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Numero do processo: 10611.000771/2007-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/12/2006, 22/02/2006, 23/02/2007
Ementa:
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL
De acordo com a Súmula CARF nº 1 implica na renúncia às instâncias administrativas. a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3301-004.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em face de concomitância entre a via administrativa e judicial.
José Henrique Mauri - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/12/2006, 22/02/2006, 23/02/2007 Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL De acordo com a Súmula CARF nº 1 implica na renúncia às instâncias administrativas. a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em face de concomitância entre a via administrativa e judicial. José Henrique Mauri Presidente. Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 07 71 /2 00 7- 47 Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10611.000771/200747 Acórdão n.º 3301004.226 S3C3T1 Fl. 457 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 444 a 454) interposto pelo Contribuinte, em 11 de setembro de 2013, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0825.195 (fls. 426 a 434), de 28 de março de 2013, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE), que julgou, por unanimidade de votos: 1) declarar definitivo o crédito tributário na esfera administrativa por concomitância de discussão na esfera judicial, relacionado à DI nº 06/15670959, 1.1) equivalente ao principal dos tributos e respectivas multas de ofício, ao qual deverão ser acrescentados os juros de mora, observados a decisão judicial exarada no processo nº 2007.38.00.0039230 e o pagamento alegado pelo Contribuinte; 1.2) equivalente às multas de ofício e juros de mora lançados para as DI nº 07/02269179 e nº 07/02328825, que fica subordinado ao que for decidido no processo judicial nº 2007.38.00.0092620; 2) e conhecer de forma parcial a Impugnação, afastando a arguição preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, considerando não impugnada a matéria referente ao lançamento do principal dos tributos relacionado às DIs nº 07/02269179 e 07/02328825, observandose os pagamentos alegados pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 02/15 constituídos para cobrança da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (Pis/PasepImportação) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (CofinsImportação), acrescidas das multas de ofício e dos juros de mora, perfazendo na data da autuação um valor de R$ 740.411,62 (setecentos e quarenta mil, quatrocentos e onze reais e sessenta e dois centavos). Na descrição dos fatos a fiscalização consignou, em resumo, que: em 26/12/06, 22/02/07 e 23/02/07 o contribuinte registrou, respectivamente, as Declarações de Importação (DI) no 06/15670959, 07/02269179 e 07/02328825, relativas a importações de equipamentos médicos, que, segundo informação consignada nos despachos, se deram através de operações de arrendamento mercantil e, por essa razão, foram objeto de processo de consulta, protocolizado em 03/10/06, junto à Superintendência da Receita Federal da 8a Região Fiscal, antes, portanto, do registro das DI. A consulta procurava abrigo ao entendimento de que a edição da Lei no 10.925/04, sucedânea da Lei no 10.865/04, teria reduzido a zero as alíquotas da CofinsImportação e Pis/Pasep Importação, no tipo de operação em questão; antes que o processo de consulta fosse solucionado, o importador registrou as três DI, sem o recolhimento das contribuições, como se, no caso em espécie, tivessem suas alíquotas reduzidas a zero e, ao assim proceder, infringiu os artigos 4° e 13 da Lei no 10.865/04 (lançamento inexato desacompanhado de recolhimento); Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10611.000771/200747 Acórdão n.º 3301004.226 S3C3T1 Fl. 458 3 a alegação constante das DI sobre o processo de consulta é improcedente “haja vista que os processos de consulta, smj, não possuem competência para provocar a suspensão da exigibilidade do tributo conforme depreendese da leitura dos artigos 151 da Lei 5.172/66 combinado com os artigos 48 e 49 do Decreto 70.235/72”. constatada a infração no curso do despacho, registrouse na DI no 06/15670950, parametrizada para o canal vermelho, a exigência no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) para o recolhimento das contribuições e respectiva multa de oficio. Nas demais DI, como foram parametrizadas para o canal verde, efetuouse a mesma exigência por meio dos termos de intimação Sapea de n° 07031503 e 07030101 (fls. 18/19); decorridos mais de quinze dias da ciência, prazo concedido nas intimações e, não atendidas as exigências na forma determinada, foi lavrado o auto de infração para constituir o crédito tributário não lançado nem recolhido, e para lançar a penalidade determinada para a infração cometida constante dos artigos 44 e 61 da Lei no 9.430/96. Cientificado dos autos de infração em 09/04/07 (fls. 4 e 10), o interessado, em 08/05/07, apresentou a impugnação de fls. 115/127, onde alega, em síntese, que: em 03/10/06, antes do registro das DI, protocolou consulta, processo no 13896.001533/200617, junto à Delegacia da Receita Federal de São Paulo, por meio da qual indagou se as importações poderiam se beneficiar da alíquota zero da Pis/PasepImportação e da CofinsImportação, por se tratarem de operações de arrendamento mercantil, de acordo com o previsto no § 14, art. 8o, da Lei n° 10.865/04, incluído pela Lei n° 10.925/04; visando o desembaraço das DI e recebimento dos equipamentos importados, informou no campo “Dados Complementares” que estava em trâmite consulta para a qual, até aquele momento, não havia obtido resposta; é sabido que, nessa situação, não poderia sofrer nenhuma restrição ao seu desembaraço e entrega, e ainda, não poderia lhe ser cobrado os tributos, muito menos acrescidos de multa e juros, conforme expressamente determina o caput do art. 48 do Decreto 70.235/72, que regula o Processo Tributário Administrativo em âmbito federal e é norma geral de observância obrigatória em tal esfera; ademais, em 23/02/07 [sic], visando o desembaraço e liberação das mercadorias importadas, efetuou o recolhimento das contribuições supostamente incidentes, eis que, até aquela data ainda não havia sido solucionada a consulta, o que veio a ocorrer apenas no dia 19/04/07, passado bastante tempo após os registros das DI; apesar do recolhimento, agora, é surpreendida com um auto de infração onde é cobrado, além dos tributos, como se ainda não tivessem sido pagos, os juros e multas, que, como manda a legislação, não são devidos enquanto não for solucionada a consulta; é absurdo e totalmente inválido o auto de infração lavrado, pois bem antes da solução da consulta (17/04/2007), os tributos já haviam sido recolhidos (DARF's em anexo), ou seja, o auto de infração além de cobrar indevidamente os juros e multas, ainda está a cobrar o principal que já foi devidamente recolhido; não poderia ter sido formalizado o presente auto de infração, pois até a data da sua lavratura, 05/04/2007, ainda não havia transcorrido o prazo legal do art. 48 do Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10611.000771/200747 Acórdão n.º 3301004.226 S3C3T1 Fl. 459 4 Decreto n° 70.235/72, qual seja, 30 dias da ciência da solução da consulta formulada, prazo esse que, durante seu transcurso é vedada qualquer ação fiscal visando cobrar o tributo. Em seguida, o impugnante requer que preliminarmente o auto de infração seja declarado nulo por ter sido lavrado em 05/04/07, “antes mesmo da ciência, por parte da Autuada, da solução da Consulta Formulada (19/04/2007)”, e, ainda, em razão dos tributos já terem sido pagos/recolhidos aos cofres públicos “não havendo o menor amparo em nosso ordenamento jurídico para a cobrança de dívida paga”. Acrescenta que “tanto o PIS quanto a COFINS Importação, ou seja, o principal, nunca poderiam ter sido alvo do presente Auto de infração, mas, mesmo os juros e multas cobrados, estão em desacordo com o ordenamento jurídico que regula o Processo Administrativo Fiscal sob o qual estavam as mercadorias importadas” (art. 48, do Decreto no 70.235/72). Que o Código Tributário Nacional (art. 161, § 2o) e o Decreto no 4.543/02 Regulamento Aduaneiro (art. 665), que possuem redações idênticas, são expressos em excetuar a incidência de juros e multas de mora em casos onde haja consulta formulada. Após a instauração da lide o processo foi encaminhado a esta DRJ/FOR que, em 21/12/10, recepcionou correspondência eletrônica oriunda da unidade de origem (fl. 214), por meio da qual era informado que a matéria aqui tratada estava sendo objeto de discussão na esfera judicial por meio do processo no 2007.38.00.0039230. Diante dessa informação, foi realizada, nesta DRJ/FOR, consulta ao processo judicial, disponível na internet no sítio da Seção Judiciária de Minas Gerais (fls. 215/218), verificandose que no campo “Observação” se fazia referência à DI no 06/15670959, mas não às DI no 07/02269179 e 07/02328825, que também são objeto deste processo administrativo. Além disso, não havia elementos neste processo, como, por exemplo, a petição inicial, que permitissem a delimitação com segurança da abrangência da matéria que estava sendo (ou fora) discutida no Judiciário. De modo que este processo, por meio do Despacho no 1, da 2a Turma da DRJ/FOR, de 11/03/11 (fls. 220/222), foi devolvido à Inspetoria da Receita Federal do Brasil, em Belo Horizonte/MG, “para a anexação da Petição Inicial, Sentença e demais decisões acaso proferidas no Mandado de Segurança no 2007.38.00.0039230”. Como resultado da diligência foi anexada cópia do Processo Administrativo de Acompanhamento Judicial (PAJ) no 10611.000409/200776 que segue a tramitação na justiça do processo no 2007.38.00.0039230 (fls. 230/359), sendo o interessado cientificado dessa providência em 25/11/11 (fls. 373/374). Em 19/12/11, a Sociedade Anônima compareceu aos autos para, basicamente, ratificar os argumentos apresentados por ocasião da impugnação e esclarecer que a DI no 06/1560959 referese ao Mandado de Segurança no 2007.38.00.0039230, que transitou em julgado no dia 17/05/07 e as outras DI são correlatas à ação mandamental no 2007.38.00.0092620, em tramitação na 1a Região. Foram apresentados juntamente com essa última manifestação do autuado os doc. 01 a 04: inicial do mandado de segurança no 2007.38.00.0039230 (fls. 380/394); inicial do mandado de segurança no 2007.38.00.0092620 (fls. 395/416) e os documentos de fls. 417/423, por meio dos quais o autuado almeja comprovar o pagamento dos tributos referentes às DI em questão. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10611.000771/200747 Acórdão n.º 3301004.226 S3C3T1 Fl. 460 5 Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, para que seja anulado o referido Acórdão ou, ainda, que seja reformada a decisão julgando improcedente o Lançamento Fiscal consubstanciado no Auto de Infração nº 01251100. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0825.195, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/12/2006, 22/02/2006, 23/02/2007 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA PARCIAL ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. OCORRÊNCIA. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, diante de fato no qual interpreta que a legislação impõe a constituição do crédito tributário, está obrigado a fazer o lançamento, sob pena de vir a responder funcionalmente pela sua omissão. Se no processo administrativo fiscal de determinação e exigência dos créditos tributários da União são observados os requisitos formais e materiais exigidos pelo Código Tributário Nacional e pelo Decreto no 70.235/72 não há que se falar em nulidade. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OCORRÊNCIA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Impugnação Improcedente O ora analisado Recurso Voluntário visa anular o referido Acórdão ou, se for o caso, reformar a decisão, julgando improcedente o lançamento fiscal consubstanciado no Auto de Infração nº 01.251100. Os argumentos trazidos pelo Contribuinte sobre o mérito da lide dizem respeito a: Nulidade do Auto de Infração por lançamento do crédito tributário objeto de consulta fiscal; Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10611.000771/200747 Acórdão n.º 3301004.226 S3C3T1 Fl. 461 6 Improcedência do Auto de Infração por lançamento de crédito tributário extinto pelo pagamento. Nesse contexto, o Contribuinte aduz que o referido Auto de Infração deve ser anulado uma vez que já havia sido formulada Consulta, por parte do próprio Contribuinte, antes do vencimento do crédito tributário, o que inviabilizaria, segundo ele, a instauração de procedimento fiscal e o lançamento do crédito tributário. Em que pese os argumentos trazidos pelo Contribuinte em seu Recurso Voluntário, insta observar que deve ser mantido o entendimento da decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, uma vez que o Contribuinte buscou na esfera judicial a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o que tem por consequência a renúncia à esfera administrativa, como se verifica no seguinte trecho da decisão e que serve como razões para decidir (fls. 430 a 432): Tendo sido constatado que, sob o aspecto tributário, as operações das DI no 06/15670959, 07/02269179 e 07/02328825 foram submetidas ao Judiciário, por meio dos processos no 2007.38.00.0039230 e 2007.38.00.009260, resta realizar o cotejo entre o que lá foi pedido e o que foi impugnado no âmbito administrativo, para, no que se refere à matéria coincidente, não conhecer da impugnação, declarando aqui a definitividade da respectiva parcela do crédito tributário e a sua subordinação ao que for decidido na esfera judicial e, ainda, verificar se subsiste ou não matéria diferenciada a ser analisada por esta instância julgadora, tudo nos termos do art. 87, do Decreto no 7.574 de 29 de setembro de 2011 e Ato Declaratório Normativo (ADN) no 3, de 14 de fevereiro de 1996, da Coordenação Geral do Sistema de Tributação (Cosit) desta Secretaria. Da matéria submetida ao Judiciário No caso da DI no 06/15670959, o importador procurou guarida no mandado de segurança no 2007.38.00.0039230 para que a autoridade administrativa liberasse o equipamento médico importado sem fazer qualquer exigência fiscal no curso do despacho aduaneiro, fosse em relação ao principal dos tributos, fosse em relação à multa de ofício e juros, pois entendia encontrarse amparado em razão da consulta que havia protocolado junto à Delegacia da Receita Federal de São Paulo, até então ainda não solucionada. Naquele processo judicial, que transitou em julgado em 17/05/07, o juiz decidiu que: 1) a importação não fazia jus à alíquota zero da Pis/PasepImportação e da Cofins Importação (vide fl. 327): Na hipótese sob exame, conforme foi ressaltado pela autoridade administrativa a redução a zero da alíquota prevista disposto [sic] no § 14º, do art. 8º, da Lei 10865/2004 não se destina a isentar a importação via leasing da COFINS/PIS Importação, mas tão somente de evitar que a operação de arrendamento mercantil seja tributada duas vezes – (...). [...]. Desta forma, a redução de alíquota prevista no art. 8º, § 14º, da Lei 10865 de 30/04/2004, somente incide na hipótese prevista no art. 3º, II, do mesmo diploma legal (pagamento de serviços prestados) razão pela qual ela não incide na primeira hipótese (entrada de bens estrangeiros no território Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10611.000771/200747 Acórdão n.º 3301004.226 S3C3T1 Fl. 462 7 nacional) mediante o desembaraço aduaneiro que é a hipótese dos presentes autos. 2) a consulta apresentada não produzia os efeitos previstos no art. 48, do Decreto no 70.235/72, nem suspendia a exigibilidade do crédito tributário (vide fls. 328 e 330/331): Ora, para que a consulta produza os efeitos previstos no art. 48 do Decreto 70235/1972 especialmente impedir a instauração de procedimento fiscal contra a consulente, relativamente à matéria objeto da consulta, a partir de sua apresentação até o trigésimo dia subseqüente à data da decisão definitiva, é necessário que a consulta satisfaça os requisitos de validade previstos em lei. [...]. Mesmo que assim não se entenda, no caso concreto, a despeito da alegada morosidade da Administração Tributária Federal no Estado de São Paulo em examinar o conteúdo da consultada que lhe foi dirigida e respondêla prontamente fazse pertinente observar que a referida consulta não suspende a exigibilidade do crédito por força do disposto no art. 49, do Decreto 70235, de 06/03/1972 (...). [...]. Assim sendo, tendo presentes as razões expostas e, pelo que mais dos autos constam, denego a segurança impetrada porque para que a consulta fiscal produza os efeitos previstos no art. 48 do Decreto 70235/1972 especialmente impedir a instauração de procedimento fiscal contra o consulente, relativamente à matéria objeto da consulta, a partir de sua apresentação até o trigésimo dia subseqüente à data da decisão definitiva, é necessário que a consulta satisfaça os requisitos de validade previstos em lei – entre eles não estar o fato objeto da consulta definido ou declarado em disposição literal de lei – (art. 52, VI, do Decreto 70235/72), tal como ocorre no caso sob apreciação, conjugada com a circunstância de tratarse de tributo autolançado (art. 49, do Decreto 70235/72) de sorte que a consulta formulada pela contribuinte no caso examinado não suspende a exigibilidade do crédito. (...). Assim, está plenamente caracterizada a renúncia à discussão na esfera administrativa de todo o crédito tributário relacionado à DI no 06/15670959. Quanto às DI no 07/02269179 e 07/02328825, a ação judicial no 2007.38.00.0092620, em tramitação na 12ª Vara da Justiça Federal – Seção Judiciária de Minas Gerais, tem como pedido que seja determinado à autoridade administrativa “que se abstenha de cobrar multa de ofício e juros de mora, eis que o principal, o PIS e a COFINSImportação, supostamente incidentes sobre os equipamentos descritos nas D.I.’s no 07/02269179 e 07/02328825 (doc. 02), já foram devidamente recolhidos” (vide fl. 415). Temse, assim, caracterizada a renúncia à discussão na esfera administrativa da parcela do crédito tributário referente à multa de ofício e aos juros de mora relacionados às DI no 07/02269179 e 07/02328825. Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10611.000771/200747 Acórdão n.º 3301004.226 S3C3T1 Fl. 463 8 Portanto, resta claro a concomitância entre a esfera administrativa e judicial, o que não contesta o Contribuinte em seu Recurso Voluntário. O que alega em seu recurso, e que não é objeto da medida judicial no entendimento da decisão ora recorrida, diz respeito a duas questões como acima salientado, 1) nulidade do Auto de Infração por lançamento do crédito tributário objeto de consulta fiscal; e, 2) Improcedência do Auto de Infração por lançamento de crédito tributário extinto pelo pagamento. Em que pese os argumentos da decisão ora recorrida, de que não há concomitância quanto a discussão da nulidade do auto de infração, visto que o lançamento do crédito tributário é objeto de consulta fiscal, e, que esse crédito tributário estaria extinto pelo pagamento, fica patente que essa discussão está compreendida nos processos judiciais nºs 2007.38.00.0039230 e 2007.38.00.009260, tanto que o que for decidido em relação a essas duas questões ficam dependentes do que for decidido na via judicial. Neste sentido, cabe lembra a aplicação da Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, de acordo com a legislação aplicável e os autos do processo, voto por não conhecer do Recurso Voluntário devido a concomitância entre a via judicial e a administrativa. Valcir Gassen Relator Fl. 463DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002781/2007-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida.
ALIENAÇÃO DE BENS. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AUSÊNCIA. CRITÉRIOS PARA APURAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
Na ausência do custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital obtido na alienação de bens, a legislação estabelece métodos para a sua apuração vinculantes para a autoridade fiscal, com a consequente atribuição de valor zero ao custo de aquisição.
Numero da decisão: 2201-004.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
EDITADO EM: 16/03/2018
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. ALIENAÇÃO DE BENS. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AUSÊNCIA. CRITÉRIOS PARA APURAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Na ausência do custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital obtido na alienação de bens, a legislação estabelece métodos para a sua apuração vinculantes para a autoridade fiscal, com a consequente atribuição de valor zero ao custo de aquisição.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizamse como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. ALIENAÇÃO DE BENS. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AUSÊNCIA. CRITÉRIOS PARA APURAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Na ausência do custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital obtido na alienação de bens, a legislação estabelece métodos para a sua apuração vinculantes para a autoridade fiscal, com a consequente atribuição de valor zero ao custo de aquisição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 27 81 /2 00 7- 80 Fl. 735DF CARF MF Processo nº 19515.002781/200780 Acórdão n.º 2201004.137 S2C2T1 Fl. 736 2 Carlos Henrique de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator EDITADO EM: 16/03/2018 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1733.446 5ª Turma da DRJ/SPO II, o qual julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração pelo qual se exige Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF incidente sobre ganho de capital e omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários não identificados. Contra o contribuinte supra qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls.426/434, relativo ao imposto sobre a renda de pessoas físicas dos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, em decorrência de ação fiscal que teve por objeto o exame do cumprimento das obrigações tributárias relativas a esse período (fl.0l). Das verificações realizadas resultou a apuração do crédito tributário no valor total de R$ 912.509,08 (novecentos e doze mil, quinhentos e nove reais e oito centavos), na seguinte composição: Imposto R$ 409.919,69 Juros de mora (calc. Até 31 /08/2007) R$ 195.149,63 Multa proporcional R$ 307.439,76 O crédito tributário constituído referese a irregularidades assim descritas no Auto de Infração: Omissão de Ganhos de Capital na alienação de bens e direitos; Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os valores tributáveis e o enquadramento legal encontramse discriminados no corpo do auto de infração. Fl. 736DF CARF MF Processo nº 19515.002781/200780 Acórdão n.º 2201004.137 S2C2T1 Fl. 737 3 No Termo de Verificação e Constatação Fiscal TVCF de fls. 391/401, que faz parte integrante do Auto de Infração, a auditora fiscal responsável pelo procedimento dá conta dos fatos que originaram a autuação. Consta que em relação aos depósitos bancários, o fiscalizado foi instado por diversas vezes a apresentar documentos hábeis e idôneos para comprovação da origem dos recursos depositados nas suas contas bancárias mantidas junto às instituições Banco Itaú S/A e Banco Santander S/A, nos períodos examinados. Após análise dos documentos e esclarecimentos prestados, foram os depósitos considerados sem origem comprovada lançados como omissão de rendimentos nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/1996. Já os ganhos de capital na alienação de bens e direitos foram apurados com base nas escrituras apresentadas pelo 23° Tabelião de Notas da Capital e pelo Cartório de Registro Civil e anexos de Bertioga, em atendimento a ofícios expedidos pela fiscalização. A multa de ofício foi aplicada no percentual de 75,00% (setenta e cinco por cento), com fundamento no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. Foi apresentada impugnação. Levada a julgamento, foram os autos baixados em diligência, por Resolução da 5ª Turma da DRJ/SPO II, com vistas a intimar os compradores do imóvel situado em Bertioga (Riviera de São Lourenço), à confirmar as datas, valores e forma de pagamento, uma vez que o impugnante pretendia justificar origens de recursos de alguns depósitos bancários com as quantias recebidas na alienação. Em atendimento, a fiscalização anexou aos autos os documentos de fls.659/668. Foi prolatado o Acórdão nº 1733.446 5ª Turma da DRJ/SPO II (fls. 669/686), que a julgou improcedente, mantendo integralmente o Auto de Infração, nos termos da seguinte ementa: NULIDADES Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em nulidade, devendo os erros apontados pelo sujeito passivo ser analisados e, se for o caso, retificados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas que justifiquem individualmente as origens dos depósitos perquiridos pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Saldos e valores globais de rendimentos, ainda que declarados, não se constituem em provas hábeis para comprovar depósitos Fl. 737DF CARF MF Processo nº 19515.002781/200780 Acórdão n.º 2201004.137 S2C2T1 Fl. 738 4 bancários, se não encontrarem correspondência individualizada com estes. Excluídos do lançamento os depósitos comprovadamente incluídos sem observância das normas aplicáveis e os que tiveram a origem comprovada em documentação hábil e idônea. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS Retificase a apuração do ganho de capital sobre alienação de imóvel para considerar seu custo de aquisição, equivocadamente considerado omitido pela autoridade fiscal. A ciência dessa decisão ocorreu em 13/11/2009 (fl.696) e o recurso voluntário foi tempestivamente apresentado em 11/12/2009 (fls. 697/729). Em suas razões de recorrer, o contribuinte alega, em síntese, que: 1) O Agente Fiscal ao lavrar o auto está amparado em meras suposições ao simplesmente considerar omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento. Não é admissível o lançamento efetuado com base em extratos bancários. Os valores constantes dos extratos bancários, embora possam refletir sinais exteriores de riqueza, não caracterizam por si só rendimentos tributáveis; 2) A autuação fiscal não pode se basear em meras presunções; 3) As inconsistências verificadas culminam na nulidade do Auto de Infração; 3) Não são tributáveis, como omissão de rendimentos, os rendimentos oriundos da atividade rural, bem como, os ganhos de capital na alienação de bens e direitos, constantes das Declarações de Ajuste Anual. Nesse sentido é o entendimento do Conselho de Contribuintes. Transcreve jurisprudência administrativa; 4) Os valores declarados pelo contribuinte em suas Declarações de Ajuste Anual, como dinheiro em espécie, "dinheiro em caixa" numerário em cofre" e outras rubricas semelhantes, devem ser aceitos para acobertar acréscimos patrimoniais, salvo prova inconteste de sua inexistência no término do anobase em que tal disponibilidade for declarada. Portanto, não há como prosperar o auto de infração lavrado. 5) A autoridade deve provar que o contribuinte realizou gastos em montante superior a renda disponível. Ilegítimo é o lançamento quando a autoridade lançadora deixe de comprovar o sinal exterior de riqueza. Tendo o contribuinte declarado que os valores foram recebidos de determinada fonte, cabe ao Fisco, de posse das informações constantes de seus registros, demonstrar a alegada omissão. Por outro lado, nada há na legislação que obrigue que a comprovação dos valores ocorra mediante a coincidência de datas e de valores. 6) Se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão apurada tem origem em outra atividade, não procede a pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal, devendo o valor tributado limitarse a vinte por cento da omissão apurada. Fl. 738DF CARF MF Processo nº 19515.002781/200780 Acórdão n.º 2201004.137 S2C2T1 Fl. 739 5 7) Os valores decorrentes das alienações de bens imóveis, conforme já mencionados na defesa foram depositados através de dinheiro na conta do contribuinte, situação esta que justifica a origem dos valores depositados a esse título. 8) Quando da venda do imóvel localizado no “Edifício Veredas da Cantareira”, também se verificam inconsistências: O Agente Fiscal deixou de observar que o valor decorrente da venda foi depositado na conta do contribuinte no Banco Santander, nos valores de R$ 157.000,00 e R$ 37.800,00, conforme se comprova dos extratos e escritura anexos ao processo administrativo. 9) O Agente Fiscal ao imputar o valor devido ao contribuinte a título de ganho de capital restou por não observar que consta de sua Declaração de Ajuste Anual o custo de aquisição do bem, cujo valor foi declarado no montante de R$ 90.717,70, que resulta em nova inconsistência no auto lavrado. 10) Há valores que foram depositados na conta do contribuinte e que são decorrentes de transações efetuadas com a Cooperativa de Laticínios São José dos Campos, sendo certo que tais valores são originários em função de atividades realizadas na Fazenda da qual o contribuinte é titular, conforme já exposto. 11) O Agente Fiscal lançou em nome do contribuinte valores por ele considerados decorrentes de omissões. Entretanto, ao lavrar o auto de infração, restou por laborar novamente em erro ao deixar de observar que existem valores que foram originários de transferências entre os bancos Itaú e Santander, conforme se observa dos extratos bancários anexos. 12) Há valores que são decorrentes de depósito de resgate de valores a título de operação denominada POUP MAX, ou seja, os valores foram sacados e posteriormente depositados em conta do contribuinte, conforme se comprova dos extratos anexos. 13) Há também valores decorrentes de operações realizadas com factoring que foram desconsiderados pelo Fiscal e que devem ser excluídos do auto lavrado. Por fim, requer o recebimento do presente Recurso para, julgar improcedente o Auto de Infração, cancelandoo integralmente, bem como anulandose todas e quaisquer penalidades impostas ao contribuinte. É relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra – Relator Admissibilidade O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Preliminarmente Fl. 739DF CARF MF Processo nº 19515.002781/200780 Acórdão n.º 2201004.137 S2C2T1 Fl. 740 6 Nulidade Sustenta o recorrente que o Auto de Infração possui inconsistências que levariam a sua nulidade. Todavia, as razões apresentadas confundemse com o mérito, não tendo sido arguido nenhum aspecto formal que maculasse o lançamento ou o próprio processo administrativo fiscal. De pronto, afasto a preliminar de nulidade aventada no recurso voluntário, tendo em vista que não se verificam nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, verbis: “Art. 59. São nulos; I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” A autoridade fiscal que presidiu o procedimento é ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, sendo competente, no exercício de suas atribuições, para lavrar todos os termos necessários para o correto desempenho de suas funções. Os atos e termos lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade e garantido o mais absoluto direito de defesa, mediante abertura do prazo legal de impugnação, não há que se cogitar de nulidade dos autos de infração. Igualmente foram atendidos os preceitos do artigo 10 do PAF (Decreto n° 70.235, de 1972), ratificando a inexistência da nulidade pretendida, pelo que se indefere o pleito em relação a vícios de natureza formal. Mérito Omissão de Rendimentos O recorrente alega que não se pode tributar omissão de rendimentos baseada em mera presunção e que todos esses rendimentos foram oferecidos à tributação em sua Declaração de Ajuste Anual. Fazse necessário esclarecer que o que se tributa, no presente processo, não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos por eles representada. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Os depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazêlo, ou não o faz satisfatoriamente. Fl. 740DF CARF MF Processo nº 19515.002781/200780 Acórdão n.º 2201004.137 S2C2T1 Fl. 741 7 Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o dever/poder de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a administração pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância do diploma legal. A decisão de piso considerou como suficientemente comprovada a origem dos depósitos no montante de R$ 170.700,00, os quais foram provenientes da alienação do apartamento localizado no Condomínio Sea Star. Em relação ao apartamento localizado no condomínio Veredas da Cantareira, alega o recorrente que não foram considerados os valores depositados de R$ 157.000,00 e R$ 37.800,00 originários de sua alienação. Todavia, acertadamente a decisão de piso pontuou que a soma desses valores não coincide com o valor da venda do imóvel, nos termos da escritura acostada aos autos. Referido documento atesta que o apartamento foi vendido por R$ 220.000,00, recebidos no ato de sua lavratura, ou seja, 24/09/2004. Não há nos autos prova do recebimento desses valores, ainda que em datas próximas. O recorrente, por sua vez, não trouxe novos elementos de fato e de direito capazes de refutar a decisão recorrida, limitandose a reproduzir os mesmos argumentos utilizados quando do protocolo da peça impugnatória. O acórdão da DRJ, mais uma vez, de maneira acertada, promoveu a exclusão da base de cálculo por comprovação da origem, o depósito do valor de R$ 2.000,00 efetuado no Banco Itaú S/A, em 07/01/2002, justificado pela compensação de cheque do Banco Santander S/A, na mesma data. Houve a exclusão, ainda, do valor depositado de R$ 5.600,00, em março/2002, em que houve a comprovação do estorno no mesmo dia, bem como do valor de R$ 5,23, correspondente a crédito de CPMF, em dezembro/2004. A insurgência do recorrente quanto ao cômputo dos valores movimentados na operação POUP MAX é improcedente, uma vez que estes valores já foram excluídos pela própria autoridade lançadora, conforme se depreende das planilhas de fls. 259/270 e 347/369. A alegação de que os valores omitidos em sua integralidade são originários de atividade rural, da mesma forma, não merecem prosperar. O sujeito passivo sustenta que foram depositados valores em sua conta corrente decorrentes de transações efetuadas com a Cooperativa de Laticínios São José dos Campos, reforçando que tais valores são originários do exercício de atividades realizadas na Fazenda da qual o contribuinte é titular. Em que pese o esforço argumentativo do recorrente, para afastar a presunção de omissão de rendimentos estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996, a alegação tem que ser comprovada de maneira individualizada, o que não ocorreu no presente caso. O mesmo raciocínio deve ser aplicado em relação a alegação de que parte dos valores que transitaram em sua contacorrente se deram através de operações de factoring e que foi beneficiário de distribuição de lucros. De outro lado, o recorrente requer que os valores em espécie declarados se prestem para a comprovação da origem dos valores. Referida pretensão não guarda liame lógico, posto que não estamos a tratar dos bens declarados ou de sua variação patrimonial, mas Fl. 741DF CARF MF Processo nº 19515.002781/200780 Acórdão n.º 2201004.137 S2C2T1 Fl. 742 8 sim da presunção de renda dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento estabelecida pela lei. Os valores tributados são os que carecem de comprovação e que, nos termos do artigo 42, da Lei 9.430/96, presumemse como omissão de rendimentos: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Como já mencionado, de acordo com disposto no art. 42 da Lei n° 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos ou não tributáveis. Cabe ao recorrente comprovar a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo suficiente alegações e indícios de prova sem correspondência com os valores lançados. Destarte, a tese do recorrente não merece prosperar. A presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96 só poderá ser afastada através de documentos hábeis e idôneos, não bastando a mera alegação ou apresentação de documentos, que não se prestam para comprovar a origem dos valores depositados na conta corrente do sujeito passivo. Fl. 742DF CARF MF Processo nº 19515.002781/200780 Acórdão n.º 2201004.137 S2C2T1 Fl. 743 9 Assim, em razão da ausência de comprovação das origens dos valores que transitaram na conta do sujeito passivo, não merece reforma a decisão recorrida. Ganho de Capital Em relação ao lançamento por ganho de capital na alienação de imóveis urbano, o ponto fulcral da controvérsia diz respeito ao seu custo de aquisição, notadamente os apartamento do condomínio Veredas da Cantareira, em que a autoridade fiscal atribuiulhe custo de aquisição zero, pela inércia do sujeito passivo em informar tais valores. A decisão de piso alterou o custo de aquisição do apartamento localizado no condomínio Sea Star, que foi considerado pelo valor constante da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, na importância de R$ 30.717,70. Todavia, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fl. 396) esse imóvel não gerou a lavratura de Auto de Infração para o lançamento de ganho de capital. No que concerne à apuração do ganho de capital do apartamento do condomínio Veredas da Cantareira, em que a autoridade fiscal atribuiu custo de aquisição zero, mais uma vez, agiu com acerto a Fiscalização. De acordo com a Instrução Normativa SRF n° 84, de 11 de outubro de 2001, que dispõe sobre a apuração e tributação de ganhos de capital nas alienações de bens e direitos por pessoas físicas, na ausência do valor pago devem ser adotados os seguintes critérios: Custo na ausência do valor pago Art. 18. Na ausência do valor pago, o custo de aquisição é: I o valor que tenha servido de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; II o valor de transmissão utilizado, na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante anterior; III o valor corrente na data da aquisição; IV igual a zero, quando não possa ser determinado nos termos dos incisos I, II e III. Esta previsão tem base no art. 16 da Lei n° 7.713, de 1988: Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do Imposto de Importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; II o valor da avaliação do inventário ou arrolamento; Fl. 743DF CARF MF Processo nº 19515.002781/200780 Acórdão n.º 2201004.137 S2C2T1 Fl. 744 10 IV o valor de transmissão, utilizado na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V seu valor corrente, na data da aquisição. § 1° O valor da contribuição de melhoria integra o custo do imóvel. § 2° O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e dos bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens. § 3° No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. § 4° O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. Assim, entendo que a autoridade lançadora não teve meios de apurar o custo de aquisição do imóvel em comento, segundo os critérios delineados pela legislação de regência. Não o fazendo, outra solução não poderá ser adotada, senão apurar o custo de aquisisição com valor zero. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negarlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 744DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.905797/2008-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
DCOMP. COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO.
