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Numero do processo: 10980.724660/2011-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Ainda que se refira a crédito tributário objeto de depósito judicial, não é nulo o lançamento de ofício realizado para fins de prevenção da decadência, com o expresso reconhecimento da suspensão da sua exigibilidade e sem a aplicação de penalidade ao sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-007.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Ainda que se refira a crédito tributário objeto de depósito judicial, não é nulo o lançamento de ofício realizado para fins de prevenção da decadência, com o expresso reconhecimento da suspensão da sua exigibilidade e sem a aplicação de penalidade ao sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 46 60 /2 01 1- 16 Fl. 721DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2402004.896, proferido pela 2ª Turma / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratamse dos Autos de Infrações (AI’s) abaixo discriminados, lavrados pela Auditoria Fiscal: 1.1. AI DEBCAD n.º 37.195.5432, consolidado 30.08.2011, referente à exigência de R$ 3.685.291,52 em Contribuições Previdenciárias da Empresa, incidentes sobre pagamentos feitos pela impugnante a contribuintes individuais, cujas contribuições incidentes não foram declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e nem recolhidas à Previdência, nas competências de 01/2007 a 12/2007 e 01/2008 a 12/2008; 1.2. AI DEBCAD n.º 37.195.5440, consolidado em 30.08.2011, referente à exigência de R$ 18.014,38 em Contribuições Destinada a Outras Entidades ou Fundos (Terceiros), incidentes sobre remunerações pagas pela impugnante a segurados empregados, não declaradas em GFIP ou recolhidas à Previdência, nas competências de 01/2007 a 13/2008. 1.3. AI DEBCAD n.º 37.195.5416, emitido em 30.08.2011, referente à aplicação de multa no valor de R$ 12.195,44, por descumprimento de obrigação acessória, em virtude de a empresa ter apresentado GFIP’s com omissão de dados correspondentes a fatos geradores de contribuições previdenciárias, incidentes nas competências de 01/2007, 02/2007, 09/2007 e 09/2008. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 417/424. A DRJ/SDR, às fls. 583/597, julgou pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário na forma originalmente lançado. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 649/655. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 663/678, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para excluir do AI n.º 37.195.5440 as competências de 05/2007 a 13/2008. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DO DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. IMPROCEDÊNCIA. Fl. 722DF CARF MF Processo nº 10980.724660/201116 Acórdão n.º 9202007.296 CSRFT2 Fl. 10 3 São improcedentes os lançamentos de ofício em que o tributo exigido esteja com a exigibilidade suspensa, por força de depósito do seu montante integral. Decisão que se alinha ao entendimento firmado em decisão definitiva do Superior Tribunal de Justiça adotada sob o rito do art. 543C do CPC, conforme determina o art. 62A do RICARF. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) a título de participação nos lucros sujeitamse a incidência de contribuições, por não haver norma que preveja a sua exclusão do saláriodecontribuição. REPASSE DE AÇÕES EM TESOURARIA. RETRIBUIÇÃO POR SERVIÇOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Malgrado haja contrato de doação entre a empresa e seus diretores para a transferência de ações em tesouraria para estes, as evidências dos autos conduzem à conclusão de que os repasses tiveram como causa jurídica o vínculo de prestação de serviço entre a autuada e seus diretores, revelando o caráter remuneratório das parcelas. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. CONTRIBUIÇÕES EFETUADAS UNICAMENTE PELOS EMPREGADOS. APORTES EFETUADOS PELA EMPRESA EM BENEFÍCIO DE DOIS DIRETORES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Verificandose que a empresa não participava do custeio de planos de previdência disponível aos segurados a seu serviço, os aportes efetuados em benefícios de apenas dois diretores é equiparado a prêmio pela prestação do serviço, devendo sofrer a incidência de contribuições. FORNECIMENTO DE CARTÕES PARA COMPRA DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS A DIRETORES. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE QUE OS PAGAMENTOS SE INSEREM NA SISTEMÁTICA DO PAT. INCIDÊNCIA. Os valores fornecimentos mediante cartões a diretores para compra de alimentos sujeitamse a incidência de contribuições, posto que a empresa os fazia em desrespeito à legislação do PAT. CARTÕES PARA DESPESAS COM VEÍCULOS. INCLUSÃO NO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO Os valores repassados aos diretores mediante cartões para pagamento de despesas com veículos devem sofrer a incidência de contribuições, posto que a empresa não demonstrou que os veículos eram utilizados para o trabalho e nem houve comprovação das despesas. Fl. 723DF CARF MF 4 JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte. Às fls. 680/698, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: valores depositados judicialmente lançamento de ofício das quantias depositadas. O e. Colegiado a quo decidiu anular parcialmente o lançamento fiscal por considerálo desnecessário face a existência de depósito integral das quantias lançadas nos períodos especificados, divergindo do entendimento já proferido pelo CARF, conforme Acórdãos paradigmas 1101001.135 e 10707.992, segundo os quais o depósito judicial não impede lançamento fiscal, não o exonera nem o torna nulo, razão pela qual este deve se manter incólume. Os acórdãos apontados como paradigmas demonstram claramente que não há nada que impeça o fisco de efetuar o lançamento, no caso da existência de depósito judicial integral. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 694 e ss., a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: valores depositados judicialmente lançamento de ofício das quantias depositadas. O Contribuinte foi cientificado à fl. 702. À fl. 710, a RFB informou: 1. O presente processo foi encaminhado a esta equipe face evento automático efetuado pelo sistema para preparar a recuperação dos débitos passíveis de inclusão no parcelamento especial da Lei 12996/14 . 2. No entanto, por ocasião da consolidação via internet, a empresa não selecionou os AI 371955424, 371955440, 371955432 e 371955416 e o evento para estes autos foi cancelado, apenas o AI 371955459 foi incluído. 3. A empresa ainda detém a modalidade RFB PREV ART 1º, Lei 12865/13, porém localizamos apenas 4 pagamentos ínfimos se comparados aos valores dos AI em comento,sendo que o último pagamento foi efetuado em 07/2014, além dos AI 371955424, 371955432 e 371955440 conterem período não Fl. 724DF CARF MF Processo nº 10980.724660/201116 Acórdão n.º 9202007.296 CSRFT2 Fl. 11 5 comtemplados na Lei 12865/13, qual seja, 11/2008, 12/2008 e 13/2008 e o AI 371955416 não estar comtemplado período 08/2011. 4. Diante do acima exposto propomos devolução ao SECAT para seguimento da cobrança e demais procedimentos a seu cargo. 5. A consideração superior, após retorne ao SECAT em continuidade. À fl. 716, a Delegacia de origem também informou que “foram transferidos do processo nº 10980.724660/201116 para o processo nº 11061.720002/201777 os créditos previdenciários referentes à parte não impugnada pelo sujeito passivo lançados nos AI 37.195.5416 e AI 37.195.5432. Permanece no processo 10980.724660/201116 o crédito previdenciário lançado no AI 37.195.5440, que seguirá para o CARF para julgamento.” Sem contrarrazões, os autos vieram conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratamse dos Autos de Infrações (AI’s) abaixo discriminados, lavrados pela Auditoria Fiscal: 1.1. AI DEBCAD n.º 37.195.5432, consolidado 30.08.2011, referente à exigência de R$ 3.685.291,52 em Contribuições Previdenciárias da Empresa, incidentes sobre pagamentos feitos pela impugnante a contribuintes individuais, cujas contribuições incidentes não foram declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e nem recolhidas à Previdência, nas competências de 01/2007 a 12/2007 e 01/2008 a 12/2008; 1.2. AI DEBCAD n.º 37.195.5440, consolidado em 30.08.2011, referente à exigência de R$ 18.014,38 em Contribuições Destinada a Outras Entidades ou Fundos (Terceiros), incidentes sobre remunerações pagas pela impugnante a segurados empregados, não declaradas em GFIP ou recolhidas à Previdência, nas competências de 01/2007 a 13/2008. 1.3. AI DEBCAD n.º 37.195.5416, emitido em 30.08.2011, referente à aplicação de multa no valor de R$ 12.195,44, por descumprimento de obrigação acessória, em virtude de a empresa ter apresentado GFIP’s com omissão de dados correspondentes a fatos geradores de contribuições previdenciárias, incidentes nas competências de 01/2007, 02/2007, 09/2007 e 09/2008. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. Fl. 725DF CARF MF 6 O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: valores depositados judicialmente lançamento de ofício das quantias depositadas. 1. O DEPÓSITO JUDICIAL NÃO IMPEDE O LANÇAMENTO FISCAL, NÃO O EXONERA NEM O TORNA NULO. Essa matéria não é nova na apreciação deste Colegiado, de modo que, na primeira oportunidade em que me manifestei em julgado da sessão de 20/07/2016, divergi do voto emanado (por qualidade) por este Colegiado de relatoria da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo no Acórdão nº 9202004.303: De plano, julgo prudente esclarecer que não entendo aplicável ao presente caso o mandamento insculpido no art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF/2015: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (grifouse) Nos processos administrativos em que se discute a (im)possibilidade de realização de lançamento de ofício de crédito tributário objeto de prévio depósito judicial, é frequente a alegação, por parte dos sujeitos passivos, de que a questão já teria sido decidida de maneira definitiva pelo STJ no acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP. O julgamento de tal recurso judicial efetivamente seguiu o rito previsto no art. 543C do antigo Código de Processo Civil (CPC), em virtude de aquela Corte Superior ter considerado o recurso como representativo de controvérsia. Portanto, tal julgado se enquadraria, em tese, entre as hipóteses elencadas no § 2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015. Ocorre que o caso concreto enfrentado nos presentes autos não é alcançado pelo teor daquele julgado, de forma a vincular a decisão deste Colegiado. A 2ª Turma da CSRF teve recentemente a oportunidade de deliberar a respeito do alcance do acórdão de julgamento do Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10980.724660/201116 Acórdão n.º 9202007.296 CSRFT2 Fl. 12 7 REsp nº 1.140.956/SP. Dispôs a respeito do assunto o voto condutor do Acórdão nº 9202004.303: "A esse respeito, o Contribuinte alega a existência de decisão do Superior Tribunal de Justiça, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil, que vincularia os Conselheiros de CARF, conforme o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF. Tratase do Recurso Especial 1.140.956SP, que no entender desta Conselheira de forma alguma autoriza a conclusão de que deveriam ser declarados nulos os Autos de Infração lavrados em presença de depósito do montante integral do débito. Assim, embora não seja imprescindível a lavratura de Auto de Infração nos casos em que haja depósito do montante integral do crédito tributário, não há base legal para que os lançamentos efetuados nessas condições sejam considerados nulos ou sejam cancelados. Nesse sentido, trago à colação e aqui incluo em minhas razões de decidir o voto proferido pela Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, no Acórdão nº 1101001.135, de 05/06/2014, que analisou o Recurso Especial 1.140.956SP, citado pelo Contribuinte em seu apelo, concluindo que o efeito repetitivo não contempla a tese esposada pelo Contribuinte: "A recorrente invoca a observância do art. 62A do RICARF em razão da manifestação do Superior Tribunal de Justiça assim consolidada na ementa do Recurso Especial nº 1.140.956SP: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO ANTIEXACIONAL ANTERIOR À EXECUÇÃO FISCAL. DEPÓSITO INTEGRAL DO DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ART. 151, II, DO CTN). ÓBICE À PROPOSITURA DA EXECUÇÃO FISCAL, QUE, ACASO AJUIZADA, DEVERÁ SER EXTINTA. 1. O depósito do montante integral do débito, nos termos do artigo 151, inciso II, do CTN, suspende a exigibilidade do crédito tributário, impedindo o ajuizamento da execução fiscal por parte da Fazenda Pública. (...) 2. É que as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN) impedem a realização, pelo Fisco, de atos de cobrança, os quais têm início em momento posterior ao lançamento, com a lavratura do auto de infração. 3. O processo de cobrança do crédito tributário encarta as seguintes etapas, visando ao efetivo recebimento do referido crédito: a) a cobrança administrativa, que ocorrerá mediante a lavratura do auto de infração e aplicação de multa: exigibilidade Fl. 727DF CARF MF 8 autuação; b) a inscrição em dívida ativa: exigibilida de inscrição; c) a cobrança judicial, via execução fiscal: Exigibilida de execução. 4. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta. 5. A improcedência da ação antiexacional (precedida do depósito do montante integral) acarreta a conversão do depósito em renda em favor da Fazenda Pública, extinguindo o crédito tributário, consoante o comando do art. 156, VI, do CTN, na esteira dos ensinamentos de abalizada doutrina, verbis: "Depois da constituição definitiva do crédito, o depósito, quer tenha sido prévio ou posterior, tem o mérito de impedir a propositura da ação de cobrança, vale dizer, da execução fiscal, porquanto fica suspensa a exigibilidade do crédito. (...) Ao promover a ação anulatória de lançamento, ou a declaratória de inexistência de relação tributária, ou mesmo o mandado de segurança, o autor fará a prova do depósito e pedirá ao Juiz que mande cientificar a Fazenda Pública, para os fins do art. 151, II, do Código Tributário Nacional. Se pretender a suspensão da exigibilidade antes da propositura da ação, poderá fazer o depósito e, em seguida, juntando o respectivo comprovante, pedir ao Juiz que mande notificar a Fazenda Pública. Terá então o prazo de 30 dias para promover a ação. Julgada a ação procedente, o depósito deve ser devolvido ao contribuinte, e se improcedente, convertido em renda da Fazenda Pública, desde que a sentença de mérito tenha transitado em julgado" (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 27ª ed., p. 205/206). 6. In casu, o Tribunal a quo, ao conceder a liminar pleiteada no bojo do presente agravo de instrumento, consignou a integralidade do depósito efetuado, às fls. 77/78: "A verossimilhança do pedido é manifesta, pois houve o depósito dos valores reclamados em execução, o que acarreta a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, de forma que concedo a liminar pleiteada para o fim de suspender a execução até o julgamento do mandado de segurança ou julgamento deste pela Turma Julgadora." 7. A ocorrência do depósito integral do montante devido restou ratificada no aresto recorrido, consoante dessumese do seguinte excerto do voto condutor, in verbis: Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10980.724660/201116 Acórdão n.º 9202007.296 CSRFT2 Fl. 13 9 "O depósito do valor do débito impede o ajuizamento de ação executiva até o trânsito em julgado da ação. Consta que foi efetuado o depósito nos autos do Mandado de Segurança impetrado pela agravante, o qual encontrase em andamento, de forma que a exigibilidade do tributo permanece suspensa até solução definitiva. Assim sendo, a Municipalidade não está autorizada a proceder à cobrança de tributo cuja legalidade está sendo discutida judicialmente." 8. In casu, o Município recorrente alegou violação do art. 151, II, do CTN, ao argumento de que o depósito efetuado não seria integral, posto não coincidir com o valor constante da CDA, por isso que inapto a garantir a execução, determinar sua suspensão ou extinção, tese insindicável pelo STJ, mercê de a questão remanescer quanto aos efeitos do depósito servirem à fixação da tese repetitiva. 9. Destarte, ante a ocorrência do depósito do montante integral do débito exequendo, no bojo de ação antiexacional proposta em momento anterior ao ajuizamento da execução, a extinção do executivo fiscal é medida que se impõe, porquanto suspensa a exigibilidade do referido crédito tributário. 10. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Porém, observase que a discussão, naqueles autos, tinha em conta execução fiscal promovida em face de sujeito passivo que promovera depósito judicial classificado como insuficiente pela Municipalidade e, assim, inábil a suspender a exigibilidade do crédito tributário. Aqui, o lançamento foi formalizado sem aplicação de penalidade e com o reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, inexistindo qualquer questionamento acerca da suficiência do depósito judicial. Por sua vez, o voto condutor do julgado antes mencionado principia observando que: Entrementes, dentre os multifários recursos especiais relacionados à questão da impossibilidade de ajuizamento de executivo fiscal, ante a existência de ação antiexacional conjugada ao depósito do crédito tributário, grande parte referese à discussão acerca da integralidade do depósito efetuado ou da existência do mesmo, razão pela qual impõese o julgamento da controvérsia pelo rito previsto no art. 543C, do CPC, cujo escopo precípuo é a uniformização da jurisprudência e a celeridade processual. (destaques do original) Sob esta ótica, o Superior Tribunal de Justiça manifestouse acerca da implementação da suspensão da exigibilidade do Fl. 729DF CARF MF 10 crédito tributário em razão de depósito judicial, asseverando que sua implementação, quando integral, impede “atos de cobrança”, dentre os quais inseriu a “lavratura do auto de infração e aplicação de multa”, sem apreciar a possibilidade de lançamento sem aplicação de penalidade e com suspensão da exigibilidade. É nesse contexto específico que exsurge o impedimento à lavratura do auto de infração em face de depósito judicial integral do tributo. No mais, o Superior Tribunal de Justiça teve em conta apenas a extinção do crédito tributário em razão da conversão do depósito em renda da Fazenda Pública, bem como a suficiência do depósito judicial no caso concreto em análise, determinando a extinção da execução fiscal em curso. Concluise, do exposto, que o Superior Tribunal de Justiça não decidiu, no rito do art. 543C, acerca da impossibilidade de lançamento, sem aplicação de penalidade e com suspensão da exigibilidade, de tributo depositado judicialmente. Por tais razões, deve ser REJEITADO o pedido de vinculação ao julgado antes referido, por força do art. 62A do RICARF." (...) Assim, resta claro que o julgado ora analisado de forma alguma autoriza a interpretação no sentido de que o Auto de Infração lavrado apenas para prevenir a decadência, adotando todas as cautelas legais, no sentido da manutenção da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, lavrado por pessoa competente e sem qualquer cerceamento de direito de defesa deva ser declarado nulo, por haver o Contribuinte efetuado depósito do montante integral do débito." (grifouse) Acompanho as razões expostas no julgado transcrito para concluir que a tese construída no acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP não se aplica indistintamente a qualquer hipótese de lançamento de ofício de crédito tributário objeto de prévio depósito judicial. A i. Conselheira Relatora do Acórdão nº 9202004.303, fazendo remissão ao Acórdão nº 1101001.135, conclui que o Egrégio STJ somente apreciou, por ocasião do julgamento do REsp nº 1.140.956/SP, hipótese em que o sujeito ativo promove o lançamento de crédito tributário acompanhado de penalidade, em razão de entenderse, no momento do lançamento, pela não integralidade dos depósitos judiciais por meio dos quais o sujeito passivo pretendeu suspender a exigibilidade o crédito tributário, valendose da previsão legal do inciso II do art. 151 do CTN. Não estão contempladas na manifestação exarada pelo STJ hipóteses como a encontrada nos presentes autos, em que a Fiscalização reconhece no auto de infração a suspensão da exigibilidade dos créditos constituídos e realiza o lançamento sem a imputação de penalidade alguma, com o propósito de prevenção da decadência. Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10980.724660/201116 Acórdão n.º 9202007.296 CSRFT2 Fl. 14 11 Tal conclusão é corroborada pela declaração feita no início do voto condutor do acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP. Ao justificar a necessidade de julgamento da controvérsia pelo rito do art. 543C do CPC então vigente, o i. Ministro Relator faz referência à existência de grande quantidade de recursos especiais em que se discute acerca da integralidade ou mesmo da existência de depósito judicial e dos seus efeitos em relação à impossibilidade de ajuizamento de executivo fiscal. Além disso, quando mencionou os atos de cobrança cuja realização estaria inibida pela existência do depósito judicial, o voto condutor do acórdão judicial fez menção apenas à "lavratura do auto de infração e aplicação de multa", não abordando a hipótese de lançamento realizado sem a aplicação de qualquer penalidade em virtude do reconhecimento da integralidade do depósito judicial e da consequente suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Diante de tais fatos, considero que o STJ, ao construir sua decisão no julgamento do REsp nº 1.140.956/SP, não contemplou hipóteses fáticas em que a autoridade tributária realiza lançamento de ofício com a exclusiva finalidade de prevenir a decadência, reconhecendo expressamente a suspensão da exigibilidade dos créditos constituídos em virtude da existência de depósitos judiciais e corretamente se abstendo de aplicar penalidade ao sujeito passivo. Assim, concluise que, embora o STJ tenha proferido o acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP seguindo o rito estabelecido no art. 543C do CPC então vigente, não há que se falar em vinculação dos conselheiros desta Turma, no presente julgamento, àquela decisão. [...]Passase então ao desenvolvimento das razões de decidir aplicáveis ao caso ora submetido ao julgamento desta 1ª Turma da CSRF. Filiome ao grupo dos julgadores administrativos que entendem não haver impedimento à lavratura de autos de infração para prevenção da decadência de obrigação tributária que já seja objeto de depósito vinculado a uma demanda judicial. A autoridade tributária tem entre suas atribuições a atividade administrativa de lançamento, que, nos termos do parágrafo único do art. 142 do CTN, é vinculada e obrigatória. In verbis: [...]Identificando, portanto, a ocorrência de fato gerador de obrigação tributária, aquela autoridade tem como dever funcional a realização do lançamento tributário, que se completa com as etapas de determinação da matéria tributável, cálculo do montante devido, identificação do sujeito passivo e aplicação da penalidade cabível, se for o caso. O dispositivo é expresso ao definir a atividade administrativa de lançamento como vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, não trazendo qualquer previsão de tratamento diferenciado para Fl. 731DF CARF MF 12 hipóteses de crédito com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Na hipótese de existência de depósito judicial relacionado à obrigação identificada pela autoridade tributária, poderseia discutir a necessidade de realização do lançamento. Isso porque existe a tese de que a efetivação de tal depósito seria análoga ao pagamento antecipado do tributo pelo sujeito passivo, figura encontrada na sistemática adotada para os tributos submetidos ao lançamento por homologação. Os defensores de tal tese entendem que o depósito judicial seria suficiente para a constituição do crédito tributário (sujeita à posterior homologação do sujeito ativo), sendo desnecessária a realização de lançamento de ofício pela autoridade tributária. Tal entendimento, todavia, não leva à conclusão de que os lançamentos de ofício realizados neste contexto sejam nulos ou passíveis de cancelamento. O Decreto nº 70.235/1972 trata da seguinte forma as hipóteses de nulidade no processo administrativo tributário: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Lançamentos de ofício como o praticado nos presentes autos não se enquadram em nenhuma das situações de nulidade prescritas. O auto de infração foi lavrado por autoridade competente (Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil) e não houve qualquer preterição de direito de defesa. Após a formalização do lançamento, o contribuinte pôde exercer plenamente seu direito de defesa assegurado por lei, impugnando o auto de infração e provocando o contencioso administrativo, que inclusive nos trouxe até a presente fase de julgamento de recurso especial. Os requisitos formais dos autos de infração, cujo descumprimento poderia, em tese e em último caso (impossibilidade de saneamento), levar a uma declaração de sua nulidade, são objeto do art. 10 do mesmo Decreto nº 70.235/1972: O auto de infração que originou os presentes autos cumpriu rigorosamente todas as formalidades que dele são exigidas, não se podendo cogitar de sua nulidade em razão de alguma mácula neste sentido. Sendo assim, não se identifica qualquer vício ou irregularidade que possa provocar a nulidade do lançamento realizado. A autuação, embora possa ser considerada desnecessária por alguns, se deu de forma completamente regular, notadamente diante de seu propósito de prevenir a decadência, do reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito constituído em virtude da existência de depósito judicial e da não imputação de penalidade ao sujeito passivo. Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10980.724660/201116 Acórdão n.º 9202007.296 CSRFT2 Fl. 15 13 Acrescentese que não acarretou qualquer prejuízo para o contribuinte o lançamento realizado com a finalidade de prevenção da decadência (e tampouco provocará prejuízo sua manutenção neste julgamento). Quando um sujeito passivo suspende a exigibilidade de crédito tributário mediante a realização de depósito judicial integral, nenhuma exigência lhe é feita até o trânsito em julgado da demanda judicial. Somente com o trânsito em julgado da ação é que o sujeito passivo é autorizado a levantar os valores depositados, devidamente corrigidos (caso obtenha êxito no mandado de segurança), ou observa a conversão do depósito judicial em renda a favor da União (caso a decisão judicial seja favorável à Fazenda Nacional). Diante do exposto, quanto ao mérito do recurso especial da Fazenda Nacional, voto por DARLHE PROVIMENTO para restabelecer integralmente o lançamento objeto dos presentes autos. Contudo, mais recentemente em voto proferido pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no Acórdão N. 9202007.129, na sessão de 28/08/2018, acompanhei pelas conclusões, cujo excerto abaixo transcrito adoto como razão de decidir para aplicação no caso destes autos, os quais analiso a frente: O Colegiado a quo entendeu por dar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte sob o fundamento de que o lançamento seria desnecessário face à existência do de depósitos judiciais no montante integral. O contribuinte alega que há duplicidade de lançamento em razão da existência de depósito judicial, no entanto, não lhe confiro razão. De fato houve a realização do depósito judicial nos mesmos valores lançados, deixando claro tratarse de depósito do montante integral do crédito tributário. Por sua vez, o presente lançamento foi efetuado com o intuito de prevenir a decadência, eis que a matéria está sendo discutida em juízo. Cumpre dizer que nos termos do art. 142 do CTN, transcrito a seguir, o lançamento encontrase dentre das atividades vinculadas do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, não comportando juízo de conveniência. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 733DF CARF MF 14 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (g.n.) É certo que o depósito judicial suspende a exigibilidade do crédito tributário. Ao final da demanda judicial, caso vença a Fazenda Nacional, os valores depositados serão convertidos em renda, caso contrário, os valores serão levantados pelo contribuinte. Entretanto, não se vislumbra ilegalidade no lançamento ou qualquer vício que leve à sua nulidade. Tampouco se pode dizer que há duplicidade de lançamento, porque, conforme já arguido, caso a contenda termine de forma favorável à Fazenda Nacional, o depósito será convertido em renda e o lançamento será desconstituído, tal qual ocorreu no provimento parcial dado pela decisão de primeira instância. Tanto é assim, que não se julga o mérito das questões quando existe identidade fática entre o lançamento e a ação judicial, em conformidade com o que: " Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Por outro lado, não se vislumbra que o lançamento possa levar a algum prejuízo ao contribuinte, eis que havendo decisão final a seu favor, o crédito será considerado extinto e os valores depositados judicialmente poderão ser, por ele, levantados. Não se pode olvidar que, por variadas hipóteses, o juízo pode decretar o levantamento do valor depositado ainda no curso da ação judicial. Caso isso ocorra e o contribuinte, por hipótese, venha a sucumbir no processo judicial, tendo transcorrido o prazo decadencial, ficaria o fisco impossilitado de proceder à cobrança do crédito tributário, o que traria desnecessário dano ao Erário. Ainda que a formalização do lançamento possa ser considerada desnecessária, uma vez efetuado o lançamento, não cabe sua anulação se inexiste qualquer mácula em sua constituição. Deste modo, ressaltada minha mudança de posicionamento, adoto exclusivamente o trecho acima como razão de decidir e assim entendo devase dar provimento ao recurso da PGFN para afastar a nulidade declarada. Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10980.724660/201116 Acórdão n.º 9202007.296 CSRFT2 Fl. 16 15 Pelo exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para no mérito darlhe provimento, contudo, com retorno à Câmara a quo para apreciação das demais questões. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 735DF CARF MF
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Numero do processo: 13799.720010/2018-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 11/08/2006
AUTO DE INFRAÇÃO - MULTA REGULAMENTAR - CIGARROS - LEGITIMIDADE PASSIVA
O fato gerador da multa é qualquer das figuras descritas no artigo 3.º do Decreto 300/68. No caso, manter em depósito coaduna-se com a prescrição da legislação de regência, não subsistindo o argumento de que a mercadoria ão pertenceria ao ora recorrente.
