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Numero do processo: 11040.000375/2007-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
DIRPF. DEVOLUÇÃO DE RESTITUIÇÃO RECEBIDA INDEVIDAMENTE.
Constatado restituição indevida decorrente de posterior retificação da declaração de rendimentos, deverá ser objeto de lançamento de ofício pela autoridade lançadora.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SOUSA - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
EDITADO EM: 10/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Raimundo Tosta Santos, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy e Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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DEVOLUÇÃO DE RESTITUIÇÃO RECEBIDA INDEVIDAMENTE. Constatado restituição indevida decorrente de posterior retificação da declaração de rendimentos, deverá ser objeto de lançamento de ofício pela autoridade lançadora. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SOUSA Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. EDITADO EM: 10/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Raimundo Tosta Santos, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy e Alexandre Naoki Nishioka. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 00 03 75 /2 00 7- 02 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 89/91) interposto em 14 de junho de 2011 (fl. 89) contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) (fls. 82/85), do qual o Recorrente teve ciência em 16 de maio de 2011, (fl. 86), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 07/09, lavrado em 16 de janeiro de 2007, em decorrência omissão de rendimentos tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica, oriundos de vínculo empregatício. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2002 DIRPF. REVISÃO. A Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda de Pessoa Física – Dirpf sujeitase à revisão por parte da repartição lançadora. LANÇAMENTO. REVISÃO DE OFÍCIO. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo pode ser revisto de ofício pela autoridade administrativa, enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 89/91), pedindo a reforma do acórdão recorrido, pugnando que o imposto devido no exercício de 2003 já foi pago via processo de parcelamento de nº 11040.001096/200677 (fls.102/104), sendo incabível a dupla cobrança do imposto. É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. No que se refere ao mérito, verificase que o presente recurso cingese à cobrança de imposto de renda suplementar, relativo ao Anocalendário 2002. Cumpre esclarecer que a contribuinte apresentou, inicialmente, sua declaração de ajuste informando, como rendimentos tributáveis, no anocalendário de 2002, o montante de R$ 71.008,08 (fls. 44), DIRPF esta posteriormente retificada para requalificar determinados rendimentos, anteriormente informados como tributáveis, para isentos ou não tributáveis, reduzindo, portanto, a base de cálculo do imposto de renda para o valor de R$ 31.543,73, e, consequentemente, aumentando o valor do imposto a restituir para o montante de R$ 7.673,09 (fls.54). A requalificação de determinados valores efetuada pela Recorrente em sua declaração de ajuste retificadora apresentada em 26/02/2006 ensejou a autuação ora em Fl. 119DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11040.000375/200702 Acórdão n.º 2101001.770 S2C1T1 Fl. 112 3 discussão, pois a fiscalização entendeu ter ocorrido omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício. Vale frisar que é entendimento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, quando há a apresentação de declaração de ajuste anual em consonância com o entendimento do Fisco e, posteriormente, há apresentação de declaração retificadora de forma a subtrair rendimentos à tributação, o termo de início do prazo decadencial deslocase da data do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN). Vejase: “Exercício: 2002. DECADÊNCIA RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL DECLARAÇÃO RETIFICADORA. No caso de Declaração de Ajuste Anual apresentada em consonância com o entendimento do Fisco, porém posteriormente retificada, de forma a subtrair rendimentos à tributação, o termo de início do prazo decadencial deslocase da data do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, inciso I, do CNT). GLOSA DE DEDUÇÕES INDEVIDAS MATÉRIA NÃO IMPUGNADA ERRO NO ACÓRDÃO DA DRJ INOCORRÊNCIA. Inexistindo expressa contestação das glosas de deduções indevidas, correto o julgamento da DRJ ao considerálas matérias não impugnadas. MULTA DE OFÍ CIO QUALIFICADA RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO POR TERCEIRO AUTORIZAÇÃO DADA PELO CONTRIBUINTE INCLUSÃO DE DESPESAS INEXISTENTES PROPÓSITO DE AUMENTAR O SALDO DO IMPOSTO A RESTITUIR PROCEDÊNCIA. A retificação da Declaração de Ajuste Anual, com a inclusão de deduções sabidamente inexistentes, tãosomente com o propósito de aumentar o saldo de imposto a restituir, ainda que efetuada por terceiro, porém com a autorização do contribuinte, caracteriza o evidente intuito de fraude, justificando a imposição da multa de ofício qualificada. JUROS MORATÓRIOS TAXA SELIC APLICAÇÃO. A partir de 1º. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula nº 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes). Recurso Voluntário Negado.” (CARF, 2ª Seção, 1ª Turma Especial, Acórdão 280100.252, de 21/09/2009) “Exercício: 2002 DECADÊNCIA RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL DECLARAÇÃO RETIFICADORA . No caso de Declaração de Ajuste Anual apresentada em consonância com o entendimento do Fisco, porém posteriormente retificada, de forma a subtrair rendimentos à tributação, o termo de início do prazo decadencial deslocase da data do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, inciso I, do CTN). Fl. 120DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 GLOSA DE DEDUÇÕES INDEVIDAS MATÉRIA NÃO IMPUGNADA ERRO NO ACÓRDÃO DA DRJ INOCORRÊNCIA. Inexistindo expressa contestação das glosas de deduções indevidas, correto o julgamento da DRJ ao considerálas matérias não impugnadas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO POR TERCEIRO AUTORIZAÇÃO DADA PELO CONTRIBUINTE INCLUSÃO DE DESPESAS INEXISTENTES. Propósito de aumentar o saldo de imposto a restituir Procedência A retificação da Declaração de Ajuste Anual, com a inclusão de deduções sabidamente inexistentes, tão somente com o propósito de aumentar o saldo de imposto a restituir, ainda que efetuada por terceiro, porém com a autorização do contribuinte, caracteriza o evidente intuito de fraude, justificando a imposição da multa de ofício qualificada. JUROS MORATÓRIOS TAXA SELIC APLICAÇÃO. A partir de 1º. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula nº 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes). Recurso Voluntário Negado.” (CARF, 2ª Seção, 1ª Turma Especial, Acórdão 280100.267, de 22/09/2009. Nesse sentido, ainda, Acórdão 280100.266) Assim, devese esclarecer que, apesar de não ter sido suscitada, não houve a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito em discussão, aplicandose, in casu, a regra do art. 173, I, do CTN, ainda que se tenha iniciado o pagamento antecipado da exação. No que toca, propriamente, ao mérito do recurso, cingese à arguição do contribuinte que é incabível a dupla cobrança de imposto apurado sobre a mesma base de cálculo. Para melhor compreensão do assunto vejase os seguintes quadros elucidativos: AUTO DE INFRAÇÃO 2005 Demonstrativo de Apuração 2002 fls 101 Despesas com Instrução / Glosa 5.994,00 Despesas com dependentes / Glosa 2.544,00 Despesas Médicas 5.989,00 Total descontos glosados = Rendimentos sujeitos à tabela progressiva 14.527,00 Imposto Apurado ( 27,5%) 3.994,93 AUTO DE INFRAÇÃO 2007 Demonstrativo das Alterações na Declaração fls 95 Valor restituído conf. Decl. de 23/04/2003 fls. 44 6.902,73 Valor a restituir conf. Dem. Alt. Fls 95 2.907,80 Valor restituído indevidamente 3.994,93 EXERCÍCIO 2003 Ano Calendário 2002 APURAÇÃO E CÁLCULO EM REAIS R$ Rendimentos Tributáveis 71.008,08 Deduções 22.134,04 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11040.000375/200702 Acórdão n.º 2101001.770 S2C1T1 Fl. 113 5 Base de Cálculo 48.874,04 Imposto Devido 8.363,46 Imposto Retido na Fonte 11.271,26 Imposto já Restituído 6.902,73 Restituição recebida indevidamente 3.994,93 Imposto pago (fls. 102/105) parcelamento 3.994,93 Restituição indevida a devolver 0,00 Como se vê o primeiro auto de infração referese à glosa de despesas com instrução, com dependentes e com despesas médicas, exigindose o imposto alusivo às glosas, sem desconsiderar, contudo, o valor relativo ao comprovante de rendimentos fornecido pelo Comando do Exército (doc.38), no montante de R$ 71.008,08, valor esse corretamente informado na declaração original (fls.44). Já o segundo auto se refere à cobrança de imposto suplementar, correspondente à omissão de rendimentos tributáveis, utilizando o mesmo valor de R$ 71.008,08, relativo ao comprovante supracitado. No recurso voluntário, o recorrente não ataca a decisão à quo, concordando, inclusive com tal decisão ao tratar do equívoco (fls.90), não se instaurando o contencioso. Assim, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 122DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10670.002341/2007-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS PARA DEDUÇÃO.
As despesas médicas, assim como todas as demais deduções, dizem respeito à base de cálculo do imposto que, à luz do disposto no art. 97, IV, do Código Tributário Nacional, está sob reserva de lei em sentido formal. Assim, a intenção do legislador foi permitir a dedução de despesas com a manutenção da saúde humana, podendo a autoridade fiscal perquirir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes, rejeitando de pronto àqueles que não identificam o pagador, os serviços prestados ou não identificam na forma da lei os prestadores de serviços ou quando esses não sejam habilitados. Desta forma, a apresentação de recibos, emitidos de acordo com a legislação de regência faz prova efetiva a favor do contribuinte, e para desqualificá-los é necessário que a autoridade fiscal indique a existência de algum vicio.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-002.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS PARA DEDUÇÃO. As despesas médicas, assim como todas as demais deduções, dizem respeito à base de cálculo do imposto que, à luz do disposto no art. 97, IV, do Código Tributário Nacional, está sob reserva de lei em sentido formal. Assim, a intenção do legislador foi permitir a dedução de despesas com a manutenção da saúde humana, podendo a autoridade fiscal perquirir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes, rejeitando de pronto àqueles que não identificam o pagador, os serviços prestados ou não identificam na forma da lei os prestadores de serviços ou quando esses não sejam habilitados. Desta forma, a apresentação de recibos, emitidos de acordo com a legislação de regência faz prova efetiva a favor do contribuinte, e para desqualificá-los é necessário que a autoridade fiscal indique a existência de algum vicio. Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1904; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10670.002341/200765 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.107 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de novembro de 2012 Matéria IRPF Recorrente CARLOS PERES COUTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS PARA DEDUÇÃO. As despesas médicas, assim como todas as demais deduções, dizem respeito à base de cálculo do imposto que, à luz do disposto no art. 97, IV, do Código Tributário Nacional, está sob reserva de lei em sentido formal. Assim, a intenção do legislador foi permitir a dedução de despesas com a manutenção da saúde humana, podendo a autoridade fiscal perquirir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes, rejeitando de pronto àqueles que não identificam o pagador, os serviços prestados ou não identificam na forma da lei os prestadores de serviços ou quando esses não sejam habilitados. Desta forma, a apresentação de recibos, emitidos de acordo com a legislação de regência faz prova efetiva a favor do contribuinte, e para desqualificálos é necessário que a autoridade fiscal indique a existência de algum vicio. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 23 41 /2 00 7- 65 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10670.002341/200765 Acórdão n.º 2202002.107 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório CARLOS PERES COUTO, contribuinte inscrito no CPF/MF 003.246.046 53, com domicílio fiscal na cidade Montes Claros, Estado Minas Gerais, à Rua Dona Marucas Avelar, nº 90 – Casa , Bairro Vila Santa Maria, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Minas Gerais MG, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls.64/67, prolatada pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 70/72. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Montes Claros, em 08/10/2007, Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 03/07), com ciência através de AR, em 18/10/2007 (fl. 110), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 38.550,37 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, relativo ao exercício de 2005, correspondente ao anocalendário de 2004. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2005 onde a autoridade lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS: Conforme disposto no art. 73 do Decreto n. ° 3.000/99 RIR/99, todas as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas à comprovação ou justificação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a Intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento à Intimação, foi glosado o valor de R$ 34.150,03, deduzido indevidamente a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação. Infração capitulada no art. 8º, inciso II, alínea “a”, §§ 2° e 3°, da Lei n° 9.250, de 1995; arts. 73, 80 e 841, inciso II do Decreto n° 3.000, de 1999 – RIR, de 1999 e arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n° 15/2001. 2 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE: Conforme disposto no art. 73 do Decreto n. ° 3.000/99 RIR/99, todas as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas à comprovação ou justificação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a Intimação, até a presente data. Em decorrência do não atendimento da referida Intimação, foi glosado o valor de R$ 2.544,00, deduzido indevidamente a título de Dependentes, por falta de comprovação. Infração capitulada no art.8°, inciso II, alínea “c”, e 35 da Lei n. ° 9.250, de 1995; arts. 1°, 2° e 15 da Lei n.° 10.451, de 2002; arts. 73 e 83, e 841, inciso II, do Decreto n° 3.000, de 1999 e RIR, de 1999 e art.38 da Instrução Normativa SRF n° 15/2001. 3 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Conforme disposto no art. 73 do Decreto n. ° 3.000/99 RIR/99, todas as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas a comprovação ou justificação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a Intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento da referida Intimação, foi glosado o valor de R$ 1.998,00 deduzido indevidamente Fl. 87DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN 4 a título de Despesas com Instrução, por falta de comprovação. Infração capitulada art. 8º, inciso II, alínea “b”, e § 3° da Lei n ° 9.250, de 1995; arts. 1º, 2° e 15 da Lei n. ° 10.451, de 2002; arts. 73, 81 e 83, inciso II do Decreto n° 3.000, de 1999 – RIR, de 1999; 4 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI: Conforme disposto no art. 73 do decreto n° 3.000/99 RIR/99, todas as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas à comprovação ou justificação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a Intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento da referida Intimação, foi glosado o valor de R$ 27.811,68 deduzido indevidamente a título de Contribuição à Previdência Privada e Fapi, por falta de comprovação. Infração capitulada no art. 8°, inciso II, alínea “e”, da Lei n° 9.250, de 1995; art. 11 da Lei nº 9.532, de 1997; arts. 73, 82 e § 1°, 83 do Decreto n° 3.000, de 1999 – RIR, de 1999, art. 61 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001. Em sua peça impugnatória de fls. 01/02, instruída pelos documentos de fls. 03/38, apresentada, tempestivamente, em 13/11/2007, o contribuinte, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência da Notificação de Lançamento, com base, em síntese, no argumento de que as deduções estão comprovadas por meio dos documentos que anexa e amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que o contribuinte não recebeu qualquer pedido dessa instituição, pedindo apresentação de documentos relativos ao Imposto de renda em referência; que sempre atendeu com maior interesse as intimações dessa Receita e não teria motivo algum para deixar de atender a uma exigência legal. que são os mesmos constantes das declarações anteriores; a esposa, Rita de Cássia Araújo Souto e a filha, Mariana Araújo Souto, conforme documentos cujas cópias seguem anexas; que segue cópia do documento (declaração de rendimentos anual) da Capef, referente ao pagamento (dedução a favor da Camed), de R$ 4.147,50 como contribuição ao plano de previdência. Foi pago RS 1.292,53 em despesas médicas do próprio declarante e de seus dependentes relacionados. Segue cópia dos recibos médicos, dentistas psicólogos, fisioterapeutas, constantes na declaração no importe total de RS 34.150, 03; que seguem cópias de recibos da sociedade educacional Padrão Ltda., comprovando o pagamento de mensalidade a favor de Mariana Araújo Souto (dependente), no valor total de R$ 2.221,90; que segue copia de documento fornecido pela Caixa de previdência dos Funcionários do Banco do Nordeste Capet; que comprova o pagamento de R$ 55.795,61. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Sexta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora MG concluíram pela procedência parcial da impugnação, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que termo de Intimação Fiscal de 22/01/2007, de fls. 58, foi encaminhado por Aviso de Recebimento — AR, tendo sido devolvido em 05/02/2007, por ausência do destinatário no domicilio tributário (fls. 59); Fl. 88DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10670.002341/200765 Acórdão n.º 2202002.107 S2C2T2 Fl. 4 5 que assim, conforme previsto no Processo Administrativo Fiscal. Decreto n° 70.235/72, a ciência do termo foi efetuada pelo Edital Malha Fiscal n° 00001, de 12/07/2007 (fls. 60/63); que de acordo com o documento fornecido pela CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO NORDESTE DO BRASIL (fls. 10), o impugnante comprova contribuições à previdência privada no valor de R$ 55.795,61, devendo ser a dedução permitida pelo limite legal, de RS 27.811,68, restabelecida; que a RITA DE CASSIA ARAÚJO SOUTO, sua esposa, pode ser acatada como dependente na declaração do contribuinte, pois, de acordo com a certidão de casamento de fls. 09, o matrimônio ocorreu em 06/03/71; que a MARIANA ARAÚJO SOUTO, sua filha, nascida em 19/10/87, pode ser acatada como dependente na declaração do contribuinte, pois, de acordo com a Carteira de Identidade de fls. 08, contava com 17 anos em 2004; que assim, como acima explicitado, restabelecese a dedução com duas dependentes, no valor total de RS 2.544,00; que a partir de 01/01/1996, com a edição da Lei n.° 9.250/95, passou a ser admitida a dedução, na declaração de rendimentos, dos desembolsos efetuados com a educação do contribuinte e seus dependentes, até o limite anual individual atualizado para o ano calendário 2004 de RS 1.998,00. Na fase impugnatória, o contribuinte apresenta comprovantes de pagamentos à SOCIEDADE EDUCACIONAL PADRÃO DE MONTES CLAROS (fls. 27/29), onde ficam comprovados gastos com a dependente MARIANA, no valor de R$ 2.221.90; que devem, pois, ser restabelecidos os valores de despesas com instrução, no total de RS 1.998,00, em respeito ao limite individual regulamentar; que, no presente caso, o contribuinte sequer apresentou à autoridade fiscal os comprovantes originais e cópias das despesas médicas pleiteadas em sua DAA/2005, o que impediu àquela autoridade de formar qualquer convicção sobre a regularidade ou não das despesas pleiteadas; que tendo sido apresentados nesta fase de julgamento, os recibos relativos ao plano de saúde da CAMED, de R$ 5.440,03, atendem à legislação que trata do assunto, transcrita acima, devendo as deduções serem restabelecidas; que os demais recibos apresentados junto à impugnação não foram suficientes para formação da convicção do julgador sobre a regularidade da dedução pleiteada, pelo que retornaram os autos em diligencia fiscal, à vista do fato destacado no Despacho de fls. 51/52, de serem os valores das despesas médicas informadas exageradas em relação aos rendimentos declarados, levandose em conta ainda o disposto no art. 29 do Decreto n° 70.235/1972, o qual determina que "Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias"; que em atendimento à diligência solicitada, a autoridade fiscal solicitou ao contribuinte a apresentação de documentação hábil que comprovasse a efetividade dos serviços prestados e de seus pagamentos; Fl. 89DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN 6 que os documentos que poderiam fazer tal prova seriam, por exemplo, extratos bancários contendo ordens de pagamento, cheques ou saques coincidentes em datas e valores, ou pelo menos próximos, com os dados constantes dos recibos, ou mesmo exames e radiografias, cabendo salientar que, ao se fazer pagamentos de despesas onde se pleiteará a posteriori, a dedução para fins dc cálculo do imposto de renda a pagar ou a restituir, o contribuinte tem que se cercar de precauções para a eventualidade de comprovação; que a resposta do contribuinte a diligencia efetuada não foi suficiente para a formação da convicção deste julgador sobre a regularidade das deduções pleiteadas não tendo sido apresentado, nos casos, elementos adicionais para a comprovação da ocorrência das despesas efetuadas, apenas simples declaração de que se levando em conta o tempo decorrido desde a impugnação estava na suposição de que os recibos teriam sido aceitos, não tendo condições de reunir mais provas, devendo assim ser mantida a glosa de RS 28.710,00. As ementas que consubstanciam a presente decisão são as seguintes: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÕES. CONTRIBUIÇÃO PARA A PREVIDÊNCIA PRIVADA. Na determinação da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física poderão ser deduzidas as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no Pais, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social, limitadas ao limite legal. DEDUÇÕES. DEPENDENTES. São considerados dependentes, para fins de dedução dos rendimentos, na apuração do imposto de renda, o cônjuge que não apresentar declaração em separado e o filho menor de 21 anos. DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Há que ser restabelecida a dedução glosada pela autoridade fiscal por falta de apresentação de documentação comprobat6ria na fase de revisão da declaração de rendas, quando tal valor restar devidamente corroborado na fase impugnatória. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. São passíveis de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda as despesas médicas se devidamente comprovadas, em nome do contribuinte ou de seus dependentes, por documentação que preencha todos os requisitos estabelecidos em lei. Deve ser mantida a glosa das despesas médicas declaradas quando houver necessidade de elementos adicionais para a formação da convicção de sua ocorrência, além dos recibos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 08/04/2010, conforme Termo constante à fls. 64/67, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (25/05/2010), o recurso voluntário de fls. 70/72, no qual demonstra irresignação Fl. 90DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10670.002341/200765 Acórdão n.º 2202002.107 S2C2T2 Fl. 5 7 contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que ao fazer a declaração do IR naquele ano, tomei como base as instruções contidas no manual, expedido pela Receita Federal, para instruir as declarações de 2005. Naquele manual, no final da página 51, consta claramente na "Comprovação de Pagamentos", a nota esclarecedora de que o documento básico para comprovação é o recibo firmado pelo profissional prestador do serviço e que, a critério do contribuinte, poderá ser substituído por cheque de sua própria emissão a favor do prestador do serviço. Não esclarece sobre a possível obrigatoriedade de se comprovar como o pagamento foi feito, se por cheque, transferência entre contas ou em dinheiro. Fazer estas exigências não devidamente regulamentadas, parece nos um procedimento impróprio para quem deve primar somente pelo cumprimento daquilo que foi previamente estabelecido; que ao contestar a alegativa da Receita Federal de que o valor dos recibos é exagerado tenho a declarar que, em termos percentuais, em relação à renda global de R$ 231.764,05, alusivas ao pagamento de minha complementação de aposentadoria, no ano de 2004 e diferenças relativas a 1997 a 2003, é de apenas 12,38%; que a Receita Federal não fixou previamente o percentual para as despesas médicas que poderiam ser incluídas, além daquelas constantes dos planos de saúde. Não aceito a alegativas de que o valor glosado não foi aceito devido ao seu alto valor, por não ter sido fixado o valor percentual aceito para de dedução. O valor glosado foi calculado aleatoriamente; que para fazer face aos benefícios a minha complementação de aposentadoria tive que concordar com um desconto médio de 26% do valor recebido. A Receita Federal, entretanto tem a programação que só permite a dedução de 12%. Assim, em contrapartida, paguei Imposto de Renda, sobre 14% do total tributável, constante da declaração e que não contribuiu para aumento do meu patrimônio. É o Relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN 8 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não há argüição de qualquer preliminar. Da análise dos autos do processo se verifica que a ação fiscal em discussão teve início em razão da revisão da Declaração de Ajuste Anual relativa ao exercício de 2005, correspondente ao anocalendário de 2004, onde a autoridade fiscal revisora entendeu haver irregularidades nas deduções da base de cálculo do imposto de renda relativo a dedução de despesas médicas, dependentes, despesas com instrução e despesas com previdência privada. A decisão recorrida acolheu, de forma parcial, as deduções de despesas médicas e de forma integral a dedução de dependentes, despesas com instrução e as despesas com previdência privada. Assim, nesta fase recursal encontrase em discussão a dedução de pagamentos de despesas médicas relativas aos profissionais Mania Patrícia Lopes (dentista), no total de R$ 10.000,00, Victor Hugo Rodrigues (dentista), no total de R$ 7.220,00, Lilian Carla A. Souto (fisioterapeuta), no total de R$ 4.300,00, Juliano Braga de Abreu (fisioterapeuta), no total de R$ 4.090,00 e Aldenise de Freitas Athayde (psicólogo), no total de R$ 3.100,00. Perfazendo um total geral de R$ 28.710,00. Observase, ainda, que a autoridade julgadora de primeira instância retornou o processo para Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem para que a mesma realizasse diligências no sentido de que o contribuinte apresentasse a comprovação com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, da efetividade dos pagamentos dados por realizados, juntando para tal, copias de cheques, extratos bancários, comprovantes de transferências entre contas ou qualquer outro documento que possa comprovar de maneira inequívoca a efetiva transferência dos recursos do patrimônio do contribuinte para o patrimônio dos beneficiários dos pagamentos. E, ainda, a efetividade dos serviços prestados para o interessado, por meio de exames, laudos, radiografias, receitas, etc. Inconformado, em virtude de não ter logrando êxito total na instância inicial, o contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, apresenta razões de mérito sobre as deduções glosadas, alegando, principalmente, que não assiste razão à Receita Federal em não considerar referidos documentos, uma vez que é sabido em nosso ordenamento jurídico que o recibo é a prova do efetivo pagamento e que em todos os recibos juntados está expresso no nome e qualificação do profissional que prestou serviço e recebeu por ele Desta forma, a discussão, neste colegiado, se restringe ao disposto no artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, que prevê as possibilidades das deduções da base de cálculo do imposto de renda na pessoa física. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10670.002341/200765 Acórdão n.º 2202002.107 S2C2T2 Fl. 6 9 Observase, da leitura dos autos, que de acordo com a autoridade fiscal lançadora e endossada pela decisão recorrida a irregularidade praticada pela contribuinte a título de dedução de despesas médicas e mantida no decisório do julgado se restringe à dedução indevida de despesas médicas. Ou seja, decidiu a turma de julgamento que as despesas médicas lançadas na Declaração de Ajuste Anual deveriam ser mantidas diante da falta de comprovação da efetividade do pagamento e/ou da prestação de serviços pelo prestador de serviços. Para o deslinde da questão sobre a glosa de despesas médicas se faz necessário invocar a Lei nº 9.250, de 1995, verbis: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; b) a pagamentos efetuados a estabelecimento de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º e 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite individual de R$ 1.700,00 (um mil e setecentos reais); c) à quantia de R$ 1.080,00 (um mil e oitenta reais) por dependente; (...). f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 93DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN 10 (...). Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea “c” poderão ser considerados como dependentes: I – o cônjuge, II – o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III – a filha, o filho, a enteada ou enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV – o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V – o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI – os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII – o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. § 2º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges. § 3º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. § 4º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte. Como visto, de acordo com a legislação de regência a dedução é condicionada a que os pagamentos sejam especificados e comprovados com documentos que indiquem nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu. É cristalino, nos autos do processo, que o contribuinte relacionou as seguintes despesas médicas em sua Declaração de Ajuste Anual: Mania Patrícia Lopes (dentista), no total de R$ 10.000,00, Victor Hugo Rodrigues (dentista), no total de R$ 7.220,00, Lilian Carla A. Souto (fisioterapeuta), no total de R$ 4.300,00, Juliano Braga de Abreu (fisioterapeuta), no total de R$ 4.090,00 e Aldenise de Freitas Athayde (psicólogo), no total de R$ 3.100,00. Perfazendo um total geral de R$ 28.710,00. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10670.002341/200765 Acórdão n.º 2202002.107 S2C2T2 Fl. 7 11 Da análise dos recibos de pagamentos constantes dos autos observase, que todos os itens exigidos pela legislação foram cumpridos, quais sejam: nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu. Assim, nada mais pode ser exigido do contribuinte, sendo que neste caso o ônus da prova em contrário é do fisco. A única justificativa encontrada pela decisão recorrida foi a de que o contribuinte não comprovou a realização do serviço e o efetivo pagamento, exigências não respaldada pela legislação de regência, já que os recibos e notas fiscais emitidos pelos prestadores de serviços atestam os recebimentos dos valores questionados, sendo que nestes casos cabe a autoridade fiscal o ônus ao contrário, ou seja, que não houve o recebimentos dos valores questionados. Ora, no presente caso os prestadores de serviços tratamse de pessoas físicas devidamente identificadas caberia a autoridade fiscal encarregada da diligência intimar estes profissionais a confirmarem a emissão dos recibos emitidos. Se o contribuinte comprova, mesmo que seja na fase recursal, que cumpriu os requisitos da legislação de regência, com a indicação do nome, endereço, CPF, valor e especificação do tipo de serviço prestado, nada mais pode ser exigido do contribuinte, por afronta aos princípios legais que regem o assunto. Nestes caso, é dever da fiscalização ônus da invalidação das informações prestadas, intimando os prestadores de serviços a confirmação de itens adicionais. Enfim, se o contribuinte apresentou os recibos de prestação de serviços, atendendo os requisitos estabelecidos no art. 80 do RIR/99, sendo o profissional habilitado e qualificado e estando em atividade na época da emissão dos documentos invertese o ônus da prova, cabendo a fiscalização comprovar que os serviços não foram prestados ou que os documentos são falsos (recibos fornecidos a título gracioso) ou que não houve o pagamento, para que se possam glosar os documentos apresentados. Como nada disso consta dos autos, cujo ônus é do fisco, sendo que as justificativas apresentadas para não se aceitar o valor lançado na Declaração de Ajuste Anual como dedução, foi a falta de comprovação da efetividade da prestação de serviços e a comprovação do efetivo pagamento é de se aceitar estas despesas médicas como normais e, portanto, dedutível do rendimento tributável. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de dar provimento ao recurso para restabelecer a título de dedução de despesas médicas o valor de R$ 28.710,00,00. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 95DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN 12 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 13603.720199/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Ante o reconhecimento apenas parcial do direito creditório reclamado, oriundo de saldo negativo de IRPJ, impõe-se a não homologação das compensações pleiteadas em excesso ao valor reconhecido.
