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4420526 #
Numero do processo: 11040.000375/2007-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 DIRPF. DEVOLUÇÃO DE RESTITUIÇÃO RECEBIDA INDEVIDAMENTE. Constatado restituição indevida decorrente de posterior retificação da declaração de rendimentos, deverá ser objeto de lançamento de ofício pela autoridade lançadora. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SOUSA - Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator. EDITADO EM: 10/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Raimundo Tosta Santos, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy e Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1654; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C1T1  Fl. 111          1 110  S2­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11040.000375/2007­02  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2101­001.770  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de julho de 2012  Matéria  IRPF  Recorrente  LUIZ CARLOS SOUZA GOMES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2002  DIRPF.  DEVOLUÇÃO  DE  RESTITUIÇÃO  RECEBIDA  INDEVIDAMENTE.  Constatado  restituição  indevida  decorrente  de  posterior  retificação  da  declaração  de  rendimentos,  deverá  ser  objeto  de  lançamento  de  ofício  pela  autoridade lançadora.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.    LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SOUSA ­ Presidente.     GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA ­ Relator.    EDITADO EM: 10/12/2012  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos,  José  Raimundo  Tosta  Santos,  Gilvanci  Antonio  de  Oliveira  Sousa,  Célia  Maria  de  Souza  Murphy  e  Alexandre  Naoki  Nishioka.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 00 03 75 /2 00 7- 02 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     2 Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  (fls.  89/91)  interposto  em  14  de  junho  de  2011  (fl. 89) contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento  em Porto Alegre  (RS) (fls. 82/85), do qual o Recorrente teve  ciência em 16 de maio de 2011, (fl.  86), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 07/09, lavrado em 16  de  janeiro  de  2007,  em  decorrência  omissão  de  rendimentos  tributáveis  recebidos  de  Pessoa  Jurídica, oriundos de vínculo empregatício.       O acórdão recorrido teve a seguinte ementa:    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF   Ano­calendário: 2002   DIRPF. REVISÃO.  A Declaração de Ajuste Anual do  Imposto de Renda de Pessoa Física –  Dirpf sujeita­se à revisão por parte da repartição lançadora.  LANÇAMENTO. REVISÃO DE OFÍCIO.  O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo pode ser revisto  de ofício pela autoridade administrativa, enquanto não extinto o direito da  Fazenda Pública.  Impugnação Improcedente.  Crédito Tributário Mantido.  Não  se  conformando,  o  Recorrente  interpôs  recurso  voluntário  (fls.  89/91), pedindo a reforma do acórdão recorrido, pugnando que o imposto devido no exercício  de 2003 já foi pago via processo de parcelamento de nº 11040.001096/2006­77 (fls.102/104),  sendo incabível a dupla cobrança do imposto.  É o relatório.      Voto             Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa  O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele  conheço.  No que se  refere ao mérito, verifica­se que o presente recurso cinge­se à  cobrança de imposto de renda suplementar, relativo ao Ano­calendário 2002.   Cumpre  esclarecer  que  a  contribuinte  apresentou,  inicialmente,  sua  declaração de ajuste informando, como rendimentos tributáveis, no ano­calendário de 2002, o  montante  de  R$  71.008,08  (fls.  44),  DIRPF  esta  posteriormente  retificada  para  requalificar  determinados  rendimentos,  anteriormente  informados  como  tributáveis,  para  isentos  ou  não­ tributáveis,  reduzindo,  portanto,  a  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda  para  o  valor  de  R$  31.543,73, e, consequentemente, aumentando o valor do imposto a restituir para o montante de  R$ 7.673,09 (fls.54).  A  requalificação  de  determinados  valores  efetuada  pela Recorrente  em  sua  declaração  de  ajuste  retificadora  apresentada  em  26/02/2006  ensejou  a  autuação  ora  em  Fl. 119DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11040.000375/2007­02  Acórdão n.º 2101­001.770  S2­C1T1  Fl. 112          3 discussão,  pois  a  fiscalização  entendeu  ter  ocorrido  omissão  de  rendimentos  recebidos  de  pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício.  Vale  frisar que  é  entendimento deste Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais  que,  quando há  a  apresentação  de  declaração  de  ajuste  anual  em  consonância  com o  entendimento do Fisco e, posteriormente, há apresentação de declaração retificadora de forma a  subtrair rendimentos à tributação, o termo de início do prazo decadencial desloca­se da data do  fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter  sido efetuado (art. 173, I, do CTN). Veja­se:  “Exercício:  2002.  DECADÊNCIA  ­  RENDIMENTOS  SUJEITOS  AO  AJUSTE  ANUAL ­ DECLARAÇÃO RETIFICADORA.  No  caso  de  Declaração  de  Ajuste  Anual  apresentada  em  consonância  com  o  entendimento  do  Fisco,  porém  posteriormente  retificada,  de  forma  a  subtrair  rendimentos à tributação, o termo de início do prazo decadencial desloca­se da data do  fato  gerador  para  o  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia ter sido efetuado (art. 173, inciso I, do CNT).   GLOSA DE DEDUÇÕES INDEVIDAS ­ MATÉRIA NÃO IMPUGNADA ­ ERRO  NO ACÓRDÃO DA DRJ ­ INOCORRÊNCIA.   Inexistindo  expressa  contestação  das  glosas  de  deduções  indevidas,  correto  o  julgamento da DRJ ao considerá­las matérias não impugnadas.   MULTA DE OFÍ   CIO  QUALIFICADA  ­  RETIFICAÇÃO  DE  DECLARAÇÃO  POR  TERCEIRO  ­  AUTORIZAÇÃO  DADA  PELO  CONTRIBUINTE  ­  INCLUSÃO  DE  DESPESAS  INEXISTENTES  ­  PROPÓSITO  DE  AUMENTAR  O  SALDO  DO  IMPOSTO  A  RESTITUIR ­ PROCEDÊNCIA.   A  retificação  da  Declaração  de  Ajuste  Anual,  com  a  inclusão  de  deduções  sabidamente  inexistentes,  tão­somente  com  o  propósito  de  aumentar  o  saldo  de  imposto  a  restituir,  ainda  que  efetuada  por  terceiro,  porém  com  a  autorização  do  contribuinte,  caracteriza  o  evidente  intuito  de  fraude,  justificando  a  imposição  da  multa  de  ofício  qualificada.   JUROS MORATÓRIOS ­ TAXA SELIC ­ APLICAÇÃO.   A  partir  de  1º.  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC para  títulos federais (Súmula nº 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes).   Recurso Voluntário Negado.”  (CARF, 2ª Seção, 1ª Turma Especial, Acórdão 2801­00.252, de 21/09/2009)    “Exercício:  2002  DECADÊNCIA  ­  RENDIMENTOS  SUJEITOS  AO  AJUSTE  ANUAL ­ DECLARAÇÃO RETIFICADORA .   No  caso  de  Declaração  de  Ajuste  Anual  apresentada  em  consonância  com  o  entendimento  do  Fisco,  porém  posteriormente  retificada,  de  forma  a  subtrair  rendimentos à tributação, o termo de início do prazo decadencial desloca­se da data do  fato  gerador  para  o  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia ter sido efetuado (art. 173, inciso I, do CTN).   Fl. 120DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     4 GLOSA DE DEDUÇÕES INDEVIDAS ­ MATÉRIA NÃO IMPUGNADA ­ ERRO  NO ACÓRDÃO DA DRJ ­ INOCORRÊNCIA.   Inexistindo  expressa  contestação  das  glosas  de  deduções  indevidas,  correto  o  julgamento da DRJ ao considerá­las matérias não impugnadas.   MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA ­ RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO POR  TERCEIRO  ­  AUTORIZAÇÃO  DADA  PELO  CONTRIBUINTE  ­  INCLUSÃO  DE  DESPESAS INEXISTENTES.   Propósito de aumentar o saldo de imposto a restituir ­ Procedência ­ A retificação da  Declaração  de  Ajuste  Anual,  com  a  inclusão  de  deduções  sabidamente  inexistentes,  tão­ somente com o propósito de aumentar o saldo de imposto a restituir, ainda que efetuada por  terceiro, porém com a autorização do contribuinte, caracteriza o evidente  intuito de fraude,  justificando a imposição da multa de ofício qualificada.   JUROS MORATÓRIOS ­ TAXA SELIC ­ APLICAÇÃO.   A  partir  de  1º.  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC para  títulos federais (Súmula nº 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes).   Recurso Voluntário Negado.”  (CARF,  2ª  Seção,  1ª  Turma  Especial,  Acórdão  2801­00.267,  de  22/09/2009. Nesse  sentido, ainda, Acórdão 2801­00.266)  Assim, deve­se esclarecer que, apesar de não ter sido suscitada, não houve a  decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito em discussão, aplicando­se, in  casu, a regra do art. 173,  I, do CTN, ainda que se tenha iniciado o pagamento antecipado da  exação.  No que toca, propriamente, ao mérito do recurso, cinge­se à arguição do  contribuinte  que  é  incabível  a  dupla  cobrança  de  imposto  apurado  sobre  a  mesma  base  de  cálculo. Para melhor compreensão do assunto veja­se os seguintes quadros elucidativos:        AUTO DE INFRAÇÃO 2005 ­ Demonstrativo de Apuração 2002 ­ fls 101  Despesas com Instrução / Glosa  5.994,00  Despesas com dependentes / Glosa  2.544,00  Despesas Médicas  5.989,00  Total descontos glosados = Rendimentos sujeitos à tabela progressiva  14.527,00  Imposto Apurado ( 27,5%)  3.994,93          AUTO DE INFRAÇÃO 2007 ­ Demonstrativo das Alterações na Declaração ­ fls 95  Valor restituído conf. Decl. de 23/04/2003 ­fls. 44  6.902,73  Valor a restituir conf. Dem. Alt. Fls 95  ­2.907,80  Valor restituído indevidamente  3.994,93    EXERCÍCIO 2003 ­ Ano Calendário 2002  APURAÇÃO E CÁLCULO  EM REAIS R$  Rendimentos Tributáveis  71.008,08  Deduções  22.134,04  Fl. 121DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11040.000375/2007­02  Acórdão n.º 2101­001.770  S2­C1T1  Fl. 113          5 Base de Cálculo  48.874,04  Imposto Devido  8.363,46  Imposto Retido na Fonte  11.271,26  Imposto já Restituído  6.902,73  Restituição recebida indevidamente  3.994,93  Imposto pago (fls. 102/105) parcelamento  3.994,93  Restituição indevida a devolver  0,00    Como  se vê  o primeiro  auto de  infração  refere­se  à  glosa de despesas  com  instrução, com dependentes e com despesas médicas, exigindo­se o imposto alusivo às glosas,  sem desconsiderar,  contudo,  o  valor  relativo  ao  comprovante  de  rendimentos  fornecido  pelo  Comando  do  Exército  (doc.38),  no  montante  de  R$  71.008,08,  valor  esse  corretamente  informado na declaração original (fls.44).   Já  o  segundo  auto  se  refere  à  cobrança  de  imposto  suplementar,  correspondente  à  omissão  de  rendimentos  tributáveis,  utilizando  o  mesmo  valor  de  R$  71.008,08, relativo ao comprovante supracitado.  No recurso voluntário, o recorrente não ataca a decisão à quo, concordando,  inclusive com tal decisão ao tratar do equívoco (fls.90), não se instaurando o contencioso.  Assim, voto por negar provimento ao recurso voluntário.    Gilvanci  Antônio  de  Oliveira  Sousa  ­  Relator                               Fl. 122DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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4401460 #
Numero do processo: 10670.002341/2007-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS PARA DEDUÇÃO. As despesas médicas, assim como todas as demais deduções, dizem respeito à base de cálculo do imposto que, à luz do disposto no art. 97, IV, do Código Tributário Nacional, está sob reserva de lei em sentido formal. Assim, a intenção do legislador foi permitir a dedução de despesas com a manutenção da saúde humana, podendo a autoridade fiscal perquirir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes, rejeitando de pronto àqueles que não identificam o pagador, os serviços prestados ou não identificam na forma da lei os prestadores de serviços ou quando esses não sejam habilitados. Desta forma, a apresentação de recibos, emitidos de acordo com a legislação de regência faz prova efetiva a favor do contribuinte, e para desqualificá-los é necessário que a autoridade fiscal indique a existência de algum vicio. Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-002.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: NELSON MALLMANN

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1904; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 2          1 1  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10670.002341/2007­65  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2202­002.107  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de novembro de 2012  Matéria  IRPF  Recorrente  CARLOS PERES COUTO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2005  DEDUÇÕES  DE  DESPESAS  MÉDICAS.  REQUISITOS  PARA  DEDUÇÃO.  As despesas médicas, assim como todas as demais deduções, dizem respeito à  base de cálculo do imposto que, à luz do disposto no art. 97, IV, do Código  Tributário  Nacional,  está  sob  reserva  de  lei  em  sentido  formal.  Assim,  a  intenção do legislador foi permitir a dedução de despesas com a manutenção  da  saúde  humana,  podendo  a  autoridade  fiscal  perquirir  se  os  serviços  efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes, rejeitando  de  pronto  àqueles  que  não  identificam  o  pagador,  os  serviços  prestados  ou  não  identificam na forma da  lei os prestadores de serviços ou quando esses  não  sejam habilitados. Desta  forma,  a  apresentação  de  recibos,  emitidos  de  acordo com a legislação de regência faz prova efetiva a favor do contribuinte,  e  para  desqualificá­los  é  necessário  que  a  autoridade  fiscal  indique  a  existência de algum vicio.   Recurso provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.       (Assinado digitalmente)  Nelson Mallmann ­ Presidente e Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 23 41 /2 00 7- 65 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN     2   Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de  Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro  Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha  Pontes.    Fl. 86DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10670.002341/2007­65  Acórdão n.º 2202­002.107  S2­C2T2  Fl. 3          3   Relatório  CARLOS  PERES COUTO,  contribuinte  inscrito  no  CPF/MF  003.246.046­ 53, com domicílio fiscal na cidade Montes Claros, Estado Minas Gerais, à Rua Dona Marucas  Avelar, nº 90 – Casa ­, Bairro Vila Santa Maria, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal  do  Brasil  em  Minas  Gerais  ­  MG,  inconformado  com  a  decisão  de  Primeira  Instância  de  fls.64/67, prolatada pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em  Juiz  de  Fora,  recorre,  a  este  Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais,  pleiteando  a  sua  reforma, nos termos da petição de fls. 70/72.  Contra  o  contribuinte  acima  mencionado  foi  lavrado,  pela  Delegacia  da  Receita Federal do Brasil  em Montes Claros, em 08/10/2007, Notificação de Lançamento de  Imposto de Renda Pessoa Física  (fls. 03/07),  com ciência através de AR, em 18/10/2007  (fl.  110), exigindo­se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 38.550,37 (padrão  monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa  Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no  mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, relativo ao exercício de  2005, correspondente ao ano­calendário de 2004.   A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização  de  revisão  de Declaração  de Ajuste Anual  referente  ao  exercício  de  2005 onde  a  autoridade  lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades:   1  ­  DEDUÇÃO  INDEVIDA  DE  DESPESAS  MÉDICAS:  Conforme  disposto  no  art.  73  do  Decreto  n.  °  3.000/99  ­  RIR/99,  todas  as  deduções  pleiteadas  na  Declaração  de  Ajuste  Anual  estão  sujeitas  à  comprovação  ou  justificação.  Regularmente  intimado, o contribuinte não atendeu a  Intimação até a presente data. Em decorrência do não  atendimento à Intimação, foi glosado o valor de R$ 34.150,03, deduzido indevidamente a título  de Despesas Médicas, por falta de comprovação. Infração capitulada no art. 8º, inciso II, alínea  “a”, §§ 2° e 3°, da Lei n° 9.250, de 1995; arts. 73, 80 e 841, inciso II do Decreto n° 3.000, de  1999 – RIR, de 1999 e arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n° 15/2001.  2  ­  DEDUÇÃO  INDEVIDA DE DEPENDENTE: Conforme  disposto  no  art.  73  do  Decreto  n.  °  3.000/99  ­  RIR/99,  todas  as  deduções  pleiteadas  na  Declaração  de  Ajuste  Anual  estão  sujeitas  à  comprovação  ou  justificação.  Regularmente  intimado,  o  contribuinte não atendeu a Intimação, até a presente data. Em decorrência do não atendimento  da referida Intimação, foi glosado o valor de R$ 2.544,00, deduzido indevidamente a título de  Dependentes, por falta de comprovação. Infração capitulada no art.8°, inciso II, alínea “c”, e 35  da Lei n. ° 9.250, de 1995; arts. 1°, 2° e 15 da Lei n.° 10.451, de 2002; arts. 73 e 83, e 841,  inciso II, do Decreto n° 3.000, de 1999 e RIR, de 1999 e art.38 da Instrução Normativa SRF n°  15/2001.  3  ­  DEDUÇÃO  INDEVIDA  DE  DESPESAS  COM  INSTRUÇÃO.  Conforme disposto no art. 73 do Decreto n. ° 3.000/99 ­ RIR/99, todas as deduções pleiteadas  na  Declaração  de  Ajuste  Anual  estão  sujeitas  a  comprovação  ou  justificação.  Regularmente  intimado, o contribuinte não atendeu a  Intimação até a presente data. Em decorrência do não  atendimento da referida Intimação, foi glosado o valor de R$ 1.998,00 deduzido indevidamente  Fl. 87DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN     4 a  título  de  Despesas  com  Instrução,  por  falta  de  comprovação.  Infração  capitulada  art.  8º,  inciso II, alínea “b”, e § 3° da Lei n ° 9.250, de 1995; arts. 1º, 2° e 15 da Lei n. ° 10.451, de  2002; arts. 73, 81 e 83, inciso II do Decreto n° 3.000, de 1999 – RIR, de 1999;  4  ­  DEDUÇÃO  INDEVIDA  DE  PREVIDÊNCIA  PRIVADA  E  FAPI:  Conforme disposto no art. 73 do decreto n° 3.000/99 ­ RIR/99, todas as deduções pleiteadas na  Declaração  de  Ajuste  Anual  estão  sujeitas  à  comprovação  ou  justificação.  Regularmente  intimado, o contribuinte não atendeu a  Intimação até a presente data. Em decorrência do não  atendimento  da  referida  Intimação,  foi  glosado  o  valor  de  R$  27.811,68  deduzido  indevidamente a título de Contribuição à Previdência Privada e Fapi, por falta de comprovação.  Infração capitulada no art. 8°, inciso II, alínea “e”, da Lei n° 9.250, de 1995; art. 11 da Lei nº  9.532, de 1997; arts. 73, 82 e § 1°, 83 do Decreto n° 3.000, de 1999 – RIR, de 1999, art. 61 da  Medida Provisória n° 2.158­35, de 2001.  Em sua peça  impugnatória de fls. 01/02,  instruída pelos documentos de  fls.  03/38,  apresentada,  tempestivamente,  em  13/11/2007,  o  contribuinte,  se  indispõe  contra  a  exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência da  Notificação  de  Lançamento,  com  base,  em  síntese,  no  argumento  de  que  as  deduções  estão  comprovadas  por  meio  dos  documentos  que  anexa  e  amparado,  em  síntese,  nos  seguintes  argumentos:  ­ que o contribuinte não recebeu qualquer pedido dessa  instituição, pedindo  apresentação de documentos relativos ao Imposto de renda em referência;  ­ que sempre atendeu com maior interesse as intimações dessa Receita e não  teria motivo algum para deixar de atender a uma exigência legal.  ­ que são os mesmos constantes das declarações anteriores; a esposa, Rita de  Cássia  Araújo  Souto  e  a  filha,  Mariana  Araújo  Souto,  conforme  documentos  cujas  cópias  seguem anexas;  ­ que segue cópia do documento (declaração de rendimentos anual) da Capef,  referente  ao  pagamento  (dedução  a  favor  da Camed),  de R$  4.147,50  como  contribuição  ao  plano de previdência. Foi pago RS 1.292,53 em despesas médicas do próprio declarante e de  seus  dependentes  relacionados.  Segue  cópia  dos  recibos  médicos,  dentistas  psicólogos,  fisioterapeutas, constantes na declaração no importe total de RS 34.150, 03;  ­  que  seguem  cópias  de  recibos  da  sociedade  educacional  Padrão  Ltda.,  comprovando o pagamento de mensalidade a favor de Mariana Araújo Souto (dependente), no  valor total de R$ 2.221,90;  ­  que  segue  copia  de  documento  fornecido  pela  Caixa  de  previdência  dos  Funcionários do Banco do Nordeste ­ Capet; que comprova o pagamento de R$ 55.795,61.  Após  resumir  os  fatos  constantes  da  autuação  e  as  principais  razões  apresentadas pelo  impugnante, os membros da Sexta Turma da Delegacia da Receita Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Juiz  de  Fora  ­  MG  concluíram  pela  procedência  parcial  da  impugnação, com base, em síntese, nas seguintes considerações:  ­ que termo de  Intimação Fiscal de 22/01/2007, de fls. 58,  foi encaminhado  por  Aviso  de  Recebimento  —  AR,  tendo  sido  devolvido  em  05/02/2007,  por  ausência  do  destinatário no domicilio tributário (fls. 59);  Fl. 88DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10670.002341/2007­65  Acórdão n.º 2202­002.107  S2­C2T2  Fl. 4          5 ­ que assim, conforme previsto no Processo Administrativo Fiscal. Decreto n°  70.235/72, a ciência do termo foi efetuada pelo Edital Malha Fiscal n° 00001, de 12/07/2007  (fls. 60/63);  ­  que  de  acordo  com  o  documento  fornecido  pela  CAIXA  DE  PREVIDÊNCIA  DOS  FUNCIONÁRIOS  DO  BANCO  DO  NORDESTE  DO  BRASIL  (fls.  10),  o  impugnante  comprova contribuições  à previdência  privada  no  valor  de R$ 55.795,61,  devendo ser a dedução permitida pelo limite legal, de RS 27.811,68, restabelecida;  ­ que a RITA DE CASSIA ARAÚJO SOUTO, sua esposa, pode ser acatada  como dependente na declaração do contribuinte, pois, de acordo com a certidão de casamento  de fls. 09, o matrimônio ocorreu em 06/03/71;  ­ que a MARIANA ARAÚJO SOUTO, sua filha, nascida em 19/10/87, pode  ser acatada como dependente na declaração do contribuinte, pois, de acordo com a Carteira de  Identidade de fls. 08, contava com 17 anos em 2004;  ­  que  assim,  como  acima  explicitado,  restabelece­se  a  dedução  com  duas  dependentes, no valor total de RS 2.544,00;  ­ que a partir de 01/01/1996, com a edição da Lei n.° 9.250/95, passou a ser  admitida a dedução, na declaração de rendimentos, dos desembolsos efetuados com a educação  do  contribuinte  e  seus  dependentes,  até  o  limite  anual  individual  atualizado  para  o  ano­ calendário 2004 de RS 1.998,00. Na fase impugnatória, o contribuinte apresenta comprovantes  de  pagamentos  à  SOCIEDADE  EDUCACIONAL  PADRÃO  DE  MONTES  CLAROS  (fls.  27/29),  onde  ficam  comprovados  gastos  com  a  dependente  MARIANA,  no  valor  de  R$  2.221.90;  ­ que devem, pois, ser  restabelecidos os valores de despesas com instrução,  no total de RS 1.998,00, em respeito ao limite individual regulamentar;  ­ que, no presente caso, o contribuinte sequer apresentou à autoridade fiscal  os comprovantes originais e cópias das despesas médicas pleiteadas em sua DAA/2005, o que  impediu  àquela  autoridade  de  formar  qualquer  convicção  sobre  a  regularidade  ou  não  das  despesas pleiteadas;  ­ que tendo sido apresentados nesta  fase de julgamento, os recibos relativos  ao  plano  de  saúde  da CAMED,  de R$  5.440,03,  atendem  à  legislação  que  trata  do  assunto,  transcrita acima, devendo as deduções serem restabelecidas;  ­  que  os  demais  recibos  apresentados  junto  à  impugnação  não  foram  suficientes para formação da convicção do julgador sobre a regularidade da dedução pleiteada,  pelo que retornaram os autos em diligencia fiscal, à vista do fato destacado no Despacho de fls.  51/52,  de  serem  os  valores  das  despesas  médicas  informadas  exageradas  em  relação  aos  rendimentos  declarados,  levando­se  em  conta  ainda  o  disposto  no  art.  29  do  Decreto  n°  70.235/1972, o qual determina que  "Na apreciação da prova,  a autoridade  julgadora  formará  livremente a sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias";  ­ que em atendimento à diligência solicitada, a autoridade fiscal solicitou ao  contribuinte a apresentação de documentação hábil que comprovasse a efetividade dos serviços  prestados e de seus pagamentos;  Fl. 89DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN     6 ­  que  os  documentos  que  poderiam  fazer  tal  prova  seriam,  por  exemplo,  extratos bancários contendo ordens de pagamento, cheques ou saques coincidentes em datas e  valores, ou pelo menos próximos, com os dados constantes dos recibos, ou mesmo exames e  radiografias,  cabendo  salientar  que,  ao  se  fazer  pagamentos  de  despesas  onde  se  pleiteará  a  posteriori,  a  dedução  para  fins  dc  cálculo  do  imposto  de  renda  a  pagar  ou  a  restituir,  o  contribuinte tem que se cercar de precauções para a eventualidade de comprovação;  ­ que a resposta do contribuinte a diligencia efetuada não foi suficiente para a  formação da convicção deste julgador sobre a regularidade das deduções pleiteadas não tendo  sido  apresentado,  nos  casos,  elementos  adicionais  para  a  comprovação  da  ocorrência  das  despesas efetuadas, apenas simples declaração de que se levando em conta o tempo decorrido  desde  a  impugnação  estava  na  suposição  de  que  os  recibos  teriam  sido  aceitos,  não  tendo  condições de reunir mais provas, devendo assim ser mantida a glosa de RS 28.710,00.  As ementas que consubstanciam a presente decisão são as seguintes:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF  Exercício: 2005  DEDUÇÕES.  CONTRIBUIÇÃO  PARA  A  PREVIDÊNCIA  PRIVADA. Na determinação da  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda  da  pessoa  física  poderão  ser  deduzidas  as  contribuições  para as entidades de previdência privada domiciliadas no Pais,  cujo  ônus  tenha  sido  do  contribuinte,  destinadas  a  custear  benefícios  complementares  assemelhados  aos  da  Previdência  Social, limitadas ao limite legal.  DEDUÇÕES. DEPENDENTES.  São  considerados  dependentes,  para fins de dedução dos rendimentos, na apuração do imposto  de renda, o cônjuge que não apresentar declaração em separado  e o filho menor de 21 anos.  DEDUÇÕES.  DESPESAS  COM  INSTRUÇÃO.  Há  que  ser  restabelecida a dedução glosada pela autoridade fiscal por falta  de  apresentação  de  documentação  comprobat6ria  na  fase  de  revisão  da  declaração  de  rendas,  quando  tal  valor  restar  devidamente corroborado na fase impugnatória.  DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. São passíveis de dedução  da base de cálculo do Imposto de Renda as despesas médicas se  devidamente comprovadas, em nome do contribuinte ou de seus  dependentes,  por  documentação  que  preencha  todos  os  requisitos  estabelecidos  em  lei.  Deve  ser  mantida  a  glosa  das  despesas  médicas  declaradas  quando  houver  necessidade  de  elementos  adicionais  para  a  formação  da  convicção  de  sua  ocorrência, além dos recibos.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte  Cientificado  da  decisão  de  Primeira  Instância,  em  08/04/2010,  conforme  Termo  constante  à  fls.  64/67,  e,  com  ela  não  se  conformando,  o  contribuinte  interpôs,  em  tempo hábil  (25/05/2010), o  recurso voluntário de fls. 70/72, no qual demonstra irresignação  Fl. 90DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10670.002341/2007­65  Acórdão n.º 2202­002.107  S2­C2T2  Fl. 5          7 contra  a  decisão  supra,  baseado,  em  síntese,  nas  mesmas  razões  expendidas  na  fase  impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações:  ­ que ao fazer a declaração do IR naquele ano, tomei como base as instruções  contidas  no  manual,  expedido  pela  Receita  Federal,  para  instruir  as  declarações  de  2005.  Naquele manual, no final da página 51, consta claramente na "Comprovação de Pagamentos", a  nota  esclarecedora  de  que  o  documento  básico  para  comprovação  é  o  recibo  firmado  pelo  profissional prestador do  serviço  e que,  a critério do  contribuinte,  poderá  ser  substituído por  cheque de sua própria emissão a favor do prestador do serviço. Não esclarece sobre a possível  obrigatoriedade  de  se  comprovar  como  o  pagamento  foi  feito,  se  por  cheque,  transferência  entre contas ou em dinheiro. Fazer estas exigências não devidamente regulamentadas, parece­ nos  um procedimento  impróprio  para  quem deve  primar  somente  pelo  cumprimento  daquilo  que foi previamente estabelecido;  ­ que ao contestar a alegativa da Receita Federal de que o valor dos recibos é  exagerado  tenho  a  declarar  que,  em  termos  percentuais,  em  relação  à  renda  global  de  R$  231.764,05,  alusivas  ao  pagamento  de minha  complementação  de  aposentadoria,  no  ano  de  2004 e diferenças relativas a 1997 a 2003, é de apenas 12,38%;  ­ que a Receita Federal não fixou previamente o percentual para as despesas  médicas que poderiam ser incluídas, além daquelas constantes dos planos de saúde. Não aceito  a alegativas de que o valor glosado não  foi aceito devido ao seu  alto valor, por não  ter  sido  fixado o valor percentual aceito para de dedução. O valor glosado foi calculado aleatoriamente;  ­  que  para  fazer  face  aos  benefícios  a  minha  complementação  de  aposentadoria  tive  que  concordar  com  um  desconto  médio  de  26%  do  valor  recebido.  A  Receita Federal, entretanto tem a programação que só permite a dedução de 12%. Assim, em  contrapartida, paguei Imposto de Renda, sobre 14% do total tributável, constante da declaração  e que não contribuiu para aumento do meu patrimônio.  É o Relatório.    Fl. 91DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN     8 Voto             Conselheiro Nelson Mallmann, Relator  O  presente  recurso  voluntário  reúne  os  pressupostos  de  admissibilidade  previstos  na  legislação  que  rege  o  processo  administrativo  fiscal  e  deve,  portanto,  ser  conhecido por esta Turma de Julgamento.  Não há argüição de qualquer preliminar.  Da análise dos autos do processo se verifica que a ação fiscal em discussão  teve início em razão da revisão da Declaração de Ajuste Anual relativa ao exercício de 2005,  correspondente  ao  ano­calendário  de  2004,  onde  a  autoridade  fiscal  revisora  entendeu  haver  irregularidades  nas  deduções  da  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda  relativo  a  dedução  de  despesas médicas, dependentes, despesas com instrução e despesas com previdência privada.  A  decisão  recorrida  acolheu,  de  forma  parcial,  as  deduções  de  despesas  médicas e de forma integral a dedução de dependentes, despesas com instrução e as despesas  com previdência privada.  Assim,  nesta  fase  recursal  encontra­se  em  discussão  a  dedução  de  pagamentos de despesas médicas relativas aos profissionais Mania Patrícia Lopes (dentista), no  total de R$ 10.000,00, Victor Hugo Rodrigues (dentista), no total de R$ 7.220,00, Lilian Carla  A. Souto (fisioterapeuta), no total de R$ 4.300,00, Juliano Braga de Abreu (fisioterapeuta), no  total  de  R$  4.090,00  e  Aldenise  de  Freitas  Athayde  (psicólogo),  no  total  de  R$  3.100,00.  Perfazendo um total geral de R$ 28.710,00.  Observa­se, ainda, que a autoridade julgadora de primeira instância retornou  o processo para Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem para que a mesma realizasse  diligências no sentido de que o  contribuinte apresentasse a comprovação com documentação  hábil  e  idônea,  coincidente  em  datas  e  valores,  da  efetividade  dos  pagamentos  dados  por  realizados,  juntando  para  tal,  copias  de  cheques,  extratos  bancários,  comprovantes  de  transferências  entre  contas  ou  qualquer  outro  documento  que  possa  comprovar  de  maneira  inequívoca a efetiva transferência dos recursos do patrimônio do contribuinte para o patrimônio  dos  beneficiários  dos  pagamentos.  E,  ainda,  a  efetividade  dos  serviços  prestados  para  o  interessado, por meio de exames, laudos, radiografias, receitas, etc.  Inconformado, em virtude de não ter logrando êxito total na instância inicial,  o  contribuinte  apresenta  a  sua  peça  recursal  a  este  E. Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais pleiteando a  reforma da decisão prolatada na Primeira  Instância onde, em sua defesa,  apresenta  razões  de  mérito  sobre  as  deduções  glosadas,  alegando,  principalmente,  que  não  assiste razão à Receita Federal em não considerar referidos documentos, uma vez que é sabido  em nosso ordenamento jurídico que o recibo é a prova do efetivo pagamento e que em todos os  recibos  juntados  está  expresso  no  nome e  qualificação  do  profissional  que  prestou  serviço  e  recebeu por ele   Desta forma, a discussão, neste colegiado, se restringe ao disposto no artigo  8º da Lei nº 9.250, de 1995, que prevê as possibilidades das deduções da base de cálculo do  imposto de renda na pessoa física.   