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Numero do processo: 10945.004988/2007-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITO PRESUMIDO.
A legislação que permite pedido de ressarcimento ou compensação dos créditos presumidos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, estipula termos a quo para a sua realização. Impossível a retroatividade para pedidos realizados anteriormente à vigência daquela própria legislação, por violação aos termos por ela estipulados.
Numero da decisão: 9303-007.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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A legislação que permite pedido de ressarcimento ou compensação dos créditos presumidos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, estipula termos a quo para a sua realização. Impossível a retroatividade para pedidos realizados anteriormente à vigência daquela própria legislação, por violação aos termos por ela estipulados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 49 88 /2 00 7- 54 Fl. 1448DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento/restituição, efetuado em 27/04/2007, às efls. 02 a 05 e 1077 a 1080, pelo qual a contribuinte pretende reaver valores de Cofins de incidência não cumulativa na exportação, do 2º trimestre de 2006, no montante de R$ 2.750.240,52. O DRF de Foz do Iguaçu, no despacho decisório de efls. 1220 a 1226, em 28/07/2008, reconheceu em parte o direito creditório, no montante de R$ 1.869.528,00 e deferiu os pedidos de ressarcimento até o limite do crédito reconhecido. Irresignada, em 22/12/2008, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às efls. 1318 a 1342. A 3ª Turma da DRJ/CTA, apreciou a manifestação em 19/05/2010, e no acórdão nº 0626.659, às efls. 1345 a 1351, considerou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório em litígio. Ainda inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, às efls. 1356 a 1370, em 08/06/2010. Naquela peça argumentou, em resumo: a) é incorreta a interpretação do fisco, no ADI SRF 015/2005 de que o crédito presumido, como benefício ao exportador, tem sua existência vinculada ao art. 8º da Lei nº 10.925/2004, podendo apenas ser utilizado para compensação com a própria Cofins, pois as disposições constitucionais e o arcabouço normativo vigente ainda permitem o direito ao ressarcimento além da compensação desses créditos; b) o STF já se posicionou quanto à inconstitucionalidade da vedação da tomada desses créditos; e c) há violação ao princípio da isonomia entre contribuintes exportadores e aqueles dedicados ao mercado interno quanto à utilização desses créditos presumidos. A 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento apreciou o recurso na sessão de 24/04/2013, resultando no acórdão de nº 3102001.831, às e fls. 1372 a 1379, o qual teve a seguinte ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. NÃO CUMULATIVIDADE. FORMA DE UTILIZAÇÃO. PEDIDO REALIZADO ANTES DA LEI Nº 12.058/2009. O fato do pedido de ressarcimento ser realizado antes da lei nº 12.058/2009 não obsta o ressarcimento ou compensação do crédito com outros tributos ou contribuições administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O acórdão foi assim lavrado: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. A Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada do acórdão nº 3102 001.831 em 09/08/2013 (efl. 1381), e contra ele manejou embargos de declaração em 10/09/2013, às efls. 1382 a 1387. A Procuradora aponta contradição entre os fundamentos da decisão a decisão, assim como omissão. Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 10945.004988/200754 Acórdão n.º 9303007.508 CSRFT3 Fl. 1.449 3 O Presidente da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, analisou os embargos no despacho de efls. 1390 a 1396, em 30/06/2016, negandolhe seguimento, Recurso especial da Fazenda Em 25/11/2016, foi dada ciência à Procuradoria da Fazenda Nacional (efl. 1397) do despacho de efls. 1390 a 1396 a qual interpôs recurso especial de divergência ao acórdão nº 3102001.831, em 12/12/2016, às efls. 1398 a 1417. A procuradora aponta divergência entre o acórdão a quo e os paradigmas de nº 3302000.597 e nº 3403003.166. No acórdão recorrido, entendeuse ser possível o ressarcimento ou compensação dos saldos dos créditos presumidos em discussão com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, em razão do advento da Lei nº 12.058/2009. Já nos paradigmas, aplicouse, corretamente, a legislação vigente no momento do encontro de contas, ou seja, da apresentação dos pedidos de compensação, não sendo aplicada a nova legislação aos casos concretos, pois as condições ali impostas para autorizar o ressarcimento e a compensação do referido crédito não foram verificadas, dado que os pleitos foram apresentados antes mesmo da publicação desses diplomas. Já no acórdão recorrido, O Presidente da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte em 16/03/2017, no despacho de e fls. 1419 a 1423, com base nos arts. 67 e 68 Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento. Contrarrazões da contribuinte A contribuinte teve ciência do acórdão 3102001.831 , do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho da sua admissibilidade de efls. 1419 a 1423, em 26/06/2017 (efl. 1426), tendo oferecido suas contrarrazões, em 04/07/2017 (efl. 1427), às efls. 1429 a 1445. Em seu contrarrazoado, resumidamente, refaz parte da argumentação de seu recurso voluntário no tocante a inaplicabilidade do ADI SRF nº 15/2005 e invoca a possibilidade de aplicação retroativa do art. 36 da Lei nº 12.058/2009, com base no art. 106 do CTN reforçada por entendimentos havidos em julgados do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência do Procurador é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e por isso dele conheço. Fl. 1450DF CARF MF 4 Com a vigência da Lei nº 10.925 de 23/07/2004, a partir de agosto daquele ano, a legislação deixa de possibilitar a compensação ou o ressarcimento de créditos presumidos de agroindústria de PIS ou Cofins de operações de exportação, podendo apenas servir para abater o PIS ou Cofins devido na sistemática da não cumulatividade. Ou seja, o valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925/2004, art. 8º, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS ou Cofins apurado no regime de incidência não cumulativa. O pedido de ressarcimento, aqui em litígio, foi efetuado em 27/04/2007, relativamente a créditos de 2006. Entendo que a legislação vigente à época, conforme interpretação do ADI SRF nº 15/2005, não permitia tal ressarcimento em face da lei acima citada. Tal entendimento, do ADI nº 15/2005, foi acatado no voto do acórdão a quo que argumentou inclusive sobre sua aceitação pelo STJ. Contudo, o relator do acórdão altera a solução para o caso em razão de legislação superveniente, a Lei nº 12.058 de 13/10/2009, a qual, em seu artigo 36, incisos I e II, com efeito a partir de novembro de 2009, possibilitava a compensação com quaisquer outros tributos, vencidos ou vincendos, administrados pelo RFB, ou ainda o ressarcimento em espécie, conforme abaixo se observa: Art. 36. O saldo de créditos presumidos apurados na forma do§ 3odo art. 8o da Lei no10.925, de 23 de julho de 2004, relativo aos bens classificados nos códigos 01.02, 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 da NCM, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 1o O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput deste artigo somente poderá ser efetuado: I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2004 a 2007, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei; II relativamente aos créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre janeiro de 2009 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1o de janeiro de 2010. § 2o O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos§§ 8ºe 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e§§ 8ºe9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 10945.004988/200754 Acórdão n.º 9303007.508 CSRFT3 Fl. 1.450 5 Já a contribuinte em contrarrazões, invocando o alcance retroativo das leis, com base no art. 106 do CTN, adiciona mais um argumento, decorrente agora da Lei nº 12.350 de 20/12/2010, em seus artigos 56A e 56B, os quais abaixo transcrevo: Art. 56A. O saldo de créditos presumidos apurados a partir do anocalendário de 2006 na forma do § 3o do art. 8o da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes na data de publicação desta Lei, poderá:(Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria;(Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). § 1o O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput somente poderá ser efetuado:(Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2006 a 2008, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação desta Lei;(Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). II relativamente aos créditos apurados no anocalendário de 2009 e no período compreendido entre janeiro de 2010 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1o de janeiro de 2012.(Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). § 2o O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8o e 9odo art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.(Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Art. 56B. A pessoa jurídica, inclusive cooperativa, que até o final de cada trimestrecalendário, não conseguir utilizar os créditos presumidos apurados na forma do inciso II do § 3o do art. 8o da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, poderá:(Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). I efetuar sua compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria;(Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). II solicitar seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Parágrafo único. O disposto no caput aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita auferida com a venda Fl. 1452DF CARF MF 6 no mercado interno ou com a exportação de farelo de soja classificado na posição 23.04 da NCM, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8o e 9o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.(Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Assim, a questão em discussão neste recurso especial de divergência, prende se apenas à aplicação das normas acima transcritas. Primeiramente, saliento que a Lei nº 10.925/2010, foi trazida como reforço em sede de contrarrazões pela contribuinte, haja vista que não fazia parte nem do acórdão recorrido nem do recurso especial da Procuradora. Grifei nas normas transcritas o que me parece essencial para evidenciar a razão do meu posicionamento, e este é simples: tanto o § 1º do art. 36 da Lei nº 12.058/2009, quanto o § 1º do art. 56A da Lei nº 12.350, de redações idênticas, contém a palavra "somente", que sublinhei e esta alcança os dois incisos de cada um daqueles parágrafos. Assim, somente a partir do momento apontado pelos incisos, os respectivos créditos dos anos indicados em cada um deles poderia ser compensado. § 1o O pedido de ressarcimento... dos créditos presumidos... de que trata o caput... somente poderá ser efetuado: I ... a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação desta Lei; Logo, não há como fazer a norma retroagir em relação aos pedidos feitos anteriormente a ela quando especificamente faz remissões não só ao créditos, mas também ao momento para a execução dos pedidos. Ao mesmo tempo que amplia as possibilidades para aproveitamento dos créditos, estipula termo a quo para a realização dos pedidos. No caso concreto, entendo que a retroação implicaria violação da própria lei. Assim, pela literalidade da lei, e por razões de lógica, só podem ser aceitos os pedidos posteriores à sua vigência. Já o art. 56B, invocado pela contribuinte, não tem qualquer relação com o processo, pois seria aplicável somente a custos ou despesas vinculados com a venda de farelo de soja e a contribuinte não indicou quaisquer vendas desse produto em sua argumentação e nos autos, não conseguimos encontrar qualquer registro de venda que não se prenda a produtos de origem animal no trimestre. Dessarte, entendo que em face da literalidade da lei, não se pode acatar o pedido de ressarcimento da contribuinte e por isso deve ser mantida a decisão de piso da DRJ. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 10945.004988/200754 Acórdão n.º 9303007.508 CSRFT3 Fl. 1.451 7 Fl. 1454DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13826.000170/2005-45
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
COFINS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO.
Aplica-se à cooperativa de crédito a legislação da COFINS relativa às instituições financeiras. Irrelevante, portanto, a distinção entre atos cooperativos e não cooperativos.
Nos termos da Lei n° 9.718/98 e da Medida Provisória n° 1.807, de 28/01/1999, atual MP n° 2.158-35/2001, a partir de fevereiro de 1999 as cooperativas de credito, na condição de instituição financeira, passaram a recolher a COFINS sobre o faturamento ou receita operacional, com as deduções especificas estabelecidas na leis 9.701 e 9.718, de 1998.
Recurso Especial do contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-007.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Julgamento iniciado na reunião de 09/2018 e concluído na sessão de 16/10/2018.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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COOPERATIVAS DE CRÉDITO. Aplicase à cooperativa de crédito a legislação da COFINS relativa às instituições financeiras. Irrelevante, portanto, a distinção entre atos cooperativos e não cooperativos. Nos termos da Lei n° 9.718/98 e da Medida Provisória n° 1.807, de 28/01/1999, atual MP n° 2.15835/2001, a partir de fevereiro de 1999 as cooperativas de credito, na condição de instituição financeira, passaram a recolher a COFINS sobre o faturamento ou receita operacional, com as deduções especificas estabelecidas na leis 9.701 e 9.718, de 1998. Recurso Especial do contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Julgamento iniciado na reunião de 09/2018 e concluído na sessão de 16/10/2018. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 6. 00 01 70 /2 00 5- 45 Fl. 890DF CARF MF Processo nº 13826.000170/200545 Acórdão n.º 9303007.490 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência do contribuinte (fls. 740/765), admitido pelo despacho de fls. 863/865, que se insurge contra o Acórdão 3102001.587 (fls. 719/726), de 21/08/2012, o qual negou provimento ao recurso voluntário, e cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 COFINS. COOPERATIVA DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA. Nos termos da Lei n° 9.718/98 e da Medida Provisória n° 1.807, de 28/01/1999, atual MP n° 2.15835/2001, a partir de fevereiro de 1999 as cooperativas de crédito, na condição de instituição financeira, passaram a recolher a COFINS sobre o faturamento ou receita operacional, com as deduções específicas estabelecidas na leis nº 9.701 e 9.718, de 1998. Recurso Voluntário Negado Em suma, alega que seu pedido de repetição de indébito (11/99 a 11/2004), cumulado com DCOMP, foi sobre as receitas decorrentes de atos cooperativos, sob o fundamento de que "as sociedades cooperativas de crédito, por praticarem somente atos cooperativos, gozam da não incidência da contribuição COFINS sobre suas operações, e, ao final, declarando o indébito tributário, e homologando as compensações realizadas." A Fazenda Nacional, em contrarrazões (fls. 867/874), pugna pelo improvimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso nos termos em que admitido, uma vez que os paradigmas envolviam mérito semelhante em relação à cooperativas de crédito. Assim, devolvido ao nosso conhecimento a questão quanto à tributação de receitas operacionais de entidades financeiras cooperativas. Fl. 891DF CARF MF Processo nº 13826.000170/200545 Acórdão n.º 9303007.490 CSRFT3 Fl. 4 3 A natureza das cooperativas de crédito tem matriz constitucional. E a redação antiga e a atual (dada pela EC 40/2003) do art. 192, deixam isso expresso: Art. 192. O sistema financeiro nacional, estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos interesses da coletividade, será regulado em lei complementar, que disporá, inclusive, sobre: VIII o funcionamento das cooperativas de crédito e os requisitos para que possam ter condições de operacionalidade e estruturação próprias das instituições financeiras. Redação dada pela EC 40/2003: "Art. 192. O sistema financeiro nacional, estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos interesses da coletividade, em todas as partes que o compõem, abrangendo as cooperativas de crédito, será regulado por leis complementares que disporão, inclusive, sobre a participação do capital estrangeiro nas instituições que o integram." Dúvida não resta, por conseguinte, que as cooperativas de crédito tem natureza de instituição financeira nos termos da Lei que regula o sistema financeiro nacional (Lei 4595/64), conforme dispõe seus art. 7º, I, 16, e arts. 17, § 1º do art. 18 e art. 40, abaixo transcritos: SEÇÃO IV Das instituições financeiras privadas Art. 7º Junto ao Conselho Monetário Nacional funcionarão as seguintes Comissões Consultivas: I Bancárias, constituída de representantes: ... 16 das Cooperativas que operam em crédito. Capítulo IV Das Instituições Financeiras Seção I Da caracterização e subordinação Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Parágrafo único. Para os efeitos desta lei e da legislação em vigor, equiparamse às instituições financeiras as pessoas físicas que exerçam qualquer das atividades referidas neste artigo, de forma permanente ou eventual. Fl. 892DF CARF MF Processo nº 13826.000170/200545 Acórdão n.º 9303007.490 CSRFT3 Fl. 5 4 Art. 18. As instituições financeiras somente poderão funcionar no País mediante prévia autorização do Banco Central da República do Brasil ou decreto do Poder Executivo, quando forem estrangeiras. § 1º Além dos estabelecimentos bancários oficiais ou privados, das sociedades de crédito, financiamento e investimentos, das caixas econômicas e das cooperativas de crédito ou a seção de crédito das cooperativas que a tenham, também se subordinam às disposições e disciplina desta lei no que for aplicável, as bolsas de valores, companhias de seguros e de capitalização, as sociedades que efetuam distribuição de prêmios em imóveis, mercadorias ou dinheiro, mediante sorteio de títulos de sua emissão ou por qualquer forma, e as pessoas físicas ou jurídicas que exerçam, por conta própria ou de terceiros, atividade relacionada com a compra e venda de ações e outros quaisquer títulos, realizando nos mercados financeiros e de capitais operações ou serviços de natureza dos executados pelas instituições financeiras. Art. 40. As cooperativas de crédito não poderão conceder empréstimos senão a seus cooperados com mais de 30 dias de inscrição. Parágrafo único. Aplicase às seções de crédito das cooperativas, em qualquer tipo o disposto neste artigo.” Como toda instituição financeiras, seus atos são regulados pelo Banco Central do Brasil, em especial a Resolução CMN/BACEN nº 3.321, de 2005. De outro turno, as instituições financeiras, portanto as sociedades cooperativas de crédito, foram expressamente erigidas à condição de contribuinte por força do art. 72 do ADCT. "Art. 72. Integram o Fundo Social de Emergência: (Incluído pela Emenda Constitucional de Revisão 1/1994) III a parcela do produto da arrecadação resultante da elevação da alíquota da contribuição social sobre o lucro dos contribuintes a que se refere o § 1º do Art. 22 da Lei nº 8.212. de 24 de julho de 1991, a qual, nos exercícios financeiros de 1994 e 1995, bem assim no período de 1 2 de janeiro de 1996 a 30 de junho de 1997, passa a ser de trinta por cento, sujeita a alteração por lei ordinária, mantidas as demais normas da Lei n 2 7.689, de 15 de dezembro de 1988; (Redação dada pela Emenda Constitucional n2 10. de 1996) (..) V a parcela do produto da arrecadação da contribuição de que trata a Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, devida pelas pessoas jurídicas a que se refere o inciso III deste artigo, a qual será calculada, nos exercícios financeiros de 1994 a 1995, bem assim nos períodos de 1º de janeiro de 1996 a 30 de junho de 1997 e de 1º de julho de 1997 a 31 de dezembro de Fl. 893DF CARF MF Processo nº 13826.000170/200545 Acórdão n.º 9303007.490 CSRFT3 Fl. 6 5 1999, mediante a aplicação da alíquota de setenta e cinco centésimos por cento, sujeita a alteração por lei ordinária posterior, sobre a receita bruta operacional, como definida na legislação do imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 17, de 1997)" A norma constitucional prevê, assim, claramente a incidência do PIS sobre a receita operacional das pessoas jurídicas elencadas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8212/1991, dentre as quais figuram as cooperativas de crédito, tal como se lê abaixo: "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada A Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... § 1º No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, e devida a contribuição adicional de 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento) sobre a base de cálculo definida no inciso I deste artigo. 11 O sujeito passivo, como nos vários casos em que me debrucei, restringese a vetusta alegação de que os atos cooperativos não são tributados, e ponto, como se todas as cooperativas tivessem a mesma natureza, independentemente de provar quais atos são e quais não são cooperativos. Mas não concordo com essa tese, pois assim como o legislador constituinte, também o ordinário delas tratou sua tributação de forma distinta das demais cooperativas. Portanto, a sociedade cooperativa de crédito é considerada instituição financeira. Resta analisar o que a legislação especifica quanto à contribuição para o PIS e Cofins das instituições financeiras, no período objeto do lançamento. A Lei 9.701 de 17.11.1998 assim estabeleceu em seu art. 1º: “Art. 1º Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, poderão efetuar as seguintes exclusões ou deduções da receita bruta operacional auferida no mês: (......)” Fl. 894DF CARF MF Processo nº 13826.000170/200545 Acórdão n.º 9303007.490 CSRFT3 Fl. 7 6 Em relação ao cálculo da contribuição em foco, a MP nº 1617/1997 e reedições, convertidas na Lei nº 9.701/1998, por seu turno, estabeleceu as seguintes exclusões: Art. 1º. Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as pessoas jurídicas referidas no § 1 2 do art. 22 da Lei n 2 8.212, de 24 de julho de 1991, poderão efetuar as seguintes exclusões ou deduções da receita bruta operacional auferida no mês: I reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como prejuízo, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio liquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; II valores correspondentes a diferenças positivas decorrentes de variações nos ativos objetos dos contratos, no caso de operações de "swap" ainda não liquidadas; III no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de credito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas de captação em operações realizadas no mercado interfinanceiro, inclusive com títulos públicos; b) encargos com obrigações por refinanciamentos, empréstimos e repasses de recursos de órgãos e instituições oficiais; c) despesas de câmbio; d) despesas de arrendamento mercantil, restritas a empresas e instituições arrendadoras; e) despesas de operações especiais por conta e ordem do Tesouro Nacional As normas do ordenamento jurídico anterior, que estabeleciam a incidência do PIS na alíquota de 1 % sobre a folha de salários (atos praticados com associados) e na alíquota de 0,65 % da receita operacional bruta (atos praticados com nãoassociados), tornaramse inaplicáveis no período de vigência das regras estabelecidas pelo Fundo Social de Emergência. Como se observa, com a promulgação das Emendas Constitucionais nº 01/1994, 10/1996 e 17/1997, o legislador deliberou criar o Fundo Social de Emergência, uma situação atípica e contingencial, como o próprio nome diz, estabelecendo, em caráter temporário, a incidência do PIS sobre a receita bruta operacional das cooperativas de crédito e demais instituições financeiras. Dessa forma, a legislação anterior não foi recepcionada pelas Fl. 895DF CARF MF Processo nº 13826.000170/200545 Acórdão n.º 9303007.490 CSRFT3 Fl. 8 7 novas regras constitucionais, por incompatível com as alterações promovidas pelas Emendas Constitucionais n° 01, de 1994, 10, de 1996 e 17, de 1997. Desse modo, no tocante às cooperativas de crédito, a ECR n° 01, de 1994 instituiu, para os fatos geradores ocorridos a partir de julho de 1994, a incidência do PIS na alíquota de 0,75 % da receita bruta operacional, revogando, de forma tácita, durante a vigência do Fundo Social de Emergência, a incidência do PIS sobre a folha de salários na alíquota de 1%, estabelecida pela legislação anterior. Essa alteração foi ratificada com a publicação da MP n° 1.212, de 28 de novembro de 1995, que, ao estabelecer as hipóteses de incidência do PIS para as pessoas jurídicas em geral, excluiu expressamente de seu alcance, em seu art. 12, as instituições financeiras (aí incluídas as cooperativas de crédito), remetendoas à legislação específica (EC n°01/94): Art. 12. O disposto nesta Medida Provisória não se aplica às pessoas jurídicas de que trata o § 1º do art. 22 da Lei n°8.212, de 24 de julho de 1991, que para fins de determinação da contribuição para o PIS/PASEP observarão legislação específica. A citada MP nº 1.212, de 1995, editada em consequência da suspensão pelo Senado Federal dos Decretoslei nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, foi reeditada sucessivamente até sua conversão na Lei nº 9.715, de 1998. De sua feita, as cooperativas de crédito, assim como as demais instituições financeiras estavam isentas de COFINS, nos moldes do art. 6º da LC 70/91. Entretanto, o conceito de faturamento foi alterado a partir da vigência da Lei nº 9.718/1998, ampliando o campo de incidência do PIS/PASEP e da Cofins. De acordo com os arts. 2° e 3° da Lei 9.718/99, abaixo transcrito, o conceito de receita bruta passou a englobar a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada. Assim, a partir de 01/02/1999, a base de cálculo dessas contribuições passou a ser a totalidade das receitas auferidas, independentemente desta ser oriunda de ato cooperativo, sendo, contudo, permitidas algumas exclusões e deduções (§ 2 do art. 3°). Vejase o teor das referidas normas; Art 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COF1NS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art.3° Q faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. ... § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no §1 2 do art. 22 da Lei n2 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, Fl. 896DF CARF MF Processo nº 13826.000170/200545 Acórdão n.