Numero da decisão: 1102-000.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima - Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Recorrente MINAS BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE MOVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Ante o reconhecimento apenas parcial do direito creditório reclamado, oriundo de saldo negativo de IRPJ, impõese a não homologação das compensações pleiteadas em excesso ao valor reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, e João Carlos de Figueiredo Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 01 99 /2 00 8- 12 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/ 09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13603.720199/200812 Acórdão n.º 1102000.794 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por MINAS BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE MOVEIS LTDA, contra a decisão prolatada no Acórdão n° 0226.976, da 4ª Turma de Julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Contagem/MG, o qual, por sua vez, homologara parcialmente as compensações de tributos tratadas nas Declarações de Compensação que são objeto do presente processo. O crédito alegado é de saldo negativo de imposto de renda relativo ao ano calendário de 2002, no valor de R$ 18.728,92. De acordo com o Despacho Decisório, o contribuinte, naquele ano, não apurou imposto devido, e o alegado saldo negativo é oriundo integralmente de estimativas quitadas mediante compensação com saldo negativo de IRPJ de anos anteriores (1999 e 2000), os quais, por sua vez, também tiveram origem em estimativas compensadas com saldos negativos de períodos anteriores. Assim, a análise da autoridade fiscal retroagiu até o ano calendário de 1998. Naquele ano, o contribuinte apurara saldo negativo de R$ 16.130,13. Contudo, a autoridade fiscal confirmou apenas o montante de R$ 10.839,15. Isto porque, apesar de não ter apurado imposto devido naquele ano, este foi o total que foi confirmado como pago/compensado, conforme consultas feitas aos bancos de dados da RFB. Apesar de reconhecer apenas parcialmente o saldo negativo de 1998, a autoridade fiscal observou que o montante reconhecido revelouse suficiente para a quitação das estimativas declaradas como compensadas com este crédito no ano de 1999, no valor de R$ 6.556,55, conforme as DCTF apresentadas pelo contribuinte. Por este motivo, o saldo negativo declarado pelo contribuinte, relativo ao ano de 1999, neste exato valor, foi integralmente reconhecido pela DRF de origem. Com relação ao ano de 2000, verificou a autoridade fiscal que todas as estimativas, no montante de R$ 21.023,57, haviam sido objeto de compensação pelo contribuinte com o referido saldo negativo de IRPJ de 1999, de acordo com as DCTF anexas de fls. 18 a 29. Contudo, o referido saldo revelouse insuficiente para compensar integralmente as estimativas declaradas. Assim, confrontando o valor do IRPJ devido naquele ano com o montante das estimativas cuja compensação restou comprovada (R$ 6.818,50), a autoridade fiscal reconheceu a existência de saldo negativo de IRPJ de 2000 tão somente no valor de R$ 3.835,89. E, por fim, com relação ao ano de 2002, objeto do presente processo, verificou a autoridade fiscal que, de acordo com as DCTF anexas de fls. 18 a 29, as estimativas de IRPJ referentes aos meses de janeiro a junho teriam sido compensadas com a utilização de crédito de saldo negativo de IRPJ de 1999, e as dos meses de julho a dezembro, com saldo negativo de IRPJ de 2000. Contudo, o saldo negativo de IRPJ de 1999 já fora integralmente utilizado na compensação de parte das estimativas de 2000, não restando saldo disponível para a quitação de nenhuma das estimativas de 2002 informadas como compensadas pelo contribuinte com este Fl. 172DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/ 09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13603.720199/200812 Acórdão n.º 1102000.794 S1C1T2 Fl. 4 3 saldo (janeiro a junho). E o saldo negativo de IRPJ de 2000 efetivamente reconhecido pela autoridade fiscal, no valor de R$ 3.835,89, revelouse insuficiente para compensar integralmente as estimativas declaradas como compensadas pelo contribuinte com este saldo (julho a dezembro de 2002). Em vista disto, e considerando que o contribuinte, no ano calendário de 2002, não apurou imposto devido, a autoridade fiscal reconheceu a existência de saldo negativo de IRPJ de 2002 tão somente no valor de R$ 4.745,95. Por força do reconhecimento do saldo negativo de 2002 em valor inferior ao alegado, houve homologação de tão somente uma parte das compensações declaradas, ora sob litígio. Cientificado do despacho, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 109, alegando, textualmente, o seguinte: “Conforme mencionado na pagina 2 dos Despachos Decisório DRF/Con n. 914 e 915 IRPJ Ano Calendário 1998, as confrontações feitas pelo auditor, verifica se que foi recolhido R$ 8.874,24 a titulo de IRPJ até 2° trimestre deste período, mas de acordo com documentos em nosso poder anexo solicitamos que seja reconsiderado o 3° e 4° trimestre em função de existir recolhimento no 3° trimestre no vaior de R$ 1.158,94 conforme DARF em anexo assim totalizando R$ 10.033,18 e foram realizadas compensações de débitos no valor de R$ 1.964,91, através de retenção de IRPJ por órgão publico verificadas conforme fls 41 e 42. e conforme os requerimentos já citados acima já foi entregue a Receita Federal xerox DCTF’s complementar onde será possível confirmar a veracidade dos fatos onde foi feito compensações no valor R$ 4.132,04 totalizando o saldo negativo de IRPJ de R$ 16.130,13 como informado na DIPJ/1999. Quanto aos anos calendários 1999 2000 e 2002 entendemos que com os esclarecimentos mencionados, relativo ao ano de 1998 sejam sanadas as pendência mencionadas, por entendermos ter reflexo nos anos seguintes.” A 4ª Turma de Julgamento da DRJ/Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ao fundamento de que o contribuinte limitouse a tecer considerações sobre o ano calendário de 1998, o qual não teve qualquer influência no Despacho Decisório prolatado. E que, de qualquer sorte, o referido saldo negativo, de R$ 16.130,13, não poderia ser confirmado pela autoridade julgadora, pois não teria sido previamente submetido a exame pela DRF de origem, conforme rito imposto pela Lei no 9.430/96, sequer integrando o litígio. O Acórdão n° 0226.976 possui a seguinte ementa: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2003 Compensação Incabível o exame, por parte das DRJ, de pedidos de compensação não apresentados prévia e tempestivamente à DRF que jurisdiciona o domicílio fiscal do contribuinte.” Cientificada desta decisão em 06.07.2010, conforme AR de fls. 142, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 30.07.2010, fls. 143144, no Fl. 173DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/ 09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13603.720199/200812 Acórdão n.º 1102000.794 S1C1T2 Fl. 5 4 qual reprisa os argumentos já expostos por ocasião da inicial, e acrescenta, ainda, o seguinte, verbis: “Analisando as informações prestadas pelo contribuinte nas DCTF'S relativas ao anocalendario de 2000, verificase a existência de estimativas mensais de IRPJ, as quais teriam sido totalmente compensadas com a utilização de saldo negativo proveniente dos anoscalendarios 1997, 1998 e 1999 com as devidas correções, e não apenas com saldo negativo do anocalendario de 1999, conforme fls. 18 a 29. Levantado nas verificações feitas pela auditoria da receita tornando assim o saldo insuficiente, uma vez que está informado em DCTF, apenas as estimativas compensadas e não o período com o qual foi compensadas. Pois neste momento não tinha a ferramenta do PER/DCOMP para informa a origem dos créditos utilizados em compensações. Entendemos que com os esclarecimentos mencionados, e a analise a ser feita a partir do anocalendario 1997, 1998 e 1999, sejam sanadas as pendências mencionadas, por entendermos ter reflexo nos anos seguintes.” É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O litígio em questão diz respeito à homologação parcial da compensação dos débitos constantes da DCOMP n° 18232.69118.011206.1.7.024909, e à não homologação da compensação dos débitos constantes das DCOMP n° 08258.10799.110703.1.3.027905 e 29602.31404.110803.1.3.020076. Nelas, o crédito alegado é de imposto de renda relativo ao ano calendário de 2002, no valor de R$ 18.728,92. Este crédito foi reduzido pela autoridade fiscal para R$ 4.745,95, porque não houve a comprovação da efetiva quitação da integralidade das estimativas consideradas pelo contribuinte como tendo sido compensadas com o saldo negativo de IRPJ de 1999 e 2000. Incumbiria ao recorrente, neste caso, demonstrar que o saldo negativo de 2002 efetivamente existe, quer porque algumas dessas estimativas tivessem sido pagas, e não compensadas, quer porque o saldo negativo de IRPJ de 1999 ou de 2000, por alguma razão, fosse eventualmente superior ao declarado, permitindo assim a compensação integral das estimativas de 2002. Em qualquer caso, haveria de adequadamente instruir a sua defesa com as provas de tais alegações, que levassem ao convencimento do julgador quanto ao valor do seu saldo negativo de 2002. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/ 09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13603.720199/200812 Acórdão n.º 1102000.794 S1C1T2 Fl. 6 5 As alegações do contribuinte, contudo, já por ocasião da manifestação de inconformidade, voltaramse todas, conforme bem observou a DRJ, para a tentativa de comprovar o efetivo saldo negativo de IRPJ de 1998 por ele declarado. Entende o contribuinte que, com tais argumentos, todas as suas pendências seriam resolvidas, em razão do reflexo nos anos seguintes. Porém, a eventual comprovação do seu saldo negativo de IRPJ de 1998 em nada alteraria o valor do saldo negativo de IRPJ de 1999 (a propósito, integralmente reconhecido pela autoridade fiscal), e nem o valor dos saldos negativos de 2000 ou de 2002, posto que não há nenhuma informação da utilização de crédito de saldo negativo de 1998 para compensação de estimativas desses dois anoscalendário. Em sede de recurso, argumenta o contribuinte que, na verdade, as estimativas mensais de IRPJ do ano de 2000 teriam sido compensadas não apenas com o saldo negativo do anocalendario de 1999, mas também com o saldo negativo proveniente dos anoscalendarios 1997 e 1998. E registra que, nas DCTF apresentadas, apenas as compensações das estimativas mensais de IRPJ do ano de 2000 estão informadas, mas não o período do crédito com o qual foram compensadas, vez que naquele momento ainda não havia a ferramenta do PER/DCOMP para informar a origem dos créditos utilizados em compensações. Com relação a esta última observação, a mesma não corresponde à verdade, visto que nas DCTF também é informada a origem do crédito utilizado para compensação. Basta ver, neste sentido, as cópias das DCTF da própria recorrente que se encontram anexas aos autos, as quais discriminam exatamente qual é a origem dos créditos utilizados nas compensações efetuadas. Por outro lado, se a recorrente pretende demonstrar que se equivocou nas informações por ela prestadas, e que as compensações de fato ocorreram em forma diversa do que consta em suas declarações regularmente entregues à RFB, então haveria ela de adequadamente instruir o processo com evidências de tal assertiva. Neste aspecto, poderia a recorrente ter trazido aos autos, por exemplo, elementos de sua escrituração contábil que demonstrassem a formação — e a respectiva utilização em sede de compensação — dos saldos negativos por ela apurados, de modo a corroborar as alegações feitas e, até mesmo, se fosse o caso, embasar uma eventual conversão do julgamento em diligência com vistas à apuração do possível erro de fato. Entretanto, à míngua de tais elementos, e, tendose em conta que, nos processos que envolvam restituição ou compensação de tributos, incumbe ao contribuinte, na condição de autor do feito, o ônus de provar o direito que alega ter, concluo que a recorrente não constituiu prova do suposto erro de fato que pudesse haver cometido por ocasião do preenchimento de suas DCTF. Assim, não é mesmo relevante ao feito qualquer discussão acerca do efetivo saldo negativo de 1998, tese central da defesa apresentada, posto que sua utilização não está em discussão nos presentes autos. Por outro lado, nenhum outro argumento ou prova foi trazido que pudesse alterar o valor do saldo negativo de 2002 que foi reconhecido pela autoridade fiscal, e que foi utilizado nas compensações aqui em litígio. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/ 09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13603.720199/200812 Acórdão n.º 1102000.794 S1C1T2 Fl. 7 6 Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 176DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/ 09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
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Numero do processo: 11030.900490/2009-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/07/1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS, SÚMULA CARF N°2.
O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3801-001.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontos - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
EDITADO EM: 03/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1998 a 31/07/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS, SÚMULA CARF N°2. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontos - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. EDITADO EM: 03/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1998 a 31/07/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS, SÚMULA CARF N°2. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontos Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 03/10/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 04 90 /2 00 9- 51 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator) Fl. 59DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.900490/200951 Acórdão n.º 3801001.233 S3TE01 Fl. 52 3 Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de compensação realizado através de PER/DCOMP transmitida em 27/12/2005 (fls. 1/4), com base em suposto pagamento a maior a título de PIS/PASEP referente ao periodo de apuração de julho de 1998, por meio de guia DARF cujo recolhimento se deu em 26/12/2005, no valor total de R$ 1.245,23, com débitos de COFINS dos períodos de apuração de dezembro de 2004 a março de 2005, tendo sido objetivada compensação no montante total de R$ 2.931,52. A DRF de origem proferiu despacho decisório (fls. 05) não homologando a compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP, por meio de guia DARF, não foi localizado, culminando na cobrança dos valores que se objetivou compensar acrescidos de multa e juros. Inconformado, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade às fls. 12/19, sustentando, em síntese, que a origem do seu crédito decorre das diversas alterações legislativas referentes ao PIS e declaradas inconstitucionais, discorrendo desde a edição da Medida Provisória nº 1.212/95 até as Leis nº 9.715/98 e 9.718/98, alegou, ainda, ser a multa lançada no despacho decisório inconstitucional. A DRJ em Porto Alegre – RS, por sua vez, apesar de discorrer sobre o mérito do suposto direito creditório, julgou improcedente a manifestação de inconformidade ofertada pelo contribuinte através do acórdão de fls. 29/30, considerando a ausência de comprovação do direito ao credito objeto da compensação materializada na PER/DCOMP. Devidamente intimado para tanto (fls. 32), interpôs o contribuinte o presente Recurso Voluntário de fls. 33/50 em 12/09/2011, e que se vale basicamente dos mesmos argumentos perpetrados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Independentemente de toda a alegação quanto a origem do crédito apontada pela Recorrente, tenho que o presente processo se resolve por conta da inexistência de documentação que prove o direito da contribuinte. É importante ressaltar que estamos diante de um pedido de compensação e que cabe ao contribuinte apresentar as provas do seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo. À ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento. Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral. Assim, na hipótese de ressarcimento pleiteado, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Do exame desse litígio administrativo, verificase que a Recorrente, apesar de ter apresentado Recurso Voluntário muito bem redigido, não apresentou sequer um demonstrativo de cálculo do seu crédito, de que sorte o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve prosperar. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.900490/200951 Acórdão n.º 3801001.233 S3TE01 Fl. 53 5 Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal e dos lançamentos contábeis ou quaisquer outros documentos o valor de seu crédito. Quanto à desproporcionalidade da multa aplicada, ante os argumentos expendidos, que abrangeram somente a discussão da inconstitucionalidade por conta de entender a Recorrente ser confiscatória, é defeso a esse conselho apreciar tal argumento pois o controle de constitucionalidade das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Neste sentido, o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, assim dispõe: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)(grifouse) § 6º. O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que. fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts, 18 e 19 da Lei n° 10,522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, Vale observar que, no caso em tela, não ocorreu nenhuma das exceções previstas no §6° do artigo acima transcrito. Outrossim, essa discussão já se encontra pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme o disposto na Súmula 2: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13964.000236/2010-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2010
ISENÇÃO. DEFICIENTE VISUAL. VISÃO MONOCULAR. REQUISITOS.
Não faz jus à isenção de que trata a Lei nº 8.989, de 1995, com redação dada pela Lei nº 10.690, de 2003, o portador da doença enquadrada na Classificação Internacional de Doenças - CID - na categoria H54.5, ou seja, cegueira em um olho e visão normal no outro.
Numero da decisão: 3201-001.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Daniel Mariz Gudiño Relator
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente
Participaram do presente julgamento: os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano DAmorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sergio Celani e Marcelo Ribeiro Nogueira.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2010 ISENÇÃO. DEFICIENTE VISUAL. VISÃO MONOCULAR. REQUISITOS. Não faz jus à isenção de que trata a Lei nº 8.989, de 1995, com redação dada pela Lei nº 10.690, de 2003, o portador da doença enquadrada na Classificação Internacional de Doenças - CID - na categoria H54.5, ou seja, cegueira em um olho e visão normal no outro.
