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Numero do processo: 10855.910447/2009-38
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba SP (domicílio tributário da Recorrente), para que com base nos documentos e informações anexados aos autos como o arquivo não paginável e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02, elaborar parecer demonstrando os valores, após analisado se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS, conforme consta no voto. Após, retornem-se os autos a esta 2ª Turma Especial, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba – SP (domicílio tributário da Recorrente), para que com base nos documentos e informações anexados aos autos como o “arquivo não paginável” e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02, elaborar parecer demonstrando os valores, após analisado se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS, conforme consta no voto. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .9 10 44 7/ 20 09 -3 8 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10855.910447/200938 Resolução nº 3802000.375 S3TE02 Fl. 211 2 Relatório Tratase o presente processo, que a Recorrente transmitiu em 25/06/2009, o PER/DECOMP nº 28304.82840.250609.1.3.045784, através da qual compensou o crédito de COFINS, nO'Valor original de R$ 161.084,96, proveniente doyÜARF no mesmo valor, com a COFINS (código 5856) no valor de R$ 26.139,03 referente ao período de maio/2009, considerando o credito indicado acima em virtude do recolhimento indevido. A DRF de Sorocaba (SP), conforme o Despacho Decisório, com número de rastreamento 848720502 (fl. 4), emitido eletronicamente em 07/10/2009, concluiu que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. Inconformada, a Recorrente em 13/11/2009, protocolou sua Manifestação de Inconformidade às fls. 7/8. A DRJ de Belo Horizonte (MG), conforme Acórdão de fls. 34/37, julgou IMPROCEDENTE, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório com número de rastreamento 848720502, emitido eletronicamente em 07/10/2009, referente ao PER/DCOMP nº 28304.82840.250609.1.3.045784. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s)nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor de R$111.065,24, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 20/03/2008. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN),art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade, alegando que alegando que apurou saldo credor de COFINS, conforme DACON retificador apresentado em 10/11/2009. Argumenta, também, que a Fl. 211DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10855.910447/200938 Resolução nº 3802000.375 S3TE02 Fl. 212 3 DCTF retificadora apresentada em 11/11/2009 justifica o crédito utilizado. É o relatório. Em 10/04/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (ciência eletrônica – fl. 42). Inconformada com a decisão da DRJ, em 09/05/2014, apresentou recurso voluntário ao CARF (fls. 44/58), no qual argumenta em suas razões, em resumo: a) que a Recorrente sempre diligenciou no sentido de bem cumprir suas obrigações perante a Fazenda Pública, notadamente no tocante ao adimplemento das obrigações tributárias às quais está sujeita no regular desenvolvimento de suas atividades; b) que no anocalendário 2009, contratou a PricewaterhouseCoopers (PwC Brasil) para realizar um trabalho de auditoria, cujo resultado encontrase no relatório sintético que acompanha o presente recurso e, também, todo seu detalhamento (notas fiscais analisadas, natureza do dispêndio, conta contábil, etc) encontrase no arquivo anexo. Nesse trabalho apuraramse créditos extemporâneos de PIS e COFINS referentes a determinados períodos, dentre eles, de janeiro a abril de 2008. Tais créditos extemporâneos, resumidamente, são oriundos de (i) bens utilizados como insumos; (ii) serviços utilizados como insumos; (iii) despesas de aluguéis de prédios locados de pessoa jurídica; (iv) despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados; e (v) bens do ativo imobilizado; portanto, dispêndios passíveis de apropriação de crédito para essas contribuições conforme previsão expressa contida no artigo 3o das Leis n° 10.833/03 e 10.637/02; c) ante a identificação dos referidos créditos, recompôs sua apuração de PIS e COFINS a partir de janeiro de 2008, de modo que, ao invés dos originais saldos devedores de PIS e COFINS calculados em janeiro de 2008, apurou saldo credor em janeiro de 2008, o qual repercutiu nos meses seguintes, até abril de 2008, conforme registros de apuração, resumidos no escopo deste recurso; d) que a nova apuração evidenciou os recolhimentos a maior, viabilizou a compensação e ensejou a retificação das obrigações acessórias Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais "DCTF" e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais "DACON", de modo a ratificar o recolhimento a maior passível de restituição e compensação; e) no que se refere ao presente PAF, a Recorrente, na competência de fevereiro de 2008, apurou originalmente a COFINS a recolher no montante de R$ 161.084,96. Tal valor foi recolhido por meio de DARF, cuja arrecadação se deu em 20.03.2008. Esse mesmo valor foi informado no DACON e na DCTF originais, apresentado neste processo em momento anterior. Consequentemente, para o mês de fevereiro de 2008, ocorreu um pagamento indevido de COFINS no montante de R$ 161.084,96, gerando desta forma um crédito a ser utilizado. Por esta razão, transmitiu o PER/DCOMP em questão, o qual utilizou somente parte do crédito acima, no valor de R$ 26.139,03, apurado no mês de maio de 2009, conforme demonstrativos dos valores e dos PAF´s respectivos, representado no corpo do recurso voluntário (fl. 49); f) desta forma, a Recorrente verificou que, por mero erro de procedimento, não havia retificado o DACON e a DCTF do mês de fevereiro de 2008. Assim, em 10/11/2009, e 11/11/2009, os referidos DACON e DCTF foram retificados (docs. anexados), Fl. 212DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10855.910447/200938 Resolução nº 3802000.375 S3TE02 Fl. 213 4 respectivamente, o que confirmou o crédito pleiteado no PER/DCOMP ora em discussão, mesmo que as retificações tenham sido efetivada posteriormente ao despacho decisório; g) que, apesar da Recorrente ter apresentado o DACON e a DCTF retificadores do mês de fevereiro de 2008 posteriormente à prolação do Despacho Decisório, é evidente a existência de seu direito creditório, o qual restou devidamente comprovado quando da apresentação dos referidos DACON e DCTF retificadores e que os julgadores administrativos originários sequer analisaram a documentação apresentada, a qual comprovava de forma idônea a veracidade dos créditos alegados; h) Assim, argumenta que ao contrário do alegado no Acórdão recorrido, a autoridade administrativa possuía meios suficientes para confirmar a existência dos créditos por meio da DCTF e do DACON retificadores, mesmo que apresentado fora do prazo, alegando violação do Princípio da Verdade Material. Cita diversos julgados administrativos do CARF nesse sentido; i) solicita, ainda, a conversão do Julgamento em Diligência, caso se entenda que as obrigações acessórias retificadoras não sejam suficientes para evidenciar o equívoco das informações prestadas originalmente e que a apuração do crédito compensando se encontra lastreado em documento elaborado de maneira detalhada no estudo desenvolvido pela idônea empresa de auditoria PwC. Por fim, ante todo o exposto, e considerando o Princípio da Verdade Material, visto que o direito da Recorrente à compensação resta devidamente comprovado nos autos, o Acórdão recorrido deve ser reformado, homologandose, por conseguinte, a compensação pretendida no PER/DCOMP referenciado. Solicita ainda que o presente processo seja julgado em conjunto com outros 05 (cinco) PAF,s que relaciona, por possuírem PER/DECOMPs vinculados ao mesmo crédito apurado no mês de fevereiro de 2008. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. No caso sob análise, temos que a controvérsia trata de questão de fato, atinente à ausência de prova reputada indispensável pela Fazenda Nacional, para fim de análise dos requisitos da certeza e liquidez do crédito informado na PER/DCOMP colacionada aos autos. Observase ainda que, que na fase de instrução probatória, portanto, antes da prolação do Despacho Decisório, a Recorrente não trouxe aos autos a documentação – cópia da DCTF retificadora e também cópia do DACON retificado, uma vez que os mesmos foram entregue ao fisco, após a ciência do Despacho Decisório. Quanto a estes ocorridos, a decisão a quo, analisando os autos a luz dos fatos constantes na manifestação de inconformidade, concluiu da seguinte maneira: (...) É condição indispensável para a homologação da compensação pretendida, que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública Fl. 213DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10855.910447/200938 Resolução nº 3802000.375 S3TE02 Fl. 214 5 seja líquido e certo (art. 170 do CTN). Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que incumbirá a ele – o contribuinte – demonstrar seu direito. Levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo, cabe à RFB não homologar a compensação, quando não há certeza e liquidez, como ocorre nos casos de contradição do próprio contribuinte em suas declarações. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. A retificação do DACON não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal (inciso II do art. 10 da IN n.º 1.015, de 2010). Da mesma forma, a retificação da DCTF não produz efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB n.º 1.110, de 2010, art. 9º, § 2º, I, c). A DCTF retificadora apresentada após a ciência do despacho decisório, em razão da não homologação da compensação ou do indeferimento da restituição, não tem nenhuma força de convencimento. Os novos dados só podem ser considerados como argumento de impugnação. Repisese que a controvérsia trata de questão de fato, uma vez que, ficou consignado no Despacho Decisório que “a partir das características do DARF descrito no PER/DECOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP”. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. Tal decisão, que foi integralmente mantida pelo Acórdão recorrido, fica reforçada quando foi constatado que: (...) A declaração presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art.219 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração anteriormente entregue. Por outro lado a Recorrente, aduz em seu recurso que por mero erro de procedimento, não havia retificado o DACON e a DCTF do mês de fevereiro de 2008 no momento oportuno. Assim, em 10/11/2009 e 11/11/2009, os referidos DACON e DCTF foram retificados (docs. anexados), respectivamente, o que confirmou o crédito pleiteado no PER/DCOMP ora em discussão, mesmo que as retificações tenham sido efetivada posteriormente ao despacho decisório. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10855.910447/200938 Resolução nº 3802000.375 S3TE02 Fl. 215 6 Ademais, como justificativa, aduz em seu recurso, que no anocalendário 2009, contratou a empresa PricewaterhouseCoopers (PwC Brasil) para realizar um trabalho de auditoria, cujo resultado encontrase no relatório sintético que acompanha o presente recurso (fls. 82/87) e, também, todo seu detalhamento (notas fiscais analisadas, natureza do dispêndio, conta contábil, etc.), que encontrase no arquivo anexado aos autos (arquivo não paginável). Alega que nesse trabalho apuraramse créditos extemporâneos de PIS e COFINS referentes a determinados períodos, dentre eles, de janeiro a abril de 2008. Tais créditos extemporâneos, resumidamente, são oriundos de dispêndios com insumos, conforme relacionados e passíveis de apropriação de crédito para essas contribuições, conforme previsão expressa contida no artigo 3º das Leis n° 10.833/03 e 10.637/02. Do exame dos autos, constatase, que a DCTF retificadora referente ao período examinado, foi transmitida em 11/11/2009 (fl. 11), ou seja, posteriormente à ciência do despacho decisório que não homologou a compensação, ciência esta que se deu em 19/10/2009 (fl. 6). Ressaltamos que à época dos fatos vigorava a IN SRF no 903, de 30/12/2008, cujo artigo 11, § 1º, embora ressaltasse, quanto à DCTF retificadora, sua condição de: “[...] mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente [...]”, prescrevia que a apresentação de retificação, dentre outras hipóteses, depois de iniciado procedimento fiscal, não produziria qualquer efeito (item III, § 2º, do art. 11). Ainda, a mesma Instrução Normativa exigia também que a retificação da DCTF viesse acompanhada de retificação da DIPJ e do DACON do período (conforme art. 11, § 8º). Como visto, detectado qualquer erro no preenchimento da referida declaração, o sujeito passivo tem a possibilidade de retificar sua DCTF antes que seja iniciado qualquer procedimento fiscal ou que decorra o prazo para a homologação do “lançamento” por ela praticado. No entanto, sendo a correção destinada a reduzir ou excluir tributo, a retificação somente será admitida se houver comprovação do erro e realizada antes da notificação do lançamento, conforme preceituado no art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 147 O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento (grifo nosso). Em que pese a referência do dispositivo legal citado à declaração de prestação de informações indispensáveis ao lançamento, admitese, por analogia, sua aplicação quanto à retificação de débitos apurados pelo sujeito passivo e confessados em DCTF, como assevera LEANDRO PAULSEN, que assim leciona: “Aplicação por analogia aos tributos sujeitos a lançamento por homologação”. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10855.910447/200938 Resolução nº 3802000.375 S3TE02 Fl. 216 7 Tendose em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse a lançamento por homologação vinculada a obrigações acessórias de prestar declarações ao Fisco e que não há dispositivo no CTN cuidando especificamente da retificação de tais declarações, o §1º do art. 147, tem sido bastante invocado e aplicado para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar suas declarações livremente, com eficácia imediata e. a contrario sensu, a partir de quando o contribuinte não pode exigir do Fisco que, independentemente de apreciação dos erros e equívocos da declaração originariamente prestada, considere as retificações” (...) (PAULSEN, Leandro, Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 12ª edição, Livraria do Advogado, ESMARFE, Porto Alegre, 2010, p. 1026) Portanto, acarretando a redução de tributo, a admissão da retificação é condicionada à comprovação do erro cometido, cujo ônus incumbe ao interessado na aludida redução (o contribuinte que promove a retificação), sendo, no entanto, excepcionalmente admitida sua retificação após o início do procedimento revisional em privilégio ao princípio da verdade material, conforme decidido já reiteradamente por esta Turma Especial, em consonância com todo o CARF. Nesse sentido, é imprescindível analisar se a Recorrente recompôs nos autos o crédito alegado, a fim de se confirmar a materialidade do crédito que ele alega ser habilitado para compensação. A DRJ ao apreciar o material probante juntado à época de sua manifestação de inconformidade, dispôs que o recorrente não apresentou documentação hábil a comprovar a legitimidade dos dados declarados na DCTF retificadora, conforme trecho abaixo transcrito: (...) A declaração presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art.219 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração anteriormente entregue (grifouse). Todavia, neste recurso, foi juntado ao processo, vários documentos citados, quais sejam: cópia da DCTF e DACON originais e retificadores, trabalho de auditoria realizado pela empresa PricewaterhouseCoopers (PwC Brasil), cujo resultado encontrase no relatório sintético (fls. 82/87) e, também, todo seu detalhamento (notas fiscais analisadas, natureza do dispêndio, conta contábil, etc.), encontrase no arquivo anexado aos autos (arquivo não paginável). Informa que nesse trabalho apuraramse créditos extemporâneos de PIS e COFINS