º 9303007.490 CSRFT3 Fl. 9 8 para os efeitos da COF1NS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6°1 Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no parágrafo anterior, poderão excluir ou deduzir: 1 no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operação de hedge; Acrescentese que, no caso específico das sociedades cooperativas de crédito, e demais instituições financeiras, há autorização para dedução de outros valores da receita bruta mensal para a determinação a base de cálculo das contribuições (§ 5° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998), que está regulamentado pelos artigos 10 e 26 do Decreto n°4.524, de 17 de dezembro de 2002. Assim, em virtude das alterações introduzidas pela Lei nº 9.718/1998, na apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins, as Sociedades Cooperativas de Crédito passaram a recolher as citadas contribuições sobre a sua receita bruta, independentemente de ser oriunda de ato cooperativo ou não cooperativo. Donde conclui se que a sociedade cooperativa de crédito, na condição de instituição financeira, é contribuinte da contribuição para o PIS e da Cofins, nos moldes determinados expressamente pela legislação referenciada. Portanto, resta prejudicada a análise quanto a não tributação sobre os atos cooperativos. Na verdade, é irrelevante para as sociedades cooperativas de crédito, a distinção entre atos cooperativos e não cooperativos, para fins de tributação do PIS/COFINS, face a legislação vigente. E o entendimento ora esposado não dissente da antiga jurisprudência desta Turma. 1 A MP 1807, de 29/01/1999, que alterou a legislação do PIS/COFINS reduziu a alíquota da contribuição para 0,65% e acrescentou o § 6º ao art. 3º da Lei 9.718/98. Fl. 897DF CARF MF Processo nº 13826.000170/200545 Acórdão n.º 9303007.490 CSRFT3 Fl. 10 9 Acórdão nº 9303003.270 COFINS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. PERÍODOS DE APURAÇÃO A PARTIR DE FEVEREIRO DE 1999. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. INCIDÊNCIA. EXCLUSÕES NA BASE DE CÁLCULO. A isenção da COFINS relativa às cooperativas de crédito, concedida pelo parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar nº 70/91, foi revogada tacitamente pela Lei nº 9.718/98, com efeitos a partir de fevereiro de 1999, mês a partir do qual Contribuição passou a incidir sobre o faturamento ou receita bruta definido pelo art. 3º da referida Lei, com as deduções específicas estabelecidas no § 6º desse artigo. Nos termos da Lei nº 10.676/2003, também poderão ser deduzidas da base de cálculo, a partir de novembro de 1999, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, limitadas ao valor destinado para a constituição do Fundo de Reserva (FATES) e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (RATES), previstos no art. 28 da Lei nº 5.764/71. Recurso Especial do Contribuinte Negado. (Redator Conselheiro Henrique Pinheiro Torres j. 04/02/2015) Frente ao exposto, máxima vênia, divirjo do eminente Conselheiro Demes Brito, que no Acórdão 9303005.786, de 20/09/2017, aplicou à sociedade cooperativa naqueles autos (PA 01/01/2002 a 31/12/2004) o entendimento expresso nos Recursos Especiais 1.164.716 e 1.141.667, julgados sob o rito dos recursos repetitivos. Com o devido respeito, entendo que eles não se aplicam tratandose de sociedade cooperativa de crédito, mormente no período objeto da exação. Ressaltese que o STF no RE 599.362RJ, no rito de repercussão geral, manifestouse sobre a possibilidade de tributação dos atos cooperativos em relação às contribuições sociais, embora o caso em si verse sobre cooperativas de trabalho. Transcrevo a ementa desse julgado: Recurso extraordinário. Repercussão geral. Artigo 146, III, c, da Constituição Federal. Adequado tratamento tributário. Inexistência de imunidade ou de não incidência com relação ao ato cooperativo. Lei nº 5.764/71. Recepção como lei ordinária. PIS/PASEP. Incidência. MP nº 2.15835/ 2001. Afronta ao princípio da isonomia. Inexistência. 1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c, CF é dirigido ao ato cooperativo. A norma constitucional concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes. 2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. Fl. 898DF CARF MF Processo nº 13826.000170/200545 Acórdão n.º 9303007.490 CSRFT3 Fl. 11 10 3. A definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador. Até que sobrevenha a lei complementar que definirá esse adequado tratamento, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso ou prejudicial ao ato cooperativo e respeitando, ademais, as peculiaridades das cooperativas com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais. 4. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, só a análise da subsunção do fato na norma de incidência específica, em cada caso concreto, dirá. 5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de trabalho, na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores associados. 6. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável. 7. Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social “será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei” (art. 195, caput, da CF/88). 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.15835/ 2001. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. 9. É possível, senão necessário, estabeleceremse diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. 10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal dá provimento para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração Fl. 899DF CARF MF Processo nº 13826.000170/200545 Acórdão n.º 9303007.490 CSRFT3 Fl. 12 11 Esse julgamento do STF ocorreu em 06/11/2014, e, de forma hialina, assentou que não é inconstitucional tributar ato cooperativo. Os repetitivos a que aludiu o i. Conselheiro Demes Brito, que fiz menção alhures, concluiu que os atos cooperativos típicos, mais especificamente aqueles submetidos ao julgamento, não poderiam ser tributados porque na hipótese seria caso de não incidência tributária por força de lei. Observo que no RE 1164716 MG, o caso tratavase da "Cooperativa dos Instrutores de Formação Profissional e Promoção Social Rural Ltda COOPIFOR", e no RE 1141667 a parte era "Cooperativa dos Citricultores Ecológicos do Vale do Caé Ltda ECOCITRUS". O tipo dessas cooperativas em nada se assemelham a uma cooperativa de crédito, pois sabemos que estas últimas tem toda uma regulamentação diferenciada, inclusive em nível de Constituição Federal, bem como em nível infraconstitucional regramento e fiscalização como instituição financeira pelo Banco Central. Em pesquisa ao sítio do STJ, reparei existirem algumas decisões proferidas após esses repetitivos. Na pesquisa de jurisprudência de repetitivos no sítio do STJ tem um link com o seguinte título "Acórdãos posteriores ao Repetitivo". Nessa pesquisa depareime com o seguinte julgado: AgInt nos EDcl no RE nos EDcl no AgRg no REsp 686511 / RS, julgado em 29/06/2018: AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. ATO COOPERATIVO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. TEMAS 516 E 536/STF. SOBRESTAMENTO. 1. A agravante entende que a hipótese dos autos não se amolda ao precedente afetado à sistemática de repercussão geral, por entender que o Tema 516/STF aborda apenas atos das cooperativas de trabalho, enquanto, na hipótese, trata de "cooperativa de crédito". 2. Contudo, conforme consignado quando do julgamento dos embargos de declaração, não se pode inferir do Tema 516/STF que sua aplicabilidade se restringe às cooperativas de trabalho, pois o acórdão que afetou o tema fala de "valores recebidos pelas cooperativas", sem nenhuma mitigação. 3. Aliás, quanto ao tema da incidência de contribuições sociais sobre as atividades das cooperativas, há, em verdade, dois precedentes afetados. 4. O Plenário do STF reconheceu a existência de repercussão geral no RE 672.215RG/CE, oportunidade em que será decidida a questão da "incidência de COFINS, PIS e CSLL sobre o produto de ato cooperado ou cooperativo" (Tema 536/STF), e no RE 597.315RG/RJ, ocasião em que será solucionada a "Sujeição passiva das cooperativas à contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS" (Tema 516/STF), controvérsias que se assemelham ao presente caso. Fl. 900DF CARF MF Processo nº 13826.000170/200545 Acórdão n.º 9303007.490 CSRFT3 Fl. 13 12 5. A incidência dos referidos temas às cooperativas de crédito é referendado por precedentes do STF: RE 965.113 EDAgR, Rel. Min. Dias Toffoli, Segunda Turma, julgado em 6/10/2017, publicado em 31/10/2017; RE 594.695 AgRAgR, Rel. Min. Marco Aurélio, Primeira Turma, julgado em 5/5/2015, publicado em 25/5/2015). 6. "Destacase que no referido tema 536, o Pleno da Corte voltará a analisar, em sede de repercussão geral, a matéria da tributação das cooperativas em geral, considerados os conceitos constitucionais de 'ato cooperativo', 'receita de atividade cooperativa' e 'cooperado'" (RE 1.082.173, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 27/10/2017, publicado em 6/11/2017.). 7. Inexiste, portanto a alegada restrição do entendimento a outras cooperativas que não sejam as de crédito. 8. A toda evidência, o único equívoco da decisão agravada é quando determina o sobrestamento apenas pelo Tema 516, quando o correto é o sobrestamento por ambos os temas (516 e 536). Agravo interno improvido. Assim, o que se constata é que quando a discussão que chega ao STJ é sobre a tributação de Cooperativas de Crédito, aquela Corte está sobrestando os processos para aguardar o que o STF vai decidir no julgamento dos temas 516 e 536. Ou seja, não estão aplicando o que decidiram nos repetitivos aos quais o Dr. Demes Brito se reporta quando a cooperativa seja de crédito. Portanto, não há qualquer vinculação aos repetitivos nos Recursos Especiais 1.164.716 e 1.141.667 em se tratando de cooperativas de crédito. Dessarte, deve ser mantido o aresto recorrido. DISPOSITIVO Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 901DF CARF MF Processo nº 13826.000170/200545 Acórdão n.º 9303007.490 CSRFT3 Fl. 14 13 Fl. 902DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.905889/2008-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001
EMENTA
COFINS. NORMA DE EFICÁCIA CONTIDA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. A norma inserida no artigo 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98 (revogada posteriormente pela Medida Provisória nº 1991-18/2000), previa que a exclusão de crédito tributário estava vinculada a edição de norma regulamentadora pelo Executivo. Embora vigente, tal exclusão não teve eficácia no mundo jurídico, uma vez não editado o decreto regulamentador. Em decorrência da ausência de regulamentação, não há de se reconhecer direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de COFINS. Precedentes: STJ-AgRg no REsp 1132743/RS, CARF-Acórdão 202-18928, proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho, em 09.04.2008, nos autos do processo nº 13821.000005/2003-71; e CARF-Acórdão 203-08986, proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho, em 11.06.2003, nos autos do processo nº 13520.000068/2002-31.
Numero da decisão: 3001-000.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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Recorrente MÁQUINAS BECKER LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 EMENTA COFINS. NORMA DE EFICÁCIA CONTIDA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. A norma inserida no artigo 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98 (revogada posteriormente pela Medida Provisória nº 199118/2000), previa que a exclusão de crédito tributário estava vinculada a edição de norma regulamentadora pelo Executivo. Embora vigente, tal exclusão não teve eficácia no mundo jurídico, uma vez não editado o decreto regulamentador. Em decorrência da ausência de regulamentação, não há de se reconhecer direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de COFINS. Precedentes: STJAgRg no REsp 1132743/RS, CARFAcórdão 20218928, proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho, em 09.04.2008, nos autos do processo nº 13821.000005/200371; e CARFAcórdão 20308986, proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho, em 11.06.2003, nos autos do processo nº 13520.000068/200231. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 58 89 /2 00 8- 41 Fl. 66DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório O Contribuinte, Máquinas Becker Ltda., apresentou Pedido de Ressarcimento ou Restituição, acompanhado de Declaração de Compensação, pelo recolhimento a maior a título de COFINS, visto que não observou a alteração da base de cálculo. Por meio de Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRFB Porto Alegre não homologou a compensação declarada, por ausência de direito creditório oponível ao Fisco. Na Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte reafirma o direito de compensação. Para tanto, alega que efetuou pagamento de valores devidos a título de PIS e Cofins com a utilização de base de cálculo errônea, utilizando forma de cálculo diversa da disposta na Lei n° 9.718/1998. Afirma, ainda, que deixou de implementar as deduções previstas no art. 3°, § 2° da Lei n° 9.718/1998, especialmente aquela prevista no inciso III do § 2° do art.3° da referida norma, deixando de excluir da base de cálculo da contribuição valores repassados a terceiros. No julgamento da Manifestação de Inconformidade, em sessão realizada em 09 de janeiro de 2009, a 2ª Turma da DRJ/POA não homologou a compensação, cujo fundamento central está retratado no seguinte excerto das razões do voto formulado pelo Relator (fls. 34), a saber: Dessa forma, é de se negar provimento à pretensão da impugnante de conferir eficácia ao dispositivo legal que, não tendo o atributo da autoexecutoriedade, foi revogado pela Medida Provisória n° 1.99118, de 2000, não produzindo efeitos no curso de sua vigência, por não ter sido regulamentado pelo Poder Executivo. Regularmente intimado da decisão de 1ª instância, conforme AR recebido no dia 29.01.2009, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, em 10.02.2009. Alega, síntese, que “as contribuições ao PIS e COFINS incidiam sobre o faturamento das empresas. Esta situação perdurou até o advento da Lei 9.718/98, que perfectibilizou profundas alterações na natureza jurídica das referidas contribuições, especialmente no que diz respeito às suas bases de cálculo. Esta nova norma, que revogou parte das Leis Complementares 07/70 e 70/91 elegeu como base imponível das contribuições a receita bruta das empresas, que foi equiparada ao faturamento para fins de incidência dos tributos” (fls. 40). É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 67DF CARF MF Processo nº 11065.905889/200841 Acórdão n.º 3001000.571 S3C0T1 Fl. 3 3 Conforme relatado, tratase de recurso voluntário interposto por MÁQUINAS BECKER LTDA em face de Acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/POA. Regularmente intimado da decisão de 1ª instância, conforme AR recebido no dia 29.01.2009, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, em 10.02.2009, subscrito por procurador habilitado, e atendidos os demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão n° 3001000.563, de 20 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 11065.905879/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Nos termos regimentais, transcrevese aqui os argumentos que fundamentaram mencionada Resolução que determinou o retorno à DRJ recorrida, quanto segue. Em síntese, a 1ª Instância não homologou o pedido de compensação por dois fundamentos distintos: (i) ressaltou que não consta dos autos documentação comprobatória do crédito alegado; e, (ii) a alteração da base de cálculo da contribuição de que trata o art. 2º da Lei 9.718/1998 estava com a eficácia condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, para fins de exclusão dos valores transferidos a outras pessoas jurídicas da base de cálculo da contribuição. No Recurso Voluntário, quanto ao primeiro aspecto, o Contribuinte assinala que “os Darfs e planilhas anexadas ao processo administrativo comprovam a existência de crédito”. No que tange ao outro fundamento, conforme já relatado, assevera que: “As contribuições ao PIS e COFINS incidiam sobre o faturamento das empresas. Esta situação perdurou até o advento da Lei 9.718/98, que perfectibilizou profundas alterações na natureza jurídica das referidas contribuições, especialmente no que diz respeito às suas bases de cálculo. Esta nova norma, que revogou parte das Leis Complementares 07/70 e 70/91 elegeu como base imponível das contribuições a receita bruta das empresas, que foi equiparada ao faturamento para fins de incidência dos tributos. (...) A leitura do dispositivo legal em comento permite concluir com absoluta clareza, que para obter a base de cálculo das referidas contribuições se faz necessário seguir os passos do artigo 3º e parágrafos da norma, que podem ser resumidos para fins didáticos em dois momentos: 1° Apurar a totalidade da receita auferida pela empresa (art. 3º. § l°); 2° Efetuar as deduções previstas nos incisos I, II, III e IV do parágrafo 2° da Lei 9.718/98, onde destacase as exclusões de todas as receitas tidas como próprias e transferidas para outras pessoas jurídicas (inciso III). A controvérsia que origina a presente demanda decorre do fato da Recorrente pretender cobrar o tributo com base na totalidade das receitas, sem permitir as deduções previstas na Lei. Afirmam os Agentes do fisco que a aplicação do inciso III é impossível, visto que não foram editadas as normas regulamentadoras previstas no texto legal. Ora, nenhuma norma regulamentadora pode dispor sobre a base de cálculo das contribuições, visto que esta matéria é reservada à lei, não podendo ser tratada por regulamentos”. Fl. 68DF CARF MF 4 Conquanto a controvérsia tenha motivado acalorados debates a partir da publicação da suposta alteração da base de cálculo da contribuição, já há muito se pacificou entendimento de que a aplicação das deduções dependia de regulamentação, via decreto, pelo Poder Executivo, o que não ocorreu. Nesse sentido trilha a jurisprudência, em âmbito judicial, representada por acórdão proferido pela Primeira Turma do STJ, nos autos do AgRg no REsp 1132743/RS, em que atuou, como Relator, o Ministro LUIZ FUX, em julgamento ocorrido em 16.12.2010, publicado no DJe 21.02.2011, cujos trechos que interessam ao presente caso seguem abaixoreproduzidos: 'PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS/COFINS. COMPENSAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. (RECURSO REPETITIVO RESP 1.002.932SP). PIS E COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS TRANSFERIDAS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. LEI N.º 9.718/91, ART. 3º, § 2º, III. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. 1. As normas jurídicotributárias admitem a dicotomia entre as cognominadas leis de eficácia limitada ou condicionada. Consoante a doutrina do tema, "as normas de eficácia limitada são de aplicabilidade indireta, mediata e reduzida, porque somente incidem totalmente sobre esses interesses após uma normatividade ulterior que lhes desenvolva a eficácia.". Isto porque, "não revestem dos meios de ação essenciais ao seu exercício os direitos, que outorgam, ou os encargos, que impõem: estabelecem competências, atribuições, poderes, cujo uso tem de aguardar que a Legislatura, segundo o seu critério, os habilite a se exercerem". 2. A lei 9.718/91, art. 3º, § 2º, III, optou por delegar ao Poder Executivo a missão de regulamentar a aplicabilidade desta norma. Destarte, o Poder Executivo, competente para a expedição do respectivo decreto, quedouse inerte, sendo certo que, exercendo sua atividade legislativa constitucional, houve por bem retirar a referida disposição do universo jurídico, através da Medida Provisória 199118/2000, numa manifestação inequívoca de aferição de sua inconveniência tributária. 3. Conquanto o art. 3º, § 2º, III, da Lei supracitada tenha ostentado vigência, careceu de eficácia, ante a ausência de sua imprescindível regulamentação. Assim, é cediço na Turma que "se o comando legal inserto no artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador, a citada norma foi expressamente revogada com a edição de MP 199118/2000". 4. Deveras, é lícito ao legislador, ao outorgar qualquer benefício tributário, condicionar o seu gozo. Tendo o legislador optado Fl. 69DF CARF MF Processo nº 11065.905889/200841 Acórdão n.º 3001000.571 S3C0T1 Fl. 4 5 por delegar ao Poder Executivo a tarefa de estabelecer os contornos da isenção concedida, também essa decisão encontra amparo na sua autonomia legislativa. 5. Conseqüentemente, "não comete violação ao artigo 97, IV, do Código Tributário Nacional o decisório que em decorrência deste fato, não reconhece o direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de contribuição para o PIS e a COFINS. "In casu", o legislador não pretendeu a aplicação imediata e genérica da lei, sem que lhe fossem dados outros contornos como pretende a recorrente, caso contrário, não teria limitado seu poder de abrangência." 6. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva.' Nessa mesma linha, vejamos como vem caminhando a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, verbis. 'Ementa: COFINS. NORMA DE EFICÁCIA CONTIDA. Se o comando legal inserto no artigo 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98, revogada posteriormente pela edição da MP 199118/2000, previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador. Em decorrência deste fato, não há de se reconhecer direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de COFINS. Precedente do STJ – Recurso Especial nº 445.452 RS Nº 2002∕00836607 ( Processo: 19515.002905/200301 Nº Acórdão Nº 20310404, proferido em 13.09.2005).' No mesmo sentido, citamse ainda os acórdãos: (a) 20218928, proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho, em 09.04.2008, nos autos do processo nº 13821.000005/200371; e, (b) 20308986, proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho, em 11.06.2003, nos autos do processo nº 13520.000068/200231. Desta forma, voto no sentido de tomar conhecimento para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do congtribuinte. Diante da decisão paradigma proferida nos autos do processo número 11065.905879/200813, em que figura a mesma Recorrente, MÁQUINAS BECKER LTDA., conforme Acórdão nº 3001000.563, de 20.11.2018, aplicável ao presente processo em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, também nesta oportunidade VOTO no sentido de conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. (assinado digitalmente) Fl. 70DF CARF MF 6 Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante – Relator. Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35464.004554/2006-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2000 a 28/02/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Constatada contradição no acórdão, acolhem-se os embargos de declaração, para que seja sanado o vício apontado.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. DECADÊNCIA DE PARTE DO LANÇAMENTO. SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. PREMIAÇÃO DE EMPREGADOS SEM PREVISÃO LEGAL. EXCLUSÃO DE JUROS E MULTA. IMPOSSIBILIDADE.
1. Considerando que o contribuinte tomou ciência do lançamento em 04/12/2006 e que não ficou demonstrado nos autos que ele deixou de recolher a contribuição em relação aos pagamentos normais em sua folha de salários, para efeito do enquadramento às regras do CTN, aplicamse aquelas dispostas no § 4º do art. 150 do referido diploma legal.
2. Da análise dos autos não foi possível encontrar elementos que justifiquem a nulidade do trabalho realizado pela autoridade lançadora.
3. Os prêmios pagos aos empregados da empresa recorrente, ao contrário do alegado, compõem efetivamente a remuneração dos trabalhadores, sendo, portanto, saláriodecontribuição.
4. Tendo em vista que o lançamento foi realizado em conformidade com a legislação tributária em vigor, não há que se falar em exclusão de juros e multas moratórias ou qualquer outro consectário legal.
Numero da decisão: 2301-005.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2803-003.031, de 19/02/2014, reconhecer a decadência para os períodos anteriores a 12/2001, pela aplicação da regra do art. 150, § 4º, do CTN.
(assinado digitalmente)
Joao Bellini Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha.
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2000 a 28/02/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Constatada contradição no acórdão, acolhem-se os embargos de declaração, para que seja sanado o vício apontado. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. DECADÊNCIA DE PARTE DO LANÇAMENTO. SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. PREMIAÇÃO DE EMPREGADOS SEM PREVISÃO LEGAL. EXCLUSÃO DE JUROS E MULTA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Considerando que o contribuinte tomou ciência do lançamento em 04/12/2006 e que não ficou demonstrado nos autos que ele deixou de recolher a contribuição em relação aos pagamentos normais em sua folha de salários, para efeito do enquadramento às regras do CTN, aplicamse aquelas dispostas no § 4º do art. 150 do referido diploma legal. 2. Da análise dos autos não foi possível encontrar elementos que justifiquem a nulidade do trabalho realizado pela autoridade lançadora. 3. Os prêmios pagos aos empregados da empresa recorrente, ao contrário do alegado, compõem efetivamente a remuneração dos trabalhadores, sendo, portanto, saláriodecontribuição. 4. Tendo em vista que o lançamento foi realizado em conformidade com a legislação tributária em vigor, não há que se falar em exclusão de juros e multas moratórias ou qualquer outro consectário legal.