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DEFICIENTE VISUAL. VISÃO MONOCULAR. REQUISITOS. Não faz jus à isenção de que trata a Lei nº 8.989, de 1995, com redação dada pela Lei nº 10.690, de 2003, o portador da doença enquadrada na Classificação Internacional de Doenças CID na categoria H54.5, ou seja, cegueira em um olho e visão normal no outro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño – Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente Participaram do presente julgamento: os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sergio Celani e Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 4. 00 02 36 /2 01 0- 80 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da manifestação de inconformidade, transcrevese o relatório da instância a quo, seguido da ementa da decisão recorrida e das razões do Recurso Voluntário ora examinado: O interessado em epígrafe pleiteou, na condição de portador de deficiência visual, a fruição de isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI na aquisição de automóvel de passageiros, de fabricação nacional, prevista na Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995. Mediante o Despacho Decisório de fls. 18/20, a Delegacia da Receita Federal em Florianópolis indeferiu o pedido, tendo em vista a constatação de que “pelas informações constantes do laudo médico e a interpretação da norma que estabelece os critérios para a verificação da condição de pessoa portadora de deficiência visual, concluímos que a deficiência, da maneira como foi classificada, não garante ao requerente o direito à isenção pleiteada, uma vez, que tem campo visual de AV 20/20 com prótese ocular OE, sendo atestada a visão monocular”. Regularmente cientificado (fl. 22), o interessado apresentou manifestação de inconformidade (fls. 49/51), que se reportou aos documentos antes dela encaminhados (anexados às fls. 23/46) e por meio da qual aduziu, em síntese, que: a) “com a finalidade de embasar o pedido, apresentou o laudo da Perícia Médica expedido pela Secretaria Municipal de Saúde de Tubarão, SC, informando que é portador da doença enquadrada na Classificação Internacional de Doenças – CID – na categoria H54.5, ou seja, cegueira em um olho (esquerdo) e visão normal no outro olho”; b) “o requerente, dentro da categoria em que se situa (na CID10), segundo o laudo apresentados se enquadra na classe de comprometimento visual 3, 4 ou 5 em um olho, ou seja, cegueira, sendo que, no caso, o olho esquerdo foi extirpado em razão do mesmo apresentar neoplasia maligna de coróide conforme atestado anexado e em conformidade com a sua classificação C 69.3”; c) “o requerente, sem dúvida, em face da extração de seu olho esquerdo tem deficiência visual, tanto que está impedido de continuar a exercer atividade de motorista profissional (atestado juntado)”. Após informar que “foram juntados novos atestados e novos laudos médicos”, concluiu pedindo pelo acolhimento de seu recurso “com a denegação do pedido formulado anteriormente”. A impugnação foi julgada improcedente pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG), conforme se depreende da ementa do Acórdão nº 0224.895, de 16/12/2009: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Fl. 73DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13964.000236/201080 Acórdão n.º 3201001.155 S3C2T1 Fl. 73 3 Exercício: 2010 ISENÇÃO. DEFICIENTE VISUAL. VISÃO MONOCULAR. REQUISITOS. A visão monocular (cegueira em um olho) não se coaduna com a hipótese de deficiência visual prescrita na legislação que rege a matéria. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Inconformada, o Recorrente interpôs seu recurso voluntário, de forma tempestiva, reiterando os argumentos suscitados em sua manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 07/10/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño – Relator O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O cerne do presente litígio gravita em torno do preenchimentos dos requisitos legais para a fruição da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na aquisição de automóveis por pessoas portadoras de deficiência visual. A questão está positivada no art. 1º, § 2º, da Lei nº 8.989, de 1995, com redação dada pela Lei nº 10.690, de 2003, a saber: Art. 1º.... § 2o Para a concessão do benefício previsto no art. 1o é considerada pessoa portadora de deficiência visual aquela que apresenta acuidade visual igual ou menor que 20/200 (tabela de Snellen) no melhor olho, após a melhor correção, ou campo visual inferior a 20°, ou ocorrência simultânea de ambas as situações. Como se vê, há requisitos objetivos a serem respeitados para que o portador de deficiência visual possa se beneficiar da isenção do IPI na aquisição de automóvel. No caso concreto, constatase que o Recorrente instruiu o requerimento de isenção de IPI com laudo médico, segundo o qual o Recorrente possui cegueira em um olho e visão normal no outro. Confirase: Fl. 74DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 O Recorrente juntou novo laudo médico quando apresentou sua manifestação de inconformidade. O segundo laudo confirma as conclusões do primeiro, a saber: A partir dos laudos ora citados, ambos emitidos pela Secretaria Municipal de Saúde de Tubarão/SC, é indiscutível que o Recorrente é deficiente visual. A despeito de ser deficiente visual, o Recorrente não atende aos requisitos objetivamente elencados no art. 1º, § 2º, da Lei nº 8.989, de 1995, com redação dada pela Lei nº 10.690, de 2003. Isso porque a acuidade visual apresentada no melhor olho do Recorrente (olho direito) é superior a 20/200 (tabela de Snellen). Diante de todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida integralmente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño – Relator Fl. 75DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13964.000236/201080 Acórdão n.º 3201001.155 S3C2T1 Fl. 74 5 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10315.000066/2011-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
CERCEAMENTO DE DEFESA
Lançamento deve conter discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação para ser entendido pelo contribuinte.
TRIBUTO LANÇADO. ALEGAÇÃO GENÉRICA
Alegação genérica de não concordar com o valor lançado não tem como ser apreciada e não é acatada.
Numero da decisão: 2403-001.283
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, Por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Ivacir Julio de Souza.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Jhonatas Ribeiro da Silva e Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 CERCEAMENTO DE DEFESA Lançamento deve conter discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação para ser entendido pelo contribuinte. TRIBUTO LANÇADO. ALEGAÇÃO GENÉRICA Alegação genérica de não concordar com o valor lançado não tem como ser apreciada e não é acatada.
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TRIBUTO LANÇADO. ALEGAÇÃO GENÉRICA Alegação genérica de não concordar com o valor lançado não tem como ser apreciada e não é acatada. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 00 66 /2 01 1- 71 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Jhonatas Ribeiro da Silva e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10315.000066/201171 Acórdão n.º 2403001.283 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza, Acórdão 0822.139 da 5ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de crédito lançado pela fiscalização que, de acordo com o Relatório Fiscal de fl. 17/20, teve como objeto do lançamento contribuições previdenciárias devidas e não declaradas em GFIP. O montante do crédito apurado, composto por valor principal e acréscimos legais, assumiu a quantia de R$ 44.078,56, com data de consolidação em 20/01/2011. No presente Auto de infração foram lançadas as diferenças de contribuições previdenciárias devidas e destinadas à Seguridade Social não declaradas em GFIP — Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social incidentes sobre os valores das remunerações pagas, devidas, ou creditadas a segurados empregados da Prefeitura Municipal, aferidas indiretamente, correspondentes: a) ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), na alíquota de 1%. Os valores que originaram a lavratura do presente AI, de acordo com o referido Relatório, foram extraídos da contabilidade (arquivos digitais), processos de pagamento e folhas de pagamento de segurados. Também foram examinadas as GFIPs – Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social e as Guias da Previdência Social GPS e as folhas de pagamento. Os lançamentos foram consolidados no Levantamento A1 Empregados Aferido (Papel de Trabalho) criados para esta finalidade. Em virtude de o contribuinte não ter apresentado os documentos solicitados nos Termos de Início de Procedimento Fiscal (TIAF, datado de 16.06.2010), tampouco no Termo de Intimação Fiscal nº 02 ( datado de 13.12.2010), necessário se fez usar do método de aferição para fins de calcular o valor devido das contribuições lançadas no presente auto de infração. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 A auditoria procedeu à análise comparativa da aplicação da multa antes e depois da edição da MP 449. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · O material fornecido (Auto de Infração e Relatórios) é ininteligível. A recorrente não pode compreendêlo na maior parte de seu conteúdo. · Cerceamento de defesa. · Questiona o valor lançado. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10315.000066/201171 Acórdão n.º 2403001.283 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. CERCEAMENTO DE DEFESA A autuação tem a finalidade de registrar a ocorrência de infração à legislação previdenciária por descumprimento de obrigação principal, possibilitando a instauração do respectivo processo administrativo fiscal. A atividade administrativa de lavratura da autuação é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A autoridade fiscal, no desempenho de suas atribuições, ao constatar a ocorrência de uma infração deve, obrigatoriamente, porque a lei não lhe dá discricionariedade, efetuar o lançamento. Pois bem, a legislação determina requisitos a serem exigidos para a lavratura da autuação. Decreto 3.048/1999: Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. Portanto, clareza, precisão, circunstâncias em que foi praticada a infração são requisitos que devem, por determinação legal, constar da lavratura da autuação. Claro é que esses requisitos são exigidos pela legislação para que se cumpra a determinação presente na Lei Magna de observação aos Princípios da Ampla Defesa e do Contraditório. CF/88: Fl. 91DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: ... LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Nesse sentido, verificando o processo, com destaque para o Relatório Fiscal RF, folhas 97 a 101 e seus anexos, constato a presença de todos elementos necessários ao entendimento do lançamento. Observo que o RF discrimina, com pormenores, quais os documentos compulsados pela Auditoria Fiscal e que serviram de base para a apuração dos fatos geradores, além de explicitar a forma de apuração do crédito. Transcrevo abaixo trecho de Relatório Fiscal contendo o objeto do lançamento, as razões e forma como foi feita a aferição e os critérios utilizados no lançamento. 3. DO OBJETO DO LANÇAMENTO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. 3.1 No presente Auto de infração foram lançadas as diferenças de contribuições previdenciárias devidas e destinadas à Seguridade Social não declaradas em GFIP — Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia Por Tempo de Serviços e Informações á Previdência Social: 1) Incidentes sobre os valores das remunerações pagas, devidas, ou creditadas a segurados empregados da Prefeitura Municipal, aferidas indiretamente, correspondentes: a) ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), na alíquota de 1%. 3.2 Seguem, em anexo, em meio papel, as seguintes planilhas contendo as remunerações dos segurados e outros dados que deram suporte à formalização dos Autos de Infração acima: a) "FOLHA EMPREGADOS", com a remuneração dos segurados empregados em folha de pagamento e respectivos desconto de contribuições devidas pelos segurados, bem como, salário família, salário maternidade e número de segurados; b) "EMPREGADOS FORA GFIP", contendo cálculo das remunerações, contribuições de segurados, salário família e salário maternidade da planilha "FOLHA EMPREGADOS", não incluidas em GFIP e incluídos em GFIP, inclusive as aferidas indiretamente, nas competências de 01/2006 a 04/2006. Vale ressaltar que, somente os valores que não foram declarados em GFIP foram levantados; Fl. 92DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10315.000066/201171 Acórdão n.º 2403001.283 S2C4T3 Fl. 5 7 4. DA AFERIÇÃO INDIRETA 4.1. DOS MOTIVOS DA AFERIÇÃO 4.1.1. Foram solicitadas no Termo de Inicio de Procedimento Fiscal de 16/06/2010, resumo mensal das folhas de pagamento em meio papel, totalizados por rubrica, identificando as bases de cálculo de contribuições previdenciárias, o valor da contribuição descontada dos segurados, o valor salário família e maternidade e o total de segurados, bem como, os arquivos digitais no formato MANAD da folha de pagamento no período de 01/2006 a 13/2009. 4.1.2. Novamente, foram solicitadas no Termo de Intimação Fiscal N° 02, de 13/12/2010, em anexo, Resumo mensal das folhas de pagamento em meio papel, totalizados por rubrica, identificando as bases de cálculo de contribuições previdenciárias, o valor da contribuição descontada dos segurados, o valor do salário família e maternidade e o total de segurados de 01/2006 a 04/2006, bem como, Informações em meio digital (formato MANAD aprovado pela Instrução Normativa SRP 12/2006) da folha de pagamento, das competências 01/2006 a 04/2006. 4.1.3. 0 contribuinte não nos forneceu tais documento até o presente momento. 4.2. DOS CRITÉRIOS DA AFERICÃO 4.2.1. Como, o contribuinte não nos forneceu o arquivo digital no formato MANAD da folha de pagamento, bem como, as folhas de pagamento, de 01/2006 a 04/2006, resolvemos adotar como salário de contribuição para esse período o salário de contribuição da competência 01/2006, conforme podemos verificar nas planilhas "FOLHA EMPREGADOS e EMPREGADOS FORA GFIP". 5. CRITÉRIOS DE LANÇAMENTO Os critérios de lançamento foram os seguintes: a) As contribuições objeto do presente lançamento incidente sobre os valores das remunerações que não foram declaradas em GFIP nem recolhidas foram lançadas sem multa de mora ou de oficio. b) Os valores declarados em GFIP não foram objeto de lançamento no presente auto de infração, pois já configuram confissão de divida, e os valores recolhidos em GPS e salário família, foram para cobrir, prioritariamente, os valores já declarados em GFIP e as sobras foram apropriadas nos créditos não declarados em GFIP constantes no presente auto de infração. (DD — Discriminativo de Débito, anexo deste auto. 0 documento precedido das letras EXCL referese ao que foi apropriado para cobrir os valores apurados na GFIP). Fl. 93DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 VALOR LANÇADO De forma genérica, a recorrente questiona o valor lançado. Julgao exagerado. O que se constata no processo é que a fiscalização identificou os fatos geradores, quantificou as bases de cálculo, as alíquotas aplicáveis e quantificou o tributo, tudo, com detalhes. Entendo improcedente a tese da recorrente pela total falta de especificidade. Alegação genérica não é acatada. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 94DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10768.015476/2001-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1997
REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE. CONTRARIEDADE À EVIDÊNCIA DE PROVAS. INADMISSIBILIDADE. NÃO DEMONSTRADA A CONTRARIEDADE À EVIDÊNCIA DA PROVA.
Em recurso especial é indispensável que se demonstre, de maneira clara e fundamentada, porque teria havido ofenda à evidência da prova. Exige-se minimamente a indicação das provas que teriam sido contrariadas e, ainda, a exposição das razões pelas quais, no entender da recorrente, o julgado deva ser reformado por contrariedade à evidência da prova.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.957
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Júnior- Relator
EDITADO EM: 26/09/2012
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado) Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1997 REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE. CONTRARIEDADE À EVIDÊNCIA DE PROVAS. INADMISSIBILIDADE. NÃO DEMONSTRADA A CONTRARIEDADE À EVIDÊNCIA DA PROVA. Em recurso especial é indispensável que se demonstre, de maneira clara e fundamentada, porque teria havido ofenda à evidência da prova. Exige-se minimamente a indicação das provas que teriam sido contrariadas e, ainda, a exposição das razões pelas quais, no entender da recorrente, o julgado deva ser reformado por contrariedade à evidência da prova. Recurso especial não conhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1576; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 6 1 5 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10768.015476/200116 Recurso nº 152.823 Especial do Procurador Acórdão nº 9202001.957 – 2ª Turma Sessão de 15 de fevereiro de 2012 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CINTHIA COSTA E SOUZA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1997 REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE. CONTRARIEDADE À EVIDÊNCIA DE PROVAS. INADMISSIBILIDADE. NÃO DEMONSTRADA A CONTRARIEDADE À EVIDÊNCIA DA PROVA. Em recurso especial é indispensável que se demonstre, de maneira clara e fundamentada, porque teria havido ofenda à evidência da prova. Exigese minimamente a indicação das provas que teriam sido contrariadas e, ainda, a exposição das razões pelas quais, no entender da recorrente, o julgado deva ser reformado por contrariedade à evidência da prova. Recurso especial não conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 54 76 /2 00 1- 16 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 EDITADO EM: 26/09/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado) Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão de n. 104 23239, proferido pela então Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em 29/05/2008 (fls. 482/502), interpõe, através do seu representante legal, Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais de fls. 412 a 428, com fulcro no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF n. 147, de 25 de junho de 2007, visando a revisão do julgado aqui ementado na parte recorrida: VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO APURAÇÃO CRITÉRIOS Na apuração da variação patrimonial a descoberto as aplicações de recursos devem ser demonstradas de forma inequívoca pela autoridade lançadora. Lançamentos a débito em contas bancárias não caracterizam, por si só, aplicação de recursos para esse fim. Argüição de decadência rejeitada. Recurso provido parcialmente. Suscita, em síntese, o i. representante da Fazenda Nacional [fls. 121]: […] entendemos que merecia ser mantido o inteiro teor do voto proferido pelo ilustre conselheirorelator Antônio Lopo Martinez, no tocante à questão da variação patrimonial a descoberto, senão vejamos, perquirindo individualmente os itens da autuação que foram julgados POR MAIORIA. Assim, demonstraremos o equívoco na derrubado do auto no tocante a tais itens. Segundo consta dos autos, em desfavor da contribuinte CNTHIA COSTA E SOUZA, supra qualificada, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 191 a 196 para exigir imposto de renda pessoa fisica, do anocalendário 1996, no valor de R$ 32.749,23 (trinta e dois mil, setecentos e quarenta e nove reais e vinte e três centavos), mais multa de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora regulamentares, perfazendo um montante de R$ 88.465,49. Segundo a descrição do fatos o procedimento fiscal decorre da apuração das seguintes infrações: a) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, conforme demonstrado no Fluxo Financeiro Mensal/96. A descrição dos fatos encontrase no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante e inseparável deste Auto de Infração. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10768.015476/200116 Acórdão n.º 9202001.957 CSRFT2 Fl. 7 3 b) DESPESA COM INSTRUCÃO DEDUZIDA INDEVIDAMENTE Glosa de despesas com instrução, pleiteadas indevidamente. A descrição dos fatos encontrase no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante e inseparável deste Auto de Infração. Intimada para oferecer contrarrazões, a Contribuinte repisa os argumentos apresentados no decisum recorrido [fls. 542/546]. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Entendo que o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional não preenche os pressupostos de admissibilidade contidos no artigo 7o, c.c. o artigo 15, ambos do Regimento Interno desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, in verbis: “Art. 7o. Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I – decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária a lei ou à evidência de prova; (...) Art. 15. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorri, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. §1o Na hipótese de que trata o inciso I do art. 7o deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à lei ou à evidência de prova e, havendo matérias autônomas, o recurso especial alcançara apenas a parte da decisão não unanime contrária à Fazenda Nacional.” Por outro lado, o recurso da Fazenda Nacional também não preenche o segundo requisito contido no permissivo regimental do artigo 7o, inciso I, parte final, do Regimento da CSRF, no que diz respeito à contrariedade à evidência das provas, pois deveria haver a demonstração e fundamentação do motivo pelo qual a decisão a quo se deu contra as evidencias probatórias do presente processo administrativo. Nesse sentido, destacamse os seguintes julgados: “NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Em Recurso Especial é indispensável que se demonstre, de maneira clara e fundamentada, porque teria havido ofensa ao dispositivo de lei ou à evidência da prova. Exigese minimamente a indicação das provas que teriam sido contrariadas e, ainda, a exposição das razões pelas quais, no entender da recorrente, o julgado deva ser reformado por contrariedade à prova, objetivando convencer o julgador, no propósito de reforma do acórdão. O que não ocorreu no presente caso. Recurso especial não conhecido.” (grifos e destaques nossos) (Processo n° 13975.000161/0029, Recurso n° 303130.397 Especial do Procurador, acórdão n° 920200.067, sessão de 17 de agosto de 2009) “NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei. Em Recurso Especial é indispensável que se demonstre, de maneira clara e fundamentada, porque teria havido ofensa ao dispositivo de lei ou à evidência da prova. Exigese minimamente a indicação das provas que teriam sido contrariadas e, ainda, a exposição das raz5es pelas quais, no entender da recorrente, o julgado deva ser reformado por contrariedade à prova, objetivando convencer o julgador, no propósito de reforma do acórdão. O que não ocorreu no presente caso. A alegação de contrariedade à lei, sem a indicação do dispositivo legal que considerou violado, não é suficiente para que o recurso especial seja conhecido. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. (...) Recurso especial provido em parte.” (grifos e destaques nossos) (Processo n° 10950.002660/200481, Recurso n° 303134.294 Especial do Procurador, acórdão n° 920200.069, sessão de 17 de agosto de 2009) “NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei ou à evidência da prova. Em Recurso Especial é indispensável que se demonstre, de maneira clara e fundamentada, porque teria havido ofensa ao dispositivo de lei ou à evidência da prova. Exigese minimamente a indicação das provas que teriam sido contrariadas e, ainda, a exposição das razões pelas quais, no Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10768.015476/200116 Acórdão n.º 9202001.957 CSRFT2 Fl. 8 5 entender da recorrente, o julgado deva ser reformado por contrariedade à prova, objetivando convencer o julgador, no propósito de reforma do acórdão. O que não ocorreu no presente caso. A alegação de contrariedade à lei, sem a indicação do dispositivo legal que considerou violado, não é suficiente para que o recurso especial seja conhecido. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. Recurso especial não conhecido.” (grifos e destaques nossos) Processo n° 10120.004864/200519, Recurso n° 334.873, Especial do Procurador, acórdão n° 920200.471, sessão de 28 de outubro de 2009) No caso em questão, não houve a indicação pela Fazenda Nacional de quais provas teriam sido evidentemente contrariadas pela decisão recorrida. Entendo que a Recorrente objetiva, em verdade, que o presente Colegiado analise novamente todo o conjunto fáticoprobatório, revendo as razões e fundamentos que levaram a Colenda Câmara a quo a tomar a decisão ora guerreada. É importante destacar, além disso, que o principal argumento do Recurso Especial, no que se refere à parte aqui tratada (contrariedade à prova), está calcado no voto vencido, de lavra do eminente Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. Contudo, os pontos por ele levantados foram objeto de debate na sessão, sendo expressamente rebatidos no voto vencedor, verbis: Divido do bem articulado voto do I. Conselheiro apenas quanto ao acréscimo patrimonial a descoberto. Verifico que o procedimento adotado pela Fiscalização para a aferição do fluxo financeiro do Contribuinte não é válido e, portanto, suas conclusões não merecem ser acolhidas. Compulsando as planilhas de fls. 166 a 190, verificase que foram consignados como aplicação de recursos os lançamentos a débitos nas contas bancárias, inclusive os cheques compensados e sacados, embora também tenham sido considerados os saldos no início e final de cada mês. Ora, cheques debitados em conta bancária por si só não configuram dispêndio ou aplicação de recursos, sem que se determine a utilização desses recursos sacados. Ademais, por definição, se cheques são sacados contra conta bancária de titularidade do contribuinte é porque ela tinha saldo ou ficou devedora, o que não caracteriza acréscimo patrimonial ou gasto sem origem. O aumento ou diminuição do saldo das contas é que poderiam espelhar uma evolução patrimonial e neste caso verificase que a Fiscalização considerou os saldos iniciais e finais nessas contas. O critério adotado pela Fiscalização, portanto, não espelha um acréscimo patrimonial ou gastos sem lastro em rendimentos, o que desautoriza a exigência do imposto. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Pelo exposto, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10074.001789/2010-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sun Jan 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.501
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converterem o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Mário César Fracalossi Bais (suplente)
RELATÓRIO
Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis:
O presente processo trata dos Autos de Infração de fls. 02/51, acompanhados do Relatório Fiscal de fls. 52/92, lavrados para as seguintes exigências: Imposto de Importação, juros de mora e multa de ofício, no valor de R$ 67.685,37; multa regulamentar no valor de R$25.679.000,00; IPI, juros de mora e multa de ofício no valor de R$110.888,33; Cofins, juros de mora e multa de ofício no valor de R$176.467,08; PIS/PASEP, juros de mora e multa de ofício no valor de R$37.660,51, totalizando um crédito tributário no valor de R$26.068.701,28.
