Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
7523238 #
Numero do processo: 23034.007989/2003-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1995 a 30/04/2002 PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO PARA RECOLHIMENTO DE DÉBITO - NRD. FNDE. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. DECADÊNCIA SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. ART. 150, § 4º DO CTN. A questão da inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 já foi pacificada pelo STF na súmula vinculante nº 08. Tratando-se de cobrança de diferença de contribuições do Salário-Educação e constatando-se ter havido recolhimentos de valores relativos a essas contribuições no período questionado, o que se verifica tanto pelo teor do Termo de Encerramento de Inspeção, como pelas guias acostadas aos autos, a contagem do prazo decadencial, no presente caso, rege-se pelo art, 150, § 4º do CTN, conforme Súmula CARF nº 99.
Numero da decisão: 2402-006.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial de modo a excluir do lançamento as competências até 03/1999, inclusive, em virtude decadência. Vencido o conselheiro Luis Henrique Dias Lima que votou por converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pinho de Pinho Filho (presidente da turma), Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (vice-presidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201810

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1995 a 30/04/2002 PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO PARA RECOLHIMENTO DE DÉBITO - NRD. FNDE. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. DECADÊNCIA SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. ART. 150, § 4º DO CTN. A questão da inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 já foi pacificada pelo STF na súmula vinculante nº 08. Tratando-se de cobrança de diferença de contribuições do Salário-Educação e constatando-se ter havido recolhimentos de valores relativos a essas contribuições no período questionado, o que se verifica tanto pelo teor do Termo de Encerramento de Inspeção, como pelas guias acostadas aos autos, a contagem do prazo decadencial, no presente caso, rege-se pelo art, 150, § 4º do CTN, conforme Súmula CARF nº 99.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 23034.007989/2003-41

anomes_publicacao_s : 201811

conteudo_id_s : 5929248

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 2402-006.685

nome_arquivo_s : Decisao_23034007989200341.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : RENATA TORATTI CASSINI

nome_arquivo_pdf_s : 23034007989200341_5929248.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial de modo a excluir do lançamento as competências até 03/1999, inclusive, em virtude decadência. Vencido o conselheiro Luis Henrique Dias Lima que votou por converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pinho de Pinho Filho (presidente da turma), Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (vice-presidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.

dt_sessao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018

id : 7523238

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:06 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713051150318567424

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1776; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 2.341          1 2.340  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  23034.007989/2003­41  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­006.685  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  04 de outubro de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  MI MONTREAL INFORMÁTICA S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/07/1995 a 30/04/2002  PREVIDENCIÁRIO.  NOTIFICAÇÃO  PARA  RECOLHIMENTO  DE  DÉBITO  ­  NRD.  FNDE.  SALÁRIO­EDUCAÇÃO.  DECADÊNCIA  SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. ART. 150, § 4º DO CTN.  A questão da inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 já foi  pacificada pelo STF na súmula vinculante nº 08.  Tratando­se de cobrança de diferença de contribuições do Salário­Educação e  constatando­se  ter  havido  recolhimentos  de  valores  relativos  a  essas  contribuições  no  período  questionado,  o  que  se  verifica  tanto  pelo  teor  do  Termo de Encerramento de Inspeção, como pelas guias acostadas aos autos, a  contagem do prazo decadencial, no presente caso, rege­se pelo art, 150, § 4º  do CTN, conforme Súmula CARF nº 99.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  conhecer  parcialmente do recurso para, na parte conhecida, dar­lhe provimento parcial de modo a excluir do  lançamento as competências até 03/1999, inclusive, em virtude decadência. Vencido o conselheiro  Luis Henrique Dias Lima que votou por converter o julgamento em diligência.    (assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho ­ Presidente     (assinado digitalmente)  Renata Toratti Cassini ­ Relatora       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 79 89 /2 00 3- 41 Fl. 2341DF CARF MF Processo nº 23034.007989/2003­41  Acórdão n.º 2402­006.685  S2­C4T2  Fl. 2.342          2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pinho de Pinho  Filho (presidente da  turma), Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio  Nogueira  Righetti,  João  Victor  Ribeiro  Aldinucci  (vice­presidente),  Jamed  Abdul  Nasser  Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.          Relatório  Trata­se  de  Notificação  para  Recolhimento  de  Débito  ­  NRD  lavrada  em  desfavor  do  contribuinte  acima  identificado  para  a  cobrança  de  contribuições  sociais  do  Salário­Educação relativamente às competências de 07/1995 a 04/2002 tendo em vista que os  técnicos do Programa Integrado de Inspeção em Empresas e Escolas – PROINSPE do FNDE,  em  inspeção  na  empresa,  constataram  débitos  concernentes  a  falhas  de  recolhimento  e  deduções  indevidas,  conforme  relatado  no  Termo  de  Encerramento  da  Inspeção,  conforme  abaixo (fls. 14):  Após  análise  da  documentação,  constatamos  que  a  empresa  acima,  utilizou  uma  guia única, para fazer o recolhimento Social do Salário Educação, incluindo todas  as  empresas  do  grupo,  apenas  nas  competências  06/  95  e  02/  96  e  nas  demais  competências,  até  a  competência  03/97,  não  houve  recolhimentos.  A  partir  da  competência  04/1997  a  03/1998,  usou  a  compensação,  em  função  da  Liminar  concedida através da  impetração da Ação Ordinária, Processo n.  º  97.0075327­1  RJ, questionando a constitucionalidade da contribuição, porém, a compensação foi  feita  também  junto,  numa  guia  única  do CNPJ  citado  acima,  conforme  cópia  em  anexo e Demonstrativo de Recolhimentos. De 04 /98 a 03/99, 02, 03 e 04 de 2002,  também compensou, já em guia própria conforme Demonstrativo. De 04 de 1999 a  03  de  2001  não  houve  recolhimento  nem  compensação.  A  partir  da  competência  09/95 houve transferência dos funcionários para a empresa de CNPJ final, 0012­89  (documentação anexa). De 05/2002 até a presente data, a empresa vem fazendo o  recolhimento em sua própria guia. Quanto as indenizações, a empresa foi orientada  a entrar em contato com o setor competente, para atualização e povoamento da RAI  no prazo de 15 dias.  O contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva, na qual  alegou:  a) decadência do crédito tributário do período de 07/95 a 11/97;  b) que parte dos débitos  já estão  incluídos em parcelamento constituídos na  NFLD n. º 35.371.513­1;  c) da  superposição  de  cobrança,  sob  o  argumento  de  que parte  dos  débitos  exigidos na NRD também teria sido objeto de lançamentos por parte do INSS em ações fiscais;  A  defesa  foi  indeferida  e  o  contribuinte  foi  notificado  dessa  decisão  aos  20.12.2004 (fls. 1880),  tendo apresentado recurso ao Presidente do Conselho Deliberativo do  FNDE  tempestivamente,  aos  19.01.2005  (fls.  1931),  no  qual  reproduziu  as  alegações  já  apresentadas em sua defesa, acrescentando, ainda, outras, quase sejam (i) de que a NRD é nula  por não terem sido observados os princípios da Administração Pública na sua lavratura; e (ii)  Fl. 2342DF CARF MF Processo nº 23034.007989/2003­41  Acórdão n.º 2402­006.685  S2­C4T2  Fl. 2.343          3 de haver duplicidade de cobrança da contribuição em determinadas competências por parte do  próprio FNDE.  Sem contrarrazões.  É o relatório.      Voto             Conselheira Renata Toratti Cassini – Relatora.  O recurso voluntário é  tempestivo e estão presentes os demais  requisitos de  admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido.  Incialmente,  cumpre  anotar  que  as  teses  de  defesa  constantes  do  recurso  atinentes  à  nulidade  da NRD  e  à  duplicidade  de  cobrança  de  contribuições  perpetradas  pelo  FNDE não serão apreciadas, uma vez que, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, trata­ se de matéria não impugnada, que não foi levada a conhecimento do julgador de primeiro grau.  Assim, sendo inovação da defesa em sede de recurso, não pode ser apreciada por este Tribunal  em face da ocorrência do fenômeno processual da preclusão.  PRELIMINAR DE MÉRITO ­ DECADÊNCIA – SV STF 08  Em  seu  recurso,  o  Recorrente  alega  que  foram  ilegalmente  constituídos  na  NRD todos os créditos lançados pelo FNDE relativos às competências anteriores a novembro  de  1997,  inclusive,  à  luz  do  que  dispõe  o  art.  150,  §  4º  do  CTN,  argumentando  ser  inconstitucional  o  §  2º  do  art.  583  da  IN/INSS  nº  100/2003,  segundo  o  qual  o  prazo  decadencial  para  a  cobrança  das  contribuições  devidas  a  outras  entidades  e  fundos  é  de  dez  anos, normativo que tem por fundamento os arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91.  É  fato  que  este  tribunal  não  é  sede  para  a  apreciação  de  matéria  constitucional,  nos  termos  da  Súmula  CARF  nº  2.  No  entanto,  a  questão  da  inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 já foi pacificada pelo STF na súmula  vinculante nº 08:  Súmula Vinculante nº 8: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do  Decreto­lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição  e decadência de crédito tributário”.  O contribuinte  foi  notificado  do  lançamento  aos 20/07/2004  (fls.  1858),  do  que  se  depreende  que  foram  atingidos  pela  decadência  os  créditos  tributários  anteriores  a  20/07/1999, nos termos do art. 150, § 4º do CTN.  Nesse passo, de acordo com a súmula CARF nº 99, “para fins de aplicação da  regra  decadencial  prevista  no  art.  150,  §  4°,  do CTN,  para  as  contribuições  previdenciárias,  caracteriza  pagamento  antecipado  o  recolhimento,  ainda  que  parcial,  do  valor  considerado  como  devido  pelo  contribuinte  na  competência  do  fato  gerador  a  que  se  referir  a  autuação,  Fl. 2343DF CARF MF Processo nº 23034.007989/2003­41  Acórdão n.º 2402­006.685  S2­C4T2  Fl. 2.344          4 mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a  rubrica especificamente exigida no auto de infração”.  No presente caso, trata­se de cobrança de contribuições do Salário­Educação  do  período  de  julho/1995  a  abril/2002,  e  o  recolhimento  de  valores  relativos  a  essas  contribuições  no  período  questionado  pode  ser  constatado  tanto  pelo  teor  do  Termo  de  Encerramento  de  Inspeção  de  fls.  14,  acima  transcrito,  como  pelas  guias  acostadas  a  fls.  1032/1321.   Assim,  tem­se  cobrança  de  diferença  de  contribuições  e  existindo  recolhimento,  o  dispositivo  a  ser  aplicado  ao  caso  é  o  art.  150,  §  4°,  do CTN,  devendo  ser  reconhecida a decadência do direito de constituir os créditos tributários anteriores a 20/07/99.  DA SUPERPOSIÇÃO DE COBRANÇAS  O recorrente alega que os débitos objeto de discussão nestes autos são objeto  de dupla cobrança, uma vez que já teriam sido lançados pelo INSS em agosto de 2001 por meio  das seguintes NFLD’s:    Argumenta  que  essas  notificações  possuem  o  mesmo  objeto  (salário­ educação), utilizaram a mesma base de cálculo, correspondem ao mesmo período de apuração  e aplicaram a mesma alíquota aplicados pelo FNDE.  Afirma que não procedem os argumentos da decisão recorrida, uma vez que  ambas  as  fiscalizações,  a  do  FNDE  e  a  do  INSS,  teriam  lançado  valores  compensados  pela  empresa com créditos por ela detidos, sendo, assim, patente a duplicidade de cobrança.  Pois bem.   Conforme  esclarecimentos  prestados  pelo  INSS  (fls.  1448/1856),  os  lançamentos  consubstanciados  nas  NFLD’s  apontadas  pelo  Recorrente  não  se  sobrepõem  à  cobrança levada a efeito pelo FNDE por meio da NRD combatida pelas seguintes razões:   (i)  ou  se  trata  de  cobrança  de débitos  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  empregados  constante  das  folhas  de  pagamento  do  Recorrente,  deduzidas  as  contribuições  recolhidas  pelo  convênio  do  Salário­ Educação  e  as  contribuições  compensadas  pelo  Recorrente  em  função da liminar obtida na AO nº 970075327­1, em que se discute a  constitucionalidade do salário­educação;   (ii)  ou  se  trata  de  lançamento  visando  a  evitar  a  decadência  dos  créditos  tributários  relativos  ao  Salário­Educação  durante  a  vigência  da  aludida  liminar  e  enquanto  pendente  de  decisão  definitiva  a  ação  judicial em tela; ou, ainda,   Fl. 2344DF CARF MF Processo nº 23034.007989/2003­41  Acórdão n.º 2402­006.685  S2­C4T2  Fl. 2.345          5 (iii) trata­se  de  cobrança  de  valores  de  contribuição  do  Salário­Educação  cujos créditos excederam os autorizados em antecipação de tutela.  Neste ponto, cumpre­nos mencionar que à exceção da NFLD nº 35.371.509­ 3, há nos autos esclarecimentos acerca de todas as demais NFLD’s listadas, sendo que o crédito  tributário  cobrado  por  meio  da  maior  parte  delas,  aliás,  foi  integralmente  atingido  pela  decadência.  A única NFLD, como dito, acerca da qual não consta informação nos autos é  a de nº 35.371.509­3, que, todavia, deverá ser verificada pelas autoridades fiscais no momento  da consolidação do débito, de modo a  se verificar  (e cancelar,  sendo o caso) a  existência de  eventual cobrança em duplicidade.  Assim, não tem razão o recorrente em sua irresignação.    CONCLUSÃO  Diante do exposto, voto no sentido conhecer parcialmente do recurso para, na  parte conhecida, dar­lhe parcial provimento para reconhecer a decadência do direito do Fisco  de  constituir  os  créditos  tributários  relativos  às  competências  até  03/1999,  inclusive,  declarando sua extinção, conforme art. 156, V do CTN.  Deverá a autoridade fiscal, no momento da consolidação do débito, verificar  eventual duplicidade de  cobrança entre o valor  remanescente  a ser  cobrado em virtude desta  decisão e a NFLD de nº 35.371.509­3, cancelando­se eventual cobrança em duplicidade, acaso  verificada.    (assinado digitalmente)  Renata Toratti Cassini  Fl. 2345DF CARF MF Processo nº 23034.007989/2003­41  Acórdão n.º 2402­006.685  S2­C4T2  Fl. 2.346          6                             Fl. 2346DF CARF MF

score : 1.0
7528889 #
Numero do processo: 10835.721303/2013-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa.
Numero da decisão: 3201-004.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, no mérito, quanto às demais matérias, acordam em dar-lhe provimento, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201810

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 10835.721303/2013-23

anomes_publicacao_s : 201811

conteudo_id_s : 5930135

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 3201-004.322

nome_arquivo_s : Decisao_10835721303201323.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

nome_arquivo_pdf_s : 10835721303201323_5930135.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, no mérito, quanto às demais matérias, acordam em dar-lhe provimento, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.

dt_sessao_tdt : Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018

id : 7528889

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:26 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713051150364704768