Numero da decisão: 3001-000.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 11/08/2006 AUTO DE INFRAÇÃO - MULTA REGULAMENTAR - CIGARROS - LEGITIMIDADE PASSIVA O fato gerador da multa é qualquer das figuras descritas no artigo 3.º do Decreto 300/68. No caso, manter em depósito coaduna-se com a prescrição da legislação de regência, não subsistindo o argumento de que a mercadoria ão pertenceria ao ora recorrente.
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No caso, manter em depósito coadunase com a prescrição da legislação de regência, não subsistindo o argumento de que a mercadoria ão pertenceria ao ora recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 79 9. 72 00 10 /2 01 8- 13 Fl. 161DF CARF MF 2 Relatório Auto de Infração Tratase de Auto de Infração de n. 0810300/00144/2016, lavrado pela Delegacia da Receita Federal em Bauru/SP – DRFBAU, na data de 29/09/2016, em face de Allan Dener Vicente, tendo como responsável solidário Jairo Vicente no qual se aplicou multa no valor de R$ 36.598,00 (trinta e seis mil quinhentos e noventa e oito reais), ensejando a abertura do processo administrativo n. 10646.720101/201634. O mencionado auto de infração descreveu os fatos da seguinte forma: Aplicase a penalidade pela INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS DE CONTROLE FISCAL RELATIVAS A FUMO, CIGARRO, CHARUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. De fato, conforme consta do processo administrativo 10646.720100/2016 90, em 15/12/2015 ocorreu a apreensão de 18.299 maços de cigarros de origem estrangeira em posse do(s) sujeito(s) passivo(s) indicado(s) acima, de que resultou o perdimento de mercadorias materializado pelo Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda de Mercadoria (AITAGF) 16/00143 lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru (DRF/BAURU). A multa regulamentar aplicada tem como fundamento o art. 3º do DecretoLei n. 399/68, com redação dada pelo art. 78 da Lei n. 10.833/03, na proporção de R$ 2,00 por maço de cigarros, cumulada com a pena de perdimento da mercadoria, tendo em vista a não apresentação de documentação idônea, no caso, despacho de importação. Foi lavrado termo de guarda dos produtos apreendidos e os autuados intimados para apresentação de impugnação no prazo de 20 (vinte) dias. Impugnação Em sede de impugnação, os contribuinte alegaram que o laudo pericial elaborado nos autos do processo criminal n. 000133107.2015.403.6132, em trâmite perante a Justiça Federal de Avaré/SP, teria constatado que nem todos os cigarros apreendidos pela fiscalização seriam de procedência estrangeira, de modo que parte deles seriam nacionais e, portanto, não poderiam ser contabilizados para a fixação da multa de R$ 2,00 por maço do produto. Contudo, deixou de apresentar o documento mencionado, argumentando que o mesmo não foi disponibilizado, e, ainda nesse ponto, requereu a suspensão do processo administrativo até o julgamento da ação judicial. Ademais, aduziram a ilegitimidade passiva do impugnante Jairo Vicente, afirmando que as mercadorias apreendidas pertenciam exclusivamente ao outro impugnante, Allan Dener Vicente, o qual teria admitido na instrução criminal que era o único dono dos produtos. Ainda, alegaram que o endereço onde houve a apreensão seria a residência de Allan, o qual teria pedido auxílio de seu pai Jairo no momento do flagrante. Por fim, aduzem que há excesso no valor da autuação, devendo ser considerado como total o valor de R$ 36.598,00, o qual deve ser dividido na proporção da responsabilidade de cada autuado ou então igualmente entre os dois. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13799.720010/201813 Acórdão n.º 3001000.623 S3C0T1 Fl. 122 3 Houve pedido de prioridade de tramitação em decorrência da idade do impugnante Jairo Vicente, com fulcro nas Leis n. 10.048/00 e 10.741/03. Conversão em diligência A DRJ/FOR entendeu por bem converter o julgamento em diligência com a finalidade de esclarecer as alegações no tocante à nacionalidade das mercadorias apreendias e à legitimidade passiva do autuado Jairo Vicente. Em resposta à intimação, os impugnantes esclareceram que seu procurador não foi intimado dos atos praticados no presente processo administrativo, apesar de devidamente investido de procuração e que o magistrado de primeiro grau rejeitou a denúncia oferecida na ação criminal que tramita perante a Justiça Federal de Avaré/SP, tendo juntado movimentações do referido processo. DRJ/FOR A impugnação foi julgada e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 0841.005 7ª Turma da DRJ/FOR Sessão de 26 de outubro de 2017 Processo 10646.720101/201634 Interessado ALLAN DENER VICENTE JAIRO VICENTE CPF 749.981.53820 CNPJ/CPF 425.527.78852 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/08/2006 INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS DE CONTROLE FISCAL RELATIVAS A FUMO, CIGARRO E CHARUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. A posse de cigarros de procedência estrangeira, sem documentação que comprove sua regular importação, constitui infração às medidas de controle fiscal, sujeitando o infrator à multa de R$ 2,00 por cada maço. MULTA. PROPORCIONALIDADE. As multas aplicadas de acordo com a legislação tributária não podem ser reduzidas ou dispensadas, e não violam os princípios constitucionais, devendo ser exigidas sob pena de responsabilidade funcional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/08/2006 INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO. A arguição de inconstitucionalidade não é oponível na esfera administrativa, porquanto a autoridade administrativa carece de competência para apreciar matéria reservada ao Poder Judiciário. INTIMAÇÃO. MODALIDADES. COMPETÊNCIA. No processo administrativo tributário, as intimações devem ser realizadas na forma prevista no art. 23 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações posteriores, pela unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil responsável pelo preparo do processo, cabendo a ela decidir qual das modalidades de intimação admitidas pela lei deve ser utilizada para dar ciência dos atos processuais. Acaso seja utilizada a via postal ou o meio eletrônico, não há previsão legal para intimação em local diverso do Fl. 163DF CARF MF 4 domicílio tributário do sujeito passivo, sendo, portanto, incabível aventar se nulidade acaso não atendido pedido nesse sentido. PEDIDO DE PARCELAMENTO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. Não compete à Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento apreciar pedido de parcelamento de créditos tributários, devendo o pleito ser formulado perante a autoridade competente. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 11/08/2006 INSTÂNCIAS PENAL E ADMINISTRATIVA. INDEPENDÊNCIA. O julgamento administrativo de infrações tributárias não está adstrito ao que tiver sido decidido em ação penal, ainda que ambos os julgamentos decorram da apuração dos mesmos fatos, salvo na hipótese de que trata o art. 935 do Código Civil. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito. Tratase da exigência do crédito tributário relativo a multa prevista no art. 3º, parágrafo único, do Decretolei nº 399, de 30 de dezembro de 1968, com a redação dada pelo art. 78 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Os fatos que fundamentaram o lançamento são os mesmos descritos no Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda de Mercadoria (AITAGF) nº 16/00143, lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru, SP (DRF/Bauru) e integrante do processo administrativo nº 10646.720100/201690, segundo o qual 18.299 maços de cigarros de procedência estrangeira foram arrecadados pela autoridade policial por se encontrarem na posse dos sujeitos passivos desacompanhados de documentação comprobatória de sua regular importação, dele constando que: “não tendo o detentor tomado as devidas providências legais necessárias à regular introdução das mercadorias em território nacional, passam as mesmas a se encontrar em circulação ilegal”. Também consta do referido processo que, como consulta ao Portal Anvisa (disponível em portal.anvisa.gov.br) revelou que a marca de cigarro apreendida não consta no Registro de Produto Fumígeno – Dados Cadastrais do referido Portal, a apreensão em questão deverá ser considerada como contrabando, conforme art. 334A do Decretolei nº 2.848, de 1940 (Código Penal). Cientificados do lançamento em 13 de outubro de 2016 (fls. 2124), os sujeitos passivos apresentaram, em 2 de novembro de 2016, a impugnação conjunta de fls. 2732, por meio da qual arguem: Que os 18.299 maços de cigarros foram apreendidos na residência de 1 (um) dos Sujeitos Passivos o Sr. ALLAN DENER VICENTE o qual em situação de desespero acionou o seu Pai, ora, outro Sujeito Passivo o Sr. JAIRO VICENTE; que o Laudo Pericial elaborado a pedido do Ministério Público Federal, nos autos do Processo Criminal n° 000133107.2015.403.6132, que tramita perante a Justiça Federal da Comarca de Avaré, no qual consta Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13799.720010/201813 Acórdão n.º 3001000.623 S3C0T1 Fl. 123 5 preliminarmente cigarros de origem nacional e cigarros de origem estrangeira não foi apresentado para o Sujeito Passivo ALLAN para que o mesmo possa apresentar suas notas fiscais e confrontar o mesmo Laudo; A aplicação da multa antes de fornecer ao sujeito passivo Allan condições de apresentar seus pontos de defesas em relação ao Laudo Pericial e ao término do Processo Criminal é inconstitucional, uma vez que essa Multa aplicada aos sujeitos Passivos antes do término do Processo Criminal elimina qualquer presunção de inocência, uma vez que não foi ainda apresentado a denúncia pelo Ministério Público, não foi dado vista aos Réus do Laudo Pericial, não foi dada oportunidade de apresentar sua defesa, ainda mais, que o Sujeito Passivo Allan tem a absoluta certeza que foram apreendidos cigarros de origem nacional juntamente com alguns cigarros de origem estrangeira. O Sujeito Passivo conta com 62 (sessenta e dois) anos de idade completos. Por esse motivo requer prioridade na tramitação deste processo nos termos da Lei 10.048/2000 e Lei 10.741/2003, integrante do ordenamento pátrio jurídico. Conforme depoimento na Delegacia o filho do Sujeito Passivo JAIRO VICENTE, o Sr. ALLAN DENER VICENTE admitiu a propriedade de toda a mercadoria. O Acusado Jairo nunca foi proprietário da banca de comércio nesta cidade, a banca pertence ao seu filho Allan Dener Vicente, assim como os produtos encontrados na casa de seu filho, sendo que seu filho admitiu a propriedade de todos os produtos. No momento da Busca e apreensão o Sr. Jairo estava trabalhando na instalação de internet, quando seu filho Allan o ligou pedindo socorro, sendo que nesse momento, quando foi socorrer o filho ficou sabendo que estaria envolvido em tese no crime. Além disso, o Sr. Jairo Vicente não reside no endereço do seu filho, reside no bairro do Macuco, rancho na represa Jurumirim, na cidade de Cerqueira César/SP, com distância aproximada de 8 (oito) quilômetros de distância da Cidade, inclusive nessa área, encontrase a maioria dos seus clientes rurais, os quais recebem manutenção da internet via rádio. O Sr. Jairo Vicente informou corretamente todas as perguntas do delegado, não se negou a responder nenhuma, prestou todos os esclarecimentos, não interferindo ou prejudicando a investigação. Ante o exposto requer a suspensão do processo administrativo, uma vez que é necessário o término do processo criminal para que se apure a participação do Sujeito Passivo Jairo Vicente. É evidente que há um erro de cobrança gravíssimo, uma vez que se apurado que os Sujeitos Passivos Pai e Filho são legítimos para configurarem no Polo Passivo do Processo Administrativo, cabe apurar quantos maços de cigarros pertencem a cada um dos Sujeitos Passivos, assim aplicando a multa proporcional a cada um ou até dividindo a multa pela metade a cada um dos Sujeitos. Fl. 165DF CARF MF 6 O que está havendo na aplicação dos Autos de Infrações é que está existindo uma majoração da multa uma vez que ela está sendo equivalente a quantia de 36.598 (trinta e seis mil quinhentos e noventa e oito reais) de maços de cigarros, isso multiplicado por R$ 2,00 totaliza o valor de R$ 73.196,00 (setenta e três mil e cento e noventa e seis reais) . Ante o exposto os Sujeitos Passivos requerem a revisão da Multa pela metade uma vez que os 18.299 (dezoito mil duzentos e noventa e nove) maços de cigarro devem ser divididos entre os Sujeitos ou aplicado apenas ao Sujeito Passivo Allan Dener. Em virtude da Presunção de Inocência de um dos Sujeitos Passivos é necessária a suspensão do Processo Administrativo a fim de se apurar a real e evidente participação de cada Sujeito. Além disso, é evidente que os Sujeitos não tiveram a oportunidade de questionarem o Laudo Pericial, uma vez que possuem Notas Fiscais e a certeza que preliminarmente o Laudo Pericial constou cigarros nacionais. E em virtude da majoração da Multa que deverá ser revista é necessário de maneira direta impugnar pelo valor aplicado a ambos os Sujeitos Passivos. Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Impugnação: Estão anexados a esta Impugnação os seguintes documentos: Demonstrativo consolidado do crédito tributário de ambos os Sujeitos, documentos pessoais, dados da empresa do sujeito passivo Sr. Jairo Vicente, comprovantes de endereços, cópia das fases do processo judicial, uma vez que não foi apresentado denuncia pelo Ministério Publico Federal. À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência parcial do lançamento requer que seja acolhida a presente Impugnação. Requer a suspensão do Processo Administrativo até o término do Processo Judicial que tramita perante a Justiça Federal de Avaré, uma vez que é necessário apurar a quantia real de cigarros de origem estrangeira e a participação de um dos sujeitos passivos. Por fim se o Ilmo. Julgador entender que a multa deva ser apenas aplicada a 1 (um) dos Sujeitos Passivos ou entenda que ela deva ser aplicada em um único valor de R$ 36.598,00 (trinta e seis mil e quinhentos e noventa e oito reais) aos dois sujeitos, desde já requer o parcelamento com redução de 40% (quarenta por cento). O julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 08003.112, expedida em 26 de junho de 2017 por esta 7ª Turma da DRJ/FOR, para que a unidade preparadora providenciasse: (i) a juntada de laudo merceológico ou qualquer outro documento que pudesse confirmar a procedência dos cigarros objeto da autuação; (ii) a juntada de cópia das decisões judiciais exaradas nos autos do processo criminal nº 000133107.2015.403.6132, especialmente aquelas relativas ao sujeito passivo Jairo Vicente; e (iii) a juntada de quaisquer outros documentos ou informações que entendesse necessários ou importantes para o aperfeiçoamento da diligência e para a solução da presente lide. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13799.720010/201813 Acórdão n.º 3001000.623 S3C0T1 Fl. 124 7 Em cumprimento à dita Resolução, a unidade preparadora juntou aos autos os documentos de fls. 7590, contendo manifestação dos autuados, inclusive cópia de consultas extraídas do sítio da Justiça Federal em São Paulo, referentes ao andamento do processo criminal nº 0001331 07.2015.403.6132, e assim informou, às fls. 97: 1. Os interessados Jairo Vicente a Allan Dener Vicente foi intimado, em 14/07/2017, através do Termo de Intimação nº 090/2017, para juntar cópia de eventual decisão exarada nos autos do Processo do Processo Criminal nº 0001331.2015.403.6132. Em resposta foram juntadas as fls. 75 a 90; 2. Foi realizada nova conferência/recontagem pelo depósito de mercadorias apreendidas responsável pela guarda das mercadorias apreendidas desta unidade da Receita Federal e a funcionária daquele local (fiel depositária) afirmou que nenhuma mercadoria nacional foi encontrada; 3. Não foi juntado aos autos quaisquer outros documentos ou informação que se entenda necessário para o aperfeiçoamento desta diligência e para solução da lide; 4. Foram cientificados os sujeitos passivos do Teor da Resolução 08 003.112 7ª Turma da DRJ/FOR e desta diligência, assegurandolhe o prazo de 30 dias para pronunciar sobre as informações ou documentos trazidos aos autos em conforme art. 16, § 4º, “c” do Decreto nº 70.235, de 06 de 1972, com redação dada pela Lei 9.532, de dezembro de 1997, c/c art., parágrafo único, do Decreto 7.574, de 29 de setembro de 2011. Em sua manifestação, os sujeitos passivos, por meio de seu representante, sugerem que possam existir atos nulos neste processo, pelo fato de o procurador não vir recebendo qualquer tipo de informação ou intimação, e pedem para que todas as intimações sejam direcionadas ao escritório daquele. Também afirmam, os sujeitos passivos, que o Juiz Federal não aceitou a denúncia do Ministério Público Federal e remeteu os autos ao ProcuradorGeral da República; que até então não haviam sido abertas vistas do processo para a defesa, nem liberado o laudo pericial para impugnações, nem aberto prazo para apresentação de defesa; e que seria necessário cautela em relação às informações prestadas pela fiel depositária responsável pela guarda das mercadorias apreendidas, uma vez que o juiz federal não abriu vistas para análise do laudo pericial e da contagem dos produtos, o que tornaria temerária qualquer discussão referente aos produtos apreendidos. Alegam, ainda, os sujeitos passivos, em sua manifestação, que esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) se omitiu quanto à majoração do auto de infração, uma vez que entende que estão sendo cobradas multas em duplicidade, e reiteram o pedido para que o processo seja suspenso até o trânsito em julgado do processo criminal n° 000133107.2015.4.03.6132. É o relatório. Fl. 167DF CARF MF 8 Quanto à arguição de nulidade por ausência de intimação do procurador dos impugnantes, a DRJ considerou que não existiram irregularidade na forma como foram realizadas as comunicações aos contribuintes, acrescentando que no processo administrativo fiscal a notificação será realizada no domicílio fiscal do sujeito passivo por via postal, tal como foi efetuado no nestes autos. Em relação ao pleito de ilegalidade por ter sido realizado o lançamento antes do término do processo criminal, os julgadores entenderam pela regularidade do lançamento, haja vista terem sido colacionados os fatos e argumentos que a autoridade fazendária considerou legítimos e por não haver relação de subordinação entre as instâncias administrativa e judicial. Sobre a arguição de inconstitucionalidade da multa aplicada, considerou que sua análise é de competência exclusiva do Poder Judiciário. No tocante à alegação de ilegitimidade passiva do impugnante Jairo Vicente, firmou se o convencimento de que o mesmo teve relação com o fato que ensejou a aplicação da penalidade por conta da posse de cigarros estrangeiros sem documento idôneo que comprovasse a regular nacionalização das mercadorias. Ainda nesse ponto, a DRJ entendeu que não há duvidas quanto à origem estrangeira dos cigarros, refutando os argumentos de que parte deles seria nacional. Outrossim, constatouse a prática de infração, tendo havido confissão dos fatos imputados na instrução criminal, não se podendo argumentar acerca do não recebimento da denúncia na ação criminal, uma vez que a ausência de documentação idônea referente à importação constitui ato ilícito por si só. Por fim, a DRJ reputou correta a multa no montante em que foi fixada, não havendo duplicação do valor, e destacou não ter competência para analisar pedido de parcelamento. Isso posto, considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. Recurso Voluntário Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, a recorrente repete os argumentos trazidos na impugnação, quais sejam: Ilegitimidade passiva de Jairo Vicente Os recorrentes aduzem que Jairo Vicente, pai de Allan Dener Vicente, não possuiria responsabilidade tributária no caso em apreço, tendo em vista que a conduta que originou a multa teria sido praticada exclusivamente pelo segundo, enquanto que o primeiro apenas teria prestado socorro ao filho. Alega, para tanto, que Jairo não teria interesse no fato gerador, portanto, não poderia ser aplicada a prescrição do art. 124, inciso I do Código Tributário Nacional. Desmembramento do processo n. 10646.720101/201634 O Agente da Receita Federal em Avaré/SP entendeu por bem aplicar a previsão do art. 7º, §3º da Portaria RFB nº 2.284/10, determinando a abertura desse processo em apartado ao processo n. 10646.720101/201634, para que fosse analisado exclusivamente o vínculo de responsabilidade do recorrente Jairo Vicente na prática dos atos que deram ensejo ao Auto de Infração n. 0810300/00144/2016. Ademais, por se tratar de pessoa idosa, submeteuse o presente recurso com prioridade para julgamento por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13799.720010/201813 Acórdão n.º 3001000.623 S3C0T1 Fl. 125 9 É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada em face do Auto de Infração n. 0810300/00144/2016. Admissibilidade do Recurso Os contribuintes tiveram ciência do acórdão de impugnação em 24.11.2017, conforme Avisos de Recebimento AR, fls. 125/128, nos termos do inciso II do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Verificase, pois, que a recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 15.12.2017, conforme comprova o comprovante de protocolo da DRF – BAU ARF AVARÉ, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. DOS FATOS Trata o presente processo de recurso voluntário apresentado em decorrência de decisão que julgou improcedente impugnação oferecida contra auto de infração que aplicou multa no valor de R$ 36.598,00 com fundamento no art. 3º do DecretoLei n. 399/68, com redação dada pelo art. 78 da Lei n. 10.833/03, em decorrência da apreensão de maços de cigarro estrangeiros desacompanhados de documentação idônea, qual seja o despacho de importação, caracterizando o cometimento de infração tributária. Questionase, nesse julgamento, a insurgência quanto à legitimidade do recorrente Jairo Vicente em figurar como sujeito passivo no lançamento pelos fatos narrados no relatório acima. MÉRITO O cerne da questão perpassa a leitura da legislação de regência, a qual, expressamente, prevê em seu texto, que ter em depósito mercadoria irregular. DECRETOLEI Nº 399, DE 30 DE DEZEMBRO DE 1968. Fl. 169DF CARF MF 10 Art 3º Ficam incursos nas penas previstas no artigo 334 do Código Penal os que, em infração às medidas a serem baixadas na forma do artigo anterior adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuirem ou consumirem qualquer dos produtos nêle mencionados. Da resposta da diligencia, foi fornecido a decisão que não acatou a denuncia formulada pelo Ministério Público Federal, mas que, em seu bojo, revela indícios das condutas perpetradas pelo requerente, uma vez que "teriam sido supreendidos, mantendo em depósito, em proveito próprio" grande quantidade de cigarros, enquadrandose, portanto, na figura em destaque do artigo terceiro retromencionado. No recurso voluntário a recorrente alega a impossibilidade de atribuirse a responsabilidade solidária ao Jairo, uma vez que não se comprovou a participação de de Jairo na conduta. Contudo, o argumento não se sustenta, uma vez que, conforme se viu na narrativa acima, ambos foram surpreendidos mantendo a mercadoria em depósito. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 170DF CARF MF Processo nº 13799.720010/201813 Acórdão n.º 3001000.623 S3C0T1 Fl. 126 11 Fl. 171DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.906442/2012-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário:2011
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN.