Diligência fiscal que constatou ausência de créditos remanescentes, à compensar débitos deste processo.
DCOMP. COMPENSAÇÃO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA DEVIDA.
O afastamento da multa moratória, em face do benefício da denúncia espontânea, do art. 138, do CTN, exige o atendimento dos requisitos de existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e da inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento.
A compensação é forma distinta de extinção do crédito tributário, sujeita à condição resolutória da sua homologação, estando restrito ao pagamento o gozo do benefício conferido pelo sobredito art. 138, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3401-004.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicando-se integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Diligência fiscal que constatou ausência de créditos remanescentes, à compensar débitos deste processo. DCOMP. COMPENSAÇÃO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA DEVIDA. O afastamento da multa moratória, em face do benefício da denúncia espontânea, do art. 138, do CTN, exige o atendimento dos requisitos de existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e da inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento. A compensação é forma distinta de extinção do crédito tributário, sujeita à condição resolutória da sua homologação, estando restrito ao pagamento o gozo do benefício conferido pelo sobredito art. 138, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicandose integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 57 97 /2 00 8- 66 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10980.905797/200866 Acórdão n.º 3401004.330 S3C4T1 Fl. 182 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto os relatórios das Resoluções que converteram os feitos em diligências, os quais, por economia, reservome o direito de não transcrever. Considerando que o processo não se encontrava em condições de julgamento, foi resolvida sua conversão em diligência para que fosse apurado o valor que é devido em cada um dos códigos, o valor que fora efetivamente pago e, sendo assim, se a contribuinte possui direito creditório em caso de pagamento a maior. A informação fiscal proferida confirmou a homologação parcial da compensação declarada, "...isto porque o contribuinte não compensou a multa de mora a que o débito estava sujeito, dado que compensado quando já se encontrava vencido." Após ciência sobre a informação fiscal, apresentase manifestação, contestando as conclusões alcançadas pela diligência fiscal, em essência, alegando estar amparada pelo art. 138, da Lei n° 5.172/66 (CTN), que excluiria a responsabilidade pela denúncia espontânea, quanto à multa de mora. Voto O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de DCOMP, transmitida para a compensação de créditos tributários relativos às contribuições sociais para o PIS. Notar que, inicialmente, o despacho decisório eletrônico de não homologação das compensações declaradas, deuse pelo fato de que o DARF discriminado na DCOMP estava integralmente utilizado. Na manifestação de inconformidade, passa o interessado a justificar que o crédito pleiteado tem origem no recálculo da contribuição em razão da redução à alíquota a zero (%) por centro para o PIS no período. Em resposta, concluiu o acórdão DRJ, não ter sido trazido aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado. Diante destas razões, posteriormente trazidas, via decisão recorrida, contrapõe a recorrente, por meio do recurso voluntário, provas documentais, em planilhas e cópias de razões analíticos. Presente a hipótese prevista na alínea "c", §4º, art. 16, do PAF, no caso em discussão, os autos foram e retornaram de diligência com a confirmação da homologação parcial da compensação declarada, restando saldo devedor, em razão da não compensação da multa de mora a que o débito estava sujeito, dado que compensado quando já se encontrava vencido. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10980.905797/200866 Acórdão n.º 3401004.330 S3C4T1 Fl. 183 3 Entendo, no mesmo sentido da decisão recorrida, que o art. 138, da Lei n° 5.172/66, exclui a responsabilidade pela denúncia espontânea, mas, quando acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora. Pagamento. Não compensação como é o caso. Aplicase ao caso, o teor do julgamento do REsp 1.149.022/SP, submetido ao rito dos recursos repetitivos, do art. 543C, do CPC/1973, determinandose que a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente; decisão judicial de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do §2º, do art. 62, do RICARF/2015 (Portaria MF nº 343, de 09/06/15). PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10980.905797/200866 Acórdão n.º 3401004.330 S3C4T1 Fl. 184 4 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. SÚMULA STJ nº. 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Aplicando o instituto da denuncia espontânea, à caso concreto semelhante, sob o aspecto da existência de compensação, ao invés de pagamento, o voto vencedor da Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, no Acórdão nº 3302002.772, de 13/11/2014, abaixo transcrito, adotadas suas razões de decidir para o presente processo: "Denúncia Espontânea O CTN somente excluiu, em seu art. 138, a responsabilidade tributária em razão de denúncia espontânea quando esta for acompanhada do pagamento do tributo devido com os respectivos juros moratórios. O comando do art. 138, do CTN, visa incentivar a regularização fiscal e o incremento da arrecadação, por meio da concessão de incentivo (qual seja, a exclusão da responsabilidade por infração) pelo pagamento de tributos em atraso espontaneamente denunciados. E como a compensação seja aos moldes pretéritos (em que era objeto de pedido e era passível de eventual Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10980.905797/200866 Acórdão n.º 3401004.330 S3C4T1 Fl. 185 5 posterior indeferimento), seja aos moldes atuais (em que é declarada e está sujeita, dentro do prazo de 5 anos, a ser fortuitamente não homologada na forma do art. 74, §1º, da Lei nº 9.430/96) –, trata de forma precária (não definitiva) da extinção do crédito tributário, não goza do benefício conferido por sobredito art. 138. O entendimento acima se afina com a jurisprudência do STJ a respeito desta questão peculiar, conforme patenteia a ementa do acórdão, recentemente publicado no DJE de 26/08/2010, proferido AgRg no Agravo de Instrumento nº 1.303.103/RS, no qual foi Relatora a Exma. Sra. Ministra Eliana Calmon: “TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL DENÚNCIA ESPONTÂNEA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO PRINCIPAL E DOS JUROS DE MORA DEVIDOS NÃO CONFIGURAÇÃO. 1. A configuração da denúncia espontânea pressupõe o pagamento do principal da dívida acompanhado dos juros de mora devidos antes de qualquer procedimento fiscal, o que não ocorreu na espécie, na qual houve mero pedido de compensação. 2. Agravo regimental não provido.” (g.n.) De se ver que a jurisprudência colacionada pela contribuinte em suas peças de defesa atestam como requisitos para a não incidência de multa moratória em face da denúncia espontânea o atendimento de dois requisitos: a existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e a inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento. A contribuinte não atendeu ao primeiro dos requisitos mencionados. (grifei/sublinhei) No mesmo sentido, o voto condutor do Conselheiro Luiz Roberto Domingo, no Acórdão nº 3101001.631, de 27/03/2014, abaixo transcrito, por unanimidade, entendo não ser cabível a exclusão da penalidade, nos termos do art. 138 do CTN, no casos de mera compensação: "É pacífica a jurisprudência, inclusive com diversos precedentes do E. STJ, no sentido de que é possível ao contribuinte sanar o inadimplemento de crédito tributário, ainda que a destempo, sem que haja aplicação da sanção legal, desde que mediante PAGAMENTO. Está assim pacificada a jurisprudência no âmbito do STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. PRETENSÃO QUE ENCONTRA ÓBICE NA SÚMULA N. 7 DO STJ. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. 1. A revisão da conclusão do acórdão recorrido, no sentido da ausência de direito líquido e certo a ser amparado pelo mandamus, importaria em novo exame do conjunto fáticoprobatório dos autos. Precedentes: AgRg no AREsp 144.012/MA, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 15/05/2012; AgRg no AREsp 98.066/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 23/04/2012; REsp 1206178/DF, Rel. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10980.905797/200866 Acórdão n.º 3401004.330 S3C4T1 Fl. 186 6 Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/11/2011; AgRg no Ag 1378589/DF, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 13/09/2011. 2. A extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 174.514, Rel. Min. Benedito Gonçalves, 1A T, julg. 04/09/2012) Como no presente caso, diferentemente dos demais que foram por mim analisado, a Recorrente realizou a compensação dos débitos liquidados em atraso, conforme se verifica da planilha transcrita no relatório acima, entendo não ser cabível a exclusão da penalidade nos termos do art. 138 do CTN." (grifei) Portanto, no presente caso, inaplicável o instituto da denuncia espontânea, nos termos do art. 138, do CTN, e indevida a exclusão da penalidade da multa de mora. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicandose integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.923156/2012-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 19/10/2007
CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE.
No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento.
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa.
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA
Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.856
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 19/10/2007 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado.
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 19/10/2007 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 31 56 /2 01 2- 06 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.923156/201206 Acórdão n.º 3302004.856 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada não foi homologada na sua totalidade, tendo em vista que o valor do pagamento tido como origem do crédito pretendido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, a contribuinte salienta que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, recolhendoas nos seus devidos prazos ou por força maior, com os devidos encargos legais, por isso discorda do débito cobrado no Despacho Decisório. Diz ser detentora de crédito decorrente de pagamento supostamente indevido ou a maior, que foi utilizado para compensar débito no mesmo valor, cuja data de vencimento é a mesma do recolhimento. Lembra que não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados em Per/Dcomp e não imputou multa e juros sobre os débitos compensados porque são do mesmo período de apuração. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06045.320. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Declaração de Compensação, na forma da legislação de regência. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese que: · existe nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido por ausência de motivação, dada a generalidade da fundamentação sem aferir o real motivo do indeferimento ou o equívoco cometido pela recorrente, com consequente cerceamento do direito de defesa; · o despacho que não homologa o pedido de compensação deve conter, tal qual o auto de infração, a descrição do fato, disposição legal infringida e multa aplicável; · não houve prejuízo para o Erário, pois apenas houve erro na rubrica no DARF, e não atraso no recolhimento; · a cobrança de multa de mora sem atraso no recolhimento constitui enriquecimento sem causa Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.923156/201206 Acórdão n.º 3302004.856 S3C3T2 Fl. 4 3 · não há que se falar em juros de mora uma vez que, no caso, o período de apuração é o mesmo para o crédito e o débito. · subsidiariamente solicita diligência para reexame dos documentos; · reitera a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em análise , finalmente · solicita que a advogada da causa seja intimada e informada de todas as publicações sob pena de arguição de nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.825, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.923119/201290, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.825): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Do pedido do subscritor do recurso (advogada) para recebimento de futuras publicações/intimações no endereço por ela indicado. No Processo Administrativo Fiscal PAF o artigo 10 do Decreto nº 7.574 estabelece as formas de intimação sempre direcionadas ao próprio contribuinte. Por sua vez o artigo 26 e seguintes da Lei nº 9.784, de 1999 Processo Administrativo Federal também não prevê que o advogado possa ser comunicado dos atos de interesse do administrado que em última instância é quem sofrerá seus efeitos. Atentese, ainda, que a intimação em sede de PAF é de competência da RFB não havendo pronunciamento normativo do CARF amparando a pretensão, assim sendo, indefiro o pedido. Do alegado cerceamento ao direito de defesa Sem razão a Recorrente. O Despacho Decisório de fl, 17, assim como a Decisão recorrida estão perfeitamente fundamentados, com enquadramento legal, descrição dos fatos e cálculo da valoração (detalhamento da compensação, valores devedores e Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.923156/201206 Acórdão n.º 3302004.856 S3C3T2 Fl. 5 4 emissão de DARF, fl. 11), portanto não há que se falar em nulidade de atos ou cerceamento ao direito de defesa. Mérito Cuida o presente processo de erro cometido pela Recorrente no preenchimento de código em DARF pago, cujo valor a Recorrente deseja aproveitar para pagamento do débito correspondente ao código/tributo correto sem, entretanto, sofrer os acréscimos legais da multa de mora. A recorrente não alega qualquer tipo de erro nos débitos nem há notícia de que os mesmos não tenham sido informados nas correspondentes declarações entregues antes do PerDcomp, assim sendo, os fatos mostramse incontroversos e dispensam diligência. Não se vislumbra incorreção no procedimento da RFB na análise do PerDcomp que culminou com cobrança de débitos indevidamente compensados em virtude do contribuinte não ter considerado a multa de mora no pagamento/compensação dos débitos. Pois bem, um tributo só é considerado efetivamente pago, total ou parcialmente, quando o sistema de dados da Fazenda Nacional compara o código informado no DARF com o correspondente código do débito informado em declaração específica e faz a vinculação entre ambos. Caso contrário o valor recolhido equivocadamente permanece "em aberto" como crédito e não como pagamento, podendo por isso ser restituído acrescido dos juros compensatórios. Por outro lado o débito formalmente declarado, que não corresponde ao código informado equivocadamente no DARF, continua sem quitação e a sofrer os acréscimos de juros e multa de mora. Optando ou não a contribuinte pela compensação, sempre haverá cobrança de mora se o débito não foi formalmente liquidado na data do vencimento, independente de quando tenha sido realizado o pagamento indevido. A sistemática de análise de PerDcomp não altera essas duas situações distintas e independentes (pagamento indevido e pagamento em atraso), pois ela apenas faz o encontro de contas na data da entrega do PerdComp, momento da valoração do crédito para restituição e automática conversão em pagamento do débito em aberto, total ou parcialmente, mediante compensação. Repitase que este encontro de contas sempre será desfavorável ao contribuinte tendo em vista que o código do débito1, 1 Lei 9.430, de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.923156/201206 Acórdão n.º 3302004.856 S3C3T2 Fl. 6 5 correspondente ao código correto que deveria constar no DARF, não foi encontrado pelo sistema e assim o débito em aberto sofre acréscimos da multa de mora diária mais juros de mora mensais até a data a entrega do Perdcomp, enquanto que (ii) o crédito2 a ser restituído e compensando sofre somente os juros compensatórios mensais, calculados também até a data da entrega do PerDcomp. Em resumo, se no momento da valoração, ou seja na data da transmissão da PerDcomp, o débito que se buscou compensar já estava sujeito a acréscimos moratórios, e o crédito com seus acréscimos não foram suficientes para quitálos, então a compensação é homologada parcialmente e o saldo residual do débito considerado indevidamente compensado, exigindose, em consequência, seu pagamento com os acréscimos legais3. A mesma sistemática se repete em sucessivos PerDcomp quando existe saldo residual de crédito na compensação homologada a ser aproveitado em outro(s) PerdComp. A situação parece injusta mormente porque o pagamento indevido ou a maior decorre em regra de um erro do contribuinte que não pretendia ficar em mora, porém não é o caso de se aplicar o art. 108 do CTN, pois verificase que não foi a RFB que deu causa ao erro. Ademais, mesmo sem levar em consideração os transtornos e custos que os erros causam à administração, há de se observar ainda que o julgador administrativo está vinculado à lei, ainda na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 2 Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: II houver a entrega da Declaração de Compensação ...; § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, observarseá, como termo inicial da incidência: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) III na hipótese de pagamento indevido ou a maior: c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; 3 Lei nº 9.430 /1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IN 900/2009 Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.923156/201206 Acórdão n.º 3302004.856 S3C3T2 Fl. 7 6 que esta reflita apenas aspectos sobre cumprimento dos prazos e forma de apuração dos valores, e assim não pode deixar de reconhecer a aplicação destas formalidades legais utilizadas para cálculo da restituição de pagamentos indevidos e para cobrança de débitos vencidos, independente deste tipo de erro cometido pela contribuinte que o deixou em mora. Não se vislumbra ilegalidade no procedimento da Receita Federal e tampouco enriquecimento ilícito da União, pois decorrente da lei. Conclusão Diante de tudo que foi exposto, rejeito a preliminar arguida, e no mérito nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o(s) débito(s) que se procuravam compensar já se encontravam vencidos na data em que foi transmitida a DCOMP inicial. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.902492/2008-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento válido para a não homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento válido para a não homologação da compensação.
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REQUISITOS. A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento válido para a não homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 24 92 /2 00 8- 04 Fl. 145DF CARF MF 2 A Recorrente transmitiu DCOMP, por meio do qual busca compensar crédito a título de estimativa de CSLL relativa ao mês de dezembro de 1999, de R$ 1.674,20, com débitos tributários de sua responsabilidade, no montante de R$ 2.610,41. O Despacho Decisório (fl.55) não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de que, embora localizado o Darf de pagamento indicado na DCOMP, o crédito já teria sido integralmente utilizado para quitação de outro débito, não restando crédito disponível. Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1/3). Sustenta que sua DIPJ (fls. 5/51) indica que houve recolhimentos de IRPJ apurados no 2º trimestre de 1999, de R$ 1.499,83, e no 4º trimestre, de R$1.111,91, devidamente compensados com 1/3 da COFINS efetivamente paga, conforme permitias a Lei nº 9.718/98. Aduz que o valor pago de COFINS (de R$ 113.861,26) seria suficiente para compensar toda a apuração da CSLL, razão pela qual toda a CSLL recolhida (R$ 39.450,72), incluído aí o referido crédito de R$ 1.674,20, constitui pagamento a maior passível de compensação. Em Sessão de 10 de junho de 2011, a 2ª Turma da DRJ/BSB, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 0343.546 (fls. 89/95), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: LEI Nº 9.718/98, ART. 8º, § 1º. COMPENSAÇÃO. CSLL E 1/3 DA COFINS EFETIVAMENTE PAGA. A compensação da CSLL com até 1/3 da Cofins efetivamente paga, em vigor de fevereiro a dezembro de 1999, está autorizada pelos §§ 1º a 3º do art. 8º da Lei nº 9.718, de 1998. ESTIMATIVA. IRRETRATABILIDADE DA OPÇÃO DE PAGAMENTO DO IRPJ OU DA CSLL POR ESTIMATIVA. A forma de pagamento do IRPJ ou da CSLL por estimativa será irretratável para todo o anocalendário. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não se admitem no processo administrativo fiscal, para efeitos de impugnação, meras alegações desprovidas de fundamentos. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 99/103). Informa a competência correta do crédito (dezembro de 1999, e não janeiro de 2000). Diz existir tremenda contradição da DRJ, uma vez que a mesma 2ª Turma já teria reconhecido o direito creditório em outro processo que indica e transcreve no item 06, fls. 102. Após encaminhamento dos autos ao E. CARF, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência por meio da Resolução nº 1801000.081 (fls. 110/112), a qual determinou o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em face da sua contabilidade, registros no Sapli, outros pedidos de restituição/compensação com origem no mesmo crédito, vinculação a outros processos administrativos fiscais, formação do saldo negativo no final do ano calendário etc. Em atendimento à diligência, a autoridade fiscal responsável emitiu Termo de Informação Fiscal (fls. 124/128), manifestandose pela insuficiência do crédito solicitado pelo contribuinte. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10166.902492/200804 Acórdão n.º 1201001.964 S1C2T1 Fl. 3 3 Já o contribuinte apresentou Contestação (fls. 132/135). Afirma que a autoridade administrativa, na verdade, julgou a lide; que ela se esqueceu de que, no julgamento anterior, o pagamento da CSLL por estimativa foi considerado erro de fato e que o crédito referente a um terço (1/3) da Cofins pode ser aproveitado também em outra competência. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar débitos lançados em DCTF no mesmo montante, não havendo pagamento a maior ou indevido passível de compensação. Após a diligência requerida, a autoridade fiscal responsável ratificou a insuficiência do crédito, conforme atesta o seguinte trecho de sua conclusão: 11. Nessa linha, o valor do débito de CSLL para o 4° Trimestre/1999, num total de R$ 21.603,91, apurado em tabela 01 abaixo, são os valores declarados em DCTF (fl.118), que é documento de confissão de dívida e instrumento hábil para a exigência do crédito, consoante preconiza o art. 5° e §§ do DecretoLei n° 2.124/84, diferentemente da DIPJ, que é declaração de natureza informativa à administração tributária. Código Receita Período de Apuração Vencimento Valor (reais) 2484 10/1999 30/11/1999 5.357,71 2484 11/1999 30/12/1999 8.176,94 2484 12/1999 31/01/2001 8.069,11 Total: 21.603,76 TABELA 01 12. Por outro lado, os pagamentos recolhidos a título de COFINS para o 4° Trimestre/1999, extraídos do sistema SIEF (fl. 119), estão relacionados em tabela 02 abaixo: Código Receita Período de Apuração Vencimento Data de Arrecadação Valor (reais) 2171 11/1999 15/12/1999 15/12/1999 11.835,85 2172 11/1999 15/12/1999 15/12/1999 1.765,12 2172 11/1999 15/12/1999 15/12/1999 3.434,30 2172 12/1999 14/01/2000 17/01/2000 3.487,91 2172 12/1999 14/01/2000 17/01/2000 1.205,65 2172 12/1999 14/01/2000 17/01/2000 12.117,09 Total: 33.845,92 TABELA 02 Fl. 147DF CARF MF 4 13. Assim, para o 4° Trimestre/1999, nos termos da Lei 9.718/98, que possibilitou a compensação da CSLL com 1/3 do valor total de COFINS recolhido para o mesmo período de apuração, verificase que 1/3 da COFINS, R$ 11.281,97 (33.845,92/3), poderá ser compensada com os débitos de CSLL. Nesse contexto, como os débitos de CSLL somam um valor total de R$ 21.603,76 (conforme tabela 01), concluise que deve haver um recolhimento efetivo de CSLL, após a dedução de 1/3 de COFINS, no valor de R$ 10.321,79 (21.603,76 11.281,97). Logo, o valor pago a título de CSLL acima de R$ 10.321,79 deve ser considerado pagamento a maior, passível de restituição/compensação. 14. Partese então para verificação dos pagamentos recolhidos sob a rubrica de CSLL. De acordo com o sistema Sief, fl. 120, foram recolhidos, para o 4° Trimestre/1999, R$ 15.481,55, conforme tabela 03 abaixo. Assim, como o valor total de CSLL recolhido para esse período foi de R$ 15.481,55, verificase que R$ 5.159,76 (15.481,5510.321,79) foram recolhidos a maior, e que esse é o valor que a contribuinte tem como direito creditório de pagamento indevido ou a maior de CSLL. Pagamento Código Receita Período de Apuração Vencimento Data de Arrecadação Valor (reais) 01 2484 10/1999 29/10/1999 29/10/1999 411,16 02 2484 10/1999 29/10/1999 29/10/1999 250,31 03 2484 11/1999 30/12/1999 30/12/1999 5.681,21 04 2484 11/1999 30/12/1999 30/12/1999 1.648,47 05 2484 11/1999 30/12/1999 30/12/1999 847,26 06 2484 12/1999 31/01/2000 31/01/2000 5.816,20 07 2484 12/1999 31/01/2000 31/01/2000 1.674,20 15.481,55 TABELA 03 15. Ainda de acordo com o sistema Sief, dos sete pagamentos listados em tabela 03 acima, cinco pagamentos, números 03, 04, 05, 06 e 07, foram utilizados em DCOMPs, conforme tabela 04 abaixo. Em consulta ao sistema Sief, verificouse que o pagamento de número 04, no valor de R$ 1.648,47, já foi totalmente utilizado em compensação, conforme tela de fl.117. Como o crédito a que a contribuinte tem direito é no valor de R$ 5.159,76, resta um saldo credor de R$ 3.511,29. Pagamento Período de Apuração Data de Arrecadação Valor (reais) DCOMP Processo 03 11/1999 30/12/1999 5.681,21 03551.71916.181104.1.3.047449 10166.902486/200849 04 11/1999 30/12/1999 1.648,47 17226.91720.181104.1.3.046478 10166.902505/200837 05 11/1999 30/12/1999 847,26 35300.05293.181104.1.3.043098 10166.902478/200801 06 12/1999 31/01/2000 5.816,20 10902.30899.181104.1.3.040625 10166.902462/200890 07 12/1999 31/01/2000 1.674,20 06546.22682.181104.1.3.049008 10166.902492/200804 TABELA 04 16 Esse saldo credor, no valor de R$ 3.511,29, será vinculado à DCOMP 03551.71916.181104.1.3.047449, referente ao pagamento de n. 03, cujo valor é de R$ 5.681,21. Logo, essa DCOMP possui um crédito parcial de R$ 3.511,29 e as demais DCOMPs, referentes aos pagamentos de n° 05, 06 e 07, não possuem crédito passível de compensação. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10166.902492/200804 Acórdão n.º 1201001.964 S1C2T1 Fl. 4 5 17. Pelo exposto, em razão do direito creditório de pagamento a maior de CSLL, apurado para o 4° Trimestre/1999, no valor de R$ 5.159,76, ter sido totalmente utilizado em DCOMP de n° 03551.71916.181104.1.3.047449 e em DCOMP de n. 17226.91720.181104.1.3.046478, resta comprovada a inexistência de saldo credor referente ao pagamento de R$ 1.674,20 (data de arrecadação 31/01/2000), DCOMP 06546.22682.181104.1.3.049008, que é o objeto de análise deste processo de compensação. A autoridade fiscal demonstrou que realmente o alegado direito creditório não procede. Isso porque o crédito que a contribuinte diz que possui foi alocado para outras compensações, não restando saldo suficiente para liquidar o débito ora exigido. A fiscalização procedeu com uma apuração rigorosa e explicou no detalhe os motivos da insuficiência do crédito. Considerou corretamente os valores declarados em DCTF (instrumento de confissão de dívida) e, a partir daí, evidenciou todo o "passo a passo" dos créditos e débitos compensados, indicando as respectivas fontes de análise. Já a contribuinte, no seu recurso voluntário, faz menção apenas a alguns argumentos genéricos, sem identificar precisamente sua vinculação direta com a metodologia que foi adotada e sem explicar as razões concretas de onde e como o fiscal teria se equivocado. Alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis e idôneos acerca de sua natureza e efetiva origem, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Conforme restou sedimentado no STJ: "allegare nihil et allegatum non probare paria sunt nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais" ou, ainda, "alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada". Em se tratando de compensação, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme interpretase do 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, planilhas demonstrativas ou qualquer outro documento pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF, conforme atestam as ementas dos julgados abaixo, admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado, o que não ocorreu. “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não Fl. 149DF CARF MF 6 homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383.. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). À falta, então, da demonstração cabal e comprovação do crédito informado na DCOMP analisada, o direito alegado milita contra a Recorrente. Nesse sentido, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.001826/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ATO FORMAL DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA.
É de se reconhecer a decadência quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o Fisco, com o fito de prevenir a caducidade dos créditos discutidos em juízo, realiza seu poder de constituição do mesmo fora do lustro previsto no CTN, ainda que existam valores depositados judicialmente com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário.
DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE.
A ocorrência do depósito do montante integral do débito em dinheiro importa a suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente, sendo incabível a exigência de multa de mora, exclusivamente, no caso de o depósito ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento do tributo lançado, assim como os juros moratórios desde a data da efetivação do depósito.
Numero da decisão: 2201-004.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski e Marcelo Milton da Silva Risso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. No mérito, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 22/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: Relatora Dione Jesabel Wasilewski
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ATO FORMAL DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. É de se reconhecer a decadência quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o Fisco, com o fito de prevenir a caducidade dos créditos discutidos em juízo, realiza seu poder de constituição do mesmo fora do lustro previsto no CTN, ainda que existam valores depositados judicialmente com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário. DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE. A ocorrência do depósito do montante integral do débito em dinheiro importa a suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente, sendo incabível a exigência de multa de mora, exclusivamente, no caso de o depósito ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento do tributo lançado, assim como os juros moratórios desde a data da efetivação do depósito.
