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Numero do processo: 13603.001415/2001-42
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 20/03/1997 a 30/06/2001
ILÍCITO TRIBUTÁRIO. IMPUGNAÇÃO.
O Contribuinte deve se defender da acusação que lhe foi atribuída de modo direto, o silêncio quanto o ilícito fiscal e demonstrando inconformismo por razões diferentes daquela motivadora do lançamento, não configura defesa eficaz, motivo pelo qual deve o lançamento ser mantido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-003.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, anular a Resolução 3403-000.004 e no mérito negar provimento ao recurso.
Acórdão 3403-003.015
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Luiz Felipe Sawaya Batista e Ivan Alegretti..
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 20/03/1997 a 30/06/2001 ILÍCITO TRIBUTÁRIO. IMPUGNAÇÃO. O Contribuinte deve se defender da acusação que lhe foi atribuída de modo direto, o silêncio quanto o ilícito fiscal e demonstrando inconformismo por razões diferentes daquela motivadora do lançamento, não configura defesa eficaz, motivo pelo qual deve o lançamento ser mantido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, anular a Resolução 3403000.004 e no mérito negar provimento ao recurso. Acórdão 3403003.015 Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 14 15 /2 00 1- 42 Fl. 529DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Luiz Felipe Sawaya Batista e Ivan Alegretti.. Relatório Tratase de Auto de Infração referente a erro de classificação fiscal, consequentemente, aplicação de alíquota indevida, glosa de crédito básico de IPI, relativo ao período de apuração de 20 de março de 1997 a 30 de junho de 2001. O Contribuinte tomou ciência do lançamento em 25 de setembro de 2001. Em razão do erro de classificação fiscal a escrita fiscal foi reconstituída, após os ajustes apurouse débito nos períodos de apuração. Quanto à glosa de crédito básico de IPI, essa decorre em razão de lançamento extemporâneo de crédito escriturado no primeiro decêndio de janeiro de 1999, no valor de R$ 133.033,20. Também foi glosado o valor de R$ 199.137,01 creditado sob o título de “Outros Créditos”, fls. 204/211 relativo ao primeiro decêndio de janeiro de 1999. Tal crédito teve origem em valores destacados de IPI em notas fiscais emitidas pela fiscalizada em transferência de matérias primas nos anos de 1995, 1996 e 1997 para o estabelecimento inscrito no CNPJ nº 20.989.372/000280, conforme demonstrativo elaborado pela Contribuinte de IPI “Não Creditados nos Períodos” (fls. 212/227). Constatase, também, do relatório fiscal a observação de que os créditos escriturados no RAIPI “EXTEMPORÂNEOS foram integralmente aproveitados na recomposição da escrita. Inconformado com o lançamento apresentou Impugnação em 22 de outubro de 2001, fls. 280/324. Em síntese impugna o erro de classificação fiscal e aduzi que o crédito básico lançado em sua contabilidade fiscal decorreu da legislação pertinente com base em pedido protocolado junto à DRF de ContagemMG. Assevera que são adquirentes de matérias primas, produtos intermediários e embalagens, com incidência de IPI, traz à colação mapas e demonstrativos com a impugnação, motivo pelo qual a levou pedir o direito à recomposição da conta gráfica do IPI, imputando também a taxa SELIC em conformidade com as decisões do STJ. Concluiu asseverando que o princípio da não cumulatividade deve ser respeitado, bem comoa jurisprudência firmada pelos Tribunais pátrios, STJ, TRF1 e STF. Pensa o contribuinte que pode se creditar de IPI nas aquisições tributadas a alíquota zero, bem como, isentos. Sobreveio à decisão de piso que rechaçou os argumentos trazidos em impugnação, quanto as matéria: erro de classificação mercadorias e crédito básico indevidos. Em relação ao crédito básico, afastou os argumentos da peça de resistência, conforme se extraí da ementa: “CRÉDITOS BÁSICOS INDEVIDOS. Não há previsão legal para que o estabelecimento remetente se credite do imposto destacado em nota fiscal de transferência de matériaprima para sua filial. Aceitar como lídimo tal procedimento seria Fl. 530DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13603.001415/200142 Acórdão n.º 3403003.015 S3C4T3 Fl. 6 3 gerar duplicidade de creditamento e contraposição aos artigos 150 e 163 do RIPI/98, que dispõe sobre as hipóteses de transmutação de débito em crédito, considerado o mesmo estabelecimento”. Intimado da decisão de piso em 13 de março de 2002, apresentou em 10 de abril de 2002 o Recurso Voluntário, fls. 353/401, reprisa toda matéria abordada em sua Impugnação. O Recurso Voluntário foi distribuído ao antigo Terceiro Conselho de Contribuinte, Primeira Câmara. Os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuinte apreciaram tãosó a matéria quanto a CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE IPI, negou provimento, e, entenderam que a outra matéria, CRÉDITO BÁSICO DE IPI seria de competência do Segundo Conselho de Contribuinte, motivo pelo qual os autos foram remetidos a Terceira Seção, e, distribuído a essa Turma. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Inicialmente esse feito foi distribuído ao Conselheiro Rodrigo Bernardes Carvalho, e, submetido apreciação do Colegiado em sessão de julgamento realizado em julho de 2009. A Turma deliberou, por unanimidade votos, no sentido de converter o julgamento em diligência, em conformidade com a Resolução nº 3403.000.004. Com a renúncia do cargo do Conselheiro do Relator, os autos foram distribuídos a mim para elaborar o voto. Examinando os autos conclui em sentido contrário ao entendimento contido na Resolução nº 3403.000.004, visto que, não vislumbrei a necessidade de baixar o feito em diligência para obter outras informações e esclarecimentos a subsidiar o julgamento, além daqueles existentes nos autos. Constatando que a diligência era desnecessária em razão de que já encontrava nos autos elementos suficientes para emitir juízo da questão, parece necessário cancelar a Resolução, examinei o mérito da questão. Para tanto, fazse necessário, assim, cancelar a Resolução nº 3403.000.004 e em seu lugar examinar o mérito da controvérsia. Em sendo assim, cancelo a resolução. Passo ao exame do mérito. O motivo do lançamento encontra bem delineado. Aponta como causa do lançamento o creditamento de IPI destacados em notas fiscais referentes a transferências de matériasprimas para outro estabelecimento da Recorrente. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 A tranqüilidade de assim decidir encontra consubstanciado no fato de que o lançamento deuse com base nas informações prestadas por meio de demonstrativo elaborado pelo Contribuinte. Distante da motivação do lançamento, a impugnação, bem como, as razões recursais, ambas as peças tratam o assunto como ofensa ao direito do contribuinte se creditar do imposto pago na operação anterior destacado em documento fiscal de aquisição de insumos, quando na realidade inexiste ofensa ao princípio da não cumulatividade contida na Carta Política de 1988. Tanto é verdade que a Recorrente se reporta em suas razões recursais constante à fl. 360, vejamos: “item 1.8 – CRÉDITOS BÁSICOS INDEVIDOS”. “1.9 – Os créditos, a que se reporta o feito fiscal, foram solicitados com base na legislação fiscal pertinente com base no pedido protocolado junto à DRFCONTAGEM – MG, relativo aos CRÉDITOS DO IPI. 1.9 – A RECORRENTE fundamentase em decisões judiciais definitivas, oriundas a partir do Egrégio SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A seguir passamos a discorrer sobre os CRÉDITOS DO IPI”. 1.10 – A RECORRENTE é pessoa jurídica de direito privado, conforme atos sociais em anexo e atua na atividade de INDÚSTRIA. 1.11 – A saída de produtos de sua fabricação estão sujeitos à alíquota zero da Tabela denominada TIPI. Entretanto, na compra dos insumos aplicados no processo produtivo ocorre a incidência do IPI, ficando com um crédito, que deverá então – ser compensado em operações futuras, já que, no caso isso não ocorra, haverá um enriquecimento ilícito por parte da UNIÃO FEDERAL, conforme já decidiu o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL e todos os TRIBUNAIS REGIONAIS, conforme farta jurisprudência inserida neste writ. 1.12 – A RECORRENTE adquire matérias primas, produtos intermediários e embalagens, com incidência de IPI, conforme mapas demonstrativos em anexo, sendo que a RECORRENTE pediu o direito à recomposição da conta gráfica do IPI, porém imputando também a taxa SELIC, conforme já decidido pelo STJ”. Feito essa transcrição, vê que os Acórdãos, mais de dez, todos tratam do direito de crédito de aquisições isentas ou tributadas alíquota zero do IPI. Basta comparar a defesa contida no item 1.12 da Recorrente para certificar estar em direção completamente antagônica ao ilícito tributário lhe atribuído pela fiscalização. Acusação fiscal apontada no Auto de Infração é de que o crédito aproveitado decorre de transferência de matérias primas para outro estabelecimento da Recorrente, citando o número do CNPJ. Quanto à motivação da lavratura do auto de infração não há uma linha sequer capaz de demonstrar o contrário do que restou firmado pela Fiscalização. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13603.001415/200142 Acórdão n.º 3403003.015 S3C4T3 Fl. 7 5 O contribuinte deve se defender é da acusação que lhe foi atribuída, no caso concreto, o ilícito fiscal apontado é de aproveitamento de crédito de IPI destacado em remessa de transferência para estabelecimento de sua propriedade contrário a legislação pertinente. Assim, tenho que a impugnação, bem como, as razões recursais não foram capazes de afastar acusação de aproveitamento de crédito indevido, pois em momento algum rebate, envereda asseverando o direito constitucional de tomar crédito de IPI nas aquisições. O fato de deixar de atacar diretamente acusação equiparase ao estado de animo quando o contribuinte se queda inerte, não contrariando o motivo do lançamento. O inconformismo não guarda relação direta com a motivação do lançamento. Em sendo assim, não se vislumbra o modo pelo qual poderia socorrer a Recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer o recurso e negar provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 533DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.916506/2011-75
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem junte a estes autos o resultado final e definitivo do processo nº 10480.729052/2012-10, em que se discute o auto de infração referente à reclassificação fiscal de mercadorias.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado Presidente
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues..
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Resolvem os membros da 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem junte a estes autos o resultado final e definitivo do processo nº 10480.729052/201210, em que se discute o auto de infração referente à reclassificação fiscal de mercadorias. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado – Presidente (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Ribeirão Presto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte supra identificado, em decorrência da decisão presente no despacho decisório lavrado pela repartição de origem, em que se deferiu apenas em parte o direito creditório pleiteado e homologouse parcialmente a compensação declarada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .9 16 50 6/ 20 11 -7 5 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.916506/201175 Resolução nº 3803000.455 S3TE03 Fl. 331 2 De acordo com o Termo de Informação Fiscal, em razão da reclassificação de mercadorias fabricadas pelo contribuinte, com a consequente reconstituição da escrita fiscal, lavrouse auto de infração para se exigirem as parcelas do imposto apuradas a partir da utilização das alíquotas consideradas devidas pela Fiscalização (processo administrativo nº 10480.729052/201210), do que resultou na redução do saldo credor do imposto passível de ressarcimento ao final do trimestre. Cientificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a anulação do despacho decisório, com o reconhecimento da procedência das classificações fiscais por ela adotadas, alegando serem indevidos os motivos alegados pela Fiscalização para a reclassificação fiscal e lavratura do auto de infração no processo administrativo nº 10480.729052/201210. Submetidos os presentes autos a julgamento na DRJ Ribeirão Preto/SP, decidiu se pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, tendo o acórdão sido ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. Havendo redução do saldo credor de IPI do trimestrecalendário, em virtude de lançamento de imposto, deferese o ressarcimento do novo saldo credor, após a reconstituição da escrita fiscal. Quando a delegacia de origem já deferiu o valor correspondente ao saldo credor reconstituído, não resta saldo a ser deferido. JUNTADA DE PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL. Sob pena de preclusão temporal, o momento processual para o oferecimento da manifestação de inconformidade é o marco para apresentação de prova documental. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. COMUNICAÇÃO. ATOS PROCESSUAIS. ESCRITÓRIO DO ADVOGADO. As notificações e intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No voto condutor do acórdão recorrido, registrouse que o auto de infração formalizado no bojo do processo nº 10480.729052/201210 fora julgado pela mesma Turma da DRJ Ribeirão Preto/SP na mesma data em que se julgou o presente processo, tendo sido mantido integralmente o lançamento efetuado pela repartição de origem, por ter sido considerada como correta a reclassificação fiscal promovida pela Fiscalização. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.916506/201175 Resolução nº 3803000.455 S3TE03 Fl. 332 3 Cientificado da decisão em 7 de março de 2014, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no dia 27 do mesmo mês e requereu a anulação do despacho decisório, reconhecendose a procedência das classificações fiscais por ele adotadas, com a consequente homologação da compensação declarada, ou, subsidiariamente, a realização de perícia técnica ou, ainda, o sobrestamento do presente processo até o julgamento definitivo do processo nº 10480.729052/201210, em que se discute o auto de infração decorrente da reclassificação fiscal promovida pela Fiscalização. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre o reconhecimento de parte do direito creditório pleiteado e a homologação apenas parcial da compensação declarada, em razão da reconstituição da escrita fiscal da pessoa jurídica, do que decorreu o lançamento de ofício das parcelas do imposto que exsurgiram após a reclassificação fiscal dos produtos promovida pela Fiscalização. Em consulta efetuada aos sistemas Comprot e EProcesso em 7 de abril de 2014, constatouse que o processo administrativo nº 10480.729052/201210, em que se discute o auto de infração, foi julgado pela DRJ Ribeirão Preto/SP em 29 de janeiro de 2014, encontrandose na DRF Recife/PE desde 3/2/2014. Conforme constou do acórdão da DRJ Ribeirão Preto/SP, uma vez que já haviam sido analisados, no bojo dos autos em que se controverte sobre o lançamento de ofício, os elementos de fato e de direito que embasaram os trabalhos da Fiscalização, não era cabível, no momento do julgamento deste processo, a reanálise dos fundamentos da autuação. Nesse sentido, considerando que o deslinde deste processo depende do que vier a ser julgado definitivamente no processo nº 10480.729052/201210, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que se junte a estes autos o resultado final e definitivo a ser obtido no processo em que se discute o auto de infração, ficando este processo sobrestado até a providência requerida. Após a providência requerida, os autos deverão retornar a esta 3ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 332DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 13707.002531/99-44
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
IR - COMPENSAÇÃO - ONUS PROBANDI
A diligência não se presta a substituir papel ou ônus primário das partes, mas para esclarecer produção probatória feita por quem tem seu ônus, ou para complementar produção probatória adequadamente feita pela parte.
Porquanto a pretensão em jogo é da recorrente, o onus probandi é dela. Ônus que se intensifica no caso vertente, ao não se indicarem saldos negativos de IRPJ com sua quantificação, como objeto de restituição e compensação, mas somente valores de IRRF. Não consta comprovação de que as parcelas de IRRF dos anos-calendário de 1998 e 2002 se encontram entre as deduzidas nos 4 trimestres de 2008 e na apuração de saldo negativo de 2002. Quanto ao IRRF dos demais anos-calendário não houve comprovação documental de que as receitas sujeitas ao IRRF em questão compuseram a ficha de demonstração de resultado ou de demonstração do lucro real das DIPJs. Ausência de comprovação que vitima a pretensão da recorrente.