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CONTRADIÇÃO. Constatada contradição no acórdão, acolhemse os embargos de declaração, para que seja sanado o vício apontado. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. DECADÊNCIA DE PARTE DO LANÇAMENTO. SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. PREMIAÇÃO DE EMPREGADOS SEM PREVISÃO LEGAL. EXCLUSÃO DE JUROS E MULTA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Considerando que o contribuinte tomou ciência do lançamento em 04/12/2006 e que não ficou demonstrado nos autos que ele deixou de recolher a contribuição em relação aos pagamentos normais em sua folha de salários, para efeito do enquadramento às regras do CTN, aplicamse aquelas dispostas no § 4º do art. 150 do referido diploma legal. 2. Da análise dos autos não foi possível encontrar elementos que justifiquem a nulidade do trabalho realizado pela autoridade lançadora. 3. Os prêmios pagos aos empregados da empresa recorrente, ao contrário do alegado, compõem efetivamente a remuneração dos trabalhadores, sendo, portanto, saláriodecontribuição. 4. Tendo em vista que o lançamento foi realizado em conformidade com a legislação tributária em vigor, não há que se falar em exclusão de juros e multas moratórias ou qualquer outro consectário legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 45 54 /2 00 6- 15 Fl. 2236DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2803003.031, de 19/02/2014, reconhecer a decadência para os períodos anteriores a 12/2001, pela aplicação da regra do art. 150, § 4º, do CTN. (assinado digitalmente) Joao Bellini Junior Presidente. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 2225/2227) opostos pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo com fulcro nos art. 65 e 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em face do acórdão nº. 2803003.031 (fls. 2019/2026), cuja ementa restou assim redigida: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. DECADÊNCIA DE PARTE DO LANÇAMENTO. SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. PREMIAÇÃO DE EMPREGADOS SEM PREVISÃO LEGAL. EXCLUSÃO DE JUROS E MULTA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Considerando que o contribuinte tomou ciência do lançamento em 04/12/2006 e que não ficou demonstrado nos autos que ele deixou de recolher a contribuição em relação aos pagamentos normais em sua folha de salários, para efeito do enquadramento às regras do CTN, aplicamse aquelas dispostas no § 4º do art. 150 do referido diploma legal. 2. Da análise dos autos não foi possível encontrar elementos que justifiquem a nulidade do trabalho realizado pela autoridade lançadora. 3. Os prêmios pagos aos empregados da empresa recorrente, ao contrário do alegado, compõem efetivamente a remuneração dos trabalhadores, sendo, portanto, saláriodecontribuição. 4. Tendo em vista que o lançamento foi realizado em conformidade com a legislação tributária em vigor, não há que se falar em exclusão de juros e multas moratórias ou qualquer outro consectário legal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 2237DF CARF MF Processo nº 35464.004554/200615 Acórdão n.º 2301005.535 S2C3T1 Fl. 2.233 3 Segundo a embargante, houve contradição no Acórdão com relação ao período considerado para a reconhecida decadência, tendo em vista que o contribuinte tomou ciência do lançamento em 04/12/2006 e, como não ficou demonstrado nos autos que ele deixou de recolher a contribuição em relação aos pagamentos normais em sua folha de salários, a decadência deve seguir os ditames do §4º do Art. 150 do CTN, abrangendo o período de 11/2001 e anteriores e não o período 12/2000 e anteriores conforme restou decidido no Acórdão Embargado, sustentando que: Considerando que o contribuinte tomou ciência do lançamento em 04/12/2006 e que não ficou demonstrado nos autos que ele deixou de recolher a contribuição em relação aos pagamentos normais em sua folha de salários, conforme descrito no Acórdão nº 2803003.031, e tomando como base a regra de decadência exposta no § 4º do art. 150 do CTN, que fundamenta o voto do relator, a decadência abrangeria o período de 11/2001 e anteriores. Nas fls. 22292230, em despacho de admissibilidade, o antigo Conselheiro Suplente Amílcar Barca Teixeira Júnior, relator do Acórdão embargado, constatou a sua tempestividade se pronunciou positivamente ao acolhimento dos Embargos, sendo, os mesmos, distribuídos à esta relatora. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Admissibilidade Os embargos de declaração são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, assim, destes tomo conhecimento. Mérito Da Contradição Tratase de processo de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) – Nº 37.052.7089 relacionado às contribuições previdenciárias devidas à Receita Federal do Brasil – RFB, incidentes sobre a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT 2%) para o período de 04/2000 a 02/2005. O contribuinte foi devidamente notificado em 04/12/2006, apresentou defesa tempestiva, sendo o lançamento julgado procedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, razão pela qual interpôs Recurso Voluntário, que foi Fl. 2238DF CARF MF 4 conhecido e provido parcialmente, apenas para reconhecer a Decadência, a ser atingida, conforme determina o Art. 150, §4 do CTN. Sobre a Contradição alegada, observase no Voto do Relator sua decisão sobre a Decadência: Considerando que o contribuinte tomou ciência do lançamento em 04/12/2006 e que não ficou demonstrado nos autos que ele deixou de recolher a contribuição em relação aos pagamentos normais em sua folha de salários, para efeito do enquadramento às regras do CTN, aplicamse aquelas dispostas no §4º do art. 150 do referido diploma legal. Para responder à suscitada contradição, devese recorrer à redação do art. 150, § 4º do CTN: “Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Portanto, iniciase a contagem do prazo de 05 anos a partir do fato gerador. No presente caso, observase que o termo ad quem do prazo decadencial se dera em dezembro de 2006, sendo o termo ad quo anteriores a dezembro de 2001, e não dezembro de 2000, como inserido no Acórdão. Desse modo, observase que o R. Embargos de Declaração merece provimento, apenas para alterar o R. Acórdão n. 2803003.031 no quesito sobre o termo ad quo do prazo decadencial de 05 anos, modificando o conteúdo da Conclusão do mesmo, para o fim de que passe a ser assim redigida: Conclusão Da análise dos autos não foi possível encontrar elementos que justifiquem a nulidade do trabalho realizado pela autoridade lançadora. Os prêmios pagos aos empregados da empresa recorrente, ao contrário do alegado, compõem efetivamente a remuneração dos trabalhadores, sendo, portanto, salário de contribuição. Tendo em vista que o lançamento foi realizado em conformidade com a legislação tributária em vigor, não há que se falar em exclusão de juros e multas moratórias ou qualquer outro consectário legal. Ao agir em desconformidade com a lei, o contribuinte assumiu riscos, não podendo agora imiscuir de sua responsabilidade. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. As competências de anteriores dezembro de 2001 estão fulminadas pela decadência, observada a regra do §4º do art. 150 do CTN. CONCLUSÃO Fl. 2239DF CARF MF Processo nº 35464.004554/200615 Acórdão n.º 2301005.535 S2C3T1 Fl. 2.234 5 Ante o exposto, voto por acolher os embargos de declaração sem efeitos infringentes para sanar os vícios no acórdão, de forma a reconhecer que competências de anteriores dezembro de 2001 estão fulminadas pela decadência, observada a regra do §4º do art. 150 do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato – Relatora. Fl. 2240DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13746.001479/2007-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2004
PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA NO SIMPLES. ENTREGA DA DIPJ NO PRAZO DEVIDO A NÃO RECEPÇÃO PELO RECEITANET DE DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA (DSPJ). REENQUADRAMENTO NO SIMPLES COM EFEITOS RETROATIVOS. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DSPJ PARA FICAR DE ACORDO COM A OPÇÃO. NÃO CABIMENTO.
Em vista de sua exclusão do SIMPLES, a contribuinte apresentou DIPJ antes do término do prazo, já que o sistema bloqueava o envio da declaração simplificada. Após a sua reinclusão com efeitos retroativos, a DSPJ foi entregue para que a mesma ficasse de acordo com a sua opção. Assim não deve prevalecer a multa por atraso na entrega da DSPJ, pois a Contribuinte adotou todas as providências possíveis e exigíveis pela legislação.
Numero da decisão: 1001-000.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2004 PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA NO SIMPLES. ENTREGA DA DIPJ NO PRAZO DEVIDO A NÃO RECEPÇÃO PELO RECEITANET DE DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA (DSPJ). REENQUADRAMENTO NO SIMPLES COM EFEITOS RETROATIVOS. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DSPJ PARA FICAR DE ACORDO COM A OPÇÃO. NÃO CABIMENTO. Em vista de sua exclusão do SIMPLES, a contribuinte apresentou DIPJ antes do término do prazo, já que o sistema bloqueava o envio da declaração simplificada. Após a sua reinclusão com efeitos retroativos, a DSPJ foi entregue para que a mesma ficasse de acordo com a sua opção. Assim não deve prevalecer a multa por atraso na entrega da DSPJ, pois a Contribuinte adotou todas as providências possíveis e exigíveis pela legislação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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Recorrente ACB METALURGICA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA NO SIMPLES. ENTREGA DA DIPJ NO PRAZO DEVIDO A NÃO RECEPÇÃO PELO RECEITANET DE DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA (DSPJ). REENQUADRAMENTO NO SIMPLES COM EFEITOS RETROATIVOS. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DSPJ PARA FICAR DE ACORDO COM A OPÇÃO. NÃO CABIMENTO. Em vista de sua exclusão do SIMPLES, a contribuinte apresentou DIPJ antes do término do prazo, já que o sistema bloqueava o envio da declaração simplificada. Após a sua reinclusão com efeitos retroativos, a DSPJ foi entregue para que a mesma ficasse de acordo com a sua opção. Assim não deve prevalecer a multa por atraso na entrega da DSPJ, pois a Contribuinte adotou todas as providências possíveis e exigíveis pela legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 6. 00 14 79 /2 00 7- 12 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13746.001479/200712 Acórdão n.º 1001000.906 S1C0T1 Fl. 47 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), mediante o Acórdão nº 1220.363, de 13/08/2008 (efls. 23/24), objetivando a reforma do referido julgado. Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado auto de infração (efl. 8), mediante o qual é exigido crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega da Declaração Simplificada relativa ao exercício de 2004, anocalendário 2003, no valor de R$ 460,72. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação argumentando que foi excluída do simples em 2000 e que conforme solicitado, mediante o processo 13746.000627/200340 (despacho à efl. 7, em 07/10/2006), teve o direito de permanecer no Simples restabelecido de forma retroativa. Alega que, assim, teria que apresentar nova Declaração pelo modelo simplificado, mas como apresentou Declaração tempestiva pelo Lucro Presumido, por ter sido excluída do Simples, requer o cancelamento da multa. A DRJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e considerou procedente o lançamento, cujos excertos do voto condutor do acórdão recorrido transcrevese, verbis: As razões da interessada se resumem a afirmar que apresentou sua Declaração tempestivamente em 30/06/2004 e que a autuação se fundou na entrega de Declaração, do mesmo exercício, apresentada posteriormente, em 23/03/2007, após o prazo final de entrega, que expirou em 31/05/2004. Assim, a seu ver, descaberia a aplicação da multa por atraso na entrega, uma vez que a Declaração que a ensejou seria tão somente uma Declaração retificadora de original apresentada tempestivamente. Ocorre que, segundo o art. 5° da Instrução Normativa SRF n° 166, de 23 de dezembro de 1999, não é admitida retificadora com alteração no regime de tributação, salvo nos casos determinados pela legislação para fins de adoção do lucro arbitrado. No presente caso, a Declaração apresentada tempestivamente pela interessada teve como regime de tributação o lucro presumido, enquanto a declaração apresentada extemporaneamente, que ensejou a autuação, teve como forma de tributação SIMPLES. Destarte, não há como considerar a mesma como retificadora daquela apresentada tempestivamente, mas sim, Declaração original que, apresentada após o prazo, corretamente ensejou o lançamento da multa por atraso objeto do presente processo. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13746.001479/200712 Acórdão n.º 1001000.906 S1C0T1 Fl. 48 3 Face ao exposto, julgo procedente o lançamento efetuado, e, por conseguinte, devida a multa por atraso na entrega da Declaração Simplificada SIMPLES relativa ao exercício de 2004, anocalendário 2003, no valor de R$ 460,72. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. Cabe a exigência da multa por atraso na entrega de Declaração apresentada extemporaneamente que, por força do art. 5° da IN SRF n° 166/1999, não possa ser admitida como retificadora de Declaração entregue tempestivamente. Lançamento Procedente. Ciente da decisão de primeira instância em 16/09/2008, conforme Aviso de Recebimento à efl. 30, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 30/09/2008 (efls. 31/32), conforme carimbo aposto à efl. 31. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso a recorrente reitera os argumentos apresentados em sede de primeira instância, e acrescenta que durante o período de espera do pedido "a empresa ficou recolhendo todos os encargos como simples federal" e que o sistema do Simples não aceitava a declaração pelo regime simplificado por ter sido excluída. Temse que nos termos do art. 16 da Lei 9.317/96, as microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Cumpre ressaltar que, no caso de eventual instauração de litígio administrativo, não há no Decreto n° 70.235/72, que regula o processo administrativo tributário, norma que contemple a atribuição de efeito suspensivo ao recurso, bem como o art. 151, III, do CTN não se aplica à exclusão do SIMPLES, já que trata de suspensão da exigibilidade do crédito tributário e não da suspensão do ato declaratório de exclusão do SIMPLES. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13746.001479/200712 Acórdão n.º 1001000.906 S1C0T1 Fl. 49 4 Assim, eventuais pedidos de dispensa do cumprimento das obrigações acessórias e principal não encontrariam azo na legislação pertinente. Outrossim, é também de conhecimento que se a empresa não constasse do cadastro CNPJ como enquadrada no SIMPLES, o sistema automaticamente bloqueava o envio da declaração simplificada (DSPJ) pelo RECEITANET. Isto posto, a recorrente teria que apresentar a DIPJ no prazo estipulado e assim o fez pela forma do Lucro Presumido, agindo de acordo com a legislação e, digase, que apesar de ter se insurgido contra a sua exclusão do Simples, agiu com prudência e de acordo com o art. 32 da Lei Complementar apresentando a declaração. Ocorre que mediante despacho do SECAT, a contribuinte foi reincluída retroativamente no Simples, em relação ao anocalendário 2000, tendo em vista que regularizou as pendências dentro do prazo regulamentar. Assim, após a ciência do deferimento do pedido, para que a declaração ficasse de acordo com a forma de tributação, a contribuinte apresentou a DSPJ. Assim, dadas as circunstâncias do caso, entendo que a Contribuinte adotou todas as providências possíveis e exigíveis pela legislação e, em vista de sua reinclusão retroativa no Simples, apresentou a DSPJ para que a mesma ficasse de acordo com a sua opção, devendo a Administração tributária efetuar de ofício o cancelamento da DIPJ do exercício 2004. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso, para cancelar a multa pelo atraso na entrega da DSPJ do exercício 2004, anocalendário de 2003. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 49DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.009614/2005-37
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito.
Numero da decisão: 1001-000.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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Recorrente INSTITUTO PRO CIDADANIA DE CURITIBA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 96 14 /2 00 5- 37 Fl. 32DF CARF MF Processo nº 10980.009614/200537 Acórdão n.º 1001000.916 S1C0T1 Fl. 33 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Curitiba (PR), mediante o Acórdão nº 0613.647, de 23/02/2007 (efls. 13/17), objetivando a reforma do referido julgado. Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado auto de infração (efl. 7), mediante o qual é exigido crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ, do exercício 2004, no valor de R$ 500,00. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação argumentando, em suma, que entregou a declaração sem que o fisco se pronunciasse, sendo, por isto, incabível a cobrança face à denúncia espontânea da infração. A DRJ considerou procedente o lançamento, cujo acórdão foi assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA A entrega fora de prazo da declaração não caracteriza a denúncia espontânea da infração prevista no art. 138 do CTN e não impede a imposição da penalidade, resultante do descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. Lançamento Procedente. Ciente da decisão em 18/04/2007, conforme Aviso de Recebimento à efl. 20, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 21/05/2007 (efls. 21/26), conforme carimbo aposto à fl. 21. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator DA INTEMPESTIVIDADE RECURSAL Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para que seja interposto o Recurso Voluntário contra as decisões das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento é de 30 dias a partir da ciência da referida decisão: Fl. 33DF CARF MF Processo nº 10980.009614/200537 Acórdão n.º 1001000.916 S1C0T1 Fl. 34 3 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A Regra Geral sobre contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal é estabelecida pelo Art. 5º, do Decreto nº 70.235/72: "Art. 5º: Os prazos serão contínuos, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o dia do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato." Acerca da Eficácia e Execução das Decisões, assim dispõe o Decreto n° 70.235/1972: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] A contagem do prazo recursal deve iniciar no primeiro dia útil seguinte. Isto posto, como a data de ciência foi no dia 18/04/2007 (quartafeira), a contagem do prazo recursal deve iniciar na quintafeira, dia 19/04/2007. A recorrente alega a tempestividade da apresentação do seu recurso, pois teria entregue em 18/04/2007, no entanto, no carimbo da recepção da peça recursal consta a data de 21/05/2007. Assim, tendo em vista que o prazo recursal esgotouse com o decurso de 30 (trinta) dias, ou seja, em 18/04/2007 (quartafeira), mas o recurso voluntário somente foi apresentado em 21/05/2007, o mesmo é intempestivo e não deve ser conhecido por este colegiado. Neste sentido, tendo em vista o não cumprimento do pressuposto de admissibilidade, previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por ser intempestivo, tornando definitiva, no âmbito administrativo, a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 34DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10715.721964/2011-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009, 2010
PENALIDADE. LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES EXIGIDAS PELA RFB. PRAZO DE REGISTRO DADOS EMBARQUE. DESCUMPRIMENTO.
A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea 'e', do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias, destinadas à exportação no SISCOMEX, é cabível quando o atraso for superior a 07 (sete) dias, nos termos da IN SRF nº 1.096/2010.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-005.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009, 2010 PENALIDADE. LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES EXIGIDAS PELA RFB. PRAZO DE REGISTRO DADOS EMBARQUE. DESCUMPRIMENTO. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea 'e', do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias, destinadas à exportação no SISCOMEX, é cabível quando o atraso for superior a 07 (sete) dias, nos termos da IN SRF nº 1.096/2010. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1702; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 516 1 515 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10715.721964/201153 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.946 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de novembro de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO MULTA ADUANEIRA Recorrente SOCIÉTÉ AIR FRANCE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009, 2010 PENALIDADE. LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES EXIGIDAS PELA RFB. PRAZO DE REGISTRO DADOS EMBARQUE. DESCUMPRIMENTO. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea 'e', do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias, destinadas à exportação no SISCOMEX, é cabível quando o atraso for superior a 07 (sete) dias, nos termos da IN SRF nº 1.096/2010. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 72 19 64 /2 01 1- 53 Fl. 516DF CARF MF 2 Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra a empresa SOCIÉTÉ AIR FRANCE (fls. 3/16), para constituição de crédito tributário referente à multa regulamentar no valor de R$ 160.000,00, decorrente da prestação intempestiva de informações relativas a 32 embarques aéreos realizados no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Segundo a Fiscalização, a Recorrente registrou intempestivamente os dados de embarque de mercadorias, relativos aos Despachos de Exportação (DDE) relacionados na planilha juntada às fls. 6 a 8 (informações extraídas do SISCOMEX EXPORTAÇÃO fls. 18/130), descumprindo dessa forma a obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005, sujeitandose por essa infração à multa prevista na alínea 'e' do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° n° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003. Em seu Relatório, afirma o Fisco que a obrigação do transportador encontra se estabelecida no art. 37 do Decretolei, com observância do prazo estipulado no art. 39, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994. Que o referido prazo deveria ser observado pelo transportador, por veículo, cada um identificado pelo respectivo vôo, em que se transportaram as cargas amparadas pelas Declarações de Exportação (DDE). Cientificado do Auto de Infração, a Recorrente apresentou Impugnação e requereu o cancelamento do lançamento, alegando (i) erro na tipificação do auto de infração, (ii) ausência de prova da intempestividade, (iii) prova imperfeita em razão de indisponibilidades do Siscomex, (iv) inexistência de embaraço à fiscalização, (v) violação da finalidade do ato administrativo e (vi) violação à proporcionalidade e à razoabilidade. Na decisão de piso (prolatada pela DRJ em Florianópolis/SC), destacou o julgador administrativo que o registro dos dados de embarque no Siscomex após o prazo estabelecido pela legislação de regência constitui infração objetiva cominada com a multa de cinco mil reais por viagem cujos dados de embarque foram registrados intempestivamente, em face de expressa determinação legal, sendo mantido o crédito tributário de R$ 160.000,00. Quanto às demais alegações do contribuinte, a Delegacia de Julgamento afastouas, ora por falta de comprovação, ora em razão da necessária observância do princípio da legalidade por parte da Administração Pública, cuja atividade é vinculada e obrigatória. Cientificado da decisão em 07/01/2013 e, não concordando, interpôs em 05/02/2013, o Recurso Voluntário em que reitera seu pedido de cancelamento total do Auto de Infração, repisando os argumentos de defesa apresentados na Impugnação, resumido nas seguintes razões: 1) o Auto de Infração lavrado não foi instruído com qualquer documento que comprove a infração imputada à mesma, caracterizando a não ocorrência do fato gerador da multa, bem como a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa; 2) o Auto de Infração foi lavrado com base em incorreta tipificação, bem como em incorreta adequação dos fatos à norma; 3) após alterações do §2º do art. 102 do Decretolei nº 37/1966 pela Lei nº 12.350/2010, o instituo da denuncia espontânea passou a excluir não somente as penalidades de natureza tributária, mas também as penalidades administrativas; 4) prova imperfeita, o SISCOMEX inegavelmente apresenta falhas técnicas (reproduz no corpo recurso) que, por diversas vezes, geram sua indisponibilidade por horas ou Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10715.721964/201153 Acórdão n.º 3402005.946 S3C4T2 Fl. 517 3 mesmo dias e impedem a inserção de dados de embarque de mercadorias, não podendo a Recorrente arcar com pesadas multas em virtude de um atraso que ela não deu causa; 5) inexistência de embaraço a fiscalização e violação à finalidade do ato administrativo; 6) violação do princípio da proporcionalidade e da razoabilidade; e 7) a fiscalização agiu em desacordo e inobservância do disposto nos artigos 63 e 65, da Lei nº 5.025/1966. 8) a multa que trata o presente lançamento tem sido aplicada pela Fiscalização por cada veículo. No entanto, não poderia gerar qualquer espécie de multa, eis que as mercadorias por eles transportadas, foram informadas tempestivamente, ou seja, dentro do prazo de 7 dias estipulados pela IN nº 1.096/2010. Junto ao Recurso Voluntário, trouxe aos autos cópias de acórdãos do CARF sobre a matéria e de um Ofício do SERPRO, datado de 11/11/2011, informando sobre as indisponibilidades ocorridas no sistema SISCOMEX durante o ano 2004. Os autos, então, foram encaminhados a este CARF para análise do recurso que proferiu o Acórdão nº 3803006.269 (3ª Turma Especial), sessão de 22/07/2014 (fls. 358/364), que no voto condutor, o Relator aduz que "Considerando que as informações foram prestadas intempestivamente pelo Recorrente mas antes de qualquer atividade da fiscalização e alguns dias depois das datas dos vôos em que as mercadorias exportadas foram transportadas, temse que nenhuma das exceções acima referenciadas se aplica ao presente caso". Ao final, o Colegiado decide que no caso sob análise, no momento da prestação de informações pelo transportador, as Declarações de Exportação já haviam sido apresentadas, restringindose a obrigação acessória aos registros dos embarques no SISCOMEX, medida essa de controle meramente administrativo, o que em nada afeta o cumprimento das obrigações tributárias principais. E conclui da seguinte forma (fl. 358): "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado que negava provimento". (Grifei) Cientificada do Acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Ao julgar o caso, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF (Acórdão nº 9303003.796, de 26/04/2016, fls. 428/436), deu provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, afastando a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea às penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela RFB para a prestação de informações à administração aduaneira. Fl. 518DF CARF MF 4 Na mesma decisão, determinou que os autos fossem remetidos novamente às Turmas Ordinárias (TO) para apreciação e deliberação dos demais argumentos apresentados pelo Contribuinte em seu recurso. O contribuinte opôs Embargos de Declaração cuja a admissibilidade foi negada por despacho do Presidente do CARF. Por fim, cabe informar que a empresa recorreu ao Poder Judiciário e a Fazenda Nacional (PGFN) recorreu da liminar concedida, culminando que o Tribunal Regional Federal da 1ª Região TRF01, proferiu decisão no Agravo de Instrumento nº 1005165 84.2016.4.01.0000 (Processo Referência: 100696887.2016.4.01.3400), em que restou cassada a liminar concedida do MS 100696887.2016.4.01.3400, impetrada pela SOCIETE AIR FRANCE (fls. 465/514). Os autos foram distribuídos à esta Turma Ordinária, para relatoria do feito. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Como se verifica no relatório, apenas o argumento relativo à aplicação da denúncia espontânea em relação a penalidades decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias foi enfrentado no Acórdão proferido pela 3ª Turma da CSRF, justamente por ter sido o fio condutor do Acórdão proferido na Turma Especial, que deixou de deliberar sobre os demais pontos abordados, a despeito do Relator têlos citados em seu acórdão. Desse modo, cabe a este Colegiado discutir, apenas os demais argumentos aduzidos no Recurso Voluntário da Recorrente. Como relatado, a Recorrente alega em sua Impugnação e repisa no Recurso Voluntário que, (i) o Auto de Infração foi lavrado com base em incorreta tipificação, bem como em incorreta adequação dos fatos à norma; (ii) a multa que trata o presente lançamento tem sido aplicada pela Fiscalização por cada veículo. No entanto, foi incluído dentro dos fatos geradores listados, indica que 5 dos embarques mencionados (vôos) teve seu registro de dados de embarque realizado tempestivamente dentro do prazo de 07 dias; (iii) falta de prova, o Auto de Infração lavrado não foi instruído com qualquer documento que comprove a infração imputada à mesma, caracterizando o cerceamento do direito de defesa; (iv) com as alterações do §2º do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966 pela Lei nº 12.350/2010, o instituo da denuncia espontânea passou a excluir não somente as penalidades de natureza tributária, mas também as penalidades administrativas; (v) o SISCOMEX inegavelmente apresenta falhas técnicas que impedem a inserção de dados de embarque de mercadorias; (vi) inexistência de embaraço a fiscalização; (vii) violação do princípio da proporcionalidade e da razoabilidade e (viii) aplicação do disposto nos art. 63 e 65 da Lei nº 5.025/66. Ressaltase que o argumento da ocorrência de direito superveniente, autorizando a aplicação do instituto da denúncia espontânea às multas administrativas (item Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10715.721964/201153 Acórdão n.º 3402005.946 S3C4T2 Fl. 518 5 (iv) do tópico acima), matéria esta que já foi enfrentada e decidido pelo seu afastamento pelo Acórdão proferido pela 3ª Turma da CSRF. 1. Da alegada Nulidade do lançamento Quanto ao argumento sustentado pela Recorrente que é nulo o lançamento, ao fundamento que ocorreu erro na tipificação do Auto de Infração e também que não haveria provas do cometimento da infração, entendo que nos dois argumentos não assiste razão à Recorrente, explico. Vejase o que alega a Recorrente em seu recurso: Pois bem. Verificase no Auto de Infração, no quadro "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" (fl. 5/6 dos autos), que a Fiscalização enquadrou a infração na alínea 'e' do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, na redação conferida pela Lei n.