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2029; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 2          1 1  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10835.721303/2013­23  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3201­004.322  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de outubro de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO.  DIREITO DE CRÉDITO.  Recorrente  LIDER ALIMENTOS DO BRASIL S.A EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009  NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.  O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou  relevância,  vale  dizer,  considerando­se  a  imprescindibilidade  ou  a  importância de determinado item ­ bem ou serviço ­ para o desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada  pelo  contribuinte  (STJ,  do  Recurso  Especial nº 1.221.170/PR).  GASTOS  COM  FRETE.  TRANSFERÊNCIA  DE  INSUMOS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  INDUSTRIAIS  DO  CONTRIBUINTE.  APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.  Os fretes e dispêndios para transferência de  insumos entre estabelecimentos  industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e  essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e  Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e  10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR.  NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM  DE  TRANSPORTE.  PRESERVAÇÃO  DAS  CARACTERÍSTICAS  DO  PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO.  As  embalagens  para  transporte,  incorporadas  ao  produto,  destinadas  a  preservar  as  características  do  produto,  devem  ser  consideradas  como  insumos  para  fins  de  constituição  de  crédito  de  PIS/Pasep  pela  sistemática  não cumulativa.  REGIME NÃO­CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO  PRODUTIVO. REQUISITOS.  Os materiais de  limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do  processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 13 03 /2 01 3- 23 Fl. 1382DF CARF MF Processo nº 10835.721303/2013­23  Acórdão n.º 3201­004.322  S3­C2T1  Fl. 3          2     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  parcialmente  do  Recurso  Voluntário,  não  conhecendo  quanto  à  matéria  que  se  refere  à  reclassificação  do  crédito  presumido  de  que  trata  o  art.  8º  da  Lei  nº  10.925,  de  2004,  e,  no  mérito, quanto às demais matérias, acordam em dar­lhe provimento, para reverter as glosas de  créditos  decorrentes  dos  gastos  realizados  sobre  os  seguintes  itens:  a)  fretes  para  a  transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da  Recorrente;  b)  materiais  de  limpeza  ou  higienização  aplicados  diretamente  no  curso  do  processo  produtivo;  c)  embalagens  para  transporte,  incorporadas  ao  produto,  destinadas  a  preservar as suas características.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente e Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Charles  Mayer  de  Castro  Souza  (Presidente),  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira,  Tatiana  Josefovicz  Belisario,  Marcelo  Giovani  Vieira,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira  Lima,  Leonardo  Correia  Lima Macedo,  Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.    Relatório  A  interessada  apresentou  pedido  de  ressarcimento  de  contribuição  não  cumulativa, que foi objeto de ação fiscal por parte da DRF/Presidente Prudente.   Por  bem  retratar  os  fatos  constatados  nos  autos,  merecem  transcrição  fragmentos  do  relatório  da  decisão  de  primeira  instância,  que  resumem  o  entendimento  da  autoridade fiscal manifestado no Despacho Decisório:  De  acordo  com  o  despacho  decisório,  foram  apuradas  glosas  de  vários  itens  relativos  aos  créditos  da  não  cumulatividade  utilizados  pela  autuada  que  tem  como  principal  objeto  social  a  fabricação  e  comercialização  de  laticínios  relativos  a  itens  não  considerados  insumos  pela  fiscalização  com  base  na  definição  contida  nas  Instruções Normativas (IN) SRF nºs 247, de 2002, e 404, de 2004, ou  seja, que não foram consumidos no processo produtivo em função da  ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação.  Abaixo discriminados:  a.2) PLANILHA 02: GLOSAS de  créditos  relativos a Materiais de  uso  e  consumo,  conforme notas  fiscais de  entrada, CFOP: 1556 e  2556, referentes  Peças e serviços de manutenção de frotas, cestas básicas e despesas  de refeitórios, materiais de limpeza, materiais de higiene, uniformes e  equipamento  de  proteção,  materiais  de  manutenção  consertos  e  reparos,  lubrificantes,  óleo  diesel,  óleo  de  motor,  álcool,  gasolina,  Fl. 1383DF CARF MF Processo nº 10835.721303/2013­23  Acórdão n.º 3201­004.322  S3­C2T1  Fl. 4          3 pneus,  e  outros  materiais  relacionados,  inclusos  os  lançados  como  débito  direto.  Estes  bens  e  serviços  não  correspondem  a  matéria­ prima,  produto  intermediário  ou  material  de  embalagem,  que  exerçam ação diretamente sobre os produtos  fabricados, não sendo,  portanto, caracterizados como insumos.  a.3  PLANILHA  03:  Glosas  de  créditos  relativos  a  aquisição  de  outras  mercadorias  e  serviços,  conforme  notas  fiscais  de  entrada  enquadradas no CFOP: 1949 e 2949, referentes:materiais e serviços  de  manutenção,  mão  de  obra  de  manutenção  de  Frotas,  Pneus  /Empilhadeira  e  RECAP,  serviço  de  carga  e  descarga,  serviços  de  análise,  serviços  de  tratamento  de  afluentes,  serviços  de  Lavagem,  combustíveis  como  óleos  de  motor,  diesel,  álcool,  gasolina  e  lubrificantes, serviços de consultoria e outros relacionados, inclusos  os lançados como débito direto. Conforme a legislação e observações  acima não geram direito a crédito os valores relativos às aquisição  dos  referidos  bens/serviços  não  diretamente  responsáveis  pela  produção dos bens ou produtos destinados à venda  a.4)  PLANILHA  04:  Glosas  de  créditos  relativos  a mercadorias  e  serviços,  de  uso  e  consumo,  conforme  notas  fiscais  de  entrada,  CFOP: 1407, 1653, 1933, 2407 e 2653, referentes: Álcool, Gasolina,  Lubrificante,  Óleo  Diesel,  Óleo  de  Motor,  Peças  e  serviços  de  manutenção de frota, Pneus, serviços de lavagem e outros materiais e  serviços  relacionados,  inclusos  os  lançados  como  débito  direto.  Conforme  observações  acima  não  geram  direito  a  crédito  valores  relativos  a  aquisição  dos  referidos  bens/serviços  não  diretamente  utilizados  na  fabricação  ou  produção  de  bens  destinados  à  venda,  assim  entendidos  aqueles  que  sejam  consumidos,  desgastados  ou  tenham  suas  propriedades  físico­químicas  alteradas  no  processo  produtivo.  a.5)  PLANILHA  05:  Glosas  de  créditos  relativos  a  material  de  embalagem para transporte “não insumos”, conforme notas fiscais  de  entrada,  CFOP:  1101  e  2101.  Referentes  embalagens  que  não  incorporam diretamente ao produto no processo de industrialização,  mas  apenas  depois  de  concluído  o  processo  produtivo  e  que  se  destinam tão somente a facilitar o transporte dos produtos acabados,  portanto,  conforme  legislação  acima,  não  geram  direito  a  creditamento as relativas aquisições.  Além das glosas dos bens e serviços não considerados insumos pela  fiscalização,  também  foram glosados  créditos  referentes às  seguinte  despesas:  a.1)  –  PLANILHA  01:  GLOSAS  de  créditos  relativos  a  Serviço  de  Transporte  (FRETE),  referentes  notas  fiscais  de  entrada,  CFOP  1352, 2352, 1360,1353, 2353, 1949 e 2949 (...)  As  notas  fiscais  glosadas  foram  relacionadas  pela  empresa  como  sendo notas fiscais de entrada referentes aquisição de leite ou outras  mercadorias  adquiridas  de  pessoa  jurídica  (conforme  planilhas  de  Notas  fiscais de entrada PJ constantes dos arquivos não pagináveis  anexados  ao  presente  processo),  quando  “de  fato”,  referem­se  à  “conhecimentos  de  transporte”  relativos  a  aquisição  de  serviço  de  Fl. 1384DF CARF MF Processo nº 10835.721303/2013­23  Acórdão n.º 3201­004.322  S3­C2T1  Fl. 5          4 frete, sendo em sua maioria fretes entre estabelecimentos da empresa,  conforme comprova o arquivo anexo...,  b) Glosas de créditos  referentes Locações/alugueis, relacionados no  ANEXO  III  (...).  do  presente  processo: Relativos  a Locação/aluguel  de bens/serviços não inclusos no conceito legal de insumos, ou seja,  não  são  utilizados  especificamente  no  processo  produtivo  da  empresa.  c) – Glosas de créditos referentes arrendamentos mercantis relativos  aos  bens/veículos  relacionados  no  ANEXO  IV  (...)  do  presente  processo: Relativos a arrendamentos mercantis de bens/serviços não  inclusos  no  conceito  legal  de  insumos,  ou  seja,  não  são  utilizados  especificamente no processo produtivo da empresa.  d) – Glosas de Créditos Presumido, relativos a aquisição de Lenha de  Eucalipto  e  outros  materiais  adquiridas  de  pessoas  físicas  relacionados  no  ANEXO  V  (...)  do  presente  processo.  No  caso  em  questão  a  lenha  de  eucalipto  é  utilizada  como  combustível  no  processo  de  produção/fabricação.  Entretanto,  conforme  legislação  acima  citada,  o  direito  ao  crédito  aplica­se,  exclusivamente,  em  relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica (art. 3º, §  3º,  I  a  Lei  nº  10.637/2002  e  art.3º,  §  3º,  I  a  Lei  nº  10.833/2003).  Observada  a  legislação,  foram  glosados  os  créditos  relativos  ás  aquisições  de  lenha  de  eucalipto  e  outros  produtos  adquiridos  de  pessoa física.  e.) Anexo VI –  (...) RECLASSIFICAÇÃO DE CRÉDITO: Cálculo de  crédito integral sobre aquisições de leite efetuadas com benefício da  suspensão Crédito Presumido.  Inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto  nos  art.  3º  da  Lei  10.637/2002  e  da  Lei  10.833/2003,  havendo  previsão  legal  apenas  de  crédito  presumido,  nos  termos  da  Lei  nº  10.925/2004 (Art.8º §§ 1º ao 9º e Art. 9º) e Instrução Normativa SRF  nº 660/2006 (Arts. 2º a 6º), em razão disso foram reclassificados os  créditos  referentes  aquisições  de  leite,  considerados  pela  empresa  como  ressarcíveis,  para  créditos  presumidos  nos  termos  da  legislação.  Observa­se que o fato de não constar na nota fiscal que a operação  está  ocorrendo  com  benefício  da  suspensão  não  pode  ser  utilizado  como argumento para o creditamento nos termos do disposto no art.  3º,  II  das  Leis  nº  10.637/2003  e  10.833/2003.  O  Intuito  do  ressarcimento é o de ressarcir, de devolver à empresa um valor que  foi  recolhido aos  cofres  públicos. No  caso  da  suspensão,  como não  houve recolhimento a título de PIS e de COFINS pelos fornecedores  de  leite  não  é  devido  qualquer  valor  a  título  de  ressarcimento. Há  previsão  legal  apenas  para  o  cálculo  de  crédito  presumido  sobre  essas  aquisições,  nos  termos  do  disposto  no  art.  8  º  da  Lei  10.925/2004,  valor  que  poderá  apenas  ser  deduzido  dos  débitos  da  própria contribuição. O valor da base de cálculo constante do Anexo  VI,  foi  lançado  no  Anexo  I,  com  o  título  “Reclassificação  de  Créditos”, e deduzido da base de cálculo dos créditos apurados sobre  aquisição  de  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos,  e  após  a  aplicação  das  alíquotas  de  0,99%  (PIS)  e  4,56%(Cofins)  sobre  a  Fl. 1385DF CARF MF Processo nº 10835.721303/2013­23  Acórdão n.º 3201­004.322  S3­C2T1  Fl. 6          5 respectiva  base  de  cálculo,  os  valores  apurados,  foram  lançados  como acréscimos aos créditos presumidos calculados sobre insumos  de origem animal.  Foi  informado ainda pela  fiscalização o  seguinte quanto a decisões  judiciais obtidas pela contribuinte:  Observa­se  que  em  relação  a  empresa  consta  as  ações  judiciais  Mandado  de  Segurança  nº  2006.61.12.008543­7/SP  e  nº  2006.61.12.004554­3/SP,  reconhecendo  o  direito  da  empresa  à  utilização  do  saldo  credor  da  contribuição  de  PIS  e  COFINS,  decorrente  do  crédito  presumido  instituído  pela  Lei  nº  10925/2004,  no pagamento de débitos próprios relativos a tributos e contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos do art.  16  da  Lei  nº  11.116/2005,  salvo  quanto  às  operações  de  venda  (eventuais) de leite a granel realizada na forma prevista no inciso II  do parágrafo 1º do art.8º da Lei nº 10.925/04, afastando qualquer ato  restritivo da autoridade impetrada.  Porém,  referidas  decisões  ainda  não  transitaram  em  julgado  em  razão  de  apelação  da  União  Federal,  encontrando­se  os  autos  no  Tribunal Regional Federal da 3º Região Consta ainda a ação judicial  Mandado de Segurança nº 0005388­02.2013.403.6112, proposta pela  empresa,  onde  foi  deferido  parcialmente  liminar  para  que  a  autoridade  impetrada  (Delegado  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Presidente  Prudente­SP)abstenha­se  de  impor­lhe  multa  em  decorrência  do  simples  indeferimento  de  seus  pedidos  de  ressarcimento  de  crédito  pendentes  de  julgamento,  sem  que  realize  análise  prévia  da  má­fé  (ou  não)  do  contribuinte  em  relação  ao  pedido  formulado.  Ficando  a  multa,  portanto,  condicionada  a  verificação  da  má­fé  por  parte  do  contribuinte  (...).  No  presente  processo não foi constatado má­fé da contribuinte.  Cientificada do Despacho Decisório que deferiu parcialmente o seu pleito, a  contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade.  A  4ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Ribeirão  Preto  julgou  procedente  em  parte  a manifestação  de  inconformidade,  proferindo  o  Acórdão  DRJ/RPO n.º 14­063.431, de 16/12/2006, assim ementado:  ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep  Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009  NÃO­CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS.  Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito  a  crédito  no  regime  de  incidência  não­cumulativa,  se  incorporados  diretamente  ao  bem  produzido  ou  se  consumidos/alterados no processo de industrialização em função  de ação exercida diretamente  sobre o produto e desde que não  incorporados ao ativo imobilizado.  NÃO­CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO.  Fl. 1386DF CARF MF Processo nº 10835.721303/2013­23  Acórdão n.º 3201­004.322  S3­C2T1  Fl. 7          6 Somente  dão  direito  a  crédito  no  regime  de  incidência  não­ cumulativa,  os gastos  expressamente previstos na  legislação de  regência.  ARRENDAMENTO.  ALUGUÉIS.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  CRÉDITOS. APROVEITAMENTO.  São  passíveis  de  aproveitamento  os  gastos  com  aluguéis  e  arrendamento  de  máquinas  e  equipamentos  utilizados  nas  atividades da empresa.  CRÉDITO  PRESUMIDO  DA  AGROINDÚSTRIA.  APROVEITAMENTO.   São  passíveis  de  aproveitamento  os  créditos  presumidos  da  agroindústria  quando  o  contribuinte  atende  às  exigências  contidas na Lei nº 10.925, de 2004.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  CRÉDITOS.  FRETES.  APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.  Somente  dão  direito  a  crédito  no  regime  de  incidência  não­ cumulativa  os  gastos  com  frete  na  operação  de  venda  quando  suportados pelo vendedor.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009  APRECIAÇÃO  DE  CONSTITUCIONALIDADE.  ESFERA  ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA.  A  argüição  de  inconstitucionalidade  não  pode  ser  oponível  na  esfera  administrativa,  por  transbordar  os  limites  de  sua  competência  o  julgamento  da  matéria,  do  ponto  de  vista  constitucional.  Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte  Direito Creditório Reconhecido em Parte  Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário por  meio do qual alega, em apertada síntese, o seguinte:  a)  Reclassificação  dos  créditos  básicos  para  crédito  presumido  relativos  à  aquisição  de  leite  in  natura:  os  créditos  oriundos  de  aquisição  de  leite  in  natura  devem  ser  considerados  como  créditos  básicos,  nos  termos  do  art.  3º  das  Leis  nº  10.637/2002  e  10.833/2003, pois  trata­se de  insumo principal da produção. Acresce, no  tópico seguinte  (Do  crédito  presumido  oriundo  decorrente  de  atividades  agroindustriais  Aquisição  de  Leite  in  natura e Lenha de Eucalipto), que a empresa tem por objeto social, dentre outros, a atuação no  ramo de produtos do laticínio. Assim, faz jus à utilização do benefício do crédito presumido de  PIS/Cofins  para  as  agroindústrias,  disposto  no  ordenamento  jurídico  por  meio  da  Lei  n.º  10.925, de 2004. Contudo, restringiram­se as possibilidades de utilização do saldo credor das  contribuições  em  referência,  ao  firmar  entendimento  de  que  o  crédito  presumido,  instituído  justamente para o equilíbrio das contas daquelas empresas adquirentes de insumos, não poderia  ser objeto de compensação ou ressarcimento;  Fl. 1387DF CARF MF Processo nº 10835.721303/2013­23  Acórdão n.º 3201­004.322  S3­C2T1  Fl. 8          7 b)  Créditos  relativos  a  serviço  de  transporte  (frete)  entre  estabelecimentos:  transfere  de  uma  unidade  para  outra  sua  matéria  prima  ou  subproduto  dele  para  devido  tratamento  e  elaboração,  sendo  encaminhado  para  unidade  industrial  específica,  onde,  após  devido  tratamento o  torna apto ao consumo e acondiciona para posterior  revenda. O produto  começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade;  c) Créditos relativos a Materiais de Uso e Consumo e Serviços tomados: os  gastos relativos à higienização na produção de alimentos podem ser considerados insumos para  fins  de  creditamento  de  PIS/Cofins,  pois  pertinentes  e  viabilizam  o  processo  produtivo  e  a  prestação  de  serviços,  direta  ou  indiretamente  empregados,  cuja  subtração  importa  na  impossibilidade da mesma prestação de serviço ou produção, implicando substancial perda de  qualidade do produto ou serviço daí resultantes;  d)  Materiais  de  Embalagem:  os  materiais  de  embalagem  glosados  pela  Fiscalização  e  mantidos  pelo  Acórdão  recorrido  são  utilizados  no  acondicionamento  e  transporte  do  produto  acabado.  Todos  os  materiais  utilizados  para  a  embalagem  acabam  compondo  o  produto  final  da  empresa,  sendo  de  suma  importância  que  o  produto  comercializado  tenha sua  integridade garantida até sua entrega definitiva. Convém esclarecer  que todas as embalagens estão em contato direto com o produto e nenhuma delas retorna para a  empresa. Assim, é evidente que a sua utilização é indispensável para o processo de geração de  receitas, gerando custos a cada etapa, o que lhe assegura direito ao crédito pretendido.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3201­004.306, de  24/10/2018, proferido no julgamento do processo 10835.720775/2014­40, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201­004.306):  "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela  qual dele se conhece.  (...)  Deferido  em  parte  o  pedido  e  apresentada  manifestação  de  inconformidade,  a  DRJ  julgou­a procedente em parte, daí o recurso voluntário, ora apreciado.  Da Reclassificação dos créditos básicos para crédito presumido (sic)  Inicialmente, a Recorrente defende que os créditos presumidos de que trata o art. 8º da  Lei nº 10.925, de 2004, sejam considerados como se créditos básicos fossem (como se vê, o  contrário do que está no título deste tópico do recurso).  Fl. 1388DF CARF MF Processo nº 10835.721303/2013­23  Acórdão n.º 3201­004.322  S3­C2T1  Fl. 9          8 Registra  o  voto  condutor  do  acórdão  recorrido  que,  não  obstante  tenha  tentado  viabilizar  a  compensação  do  valor  a  ser  ressarcido  com  outros  tributos  administrados  pela  RFB, não mais havia decisão judicial autorizando o que pleiteara.  A  matéria,  com  efeito,  é,  nesta  parte,  idêntica  a  que  ora  enfrentamos,  conforme  facilmente se percebe do dispositivo da sentença transcrito no mesmo voto:  DISPOSITIVO DA R. SENTENÇA: "Por todo o exposto: a) no que concerne  ao  pedido  de  afastamento  do  Ato  Declaratório  Interpretativo  nº  15/2005,  JULGO EXTINTO o presente feito, sem resolução do mérito, com amparo no  artigo 267, inciso VI, do Código de Processo Civil, em razão da ausência de  interesse  de  agir.  b)  No  tocante  ao  pleito  remanescente,  JULGO  PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido e CONCEDO PARCIALMENTE  A  SEGURANÇA para  reconhecer o direito  líquido  e  certo  da  impetrante  à  utilização  do  saldo  credor  da  contribuição  para  o  PIS  e  da  COFINS,  decorrente  do  crédito  presumido  instituído  pela  Lei  nº  10.925/2004,  no  pagamento  de  débitos  próprios  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  nos  termos  do  art.  16,  inciso  I,  da  Lei  nº  11.116/2005,  salvo  quanto  às  operações  de  vendas  (eventuais) de leite a granel realizadas na forma prevista no inciso II do 1º do  art.  8º  da  Lei  10.925/04,  afastando  qualquer  ato  restritivo  da  autoridade  impetrada no sentido de impedir a aplicação do disposto no art. 16, inciso I,  da Lei 11.116/05, em especial a  Instrução Normativa SRF nº 636, de 24 de  março de 2006. Em conseqüência, julgo extinto o processo, com resolução do  mérito,  a  teor  do  que  dispõe  o  art.269,  I,  do  Código  de  Processo  Civil.  Incabível a condenação em honorários advocatícios na quadra do mandado  de  segurança  (Súmula  512  do  Supremo Tribunal  Federal).  Sentença  sujeita  ao  reexame  necessário.  Custas  ex  lege.  P.R.I.O"  ­Publicação D.  Oficial  de  sentença em 27/11/2007, pag 83 (grifos do original)  Portanto, não obstante não tenha reconhecido a concomitância, os processos judicial e  administrativo apresentam­se, ao menos em parte, com objetos idênticos. Afinal, considerar o  crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, como se crédito básico fosse  equivale  a  permitir  o  seu  ressarcimento,  não  a  sua  utilização  exclusiva  para  deduzir  do  PIS/Cofins em cada período de apuração (conforme o caput do mesmo dispositivo).  Incide,  na  hipótese,  a  nosso  juízo,  a  Súmula Vinculante CARF  nº  1,  segundo  a  qual  "Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o  mesmo objeto do processo administrativo,  sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de  julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Esse cenário,  sublinhe­se, não se altera em face da introdução do art. 9º­A na Lei nº 10.925, de 2004, pela  Lei nº 13.317, de 2015. 1  Dos Créditos relativos a serviço de transporte (frete) entre estabelecimentos  A Recorrente sustenta que transfere de um dos seus estabelecimento para outro matéria­ prima  ou  subproduto  dela  para  o  devido  tratamento  e  elaboração,  sendo  encaminhado  para  unidade  industrial  específica,  onde,  após  o  devido  tratamento,  torna­a  apta  ao  consumo  e  a                                                              1 Art. 9o­A.  A pessoa jurídica poderá utilizar o saldo de créditos presumidos de que trata o art. 8o apurado em  relação  a  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  à produção e  à  comercialização de  leite,  acumulado  até o dia  anterior  à  publicação  do  ato  de  que  trata  o §  8o  deste  artigo  ou  acumulado  ao  final  de  cada  trimestre  do  ano­ calendário a partir da referida data, para:  (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015)  (Vigência)  I ­ compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria  da Receita Federal do Brasil, observada a legislação aplicável à matéria; ou (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015)   (Vigência)  II ressarcimento em dinheiro, observada a legislação aplicável à matéria.    (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015)    Fl. 1389DF CARF MF Processo nº 10835.721303/2013­23  Acórdão n.º 3201­004.322  S3­C2T1  Fl. 10          9 acondiciona para posterior revenda. O produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem  o seu processamento final em outra unidade  Ora,  a  própria  RFB  consolidou  o  entendimento  de  que  as  despesas  com  frete  no  transporte de insumos incorporam­se ao custo do produto adquirido, tal como prevê a Solução  de Divergência nº 7 ­ Cosit, de 23 de agosto de 2016:  NÃO  CUMULATIVIDADE.  DIREITO  DE  CREDITAMENTO.  INSUMOS. DIVERSOS ITENS.  1. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o  PIS/Pasep, a  possibilidade de  creditamento,  na modalidade aquisição  de  insumos,  deve  ser  apurada  tendo  em  conta  o  produto  destinado  à  venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica.  2.  In  casu,  trata­se  de  pessoa  jurídica  dedicada  à  produção  e  à  comercialização  de  pasta  mecânica,  celulose,  papel,  papelão  e  produtos conexos, que desenvolve também as atividades preparatórias  de florestamento e reflorestamento.  3. Nesse contexto, permite­se, entre outros, creditamento em relação a  dispêndios com:  3.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis  e  lubrificantes  utilizados  em  veículos  que,  no  interior  de  um  mesmo  estabelecimento da pessoa jurídica, suprem, com insumos ou produtos  em elaboração, as máquinas que promovem a produção de bens ou a  prestação  de  serviços,  desde  que  tais  dispêndios  não  devam  ser  capitalizados ao valor do bem em manutenção;  3.b)  combustíveis  e  lubrificantes  consumidos  em  máquinas,  equipamentos e veículos diretamente utilizados na produção de bens;  3.c) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e  utensílios,  e  ferramentas de consumo,  tais como machos, bits, brocas,  pontas  montadas,  rebolos,  pastilhas,  discos  de  corte  e  de  desbaste,  bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido  de  carbono  e  materiais  de  solda  empregados  na  manutenção  ou  funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na  produção de bens para venda;  4.  Diferentemente,  não  se  permite,  entre  outros,  creditamento  em  relação a dispêndios com:  4.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis  e  lubrificantes  utilizados  em  máquinas,  equipamentos  e  veículos  utilizados  em  florestamento  e  reflorestamento  destinado  a  produzir  matéria­prima para a produção de bens destinados à venda;  4.b) serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, pois a  possibilidade de creditamento deve ser analisada em relação ao bem  adquirido;  4.c)  serviços  de  transporte,  prestados  por  terceiros,  de  remessa  e  retorno  de  máquinas  e  equipamentos  a  empresas  prestadoras  de  serviço de conserto e manutenção;  4.d) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis  e  lubrificantes  utilizados  em  veículos  utilizados  no  transporte  de  insumos  no  trajeto  compreendido  entre  as  instalações  do  fornecedor  dos insumos e as instalações do adquirente;  4.e) combustíveis e lubrificantes consumidos em veículos utilizados no  transporte de matéria prima entre estabelecimentos da pessoa jurídica  (unidades de produção);  Fl. 1390DF CARF MF Processo nº 10835.721303/2013­23  Acórdão n.º 3201­004.322  S3­C2T1  Fl. 11          10 4.f) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e  utensílios,  e  ferramentas de consumo,  tais como machos, bits, brocas,  pontas  montadas,  rebolos,  pastilhas,  discos  de  corte  e  de  desbaste,  bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido  de  carbono  e  materiais  de  solda  empregados  na  manutenção  ou  funcionamento  de máquinas  e  equipamentos  utilizados  nas  atividades  de  florestamento  e  reflorestamento  destinadas  a  produzir  matéria­ prima para a produção de bens destinados à venda;  4.g) serviços prestados por terceiros no corte e transporte de árvores e  madeira  das  áreas  de  florestamentos  e  reflorestamentos  destinadas  a  produzir matéria­prima para a produção de bens destinados à venda;  4.h) óleo diesel consumido por geradores e por fontes de produção da  energia elétrica consumida nas plantas industriais, bem como os gastos  com a manutenção dessas máquinas e equipamentos.  Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Instrução  Normativa SRF nº 247, de 2002, art. 66; Lei nº 4.506, de 1964, art. 48;  Parecer Normativo CST nº 58, de 19 de agosto de 1976; Decreto­Lei nº  1.598, de 1977, art. 13.  Parcialmente  vinculada  à  Solução de Consulta Cosit  nº  76,  de  23  de  março de 2015, publicada no Diário Oficial da União de 30 de março  de 2015.  Parcialmente  vinculada  à  Solução de Consulta Cosit  nº  16,  de  24  de  outubro  de  2013,  publicada  no  Diário  Oficial  da  União  de  06  de  novembro de 2013.  Como deixa cristalino a Solução de Divergência e mesmo se extrai do art. 3º das Leis nº  10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, para que se permita a apropriação do créditos sobre o frete  pago no transporte do insumo adquirido, há que se ter a aquisição do insumo, operação a que  não corresponde a mera transferência de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa.  No caso, há a remessa de produtos em elaboração de um para outro estabelecimento da  mesma  empresa,  no  qual  será  submetido  a  um  processo  de  industrialização  –  a  um  custo  específico, que, portanto, incorpora­se ao produto final – , tornando­os aptos ao consumo e  os acondicionando para posterior revenda.   Nesse  contexto,  temos  entendido  possível  o  creditamento,  em  sintonia  com  o  que  decidido pela 3ª Turma da CSRF:  DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS  INACABADOS  E  INSUMOS.  ESTABELECIMENTOS  PRÓPRIOS,  CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.  As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em  elaboração  (inacabados)  e  de  insumos  entre  estabelecimentos  do  contribuinte  integram  o  custo  de  produção  dos  produtos  fabricados/vendidos  e,  consequentemente,  geram  créditos  da  contribuição,  passíveis  de  desconto  do  valor  apurado  sobre  o  faturamento mensal.  (Acórdão nº 9303­007.285, de 15/08/2018)    Dos Créditos relativos a Materiais de Uso e Consumo e Serviços tomados  Aqui,  a  Recorrente  contesta  o  acórdão  recorrido,  ao  fundamento  de  que  os  gastos  relativos à higienização na produção de alimentos – no seu caso, a fabricação de laticínios –  podem  ser  considerados  insumos  para  fins  de  creditamento  de  PIS/Cofins,  pois,  além  de  Fl. 1391DF CARF MF Processo nº 10835.721303/2013­23  Acórdão n.º 3201­004.322  S3­C2T1  Fl. 12          11 pertinentes, viabilizam o processo produtivo e cuja subtração implicando substancial perda de  qualidade do produto.  É  evidente  que,  sendo  a  Recorrente  fabricante  de  produtos  laticínios,  submete­se  a  rigoroso controle de higienização e limpeza durante todo o seu processo produtivo. Assim, faz  jus aos créditos sobre os produtos ou serviços que adquire para viabilizá­lo.  A jurisprudência administrativa é remansosa a respeito do tema. Entre outras:    REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  PRODUTOS  DE  LIMPEZA.  PROCESSO  PRODUTIVO.  REQUISITOS.  Somente  materiais  de  limpeza  ou  higienização  aplicados  diretamente  no curso do processo produtivo geram créditos da não­cumulatividade,  ou  seja,  não  são  considerados  insumos  os  produtos  utilizados  na  simples  limpeza  do  parque  produtivo,  os  quais  são  considerados  despesas operacionais.  (Acórdão nº 3401­004.896, de 21/05/2018)    PRODUTOS  QUÍMICOS  UTILIZADOS  NA  ASSEPSIA  E  HIGIENIZAÇÃO  DOS  TANQUES  DE  TRANSPORTE  DE  LEITE,  SILOS  EQUIPAMENTOS  INDUSTRIAIS.  Os produtos químicos utilizados na assepsia e higienização dos tanques  de  transportes  do  leite  ­  caminhões,  silos  e  equipamentos  industriais  são  considerados  essenciais  à  atividade/produção  do  sujeito  passivo,  eis ser obrigatória a referida assepsia para evitar a contaminação da  matéria­prima e do produto acabado. O que, por conseguinte, há de se  considerar a constituição de crédito das contribuições sobre os gastos  com  a  aquisição  dos  referidos  produtos  químicos,  em  respeito  à  prevalência do critério da essencialidade para fins de conceituação de  insumo para a geração do direito ao referido crédito.  (Acórdão nº 9303­005.652, de 19/09/2017)  Dos Materiais de Embalagem  Diz­se que os materiais de embalagem glosados são utilizados no acondicionamento e  transporte do produto acabado, compondo o produto final fabricado pela empresa, mantendo a  sua integridade até sua entrega e a ela, posteriormente, não retornando.   A  glosa  teve  por  fundamento  o  fato  de  que  os  gastos  com  embalagem  somente  poderiam ser considerados insumos quando incorporada ao produto em fabricação ou quando  sofre alteração em suas propriedades, de modo que as embalagens destinadas a apenas proteger  ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito de PIS/Cofins.  A propósito do tema, a 3ª Turma de CSRF já entendeu que as embalagens destinadas a  viabilizar a preservação de suas características durante o seu transporte e cuja falta pode torná­ lo  imprestável  à  comercialização  devem  ser  consideradas  como  insumos  utilizados  na  produção. É o que se decidiu no julgamento consubstanciado no Acórdão nº 9303­004.174, de  05/07/2016, de relatoria da il. Conselheira Tatiana Midori Migiyama, assim ementado:    NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITOS  A  DESCONTAR.  EMBALAGEM DE TRANSPORTE. DIREITO AO CRÉDITO.  É de se considerar as embalagens para transporte como insumos para  fins  de  constituição  de  crédito  da  Cofins  pela  sistemática  não  cumulativa.    Fl. 1392DF CARF MF Processo nº 10835.721303/2013­23  Acórdão n.º 3201­004.322  S3­C2T1  Fl. 13          12 No  voto  condutor  do  acórdão,  a  relatora  reproduziu,  em  apoio  à  sua  tese,  aresto  proferido pelo Superior Tribunal de Justiça ­ STJ, o qual abraçou idêntico entendimento:    PROCESSUAL  CIVIL  –  TRIBUTÁRIO  –  PIS/COFINS  –  NÃO  CUMULATIVIDADE  –  INTERPRETAÇÃO  EXTENSIVA  –  POSSIBILIDADE  –  EMBALAGENS  DE  ACONDICIONAMENTO  DESTINADAS  A  PRESERVAR  AS  CARACTERÍSTICAS  DOS  BENS  DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM  ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS  N. 10.637/2002 E 10.833/2003.  1. Hipótese  de  aplicação  de  interpretação  extensiva  de  que  resulta  a  simples  inclusão  de  situação  fática  em  hipótese  legalmente  prevista,  que não ofende a legalidade estrita. Precedentes.  2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação  das  características  dos  bens  durante  o  transporte,  deverão  ser  consideradas  como  insumos  nos  termos  definidos  no  art.  3º,  II,  das  Leis  n.  10.637/2002  e  10.833/2003  sempre  que a  operação  de  venda  incluir  o  transporte  das mercadorias  e  o  vendedor  arque  com  estes  custos.  Agravo regimental improvido. (g.n.)  (STJ,  Rel.  Humberto  Martins,  AgRg  no  RECURSO  ESPECIAL  Nº  1.125.253 ­ SC, julgado em 15/04/2010)    Ressaltamos,  também,  o  fato  de  que  a  própria  RFB  parece  indicar  uma  alteração  de  entendimento (conceito próprio da legislação do IPI), uma vez que, na Solução de Divergência  Cosit  nº  7,  de  23  de  agosto  de  2016,  após  a  reprodução  dos  atos  legais  e  infralegais  que  disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo, concluiu que, no conceito de insumos, incluem­se os  bens ou serviços que "vertam sua utilidade" sobre o bem ou o serviço produzido. Confira­se:   14.  Analisando­se  detalhadamente  as  regras  constantes  dos  atos  transcritos  acima  e  das  decisões  da RFB  acerca  da matéria,  pode­se  asseverar,  em  termos  mais  explícitos,  que  somente  geram  direito  à  apuração  de  créditos  da  não  cumulatividade  da Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  a  aquisição  de  insumos  utilizados  ou  consumidos  na  produção de bens  que  sejam destinados  à  venda  e  de  serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser  considerados insumo:  a) bens que:   a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na  produção do bem destinado à venda (matéria­prima);  a.2)  sejam  fornecidos  na  prestação  de  serviços  pelo  prestador  ao  tomador do serviço;  a.3)  que  vertam  sua  utilidade  diretamente  sobre  o  bem  em  produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de  serviço  (tais como produto  intermediário, material de embalagem,  material de limpeza, material de pintura, etc); ou   a.4)  sejam  consumidos  em  máquinas,  equipamentos  ou  veículos  que  promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não  estejam  incluídos  no  ativo  imobilizado  da  pessoa  jurídica  (tais  como  combustíveis, moldes, peças de reposição, etc);  b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens  ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre:  Fl. 1393DF CARF MF Processo nº 10835.721303/2013­23  Acórdão n.º 3201­004.322  S3­C2T1  Fl. 14          13 b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela  prestação de serviço;  b.2)  pela  prestação  paralela  de  serviços  que  reunidos  formam  a  prestação  de  serviço  final  disponibilizada  ao  público  externo  (como  subcontratação de serviços, etc);  c)  serviços  de  manutenção  de  máquinas,  equipamentos  ou  veículos  utilizados  diretamente  na  produção  de  bens  ou  na  prestação  de  serviços. (g.n.)    Ademais, e parece­nos isso de fundamental importância, não obstante o conceito de  insumos, para os fins da incidência do IPI, compreenda apenas as matérias­primas, os produtos  intermediários  e  o  material  de  embalagem,  a  legislação  deste  imposto  faz  uma  expressa  distinção entre o que é embalagem de apresentação e o que é embalagem para o transporte, de  forma  que  a  permitir  o  crédito  apenas  sobre  a  aquisição  da  primeira,  mas  não  da  segunda,  consoante  preconiza  do  art.  3º,  parágrafo  único,  inciso  II,  da  Lei  nº  4.502,  de  1964  (regra­ matriz do IPI):    Art  .  3º  Considera­se  estabelecimento  produtor  todo  aquêle  que  industrializar produtos sujeitos ao impôsto.   Parágrafo  único.  Para  os  efeitos  dêste  artigo,  considera­se  industrialização  qualquer  operação  de  que  resulte  alteração  da  natureza,  funcionamento,  utilização,  acabamento  ou  apresentação  do  produto, salvo:   I  ­  o  conserto  de  máquinas,  aparelhos  e  objetos  pertencentes  a  terceiros;   II ­ o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto;  (g.n.)    Norma  semelhante,  contudo,  não  existe  nos  diplomas  legais  que  disciplinam  o  PIS/Cofins não cumulativo.  Assim  sendo,  devem  ser  considerados  insumos  na  sistemática  não  cumulativa  do  PIS/Cofins os materiais de embalagem utilizados no acondicionamento e transporte do produto  acabado,  compondo o  produto  final  fabricado  pela  empresa, mantendo  a  sua  integridade  até  sua entrega e a ela, posteriormente, não retornando.  Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário, quanto à matéria que se  refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e,  quanto às demais matérias, DOU­LHE PROVIMENTO, para reverter as glosas de créditos  decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens:  a)  fretes  para  a  transferência/transporte  de  produtos  em  elaboração  (inacabados)  entre os estabelecimentos da Recorrente;  b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo  produtivo;  c)  embalagens  para  transporte,  incorporadas  ao  produto,  destinadas  a  preservar  as  suas características."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado não conheceu do recurso  Voluntário quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o  art.  8º  da  Lei  nº  10.925,  de  2004,  e,  quanto  às  demais  matérias,  deu­lhe  provimento,  para  reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens:  Fl. 1394DF CARF MF Processo nº 10835.721303/2013­23  Acórdão n.º 3201­004.322  S3­C2T1  Fl. 15          14 a)  fretes  para  a  transferência/transporte  de  produtos  em  elaboração  (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente;  b) materiais  de  limpeza ou  higienização  aplicados  diretamente  no  curso  do  processo produtivo;  c)  embalagens  para  transporte,  incorporadas  ao  produto,  destinadas  a  preservar as suas características.     (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza                            Fl. 1395DF CARF MF

score : 1.0
7526340 #
Numero do processo: 13805.005722/96-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1994 MODIFICAÇÃO BASE DE CÁLCULO DO VALOR DA MULTA. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. FASE DE LIQUIDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não é o órgão apto a realizar o ajuste da base de cálculo do Tributo decorrente de decisão judicial transitada em julgado. Tal questão deve ser observada quando da liquidação do crédito tributário pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. ENTENDIMENTO SUMULADO.SÚMULA CARF 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 1302-003.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201809