Numero da decisão: 1103-000.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 IR COMPENSAÇÃO ONUS PROBANDI A diligência não se presta a substituir papel ou ônus “primário” das partes, mas para esclarecer produção probatória feita por quem tem seu ônus, ou para complementar produção probatória adequadamente feita pela parte. Porquanto a pretensão em jogo é da recorrente, o onus probandi é dela. Ônus que se intensifica no caso vertente, ao não se indicarem saldos negativos de IRPJ com sua quantificação, como objeto de restituição e compensação, mas somente valores de IRRF. Não consta comprovação de que as parcelas de IRRF dos anoscalendário de 1998 e 2002 se encontram entre as deduzidas nos 4 trimestres de 2008 e na apuração de saldo negativo de 2002. Quanto ao IRRF dos demais anoscalendário não houve comprovação documental de que as receitas sujeitas ao IRRF em questão compuseram a ficha de demonstração de resultado ou de demonstração do lucro real das DIPJs. Ausência de comprovação que vitima a pretensão da recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 25 31 /9 9- 44 Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13707.002531/9944 Acórdão n.º 1103000.989 S1C1T3 Fl. 1.739 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13707.002531/9944 Acórdão n.º 1103000.989 S1C1T3 Fl. 1.740 3 Relatório DA DECISÃO DA DRF Tratase de pedidos de restituição de crédito decorrente de IRRF sobre aplicações financeiras, e de pedidos de compensação com débitos de IRRF, CSL, PIS e Cofins, referentes ao período de apuração compreendido entre maio de 1999 e novembro de 2002. Quanto aos pedidos de restituição de crédito, afirmou que a recorrente não informou o valor do crédito em um deles e, quanto ao outro, alegou corresponder ao montante de R$ 805.250,16. Registrou que se cuida de créditos de IRRF compreendo os anoscalendário de 1998 a 2002, correspondentes a aplicações financeiras. Com relação aos pedidos de compensação, aduziu que estes apresentam valores diversos de crédito e trazem, de forma obscura, a origem do crédito pleiteado. Afirmou que o IRRF sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda variável e fixa ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, por ser considerado antecipação do imposto de renda devido, não pode ser compensado juntamente com os outros tributos e compensações, devendo assim, ser deduzido antes do imposto apurado no encerramento do período de apuração. Alegou que cabe à recorrente provar que o recolhimento foi efetuado de forma indevida ou a maior e que, como isto não foi feito por ela, não pode ser reconhecido nenhum direito creditório em seu favor. Deste modo, não reconheceu o direito creditório postulado, não homologou as compensações e determinou a manutenção da cobrança dos débitos referentes aos pedidos de compensação. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Inconformada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade de fls. 528 a 532, em que aduz, em síntese, o que segue. Primeiramente, afirmou que a fiscalização não questionou se a recorrente possui direito ou não ao crédito decorrente do IRRF incidente sobre operações financeiras. Esta se limitou a analisar o momento da utilização desses créditos, o que não é suficiente para indeferir os pedidos de compensação. Deste modo, alegou que se houver um lançamento em decorrência da não homologação das compensações, devem ser considerados os créditos de IRRF auferidos no período, de modo a fazer com que sejam exigidos da recorrente apenas os acréscimos legais decorrentes da compensação realizada em momento não oportuno, impedindo que esta tenha que pagar um valor indevidamente majorado e não seja autorizada a exercer o seu direito de Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13707.002531/9944 Acórdão n.º 1103000.989 S1C1T3 Fl. 1.741 4 compensação dos créditos em questão. Quanto a isso, colacionou o artigo 74 da Lei n° 9.430/96, que foi alterado pela Lei nº 10.637/02. Alegou que, através da análise da decisão recorrida e do artigo 773, I, do Regulamento do Imposto de Renda, é possível concluir que a recorrente apenas errou ao realizar a compensação do imposto retido antes do encerramento do período de apuração na data da extinção. Por fim, requereu a reforma da decisão recorrida. DA DECISÃO DA DRJ Em 10/3/2005, acordaram os membros da 4ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, negar provimento à manifestação de inconformidade, conforme o entendimento que se segue. Alegou que, com base no artigo 773, I, do RIR, no caso de pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, o imposto retido na fonte sobre rendimento de aplicações financeiras é tido como antecipação do imposto de renda devido. Deste modo, aduziu que a recorrente apenas terá um crédito líquido e certo, passível de compensação, após o término do período de apuração e se vier a ser apurado saldo negativo de imposto. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 619 a 633, reiterando o alegado em sede de manifestação de inconformidade. Primeiramente, alegou ser tempestivo o recurso, tendo em vista que o artigo 4º da Lei 11.119/2005, reabriu o prazo para a apresentação do recurso pelos contribuintes lesados pela vigência do artigo 10 da Medida Provisória 232/2004. Afirmou que é irrelevante o momento em que foi apresentado o pedido de compensação, tendo em vista que a documentação apresentada pela recorrente comprova que o seu direito é pleno, incondicional, certo e líquido, e que os entes federais não tiveram prejuízo com isto. Deste modo, alegou que não houve violação por parte da recorrente do artigo 773 do RIR, tendo em vista que a não realização da compensação de créditos de IRRF não implica, automaticamente, a violação desse artigo. Quanto a isso, colacionou doutrina. Alegou que nos anos em que a recorrente percebeu prejuízo, esta não tinha o que deduzir “do devido” e que todo montante retido na fonte a título de antecipação do imposto de renda demonstrouse ser indevido, concedendo a ela o direito à restituição. Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13707.002531/9944 Acórdão n.º 1103000.989 S1C1T3 Fl. 1.742 5 Ressaltou que, devido ao fato de a recorrente ter compensado o IRRF com outros tributos federais, esta não utilizou o mesmo valor para aumentar o seu saldo credor de imposto de renda daquele exercício. Com relação ao período em que a recorrente percebeu lucro, alegou que esta não utilizou as deduções que tinha direito sob a rubrica de IRRF, para deduzir “do devido”, pois estes valores tinham sido utilizados quando da compensação efetuada com outros tributos federais. Igualmente nos períodos em que apurou prejuízo, a recorrente não deduziu o IRRF para apurar ou aumentar saldo negativo ou credor de IRPJ. Aduziu que negar provimento ao pedido de compensação da recorrente devido a um motivo temporal, significa negar o crédito propriamente dito, o que corresponde a um enriquecimento ilícito do erário federal. Quanto a isso, colacionou entendimento do CARF. Ressaltou que o IRRF correspondente ao período de 1999 a 2002 não são mais antecipações de tributo, pois os seus períodos de apuração já se encerraram. Alegou que o pedido da recorrente só poderia ter sido indeferido se esta tivesse compensado o IRRF conjuntamente com outros tributos federais e deduzido esses valores do imposto de renda na declaração de ajuste, o que, de acordo com a análise das DIPJs dos anoscalendários de 1998 a 2002, que não foram contestadas pela fiscalização, não ocorreu. Afirmou que mesmo que não fossem demonstrados os créditos de IRRF, os membros da DRJ deveriam, ao invés de indeferir a manifestação de inconformidade, converter o julgamento em diligência de forma a buscar a verdade material. Neste sentido, colacionou doutrina e entendimento do CARF. Acentuou que a verdade material no processo administrativo deve ser incansavelmente buscada e da qual jamais se pode divorciar, e que a recorrente não se opõe à realização de diligências. Por fim, protesta por todos os meios de prova em direito admitidos, requer que seja reformada a decisão que não homologou as compensações efetuadas e que, caso esta não seja reformada, que o seu direito creditório seja reconhecido, de modo a fazer com que ela apenas seja responsável pelos acréscimos legais devidos em razão do pedido de compensação ter sido realizado em forma inoportuna. É o relatório. Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13707.002531/9944 Acórdão n.º 1103000.989 S1C1T3 Fl. 1.743 6 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso foi protocolado no dia 27/9/05 (fl. 744), tendose dado a ciência do acórdão a quo em 16/5/05 (fl. 714). A numeração de fls. indicada neste voto é a do eprocesso. Questão vestibular é quanto à tempestividade ou não do recurso voluntário. Ao tempo da ciência do referido acórdão, vigia ainda o art. 10 da Medida Provisória (MP) 232/04, que revogara a instância recursiva nos feitos de compensação: MEDIDA PROVISÓRIA Nº 232, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2004. Art. 10. Os arts. 2o, 9o, 15, 16, 23, 25 e 62 do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, passam a vigorar com a seguinte redação: (Revogado pela Medida Provisória nº 243, de 2005) [...] "Art. 25. O julgamento de processo relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: I às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgão de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal: a) em instância única, quanto aos processos relativos a penalidade por descumprimento de obrigação acessória e a restituição, a ressarcimento, a compensação, a redução, a isenção, e a imunidade de tributos e contribuições, bem como ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples; b) em primeira instância, quanto aos demais processos; O Ato nº 8/05 do Presidente da Mesa do Congresso Nacional prorrogara a vigência da MP 232/04 pelo período de 60 dias, a partir de 15/4/05, nos termos do art. 62, § 7º, da Constituição Federal1. 1 ATO DO PRESIDENTE DA MESA DO CONGRESSO NACIONAL Nº 8, DE 2005 O PRESIDENTE DA MESA DO CONGRESSO NACIONAL, cumprindo o que dispõe o § 1º do art.10 da Resolução nº 1, de 2002CN, faz saber que, nos termos do § 7º do art. 62 da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001, a Medida Provisória nº 232, de 30 de dezembro de 2004, que " Altera a Legislação Tributária Federal e dá outras providências.", terá sua vigência prorrogada pelo período de sessenta dias, a partir de 15 de abril de 2005, tendo em vista que sua votação não foi encerrada nas duas Casas do Congresso Nacional. Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13707.002531/9944 Acórdão n.º 1103000.989 S1C1T3 Fl. 1.744 7 Na conversão da MP 232/04 na Lei 11.119/05, foi suprimida a revogação da instância única para processos administrativos federais que havia sido feita pela referida medida provisória. E, em que pese sua desnecessidade no rigor jurídico, a Lei 11.119/05 instituiu norma de direito intertemporal, em seu art. 4º: LEI Nº 11.119, DE 25 DE MAIO DE 2005. Art. 4º.. Os sujeitos passivos que tenham sido cientificados de decisão proferida pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento em processos administrativos fiscais no período compreendido entre 1o de janeiro de 2005 e a data de publicação desta Lei e que, por força da alteração introduzida no art. 25, inciso I, alínea a, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, pelo art. 10 da Medida Provisória no 232, de 30 de dezembro de 2004, não tenham interposto recurso voluntário poderão apresentálo no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de publicação desta Lei. Parágrafo único. Ficam convalidados os recursos apresentados no período de que trata o caput deste artigo. A Lei 11.119/05 fora publicada no DOU de 27/5/05. Outrossim, nos termos do art. 210 do CTN, o prazo para a apresentação do recurso voluntário, no caso vertente, iniciouse no dia 30/5/05, porquanto o dia 27/5/05 recaiu numa sextafeira, tendose encerrado no dia 28/6/05: Art. 210. Os prazos fixados nesta Lei ou legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Por conseguinte, o recurso é tempestivo, e dele conheço. Tratase de pedidos de restituição de fls. 394 e 476, tendo como origem IRRF sobre aplicações financeiras. O pedido de fl. 394 não indica valor do direito creditório e o de fl. 476 acusa o valor de R$ 805.250,16. Aos pedidos de restituição foram cumulados pedidos de compensação com débitos de IRRF, PIS, Cofins e CSL. Os informes de rendimentos e de retenção compreendem os anoscalendário de 1998 a 2002. Tanto o despacho decisório como o acórdão de origem rechaçaram as compensações (conversão em declarações de compensação), pois o postulado direito creditório não é de retenções de IRF a maior ou indevidas, nem de saldos negativos de IRPJ de 1998 a 2002, carecendo de certeza e de liquidez o quanto postulado. Congresso Nacional, 4 de abril de 2005 Senador RENAN CALHEIROS Presidente da Mesa do Congresso Nacional Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13707.002531/9944 Acórdão n.º 1103000.989 S1C1T3 Fl. 1.745 8 Na manifestação de inconformidade a recorrente se limitou a dizer que o despacho decisório não questionou a validade dos créditos postulados pela recorrente, tendo ocorrido somente erro seu quanto ao momento em que poderia ter efetuado as compensações pretendidas (fls. 643 a 647). Notese que, estando em jogo pretensão da recorrente, e não do fisco, a instauração da lide com o inconformismo dela é o momento próprio para carrear aos autos os documentos e esclarecimentos comprobatórios de sua pretensão. Nada trouxe aos autos a recorrente em tal momento processual. Na peça recursiva de 27/9/05, a recorrente alega que seu pedido só poderia ser indeferido se o IRRF tivesse sido usado na apuração do IRPJ efetivo, como dedução deste, mas que isso não ocorreu. Assim, informa que em 1998, ela apurou lucro real nos três primeiros trimestres e prejuízo no último trimestre; que em 1999 ela incorreu em prejuízo fiscal; em 2000, ela apurou lucro real; em 2001 até o evento da cisão parcial, ela apurou lucro real; depois, até o evento de incorporação, apurou lucro real; e daí em diante até o final de 2001, ela incorreu em prejuízo fiscal; por fim, em 2002, ela incorreu novamente em prejuízo fiscal. Para comprovar o alegado, a recorrente limitouse a juntar no recurso cópia das DIPJ/99, DIPJ/00, DIPJ/01, DIPJ/01 (evento de cisão parcial), DIPJ/01 (evento de incorporação), DIPJ/02 e DIPJ/03. Invoca, ainda, a recorrente o princípio da verdade material para sua pretensão. Em 25/5/08, a recorrente junta petição acompanhada de estudo elaborado pela FST Consulting – Contadores e Tributaristas, com o que se intenta demonstrar o acerto de sua pretensão. Sobre o referido estudo, que apesar de juntado aos autos em maio de 2008 é datado de outubro de 2005, observo o seguinte. Primeiro, ele não contempla as receitas e as retenções de IRF do ano calendário de 1998. Que o IRRF postulado no pedido de restituição da recorrente, convertido em diversos pedidos de compensação, compreende o do anocalendário de 1998, basta ver, por ex., as fls. 12 a 20, 22 (que, aliás, sequer é informe de rendimentos, mas extrato de operações de swap). Os valores totais de IRRF constantes no Anexo I do estudo, segregados por subtotalizações mensais, são: a) de R$ 3.191.086,30, para o anocalendário de 1999; b) de R$ 1.090.684,92, para o anocalendário de 2000; c) de R$ 2.958.844,16, para o anocalendário de 2001; d) de R$ 2.395.399,80, para o anocalendário de 2002. Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13707.002531/9944 Acórdão n.º 1103000.989 S1C1T3 Fl. 1.746 9 Relembrese que o total de IRRF compreendendo os anoscalendário de 1998 a 2002, objetivado na restituição convertida em pedidos de compensação, é de R$ 805.250,16. No estudo em questão nenhuma relação, decalque, desdobramento dos totais de IRRF nele indicados, conforme “a” a “e” acima, são feitos para com os totais de IRRF postulados no pedido de restituição (R$ 805.250,16). Na resposta ao quesito concernente ao oferecimento à tributação das receitas financeiras que geraram o IRRF, i.e., se tais receitas financeiras estão contidas nas DIPJs da recorrente (e que estariam na ficha de demonstração do resultado, ou, quando muito, na ficha de demonstração do lucro real, como outras adições, com explicitação na Parte A do Lalur), a resposta é a seguinte (fl. 1726) – questão 2: “a) Obtivemos os balanços e demonstrações de resultados contábeis ao final dos exercícios e verificamos que os mesmos foram objeto de auditoria por empresas internacionais independentes. Lemos os respectivos pareceres dos auditores e verificamos que os mesmos foram emitidos sem apresentar qualquer ressalva. b) Verificamos que os valores contábeis apresentados nas Declarações de Ajuste do IR e Contribuição Social estavam de acordo com os valores apresentados nas demonstrações contábeis auditadas. [...] “d) Verificamos, base de teste, que as receitas de aplicações financeiras de cada anocalendário foram incluídas nas respectivas demonstrações de resultado e, portanto, foram parte integrante da base de cálculo apurada pela FICAP S.A.” (grifamos) Sobre não constarem nos autos as demonstrações de resultado analíticas dos anoscalendário em jogo, incluindo as dos eventos de cisão parcial e de incorporação (ou no mínimo, nestes casos, os balancetes), e seu cotejo com a ficha de demonstração de resultado ou de demonstração do lucro real com sua abertura (Parte A do Lalur), das DIPJs dos mesmos anoscalendário, na resposta do estudo referido se fala “base de teste”. Ora, o que significa “base de teste”? Seria um teste por amostragem? Nada é esclarecido a respeito. Mais. Não consta a afirmação categórica de que as receitas que se sujeitaram a IRRF estão contidas nas demonstrações de resultado. Bem verdade que no item “Conclusão” (fl. 1728) figura a afirmação de que estavam somadas nas DIPJs dos anoscalendário de 1999 a 2002 as receitas financeiras em questão. Não há, porém, nenhum documento evidenciando isso, i.e., não há as demonstrações de resultado analíticas que me referi acima, em cotejo com a ficha de demonstração de resultado ou, caso não contidas as receitas nessa, de demonstração do lucro real, com sua abertura (outras adições, que implica o detalhamento da Parte A do Lalur), como meio de demonstração do afirmado. Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13707.002531/9944 Acórdão n.