Fl. 92DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10670.002341/2007­65  Acórdão n.º 2202­002.107  S2­C2T2  Fl. 6          9 Observa­se,  da  leitura  dos  autos,  que  de  acordo  com  a  autoridade  fiscal  lançadora  e  endossada  pela  decisão  recorrida  a  irregularidade  praticada  pela  contribuinte  a  título  de  dedução  de  despesas  médicas  e  mantida  no  decisório  do  julgado  se  restringe  à  dedução indevida de despesas médicas. Ou seja, decidiu a turma de julgamento que as despesas  médicas  lançadas  na  Declaração  de  Ajuste  Anual  deveriam  ser  mantidas  diante  da  falta  de  comprovação  da  efetividade  do  pagamento  e/ou  da  prestação  de  serviços  pelo  prestador  de  serviços.   Para  o  deslinde  da  questão  sobre  a  glosa  de  despesas  médicas  se  faz  necessário invocar a Lei nº 9.250, de 1995, verbis:   Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano­calendário  será a diferença entre as somas:   (...).  II – das deduções relativas:  a)  aos  pagamentos  efetuados,  no  ano  calendário,  a  médicos,  dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas  ocupacionais  e  hospitais,  bem  como  as  despesas  com  exames  laboratoriais,  serviços  radiológicos,  aparelhos  ortopédicos  e  próteses ortopédicas e dentárias;  b)  a  pagamentos  efetuados  a  estabelecimento  de  ensino  relativamente  à  educação  pré­escolar,  de  1º  e  2º  e  3º  graus,  cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e  de seus dependentes, até o limite individual de R$ 1.700,00 (um  mil e setecentos reais);  c)  à  quantia  de  R$  1.080,00  (um  mil  e  oitenta  reais)  por  dependente;   (...).  f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face  das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de  decisão  judicial ou acordo homologado  judicialmente,  inclusive  a prestação de alimentos provisionais;   (...).  § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II:   (...).  II  –  restringe­se  aos  pagamentos  efetuados  pelo  contribuinte,  relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes;  III –  limita­se a pagamentos especificados e comprovados, com  indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro  de  Pessoas  Físicas  –  CPF  ou  no  Cadastro  Geral  de  Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de  documentação,  ser  feita  indicação  do  cheque  nominativo  pelo  qual foi efetuado o pagamento;  Fl. 93DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN     10  (...).  Art.  35.  Para  efeito  do  disposto  nos  arts.  4º,  inciso  III,  e  8º,  inciso  II,  alínea  “c”  poderão  ser  considerados  como  dependentes:  I – o cônjuge,  II – o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em  comum  por  mais  de  cinco  anos,  ou  por  período  menor  se  da  união resultou filho;  III  – a  filha,  o  filho,  a  enteada ou enteado, até 21 anos,  ou de  qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para  o trabalho;  IV  –  o  menor  pobre,  até  21  anos,  que  o  contribuinte  crie  e  eduque e do qual detenha a guarda judicial;  V  –  o  irmão,  o neto  ou  o bisneto,  sem arrimo dos  pais,  até 21  anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de  qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para  o trabalho;  VI  –  os  pais,  os  avós  ou  os  bisavós,  desde  que  não  aufiram  rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção  mensal;  VII – o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor  ou curador.  §  1º Os  dependentes  a  que  se  referem  os  incisos  III  e  V  deste  artigo  poderão  ser  assim  considerados  quando maiores  até  24  anos de  idade,  se ainda estiverem cursando estabelecimento de  ensino superior ou escola técnica de segundo grau.   §  2º  Os  dependentes  comuns  poderão,  opcionalmente,  ser  considerados por qualquer um dos cônjuges.   §  3º  No  caso  de  filhos  de  pais  separados,  poderão  ser  considerados  dependentes  os  que  ficarem  sob  a  guarda  do  contribuinte,  em  cumprimento  de  decisão  judicial  ou  acordo  homologado judicialmente.   § 4º É vedada a dedução concomitante do montante referente a  um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do  imposto, por mais de um contribuinte.  Como  visto,  de  acordo  com  a  legislação  de  regência  a  dedução  é  condicionada a que os pagamentos sejam especificados e comprovados com documentos que  indiquem nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu.   É cristalino, nos autos do processo, que o contribuinte relacionou as seguintes  despesas médicas em sua Declaração de Ajuste Anual: Mania Patrícia Lopes (dentista), no total  de R$ 10.000,00, Victor Hugo Rodrigues (dentista), no  total de R$ 7.220,00, Lilian Carla A.  Souto  (fisioterapeuta),  no  total  de  R$  4.300,00,  Juliano  Braga  de  Abreu  (fisioterapeuta),  no  total  de  R$  4.090,00  e  Aldenise  de  Freitas  Athayde  (psicólogo),  no  total  de  R$  3.100,00.  Perfazendo um total geral de R$ 28.710,00.   Fl. 94DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10670.002341/2007­65  Acórdão n.º 2202­002.107  S2­C2T2  Fl. 7          11 Da análise dos  recibos de pagamentos  constantes dos autos observa­se, que  todos  os  itens  exigidos  pela  legislação  foram  cumpridos,  quais  sejam:  nome,  endereço  e  número  de  inscrição  no  CPF  ou  no CNPJ  de  quem  os  recebeu. Assim,  nada mais  pode  ser  exigido do contribuinte, sendo que neste caso o ônus da prova em contrário é do fisco.   A  única  justificativa  encontrada  pela  decisão  recorrida  foi  a  de  que  o  contribuinte  não  comprovou  a  realização  do  serviço  e  o  efetivo  pagamento,  exigências  não  respaldada  pela  legislação  de  regência,  já  que  os  recibos  e  notas  fiscais  emitidos  pelos  prestadores  de  serviços  atestam  os  recebimentos  dos  valores  questionados,  sendo  que  nestes  casos cabe a autoridade fiscal o ônus ao contrário, ou seja, que não houve o recebimentos dos  valores questionados.   Ora, no presente caso os prestadores de serviços tratam­se de pessoas físicas  devidamente  identificadas  caberia  a  autoridade  fiscal  encarregada da  diligência  intimar  estes  profissionais a confirmarem a emissão dos recibos emitidos.  Se o contribuinte comprova, mesmo que seja na fase recursal, que cumpriu os  requisitos  da  legislação  de  regência,  com  a  indicação  do  nome,  endereço,  CPF,  valor  e  especificação  do  tipo  de  serviço  prestado,  nada  mais  pode  ser  exigido  do  contribuinte,  por  afronta aos princípios legais que regem o assunto. Nestes caso, é dever da fiscalização ônus da  invalidação das informações prestadas, intimando os prestadores de serviços a confirmação de  itens adicionais.   Enfim,  se  o  contribuinte  apresentou  os  recibos  de  prestação  de  serviços,  atendendo os  requisitos estabelecidos no art. 80 do RIR/99, sendo o profissional habilitado e  qualificado e estando em atividade na época da emissão dos documentos inverte­se o ônus da  prova,  cabendo  a  fiscalização  comprovar  que  os  serviços  não  foram  prestados  ou  que  os  documentos são  falsos  (recibos fornecidos a  título gracioso) ou que não houve o pagamento,  para que se possam glosar os documentos apresentados.   Como  nada  disso  consta  dos  autos,  cujo  ônus  é  do  fisco,  sendo  que  as  justificativas apresentadas para não se aceitar o valor lançado na Declaração de Ajuste Anual  como  dedução,  foi  a  falta  de  comprovação  da  efetividade  da  prestação  de  serviços  e  a  comprovação  do  efetivo  pagamento  é  de  se  aceitar  estas  despesas médicas  como normais  e,  portanto, dedutível do rendimento tributável.  Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas  as  considerações  expostas  no  exame  da matéria  e  por  ser  de  justiça,  voto  no  sentido  de  dar  provimento ao recurso para restabelecer a título de dedução de despesas médicas o valor de R$  28.710,00,00.  (Assinado digitalmente)  Nelson Mallmann                            Fl. 95DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN     12     Fl. 96DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN

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4290013 #
Numero do processo: 13603.720199/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Ante o reconhecimento apenas parcial do direito creditório reclamado, oriundo de saldo negativo de IRPJ, impõe-se a não homologação das compensações pleiteadas em excesso ao valor reconhecido.
Numero da decisão: 1102-000.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima - Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1918; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C1T2  Fl. 2          1 1  S1­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13603.720199/2008­12  Recurso nº  872.970   Voluntário  Acórdão nº  1102­000.794  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de setembro de 2012  Matéria  COMPENSAÇÃO.  Recorrente  MINAS BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE MOVEIS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2002  COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ.  A prova do  indébito  tributário,  fato  jurídico a dar  fundamento ao direito de  repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o  pagamento  indevido ou maior que o devido. Ante o  reconhecimento apenas  parcial  do  direito  creditório  reclamado,  oriundo de  saldo  negativo  de  IRPJ,  impõe­se  a  não  homologação  das  compensações  pleiteadas  em  excesso  ao  valor reconhecido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.  Documento assinado digitalmente.  Albertina Silva Santos de Lima ­ Presidente.   Documento assinado digitalmente.  João Otávio Oppermann Thomé ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos  de  Lima, Antonio Carlos  Guidoni  Filho,  João Otávio Oppermann  Thomé,  Silvana Rescigno  Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, e João Carlos de Figueiredo Neto.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 01 99 /2 00 8- 12 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/ 09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13603.720199/2008­12  Acórdão n.º 1102­000.794  S1­C1T2  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto por MINAS BRASIL INDUSTRIA  E COMERCIO DE MOVEIS LTDA, contra a decisão prolatada no Acórdão n° 02­26.976, da  4ª Turma de Julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de  inconformidade  interposta  contra  Despacho  Decisório  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil em Contagem/MG, o qual, por sua vez, homologara parcialmente as compensações de  tributos tratadas nas Declarações de Compensação que são objeto do presente processo.  O crédito  alegado  é de  saldo negativo de  imposto de  renda  relativo  ao  ano  calendário de 2002, no valor de R$ 18.728,92.  De  acordo  com  o  Despacho  Decisório,  o  contribuinte,  naquele  ano,  não  apurou  imposto  devido,  e  o  alegado  saldo  negativo  é  oriundo  integralmente  de  estimativas  quitadas mediante compensação com saldo negativo de IRPJ de anos anteriores (1999 e 2000),  os  quais,  por  sua  vez,  também  tiveram  origem  em  estimativas  compensadas  com  saldos  negativos de períodos anteriores.  Assim, a análise da autoridade fiscal retroagiu até o ano calendário de 1998.  Naquele  ano,  o  contribuinte  apurara  saldo  negativo  de R$  16.130,13. Contudo,  a  autoridade  fiscal confirmou apenas o montante de R$ 10.839,15.  Isto porque, apesar de não  ter apurado  imposto  devido  naquele  ano,  este  foi  o  total  que  foi  confirmado  como  pago/compensado,  conforme consultas feitas aos bancos de dados da RFB.  Apesar  de  reconhecer  apenas  parcialmente  o  saldo  negativo  de  1998,  a  autoridade  fiscal  observou que o montante  reconhecido  revelou­se  suficiente para  a quitação  das estimativas declaradas como compensadas com este crédito no ano de 1999, no valor de R$  6.556,55, conforme as DCTF apresentadas pelo contribuinte. Por este motivo, o saldo negativo  declarado  pelo  contribuinte,  relativo  ao  ano  de  1999,  neste  exato  valor,  foi  integralmente  reconhecido pela DRF de origem.  Com  relação  ao  ano  de  2000,  verificou  a  autoridade  fiscal  que  todas  as  estimativas,  no  montante  de  R$  21.023,57,  haviam  sido  objeto  de  compensação  pelo  contribuinte com o referido saldo negativo de IRPJ de 1999, de acordo com as DCTF anexas  de fls. 18 a 29. Contudo, o referido saldo revelou­se insuficiente para compensar integralmente  as  estimativas  declaradas.  Assim,  confrontando  o  valor  do  IRPJ  devido  naquele  ano  com  o  montante  das  estimativas  cuja  compensação  restou  comprovada  (R$  6.818,50),  a  autoridade  fiscal reconheceu a existência de saldo negativo de IRPJ de 2000 tão somente no valor de R$  3.835,89.  E,  por  fim,  com  relação  ao  ano  de  2002,  objeto  do  presente  processo,  verificou a autoridade fiscal que, de acordo com as DCTF anexas de fls. 18 a 29, as estimativas  de IRPJ referentes aos meses de janeiro a junho teriam sido compensadas com a utilização de  crédito de  saldo negativo de  IRPJ de 1999,  e  as dos meses de  julho  a dezembro,  com saldo  negativo de IRPJ de 2000.  Contudo, o saldo negativo de IRPJ de 1999 já fora integralmente utilizado na  compensação de parte das estimativas de 2000, não restando saldo disponível para a quitação  de nenhuma das estimativas de 2002 informadas como compensadas pelo contribuinte com este  Fl. 172DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/ 09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13603.720199/2008­12  Acórdão n.º 1102­000.794  S1­C1T2  Fl. 4          3 saldo  (janeiro  a  junho).  E  o  saldo  negativo  de  IRPJ  de  2000  efetivamente  reconhecido  pela  autoridade  fiscal,  no  valor  de  R$  3.835,89,  revelou­se  insuficiente  para  compensar  integralmente  as  estimativas declaradas  como  compensadas pelo  contribuinte  com este  saldo  (julho a dezembro de 2002).  Em vista disto, e considerando que o contribuinte, no ano calendário de 2002,  não apurou  imposto devido, a autoridade  fiscal  reconheceu a existência de saldo negativo de  IRPJ de 2002 tão somente no valor de R$ 4.745,95.  Por força do reconhecimento do saldo negativo de 2002 em valor inferior ao  alegado, houve homologação de tão somente uma parte das compensações declaradas, ora sob  litígio.  Cientificado  do  despacho,  o  contribuinte  apresentou  a  manifestação  de  inconformidade de fls. 109, alegando, textualmente, o seguinte:  “Conforme mencionado  na  pagina  2  dos  Despachos Decisório  DRF/Con  n.  914 e 915 IRPJ Ano Calendário 1998, as confrontações feitas pelo auditor, verifica­ se que foi recolhido R$ 8.874,24 a titulo de IRPJ até 2° trimestre deste período, mas  de  acordo  com  documentos  em  nosso  poder  anexo  solicitamos  que  seja  reconsiderado o 3° e 4° trimestre em função de existir recolhimento no 3° trimestre  no vaior de R$ 1.158,94 conforme DARF em anexo assim totalizando R$ 10.033,18  e  foram  realizadas  compensações  de  débitos  no  valor  de R$  1.964,91,  através  de  retenção de IRPJ por órgão publico verificadas conforme fls 41 e 42. e conforme os  requerimentos  já  citados  acima  já  foi  entregue  a  Receita  Federal  xerox  DCTF’s  complementar  onde  será  possível  confirmar  a  veracidade  dos  fatos  onde  foi  feito  compensações  no  valor  R$  4.132,04  totalizando  o  saldo  negativo  de  IRPJ  de  R$  16.130,13 como informado na DIPJ/1999.  Quanto  aos  anos  calendários  1999  2000  e  2002  entendemos  que  com  os  esclarecimentos mencionados, relativo ao ano de 1998 sejam sanadas as pendência  mencionadas, por entendermos ter reflexo nos anos seguintes.”  A  4ª  Turma  de  Julgamento  da DRJ/Belo Horizonte  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  ao  fundamento  de  que  o  contribuinte  limitou­se  a  tecer  considerações  sobre  o  ano  calendário  de  1998,  o  qual  não  teve  qualquer  influência  no  Despacho  Decisório  prolatado.  E  que,  de  qualquer  sorte,  o  referido  saldo  negativo,  de  R$  16.130,13,  não  poderia  ser  confirmado  pela  autoridade  julgadora,  pois  não  teria  sido  previamente  submetido  a  exame  pela  DRF  de  origem,  conforme  rito  imposto  pela  Lei  no  9.430/96, sequer integrando o litígio. O Acórdão n° 02­26.976 possui a seguinte ementa:  “Assunto: Processo Administrativo Fiscal  Exercício: 2003  Compensação  Incabível  o  exame,  por  parte  das  DRJ,  de  pedidos  de  compensação  não  apresentados prévia e tempestivamente à DRF que jurisdiciona o domicílio fiscal do  contribuinte.”  Cientificada desta decisão em 06.07.2010, conforme AR de  fls. 142, e com  ela  inconformada, a contribuinte  interpôs  recurso voluntário em 30.07.2010,  fls. 143­144, no  Fl. 173DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/ 09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13603.720199/2008­12  Acórdão n.º 1102­000.794  S1­C1T2  Fl. 5          4 qual reprisa os argumentos já expostos por ocasião da inicial, e acrescenta, ainda, o seguinte,  verbis:  “Analisando as informações prestadas pelo contribuinte nas DCTF'S relativas  ao ano­calendario de 2000, verifica­se a existência de estimativas mensais de IRPJ,  as  quais  teriam  sido  totalmente  compensadas  com  a  utilização  de  saldo  negativo  proveniente dos anos­calendarios 1997, 1998 e 1999 com as devidas correções, e  não apenas com saldo negativo do ano­calendario de 1999, conforme fls. 18 a  29.  Levantado  nas  verificações  feitas  pela  auditoria  da  receita  tornando  assim  o  saldo  insuficiente,  uma  vez  que  está  informado  em  DCTF,  apenas  as  estimativas  compensadas e não o período com o qual foi compensadas. Pois neste momento não  tinha a  ferramenta do PER/DCOMP para  informa a origem dos créditos utilizados  em compensações.  Entendemos que com os esclarecimentos mencionados, e a analise a ser feita a  partir  do  ano­calendario  1997,  1998  e  1999,  sejam  sanadas  as  pendências  mencionadas, por entendermos ter reflexo nos anos seguintes.”  É o relatório.    Voto             Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé  O  recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  requisitos  de  admissibilidade,  dele  tomo conhecimento.  O litígio em questão diz respeito à homologação parcial da compensação dos  débitos constantes da DCOMP n° 18232.69118.011206.1.7.02­4909, e à não homologação da  compensação  dos  débitos  constantes  das  DCOMP  n°  08258.10799.110703.1.3.02­7905  e  29602.31404.110803.1.3.02­0076.  Nelas, o crédito alegado é de imposto de renda relativo ao ano calendário de  2002, no valor de R$ 18.728,92.  Este crédito foi reduzido pela autoridade fiscal para R$ 4.745,95, porque não  houve a comprovação da  efetiva quitação da  integralidade das  estimativas  consideradas pelo  contribuinte como tendo sido compensadas com o saldo negativo de IRPJ de 1999 e 2000.  Incumbiria  ao  recorrente,  neste  caso,  demonstrar  que  o  saldo  negativo  de  2002 efetivamente existe, quer porque algumas dessas estimativas tivessem sido pagas, e não  compensadas, quer porque o  saldo negativo de  IRPJ de 1999 ou de 2000, por alguma  razão,  fosse  eventualmente  superior  ao  declarado,  permitindo  assim  a  compensação  integral  das  estimativas de 2002. Em qualquer caso, haveria de adequadamente instruir a sua defesa com as  provas de tais alegações, que levassem ao convencimento do julgador quanto ao valor do seu  saldo negativo de 2002.  Fl. 174DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/ 09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13603.720199/2008­12  Acórdão n.º 1102­000.794  S1­C1T2  Fl. 6          5 As  alegações  do  contribuinte,  contudo,  já  por  ocasião  da  manifestação  de  inconformidade,  voltaram­se  todas,  conforme  bem  observou  a  DRJ,  para  a  tentativa  de  comprovar o efetivo saldo negativo de IRPJ de 1998 por ele declarado.  Entende o  contribuinte  que,  com  tais  argumentos,  todas  as  suas  pendências  seriam resolvidas, em razão do reflexo nos anos seguintes.  Porém, a eventual comprovação do seu saldo negativo de IRPJ de 1998 em  nada  alteraria  o  valor  do  saldo  negativo  de  IRPJ  de  1999  (a  propósito,  integralmente  reconhecido pela autoridade fiscal), e nem o valor dos  saldos negativos de 2000 ou de 2002,  posto que não há nenhuma informação da utilização de crédito de saldo negativo de 1998 para  compensação de estimativas desses dois anos­calendário.  Em sede de recurso, argumenta o contribuinte que, na verdade, as estimativas  mensais de IRPJ do ano de 2000 teriam sido compensadas não apenas com o saldo negativo do  ano­calendario de 1999, mas também com o saldo negativo proveniente dos anos­calendarios  1997 e 1998.  E  registra  que,  nas  DCTF  apresentadas,  apenas  as  compensações  das  estimativas mensais de IRPJ do ano de 2000 estão informadas, mas não o período do crédito  com o qual  foram compensadas, vez que naquele momento ainda não havia a  ferramenta do  PER/DCOMP para informar a origem dos créditos utilizados em compensações.  Com relação a esta última observação, a mesma não corresponde à verdade,  visto  que  nas  DCTF  também  é  informada  a  origem  do  crédito  utilizado  para  compensação.  Basta ver, neste sentido, as cópias das DCTF da própria  recorrente que se encontram anexas  aos  autos,  as  quais  discriminam  exatamente  qual  é  a  origem  dos  créditos  utilizados  nas  compensações efetuadas.  Por  outro  lado,  se  a  recorrente  pretende  demonstrar  que  se  equivocou  nas  informações por ela prestadas, e que as compensações de fato ocorreram em forma diversa do  que  consta  em  suas  declarações  regularmente  entregues  à  RFB,  então  haveria  ela  de  adequadamente  instruir  o  processo  com  evidências  de  tal  assertiva. Neste  aspecto,  poderia  a  recorrente  ter  trazido  aos  autos,  por  exemplo,  elementos  de  sua  escrituração  contábil  que  demonstrassem a formação — e a respectiva utilização em sede de compensação — dos saldos  negativos por ela apurados, de modo a corroborar as alegações feitas e, até mesmo, se fosse o  caso, embasar uma eventual conversão do julgamento em diligência com vistas à apuração do  possível erro de fato.  Entretanto,  à  míngua  de  tais  elementos,  e,  tendo­se  em  conta  que,  nos  processos que envolvam restituição ou compensação de tributos,  incumbe ao contribuinte, na  condição de autor do feito, o ônus de provar o direito que alega ter, concluo que a recorrente  não  constituiu  prova  do  suposto  erro  de  fato  que  pudesse  haver  cometido  por  ocasião  do  preenchimento de suas DCTF.  Assim, não é mesmo relevante ao feito qualquer discussão acerca do efetivo  saldo negativo de 1998,  tese central da defesa apresentada, posto que sua utilização não está  em discussão nos presentes autos. Por outro lado, nenhum outro argumento ou prova foi trazido  que  pudesse  alterar  o  valor  do  saldo  negativo  de  2002  que  foi  reconhecido  pela  autoridade  fiscal, e que foi utilizado nas compensações aqui em litígio.  Fl. 175DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/ 09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13603.720199/2008­12  Acórdão n.º 1102­000.794  S1­C1T2  Fl. 7          6 Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário.  É como voto.  Documento assinado digitalmente.  João Otávio Oppermann Thomé ­ Relator                                  Fl. 176DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/ 09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA

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Numero do processo: 11030.900490/2009-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1998 a 31/07/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS, SÚMULA CARF N°2. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3801-001.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontos - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. EDITADO EM: 03/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1998 a 31/07/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS, SÚMULA CARF N°2. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontos - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. EDITADO EM: 03/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1774; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 51          1 50  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11030.900490/2009­51  Recurso nº  28   Voluntário  Acórdão nº  3801­001.233  –  1ª Turma Especial   Sessão de  22 de maio de 2012  Matéria  COMPENSAÇÃO  Recorrente  AUTO COMERCIAL PAJÉ LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/07/1998 a 31/07/1998  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.  Cabe ao  contribuinte o ônus de  comprovar as  alegações que oponha ao  ato  administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.  COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA  Somente  os  créditos  líquidos  e  certos  são  passíveis  de  compensação  nos  termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.  CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS, SÚMULA CARF N°2.  O  controle  das  constitucionalidades  das  leis  é  prerrogativa  do  Poder  Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso, O CARF não é competente  para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.  (assinado digitalmente)  Flavio de Castro Pontos ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Sidney Eduardo Stahl ­ Relator.  EDITADO EM: 03/10/2012     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 04 90 /2 00 9- 51 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Flávio  de  Castro  Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo,  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)  Fl. 59DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.900490/2009­51  Acórdão n.º 3801­001.233  S3­TE01  Fl. 52          3 Relatório  Trata o presente processo administrativo de pedido de compensação realizado  através  de  PER/DCOMP  transmitida  em  27/12/2005  (fls.  1/4),  com  base  em  suposto  pagamento a maior a título de PIS/PASEP referente ao periodo de apuração de julho de 1998,  por  meio  de  guia  DARF  cujo  recolhimento  se  deu  em  26/12/2005,  no  valor  total  de  R$  1.245,23, com débitos de COFINS dos períodos de apuração de dezembro de 2004 a março de  2005, tendo sido objetivada compensação no montante total de R$ 2.931,52.  A DRF de origem proferiu despacho decisório  (fls. 05) não homologando a  compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP, por meio de  guia  DARF,  não  foi  localizado,  culminando  na  cobrança  dos  valores  que  se  objetivou  compensar acrescidos de multa e juros.  Inconformado, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade às  fls. 12/19, sustentando, em síntese, que a origem do seu crédito decorre das diversas alterações  legislativas  referentes  ao  PIS  e  declaradas  inconstitucionais,  discorrendo  desde  a  edição  da  Medida Provisória nº 1.212/95 até as Leis nº 9.715/98 e 9.718/98, alegou, ainda, ser a multa  lançada no despacho decisório inconstitucional.  A DRJ em Porto Alegre – RS, por sua vez, apesar de discorrer sobre o mérito  do suposto direito creditório, julgou improcedente a manifestação de inconformidade ofertada  pelo contribuinte através do acórdão de fls. 29/30, considerando a ausência de comprovação do  direito ao credito objeto da compensação materializada na PER/DCOMP.  Devidamente intimado para tanto (fls. 32), interpôs o contribuinte o presente  Recurso  Voluntário  de  fls.  33/50  em  12/09/2011,  e  que  se  vale  basicamente  dos  mesmos  argumentos perpetrados em sua manifestação de inconformidade.  É o relatório.   Fl. 60DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     4 Voto             Conselheiro Sidney Eduardo Stahl,  O  recurso  é  tempestivo  e  reúne os demais pressupostos  de admissibilidade,  razão pela qual dele se conhece.  Independentemente de toda a alegação quanto a origem do crédito apontada  pela  Recorrente,  tenho  que  o  presente  processo  se  resolve  por  conta  da  inexistência  de  documentação que prove o direito da contribuinte. É importante ressaltar que estamos diante de  um  pedido  de  compensação  e  que  cabe  ao  contribuinte  apresentar  as  provas  do  seu  direito  creditório. Trata­se de postulado do Código de Processo Civil,  subsidiariamente aplicável  ao  PAF, vejamos:  Art. 333. O ônus da prova incumbe:  I ­ ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;  II ­ ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo  ou extintivo do direito do autor.  Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou  a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovar­lhe  as alegações.  No  processo  administrativo  fiscal,  tem­se  como  regra  que  cabe  àquele  que  pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem  dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo. À ora Recorrente, a  comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento.  Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece, em seu  artigo  9°,  a  obrigatoriedade  da  autoridade  fiscal  traduzir  por  provas  os  fundamentos  do  lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as  alegações  que  oponha  ao  ato  administrativo.  Em  verdade,  este  dispositivo  legal  apenas  transfere,  para  o  processo  administrativo  fiscal,  o  sistema  adotado  pelo Código  de  Processo  Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e  a negação geral.  Assim,  na  hipótese  de  ressarcimento  pleiteado,  recai  sobre  a  interessada  o  ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam  carreados  aos  autos,  no  sentido  de  refutar  o  procedimento  fiscal,  se  revistam  de  toda  força  probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar  o que lhe foi imputado pelo fisco.  Do exame desse litígio administrativo, verifica­se que a Recorrente, apesar de  ter  apresentado  Recurso  Voluntário  muito  bem  redigido,  não  apresentou  sequer  um  demonstrativo de cálculo do  seu  crédito,  de que  sorte o pedido de  compensação nos moldes  requeridos não deve prosperar.  Fl. 61DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.900490/2009­51  Acórdão n.º 3801­001.233  S3­TE01  Fl. 53          5 Consigne­se  que  o  artigo  170  da  Lei  nº  5.172,  de  25/10/1966  (Código  Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e  certo.  No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo,  pois  a  requerente  não  comprovou  por  meio  de  demonstrativos,  da  escrituração  fiscal  e  dos  lançamentos contábeis ou quaisquer outros documentos o valor de seu crédito.  Quanto  à  desproporcionalidade  da  multa  aplicada,  ante  os  argumentos  expendidos,  que  abrangeram  somente  a  discussão  da  inconstitucionalidade  por  conta  de  entender a Recorrente ser confiscatória, é defeso a esse conselho apreciar tal argumento pois o  controle de constitucionalidade das  leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle  abstrato ou difuso.  Neste sentido, o art. 26­A do Decreto nº 70.235/72, assim dispõe:  Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº  11.941, de 2009)(grifou­se)  § 6º. O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de  tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;  II­ que. fundamente crédito tributário objeto de:  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts, 18 e  19 da Lei n° 10,522, de 19 de julho de 2002;  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou   c)  pareceres  do  Advogado­Geral  da  União  aprovados  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993,   Vale  observar  que,  no  caso  em  tela,  não  ocorreu  nenhuma  das  exceções  previstas no §6° do artigo acima transcrito.  Outrossim, essa discussão já se encontra pacificada no âmbito deste Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme o disposto na Súmula 2:  Súmula CARF n° 2:   O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.  Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário.  Sidney Eduardo Stahl ­ Relator  Fl. 62DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     6                               Fl. 63DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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Numero do processo: 13964.000236/2010-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2010 ISENÇÃO. DEFICIENTE VISUAL. VISÃO MONOCULAR. REQUISITOS. Não faz jus à isenção de que trata a Lei nº 8.989, de 1995, com redação dada pela Lei nº 10.690, de 2003, o portador da doença enquadrada na Classificação Internacional de Doenças - CID - na categoria H54.5, ou seja, cegueira em um olho e visão normal no outro.