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1994 MODIFICAÇÃO BASE DE CÁLCULO DO VALOR DA MULTA. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. FASE DE LIQUIDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não é o órgão apto a realizar o ajuste da base de cálculo do Tributo decorrente de decisão judicial transitada em julgado. Tal questão deve ser observada quando da liquidação do crédito tributário pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. ENTENDIMENTO SUMULADO.SÚMULA CARF 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 13805.005722/96-80

anomes_publicacao_s : 201811

conteudo_id_s : 5929668

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 1302-003.093

nome_arquivo_s : Decisao_138050057229680.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA

nome_arquivo_pdf_s : 138050057229680_5929668.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).

dt_sessao_tdt : Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018

id : 7526340

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:19 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713051150369947648

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1466; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 1.086          1 1.085  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13805.005722/96­80  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1302­003.093  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de setembro de 2018  Matéria  Irpj  Recorrente  FIAT ADMINISTRADORA DE CONSÓRCIOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 1994  MODIFICAÇÃO  BASE  DE  CÁLCULO  DO  VALOR  DA  MULTA.  DECISÃO  JUDICIAL  TRANSITADA  EM  JULGADO.  FASE  DE  LIQUIDAÇÃO.   O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF, não é o órgão apto  a  realizar  o  ajuste  da  base  de  cálculo  do  Tributo  decorrente  de  decisão  judicial  transitada  em  julgado.  Tal  questão  deve  ser  observada  quando  da  liquidação do crédito  tributário pela Delegacia da Receita Federal do Brasil  de origem.  INCIDÊNCIA  DE  JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA  DE  OFÍCIO.  ENTENDIMENTO SUMULADO.SÚMULA CARF 108  Incidem  juros moratórios,  calculados à  taxa referencial do Sistema Especial  de Liquidação e Custódia ­ SELIC, sobre o valor correspondente à multa de  ofício.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.      (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 57 22 /9 6- 80 Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 13805.005722/96­80  Acórdão n.º 1302­003.093  S1­C3T2  Fl. 1.087          2   (assinado digitalmente)  Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa ­ Relator.  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Carlos César Candal  Moreira  Filho,  Marcos  Antonio  Nepomuceno  Feitosa  (Relator),  Paulo  Henrique  Silva  Figueiredo,  Rogério  Aparecido  Gil,  Maria  Lucia  Miceli,  Gustavo  Guimarães  da  Fonseca,  Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).    Relatório  Para a devida síntese do processo em tela, transcrevo o relatório do Acórdão  16­74.780 – 3ª Turma da DRJ/SPO, complementando­o ao final:  DO PROCEDIMENTO FISCAL  01.  Decorrente  do  trabalho  de  fiscalização  realizado  na  pessoa  jurídica  indicada, relativo ao ano­calendário 1994, foram lavrados em 17/05/96 o Auto de Infração do  Imposto de Renda  (fls. 04 a 10) e o Auto de Infração da Contribuição Social sobre o Lucro  Líquido  (fls.  11  a  12). O  “Enquadramento  Legal”  das  autuações  encontra­se  às  folhas  dos  autos  acima  citadas.  O  crédito  tributário  total  lançado  foi  de  1.306.753,49  UFIR  (fl.  03),  conforme demonstrado abaixo:    Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 13805.005722/96­80  Acórdão n.º 1302­003.093  S1­C3T2  Fl. 1.088          3   02.  Os  fatos  apurados  pela  Autoridade  Lançadora  estão  descritos  no  “TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL” (fls. 14 a 15), a seguir sintetizados.  03. A Autoridade Fiscal verificou que o Contribuinte excluiu indevidamente  da  base  de  cálculo  do  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  e  da  Contribuição  Social,  referente  ao  ano  de  1994,  a  importância  de  Cr$  928.510.510,98,  à  título  de  correção  monetária do balanço de 1989, utilizando­se da variação do IPC de janeiro de 1989, no valor  de 70,28%, desconsiderando os índices estabelecidos pela Lei nº 7.799/89.  04.  Como  o  procedimento  adotado  não  encontrava  amparo  na  legislação  tributária,  o  Contribuinte  ajuizou  Ação  Ordinária  com  Pedido  de  Antecipação  de  Tutela  Jurisdicional perante a 1ª Vara da Justiça Federal de Brasília, DF,  sob o nº 95.0009260­3.  Não  foi concedida a antecipação da  tutela pretendida pelo Contribuinte, razão pela qual  foi  praticado o lançamento com a aplicação da multa de ofício prevista no art. 4º, inciso I, da Lei  nº 8.218/91.  DAS IMPUGNAÇÕES AO IRPJ E À CSLL  05.  Cientificada  do  auto  de  infração  em  17/05/1996,  o  Contribuinte  apresentou impugnação às fls. 119 a 137 dos autos em 14/06/1996 (IRPJ) e às fls.163 a 181  dos autos em 14/06/1996 (CSLL), nas quais fez a defesa a seguir sintetizada.  06.  Os  expurgos  e  alterações  legislativas  são  manifestamente  inconstitucionais.  A  lei  implica  em  tributação  fictícia  de  renda,  o  princípio  da  capacidade  contributiva é ferido, ocorre desnaturação das espécies tributárias e confisco.  07.  São  citados  julgamentos  e  jurisprudência  do  antigo  Conselho  de  Contribuintes favoráveis à tese defendida pelo Impugnante.  08.  Por  fim,  requereu  o Contribuinte  o  acolhimento  do  seu  pedido,  com  a  anulação do auto de infração lavrado, por sua insubsistência fático­jurídica.  DO JULGAMENTO DA ANTIGA DRJ/SP  09. Às  fls. 217 a 220, consta a decisão DRJ/SP nº 014751/97­11.3086, que  decidiu (FL. 219):  Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 13805.005722/96­80  Acórdão n.º 1302­003.093  S1­C3T2  Fl. 1.089          4 “a)  não  tomar  conhecimento  da  impugnação  quanto  à  parte  do  crédito  tributário  objeto  da  ação  judicial.  Em  conseqüência,  declaro  definitivamente  constituído  na  esfera administrativa o crédito relativo ao imposto/contribuição.  b)  sobrestar  o  julgamento  relativamente  à  multa  de  ofício,  até  decisão  terminativa  do  processo  judicial,  devendo  este  processo  fiscal  retornar  para  julgamento  apenas se a decisão judicial transitada em julgado for desfavorável ao contribuinte.”  DO DESPACHO DA EQAMJ/SECAT/DRF/GUARULHOS  10. Às fls. 953 a 954, há despacho da Equipe de Análise e Acompanhamento  de Medidas Judiciais e Controle do Crédito Sub­Judice da Delegacia da Receita Federal do  Brasil em Guarulhos, que, após análise da ação judicial, assim se manifestou:  “6­  Do  que  foi  exposto,  conclui­se  que  o  contribuinte  utilizou  o  IPC  de  01/1989 de 70,28% para reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL na declaração do ano­ base 1994 e desconsiderou o índice oficial da União que era a variação do BTN de 0% (zero  por  cento)  para  01/1989.  Considerando  que  a  decisão  transitada  em  julgado  concedeu  a  utilização do IPC de 42,72% para 01/89 e do IPC de 10,14% para 02/89 (o índice oficial da  União era de 3,60% para a variação do BTN para 02/89), verificou­se que a empresa obteve  apenas parcialmente o que fora pedido na ação judicial.  7­  Foi  juntado  ao  presente  processo  o  relatório  enviado  à  PRFN1  (fls.  946/952) informando que o cálculo do valor a ser  transformado em pagamento definitivo da  União depende do resultado do julgamento da DRJ sobre a multa de ofício.  8­ Os depósitos judiciais efetuados vinculados à ação judicial (fls. 940/945)  ainda não foram levantados ou transformados em pagamento definitivo em favor da União.  9­  Considerando  o  exposto,  proponho  o  encaminhamento  do  processo  à  ECOB  para  que  devolva  o  processo  à  DRJ  para  atendimento  ao  item  “b”  do  acórdão  de  21/10/1997 (fl. 219).”  A  3ª  Turma  de  Julgamento  da  DRJ/SPO,  ao  analisar  o  caso,  manteve  parcialmente a multa de oficio lançada, que passou de 100% para 75%, em razão da aplicação  da retroatividade benigna, como denota a ementa do Acórdão nº 16­74.780, a seguir transcrito:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 1994  MULTA  DE  OFÍCIO.  LEGISLAÇÃO  SUPERVENIENTE.  RETROATIVIDADE BENIGNA.  Na  vigência  de  lei  posterior  que  prescreve  penalidade  menos  severa  àquela  da  época  da  ocorrência  do  fato  gerador,  aplica­se  à  multa  lançada  o  princípio  da  retroatividade benigna, passando o percentual da multa de  100% para 75%.  Impugnação Não Conhecida  Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 13805.005722/96­80  Acórdão n.º 1302­003.093  S1­C3T2  Fl. 1.090          5 Crédito Tributário Mantido em Parte  Inconformado,  interpôs  o  contribuinte  recurso  voluntário,  no  qual  aduziu  como matéria de defesa:  a)  Erro do valor tomado como base para cálculo da multa de 75% (setenta e  cinco por cento), em razão de decisão judicial transitada em julgado que  determinou a modificação dos mesmos;  b)  Impossibilidade da incidência juros moratórios sobre a multa.    É o relatório.    Voto             Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator.  Presentes  os  requisitos  de  admissibilidade,  conheço  do  presente  Recurso  Voluntário.  A recorrente alega, na peça recursal, erro quando da aplicação do percentual  de  75%,  a  título  de  multa  de  ofício.  Isso  porque,  no  seu  entendimento,  seria  necessária  a  revisão dos valores principais dos tributos.  Segue  sua  argumentação,  afirmando  que  a  referida  multa  incidiu  sobre  os  valores originalmente lançados pela DRJ.  Pugna pela modificação destes, uma vez que existe decisão judicial transitada  em julgado determinando que os percentuais de correção monetária para janeiro e fevereiro de  1989  são  de,  respectivamente,  42,72%  e  10,14%,  implicando  em  alteração  dos  valores  originariamente lançados.  Não há o que se discutir em relação ao respeito à coisa julgada. Esta é pedra  basilar  do  ordenamento  jurídico  pátrio,  e  deve  ser  respeitada  por  todos,  inclusive  pela  administração pública.  Ocorre que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, não é o  órgão  apto  a  realizar  o  ajuste  pleiteado  pelo  contribuinte.  Tal  questão  deve  ser  observada  quando da liquidação do crédito tributário, em momento posterior, pela Delegacia da Receita  Federal do Brasil de origem.  Ressalte­se  que  não  se  está  discutindo  o  direito  da  recorrente,  mas  tão  somente o momento e o órgão competente para realizar o solicitado ajuste.  Adiante, constata­se que a recorrente não contestou o percentual da multa de  ofício,  tampouco  o  fez  a  Fazenda Nacional. Desta  forma,  se mantém  o  percentual  desta  em  Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 13805.005722/96­80  Acórdão n.º 1302­003.093  S1­C3T2  Fl. 1.091          6 75%, pela aplicação do artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96 em conjunto com o artigo 106 do CTN,  transcritos abaixo:  Lei nº 9430/96:  Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas  as seguintes multas:  I ­ de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou  diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de declaração inexata;  (...)    Código Tributário Nacional:  “Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:   I  ­  em  qualquer  caso,  quando  seja  expressamente  interpretativa,  excluída  a  aplicação  de  penalidade  à  infração dos dispositivos interpretados;   II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;   b)  quando  deixe  de  tratá­lo  como  contrário  a  qualquer  exigência  de  ação  ou  omissão,  desde  que  não  tenha  sido  fraudulento e não  tenha  implicado em  falta de pagamento  de tributo;   c)  quando  lhe  comine  penalidade  menos  severa  que  a  prevista na lei vigente ao tempo da sua prática  A leitura dos supracitados artigos deixa claro que o caso em comento atrai a  aplicação da retroatividade benigna, posto que lei posterior cominou penalidade menos severa  – multa de 75% ­ que aquela prevista na lei vigente ao tempo da sua prática – multa de 100% ­.  Logo, deve ser mantida a multa, no percentual de 75% (setenta e cinco por  cento),  devendo  o  ajuste  ser  procedido  pela  DRF  no  momento  da  liquidação  do  crédito  tributário remanescente, nos termos da decisão judicial transitada em julgado.  Noutra  banda,  alega  a  recorrente  que  é  impossível  a  cobrança  de  juros  de  mora sobre a multa de ofício.  Não assiste razão a recorrente.  Inicialmente, cumpre destacar disposição expressa nos artigos 113, §1º e 139,  ambos  do  CTN,  que  determinam  expressamente  ser  a  penalidade  tributária  integrante  do  crédito tributário, devendo receber o mesmo tratamento deste. Senão, vejamos:  Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 13805.005722/96­80  Acórdão n.º 1302­003.093  S1­C3T2  Fl. 1.092          7 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato  gerador,  tem  por  objeto  o  pagamento  de  tributo  ou  penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito dela decorrente  § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária  e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela  previstas  no  interesse  da  arrecadação  ou  da  fiscalização  dos tributos.  §  3º  A  obrigação  acessória,  pelo  simples  fato  da  sua  inobservância,  converte­se  em  obrigação  principal  relativamente à penalidade pecuniária.  (...)  Art.  139.  O  crédito  tributário  decorre  da  obrigação  principal e tem a mesma natureza desta.    A  cobrança  (futura)  dos  juros  sobre  a  multa  de  ofício  vinculada  tem  por  fundamento o próprio artigo 161 do Código Tributário Nacional c/c o art. 61, § 3º, da Lei nº  9.430, de 1996.  Art.  61.  Os  débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita Federal,  cujos  fatos geradores ocorrerem a partir  de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na  legislação  específica,  serão  acrescidos  de multa  de mora,  calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por  dia de atraso.  § 1º (...).  § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo  incidirão  juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e  de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716,  de 1998)    A  multa  de  ofício  é,  sem  dúvida  alguma,  um  débito  para  com  a  União,  decorrente  de  tributo  e/ou  contribuição  administrada  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil, devendo, sobre si, incidir juros.  A jurisprudência do CARF, conforme já dito, é consolidada nesse sentido:  JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA  DE  OFÍCIO.  INCIDÊNCIA.  Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 13805.005722/96­80  Acórdão n.º 1302­003.093  S1­C3T2  Fl. 1.093          8 A  multa  de  ofício,  penalidade  pecuniária,  compõe  a  obrigação  tributária principal,  e, por conseguinte,  integra  o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência  de  juros  moratórios,  após  o  seu  vencimento,  em  consonância  com  os  artigos  113,  139  e  161,  do  CTN,  mediante aplicação da taxa SELIC conforme Súmula CARF  nº  4.  (Acórdão  CSRF  nº  9101002385,  de  12/07/2016,  Processo  10932.000633/200905,  relator  do  voto  vencedor  do Conselheiro André Mendes de Moura)   JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  A  obrigação  tributária  principal  compreende  tributo  e  multa  de  ofício  proporcional,  e  sobre  o  crédito  tributário  constituído,  incluindo  a multa  de  ofício,  incidem  juros  de  mora,  devidos  à  taxa  Selic.  Recurso  Especial  do  Contribuinte  conhecido  e  negado  (Acórdão  CSRF  n  9202004250,  de  23/06/2016,  Processo  10980.723322/201582,  relatoria  da  Conselheira  Maria  Helena Cotta Cardozo).  JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA  DE  OFÍCIO.  INCIDÊNCIA.  O  crédito  tributário,  quer  se  refira  a  tributo  quer  seja  relativo  à  penalidade  pecuniária,  não  pago  no  respectivo  vencimento,  está  sujeito  à  incidência  de  juros  de  mora,  calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e  de  um por  cento  no mês  de  pagamento.  Recurso Especial  do Contribuinte  Negado.  (Acórdão CSRF  nº  9303003480,  de  25/02/2016,  Processo  16682.721207/201191,  relatoria  do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas)  JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  As  multas  proporcionais  aplicadas  em  lançamento  de  ofício,  por  descumprimento  a  mandamento  legal  que  estabelece a determinação do valor de tributo administrado  pela  Receita  Federal  do  Brasil  a  ser  recolhido  no  prazo  legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61  da  Lei  nº  9.430/1996,  sendo,  portanto,  suscetíveis  à  incidência de juros de mora à taxa SELIC. (Acórdão CSRF  nº  1302­002.724,  de  11/04/2018.  Processo  16561.720141/201601,  Relatoria  do  Conselheiro  Marcos  Antônio Nepomuceno Feitosa).  O posicionamento já se encontra, inclusive, pacificado por súmula no âmbito  deste Conselho, após deliberação em Reunião Extraordinária do Pleno e das turmas da CSRF,  de setembro de 2018. Vejamos:  SÚMULA 108  Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 13805.005722/96­80  Acórdão n.º 1302­003.093  S1­C3T2  Fl. 1.094          9 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do  Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, sobre  o valor correspondente à multa de ofício.  Pelo exposto, correta a aplicação de juros sobre a multa de ofício.    Conclusão  Diante do  exposto, DOU PARCIAL provimento  ao  recurso  voluntário  para  suprimir  o  demonstrativo  do  crédito  constante  do  acórdão  da  DRJ,  devendo  o  ajuste  a  ser  procedido pela DRF de origem no momento da liquidação do crédito tributário remanescente,  nos termos da decisão judicial transitada em julgado.    É como voto.    (assinado digitalmente)  Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa                                Fl. 1094DF CARF MF

score : 1.0
7514085 #
Numero do processo: 13637.720189/2015-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201805

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.

turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 13637.720189/2015-19

anomes_publicacao_s : 201811

conteudo_id_s : 5927396

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 2001-000.453

nome_arquivo_s : Decisao_13637720189201519.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : JOSE RICARDO MOREIRA

nome_arquivo_pdf_s : 13637720189201519_5927396.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.

dt_sessao_tdt : Tue May 22 00:00:00 UTC 2018

id : 7514085

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:32 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713051150374141952

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1589; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C0T1  Fl. 2          1 1  S2­C0T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13637.720189/2015­19  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2001­000.453  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  22 de maio de 2018  Matéria  Imposto de Renda Pessoa Física  Recorrente  JOSE SANTOS FORTUNA NEVES   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2012  DESPESAS  MÉDICAS.  RECIBOS  GLOSADOS  SEM  QUE  TENHAM  SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.  Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de  despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a  recusa  a  sua  aceitação,  pela  autoridade  fiscal,  deve  ser  acompanhada  de  indícios  consistentes  que  indiquem  sua  inidoneidade.  Na  ausência  de  indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao  Recurso  Voluntário,  vencido  o  conselheiro  José  Ricardo  Moreira  (Relator),  que  lhe  negou  provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.  (assinado digitalmente)  Jorge Henrique Backes ­ Presidente e Redator Designado.   (assinado digitalmente)  José Ricardo Moreira ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Jorge  Henrique  Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 7. 72 01 89 /2 01 5- 19 Fl. 92DF CARF MF     2 Trata­se  de  Auto  de  Infração,  relativo  ao  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  (IRPF), por meio da qual  se exige crédito  tributário do exercício de 2012, ano­calendário de  2011, em que foram glosadas deduções de despesas médicas, no valor de R$ 21.769,07.   O  contribuinte  apresentou  impugnação,  que  foi  julgada  improcedente,  mediante Acórdão da DRJ Salvador de f. 63/66.  Cientificado,  a  interessado  apresentou  recurso  voluntário  de  f.  71  e  ss.  Em  síntese,  alega  que  atendeu  ao  que  foi  solicitado  pela  autoridade  fiscal,  apresentando  os  respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova  dos pagamentos realizados a este título. Apresenta cópias de processo judicial, que a seu juízo,  comprovam os repasses ao hospital. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do  crédito tributário.  É o relatório.    Voto Vencido  Conselheiro José Ricardo Moreira ­ Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade.  Portanto, merece ser conhecido.  A questão  aqui  posta para  análise  cinge­se  à  glosa  de despesas médicas. A  interessada, no recurso, insurge­se contra estas glosas, pelas razões que enumera.  Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999:   Art.  73.  Todas  as  deduções  estão  sujeitas  a  comprovação  ou  justificação,  a  juízo  da  autoridade  lançadora  (Decreto­Lei  nº  5.844, de 1943, art. 11, § 3º).  §  1º  Se  forem  pleiteadas  deduções  exageradas  em  relação  aos  rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis,  poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto­ Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).    Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira  instância,  que  é  necessária  a  apresentação  de  comprovação  do  efetivo  pagamento  para  aceitação das despesas médicas.  Desta  forma,  verifica­se  que  o  recibo,  ao  contrário  do  que  defende  a  recorrente,  não  faz  prova  absoluta  da  real  ocorrência  do  pagamento. A  autoridade  fiscal,  se  entender  necessário,  pode  solicitar  outros  elementos  de  convicção  da  efetiva  realização  da  despesa que se pretende deduzir.  Não poderia ser de outra  forma. Entender o contrário seria  tolher a ação da  fiscalização,  que  ficaria  impossibilitada  de  exercer  sua  atividade  investigativa,  na  busca  de  verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser  frisado que aqui não se  trata de  Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13637.720189/2015­19  Acórdão n.º 2001­000.453  S2­C0T1  Fl. 3          3 mera  prerrogativa, mas  de  um  dever  da  autoridade  fiscal,  haja  vista  tratar­se  de  dedução  da  base de cálculo e, portanto, de redução do tributo.  Com  efeito,  as  solicitações  de  documentos  devem  atender  à  razoabilidade,  devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção.  Analisando  a  Notificação  de  Lançamento,  verificamos  que  foram  glosadas  despesas  médicas  de  valores  significativos,  que  justifica  a  solicitação  de  informações  adicionais.  A  Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento  legal  do  Lançamento  encontra­se  devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram  apresentadas  provas  do  efetivo  pagamento  das  despesas,  não  houve  suficiente  descrição  do  tratamento ou dos exames realizados.   Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em  provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita.  Não  há  que  se  falar  em  quebra  de  sigilo  ou  de  invasão  à  privacidade  do  cidadão.  Não  há  quebra  de  sigilo  perante  o  fisco,  cuja  atividade  primordial  é  justamente  investigar  a  veracidade  dessas  despesas  que  resultam  em  redução  de  tributo.  Ademais,  ao  intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das  despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada  na  intimidade  da  pessoa,  mas  está  cumprindo  o  dever  legal  de  investigar  a  veracidade  das  declarações prestadas. Trata­se de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode  ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais.  Da mesma  forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de  extratos  bancários.  Pode  ocorrer  de  o  contribuinte  haver  pago  as  despesas  em  cheques  ou  mediante  saques  da  conta  corrente,  o  que  seria  facilmente  comprovado  pela  existência  de  saques  de  valores  compatíveis  em  datas  aproximadas  das  da  efetivação  das  despesas.  O  contribuinte  poderia  requerer  à  instituição  financeira  os  referidos  extratos  (em  alguns  casos,  obtém­se extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria  de difícil execução.   Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas  parte ou a totalidade das despesas.  O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas,  se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade  lançadora,  não  juntou  à  impugnação  e  não  se  aproveita  da  oportunidade  agora  trazida  pelo  recurso voluntário.  Desta  forma,  reitero  a  motivação  do  voto  exposto  na  decisão  de  primeira  instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas.     CONCLUSÃO:  Diante  de  todo  o  exposto,  voto  por  conhecer  do  recurso  voluntário,  e,  no  mérito, negar­lhe provimento.   Fl. 94DF CARF MF     4 (assinado digitalmente)  José Ricardo Moreira  Voto Vencedor  Discordo  do  Relator  em  relação  às  despesas  médicas.  Os  recibos  não  tem  valor  absoluto  para  comprovação  de  despesas  médicas,  podendo  ser  solicitados  outros  elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados  outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar  fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado  devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de  indicações  desabonadoras,  na  falta  de  fundamentação  na  recusa,  os  recibos  comprovam  despesas médicas.  No  caso,  não  foram  solicitados  outros  elementos  de  prova  de  maneira  objetiva,  e  o  fundamento  para  lançar  limita­se  a  que  recibos  não  comprovam pagamento  de  despesas médicas.  O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia  intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF:  Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado  sem  prévia  intimação  ao  sujeito  passivo,  nos  casos  em  que  o  Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito  tributário.  No  entanto,  a  recusa  a  documentos  usuais  não  pode  prescindir  de  justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do  direito do contribuinte.  Não  deixo  de  fazer  aqui  uma  fundamentação  do  entendimento  expresso  acima,  pois  a  falta  de  fundamentação  é  a  matéria  em  discussão. Muitas  vezes  a  autoridade  fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs:  Art.  73.  Todas  as  deduções  estão  sujeitas  a  comprovação  ou  justificação,  a  juízo  da  autoridade  lançadora  (Decreto­Lei  nº  5.844, de 1943, art. 11, § 3º).  §  1º  Se  forem  pleiteadas  deduções  exageradas  em  relação  aos  rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis,  poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto­ Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).  Tal  artigo  indica  que  determinados  documentos  não  fazem  prova  absoluta,  podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto,  isso não significa  que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado.  E  tal  obrigação,  a  motivação  na  edição  dos  atos  administrativos,  encontra­se  tanto  em  dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira  mais  importante  em  disposições  gerais  em  respeito  ao Estado Democrático  de Direito  e  aos  princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional.  A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período  em  que  foi  concebido  do  que  para  os  dias  atuais.  Além  disso,  Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13637.720189/2015­19  Acórdão n.º 2001­000.453  S2­C0T1  Fl. 4          5 mesmo  na  vigência  do  referido  Decreto­Lei  a  austeridade  do  instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo  diploma  legal  lhe  impunha  limitações,  no  seguinte  dizer:  “Art.  79.  Far­se­á  o  lançamento  ex­officio:  §  1º  Os  esclarecimentos  prestados  só  poderão  ser  impugnados  pelos  lançadores,  com  elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade  ou inexatidão.”.  Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos  usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas.   Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Jorge Henrique Backes ­ Redator Designado.                    Fl. 96DF CARF MF

score : 1.0
7552276 #
Numero do processo: 10283.907243/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo.
Numero da decisão: 1301-003.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.903399/2009-53, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201811