º 10.833, de 2003, que tipifica a conduta de deixar de prestar as informações requeridas, na alínea “c” do mesmo dispositivo, combinado com dispositivos da IN/SRF nº 28/1994 e IN/SRF nº 510/2005. Vejase: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV – de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga. (Grifei) Como pode ser visto, o alegado enquadramento incorreto não se verifica. De outra forma, a multa em apreço é decorrente, tãosomente, da impontualidade da interessada quanto ao cumprimento da obrigação acessória de que trata a alínea 'e1 do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 1966, infração essa que, se não informada, seria passível de Fl. 520DF CARF MF 6 conhecimento pela autoridade aduaneira. Portanto, perfeitamente tipificada e enquadramento da a infração à norma. Continua a Recorrente, aduzindo que, "(...) Porém, diferentemente do que informa a autoridade fazendária às fls. 5 do auto de infração, tal planilha não possui valor probatório algum para fins de apuração da infração imputada á Recorrente (...)". Por outro lado, Vejase o consignado no texto do Auto de Infração (fl. 5): "001 NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEICULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, conforme dispõe o art. 147, do DecretoLei 37/66, regulamentado pelo art. 203, inciso VI, da Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010, com vistas à verificação do cumprimento da obrigação acessória disposta no art 37, da IN/SRF nº 28/1994, alterado pelo art.1º, da IN/SRF nº 1.096/2010, foram apurados registros de dados de embarque intempestivos, referentes aos transportes internacionais realizados no período de junho a dezembro de 2009, no Aeroporto Internacional do Rio de JaneiroALF/GIG". (Grifei) Quanto a alegação de que não haveria provas do cometimento da infração, resta constatado nos autos que os dados que embasaram o lançamento, estão relacionados no demonstrativo de fls. 6 e 8 do Auto de Infração, separado por numero de DDE, data do Embarque, Data da Informação e nº do Vôo, sendo que tais informações foram extraídas do Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX, módulo EXPORTAÇÃO), um Sistema de controle informatizado que reflete, num único ambiente, onde permanecem gravadas todas as informações relativas ao comércio exterior (incluindo o registro de embarque de mercadorias destinadas ao exterior) e no qual é exercido o controle governamental do Brasil, a partir inclusive, de informações registradas pelos próprios importadores, exportadores, depositários e transportadores, por seus empregados ou representantes legais. Os extratos encontramse apensados aos autos às fls. 18 a 130. Alega também a Recorrente que o SISCOMEX inegavelmente apresenta falhas técnicas que, por diversas vezes, geram sua indisponibilidade por horas ou mesmo dias e impedem a inserção de dados de embarque de mercadorias, não podendo a Recorrente arcar com pesadas multas em virtude de um atraso que ela não deu causa. Ora, se houve alguma das informações relacionadas na planilha de forma incorreta, é ônus da Recorrente demonstrar, trazendo aos autos as provas documentais que comprovem o erro supostamente cometido pela Fiscalização. Afinal, conforme conhecido brocardo jurídico, alegar e não provar é o mesmo que não alegar, devendo o julgador observar as regras de distribuição do ônus probatório. Contudo, a Recorrente nada trouxe que infirmasse qualquer das informações encartadas no demonstrativo elaborado às fls. 6/8. Quanto ao alegado que o Auto de Infração lavrado não foi instruído com qualquer documento que comprove a infração imputada à mesma, caracterizando o cerceamento do direito de defesa, verificase que o Auto de Infração foi lavrado por autoridade competente e teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da RFB, detalhada no Auto de Infração, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade fazendária a sua lavratura. A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou Impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, a Recorrente protocolou recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10715.721964/201153 Acórdão n.º 3402005.946 S3C4T2 Fl. 519 7 de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, uma vez que todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235/72, foi observado, tanto no lançamento tributário, como no curso do devido processo administrativo fiscal. Assim, a nulidade alegada pela Recorrente quanto ao possível erro de enquadramento legal da penalidade não deve prosperar, haja vista que o tipo infracional está perfeitamente descrito na norma e se coaduna com o fato ocorrido, qual seja, o atraso na prestação dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria. No mesmo sentido verificase que as informações das datas foram extraídas do Sistema de controle de exportação, o SISCOMEX. 2. Do valor da multa Da análise dos extratos do SISCOMEX acostados aos autos às fls. 18/130, temse que o lançamento só poderia vigorar em relação às Declarações de Despacho de Exportação DDE, cujos embarques foram efetuados e encontrase relacionados no demonstrativo com o nº da DDE, Data do Embarque, Registro de Embarque, Fato Gerador e o nº do Vôo (fls. 6 a 8 do Auto de Infração), visto que ultrapassado o prazo de 07 dias estabelecido para o registro no SISCOMEX, conforme o estabelecido no artigo 37 da IN SRF nº 28/94 (redação dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010). 2.1 Da contagem do prazo Sustenta a Recorrente em seu recurso que: Alega ainda que a redação da Solução de Consulta n° 215/04, é clara ao afirmar que não há justificativa para que se considere o início da contagem de prazos às sextas feiras, sábados, domingos e feriados já que "tal procedimento apenas aumenta o Custo Brasil sem nenhum incremento visível de performance da fiscalização aduaneira". Quanto a contagem dos prazos, o Fisco acertadamente considerou a forma prescrita no caput do artigo 210 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), que determina que os prazos sejam contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Art. 210 Os prazos fixados nesta Lei ou na legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (grifei). Fl. 522DF CARF MF 8 No entanto, neste caso, não é de se aplicar, porém, a regra prescrita em seu parágrafo único, segundo o qual os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato, uma vez que o cumprimento do prazo em questão não está a depender da intervenção da repartição pública (no caso a repartição aduaneira), nem nesta deva ser realizada uma vez que a obrigação é efetuada pela própria Recorrente em seu estabelecimento. Tratase de regra excepcional, destinada apenas a estabelecer uma exceção à disposição encartada na cabeça do artigo. Como se observa, o nosso entendimento é divergente do adotado na Solução de Consulta 9ª RF/DISIT nº 215, de 2004. Contudo, alerto que além de desprovida de caráter vinculante, não resultou de consulta formulada pela Recorrente. Ressaltase que a obrigação de prestar informação sobre veículo ou carga transportada no SISCOMEX independe da interveniência da repartição aduaneira para que o responsável pelo seu cumprimento a satisfaça no prazo de sete dias, contado da data do embarque, conforme estipulado no caput do art. 37 da IN SRF n.º 28, de 2004, alterado pela IN RFB n.º 1.096/2010. A rigor, os sujeitos passivos de tais obrigações são previamente habilitados pela Receita Federal do Brasil (RFB) para acessarem, de forma ininterrupta, o referido sistema informatizado, razão pela qual entendo que, da mesma forma, os prazos concernentes à prestação de informação no SISCOMEX também devem ser contados ininterruptamente, adotandose apenas a disciplina contida no caput do art. 210 do CTN, eis que o fato em exame não reproduz a hipótese da disposição contida no parágrafo único do precitado artigo. No entanto, a Recorrente aduz que os embarques abaixo relacionados, foram tempestivamente informados no SISCOMEX dentro do prazo de 07 dias, conforme o disposto na IN RFB nº 1.096/2010, ante a contagem de prazo processual estipulado pela Solução de Consulta nº 215/2004: Pois bem. Nos casos acima, assiste razão à Recorrente somente quanto ao Embarque do vôo AFR/443 Data de Embarque: 28/08/2009 Data de inserção de registro de Embarque em 28/08/2009 (DDE nº 2090795776/3), uma vez que a data de embarque Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10715.721964/201153 Acórdão n.º 3402005.946 S3C4T2 Fl. 520 9 coincide exatamente com a data de registro de embarque e, portanto, informado pela empresa dentro do prazo estabelecido pela IN RFB nº 1.096/2010. Quanto ao demais embarques, sem reparos a decisão a quo, uma vez que encontrase correto o critério utilizado para aplicação da penalidade, ao considerar que o valor de R$ 5.000,00 deve ser exigido em relação a cada veículo transportador, ou seja, por embarque/vôo, o que resulta no caso em apreço em 31 vôos, totalizando o valor de R$ 155.000,00. 3. Da alegada prova imperfeita falhas técnicas do SISCOMEX Aduz em seu recurso que o SISCOMEX inegavelmente apresenta falhas técnicas que, por diversas vezes, geram sua indisponibilidade por horas ou mesmo dias e impedem a inserção de dados de embarque de mercadorias. No que diz respeito ao argumento que atribui à ocorrência de problemas no SISCOMEX como sendo motivador do registro dos dados de embarque fora do prazo fixado, tenhoo como daqueles que não transcende de si mesmo, é genérico e desprovido de elementos de prova, e dessa ocorrência não se teve notícia concreta nos autos. Como já asseverado, não basta sustentar que falhas ocorreram no aludido sistema e exemplificálas descrevendo algumas que se teriam verificado inclusive em períodos anteriores ao que ocorreram os embarques das mercadorias objeto dos autos. Assim, a pretensão calçada nesse argumento não tem como prosperar no sentido de afastar a aplicação da multa ora litigada. No que se refere às alegações quanto às informações da Fiscalização de que as datas informadas como sendo do registro dos dados de embarque seriam, na verdade, as datas das averbações ou que as mesmas não refletem as tentativas de registros por parte da transportadora, também são desprovidas de comprovação nos autos. Sobre os argumentos de problemas existentes no registro das informações, as mesmas não foram comprovadas de forma que pudessem afastar a exigência do cumprimento do prazo em questão. Ainda que as decisões administrativa e judicial trazidas aos autos para sustentar sua tese não vincule o julgador, é de se destacar que as ementas aludem à necessária comprovação das falhas no SISCOMEX. Quanto a informação trazido pelo Ofício Resposta expedido pelo SERPRO, oriundo de pedidos judiciais efetuado pela Recorrente, que revela os casos de inconsistência e do desempenho da unidade de monitoração do sistema SISCOMEX, o referido Órgão de processamento de dados apresentou a relação de panes registradas ao longo do ano de 2004, ou seja, período distinto do discutido nesses autos que é referente ao ano de 2009 (fls. 344/351). Quanto às alegações no tocante à aplicação da IN RFB n.º 835/2008, que trata de normas de contingência, é de se destacar que referida norma traz em seu bojo as situações em que se aplicaria e, principalmente, os ritos para que se contingenciassem problemas de origem técnica determinando procedimentos a serem cumpridos pelos interessados. E como se vê da análise dos autos, nada consta que tais procedimentos tenham sido adotados no período da autuação em relação à autuada. Por fim, no que respeita ao encargo de se provar o que se alega, de se ver o disposto no inciso III do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, que diz: Fl. 524DF CARF MF 10 Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir: (redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748, de 1993) Grifei 4. Da alegada inexistência de embaraço à fiscalização A Recorrente alega a inexistência de embaraço à fiscalização, desoneração às exportações e violação á finalidade do Ato administrativo. Cabe ressaltar que na vigência da IN SRF nº 28, de 1994, a inobservância da obrigação estabelecida no seu art. 37, era entendida pela RFB como caracterizadora de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, conforme disposto em seu art. 44. No entanto, a partir da edição da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”, como se verifica da redação emprestada ao art. 37 do Decretolei nº 37, de 1966 pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003: “Art. 77. Os arts. 1º, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado". Posto isto, com a entrada em vigor dessa nova norma legal, o descumprimento da obrigação de prestar à RFB, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00, prevista no inciso IV, “e”, do art. 107 do Decretolei nº 37/1966, e não mais aquela prevista por embaraço, que veio a ser tipificada no inciso IV, “c”. Portanto, ainda que a IN SRF nº 28/94, como alega, possa definir o atraso como embaraço, o Decreto Lei n.º 37/66, com a redação da Lei n.º 10.833/2003, previu multa específica para a intempestividade na prestação das referidas informações. Assim, para a caracterização de ilícito sujeito à aplicação da referida multa, há que ser apurado o descumprimento da obrigação, o que implica, no caso, a inobservância de prazo fixado pela Administração Tributária para a apresentação dos dados relativos ao embarque. Por fim, tendo em vista o princípio da legalidade a que está sujeito o Ato administrativo, é de se afastar, também, as alegações quanto à inexistência de embaraço à fiscalização e os demais argumentos quanto à desoneração às exportações, violação à finalidade do ato administrativo e que não houve prejuízo ao interesse público, pois nenhum tributo teria deixado de ser recolhido. 5. Violação à proporcionalidade e à razoabilidade caráter confiscatório da multa O argumento de que a multa viola princípios constitucionais não pode ser apreciado pelo julgador administrativo, pois falece competência aos agentes administrativos para afastar a aplicação de dispositivos legais plenamente vigentes. Para que incida a Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10715.721964/201153 Acórdão n.º 3402005.946 S3C4T2 Fl. 521 11 penalidade em questão, basta que se configure a situação fática eleita pelo legislador para a sua aplicação, sendo absolutamente desnecessária qualquer consideração Além disso, quanto ao argumento de desproporcionalidade e da razoabilidade, a única possibilidade de não aplicação da multa seria pela declaração de inconstitucionalidade da mesma, o que é vedado expressamente pelo artigo 26A do Decreto nº 70.235/72 e pela Súmula CARF nº 02, de observância obrigatória por parte deste Colegiado. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Nesse diapasão, quanto à aplicação dos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e do não confisco, cabe destacar que uma vez materializada a hipótese de incidência prevista na norma penal, é defeso à Fiscalização aduaneira, à luz dos mencionados princípios, mitigar a aplicação da penalidade imposta pela legislação, eis que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a fiscalização aplicar a sanção em sua inteireza conforme determina a norma legal, em atendimento ao preceito contido no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, in verbis: Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 6. Da aplicação do disposto nos art. 63 e 65 da lei nº 5.025/66. Por fim, em seu recurso a Recorrente sustenta que: Muito embora seja um argumento inovador no recurso, analisase a aplicabilidade dos referidos artigos da Lei nº 5.025/66: Art. 63. Ficam os órgãos responsáveis pela fiscalização de embarque obrigados a prestar os mais amplos esclarecimentos sobre os direitos e deveres dos exportadores, bem como dar a necessária assistência à realização normal das operações de exportação, tendo em vista os objetivos da presente lei. Art. 65. Quando ocorrerem, na exportação, erros ou omissões caracteristicamente sem a intenção de fraude e que possam ser de imediato corrigidos, a autoridade responsável pela fiscalização alertará o exportador e o orientará sobre a maneira correta de proceder. Repisese que encontrase correta a tipificação com base no art.107, IV, "e", do DecretoLei37/66, afinal deixaram de ser registrados os embarques no prazo normativo, por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações Fl. 526DF CARF MF 12 que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta porta, ou ao agente de carga; Portanto, não assiste razão as alegações de violação à proporcionalidade, razoabilidade ou isonomia, porquanto se tratar de obrigação de fazer, ensejando o seu descumprimento o apenamento previsto no ordenamento legal (multa de R$ 5.000,00 por fato gerador), não havendo de se falar em ausência de prejuízo ou boafé. É dever da empresa tomar conhecimento das leis e normas vigentes, e à Fiscalização cabe autuar o infrator no caso de cometimento de irregularidade encontrada, tal como ocorrido à espécie, ao passo que os invocados artigos 63 e 65 da Lei nº 5.025/66, em nenhum momento não eximem o transgressor da multa aplicada (obrigação de fazer). Em outras palavras, havendo previsão na legislação aduaneira para o registro do embarque, a omissão ou registro a destempo, por si só, têm o condão de lastrear a sanção imputada. Ademais, como citado acima, a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a Fiscalização aplicar a sanção em sua inteireza conforme determina a norma legal, em atendimento ao preceito contido no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional. 6. Dispositivo Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário interposto e DARLHE parcial provimento, para excluir do Auto de Infração a multa quanto ao Embarque do vôo AFR/443 Data de Embarque: 28/08/2009 Data de inserção de registro de Embarque em 28/08/2009 (DDE nº 2090795776/3), uma vez que a data de embarque coincide exatamente com a data de registro de embarque, mantendose as demais penalidades que totaliza o valor de R$ 155.000,00 (conforme disposto no item "2.1" deste voto). . É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 527DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.720025/2014-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.902
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Vinícius Guimarães (Suplente convocado) que negava provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho não participou da votação em razão do voto definitivamente proferido pelo Conselheiro Vinícius Guimarães.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1904; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19679.720025/201492 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.902 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 23 de outubro de 2018 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente CCB CIMPOR CIMENTOS DO BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Vinícius Guimarães (Suplente convocado) que negava provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho não participou da votação em razão do voto definitivamente proferido pelo Conselheiro Vinícius Guimarães. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada, relativa a suposto crédito da contribuição não cumulativa (PIS/Cofins), por falta de comprovação de recolhimento a maior e/ou indevido. Segundo a autoridade administrativa, no que tange à apuração das contribuições ao PIS e à Cofins, o contribuinte desempenhava concomitantemente atividades sujeitas aos regimes cumulativo e não cumulativo. No Dacon, conforme relato, o método de determinação dos créditos se dera pela “INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA SOBRE RECEITA PARCIAL E/OU RECEITA DE EXPORTAÇÃO COM RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 79 .7 20 02 5/ 20 14 -9 2 Fl. 533DF CARF MF Processo nº 19679.720025/201492 Resolução nº 3302000.902 S3C3T2 Fl. 3 2 BASE NA PROPORÇÃO DOS CUSTOS DIRETAMENTE APROPRIADOS”, pressupondo, tal opção, a existência de um sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração que possibilitasse a verificação do percentual de cada nota fiscal destinado à atividade sujeita ao regime cumulativo (serviços de concretagem) e à atividade não cumulativa (vendas de cimento, argamassa etc.). No Despacho, foi ressaltada uma característica importante na atividade de serviço de concretagem, relativamente à utilização da matériaprima principal, o cimento produzido pelo próprio contribuinte, que estava sujeito ao regime da não cumulatividade. Nesse caso, quando o contribuinte adquiria insumo para produção do cimento, apenas parte poderia ser aproveitada como crédito, a outra parte não. Nas planilhas apresentadas pelo contribuinte, todas as notas ali elencadas estavam com a totalidade dos valores classificados como crédito, por isso foram solicitadas informações mais específicas dos bens e serviços utilizados como insumos e fretes contratados, com a indicação do processo produtivo e o cálculo de rateio. Não havendo atendimento por parte da interessada concluiuse que as informações prestadas não eram aptas a comprovar a liquidez e certeza dos créditos alegados. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte confirmou que desempenhava, concomitantemente, atividades sujeitas ao regime cumulativo e não cumulativo, realizando serviços de concretagem enquadráveis como ‘execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil’, cujas receitas se sujeitavam ao regime cumulativo, enquanto todas as demais receitas eram tributadas pelo regime não cumulativo. Segundo ele, equivocadamente, oferecera à tributação das contribuições (PIS/Cofins), na sistemática não cumulativa, a totalidade de suas receitas, inclusive a de prestação de serviços de concretagem, sujeita ao regime cumulativo, aplicando a alíquota de 7,6% e apropriando todos os créditos de insumos e serviços tomados no âmbito de sua atividade. Posteriormente, entretanto, refizera a apuração e retransmitira todas as respectivas obrigações acessórias para (i) desfazer a apropriação dos créditos de insumos e serviços de concretagem e (ii) fazer incidir sobre as receitas do regime cumulativo a correta alíquota de 3%, o que resultou em recolhimentos superiores aos valores realmente devidos, que foram objeto das declarações de compensação apresentadas. Contestou a decisão da autoridade fiscal, ressaltando que, se não houvera a comprovação da apropriação dos créditos pelo método direto dos custos, como destacado no despacho decisório, deveria ter sido utilizado o método da proporcionalidade, legitimando o rateio de custos entre as atividades sujeitas aos regimes cumulativo e não cumulativo (apresentou o cálculo de rateio dos insumos a partir da proporcionalidade da receita bruta que, segundo ele, encontravase de acordo com o previsto no § 8º do art. 3ª da Lei nº 10.833, de 2003). Salientou que o Despacho Decisório não fizera qualquer menção à imposição de juros e multa, presumindose daí que eles não estavam sendo exigidos, tornandose nula uma possível cobrança a esse respeito, em razão da impossibilidade de se defender. Admitiu que, no caso, tratavase de mero erro formal, sem qualquer lesão ao fisco, uma vez que não houvera redução do valor do montante tributável, não tendo sido logrado qualquer benefício, o que demonstrava que a não homologação da compensação Fl. 534DF CARF MF Processo nº 19679.720025/201492 Resolução nº 3302000.902 S3C3T2 Fl. 4 3 pretendida deflagrava um rigor excessivo, incompatível com os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, bem como com a verdade material prevalecente no âmbito do processo administrativo tributário. A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob fundamento de falta de comprovação da existência do direito creditório, por meio de documentos fiscais e/ou escrituração contábil hábeis, e por considerar que a aplicação do cálculo de rateio dos créditos a partir da proporcionalidade não podia ser considerada antes que se comprovasse o montante dos créditos informados no Dacon. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou os argumentos utilizados na Manifestação de Inconformidade, ressaltando o seguinte: a) o fornecimento de argamassa preparada em betoneiras no trajeto até a obra é prestação de serviços, razão pela qual refez a apuração da contribuição; b) ao verificar estarem as receitas decorrentes de prestação de serviço de concretagem sujeitas ao regime cumulativo, refez sua apuração, constatando que os recolhimentos outrora efetivados foram superiores aos valores realmente devidos; c) houve indevida desconsideração do método de apuração adotado; d) defendeu a busca pela verdade material. É o relatório Voto Paulo Guilherme Deroulede, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3302000.901, de 23/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 19679.720027/201481, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3302000.901): A Recorrente reformulou sua escrituração contábil com o objetivo de refazer a sua apuração de COFINS com o escopo de tributar as receitas relativas às atividades de "concretagem" no regime CUMULATIVO, eis que originalmente o havia feito sob a sistemática NÃO CUMULATIVA. A Recorrente insurgese contra o fato da autoridade fiscal haver deixado de reconhecer o controle elaborado por ela, mormente diante de planilhas com identificação individual de cada nota fiscal de entrada dos insumo de forma separada em relação à atividade sujeita à sistemática cumulativa e não cumulativa. Requer seja acatada ao menos a COFINS apurada de forma cumulativa referente à mesma competência do crédito que deveria ter sido compensada, eis Fl. 535DF CARF MF Processo nº 19679.720025/201492 Resolução nº 3302000.902 S3C3T2 Fl. 5 4 que entende tratarse de mera reclassificação de receita, seja segundo o método de apropriação direta ou pelo método do rateio proporcional. Vale destacar que originalmente a Recorrente apresentou DACON pela sistemática NÃO CUMULATIVA, apropriandose de todos os insumos adquiridos, mas apurando COFINS a uma alíquota de 7,6%. Contudo, retificou a declaração para adequarse à sistemática CUMULATIVA, sujeitandose à alíquota de 3%. A fiscalização, contudo, entendeu por bem desconsiderar o controle de custos da Recorrente para fins de repartição dos créditos de insumos passíveis de apropriação. Argumenta a Recorrente que a não homologação da DCOMP em discussão implicaria exigência em duplicidade da COFINS da competência de setembro de 2008. Aduz ainda que a fiscalização tinha o dever de empregar o método alternativo da proporcionalidade (rateio proporcional) previsto no § 8º do artigo 3º da Lei 10.833/2003, e não simplesmente deixar de reconhecer qualquer pagamento a título de COFINS cumulativa. Não obstante os argumentos esposados pela Recorrente é de se notar que ao prestar o "serviço de concretagem" ela utiliza como principal matéria prima o CIMENTO por ela mesmo produzido e sujeito ao regime não cumulativo. Como da aquisição dos insumos para a fabricação do cimento apenas uma parte foi destinado ao serviço utilizado na operação de concretagem, apenas uma parte dos créditos poderia ter sido utilizado. Foi por esta razão que a Autoridade Fiscal entendeu que os créditos apresentados não possuiriam a liquidez e certeza necessários ao seu aproveitamento aos fins almejados pela Recorrente. "Entretanto, como constatado pela autoridade fiscal, as planilhas apresentadas em 26/06/2015 não contemplavam os dados solicitados no TIF 12/2015, não trazendo a informação individualizada de cada nota fiscal: rubrica correspondente do Dacon, mês em que o valor foi apropriado, número da nota fiscal, dia de emissão, número do CFOP da operação, código NCM da mercadoria, descrição detalhada da mercadoria, CNPJ/CPF do fornecedor, nome do fornecedor, valor da nota, valor da base de cálculo para fins de crédito e indicação a qual processo produtivo cada um dos bens pertence (cimento, argamassa, concreto etc). Concluindo, dessa maneira, que as informações prestadas pela contribuinte não estavam aptas a comprovar a liquidez e certeza dos créditos alegados." (efls. 482) Se por um lado é verdade que a Recorrente possui o direito de utilizarse dos créditos tributários, por outro é necessário que tais créditos sejam dotados da liquidez e certeza necessários à compensação. Em sede de Recurso Voluntário, é de competência deste colegiado aferir, em grau recursal, se a documentação apresentada é suficiente à demonstração do direito ao crédito. A negativa do fisco, que foi acompanhada pela DRJ, é no sentido de que a Recorrente, mesmo intimada, deixou de apresentar todas as informações relevantes à aferição da liquidez e da certeza dos créditos, merecendo destaque a rubrica correspondente do DACON, mês de apropriação, número da nota, dia de emissão, número do CFOP da operação, código NCM da mercadoria, descrição Fl. 536DF CARF MF Processo nº 19679.720025/201492 Resolução nº 3302000.902 S3C3T2 Fl. 6 5 detalhada, CNPJ ou CPF do fornecedor, nome do fornecedor, valor da nota, valor da base de cálculo para fins de crédito e indicação a qual processo produtivo cada um dos bens pertence, o que levou ao fisco a entender que o crédito não era dotado dos predicados imprescindíveis à sua compensação. No entanto, pela análise do processo é possível aferir que muitas destas informações estão contidas na documentação trazida aos autos pela Recorrente, havendo indícios de que podem existir créditos a serem aproveitados. Neste cenário, proponho converter o julgamento em diligência, à unidade de origem, para que a fiscalização, após a Recorrente indicar o processo produtivo no qual o insumo comum foi empregado, apure o real valor dos créditos pelo emprego do método do rateio proporcional com base na receita bruta, conforme a legislação aplicável, ocasião em que a fiscalização poderá exigir novos documentos. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência à unidade de origem, para que a fiscalização, após a Recorrente indicar o processo produtivo no qual o insumo comum foi empregado, apure o real valor dos créditos pelo emprego do método do rateio proporcional com base na receita bruta, conforme a legislação aplicável, ocasião em que a fiscalização poderá exigir novos documentos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 537DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.737224/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2007
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. ORIGEM. PROCEDÊNCIA PARICAL.
Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
SIMPLES. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO.
A verificação de diferença na base de cálculo ou INSUFICIÊNCIA de RECOLHIMENTO do imposto pela sistemática do SIMPLES constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário.
OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO.
Havendo a omissão de receita tributável pelo IRPJ, aplica-se idêntico entendimento aos demais tributos e contribuições sociais, com a incidência sobre os mesmos fatos.
Numero da decisão: 1201-002.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Gasparello Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
1.0 = *:*
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. ORIGEM. PROCEDÊNCIA PARICAL. Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SIMPLES. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A verificação de diferença na base de cálculo ou INSUFICIÊNCIA de RECOLHIMENTO do imposto pela sistemática do SIMPLES constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO. Havendo a omissão de receita tributável pelo IRPJ, aplica-se idêntico entendimento aos demais tributos e contribuições sociais, com a incidência sobre os mesmos fatos.
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ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RAFAEL GASPARELLO LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. ORIGEM. PROCEDÊNCIA PARICAL. Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SIMPLES. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A verificação de diferença na base de cálculo ou INSUFICIÊNCIA de RECOLHIMENTO do imposto pela sistemática do SIMPLES constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO. Havendo a omissão de receita tributável pelo IRPJ, aplicase idêntico entendimento aos demais tributos e contribuições sociais, com a incidência sobre os mesmos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 72 24 /2 01 1- 61 Fl. 347DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães. Relatório O acórdão nº 1261.702, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro (DRJ/RJ1), julgou procedente em parte a impugnação administrativa, conforme se extrai da sua ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROCEDÊNCIA PARCIAL É legítimo o lançamento por presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar os créditos em suas contas, com as exclusões permitidas pela legislação tributária. SIMPLES INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A verificação de diferença na base de cálculo ou INSUFICIÊNCIA de RECOLHIMENTO do imposto pela sistemática do SIMPLES constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, CSLL, COFINS, CSSINSS Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Resumidamente, o acórdão recorrido narrou os fatos que proporcionaram a imposição fiscal: Trata o presente processo da fiscalização da pessoa jurídica acima identificada quanto ao período de apuração (PA) de Fl. 348DF CARF MF Processo nº 12448.737224/201161 Acórdão n.º 1201002.616 S1C2T1 Fl. 348 3 1º/01/2007 a 30/06/2007 do que resultou em autuação e lançamento de ofício do seguinte crédito tributário (imposto e contribuições): Imposto de Renda Pessoa JurídicaSimples de R$ 16.195,48 Programa de Integração SocialSimples. R$ 12.021,02 Contribuição Social s/Lucro LíquidoSimples de R$ 17.425,06 Contribuição p/ Financ. S.SocialSimples. R$ 51.686,83 Contribuição p/ Seguridade SocialSimples de R$ 145.990,57 A pessoa jurídica foi intimada para apresentar livros de sua escrituração, contrato social e suas alterações e extratos bancários, tendo atendido às exigências formuladas pela Fiscalização, que verificou a existência de depósitos bancários não escriturados e relacionados às contas correntes: Intimada em 16/05/2011 (fl. 125) para apresentar a documentação hábil e idônea que comprovasse e justifcasse os depósitos bancários, cuja relação individualizada constou do anexo à intimação (fls. 126 a 132), a pessoa jurídica informou o seguinte à fl. 136.: Idêntica resposta foi dada pela pessoa jurídica para o Banco Santander (fl.137), sendo que para os depósitos efetuados no Banco do Brasil argumentou que se tratava de um empréstimo tomado com esse Banco, sem, contudo, apresentar documentação comprobatória de sua veracidade. Em intimação datada de 27/10/2011, fl. 145, a pessoa jurídica foi intimada para: Em resposta à intimação recebida, a pessoa jurídica respondeu afirmando: Fl. 349DF CARF MF 4 Em seguida, a Fiscalização procedeu à lavratura do Termo de Verificação Fiscal, em que constatou a omissão de receitas caracterizadas por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada por documentação hábil e idônea e, lavrou os autos de infração para cobrança dos tributos e contribuições acima citados, que foi recebido pelo contribuinte em 25/11/2011. Inconformada com as autuações, a pessoa jurídica apresentou impugnação em 27/12/2011 com os seguintes argumentos: 1 que os depósitos bancários verificados pela Fiscalização são oriundos de transferência entre as contas bancárias de titularidade da empresa, o que deveria ter sido observado pela Fiscalização; 2 que a movimentação na conta do Banco do Brasil, decorrente de empréstimo, a impugnante não tem como comprovar o empréstimo porque tal conta se encontra há muito já encerrada; 3 que a Fiscalização errou ao calcular os tributos devidos e, na opinião da impugnante, deveria ter sido calculado em valores inferiores aos apresentados, resultando numa base tributável para o período de janeiro a junho de 2007 de R$ 234.479,00 e não R$ 321.249,00, o que excede a exação em R$ 86.770,00; 4 que em se tratando de alegação de omissão de receitas, para efeitos do imposto de renda deve ser considerado o lucro de 50% dos valores omitidos, o que não foi observado pela autuante; 5 que a Fiscalização fez incidir a correção monetária sobre a multa aplicada, o que só pode ser feito em procedimentos judiciais; Requer seja feita a revisão dos cálculos do imposto devido e, in fine, o cancelamento do débito fiscal reclamado. A contribuinte interpôs o tempestivo recurso voluntário, reiterando os mesmos argumentos da impugnação administrativa É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 12448.737224/201161 Acórdão n.º 1201002.616 S1C2T1 Fl. 349 5 A Recorrente não evidenciou qualquer argumento jurídico que infirmasse a constituição do crédito tributário, ocasionando sua preservação integral, consoante o acórdão recorrido. Não há elementos suficientes para inverter o ônus da prova que lhe é própria, nem qualquer esclarecimento sobre as receitas omitidas. A presunção relativa de omissão de receita é impugnável pela Recorrente, porém, necessário documentos hábeis e idôneos que evidenciem o contrário, segundo o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. O artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (RIR/1999), aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, reafirma que "a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." A presunção juris tantum foi estabelecida em norma vigente, invertendo o ônus de prova quanto à omissão de receitas para a contribuinte. O atual Código de Processo Civil, subsidiariamente, aplicável ao processo administrativo tributário, prevê tal hipótese no seu artigo 374: "Art. 374. Não dependem de prova os fatos: (...) IV— em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade." Neste sentido, assim se pronunciou o acórdão recorrido nº 1261.702 sobre a parcial procedência do lançamento de ofício: Foi verificado pela Fiscalização a omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origens não comprovadas. A presunção legal de omissão se deu após a regular intimação da pessoa jurídica, que recebeu a relação individualizada dos depósitos bancários e não logrou comprovar, com documentação hábil e idônea, as origens de tais recursos. Fl. 351DF CARF MF 6 (...) Nunca é demais lembrar que o art. 42 da lei nº 9.430/96 caracterizase como presunção legal de omissão de receitas, no qual o ônus da prova, de forma expressa, é transferido para o contribuinte. Nos casos de presunções legais o ônus da prova fica invertido, cabendo ao contribuinte provar os fatos registrados em sua escrituração. (...) (...) A lei obriga que, para que os depósitos bancários sejam considerados como receita omitida da pessoa jurídica, esta deve ser intimada regularmente para comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Verificamos que a Fiscalização intimou regularmente a pessoa jurídica, nos termos do parágrafo terceiro do artigo 42 da Lei 9430/96, não logrando a interessada comprovar as origens dos recursos transitados em suas contas correntes. Os argumentos da impugnante não se sustentam para elidir as autuações, pois carecem de provas inequívocas que os amparem, vejamos: 1 argumentos devem estar acompanhados de provas que os sustentem e dizer e não provar é o mesmo que não dizer – para que o depósito bancário da conta da pessoa jurídica no Banco do Brasil se caracterizasse como fruto de um empréstimo, deveria a empresa ter apresentado o respectivo contrato de mútuo com a instituição financeira, o que não fez; 2 os autos de infração foram lavrados com base nos dispositivos legais neles relacionados e a autuada não os contestou e não invocou outra legislação que amparasse seus argumentos, portanto não podem ser acolhidos; 3 não é vero que houve correção monetária aplicada sobre a multa de oficio, por não haver mais correção monetária o que houve foi a cobrança de juros de mora, aplicados sobre o valor do principal, que é a remuneração do capital sobre o valor do imposto, pelo prazo em que ele deixou de ser recolhido, e juros de mora não se confunde com correção monetária; (...) Já quanto a identidades de lançamentos entres as contas bancárias da pessoa jurídica, esta apontou a existência de movimentações financeiras nelas ocorridas e que seriam objeto de depósitos bancários de mesma titularidade; Na planilha dos depósitos do Banco Sntander, c/c 130000868, fls. 127, há o registro de dois depósitos de mesma titularidade – em 25/04/2007, de R$ 104.000,00 e em 25/05/2007, de R$ 61.000,00. Estes valores tem correspondência com os extratos, fls. 52 e 55, que confirmam ser de mesma titularidade. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 12448.737224/201161 Acórdão n.º 1201002.616 S1C2T1 Fl. 350 7 Portanto, há que se excluir da base tributável tais valores, pois não configuram receitas omitidas passíveis de tributação. Vejamos a planilha original do autuante: As diferenças apuradas devem ser ajustadas, excluindose dos fatos geradores de abril e maio os respectivos valores de de R$ 104.000,00 e de R$ 61.000,00, ficando a tabela acima assim ajustada: Assim, excluída a diferença acima apontada, não tendo a interessada afastada a presunção legal na qual se baseou o lançamento, mediante a apresentação de provas com base em documentação hábil e idônea (repitase, exceto os depósitos de mesma titularidade), há que ser mantida a presunção de omissão de receitas pela existência de créditos em conta bancária sem comprovação da origem dos recursos. Por outro lado, devem ser excluídos da base tributável os valores referentes a transferências interbancárias de mesma titularidade. Os autos de infração ajustados pela exclusão das bases de cálculo dos fatos geradores do PA 04/2007 e 05/2007 encontramse em planilhas que estão anexadas ao p. processo como Doc.j, fls. 303 a 314. CONCLUSÃO De todo o exposto, voto por dar provimento parcial à impugnação, excluindose das bases tributáveis os depósitos de mesma titularidade, ajustandose os autos de infração e propondo considerar devidos: Imposto de Renda Pessoa Jurídica Simples de R$ 14.386,51 Fl. 353DF CARF MF 8 Programa de Integração Social Simples. R$ 10.667,26 Contribuição Social s/Lucro Líquido Simples. de R$ 15.616,09 Contribuição p/ Financ. S.SocialSimples. R$ 46.437,75 Contribuição p/ Seguridade SocialSimples. de R$ 130.676,47 todos os tributo e contribuições acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora. Posteriormente, o acórdão nº 1262.560, proferido pela mesma 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro, retificou o erro material do acórdão nº 1261.702, "somente alterando o valor da contribuição para o PIS, considerada devida neste julgamento, no valor de R$ 10.677,26." Isto posto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário e NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 354DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11624.720154/2014-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2011
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não padece de nulidade a autuação lavrada com observância ao art. 142 do CTN, arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, e não sendo o caso de aplicação do art. 53 da Lei nº 9784/99. Eventuais equívocos cometidos pela Fiscalização devem ser saneados ao longo do processo, como determina o art. 60 do Decreto 70.235/72.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CIÊNCIA DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO.
Não é necessário que todos os sujeitos passivos solidários tomem ciência do início do procedimento, bastando que seja oportunizado a todos o livre acesso ao processo, de forma a poderem exercer o contraditório e a ampla defesa.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. PERÍODO DE ABRANGÊNCIA.
O sócio só deve figurar no pólo passivo das obrigações tributárias surgidas nos respectivos períodos em que exercia a função de administrador, salvo quando comprovado que continuava atuando nesta mesmo estando fora do quadro societário ou da administração.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2011
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O princípio da vedação ao confisco tem sede constitucional, no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme Súmula CARF nº 2.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
A utilização, por diversos períodos de apuração, de alíquotas de tributos inferiores àquelas determinadas pela legislação, causando a diminuição expressiva dos valores a recolher, demonstra a existência de dolo e caracteriza a prática de sonegação, a ensejar a qualificação da multa de ofício com a sua duplicação.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO.
A falta de resposta às intimações para prestar esclarecimentos ou entregar documentos, quando causar prejuízos ao regular desenvolvimento do procedimento fiscal, impedindo ou dificultando que a Autoridade Tributária possa apurar a real base de cálculo dos tributos, é causa para o agravamento, em 50%, da multa de ofício.
Numero da decisão: 3401-005.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Cássio Schappo e Marcos Antônio Borges (suplente convocado em substituição à Conselheira Mara Cristina Sifuentes). Ausente justificadamente os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Carlos Henrique de Seixas Pantarolli.
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2011 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade a autuação lavrada com observância ao art. 142 do CTN, arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, e não sendo o caso de aplicação do art. 53 da Lei nº 9784/99. Eventuais equívocos cometidos pela Fiscalização devem ser saneados ao longo do processo, como determina o art. 60 do Decreto 70.235/72. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CIÊNCIA DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO. Não é necessário que todos os sujeitos passivos solidários tomem ciência do início do procedimento, bastando que seja oportunizado a todos o livre acesso ao processo, de forma a poderem exercer o contraditório e a ampla defesa. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. PERÍODO DE ABRANGÊNCIA. O sócio só deve figurar no pólo passivo das obrigações tributárias surgidas nos respectivos períodos em que exercia a função de administrador, salvo quando comprovado que continuava atuando nesta mesmo estando fora do quadro societário ou da administração. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2011 MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O princípio da vedação ao confisco tem sede constitucional, no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme Súmula CARF nº 2. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A utilização, por diversos períodos de apuração, de alíquotas de tributos inferiores àquelas determinadas pela legislação, causando a diminuição expressiva dos valores a recolher, demonstra a existência de dolo e caracteriza a prática de sonegação, a ensejar a qualificação da multa de ofício com a sua duplicação. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. A falta de resposta às intimações para prestar esclarecimentos ou entregar documentos, quando causar prejuízos ao regular desenvolvimento do procedimento fiscal, impedindo ou dificultando que a Autoridade Tributária possa apurar a real base de cálculo dos tributos, é causa para o agravamento, em 50%, da multa de ofício.