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ATO FORMAL DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. É de se reconhecer a decadência quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o Fisco, com o fito de prevenir a caducidade dos créditos discutidos em juízo, realiza seu poder de constituição do mesmo fora do lustro previsto no CTN, ainda que existam valores depositados judicialmente com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário. DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE. A ocorrência do depósito do montante integral do débito em dinheiro importa a suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente, sendo incabível a exigência de multa de mora, exclusivamente, no caso de o depósito ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento do tributo lançado, assim como os juros moratórios desde a data da efetivação do depósito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski e Marcelo Milton da Silva Risso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. No mérito, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 18 26 /2 00 9- 69 Fl. 224DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 22/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 212/218) apresentado em face do Acórdão nº 0344.314, da 5ª Turma da DRJ/BSB (fls. 181/191), que deu parcial provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração (fl. 2) pelo qual se exige crédito tributário relativo às contribuições devidas ao Serviço Social do Comércio SESC, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada a segurados empregados pela matriz e algumas das filiais. Segundo o relatório fiscal (fls. 128/133), a autuada teria ingressado com a Ação Ordinária nº 97.00200728 junto à 8ª Vara da Justiça Federal no Ceará, objetivando suspender a exigibilidade das contribuições destinadas ao SEBRAE e ao SESC e SENAC. A fiscalizada teria apresentado cópia das guias de depósitos judiciais dos valores referentes à contribuição em tela no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, bem como livros contábeis contendo os lançamentos relativos a tais depósitos. Ainda que tenham sido efetuados depósitos judiciais referentes às contribuições nesse período, houve lançamento para prevenir a decadência. A autoridade fiscal menciona ainda que parte dos livros e documentos solicitados pela fiscalização não foram apresentados, o que teria justificado a imposição de penalidade nos Autos de Infração AIOA nº 37.165.7568 e AIOA nº 37.165.7571. Em relação ao período lançado, extraise do relatório fiscal o seguinte parágrafo: 1.9 Em face da ocorrência da ressalva prevista no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, por se ter verificado a existência de dolo, fraude ou simulação, foram lançadas contribuições referentes a período maior que cinco anos. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10380.001826/200969 Acórdão n.º 2201004.273 S2C2T1 Fl. 225 3 Mais adiante, a fiscalização relata as irregularidades que foram verificadas no curso do procedimento fiscalizatório: • Não foram apresentados os livros Razão referentes aos exercícios de 2005 e de 2006. • Nos livros Diários apresentados, verificouse a existência de lançamentos relativos a despesas com fardamento, combustíveis, manutenção de veículos, material de escritório, material utilizado no serviço, viagens, cestas básicas, sem referência a documento fiscal, conforme cópias xerográficas anexadas ao AIOP DEBCAD 37.209.9602. • A partir de 2005, o histórico das despesas acima citadas passou a referenciar o número do documento fiscal. Por se tratarem de despesas de valor elevado, principalmente no que tange a compra de fardamento, material de escritório e utilizado no serviço, e por terem sido anteriormente escrituradas sem referência A nota fiscal, concluiuse quanto à indispensabilidade do exame de alguns desses comprovantes no sentido de determinar se tais gastos se referiam efetivamente à finalidade consignada nos títulos contábeis. • Solicitados os documentos fiscais comprobatórios das despesas escrituradas, apenas parte dos mesmos foi apresentada à fiscalização, tendo os comprovantes sido retidos e posteriormente, apreendidos. • Os documentos fiscais apresentados pela empresa continham indícios de inautenticidade, tais como selo fiscal sem talho doce e numeração de notas apostas com numerador manual. • Tais indícios determinaram a intimação dos fornecedores para apresentação das vias das notas fiscais com a mesma numeração e relativas aos mesmos períodos das apresentadas pela CORPVS. • Examinadas as Notas Fiscais emitidas pelos fornecedores, verificouse que: • as notas com a mesma numeração apresentada pela CORPVS não tinham sido emitidas contra este cliente ou sequer tinham sido emitidas ainda pelo fornecedor; • tanto as datas de emissão das Notas quanta os valores das mesmas eram diferentes das contidas nas apresentadas pela CORPVS; • o layout das Notas apresentadas pelos fornecedores não era compatível com o das vias encontradas na CORPVS. • Solicitadas informações A Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará acerca das empresas para quem teriam sido emitidas as Autorizações para Impressão de Documentos Fiscais AIDF, constatouse que as Autorizações constantes das Notas Fiscais Fl. 226DF CARF MF 4 apresentadas pela CORPVS como sendo de seus fornecedores foram emitidas pela SEFAZ para outras empresas. • Foi solicitada ainda a Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará a identificação dos contribuintes para quem foram emitidas a Autorizações para Impressão dos Selos apostos em Notas Fiscais apresentadas pela CORPVS. Também nesse caso verificouse terem sido as Autorizações emitidas para empresas diferentes daquelas constantes das Notas apresentadas pela CORPVS. • Tais constatações determinaram a conclusão quanto A apresentação deficiente de documentos bem como quanto A tese de crime de falsificação de documento público, conforme previsto no art. 297 do DecretoLei 2.848/40 Código Penal. • No caso dos selos apostos nas Notas Fiscais, deve ser levantada a tese de crime de falsificação de papéis públicos, conforme previsto no art. 293, inciso I, do Código Penal. A impugnação do sujeito passivo (fls. 141/150) deu origem ao Acórdão nº 0344.314, da 5ª Turma da DRJ/BSB, que reconheceu a decadência do lançamento no período compreendido entre 01/2003 e 11/2003. Esta decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.043.9090 PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. A Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal STF, publicada no Diário Oficial da União, em 20/06/2008, ao determinar a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, atraiu a incidência do prazo decadencial para a Lei nº 5.172, de 25/10/1966 Código Tributário Nacional CTN. Para fixação do dies a quo do prazo decadencial, ocorrendo as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, devese aplicar o disposto no inciso I, do art. 173 do CTN. CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO DO SEU MONTANTE INTEGRAL. AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa em renúncia ao contencioso administrativo. Ocorrerá, todavia, a instauração do contencioso somente em relação à matéria distinta daquela discutida judicialmente. JUROS E MULTA DE MORA. APLICAÇÃO. REDUÇÃO Tratandose de lançamento destinado a resguardar o crédito dos efeitos da decadência, justificase acautelar tanto a importância principal quanto os seus consectários legais. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10380.001826/200969 Acórdão n.º 2201004.273 S2C2T1 Fl. 226 5 A multa moratória somente será reduzida em cinquenta por cento, na hipótese de as contribuições terem sido declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, em consonância com o Art. 239, §11 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O sujeito passivo tomou ciência dessa decisão em 13/09/2011 (fl. 211) e apresentou tempestivamente seu recurso voluntário em 04/10/2011(fls. 212/218). Suas razões recursais podem ser assim resumidas: 1. Não ocorreu dolo, fraude ou simulação na apuração e recolhimento das contribuições exigidas no presente auto, de forma que deve ser aplicada a regra decadencial do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. 2. As contribuições relativas ao período anterior à competência abril/2004 já estavam fulminadas pela decadência. 3. O depósito tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, de forma que o lançamento feito para prevenir a decadência não deve incluir a multa por lançamento de ofício e juros de mora. 4. Em caso de aplicação de multa e juros moratórios, eles deveriam ser reduzidos em 50%, conforme as disposições contidas no art. 239, §11, do Decreto nº 3.048, de 1999. Com base no exposto, pede a reforma da decisão recorrida para cancelar o lançamento das contribuições extintas pela decadência e a exclusão de juros e multa em virtude da existência de depósito judicial das contribuições lançadas neste auto de infração. Nesta 2ª Seção de Julgamento, o processo compôs lote sorteado a esta Conselheira em sessão pública. É o que havia para ser relatado. Voto Vencido Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Preliminar de Mérito Decadência Fl. 228DF CARF MF 6 Em sede preliminar, a recorrente alega estarem decaídos os fatos geradores ocorridos até a competência abril de 2004, pois não restaria comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação em relação à apuração do tributo lançado neste auto de infração. Penso que, em parte, assiste razão à recorrente. Fundamento. Em benefício da clareza, volto a transcrever o parágrafo com o qual a autoridade fiscal justifica a aplicação da regra decadencial do art. 173, I, do CTN: 1.9 Em face da ocorrência da ressalva prevista no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, por se ter verificado a existência de dolo, fraude ou simulação, foram lançadas contribuições referentes a período maior que cinco anos. O art. 150 do Código Tributário Nacional está assim redigido: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifouse) De acordo com esse artigo, o lançamento por homologação ocorre nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de realizar o pagamento sem a prévia análise da autoridade pública e a homologação se dá a partir do conhecimento desta autoridade acerca da atividade assim exercida por ele. Pelo parágrafo quarto, o prazo para homologação será de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, a não ser que seja "comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação". Parece evidente que a conduta dolosa, fraudulenta ou simulada a que se refere o CTN neste artigo deve estar relacionada à atividade do contribuinte passível de homologação pela Fazenda Pública. Ou seja, não é a prática de "qualquer" conduta com dolo, fraude ou simulação que justificaria a imposição de um prazo decadencial mais elastecido, mas sim de comportamentos dissuasivos relacionados à apuração e pagamento do tributo em análise. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10380.001826/200969 Acórdão n.º 2201004.273 S2C2T1 Fl. 227 7 Na hipótese em questão, a fiscalização alega que apurou a ocorrência de fatos que podem ser caracterizados como crime. Ocorre, porém, que não estabeleceu um vínculo entre essas condutas e os fatos geradores que deram origem ao lançamento. Pelo contrário, discorre sobre a conduta do sujeito passivo de levar sua discordância em relação à exação em análise ao poder judiciário, bem como sobre o fato de que os valores em discussão estão sendo depositados judicialmente, sem qualquer ressalva quanto à eventual insuficiência desse depósito. Portanto, entendo que não se estabeleceu um nexo de causalidade entre as irregularidades narradas, passíveis de enquadramento como conduta dolosa, simulada ou fraudulenta, que consistem na existência, no livro diário, de despesas diversas suportadas por documentos fiscais aparentemente falsos, com o fato gerador do tributo exigido neste auto de infração. Deve ser registrado, ainda, que o relatório fiscal aponta a existência de pagamentos da contribuição em tela pela filial de Recife. Tudo considerado, entendo que os argumentos apresentados pela fiscalização para a aplicação da ressalva contida no § 4º do art. 150 do CTN não são idôneos para tanto, de forma que o prazo decadencial deveria ser contado pela regra insculpida na primeira parte desse dispositivo, tendo seu marco inicial na data da ocorrência do fato gerador tributário. Pelas razões expostas, considerando que a ciência do auto de infração ocorreu em 09/03/2009 (fl. 140), estariam já atingidas pela decadência os fatos geradores relativos às competências anteriores à fevereiro de 2004, esta incluída. Antes de avançar, necessário destacar, entretanto, que o relatório fiscal dá conta de que nessas competências o lançamento foi efetuado para prevenir a decadência, uma vez que os valores já se encontravam depositados judicialmente. A decadência é matéria de defesa, portanto é um fato que impede, modifica ou extingue o direito alegado pela autoridade autuante. Dessa forma, reconhecer a decadência de parte do período lançado poderia levar o contribuinte a entender que se tornou indevida a exigência em relação ao período depositado, o que poderia justificar o pedido de levantamento em favor do depositante. Nesta matéria, entretanto, filiome ao entendimento já consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça STJ, retratado na seguinte ementa de relatoria do Ministro Herman Benjamin, no REsp 1637092/RS, julgado em 09/12/2016: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL DA DÍVIDA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 151, II, DO CTN. PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. DISPENSA DO ATO FORMAL DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA. SUMULA 83/STJ. 1. Tribunal a quo julgou improcedente a apelação e não reconheceu a decadência quanto aos depósitos efetuados para Fl. 230DF CARF MF 8 discutir a exigibilidade de tributo relativo ao período anterior a 23/04/2007. 2. É pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste; como resultado, tornase desnecessário o ato formal de lançamento pela autoridade administrativa no que se refere aos valores depositados. 3. O acórdão recorrido está em sintonia com o atual entendimento deste Tribunal Superior, razão pela qual não merece prosperar a irresignação. Incide, in casu, o princípio estabelecido na Súmula 83/STJ: "Não se conhece do Recurso Especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." 4. Recurso especial não provido. Os fundamentos para essa decisão podem ser extraídos do voto do Ministro Mauro Campbel Marques no Acórdão nº 1.008.788/CE, de onde se extrai: Quanto ao mérito, sem razão a recorrente, pois a jurisprudência deste STJ firmouse no sentido de que, nos casos de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com vistas à suspensão do crédito tributário, promoveu a constituição deste nos moldes do que dispõe o art. 150 e parágrafos do CTN. Isso, porque verificou a ocorrência do fato gerador, calculou o montante devido e, em vez de efetuar o pagamento, depositou a quantia aferida, a fim de impugnar a cobrança da exação. Assim, o crédito tributário foi constituído por meio da declaração do sujeito passivo, não havendo falar em decadência do direito do Fisco de lançar, caracterizandose com a inércia da autoridade fazendária apenas a homologação tácita da apuração anteriormente realizada. Destarte, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, entendese que o crédito foi constituído pelo contribuinte quando do depósito da quantia apurada, não havendo necessidade, portanto, de ato formal de lançamento por parte da autoridade. Com efeito, para que seja suspensa a exigibilidade de um crédito é necessário que ele já esteja constituído. No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a atividade de pagamento pode ser substituída pelo depósito que produzirá efeitos semelhantes, estando, contudo, sujeito a um evento futuro e incerto pelo qual o depósito realizado poderá ser convertido em pagamento definitivo ou restituído ao sujeito passivo. Nesse ínterim, incabível se falar em fluência do prazo decadencial. Com base no exposto, nego provimento ao recurso voluntário no que diz respeito às alegações de decadência. Mérito Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10380.001826/200969 Acórdão n.º 2201004.273 S2C2T1 Fl. 228 9 Quanto ao mérito, a recorrente insurgese contra o lançamento de multa e juros moratórios no período em que realizado o depósito integral dos valores exigidos no lançamento. Quanto a essa matéria, penso que tem razão a recorrente. Neste ponto, adoto como razões de decidir o trecho a seguir transcrito do Acórdão nº 2301005.062, de relatoria da Conselheira Andrea Brose Adolfo: Sobre a cobrança de juros de mora quando há comprovação do depósito judicial em montante integral, temos a Súmula CARF nº 5, de aplicação obrigatória pelos membros deste colegiado, que afasta essa exigência. “Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.”(grifamos) Com relação à multa moratória, em que pese não haver expressa disposição em lei afastando sua aplicação nos casos de exigibilidade suspensa em decorrência do depósito do montante integral do tributo devido, entendo que incabível pela própria definição de "mora". Nos termos do art. 394 do Código Civil: "Considerase em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não quiser recebêlo no tempo, lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer." Estando consignado no próprio Relatório Fiscal da Autuação que os valores foram integralmente depositados antes do início da ação fiscal não há que se falar em inadimplemento por parte do contribuinte, devendo ser afastada também a cobrança da multa de mora. No caso em análise, a fiscalização menciona a existência de ação judicial e de depósito da quantia relativa ao tributo exigido, sem fazer qualquer referência à eventual insuficiência ou intempestividade dele, fatos que seriam constitutivos do direito alegado. Portanto, não identifico na narrativa construída pela fiscalização elementos para justificar a imposição de juros ou multa moratória à empresa autuada no período em houve depósito judicial, o que torna imperioso dar provimento ao recurso nessa matéria. Tendo afastado a exigência de multa e juros moratórios no período em que o valor devido se encontrava depositado judicialmente, tornase impertinente a alegação de sua redução. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, rejeitada a preliminar de decadência, no mérito, darlhe parcial provimento para excluir do lançamento a multa e os juros moratórios do período em que o valor lançado se encontrava depositado judicialmente. Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 232DF CARF MF 10 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Redator designado. Em que pese o brilhantismo do voto da insigne Conselheira Relatora, ouso, com o máximo respeito, dela discordar quanto aos efeitos da decadência verificada. Explico. Preliminarmente, como mencionado, há decadência do crédito tributário constituído relativo ao período anterior a fevereiro de 2004, incluído. No entendimento da Relatora: "Deve ser registrado, ainda, que o relatório fiscal aponta a existência de pagamentos da contribuição em tela pela filial de Recife. Tudo considerado, entendo que os argumentos apresentados pela fiscalização para a aplicação da ressalva contida no § 4º do art. 150 do CTN não são idôneos para tanto, de forma que o prazo decadencial deveria ser contado pela regra insculpida na primeira parte desse dispositivo, tendo seu marco inicial na data da ocorrência do fato gerador tributário. Pelas razões expostas, considerando que a ciência do auto de infração ocorreu em 09/03/2009 (fl. 80), estariam já atingidas pela decadência os fatos geradores relativos às competências anteriores à fevereiro de 2004, esta incluída." (destaquei) Porém, mesmo reconhecendo a decadência do direito do Fisco em constituir o crédito tributária, a ínclita Relatora opta pelo não provimento do recurso nessa parte. Os argumentos abaixo fundamentam sua decisão: "A decadência é matéria de defesa, portanto é um fato que impede, modifica ou extingue o direito alegado pela autoridade autuante. Dessa forma, reconhecer a decadência de parte do período lançado poderia levar o contribuinte a entender que se tornou indevida a exigência em relação ao período depositado o que poderia justificar o pedido de levantamento em favor do depositante. Nesta matéria, entretanto, filiome ao entendimento já consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça STJ, retratado na seguinte ementa de relatoria do Ministro Herman Benjamin, no REsp 1637092/RS, julgado em 09/12/2016: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL DA DÍVIDA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 151, II, DO CTN. PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. DISPENSA DO ATO FORMAL DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA. SUMULA 83/STJ. 1. Tribunal a quo julgou improcedente a apelação e não reconheceu a decadência quanto aos depósitos efetuados para Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10380.001826/200969 Acórdão n.º 2201004.273 S2C2T1 Fl. 229 11 discutir a exigibilidade de tributo relativo ao período anterior a 23/04/2007. 2. É pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste; como resultado, tornase desnecessário o ato formal de lançamento pela autoridade administrativa no que se refere aos valores depositados. 3. O acórdão recorrido está em sintonia com o atual entendimento deste Tribunal Superior, razão pela qual não merece prosperar a irresignação. Incide, in casu, o princípio estabelecido na Súmula 83/STJ: "Não se conhece do Recurso Especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." 4. Recurso especial não provido. (...) Com efeito, para que seja suspensa a exigibilidade de um crédito é necessário que ele já esteja constituído. No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a atividade de pagamento pode ser substituída pelo depósito que produzirá efeitos semelhantes, estando, contudo, sujeito a um evento futuro e incerto pelo qual o depósito realizado poderá ser convertido em pagamento definitivo ou restituído ao sujeito passivo. Nesse ínterim, incabível se falar em fluência do prazo decadencial. Com base no exposto, nego provimento ao recurso voluntário no que diz respeito às alegações de decadência." Inegável o equívoco conceitual em que incorreu a eminente Relatora. Vejamos. O crédito em discussão, como apontado, decorre de autuação fiscal em que existindo ação judicial com depósito do montante integral a autoridade lançadora opta por realizar um lançamento tributário visando prevenir eventual decadência do crédito tributário decorrente da demanda proposta. Ora, a motivação do lançamento de per si já demonstra o equívoco do voto. O lançamento visa precipuamente prevenir a perda do direito do Fisco em realizar a constituição do crédito tributário em face de ocorrência de interstício temporal no qual o credor, o Fisco, permanece inerte não exercitando seu direito de constituir o crédito tributário. Essa é a definição de decadência. Nos dizeres de Paulo de Barros Carvalho (Curso de Direito Tributário, 142ª ed., Ed. Saraiva, pag. 461): "A decadência ou caducidade é tida como o fato jurídico que faz perecer um direito pelo seu não exercício durante certo lapso de tempo (...) Só se observa o efeito extintivo da obrigação Fl. 234DF CARF MF 12 tributária, porém, quando o fato da decadência for reconhecido posteriormente à instalação da obrigação tributária" Ora, ao reconhecer que houve a obrigação tributária, que surge, infalivelmente nos dizeres de Paulo de Barros, com a ocorrência do fato gerador, o Fisco decide por praticar seu ato administrativo de constituição do crédito tributário, porém, o faz fora do lustro permitido pelo artigo 150, § 4º, do CTN Tal fato não passou despercebido pela Relatora. Seu equívoco conceitual se consubstancia na afirmação de que: "(...) reconhecer a decadência de parte do período lançado poderia levar o contribuinte a entender que se tornou indevida a exigência em relação ao período depositado o que poderia justificar o pedido de levantamento em favor do depositante." (nova reprodução de trecho do voto, acima transcrito) O reconhecimento da decadência nada mais é de que a comprovação de que o crédito tributário constituído pelo lançamento não pode prosperar posto que, extinto, ou seja, não há mais direito de crédito a ser reconhecido pelo Fisco, uma vez que este se quedou inerte quanto ao exercício desse direito por um lapso temporal maior do que o permitido pela lei. Com o perdão da repetição: a extinção do crédito tributário pela comprovação da decadência ocorrida não afeta de modo algum o depósito judicial realizado pelo contribuinte e reconhecido pela Autoridade Fiscal, apenas e tão somente impede o Fisco da agir no sentido da constituição desse crédito atingido pela caducidade. O que há efetivamente é a impossibilidade de discussão sobre valores constantes do lançamento tributário decorrente do lançamento aqui combatido, vez que o ato administrativo foi realizado fora do período que em era permitido à Administração Tributária, realizálo. Tal entendimento, decorrência lógica da própria jurisprudência mencionada no voto, se encontra demonstrado também doutrinariamente. Em livro coordenado por Eurico Marcos Diniz de Santi (Decadência no Imposto sobre a Renda, Investigação e Análise I, Editora Quartier Latin, pag. 106), encontramos exatamente a mesma questão aqui analisada. Reproduzo: "É imprópria, assim, a interpretação de que o depósito judicial pertence ao depositante, ou está a disposição do juiz.Ele representa o objeto cuja titularidade está sendo discutida judicialmente e, ao final da demanda, deve ser atribuído ao vencedor. Contudo, o lançamento é necessário, não só porque a Lei nº 9.430/96 assim implicitamente cogitou, mas também para liquidação do valor devido e como segurança contra interpretações judiciais divergentes. Cabe à autoridade julgadora, neste contexto, avaliar se a autoridade lançadora ainda tinha competência para editar a norma jurídica vinculada pelo lançamento, competência esta cujo aspecto temporal é definido mediante a fixação dos prazos decadenciais. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10380.001826/200969 Acórdão n.º 2201004.273 S2C2T1 Fl. 230 13 Significa dizer que, se o lançamento for efetuado a destempo, deve ser declarada a decadência do direito do Fisco constituir o crédito tributário por meio do lançamento, o que não implica concluir que o crédito tributário esteja extinto pela decadência, por ser possível cogitar sua constituição também na esfera judicial" (destaquei) Em que pese, de minha parte, alguma discordância teórica com o final do excerto reproduzido (posto que o que há no depósito judicial é uma forma de pagamento do crédito tributário devido, verdadeira constituição de crédito por meio do lançamento por homologação vez que o contribuinte somente cumpre (perante o juiz), os ditames do artigo 150 do CTN), inegável que a distinção entre decadência e a conversão em renda do depósito do montante integral como formas de extinção de crédito tributário, se demonstra. Como exemplo de tal assertiva, podemos imaginar um crédito tributário extinto pelo pagamento, no entendimento do contribuinte, que o Fisco pugna ser insuficiente para o cumprimento integral da obrigação tributária que lhe deu origem. O fato de terse operado a decadência do direito de constituir tal crédito, pela Administração Tributária, não implica em dizer que os valores pagos podem ser objeto de pedido de ressarcimento ou compensação. Em resumo: a decadência operada se consubstancia na impossibilidade de lançamento de ofício do crédito tributário relativo ao período caduco, como se verifica no caso concreto, uma vez que, como apontado pela Relatora, tal crédito se refere a período anterior a fevereiro de 2004, inclusive. Tal constatação em nada, absolutamente nada, afeta os valores depositados, pelo Recorrente, em juízo. Mister apontar, por amor a clareza, minha total aquiescência com os demais pontos do voto da ínclita Relatora. CONCLUSÃO Em face do exposto e pelos fundamentos apresentados, e ainda, compatibilizando meu voto com os demais termos do voto da Relatora, voto, em acatar a preliminar arguída, em razão do reconhecimento da decadência operada, para determinar a exclusão do lançamento dos valores relativos as competências anteriores a fevereiro de 2004, inclusive. No mais, no mérito, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a multa e os juros moratórios do período em que o valor lançado se encontrava depositado judicialmente. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Fl. 236DF CARF MF 14 Fl. 237DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.904798/2011-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.278
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. Relatório Trata o presente processo de indeferimento de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente que não homologou a Declaração de Compensação em tela face a inexistência de saldo credor. Conforme este Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito. Cientificado do Despacho Decisório, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, tempestivamente, fazendo um resumo dos fatos: a) em preliminar, assevera que exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente, sendo que apenas não procedeu à retificação das DCTF e demais obrigações acessórias; b) quanto ao mérito, tece considerações sobre o direito à compensação administrativa e a respeito das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a declaração de compensação; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 04 79 8/ 20 11 -0 0 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10580.904798/201100 Resolução nº 3402001.278 S3C4T2 Fl. 89 2 b.1) assinala ainda os pontos de discordância: (i) da inexistência do crédito para a compensação constante do PER/DCOMP e respectivo Darf, e (ii) do direito em retificar as DCTF e demais obrigações acessórias. Ao final, faz referência aos documentos anexados e pede seja acolhida a presente manifestação de inconformidade. A DRJ/BHE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, adotando, para tanto, o convencimento no sentido de que "(...) a retificação da DCTF atesta apenas a alteração do valor do débito anteriormente confessado, mas não comprova o erro que levou ao suposto pagamento indevido ou a maior do tributo apurado originalmente, de forma a conferir a necessária certeza e liquidez ao crédito postulado". Cientificada da decisão do Colegiado a quo e irresignada com o teor do Acórdão nº 0256.934, a Recorrente recorre a este Conselho, apresentando um argumento novo visando amparar a legalidade dos créditos aqui discutidos. Vejase os principais trechos abaixo reproduzidos: "(...) 2. A ora Recorrente SOCIEDADE ANÔNIMA HOSPITAL ALIANÇA, determinouse em identificar e excluir da base de cálculo de PIS e COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme se pode inferir na petição inicial com pedido de liminar devidamente protocolada em 23/09/2009 com distribuição e inicio do processo Judicial sob o n° 2009.34.00,0314472, em trâmite perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Distribuída a Ação, o MM. Juiz deferiu in tantum a LIMINAR pleiteada nos seguintes termos: "Assim, em face do exposto, DEFIRO o pedido liminar, e determino à autoridade Impetrada que suspenda a exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma. prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações feitas pela Lei 10.548/02, isentando, assim, de efetuar a cobrança de tais valores, dos Hospitais e Clinicas substituídos." A liminar foi deferida em 27/10/2009 e ainda confirmada por decisão final de primeira instância em 07/04/2010 que assim declarou: "isto posto, ratifico a liminar e CONCEDO a SEGURANÇA para: 1) determinar à autoridade Impetrada e seus prepostos que se abstenha de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais e clinicas _ substituídos dos . respectivos pagamentos; 2) declara o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos á titulo de PIS e COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73. e 74 da Lei 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN." Dessa forma, a Recorrente REQUER: 1. Determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.904798/201100 Resolução nº 3402001.278 S3C4T2 Fl. 90 3 medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores. 2. Que seja este Recurso Voluntário conhecido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e, ao final, provido, para efeitos de restar reformado o r. acórdão recorrido, mantendo se a integralidade do crédito e a homologação da compensação nos moldes como informado pela mesma, reconhecendose a legitimidade adotada pela Recorrente e o reconhecimento de DCTF e DACON retifícadores ora apresentados junto à SRFB. 3. Declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00 e alterações posteriores, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e74 da Lei nº 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A, do CTN. 4. Sucessivamente, cumprir a decisão e sentença, com sede de Liminar, no sentido de .. suspender qualquer cobrança em processo administrativo e/ou execução até que seja julgado o mérito da referida ação, fazendo valer seus efeitos. A Recorrente anexa cópia dos seguintes documentos: cópia da Decisão e Sentença do Processo Judicial sob n° 2009.34.00.0314472, 9ª Vara Federal Seção Judiciária Federal do Distrito Federal; cópia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472; DCTF e DACON retificadores. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.261, de 28 de fevereiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10580.904788/201166, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.261: 1. Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 2. Das razões do Recurso Voluntário Não é possível ainda analisar o mérito do presente processo por este órgão Colegiado. Isto porque, antes disso, uma questão prejudicial deve ser adequadamente respondida, saneando o processo, para que nenhuma das partes que compõe o litígio tenha tratamento Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.904798/201100 Resolução nº 3402001.278 S3C4T2 Fl. 91 4 desconforme a legislação tributária que rege o processo administrativo fiscal. Tratase de questão acerca do Mandado de Segurança Coletivo (MSC), com pedido de liminar, impetrado pela CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, contra ato do SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, objetivando a concessão da medida liminar da forma requestada visando à imediata suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, impedindo que a autoridade coatora e seus prepostos possam efetuar a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clinicas Substituídos. Como se vê, a Impetrante do MSC, no caso, atuando como substituta processual, é pessoa jurídica de direito privado, devendo os substituídos exercer atividade social de prestação de serviços hospitalares, sendo, desta forma, contribuintes do PIS e da CONFINS. É fato que para a consecução de suas respectivas atividades empresariais, além da prestação de serviços hospitalares, os Hospitais e Clínicas Substituídos sempre necessitaram realizar a aplicação de vários produtos, dentre eles, os medicamentos ministrados aos pacientes. Pois bem. Verificase na "Copia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472", que a Justiça Federal concedeu a SEGURANÇA no seguinte sentido (fl. 40): (1) determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais, e clínicas substituídos dos respectivos pagamentos; 2) declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com.outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e 74 da Lei n. 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN . Posto isto, tornase imprescindível nos autos, a comprovação de que a Recorrente, enquadrase, no caso, como substituída da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS. Em situações como a ora sob análise, o CARF tem entendido pelo cabimento de diligência para a averiguação das informações faltantes, para então decidir pelo conhecimento ou não das razões aduzidas no recurso voluntário apresentado pela Recorrente. Nesse sentido, destaco a Resolução nº 3403000551, proferida no bojo do Processo nº 13898.000203/200261. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.904798/201100 Resolução nº 3402001.278 S3C4T2 Fl. 92 5 3. Da conversão em Diligência Com essas considerações, voto pela conversão do processo em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote a seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestarse sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote as seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.904798/201100 Resolução nº 3402001.278 S3C4T2 Fl. 93 6 vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestar se sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.725388/2013-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/11/2008
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE IMÓVEIS POR CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA. PAGAMENTO DA COMISSÃO DIRETAMENTE PELO CLIENTE. IRRELEVÂNCIA PARA CARACTERIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO.
Independentemente do fato do cliente pagar a comissão diretamente ao corretor de imóveis, comprovando-se a existência de vinculo de trabalho deste para com a imobiliária, é esta que deve responder pelas obrigações tributárias decorrentes do serviço prestado.