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 10283.907243/2009-41

anomes_publicacao_s : 201812

conteudo_id_s : 5940536

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 1301-003.573

nome_arquivo_s : Decisao_10283907243200941.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

nome_arquivo_pdf_s : 10283907243200941_5940536.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.903399/2009-53, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.

dt_sessao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018

id : 7552276

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:50 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713051150377287680

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2045; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 2          1 1  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10283.907243/2009­41  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1301­003.573  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de novembro de 2018  Matéria  DCOMP ­ DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO  Recorrente  LOCOMOTIVA DA AMAZONIA INDUSTRIA E COMERCIO DE  TEXTEIS INDUSTRIAIS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  ANO­CALENDÁRIO: 2005  RECOLHIMENTO  DE  ESTIMATIVAS  A  MAIOR  QUE  O  DEVIDO.  RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.  POSSIBILIDADE.  APLICAÇÃO  DA  SÚMULA CARF Nº 84.  O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido de  antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de  acordo  com  as  regras  previstas  na  legislação  aplicável  é  passível  de  compensação/restituição como pagamento indevido de tributo.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no  fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa  mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade  de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação  e  emita  novo despacho  decisório,  retomando­se,  a  partir  daí,  o  rito  processual  de  praxe,  nos  termos  do  voto  relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos. Portanto, aplica­se o decidido no julgamento do processo 10283.903399/2009­53,  paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  (Assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto ­ Presidente e Relator.   Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior,  José  Eduardo Dornelas  Souza, Nelso Kichel,  Bianca  Felícia  Rothschild, Giovana  Pereira  de     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 72 43 /2 00 9- 41 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10283.907243/2009­41  Acórdão n.º 1301­003.573  S1­C3T1  Fl. 3          2 Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto  e Fernando  Brasil de Oliveira Pinto.     Relatório  Trata o presente processo de Pedido de Compensação protocolado através de  Declaração de Compensação ­ DCOMP, no qual se pleiteia compensação de crédito oriundo de  pagamento indevido ou a maior de IRPJ­ Estimativa mensal (código 2362).   O  pedido  de  compensação  foi  indeferido  através  de  Despacho  Decisório  Eletrônico,  sob  o  argumento  de  que  o  crédito  informado  no  PER/DCOMP,  por  tratar­se  de  pagamento a  titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, somente  poderia  ser  utilizado  na  dedução  do  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  (IRPJ)  ou  da  Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou  para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.   A  empresa  apresentou manifestação  de  inconformidade  onde  afirma que  as  compensações foram realizadas em completa harmonia com a  legislação vigente.  Isto porque  calculou e recolheu um determinado valor de IRPJ, com código de arrecadação de estimativa  mensal e, posteriormente ao recolhimento, verificou que o valor de IRPJ efetivamente devido  montava um valor inferior àquele originalmente pago através de DARF.   Acrescenta que o valor recalculado está de acordo com os valores declarados  em DCTF e que, uma vez confessada uma dívida efetiva em valor  inferior àquele  recolhido,  teria  nascido  um  crédito  tributário.  O  sujeito  passivo  alega  que  por  equívoco  procedeu  ao  recolhimento num valor superior àquele efetivamente devido. Argumenta  também que não se  trata de pagamento por estimativa mensal, uma vez que foi realizado com base em balanço de  suspensão ou redução.  A  DRJ  julgou  improcedente  a  manifestação  sob  o  fundamento  de  que  os  valores  apurados  a  partir  da  receita  bruta  em  função  de  balancete  redução  correspondem  a  estimativa  mensal  e  que  não  havia  previsão  legal  para  utilização  em  DCOMP,  de  crédito  referente a estimativa mensal de IRPJ.  Inconformado  com  a  decisão  da  DRJ,  a  empresa  apresentou  Recurso  Voluntário, no qual reafirma a existência de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, reitera os  argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, declara que a decisão da DRJ vai de  encontro a jurisprudência do CARF e, ao final, requer o reconhecimento da homologação das  compensações em litígio.  É o relatório.      Voto             Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10283.907243/2009­41  Acórdão n.º 1301­003.573  S1­C3T1  Fl. 4          3 Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1301­003.563,  de  22/11/2018,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  10283.903399/2009­ 53, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301­003.563):  "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos  de admissibilidade, portanto, dele conheço.  Conforme  se  depreende  do  relatório,  o  cerne  da  discussão  no  presente  processo  é  a  possibilidade  ou  não  de  se  compensar pagamento indevido ou a maior recolhido a título de  estimativa  mensal  para  aquelas  pessoas  jurídicas  sujeitas  à  apuração do IRPJ pelo lucro real.  O pedido de compensação foi  indeferido liminarmente,  através de Despacho Decisório Eletrônico, a partir do momento  em que o sistema constatou  tratar­se de  recolhimento efetivado  sob o código de arrecadação 2362 (IRPJ­ PJ OBRIGADAS AO  LUCRO  REAL  ­  ENTIDADES  NÃO  FINANCEIRAS  ­  ESTIMATIVA MENSAL). A Unidade de Origem não se adentrou  no  mérito  do  direito  creditório,  e  por  conseguinte,  não  deu  oportunidade para o contribuinte produzir provas.  O Despacho Eletrônico, bem como o acórdão da DRJ,  fundamentaram  o  indeferimento  do  pedido  de  compensação  no  artigo 74 da Lei nº 9.430/96, em concomitância com o art. 10 da  IN  SRF  nº  600/2005.  O  §14º  do  art.74  da  citada  lei  atribuiu  competência a Secretaria da Receita Federal para disciplinar a  compensação  e,  o  órgão  emitiu  instrução  normativa  que  disciplinou a matéria. O art. 10 da IN SRF nº 600/2005, vigente  à época, determinava:   Art.  10.  A  pessoa  jurídica  tributada  pelo  lucro  real,  presumido  ou  arbitrado  que  sofrer  retenção  indevida  ou  a  maior  de  imposto  de  renda  ou  de  CSLL  sobre  rendimentos  que  integram  a  base  de  cálculo  do  imposto  ou  da  contribuição,  bem  assim  a  pessoa  jurídica  tributada  pelo  lucro  real  anual  que  efetuar  pagamento  indevido  ou  a maior  de  imposto  de  renda  ou  de  CSLL  a  título  de  estimativa  mensal,  somente  poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do  IRPJ  ou  da  CSLL  devida  ao  final  do  período  de  apuração  em  que  houve  a  retenção  ou  pagamento  indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou  de CSLL do período.  Contudo o art.74, §3º, da Lei nº 9.430/96 que tratou das  vedações  à  compensação  através  de  DCOMP,  dispôs  em  seu  Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10283.907243/2009­41  Acórdão n.º 1301­003.573  S1­C3T1  Fl. 5          4 inciso  IX  dos  débitos  relativos  ao  pagamento  mensal  por  estimativa do  IRPJ ou da CSLL, mas nada dispondo acerca de  créditos oriundos de pagamento  indevido de estimativa mensal,  in verbis:  Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive  os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível  de  restituição  ou  de  ressarcimento,  poderá  utilizá­lo  na  compensação  de  débitos  próprios  relativos  a  quaisquer  tributos  e  contribuições administrados por aquele Órgão.  .........  § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de  cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de  compensação mediante entrega, pela sujeito passivo, da  declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº  10.833, de 2003)  ........  IX  ­  os  débitos  relativos  ao  recolhimento  mensal  por  estimativa  do  Imposto  sobre  a  Renda  das  Pessoas  Jurídicas  (IRPJ)  e  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL)  apurados  na  forma  do  art.  2º  desta Lei. (grifei)  É  de  se  observar  que  a  Instrução  Normativa  fez  uma  interpretação restritiva de Lei nº 9.430/96, a qual não encontrou  guarida  na  jurisprudência  do  CARF,  que  acerca  da  matéria  proferiu a Súmula CARF nº 84:  Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de  indébito, para fins de restituição ou compensação, na  data do recolhimento de estimativa.  (Súmula revisada  conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018,  DOU de 11/09/2018).  Transcreve­se ainda a redação anterior da súmula:  Súmula  CARF  nº  84:  Pagamento  indevido  ou  a  maior  a  título  de  estimativa  caracteriza  indébito  na  data  de  seu  recolhimento,  sendo  passível  de  restituição ou compensação.  Para melhor esclarecer a aplicação da súmula, trago à  baila  trecho  do  acórdão  da  CSRF  nº  9101­00.406,  de  02/10/2009,  utilizado  como  precedente  para  elaboração  da  jurisprudência:  Ementa:  RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.  RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE  O  DEVIDO.  O  valor  do  recolhimento  a  titulo  de  estimativa  que  supera  o  valor  devido  a  titulo  de  antecipação do imposto de renda (ou da contribuição  Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10283.907243/2009­41  Acórdão n.º 1301­003.573  S1­C3T1  Fl. 6          5 social  sobre  o  lucro)  de  acordo  com  as  regras  previstas  na  legislação  aplicável  é  passível  de  compensação/restituição corno pagamento indevido de  tributo.   Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,    (...)  De  acordo  com  o  acórdão  recorrido,  não  seria  possível caracterizar como indevido o recolhimento da  antecipação mensal por estimativa de CSLL efetuado a  maior,  apenas  confrontando  referido  pagamento  com  as  regras  para  apuração  do  valor  devido  a  titulo  de  antecipação mensal.  (...)  É o relatório.  (...)  Nos  termos  da  lei,  a  pessoa  jurídica  que  opta  pelo  lucro  real  anual  está  obrigada  a  antecipar,  mensalmente,  o  IRPJ  calculado  por  estimativa.  Referida  obrigação  de  antecipar  a  cada  mês  uma  parcela  do  IRPJ  que  será  devido  ao  fim  do  ano­ calendário  é  apurada  sobre  a  base  de  cálculo  estimada,  calculada  conforme  percentuais  definidos  em lei aplicados sobre a receita bruta do Contribuinte  até o mês em que a antecipação é realizada.  Ainda  nos  termos  da  lei,  a  obrigação  de  antecipar  o  imposto  pode  ser  reduzida  ou  suspensa,  conforme  o  Contribuinte  comprove,  mediante  levantamento  de  balanços  ou  balancetes,  que  o  IRPJ,  se  calculado  sobre  o  lucro  real  verificado  até  o  momento  da  apuração  da  antecipação,  é  menor  do  que  o  valor  devido  de  acordo  com  o  cálculo  sobre  a  base  estimada.  Em  apertada  síntese,  esse  é  o  regime  legal  da  obrigação de antecipar, mensalmente, o IRPJ, em caso  de opção pela apuração do lucro real em base anual.  Diferentemente  do  acórdão  recorrido,  entendo  que  o  Contribuinte  está  obrigado  ao  recolhimento  das  antecipações  mensais  nos  termos  estabelecidos  na  legislação, seja sobre as bases estimadas, seja sobre a  base de cálculo apurada em balanço ou balancete de  suspensão  ou  redução.  A  meu  ver,  havendo  recolhimento  superior  àquele  imposto  por  lei,  ainda  que sob a alcunha de "estimativa", resta caracterizado  o  recolhimento  a  maior  passível  de  restituição  ou  compensação.  Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10283.907243/2009­41  Acórdão n.º 1301­003.573  S1­C3T1  Fl. 7          6 Como  bem  observou  o  acórdão  paradigma,  a  legislação  não  estabelece  que  recolhimentos  a maior  que  os  estabelecidos  pelas  regras  da  apuração  da  antecipação mensal por estimativa também devem ser  considerados como antecipação do imposto. Em outros  termos, o recolhimento que exceda o valor apurado de  acordo com as regras para o cálculo das antecipações  mensais  por  estimativa  não  tem  natureza  de  antecipação do  imposto, mas de pagamento  indevido,  restituível nos termos do art. 165 do CTN.(grifei)  Nesse diapasão, em observância à Súmula CARF nº 84,  reconhece­se  que  é  possível  a  caracterização  de  indébito  a  partir de recolhimento de estimativa.  Todavia, para fins de homologação da DCOMP, faz­se  mister  a  apreciação  do  direito  creditório,  ou  seja,  a  comprovação  por  parte  do  contribuinte  da  existência  de  pagamento  indevido,  ou  seja,  que  o  valor  recolhido  a  título  de  estimativa  mensal,  ainda  que  através  de  balanço  ou  balancete  suspensão/redução,  foi  calculado  e  efetivado  em  valores  acima  daqueles prescritos em lei.   Logo,  entendo  não  ser  possível  homologar,  nesse  momento, a compensação declarada pelo Contribuinte, uma vez  que a única questão submetida ao contraditório nos autos  foi a  possibilidade  (ou  não)  de  compensação  de  pagamento  da  estimativa  recolhida  a  maior.  Além  do  que  tal  fato  implicaria  supressão  da competência  da Unidade  de Origem para  análise  do direito creditório.  Nesse  sentido,  considerando  ser  possível  a  restituição/compensação de  recolhimento  de  estimativa mensal,  desde  que  reste  caracterizado  o  indébito,  voto  no  sentido  de  retornar  o  processo  à  Unidade  de  Origem  para  examinar  o  mérito  do  pedido,  nos  termos  do  art.  170  do  CTN  e  proferir  Despacho Decisório complementar.  Posteriormente,  pode­se  seguir  o  rito  processual  habitual.  Diante de  todo o acima exposto, voto por conhecer do  Recurso Voluntário, e DAR­LHE PARCIAL PROVIMENTO para  reconhecer a possibilidade de compensar recolhimentos a título  de  estimativa  mensal  de  IRPJ  ou  CSLL,  desde  que  reste  caracterizado  o  indébito,  mas  sem  homologar  a  compensação,  com  o  conseqüente  retorno  dos  autos  à  jurisdição  da  contribuinte, para que a Unidade de Origem analise o mérito do  pedido e emita despacho decisório complementar, prosseguindo­ se assim, o processo de praxe."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º,  2º  e  3º  do  art.  47,  do  Anexo  II,  do  RICARF,  voto  por  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  afastar  a  negativa  do  pedido  de  compensação  com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título  Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10283.907243/2009­41  Acórdão n.º 1301­003.573  S1­C3T1  Fl. 8          7 de estimativa mensal de pessoa  jurídica  tributada pelo  lucro  real,  e determinar o  retorno dos  autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido  de compensação e emita novo despacho decisório, retomando­se, a partir daí, o rito processual  de praxe, nos termos do voto acima transcrito.  (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto                              Fl. 111DF CARF MF

score : 1.0
7559719 #
Numero do processo: 10580.904885/2011-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/01/2006 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas.
Numero da decisão: 1301-003.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.904884/2011-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201811

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/01/2006 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019

numero_processo_s : 10580.904885/2011-59

anomes_publicacao_s : 201901

conteudo_id_s : 5944287

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019

numero_decisao_s : 1301-003.605

nome_arquivo_s : Decisao_10580904885201159.PDF

ano_publicacao_s : 2019

nome_relator_s : FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

nome_arquivo_pdf_s : 10580904885201159_5944287.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.904884/2011-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).

dt_sessao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018

id : 7559719

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:04 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713051150380433408

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2330; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 2          1 1  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10580.904885/2011­59  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  1301­003.605  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de novembro de 2018  Matéria  PER/DCOMP  Recorrente  MEDYCAMENTHA PRODUTOS ONCOLOGICOS E HOSPITALARES  LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Data do fato gerador: 31/01/2006  RETIFICAÇÃO  DO  PER/DCOMP  APÓS  O  DESPACHO  DECISÓRIO.  ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE  Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse  insuperável,  uma  situação  em  que  o  contribuinte  não  pode  apresentar  uma  nova declaração, não pode  retificar  a declaração original,  e nem pode  ter o  erro  saneado  no  processo  administrativo,  sob  pena  de  tal  interpretação  estabelecer uma preclusão que  inviabiliza a busca da verdade material  pelo  processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento  ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei.  Reconhece­se  a  possibilidade  de  transformar  a  origem  do  crédito  pleiteado  em  saldo  negativo,  mas  sem  homologar  a  compensação,  por  ausência  de  análise da  sua  liquidez pela unidade de origem,  com o conseqüente  retorno  dos  autos  à  jurisdição  da  contribuinte,  para  verificação  da  existência,  suficiência  e  disponibilidade  do  crédito  pretendido  em  compensação,  oportunizando  ao  contribuinte  a  possibilidade  de  apresentação  de  documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado  em saldo negativo, e determinar o  retorno dos autos à unidade de origem para que  analise o  mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes,  a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao  final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando­se, a partir daí, o rito  processual  de  praxe.  Vencido  o  Conselheiro  Roberto  Silva  Junior  que  votou  por  negar     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 48 85 /2 01 1- 59 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10580.904885/2011­59  Acórdão n.º 1301­003.605  S1­C3T1  Fl. 3          2 provimento  ao  recurso.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos. Portanto, aplica­se o decidido no julgamento do processo 10580.904884/2011­12,  paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto ­ Presidente e Relator  Participaram do presente  julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior,  José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de  Paiva  Leite,  Amélia  Wakako  Morishita  Yamamoto,  Bianca  Felícia  Rothschild  e  Fernando  Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).  Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10580.904885/2011­59  Acórdão n.º 1301­003.605  S1­C3T1  Fl. 4          3 Relatório  MEDYCAMENTHA  PRODUTOS  ONCOLOGICOS  E  HOSPITALARES  LTDA recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ em Porto  Alegre  que  julgou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade,  pleiteando  sua  reforma,  com fulcro nos §§ 9º e 10 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, c/c c artigo 33 do Decreto nº  70.235, de 1972 (PAF).  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  Acórdão  que,  por  unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte,  para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas,  em  razão  da  ausência  de  comprovação  de  recolhimento  indevido  de  estimativa  e  na  impossibilidade de se retificar a origem do crédito pleiteado para saldo negativo de CSLL.   O  presente  processo  decorre  de  pedido  de  compensação,  cujo  crédito  tem  origem em pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais.   O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o  valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas.   Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que o erro se  deu  basicamente  na  PER/DComp,  quando  informou  como  origem  do  crédito  Pagamento  Indevido ou a Maior quando o correto seria Saldo Negativo de CSLL, assim, requereu que sua  Dcomp fosse retificada ou autorizada sua retificação.  O Acórdão recorrido entendeu que não houve mero erro no preenchimento da  PER/DComp, tampouco haveria que se falar em inexatidões materiais em seu preenchimento,  tratando­se,  em  realidade,  de  pedido  do  contribuinte  para  alteração  da  natureza  jurídica  do  pedido,  uma  vez  que  PER/DComp  indicava  tratar­se  de  pagamento  indevido  de  estimativa,  mas,  na  realidade,  de  saldo  negativo  de  CSLL.  Concluiu  não  haver  prova  de  recolhimento  indevido de estimativa, indeferindo o pedido de reconhecimento do direito creditório pleiteado  e não homologando as compensações declaradas.   Cientificado  da  decisão  de  primeira  instância,  o  contribuinte,  tempestivamente, apresentou recurso voluntário com os mesmos argumentos apresentados em  sede  de manifestação  de  inconformidade,  requerendo  a  reforma  da  decisão  recorrida  com  o  consequentemente  reconhecimento  do  direito  creditório  requerido  e  a  homologação  das  compensações declaradas.  É o relatório.  Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10580.904885/2011­59  Acórdão n.º 1301­003.605  S1­C3T1  Fl. 5          4 Voto             Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1301­003.599,  de  22/11/2018,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  10580.904884/2011­ 12, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301­003.599):  "O  recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  pressupostos de admissibilidade do recurso, dele, portanto, tomo  conhecimento.  A Recorrente apresentou Per/DComp utilizando­se de  créditos decorrentes de IRPJ (estimativa) pago a maior, porém,  conforme  reconheceu,  na  realidade  tratava­se  de  Saldo  Negativo.   Segundo o Despacho Decisório,   Analisadas  as  informações  prestadas  no  documento  acima  identificado,  foi  constatada  a  improcedência  do  crédito  informado  no  PER/DCOMP  por  tratar­se  de  pagamento  a  título  de  estimativa  mensal  de  pessoa  jurídica  tributada  pelo  lucro  real,  caso  em  que  o  recolhimento  somente  pode  ser  utilizado  na  dedução  do  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  (IRPJ)  ou  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL)  devida  ao  final  do  período  de  apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou  CSLL do período.  O  acórdão  recorrido,  por  sua  vez,  superou  a  fundamentação  utilizada  no  despacho  decisório  em  razão  de  posterior alteração de entendimento por parte da RFB por meio  do art. 10 da IN RFB nº 900, de 2008, e da Solução de Consulta  Interna  Cosit  nº  19,  de  2011,  tanto  em  relação  à  admissão  ao  direito de restituição ou de compensação de valor pago a maior  ou  indevidamente  de  estimativa,  quanto  à  sua  aplicação  aos  PER/DComp  originais  transmitidos  anteriormente  a  1º  de  janeiro  de  2009  e  que  estivessem  pendentes  de  decisão  administrativa.  Aduz  que  o  contribuinte  não  trouxe  prova  do  recolhimento  a  maior  e  que  o  pedido  de  retificação  do  PER/DComp para se considerar como origem do crédito o saldo  negativo de IRPJ, em vez de pagamento indevido ou a maior de  Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10580.904885/2011­59  Acórdão n.º 1301­003.605  S1­C3T1  Fl. 6          5 estimativa, não se enquadra nas hipóteses previstas no art. 78 da  IN RFB nº 900, de 2008  Pois bem, passo à análise da controvérsia.  O crédito a que refere a Recorrente trata­se de Saldo  Negativo  de  IRPJ,  porém,  ao  preencher  a  Per/DComp  para  declarar a compensação informou como IRPJ Pago a Maior ou  Indevidamente,  gerando  a  não  homologação  das  respectivas  compensações.  O  ponto  aqui  é  que  a  Per/DComp  apresentada  pelo  contribuinte contém erro material, e tal fato, por si só não pode  embasar a negação ao seu direito de crédito, bem como leva ao  enriquecimento ilícito do Estado.  Em  relação  à  possibilidade  de  comprovação  de  erro  de  fato  no  preenchimento  da  declaração,  inclusive  na  própria  DCOMP,  o  entendimento  atual,  inclusive  da  RFB,  é  de  que  é  possível superar esse equívoco, desde que haja comprovação de  tal  erro,  conforme  bem  delineado  pela  RFB  no  Parecer  Normativo Cosit nº 8, de 2014, cujo excerto de interesse de sua  ementa reproduz­se a seguir:  Assunto.  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.REVISÃO  E  RETIFICAÇÃO  DE  OFÍCIO  –  DE  LANÇAMENTO  E  DE  DÉBITO  CONFESSADO,  RESPECTIVAMENTE  –  EM  SENTIDO  FAVORÁVEL  AO  CONTRIBUINTE.  CABIMENTO. ESPECIFICIDADES.  A  revisão  de  ofício  de  lançamento  regularmente  notificado, para reduzir o crédito  tributário, pode ser  efetuada  pela  autoridade  administrativa  local  para  crédito  tributário  não  extinto  e  indevido,  no  caso  de  ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII  e  IX  do  art.  149  do  Código  Tributário  Nacional  –  CTN,  quais  sejam:  quando  a  lei  assim  o  determine,  aqui  incluídos  o  vício  de  legalidade  e  as  ofensas  em  matéria  de  ordem  pública;  erro  de  fato;  fraude  ou  falta  funcional;  e  vício  formal  especial,  desde  que  a  matéria  não  esteja  submetida  aos  órgãos  de  julgamento  administrativo  ou  já  tenha  sido  objeto  de  apreciação destes.   A  retificação  de  ofício  de  débito  confessado  em  declaração,  para  reduzir  o  saldo  a  pagar  a  ser  encaminhado  à  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  –  PGFN  para  inscrição  na  Dívida  Ativa,  pode ser efetuada pela autoridade administrativa local  para  crédito  tributário  não  extinto  e  indevido,  na  hipótese  da  ocorrência  de  erro  de  fato  no  preenchimento da declaração.  Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10580.904885/2011­59  Acórdão n.º 1301­003.605  S1­C3T1  Fl. 7          6 REVISÃO  DE  DESPACHO  DECISÓRIO  QUE  NÃO  HOMOLOGOU  COMPENSAÇÃO,  EM  SENTIDO  FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE.  A  revisão  de  ofício  de  despacho  decisório  que  não  homologou  compensação  pode  ser  efetuada  pela  autoridade administrativa local para crédito tributário  não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de  fato  no  preenchimento  de  declaração  (na  própria  Declaração  de  Compensação  –  Dcomp  ou  em  declarações  que  deram  origem  ao  débito,  como  a  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  –  DCTF  e  mesmo  a  Declaração  de  Informações Econômico­Fiscais da Pessoa Jurídica –  DIPJ,  quando  o  crédito  utilizado  na  compensação  se  originar de  saldo negativo de  Imposto sobre a Renda  da Pessoa Jurídica  ­  IRPJ ou de Contribuição Social  sobre  o  Lucro  Líquido  ­  CSLL),  desde  que  este  não  esteja  submetido  aos  órgãos  de  julgamento  administrativo  ou  já  tenha  sido  objeto  de  apreciação  destes.  Dessa  forma, este Colegiado  tem tido o entendimento  de se reconhecer parte do requerido pela Recorrente, no sentido  de não lhe suprimir instâncias de julgamento, e oportunizar que,  após o contribuinte ser devidamente intimado para tanto, sejam  apresentados  documentos  e  estes  sejam  analisados  a  fim  de  se  averiguar  a  ocorrência  do  erro  alegado  e  consequentemente  a  aferição de seu direito de crédito.   Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade  material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal  daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar  o óbice de retificação da Per/DComp apresentada.   E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o  mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva  compensação,  bem  como  analisar  a  liquidez  e  certeza  do  referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN, retomando­se a  partir de então o rito processual de praxe.  CONCLUSÃO  Ante  o  exposto,  voto  por  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  reconhecer  a  possibilidade  de  transformar  a  origem  do  crédito  pleiteado  em  saldo  negativo,  e  determinar  o  retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito  do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando  ao  contribuinte,  antes,  a  apresentação  de  documentos,  esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao  final,  deverá  ser  proferido  despacho  decisório  complementar,  retomando­se, a partir daí, o rito processual de praxe."    Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10580.904885/2011­59  Acórdão n.º 1301­003.605  S1­C3T1  Fl. 8          7 Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º,  2º  e  3º  do  art.  47,  do  Anexo  II,  do  RICARF,  voto  por  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  reconhecer  a  possibilidade  de  transformar  a  origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de  origem  para  que  analise  o  mérito  do  pedido  quanto  à  liquidez  do  crédito  requerido,  oportunizando  ao  contribuinte,  antes,  a  apresentação  de  documentos,  esclarecimentos  e  retificações  das  declarações  apresentadas.  Ao  final,  deverá  ser  proferido  despacho  decisório  complementar, retomando­se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima  transcrito.  (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto                                  Fl. 97DF CARF MF

score : 1.0
7517615 #
Numero do processo: 10680.002403/2005-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1988 a 30/09/1995 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.Sendo o acórdão paradigma divergente do recorrido, há que se admitir seu conhecimento. Vez que o acordão paradigma defende a higidez da coisa julgada, não podendo a administração alterar o seu conteúdo. Por sua vez o acórdão recorrido, autorizou o pedido de restituição, sendo que a coisa julgada autorizava somente a compensação. DECADÊNCIA Opera-se a Decadência ao direito de repetir, em razão do Pedido de Restituição Eletrônico (PER) n.º 28701.75967.100308.1.2.577603, que foi transmitido em 10/03/2008, antes de ter sido operada a decadência, para homologar as compensações. Mesmo aquelas transmitidas após 15/09/2008. Até o limite do crédito determinado pela decisão judicial.
Numero da decisão: 9303-007.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal- Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201809

camara_s : 3ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1988 a 30/09/1995 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.Sendo o acórdão paradigma divergente do recorrido, há que se admitir seu conhecimento. Vez que o acordão paradigma defende a higidez da coisa julgada, não podendo a administração alterar o seu conteúdo. Por sua vez o acórdão recorrido, autorizou o pedido de restituição, sendo que a coisa julgada autorizava somente a compensação. DECADÊNCIA Opera-se a Decadência ao direito de repetir, em razão do Pedido de Restituição Eletrônico (PER) n.º 28701.75967.100308.1.2.577603, que foi transmitido em 10/03/2008, antes de ter sido operada a decadência, para homologar as compensações. Mesmo aquelas transmitidas após 15/09/2008. Até o limite do crédito determinado pela decisão judicial.

turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 10680.002403/2005-58

anomes_publicacao_s : 201811

conteudo_id_s : 5928146

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 9303-007.446

nome_arquivo_s : Decisao_10680002403200558.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN

nome_arquivo_pdf_s : 10680002403200558_5928146.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal- Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.

dt_sessao_tdt : Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018

id : 7517615

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:43 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713051150382530560

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1558; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 1.144          1 1.143  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10680.002403/2005­58  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9303­007.446  –  3ª Turma   Sessão de  19 de setembro de 2018  Matéria  PIS/PASEP    Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  VEMINAS S/A    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/10/1988 a 30/09/1995  ADMISSIBILIDADE  DO  RECURSO  ESPECIAL  DE  DIVERGÊNCIA.Sendo o acórdão paradigma divergente do recorrido, há que  se admitir seu conhecimento. Vez que o acordão paradigma defende a higidez  da coisa julgada, não podendo a administração alterar o seu conteúdo. Por sua  vez o acórdão recorrido, autorizou o pedido de restituição, sendo que a coisa  julgada autorizava somente a compensação.  DECADÊNCIA  Opera­se  a  Decadência  ao  direito  de  repetir,  em  razão  do  Pedido  de  Restituição  Eletrônico  (PER)  n.º  28701.75967.100308.1.2.577603,  que  foi  transmitido  em  10/03/2008,  antes  de  ter  sido  operada  a  decadência,  para  homologar as compensações. Mesmo aquelas  transmitidas após 15/09/2008.  Até o limite do crédito determinado pela decisão judicial.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam os membros  do  colegiado,  por maioria  de  votos,  em  conhecer do  Recurso  Especial,  vencidas  as  conselheiras  Érika Costa  Camargos Autran  (relatora), Tatiana  Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello,  que não conheceram do  recurso. No mérito,     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 24 03 /2 00 5- 58 Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 10680.002403/2005­58  Acórdão n.º 9303­007.446  CSRF­T3  Fl. 1.145          2 por unanimidade de votos, acordam em negar­lhe provimento. Designado para  redigir o voto  vencedor, quanto ao conhecimento, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.     (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em Exercício     (assinado digitalmente)  Érika Costa Camargos Autran ­ Relatora     (assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal­ Redator designado            Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto  Natal,  Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock  Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório  Trata­se  de  Recurso  Especial  de  Divergência  interposto  pela  Fazenda  Nacional contra o acórdão n.º 3301­002.216, de 25 de fevereiro de 2014 (fls. 1122 a 1127 do  processo  eletrônico),  proferido  Primeira  Turma Ordinária  da  Terceira  Câmara  da  Terceira  Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento  parcial  para  afastar  a  decadência  ao  direito  de  repetir,  em  razão  do  Pedido  de Restituição  Eletrônico  (PER)  n.º  28701.75967.100308.1.2.57­7603),  transmitido  em  10/03/2008,  antes  de  ter  sido  operada  a  decadência,  para  homologar  as  compensações,  mesmo  aquelas  transmitidas após 15/09/2008, até o limite do crédito determinado pela decisão judicial.    A discussão dos presentes autos tem origem na transmissão de Declarações  de Compensação (Dcomp’s) a partir de 18/03/2004, listadas às fls. 213/217, com crédito de  valores recolhidos a título de PIS e débitos de PIS, COFINS, IRPJ CSLL e IRRF. O crédito  origina­se  da Ação  Judicial  de  n.º  1997.38.00.060872­5  interposta  sob  o  argumento  de  ter  sido  pago  o  PIS  nos  termos  dos  Decretos­Lei  n.º  2.445  e  2.449,  de  1988,  julgados  inconstitucionais,  quando  deveria  prevalecer  o  regime  da  Lei  Complementar  n.º  07/70.  O  trânsito em julgado ocorreu em 15/09/2003.  Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 10680.002403/2005­58  Acórdão n.º 9303­007.446  CSRF­T3  Fl. 1.146          3   A  DRF  Belo  Horizonte  calculou  o  direito  creditório  no  montante  de  R$847.909,42 em 31/12/1995, conforme decisão judicial, e homologou as compensações de  débitos de PIS contidos nas Dcomp’s até o limite do crédito reconhecido, e não homologou  as  compensações  de  débitos  distintos  da  Contribuição  PIS  contidos  nas  Dcomp’s  transmitidas, por não estarem alcançados pela sentença  judicial, no seu entendimento,  tudo  conforme Despacho Decisório de fls. 213/224.    Inconformado  com  o  deferimento  parcial  de  seu  pedido,  o  Contribuinte  apresentou impugnação alegando, em síntese, que:  ­  a  análise  do  acórdão  transitado  em  julgado  foi  realizada  de  forma  superficial e equivocada pela fiscalização, quando da confecção do despacho decisório;  ­ além da existência de acórdão transitado em julgado, declarando o direito  da  manifestante  à  ampla  compensação  de  seus  créditos,  à  época  em  que  realizada  a  compensação  já  se  encontrava  em vigor  a nova  redação  da Lei  9.430/96,  produzindo  seus  efeitos  de  forma  a  permitir  a  compensação  de  créditos  oriundos  de  tributos  federais  com  quaisquer débitos de tributos administrados pela Receita Federal, sem que haja necessidade  de aprovação da Fazenda.    Cita decisão do STJ em outro processo em que se admite que a parte não  está impedida de, independentemente do resultado do processo, proceder à compensação dos  créditos na conformidade com as normas supervenientes, se atender os requisitos próprios.    Por  fim,  requer  a  reforma  do  despacho  decisório,  garantindo  a  homologação total das compensações realizadas pela empresa.    A  DRJ  em  Belo  Horizonte/MG  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade apresentada pelo Contribuinte.    Irresignado  com  a  decisão  contrária  ao  seu  pleito,  o  Contribuinte  apresentou  recurso  voluntário,  o  Colegiado  por  unanimidade  de  votos,  deu  provimento  parcial  para  afastar  a  decadência  ao  direito  de  repetir,  em  razão  do  Pedido  de Restituição  Eletrônico  (PER)  n.º  28701.75967.100308.1.2.57­7603),  transmitido  em  10/03/2008,  antes  Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 10680.002403/2005­58  Acórdão n.º 9303­007.446  CSRF­T3  Fl. 1.147          4 de  ter  sido  operada  a  decadência,  para  homologar  as  compensações,  mesmo  aquelas  transmitidas  após  15/09/2008,  até  o  limite  do  crédito  determinado  pela  decisão  judicial.  conforme acórdão assim ementado in verbis:    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Período de apuração: 01/10/1988 a 30/09/1995   AÇÃO  JUDICIAL  COISA  JULGADA.  COMPENSAÇÃO.  OUTROS  TRIBUTOS. POSSIBILIDADE.   A despeito de não ter sido expressamente autorizada a compensação com  outros tributos, a ulterior alteração legislativa produzida pelo art. 74, da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  expressamente  autorizou  aos  contribuintes  que  apurarem  indébito  passível  de  restituição,  como  é  o  caso,  ou  de  ressarcimento,  poderá  utilizá­lo  na  compensação  de  débitos  próprios  relativos  a  quaisquer  tributos  e  contribuições  administrados  por  aquele  Órgão,  ensejando  a  homologação  das  compensações  declaradas  até  o  montante do indébito reconhecido pelo Poder Judiciário.   Recurso Parcialmente Provido.    A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 1129 a  1135) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso do Contribuinte, a  divergência  suscitada  pela  Fazenda  Nacional  diz  respeito  à  higidez  da  coisa  julgada,  não  podendo a administração alterar o seu conteúdo.    Para  comprovar  a  divergência  jurisprudencial  suscitada,  a  Fazenda  Nacional apresentou como paradigma o acórdão de número 204­02.901. A comprovação do  julgado  firmou­se  pela  transcrição  da  ementa  do  acórdão  paradigma  no  corpo  da  peça  recursal.    O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho  de  fls.  1137  e  1138  sob  o  argumento  que  o  acórdão  recorrido  autorizou  o  pedido  de  restituição,  sendo  que  a  coisa  julgada  autorizava  a  compensação. Ainda,  argumenta  que  a  Fazenda Nacional defendeu a higidez da coisa julgada, não podendo a administração alterar o  seu conteúdo, sendo este exatamente o sentido da decisão proferida no acórdão paradigma.  Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 10680.002403/2005­58  Acórdão n.º 9303­007.446  CSRF­T3  Fl. 1.148          5   Com essas considerações, concluiu­se que a divergência jurisprudencial foi  comprovada.    O Contribuinte foi cientificado para apresentar contrarrazões, conforme se  verifica às fls. 1140 e não se manifestou.    É o relatório em síntese.   Voto Vencido  Conselheira Érika Costa Camargos Autran ­ Relatora     Voto Vencido quanto da Admissibilidade    O Recurso  Especial  interposto  pela  Fazenda Nacional  é  tempestivo,  porém  não deve ser conhecido por não cumprir com os requisitos essenciais de admissibilidade, nos  termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.    Conforme  exposto  no  relatório,  por  meio  do  Recurso  Especial  a  Fazenda  Nacional  devolve a este Colegiado  a  discussão  sobre  a  coisa  julgada  material.  Segundo  a  Fazenda Nacional,  o Acordão Recorrido permitiu que o Contribuinte  apresentasse pedido de  Restituição,  referente a período  respaldado por decisão  judicial  transitada em  julgado, a qual  somente autorizava a compensação dos créditos apurados.    E  o  acórdão  paradigma  entendeu  por  respeitar  a  decisão  imutável  pelo  trânsito  em  julgado,  nos  termos  da  Constituição  Federal/88,  indeferindo  a  compensação  pleiteada pelo contribuinte, em desacordo com o comando judicial.    Pelos  trechos  extraídos  do  Acordão  Recorrido,  a  matéria  decidida  foi  a  decadência do Contribuinte de requerer as compensações declaradas:     Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 10680.002403/2005­58  Acórdão n.º 9303­007.446  CSRF­T3  Fl. 1.149          6 A  DRF/BHE  através  do  Despacho  Decisório  nº  1.147,  de  fls.  211/222),  homologou  as  compensações  declaradas  com  débito  de  PIS,  não  homologando­se os demais débitos (outros tributos IRPJ, CSLL e COFINS),  em conformidade com a decisão judicial .  Após  ter  sido  apresentada  a manifestação  de  inconformidade  veio  então  o  segundo  despacho  decisório,  uma  vez  que  embora  consignado  que  a  ação  judicial  transitou  em  julgado  em  15/09/2003  “(donde  se  conclui  que  o  contribuinte teria 05 anos a partir daquela data para utilização do crédito,  ou seja até 15/09/2008) não  feita qualquer consideração ou análise acerca  dos  documentos  constantes  do  quadro  2  abaixo,  transmitidos  após  15/09/2008, e que continham débitos também do PIS”.    Ocorre, porém, que, antes do transcurso do prazo decadencial (15/09/2008),  a Recorrente transmitiu o Pedido Eletrônico de Restituição Eletrônico(PER)  n° 28701.75967.100308.1.2.577603 (em 10/03/2008), conforme frisado pela  decisão recorrida “muito embora tenha formalizado em 10/03/2008, mais de  06 (seis) meses antes do decurso do lapso temporal previsto pelo art. 168 do  CTN”, o que é perfeitamente possível em razão do disposto no art. 74, da Lei  nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002: A partir  da  transmissão  do  pedido  de  restituição  (em  10/03/2008),  evitou  a  decadência do direito, possibilitando à Recorrente o direito à homologação  das  demais  compensações  apresentadas,  mesmo  aquelas  transmitidas  após  15/09/2008.    Em  face do  exposto,  voto no  sentido de dar provimento parcial ao  recurso  para  afastar  a  decadência  ao  direito  de  repetir,  em  razão  do  Pedido  de  Restituição  Eletrônico  (PER)  nº  28701.75967.100308.1.2.577603),  transmitido  em  10/03/2008,  antes  de  ter  sido  operada  a  decadência,  para  homologar as compensações, mesmo aquelas transmitidas após 15/09/2008,  até o limite do crédito determinado pela decisão judicial.    Para  comprovar  a  divergência,  a  Fazenda  Nacional  apresentou  como  paradigmas o acórdão nº 204­02.901, que traz a seguinte ementa:  Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 10680.002403/2005­58  Acórdão n.º 9303­007.446  CSRF­T3  Fl. 1.150          7   Ementa: PIS. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS. DECISÃO  JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. APLICAÇÃO DE LEI  POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE DE CONTRARIAR A COISA JULGADA.  Havendo decisão judicial transitada em julgado que determina que os  créditos de PIS só poderão ser compensados com valores devidos do próprio  PIS, inviável a aplicação de lei posterior que possibilita a compensação com  outros tributos. Deve­se respeitar a coisa julgada, conforme proteção dada  pela Constituição Federal, de forma que a lei mais benéfica ao contribuinte,  no caso em questão, não pode retroagir de forma a contrariar o que  expressamente dispõe a decisão judicial transitada em julgado..    Segue os trechos do acordão paradigma:    A  função  precípua  do  Judiciário  é,  portanto,  aplicar  a  lei  aos  casos  concretos  em  que  ocorra  litígio,  quando  estes  forem  trazidos  à  sua  apreciação.  Tais  decisões  são  definitivas  quando  delas  não  couber  mais  recurso ou este não for apresentado dentro dos prazos estabelecidos pela lei.  Esta característica de tais decisões, de serem definitivas,  fazem a atividade  do  Judiciário  divergir  de  tribunais  administrativos,  como  este Conselho de  Contribuintes.  As  decisões  aqui  prolatadas  são  passíveis  de  revisão  pelo  poder Judiciário, não sendo, portanto, definitivas.   Quando estas decisões se tornam definitivas, diz­se que fazem coisa julgada  material. Esta é protegida pelo art. 5°, XXXVI da Constituição Federal: "a  lei  não  prejudicará  o  direito  adquirido,  o  ato  jurídico  perfeito  e  a  coisa  julgada;",  ou  seja,  o  Judiciário  decide  uma  questão  em  definitivo,  e,  posteriormente, nem a lei pode afetar o que foi decidido.   O que se verifica aqui é que o Judiciário aplicou a lei da época da decisão e  dos fatos para decidir a controvérsia. Tal decisão tornou­se definitiva, com o  trânsito  em  julgado  da  mesma.  E  esta  decisão  determinava  que  o  crédito  apurado a  título de PIS pela Recorrente só poderia ser compensado com o  próprio PIS devido futuramente.   Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 10680.002403/2005­58  Acórdão n.º 9303­007.446  CSRF­T3  Fl. 1.151          8 Havendo  coisa  julgada  material  neste  sentido,  não  cabe  a  ninguém,  seja  contribuinte, autoridade administrativa ou legislador, contrariá­la.   Caso a coisa julgada fosse desconsiderada, estar­se­ia ofendendo a proteção  à coisa julgada colocada pela Constituição Federal.”     Para  caracterização  de  divergência  interpretativa  exige­se  como  requisito  formal que os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigmas sejam suficientemente  semelhantes  para  permitir  o  'teste  de  aderência',  ou  seja,  deve  ser  possível  avaliar  que  o  entendimento  fixado  pelo Colegiado  paradigmático  seja  perfeitamente  aplicável  ao  caso  sob  análise, assegurando assim o provimento do recurso interposto.  No presente caso entendo que este requisito não foi cumprido.    Apesar  das  ementas  serem  confrontantes,  a matéria  tratada  é  diferente,  isto  porque a conclusão do acordão recorrido é diferente do que está exposto na ementa.       Assim, considerando que o Colegiado paradigmático não analisou a matéria  sob  o  mesmo  prisma  da  turma  a  quo,  isto  é  a  Decadência,  entendo  que  estamos  diante  de  situações fáticas distintas o que impede o conhecimento do presente recurso especial.     Diante de todo o exposto, deixo de conhecer do Recurso Especial interposto  pela Fazenda Nacional.     É como voto    (assinado digitalmente)  Érika Costa Camargos Autran    Voto Vencedor quanto ao Mérito.    Na  hipótese  de  restar  vencida  quanto  ao  conhecimento  do  Recurso   Especial  da  Fazenda  Nacional,  adota­se  como  razões  de  decidir  o  acórdão  de  recurso  voluntário, nos termos do art. 50, §1º da Lei 9.784, para negar provimento ao recurso especial  da Fazenda Nacional, conforme demonstrado abaixo:  Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 10680.002403/2005­58  Acórdão n.º 9303­007.446  CSRF­T3  Fl. 1.152          9   A  DRF/BHE  através  do  Despacho  Decisório  nº  1.147,  de  fls.  211/222),  homologou  as  compensações  declaradas  com  débito  de  PIS,  não  homologando­se os demais débitos (outros tributos IRPJ, CSLL e COFINS),  em conformidade com a decisão judicial .    Após  ter  sido  apresentada  a manifestação  de  inconformidade  veio  então  o  segundo  despacho  decisório,  uma  vez  que  embora  consignado  que  a  ação  judicial  transitou  em  julgado  em  15/09/2003  “(donde  se  conclui  que  o  contribuinte teria 05 anos a partir daquela data para utilização do crédito,  ou seja até 15/09/2008) não  feita qualquer consideração ou análise acerca  dos  documentos  constantes  do  quadro  2  abaixo,  transmitidos  após  15/09/2008, e que continham débitos também do PIS”.    Ocorre, porém, que, antes do transcurso do prazo decadencial (15/09/2008),  a Recorrente transmitiu o Pedido Eletrônico de Restituição Eletrônico(PER)  n° 28701.75967.100308.1.2.577603 (em 10/03/2008), conforme frisado pela  decisão recorrida “muito embora tenha formalizado em 10/03/2008, mais de  06 (seis) meses antes do decurso do lapso temporal previsto pelo art. 168 do  CTN”, o que é perfeitamente possível em razão do disposto no art. 74, da Lei  .nº  9.430,  de  1996,  com  a  redação  dada  pela  Lei  n.º  10.637,  de  2002:  A  partir  da  transmissão  do  pedido  de  restituição  (em  10/03/2008),  evitou  a  decadência do direito, possibilitando à Recorrente o direito à homologação  das  demais  compensações  apresentadas,  mesmo  aquelas  transmitidas  após  15/09/2008.    Em  face do  exposto,  voto no  sentido de dar provimento parcial ao  recurso  para  afastar  a  decadência  ao  direito  de  repetir,  em  razão  do  Pedido  de  Restituição  Eletrônico  (PER)  n.º  28701.75967.100308.1.2.577603),  transmitido  em  10/03/2008,  antes  de  ter  sido  operada  a  decadência,  para  homologar as compensações, mesmo aquelas transmitidas após 15/09/2008,  até o limite do crédito determinado pela decisão judicial.    Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 10680.002403/2005­58  Acórdão n.º 9303­007.446  CSRF­T3  Fl. 1.153          10 Em vista do exposto voto por negar o Recurso Especial da Fazenda Nacional.    É como voto    (assinado digitalmente)  Érika Costa Camargos Autran          Voto Vencedor    Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal– Redator designado    Com  a  devida  vênia,  apresento  a  seguir  as  razões  porque  ouso  divergir  da  decisão proposta pela i. Relatora do processo.    Do conhecimento    Conforme  entendimento  externado  no  voto,  o  acórdão  paradigma  não  teria  analisado  a  matéria  sob  o  mesmo  prisma  do  acórdão  recorrido.  Neste,  ter­se­ia  discutido  a  decadência do direito do contribuinte apresentar pedido/declaração de compensação do crédito  tributário devido, assunto que, segundo se depreende das considerações presentes na parte do  voto  que  analisa  o  conhecimento  do  recurso  especial  interposto  pela  Fazenda,  não  estaria  presente na decisão paradigma, que versa, apenas, acerca da prevalência da decisão transitada  em  julgado  sobre  as  disposições  legais  aplicáveis  aos  demais  contribuintes,  ainda  que  essas  sejam mais favoráveis do que o direito assegurado em juízo.    Peço licença para discordar.    Tal como foi reconhecido pela própria Relatora, o entendimento retratado na  ementa do acórdão recorrido demonstra que a decisão vergastada relativizou a força da coisa  Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 10680.002403/2005­58  Acórdão n.º 9303­007.446  CSRF­T3  Fl. 1.154          11 julgada, admitindo que legislação superveniente ampliasse o direito garantido ao contribuinte  na sentença judicial, se não vejamos.     ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/10/1988 a 30/09/1995  AÇÃO  JUDICIAL  COISA  JULGADA.  COMPENSAÇÃO.  OUTROS TRIBUTOS. POSSIBILIDADE.  A  despeito  de  não  ter  sido  expressamente  autorizada  a  compensação  com  outros  tributos,  a  ulterior  alteração  legislativa produzida pelo art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996,  expressamente autorizou aos contribuintes que apurarem  indébito  passível  de  restituição,  como  é  o  caso,  ou  de  ressarcimento,  poderá  utilizá­lo  na  compensação  de  débitos  próprios  relativos  a  quaisquer  tributos  e  contribuições  administrados  por  aquele Órgão,  ensejando  a  homologação  das  compensações  declaradas  até  o  montante do indébito reconhecido pelo Poder Judiciário.  Recurso Parcialmente Provido.    Este  é,  justamente,  o  pano  de  fundo  da  discussão  travada  nos  autos.  A  divergência  de  interpretação  da  legislação  diz  respeito  à  execução  da  decisão  judicial  que  transita  em  julgado  favoravelmente  ao  contribuinte  nos  casos  em  que  há  superveniência  de  legislação  que  amplia  o  direito  reconhecido  pelo  Poder  Judiciário.  A  decadência,  nesse  contexto, constitui­se em uma questão de menor importância, secundária. Não é a matéria em  si o objeto do dissenso, mas a execução da sentença em situações como a de que aqui se trata.     A  decisão  de  afastar  a  decadência  foi,  tão  somente,  consequência  do  entendimento de que a ulterior alteração promovida pelo art. 74 da Lei 9.430/96 introduziu no  ordenamento  jurídico a possibilidade de que o valor do  indébito passível de  restituição  fosse  compensado, o que deu ensejo à  interpretação de que o pedido de ressarcimento apresentado  pelo  contribuinte  afastou  a  preclusão  temporal  do  exercício  do  direito,  ainda  que  a  sentença  tenha  reconhecido,  apenas,  o  direito  à  compensação  e,  essas,  tenham  sido,  notadamente,  apresentadas, em parte, de forma extemporânea.   Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 10680.002403/2005­58  Acórdão n.º 9303­007.446  CSRF­T3  Fl. 1.155          12   E, de fato, foi exatamente essa a divergência jurisprudencial reconhecida na  análise de admissibilidade do recurso e, consequente, é sobre essa matéria que se estabeleceu a  controvérsia de que ora nos ocupamos (e­folha 1.138).    Como se vê a PFN defende a higidez da coisa julgada, não  podendo a  administração alterar  o  seu  conteúdo. Este  foi  exatamente  o  sentido  da  decisão  proferida  no  acórdão  paradigma. Por  sua  vez  o  acórdão  recorrido,  autorizou  o  pedido de restituição, sendo que a coisa julgada autorizava  a  compensação.  De  forma  que  entendo  confirmada  a  divergência jurisprudencial.    Com  essas  considerações,  conclui­se  que  a  divergência  jurisprudencial  foi  comprovada.    (assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal                    Fl. 1155DF CARF MF

score : 1.0
7502871 #
Numero do processo: 10865.721730/2011-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO DE 15% SOBRE NOTA FISCAL OU FATURA DE COOPERATIVA DE TRABALHO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 595.838/SP. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.
Numero da decisão: 2402-006.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira e Mauricio Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201809

