no mercado interno. Fl. 35779DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 16 15 149. Frisese que as Notas Fiscais são consideradas documento idôneo para comprovar a origem de receita, consoante o posicionamento oficial do próprio Fisco, exemplificado pela seguinte decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008: O único mo do de se demonstrar que esses recursos ingressaram na empresa e serviram para financiar as operações de importação objeto do presente Auto de Infração, dentro do trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA, é através do registro das demonstrações contábeis. A ausência dos registro contábeis, além de não fazer prova que tais recursos ingressaram regularmente na empresa, implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. Quanto à decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008, diz respeito a um outro contexto que não guarda relação com a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros em operações em comércio exterior." A contabilidade regular, suportada em documentos, é que faz a prova regular das operações e sua ausência impede que se confirme a comprovação do trinômio origem lícita, transferência e disponibilidade. A contabilidade, como os demais documentos apresentados, são necessários, mas não suficientes, isoladamente, para comprovação do que aqui se pretendeu. Assim, concluise que a recorrente não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações, incidindo na presunção de que trata o §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, configurando a interposição fraudulenta na operação de comércio exterior, apenada com a multa equivalente ao valor aduaneiro, em razão de as mercadorias não terem localizadas ou terem sido consumidas ou revendidas. Em relação à argumentação de que a falsidade ideológica não está contemplada no inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966, sem razão a recorrente. A redação é a seguinte: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; Por sua vez o Decreto nº 6.759/2009 dispõe que: Art. 553. A declaração de importação será obrigatoriamente instruída com (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 46, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 2º):(Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; e (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) [...] Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): Fl. 35780DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 17 16 [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; [...] § 3ºA. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material ou ideológica. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 3ºB. Para os efeitos do inciso VI do caput, são necessários ao desembaraço aduaneiro, na importação, os documentos relacionados nos incisos I a III do caput do art. 553. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Assim, a falsidade a que se refere o inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966 é dos documentos de instrução da DI, ou seja, do conhecimento de carga, da fatura comercial e dos comprovantes de pagamento dos tributos. A acusação da fiscalização recaiu na ocultação do responsável pela operação, a qual, uma vez comprovada, ainda que por presunção legal, torna os documentos emitidos para instrução da DI ideologicamente falsos. Tal conclusão está exposta no artigo 13 da IN SRF nº 228/2002: Art. 13. A prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Se há comprovação da interposição fraudulenta do responsável pela importação na condição de fornecedor dos recursos necessários à efetivação da importação, então tal ocultação somente é materializada na ausência de referido responsável nos documentos de importação, seja na condição de real importador seja na condição de real adquirente. Em qualquer dos casos, seu nome deveria constar nas faturas comercias ou no conhecimento de carga. Por fim, é preciso esclarecer que para efeitos de tipificação da interposição fraudulenta de terceiros, seja ela a EFETIVA (REAL) ou PRESUMIDA é absolutamente irrelevante que aquele que fornece o recurso seja denominado de importador, pois em nenhum dos dois tipos se exige a presença DO PEDIDO “importador”." No que tange à ausência de demonstração do dolo específico, não há que se exigir tal neste caso, pois estamos diante de uma presunção legal de interposição fraudulenta. Basta a não comprovação da origem lícita, transferência e disponibilidade dos recursos empregados na importação para se caracterizar a interposição fraudulenta nos termos do §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976. Uma vez presumida, não há que se falar em demonstração de dolo por parte da fiscalização. Quanto ao dano ao erário, os artigos 23 e 24 do Decreto nº 1.455/1976 estipulam o que se considera dano ao erário: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; Fl. 35781DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 18 17 II importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenh sido iniciado o seu despacho; ou b) 60 (sessenta) dias da data da interrupção do despacho por ação ou omissão do importador ou seu representante; ou c) 60 (sessenta) dias da data da notificação a que se refere o artigo 56 do DecretoIei número 37, de 18 de novembro de 1966, nos casos previstos no artigo 55 do mesmo Decretolei; ou d) 45 (quarenta e cinco) dias após esgotarse o prazo fixado para permanência em entreposto aduaneiro ou recinto alfandegado situado na zona secundária. III trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 (quarenta e cinco) dias, sem que o passageiro inicie a promoção, do seu desembaraço; IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Art 24. Consideramse igualmente dano ao Erário, punido com a pena prevista no parágrafo único do artigo 23, as infrações definidas nos incisos I a VI do artigo 104 do Decretolei numero 37, de 18 de novembro de 1966. Percebese que o dano ao erário configurase por uma determinação específica legal, tratase de uma presunção legal ou absoluta de dano ao erário nos casos enumerados. Embora a própria conduta configura o dano ao erário, podese enumerar vantagens em tese almejadas, mediante a interposição ilícita de pessoas como: burla ao controles da habilitação para operar no comércio exterior; blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante, no caso de eventual lançamento de tributos ou infrações; quebra da cadeia do IPI; sonegação de PIS e Cofins, relativamente ao real adquirente, lavagem de dinheiro e ocultação da origem de bens e valores, aproveitamento indevido de incentivos fiscais do ICMS. Portanto, a alegação de que não houve dano efetivo ao erário, simplesmente pelo fato de não haver tributo a ser recolhido, não procede. Fl. 35782DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 19 18 Concernente à aplicação da multa de 10% por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, salientase que sua aplicação é cabível no caso de interposição real e não no caso de interposição presumida de que trata o presente processo. Tal situação restou esclarecida na IN SRF 228/2002 em seu artigo 11: Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. 1º Na hipótese prevista no inciso I do caput, será aplicada, além da pena de perdimento das mercadorias, a multa de que trata o art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) § 2º Na hipótese prevista no inciso II do caput, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, será instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016). De fato, com a edição do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, à hipótese de aplicação da multa por cessão de nome não se aplica a declaração de inaptidão de que trata o artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, hipótese de que tratam estes autos: Lei nº 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive ediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430/1996: Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Destacase, ainda que esse entendimento é consolidado, inclusive nesta turma: APLICAÇÃO DA MULTA POR CESSÃO DE NOME. SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DO PERDIMENTO DA MERCADORIA PELA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica e nem substitui a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, Fl. 35783DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 20 19 do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria (Acórdão nº 3301 003.086 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) Cumpre, por fim, citar decisão, cujos entendimentos foram adotados nesta decisão, com a mesma Recorrente, já decidido por este CARF, de relatoria do Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède (Acordão Acórdão nº 3302005.468 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 06/07/2011 a 24/10/2012 Ementa: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Por todo o exposto, voto no sentido de manter integralmente a decisão recorrida e negar provimento ao Recurso Voluntário Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 35784DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.693429/2009-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr, que negavam provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.693416/2009-08, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr, que negavam provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.693416/200908, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 93 42 9/ 20 09 -7 9 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.693429/200979 Resolução nº 3302000.863 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. De acordo com o Despacho Decisório constante nos autos, o alegado crédito já havia sido utilizado para a quitação de outro débito, não restando, portanto, valor disponível para a compensação do débito por ela indicado no Per/Dcomp. Dessa forma, não foi homologada a compensação declarada. Ciente dessa decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: a manifestante não sabe qual seria, na realidade, o motivo do indeferimento do direito creditório e, consequentemente, da não homologação da compensação declarada. apenas supõe que o direito creditório tenha sido negado em virtude de não ter sido localizada a DCTF retificadora que corrigiu o valor do débito devido. entretanto, não se pode aceitar que a contribuinte seja obrigada a se defender com base em suposições, sem ter segurança quanto ao motivo que determinou a glosa, pois o Decreto n° 70.235/1972 é claro ao determinar que os atos proferidos por autoridades administrativas que prejudicam ou impossibilitam o direito de defesa do contribuinte são eivados de nulidade. há de se observar que o Despacho Decisório ora combatido não contém uma descrição precisa e congruente dos fatos que ensejaram a sua emissão. Tal omissão e imprecisão impedem o pleno conhecimento das circunstâncias que levaram ao indeferimento do seu direito creditório, implicando grandes dificuldades e embaraços ao direito da ampla defesa e do contraditório. a própria fundamentação legal utilizada como embasamento para o indeferimento do direito creditório ora pleiteado foi indicada de modo apenas genérico, não permitindo a identificação de qual o equivoco teria sido pretensamente cometido. Em síntese, não constam, no Despacho Decisório, informações precisas acerca das supostas incorreções cometidas, evidenciando a nulidade do ato administrativo em apreço. o valor do pagamento ora discutido decorre, inequivocamente, da tributação de receitas que não se enquadram no conceito de faturamento. sobre a tributação das receitas que não se enquadram no conceito de faturamento (base de cálculo prevista pela Lei 9.718/1998), é assente que tal exigência não está de acordo com o direito. Isto porque, o Supremo Tribunal Federal já declarou a sua inconstitucionalidade. Ademais, no caso ora analisado, a manifestante obteve decisão judicial definitiva que a possibilita não observar a base de cálculo prevista na Lei 9.718/1998. independentemente da decisão judicial definitiva favorável à manifestante, o direito creditório deve ser reconhecido, pois, como já mencionado, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do alargamento das bases de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.693429/200979 Resolução nº 3302000.863 S3C3T2 Fl. 4 3 o não reconhecimento da inconstitucionalidade da lei já declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal viola princípios consagrados pelo ordenamento jurídico brasileiro, dentre os quais se destacam o "Principio da Moralidade” e o "Principio da Eficiência". muito embora a manifestante acredite que o seu direito creditório será reconhecido com a conseqüente homologação da compensação efetuada, em função do Principio da Eventualidade, não há como se furtar em apresentar a sua discordância em relação à exigência de multa e juros, na hipótese dos julgadores entenderem que o indeferimento deva prevalecer. no caso em tela, não há que se falar em imposição de multa e juros por atraso no pagamento, já que a manifestante quitou tempestivamente, por meio da DCOMP não homologada, o débito compensado. não há que se alegar mora ao quitar o débito equivocadamente exigido, uma vez que esta apresentou DCOMP com objetivo de cumprir sua obrigação, sendo que, a não homologação da DCOMP apresentada não é, por si só, fato caracterizador de mora do contribuinte. a exoneração da multa e dos juros deverá ser reconhecida, pois a manifestante não incorreu em mora, tendo apresentado tempestivamente a DCOMP para quitação integral do débito tributário compensado. Diante dessas alegações, a interessada solicita: o cancelamento total do Despacho Decisório ora combatido, com a declaração de sua nulidade, pois, em preliminar, é comprovado o cerceamento do direito de defesa. na hipótese de se entenderem que não deve ser declarada a nulidade do Despacho Decisório, a manifestante pede e espera que, no mérito, o seu direito creditório seja deferido e, conseqüentemente, homologada a compensação declarada. caso o indeferimento do direito creditório seja mantido, o que se admite apenas a título de argumentação, deve ser afastada a exigência de multa e juros de mora pelos motivos já expostos. Por fim, a manifestante protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em Direito, sobretudo a diligência fiscal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada da decisão recorrida, a Recorrente interpôs recurso voluntário reproduzindo as matérias de mérito já apresentadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.693429/200979 Resolução nº 3302000.863 S3C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302000.853, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.693416/200908, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3302000.853): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A questão tratada nestes autos não é nova neste Conselho e, já foi analisado nos autos do Processo Administrativo nº 10880.693376/200996 (acórdão paradigma nº 3401001.361), instaurada contra a mesma empresa, de relatoria do i. Conselheiro Robson José Bayerl que, entendeu por bem converter o julgamento em diligência para verificar a origem do crédito pleiteado pela Recorrente com base nos documentos já carreados aos autos e outros que fizerem necessários. Neste caso, por concordar com os argumentos explicitados por aquela relator e, visando dar o mesmo tratando processual, adoto as razões do citado Conselheiro como causa de decidir o presente processo, a saber: Como questão preliminar, cabe examinar a exigência de retificação da DCTF correspondente, como condição para repetição do indébito, consoante acentuado pela decisão recorrida. A tese defendida pelo colegiado a quo é que o impedimento à alteração do valor declarado a título de Cofins, dezembro/1999, obstaria o direito à restituição do montante pago indevidamente, mesmo que não ocorrida a decadência desse direito, nos termos do art. 165, I do Código Tributário Nacional, por entender que o crédito tributário já se encontrava formalmente homologado e definitivamente extinto perante a Fazenda Nacional. Todavia, ainda que o art. 150, § 4º do CTN disponha que a fluência do prazo de 05 (cinco) anos corporifica homologação tácita e transmuta o lançamento e respectivo pagamento em causa de extinção do crédito tributário, não se pode olvidar que o mencionado art. 165, I do mesmo diploma legal também garante o direito, independente de prévio protesto, à restituição do tributo pago em quantia maior que a devida, desde que observada a temporalidade do requerimento próprio (art. 168), o que se verificou nesse processo. Nestes autos, o decurso do prazo veda a constituição de crédito tributário complementar àquele declarado pelo sujeito passivo (art. 150, § 4º), entretanto, não obstaculiza a devolução do indébito, ao passo que feito o pedido dentro do prazo de 05 (cinco) anos do recolhimento(arts. 165, I e 168), mormente na situação sub examine, Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.693429/200979 Resolução nº 3302000.863 S3C3T2 Fl. 6 5 onde a quantia indevida corresponde justamente ao pagamento feito a destempo, acrescido de multa e juros de mora. Demais disso, esquadrinhando a IN SRF 600/05, vigente por ocasião da transmissão da PERDCOMP, não se localiza qualquer imposição de retificação da DCTF como requisito para processamento do pedido de restituição aviado, salvo na hipótese de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI (Leis nº 9.363/96 e 10.276/01), segundo o art. 16, § 5º, II do ato normativo. Portanto, mostrase improcedente a questão vestibular erigida pela decisão recorrida como fundamento à denegação do recurso. Tocante ao mérito, observase que o motivo inicial à não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Notase, também, que a Administração Tributária em momento algum contestou diretamente a existência do crédito vindicado, mas sim sua utilização em outra finalidade. Em outra linha argumentativa exposta na decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria a demonstração documental das razões arroladas pelo recorrente, o que não se verificou. Nesse passo, é certo que na primeira oportunidade processual o recorrente não produziu a prova necessária, limitandose a anexar cópias de declarações, que, por si só, assim como sua ausência não serve de causa ao indeferimento de restituição, também não é suficiente ao seu deferimento. Contudo, em recurso voluntário, o contribuinte trouxe demonstrativo de apuração e balancetes, o que, a meu sentir, consubstancia um início razoável de prova a justificar o retorno dos autos à DRF de jurisdição para exame das alegações do recorrente a respeito do direito invocado (pagamento indevido de Cofins ante à inconstitucionalidade do conceito de faturamento veiculado pela Lei nº 9.718/98, decidida em repercussão geral no RE 585.235QO, de 10/09/2008). Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo,não se nega que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, eis que validado por meio de chancela eletrônica. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que em situações como a deste processo, onde há um início razoável de prova, composto por documentos outros que não apenas declarações ou Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.693429/200979 Resolução nº 3302000.863 S3C3T2 Fl. 7 6 mesmo debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito invocado. Demais disso, ao fato constitutivo do direito ao crédito tributário posto pela Administração tributária – vinculação do direito de crédito a outro débito de titularidade do sujeito passivo –, contrapõe o recorrente um fato modificativo desse mesmo direito – a existência de pagamento a maior e o pedido tempestivo de sua restituição, acompanhado de início de prova –, o que milita em favor da verificação de procedência dessa alegação. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Verificação da legitimidade ativa do requerente para pleitear a restituição de quantia recolhida por outra pessoa jurídica, alegadamente incorporada, com juntada da documentação relativa à alteração societária em comento; Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, ∙ Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Verificação da legitimidade ativa do requerente para pleitear a restituição de quantia recolhida por outra pessoa jurídica, alegadamente incorporada, com juntada da documentação relativa à alteração societária em comento; Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.693429/200979 Resolução nº 3302000.863 S3C3T2 Fl. 8 7 Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Verificação da legitimidade ativa do requerente para pleitear a restituição de quantia recolhida por outra pessoa jurídica, alegadamente incorporada, com juntada da documentação relativa à alteração societária em comento; Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 163DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.721516/2013-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/05/2005
DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. INSTRUMENTO DO LANÇAMENTO. ERRO. VÍCIO FORMAL.