referentes a determinados períodos, dentre eles, de janeiro a abril de 2008. Alega que tais créditos extemporâneos, resumidamente, são oriundos de dispêndios com insumos, conforme relacionados e passíveis de apropriação de crédito para essas contribuições, conforme previsão expressa contida no artigo 3º das Leis n° 10.833/03 e 10.637/02. Ou seja, a recorrente apresentou uma explicação a respeito do suposto erro incorrido para justificar a recomposição de seu faturamento. O processo administrativo de revisão da compensação não faz – como não o poderia – as vezes de mero retificador de DCTF após o prazo ordinário. A retificação da DCTF Fl. 216DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10855.910447/200938 Resolução nº 3802000.375 S3TE02 Fl. 217 8 pode até ser acatada pelo revisor; todavia, para que tal aconteça, é cabal que o contribuinte demonstre que faz jus a essa excepcionalidade. Vale frisar, sem embargo, que no que tange ao instituto da compensação é ônus do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza, na forma do art. 170 do CTN. Neste espeque, repisese que a Recorrente alega que acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que houve erro na composição da base de cálculo do PIS e da COFINS declarada na DCTF originária. Por consequência, aduz que restou comprovado o direito creditório pleiteado, posto que foi decorrente do erro cometido na apuração do tributo, que reduziu sua base de cálculo, nos termos da DCTF retificadora. Neste passo, considerando os dados e informações registrados nos documentos anexo aos autos (arquivo não paginável e cópias de documentos), visto que os mesmos foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo agente fazendário na origem, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal, consiste em uma providência que resulta na melhor aplicação do Direito e da Justiça e por isso deve sempre ser perseguida. Com base nessas considerações, devido às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), voto pela conversão do julgamento em diligência, devendo os autos retornarem à DRF de Sorocaba – SP (domicílio tributário da Recorrente), para com base nos documentos de fls. 82 a 179 e das planilhas (formato Excel) e informações anexados aos autos como “arquivo não paginável”, e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02, elaborar parecer, demonstrando os valores, após analisado se os dispêndios com os itens abaixo indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS e do PIS, levandose em conta o conteúdo das informações constantes do relatório da empresa PwC Brasil PriceWaterhouseCoopers (fls 82/87), fatos estes que se encontram resumidos em seu recurso voluntário às fl. 47, onde a Recorrente alega que tais dispêndios são oriundos de: i) bens utilizados como insumos; ii) serviços utilizados como insumo; iii) despesas de aluguéis de prédios alugados de pessoa jurídica; iv) despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados; e v) bens do ativo imobilizado. Após a conclusão da diligência, devem ser intimados sucessivamente a Recorrente e a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestaremse sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10855.910447/200938 Resolução nº 3802000.375 S3TE02 Fl. 218 9 Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 218DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13855.723240/2011-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
IRREGULARIDADE NOS AUTOS DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Os Autos de Infração derivam da constatação pelo Fisco de situação de fato rechaçada pelo direito, situação esta clara e precisamente descrita no Relatório Fiscal.
INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
Não há cerceamento ao direito de defesa. A Empresa exercitou plenamente seu direito de defesa, ao apresentar, tempestivamente, impugnações e esclarecimentos, inclusive.
SUJEIÇÃO PASSIVA. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO. MUNICÍPIO. COMPETÊNCIA PARA CONSTAR NO PÓLO PASSIVO DA AUTUAÇÃO.
Pessoa política da federação dotada de personalidade jurídica possui competência para figurar no polo passivo da autuação o Município, seguido da designação do órgão a que se refere.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.332
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória CFL 68, devendo a multa aplicada ser recalculada, tomando-se em consideração as disposições inscritas no art. 32-A, I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, 'c', do CTN. Por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário do Auto de Infração de Obrigação Principal, mantendo a multa como aplicada, considerando as disposições contidas no artigo 35, II da Lei n.º 8.212/91, para o período até 11/2008. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Arlindo da Costa e Silva Redator Designado
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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INEXISTÊNCIA. Os Autos de Infração derivam da constatação pelo Fisco de situação de fato rechaçada pelo direito, situação esta clara e precisamente descrita no Relatório Fiscal. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Não há cerceamento ao direito de defesa. A Empresa exercitou plenamente seu direito de defesa, ao apresentar, tempestivamente, impugnações e esclarecimentos, inclusive. SUJEIÇÃO PASSIVA. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO. MUNICÍPIO. COMPETÊNCIA PARA CONSTAR NO PÓLO PASSIVO DA AUTUAÇÃO. Pessoa política da federação dotada de personalidade jurídica possui competência para figurar no polo passivo da autuação o Município, seguido da designação do órgão a que se refere. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 32 40 /2 01 1- 38 Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723240/201138 Acórdão n.º 2302003.332 S2C3T2 Fl. 1142 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória CFL 68, devendo a multa aplicada ser recalculada, tomando se em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, 'c', do CTN. Por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário do Auto de Infração de Obrigação Principal, mantendo a multa como aplicada, considerando as disposições contidas no artigo 35, II da Lei n.º 8.212/91, para o período até 11/2008. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Arlindo da Costa e Silva – Redator Designado Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723240/201138 Acórdão n.º 2302003.332 S2C3T2 Fl. 1143 3 Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória, DEBCAD n° 51.008.2025, fundamento legal AI 68, consolidado em 01/11/2011 em face do MUNICÍPIO DE RESTINGA – PREFEITURA MUNICIPAL, no valor de R$ 2.233.065,70 (dois milhões, duzentos e trinta e três mil e sessenta e cinco reais e setenta centavos), referente ao não pagamento das contribuições sociais previdenciárias, parte dos segurados e contribuintes individuais, sobre as diferenças de remuneração identificadas nas folhas de pagamento e resumos sintéticos das folhas de pagamento, não declaradas em GFIP, no período de 01/01/2007 a 31/12/2008. De acordo com os fatos relatados pela fiscalização, a empresa apresentou as folhas de pagamento em arquivos digitais devidamente autenticados para as competências 06/2007 a 13/2008, as folhas analíticas em meio papel e seus resumos para as competências 02/2007, 06 a 09/2007, 11 e 13/2007, 01 a 13/2008. Para as competências 01, 03 e 05/2007 apresentou somente um resumo de remunerações para empenho de folha de pagamento, assim como a listagem de empenhos de 2007 e 2008 em arquivo digital devidamente autenticada. Em análise aos documentos mencionados constatou, a fiscalização, a existência de divergências entre as folhas de pagamento digital e em meio papel e entre as folhas em meio papel e seus respectivos resumos. Constatou, ainda, a existência de recolhimentos efetuados pela empresa antes do início do procedimento fiscal em valores superiores aos declarados nas competências 02 a 12/2007 e de 01 a 12/2008. Intimada a justificar as divergências apontadas, a empresa deixou de providenciar as retificações necessárias em GFIP, não sendo, tais sobras, aproveitadas na presente lavratura. Apresentada impugnação, a Recorrente alegou, em suma: a) que a descrição dos fatos e o enquadramento legal apresentamse de forma confusa e pouco objetiva, prejudicando o contraditório e a ampla defesa. b) Que os elementos utilizados pela fiscalização para apuração das contribuições exigidas não oferecem segurança quanto à sua correção e autenticidade. c) Que outras inconsistências foram mencionadas pelo próprio autor do procedimento fiscal, tais como. a menção à existência de recolhimentos superiores aos declarados, deixando de apontar se ocorreu efetivamente a alegada insuficiência de recolhimento ou se simplesmente ocorreu alguma falha consistente no descumprimento da obrigação de declarar; o levantamento deixou de considerar contribuições de segurados devidas em outras fontes pagadoras, o que acarretaria alteração no valor da contribuição devida; o autor do procedimento tinha conhecimento de que alguns segurados contribuíam sobre o teto, fato que demandaria outras pesquisas. Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723240/201138 Acórdão n.º 2302003.332 S2C3T2 Fl. 1144 4 d) Aduz que, tratandose de contribuição previdenciária, a regra é o enquadramento do sujeito passivo no regime geral previdenciário, excetuando os casos dos entes federados que tenham regime próprio. No entanto, o lançamento reportase a suposto débito do órgão público sem qualquer menção ao artigo 15 da Lei nº 8.212/91, aplicável ao caso. e) Afirma tratarse de fato incontroverso a existência de valores recolhidos e são compensados, o que entende acarretar dupla tributação. E que a falta de compensação acarreta dúvida quanto à determinação do montante do tributo. f) Diante das falhas apontadas, requer o cancelamento da exigência tributária em questão. g) Protesta pela juntada das retificações das GFIPs, bem como das comprovações de contribuição mediante outras fontes, dos segurados autônomos para fins de requerer, além do cancelamento total do Auto de Infração, a restituição de eventual recolhimento a maior. h) Aduz, ainda, a existência de erro na identificação do sujeito passivo, pois lavrado em face da Prefeitura Municipal de Restinga, órgão público não dotado de personalidade jurídica para figurar como contribuinte nos termos do artigo 195 da Constituição Federal. i) Entende pela nulidade das intimações realizadas no curso do procedimento administrativo ao Prefeito Municipal e não ao vereador presidente da Câmara Municipal, transcrevendo jurisprudência sobre o assunto. j) Insurgese contra a incidência de juros sobre a multa de ofício. Argumenta que o §3o do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 não autoriza a sua incidência para correção da multa, mas somente sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições. k) Em relação à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, aduz que as disposições contidas nos artigos 32, 34 e 35 da Lei nº 8.212/91 foram revogados pela Lei nº 11.941/2009, requerendo o cancelamento de todas as exigências fundadas nestes dispositivos. l) Apresenta uma planilha comparativa de valores recolhidos, com a intenção de demonstrar os recolhimentos efetuados em face da compensação do fundo de participação, entendendo ser imprescindível a consideração das retificações em GFIP. m) Manifesta, ainda, o entendimento de que a contribuição incidente sobre os pagamentos realizados a segurados contribuintes individuais é indevida, eis que referido pessoal não possui vínculo com o Município de Restinga, bem como por terem contribuído sobre o teto mediante outras fontes. n) Assim, caso não se entenda pelo cancelamento total do Auto de Infração, requer seja o mesmo sobrestado para que, em diligência, sejam conferidas as GFIPs retificadoras. o) Insurgese contra a elaboração da Representação Fiscal para Fins Penais, argumentando não existir indício que aponte para a sua necessidade ou conveniência, tendo em vista a existência de recolhimentos em valores superiores aos informados. p) Aduz, ainda, que a pessoa relacionada no termo de representação, Sr. Amarildo Tomas do Nascimento é falecida, não podendo o atual prefeito responder por atos não abrangidos em seu período de administração. q) Insurgese, finalmente, contra a incidência de contribuição sobre as verbas que entende possuir caráter indenizatório, mencionando o décimo terceiro Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723240/201138 Acórdão n.º 2302003.332 S2C3T2 Fl. 1145 5 salário, aviso prévio indenizado, as férias não gozadas e o terço constitucional de férias. r) Requer, finalmente, a procedência dos argumentos apresentados. Seguiuse o julgamento, donde a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, entendeu por manter o lançamento. A ementa de tal decisão foi proferida nos seguintes termos: AUTO DE INFRAÇÃO. SUJEIÇÃO PASSIVA. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO. MUNICÍPIO. COMPETÊNCIA PARA CONSTAR NO PÓLO PASSIVO DA AUTUAÇÃO. Possui competência para figurar no pólo passivo da autuação o Município, pessoa política da federação dotada de personalidade jurídica, seguido da designação do órgão a que se refere. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFICIO. LEGALIDADE. Conforme disposição constante no Código Tributário Nacional a penalidade pecuniária integra a obrigação principal sujeitandose, assim, à incidência dos juros de mora. MULTA APLICADA EM DECORRÊNCIA DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DA DISPOSIÇÃO VIGENTE NA DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. REGRA GERAL. A regra geral insculpida no artigo 144 do Código Tributário Nacional determina que o lançamento deve se reportar à data da ocorrência do fato gerador da obrigação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. SEGURADO OBRIGATÓRIO DA SEGURIDADE SOCIAL. São segurados obrigatórios da Previdência Social os contribuintes individuais, nos moldes estabelecidos no artigo 12, V da Lei nº 8.212/91. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. NEGATIVA DE COMPETÊNCIA. Carece competência à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento para apreciação e julgamento de questões relativas à elaboração, pela fiscalização, de Representação Fiscal para Fins Penais. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. DESNECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. Deve ser indeferido o requerimento de produção de provas quando presentes nos autos todos os elementos necessários ao seu correto entendimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Entidade, irresignada com a decisão, interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese: a) Preliminarmente, a nulidade da decisão que indeferiu o pedido de diligência do Recorrente, em virtude da ausência de fundamentação, Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723240/201138 Acórdão n.