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO DE 15% SOBRE NOTA FISCAL OU FATURA DE COOPERATIVA DE TRABALHO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 595.838/SP. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 10865.721730/2011-92

anomes_publicacao_s : 201811

conteudo_id_s : 5924640

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 2402-006.600

nome_arquivo_s : Decisao_10865721730201192.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : JAMED ABDUL NASSER FEITOZA

nome_arquivo_pdf_s : 10865721730201192_5924640.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira e Mauricio Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.

dt_sessao_tdt : Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018

id : 7502871

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:51 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713051150385676288

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1787; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 748          1 747  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10865.721730/2011­92  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­006.600  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de setembro de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  INTERNATIONAL PAPER DO BRASIL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO DE  15% SOBRE NOTA FISCAL  OU  FATURA  DE  COOPERATIVA  DE  TRABALHO.  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO Nº 595.838/SP.  O  Supremo  Tribunal  Federal,  ao  julgar  o  Recurso  Extraordinário  nº  595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543­B do Código de Processo  Civil  (CPC),  declarou  a  inconstitucionalidade  _  e  rejeitou  a  modulação  de  efeitos  desta  decisão  _  do  inciso  IV,  do  art.  22,  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  dispositivo  este  que  previa  a  contribuição  previdenciária  de  15%  sobre  as  notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio  de cooperativas de trabalho.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado,  por unanimidade de votos, em conhecer  do recurso voluntário e dar­lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Denny  Medeiros da Silveira e Mauricio Nogueira Righetti.   (assinado digitalmente)  Denny Medeiros da Silveira ­ Presidente em exercício  (assinado digitalmente)  Jamed Abdul Nasser Feitoza ­ Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Mauricio  Nogueira  Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 17 30 /2 01 1- 92 Fl. 756DF CARF MF     2 Nasser  Feitoza,  Luis  Henrique Dias Lima,  Renata Toratti  Cassini, Gregório Rechmann  Junior  e  Denny Medeiros  da  Silveira  (Presidente  em  exercício). Ausente,  justificadamente,  o  conselheiro  Mário Pereira de Pinho Filho.     Relatório  Tem­se Recurso Voluntário, de fls. 680 a 709, tomado contra Acórdão de fls.  670  a  676,  que,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  improcedente  a  Impugnação  apresentada,  mantendo o crédito tributário conforme lançado.  Por bem delinear a causa até a interposição do apelo, transcrevo o relatório da  decisão recorrida:  Compõe  o  presente  processo  o  auto  de  infração  37.314.0479  (parte  patronal  –  cooperativa  de  trabalho),  lavrado  em  22/8/2011, com valor originário (sem multa acessória ou juros),  de R$ 130.741,78.  Como motivação do lançamento, consta, no Relatório Fiscal de  folhas 17 a 24, o seguinte:  I DAS CONSIDERAÇÕES INICIAIS 1.1. O presente relatório é  parte integrante do Auto de Infração AI de número supracitado,  e  tem  por  objeto  a  narrativa  do  fato  ocorrido  e  verificado  na  ação  fiscal,  que  ensejou  o  lançamento  fiscal  em  referência  formalizado no processo 10865721.730/ 201192.  1.2 Em conformidade com o Acórdão n° 1233.583 de 05.10.2010  proferido  pela  10a  turma  da  DRJ/RJ  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  no  Rio  de  Janeiro,  o  lançamento  anterior  Processo  10.865.001581/200927  foi  julgado  nulo  por  erro  na  identificação  do  sujeito  passivo,  sendo  portanto  este  LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO.  ...  1.5. O  sujeito  passivo  identificado  em  epígrafe  que  tem  como  atividade a  fabricação de papeis,  está  sendo notificado através  do  presente  Auto  de  Infração  AI,  a  recolher  à  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  RFB  débito  no  montante  de  R$  187.762,15  (Cento  e oitenta  e  sete mil,  setecentos e  sessenta e  dois  reais,  quinze  centavos)  consolidado  em  22/08/2011,  referente à contribuição social prevista no inciso IV, art. 22 da  Lei  n.°  8.212/91;  apurados  na  empresa  CHAMFLORA  MOGI  GUAÇU AGROFLORESTAL LTDA CNPJ:  44.765.881/000108  cujo  mérito  está  sendo  discutido  judicialmente  nos  autos  do  processo  impetrado  pelo  contribuinte  perante  a  E.  Justiça  Federal  n°  2000.61.05.0096243.  ...  1.6.  Além  disso,  foi  ajuizada  pelo  contribuinte  uma  Medida  Cautelar,  proposta diretamente perante o E. Tribunal Regional  Fl. 757DF CARF MF Processo nº 10865.721730/2011­92  Acórdão n.º 2402­006.600  S2­C4T2  Fl. 749          3 Federal  da  3a  REGIÃO  n°  2003.03.00.0772627,  na  qual  foi  defendo  o  pedido  da  empresa  de  concessão  de  liminar,  a  qual  autorizou  a  efetuar  o  depósito  judicial  relativo  a  contribuição  previdenciária acima citada.  ...  1.7 Considerando  que  os  débitos  reportemse  a  fatos  geradores  ocorridos  a  partir  de  01/2006,  não  há  que  se  falar  em  decadência em virtude desta notificação ser substitutiva, aplica­ se ao caso o disposto no inciso II do Art. 173 do CTN:  ...  1.8. Visto  que  o  presente  crédito  está  com  a  sua  exigibilidade  suspensa em função do contribuinte encontrarse sob o respaldo  de medidas liminares. O crédito é constituído com o objetivo de  evitar  que  os  valores  das  contribuições  previdenciárias,  que  estão sendo objeto de discussão judicial e que foram depositados  em  juízo  pelo  contribuinte,  sejam  atingidos  pelo  instituto  da  decadência.  ...  II DAS COOPERATIVAS DE  TRABALHO  2.1.  Cooperativa  de  Trabalho,  espécie  de  cooperativa,  também  denominada  cooperativa  de  mão  de  obra,  é  a  sociedade  formada  por  operários, artífices, ou pessoas da mesma profissão ou ofício ou  de  vários  ofícios  de  uma  mesma  classe,  que,  na  qualidade  de  associados, prestam serviços a terceiros por seu intermédio.  2.1.1.  No  decorrer  da  auditoria  fiscal  realizada  no  sujeito  passivo,  foram  constatados  serviços  prestados  por  cooperados  por  intermédio  de  cooperativas  de  trabalho  que  se  enquadram  na definição supracitada, e identificadas a seguir.  RAZÃO  SOCIAL  CNPJ  UNIMED  –  BAIXA  MOGIANA  COOPERATIVA  DE  TRABALHO  MÉDICO  42.910.966/000142...  DO LANÇAMENTO 3.1. Dado o exposto acima, e ao confrontar  as informações contidas nas folhas de pagamento, nas Guias de  Recolhimento  do  Fundo  de Garantia  e  de  Tempo  de  Serviço  e  Informações à Previdência Social GFIP e na Contabilidade, com  os valores recolhidos por meio das Guias da Previdência Social  GPS,  constatou­se que o  sujeito passivo deixou de  recolher no  período  de  01/2006  a  12/2008  a  contribuição  a  seu  cargo  incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviço,  relativo a serviços que lhe tenha sido prestados por cooperados,  por intermédio de cooperativas de trabalho.  3.1.1  Portanto,  refere­se  este  débito  as  contribuições  previdenciárias parte da empresa  incidente  sobre o valor bruto  da  nota  fiscal  ou  fatura  de  serviço,  relativo  a  serviços  que  lhe  tenha  sido  prestados  por  cooperados,  por  intermédio  de  cooperativas de trabalho médico UNIMED BAIXA MOGIANA.  Fl. 758DF CARF MF     4 ...  3.3.1 Para a determinação da Base de Cálculo a ser adotada na  Cooperativa de Trabalho UNIMED BAIXA MOGIANA, aplicou­ se o índice de 30% (trinta por cento) sobre o valor bruto da nota  fiscal ou  fatura de prestação de serviços, conforme disposto na  alínea "a" do  Inciso  I do Art. 291. da  IN SRP N° 03, de 14 de  julho de 2005.  ...  A ciência do lançamento se deu em 26/8/2011, conforme folha 3.  A  impugnação  foi  apresentada  às  folhas  620  e  seguintes,  em  2/9/2011 (folha 665), por procuração, nos seguintes termos:  Em  preliminar,  alega  que  o  Fisco  não  poderia  realizar  o  lançamento estando a questão subjudice.  Entende  que  as  decisões  foram  claras  no  impedimento,  ao  determinar “à autoridade coatora que se abstenha de qualquer  ato  tendente  a  compelir  as  impetrantes  a  recolherem  a  contribuição prevista no inciso IV do art. 22 da lei nº 8.212/91,  com  a  redação  que  lhe  atribuiu  a  Lei  nº  9.876/99,  porquanto  formal e materialmente inconstitucional”. Na pior das hipóteses,  o lançamento deveria ser sobrestado aguardando a decisão final  na ação judicial.  A  seguir,  alega que,  tendo  sido  intimado em 22/8/2011,  estaria  decaído  o  direito  de  lançamento  no  período  1/2006  a  7/2006,  com base no art. 150, §4º do CTN, posto que o lançamento seria  de diferenças de contribuição.  Aduz inconstitucionalidade do fundamento legal da exação tendo  em vista afronta do instituído pela Lei 9.876/1999 ao art. 195, I,  “a” da Constituição Federal.  Alega  também  inconstitucionalidade  pela  duplicidade  de  contribuições sobre a mesma base de cálculo, no caso, o Cofins.  Entende que  tributar sobre o valor bruto da nota fiscal  implica  em  tomar  rubricas  que  não  são  destinadas  à  remuneração  dos  cooperados  como  base  de  cálculo  de  contribuição  social  previdenciária.  Também  não  haveria  substituição  tributária,  tendo em vista que o  tomador  recolhe a  contribuição em nome  próprio.  Alega também inconstitucionalidade pela não obediência do art.  195, §4º da Constituição Federal, que exige lei complementar na  instituição de novas fontes de custeio previdenciário.  Impugna o lançamento de juros uma vez que procede ao depósito  judicial regular e mensal da contribuição discutida.  Alega  que  a  inclusão  dos  administradores  da  empresa  no  Relatório de Vínculos é  ilegal desde a  revogação do art. 13 da  Lei 8.620/1993 pela Lei 11.941/2009 e que a responsabilização  pelo art. 135 do CTN demandaria demonstração de excesso de  poderes ou  infração à  lei, o que não  foi  feito, nem é o caso do  contexto.  Fl. 759DF CARF MF Processo nº 10865.721730/2011­92  Acórdão n.º 2402­006.600  S2­C4T2  Fl. 750          5 Ao  final,  pede  suspensão  do  processo,  pelo  mandado  de  segurança  pendente  de  julgamento;  a  insubsistência  do  débito  lançado  pela  procedência  da  impugnação;  e  a  exclusão  dos  juros lançados.  Requer  também que as decisões e notificações  sejam expedidos  apenas ao patrono da impugnante, que subscreve a peça.  Em  seu  apelo,  reprisa  a  empresa  Recorrente  os  mesmíssimos  argumentos  lançados  em  sua  peça  de  Defesa  (fls.  620  a  641),  requerendo,  ao  final,  (i)  a  suspensão  do  processo, especialmente qualquer ato tendente a cobrança do débito; alternativamente, que (ii)  seja acolhido o recurso, julgando­o procedente para declarar a insubsistência do débito apurado  ou,  ainda,  (iii)  seja  excluída  a  incidência  de  juros  relativamente  aos  valores  lançados  pela  fiscalização, uma vez que totalmente indevidos.  Protesta pela produção de todas as provas admitidas em direito e a intimação  em nome do patrono da recorrente.  Juntada  nova  procuração  e  alteração  contratual  às  fls.  716/743,  vindo  o  processo a julgamento.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza ­ Relator  1. ADMISSIBILIDADE.  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  de  admissibilidade intrínsecos e extrínsecos, merecendo ser conhecido.   2. PRELIMINAR.  2.1. DA SUSPENSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO.  Compõe o presente processo o auto de infração 37.314.0479 (parte patronal –  cooperativa de trabalho), lavrado em 22/8/2011, com valor originário (sem multa acessória ou  juros), de R$ 130.741,78.  A Recorrente advoga pela suspensão do presente processo até a ultimação da  ação judicial nº 2000.61.05.009624­3 que segue na Justiça Federal, eis que obteve provimento  liminar que a eximia da obrigação de recolhimento das contribuições incidentes sobre faturas  de cooperativas de trabalho.  Ocorre que  tal demanda se resolverá através da  repercussão geral declarada  nos autos do RE nº 595.838/SP, que firmou entendimento vinculativo favorável a tese recursal  como veremos em tópico próprio.   Fl. 760DF CARF MF     6 E ainda que  não  fosse  o  caso,  a decisão  judicial  em questão  não  impede  o  lançamento,  tão  pouco  o  seguimento  de  atos  processuais  como  o  presente.  As  discussões  travadas nos autos da ação estão ancoradas em inconstitucionalidade da norma de instituição da  exação  fato que  também excluí a possibilidade de concomitância e não  tem  impacto  sobre o  presente  processo  eis  que  restaria  suspensa  apenas  a  exigibilidade  dos  créditos  advindos  da  autuação.  2.2. DA DECADÊNCIA.   Consta do Relatório Fiscal informação quanto ao fato do presente lançamento  ter natureza  substitutiva de  lançamento anterior que  fora anulado por vício  formal atraindo a  aplicação do Art. 173, II do CTN para fins de contagem de prazo decadencial, entretanto, não  identificamos nos autos qualquer ato decisório anterior que pudesse confirmar tal informação.  Ante  a  deficiência  informativa  indicada,  o  caminho  adequado  seria  a  conversão do julgamento em diligência para que a decisão anulatória mencionada no Relatório  Fiscal fosse juntada aos autos.  Entretanto, dada  a matéria em  lide e  seu desfecho naturalmente  favorável a  Recorrente,  em  atenção  a  economicidade  e  eficiência,  tal  medida  assim  como  o  próprio  julgamento do tema é dispensável.  3.  MÉRITO  ­  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  DA  EMPRESA  INCIDENTE  SOBRE  A  NOTA  FISCAL OU FATURA DAS COOPERATIVAS DE TRABALHO   Trata­se de lançamento realizando com fundamento no inciso IV, do art. 22,  da Lei nº 8.212/91, dispositivo que previa a obrigação de recolhimento de 15% devidos a titulo  de  contribuição  previdenciária  devida  sobre  em  razão  da  contratação  de  sociedades  cooperativas de trabalho e calculados sobre o total da nota fiscal ou fatura.  A rubrica foi mantida tendo em conta a vigência plena do dispositivo à época  dos  fatos.  Como  veremos  adiante  a  inconstitucionalidade  da  exação  foi  reconhecida  pelo  Supremo Tribunal  Federal,  entretanto,  ainda  que  assim  não  fosse,  o  lançamento  não  poderia  prosperar.  A  exação  incidiu  sobre  Planos  de  Saúde  mantidos  regularmente  por  cooperativas  de  saúde  UNIMED  BAIXA  MOGIANA,  que  não  se  confundem  com  as  cooperativas  de  trabalho.  Apesar  de  posterior,  a  Lei  nº  12.690/12  tratou  de  conceituar  as  cooperativas de trabalho, excluindo as Cooperativas de Saúde do conceito.  Para  que  se  perceba  a  diferença,  analisando  as  operações  sob  a  ótica  do  principio  da  dupla  qualidade,  cabe  observar  que,  em  essência,  existem  três  espécies  de  cooperativas, aquelas em que os sócios são clientes da cooperativa, fornecedores de serviços ou  produtos entregues ao mercado por meio da cooperativa ou  trabalhadores que se utilizam da  cooperativa para acesso ao mercado.  As cooperativas de saúde suplementar criam planos de saúde com o objetivo  de viabilizar aos sócios o fornecimento de serviços médicos ao mercado, sob a sistemática de  pré­pagamento  e  em  conjunto  com  uma  gama  de  serviços  que,  não  necessariamente,  representam  trabalho  pessoal  do  sócio,  tais  como  exames,  internações,  aplicação  de  medicamentos etc.  Já  as  cooperativas  de  trabalho,  através  da  sistemática  de  coordenação  e  parassubordinação,  viabilizam  aos  sócios  meios  de  disponibilizar  sua  força  de  trabalho  ao  Fl. 761DF CARF MF Processo nº 10865.721730/2011­92  Acórdão n.º 2402­006.600  S2­C4T2  Fl. 751          7 mercado,  viabilizar  o  trabalho  sem  alienação  plena  de  tal  força  é  a  razão  essencial  das  Cooperativas deste tipo.  Portanto, nas cooperativas que operam planos de saúde, para além do próprio  serviço  não  guardar  relação  direta  com  o  trabalho  do  cooperado,  este  é mero  fornecedor  de  serviços  e  não  trabalhador  que  coloca  sua  força  de  trabalho  à  disposição  do  mercado.  São  situações econômicas, fáticas e jurídicas bem distintas.  Citamos tais questões apenas para compartilhar com o colegiado nossa visão  sobre matéria  especifica  e  não  corriqueiramente  posta  à  julgamento, mas  existe  outra  razão  legal para exclusão dos créditos constituídos sobre tais fatos.    O  Supremo  Tribunal  Federal,  ao  julgar  o  Recurso  Extraordinário  nº  595.838/SP,  no  âmbito  da  sistemática  do  art.  543­B  do  Código  de  Processo  Civil  (CPC),  declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso  IV,  do  art.  22,  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  dispositivo  este  que  previa  a  contribuição  previdenciária de 15% sobre as notas  fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados  por intermédio de cooperativas de trabalho.  Recurso  extraordinário.  Tributário.  Contribuição  Previdenciária.  Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei  nº  9.876/99.  Sujeição  passiva.  Empresas  tomadoras  de  serviços.  Prestação  de  serviços  de  cooperados  por  meio  de  cooperativas  de  Trabalho.  Base  de  cálculo.  Valor  Bruto  da  nota  fiscal  ou  fatura.  Tributação do faturamento. Bis  in idem. Nova fonte de custeio. Artigo  195, § 4º, CF.  1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição  previdenciária,  na  forma do art.  22,  inciso  IV da Lei nº 8.212/91,  na  redação da Lei  9.876/99,  não  se  origina  nas  remunerações  pagas  ou  creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre  a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços.  2.  A  empresa  tomadora  dos  serviços  não  opera  como  fonte  somente  para  fins  de  retenção.  A  empresa  ou  entidade  a  ela  equiparada  é  o  próprio  sujeito  passivo  da  relação  tributária,  logo,  típico  “contribuinte” da contribuição.  3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho,  em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem  com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados.  4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99  ao  instituir  contribuição  previdenciária  incidente  sobre  o  valor  bruto  da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da  Constituição,  descaracterizando  a  contribuição  hipoteticamente  incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando  o  faturamento  da  cooperativa,  com  evidente  bis  in  idem.  Representa,  assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por  lei complementar, com base no art. 195, § 4º ­ com a remissão feita ao  art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para  declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº  8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99.  Fl. 762DF CARF MF     8 Tal  decisão  é  vinculativa  e  deve  ser  aplicada  pelo  colegiado  nas  lides  pendentes de julgamento conforme determina o Art. 62 do Anexo II do RICARF, merecendo  provimento o Recurso Voluntário.  Conclusão.  Por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário afastando a preliminar de  suspensão do processo, para no mérito dar provimento ao Recurso Voluntário.  (Assinado Digitalmente)  Jamed Abdul Nasser Feitoza                            Fl. 763DF CARF MF

score : 1.0
7534174 #
Numero do processo: 16004.720293/2014-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2010 a 31/12/2010 MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE E PLANEJAMENTO. PRORROGAÇÃO. INFORMAÇÃO PELA INTERNET. VALIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento, quando não demonstrado o prejuízo ou a preterição ao direito de defesa do contribuinte. É válida a prorrogação do MPF por intermédio de registro eletrônico, efetuado pela autoridade outorgante, ficando essa informação disponível na Internet para o contribuinte. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude da contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da penalidade,
Numero da decisão: 2401-005.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a qualificadora da multa. Vencidas as conselheiras Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada) e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201811

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2010 a 31/12/2010 MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE E PLANEJAMENTO. PRORROGAÇÃO. INFORMAÇÃO PELA INTERNET. VALIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento, quando não demonstrado o prejuízo ou a preterição ao direito de defesa do contribuinte. É válida a prorrogação do MPF por intermédio de registro eletrônico, efetuado pela autoridade outorgante, ficando essa informação disponível na Internet para o contribuinte. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude da contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da penalidade,

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 16004.720293/2014-59

anomes_publicacao_s : 201812

conteudo_id_s : 5931392

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 2401-005.872

nome_arquivo_s : Decisao_16004720293201459.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : RAYD SANTANA FERREIRA

nome_arquivo_pdf_s : 16004720293201459_5931392.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a qualificadora da multa. Vencidas as conselheiras Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada) e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.

dt_sessao_tdt : Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018

id : 7534174

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:46 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713051150388822016