Não se desincumbindo a recorrente do ônus de comprovar o direito creditório alegado, cabe o não provimento do recurso voluntário.
Direito creditório que não se reconhece
Numero da decisão: 1402-003.292
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2011 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN. Não se desincumbindo a recorrente do ônus de comprovar o direito creditório alegado, cabe o não provimento do recurso voluntário. Direito creditório que não se reconhece Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 64 42 /2 01 2- 78 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10875.906442/201278 Acórdão n.º 1402003.292 S1C4T2 Fl. 66 2 Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi indeferido sob entendimento do DD de que “o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado na quitação de débito(s) da contribuinte, não restando crédito disponível". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. que a decisão recorrida não teria levado em conta, nas razões de decidir, a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo a Recorrente de apresentar defesa, bem como demonstrar a existência do crédito; 2. que, o princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional, tendo a decisão de primeira instância se restringido a fazer menção de artigos genéricos da legislação tributária; 3. que, assim, fica inexequível a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada; 4. que, inexistindo fundamentação que sustente a decisão da autoridade administrativa, esta passa a ser nula, por desrespeitar o princípio da motivação dos atos administrativos, impedindo que a Recorrente apresente uma defesa concreta; 5. que, além do princípio da motivação dos atos administrativos, restou violado o direito a ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa está prejudicada; 6. que, sendo assim, resta claro que o despacho decisório é completamente nulo, pois não apresenta fundamentações que permitam a Recorrente compreender por qual motivo sua compensação não foi homologada e impedindo que esta comprove seu direito ao crédito, constituindo em cerceamento de defesa. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10875.906442/201278 Acórdão n.º 1402003.292 S1C4T2 Fl. 67 3 Finaliza requerendo o provimento do recurso voluntário e a reforma da decisão de primeira instância, declarando insubsistente o despacho decisório que não homologou a compensação. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10875.906442/201278 Acórdão n.º 1402003.292 S1C4T2 Fl. 68 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Como se vê no recurso voluntário, a recorrente limitase a alegar falta de fundamentação na decisão e até cerceamento de defesa porque não saberia o motivo do indeferimento da compensação. Na verdade, o cenário que se observa é de mera irresignação da recorrente em razão da decisão de 1º Piso lhe ter sido desfavorável e não porque tenha o aresto qualquer ponto ou item que afronte a legislação ou atos processuais e possa levar à sua anulação. Digase, o acórdão foi prolatado em estrita obediência às normas legais e regimentais, foram apreciadas todas as provas e documentos acostados aos autos e analisada a manifestação da contribuinte. Se o decidido lhe foi desfavorável não significa nulidade. Só entendimento da Turma Julgadora. De outra banda, no que interessa, não há, no RV, qualquer contraposição argumentativa ou documental que possa elidir o que consta do Despacho Decisório que, ao contrário do entendimento da recorrente, tem ampla e clara fundamentação. Vejase: “A partir das características do DARF descriminado no Per/Dcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Enquadramento legal arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996”. Como se nota acima, o despacho traz de forma explícita e fundamentada a motivação da não homologação da compensação realizada, justificada pela inexistência do crédito utilizado na compensação realizada no Per/Dcomp, haja vista que o pagamento relativo ao DARF ali discriminado foi integralmente utilizado para quitar débito de IRPJ confessado em DCTF. Nessa linha, soam até despropositadas as alegações de que a apresentação de provas não foi possível (a recorrente teve amplo campo material para fazer isso e tempo mais que suficiente) ou de que não teria havido motivação para o indeferimento. Ou seja, não se verificando, no despacho decisório, irregularidades, incorreções nem omissões que prejudiquem o reclamante ou influam na solução do litígio, não Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10875.906442/201278 Acórdão n.º 1402003.292 S1C4T2 Fl. 69 5 há se falar em nulidade da decisão, pois não houve ofensa aos princípios constitucionais da legalidade, do contraditório e da ampla defesa e da eficiência, como alega a recorrente, razão pela qual devem ser rejeitadas as ponderações feitas no recurso voluntário. Quanto ao mérito propriamente dito, a simples leitura do recurso voluntário mostra a singeleza dos argumentos que, repitase, tão somente pugnaram pela possível (mas incomprovada) falta de motivação para decidir. Na verdade, caberia à recorrente contrapor provas robustas de que o pagamento de que tenta lançar mão para a compensação intentada não teria sido (ao revés do informado no Despacho Decisório) “integralmente utilizado para quitar débito confessado em DCTF apresentado pela própria contribuinte”. Estas provas, argumentativas ou documentais, não vieram aos autos, assim como não se acostaram quaisquer registros contábeis ou fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar a motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou comprovar erro material na apuração do imposto e reduções de valores da base de cálculo de débito confessado em DCTF. Como é cediço, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC/1973, art. 333, I; atual CPC, artigo 373, I). No caso de pedidos de ressarcimento ou restituição, o interessado deve trazer provas de que possui direito líquido e certo contra a Fazenda Pública e assim deve ser repetido tributariamente para recompor o patrimônio subtraído por pagamento de um tributo de forma indevida. Não o fazendo, suas alegações ficam meramente neste terreno e seu direito se perde. Em outro dizer, a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da indisponibilidade do interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Concretamente, se o DARF indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. No caso, o DARF foi utilizado para pagamento do tributo confessado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), informação da lavra da própria contribuinte. É certo que este quadro pode ser alterado. Mas isso exige prova concreta por parte da contribuinte, afinal é ela a autora e para modificar o ato administrativo cabelhe demonstrar onde está o erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Não o fazendo – como não o fez , o indeferimento permanece. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10875.906442/201278 Acórdão n.º 1402003.292 S1C4T2 Fl. 70 6 Por fim, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 70DF CARF MF
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Numero do processo: 19740.000396/2005-72
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. COFINS. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO.
Cancela-se a exigência de multa e juros lançada de ofício quando, pela documentação carreada aos autos, no recurso voluntário, comprova-se que a composição da base de cálculo da Cofins do período em trato refere-se a receitas de aluguéis, a teor do disposto no inciso I do artigo 12 da MP nº 75, de 2002, que dispensou citados acréscimos na hipótese de a entidade fechada de previdência complementar efetuar o pagamento da referida contribuição em parcela única, até o último dia útil do mês de novembro de 2002, relativamente a fatos geradores ocorridos até 31 de julho de 2002.
Numero da decisão: 3001-000.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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DIREITO CREDITÓRIO. COFINS. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. Cancelase a exigência de multa e juros lançada de ofício quando, pela documentação carreada aos autos, no recurso voluntário, comprovase que a composição da base de cálculo da Cofins do período em trato referese a receitas de aluguéis, a teor do disposto no inciso I do artigo 12 da MP nº 75, de 2002, que dispensou citados acréscimos na hipótese de a entidade fechada de previdência complementar efetuar o pagamento da referida contribuição em parcela única, até o último dia útil do mês de novembro de 2002, relativamente a fatos geradores ocorridos até 31 de julho de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1320.720, da 4ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II DRJ/RJOII AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 03 96 /2 00 5- 72 Fl. 399DF CARF MF Processo nº 19740.000396/200572 Acórdão n.º 3001000.604 S3C0T1 Fl. 400 2 que, na sessão de julgamento realizada em 29.07.2008 (fls. 45 a 48), que julgou procedente o lançamento. Da ementa do acórdão recorrido A 4ª Turma da DRJ/RJOII, ao julgar improcedente a impugnação, exarou o citado acórdão, cujas ementas colacionase: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS. ANISTIA ART. 12 MP Nº 75/2002. ALEGA SER BENEFICIÁRIO. ALEGAÇÃO NÃO COMPROVADA. LANÇAMENTO. MANTÉM. É de se manter o lançamento de multa e juros de mora sobre valor recolhido da Cofins depois de decorrido o prazo legalmente previsto para o seu recolhimento, quando não restar comprovado ser o valor recolhido referente a fato gerador decorrente de qualquer uma das hipóteses contidas no art. 12 da MP nº 75/2002. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. Lançamento Procedente Da síntese dos fatos Adotase, para o acompanhamento inicial dos fatos, o relatório encartado no acórdão recorrido, que segue transcrito, verbis: Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração de fls. 25 a 33, lavrado pela Deinf/Rio de Janeiro em decorrência de irregularidades constatadas nos créditos vinculados informados em DCTF correspondente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, consubstanciando exigência de crédito tributário no valor total de R$ 14.763,61, correspondente à multa de mora e aos juros de mora exigidos isoladamente referentes ao mês 12/1999. 2. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Lega.l”, à fl. 28, do “Anexo IIa Demonstrativos de Pagamentos Efetuados Fl. 400DF CARF MF Processo nº 19740.000396/200572 Acórdão n.º 3001000.604 S3C0T1 Fl. 401 3 Após o Vencimento”, à fl. 29, e do “Anexo IV Demonstrativo de Multa e/ou Juros a pagarNão Pagos ou Pagos a Menor”, à fl. 30, que: 2.1 O presente Auto de Infração originouse da realização de Auditoria Interna na DCTF (Retificadora) referente ao 4º Trimestre do anocalendário 1999, conforme INSRF nºs 045/98 e 077/98; e 2.2 A irregularidade constatada no crédito vinculado informado nessa DCTF diz respeito à insuficiência de pagamento da multa de mora e à falta de pagamento dos juros de mora, conforme “Anexo IV Demonstrativo de Multa e/ou Juros a pagarNão Pagos ou Pagos a Menor”. 3. Os dispositivos legais infringidos constam do “Quadro 10” da “Descrição dos fatos e enquadramento legal”, à fl. 28 do Auto de Infração. 4. Cientificada em 04/10/2005 (fl. 01), a Interessada, inconformada, apresentou, em 31/10/2005, a impugnação de fl. 01 a 05, na qual alega, em síntese, que: 4.1 O recolhimento da Cofins por ela realizado (doc. nº 02, fl. 23) lastreouse na anistia concedida pela Medida Provisória nº 75, de 24/10/2002, que, em seu art. 12, dispensou de juros e multa as entidades fechadas de previdência complementar que efetuassem o pagamento da Contribuição para o PIS ou da Cofins em parcela única, até o último dia útil do mês de novembro de 2002, relativamente a fatos geradores ocorridos até 31 de julho de 2002, nas hipóteses nele previstas; 4.2 Atende a todos os pressupostos elencados pelo dispositivo supracitado para à adesão à anistia, quais sejam: 4.2.1 É entidade fechada de previdência complementar, o que se depreende claramente da leitura de seus atos societários (doc. nº 01, fls. 13/21); 4.2.2 Realizou o pagamento da Cofins em parcela única no dia 27/11/2002, ou seja, antes do último dia útil de mês de novembro de 2002, conforme o Darf em anexo (doc. nº 02, fl. 23); 4.2.3 O fato gerador relativo à Cofins, devidamente recolhida em 27/11/2002, ocorreu bem antes do dia 31 de julho de 2002, o que se comprova pela DCTF anexada (doc. nº 04, fls. 35/38), que se refere ao período relativo ao mês 12/1999, anteriormente, portanto, ao mês de julho de 2002; e 4.2.4 O fato gerador que deu origem à Cofins recolhida referese justamente ao auferimento de rendimentos e receitas previstos na legislação que concedeu da anistia, como se pode depreender da anexa planilha demonstrativa da base de cálculo (doc. nº 05, fl. 40). 5. O processo foi encaminhado a esta Delegacia para julgamento. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 19740.000396/200572 Acórdão n.º 3001000.604 S3C0T1 Fl. 402 4 6. É o relatório. Do recurso voluntário Irresignado ainda com o desfecho de seu pleito e, mais especificamente, com a decisão contida no acórdão vergastado, o recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 59 a 64), para, além de reprisar os argumentos de defesa apresentados na sua impugnação, aduzir, com fundamento nos princípios da ampla defesa e da busca pela verdade material dos fatos, que os documentos neles juntados (fls. 65 a 378), que "espancam qualquer sombra de dúvida que possa haver acerca da natureza das receitas que foram consideradas para a apuração da COFINS paga em relação ao período de dezembro de 1999 com o beneficio da anistia". Nestes termos, requer, "considerandose a adesão da Recorrente à anistia veiculada pela Medida Provisória nº 75/2002, o que a dispensou de recolher a multa e os juros de mora lançados, (...) a reforma do v. acórdão recorrido, para que se determine o cancelamento da exigência fiscal". Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 03.11.2008 (fl. 381), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo a competência deste Colegiado para apreciar o presente feito, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado em 10.10.2008 (segundafeira), conforme depreendese da chancela constante na sua "Folha de Rosto" (fl. 59), depois da ciência ocorrida em 19.09.2008 (sextafeira), conforme esclarece o "Aviso de Recebimento" (fl. 55), portanto é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dele conheço. Dos fatos O lançamento consubstanciado no Auto de Infração nº 0001754 está fundamentado na falta de pagamento de multa e juros de mora, decorrentes do atraso no recolhimento da Cofins relativa ao período de dezembro de 1999, cuja data de vencimento era 12.01.2000. Portanto, não se trata de falta de recolhimento da contribuição, mas de acréscimos Fl. 402DF CARF MF Processo nº 19740.000396/200572 Acórdão n.º 3001000.604 S3C0T1 Fl. 403 5 legais supostamente devidos em face de o pagamento ter sido efetuado após o vencimento da respectiva obrigação tributária. Em sua defesa, o recorrente assevera que o pagamento efetuado da referida contribuição não contemplou mencionados acréscimos legais porque foi realizado ao amparo das disposições veiculadas na Medida Provisória nº 75, de 24.10.2002, que previu expressamente a dispensa de juros e multa. A decisão do colegiado a quo assentouse na premissa segundo a qual Devidamente impugnado o lançamento, foi o mesmo mantido, ao fundamento o recorrente não teria comprovado que o valor recolhido se referia aos fatos geradores decorrentes das receitas especificadas nos incisos I a III do artigo 12 da MP nº 75, de 2002. Não se conformando com a manutenção da exigência, além de brevemente discorrer sobre o descabimento da cobrança dos mencionados acréscimos legais, o recorrente esclarece que ora traz à colação documentos que, juntamente com aqueles apresentados na impugnação, entende suficientes para evidenciar a natureza das receitas utilizadas como base de cálculo da contribuição, quais sejam: (i) balancete contábil do mês de dezembro de 1999, destacando as páginas 11, 13, 17 e 19 (doc. nº 01), (ii) folhas relevantes dos Livros Diário e Razão (doc. nº 02) e (iii) contratos de aluguel em vigor no período (doc. nº 03). Do mérito Como visto, em seu recurso, o recorrente argui que "aderiu à anistia veiculada" pelo artigo 12 da Medida Provisória n° 75, de 24.10.2002, mais adiante reproduzido, que dispensou o pagamento de juros e multa às entidades fechadas de previdência complementar que efetuassem o recolhimento da Cofins em parcela única, até o último dia útil do mês de novembro de 2002, relativamente a fatos geradores ocorridos até 31 de julho de 2002, nas hipóteses nele previstas. Art. 12. As entidades fechadas de previdência complementar poderão pagar em parcela única, até o último dia útil do mês de novembro de 2002, com dispensa de juros e multa, os débitos relativos à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa, ajuizados ou a ajuizar, referentes a fatos geradores ocorridos até 31 de julho de 2002 e decorrentes de: I rendimentos relativos a receitas de aluguel, destinados ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e resgates; II receita decorrente da venda de bens imóveis, destinada ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e resgates; III o resultado positivo auferido na reavaliação da carteira de investimentos imobiliários referida nos incisos I e II. Compulsandose os documentos carreados aos presentes autos, notadamente o Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, de fl. 23; a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, de fls. 35 a 38 estes apresentados juntamente com a impugnação, em 31.10.2005; o Balancete de Verificação do mês de dezembro 1999, de fls. 74 Fl. 403DF CARF MF Processo nº 19740.000396/200572 Acórdão n.º 3001000.604 S3C0T1 Fl. 404 6 a 92; o Livro Razão, de fls. 95 a 103; o Livro Diário, de fls. 104 a 110, e os diversos contratos de locação não residencial firmados, no período, entre o recorrente e as empresas AMERADA HESS LTDA., ANDERSEN CONSULTING DO BRASIL LTDA., ARTHUR ANDERSEN S/C, BANCO MERCANTIL DE SÃO PAULO S.A., BOOZALLEN HAMILTON DO BRASIL CONSULTORES & LTDA., CADAM CAULIM DA AMAZÔNIA S/A, CAEMI MINERAÇÃO E METALURGlA S/A, CIMENTO TUPI S/A., COMPASS ASSET MANAGEMENT SERVICES S/C LTDA., CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S.A., BANCO HSBC BAMERINDUS S.A., BONARI HOLDING LTDA., MINERAÇÕES BRASILEIRAS REUNIDAS S/A MBR, McKlNSEY Ltda. S/C, MSL MINERAIS S/A, SONY MUSIC ENTERTAINMENT (BRASIL) INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., STAFFORDMILLER INDÚSTRIA LTDA., todos relativos à locação não residencial de "espaços" localizados no edifício CAEMI, evidenciase assistir razão ao recorrente, na medida em que estes demonstram, sem margem a dúvida, que a composição da base de cálculo da Cofins, do P.A. de 12/1999, referese à hipótese contida no inciso I do artigo 12 da MP nº 75, de 2002, por se tratar, efetivamente, de receitas de aluguéis. Da conclusão Isto posto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento, cancelandose a exigência consubstanciada no presente auto de infração. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Relator Fl. 404DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.918426/2015-00
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 29/11/2013
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.504