Vício no instrumento do lançamento, correspondente a erro no domicílio tributário do contribuinte, possui natureza formal.
LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. VÍCIO FORMAL. PRAZO.
É de cinco anos o prazo para a autoridade tributária substituir lançamento anulado por vício formal, sendo contado esse prazo da data em que se tornar definitiva a anulação.
Numero da decisão: 2402-006.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini (Relatora) e Gregório Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pinho de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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MONTREAL INFORMATICA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/05/2005 DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. INSTRUMENTO DO LANÇAMENTO. ERRO. VÍCIO FORMAL. Vício no instrumento do lançamento, correspondente a erro no domicílio tributário do contribuinte, possui natureza formal. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. VÍCIO FORMAL. PRAZO. É de cinco anos o prazo para a autoridade tributária substituir lançamento anulado por vício formal, sendo contado esse prazo da data em que se tornar definitiva a anulação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini (Relatora) e Gregório Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 15 16 /2 01 3- 66 Fl. 600DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 601 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pinho de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0963.962, da 5ª Turma da DRJ de Juiz de Fora (fls. 570/580), que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração DEBCAD nº 37.410.5979, no montante de 215.779,43 (duzentos e quinze mil e setecentos e setenta e nove reais e quarenta e três centavos), que tem por objeto o lançamento de contribuição previdenciária patronal sobre valores pagos pela recorrente a estagiários no período autuado em desacordo com a legislação vigente. O relatório da fiscalização esclarece o seguinte: “2. Informamos que o presente auto de infração está sendo emitido exclusivamente para restabelecer a exigência anulada, sem análise do mérito, na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD nº 37.004.8059 de 24/08/2006 (processo COMPROT nº 35301.014169/200631), em virtude da constatação de vício formal, conforme prolatado no Acórdão nº 20500.843 de 03/07/2008, da Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (ANEXO I). 2.1. Ressaltamos que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) apresentou recursos visando a reformar o Acórdão n° 20500.843 a fim de que fosse apreciado o mérito do lançamento. Entretanto, em decisão definitiva datada de 12/04/2011 (Acórdão n° 920201.472), a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –CARF negou seguimento aos citados recursos, não cabendo, assim, mais recurso contra a decisão proferida no referido Acórdão (ANEXO II). (...) 6. Qualificamos como centralizador, para todos os efeitos legais, o estabelecimento de CNPJ 42.563.692/000126, conforme disposto na 51ª Alteração Contratual de 10/07/2012, registrada na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais – JUCEMG em 11/12/2012, sob n° 4971653, e que foi considerada, pela fiscalização, como a última alteração do Contrato Social efetuada pela empresa. 7. A Auditoria Fiscal, demandada pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 06.1.01.00 2013008072 (de abrangência nacional), tem como finalidade a emissão de novos autos de infração em substituição a processos anulados na esfera administrativa por vício formal. (...)”. O contribuinte apresentou impugnação tempestivamente a fls. 215/223, na qual alega, em síntese: Fl. 601DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 602 3 Que o acórdão proferido pelo Conselho de Contribuintes (acórdão de nº 20500.878), mantido por unanimidade pela Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF, reconheceu que os lançamentos refeitos por intermédio do presente auto de infração foram anulados por cerceamento de seu direito de defesa e que não há, em momento algum dos acórdãos do CARF, seja na fundamentação ou no dispositivo, declaração de que a anulação do lançamento original se deu por vício formal; assim, alega que a autoridade fiscal partiu de uma premissa equivocada e sem respaldo nas decisões supramencionadas ao lavrar o auto de infração impugnado, infringindo os arts. 3º do CTN e 5º, II e LV da CF, que estabelecem que a atividade exercida pela autoridade fiscal na constituição do crédito tributário é plenamente vinculada, bem como que qualquer o erro na fundamentação do lançamento gera sua nulidade absoluta, em obediência aos princípios constitucionais da legalidade e do devido processo legal; ademais, esclarece que este Conselho já se manifestou em diversos outros acórdãos, que anexa (fls. 9891245), relativos à mesma ação fiscal, inclusive por meio da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos quais reconheceu que o desrespeito ao domicílio fiscal da impugnante, ora recorrente, não se resumiu a um aspecto formal do lançamento do tributo, mas sim atingiu a própria constituição do crédito tributário, de um vício material, uma vez que pela impossibilidade de apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos úteis à fiscalização por parte do contribuinte, implicou em cerceamento de defesa e ensejou o indevido lançamento por arbitramento, tratandose, assim, de nulidade absoluta e insanável; desse modo, conclui que havendo, no caso, nulidade material, tendo em vista que os fatos geradores estão compreendidos entre julho/2001 e maio/2005 e que o Termo de Início de Procedimento Fiscal foi emitido no dia 07/08/2013, nos termos dos arts. 142 e 173, II do CTN, o direito do fisco de constituir os créditos tributários foram atingidos pela decadência; argumenta, ainda, que o único documento exigido pelo auditor fiscal nesse segundo procedimento fiscalizatório foi a última alteração do contrato social da empresa. Porém, em várias passagens do auto de infração, a autoridade fiscal alega omissão da recorrente na apresentação de documentos, além de ter pautado o novo lançamento em documentos que suportaram lançamento anterior, anulado justamente por cerceamento de defesa do recorrente; ademais, alega que se a anulação do lançamento anterior se deveu justamente ao fato de não se ter dado oportunidade à recorrente de apresentar documentos, ficando caracterizado cerceamento de seu direito de defesa, não oportunizar a ela fazêlo novamente neste novo lançamento, como ocorreu, implicou em novo cerceamento ao seu direito de defesa. por fim, requer o reconhecimento da decadência, com a extinção do crédito tributário ou, sucessivamente, a nulidade do auto de infração em face do novo cerceamento de defesa. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário, em julgado assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/05/2005 VÍCIO FORMAL. AUTO DE INFRAÇÃO SUBSTITUTIVO. Vício formal se caracteriza nos elementos extrínsecos do ato administrativo. Fl. 602DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 603 4 O novo auto de infração deve ser efetuado com os mesmos elementos do anterior, a menos do fato irregular efetuado e tem, por prazo de decadência, o previsto no art. 173, II do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado dessa decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário no qual trouxe os mesmos argumentos contidos na impugnação e juntou acórdãos recentes da DRJ em Recife que deram provimento a impugnações apresentadas contra outros autos de infração lavrados para restabelecer débitos originários da mesma ação fiscal, também anulados pelas mesmas razões pelas quais anulado o lançamento ora em debate, e que reconheceram a decadência do direito do fisco de constituir os créditos tributários, uma vez que o vício que motivou a anulação do lançamento original, qual seja cerceamento de defesa, tratase de vício de natureza material, não formal. Requer, por fim, o provimento do recurso, para que seja declarada a decadência, com a extinção do crédito tributário ou, sucessivamente, a nulidade do auto de infração em face do novo cerceamento de defesa. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Renata Toratti Cassini – Relatora. O recurso voluntário é tempestivo (fls. 569/571) e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. A DRJ julgou improcedente a impugnação do recorrente sob o fundamento de que não consta dos autos do lançamento originário declaração expressa de nulidade material, não tendo havido pronunciamento a respeito da espécie do vício que o inquinou. Argumenta, ademais, que a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Volta Redonda se manifestou nos autos no sentido de que o procedimento fiscal em domicílio diverso do eleito pelo contribuinte, verificado no caso, tratase de vício formal. Ousamos discordar do nobre julgador. Se não há alusão acerca da espécie do vício que maculou o lançamento, no voto vencedor do último acórdão proferido nos autos do processo que anulou o lançamento originário há o reconhecimento expresso de que houve cerceamento do direito de defesa do ora recorrente, o que levou à sua anulação. Isso, aliás, consta da própria decisão recorrida, que reproduz esse trecho do aludido julgado, e o faz justamente para demonstrar que não há, nela, menção expressa à espécie do vício de que se trata, conforme se pode verificar abaixo, com destaque: Fl. 603DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 604 5 Esclareçase que a ação fiscal que originou o lançamento anulado foi realizada na filial da recorrente, situada na São José, nº 90, 9º andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ, o que ensejou o indevido arbitramento do valor da base de cálculo do tributo lançado em decorrência da não apresentação de documentos no endereço equivocado da recorrente, contrariando decisão judicial transitada em julgado, que declarou seu domicilio tributário na rua Capitão Jorge Soares, nº 04, Centro, no Município de Rio das Flores/RJ (autos do processo nº 2003.51.01.0224300, da 7ª Turma do Tribunal Regional da 2ª Região, rel. Des. Sergio Schwaitzer). Desse modo, o cerceamento de seu direito de defesa, no caso, teve influência direta no conteúdo do lançamento, pela impossibilidade de apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos úteis à fiscalização em razão da ação fiscal ter ocorrido em endereço diverso de seu domicílio fiscal, tratandose, assim, de vício material, não de uma mera formalidade do auto de infração, como sustentam tanto a Procuradoria da Fazenda Nacional quanto a 5ª Turma da DRJ/JFA. Nesse mesmo sentido, a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho já teve a ocasião de se pronunciar em processos semelhantes, envolvendo autos de infração anulados, originários da mesma malfadada ação fiscal, em que expressamente reconheceu que a nulidade do lançamento decorrente do cerceamento de defesa em função da ação fiscal ter ocorrido em local diverso do domicílio fiscal da recorrente diz respeito ao seu conteúdo, implicando em nulidade material: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Fl. 604DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 605 6 Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado. LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Embargos Acolhidos Crédito Tributário Exonerado (Acórdão nº 2301003.235 – 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. Prevalece o direito à eleição do domicilio tributário, reconhecido em decisão judicial, que somente pode ser recusado nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal. Deve ser declarada a nulidade de lançamento que aplica arbitramento pela falta de apresentação de documentação quando a fiscalização foi realizada em domicílio diverso do eleito, vício que afeta a própria fundamentação em que se sustenta a imputação infracional. Recurso especial negado. (Acórdão nº 9202002.413 – 2ª Turma) Nesse passo, cumpre transcrever, dada sua clareza e relevância para a apreciação do presente de caso, trecho do voto proferido pelo relator do acórdão nº 9202002.413: Acresço a isto fundamento particular do caso em concreto que considero sobremaneira relevante. Embora a decisão judicial não tenha tratado diretamente do lançamento efetuado nos presentes autos, é fato que ele decorreu de arbitramentos efetuados pela fiscalização por falta de apresentação de documentação no domicílio fiscalizado (diverso do eleito). O fundamento da autuação – falta de apresentação de documentação comprobatória – tem assim relação direta com o vício de ilegalidade no exercício de fiscalização em domicílio diverso do eleito e em descumprimento a decisão judicial, consubstanciando situação em que o próprio lançamento, na origem, mostrase comprometido e eivado de vício. Fl. 605DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 606 7 A postura da fiscalização de efetuar a fiscalização em domicilio diverso do eleito causou não só prejuízo à qualidade da acusação e da imputação infracional, mas inquinou de vício o próprio fundamento do arbitramento por ausência de apresentação de documentação comprobatória, medida que já é por si só extrema e admitida apenas em hipóteses excepcionais. Não se pode, nesta hipótese, considerar como ausente prejuízo para afastar a nulidade, por não se tratar de mero vício formal, mas de mácula que atinge a substância da imputação infracional. Resta claro, assim, que o vício que macula o lançamento original se trata de vício material, de modo que não se aplica ao presente caso o art. 173, II do CTN. Desse modo, considerando que os fatos geradores estão compreendidos entre julho/2001 e maio/2005 e que o procedimento fiscal visando a restabelecer os créditos tributários anulados teve início aos 03/12/2013 (fls. 44), o direito do fisco de fazêlo foi fulminado pela decadência, à luz do que dispõe o art. 173, I do CTN. DA ALEGAÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO VISANDO A RESTABELECER OS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS ANULADOS Caso essa relatora reste vencida quando ao posicionamento adotado acerca da natureza do vício que ensejou a anulação do lançamento original, cumprenos analisar a tese da defesa concernente à nulidade do novo lançamento visando a restabelecer o crédito tributário anulado. Segundo argumenta o recorrente, o novo lançamento padece do mesmo vício de nulidade em razão de cerceamento de seu direito de defesa, uma vez que a fiscalização não lhe oportunizou, nesse novo procedimento, a apresentação de documentos e esclarecimentos relativamente ao crédito tributário em questão, apenas dele exigindo a última alteração de seu contrato social. Assim, alega que se o lançamento original foi anulado justamente em razão de cerceamento de defesa, não ter a fiscalização lhe dado oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos neste segundo lançamento caracteriza novo cerceamento ao seu direito de defesa. Inicialmente, cumprenos anotar que conforme apontado no relatório fiscal a fls. 60 (trecho, aliás, reproduzido no relatório da decisão recorrida fls. 556), o auto de infração ora combatido foi emitido exclusivamente para restabelecer, sem análise de mérito, a exigência anulada por decisão constante do Acórdão nº 20500.843, decisão esta que se tornou definitiva em face de ter sido negado seguimento ao recurso dela interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional visando reformar o referido julgado para que fosse apreciado o mérito do lançamento (Acórdão nº 920201.472, Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Especiais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, datado de 12/04/2011). O Acórdão nº 20500.843, por sua vez, que anulou o lançamento original, é expresso no seguinte sentido: “Reconheço a existência de cerceamento de defesa, o que acabou se evidenciando através das autuações por falta de documentos e recusa em prestar