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2028; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 2          1 1  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16004.720293/2014­59  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2401­005.872  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  08  de novembro de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  CITRUS JUICE EIRELLI  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/03/2010 a 31/12/2010  MPF.  INSTRUMENTO  DE  CONTROLE  E  PLANEJAMENTO.  PRORROGAÇÃO. INFORMAÇÃO PELA INTERNET. VALIDADE.  O  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  MPF  constitui  mero  instrumento  de  controle  criado  pela  Administração  Tributária,  sendo  assim  irregularidades  em  sua  emissão  ou  prorrogação  não  são  motivos  suficientes  para  anular  o  lançamento, quando não demonstrado o prejuízo ou a preterição ao direito de  defesa do contribuinte.  É  válida  a  prorrogação  do  MPF  por  intermédio  de  registro  eletrônico,  efetuado  pela  autoridade  outorgante,  ficando  essa  informação  disponível  na  Internet para o contribuinte.  MULTA  QUALIFICADA.  DOLO,  FRAUDE  OU  SIMULAÇÃO.  NÃO  COMPROVADOS. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO.  De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso  I,  §  1º,  da  Lei  nº  9.430/96,  c/c  Sumula  nº  14  do CARF,  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  ao  percentual  de  150%  (cento  e  cinqüenta  por  cento),  condiciona­se  à  comprovação, por parte da  fiscalização, do  evidente  intuito  de  fraude  da  contribuinte.  Assim  não  o  tendo  feito,  não  prospera  a  qualificação da penalidade,      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  as  preliminares. No mérito,  por maioria  de  votos,  dar provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para afastar a qualificadora da multa. Vencidas as conselheiras Mônica Renata Mello Ferreira  Stoll  (Suplente  Convocada)  e  Miriam  Denise  Xavier,  que  negavam  provimento  ao  recurso  voluntário.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 02 93 /2 01 4- 59 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 16004.720293/2014­59  Acórdão n.º 2401­005.872  S2­C4T1  Fl. 3          2       (assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier ­ Presidente      (assinado digitalmente)  Rayd Santana Ferreira ­ Relator       Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess,  Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira,  Monica  Renata  Mello  Ferreira  Stoll  (Suplente  Convocada),  Andrea  Viana  Arrais  Egypto,  Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.    Fl. 241DF CARF MF Processo nº 16004.720293/2014­59  Acórdão n.º 2401­005.872  S2­C4T1  Fl. 4          3   Relatório  CITRUS JUICE EIRELLI., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já  qualificada  nos  autos  do  processo  em  referência,  recorre  a  este  Conselho  da  decisão  da  4a  Turma  da  DRJ  em  Belém/PA,  Acórdão  nº  01­34.469/2017,  às  e­fls.  192/202,  que  julgou  procedente  o  lançamento  fiscal,  concernente  às  contribuições  previdenciárias  devidas  à  previdência  social  incidentes  sobre  a  comercialização  de  produto  rural  (frutas)  adquirido  de  produtores  rurais  pessoas  fisicas  (sub­rogação)  e  dos  pagamentos  realizados  ao  sócio  administrador, não declaradas em GFIP e nem recolhidos, em relação ao período de 03/2010 a  12/2010,  conforme  Termo  de  Constatação  Fiscal,  às  fls.  133/143  e  demais  documentos  que  instruem o processo, consubstanciado nos Autos de Infração abaixo relatados:  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal  ­  AIOP  nº  51.072.813­8  (fls.  109/118): no valor consolidado em 26/11/2014, com multa e juros de R$ 118.321,96 (cento e  dezoito  mil,  trezentos  e  vinte  e  um  reais  e  noventa  e  seis  centavos).  É  constituído  pela  contribuição SAT/RAT (0,10%) e Rural (2%). Compreende os levantamentos denominados R1  –  PRODUTORES  RURAIS  ANEXO  I  A  (03  a  12/2010)  e  R2  –PRODUTORES  RURAIS  ANEXO I B (03 a 12/2010);  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal  ­  AIOP  nº  51.072.814­6  (fls.  119/124): no valor consolidado em 26/11/2014, com multa e  juros de R$ 322,24 (trezentos e  vinte  e  dois  reais  e  vinte  e  quatro  centavos).  É  constituído  pela  alíquota  de  contribuição  do  segurado  do  contribuinte  individual  (11%).  Compreende  o  levantamento  denominado  RA  –  REMUNERAÇ ADMINISTRADOR (10 e 11/2010) e,   Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal  ­  AIOP  nº  51.072.815­4  (fls.  125/132): no valor consolidado em 26/11/2014, com multa e juros de R$ 11.213,01 (onze mil,  duzentos e  treze  reais e onde centavos). É constituído pela contribuição destinada a  terceiros  SENAR (0,20%). Compreende os levantamentos denominados R1 –PRODUTORES RURAIS  ANEXO I A (03 a 12/2010) e R2 – PRODUTORES RURAIS ANEXO I B (03 a 12/2010).  Conforme depreende do Termo de Constatação Fiscal, a auditoria informa ter  intimado  a  empresa  em  13/11/2014  para  apresentar  notas  fiscais,  recibos,  documentos  bancários  TED/DOC,  relativos  aos  pagamentos  realizados  a  produtores  rurais  lançados  nas  contas 211043889 – Fornecedores a pagar, 421010001 – Outras despesas não operacionais  e  311010001 –Matéria­Prima e a notificada apresentou expediente no qual esclarecia que o Sr.  Luis Brás Piovesan era o responsável pela intermediação de compra de frutas e que os valores  por ele recebidos foram repassados aos produtores rurais.  A  notificada  é  optante  pelo  Lucro  Presumido,  no  entanto,  apresentou  escrituração contábil do período.  Das Contribuições Incidentes Sobre A Aquisição De Produtos Rurais  A  empresa  não  comprovou  a  retenção  da  contribuição  do  produtor  rural  pessoa física e se tais produtores eram segurados especiais ou empregadores rurais.  Fl. 242DF CARF MF Processo nº 16004.720293/2014­59  Acórdão n.º 2401­005.872  S2­C4T1  Fl. 5          4 A  planilha  denominada  de  Anexo  I  demonstra  os  produtores  rurais  cujas  notas fiscais foram identificadas (Anexo I­A, conta contábil n. 311010001­ Matéria Prima). No  item  B  estão  descritas  informações  referentes  aos  lançamentos  contábeis  de  pagamentos  ao  produtor  rural  Sr.Luis  Brás  Piovesan,  nas  contas  contábeis  n.  211043889  ­  Fornecedores  a  pagar  e n.  421010001  ­ Outras despesas não operacionais,  pagamentos  estes  em sua maioria  feitos por meio de transferências bancárias.  Documentos  examinados:  escrituração  contábil  do  período  de  01/2010  a  12/2010, informações do Sistema Informatizado da Receita Federal do Brasil (GIA), Livro de  Registro de Entrada e Notas Fiscais.  Fundamentação Legal: artigos 25 e 30, da Lei nº 8.212/91.  Das  Contribuições  Lançadas  Devidas  À  Previdência  Social  Incidentes  Sobre Valores Pagos Ao Sócio Administrador   Ao analisar a escrituração contábil verificou pagamento realizados ao Sr.  Wagner Machado Gonçalves, CPF nº 389.685.068­76, sócio administrador da  notificada.  Fundamentação  Legal:  artigos  21,  §  2º,  inciso  I  e  22,  inciso  II,  da  Lei  nº  8.212/91.  Da Multa Aplicada   A Fiscalização informa que as motivações para a aplicação da multa de ofício  qualificada (150%) na forma prevista no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, foram as seguintes:  O procedimento sistemático e reiterado pelo sujeito passivo, quando deixou  de  informar  em GFIP a  comercialização de produto  rural  adquirido de produtor  rural  pessoa  física e  também não  informando os valores pagos ao administrador, com o único  intuito, em  tese, de sonegar, através de ato voluntário e consciente, na busca de omitir­se das contribuições  devidas, opondo­se conscientemente ao que determina a lei.  Ao não informar tais valores em GFIP, a notificada reduziu, deliberadamente,  o valor devido e o subseqüente recolhimento de sua obrigação tributária para com a Seguridade  Social.  A  notificada  pretendeu  impedir  ou  retardar  o  pagamento  do  tributo,  impedindo sua cobrança por parte da RFB.  Esta situação se enquadra na previsão do art. 71, da Lei nº 4.502/1964.  A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação, requerendo a  decretação da improcedência do feito.  Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em Belém/PA entendeu por  bem julgar procedente o lançamento, conforme relato acima.  Fl. 243DF CARF MF Processo nº 16004.720293/2014­59  Acórdão n.º 2401­005.872  S2­C4T1  Fl. 6          5 Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada,  apresentou Recurso Voluntário, às e­fls. 215/230, procurando demonstrar sua  improcedência,  desenvolvendo em síntese as seguintes razões:  Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o  lançamento, repisa as razões da impugnação, motivo pelo qual, neste aspecto, adoto o relatório  da DRJ, a seguir exposto:  Extrapolado  O  Prazo  Para  O  Término  Dos  Trabalhos  De  Fiscalização   Aduz  que  de  acordo  com  a  Portaria  RFB  n°  4.066/2007,  nos  artigos  12  e  13,  o  prazo  de  duração  da  fiscalização  é  de  120  dias,  podendo  ser  prorrogado  por  mais  60  dias  e  assim  sucessivamente,  desde  que  o  contribuinte  seja  cientificado,  no  entanto,  transcorridos  224  dias,  contados  do  início  da  ação  fiscal,  não  houve  prorrogação  do MPF,  tampouco  teve  ciência  formal de sua prorrogação.  Alega  que  a  atuação  deve  observar  os  prazos  legais  previstos  para início e encerramento, bem como a ciência do contribuinte  para a prorrogação do MPF, seguindo assim padrões éticos de  probidade,  decoro  e  boa­fé,  princípios  estipulados  pela  Lei  9.784/99, art. 145 da CF/88, art. 196 do CTN, razão pela qual  solicita  a  nulidade  dos  créditos  previdenciários  por  flagrante  desrespeito às Leis e direitos do contribuinte.  Colaciona Acórdãos do Conselho de Contribuinte.  Das Supostas Infrações  Não  concorda  com  as  acusações  feitas  nos  Autos  de  Infração  pela Fiscalização, em especial, a acusação de que age de forma  dolosa, por este motivo, impugna os lançamentos, bem como os  fatos geradores  e  solicita a  revisão dos  valores  e da aplicação  da penalidade.  Da Multa Com Caráter Confiscatório   Alega  que  a  ilegalidade  e  o  caráter  confiscatório  do  tributo  indevidamente  exigido  e  da multa  de  150%  (cento  e  cinquenta  por  cento),  decorre  da  violação  frontal  aos  princípios  da  razoabilidade  e  proporcionalidade,  bem  como  ao  disposto  no  artigo  150,  inciso  IV,  da  nossa  Constituição  Federal,  que  determina  ser  vedado  ao  Estado  utilizar  tributo  com  efeito  confisco.  Por esta razão, pede a exclusão da multa ou a sua redução com  base no princípio da proporcionalidade e da razoabilidade.  Alfim,  requer  o  conhecimento  e  provimento  do  seu  recurso,  para  desconsiderar  os  Autos  de  Infração,  tornando­os  sem  efeito  e,  no  mérito,  a  sua  absoluta  improcedência.  Não houve apresentação de contrarrazões.  Fl. 244DF CARF MF Processo nº 16004.720293/2014­59  Acórdão n.º 2401­005.872  S2­C4T1  Fl. 7          6 É o relatório.  Voto             Conselheiro Rayd Santana Ferreira ­ Relator  Presente  o  pressuposto  de  admissibilidade,  por  ser  tempestivo,  conheço  do  recurso e passo ao exame das alegações recursais.  PRELIMINAR  NULIDADE ­ PRORROGAÇÃO DO MPF  A contribuinte alega ser nula a atuação pois deve­se observar os prazos legais  previstos para  início e encerramento, bem como a ciência do contribuinte para a prorrogação  do MPF, seguindo assim padrões éticos de probidade, decoro e boa­fé, princípios estipulados  pela Lei 9.784/99, art. 145 da CF/88, art. 196 do CTN, razão pela qual solicita a nulidade dos  créditos previdenciários por flagrante desrespeito às Leis e direitos do contribuinte.  Sem  razão  a  Recorrente.  Isso  porque,  conforme  já  observado  pela  decisão  recorrida:  Por  ocasião  da  emissão  do  Termo  de  Início  de  Procedimento  Fiscal (fls. 03/04), estava em vigor a Portaria RFB nº 3.014, de  29/07/2011,  e  não  a  Portaria  RFB  nº  4.066/2007,  citada  pela  impugnante, que tratava do planejamento das atividades fiscais e  estabelecia  normas  para  a  execução  de  procedimentos  fiscais  relativos  aos  tributos  administrados  pela  Secretaria da Receita  Federal do Brasil.  (...)  Como  se  infere  dos  referidos  dispositivos,  há  a  previsão  de  prorrogação  do  prazo  de  validade  do  MPF,  inclusive  tantas  vezes  quantas  forem  necessárias,  sendo  que  a  prorrogação  é  efetuada por meio eletrônico e essa informação estará disponível  na Internet para consulta pelos impugnantes, a partir do código  de acesso fornecido com o primeiro MPF lavrado, a dispensar a  ciência pessoal do sujeito passivo.  No presente caso, foi emitido o MPF­F nº 08.10700­2014­00240­ 2,  disponível  no  sitio  da  RFB  (http://www.receita.fazenda.gov.br),  por  meio  do  código  de  acesso  do  contribuinte  constante  do  Termo  de  Início  de  Procedimento  Fiscal  (fls.  03/04),  onde  podem  ser  verificadas  também,  as  eventuais  prorrogações  efetuadas,  todas  constantes  do  campo  DEMONSTRATIVO  DE  PRORROGAÇÃO,  importando um total de oito prorrogações.  Ademais, a posição predominante neste Conselho é a de que o Mandado de  Procedimento Fiscal MPF  constitui mero  instrumento  de  controle  criado  pela Administração  Tributária.  Sendo  assim,  irregularidades  em  sua  emissão  ou  prorrogação  não  são  motivos  suficientes  para  anular  o  lançamento.  Tal  posicionamento  fica  claro  pela  leitura  das  duas  decisões da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF abaixo transcritas.  Fl. 245DF CARF MF Processo nº 16004.720293/2014­59  Acórdão n.º 2401­005.872  S2­C4T1  Fl. 8          7 MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  MPF.  INSTRUMENTO  DE  CONTROLE  DA  ADMINISTRAÇÃO.  INEXISTÊNCIA  QUE  NÃO  CAUSA  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO.  O  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  MPF,  constituise  em  instrumento  de  controle  criado  pela  Administração  Tributária  para dar segurança e transparência à relação fisco contribuinte,  que  objetiva  assegurar  ao  sujeito  passivo  que  o  agente  fiscal  indicado recebeu da Administração a incumbência para executar  a ação  fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar  inicio  ou a levar adiante o procedimento fiscal. A inexistência de MPF  para fiscalizar determinado tributo ou a não prorrogação deste  não invalida o lançamento que se constitui em ato obrigatório e  vinculado.(Acórdão  nº  920201.637;  sessão  de  12/04/2010;  Relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva)  VÍCIOS  DO  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  MPF.ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA.  Falhas  quanto  a  prorrogação  do  MPF  ou  a  identificação  de  infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no  lançamento.  Isto  se  deve  ao  fato  de  que  a  atividade  de  lançamento é obrigatória e vinculada, e,detectada a ocorrência  da  situação  descrita  na  lei  como  necessária  e  suficiente  para  ensejar  o  fato  gerador  da  obrigação  tributária,  não  pode  o  agente  fiscal  deixar  de  efetuar  o  lançamento,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional.(Acórdão  nº  920201.757;  sessão  de  27/09/2011; Relator Manoel Coelho Arruda Junior)  Em face do exposto, afasto a preliminar.  MÉRITO  DO LANÇAMENTO  A contribuinte  questiona os  fatos  geradores  e  solicita  a  revisão  dos  valores  lançados,  mas  em  nenhum  momento  da  defesa,  aponta  quais  seriam  as  rubricas  que  não  integrariam  o  salário­de­contribuição,  nem  tampouco  discrimina  os  valores  efetivamente  devidos,  qual  seria  a  real  base  de  cálculo  das  contribuições  no  seu  entendimento,  não  apresentando provas hábeis a demonstrar a necessidade de revisão dos valores apurados.  Sobre  esta  questão,  merece  ser  ressaltado  que  alegações  genéricas,  sem  fundamentos concretos, palpáveis, não devem sequer ser apreciadas. A defendente tem o ônus  da  impugnação  específica,  vale  dizer,  deve,  em  seu  instrumento  de  defesa,  contestar  pontualmente  cada  um  dos  aspectos  de  sua  inconformidade  com  o  lançamento,  expondo  os  motivos de fato e de direito em que se apóia, com as provas que possuir, conforme determina o  art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/1972.  A  lavratura  dos  Autos  de  Infração  ocorreu  a  partir  de  situações  fáticas  concretas, à luz de diversos documentos da empresa, a saber, valores contidos na escrituração  contábil, Livro de Registro de Entrada e Notas Fiscais, bem como nas informações do Sistema  Informatizado da Receita Federal do Brasil.  Fl. 246DF CARF MF Processo nº 16004.720293/2014­59  Acórdão n.º 2401­005.872  S2­C4T1  Fl. 9          8 Por meio do Termo de Constatação e Descrição dos Fatos de fls. 133/141, a  Fiscalização  informa  com  precisão  os  fatos  geradores  de  contribuição,  as  bases  de  cálculo  lançadas,  a  origem  da  exação  e  os  fundamentos  legais  que  deram  base  para  o  lançamento  efetuado, a partir do exame dos documentos citados no item anterior.  Portanto, se vê na imputação fiscal, que a Autoridade Fiscal cumpriu com o  ônus probatório que lhe cabia, restando à interessada o ônus de apresentar provas em contrário,  das quais não se desincumbiu plenamente.  Sobre a prova, diz o Código de Processo Civil (CPC):  Art. 373. O ônus da prova incumbe:  I ­ ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;  II ­ ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo  ou extintivo do direito do autor.  Fica  superado,  portanto,  o  argumento  de  que  os  lançamentos  merecem  a  improcedência e/ou arquivamento.  MULTA QUALIFICADA  Alega que não agiu  com dolo, não  tendo o  fisco comprovado cabalmente a  ocorrência de qualquer das circunstâncias agravantes.  Afirma não haver prova de que a Recorrente praticou qualquer conduta com  o  dolo  de  fraudar  o  erário  público.  Sendo multa  aplicada  no  percentual  de  150%  totalmente  desproporcional e confiscatória, por esta razão, pede sua exclusão ou a sua redução.  Pois bem!  Preambularmente,  cumpre  transcrever  a  legislação  que  fundamentou  a  exigência da multa no presente lançamento de ofício:   Lei nº 9.430, de 1996:   Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:   I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata.   (...)  § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73  da  Lei  no  4.502,  de  30  de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais cabíveis.   Como se vê, a multa de 75%, prevista no inciso I, acima transcrito, é objetiva  e independe da culpa ou dolo do agente. O artigo 136 do Código Tributário Nacional assim diz:   Art.  136  Salvo  disposição  de  lei  em  contrário,  a  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  Fl. 247DF CARF MF Processo nº 16004.720293/2014­59  Acórdão n.º 2401­005.872  S2­C4T1  Fl. 10          9 independe  da  intenção  do  agente  ou  do  responsável  e  da  efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.   Contudo, a multa qualificada de 150%, em atendimento ao que disciplina o  §1º, art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, poderá ser aplicada somente nos casos previstos nos art.  71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, 1964, que têm a seguinte redação:   Art. 71  ­ Sonegação é  toda ação ou omissão dolosa  tendente a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:   I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;  II ­ das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar  a obrigação principal ou o crédito tributário correspondente.   Art.  72  ­  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão,  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante  do  imposto  devido,  ou  a  evitar  ou  deferir  o  seu  pagamento.   Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no  art. 71 e 72.  A  sonegação  pode  se  dar  em  razão  de  uma  ação  ou  omissão,  de  uma  simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, um  propósito  deliberado  de  se  subtrair,  no  todo  ou  em  parte,  a  uma  obrigação  tributária.  Na  sonegação sempre existe o dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à  fazenda  pública.  Para  ser  enquadrado  neste  conceito,  basta  o  contribuinte  agir  com  dolo  na  desobediência da lei fiscal.   A  sonegação  impede  a  apuração  da  obrigação  tributária  principal  diante  da  ocultação de bens ou de fatos jurídicos à incidência fiscal (fato gerador já realizado) enquanto  na  figura  da  fraude  a  ação  ou  omissão  visa  escamotear  o  pagamento  do  imposto  devido  ­  reduzi­lo, evitá­lo ou retardá­lo.   Depreende­se dos dispositivos acima transcritos que para aplicação da multa  qualificada deve existir o elemento fundamental de caracterização que é o evidente intuito de  fraudar ou de sonegar.  Ainda  de  acordo  com  os  dispositivos  legais  acima  transcritos,  impõe­se  à  autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação  de  regência  em  casos  de  imputação  da  multa  qualificada,  que  somente  poderá  ser  levada  a  efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou sonegação),  devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a  devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao procurador de que o  delito efetivamente praticado.  Em outras palavras, não basta a  indicação da conduta dolosa, fraudulenta, a  partir de meras presunções e/ou subjetividades,  impondo a devida comprovação por parte da  autoridade fiscal da intenção pré­determinada do contribuinte, demonstrada de modo concreto,  sem  deixar  margem  a  qualquer  dúvida,  visando  impedir/retardar  o  recolhimento  do  tributo  devido.  Fl. 248DF CARF MF Processo nº 16004.720293/2014­59  Acórdão n.º 2401­005.872  S2­C4T1  Fl. 11          10 Este  entendimento,  aliás,  encontra­se  sedimentado  no  âmbito  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  CARF,  conforme  se  extrai  dos  julgados  com  suas  ementas abaixo transcritas:  MULTA  AGRAVADA  –  Fraude  –  Não  pode  ser  presumida  ou  alicerçada  em  indícios.  A  penalidade  qualificada  somente  é  admissível  quando  factualmente  constatada  as  hipóteses  de  fraude,  dolo  ou  simulação.  (8ª  Câmara  do  1°  Conselho  de  Contribuintes – Acórdão n° 108­07.561, Sessão de 16/10/2003)  (grifamos)   MULTA  QUALIFICADA  –  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  –  Não  tendo sido comprovada de forma objetiva o resultado do dolo, da  fraude  ou  da  simulação,  descabe  a  qualificação  da  penalidade  de ofício agravada. (2ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes  – Acórdão n° 102­45.625, Sessão de 21/08/2002)  MULTA DE OFÍCIO – AGRAVAMENTO – APLICABILIDADE  – REDUÇÃO DO PERCENTUAL – Somente deve ser aplicada a  multa  agravada  quando  presentes  os  fatos  caracterizadores  de  evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da  Lei n° 4.502/64, fazendo­se a sua redução ao percentual normal  de 75%, para os demais casos, especialmente quando se referem  à infrações apuradas por presunção. (8ª Câmara do 1° Conselho  de  Contribuintes  –  Acórdão  n°  108­07.356,  Sessão  de  16/04/2003) (grifamos)  Na esteira desse raciocínio,  ratificando posicionamento pacífico do então 1º  Conselho de Contribuintes,  o CARF consagrou  de uma vez por  todas o  entendimento  acima  alinhavado, editando a Súmula nº 14, determinando que:   Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita  ou  de  rendimentos,  por  si  só,  não  autoriza  a QUALIFICAÇÃO  da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente  intuito de fraude do sujeito passivo  Pois bem. Ao meu ver, para aplicar a multa qualificada é necessária a prova  da  evidente  intenção  de  sonegar  ou  fraudar,  condição  imposta  pela  lei.  A  prova  deve  ser  material, pois o evidente intuito de sonegação não pode ser presumido. Não basta a prova da  falta  de  recolhimento  da  contribuição  devida,  tampouco  meros  indícios;  é  necessária  que  estejam perfeitamente identificadas e comprovadas a circunstância material do fato, com vistas  a configurar o evidente intuito de sonegar, relativamente a cada fato gerador do imposto.   Assim, é nesse ponto que não concordo com o posicionamento adotado pela  autoridade  autuante,  pois  não  consigo  identificar  a  intenção  dolosa  de  ocultar,  mesmo  que  considerássemos que a intenção final fosse a diminuição das contribuições a serem pagas.   A qualificação da multa não pode atingir aqueles casos em que o sujeito  passivo  age  de  acordo  com  as  suas  convicções,  deixando  às  claras  o  seu  procedimento,  posto que resta evidente a falta de intenção de iludir, em nada impedindo a Fiscalização  de apurar os fatos e de firmar suas convicções.   Conforme  mencionado  no  item  anterior,  o  lançamento  ocorreu  à  luz  de  diversos documentos da empresa, a saber, valores contidos na escrituração contábil, Livro de  Registro de Entrada e Notas Fiscais, bem como nas informações do Sistema Informatizado da  Receita Federal do Brasil, ou seja, não houve qualquer impedimento a fiscalização.  Fl. 249DF CARF MF Processo nº 16004.720293/2014­59  Acórdão n.º 2401­005.872  S2­C4T1  Fl. 12          11 No presente caso, o Sr. Fiscal assim dispôs:  A motivação para aplicação da multa de ofício qualificada foi a  forma  sistemática  e  reiterada  do  procedimento  adotado  pelo  contribuinte que, no ano de 2010, deixou de informar em GFIP a  comercialização  de  produto  rural  adquirido  de  produtor  rural  pessoa  física  e  também  não  informou  os  valores  pagos  ao  administrador, com o único intuito, em tese, de sonegar, através  de  ato  voluntário  e  consciente,  na  busca  de  omitir­se  das  contribuições  devidas,  opondo­se  conscientemente  ao  que  determina a lei.  Entendo,  contudo,  que  tal  entendimento  não  merece  prosperar.  A  simples  menção,  no  Relatório  Fiscal,  ao  fato  de  ter  a  Recorrente  cometido  o  mesmo  o  erro  repetidamente não é  suficiente, na visão deste Relator, para a caracterização do dolo exigido  pela lei para majorar a multa de ofício.  Entendimento semelhante possui a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no  sentido de que a mera conduta reiterada do contribuinte não é suficiente para caracterização de  conduta  dolosa,  fraude  ou  simulação,  sendo  necessária  a  demonstração  cabal  das  mesmas,  vejamos:  IRPF.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA  E  RENDIMENTOS  RECEBIDOS  DE  PESSOA  JURÍDICA.  MULTA  QUALIFICADA.  DOLO,  FRAUDE  OU  SIMULAÇÃO.  NÃO  COMPROVADOS.  SIMPLES  CONDUTA  REITERADA  E/OU  MONTANTE  MOVIMENTADO.  IMPOSSIBILIDADE  DE  QUALIFICAÇÃO.  De conformidade com a legislação tributária, especialmente  artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14  do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual  de  150%  (cento  e  cinqüenta  por  cento),  condiciona­se  à  comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito  de  fraude  do  contribuinte.  Assim  não  o  tendo  feito,  não  prospera  o  agravamento  da  multa,  sobretudo  quando  a  autoridade  lançadora  utiliza  como  lastros  à  sua  empreitada  a  simples  reiteração  da  conduta  e/ou  o  volume/montante  da  movimentação  bancária  do  contribuinte,  fundamentos  que,  isoladamente,  não  se  prestam  à  aludida  imputação,  consoante  jurisprudência  deste Colegiado.  Recurso especial negado.  (CSRF.  Acórdão  9202003.644  –  2ª  Turma.  Sessão  de  04.03.2015) [...]  Ora,  não  faria  sentido  que  aquele  que  tem  a  intenção  de  lesar  o  Fisco  mediante  o  recolhimento  a  menor  de  contribuições  previdenciárias  informasse  em  sua  contabilidade a operação e o valores.   Dessa  forma,  entendo  que  deve  ser  desqualificada  a  multa  de  ofício,  reduzindo­a para o percentual de 75%.  Fl. 250DF CARF MF Processo nº 16004.720293/2014­59  Acórdão n.º 2401­005.872  S2­C4T1  Fl. 13          12 Por  todo  o  exposto,  estando  o  Auto  de  Infração,  sub  examine,  em  consonância parcial com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO  DE  CONHECER  DO  RECURSO  VOLUNTÁRIO  para  rejeitar  a  preliminar  e,  no  mérito,  DAR­LHE PROVIMENTO PARCIAL para afastar a qualificadora da multa, pelas  razões de  fato e de direito acima esposadas.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Rayd Santana Ferreira                                Fl. 251DF CARF MF

score : 1.0
7485953 #
Numero do processo: 10935.902854/2012-87
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/11/2004 JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. Somente devem ser observados os entendimentos jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/2004 DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do Darf pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência e/ou perícia, bem assim a eventual juntada de novas provas. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APRESENTAÇÃO DE RECURSO. As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi-lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/11/2004 DIPJ E DACON. NATUREZA JURÍDICA. A DIPJ possui natureza meramente informativa. A Dacon não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de divida, por expressa inexistência de disposição legal. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ. O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela fiscalização através de outros meios que estivessem à disposição da Fiscalização e após intimação regular da interessada para realizar retificação de suas declarações. O não-atendimento pelo contribuinte desta intimação, gera a não-homologação da compensação declarada. PER/DCOMP. DÉBITO DECLARADO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. Oportunizada, em face do exercício do contraditório, com a trazida da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário, a apresentação de documentos pela empresa interessada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a conclusão contida no despacho decisório contestado, mantém-se o indeferimento da restituição da contribuição para o PIS, por inexistência do crédito indicado em Per/Dcomp.
Numero da decisão: 3001-000.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201810

ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/11/2004 JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. Somente devem ser observados os entendimentos jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/2004 DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do Darf pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência e/ou perícia, bem assim a eventual juntada de novas provas. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APRESENTAÇÃO DE RECURSO. As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi-lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/11/2004 DIPJ E DACON. NATUREZA JURÍDICA. A DIPJ possui natureza meramente informativa. A Dacon não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de divida, por expressa inexistência de disposição legal. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ. O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela fiscalização através de outros meios que estivessem à disposição da Fiscalização e após intimação regular da interessada para realizar retificação de suas declarações. O não-atendimento pelo contribuinte desta intimação, gera a não-homologação da compensação declarada. PER/DCOMP. DÉBITO DECLARADO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. Oportunizada, em face do exercício do contraditório, com a trazida da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário, a apresentação de documentos pela empresa interessada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a conclusão contida no despacho decisório contestado, mantém-se o indeferimento da restituição da contribuição para o PIS, por inexistência do crédito indicado em Per/Dcomp.

turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 10935.902854/2012-87

anomes_publicacao_s : 201810

conteudo_id_s : 5921595

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 3001-000.545

nome_arquivo_s : Decisao_10935902854201287.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : ORLANDO RUTIGLIANI BERRI

nome_arquivo_pdf_s : 10935902854201287_5921595.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.

dt_sessao_tdt : Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018

id : 7485953

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:25 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713051150393016320