º 1103000.989 S1C1T3 Fl. 1.747 10 Não se pode esquecer que, diante de pretensão da contribuinte, é desta integralmente o onus probandi. No que interessa passo a fazer as considerações decorrentes da análise das cópias das DIPJs carreadas aos autos. Assim, da DIPJ/99 (não retificadora), constato o seguinte. Houve dedução de IRRF: a) no valor de R$ 269.239,03, com saldo de IR a pagar de R$ 1.352,14, para o primeiro trimestre de 1998; b) no valor de R$ 264.726,60, com saldo de IRPJ a pagar de R$ 1.202.995,36, para o segundo trimestre de 1998; c) no valor de R$ 51.575,76, com saldo de IRPJ a pagar de R$ 1.206.640,76, para o terceiro trimestre de 1998; d) no valor de R$ 140.704,29, com saldo negativo de IRPJ de R$ 141.389,73. Tudo isso, conforme a ficha 13 dos 4 trimestres de 1999 (fls. 831 a 834). De plano, é de se negar provimento quanto à parcela de IRRF relativa ao ano calendário de 1998, pois não há sequer a comprovação de que tal parcela não se encontra entre as deduzidas nos 4 trimestres de 1998. A propósito, a recorrente sequer se dignou a segregar os valores de rendimentos e de IRRF do anocalendário de 1998, e tampouco dos demais anos calendário. Da DIPJ/03 (não retificadora), constato o seguinte. Na ficha 9A indicase apuração de prejuízo fiscal de R$ 14.629.229,47 (fl. 1302). Não houve aproveitamento de IRRF nas estimativas (ficha 11). Porém, na ficha 12A consta a dedução de IRRF de R$ 211.521,78, com apuração de saldo negativo de IRPJ de R$ 211.878,99 (em razão de dedução de IR retido por órgãos públicos de R$ 357,21) – fl. 1308. Igualmente, aqui, de plano, impõese negar provimento sobre a parcela de IRRF referente ao anocalendário de 2002, pelas mesmas razões deduzidas para negativa de provimento quanto à parcela de IRRF de 1998. Isso, para não dizer quanto à não comprovação de que as receitas que deram causa ao IRRF objeto da restituição compuseram o lucro líquido ou o lucro real indicados na DIPJ/03. Sobre isso, remeto às considerações que fiz sobre o estudo apresentado pela recorrente a questão da comprovação documental. Da DIPJ/00 (não retificadora), noto o seguinte. Na ficha 10A indicase apuração de prejuízo fiscal de R$ 11.862.135,48 (fl. 944). Não houve aproveitamento de IRRF nas estimativas (ficha 12). Na ficha 13A há indicação de saldo negativo de IRPJ de R$ 14.867,58, correspondente ao valor de IRF retido por órgãos públicos (fl. 956). Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13707.002531/9944 Acórdão n.º 1103000.989 S1C1T3 Fl. 1.748 11 Da DIPJ/01 (não retificadora), relativa ao anocalendário de 2000, anoto o seguinte. Na ficha 9A indicase apuração de lucro real de R$ 5.954.076,67 (fl. 1023). Não houve aproveitamento de IRRF nas estimativas (ficha 11). Mas há os seguintes valores a pagar de estimativas: a) agosto de 2000: R$ 111.758,11 (fl. 1033); b) setembro de 2000: R$ 252.072,55 (fl. 1033); c) outubro de 2000: R$ 380.809,71 (fl. 1034); d) novembro de 2000: R$ 549.859,04 (fl. 1034); e) dezembro de 2000: R$ 9.732,20 (fl. 1034). Na ficha 12A há o IRPJ a pagar de R$ 0,14 (fl. 1035). Não há nos autos comprovação de pagamento de tais estimativas. Da DIPJ/01 (retificadora), compreendendo o período de 1/1/01 a 29/1/01 (por evento de cisão parcial), noto o seguinte. Na ficha 9A indicase apuração de lucro real de R$ 1.606.713,67 (fl. 1105). Não houve aproveitamento de IRRF nas estimativas (ficha 11). Mas há o seguinte valor a pagar de estimativa de janeiro de 2011: R$ 325.994,46 (fl. 1107). Na ficha 12A não há IRPJ a pagar nem saldo negativo de IRPJ (fl. 1108). Não consta nos autos comprovação de pagamento de tal estimativa. Da DIPJ/01 (retificadora), compreendendo o período de 30/1/01 a 27/6/01 (por evento de incorporação), constato o seguinte. Na ficha 9A indicase apuração de lucro real de R$ 1.796.309,48 (fl. 1168). Não houve aproveitamento de IRRF nas estimativas (ficha 11). Mas há os seguintes valores a pagar de estimativas: a) fevereiro de 2001: R$ 203.051,21 (fl. 1170); b) março de 2001: R$ 102.317,87 (fl. 1170); c) abril de 2001: R$ 84.249,03 (fl. 1171); d) maio de 2001: R$ 79.100,92 (fl. 1171). Na ficha 12A indicase saldo negativo de IRPJ de R$ 109.081,26 (fl. 1174). Não há nos autos comprovação de pagamento das estimativas em questão. Da DIPJ/01 (não retificadora), compreendendo o restante do período do ano calendário de 2001, anoto o seguinte. Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13707.002531/9944 Acórdão n.º 1103000.989 S1C1T3 Fl. 1.749 12 Na ficha 9A indicase apuração de lucro real de R$ 10.341.655,08 (fl. 1233). Não houve aproveitamento de IRRF nas estimativas (ficha 11). Na ficha 12A não há IRPJ a pagar nem saldo negativo de IRPJ (fl. 1238). Pois bem. Por que se fez a colocação quanto ao pagamento das estimativas? Por causa do seguinte. Provocada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a PGFN emitiu o Parecer PGFN/CAT 1.658/11, no qual conclui categoricamente que o débito de estimativa, ainda que confessado por DCTF ou por Dcomp, não é cobrável e, pois, não é passível de ser inscrita em dívida ativa da União. E o Parecer PGFN/CAT 193/13, ratifica o entendimento dado naquele parecer. Portanto, existindo estimativas a pagar de IRPJ, independentemente de haver saldo negativo de IRPJ, segundo as cópias das DIPJs analisadas, caso do anocalendário de 2000, do período de 1/1/01 a 29/1/01, e do período de 30/1/01 a 27/6/01, impõese a comprovação do pagamento das estimativas, sob pena de se restituir o que não é de direito, caso os valores de IRRF compusessem a apuração do IRPJ devido. Nesse passo, vem à lume a questão do ônus da prova, e dos limites da conversão do julgamento em diligência. Em sede de processo de compensação, em que o onus probandi compete à recorrente, que postula o direito em causa, entendo não ser cabível convolar este juízo em fase de procedimento de auditoria, com a determinação de diligências para substituir papel “primário” que caberia ter sido levado a termo pela contraparte, à qual instaria provar ou demonstrar. Da mesma forma, se a pretensão for do fisco, minha intelecção é a de que não cabe transformar o órgão julgador ad quem em órgão de auditoria, com a determinação de diligências para substituir papel ou ônus “primário” (que compõe o que a doutrina italiana chama de instrução primária, a qual orienta a relação jurídicoformal do lançamento, em contraposição à instrução secundária, que se desenvolve na relação jurídicoformal processual) do fisco. A carência de certeza do crédito, nesse caso, implica nulidade (total ou parcial) do lançamento, a meu ver. A determinação de diligência se presta para esclarecer produção probatória adequada feita por quem tem seu ônus, se o quanto consta nos autos reclama essa constatação (esclarecimentos); ou, eventualmente, a diligência se orienta a complementar produção probatória feita adequadamente pela parte à qual é imputável o ônus da prova. Das considerações feitas sobre a documentação comprobatória trazida aos autos pela recorrente, não há lugar para a diligência, cujo papel não seria de esclarecer ou complementar produção probatória feita pela parte, mas de efetuar a própria produção probatória. O princípio da verdade material ou do formalismo moderado não é absoluto, a permitir a substituição do ônus “primário” das partes, e divorciado da finalidade de eficiência e de não eternização do processo. Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13707.002531/9944 Acórdão n.º 1103000.989 S1C1T3 Fl. 1.750 13 Posto isso, fica evidente que competia à recorrente ter trazido aos autos a comprovação dos pagamentos das estimativas indicadas neste voto, i.e., referentes aos meses indicados do anocalendário de 2000, e do anocalendário de 2001. Como a recorrente não afirmou se tratar de IRRF a maior, é presumível que ela não tenha utilizado tal valor para compensações feitas diretamente pela recorrente em sua escrituração contábil, com débitos da mesma espécie de tributo (IR), para demandar a apresentação, ao menos, das DCTFs com identificação dos débitos compensados diretamente pela recorrente, e indicação de que entre eles não se encontram os créditos de IRRF em jogo. Sucede que, nos anoscalendário de 1999 a 2001 (que são os anos que interessam aqui), havia a possibilidade de compensação de indébitos tributários com débitos tributários de mesma espécie “diretamente” pela contribuinte, sem pedido de compensação, desde que os débitos fossem vencíveis após o nascimento do indébito tributário, conforme o art. 14 da IN SRF 21/97. Ou seja, a compensação era feita diretamente pela contribuinte em sua escrituração contábil, e, ordinariamente, informada na DCTF (ao declarar o débito e seu adimplemento por compensação procedida pela diretamente pela contribuinte). E, notese que não incidiriam, no caso vertente, as restrições do Ato Declaratório (Normativo) Cosit 14/98 e do Ato Declaratório (Normativo) Cosit 17/982. 2 Ato Declaratório (Normativo) Cosit nº 14, de 10 de setembro de 1998 Dispõe sobre a compensação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica com o Imposto de Renda Retido na Fonte, decorrente de responsabilidade tributária. O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO , no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto nos arts. 121 e 166 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), no art. 66 da Lei nº 8.383, de 31 de dezembro de 1991, alterado pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, no art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 18 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da receita Federal, às Delegacias da receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I independe de prévia autorização dos órgãos da Secretaria da Receita Federal a compensação de saldo do imposto de renda da pessoa jurídica com débito de imposto de renda retido na fonte, decorrente de responsabilidade tributária. II não será admitida, entretanto, a compensação do crédito derivado do recolhimento do imposto de renda retido na fonte, decorrente de responsabilidade tributária, tendo em vista que, nesse caso, o respectivo encargo financeiro foi suportado por terceiro. Ato Declaratório (Normativo) Cosit nº 17, de 9 de novembro de 1998 Dispõe sobre a compensação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica com o Imposto de Renda Retido na Fonte, decorrente de responsabilidade tributária relativa à remessa de rendimentos para o exterior. O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto nos arts. 121 e 166 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1996 (CTN), no art. 66 da Lei nº 8.383, de 31 de dezembro de 1991, alterado pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, no art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e na Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I o disposto no inciso I do Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº 14, de 10 de setembro de 1998 , não se aplica no caso de imposto de renda retido na fonte decorrente de responsabilidade tributária relativa à remessa de rendimentos para o exterior; Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13707.002531/9944 Acórdão n.º 1103000.989 S1C1T3 Fl. 1.751 14 Igualmente, como já deduzido, não houve a comprovação documental da recorrente, nos termos já expostos anteriormente, quanto às receitas sujeitas ao IRRF objeto da restituição comporem ou não a ficha de demonstração de resultado ou a de demonstração do lucro real das DIPJs. I.e., a comprovação do oferecimento à tributação das mencionadas receitas. Sobretudo essa comprovação documentalmente demonstrada, conforme exposto alhures, sem prejuízo das demais descritas, competia à recorrente, não tendo cabimento cogitar de diligência, sem a constituição documental de verossimilhança, pois, como se disse, não se presta a isso a diligência. Esta não se destina a substituir papel “primário” que compete à parte desincumbir. Tampouco houve a comprovação, ou melhor, ao menos a indicação comprobatória de que, para o anocalendário de 1999, e para o período de 30/1/01 a 27/6/01, só houve pedidos de restituição, pedidos de compensação ou declarações de compensação indicando os saldos negativos de IRPJ nos valores constantes nas DIPJs analisadas. Vale dizer, não trouxe aos autos cópia de tais pedidos de restituição ou de compensação ou declarações de compensação indicativas do exposto. Reitero novamente que o onus probandi é integralmente da recorrente, porquanto sua pretensão é que está em jogo. Ônus da prova que se intensifica no caso vertente, provocado por ela mesma, ao indicar indevidamente créditos para restituição (ou seja, ao não indicar saldos negativos de IRPJ com sua quantificação, como objeto de restituição seguido de pedidos de compensação ou declarações de compensação). Renovo a observação de que o princípio da verdade material ou do formalismo moderado não se presta a transformar o órgão julgador em instância de auditoria. Mais. Nada trouxe aos autos no momento processual próprio (por estarmos diante de pretensão da recorrente), e, mesmo na fase recursiva, não carreou aos autos a documentação comprobatória que lhe competia fazer. Quanto aos anoscalendário de 1998 e de 2002, já ficou clara e cabalmente deduzida a negativa de provimento e as razões para tanto. Quanto aos demais anoscalendário, com tudo que foi colocado, já fica detidamente delineado o desate da solução. Mesmo em relação aos períodos em que não houve indicação de saldo a pagar de IRPJ, e sem estimativas a pagar (anocalendário de 1999 e período de 28/6/01 a 31/12/01), não há como simplesmente se reconhecer o IRRF, como saldos negativos de IRPJ (já que a recorrente não diz que se cuida de retenções a maior ou indevidas). II na hipótese de a pessoa jurídica possuir saldo de imposto de renda da pessoa jurídica (crédito) e desejar compensálo com valores a recolher relativos à retenção na fonte decorrente de remessa de rendimento para o exterior, a compensação somente pode ser efetuada se autorizada pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal, conforme o disposto no art. 12 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997 . Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13707.002531/9944 Acórdão n.º 1103000.989 S1C1T3 Fl. 1.752 15 Sucede que a alíquota de IRRF nos períodos em comentário era de 20%, menor, pois, que a alíquota com adicional de IRPJ. Lembrese que não há comprovação de que referidas receitas tenham sido oferecidas à tributação nesses períodos. Por outro lado, a recorrente nada demonstrou em sentido contrário sobre esse ponto, mesmo subsidiariamente à sua pretensão total. Enfim, fica evidente o desacerto ou ausência de comprovação da pretensão relativa ao IRRF sobre as receitas dos anocalendário de 1999, e 2000, e dos períodos de 1/1/01 a 29/1/01, de 30/1/01 a 27/6/01 e de 28/6/01 a 31/12/01. Só pode ser negado provimento sobre tais parcelas da pretensão. Nessa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 11 de fevereiro de 2013 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10830.015788/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2007
RECURSO DE OFÍCIO. AUTO DE INFRAÇÃO ANULADO PELA DELEGACIA DE JULGAMENTOS. LANÇAMENTO QUE NÃO ATENDE AO DISPOSTO NO ART. 142 DO CTN. Correta a anulação do lançamento efetuado quando a autoridade fiscal deixa de cumprir com o disposto no art. 142 do CTN, sobretudo quando instada a corrigir as incorreções constantes no lançamento pela Delegacia de Julgamento e recusou-se a fazê-lo.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2401-003.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Vieira e Silva, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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AUTO DE INFRAÇÃO ANULADO PELA DELEGACIA DE JULGAMENTOS. LANÇAMENTO QUE NÃO ATENDE AO DISPOSTO NO ART. 142 DO CTN. Correta a anulação do lançamento efetuado quando a autoridade fiscal deixa de cumprir com o disposto no art. 142 do CTN, sobretudo quando instada a corrigir as incorreções constantes no lançamento pela Delegacia de Julgamento e recusouse a fazêlo. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Vieira e Silva, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 57 88 /2 00 9- 86 Fl. 971DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 2 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pela FAZENDA NACIONAL em face do acórdão de fls., que anulou integralmente o Auto de Infração n. 37.198.6761, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias destinadas a terceiros. Conforme apuração fiscal, foram considerados como fatos geradores das contribuições lançadas, as seguintes rubricas: a) Valores custeados pelo sujeito passivo a título de Previdência Privada somente a parte de seus funcionários, sem comprovação de que foram oferecidos a todos os empregados e dirigentes; b) Remuneração de Segurados Empregados constantes da Folha de Pagamento e não declarados em GFIP, pagas a título de: b.1) Participação nos resultados em desacordo com o disposto na Lei 10.101/00, tendo em vista que a fiscalização (i) apurou que os acordos de , metas não foram estipulados previamente, o que violou o art. 2o §1o, inciso II, bem como (ii) os acordos estipularam metas conjuntas para duas empresas, utilizandose de metas em siglas e língua estrangeira, além dos valores devidos terem sido fixados em moeda estrangeira; b.2) Vale Transporte pago em dinheiro; O Conforme consta do relatório fiscal, a empresa ALCATELLUCENT BRASIL S.A e ALCATEL EQUIPAMENTOS LTDA, em razão da caracterização de grupo econômico de fato, diante da cisão total da empresa LUCENT TECHNOLOGIES DO BRASIL (autuada). O período apurado compreende a competência de 01/2004 a 01/2007, tendo sido o último contribuinte cientificado em 30/11/2009 (fls. 01). Às fls.... foi determinada a realização de diligência para que o fiscal melhor esclarecesse os fatos geradores das contribuições lançadas no presente, bem como fizesse juntar aos autos uma série de relatórios indicados no Auto de Infração que sequer foram incluídos como seus anexos e cientificados ao contribuinte. Em resposta à diligência solicitada, o fiscal justificou a impossibilidade de apresentar referidas planilhas, sob o argumento de que com as modificações havidas no art. 229 do Regimento Interno da Receita Federal, ocorridas após a solicitação da diligência, somente caberia a DRJ julgar os argumentos de defesa apontados pelo contribuinte em sua impugnação, de modo que, somente se resumiu a fazer considerações sobre a tese de defesa constante na impugnação, sem, contudo, atender aquilo o que lhe fora requerido pela DRJ. A empresa recorrida fora devidamente cientificada do resultado da diligência requerida. Diante de petição apresentada pela contribuinte, a DRF, em Campinas, acatando o pedido formulado pela parte, procedeu à exclusão das contribuições, desmembrando o lançamento para que uma parte prossiga no julgamento e outra se submeta ao parcelamento de que trata a Lei 11.941, de 2009. Fl. 972DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10830.015788/200986 Acórdão n.