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/11/2013 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 84 26 /2 01 5- 00 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 135 2 (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 128/129) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 114/119), proferida em sessão de 14 de junho de 2017, consubstanciada no Acórdão n.º 1677.991, da 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (DRJ/SPO), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 04/05) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 05/05/2015 (efl. 107), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 05764.90727.220914.1.3.046584 (efls. 102/106), transmitido em 22/09/2014, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/11/2013 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 102/106 (PER/DCOMP n.º 05764.90727.220914.1.3.046584), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 136 3 IRPJ (cód. receita 2362 – IRPJ – PJ OBRIGADA À APURAÇÃO DO LUCRO REAL – DEMAIS ENTIDADES – ESTIMATIVA MENSAL) relativo ao período de apuração encerrado em 31/10/2013. Pelo Despacho Decisório de fl. 107 o contribuinte foi cientificado, em 12/05/2015 (fl. 109), de que: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher os débitos indevidamente compensados (principal: R$ 8.845,39). Irresignado, o contribuinte apresentou em 09/06/2015 a Manifestação de Inconformidade, de fls. 04/05, alegando, em síntese, i) que recolheu e declarou em DCTF a estimativa de IRPJ relativa a outubro/2013, no valor de R$ 729.717,70; ii) que não retificou a DCTF correspondente para apontar o valor correto da estimativa de IRPJ de outubro/2013, que seria de R$ 680.685,12; iii) que o valor correto da estimativa de IRPJ de outubro/2013 foi devidamente informado na DIPJ transmitida em 30/06/2014; iv) que o crédito pleiteado existe, tendo ocorrido apenas um erro no preenchimento da DCTF; v) anexa em favor dos seus argumentos, cópias da DCTF, PER/DCOMP, DIPJ, todas originais, do DARF no valor de R$ 729.717,70, bem como de parte do razão contábil das contas de IRPJ referentes ao ano de 2013; vi) por fim, pede que seja acolhida a sua Manifestação de Inconformidade e homologadas as compensações declaradas no PER/DCOMP. O presente processo está sendo apreciado na mesma sessão em que os processos ns.º 10880.918416/201566, 10880.918424/201511, 10880.918422/201513, 10880.918417/201519, 10880.918423/201568 e 10880.918425/201557, estão sendo julgados, tendo em vista a identidade do direito creditório discutido e corresponderem ao mesmo Darf. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 8.150,16, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 137 4 31/10/2013 2362 R$ 729.717,70 29/11/2013 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 2670473753 R$ 729.717,70 Db: cód 2362 PA 31/10/2013 R$ 729.717,70 Valor Total R$ 729.717,70 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 29/05/2015 Principal: R$ 8.845,39 Multa: R$ 1.769,07 Juros: R$ 663,40 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Conforme consignado no Despacho Decisório de fl. 107, o indeferimento teve como origem a alocação integral do Darf de R$ 729.717,70 para quitação do débito de IRPJ (cód 2362) relativo a outubro/2013. Ou seja, uma das providências requeridas para a indicação do pretenso direito creditório seria a retificação da DCTF referente a outubro/2013. Consulta aos sistemas da RFB revela que a DCTF atualmente ativa de outubro/2013 (original) foi entregue em 20/12/2013, nela constando a alocação integral do pagamento ao débito de outubro/2013, tal qual demonstra a DCTF anexada pelo interessado às fls. 29 e seguintes. Assim, tomandose em consideração a informação prestada pelo próprio contribuinte em sua DCTF, inexistiria direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior. Reza o parágrafo 1.º do artigo 5.º do DecretoLei n.º 2.124, de 13 de junho de 1984: Parágrafo 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário,constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Tratase de confissão extrajudicial da existência de tais débitos, conforme arts. 348, 350 e 353 do atualmente vigente Código de Processo Civil (CPC) – Lei n.º 5.869, de 11 de janeiro de 1973, e por isso mesmo é título executivo. Os débitos tributários, então declarados e confessados na DCTF, decorrem do lançamento por homologação de que trata o artigo 150 do CTN, verbis: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. É a DCTF, portanto, a forma com que o sujeito passivo dá conhecimento à autoridade administrativa da ocorrência do fato Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 138 5 jurídicotributário e informa o pagamento do valor correspondente do tributo. Por essa razão a necessidade da retificação da DCTF sempre que o sujeito passivo queira modificar anterior informação prestada quanto aos seus débitos tributários, pois o conhecimento deste fato pelo Fisco é elemento indispensável para o aperfeiçoamento do lançamento por homologação. Sobre a imprescindibilidade da retificação da DCTF para a comprovação do pagamento indevido ou a maior, a Receita Federal do Brasil editou o Parecer Normativo (PN) COSIT n.º 2, de 28 de agosto de 2015, que confirmou a vinculação necessária entre as informações prestadas na DCTF e a disponibilidade do direito creditório utilizado em PER/DCOMP, além de esclarecer diversos pontos relacionados à temporalidade da apresentação desta DCTF retificadora, admitindo, sem deixar de considerála obrigatória, a sua apresentação mesmo após a transmissão do PER/DCOMP, e até após a ciência de Despacho Decisório que não tenha homologado as compensações declaradas. É oportuna a transcrição de trecho do citado PN que aborda a necessidade da informação do débito correto em DCTF para que possa ficar caracterizado o direito creditório do pagamento indevido ou a maior, inclusive com citação a vários acórdãos da 2ª instância administrativa de julgamento (CARF): 10.5. Desse modo, por se tratar de uma confissão de dívida do sujeito passivo, inclusive podendo ser contra ele cobrado na falta de pagamento, ele necessariamente terá de alterar essa confissão se entender que pagou um valor indevido, para então poder requerer um pedido de restituição ou apresentar uma DCOMP. Tratase de simetria de formas. Fazendo uma analogia, é a mesma situação daquela contida no art. 352 do CPC, pois ali também depende de uma atuação de quem fez a confissão para ela poder ser revogada. No presente caso, a atuação do sujeito passivo se dá mediante retificação da declaração que constituiu o crédito tributário perante o Fisco, conforme item 10. Inclusive o CARF já decidiu que o crédito alocado em DCTF não retificada não é líquido e certo, e o indébito pressupõe a retificação da DCTF: INDÉBITO PLEITEADO DECLARADO EM DCTF. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO PRÉVIA Enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão n.º 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014). DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 139 6 (Acórdão n.º 3801002.926, Rel. Cons. Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Sessão de 25/02/2014) (grifouse) 10.6. A despeito da necessidade de o sujeito passivo retificar a DCTF para ter direito creditório contra a Fazenda Nacional, não há impedimento para que ele a retifique para reduzir tributos cujos pagamentos já tenham sido objeto de PER ou de DCOMP como créditos a serem restituídos ou compensados. Consoante o seguinte julgado administrativo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano calendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativo poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão n.º 3403003.340, Rel. Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista, Sessão de 15/10/2014). Sendo assim, não tendo o interessado retificado, até a data deste julgamento, o débito de IRPJ Estimativa de outubro de 2013, através da necessária apresentação da DCTF retificadora, é de se indeferir seu pedido de homologação das compensações por ausência do indébito pleiteado na PER/DCOMP objeto deste processo. Todavia, ainda que essa questão preliminar da ausência da retificação do débito em DCTF correspondente ao pagamento pleiteado como indevido ou a maior pudesse ser superada, o que se faz aqui por mera argumentação, a liquidez e certeza do direito creditório alegado, fundamental para o deslinde de demandas como a presente, não é comprovada a partir dos elementos trazidos pelo interessado juntamente com a Manifestação de Inconformidade. Na ficha 11 de sua DIPJ (fl. 69) consta demonstração do cálculo da estimativa de IRPJ devida relativamente ao PA de outubro de 2013, apurada com base em balanço de suspensão ou redução, com os seguintes valores: Base de Cálculo do IRPJ 13.301.694,59 IRPJ apurado (alíquota + adicional) 3.305.423,65 () Incentivos Fiscais 4.559,89 () IRPJ devido em meses anteriores 2.597.885,90 () IRPJ retido na fonte 22.292,73 (=) IRPJ a pagar 680.685,13 Esse é o valor que o sujeito passivo afirma ser o correto para este débito. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 140 7 Nos razões contábeis apresentados pelo interessado às fls. 51/52 deste processo, não há a conta que registra os lançamentos da provisão de IRPJ de 2013 (valores devidos de IRPJ), inclusive a do mês de outubro de 2013 que interessa particularmente a este processo. Consta apenas o lançamento do IRPJ pago/antecipado (conta n.º 112225) em 29/11/2013, relativo ao período de apuração outubro/2013, no valor de R$ 729.717,70. Porém, no processo n.º 10880.918416/201566, que está sendo julgado nesta mesma sessão de julgamento, o interessado juntou à fl. 34 o razão contábil da provisão de IRPJ devida (conta 211214001), através da qual o valor devido neste mês foi contabilizado como R$ 752.439,34, que diminuído do IRF informado como retido neste mês de R$ 22.292,73, redunda em valor a recolher de R$ 730.146,61, muito próximo do valor de R$ 729.717,70 recolhido por ele em Darf. Não foi apresentado pelo sujeito passivo qualquer demonstrativo ou elemento que comprove que a correta base de cálculo da estimativa de IRPJ relativa a outubro de 2013 seja realmente a que foi informada na DIPJ, e não aquela que serviu para apuração do valor contabilizado e pago de IRPJ neste mês de outubro. Sendo assim, à luz dos elementos comprobatórios trazidos à apreciação desta instância julgadora, não é possível concluir pela existência, liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ante o exposto, ausente a retificação do débito de IRPJ estimativa referente a outubro de 2013, bem como não tendo o sujeito passivo comprovado adequadamente por meios hábeis e idôneos o indébito, voto no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecer o direito creditório pleiteado e não homologar as compensações declaradas. No recurso voluntário (efls. 128/129), em síntese, o contribuinte reiterou os termos da manifestação de inconformidade. Argumenta que não efetuou a retificação da DCTF mensal de Outubro/2013 para o valor correto do débito de R$ 680.685,12, conforme DIPJ do respectivo período. Diz que essa problemática originou a divergência que redundou na inexistência do crédito. Alega que os pontos de discordância são: a) a DIPJ de 2013, transmitida em 30/06/2014, informa o valor correto de débito para o IRPJ na ordem de R$ 680.685,12; b) houve erro no preenchimento da DCTF de Outubro/2013, resultando no lançamento de imposto indevido; c) devese considerar os lançamentos apresentados na DCTF retificadora transmitida em 17/11/2017 que evidencia o referido crédito tributário originado de pagamento à maior, referente ao código de receita 236201 IRPJ (página 03, no valor de R$ 680.685,12 IRPJ por estimativa mensal demonstrado na DIPJ de 2013). Informa como documentos anexados, especialmente: a DCTF retificadora referente a Outubro/2013; a DIPJ de 2013; o razão contábil das contas de IRPJ de Outubro/2013; recibo do SPED Contábil referente a 2013. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 141 8 Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Inicialmente, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 8.150,16. Observo, ainda, que o Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 26/10/2017, efls. 120 e 124/125, e protocolo recursal em 22/11/2017, efls. 126/128), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 142 9 Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação do débito confessado com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior vindicado, negando a restituição do crédito requerido. Observase que, na primeira análise, pelos sistemas informatizados da Receita Federal, o suposto crédito, proveniente do DARF indicado no PER/DCOMP, estava integralmente alocado, não havendo saldo disponível, razão pela qual do indeferimento da compensação, eis que não se reconheceu o direito creditório. A fim de refutar tal constatação, o contribuinte retificou a DCTF e afirma que a DIPJ corroboraria a informação. Ocorre que, após analisar os autos, incluindo os documentos não pagináveis, constato que não há provas, sequer verossimilhança, quanto a alegação da redução do valor devido a título do tributo que estava inicialmente alocado no DARF objeto do crédito anotado no PER/DCOMP, de forma que inexiste comprovação, pelo contribuinte, de certeza e liquidez para o crédito vindicado. Em suma, para a análise que foi efetivada no PER/DCOMP em comento não se comprovou o indicado crédito líquido e certo, incontroverso. Em verdade, foi apontada a alocação do DARF em extinção de débito próprio do sujeito passivo. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 143 10 quadro sintético demonstrativo da situação de alocação do DARF, de modo a não restar saldo na forma pretendida pelo contribuinte. A despeito da retificação da DCTF, inexistiu provas, mínimas que fossem, a fim de atestar, ao menos, verossimilhança das alegações. O razão contábil, quanto a conta apresentada, não atesta a redução do débito. Aliás, neste ponto interessante a anotação da DRJ, nestes termos, litteris: (...), a liquidez e certeza do direito creditório alegado, fundamental para o deslinde de demandas como a presente, não é comprovada a partir dos elementos trazidos pelo interessado juntamente com a Manifestação de Inconformidade. Na ficha 11 de sua DIPJ (fl. 69) consta demonstração do cálculo da estimativa de IRPJ devida relativamente ao PA de outubro de 2013, apurada com base em balanço de suspensão ou redução, com os seguintes valores: Base de Cálculo do IRPJ 13.301.694,59 IRPJ apurado (alíquota + adicional) 3.305.423,65 () Incentivos Fiscais 4.559,89 () IRPJ devido em meses anteriores 2.597.885,90 () IRPJ retido na fonte 22.292,73 (=) IRPJ a pagar 680.685,13 Esse é o valor que o sujeito passivo afirma ser o correto para este débito. Nos razões contábeis apresentados pelo interessado às fls. 51/52 deste processo, não há a conta que registra os lançamentos da provisão de IRPJ de 2013 (valores devidos de IRPJ), inclusive a do mês de outubro de 2013 que interessa particularmente a este processo. Consta apenas o lançamento do IRPJ pago/antecipado (conta n.º 112225) em 29/11/2013, relativo ao período de apuração outubro/2013, no valor de R$ 729.717,70. Porém, no processo n.º 10880.918416/201566, que está sendo julgado nesta mesma sessão de julgamento, o interessado juntou à fl. 34 o razão contábil da provisão de IRPJ devida (conta 211214001), através da qual o valor devido neste mês foi contabilizado como R$ 752.439,34, que diminuído do IRF informado como retido neste mês de R$ 22.292,73, redunda em valor a recolher de R$ 730.146,61, muito próximo do valor de R$ 729.717,70 recolhido por ele em Darf. Não foi apresentado pelo sujeito passivo qualquer demonstrativo ou elemento que comprove que a correta base de cálculo da estimativa de IRPJ relativa a outubro de 2013 seja realmente a que foi informada na DIPJ, e não aquela que serviu para apuração do valor contabilizado e pago de IRPJ neste mês de outubro. Sendo assim, à luz dos elementos comprobatórios trazidos à apreciação desta instância julgadora, não é possível concluir pela existência, liquidez e certeza do crédito pleiteado. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 144 11 No que se refere ao argumento acima apresentado pela primeira instância, o contribuinte não refuta o fundamento, de modo que, não havendo verossimilhança nas alegações, entendo por não dar razão ao sujeito passivo. Logo, a questão é que no recurso voluntário o contribuinte não logra êxito de comprovar, de modo incontroverso, a existência do seu direito a crédito, especialmente sob a ótica da natureza do crédito vindicado, qual seja, pagamento indevido ou a maior. Demais disto, a retificadora desprovida de outros elementos não corrobora com a certeza e liquidez necessárias para autorizar o reconhecimento do crédito. Da forma como este é vindicado apresentase controverso, inexistindo certeza e liquidez. Desprovidos de outros elementos da escrita contábil, não resta comprovado o crédito. Aliás, as demonstrações contábeis também não estão colacionadas a contento nos autos para confirmação inconteste do eventual crédito. A esse respeito, cito o seguinte precedente: Acórdão n.º 3402004.103 – Recurso Voluntário Relator: Waldir Navarro Bezerra Data da sessão: 27/04/2017 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. (...) Ressaltese, neste aspecto, que a demonstração analítica dos valores e lançamentos, dentro da escrituração contábil e, consequentemente, da comprovação inconteste do eventual direito creditório integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute crédito objeto de pedido de compensação. Vejase, ainda, que não foi juntado aos autos outros elementos probatórios, tais como, a escrita contábil e outras escritas fiscais, como, por exemplo, o Livro Diário, eventuais balancetes transcritos na escrita contábil, o Balanço, eventuais apurações demonstrando os erros e correções posteriores, deixandose, portanto, de apresentar, face a inexistência de elementos de prova, uma demonstração criteriosa do suposto direito a crédito, não havendo como confirmar o alegado crédito vindicado apenas com as declarações, ou parte delas, não tendo sido realizado um trabalho analítico de esclarecimento do suposto crédito. Sendo assim, não cabe reconhecer liquidez e certeza, no que não resta demonstrado, comprovado. Em suma, não há uma precisa indicação consubstanciada em elementos documentais para confrontarse DIPJ, DCTF, apurações, balanço patrimonial, balancetes e demais demonstrações contábil, e integral análise de contas contábeis do razão, tudo a fim de comprovar, de modo líquido e certo, a certeza de eventual crédito, inclusive para se compreender eventuais cálculos de valores originalmente declarados e dos valores Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 145 12 retificados. Nesse sentido entendo por bem trazer aos autos o resumo da conclusão do seguinte precedente que entendo reforçar o presente fundamento: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Ressaltese, não caberia ao julgador, em instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventual documentação contábil não pode ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e de devida fundamentação com análise circunstanciada das conclusões que se extrairiam da escrita contábil ou da escrita fiscal, a fim de demonstrar o fato jurídico constitutivo da situação de direito a crédito que se pretende invocar sob a ótica da restituição, que seria o elo para efetivar a compensação. Não há, portanto, motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não o saneamento de erros imputados aos próprios contribuintes, notadamente quando de pedidos de compensação eletrônicos. Outrossim, não compete a este julgador sanear os autos para colacionar provas ao processo, quando sequer está convencido quanto a verossimilhança das alegações. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte e apreciado no Despacho Decisório. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer reparos. Dispositivo Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.918426/201500 Acórdão n.º 1002000.504 S1C0T2 Fl. 146 13 Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento para manter íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000833/2006-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
RECEITAS DE ATO COOPERATIVO. SUJEIÇÃO AO PIS/FATURAMENTO ATÉ 12/2004
As cooperativas de crédito, na condição de instituições financeiras, estavam sujeitas ao PIS/Faturamento nos anos-calendário de 2002 a 2004, pelas leis então vigentes, que não contemplavam exclusões de receitas decorrentes de ato cooperativo, da base de cálculo.
PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. DEDUÇÃO DAS SOBRAS.
A base de cálculo das contribuições ao PIS das sociedades cooperativas de crédito, a partir da edição da Lei nº 10.637/2002, é a receita total auferida, excluindo-se as sobras, conforme reza o § 2º do art. 1º da Lei nº 10.676/2003.