esclarecimentos além dos inúmeros lançamentos por arbitramento. O Fl. 606DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 607 8 acompanhamento da ação fiscal por técnico habilitado, prestando os esclarecimentos necessários e exibindo os documentos que justificam os fatos constatados pela fiscalização, constitui direito do contribuinte alinhado com os preceitos constitucional (sic) garantidores da ampla defesa e do contraditório”. Muito bem. Uma vez que essa decisão se tornou definitiva, não cabe mais a este colegiado analisar se houve ou não cerceamento de defesa no lançamento original, dado que essa questão já foi decidida afirmativamente por decisão administrativa transitada em julgado. Tratase, portanto, de questão posta. Assim, a nós somente nos cabe analisar se esse vício, assim já definitivamente reconhecido, é de natureza material ou formal e, superado este ponto, agora, nesta oportunidade, se o novo lançamento, tal como levado a efeito pela fiscalização, tem o condão ou não de restabelecer os créditos tributários que dele foram objeto. Nesse passo, a própria decisão recorrida reconhece que “por óbvio, os atos anulados devem ser repetidos saneandoos. Os atos não alcançados pela declaração de nulidade devem ser mantidos, conforme preceitua o art. 12 do Decreto 7.574/2011”, (destacamos) E prossegue: “O procedimento de restabelecimento da exigência não comporta fase instrutória, eis que o lançamento deve fundamentarse nos mesmos elementos de prova já levantados no processo anterior. Apenas o instrumento de lançamento (auto de infração) é que necessita ser reformulado, a fim de corrigir o erro que provocou a nulidade do auto primitivo. (...) Repetido o lançamento expurgandose o que imprestável à sua sanidade, abrese oportunidade de o sujeito passivo impugnálo em toda sua plenitude, apresentando as devidas e necessárias provas de seu interesse”. (destacamos) Ora, mas como haveria de ser saneado o procedimento fiscalizatório anulado e corrigido o erro que provocou a nulidade do auto primitivo, expurgandose o que de imprestável à sua sanidade, nas exatas palavras da decisão recorrida, se esse erro foi, exatamente, o cerceamento do direito de defesa do contribuinte? Seria tão somente mediante a solicitação de sua última alteração contratual? E seria isso, a apresentação de sua última alteração de seu contrato social, que a decisão recorrida entende como sendo uma nova oportunidade dada ao contribuinte de impugnar o auto em toda a sua plenitude, apresentado as devidas provas de seu interesse, uma vez que poderia ter ocorrido alteração de sua razão social, ou de seu domicílio tributário, ou reorganização societária, suficiente para corrigir o lançamento viciado por cerceamento de defesa? Data maxima venia, é evidente que não. E é evidente também que tudo aquilo que teve lugar no procedimento fiscalizatório anterior, sob a pecha de cerceamento de defesa, está irremediavelmente comprometido e não pode ser simplesmente validado com a simples Fl. 607DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 608 9 entrega de uma alteração do contrato social do contribuinte, sem que a ele se tivesse dado ocasião de apresentar documentos e considerações em sua defesa. De fato, a decisão recorrida tem razão. É sabido que o lançamento que substitui outro, anulado, não pode inovar além do ponto detectado na anulação. Mas aqui não se trata de inovação, de inserção de elementos novos, o que é vedado, mas sim de se dar oportunidade ao contribuinte de fazer prova com relação aos mesmos fatos constantes do lançamento anterior, anulado. Hugo de Brito Machado, ao tratar da reabertura de prazo para a correção de lançamento por vício formal, esclarece que “a reabertura de prazo para a feitura de um novo lançamento destinase apenas a permitir que seja sanada a nulidade do lançamento anterior, mas não autoriza um lançamento diverso, abrangente do que não estava abrangido no anterior”. (Aspectos do direito de defesa no processo administrativo. RDDT 175/106, abril/2010) E a nulidade do lançamento anterior, como já visto, é o cerceamento de defesa do contribuinte, de modo que um novo lançamento visando corrigilo no qual não seja dada oportunidade ao contribuinte de apresentar provas não se presta a essa finalidade, padecendo do mesmo vício do anterior, sendo, portando, nulo de pleno direito em face do cerceamento de seu direito de defesa. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento para declarar extinto o crédito tributário em face da decadência, nos termos do art. 156, V do CTN. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Redator Designado Com a maxima venia, divirjo da Relatora quanto à natureza do vício ensejador da nulidade do primeiro lançamento e quanto à nulidade do segundo lançamento. Antes de considerações outras, gostaríamos de esclarecer que a definitividade da decisão consubstanciada no Acórdão nº 20500.843, do Segundo Conselho de Contribuintes, em nosso entendimento, diz respeito, tão somente, à anulação do primeiro lançamento fiscal, mas não à existência ou não de cerceamento do direito de defesa, até porque, segundo se observa no voto condutor do acórdão em comento, além da decisão ter tratado do cerceamento do direito de defesa de modo muito superficial, em apenas um parágrafo, quase que en passant (vide transcrição acima, no voto da Relatora), o julgado também se amparou numa suposta ausência de justificativa para a recursa do domicílio tributário, nos seguintes termos: Fl. 608DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 609 10 No caso sob exame temos que o sujeito passivo, logo após a ciência dos MPF e TIAD, manifestouse através de requerimento sobre o domicílio tributário eleito, apontando alteração de seus atos constitutivos e informando que sua documentação se encontrava no estabelecimento centralizador eleito. A resposta ao requerimento se limitou às alegações trazidas pela Procuradoria do INSS, já expostas no relatório, que em síntese são: a) em ação fiscal anterior, a documentação foi disponibilizada no estabelecimento ora fiscalizado; b) no papel timbrado da empresa não consta o endereço de Rio das Flores Volta Redonda/RJ; e c) o Poder Judiciário já analisou e rejeitou todos os argumentos trazidos pela empresa no requerimento. Assim procedendo, preferiu o órgão fiscalizador não demonstrar qual hipótese legal, impossibilidade ou dificuldade para a realização da ação fiscal, se configurou para a recusa do domicílio eleito pelo sujeito passivo, já que a matéria estava sendo deduzida em juízo e não havia até aquela data decisão judicial deferindo as pretensões do sujeito passivo. De fato, a última decisão judicial foi pelo indeferimento da medida cautelar inominada. Só que o fundamento evidencia que sequer o juízo sumário sobre o mérito foi enfrentado. Entendeu o Egrégio Tribunal Regional Federal da 2a Região que a cautelar não se presta para a realização do direito pretendido com a apelação, mas apenas para assegurar a instrumentalidade deste direito. Entendo que ao se sujeitar integralmente aos argumentos trazidos pela Procuradoria do INSS, sem mencionar a hipótese para a recusa do domicílio tributário eleito e, após, demonstrá la, o órgão fiscalizador assumiu que prevaleceria o desfecho do processo judicial, isto é, quando a sentença transitasse em julgado. Entendo que, equivocadamente, aplicouse ao caso o disposto no artigo 126, § 3° da Lei n° 8.213/91 combinado com o artigo 307 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: [...] Equivocadamente porque desejasse fazer uso da prerrogativa de recusar o domicílio eleito pelo sujeito passivo, caberia demonstrar a ocorrência de uma das hipóteses previstas no artigo 127, §2° do CTN, já que não havia à época tutela judicial que a impedisse. Ao fazêla apenas sob o argumento de que havia discussão sobre a matéria em processo judicial, o órgão fiscalizador adotou, desnecessariamente, postura de submissão ao seu desfecho. Fl. 609DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 610 11 Sendo assim, para que possamos identificar a natureza do vício ensejador da anulação (se formal ou material), uma vez que omitida no Acórdão nº 20500.843, temse por imprescindível avaliarmos se houve, de fato, algum cerceamento do direito de defesa, em razão da fiscalização ter sido realizada na Cidade do Rio de Janeiro, e se a recusa do domicílio tributário foi devidamente justificada. Pois bem, para melhor análise do caso, vejamos, primeiramente, o que restou consignado no item 11.1, e subitens, do relatório fiscal referente ao lançamento anulado (processo 35301.014169/2006311, fls. 264 e 265): 11.1. No início dos presentes trabalhos de Auditoria Fiscal na empresa MI Montreal, esta encaminhou em 24/06/2005 ao INSS um requerimento, e seus anexos, protocolado sob o nº 35301.005732/200507 (protocolo geral da Gerência Executiva do Rio de Janeiro Centro), informando a Sra. Chefe do Serviço de Fiscalização que havia manifesto equívoco quanto à Autoridade competente para a determinação da fiscalização, bem como quanto ao seu cumprimento. Justifica a empresa que, conforme consta no seu contrato social, devidamente registrado na JUCERJA, sua sede é na Rua Capitão Soares nº 04, em Rio das Flores, Volta Redonda, RJ, sendo este, portanto, seu domicílio fiscal, “sob jurisdição da GRAF de Volta Redonda”. No referido requerimento, e em seus anexos, a empresa MI Montreal não faz referência a nenhuma ação judicial, onde figure como parte autora, em que se discute o seu domicílio tributário. O requerimento, sem os seus anexos, encontrase no ANEXO ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO FISCAL a este REFISC. 11.1.1. Encaminhado o Processo n2 35301.005732/200507 (carta e seus anexos) para Divisão de Cobrança de Grandes Devedores da ProcuradoriaGeral Federal (AdvocaciaGeral da União), esta se manifestou conforme transcrição abaixo dos parágrafos 6, 7 e 9 da resposta proferida contida no Despacho Nº 17.200.310DCGD/RJ, de 18/07/2005, ANEXO ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO FISCAL a este REFISC. 6. Como se vê do requerimento [...] do contribuinte, foi omitida a existência de ação judicial discutindo a fixação do domicílio fiscal do requerente. Todavia, da leitura da sentença proferida na ação ordinária nº 200351010224300, pelo juízo da 19ª Vara Federal do Rio de Janeiro (fls.29/33), notase que todos os argumentos apresentados pela empresa já foram analisados e rejeitados pelo Poder Judiciário, que considerou justificada a recusa do INSS em aceitar o domicílio eleito, aplicandose à hipótese o artigo 127, §§ 1º e 2º do Código Tributário Nacional. 7. Acrescentase, nesta oportunidade, que o contribuinte propôs a Medida Cautelar Inominada nº 2005.02.01.0055337, junto ao Tribunal Regional Federal da 2º Região, visando à declaração de que o seu domicílio 1 Segue em apenso ao presente processo. Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 611 12 fiscal é em Rio das Flores/RJ, tendo a petição inicial sido indeferida, conforme se vê às fls. 34/37. 9. Concluise, pois, que o requerimento do contribuinte já é objeto de demanda judicial, que julgou improcedente a alteração do domicílio fiscal, devendo a ação fiscal proceder na filial 0012, Rua São José, 90, 7º andar, nesta Capital, em obediência às decisões judiciais vigentes. 11.1.2. A empresa MI Montreal foi notificada do despacho da Procuradoria em 29/07/2005, conforme ciência firmada pelo representante legal da empresa, Sr. Paulo Sérgio de Assumpção, numa cópia do referido despacho, juntada a esta NFLD no ANEXO ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO FISCAL a este REFISC. Nesta mesma data foi deixado o TIAD nº 2 que formalizou o reinício dos trabalhos de Auditoria Fiscal na empresa, conforme comando contido no despacho do Sr. Delegado da Receita Previdenciária datado de 21/07/2005, reproduzido no ANEXO ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO FISCAL a este REFISC. (Grifos no original) Conforme se observa, após iniciado o procedimento fiscal, o contribuinte apresentou requerimento à Gerência Executiva do INSS, no Rio de Janeiro/RJ, por meio do processo 35301.005732/200507, apontando suposto equivoco quanto à autoridade competente para realizar a fiscalização, informando que seu domicílio seria na Rua Capitão Soares nº 4, em Rio das Flores, Volta Redonda/RJ. Em razão do alegado, a fiscalização foi interrompida e o processo 35301.005732/200507 foi encaminhado à Divisão de Cobrança de Grandes Devedores da ProcuradoriaGeral Federal (AdvocaciaGeral da União), para manifestação a respeito, tendo este setor da Procuradoria informado quanto à discussão judicial acerca do domicílio tributário do contribuinte e da sentença proferida na ação ordinária nº 2003.51.01.0224300, pelo juízo da 19ª Vara Federal do Rio de Janeiro, que confirmou o domicílio na Capital do Rio de Janeiro, na Rua São José, 90, 7º andar. O contribuinte foi, então, cientificado da manifestação da Procuradoria, recebendo, na mesma oportunidade, o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD) nº 2, que formalizou o reinício da fiscalização. Insta destacar que o INSS, nos autos da ação ordinária nº 2003.51.01.022430 0, fez a devida demonstração dos motivos pelos quais recusou o domicílio eleito pelo contribuinte com vistas a proceder à fiscalização na Capital do Rio de Janeiro. Por oportuno, pedimos venia para transcrevermos o seguinte trecho da decisão judicial em tela (processo 35301.014169/200631, fls. 786 a 790): M. I. MONTREAL INFORMÁTICA LTDA., qualificada na inicial, ajuíza a presente ação em face do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, Objetivando a declaração de que o domicílio fiscal da autora é o local de sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares, nº 4 Rio das Flores RJ. Postula, ainda, seja determinado que seus requerimentos sejam Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 612 13 recebidos e processados pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Volta Redonda, ao qual o Município de Rio das Flores está vinculado, e, ainda, que todos os atos administrativos praticados pelo réu sejam provenientes da referida Gerência Regional de Volta Redonda. [...] O feito está pronto para receber julgamento no estado em que se encontra, nos termos do artigo 330, I, do CPC. Algumas considerações introdutórias devem ser feitas. A decisão que deferiu o pedido de antecipação de tutela, da lavra do ilustre Dr. Carlos Alexandre Benjamin, estava fundada na alegação deduzida na inicial, no sentido de que a sede da autora estava fixada no Município de Rio das Flores, e tal assertiva foi demonstrada pela apresentação da última alteração contratual da sociedade, na qual foi alterada a cláusula primeira do contrato social da autora. Ali se lê que sua sede social está situada em Rio das Flores (cf. fls. 17 e 18 cláusula primeira denominação, sede e filiais). Tal constatação, a princípio, autorizava a aplicação do disposto no artigo 127, II, do Código Tributário Nacional. Entretanto, ofertada a defesa, todo o quadro se modificou, pois tudo indica que a fixação da sede no Município Rio das Flores foi o meio encontrado pela autora para dificultar a ação da fiscalização. Confirase excerto da contestação, que transcrevo, “in verbis”: Ao revés do noticiado pela Autora, o local onde instalado a Diretoria, o núcleo decisório da empresa, corresponde em verdade, à cidade do Rio de Janeiro, na Rua São José, 90, grupos 708/9, como atesta a última alteração contratual, 37º, adunada pela Autora às fls. 15/23, local em que sediada até então. A referida ata comprova, igualmente, que a controladora da empresa MISC PARTICIPAÇÕES LTDA., cláusula 4ª, fls. 19, é sediada no indigitado endereço. Igualmente significativo, que a sede indicada no instrumento de Procuração, de fls. 13, outorgada aos causídicos signatários da exordial, corresponde à Rua São José, 90, 7º ao 9º andar, Centro, Rio de Janeiro – RJ. [...] A transferência do domicilio