º 2401003.459 S2C4T1 Fl. 2.526 3 Às fls. 1112, por email, o fiscal que atendeu a solicitação de diligência formulada pela DRJ, requreu a juntada aos autos de informação fiscal complementar àquela que já havia apresentado em oportunidade anterior, da qual apenas reforçou alguns dos argumentos para a desconsideração da impugnação da recorrente, apresentando, agora o RL – Relatório de Lançamentos e comparativo da multa objeto de cobrança. A informação fiscal complementar foi devidamente cientificada a autuada e as demais empresas consideradas como solidárias ao lançamento, as quais, em suma, impugnaram o Auto original e informações complementar, sob os seguintes argumentos: a) Vícios de nulidade; b) Decadência parcial; e c)Não incidência de contribuição sobre os valores pagos a título de Vale Transporte, Previdência Complementar Privada e Participação nos Lucros e Resultados. Da análise dos argumentos constantes nas impugnações, em contrapartida com o relatório fiscal e resultados de diligência formulados, a DRJ entendeu por anular integralmente o lançamento, o fazendo pelos seguintes motivos: 1. No que se refere ao lançamento da rubrica previdência privada, entendeu que o beneficio estava disponível a todos os empregados e dirigentes, motivo pelo qual foram excluídos do lançamento os levantamentos: PP2 – PREVID PRIVADA COMERCIO(competências: 11/2004, 12/2004, 01/2005, 05/2005, 07/2005; 12/2005; 12/2006; 02/2007 e 03/2007) e Z12 – TRANSF DO LEV PP – ATE 11/08 (competências: 08/2004, 02/2006, 10/2006; 11/2006 e 01/2007) 2. Quanto aos demais levantamentos, entendeu que a fiscalização, mesmo instada a corrigir o lançamento original, pecou em demonstrar a efetiva ocorrência dos fatos geradores das contribuições lançadas e sanar as irregularidades apontadas quando solicitada a diligência através da resolução 3.101 de 10/12/2010. O julgamento restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2007 LANÇAMENTO DE DÉBITO. FATO GERADOR. MOTIVAÇÃO INCOMPLETA. VÍCIO FORMAL. NULIDADE. É nulo o lançamento efetuado em desconformidade com as disposições legais e normativas que prescrevem o dever de motivação, restando caracterizado vício formal insanável. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Fl. 973DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 4 O contribuinte e as demais empresas tidas como responsáveis solidárias foram intimadas do resultado do julgamento, sendo que nenhuma delas interpôs recurso voluntário ou contrarrazões ao recurso de ofício. É o relatório. Fl. 974DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10830.015788/200986 Acórdão n.º 2401003.459 S2C4T1 Fl. 2.527 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tendo em vista que o contribuinte foi exonerado pelo julgamento da DRJ de crédito tributário que supera o valor de R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais), entendo presentes os requisitos da portaria MF 03/08, motivo pelo qual, conheço do recurso de ofício. Sem Preliminares. MÉRITO Conforme já relatado, várias foram os eventos ocorridos nos autos do presente processo, todos eles em decorrência da DRJ ter determinado o cumprimento de diligência, mediante a Resolução n. 3.101 de 2010. Referida Resolução, lavrada após a interposição da impugnação face ao relatório fiscal que originou o presente lançamento, determinou que fossem apresentadas informações e esclarecimentos tidos por absolutamente necessários a perfeita compreensão dos motivos de fato e de direito relativos ao lançamento. Tais esclarecimentos abarcaram o presente DEBCAD, bem como os DEBCAD´s 37.212.7185 (PA 10830.015788/200986) e 37.198.6761 (PA 10830.015784/200906) e podem ser resumidos nos seguintes pedidos AIOP 37.198.6761: CN2 Cl NÀO DECL GFIP INDUSTRIA; Zl TRANSF SO LEV CN2 ATE 11/08; ND2 SEG EMPREG N DECL GFIP INDUSTR e Z9 TRANSF DO LEV ND2 ATE 11/08: conforme informação do Auditor Fiscal, as contribuições aqui exigidas são as constantes dos relatórios analíticos Remuneração Definida por Trabalhador, e tipo de categoria "1" para empregados e "11" e "13" para contribuintes individuais extraídos dos arquivos digitais da Folha de Pagamento do sujeito passivo, entregues em meio digital à empresa, nos termos do Recibo de Arquivos Entregues ao Contribuinte, conforme cópia anexa. No período de débito foram utilizados os Códigos de Levantamentos constantes do Relatório DD Discriminativo do Rebite (destacamos) Em análise à planilha RELATÓRIO REMUNERAÇÃO DEFINIDA POR TRABALHADOR DA EMPRESA TNCORPORADORA, que é o nome que mais se aproxima do indicado pelo Auditor, não identifiquemos o valor lançado neste AIOP. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 6 Por outro lado, o RF indica que estão lançadas as contribuições devidas por segurados empregados e contribuintes individuais, porém, no DD estão sendo exigidas somente as contribuições devidas pelos empregados e no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD consta tão só os dispositivos legais referentes a 100 CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS (EMPREGADOS, TRABALHADORES TEMPORÁRIOS E AVULSOS). Tentando identificar a base de cálculo somamos os valores discriminados na planilha CÁLCULO DIVERGÊNCIA SEGURADOS NA INCORPORADORA, na coluna CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADO DIFERENÇA para a competência 02/2004, CNPJ 84.512.045/000305(R$ 4.089,74), porém, não existe lançamento para esta competência. A soma dos valores indicados na mesma coluna para a competência 03/2004 perfaz R$931,31, porém, consta R$ 995,00 no DD. Acrescentese que no RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados foi apropriado para a competência 02/2004, R$4.254,82 ao levantamento Z9, mas nada ao ND2 (em tese representam o mesmo fato gerador) e na competência 03/2004 não existe qualquer apropriação para este AIOP. Assim há que ser elaborada planilha com a identificação clara das contribuições exigidas neste AIOP. Ao analisar referidos requerimentos, tenho que todos eles se faziam necessários à prefeita compreensão dos lançamentos efetuados, sobretudo para que se desse o devido cumprimento ao disposto no art. 142 do CTN e 37, da Lei 8.212/91. Ocorre, entretanto, que conforme já relatado, o fiscal indicado para o cumprimento da diligência deixou de atender aos termos daquilo o que fora solicitado pela DRJ, entendendo por descabidos os pedidos realizados, uma vez que a competência do órgão, com base no art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, seria, apenas o de julgar os fundamentos contidos na impugnação e não o lançamento como um todo. Ora, data vênia ao entendimento do fiscal, deveria o mesmo ter atendido aquilo o que determinado pela DRJ, tendo em vista que não lhe cabe fazer o juízo de valor acerca da motivação da DRJ para a realização do pedido de informações ou esclarecimentos que lhe foram requeridos. Fato é que, conforme consta do longo arrazoado do julgamento levado a efeito pela DRJ, a comprovação da efetiva ocorrência do fato gerador relativamente aos lançamentos que não tratavam de previdência complementar, ficaram maculados e em contrariedade ao disposto no art. 142 do CTN. Após tecer longas considerações acerca dos equívocos presentes no presente lançamento, assim concluiu a DRJ: Oportuno salientar o fato de que a atividade administrativa, consistente na verificação da ocorrência do fato gerador, na determinação da matéria tributável e no cálculo do montante do tributo devido, é vinculada (art. 142, caput e parágrafo único, do CTN). Fl. 976DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10830.015788/200986 Acórdão n.º 2401003.459 S2C4T1 Fl. 2.528 7 A administração pública, in casu, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, deve demonstrar que o seu ato está em conformidade com as prescrições legais, de modo a permitir o conhecimento e controle dos motivos que a levaram a praticálo. O lançamento em exame, na forma como foi efetuado, não atende ao disposto no artigo 37 da Lei nº 8.212/91 combinado com o artigo 243 do RPS/1999 e no artigo 142 do CTN, uma vez que não trouxe informação clara e precisa acerca da base de cálculo utilizada no presente lançamento. Portanto, se não me é possível determinar quais são efetivamente as bases de cálculo, o que tornaria o lançamento líquido e certo, ainda que o fato gerador possivelmente tenha ocorrido, entendo que o presente Auto de Infração deva ser anulado, por apresentar vício em sua forma. Diante do exposto e com base nos critérios legais noticiados, VOTO no sentido de RECEBER a impugnação apresentada, por tempestiva e ANULAR o presente Auto de Infração trazido a litígio Por tais motivos, resta claro que o lançamento, da forma como foi realizado, não merece prosperar. Ademais, no que se refere a exoneração dos valores pagos a título de previdência privada, fato é que, a prova trazida aos autos pela contribuinte deixa claro a extensão do benefício a todos, de modo que resta cumprida a exigência determinada pelo art. 28, §9o, alínea “p” da Lei 8.212/91, também não sendo cabível o lançamento. Logo, diante de tais considerações e por estar de pleno acordo com os fundamentos adotados pela DRJ para anular o lançamento, outra não pode ser a conclusão, senão por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 977DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES
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Numero do processo: 11543.000031/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO. PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A propositura de ação judicial inibe o conhecimento não só da impugnação como também do recurso voluntário.
Numero da decisão: 2201-002.384
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com ação judicial.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTA CARDOZO - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Odmir Fernandes (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura de ação judicial inibe o conhecimento não só da impugnação como também do recurso voluntário. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com ação judicial. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTA CARDOZO Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Odmir Fernandes (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 00 31 /2 00 8- 13 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 Relatório Contra o contribuinte Waldir José Correia, foi expedida a Notificação de Lançamento (fl. 7/11), referente ao IRPF exercício 2003, com a cobrança de R$ 7.881,78 de imposto suplementar, sobre o qual incide multa de ofício e juros de mora. O lançamento decorreu do procedimento da revisão da Declaração de Ajuste Anual, tendo em vista a omissão de R$ 28.661,00, de rendimentos decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, recebidos de Pessoa Jurídica por meio do Precatório nº 42022/AL. O contribuinte apresentou impugnação alegando que: os seus rendimentos são isentos de imposto de renda, pois desde 2000, conforme constatado pela perícia médica, é portador de cardiopatia grave; integra desde 2003, junto com os demais filiados do SINPEF/ES, ação judicial a fim de que seja assegurado o direito à isonomia com os membros da magistratura federal, quanto a não incidência de tributação sobre os valores recebidos em decorrência do Precatório 42.022/AL; que o processo nº 2003.84.00.0049739 se encontra em tramitação na 1ª Vara da Seção Judiciária no Estado Rio Grande do Norte; e não foram descontados os valores pagos a título de honorários advocatícios, os quais não podem ser considerados como renda. A 6ª Turma da DRJ em Brasília (DF), por unanimidade de votos, considerou o lançamento procedente em parte, alterando a omissão de rendimentos para R$ 28.617,28, e no mérito, declarou definitiva na esfera judicial a exigência fiscal por haver concomitância de processo administrativo e judicial versando sobre a mesma matéria. AuditoraFiscal relatora do Acórdão da DRJ fundamenta sua decisão no art.1º, § 2º, do Decreto Lei nº 1.737, de 20 de dezembro de 1979, no art. 38, parágrafo único da Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, que disciplinam a matéria, bem como o Ato Declaratório Normativo da Coordenação Geral do Sistema de Tributação (ADN/Cosit) da Secretaria da Receita Federal nº 3, de 14 de fevereiro de 1996, que esclarece haver renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, quando há preposição de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto. E conclui que, por esse motivo, estaria impedida de apreciar o mérito da questão. Ainda assim, corrigiu a base de cálculo do lançamento ao valor declarado pela Federação Nacional dos Policiais Federais (FENAPEF), conforme registrado à folha 18 dos autos. Cientificado em 3 de outubro de 2011 (fl. 66), o contribuinte interpôs recurso voluntário no dia 20 subsequente (fl. 68), alegando que teria se aposentado em 22 de setembro de 1977, e não a data que “consta no processo 11543.000.031/2008”. É o Relatório Fl. 113DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 11543.000031/200813 Acórdão n.º 2201002.384 S2C2T1 Fl. 113 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira – Relator O recurso voluntário é tempestivo e, porém, como já afirmado na decisão de primeira instância, há concomitância judicial, uma vez que a sindicato da categoria já havia impetrado uma ação com pedido de tutela para impedir a União cobrar os créditos do imposto de renda de seus afiliados, conforme descrito na decisão do Juiz Federal Magnus Augusto Costa Delgado. A propositura de ação judicial importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa, como está expresso no artigo 1º, § 2º, do DecretoLei nº 1.737, de 20 de dezembro de 1799, e no parágrafo único do artigo 38 da Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1989: DecretoLei nº 1.737, de 20 de dezembro de 1799 Art 1º Serão obrigatoriamente efetuados na Caixa Econômica Federal, em dinheiro ou em Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional ORTN, ao portador, os depósitos: [...] § 2º A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1989 Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Assim, é fato inconteste é que a propositura de ação judicial inibe o conhecimento não só da impugnação como também do recurso voluntário, eis que sempre vai prevalecer o decidido no processo judicial. Ademais, não há qualquer significância a mudança da data de aposentadoria, pois os rendimentos são tributáveis. Conforme dispõe o inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, e o art. 30 da Lei nº 9.250 de 26 de dezembro de 1995, são necessárias três condições para que se aceite os rendimentos como isentos: (a) que o contribuinte seja portador de moléstia grave relacionada na Lei nº 7.713, de 1988; (b) que os rendimentos auferidos decorram de aposentadoria, reforma ou pensão; (c) e que a moléstia seja comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A questão foi assim sumulada neste Colegiado: Fl. 114DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 Súmula CARF nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Na situação em análise, o contribuinte teve o reconhecimento da doença como moléstia grave por meio do laudo médico e parecer emitidos em 11 de novembro de 2004 (fls. 22 a 24), portanto, depois do recebimento dos valores cujo imposto fora reclamado. Por esse motivo, deve ser aplicado o entendimento expresso na Súmula CARF nº 1, assim redigida: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, voto em não conhecer do recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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Numero do processo: 10073.902016/2009-03
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: null
null
Numero da decisão: 3802-003.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Bem como o contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 20 16 /2 00 9- 03 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ. Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica, cujo suposto crédito pleiteado é oriundo de pagamento a maior, a título de PIS/COFINS, referente ao período de apuração indicado. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF Volta Redonda, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada alega em sede de manifestação de inconformidade que: A Empresa apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações — PER/DCOMP informou corretamente todos os dados constantes no DARF como também o crédito, já identificado no despacho decisório. Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA.PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902016/200903 Acórdão n.º 3802003.074 S3TE02 Fl. 115 3 Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de compensação. Consta a informação que tendo em vista a greve dos correiosETC, não foi possível precisar data do AR, pois o mesmo foi extraviado, dessa forma fica o recurso voluntário aceito. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, já que o alegado recolhimento indevido não fora suficiente. O cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, ou seja, submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. A não homologação, não obstante, localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado totalmente para a quitação do débito indicado. Portanto, a análise das declarações prestadas à Receita Federal mostra que o crédito utilizado na compensação declarada não é suficiente. Não havendo saldo disponível para suporte de uma nova extinção, por meio de compensação. Não há a disponibilidade, tampouco suficiência de tal direito creditório, muito menos a efetividade e regularidade da compensação alegada, por meio da apresentação da escrituração contábil e fiscal. Observase, portanto, que a Receita Federal em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por Fl. 115DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Assim sendo, o Despacho Decisório foi lançado perfeitamente, com base nas informações disponíveis à Receita Federal. Como sabido, a Lei nº 9.430/96 prevê que somente os créditos passíveis de restituição e compensação poderão ser utilizados na compensação tributária. Quanto à retificação da DCTF, como argumenta a recorrente, mesmo que tivesse sido efetuada, não dispensa o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PerdComp. Este dever está vinculado a quem solicita, inclusive com prova contábilfiscal robusta para suportar sua alegação, o que não ocorreu ao caso. Esta turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, desde que acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, dentre outros. Assim sendo, é ônus do recorrente de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. A recorrente não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Para que o alegado direito a crédito fosse comprovado, a contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo de apuração das contribuições acompanhado da escrituração contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter Fl. 116DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902016/200903 Acórdão n.º 3802003.074 S3TE02 Fl. 116 5 oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifado) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 117DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 19515.722073/2011-45
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS REQUERIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. LIVRO RAZÃO.
De acordo com a legislação de regência, a não apresentação de livros e documentos fiscais implica o arbitramento do lucro, sendo irrelevante a forma de tributação eleita pelo contribuinte.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional, sobre os quais incidem juros de mora calculados com base na taxa Selic, tese confirmada em reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688-PR, julgado em 4/12/12).
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS
Sendo as exigências reflexas decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, impõe-se a adoção de igual orientação decisória.