Numero da decisão: 9303-007.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Demes Brito. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire (relator), Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Julgamento iniciado na reunião de 09/2018 e concluído na sessão de 16/10/2018.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 RECEITAS DE ATO COOPERATIVO. SUJEIÇÃO AO PIS/FATURAMENTO ATÉ 12/2004 As cooperativas de crédito, na condição de instituições financeiras, estavam sujeitas ao PIS/Faturamento nos anos-calendário de 2002 a 2004, pelas leis então vigentes, que não contemplavam exclusões de receitas decorrentes de ato cooperativo, da base de cálculo. PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. DEDUÇÃO DAS SOBRAS. A base de cálculo das contribuições ao PIS das sociedades cooperativas de crédito, a partir da edição da Lei nº 10.637/2002, é a receita total auferida, excluindo-se as sobras, conforme reza o § 2º do art. 1º da Lei nº 10.676/2003.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Demes Brito. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire (relator), Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Julgamento iniciado na reunião de 09/2018 e concluído na sessão de 16/10/2018. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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SUJEIÇÃO AO PIS/FATURAMENTO ATÉ 12/2004 As cooperativas de crédito, na condição de instituições financeiras, estavam sujeitas ao PIS/Faturamento nos anoscalendário de 2002 a 2004, pelas leis então vigentes, que não contemplavam exclusões de receitas decorrentes de ato cooperativo, da base de cálculo. PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. DEDUÇÃO DAS SOBRAS. A base de cálculo das contribuições ao PIS das sociedades cooperativas de crédito, a partir da edição da Lei nº 10.637/2002, é a receita total auferida, excluindose as sobras, conforme reza o § 2º do art. 1º da Lei nº 10.676/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Demes Brito. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire (relator), Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Julgamento iniciado na reunião de 09/2018 e concluído na sessão de 16/10/2018. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 08 33 /2 00 6- 21 Fl. 1886DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial do Contribuinte e da Fazenda contra o Acórdão 3302.01449 (fls. 1440/1446), de 12/02/2012, o qual foi assim ementado: Período de apuração: 2002, 2003, 2004, 2005 PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. BASE DE CÁLCULO A base de cálculo das Contribuições ao PIS das cooperativas de crédito, a partir da edição da Lei nº 10.637/2002, é a receita total auferida, excluindose as sobras, na forma do § 2º do art. 1º da Lei nº 10.676/2003. PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CRÉDITO. Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP nº. 2.15835/ 2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. O recorrido foi parcialmente provido para excluir do auto de infração, no período de dezembro de 2002 a dezembro de 2004, as sobras apuradas na forma do § 2º do art. 1º da Lei 10.676/2003, bem como para determinar a compensação de pagamentos a título de PIS/Folha. Impende ressaltar que inicialmente o julgamento da impugnação pela DRJ foi convertido em diligência (fls. 1065/1066) para que o órgão lançador informasse analiticamente as receitas decorrentes de atos cooperativos, por período de apuração, bem como os valores das sobras passíveis de dedução, nos termos do art. 30 da Lei 11.051/2004. Realizada a diligência, a decisão de piso (fls. 1301/1321) exonerou o lançamento das receitas de atos cooperativos no período entre 01/2005 a 12/2005, com arrimo no art. 30 da Lei 11.051/2004, conforme reconhecido pela própria fiscalização na informação fiscal fruto da diligência. Fl. 1887DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 4 3 A Fazenda manejou recurso especial de divergência (fls. 1460/1475) quanto à parte provida, uma vez entender, em suma, que a exclusão das "sobras" das cooperativas para fins de cálculo do PIS/Faturamento está condicionada ao recolhimento concomitante do PISFolha de Salários, acostando como paradigma o aresto 3101001.123. Entende que o inciso I do § 2º do art. 15 da MP 1.858/99 é expresso nesse sentido, como pontuado na fundamentação do acórdão divergente. De igual sorte, continua, a IN SRF 145/99 é expressa quanto à isso em seu art. 4º, bem como a IN SRF 247/2002, em seu art. 33, e a IN SRF 635/2006. Quanto à procedência do recorrido que deferiu ao contribuinte a compensação do valor recolhido a título de PIS/Folha de salários com os débitos encartados no auto de infração, alega a Fazenda que a turma julgadora autorizou aquela sem observância do procedimento próprio e em dissonância com as prescrições legais atinentes à essa forma de extinção do crédito tributário, mais especificamente os artigos 73 e 74 da Lei 9.430/96. Para comprovar a divergência nesse tópico trouxe como paradigma o acórdão 3401001.420, o qual versou entendimento de que a inobservância das prescrições legais atinentes à compensação, que possui rito próprio, impediria o reconhecimento desta no procedimento de ofício. Foi dado seguimento ao recurso da Fazenda nos termos do Despacho de fls. 1511/1513. Em contrarrazões (fls. 1568/1583), o contribuinte pede, em preliminar, o não conhecimento do recurso fazendário em relação à primeira matéria por falta de interesse de agir, pois, argui, "recolheu o PIS sobre folha de salários de todo o período fiscalizado". Quanto à segunda matéria, a impossibilidade de arguir compensação como matéria de defesa, alega que tratamse de tributos da mesma espécie (pisfaturamento e pisfolha de salários), o que carateriza "mera dedução", o que a seu juízo "não carece de compensação". Acresce que talvez o acórdão recorrido tenha incorrido em mero erro formal ao ter utilizado o termo compensação ao invés de abatimento ou dedução". Averba que o paradigma trata de situação distinta, "vez que discute pedido de compensação de tributos de natureza essencialmente diversa", PIS com COFINS. No mérito, pede o improvimento do especial fazendário. De sua feita, o contribuinte interpôs recurso especial de divergência (fls. 1663/1720), alegando, em preliminar, a nulidade da decisão que não admitiu os embargos por ela interpostos, pois entende que o recorrido não teria enfrentado, em específico, sua alegação "a teor do artigo 79 da Lei nº 5.674/71", que sobre os atos cooperativos típicos não incidiria o PIS. No mérito, em suma, entende que sobre os atos cooperativos típicos não há incidência tributária sobre sua receita e resultado. Ao recurso especial do contribuinte somente foi dado seguimento, nos termos do despacho de fls. 1772/1777, "em relação a incidência da contribuição ao PIS sobre atos cooperativos que abrangem a captação de recursos de cooperados, empréstimos e aplicações financeiras no mercado". Em contrarrazões, a Fazenda (fls. 1779/1789), em preliminar, postula o não conhecimento do especial do contribuinte por entender que "no presente caso não se verifica a divergência necessária a sustentar o recurso interposto pelo contribuinte", eis que "enquanto o recorrido aborda as Leis 10.637/2002 e 10.676/2003, o paradigma tãosomente analisa a situação à luz das Leis nº 9.718/98 e 5.764/71". Ademais, aduz que nos termos do capítulo II do Manual de Exame de Admissibilidade, o acórdão paradigma tem que tratar da mesma legislação que orientou o recorrido. Fl. 1888DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 5 4 No mérito, afirma: A especialidade das cooperativas de crédito face as demais sociedades cooperativas originase da natureza das operações mantidas junto aos associados. Os serviços prestados pela cooperativa de crédito aos associados equiparamse à intermediação financeira. Entretanto, os clientes da cooperativa são os seus sócios, os quais arcam, como qualquer cliente de instituição financeira, com os custos da intermediação de recursos promovida pela cooperativa. Sobre as quantias repassadas pela cooperativa ao associado, logicamente, são cobrados juros e demais encargos. O associado da cooperativa de crédito, portanto, arca com as despesas da sociedade ao utilizarse de seus serviços como cliente. Tais despesas estão embutidas no custo do dinheiro movimentado junto à cooperativa. Logo, os custos financeiros com a movimentação das quantias junto ao autuado não são suportados pelos seus associados, mas pelo “consumidor final”, o produtor, ao qual são disponibilizados os recursos necessários para a realização da sua atividade. Com isso, percebese, mais uma vez, que a especialidade da cooperativa em análise frente às demais cooperativas resta evidente diante das operações que mantém junto aos associados, equiparadas às operações de instituição financeira, havendo o legislador, nos diplomas legais retro mencionados, esclarecido que, realmente, a cooperativa de crédito é sujeito passivo do PIS e da COFINS. Conclui a Fazenda pedindo que seja negado provimento ao recurso especial do contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator I DO CONHECIMENTO DOS RECURSOS I.1 DA FAZENDA NACIONAL Alega a autuada, de forma confusa, digase, que há falta de interesse de agir para o recurso da PFN. Ora se a decisão recorrida ao mesmo tempo em que permitiu a dedução das sobras e sentenciou que descabe pagamento cumulativo de PIS/Faturamento e PIS/Folha de salários, e a Fazenda alega que só há que se falar em exclusão das sobras quando aquelas contribuições forem recolhidas simultaneamente, evidente o interesse de agir fazendário. Fl. 1889DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 6 5 Portanto, deve ser analisado o argumento fazendário no sentido de que a exclusão das "sobras" das cooperativas está condicionada ao recolhimento concomitante do PISFolha de Salários com o PIS/faturamento. Da mesma forma, entendo provado o dissídio jurisprudencial quanto à impossibilidade da compensação como exceção de defesa no rito do Decreto 70.235. O aresto colacionado, 3401001.420, tem a seguinte ementa: “PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RITO PRÓPRIO. Não compete ao CARF se pronunciar sobre o mérito de pedido de compensação, exceto em sede de recurso voluntário interposto contra decisão da primeira instância que apreciou manifestação de inconformidade relativa ao pedido, sendo que eventuais excessos de recolhimentos devem ser aproveitados pelo contribuinte por meio do procedimento próprio, em vez de empregados para redução dos valores lançados.” E a alegação da entidade financeira de que só incidiria essa hipótese tratando se de tributos de espécies distintas, o que, a seu juízo, não seria o caso de PIS/Faturamento, PIS/folha de salários, não procede. Embora tenham o mesmo nome, PIS, as normas impositivas são diversas e suas hipóteses de incidência distintas, o que, ipso facto, lhes conferem distinção, e, por conseguinte, revestemse de díspares espécies. Não por acaso seus códigos de recolhimento são distintos. Porém, como se verá adiante, esta questão restará prejudicada. Portanto, conheço do recurso especial fazendário nos moldes em que admitido pelo despacho de fls. 1511/1514. I.2 DO CONTRIBUINTE A única matéria admitida em relação ao recurso especial do contribuinte foi "em relação a incidência da contribuição ao PIS sobre atos cooperativos que abrangem a captação de recursos de cooperados, empréstimos e aplicações financeiras no mercado". Embora a Fazenda pugne pelo seu não conhecimento, entendo que o mesmo deva ser conhecido, pois um dos paradigmas, o acórdão 3403000.206, trata de mesma matéria. Vejase a ementa: A questão de fundo é a mesma, qual seja, se sobre ato cooperativo, tratando se de cooperativa de crédito, incide ou não PIS. E a peça recursal articula, inclusive transcrevendo excertos do paragonado, demonstrando que há a devida similitude fática. Fl. 1890DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 7 6 Portanto, conheço do recurso do contribuinte nos termos em que admitido pelo Despacho de fls. 1772/1777. II MÉRITO II1 RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE A matéria devolvida ao nosso conhecimento em relação ao recurso especial do contribuinte cingese a definirmos se, no período de 2002 a 2004 (2005 foi expungido do lançamento pela decisão de piso), os atos cooperativos praticados por cooperativas de crédito incide ou não, no caso, a contribuição do PIS. Alega a recorrente, em síntese, ser indevida a incidência de PIS sobre o ato cooperativo, o qual, entende, incluiria a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados e a movimentação financeira da cooperativa, não se configurando essas hipóteses operação de mercado nem contrato de compra e venda, nos termos do artigo 79 da Lei das Coopetativas (Lei 5.754), e, assim, em seu entender, não representaria receita para fins de incidência do PIS. Caso houvesse receita, alega, esta seria do cooperado, não da cooperativa, ressaltando que as legislações especiais do PIS se orientaram no sentido de excluir o ato cooperativo da incidência tributária, porque a Lei Complementar 07/70, artigo 3°, parágrafo 4°, complementada pela Resolução BACEN 174/71 e a Lei 9.715/98, artigo 2°, parágrafo 1°, admitiram tributação dos atos cooperativos apenas pelo PIS/Folha, o que enfatizaria a ausência de receita. A irresignação da autuada está, de fato, endereçada ao tratamento dado as cooperativas de crédito pela legislação fiscal aplicada pela autoridade fiscal, vigente nos anos calendário em que ocorreram os fatos geradores objeto do lançamento. Em verdade, ao contrário do alegado pela recorrente, as normas legais eram expressas no sentido de considerar tais organizações como instituições financeiras, embora não típicas, e, nesta condição, sujeitos passivos do PIS e da COFINS, não sendo excluídas as receitas decorrentes do ato cooperativo até 31/12/2004. As cooperativas de crédito, ao integrarem o rol das pessoas jurídicas elencadas no artigo 22, parágrafo 1°, da Lei 8.212/91, a seguir reproduzido, foram designadas como sujeitos passivos, primeiro, do PISReceita bruta operacional, no artigo 72, do ADCT, da CF, e no artigo 1°, da Lei 9.701/98, e, posteriormente, do PISFaturamento, no artigo 3°, parágrafo 5°, da Lei 9.718/98, no artigo 1°, da MP 1.807/99, e nos artigos 3°, 26 e 32, do Decreto 4.524/2002, também transcritos abaixo. Lei 8.212/91 Art. 22. (...) § 1º No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois virgula cinco por cento Fl. 1891DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 8 7 sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo. (grifos nossos) ADCT Art. 72. Integram o Fundo Social de Emergência: (...) III a parcela do produto da arrecadação resultante da elevação da aliquota da contribuição social sobre o lucro dos contribuintes a que se refere o § 1º do Art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual, nos exercícios financeiros de 1994 e 1995, bem assim no período de 1° de janeiro de 1996 a 30 de junho de 1997, passa a ser de trinta por cento, sujeita a alteração por lei ordinária, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988; (Redação dada pela Emenda Constitucional n° 10, de 1996) C..) V a parcela do produto da arrecadação da contribuição de que trata a Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970, devida pelas pessoas jurídicas a que se refere o inciso III deste artigo, a qual será calculada, nos exercícios financeiros de 1994 a 1995, bem assim nos períodos de rde janeiro de 1996 a 30 de junho de 1997 e de 1° de julho de 1997 a 31 de dezembro de 1999, mediante a aplicação da alíquota de setenta e cinco centésimos por cento, sujeita a alteração por lei ordinária posterior, sobre a receita bruta operacional, como definida na legislação do imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza. (Redação dada pela Emenda Constitucional no 17, de 1997) Lei 9.701/98 Art. 1º Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei No 8.212, de 24 de julho de 1991, poderão efetuar as seguintes exclusões ou deduções da receita bruta operacional auferida no mês: Lei 9.718/98 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à. receita bruta da pessoa jurídica. ... § 5° Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. Fl. 1892DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 9 8 MP 1.807/99 Art 1° A alíquota da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público —PIS/PASEP, devida pelas pessoas jurídicas a que se refere o § 1º do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, fica re sessenta e cinco centésimos por cento em relação aos fatos gerado ocorridos a partir de 1° de fevereiro de 1999. Decreto 4.524/2002 Art. 3° São contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre o faturamento as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9° (Lei Complementar n° 70, de 1991, art. 1° , Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 60, Lei n° 9.701, de 17 de novembro de 1998, art. 10, Lei no 9.715, de 25 de novembro de 1998, art. 2°, Lei n° 9.718, de 1998, art. 2°, e Lei n° 10.431, de 24 de abril de 2002, art. 6°, inciso II). § 1° (...). Art. 26. Os bancos comerciais, bancos de investimento, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito e associações de poupança e empréstimo, para efeito da apuração da base de cálculo das contribuições, podem deduzir da receita bruta o valor (Lei no 9.701, de 17 de novembro de 1998, art. 1°, inciso III, e Lei n° 9.718, de 1998, art. 3°, §§ 4 0 e 5° e inciso I do § 6° , com a redação da Medida Provisória n°2.15835, de 2001, art. 2° ): I das despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; II dos encargos com obrigações por refinanciamentos, empréstimos e repasses de recursos de órgãos e instituições oficiais ou de direito privado; III das despesas de câmbio, observado o disposto no § 2° do art. 10; IV das despesas de arrendamento mercantil, restritas a empresas e instituições arrendadoras; V das despesas de operações especiais por conta e ordem do Tesouro Nacional; VI do deságio na colocação de títulos; VII das perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e VIII das perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge. Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 10 9 ... Art. 32. As sociedades cooperativas, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor (Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art.15, e Provisória no 66, de 2002, art. 36): (...); V das receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos; e (...) § 1° (...) § 3° Relativamente as exclusões previstas nos incisos I a V do caput, as operações serão contabilizadas destacadamente, sujeitas comprovação mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie e quantidade dos bens ou mercadorias vendidos. § 4° A cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões previstas neste artigo contribuirá, cumulativamente, para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. Esse é o arcabouço legal da cobrança de PIS sobre as operações das cooperativas de crédito, donde se conclui que para o legislador não há qualquer distinção quer se trate de ato cooperativo ou não para que haja incidência daquela contribuição. O mesmo se dá em relação à COFINS. Tais normas vigoraram, no que tange ao ato cooperativo, até a entrada em vigência da Lei 11.051/2004 que, em seu artigo 30, autorizou a dedução da base de cálculo do PIS e da COFINS, das receitas originárias do ato cooperativo. Com relação à afirmativa de que a Lei Complementar 07/70, artigo 3°, parágrafo 4°, teria admitido tributação dos atos cooperativos apenas quanto ao PIS/Folha, deve ser notado que tal interpretação introduz restrição à exigência do PIS, que a referida norma não faz. O citado parágrafo diz apenas que, com respeito ao Fundo de Participação do PIS, as "entidades de fins não lucrativos, que tenham empregados (..), contribuirão para o Fundo na forma da lei.", o que não implica dizer que as cooperativas estariam, ad eternum, necessariamente exoneradas da contribuição sobre o faturamento. De fato, normas posteriores terminaram por modificar o contexto legal criado pela LC 07/70, dentre elas a ECR 01/1994 e seguintes, que, ao alterarem o art. 72 do ADCT, suso transcrito, submeteu as cooperativas de crédito à exigência do PISfaturamento, sem fazer distinção entre ato cooperativo e não cooperativo. Frente ao exposto, máxima vênia, divirjo do eminente Conselheiro Demes Brito, que no Acórdão 9303005.786, de 20/09/2017, aplicou à sociedade cooperativa naqueles autos (PA 01/01/2002 a 31/12/2004) o entendimento expresso nos Recursos Especiais 1.164.716 e 1.141.667, julgados sob o rito dos recursos repetitivos. Com o devido respeito, entendo que eles não se aplicam tratandose de sociedade cooperativa de crédito, mormente no período objeto da exação. Fl. 1894DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 11 10 Ressaltese que o STF no RE 599.362RJ, no rito de repercussão geral, manifestouse sobre a possibilidade de tributação dos atos cooperativos em relação às contribuições sociais, embora o caso em si verse sobre cooperativas de trabalho. Transcrevo a ementa desse julgado: Recurso extraordinário. Repercussão geral. Artigo 146, III, c, da Constituição Federal. Adequado tratamento tributário. Inexistência de imunidade ou de não incidência com relação ao ato cooperativo. Lei nº 5.764/71. Recepção como lei ordinária. PIS/PASEP. Incidência. MP nº 2.15835/ 2001. Afronta ao princípio da isonomia. Inexistência. 1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c, CF é dirigido ao ato cooperativo. A norma constitucional concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes. 2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. 3. A definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador. Até que sobrevenha a lei complementar que definirá esse adequado tratamento, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso ou prejudicial ao ato cooperativo e respeitando, ademais, as peculiaridades das cooperativas com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais. 4. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, só a análise da subsunção do fato na norma de incidência específica, em cada caso concreto, dirá. 5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de trabalho, na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores associados. 6. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável. 7. Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, Fl. 1895DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 12 11 uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social “será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei” (art. 195, caput, da CF/88). 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.15835/ 2001. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. 9. É possível, senão necessário, estabeleceremse diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. 10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal dá provimento para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração Esse julgamento do STF ocorreu em 06/11/2014, e, de forma hialina, assentou que não é inconstitucional tributar ato cooperativo. Os repetitivos a que aludiu o i. Conselheiro Demes Brito, que fiz menção alhures, concluiu que os atos cooperativos típicos, mais especificamente aqueles submetidos ao julgamento, não poderiam ser tributados porque na hipótese seria caso de não incidência tributária por força de lei. Observo que no RE 1164716 MG, o caso tratavase da "Cooperativa dos Instrutores de Formação Profissional e Promoção Social Rural Ltda COOPIFOR", e no RE 1141667 a parte era "Cooperativa dos Citricultores Ecológicos do Vale do Caé Ltda ECOCITRUS". O tipo dessas cooperativas em nada se assemelham a uma cooperativa de crédito, pois sabemos que estas últimas tem toda uma regulamentação diferenciada, inclusive em nível de Constituição Federal, bem como em nível infraconstitucional regramento e fiscalização como instituição financeira pelo Banco Central. Em pesquisa ao sítio do STJ, reparei existirem algumas decisões proferidas após esses repetitivos. Na pesquisa de jurisprudência de repetitivos no sítio do STJ tem um link com o seguinte título "Acórdãos posteriores ao Repetitivo". Nessa pesquisa depareime com o seguinte julgado: AgInt nos EDcl no RE nos EDcl no AgRg no REsp 686511 / RS, julgado em 29/06/2018: AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. ATO COOPERATIVO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. TEMAS 516 E 536/STF. SOBRESTAMENTO. Fl. 1896DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 13 12 1. A agravante entende que a hipótese dos autos não se amolda ao precedente afetado à sistemática de repercussão geral, por entender que o Tema 516/STF aborda apenas atos das cooperativas de trabalho, enquanto, na hipótese, trata de "cooperativa de crédito". 