º 2302003.332 S2C3T2 Fl. 1146 6 alegando que “quanto ao pedido de realização de diligência, não houve qualquer apreciação e resposta. Não foram apresentadas as razões para a não determinação da diligência.” b) Ainda de forma preliminar, a nulidade do lançamento de ofício, haja vista a imprecisão deste, com vícios e nulidades decorrentes da impossibilidade da Recorrente de exercer seu direito de defesa, pela extrema dificuldade de compreensão do auto de infração. c) Também de forma preliminar, alega erro na identificação do sujeito passivo, posto que o auto de infração deveria ter sido lavrado em face do Município de Restinga, e não da Prefeitura Municipal. d) Por fim, requer a aplicação do regime da anterioridade benigna ao Recorrente, solicitando a revogação/cancelamento das multas punitivas e de mora, posto que os fatos geradores das contribuições tratadas se deram anteriormente à eficácia da Lei n° 11.941/09, e o art. 79 da referida lei é expresso ao revogar as penalidades em referencia. e) No mérito, aduziu a inobservância aos princípios da verdade material e da legalidade, posto que as contribuições previdenciárias apuradas e declaradas foram devidamente enviadas ao FISCO, contudo, este as considerou como devidas, ao invés de buscar a realidade dos fatos. f) Alegou, por fim, que diante do equívoco ocorrido na análise da apuração, declaração e recolhimento das contribuições previdenciárias, o FISCO deveria ter convertido o julgamento em diligência. g) Requereu, em síntese: i. Preliminarmente, em respeito ao princípio da verdade material, do contraditório e da ampla defesa, o reconhecimento da nulidade da decisão recorrida, com o retorno dos autos à Delegacia Tributária de Julgamento, para a determinação da realização de diligência para: a. Que sejam esclarecidas as questões relativas aos efetivos pagamentos das contribuições previdenciárias, parte dos empregados, listados em extrato anexo aos Termos de Intimação 07, 07 e 10 e coincidentes com os valores declarados nas GFIP’s anexadas a esse recurso; b. Que sejam juntadas aos autos as declarações GFIP das competências não localizadas pelo recorrente, em respeito à norma do artigo 37 da Lei n° 9.784/99; ii. Caso não seja deferida a diligência, para confronto e esclarecimentos com os elementos de prova constantes dos autos, requereuse então, o provimento do presente recurso voluntário para determinar o cancelamento do auto de infração, pelas nulidades comprovadas no referido recurso, ou ainda: a. O cancelamento dos créditos tributários relativos às contribuições previdenciárias, parte dos segurados, incidentes sobre as remunerações a eles pagas, que já foram apuradas e recolhidas, antecipadamente, no lançamento por homologação realizado pelo Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723240/201138 Acórdão n.º 2302003.332 S2C3T2 Fl. 1147 7 contribuinte, com a entrega das GFIPs originais, anexadas ao recurso voluntário. b. O cancelamento das multas revogadas. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723240/201138 Acórdão n.º 2302003.332 S2C3T2 Fl. 1148 8 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentado os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Preliminarmente: Da Regularidade dos Autos de Infração – Da ausência de nulidade Verificase que todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235/1972 foram observados pelo fisco, não existindo, pois, qualquer vício formal ou material no lançamento sob exame. Se não, vejamos: Os Autos de Infração derivam da constatação pelo Fisco de situação de fato rechaçada pelo direito, situação esta clara e precisamente descrita no Relatório Fiscal, com apontamento dos fatos geradores, das contribuições devidas e do período ao qual se referem. Os motivos legais estão expressamente relacionados nos Fundamentos Legais do Débito e no Descritivo de Débito – DD estão indicadas as bases de cálculo apuradas, as alíquotas adotadas e o valor das contribuições devidas pelo Município por competência. Ademais, frisese que os documentos examinados neste feito (Folhas de Pagamento e GFIPs) foram elaborados pelo próprio Município o que certamente foi fator facilitador para pleno exercício do direito do contraditório e da ampla defesa pelo órgão autuado. Assim, estando os Autos de Infração revestidos das formalidades legais e estando de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, não se verifica qualquer nulidade. Do Não Cerceamento do Direto de Defesa Alega ainda o Município que ao longo do processo verificase a ocorrência de vários vícios insanáveis como a indeterminação da exigência tributária. Contudo, compulsando os Autos, observase que tais alegações não prosperam, na medida em que o Município foi devidamente notificado, tendo sido apresentados, como dito anteriormente, os fatos e fundamentos legais que deram ensejo aos lançamentos. Por fim, é nítido que o Município exercitou plenamente seu direito de defesa, ao apresentar, tempestivamente, impugnações e, inclusive, esclarecimentos, conforme noticia o Relatório Fiscal. Das contribuições lançadas incidentes sobre as remunerações apuradas em folha de pagamento e não declaradas em GFIP. DEBCAD nº 37.362.1981. Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723240/201138 Acórdão n.º 2302003.332 S2C3T2 Fl. 1149 9 Substancialmente, o Município ora Recorrente alega a existência de vício insanável no processo fiscal, sobretudo, em relação à inexatidão do Auto de Infração, posto que não restou claro nos autos combatidos, a exigência tributária em apreço. Conforme já exposto, consta no Relatório Fiscal que o lançamento teve por base as informações constantes nas Folhas de pagamento e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP do próprio Município. Por oportuno, transcrevese trecho do Relatório Fiscal, onde a fiscalização sintetiza direta e precisamente as atividades desenvolvidas: “O contribuinte apresentou as folhas de pagamento em arquivos digitais, devidamente autenticadas, conforme recibo constante do anexo I deste processo, para as competências 06/2007 a 13/2008, e folhas analíticas em meio papel e seus resumos para as competências 02/2007, 06 a 09/2007, 11 e 13/2007, 01 a 13/2008, e para as competências 01, 03 e 05/2007 apresentou somente uma resumo de remunerações para empenho de folha de pagamento. Verificouse, conforme termo de constatação 01 (anexo VIII deste processo), que as folhas de pagamento acima continham divergência de valores entre elas (digital e papel) e entre as folhas em papel e seus respectivos resumos. Portanto foi utilizado por esta autoridade fiscal as folhas digitais como referência nas competências 06/2007 a 13/2003, sendo utilizada a folha papel na competência 02/2007 e os resumos de remuneração para empenho de folha de pagamento nas competências 01, 03 e 05/2007. Para a competência 04/2007, só restou utilizar o resumo sintético da folha de pagamento, por não haver outra informação de folha de pagamento. (...) Em decorrência do acima exposto e analisando os elementos citados, ficou constatado que o contribuinte autuado não efetuou o recolhimento total das contribuições previdenciárias (parte dos segurados) constantes das folhas de pagamento digitais de 06/2007 a 13/2007 e 01/2008 a 13/2008, da folha de papel de 02/2007, dos resumos de remunerações para empenho de folha de pagamento de 01, 03 e 05/2007 e do resumo sintétivo de folha de pagamento de 04/2007, não declarados em GFIP.” Da leitura do excerto, vêse que o fiscal responsável confrontou o valor total das remunerações pagas pela Prefeitura Municipal de Restinga constantes nas folhas de pagamento apresentadas, com os valores declarados pelo Município em GFIP, demonstrando tudo objetivamente através do relatório. Embora o Município tenha tomado conhecimento, através da notificação da presente autuação, da existência de divergência entre o valor total das remunerações declarado nas GFIPs e do valor total recolhido, em nenhum momento ao tentar se defender (tanto na Impugnação quanto no Recurso Voluntário) o ente municipal apresentou motivos fáticos que rechaçassem ou justificassem a diferença apurada pela fiscalização. Ademais, em contrapartida, os documentos constantes nos autos, constituem inegável forma para atestar o exposto no Auto de Infração ora examinado. Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723240/201138 Acórdão n.º 2302003.332 S2C3T2 Fl. 1150 10 Do mérito: Da Observância aos Princípios Constitucionais Alega a recorrente que devem ser observados os princípios da verdade material e da legalidade. Pois bem, os princípios são normas, e, como tal, dotados de positividade, que determinam condutas obrigatórias e impedem a adoção de comportamentos com eles incompatíveis. No âmbito administrativo, incidem diversos princípios, alguns expressamente previstos no texto Constitucional de 1988 (arts. 5º e 37), especificamente direcionados para a atuação da Administração Pública, outros implícitos e com eles compatíveis. Assim, a Administração Pública só pode agir de acordo e de conformidade com aquilo expressamente ou tacitamente previsto em Lei (Principio da Legalidade). No que se refere aos princípios do contraditório e da ampla defesa, é bem verdade que estes, assegurados constitucionalmente aos contribuintes, devem ser observados no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações. De fato, este entendimento também foi plasmado no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Já o princípio da Finalidade, consiste na obrigação que tem a autoridade administrativa de sempre praticar o ato administrativo com vistas à realização da finalidade perseguida pela lei. Logo, um ato administrativo praticado desvirtuado do interesse público a que sempre deve perseguir, será um ato nulo por desvio de finalidade ou excesso de poder. Tal princípio decorre da idéia de que a atividade administrativa tem que estar vinculada a um fim alheio à pessoa e aos interesses particulares da autoridade administrativa, sempre de maneira impessoal. Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723240/201138 Acórdão n.º 2302003.332 S2C3T2 Fl. 1151 11 A motivação, por sua vez, consiste na explanação dos motivos e razões que levaram o agente administrativo a prática do ato, propiciando ao administrado a possibilidade de conhecer das razões, para, querendo, impugnálas. Nesse aspecto, na presente autuação, basta uma análise perfunctória do Relatório Fiscal para que se verifique a clareza com que fora emitido, constando a descrição dos fatos geradores que originaram o presente lançamento, não havendo qualquer dificuldade para a Recorrente em apresentar sua defesa, tampouco houve qualquer ofensa aos princípios norteadores da Administração Pública. Feitas estas considerações, entendo que, não, houve qualquer ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Ademais, compulsando os autos verifico que o contribuinte teve ciência dos motivos pelos quais o crédito foi lançado, bem como teve o momento para prestar esclarecimentos, Ou seja, foilhe conferido argumentar em vários momentos do processo e não apenas em sede de recurso, o que lhe garantiu o direito de peticionar, o direito ao contraditório e à ampla defesa. Não obstante alegar a violação ao princípio da legalidade, o Recorrente aduziu violação ao princípio da verdade material. Ao sustentar tal argumento, o Município recorrente afirmou que, mesmo diante da demonstração do erro de fato nas declarações ao FISCO por meio de GFIPs, o autor do procedimento fiscal finalizou a fiscalização e constituiu novamente os créditos devidos pelas contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas. Ocorre que, sob o argumento de ter ocorrido apenas erro de fato, desprovido de qualquer ausência de recolhimento das contribuições exigidas no lançamento em comento, o Recorrente aduz que a fiscalização deveria ter se atentado para a existência do recolhimento de todas as contribuições, havendo apenas um equívoco nas suas declarações e recolhimentos, o que ensejaria um entendimento diverso do alegado. Contudo, o alegado pelo Recorrente não corresponde à realidade dos fatos, posto que restou cabalmente demonstrada a ausência de recolhimento das contribuições ora exigidas, retirandose, de forma cabal, a possibilidade de violação ao princípio da verdade material da esfera de direito do Município de Restinga. Da sujeição passiva O recorrente aduz ainda, a nulidade da autuação, por visualizar erro quanto à identificação do sujeito passivo do auto de infração em vergaste, contudo, cumpre demonstrar que não procedem suas alegações. Compulsandose os autos, concluise que a autuação em comento foi lavrada em nome do Município de Restinga, entidade dotada de personalidade jurídica, sendo posteriormente identificada a Prefeitura Municipal de Restinga como órgão responsável pelos fatos detalhados no lançamento em fustigo, com a devida identificação do sujeito passivo por meio do CNPJ. Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723240/201138 Acórdão n.º 2302003.332 S2C3T2 Fl. 1152 12 Ocorre que, conforme disposto no artigo 259 da Instrução Normativa RFB n° 971/2009, são consideradas empresas em relação aos segurados não abrangidos por regime próprio de Previdência Social os órgãos públicos da Administração Pública, sujeitandose, em relação aos segurados, ao cumprimento das obrigações principais e acessórias, incluindose o recolhimento das contribuições em comento. Ademais, no que se refere à intimação realizada na pessoa do Prefeito Municipal, salientese que esta se coaduna com a disposição contida no Código de Processo Civil. Vejase: Art.12.Serão representados em juízo, ativa e passivamente: (...) IIo Município, por seu Prefeito ou procurador; Demonstrada a inexistência do vício alegado, não há nulidade a macular o lançamento de ofício. Da multa moratória A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 8% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 24% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 60% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723240/201138 Acórdão n.º 2302003.332 S2C3T2 Fl. 1153 13 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723240/201138 Acórdão n.º 2302003.332 S2C3T2 Fl. 1154 14 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723240/201138 Acórdão n.º 2302003.332 S2C3T2 Fl. 1155 15 prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que seja aplicada aos fatos geradores ocorridos até novembro de Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723240/201138 Acórdão n.º 2302003.332 S2C3T2 Fl. 1156 16 2008, a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte, afastando nesse período toda e qualquer aplicação de multa de ofício. É como voto. Sala das Sessões, em 14 de agosto de 2014. Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723240/201138 Acórdão n.º 2302003.332 S2C3T2 Fl. 1157 17 Voto Vencedor DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Ouso discordar, data venia, do entendimento esposado pelo Ilustre Relator relativo ao regime jurídico aplicável à determinação da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributaria principal formalizada mediante lançamento de ofício. E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio juris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. O caso ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723240/201138 Acórdão n.º 2302003.332 S2C3T2 Fl. 1158 18 neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723240/201138 Acórdão n.º 2302003.332 S2C3T2 Fl. 1159 19 enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado em Auto de Infração de Obrigação Principal, referente a fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro/2007 a dezembro/2008. Nessa perspectiva, tratandose de lançamento de ofício formalizado mediante Auto de Infração de Obrigação Principal, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723240/201138 Acórdão n.º 2302003.332 S2C3T2 Fl. 1160 20 de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que mesmo um computador, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, consegue determinar, sem erro, qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: IF lançamento de ofício THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de ofício, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723240/201138 Acórdão n.º 2302003.332 S2C3T2 Fl. 1161 21 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723240/201138 Acórdão n.º 2302003.332 S2C3T2 Fl. 1162 22 II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora encontramse dispostos em separado, digase, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Nesse novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de ofício THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723240/201138 Acórdão n.º 2302003.332 S2C3T2 Fl. 1163 23 Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723240/201138 Acórdão n.