Numero da decisão: 1103-000.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento, por maioria, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata e Fábio Nieves Barreira (Relator) quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fábio Nieves Barreira - Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: FABIO NIEVES BARREIRA
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FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS REQUERIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. LIVRO RAZÃO. De acordo com a legislação de regência, a não apresentação de livros e documentos fiscais implica o arbitramento do lucro, sendo irrelevante a forma de tributação eleita pelo contribuinte. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional, sobre os quais incidem juros de mora calculados com base na taxa Selic, tese confirmada em reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688PR, julgado em 4/12/12). LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS Sendo as exigências reflexas decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, impõese a adoção de igual orientação decisória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento, por maioria, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata e Fábio Nieves Barreira (Relator) quanto à incidência AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 20 73 /2 01 1- 45 Fl. 408DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.722073/201145 Acórdão n.º 1103000.928 S1C1T3 Fl. 409 2 de juros de mora sobre a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fábio Nieves Barreira Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Em 12/12/2011 a recorrente foi intimada (AR fls. 219) a se defender ou pagar o crédito tributário exigido, relativamente ao IRPJ, Contribuição para o PIS, CSLL e COFINS, multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2008, em decorrência de omissão de receitas, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 170 a 175). A recorrente ofertou impugnação, aduzindo, nos termos do relatório do v. acórdão recorrido: “3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: 3.1. IRPJ (fls. 176 a 192): 3.1.1. Omissão de Receita da Atividade – Receita Bruta na Revenda de Mercadorias com base nos artigos 530, Inciso III, 532, e 537, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), e 3º, da Lei nº 9.249, de 26/12/1995. 3.1.2. O crédito tributário, com juros de mora calculados até 12/2011, totalizou o montante de R$ 3.336.698,05. 3.2. PIS (fls. 212 a 217) com base nos artigos 1º e 3º da Lei Complementar (LC) nº 07, de 07/09/1970, 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, 2º, inciso I, 8º, inciso I, e 9º, da Lei nº 9.715, de 25/11/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 12/2011, no montante de R$ 921.872,66. 3.3 CSLL (fls. 193 a 205) com base nos artigos 2º, da Lei nº 7.689, de 15/12/1988 (com alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/1990), 2º da Lei nº 9.249, de 26/12/1995, 29, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, Fl. 409DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.722073/201145 Acórdão n.º 1103000.928 S1C1T3 Fl. 410 3 22 da Lei nº 10.684, de 30/05/2003, e 37 da Lei nº 10.637, de 30/12/2002 (fatos geradores ocorridos entre 01/01/2008 e 31/03/2008), 2º (com alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/1990) e 3º (com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/2008) da Lei nº 7.689, de 15/12/1988, 2º da Lei nº 9.249, de 26/12/1995, 29, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, 22 da Lei nº 10.684, de 30/05/2003, e 37 da Lei nº 10.637, de 30/12/2002 (fatos geradores ocorridos entre 01/04/2008 e 30/06/2008), 2º (com alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/1990) e 3º (com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/2008) da Lei nº 7.689, de 15/12/1988, 2º da Lei nº 9.249, de 26/12/1995, 29, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, e 22 da Lei nº 10.684, de 30/05/2003 (fatos geradores ocorridos entre 01/07/2008 e 31/12/2008), formalizando crédito tributário, calculado até 12/2011, no montante de R$ 1.524.055,89. 3.4. COFINS (fls. 206 a 2011) com base nos artigos 2º, 3º (com alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.15835/2001 e pelo art. 41 da Lei nº 11.196/2005), e 8º, da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, 1º da Lei Complementar (LC) nº 70, de 30/12/1991, e 2º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998 (fatos geradores ocorridos entre 01/12/2008 e 31/12/2008), formalizando crédito tributário, calculado até 12/2011, no montante de R$ 4.254.796,98. 4. O enquadramento legal da multa de ofício aplicada é o artigo 44, Inciso I, da Lei nº 9.430/1996 (com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007); o enquadramento legal dos juros de mora aplicado é o artigo 61, § 3º, da mesma Lei nº 9.430/1996 (fls. 192, 205, 211 e 217). 5. Irresignada com os lançamentos, em 2 de janeiro de 2012, a empresa, representada por procuradores (fls. 243 a 249), apresentou a impugnação às fls. 222 a 242, instruída com os documentos às fls. 243 a 306, na qual alega, em síntese, o seguinte: I – Do Arbitramento do Lucro. 5.1. Para justificar a necessidade de arbitramento do lucro a Fiscalização valeuse, tãosomente, do fato de o Impugnante não ter fornecido os documentos contábeis e fiscais durante o procedimento fiscal. 5.2. Conforme a seguir, (i) as razões expostas pela Fiscalização não são suficientes para se determinar o arbitramento do lucro, que é medida a ser adotada exclusivamente nas hipóteses previstas legalmente e (ii) não se verificaram as hipóteses de arbitramento previstas no artigo 530, inciso III, do RIR/1999, pelo que as autuações merecem ser canceladas por essa Turma Julgadora. 5.3. Casos há em que o arbitramento de lucros é utilizado como medida sancionatória aos contribuintes, o que de modo algum pode ser admitido, já que o arbitramento nada mais é do que uma modalidade de apuração do lucro tributável, a qual só deve ser utilizada em casos excepcionais, e sempre que for impossível a determinação do lucro do contribuinte pelas sistemáticas do lucro presumido ou do lucro real, conforme entendimento da doutrina e jurisprudência. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.722073/201145 Acórdão n.º 1103000.928 S1C1T3 Fl. 411 4 5.4. No caso que se discute a Fiscalização poderia, e deveria, ter mensurado o lucro da Impugnante com base na documentação que tinha a sua disposição, ao invés de procedido ao seu arbitramento claramente como medida sancionatória, o que não pode, absolutamente, ser admitido, motivo pelo qual deve essa C. Turma Julgadora determinar o cancelamento integral das autuações que são objeto do presente processo administrativo. 5.5. Em que pese o raciocínio desenvolvido pela Fiscalização, há que se considerar que a conclusão pelo arbitramento do lucro, nos termos dos artigos 530, inciso III, e 532 do RIR/1999 é equivocada, uma vez que a receita bruta da Impugnante pôde ser determinada pelos documentos fiscais que estavam à disposição do Sr. Agente Fiscal, quais sejam, os ‘Relatórios CFOP: Saídas/Entradas’ e a DACON, por meio dos quais foi possível à Fiscalização lavrar os autos ora combatidos. 5.6. Assim, como pode a Fiscalização afirmar não dispor dos documentos fiscais e contábeis para apurar os tributos da Impugnante, se lhe foi possível apresentar um demonstrativo do crédito supostamente devido no Termo de Verificação Fiscal, no qual se demonstrou, mês a mês, a receita bruta auferida pela Impugnante? 5.7. No que tange ao PIS e à COFINS, a Fiscalização cometeu um equívoco ao se basear na sistemática cumulativa no cálculo dos correspondentes créditos tributários. Com efeito, levandose em consideração que a Impugnante adota o regime de apuração pelo lucro real, o que era de conhecimento da Fiscalização, conforme expressamente mencionado no Termo de Verificação Fiscal, a sistemática de apuração correta seria, por óbvio, a nãocumulativa. II – Da Falta de Liquidez e Certeza das Autuações Fiscais. 5.8. Em razão do evidente equívoco cometido pela Fiscalização quanto à apuração da base tributável do IRPJ e da CSLL, que elegeu, indevidamente, a sistemática do lucro arbitrado, bem como em razão da incorreta adoção do regime da cumulatividade para a apuração dos créditos, supostamente devidos pela Impugnante, de PIS e da COFINS, concluise que os autos de infração padecem de liquidez e certeza, não podendo ser, em hipótese alguma, mantidos por essa C. Turma Julgadora. 5.9. Com efeito, para ser válido o lançamento, devem ser cumpridos os requisitos de liquidez e certeza, em conformidade com o artigo 142 do CTN, sem os quais fica constatada a nulidade do lançamento. 5.10. Esse procedimento, tendente a verificar a ocorrência do ‘fato gerador’ e apurar, de forma líquida, o seu montante, encontrase disciplinado no Decreto n° 70.235/1972, em seus artigos 10 e 11. III – Da Ilegalidade da Cobrança de Juros sobre a Multa. 5.11. Ainda que se entenda pela manutenção das autuações em análise, o que se alega a título argumentativo, é certo que os juros calculados com base na taxa Selic não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.722073/201145 Acórdão n.º 1103000.928 S1C1T3 Fl. 412 5 5.12. De fato, o artigo 13 da Lei 9.065/1995, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, remete ao artigo 84 da Lei 8.981/1995, que, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos. 5.13. Ora, como é sabido, não se pode confundir os conceitos de tributo e de multa. Multa é penalidade pecuniária, não é tributo. É o que se verifica com clareza pela leitura da definição de "tributo", contida no artigo 3º do Código Tributário Nacional (‘CTN’). 5.14. Ademais, o parágrafo primeiro do artigo 113 do CTN, ao diferenciar ‘tributo’ de ‘penalidade pecuniária’, ratifica o que ora se demonstra, deixando claro que as duas figuras não se confundem. 5.15. Assim, demonstrado que (i) multa não é tributo; e (ii) só há previsão legal para que os juros calculados à taxa Selic incidam sobre tributo (e não sobre multa), a cobrança de juros sobre a multa, que se verifica no cálculo da RFB para atualização dos créditos tributários objeto do presente processo, desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos artigos 5º, II, e 37 da Constituição Federal, o que não pode ser admitido por essa E. Turma Julgadora. 5.16. Nem se alegue, ainda, que a cobrança dos juros sobre a multa, no presente caso, estaria amparada pelo artigo 43 da Lei n° 9.430/1996, já que referido dispositivo autoriza a cobrança apenas em relação à multa exigida isoladamente, o que não é a hipótese dos autos.” A impugnação ofertada pela recorrente foi julgada improcedente, sendo mantido o lançamento fiscal, conforme ementa do v. acórdão, a seguir colacionada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008 RECEITA DA ATIVIDADE. NÃO DECLARAÇÃO. Receitas obtidas na atividade da empresa e não declaradas constituemse receitas omitidas ao Fisco. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. NÃO APRESENTAÇÃO. O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2008, 29/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado ficam sujeitas às normas do regime cumulativo para apuração da contribuição para a Cofins, vigentes anteriormente à Lei nº 10.833, de 2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2008, 29/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.722073/201145 Acórdão n.º 1103000.928 S1C1T3 Fl. 413 6 PIS. NÃOCUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado ficam sujeitas às normas do regime cumulativo para apuração da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente à Lei nº 10.637, de 2002. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGALIDADE. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A recorrente, inconformada, oferta, tempestivamente (Fls. 407), Recurso Voluntário, aonde reitera os argumentos expostos na pela de Impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Fábio Nieves Barreira, Relator. Passo ao voto. Conforme Termo de Verificação Fiscal (Fls. 173), a recorrente, por meio de DIPJ/2009, “optou pela apuração anual, com pagamentos mensais por estimativa com base na Receita Bruta e Acréscimo, para todos os meses. No entanto, os dados relativos ao cálculo por estimativa estão ‘zerados’ para todos os meses de 2008. Paradoxalmente, o sujeito passivo informou uma Receita de Vendas anual no valor de R$ 82.247.694,00.” Consta ainda no Termo de Verificação Fiscal (Fls. 173) que “em pesquisa nos sistemas informatizados da RFB na há valores informadas nas DCTF’S relativas a 2008, nem pagamentos efetuados referente aqueles tributos.” A recorrente foi intimada e reintimada, consoante Termo de Verificação Fiscal (Fls. 170/171), a apresentar “Livro Diário, Razão, Livro de Registro de Entradas, Saídas e Apuração de IPI de mercadorias, relativos ao ano de 2008”, permanecendose, no entanto, inerte. Em face à falta de reação da recorrente, foi realizado o lançamento de ofício. Importa dizer que a recorrente não contesta que os documentos fiscais solicitados não foram entregues pela recorrente. A ausência de entrega dos documentos contábeis à autoridade fiscal autoriza o arbitramento do tributo. É o que diz o art. 530, III, do RIR: Fl. 413DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.722073/201145 Acórdão n.º 1103000.928 S1C1T3 Fl. 414 7 Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Acrescentese que o arbitramento do tributo teve por fato mediato a omissão de receitas reveladas pela DIPJ/2009 e pelas DCTF’S de 2008. Assim, à medida que as declarações entregues pela recorrente à Receita Federal do Brasil eram contraditórias (DIPJ e DCTF) e que, intimada, deixou de apresentar os livros fiscais solicitados, não havia outro caminho à fiscalização senão o do arbitramento dos tributos, conforme decidido pelo CARF, Proc. 16641.000057/200940, Rel. Conselheiro Marciel Eder Costa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS REQUERIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. LIVRO RAZÃO. A legislação e a jurisprudência são fortes no sentido de que a não apresentação de documentos fiscais enseja o arbitramento do lucro pela fiscalização. A entrega de documento após o lançamento de ofício, não preclui o arbitramento realizado pela autoridade fiscal. Súmula CARF n° 59. ÔNUS DA PROVA. Efetuado o lançamento pela autoridade fiscal, com base nos elementos constantes dos documentos apresentados pelo contribuinte, cabe a este, demonstrar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor. Aplicação sistemática do art. 333, II, do CPC. PROVA PERICIAL Quando todos os elementos de prova se mostram suficientes para determinar a matéria tributável, ainda que constem divergências, desnecessária a perícia. Precedentes do CARF. Portanto, presente a hipótese do art. 530, do RIR, é dever do agente fiscal seguir o rito legal de arbitramento do lucro (art. 532, do RIR c.c. art. 15 e art. 16 da Lei nº 9.249/95 c.c. art. 8º c.c. Lei nº 10.637/02), ainda que a contribuinte tenha optado pela tributação pelo Lucro Real: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. A falta de apresentação pela fiscalizada de livros e documentos Fl. 414DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.722073/201145 Acórdão n.º 1103000.928 S1C1T3 Fl. 415 8 contábeis e fiscais impossibilita a apuração do Lucro Real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe a este Conselho negar vigência a lei ingressada regularmente no mundo jurídico, atribuição reservada exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento final e definitivo. Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. TAXA SELIC. JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL. Os juros de mora são calculados pela Taxa Selic desde abril de 1995, por força da Medida Provisória nº 1.621. Cálculo fiscal em perfeita adequação com a legislação pertinente. Súmula nº 04 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. Incabível a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150% quando não restar provada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A falta de apresentação de DIPJ e DCTF por si só não caracteriza o elemento subjetivo do dolo. MULTA DE OFÍCIO. CARACTERIZAÇÃO DE CONFISCO. A multa de ofício constitui penalidade imposta como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, não se aplicando a ela o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. O decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada nos dele decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Processo nº 14120.000097/200945, Rel. Cons. Nelson Losso Filho). Portanto, legal o arbitramento e a exigência tributária. Quanto à legalidade da Taxa Selic, aplicase a Súmula 4, do CARF. No que tange à legalidade da Taxa Selic sobre a multa, diz a Lei nº 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (..) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O tributo é termo definido no art. 3º, no qual não está abrangida a penalidade pecuniária. Crédito tributário é conceito abrangente, que envolve o tributo, nascido da ocorrência do fato gerador, bem como as penalidades decorrentes do seu cumprimento (arts. 139 e 140, CTN). São conceitos diferentes. A lei 9.430/96, art. 61, trata de tributo, não crédito tributário. Por essa razão, está o direito ao lado da recorrente, não se falando em aplicação da Taxa Selic sobre a multa. A multa deve ser corrigida, mas na forma do art. 84, I, 8.981/95: “Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (...)” Fl. 415DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.722073/201145 Acórdão n.º 1103000.928 S1C1T3 Fl. 416 9 Diante do exposto, RECEBO o recurso interposto pela recorrente, para DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, afastando a incidência da Taxa Selic da penalidade aplicada à recorrente, mantendose o mais do v. acórdão recorrido. É como voto. (assinado digitalmente) Fábio Nieves Barreira Relator Fl. 416DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.722073/201145 Acórdão n.º 1103000.928 S1C1T3 Fl. 417 10 Voto Vencedor Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Redator Designado. De início, adoto como razões de decidir, à exceção da matéria “incidência de juros de mora sobre a multa de ofício” a seguir tratada, da qual divergi em companhia da maioria do colegiado, as empregadas no judicioso voto do I. Relator, Cons. Fábio Nieves Barreira, a quem presto as costumeiras homenagens. Neste voto reitero o meu entendimento no sentido de ter abrigo legal a exigência pelo Fisco de juros moratórios sobre a multa de ofício proporcional aplicada. Vejamos. Dispõe o art.161 do CTN: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. (destaquei) Nesse contexto, não se pode olvidar que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta (art.139, CTN), que tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária (art.113, CTN). Por sua vez, a Lei nº 9.430/96 dispõe que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, incidirão juros de mora à taxa SELIC. Vejamos: Art.5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. ..... §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. ..... Fl. 417DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.722073/201145 Acórdão n.º 1103000.928 S1C1T3 Fl. 418 11 Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seupagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) A expressão “débitos para a União, decorrentes de tributos e contribuições”, contemplada no caput do art.61 da Lei nº 9.430/96, inclui todas as rubricas, dentre as quais se inclui a multa de ofício, que, como a própria lei dispõe, decorre da falta de pagamento de tributos. Neste sentido, podem ser mencionados os seguintes precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o ‘crédito’ a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. (Segunda Turma, Acórdão nº 920201.806, de 24/10/2011, Redator designado Cons. Elias Sampaio Freire) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Primeira Turma, Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) JUROS DE MORA MULTA DE OFICIO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Quarta Turma, Fl. 418DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.722073/201145 Acórdão n.º 1103000.928 S1C1T3 Fl. 419 12 Acórdão nº 0400.651, de 18/09/07, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) Recentemente, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça reiterou entendimento no sentido de ser “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário” (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12), tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (destaquei) Colhese do respectivo voto condutor: “[...] Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: ‘... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento.’” Mantémse, portanto, a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Quanto ao percentual, não há mais discussão. O cálculo pela taxa SELIC já se consolidou no âmbito administrativo, sendo, inclusive, objeto de enunciado da súmula de jurisprudência dominante do CARF, de observância obrigatória por seus membros: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Por fim, aplicamse as conclusões acima aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, haja vista a íntima relação de causa e efeito. Dispõe a Lei nº 9.249/95: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.722073/201145 Acórdão n.º 1103000.928 S1C1T3 Fl. 420 13 ..... §2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. No mesmo sentido, mencionese, ainda o Decreto nº 4.524/02, que regulamenta a contribuição para o PIS/PASEP e a Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral: Art. 91. Verificada a omissão de receita ou a necessidade de seu arbitramento, a autoridade tributária determinará o valor das contribuições, dos acréscimos a serem lançados, em conformidade com a legislação do Imposto de Renda (Lei n° 8.212, de 1991, art. 33, Caput e §§ 3° e 6º, Lei Complementar n° 70, de 1991, art. 10, parágrafo único, Lei n° 9.715, de 1998, arts. 9° e 11, e Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 24). Pelo exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 420DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.722073/201145 Acórdão n.º 1103000.928 S1C1T3 Fl. 421 14 Fl. 421DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10283.000677/00-91