2. Contudo, conforme consignado quando do julgamento dos embargos de declaração, não se pode inferir do Tema 516/STF que sua aplicabilidade se restringe às cooperativas de trabalho, pois o acórdão que afetou o tema fala de "valores recebidos pelas cooperativas", sem nenhuma mitigação. 3. Aliás, quanto ao tema da incidência de contribuições sociais sobre as atividades das cooperativas, há, em verdade, dois precedentes afetados. 4. O Plenário do STF reconheceu a existência de repercussão geral no RE 672.215RG/CE, oportunidade em que será decidida a questão da "incidência de COFINS, PIS e CSLL sobre o produto de ato cooperado ou cooperativo" (Tema 536/STF), e no RE 597.315RG/RJ, ocasião em que será solucionada a "Sujeição passiva das cooperativas à contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS" (Tema 516/STF), controvérsias que se assemelham ao presente caso. 5. A incidência dos referidos temas às cooperativas de crédito é referendado por precedentes do STF: RE 965.113 EDAgR, Rel. Min. Dias Toffoli, Segunda Turma, julgado em 6/10/2017, publicado em 31/10/2017; RE 594.695 AgRAgR, Rel. Min. Marco Aurélio, Primeira Turma, julgado em 5/5/2015, publicado em 25/5/2015). 6. "Destacase que no referido tema 536, o Pleno da Corte voltará a analisar, em sede de repercussão geral, a matéria da tributação das cooperativas em geral, considerados os conceitos constitucionais de 'ato cooperativo', 'receita de atividade cooperativa' e 'cooperado'" (RE 1.082.173, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 27/10/2017, publicado em 6/11/2017.). 7. Inexiste, portanto a alegada restrição do entendimento a outras cooperativas que não sejam as de crédito. 8. A toda evidência, o único equívoco da decisão agravada é quando determina o sobrestamento apenas pelo Tema 516, quando o correto é o sobrestamento por ambos os temas (516 e 536). Agravo interno improvido. Assim, o que se constata é que quando a discussão que chega ao STJ é sobre a tributação de Cooperativas de Crédito, aquela Corte está sobrestando os processos para aguardar o que o STF vai decidir no julgamento dos temas 516 e 536. Ou seja, não estão aplicando o que decidiram nos repetitivos aos quais o Dr. Demes Brito se reporta quando a cooperativa seja de crédito. Portanto, não há qualquer Fl. 1897DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 14 13 vinculação aos repetitivos nos Recursos Especiais 1.164.716 e 1.141.667 em se tratando de cooperativas de crédito. Dessarte, por força dos dispositivos legais transcritos, o lançamento em análise está validamente fundamentado nas normas fiscais vigentes para os fatos geradores sob comento, não se podendo reconhecer como legítima a pretensão da autuada de excluir da base de cálculo do PISFaturamento as receitas dos atos cooperativos. Em remate no ponto, deve ser negado provimento ao recurso especial de divergência do contribuinte. II2 RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA A Fazenda entende que a exclusão das "sobras" das cooperativas está condicionada ao recolhimento concomitante do PISFolha de Salários. Consigna que o inciso I do § 2º do art. 15 da MP 1.858/99 é expresso nesse sentido, como pontuado na fundamentação do acórdão divergente. De sua feita, o recorrido entendeu que as sobras devem ser excluídas da base imponível do PIS, porém descabendo a incidência do PIS/Folha de pagamento. Em relação à dedução das sobras das bases de cálculo do PISFaturamento e da COFINS das cooperativas, essa exclusão foi introduzida pelo artigo 15 da Medida Provisória 1.858/99, de 27/09/99, abaixo transcrito, que expressamente condicionou tal exclusão, bem como a de outros valores repassados aos cooperados, ao recolhimento concomitante do PISFolha de Salários. Vejase: MP 1.858/1999 (hoje inserta no art. 13 e 15 da MP 2.15835/2001) Art 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: ... Art 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue a. cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. Fl. 1898DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 15 14 § 1° Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente A atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2° Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput : I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; A IN SRF 145/99, de 10/12/99, consolidou as normas de recolhimento do PIS e COFINS para as cooperativas, estabelecendo em seu artigo 3°, inciso IX, a seguir transcrito, a dedução das sobras, porém condicionando essa exclusão ao recolhimento do PIS/Folha, nos termos de seu artigo 4°. Esta vinculação foi repetida pelas IN SRF 247/2002 e 358/2003. IN SRF 145/99, de 10/12/99 Exclusão da Base de Cálculo Art. 3º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições referidas no art. 1° poderão ser excluídos da receita bruta mensal os valores correspondentes a: ... IX "Sobras Liquidas" apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, após a destinação para constituição da Reserva de Assistência Técnica, Educacional e Social (RATES) e para o Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (FATES) previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, efetivamente distribuídas. § 1º ... Art. 4º Havendo a exclusão de qualquer dos valores a que se refere os incisos IV a IX do art. 3º, a contribuição para o PIS/PASEP incidirá também sobre folha de salários. IN SRF 247/2002 Art. 33. As sociedades cooperativas, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor: ,,, V das receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, ate o limite dos encargos a estas devidos; e VI das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica Educacional e Fl. 1899DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 16 15 Social, previstos no art. 28 da Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971. ... § 4° O disposto no inciso VI do caput aplicase aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de novembro de 1999, observado que as sobras liquidas, apuradas após a destinação para constituição dos Fundos a que se refere, somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas. § 5° A sociedade cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões previstas neste artigo contribuirá, cumulativamente, para o PIS/Pasep sobre a folha de salários. ... § 11. A exclusão permitida às demais sociedades cooperativas limitase aos valores destinados i formação dos fundos previstos no inciso VI do caput. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) § 12. O disposto nos §§ 7º, 8° e 11 aplicase a fatos geradores ocorridos a partir de 1° de novembro de 1999." (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Assim, o disposto no artigo 1º, parágrafo 2º, da Lei 10.676/2003, a seguir transcrito, deve ser interpretado no contexto legal da Medida Provisória 1.858/99 e pelos atos normativos infralegais acima reproduzidos, em que a exclusão de valores da base de cálculo do PIS e COFINS tem de ser acompanhada do recolhimento do PIS/Folha. Lei 10.676/2003 Art. 12 As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835. de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei n°5.764, de 16 de dezembro de 1971. ... § 2º Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão e que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. § 3º O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória n° 1.85810, de 26 de outubro de 1999. Assim, correto o entendimento da Fazenda que as sobras só podem ser deduzidas, se recolhido, também, o PIS/Folha de salário. Fl. 1900DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 17 16 Na peça recursal, em anexo (fls. 1375/1427), constam comprovantes de arrecadação PIS/folhas relativamente a alguns períodos abarcados pela exação, sem que tenha sido atestado a exatidão dos mesmos. Assim, as sobras podem ser deduzidas da base imponível. Portanto, deve ser dado provimento ao recurso da Fazenda no sentido de que para que as chamadas sobras possam ser deduzidas da base imponível do PIS/faturamento deve ser recolhido o PIS/Folha, nos termos suso articulados. Quanto à questão da compensação como exceção de defesa, em que pese concorde com os argumentos fazendários, resta prejudicada, pois, como afirmado, é devido o PIS/Folha e PIS/faturamento para que as sobras possam ser excluídas da base de cálculo do PIS/Faturamento. Portanto, não há valor a ser compensado a título de PIS/Folha de pagamento. DISPOSITIVO Em face do exposto: 1 Conheço e dou provimento ao recurso da Fazenda, admitindo a exclusão dos valores das sobras da base de cálculo do PIS/faturamento, desde que, cumulativamente, tenha sido recolhido o PIS/Folha de pagamento. 2 Conheço e nego provimento ao recurso do contribuinte; É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1901DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 18 17 Voto Vencedor Conselheira Tatiana Midori Migiyama Não obstante ao elaborado voto proferido pelo ilustre conselheiro relator, que tanto admiro, quanto à matéria trazida em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, peço vênia para divergir de seu entendimento, vez que fui designada para redigir o voto vencedor. Recordo que: · A Fazenda Nacional entende que a exclusão das "sobras" das cooperativas está condicionada ao recolhimento concomitante do PISFolha de Salários; · O colegiado a quo reconheceu a não incidência do PIS especificamente sobre as sobras de sociedade cooperativa em relação aos fatos geradores de dezembro de 2004, além de ter admitido a compensação dos pagamentos efetuados a título de PIS sobre a folha de pagamento com os débitos apurados. Após breves recordações, considerando a matéria já ser conhecida por essa turma, antecipo meu entendimento pela concordância ao voto do acórdão recorrido. Entendo que o art. 15 da MP 1.858/99 – não mais vigente, possui redação idêntica à do art. 15 da MP 2.158/35/01. E como bem colocado pelo relator do acórdão recorrido, não há menção em nenhum momento às sobras no rol das deduções permitidas em nenhum dos dois dispositivos. Ademais, a dedução das sobras foi esclarecida com a Lei 10.676/03, a qual não a condiciona ao recolhimento do PIS sobre a folha de salários. A referência ao art. 15 da MP 2.15835/01 no art. 1º da Lei 10.676/03 somente clarifica que o reconhecimento da dedução das sobras não traz qualquer prejuízo às demais deduções já previstas naquele dispositivo. Não se pode interpretar tal citação para se restringir o direito de o contribuinte deduzir as sobras que, por sua vez, decorrem da essência da cooperativa. Fl. 1902DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 19 18 Eis o art. 1º da Lei 10.676/03 (Grifos meus): “Art. 1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1o As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2o Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. § 3o O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999.” Tal dispositivo além de ser explicito em relação à dedução das sobras, trouxe claramente que tal procedimento alcança fatos geradores ocorridos a partir da vigência da MP 1.858/99. O que abarca o período discutido no caso vertente. Para melhor elucidar também esse entendimento, importante transcrever parte do voto do acórdão recorrido: “[...] Quanto a esse aspecto, a questão requer analisemos se, a partir da edição da Lei no. 9.718/98 e até a publicação da Lei no. 11.051/04, que literalmente excluiu das bases de cálculo desses tributos os atos cooperados, se cabível o lançamento. Primeiramente, importante observar que a sociedade deve ser tributada pela Lei no. 9.718/98, inclusive pela simples razão de que discutiu Fl. 1903DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 20 19 diretamente, em nome próprio, a sua aplicação às suas atividades (importante frisar que não discutiu qualquer artigo em específico) às fls. 103 e ss. De acordo com a Lei, portanto, incidiram as contribuições. O que temos que verificar é se a Lei no. 10.676/2003 teve o condão de afastar essa incidência, estabelecer outra base de cálculo e conseqüentemente modificar esse lançamento, considerando que as autoridades fiscais lançaramlhe os tributos, de acordo com a diligência de fls.1156 e os demonstrativos de fls. 1156. Nesse sentido, diligentemente o auditor fiscal já apresentou três demonstrativos: um contendo a base utilizada para o lançamento (faturamento), outra com a dedução das sobras do art. 1o da Lei no. 10.676/2003 e outra a base de cálculo para as “demais cooperativas”, tal como o parágrafo 2o do art. 1o da mesma Lei. A Lei no. 10.676/03, conversão da MP no. 101/2002, com vigência a partir de 01/01/2002 trouxe consigo a seguinte exposição de motivos: “MF 00354 EM MP PIS/PASEP COFINS COOPERATIVAS Brasília, 30 de dezembro de 2002. Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Tenho a honra de submeter à apreciação de Vossa Excelência a proposta de edição de Medida Provisória que dispõe sobre a contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para Seguridade Social COFINS devidas pelas sociedades cooperativas. 2. A proposta aperfeiçoa a legislação do PIS/PASEP e da Cofins aplicável às sociedades cooperativas e constava da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, no seu art. 36, que foi modificada pelo Congresso Nacional, quando da conversão da Medida Provisória no Projeto de Lei de Conversão nº 31, de 2002. 3. Como os artigos do Projeto de Lei de Conversão foram vetados, a proposta ora apresentada visa a não interromper o tratamento tributário relativamente ao PIS/PASEP e à COFINS dispensado às sociedades Fl. 1904DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 21 20 cooperativas, e desta forma justifica a relevância e a urgência dessa Medida Provisória. 4. Essas, Senhor Presidente, são as razões pelas quais submeto a Vossa Excelência a presente proposta de edição de Medida Provisória.” Não faz, portanto, qualquer distinção entre as espécies do gênero “cooperativas”. Mais, referese ao art. 36 da MP no. 66, que resultou justamente na Lei no. 10.637/2002. Dizia o art. 36, após conversão, o seguinte: Art. 33. São isentas da Cofins as sociedades cooperativas, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades, de acordo com o disposto no art. 6o, inciso I, da Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991 Vetado pelas seguintes razões: “Os arts. 9º e 33 restabelecem normas de incidência, respectivamente, da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins aplicáveis às sociedades cooperativas, vigentes até meados de 1999, as quais foram alteradas por darem ensejo a graves distorções concorrenciais, principalmente por alcançar todas as atividades tidas como cooperativas, inclusive consumo e crédito. Ressaltese que as alterações objetivaram construir um modelo de tributação onde apenas às cooperativas de produção passou a ser dado justo privilégio. Assim, tais dispositivos, que retroagiriam aos fatos geradores ocorridos a partir de junho de 1999 (art. 67), produziriam uma perda de arrecadação, em 2003, da ordem de R$ 1,2 bilhão, sendo que, destes, R$ 445 milhões se referem a arrecadação corrente, que se reproduziria nos anos subseqüentes. Seu texto, ao final, é o seguinte: “1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Fl. 1905DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 22 21 §1o As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. §2o Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. §3o O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999.” Em minha opinião, então, o legislador efetivamente pretendeu, com a Lei no. 10.676/2003, manter parte da tributação das cooperativas de crédito, excluindo apenas as sobras das bases de cálculo das contribuições. Quanto ao requerido pelo contribuinte, no sentido de que o PIS/Folha pago não seria cabível, portanto, poderia ser compensado com tais débitos, considero adequado seu pedido. Isso porque as Cooperativas de Crédito estão na seara do art. 26 do Decreto no. 4.524/2003, logo, não estariam sujeitas ao PIS/Folha na forma do art. 9o. desse mesmo Decreto. Adicionalmente, o artigo 15 da MP no. 2.15835, de 2001, aplicável ao caso, trás consigo rol exaustivo das exclusões que, caso adotadas pelo contribuinte, ensejariam a incidência também do PIS/Folha. Finalmente, a IN 635/2006 foi posterior aos fatos geradores aqui tratados. Por isso, do provimento ao Recurso do contribuinte nesse tópico em especial. Nesse sentido, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do auto de infração as sobras apuradas na diligência, indevidamente computadas no auto de infração, e para que sejam compensados os pagamentos efetuados a título de PIS/Folha com os débitos apurados, mantendo no mais a decisão recorrida.” Frisemse ainda tal entendimento os acórdãos já consignados por essa turma: · Acórdão 9303006.773: “[...] Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 1906DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 23 22 Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 SOBRAS. DEDUÇÃO. BASE DE CÁLCULO. As cooperativas podem deduzir da base de cálculo das contribuições sociais as sobras até o limite destinado à formação dos fundos, de reserva e FATES, com base nos atos cooperativos, nos termos estatuídos no art. 1º, § 2º da Lei nº 10.676/2003. As operadoras de planos de assistência à saúde podem deduzir da base de cálculo da Contribuição para a COFINS e do Programa de Integração Social PIS/PASEP, as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários, por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, bem como aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade, em conformidade com o preceptivo do art. 3º, § 9ºA da Lei nº 9.718/98, introduzido, em caráter interpretativo, pela Lei nº 12.873/2013. · Acórdão 9303003.271: “[...] COOPERATIVAS DE CRÉDITO. PERÍODOS DE APURAÇÃO DE FEVEREIRO DE 1999 A MAIO DE 2003. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. ALÍQUOTA DE 0,65%. Nos termos da Lei nº 9.718/98 e da Medida Provisória nº 1.807, de 28/01/1999, atual MP nº 2.15835/2001, a partir de partir de fevereiro de 1999 as cooperativas de crédito, na condição de instituição financeira, passaram a recolher o PIS sobre o faturamento ou receita bruta, à alíquota de 0,65%, com as deduções específicas estabelecidas no § 6º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, introduzido pela referida MP. Também poderão ser deduzidas da base de cálculo, a partir de novembro de 1999 e em conformidade com a Lei nº 10.676/2003, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, limitadas ao valor destinado para a constituição do Fundo Fl. 1907DF CARF MF Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 9303007.485 CSRFT3 Fl. 24 23 de Reserva (FATES) e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (RATES), previstos no art. 28 da Lei nº 5.764/71. Recurso Especial Negado.” Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 1908DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902319/2010-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI ACUMULADO NO TRIMESTRE. PROCEDÊNCIA.
É passível de ressarcimento o saldo credor de IPI apurado no trimestre com base em notas fiscais devidamente registradas, decorrente de aquisição de produtos empregados no processo produtivo.
AQUISIÇÃO DE INSUMO DE EMPREA INSCRITA NO SIMPLES.
A aquisição de insumo de empresa inscrita no SIMPLES não permite o aproveitamento de crédito de IPI mesmo que destacado na Nota Fiscal.
Numero da decisão: 3401-005.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI ACUMULADO NO TRIMESTRE. PROCEDÊNCIA. É passível de ressarcimento o saldo credor de IPI apurado no trimestre com base em notas fiscais devidamente registradas, decorrente de aquisição de produtos empregados no processo produtivo. AQUISIÇÃO DE INSUMO DE EMPREA INSCRITA NO SIMPLES. A aquisição de insumo de empresa inscrita no SIMPLES não permite o aproveitamento de crédito de IPI mesmo que destacado na Nota Fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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PROCEDÊNCIA. É passível de ressarcimento o saldo credor de IPI apurado no trimestre com base em notas fiscais devidamente registradas, decorrente de aquisição de produtos empregados no processo produtivo. AQUISIÇÃO DE INSUMO DE EMPREA INSCRITA NO SIMPLES. A aquisição de insumo de empresa inscrita no SIMPLES não permite o aproveitamento de crédito de IPI mesmo que destacado na Nota Fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 23 19 /2 01 0- 82 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 13851.902319/201082 Acórdão n.º 3401005.417 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Ressarcimento de saldo credor de IPI acumulado, referente ao 3º Trimestre de 2008, com concomitante Declaração de Homologação de Tributos Federais através de PER/DCOMP nº 17516.22984.311008.1.1.016483. A DRF de Araraquara proferiu Despacho Decisório Eletrônico de fls. 144, com a seguinte fundamentação: Analisadas as Informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificado, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 110.721,17 Valor do crédito reconhecido: R$ 110.688,89 0 valor do crédito reconhecido foi Inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Ocorrência de glosa de créditos considerados Indevidos. Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é Inferior ao valor pleiteado. O crédito reconhecido foi utilizado em compensações, razão pela qual não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 17516.22984.311008.1.1.016483. Discordando do Despacho emitido pela unidade de origem a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, dizendo que o crédito considerado indevido é de empresa emitente de nota fiscal optante do SIMPLESP, "oriundo da Compra de Atacadista não Equiparado a Industrial (Art. 165 do RIPI/2002). Nesta situação, o industrial adquire de um não contribuinte do IPI que não o destaca, no documento "fiscal; contudo, a legislação permite o crédito de 50% do imposto que seria devido. Solicita a Homologação Integral da compensação declarada. A 2ª Turma da DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito ao crédito da parcela que foi glosada, com fundamentos sintetizados na ementa assim elaborada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens emitidas por empresas optantes pelo SIMPLES, nos termos de vedação legal expressa. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau (efls.167), repisando as razões de sua Inconformidade e que deve ser respeitado o princípio constitucional da não cumulatividade. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 13851.902319/201082 Acórdão n.º 3401005.417 S3C4T1 Fl. 4 3 Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Está em discussão nesses autos a glosa de crédito de IPI correspondente ao valor de R$ 32,28 referente aquisição de produto fornecido por empresa inscrita no SIMPLES, através de uma única Nota Fiscal conforme relação de fls. 146. A Recorrente não conseguiu em suas intervenções no processo, comprovar que sua fornecedora e emitente da Nota Fiscal em questão, não estava enquadrada no SIMPLES na época da operação realizada. Permaneceu apenas no campo das alegações, aduzindo questões de direito que nada contribui para superar a decisão do fisco. É vedado a empresa do SIMPLES transferir crédito de IPI, através de operação de venda com destaque do imposto, nos termos da Lei nº 9.317/96, art. 5º, §5º, “verbis”: § 5° A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS. Por dedução lógica, se a empresa inscrita no SIMPLES não pode transferir crédito relativo ao IPI, a empresa adquirente está impedida de registrar crédito de IPI resultante de aquisições de tais empresas. Correta a decisão recorrida que ratificou integralmente os termos do despacho decisório, não merecendo nenhum reparo. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13851.902319/201082 Acórdão n.º 3401005.417 S3C4T1 Fl. 5 4 Fl. 182DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.904427/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1999
SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA.
No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida.
Numero da decisão: 1302-003.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10640.904413/2009-20, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1999 SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA. No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida.