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1812; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C0T1  Fl. 89          1 88  S3­C0T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10935.902854/2012­87  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3001­000.545  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  17 de outubro de 2018  Matéria  PER/DCOMP ­ RESTITUIÇÃO ­ COFINS ­ PAGAMENTO INDEVIDO  Recorrente  COODETEC COOPERATIVA CENTRAL DE PESQUISA AGRÍCOLA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 30/11/2004  JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA.  Somente  devem  ser  observados  os  entendimentos  jurisprudenciais  para  os  quais a lei atribua eficácia normativa.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 30/11/2004  DILIGÊNCIA  E/OU  PERÍCIA.  JUNTADA  DE  PROVAS.  DESNECESSIDADE.  Deve  ser  indeferido  o  pedido  de  diligência  e/ou  perícia,  quando  tal  providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.  Ao  indicar  como  crédito  um pagamento  indevido,  destacando,  inclusive,  as  informações  constantes  do  Darf  pleiteado,  sem  proceder  a  qualquer  retificação,  não  há  como  transmudar  a  vontade  expressa  na  Dcomp  transmitida,  sendo  desnecessária  a  diligência  e/ou  perícia,  bem  assim  a  eventual juntada de novas provas.  SUSPENSÃO  DA  EXIGIBILIDADE  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  APRESENTAÇÃO DE RECURSO.  As  reclamações  e  os  recursos,  nos  termos  das  leis  reguladoras  do  processo  tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário.  VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES.  Ainda  que  o  Processo  Administrativo  Fiscal  Federal  esteja  jungido  ao  principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi­ lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido  processo legal.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 28 54 /2 01 2- 87 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10935.902854/2012­87  Acórdão n.º 3001­000.545  S3­C0T1  Fl. 90          2 ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 30/11/2004  DIPJ E DACON. NATUREZA JURÍDICA.  A DIPJ possui natureza meramente informativa. A Dacon não é declaração,  mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram  confissão de divida, por expressa inexistência de disposição legal.  ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO  DECLARADO EM DIPJ.  O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do  direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado  pela  fiscalização  através  de  outros  meios  que  estivessem  à  disposição  da  Fiscalização e após intimação regular da interessada para realizar retificação  de  suas  declarações.  O  não­atendimento  pelo  contribuinte  desta  intimação,  gera a não­homologação da compensação declarada.  PER/DCOMP.  DÉBITO  DECLARADO.  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. ÔNUS  PROBATÓRIO.  AUSÊNCIA DE  PROVA.  Oportunizada,  em  face  do  exercício  do  contraditório,  com  a  trazida  da  manifestação de  inconformidade  e do  recurso voluntário,  a  apresentação  de  documentos pela empresa interessada e não apresentado qualquer documento  capaz  de  afastar  a  conclusão  contida  no  despacho  decisório  contestado,  mantém­se  o  indeferimento  da  restituição  da  contribuição  para  o  PIS,  por  inexistência do crédito indicado em Per/Dcomp.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.    (assinado digitalmente)  Orlando Rutigliani Berri ­ Presidente e Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Orlando  Rutigliani  Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.  Relatório  Cuida­se de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 02­54.303, da 1ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Belo  Horizonte  ­ DRJ/BHE­ que, em sessão de julgamento realizada no dia 24.03.2014, julgou improcedente a  manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado em Per/Dcomp  27125.20765.041209.1.2.04­3590, transmitido em 04.12.2009.  Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10935.902854/2012­87  Acórdão n.º 3001­000.545  S3­C0T1  Fl. 91          3 Da síntese dos fatos  Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (e­fls.  69 a 72), verbis:  Relatório  O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito  nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de  Cofins não­cumulativo, relativo ao fato gerador de 30/11/2004.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  jurisdição  do  contribuinte  emitiu  Despacho  Decisório  eletrônico  no  qual  indefere  a  restituição  pleiteada,  sob o  argumento  de  que  o pagamento  foi  utilizado  na  quitação  integral  de  débito  da  empresa,  não  restando crédito disponível.  Irresignado  com  o  indeferimento  do  seu  pedido,  tendo  sido  cientificado  em  10/10/2012  (fl.  65),  o  contribuinte  apresentou,  em  09/11/2012,  a  manifestação  de  inconformidade  de  fls.  2/4,  alegando,  em  síntese,  que  a  origem  do  crédito  pode  ser  confirmada no Dacon retificador transmitido em 30/11/2009, no  qual  consta  que  não  foi  apurado  débito  para  o  período  em  questão, restando indevido o pagamento realizado. Informa que  se  equivocou  em  não  retificar  a  DCTF  em  tempo  hábil  e  que  tentou  retificá­la  após  receber  o  despacho  decisório,  não  obtendo  êxito  devido  a  limitações  de  transmissão  de  arquivos  para  o  sistema  da  RFB.  Por  fim,  requer  seja  reconhecido  o  crédito pleiteado e determinada a sua restituição.  É o relatório.  Da ementa da decisão recorrida  A  1ª  Turma  da  DRJ/BHE,  ao  julgar  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade, exarou o citado acórdão de manifestação de inconformidade, cuja ementa foi  vazada nos seguintes termos, verbis:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 30/11/2004  RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS DA EXISTÊNCIA DO  CRÉDITO.  Na  ausência  de  provas,  o  Dacon  retificador,  com  valores  divergentes daqueles declarados em DIPJ e em DCTF, não pode  ser  considerado  instrumento  hábil  para  conferir  certeza  e  liquidez ao crédito indicado no pedido de restituição.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Da ciência  Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10935.902854/2012­87  Acórdão n.º 3001­000.545  S3­C0T1  Fl. 92          4 O  contribuinte,  conforme depreende­se  do  "COMUNICADO Nº  293/2014"  de  e­fl.  74,  corroborado  pelo Aviso  de Recebimento  "AR"  de  e­fl.  75,  conheceu  do  teor  do  acórdão vergastado em 10.04.2014,  razão pela qual,  irresignado com a decisão  recorrida, em  12.05.2014,  conforme depreende­se do  carimbo de protocolo  aposto na  "Folha de Rosto" do  presente recurso voluntário (e­fls. 77 a 85), apresentou respectiva petição recursal.  Do recurso voluntário  Ciente  da  decisão  a  quo,  e  com  ela  inconformado,  o  recorrente  apresentou  recurso  voluntário,  através  de  patrono  legitimamente  constituído,  pugnando  pela  reforma  do  acórdão  da  1ª  Turma  da  DRJ/BHE.  Nesta  petição  recursal,  além  de  repisar  os  fatos  que  ensejaram  a  transmissão  do  referido  Per/Dcomp  e  os  argumentos  apresentados  na  sua  manifestação  de  inconformidade,  notadamente  para  reafirmar  o  equívoco  relativo  a  não  retificação da DCTF e a para confirmar a apresentação de Dacon retificadora, como elemento  de prova do pagamento indevido, salienta que existe jurisprudência administrativa, no âmbito  do  Carf,  que  admite  "a  retificação  da  DIPJ  no  decorrer  do  processo  de  compensação  para  possibilitar que a parte interessada aponte de forma correta, o saldo negativo (...)".  Diante do alegado, requer:  (i)  a  reforma  da  decisão  prolatada,  que  não  homologou  o  pedido  de  restituição;  (ii) a determinação do retorno dos autos a DRF/Cascavel, para que aprecie a  matéria em litígio, levando em consideração as declarações retificadoras;  (iii)  a  produção  de  provas,  por  todos  os  meios  em  direito  admitidos,  especialmente a pericial;  (iv)  que  o  presente  recurso  seja  recebido  nos  efeitos  suspensivos  e  devolutivo; e  (v) que seja dado provimento ao pleito para reconhecer seu direito creditório  e homologar a restituição objeto do presente Per/Dcomp.  Do encaminhamento  Em razão disso, os autos ascenderam ao CARF em 14.05.2014 (e­fl. 88), que,  na  forma  regimental,  foi  distribuído  e  sorteado  para  manifestação  deste  colegiado  extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro o processamento do presente feito.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator  Da competência para julgamento do feito  Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10935.902854/2012­87  Acórdão n.º 3001­000.545  S3­C0T1  Fl. 93          5 Observo que, em conformidade com o prescrito no artigo 23­B do Anexo II  da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais ­RICARF­, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017, este colegiado é  competente para apreciar o presente feito.  Da tempestividade  O  recurso  voluntário  foi  apresentado  em  12.05.2014,  depois  da  ciência  do  acórdão recorrido, ocorrida em 10.04.2014; portanto, a petição recursal é tempestiva e reúne os  demais  requisitos  de  admissibilidade  previstos  na  legislação  de  regência,  de modo  que  dela  conheço.  Preâmbulo I ­ Da produção de prova, diligência e/ou perícia  No processo administrativo fiscal a autoridade julgadora não está obrigada a  deferir pedidos de realização de diligência ou perícia requeridas. A teor do disposto no artigo  18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993,  tais pedidos somente são deferidos quando necessários à formação de convicção do julgador.  Frise­se, a produção de provas, a realização de perícia ou diligência deve ser  efetivada  para  a  elucidação  de  fatos  e/ou  complementação  de  prova,  isso  tudo  à  critério  da  autoridade que realiza o julgamento do processo.  Não obstante convém relembrar sobre a legislação que trata do momento da  produção  de  prova.  Para  tanto,  o  Processo  Administrativo  Fiscal  (PAF  ­  D.  70.235/72)  esclarece  que  cabe  ao  interessado  carrear  aos  autos os documentos que permitem corroborar  suas alegações defensivas, verbis:  (...)  Art. 16. A impugnação mencionará: (...)  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos discordância e as razões e provas que possuir; (...)  §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que:  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;  b) refira­se a fato ou a direito superveniente;  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos.  (...)  Desta feita, não constatando a apresentação de qualquer novo documento que  corrobore  e  sustenta  suas  alegações  recursais  e  não  demonstrando  quaisquer  das  situações  tipificadas no parágrafo 4º, do artigo 16, do PAF, dá­se a preclusão.  Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10935.902854/2012­87  Acórdão n.º 3001­000.545  S3­C0T1  Fl. 94          6 Veja, ao declarar que dispunha de crédito pago  indevidamente, o  recorrente  assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza, no entanto, assim não procedeu.  Por fim evidencia­se também que afora a dita preclusão processual, conforme  se verá adiante, não há questão de fato a ser elucidada.  Portanto, é de se concluir pelo indeferimento do presente pleito.  Preâmbulo II ­ Da jurisprudência administrativa  Cabe  esclarecer  que,  no  que  concerne  à  interpretação  da  legislação  e  aos  entendimentos  jurisprudenciais  indicados  pelo  recorrente,  somente  devem  ser  observados  os  atos para os quais a  lei  atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos  termos do artigo 100 do Código Tributário Nacional ­CTN­.  Porém, não obstante a prescrição legal acima evidenciada, cabe assentar que  a doutrina interpreta o chamado "direito líquido e certo" aquele cujos aspectos de fato possam  comprovar­se  documentalmente,  entendimento  este  corroborado  por  robusta  jurisprudência  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  conforme  exemplificam  as  ementas  transcritas, verbis:  DIREITO CREDITÓRIO ­ RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO  O sujeito passivo tem direito à restituição e/ou compensação de  tributo pago/retido a maior que o devido em face da  legislação  tributária  ou  da  natureza  ou  circunstâncias  materiais  do  fato  gerador efetivamente ocorrido. Entretanto, deve comprovar com  documentos  hábeis  e  idôneos  o  indébito  efetivamente  apurado.  Recurso  Voluntário  Procedente  em  Parte  (1º  CC,  1ª  Câmara,  Rec.  Voluntário  nº  160140,  Proc.  nº  10283.001953/98­14,  Rel.  Valmir Sandri, Acórdão nº 101­97098, Sessão de 19/12/2008)  COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.  COMPROVAÇÃO.  Compete  ao  contribuinte  a  apresentação  de  livros  de  escrituração  contábil  e  fiscal  e  documentos  hábeis  e  idôneos  à  comprovação  do  alegado  sob  pena  de  acatamento  do  ato  administrativo  realizado.  (Acórdão  3803­02.491  ­  3ª  Turma  Especial,  Terceira  Seção  do  CARF,  processo  administrativo  10467.902984/2009­88)  Preâmbulo III ­ Da suspensão da exigibilidade  Embora  nestes  autos  em  nenhum  momento  aventou­se  a  hipótese  da  interrupção da suspensão da exigibilidade do crédito  tributário, em face da não homologação  da  restituição  pleiteada  pelo  contribuinte,  em  respeito  ao  recorrente  tratar­se­á  do  tema  em  breves linhas.  Veja­se,  a partir  de 31.10.2003,  com a  edição da Medida Provisória nº 135  convertida  na  Lei  nº  10.833,  ambas  de  2003,  a  suspensão  da  exigibilidade  de  débito  compensado  tornou­se  possível,  pois  a  declaração  em  Per/Dcomp,  feita  pelo  contribuinte  passou a ter caráter de confissão de dívida e ser instrumento hábil e suficiente para a exigência  Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10935.902854/2012­87  Acórdão n.º 3001­000.545  S3­C0T1  Fl. 95          7 dos  créditos  informados  como  recolhidos  a  maior  ou  indevidamente  e/ou  dos  débitos  indevidamente compensados.  Neste passo, o inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional ­CTN­  (Lei  nº  5.172,  de 25.10.1966),  dispõe  que  as  reclamações  e os  recursos,  nos  termos  das  leis  reguladoras  do  processo  tributário  administrativo,  suspendem  a  exigibilidade  do  crédito  tributário.  Neste contexto, é suficiente reafirmar a suspensão da exigibilidade do crédito  tributário em questão até que ocorra sua definitividade na esfera administrativa.  Preâmbulo IV ­ Do princípio da verdade material  O  recorrente  pretende  fundamentar  a  reforma  do  acórdão  recorrido,  bem  assim  seu  pedido  de  produção  de  prova,  diligência  e  perícia,  no  recorrentemente  aventado  princípio da verdade material.  No  entanto,  como  sobejamente  demonstrado  no  voto  condutor  do  acórdão  recorrido,  o  motivo  do  indeferimento  do  pretendido  direito  creditório  reside  no  fato  de  a  autoridade competente da DRF/Cascavel constatar, após exame nos sistemas informatizados da  RFB,  que  o  valor  do  referido  crédito,  pleiteado  que  foi  em  Per/Dcomp,  a  "partir  das  características  do  DARF  discriminado  (...),  foram  localizados  um  ou mais  pagamentos  (...),  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível para restituição".  Mais, que analisados os pretensos elementos de prova carreados aos presentes  autos, verificou­se que se mostraram insuficientes para comprovar o direito creditório alegado.  Diante destas  constatações  e  o  que  dos  autos  consta,  aí  também aliado  aos  corretos fundamentos da decisão recorrida, advogo o entendimento segundo o qual não é papel  deste colegiado recursal conceder infindáveis oportunidades para que o contribuinte transponha  aos  autos  documentos  e/ou  informações  que  venham  confirmar  seu  direito,  digo  isto  pois  entendo  que  tal  concessão  importaria  em  desrespeito  aos  prazos  estabelecidos  na  legislação  processual de regência, como vimos anteriormente.  Prosseguindo  um  pouco  mais,  pode­se  dize  ainda  que  é  comezinho  a  obrigação do sujeito passivo, desde  a  feitura de  seu pleito  reivindicatório, passando pela  sua  manifestação  de  inconformidade,  municiar  sua  pretensão  em  documentos  hábeis  suficientes  para evidenciar a liquidez e certeza do crédito tributário cuja restituição postula.  Por  isso,  e não por outra  razão,  é que  a  legislação  impõe ao  contribuinte o  dever de demonstrar sua liquidez e certeza. De outra forma dizendo, é ônus do sujeito passivo e  não da Administração Tributária tal mister.  Desta  feita, não se pode, sob o pálio da "verdade material" suplantar  toda e  qualquer  regra  processual  aplicável  ao  processo  administrativo  fiscal  federal  a  fim  de,  ao  arrepio,  dentre  outros,  do  princípio  da  isonomia,  permitir  seja  desbancada  a  competência  originária da autoridade fiscal ou mesmo do colegiado recorrido, para fins de substituir tarefa  que  competia  ao  sujeito  passivo,  seja  espontaneamente  ou mesmo  depois  de  provocado,  em  face das sucessivas rejeições da sua pretensão.  Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10935.902854/2012­87  Acórdão n.º 3001­000.545  S3­C0T1  Fl. 96          8 Portanto,  não  é  correto  afirmar  que  a  aventada  a menor  rigidez  dos  prazos  para a produção de prova tenha o condão de sobrepujar determinadas regras, vez que o primado  da "verdade material", na medida em que autoriza o julgador apreciar provas e/ou indícios não  contemplados  pela  instância  a  quo,  impõe  que  estas  tenham  sido  produzidas  no  momento  oportuno, o que não se observa nestes autos, uma vez que não foram produzidas.  Do mérito  É fato inconteste que o indeferimento do presente pedido de restituição, pela  unidade fiscal de origem, tem motivação no fato de o pagamento mencionado no Per/Dcomp  ter sido integralmente utilizado para quitar débito de Cofins não cumulativo, declarado para o  período de 30.11.2004, não restando, portanto, saldo disponível para ser restituído.  Da DCTF original, referente ao mesmo período de apuração, observa­se que  o contribuinte vincula integralmente o Darf discriminado no presente Per/Dcomp a débito de  Cofins  não­cumulativo  declarado.  Por  sua  vez,  o  contribuinte  informa  que  não  transmitiu  DCTF retificadora, mas que apresentou, em 30.11.2009, Dacon retificador, que, ao seu talante,  evidenciaria a  inexistência de PIS não­cumulativo a pagar e, por conseguinte,  comprovaria a  existência do crédito pleiteado.  No entanto, o voto condutor do acórdão recorrido adverte, corretamente, "que  na DIPJ/2005 ativa,  retificada em 23.12.2008, o contribuinte declarou o mesmo valor devido  que consta na DCTF original, isto é, R$ 14.271,35", evidenciando, portanto "divergências não  esclarecidas entre os valores informados pelo interessado nas declarações encaminhadas à RFB  (DCTF, DIPJ e Dacon ativos)".  Desta  feita,  didaticamente,  a  relatora  do  voto  condutor  da  decisão  a  quo  pontua que, não obstante o "no Dacon retificador o contribuinte não informe valor a pagar de  Cofins  não­cumulativo  para  o  período  em  questão,  na  ausência  de  outras  provas,  essa  declaração  não  pode  ser  considerada,  por  si  só,  instrumento  hábil  para  conferir  certeza  e  liquidez ao crédito indicado no pedido de restituição".  Ressalta  que  "os  valores  declarados  em  DCTF,  a  teor  do  que  dispõe  o  Decreto­Lei nº 2.124, de 1984, em seu art. 5º, §1º, constituem confissão de dívida, sendo  tal  declaração o documento que comunica  a existência de crédito  tributário,  instrumento hábil  e  suficiente  para  a  exigência  do  referido  crédito.  O  Dacon  e  a  DIPJ,  por  outro  lado,  são  instrumentos hábeis para a consolidação e a apuração de Cofins não­cumulativo para o período  de 31.11.2004".  Diante desta premissa,  a  relatora,  de maneira  absolutamente  clara,  concluiu  que  a  "apresentação  de  Dacon  retificador,  com  redução  do  valor  do  débito  anteriormente  confessado e  com valores divergentes daqueles  informados  em outras declarações,  não basta  para justificar a reforma da decisão de indeferimento de restituição", posto que "faz­se mister a  prova inequívoca de que houve erro de fato no preenchimento da DCTF, isto é, de que o valor  correto do débito é aquele constante no Dacon retificador".  Portanto,  constata­se  no  caso  ora  sob  exame  que  o  acórdão  recorrido,  analisando em sua completude o conteúdo da manifestação de inconformidade que tratava da  não  homologação  da  compensação  declarada,  fez  questão  de  esclarecer  que  não  bastava  ao  contribuinte, para fins de averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido, a  trazida aos autos somente do "Dacon retificador, com valores divergentes daqueles declarados  Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10935.902854/2012­87  Acórdão n.º 3001­000.545  S3­C0T1  Fl. 97          9 em DIPJ  e DCTF",  desacompanhado de  "documentos  comprobatórios",  ou  seja,  aqueles  que  "atestem,  de  forma  inequívoca,  a  origem  e  a  natureza  do  crédito,  visto  que,  sem  tal  evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado".  Neste ponto,  importa  reforçar que o Dacon  se  trata de demonstrativo  e não  configura uma confissão de divida. De fato, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 387, de  2004,  foi  ele  instituído  como  Demonstrativo  de  Apuração  das  Contribuições  Sociais,  com  objetivos  semelhantes ao Livro de Apuração do Lucro Real  ­Lalur­, para  fins do  imposto de  renda da pessoa jurídica tributada com base no lucro real.  É  o  que  se  infere  dos  controles  que  são  exigidos  na  Instrução  Normativa  referida, verbis:  (...)  Art.  3º  O  sujeito  passivo  deverá  manter  controle  de  todas  operações  que  influenciem  a  apuração  do  valor  devido  das  contribuições  referidas  no  art.  2º  e  dos  respectivos  créditos  a  serem descontados, deduzidos,  compensados ou  ressarcidos, na  forma dos arts. 2º, 3º, 5º, 5ºA, 7º e 11 da Lei nº 10.637, de 2002,  dos  arts.  2º,  3º,  4º,  6º,  9º  e  12  a  Lei  nº  10.833,  de  2003,  especialmente quanto:  I  ­  as  receitas  sujeitas  à  apuração  da  contribuição  em  conformidade com o art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e com o  art. 2º da Lei nº 10.833, de2003;  II ­ as aquisições e aos pagamentos efetuados a pessoas jurídicas  domiciliadas no Pais;  III  ­  aos  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  eis  receitas  referidas no inciso I;  IV  ­  aos  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  às  receitas  de  exportação  e  de  vendas  a  empresas  comerciais  exportadoras  com  fim  especifico  de  exportação,  que  estariam  sujeitas  a  apuração  das  contribuições  em  conformidade  com o  art.  2º  da  Lei nº 10.637, de 2002, e com o art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003,  caso as vendas fossem destinadas ao mercado interno; e  V ­ ao estoque de abertura, nas hipóteses previstas no art. 11 da  Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 12 da Lei nº 10.833, de 2003.  Parágrafo  único.  O  controle  a  que  se  refere  o  caput  deverá  abranger  as  informações  necessárias  para  a  segregação  de  receitas referida no § 8º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e  no  §  8º  do  art.  3º  da  Lei  nº  10.833,  de  2003,  observado  o  disposto  no  art.  100  da  Instrução Normativa  nº  247,  de  21  de  novembro de 2002.  (...)  Tanto  o  é  que  sua  apresentação  não  dispensa  a  informação  dos  valores  correspondentes em DCTF, como evidenciado a partir da Instrução Normativa SRF nº 583, de  Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10935.902854/2012­87  Acórdão n.º 3001­000.545  S3­C0T1  Fl. 98          10 2005,  que  passou  a  impor  a  retificação  do Dacon,  nos  casos  em que  a  retificação  da DCTF  acarretasse a alteração de valores também informados naquele demonstrativo, verbis:  (...)  Art.  12. A alteração das  informações  prestadas  em DCTF  será  efetuada  mediante  apresentação  de  DCTF  retificadora,  elaborada  com  observância  das  mesmas  normas  estabelecidas  para a declaração retificada.  (...)  § 12 A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração  originariamente  apresentada,  substituindo­a  integralmente,  e  servirá  para  declarar  novos  débitos,  aumentar  ou  reduzir  os  valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração  nos créditos vinculados em declarações anteriores.  (...)  Art.  62  A  pessoa  jurídica  que  apresentar  DCTF  retificadora,  alterando valores que tenham sido informados:  I ­ na Declaração de Informações Econômico­Fiscais da Pessoa  Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora;  II  ­  no  Demonstrativo  de  Apuração  de  Contribuições  Sociais  (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador.  Conclui­se  daí  que,  ao  contrário  da  DCTF,  o  Dacon  possui  apenas  caráter  informativo e os valores nele expressos não configuram confissão de divida, por  inexistência  de disposição legal.  Ultrapassada  a  contextualização  fático,  esclareço,  por  oportuno  que  este  colegiado, atento à hodierna tendência de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas  no  processo  administrativo  fiscal,  para  o  fim  de  acolher  provas  apresentadas  nesta  instância  recursal,  entende  que  para  aplacar­se  tais  regras,  o  comportamento  do  sujeito  passivo  é  determinante.  Melhor dizendo, estando o contribuinte, como é o caso em apreço, ciente dos  motivos pelos quais os elementos de prova coligidos aos autos não foram considerados hábeis e  suficientes para seu desiderato, era seu o dever demonstrar que envidou o esforço no sentido de  sanar as lacunas probatórias aventadas na decisão recorrida.  No  entanto,  o  recorrente,  ao  manter­se  fiel  à  linha  argumentativa,  mesmo  sabedor  que  o  fundamento  da  decisão  recorrida  assentou­se  na  ausência  de  documentos  que  corroborassem sua pretensão, preferiu agir de forma não proativa, ao deixar de se empenhar em  provar o direito que alega possuir,  impedindo,  in  totum, que este  julgador aventasse, quiçá, a  hipótese de conversão deste  julgamento em diligência,  com supedâneo no novel princípio da  cooperação,  que  atualmente  tem  redação  implementada  pelo  artigo  6º  da  Lei  nº  13.105,  de  16.03.2015  ­Novo Código de Processo Civil­, que afirma que "todos os  sujeitos do processo  devem  cooperar  entre  si  para  que  se  obtenha,  em  tempo  razoável,  decisão  de mérito  justa  e  efetiva".  Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10935.902854/2012­87  Acórdão n.º 3001­000.545  S3­C0T1  Fl. 99          11 Em  suma,  constata­se  que  no  caso  destes  autos,  o  alegado  indébito  não  foi  correta e suficientemente demonstrado e provado.  Estando  o  débito  tributário  formalmente  constituído,  para  que  se  pudesse  infirmá­lo seria necessária prova de sua inexatidão, pois, neste caso, o ônus da prova cabe ao  interessado ­artigo 36 da Lei nº 9.784, de 31.01.1999 ­ Lei de Procedimento Administrativo­ e  inciso I do artigo 373 da Lei nº 13.105, de 16.03­2015 ­ Código de Processo Civil ­ CPC­.  Sem os devidos elementos de prova hábeis do direito creditório do recorrente,  atento  aos  requisitos  de  certeza  e  liquidez  do  crédito,  previsto  no  artigo  170  do  Código  Tributário Nacional ­CTN ­ Lei nº 5.172, de 25.10.1966­, mostra­se impraticável desconstituir  o  que  formalmente  foi  constituído,  pelo  próprio  contribuinte,  por meio  da DCTF  original  e  tempestivamente entregue.  Portanto,  não  há  dúvida  de  que  o  despacho  decisório  ­Nº  de Rastreamento  038070845­ foi corretamente exarado e o acórdão recorrido não merece qualquer ressalva.  Da conclusão  Com  estas  considerações,  voto  por  conhecer  do  Recurso  Voluntário  interposto, para negar­lhe provimento.  (assinado digitalmente)  Orlando Rutigliani Berri                                Fl. 99DF CARF MF

score : 1.0