Numero da decisão: 3201-001.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño – Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente Participaram do presente julgamento: os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sergio Celani e Marcelo Ribeiro Nogueira.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño – Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente Participaram do presente julgamento: os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sergio Celani e Marcelo Ribeiro Nogueira.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1733; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 72          1 71  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13964.000236/2010­80  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3201­001.155  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  28 de novembro de 2012  Matéria  ISENÇÃO DE IPI ­ DEFICIENTE VISUAL  Recorrente  JOSÉ CARLOS DE SOUSA BARREIROS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Exercício: 2010  ISENÇÃO.  DEFICIENTE  VISUAL.  VISÃO  MONOCULAR.  REQUISITOS.  Não faz jus à isenção de que trata a Lei nº 8.989, de 1995, com redação dada  pela  Lei  nº  10.690,  de  2003,  o  portador  da  doença  enquadrada  na  Classificação Internacional de Doenças ­ CID ­ na categoria H54.5, ou seja,  cegueira em um olho e visão normal no outro.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.  (ASSINADO DIGITALMENTE)  Daniel Mariz Gudiño – Relator    (ASSINADO DIGITALMENTE)  Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente    Participaram  do  presente  julgamento:  os  Conselheiros  Marcos  Aurélio  Pereira  Valadão  (Presidente),  Luciano  Lopes  de  Almeida  Moraes,  Mércia  Helena  Trajano  D’Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sergio Celani e Marcelo Ribeiro Nogueira.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 4. 00 02 36 /2 01 0- 80 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO     2 Por  bem  descrever  os  fatos  ocorridos  até  o  julgamento  da manifestação  de  inconformidade,  transcreve­se  o  relatório  da  instância  a  quo,  seguido  da  ementa  da  decisão  recorrida e das razões do Recurso Voluntário ora examinado:  O interessado em epígrafe pleiteou, na condição de portador  de deficiência visual, a fruição de isenção do Imposto sobre  Produtos  Industrializados  –  IPI  na  aquisição  de  automóvel  de  passageiros,  de  fabricação  nacional,  prevista  na  Lei  nº  8.989, de 24 de fevereiro de 1995.  Mediante  o Despacho Decisório  de  fls.  18/20,  a Delegacia  da  Receita  Federal  em  Florianópolis  indeferiu  o  pedido,  tendo  em  vista  a  constatação  de  que  “pelas  informações  constantes do laudo médico e a interpretação da norma que  estabelece  os  critérios  para  a  verificação  da  condição  de  pessoa  portadora  de  deficiência  visual,  concluímos  que  a  deficiência,  da maneira  como  foi  classificada,  não  garante  ao  requerente  o  direito  à  isenção  pleiteada,  uma  vez,  que  tem campo visual de AV 20/20 com prótese ocular OE, sendo  atestada a visão monocular”.  Regularmente cientificado (fl. 22), o  interessado apresentou  manifestação de inconformidade (fls. 49/51), que se reportou  aos  documentos  antes  dela  encaminhados  (anexados às  fls.  23/46) e por meio da qual aduziu, em síntese, que:  a)  “com  a  finalidade  de  embasar  o  pedido,  apresentou  o  laudo  da  Perícia  Médica  expedido  pela  Secretaria  Municipal de Saúde de Tubarão, SC,  informando que é  portador  da  doença  enquadrada  na  Classificação  Internacional de Doenças – CID – na categoria H54.5,  ou seja, cegueira em um olho (esquerdo) e visão normal  no outro olho”;  b)  “o requerente, dentro da categoria em que se  situa  (na  CID­10), segundo o laudo apresentados se enquadra na  classe de comprometimento visual 3, 4 ou 5 em um olho,  ou  seja,  cegueira,  sendo que, no  caso, o olho esquerdo  foi  extirpado  em  razão  do mesmo  apresentar  neoplasia  maligna  de  coróide  conforme  atestado  anexado  e  em  conformidade com a sua classificação C 69.3”;  c)  “o requerente,  sem dúvida, em face da extração de  seu  olho  esquerdo  tem  deficiência  visual,  tanto  que  está  impedido de continuar a exercer atividade de motorista  profissional (atestado juntado)”.  Após informar que “foram juntados novos atestados e novos  laudos médicos”, concluiu pedindo pelo acolhimento de seu  recurso  “com  a  denegação  do  pedido  formulado  anteriormente”.  A  impugnação  foi  julgada  improcedente  pela  3ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG), conforme se depreende da ementa do  Acórdão nº 02­24.895, de 16/12/2009:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS – IPI  Fl. 73DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13964.000236/2010­80  Acórdão n.º 3201­001.155  S3­C2T1  Fl. 73          3 Exercício: 2010  ISENÇÃO.  DEFICIENTE  VISUAL.  VISÃO  MONOCULAR.  REQUISITOS.  A visão monocular (cegueira em um olho) não se coaduna com a  hipótese de deficiência visual prescrita na legislação que rege a  matéria.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Sem Crédito em Litígio  Inconformada,  o  Recorrente  interpôs  seu  recurso  voluntário,  de  forma  tempestiva, reiterando os argumentos suscitados em sua manifestação de inconformidade.  Na  forma  regimental,  o  processo  digitalizado  foi  distribuído  e,  posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 07/10/2011.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Daniel Mariz Gudiño – Relator   O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no  Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual deve ser conhecido.  O cerne do presente litígio gravita em torno do preenchimentos dos requisitos  legais para a fruição da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na aquisição  de automóveis por pessoas portadoras de deficiência visual.  A  questão  está  positivada  no  art.  1º,  §  2º,  da  Lei  nº  8.989,  de  1995,  com  redação dada pela Lei nº 10.690, de 2003, a saber:  Art. 1º....  §  2o  Para  a  concessão  do  benefício  previsto  no  art.  1o  é  considerada pessoa  portadora  de  deficiência  visual  aquela  que  apresenta acuidade visual igual ou menor que 20/200 (tabela de  Snellen)  no  melhor  olho,  após  a  melhor  correção,  ou  campo  visual  inferior  a  20°,  ou  ocorrência  simultânea  de  ambas  as  situações.  Como se vê, há requisitos objetivos a serem respeitados para que o portador  de deficiência visual possa se beneficiar da isenção do IPI na aquisição de automóvel.  No  caso  concreto,  constata­se  que  o Recorrente  instruiu  o  requerimento  de  isenção de IPI com laudo médico, segundo o qual o Recorrente possui cegueira em um olho e  visão normal no outro. Confira­se:  Fl. 74DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO     4   O Recorrente juntou novo laudo médico quando apresentou sua manifestação  de inconformidade. O segundo laudo confirma as conclusões do primeiro, a saber:    A partir dos laudos ora citados, ambos emitidos pela Secretaria Municipal de  Saúde de Tubarão/SC, é indiscutível que o Recorrente é deficiente visual.  A  despeito  de  ser  deficiente  visual,  o Recorrente  não  atende  aos  requisitos  objetivamente elencados no art. 1º, § 2º, da Lei nº 8.989, de 1995, com redação dada pela Lei  nº 10.690, de 2003.  Isso porque a acuidade visual apresentada no melhor olho do Recorrente  (olho direito) é superior a 20/200 (tabela de Snellen).  Diante  de  todo  o  exposto,  NEGO  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário,  mantendo a decisão recorrida integralmente.    (ASSINADO DIGITALMENTE)  Daniel Mariz Gudiño – Relator                                Fl. 75DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13964.000236/2010­80  Acórdão n.º 3201­001.155  S3­C2T1  Fl. 74          5   Fl. 76DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO

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Numero do processo: 10315.000066/2011-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 CERCEAMENTO DE DEFESA Lançamento deve conter discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação para ser entendido pelo contribuinte. TRIBUTO LANÇADO. ALEGAÇÃO GENÉRICA Alegação genérica de não concordar com o valor lançado não tem como ser apreciada e não é acatada.
Numero da decisão: 2403-001.283
Decisão: Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, Por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Jhonatas Ribeiro da Silva e Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1609; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T3  Fl. 2          1 1  S2­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10315.000066/2011­71  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2403­001.283  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de maio de 2012  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  MUNICÍPIO DE ASSARÉ PREFEITURA MUNICIPAL  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009  CERCEAMENTO DE DEFESA  Lançamento  deve  conter  discriminação  clara  e  precisa  da  infração  e  das  circunstâncias  em  que  foi  praticada,  dispositivo  legal  infringido  e  a  penalidade  aplicada  e  os  critérios  de  sua  gradação  para  ser  entendido  pelo  contribuinte.  TRIBUTO LANÇADO. ALEGAÇÃO GENÉRICA  Alegação genérica de não concordar com o valor lançado não tem como ser  apreciada e não é acatada.      Recurso Voluntário Negado  Crédito Tributário Mantido  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros  da 4ª  câmara  /  3ª  turma  ordinária  do  segunda   SSEEÇÇÃÃOO  DDEE   JJUULLGGAAMMEENNTTOO,   Por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. Votou  pelas conclusões o conselheiro Ivacir Julio de Souza.    Carlos Alberto Mees Stringari  Presidente e Relator       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 00 66 /2 01 1- 71 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     2 Participaram do  presente  julgamento,  os Conselheiros Carlos Alberto Mees  Stringari  (Presidente),  Paulo  Mauricio  Pinheiro  Monteiro,  Ivacir  Julio  de  Souza,  Maria  Anselma Coscrato dos Santos, Jhonatas Ribeiro da Silva e Marcelo Magalhães Peixoto.  Fl. 88DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10315.000066/2011­71  Acórdão n.º 2403­001.283  S2­C4T3  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  apresentado  contra Decisão  da Delegacia  da  Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza, Acórdão 08­22.139 da 5ª  Turma, que julgou improcedente a impugnação.  A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido:    Trata­se de crédito lançado pela fiscalização que, de acordo com  o Relatório Fiscal de fl. 17/20, teve como objeto do lançamento  contribuições  previdenciárias  devidas  e  não  declaradas  em  GFIP.  O montante do crédito apurado, composto por valor principal e  acréscimos legais, assumiu a quantia de R$ 44.078,56, com data  de consolidação em 20/01/2011.  No  presente Auto  de  infração  foram  lançadas  as  diferenças  de  contribuições previdenciárias devidas e destinadas à Seguridade  Social  não  declaradas  em  GFIP —  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  por  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência Social incidentes sobre os valores das remunerações  pagas,  devidas,  ou  creditadas  a  segurados  empregados  da  Prefeitura  Municipal,  aferidas  indiretamente,  correspondentes:  a) ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau  de  incidência de  incapacidade  laborativa decorrente dos  riscos  ambientais do trabalho (GILRAT), na alíquota de 1%.  Os valores que originaram a lavratura do presente AI, de acordo  com  o  referido  Relatório,  foram  extraídos  da  contabilidade  (arquivos  digitais),  processos  de  pagamento  e  folhas  de  pagamento de segurados. Também foram examinadas as GFIPs  – Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência  Social  e  as  Guias  da  Previdência  Social  GPS  e  as  folhas  de  pagamento.  Os  lançamentos  foram  consolidados  no  Levantamento  A1  Empregados  Aferido  (Papel  de  Trabalho)  criados  para  esta  finalidade.  Em virtude de o contribuinte não ter apresentado os documentos  solicitados nos Termos de Início de Procedimento Fiscal (TIAF,  datado de 16.06.2010),  tampouco  no  Termo  de  Intimação  Fiscal  nº  02  (  datado  de  13.12.2010), necessário se fez usar do método de aferição para  fins  de  calcular  o  valor  devido  das  contribuições  lançadas  no  presente auto de infração.  Fl. 89DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     4 A  auditoria  procedeu  à  análise  comparativa  da  aplicação  da  multa antes e depois da edição da MP 449.    Inconformada  com  a  decisão,  a  recorrente  apresentou  recurso  voluntário,  onde alega, em síntese, que:    · O material fornecido (Auto de Infração e Relatórios) é ininteligível. A  recorrente não pode compreendê­lo na maior parte de seu conteúdo.   · Cerceamento de defesa.  · Questiona o valor lançado.    É o relatório.  Fl. 90DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10315.000066/2011­71  Acórdão n.º 2403­001.283  S2­C4T3  Fl. 4          5   Voto             Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator  O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à  análise das questões pertinentes.    CERCEAMENTO DE DEFESA    A autuação tem a finalidade de registrar a ocorrência de infração à legislação  previdenciária  por  descumprimento  de  obrigação  principal,  possibilitando  a  instauração  do  respectivo processo administrativo fiscal.  A  atividade  administrativa  de  lavratura  da  autuação  é  vinculada  e  obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.  A  autoridade  fiscal,  no  desempenho  de  suas  atribuições,  ao  constatar  a  ocorrência  de  uma  infração  deve,  obrigatoriamente,  porque  a  lei  não  lhe  dá  discricionariedade, efetuar o lançamento.  Pois bem, a legislação determina requisitos a serem exigidos para a lavratura  da autuação.  Decreto 3.048/1999:  Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste  Regulamento,  a  fiscalização  do  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social lavrará, de imediato, auto­de­infração com discriminação  clara  e  precisa  da  infração  e  das  circunstâncias  em  que  foi  praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e  os critérios de sua gradação,  indicando  local, dia, hora de  sua  lavratura,  observadas  as  normas  fixadas  pelos  órgãos  competentes.    Portanto, clareza, precisão, circunstâncias em que foi praticada a infração são  requisitos que devem, por determinação legal, constar da lavratura da autuação.  Claro é que esses requisitos são exigidos pela legislação para que se cumpra a  determinação  presente  na  Lei  Magna  de  observação  aos  Princípios  da  Ampla  Defesa  e  do  Contraditório.  CF/88:  Fl. 91DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     6 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer  natureza,  garantindo­se  aos  brasileiros  e  aos  estrangeiros  residentes  no  País  a  inviolabilidade  do  direito  à  vida,  à  liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos  seguintes:  ...  LV ­ aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos  acusados  em  geral  são  assegurados  o  contraditório  e  ampla  defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;    Nesse sentido, verificando o processo, com destaque para o Relatório Fiscal ­  RF,  folhas  97  a  101  e  seus  anexos,  constato  a  presença  de  todos  elementos  necessários  ao  entendimento  do  lançamento.  Observo  que  o  RF  discrimina,  com  pormenores,  quais  os  documentos  compulsados  pela Auditoria  Fiscal  e  que  serviram  de  base  para  a  apuração  dos  fatos geradores, além de explicitar a forma de apuração do crédito.  Transcrevo  abaixo  trecho  de  Relatório  Fiscal  contendo  o  objeto  do  lançamento, as razões e forma como foi feita a aferição e os critérios utilizados no lançamento.    3.  DO  OBJETO  DO  LANÇAMENTO  DO  CRÉDITO  PREVIDENCIÁRIO.  3.1 No presente Auto de  infração  foram lançadas as diferenças  de  contribuições  previdenciárias  devidas  e  destinadas  à  Seguridade  Social  não  declaradas  em  GFIP  —  Guia  de  Recolhimento  do Fundo  de Garantia Por  Tempo  de  Serviços  e  Informações á Previdência Social:  1) Incidentes sobre os valores das remunerações pagas, devidas,  ou creditadas a segurados empregados da Prefeitura Municipal,  aferidas  indiretamente,  correspondentes:  a)  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho (GILRAT), na alíquota de 1%.  3.2  Seguem,  em  anexo,  em  meio  papel,  as  seguintes  planilhas  contendo  as  remunerações  dos  segurados  e  outros  dados  que  deram suporte à formalização dos Autos de Infração acima:  a)  "FOLHA  EMPREGADOS",  com  a  remuneração  dos  segurados  empregados  em  folha  de  pagamento  e  respectivos  desconto  de  contribuições  devidas  pelos  segurados,  bem  como,  salário família, salário maternidade e número de segurados;  b)  "EMPREGADOS  FORA  GFIP",  contendo  cálculo  das  remunerações,  contribuições  de  segurados,  salário  família  e  salário maternidade da planilha "FOLHA EMPREGADOS", não  incluidas  em GFIP  e  incluídos  em GFIP,  inclusive  as  aferidas  indiretamente,  nas  competências  de  01/2006  a  04/2006.  Vale  ressaltar que, somente os valores que não foram declarados em  GFIP foram levantados;  Fl. 92DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10315.000066/2011­71  Acórdão n.º 2403­001.283  S2­C4T3  Fl. 5          7 4. DA AFERIÇÃO INDIRETA   4.1. DOS MOTIVOS DA AFERIÇÃO   4.1.1.  Foram  solicitadas  no  Termo  de  Inicio  de  Procedimento  Fiscal  de  16/06/2010,  resumo mensal  das  folhas  de pagamento  em meio papel, totalizados por rubrica, identificando as bases de  cálculo  de  contribuições  previdenciárias,  o  valor  da  contribuição descontada dos segurados, o valor salário família e  maternidade  e  o  total  de  segurados,  bem  como,  os  arquivos  digitais no  formato MANAD da  folha de pagamento no período  de 01/2006 a 13/2009.  4.1.2.  Novamente,  foram  solicitadas  no  Termo  de  Intimação  Fiscal  N°  02,  de  13/12/2010,  em  anexo,  Resumo  mensal  das  folhas  de  pagamento  em  meio  papel,  totalizados  por  rubrica,  identificando  as  bases  de  cálculo  de  contribuições  previdenciárias,  o  valor  da  contribuição  descontada  dos  segurados, o valor do salário família e maternidade e o total de  segurados  de  01/2006  a  04/2006,  bem  como,  Informações  em  meio  digital  (formato  MANAD  aprovado  pela  Instrução  Normativa  SRP  12/2006)  da  folha  de  pagamento,  das  competências 01/2006 a 04/2006.   4.1.3.  0  contribuinte  não  nos  forneceu  tais  documento  até  o  presente momento.  4.2. DOS CRITÉRIOS DA AFERICÃO   4.2.1. Como, o  contribuinte  não nos  forneceu  o  arquivo  digital  no formato MANAD da folha de pagamento, bem como, as folhas  de  pagamento,  de  01/2006 a  04/2006,  resolvemos  adotar  como  salário  de  contribuição  para  esse  período  o  salário  de  contribuição  da  competência  01/2006,  conforme  podemos  verificar  nas  planilhas  "FOLHA  EMPREGADOS  e  EMPREGADOS FORA GFIP".  5. CRITÉRIOS DE LANÇAMENTO Os  critérios  de  lançamento  foram os seguintes:  a)  As  contribuições  objeto  do  presente  lançamento  incidente  sobre  os  valores  das  remunerações  que  não  foram  declaradas  em GFIP nem recolhidas foram lançadas sem multa de mora ou  de oficio.  b)  Os  valores  declarados  em  GFIP  não  foram  objeto  de  lançamento  no  presente  auto  de  infração,  pois  já  configuram  confissão  de  divida,  e  os  valores  recolhidos  em GPS  e  salário  família,  foram  para  cobrir,  prioritariamente,  os  valores  já  declarados em GFIP e as sobras foram apropriadas nos créditos  não  declarados  em  GFIP  constantes  no  presente  auto  de  infração. (DD — Discriminativo de Débito, anexo deste auto. 0  documento  precedido  das  letras  EXCL  refere­se  ao  que  foi  apropriado para cobrir os valores apurados na GFIP).    Fl. 93DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     8   VALOR LANÇADO    De  forma  genérica,  a  recorrente  questiona  o  valor  lançado.  Julga­o  exagerado.  O  que  se  constata  no  processo  é  que  a  fiscalização  identificou  os  fatos  geradores, quantificou as bases de cálculo, as alíquotas aplicáveis e quantificou o tributo, tudo,  com detalhes.  Entendo improcedente a tese da recorrente pela total falta de especificidade.   Alegação genérica não é acatada.    CONCLUSÃO    Voto por negar provimento ao recurso.    Carlos Alberto Mees Stringari                                Fl. 94DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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Numero do processo: 10768.015476/2001-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1997 REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE. CONTRARIEDADE À EVIDÊNCIA DE PROVAS. INADMISSIBILIDADE. NÃO DEMONSTRADA A CONTRARIEDADE À EVIDÊNCIA DA PROVA. Em recurso especial é indispensável que se demonstre, de maneira clara e fundamentada, porque teria havido ofenda à evidência da prova. Exige-se minimamente a indicação das provas que teriam sido contrariadas e, ainda, a exposição das razões pelas quais, no entender da recorrente, o julgado deva ser reformado por contrariedade à evidência da prova. Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.957
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior- Relator EDITADO EM: 26/09/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado) Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1576; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 6          1 5  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10768.015476/2001­16  Recurso nº  152.823   Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­001.957  –  2ª Turma   Sessão de  15 de fevereiro de 2012  Matéria  IRPF  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  CINTHIA COSTA E SOUZA    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 1997  REQUISITO  DE  ADMISSIBILIDADE.  CONTRARIEDADE  À  EVIDÊNCIA  DE  PROVAS.  INADMISSIBILIDADE.  NÃO  DEMONSTRADA A CONTRARIEDADE À EVIDÊNCIA DA PROVA.  Em  recurso  especial  é  indispensável  que  se  demonstre,  de maneira  clara  e  fundamentada,  porque  teria  havido  ofenda  à  evidência  da  prova.  Exige­se  minimamente a indicação das provas que teriam sido contrariadas e, ainda, a  exposição das  razões pelas quais, no entender da recorrente, o  julgado deva  ser reformado por contrariedade à evidência da prova.  Recurso especial não conhecido.      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso.     (Assinado digitalmente)  Otacílio Dantas Cartaxo ­ Presidente    (Assinado digitalmente)  Manoel Coelho Arruda Júnior­ Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 54 76 /2 00 1- 16 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     2   EDITADO EM: 26/09/2012  Participaram,  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  Otacílio  Dantas  Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (Vice­Presidente em exercício), Luiz Eduardo de  Oliveira  Santos, Alexandre Naoki Nishioka  (suplente  convocado) Marcelo Oliveira, Manoel  Coelho  Arruda  Junior,  Gustavo  Lian  Haddad,  Francisco  Assis  de  Oliveira  Junior,  Rycardo  Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.  Relatório  A Fazenda Nacional,  inconformada com o decidido no Acórdão de n.  104­ 23239,  proferido  pela  então  Quarta  Câmara  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes  em  29/05/2008  (fls.  482/502),  interpõe,  através  do  seu  representante  legal,  Recurso  Especial  à  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  de  fls.  412  a  428,  com  fulcro  no  art.  7º,  inciso  I,  do  Regimento  Interno  da  CSRF,  aprovado  pela  Portaria MF  n.  147,  de  25  de  junho  de  2007,  visando a revisão do julgado aqui ementado na parte recorrida:  VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO  ­ APURAÇÃO  ­  CRITÉRIOS  ­  Na  apuração  da  variação  patrimonial  a  descoberto as aplicações de recursos devem ser demonstradas de  forma  inequívoca  pela  autoridade  lançadora.  Lançamentos  a  débito  em  contas  bancárias  não  caracterizam,  por  si  só,  aplicação de recursos para esse fim.  Argüição  de  decadência  rejeitada.  Recurso  provido  parcialmente.  Suscita, em síntese, o i. representante da Fazenda Nacional [fls. 121]:  […] entendemos que merecia ser mantido o inteiro teor do voto  proferido  pelo  ilustre  conselheiro­relator  Antônio  Lopo  Martinez,  no  tocante  à  questão  da  variação  patrimonial  a  descoberto, senão vejamos, perquirindo individualmente os itens  da  autuação  que  foram  julgados  POR  MAIORIA.  Assim,  demonstraremos o equívoco na derrubado do auto no tocante a  tais itens.  Segundo consta dos autos, em desfavor da contribuinte CNTHIA COSTA E  SOUZA, supra qualificada, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 191 a 196 para exigir imposto  de  renda pessoa  fisica,  do  ano­calendário 1996,  no valor de R$ 32.749,23  (trinta  e dois mil,  setecentos e quarenta e nove reais e vinte e três centavos), mais multa de 75% (setenta e cinco  por cento) e juros de mora regulamentares, perfazendo um montante de R$ 88.465,49. Segundo  a descrição do fatos o procedimento fiscal decorre da apuração das seguintes infrações:  a)  ACRÉSCIMO  PATRIMONIAL  A  DESCOBERTO  ­  Omissão  de  rendimentos  tendo  em  vista  a  variação  patrimonial  a  descoberto,  onde  verificou­se  excesso  de  aplicações  sobre  origens,  não  respaldado  por  rendimentos  declarados/comprovados,  conforme  demonstrado  no  Fluxo  Financeiro  Mensal/96.  A  descrição  dos  fatos  encontra­se  no  Termo  de  Verificação  Fiscal,  parte  integrante  e  inseparável  deste Auto de Infração.  Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10768.015476/2001­16  Acórdão n.º 9202­001.957  CSRF­T2  Fl. 7          3 b)  DESPESA  COM  INSTRUCÃO  DEDUZIDA  INDEVIDAMENTE  ­  Glosa  de  despesas  com  instrução,  pleiteadas  indevidamente. A descrição dos  fatos encontra­se no  Termo  de  Verificação  Fiscal,  parte  integrante  e  inseparável  deste Auto de Infração.  Intimada  para  oferecer  contrarrazões,  a  Contribuinte  repisa  os  argumentos  apresentados no decisum recorrido [fls. 542/546].  É o relatório.  Voto             Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator  Entendo  que  o  Recurso  Especial  interposto  pela  Fazenda  Nacional  não  preenche os pressupostos de admissibilidade contidos no artigo 7o, c.c. o artigo 15, ambos do  Regimento Interno desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, in verbis:  “Art. 7o. Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais por  suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra:  I – decisão não­unânime de Câmara, quando for contrária a lei  ou à evidência de prova;  (...)  Art. 15. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional  ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida  ao  Presidente  da  Câmara  que  houver  prolatado  a  decisão  recorri, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da  decisão.  §1o  Na  hipótese  de  que  trata  o  inciso  I  do  art.  7o  deste  Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente,  a  contrariedade  à  lei  ou  à  evidência  de  prova  e,  havendo  matérias  autônomas,  o  recurso  especial  alcançara  apenas  a  parte da decisão não unanime contrária à Fazenda Nacional.”  Por  outro  lado,  o  recurso  da  Fazenda  Nacional  também  não  preenche  o  segundo  requisito  contido  no  permissivo  regimental  do  artigo  7o,  inciso  I,  parte  final,  do  Regimento da CSRF, no que diz respeito à contrariedade à evidência das provas, pois deveria  haver a demonstração e fundamentação do motivo pelo qual a decisão a quo se deu contra as  evidencias probatórias do presente processo administrativo.  Nesse sentido, destacam­se os seguintes julgados:  “NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE.  O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais,  aprovado  pela  Portaria MF  n°  147,  de  25  de  junho  de  2007,  fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de  contrariedade à lei.  Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     4 Em  Recurso  Especial  é  indispensável  que  se  demonstre,  de  maneira clara e fundamentada, porque  teria havido ofensa ao  dispositivo de lei ou à evidência da prova.  Exige­se minimamente a indicação das provas que teriam sido  contrariadas  e,  ainda,  a  exposição  das  razões  pelas  quais,  no  entender  da  recorrente,  o  julgado  deva  ser  reformado  por  contrariedade  à  prova,  objetivando  convencer  o  julgador,  no  propósito  de  reforma  do  acórdão.  O  que  não  ocorreu  no  presente caso.  Recurso  especial  não  conhecido.”  (grifos  e  destaques  nossos)  (Processo  n°  13975.000161/00­29,  Recurso  n°  303­130.397  Especial do Procurador, acórdão n° 9202­00.067, sessão de 17  de agosto de 2009)  “NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE.  O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais,  aprovado  pela  Portaria MF  n°  147,  de  25  de  junho  de  2007,  fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de  contrariedade à lei.  Em  Recurso  Especial  é  indispensável  que  se  demonstre,  de  maneira  clara  e  fundamentada,  porque  teria  havido  ofensa  ao  dispositivo de lei ou à evidência da prova.  Exige­se minimamente  a  indicação  das  provas  que  teriam  sido  contrariadas  e,  ainda,  a  exposição  das  raz5es  pelas  quais,  no  entender  da  recorrente,  o  julgado  deva  ser  reformado  por  contrariedade  à  prova,  objetivando  convencer  o  julgador,  no  propósito  de  reforma  do  acórdão.  O  que  não  ocorreu  no  presente caso.  A  alegação  de  contrariedade  à  lei,  sem  a  indicação  do  dispositivo  legal  que  considerou  violado,  não  é  suficiente  para  que o recurso especial seja conhecido. Precedentes do Superior  Tribunal de Justiça.  (...)  Recurso  especial  provido  em  parte.”  (grifos  e  destaques  nossos)  (Processo  n°  10950.002660/2004­81,  Recurso  n°  303­134.294  Especial do Procurador, acórdão n° 9202­00.069, sessão de 17  de agosto de 2009)  “NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE.  O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais,  aprovado  pela  Portaria MF  n°  147,  de  25  de  junho  de  2007,  fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de  contrariedade à lei ou à evidência da prova.  Em  Recurso  Especial  é  indispensável  que  se  demonstre,  de  maneira  clara  e  fundamentada,  porque  teria  havido  ofensa  ao  dispositivo de lei ou à evidência da prova.  Exige­se minimamente  a  indicação  das  provas  que  teriam  sido  contrariadas  e,  ainda,  a  exposição  das  razões  pelas  quais,  no  Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10768.015476/2001­16  Acórdão n.º 9202­001.957  CSRF­T2  Fl. 8          5 entender  da  recorrente,  o  julgado  deva  ser  reformado  por  contrariedade  à  prova,  objetivando  convencer  o  julgador,  no  propósito  de  reforma  do  acórdão.  O  que  não  ocorreu  no  presente caso.  A  alegação  de  contrariedade  à  lei,  sem  a  indicação  do  dispositivo  legal  que  considerou  violado,  não  é  suficiente  para  que o recurso especial seja conhecido.  Precedentes  do  Superior  Tribunal  de  Justiça.  Recurso  especial  não conhecido.” (grifos e destaques nossos)  Processo  n°  10120.004864/2005­19,  Recurso  n°  334.873,  Especial do Procurador, acórdão n° 9202­00.471, sessão de 28 de  outubro de 2009)  No caso em questão, não houve a indicação pela Fazenda Nacional de quais  provas  teriam  sido  evidentemente  contrariadas  pela  decisão  recorrida.  Entendo  que  a  Recorrente objetiva, em verdade, que o presente Colegiado analise novamente todo o conjunto  fático­probatório,  revendo  as  razões  e  fundamentos  que  levaram  a Colenda Câmara  a  quo  a  tomar a decisão ora guerreada.  É  importante  destacar,  além  disso,  que  o  principal  argumento  do  Recurso  Especial,  no  que  se  refere  à  parte  aqui  tratada  (contrariedade  à  prova),  está  calcado  no  voto  vencido,  de  lavra  do  eminente  Conselheiro  ANTONIO  LOPO  MARTINEZ.  Contudo,  os  pontos por ele levantados foram objeto de debate na sessão, sendo expressamente rebatidos no  voto vencedor, verbis:  Divido do bem articulado voto do I. Conselheiro apenas quanto  ao  acréscimo  patrimonial  a  descoberto.  Verifico  que  o  procedimento  adotado  pela  Fiscalização  para  a  aferição  do  fluxo  financeiro  do Contribuinte  não  é  válido  e,  portanto,  suas  conclusões não merecem ser acolhidas.  Compulsando  as  planilhas  de  fls.  166  a  190,  verifica­se  que  foram consignados como aplicação de recursos os  lançamentos  a  débitos  nas  contas  bancárias,  inclusive  os  cheques  compensados  e  sacados,  embora  também  tenham  sido  considerados os saldos no início e final de cada mês.  Ora,  cheques  debitados  em  conta  bancária  por  si  só  não  configuram  dispêndio  ou  aplicação  de  recursos,  sem  que  se  determine  a  utilização  desses  recursos  sacados.  Ademais,  por  definição,  se  cheques  são  sacados  contra  conta  bancária  de  titularidade  do  contribuinte  é  porque  ela  tinha  saldo  ou  ficou  devedora, o que não caracteriza acréscimo patrimonial ou gasto  sem origem.  O aumento ou diminuição do  saldo das  contas é que poderiam  espelhar uma evolução patrimonial e neste caso verifica­se que a  Fiscalização considerou os saldos iniciais e finais nessas contas.  O critério adotado pela Fiscalização, portanto, não espelha um  acréscimo  patrimonial  ou  gastos  sem  lastro  em  rendimentos,  o  que desautoriza a exigência do imposto.  Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     6 Pelo  exposto,  voto  pelo  NÃO  CONHECIMENTO  do  recurso  especial  da  Fazenda Nacional.  É o voto.    (Assinado digitalmente)  Manoel Coelho Arruda Júnior                                Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO

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Numero do processo: 10074.001789/2010-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sun Jan 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.501
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converterem o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Mário César Fracalossi Bais (suplente) RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: O presente processo trata dos Autos de Infração de fls. 02/51, acompanhados do Relatório Fiscal de fls. 52/92, lavrados para as seguintes exigências: Imposto de Importação, juros de mora e multa de ofício, no valor de R$ 67.685,37; multa regulamentar no valor de R$25.679.000,00; IPI, juros de mora e multa de ofício no valor de R$110.888,33; Cofins, juros de mora e multa de ofício no valor de R$176.467,08; PIS/PASEP, juros de mora e multa de ofício no valor de R$37.660,51, totalizando um crédito tributário no valor de R$26.068.701,28. Este é o relato da fiscalização: A autuação teve origem na ação fiscal desenvolvida para verificação do cumprimento do Regime de Drawback Suspensão, concedido à interessada através dos Atos concessórios n.ºs 20040099474, 20050010654, 20050045814, 20060045140, 20060153288, 20065559, 20060120240, 20070122342, 20070046042, 2007069255, 20070085684, 20070122288, 20070032343 e 20070033099. O regime de drawback, modalidade suspensão, permite a suspensão dos tributos incidentes na importação de produtos destinados à exportação e a base legal para sua concessão é o Decreto-Lei n.º 37/66, art. 78, II. Cabe à beneficiária do regime do ônus da prova, ou seja, deve demonstrar e provar ao fisco que cumpriu todas as condições e requisitos estabelecidos para que se possa usufruir dos incentivos previstos neste regime. Caso não o faça, suas operações de importação devem ser tratadas sob o regime aduaneiro comum, onde a regra é o pagamento dos tributos. A partir de 1º de novembro de 2001, a concessão e o acompanhamento de todos os atos concessórios de drawback suspensão passaram a ser efetivados de forma eletrônica no Siscomex, simplificando os procedimentos tanto do contribuinte como da fiscalização, já que tudo passou a ser processado eletronicamente, inclusive algumas conferências feitas pelo próprio sistema. Assim, analisando os atos concessórios da beneficiária, foi verificado que nenhum deles teve qualquer Registro de Exportação (RE) vinculado. Às fls. 56/61 a fiscalização detalhou os atos concessórios sob exame com as informações extraídas do banco de dados SECEX/SISCOMEX. Sob intimação, a beneficiária apresentou diversos documentos para tentar comprovar as exportações dos atos concessórios, com exceção do Ato Concessório (AC) n.º 20070033099, que , por esta razão, foi considerado totalmente inadimplente. Para aceitação dos RE’s como comprovação da exportação é necessário que os mesmo contenham as informações quanto ao enquadramento da operação de drawback (códigos 81101, 81102, 81103 e 81104) e o número do AC. Esta é uma exigência prevista na Portaria SECEX n.º 14/2004 e art. 352 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n.º 4.543/2002). É o princípio da vinculação física, cuja base legal é o art. 78, I, do Decreto-Lei n.º 37/66. A fiscalização também traz argumentos de ordem operacional de controle da exportações para salientar a obrigatoriedade de tais informações. Às fls. 65/89 são relacionados os atos concessórios com DI’s e RE’s indicados pela beneficiária para comprovação do cumprimento das condições do regime e a análise da fiscalização quanto às correspondentes vinculações, concluindo que nenhum RE serve para extinguir o regime de drawback, pelas razões descritas às fls. 89/90, que, resumidamente, consistem em não vinculação, vinculação indevida ou vinculação em duplicidade de ato concessório, indicação de exportação normal e não de drawback, retificação de RE após a averbação e RE não averbado. Assim sendo, em não comprovado o efetivo cumprimento das condições, limites e valores previstos nos Atos Concessórios e ainda a não adoção de qualquer medida extintiva do regime, foram exigidos os tributos suspensos desde o momento da importação dos insumos estrangeiros. Os créditos foram constituídos com base no art. 173, I do CTN, os quais só decaíram em 01/01/2011 para aqueles AC’s mais antigos e que venceram em 2005. Também foi exigida a multa prevista no art. 107, VII, “e”, do Decreto-Lei n.º 37/66, com a redação da Lei n.º 10.833/2003, já que a contribuinte utilizou-se, indevidamente, do regime, vez que mantém suspensão dos tributos quando já não mais poderia fazê-lo. A multa em apreço foi calculada por dia, a partir do dia seguinte ao vencimento do Ato Concessório, até o dia do presente lançamento dos tributos. Os documentos a que se referem a fiscalização encontram-se às fls. 93/2.049. Intimada da autuação em 13/11/2010, a interessada apresentou tempestivamente a impugnação de fls. 2.059/2.092, alegando o que segue: 1) A impugnante dedica-se a atividade de importação e exportação de produtos de origem animal e de comercialização de carnes e seus derivados, notadamente tiras de carne desidratada conhecidas no mercado internacional como beef jerky. Para tanto goza do regime de drawback para importar subprodutos utilizados na fabricação destes produtos à base de carne desidratada. 2) A fiscalização alega que a impugnante não teria comprovado a exportação dos produtos que constam nos AC n.ºs 20040099474, 20050010654, 20050045814, 20060045140, 20060153288, 20065559, 20060120240, 20070122342, 20070046042, 2007069255, 20070085684, 20070122288, 20070032343 e 20070033099. No entanto todos os materiais importados com o benefício do drawback foram empregados na fabricação dos produtos exportados, ainda que tenha ocorrido pequenos lapsos no que diz respeito ao cumprimento das formalidades relacionadas à vinculação dos registros de exportação. Também ocorreram problemas em razão de mudanças de funcionários, quando foram vinculados a dois atos concessórios todas a exportações realizadas nos anos de 2006 e 2007 e por isso a impugnante optou por não vincular as exportações subseqüentes a quaisquer atos concessórios até a correção dos erros. 3) A SECEX permitia vinculação a posteriori dos RE’s aos correspondentes AC’s, mesmo após o prazo previsto. Ocorre que com a implementação do Sistema Drawback Web esta vinculação a posteriori não foi mais possível. Apesar do prazo concedido pela SECEX para os ajustes necessários, a impugnante não conseguiu realizar todos, restando pendentes algumas divergências que levaram a fiscalização concluir que não houve o cumprimento do regime. 4) Preliminarmente alega que houve nulidade do Auto de Infração posto que calculado incorretamente. Conforme se verifica da tabela no Termo de Verificação para apuração da multa do art. 107, VII, “e”, do Decreto-Lei n.º 37/66, em relação ao AC n.º 20060045140, foi apontado um total de 13.121 dias de descumprimento quando foi apurado 1.312 dias. Também em relação ao AC n.º 20040099474 a fiscalização considerou o início da apuração da multa o dia 26/02/2005, quando o correto seria 02/08/2005, um ano após o registro da DI acobertada pelo AC em tela. 5) Os fiscais autuantes lançaram a multa com base em mera presunção de que os produtos importados não foram exportados, pelo fato de que a beneficiária não ter tido tempo hábil para promover as correções nos registros. Em nenhum momento a fiscalização trouxe elementos que pudessem comprovar o descumprimento do compromisso de exportar por parte da impugnante. A lavratura do auto baseado em presunção é contrária à legislação tributária, devendo ser aplicado o art. 112 do CTN, interpretando-se da maneira mais favorável ao acusado. Também deveria a fiscalização apresentar as provas para que a impugnante pudesse se defender, sob pena de violação do princípio da ampla defesa e do contraditório. Não pode a fiscalização ignorar as exportações realizadas, utilizando-se indevidamente da presunção, sem comprovar o descumprimento do regime. 6) O auto de infração foi lavrado em 11/11/2010, portanto só poderia efetuar o lançamento para os fatos geradores ocorridos após 11/11/2005, nos termos do art. 150, § 4.º do CTN. Cita doutrina e jurisprudência do STJ. O prazo decadencial não admite interrupções nem suspensões, por isso seu termo inicial é a data do fato gerador do imposto, que, no caso dos tributos incidentes sobre a importação, ocorre na data do desembaraço. Não há que se falar que no caso de drawback suspensão este prazo teria início após o término do prazo para a exportação dos produtos previstos nos AC’s. Assim para os AC’s n.ºs 200400994747, 20050010654 e 20050045814, cujas datas de desembaraço aduaneiro foram 30/08/2004, 04/02/2005 e 11/05/2005, respectivamente, se operou a decadência do direito do fisco de exigir tributos. Com relação à multa regulamentar, a decadência ocorre para o AC n.º 20040099474, porque, conforme consta no auto de infração, o termo inicial para contagem da multa diária seria em 26/02/2005. 7) A impugnante alega como contestação de mérito contra a autuação que mesmo que tenha vinculado de forma equivocada os atos concessórios aos respectivos registros de exportação, o fato é que a obrigação de exportar foi cumprida oportunamente conforme atestam os documentos que mostram o “caminho” dos produtos importados até sua exportação. Tais documentos foram anexados aos autos às fls. 2.224/3.971. Entre os documentos estão planilhas que resumem as exportações dos produtos finais. Traz alguns exemplos, citando alguns AC’s, relacionando-os com notas fiscais de entrada e saída para comprovar a utilização do insumo nas exportações. (fls. 2.073/2.074). Alega que a SECEX sempre permitiu a vinculação a posteriori e o fato de que ela tenha concedido prazo para a adaptação dos beneficiários ao novo sistema vem a comprovar que essa formalidade, até então, não tinha tamanha relevância, de modo que seu descumprimento jamais poderia ensejar uma cobrança de mais de R$26 milhões. 8) Traz argumentos em defesa dos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do não-confisco. 9) Alega também que a multa em comento não pode ser aplicada ao caso em tela, pois a obrigação descumprida é indivisível. A fiscalização impondo tal multa diária estaria punindo o tempo em que supostamente houve o descumprimento da condição para fruição do regime de drawback e não o descumprimento do regime propriamente. 10) Ao final requer a nulidade pelas falhas na apuração dos valores, em especial nos AC’s n.ºs 20060045140 e 20040099474 e pelo fato de a autuação ter se baseado em mera presunção. Requer a decadência dos créditos cujos fatos geradores ocorreram antes de 11/11/2005. No mérito, por entender que trouxe todos os documentos que comprovam as exportações e que a cobrança da multa afronta os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do não-confisco, requer o cancelamento integral do auto de infração. A 1ª Turma da Delegacia de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou procedente em parte a impugnação para cancelar a exigência da multa nos termos do Acórdão nº. 07-25.151, de 06 de julho de 2010. A instância a quo afastou a preliminar de decadência suscitada pelo recorrente e manteve o lançamento referente aos tributos devidos e suspensos em razão das importações que, em tese, estariam amparadas pelo regime de drawback. Irresignada com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário alegando, em breve síntese, que: (...) goza do regime aduaneiro especial de drawback, modalidade suspensão, para importação de subprodutos utilizados na fabricação de produtos a base de carne desidratada exportados para o exterior, como as tripas de colágeno utilizadas para envolver alguns desses produtos e os absorventes de oxigênio utilizados nas suas embalagens para fins de conservação(...); (...) teve diversas exportações realizadas entre os anos de 2006 e 2007 vinculadas a apenas dois atos concessórios ( 20050258451 e 20050207571), os quais não são objeto da autuação. Após verificar o equívoco cometido, a recorrente optou por não vincular as exportações subsequentes a quaisquer atos concessórios, de modo a corrigir os erros incorridos na vinculação dos registros de exportação aos respectivos atos concessórios(...); (...) desde o início das atividades da recorrente, o sistema da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (SECEX) vinha permitindo a vinculação a posteriori dos registros de exportação aos correspondentes atos concessórios. A prática difundida no mercado e aceita pela Secex, esmo após o prazo previsto para o cumprimento da referida obrigação, sem que isso representasse qualquer óbice para que os atos concessórios fossem devidamente baixados no sistema. Ocorre que, com a implementação di sistema drawback web, essa vinculação a posteriori entre os registros de exportação e os atos concessórios deixou de ser possível. De acordo com esse novo sistema, os registros de exportação já efetivados ou averbados não seriam mais passíveis de alteração, devendo as informações necessárias para a comprovação do cumprimento do drawback ser vinculadas no momento da averbação do registro de exportação. Diante disso, a própria Secex conferiu aos beneficiários do regime de drawback um prazo para providenciarem a vinculação entre os registros de exportação e os atos concessórios que estivessem pendentes, tendo inclusive veiculado a Circular Secex nº. 34, de 04 de julho de 2007, instruindo os beneficiários do regime a se adequarem ao novo sistema drawback web (...); (...)não conseguiu promover todos os ajustes necessários dentro do prazo concedido pela Secex. Com isso, restaram pendentes algumas divergências entre determinados atos concessórios e os respectivos registros de exportação, que levaram a Fiscalização a concluir que a recorrente teria descumprido o regime de drawback (...); (...) Embora reconheça que vinculou de forma equivocada os atos concessórios listados no auto de infração aos respectivos registros de exportação, o fato é que a obrigação de exportar foi cumprida oportunamente, conforme atestam os documentos anexados à impugnação, que mostram o “caminho” dos insumos importados sob o regime de drawback suspensão desde a obtenção dos competentes atos concessórios até a sua exportação, devidamente incorporados aos produtos finais, para o mercado externo. Contudo, ao apreciar a impugnação a DRJ eximiu-se de analisar a farta documentação que a instruiu, alegando basicamente que os erros formais incorridos pela recorrente já seriam suficientes para configurar o descumprimento do drawback e ensejar a cobrança dos tributos suspensos pelo regime(...); (...) ao contrário do afirmado pela r. decisão recorrida, não pretendeu, em momento algum, transferir para o Fisco o ônus de comprovar o descumprimento dos requisitos do drawback. Muito pelo contrário, se a recorrente se deu ao trabalho de produzir mais de 1700 páginas de documentos para comprovar que cumpriu o compromisso de exportar em relação aos 14 atos concessórios listados no auto de infração, é evidente que a mesma assumiu o ônus de comprovar que, a despeito de algumas irregularidades formais, cumpriu o requisito essencial do regime de drawback suspensão que é a exportação dos insumos importados incorporados aos produtos finais. Assim, em nome do princípio da verdade material que rege o processo administrativo, a recorrente roga a V.Sas. que examinem a documentação acostada às fls. 2598/4356 do processo, que atesta que todos os insumos importados referidos nos atos concessórios abrangidos pela autuação forma utilizados na produção de mercadorias exportadas oportunamente, isto é, dentro do prazo de vencimento dos mencionados atos concessórios; (...) seis dos quatorze atos concessórios abrangidos pelo auto de infração foram devidamente baixados pela Secex pelo fato de que aquela Secretaria prorrogou, por meio da Portaria nº24, de 26/07/2011, a validade dos atos concessórios com vencimento original entre 01/10/2008 e 31/12/2011(...). Assim, os atos concessórios que tinham vencimentos originais no ano de 2009 tiveram seu prazo de validade prorrogado, pelo que a recorrente providenciou, junto a Secex, a baixa dos referidos atos concessórios, mediante a vinculação a novos registros de exportação. Termina sua petição requerendo que seja reformada a decisão guerreada, para que seja cancelada a parcela mantida no auto de infração, correspondente aos tributos suspensos na importação de insumos beneficiadas pelo drawback. É o Relatório. VOTO
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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decisao_txt : RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converterem o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Mário César Fracalossi Bais (suplente) RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: O presente processo trata dos Autos de Infração de fls. 02/51, acompanhados do Relatório Fiscal de fls. 52/92, lavrados para as seguintes exigências: Imposto de Importação, juros de mora e multa de ofício, no valor de R$ 67.685,37; multa regulamentar no valor de R$25.679.000,00; IPI, juros de mora e multa de ofício no valor de R$110.888,33; Cofins, juros de mora e multa de ofício no valor de R$176.467,08; PIS/PASEP, juros de mora e multa de ofício no valor de R$37.660,51, totalizando um crédito tributário no valor de R$26.068.701,28. Este é o relato da fiscalização: A autuação teve origem na ação fiscal desenvolvida para verificação do cumprimento do Regime de Drawback Suspensão, concedido à interessada através dos Atos concessórios n.ºs 20040099474, 20050010654, 20050045814, 20060045140, 20060153288, 20065559, 20060120240, 20070122342, 20070046042, 2007069255, 20070085684, 20070122288, 20070032343 e 20070033099. O regime de drawback, modalidade suspensão, permite a suspensão dos tributos incidentes na importação de produtos destinados à exportação e a base legal para sua concessão é o Decreto-Lei n.º 37/66, art. 78, II. Cabe à beneficiária do regime do ônus da prova, ou seja, deve demonstrar e provar ao fisco que cumpriu todas as condições e requisitos estabelecidos para que se possa usufruir dos incentivos previstos neste regime. Caso não o faça, suas operações de importação devem ser tratadas sob o regime aduaneiro comum, onde a regra é o pagamento dos tributos. A partir de 1º de novembro de 2001, a concessão e o acompanhamento de todos os atos concessórios de drawback suspensão passaram a ser efetivados de forma eletrônica no Siscomex, simplificando os procedimentos tanto do contribuinte como da fiscalização, já que tudo passou a ser processado eletronicamente, inclusive algumas conferências feitas pelo próprio sistema. Assim, analisando os atos concessórios da beneficiária, foi verificado que nenhum deles teve qualquer Registro de Exportação (RE) vinculado. Às fls. 56/61 a fiscalização detalhou os atos concessórios sob exame com as informações extraídas do banco de dados SECEX/SISCOMEX. Sob intimação, a beneficiária apresentou diversos documentos para tentar comprovar as exportações dos atos concessórios, com exceção do Ato Concessório (AC) n.º 20070033099, que , por esta razão, foi considerado totalmente inadimplente. Para aceitação dos RE’s como comprovação da exportação é necessário que os mesmo contenham as informações quanto ao enquadramento da operação de drawback (códigos 81101, 81102, 81103 e 81104) e o número do AC. Esta é uma exigência prevista na Portaria SECEX n.º 14/2004 e art. 352 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n.º 4.543/2002). É o princípio da vinculação física, cuja base legal é o art. 78, I, do Decreto-Lei n.º 37/66. A fiscalização também traz argumentos de ordem operacional de controle da exportações para salientar a obrigatoriedade de tais informações. Às fls. 65/89 são relacionados os atos concessórios com DI’s e RE’s indicados pela beneficiária para comprovação do cumprimento das condições do regime e a análise da fiscalização quanto às correspondentes vinculações, concluindo que nenhum RE serve para extinguir o regime de drawback, pelas razões descritas às fls. 89/90, que, resumidamente, consistem em não vinculação, vinculação indevida ou vinculação em duplicidade de ato concessório, indicação de exportação normal e não de drawback, retificação de RE após a averbação e RE não averbado. Assim sendo, em não comprovado o efetivo cumprimento das condições, limites e valores previstos nos Atos Concessórios e ainda a não adoção de qualquer medida extintiva do regime, foram exigidos os tributos suspensos desde o momento da importação dos insumos estrangeiros. Os créditos foram constituídos com base no art. 173, I do CTN, os quais só decaíram em 01/01/2011 para aqueles AC’s mais antigos e que venceram em 2005. Também foi exigida a multa prevista no art. 107, VII, “e”, do Decreto-Lei n.º 37/66, com a redação da Lei n.º 10.833/2003, já que a contribuinte utilizou-se, indevidamente, do regime, vez que mantém suspensão dos tributos quando já não mais poderia fazê-lo. A multa em apreço foi calculada por dia, a partir do dia seguinte ao vencimento do Ato Concessório, até o dia do presente lançamento dos tributos. Os documentos a que se referem a fiscalização encontram-se às fls. 93/2.049. Intimada da autuação em 13/11/2010, a interessada apresentou tempestivamente a impugnação de fls. 2.059/2.092, alegando o que segue: 1) A impugnante dedica-se a atividade de importação e exportação de produtos de origem animal e de comercialização de carnes e seus derivados, notadamente tiras de carne desidratada conhecidas no mercado internacional como beef jerky. Para tanto goza do regime de drawback para importar subprodutos utilizados na fabricação destes produtos à base de carne desidratada. 2) A fiscalização alega que a impugnante não teria comprovado a exportação dos produtos que constam nos AC n.ºs 20040099474, 20050010654, 20050045814, 20060045140, 20060153288, 20065559, 20060120240, 20070122342, 20070046042, 2007069255, 20070085684, 20070122288, 20070032343 e 20070033099. No entanto todos os materiais importados com o benefício do drawback foram empregados na fabricação dos produtos exportados, ainda que tenha ocorrido pequenos lapsos no que diz respeito ao cumprimento das formalidades relacionadas à vinculação dos registros de exportação. Também ocorreram problemas em razão de mudanças de funcionários, quando foram vinculados a dois atos concessórios todas a exportações realizadas nos anos de 2006 e 2007 e por isso a impugnante optou por não vincular as exportações subseqüentes a quaisquer atos concessórios até a correção dos erros. 3) A SECEX permitia vinculação a posteriori dos RE’s aos correspondentes AC’s, mesmo após o prazo previsto. Ocorre que com a implementação do Sistema Drawback Web esta vinculação a posteriori não foi mais possível. Apesar do prazo concedido pela SECEX para os ajustes necessários, a impugnante não conseguiu realizar todos, restando pendentes algumas divergências que levaram a fiscalização concluir que não houve o cumprimento do regime. 4) Preliminarmente alega que houve nulidade do Auto de Infração posto que calculado incorretamente. Conforme se verifica da tabela no Termo de Verificação para apuração da multa do art. 107, VII, “e”, do Decreto-Lei n.º 37/66, em relação ao AC n.º 20060045140, foi apontado um total de 13.121 dias de descumprimento quando foi apurado 1.312 dias. Também em relação ao AC n.º 20040099474 a fiscalização considerou o início da apuração da multa o dia 26/02/2005, quando o correto seria 02/08/2005, um ano após o registro da DI acobertada pelo AC em tela. 5) Os fiscais autuantes lançaram a multa com base em mera presunção de que os produtos importados não foram exportados, pelo fato de que a beneficiária não ter tido tempo hábil para promover as correções nos registros. Em nenhum momento a fiscalização trouxe elementos que pudessem comprovar o descumprimento do compromisso de exportar por parte da impugnante. A lavratura do auto baseado em presunção é contrária à legislação tributária, devendo ser aplicado o art. 112 do CTN, interpretando-se da maneira mais favorável ao acusado. Também deveria a fiscalização apresentar as provas para que a impugnante pudesse se defender, sob pena de violação do princípio da ampla defesa e do contraditório. Não pode a fiscalização ignorar as exportações realizadas, utilizando-se indevidamente da presunção, sem comprovar o descumprimento do regime. 6) O auto de infração foi lavrado em 11/11/2010, portanto só poderia efetuar o lançamento para os fatos geradores ocorridos após 11/11/2005, nos termos do art. 150, § 4.º do CTN. Cita doutrina e jurisprudência do STJ. O prazo decadencial não admite interrupções nem suspensões, por isso seu termo inicial é a data do fato gerador do imposto, que, no caso dos tributos incidentes sobre a importação, ocorre na data do desembaraço. Não há que se falar que no caso de drawback suspensão este prazo teria início após o término do prazo para a exportação dos produtos previstos nos AC’s. Assim para os AC’s n.ºs 200400994747, 20050010654 e 20050045814, cujas datas de desembaraço aduaneiro foram 30/08/2004, 04/02/2005 e 11/05/2005, respectivamente, se operou a decadência do direito do fisco de exigir tributos. Com relação à multa regulamentar, a decadência ocorre para o AC n.º 20040099474, porque, conforme consta no auto de infração, o termo inicial para contagem da multa diária seria em 26/02/2005. 7) A impugnante alega como contestação de mérito contra a autuação que mesmo que tenha vinculado de forma equivocada os atos concessórios aos respectivos registros de exportação, o fato é que a obrigação de exportar foi cumprida oportunamente conforme atestam os documentos que mostram o “caminho” dos produtos importados até sua exportação. Tais documentos foram anexados aos autos às fls. 2.224/3.971. Entre os documentos estão planilhas que resumem as exportações dos produtos finais. Traz alguns exemplos, citando alguns AC’s, relacionando-os com notas fiscais de entrada e saída para comprovar a utilização do insumo nas exportações. (fls. 2.073/2.074). Alega que a SECEX sempre permitiu a vinculação a posteriori e o fato de que ela tenha concedido prazo para a adaptação dos beneficiários ao novo sistema vem a comprovar que essa formalidade, até então, não tinha tamanha relevância, de modo que seu descumprimento jamais poderia ensejar uma cobrança de mais de R$26 milhões. 