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COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF E PJ 2000 APÓS DESPACHO DECISÓRIO Recorrente IRMÃOS ORNELLAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1999 SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA. No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10640.904413/200920, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 44 27 /2 00 9- 43 Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10640.904427/200943 Acórdão n.º 1302003.146 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face de Acórdão da 2a. Turma da DRJ de Juiz de Fora (MG) que, por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade, registrandose a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente, empresa varejista de produtos alimentícios e outros, alega que pagou SIMPLES à alíquota de 4% (que correspondia ao percentual acumulado, relativo a 1998), quando deveria pagar 3%, devidos em 1999, em conformidade com as disposições do art. 5º da Lei nº 9.317/96, vigente à época. Para evidenciar esse pagamento indevido ou a maior e para compensálo, enviou a DCOMP e na sequência retificou a Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica (DSPJ) originalmente transmitida. Anexou Recibo de Entrega da PJ 2000 Simples normal, retificadora e Darfs. A DRJ manteve o despacho decisório eletrônico e declarou não homologada a DCOMP. Entendeu que a recorrente não demonstrou que haveria pagamento indevido ou a maior. Desconsiderou a declaração simplificada retificadora de 2004. Não examinou a alegação da recorrente de que a alíquota correta do SIMPLES para 1999 seria de 3% e não de 4%. Não analisou os DARFs por meio dos quais a recorrente pretende demonstrar tal pagamento a maior. Concluiu que o valor contido na declaração simplificada da PJ corresponde ao valor pago e devido, pois considerou somente a PJ 2000 Simples original. Assim, concluiu que não haveria crédito disponível. Intimou a recorrente a pagar o principal, multa e juros. Diante do acórdão de manifestação de inconformidade, a recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, reforçando que, ao analisar e confrontar com a Declaração Simplificada PJ, ano calendário 1999, a fiscalização deveria ter considerado os débitos declarados na segunda declaração retificadora PJ Simplificada entregue em 11/04/2004 (cancelada no sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil) e não a primeira, entregue cerca de nove minutos antes, na mesma data. É o breve relatório. Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10640.904427/200943 Acórdão n.º 1302003.146 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.132, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10640.904413/2009 20, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.132): "Conheço do recurso voluntário, à vista da interposição tempestiva e do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. A recorrente atua no comércio varejista de gêneros alimentícios, perfumaria, papelaria, armarinho, louças e legumes (cláus. III, contrato social, fl. 3). Sustenta que dispunha do crédito pleiteado, pois ao detectar o erro, entregou PJ 2000 Simples retificadora em 11/04/2004, sob n° de controle 10.02.38.90.27. Embora a DCOMP tenha sido entregue antes da PJ retificadora, defende que a IN 210/2002 seria omissa quanto à retificação de declarações. Com esse entendimento, afirma que não poderia concordar com o não reconhecimento do crédito. Alega que a fiscalização deveria ter considerado a declaração retificadora, ainda que realizada posteriormente à avaliação de seu pedido (despacho decisório eletrônico). Ressalta que, a IN SRF nº 210/2002, vigente à época, não mencionava como condição para o deferimento que a retificação fosse em data anterior à entrega da DCOMP. Com base em tais fatos e fundamentos, a recorrente, em 10/12/2003, utilizouse da DCOMP n° 36194.68673.101203.1.3.047949 para compensar débito com os supostos créditos de pagamento a maior de SIMPLES (alíquota de 4%, em vez de 3%). Observase, portanto, que independentemente de ter havido a retificação da DSPJ somente após a transmissão da DCOMP, não se verificou se, de fato, houve ou não pagamento a maior ou indevido pela recorrente. Para essa análise, é necessário verificar se procede a alegação da recorrente de que a alíquota do SIMPLES para o ano calendário 1999 seria realmente de 3% e não de 4%. No link idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/.../capitulov Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10640.904427/200943 Acórdão n.º 1302003.146 S1C3T2 Fl. 5 4 simples2008.pdf, a Receita Federal do Brasil (RFB) orienta que, Para a determinação do percentual a ser utilizado pelas Micro Empresas (ME), é necessário identificar, primeiramente, a faixa de receita bruta acumulada em que se encontra a ME, com o auxílio da Tabela S1, abaixo transcrita. Nesse caso, a pessoa jurídica deverá verificar o total da receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês em que está fazendo a apuração. Já o valor devido mensalmente, a ser recolhido pela ME, será o resultante da aplicação sobre a receita bruta mensal auferida da alíquota correspondente. Tabela S1: Percentuais aplicáveis às ME (regra geral) Receita Bruta Acumulada (em R$) Alíquotas Até 60.000,00 3% De 60.000,01a 90.000,00 4% De 90.000,01 a 120.000,00 5% De 120.000,01 a 240.000,00 5,4% O Estatuto da Microempresa de 1999 Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999, estabeleceu que (art. 2º), para os efeitos desta Lei, ressalvado o disposto no art. 3º, considerase: I microempresa, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que tiver receita bruta anual igual ou inferior a R$ 244.000,00 (duzentos e quarenta e quatro mil reais); (Vide Decreto nº 5.028, de 31.3.2004). Conforme Declaração Anual Simplificada (PJ 2000 SIMPLES), fl. 14, a razão social da recorrente é: Irmãos Ornellas Ltda. ME; natureza jurídica: sociedade por cotas de responsabilidade limitada empresa privada. Os valores declarados pela recorrente em 1999 são a seguir reproduzidos, demonstrando que realmente se enquadrava como Micro Empresa: Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10640.904427/200943 Acórdão n.º 1302003.146 S1C3T2 Fl. 6 5 Verificase, portanto, que procede a alegação da recorrente de que a alíquota do SIMPLES (cód. rec. 61060) que deveria pagar em 1999 era de 3% (art. 5º da Lei nº 9.317/96, vigente à época ) e não de 4%. Os dois DARFs anexados ao processo indicam pagamento à alíquota de 4%. Demonstrado, dessa forma, que houve pagamento a maior ou indevido, fazendo jus à compensação pleiteada. No caso, portanto, entendo que o fato de Declaração PJ 2000 Simples ter sido retificada após a utilização do valor pago a maior não pode retirar o direito creditório da recorrente, em cumprimento ao princípio da verdade material, pois comprovados a certeza, liquidez e disponibilidade do crédito utilizado na DCOMP em questão. Assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito pleiteado e homologar a compensação pleiteada até o limite do direito creditório reconhecido." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 40DF CARF MF
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Numero do processo: 15868.720140/2014-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. PROCEDÊNCIA. BASE DE CÁLCULO. PREVISÃO LEGAL. NÃO REPERCUSSÃO DA INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 1°. DA LEI 8.540/92.
A declaração de inconstitucionalidade do art. 1°. da Lei n. 8.540/1992 não repercute na cobrança da contribuição devida ao SENAR, vez que a base de cálculo do referido tributo é constitucional e encontra-se tipificada no art. 3º. da Lei n. 8.315/91; art. 2º. da Lei n. 8.540/92; e no art. 6°. da Lei n. 9.528/97, com a redação dada pela Lei n. 10.256/2001.
Numero da decisão: 2402-006.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. PROCEDÊNCIA. BASE DE CÁLCULO. PREVISÃO LEGAL. NÃO REPERCUSSÃO DA INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 1°. DA LEI 8.540/92. A declaração de inconstitucionalidade do art. 1°. da Lei n. 8.540/1992 não repercute na cobrança da contribuição devida ao SENAR, vez que a base de cálculo do referido tributo é constitucional e encontra-se tipificada no art. 3º. da Lei n. 8.315/91; art. 2º. da Lei n. 8.540/92; e no art. 6°. da Lei n. 9.528/97, com a redação dada pela Lei n. 10.256/2001.
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LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. PROCEDÊNCIA. BASE DE CÁLCULO. PREVISÃO LEGAL. NÃO REPERCUSSÃO DA INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 1°. DA LEI 8.540/92. A declaração de inconstitucionalidade do art. 1°. da Lei n. 8.540/1992 não repercute na cobrança da contribuição devida ao SENAR, vez que a base de cálculo do referido tributo é constitucional e encontrase tipificada no art. 3º. da Lei n. 8.315/91; art. 2º. da Lei n. 8.540/92; e no art. 6°. da Lei n. 9.528/97, com a redação dada pela Lei n. 10.256/2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 01 40 /2 01 4- 89 Fl. 1750DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.751 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 1676/1694) em face do Acórdão n. 12 87.365 13ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJO (efls. 1654/1664) que julgou improcedente a impugnação (efls. 1599/1620) e manteve o lançamento constituído em 06/11/2014 (efl. 1595) e consignado nos Autos de Infração de Obrigações Principais (AIOP): a) DEBCAD n. 51.056.2043 lavrado em 03/11/2014 valor total de R$ 5.262.817,78 (efls. 03/08); e b) DEBCAD n. 51.056.2051 lavrado em 03/11/2014 valor total de R$ 501.220,72 (efls. 09/14) P.A 01/01/2011 a 31/12/2011 com fulcro nas contribuições patronais devidas à Seguridade Social, contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), bem como contribuições devidas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), incidentes sobre o valor da receita bruta da comercialização da produção do produtor pessoa física, e devidas pelo sujeito passivo, por subrogação, na qualidade de adquirente da produção rural, não declarados em GFIP. Irresignado com o lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação (e fls. 1599/1620) em 05/12/2014 (efl. 1598), julgada improcedente pela DRJ/RJO, nos termos do Acórdão n. 1287.365 (1654/1664), com o entendimento sumarizado na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL REALIZADA POR PESSOA FÍSICA EMPREGADORA. SUBROGAÇÃO NA EMPRESA ADQUIRENTE. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA DIFERENCIADA. JULGAMENTO. A propositura de ação judicial antes ou depois do lançamento implica renúncia ao contencioso administrativo no tocante ao objeto coincidente entre os processos administrativo e judicial, devendo o julgamento aterse à matéria diferenciada. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO SENAR. SUBROGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A ação judicial proposta pelo sujeito passivo não tem por objeto a discussão da contribuição devida ao SENAR por subrogação, razão pela qual sua apreciação no processo administrativo fiscal constitui matéria diferenciada não abrangida pelos efeitos da renúncia. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. É vedado ao órgão julgador administrativo negar vigência a normas jurídicas por motivo de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade. REQUERIMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Sujeitase a indeferimento o pedido de produção de provas considerado prescindível à instrução processual. Fl. 1751DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.752 3 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. IMPOSSIBILIDADE. Dada a existência de determinação legal expressa no sentido de que as intimações sejam endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao domicílio profissional do procurador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do teor do Acórdão n. 1287.365 (1654/1664) em 28/04/2017 (e fls. 1672/1673), a impugnante, agora Recorrente, interpôs Recurso Voluntário (efls. 1676/1694) na data de 22/05/2017 (efl. 1674), esgrimindo os mesmos argumentos da impugnação (efls. 1599/1620), sintetizadas a seguir: i) Discorre sobre a inconstitucionalidade da cobrança da contribuição social do empregador rural pessoa física, incidente sobre o resultado da comercialização da produção, já reconhecida e declarada pelo Supremo Tribunal Federal, no RE 363.852, enfatizando ainda que a criação de nova exação demanda a edição de lei complementar; ii) Considera que a Lei 10.256/2001 não supriu a inconstitucionalidade reconhecida pelo STF; iii) Acerca da contribuição ao SENAR, reconhece sua natureza jurídica distinta da contribuição do FUNRURAL, prevista no art. 25, da Lei nº 8.212/91, mas a considera igualmente inconstitucional; iv) Afirma que a validade da norma que institui a contribuição destinada ao SENAR somente poderia subsistir se fosse válida a norma que elege o empregador rural como contribuinte da contribuição previdenciária incidente sobre o resultado da comercialização da produção rural. Logo, retiradas do ordenamento jurídico as norma inseridas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, inexistirá sujeição passiva à referida obrigação tributária, vez que a base de cálculo foi declarada inconstitucional, não havendo sobre o que incidir o tributo; v) Defende que a contribuição ao SENAR não possui autorização constitucional para incidir sobre outra base de cálculo que não seja a folha de salários, conforme o disposto no art. 240 da CF/88 c/c art. 62 do ADCT. Além disso, a própria Lei 8.315/91 cria e faz incidir o tributo sobre a folha de salários das pessoas jurídicas e não dos empregados contratados por pessoas físicas, de sorte que ainda que houvesse lei autorizando a cobrança sobre o faturamento, a pessoa física não seria alcançada pela cobrança; vi) Requer, por fim, sejam deferidas todas as provas em direito admitidas, especialmente a conversão em diligência, perícias e prova testemunhal. É informado nos autos (efls. 1709/1745 e 1748/1749) que a Recorrente ajuizou ação ordinária n. 955565.2017.4.01.3400 data de autuação: 07/03/2017 com objeto idêntico a uma das matérias enfrentadas no Recurso Voluntário (efls. 1676/1694), qual seja, o afastamento, por inconstitucionalidade, da contribuição previdenciária nos moldes do art. 25 da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 10.256/2001 (FUNRURAL). Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 1752DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.753 4 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. De plano, resta caracterizada a concomitância de instâncias (administrativa e judicial), vez que a Recorrente ajuizou ação ordinária n. 955565.2017.4.01.3400 data de autuação: 07/03/2017 com objeto idêntico a uma das matérias enfrentadas no Recurso Voluntário (efls. 1676/1694), qual seja, o afastamento, por inconstitucionalidade, da contribuição previdenciária nos moldes do art. 25 da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 10.256/2001 (FUNRURAL), conforme denunciado nos documentos de efls. 1709/1745 e 1748/1749. Assim, não será objeto de apreciação a infração tipificada por não recolhimento das contribuições patronais devidas à Seguridade Social (contribuição do segurado especial sobre a produção rural e do adquirente pessoa jurídica) e das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), por sub rogação art. 25 da Lei n. 8.212/1991 consignada no Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n. 51.056.2043 (efls. 03/08), atraindo, destarte, o enunciado de Súmula CARF n. 1, verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifos originais) De observar, entretanto, que a decisão recorrida já havia acusado a concomitância de instâncias administrativa e judicial com fulcro em outra ação judicial ajuizada pela Recorrente, na espécie, mandado de segurança autuado em 14/04/2010 sob n. 000194393.2010.4.03.6107 com o objetivo de afastar, por inconstitucionalidade, a contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física prevista no art. 25, I e II, da Lei n. 8.212/1991, que é idêntico ao objeto da impugnação (efls. 1599/1620) em face da infração tipificada no lançamento abrigado no DEBCAD n. 51.056.2043 (efls. 03/08): Conforme análise dos autos, e confirmado no sítio eletrônico da Justiça Federal, o contribuinte em epígrafe impetrou mandado de segurança, protocolado em 14/04/2010, sob o n° 000194393.2010.4.03.6107 e distribuído à 2ª Vara Federal de Araçatuba/SP, cujo objeto consiste no afastamento, por inconstitucionalidade, da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física, prevista no art. 25, I e II da Lei 8.212/91. Salientese que foi confirmada pelo magistrado a tutela de urgência e julgado procedente o pedido em favor do contribuinte, em primeira instância. Todavia, tal decisão foi reformada pelo TRF3ª Região, em 31/01/2012, que reconheceu a exação legalmente exigível a partir da edição da Lei nº 10.256/01. Em nova consulta processual, foi possível constatar que tal decisão desfavorável ao contribuinte já transitou em julgado, tendo em vista que o processo judicial já se encontra baixado definitivamente, desde 29/04/2015, e arquivado, em 07/05/2015. Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.754 5 Considerando que o lançamento preventivo da decadência pressupõe vigência e eficácia de decisão judicial favorável ao contribuinte suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, resta evidenciado que com a conclusão da fase processual no âmbito administrativo inexistem atualmente quaisquer óbices ao prosseguimento de sua cobrança regular. Por outro lado, segundo dispõe o art. 126, §3º, da Lei nº 8.213/91 e o art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/80, a propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto, desde que a ação proposta tenha idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo. [...] Neste sentido, observase que a referida demanda não abrange em seu objeto as contribuições devidas ao SENAR, cujo fundamento legal é inteiramente distinto e reside no art. 6º, da Lei nº 9.528, de 1997, na redação dada pelo art. 3º, da Lei nº 10.256, de 2001. Considerando que os limites objetivos da demanda são fixados pelo pedido formulado na ação ajuizada e informado pela respectiva causa de pedir, não há como estender os efeitos da renúncia ao contencioso a tributo não questionado na ação proposta. Assim, embora se reconheça a renúncia ao processo administrativo fiscal em relação à matéria arguída em demanda ajuizada pelo sujeito passivo – no caso em exame, a legalidade das contribuições previdenciárias a cargo do empregador rural pessoa física, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, previstas no art. 25, incisos I e II, da Lei 8.212/91 , observamos que a peça impugnatória contém matéria diferenciada em relação ao objeto questionado em juízo. Assim sendo, fica garantido o direito à discussão do crédito lançado no que tange à insurgência da impugnante contra a exigência das contribuições destinadas ao SENAR, bem como as exceções processuais de conversão do julgamento em diligência, pedido de perícia, produção de prova testemunhal e intimação do advogado em seu domicílio profissional. É dizer, o presente litígio encontrase delimitado pelo mandado de segurança autuado em 14/04/2010 sob n. 000194393.2010.4.03.6107, denunciado na decisão recorrida, bem assim pela ação ordinária n. 955565.2017.4.01.3400 autuada em 07/03/2017, informada nos documentos de efls. 1709/1745 e 1748/1749. Assim, remanesce no litígio apenas a infração tipificada por não recolhimento da contribuição devida ao SENAR sobre a comercialização da produção rural segurado especial, por subrogação, período de apuração (P.A) 01/01/2011 a 31/12/2011, consignada no Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n. 51.056.2051 (efls. 09/14). Nessa perspectiva, o Recurso Voluntário (efls. 1676/1694), não obstante ser tempestivo e atender aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, é passível de conhecimento parcial, vez que a lide se restringe à matéria tratada no Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n. 51.056.2051 (efls. 09/14). Ao enfrentar as alegações da impugnante em face da contribuição devida ao SENAR, a decisão recorrida assim se posicionou: Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.755 6 A pretensão deduzida no mandado de segurança ajuizado pela empresa diz respeito tão somente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção rural realizada pela pessoa física empregadora, não abrangendo a contribuição destinada ao SENAR, prevista no art. 6º, da Lei nº 9.528, de 1997, na redação dada pelo art. 3º, da Lei nº 10.256, de 2001. Todavia, as alegações aduzidas pela defendente, no que concerne à resistência por ela oposta à exação em comento, dizem respeito exclusivamente a aspectos constitucionais do tributo. Neste passo, cumpre esclarecer que somente ao Poder Judiciário é dado exercer o controle concentrado ou difuso, de caráter repressivo, da constitucionalidade das leis. Revelase, assim, inadequada a postulação de matéria dessa natureza na esfera administrativa, estando tal vedação atualmente prevista no Decreto nº 70.235/1972, que trata do processo administrativo fiscal, em seu art. 26A, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” A questão já foi, inclusive, objeto de súmula em instância administrativa superior, no caso, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, editada através da Portaria CARF de nº 106, de 21 de dezembro de 2009: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Além disso, inferese do disposto nos Incisos IV e V do art. 7 da Portaria MF nº 341/2011, que disciplina o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que ao julgador é vedado negar vigência às normas que compõem o ordenamento jurídico pátrio. Considerando que os dispositivos legais ora atacados encontravamse em vigor na época da ocorrência dos fatos geradores; considerando, ainda, que tais preceitos não tiveram sua invalidade reconhecida por decisão de tribunal superior, dotada de eficácia erga omnes, nem por qualquer outro juízo ou tribunal, em processo no qual a Interessada figure como parte, rejeito a pretensão deduzida. Outrossim, o STF já se manifestou pela inconstitucionalidade da contribuição previdenciária que tenha como fato gerador a receita bruta da comercialização da produção rural realizada por pessoa física empregadora (RE n.° 363.852/MG), sendo que essa decisão não abrangeu os fatos geradores ocorridos após o advento da Lei 10.256/2001 nem abrangeu a contribuição destinada a outras Entidades e Fundos, no caso a contribuição social destinada ao SENAR. Dessa forma, após a entrada em vigor da Lei 10.256/2001, que é o caso dos autos, não há declaração de inconstitucionalidade pelo STF acerca da contribuição social destinada ao SENAR, mantendose os valores lançados.(grifos originais) Noutro giro, na peça recursal de efls. 1676/1694, a Recorrente, no que diz respeito à contribuição devida ao SENAR, desenvolve o seguinte raciocínio: Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.756 7 A contribuição devida ao SENAR é acessória ao FUNRURAL e, por isso, segue a mesma sorte da principal que, como já dito supra, é inconstitucional. Nesse prumo, por ser indevido o FUNRURAL sobre a receita, a contribuição de terceiro SENAR também o será. É que embora a declaração de inconstitucionalidade debatida supra não tenha se pronunciado quanto à disposição contida no art. 2º da Lei n.º 8.540/1992, que trata da base do SENAR, não restam dúvidas que tal exação é igualmente inconstitucional. Com efeito, o artigo 2.º da Lei nº 8.212/91 reportase à pessoa física de que trata alínea “a” do inciso V do artigo 12 da mesma lei, como sujeito passivo da obrigação tributária, ou seja, o produtorempregador rural. Portanto, a validade da norma contribuição destinada ao SENAR somente poderia subsistir se fosse válida a norma que elege o produtorempregador rural como contribuinte da contribuição previdenciária incidente sobre o resultado da comercialização da produção rural. Inobstante ao fato de que a contribuição destinada ao SENAR não é uma contribuição previdenciária, é preciso estar atento ao fato de que a eleição do sujeito passivo da contribuição destinada à referida entidade se deu por norma declarada inconstitucional. De sorte que, retirada do ordenamento jurídico, as normas inseridas pelo art. 1.º da Lei 8.540/1992, inexistirá sujeição passiva à referida obrigação tributária, vez que a base de cálculo foi declarada inconstitucional, não havendo sobre o que incidir o tributo. Em não sendo este o entendimento deste Douto Julgador, o que se admite somente para fins de argumentação, impende consignar que o SENAR não possui autorização Constitucional para incidir sobre outra base de cálculo que não seja a folha de salários, senão vejamos o art. 240 da CF/88 c/c art. 62 do ADCT. “Art. 240 Ficam ressalvadas do disposto no Art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. (...) Art. 62 A lei criará o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) nos moldes da legislação relativa ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio (SENAC), sem prejuízo das atribuições dos órgãos públicos que atuam na área.” A legislação que criou o tributo, na forma da autorização constitucional, assim procede: Lei nº 8.315/1991: Art. 3º Constituem rendas do Senar: I contribuição mensal compulsória, a ser recolhida à Previdência Social, de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o montante da remuneração paga a todos os empregados pelas pessoas jurídicas de direito privado, ou a elas equiparadas, que exerçam atividades: a) agroindustriais; Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.757 8 b) agropecuárias; Duas ilações muito simples decorrem do apanhado legislativo exposto supra, quais sejam, a primeira é que a Constituição autoriza criar a contribuição sobre a folha de salários e não sobre a receita bruta, e a segunda é que a própria lei que cria o tributo o faz incidir sobre a folha de salário dos empregados das pessoas jurídicas e não daqueles contratados por pessoas físicas como é o caso em tela. Em prosseguimento, ainda que houvesse lei autorizando a cobrança sobre faturamento, a pessoa física não seria atingida pela cobrança, já que somente pode incidir sobre pessoas jurídicas, como dito na própria lei. Ademais, no julgamento do RE 363.8521, o Ministro Eros Grau, em seu VotoVista, levantou questão relevante no sentido de que inexiste base de cálculo para incidência do tributo cobrado, nos seguintes termos: “22. A Lei n.