fiscal de uma empresa que, segundo o preambulo da exordial, fls.02, fora constituída em 1976, tendo por ramo de negócio serviços ligados à área de informática, execução de serviços de engenharia de sistemas, prestação de serviços de processamento de dados, de planejamento, de consultoria de treinamento, de impressão a laser, mercancia de equipamentos e materiais, para o Município de Rio das Flores, no interior do Estado, local alheio ao da prestação de tais serviços e Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 613 14 distinto do em que atua sua Diretoria, só pode ter a conotação de criar embaraço à fiscalização. A Circunstância de que a Autora presta serviços à Prefeitura do Rio de Janeiro, Petrobrás, Serviço Federal de Processamento de Dados SERPRO, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, Empresa. Brasileira de Correios e Telégrafos, à toda evidência, efetuados em local distinto da sede de Rio das Flores, autoriza o entendimento preconizado pelo Eg. STJ de que a opção visa, tão só, criar embaraço a fiscalização, autorizandose ao INSS a recusa do domicílio eleito. (cf. fls.91/93) Tais esclarecimentos modificam todo o quadro anteriormente vislumbrado. Mas há mais: Advirtase, ainda, que a agravada se constitui numa das maiores devedoras previdenciárias, tendo lançados em seu desfavor 54 débitos que montam a R$ 42.258.006,27 (quarenta e dois milhões duzentos e cinqüenta e oito mil seis reais e vinte sete centavos), conforme atestam os extratos em anexo. A inconfessada intenção da açodada transferência de sede pela Autora, é de refugir à atuação centralizada da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, que só atua na capital do Estado, na execução fiscal dos indigitados créditos, que se encontram em fase de iminente julgamento pelo Conselho de Recursos da Previdência Social, como atestam os extratos CCREDEXT adunados, que registram que a maioria dos créditos aguarda, tãosó, a expedição de acórdão para inscrição em dívida ativa. Consoante o disposto no art. 109, §1º, da CRFB/88 e art. 57B do Código [...], as execuções fiscais para cobrança dos referidos créditos, deverão ser ajuizadas no foro do domicílio do réu. Assim é de todo interesse da autora, que seja reconhecido o domicilio fiscal como Rio das Flores, em cuja circunscrição deverão ser ajuizados os executivos atinentes aos créditos que montam a mais de R$ 40 MILHÕES de reais, refugindo ao âmbito de atuação da Divisão de Grandes Devedores e, obviando a efetiva cobrança judicial, dado que não dispõe de patrimônio na comarca, ensejando a expedição de cartas precatórias, para ordinária necessidade de garantia do juízo. (grifos originais cf. fls.93) Em síntese, tais informações do INSS no sentido de que a intenção da autora, ao transferir sua sede de local situado no Centro do Rio de Janeiro (onde passou a funcionar suposta filial) para município no interior do Estado, foi impedir a atuação da Divisão de Grandes Devedores, que só atua na capital, dificultando a fiscalização e arrecadação tributária estão amparadas em farta documentação acostada aos autos (confirase, especialmente, a diligência autuada em fls.113/114, Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 614 15 no qual foi constado que no local, indicado como sede da sociedade, não havia qualquer representante legal, mas apenas uma secretária, e o local é guarnecido com aparelho de fac símile, e estantes com caixas de arquivos). Portanto, justificada está a recusa do INSS a aceitar o domicilio eleito, e tal postura tem amparo no disposto no artigo 127, §§ 1º e 2º do Código Tributário Nacional. Sendo assim, o pedido é de ser julgado improcedente. II Do exposto, JULGO IMPROCEDENTE O PEDIDO. (Grifos no original) Portanto, como se pode ver, além da recusa do domicílio eleito ter sido plenamente justificada pela autoridade tributária, esteve devidamente amparada pela Justiça Federal, quando da realização do procedimento fiscal. Lembrando que a recusa do domicílio eleito encontra fundamento no art. 127, §§ 1º e 2º, do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66: Art. 127. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considerase como tal: [...] § 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste artigo, considerarseá como domicílio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. § 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicandose então a regra do parágrafo anterior. Dessa forma, restou consignado em todos os Termos de Intimação para Apresentação de Documentos (TIADs), como endereço para a disponibilização de documentos e informações, a Rua São José, nº 90, 7º andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ, conforme se observa no seguinte excerto do TIAD nº 20, constante do processo 35301.014169/200631, fl. 278: A documentação assinalada, relativa ao período de 01/2001 a 05/2005, e a todos os estabelecimentos da empresa, inclusive obras de construção civil, deverá ficar à disposição desta Fiscalização, no endereço RUA SÃO JOSÉ N. 90 7 ANDAR, CENTRO, RIO DE JANEIRO RJ, a partir de 28/07/2006 às 10:00 horas, durante todo o desenvolvimento do procedimento fiscal. A referida documentação deverá, ainda, ser liberada com vistas à extração de cópias reprográficas, destinadas à instrução processual, podendo, também, o sujeito passivo, se preferir, fornecer as cópias que se fizerem necessárias. Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 615 16 (Grifos no original) Pois bem, compulsando os autos do processo 35301.014169/200631, nota se, claramente, que após ter sido superada a questão quanto ao domicílio tributário, o procedimento fiscal transcorreu normalmente, tendo a empresa fornecido diversos documentos solicitados pela fiscalização. Todavia, pela não apresentação de parte da documentação solicitada e valendose da prerrogativa prevista no art. 33, § 3º, da Lei 8.212, de 24/7/91, a fiscalização procedeu à apuração das bases de cálculo, das contribuições lançadas, por aferição indireta. Insta destacar que na fase preparatória do lançamento, que corresponde a uma fase inquisitória, a fiscalização atua com amplos poderes de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe, com vistas a efetuar o lançamento. Portanto, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa durante o procedimento fiscal. O que se desenvolve nessa fase é um “procedimento preparatório do ato de lançamento tributário” 2, no qual a fiscalização coleta os elementos capazes de justificar a exação consubstanciada no lançamento. Finalizada essa etapa e consolidado o lançamento, deste é dado ciência ao contribuinte para que efetue o pagamento dos créditos lançados ou para que apresente a sua defesa (impugnação), momento em que se instala o contencioso administrativo, segundo previsto no art. 14 do Decreto 70.235, de 6/3/72. Importa ressaltar que o arbitramento da base de cálculo, por meio de aferição indireta, corresponde, tão somente, a uma técnica de auditoria empregada para se apurar o montante das contribuições devidas na fase preparatória do lançamento, com inversão do ônus da prova ao contribuinte. Dessa forma, uma vez que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade, cumpria à Recorrente o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção (vide art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). De mais a mais, conforme se depreende dos autos, tanto do lançamento anulado (35301.014169/200631), quanto do lançamento substitutivo (10680.721516/201366), o relatório fiscal e seus anexos são perfeitamente compreensíveis, estando devidamente motivado o lançamento e cumprindo todas as formalidades essenciais relacionadas à sua lavratura, tais como: a qualificação do sujeito passivo; a discriminação dos fatos geradores das contribuições devidas e dos períodos a que se referem; o valor do crédito lançado e o prazo para recolhimento ou impugnação; a disposição legal de regência; a assinatura dos Auditores Fiscais, a indicação dos seus cargos e o número de matrícula. Atende, pois, às exigências do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Nesse contexto, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, máxime quando há nos autos prova de que o contribuinte foi regularmente cientificado da exação tributária, tendo tido acesso a todas as informações necessárias para elaborar a sua defesa. Tanto foi possível o pleno exercício do direito de defesa que utilizou dessa prerrogativa, conseguindo contestar (na impugnação e no recurso voluntário) tanto os aspectos formais como materiais do lançamento, de uma forma bastante abrangente e extensa. 2 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro. São Paulo: Editora Dialética, 2002, p. 260. Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 616 17 Além do mais, no caso em tela, não entendemos que a fiscalização realizada no estabelecimento da empresa, situado na Capital do Rio de Janeiro, tenha representado qualquer obstáculo ao exercício do direito de defesa. Sem sobra de dúvida, a fiscalização foi realizada em estabelecimento importante da empresa, quiçá em estabelecimento com status material de sede, situado em localidade onde, seguramente, na época da ação fiscal, a empresa possuía o maior número de clientes e negócios no Estado, sendo um de seus clientes, inclusive, a própria Prefeitura do Rio de Janeiro. Isso sem mencionar o fato de que, segundo a 37ª alteração contratual da empresa3, a sua Diretoria esteve instalada na Cidade do Rio de Janeiro, na Rua São José, 90, grupos 708/9, endereço no qual, aliás, encontravase sediada a MISC PARTICIPAÇÕES LTDA., sua controladora. Acrescentese que no papel timbrado da empresa, no qual foi comunicado à fiscalização sobre o seu domicilio eleito, no início do procedimento fiscal (processo 35301.014169/200631, fls. 781 a 785), consta, em seu rodapé, endereço na Cidade do Rio de Janeiro e não na Cidade de Rio das Flores, o que só vem a corroborar a importância do estabelecimento situado na capital do Estado: Ademais, se parte da documentação solicitada pela fiscalização esteve arquivada no Município de Rio das Flores/RJ, cabia à empresa transferir essa documentação para o seu estabelecimento situado na Cidade Rio de Janeiro/RJ, a fim de atender aos termos de intimação. Lembrando que o procedimento fiscal durou mais de um ano, ou seja, de 30/5/05 (MPF4) a 24/8/06 (TEAF5). Cabe destacar, inclusive, que em seu primeiro recurso voluntário (processo 35301.014169/200631, fls. 1.466 a 1.488), a Recorrente não fez qualquer alegação quanto ao seu domicílio tributário e nem apontou qualquer dificuldade quanto ao fornecimento de documentos, em razão da fiscalização ter sido realizada na Cidade do Rio de Janeiro. Sendo assim, diante de todo o exposto, não vislumbramos qualquer erro de direito ou qualquer mácula na essência do lançamento original, capaz de ensejar a sua anulação por vício material. Todavia, tendo em vista que o lançamento foi anulado pelo CARF, de ofício, uma vez que a decisão judicial, que havia acatado a recusa do domicílio tributário eleito, fora reformada pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, em 2007, reconhecendo o domicílio do contribuinte no município de Rio das Flores/RJ, no muito, o quadro aponta para um erro de fato no instrumento do lançamento, passível de caracterizar vício formal. Nessa linha é a Solução de Consulta Interna nº 8, de 2013, da CoordenaçãoGeral de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB): 3 Informação extraída da sentença proferida nos autos ação ordinária nº 2003.51.01.0224300, cujo excerto foi transcrito neste voto. 4 Mandado de Procedimento Fiscal constante do processo 35301.014169/200631, fl. 33. 5 Termo de Encerramento da Ação Fiscal constante do processo 35301.014169/200631, fls. 253 a 256. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 617 18 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ANULAÇÃO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. Mera irregularidade na identificação do sujeito passivo que não prejudique o exercício do contraditório não gera nulidade do ato de lançamento. A ocorrência de defeito no instrumento do lançamento que configure erro de fato é convalidável e, por isso, anulável por vício formal. Apenas o erro na subsunção do fato ao critério pessoal da regra matriz de incidência que configure erro de direito é vício material. Dispositivos Legais: arts. 10, 11 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972 Processo Administrativo Fiscal (PAF); arts. 142 e 173, II, da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Segue esse entendimento, também, o Parecer PGFN/CAT nº 278/2014: LANÇAMENTO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. NATUREZA DO DEFEITO. POSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NECESSIDADE DE ANÁLISE DO CASO CONCRETO. I O erro na identificação do sujeito passivo, quando do lançamento, pode caracterizar tanto um vício material quanto formal, a depender do caso concreto, não se podendo afirmar, aprioristicamente, em que categoria o defeito se enquadra. II Se o equívoco se der na “identificação material ou substancial” (art. 142 do CTN), o vício será de cunho “material”, por “erro de direito”, já que decorrente da incorreção dos critérios e conceitos jurídicos que fundamentaram a prática do ato. Por outro lado, se o engano residir na “identificação formal ou instrumental” (art. 10 do Decreto nº 70.235/72), o vício, por consequência, será “formal”, eis que provenientes de “erro de fato”, hipótese em que se afigura possível a aplicação da regra insculpida no art. 173, II, do CTN. Convém observar, ainda, que a autoridade tributária, antes de proceder à realização do lançamento substitutivo, agiu com diligência, buscando se certificar quanto à natureza do vício que levou à anulação do lançamento original, segundo se extrai no parágrafo 7.1 do relatório fiscal, fl. 62: 7.1. Ressaltamos que em consulta formulada à Procuradoria da Fazenda Nacional no Rio de Janeiro – PFN (Procuradoria Seccional em Volta Redonda) pela Delegacia da Receita Federal em Volta Redonda, a douta Procuradoria esclareceu que se trata de vício formal quando “o procedimento fiscal é realizado em domicílio diverso do eleito pelo contribuinte”, conforme demonstrado no ANEXO IV. Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 618 19 (Grifo no original) Também não vemos qualquer mácula no procedimento fiscal que resultou no lançamento substitutivo ao não oportunizar à Recorrente, durante a sua realização, a apresentação de documentos e informações, pois tal lançamento teve por fim, apenas, corrigir um vício formal no instrumento do lançamento, referente ao domicílio tributário, o qual, diga se de passagem, nem mais é em Rio das Flores/RJ, mas sim em Belo Horizonte/MG. Além do mais, com a ciência do lançamento substitutivo, foi instaurada a fase contenciosa do novo procedimento fiscal, e aí sim foi oportunizado à Recorrente o direito de carrear aos autos, junto com sua impugnação, documentos e informações capazes de amparar sua defesa, porém, não aproveitou essa oportunidade, limitandose a alegar a nulidade das autuações (original e substitutiva), o que permite concluir que a Recorrente não possui os alegados documentos ou, se os possui, tais documentos deporiam contra a defesa, explicando, assim, a sua não apresentação. Portanto, não restou evidenciada a ocorrência de vício material no lançamento anulado e, por conseguinte, temse por correta a realização do lançamento substitutivo, nos termos do art. 173, inciso II, do CTN, uma vez que os créditos lançados não foram atingidos pela decadência. Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 618DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.724163/2014-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/03/2009, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011, 31/03/2012, 30/06/2012, 30/08/2012, 30/09/2012, 31/12/2012
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
PERDA DE ESPONTANEIDADE.
O primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto, exclui a espontaneidade não só do sujeito passivo, em relação aos atos anteriores, como, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas.
PARCELAMENTO. DÉBITOS AUTUADOS
Se o contribuinte, sob procedimento fiscal, contratou o parcelamento dos débitos antes da constituição de ofício do crédito tributário, os débitos parcelados seguirão sendo quitados pela interessada mediante as prestações do parcelamento; os demais valores constituídos por lançamento de ofício e que excederem o montante daqueles, serão objeto de cobrança administrativa.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/03/2009, 30/08/2012, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011, 31/03/2012, 30/06/2012, 30/09/2012, 31/12/2012
RECEITA OMITIDA. DESÁGIO. RECEITAS FINANCEIRAS. LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE CAIXA
É descabida a reclamação de que a fiscalização teria reconhecido receitas no regime de competência enquanto que a Autuada havia optado pelo regime de caixa, se todos os demonstrativos fiscais evidenciam que os valores autuados de receitas de deságios e receitas financeiras foram computados no regime de caixa, ou seja, à medida em que foram realizados/recebidos.
RECEITA OMITIDA. DESÁGIO. RECEITAS FINANCEIRAS.
Correta a autuação fiscal sobre valores de créditos que a Autuada realizou, mediante o recebimento das ações da credora, mas sua contabilidade não refletiu os fatos e tampouco a Autuada ofereceu à tributação os valores realizados (regime de caixa) do deságio na aquisição desses créditos e das receitas financeiras acumuladas desde a aquisição até a realização.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS.
Descabe considerar como receita operacional de atividade imobiliária, as alienações efetuadas de imóveis que não constavam do ativo circulante da empresa que não é do ramo de compra e venda de imóveis.
DESPESAS GLOSADAS. MATÉRIA NÃO OBJETO DA AUTUAÇÃO.
Descabe julgar matéria que não foi objeto da autuação fiscal em análise.
CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Aplica-se aos lançamentos decorrentes, o decidido no principal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/03/2009, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011, 31/03/2012, 30/06/2012, 30/08/2012, 30/09/2012, 31/12/2012
DECADÊNCIA.
Caracterizado o dolo e inexistindo pagamentos, aplica-se o prazo do art. 173, I do CTN.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DÉBITOS CONFESSADOS NÃO ESPONTANEAMENTE.
É dever funcional da autoridade administrativa constituir de ofício o crédito tributário relativo a débitos não confessados espontaneamente.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. .
Comprovada a intenção dolosa de sonegar tributos/contribuições pela apresentação das DIPJ e DCTF zeradas, contabilização errada das receitas de deságio e receitas financeiras auferidas, não contabilização das receitas de deságio e financeiras auferidas na conversão de créditos em capital social da credor, falta de contabilização e não declaração dos resultados da alienação de 4 (quatro) imóveis, cabível a aplicação da multa qualificada.
Numero da decisão: 1201-002.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa; ausente justificadamente José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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RECEITA, GANHO CAPITAL, RESP SOLID Recorrente D & D ADMINISTRADORA DE BENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/03/2009, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011, 31/03/2012, 30/06/2012, 30/08/2012, 30/09/2012, 31/12/2012 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PERDA DE ESPONTANEIDADE. O primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto, exclui a espontaneidade não só do sujeito passivo, em relação aos atos anteriores, como, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. PARCELAMENTO. DÉBITOS AUTUADOS Se o contribuinte, sob procedimento fiscal, contratou o parcelamento dos débitos antes da constituição de ofício do crédito tributário, os débitos parcelados seguirão sendo quitados pela interessada mediante as prestações do parcelamento; os demais valores constituídos por lançamento de ofício e que excederem o montante daqueles, serão objeto de cobrança administrativa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/03/2009, 30/08/2012, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011, 31/03/2012, 30/06/2012, 30/09/2012, 31/12/2012 RECEITA OMITIDA. DESÁGIO. RECEITAS FINANCEIRAS. LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE CAIXA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 41 63 /2 01 4- 50 Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 3 2 É descabida a reclamação de que a fiscalização teria reconhecido receitas no regime de competência enquanto que a Autuada havia optado pelo regime de caixa, se todos os demonstrativos fiscais evidenciam que os valores autuados de receitas de deságios e receitas financeiras foram computados no regime de caixa, ou seja, à medida em que foram realizados/recebidos. RECEITA OMITIDA. DESÁGIO. RECEITAS FINANCEIRAS. Correta a autuação fiscal sobre valores de créditos que a Autuada realizou, mediante o recebimento das ações da credora, mas sua contabilidade não refletiu os fatos e tampouco a Autuada ofereceu à tributação os valores realizados (regime de caixa) do deságio na aquisição desses créditos e das receitas financeiras acumuladas desde a aquisição até a realização. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. Descabe considerar como receita operacional de atividade imobiliária, as alienações efetuadas de imóveis que não constavam do ativo circulante da empresa que não é do ramo de compra e venda de imóveis. DESPESAS GLOSADAS. MATÉRIA NÃO OBJETO DA AUTUAÇÃO. Descabe julgar matéria que não foi objeto da autuação fiscal em análise. CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Aplicase aos lançamentos decorrentes, o decidido no principal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/03/2009, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011, 31/03/2012, 30/06/2012, 30/08/2012, 30/09/2012, 31/12/2012 DECADÊNCIA. Caracterizado o dolo e inexistindo pagamentos, aplicase o prazo do art. 173, I do CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DÉBITOS CONFESSADOS NÃO ESPONTANEAMENTE. É dever funcional da autoridade administrativa constituir de ofício o crédito tributário relativo a débitos não confessados espontaneamente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. . Comprovada a intenção dolosa de sonegar tributos/contribuições pela apresentação das DIPJ e DCTF zeradas, contabilização errada das receitas de deságio e receitas financeiras auferidas, não contabilização das receitas de deságio e financeiras auferidas na conversão de créditos em capital social da credor, falta de contabilização e não declaração dos resultados da alienação de 4 (quatro) imóveis, cabível a aplicação da multa qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa; ausente justificadamente José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Trata o processo de autos de infração de págs. 520/611, que exigem R$2.806.661,84 de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, no regime lucro presumido, devido às infrações: 0001 Omissão de Ganhos de Capital (deságio em aquisição de direitos creditórios e omissão de receitas financeiras incidentes sobre estes, item 4.3.2 do Relatório Fiscal), fatos geradores 30/03/2009; omissão de ganho de capital auferido em operações imobiliárias (item 5 do relatório Fiscal), fato gerador em 30/08/2012; 002 Omissão de Receitas (não inclusão de receitas relativas a deságio em aquisição de direitos creditórios, e não inclusão de receitas financeiras destes, item 4.3.1 do Relatório Fiscal), fatos geradores em 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011, 31/03/2012, 30/06/2012, 30/09/2012, 31/12/2012. R$1.036.318,25 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, reflexo das mesmas infrações. R$194.240,46 de Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, incidência cumulativa padrão, reflexo da infração 001, fato gerador 31/03/2009; R$42.085,43 de Contribuição para o PIS, incidência cumulativa padrão, reflexo da infração 001, fato gerador em 31/03/2009. Todas infrações foram apenadas com multa de ofício 150%. Os procedimentos de fiscalização e as autuações estão descritos no Relatório Fiscal, págs. 612/669. 2. Foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária, pág. 672, de Dilnei Heizen, CPF 767.708.42904, nos termos dos arts. 124, I e 135, III do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. 3. Cientificados o contribuinte e o responsável solidário, em 26/11/2014, págs. 670/671 e 675, o contribuinte apresentou impugnação, págs. 696/798; às págs. 878/879, despacho de saneamento, nos seguintes termos: Apesar de o administrador ser o representante legal da pessoa jurídica, e ter, inclusive, assinado a procuração em que a D&D ADMINISTRADORA DE BENS LTDa outorga poderes de representação processual ao subscritor da impugnação, Sr. IVAN ADOLFO HADLICH, não consta procuração para que o referido subscritor seja também representante processual do administrador. Vejase que, na procuração, apenas a D&D aparece na qualidade de “outorgante”, tendo o Sr. DILNEI Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 5 4 HEINZEN figurado como representante legal da pessoa jurídica, e não como “outorgante”. Para que a impugnação fosse recebida também em nome do administrador, designado responsável tributário, necessário que ele (o administrador) a tivesse subscrito, ou que tivesse sido providenciada a juntada procuração com outorga de poderes do Sr. DILNEI HEINZEN, para que o Sr. IVAN ADOLFO HADLICH também o representasse. Segundo o preceito normativo à época em vigor (art. 6º do Código de Processo Civil – CPC, instituído pela Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973), e agora reproduzido no art. 18 do Código de Processo Civil – CPC, instituído pela Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015, ninguém pode pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico. 4. Em resposta o responsável solidário, Dilnei Heinzen, juntou a procuração de pág. 886, outorgando poderes ao advogado que subscreveu a impugnação, ficando assim saneada a questão. 5. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO, proferiu o Acórdão nº 1463.210 de 05/10/2016, págs. 889/950, que considerou a impugnação improcedente: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RESPONSABILIDADE DE TERCEIRO. ADMINISTRADOR. Consolidase administrativamente a matéria não expressamente impugnada, operandose em relação a ela a preclusão processual. ARROLAMENTO DE BENS. INCOMPETÊNCIA DOS ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS DE JULGAMENTO. Nos termos da delimitação imposta pelo Decreto nº 70.235, de 1972, a apreciação acerca da procedência de arrolamento de bens e direitos formalizado pela autoridade fiscal não se insere na competência dos órgãos administrativos de julgamento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. REQUISITOS. DENÚNCIA DA INFRAÇÃO E PAGAMENTO ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. A responsabilidade por infrações é excluída pela denúncia espontânea, acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 6 5 STJ, no Recurso Especial nº 1.102.577, de 22/04/2009, sujeito ao regime dos Recursos Repetitivos, já decidiu que o instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não se aplica nos casos de parcelamento de débito tributário. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE CAIXA. RECEITAS DE DESÁGIO E RECEITAS FINANCEIRAS. Comprovado que a tributação se deu no momento do recebimento das receitas auferidas, por ocasião da quitação dos títulos, mediante pagamento efetuado pela devedora, ou por ocasião da utilização dos títulos na conferência de bens para integralização de aumento de capital, procedente o lançamento. LUCRO PRESUMIDO. ALIENAÇÃO DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. GANHO DE CAPITAL. Numa empresa dedicada à assessoria empresarial administrativa, à administração de bens próprios móveis e imóveis, e à participações em outras sociedades de qualquer natureza, deve ser tributado o ganho de capital auferido na alienação de bens do ativo permanente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITA REITERADA E SISTEMÁTICA. Comprovada a conduta reiterada e sistemática de omissão de todas as receitas comprovadamente auferidas na atividade operacional, caracterizada está a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FALTA DE PAGAMENTO/DECLARAÇÃO. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, ausente a antecipação do pagamento, e nos casos de dolo, fraude ou simulação, deve ser aplicada a norma prevista no art. 173, I, do CTN, contando se o prazo qüinqüenal a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador. Como a ciência dos lançamentos se efetivou antes do decurso do prazo decadencial, o crédito tributário encontrase regularmente constituído. 6. O contribuinte e responsável solidário foram cientificados em 20/10/2016, págs. 961/962 e apresentaram o Recurso Voluntário de págs. 964/989, em 21/11/2016, tempestivo. Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 7 6 7. Acusam de notoriamente nulo o lançamento efetuado, porque foi lavrado sob o inócuo argumento de que um "Termo de Diligência Fiscal" endereçado a esse contribuinte, que decorre de ação fiscal em outro contribuinte, que tratava de apurar outros fatos visivelmente desconexos com as "condutas praticadas" por este contribuinte, pode ser caracterizado como "inicio de ação fiscal", a teor do § 1º do art. 33 do Decreto nº 7.574, de 2011, como afirmou a fiscalização e o Acórdão recorrido, e excluir a espontaneidade da Recorrente de retificar suas DCTF's e DIPJ's que, originalmente, haviam sido apresentadas com erro; e assevera que, ao ser cientificada do MPFF 09.2.04.00.2014.007311 (atinente à Autuada) em 08/10/2014, os débitos relativos aos mesmos fatos geradores já estavam todos declarados em DCTF, desde 05/08/2014, e em DIPJ, desde 08/08/2014, e não é verdade que o procedimento fiscal junto à empresa Textil Renauxview S/A tratasse dos mesmos atos aqui autuados. Reitera que: o contribuinte, ora recorrente, tratou de apurar, declarar (em DCTF e em DIPJ) valores referentes a receitas e, as consequentes tributações sobre as mesmas receitas, mais tarde formalizando parcelamento de débitos regularmente, estando absoluta e rigorosamente em dia com o aludido parcelamento até os dias atuais e, isso gostem os agentes fiscais ou não, NUNCA TEVE QUALQUER RELAÇÃO COM O OBJETO DA AÇÃO FISCAL EM CURSO NA EMPRESA “TEXTIL RENAUXVIEW”. 