Este é o relato da fiscalização:
A autuação teve origem na ação fiscal desenvolvida para verificação do cumprimento do Regime de Drawback Suspensão, concedido à interessada através dos Atos concessórios n.ºs 20040099474, 20050010654, 20050045814, 20060045140, 20060153288, 20065559, 20060120240, 20070122342, 20070046042, 2007069255, 20070085684, 20070122288, 20070032343 e 20070033099.
O regime de drawback, modalidade suspensão, permite a suspensão dos tributos incidentes na importação de produtos destinados à exportação e a base legal para sua concessão é o Decreto-Lei n.º 37/66, art. 78, II. Cabe à beneficiária do regime do ônus da prova, ou seja, deve demonstrar e provar ao fisco que cumpriu todas as condições e requisitos estabelecidos para que se possa usufruir dos incentivos previstos neste regime. Caso não o faça, suas operações de importação devem ser tratadas sob o regime aduaneiro comum, onde a regra é o pagamento dos tributos. A partir de 1º de novembro de 2001, a concessão e o acompanhamento de todos os atos concessórios de drawback suspensão passaram a ser efetivados de forma eletrônica no Siscomex, simplificando os procedimentos tanto do contribuinte como da fiscalização, já que tudo passou a ser processado eletronicamente, inclusive algumas conferências feitas pelo próprio sistema.
Assim, analisando os atos concessórios da beneficiária, foi verificado que nenhum deles teve qualquer Registro de Exportação (RE) vinculado. Às fls. 56/61 a fiscalização detalhou os atos concessórios sob exame com as informações extraídas do banco de dados SECEX/SISCOMEX.
Sob intimação, a beneficiária apresentou diversos documentos para tentar comprovar as exportações dos atos concessórios, com exceção do Ato Concessório (AC) n.º 20070033099, que , por esta razão, foi considerado totalmente inadimplente.
Para aceitação dos REs como comprovação da exportação é necessário que os mesmo contenham as informações quanto ao enquadramento da operação de drawback (códigos 81101, 81102, 81103 e 81104) e o número do AC. Esta é uma exigência prevista na Portaria SECEX n.º 14/2004 e art. 352 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n.º 4.543/2002). É o princípio da vinculação física, cuja base legal é o art. 78, I, do Decreto-Lei n.º 37/66. A fiscalização também traz argumentos de ordem operacional de controle da exportações para salientar a obrigatoriedade de tais informações.
Às fls. 65/89 são relacionados os atos concessórios com DIs e REs indicados pela beneficiária para comprovação do cumprimento das condições do regime e a análise da fiscalização quanto às correspondentes vinculações, concluindo que nenhum RE serve para extinguir o regime de drawback, pelas razões descritas às fls. 89/90, que, resumidamente, consistem em não vinculação, vinculação indevida ou vinculação em duplicidade de ato concessório, indicação de exportação normal e não de drawback, retificação de RE após a averbação e RE não averbado.
Assim sendo, em não comprovado o efetivo cumprimento das condições, limites e valores previstos nos Atos Concessórios e ainda a não adoção de qualquer medida extintiva do regime, foram exigidos os tributos suspensos desde o momento da importação dos insumos estrangeiros.
Os créditos foram constituídos com base no art. 173, I do CTN, os quais só decaíram em 01/01/2011 para aqueles ACs mais antigos e que venceram em 2005.
Também foi exigida a multa prevista no art. 107, VII, e, do Decreto-Lei n.º 37/66, com a redação da Lei n.º 10.833/2003, já que a contribuinte utilizou-se, indevidamente, do regime, vez que mantém suspensão dos tributos quando já não mais poderia fazê-lo. A multa em apreço foi calculada por dia, a partir do dia seguinte ao vencimento do Ato Concessório, até o dia do presente lançamento dos tributos.
Os documentos a que se referem a fiscalização encontram-se às fls. 93/2.049.
Intimada da autuação em 13/11/2010, a interessada apresentou tempestivamente a impugnação de fls. 2.059/2.092, alegando o que segue:
1) A impugnante dedica-se a atividade de importação e exportação de produtos de origem animal e de comercialização de carnes e seus derivados, notadamente tiras de carne desidratada conhecidas no mercado internacional como beef jerky. Para tanto goza do regime de drawback para importar subprodutos utilizados na fabricação destes produtos à base de carne desidratada.
2) A fiscalização alega que a impugnante não teria comprovado a exportação dos produtos que constam nos AC n.ºs 20040099474, 20050010654, 20050045814, 20060045140, 20060153288, 20065559, 20060120240, 20070122342, 20070046042, 2007069255, 20070085684, 20070122288, 20070032343 e 20070033099. No entanto todos os materiais importados com o benefício do drawback foram empregados na fabricação dos produtos exportados, ainda que tenha ocorrido pequenos lapsos no que diz respeito ao cumprimento das formalidades relacionadas à vinculação dos registros de exportação. Também ocorreram problemas em razão de mudanças de funcionários, quando foram vinculados a dois atos concessórios todas a exportações realizadas nos anos de 2006 e 2007 e por isso a impugnante optou por não vincular as exportações subseqüentes a quaisquer atos concessórios até a correção dos erros.
3) A SECEX permitia vinculação a posteriori dos REs aos correspondentes ACs, mesmo após o prazo previsto. Ocorre que com a implementação do Sistema Drawback Web esta vinculação a posteriori não foi mais possível. Apesar do prazo concedido pela SECEX para os ajustes necessários, a impugnante não conseguiu realizar todos, restando pendentes algumas divergências que levaram a fiscalização concluir que não houve o cumprimento do regime.
4) Preliminarmente alega que houve nulidade do Auto de Infração posto que calculado incorretamente. Conforme se verifica da tabela no Termo de Verificação para apuração da multa do art. 107, VII, e, do Decreto-Lei n.º 37/66, em relação ao AC n.º 20060045140, foi apontado um total de 13.121 dias de descumprimento quando foi apurado 1.312 dias. Também em relação ao AC n.º 20040099474 a fiscalização considerou o início da apuração da multa o dia 26/02/2005, quando o correto seria 02/08/2005, um ano após o registro da DI acobertada pelo AC em tela.
5) Os fiscais autuantes lançaram a multa com base em mera presunção de que os produtos importados não foram exportados, pelo fato de que a beneficiária não ter tido tempo hábil para promover as correções nos registros. Em nenhum momento a fiscalização trouxe elementos que pudessem comprovar o descumprimento do compromisso de exportar por parte da impugnante. A lavratura do auto baseado em presunção é contrária à legislação tributária, devendo ser aplicado o art. 112 do CTN, interpretando-se da maneira mais favorável ao acusado. Também deveria a fiscalização apresentar as provas para que a impugnante pudesse se defender, sob pena de violação do princípio da ampla defesa e do contraditório. Não pode a fiscalização ignorar as exportações realizadas, utilizando-se indevidamente da presunção, sem comprovar o descumprimento do regime.
6) O auto de infração foi lavrado em 11/11/2010, portanto só poderia efetuar o lançamento para os fatos geradores ocorridos após 11/11/2005, nos termos do art. 150, § 4.º do CTN. Cita doutrina e jurisprudência do STJ. O prazo decadencial não admite interrupções nem suspensões, por isso seu termo inicial é a data do fato gerador do imposto, que, no caso dos tributos incidentes sobre a importação, ocorre na data do desembaraço. Não há que se falar que no caso de drawback suspensão este prazo teria início após o término do prazo para a exportação dos produtos previstos nos ACs. Assim para os ACs n.ºs 200400994747, 20050010654 e 20050045814, cujas datas de desembaraço aduaneiro foram 30/08/2004, 04/02/2005 e 11/05/2005, respectivamente, se operou a decadência do direito do fisco de exigir tributos. Com relação à multa regulamentar, a decadência ocorre para o AC n.º 20040099474, porque, conforme consta no auto de infração, o termo inicial para contagem da multa diária seria em 26/02/2005.
7) A impugnante alega como contestação de mérito contra a autuação que mesmo que tenha vinculado de forma equivocada os atos concessórios aos respectivos registros de exportação, o fato é que a obrigação de exportar foi cumprida oportunamente conforme atestam os documentos que mostram o caminho dos produtos importados até sua exportação. Tais documentos foram anexados aos autos às fls. 2.224/3.971. Entre os documentos estão planilhas que resumem as exportações dos produtos finais. Traz alguns exemplos, citando alguns ACs, relacionando-os com notas fiscais de entrada e saída para comprovar a utilização do insumo nas exportações. (fls. 2.073/2.074). Alega que a SECEX sempre permitiu a vinculação a posteriori e o fato de que ela tenha concedido prazo para a adaptação dos beneficiários ao novo sistema vem a comprovar que essa formalidade, até então, não tinha tamanha relevância, de modo que seu descumprimento jamais poderia ensejar uma cobrança de mais de R$26 milhões.
8) Traz argumentos em defesa dos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do não-confisco.
9) Alega também que a multa em comento não pode ser aplicada ao caso em tela, pois a obrigação descumprida é indivisível. A fiscalização impondo tal multa diária estaria punindo o tempo em que supostamente houve o descumprimento da condição para fruição do regime de drawback e não o descumprimento do regime propriamente.
10) Ao final requer a nulidade pelas falhas na apuração dos valores, em especial nos ACs n.ºs 20060045140 e 20040099474 e pelo fato de a autuação ter se baseado em mera presunção. Requer a decadência dos créditos cujos fatos geradores ocorreram antes de 11/11/2005. No mérito, por entender que trouxe todos os documentos que comprovam as exportações e que a cobrança da multa afronta os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do não-confisco, requer o cancelamento integral do auto de infração.
A 1ª Turma da Delegacia de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou procedente em parte a impugnação para cancelar a exigência da multa nos termos do Acórdão nº. 07-25.151, de 06 de julho de 2010. A instância a quo afastou a preliminar de decadência suscitada pelo recorrente e manteve o lançamento referente aos tributos devidos e suspensos em razão das importações que, em tese, estariam amparadas pelo regime de drawback.
Irresignada com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário alegando, em breve síntese, que:
(...) goza do regime aduaneiro especial de drawback, modalidade suspensão, para importação de subprodutos utilizados na fabricação de produtos a base de carne desidratada exportados para o exterior, como as tripas de colágeno utilizadas para envolver alguns desses produtos e os absorventes de oxigênio utilizados nas suas embalagens para fins de conservação(...);
(...) teve diversas exportações realizadas entre os anos de 2006 e 2007 vinculadas a apenas dois atos concessórios ( 20050258451 e 20050207571), os quais não são objeto da autuação. Após verificar o equívoco cometido, a recorrente optou por não vincular as exportações subsequentes a quaisquer atos concessórios, de modo a corrigir os erros incorridos na vinculação dos registros de exportação aos respectivos atos concessórios(...);
(...) desde o início das atividades da recorrente, o sistema da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (SECEX) vinha permitindo a vinculação a posteriori dos registros de exportação aos correspondentes atos concessórios. A prática difundida no mercado e aceita pela Secex, esmo após o prazo previsto para o cumprimento da referida obrigação, sem que isso representasse qualquer óbice para que os atos concessórios fossem devidamente baixados no sistema. Ocorre que, com a implementação di sistema drawback web, essa vinculação a posteriori entre os registros de exportação e os atos concessórios deixou de ser possível. De acordo com esse novo sistema, os registros de exportação já efetivados ou averbados não seriam mais passíveis de alteração, devendo as informações necessárias para a comprovação do cumprimento do drawback ser vinculadas no momento da averbação do registro de exportação. Diante disso, a própria Secex conferiu aos beneficiários do regime de drawback um prazo para providenciarem a vinculação entre os registros de exportação e os atos concessórios que estivessem pendentes, tendo inclusive veiculado a Circular Secex nº. 34, de 04 de julho de 2007, instruindo os beneficiários do regime a se adequarem ao novo sistema drawback web (...);
(...)não conseguiu promover todos os ajustes necessários dentro do prazo concedido pela Secex. Com isso, restaram pendentes algumas divergências entre determinados atos concessórios e os respectivos registros de exportação, que levaram a Fiscalização a concluir que a recorrente teria descumprido o regime de drawback (...);
(...) Embora reconheça que vinculou de forma equivocada os atos concessórios listados no auto de infração aos respectivos registros de exportação, o fato é que a obrigação de exportar foi cumprida oportunamente, conforme atestam os documentos anexados à impugnação, que mostram o caminho dos insumos importados sob o regime de drawback suspensão desde a obtenção dos competentes atos concessórios até a sua exportação, devidamente incorporados aos produtos finais, para o mercado externo. Contudo, ao apreciar a impugnação a DRJ eximiu-se de analisar a farta documentação que a instruiu, alegando basicamente que os erros formais incorridos pela recorrente já seriam suficientes para configurar o descumprimento do drawback e ensejar a cobrança dos tributos suspensos pelo regime(...);
(...) ao contrário do afirmado pela r. decisão recorrida, não pretendeu, em momento algum, transferir para o Fisco o ônus de comprovar o descumprimento dos requisitos do drawback. Muito pelo contrário, se a recorrente se deu ao trabalho de produzir mais de 1700 páginas de documentos para comprovar que cumpriu o compromisso de exportar em relação aos 14 atos concessórios listados no auto de infração, é evidente que a mesma assumiu o ônus de comprovar que, a despeito de algumas irregularidades formais, cumpriu o requisito essencial do regime de drawback suspensão que é a exportação dos insumos importados incorporados aos produtos finais. Assim, em nome do princípio da verdade material que rege o processo administrativo, a recorrente roga a V.Sas. que examinem a documentação acostada às fls. 2598/4356 do processo, que atesta que todos os insumos importados referidos nos atos concessórios abrangidos pela autuação forma utilizados na produção de mercadorias exportadas oportunamente, isto é, dentro do prazo de vencimento dos mencionados atos concessórios;
(...) seis dos quatorze atos concessórios abrangidos pelo auto de infração foram devidamente baixados pela Secex pelo fato de que aquela Secretaria prorrogou, por meio da Portaria nº24, de 26/07/2011, a validade dos atos concessórios com vencimento original entre 01/10/2008 e 31/12/2011(...). Assim, os atos concessórios que tinham vencimentos originais no ano de 2009 tiveram seu prazo de validade prorrogado, pelo que a recorrente providenciou, junto a Secex, a baixa dos referidos atos concessórios, mediante a vinculação a novos registros de exportação.
Termina sua petição requerendo que seja reformada a decisão guerreada, para que seja cancelada a parcela mantida no auto de infração, correspondente aos tributos suspensos na importação de insumos beneficiadas pelo drawback.
É o Relatório.
VOTO
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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decisao_txt : RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converterem o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Mário César Fracalossi Bais (suplente) RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: O presente processo trata dos Autos de Infração de fls. 02/51, acompanhados do Relatório Fiscal de fls. 52/92, lavrados para as seguintes exigências: Imposto de Importação, juros de mora e multa de ofício, no valor de R$ 67.685,37; multa regulamentar no valor de R$25.679.000,00; IPI, juros de mora e multa de ofício no valor de R$110.888,33; Cofins, juros de mora e multa de ofício no valor de R$176.467,08; PIS/PASEP, juros de mora e multa de ofício no valor de R$37.660,51, totalizando um crédito tributário no valor de R$26.068.701,28. Este é o relato da fiscalização: A autuação teve origem na ação fiscal desenvolvida para verificação do cumprimento do Regime de Drawback Suspensão, concedido à interessada através dos Atos concessórios n.ºs 20040099474, 20050010654, 20050045814, 20060045140, 20060153288, 20065559, 20060120240, 20070122342, 20070046042, 2007069255, 20070085684, 20070122288, 20070032343 e 20070033099. O regime de drawback, modalidade suspensão, permite a suspensão dos tributos incidentes na importação de produtos destinados à exportação e a base legal para sua concessão é o Decreto-Lei n.º 37/66, art. 78, II. Cabe à beneficiária do regime do ônus da prova, ou seja, deve demonstrar e provar ao fisco que cumpriu todas as condições e requisitos estabelecidos para que se possa usufruir dos incentivos previstos neste regime. Caso não o faça, suas operações de importação devem ser tratadas sob o regime aduaneiro comum, onde a regra é o pagamento dos tributos. A partir de 1º de novembro de 2001, a concessão e o acompanhamento de todos os atos concessórios de drawback suspensão passaram a ser efetivados de forma eletrônica no Siscomex, simplificando os procedimentos tanto do contribuinte como da fiscalização, já que tudo passou a ser processado eletronicamente, inclusive algumas conferências feitas pelo próprio sistema. Assim, analisando os atos concessórios da beneficiária, foi verificado que nenhum deles teve qualquer Registro de Exportação (RE) vinculado. Às fls. 56/61 a fiscalização detalhou os atos concessórios sob exame com as informações extraídas do banco de dados SECEX/SISCOMEX. Sob intimação, a beneficiária apresentou diversos documentos para tentar comprovar as exportações dos atos concessórios, com exceção do Ato Concessório (AC) n.º 20070033099, que , por esta razão, foi considerado totalmente inadimplente. Para aceitação dos REs como comprovação da exportação é necessário que os mesmo contenham as informações quanto ao enquadramento da operação de drawback (códigos 81101, 81102, 81103 e 81104) e o número do AC. Esta é uma exigência prevista na Portaria SECEX n.º 14/2004 e art. 352 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n.º 4.543/2002). É o princípio da vinculação física, cuja base legal é o art. 78, I, do Decreto-Lei n.º 37/66. A fiscalização também traz argumentos de ordem operacional de controle da exportações para salientar a obrigatoriedade de tais informações. Às fls. 65/89 são relacionados os atos concessórios com DIs e REs indicados pela beneficiária para comprovação do cumprimento das condições do regime e a análise da fiscalização quanto às correspondentes vinculações, concluindo que nenhum RE serve para extinguir o regime de drawback, pelas razões descritas às fls. 89/90, que, resumidamente, consistem em não vinculação, vinculação indevida ou vinculação em duplicidade de ato concessório, indicação de exportação normal e não de drawback, retificação de RE após a averbação e RE não averbado. Assim sendo, em não comprovado o efetivo cumprimento das condições, limites e valores previstos nos Atos Concessórios e ainda a não adoção de qualquer medida extintiva do regime, foram exigidos os tributos suspensos desde o momento da importação dos insumos estrangeiros. Os créditos foram constituídos com base no art. 173, I do CTN, os quais só decaíram em 01/01/2011 para aqueles ACs mais antigos e que venceram em 2005. Também foi exigida a multa prevista no art. 107, VII, e, do Decreto-Lei n.º 37/66, com a redação da Lei n.º 10.833/2003, já que a contribuinte utilizou-se, indevidamente, do regime, vez que mantém suspensão dos tributos quando já não mais poderia fazê-lo. A multa em apreço foi calculada por dia, a partir do dia seguinte ao vencimento do Ato Concessório, até o dia do presente lançamento dos tributos. Os documentos a que se referem a fiscalização encontram-se às fls. 93/2.049. Intimada da autuação em 13/11/2010, a interessada apresentou tempestivamente a impugnação de fls. 2.059/2.092, alegando o que segue: 1) A impugnante dedica-se a atividade de importação e exportação de produtos de origem animal e de comercialização de carnes e seus derivados, notadamente tiras de carne desidratada conhecidas no mercado internacional como beef jerky. Para tanto goza do regime de drawback para importar subprodutos utilizados na fabricação destes produtos à base de carne desidratada. 2) A fiscalização alega que a impugnante não teria comprovado a exportação dos produtos que constam nos AC n.ºs 20040099474, 20050010654, 20050045814, 20060045140, 20060153288, 20065559, 20060120240, 20070122342, 20070046042, 2007069255, 20070085684, 20070122288, 20070032343 e 20070033099. No entanto todos os materiais importados com o benefício do drawback foram empregados na fabricação dos produtos exportados, ainda que tenha ocorrido pequenos lapsos no que diz respeito ao cumprimento das formalidades relacionadas à vinculação dos registros de exportação. Também ocorreram problemas em razão de mudanças de funcionários, quando foram vinculados a dois atos concessórios todas a exportações realizadas nos anos de 2006 e 2007 e por isso a impugnante optou por não vincular as exportações subseqüentes a quaisquer atos concessórios até a correção dos erros. 3) A SECEX permitia vinculação a posteriori dos REs aos correspondentes ACs, mesmo após o prazo previsto. Ocorre que com a implementação do Sistema Drawback Web esta vinculação a posteriori não foi mais possível. Apesar do prazo concedido pela SECEX para os ajustes necessários, a impugnante não conseguiu realizar todos, restando pendentes algumas divergências que levaram a fiscalização concluir que não houve o cumprimento do regime. 4) Preliminarmente alega que houve nulidade do Auto de Infração posto que calculado incorretamente. Conforme se verifica da tabela no Termo de Verificação para apuração da multa do art. 107, VII, e, do Decreto-Lei n.º 37/66, em relação ao AC n.º 20060045140, foi apontado um total de 13.121 dias de descumprimento quando foi apurado 1.312 dias. Também em relação ao AC n.º 20040099474 a fiscalização considerou o início da apuração da multa o dia 26/02/2005, quando o correto seria 02/08/2005, um ano após o registro da DI acobertada pelo AC em tela. 5) Os fiscais autuantes lançaram a multa com base em mera presunção de que os produtos importados não foram exportados, pelo fato de que a beneficiária não ter tido tempo hábil para promover as correções nos registros. Em nenhum momento a fiscalização trouxe elementos que pudessem comprovar o descumprimento do compromisso de exportar por parte da impugnante. A lavratura do auto baseado em presunção é contrária à legislação tributária, devendo ser aplicado o art. 112 do CTN, interpretando-se da maneira mais favorável ao acusado. Também deveria a fiscalização apresentar as provas para que a impugnante pudesse se defender, sob pena de violação do princípio da ampla defesa e do contraditório. Não pode a fiscalização ignorar as exportações realizadas, utilizando-se indevidamente da presunção, sem comprovar o descumprimento do regime. 6) O auto de infração foi lavrado em 11/11/2010, portanto só poderia efetuar o lançamento para os fatos geradores ocorridos após 11/11/2005, nos termos do art. 150, § 4.º do CTN. Cita doutrina e jurisprudência do STJ. O prazo decadencial não admite interrupções nem suspensões, por isso seu termo inicial é a data do fato gerador do imposto, que, no caso dos tributos incidentes sobre a importação, ocorre na data do desembaraço. Não há que se falar que no caso de drawback suspensão este prazo teria início após o término do prazo para a exportação dos produtos previstos nos ACs. Assim para os ACs n.ºs 200400994747, 20050010654 e 20050045814, cujas datas de desembaraço aduaneiro foram 30/08/2004, 04/02/2005 e 11/05/2005, respectivamente, se operou a decadência do direito do fisco de exigir tributos. Com relação à multa regulamentar, a decadência ocorre para o AC n.º 20040099474, porque, conforme consta no auto de infração, o termo inicial para contagem da multa diária seria em 26/02/2005. 7) A impugnante alega como contestação de mérito contra a autuação que mesmo que tenha vinculado de forma equivocada os atos concessórios aos respectivos registros de exportação, o fato é que a obrigação de exportar foi cumprida oportunamente conforme atestam os documentos que mostram o caminho dos produtos importados até sua exportação. Tais documentos foram anexados aos autos às fls. 2.224/3.971. Entre os documentos estão planilhas que resumem as exportações dos produtos finais. Traz alguns exemplos, citando alguns ACs, relacionando-os com notas fiscais de entrada e saída para comprovar a utilização do insumo nas exportações. (fls. 2.073/2.074). Alega que a SECEX sempre permitiu a vinculação a posteriori e o fato de que ela tenha concedido prazo para a adaptação dos beneficiários ao novo sistema vem a comprovar que essa formalidade, até então, não tinha tamanha relevância, de modo que seu descumprimento jamais poderia ensejar uma cobrança de mais de R$26 milhões. 