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1801-000.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento nos termos do art. 62-A, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho de Recursos Fiscais (RICARF), c/c art. 2º § 2º, inciso I da Portaria CARF nº 01/2002 (trava 30%), nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento nos termos do art. 62A, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho de Recursos Fiscais (RICARF), c/c art. 2º § 2º, inciso I da Portaria CARF nº 01/2002 (trava 30%), nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 05 13, com a exigência do crédito tributário no valor de R$62.154,40 a título da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional referente RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .0 00 67 7/ 00 -9 1 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10283.000677/0091 Resolução nº 1801000.258 S1TE01 Fl. 398 2 aos meses de outubro, novembro e dezembro anocalendário de 1995 de apurada pelo regime de tributação com base no lucro real mensal a partir da revisão da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIRPJ) n° 9324549, relativa ao período de 01.01.01.1995 a 31.12.1995, fls. 1753. O lançamento fundamentase no fato que para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, o lucro líquido ajustado pode ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, 30% (trinta por cento) e a Recorrente utilizouse de 100% (cem por cento) do valor proveniente acumulado até 31.12.1994. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 1º, art. 3º e art. 38 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, art. 12 e art. 16 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 e art. 58 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Cientificada em 31.01.2000, fl. 56, a Recorrente apresenta a impugnação em 22.02.2000, fls. 59105, com as alegações abaixo sintetizadas. Faz um breve relato sobre o procedimento fiscal. Discorda do lançamento alegando que houve lapso contábil decorrente do fato ocorrido no anocalendário de 1994. Suscita que o lançamento é nulo, uma vez que a notificação foi efetivada por via postal sem que ela ou seu representante legal a recebesse. Diz que não foi regularmente intimada do primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente e tampouco o termo correspondente foi lavrado em livro próprio e lhe entregue um cópia. Acrescenta que o Auto de Infração não foi lavrado na sua dependência, ou seja, no local da verificação da falta e pó isso ainda está contaminado pelo vício formal (art. 7º, art. 8º, art. 10 e art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e Ato Declaratório Cosit nº 2, de 03 de fevereiro de 1999). Por essa razão entende que a Administração deve anular seu próprio ato, uma vez que está eivado pela ilegalidade (art. 2º e art. 53 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999). Tece considerações sobre o feito fiscal demonstrando, mediante a memória de cálculo, que poderia compensar os prejuízos fiscais no anocalendário de 1995 sem qualquer limite no durante o período em curso (art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e Parecer Normativo nº 41 de 1978). Com a finalidade de embasar sua alegação esclarece que o art.10 da Instrução Normativa SRF nº 23, de 24 de dezembro de 1997, prevê que a pessoa jurídica pode “suspender o pagamento do tributo desde que demonstre que o imposto devido calculado com base no lucro real do período em curso é igual ou inferior à soma do imposto pago [e ainda] reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso e a soma do imposto de renda pago”. Diz que é aplicável ao caso o art. 106 do Código Tributário Nacional, porque a lei nova não lhe é mais favorável. Explica que, de forma irregular, foi glosada toda a compensação de prejuízos fiscais do próprio ano 1995 para fins de cálculo de IRPJ. Aduz que o procedimento de ofício é nulo pois o crédito tributário foi constituído sem qualquer amparo normativo e que Fl. 398DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10283.000677/0091 Resolução nº 1801000.258 S1TE01 Fl. 399 3 não permitiu a compensação do prejuízo do anocalendário de 1995 de R$ 4.004,28, [que] deverá ser integralmente deduzido, ou seja, 100%, ao contrário do auto de infração que não permitiu a sua dedução. Informa que levantou o balanço mensal como determina a legislação tributária e que a compensação dos prejuízos apurados até 31.12.1994 não pode sofrer a limitação de 30% (trinta por cento), já que aplicase a legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador. Cita que o art. 502 do Regulamento do IRPJ, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 11 de janeiro de 1994, permite a compensação da totalidade do prejuízo fiscal, sem limitação de 30% (trinta por cento) do lucro ajustado. Menciona que Até 31 de dezembro de 1994, quando deu origem aos prejuízos fiscais, não havia limitação de 30%. A compensação dos prejuízos fiscais poderia ser realizada PLENAMENTE SEM LIMITAÇÃO. Constitui direito adquirido a compensação dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não podendo sofrer limitação de 30% sobre o lucro ajustado, para o cálculo do Imposto de Renda da empresa e Contribuição Social sobre Lucro, a partir de 10 de janeiro de 1995. Até o advento da Medida Provisória n° 812/94, era assegurada às empresas a exclusão dos saldos negativos, de modo a não restar tributado o patrimônio ou o capital das empresas, mas sim sua renda ou seu lucro (Decretolei n° 1589/78 (artigo 6° e 64; artigo 44, parágrafo 1° da Lei n° 8.383/91 e artigo 189 e 191 da Lei das Sociedades Anônimas). Com a edição da Medida Provisória n° 812/94, convertida na Lei n° 8.981/85, este direito foi restringido e nos termos dos seus artigos 42 e 58, a exclusão passou a ser limitada a apenas 30% do lucro ajustado. Ocorre que os prejuízos fiscais contabilizados até 31 de dezembro de 1994 submetemse à legislação vigente à época de sua ocorrência. O Regulamento do Imposto de Renda, de 1994, respeitou o direito adquirido para compensação de prejuízos fiscais de acordo com a legislação vigente à época de sua apuração: o artigo 503 dispõe sobre o direito de compensar os prejuízos apurados até 31 de dezembro de 1991. O artigo 504 autoriza a compensação dos prejuízos apurados em 1992 e o artigo 505 disciplina a compensação dos prejuízos fiscais apurados a partir de 10 de janeiro de 1993, inclusive os de 1994. Procura demonstrar que a compensação é expressamente autorizada pelo art. 6º e art. 64 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e pelo art. 44 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. A Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 não poderia restringir seu direito adquirido, mesmo porque a vedação da compensação integral viola o conceito de renda. Faz um relato sobre a base de cálculo do IRPJ e da CSLL (art. 43 do Código Tributário Nacional e art. 189 e art. 191 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1996) defendendo que corresponde a um acréscimo patrimonial efetivo, que é submetido à tributação. Enfatiza que “para haver tributação de renda e do lucro de pessoas jurídicas impõese o cômputo de prejuízos anteriormente existentes, de modo a não restar tributado o patrimônio ou o capital das empresas”. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10283.000677/0091 Resolução nº 1801000.258 S1TE01 Fl. 400 4 Entende que a restrição à compensação de prejuízos fiscais ou da base de cálculo negativa, ou seja, “a falta de compensação plena [...] configura o empréstimo compulsório”, sem a observância das determinações normativas previstas no art. 148 da Constituição Federal. Justifica que a modificação dos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa somente pode ser efetivada em relação ao fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução (art. 146 do Código Tributário Nacional). Argumenta que no presente caso não foi observado o princípio da anterioridade. Procura demonstrar a alteração normativa sem observância dos princípios afronta direta e inequivocamente o art. 150 da Constituição Federal. Realiza descrição sobre o conceito de lucro e prejuízo para explicar que que os dispositivos das Leis n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1965, limitando em 30% a redução do lucro líquido ajustado pelas adições e deduções previstas pela legislação tributária para efeitos do Imposto de Renda e limitando a 30% do lucro líquido a compensação anual de prejuízos para os efeitos [do IRPJ e da CSLL] são inconstitucionais, consoante do artigo 110 do Código Tributário Nacional. [...] A vedação ou a limitação de compensação de perdas para fins fiscais, resulta em expressa violação aos artigos 5°, 146, III, "a", 150, II, e IV e 153 da Constituição Federal e artigo 43 do Código Tributário Nacional, por resultar, como muito bem diz o Prof. Ives Grandra da Silva Martins, em "tributação de um não lucro sobre o qual a pessoa jurídica não tem disponibilidade jurídica, pois a Lei n° 6.404/76, em seu artigo 189 combinado com os artigos 191 e 192 proíbe expressamente qualquer destinação dos resultados positivos de um exercício social, quando há prejuízos a compensar. [...] Quanto à infringência aos princípios da anterioridade e publicidade, alegase que a legislação foi editada em 31 de dezembro de 1994, quando os contribuintes haviam adquirido o direito à integral dedução dos prejuízos apurados no referido anobase, não podendo retroagir para atingir situações pretéritas. Faz uma descrição a respeito dos efeitos jurídicos do § 6º do art. 195 da Constituição Federal que, determina que a modificação da legislação pertinente às contribuições sociais somente entram em vigor noventa dias da publicação da norma. Denota que no presente caso não foi observado o princípio da anterioridade e que os efeitos da Lei n° 8.981, de 1995 e da Lei nº 9.065, de 1995 não podem alcançar os prejuízos fiscais e a bases de cálculo negativas apurados até 1994, período em que não havia qualquer restrição. Reitera as alegações até então apresentadas. Apresenta argumentos contra a aplicação da multa de ofício proporcional, que não poderia ultrapassar a 20% (vinte por cento) e ainda solicita produção de todos os meios de prova. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Fl. 400DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10283.000677/0091 Resolução nº 1801000.258 S1TE01 Fl. 401 5 "Ex positis" e demonstrada "quantum" "satis" a inteira legalidade do procedimento da Impugnante, requer o PROVIMENTO da presente defesa, mediante arquivamento do Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o LUCRO, por ser caso de lídima, manifesta e altissonante demonstração e JUSTIÇA FISCAL! PELA PROCEDÊNCIA DA DEFESA. Nestes Termos Pede e Espera Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/BEL/AM nº 2.451, de 06.05.2004, fls. 141148: “Lançamento Procedente”. Restou ementado Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Exercício: 1996 Ementa: CSLL COMPENSAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA — LIMITES — LEI N° 8.981/95, ART. 58. Para determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, no anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá n ser reduzido a, no máximo, trinta por cento, em razão da compensação da base de cálculo negativa da contribuição social. Notificada em 14.07.2004, fl. 150, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 13.08.2004, fls. 152210, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta que Nos anoscalendário seguintes a empresa teve lucros suficientes para absorver todos os prejuízos compensados de 1995. Logo, houve simples postergação. No ano calendário de 1996, a compensação foi realizada no percentual de 30%. Na compensação dos prejuízos, mesmo que ultrapasse o limite de 30%, o imposto de renda lançado e contribuição social sobre o lucro são indevidos, por representarem mera postergação temporal. A compensação de prejuízos do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro, na base de 100%, constitui mera postergação no recolhimento do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro. Com isso, o, principal já foi recolhido. Nos anoscalendário seguintes a empresa apurou lucros e pagou o Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro e a glosa da compensação de prejuízo fiscal terá que ser tratada como mera postergação do pagamento do Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro. O Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro e a Multa de Ofício de 75% não poderão ser cobrados. Esclarece que há erros efetivados pela Autoridade Fiscal: Fl. 401DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10283.000677/0091 Resolução nº 1801000.258 S1TE01 Fl. 402 6 AnoCalendário de 1995. Ficha 30; linha 04; mês 10; Valor Declarado: R$648.412,08. Valor alterado para R$84.983,38. Base de Cálculo, R$563.428,70. Diferença apurada, R$563.428,70. A Fiscalização não poderia realizar essa alteração. A empresa apurou prejuízo do próprio exercício de janeiro a setembro de 2005, no montante de R$ 146.907,86, perfeitamente dedutível, pela totalidade, na base de 100%, conforme o permite a legislação do Imposto de Renda. Mês de novembro de 2005: Valor declarado, R$365.134,14. Valor alterado, R$18.135,89. Base de cálculo, R$346.998,25. Não poderia fazêlo. Mês de dezembro de 2005. Valor declarado: R$317.509,24. Valor alterado, R$4.004,28. Base de cálculo: R$313.504,96. Não poderia fazêlo. A empresa pode perfeitamente compensar os prejuízos acumulados do próprio exercício de 1995, no total de R$146.907,86. Apresenta argumentos contra a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic. Conclui A) REQUER A REALIZAÇÃO DA PERÍCIA. Na forma [...] da Lei no 8.748/93, requer a realização da perícia. B) REQUER A APLICAÇÃO DO ARTIGO 37 DA LEI 9.784. Requer a aplicação do artigo 37 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999: "Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável. pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para: instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas, cópias." C) PROVAS A Impugnante mantém provas que confirmam a veracidade dos fatos alegados em sua defesa. Motivo da perícia. Quesito: Foi compensado integralmente, 100%, do prejuízo do anocalendário de 1995? Indica como perito contador YOSHISHIRO MINAME, , com registro no CRC, sob no CT 1 SP 045344/02, com endereço na rua Santa. Isabel, 160, 5º andar, conjunto 55, na Capital de São Paulo. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10283.000677/0091 Resolução nº 1801000.258 S1TE01 Fl. 403 7 A RECORRENTE TEM DIREITO A COMPENSAR 100%, INTEGRALMENTE, A BASE NEGATIVA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DE 1995. "Ex positis" e demonstrada "quantum satis" a inteira legalidade do procedimento da Recorrente, requer o provimento do presente RECURSO, mediante o arquivamento do Auto de Infração. PELO PROVIMENTO DO RECURSO. Nestes Termos, Pede e Espera Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª CÂMARA/1º CONSELHO DE CONTRIBUINTES nº 10322.389, de 24.03.2006, fls. 329351: “ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas pela contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para excluir a exigência.” Restou ementado PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de perícia se o exame de um técnico é desnecessário à solução da controvérsia, quando esta apenas requer conhecimentos e argumentos ordinariamente compreendidos na esfera do saber do julgador. OFENSA AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. IMPROCEDÊNCIA. Não há ofensa ao devido processo legal se a Turma de origem, ainda que sucintamente, pronunciase de forma clara e precisa sobre as questões debatidas nos autos, assentandose em fundamentos suficientes para embasar a decisão, afinal o julgador não está obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos aduzidos nela impugnante. NULIDADE NO AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE INTIMAÇÃO DO REPRESENTANTE LEGAL DA PESSOA JURÍDICA. IMPROCEDÊNCIA. Considerase cientificada a pessoa jurídica cuja ciência do lançamento de ofício está registrada em Aviso de Recebimento expedido Por repartição dos Correios, pois a remessa do auto de infração, por via postal, é meio legal para a comunicação da exigência tributária. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO FORA DO RECINTO DA PESSOA JURÍDICA. "IMPROCEDÊNCIA. O auto de infração deve ser lavrado no local de verificação da falia, o que não é causa impeditiva à lavratura fora dos recintos da fiscalizada ou, ainda, no interior da repartição fiscal. NULIDADE. – DESCUMPRIMENTO À LEI n° 9.784 de 1999. IMPROCEDÊNCIA. A Lei n° 9.784, de 1999, introduziu norma geral para regular o processo administrativo, no âmbito da Administração Pública Federal. Sua aplicação é subsidiária, portanto, na disciplina do processo administrativo fiscal, que é regido pelo Decreto n° 70.235, de 1972, fonte de norma especial que afasta a incidência daquela, a teor do artigo 2°, § 2°, da Lei de Introdução ao Código Civil. COMPENSAÇÃO EXCESSIVA DA BASE NEGATIVA DA CSLL. POSTERGAÇÃO. APLICAÇÃO ANALÓGICA O artigo 6°, § 3°, alínea c, do DL 1.598, de 1977, inseriu, no conceito amplo de exclusão, a compensação de prejuízos Fl. 403DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10283.000677/0091 Resolução nº 1801000.258 S1TE01 Fl. 404 8 fiscais. Nesse sentido, os prejuízos fiscais compensados acima do limite legal podem ensejar a postergação no recolhimento do IRPJ, consoante o disposto no parágrafo 4º do referido artigo, que determina a adição de quaisquer parcelas excluídas com a inobservância do regime de competência. Por outro lado, a CSLL só foi instituída em 1989. É dizer, o legislador de 1977 não poderia imaginar que em 1989 seria instituída a contribuição referida, cuja base de cálculo, assim como o imposto de renda, parte da apuração do lucro líquido e prevê ajustes de adição e de exclusão. Diante disso, a semelhança dos.regimes de apuração entre as exações autoriza a conclusão de que o legislador de 1977 teria pensado na hipótese, o que nos leva a estender, por analogia, as regras acima mencionadas, estabelecidas no DL n° 1.598, de 1977, às bases negativas da CSLL compensadas além do teto legal, a exemplo do que sa admite para os prejuízos fiscais, quando compensados em valor superior ao permitido. Assim, restando comprovado posterior recolhimento de CSLL, o Fisco deveria destacar, no montante pago, a importância relativa ao período em que a compensação ultrapassou o limite da lei, diminuindo o valor total faltante, para fins de exigência em lançamento de ofício. Intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial, fls. 355363, com as principais alegações: 8 O respeitável voto vencedor tratou a questão posta a julgamento, nuclearmente, como de postergação de tributo, pelo quê, afirma, deveria a fiscalização ter providenciado as conciliações necessárias relacionadas ao que pagou a destempo. Com tal entendimento, proveu o recurso voluntário. 