8. Aduz que o lançamento fiscal se refere a : valores e fatos JÁ OBJETO DE REGULAR DECLARAÇÕES, tanto em DCTF, quanto em DIPJ pelo contribuinte, MESES ANTES DE INICIADO O PROCEDIMENTO INSTAURADO PELO MPF 09.2.01.00.2014007311 (MPFF 09.2.04.00.2014.007311 atinente à Autuada), se resumem em síntese, a esse contribuinte não ter declarado e oferecido a tributação, na época própria, receitas decorrentes do recebimento parcial de créditos de terceiros, contra a empresa “Têxtil Renauxview”, adquiridos junto aos credores originários com deságio, títulos esses que, em muitos casos, ainda estão sendo objeto de cobrança por parte da recorrente. 9. E que a diligência que foi realizada na empresa Recorrente era a aferição em relação à fiscalizada "Textil Renauxview" quanto ao seu endividamento perante terceiros, restou estabelecido pela própria fiscalização, que todos estes direitos creditórios foram contabilizados pela Recorrente pelo seu valor de aquisição, onde a fiscalização reconhece que teve pleno conhecimento dos montantes lançados, das contas utilizadas; conforme admitido pela fiscalização, como resultado de suas diligencias, NÃO houve qualquer divergência apurada em relação ao objeto do MPF 09.2.04.002014001366 (diligência na Autuada, durante a fiscalização na Textil Renauxview), qual seja, a aferição de informações quanto ao endividamento perante terceiros da investigada, e é absurdo ser mais tarde autuada, em NOVEMBRO DE 2014. com base nos mesmos valores e competências JÁ DECLARADOS em AGOSTO DE 2014. que NADA TEM A VER COM o aludido MPF. 10. Cita que o procedimento fiscal contra a Textil Renauxview, iniciou em 27/03/2014, e discorda que seja hábil para excluir a espontaneidade também da Recorrente, como terceiro envolvido e questiona qual seria a infração, se o objeto da autuação é diverso do da diligência que apurou infração na outra empresa? Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 8 7 11. No mérito, diz que, cientificada do início da fiscalização em 08/10/2014, já havia consolidado os débitos de IRPJ e CSLL que, salvo erro da fiscalização, correspondem aos da autuação, já havia requerido o parcelamento da Lei nº 12.996, de 2014 e pago a 1ª parcela em 08/2014; anexa comprovantes de pagamentos do parcelamento, doc. 02; destaca que o parcelamento suspende a exigibilidade do crédito tributário, art. 151, VI do CTN, por isso, os débitos da autuação já não são mais exigíveis. 12. Além de que, os créditos autuados já estavam atingidos pela decadência, pois o autuante não logrou comprovar o dolo; e aduz que os débitos estavam declarados e as antecipações legalmente exigíveis em parcelamento devidamente quitadas; cita jurisprudência. 13. Disserta sobre a impossibilidade de lançamento de ofício relativo a débitos confessados em DCTF e DIPJ. 14. Aponta a inexigibilidade da multa de ofício frente a declaração em que confessou o débito e ao parcelamento do valor devido nos termos da Lei n° 11.941, de 2009. 15. Reclama da impossibilidade de tributação em relação a valores “não realizados”, no regime de tributação pelo lucro presumido, pelo regime de caixa, pelo qual a recorrente optou, e descreve valores não realizados, pág. 977/980, e diz: Em dado momento de seu relatório, o r. agente fiscal, mesmo tendo reconhecido ter pleno conhecimento de que a impugnante optou pela tributação, nos anos calendário em análise, com base no LUCRO PRESUMIDO, pelo REGIME DE CAIXA, propõem e insensata e ilegal exigência de tributação do chamado “deságio” no momento da aquisição de créditos, contra a “Textil Renauxview” junto a terceiros. 16. Aponta impossibilidade de tributação de venda de bens integrantes do estoque de imóveis para revenda, apurando ganho de capital, no lucro presumido, pois os quatro imóveis haviam sido adquiridos para revenda, conforme objeto social da empresa, e vendidos em 30/08/2012. 17. Acerca das despesas consideradas indedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL, por não necessárias às atividades da empresa: glosa de depreciação de veículos locados, em que o julgador entendeu que o contrato de locação entre a Quimisa e a Quimilog, não atende os requisitos exigidos pelo Código Civil (art. 565 a 578), e portanto, não pode ser considerado um contrato válido, assevera que existe e foi reconhecido pela fiscalização e descreve detalhes, págs. 981/985; requer as deduções da depreciação de veículos e de despesas financeiras. 18. Reclama da multa de 75% (sic) que restou em decorrência da apropriação de despesas desnecessárias à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora, em patamar absurdo, que viola princípios constitucionais do direito à propriedade e não confisco. 19. A PGFN foi informada e não apresentou Contrarrazões. 20. É o relatório. Voto Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 9 8 Conselheira Eva Maria Los, Relatora 3. Destacase, de início, que não houve contestação à Responsabilidade Solidária de Dilnei Heizen, CPF 767.708.42904, que a DRJ considerou não impugnada. 1 Preliminar de nulidade dos autos de infração. 4. Em relação às infrações autuadas, a litigante afirmou na impugnação de 26/12/2014, e em correspondência de 14/04/2015, págs. 804/805, ao ser cientificada do Arrolamento de Bens: I Importante destacar que, o aludido auto de infração decorre do MPF 0920400.2014.007311, cientificado ao contribuinte "D & D Administradora de Bens Ltda" em 08/10/2014, em relação a fatos geradores, valores de débitos de impostos e contribuições DEVIDAMENTE declarados, confessados e parcelados em parcelamento especial previsto pela Lei 12.996/2014, formalizado regularmente em agosto de 2014, com todos os pagamentos do parcelamento em dia. 5. Argumenta a nulidade da autuação porque não reconhece que a fiscalização iniciada na empresa Textil Renauxiew S/A e diligências relativas à mesma que foram dirigidas à Autuada lhe tenham excluído a espontaneidade para apresentar e/ou retificar as Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, que a Autuada havia entregado zeradas. 6. A Autuada efetuou as seguintes entregas, declarando os valores objeto da autuação, conforme datas a seguir, constantes do Relatório Fiscal: Tabela 2: Declarações apresentadas por D&D ADMINISTRADORA em agosto de 2014. Tipo de Declaração Competência Data da Entrega Número da Declaração Retificadora ? DIPJ 2010 08/08/2014 0001563926 Sim DIPJ 2011 08/08/2014 0001617699 Sim DIPJ 2012 08/08/2014 0001607369 Sim DCTF 06/2010 05/08/2014 100201020141811751360 Sim DCTF 09/2010 05/08/2014 100201020141881745768 Sim DCTF 12/2010 05/08/2014 100201020141891744223 Sim DCTF 03/2011 05/08/2014 100201120141811256686 Nào DCTF 06/2011 05/08/2014 100201120141831255729 Nào DCTF 09/2011 05/08/2014 100201120141841254309 Nào DCTF 12/2011 05/08/2014 100201120141851254012 Sim DCTF 03/2012 05/08/2014 100201220141871307368 Nào DCTF 06/2012 05/08/2014 100201220141881306995 Nào DCTF 09/2012 05/08/2014 100201220141881306993 Nào DCTF 12/2012 05/08/2014 100201220141811313074 Sim Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 10 9 7. A Renauxview foi cientificada do Termo de Início de Fiscalização em 27/03/2014, págs. 177/178 (MPFF da Têxtil Renauxview S/A 09.2.04.00.214.001234), pág. 215; a Autuada foi cientificada do primeiro Termo de Diligência Fiscal durante a fiscalização na Renauxview, em 07/04/2014 (MPFD nº 09.2.04.00.214001366), págs. 239/240, sendo que este se referiu a dados relativos ao relacionamento da Autuada com a Renauxview: Diante do exposto, com a finalidade de subsidiar o procedimento fiscal instaurado junto à empresa TÊXTIL RENAUXVIEW, e tendo por base o Procedimento de Diligência Fiscal n° 0920400 20140013661, intimase o sujeito passivo acima especificado a apresentar: 1.1. Relação de todos os créditos adquiridos, indicando o valor de face dos títulos, valor pago, proprietário do título, data da aquisição; 1.2. Cópias dos contratos de aquisição dos títulos; 1.3. Cópias dos lançamentos contábeis relativos às aquisições dos títulos; 1.4. Informar a origem dos recursos utilizados nas aquisições dos títulos; 1.5. Comprovante de endereço: conta de água, luz ou telefone. 8. A Autuada recebeu ainda o Termo de Diligência Fiscal nº 2, em 28/05/2014, págs. 307/308; Termo de Diligência Fiscal nº 3, em 11/07/2014, págs. 373/375. 9. Entregou as DIPJ e DCTF originais e/ou retificadoras em 05 e 08/08/2014. 10. Em 08/10/2014, págs. 405/431, a Autuada foi cientificada do respectivo Termo de Início de Fiscalização, MPFF 09.2.04.00.2014.007311. 11. A legislação do processo administrativofiscal é clara sobre a questão da perda de espontaneidade: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 11 10 12. O Autuante destaca no Relatório Fiscal que a sequência de intimações impediu que ocorresse lapso de 60 (sessenta) dias ou superior, de forma que não houve oportunidade para readquirir a espontaneidade. 13. Também ressalta que o teor dos Termos de Intimação de Diligência, dirigidos à Autuada deixam claro que a matéria foi relativa aos direitos creditórios que adquiriu com deságio e os rendimentos financeiros decorrentes, o que já se evidencia desde o primeiro Termo reproduzido supra. 14. Destaquese a: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. 15. Concluise que decabe a arguição de que teria confessado espontaneamente os débitos objeto da autuação. 16. Ainda em relação à arguição de nulidade dos autos, verificase que não foi ferido o dispositivo do Decreto nº 70.235, de 1972, que o determina: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 17. Como se vê, de acordo com o art. 59, I, supra, só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração que se insere na categoria de ato ou termo , quando esse auto for lavrado por pessoa incompetente (art. 59, I). A nulidade por preterição do direito de defesa, como se infere do art. 59, II, transcrito, somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou seja, somente pode ocorrer em uma fase posterior à lavratura do auto de infração. 18. A autuação foi lavrada por autoridade competente, descabendo a nulidade dos autos. 1.1 IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO RELATIVO A DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF E DIPJ. 19. Se o contribuinte confessou os débitos mediante o instrumento DCTF, descabe o lançamento de ofício para constituir o crédito tributário, uma vez que este já terá sido constituído espontaneamente. 20. No entanto, como no presente caso, se o contribuinte efetua a confissão dos débitos, sem espontaneidade, como no presente caso, o lançamento de ofício é dever funcional da Autoridade Fiscal, a teor do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 12 11 1.2 O PARCELAMENTO SUSPENDE A EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, ART. 151, VI DO CTN 21. Ao pleitear o parcelamento, o contribuinte confessou os correspondentes débitos. 22. Informou que requereu o parcelamento da Lei nº 12.996, de 2014, e pagou a 1ª parcela em agosto de 2014; no entanto, nesta data, encontravase sob procedimento fiscal, portanto, a confissão dos débitos não foi espontânea. 23. Tal fato não invalida o parcelamento; e a cobrança administrativa se dará em relação ao crédito tributário constituído de ofício, no valor que exceder o montante do parcelamento aprovado. 24. Assim, os débitos parcelados seguirão sendo quitados pela interessada mediante as prestações do parcelamento; os demais valores serão objeto de cobrança administrativa. 2 Preliminar de decadência 25. A Autuada foi cientificada dos autos de infração em 26/11/2014, págs. 670/671, em relação a fatos geradores de 30/03/2009, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011, 31/03/2012, 30/06/2012, 31/08/2012, 30/09/2012, 31/12/2012. 26. Argui a decadência, portanto do fato gerador em 30/03/2009, ao argumento de que não foi comprovado o dolo. 27. Está questão foi examinada adiante neste voto, concluindose pela intenção dolosa do contribuinte em ocultar os fatos geradores dos tributos devidos. 28. Cabe destacar que, tendo apresentado zeradas suas DIPJ e DCTF, não houveram pagamentos a serem homologados. 29. Desta feita, aplicase o prazo decadencial do art. 173, I do CTN, não se tendo caracterizado decadência em relação ao fato gerador de 31/03/2009. 3 Autuação Fiscal. Mérito. 30. Apesar de alegar que todos os débitos autuados foram objetos de parcelamento (e por consequência, confessados) o contribuinte levantou contestações que se analisa a seguir. 31. Cabe analisálas dado que os créditos tributários constituídos de ofício incluem multa de ofício e a procedência da autuação deve ser julgada. 3.1 IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO EM RELAÇÃO A VALORES “NÃO REALIZADOS”, NO REGIME DE TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO, REGIME DE CAIXA 32. A litigante argumenta que o Autuante está a lhe exigir tributos sobre valores não recebidos (realizados), mesmo ciente de que a litigante havia optado pelo lucro presumido, no regime de caixa; cita o seguinte parágrafo do Relatório Fiscal: Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 13 12 "(...) o deságio existe e é perfeitamente mensurável desde o momento da aquisição do direito creditório, gerando reflexos no patrimônio da empresa que devem ser registrados em sua contabilidade. O fato da realização deste deságio ocorrer em momento posterior não justifica o fato da contabilidade deixar de representar o ativo correspondente pelo seu efetivo valor. E conforme será detalhado adiante, em boa parte dos casos os valores de deságio de fato se confirmaram, ou seja, foram efetivamente realizados pela D&D ADMINISTRADORA. (...) " 33. Ocorre que a Recorrente cita o parágrafo supra fora do contexto, pois o Autuante o afirmou em relação à contabilização, mas, ao apurar os valores tributáveis, efetuou as apurações com base nos recebimentos (valores realizados), como se evidencia a seguir no trecho do relatório Fiscal, págs. 619/622: Assim, a empresa não reconheceu em sua contabilidade o valor do deságio incorrido nas aquisições, sendo que o 10° quesito do Termo de Início de Procedimento Fiscal abordou justamente este fato, solicitando justificativa para este comportamento, bem como o respectivo embasamento legal que lhe desse respaldo. Eis o teor da resposta apresentada: Ai 10 Porque no momento da "aquisição dos créditos", NÃO incorreu deságio algum. No momento das aquisições dos créditos por um valor menor que o dito "valor de face", apenas existia a "possibilidade" real de realizar um recebíve!, e em valor maior que aquele que foi pago, entretanto, a "realização" ou não desse "valor recebívd" até o montante pago, foi uma aposta e, a realização de um "ganho" somente poderia ser considerado no momento em que fosse efetivamente recebido um valor pelos direitos creditórios, maior que o custo de aquisição dos mesmos. Na verdade a contribuinte está equivocada, já que o deságio existe ... (trecho citado pela Recorrente, já transcrito). Mesmo a hipótese de ocorrer a frustração da realização do deságio em período posterior não justifica