8) Traz argumentos em defesa dos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do não-confisco. 9) Alega também que a multa em comento não pode ser aplicada ao caso em tela, pois a obrigação descumprida é indivisível. A fiscalização impondo tal multa diária estaria punindo o tempo em que supostamente houve o descumprimento da condição para fruição do regime de drawback e não o descumprimento do regime propriamente. 10) Ao final requer a nulidade pelas falhas na apuração dos valores, em especial nos AC’s n.ºs 20060045140 e 20040099474 e pelo fato de a autuação ter se baseado em mera presunção. Requer a decadência dos créditos cujos fatos geradores ocorreram antes de 11/11/2005. No mérito, por entender que trouxe todos os documentos que comprovam as exportações e que a cobrança da multa afronta os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do não-confisco, requer o cancelamento integral do auto de infração. A 1ª Turma da Delegacia de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou procedente em parte a impugnação para cancelar a exigência da multa nos termos do Acórdão nº. 07-25.151, de 06 de julho de 2010. A instância a quo afastou a preliminar de decadência suscitada pelo recorrente e manteve o lançamento referente aos tributos devidos e suspensos em razão das importações que, em tese, estariam amparadas pelo regime de drawback. Irresignada com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário alegando, em breve síntese, que: (...) goza do regime aduaneiro especial de drawback, modalidade suspensão, para importação de subprodutos utilizados na fabricação de produtos a base de carne desidratada exportados para o exterior, como as tripas de colágeno utilizadas para envolver alguns desses produtos e os absorventes de oxigênio utilizados nas suas embalagens para fins de conservação(...); (...) teve diversas exportações realizadas entre os anos de 2006 e 2007 vinculadas a apenas dois atos concessórios ( 20050258451 e 20050207571), os quais não são objeto da autuação. Após verificar o equívoco cometido, a recorrente optou por não vincular as exportações subsequentes a quaisquer atos concessórios, de modo a corrigir os erros incorridos na vinculação dos registros de exportação aos respectivos atos concessórios(...); (...) desde o início das atividades da recorrente, o sistema da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (SECEX) vinha permitindo a vinculação a posteriori dos registros de exportação aos correspondentes atos concessórios. A prática difundida no mercado e aceita pela Secex, esmo após o prazo previsto para o cumprimento da referida obrigação, sem que isso representasse qualquer óbice para que os atos concessórios fossem devidamente baixados no sistema. Ocorre que, com a implementação di sistema drawback web, essa vinculação a posteriori entre os registros de exportação e os atos concessórios deixou de ser possível. De acordo com esse novo sistema, os registros de exportação já efetivados ou averbados não seriam mais passíveis de alteração, devendo as informações necessárias para a comprovação do cumprimento do drawback ser vinculadas no momento da averbação do registro de exportação. Diante disso, a própria Secex conferiu aos beneficiários do regime de drawback um prazo para providenciarem a vinculação entre os registros de exportação e os atos concessórios que estivessem pendentes, tendo inclusive veiculado a Circular Secex nº. 34, de 04 de julho de 2007, instruindo os beneficiários do regime a se adequarem ao novo sistema drawback web (...); (...)não conseguiu promover todos os ajustes necessários dentro do prazo concedido pela Secex. Com isso, restaram pendentes algumas divergências entre determinados atos concessórios e os respectivos registros de exportação, que levaram a Fiscalização a concluir que a recorrente teria descumprido o regime de drawback (...); (...) Embora reconheça que vinculou de forma equivocada os atos concessórios listados no auto de infração aos respectivos registros de exportação, o fato é que a obrigação de exportar foi cumprida oportunamente, conforme atestam os documentos anexados à impugnação, que mostram o “caminho” dos insumos importados sob o regime de drawback suspensão desde a obtenção dos competentes atos concessórios até a sua exportação, devidamente incorporados aos produtos finais, para o mercado externo. Contudo, ao apreciar a impugnação a DRJ eximiu-se de analisar a farta documentação que a instruiu, alegando basicamente que os erros formais incorridos pela recorrente já seriam suficientes para configurar o descumprimento do drawback e ensejar a cobrança dos tributos suspensos pelo regime(...); (...) ao contrário do afirmado pela r. decisão recorrida, não pretendeu, em momento algum, transferir para o Fisco o ônus de comprovar o descumprimento dos requisitos do drawback. Muito pelo contrário, se a recorrente se deu ao trabalho de produzir mais de 1700 páginas de documentos para comprovar que cumpriu o compromisso de exportar em relação aos 14 atos concessórios listados no auto de infração, é evidente que a mesma assumiu o ônus de comprovar que, a despeito de algumas irregularidades formais, cumpriu o requisito essencial do regime de drawback suspensão que é a exportação dos insumos importados incorporados aos produtos finais. Assim, em nome do princípio da verdade material que rege o processo administrativo, a recorrente roga a V.Sas. que examinem a documentação acostada às fls. 2598/4356 do processo, que atesta que todos os insumos importados referidos nos atos concessórios abrangidos pela autuação forma utilizados na produção de mercadorias exportadas oportunamente, isto é, dentro do prazo de vencimento dos mencionados atos concessórios; (...) seis dos quatorze atos concessórios abrangidos pelo auto de infração foram devidamente baixados pela Secex pelo fato de que aquela Secretaria prorrogou, por meio da Portaria nº24, de 26/07/2011, a validade dos atos concessórios com vencimento original entre 01/10/2008 e 31/12/2011(...). Assim, os atos concessórios que tinham vencimentos originais no ano de 2009 tiveram seu prazo de validade prorrogado, pelo que a recorrente providenciou, junto a Secex, a baixa dos referidos atos concessórios, mediante a vinculação a novos registros de exportação. Termina sua petição requerendo que seja reformada a decisão guerreada, para que seja cancelada a parcela mantida no auto de infração, correspondente aos tributos suspensos na importação de insumos beneficiadas pelo drawback. É o Relatório. VOTO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10074.001789/2010­96  Resolução nº  3402­000.501  S3­C4T2  Fl. 101          2 RELATÓRIO  Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita  Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis:  O  presente  processo  trata  dos  Autos  de  Infração  de  fls.  02/51,  acompanhados  do  Relatório  Fiscal  de  fls.  52/92,  lavrados  para  as  seguintes exigências: Imposto de Importação, juros de mora e multa de  ofício,  no  valor  de  R$  67.685,37;  multa  regulamentar  no  valor  de  R$25.679.000,00;  IPI,  juros  de  mora  e  multa  de  ofício  no  valor  de  R$110.888,33;  Cofins,  juros  de  mora  e  multa  de  ofício  no  valor  de  R$176.467,08; PIS/PASEP, juros de mora e multa de ofício no valor de  R$37.660,51,  totalizando  um  crédito  tributário  no  valor  de  R$26.068.701,28.  Este é o relato da fiscalização:  A autuação  teve origem na ação  fiscal desenvolvida para  verificação  do  cumprimento  do  Regime  de  Drawback  Suspensão,  concedido  à  interessada  através  dos  Atos  concessórios  n.ºs  20040099474,  20050010654,  20050045814,  20060045140,  20060153288,  20065559,  20060120240,  20070122342,  20070046042,  2007069255,  20070085684, 20070122288, 20070032343 e 20070033099.  O  regime  de  drawback,  modalidade  suspensão,  permite  a  suspensão  dos  tributos  incidentes  na  importação  de  produtos  destinados  à  exportação  e  a  base  legal  para  sua  concessão  é  o  Decreto­Lei  n.º  37/66, art. 78, II. Cabe à beneficiária do regime do ônus da prova, ou  seja,  deve  demonstrar  e  provar  ao  fisco  que  cumpriu  todas  as  condições  e  requisitos  estabelecidos  para  que  se  possa  usufruir  dos  incentivos previstos neste regime. Caso não o faça, suas operações de  importação devem ser tratadas sob o regime aduaneiro comum, onde a  regra é o pagamento dos tributos. A partir de 1º de novembro de 2001,  a  concessão  e  o  acompanhamento  de  todos  os  atos  concessórios  de  drawback suspensão passaram a ser efetivados de forma eletrônica no  Siscomex, simplificando os procedimentos  tanto do contribuinte  como  da fiscalização,  já que tudo passou a ser processado eletronicamente,  inclusive algumas conferências feitas pelo próprio sistema.  Assim, analisando os atos concessórios da beneficiária,  foi verificado  que  nenhum  deles  teve  qualquer  Registro  de  Exportação  (RE)  vinculado.  Às  fls.  56/61  a  fiscalização  detalhou  os  atos  concessórios  sob  exame  com  as  informações  extraídas  do  banco  de  dados  SECEX/SISCOMEX.  Sob  intimação,  a  beneficiária  apresentou  diversos  documentos  para  tentar  comprovar as  exportações dos atos  concessórios,  com exceção  do  Ato  Concessório  (AC)  n.º  20070033099,  que  ,  por  esta  razão,  foi  considerado totalmente inadimplente.  Para  aceitação  dos  RE’s  como  comprovação  da  exportação  é  necessário  que  os  mesmo  contenham  as  informações  quanto  ao  enquadramento  da  operação  de  drawback  (códigos  81101,  81102,  81103 e 81104) e o número do AC. Esta é uma exigência prevista na  Portaria  SECEX  n.º  14/2004  e  art.  352  do  Regulamento  Aduaneiro  (Decreto n.º 4.543/2002). É o princípio da vinculação física, cuja base  Fl. 4608DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10074.001789/2010­96  Resolução nº  3402­000.501  S3­C4T2  Fl. 102          3 legal  é  o  art.  78,  I,  do Decreto­Lei  n.º  37/66.  A  fiscalização  também  traz argumentos de ordem operacional de controle da exportações para  salientar a obrigatoriedade de tais informações.  Às  fls.  65/89  são  relacionados  os  atos  concessórios  com DI’s  e RE’s  indicados  pela  beneficiária  para  comprovação  do  cumprimento  das  condições  do  regime  e  a  análise  da  fiscalização  quanto  às  correspondentes  vinculações,  concluindo  que  nenhum  RE  serve  para  extinguir  o  regime de  drawback,  pelas  razões  descritas  às  fls.  89/90,  que,  resumidamente,  consistem  em  não  vinculação,  vinculação  indevida ou vinculação em duplicidade de ato  concessório,  indicação  de  exportação  normal  e  não  de  drawback,  retificação  de  RE  após  a  averbação e RE não averbado.  Assim  sendo,  em  não  comprovado  o  efetivo  cumprimento  das  condições, limites e valores previstos nos Atos Concessórios e ainda a  não adoção de qualquer medida extintiva do regime, foram exigidos os  tributos  suspensos  desde  o  momento  da  importação  dos  insumos  estrangeiros.  Os  créditos  foram  constituídos  com  base  no  art.  173,  I  do  CTN,  os  quais  só  decaíram  em  01/01/2011  para  aqueles  AC’s mais  antigos  e  que venceram em 2005.  Também foi exigida a multa prevista no art. 107, VII, “e”, do Decreto­ Lei  n.º  37/66,  com  a  redação  da  Lei  n.º  10.833/2003,  já  que  a  contribuinte  utilizou­se,  indevidamente,  do  regime,  vez  que  mantém  suspensão dos tributos quando já não mais poderia fazê­lo. A multa em  apreço foi calculada por dia, a partir do dia seguinte ao vencimento do  Ato Concessório, até o dia do presente lançamento dos tributos.  Os  documentos  a  que  se  referem  a  fiscalização  encontram­se  às  fls.  93/2.049.  Intimada  da  autuação  em  13/11/2010,  a  interessada  apresentou  tempestivamente  a  impugnação  de  fls.  2.059/2.092,  alegando  o  que  segue:  1) A impugnante dedica­se a atividade de importação e exportação de  produtos  de  origem  animal  e  de  comercialização  de  carnes  e  seus  derivados,  notadamente  tiras  de  carne  desidratada  conhecidas  no  mercado internacional como beef jerky. Para tanto goza do regime de  drawback  para  importar  subprodutos  utilizados  na  fabricação  destes  produtos à base de carne desidratada.  2)  A  fiscalização  alega  que  a  impugnante  não  teria  comprovado  a  exportação  dos  produtos  que  constam  nos  AC  n.ºs  20040099474,  20050010654,  20050045814,  20060045140,  20060153288,  20065559,  20060120240,  20070122342,  20070046042,  2007069255,  20070085684, 20070122288, 20070032343 e 20070033099. No entanto  todos  os  materiais  importados  com  o  benefício  do  drawback  foram  empregados  na  fabricação dos  produtos  exportados,  ainda  que  tenha  ocorrido  pequenos  lapsos  no  que  diz  respeito  ao  cumprimento  das  formalidades  relacionadas  à  vinculação  dos  registros  de  exportação.  Também ocorreram problemas em razão de mudanças de funcionários,  quando foram vinculados a dois atos concessórios todas a exportações  Fl. 4609DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10074.001789/2010­96  Resolução nº  3402­000.501  S3­C4T2  Fl. 103          4 realizadas nos anos de 2006 e 2007 e por isso a impugnante optou por  não  vincular  as  exportações  subseqüentes  a  quaisquer  atos  concessórios até a correção dos erros.  3)  A  SECEX  permitia  vinculação  a  posteriori  dos  RE’s  aos  correspondentes AC’s, mesmo após o prazo previsto. Ocorre que com a  implementação do Sistema Drawback Web esta vinculação a posteriori  não foi mais possível. Apesar do prazo concedido pela SECEX para os  ajustes  necessários,  a  impugnante  não  conseguiu  realizar  todos,  restando  pendentes  algumas  divergências  que  levaram  a  fiscalização  concluir que não houve o cumprimento do regime.  4)  Preliminarmente  alega  que  houve  nulidade  do  Auto  de  Infração  posto que calculado incorretamente. Conforme se verifica da tabela no  Termo de Verificação para apuração da multa do art. 107, VII, “e”, do  Decreto­Lei  n.º  37/66,  em  relação  ao  AC  n.º  20060045140,  foi  apontado  um  total  de  13.121  dias  de  descumprimento  quando  foi  apurado  1.312  dias.  Também  em  relação  ao  AC  n.º  20040099474  a  fiscalização  considerou  o  início  da  apuração  da  multa  o  dia  26/02/2005, quando o correto seria 02/08/2005, um ano após o registro  da DI acobertada pelo AC em tela.  5) Os fiscais autuantes lançaram a multa com base em mera presunção  de que os produtos importados não foram exportados, pelo fato de que  a beneficiária não ter tido tempo hábil para promover as correções nos  registros.  Em  nenhum  momento  a  fiscalização  trouxe  elementos  que  pudessem  comprovar  o  descumprimento  do  compromisso  de  exportar  por parte da impugnante. A lavratura do auto baseado em presunção é  contrária  à  legislação  tributária,  devendo  ser  aplicado o  art.  112  do  CTN, interpretando­se da maneira mais favorável ao acusado. Também  deveria  a  fiscalização  apresentar  as  provas  para  que  a  impugnante  pudesse  se  defender,  sob  pena  de  violação  do  princípio  da  ampla  defesa  e  do  contraditório.  Não  pode  a  fiscalização  ignorar  as  exportações realizadas, utilizando­se indevidamente da presunção, sem  comprovar o descumprimento do regime.  6) O auto de infração foi lavrado em 11/11/2010, portanto só poderia  efetuar  o  lançamento  para  os  fatos  geradores  ocorridos  após  11/11/2005,  nos  termos  do  art.  150,  §  4.º  do  CTN.  Cita  doutrina  e  jurisprudência  do  STJ. O prazo  decadencial  não  admite  interrupções  nem suspensões, por isso seu termo inicial é a data do fato gerador do  imposto,  que,  no  caso  dos  tributos  incidentes  sobre  a  importação,  ocorre na data do desembaraço. Não há que se  falar que no caso de  drawback  suspensão  este  prazo  teria  início  após  o  término  do  prazo  para  a  exportação  dos  produtos  previstos  nos  AC’s.  Assim  para  os  AC’s n.ºs 200400994747, 20050010654 e 20050045814, cujas datas de  desembaraço  aduaneiro  foram  30/08/2004,  04/02/2005  e  11/05/2005,  respectivamente, se operou a decadência do direito do  fisco de exigir  tributos. Com relação à multa regulamentar, a decadência ocorre para  o AC n.º 20040099474, porque, conforme consta no auto de infração, o  termo inicial para contagem da multa diária seria em 26/02/2005.  7) A impugnante alega como contestação de mérito contra a autuação  que  mesmo  que  tenha  vinculado  de  forma  equivocada  os  atos  concessórios  aos  respectivos  registros  de  exportação,  o  fato  é  que  a  Fl. 4610DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10074.001789/2010­96  Resolução nº  3402­000.501  S3­C4T2  Fl. 104          5 obrigação de exportar  foi cumprida oportunamente conforme atestam  os documentos que mostram o “caminho” dos produtos importados até  sua  exportação.  Tais  documentos  foram  anexados  aos  autos  às  fls.  2.224/3.971.  Entre  os  documentos  estão  planilhas  que  resumem  as  exportações dos produtos finais. Traz alguns exemplos, citando alguns  AC’s,  relacionando­os  com  notas  fiscais  de  entrada  e  saída  para  comprovar a utilização do  insumo nas exportações.  (fls. 2.073/2.074).  Alega que a SECEX sempre permitiu a vinculação a posteriori e o fato  de que ela tenha concedido prazo para a adaptação dos beneficiários  ao novo sistema vem a comprovar que essa formalidade, até então, não  tinha  tamanha  relevância,  de  modo  que  seu  descumprimento  jamais  poderia ensejar uma cobrança de mais de R$26 milhões.  8)  Traz  argumentos  em  defesa  dos  princípios  da  razoabilidade,  proporcionalidade e do não­confisco.  9) Alega  também que  a multa em  comento  não  pode  ser  aplicada ao  caso  em  tela,  pois  a  obrigação  descumprida  é  indivisível.  A  fiscalização impondo tal multa diária estaria punindo o tempo em que  supostamente  houve  o  descumprimento  da  condição  para  fruição  do  regime de drawback e não o descumprimento do regime propriamente.  10) Ao  final  requer a nulidade pelas  falhas na apuração dos valores,  em especial nos AC’s n.ºs 20060045140 e 20040099474 e pelo fato de  a  autuação  ter  se  baseado  em mera  presunção. Requer  a  decadência  dos créditos cujos fatos geradores ocorreram antes de 11/11/2005. No  mérito, por entender que trouxe  todos os documentos que comprovam  as  exportações  e  que  a  cobrança  da  multa  afronta  os  princípios  da  razoabilidade,  proporcionalidade  e  do  não­confisco,  requer  o  cancelamento integral do auto de infração.  A  1ª  Turma  da  Delegacia  de  Julgamento  em  Florianópolis  (SC)  julgou  procedente em parte a impugnação para cancelar a exigência da multa nos termos do Acórdão  nº. 07­25.151, de 06 de  julho de 2010. A  instância a quo afastou a preliminar de decadência  suscitada pelo  recorrente  e manteve o  lançamento  referente  aos  tributos devidos  e  suspensos  em razão das importações que, em tese, estariam amparadas pelo regime de drawback.   Irresignada  com  a decisão  de primeira  instância,  o  sujeito  passivo  protocolou  recurso voluntário alegando, em breve síntese, que:  a)  (...)  goza  do  regime  aduaneiro  especial  de  drawback,  modalidade suspensão, para importação de subprodutos  utilizados  na  fabricação  de  produtos  a  base  de  carne  desidratada  exportados  para  o  exterior,  como as  tripas  de  colágeno  utilizadas  para  envolver  alguns  desses  produtos  e  os  absorventes  de  oxigênio  utilizados  nas  suas embalagens para fins de conservação(...);  b)  (...)  teve  diversas  exportações  realizadas  entre  os  anos  de  2006  e  2007  vinculadas  a  apenas  dois  atos  concessórios  (  20050258451  e  20050207571),  os  quais  não  são  objeto  da  autuação.  Após  verificar  o  equívoco  cometido,  a  recorrente  optou  por  não  vincular  as  Fl. 4611DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10074.001789/2010­96  Resolução nº  3402­000.501  S3­C4T2  Fl. 105          6 exportações subsequentes a quaisquer atos concessórios,  de modo a corrigir os erros incorridos na vinculação dos  registros  de  exportação  aos  respectivos  atos  concessórios(...);  c)  (...)  desde  o  início  das  atividades  da  recorrente,  o  sistema  da  Secretaria  de  Comércio  Exterior  do  Ministério  do  Desenvolvimento,  Indústria  e  Comércio  Exterior  (SECEX)  vinha  permitindo  a  vinculação  a  posteriori  dos  registros  de  exportação  aos  correspondentes  atos  concessórios.  A  prática  difundida  no  mercado  e  aceita  pela  Secex,  esmo  após  o  prazo  previsto para o cumprimento da referida obrigação, sem  que  isso  representasse qualquer óbice para que os atos  concessórios  fossem  devidamente  baixados  no  sistema.  Ocorre que, com a  implementação di sistema drawback  web,  essa  vinculação  a  posteriori  entre  os  registros  de  exportação e os atos concessórios deixou de ser possível.  De  acordo  com  esse  novo  sistema,  os  registros  de  exportação  já efetivados ou averbados não seriam mais  passíveis  de  alteração,  devendo  as  informações  necessárias  para  a  comprovação  do  cumprimento  do  drawback  ser  vinculadas  no momento  da  averbação do  registro  de  exportação.  Diante  disso,  a  própria  Secex  conferiu  aos  beneficiários  do  regime  de  drawback  um  prazo  para  providenciarem  a  vinculação  entre  os  registros  de  exportação  e  os  atos  concessórios  que  estivessem  pendentes,  tendo  inclusive  veiculado  a  Circular Secex nº. 34, de 04 de julho de 2007, instruindo  os  beneficiários  do  regime  a  se  adequarem  ao  novo  sistema drawback web (...);  d)  (...)não conseguiu promover todos os ajustes necessários  dentro  do  prazo  concedido  pela  Secex.  Com  isso,  restaram  pendentes  algumas  divergências  entre  determinados  atos  concessórios  e  os  respectivos  registros  de  exportação,  que  levaram  a  Fiscalização  a  concluir que a recorrente teria descumprido o regime de  drawback (...);  e)  (...)  Embora  reconheça  que  vinculou  de  forma  equivocada  os  atos  concessórios  listados  no  auto  de  infração aos respectivos registros de exportação, o fato é  que  a  obrigação  de  exportar  foi  cumprida  oportunamente,  conforme  atestam  os  documentos  anexados à impugnação, que mostram o “caminho” dos  insumos  importados  sob  o  regime  de  drawback  suspensão  desde  a  obtenção  dos  competentes  atos  concessórios  até  a  sua  exportação,  devidamente  incorporados  aos  produtos  finais,  para  o  mercado  Fl. 4612DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10074.001789/2010­96  Resolução nº  3402­000.501  S3­C4T2  Fl. 106          7 externo.  Contudo,  ao  apreciar  a  impugnação  a  DRJ  eximiu­se  de  analisar  a  farta  documentação  que  a  instruiu,  alegando  basicamente  que  os  erros  formais  incorridos  pela  recorrente  já  seriam  suficientes  para  configurar  o  descumprimento  do  drawback  e  ensejar  a  cobrança dos tributos suspensos pelo regime(...);  f)  (...) ao contrário do afirmado pela r. decisão recorrida,  não  pretendeu,  em  momento  algum,  transferir  para  o  Fisco  o  ônus  de  comprovar  o  descumprimento  dos  requisitos  do  drawback.  Muito  pelo  contrário,  se  a  recorrente se deu ao trabalho de produzir mais de 1700  páginas de documentos  para  comprovar que  cumpriu o  compromisso  de  exportar  em  relação  aos  14  atos  concessórios listados no auto de infração, é evidente que  a mesma assumiu o ônus de comprovar que, a despeito  de algumas irregularidades formais, cumpriu o requisito  essencial  do  regime  de  drawback  suspensão  que  é  a  exportação  dos  insumos  importados  incorporados  aos  produtos finais. Assim, em nome do princípio da verdade  material  que  rege  o  processo  administrativo,  a  recorrente roga a V.Sas. que examinem a documentação  acostada  às  fls.  2598/4356 do  processo,  que atesta  que  todos  os  insumos  importados  referidos  nos  atos  concessórios abrangidos pela autuação forma utilizados  na produção de mercadorias exportadas oportunamente,  isto é, dentro do prazo de vencimento dos mencionados  atos concessórios;  g)  (...) seis dos quatorze atos concessórios abrangidos pelo  auto de infração foram devidamente baixados pela Secex  pelo fato de que aquela Secretaria prorrogou, por meio  da  Portaria  nº24,  de  26/07/2011,  a  validade  dos  atos  concessórios  com vencimento original  entre 01/10/2008  e 31/12/2011(...). Assim, os atos concessórios que tinham  vencimentos originais no ano de 2009 tiveram seu prazo  de  validade  prorrogado,  pelo  que  a  recorrente  providenciou,  junto  a  Secex,  a  baixa  dos  referidos  atos  concessórios, mediante a vinculação a novos registros de  exportação.  Termina  sua  petição  requerendo que  seja  reformada  a  decisão  guerreada,  para  que  seja  cancelada  a  parcela  mantida  no  auto  de  infração,  correspondente  aos  tributos  suspensos na importação de insumos beneficiadas pelo drawback.  É o Relatório.      Fl. 4613DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10074.001789/2010­96  Resolução nº  3402­000.501  S3­C4T2  Fl. 107          8 VOTO O  recurso  foi  apresentado  com  observância  do  prazo  previsto,  bem  como  dos  demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar.  O recorrente apresentou diversos 1700 páginas de documentos para atestar que o  regime de drawback foi cumprido. Porém, a  instância a quo não analisou os documento pois  entendeu  que  falta  de  observância  de  todas  as  formalidades  previstas  no  regime  era motivo  suficiente para ensejar a desconsideração do drawback.  Discordo da posição da DRJ Florianópolis, pois se o recorrente conseguir provar  que  os  insumos  importados  sob  o  regime  de  drawback  suspensão  foram  incorporados  aos  produtos finais exportados, entendo cumprida a condição fundamental que rege o regime.  Neste  norte,  voto  no  sentido  de  baixar  o  processo  em  diligência  para  que  a  unidade de origem analise os 1700 documentos acostados nos autos quando da apresentação da  impugnação e elabore um relatório conclusivo sobre a utilização dos insumos importados sob o  regime de drawback suspensão nos produtos exportados pelo  recorrente. Em outras palavras,  faça  análise  se  o  recorrente  cumpriu  a  condição  de  incorporar  em  seu  produto  exportado  os  insumos importados com suspensão tributária.  Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte,  abrindo­lhe o  prazo de trinta dias para, querendo, pronunciar­se sobre o feito.  Após  todos  os  procedimentos,  que  sejam  devolvidos  os  autos  ao  CARF  para  prosseguimento do rito processual.  Sala das Sessões, 29/01/2012    GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO  Fl. 4614DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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4473054 #