8) Traz argumentos em defesa dos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do não-confisco. 9) Alega também que a multa em comento não pode ser aplicada ao caso em tela, pois a obrigação descumprida é indivisível. A fiscalização impondo tal multa diária estaria punindo o tempo em que supostamente houve o descumprimento da condição para fruição do regime de drawback e não o descumprimento do regime propriamente. 10) Ao final requer a nulidade pelas falhas na apuração dos valores, em especial nos ACs n.ºs 20060045140 e 20040099474 e pelo fato de a autuação ter se baseado em mera presunção. Requer a decadência dos créditos cujos fatos geradores ocorreram antes de 11/11/2005. No mérito, por entender que trouxe todos os documentos que comprovam as exportações e que a cobrança da multa afronta os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do não-confisco, requer o cancelamento integral do auto de infração. A 1ª Turma da Delegacia de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou procedente em parte a impugnação para cancelar a exigência da multa nos termos do Acórdão nº. 07-25.151, de 06 de julho de 2010. A instância a quo afastou a preliminar de decadência suscitada pelo recorrente e manteve o lançamento referente aos tributos devidos e suspensos em razão das importações que, em tese, estariam amparadas pelo regime de drawback. Irresignada com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário alegando, em breve síntese, que: (...) goza do regime aduaneiro especial de drawback, modalidade suspensão, para importação de subprodutos utilizados na fabricação de produtos a base de carne desidratada exportados para o exterior, como as tripas de colágeno utilizadas para envolver alguns desses produtos e os absorventes de oxigênio utilizados nas suas embalagens para fins de conservação(...); (...) teve diversas exportações realizadas entre os anos de 2006 e 2007 vinculadas a apenas dois atos concessórios ( 20050258451 e 20050207571), os quais não são objeto da autuação. Após verificar o equívoco cometido, a recorrente optou por não vincular as exportações subsequentes a quaisquer atos concessórios, de modo a corrigir os erros incorridos na vinculação dos registros de exportação aos respectivos atos concessórios(...); (...) desde o início das atividades da recorrente, o sistema da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (SECEX) vinha permitindo a vinculação a posteriori dos registros de exportação aos correspondentes atos concessórios. A prática difundida no mercado e aceita pela Secex, esmo após o prazo previsto para o cumprimento da referida obrigação, sem que isso representasse qualquer óbice para que os atos concessórios fossem devidamente baixados no sistema. Ocorre que, com a implementação di sistema drawback web, essa vinculação a posteriori entre os registros de exportação e os atos concessórios deixou de ser possível. De acordo com esse novo sistema, os registros de exportação já efetivados ou averbados não seriam mais passíveis de alteração, devendo as informações necessárias para a comprovação do cumprimento do drawback ser vinculadas no momento da averbação do registro de exportação. Diante disso, a própria Secex conferiu aos beneficiários do regime de drawback um prazo para providenciarem a vinculação entre os registros de exportação e os atos concessórios que estivessem pendentes, tendo inclusive veiculado a Circular Secex nº. 34, de 04 de julho de 2007, instruindo os beneficiários do regime a se adequarem ao novo sistema drawback web (...); (...)não conseguiu promover todos os ajustes necessários dentro do prazo concedido pela Secex. Com isso, restaram pendentes algumas divergências entre determinados atos concessórios e os respectivos registros de exportação, que levaram a Fiscalização a concluir que a recorrente teria descumprido o regime de drawback (...); (...) Embora reconheça que vinculou de forma equivocada os atos concessórios listados no auto de infração aos respectivos registros de exportação, o fato é que a obrigação de exportar foi cumprida oportunamente, conforme atestam os documentos anexados à impugnação, que mostram o caminho dos insumos importados sob o regime de drawback suspensão desde a obtenção dos competentes atos concessórios até a sua exportação, devidamente incorporados aos produtos finais, para o mercado externo. Contudo, ao apreciar a impugnação a DRJ eximiu-se de analisar a farta documentação que a instruiu, alegando basicamente que os erros formais incorridos pela recorrente já seriam suficientes para configurar o descumprimento do drawback e ensejar a cobrança dos tributos suspensos pelo regime(...); (...) ao contrário do afirmado pela r. decisão recorrida, não pretendeu, em momento algum, transferir para o Fisco o ônus de comprovar o descumprimento dos requisitos do drawback. Muito pelo contrário, se a recorrente se deu ao trabalho de produzir mais de 1700 páginas de documentos para comprovar que cumpriu o compromisso de exportar em relação aos 14 atos concessórios listados no auto de infração, é evidente que a mesma assumiu o ônus de comprovar que, a despeito de algumas irregularidades formais, cumpriu o requisito essencial do regime de drawback suspensão que é a exportação dos insumos importados incorporados aos produtos finais. Assim, em nome do princípio da verdade material que rege o processo administrativo, a recorrente roga a V.Sas. que examinem a documentação acostada às fls. 2598/4356 do processo, que atesta que todos os insumos importados referidos nos atos concessórios abrangidos pela autuação forma utilizados na produção de mercadorias exportadas oportunamente, isto é, dentro do prazo de vencimento dos mencionados atos concessórios; (...) seis dos quatorze atos concessórios abrangidos pelo auto de infração foram devidamente baixados pela Secex pelo fato de que aquela Secretaria prorrogou, por meio da Portaria nº24, de 26/07/2011, a validade dos atos concessórios com vencimento original entre 01/10/2008 e 31/12/2011(...). Assim, os atos concessórios que tinham vencimentos originais no ano de 2009 tiveram seu prazo de validade prorrogado, pelo que a recorrente providenciou, junto a Secex, a baixa dos referidos atos concessórios, mediante a vinculação a novos registros de exportação. Termina sua petição requerendo que seja reformada a decisão guerreada, para que seja cancelada a parcela mantida no auto de infração, correspondente aos tributos suspensos na importação de insumos beneficiadas pelo drawback. É o Relatório. VOTO
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(assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Mário César Fracalossi Bais (suplente) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 74 .0 01 78 9/ 20 10 -9 6 Fl. 4607DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10074.001789/201096 Resolução nº 3402000.501 S3C4T2 Fl. 101 2 RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: O presente processo trata dos Autos de Infração de fls. 02/51, acompanhados do Relatório Fiscal de fls. 52/92, lavrados para as seguintes exigências: Imposto de Importação, juros de mora e multa de ofício, no valor de R$ 67.685,37; multa regulamentar no valor de R$25.679.000,00; IPI, juros de mora e multa de ofício no valor de R$110.888,33; Cofins, juros de mora e multa de ofício no valor de R$176.467,08; PIS/PASEP, juros de mora e multa de ofício no valor de R$37.660,51, totalizando um crédito tributário no valor de R$26.068.701,28. Este é o relato da fiscalização: A autuação teve origem na ação fiscal desenvolvida para verificação do cumprimento do Regime de Drawback Suspensão, concedido à interessada através dos Atos concessórios n.ºs 20040099474, 20050010654, 20050045814, 20060045140, 20060153288, 20065559, 20060120240, 20070122342, 20070046042, 2007069255, 20070085684, 20070122288, 20070032343 e 20070033099. O regime de drawback, modalidade suspensão, permite a suspensão dos tributos incidentes na importação de produtos destinados à exportação e a base legal para sua concessão é o DecretoLei n.º 37/66, art. 78, II. Cabe à beneficiária do regime do ônus da prova, ou seja, deve demonstrar e provar ao fisco que cumpriu todas as condições e requisitos estabelecidos para que se possa usufruir dos incentivos previstos neste regime. Caso não o faça, suas operações de importação devem ser tratadas sob o regime aduaneiro comum, onde a regra é o pagamento dos tributos. A partir de 1º de novembro de 2001, a concessão e o acompanhamento de todos os atos concessórios de drawback suspensão passaram a ser efetivados de forma eletrônica no Siscomex, simplificando os procedimentos tanto do contribuinte como da fiscalização, já que tudo passou a ser processado eletronicamente, inclusive algumas conferências feitas pelo próprio sistema. Assim, analisando os atos concessórios da beneficiária, foi verificado que nenhum deles teve qualquer Registro de Exportação (RE) vinculado. Às fls. 56/61 a fiscalização detalhou os atos concessórios sob exame com as informações extraídas do banco de dados SECEX/SISCOMEX. Sob intimação, a beneficiária apresentou diversos documentos para tentar comprovar as exportações dos atos concessórios, com exceção do Ato Concessório (AC) n.º 20070033099, que , por esta razão, foi considerado totalmente inadimplente. Para aceitação dos RE’s como comprovação da exportação é necessário que os mesmo contenham as informações quanto ao enquadramento da operação de drawback (códigos 81101, 81102, 81103 e 81104) e o número do AC. Esta é uma exigência prevista na Portaria SECEX n.º 14/2004 e art. 352 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n.º 4.543/2002). É o princípio da vinculação física, cuja base Fl. 4608DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10074.001789/201096 Resolução nº 3402000.501 S3C4T2 Fl. 102 3 legal é o art. 78, I, do DecretoLei n.º 37/66. A fiscalização também traz argumentos de ordem operacional de controle da exportações para salientar a obrigatoriedade de tais informações. Às fls. 65/89 são relacionados os atos concessórios com DI’s e RE’s indicados pela beneficiária para comprovação do cumprimento das condições do regime e a análise da fiscalização quanto às correspondentes vinculações, concluindo que nenhum RE serve para extinguir o regime de drawback, pelas razões descritas às fls. 89/90, que, resumidamente, consistem em não vinculação, vinculação indevida ou vinculação em duplicidade de ato concessório, indicação de exportação normal e não de drawback, retificação de RE após a averbação e RE não averbado. Assim sendo, em não comprovado o efetivo cumprimento das condições, limites e valores previstos nos Atos Concessórios e ainda a não adoção de qualquer medida extintiva do regime, foram exigidos os tributos suspensos desde o momento da importação dos insumos estrangeiros. Os créditos foram constituídos com base no art. 173, I do CTN, os quais só decaíram em 01/01/2011 para aqueles AC’s mais antigos e que venceram em 2005. Também foi exigida a multa prevista no art. 107, VII, “e”, do Decreto Lei n.º 37/66, com a redação da Lei n.º 10.833/2003, já que a contribuinte utilizouse, indevidamente, do regime, vez que mantém suspensão dos tributos quando já não mais poderia fazêlo. A multa em apreço foi calculada por dia, a partir do dia seguinte ao vencimento do Ato Concessório, até o dia do presente lançamento dos tributos. Os documentos a que se referem a fiscalização encontramse às fls. 93/2.049. Intimada da autuação em 13/11/2010, a interessada apresentou tempestivamente a impugnação de fls. 2.059/2.092, alegando o que segue: 1) A impugnante dedicase a atividade de importação e exportação de produtos de origem animal e de comercialização de carnes e seus derivados, notadamente tiras de carne desidratada conhecidas no mercado internacional como beef jerky. Para tanto goza do regime de drawback para importar subprodutos utilizados na fabricação destes produtos à base de carne desidratada. 2) A fiscalização alega que a impugnante não teria comprovado a exportação dos produtos que constam nos AC n.ºs 20040099474, 20050010654, 20050045814, 20060045140, 20060153288, 20065559, 20060120240, 20070122342, 20070046042, 2007069255, 20070085684, 20070122288, 20070032343 e 20070033099. No entanto todos os materiais importados com o benefício do drawback foram empregados na fabricação dos produtos exportados, ainda que tenha ocorrido pequenos lapsos no que diz respeito ao cumprimento das formalidades relacionadas à vinculação dos registros de exportação. Também ocorreram problemas em razão de mudanças de funcionários, quando foram vinculados a dois atos concessórios todas a exportações Fl. 4609DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10074.001789/201096 Resolução nº 3402000.501 S3C4T2 Fl. 103 4 realizadas nos anos de 2006 e 2007 e por isso a impugnante optou por não vincular as exportações subseqüentes a quaisquer atos concessórios até a correção dos erros. 3) A SECEX permitia vinculação a posteriori dos RE’s aos correspondentes AC’s, mesmo após o prazo previsto. Ocorre que com a implementação do Sistema Drawback Web esta vinculação a posteriori não foi mais possível. Apesar do prazo concedido pela SECEX para os ajustes necessários, a impugnante não conseguiu realizar todos, restando pendentes algumas divergências que levaram a fiscalização concluir que não houve o cumprimento do regime. 4) Preliminarmente alega que houve nulidade do Auto de Infração posto que calculado incorretamente. Conforme se verifica da tabela no Termo de Verificação para apuração da multa do art. 107, VII, “e”, do DecretoLei n.º 37/66, em relação ao AC n.º 20060045140, foi apontado um total de 13.121 dias de descumprimento quando foi apurado 1.312 dias. Também em relação ao AC n.º 20040099474 a fiscalização considerou o início da apuração da multa o dia 26/02/2005, quando o correto seria 02/08/2005, um ano após o registro da DI acobertada pelo AC em tela. 5) Os fiscais autuantes lançaram a multa com base em mera presunção de que os produtos importados não foram exportados, pelo fato de que a beneficiária não ter tido tempo hábil para promover as correções nos registros. Em nenhum momento a fiscalização trouxe elementos que pudessem comprovar o descumprimento do compromisso de exportar por parte da impugnante. A lavratura do auto baseado em presunção é contrária à legislação tributária, devendo ser aplicado o art. 112 do CTN, interpretandose da maneira mais favorável ao acusado. Também deveria a fiscalização apresentar as provas para que a impugnante pudesse se defender, sob pena de violação do princípio da ampla defesa e do contraditório. Não pode a fiscalização ignorar as exportações realizadas, utilizandose indevidamente da presunção, sem comprovar o descumprimento do regime. 6) O auto de infração foi lavrado em 11/11/2010, portanto só poderia efetuar o lançamento para os fatos geradores ocorridos após 11/11/2005, nos termos do art. 150, § 4.º do CTN. Cita doutrina e jurisprudência do STJ. O prazo decadencial não admite interrupções nem suspensões, por isso seu termo inicial é a data do fato gerador do imposto, que, no caso dos tributos incidentes sobre a importação, ocorre na data do desembaraço. Não há que se falar que no caso de drawback suspensão este prazo teria início após o término do prazo para a exportação dos produtos previstos nos AC’s. Assim para os AC’s n.ºs 200400994747, 20050010654 e 20050045814, cujas datas de desembaraço aduaneiro foram 30/08/2004, 04/02/2005 e 11/05/2005, respectivamente, se operou a decadência do direito do fisco de exigir tributos. Com relação à multa regulamentar, a decadência ocorre para o AC n.º 20040099474, porque, conforme consta no auto de infração, o termo inicial para contagem da multa diária seria em 26/02/2005. 7) A impugnante alega como contestação de mérito contra a autuação que mesmo que tenha vinculado de forma equivocada os atos concessórios aos respectivos registros de exportação, o fato é que a Fl. 4610DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10074.001789/201096 Resolução nº 3402000.501 S3C4T2 Fl. 104 5 obrigação de exportar foi cumprida oportunamente conforme atestam os documentos que mostram o “caminho” dos produtos importados até sua exportação. Tais documentos foram anexados aos autos às fls. 2.224/3.971. Entre os documentos estão planilhas que resumem as exportações dos produtos finais. Traz alguns exemplos, citando alguns AC’s, relacionandoos com notas fiscais de entrada e saída para comprovar a utilização do insumo nas exportações. (fls. 2.073/2.074). Alega que a SECEX sempre permitiu a vinculação a posteriori e o fato de que ela tenha concedido prazo para a adaptação dos beneficiários ao novo sistema vem a comprovar que essa formalidade, até então, não tinha tamanha relevância, de modo que seu descumprimento jamais poderia ensejar uma cobrança de mais de R$26 milhões. 8) Traz argumentos em defesa dos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do nãoconfisco. 9) Alega também que a multa em comento não pode ser aplicada ao caso em tela, pois a obrigação descumprida é indivisível. A fiscalização impondo tal multa diária estaria punindo o tempo em que supostamente houve o descumprimento da condição para fruição do regime de drawback e não o descumprimento do regime propriamente. 10) Ao final requer a nulidade pelas falhas na apuração dos valores, em especial nos AC’s n.ºs 20060045140 e 20040099474 e pelo fato de a autuação ter se baseado em mera presunção. Requer a decadência dos créditos cujos fatos geradores ocorreram antes de 11/11/2005. No mérito, por entender que trouxe todos os documentos que comprovam as exportações e que a cobrança da multa afronta os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do nãoconfisco, requer o cancelamento integral do auto de infração. A 1ª Turma da Delegacia de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou procedente em parte a impugnação para cancelar a exigência da multa nos termos do Acórdão nº. 0725.151, de 06 de julho de 2010. A instância a quo afastou a preliminar de decadência suscitada pelo recorrente e manteve o lançamento referente aos tributos devidos e suspensos em razão das importações que, em tese, estariam amparadas pelo regime de drawback. Irresignada com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário alegando, em breve síntese, que: a) (...) goza do regime aduaneiro especial de drawback, modalidade suspensão, para importação de subprodutos utilizados na fabricação de produtos a base de carne desidratada exportados para o exterior, como as tripas de colágeno utilizadas para envolver alguns desses produtos e os absorventes de oxigênio utilizados nas suas embalagens para fins de conservação(...); b) (...) teve diversas exportações realizadas entre os anos de 2006 e 2007 vinculadas a apenas dois atos concessórios ( 20050258451 e 20050207571), os quais não são objeto da autuação. Após verificar o equívoco cometido, a recorrente optou por não vincular as Fl. 4611DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10074.001789/201096 Resolução nº 3402000.501 S3C4T2 Fl. 105 6 exportações subsequentes a quaisquer atos concessórios, de modo a corrigir os erros incorridos na vinculação dos registros de exportação aos respectivos atos concessórios(...); c) (...) desde o início das atividades da recorrente, o sistema da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (SECEX) vinha permitindo a vinculação a posteriori dos registros de exportação aos correspondentes atos concessórios. A prática difundida no mercado e aceita pela Secex, esmo após o prazo previsto para o cumprimento da referida obrigação, sem que isso representasse qualquer óbice para que os atos concessórios fossem devidamente baixados no sistema. Ocorre que, com a implementação di sistema drawback web, essa vinculação a posteriori entre os registros de exportação e os atos concessórios deixou de ser possível. De acordo com esse novo sistema, os registros de exportação já efetivados ou averbados não seriam mais passíveis de alteração, devendo as informações necessárias para a comprovação do cumprimento do drawback ser vinculadas no momento da averbação do registro de exportação. Diante disso, a própria Secex conferiu aos beneficiários do regime de drawback um prazo para providenciarem a vinculação entre os registros de exportação e os atos concessórios que estivessem pendentes, tendo inclusive veiculado a Circular Secex nº. 34, de 04 de julho de 2007, instruindo os beneficiários do regime a se adequarem ao novo sistema drawback web (...); d) (...)não conseguiu promover todos os ajustes necessários dentro do prazo concedido pela Secex. Com isso, restaram pendentes algumas divergências entre determinados atos concessórios e os respectivos registros de exportação, que levaram a Fiscalização a concluir que a recorrente teria descumprido o regime de drawback (...); e) (...) Embora reconheça que vinculou de forma equivocada os atos concessórios listados no auto de infração aos respectivos registros de exportação, o fato é que a obrigação de exportar foi cumprida oportunamente, conforme atestam os documentos anexados à impugnação, que mostram o “caminho” dos insumos importados sob o regime de drawback suspensão desde a obtenção dos competentes atos concessórios até a sua exportação, devidamente incorporados aos produtos finais, para o mercado Fl. 4612DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10074.001789/201096 Resolução nº 3402000.501 S3C4T2 Fl. 106 7 externo. Contudo, ao apreciar a impugnação a DRJ eximiuse de analisar a farta documentação que a instruiu, alegando basicamente que os erros formais incorridos pela recorrente já seriam suficientes para configurar o descumprimento do drawback e ensejar a cobrança dos tributos suspensos pelo regime(...); f) (...) ao contrário do afirmado pela r. decisão recorrida, não pretendeu, em momento algum, transferir para o Fisco o ônus de comprovar o descumprimento dos requisitos do drawback. Muito pelo contrário, se a recorrente se deu ao trabalho de produzir mais de 1700 páginas de documentos para comprovar que cumpriu o compromisso de exportar em relação aos 14 atos concessórios listados no auto de infração, é evidente que a mesma assumiu o ônus de comprovar que, a despeito de algumas irregularidades formais, cumpriu o requisito essencial do regime de drawback suspensão que é a exportação dos insumos importados incorporados aos produtos finais. Assim, em nome do princípio da verdade material que rege o processo administrativo, a recorrente roga a V.Sas. que examinem a documentação acostada às fls. 2598/4356 do processo, que atesta que todos os insumos importados referidos nos atos concessórios abrangidos pela autuação forma utilizados na produção de mercadorias exportadas oportunamente, isto é, dentro do prazo de vencimento dos mencionados atos concessórios; g) (...) seis dos quatorze atos concessórios abrangidos pelo auto de infração foram devidamente baixados pela Secex pelo fato de que aquela Secretaria prorrogou, por meio da Portaria nº24, de 26/07/2011, a validade dos atos concessórios com vencimento original entre 01/10/2008 e 31/12/2011(...). Assim, os atos concessórios que tinham vencimentos originais no ano de 2009 tiveram seu prazo de validade prorrogado, pelo que a recorrente providenciou, junto a Secex, a baixa dos referidos atos concessórios, mediante a vinculação a novos registros de exportação. Termina sua petição requerendo que seja reformada a decisão guerreada, para que seja cancelada a parcela mantida no auto de infração, correspondente aos tributos suspensos na importação de insumos beneficiadas pelo drawback. É o Relatório. Fl. 4613DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10074.001789/201096 Resolução nº 3402000.501 S3C4T2 Fl. 107 8 VOTO O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. O recorrente apresentou diversos 1700 páginas de documentos para atestar que o regime de drawback foi cumprido. Porém, a instância a quo não analisou os documento pois entendeu que falta de observância de todas as formalidades previstas no regime era motivo suficiente para ensejar a desconsideração do drawback. Discordo da posição da DRJ Florianópolis, pois se o recorrente conseguir provar que os insumos importados sob o regime de drawback suspensão foram incorporados aos produtos finais exportados, entendo cumprida a condição fundamental que rege o regime. Neste norte, voto no sentido de baixar o processo em diligência para que a unidade de origem analise os 1700 documentos acostados nos autos quando da apresentação da impugnação e elabore um relatório conclusivo sobre a utilização dos insumos importados sob o regime de drawback suspensão nos produtos exportados pelo recorrente. Em outras palavras, faça análise se o recorrente cumpriu a condição de incorporar em seu produto exportado os insumos importados com suspensão tributária. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Sala das Sessões, 29/01/2012 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Fl. 4614DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10935.721518/2011-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO.