a ausência de contabilização do deságio. Neste caso, caberia a contribuinte aferir eventual prejuízo na realização do ativo, e registrálo em sua contabilidade, diminuindo o resultado do período correspondente. Ademais, o lucro presumido engloba todas as receitas auferidas pela contribuinte, e não apenas as vinculadas às vendas de bens e serviços. E o que determina o artigo 521 do RIR/9910. Concluise, portanto, que as receitas de deságio deveriam ter sido contabilizadas no momento em que a D&D ADMINISTRADORA adquiriu e registrou os direitos creditórios em sua contabilidade, sendo certo, também, que tais valores devem ser computados na base de cálculo do lucro presumido. No caso da adoção do regime de caixa, tal tributação se dá no efetivo recebimento dos valores, o que não desobriga a Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 14 13 contribuinte de manter sob controle, em sua contabilidade, os valores de deságio auferidos nas aquisições. (Grifouse.) Por fim, em relação ao assunto, cabe comentar outra alegação apresentada pela contribuinte em sua resposta ao 10° quesito do Termo de Início de Procedimento Fiscal, agora transcrita: Assim, cumpre destacar que, diante da opção desse contribuinte pelo "Lucro Presumido Regime de Caixa " os eventuais "ganhos "foram considerados/tributados na medida em que os efetivos recebimentos foram ocorrendo, na proporção em que excediam o custo de aquisição. Ao contrário do que afirma a empresa fiscalizada, não houve qualquer tributação de valores pela contribuinte, que não informou em DIPJ a apuração de qualquer valor a pagar no período fiscalizado, tampouco os declarou nas DCTFs consideradas por esta auditoria. Convém relembrar que a contribuinte buscou retificar suas declarações apenas após iniciada a investigação dos fatos relacionados às aquisições buscou retificar suas declarações apenas após iniciada a investigação dos fatos relacionados às aquisições destes direitos creditórios (vide item '1.1 Das Declarações Consideradas na Autuação'). (Grifouse. Obs.: as DCTF consideradas pela fiscalização foram as que haviam sido entregues espontaneamente) Quanto ao reconhecimento contábil, de fato, os livros apresentados contemplam o registro de receitas, sob a rubrica "outras receitas", sempre por ocasião dos recebimentos advindos da TÊXTIL RENAUXVIEW. Ocorre que tal reconhecimento não foi feito "na proporção em que (os efetivos recebimentos) excediam o custo de aquisição", conforme alegado na resposta apresentada. O reconhecimento de tais receitas foi feito pelo valor integral dos pagamentos, sem considerar que parte destes recursos referemse à amortização do valor pago pela D&D ADMINISTRADORA para aquisição dos direitos creditórios (custo de aquisição). Assim, a receita contabilizada, nestes casos, foi registrada em excesso pela contribuinte, conforme será melhor detalhado adiante. (Grifouse.) 34. Transcrevese do Relatório Fiscal o primeiro deságio autuado, págs. 620/621: 4.1.4. Aquisição de Direitos Creditórios junto ao Banco Intermedium Conforme Instrumento Particular de Promessa de Cessão de Crédito cuja cópia foi apresentada pela própria D&D ADMINISTRADORA em atendimento ao Termo de Diligência Fiscal lavrado em 01/04/2014, o Banco Intermedium S/A era titular de créditos junto à empresa TÊXTIL RENAUXVIEW, decorrentes de empréstimos bancários. Conforme a cláusula segunda daquele instrumento, pactuado em 19/01/2009, todos os direitos sobre estes créditos foram transferidos para a fiscalizada, pelo valor de R$ 230.000,00. Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 15 14 Conforme a contabilidade da D&D ADMINISTRADORA, tal valor foi integralmente pago, conforme lançamentos efetuados na conta '2.1.1.01.2125 Banco Intermedium5. Quanto ao valor dos créditos no momento da cessão, vemos que a própria D&D ADMINISTRADORA informou ser de R$ 861.583,64n. Também a devedora, TÊXTIL RENAUXVIEW, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal 01, informou toda a movimentação ocorrida neste seu passivo financeiro, que foi reproduzida no anexo 13 do Termo de Início de Procedimento Fiscal da D&D ADMINISTRADORA. Tal movimentação foi reconhecida como fidedigna pela fiscalizada, conforme sua resposta ao 7o quesito daquela intimação, que afirmou "que foi possível aferir/confirmar todos os saldos apresentados pela fiscalização", sem qualquer ressalva em relação a movimentação deste direito adquirido do Banco Intermedium. Naquela movimentação, de fato o valor consolidado da dívida era de R$ 861.583,64 em janeiro de 2009. Assim, temos demonstrada no quadro abaixo a receita de deságio que deveria ter sido contabilizada na ocasião: Data da cessão Valor dos Créditos Adquiridos Valor pago pela D&D Valor do Deságio 19/01/2009 861.583,64 230.000,00 631.583,64 Cumpre destacar que sobre tais créditos continuaram a incidir encargos reconhecidos mensalmente pela TÊXTIL RENAUXVIEW, que honrou integralmente este passivo, pagando a D&D ADMINISTRADORA o valor total de R$ 1.610.735,30 entre maio de 2010 e janeiro de 2011. Assim, a receita do deságio auferida no momento da aquisição dos direitos creditórios ingressou efetivamente na movimentação bancária da empresa fiscalizada. A forma de contabilização destes recursos será detalhada adiante. 35. A forma de apuração dos ganhos omitidos está às pág. 627/632: 4.3. Das Receitas Efetivamente Realizadas Conforme se demonstrou, a aquisição dos direitos creditórios sob análise gerou dois tipos de receitas para a contribuinte: o deságio na aquisição e as receitas financeiras decorrentes dos encargos incorridos. Tendo adotado o regime de caixa, tais receitas deveriam ter sido oferecidas à tributação quando de seu recebimento, pelo que agora serão abordadas as efetivas quitações realizadas pela devedora no período fiscalizado. 4.3.1. Quitação Através de Pagamentos Parte significativa dos créditos abordados neste relatório foi efetivamente recebida pela D&D ADMINISTRADORA, via pagamentos realizados pela devedora, o que demonstra a efetiva realização financeira do deságio e das receitas auferidas. Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 16 15 Os direitos creditórios adquiridos junto ao Banco Intermedium é um bom exemplo. Conforme pode ser visualizado no anexo 13 do Termo de Início de Procedimento Fiscal, o valor foi pago pela TEXTIL RENAUXVIEW para a fiscalizada para quitação desta dívida foi de R$ 1.610.735,30. Com base nas demais constatações relatadas neste termo, podemos fazer a seguinte classificação deste valor: Valor pago pela D&D ADMINISTRADORA: R$ 230.000,00; Receita de Deságio : R$ 631.583,64; Receitas Financeiras : R$ 749.151,66; Total : R$ 1.610.735,30. 36. Em seguida o Autuante planilhou os recebimentos (realização) da totalidade dos valores pela Recorrente, págs. 627/628, Tabela 6 e: Além destes valores, houve a quitação de outros direitos creditórios adquiridos pela D&D ADMINISTRADORA no período fiscalizado, tendo a fiscalizada recebido, no total, R$ 5.380.000,00 da TÊXTIL RENAUXVIEW a título de amortizações, conforme demonstrado na tabela seguinte deste relatório. Tabela 6: Valores recebidos pela fiscalizada vinculados aos direitos creditórios adquiridos, a título de amortizações feitas pela TÊXTIL RENAUXVIEW . Mes Credor original Total Geral Bradesco (Instrumento de 07/12/2005) Intermedium Nuevo Unibanco 04/2010 70.000.00 70.000.00 05/2010 500.000.00 500.000.00 06/2010 838.848.01 41.151.99 880.000.00 09/2010 210.000.00 210.000.00 10/2010 100.000.00 100.000.00 11/2010 30.000.00 30.000.00 12/2010 310.000.00 310.000.00 01/2011 28.112,71 121.887,29 150.000.00 02/2011 110.000,00 110.000.00 03/2011 120.000,00 120.000.00 04/2011 110.000,00 110.000,00 05/2011 380.000,00 380.000.00 06/2011 430.000,00 430.000,00 07/2011 80.000,00 80.000.00 08/2011 540.000,00 540.000,00 09/2011 80.000,00 80.000.00 10/2011 80.000,00 80.000,00 11/2011 80.000,00 80.000.00 Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 17 16 12/2011 130.000,00 130.000,00 01/2012 50.000,00 50.000.00 02/2012 50.000,00 50.000,00 03/2012 50.000,00 50.000.00 04/2012 220.000,00 220.000,00 05/2012 160.000,00 160.000.00 06/2012 160.000,00 160.000,00 07/2012 7.992,43 42.007,57 50.000.00 08/2012 50.000.00 50.000,00 09/2012 50.000.00 50.000.00 10/2012 50.000.00 50.000,00 11/2012 50.000.00 50.000.00 12/2012 50.000.00 50.000,00 Total Geral 2.866.105.14 1.610.735,30 292.007,57 611.151.99 5.380.000.00 37. Consta do Relatório Fiscal a Tabela 7, relacionando os lançamentos contábeis desses recebimentos e de onde os dados da Tabela 6 foram extraídos; o Autuante relata que esses valores recebidos foram lançados integralmente na conta "Outras Receitas", porém nenhum valor foi oferecido à tributação. 38. Em seguida, identificou, para cada um desses recebimentos, qual parte se refere à amortização do valor pago na aquisição e quais as parcelas de receita de deságio e de receita financeira, e explicou: Para tanto, basta identificar a composição do saldo atualizado de cada crédito no momento das quitações, e atribuir, pro rata, a quitação a cada uma destas partes. Vejamos, por exemplo, o empréstimo adquirido pela D&D ADMINISTRADORA do UNIBANCO. Conforme as duas tabelas anteriores deste termo, o primeiro pagamento feito pela devedora para quitação se deu em 19/04/2010, no valor de R$ 70.000,00. Conforme anexo 01 do Termo de Início de Procedimento Fiscal entregue à D&D ADMINISTRADORA, o saldo consolidado deste empréstimo no momento imediatamente anterior a este recebimento (31/03/2010) era equivalente a R$ 600.936,08. No momento da aquisição deste crédito, a fiscalizada desembolsou R$ 81.000,00 e auferiu um deságio de R$ 233.651,47 (vide tabela 5 deste relatório), sendo que a diferença para o saldo em 31/03/2010 corresponde às receitas financeiras, equivalentes aos encargos reconhecidos pela TÊXTIL RENAUXVIEW no período compreendido entre a data de aquisição pela D&D ADMINISTRADORA e 31/03/2010. Resumidamente, temos: Saldo em 31/03/2010 : R$ 600.936,08; Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 18 17 Dos quais: Custo de aquisição R$ 81.000,00 Deságio R$ 286.284,61 Receitas Financeiras R$ 233.651,47 A quitação feita em 19/04/2010, no valor de R$ 70.000,00, corresponde a uma amortização de 11,65% do saldo da dívida. Proporcionalmente, implica na quitação neste mesmo percentual do custo de aquisição, das receitas financeiras e das receitas de deságio. Assim, no recebimento desta primeira parcela temos a realização de 11,65% das receitas de deságio (R$ 33.347,84) e das receitas financeiras (R$ 27.216,88): Assim, o saldo deste crédito, após este recebimento, passa a ser o seguinte: Saldo em 19/04/2010: R$ 530.936,08 Dos quais: Custo de aquisição: R$ 71.564,72 Deságio: R$ 252.936,77 Receitas Financeira: R$ 206.434,59 Como os encargos financeiros continuam a incidir sobre o saldo deste crédito, ao final de cada mês as receitas financeiras devem ser ajustadas, pelo reconhecimento dos encargos daquele período mensal, demonstrados no anexo 01 do Termo de Início de Procedimento Fiscal. Toda esta dinâmica se repete até a quitação final deste direito creditório, sendo que a tabela a seguir ilustra a evolução de seu saldo consideradas estas movimentações, incluindo todos os pagamentos efetuados conforme as datas registradas na contabilidade da contribuinte. Tabela 8: Evolução do saldo dos direitos creditórios adquiridos do Unibanco, demonstrando a decomposição dos pagamentos efetuados pela TÊXTIL RENAUXVIEW para a D&D ADMINISTRADORA. Data Evento Valor Composição do Valor Custo de aquisição Deságio Receitas Financeiras 31/03/10 Saldo 600.936,08 81.000.00 286.284,61 233.651,47 19/04/10 Pagamento 70.000,00 9.435.28 33.347.84 27.216.88 19/04/10 Saldo 530.936,08 71.564,72 252.936,77 206.434,59 30/04/10 Encargos 10.215,91 10.215.91 30/04/10 Saldo 541.151,99 71.564,72 252.936,77 216.650,51 03/05/10 Pagamento 200.000.00 26.449.03 93.480.86 80.070.11 03/05/10 Saldo 341.151,99 45.115,69 159.455,91 136.580,39 14/05/10 Pagamento 200.000.00 26.449.03 93.480.86 80.070.11 14/05/10 Saldo 141.151,99 18.666.66 65.975,05 56.510,28 20/05/10 Pagamento 100.000.00 13.224,51 46.740,43 40.035.06 Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 19 18 20/05/10 Saldo 41.151,99 5.442,15 19.234,62 16.475,22 01/06/10 Pagamento 41.151.99 5.442,15 19.234,62 16.475,22 01/06/10 Saldo 0.00 0.00 0.00 0.00 Da mesma forma, o Anexo I deste termo demonstra, para todos os direitos creditórios em que foram efetuados pagamentos pela TEXTIL RENAUXVIEW entre 2010 e 2012, a composição do saldo e apropriação proporcional de cada amortização ocorrida. Finalmente, o anexo II relaciona apenas os pagamentos feitos pela TEXTIL RENAUXVIEW para a D&D ADMINISTRADORA, demonstrando, para cada um, as correspondentes realizações de receitas financeiras e de deságio, a partir das informações do anexo I. 39. Resta evidente que a autuação fiscal apurou os valores tributáveis pelo regime de caixa, como demonstrado. 3.2 CRITÉRIO DE RECONHECIMENTO DOS GANHOS DE DESÁGIO NO CASO DA UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS NA INTEGRAÇÃO ED CAPITAL 40. Reclama sobre o critério de reconhecimento dos ganhos de deságio no caso em que a Recorrente utilizou os créditos junto à Têxtil Renauxview, para integralizar capital nesta. 41. Sintetizase o Relatório Fiscal: a. em 03/02/2009 AGE da Têxtil Renauxview, aprova aumento do capital social no mínimo em R$7.000.000,00; em 03/03/2009 comunica ao mercado que Breda Participações Ltda cedeu gratuitamente à D&D direito de preferência à subscrição e a D&D subscreveu ações, pelo preço total de R$7.495.946,97, integralizados mediante o aproveitamento de créditos líquidos e certos neste montante, que detinha contra a Renauxview; b. Esses créditos eram: Tabela 10: Direitos creditórios detidos pela D&D ADMINISTRADORA utilizados na subscrição de capital feita na TÊXTIL RENAUXVIEW em março de 2009. Credor Original Valor utilizado na subscrição Gilberto Rénaux 2.603.749,52 GMG (Goldman) 1.701.598,03 Ónix (ABN) 3.190.599,42 TOTAL 7.495.946,97 c. O s valores desta tabela são os valores atualizados dos créditos até aquela data. d. Verificase que os créditos que a D&D detinha junto à Renauxview, resultaram totalmente quitados por esta, nessa operação, mediante a entrega das ações de seu capital, resultando que a D&D passou a deter 61% do capital; Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 20 19 e. O Termo de Início de Procedimento Fiscal e os itens 4.3.2.1, 4.3.2.2, 4.3.2.3. do relatório Fiscal fornecem os dados seguintes: Credor Original Data da cessão Valor da dívida no momento da negociação da cessão Valor pago pela D&D Valor utilizado na subscrição (valor com juros até a data) Deságio Receitas financeiras Gilberto Rénaux 03/01/2008 7.810.256,30 882.000,00 *(232.170,81) 2.603.749,52 1.783.194,85 588.383,86 GMG (Goldman) 08/04/2008 1.264.935,02 255.000,00 1.701.598,03 1.009.935,02 436.663,01 Ónix (ABN) 14/04/2008 6.342.233,00 1.268.447,00 **(534.094,17) 3.190.599,42 2.136.375,83 520.129,42 TOTAL 7.495.946,97 Valor utilizado na subscrição = Valor pago (+) deságio (+) Receitas financeiras * Tabela 11 ** Tabela 13 f. Consta do relatório Fiscal que a Autuada, em relação a essa conversão de crédito a receber, em investimento, contabilizou: Data Valor Histórico 30/03/2009 230.287,41 Valor Referente Agio Integralizaçào Rénaux Gilberto Rénaux 30/03/2009 255.000,00 Valor Referente Agio Integralizaçào Rénaux GMG 30/03/2009 526.620,05 Valor Referente Agio Integralizaçào rénaux Ónix ABN g. Enquanto a Renauxview deu baixa no seu passivo de R$7.495.946,97 e aumentou o capital social no mesmo montante; h. questionada, justificou nos mesmos termos que os do recurso voluntário Cumpre destacar que embora tenha havido o ingresso da intimada no quadro de acionistas da "Textil Renauxview S/A" através do aumento do valor do capital, mediante emissão de novas ações, tendo como parâmetro o valor de face dos títulos, acrescidos dos encargos contratuais até a data da subscrição, o "Patrimônio Líquido1" da investida era negativo antes da subscrição e continuou assim após a subscrição, razão pela qual sendo o valor "patrimonial" da investida inferior a "Zero", todo o valor do efetivo investimento (valor do custo de aquisição dos direitos creditórios integralizados) foi contabilizado como "Ágio Investimento Rénaux'", cujo saldo da conta é RS 1.011.907,46. 