Numero do processo: 10935.721518/2011-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007, 2008 JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento. É legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de ofício proporcional, não paga no vencimento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. Aplica-se aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido no principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1102-000.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: pelo voto de qualidade, manter os juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Silvana Rescigno Guerra Barreto, Francisco Alexandre dos Santos Linhares e Antonio Carlos Guidoni Filho; e por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação às demais matérias, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima - Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, e Francisco Alexandre dos Santos Linhares.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2161; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C1T2  Fl. 2          1 1  S1­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10935.721518/2011­54  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1102­000.828  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  5 de dezembro de 2012  Matéria  IRPJ  Recorrente  DSR SOLUCOES E INTELIGENCIA LOGISTICA LTDA   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2007, 2008  DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS.  Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou  de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nestas operações.  TRIBUTAÇÃO  REFLEXA  OU  DECORRENTE.  CSLL.  PIS/PASEP.  COFINS.  Aplica­se  aos  lançamentos  decorrentes  ou  reflexos  o  decidido  no  principal,  em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2007, 2008  JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO.  A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem  por  objeto  tanto  o  pagamento  do  tributo  como  a  penalidade  pecuniária  decorrente do seu não pagamento. É legítima a incidência de juros de mora, à  taxa  Selic,  sobre  o  valor  da  multa  de  ofício  proporcional,  não  paga  no  vencimento.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado: pelo voto de qualidade, manter os juros  de mora incidentes sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Silvana Rescigno Guerra  Barreto,  Francisco  Alexandre  dos  Santos  Linhares  e  Antonio  Carlos  Guidoni  Filho;  e  por     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 15 18 /2 01 1- 54 Fl. 6701DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/2011­54  Acórdão n.º 1102­000.828  S1­C1T2  Fl. 3          2 unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação às demais matérias, nos termos  do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.  Documento assinado digitalmente.  Albertina Silva Santos de Lima ­ Presidente.   Documento assinado digitalmente.  João Otávio Oppermann Thomé ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos  de  Lima, Antonio Carlos  Guidoni  Filho,  João Otávio Oppermann  Thomé,  Silvana Rescigno  Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, e Francisco Alexandre dos Santos Linhares.    Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  por  DSR  SOLUCOES  E  INTELIGENCIA LOGISTICA LTDA, contra a decisão prolatada no Acórdão n° 06­36.603, da  2ª Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba, que julgou parcialmente procedente a manifestação  de inconformidade interposta contra os autos de infração lavrados de Imposto de Renda Pessoa  Jurídica  –  IRPJ  e  reflexos  (Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  –  PIS,  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  –  COFINS,  e  Contribuição  Social  sobre o Lucro Líquido – CSLL), relativo aos anos calendários de 2007 e 2008.  A autuação se deu ante a constatação da existência de depósitos bancários de  origem não comprovada. Tendo em vista que a receita bruta auferida no ano de 2007, apurada  pela  fiscalização,  excedeu  o  limite  para  a  manutenção  da  empresa  no  regime  do  lucro  presumido,  aliado  ao  fato  de  que  em  2008  o  contribuinte  deixou  de  registrar  em  sua  contabilidade  mais  de  57%  das  receitas  apuradas  pela  fiscalização  e  também  deixou  de  registrar  na  contabilidade,  neste  mesmo  ano,  a  movimentação  financeira  de  vinte  contas  bancárias, o fisco apurou o IRPJ e a CSLL em 2008 pelo regime do lucro arbitrado.  O  contribuinte  apresentou  impugnação,  fls.  6577  a  6594,  alegando,  em  síntese, o que segue.  Sustenta  não  ser  possível  a  lavratura  dos  autos  de  infração  com  base  tão  somente  em  extratos  bancários,  e  que  os  autos  de  infração  não  podem  ser mantidos  porque  lavrados com base em “elementos probatórios” carecedores de sustentação fática, baseados em  meras suposições e presunções.  Entende que, para que a autoridade tributária possa utilizar­se de presunções,  é  preciso  que  demonstre  a  causalidade  entre  os  fatos  que  ela  conhece  e  os  possíveis  acontecimentos advindos destes fatos e que não foram trazidos a lume, o que não foi feito no  caso.  Fl. 6702DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/2011­54  Acórdão n.º 1102­000.828  S1­C1T2  Fl. 4          3 Observa que as contas­correntes bancárias, como o próprio nome diz, servem  para  registrar movimentações  financeiras  que nem  sempre  têm o  condão  de  gerar  acréscimo  patrimonial e tampouco receitas.  Cita  jurisprudência  administrativa  do  antigo  Conselho  de  Contribuintes  do  Ministério da Fazenda, e a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos que afirma ser  “ilegítimo o lançamento de imposto de renda com base apenas em extratos bancários”.  Argumenta que cumpriu com todas as exigências que a ele foram solicitadas,  inclusive abrindo mão de seu sigilo bancário e entregando todos os extratos de todas as contas  bancárias existentes no seu nome, nos quais constavam os respectivos depositantes.  Aduz que seria essencial que a fiscalização identificasse a origem de cada um  dos  depósitos,  comprovando  se  estes  podem  ter  sido  realizados  por  conta  de  serviços  de  transporte prestados pelo contribuinte. No entanto, não foi o que fez a fiscalização no presente  caso, na medida em que o próprio auditor fiscal expressamente reconhece (fls. 08 da autuação)  que não não conseguiu identificar a origem de R$ 51.640.843,31. Portanto, este valor deve ser  excluído da autuação.  Discorre  sobre  o  princípio  da  verdade  material,  e  dá  exemplo  de  um  dos  equívocos que teriam sido perpetrados pela autoridade fiscal: os valores de R$ 700.000,00 e R$  600.000,00  que  foram  depositados  pela  empresa  “Rexam  Beverage”,  na  conta  63827­7  do  Banco  Bradesco  em  10/01/2008  e  17/01/2008,  foram  entendidos  pela  fiscalização  como  pagamento de serviços prestados,  fulcrado apenas nas presunções “extrato bancário” e “ser a  Rexam cliente da contribuinte”.  Entretanto, a verdade real é que em 28/12/2007 a DSR emprestou à Rexam a  importância de R$ 1.300.000,00, e esta, por sua vez, devolveu o referido numerário através dos  dois depósitos citados acima, conforme documentação que anexa.  Contesta a autuação reflexa de PIS e de COFINS, ao fundamento de que não  há  nenhuma  relação  de  decorrência  entre  tais  contribuições  e  o  IRPJ,  conforme  a  própria  Coordenação­Geral  de  Tributação  da  Secretaria  da  Receita  Federal,  em  março  de  2005,  reconheceu ao expedir dois Pareceres de Soluções de Divergência (Pareceres n° 15 e n° 16, de  11/03/2005)  no  qual  afirmam  a  improcedência  dos  lançamentos  reflexos  de PIS  e COFINS,  quando o regime de tributação no IRPJ for o lucro arbitrado.  Por  fim,  sustenta  a  impossibilidade  de  a  multa  de  ofício  lançada  sofrer  a  incidência da  taxa SELIC, pois esta  se presta  tão  somente a corrigir o valor do principal, ou  seja,  o  valor  do  tributo  e  das  contribuições  exigidas,  jamais  podendo  atualizar  os  créditos  decorrentes de multa, como bem assentado na jurisprudência administrativa que refere.  Requer  a  declaração  de  improcedência  total  dos  autos  de  infração,  ou,  subsidiariamente,  o  expurgo  da  autuação  do  valor  de  R$  51.640.843,31,  a  nulidade  da  tributação reflexa de PIS e COFINS, e o afastamento da aplicação da taxa SELIC sobre a multa  de ofício, bem como o reconhecimento do seu direito à produção de todos os meios de prova  em direito admitidos e à eventual juntada de documentos em momento posterior.  Por meio do acórdão n° 06­36.603, que revisou o acórdão n° 06­36.345, que  continha erro material, a DRJ rejeitou o pedido de juntada de novos documentos e, no mérito,  julgou parcialmente procedentes os lançamentos, na medida em que considerou comprovados  Fl. 6703DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/2011­54  Acórdão n.º 1102­000.828  S1­C1T2  Fl. 5          4 os  depósitos  de  R$  700.000,00  e  R$  600.000,00  ocorridos  em  janeiro  de  2008,  o  que  fez  reduzir o valor dos tributos lançados.  O acórdão possui a seguinte ementa:  “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário  Ano­calendário: 2007, 2008  ERRO  MATERIAL.  CONSTATAÇÃO  PELO  CONTRIBUINTE.  PROFERIMENTO  DE  NOVO  ACÓRDÃO.  CANCELAMENTO  DO  ACÓRDÃO ANTERIOR.  Constatado  erro  material  em  decisão  anterior,  por  provocação  do  contribuinte, mediante petição, procedese ao proferimento de novo acórdão,  com o cancelamento do anterior.  Assunto: Processo Administrativo Fiscal  Ano­calendário: 2007, 2008  PROVA  DOCUMENTAL.  APRESENTAÇÃO  NA  IMPUGNAÇÃO.  PRECLUSÃO.   Nos  termos  da  legislação  do  PAF,  toda  prova  documental  deve  ser  apresentada na impugnação, sob pena de preclusão, salvo exceções previstas.  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário  Ano­calendário: 2007, 2008  JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. INCIDÊNCIA SOBRE  MULTA.  A  utilização  da  taxa  Selic  como  juros  moratórios  decorre  de  expressa  disposição  legal,  e  não  procede  a  reclamação  de  aplicação  da  taxa  Selic  sobre  a  multa  qualificada,  quando  o  demonstrativo  de  multa  e  juros  de  mora  é  claro  ao  demonstrar a incidência dos juros de mora somente sobre o principal.  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 2007, 2008  MOVIMENTAÇÃO  BANCÁRIA.  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO  DA  ORIGEM  DOS  RECURSOS.  PRESUNÇÃO  LEGAL  DE  OMISSÃO  DE  RECEITAS.   Correto  o  lançamento  fundado  na  ausência  de  comprovação  da  origem  dos  depósitos  bancários,  por  constituir­se  de  presunção  legal  de  omissão  de  receitas,  expressamente  autorizada  pelo  art.  42  da  Lei  n°  9.430/1996,  devendo  a  base  de  cálculo ser reduzida dos valores com origem justificada.  ARBITRAMENTO  DO  LUCRO.  FALTA  DE  ESCRITURAÇÃO  DE  CONTAS BANCÁRIAS.  Fl. 6704DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/2011­54  Acórdão n.º 1102­000.828  S1­C1T2  Fl. 6          5 A falta de escrituração de contas bancárias torna a contabilidade imprestável  para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, autorizando o  arbitramento do lucro.  PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO.  Versando  sobre  as  mesmas  ocorrências  fáticas,  aplica­se  ao  lançamento  reflexo alusivo ao PIS, à Cofins e à CSLL o que restar decidido no lançamento do  IRPJ.”  Cientificada desta decisão em 07/05/2012, conforme AR de fls. 6669, e com  ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 01/06/2012, fls. 6671 a 6680,  no qual, em síntese, reprisa os argumentos expostos por ocasião da inicial, exceto com relação  à  contestação  da  autuação  reflexa  de  PIS  e  de  COFINS  por  suposta  nulidade,  que  não  foi  renovada em sede recursal.  É o relatório.    Voto             Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé  O  recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  requisitos  de  admissibilidade,  dele  tomo conhecimento.  Alega a recorrente que os depósitos bancários, por si só, não constituem fato  gerador do imposto de renda, e que teria de ficar caracterizado o nexo causal verossímil entre  as supostas receitas dos depósitos levantados e o acréscimo patrimonial presumido. Nesta linha  de argumentação transcreve jurisprudência administrativa do antigo Conselho de Contribuintes  do Ministério da Fazenda, e a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que afirma  ser  “ilegítimo  o  lançamento  de  imposto  de  renda  arbitrado  com  base  apenas  em  extratos  bancários”.  Não  lhe  assiste  razão.  O  raciocínio  expendido  pela  recorrente  somente  poderia  ser  considerado  válido  na  vigência  de  legislação  pretérita  (artigo  6º,  §  5º,  da Lei  nº  8.021/1990), com base na qual, aliás, firmou­se a jurisprudência invocada pela recorrente.  Contudo, esta realidade foi diametralmente alterada com a revogação daquele  dispositivo pela Lei nº 9.430/96, cujo artigo 42 estabeleceu o seguinte, verbis:  “Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  (...)”  Fl. 6705DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/2011­54  Acórdão n.º 1102­000.828  S1­C1T2  Fl. 7          6 Nesta nova realidade erigida pelo legislador à condição de presunção legal, a  caracterização  da  ocorrência  do  fato  gerador  do  imposto  de  renda  não  se  dá  pela  mera  constatação  de  um  depósito  bancário,  isoladamente  considerada,  mas  sim  pela  falta  de  esclarecimentos  da  origem  dos  numerários  depositados.  Ou  seja,  há  uma  correlação  lógica  estabelecida pelo legislador entre o fato conhecido (ser beneficiado com um depósito bancário  sem  demonstração  de  sua  origem)  e  o  fato  desconhecido  (auferir  rendimentos),  e  é  esta  correlação  que  dá  fundamento  à  presunção  legal  em  comento,  de  que  o  dinheiro  surgido  na  conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de receitas ou rendimentos omitidos.  Trata­se,  como  é  cediço,  de  presunção  legal  relativa,  ou  seja,  que  admite  prova em contrário. Mas essa prova cabe à recorrente. Ao Fisco cabe, nos termos do indigitado  artigo,  intimar  regularmente  a  empresa  a  comprovar,  individualizadamente,  os  valores  creditados em suas contas bancárias, e isto foi feito. A justificativa para esses depósitos, bem  como a documentação hábil e idônea que venha a dar suporte à origem dos recursos creditados,  há de ser apresentada pelo contribuinte, se quiser elidir a presunção legal em comento.  Reprisando: não incumbe ao fisco demonstrar que os recursos creditados tem  origem  em  receitas  ou  rendimentos  omitidos.  É  justamente  o  contrário:  nos  termos  da  lei,  incumbe ao contribuinte demonstrar, se for o caso, que os recursos creditados não tem origem  em receitas ou rendimentos omitidos.  Por  este  motivo,  sem  qualquer  fundamento  o  pleito  de  exclusão,  do  valor  tributável, do montante de R$ 51.640.843,31, com relação ao qual a autoridade fiscal não teria  conseguido identificar a origem.  Na verdade, o que ocorreu é que, não obstante não incumbisse ao fisco fazer  qualquer  prova  no  sentido  de  que  os  depósitos  teriam  origem  em  receitas  omitidas,  no  caso  concreto a autoridade fiscal robusteceu a presunção legal em comento quando demonstrou que,  dos valores que não foram justificados pelo sujeito passivo (R$ 189.989.400,75), um total de  R$ 138.348.557,44 se referia a valores depositados ou transferidos por clientes da fiscalizada (a  diferença são os R$ 51.640.843,31).  Também sem qualquer fundamento a simples alegação, desacompanhada de  quaisquer provas, de que nem todos os  recursos creditados corresponderiam a receitas, e que  deveriam ter sido excluídas do lançamento as movimentações que representariam mero trânsito  de  recursos  financeiros  pelas  contas,  sem  capacidade  de  gerar  acréscimo  patrimonial  à  recorrente.  Isto  porque  a  fiscalização,  antes  mesmo  de  intimar  a  recorrente  a  comprovar  a  origem dos depósitos bancários, já excluíra o montante de R$ 264.616.121,79, que identificara  como  oriundo  de  transferências  de  valores  entre  contas  da  mesma  titularidade,  devoluções,  transferências de saldos, estornos, e outras razões.  Portanto, o que se verifica na análise dos autos é que o fisco fez um criterioso  e  bem  fundamentado  trabalho  que  deixou  perfeitamente  caracterizada  a  omissão  de  receitas  perpetrada pela recorrente, aliás, corretamente tributada pela modalidade do lucro arbitrado em  2008, em vista do quanto ao norte exposto.  Os créditos para os quais a recorrente trouxe documentação comprobatória já  foram reconhecidos pelo próprio fisco durante a fase investigativa (R$ 65.811.229,23) ou pela  autoridade recorrida (R$ 1.300.000,00).  Fl. 6706DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/2011­54  Acórdão n.º 1102­000.828  S1­C1T2  Fl. 8          7 Em  que  pesem  os  protestos  pelo  reconhecimento  do  direito  à  produção  de  provas, nenhum novo documento foi trazido em sede de recurso, pelo que nenhum valor mais  há para excluir.  Ainda  no  campo  das  provas,  a  alegação  trazida  no  recurso  de  que  estaria  sendo exigido da recorrente a produção de provas impossíveis (como provas negativas) não faz  qualquer sentido, haja vista que, quando a recorrente produziu provas, conforme registrado no  parágrafo acima, elas foram acatadas, o que demonstra que não se trata de exigência de prova  negativa.  Resta apenas analisar a insurgência da recorrente contra a imputação de juros,  calculados pela taxa Selic, incidentes sobre a multa de ofício.  A  este  respeito,  peço  vênia  ao  ilustre  Conselheiro  Leonardo  de  Andrade  Couto para transcrever trechos do seu voto proferido a respeito do assunto nos autos do PAF nº  16327.002295/2001­03, pugnando pela incidência dos juros, calculados à  taxa Selic, sobre as  multas punitivas, e que bem sintetizam meu entendimento sobre a questão:  “A  meu  ver,  a  previsão  de  incidência  dos  juros  de mora  sobre  a  multa  de  ofício estaria plenamente configurada no bojo do art. 161, do CTN:  Art. 161.0 crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros  de  mora,  seja  qual  for  o  motivo  determinante  da  falta,  sem  prejuízo  da  imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de  garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.  § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à  taxa de 1% (um por cento) ao mês.  (......)  Em  primeiro  lugar,  a  acepção  da  palavra  crédito  deve  ser  feita  em  consonância com o fato de que após o lançamento de ofício a multa aplicada passa a  integrar  aquele  valor.  Não  há  base  para  a  segregação  almejada,  pois  a  obrigação  tributária principal é composta tanto pelo tributo como pela penalidade pecuniária.  Não  se  quer  dizer  que  a  norma  equipare penalidade pecuniária  a  tributo  pois,  por  definição, esse último não tem natureza de sanção.  No acórdão 104­22.508 de lavra do Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA  BARBOSA, a questão foi magnificamente tratada conforme transcrição:  “Ora, se o crédito tem a mesma natureza da obrigação principal e esta  tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias, é evidente  que  o  crédito  tributário  compreende  um  e  outro.  Isso  não  quer  dizer  em  absoluto  que  o CTN  equipare  penalidade  pecuniária  a  tributo,  que  não  tem  natureza de sanção.  Nesse  mesmo  sentido,  no  art.  142  que  define  o  procedimento  de  lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não  esqueceu de mencionar a  imposição da penalidade. Da mesma  forma, o  art.  175,  II,  ao  se  referir  à anistia como forma de exclusão do crédito  tributário,  afasta  qualquer  dúvida  que  ainda  pudesse  remanescer  sobre  a  inclusão  da  penalidade  pecuniária  no  crédito  tributário,  pois  não  seria  lícito  atribuir  ao  legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do  crédito tributário de algo que nele não está contido.  Fl. 6707DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/2011­54  Acórdão n.º 1102­000.828  S1­C1T2  Fl. 9          8 Poder­se­ia  argumentar  em  sentido  contrário  dizendo  que,  mesmo  estando a penalidade pecuniária  contida no  crédito  tributário,  ao  se  referir  a  "crédito" no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário,  mas apenas ao  tributo. Questiona­se, por exemplo, o fato de a parte  final do  caput do artigo fazer  referência à  imposição de penalidade e, portanto, se os  juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não  poderiam estar sujeitas aos mesmos juros.  Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo  como, num artigo de lei, em um capitulo que versa sobre a extinção do crédito  tributário e numa seção que trata do pagamento, forma de extinção do crédito  tributário,  a  expressão  "o  crédito  não  integralmente  pago"  possa  ser  interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário.  Sobre  a  alegada  contradição  entre  a  parte  inicial  e  a  parte  final  do  dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição, de fato  existe. Mas se trata aqui de situação como a que me referi nas considerações  iniciais,  em  que  as  limitações  da  linguagem  ou  mesmo  as  imperfeições  técnicas que o processo legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às  vezes  obscuros  ou  contraditórios,  mas  que  tais  ocorrências  não  permitem  concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria  estrutura  gramatical  do  texto,  e  não  aquela  que  melhor  harmoniza  esse  dispositivo com os demais que integram o diploma legal.  É  interessante notar que  em outro  artigo do mesmo CTN o  legislador  incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito  tributário e a penalidade. Refiro­me ao art. 157, segundo o qual "A imposição  de  penalidade  não  ilide  o  pagamento  integral  do  crédito  tributário".  Uma  interpretação apressada poderia  levar à conclusão de que a penalidade não é  parte  do  crédito  tributário,  pois  a  sua  imposição  não  poderia  excluir  o  pagamento  dela mesma.  Porém,  essa  inconsistência  gramatical  não  impediu  que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa  dela, extraísse desse tato à prescrição de que a penalidade não é substitutiva  do  próprio  tributo,  estremando  nesse  ponto  o  Direito  Tributário  de  certas  normas do Direito Civil em que penalidade é substitutiva da obrigação; de que  o  fato  de  se  aplicar  uma  penalidade  pelo  não  pagamento  do  tributo,  por  exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo.  Esse  é  o  entendimento  manifestado  por  Luciano  Amaro,  que  não  se  desapercebeu dessa incoerência gramatical do texto. Veja­se:  A  circunstância  de  o  sujeito  passivo  sofrer  imposição  de  penalidade  (por descumprimento de obrigação acessória, ou por falta de recolhimento de  tributo)  não  dispensa  o  pagamento  integral  do  tributo  devido,  vale  dizer,  a  penalidade é punitiva da infração à lei; ela não substitui o tributo, acresce­se a  ele, quando seja o caso. O art. 157 diz que a penalidade não ilide o pagamento  integral "do crédito tributário", mas como, na conceituação dos arts. 113, § 1°,  e 142, a obrigação e o crédito tributário englobariam a penalidade pecuniária,  o  que  o  Código  teria  que  ter  dito,  se  tivesse  à  preocupação  de manter  sua  coerência  interna,  é  que  a  penalidade  não  ilide  o  pagamento  integral  "do  tributo",  pois  não  haveria  sequer  possibilidade  lógica  de  uma  penalidade  excluir o pagamento de quantia correspondente a ela mesma.(Amaro, Luciano  – Direito Tributário Brasileiro, 10 ed., Atual ­ São Paul, pág. 379).”  Fl. 6708DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/2011­54  Acórdão n.º 1102­000.828  S1­C1T2  Fl. 10          9 Do até aqui exposto, estaria esclarecida a possibilidade da incidência dos juros  de mora sobre a multa de ofício. Considerando que o parágrafo primeiro do art. 161,  do CTN estabelece que os juros devem ser calculados à  taxa de 1% ao mês, salvo  disposição  de  lei  em  sentido  diverso,  cabe  agora  avaliar  a  existência  de  norma  prevendo a incidência da taxa Selic.  Ainda  que  a  discussão  envolva,  precipuamente,  fatos  geradores  ocorridos  a  partir de 01/01/97, cabe um resumo cronológico da questão com vistas a uma análise  mais  abrangente,  começando  pelo  Decreto­Lei  nº1.736/1979  (todos  os  destaques  foram acrescidos):  Art  1°  ­  O  débito  decorrente  do  imposto  sobre  a  renda  e  proventos  de  qualquer  natureza,  do  imposto  sobre  produtos  industrializados,  do  imposto  sobre  a  importação  e  do  imposto  único  sobre  minerais,  não  pago  no  vencimento,  será  acrescido  de  multa  de  mora,  consoante  o  previsto  neste  Decreto­lei.  (......)  Art 2° ­ Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão  acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do  dia  seguinte  ao  do  vencimento  e  à  razão  de  1%  (um  por  cento)  ao  mês  calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário.  Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária  e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1°.  Art  3°  ­  Entende­se  por  valor  originário  o  que  corresponda  ao  débito,  excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de  mora e ao encargo previsto no artigo 1° do Decreto­lei n°. 1.025, de 21 de  outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretos­leis n°. 1.569, de 8 de  agosto de 1977, e n°. 1.645, de 11 de dezembro de 1978.  (......)  Constata­se a previsão da incidência de juros de mora, a razão de 1% ao mês,  sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional calculados sobre  o  valor  originário,  o  que  incluiria  a  multa  de  ofício  como  se  pode  concluir  pelo  exame  do  art.  3º.  Nesse  ponto,  nota­se  que  o  parágrafo  único  do  art.  2º  expressamente  registrava  a não  incidência dos  juros  sobre  a multa de mora, e não  sobre a multa de oficio.  Posteriormente, o Decreto­ Lei nº 2.323/87 ao  tratar da matéria manteve em  essência  a  redação  supra  transcrita,  o  que  implica  na  incidência  dos  juros  sobre  a  multa  de  ofício,  ressalvando  apenas  que  o  cálculo  seria  feito  sobre  o  débito  atualizado monetariamente:  Art.  16. Os débitos,  de qualquer natureza, para  com a Fazenda Nacional  e  para  com  o  Fundo  de  Participação  PIS­PASEP,  serão  acrescidos,  na  via  administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do  vencimento,  à  razão  de  1%  (um  por  cento)  ao mês  calendário  ou  fração  e  calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decreto­ lei.  Parágrafo único. Os  juros de mora não  incidem sobre o  valor da multa de  mora de que trata o artigo anterior.   Fl. 6709DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/2011­54  Acórdão n.º 1102­000.828  S1­C1T2  Fl. 11          10 A seguir, a Lei nº 7.738/89 trouxe uma inovação, qual seja, restringiu os juros  de mora aos tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda o que  implicou na não incidência sobre as penalidades, inclusive a multa de ofício:  Art.  23.  Os  tributos  e  contribuições  administrados  pelo  Ministério  da  Fazenda, que não  forem pagos até a data do vencimento,  ficarão sujeitos à  multa de mora de trinta por cento e a juros de mora na forma da legislação  pertinente,  calculados  sobre  o  valor  do  tributo  ou  contribuição  atualizado  monetariamente.  (........)  Na mesma linha conduziu­se a Lei nº 7.799/89. Algum tempo depois, com o  advento da Lei 8.218/91, retornou a incidência dos juros de mora sobre os débitos de  qualquer natureza com a Fazenda Nacional, e calculados com base na TRD:  Art. 3º ­ Sobre os débitos exigíveis de qualquer natureza para com a Fazenda  Nacional,bem  como  para  o  Instituto  Nacional  de  Seguro  Social  ­  INSS,  incidirão:  I ­ juros de mora equivalentes à Taxa Referencial Diária ­ TRD acumulada,  calculados  desde  o  dia  em  que  o  débito  deveria  ter  sido  pago,  até  o  dia  anterior ao do seu efetivo pagamento; e  II ­ multa de mora aplicada de acordo com a seguinte Tabela:  (.......)  §2  –  A  multa  de  mora  de  que  trata  este  artigo  não  incide  sobre  o  débito  oriundo de multa de ofício   Logo  após,  a  Lei  nº  8.383/91,  com  vigência  a  partir  de  01/01/1992,  estabeleceu que os débitos tributários seriam expressos em UFIR, o que incluiria a  multa de ofício. Além disso, a norma trouxe de volta a taxa de juros de 1% ao mês,  com incidência sobre tributos e contribuições:  Art.  59.  Os  tributos  e  contribuições  administrados  pelo  Departamento  da  Receita  Federal,  que  não  forem  pagos  até  a  data  do  vencimento,  ficarão  sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento  ao  mês­calendário  ou  fração,  calculados  sobre  o  valor  do  tributo  ou  contribuição corrigido monetariamente.  (......)  Com o advento da Lei nº 8.981/95, deflagrou­se o processo de adequação dos  débitos  tributários  ao  novo  padrão  monetário  voltado  para  a  desindexação  da  economia. Além de estabelecer a conversão dos débitos de UFIR para Real a norma  trouxe o cálculo dos juros com base na taxa de captação pelo Tesouro Nacional da  Dívida Pública:  Art.  84. Os  tributos  e  contribuições  sociais  arrecadados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos  fatos  geradores  vierem  a  ocorrer  a  partir  de  1°  de  janeiro  de  1995,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  tributária  serão acrescidos de:  I ­ juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro  Nacional relativa à Divida Mobiliária Federal Interna;  Fl. 6710DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/2011­54  Acórdão n.º 1102­000.828  S1­C1T2  Fl. 12          11 (.....)  A Selic foi introduzida pela Lei nº 9.065/95:  Art. 13. A partir de 1° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do  parágrafo único do art. 14 da Lei n°. 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a  redação dada pelo art 6° da Lei n°. 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo  art. 90 da Lei n°. 8.981, de 1995, o art. 84,  inciso I,  e o art. 91, parágrafo  único,  alínea  a.2,  da  Lei  n°.  8.981,  de  1995,  serão  equivalentes  à  taxa  referencial do Sistema Especial  de Liquidação e de Custódia  ­  SELIC para  títulos federais, acumulada mensalmente.  Importantíssimo detalhe quanto ao art. 84 da Lei 8.981/95, foi a inclusão do §  8º no  seu  texto,  alteração  trazida pela Medida Provisória nº 1.110, de 30/08/1995,  nos seguintes termos:  §  8º  O  disposto  neste  artigo  aplica­se  aos  demais  créditos  da  Fazenda  Nacional,  cuja  inscrição  e  cobrança  como  Divida  Ativa  da  União  seja  de  competência da Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional.  Também merece destaque os artigos 25 e 26 da Medida Provisória nº 1.542,  de 18 de dezembro de 1996 (convertida na Lei nº 10.522/2002, arts. 29 e 30)  Art. 25. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os  decorrentes  de  contribuições  arrecadadas  pela União,  constituídos  ou  não,  cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não  hajam sido objeto de parcelamento requerido até 30 de agosto de 1995, ou  que,  na  data  de  início  de  vigência  desta  norma  ainda  não  tenham  sido  encaminhados  para  a  inscrição  em  Dívida  Ativa  da  União,  expressos  em  quantidade  de  UFIR,  serão  reconvertidos  para  Real,  com  base  no  valor  daquela fixado para 1º de janeiro de 1997.  (...)  Art. 26. Em relação aos débitos referidos no artigo anterior, bem como aos  inscritos  em  Dívida  Ativa  da  União,  passam  a  incidir,  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  juros  de mora  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais, acumulada  mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por  cento no mês de pagamento.  Antes  de  adentrar  à  legislação  específica  aplicável  aos  fatos  geradores  ocorridos a partir de 01/01/1997 (Lei nº 9.430/96) cabe um avaliação do arcabouço  legal supra transcrito.  Vê­se que a legislação anterior que versou sobre a matéria referiu­se a débitos  de qualquer natureza, quando quis  fazer  incidir os  juros  sobre os débitos em geral  incluindo  a  multa  de  ofício;  ou  a  tributos  e  contribuições,  quando  a  multa  não  deveria sofrer a incidência de juros.    Assim, para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1996, houve períodos em  que  não  incidiria  os  juros  sobre  a  multa  de  ofício  por  disposição  legal,  ou  pela  ausência dela?   A resposta é que, na prática, com as sucessivas alterações legislativas isso não  ocorreu. Vamos aos fatos:  Fl. 6711DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/2011­54  Acórdão n.