9 Não tem razão a ilustre maioria. 10 E não na tem, primeiro, porque houve violação de uma norma posta, vigente e eficaz, constante do artigo 58 da Lei n° 8.981, de 1995, que limita, para determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL sua redução em 30% (trinta por cento), por compensação de base de cálculo negativa apurada em períodosbase anteriores. 11 – A conduta da empresa recorrida foi no sentido contrário ao deverser enunciado pela norma [ e ] o r. voto vencido, finalizando a fundamentação de seu julgamento sobre a alegação de postergação, mostra idêntica preocupação com a deterioração da legislação [...]. 16 Consolidase, assim, a idéia do deverser, primeiro na prestação consistente do pagamento do tributo devido, no tempo que a lei determina, para participar das despesas públicas e, também, pelos deveres de fazer ou nãofazer impostos ao contribuinte. 17 No caso presente havia um comando normativo cujo núcleo era um dever de nãofazer: não compensar além de 30% do valor do lucro líquido das bases de cálculo negativa de CSLL. A violação da norma, como de fato foi violada e confirmada nos autos, resultando no período apurado numa irregular e injusta diminuição do valor da prestação (tributo) teve, como resultado da autuação pelo Fisco, a recomposição do valor, a sanção negativa (multa) e demais consectários econômicos. [...] 23 Mais, ainda: além das razões jurídicas apresentadas, quando a todas as luzes se demonstrou que em se tratando de compensação o descumprimento não se justifica por postergação de pagamento de tributo, também a evidente razão econômica não o permite. A razão determinante da limitação em 30% do lucro líquido ajustado, tanto Fl. 404DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10283.000677/0091 Resolução nº 1801000.258 S1TE01 Fl. 405 9 para compensação de prejuízos fiscais no IRPJ, quanto para compensação de bases de cálculo negativas de CSLL são incompatíveis com o instituto da postergação, dada a lógica dos fatos econômicos que lhes são determinantes. Conclui Por todo o exposto e, mais, pedindose vênia ao Ilustre Relator do voto vencido para adotar, como se transcrito fosse, também seu voto como razões recursais pela contextualizada interpretação de normas jurídicas e contábeis, deve ser conhecido e provido o presente recurso, restabelecendo a decisão de Primeiro Grau, determinando, embora desnecessário, que, na execução do julgado, os ajustes e conciliações econômicas sejam feitos com os pagamentos já efetuados. Em conformidade com o Despacho 3ª CÂMARA/1º CONSELHO DE CONTRIBUINTES nº 1030061/2007, de 24.03.2006, fls. 365367, assim restou decidido: Examinandose o recurso especial apresentado verificase que ele demonstrou, fundamentadamente, em que a decisão recorrida seria contrária à lei e à evidência das provas contidas nos autos, no entendimento da Fazenda Nacional, consoante o disposto no § 1°, do artigo 33, do Regimento Interno dos Conselhos dos Contribuintes, preenchendo, assim, os pressupostos legais de admissibilidade. Encaminhemse os autos à Delegacia da Receita Federal em Manaus AM, para dar ciência ao sujeito passivo do acórdão n°. 10322.389, fls. 315 a 337, e da interposição do recurso especial pela Fazenda Nacional, fls. 339 a 349, assegurandose lhe o prazo de 15 (quinze) dias para oferecer contrarazões, nos termos preconizados no artigo 34 do Regimento Interno. Intimada em 19.04.2007, fl. 369, a Recorrente, Petro Amazon Petróleo da Amazônia Ltda, apresentou em 02.05.2007, as contrarrazões ao recurso especial, fls. 370380, com as alegações a seguir resumidos. Suscita que os argumentos da Procuradoria da Fazenda Nacional não procedem, porque na compensação o IRPJ e a CSLL lançados representam mera postergação temporal. Suscita que os valores em referência foram efetivamente recolhidos e que “juntou os comprovantes de recolhimentos, DARFs, do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, para comprovar existência de lucro posterior e recolhimentos devidos”. Procura demonstrar que houve os pagamentos relativos: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica de abril de 1996, com apuração em 30 de abril de 1996, Código de Receita: 0220. Vencimento: 29 de agosto de 1997. Valor do principal: R$16.413,02. Imposto de Renda da Pessoa Jurídica de 31 de março de 1996, •data do vencimento: 31 de julho de 1997. Código de receita: 0220. Valor do principal:R$1.781,96. Imposto de Renda da Pessoa Jurídica de 31 de maio de 1996, com apuração em 31 de maio de 1996, Código de receita: 0220. Vencimento: 28 de junho de 1996. Valor do principal: R$13.889,90. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10283.000677/0091 Resolução nº 1801000.258 S1TE01 Fl. 406 10 Contribuição Social sobe o Lucro de abril de 1 , co9 apuração em 30 de abril de 1996, data do vencimento: 29 de agosto de 1977. Código 2372. Valor do principal: R$5.779,53. Contribuição Social sobre o Lucro de março de 1996, com apuração em 31 de março de 1996. Código de receita: 2372. Vencimento: 31 de julho de 1997. Valor do principal, R$838,33. Contribuição Social sobre o Lucro de maio de 1996, com apuração em 31 de maio de 1996, data do vencimento: 28 de junho de 1996. Código 2372. Valor do principal: R$5.193,04. Os recolhimentos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro comprovam a existência de lucros posteriores ao anocalendário de 1995, ano do Auto de Infração, e que os recolhimentos respectivos foram devidamente realizados, representando a compensação de prejuízos fiscais, mera postergação temporal. Apresenta a planilha de cálculo com os valores que entende corretos. Esclarece que os períodos anteriores a 26 de janeiro de 1995 foram alcançados pela decadência (§ 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional). Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS nº 0106.054, de 10.11.2008, fls. 384392: “ACORDAM os membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, determinando o retorno dos autos à Câmara recorrida para exame das questões, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Restou ementado ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1995 CSLL TRAVA PARA APROVEITAMENTO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA CONFIGURAÇÃO DE HIPÓTESE DE POSTERGAÇÃO E NÃO FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. A inobservância da trava geral hipótese de postergação quando o sujeito passivo comprova o pagamento do tributo postergado em exercícios subseqüentes. Se não demonstrada a postergação, mantémse a exigência fiscal. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. VOTO Fl. 406DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10283.000677/0091 Resolução nº 1801000.258 S1TE01 Fl. 407 11 Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Atinente à alegação sobre a postergação de pagamento, cabe esclarecer que essa questão está superada pelos termos do Acórdão da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS nº 0106.054, de 10.11.2008, fls. 384392, que a afastou de plano no seguinte sentido: Resta saber se, no presente caso, o lançamento deveria ter seguido a metodologia prescrita no Parecer Normativo COSIT n° 02/96, ou seja, se o contribuinte comprovou se tratar de mera postergação no pagamento do tributo. Pois bem, o contribuinte efetuou a compensação integral dos prejuízos fiscais existentes em 31/12/1994, nos meses de outubro, novembro e dezembro de 1995, os quais foram aceitos pela fiscalização, até o limite de 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado, sendo glosadas as parcelas superiores a esse limite. Por outro lado, demonstra que no anocalendário de 1996 apurou lucro no montante de R$ 68.861,79, sendo que não encontrei nos autos comprovação de lucro apurado nos anoscalendário subseqüentes. Quanto aos recolhimentos, o contribuinte de fato anexa aos autos vários recolhimentos, todos referentes ao anocalendário de 1996. Ocorre que da análise da DIPJ exercício 1997, anocalendário de 1996, fls.16 (dos autos de IRPJ), constatase que o contribuinte apurou R$212.782,78 à título de lucro antes da compensação de prejuízo. O total do prejuízo corresponde a R$251.783,46 (períodobase de 1991 a 1994), somado ao montante de R$107.906,78 (períodobase do anocalendário de 1995). Assim, após a compensação integral efetuada no anocalendário de 1994 restou prejuízo no montante de R$146.907,46. Do exposto, depreendese que a comprovação efetuada pelo contribuinte, relativamente ao lucro auferido e respectivos pagamentos para o anocalendário de 1996, não é suficiente a demonstrar que a utilização antecipada de prejuízo fiscal pelo contribuinte só causou os efeitos da mora. Se não vislumbrada, in casu, hipótese de postergação, deve ser reformada a decisão recorrida. Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para que, superada a alegação de postergação, outra decisão seja proferida pela Colenda Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a fim de que as demais alegações do contribuinte possam ser apreciadas. Assim, as razões de defesa constantes no recurso voluntário atinentes a essa matéria não mais podem ser analisadas nessa segunda instância de julgamento, uma vez que está definitiva na esfera administrativa, por já ter sido julgada na instância especial. Passase a apreciação das questões diferenciadas. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10283.000677/0091 Resolução nº 1801000.258 S1TE01 Fl. 408 12 A Recorrente justifica que a compensação da base de cálculo negativa apurados até 31.12.1994 não pode sofrer a limitação de 30% (trinta por cento) e por essa razão o procedimento de ofício não tem qualquer amparo normativo. No anocalendário de 1995, a pessoa jurídica, tributada com base no lucro real, deve apurar mensalmente os seus resultados, com observância da legislação comercial e fiscal. Aplicamse à CSLL as mesmas normas de pagamento para o IRPJ, mantida a base de cálculo e alíquotas previstas na legislação em vigor. Ainda para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento1. Assim, para a determinação da base de cálculo da CSLL, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, em razão da compensação da base de cálculo negativa, nos termos da Súmula CARF nº 3. Cabe ressaltar que o lançamento fundamentase no fato que para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, o lucro líquido ajustado pode ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, 30% (trinta por cento) e a Recorrente utilizou de 100% (cem por cento) do valor proveniente acumulado até 31.12.1994. Os valores alterados objeto de análise de ofício estão corretos comparativamente àqueles compensados da base de cálculo negativa da CSLL até 31.12.1994 constantes na DIRPJ do anocalendário de 1995, de acordo com o art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995, constam na Tabela 1. Tabela 1 – Valores objeto do lançamento de ofício do anocalendário de 1995 Descrição Outubro de 1995 R$ (B) Novembro de 1995 R$ (C) Dezembro de 1995 R$ (D) Lucro Líquido antes da CSLL DIRPJ 283.277,94 60.452,97 13.347,62 Compensação da Base de Cálculo Negativa da CSLL até 31.12.1994 DIRPJ 648.412,08 365.134,14 317.509,24 Compensação da Base de Cálculo Negativa até 31.12.1994 (art. 58 Lei nº 8.981, de 1995) Apurada de Ofício 84.983,38 18.135,89 4.004,28 Base de Cálculo da CSLL Apurada de Ofício 198.294,56 42.317,08 9.343,34 CSLL a Pagar Apurada de Ofício 18.026,77 3.847,00 849,39 No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar a legislação, sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto em relação à norma que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF2. 1 Fundamentação legal: art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 3º e art. 38 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, art. 12 e art. 16 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 e art. 58 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 2 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10283.000677/0091 Resolução nº 1801000.258 S1TE01 Fl. 409 13 Por seu turno, o Anexo II da Portaria MF nº 25, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do CARF, determina: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Na esfera judicial, a legislação pertinente, entretanto, é objeto de análise pelo rito do art. 543B do Código de Processo Civil junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) mediante Recurso Extraordinário em Repercussão Geral n° 591.349/SP/São Paulo pelo Ministro Relator Marco Aurélio EMENTA IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO PREJUÍZO COMPENSAÇÃO LIMITE ANUAL. Possui repercussão geral controvérsia sobre a constitucionalidade da limitação em 30%, para cada anobase, do direito de o contribuinte compensar os prejuízos fiscais do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e 15 e 16 da Lei nº 9.065/953. [...] Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada, vencidos os Ministros Celso de Mello, Eros Grau, Joaquim Barbosa e Menezes Direito. Ministro MARCO AURÉLIO Relator4. [...] RELATOR: MIN. MARCO AURÉLIO RECTE.(S): POLO INDUSTRIAL POSITIVO E EMPREENDIMENTOS LTDA ADV.(A/S): FERNANDA ELÍSSA DE CARVALHO AWADA E OUTRO(A/S) 3 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário nº 591.349/SP/São Paulo . Ministro Relator: Marco Aurélio. Tribunal Pleno. Brasília, DF, 10 de março de 2008. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28RE%24%2ESCLA%2E+E+591340 %2ENUME%2E%29+OU+%28RE%2EPRCR%2E+ADJ2+591340%2EPRCR%2E%29&base=baseRepercussao &url=http://tinyurl.com/b3losyj> .Acesso em: 07 ago.2013. 4 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário nº 591.349/SP/São Paulo . Ministro Relator: Marco Aurélio. Tribunal Pleno. Brasília, DF, 10 de março de 2008. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28RE%24%2ESCLA%2E+E+591340 %2ENUME%2E%29+OU+%28RE%2EPRCR%2E+ADJ2+591340%2EPRCR%2E%29&base=baseRepercussao &url=http://tinyurl.com/b3losyj> .Acesso em: 07 ago.2013. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10283.000677/0091 Resolução nº 1801000.258 S1TE01 Fl. 410 14 RECDO.(A/S): UNIÃO ADV.(A/S): PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL PRONUNCIAMENTO RECURSO EXTRAORDINÁRIO REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO PREJUÍZO COMPENSAÇÃO LIMITE ANUAL. 1.A Assessoria assim explicitou as balizas deste recurso extraordinário: Eis a síntese do que discutido no Recurso Extraordinário nº 591.340 6/SP, da relatoria de Vossa Excelência, para análise da conveniência de inclusão no sistema da repercussão geral. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região assentou não terem os artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95, bem como os artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/95, no que limitaram em 30%, para cada anobase, o direito do contribuinte de compensar os prejuízos fiscais do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica IRPJ e da base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, implicado ofensa à Carta da República. Abaixo a íntegra dos dispositivos legais mencionados: Lei 8.981/95 Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. [...] Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. Lei nº 9.065/95 Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. [...] Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anos calendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. No extraordinário interposto com alegada base na alínea a do permissivo constitucional, a contribuinte articula com a transgressão dos artigos 145, § 1º, 148, 150, inciso IV, 153, inciso III, e 195, inciso Fl. 410DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10283.000677/0091 Resolução nº 1801000.258 S1TE01 Fl. 411 15 I, alínea c, do Diploma Maior. Aduz terem as limitações impostas pelas Leis nº 8.981/95 e 9.065/95 configurado tributação sobre o patrimônio ou capital das empresas, e não sobre o lucro ou renda, adulterando os conceitos delineados pelo Direito Comercial e pela Carta Federal. Afirma ter sido instituído verdadeiro empréstimo compulsório, pois o contribuinte desembolsa antecipadamente o recolhimento dos tributos para, posteriormente, recuperálos com a compensação da base de cálculo negativa não utilizada. Sob o ângulo da repercussão geral, a contribuinte sustenta a relevância da questão constitucional debatida, pois a limitação da compensação de prejuízos fiscais reflete em milhões de contribuintes, tendo um imenso efeito econômico. No que diz respeito à constitucionalidade das limitações aplicáveis ao IRPJ, registro encontrarse pendente de julgamento no Pleno, a versar a matéria, o Recurso Extraordinário nº 344.9940/PR, da relatoria de Vossa Excelência, com julgamento suspenso em virtude do pedido de vista da ministra Ellen Gracie. 2.Atentem para a importância do instituto da repercussão geral, próprio ao recurso extraordinário: [...] cumpre encarar o instituto da repercussão geral com largueza. O instrumental viabiliza a adoção de entendimento pelo Colegiado Maior, com o exercício, na plenitude, do direito de defesa. Em princípio, é possível vislumbrarse grande número de processos, mas, uma vez apreciada a questão, a eficácia vinculante do pronunciamento propicia a racionalização do trabalho judiciário. Conforme ressaltado pela recorrente, tratase de matéria umbilicalmente ligada à Constituição Federal, a envolver um sem número de contribuintes. Tudo recomenda o pronunciamento do Supremo, já agora sob o ângulo da repercussão geral, valendo frisar que, até aqui, não houve a seqüência da apreciação do Recurso Extraordinário nº 344.9940/PR, no qual proferi voto no sentido da inconstitucionalidade da limitação. 3.Admito a repercussão geral. Lancem no sistema. 4.Ao Gabinete, para acompanhar no sítio do Tribunal o processamento cabível. 5.Publiquem. Brasília, 15 de setembro de 2008. Ministro MARCO AURÉLIO Relator5 Por seu turno, a Portaria CARF nº 01, de 03 de janeiro de 2012, que determina os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento do julgamento dos processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF, prevê: 5 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário nº 591.349/SP/São Paulo . Ministro Relator: Marco Aurélio. Penário Virtual. Brasília, DF, 15 de setembro de 2008. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verPronunciamento.asp?pronunciamento=2930182> .Acesso em: 07 ago.2013. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10283.000677/0091 Resolução nº 1801000.258 S1TE01 Fl. 412 16 Art. 2º Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento [...] § 1º No caso da identificação se verificar antes da sessão de julgamento do processo: I – o Conselheiro Relator deverá elaborar requerimento fundamentado ao Presidente da respectiva Turma, sugerindo o sobrestamento do processo; II – o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inciso VII do Anexo II do RICARF, determinará, por despacho: a) o sobrestamento do julgamento do recurso do processo;[...] § 3º Na ocorrência de sobrestamento, nos termos dos §§ 1º e 2º, as respectivas Secretarias de Câmara deverão receber os processos e mantêlos em caixa específica, movimentandoos para a atividade SOBRESTAMENTO. Os autos tratam de lançamento que se fundamenta no fato que para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, o lucro líquido ajustado pode ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, 30% (trinta por cento) e a Recorrente utilizouse de 100% (cem por cento) do valor proveniente acumulado até 31.12.1994. Em assim sucedendo, voto no sentido de sobrestar o julgamento do presente recurso voluntário, até o pronunciamento definitivo do STF no Recurso Extraordinário em Repercussão Geral n° 591.349/SP/São Paulo, conforme o disposto no inciso I do § 1º do art. 2º da Portaria CARF n° 1, de 3 de janeiro de 2012 e no art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do CARF. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 412DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 11831.000275/00-97
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/1989 a 31/12/1990
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL.