º 8.212/91 não determina, no entanto, o fato gerador da obrigação tributária. Este elemento da regra matriz de incidência está descrito em textos normativos emanados do Poder Executivo, o que não se pode admitir visto que excede os limites da função regulamentar que lhe fora conferida pela lei. 23. Os arts. 241 a 244 da Instrução Normativa MSP/SRP n. 3, de 14 de julho de 2005, definem o fato gerador da contribuição: "Art. 241. O fato gerador das contribuições sociais ocorre na comercialização da produção rural: I de produtor rural pessoa física e de segurado especial realizada diretamente com:" a) adquirente domiciliado no exterior (exportação), observado o disposto no art. 245; c) consumidor pessoa física, no varejo; d) adquirente pessoa física, nãoprodutor rural, para venda no varejo a consumidor pessoa física; e) Outro produtor rural pessoa física; f) outro segurado especial; II de produtor rural pessoa jurídica, exceto daquele que, além da atividade rural, exerce atividade econômica autônoma do ramo comercial, industrial ou de serviços, observado o disposto nos §§ 4º e 5º do art. 250 ; III realizada pelo produtor rural pessoa física ou pelo segurado especial com empresa adquirente, consumidora, consignatária ou com cooperativa; IV própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não, pela agroindústria, exceto a de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e a de avicultura, a partir de 1º de novembro de 2001." Parágrafo único. O recebimento de produção agropecuária oriunda de outro país, ainda que o remetente seja o próprio destinatário do produto, não configura fato gerador de contribuições sociais. [transcrevese os demais dispositivos da IN] [...] 24. Em matéria tributária – e dessa matéria cuidase nestes autos – a legalidade prevalece em termos absolutos. Não há espaço, no que concerne à obrigação tributária principal, para o exercício, pelo Poder Executivo, de qualquer parcela de função regulamentar. Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.758 9 25. Nenhum dos preceitos da Lei n. 8.212/91 autoriza ou poderia autorizar o Poder Executivo a determinar, por ato seu, no exercício de função de regulamentar, o fato gerador da contribuição social. O Código Tributário Nacional estabelece, em seu art. 97, III e 114, que somente a lei pode fixar o fato gerador de tributo. 26. Daí porque se torna impossível a exigência do tributo dos empregadores rurais pessoas físicas [...]” A ausência de fato gerador previsto em lei, por si só é suficiente a afastar a exação, sob pena de ferir de morte preceitos cogentes previstos nos Artigos 97, III e 114 do Código Tributário Nacional, os quais preceituam que somente a lei pode fixar o fato gerador de tributo. Pelo exposto, refutase também a cobrança do SENAR, por absoluta falta de amparo legal.(grifos originais) Pois bem. Na espécie, a matéria controvertida é de extrema relevância jurídica, dada a sua complexidade, alcance dos seus efeitos e diferentes interpretações que suscita. De plano, é de se observar que a contribuição devida ao SENAR destinase ao financiamento do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei n. 8.315/1991, em cumprimento ao art. 62 do ADCT da CF/88, e regulamentado pelo Decreto n. 566, de 10 de junho de 1992, e tem como objetivo organizar, administrar e executar, em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais. A contribuição devida ao SENAR sobre a receita bruta da comercialização da produção, prevista no art. 3º. da Lei n. 8.315/91; art. 2º. da Lei n. 8.540/92; e no art. 6°. da Lei n. 9.528/97, com a redação dada pela Lei n. 10.256/2001, é obrigatória, e tem natureza jurídica, base de cálculo e finalidades totalmente distintas da contribuição ao FUNRURAL, esta declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do RE 363.852/MG e do RE 596.177/RS, que lhe conferiu repercussão geral. Ou seja, é absolutamente improcedente qualquer ilação de que aquela seja acessória desta, vez que incomunicáveis. É dizer: qualquer ilação de que a contribuição ao SENAR seja acessória da contribuição ao FUNRURAL, estando assim a esta atrelada, é absolutamente improcedente. Entretanto, para uma melhor contextualização da presente lide, impõese a apreciação dos eventos jurídicos que a norteiam, vez que nela repercutem diretamente. É o que passo a fazer. O RE 363.852/SC declarou a inconstitucionalidade do art. 1°. da Lei n. 8.540/92, que deu nova redação aos arts. 12, V e VII; 25, I e II; e 30, IV, da Lei n. 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei n. 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n. 20/98, venha a instituir a contribuição. Posteriormente, o RE 596.177/RS, submetido ao regime da repercussão geral, reafirmou a inconstitucionalidade declarada no RE 363.852/SC. Por sua vez, o Senado Federal aprovou a Resolução n. 15/2017 suspendendo, nos termos do art. 52, X, da CF/88, a execução do inciso VII do art. 12 da Lei n. 8.212/91, e a execução do art. 1°. da Lei n. 8.540/92, que deu nova redação aos arts. 12, V e VII; 25, I e II; e Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.759 10 30, IV, da Lei n. 8.212/91, todos com a redação atualizada até a Lei n. 9.528/97, declarados inconstitucionais por decisão definitiva proferida pelo STF nos autos do RE 363.852/MG. Prima facie, a Resolução n. 15/2017 induz a um entendimento mais amplo que a declaração de inconstitucionalidade consignada no RE 363.852/MG e no RE 596.177/RS, no sentido de alcançar a contribuição do segurado especial e a contribuição do empregador rural pessoa física restabelecida com fundamento na Lei n. 10.256/2001, conforme reclama a Recorrente. Na sua argumentação, a Recorrente reconhece que o RE 363.852/SC não se pronunciou sobre o art. 2°. da Lei n. 8.540/92, que trata exatamente da base de cálculo da contribuição da pessoa física para o SENAR, mas conclui que é igualmente inconstitucional, sob a alegação de que a referida contribuição só poderia subsistir se fosse válida a norma que elege o produtorempregador rural como contribuinte da contribuição previdenciária incidente sobre o resultado da comercialização da produção rural, vez que o retrocitado dispositivo legal reportase à pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 da Lei n. 8.212/91 como sujeito passivo da obrigação tributária, ou seja, o produtorempregador rural. Lei n. 8.540/1992: Art. 2° A contribuição da pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do art. 12 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), criado pela Lei n° 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de um décimo por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. Parágrafo único. As disposições contidas no inciso I do art. 3° da Lei n° 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplicam à pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do art. 12 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. É dizer, de forma transversa, a Recorrente busca impingir a pecha de inconstitucionalidade a dispositivo legal assim não declarado pelo próprio STF, estendendo o alcance do RE 363.852/SC, reafirmado pelo RE 596.177/RS, ao art. 2°. da Lei n. 8.540/92. Convenhamos, tal entendimento não parece razoável. De se observar que a matéria apreciada no âmbito do RE 363.852/SC diz respeito a dispositivos da Lei n. 8.212/91 com redações dadas por leis anteriores à Emenda Constitucional n. 20/98, que deu nova redação ao art. 195, § 8°., da CF/88 estabelecendo que o produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o pescador artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes, contribuirão para a seguridade social mediante a aplicação de uma alíquota sobre o resultado da comercialização de sua produção. É dizer, o RE 363.852/SC e o RE 596.177/RS não dizem respeito à Lei n. 10.256/2001, que veio a vigorar após a promulgação da Emenda Constitucional n. 20/98. Nesse sentido, é bastante esclarecedor o Parecer PGFN/CRJ/ n. 1447/2017, verbis: Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.760 11 35. Para que se possa identificar o conteúdo sobre o qual incide a Resolução nº 15, de 2015, é indispensável perquirir acerca do exato alcance da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no tocante à contribuição social do empregador rural pessoa física. 36. De início, a matéria foi apreciada no RE nº 363.852/MG, ocasião em que restou assentado o seguinte: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. (...) 37. Cabe transcrever, ainda, a ementa do acórdão citado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010). 38. Posteriormente, a questão foi novamente examinada pelo STF no julgamento do RE nº 596.177/RS, desta vez sob o regime da repercussão geral, no qual a Corte reiterou a orientação no sentido da inconstitucionalidade da contribuição social do empregador rural pessoa física. Eis a ementa do julgado: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.761 12 da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. 39. Contra esse último acórdão foram opostos embargos de declaração pela Fazenda Nacional, os quais restaram parcialmente acolhidos pela Excelsa Corte para fins de exclusão da referência à suposta inconstitucionalidade material da contribuição do produtor rural empregador, já que tal fundamento desbordava dos limites da matéria submetida a julgamento em repercussão geral. Naquela oportunidade, o Plenário consignou expressamente não ter sido objeto de deliberação a constitucionalidade da Lei nº 10.256, de 2001, diploma que, após a edição da Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, reinstituiu a contribuição social do empregador rural pessoa física na Lei nº 8.212, de 1991. Confirase a ementa do acórdão em comento: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I – Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, excluise da ementa a seguinte assertiva: “Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador” (fl. 260). II – A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III – Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV – Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado. 40. Do exame dos julgados em questão, verificase que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540, de 1992 (que deu nova redação aos arts. 12, V, 25, I e II e 30, IV, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528, de 1997), por vício exclusivamente formal e apenas no tocante à cobrança da contribuição social do empregador rural pessoa física. [...] 42. Além do reconhecimento do vício na seara estritamente formal, temse que a eiva de inconstitucionalidade declarada pelo STF não recaiu sobre os citados dispositivos legais quando disciplinam a tributação do segurado especial, mantendose, em relação a esse sujeito passivo, a incidência do tributo sobre alíquota e base de cálculo previstas nos incisos I e II do art. 25 da Lei 8.212, de 1991 (mesmo no período que antecede a Lei nº 10.256, de 2001). Registrese que a discussão quanto à constitucionalidade da contribuição social do segurado especial é objeto do Recurso Extraordinário nº 761.263/CS (sic) (tema 723 de repercussão geral12), ainda não julgado pela Corte Suprema. (grifos originais) Fl. 1761DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.762 13 Noutro giro, a i. Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira apud i. Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, no voto condutor do Acórdão n. 9202006.991 2ª. Turma CSRF Sessão de 20/06/2018 elucida os efeitos do RE n. 363.852/MG, em apreço, verbis: Ora, caros leitores, o fato de o art. 1º da Lei nº 8.540/92 ter sido declarado, na via difusa, inconstitucional, não implica ipso facto que todas as modificações legislativas por ele introduzidas sejam tidas por inconstitucionais. A pensar assim, seria inconstitucional a fragmentação da alínea ‘a’ do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/91, nas alíneas ‘a’ e ‘b’ do mesmo dispositivo legal, sem qualquer modificação em sua essência, assim como a renumeração das alíneas ‘b’, ‘c’ e ‘d’ do mesmo inciso V acima citado para ‘c’, ‘d’ e ‘e’, respectivamente, sem qualquer modificação de texto. (...) E o que falar, então, sobre a constitucionalidade do Inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91, o qual, embora citado pelo Sr. Min. Marco Aurélio, sequer se houve por tocado pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92. Seria, assim, o Inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91 inconstitucional simplesmente e tão somente porque fora citado pelo Min. Marco Aurélio em seu voto? Não nos parece ser essa a melhor exegese do caso em debate. (...) Aditese que o inciso IX do art. 93 da CF/88 determina, taxativamente, que todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário, aqui incluído por óbvio o STF, devem ser públicos, e fundamentadas todas as suas decisões, sob pena de nulidade. Ora ... No julgamento do RE 363.852/MG inexiste qualquer menção, ínfima que seja, a possíveis vícios de inconstitucionalidade na subrogação encartada no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91. Aliás, o vocábulo “subrogação” assim como a referência ao “inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91” somente são mencionados na conclusão do Acórdão, ocasião em que o Sr. Min. Relator desobriga os recorrentes do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, e que é declarada inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97. [...] Ainda acerca da matéria em tela, conclui a ilustre Conselheira: Ou seja, face aos argumentos colacionados pelo voto condutor no processo acima transcrito, concluo que deve ser julgado procedente o lançamento por subrrogação em relação a aquisição da produção rural do produtor rural pessoa física sob os seguintes aspectos.(sic) a) Primeiramente a não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97” não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a Fl. 1762DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.763 14 inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. b) Segundo, o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG que declarou a inconstitucionalidade fez constar: “até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição”. Ou seja, considerando que a lei 10.256/2001, cobriu de legitimidade a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, por derradeiro, não tendo o RE 363.852 declarado a inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, a subrrogação consubtanciada neste dispositivo encontrase também legitimada.(sic) Ademais a obrigação legal de arrecadar as contribuições descritas no art. 25 não encontra respaldo apenas no art. 30, IV da lei 8212/91, mas também na obrigação legal esculpida no inciso III do mesmo artigo: “III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) (grifos nossos) Quanto a utilização do inciso III do art. 30 da lei 8212/91, como fundamento para legitimação da sistemática de adoção da subrrogação, destacamos, que esse critério só precisa ser utilizado, caso se entendesse que realmente o art. 30, IV da lei 8212/91, tivesse sido declarado inconstitucional no RE 363.852, fato, que no meu entender restou superado, pelos argumentos trazidos anteriormente no presente voto. Especificamente em relação ao período posterior ao advento da Lei n. 10.256/2001, o RE 718.874/RS, sumarizado na ementa abaixo, é esclarecedor: Ementa: TRIBUTÁRIO. EC 20/98. NOVA REDAÇÃO AO ARTIGO 195, I DA CF. POSSIBILIDADE DE EDIÇÃO DE LEI ORDINÁRIA PARA INSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO DE EMPREGADORES RURAIS PESSOAS FÍSICAS INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI 10.256/2001. 1.A declaração incidental de inconstitucionalidade no julgamento do RE 596.177 aplicase, por força do regime de repercussão geral, a todos os casos idênticos para aquela determinada situação, não retirando do ordenamento jurídico, entretanto, o texto legal do artigo 25, que, manteve vigência e eficácia para as demais hipóteses. 2.A Lei 10.256, de 9 de julho de 2001 alterou o artigo 25 da Lei 8.212/91, reintroduziu o empregador rural como sujeito passivo da contribuição, com a alíquota de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; espécie da base de cálculo receita, autorizada pelo novo texto da EC 20/98. 3. Recurso extraordinário provido, com afirmação de tese segundo a qual É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. (grifei) No mesmo diapasão, o RE n. 585.684/RS: Fl. 1763DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.764 15 No julgamento do RE 363.852 (rel. min. Marco Aurélio, DJe de 23.04.2010), o Pleno desta Corte considerou inconstitucional o tributo cobrado nos termos dos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Assim, o acórdão recorrido divergiu dessa orientação. Ante o exposto, conheço do recurso extraordinário e doulhe parcial provimento, para proibir a cobrança da contribuição devida pelo produtor rural empregador pessoa física, cobrada com base na Lei 8.212/1991 e as que se seguiram até a Lei 10.256/2001. (RE 585684, Relator Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 10/02/2011, publicado no DJe038 de 25/02/2011). (grifei) Nessa perspectiva, não restam dúvidas de que com a entrada em vigor da Lei n. 10.256/2001, editada sob o manto constitucional inaugurado pela Emenda Constitucional n. 20/98, passam a ser devidas as contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, às alíquotas de 2% e 0,1% incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, nos termos assinalados no art. 25 da Lei n. 8.212/91, com a redação que lhe foi introduzida pela Lei n. 10.256/2001. Destarte, concluo pela improcedência da alegação da Recorrente no sentido de que a retirada do ordenamento jurídico das normas inseridas pelo art. 1°. da Lei n. 8.540/1992 implicou prejuízo à cobrança da contribuição devida ao SENAR, vez que a base de cálculo do referido tributo é constitucional e encontrase tipificada no art. 3º. da Lei n. 8.315/91; art. 2º. da Lei n. 8.540/92; e no art. 6°. da Lei n. 9.528/97, com a redação dada pela Lei n. 10.256/2001. Outrossim, a alegação da Recorrente de que a contribuição ao SENAR não possui autorização constitucional para incidir sobre outra base de cálculo que não seja a folha de salários não merece prosperar, vez que o art. 240 da CF/88, ao ressalvar do disposto no art. 195 as contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical, é taxativo ao delimitar tal ressalva às atuais contribuições, ou seja, existentes na data da promulgação do texto constitucional, excluindose, portanto, as que foram posteriormente instituídas. É nesse sentido a doutrina de Leandro Paulsen (Contribuições no Sistema Tributário Brasileiro. In: Machado, Hugo de Brito. As Contribuições no Sistema Tributário Brasileiro. Dialética. Fortaleza: Instituto Cearense de Estudos Tributários ICET, 2003), verbis: O art. 240, por delimitação constante expressamente do seu próprio texto, como já frisado, aplicase às então 'atuais contribuições', já elencadas, de modo que não alcança as contribuições posteriormente criadas, quais sejam: o SENAR, SEBRAE, SEST, SENAT e SESCOOP. [...](grifei) Nesse contexto, a previsão do art. 62 do ADCT diz respeito tãosomente à identificação do SENAR com o formato organizacional e operacional do SENAI e SENAC. De qualquer sorte, ainda que restasse alguma sombra de inconstitucionalidade sobre a definição da base de cálculo da contribuição ao SENAR diversa da folha de salários, conforme prevista no art. 3º. da Lei n. 8.315/91; art. 2º. da Lei n. 8.540/92; e no art. 6°. da Lei n. 9.528/97, com a redação dada pela Lei n. 10.256/2001, tal discussão é Fl. 1764DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.765 16 incabível em sede administrativa, vez que falece competência ao CARF para pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário (efls. 1676/1694), para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 1765DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.901333/2008-65
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-001.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 13 33 /2 00 8- 65 Fl. 79DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 26/29, de n. 20341.06441.040304.1.3.040013, de 04/03/2004, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos referente a DARF com as seguintes características: de IRPJ 0220 (1° trimestre de 2003), recolhimento em 30/06/2003, no valor principal de R$ 16.462,19. O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 757727792 (efl. 04), que analisou as informações e concluiu que o crédito estava integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 0225.312 4ª Turma da DRJ/BHE, efls. 53/57). Pela precisão na descrição dos fatos seguintes, reproduzo a seguir o Relatório constante do Acórdão da DRJ: Em 16/05/2008, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01/02, da qual se reproduz o trecho que se segue: De conformidade com a DIPJ12004 —Ano Calendário12003, foi apurado Imposto de Renda no 1° Trimestre de 2003 no valor de R$ 32.290,13 (trinta e dois mil, duzentos e noventa reais e treze centavos) entregue em 1710612004, recibo de n° 267.837 (xérox anexo) e DCTF do 3° trimestre de 2003 entregue em 11/11/2003 (xérox anexo). Por erro do funcionário que trabalhava naquela ocasião foram pagos DARFS com valores superiores aos devidos. • DARFS I. RENDA PAGOS 30/04/2003 R$16. 462,19 (xérox anexo) 30/05/2003 R$16.628,81 (xérox anexo) 30/06/2003 R$16.951.12 (xérox anexo) TOTAL R$ 50.040,12 VALOR CORRETO DO I. DE RENDA R$ 32.290,13 VALOR PAGO R$ 50.040,12 CRÉDITO A NOSSO FAVOR R$ 7.749, 99 Utilizamos este crédito conforme PERDICOMP. 1.2 entregue em 0410312004 de n° 203410644104030413040013 (xérox anexo) no valor de R$ 5.698,81 (o erro foi lançar na pág. 3 o Darf com vencimento em 3010512003). O correto seria o DARF de 3010612003. VALOR DO CRÉDITO R$ 12.896, 76 Valor da compensação utilizada R$ 5.698.81 Crédito a nosso favor R$ 7.197, 95 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10680.901333/200865 Acórdão n.º 1001001.016 S1C0T1 Fl. 80 3 A decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o contribuinte não trouxe aos autos as provas sobre a inexigibilidade do crédito. Cientificada da decisão de primeira instância em 31/05/2010 (efl. 63) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 30/06/2010 (efl. 64), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade, requer junção de processos conexos, requer a apreciação das provas juntadas nos autos e protesta pelo afastamento de eventual "prescrição intercorrente". Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Este processo está sendo apreciado em conjunto com os processos 10680.901310/200851 e 106809013681200802, tendose em vista tratarem dos mesmos elementos de prova. Tratase de compensação declarada e não homologada porque o pagamento no valor total de R$ 16.462,19 — e do qual decorreria o crédito objeto da declaração de compensação — foi utilizado para quitar débito, declarado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), referente à 2ª quota do IRPJ (Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas) apurado no 1° trimestre de 2003. Conforme já resumido no acórdão recorrido, a recorrente indicou em DCTF retificadora relativa ao 1° trimestre de 2003, entregue em 11/11/2003, o valor de R$ 32.290,13 a título de débito apurado de IRPJ (1° trimestre de 2003), a ser pago em três cotas. Mas, nessa mesma data, também retificou a DCTF relativa ao 2° trimestre de 2003, indicando, dessa vez, a título de débitos correspondentes às quotas do IRPJ apurado, não o valor total de R$ 32.290,13, mas sim o valor total de R$ 49.386,57. Verificase ainda que tais valores a título de quotas (no total de R$ 49.386,57) foram mantidos nas DCTF retificadoras entregues em 27/03/2008 e 02/09/2008. Ou seja, em 24/04/2008, data da prolatação do Despacho Decisório 757727792 (efl. 04), prevalecia como valor confessado, para efeitos fiscais (DCTF), o total de R$ 49.386,57 de IRPJ para o 1° trimestre de 2003. Eventual retificação deste valor em DCTF, se não impedida pela decadência tributária, deveria estar acompanhada de documentos fiscais e contábeis conforme defendido a seguir. E tal comprovação não se deu nestes autos quando da apresentação do primeiro recurso (à DRJ). Cumpre lembrar, conforme já asseverado na Súmula CARF nº 92, que a DIPJ, desde a sua instituição não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN). Desta forma faziase necessário comprovar à autoridade julgadora de primeira instância a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Fl. 81DF CARF MF 4 Mas o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado (mesmo quando da apresentação da manifestação de inconformidade, efl. 02) dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Destaquei) Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado foi indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Observo que não cabe nesta segunda instância recursal apreciar ou diligenciar por eventual demonstrativos contábeis para a apuração do crédito. Conforme disposto nos artigos 16 (em especial seus §§ 4º e 5º) e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. Os créditos (que seriam líquidos e certos) alegados já eram do conhecimento do contribuinte, visto comporem o fundamento da manifestação de inconformidade dirigida à DRJ. Mas não anexou àquele recurso qualquer documentação contábil que corroborasse suas alegações. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.901333/200865 Acórdão n.º 1001001.016 S1C0T1 Fl. 81 5 § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Neste sentido, e em caso que se referia a pedido de restituição/compensação, assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, Fl. 83DF CARF MF 6 salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Por fim cabe ressaltar o que já está sumulado (Súmula CARF nº 11), de que não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Mas tal instituto não se confunde com a vigente previsão legal do art. 16 do Decreto 70.235/72. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 84DF CARF MF
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