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento. É legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de ofício proporcional, não paga no vencimento.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS.
Aplica-se aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido no principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1102-000.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: pelo voto de qualidade, manter os juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Silvana Rescigno Guerra Barreto, Francisco Alexandre dos Santos Linhares e Antonio Carlos Guidoni Filho; e por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação às demais matérias, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
Albertina Silva Santos de Lima - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, e Francisco Alexandre dos Santos Linhares.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007, 2008 JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento. É legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de ofício proporcional, não paga no vencimento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. Aplica-se aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido no principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2161; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 2 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.721518/201154 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102000.828 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de dezembro de 2012 Matéria IRPJ Recorrente DSR SOLUCOES E INTELIGENCIA LOGISTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido no principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento. É legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de ofício proporcional, não paga no vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: pelo voto de qualidade, manter os juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Silvana Rescigno Guerra Barreto, Francisco Alexandre dos Santos Linhares e Antonio Carlos Guidoni Filho; e por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 15 18 /2 01 1- 54 Fl. 6701DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/201154 Acórdão n.º 1102000.828 S1C1T2 Fl. 3 2 unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação às demais matérias, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, e Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por DSR SOLUCOES E INTELIGENCIA LOGISTICA LTDA, contra a decisão prolatada no Acórdão n° 0636.603, da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba, que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade interposta contra os autos de infração lavrados de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e reflexos (Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL), relativo aos anos calendários de 2007 e 2008. A autuação se deu ante a constatação da existência de depósitos bancários de origem não comprovada. Tendo em vista que a receita bruta auferida no ano de 2007, apurada pela fiscalização, excedeu o limite para a manutenção da empresa no regime do lucro presumido, aliado ao fato de que em 2008 o contribuinte deixou de registrar em sua contabilidade mais de 57% das receitas apuradas pela fiscalização e também deixou de registrar na contabilidade, neste mesmo ano, a movimentação financeira de vinte contas bancárias, o fisco apurou o IRPJ e a CSLL em 2008 pelo regime do lucro arbitrado. O contribuinte apresentou impugnação, fls. 6577 a 6594, alegando, em síntese, o que segue. Sustenta não ser possível a lavratura dos autos de infração com base tão somente em extratos bancários, e que os autos de infração não podem ser mantidos porque lavrados com base em “elementos probatórios” carecedores de sustentação fática, baseados em meras suposições e presunções. Entende que, para que a autoridade tributária possa utilizarse de presunções, é preciso que demonstre a causalidade entre os fatos que ela conhece e os possíveis acontecimentos advindos destes fatos e que não foram trazidos a lume, o que não foi feito no caso. Fl. 6702DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/201154 Acórdão n.º 1102000.828 S1C1T2 Fl. 4 3 Observa que as contascorrentes bancárias, como o próprio nome diz, servem para registrar movimentações financeiras que nem sempre têm o condão de gerar acréscimo patrimonial e tampouco receitas. Cita jurisprudência administrativa do antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, e a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos que afirma ser “ilegítimo o lançamento de imposto de renda com base apenas em extratos bancários”. Argumenta que cumpriu com todas as exigências que a ele foram solicitadas, inclusive abrindo mão de seu sigilo bancário e entregando todos os extratos de todas as contas bancárias existentes no seu nome, nos quais constavam os respectivos depositantes. Aduz que seria essencial que a fiscalização identificasse a origem de cada um dos depósitos, comprovando se estes podem ter sido realizados por conta de serviços de transporte prestados pelo contribuinte. No entanto, não foi o que fez a fiscalização no presente caso, na medida em que o próprio auditor fiscal expressamente reconhece (fls. 08 da autuação) que não não conseguiu identificar a origem de R$ 51.640.843,31. Portanto, este valor deve ser excluído da autuação. Discorre sobre o princípio da verdade material, e dá exemplo de um dos equívocos que teriam sido perpetrados pela autoridade fiscal: os valores de R$ 700.000,00 e R$ 600.000,00 que foram depositados pela empresa “Rexam Beverage”, na conta 638277 do Banco Bradesco em 10/01/2008 e 17/01/2008, foram entendidos pela fiscalização como pagamento de serviços prestados, fulcrado apenas nas presunções “extrato bancário” e “ser a Rexam cliente da contribuinte”. Entretanto, a verdade real é que em 28/12/2007 a DSR emprestou à Rexam a importância de R$ 1.300.000,00, e esta, por sua vez, devolveu o referido numerário através dos dois depósitos citados acima, conforme documentação que anexa. Contesta a autuação reflexa de PIS e de COFINS, ao fundamento de que não há nenhuma relação de decorrência entre tais contribuições e o IRPJ, conforme a própria CoordenaçãoGeral de Tributação da Secretaria da Receita Federal, em março de 2005, reconheceu ao expedir dois Pareceres de Soluções de Divergência (Pareceres n° 15 e n° 16, de 11/03/2005) no qual afirmam a improcedência dos lançamentos reflexos de PIS e COFINS, quando o regime de tributação no IRPJ for o lucro arbitrado. Por fim, sustenta a impossibilidade de a multa de ofício lançada sofrer a incidência da taxa SELIC, pois esta se presta tão somente a corrigir o valor do principal, ou seja, o valor do tributo e das contribuições exigidas, jamais podendo atualizar os créditos decorrentes de multa, como bem assentado na jurisprudência administrativa que refere. Requer a declaração de improcedência total dos autos de infração, ou, subsidiariamente, o expurgo da autuação do valor de R$ 51.640.843,31, a nulidade da tributação reflexa de PIS e COFINS, e o afastamento da aplicação da taxa SELIC sobre a multa de ofício, bem como o reconhecimento do seu direito à produção de todos os meios de prova em direito admitidos e à eventual juntada de documentos em momento posterior. Por meio do acórdão n° 0636.603, que revisou o acórdão n° 0636.345, que continha erro material, a DRJ rejeitou o pedido de juntada de novos documentos e, no mérito, julgou parcialmente procedentes os lançamentos, na medida em que considerou comprovados Fl. 6703DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/201154 Acórdão n.º 1102000.828 S1C1T2 Fl. 5 4 os depósitos de R$ 700.000,00 e R$ 600.000,00 ocorridos em janeiro de 2008, o que fez reduzir o valor dos tributos lançados. O acórdão possui a seguinte ementa: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007, 2008 ERRO MATERIAL. CONSTATAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. PROFERIMENTO DE NOVO ACÓRDÃO. CANCELAMENTO DO ACÓRDÃO ANTERIOR. Constatado erro material em decisão anterior, por provocação do contribuinte, mediante petição, procedese ao proferimento de novo acórdão, com o cancelamento do anterior. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007, 2008 PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. Nos termos da legislação do PAF, toda prova documental deve ser apresentada na impugnação, sob pena de preclusão, salvo exceções previstas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007, 2008 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. INCIDÊNCIA SOBRE MULTA. A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal, e não procede a reclamação de aplicação da taxa Selic sobre a multa qualificada, quando o demonstrativo de multa e juros de mora é claro ao demonstrar a incidência dos juros de mora somente sobre o principal. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado na ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituirse de presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996, devendo a base de cálculo ser reduzida dos valores com origem justificada. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE CONTAS BANCÁRIAS. Fl. 6704DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/201154 Acórdão n.º 1102000.828 S1C1T2 Fl. 6 5 A falta de escrituração de contas bancárias torna a contabilidade imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, autorizando o arbitramento do lucro. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins e à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ.” Cientificada desta decisão em 07/05/2012, conforme AR de fls. 6669, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 01/06/2012, fls. 6671 a 6680, no qual, em síntese, reprisa os argumentos expostos por ocasião da inicial, exceto com relação à contestação da autuação reflexa de PIS e de COFINS por suposta nulidade, que não foi renovada em sede recursal. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Alega a recorrente que os depósitos bancários, por si só, não constituem fato gerador do imposto de renda, e que teria de ficar caracterizado o nexo causal verossímil entre as supostas receitas dos depósitos levantados e o acréscimo patrimonial presumido. Nesta linha de argumentação transcreve jurisprudência administrativa do antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, e a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que afirma ser “ilegítimo o lançamento de imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos bancários”. Não lhe assiste razão. O raciocínio expendido pela recorrente somente poderia ser considerado válido na vigência de legislação pretérita (artigo 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/1990), com base na qual, aliás, firmouse a jurisprudência invocada pela recorrente. Contudo, esta realidade foi diametralmente alterada com a revogação daquele dispositivo pela Lei nº 9.430/96, cujo artigo 42 estabeleceu o seguinte, verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...)” Fl. 6705DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/201154 Acórdão n.º 1102000.828 S1C1T2 Fl. 7 6 Nesta nova realidade erigida pelo legislador à condição de presunção legal, a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, isoladamente considerada, mas sim pela falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados. Ou seja, há uma correlação lógica estabelecida pelo legislador entre o fato conhecido (ser beneficiado com um depósito bancário sem demonstração de sua origem) e o fato desconhecido (auferir rendimentos), e é esta correlação que dá fundamento à presunção legal em comento, de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de receitas ou rendimentos omitidos. Tratase, como é cediço, de presunção legal relativa, ou seja, que admite prova em contrário. Mas essa prova cabe à recorrente. Ao Fisco cabe, nos termos do indigitado artigo, intimar regularmente a empresa a comprovar, individualizadamente, os valores creditados em suas contas bancárias, e isto foi feito. A justificativa para esses depósitos, bem como a documentação hábil e idônea que venha a dar suporte à origem dos recursos creditados, há de ser apresentada pelo contribuinte, se quiser elidir a presunção legal em comento. Reprisando: não incumbe ao fisco demonstrar que os recursos creditados tem origem em receitas ou rendimentos omitidos. É justamente o contrário: nos termos da lei, incumbe ao contribuinte demonstrar, se for o caso, que os recursos creditados não tem origem em receitas ou rendimentos omitidos. Por este motivo, sem qualquer fundamento o pleito de exclusão, do valor tributável, do montante de R$ 51.640.843,31, com relação ao qual a autoridade fiscal não teria conseguido identificar a origem. Na verdade, o que ocorreu é que, não obstante não incumbisse ao fisco fazer qualquer prova no sentido de que os depósitos teriam origem em receitas omitidas, no caso concreto a autoridade fiscal robusteceu a presunção legal em comento quando demonstrou que, dos valores que não foram justificados pelo sujeito passivo (R$ 189.989.400,75), um total de R$ 138.348.557,44 se referia a valores depositados ou transferidos por clientes da fiscalizada (a diferença são os R$ 51.640.843,31). Também sem qualquer fundamento a simples alegação, desacompanhada de quaisquer provas, de que nem todos os recursos creditados corresponderiam a receitas, e que deveriam ter sido excluídas do lançamento as movimentações que representariam mero trânsito de recursos financeiros pelas contas, sem capacidade de gerar acréscimo patrimonial à recorrente. Isto porque a fiscalização, antes mesmo de intimar a recorrente a comprovar a origem dos depósitos bancários, já excluíra o montante de R$ 264.616.121,79, que identificara como oriundo de transferências de valores entre contas da mesma titularidade, devoluções, transferências de saldos, estornos, e outras razões. Portanto, o que se verifica na análise dos autos é que o fisco fez um criterioso e bem fundamentado trabalho que deixou perfeitamente caracterizada a omissão de receitas perpetrada pela recorrente, aliás, corretamente tributada pela modalidade do lucro arbitrado em 2008, em vista do quanto ao norte exposto. Os créditos para os quais a recorrente trouxe documentação comprobatória já foram reconhecidos pelo próprio fisco durante a fase investigativa (R$ 65.811.229,23) ou pela autoridade recorrida (R$ 1.300.000,00). Fl. 6706DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/201154 Acórdão n.º 1102000.828 S1C1T2 Fl. 8 7 Em que pesem os protestos pelo reconhecimento do direito à produção de provas, nenhum novo documento foi trazido em sede de recurso, pelo que nenhum valor mais há para excluir. Ainda no campo das provas, a alegação trazida no recurso de que estaria sendo exigido da recorrente a produção de provas impossíveis (como provas negativas) não faz qualquer sentido, haja vista que, quando a recorrente produziu provas, conforme registrado no parágrafo acima, elas foram acatadas, o que demonstra que não se trata de exigência de prova negativa. Resta apenas analisar a insurgência da recorrente contra a imputação de juros, calculados pela taxa Selic, incidentes sobre a multa de ofício. A este respeito, peço vênia ao ilustre Conselheiro Leonardo de Andrade Couto para transcrever trechos do seu voto proferido a respeito do assunto nos autos do PAF nº 16327.002295/200103, pugnando pela incidência dos juros, calculados à taxa Selic, sobre as multas punitivas, e que bem sintetizam meu entendimento sobre a questão: “A meu ver, a previsão de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício estaria plenamente configurada no bojo do art. 161, do CTN: Art. 161.0 crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (......) Em primeiro lugar, a acepção da palavra crédito deve ser feita em consonância com o fato de que após o lançamento de ofício a multa aplicada passa a integrar aquele valor. Não há base para a segregação almejada, pois a obrigação tributária principal é composta tanto pelo tributo como pela penalidade pecuniária. Não se quer dizer que a norma equipare penalidade pecuniária a tributo pois, por definição, esse último não tem natureza de sanção. No acórdão 10422.508 de lavra do Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, a questão foi magnificamente tratada conforme transcrição: “Ora, se o crédito tem a mesma natureza da obrigação principal e esta tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias, é evidente que o crédito tributário compreende um e outro. Isso não quer dizer em absoluto que o CTN equipare penalidade pecuniária a tributo, que não tem natureza de sanção. Nesse mesmo sentido, no art. 142 que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Fl. 6707DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/201154 Acórdão n.º 1102000.828 S1C1T2 Fl. 9 8 Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a "crédito" no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tributo. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência à imposição de penalidade e, portanto, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capitulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que trata do pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expressão "o crédito não integralmente pago" possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição, de fato existe. Mas se trata aqui de situação como a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitações da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refirome ao art. 157, segundo o qual "A imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário". Uma interpretação apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade não é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse desse tato à prescrição de que a penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributário de certas normas do Direito Civil em que penalidade é substitutiva da obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo. Esse é o entendimento manifestado por Luciano Amaro, que não se desapercebeu dessa incoerência gramatical do texto. Vejase: A circunstância de o sujeito passivo sofrer imposição de penalidade (por descumprimento de obrigação acessória, ou por falta de recolhimento de tributo) não dispensa o pagamento integral do tributo devido, vale dizer, a penalidade é punitiva da infração à lei; ela não substitui o tributo, acrescese a ele, quando seja o caso. O art. 157 diz que a penalidade não ilide o pagamento integral "do crédito tributário", mas como, na conceituação dos arts. 113, § 1°, e 142, a obrigação e o crédito tributário englobariam a penalidade pecuniária, o que o Código teria que ter dito, se tivesse à preocupação de manter sua coerência interna, é que a penalidade não ilide o pagamento integral "do tributo", pois não haveria sequer possibilidade lógica de uma penalidade excluir o pagamento de quantia correspondente a ela mesma.(Amaro, Luciano – Direito Tributário Brasileiro, 10 ed., Atual São Paul, pág. 379).” Fl. 6708DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/201154 Acórdão n.º 1102000.828 S1C1T2 Fl. 10 9 Do até aqui exposto, estaria esclarecida a possibilidade da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Considerando que o parágrafo primeiro do art. 161, do CTN estabelece que os juros devem ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo disposição de lei em sentido diverso, cabe agora avaliar a existência de norma prevendo a incidência da taxa Selic. Ainda que a discussão envolva, precipuamente, fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, cabe um resumo cronológico da questão com vistas a uma análise mais abrangente, começando pelo DecretoLei nº1.736/1979 (todos os destaques foram acrescidos): Art 1° O débito decorrente do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, do imposto sobre produtos industrializados, do imposto sobre a importação e do imposto único sobre minerais, não pago no vencimento, será acrescido de multa de mora, consoante o previsto neste Decretolei. (......) Art 2° Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1°. Art 3° Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1° do Decretolei n°. 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis n°. 1.569, de 8 de agosto de 1977, e n°. 1.645, de 11 de dezembro de 1978. (......) Constatase a previsão da incidência de juros de mora, a razão de 1% ao mês, sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional calculados sobre o valor originário, o que incluiria a multa de ofício como se pode concluir pelo exame do art. 3º. Nesse ponto, notase que o parágrafo único do art. 2º expressamente registrava a não incidência dos juros sobre a multa de mora, e não sobre a multa de oficio. Posteriormente, o Decreto Lei nº 2.323/87 ao tratar da matéria manteve em essência a redação supra transcrita, o que implica na incidência dos juros sobre a multa de ofício, ressalvando apenas que o cálculo seria feito sobre o débito atualizado monetariamente: Art. 16. Os débitos, de qualquer natureza, para com a Fazenda Nacional e para com o Fundo de Participação PISPASEP, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decreto lei. Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior. Fl. 6709DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/201154 Acórdão n.º 1102000.828 S1C1T2 Fl. 11 10 A seguir, a Lei nº 7.738/89 trouxe uma inovação, qual seja, restringiu os juros de mora aos tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda o que implicou na não incidência sobre as penalidades, inclusive a multa de ofício: Art. 23. Os tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de trinta por cento e a juros de mora na forma da legislação pertinente, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição atualizado monetariamente. (........) Na mesma linha conduziuse a Lei nº 7.799/89. Algum tempo depois, com o advento da Lei 8.218/91, retornou a incidência dos juros de mora sobre os débitos de qualquer natureza com a Fazenda Nacional, e calculados com base na TRD: Art. 3º Sobre os débitos exigíveis de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional,bem como para o Instituto Nacional de Seguro Social INSS, incidirão: I juros de mora equivalentes à Taxa Referencial Diária TRD acumulada, calculados desde o dia em que o débito deveria ter sido pago, até o dia anterior ao do seu efetivo pagamento; e II multa de mora aplicada de acordo com a seguinte Tabela: (.......) §2 – A multa de mora de que trata este artigo não incide sobre o débito oriundo de multa de ofício Logo após, a Lei nº 8.383/91, com vigência a partir de 01/01/1992, estabeleceu que os débitos tributários seriam expressos em UFIR, o que incluiria a multa de ofício. Além disso, a norma trouxe de volta a taxa de juros de 1% ao mês, com incidência sobre tributos e contribuições: Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. (......) Com o advento da Lei nº 8.981/95, deflagrouse o processo de adequação dos débitos tributários ao novo padrão monetário voltado para a desindexação da economia. Além de estabelecer a conversão dos débitos de UFIR para Real a norma trouxe o cálculo dos juros com base na taxa de captação pelo Tesouro Nacional da Dívida Pública: Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Divida Mobiliária Federal Interna; Fl. 6710DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/201154 Acórdão n.º 1102000.828 S1C1T2 Fl. 12 11 (.....) A Selic foi introduzida pela Lei nº 9.065/95: Art. 13. A partir de 1° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei n°. 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art 6° da Lei n°. 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n°. 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei n°. 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Importantíssimo detalhe quanto ao art. 84 da Lei 8.981/95, foi a inclusão do § 8º no seu texto, alteração trazida pela Medida Provisória nº 1.110, de 30/08/1995, nos seguintes termos: § 8º O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Divida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Também merece destaque os artigos 25 e 26 da Medida Provisória nº 1.542, de 18 de dezembro de 1996 (convertida na Lei nº 10.522/2002, arts. 29 e 30) Art. 25. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 30 de agosto de 1995, ou que, na data de início de vigência desta norma ainda não tenham sido encaminhados para a inscrição em Dívida Ativa da União, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para Real, com base no valor daquela fixado para 1º de janeiro de 1997. (...) Art. 26. Em relação aos débitos referidos no artigo anterior, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1º de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Antes de adentrar à legislação específica aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997 (Lei nº 9.430/96) cabe um avaliação do arcabouço legal supra transcrito. Vêse que a legislação anterior que versou sobre a matéria referiuse a débitos de qualquer natureza, quando quis fazer incidir os juros sobre os débitos em geral incluindo a multa de ofício; ou a tributos e contribuições, quando a multa não deveria sofrer a incidência de juros. Assim, para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1996, houve períodos em que não incidiria os juros sobre a multa de ofício por disposição legal, ou pela ausência dela? A resposta é que, na prática, com as sucessivas alterações legislativas isso não ocorreu. Vamos aos fatos: Fl. 6711DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/201154 Acórdão n.º 1102000.828 S1C1T2 Fl. 13 12 O arts.25 c/c art. 26 da MP nº 1.542/96 estabelece a incidência da taxa Selic a partir de janeiro de 1997, sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional com fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, o que inclui a multa de ofício. A Lei nº 8.38/91 determinou que os débitos para com a Fazenda Nacional fossem convertidos em UFIR ,o que abarcou a multa de ofício nos termos do parágrafo único do art. 58 dessa norma. A Lei nº 8.383/91 não estabelece textualmente a incidência de juros de mora sobra a multa de ofício mas, na verdade, essa penalidade foi estipulada em UFIR, sofrendo a variação desse indicador até 31/12/1994 e a taxa Selic a partir daí. Quanto à alegação de que os dispositivos mencionados serviriam de limitação à incidência dos juros de mora sobra a multa apenas a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, volto a usar os argumentos do Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, no voto acima mencionado: “Cabe analisar, por fim, o comando constante dos artigos 29 e 30 da Lei n°. 