O erro material que rende ensejo à interposição de embargos é aquele devido a lapso manifesto, verificado no corpo da decisão embargada e não o error in judicando.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS. INEXISTÊNCIA.
Inexistindo os pressupostos que rendem ensejo ao recurso, rejeitam-se os embargos de declaração.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3403-002.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ERRO MATERIAL. O erro material que rende ensejo à interposição de embargos é aquele devido a lapso manifesto, verificado no corpo da decisão embargada e não o error in judicando. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS. INEXISTÊNCIA. Inexistindo os pressupostos que rendem ensejo ao recurso, rejeitamse os embargos de declaração. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 02 75 /0 0- 97 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Por meio do Acórdão 20218.943 o colegiado não tomou conhecimento do recurso voluntário em virtude de concomitância com processo judicial de execução, no qual se discutia a liquidação do indébito do PIS (semestralidade e índices de correção), conforme excerto do voto do Conselheiro Antonio Zomer: "(...) Afirma a recorrente que todas as compensações objeto do presente pedido foram homologadas tacitamente e que os créditos vinculados a estas compensações foram apurados segundo as regras aceitas pela Administração Tributária. À vista deste fato, há que se entender que o litígio remanesce apenas quanto ao montante total do indébito fundado na decisão judicial transitada em julgado em 1999, que é exatamente a parte discutida na ação judicial de execução, segundo informa a própria recorrente em seu recurso voluntário, e de cuja desistência não se tem notícia nos autos. Assim, se a forma de apuração dos créditos, tanto no que diz respeito ao direito à semestralidade da base de cálculo quanto aos índices de atualização monetária dos indébitos, não resta qualquer matéria diferenciada a ser apreciada neste processo administrativo. Isto porque a via judicial é opção da contribuinte, que a ela recorre no exercício de sua livre escolha, com amparo no inciso XXXV do art. 52 da Constituição Federal de 1988. No entanto, a propositura de ação judicial torna ineficaz o processo administrativo nos pontos em que haja idêntico questionamento. (...)" O contribuinte opôs embargos de declaração, sob alegação de erro material, pois a decisão teria sido lastreada em premissa não condizente com a realidade, uma vez que a desistência do processo de execução teria sido juntada aos autos com a manifestação de inconformidade. Informa que em 23/01/2006 desistiu da execução do julgado, prosseguindo apenas com a discussão sobre os percentuais que devem ser convertidos em renda da União. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator "ad hoc". Tendo em vista que o relator originário deste processo não mais integra o colegiado, passo a relatar os embargos na condição de relator "ad hoc" (art. 49, § 7º do RICARF). Não é possível aferir a tempestividade dos embargos, pois a unidade de origem não fez constar dos autos a data em que o contribuinte tomou ciência do Acórdão 202 18.943. É ônus processual da repartição zelar para que conste dos autos as datas em que o contribuinte toma ciência dos atos processuais. Não tendo se desincumbido desse ônus, o colegiado deve presumir que os embargos são tempestivos, a fim de que não haja prejuízo para o direito de defesa do contribuinte. O contribuinte apresentou os embargos sob o pressuposto da ocorrência de "erro material" no julgamento. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11831.000275/0097 Acórdão n.º 3403002.844 S3C4T3 Fl. 4 3 De erro material evidentemente não se trata, pois o "erro material" referido no art. 58 do RICC, vigente à época da interposição dos embargos, é o erro devido a lapso manifesto em cálculos ou na escrita do documento. Nos embargos o contribuinte alegou que o relator "errou" por não ter considerado o documento anexado com a impugnação no qual o contribuinte teria comprovado a desistência da execução judicial. Ora, se isso de fato aconteceu, o "erro material" alegado como fundamento dos embargos é na verdade um erro de julgamento (error in judicando), que não é passível de correção por meio de embargos de declaração. Quando muito, o que poderia ter acontecido no caso concreto seria omissão de ponto sobre o qual o colegiado deveria ter se manifestado. Esta omissão residiria no fato de o relator não ter considerado a prova anexada com a manifestação de inconformidade. E tal omissão é passível de saneamento por meio de embargos de declaração, a teor do art. 57 do RICC. Nesse passo, verificase que o relator consignou o seguinte em seu voto: "(...) À vista deste fato, há que se entender que o litígio remanesce apenas quanto ao montante total do indébito fundado na decisão judicial transitada em julgado em 1999, que é exatamente a parte discutida na ação judicial de execução, segundo informa a própria recorrente em seu recurso voluntário, e de cuja desistência não se tem notícia nos autos. (...)" (Grifei) Examinandose o documento de fls. 87 a 90, trazido aos autos junto com a manifestação de inconformidade, encontramos o seguinte excerto (fl. 89): "(...) 8. Diante disso, a Exeqüente esclarece que desiste da Execução de Sentença no que concerne à expedição de ofício precatório para pagamento do indébito tributário, ressaltandose que o presente feito deve seguir normalmente no tocante à fixação dos índices de correção monetária do principal, a ser compensado administrativamente, bem como aos percentuais de levantamento e de conversão dos depósitos judiciais efetuados nos autos da Ação Declaratória c/c Repetição de Indébito n.° 91.00055638. 9. PELO TODO ACIMA EXPOSTO, REQUER SEJA DESCONSIDERADO O PEDIDO DE EXPEDIÇÃO DE OFICIO PRECATÓRIO, ENTRETANTO, Fl. 198DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 DEVE SER' DETERMINADA A CITAÇÃO DA FAZENDA NACIONAL, NOS TERMOS DO ARTIGO 730, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL, OBJETIVANDO SEJA DECIDIDO POR ESSE MM. JUÍZO QUAIS OS CRITÉRIOS DEVEM SER UTILIZADOS PARA O CÁLCULO DO VALOR DO INDÉBITO, UMA VEZ QUE O ENTENDIMENTO DA EXECUTADA DIVERGE DAQUELE FIXADO NO MANUAL DE ORIENTAÇÃO DE PROCEDIMENTOS PARA OS CÁLCULOS NA JUSTIÇA FEDERAL (RESOLUÇÃO N.° 242, DE 03 DE JULHO DE 2001 — CAPÍTULO V — LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA — ITEM 2.2 — DO CONSELHO DE JUSTIÇA FEDERAL, ASSINADA PELO ENTÃO PRESIDENTE DO STJ, MINISTRO PAULO COSTA LEITE), POSSIBILITANDO, ASSIM, O PEDIDO COMPLEMENTAR DE COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. (...)" Portanto, se o contribuinte desistiu apenas da expedição do precatório, permanecendo a discussão judicial quanto à liquidação do indébito de PIS, a conclusão contida no acórdão embargado não partiu de premissa não condizente com a realidade e, tampouco, houve omissão de ponto sobre o qual o colegiado deveria ter se manifestado. Com esses fundamentos, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração. Antonio Carlos Atulim Fl. 199DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10945.000041/2010-70
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF.GANHOS DE CAPITAL.CESSÃO DE DIREITOS.PRECATÓRIO JUDICIAL.
O contribuinte que cede a terceiros o direito de crédito previsto em precatório judicial sujeita-se à tributação do imposto de renda sobre o ganho de capital, considerando-se na apuração o custo como zero, nos termos do artigo 16, § 4º, da Lei nº 7.713 de 1988.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 IRPF.GANHOS DE CAPITAL.CESSÃO DE DIREITOS.PRECATÓRIO JUDICIAL. O contribuinte que cede a terceiros o direito de crédito previsto em precatório judicial sujeita-se à tributação do imposto de renda sobre o ganho de capital, considerando-se na apuração o custo como zero, nos termos do artigo 16, § 4º, da Lei nº 7.713 de 1988. Recurso Voluntário Negado.
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O contribuinte que cede a terceiros o direito de crédito previsto em precatório judicial sujeitase à tributação do imposto de renda sobre o ganho de capital, considerandose na apuração o custo como zero, nos termos do artigo 16, § 4º, da Lei nº 7.713 de 1988. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 00 41 /2 01 0- 70 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10945.000041/201070 Acórdão n.º 2801003.558 S2TE01 Fl. 58 2 Adoto como relatório aquele elaborado pelo Julgador de 1ª instância, que bem descreve e resume os fatos (fl. 90), complementandoo ao final: Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 21 a 27, referente ao Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF, anocalendário 2006, que lhe exige o pagamento de imposto no valor de R$ 12.306,80, acrescido de multa de oficio de 75% e juros de mora. No Termo de Verificação Fiscal a infração apurada está descrita, fls. 17 corno a Omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, obtidos na alienação de direitos precatórios no qual o contribuinte figurava em escritura pública de cessão de crédito de precatório alimentar de sua titularidade, advindo da Ação Declaratória n° 10.878/92 que tramitou na 3' Vara de Fazenda Pública, Falências e Concordatas de Curitiba PR, tendo corno réu o Estado do Paraná que foram cedidos ã empresa Plantar Comércio de Insumos Ltda — CNPJ: 77.615.128/000194, mediante pagamento no valor de R$ 38.750,00. Inconformado, o contribuinte apresentou, em 17/02/2010 impugnação ao lançamento com as alegações abaixo transcritas: Que no caso em debate o valor da venda foi inferior ao valor do próprio precatório, portanto, afirma que não há que se falar ern ganho de capital tributável. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes, neste sentido. Alega que no próprio Termo de Verificação Fiscal consta que o Impugnante vendeu um crédito dc RS 92.528,21 por RS 38.750,00 , situação comum no qual o credor, para fazer liquidez, se obriga a vender o seu crédito com deságio, sem qualquer ganho de capital. Afirma que no caso venda de direitos originários de precatórios, somente haverá ganho de capital quando o valor da venda for superior ao valor do crédito, situação que não se verificou no caso, sendo assim, improcedente o lançamento realizado. Conhecida e tratada pela DRJ/Curitiba, a Impugnação apresentada pelo contribuinte foi considerada improcedente, mantendose o lançamento, sob as seguintes razões, em resumo: o Julgador fundamentou seu entendimento na Nota Cosit nº 26, de 29 de junho de 2000, à qual manifestouse vinculado. Tal Nota conclui que a cessão de direitos sobre precatórios recebidos da Fazenda Pública decorrentes de ações judiciais que discutiam questões laborais, submetese à apuração de imposto de renda na forma de ganho de capital e que o valor de alienação será o valor recebido do cessionário e o custo de aquisição será igual a zero, transcrevendo os artigos 2º, 3º e 16 da Lei nº 7.713/1988, e outros dispositivos legais. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10945.000041/201070 Acórdão n.º 2801003.558 S2TE01 Fl. 59 3 Dessa decisão de 1ª instância o contribuinte foi cientificado em 13/12/2011, conforme AR na fl. 49 e apresentou recurso voluntário em 06/01/2012, conforme protocolo na fl. 50. Em sede de recurso, apresenta as seguintes razões, em síntese: No caso em debate, como o valor da venda foi inferior ao valor do próprio precatório, não há que se falar em ganho de capital tributável. Diz que é nesse sentido o entendimento jurisprudencial, citando os Acórdãos 106 – 15.304 e 102 – 4.667. Conclui que no caso de venda de direitos originários de precatórios, somente haverá ganho de capital quando o valor da venda for superior ao valor do crédito, situação que não se verificou no caso presente. “...A decisão de piso foi atacada justamente no tocante ao custo zero.... Se não bastasse, tais valores dizem respeito a verbas de cunho salarial.” Desta feita, requer o Recorrente que seja provido o presente recurso cancelandose o débito fiscal reclamado (referese a “multa”). É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. A numeração de folhas a que me refiro aqui é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Apesar do contribuinte referirse ao cancelamento de “multa” no seu pedido, pelo raciocínio empreendido na impugnação e no recurso, quer manifestarse contra o valor do imposto lançado, conforme Auto de Infração que consta da folha 27. Esclareçase que a multa proporcional de 75%, calculada sobre o valor do imposto, é decorrente de lei (art. 44 da Lei 9.430/1996) e compõe o crédito tributário. (art. 161 do Código Tributário Nacional, Lei nº 5.172/66). Também observo que na parte final do recurso o contribuinte Recorrente assenta que: “se não bastasse isso, tais valores dizem respeito a verbas de cunho salarial” Pois muito bem. Se fossem os precatórios recebidos pelo contribuinte, sem a alienação de que aqui se trata, tais verbas, “de cunho salarial”, seriam devidamente alcançadas pelo imposto de renda, no momento de sua percepção. Não há que se pensar que seriam isentas. Então, se o contribuinte aliena o direito à percepção (cessão de direitos) a terceiro, por hipótese, pelo mesmo valor da decisão judicial ou por diferença a menor irrisória, no entendimento de que só haveria ganho de capital se apurada diferença a maior, eximirseia de tributação? Fl. 59DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10945.000041/201070 Acórdão n.º 2801003.558 S2TE01 Fl. 60 4 Posteriormente, o cessionário, ao receber os precatórios pelo mesmo valor que adquiriu, também não haveria que pensar em tributação? Por outro lado, como assentou o ConselheiroRelator Rodrigo Santos Masset Lacombe em seu Voto proferido no Acórdão 220101.649, 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Sessão de 19 de junho de 2012, “o argumento ... de que a cessão de crédito estaria sujeita à tributação de ganho de capital não convence pelo simples fato de ser público e notório que precatórios são créditos cedidos com deságio”. O raciocínio me parece por demais lógico, haja vista ser difícil imaginar uma cessão de créditos de precatórios, a serem recebidos em data futura, por valor superior ao constante do título, no caso, da sentença judicial. Visto isso, contudo, o cerne da questão a ser dirimida está bem delimitado pelo Auto de Infração e pela Impugnação e versa sobre o custo de aquisição a ser considerado na operação de cessão de direitos. Registro ainda que o Acórdão 10615.304 citado pelo Recorrente foi reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), no Acórdão CSRF/0401.021, de 05 de agosto de 2008, assim ementado: IRPF.GANHOS DE CAPITAL.CESSÃO DE DIREITOS.PRECATÓRIO JUDICIAL. – O contribuinte que cede a terceiros o direito de crédito previsto em precatório judicial sujeitase á tributação do imposto de renda sobre o ganho de capital, cujo custo é zero, nos termos do artigo 16, § 4º, da Lei 7.713, de 1988. Esse é, enfim, o entendimento proferido pela Câmara Superior deste CARF, não só o Acórdão acima transcrito como, à guisa de exemplo, nos Acórdãos 0400265 e 04 00431. A fundamentação para tais entendimentos tem sido baseada no § 4º do artigo 16 da Lei nº 7.713/1988 e nos argumentos de que na operação em questão, o contribuinte não pagou qualquer preço pelos precatórios, portanto não existe custo a ser considerado, e que após a cessão, não mais se trata de rendimentos do trabalho assalariado, já que o valor em tela não foi recebido do Poder Público, mediante inclusão em Lei Orçamentária, mas sim de um particular, no contexto de operação diversa da relação de trabalho. Portanto, fazse a apuração como ganho de capital e computase zero como custo de aquisição. Adotando a jurisprudência da Câmara Superior e essas razões para decidir, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 60DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10945.000041/201070 Acórdão n.º 2801003.558 S2TE01 Fl. 61 5 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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