42. Concluiu o Autuante: O fato do patrimônio líquido da investida ser negativo não justifica o procedimento contábil da fiscalizada, que, inclusive, subdimensionou o alegado ágio pago na subscrição de capital, ao mesmo tempo que não registrou as receitas decorrentes das aquisições dos direitos creditórios. Ou seja, de todas as formas sua contabilidade peca pela ausência de registros relativos a importantes variações patrimoniais ocorridas. Assim, tendo adotado o regime de caixa para o reconhecimento de suas receitas, a D&D ADMINISTRADORA deveria contabilizar e oferecer à tributação as respectivas receitas no Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 21 20 momento da subscrição efetuada. Assim, resta decompor o valor de cada direito creditório utilizado na subscrição para identificar as receitas tributáveis, o que será demonstrado a seguir: (...) 43. Resumindo, a Autuada realizou /recebeu os créditos, mediante o recebimento das ações da credora e sua contabilidade não refletiu os fatos e tampouco a Autuada ofereceu à tributação os valores realizados (regime de caixa) do deságio na aquisição desses créditos e das receitas financeiras acumuladas desde a aquisição até a realização. 3.3 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. 44. Aponta impossibilidade de tributação de venda de bens integrantes do estoque de imóveis para revenda, apurando ganho de capital, no lucro presumido, pois os quatro imóveis haviam sido adquiridos para revenda, conforme objeto social da empresa, e vendidos em 30/08/2012. 45. Relata o Autuante: Conforme informações prestadas em Declarações de Operações Imobiliárias apresentadas por cartórios, a D&D ADMINISTRADORA teria efetuado a alienação de quatro imóveis em 2012. A análise de sua contabilidade, entretanto, não logrou identificar nenhum lançamento relacionado a estas operações imobiliárias, pelo que se inseriu o seguinte quesito no Termo de Intimação Fiscal 01: 46. No entanto a contribuinte respondeu que: I Em relação ao item "1", esclarecemos que o único bem/direito de propriedade desse contribuinte sujeito a registro público é uma participação acionária na empresa "Textil Renauxview S/A, inscrita no CNPJ sob n° 82.982.075/000180 NI RE 42300009491 Companhia Aberta, conforme atesta cópia da "Ata da Assembleia Geral Extraordinária", realizada cm 03/03/2009 (Anexo I). 47. Depois de cientificada dos autos, na impugnação e recurso voluntário, argumentou que se tratavam de transações relativas ao seu objeto social, portanto deveriam ser tratadas como receitas brutas, e base para apuração do lucro presumido pelo percentual de 8% e não acrescidos os ganhos ao lucro presumido, a título de ganhos de capital. 48. Citemse por pertinentes, os seguintes acórdãos do CARF: Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 08/08/2013 Nº Acórdão 1101000.929 Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 LUCRO PRESUMIDO. VENDA DE IMÓVEIS. ATIVO PERMANENTE.O resultado da venda de imóveis contabilizados no Ativo Permanente é tributado como ganho de capital, ainda que antes da alienação eles sejam Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 22 21 destinados à revenda e no contrato social da alienante haja previsão, dentre outras, de atividade imobiliária. A legislação somente permite a incidência sobre a margem presumida de lucro calculada a partir da receita de venda do imóvel quando este é adquirido para revenda. Tipo do Recurso RECURSO DE OFÍCIO, RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 19/02/2018 Nº Acórdão 1402 002.874. Ementa(s) OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO PRESUMIDO. RECEITA OPERACIONAL. VENDA DE TERRENO POR EMPRESA (SPE) ESTATUTARIAMENTE DEDICADA À INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. CONCEITO DE RECEITA BRUTA IMOBILIÁRIA ABRANGENTE. AUSÊNCIA DE TRATAMENTO OU ONERAÇÃO FISCAL DISTINTA ENTRE ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS. MANUTENÇÃO CONTÍNUA EM ESTOQUE E EXCLUSIVA INTENÇÃO DE ALIENAÇÃO. Na hipótese de Sociedade de Propósito Específico, originalmente constituída para promover incorporação em terreno de sua propriedade sempre mantido em conta do ativo circulante, que não obtêm êxito na realização imobiliária pretendida inicialmente e aliena regularmente tal imóvel de seu estoque, mesmo sem edificações ou desdobros, a receita percebida pode ser classificada como operacional, ficando sujeita ao coeficiente de presunção de 8%, determinado pelo art. 15 da Lei nº 9.249/95, para a obtenção da base de cálculo.O conceito de receita bruta imobiliária, veiculado pelo art. 30 da Lei nº 8.981/95, abrange expressamente as atividades imobiliárias de loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados a venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, dando tratamento geral e idêntico ao seu produto, sem qualquer restrição, distinção ou ressalva. Receitas secundárias, fruto de atividades de natureza correlacionada, decorrente ou semelhante ao objeto principal da sociedade, estão incluídas na receita bruta, mesmo antes da vigência da Lei nº 12.973/2014.A determinação do objeto social das companhias é de decisão e implementação de seus titulares, sendo promovida contratualmente, sem qualquer necessidade de autorização pública. Desse modo, a classificação pela Fiscalização de uma receita como não operacional não pode, exclusivamente, basear se na ausência da presença de uma subatividade imobiliária específica em seu registro societário.Contabilmente, a classificação de um ativo como circulante é determinada pelo fato deste ser mantido essencialmente com o propósito de ser negociado. Se a natureza das atividades pressupõe e compreende a alienação de um determinado imóvel, e este sempre esteve registrado em conta de ativo circulante (estoque), não existindo qualquer elemento indicativo de utilização diversa, não se sustenta a rotulação de ativo permanente imobilizado para tal bem.RECEITA TRIBUTÁVEL. PERMUTA DE BENS IMÓVEIS. LUCRO PRESUMIDO.Nas empresas que adotem o regime do Lucro Presumido, o valor do bem alienado em forma de permuta deve ser tratado como receita e oferecido à tributação. Havendo Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 23 22 torna, tal montante se agrega à receita e igualmente deve ser tributado. Se a permuta envolver bem do não circulante, a tributação deverá ocorrer na forma de ganho de capital e não como resultado da atividade operacional da contribuinte. 49. Observase que o contribuinte, em todas DIPJ, anos 2006 a 2015, entregues, págs. 5/176 informou o Código da Atividade Econômica (CNAEFiscal): 68.218/02 Corretagem no aluguel de imóveis. 50. Às págs 432/457, o Contrato Social, registrado em 20/09/2001, informa o objeto social, que foi mantido nas alterações subsequentes: Artigo 2 OBJETO SOCIAL À sociedade terá pôr finalidade : Assessoria empresarial administrativa; Administração de bens próprios móveis e imóveis Participações em outras sociedades de qualquer natureza; 51. Além de que, os imóveis simplesmente não constavam de sua contabilidade; não estavam contabilizados nem no ativo permanente, nem nos estoques. 52. Pelo exposto, concluise não haver base para que se considere receita operacional de atividade imobiliária, as alienações efetuadas de imóveis que não constavam do ativo circulante da empresa, que não é do ramo de compra e venda de imóveis. 3.4 DESPESAS GLOSADAS. MATÉRIA NÃO OBJETO DA AUTUAÇÃO. NÃO CONSTA DA IMPUGNAÇÃO. 53. Consta do recurso voluntário, argumentação acerca de despesas consideradas indedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL, por não necessárias às atividades da empresa: glosa de depreciação de veículos locados, em que o julgador entendeu que o contrato de locação entre a Quimisa e a Quimilog, não atende os requisitos exigidos pelo Código Civil (art. 565 a 578), e portanto, não pode ser considerado um contrato válido, assevera que existe e foi reconhecido pela fiscalização e descreve detalhes, págs. 981/985; requer as deduções da depreciação de veículos e de despesas financeiras. 54. Porém tais fatos não foram objeto da autuação fiscal. 55. Tampouco consta qualquer referência aos mesmos na impugnação. 56. Concluise tratarse de engano da litigante, não se devendo conhecêla. 3.5 MULTA DE OFÍCIO. 57. Aponta a inexigibilidade da multa de ofício frente a declaração em que confessou o débito e ao parcelamento do valor devido nos termos da Lei n° 11.941, de 2009 (sic). 58. Reclama da multa de 75% (sic) que restou em decorrência da apropriação de despesas desnecessárias à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora, em patamar absurdo, que viola princípios constitucionais do direito à propriedade e não confisco. Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 24 23 59. A contestação do contribuinte está errada; foi aplicada a multa de ofício de 150% do art. 44, I, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007; cabe, portanto, analisar se há provas nos autos da ocorrência das hipóteses citadas: sonegação, fraude, conluio, se houve simulação dolosa; em caso contrário, a multa deve ser reduzida a 75%. 60. No período examinado, de 2008 a 2012, cinco anos, a litigante havia apresentado as DIPJ e DCTF zeradas, isto é, não ofereceu qualquer resultado à tributação; contabilizou de forma errada as receitas de deságio e receitas financeiras auferidas; não contabilizou as receitas de deságio e financeiras auferidas na conversão de créditos em capital social da credora, não registrou na contabilidade e não declarou os resultados da alienação de 4 (quatro) imóveis. Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 11/02/2014 Nº Acórdão 1202001.089 Tributo / Matéria CONDUTA DOLOSA POR ATOS REITERADOS E POR LONGO PERÍODO DE UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS QUE NÃO COMPROVAM A EFETIVIDADE DOS SERVIÇOS OU MESMO PAGAMENTOS A SERVIÇOS NÃO PRESTADOS.Comprovada a reiterada conduta em incorrer em custos ou despesas sem comprovação hábil ou idônea, por todo o período fiscalizado, temse caracterizada uma série de atos ordenados com objetivo de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.DOLO. DECADÊNCIA. ART. 173 INCISO I DO CTN.Caracterizada nos autos a ocorrência de dolo, aplicase o prazo previsto no inciso I, art. 173, do CTN, em detrimento da regra disposta no § 4º, art. 150, do CTN.DOLO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO.O art. 44 da Lei nº 9.430, de1996 prevê, para as situações em que reste demonstrada a conduta dolosa, a aplicação de multa de ofício, para o percentual de 150%. Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 20/06/2017 Nº Acórdão 1402002.600 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada tornase imperiosa. Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR Data da Sessão 09/05/2018 Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 25 24 Nº Acórdão 9101003.580 MULTA QUALIFICADA. LEI 9.430, ART. 44, INCISO II.É qualificada a multa na hipótese de apresentação de DIPJ e DCTF zeradas, que atestam o dolo do contribuinte. Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE Data da Sessão 08/03/2018 Nº Acórdão 9101003.477 Assunto: Normas Gerais de Direito TributárioAnocalendário: 2003, 2004, 2005MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO.A omissão reiterada de informações ao Fisco (recorrência) em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância) pode caracterizar o dolo ensejador da multa qualificada. Se a contribuinte, ao longo de três anos seguidos (2003/2005), apresenta sistematicamente declarações com valores de receitas muito menores que as efetivamente auferidas, e até mesmo com valores zerados, como se estivesse em inatividade, enquanto operava normalmente, não há como se admitir que a infração tenha sido fruto de mero erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias, provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o evidente intuito do agente em fraudar o Erário Público, sendo portanto cabível a qualificação da multa de ofício. Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR Data da Sessão 07/12/2017 Nº Acórdão 9101003.286 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUBMETIDOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. FATORES DETERMINANTES. PAGAMENTO. DECLARAÇÃO PRÉVIA DE DÉBITO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.1 Para os tributos submetidos a lançamento por homologação, o ordenamento jurídico prevê a ocorrência de duas situações, autônomas e não cumulativas, aptas a concretizar contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, em detrimento do art. 150, §4º, ambos do CTN. Uma é constatar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo. Caso negativo, a contagem da decadência segue a regra do art. 173, inciso I do CTN, consoante entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC , apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. A outra é verificar se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a contagem do art. 173, inciso I do CTN, consoante Súmula CARF nº 72.2 No caso concreto, não há Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 26 25 pagamento e tampouco confissão de dívida.. Aplicação do prazo previsto no art. 173, inciso I do CTN. Consoante a jurisprudência citada, verificouse a intenção dolosa de ocultar os fatos geradores da Administração Tributária e a sonegação dos tributos devidos. 4 Conclusão. Voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 1026DF CARF MF
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