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CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade a autuação lavrada com observância ao art. 142 do CTN, arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, e não sendo o caso de aplicação do art. 53 da Lei nº 9784/99. Eventuais equívocos cometidos pela Fiscalização devem ser saneados ao longo do processo, como determina o art. 60 do Decreto 70.235/72. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CIÊNCIA DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO. Não é necessário que todos os sujeitos passivos solidários tomem ciência do início do procedimento, bastando que seja oportunizado a todos o livre acesso ao processo, de forma a poderem exercer o contraditório e a ampla defesa. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. PERÍODO DE ABRANGÊNCIA. O sócio só deve figurar no pólo passivo das obrigações tributárias surgidas nos respectivos períodos em que exercia a função de administrador, salvo quando comprovado que continuava atuando nesta mesmo estando fora do quadro societário ou da administração. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2011 MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O princípio da vedação ao confisco tem sede constitucional, no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme Súmula CARF nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 62 4. 72 01 54 /2 01 4- 12 Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.217 2 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A utilização, por diversos períodos de apuração, de alíquotas de tributos inferiores àquelas determinadas pela legislação, causando a diminuição expressiva dos valores a recolher, demonstra a existência de dolo e caracteriza a prática de sonegação, a ensejar a qualificação da multa de ofício com a sua duplicação. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. A falta de resposta às intimações para prestar esclarecimentos ou entregar documentos, quando causar prejuízos ao regular desenvolvimento do procedimento fiscal, impedindo ou dificultando que a Autoridade Tributária possa apurar a real base de cálculo dos tributos, é causa para o agravamento, em 50%, da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Cássio Schappo e Marcos Antônio Borges (suplente convocado em substituição à Conselheira Mara Cristina Sifuentes). Ausente justificadamente os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Carlos Henrique de Seixas Pantarolli. Relatório 1. Trata o presente caso de ação fiscal desenvolvida junto ao contribuinte OCIDENTAL DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA, com início em 26/02/2014, para verificação do cumprimentos das suas obrigações referentes aos tributos PIS/PASEP e COFINS, referentes ao período de apuração dos anoscalendário de 2010 e 2011. 2. Como resultado do procedimento fiscal, foram lavrados Autos de Infração para o PIS/PASEP e para a COFINS, com crédito tributário no valor total de R$12.262.945,37 e R$56.249.597,19, respectivamente, com juros de mora calculados até dezembro de 2014. O AuditorFiscal da Receita Federal responsável identificou as seguintes infrações à legislação tributária, conforme Termo de Verificação Fiscal às fls. 60 a 70: 3.) ANÁLISE Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.218 3 A análise da DACON dos anoscalendário 2010 e 2011 mostram que o contribuinte declarou o mostrado nas tabelas abaixo. (...) Nas fichas “13A Créditos Descontados no Mês PIS/PASEP Regime NãoCumulativo” e “23A Créditos Descontados no Mês Cofins Regime NãoCumulativo” encontrase sempre a mesma informação “Não foi encontrado nenhum registro”. Na ficha “04A Cadastro de Produtos Sujeitos a Alíquotas Diferenciadas” temos o registro de “090101401Álcool, Inclusive para Fins Carburantes Venda por Distribuidor ou Comerciante Não Varejista” com as alíquotas de PIS e COFINS de 3,75% e 17,25%, respectivamente. A consulta às DCTF dos anoscalendário 2010 e 2011 mostra que foram declarados débitos exatamente como consta nas DACON, sem registro de pagamento ou compensação. O pagamento de PIS/Pasep e COFINS da empresa, distribuidora de combustível, conforme consta em seu contrato social, é estabelecido pelo inciso II do art. 5º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, alterada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, que diz: “Art. 5º A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida na venda de álcool, inclusive para fins carburantes, serão calculadas com base nas alíquotas, respectivamente, de: ( Incluído pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) I ( ... ) II 3,75% (três inteiros e setenta e cinco centésimos por cento) e 17,25% (dezessete inteiros e vinte e cinco centésimos por cento), no caso de distribuidor. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 )” Portanto, para apurar a diferença entre os valores de PIS e COFINS, declarados em DCTF com base nas alíquotas de 2,37% e 10,92%, para os valores determinados pela Lei, com as alíquotas corretas de 3,75% e 17,25%, inicialmente, tendo constatado a não existência da Escrituração Contábil Digital no ambiente SPED, para os anoscalendário 2010 e 2011, o contribuinte foi intimado, através do TIPF, a: “1– Apresentar o recibo de entrega da Escrituração Contábil Digital no ambiente SPED, instituído pelo Decreto nº 6.022, de 2007. No caso de não ter sido entregue a Escrituração Contábil Digital no ambiente SPED até a presente data, providenciar o cumprimento dessa obrigação e apresentar o respectivo recibo de entrega. 2– No caso de não atendimento do item 1 acima e existindo, em relação a esses mesmos anos, livros Diário em papel autenticado pela Junta Comercial, apresentar os livros Diário e Razão.” Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.219 4 O contribuinte não respondeu ao TIPF. Para apurar os dados para o correto lançamento de PIS e COFINS, também foi feito o TI01 Termo de Intimação 01, onde é determinado ao contribuinte: (...) O contribuinte não respondeu ao TI01. Assim, não se tendo a contabilidade da empresa nem dados necessários para apurar os valores de PIS e CONFINS, será considerado como base de cálculo a receita já declarada em DACON, os valores de alíquotas a menor ali utilizadas, cujos valores calculados de PIS e CONFIS foram transportados para a DCTF, e considerado o fato da não existência de créditos conforme consta em DACON. (...) 4.) MULTAS APLICADAS Na OCIDENTAL foi aberta ação fiscal para verificar omissão dos tributos PIS – COMBUSTÍVEIS e COFINS – COMBUSTÍVEIS e para o tributo IRPJ eventual REDUÇÃO DA RECEITA LÍQUIDA. Também foram abertas ações fiscais nas empresas, ON, ORION e SPEED, na operação MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INCOMPATÍVEL COM RECEITA DECLARADA – PJ, para verificar a suspeita de que a OCIDENTAL opera através de tais empresas para realizar sua movimentação financeira. Sobre a movimentação financeira e receita bruta, os valores das empresas são mostrados na tabela abaixo. Observase os altos valores da relação movimentação financeira sobre receita bruta declarada para as empresas ON e ORION e o baixo valor para a OCIDENTAL. Os valores movimentados entre as empresas, mostrados nas tabelas a seguir, demostram o interrelacionamento entre estas empresas. Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.220 5 A ação fiscal nas empresas ON, ORION e SPEED confirmou que estas operam para a OCIDENTAL. Empresas que receberam ou enviaram valores para as contas bancárias destas empresas, confirmaram que tratavase de valores relativos à OCIDENTAL ou empresa relacionada. Resultado de diligências realizadas: Respostas das diligências foram anexadas a este processo de Auto de Infração. A análise das notas fiscais eletrônicas da OCIDENTAL e das usinas de álcool Americana, Naviraí, Santa Terezinha, Vicentina, Biosev e São Fernando, emitidas em nome da OCIDENTAL para compra de álcool por parte desta e das notas fiscais de venda de álcool da OCIDENTAL, mostrou o seguinte: Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.221 6 Portanto, com base numa amostragem de 61,4% da compras de álcool da OCIDENTAL, vemos que esta comprou o álcool por um preço médio de R$ 1,0505599706 enquanto o preço médio de venda em 2010 foi de R$ 1,1187487075. Sobre o valor da venda a empresa deveria recolher 3,75% de PIS e 17,25% de COFINS, nos termos do inciso II do art. 5º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, alterada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008. Assim teríamos: PIS+COFINS = (3,75% + 17,25%) x 1,1187487075 = 0,2349372286 Se a empresa fosse pagar estas contribuições, a venda deveria cobrir o preço da compra mais estes impostos, ou seja: CUSTO = 1,0505599706 + 0,2349372286 = 1,2854971992 maior que o preço de venda realizado de R$ 1,1187487075. Vamos considerar agora apenas os valores declarados em DCTF pela OCIDENTAL, ou seja, 2,37 e 10,92 de PIS e COFINS. Teríamos então: PIS+COFINS = (2,37% + 10,92%) x 1,1187487075 = 0,1486817032 Se a empresa fosse pagar estas contribuições, a venda deveria cobrir o preço da compra mais estes impostos, ou seja: CUSTO = 1,0505599706 + 0,1486817032 = 1,1992416738 maior que o preço de venda realizado de R$ 1,1187487075. Portanto, a OCIDENTAL não teria valores nem para pagar os valores de PIS e COFINS confessados em DCTF. A OCIDENTAL também teria ainda que recolher o imposto estadual ICMS, o que aumentaria ainda mais o prejuízo de seus negócios. Na análise da vendas de álcool pela OCIDENTAL consideramos apenas as notas fiscais com os CFOP abaixo relacionados. Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.222 7 (...) Constatada a ocorrência acima descrita para 2010, fizemos análise para 2011 e foi constatado os mesmos procedimentos neste ano. (...) Os arquivos das planilhas, extensão ods, com as notas fiscais de venda de álcool das usinas para a OCIDENTAL foram anexados ao processo deste Auto de Infração como arquivos não pagináveis. Além do álcool, a venda de outros combustíveis pela empresa é um valor menor do seu total de vendas, conforme demonstrado na tabela abaixo. Concluise que a OCIDENTAL atua no mercado de distribuição de combustíveis, principalmente o álcool, praticando um preço de venda muito abaixo de preço de mercado, dominando este mercado e impossibilitando a existência de empresas concorrentes. A OCIDENTAL não atua sozinha neste sistema operacional, utilizandose de outras empresas para pagamento e recebimento de valores, ocultando assim sua movimentação financeira do fisco federal. Os preços de compra e venda do álcool comercializado pela OCIDENTAL pressupõe a intenção da empresa de não pagar os tributos, sejam federais ou estaduais, intenção que vale não apenas para os tributos já declarados em DCTF e não pagos, e, portanto, inscritos em Dívida Ativa, como vale para os tributos lançados neste Auto de Infração. A OCIDENTAL não entregou a escrituração contábil digital dos anoscalendário 2009, 2010 e 2011, impedindo assim que a Receita Federal do Brasil apurasse os fatos acima descritos, o que demonstraria a intenção da empresa de não recolher os impostos devidos. A OCIDENTAL utiliza alíquotas inexistentes de 2,37% e 10,92% para, respectivamente, PIS e COFINS, continuamente para todos os meses de 2010 até março de 2011, mês a partir do qual encerra suas atividades. O ocultação da escrituração contábil e utilização de alíquotas inexistentes de PIS e COFINS por anos seguidos caracteriza o descrito no art. 71 da Lei nº 4.502/1964: (...) Assim, para a multa de ofício cabe a aplicação do disposto no §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.223 8 (...) Por não ter respondido ao TIPF e ao Termo de Intimação 01, cabe aplicação do disposto no §2º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. (...) 5.) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Neste Auto de Infração imputase responsabilidade solidária para as empresas ON PETROLEO LTDA, CNPJ 05.410.577/000195, ORION DISTRIBUIDORA DE COMBUSTIVEIS LTDA, CNPJ 04.220.515/000158 e SPEED COMBUSTIVEIS LTDA, CNPJ 95.387.353/000100 pois atuam como “interposta pessoa” da OCIDENTAL para ocultar sua movimentação financeira. A OCIDENTAL não entrega sua escrituração contábil digital, escondendo assim os dados da Receita Federal do Brasil que pudessem identificar seus fornecedores. A receita estadual informou a Receita Federal do Brasil que as empresas acima dariam suporte às operações da OCIDENTAL, foram abertas fiscalizações nestas empresas na operação MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INCOMPATÍVEL COM RECEITA DECLARADA – PJ e assim foi possível comprovar que realmente realizavam a movimentação financeira da OCIDENTAL e identificar seus fornecedores que, após diligências nestes, chegouse aos valores das compras realizadas pela OCIDENTAL, para comprovar que os preços de compra e venda do álcool comercializado pela OCIDENTAL pressupõe a intenção da empresa de não pagar os tributos. A OCIDENTAL omitiu informações da Receita Federal do Brasil, seja pela não apresentação da contabilidade bem como pela ocultação de sua movimentação financeira e, neste caso, com a ajuda das empresas ON, ORION e SPEED. Todas estas empresas, OCIDENTAL, ON, ORION e SPEED, não respondem às intimações feitas pela Receita Federal do Brasil, impedindo assim a obtenção de informações do contribuinte. A OCIDENTAL ainda declara em DACON alíquotas inexistentes de PIS e COFINS, valores depois repassados integralmente para a DCTF. Assim, ON PETROLEO LTDA, CNPJ 05.410.577/000195, ORION DISTRIBUIDORA DE COMBUSTIVEIS LTDA, CNPJ 04.220.515/000158 e SPEED COMBUSTIVEIS LTDA, CNPJ 95.387.353/000100 concorrem para ocultar informações da OCIDENTAL e impedir a Receita Federal do Brasil de realizar o lançamento de contribuições devidas e, portanto, respondem solidariamente pelo tributos lançados com base no inciso I do art. 124 da Lei nº 5.172/1966. Os sócios administradores das empresas OCIDENTAL, ON, ORION e SPEED concordaram, ou se omitiram assumindo do Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.224 9 mesmo modo a responsabilidade, com os procedimentos destas empresas na ocultação das informações da OCIDENTAL e respondem solidariamente pelo tributos lançados com base no art. 135 da Lei nº 5.172/1966. São os sócios administradores destas empresas conforme contrato social: 3. Foi apresentada uma única Impugnação em 06/01/2015. Tal recurso, porém, foi subscrito por ORION DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS LTDA e seus sócios Ezidio Guerino, Luciana Guerino, Liliane Guerino Valduga Cruz e Fioravante Guerino Neto, bem como pela sócia Deolinda Polizelli Guerino, da OCIDENTAL (Interessada), responsáveis solidários apontados pela Fiscalização. 4. Em relação aos sujeitos passivos OCIDENTAL DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA, e os responsáveis solidários ON PETRÓLEO LTDA, SPEED COMBUSTÍVEIS LTDA, RODRIGO RIBAS GONÇALVES (sócio da OCIDENTAL), MARILENA RIBAS GONÇALVES (sócia da ON), PAULO SERGIO DE OLIVEIRA e MAURÍCIO PEDROZO COZECHEM (sócios da SPEED), apesar de terem sido devidamente cientificados, não apresentaram Impugnação. 5. Trago à colação, a seguir, os trechos da Impugnação que bem sintetizam seus argumentos: 1 FALTA DE TERMOS DE INICIO DE AÇÃO FISCAL Os impugnantes denunciam que nenhum termo inaugural do procedimento de investigação fiscal foi lavrado, descumprindo flagrantemente a norma legal acima transcrita, o que eiva de nulidade o lançamento tributário. (...) Para tanto com a finalidade de dar formalidade ao procedimento fiscal o agente deve lavar os termos necessários (início de fiscalização, objeto da fiscalização, relatório do procedimento fiscal, os lançamentos fiscais...) Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.225 10 A ausência ou a não cientificação válida destes termos são causas de anulabilidade do lançamento de vício formal porque não produziram os efeitos jurídicos a eles atribuídos, assim como a extrapolação do prazo fixado para a conclusão dos trabalhos, sem que haja a formalização de termo de prorrogação. Tal conduta omissiva da autoridade, causa prejuízo ao contribuinte, ademais tal procedimento fere ainda o principio da moralidade que a administração deve necessariamente guardar. 2 CERCEAMENTO DE DEFESA É patente o cerceamento de defesa, primeiramente quando os impugnantes foram incluídos em auto de infração tão e unicamente no momento de sua lavratura, de forma que jamais tiveram qualquer ciência da existência da mesma. É de se destacar de inicio que não houve a necessária intimação dos impugnantes da fiscalização nenhum termo de inicio foi lavrado, sequer foi cientificados os impugnantes que havia a fiscalização, razão pela qual não puderam apresentar suas razões, documentos e qualquer outro no momento da fiscalização. Impõe esclarecer que a fiscalização efetuada, e ora impugnada esta marcada pelo signo da ilegalidade, não só pela surpresa e afronta constitucional, mas sim por um vício de origem, a motivação, explico: Os agentes fiscais atuaram sob o interesse do chamado SINDICOM (sindicato que representa a grandes distribuidoras), atuação esta de forma consciente e amplamente direcionada, como a que ocorreu na Receita Estadual, através da operação denominada "Predador" a qual teve a sua ilegalidade e ilicitude reconhecida pelo Poder Judiciário (Tribunal de Justiça do Estado do Paraná), conforme documentos anexos, bem como por diversos outros processos que versam a respeito da conduta de delegados, policiais e agentes do fisco que agiram em condições que em tese representam interesses escusos, conforme processos administrativos correcionais que tramitam [e que não podem serem juntados pois encontramse em segredo de justiça]. (...) 3 DA PROVA ILÍCITA Excetuando o aspecto midiático que se deu à operação PREDADOR, a qual foi ilegalmente promovidas, sem qualquer efeito legal, pelo simples e contundente fato de que não havia condições legais para se fazer a persecução penal aos acusados, faltandolhe o requisito essencial, ou seja, o CRIME. (...) Ora, como se verifica, os acusados de forma geral, foram verdadeiras vítimas de atos ilegais e abusivos. Sendo nos exatos Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.226 11 parâmetros do STJ ilegal a busca e apreensão bem como todo o inquérito policial e ações penais (já trancadas na sua integralidade pelo TJPR, ou sequer recebidas as denuncias pelo N. Juízes), por uma única e bastante razão, o fato imputado não era crime, era sim uma ação vil e sorrateira do Cartel das Grandes Distribuidoras, influente lamentavelmente na administração públicas, aliás, como mais uma vez se observa. Sendo assim, toda e qualquer prova obtida naqueles procedimentos são provas ilícitas. (...) 4 DA IMPOSSIBILIDADE DE FIGURAR COMO SUJEITO PASSIVO, AUTO BASEADO EM PRESUNÇÃO, FALTA DE OBSERVÂNCIA AOS TERMOS E REQUISITOS LEGAIS (...) Frisase que os agentes fiscais em nenhum momento estabelecem a motivação, de forma clara e objetiva, não descrevem e revelam de onde extraíram os fundamentos de fato para a inclusão dos impugnantes no polo passivo de uma obrigação tributária. (...) Em que pese a máfé que se evidencia na notificação, em especial pela absoluta falta de fundamentação legal para o estabelecimento da solidariedade, pelo principio da eventualidade, combatese nos tópicos seguintes tal procedimento, acreditandose que os agentes fiscais valeramse dos Art. 124, Ido CTN. (...) O que não se caracterizou no auto de infração em questão, que de uma forma até displicente, simplesmente indica como sujeito passivo, todos os que mantinham relação comercial e ainda todos os que um dia foram sócios da empresas que incluiu sob o pretexto do artigo 124 do CTN. Para que um terceiro seja responsável pelo credito Tributário é absolutamente necessário que ele tenha concorrido para o descumprimento da obrigação tributária. Sendo indispensável para a correta aplicação da norma, e que o Fisco, apresente provas de que a intervenção ou omissão tenha ocorrido, há de se trazer a tona o real alcance da responsabilidade se ela seria solidária ou subsidiária, desta forma não correndo o risco de se fazer uma injustiça no que tange a responsabilidade de um terceiro que não tenha de forma alguma participado no suposto fato ilícito. (...) E como, o dever de provar a efetiva participação é de quem alega, cabe salientar que se faz necessário um processo Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.227 12 administrativo amplo e detalhado, e não apenas relações fictas baseadas na presunção e suposições em um AUTO DE INFRAÇÃO, afim de que se atribua a pessoas estranhas a relação tributaria, o peso de toda estas acusações, fazseia necessário sim se esta é a intenção da autoridade tributária, a proposição de um processo administrativo nos moldes da Lei Federal do Processo Administrativo para apurar as responsabilidades, e até mesmo desconsiderar a personalidade jurídica da empresa, fato este ate o momento não realizado pela autoridade administrativa. Cumpre enfatizar que no auto de infração são relacionados como "participes" desde empresas que tiveram simples relações comerciais, e pessoas físicas que foram ou são sócios destas empresas, inclusive meros sócios quotistas sem qualquer poder de mando, a quem a doutrina dominante é pacifica no entendimento que não são responsáveis, pois não possuem mandato e não tem poderes de gestão para prejudicar o Fisco. (...) 6 Do Excesso de Exação Admitese ainda, para fins de argumentação, a impossibilidade de aplicação e exigência da multa no malsinado auto de infração, face ao efeito confiscatório, visto que a multa aplicada em patamares excessivos, ademais o confisco já esta caracterizado pelo fato de que não há sequer campo de incidência tributária, ou seja, sequer é possível exigir o tributo, face aos argumentos já expedidos, não obstante a multa aplicada traduz em verdadeiro abuso. (...) 7 Impossibilidade de qualificação da multa Não se faz presente os pressupostos para qualificação das multas, notese primeiramente que nenhum dos impugnantes deu causa a qualquer ao aumento ou qualificação das multas. Note que o aumento/qualificação se deu: 1) em tese porque a OCIDENTAL ocultou a escrituração fiscal; 2) não respondeu o TIPF. 3) praticava um preço de venda muito abaixo do preço de mercado dominando o mercado. Evidente que os impugnantes não tiveram nenhuma relação com nenhum destes fatos, pelo que não podem responder por eles. Entretanto, tais elementos não são capazes de dar sustentação ao aumento/qualificação da multa, veja: a fiscalização Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.228 13 simplesmente pegou os valores declarados pelo contribuinte em DCTF e DACON e adequou a alíquota do PIS e COFINS. Não precisou nem precisava de qualquer outra diligencia de qualquer outra ação ou colaboração da OCIDENTAL, se não precisou, se não localizou um centavo de real que fosse oculto não pode alegar que a houve ocultação de dados, que houve dificultação à fiscalização, assim como o argumento do preço também não é licito, uma pela ausência de previsão legal outra pela já declaração do TJPR, da ilegalidade deste argumento, aliás, o Acórdão é pontual em estabelecer que a Ipiranga por exemplo vendia inclusive abaixo do preço da OCIDENTAL. (...) 8 Da ausência de requisição de informações financeiras Não há nos apensos que colacionam a ação fiscal, qualquer decisão fundamentada que tenha lavrado o agente fiscal, frisese sem qualquer abono ou pertinência para a decisão uma vez que o caso deve ser submetido ao delegado da repartição, principalmente por tratarse de medida que poderia e no caso resultou em prejuízo dos impugnantes. De tal forma que os impugnantes, especialmente os indevidamente incluídos sob a rubrica do artigo 124 do CTN, tiveram quebrado seu sigilo fiscal, sem qualquer autorização judicial, e mais ainda sem qualquer ciência, sem qualquer fiscalização validamente iniciada contra si. Assim, é o auto de infração, também sob esta ótica, calcado em absoluta prova ilícita. (...) 9 Do levantamento falho e impreciso Como se verifica que o fisco não foi cuidadoso na sua analise, quanto ao levantamento fiscal, explico: o agente fiscal aduz que foram lançados [Pis e Cofins] com alíquotas diversas da correta, aduz ainda os tributos devem ser apurados sob o regime não cumulativo. Contudo, o agente deixou de atender o correto levantamento fiscal na medida em que desprezou completamente todos os créditos deduzíveis, especialmente as compras, notese que este dado é de pleno conhecimento do fisco, tanto que houve inclusive a mensuração na alegação [ilegal] de prática predatória [preço abaixo do custo para eliminar a concorrência]. (...) Sendo o levantamento falho e impreciso é de todo merecedor de ser anulado o auto, eventualmente sendo facultado ao agente fiscal a sua correção, desde que devidamente intimada a defesa constituída para apresentar nova impugnação. Fl. 1228DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.229 14 10 Dos períodos dos sócios Mais uma vez revelase inconsistente o auto de infração uma vez que reputa como todos os sócios como responsáveis enquanto que na realidade o impugnante FIORAVANTE GUERINO NETO, retirouse da sociedade ORION em março de 2010, portanto não pode responder por atos subsequentes, já a impugnante LUCIANE GUERINO, esta foi apenas sócia da empresa no mês de março de 2010 tendo deixado a sociedade ORION em abril de 2010, a impugnante LILIANE a seu turno deixou de ter qualquer poder (formal já que de fato nunca teve) no mês de agosto de 2010. 11 Da legalidade da movimentação financeira na conta da impugante ORION Em 06 de dezembro de 2005, a empresa OCIDENTAL e a impugnante ORION, firmaram Contrato de Prestação de Serviços e Cooperação, que tinha como pressuposto: "que a contratante OCIDENTAL era ré em diversos processos trabalhistas com bloqueios judiciais de valores em conta corrente" que "a margem de lucro era inferior a 1% (um por cento), que: "bloqueios ou penhoras em conta corrente da OCIDENTAL ocasionariam a inviabilidade do empreendimento" resolveram elaborar o contrato e proceder de forma licita (o que inclusive foi objeto de reconhecimento de firmas e de toda a transparência e registro inerente) a cooperação financeira, inclusive de operações de créditos sempre em nome da ORION, mas sob a ordem da OCIDENTAL. (...) REQUERIMENTO Diante de todo o exposto, Requer: 1. Seja recebida a presente impugnação; 2. Seja aplicado a lei de processo administrativo, com direito a produção de alegações finais, produção de provas em ocasião oportuna; 3. Requer desde já a produção de prova oral consistente na oitiva de testemunhas a fim de demonstrar faticamente a quem incumbia os atos de gestão; 4. Requer ainda por oportuno perícia para apurar refazer a apuração correta dos tributos ante o levantamento falho e impreciso do agente fiscal, para tanto indica como perito/assistente técnico: Luis Henrique Morgado Gomes; e como quesitos: (1) levandose em conta que os tributos em questão não são cumulativos, qual seria a apuração correta deste com os dados disponíveis (faturamento e compras); 5. Vistas aos autos nos tempos e prazos que julgar necessário; Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.230 15 6. Seja concedido ao patrono da impugnante o direito de sustentar oralmente pelo prazo regulamentar as razões do inconformismo em sessão de julgamento previamente agendada, sob pena de cerceamento de defesa; 7. Dignese o nobre julgador a utilizar os princípios gerais de direito, em especial a equidade; 8. Caso não seja acolhida a preliminar supra, seja conhecido o recurso e provido para o fim de declarar a nulidade do auto de infração, ou alternativamente excluir as impugnantes do mesmo pelo ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa e demais fundamentos jurídicos apontados; 9. Seja conhecido e provido o recurso no mérito a fim de que sejam cancelados os lançamentos dos autos de infração impugnados; 10. As futuras intimações ou notificações seja encaminhadas e dirigidas ao advogado que esta subscreve no endereço: Avenida Marcos Konder, 1024 Sala 34 Centro Itajaí (SC), CEP 88.301302 a/c de Dr. Luiz Carlos Ávila Júnior. 6. A 1ª Turma da DRJBelo Horizonte (DRJBHE) exarou o Acórdão nº 02069.259 na Sessão datada de 28/06/2016. Em relação à preliminar, afastou a arguição de nulidade dos autos de infração contestados. 