º 1102­000.828  S1­C1T2  Fl. 13          12 O arts.25 c/c art. 26 da MP nº 1.542/96 estabelece a incidência da taxa Selic a  partir de janeiro de 1997, sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda  Nacional  com  fatos  geradores  ocorridos  até  31/12/1994,  o  que  inclui  a  multa  de  ofício. A Lei  nº  8.38/91  determinou que  os  débitos para  com a Fazenda Nacional  fossem  convertidos  em  UFIR  ,o  que  abarcou  a  multa  de  ofício  nos  termos  do  parágrafo único do art. 58 dessa norma.  A Lei nº 8.383/91 não estabelece textualmente a incidência de juros de mora  sobra a multa de ofício mas, na verdade, essa penalidade  foi estipulada em UFIR,  sofrendo a variação desse indicador até 31/12/1994 e a taxa Selic a partir daí.    Quanto à alegação de que os dispositivos mencionados serviriam de limitação  à incidência dos juros de mora sobra a multa apenas a fatos geradores ocorridos até  31/12/1994, volto a usar os argumentos do Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA  BARBOSA, no voto acima mencionado:  “Cabe analisar, por fim, o comando constante dos artigos 29 e 30 da Lei  n°. 10.522, de 2002, introduzidos pela MP 1.542, de 18 de dezembro de 1996.  Esses  dois  artigos  em  conjunto  prevêem  a  incidência  de  juros  Selic  sobre  débitos de qualquer natureza cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de  dezembro de 1994, o que é invocado às vezes como argumento no sentido de  que  a  lei  limitou  a  incidência  dos  juros  Selic  sobre  os  débitos  de  qualquer  natureza aos fatos geradores ocorrido até 1994.  Tal conclusão, todavia, é fruto de uma análise meramente gramatical e  isolada dos dispositivos, sem preocupação com a natureza da matéria que se  pretende  regular.  É  que  os  dois  artigos  claramente  regularam  uma  situação  pendente,  decorrência  desse  processo  de  desindexação  dos  tributos,  relacionada com a Lei n°. 8.981, de 1995, em especial com o seu artigo 5°,  transcritos acima.  Relembre­se que a Lei n°. 8.981, de 1995 determinou que a partir de 1°  de janeiro de 1995, os tributos e contribuições seriam apurados em Reais (art.  6°),  e não mais em Ufir,  como até então. Mas os débitos  relativos aos  fatos  geradores até 31 de dezembro de 1994, continuavam sendo apurados em Ufir  e convertidos para Reais apenas quando do pagamento (art. 5"), e sobre esses  incidiam juros de mora de 1% ao mês (art. 84, § 5°).  O  que  a  Medida  Provisória  n°.  1.541,  de  18  de  dezembro  de  1996  (convertida na Lei n". 10.522, de 2002) fez foi regular a situação dos débitos  relativos a  fatos geradores até 31/12/1994 que, por não  terem sido pagos ou  parcelados,  continuavam  sendo  controlados  e  apurados  em Ufir,  ao mesmo  tempo em que determinava que, a partir de 1° de janeiro de 1997, os débitos  relativos  a  fatos  geradores  ocorridos  até  31/12/1994  seriam  lançados  em  Reais.  E  determinou  também  que,  a  partir  de  1°  de  janeiro  de  1997,  esses  mesmos débitos, que antes eram atualizados monetariamente e acrescidos de  juros de mora de 1% ao mês, e, a partir de 1° de janeiro de 1997 não mais  sofreriam correção monetária, passariam a incidir juros de mora com base na  taxa Selic.  Portanto,  não  há  como  entender  que  os  artigos  25  e  26  da  Medida  Provisória n°. 1.541, de 1996, estivessem limitando a incidência de juros Selic  aos débitos referentes a fatos geradores até 31/12/1994, mas apenas que eles  regulavam uma situação especifica desses débitos. Ao contrário, o fato de a lei  determinar  a  incidência de  juros Selic,  a partir de  janeiro de 1997,  sobre os  débitos  de  qualquer  natureza,  relacionados  com  fatos  geradores  até  Fl. 6712DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/2011­54  Acórdão n.º 1102­000.828  S1­C1T2  Fl. 14          13 31/12/1994, denota uma clara tendência de aplicação de juros Selic sobre os  débitos em geral.”   (....)  Do até  aqui  exposto,  parece­me  ter  ficado patente  a  incidência dos  juros de  mora sobre a multa de ofício para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1996 ainda  que se considere, o que não é meu caso saliente­se, que as disposições do art. 161,  do CTN seriam insuficientes para autorizar essa cobrança.  Para  os  fatos  geradores  ocorridos  a  partir  da  01/01/1997,  objeto  maior  dos  recursos interpostos, a análise envolve fundamentalmente o alcance do art. 61 da Lei  nº 9.430/96.  (...)  O dispositivo em questão estabelece:  Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos  na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa  de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.  A  interpretação  literal  levou  julgadores  de  muito  respeito  nesta  Corte  a  entenderem que a expressão “decorrentes” excluiria a multa de ofício do dispositivo,  pois esta não decorreria dos  tributos ou contribuições, mas do descumprimento do  dever legal de pagá­lo.   Tenho  dificuldade  de  vislumbrar  base  razoável  para,  diante  de  diferentes  possibilidades semânticas de um vocábulo, assumir­se apenas uma delas como ponto  de partida da interpretação do texto de uma lei, quando essa acepção deveria ser o  ponto de chegada.  Podemos fazer o que também se poderia denominar de interpretação literal da  norma em comento e chegar a uma conclusão diametralmente oposta.  Dizer que os “débitos decorrentes de tributos e contribuições” ou, em outras  palavras,”débitos cuja origem remonta a tributos e contribuições” se sujeitam a juros  de  mora,  não  é  o  mesmo  que  afirmar  que  “apenas  os  débitos  de  tributos  e  contribuições submeter­se­iam aos juros de mora.  Assim,  para  que  os  juros  moratórios  atingissem  apenas  os  tributos  e  contribuições a redação do dispositivo deveria ser:  Os débitos de tributos e contribuições para com a União, administrados pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão  acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento,  por dia de atraso.  Essa  redação  seria mais  condizente  com  a  sistemática  historicamente  usada  pelo legislador para definir a incidência dos juros de mora. Como visto em momento  anterior neste voto, a norma referiu­se a débitos de qualquer natureza, quando quis  fazer  incidir  os  juros  sobre  os  débitos  em  geral  incluindo  a multa  de  ofício;  ou  a  tributos e contribuições, quando a multa não deveria sofrer a incidência de juros.   Fl. 6713DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/2011­54  Acórdão n.º 1102­000.828  S1­C1T2  Fl. 15          14  Entretanto a redação não é essa, Não apenas é impossível ignorar a expressão  “decorrentes de” , como deve­se dar a ela efeito includente, e não excludente como  quer ver a corrente de entendimento da qual discordo.  Além disso, não é demais ratificar a indissociabilidade da multa de ofício e do  principal,  após  a  formalização  do  lançamento.  Não  é  lógico  que  valor  do  tributo  sofra a  incidência de  juros moratórios,  enquanto que a multa de ofício não,  sendo  que ambas as verbas fazem parte de um mesmo todo.  Ainda resta o argumento no sentido de que o entendimento quanto à inclusão  da multa  de  ofício  na  expressão  “débitos  decorrentes  de  tributos  e  contribuições”  implicaria na incidência de multa de mora sobre a multa de ofício.  Nesse ponto, socorro­me novamente do voto pelo proferido pelo Conselheiro  PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA que enfrenta a questão com maestria:  “Sustentam os que defendem a interpretação de que o art. 61 da Lei n°.  9.430,  de  1996  dirige­se  apenas  aos  tributos  e  contribuições;  que,  a  se  entender que a multa de oficio está contida no  termo débitos decorrentes de  tributos e contribuições, o dispositivo estaria prevendo a incidência de multa  de mora sobre a multa de oficio. Assim como quando da análise do art. 161 do  CTN, aqui, da mesma forma, esse argumento está associado a um critério de  interpretação  do  texto  legal  com  base  na  leitura  que  melhor  harmoniza,  do  ponto de vista gramatical, o próprio texto o que, como se viu, não é a melhor  forma de se apreciar a questão.  Verifico, contudo, que neste caso sequer existe a contradição na forma  como  apontada  e  que  a  interpretação  proposta  não  a  soluciona. De  fato,  ao  prever  que  sobre  os  débitos  incidirá  multa  de  mora,  entendendo­se  que  a  multa de oficio integra o débito, a análise meramente gramatical do texto leva  à  conclusão  de  que  o  dispositivo  prescreve  a  incidência  da  multa  de  mora  sobre a multa de oficio. Superando­se, entretanto, a mera leitura gramatical do  texto e examinando­o como parte de um conjunto normativo mais amplo, ver­ se­á que tal conclusão não é possível, o que afasta a contradição.  É que, como se sabe, a multa de mora e a multa de oficio se excluem  mutuamente, de modo que uma não se aplica onde se aplica a outra. Assim,  não haveria hipótese de que, quando da aplicação da multa de mora, na  sua  base esteja a multa de oficio. Esse fato não pode ser visualizado com a mera  leitura  isolada  dos  dispositivos,  mas  é  facilmente  percebido  quando  se  examina  conjuntamente  os  artigos  44  e  61  da  Lei  n°.  9.430,  de  1996.  O  primeiro,  prescreve que, nos  casos de  lançamento de oficio,  serão  aplicadas  multa de oficio de 75% ou 150%, conforme o caso, o que exclui a incidência,  nas mesmas hipóteses, da multa de mora. Portanto, não há como se concluir  que o art. 61, ao prever a aplicação da multa de mora no caso de pagamento  de débitos decorrentes de tributos e contribuições, inclusive a multa de oficio,  em atraso estaria determinando a incidência daquela sobre esta.”   O Decreto nº 3000/99 que aprovou o Regulamento do Imposto de Renda para  1999 (RIR/99) tem dispositivo específico sobre a incidência da multa de mora, com  matriz legal justamente no art. 61 da Lei nº 9.430/96:  Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica  serão  acrescidos  de  multa  de  mora,  calculada  à  taxa  de  trinta  e  três  centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61).  Fl. 6714DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/2011­54  Acórdão n.º 1102­000.828  S1­C1T2  Fl. 16          15 (.......)  § 3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor  do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de  lançamento de oficio.  O  dispositivo  supra  transcrito  expõe  em  definitivo  a  fragilidade  da  interpretação  do  texto  sob  o  aspecto  exclusivamente  gramatical.  Aqui,  a  exceção  estabelecida no § 3º deixa claro que o caput do art. 950, bem como de sua matriz  legal o caput do art. 61, da Lei nº 9.430/96, englobam a multa de ofício.”  Por fim, cumpre destacar ainda que o entendimento exposto no presente voto  coaduna­se  com  o  que  tem  decidido  o  STJ,  conforme  se  pode  verificar  nas  ementas  abaixo  transcritas:  “TRIBUTÁRIO ­ PROCESSO CIVIL ­ MULTA PUNITIVA ­ CORREÇÃO  MONETÁRIA ­ JUROS DE MORA ­ INCIDÊNCIA.  1.  Incide  juros  de  mora  e  correção  monetária  sobre  o  crédito  tributário  consistente em multa punitiva.  2. Perfeitamente cumuláveis os juros de mora, a multa punitiva e a correção  monetária. Precedentes.  3.  Recurso  especial  não  provido.”  (STJ,  2ª  T,  REsp  1146859/SC,  Rel.  Ministra Eliana Calmon, publ: 11/05/2010)  “TRIBUTÁRIO.  MULTA  PECUNIÁRIA.  JUROS  DE  MORA.  INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE.  1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual  integra o crédito tributário.  2. Recurso especial provido.” (STJ, 2ª T, REsp 1129990/PR, Rel. Ministro  Castro Meira, publ: 14/09/2009)  Com  as  considerações  acima,  entendo  cabível  a  incidência  de  juros  Selic  sobre a multa punitiva aplicada.  Para concluir, quanto aos lançamentos decorrentes ou reflexos (CSLL, PIS e  Cofins),  deve­se  aplicar  a  eles  a mesma  decisão  adotada  quanto  à  exigência  do  lançamento  principal (IRPJ), em razão da relação de causa e efeito que os vincula.  Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário.  É como voto.  João Otávio Oppermann Thomé ­ Relator                  Fl. 6715DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/2011­54  Acórdão n.º 1102­000.828  S1­C1T2  Fl. 17          16                 Fl. 6716DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA

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Numero do processo: 19515.004901/2010-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 Ementa: DO ARBITRAMENTO DE LUCRO. POSSIBILIDADE. PREVISÃO LEGAL. Correta a medida fiscal de arbitramento do lucro na forma do art. 530, inciso III, do RIR, se verificada omissão e ausência de justificativado recorrente em apresentar ou permitir o acesso do agente de fiscalização aos documentos previstos no art. 251 do RIR. EXCLUSÕES PREVISTAS PELA LEGISLAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. RECEITA BRUTA. Pela leitura do artigo 532 c/c o artigo 224, ambos do RIR, é possível a exclusão da receita bruta para o arbitramento do lucro: as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o IPI e o ICMS ST. Entretanto, não há que se falar em exclusões da receita bruta quando inexistentes valores a serem excluídos. Em virtude da apuração do lucro por arbitramento, o ônus da prova incumbia ao Recorrente. PROVA EMPRESTADA. A utilização deinformações prestadas pelo próprio sujeito passivo ao Fisco Estadual por convênio de cooperação não se configura como prova emprestada. DA MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. SÚMULA N. 2 DO CARF. A apresentação de DIPJ e DCTF zeradas, quando no mesmo período o Recorrente auferiu receita bruta caracteriza sonegação dolosa, sendo cabível a aplicação de multa de ofício qualificada em 150%, nos termos do art. 44 da Lei n. 9.430/96. A alegação de que a multa de ofício qualificada em 150% sobre o valor do tributo é inconstitucional por violar os princípios constitucionais do não confisco, da proporcionalidade, da moralidade, e da razoabilidade, exige a análise de inconstitucionalidade da lei tributária. A Súmula no 2 do CARF veda a análise de inconstitucionalidade da lei tributária, não podendo o CARF se pronunciar sobre a matéria.
Numero da decisão: 1302-000.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Roberto Cortez, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Andrada Marcio Canuto Natal, Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO     2 razoabilidade,  exige  a  análise  de  inconstitucionalidade  da  lei  tributária.  A  Súmula  no  2  do  CARF  veda  a  análise  de  inconstitucionalidade  da  lei  tributária, não podendo o CARF se pronunciar sobre a matéria.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento  ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.  (assinado digitalmente)  LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO – Presidente em exercício.   (assinado digitalmente)  MARCIO RODRIGO FRIZZO ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho  Machado (Presidente), Paulo Roberto Cortez, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira,  Andrada Marcio Canuto Natal, Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo.    Fl. 258DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº19515.004901/2010­89  Acórdão n.º 1302­000.981  S1­C3T2  Fl. 3          3 Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  por  COMERCIAL  FLOP  TEC  LTDA,  em  face  do  acórdão  no16­32.655  da  DRJ­SP1,  no  processo  administrativo  no  19515.004901/2010­89.  Referido  processo  trata­se  de  lançamento  de  ofício  de  tributos  federais,  relativamente aos fatos geradores ocorridos no ano­calendário de 2006,  incluindo o principal,  multa de ofício e juros de mora atualizados até 30/12/2010, efetuados por meio dos Autos de  Infração lavrados em 13/01/2011 (fls. 94 a 120) nos seguintes valores:   i)  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  –  IRPJ,  no  valor  de  R$  1.318.837,79 (fs. 94/97);  ii)  Programa  de  Integração  Social  –  PIS,  no  valor  de  R$  377.816,93  (fs.  102/105);  iii) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, no  valor de R$ 1.743.771,25 (fs. 110/113);  iv) Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  –  CSLL,  no  valor  de  R$  625.422,31 (fs. 117/120).  O  lançamento  tributário  foi  efetuado mediante  arbitramento  do  lucro,tendo  em  vista  que,embora  por  diversas  vezes,  a  recorrente  fora  intimado  a  apresentar  os  livros  e  documentos da sua escrituração (fs. 11/13, 73/74, 75/76), a mesma não os apresentou.  Com base no Convênio ICMS CONFAZ nº 144 e Convênio RFB nº 0237, a  Autoridade Fiscal da Receita Federal do Brasil solicitou junto à Secretaria da Receita Estadual  as Guia de Informação e Apuração de ICMS – GIA´sdeclaradas pelo Recorrente, e com base  nelas arbitrou o lucro da mesma e apartir dele, o lançamento dos mencionados tributos.  A  recorrentetomou  ciência  dos  lançamentos  em  28/01/2011,  por  edital  afixado  em  13/01/2011  e  desafixado  em  31/01/2011  (fs.  123),  e  o  sócio  responsável  foi  cientificado  por  via  postal  em  17/01/2011  (fl.  122).  Inconformada,  a  recorrente  apresentou  impugnação em 08/02/2011 (fs. 125 a 142), tendo suas alegações sintetizadas pela DRJ – São  Paulo, nestes termos:  IMPUGNAÇÃO  a)  o auto de infração não tem validade  jurídica  porque  a  fiscalização  ignorou  os  preceitos  e  conceitos  estabelecidos  pelo  ordenamento  jurídico  e  pela  jurisprudência  judicial,  efetuando  a  somatória  das  notas  fiscais  de  venda,  relacionadas nas GIAs, supondo o Registro de Saídas, ignorando  os  impostos  não­cumulativos  (PIS  e COFINS),  o  IPI  e  o  ICMS  substituição  tributária  cobrados  nas  referidas  operações  comerciais,  os  custos  e  despesas  arcados  pela  impugnante  e as  deduções previstas na legislação do imposto de renda;  b)  “o  arbitramento  do  lucro  é medida  extrema  que  exige  motivação  e  somente  pode  ser  utilizada  quando  da  ausência  absoluta  de  outros  elementos  suficientes  para  apuração  do  lucro  real”;  e  “com  base  na  legislação  de  regência,  para  que  a  autoridade  fiscal  arbitre  o  lucro,  deverá  Fl. 259DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO     4 antes  averiguar  aescrituração  fiscal,  investigando  elementos  concretos que permitam a apuração do lucro real”;  c)  o  lançamento  é  confessadamente  presuntivo  e  presunção  não  pode  servir  de  base  para  lançamentos tributários;  d)  “o  ônus  é  da  Fiscalização,  não  sendo  suprível,  nem  invertida  a  obrigação  com  meras  suspeitas,  suposições e ilações”;  e) “os custos das mercadorias vendidas estão  devidamente comprovados nos livros fiscais”;  f) a Constituição Federal de 1988 autoriza a  União a cobrar imposto de renda sobre acréscimo patrimonial e  não a tributar o somatório de toda a receita bruta auferida pela  empresa,  como  se  para  auferi­la  não  tivesse  havido  nenhum  dispêndio  de  despesa  ou  custo,  o  que  significaria  tributar  o  próprio patrimônio e não o lucro;  g)  “no  presente  caso  constata­se  dualidade  das  formas  de  lançamento,  sendo  a  primeira  como  receita  operacional de venda de mercadorias e a Segunda como ‘outras  receitas’, esclareceu que a expressão ‘outra receitas’ se refere a  descontos  obtidos  nas  aquisições  de mercadorias,  não  podendo  incidir  sobre  a  base  de  cálculo  para  apuração  do  lucro  arbitrado”;  h) “a autoridade autuante se valeu de suposta  omissão  de  receita,  contudo  já  conheciam  os  lançamentos  no  livro de  registro de  entrada e  saída apresentados  pela  empresa  Impugnante,  fato  que  o  obrigaria  a  proceder  a  autuação  com  base no lucro presumido, e não no arbitrado como fizeram”;  i) a prova obtida junto ao Fisco Estadual, sem  que a  impugnante dela conhecesse, constitui  prova emprestada,  ensejadora de nulidade do procedimento, conforme entendimento  pacificado  pelo  CARF,  além  de  não  sustentar  a  exigência  na  esfera  federal,  cabendo  à  fiscalização  reunir  elementos  que  configurem certeza ao lançamento;  j)  “no  guerreado  Auto  de  Infração  a  Impugnada  utilizou  como  base  de  cálculo  do  Pis  e  Cofins,  a  suposta  receita  bruta  mensal  arbitrada,  ou  seja,  mais  uma  vez  desconsiderando  completamente  a  legislação  Pátria,  não  correspondendo com a verdade os valores apurados e aplicados  no referido auto de infração”;  k)  o  regime  não  cumulativo  do  PIS  e  da  COFINS  não  pode  ser  restringido,  devendo  ser  garantido  ao  contribuinte  o  direito  de  compensar  na  apuração  das  referidas  contribuições,  o  montante  de  PIS  e  COFINS  relativo  às  operações anteriores, sem as restrições ao crédito impostas pelas  Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03;  l) a multa aplicada acima de 30% do  tributo  devido  viola  a  vedação  ao  confisco,  prevista  no  inciso  IV  do  artigo  150  da  Constituição  Federal,que  apesar  de  se  referir  apenas  a  tributo,  se  aplica  também  à  multa,  de  acordo  comjurisprudência e doutrina citadas; e  m) “a multa, enquanto obrigação tributária, é  acessória e,nessa condição, não pode ultrapassar o principal” e  Fl. 260DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº19515.004901/2010­89  Acórdão n.º 1302­000.981  S1­C3T2  Fl. 4          5 deve  obedecer  aos  princípiosda  moralidade,  da  proporcionalidade,  da  razoabilidade  e  da  capacidadecontributiva.    A  Primeira  Turma  de  Julgamento  da  DRJ­SP1  manteve  integralmente  o  lançamento, proferindo o Acórdão nº 16­32.655, de 14/07/2011  (fs. 191/204),com a  seguinte  ementa:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data  do  fato  gerador:  31/01/2006,  28/02/2006,  31/03/2006,  30/04/2006,31/05/2006,  30/06/2006,  31/07/2006,  31/08/2006,  30/09/2006, 31/10/2006,30/11/2006, 31/12/2006  LANÇAMENTOS DECORRENTES.  O  decidido  quanto  à  infração  que,  além  de  implicar  o  lançamento  de  IRPJ  implica  o  lançamento  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL),  da  Contribuição  ao  Programa  de  Integração  Social  (PIS),  da Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (COFINS)  também  se  aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível.  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA IRPJ  Data  do  fato  gerador:  31/03/2006,  30/06/2006,  30/09/2006,31/12/2006.  LUCRO  REAL.  ESCRITURAÇÃO  CONTÁBIL.  NÃOAPRESENTAÇÃO. ARBITRAMENTO.  A pessoa  jurídica optante pelo  lucro real que não apresenta os  livros  e  documentos  da  escrituração  comercial  e  fiscal  à  autoridade  fiscalizadora  deve  ter  o  seu  lucro  calculado  pelo  método arbitramento.  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  DETERMINAÇÃO  DO  IMPOSTO.REGIME DE TRIBUTAÇÃO.  Verificada  a  omissão  de  receita,  o  imposto  a  ser  lançado  de  ofício  deve  ser  determinado  de  acordo  com  o  regime  de  tributação a que estiver  submetidaa pessoa  jurídica no período  base a que corresponder a omissão.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  (PIS E COFINS).  Data  do  fato  gerador:  31/01/2006,  28/02/2006,  31/03/2006,  30/04/2006,31/05/2006,  30/06/2006,  31/07/2006,  31/08/2006,  30/09/2006, 31/10/2006,30/11/2006, 31/12/2006.  LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA. 150%.  Em  lançamento  de  ofício  é  devida  multa  qualificada  de  150%  calculadasobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi  pago ou  recolhido  quando demonstrada a presença de  dolo  na  ação ou omissão do contribuinte.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Fl. 261DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO     6   O Recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância em 03/01/2012,  por edital afixado em 19/12/2011 e desafixado em 04/01/2012 (fl. 230), e o sócio responsável  foi  cientificado  por  via  postal  em  23/12/2011  (fl.  231),  tendo  interposto  o  presente  recurso  voluntário em 06/01/2012 (fs. 232/251).Na oportunidade, repetiu integralmente os argumentos  trazidos na impugnação:  a)  O  auto  de  infração  não  tem  validade  jurídica  porque  a  fiscalização  ignorou os preceitos e conceitos estabelecidos pelo  ordenamento jurídico e pela jurisprudência judicial, efetuando a  somatória  das  notas  fiscais  de  venda,  relacionadas  nas  GIAs,  supondo  o  Registro  de  Saídas,  ignorando  os  impostos  não­ cumulativos  (PIS  e  COFINS),  o  IPI  e  o  ICMS  substituição  tributária  cobrados  nas  referidas  operações  comerciais,  os  custos  e  despesas  arcados  pela  impugnante  e  as  deduções  previstas na legislação do imposto de renda;  b)  “o  arbitramento  do  lucro  é  medida  extrema  que  exige  motivação  e  somente  pode  ser  utilizada  quando  da  ausência  absoluta de outros elementos suficientes para apuração do lucro  real”;  e  “com  base  na  legislação  de  regência,  para  que  a  autoridade  fiscal  arbitre  o  lucro,  deverá  antes  averiguar  aescrituração  fiscal,  investigando  elementos  concretos  que  permitam a apuração do lucro real”;  c) o lançamento é confessadamente presuntivo e presunção não  pode servir de base para lançamentos tributários;  d) “o ônus é da Fiscalização, não sendo suprível, nem invertida  a obrigação com meras suspeitas, suposições e ilações”;  e)  “os  custos  das  mercadorias  vendidas  estão  devidamente  comprovados nos livros fiscais”;  f)  a  Constituição  Federal  de  1988  autoriza  a  União  a  cobrar  imposto de renda sobre acréscimo patrimonial e não a tributar o  somatório de toda a receita bruta auferida pela empresa, como  se  para  auferi­la  não  tivesse  havido  nenhum  dispêndio  de  despesa  ou  custo,  o  que  significaria  tributar  o  próprio  patrimônio e não o lucro;  g)  “no  presente  caso  constata­se  dualidade  das  formas  de  lançamento,  sendo  a  primeira  como  receita  operacional  de  venda  de  mercadorias  e  a  Segunda  como  ‘outras  receitas’,  esclareceu que a expressão ‘outra receitas’ se refere a descontos  obtidos  nas  aquisições  de  mercadorias,  não  podendo  incidir  sobre a base de cálculo para apuração do lucro arbitrado”;  h)  “a  autoridade  autuante  se  valeu  de  suposta  omissão  de  receita,  contudo  já  conheciam  os  lançamentos  no  livro  de  registro  de  entrada  e  saída  apresentados  pela  empresa  Recorrente,  fato  que  o  obrigaria  a  proceder  a  autuação  com  base no lucro presumido, e não no arbitrado como fizeram”;  i) a prova obtida junto ao Fisco Estadual, sem que a Recorrente  dela  conhecesse,  constitui  prova  emprestada,  ensejadora  de  nulidade  do  procedimento,  conforme  entendimento  pacificado  pelo CARF, além de não sustentar a exigência na esfera federal,  cabendo à fiscalização reunir elementos que configurem certeza  ao lançamento;  Fl. 262DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº19515.004901/2010­89  Acórdão n.º 1302­000.981  S1­C3T2  Fl. 5          7 j)  “no  guerreado  Auto  de  Infração  a  Recorrida  utilizou  como  base de cálculo do Pis e Cofins, a suposta receita bruta mensal  arbitrada,  ou  seja,  mais  uma  vez  desconsiderando  completamente  a  legislação Pátria,  não  correspondendo  com  a  verdade  os  valores  apurados  e  aplicados  no  referido  auto  de  infração”;  k) o regime não cumulativo do PIS e da COFINS não pode ser  restringido,  devendo  ser  garantido  ao  contribuinte  o  direito  de  compensar na apuração das referidas contribuições, o montante  de  PIS  e  COFINS  relativo  às  operações  anteriores,  sem  as  restrições  ao  crédito  impostas  pelas  Leis  nºs  10.637/02  e  10.833/03;  l)  a  multa  aplicada  acima  de  30%  do  tributo  devido  viola  a  vedação  ao  confisco,  prevista  no  inciso  IV  do  artigo  150  da  Constituição Federal,que apesar de  se  referir apenas a  tributo,  se  aplica  também  à  multa,  de  acordo  comjurisprudência  e  doutrina citadas; e  m) “a multa, enquanto obrigação tributária, é acessória e,nessa  condição, não pode ultrapassar o principal” e deve obedecer aos  princípiosda  moralidade,  da  proporcionalidade,  da  razoabilidade e da capacidadecontributiva.  É o relatório.  Fl. 263DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO     8 Voto            Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo  O recurso voluntário apresentado é tempestivo e dele conheço.    1. DAS ALEGAÇÕES DE MERITO  1.1 Do Arbitramento do Lucro  A  recorrente  pretende  que  seja  declarado  nulo  o  arbitramento  do  lucro  utilizado para o lançamento do IRPJ e reflexos, argumentando que a autoridade tributária não  excluiu as deduções previstas pela legislação do imposto de renda.  Antes de analisar as deduções previstas pela legislação do imposto de renda,  passo à análise da possibilidade de arbitramento do lucro da recorrente no caso concreto, nos  termos do art. 530, III, do RIR.  Trata­se de  empresa que optou pela apuração do  IRPJ  trimestralmente pelo  lucro real (fl. 14). E, em decorrência da apuração do lucro real, advém a obrigação acessória de  manter a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais:  Art.251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro  real  deve  manter  escrituração  com  observância  das  leis  comerciais e fiscais (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 7º).  Parágrafo  único.  A  escrituração  deverá  abranger  todas  as  operações  do  contribuinte,  os  resultados  apurados  em  suas  atividades  no  território  nacional,  bem  como  os  lucros,  rendimentos  e  ganhos  de  capital  auferidos  no  exterior  (Lei  nº  2.354,  de  29  de  novembro  de  1954,  art.  2º,  e  Lei  nº  9.249,  de  1995, art. 25).  Não o fazendo, ou colocando qualquer empecilho ao acesso da autoridade a  tais documentos, outra via não há senão a adoção da medida eleita pela autoridade fiscal em  apreço (lucro arbitrado).  O Recorrente foi  intimado por inúmeras vezes a apresentar a documentação  aludida no dispositivo, veja­se:  1)  Em  06/01/2010  –  Termo  de  Início  de  Fiscalização  (fl.  05),  cientificado por meio do Edital 193/2009 (fl. 08);  2)  Em  04/01/2010  –  Termo  de  Início  de  Fiscalização  (fl.  08),  cientificado o sócio por via postal (fl. 12);  3)  Em  01/02/2010  –  Termo  de  Intimação  Fiscal  (fl.  73),  cientificado por via postal (fl. 74);  4)  Em  12/04/2010  –  Termo  de  Intimação  Fiscal  (fl.  75),  cientificado por via postal (fl. 76).  