Numero da decisão: 9202-006.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 16/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 30/11/2008 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE IMÓVEIS POR CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA. PAGAMENTO DA COMISSÃO DIRETAMENTE PELO CLIENTE. IRRELEVÂNCIA PARA CARACTERIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Independentemente do fato do cliente pagar a comissão diretamente ao corretor de imóveis, comprovando-se a existência de vinculo de trabalho deste para com a imobiliária, é esta que deve responder pelas obrigações tributárias decorrentes do serviço prestado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. EDITADO EM: 16/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1609; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10166.725388/201349 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.519 – 2ª Turma Sessão de 27 de fevereiro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado M GARZON, EUGENIO EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/11/2008 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE IMÓVEIS POR CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA. PAGAMENTO DA COMISSÃO DIRETAMENTE PELO CLIENTE. IRRELEVÂNCIA PARA CARACTERIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Independentemente do fato do cliente pagar a comissão diretamente ao corretor de imóveis, comprovandose a existência de vinculo de trabalho deste para com a imobiliária, é esta que deve responder pelas obrigações tributárias decorrentes do serviço prestado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 16/04/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 53 88 /2 01 3- 49 Fl. 1288DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2803003.866 proferido pela 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 2 de dezembro de 2014, no qual restou consignada a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/07/2013 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CONTRATO DE CORRETAGEM. NÃO INCIDÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Não ocorrendo pagamentos pela Recorrente, nem diretamente e tampouco indiretamente, aos corretores que procediam as vendas dos apartamentos, não se caracterizaram os fatos geradores de contribuições previdenciárias descritos por aferição indireta no lançamento, não ensejando, por consectário, a obrigatoriedade da contribuinte de informar tais valores em GFIP. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Conforme consta do Relatório Fiscal, fls. 1050 a 1078, tratase de crédito tributário, constituído em desfavor da empresa M. GARZON EUGENIO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, por intermédio do Auto de Infração de obrigação acessória DEBCAD n. 37.315.7584 (CÓDIGO DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL 68), no valor de R$ 56.599,20 (cinqüenta e seis mil, quinhentos e noventa e nove reais e vinte centavos), por deixar a empresa de declarar fatos geradores de contribuições previdenciárias em GFIP, no período de janeiro a novembro de 2008. Irresignada, o ora Recorrente impugnou a autuação aduzindo, em síntese: a nulidade decorrente da ausência de descrição dos fatos imponíveis; a inexistência de prestação de serviços, tendo em vista a natureza jurídica da corretagem; erro na identificação do sujeito passivo; e incorreção do arbitramento realizado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento entendeu pela improcedência do da impugnação, restando integralmente mantido o lançamento originário. Posteriormente, em decorrência da análise do Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, foi reformada a decisão e dado provimento ao recurso. Por conseguinte, foi interposto Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional com o fito de rediscutir a existência de prestação de serviços por corretores autônomos à imobiliária, de modo a identificar a incidência da contribuição Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 10166.725388/201349 Acórdão n.º 9202006.519 CSRFT2 Fl. 3 3 previdenciária sobre à remuneração de tais serviços, conforme o Despacho de Admissibilidade de fls. 1.278 a 1.279, sendo demonstrada a divergência suscitada com base no acórdão paradigma n.º 2401003.505. No que se refere ao mérito, a Recorrente aduz, em síntese, que: a) as comissões efetivamente se configuram como salário de contribuição, devendo ser esclarecido se tais valores decorreram de serviços prestados à contribuinte ou aos compradores dos imóveis, que efetivaram os pagamentos; b) a remuneração auferida (comissões) se deu em razão de prestação de serviços à recorrente, que atua no ramo de intermediação na compra, venda, permuta e aluguel de imóveis; prospecção e avaliação de terrenos para incorporação imobiliária; aproximação e assessoria para negócios entre proprietários de imóveis, incorporadores e investidores em geral ou em razão de contratação com os efetivos compradores; c) as diligências, por amostragem, efetuadas junto aos compradores revelaram que todos os imóveis foram adquiridos por intermédio da Imobiliária M Garzon Eugênio; os corretores não foram contratados pelos compradores; e se apresentaram como representante da M Garzon, inclusive usando crachá da empresa com a sua identificação pessoal; d) existe uma tarefa ser feita VENDA DE IMÓVEIS e para isso a construtora CONTRATA A CORRETORA/RECORRENTE MGARZON e esta CONTRATA PESSOAS FÍSICAS para executar o que contratado; e) o documento entregue pelos corretores aos compradores, a PROPOSTA DE VENDA COM RECIBO DE SINAL, que traz o imóvel objeto da proposta, as condições de pagamento, o recibo de pagamento, etc, tem a chancela de MGARZON. Os pagamentos de corretagem eram feitos à MGARZON, que os lançava na conta SERVIÇO PRESTADO À VISTA 3101150001; f) temos que seria irrelevante se o pagamento tivesse sido feito por terceiros, pois tal situação não tem o condão de alterar a relação jurídica entre a recorrente e as pessoas físicas em questão. Não há que se confundir "remuneração auferida" com pagamento, situações distintas, em momentos diversos e uma inclusive pode ocorrer sem que a outra se efetive. Foi dada ciência ao Contribuinte do Acórdão de Recurso Voluntário (fls. 1.220 a 1.231) e do Recurso Especial (fls. 1.233 a 1.244), por meio de Edital, ocorrida em 20/09/2016. É o relatório. Fl. 1290DF CARF MF 4 Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. Conforme narrado, a questão controvertida objeto da divergência suscitada tratase da incidência das contribuições previdenciárias sobre a remuneração dos serviços prestados à imobiliária por corretores autônomos de imóveis. O acórdão recorrido decidiu que comprovado o pagamento das comissões pelos próprios compradores de imóveis, ainda que se tenha feito uso das instalações da recorrida e de seu reconhecimento no mercado, ficaria afastada a incidência da contribuição previdenciária, em razão da ausência de prestação de serviços dos corretores à Contribuinte. Já o entendimento constante do acórdão paradigma apresentado pela Recorrente, em sentido contrário, é o de que, uma vez comprovada a prestação de serviços dos corretores de imóveis, presumese que houve remuneração por parte da empresa Recorrente, independentemente do fato de o pagamento das comissões terem ocorrido diretamente pelos próprios compradores dos imóveis. Assevera a Procuradoria da Fazenda, em seu Recurso Especial, que, diante da documentação apresentada, a Recorrida matinha verdadeiro departamento de vendas com corretores treinados e capacitados para atendimento ao público. Incumbia à M. Garzon orientar os corretores e passar diretrizes a serem seguidas no atendimento aos compradores, detendo o controle sobre o regime, periodicidade, horários e número de corretores de plantão nos pontos de venda das unidades imobiliárias. Além disso, o documento entregue pelos corretores aos compradores, a PROPOSTA DE VENDA COM RECIBO DE SINAL, que traz o imóvel objeto da proposta, as condições de pagamento, o recibo de pagamento, etc, tem a chancela de M. GARZON. Os pagamentos de corretagem eram feitos à M. GARZON, que os lançava na conta SERVIÇO PRESTADO À VISTA 3101150001. Acrescenta a Fazenda Nacional, de forma assertiva, que seria irrelevante se o pagamento tivesse sido feito por terceiros, pois tal situação não tem o condão de alterar a relação jurídica entre a recorrente e as pessoas físicas em questão. Não há que se confundir "remuneração auferida" com pagamento, situações distintas, em momentos diversos e uma inclusive pode ocorrer sem que a outra se efetive. O relatório fiscal demonstra efetivamente a ocorrência da prestação de serviços em comento, pois existia uma tarefa a ser feira: venda de imóveis, e para isso a construtora contratou a corretora/Recorrida e esta contratou pessoas físicas para executar o contratado, conforme se extrai do trecho do contrato obtido em diligência: Parágrafo Primeiro: Pelos serviços a serem prestados e desenvolvidos sob a coordenação da CONTRATADA, esta receberá a comissão de 3,5% (três vírgula cinco por cento) sobre o valor de cada venda, a ser pago diretamente pelo comprador, e descontado do contrato de compra e venda daunidade, da seguinte forma: Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 10166.725388/201349 Acórdão n.º 9202006.519 CSRFT2 Fl. 4 5 a) 1,45%(um vírgula quarenta e cinco por cento) será devido aos corretores autônomos que intermediarem a venda, indicados e sob coordenação da contratada. b) 2,05% (dois vírgula zero cinco por cento) será devido à contratada. As diligências feitas junto aos compradores confirmam que estes não contrataram os corretores, os quais estavam no stand da MGARZON, informaram ainda que emitiram cheques NOMINATIVOS A MGARZON, conforme cópias dos mesmos fls 482. Passo seguinte, havia o repasse aos corretores. De acordo com o fisco, a autuada era contratada por construtoras/incorporadoras para efetuar as vendas de imóveis, geralmente na planta, e se utilizava de corretores para concretizar as operações de venda com os clientes. Nesse contexto fático, o meu entendimento se alinha ao que foi decidido no Acórdão n.º 2401003.506, de modo que utilizo como razões de decidir os fundamentos constantes do voto vencedor do Recurso Voluntário, nos termos abaixo transcritos: O principal argumento utilizado pela recorrente, de que os serviços eram destinados unicamente aos clientes, é a repetição de uma estratégia utilizada no afã de se livrar do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobres os serviços que lhes foram prestados pelos corretores. Não há como esconder que as construtoras/incorporadoras efetuavam contrato com a imobiliária para venda dos imóveis e esta o fazia mediante o trabalho de captação de clientes realizado pelos corretores. Sendo que estes atuavam como representantes da autuada, por vezes até se utilizando do CRECI da própria imobiliária, conforme demonstrado nos autos. As informações coletadas em sede de diligências fiscais realizadas juntos às construtoras/incorporadoras e aos clientes não deixam dúvida de que o pagamento da comissão efetuado pelos clientes diretamente aos corretores representava apenas uma forma de tentar esconder do fisco a ocorrência do fato gerador. Consigo fazer uma analogia deste caso com os representantes comerciais autônomos que vendem produtos para determinada empresa mediante o pagamento de comissão. Pergunto: se a comissão for paga ao representantes diretamente pelo comprador, esse fato afastará o vínculo de prestação de serviço entre este e a empresa que representa? É evidente que não. Foge à razoabilidade o argumento de que era a corretora que captava os clientes e os direcionava para corretores com os quais não mantinham qualquer vínculo. Não consigo enxergar que transações imobiliárias possam ser efetuadas mediante pessoas que sequer tinham contrato escrito com a imobiliária. Também não se sustenta a afirmação de que uma empresa imobiliária possa manterse no mercado sem o concurso de Fl. 1292DF CARF MF 6 corretores, profissionais cuja participação na intermediação de compra, venda, permuta e locação de imóveis é obrigatória, conforme previsto na Lei n. 6.530/1978 e no Decreto n. 81.871/1978. Assim, resta claro que o fato gerador da contribuição previdenciária, consistente na prestação de serviço remunerado por pessoa física sem vínculo de emprego, configurouse, posto que fartamente demonstrado que os corretores prestaram à autuada o serviço de intermediação na venda de imóveis mediante o pagamento de comissão. O artifício de firmar com os compradores dos imóveis acerto para pagamento das comissões diretamente aos corretores não tem o condão de afastar a responsabilidade da autuada, nos termos do art. 123 do CTN, segundo o qual, as convenções particulares não podem ser opostas à Fazenda Pública para afastar a definição legal do sujeito passivo da obrigação tributária. Embora o pagamento tenha sido efetuado pelo comprador, a prestação de serviço de intermediação na venda dos imóveis foi feita no interesse da imobiliária, posto que esse é a sua principal atividade. Sem esquecer que os profissionais atuaram em nome da empresa recorrente. A jurisprudência colacionada pela recorrente diz respeito à impossibilidade de caracterização de corretores como empregados da imobiliária. Ocorre que no presente lançamento não houve a caracterização de vínculo empregatício, posto que os corretores foram tratados como trabalhadores autônomos. Assim, as decisões invocadas tratam de tema diverso daquele presente no processo sob julgamento. Desse modo, mostrase imperioso o reconhecimento de que a recorrente utiliza a prestação de serviço (intermediação) dos corretores e dela diretamente se beneficia para atingir os seus objetivos sociais. Importante acrescentar que o Superior Tribunal de Justiça, ao se manifestar no sentido de que era devida a contribuição previdenciária sobre os valores pagos pelas seguradoras aos corretores de seguros, assim entendeu: (...) E, no caso em análise, há sim prestação de serviços do corretor às seguradoras. Explico. Na corretagem de seguros, a função do corretor é a de intermediar o contrato entre o segurado e a seguradora, contribuindo para a obtenção do resultado econômico pretendido pela empresa, ainda que o profissional não esteja vinculado laboralmente a ela. (...). Repitase: o caso é de intermediação entre as partes envolvidas, ou seja, o fato de o corretor prestar serviço também ao segurado não leva à conclusão de que não tenha prestado serviço à seguradora. Tanto é assim que, justamente em virtude dessa intermediação, a pessoa jurídica remunera o corretor mediante o pagamento de uma comissão, arbitrada com base Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 10166.725388/201349 Acórdão n.º 9202006.519 CSRFT2 Fl. 5 7 em percentagem do contrato celebrado. (REsp 519.260/RJ, Relator Ministro Herman Benjamin, DJU de 02.02.2009). Nesse sentido, foi editado o Enunciado de Súmula n.º 458 abaixo transcrito: Súmula 458: A contribuição previdenciária incide sobre a comissão paga ao corretor de seguros. Notase, dessa forma, que o posicionamento adotado no STJ foi no sentido da incidência das contribuições previdenciárias, em caso análogo, o que corrobora o entendimento de que a remuneração percebida pelo corretor pela venda de imóveis referese à prestação de serviço para a recorrente, hipótese de incidência prevista no art. 22, III, da Lei 8.212/91, bem como do imperioso cumprimento da obrigações acessórias relativas a tal obrigação. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 1294DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720596/2012-74
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. NÃO REGULARIZAÇÃO DE PENDÊNCIAS.
Comprovado que os débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, NÃO foram pagos ou parcelados, dentro do prazo de opção pelo Simples Nacional, ou seja, até 31 de janeiro no ano-calendário de 2012, não deve ser promovida a inclusão da contribuinte nesse regime.
Numero da decisão: 1001-000.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues,José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. NÃO REGULARIZAÇÃO DE PENDÊNCIAS. Comprovado que os débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, NÃO foram pagos ou parcelados, dentro do prazo de opção pelo Simples Nacional, ou seja, até 31 de janeiro no anocalendário de 2012, não deve ser promovida a inclusão da contribuinte nesse regime. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 05 96 /2 01 2- 74 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13971.720596/201274 Acórdão n.º 1001000.338 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 106 a 107) interposto contra o Acórdão nº 0128.136, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 99 a 101), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: " ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL ANOCALENDÁRIO: 2012 Ementa: SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. NÃO REGULARIZAÇÃO DE PENDÊNCIAS. Comprovado que os débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, NÃO foram pagos ou parcelados, dentro do prazo de opção pelo Simples Nacional, ou seja, até 31 de janeiro no ano calendário de 2012, não deve ser promovida a inclusão da contribuinte nesse regime. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " 1. Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte acima identificado contra o TERMO DE INDEFERIMENTO, fl.92, que impediu sua adesão ao Simples Nacional 2012, com data de registro em 17/02/2012. 2. O motivo do indeferimento foi a existência de: Débito previdenciário com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar ns 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Lista de Débitos 1)Débito: 364801824 2)Débito: 366939548 3)Débito: 390594008 4)Débito: 395333326 5)Débito: 395333334 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13971.720596/201274 Acórdão n.º 1001000.338 S1C0T1 Fl. 4 3 3. Em sua Manifestação de Inconformidade em 09/03/2012, fl.02/03, o contribuinte alega que: Parcelou os cinco débitos constantes do Termo de Indeferimento, conforme cópias dos comprovantes de pagametnos. 4. Foi realizada uma solicitação ao SERVIÇO DE CONTROLE E ACOMPANHAMENTO TRIBUTÁRIO (SECAT), para verificação da situação dos débitos em 31/01/2012, fl.93, com resposta à fl.94/95." Insta dizer que a solicitação feita à SECAT obteve a seguinte resposta: "O débito 36.480.1824 era passível de consolidação no parcelamento especial da Lei nº 11941/2009, na modalidade PGFNPREVART1º. O contribuinte efetuou a opção em 07/10/2009. Porém, o pedido de parcelamento foi cancelado em 29/12/2011 pela não apresentação de informações de consolidação. Conforme consulta à PGFN, não há pedido de revisão da consolidação. Portanto, o débito está exigível desde o cancelamento do pedido de parcelamento." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário concordando com a decisão de piso de que o débito supracitado realmente havia ficado de fora do parcelamento, nos termos narrados pela SECAT, no entanto, alega que foi um equivoco e que sempre teve a intenção de incluir todos os débitos nos parcelamentos realizados. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Primeiramente, impende lembrar que a legislação tributária competente veda a adesão ao regime simplificado por empresas que tenham débito sem a exigibilidade suspensa para com o fisco, conforme se colaciona abaixo. Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: ... V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13971.720596/201274 Acórdão n.º 1001000.338 S1C0T1 Fl. 5 4 Outrossim, conforme já demonstrado no Relatório que integra esta decisão, foi detectado pela autoridade competente débitos que poderiam ter sido parcelados e não o foram, informação esta que foi referendada pela própria Recorrente. Impende dizer que a atenção e o zelo pelos pela forma como seus negócios e atos são praticados é de responsabilidade exclusiva do Contribuinte. Outrossim, não se deve olvidar que a atividade administrativa pública é vinculada a Lei, não cabe à Autoridade Administrativa deixar de aplicar as regras legalmente estabelecidas, ainda que acredite na boa fé da contribuinte que por eventual lapso tenha esquecido de incluir determinado débito no parcelamento aderido. Desta forma, resta dizer que a decisão de piso bem analisou o caso e portanto merece ser convalidada. Em face a todo o exposto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720595/2013-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008
OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. ALIENAÇÃO EM SENTIDO AMPLO.
A operação de incorporação de ações de uma sociedade empresária por outra tem natureza jurídica de operação de alienação de ações em sentido amplo uma vez que há transferência de propriedade das ações de uma das sociedades para a integralização do capital social da outra sociedade. Neste caso, a primeira sociedade transforma-se em subsidiária integral da segunda.
AÇÕES DE COMPANHIA ABERTA. VALORES MOBILIÁRIOS. ATIVO FINANCEIRO. CLASSIFICAÇÃO PATRIMONIAL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO.
As ações de sociedades anônimas ou companhias abertas são ativos financeiros do tipo valores mobiliários, contabilmente, tratados como direitos realizáveis a curto ou a longo prazo. No balanço patrimonial da sociedade, tais direitos classificam-se no ativo circulante, se realizável no curso do exercício social subsequente, ou no ativo realizável a longo prazo, se realizável após término do exercício seguinte. Por se tratar de direitos realizáveis, as ações não podem ser incluídos no subgrupo investimento, porque neste subgrupo são registrados apenas os direitos decorrentes de participações permanentes em outras sociedades (em coligadas, controladas e empreendimento controlado em conjunto).
OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS. AÇÕES RECEBIDAS DA NOVA SOCIEDADE EMPRESÁRIA. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. OBRIGATORIEDADE.
No balanço patrimonial da sociedade empresária investidora, as ações recebidas das sociedades anônimas de capital aberto Bovespa Holding S/A. e BM&F S/A., resultantes do processo de desmutualização das associações civis Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo (BM&F), classificam-se, obrigatoriamente, no ativo circulante ou no realizável a longo prazo, conforme o prazo de realização. Esse tipo de direito não integra o subgrupo do investimento, reservado para registro somente das participações permanentes em outras sociedades.
SOCIEDADE CORRETORAS. OBJETO SOCIAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. RECEITA BRUTA DA ATIVIDADE PRINCIPAL OU TÍPICA. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.
Nas sociedades corretoras, que têm como um dos seus objetos sociais a compra e venda de ações, a receita auferida na alienação de ações de outras companhias, sob qualquer modalidade (incorporação, resgate, venda etc.) integra a receita bruta da atividade principal ou típica das referidas sociedades e, por conseguinte, a base de cálculo da da Contribuição para o PIS/Pasep.
PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. AÇÕES DA BM&F S/A. E DA BOVESPA HOLDING S/A. RECEITA DA ALIENAÇÃO MEDIANTE RESGATE E INCORPORAÇÃO DAS AÇÕES. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. POSSIBILIDADE
Integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep a receita auferida pelas sociedades corretoras, proveniente da alienação das ações da BM&F S/A. e da Bovespa Holding S/A. recebidas em decorrência do denominado processo de desmutualização das bolsas de valores (associações civis), inclusive, as decorrentes do processo de incorporação e resgate das referidas ações pela Nova Bolsa S/A.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008
OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. ALIENAÇÃO EM SENTIDO AMPLO.
A operação de incorporação de ações de uma sociedade empresária por outra tem natureza jurídica de operação de alienação de ações em sentido amplo uma vez que há transferência de propriedade das ações de uma das sociedades para a integralização do capital social da outra sociedade. Neste caso, a primeira sociedade transforma-se em subsidiária integral da segunda.
AÇÕES DE COMPANHIA ABERTA. VALORES MOBILIÁRIOS. ATIVO FINANCEIRO. CLASSIFICAÇÃO PATRIMONIAL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO.
As ações de sociedades anônimas ou companhias abertas são ativos financeiros do tipo valores mobiliários, contabilmente, tratados como direitos realizáveis a curto ou a longo prazo. No balanço patrimonial da sociedade, tais direitos classificam-se no ativo circulante, se realizável no curso do exercício social subsequente, ou no ativo realizável a longo prazo, se realizável após término do exercício seguinte. Por se tratar de direitos realizáveis, as ações não podem ser incluídos no subgrupo investimento, porque neste subgrupo são registrados apenas os direitos decorrentes de participações permanentes em outras sociedades (em coligadas, controladas e empreendimento controlado em conjunto).
OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS. AÇÕES RECEBIDAS DA NOVA SOCIEDADE EMPRESÁRIA. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. OBRIGATORIEDADE.
No balanço patrimonial da sociedade empresária investidora, as ações recebidas das sociedades anônimas de capital aberto Bovespa Holding S/A. e BM&F S/A., resultantes do processo de desmutualização das associações civis Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo (BM&F), classificam-se, obrigatoriamente, no ativo circulante ou no realizável a longo prazo, conforme o prazo de realização. Esse tipo de direito não integra o subgrupo do investimento, reservado para registro somente das participações permanentes em outras sociedades.
SOCIEDADE CORRETORAS. OBJETO SOCIAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. RECEITA BRUTA DA ATIVIDADE PRINCIPAL OU TÍPICA. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. POSSIBILIDADE.
Nas sociedades corretoras, que têm como um dos seus objetos sociais a compra e venda de ações, a receita auferida na alienação de ações de outras companhias, sob qualquer modalidade (incorporação, resgate, venda etc.) integra a receita bruta da atividade principal ou típica das referidas sociedades e, por conseguinte, a base de cálculo da Cofins.
PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. AÇÕES DA BM&F S/A. E DA BOVESPA HOLDING S/A. RECEITA DA ALIENAÇÃO MEDIANTE RESGATE E INCORPORAÇÃO DAS AÇÕES. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. POSSIBILIDADE
Integra a base de cálculo da Cofins a receita auferida pelas sociedades corretoras, proveniente da alienação das ações da BM&F S/A. e da Bovespa Holding S/A. recebidas em decorrência do denominado processo de desmutualização das bolsas de valores (associações civis), inclusive, as decorrentes do processo de incorporação e resgate das referidas ações pela Nova Bolsa S/A.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008
JUROS DE MORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO. CÁLCULO INDIRETO. POSSIBILIDADE.
A multa de oficio incide sobre o valor do crédito tributário devido e não pago, acrescido dos juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus e Raphael M. Abad que davam provimento integral ao recurso voluntário e o Conselheiro Diego Weis Jr (Suplente convocado) que dava provimento parcial para excluir os juros Selic sobre a multa de ofício. Os Conselheiros Diego Weis Jr e Raphael M. Abad votaram pelas conclusões. O Conselheiro José Renato P. de Deus fará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus e Raphael M. Abad que davam provimento integral ao recurso voluntário e o Conselheiro Diego Weis Jr (Suplente convocado) que dava provimento parcial para excluir os juros Selic sobre a multa de ofício. Os Conselheiros Diego Weis Jr e Raphael M. Abad votaram pelas conclusões. O Conselheiro José Renato P. de Deus fará declaração de voto. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e José Renato Pereira de Deus.
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. ALIENAÇÃO EM SENTIDO AMPLO. A operação de incorporação de ações de uma sociedade empresária por outra tem natureza jurídica de operação de alienação de ações em sentido amplo uma vez que há transferência de propriedade das ações de uma das sociedades para a integralização do capital social da outra sociedade. Neste caso, a primeira sociedade transforma-se em subsidiária integral da segunda. AÇÕES DE COMPANHIA ABERTA. VALORES MOBILIÁRIOS. ATIVO FINANCEIRO. CLASSIFICAÇÃO PATRIMONIAL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. As ações de sociedades anônimas ou companhias abertas são ativos financeiros do tipo valores mobiliários, contabilmente, tratados como direitos realizáveis a curto ou a longo prazo. No balanço patrimonial da sociedade, tais direitos classificam-se no ativo circulante, se realizável no curso do exercício social subsequente, ou no ativo realizável a longo prazo, se realizável após término do exercício seguinte. Por se tratar de direitos realizáveis, as ações não podem ser incluídos no subgrupo investimento, porque neste subgrupo são registrados apenas os direitos decorrentes de participações permanentes em outras sociedades (em coligadas, controladas e empreendimento controlado em conjunto). OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS. AÇÕES RECEBIDAS DA NOVA SOCIEDADE EMPRESÁRIA. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. OBRIGATORIEDADE. No balanço patrimonial da sociedade empresária investidora, as ações recebidas das sociedades anônimas de capital aberto Bovespa Holding S/A. e BM&F S/A., resultantes do processo de desmutualização das associações civis Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo (BM&F), classificam-se, obrigatoriamente, no ativo circulante ou no realizável a longo prazo, conforme o prazo de realização. Esse tipo de direito não integra o subgrupo do investimento, reservado para registro somente das participações permanentes em outras sociedades. SOCIEDADE CORRETORAS. OBJETO SOCIAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. RECEITA BRUTA DA ATIVIDADE PRINCIPAL OU TÍPICA. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Nas sociedades corretoras, que têm como um dos seus objetos sociais a compra e venda de ações, a receita auferida na alienação de ações de outras companhias, sob qualquer modalidade (incorporação, resgate, venda etc.) integra a receita bruta da atividade principal ou típica das referidas sociedades e, por conseguinte, a base de cálculo da da Contribuição para o PIS/Pasep. PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. AÇÕES DA BM&F S/A. E DA BOVESPA HOLDING S/A. RECEITA DA ALIENAÇÃO MEDIANTE RESGATE E INCORPORAÇÃO DAS AÇÕES. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. POSSIBILIDADE Integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep a receita auferida pelas sociedades corretoras, proveniente da alienação das ações da BM&F S/A. e da Bovespa Holding S/A. recebidas em decorrência do denominado processo de desmutualização das bolsas de valores (associações civis), inclusive, as decorrentes do processo de incorporação e resgate das referidas ações pela Nova Bolsa S/A. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. ALIENAÇÃO EM SENTIDO AMPLO. A operação de incorporação de ações de uma sociedade empresária por outra tem natureza jurídica de operação de alienação de ações em sentido amplo uma vez que há transferência de propriedade das ações de uma das sociedades para a integralização do capital social da outra sociedade. Neste caso, a primeira sociedade transforma-se em subsidiária integral da segunda. AÇÕES DE COMPANHIA ABERTA. VALORES MOBILIÁRIOS. ATIVO FINANCEIRO. CLASSIFICAÇÃO PATRIMONIAL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. As ações de sociedades anônimas ou companhias abertas são ativos financeiros do tipo valores mobiliários, contabilmente, tratados como direitos realizáveis a curto ou a longo prazo. No balanço patrimonial da sociedade, tais direitos classificam-se no ativo circulante, se realizável no curso do exercício social subsequente, ou no ativo realizável a longo prazo, se realizável após término do exercício seguinte. Por se tratar de direitos realizáveis, as ações não podem ser incluídos no subgrupo investimento, porque neste subgrupo são registrados apenas os direitos decorrentes de participações permanentes em outras sociedades (em coligadas, controladas e empreendimento controlado em conjunto). OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS. AÇÕES RECEBIDAS DA NOVA SOCIEDADE EMPRESÁRIA. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. OBRIGATORIEDADE. No balanço patrimonial da sociedade empresária investidora, as ações recebidas das sociedades anônimas de capital aberto Bovespa Holding S/A. e BM&F S/A., resultantes do processo de desmutualização das associações civis Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo (BM&F), classificam-se, obrigatoriamente, no ativo circulante ou no realizável a longo prazo, conforme o prazo de realização. Esse tipo de direito não integra o subgrupo do investimento, reservado para registro somente das participações permanentes em outras sociedades. SOCIEDADE CORRETORAS. OBJETO SOCIAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. RECEITA BRUTA DA ATIVIDADE PRINCIPAL OU TÍPICA. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. POSSIBILIDADE. Nas sociedades corretoras, que têm como um dos seus objetos sociais a compra e venda de ações, a receita auferida na alienação de ações de outras companhias, sob qualquer modalidade (incorporação, resgate, venda etc.) integra a receita bruta da atividade principal ou típica das referidas sociedades e, por conseguinte, a base de cálculo da Cofins. PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. AÇÕES DA BM&F S/A. E DA BOVESPA HOLDING S/A. RECEITA DA ALIENAÇÃO MEDIANTE RESGATE E INCORPORAÇÃO DAS AÇÕES. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. POSSIBILIDADE Integra a base de cálculo da Cofins a receita auferida pelas sociedades corretoras, proveniente da alienação das ações da BM&F S/A. e da Bovespa Holding S/A. recebidas em decorrência do denominado processo de desmutualização das bolsas de valores (associações civis), inclusive, as decorrentes do processo de incorporação e resgate das referidas ações pela Nova Bolsa S/A. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 JUROS DE MORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO. CÁLCULO INDIRETO. POSSIBILIDADE. A multa de oficio incide sobre o valor do crédito tributário devido e não pago, acrescido dos juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. ALIENAÇÃO EM SENTIDO AMPLO. A operação de incorporação de ações de uma sociedade empresária por outra tem natureza jurídica de operação de alienação de ações em sentido amplo uma vez que há transferência de propriedade das ações de uma das sociedades para a integralização do capital social da outra sociedade. Neste caso, a primeira sociedade transformase em subsidiária integral da segunda. AÇÕES DE COMPANHIA ABERTA. VALORES MOBILIÁRIOS. ATIVO FINANCEIRO. CLASSIFICAÇÃO PATRIMONIAL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. As ações de sociedades anônimas ou companhias abertas são ativos financeiros do tipo valores mobiliários, contabilmente, tratados como direitos realizáveis a curto ou a longo prazo. No balanço patrimonial da sociedade, tais direitos classificamse no ativo circulante, se realizável no curso do exercício social subsequente, ou no ativo realizável a longo prazo, se realizável após término do exercício seguinte. Por se tratar de direitos realizáveis, as ações não podem ser incluídos no subgrupo investimento, porque neste subgrupo são registrados apenas os direitos decorrentes de participações permanentes em outras sociedades (em coligadas, controladas e empreendimento controlado em conjunto). OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS. AÇÕES RECEBIDAS DA NOVA SOCIEDADE EMPRESÁRIA. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. OBRIGATORIEDADE. No balanço patrimonial da sociedade empresária investidora, as ações recebidas das sociedades anônimas de capital aberto Bovespa Holding S/A. e BM&F S/A., resultantes do processo de desmutualização das associações AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 05 95 /2 01 3- 01 Fl. 824DF CARF MF 2 civis Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo (BM&F), classificamse, obrigatoriamente, no ativo circulante ou no realizável a longo prazo, conforme o prazo de realização. Esse tipo de direito não integra o subgrupo do investimento, reservado para registro somente das participações permanentes em outras sociedades. SOCIEDADE CORRETORAS. OBJETO SOCIAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. RECEITA BRUTA DA ATIVIDADE PRINCIPAL OU TÍPICA. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Nas sociedades corretoras, que têm como um dos seus objetos sociais a compra e venda de ações, a receita auferida na alienação de ações de outras companhias, sob qualquer modalidade (incorporação, resgate, venda etc.) integra a receita bruta da atividade principal ou típica das referidas sociedades e, por conseguinte, a base de cálculo da da Contribuição para o PIS/Pasep. PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. AÇÕES DA BM&F S/A. E DA BOVESPA HOLDING S/A. RECEITA DA ALIENAÇÃO MEDIANTE RESGATE E INCORPORAÇÃO DAS AÇÕES. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. POSSIBILIDADE Integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep a receita auferida pelas sociedades corretoras, proveniente da alienação das ações da BM&F S/A. e da Bovespa Holding S/A. recebidas em decorrência do denominado processo de desmutualização das bolsas de valores (associações civis), inclusive, as decorrentes do processo de incorporação e resgate das referidas ações pela Nova Bolsa S/A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. ALIENAÇÃO EM SENTIDO AMPLO. A operação de incorporação de ações de uma sociedade empresária por outra tem natureza jurídica de operação de alienação de ações em sentido amplo uma vez que há transferência de propriedade das ações de uma das sociedades para a integralização do capital social da outra sociedade. Neste caso, a primeira sociedade transformase em subsidiária integral da segunda. AÇÕES DE COMPANHIA ABERTA. VALORES MOBILIÁRIOS. ATIVO FINANCEIRO. CLASSIFICAÇÃO PATRIMONIAL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. As ações de sociedades anônimas ou companhias abertas são ativos financeiros do tipo valores mobiliários, contabilmente, tratados como direitos realizáveis a curto ou a longo prazo. No balanço patrimonial da sociedade, tais direitos classificamse no ativo circulante, se realizável no curso do exercício social subsequente, ou no ativo realizável a longo prazo, se realizável após término do exercício seguinte. Por se tratar de direitos realizáveis, as ações não podem ser incluídos no subgrupo investimento, porque neste subgrupo são registrados apenas os direitos decorrentes de participações permanentes em outras sociedades (em coligadas, controladas e empreendimento controlado em conjunto). Fl. 825DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 825 3 OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS. AÇÕES RECEBIDAS DA NOVA SOCIEDADE EMPRESÁRIA. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. OBRIGATORIEDADE. No balanço patrimonial da sociedade empresária investidora, as ações recebidas das sociedades anônimas de capital aberto Bovespa Holding S/A. e BM&F S/A., resultantes do processo de desmutualização das associações civis Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo (BM&F), classificamse, obrigatoriamente, no ativo circulante ou no realizável a longo prazo, conforme o prazo de realização. Esse tipo de direito não integra o subgrupo do investimento, reservado para registro somente das participações permanentes em outras sociedades. SOCIEDADE CORRETORAS. OBJETO SOCIAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. RECEITA BRUTA DA ATIVIDADE PRINCIPAL OU TÍPICA. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. POSSIBILIDADE. Nas sociedades corretoras, que têm como um dos seus objetos sociais a compra e venda de ações, a receita auferida na alienação de ações de outras companhias, sob qualquer modalidade (incorporação, resgate, venda etc.) integra a receita bruta da atividade principal ou típica das referidas sociedades e, por conseguinte, a base de cálculo da Cofins. PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. AÇÕES DA BM&F S/A. E DA BOVESPA HOLDING S/A. RECEITA DA ALIENAÇÃO MEDIANTE RESGATE E INCORPORAÇÃO DAS AÇÕES. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. POSSIBILIDADE Integra a base de cálculo da Cofins a receita auferida pelas sociedades corretoras, proveniente da alienação das ações da BM&F S/A. e da Bovespa Holding S/A. recebidas em decorrência do denominado processo de desmutualização das bolsas de valores (associações civis), inclusive, as decorrentes do processo de incorporação e resgate das referidas ações pela Nova Bolsa S/A. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 JUROS DE MORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO. CÁLCULO INDIRETO. POSSIBILIDADE. A multa de oficio incide sobre o valor do crédito tributário devido e não pago, acrescido dos juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Fl. 826DF CARF MF 4 Deus e Raphael M. Abad que davam provimento integral ao recurso voluntário e o Conselheiro Diego Weis Jr (Suplente convocado) que dava provimento parcial para excluir os juros Selic sobre a multa de ofício. Os Conselheiros Diego Weis Jr e Raphael M. Abad votaram pelas conclusões. O Conselheiro José Renato P. de Deus fará declaração de voto. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório integrante do acórdão nº 1301002.016 (fls. 799/816), cujos excertos pertinentes ao litígio remanescente sobre às autuações da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seguem transcritos: Trata o presente processo de autos de infração para constituição de créditos tributários do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), por fatos geradores ocorridos no anocalendário 2008. Integram também o processo autos de infração de multas exigidas isoladamente por falta/insuficiência no recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL. O total da exação alcançou R$ 313.244.484,02 na data do lançamento (demonstrativo às fls. 2/3), aí incluídos juros moratórios e multa de ofício de 75%. As infrações apuradas pelo Fisco foram: [...] d) Falta de oferecimento à tributação pelo PIS e pela COFINS da receita auferida na alienação das ações ordinárias da Bovespa Holding na incorporação de ações pela Nova Bolsa S/A em 08/05/2008 (R$ 32.030.690,17 de ações preferenciais e R$ 461.188.674,88 de ações ordinárias da Nova Bolsa S/A). Por clareza, transcrevo a seguir alguns excertos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 263/286): 3.1. Breve histórico das Bolsas e da sua desmutualização Convencionouse chamar de desmutualização o conjunto de alterações societárias ocorridas em agosto de 2007, amplamente divulgadas na mídia, em que a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), então associação civil sem fins lucrativos, transferiu suas atividades para uma companhia aberta (sociedade Fl. 827DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 826 5 anônima). Assim, o acervo que pertencia à entidade civil passou a ser acervo da sociedade empresarial Bovespa Holding S/A. A associação Bovespa aprovou sua desmutualização na Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de 28/08/2007, que consistiu no seguinte: o primeiro procedimento foi a cisão parcial da associação Bovespa, com redução do seu patrimônio em 99,7%; em seguida, a parcela do patrimônio cindido foi incorporado às empresas Bovespa Serviços e Participações S.A. (BVSP) e Bovespa Holding S/A; posteriormente houve a incorporação das ações da BVSP e da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) pela Bovespa Holding S/A. [...]Dessa forma, com o recebimento dessas ações, os antigos associados passaram a ser acionistas da nova companhia em que se converteu a Bolsa. Encerrada a desmutualização, partiuse para a oferta das ações no mercado, via IPO (Initial Public Offering) Oferta Pública Inicial, que ocorreu em 26/10/2007, momento em que as corretoras, agora acionistas da Bovespa Holding, venderam parte de suas ações em oferta ao público em geral. Também a Bolsa de Mercadorias e Futuro – BM&F, passou por processo semelhante ao acima descrito. O processo de desmutualização que resultou na reestruturação da BM&F consistiu na sua cisão parcial, com versão da parcela cindida de seu patrimônio para a BM&F S/A. [...] 3.2. A 1TAÚ CORRETORA, como acionista da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A: Em 31/12/2007, a ITAÚ CORRETORA possuía um saldo de 20.376.818 ações da Bovespa Holding, contabilizadas na rubrica 2.1.5.10.20.1 Ações e Cotas Bovespa S/A – Holding (Razão 2150 008), perfazendo o montante de R$ 44.563.947,88, conforme demonstrativo da posição acionária e razão apresentados pela contribuinte. Em relação à BM&F, em 31/12/2007, possuía 8.860.584 ações da BM&F S/A, com um custo unitário de R$1,00, perfazendo um montante contabilizado na rubrica 2.1.5.10.005 Ações e Cotas BMF S/A (Razão 2150 009) de R$ 8.860.584,00. 3.3. Incorporação das Ações da BOVESPA e da BM&F por Nova Bolsa S/A Em 17/04/2008 a Bovespa Holding S/A e a Bolsa de Mercadorias & Futuros BM& F S/A publicaram um fato relevante, comunicando ao mercado o objetivo de integrar suas atividades através da incorporação de ambas pela pessoa jurídica Nova Bolsa S/A, CNPJ 09.346.601/000125, doravante denominada Nova Bolsa, que a partir de 08 de maio de 2008 incorporaria as ações de ambas bolsas. (...) Fl. 828DF CARF MF 6 Abaixo reproduzimos algumas etapas da reorganização societária descrita no comunicado, que seriam implementadas em ordem cronológica: a) incorporação BM&F, a valor contábil, resultando na emissão, por Nova Bolsa, em favor dos acionistas de BM&F, de ações ordinárias, na proporção de 1:1, ou seja, com a emissão de 1.010.785.800 ações ordinárias da Nova Bolsa, e na consequente extinção de BM&F S/A; b) na mesma data, em, assembleia distinta e subsequente, Incorporação de Ações Bovespa Holding, a valor de mercado, passando Bovespa Holding a ser subsidiária integral de Nova Bolsa e resultando na emissão de 1.030.012.191 ações ordinárias e 72.288.840 ações preferenciais resgatáveis em favor dos acionistas de Bovespa Holding, em substituição às ações de Bovespa Holding que passarão a ser propriedade de Nova Bolsa; c) também na mesma data, resgate das ações preferenciais de Nova Bolsa emitidas em favor dos acionistas da Bovespa Holding, pelo valor de R$ 17,15340847 por ação; d) a partir da realização das assembleias que aprovarem, as incorporações e o resgate acima referidos, será iniciado o processo de registro de Nova Bolsa perante a Comissão de Valores Mobiliários (‘CVM’) e a listagem de suas ações no Novo mercado da Bolsa de Valores de São Paulo S/A BVSP (‘BVSP’), com consequente cancelamento dos registros da BM&F e da Bovespa Holding. Nessa ocasião a ITAÚ CORRETORA possuía as já citadas 20.376.818 ações da Bovespa Holding ao valor contábil de R$ 44.563.947,88. No processo de incorporação de ações, uma ação da Bovespa Holding passou a valer 1,42485643 ações da Nova Bolsa, de forma que pelas 20.376.818 ações BOVH3 que a ITAÚ CORRETORA detinha foram recebidas 29.034.040 ações de emissão da Nova Bolsa. Os acionistas da Bovespa Holding também receberam ações PN resgatáveis da Nova Bolsa, na proporção de uma ação PN resgatável para cada 10 ações da Bovespa Holding. A ITAÚ CORRETORA recebeu 2.037.682 ações PN resgatáveis da Nova Bolsa em maio/2008 passando a deter o total de 31.071.722 ações da Nova Bolsa. As 8.860.584 ações da BM&F S/A foram incorporadas ao valor contábil de R$ 8.860.584,00. Portanto, o valor contábil dessas ações passou a totalizar R$ 53.424.531,88. No caso dos detentores de ações da BM&F S/A, cujo valor patrimonial era de R$ 1,00 (um real) por ação, ficou estabelecido que receberiam uma ação da Nova Bolsa para cada ação da BM&F S/A. Já no caso da Bovespa Holding S/A o valor unitário atribuído a cada ação ordinária foi de R$ 24,82. Fl. 829DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 827 7 (...) Dessa forma, em 08 de maio de 2008 foi efetuado o resgate das 2.037.682 ações PN da Nova Bolsa pelo valor de R$ 34.953.191,68, conforme resposta á Intimação Fiscal em 13/03/2013 apresentada pelo contribuinte. Nessa operação a ITAÚ CORRETORA reconheceu um lucro na venda de R$ 32.030.690,17 (R$ 34.953.191,68 R$ 2.922.501,51). A ITAÚ CORRETORA, entretanto não adicionou o resultado da venda dessas ações à base de cálculo do PIS e da COFINS. Por ser sociedade corretora, sujeitase à tributação do PIS e da COFINS nos moldes dos artigos 2º e 3º da Lei 9.718/98 (art. 8º da Lei 10.637/2002 e art. 10, I, da Lei 10.833/03). Dessa forma deve ser adicionada na base de cálculo dessas contribuições o resultado auferido no resgate das ações preferenciais, no valor de R$ 32.030.690,17. No processo de incorporação das ações da Bovespa Holding pela Nova Bolsa, o valor unitário atribuído a cada ação ordinária da Bovespa Holding S/A foi de R$ 24,82, conforme item 3.4 do ‘Fato relevante’ publicado em 17.04.08. Dessa forma o valor total do investimento avaliado a preço de mercado por ocasião da incorporação era de R$ 505.752.622,76 (20.376.818 x R$ 24,82). A incorporação das ações da Bovespa Holding S/A pela Nova Bolsa S/A caracterizase como alienação de ações, representa a receita bruta auferida pela ITAÚ CORRETORA nesta operação e o ganho deveria ter sido apurado conforme abaixo: Valor de mercado ações Bovespa na incorporação: R$ 505.752.622,76 () Valor contábil ações Bovespa na incorporação: R$ 44.563.947,88 (=) Resultado líquido na incorporação de ações:R$ 461.188.674,88 (...) Assim, a composição da carteira de ações da Nova Bolsa passou a ser: Entidade Qde.de Ações Custo Unitário Valor Total BM&F S/A 8.860.584 1,00 8.860.584,00 Bovespa Holding S/A 20.376.818 24,82 505.752.622,76 Bovespa Holding S/A 8.657.222 0,00 0,00 Total 37.894.624,00 13,58011 514.613.206,76 O custo médio das ações da Nova Bolsa S/A, resultado da incorporação das ações da Bovespa Holding e da BM&F S/A, passou a ser de R$ 13,58011, conforme demonstrado acima. Nos meses de janeiro, junho e dezembro de 2012 a ITAÚ CORRETORA alienou 22.232.960 as ações BM&F BOVESPA ON, tendo apurado o resultado conforme demonstrativo denominado ‘Venda de Ações’ apresentado no Doc. 3 do Fl. 830DF CARF MF 8 complemento da resposta à Intimação Fiscal apresentada em 15/05/2013: (...) Considerando o custo médio apurado após a incorporação das ações da Bovespa Holding de R$ 13,58011, o custo das ações da Nova Bolsa vendidas em 2012 seria de R$ 301.926.042,43. Dessa forma teria apurado um prejuízo de R$ 65.895.637,76. (...) Em resumo, comparando as duas tabelas chegamos à diferença abaixo: Data da Venda 2012 Quantidade de ações ON vendidas 22.232.960 Valor da venda 236.030.404,67 Custo ações considerando custo médio de R$ 17,40340244 301.926.042,43 Resultado apurado 65.895.637,76 Resultado apurado pelo contribuinte 206.400.126,43 Diferença: resultado apurado resultado reconhecido 272.295.764,19 Constatase, então que, parte do ganho de R$ 461.188.674,88 apurado em maio de 2008 foi postergado para o anocalendário de 2012, quando foram alienadas 22.232.960 ações da Nova Bolsa e foram reconhecidos lucros indevidos, conforme se constata acima. Em sua resposta à Intimação Fiscal em 22/05/2012, a ITAÚ CORRETORA apresentou cópias das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL com base no bala/iço de suspensão e suspensão no ajuste em dezembro de 2012, tendo apurado um Lucro Real de R$ 321.435.163,68 e Base de Cálculo da CSLL de R$ 310.874.979,54. Conforme já vimos anteriormente o resultado líquido obtido na incorporação de ações em 2008 foi de R$ 461.188.674,88, sendo que parte deste resultado, no valor de R$ 188.892.910 será tributado pelo IRPJ e CSLL, em 2008, de acordo com os artigos 247, 248, 251, parágrafo único, e 277 do RIR/99 e parte dele, no valor de R$ 272.295.764,19, será tributado como postergação, de acordo com os artigos 248, 249, inciso II, 251, 273, 274 do RIR/99. Por ser sociedade corretora, a contribuinte sujeitase à tributação do PIS e da COFINS nos moldes dos artigos 2°, 3º e outros da Lei n° 9.718/99 (art. 8º, I, da Lei n° 10.637/2002 e art. 10, I, da Lei n° 10.833/2003). Dessa forma deve ser adicionado na base de cálculo do PIS e da COFINS o valor de R$ 461.188.674.88 que é o resultado auferido na incorporação de ações em maio de 2008. (Grifouse) [...] 3.4. Caracterização da incorporação de ações da BOVESPA Holding S/A pela Nova Bolsa S/A como alienação sujeita à incidência do PIS, COFINS, IRPJ e CSLL. Fl. 831DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 828 9 Examinando os registros contábeis, constatamos que a ITAÚ CORRETORA, após subscrever as ações da BOVESPA Holding S/A e em seguida as ações da BM&F S/A, recebidas em devolução, de patrimônio, resultantes do processo de desmutualização em 2007, classificou referidas ações no Ativo Permanente. No Brasil, a classificação contábil dos ativos e passivos de uma sociedade empresarial não está ao arbítrio dos agentes econômicos. A matéria tem disciplina normativa na Lei n° 6.404/76 Lei das Sociedades por Ações. (...) A classificação das ações da BOVESPA Holding S.A, BM&F S/A e da Nova Bolsa S/A no Ativo Permanente é equivocada, pois a situação é diferente da existente quando da aquisição do título patrimonial da BOVESPA e da BM&F. Naquela época para usufruir os serviços prestados pela BOVESPA e pela BM&F (associações sem fins lucrativos) era prérequisito a aquisição do título patrimonial. Com a transformação das associações em BOVESPA Holding e BM&F (sociedades anônimas), deixou de existir a necessidade de manutenção das ações (conversão do título) no ativo permanente. Pelo contrário, conforme demonstraremos as ações não podem ser classificadas no permanente, pois possuem a natureza jurídica de ativo financeiro e a intenção do contribuinte foi de auferir benefícios econômicos com a valorização do preço da ação. (...) Portanto, as ações da BOVESPA, posteriormente substituídas, por ações da Nova Bolsa, e em seguida parcialmente alienadas em 2012, conforme resposta à intimação fiscal, deveriam ter sido classificadas no Ativo Circulante e não no Permanente. Como o evento de incorporação de ações da BOVESPA S.A, a valor de mercado, CONFIGURA ALIENAÇÃO ficta, pois acarretará a liquidação do investimento temporário original, o ganho líquido (receita financeira) deverá ser objeto de tributação pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Como consequência, o investimento original deverá ser baixado e o novo ativo recebido escriturado ao custo de aquisição correspondente ao preço de mercado constante do laudo de avaliação. A operação de incorporação de ações está prevista no artigo 252 da Lei n° 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas), e corresponde a uma forma de alienação em sentido amplo, conforme exposto na doutrina a seguir transcrita. (...) Ou seja, considerando que no ato jurídico não há uma mera substituição de ativos, e sim uma transmissão onerosa da propriedade de ativos mensurados por laudo de avaliação, temos Fl. 832DF CARF MF 10 que a incorporação de ações constitui uma das espécies do gênero alienação, no sentido amplo. Tal entendimento acarreta a tributação da pessoa física e da pessoa jurídica. (...) Conforme tratamos anteriormente, a ITAÚ CORRETORA, como instituição integrante do Sistema Financeiro Nacional, à época dos fatos, tinha por objeto social a prática de todas as operações permitidas às sociedades corretoras de valores mobiliários e câmbio, operando na compra, venda e distribuição de títulos e valores mobiliários e de câmbio, conforme Resolução n° 1.655/89, parcialmente transcrita a seguir, a qual disciplina a constituição , a organização e o funcionamento das sociedades corretoras de valores mobiliários: (...) Em resumo, sobre os resultados obtidos em 2008, serão lavrados na presente data Autos de Infração para a exigência do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, discriminados abaixo: Data Matéria Base Tributo 31/05/2008 Receita no resgate de ações PN 32.030.690,17 PIS e Cofins 31/05/2008 Resultado na alienação de ações na incorporação das ações da Nova Bolsa e alienação em períodos subsequentes 188.892.910,69 IRPJ e CSLL 31/12/2008 Postergação em 2012 272.295.764,19 IRPJe CSLL 31/05/2008 Resultado na alienação de ações devido à incorporação de ações da Nova Bolsa 461.188.674,88 PIS e Cofins (...)” (Grifouse) A impugnação (fls. 324/393) ao lançamento foi sintetizada pelo relator do processo em primeira instância como segue: [...] j) no tópico “Quanto ao PIS e à Cofins” alega que a autoridade fiscal afirmou que toda e qualquer receita decorrente da atividade operacional da contribuinte deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, mas desconsidera que o STF já decidiu que tais contribuições, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, só podem incidir sobre o faturamento, assim entendido a receita bruta na venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, não procedendo a pretensão fiscal de exigilas sobre receita financeira; que a questão relativa à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por força do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, já foi decidida pelo Plenário do STF ao julgar os Recursos Extraordinários nºs 346.084, 357.390, 358.273 e 390.840; k) alega que o Parecer PGFN/CAT nº 2773/2007, ao analisar a repercussão da jurisprudência do STF para as instituições financeiras e sociedades seguradoras, considerando que a mercadoria é necessariamente, por definição, um bem corpóreo, concluiu que a natureza das receitas decorrentes das atividades Fl. 833DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 829 11 do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições em causa, exceto no que diz respeito ao “plus” contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998; l) assim como as receitas dos bancos que a título de “operações bancárias” devem compor a base de cálculo do PIS e da Cofins restringemse aos “serviços”, ou seja, à intermediação financeira na captação de recursos (“spread”), no caso concreto somente podem integrar a base de cálculo das referidas contribuições a receita decorrente da intermediação na compra e venda de ações, ou seja, a taxa de corretagem cobrada pela impugnante de seus clientes; que o plenário do STF no julgamento do RE 101.3397/ SP, deliberando sobre matéria tributária (inciso III do art. 3º do Decretolei nº 1.438, de 1975), declarou em decisão unânime a inconstitucionalidade da norma que, a pretexto de tributar prestação de serviço, determinava a incidência do imposto sobre atividade que não se destinava ao consumo de terceiro; m) que só podem integrar a base de cálculo da Cofins e do PIS as receitas decorrentes de atividades exercidas em favor de terceiros, o que exclui, ipso facto, da base de cálculo das referidas contribuições os valores decorrentes da venda de ações de propriedade da impugnante; que constam de seu estatuto social algumas atividades básicas que embora na grande maioria das vezes sejam realizadas no interesse de seus clientes, são também realizadas com seu próprio capital, como as operações de compra e venda de títulos e valores mobiliários e as operações em bolsa de mercadorias e futuros; quando as operações com recursos próprios são realizadas no seu único e exclusivo interesse, não há intermediação financeira alguma; n) no tópico “Do Registro do Investimento no Ativo Permanente –Previsão Expressa da Exclusão da Receita de Alienação de tal Ativo da Base de Cálculo do PIS e da Cofins” aduz que os arts. 2º e 3º, IV, da Lei nº 9.718, de 1998, dispõem que excluemse da receita bruta a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente; que a autoridade fiscal transcreveu apenas parcialmente o Ofício Circular 22/2004DG da Bovespa para justificar o entendimento de que as ações em questão deveriam ter sido registradas no ativo circulante; contudo, tal ofício confirma que o elemento fundamental para se definir se determinado bem deve ser classificado no ativo permanente ou circulante é a intenção da sociedade no momento de sua aquisição; o) o fato de a impugnante somente ter efetuado a venda de parte das ações da Nova Bolsa em 2012 é a prova inequívoca de que referidas ações foram corretamente registradas em seu ativo permanente, uma vez que de fato não foram consideradas investimento; que tal entendimento é aplicável às ações preferenciais que acabaram sendo resgatadas em 2008, quando da incorporação de ações, uma vez que a caracterização do investimento em ativo permanente se deu quando de sua Fl. 834DF CARF MF 12 aquisição e sua classificação não pode ser alterada em razão de fato posterior que escapa à vontade da impugnante; p) que os títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F que a impugnante era obrigada a ter a fim de operar no mercado de capitais sempre foram tidos como investimento diretamente vinculado às suas atividades, de modo que sempre estiveram registrados em conta do ativo permanente; que o fato de ter sido permutado por outro não enseja tratamento contábil diferente, na medida em que apenas substituíram os títulos originais, não representando novo ativo; não obstante tais operações impliquem diferentes procedimentos formais, substancialmente têm por objetivo alterar a roupagem das entidades personificadas sem contudo alterarlhes a essência patrimonial que permanece íntegra; daí porque a doutrina entende que tais operações têm sempre por escopo a continuidade patrimonial da entidade personificada – substância –mas sob outra forma; q) é da essência da operação de cisão que os antigos sócios/acionistas da sociedade cindida recebam em substituição da participação societária anterior, participação societária nova, na sociedade que absorveu o patrimônio da cindida, de modo que a situação patrimonial dos sócios/acionistas permanece exatamente igual; que as ações não foram adquiridas com a intenção de serem vendidas em seguida, mas resultaram de todo o processo de desmutualização; ainda que fosse o caso, a mera intenção de alienação de ativo permanente não autoriza a alteração da classificação contábil (Solução de Consulta n° 36/06, da SRRF da 7ª Região); r) no tópico “A Não incidência de Juros de Mora Sobre Multa de Ofício” protesta contra a provável exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, porquanto a legislação somente autoriza a incidência de multa e juros sobre o valor atualizado do tributo ou da contribuição, não autorizando o cálculo dos juros sobre o valor da multa; s) ao final, no “Pedido”, requer a acolhida da presente impugnação para o fim de ser reconhecer a insubsistência do auto de infração lavrado, se antes não reconhecida a nulidade material dos autos de IRPJ e CSLL, como medida de Direito e de Justiça. A 1ª Turma da DRJ em Curitiba/PR analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0643.395, de 29/08/2013 (fls. 504/540), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: [...] Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2008 RECEITA BRUTA. ALIENAÇÃO DAS AÇÕES DA BOVESPA HOLDING. COMPRA E VENDA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS POR CONTA PRÓPRIA. Fl. 835DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 830 13 A receita bruta apurada na alienação das ações da Bovespa Holding, na incorporação de ações pela Nova Bolsa S/A, integra a base de cálculo da contribuição devida no exercício de atividade empresarial típica de instituição financeira. PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS EM OUTRAS EMPRESAS. INVESTIMENTOS DESTINADOS À NEGOCIAÇÃO. CONTABILIZAÇÃO NO ATIVO CIRCULANTE OU NO REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. As participações societárias em outras empresas devem ser registradas no ativo circulante ou no realizável a longo prazo (ativo não circulante) quando destinados à negociação, portanto constituem ativo financeiro por terem característica de aplicação temporária ou especulativa. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2008 RECEITA BRUTA. ALIENAÇÃO DAS AÇÕES DA BOVESPA HOLDING. COMPRA E VENDA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS POR CONTA PRÓPRIA. A receita bruta apurada na alienação das ações da Bovespa Holding, na incorporação de ações pela Nova Bolsa S/A, integra a base de cálculo da contribuição devida no exercício de atividade empresarial típica de instituição financeira. PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS EM OUTRAS EMPRESAS. INVESTIMENTOS DESTINADOS À NEGOCIAÇÃO. CONTABILIZAÇÃO NO ATIVO CIRCULANTE OU NO REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. As participações societárias em outras empresas devem ser registradas no ativo circulante ou no realizável a longo prazo (ativo não circulante) quando destinados à negociação, portanto constituem ativo financeiro por terem característica de aplicação temporária ou especulativa. [...] Recurso Voluntário Ciente da decisão de primeira instância em 18/09/2013, conforme Termo de Ciência por Decurso de Prazo à fl. 545, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 02/10/2013 conforme carimbo de recepção à folha 547. [...] No mérito, traz os argumentos abaixo sintetizados: [...] Fl. 836DF CARF MF 14 Especificamente quanto ao PIS e à COFINS (repete, mais ou menos com as mesmas palavras, os argumentos aduzidos em sede de impugnação): o Impossibilidade de tributação da receita financeira por essas contribuições, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. o Ofensa à orientação do Parecer PGFN/CAT nº 2773/2007. o Existência de previsão expressa de exclusão, da base de cálculo das contribuições, da receita da alienação de investimentos registrados no ativo permanente, o que seria o caso sob análise. Argumentos contrários à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Contrarrazões da Fazenda Nacional A Fazenda Nacional, por seu Procurador, com base no § 2º do art. 48 do Regimento Interno do CARF em vigor, apresentou suas contrarrazões (fls. 642/690) ao recurso voluntário interposto pela contribuinte. Em apertada síntese, a Fazenda Nacional sustenta a inexistência das alegadas nulidades; a existência de efetiva alienação (no que se refere ao ganho de capital na incorporação de ações); a possibilidade de cumulação da multa isolada e da multa de ofício; e a correção da incidência de juros sobre a multa de ofício. Inexistem contrarrazões específicas acerca dos lançamentos de PIS e COFINS. Desistência parcial Às fls. 709/732 encontro documento que dá conta da desistência parcial do recurso interposto nos presentes autos, para fins de adesão à quitação com benefícios estabelecidos pela Lei nº 13.043/2014. A requerente esclarece que a desistência alcança os “débitos decorrentes da suposta omissão de receita/postergação de pagamento relativos ao ‘Resultado na alienação de ações na incorporação das ações da Nova Bolsa e alienações em períodos posteriores’ (débitos de principal de IRPJ e CSL, e multas de oficio e juros de mora decorrentes desta suposta omissão de receita)”. Requer, ainda, “o regular processamento do feito quanto à parte remanescente em discussão, relativa aos supostos débitos de PIS e COFINS (e multas e juros correlatos)”. [...] O extrato do processo (fls. 789/790) e o Termo de Transferência de Crédito Tributário (fl. 791) atestam que foram transferidos para o processo nº 16327.720584/201585 todos os débitos de IRPJ e CSLL, incluídos os juros, multas proporcionais e as multas exigidas isoladamente. No presente processo permaneceram exclusivamente as exigências de PIS e COFINS, e respectivos consectários legais. Fl. 837DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 831 15 [...] (grifos do original) Diante da desistência parcial do recurso voluntário e da inexistência de litígio concernente à aplicação da legislação do IRPJ, a demandar manifestação das Turmas da 1ª Seção de Julgamento, aliada a constatação de que o litígio remanescente limitase à aplicação da legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em lançamentos agora autônomos e não mais caracterizados como reflexos, com respaldo no art. 4º, I, do Anexo II do RICARF, na Sessão de 4 de maio de 2016, por meio do acórdão nº 1301002.016 (fls. 799/816), os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção declinaram da competência de julgamento da matéria litigiosa remanescente para alguma das Turmas Ordinárias integrantes desta Terceira Seção de Julgamento. Enviado para esta 3ª Seção, o presente processo foi distribuído a este Conselheiro, para relato e julgamento das matérias litigiosas remanescentes, concernentes aos lançamentos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, a matéria litigiosa remanescente é da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Previamente, é oportuno esclarecer que, embora os lançamentos objeto dos presentes autos contemplassem a cobrança do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSL) e das multas isoladas decorrentes do suposto recolhimento a menor das estimativas desses tributos, referentes a maio de 2008, em razão da desistência parcial do recurso em apreço, atualmente, remanescem em questão, nestes autos, apenas à cobrança dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), respectivas multas de ofício e juros de mora. Da motivação da autuação e do objeto da controvérsia De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (TVF), os lançamentos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins foram motivados pela não inclusão na base de cálculo das referidas contribuições do ganho auferido pela autuada, em 8/5/2008, na alienação de ações, composto de duas parcelas: a) R$ 461.188.674,88, de ganho apurado na alienação de 20.376.818 ações ordinárias da Bovespa Holding S/A., mediante operação de incorporação das citadas ações ao patrimônio da Nova Bolsa S/A.; e b) R$ 32.030.690,17, de ganho apurado na alienação de 2.037.682 das ações preferenciais (resgatáveis) da Nova Bolsa S/A., mediante resgate das respectivas ações por parte da companhia emitente. Fl. 838DF CARF MF 16 Em relação a última operação, não existe controvérsia de que se trata de operação alienação ou venda de ações, uma vez que a própria a recorrente reconheceu o ganho de R$ 32.030.690,17 (R$ 34.953.191,68 R$ 2.922.501,51), obtido na referida operação, entretanto, não o adicionou à base de cálculo das referidas contribuições, sob o argumento de que se tratava de receita obtida na venda de bens do ativo permanente, excluída da cobrança das citadas contribuições, nos termos do art. 3º, § 2º, IV, da Lei 9.718/1998. Portanto, em relação a esse ponto, a controvérsia cingese à classificação contábil das ações no momento da alienação e obrigatoriedade (ou não) da tributação pelas citadas contribuições do ganho auferido na operação. A título de esclarecimento, sabese que o resgate de ações tratase de operação de alienação que se encontra disciplinada no art. 441, § 1º, do Lei 6.404/1976 (Lei das Sociedades Anônimas ou Lei das S/A.) e que consiste no pagamento do valor das ações pela companhia emissora, com vistas a retirálas definitivamente de circulação e que pode ser realizada com ou sem redução do capital social. Por meio da operação de resgate, a companhia emissora das ações realiza o pagamento ao acionista do valor das ações por este detidas, com objetivo de retirálas definitivamente de circulação. Tratase, portanto, de modalidade de alienação que resulta na extinção da ação. No que tange ao ganho de R$ 461.188.674,88, obtido na alienação/incorporação das 20.376.818 ações ordinárias da Bovespa Holding S/A., a recorrente não concordou com a natureza jurídica da operação, bem como com a não inclusão do correspondente ganho na base de cálculo das mencionadas contribuições. Logo, em relação a esse ponto, a controvérsia envolve tanto a natureza jurídica da operação quanto à classificação contábil das ações no momento da alienação e obrigatoriedade (ou não) da tributação pelas citadas contribuições do ganho auferido na operação. Da natureza jurídica da operação de incorporação de ações: alienação ou subrogação real? Diferentemente da operação de resgate, em torno da operação de incorporação de ações, há franca controvérsia quanto a sua natureza jurídica. Para a fiscalização, a operação de incorporação de ações representa uma forma de alienação em sentido amplo. No direito positivo, a referida operação encontrase definida no art. 252 da Lei das S/A., a seguir transcrito: 1 "Art. 44. O estatuto ou a assembléiageral extraordinária pode autorizar a aplicação de lucros ou reservas no resgate ou na amortização de ações, determinando as condições e o modo de procederse à operação. § 1º O resgate consiste no pagamento do valor das ações para retirálas definitivamente de circulação, com redução ou não do capital social, mantido o mesmo capital, será atribuído, quando for o caso, novo valor nominal às ações remanescentes. § 2º A amortização consiste na distribuição aos acionistas, a título de antecipação e sem redução do capital social, de quantias que lhes poderiam tocar em caso de liquidação da companhia. § 3º A amortização pode ser integral ou parcial e abranger todas as classes de ações ou só uma delas. § 4º O resgate e a amortização que não abrangerem a totalidade das ações de uma mesma classe serão feitos mediante sorteio; sorteadas ações custodiadas nos termos do artigo 41, a instituição financeira especificará, mediante rateio, as resgatadas ou amortizadas, se outra forma não estiver prevista no contrato de custódia. § 5º As ações integralmente amortizadas poderão ser substituídas por ações de fruição, com as restrições fixadas pelo estatuto ou pela assembléiageral que deliberar a amortização; em qualquer caso, ocorrendo liquidação da companhia, as ações amortizadas só concorrerão ao acervo líquido depois de assegurado às ações não a amortizadas valor igual ao da amortização, corrigido monetariamente. § 6oSalvo disposição em contrário do estatuto social, o resgate de ações de uma ou mais classes só será efetuado se, em assembléia especial convocada para deliberar essa matéria específica, for aprovado por acionistas que representem, no mínimo, a metade das ações da(s) classe(s) atingida(s). Incluído pela Lei nº 10.303, de 2001)" Fl. 839DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 832 17 Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira, para convertêla em subsidiária integral, será submetida à deliberação da assembléiageral das duas companhias mediante protocolo e justificação, nos termos dos artigos 224 e 225. § 1º A assembléiageral da companhia incorporadora, se aprovar a operação, deverá autorizar o aumento do capital, a ser realizado com as ações a serem incorporadas e nomear os peritos que as avaliarão; os acionistas não terão direito de preferência para subscrever o aumento de capital, mas os dissidentes poderão retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) § 2º A assembléiageral da companhia cujas ações houverem de ser incorporadas somente poderá aprovar a operação pelo voto de metade, no mínimo, das ações com direito a voto, e se a aprovar, autorizará a diretoria a subscrever o aumento do capital da incorporadora, por conta dos seus acionistas; os dissidentes da deliberação terão direito de retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230.(Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) § 3º Aprovado o laudo de avaliação pela assembléiageral da incorporadora, efetivarseá a incorporação e os titulares das ações incorporadas receberão diretamente da incorporadora as ações que lhes couberem. § 4o A Comissão de Valores Mobiliários estabelecerá normas especiais de avaliação e contabilização aplicáveis às operações de incorporação de ações que envolvam companhia aberta. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) grifos não originais Já para a recorrente, a operação de incorporação de ações não configura operação de alienação de ações, mas operação de simples substituição de participações societárias ou substituição de ações da sociedade incorporada pelas da incorporadora. Segundo a recorrente, ela não alienou as ações da Bovespa Holding S/A. que então detinha, mas apenas recebeu em troca dessas ações outras ações emitidas pela Nova Bolsa S/A., tudo isso em decorrência do fato de as citadas sociedades terem deliberado pela incorporação das ações da primeira pela segunda. Na doutrina, também não há consenso sobre a natureza jurídica da operação de incorporação de ações. Nessa seara, verificase a presença de duas correntes doutrinárias. Uma defende que se trata subrogação real ou mera substituição de ações. A outra defende que se trata de operação de incorporação e alienação (ficta) de ações da companhia incorporada, semelhante ao aumento de capital mediante aporte de bens. A primeira corrente é liderada pelo Prof. Dr. Nelson Eizirik, para quem a operação de incorporação de ações tratase de uma modalidade de subrogação, consoante se lê no excerto extraído da sua obra, que segue transcrito: Fl. 840DF CARF MF 18 Verificase na operação de incorporação de ações uma substituição de ações. Os acionistas cujas ações foram incorporadas, independentemente de sua vontade, recebem ações da companhia incorporadora existindo no caso uma modalidade de subrogação. [...] A subrogação de um bem por outro, pressupõe, necessariamente, a equivalência de valores. Dessa forma, na operação de incorporação de ações, não há alteração no patrimônio do acionista cujas ações foram substituídas por novas ações da sociedade incorporadora. Aos acionistas serão atribuídas novas ações cujos valores deverão corresponder exatamente à participação que previamente detinham na sociedade que deve suas ações incorporadas.2 Por sua vez, o entendimento da segunda corrente é sustentado, por exemplo, por Fran Martins3 e Modesto Carvalhosa. Para este autor a operação de incorporações de ações é um negócio sui generis que envolve, ao mesmo tempo, uma incorporação e uma alienação fictas, conforme se infere do trecho de sua obra, que transcrito: Tratase, o negócio de incorporação de ações, ao mesmo tempo de uma incorporação e de uma alienação fictas. No primeiro caso, porque não se incorpora uma sociedade em outra, na medida em que a incorporada subsiste como pessoa jurídica, ou seja, como sociedade mercantil de direito privado, revestindo o tipo companhia. No segundo caso, porque o controlador da sociedade incorporada aliena não apenas suas ações à incorporadora, mas também as dos minoritários, num negócio sui generis, que lembra a expropriação do direito administrativo. Tratase, com efeito, de negócio sui generis, a que, por lei, está permanentemente sujeito o acionista minoritário da incorporada: ter suas ações vendidas à incorporadora independentemente de sua vontade. 4 No mesmo sentido, a abalizada doutrina de Luís Eduardo Schoueri e Luiz Carlos de Andrade Jr., exposta no artigo intitulado “Incorporação de Ações: Natureza Societária e Efeitos Tributários”, publicado na Revista Dialética de Direito Tributário nº 200, mai. 2012, p. 4472, de onde se extrai os pertinentes e relevantes excertos, que seguem transcritos: Devese assinalar, também, que a incorporação de ações opera se mediante um aumento de capital da sociedade incorporadora das ações (parágrafo 1º), o qual é subscrito, pela diretoria da sociedade cujas ações serão incorporadas, “por conta” dos sócios desta (parágrafo 2º). Esse aumento de capital é, então, integralizado, mediante a transferência da totalidade das ações da companhia por último referida. Em vista disso, os sócios da companhia cujas ações foram incorporadas recebem, 2 EIZIRIK, Nelson. Incorporação de ações: Aspectos Polêmicos. In: WARDE JR., Walfrido Jorge (Coord.). Fusão, Cisão, Incorporação e Temas correlatos. São Paulo: Quartier Latin, 2009, p. 89. 3 MARTINS, Fran. Comentários à Lei das Sociedades Anônimas, v. 3, Rio de Janeiro: Forense, 1975, p. 316. 4 CARVALHOSA, Modesto. Comentários à Lei de Sociedades Anônimas. 4º volume: tomo II: arts. 243 a 300: lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976, com as modificações da lei 11.941, de 27 de maio de 2009 – 4ª ed. rev. e atual. – São Paulo: Saraiva, 2011. p. 172. Fl. 841DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 833 19 diretamente, as novas ações emitidas pela companhia “incorporadora’. Por fim, no que tange ao valor pelo qual as ações devem ser incorporadas, vêse nos parágrafos 1º e 3º que as ações incorporadas, bem como as ações a serem emitidas para substituílas, devem ser avaliadas por peritos nomeados pela assembleia geral da companhia que as incorporará. É dessa avaliação que será extraída a chamada relação de troca. Nesse cenário, identificamse duas correntes doutrinárias quanto à definição da natureza jurídica do instituto: i) Primeira corrente: vê na incorporação de ações uma operação semelhante ao aumento de capital mediante a conferência de bens, que, portanto, implica a alienação das ações incorporadas; e ii) Segunda corrente: não vê nesse negócio verdadeira alienação, mas simples substituição de ações em razão de subrogação real. [...] Se a substituição jurídica implica que o bem subrogado desempenhe a mesma função que o substituído, em vista da manutenção da relação originária, seria necessário, para se demonstrar que tal ocorre na incorporação de ações, evidenciar: i) qual seria a relação originária; ii) qual seria o papel desempenhado pelo bem substituído na relação originária; iii) que a relação originária se manteria; iv) qual o papel desempenhado pelo bem subrogado nessa mesma relação. [...] O exame das ponderações acima expostas nos leva a concluir que não há, na incorporação de ações, a substituição jurídica a que alude Nelson Eizirik, pois: i) a relação originária não se mantém. Antes da incorporação de ações, o sócio é titular de participação da sociedade “A”. Após a operação, passa a ser titular de participação na sociedade “B”. Não existe identidade entre as relações jurídicas existentes antes (sócio “A”) e depois (sócio “B”) da incorporação de ações. Imaginese, por exemplo, que a classe das ações fosse diferente, antes e após a operação. Isso bem seria possível, evidenciando a diferença entre as relações jurídicas observadas; ii) o papel desempenhado pelo bem substituído não se confunde com o do bem subrogado. O bem substituído legitimava, por exemplo, o sócio, a receber dividendos da sociedade “A”, ou a Fl. 842DF CARF MF 20 participar das assembleias da sociedade “A”, etc. O bem sub rogado, diversamente, legitima o sócio a receber dividendos da sociedade “B”, ou a participar das assembleias da sociedade “B”, etc. [...] É importante que fique claro que, como qualquer ficção jurídica, a subrogação real baseiase num juízo relativo. O bem sub rogado não ocupa o lugar do bem substituído a título universal, “para todos os fins de direito”. O juízo relativo em questão referese a uma característica especial do bem substituído, consistente no fato de ele estar inserto numa relação jurídica particular. Assim, quando ocorre a subrogação real, o novo bem ocupa, fictamente, o lugar do velho, em tal relação. [...] [...] Nesse contexto, não vislumbramos a previsão de subrogação real no artigo 252 da Lei das Sociedades Anônimas. Ali, não criou, o legislador, qualquer ficção. Em momento algum o dispositivo dá a entender que as ações de “B” deveriam ser consideradas como ações de “A”. Não vemos, ademais, que a lei tenha estabelecido a substituição das ações mediante um juízo relativo, ou seja, com vistas a uma relação jurídica particular. Pelo contrário, as ações, tanto da companhia “incorporada”, como as da “incorporadora”, são tratadas em si e por si. Prova disso é, como se disse acima, que as ações de “B” não autorizam o sócio a exercer quaisquer direitos em face de “A”, o que decorre da relação jurídica particular em que se encontram insertas as ações desta. [...] Ainda que houvesse subrogação real na operação, haveria transferência das ações. O bem substituído deve, para que possa ceder lugar ao substituto, deixar a posição que ocupa inicialmente. Ou seja, a transferência de ações é, sob qualquer perspectiva, inegável. Acabamos de ver, outrossim, que a previsão de uma autorização legal para que a companhia “incorporada” disponha das ações de seus acionistas não prejudica essa transferência. Dessa feita, o artigo 9º da Lei das Sociedades Anônimas resolve a questão: “Art. 9º. Na falta de declaração expressa em contrário, os bens transferemse à companhia a título de propriedade.” Uma vez que o artigo 252 não informa, expressamente, a que título as ações da sociedade “incorporada” são transferidas à sociedade “incorporadora”, a questão não comporta dúvidas: há transferência da propriedade daquelas ações; há alienação destas, na incorporação de ações. [...] Ante o exposto, concluímos que a incorporação de ações: Fl. 843DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 834 21 i) é um negócio típico do Direito Societário, voltado à concentração empresarial; ii) que se operacionaliza mediante: a) aumento de capital da sociedade ‘incorporadora’, em regime extraordinário, porquanto ausente o direito de preferência dos acionistas destas; b) a subscrição e integralização deste por meio da transferência das ações da sociedade ‘incorporada’, também sob regime extraordinário, uma vez que a lei atribui à diretoria desta sociedade uma autorização para fazêlo no lugar dos acionistas; iii) que apresenta os seguintes efeitos: a) a alienação das ações da “incorporada”, a título de integralização do capital da “incorporadora”; b) transformação dos sócios da “incorporada” em sócios da “incorporadora”; e c) conversão da “incorporada” em subsidiária integral da “incorporadora”.5 Do cotejo entre os entendimentos esposados pelas duas correntes doutrinárias, este Conselheiro convenceuse que a segunda é a que melhor reflete a real a natureza jurídica da operação de incorporação de ações definida no art. 252 do Lei das S/A. e que foi operacionalizada entre a Bovespa Holding S/A. e a Nova Bolsa S/A. (que passou a denominarse BM&FBovespa S/A.), ou seja, que se trata de uma operação de alienação das ações da primeira, a título de integralização do capital da segunda, em que, simultaneamente, há transformação dos sócios da primeira em sócios da segunda e conversão da primeira em subsidiária integral da segunda. No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 2ª Turma do Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) por meio do acórdão nº 920200.662, cujo enunciado segue reproduzido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES GANHO DE CAPITAL. As operações que importem alienação a qualquer titulo, de bens e direitos, estão sujeitos a apuração do ganho de capital. A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo. 5 SCHOUERI, Luís Eduardo, ANDRADE JR., Luiz Carlos de. Incorporação de Ações: Natureza Societária e Efeitos Tributários. REVISTA DIALÉTICA DE DIREITO TRIBUTÁRIO (RDDT). n. 200, mai. 2012, p. 45. Fl. 844DF CARF MF 22 O sujeito passivo transferiu ações, por incorporação de ações, para outra empresa, a título de subscrição e integralização das ações que compõem seu capital, pelo valor de mercado. A diferença a maior (entre o valor de mercado e o valor constante na declaração de bens) deve ser tributada como ganho de capital. Recurso especial provido. Enfim, revelase contraditória a alegação da recorrente de que, em relação a referida operação de incorporação e para fins de tributação da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, inexiste a alienação e, ao mesmo tempo, admitir e anuir que a mesma operação representa alienação de ações, para fins de apuração de ganho de capital submetido à tributação pelo IRPJ e CSLL. Por todas essas razões, chegase a conclusão de que a operação de incorporação de ações configura operação de alienação de ações, uma vez que há transferência da propriedade das ações da sociedade cedente, para fim de integralização do capital da sociedade cessionária, e os acionistas da primeira, recebem da segunda novas ações a valor de mercado em substituição as ações cedidas pela primeira. Em decorrência da referida operação de alienação, houve receita auferida pela recorrente, porém, se ela integrará ou não a base de cálculo das referidas contribuições, é a questão que será a seguir analisada. Da tributação da receita de alienação/resgate de ações Segundo a fiscalização, por ser sociedade corretora, os resultados obtidos pela autuada “nas operações de venda das ações PN resgatáveis da Nova Bolsa e alienação das ações da Bovespa Holding no processo de incorporação de ações pela Nova Bolsa, comporiam o resultado operacional, sujeito à incidência das contribuições do PIS e da COFINS, pois o objeto social da empresa, previsto em seu estatuto contemplava a compra e venda de títulos e valores mobiliários, por conta de terceiros ou por conta própria”. Com efeito, na condição de instituição financeira integrante do Sistema Financeiro Nacional (SFN), na data do fato gerador, induvidosamente, a recorrente tinha por objeto social a prática de todas as operações permitidas às sociedades corretoras de valores mobiliários e câmbio, dentre as quais, merece destaque as operações de (i) subscrever emissões de títulos e valores mobiliários para revenda e (ii) comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria, respectivamente, previstas no art. 2º, II e IV, do Regulamento Anexo a Resolução 1.655/1989 do Conselho Monetário Nacional (CMN), que disciplina a constituição, a organização e o funcionamento das sociedades corretoras de valores mobiliários. Para facilitar a compreensão, seguem transcritos os preceitos normativos relevantes extraído do citado Regulamento: Art. 1° A sociedade corretora de títulos e valores mobiliários é instituição habilitada à prática das atividades que lhe são atribuídas pelas Leis nºs 4.728, de 14.07.65, 6.385, de 07.12.76, e regulamentação aplicável. Art. 2°A sociedade corretora tem por objeto social: [...] Fl. 845DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 835 23 II subscrever, isoladamente ou em consórcio com outras sociedade autorizadas, emissões de títulos e valores mobiliários para revenda. [...] IV comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros, observada regulamentação baixada pela Comissão de Valores Mobiliários e Banco Central do Brasil nas suas respectivas áreas de competência; [...].(grifos não originais) De acordo com o previsto no preceito normativo em destaque, a atividade de venda/alienação de ações próprias (da sua propriedade) faz parte do objeto social e, portanto, integra a atividade principal ou típica (ou operacional, como denominou a fiscalização) das sociedade corretoras de valores mobiliários. Em decorrência, tais receitas, inequivocamente, integram o faturamento ou a receita bruta das referidas sociedades e, portanto, da recorrente, tendo em conta que, consoante o seu Estatuto, o seu objeto social compreende a prática de todas as operações permitidas, pelas disposições legais e regulamentares, às sociedades corretoras de valores mobiliários e câmbio, o que, obviamente, inclui a venda de ações de sua propriedade ou carteira própria de ações. Por sua vez, a recorrente alegou que, ao considerar que toda e qualquer receita decorrente de atividade operacional integrava a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, a autoridade fiscal simplesmente desconsiderou o que decidira o STF, no julgamento dos RREE nºs 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, sobre o alargamento da base de cálculo das referidas contribuições, no sentido de que, nos termos dos arts. 2o e 3o da Lei 9.718/1998, as ditas contribuições só incidiriam “sobre o faturamento, assim entendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, não procedendo a pretensão fiscal de exigir tais contribuições sobre receita financeira.” Inicialmente, cabe consignar que a ação é um título representativo da menor parcela do capital social da sociedade anônima ou companhia e, se emitido por companhia aberta, sabidamente, tem natureza jurídica de ativo financeiro, especificamente, na condição de valor mobiliário6. Em face dessa característica, os resultados positivos (lucros) obtidos nas operações de alienação de ações de companhias abertas de propriedade das sociedades corretoras (carteira própria de ações), quando por elas realizadas/alienadas, no mercado de capitais ou fora dele, são considerados receitas operacionais ou receitas operacionais bruta, uma vez que decorrente da atividade empresarial típica ou principal. Da mesma forma, no Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (COSIF) os resultados positivos obtidos nas operações de venda/alienação das 6 No mesmo sentido, a abalizada doutrina do Prof. Samuel Carvalho Gaudêncio, para quem "apenas as ações das companhias abertas serão consideradas valores mobiliários, em razão do investimento de um terceiro, captado mediante uma oferta pública, fato esse que não ocorre com as ações de uma companhia fechada, tendo em vista que, nesse cenário, não há, por exemplo, uma oferta pública com o intuito de captar recursos de terceiro." (GAUDÊNCIO, Samuel Carvalho. Tributação dos valores mobiliários. 2. ed. São Paulo: IOB SAGE, 2017, p. 100) Fl. 846DF CARF MF 24 referidas ações também foram considerados como receitas operacionais e registrados na conta “7.1.9.15.0077: LUCROS EM OPERACOES DE VENDA OU DE TRANSFERENCIA DE ATIVOS FINANCEIROS”, pertencente ao subgrupo “7.1 RECEITAS OPERACIONAIS”. Assim, se para as sociedades corretoras, as receitas auferidas na alienação de ações são consideradas receitas operacionais de venda de ativos financeiros, provenientes da atividade principal, inequivocamente, tais receitas integram o conceito de faturamento, definido no art. 2º da Lei Complementar 70/1991, a seguir transcrito: Art. 2º A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. (grifos não originais) E para as instituições financeiras, incluindo as sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, a base de cálculo das referidas contribuições é a receita bruta operacional, com as exclusões estabelecidas no art. 1º8 da Lei 9.701/1998. Assim, resta demonstrado, que a base de cálculo das referidas contribuições alcança todas as receitas da atividade principal ou típica das sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, a exemplo, da atividade de alienação de ações (ativos financeiros). Esse é o entendimento que se extrai da decisão do STF, que declarou a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das referidas contribuições, previsto no art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/1998, em relação as receitas das atividades desenvolvidas pelas pessoas jurídicas do setor financeiro. A citada decisão do plenário do STF, proferida no âmbito do julgamento dos RREE nºs 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, limitouse em analisar e declarar a inconstitucionalidade apenas do alargamento da base de cálculo das referidas contribuições, que se encontrava previsto no atualmente revogado § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998. Entretanto, registrese que, embora a definição de faturamento não tenha sido o objeto dos referidos julgados, inequivocamente, nos vários votos condutores dos referidos julgados foram feitas menções ao alcance da referida definição, no sentido de nele incluir não só as recitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, ou da combinação de ambos, bem como todas receitas próprias ou típicas da atividade da pessoa jurídica. Assim, em relação à definição ou ao alcance do conceito de faturamento das instituições financeiras, por economia processual e com respaldo no § 1º do art. 50 da Lei 9.784/1999, aqui adotase como razão de decidir os fundamentos expostos com profundidade e clareza pelo nobre Conselheiro Paulo Guilherme Dêrouléde no voto condutor do acórdão nº 3302004.100, proferido por este Colegiado na recente Sessão de 25 de abril de 2017, cujos excertos pertinentes seguem reproduzidos: Destarte, impende discorrer sobre o alcance das decisões proferidas nos RREE nº 346.084/PR; nº 357.950/RS; nº 7 Segundo o COSIF, a função da referida conta é "registrar, pela instituição vendedora ou cedente, o resultado positivo apurado em uma operação de venda ou de transferência de ativos financeiros que foram por ela baixados, integral ou proporcionalmente." 8 "Art. 1º Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, poderão efetuar as seguintes exclusões ou deduções da receita bruta operacional auferida no mês:" Fl. 847DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 836 25 358.273/RS; e nº 390.840/MG, para verificar o alcance da decisão proferida no mandado de segurança em apreço. No julgamento do RE 390.840/MG, o voto do Ministro relator Marco Aurélio concluiu, de forma genérica, que considerase “receita bruta ou faturamento o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa”. Por sua vez, o Ministro Cezar Peluso, em votovista, considerou faturamento “entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas”, constituindo a base de cálculo da contribuição e concluiu seu voto nos seguintes termos: “Por todo o exposto, julgo inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”... Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que , a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” O Ministro Peluso, em esclarecimentos, enfatizou: “Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão "receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço", quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de "receita bruta igual a faturamento" . Em debates, transcrevemse algumas passagens: MIN. MARCO AURÉLIO (RELATOR): “Presidente, na condição de relator, permitame aos colegas escancarar a questão versada neste processo. Houve a edição da Lei 9.718/98, sob a égide da Carta da redação anterior a Emenda Constitucional nº. 20. O artigo 3º, cabeça, dessa lei preceituou algo que se mostrou consentâneo com o Diploma Maior: “art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde a receita bruta da pessoa jurídica.” Fl. 848DF CARF MF 26 O Tribunal estabeleceu a sinonímia “faturamento/receita bruta”, conforme decisão proferida na ADC nº 11/DF – receita bruta evidentemente apanhando a atividade precípua da empresa. O SR. MINISTRO CARLOS BRITO – Receita operacional. O SR. MINISTRO MARCO AURELIO (RELATOR) – Operacional. (...)” Por seu turno, o Ministro Carlos Britto assentou: “Por isso estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorram da razão social da empresa, da sua finalidade institucional. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações, etc” Cumpre observar que, de forma geral, restou assentada a sinonímia entre faturamento e receita bruta, abrangendo o produto das atividades típicas no dizer do Ministro Cezar Peluso, ou a atividade precípua da empresa, expressão utilizada pelo Ministro Marco Aurélio, ou ainda, os ingressos que decorram da razão social da empresa, termos utilizados pelo Ministro Carlos Britto. Mencionase, corroborando tal assertiva, o julgamento do agravo regimental no RE 400.4798/RJ, que questionava, dentre outros, a inclusão dos prêmios de seguros recebidos na base de cálculo da COFINS, no qual o Ministro Peluso confirmou a jurisprudência da Suprema Corte ao proferir voto nos seguintes termos: “Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominados prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” (grifo não original) Por fim, o alcance do termo faturamento ou receita bruta abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE 585.2351/MG, no qual reconheceuse a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e reafirmouse a jurisprudência consolidada pela Corte Suprema nos leading cases. Transcrevese a ementa: EMENTA. RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É Fl. 849DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 837 27 inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade, em resolver questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Brasília, 10 de setembro de 2008 Ministro Cezar Peluso Relator No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: “1. O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais....”(grifei) Salientase, ainda, que a incidência de PIS e Cofins, especificamente, sobre as receitas financeiras das instituições financeiras está sendo julgada no RE 609.096/RS, no qual foi reconhecida a repercussão geral do tema, em 03/03/2011, o que implica reconhecer que a matéria não foi objeto dos julgamentos dos RREE nº 346.084/PR; nº 357.950/RS; nº 358.273/RS; e nº 390.840/MG e, conseqüentemente, ainda não foi decidida pela Suprema Corte. Frisese que no AG. REG. no AG.REG. no RE 582.258 /MG, o Ministro relator Ricardo Lewandowski, em 06/04/2010, esclareceu que a inclusão das receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras não se confundiam com o debate acerca da inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, conforme se depreende da ementa a seguir: EMENTA: CONSTITUCIONAL. LEGISLAÇÃO APLICADA APÓS O RECONHECIMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO SUPREMO. INCLUSÃO DAS RECEITAS FINANCEIRAS AUFERIDAS POR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO. MATÉRIA ESPECÍFICA NÃO PREQUESTIONADA. DECISÃO DE RECONSIDERAÇÃO Fl. 850DF CARF MF 28 QUE ALTERA O CONTEÚDO DECISÓRIO E CONTRARIA AS RAZÕES DE DECIDIR DA DECISÃO RECONSIDERADA. REABERTURA DE PRAZO PARA RECORRER. AGRAVO IMPROVIDO. I O STF não tem competência para determinar, de imediato, a aplicação de eventual comando legal em substituição de lei ou ato normativo considerado inconstitucional. II A discussão sobre a inclusão das receitas financeiras auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS não se confunde com o debate envolvendo a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/989. Ausência de prequestionamento da primeira matéria, que impossibilita a análise do recurso quanto ao ponto. III Alteração da parte dispositiva de decisão, de forma a contrair ou exceder os fundamentos mantidos na decisão modificada, não configura mera correção de erro de fato, mas caracteriza nova decisão, a justificar a reabertura do prazo para recurso. IV Agravo regimental improvido.” Destarte, entendo que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 nos leading cases não afastou a tributação sobre as receitas oriundas do exercício das atividades empresarias típicas da base de cálculo do PIS e da COFINS, reconhecida no RE 585.2351/MG, mas, ao contrário, a reafirmou. Ressaltese que a repercussão geral reconhecida no referido RE implica sua reprodução nos julgamentos administrativos no âmbito do CARF, conforme disposto no art. 62, § 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Além disso, resta claro que o próprio STF entende que o tema específico relativo à tributação das receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras não foi objeto do debate sobre a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 travado nos leading cases, mas, pelo contrário, é tema específico do RE 609.096, submetido à repercussão geral. De outro giro, a partir das decisões do STF, o Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007 abordou o conceito de serviços para as instituições financeiras e seguradoras, cujos argumentos transcrevo abaixo: “9. Com efeito o enquadramento da atividade de bancos e de seguros no setor terciário da economia (serviços) é contemplado no Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS), firmado durante a rodada de negociações multilaterais promovidas no âmbito de Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994 (GATT 1994) – Rodada Uruguai, promulgada pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994. ... 31. Recentemente, o STF, ao julgar a ADI nº 2591, entendeu por submeter tais atividades à disciplina do Código de Defesa do Consumidor, em face do disposto no §2º do art. 3º da Lei 8.078, de 1990, que delimita o serviço como “qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista”. Tal decisão Fl. 851DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 838 29 prestigiou a doutrina de Nelson Nery Junior, que consignou in verbis:” Todas as operações e contratos bancários se encontram sob o regime jurídico do CDC”, em detrimento daqueles que não entendem que tais serviços se submetam ao regime jurídico do CDC. 32.Dessa forma, fica claro que a atividade bancária é constituída por serviços que são disponibilizados aos clientes, dentre os quais se inclui a intermediação financeira. Efetivamente, o ponto fundamental do presente trabalho é possuir a clara avaliação do que se pode considerar serviço para fins tributários. Assim, o conceito de serviço, deve ser considerado sob o “contexto sistemático da Constituição”, que “leva à conclusão de que o conceito constitucional de serviço não coincide com o emergente da acepção comum, ordinária, desse vocábulo”. Foi Alfredo Augusto Becker – apoiado em Pontes de Miranda – quem melhor mostrou que a norma jurídica como que “deturpa” ou “deforma” os fatos, do mundo, ao erigilos em fatos jurídicos”.9 Ainda, segundo Aires Barreto, “serviço tributável é o desempenho de atividade economicamente apreciável, produtiva de utilidade para outrem, porém sem subordinação, sob regime de direito privado, com fito de remuneração”.10 33.Com efeito, o conceito de serviços não se limita àqueles assim caracterizados na legislação e na doutrina especificamente bancárias, na qual as atividades da instituições financeiras, em geral, discriminadas entre operações bancárias (em síntese, relacionadas à intermediação financeira) e serviços bancários (estes, em síntese, relacionados à prestação direta de serviços pelas instituições a seus usuários, clientes ou não, e normalmente remunerados sob a forma de tarifas). 35.Tal conceito (de serviços) compreende a totalidade das atividades desenvolvidas pelas instituições financeiras em torno do seu objeto social legalmente tipificado – ou seja, compreendendo tanto as “operações” quanto os “serviços” bancários/financeiros, como caracterizado no item 5 do Anexo sobre Serviços Financeiros do Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS), firmado na Rodada Uruguai do GATT (1994) e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994. (...) 50. Nesse passo, temos que a natureza jurídica dos serviços de intermediação financeira não é diferente da natureza jurídica de quaisquer outros serviços colocados, pelas instituições financeiras, à disposição de seus clientes. Ontologicamente a única diferença é a forma como se aufere a receita proveniente de tais serviços. 51. De fato, a receita auferida pelos serviços de fornecimento de talão de cheques, extratos, compensação de cheques, etc., é proveniente de pagamentos diretos feitos pelos clientes (por meio do débito automático de tarifas correspondentes nas contas de depósito dos mesmos). Por outro lado, as receitas provenientes dos serviços de intermediação ou aplicação de recursos são decorrentes exatamente de tais transações, ou seja, correspondem 9 Barreto, Aires F. in ISS – Atividades‑Meio e Serviço‑Fim. Revista Dialética de Direito Tributário, p. 78, nº 5, fevereiro, 1996, citado por Karla Patrícia de Castro Almeida ‑ Direito Tributário – Estudos em Homenagem a Hugo de Brito Machado, Fortaleza, Imprensa Universitária, 2003, p. 160. 10 Op. Cit., p. 160. Fl. 852DF CARF MF 30 à diferença apurada entre os valores originariamente aplicados, o seu rendimento, e o valor que contratualmente deve ser devolvido ao aplicador ao final da operação, o que se convencionou chamar de spread, como já demonstrado. (...) 66. Em face dos argumentos acima expendidos, concluise que: (...) f) no caso da COFINS o conceito de receita bruta é o contido no art. 2º da LC nº 70, de 1991, isto é, as receitas advindas da venda de mercadorias e da prestação de serviços; g) no caso do PIS o conceito de receita bruta é o contido no art. 1º da Lei nº 9.701, de 1998; h) serviços para as instituições financeiras abarcam as receitas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira); i) serviços para as seguradoras abarcam as receitas advindas do recebimento dos prêmios; (...) 66. Têmse, então, que a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições em causa, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§ 5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao ‘plus’ contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, considerado inconstitucional por meio do Recurso Extraordinário 357.9509/RS e dos demais recursos que foram julgados na mesma assentada.” Percebese que as conclusões obtidas no Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007 se coadunam com o entendimento exarado no RE 585.2351/MG, e prestigiam o princípio da universalidade na manutenção da seguridade social (art. 195, caput da Constituição Federal) e da capacidade contributiva (art. 145, §1º da Constituição Federal), revelando, pois, legítimas as incidências de PIS e Cofins sobre as receitas oriundas das atividades empresariais dos contribuintes. Neste sentido, citamse julgados de outras turmas deste Conselho em processos da própria recorrente, a saber: Acórdão nº 3403003.522: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. AUSÊNCIA DE INCLUSÃO NA DISCUSSÃO SOBRE A CONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI no 9.718/1998. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP em relação a instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2º e 3º, caput da Lei no 9.718/1998, aplicadas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5º e 6º do referido art. 3º. A discussão sobre a inclusão das Fl. 853DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 839 31 receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência da Contribuição para o PIS/PASEP, não se confunde com o debate envolvendo a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei no 9.718/1998, como já reconheceu o STF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. AUSÊNCIA DE INCLUSÃO NA DISCUSSÃO SOBRE A CONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI no 9.718/1998. A base de cálculo da COFINS em relação a instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2º e 3º, caput da Lei no 9.718/1998, aplicadas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5º e 6º do referido art. 3º. A discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência da COFINS, não se confunde com o debate envolvendo a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei no 9.718/1998, como já reconheceu o STF. Acórdão nº 3301002.761: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 TEMPESTIVIDADE VÍCIO DE REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL Conhecido o Recurso, uma vez que o vício de representação processual foi sanado em prazo razoável. ASSUNTO: Contribuição para o Programa de integração Social PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS Anoscalendário: 2005, 2006, 2007 e 2008 DESRESPEITO À COISA JULGADA CONCEITO DE FATURAMENTO INCONStITUCIONALIDADE DO § 1° do ART. 3° DA LEI N° 9.718/98 Não houve afronta à coisa julgada inconstitucionalidade da ampliação das bases de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 pois as receitas financeiras são típicas da atividade fim das instituições financeiras e, portanto, componentes do seu faturamento. FATURAMENTO PARA AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LC 116/03 A tipificação dos bens e serviços foi posta em segundo plano pelo STF, posto que, para ser sofrer a incidência das contribuições, basta que a receita seja decorrente do objeto social da pessoa jurídica. Fl. 854DF CARF MF 32 DIREITO À COMPENSAÇÃO DE VALOR RECOLHIDO A MAIOR COM A CONTRIBUIÇÃO DEVIDA Deve ser admitida a compensação dos valores pagos a maior, à luz do princípio da verdade material, comum ao Procedimento e Processo Administrativo Tributário. MULTA DE OFÍCIO VALORES NÃO DECLARADOS EM DCTF INCONSTITUCIONAL, DADO AO CARÁTER CONFISCATÓRIO Aplicável a multa de ofício sobre os valores apurados no curso da ação fiscal, não declarados na DCTF. Não compete ao CARF pronunciarse sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito tributário Mantido em Parte Citase, também, decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF – que negou provimento a recurso especial do contribuinte no Acórdão nº 9303002.934, processo 10675.720829/201023, julgado em 04/06/2014, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Concluise, portanto, que as receitas decorrentes das atividades empresariais típicas das instituições financeiras se sujeitam à incidência do Pis e da Cofins. Assim como a jurisprudência do STF, a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça (STJ) também tem manifestado o entendimento de que, para fins de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, o faturamento compreende o conjunto de receitas decorrentes da execução da atividade empresarial. A título de exemplo, citase o REsp nº 929.521/SP, julgado sob regime dos recursos repetitivos, cujo enunciado da ementa segue transcrito: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543 C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. COFINS. LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS. INCIDÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. Fl. 855DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 840 33 1. A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS incide sobre as receitas provenientes das operações de locação de bens móveis, uma vez que "o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais" (Precedente do STF que versou sobre receitas decorrentes da locação de bens imóveis: RE 371.258 AgR, Relator(a): Min. Cezar Peluso, Segunda Turma, julgado em 03.10.2006, DJ 27.10.2006). Precedentes das Turmas de Direito Público do STJ acerca de receitas decorrentes da locação de bens móveis: AgRg no Ag 1.136.371/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 04.08.2009, DJe 27.08.2009; AgRg no Ag 1.067.748/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.05.2009, DJe 01.06.2009; REsp 1.010.388/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.02.2009, DJe 11.02.2009; e AgRg no Ag 846.958/MG, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 05.06.2007, DJ 29.06.2007. 2. Deveras, "a base de incidência da COFINS é o faturamento, assim entendido o conjunto de receitas decorrentes da execução da atividade empresarial e (b) no conceito de mercadoria da LC 70/91 estão compreendidos até mesmo os bens imóveis, com mais razão se há de reconhecer a sujeição das receitas auferidas com a operações de locação de bens móveis à mencionada contribuição" (REsp 1.010.388/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.02.2009, DJe 11.02.2009; e EDcl no REsp 534.190/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 19.08.2004, DJ 06.09.2004). 3. Conseqüentemente, a definição de faturamento/receita bruta engloba as receitas advindas das operações de locação de bens móveis, que constituem resultado mesmo da atividade econômica empreendida pela empresa. 4. O artigo 535, do CPC, resta incólume quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 5. A ofensa a princípios e preceitos da Carta Magna não é passível de apreciação em sede de recurso especial. Fl. 856DF CARF MF 34 6. A ausência de similitude fática entre os arestos confrontados obsta o conhecimento do recurso especial pela alínea "c", do permissivo constitucional. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Proposição de verbete sumular.11 Ainda em relação à abrangência do conceito de faturamento, concernente às atividades das instituições financeiras, cabe trazer à colação as lúcidas e oportunas considerações apresentadas pelo brilhante ExConselheiro Ricardo Paulo Rosa, no voto condutor do acórdão nº 3302003.237, proferido na Sessão de 22 de junho de 2016, de se extrai os excertos pertinentes que sequem reproduzidos: E há, ainda, outras questões que precisam ser consideradas. Resgatando mais uma vez o arcabouço normativo histórico da Cofins, vêse que foi a Lei Complementar nº 70/91 que, ao disciplinar de maneira ampla a incidência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, seu raio de alcance e fonte de financiamento das atividades fins das áreas de saúde, previdência e assistência social, excluiu as instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da Lei nº 8.212/91 do pagamento da Contribuição, elevando, concomitantemente, a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido por elas devida. Lei Complementar 70/91 Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. Lei 8.212/91 Art. 23. As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 22, são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: I 2% (dois por cento) sobre sua receita bruta, estabelecida segundo o disposto no § 1º do art. 1º do Decretolei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, com a redação dada pelo art. 22, do Decretolei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, e alterações posteriores; II 10% (dez por cento) sobre o lucro líquido do períodobase, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990. 11 BRASIL. STJ. REsp 929.521/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/09/2009, DJe 13/10/2009. Fl. 857DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 841 35 § 1º No caso das instituições citadas no § 1º do art. 22 desta Lei, a alíquota da contribuição prevista no inciso II é de 15% (quinze por cento). § 2º O disposto neste artigo não se aplica às pessoas de que trata o art. 25. Merece especial atenção a exclusão prevista no parágrafo único do artigo 11 da Lei Complementar 70/91. Partindo da premissa de que a lei não contém expressões inúteis, falece razão à determinação de que as instituições relacionadas o § 1° do art. 22 da Lei 8.212/91, dentre elas a litigante, sejam excluídas, acaso elas não estivessem, pelo comando geral da Norma, incluídas. Isso significa dizer que, já na vigência da Lei Complementar 70/91, as atividades desenvolvidas pela litigante estavam sujeitas ao pagamento da Contribuição, pois enquadrarseiam no conceito de serviços. A despeito disso, fato é que, após, a Lei 9.718/98 e outras medidas legislativas que se seguiram, como fazem exemplo a MP 2.158/01 e, mais tarde, as Leis 10.637/03 e 10.833/03, que introduziram o Sistema NãoCumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, foi revisto o Sistema de financiamento da Seguridade Social como um todo, e incluídas, expressamente, dentre outras, as corretoras no rol de contribuintes sujeitos ao recolhimento da exação fiscal, como se extrai do texto dos parágrafos 5º e 6º do artigo 3º da Lei 9.718/98. § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP § 6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Como dito de início, a declaração de inconstitucionalidade alcançou exclusivamente o parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. De tudo o que se coloca, fica claro que não somente o caput do artigo, mas os demais parágrafos e toda a regulamentação superveniente deixou de ser atingida e permanece até hoje em vigor. Do parágrafo 2º ao parágrafo 9º do artigo 3º, assim como na MP 2.158/01, encontramse exclusões permitidas da base de cálculo das Contribuições apuradas no Sistema Cumulativo, que não fariam nenhum sentido se a base continuasse adstrita às receita proveniente das vendas de bens e serviços, no caso do conceito de serviços ser interpretado tão restritivamente como frequentemente se pretende. E, vejase, se o que se discute é a possibilidade de que estejam extirpados do ordenamento jurídico todas as disposições normativas introduzidas pelo artigo 3º da Lei 9.718/98 e MP Fl. 858DF CARF MF 36 2.158/01, então haveria de se estar faltando em exclusão total do pagamento da Cofins e não apenas das receitas atípicas, uma vez que a revogação tácita do parágrafo único do artigo 11 da Lei Complementar 70/91 decorre das disposições introduzidas pelo artigo 3º da Lei 9.718/98 e MP 2.158/01. Com base nessas considerações e sob pena de completa ineficácia de todo o arcabouço legal que trata da cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins das pessoas jurídicas do setor financeiro, a conclusão inevitável é no sentido de que todas as receitas decorrentes das atividades empresariais principais ou típicas das instituições financeiras sujeitamse à incidência das referidas contribuições, por integrarem o conceito de faturamento do setor financeiro. Com base nessas considerações, resta demonstrado que o conceito de faturamento compreende a totalidade das atividades desenvolvidas pelas instituições financeiras integrantes do objeto social legalmente especificado e não apenas as receitas de prestação de serviços, em sentido estrito, como alegado pela recorrente. Da natureza das receitas auferidas pela recorrente No recurso em apreço, a recorrente alegou que a autuação em apreço contrariava a conclusão esposada no Parecer PGFN/CAT n° 2.773, de 2007, no sentido de que, para fins tributários, era de prestação de serviços a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros. Logo, no caso das sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, somente a receita decorrente da intermediação na compra e venda de ações (serviço prestado para um terceiro mediante remuneração), ou seja, somente a taxa de corretagem cobrada pela recorrente de seus clientes integrava a base de cálculo das citadas contribuições. Assim, como as receitas das operações de alienação/venda de ações da própria recorrente, objeto das presentes autuações, foram realizadas com recursos próprios e no único e exclusivo interesse da recorrente, não havia intermediação financeira alguma e, por conseguinte, não havia prestação de serviços. Assim, para a recorrente, as receitas auferidas nas citadas operações não integrava a base de cálculo das referidas contribuições. Não é verdade que a conclusão esposada no referido Parecer fora no sentido de que todas receitas típicas do setor financeiro tinham natureza de prestação de serviços. Consta da conclusão do citado Parecer (item 6612, alínea “h”) que as receitas de prestação de serviços das instituições financeiras “abarcam as receitas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira)”. Portanto, ao contrário do afirmado pela recorrente, as receitas de prestação de serviços são o gênero do qual são espécies as receitas advindas, por exemplo, “da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira)”. Além disso, não há qualquer afirmação no âmbito do citado Parecer de que as demais receitas típicas ou principais das atividades do setor financeiro não integram a base de cálculo das referidas contribuições, como asseverado pela recorrente. Ao contrário, segundo o item 35 do citado Parecer, a seguir transcrito, o conceito de serviços “compreende a totalidade das atividades desenvolvidas pelas instituições financeiras em torno do seu objeto social 12 “66. Em face dos argumentos acima expendidos, concluise que: [...] h) serviços para as instituições financeiras abarcam as receitas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira); [...]" Fl. 859DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 842 37 legalmente tipificado ou seja., compreendendo tanto as “operações” quanto os “serviços” bancários/financeiros”: 35. Tal conceito (de serviços) compreende a totalidade das atividades desenvolvidas pelas instituições financeiras em torno do seu objeto social legalmente tipificado ou seja., compreendendo tanto as “operações” quanto os “serviços” bancários/financeiros, como caracterizado no item 5 do Anexo sobre Serviços Financeiros do Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS), firmado na Rodada Uruguai do GATT (1994) e promulgado pelo Decreto n° 1.355, de 30 de dezembro de 1994. E nos termos do artigo 2º, IV, do Regulamento Anexo à Resolução 1.655/1989 do CMN, a venda ou alienação das ações da própria sociedade corretora de título e valores mobiliários (carteira de ações própria) faz parte do seu objeto social, logo, inequivocamente, a receita proveniente dessas operações faz parte do faturamento das referidas sociedades. Logo, por se tratar de receita típica ou principal da recorrente, inequivocamente, a referida receita integra a base de cálculo das referidas contribuições, conforme anteriormente demonstrado. Da mesma forma, registrese ainda que, no COSIF, tais receitas integram o subgrupo das receitas operacionais ou receitas brutas operacionais, conforme anteriormente demonstrado. No caso, o que a recorrente defende é a adoção do conceito civilista de serviços, consistente em obrigação de fazer. No entanto, para fins tributários, a acepção do termo é mais abrangente, ou seja, na seara tributária o conceito de serviços adotado é o econômico e não o civilista, como defende a recorrente. Nesse sentido, o entendimento manifestado pela atual jurisprudência do STF, esposada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 651.703/PR, realizado na recente Sessão de 29/9/2016, sob o regime repercussão geral, que tratou da questão atinente à cobrança do ISS sobre as atividades das operadoras de planos de saúde e segurosaúde, e onde assunto sobre alcance conceito de serviços, para efeitos tributários, foi abordado com profundidade conforme se verifica no enunciado da ementa do referido julgado, que segue transcrito: EMENTA:RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. ISSQN. ART. 156, III, CRFB/88. CONCEITO CONSTITUCIONAL DE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA. ARTIGOS 109 E 110 DO CTN. AS OPERADORAS DE PLANOS PRIVADOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE (PLANO DE SAÚDE E SEGUROSAÚDE) REALIZAM PRESTAÇÃO DE SERVIÇO SUJEITA AO IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZAISSQN, PREVISTO NO ART. 156, III, DA CRFB/88. 1. O ISSQN incide nas atividades realizadas pelas Operadoras de Planos Privados de Assistência à Saúde (Plano de Saúde e SeguroSaúde). 2. A coexistência de conceitos jurídicos e extrajurídicos passíveis de recondução a um mesmo termo ou expressão, onde se requer a definição de qual conceito prevalece, se o jurídico ou o extrajurídico, impõe não deva ser excluída, a priori, a possibilidade de o Direito Tributário ter conceitos implícitos Fl. 860DF CARF MF 38 próprios ou mesmo fazer remissão, de forma tácita, a conceitos diversos daqueles constantes na legislação infraconstitucional, mormente quando se trata de interpretação do texto constitucional. 3. O Direito Constitucional Tributário adota conceitos próprios, razão pela qual não há um primado do Direito Privado. 4. O art. 110, do CTN, não veicula norma de interpretação constitucional, posto inadmissível interpretação autêntica da Constituição encartada com exclusividade pelo legislador infraconstitucional. 5. O conceito de prestação de “serviços de qualquer natureza” e seu alcance no texto constitucional não é condicionado de forma imutável pela legislação ordinária, tanto mais que, de outra forma, seria necessário concluir pela possibilidade de estabilização com força constitucional da legislação infraconstitucional, de modo a gerar confusão entre os planos normativos. 6. O texto constitucional ao empregar o signo “serviço”, que, a priori, conota um conceito específico na legislação infraconstitucional, não inibe a exegese constitucional que conjura o conceito de Direito Privado. 7. A exegese da Constituição configura a limitação hermenêutica dos arts. 109 e 110 do Código Tributário Nacional, por isso que, ainda que a contraposição entre obrigações de dar e de fazer, para fins de dirimir o conflito de competência entre o ISS e o ICMS, seja utilizada no âmbito do Direito Tributário, à luz do que dispõem os artigos 109 e 110, do CTN, novos critérios de interpretação têm progressivamente ampliado o seu espaço, permitindo uma releitura do papel conferido aos supracitados dispositivos. 8. A doutrina do tema, ao analisar os artigos 109 e 110, aponta que o CTN, que tem status de lei complementar, não pode estabelecer normas sobre a interpretação da Constituição, sob pena de restar vulnerado o princípio da sua supremacia constitucional. 9. A Constituição posto carente de conceitos verdadeiramente constitucionais, admite a fórmula diversa da interpretação da Constituição conforme a lei, o que significa que os conceitos constitucionais não são necessariamente aqueles assimilados na lei ordinária. 10. A Constituição Tributária deve ser interpretada de acordo com o pluralismo metodológico, abrindose para a interpretação segundo variados métodos, que vão desde o literal até o sistemático e teleológico, sendo certo que os conceitos constitucionais tributários não são fechados e unívocos, devendose recorrer também aos aportes de ciências afins para a sua interpretação, como a Ciência das Finanças, Economia e Contabilidade. 11. A interpretação isolada do art. 110, do CTN, conduz à prevalência do método literal, dando aos conceitos de Direito Fl. 861DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 843 39 Privado a primazia hermenêutica na ordem jurídica, o que resta inconcebível. Consequentemente, devese promover a interpretação conjugada dos artigos 109 e 110, do CTN, avultando o método sistemático quando estiverem em jogo institutos e conceitos utilizados pela Constituição, e, de outro, o método teleológico quando não haja a constitucionalização dos conceitos. 12. A unidade do ordenamento jurídico é conferida pela própria Constituição, por interpretação sistemática e axiológica, entre outros valores e princípios relevantes do ordenamento jurídico. 13. Os tributos sobre o consumo, ou tributos sobre o valor agregado, de que são exemplos o ISSQN e o ICMS, assimilam considerações econômicas, porquanto baseados em conceitos elaborados pelo próprio Direito Tributário ou em conceitos tecnológicos, caracterizados por grande fluidez e mutação quanto à sua natureza jurídica. 14. O critério econômico não se confunde com a vetusta teoria da interpretação econômica do fato gerador, consagrada no Código Tributário Alemão de 1919, rechaçada pela doutrina e jurisprudência, mas antes em reconhecimento da interação entre o Direito e a Economia, em substituição ao formalismo jurídico, a permitir a incidência do Princípio da Capacidade Contributiva. 15. A classificação das obrigações em “obrigação de dar”, de “fazer” e “não fazer”, tem cunho eminentemente civilista, como se observa das disposições no Título “Das Modalidades das Obrigações”, no Código Civil de 2002 (que seguiu a classificação do Código Civil de 1916), em: (i) obrigação de dar (coisa certa ou incerta) (arts. 233 a 246, CC); (ii) obrigação de fazer (arts. 247 a 249, CC); e (iii) obrigação de não fazer (arts. 250 e 251, CC), não é a mais apropriada para o enquadramento dos produtos e serviços resultantes da atividade econômica, pelo que deve ser apreciada cum grano salis. 16. A Suprema Corte, ao permitir a incidência do ISSQN nas operações de leasing financeiro e leaseback (RREE 547.245 e 592.205), admitiu uma interpretação mais ampla do texto constitucional quanto ao conceito de “serviços” desvinculado do conceito de “obrigação de fazer” (RE 116.121), verbis: “EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO TRIBUTÁRIO. ISS. ARRENDAMENTO MERCANTIL. OPERAÇÃO DE LEASING FINANCEIRO. ARTIGO 156, III, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. O arrendamento mercantil compreende três modalidades, [i] o leasing operacional, [ii] o leasing financeiro e [iii] o chamado leaseback. No primeiro caso há locação, nos outros dois, serviço. A lei complementar não define o que é serviço, apenas o declara, para os fins do inciso III do artigo 156 da Constituição. Não o inventa, simplesmente descobre o que é serviço para os efeitos do inciso III do artigo 156 da Constituição. No arrendamento mercantil (leasing financeiro), contrato autônomo que não é misto, o núcleo é o Fl. 862DF CARF MF 40 financiamento, não uma prestação de dar. E financiamento é serviço, sobre o qual o ISS pode incidir, resultando irrelevante a existência de uma compra nas hipóteses do leasing financeiro e do leaseback. Recurso extraordinário a que se nega provimento.” (grifo nosso) (RE 592905, Relator Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 02/12/2009). 17. A lei complementar a que se refere o art. 156, III, da CRFB/88, ao definir os serviços de qualquer natureza a serem tributados pelo ISS a) arrola serviços por natureza; b) inclui serviços que, não exprimindo a natureza de outro tipo de atividade, passam à categoria de serviços, para fim de incidência do tributo, por força de lei, visto que, se assim não considerados, restariam incólumes a qualquer tributo; e c) em caso de operações mistas, afirma a prevalência do serviço, para fim de tributação pelo ISS. 18. O artigo 156, III, da CRFB/88, ao referirse a serviços de qualquer natureza não os adstringiu às típicas obrigações de fazer, já que raciocínio adverso conduziria à afirmação de que haveria serviço apenas nas prestações de fazer, nos termos do que define o Direito Privado, o que contrasta com a maior amplitude semântica do termo adotado pela constituição, a qual inevitavelmente leva à ampliação da competência tributária na incidência do ISSQN. 19. A regra do art. 146, III, “a”, combinado com o art. 146, I, CRFB/88, remete à lei complementar a função de definir o conceito “de serviços de qualquer natureza”, o que é efetuado pela LC nº 116/2003. 20. A classificação (obrigação de dar e obrigação de fazer) escapa à ratio que o legislador constitucional pretendeu alcançar, ao elencar os serviços no texto constitucional tributáveis pelos impostos (v.g., serviços de comunicação – tributáveis pelo ICMS, art. 155, II, CRFB/88; serviços financeiros e securitários – tributáveis pelo IOF, art. 153, V, CRFB/88; e, residualmente, os demais serviços de qualquer natureza – tributáveis pelo ISSQN, art. 156. III, CRFB/88), qual seja, a de captar todas as atividades empresariais cujos produtos fossem serviços sujeitos a remuneração no mercado. 21. Sob este ângulo, o conceito de prestação de serviços não tem por premissa a configuração dada pelo Direito Civil, mas relacionado ao oferecimento de uma utilidade para outrem, a partir de um conjunto de atividades materiais ou imateriais, prestadas com habitualidade e intuito de lucro, podendo estar conjugada ou não com a entrega de bens ao tomador. 22. A LC nº 116/2003 imbricada ao thema decidendum traz consigo lista anexa que estabelece os serviços tributáveis pelo ISSQN, dentre eles, o objeto da presente ação, que se encontra nos itens 4.22 e 4.23, verbis: “Art. 1º O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, tem como fato gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa, ainda que esses não se constituam como atividade preponderante do prestador. (…) 4.22 – Planos de medicina de grupo ou individual e convênios para prestação Fl. 863DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 844 41 de assistência médica, hospitalar, odontológica e congêneres. 4.23 – Outros planos de saúde que se cumpram através de serviços de terceiros contratados, credenciados, cooperados ou apenas pagos pelo operador do plano mediante indicação do beneficiário.” 23. A exegese histórica revela que a legislação pretérita (DecretoLei nº 406/68) que estabelecia as normas gerais aplicáveis aos impostos sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre serviços de qualquer natureza já trazia regulamentação sobre o tema, com o escopo de alcançar estas atividades. 24. A LC nº 116/2003 teve por objetivo ampliar o campo de incidência do ISSQN, principalmente no sentido de adaptar a sua anexa lista de serviços à realidade atual, relacionando numerosas atividades que não constavam dos atos legais antecedentes. 25. A base de cálculo do ISSQN incidente tão somente sobre a comissão, vale dizer: a receita auferida sobre a diferença entre o valor recebido pelo contratante e o que é repassado para os terceiros prestadores dos serviços, conforme assentado em sede jurisprudencial. 27. Ex positis, em sede de Repercussão Geral a tese jurídica assentada é: “As operadoras de planos de saúde e de seguro saúde realizam prestação de serviço sujeita ao Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISSQN, previsto no art. 156, III, da CRFB/88”. 28. Recurso extraordinário DESPROVIDO.13 A exata compreensão do significado e alcance do conceito de serviço, para efeitos tributários, pode ser obtida a partir da leitura dos fundamentos apresentados no voto condutor do julgado da lavra do i. Relator, o Ministro Luiz Fux, cujos excertos relevantes, seguem transcritos: Antes, porém, de adentrar especificamente ao mérito propriamente dito da questão, necessário estabelecer certas premissas conceituais indispensáveis para melhor compreensão tema. [...] O aspecto primordial para a compreensão da incidência deste tributo encontrase na definição do que se enquadra como serviço, uma vez que apenas as atividades classificadas como tal, à luz da materialidade constitucional do conceito de serviço, são passíveis de atrair a obrigatoriedade do imposto, previsto em lei complementar. [...] 13 BRASIL. STF. RE 651703, Rel. Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, j. em 29 set. 2016, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe086 DIVULG 25042017 PUBLIC 26042017. Fl. 864DF CARF MF 42 Imperioso ressaltar que não se preconiza a tese da interpretação econômica no Direito Tributário, o que enfraqueceria a segurança jurídica, mas, também, não se predica o primado do Direito Privado como o único critério a nortear a interpretação do texto constitucional. [...] Essa assertiva conduz à conclusão de que não deve ser excluída, a priori, a possibilidade de o Direito Tributário ter conceitos implícitos próprios ou mesmo fazer remissão, de forma tácita, a conceitos diversos daqueles constantes na legislação infraconstitucional, mormente quando se trata de interpretação do texto constitucional. É que, consoante essa Corte afirmou nos RREE 547.245 e 592.905, não há um primado do Direito Privado, pois, sem dúvida, é viável que o Direito Tributário e primordialmente o Direito Constitucional Tributário adote conceitos próprios. A possibilidade de o Direito Tributário elaborar conceitos específicos decorre, em última análise, do fato de ser Direito Positivo. Os conceitos conotados por seus enunciados podem identificar se com aqueles consagrados em dispositivos já vigentes, mas essa identidade não é necessária. Nem mesmo a necessidade de se proceder à exegese rigorosamente jurídica do texto constitucional implica a inexorável incorporação, pela Constituição, de conceitos infraconstitucionais. [...] Ademais, é cediço que a Constituição é carente de conceitos verdadeiramente constitucionais, pelo que o princípio da interpretação da lei conforme a Constituição pode ganhar cores de uma interpretação da Constituição conforme a lei. No entanto, a referida assertiva não significa que os conceitos constitucionais são necessariamente aqueles encontrados na lei ordinária. Assim, embora se deva conferir deferência à interpretação adotada pelo legislador ordinário, reputandose válida a chamada interpretação da Constituição conforme a lei, a mesma não se pode conferir caráter absoluto, cessando nas zonas onde não houver certeza quanto ao real alcance do texto constitucional. Dentro dessa ordem de ideias, a opinio doctorum encartase no sentido de que a Constituição Tributária dever ser interpretada de acordo com o pluralismo metodológico, abrindose para a interpretação segundo variados métodos, que vão desde o literal até o sistemático e teleológico; por isso que os conceitos constitucionais tributários não são fechados e unívocos, devendose recorrer também aos aportes de ciências afins para a sua exegese, como a Ciência das Finanças, a Economia e a Contabilidade. Consectariamente não se admite a interpretação isolada do art. 110, do CTN, sob pena conduzir o método literal à primazia Fl. 865DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 845 43 hermenêutica na ordem jurídica ao Direito Privado. Da leitura conjugada entre os artigos 109 e 110, do CTN, ao contrário, avultam em importância, de um lado, o método sistemático quando estiverem em jogo institutos e conceitos utilizados pela Constituição e, de outro, o método teleológico quando não haja a constitucionalização dos conceitos. Desta sorte, concluise que, embora os conceitos de Direito Civil exerçam um papel importante na interpretação dos conceitos constitucionais tributários, eles não exaurem a atividade interpretativa. [...] É inequívoco, assim, que a ideia de unidade do sistema jurídico repousa muito mais no plano axiológico do que no linguístico, não havendo porquanto qualquer óbice a que determinada palavra tenha um sentido diferente no Direito Tributário. Sem embargo, não se pode associar essas ideias desenvolvidas pelos tributaristas póspositivistas com as teorias economicistas, como a da interpretação econômica do fato gerador, cuja concepção se orientava, principalmente, no aumento da arrecadação, conforme a norma do Código Tributário Alemão de 1919 idealizada por Enno Becker. Nos dias atuais, ao contrário, a utilização do critério econômico como decorrência do aspecto teleológico não deriva de uma preocupação arrecadatória, mas de uma apreciação axiológica baseada nos Valores da Igualdade e da Solidariedade, dos quais derivam os Princípios da Igualdade, Capacidade Contributiva e Solidariedade. Devese reconhecer a interação entre o Direito e a Economia, em substituição ao formalismo jurídico. A interpretação é simultaneamente jurídicoeconômica, ainda que, para a formação dos conceitos tributários passem pelo filtro jurídico. [...] Porquanto, a Suprema Corte, no julgamento dos RREE 547.245 e 592.905, ao permitir a incidência do ISSQN nas operações de leasing financeiro e leaseback sinalizou que a interpretação do conceito de “serviços” no texto constitucional tem um sentido mais amplo do que tão somente vinculado ao conceito de “obrigação de fazer”, vindo a superar seu precedente no RE 116.121, em que decidira pela adoção do conceito de serviço sinteticamente eclipsada numa obrigação de fazer. [...] A finalidade dessa classificação (obrigação de dar e obrigação de fazer) escapa totalmente àquela que o legislador constitucional pretendeu alcançar, ao elencar os serviços no texto constitucional tributáveis pelos impostos (por exemplo, Fl. 866DF CARF MF 44 serviços de comunicação tributáveis pelo ICMS; serviços financeiros e securitários tributáveis pelo IOF; e, residualmente, os demais serviços de qualquer natureza tributáveis pelo ISS), qual seja, a de captar todas as atividades empresariais cujos produtos fossem serviços, bens imateriais em contraposição aos bens materiais, sujeitos a remuneração no mercado. [...] Assim, embora seja possível verificar a existência de corrente doutrinária a identificar o conceito de serviços com obrigação de fazer, há também categorização no sentido de que o conceito econômico de prestação de serviço não se confunde com o conceito de prestação de serviço de Direito Civil [...]. [...] Sob este ângulo, o conceito de prestação de serviços não tem por premissa a configuração dada pelo Direito Civil, mas relacionado ao oferecimento de uma utilidade para outrem, a partir de um conjunto de atividades imateriais, prestados com habitualidade e intuito de lucro, podendo estar conjugada ou não com a entrega de bens ao tomador. (grifos não originais) Assim, resta demonstrado que a firme jurisprudência atual do STF, para fins tributários, adota o conceito econômico de serviço e não o conceito civilista. Logo, encontrase superada o entendimento esposado na pretérita jurisprudência da Colenda Corte, baseada no conceito civilista de serviços, especialmente, o entendimento exarado no RE nº 101.3397/SP, julgado em 14/3/1984, citado pela recorrente em suporte aos seu argumento de defesa. Também há na doutrina entendimento no sentido de que o conceito econômico de prestação de serviço não se confunde com o conceito de prestação de serviço de cunho civilista, a título de exemplo, citase o magistério do Prof. Bernardo Ribeiro de Moraes, para quem: Serviço, portanto, vem a ser o resultado da atividade humana na criação de um bem que não se apresenta sob a forma de bem material, v.g., a atividade do transportador, do locador de bens imóveis, do médico, etc. O conceito econômico de “prestação de serviço” (fornecimento de bem imaterial) não se confunde nem se equipara ao conceito de “prestação de serviços” do direito civil, que é conceituado como fornecimento apenas de trabalho (prestação de serviços e o fornecimento mediante remuneração, do trabalho a terceiro). O conceito econômico não se apresenta acanhado, abrange tanto o simples fornecimento de trabalho (prestação de serviços de direito civil) como outras atividades: v.g.: locação de bens móveis, transporte, publicidade, hospedagem, diversões públicas, cessão de direitos, depósito, execução de obrigações de não fazer, etc. (venda de bens imateriais).14 (grifos não originais) 14 MORAES, Bernardo Ribeiro de. Doutrina e Prática do Imposto sobre Serviços. 1ª Ed, 3ª tiragem. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1984, p. 4243. Fl. 867DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 846 45 No direito positivo, também encontra diplomas legais que adotam o conceito amplo de serviço, a exemplo, da Lei 8.078/1990 (Código de Defesa do Consumidor) que considera serviço qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista . E tal estipulação legal foi declarada constitucional pelo STF, no julgamento da ADI 2.591. Assim, se para efeito de incidência tributária, o termo serviço tem sentido e alcance amplos, significa que uma clara opção pelo conceito econômico de serviço, que compreende todas as atividades empresariais cujos produtos compreendem serviços, bens imateriais em contraposição aos bens materiais, sujeitos à remuneração pelo mercado, o que inclui a operação de venda de bens imateriais, a exemplo, da venda de ações e demais valores mobiliários e ativos financeiros pelas sociedade corretoras. Por todas essas considerações, resta demonstrado que a receita decorrente das operações de alienação de ações pelas sociedades corretoras integra o conceito de receita bruta operacional e, por conseguinte, a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Da classificação contábil das ações alienadas pela recorrente Superados os pontos da lide anteriormente analisados, passase a analisar o ponto atinente à classificação contábil adotada pela recorrente por ocasião da aquisição e registro contábil das ações vendidas/alienadas, que deram ensejam as autuações em apreço. Previamente, é oportuno relembrar que foram duas operações distintas de venda/alienação de ações que motivaram as autuações em questão: a) a alienação de 20.376.818 ações ordinárias da Bovespa Holding S/A., mediante operação de incorporação das citadas ações ao patrimônio da Nova Bolsa S/A.; e b) a alienação de 2.037.682 ações preferenciais (resgatáveis) da Nova Bolsa S/A., mediante operação de resgate realizada pela sociedade emitente das respectivas ações. De acordo com o TVF, para a fiscalização, a correta classificação ou enquadramento contábil das referidas ações deveria ter sido feita pela recorrente no ativo circulante, por força do que dispõem os arts. 179 e 183, I, da Lei 6.404/1976, vigentes na data dos fatos geradores, a seguir transcritos: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; Fl. 868DF CARF MF 46 IV no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens;(Redação dada pela Lei nº 11.638, de 2007) VI no intangível: os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido. (Incluído pela Lei nº 11.638,de 2007) Parágrafo único. Na companhia em que o ciclo operacional da empresa tiver duração maior que o exercício social, a classificação no circulante ou longo prazo terá por base o prazo desse ciclo. [...] Art. 183. No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: I as aplicações em instrumentos financeiros, inclusive derivativos, e em direitos e títulos de créditos, classificados no ativo circulante ou no realizável a longo prazo:(Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) a) pelo seu valor de mercado ou valor equivalente, quando se tratar de aplicações destinadas à negociação ou disponíveis para venda; e (Incluída pela Lei nº 11.638,de 2007) b) pelo valor de custo de aquisição ou valor de emissão, atualizado conforme disposições legais ou contratuais, ajustado ao valor provável de realização, quando este for inferior, no caso das demais aplicações e os direitos e títulos de crédito;(Incluída pela Lei nº 11.638,de 2007) [...] (grifos não originais) Enquanto que a recorrente alegou que a adequada classificação contábil das referidas ações era no ativo permanente, porque, desde os títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F (associações), que ela era obrigada a deter para poder operar no mercado de capitais, sempre foram tidos como investimento diretamente vinculado às suas finalidades, de modo que sempre estiveram registrados, desde a data de sua aquisição, em conta do ativo permanente. Por outro lado, o fato de tal ativo (“participação societária títulos patrimoniais”) ter sido permutado por outro ativo (“participação societária ações”) não ensejaria tratamento contábil diferente, na medida em que as ações apenas substituíram os títulos originais, não representando ativo novo (houve alteração apenas de forma, e não de substância, porque o patrimônio subjacente é exatamente o mesmo). Com base nesse entendimento, a recorrente alegou que as receitas proveniente da venda/alienação das referidas ações não integravam a base de cálculo das referidas contribuições, porque se trava de receita obtida na venda/alienação de bens do ativo permanente, expressamente excluída da base de cálculo das referidas contribuições, por força do disposto no art. 3º, § 2º, IV, da Lei 9.718/1998, a seguir transcrito: Art. 3o O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. [...] Fl. 869DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 847 47 § 2 º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2°, excluemse da receita bruta: [...] IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. A comparação entre os dois entendimentos deixa evidente que, no caso em apreço, o ponto fulcral da controvérsia reside na classificação contábil das ações recebidas pela recorrente em substituição aos título patrimoniais que a recorrente possuía perante as associações Bovespa e BM&F, em decorrência do denominado processo de desmutualização das bolsas. E o referido fato econômicofinanceiro teve repercussão não só de natureza formal, como alegou a recorrente, como também repercussão de natureza substancial, com a evidente alteração da qualidade e do valor do novo direito que passou a integrar o acervo patrimonial da recorrente. Com efeito, se antes do referido processo de desmutualização a recorrente era obrigada a manter uma participação de caráter permanente, sob forma de títulos patrimoniais, nas associações civis BM&F e Bovespa, como condição para operar no mercado de capitais por meio da bolsa de valores, após os denominados processos de desmutualização (cisão parcial) das citadas associações ocorridos, respectivamente, nos dias 28/8/2007 e 20/9/2007, em substituição aos referidos títulos patrimoniais, a recorrente (assim como os demais associados) recebeu ações, inicialmente, emitidas pela Bovespa Holding S/A. e BM&F S/A. Posteriormente, em 8/5/2008, as ações recebidas das referidas companhias foram convertidas em ações da Nova Bolsa S/A., mediante operação de incorporação de ações. E a Nova Bolsa S/A. passou denominarse BM&FBovespa S/A. Em decorrência desse processo de desmutualização (cisão parcial das citadas associações), sabese que a obrigação de manter a participação societária nas novas sociedades anônimas, como condição necessária para operar no mercado de capitais, deixou de existir. Além disso, não foi estabelecida qualquer restrição para alienação das ações recebidas em substituições dos extintos títulos patrimoniais. Dada essa nova e diferente realidade patrimonial, os extintos título patrimoniais foram substituídos por ações de livre negociação emitidas pelas novas sociedades anônimas de capital aberto recém criadas. Em decorrência, em vez de títulos patrimoniais, ativos financeiros de natureza permanente, a recorrente a passou a ter ativos financeiros (valores mobiliários) de livre negociação, inclusive, no mercado de capitais por intermédio da bolsa de valores. E nessa condição, os novos ativos financeiros ou as novas ações, evidentemente, tratamse de direitos, cuja natureza contábil é completamente distinta dos anteriores títulos patrimoniais substituídos no patrimônio da recorrente. Estes, inequivocamente, de natureza permanente, aquelas (as coes) de natureza temporária, por ser um direito realizável, ou, em linguagem contábil, um bem de venda. E a classificação contábil das referidas ações (ativos financeiros realizáveis) é definida, independentemente, da forma de aquisição (compra e venda, permuta, dação em pagamento etc.). Logo, para efeito de determinação da classificação contábil das novas ações, certamente, o fato de elas terem sido adquiridas em substituição dos títulos patrimoniais das Fl. 870DF CARF MF 48 referidas associações não tinha qualquer relevância. E pela mesma razão, também não tinha qualquer influência sobre a classificação contábil a ser corretamente adotada, o fato de as referidas ações terem sido atribuído valor equivalente aos dos citados títulos patrimoniais, o que somente ocorreu na operação de cisão das referidas associações civis. Assim, por força do disposto no art. 179, I e II, da Lei 6.404/1976, na condição direitos realizáveis, conforme o prazo de alienação, a classificação contábil correta das referidas ações era no ativo circulante, se havia a intenção de alienadas no curso do exercício social subsequente, ou ativo realizável a longo prazo, se a intenção era negociálas após o término do exercício seguinte, jamais no ativo permanente investimento, por não representar participações permanentes em outras sociedades. Assim, o fato determinante para a definição da referida classificação foi o fato de as referidas ações serem valores mobiliários, ativos financeiros (instrumentos financeiros, segundo as normas do Comitê de Pronunciamento