7. Quanto ao mérito, a DRJ exarou sua decisão nos seguintes termos: 4. Do Cerceamento ao Direito de Defesa Quanto à alegação de ter havido cerceamento do direito de defesa e não ter sido garantido o contraditório e a ampla defesa, esta não procede. O art. 5º, inciso LV, da CF/88, garante o direito ao contraditório e à ampla defesa apenas em fase de contencioso (ou seja, litigiosa), o que somente ocorre na esfera administrativa quando da apresentação de impugnação ao lançamento efetuado. (...) No presente caso, a descrição dos fatos e o enquadramento legal, e os demonstrativos de apuração contidos nos autos de infração, bem como a descrição no Termo de Verificação Fiscal, permitem identificar de forma cristalina a infração cometida. Da Falta de Termos de Início de Ação Fiscal (...) Ao contrário do alegado na peça de defesa, inexiste o alegado vício formal decorrente da falta de notificação prévia ao lançamento de ofício, uma vez que o trâmite de um procedimento administrativo fiscal pode ser diferenciado por dois momentos distintos: (a) o oficioso e (b) o contencioso. Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.231 16 A primeira fase do procedimento, a oficiosa, é de atuação exclusiva da autoridade tributária, que busca obter elementos visando demonstrar a ocorrência do fato gerador e as demais circunstâncias relativas à exigência. Portanto, a autoridade fiscal, ao verificar a infração e entendendo estar presentes as provas necessárias do ilícito, não está obrigada a abrir espaço à defesa do sujeito passivo, seja ele contribuinte ou responsável. Isto porque não há o que se falar em cerceamento de defesa durante o procedimento fiscal, fase em que, mediante aplicação do direito tributário material, se desenvolve a ação de fiscalização da qual poderá redundar a formalização da exigência fiscal. (...) A fase processual, a contenciosa da relação fiscocontribuinte, iniciase com a impugnação tempestiva do lançamento (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972), e se caracteriza pelo conflito de interesses submetido à Administração. Nesta fase, para a solução do conflito é que se aplicam as garantias constitucionais da observância do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. (...) Da Motivação do Procedimento Fiscal (...) Ademais, resta claro no Termo de Verificação Fiscal (fls. 60/70) que a ação fiscal decorreu da verificação do cumprimento das obrigações tributárias relativas ao IRPJ, PIS e Cofins nos anos calendário de 2010 e 2011, conforme Mandado de Procedimento Fiscal nº 09.1.01.002014000451. (...) Assim, não se vislumbra a falta de adequada motivação, nem como esta poderia ter prejudicado a(s) Interessada(s) em seu direito de defesa, visto que a impugnação apresentada atesta que as Impugnantes tiveram pleno conhecimento das infrações, devidamente descritas e capituladas no lançamento, e que exerceram plenamente o seu direito de defesa, alegando tudo o que entenderam cabível e apresentando as provas que acreditaram serem relevantes. Acrescentese que as Impugnantes, devidamente representadas, podem solicitar cópia integral de todo o processo, o que inclui todos os documentos e provas juntadas pela autoridade fiscal. (...) 5. Da Prova (...) Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.232 17 No que se refere às provas emprestadas, ressaltese que a cooperação entre os entes tributantes é prevista no CTN, em seu art. 199, que assim prescreve: (...) Dessa forma, os fatos apurados podem ser examinados pelo Fisco federal e pelo estadual, relativamente aos tributos contidos nas respectivas competências tributárias e, portanto, nada obsta que as provas obtidas em uma esfera possam ser utilizadas pela outra. No caso, a Fiscalização, baseado em informação da "Receita Estadual" e outros indícios apurados durante a ação fiscal, iniciou fiscalizações nas empresas ON PETROLEO LTDA, ORION DISTRIBUIDORA DE COMBUSTIVEIS LTDA e SPEED COMBUSTIVEIS LTDA, na operação MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INCOMPATÍVEL COM RECEITA DECLARADA – PJ. O procedimento fiscal que terminou com a lavratura dos Autos de Infração da contribuição para o PIS e da Cofins baseouse, preliminarmente, nas informações prestadas no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) e Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), que comprovou a insuficiência de recolhimento daquelas contribuições. E com fundamento nas informações colhidas na OCIDENTAL, ON, ORION e SPEED, bem como nas diligências efetuadas junto aos seus fornecedores, foram imputadas as correspondentes responsabilidades solidárias. De se destacar que a jurisprudência apenas recomenda que tais provas sejam utilizadas com critério e que se permita à parte a possibilidade de contrariálas. O direito de contrariar foi ofertado às Impugnantes na fase litigiosa. (...) 6. Da Responsabilidade Tributária (...) É cediço que a constituição de uma exigência tributária e de suas penalidades, inclusive quando abranger sujeitos passivos solidários, constituise em ato vinculado e obrigatório, por parte da autoridade administrativa (ver art. 142 do CTN), desde que, por óbvio, se amoldem aos preceitos de solidariedade e de responsabilidade estampados no CTN, bem como na legislação tributária, e, portanto, independe da desconsideração da personalidade jurídica dos entes arrolados (frisese, ato de cunho exclusivo da autoridade judiciária – ver art. 50 do Código Civil e art. 28 do Código de Defesa do Consumidor). E nessa linha, não se pode olvidar que o art. 116 do CTN, parágrafo único, cuida tão somente da desconsideração para fins Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.233 18 tributários de atos ou negócios jurídicos, não se imiscuindo na desconsideração de personalidade jurídica propriamente dita. E no exercício de sua competência privativa, a autoridade fiscal cumpriu o contido na Portaria RFB nº 2.284/2010, que dispõe sobre os procedimentos a serem adotados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil quando da constatação de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária, especificamente os seguintes dispositivos: (...) 6.1. Da Responsabilidade Tributária da Pessoa Jurídica ORION Conforme apontado pela autoridade fiscal, na citada operação MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INCOMPATÍVEL COM RECEITA DECLARADA – PJ, verificouse que a OCIDENTAL (Interessada) atuava por meio de outras empresas, entre elas a Impugnante ORION DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS LTDA, para realizar pagamento e recebimento de valores, ocultando assim sua movimentação financeira do Fisco. Ressaltese que, no curso da ação fiscal, a OCIDENTAL não respondeu a nenhuma intimação da Fiscalização, entre elas a de apresentar sua Escrituração Contábil Digital, assim como seus livros contábeis e fiscais. Também foi relatado (Termo de Verificação Fiscal, fl. 69), que nenhuma das empresas que atuava em conjunto com a Interessada, ON, ORION e SPEED, respondia às intimações feitas pela Fiscalização, dificultando a obtenção de informações do contribuinte. Por meio de diligências junto a empresas que se relacionavam com a OCIDENTAL, comprovouse que a ORION operava para aquela, recebendo e enviando valores por meio de suas contas bancárias. Em diligência efetuada na Transportadora Silva & Dias Ltda (fls. 605/607), esta foi intimada a esclarecer a que título foram realizadas as transferências bancárias citadas valores recebidos de contas da ORION, ao que informou: (...) O mesmo ocorre com a Comércio de Combustíveis Siga Bem Ltda. (fls. 608/610). Da mesma forma, em diligência efetuada na Petro Sell Representações Comerciais Ltda ME (fls. 611/615), que foi intimada a esclarecer a que título foram realizadas as transferências bancárias citadas valores recebidos de contas da ORION, informa o seguinte: (...) Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.234 19 E em diligência efetuada na Pórtico Combustíveis e Serviços Automotivos Ltda. (fls. 536/543), também esta esclarece, a respeito de transferências bancárias para contas da ORION: (...) O intento das citadas empresas pode, outrossim, ser comprovado por meio do Contrato de Prestação de Serviços e Cooperação, assinado em 06 de dezembro de 2005, celebrado entre a OCIDENTAL (CONTRATANTE) e a ORION (CONTRATADA), anexado pelas Impugnantes às fls. 847/849, excertos a seguir: (...) Assim, em conformidade com os fatos relatados neste Voto, está se diante de um caso típico de responsabilidade solidária passiva, fundamentado no inciso I do artigo 124 do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Aqui, importa esclarecer que o interesse comum qualificado pela lei há de ser o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta na situação que constitui o fato imponível. No caso em apreço, a ORION atuava continuamente com a OCIDENTAL (ambas têm como objeto social principal o comércio atacadista na distribuição de combustíveis) para ocultação da movimentação financeira desta, concorrendo para impedir ou dificultar o conhecimento do Fisco da situação que constitua o fato gerador das contribuições sociais devidas PIS e Cofins ou seja, o auferimento de receitas pela pessoa jurídica. Resta caracterizada, portanto, a solidariedade prevista no art. 124, inc. I, do CTN. 6.2. Da Responsabilidade Tributária das Pessoas Físicas (sócios) Segundo a Fiscalização, os sócios administradores das empresas OCIDENTAL e ORION concordaram, ou se omitiram assumindo do mesmo modo a responsabilidade, com os procedimentos destas empresas na ocultação das informações da OCIDENTAL. Portanto, respondem solidariamente pelo tributos lançados com base no art. 135 da Lei nº 5.172/1966. (...) Primeiramente, há que se verificar se as Impugnantes (sócios) possuíam poderes de gerência no período em que surgiram as obrigações tributárias: 01/01/2010 a 31/03/2011. Quanto à Impugnante DEOLINDA POLIZELLI GUERINO, verificase pela Décima Sétima Alteração Contratual, fls. Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.235 20 461/465, assinada em 12 de maio de 2007, que a Sra. Deolinda possuía 50 % (cinquenta por cento) do capital social da OCIDENTAL, em sociedade com o Sr. Rodrigo Ribas Gonçalves, que também possui 50 % do capital. E, conforme cláusulas sexta e sétima do contrato social consolidado, a administração da sociedade competia igualmente aos sócios, na qualidade de sócios administradores. No que diz respeito aos sócios da ORION, têmse, conforme Segunda, Terceira, Quarta e Quinta Alterações Contratuais, apresentadas pelas Impugnantes (fls. 850/875): (...) Constatado que todos os sócios Impugnantes eram administradores que detinham poderes de gerência sobre as pessoas jurídicas em litígio, OCIDENTAL e ORION, passase analisar se os atos praticados por estes representaram ilicitude que, de alguma forma, concorreu para o inadimplemento dos créditos tributários devidos pela sociedade que representavam. (...) Vejase o conceito de infração tributária segundo Paulo de Barros Carvalho (Curso de Direito Tributário, 17ª Edição), “infração tributária é toda ação ou omissão que, direta ou indiretamente, represente o descumprimento dos deveres jurídicos estatuídos em leis fiscais.” É certo que a infração de que trata o caput do art. 135 não precisa ser à lei tributária, bastando que tenha conseqüências tributárias. Quanto ao elemento subjetivo da infração, temse importante lição do Parecer PGFN CRJ/CAT n° 55/2009, editado pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, em resposta a consulta formulada a respeito da natureza da responsabilidade tributária dos administradores – sócios ou não – das sociedades limitadas e das sociedades anônimas. Em seu item 59, apresenta entendimento da jurisprudência maciça do STJ a respeito da exigência do dolo gênero, e não dolo espécie. Logo, envolve dolo ou culpa: (...) No caso concreto, conforme registrado no Termo de Verificação Fiscal às fls. 64/68, verificase, pelos atos praticados pela OCIDENTAL, assim como pela ORION em nome daquela, cuja responsabilidade restou comprovada nos termos deste Voto, a ocorrência das condutas caracterizadas pelo art. 71 da Lei nº Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.236 21 4.502/1964, o que acarretou, inclusive, a qualificação da multa do lançamento de ofício; trechos transcritos abaixo: "Concluise que a OCIDENTAL atua no mercado de distribuição de combustíveis, principalmente o álcool, praticando um preço de venda muito abaixo do preço de mercado[...]. A OCIDENTAL não atua sozinha neste sistema operacional, utilizandose de outras empresas para pagamento e recebimento de valores, ocultando assim sua movimentação financeira do fisco federal. Os preços de compra e venda do álcool comercializado pela OCIDENTAL pressupõe a intenção da empresa de não pagar os tributos, sejam federais ou estaduais, intenção que vale não apenas para os tributos já declarados em DCTF e não pagos, e, portanto, inscritos em Dívida Ativa, como também vale para os tributos lançados neste Auto de Infração. A OCIDENTAL não entregou a escrituração contábil digital dos anoscalendário 2009, 2010 e 2011, impedindo assim que a Receita Federal do Brasil apurasse os fatos acima descritos, o que demonstraria a intenção da empresa de não recolher os impostos devidos. A OCIDENTAL utiliza alíquotas inexistentes de 2,37% e 10,92% para, respectivamente, PIS e Cofins, continuamente para todos os meses de 2010 até março de 2011, mês a partir do qual encerra suas atividades. O ocultação da escrituração contábil e utilização de alíquotas inexistentes de PIS e Cofins por anos seguidos caracteriza o descrito no art. 71 da Lei nº 4.502/1964" (...) Não houve, assim, simples inadimplemento de tributos, mas ilícito qualificado. As Impugnantes suscitam, ainda, questão sobre o alcance da responsabilidade, se esta seria solidária ou subsidiária, embora esteja qualificado nos Autos de Infração como "Responsabilidade Solidária por Excesso de Poderes, Infração de Lei, Contrato Social ou Estatuto". Quanto a essa questão, no mesmo ato, o Parecer PGFN CRJ/CAT n° 55/2009, em seu item 14, distingue a responsabilidade subsidiária em sentido próprio da responsabilidade subsidiária em sentido impróprio, conforme segue: (...) À luz das transcrições anteriores, entendese que a responsabilidade de que trata o art. 135, inc. III, do CTN, é solidária e não subsidiária. Isso posto, concluise que os sócios Impugnantes devem figurar no pólo passivo das obrigações tributárias dos respectivos Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.237 22 períodos em que exerciam a função de administrador na OCIDENTAL ou na ORION, conforme o caso, na qualidade de responsáveis tributários solidários nos termos do art. 135, inc. III, do CTN. 7. Da Multa (...) E, conforme se extrai do Termo de Verificação Fiscal, fls. 64/68, a qualificação da multa, ou seja, sua exacerbação de 75 para 150%, se deu pela caracterização das condutas praticadas no art. 71 da Lei nº 4.502/1964. E seu agravamento, ou seja, o aumento de 150 para 225%, ocorreu pela falta de atendimento à intimação regularmente efetuada. Como se vê, a multa lançada guarda absoluta conformidade com o preceptivo legal. Não está, portanto, o lançamento dissonante da norma de regência. O ponto relevante – e que se insere no âmbito da competência deste Colegiado – consiste em aferir se a conduta da infratora exterioriza o evidente intuito de sonegação ou fraude, subsumindose assim à hipótese que determina a exacerbação da penalidade de 75 para 150%, assim como verificar se ocorreu a hipótese que determina seu agravamento de 150 para 225%. 7.1. Da Qualificação da Multa (...) Pelo exposto, com a supressão ou redução de tributo obtida através da falsidade ou omissão de prestação de informações nas declarações, assim como a ocultação da escrituração contábil e, concomitantemente, identificada a vontade do agente em fraudar o Fisco, por afastada a possibilidade do cometimento de erro natural, independentemente de haver um outro documento falso, configurase o dolo, a sonegação, o que dá ensejo ao lançamento de ofício com a aplicação da penalidade qualificada. Não resta dúvida de que o dolo elemento subjetivo do tipo qualificado tributário ou do tipo penal também está presente quando a consciência e a vontade do agente para a prática da conduta (positiva ou omissiva) exsurgem de atos que tenham por finalidade impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias a sua mensuração. Neste caso concreto, a autoridade lançadora apontou fatos, sem que haja qualquer prova em contrário, que afastam a possibilidade de simples erro e levam à qualificação da penalidade em virtude da prática dolosa. Concluindo, as condutas e o envolvimento de elevados valores que deixaram de ser reiteradamente recolhidos ou declarados aos cofres públicos nos anoscalendário de 2010 a 2011 fazem Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.238 23 denotar o elemento subjetivo necessário e suficiente para a sanção de 150%, em conformidade com os dispositivos legais transcritos. (...) 7.2. Do Agravamento da Multa Do Termo de Verificação Fiscal, destacase trechos que relatam o não atendimento pela Interessada de intimações feitas pela autoridade fiscal: (...) Nesse ponto, as Impugnantes não apresentaram qualquer prova que afastasse os fatos apontados pela Fiscalização. Correto, portanto, o agravamento da multa nos termos do art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430/96. (...) 8. Das Informações sobre Movimentação Financeira (...) Consoante a retrocitada Lei Complementar, o acesso às informações bancárias independe de autorização, não constituindo quebra de sigilo. As informações obtidas permanecem protegidas. A Lei 5.172, de 1.966 (CTN), em seu artigo 198, veda sua divulgação para qualquer fim, por parte da Fazenda Pública Nacional ou de seus funcionários, sem prejuízo do disposto na legislação criminal. Nos termos do inciso II do art. 197 da mesma Lei (CTN), as entidades financeiras estão obrigadas a fornecer ao Fisco as informações solicitadas. (...) O sigilo bancário tem por finalidade a proteção contra a divulgação ao público dos negócios das instituições financeiras e de seus clientes. Assim, a partir da prestação, por parte das instituições financeiras, das informações e documentos solicitados pela autoridade tributária competente, como autorizam a Lei Complementar nº 105/2.001 e o art. 197, II, do CTN, o sigilo bancário não é quebrado, mas apenas é transferido à responsabilidade da autoridade administrativa solicitante e dos agentes fiscais que a eles tenham acesso no restrito exercício de suas funções, sigilo esse, que não poderão violar, ressalvadas as disposições do parágrafo único do art. 198 e do art. 199, ambos do CTN. Sendo assim, a Fiscalização procedeu a sua atuação de acordo com disposições legais vigentes, havendo previsão legal expressa a respeito da requisição de documentos a instituições financeiras. Foi demonstrada, conforme relatado, a motivação para que se procedesse à requisição administrativa dos dados bancários dos fiscalizados. Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.239 24 A respeito da alegação de ausência de "decisão fundamentada com o abono do delegado da repartição", cumpre esclarecer que a ação fiscal sob análise foi devidamente instaurada mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) emitido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR, que pode ser verificado no sítio da RFB na internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>, a partir do código de acesso disponível no Termo de Início do Procedimento Fiscal (fl. 72). 9. Da Apuração do PIS e da Cofins (...) Primeiramente relembramos que, no curso da fiscalização, a contribuinte, intimada a apresentar sua Escrituração Contábil (por duas vezes), bem como informar e demonstrar os créditos das contribuições PIS e COFINS utilizados nos anos de 2010 e 2011, preferiu não se manifestar. E que, diante do silêncio, as contribuições foram lançadas com base nos dados informados pela própria Interessada em seu DACON, e descontando os valores declarados em DCTF. É de se ressaltar, também, que o princípio da verdade material, que rege o processo administrativo, obriga a autoridade administrativa a corrigir o seu procedimento quando houver a apresentação de provas incontestes de ocorrência de erros materiais. Ocorre, entretanto, que as Impugnantes não lograram êxito em comprovar materialmente o erro de fato cometido, pois não juntaram ao processo cópia da documentação contábil comprovando os fatos relatados, e nem tampouco dos documentos que comprovam o valor das bases de cálculos das contribuições. Notese que, no caso, nem sequer se afirmou que os dados constantes dos DACONs da contribuinte não refletem a realidade fática. (...) Não sendo contrastados os fatos e as provas colhidos pela autoridade tributária, não há como anular o lançamento como querem as Impugnantes. 10. Da Movimentação Financeira na Conta da Impugnante ORION Ao contrário do alegado pelas Impugnantes, a ORION atuava continuamente com a OCIDENTAL para ocultação da movimentação financeira desta, concorrendo para impedir ou dificultar o conhecimento do Fisco da situação que constitua o fato gerador das contribuições sociais devidas PIS e Cofins ou seja, o auferimento de receitas pela pessoa jurídica, caracterizando a solidariedade prevista no art. 124, inc. I, do CTN. Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.240 25 12. Da Solicitação de Perícia Com efeito, a diligência somente se justifica quando a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes. Não cabe ao julgador diligenciar no sentido de produção de provas que cumpria a defesa constituir quando da apresentação de sua peça impugnatória. 8. Os sujeitos passivos Ezidio Guerino, Luciana Guerino, Liliane Guerino Valduga Cruz e Fioravante Guerino Neto (sócios da ORION DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS LTDA), bem como Deolinda Polizelli Guerino (sócia da OCIDENTAL DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA), irresignados com a decisão da DRJ, apresentaram um único Recurso Voluntário, subscrito por todos. Vale destacar que, diferentemente da Impugnação, o sujeito passivo ORION DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS LTDA não fez parte deste Recurso Voluntário e nem apresentou o seu próprio separadamente. 9. Inicialmente, nesta nova peça, apresenta uma síntese do seu inconformismo com o Acórdão recorrido, afirmando que este foi inconsistente na análise dos fundamentos da Impugnação. Não houve, no seu entender, uma análise adequada quanto à ausência de diligências prévias ao Auto de Infração, ocasionando o cerceamento do seu direito de defesa. 10. Quanto à responsabilidade solidária, afirma que não há que se falar em interesse comum, pois o que existia era apenas um contrato de cooperação financeira entre a Orion e a Ocidental. Entende que a DRJ ampliou ainda mais a presunção existente nos autos. 11. Alega que o Acórdão imputava aos recorrentes o ônus da prova, quando o novo CPC permite a distribuição dinâmica do ônus da prova, e que o mínimo que se esperaria da DRJ seria a determinação para realização de uma diligência para melhor averiguar todos os fatos. 12. Em seguida, reapresenta, ipsis litteris, os mesmos argumentos já expostos na Impugnação e analisados pela DRJ. 13. É o relatório. Voto Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator I DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO 14. O Recorrente, apesar de não solicitar como preliminar, requer a nulidade do Auto de Infração em diversos pontos esparsos do seu Recurso Voluntário, bem como ao seu final, sendo este o item 9 do seu Requerimento a este Conselho. Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.241 26 15. Entretanto, analisando o Termo de Verificação Fiscal que integra os Autos de Infração, verifico que houve uma minuciosa descrição dos fatos pela Autoridade Tributária, identificando as razões da autuação e das responsabilidades solidárias atribuídas aos demais sujeitos passivos, permitindo aos Recorrentes exercerem plenamente seu direito de defesa, o que fizeram com ampla desenvoltura, rebatendo os mínimos detalhes de cada imputação que lhes havia sido feita pelo Fisco, o que seria impossível se os Autos de Infração não contivessem a perfeita descrição de todos os fatos que o AuditorFiscal julgou ensejadores das infrações por ele tipificadas. 16. A autuação está perfeitamente instruída com as provas das infrações identificadas pelo AuditorFiscal, e o Termo de Verificação Fiscal faz a perfeita vinculação entre os fatos narrados e a documentação comprobatória, não se vislumbrando a alegada autuação com base em "presunções". Ressaltese que os eventuais equívocos cometidos pela Fiscalização podem e devem ser saneados ao longo do processo, tanto pela DRJ quanto por este CARF, e não implicam em nulidade do processo, sendo bastante plausível a existência de erros na interpretação de determinados fatos ou erros materiais cometidos numa ação fiscal de tamanha complexidade. Assim determina o art. 60 do Decreto 70.235, de 1972: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. 17. O Recorrente teve acesso a todas as provas produzidas e demais documentos que compõem o presente processo administrativo fiscal. Foi oportunizado momento processual para apresentação de sua defesa, de forma ampla, inaugurando o contraditório. E pela leitura da peça impugnatória, observase que compreendeu perfeitamente todas as acusações que lhe estavam sendo imputadas, como já observado pela instância de piso. Assim, não entendo presentes o alegado cerceamento do direito de defesa ou a violação aos princípios da legalidade, do contraditório e da ampla defesa. 18. O auto de infração foi lavrado por servidor competente e contem todos os elementos obrigatórios especificados no art. 10 do Decreto 70.235/72. Não vislumbro qualquer preterição ao direito de defesa do autuado e, assim, afasto a incidência do art. 59 do mesmo Decreto. 19. Nesse contexto, não vejo qualquer razão para que seja declarada a nulidade das autuações. Os fatos trazidos pelo Recorrente nesta preliminar, em verdade, retratam seu inconformismo com as autuações, sendo, portanto, matéria de mérito, e não causas ensejadoras de nulidade. 20. Voto pela improcedência desta preliminar. II DA FALTA DE TERMOS DE INICIO DE AÇÃO FISCAL 21. O AuditorFiscal encaminhou por via postal, com Aviso de Recebimento (AR), o Termo de Início do Procedimento Fiscal, anexado às fls. 72 e 73 deste processo. O referido AR se encontra à fl. 74, indicando que a ciência se deu em 26/02/2014. Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.242 27 Após o encerramento da ação fiscal, todos os sujeitos passivos solidários foram devidamente cientificados da autuação e lhes foi concedido o prazo legal de 30 dias para se defenderem. 22. Não é necessário que todos os sujeitos passivos tomem ciência do início do procedimento, bastando que seja oportunizado a todos o livre acesso ao processo, de forma a poderem exercer o contraditório e a ampla defesa. 23. Na verdade, caso o Fisco já disponha de todos os elementos que julgar necessários para realizar o lançamento tributário, o termo de início é dispensável. Sua principal função, inclusive, é caracterizar a perda da espontaneidade deste, conforme previsto no art. 138 do CTN. Nesse sentido, o teor da Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. 24. Devese ter em mente que o procedimento de fiscalização obedece ao princípio inquisitório, e não inaugura a fase contenciosa. Como bem detalhado pela DRJ em seu Acórdão, existem dois momentos distintos no procedimento fiscal: A primeira fase do procedimento, a oficiosa, é de atuação exclusiva da autoridade tributária, que busca obter elementos visando demonstrar a ocorrência do fato gerador e as demais circunstâncias relativas à exigência. Portanto, a autoridade fiscal, ao verificar a infração e entendendo estar presentes as provas necessárias do ilícito, não está obrigada a abrir espaço à defesa do sujeito passivo, seja ele contribuinte ou responsável. Isto porque não há o que se falar em cerceamento de defesa durante o procedimento fiscal, fase em que, mediante aplicação do direito tributário material, se desenvolve a ação de fiscalização da qual poderá redundar a formalização da exigência fiscal. O procedimento fiscal é inquisitório e aos particulares cabe colaborar e respeitar os poderes legais dos quais a autoridade administrativa está investida. Não se formou ainda a relação jurídica processual e os particulares não atuam como parte. Isto somente acontece com o ato de lançamento e a respectiva impugnação. A fase processual, a contenciosa da relação fiscocontribuinte, iniciase com a impugnação tempestiva do lançamento (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972), e se caracteriza pelo conflito de interesses submetido à Administração. Nesta fase, para a solução do conflito é que se aplicam as garantias constitucionais da observância do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. 