Entretanto,  compulsando o presente processo, verifico que  a  recorrente não  apresentou  a  documentação  requisitada,  e  tambémnão  apresentou  qualquer  manifestação  ou  justificativa de não atender à obrigação acessória de tolerar a fiscalização.  Não houve apresentação dos livros fiscais obrigatórios, conforme se constata  no Termo De Fiscalização, folhas 87:    Fl. 264DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº19515.004901/2010­89  Acórdão n.º 1302­000.981  S1­C3T2  Fl. 6          9     Assim, deve ser descartada a alegação de que a autoridade tributária deveria  averiguar a escrituração fiscal, afinal, o Recorrente foi intimado por diversas vezes a apresentar  a escrituração fiscal para que a autoridade tributária pudesse apurar o lucro real, entretanto, o  mesmo não apresentou, e nem justificou a não apresentação.  Destarte,  não  restou  alternativa  à  autoridade  fiscal  senão  proceder  com  o  arbitramento do lucro, conforme permissivo do art. 530, inciso III, do RIR, veja:  Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano­ calendário,  será  determinado  com  base  nos  critérios  do  lucro  arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430,  de 1996, art. 1º):  [...]  III ­ o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária  os  livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o  Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527;   Não obstante, a recorrente não impugnou o valor da receita bruta arbitrada.  Ademais,  não  haveria  como  prestar  esclarecimentos  acerca  da  diferença  apurada  entre  a  receita  bruta  arbitrada  com  base  nas  GIAS´s  do  ICMS  (fls.  49/72)  e  aquelaconstante  em  DIPJ  2007  –  ano­calendário  2006  (fls.  14/43),  pelo  simples  fato  da  documentação federal ter sido entregue zerada. (tanto DIPJ quanto DCTF).  Ainda  que  se  admita  a  possibilidade  de  a  mesma  prestar  esclarecimentos  acerca da diferença apurada entre a receita bruta arbitrada com base nas GIA’s do ICMS (fls.  49/72) e aquela constante em DIPJ 2007 – ano­calendário 2006 (fls. 14/43), a recorrente sequer  demonstra pretensão de contribuir para a aproximação máxima à verdade material. Não foram  juntados  documentos  ou  outras  provas  que  interferissem  na  apuração  do  valor  do  lucro  arbitrado.  Veja­se que o princípio da eventualidade decorrente da teoria geral do direito  processual  existe  não  só  para  fornecer  ao  julgador  teses  alternativas,  mas  igualmente  de  oferecer  subsídios  para  se  aproximar  ao  máximo  da  verdade  material  dos  fatos,  e  não  meramente  suposições  nos  termos  da  inconformidade  da  recorrente,  tanto  em  impugnação  quanto em recurso voluntário.  Fl. 265DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO     10 Repita­se,  a  recorrente  não  apresentou  qualquer  documento  ou  meio  para  apurar  a  receita  bruta  ou  descaracterizar  a metodologia  utilizada  pela  fiscalização,  restando  assim a única alternativa disponível em lei, qual seja a adotada pela fiscalização (arbitragem do  lucro, nos termos do art. 530, inciso III, do RIR).   Se mesmo  diante  da  autuação  fiscal  o  Recorrente  não  se  viu  estimulado  a  apresentá­los,  tão  pouco  justificar  a  impossibilidade  de  fazê­lo,  correta  a  medida  fiscal  de  arbitramento de lucro e lançamento tributário na forma do art. 537, do RIR.  Art. 537. Verificada omissão de receita, o montante omitido será  computado  para  determinação  da  base  de  cálculo  do  imposto  devido  e  do  adicional,  se  for  o  caso,  no  período  de  apuração  correspondente, observado o disposto no art. 532 (Lei nº 9.249,  de 1995, art. 24).  Portanto, verifico que a autoridade tributária agiu corretamente em arbitrar o  lucro da recorrente (art. 530, inciso III, do RIR/99).    1.2Das Exclusões Previstas pela Legislação do Imposto de Renda  A recorrente alega que o fisco não considerou as deduções (despesas e custos,  e vendas canceladas e impostos não cumulativos) previstas pela legislação do imposto de renda  para  apuração  da  receita  bruta  e  da  base  de  cálculo  do  Lucro  Arbitrado.  Assim  requer  a  nulidade do auto de infração.  Primeiramente vamos  analisar quanto  ao  abatimento  dos  custos  e despesas.  Para esta análise temos que analisar qual a base de cálculo do IRPJ por lucro arbitrado:  Art. 532. O  lucro  arbitrado  das  pessoas  jurídicas,  observado  o  disposto  no  art.  394,  § 11,  quando  conhecida  a  receita  bruta,  será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados  no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei  nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso  I). (RIR/99)  Em segundo plano passamos a analisar qual a base de cálculo da CSLL:  Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro  líquido,  devida  pelas  pessoas  jurídicas  que  efetuarem  o  pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei  no 8.981,  de  20  de  janeiro  de  1995,  e  pelas  pessoas  jurídicas  desobrigadas  de  escrituração  contábil,  corresponderá  a  doze  por  cento  da  receita  bruta,  na  forma  definida  na  legislação  vigente, auferida em cada mês do ano­calendário, exceto para as  pessoas  jurídicas  que  exerçam  as  atividades  a  que  se  refere  o  inciso  III  do  §  1o do  art.  15,  cujo  percentual  corresponderá  a  trinta e dois por cento.(Lei n. 9.249/1995)  Assim, para a determinação da base de cálculo:  i)  do  IRPJ  por  lucro  arbitrado  utiliza­se  o  coeficiente  de  9,6%  sobre  a  receita bruta conhecida;  ii)  da CSLL utiliza­se o coeficiente de 12% sobre a receita bruta conhecida.  Já o restante (90,4% para o IRPJ e 88% para a CSLL) da receita bruta já foi  desconsiderado a título de quaisquer custos, despesas e encargos pela legislação tributária.   Portanto,  no  caso  concreto,  destaco  que  para  a  determinação  da  base  de  cálculo  do  IRPJ  por  lucro  arbitrado  e  da  CSLL  foram  utilizados  os  coeficientes  corretos  Fl. 266DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº19515.004901/2010­89  Acórdão n.º 1302­000.981  S1­C3T2  Fl. 7          11 (legais), quais  sejam, 9,6% e 12%,  respectivamente  (fls. 90 e 114), nos  termos da  legislação  tributária,  inexistindo  assim  qualquer  tributação  sobre  o  patrimônio  como  alegado  pela  recorrente.  Ademais,  em  terceiro  plano  passamos  a  analisar  o  conceito  de  “Receita  Bruta”:  Art. 224.  A  receita  bruta  das  vendas  e  serviços  compreende  o  produto  da  venda  de  bens  nas  operações  de  conta  própria,  o  preço  dos  serviços  prestados  e  o  resultado  auferido  nas  operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31).  Parágrafo  único. Na  receita  bruta  não  se  incluem  as  vendas  canceladas,  os  descontos  incondicionais  concedidos  e  os  impostos  não  cumulativos  cobrados  destacadamente  do  comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o  prestador  dos  serviços  seja mero  depositário  (Lei  nº  8.981,  de  1995, art. 31, parágrafo único).  A  recorrente  pretende  excluir  vários  itens  do  conceito  de  “receita  bruta”,  porém, conforme supra  fundamentado, estes  itens  (custos, despesas, PIS e COFINS) não são  “descontados”  para  efeito  da  receita  bruta  no  lucro  arbitrado,  isso  se  constata  pela  simples  leitura do art. 532 c/c o art. 224, ambos do RIR, porém existe uma exceção que está prevista no  parágrafo único do art. 224 do RIR, qual seja:  a) Vendas canceladas;  b) Descontos incondicionais concedidos;  c)Impostos  não  cumulativos  cobrados  destacadamente  do  comprador ou contratante dos quais o  vendedor dos bens ou o  prestador dos serviços seja mero depositário.  Portanto, passo a manifestar detalhadamente sobre cada hipótese de exceção  acima elencada.    1.2.1 Da Exclusão do Item “a” – Vendas Canceladas  Não há que se falar em exclusão das vendas canceladas, afinal, conforme o  Anexo ao Termo de Verificação Fiscal (fl. 89), para a apuração da receita bruta a autoridade  fiscal utilizou as seguintes Códigos Fiscais:  5.102 ­ Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros  – saída para o Estado;  6.102 ­ Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros  – saída para outros Estado;  6.403 ­ Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros  em operação com mercadoria sujeita ao regime de substituição  tributária,  na  condição  de  contribuinte  substituto  –  saída  para  outros Estados.  Porém  em  contra  partida  analisando  as  guias  de  informação  e  apuração  do  ICMS  –  Código  Fiscal  de  Operação  e  Prestação  Entradas  (fls.  61/72),  verifico  que  inexiste  qualquer código de devoluçãonos meses de janeiro a dezembro de 2006 – período de apuração  do IRPJ.  Fl. 267DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO     12 Colaciono a relação dos Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOP)  de devolução (vendas canceladas):  1.200  –  DEVOLUÇÕES  DE  VENDAS  DE  PRODUÇÃO  PRÓPRIA,  DE  TERCEIROS  OU  ANULAÇÕES  DE  VALORES  1.201­ Devolução de venda de produção do estabelecimento.  Classificam­se neste código as devoluções de vendas de produtos  industrializados pelo estabelecimento, cujas  saídas  tenham sido  classificadas como “Venda de produção do estabelecimento”.  1.202–  Devolução  de  venda  de  mercadoria  adquirida  ou  recebida de terceiros.  Classificam­se  neste  código  as  devoluções  de  vendas  de  mercadorias  adquiridas  ou  recebidas  de  terceiros,  que  não  tenham sido objeto de industrialização no estabelecimento, cujas  saídas  tenham  sido  classificadas  como  “Venda  de  mercadoria  adquirida ou recebida de terceiros”.  1.203  ­  Devolução  de  venda  de  produção  do  estabelecimento,  destinada  à  Zona  Franca  de  Manaus  ou  Áreas  de  Livre  Comércio.   Classificam­se neste código as devoluções de vendas de produtos  industrializados  pelo  estabelecimento,  cujas  saídas  foram  classificadas  no  código  “5.109  ­  Venda  de  produção  do  estabelecimento, destinada à Zona Franca de Manaus ou Áreas  de Livre Comércio”.  1.204  –  Devolução  de  venda  de  mercadoria  adquirida  ou  recebida de terceiros, destinada à Zona Franca de Manaus ou  Áreas de Livre Comércio.   Classificam­se  neste  código  as  devoluções  de  vendas  de  mercadorias adquiridas ou  recebidas de  terceiros,  cujas  saídas  foram  classificadas  no  código  “5.110  ­  Venda  de  mercadoria  adquirida ou recebida de terceiros, destinada à Zona Franca de  Manaus ou Áreas de Livre Comércio”.  1.205  –  Anulação  de  valor  relativo  à  prestação  de  serviço  de  comunicação.  Classificam­se  neste  código  as  anulações  correspondentes  a  valores  faturados  indevidamente,  decorrentes  de  prestações  de  serviços de comunicação.  1.206  –  Anulação  de  valor  relativo  à  prestação  de  serviço  de  transporte.  Classificam­se  neste  código  as  anulações  correspondentes  a  valores  faturados  indevidamente,  decorrentes  de  prestações  de  serviços de transporte.  1.207 – Anulação de valor relativo à venda de energia elétrica.  Classificam­se  neste  código  as  anulações  correspondentes  a  valores  faturados  indevidamente,  decorrentes  de  venda  de  energia elétrica.  1.208  –  Devolução  de  produção  do  estabelecimento,  remetida  em transferência.  Classificam­se  neste  código  as  devoluções  de  produtos  industrializados  pelo  estabelecimento,  transferidos  para  outros  estabelecimentos da mesma empresa.  Fl. 268DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº19515.004901/2010­89  Acórdão n.º 1302­000.981  S1­C3T2  Fl. 8          13 1.209  –  Devolução  de  mercadoria  adquirida  ou  recebida  de  terceiros, remetida em transferência.  Classificam­se  neste  código  as  devoluções  de  mercadorias  adquiridas  ou  recebidas  de  terceiros,  transferidas  para  outros  estabelecimentos da mesma empresa.  2.200  ­  DEVOLUÇÕES  DE  VENDAS  DE  PRODUÇÃO  PRÓPRIA,  DE  TERCEIROS  OU  ANULAÇÕES  DE  VALORES  2.201  – Devolução  de  venda  de  produção  do  estabelecimento.  Classificam­se neste código as devoluções de vendas de produtos  industrializados pelo estabelecimento, cujas  saídas  tenham sido  classificadas como “Venda de produção do estabelecimento”.  2.202  –  Devolução  de  venda  de  mercadoria  adquirida  ou  recebida de terceiros.  Classificam­se  neste  código  as  devoluções  de  vendas  de  mercadorias  adquiridas  ou  recebidas  de  terceiros,  que  não  tenham sido objeto de industrialização no estabelecimento, cujas  saídas  tenham  sido  classificadas  como  “Venda  de  mercadoria  adquirida ou recebida de terceiros”.  2.203  – Devolução  de  venda  de  produção  do  estabelecimento,  destinada  à  Zona  Franca  de  Manaus  ou  Áreas  de  Livre  Comércio.  Classificam­se neste código as devoluções de vendas de produtos  industrializados  pelo  estabelecimento,  cujas  saídas  foram  classificadas  no  código  “6.109  ­  Venda  de  produção  do  estabelecimento, destinada à Zona Franca de Manaus ou Áreas  de Livre Comércio”.  2.204  –  Devolução  de  venda  de  mercadoria  adquirida  ou  recebida deterceiros,  destinada à Zona Franca de Manaus ou  Áreas de Livre Comércio.  Classificam­se  neste  código  as  devoluções  de  vendas  de  mercadorias adquiridas ou  recebidas de  terceiros,  cujas  saídas  foram  classificadas  no  código  “6.110  ­  Venda  de  mercadoria  adquirida ou recebida de terceiros, destinada à Zona Franca de  Manaus ou Áreas de Livre Comércio”.  2.205  ­  Anulação  de  valor  relativo  à  prestação  de  serviço  de  comunicação.  Classificam­se  neste  código  as  anulações  correspondentes  a  valores  faturados  indevidamente,  decorrentes  de  prestações  de  serviços de comunicação.  2.206  ­  Anulação  de  valor  relativo  à  prestação  de  serviço  de  transporte.  Classificam­se  neste  código  as  anulações  correspondentes  a  valores  faturados  indevidamente,  decorrentes  de  prestações  de  serviços de transporte.  2.207 ­ Anulação de valor relativo à venda de energia elétrica.  Classificam­se  neste  código  as  anulações  correspondentes  a  valores  faturados  indevidamente,  decorrentes  de  venda  de  energia elétrica.  Fl. 269DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO     14 2.208  ­  Devolução  de  produção  do  estabelecimento,  remetida  em transferência.  Classificam­se  neste  código  as  devoluções  de  produtos  industrializados  pelo  estabelecimento,  transferidos  para  outros  estabelecimentos da mesma empresa.  2.209  ­  Devolução  de  mercadoria  adquirida  ou  recebida  de  terceiros, remetida em transferência.  Classificam­se  neste  código  as  devoluções  de  mercadorias  adquiridas  ou  recebidas  de  terceiros,  transferidas  para  outros  estabelecimentos da mesma empresa.  Como exemplo, colaciono a GIA ICMS – CFOP Entradas, mês de referência:  02/2006 (fl. 62):    Portanto, o lançamento tributário está correto, pois inexistem valores a serem  excluídos  a  título de vendas  canceladas,  razão pela qual não há que se  falar  em exclusão de  vendas canceladas da receita bruta. A mesma situação fica configurada nos demais meses.    1.2.2Da Exclusão do Item “b” – Descontos Incondicionais Concedidos  Não  há  que  se  falar  em  exclusão  de  descontos  incondicionais  concedidos,  pois  a  recorrentenão  comprovou  a  existência  de  tais  descontos,  ante  a  não  apresentação  da  escrituração  contábil  e  fiscal.Em virtude do  arbitramento  (presunção  legal),  o  ônus  da prova  incumbia à recorrente.  Quanto  ao ônus da prova,  é o  entendimento deste Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais:  PRESUNÇÃO  LEGAL,  ÔNUS  DA  PROVA.  INVERSÃO.  A  instituição  de  uma  presunção  pela  lei  tributária  transfere  ao  contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não  aconteceu  em  seu  caso  particular.  LUCRO  REAL.  CONTRIBUINTE  OPTANTE,  FALTA  DE  ESCRITURAÇÃO.  ARBITRAMENTO.  A  pessoa  jurídica,  optante  da  apuração  do  imposto  pelo  Lucro  Real,  que  não  apresenta  os  livros  e  documentos  da  escrituração  comercial  e  fiscal  à  autoridade  fiscalizadora  deve  ter  o  seu  lucro  calculado  pelo  método  arbitrado.  [...](Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  Segunda  Câmara/Primeira  Seção  de  Julgamento,  Processo  n.  19515.002884/2005­88,  Acórdão  n.  1201­00.227,  Recurso  Voluntário,  Relator:  REGIS  MAGALHAES  SOARES  DE  QUEIROZ, Sessão em 09.03.2010).  Fl. 270DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº19515.004901/2010­89  Acórdão n.º 1302­000.981  S1­C3T2  Fl. 9          15 Portanto, o lançamento tributário está correto, pois inexistem valores a serem  excluídos a título de descontos incondicionais concedidos, razão pela qual não há que se falar  em exclusão de tais descontos da receita bruta.    1.2.3 Da Exclusão do Item “c” – IPI e ICMS Substituição Tributária  Os  tributos  a  serem  excluídos  são  o  IPI  e  o  ICMS  substituição  tributária,  quando o contribuínte for o responsável pela retenção.  No  caso  em  tela,  a  atividade  da  empresa  é  comércio  de  equipamentos  de  informática, aparelhos eletrodomésticos, materiais, máquinas e equipamentos de uso doméstico  ou empresarial (fl. 144 – Cláusula III, da alteração contratual da empresa).  Como é atividade comercial, há por regra a não incidência do IPI, cabendo à  recorrente provar qualquer diferença a esta regra. Sendo assim não há valor de IPI a excluir por  falta de provas da recorrente e em virtude de ser tributo atípico na atividade comercial.  No tocante a exclusão do ICMS ST, na condição de substituto tributário, esta  obrigação  em  regra  geral  é  atribuída  também  a  estabelecimentos  industriais  ou  comercais,  quando adquirem o produto de outro estado não sujeito a substituição tributária e oRecorrente  não  prova  tal  condição, mas mesmo  assim  em  diligência  perante  as Guias  de  Informação  e  Apuração do  ICMS – Código Fiscal de Operação e Prestação Saídas  (fls. 49/60)verifico que  inexistem valores de ICMS retidos por substituição tributária na condição de substituto. Veja­ se.  Como exemplo, colaciono a GIA ICMS – CFOP Saídas, mês de referência:  08/2006 (fl. 56):    Portanto, o lançamento tributário está correto, pois inexistem valores a serem  excluídos a título de IPI e ICMS ST, razão pela qual não há que se falar em exclusão de IPI e  ICMS ST da receita bruta. Nos demais meses a situação fática é a mesma.    1.3 Da Prova Emprestada   Em  relação  à  prova  da  receita  omitida  (GIA´s  apresentadas  ao  Fisco  Estadual), a  recorrente alega que não  teve conhecimento antes dos  lançamentos. Alega ainda  Fl. 271DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO     16 que  se  trata  de  prova  emprestada  que  ensejaria  a  nulidade  do  procedimento;  que  a  referida  prova não sustenta a exigência na esfera federal, cabendo à fiscalização reunir elementos que  configurem certeza ao lançamento.  Primeiramente, dispõe o art. 199 do Código Tributário Nacional:  “Art.  199.  A  Fazenda  Pública  da  União  e  as  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios  prestar­se­ão  mutuamente  assistência  para  a  fiscalização  dos  tributos  respectivos  e  permuta  de  informações,  na  forma  estabelecida,  em  caráter  geral ou específico, por lei ou convênio”.     Destarte,  amparado  no  Convênio  ICMS  CONFAZ  n°  144,  de  13.12.02  e  Convênio  RFB  n°  2337,  de  30.05.2008,  a  Autoridade  Fiscal  obteve  junto  à  Secretaria  do  Estado da Fazenda de São Paulo as mencionadas GIA's ­ Guias de Informação e Apuração do  ICMS (fl. 49/72), e com base nelas e no permissivo do art. 530, inciso III do RIR, arbitrou o  lucro do Recorrente, tendo em vista que o Recorrente não apresentou a escrituração contábil e  fiscal  requerida,  e  nem  justificou  a  falta  de  apresentação,  mesmo  tendo  sido  intimado  por  inúmeras vezes.  É  o  entendimento  desta  2ª  Turma  Ordinária  da  3ª  Câmara  da  1ª  Seção  de  Julgamento  que  a  utilização  de  informações  prestadas  pelo  próprio  sujeito  passivo  ao  Fisco  Estadual por convênio de cooperação não se configura como prova emprestada:  [...] PROVA EMPRESTADA. Não ocorre a denominada prova  emprestada  quando  não  há  utilização  de  prova  produzida  em  outro processo. No caso presente, para o ano­calendário 2001,  ocorreu  a  utilização  de  informações  prestadas  pelo  próprio  sujeito  passivo  ao  Fisco  Estadual,  conforme  previsão  em  convênio  de  cooperação.  [...]  (Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  Terceira  Câmara/Primeira  Seção  de  Julgamento,  Processo  n.  10830.007752/2007­67,  Acórdão  n.  1302­00.302,  Recurso  Voluntário,  Relator:  MARCOS  RODRIGUES DE MELLO, Sessão em 20.05.2010).  Ademais,  cumpre  salientar  que  os  autos  de  infração  estão  pautados  em  informações  fornecidas  pela  Secretaria  da  Fazenda  do  Estado  de  São  Paulo,  originalmente  prestadas  pela  própriarecorrente,  e  são  suficientes  para  dar  certeza  e  liquidez  ao  crédito  tributário e que se constituem em prova direta da omissão de receitas.  É  o  entendimento  desta  2ª  Turma  Ordinária  da  3ª  Câmara  da  1ª  Seção  de  Julgamento que é correta a  tributação de  receitas não declaradas ao  fisco  federal,  apuradas a  partir do Livro de Registro de Saídas e da Declaração e Apuração Mensal do ICMS:  ASSUNTO:  [...]  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  É  correta  a  tributação  de  receitas  não  declaradas  ao  Fisco  Federal,  apuradas  a  partir  do  Livro  de  Registro  de  Saídas  e  da  Declaração  e  Apuração  Mensal  do  ICMS  DMA.PROVA.  RECEITA INFORMADA EM LIVROS FISCAIS E DECLARADA  AO FISCO ESTADUAL. A  receita  informada  em  livros  fiscais,  ainda  que  para  fins  de  declaração  do  ICMS ao  fisco  estadual,  pode  ser utilizada como base de  cálculo para o  lançamento do  Simples,  tendo  em  vista  a  presunção  de  veracidade  da  escrituração  fiscal.  [...]  (Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  Terceira  Câmara/Primeira  Seção  de  Julgamento,  Processo  n.  10530.003531/2008­85,  Acórdão  n.  1302­000.491,  Recurso Voluntário, Relator: EDUARDO DE ANDRADE, Sessão  em 22.02.2011).  Fl. 272DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº19515.004901/2010­89  Acórdão n.º 1302­000.981  S1­C3T2  Fl. 10          17 Ante  o  exposto,  nego  provimento  ao  presente  recurso  voluntário,  pois  a  utilização  de  informações  prestadas  pelo  próprio  sujeito  passivo  ao  Fisco  Estadual  por  convênio de cooperação não se configura como prova emprestada; e as mesmas  informações  são suficientes para dar certeza e liquidez ao crédito tributário.    1.4 Lançamentos Reflexos  Os  lançamentos  relativos  à  CSLL,  COFINS  e  PIS,  objetos  do  presente  processo  constituem reflexos da exigência pertinente ao  IRPJ. Pelos  fundamentos delineados  no presente voto, restou mantida a total exigencia do crédito tributário apurado. Desta forma,  tendo  os  lançamentos  em  questão  se  pautado  nos  estritos  limites  da  legislação  de  regência,  corretomanter o crédito tributário apurado em relação à CSLL, COFINS e PIS, dado seucaráter  reflexivo.     1.4.1 Da Correta Apuração do PIS e da COFINS  O Recorrente alega que a autoridade fiscal erroneamente utilizou como base  de cálculo do PIS e da COFINS a receita bruta mensal arbitrada e que o regime não cumulativo  do PIS e da COFINS não pode ser restringido, devendo ser observado para a apuração do PIS e  da COFINS.  É correta a utilização do valor da receita omitida na determinação da base de  cálculo para o lançamento tributário do PIS e da COFINS, conforme dispõe o art. 24, § 2°, da  Lei n. 9.249/1995:  Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária  determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados  de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a  pessoa jurídica no período­base a que corresponder a omissão.  [...]  §  2o  O  valor  da  receita  omitida  será  considerado  na  determinação  da  base  de  cálculo  para  o  lançamento  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  –  CSLL,  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  –  COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições  previdenciárias incidentes sobre a receita.     Ademais, é correta a utilização das alíquotas de 0,65% para PIS e de 3% para  COFINSdo regime cumulativo, pois, as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com  base  no  lucro  arbitrado  não  estão  sujeitos  às  regras  do  regime  não  cumulativo  do  PIS  e  da  COFINS,  nos  termos  do  art.  8°,  II,  da  Lei  n.  10.637/2002  e  do  art.  10,  II,  da  Lei  n.  10.833/2003:  Art.  8o Permanecem  sujeitas  às  normas  da  legislação  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep,  vigentes  anteriormente  a  esta  Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o:   [...]  II – as pessoas  jurídicas  tributadas pelo  imposto de renda com  base no lucro presumido ou arbitrado    Fl. 273DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO     18 Art.  10.  Permanecem  sujeitas  às  normas  da  legislação  da  COFINS,  vigentes  anteriormente  a  esta  Lei,  não  se  lhes  aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o:  [...]  II  ­  as  pessoas  jurídicas  tributadas pelo  imposto  de  renda com  base no lucro presumido ou arbitrado;    1.5 Da Aplicação da Multa de Ofício correspondente a 150% do Valor do  Tributo.  O Recorrente alega que a multa de ofício de 150% sobre o valor do  tributo  deve  ser  afastada,  sendo declarada  nula,  em  razão  de  ilegalidade  e  inconstitucionalidade  por  ofensa  aos  princípios  constitucionais  do  não  confisco,  da  proporcionalidade,  moralidade  e  razoabilidade.  A aplicação da multa de ofício teve como base legal o artigo 44, inciso II, da  Lei n. 9.430/1996 (com a redação anterior da alteração  legislativa da Lei n. 11.488/2007),  in  verbis:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas,calculadas  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  tributo ou contribuição:  [...]  II – centoe cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de  fraude, definidonos arts.  71,  72  e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de  novembro  de  1964,independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis.  Insta  destacar  que  o  disposto  no  art.  71  da  Lei  n.  4.502/1964  é  causa  ensejadora para a aplicação de multa de ofício qualificada em 150%, in verbis  Art.  71.  Sonegação  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:   I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;   II ­ das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente.     Com o advento da Lei n. 11.488/2007, a multa de ofício qualificada em 150%  se manteve, nos termos do art. 44, inciso I, e § 1°, da Lei n. 9.430/1996:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:  I  –  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  impostoou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  dedeclaração  e  nos  de  declaração inexata;  [...]  §  1o  O  percentual  de  multa  de  que  trata  o  inciso  I  do  caput  desteartigo seráduplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e  73  da  Lei  no  4.502,  de  30  denovembro  de  1964,  Fl. 274DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº19515.004901/2010­89  Acórdão n.º 1302­000.981  S1­C3T2  Fl. 11          19 independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  oucriminais cabíveis.  Assim, a aplicação da multa de ofício qualificada em 150% é legal.   No  caso  concreto,  o  Recorrente  apresentou  a  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais da Pessoa Jurídica 2007 do ano­calendário 2006 (fls. 14/43) e Declaração  de Débitos e Créditos Tributários Federais do 1° e 2°  semestre de 2006  (fls. 45/48) zeradas;  entretanto, auferiu receita bruta conforme Anexo ao Termo de Verificação Fiscal (fl. 89).  Ressalto  que  somente  mantenho  a  multa  majorada  em  virtude  ambas  as  declaraçaões terem sido entregues em branco, ou zerada (IRPJ e DCTF), caso em que estando  qualquer delas corretamente preenchida e informado ao fisco, afastaria tal multa em relação a  parte informada.  Porém  neste  caso,  no  ano  de  2006,  o  Recorrente  auferiu  receita  bruta,  entretanto, apresentou DIPJ e DCTF zerada à administração pública federal, quando na verdade  tinha  operações  comerciais  a  serem  declaradas,  ou  seja,  dolosamente  omitiu  renda,  tendo  evidente intuito de impedir o conhecimento da autoridade fiscal federal da ocorrência do fato  gerador do IRPJ, do CSLL, do PIS e da COFINS.  Portanto,  trata­se de evidente caso de fraude, pois a recorrente prestou falsa  declaração  à  autoridade  fiscal  tendo  em  vista  que  apresentou  ambas  as  declarações  (DIPJ  e  DCTF) zeradas ao mesmo tempo.   Logo, constato a presença de sonegação dolosa por parte da recorrente, razão  pela qual é cabível e legal a aplicação de multa de ofício qualificada em 150%.  Quanto  a  análise  de  inconstitucionalidade  da  aplicação  da  multa  de  ofício  qualificada  em  150%  por  ofensa  aos  princípios  constitucionais  do  não  confisco,  da  proporcionalidade, da moralidade, e da razoabilidade, transcrevo a Súmula n. 2 do CARF:   “O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade da lei tributária.”  Assim,  incompetente é o CARF para analisar se a multa de ofício de 150%  sobre o valor do tributo imposto é abusiva e confiscatória, violando princípios constitucionais.  Portanto, nego provimento ao recurso.    2. CONCLUSÕES  Ante  ao  exposto,  voto  no  sentido  negar  provimento  ao  recurso  voluntário  interposto,  mantendo­se  as  exigências  do  IRPJ  e  das  contribuições  sociais:  CSLL,  PIS  e  COFINS, nos termos do relatório e voto.    (assinado digitalmente)  Márcio Rodrigo Frizzo ­ Relator               Fl. 275DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO     20                 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO

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