Contábil CPC, que atualmente disciplina o assunto), obrigatoriamente, classificados no ativo circulante ou realizável a longo, conforme o prazo de realização. Ressaltase, por oportuno, que a referida classificação contábil não é determinada por razões, inteiramente, de cunho subjetivo da sociedade (intenção íntima ou psicológica dos seus prepostos), mas por critérios objetivos associados a elementos de cunho subjetivo, que, se corretamente aplicados, o resultado será a correta classificação contábil do bem ou direito nos correspondentes subgrupos do ativo da entidade. Aliás, se fosse possível a adoção do critério meramente subjetiva, ou seja, apenas da intenção, como defendido pela recorrente, inequivocamente, cada entidade faria a classificação contábil dos seus elementos patrimoniais da forma que melhor lhe aprouvesse. E essa possibilidade, caso fosse admitida pelas normas contábeis, certamente, inviabilizaria não só a adequada e normal tributação das operações societárias, previstas em lei, como ainda inviabilizaria qualquer parâmetro de comparação das informações contábeis da própria entidade ao longo do tempo, bem como das informações contábeis entre entidades distintas, o que transformaria os dados contábeis em fonte insegura e instável de informações econômico financeiras das entidades contábeis. O que em vez de fonte segura de informação patrimonial, financeiras e econômicas, a contabilidade transformarseia num amontoado caótico de dados sem ou com pouca utilidade prática. No âmbito da classificação contábil, o aspecto subjetivo tem relevância e pertinência, mas desde que observados os parâmetros objetivos determinados nas normas contábeis, nos princípios de contabilidade e, especialmente, na legislação societária. Assim, se a recorrente adquire um bem ou direito realizável (bem de venda), mas não pretende alienálo até o final do exercício seguinte, a sua correta classificação contábil é no ativo realizável a longo prazo, jamais no subgrupo investimento, porque o fato dele ser realizável, a lei já determina que a sua classificação fiscal será sempre no ativo realizável, ou seja, no ativo circulante ou ativo realizável a longo, conforme o prazo intencional da sua realização. Nesse contexto, obviamente, a intenção tem relevância, mas para definir em qual grupo do realizável (ativo circulante ou realizável a longo prazo) o bem ou direito será classificado, mas jamais poderá ser desconsiderado o aspecto objetivo, independente da natureza do bem ou do direito, classificálo em qualquer grupo contábil do ativo. Em outras palavras, se o bem ou direito for realizável, o aspecto subjetivo (a intenção) será relevante para enquadrálo no circulante ou realizável a longo prazo, mas não para alterar a natureza intrínseca do bem ou direito, de modo que ele possa se enquadrado em qualquer outro grupo do ativo. Fl. 871DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 848 49 No que se refere especificamente à incorporação de ações, a recorrente alegou que, como tal evento não contara com a sua participação ativa, ou seja, como acionista da Bovespa HoldingS S/A tivera mera participação passiva, já que se limitara a receber, compulsoriamente, as novas ações da Nova Bolsa S/A. em substituição às ações da Bovespa Holdings S/A., não se podia falar em “intenção” de alienação dessas ações em 2008 já que, caso não tivesse ocorrido a referida incorporação de ações, tal “intenção” só teria se materializado (e ainda assim em parte) em 2012, quando ocorreu a venda parcial das ações da Nova Bolsa S/A. Previamente, é pertinente esclarecer que, no caso em tela, os títulos patrimoniais das associações Bovespa e BM&F foram convertidas em ações, respectivamente, em 28/8/2007 e 20/09/2007, e as operações de incorporação das ações da Bovespa Holding S/A. e de resgate das ações da Nova Bolsa S/A, objeto das presentes autuações, ocorreram no dia 31/5/2008. Com base nesse esclarecimento e pelas razões anteriormente aduzidas, a alegação da recorrente não procede. A uma, porque as referidas operações de alienação ocorreram antes do final do exercício seguinte, portanto, em relação a essas operações o critério subjetivo da intenção não se aplica ao caso em tela, uma vez que as operações de alienação ocorreram antes do final do exercício seguinte. A duas, porque o fato de ela ter alienado (vendido) as ações remanescentes recebidas da Nova Bolsa S/A. somente no ano de 2012 obrigavalhe a classificar as referidas ações no ativo realizável a longo, ou a transferilas do ativo circulante para ativo realizável a longo prazo, se inicialmente, classificara as ditas ações naquele subgrupo, porém, em hipótese alguma, tais ações poderiam ser classificadas no ativo permanente investimento, porque não se tratava de participação permanente em outra sociedade. A duas, porque, embora a decisão de incorporação tenha sido deliberada, exclusivamente, pelas sociedades cedente e cessionária, por meio da maioria dos seus acionistas, incluindo a recorrente, esta poderia ter exercido o direito de retirarse da companhia cedente (Bovespa Holdings S/A.), o que não o fez, e ser reembolsada dos valores de suas ações, nos termos do art. 230 da Lei 6.404/1976, conforme previsto no art. 252, § 2º, do citado diploma legal, que segue transcrito: Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira, para convertêla em subsidiária integral, será submetida à deliberação da assembléiageral das duas companhias mediante protocolo e justificação, nos termos dos artigos 224 e 225. [...] § 2º A assembléiageral da companhia cujas ações houverem de ser incorporadas somente poderá aprovar a operação pelo voto de metade, no mínimo, das ações com direito a voto, e se a aprovar, autorizará a diretoria a subscrever o aumento do capital da incorporadora, por conta dos seus acionistas; os dissidentes da deliberação terão direito de retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) grifos não originais. Fl. 872DF CARF MF 50 Cabe ressaltar ainda que, em consonância com o que determina a Lei das S/A., o COSIF (plano de contas das instituições financeiras) determina que as instituições financeiras devem registrar as ações das companhias abertas livres de negociação no ativo circulante ou no realizável a longo prazo, especificamente, no subgrupo “Títulos e Valores Mobiliários”, nas contas da estrutura codificada, a seguir detalhada: 1.0.0.00.007 Circulante e Realizável a Longo Prazo 1.3.0.00.004 Títulos e Valores Mobiliários 1.3.1.00.007 Livres 1.3.1.20.001 Títulos de Renda Variável 1.3.1.20.104 Ações de Companhias Abertas De outra parte, por se tratar de direitos realizáveis, as novas ações de companhias abertas recebidas pela recorrente, certamente, não poderiam ser registradas nas contas do ativo permanente investimento, segundo a classificação legal anterior, ou no ativo não circulante investimento, na classificação legal atual. No subgrupo investimento, segundo o disposto no art. 179, III, da Lei 6.404/1976, anteriormente transcrito, são registrados apenas os direitos representativos de participações permanentes em outras sociedades, denominados de aplicação de capital, não serem realizados de forma temporária ou com fim especulativo. Dada essa característica, neste subgrupo deve ser registrado apenas direitos não realizáveis representativos de participações societárias permanentes, tais como as participações em coligadas, controladas e outras sociedades que façam parte do mesmo grupo econômico ou que esteja sob controle comum, bem como em outras sociedades em que a participação não seja temporária ou especulativa, como estratégia operacional, visando a segurança no fornecimento de insumos, na venda dos produtos etc. São os investimentos em participações em controladas, coligadas e empreendimentos controlados em conjunto (joint venture), segundo a terminologia adotada pelos CPC 18 e 48. A propósito, ao se manifestar sobre a classificação contábil das participações societárias, por meio do Parecer de Orientação CVM nº 17/198915, a Superintendência de Normas Contábeis da Comissão da Valores Mobiliários (CVM), entidade normativa do mercado de valores mobiliários, prestou os seguintes relevantes esclarecimentos a seguir transcritos: 10. PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS Do ponto de vista da LEI Nº 6.404, os direitos (inclusive participação societária) realizáveis após o término do exercício seguinte devem ser classificados no Realizável a Longo Prazo e no Circulante se realizados no decorrer do exercício seguinte. Já em Investimentos (no Ativo Permanente) devem ser classificadas as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante (e no Realizável a Longo Prazo) e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia. Assim, podese ter participações societárias tanto classificadas no Circulante/Realizável a Longo Prazo quanto em 15 Disponível em: <http://www.cvm.gov.br/legislacao/pareceresorientacao/pare017.html>. Acesso em 13 nov. 2017. Fl. 873DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 849 51 InvestimentosAtivo Permanente. A diferença é que a primeira é de caráter temporário e a segunda permanente (o que não significa que a empresa não possa vir a vendêlas um dia). Isto posto, cabe distinguir as participações permanentes das participações temporárias. As participações permanentes são aplicações de interesse exclusivamente operacional, destinadas à manutenção, complementação ou diversificação das atividades próprias da companhia, ou exercidas com essa finalidade. São as participações previstas no § 3º do artigo 2º da LEI Nº 6.404/76: " A companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades: ainda que não prevista no estatuto, a participação é facultada como meio de realizar o objeto social, ou para beneficiarse de incentivos fiscais". Neste caso ressalta o interesse da companhia investidora em participar do empreendimento, inclusive beneficiandose de incentivos fiscais em projetos de sua iniciativa. No caso dos investimentos em ações ou quotas de outras empresas, embora possam ser realizados para atender aos mais diversos objetivos, podese agrupálos da seguinte forma: a) participações voluntárias de caráter meramente especulativo ou com o objetivo de obter, independentemente de prazo, rendimentos produzidos pela sua valorização e negociação. São normalmente as aplicações feitas em Bolsa, embora a empresa possa manter "permanentemente" uma carteira de ações comprando e vendendo ações de acordo com a sua expectativa de valorização, este é tipicamente um investimento temporário (classificação: Ativo Circulante ou Realizável a Longo Prazo, consoante a expectativa de alienação); b) participações voluntárias exercidas para extensão ou complementação das atividades da investidora, ou mesmo para diversificação (horizontalização) dessas atividades, ou ainda como estratégia operacional (segurança no fornecimento de insumos, eliminação de concorrência etc). Neste caso esperase não o rendimento da valorização dessas ações no mercado, mas sim o rendimento, produzido pelas operações da empresa investida ou pela melhoria operacional da empresa investidora. Assim, mesmo que um investimento dessa natureza possa, a qualquer momento, ser alienado, não deve ser considerado como temporário, são investimentos permanentes (classificação: Ativo Permanente/Investimentos); c) participações compulsórias: normalmente decorrem das aplicações de incentivos fiscais, mas podem surgir em função de outros motivos e interesses econômicos, como é o caso das participações em ações de companhias telefônicas (planos de expansão) e outras participações até em decorrência de imposição legal. As participações compulsórias dificilmente apresentam características de "permanente", como visto acima. Deve ser Fl. 874DF CARF MF 52 feita uma exceção para os casos de aplicações em projetos próprios nas áreas incentivadas. Com base no referido Parecer, fica esclarecido que, por ter natureza compulsória e caráter de permanente, a correta classificação contábil dos extintos títulos patrimoniais emitidos pelas referidas associações era no ativo permanente, subgrupo investimento, das sociedades corretoras. De outro modo, a correta classificação contábil das ações recebidas pela recorrente (ações de companhias abertas), investimento temporário, com o objetivo de obter, independentemente de prazo, rendimentos produzidos pela sua valorização e negociação, era no ativo circulante ou realizável a longo prazo, conforme o prazo de sua realização ou alienação. Jamais no subgrupo investimento do ativo permanente. A doutrina tem apresentado o mesmo entendimento sobre a matéria. A título ilustrativo trazse à colação o ensinamento dos Profs. Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke sobre o tema: 10.2.2 Natureza das Contas. O art. 179 da Lei nº 6.404/76, em seu item III, estabelece que serão classificadas: [...] Verificase por esse texto legal que no subgrupo Investimentos deverão estar classificados dois tipos de ativos, ou seja, as Participações permanentes em outras sociedades e outros investimentos permanentes, ambos analisados a seguir: a) PARTICIPAÇÕES PERMANENTES EM OUTRAS SOCIEDADES. Essas participações são os tradicionais investimentos em outras empresas, na forma de ações ou de quotas. Devem ter a característica de permanente, ou seja, incluemse aqui somente os investimentos em outras sociedades que tenham a característica de aplicação de capital, não de forma temporária ou especulativa, existindo efetiva intenção de usufruir dos rendimentos proporcionados por esses investimentos. [...] b) OUTROS INVESTIMENTOS PERMANENTES. O outro tipo de ativo classificável em investimentos, segundo o texto da Lei nº 6.404/76, referese aos ‘direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa’. [...] Cabe entender que esses tipos de ativos devem também ter a característica de permanente, isto é, não devem ser valores ou bens destinados à negociação. Além disso, são ativos que não têm uma destinação definida quanto a seu uso na manutenção da atividade da empresa, mesmo que possam vir a ter no futuro. 16 (grifos não originais) 16 Manual de contabilidade das sociedades por ações. São Pualo. Atlas, 2007, p. 135137 Fl. 875DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 850 53 Em suma, as ações ou quotas de capital representativas de participações permanentes em outras sociedades, por serem investimento de caráter permanente, devem registradas no subgrupo investimento, anteriormente pertencente ao grupo permanente e atualmente ao ativo não circulante. De outra parte, os investimentos de caráter temporário em outras sociedades (instrumentos financeiros), especialmente, em ações de companhias abertas, considerados ativos financeiros do tipo valores mobiliários, independentemente do prazo de realização (alienação), são classificáveis no ativo circulante ou no realizável a longo prazo, jamais no subgrupo investimento, pelas razões anteriormente aduzidas. No mesmo sentido, o entendimento esposado nos recentes julgados da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por meio dos Acórdãos nºs 9303 005.447, 9303005.448 e 9303005.490. A título de exemplo, para melhor compreensão, seguem transcritos os enunciados da ementa do último julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano ou poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas instituições financeiras, que têm as operações de compra e venda de ações compreendidas no objeto social, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. Com base nessas considerações, resta demonstrado que a correta classificação contábil das ações alienadas pela recorrente era no ativo circulante, uma vez que foram alienadas no dia 8/5/2008, portanto, antes do término do exercício seguinte, haja vista que (i) as 20.376.818 ações ordinárias da Bovespa Holding S/A., alienadas mediante incorporação, foram adquiridas em 28/8/2007 e (ii) as 2.037.682 ações preferenciais da Nova Bolsa S/A. foram resgatadas no mesmo dia da incorporação. Da cobrança de juros sobre a multa de ofício lançada Fl. 876DF CARF MF 54 Enfim, a recorrente alegou que a legislação somente autorizava a incidência de multa e juros sobre o valor atualizado do tributo ou da contribuição, mas não autoriza, como pretende o Fisco, o cálculo dos juros sobre o valor da multa de ofício aplicada. A matéria já é de conhecimento do Colegiado e já foi objeto de análise anterior por este Conselheiro, em que esposado o entendimento que os juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, incidem tanto sobre o débitos tributários quanto sobre a multa de ofício lançada. A incidência sobre os tributos e contribuições administrados pela RFB dáse forma direta, nos termos do artigo 61, § 3º, da Lei 9.430/1996, a seguir transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...). § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (destacouse) Da mesma forma, há expressa previsão legal para cobrança de juros moratórios, calculado com base na variação da taxa Selic, sobre os valores das multas aplicadas isoladamente, segundo determinação do art. 43 da Lei 9.430/1996, a seguir reproduzido: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ora, se os preceitos legais anteriormente transcritos pertencem ao mesmo diploma legal, resta evidenciado que o legislador, deliberada e intencionalmente, conferiu tratamento distinto para ambas as situações, mas com o objetivo de conferir tratamento isonômico para as duas situações. E a razão da específica previsão legal para a cobrança dos juros de mora sobre a multa isolada revelase óbvia. Entretanto, não havia necessidade de determinação legal específica para a mula de ofício calculada sobre o valor do tributo lançado, pois, se a multa de ofício incide sobre o valor do tributo devido, acrescido dos juros moratórios, logo, na data do pagamento, tal gravame, automaticamente, também integrará o valor da multa de ofício proporcional. Dito de outra forma, não são os juros moratórios que incidem sobre a multa de ofício nesta hipótese, mas sim a multa de ofício que incide sobre o crédito tributário acrescido de juros moratórios. Fl. 877DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 851 55 Logo, por força dessa característica, o valor dos juros moratórios sempre comporá o valor da multa proporcional ou de ofício, calculada sobre a “totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento”, nos termos do art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996. No mesmo sentido, o entendimento explicitado nos enunciados das ementas dos julgados das 1ª e 3ª Turmas da CSRF, que seguem transcritos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (CSRF, 3ª Turma, Processo nº 10835.001034/0016, Sessão de 15/08/2013, Acórdão nº 9303002400. Relator Joel Miyazaki). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (CSRF, 1ª Turma, Processo nº 13839.001516/200664, Sessão de 15/05/2013, Acórdão nº 9101001657. Relator designado Valmir Sandri) Esse também é o entendimento das Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, conforme explicitado no julgamento do AgRg no REsp 1335688/PR, cujo enunciado da ementa segue transcrito: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1335688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 10/12/2012) (grifos não originais) Fl. 878DF CARF MF 56 Por todas essas razões, fica demonstrado que os juros moratórios incidem diretamente sobre o valor da multa isolada e indiretamente sobre o valor da multa de ofício, calculada proporcionalmente ao valor do tributo lançado. Portanto, em qualquer das hipóteses os juros moratórios são devidos. Da conclusão Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Declaração de Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus. Por entender complexa a matéria e entendendo não estar preparado para a prolação de minha posição quanto a matéria, na sessão de 30 de janeiro p.p., solicitei vistas do presente processo para melhor me aprofundar no assunto. Feitos os estudos necessários relacionado a matéria, com a devida vênia, ouso divergir da posição defendida pelo N. Conselheiro Relator José Fernandes, fundamentandoa nos seguintes termos. Quando da realização das operações objeto do presente processo, foi amplamente noticiado que a BOVESPA ASSOCIAÇÃO CIVIL sofreria uma cisão parcial, sendo certo que uma parte de seu patrimônio seria destinada a BOVESPA HOLDING S/A., e outra parte para a BOVESPA SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES S/A., sendo esta por derradeiro, sendo incorporada pela BOVESPA HOLDING. Em brevíssimas linhas o entendimento da fiscalização, da decisão piso e do N. Relator do presente processo, em 28/08/2007, houve a devolução de capital por parte da BOVESPA e aquisição de ações por parte das corretoras associadas, como é o caso da recorrente. Desta forma, uma vez que as ações da BOVESPA HOLDING teriam sido adquiridas em 28/08/2007, e parte delas alienadas em 08/05/2008, fato esse que supostamente demonstraria a intenção de negociação das ações e não um investimento permanente, a recorrente deveria ter contabilizado/escriturado tais ações na conta do ativo circulante e não no ativo permanente. Nesse diapasão, estando diante de receita proveniente da venda de ações, sendo essa uma das atividades da recorrente expressa em seu objeto social, estariase defronte de receita passível de inclusão na base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS. Fl. 879DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 852 57 A fiscalização entendeu que a operação societária praticada pela BM&F e BOVESPA, com a consequente transformação em Companhias (S/As), fato esse que levaria, segundo critérios jurídicos e contábeis, a caracterização de uma operação de devolução de capital. Não nos distanciemos da premissa de que em momento algum foram tais operações consideradas atípicas ou ilegais, uma vez que estão devidamente disciplinadas na Lei das S/As (6.404/76), vejamos: Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. Art. 229. A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindose a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindose o seu capital, se parcial a versão. Pois bem. Se sou proprietários de ações ou quotas de uma certa entidade e, por razões de reorganização societária que afetam sua forma jurídica, tais títulos devam ser substituídos por títulos da "nova" entidade, esse fato não altera a natureza contábil desses títulos, pois representam a priori a propriedade indireta daquela entidade. Porém, essa não é a visão externada pela fiscalização e pela decisão de piso. Para eles a desmutualização deve ser dividida em duas transações distintas, sendo uma de devolução do patrimônio das associações e a outra a integralização de capital nas novas sociedades. Contudo, essa visão entendo distorcida, uma vez que, como podese observar não ocorreu restituição de recursos, muito menos transferência de resultados aos investidores, outrora obtidos e retidos pela antiga BOVESPA. Em que pese ter sido o voto vencido por decisão de qualidade, por se tratar de caso idêntico ao aqui tratado, e por representar meu entendimento quanto a matéria, peço vênia para tomar como razão de decidir os excertos trazidos pelo I. Conselheiro Walker Araújo no acórdão nº 3302003.237, observese: Correto o procedimento adotado pela Recorrente. Isto porque, na operação denominada "desmutualização" os títulos patrimoniais convertidos em ações não resultaram nova aquisição de participação societária, tampouco devolução de capital investido. O que ocorreu de fato, foi a mera substituição de título patrimoniais por ações resultantes de operações de cisão e incorporação do patrimônio das associações sem fins lucrativos. Com efeito, as ações recebidas pela Recorrente não foram dadas em pagamento pelas sociedades anônimas, como também não houve mudança da titularidade dos títulos patrimoniais. Os títulos patrimoniais inicialmente registrados pela Recorrente em seu ativo permanente foram apenas substituídos nominalmente Fl. 880DF CARF MF 58 por ações, não representando, como pretende a fiscalização, nova aquisição de participação societária. Ou seja, ações não foram compradas no mercado para venda, já existiam no patrimônio da Recorrente como investimento permanente. Somese a isso, que há equivalência das ações e dos títulos patrimoniais registrados pela Recorrente, evidenciando, assim, se tratar de mera substituição de um título representativo de capital por outro. É de se observar, ainda, que os títulos patrimoniais foram adquiridos à época pela Recorrente para o fim de investimento e como requisito/condição imprescindível para operar na Bolsa de Valores. Desta forma, como a intenção da Recorrente não era a comercialização propriamente dita, os investimentos adquiridos como condição para operar na Bolsa de Valores foram registrados no ativo permanente. Portanto, considerando que os investimentos em discussão iniciaram o ano de 2007 como título patrimonial, o fato de a BOVESPA e a BM&F terem sido desmutualizada em agosto e do IPO ter ocorrido posteriormente, não altera a natureza do bem que continua sendo investimento próprio e, consequentemente, não justifica a mudança de classificação contábil no próprio exercício e a reclassificação. Neste sentido, destaco os julgamentos proferidos por este Conselho Administrativo Fiscal que analisaram questões idênticas as discutidas neste processo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2007 DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA E DA BM&F. SUBSTITUIÇÃO DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS POR AÇÕES. A operação denominada desmutualização das bolsas não implicou a dissolução de que trata o art. 61 do Código Civil e tampouco a devolução de patrimônio aos associados. Os antigos títulos patrimoniais, que se encontravam classificados no ativo permanente das entidades sócias, foram substituídos por ações, as quais foram emitidas em quantidade equivalente ao valor monetário daqueles títulos patrimoniais, uma vez que tais ações eram representativas do mesmo patrimônio." PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALIENAÇÃO ONEROSA DAS AÇÕES RECEBIDAS EM SUBSTITUIÇÃO DOS ANTIGOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS BOLSAS. A receita auferida com a venda das ações recebidas em substituição dos títulos patrimoniais das antigas Bovespa e BM&F está excluída das bases de cálculo do PIS e da Cofins por Fl. 881DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 853 59 se tratar de alienação de patrimônio próprio,amparada pelo art. 3º, IV, da Lei nº 9.718/98. Recurso provido. (Acórdão 3403003447 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária Relator Antônio Carlos Atulim Sessão 10.12.2014)" *** "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 DESMUTUALIZAÇÃO OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES IMPOSSIBILIDADE DE SIMPLES DESCONSIDERAÇÃO DE OPERAÇÃO SOCIETÁRIA A operação decorrente de documentos societários devidamente registrados na Junta Comercial e de acordo com o objetivo pretendido pelos associados só pode ser desconsiderado, de acordo com a jurisprudência deste Tribunal, se o propósito negocial não for verdadeiro, o que não ocorreu. Outra hipótese seria se a fiscalização comprovasse que o meio escolhido para a desmutualização foi equivocado, nulo ou ilegal e nestes termos revisse o próprio ato societário realizado pela BOVESPA (art. 116, CTN), pois se não for revisto, o ato societário tornase negócio jurídico perfeito, e não pode ser desconsiderado enquanto válido. VENDA DE ATIVOS NÃO INCIDÊNCIA DE COFINS A receita decorrente da venda de ativos está fora do campo de incidências da contribuição à COFINS. Bens adquiridos com a intenção de permanência devem ser registrados no ativo permanente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 DESMUTUALIZAÇÃO OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES IMPOSSIBILIDADE DE SIMPLES DESCONSIDERAÇÃO DE OPERAÇÃO SOCIETÁRIA A operação decorrente de documentos societários devidamente registrados na Junta Comercial e de acordo com o objetivo pretendido pelos associados só pode ser desconsiderado, de acordo com a jurisprudência deste Tribunal, se o propósito negocial não for verdadeiro, o que não ocorreu. Outra hipótese seria se a fiscalização comprovasse que o meio escolhido para a desmutualização foi equivocado, nulo ou ilegal e nestes termos revisse o próprio ato societário realizado pela BOVESPA (art. 116, CTN), pois se não for revisto, o ato societário tornase negócio jurídico perfeito, e não pode ser desconsiderado enquanto válido. VENDA DE ATIVOS NÃO INCIDÊNCIA DE PIS Fl. 882DF CARF MF 60 A receita decorrente da venda de ativos está fora do campo de incidências da contribuição ao PIS. Bens adquiridos com a intenção de permanência devem ser registrados no ativo permanente. Recurso Voluntário Provido (Acórdão 3302001.871 3ª Câmara/2ª Turma Relator Sessão 27.11.2012 Relator Walber José da Silva)" Destacase parte do voto proferido pelo Conselheiro Antônio Carlos Atulim no processo nº 16327.721734/201144 (Acórdão nº 3403003.447, de 10/12/2014), cujas razões de decidir retratam o meu entendimento sobre o tema: A questão posta para deslinde por parte deste colegiado não é nova. Tratase mais uma vez de analisar a incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas provenientes da venda das ações que resultaram da transformação da Bolsa de Valores de São Paulo e da Bolsa Mercantil e de Futuros em sociedades por ações. É incontroverso que o contribuinte ora autuado é sucessor de instituição financeira que possuía nas contas do Ativo Permanente/Investimentos ações da CBLC e título patrimonial da BM&F. Com a transformação societária da antiga BM&F na sociedade por ações BM&F S/A e na incorporação da CBLC pela BOVESPA HOLDING, ocorridas em 2007, o contribuinte recebeu 3.882.732 de ações da BOVESPA HOLDING em conversão das antigas ações da CBLC e 4.981.610 de ações da BM&F S/A em conversão do título da antiga BM&F. Também é incontroverso que o título social e as ações, então existentes no Ativo Permanente/Investimentos do Banco, foram convertidos em quantidade de ações monetariamente equivalente à participação do Banco em cada uma das antigas sociedades. São pontos controversos nos autos (i) se houve ou não devolução de capital com aquisição de um novo patrimônio no momento da desmutualização e (ii) se havia ou não intenção do Banco vender as ações recebidas em conversão. A intenção ou não de venda seria determinante para classificar os ativos no circulante ou no permanente. Basicamente a fiscalização e a decisão de primeira instância entenderam que as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas pelo Banco, em razão da desmutualização, constituíam um outro ativo diferente do título patrimonial da antiga BM&F e das ações da antiga CBLC. Assim, o momento do recebimento desse novo ativo seria aquele em que se deveria averiguar a intenção (ou não) de a pessoa jurídica o alienar, classificandoo em conta do circulante ou do permanente. No caso, entendeu a DRJ que como a intenção do contribuinte era a de vender as ações, elas deveriam ter sido classificadas no circulante. Tratandose de receita proveniente da venda de ações classificadas no ativo circulante, e estando essa atividade incluída no objeto social da pessoa jurídica, tratarseia de receita Fl. 883DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 854 61 operacional passível de inclusão nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. Embora não tenha sido explicitamente citado, o entendimento da fiscalização e da DRJ está calcado no art. 61 do Código Civil, que determina a devolução de patrimônio aos sócios quando da dissolução das associações. Ora, o art. 61 do Código Civil é inaplicável ao caso concreto, pois a CBLC e a BM&F não foram dissolvidas e nem tiveram seus patrimônios devolvidos aos seus antigos sócios. É de conhecimento público e notório que as duas entidades desapareceram do cenário jurídico no processo denominado desmutualização das bolsas. Mas desaparecer por dissolução e desaparecer por cisão são coisas totalmente diferentes sob o ponto de vista jurídico. O que houve no caso da desmutualização foi uma cisão seguida de incorporação. Na cisão o patrimônio da entidade cindida não retorna para os seus sócios, ele é transferido diretamente para a nova entidade que se originou. O que houve no caso da “desmutualização” foi a transformação de um tipo de sociedade em outra e não a dissolução tratada no art. 61 do Código Civil. Não se olvide que o art. 1.113 do Código Civil estabelece que o ato de transformação da sociedade independe de dissolução ou liquidação e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai se converter, enquanto que o art. 2.033, do mesmo Código, autoriza as associações a sofrerem cisão, fusão e incorporação. Assim, se o Código Civil não impede a transformação de uma associação em uma sociedade anônima e se o estatuto da S/A foi regularmente registrado na Junta Comercial, não há que se cogitar de ilegalidade na operação. Não tendo ocorrido a dissolução das antigas entidades, não há como sustentar as premissas adotadas pela DRJ, no sentido de que houve devolução de patrimônio e, assim, que as ações recebidas constituem um ativo novo e diferente dos títulos patrimoniais até então existentes. O que de fato ocorreu foi a troca dos antigos títulos patrimoniais das associações civis pelas ações das novas companhias, como resultado das operações societárias de cisão seguida de incorporação sofridas pela antiga Bovespa, pela antiga BM&F e pela CBLC. Os antigos títulos patrimoniais e as ações da CBLC foram sucedidos por ações das novas entidades que surgiram no processo. Essas novas ações foram emitidas em quantidades que possuíam valor monetário equivalente aos dos títulos substituídos. Tanto os antigos títulos patrimoniais, quanto as ações em que foram transformados, são papéis representativos de frações do mesmo patrimônio. Assim, mostrase temerária a premissa de Fl. 884DF CARF MF 62 que as ações emitidas constituem um ativo diferente dos antigos títulos patrimoniais. Se as ações são representativas do mesmo patrimônio que era representado pelos títulos patrimoniais (e pelas ações da CBLC) que estavam no permanente, então é evidente que não houve aquisição de novo ativo no momento da desmutualização, não havendo que se cogitar da intenção do contribuinte neste momento para obrigálo a fazer a reclassificação para o ativo circulante. E ainda que essa reclassificação tivesse sido feita, tal fato não retiraria das ações a condição de ser um investimento, ou seja, uma participação do Banco no patrimônio de terceiros. Não se olvide que nos longínquos tempos em que os contribuintes estavam obrigados à correção monetária das demonstrações financeiras, a própria Receita Federal vedava a reclassificação de bens do ativo permanente para o ativo circulante a pretexto de serem alienados (Parecer Normativo CST nº 3/801). Desse modo, como houve uma continuidade, ou seja, os antigos títulos classificados no permanente/investimentos foram sucedidos pelas ações alienadas, o faturamento decorrente dessa alienação se enquadra como venda de um investimento 1 (...) 8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem. classificado no ativo permanente e está expressamente excluído da incidência das contribuições, por força do art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/98. E isto é assim, por força do art. 418 do RIR/99 (art. 31 do DL nº 1.598/77) que trata o resultado da venda de bens do ativo permanente como ganho ou perda de capital, ou seja, como resultado não operacional. Tributar a venda dessas ações por meio do PIS e da COFINS seria o mesmo que obrigar uma montadora de veículos a tributar a venda dos veículos pertencentes a sua frota. Ou então obrigar uma construtora a tributar a eventual venda do edifício que constitui sua sede própria. Considerando que a aferição da natureza não operacional dessas receitas se constitui em verdadeiro antecedente lógico para sua exclusão das bases de cálculo, resta evidente que o desfecho ação judicial 2006.03.00.1059671 não tem nenhuma influência sobre este processo. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso.(grifado) Concluise, portanto, que os títulos da Bovespa e da BM&F que eram de propriedade da sociedade tinham a mesma característica de bens do ativo permanente e que as ações Fl. 885DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 855 63 recebidas em decorrência da cisão seguida de incorporação deveriam ser registradas em seu ativo permanente. Assim, entendo que as ações de emissão da Bovespa Holding S.A e da BM&F S.A recebidas pela Recorrente em decorrência do processo de “desmutualização” da BOVESPA foram corretamente classificadas no ativo permanente da Recorrente, fato que afasta a incidência do PIS e da COFINS, nos termos do inciso IV, do §2º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: (...) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Por fim, é imperioso consignar que a informação prestada pela BOVESPA Holding à todos os associados, por meio da Circular nº 225/2007DG, no sentido de que as ações “substituídas” deveriam ser registradas através dos critérios abaixo descritos, não inválida o procedimento contábil adotado pela Recorrente: Os detentores de ações de emissão da CBLC deverão também reconhecer os efeitos do processo de desmutualização, baixando o valor convertido em ações de emissão da Bovespa Holging S/A e, conforme sua opção: *registrar o correspondente valor no Ativo Circulante, em subconta específica da conta Títulos de Renda Variável (conta COSIF nº 1.3.1.20), das ações de emissão da BOVESPA Holding S/A recebidas em substituição, se a decisão for a de considerar essas ações como sendo título disponíveis para negociação ou venda, ou *manter esse valor no Ativo Permanente, em subconta específica da conta Ações e COtas (conta do COSIF nº 2.1.5.10.), se a decisão for a de considerar essas ações como investimento. Lembramos que os acionistas da Bovespa Holding S/A, a seu critério, considerando seus objetivos de investimento, poderão realizar uma alocação mista, entre o Ativo Circulante e Ativo Permanente. Isto porque, vincular o contribuinte ao cumprimento de regras instituídas por meio de circular, destoa das regras previstas no inciso II, do artigo 5º, da Constituição Federal, que preceitua: Fl. 886DF CARF MF 64 " Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei". Pelas razões acima expostas, entendo equivocada a autuação, bem como sua manutenção pela decisão de primeira instância, dou integral provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Fl. 887DF CARF MF
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