25. Nesse sentido, as seguintes decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: A) Acórdão nº 3302003.225 – Terceira Seção de Julgamento 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 21/06/2016: Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.243 28 NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS REGULARMENTE CIENTIFICADOS. IMPOSSIBILIDADE. Não há cerceamento do direito de defesa, se após a conclusão do procedimento fiscal foi oportunizado e exercido adequadamente o direito de defesa por todos os sujeitos passivos solidários. B) Acórdão nº 3302004.433 – Terceira Seção de Julgamento 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 29/06/2017: Não assiste razão à recorrentes. A uma, porque a inclusão do sujeito passivo solidário no pólo passivo da autuação depende apenas da comprovação, no curso do procedimento fiscal, da sua responsabilidade pelo crédito tributário lançado ou pela multa aplicada. Assim, uma vez demonstrada a existência de interesse comum nos fatos jurídicos tributários ou que concorreu para prática da infração ou dela beneficiou, independentemente, de figurar ou não no MPF, que amparou a realização do procedimento fiscal, o sujeito passivo solidário deverá ser integrado ao polo passivo da autuação, por expressa determinação do art. 142 do CTN. Ademais, por ser mero instrumento administrativo de controle dos procedimentos de fiscalização, relativos aos tributos administrados pela RFB, eventual irregularidade existente no referido documento, inequivocamente, não tem o condão de macular higidez do auto de infração resultado do trabalho de fiscalização, realizado em conformidade com os requisitos estabelecidos no art. 10 do Decreto 70.235/1972. A duas, porque, no âmbito do processo administrativo fiscal, após a conclusão do procedimento fiscal e a ciência regular do auto de infração ao contribuinte fiscalizado e demais sujeitos passivos solidários, a todos eles é assegurado o contraditório e o exercício do amplo direito de defesa. Dada essa condição, se na fase de instrução ou inquisitorial do procedimento fiscal, instaurado contra determinado sujeito passivo, a fiscalização obtém os elementos necessários para inclusão dos demais sujeitos passivos solidários no pólo passivo da autuação, revelase de todo dispensável a ciência do procedimento já instaurado ou a instauração de um novo contra cada um dos sujeitos passivos solidários. 26. Nesse contexto, correta a decisão da DRJ, não havendo reparos a serem feitos. Voto por negar provimento ao pedido dos Recorrentes. III DO CERCEAMENTO DE DEFESA 27. Alegam os recorrentes que foram incluídos em auto de infração tão e unicamente no momento de sua lavratura; que não houve a necessária intimação sobre a fiscalização, que nenhum termo de inicio foi lavrado, sequer foram cientificados de que havia a Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.244 29 fiscalização, razão pela qual não puderam apresentar suas razões, documentos em qualquer outro no momento da fiscalização. 28. Como visto no tópico anterior, tais afirmativas não são verdadeiras, tanto que os recorrentes apresentaram Impugnação e, não se conformando com a decisão da DRJ, apresentam agora o presente Recurso Voluntário. Logo, tiveram todas as oportunidades para produzirem sua defesa. 29. Sustentam ainda os recorrentes que a fiscalização é ilegal, pois contem um vício de origem relacionado à sua motivação. Os agentes fiscais teriam, em seu entendimento, atuado sob o interesse do chamado SINDICOM (sindicato que representa grandes distribuidoras), atuação esta de forma consciente e amplamente direcionada, como a que ocorreu na Receita Estadual, através da operação denominada "Predador" a qual teve a sua ilegalidade e ilicitude reconhecida pelo Poder Judiciário. 30. A DRJ analisou a referida decisão do Poder Judiciário, em segunda instância da 4ª Vara Criminal da Comarca de Londrina, de concessão do Habeas Corpus nº 781.7867 impetrado em favor de EZÍDIO GUERINO (sócio da ORION), tendo como impetrado o Juiz de Direito da mesma Vara e Comarca, cuja cópia foi acostada pelas Impugnantes às fls. 898/914, colacionando ao seu Acórdão os seguintes excertos desta decisão: [...] o SindiCombustíveisPR denunciou, em novembro de 2008, ao então Secretário de Estado da Segurança Pública, que um determinado grupo de empresas estaria crescendo 'a olhos vistos', em velocidade incompatível com a rentabilidade do negócio e solicitou que os fatos fossem investigados. Foi nomeado um Delegado Especial que, entre outras diligências, ouviu os representantes legais de diversas distribuidoras de combustíveis [...] os representantes das distribuidoras narraram que um grupo de empresas estaria praticando o comércio de álcool combustível abaixo do custo, inviabilizando a atividade e a concorrência a médio prazo. No entanto, apenas o paciente assim como Guilherme Ribas Gonçalves, Rodrigo Ribas Gonçalves, Eliane Mazzarello Guarda, Airton Catenacci e Yalen Thadeu Guarda foi denunciado pelo pretenso cometimento dos crimes de formação de quadrilha (art. 288 do CP 1º fato) e contra a ordem econômica formação de dumping (art. 4º, VI, da Lei nº 8.137/90), descritos da seguinte forma na denúncia: [...] Da leitura da denúncia se vê que ela imputou ao paciente e co denunciados a conduta de vender álcool etílico hidratado carburante por preço abaixo do custo, de forma injustificada e com finalidade predatória, ou seja, dominar o setor e prejudicar a concorrência.[...] Vêse, assim, que no caso em tela a falta de justa causa é constatável de plano, uma vez que dados de conhecimento público [...] demonstram a ínfima participação no mercado da empresa administrada pelo paciente (Ocidental) e, consequentemente, a sua incapacidade de eliminar a concorrência mediante a prática de preços predatórios. Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.245 30 Concluise, deste modo, que a ação penal da forma como foi oferecida é temerária, pois a prática do crime contra a ordem econômica (art. 4º, VI, da Lei nº 8.137/90) mostrase inviável pelo pequeno poderio econômico da empresa administrada pelo paciente [...] Por todo o acima exposto, voto pela concessão da ordem, para o fim de trancar a ação penal [...] Curitiba, 16 de junho de 2011. 31. Com base nesse documento, não vislumbro a alegada "ilegalidade e ilicitude reconhecida pelo Poder Judiciário" como afirmam os recorrentes. A ação fiscal desenvolvida pelo Fisco Federal teve como origem o Mandado de Procedimento Fiscal nº 09.1.01.002014000451, com o objetivo de verificar o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao IRPJ, PIS e Cofins, nos anoscalendário de 2010 e 2011. 32. O AuditorFiscal, à fl. 64, detalha o procedimento: Na OCIDENTAL foi aberta ação fiscal para verificar omissão dos tributos PIS e Cofins – COMBUSTÍVEIS e para o tributo IRPJ eventual REDUÇÃO DA RECEITA LÍQUIDA. Também foram abertas ações fiscais nas empresas ON, ORION e SPEED, na operação MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INCOMPATÍVEL COM RECEITA DECLARADA – PJ, para verificar a suspeita de que a OCIDENTAL opera através de tais empresas para realizar sua movimentação financeira. 33. Dessa forma, não vislumbro existente um cerceamento do direito de defesa, nem qualquer ilegalidade, vício de origem ou falta de motivação, como alegado pelos recorrentes. Entendo correta a decisão da DRJ. Voto por negar provimento ao pedido dos Recorrentes. IV DA PROVA ILÍCITA 34. Afirmam os recorrentes que, sendo considerada pelo STJ ilegal a busca e apreensão, bem como todo o inquérito policial e ações penais referentes à operação PREDADOR, já trancadas na sua integralidade pelo TJPR, ou sequer recebidas as denuncias pelos Juízes, o fato imputado não era crime, mas sim "uma ação vil e sorrateira do Cartel das Grandes Distribuidoras, influente lamentavelmente na administração públicas". Sendo assim, todas as provas obtidas naqueles procedimentos são provas ilícitas. 35. Ocorre, entretanto, que, para o presente procedimento fiscal, não houve a utilização de provas obtidas a partir da citada operação. Logo, não há qualquer prova utilizada nesta ação fiscal que tenha sido obtida de forma ilícita, mas sim a partir de procedimentos realizados de acordo com os ditames legais. 36. Voto por negar provimento ao pedido dos Recorrentes. Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.246 31 V DA IMPOSSIBILIDADE DE FIGURAR COMO SUJEITO PASSIVO, AUTO BASEADO EM PRESUNÇÃO, FALTA DE OBSERVÂNCIA AOS TERMOS E REQUISITOS LEGAIS 37. Alegam os recorrentes que os agentes fiscais em nenhum momento estabelecem a motivação, de forma clara e objetiva, de onde extraíram os fundamentos de fato para a inclusão dos recorrentes no pólo passivo da obrigação tributária, evidenciando a máfé da notificação, feita de forma displicente, apenas indicando todos os que um dia foram sócios da empresas. 38. Entretanto, pela leitura do TVF, observo que houve, sim, a devida fundamentação. A Autoridade Tributária baseouse nas informações prestadas pela própria Ocidental no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), comprovando a insuficiência de recolhimento daquelas contribuições, por conta da utilização de uma alíquota de PIS e de COFINS inferior àquela estabelecida em lei. 39. Baseouse, também, na movimentação financeira dos envolvidos e na circularização realizada com fornecedores e clientes, demonstrando cabalmente que as empresas incluídas no pólo passivo da obrigação tributária como responsáveis solidários buscavam encobrir os verdadeiros sujeitos passivos, objetivando sonegar tais informações do Fisco Federal. 40. Utilizouse, ainda, das notas fiscais eletrônicas para tentar demonstrar que os preços praticados pela Ocidental estavam abaixo do seu próprio preço de custo. Buscou informações da Escrituração Contábil Digital (ECD) dos anoscalendário 2009, 2010 e 2011 da Ocidental, mas constatou que não estava sendo entregue, reforçando a tese de que pretendia esconder sua situação fiscal da Receita Federal, dificultando que esta apurasse os fatos acima descritos, bem como de que teria a intenção de não recolher os impostos devidos. 41. Assim, me parece bastante claro de onde foram extraídos os fundamentos de fato para a inclusão dos recorrentes no pólo passivo da obrigação tributária. Nesse contexto, voto por negar provimento à alegação de ausência de apresentação da motivação. VI DO EXCESSO DE EXAÇÃO 42. Alegam os recorrentes a impossibilidade de aplicação e exigência da multa do Auto de Infração, face ao efeito confiscatório, visto que a multa foi aplicada em patamares excessivos. 43. O princípio da vedação ao confisco tem sede constitucional, no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. Para analisar o pedido dos recorrentes, seria preciso adentrar na questão da constitucionalidade dos dispositivos legais utilizados pelo Auditor Fiscal na aplicação da multa de ofício, o que é vedado pelo art. 26A do Decreto nº 70.235/1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.247 32 de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 44. Nesse mesmo sentido, a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 45. Voto por negar provimento ao pedido dos Recorrentes. VII DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA 46. Alegam os recorrentes que não tiveram qualquer relação com nenhum dos fatos que, em tese, levariam à qualificação da multa, pelo que não poderiam responder por eles. Sustenta que, para efetuar o presente lançamento, a Fiscalização apenas necessitou adequar a alíquota das contribuições, não tendo necessitado da colaboração da Ocidental. Afirma que não houve ocultação de dados nem dificuldades à Fiscalização. 47. A qualificação da multa de ofício está prevista no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, a seguir transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (....) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 48. O art. 71 da Lei nº 4.502/64, por sua vez, tipifica a seguinte conduta como sonegação fiscal: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; 49. As alíquotas das contribuições são dados relacionados à natureza ou circunstância material do fato gerador. A empresa Ocidental, pela atuação dos seus sócios administradores Rodrigo Ribas Gonçalves e Deolinda Polizelli Guerino, alterou as alíquotas estabelecidas para o cálculo do PIS e da COFINS, utilizando, em seu lugar, alíquotas menores, apurando assim, consequentemente, valores menores destas contribuições. Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.248 33 50. Não há como imaginar que tal conduta, constatada no período de 01/2010 a 03/2011, ou seja, ao longo de 15 meses, possa ter ocorrido por erro material. As alíquotas do PIS e da COFINS, além de estarem previstas em lei, constam no DACON, na ficha “04A Cadastro de Produtos Sujeitos a Alíquotas Diferenciadas”, onde os próprios recorrentes indicaram a venda do produto “090101401Álcool, Inclusive para Fins Carburantes Venda por Distribuidor ou Comerciante Não Varejista”. Entretanto, os recorrentes, em momento algum, deram qualquer explicação sobre as razões de terem sido utilizadas alíquotas diferentes. 51. A diferença de valores a recolher foi apurada pela Fiscalização nos montantes de R$ 15.407.053,10 para a COFINS e de R$ 3.358.883,62 para PIS (valores do principal apenas, sem multa e juros). Tratase de uma quantia expressiva, que não poderia ter passado despercebida por nenhum administrador. Não é minimamente razoável supor que nenhum dos administradores tenha percebido tal diferença em sua apuração das contribuições. 52. Além disso, os administradores não cumpriram com o dever mínimo de zelo para com as obrigações fiscais da Ocidental, pois sequer apresentaram a Escrituração Contábil Digital (ECD) dos anoscalendário 2009, 2010 e 2011. Intimados através do Termo de Início de Procedimento Fiscal e do Termo de Intimação 01 a apresentarem sua escrituração, não apresentaram resposta a nenhum dos dois termos. 53. Observese que a Autoridade Fiscal teve que realizar a apuração das contribuições unicamente corrigindo as alíquotas, porém mantendo a mesma base de cálculo dos DACONs, uma vez que sem a contabilidade da Ocidental não teria como verificar a correção da base de cálculo utilizada. 54. Deve acrescentar a este conjunto de evidências o fato de que mesmo as contribuições calculadas a menor nos DACONs, e cujos valores foram reproduzidos nas DCTFs, não foram pagas nem compensadas pelos sócios administradores. Apesar de tal fato não caracterizar a ocorrência de uma sonegação, constituise em mais uma evidência de que os sócios administradores valemse de uma conduta, de um modus operandi, que visa apropriarse de valores que deveriam ser utilizados para pagamentos de tributos. 55. Os sócios administradores são os que teriam interesse em adotar tal conduta para seus negócios empresariais, uma vez que são os únicos beneficiados por todos estes fatos. Mostrase evidente que se os valores que foram sonegados, bem como aqueles que ainda não foram recolhidos nem compensados, permanecem à disposição de ambos para serem utilizados como bem entenderem. 56. Em conclusão, entendo que restou provado pelas Autoridades Fiscais que os sócios administradores da Ocidental, Rodrigo Ribas Gonçalves e Deolinda Polizelli Guerino, empreenderam um conjunto de ações dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária sobre a natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador da obrigação tributária principal, configurando assim a conduta definida em lei como "sonegação". Portanto, correta a duplicação da multa de ofício. 57. Quanto aos sujeitos passivos Ezidio Guerino, Luciana Guerino, Liliane Guerino Valduga Cruz e Fioravante Guerino Neto, sócios da ORION DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS LTDA, uma outra análise deve ser feita. Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.249 34 58. A empresa Ocidental não fez a transmissão da sua ECD para a Receita Federal, deixando de informar, portanto, o montante do faturamento registrado em sua contabilidade. A consequencia imediata desta conduta é dificultar a verificação da base de cálculo correta a ser utilizada para a apuração do PIS e da COFINS. 59. Entretanto, as Autoridades Tributárias ainda poderiam se valer de sua movimentação financeira para encontrar o faturamento e as bases de cálculo dos tributos. A Fiscalização constatou, porém, que a Ocidental se valia de empresas interpostas com o objetivo de movimentar parte de sua receita e, assim, ocultar o montante verdadeiro do seu faturamento. 60. Foram abertos procedimentos de fiscalização junto a essas empresas, no âmbito da Operação "MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INCOMPATÍVEL COM RECEITA DECLARADA – PJ", onde foi possível identificar todo o fluxo financeiro de recursos enviados e recebidos dessas empresas para e pela Ocidental, bem como circularizar junto a fornecedores e clientes da Ocidental para identificar a razão dos depósitos e transferências bancárias. Além disso, foi feita a apuração dos custos das aquisições de álcool da Ocidental, a partir de onde se comprovou que esta revendia tal produto a preço abaixo do praticado no mercado. 61. Os fornecedores e clientes da Ocidental responderam às intimações, prestando os devidos esclarecimentos. A ORION, entretanto, a exemplo das outras empresas interpostas e da própria Ocidental, não atendeu às intimações da Receita Federal. 62. As tabelas de fluxos financeiros elaboradas pela Fiscalização, constantes à fl. 64 deste processo, demonstram que os valores que circulavam nas contas tinham o claro objetivo de ocultar a real movimentação financeira da Ocidental. A DRJ, em sua decisão, apresentou os resultados da circularização feita pelo AuditorFiscal com os fornecedores da Ocidental, onde são detalhados que os pagamentos são feitos à Orion por determinação da Ocidental. 63. Aliás, a própria Ocidental justifica sua relação com a Orion através de um Contrato de Prestação de Serviços e Cooperação, assinado em 06/12/2005, na qual está explícito que a Ocidental pretende utilizar as contas bancárias da Orion, empresa sem processos trabalhistas contra si, as quais já são existentes e sem nenhuma ordem de constrição judicial, para movimentar seus recursos financeiros, pois está sofrendo bloqueios e penhoras por conta de decisões judiciais. 64. Sendo a ORION empresa interposta que claramente participava de tal ardil, não há como supor que seus sócios administradores, participando de uma empresa cujo único objetivo era ocultar a movimentação financeira da Ocidental, não tinham conhecimento da infração que estava sendo cometida. E, tendo participação ativa em parte da operação, visando a garantir a ocultação da sonegação fiscal, devem responder solidariamente com a Ocidental e seus sócios pelo crédito tributário lançado. Consequentemente, a qualificação da multa, por conta da sonegação, também os atinge. 65. Quanto ao agravamento da multa de ofício, sua previsão se encontra no art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.250 35 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; 66. Conforme já exposto neste mesmo tópico do presente voto, tanto a Ocidental quanto a Orion foram intimadas a prestar esclarecimentos, mas não responderam às intimações. Tal conduta trouxe inegável prejuízo à Fiscalização, que solicitou a ECD das empresas, bem como outros documentos que poderiam determinar qual o faturamento das empresas e qual a correta base de cálculo para apuração das contribuições. 67. Com a ausência dos esclarecimentos solicitados, a Fiscalização teve que se contentar em realizar a apuração com a mesma base de cálculo constante nos DACONs, informada pela própria Ocidental, sem lhe ser possível a sua conferência com outras fontes de informação, em especial, a contabilidade das empresas. 68. Como tanto a Ocidental quanto a Orion não atenderam às intimações para prestar esclarecimentos, e tal conduta é diretamente imputável àqueles responsáveis pela administração de suas empresas, o agravamento da multa de ofício deve valer para todos os sujeitos passivos solidários. 69. Voto por negar provimento ao pedido dos Recorrentes. VIII DA AUSÊNCIA DE REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS 70. Alegam os recorrentes que a decisão não teve qualquer abono ou pertinência, uma vez que o caso deveria ser submetido ao delegado da repartição. Sustentam, também, que os recorrentes tiveram quebrado seu sigilo fiscal sem qualquer autorização judicial. 71. Apesar do texto do Recurso Voluntário ser confuso em sua redação, não há base legal para qualquer contestação relacionada a uma "necessidade de abono da decisão por parte do delegado da repartição". Ademais, como bem destacado pelo Acórdão da Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.251 36 DRJ, o procedimento fiscal foi instaurado com base em Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) emitido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR. 72. Quanto à alegação de quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, devese destacar que tal autorização é desnecessária para os procedimentos instaurados pela Receita Federal. Com efeito, a Lei Complementar nº 105, de 2001, c/c o art. 197, inciso II, do CTN, é a base legal para a que as Autoridades Tributárias possam requisitar a movimentação financeira dos contribuintes sem a necessidade de autorização judicial: Lei nº 5.172/1.966 (CTN) Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros. (...) II – os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; Lei Complementar nº 105, de 2001 Art. 5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. § 4º Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. § 5º As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. 73. O Supremo Tribunal Federal já se pronunciou pela constitucionalidade da referida Lei Complementar no julgamento do Recurso Extraordinário nº Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.252 37 601314/SP, sob a sistemática de Repercussão Geral, com Acórdão publicado no DJe em 16/09/2016, fixando a seguinte tese: O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 74. Portanto, como se observa, prevaleceu o entendimento, por maioria de votos – 9 a 2 –, de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. 75. Voto por negar provimento ao pedido dos Recorrentes. IX DA ALEGAÇÃO DE LEVANTAMENTO FALHO E IMPRECISO 76. Alegam os recorrentes que a autuação deveria ser anulada, ou feita a sua correção, pois a Autoridade Fiscal "desprezou completamente todos os créditos deduzíveis, especialmente as compras". 77. Entretanto, conforme consta no TVF e nas provas acostadas aos autos, a empresa Ocidental apresentou seus DACONs sem indicar a existência de créditos de PIS e COFINS. Mesmo assim, o AuditorFiscal intimou a empresa por duas vezes a apresentar eventuais créditos que julgasse possuir, nos seguintes termos: 1) Informar e demonstrar os créditos das contribuições PIS e COFINS utilizados nos anos de 2010 e 2011; 78. A empresa, entretanto, sequer respondeu à intimação. E mesmo agora, em seu Recurso Voluntário, alega o direito, mas não apresenta qualquer prova de sua existência. A DRJ assim se manifestou sobre esse pedido: Primeiramente relembramos que, no curso da fiscalização, a contribuinte, intimada a apresentar sua Escrituração Contábil (por duas vezes), bem como informar e demonstrar os créditos das contribuições PIS e COFINS utilizados nos anos de 2010 e 2011, preferiu não se manifestar. E que, diante do silêncio, as contribuições foram lançadas com base nos dados informados pela própria Interessada em seu DACON, e descontando os valores declarados em DCTF. É de se ressaltar, também, que o princípio da verdade material, que rege o processo administrativo, obriga a autoridade administrativa a corrigir o seu procedimento quando houver a apresentação de provas incontestes de ocorrência de erros materiais. Ocorre, entretanto, que as Impugnantes não lograram êxito em comprovar materialmente o erro de fato cometido, pois não Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.253 38 juntaram ao processo cópia da documentação contábil comprovando os fatos relatados, e nem tampouco dos documentos que comprovam o valor das bases de cálculos das contribuições. Notese que, no caso, nem sequer se afirmou que os dados constantes dos DACONs da contribuinte não refletem a realidade fática. (...) Fundada a pretensão da Fazenda Pública nos elementos que dispuser, cabe ao sujeito passivo apresentar os fatos que possam impedir, modificar ou extinguir o direito reclamado pelo sujeito ativo. 79. Voto por negar provimento ao pedido dos Recorrentes. X DOS PERÍODOS DOS SÓCIOS 80. Alegam os recorrentes que o auto de infração seria inconsistente uma vez que reputa todos os sócios como responsáveis, enquanto na realidade os sócios estiveram na administração da Orion em períodos distintos. 81. Analisando o TVF, realmente chegase à conclusão de que todos os sujeitos passivos solidários foram responsabilizados solidariamente pelo valor total da autuação; entretanto, o Acórdão da DRJ já parece determinar que cada sócio seja responsável solidário apenas pelos tributos lançados referentes ao período de apuração em que constava como administrador no Contrato Social: Isso posto, concluise que os sócios Impugnantes devem figurar no pólo passivo das obrigações tributárias dos respectivos períodos em que exerciam a função de administrador na OCIDENTAL ou na ORION, conforme o caso, na qualidade de responsáveis tributários solidários nos termos do art. 135, inc. III, do CTN. 82. Tendo em vista essa decisão, entendo que ocorreu a perda do objeto do pedido dos recorrentes, pois já se encontram contemplados pela decisão da DRJ. XI DA LEGALIDADE DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA NA CONTA DA IMPUGNANTE ORION 83. Alegam os recorrentes que as empresas OCIDENTAL e ORION firmaram "Contrato de Prestação de Serviços e Cooperação", tendo como pressuposto que a OCIDENTAL era ré em diversos processos trabalhistas com bloqueios judiciais de valores em conta corrente; que estes bloqueios na conta da OCIDENTAL ocasionariam a inviabilidade do empreendimento, e assim resolveram estabelecer uma cooperação financeira, inclusive de operações de créditos sempre em nome da ORION, mas sob a ordem da OCIDENTAL. Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.254 39 84. Essa questão já foi discutida no tópico "VII DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA", sendo desnecessária sua repetição. Restou evidenciado que a Orion agia como empresa interposta, movimentando recursos financeiros que pertenciam à Ocidental. 85. Voto por negar provimento ao pedido dos Recorrentes. XII DOS REQUERIMENTOS a) Pedido de sustentação oral e produção de prova oral consistente na oitiva de testemunhas Aos recorrentes é facultado apresentar sustentação oral na sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na forma especificada em seu regimento interno. Entretanto, não há previsão para oitiva de testemunhas. Nesse sentido, voto pelo indeferimento do pedido dos recorrentes. b) Pedido de perícia Não é cabível a solicitação de perícia para refazer a apuração das contribuições. Caso os recorrentes tivessem discordado da apuração realizada pelo Auditor Fiscal, deveriam ter apresentado sua própria apuração, inclusive com o desconto dos créditos que alega possuir, e os respectivos documentos comprobatórios. Aí sim, poderia ser designada uma diligência para averiguar a veracidade dos cálculos efetuados. O que os recorrentes pretendem, no entanto, é a realização de perícia para fazer a própria produção de provas, inclusive porque nenhuma foi apresentada junto com o Recurso Voluntário ou com a Impugnação. Entretanto, diligências e perícias devem dirimir dúvidas de natureza técnica, não podendo se prestar para a coleta de provas que desde a Impugnação já podiam ter sido apresentadas pela defesa. c) Pedido de encaminhamento de intimações diretamente aos advogados Não há previsão legal para que a intimação seja feita diretamente ao advogado, devendo todas as intimações, nos termos do art. 23, incisos I a III, do Decreto nº 70.235, de 1972, serem direcionadas aos sujeitos passivos. Assim, pelos fundamentos acima expostos, voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 11624.720154/201412 Acórdão n.º 3401005.429 S3C4T1 Fl. 1.255 40 Fl. 1255DF CARF MF
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