10.522, de 2002, introduzidos pela MP 1.542, de 18 de dezembro de 1996. Esses dois artigos em conjunto prevêem a incidência de juros Selic sobre débitos de qualquer natureza cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, o que é invocado às vezes como argumento no sentido de que a lei limitou a incidência dos juros Selic sobre os débitos de qualquer natureza aos fatos geradores ocorrido até 1994. Tal conclusão, todavia, é fruto de uma análise meramente gramatical e isolada dos dispositivos, sem preocupação com a natureza da matéria que se pretende regular. É que os dois artigos claramente regularam uma situação pendente, decorrência desse processo de desindexação dos tributos, relacionada com a Lei n°. 8.981, de 1995, em especial com o seu artigo 5°, transcritos acima. Relembrese que a Lei n°. 8.981, de 1995 determinou que a partir de 1° de janeiro de 1995, os tributos e contribuições seriam apurados em Reais (art. 6°), e não mais em Ufir, como até então. Mas os débitos relativos aos fatos geradores até 31 de dezembro de 1994, continuavam sendo apurados em Ufir e convertidos para Reais apenas quando do pagamento (art. 5"), e sobre esses incidiam juros de mora de 1% ao mês (art. 84, § 5°). O que a Medida Provisória n°. 1.541, de 18 de dezembro de 1996 (convertida na Lei n". 10.522, de 2002) fez foi regular a situação dos débitos relativos a fatos geradores até 31/12/1994 que, por não terem sido pagos ou parcelados, continuavam sendo controlados e apurados em Ufir, ao mesmo tempo em que determinava que, a partir de 1° de janeiro de 1997, os débitos relativos a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994 seriam lançados em Reais. E determinou também que, a partir de 1° de janeiro de 1997, esses mesmos débitos, que antes eram atualizados monetariamente e acrescidos de juros de mora de 1% ao mês, e, a partir de 1° de janeiro de 1997 não mais sofreriam correção monetária, passariam a incidir juros de mora com base na taxa Selic. Portanto, não há como entender que os artigos 25 e 26 da Medida Provisória n°. 1.541, de 1996, estivessem limitando a incidência de juros Selic aos débitos referentes a fatos geradores até 31/12/1994, mas apenas que eles regulavam uma situação especifica desses débitos. Ao contrário, o fato de a lei determinar a incidência de juros Selic, a partir de janeiro de 1997, sobre os débitos de qualquer natureza, relacionados com fatos geradores até Fl. 6712DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/201154 Acórdão n.º 1102000.828 S1C1T2 Fl. 14 13 31/12/1994, denota uma clara tendência de aplicação de juros Selic sobre os débitos em geral.” (....) Do até aqui exposto, pareceme ter ficado patente a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1996 ainda que se considere, o que não é meu caso salientese, que as disposições do art. 161, do CTN seriam insuficientes para autorizar essa cobrança. Para os fatos geradores ocorridos a partir da 01/01/1997, objeto maior dos recursos interpostos, a análise envolve fundamentalmente o alcance do art. 61 da Lei nº 9.430/96. (...) O dispositivo em questão estabelece: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. A interpretação literal levou julgadores de muito respeito nesta Corte a entenderem que a expressão “decorrentes” excluiria a multa de ofício do dispositivo, pois esta não decorreria dos tributos ou contribuições, mas do descumprimento do dever legal de pagálo. Tenho dificuldade de vislumbrar base razoável para, diante de diferentes possibilidades semânticas de um vocábulo, assumirse apenas uma delas como ponto de partida da interpretação do texto de uma lei, quando essa acepção deveria ser o ponto de chegada. Podemos fazer o que também se poderia denominar de interpretação literal da norma em comento e chegar a uma conclusão diametralmente oposta. Dizer que os “débitos decorrentes de tributos e contribuições” ou, em outras palavras,”débitos cuja origem remonta a tributos e contribuições” se sujeitam a juros de mora, não é o mesmo que afirmar que “apenas os débitos de tributos e contribuições submeterseiam aos juros de mora. Assim, para que os juros moratórios atingissem apenas os tributos e contribuições a redação do dispositivo deveria ser: Os débitos de tributos e contribuições para com a União, administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Essa redação seria mais condizente com a sistemática historicamente usada pelo legislador para definir a incidência dos juros de mora. Como visto em momento anterior neste voto, a norma referiuse a débitos de qualquer natureza, quando quis fazer incidir os juros sobre os débitos em geral incluindo a multa de ofício; ou a tributos e contribuições, quando a multa não deveria sofrer a incidência de juros. Fl. 6713DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/201154 Acórdão n.º 1102000.828 S1C1T2 Fl. 15 14 Entretanto a redação não é essa, Não apenas é impossível ignorar a expressão “decorrentes de” , como devese dar a ela efeito includente, e não excludente como quer ver a corrente de entendimento da qual discordo. Além disso, não é demais ratificar a indissociabilidade da multa de ofício e do principal, após a formalização do lançamento. Não é lógico que valor do tributo sofra a incidência de juros moratórios, enquanto que a multa de ofício não, sendo que ambas as verbas fazem parte de um mesmo todo. Ainda resta o argumento no sentido de que o entendimento quanto à inclusão da multa de ofício na expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” implicaria na incidência de multa de mora sobre a multa de ofício. Nesse ponto, socorrome novamente do voto pelo proferido pelo Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA que enfrenta a questão com maestria: “Sustentam os que defendem a interpretação de que o art. 61 da Lei n°. 9.430, de 1996 dirigese apenas aos tributos e contribuições; que, a se entender que a multa de oficio está contida no termo débitos decorrentes de tributos e contribuições, o dispositivo estaria prevendo a incidência de multa de mora sobre a multa de oficio. Assim como quando da análise do art. 161 do CTN, aqui, da mesma forma, esse argumento está associado a um critério de interpretação do texto legal com base na leitura que melhor harmoniza, do ponto de vista gramatical, o próprio texto o que, como se viu, não é a melhor forma de se apreciar a questão. Verifico, contudo, que neste caso sequer existe a contradição na forma como apontada e que a interpretação proposta não a soluciona. De fato, ao prever que sobre os débitos incidirá multa de mora, entendendose que a multa de oficio integra o débito, a análise meramente gramatical do texto leva à conclusão de que o dispositivo prescreve a incidência da multa de mora sobre a multa de oficio. Superandose, entretanto, a mera leitura gramatical do texto e examinandoo como parte de um conjunto normativo mais amplo, ver seá que tal conclusão não é possível, o que afasta a contradição. É que, como se sabe, a multa de mora e a multa de oficio se excluem mutuamente, de modo que uma não se aplica onde se aplica a outra. Assim, não haveria hipótese de que, quando da aplicação da multa de mora, na sua base esteja a multa de oficio. Esse fato não pode ser visualizado com a mera leitura isolada dos dispositivos, mas é facilmente percebido quando se examina conjuntamente os artigos 44 e 61 da Lei n°. 9.430, de 1996. O primeiro, prescreve que, nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas multa de oficio de 75% ou 150%, conforme o caso, o que exclui a incidência, nas mesmas hipóteses, da multa de mora. Portanto, não há como se concluir que o art. 61, ao prever a aplicação da multa de mora no caso de pagamento de débitos decorrentes de tributos e contribuições, inclusive a multa de oficio, em atraso estaria determinando a incidência daquela sobre esta.” O Decreto nº 3000/99 que aprovou o Regulamento do Imposto de Renda para 1999 (RIR/99) tem dispositivo específico sobre a incidência da multa de mora, com matriz legal justamente no art. 61 da Lei nº 9.430/96: Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). Fl. 6714DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/201154 Acórdão n.º 1102000.828 S1C1T2 Fl. 16 15 (.......) § 3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. O dispositivo supra transcrito expõe em definitivo a fragilidade da interpretação do texto sob o aspecto exclusivamente gramatical. Aqui, a exceção estabelecida no § 3º deixa claro que o caput do art. 950, bem como de sua matriz legal o caput do art. 61, da Lei nº 9.430/96, englobam a multa de ofício.” Por fim, cumpre destacar ainda que o entendimento exposto no presente voto coadunase com o que tem decidido o STJ, conforme se pode verificar nas ementas abaixo transcritas: “TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL MULTA PUNITIVA CORREÇÃO MONETÁRIA JUROS DE MORA INCIDÊNCIA. 1. Incide juros de mora e correção monetária sobre o crédito tributário consistente em multa punitiva. 2. Perfeitamente cumuláveis os juros de mora, a multa punitiva e a correção monetária. Precedentes. 3. Recurso especial não provido.” (STJ, 2ª T, REsp 1146859/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, publ: 11/05/2010) “TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido.” (STJ, 2ª T, REsp 1129990/PR, Rel. Ministro Castro Meira, publ: 14/09/2009) Com as considerações acima, entendo cabível a incidência de juros Selic sobre a multa punitiva aplicada. Para concluir, quanto aos lançamentos decorrentes ou reflexos (CSLL, PIS e Cofins), devese aplicar a eles a mesma decisão adotada quanto à exigência do lançamento principal (IRPJ), em razão da relação de causa e efeito que os vincula. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 6715DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10935.721518/201154 Acórdão n.º 1102000.828 S1C1T2 Fl. 17 16 Fl. 6716DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
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Numero do processo: 19515.004901/2010-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
Ementa:
DO ARBITRAMENTO DE LUCRO. POSSIBILIDADE. PREVISÃO LEGAL.
Correta a medida fiscal de arbitramento do lucro na forma do art. 530, inciso III, do RIR, se verificada omissão e ausência de justificativado recorrente em apresentar ou permitir o acesso do agente de fiscalização aos documentos previstos no art. 251 do RIR.
EXCLUSÕES PREVISTAS PELA LEGISLAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. RECEITA BRUTA.
Pela leitura do artigo 532 c/c o artigo 224, ambos do RIR, é possível a exclusão da receita bruta para o arbitramento do lucro: as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o IPI e o ICMS ST. Entretanto, não há que se falar em exclusões da receita bruta quando inexistentes valores a serem excluídos. Em virtude da apuração do lucro por arbitramento, o ônus da prova incumbia ao Recorrente.
PROVA EMPRESTADA.
A utilização deinformações prestadas pelo próprio sujeito passivo ao Fisco Estadual por convênio de cooperação não se configura como prova emprestada.
DA MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. SÚMULA N. 2 DO CARF. A apresentação de DIPJ e DCTF zeradas, quando no mesmo período o Recorrente auferiu receita bruta caracteriza sonegação dolosa, sendo cabível a aplicação de multa de ofício qualificada em 150%, nos termos do art. 44 da Lei n. 9.430/96. A alegação de que a multa de ofício qualificada em 150% sobre o valor do tributo é inconstitucional por violar os princípios constitucionais do não confisco, da proporcionalidade, da moralidade, e da razoabilidade, exige a análise de inconstitucionalidade da lei tributária. A Súmula no 2 do CARF veda a análise de inconstitucionalidade da lei tributária, não podendo o CARF se pronunciar sobre a matéria.
Numero da decisão: 1302-000.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Roberto Cortez, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Andrada Marcio Canuto Natal, Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 Ementa: DO ARBITRAMENTO DE LUCRO. POSSIBILIDADE. PREVISÃO LEGAL. Correta a medida fiscal de arbitramento do lucro na forma do art. 530, inciso III, do RIR, se verificada omissão e ausência de justificativado recorrente em apresentar ou permitir o acesso do agente de fiscalização aos documentos previstos no art. 251 do RIR. EXCLUSÕES PREVISTAS PELA LEGISLAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. RECEITA BRUTA. Pela leitura do artigo 532 c/c o artigo 224, ambos do RIR, é possível a exclusão da receita bruta para o arbitramento do lucro: as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o IPI e o ICMS ST. Entretanto, não há que se falar em exclusões da receita bruta quando inexistentes valores a serem excluídos. Em virtude da apuração do lucro por arbitramento, o ônus da prova incumbia ao Recorrente. PROVA EMPRESTADA. A utilização deinformações prestadas pelo próprio sujeito passivo ao Fisco Estadual por convênio de cooperação não se configura como prova emprestada. DA MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. SÚMULA N. 2 DO CARF. A apresentação de DIPJ e DCTF zeradas, quando no mesmo período o Recorrente auferiu receita bruta caracteriza sonegação dolosa, sendo cabível a aplicação de multa de ofício qualificada em 150%, nos termos do art. 44 da Lei n. 9.430/96. A alegação de que a multa de ofício qualificada em 150% sobre o valor do tributo é inconstitucional por violar os princípios constitucionais do não confisco, da proporcionalidade, da moralidade, e da razoabilidade, exige a análise de inconstitucionalidade da lei tributária. A Súmula no 2 do CARF veda a análise de inconstitucionalidade da lei tributária, não podendo o CARF se pronunciar sobre a matéria.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente em exercício. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Roberto Cortez, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Andrada Marcio Canuto Natal, Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo.
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POSSIBILIDADE. PREVISÃO LEGAL. Correta a medida fiscal de arbitramento do lucro na forma do art. 530, inciso III, do RIR, se verificada omissão e ausência de justificativado recorrente em apresentar ou permitir o acesso do agente de fiscalização aos documentos previstos no art. 251 do RIR. EXCLUSÕES PREVISTAS PELA LEGISLAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. RECEITA BRUTA. Pela leitura do artigo 532 c/c o artigo 224, ambos do RIR, é possível a exclusão da receita bruta para o arbitramento do lucro: as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o IPI e o ICMS ST. Entretanto, não há que se falar em exclusões da receita bruta quando inexistentes valores a serem excluídos. Em virtude da apuração do lucro por arbitramento, o ônus da prova incumbia ao Recorrente. PROVA EMPRESTADA. A utilização deinformações prestadas pelo próprio sujeito passivo ao Fisco Estadual por convênio de cooperação não se configura como prova emprestada. DA MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. SÚMULA N. 2 DO CARF. A apresentação de DIPJ e DCTF zeradas, quando no mesmo período o Recorrente auferiu receita bruta caracteriza sonegação dolosa, sendo cabível a aplicação de multa de ofício qualificada em 150%, nos termos do art. 44 da Lei n. 9.430/96. A alegação de que a multa de ofício qualificada em 150% sobre o valor do tributo é inconstitucional por violar os princípios constitucionais do não confisco, da proporcionalidade, da moralidade, e da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 49 01 /2 01 0- 89 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 2 razoabilidade, exige a análise de inconstitucionalidade da lei tributária. A Súmula no 2 do CARF veda a análise de inconstitucionalidade da lei tributária, não podendo o CARF se pronunciar sobre a matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Roberto Cortez, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Andrada Marcio Canuto Natal, Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº19515.004901/201089 Acórdão n.º 1302000.981 S1C3T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por COMERCIAL FLOP TEC LTDA, em face do acórdão no1632.655 da DRJSP1, no processo administrativo no 19515.004901/201089. Referido processo tratase de lançamento de ofício de tributos federais, relativamente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2006, incluindo o principal, multa de ofício e juros de mora atualizados até 30/12/2010, efetuados por meio dos Autos de Infração lavrados em 13/01/2011 (fls. 94 a 120) nos seguintes valores: i) Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 1.318.837,79 (fs. 94/97); ii) Programa de Integração Social – PIS, no valor de R$ 377.816,93 (fs. 102/105); iii) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, no valor de R$ 1.743.771,25 (fs. 110/113); iv) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$ 625.422,31 (fs. 117/120). O lançamento tributário foi efetuado mediante arbitramento do lucro,tendo em vista que,embora por diversas vezes, a recorrente fora intimado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração (fs. 11/13, 73/74, 75/76), a mesma não os apresentou. Com base no Convênio ICMS CONFAZ nº 144 e Convênio RFB nº 0237, a Autoridade Fiscal da Receita Federal do Brasil solicitou junto à Secretaria da Receita Estadual as Guia de Informação e Apuração de ICMS – GIA´sdeclaradas pelo Recorrente, e com base nelas arbitrou o lucro da mesma e apartir dele, o lançamento dos mencionados tributos. A recorrentetomou ciência dos lançamentos em 28/01/2011, por edital afixado em 13/01/2011 e desafixado em 31/01/2011 (fs. 123), e o sócio responsável foi cientificado por via postal em 17/01/2011 (fl. 122). Inconformada, a recorrente apresentou impugnação em 08/02/2011 (fs. 125 a 142), tendo suas alegações sintetizadas pela DRJ – São Paulo, nestes termos: IMPUGNAÇÃO a) o auto de infração não tem validade jurídica porque a fiscalização ignorou os preceitos e conceitos estabelecidos pelo ordenamento jurídico e pela jurisprudência judicial, efetuando a somatória das notas fiscais de venda, relacionadas nas GIAs, supondo o Registro de Saídas, ignorando os impostos nãocumulativos (PIS e COFINS), o IPI e o ICMS substituição tributária cobrados nas referidas operações comerciais, os custos e despesas arcados pela impugnante e as deduções previstas na legislação do imposto de renda; b) “o arbitramento do lucro é medida extrema que exige motivação e somente pode ser utilizada quando da ausência absoluta de outros elementos suficientes para apuração do lucro real”; e “com base na legislação de regência, para que a autoridade fiscal arbitre o lucro, deverá Fl. 259DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 4 antes averiguar aescrituração fiscal, investigando elementos concretos que permitam a apuração do lucro real”; c) o lançamento é confessadamente presuntivo e presunção não pode servir de base para lançamentos tributários; d) “o ônus é da Fiscalização, não sendo suprível, nem invertida a obrigação com meras suspeitas, suposições e ilações”; e) “os custos das mercadorias vendidas estão devidamente comprovados nos livros fiscais”; f) a Constituição Federal de 1988 autoriza a União a cobrar imposto de renda sobre acréscimo patrimonial e não a tributar o somatório de toda a receita bruta auferida pela empresa, como se para auferila não tivesse havido nenhum dispêndio de despesa ou custo, o que significaria tributar o próprio patrimônio e não o lucro; g) “no presente caso constatase dualidade das formas de lançamento, sendo a primeira como receita operacional de venda de mercadorias e a Segunda como ‘outras receitas’, esclareceu que a expressão ‘outra receitas’ se refere a descontos obtidos nas aquisições de mercadorias, não podendo incidir sobre a base de cálculo para apuração do lucro arbitrado”; h) “a autoridade autuante se valeu de suposta omissão de receita, contudo já conheciam os lançamentos no livro de registro de entrada e saída apresentados pela empresa Impugnante, fato que o obrigaria a proceder a autuação com base no lucro presumido, e não no arbitrado como fizeram”; i) a prova obtida junto ao Fisco Estadual, sem que a impugnante dela conhecesse, constitui prova emprestada, ensejadora de nulidade do procedimento, conforme entendimento pacificado pelo CARF, além de não sustentar a exigência na esfera federal, cabendo à fiscalização reunir elementos que configurem certeza ao lançamento; j) “no guerreado Auto de Infração a Impugnada utilizou como base de cálculo do Pis e Cofins, a suposta receita bruta mensal arbitrada, ou seja, mais uma vez desconsiderando completamente a legislação Pátria, não correspondendo com a verdade os valores apurados e aplicados no referido auto de infração”; k) o regime não cumulativo do PIS e da COFINS não pode ser restringido, devendo ser garantido ao contribuinte o direito de compensar na apuração das referidas contribuições, o montante de PIS e COFINS relativo às operações anteriores, sem as restrições ao crédito impostas pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03; l) a multa aplicada acima de 30% do tributo devido viola a vedação ao confisco, prevista no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal,que apesar de se referir apenas a tributo, se aplica também à multa, de acordo comjurisprudência e doutrina citadas; e m) “a multa, enquanto obrigação tributária, é acessória e,nessa condição, não pode ultrapassar o principal” e Fl. 260DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº19515.004901/201089 Acórdão n.º 1302000.981 S1C3T2 Fl. 4 5 deve obedecer aos princípiosda moralidade, da proporcionalidade, da razoabilidade e da capacidadecontributiva. A Primeira Turma de Julgamento da DRJSP1 manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão nº 1632.655, de 14/07/2011 (fs. 191/204),com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006,31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006,30/11/2006, 31/12/2006 LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006,31/12/2006. LUCRO REAL. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. NÃOAPRESENTAÇÃO. ARBITRAMENTO. A pessoa jurídica optante pelo lucro real que não apresenta os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal à autoridade fiscalizadora deve ter o seu lucro calculado pelo método arbitramento. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO.REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetidaa pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO (PIS E COFINS). Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006,31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006,30/11/2006, 31/12/2006. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA. 150%. Em lançamento de ofício é devida multa qualificada de 150% calculadasobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 261DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 6 O Recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância em 03/01/2012, por edital afixado em 19/12/2011 e desafixado em 04/01/2012 (fl. 230), e o sócio responsável foi cientificado por via postal em 23/12/2011 (fl. 231), tendo interposto o presente recurso voluntário em 06/01/2012 (fs. 232/251).Na oportunidade, repetiu integralmente os argumentos trazidos na impugnação: a) O auto de infração não tem validade jurídica porque a fiscalização ignorou os preceitos e conceitos estabelecidos pelo ordenamento jurídico e pela jurisprudência judicial, efetuando a somatória das notas fiscais de venda, relacionadas nas GIAs, supondo o Registro de Saídas, ignorando os impostos não cumulativos (PIS e COFINS), o IPI e o ICMS substituição tributária cobrados nas referidas operações comerciais, os custos e despesas arcados pela impugnante e as deduções previstas na legislação do imposto de renda; b) “o arbitramento do lucro é medida extrema que exige motivação e somente pode ser utilizada quando da ausência absoluta de outros elementos suficientes para apuração do lucro real”; e “com base na legislação de regência, para que a autoridade fiscal arbitre o lucro, deverá antes averiguar aescrituração fiscal, investigando elementos concretos que permitam a apuração do lucro real”; c) o lançamento é confessadamente presuntivo e presunção não pode servir de base para lançamentos tributários; d) “o ônus é da Fiscalização, não sendo suprível, nem invertida a obrigação com meras suspeitas, suposições e ilações”; e) “os custos das mercadorias vendidas estão devidamente comprovados nos livros fiscais”; f) a Constituição Federal de 1988 autoriza a União a cobrar imposto de renda sobre acréscimo patrimonial e não a tributar o somatório de toda a receita bruta auferida pela empresa, como se para auferila não tivesse havido nenhum dispêndio de despesa ou custo, o que significaria tributar o próprio patrimônio e não o lucro; g) “no presente caso constatase dualidade das formas de lançamento, sendo a primeira como receita operacional de venda de mercadorias e a Segunda como ‘outras receitas’, esclareceu que a expressão ‘outra receitas’ se refere a descontos obtidos nas aquisições de mercadorias, não podendo incidir sobre a base de cálculo para apuração do lucro arbitrado”; h) “a autoridade autuante se valeu de suposta omissão de receita, contudo já conheciam os lançamentos no livro de registro de entrada e saída apresentados pela empresa Recorrente, fato que o obrigaria a proceder a autuação com base no lucro presumido, e não no arbitrado como fizeram”; i) a prova obtida junto ao Fisco Estadual, sem que a Recorrente dela conhecesse, constitui prova emprestada, ensejadora de nulidade do procedimento, conforme entendimento pacificado pelo CARF, além de não sustentar a exigência na esfera federal, cabendo à fiscalização reunir elementos que configurem certeza ao lançamento; Fl. 262DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº19515.004901/201089 Acórdão n.º 1302000.981 S1C3T2 Fl. 5 7 j) “no guerreado Auto de Infração a Recorrida utilizou como base de cálculo do Pis e Cofins, a suposta receita bruta mensal arbitrada, ou seja, mais uma vez desconsiderando completamente a legislação Pátria, não correspondendo com a verdade os valores apurados e aplicados no referido auto de infração”; k) o regime não cumulativo do PIS e da COFINS não pode ser restringido, devendo ser garantido ao contribuinte o direito de compensar na apuração das referidas contribuições, o montante de PIS e COFINS relativo às operações anteriores, sem as restrições ao crédito impostas pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03; l) a multa aplicada acima de 30% do tributo devido viola a vedação ao confisco, prevista no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal,que apesar de se referir apenas a tributo, se aplica também à multa, de acordo comjurisprudência e doutrina citadas; e m) “a multa, enquanto obrigação tributária, é acessória e,nessa condição, não pode ultrapassar o principal” e deve obedecer aos princípiosda moralidade, da proporcionalidade, da razoabilidade e da capacidadecontributiva. É o relatório. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 8 Voto Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo O recurso voluntário apresentado é tempestivo e dele conheço. 1. DAS ALEGAÇÕES DE MERITO 1.1 Do Arbitramento do Lucro A recorrente pretende que seja declarado nulo o arbitramento do lucro utilizado para o lançamento do IRPJ e reflexos, argumentando que a autoridade tributária não excluiu as deduções previstas pela legislação do imposto de renda. Antes de analisar as deduções previstas pela legislação do imposto de renda, passo à análise da possibilidade de arbitramento do lucro da recorrente no caso concreto, nos termos do art. 530, III, do RIR. Tratase de empresa que optou pela apuração do IRPJ trimestralmente pelo lucro real (fl. 14). E, em decorrência da apuração do lucro real, advém a obrigação acessória de manter a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais: Art.251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). Não o fazendo, ou colocando qualquer empecilho ao acesso da autoridade a tais documentos, outra via não há senão a adoção da medida eleita pela autoridade fiscal em apreço (lucro arbitrado). O Recorrente foi intimado por inúmeras vezes a apresentar a documentação aludida no dispositivo, vejase: 1) Em 06/01/2010 – Termo de Início de Fiscalização (fl. 05), cientificado por meio do Edital 193/2009 (fl. 08); 2) Em 04/01/2010 – Termo de Início de Fiscalização (fl. 08), cientificado o sócio por via postal (fl. 12); 3) Em 01/02/2010 – Termo de Intimação Fiscal (fl. 73), cientificado por via postal (fl. 74); 4) Em 12/04/2010 – Termo de Intimação Fiscal (fl. 75), cientificado por via postal (fl. 76). Entretanto, compulsando o presente processo, verifico que a recorrente não apresentou a documentação requisitada, e tambémnão apresentou qualquer manifestação ou justificativa de não atender à obrigação acessória de tolerar a fiscalização. Não houve apresentação dos livros fiscais obrigatórios, conforme se constata no Termo De Fiscalização, folhas 87: Fl. 264DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº19515.004901/201089 Acórdão n.º 1302000.981 S1C3T2 Fl. 6 9 Assim, deve ser descartada a alegação de que a autoridade tributária deveria averiguar a escrituração fiscal, afinal, o Recorrente foi intimado por diversas vezes a apresentar a escrituração fiscal para que a autoridade tributária pudesse apurar o lucro real, entretanto, o mesmo não apresentou, e nem justificou a não apresentação. Destarte, não restou alternativa à autoridade fiscal senão proceder com o arbitramento do lucro, conforme permissivo do art. 530, inciso III, do RIR, veja: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): [...] III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Não obstante, a recorrente não impugnou o valor da receita bruta arbitrada. Ademais, não haveria como prestar esclarecimentos acerca da diferença apurada entre a receita bruta arbitrada com base nas GIAS´s do ICMS (fls. 49/72) e aquelaconstante em DIPJ 2007 – anocalendário 2006 (fls. 14/43), pelo simples fato da documentação federal ter sido entregue zerada. (tanto DIPJ quanto DCTF). Ainda que se admita a possibilidade de a mesma prestar esclarecimentos acerca da diferença apurada entre a receita bruta arbitrada com base nas GIA’s do ICMS (fls. 49/72) e aquela constante em DIPJ 2007 – anocalendário 2006 (fls. 14/43), a recorrente sequer demonstra pretensão de contribuir para a aproximação máxima à verdade material. Não foram juntados documentos ou outras provas que interferissem na apuração do valor do lucro arbitrado. Vejase que o princípio da eventualidade decorrente da teoria geral do direito processual existe não só para fornecer ao julgador teses alternativas, mas igualmente de oferecer subsídios para se aproximar ao máximo da verdade material dos fatos, e não meramente suposições nos termos da inconformidade da recorrente, tanto em impugnação quanto em recurso voluntário. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 10 Repitase, a recorrente não apresentou qualquer documento ou meio para apurar a receita bruta ou descaracterizar a metodologia utilizada pela fiscalização, restando assim a única alternativa disponível em lei, qual seja a adotada pela fiscalização (arbitragem do lucro, nos termos do art. 530, inciso III, do RIR). Se mesmo diante da autuação fiscal o Recorrente não se viu estimulado a apresentálos, tão pouco justificar a impossibilidade de fazêlo, correta a medida fiscal de arbitramento de lucro e lançamento tributário na forma do art. 537, do RIR. Art. 537. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 532 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Portanto, verifico que a autoridade tributária agiu corretamente em arbitrar o lucro da recorrente (art. 530, inciso III, do RIR/99). 1.2Das Exclusões Previstas pela Legislação do Imposto de Renda A recorrente alega que o fisco não considerou as deduções (despesas e custos, e vendas canceladas e impostos não cumulativos) previstas pela legislação do imposto de renda para apuração da receita bruta e da base de cálculo do Lucro Arbitrado. Assim requer a nulidade do auto de infração. Primeiramente vamos analisar quanto ao abatimento dos custos e despesas. Para esta análise temos que analisar qual a base de cálculo do IRPJ por lucro arbitrado: Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). (RIR/99) Em segundo plano passamos a analisar qual a base de cálculo da CSLL: Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento.(Lei n. 9.249/1995) Assim, para a determinação da base de cálculo: i) do IRPJ por lucro arbitrado utilizase o coeficiente de 9,6% sobre a receita bruta conhecida; ii) da CSLL utilizase o coeficiente de 12% sobre a receita bruta conhecida. Já o restante (90,4% para o IRPJ e 88% para a CSLL) da receita bruta já foi desconsiderado a título de quaisquer custos, despesas e encargos pela legislação tributária. Portanto, no caso concreto, destaco que para a determinação da base de cálculo do IRPJ por lucro arbitrado e da CSLL foram utilizados os coeficientes corretos Fl. 266DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº19515.004901/201089 Acórdão n.º 1302000.981 S1C3T2 Fl. 7 11 (legais), quais sejam, 9,6% e 12%, respectivamente (fls. 90 e 114), nos termos da legislação tributária, inexistindo assim qualquer tributação sobre o patrimônio como alegado pela recorrente. Ademais, em terceiro plano passamos a analisar o conceito de “Receita Bruta”: Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). A recorrente pretende excluir vários itens do conceito de “receita bruta”, porém, conforme supra fundamentado, estes itens (custos, despesas, PIS e COFINS) não são “descontados” para efeito da receita bruta no lucro arbitrado, isso se constata pela simples leitura do art. 532 c/c o art. 224, ambos do RIR, porém existe uma exceção que está prevista no parágrafo único do art. 224 do RIR, qual seja: a) Vendas canceladas; b) Descontos incondicionais concedidos; c)Impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Portanto, passo a manifestar detalhadamente sobre cada hipótese de exceção acima elencada. 1.2.1 Da Exclusão do Item “a” – Vendas Canceladas Não há que se falar em exclusão das vendas canceladas, afinal, conforme o Anexo ao Termo de Verificação Fiscal (fl. 89), para a apuração da receita bruta a autoridade fiscal utilizou as seguintes Códigos Fiscais: 5.102 Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros – saída para o Estado; 6.102 Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros – saída para outros Estado; 6.403 Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros em operação com mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária, na condição de contribuinte substituto – saída para outros Estados. Porém em contra partida analisando as guias de informação e apuração do ICMS – Código Fiscal de Operação e Prestação Entradas (fls. 61/72), verifico que inexiste qualquer código de devoluçãonos meses de janeiro a dezembro de 2006 – período de apuração do IRPJ. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 12 Colaciono a relação dos Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOP) de devolução (vendas canceladas): 1.200 – DEVOLUÇÕES DE VENDAS DE PRODUÇÃO PRÓPRIA, DE TERCEIROS OU ANULAÇÕES DE VALORES 1.201 Devolução de venda de produção do estabelecimento. Classificamse neste código as devoluções de vendas de produtos industrializados pelo estabelecimento, cujas saídas tenham sido classificadas como “Venda de produção do estabelecimento”. 1.202– Devolução de venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros. Classificamse neste código as devoluções de vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros, que não tenham sido objeto de industrialização no estabelecimento, cujas saídas tenham sido classificadas como “Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros”. 1.203 Devolução de venda de produção do estabelecimento, destinada à Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio. Classificamse neste código as devoluções de vendas de produtos industrializados pelo estabelecimento, cujas saídas foram classificadas no código “5.109 Venda de produção do estabelecimento, destinada à Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio”. 1.204 – Devolução de venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, destinada à Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio. Classificamse neste código as devoluções de vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros, cujas saídas foram classificadas no código “5.110 Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, destinada à Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio”. 1.205 – Anulação de valor relativo à prestação de serviço de comunicação. Classificamse neste código as anulações correspondentes a valores faturados indevidamente, decorrentes de prestações de serviços de comunicação. 1.206 – Anulação de valor relativo à prestação de serviço de transporte. Classificamse neste código as anulações correspondentes a valores faturados indevidamente, decorrentes de prestações de serviços de transporte. 1.207 – Anulação de valor relativo à venda de energia elétrica. Classificamse neste código as anulações correspondentes a valores faturados indevidamente, decorrentes de venda de energia elétrica. 1.208 – Devolução de produção do estabelecimento, remetida em transferência. Classificamse neste código as devoluções de produtos industrializados pelo estabelecimento, transferidos para outros estabelecimentos da mesma empresa. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº19515.004901/201089 Acórdão n.º 1302000.981 S1C3T2 Fl. 8 13 1.209 – Devolução de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, remetida em transferência. Classificamse neste código as devoluções de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros, transferidas para outros estabelecimentos da mesma empresa. 2.200 DEVOLUÇÕES DE VENDAS DE PRODUÇÃO PRÓPRIA, DE TERCEIROS OU ANULAÇÕES DE VALORES 2.201 – Devolução de venda de produção do estabelecimento. Classificamse neste código as devoluções de vendas de produtos industrializados pelo estabelecimento, cujas saídas tenham sido classificadas como “Venda de produção do estabelecimento”. 2.202 – Devolução de venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros. Classificamse neste código as devoluções de vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros, que não tenham sido objeto de industrialização no estabelecimento, cujas saídas tenham sido classificadas como “Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros”. 2.203 – Devolução de venda de produção do estabelecimento, destinada à Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio. Classificamse neste código as devoluções de vendas de produtos industrializados pelo estabelecimento, cujas saídas foram classificadas no código “6.109 Venda de produção do estabelecimento, destinada à Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio”. 2.204 – Devolução de venda de mercadoria adquirida ou recebida deterceiros, destinada à Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio. Classificamse neste código as devoluções de vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros, cujas saídas foram classificadas no código “6.110 Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, destinada à Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio”. 2.205 Anulação de valor relativo à prestação de serviço de comunicação. Classificamse neste código as anulações correspondentes a valores faturados indevidamente, decorrentes de prestações de serviços de comunicação. 2.206 Anulação de valor relativo à prestação de serviço de transporte. Classificamse neste código as anulações correspondentes a valores faturados indevidamente, decorrentes de prestações de serviços de transporte. 2.207 Anulação de valor relativo à venda de energia elétrica. Classificamse neste código as anulações correspondentes a valores faturados indevidamente, decorrentes de venda de energia elétrica. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 14 2.208 Devolução de produção do estabelecimento, remetida em transferência. Classificamse neste código as devoluções de produtos industrializados pelo estabelecimento, transferidos para outros estabelecimentos da mesma empresa. 2.209 Devolução de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, remetida em transferência. Classificamse neste código as devoluções de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros, transferidas para outros estabelecimentos da mesma empresa. Como exemplo, colaciono a GIA ICMS – CFOP Entradas, mês de referência: 02/2006 (fl. 62): Portanto, o lançamento tributário está correto, pois inexistem valores a serem excluídos a título de vendas canceladas, razão pela qual não há que se falar em exclusão de vendas canceladas da receita bruta. A mesma situação fica configurada nos demais meses. 1.2.2Da Exclusão do Item “b” – Descontos Incondicionais Concedidos Não há que se falar em exclusão de descontos incondicionais concedidos, pois a recorrentenão comprovou a existência de tais descontos, ante a não apresentação da escrituração contábil e fiscal.Em virtude do arbitramento (presunção legal), o ônus da prova incumbia à recorrente. Quanto ao ônus da prova, é o entendimento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: PRESUNÇÃO LEGAL, ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. LUCRO REAL. CONTRIBUINTE OPTANTE, FALTA DE ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO. A pessoa jurídica, optante da apuração do imposto pelo Lucro Real, que não apresenta os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal à autoridade fiscalizadora deve ter o seu lucro calculado pelo método arbitrado. [...](Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Segunda Câmara/Primeira Seção de Julgamento, Processo n. 19515.002884/200588, Acórdão n. 120100.227, Recurso Voluntário, Relator: REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEIROZ, Sessão em 09.03.2010). Fl. 270DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº19515.004901/201089 Acórdão n.º 1302000.981 S1C3T2 Fl. 9 15 Portanto, o lançamento tributário está correto, pois inexistem valores a serem excluídos a título de descontos incondicionais concedidos, razão pela qual não há que se falar em exclusão de tais descontos da receita bruta. 1.2.3 Da Exclusão do Item “c” – IPI e ICMS Substituição Tributária Os tributos a serem excluídos são o IPI e o ICMS substituição tributária, quando o contribuínte for o responsável pela retenção. No caso em tela, a atividade da empresa é comércio de equipamentos de informática, aparelhos eletrodomésticos, materiais, máquinas e equipamentos de uso doméstico ou empresarial (fl. 144 – Cláusula III, da alteração contratual da empresa). Como é atividade comercial, há por regra a não incidência do IPI, cabendo à recorrente provar qualquer diferença a esta regra. Sendo assim não há valor de IPI a excluir por falta de provas da recorrente e em virtude de ser tributo atípico na atividade comercial. No tocante a exclusão do ICMS ST, na condição de substituto tributário, esta obrigação em regra geral é atribuída também a estabelecimentos industriais ou comercais, quando adquirem o produto de outro estado não sujeito a substituição tributária e oRecorrente não prova tal condição, mas mesmo assim em diligência perante as Guias de Informação e Apuração do ICMS – Código Fiscal de Operação e Prestação Saídas (fls. 49/60)verifico que inexistem valores de ICMS retidos por substituição tributária na condição de substituto. Veja se. Como exemplo, colaciono a GIA ICMS – CFOP Saídas, mês de referência: 08/2006 (fl. 56): Portanto, o lançamento tributário está correto, pois inexistem valores a serem excluídos a título de IPI e ICMS ST, razão pela qual não há que se falar em exclusão de IPI e ICMS ST da receita bruta. Nos demais meses a situação fática é a mesma. 1.3 Da Prova Emprestada Em relação à prova da receita omitida (GIA´s apresentadas ao Fisco Estadual), a recorrente alega que não teve conhecimento antes dos lançamentos. Alega ainda Fl. 271DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 16 que se trata de prova emprestada que ensejaria a nulidade do procedimento; que a referida prova não sustenta a exigência na esfera federal, cabendo à fiscalização reunir elementos que configurem certeza ao lançamento. Primeiramente, dispõe o art. 199 do Código Tributário Nacional: “Art. 199. A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio”. Destarte, amparado no Convênio ICMS CONFAZ n° 144, de 13.12.02 e Convênio RFB n° 2337, de 30.05.2008, a Autoridade Fiscal obteve junto à Secretaria do Estado da Fazenda de São Paulo as mencionadas GIA's Guias de Informação e Apuração do ICMS (fl. 49/72), e com base nelas e no permissivo do art. 530, inciso III do RIR, arbitrou o lucro do Recorrente, tendo em vista que o Recorrente não apresentou a escrituração contábil e fiscal requerida, e nem justificou a falta de apresentação, mesmo tendo sido intimado por inúmeras vezes. É o entendimento desta 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento que a utilização de informações prestadas pelo próprio sujeito passivo ao Fisco Estadual por convênio de cooperação não se configura como prova emprestada: [...] PROVA EMPRESTADA. Não ocorre a denominada prova emprestada quando não há utilização de prova produzida em outro processo. No caso presente, para o anocalendário 2001, ocorreu a utilização de informações prestadas pelo próprio sujeito passivo ao Fisco Estadual, conforme previsão em convênio de cooperação. [...] (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Terceira Câmara/Primeira Seção de Julgamento, Processo n. 10830.007752/200767, Acórdão n. 130200.302, Recurso Voluntário, Relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Sessão em 20.05.2010). Ademais, cumpre salientar que os autos de infração estão pautados em informações fornecidas pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, originalmente prestadas pela própriarecorrente, e são suficientes para dar certeza e liquidez ao crédito tributário e que se constituem em prova direta da omissão de receitas. É o entendimento desta 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento que é correta a tributação de receitas não declaradas ao fisco federal, apuradas a partir do Livro de Registro de Saídas e da Declaração e Apuração Mensal do ICMS: ASSUNTO: [...] OMISSÃO DE RECEITAS. É correta a tributação de receitas não declaradas ao Fisco Federal, apuradas a partir do Livro de Registro de Saídas e da Declaração e Apuração Mensal do ICMS DMA.PROVA. RECEITA INFORMADA EM LIVROS FISCAIS E DECLARADA AO FISCO ESTADUAL. A receita informada em livros fiscais, ainda que para fins de declaração do ICMS ao fisco estadual, pode ser utilizada como base de cálculo para o lançamento do Simples, tendo em vista a presunção de veracidade da escrituração fiscal. [...] (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Terceira Câmara/Primeira Seção de Julgamento, Processo n. 10530.003531/200885, Acórdão n. 1302000.491, Recurso Voluntário, Relator: EDUARDO DE ANDRADE, Sessão em 22.02.2011). Fl. 272DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº19515.004901/201089 Acórdão n.º 1302000.981 S1C3T2 Fl. 10 17 Ante o exposto, nego provimento ao presente recurso voluntário, pois a utilização de informações prestadas pelo próprio sujeito passivo ao Fisco Estadual por convênio de cooperação não se configura como prova emprestada; e as mesmas informações são suficientes para dar certeza e liquidez ao crédito tributário. 1.4 Lançamentos Reflexos Os lançamentos relativos à CSLL, COFINS e PIS, objetos do presente processo constituem reflexos da exigência pertinente ao IRPJ. Pelos fundamentos delineados no presente voto, restou mantida a total exigencia do crédito tributário apurado. Desta forma, tendo os lançamentos em questão se pautado nos estritos limites da legislação de regência, corretomanter o crédito tributário apurado em relação à CSLL, COFINS e PIS, dado seucaráter reflexivo. 1.4.1 Da Correta Apuração do PIS e da COFINS O Recorrente alega que a autoridade fiscal erroneamente utilizou como base de cálculo do PIS e da COFINS a receita bruta mensal arbitrada e que o regime não cumulativo do PIS e da COFINS não pode ser restringido, devendo ser observado para a apuração do PIS e da COFINS. É correta a utilização do valor da receita omitida na determinação da base de cálculo para o lançamento tributário do PIS e da COFINS, conforme dispõe o art. 24, § 2°, da Lei n. 9.249/1995: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. [...] § 2o O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. Ademais, é correta a utilização das alíquotas de 0,65% para PIS e de 3% para COFINSdo regime cumulativo, pois, as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado não estão sujeitos às regras do regime não cumulativo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 8°, II, da Lei n. 10.637/2002 e do art. 10, II, da Lei n. 10.833/2003: Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: [...] II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado Fl. 273DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 18 Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: [...] II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; 1.5 Da Aplicação da Multa de Ofício correspondente a 150% do Valor do Tributo. O Recorrente alega que a multa de ofício de 150% sobre o valor do tributo deve ser afastada, sendo declarada nula, em razão de ilegalidade e inconstitucionalidade por ofensa aos princípios constitucionais do não confisco, da proporcionalidade, moralidade e razoabilidade. A aplicação da multa de ofício teve como base legal o artigo 44, inciso II, da Lei n. 9.430/1996 (com a redação anterior da alteração legislativa da Lei n. 11.488/2007), in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas,calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: [...] II – centoe cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidonos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964,independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Insta destacar que o disposto no art. 71 da Lei n. 4.502/1964 é causa ensejadora para a aplicação de multa de ofício qualificada em 150%, in verbis Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Com o advento da Lei n. 11.488/2007, a multa de ofício qualificada em 150% se manteve, nos termos do art. 44, inciso I, e § 1°, da Lei n. 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de impostoou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta dedeclaração e nos de declaração inexata; [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput desteartigo seráduplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 denovembro de 1964, Fl. 274DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº19515.004901/201089 Acórdão n.º 1302000.981 S1C3T2 Fl. 11 19 independentemente de outras penalidades administrativas oucriminais cabíveis. Assim, a aplicação da multa de ofício qualificada em 150% é legal. No caso concreto, o Recorrente apresentou a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica 2007 do anocalendário 2006 (fls. 14/43) e Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais do 1° e 2° semestre de 2006 (fls. 45/48) zeradas; entretanto, auferiu receita bruta conforme Anexo ao Termo de Verificação Fiscal (fl. 89). Ressalto que somente mantenho a multa majorada em virtude ambas as declaraçaões terem sido entregues em branco, ou zerada (IRPJ e DCTF), caso em que estando qualquer delas corretamente preenchida e informado ao fisco, afastaria tal multa em relação a parte informada. Porém neste caso, no ano de 2006, o Recorrente auferiu receita bruta, entretanto, apresentou DIPJ e DCTF zerada à administração pública federal, quando na verdade tinha operações comerciais a serem declaradas, ou seja, dolosamente omitiu renda, tendo evidente intuito de impedir o conhecimento da autoridade fiscal federal da ocorrência do fato gerador do IRPJ, do CSLL, do PIS e da COFINS. Portanto, tratase de evidente caso de fraude, pois a recorrente prestou falsa declaração à autoridade fiscal tendo em vista que apresentou ambas as declarações (DIPJ e DCTF) zeradas ao mesmo tempo. Logo, constato a presença de sonegação dolosa por parte da recorrente, razão pela qual é cabível e legal a aplicação de multa de ofício qualificada em 150%. Quanto a análise de inconstitucionalidade da aplicação da multa de ofício qualificada em 150% por ofensa aos princípios constitucionais do não confisco, da proporcionalidade, da moralidade, e da razoabilidade, transcrevo a Súmula n. 2 do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária.” Assim, incompetente é o CARF para analisar se a multa de ofício de 150% sobre o valor do tributo imposto é abusiva e confiscatória, violando princípios constitucionais. Portanto, nego provimento ao recurso. 2. CONCLUSÕES Ante ao exposto, voto no sentido negar provimento ao recurso voluntário interposto, mantendose as exigências do IRPJ e das contribuições sociais: CSLL, PIS e COFINS, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 275DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 20 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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