º 2302003.332 S2C3T2 Fl. 1164 24 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Daí a divergência inaugurada por este Conselheiro. Em seu voto de relatoria, o insigne Conselheiro Relator defendeu a aplicação retroativa, para as competências anteriores a dezembro/2008, do limite de 20% para a multa de mora previsto no §2º do art. 61 da Lei nº 9.430/96, por entender tratarse de hipótese de retroatividade benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. No caso, considerou o preclaro Relator que a comparação das normas deve ocorrer em institutos da mesma natureza. Logo, multa de mora com multa de mora (art. 35 da Lei 8.212/91), não com multa de ofício (art. 35A da Lei nº 8.212/91), por considerar que tal penalidade era inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008. Sendo assim, a multa de mora aplicada em face dos autos de infração relacionados às obrigações principais (AIOP) deveria ficar restrita ao percentual de 20% até novembro/2008, permanecendo o percentual de 75% a partir de dezembro/2008. Se nos antolha não proceder o argumento de que a penalidade referente à multa de ofício era inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. De outro eito, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Ocorre que ao efetuar o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), promoveuse data venia a comparação de nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). De tal equívoco, no entendimento deste Subscritor, resultou no voto de relatoria a aplicação retroativa de penalidade prevista para uma infração mais branda (descumprimento de obrigação principal não inclusa em lançamento de ofício) para uma infração tributária mais severa (descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’, do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723240/201138 Acórdão n.º 2302003.332 S2C3T2 Fl. 1165 25 Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) preveem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723240/201138 Acórdão n.º 2302003.332 S2C3T2 Fl. 1166 26 Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. De fato, encerrado o Processo Administrativo Fiscal e restando definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário, não sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, tal crédito é inscrito em Dívida Ativa da União, pra subsequente cobrança judicial. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c" do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Nestas hipóteses, somente irá se operar o teto de 75% nos casos em que não houver ocorrido sonegação, fraude ou conluio. Da conjugação das normas tributárias acima revisitadas concluise que, nos casos de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, a penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue: a) Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, observado o limite máximo de 75%, desde que não estejam presentes situações de sonegação, fraude ou conluio, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’, do CTN. b) Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. No caso dos autos, considerando que o horizonte temporal do lançamento compreende o período de apuração de janeiro/2007 a dezembro/2008, e considerando não Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723240/201138 Acórdão n.º 2302003.332 S2C3T2 Fl. 1167 27 haver sido verificada a presença dos elementos objetivos e subjetivos de conduta que, em tese, qualificase como fraude ou sonegação, tipificadas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, respectivamente, resulta que a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante o presente lançamento de ofício deve ser aplicada de acordo com o art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, para as competências até novembro/2008, inclusive, observado neste caso o limite máximo de 75%, em honra à retroatividade da lei tributária mais benigna insculpida no art. 106, II, ‘c’, do CTN, e em conformidade com o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44, I, da Lei no 9.430/96, para as competências a contar de dezembro/2008, inclusive, em atenção ao princípio tempus regit actum. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto no sentido de o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, observado em qualquer caso, unicamente, o limite máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’, do CTN. É como voto Arlindo da Costa e Silva, Redator Designado. Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10480.907374/2009-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
OMISSÃO . CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
O art. 65, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), dispõe que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Não restando demonstrada a ocorrência de nenhuma das irregularidades, são incabíveis os embargos de declaração.
Numero da decisão: 1103-001.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar os embargos.
Assinado Digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado Digitalmente
André Mendes de Moura - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 OMISSÃO . CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. O art. 65, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), dispõe que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Não restando demonstrada a ocorrência de nenhuma das irregularidades, são incabíveis os embargos de declaração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar os embargos. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva - Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
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CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. O art. 65, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), dispõe que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Não restando demonstrada a ocorrência de nenhuma das irregularidades, são incabíveis os embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar os embargos. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 73 74 /2 00 9- 01 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10480.907374/200901 Acórdão n.º 1103001.174 S1C1T3 Fl. 174 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Os autos tratam de embargos de declaração (fls. 136/140) interpostos pela PERNOD RICARD BRASIL INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA, em face do Acórdão nº 1103001.015, de 13 de março de 2014 (fls. 124/130). O litígio referese à Declaração de Compensação, transmitida pelo Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP, nº 39480.09602.281206.1.3.043039, em 28/12/2006, no qual a contribuinte veio pleitear crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ (Código de Receita 2430) referente ao F.G. 31/12/2001 (fl. 37), visando compensar débitos tributários de IRPJ estimativa referentes a novembro de 2006. Ocorre que no Despacho Decisório da Receita Federal emitido em 09/04/2009, a autoridade tributária não homologou a compensação declarada, sob a alegação o DARF que seria a origem do crédito tributário já estaria integralmente utilizado para extinguir débito de IRPJ relativo ao F.G. 31/12/2001. Irresignada a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 15/25, que foi julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/Recife no Acórdão nº 1135.019 de 26/09/2011. Cientificada da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 68/78, no qual aduz que teria promovido uma nova alteração para o anocalendário de 2001 para o IRPJ. Discorre que ao efetuar a apuração original, foi encontrado um valor a pagar de R$1.331.206,83, e encaminhado DIPJ e confessado o débito em DCTF, e efetuando os correspondentes pagamentos dos débitos por meio de DARF. Contudo, ao revisar a apuração realizada, entendeu que caberia uma alteração no resultado do lucro de exploração. Enquanto na apuração primitiva foi calculado o lucro de exploração que resultou no montante de IRPJ de R$998.019,49, a segunda apuração apurou um lucro de exploração maior, cujo resultado foi um valor de IRPJ de R$2.983,629,11 (benefício fiscal com percentual de redução de 100%). Por consequência, a alteração no cálculo do lucro de exploração teve como desdobramento a modificação do resultado do imposto de renda apurado para o anocalendário de 2001, que, de IRPJ a pagar de R$1.331.206,83 passou para um saldo negativo de R$654.402,78. Ocorre que, diante desse novo cenário, encaminhou apenas a DIPJ retificadora, ou seja, não retificou a DCTF, tendo sido a divergência entre as informações das declarações a causa da não homologação da compensação. Nesse contexto, requer a aplicação do princípio da verdade material para analisar sua documentação que daria lastro à retificação pleiteada. |A defesa interposta foi apreciada por esta 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, em sessão realizada no dia 13 de março de 2014 cuja decisão (Acórdão nº 1103001.015) negou provimento ao recurso nos termos da ementa a seguir: ÔNUS DA PROVA. PROCESSO DE RECONHECIMENTO CREDITÓRIO. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10480.907374/200901 Acórdão n.º 1103001.174 S1C1T3 Fl. 175 3 O artigo 57 do Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o PAF, aplicase aos processos de reconhecimento do direito creditório, sendo que a prova de liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado para fins de indébito tributário é do contribuinte. A contribuinte tomou ciência de decisão de segunda instância em 21/07/2014 (Despacho de fls. 134) e interpôs os embargos de declaração de fls. 136/140 em 28/07/2014, no qual discorre sobre as seguintes razões: aduz que o acórdão teria incorrido em contradição e omissão; o voto embargado afastou o único argumento que vinha sendo utilizado para indeferir a compensação, qual seja, a impossibilidade de se alegar questões formais para negar o direito creditório, e concluiu que caberia ao contribuinte apresentar provas hábeis para comprovar a existência do crédito; tratase de conclusão equivocada, além de estar em contradição com o acórdão; até o acórdão ter sido proferido, a contribuinte vinha combatendo apenas os motivos formais, vez que foi esse o motivo do indeferimento da compensação; o afastamento do limitador formal deveria ter dois desdobramentos, (1) homologação das compensações ou (2) retorno dos autos para a Receita Federal para análise do direito creditório, sendo que a contribuinte nunca teve a oportunidade de demonstrar o seu real direito material do crédito pleiteado; com a decisão embargada, os conselheiros acabaram suprimindo o direito da recorrente de ter seus créditos analisados; requer seja sanada a omissão/contradição, para determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal para análise do mérito do direito creditório pleiteado, e informa que apresentará novos documentos e laudos periciais aptos a demonstrar a existência do crédito. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura Os embargos interpostos pela contribuinte são tempestivos. Portanto, cabe prosseguir com o exame de admissibilidade. O art. 65, caput, do mencionado Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), dispõe que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10480.907374/200901 Acórdão n.º 1103001.174 S1C1T3 Fl. 176 4 No caso em tela, protesta a embargante pela ocorrência de contradição e omissão no acórdão em debate. Alega que a decisão afastou o limitador formal (relativo á divergência entre informações de DIPJ e DCTF), mas indeferiu a compensação por falta de apresentação de provas hábeis para lastrear o direito creditório pleiteado. Acrescenta que jamais teve oportunidade de demonstrar a materialidade do crédito, e pede reforma na decisão no sentido de determinar o retorno dos autos à unidade preparadora para que o mérito da compensação possa ser devidamente apreciado. Lendo o voto embargado, entendo que não assiste razão à embargante. A decisão não incorreu em nenhuma contradição ou omissão. Pelo contrário, mostrouse coerente e objetiva. Foi devidamente esclarecido para a recorrente que a DCTF tem efeito de confissão de dívida, e que, nesse sentido, eventuais modificações devem estar lastreadas por documentos de natureza contábil e fiscal. E, em um processo de reconhecimento de direito creditório, o ônus da prova, qual seja, a liquidez e a certeza do crédito tributário, é da parte que alega, qual seja, a contribuinte. Vale transcrever fragmento do voto embargado: A princípio, há que se esclarecer que a DCTF tem efeito de confissão de dívida, sendo que, não por acaso, os valores nela declarados ou modificados eventualmente poderão ser alvo de auditoria. E, no contexto de um processo de reconhecimento de direito creditório, cabe ao requerente, ou seja, ao contribuinte, a prova da existência e da liquidez do crédito pleiteado, oportunidade em que deve se comprovar a apuração do imposto mediante apresentação de documentação hábil e idônea. No decorrer da fase contenciosa, em nenhum momento a contribuinte apresentou qualquer prova que pudesse lastrear a alteração que promoveu em sua apuração do IRPJ referente ao anocalendário de 2001. A alteração promovida pela contribuinte, na apuração do lucro de exploração (alterado de R$998.019,49 para R$2.983,629,11), que teve como desdobramento a modificação do resultado do imposto de renda apurado para o anocalendário de 2001, que, de IRPJ a pagar de R$1.331.206,83 passou para um saldo negativo de R$654.402,78, não se encontra lastreada por nenhum documento probatório. Observese que desde a decisão proferida pela DRJ (cuja ciência foi dada em 2012) a contribuinte foi devidamente alertada sobre a necessidade de apresentar documentação hábil e idônea apta a lastrear a alteração promovida na apuração do anocalendário de 2001. E nada foi apresentado. Pelo contrário, optou a recorrente meramente discorrer sobre o princípio da verdade material no recurso interposto, sem em nenhum momento se preocupar em lastrear suas alegações. Mostrase, portanto, completamente desprovida de sustentação a alegação da embargante de que jamais teve a oportunidade de demonstrar a materialidade do direito creditório. Enfim, transcrevo outra parte do voto embargado, para sepultar a questão: Fl. 176DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10480.907374/200901 Acórdão n.º 1103001.174 S1C1T3 Fl. 177 5 Ora, o princípio da verdade material não encontra campo fértil apenas com argumentações. Para que seja invocado, deve estar municiado com elementos probatórios. Não opera por si só, deve ser impulsionado por provas aptas a lastrear os fatos alegados. E, vale repetir, em um processo de reconhecimento de direito creditório, o ônus da prova, qual seja, a liquidez e a certeza do crédito tributário, é de quem alega, ou seja, a contribuinte. No caso em tela, apresentou a recorrente cópia da DIPJ retificadora, extrato da Parte A do LALUR e um demonstrativo no qual se pode verificar a nova apuração realizada do lucro de exploração: Ao contrário do que aduz a recorrente, a DIPJ retificada, por si só, não se mostra suficiente para comprovar a alteração promovida na apuração do anocalendário em análise. Tratase de declaração sem efeito de confissão de dívida, de caráter informativo. A Parte A do LALUR, por sua vez, não apresenta nenhuma novidade. Apenas confirma a apuração do Lucro Real, que não sofreu alteração na apuração retificadora, mantendose o valor de R$29.268.758,58. O fato determinante, precisamente a nova apuração do lucro de exploração, que resultou em um imposto de renda maior do que o da apuração original (de R$998.019,49 para R$2.983,629,11) mereceu um tratamento extremamente sucinto por parte da recorrente. Foi apresentado, apenas, o demonstrativo transcrito a seguir (fl. 116): Lucro da Exploração Imposto de Renda 11.973.789,83 (alíquota de 15%) Adicional ao IRPJ 1.796.068,48 (alíquota de 10%) SubTotal 1.187.560,63 SubTotal 2.983.629,11 Percentual de Isenção ou Redução 100,00% TOTAL DE INCENTIVO FISCAL NO PERÍODO 2.983.629,11 E ponto. Mais nenhum elemento, documento, extrato, cópia de livro contábil, nada mais. Ora, invocar o princípio da verdade material sem lastrear os argumentos com nenhuma prova soa como uma contradição. Registrese que o presente momento processual não é a primeira oportunidade do qual teve a contribuinte para se manifestar. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10480.907374/200901 Acórdão n.º 1103001.174 S1C1T3 Fl. 178 6 Não se trata de uma mera alteração no cálculo do lucro de exploração. Tratase de uma alteração no lucro de exploração que resultou em um aumento do benefício fiscal de R$998.019,49 para R$2.983,629,11, que, por sua vez, alterou completamente a apuração do IRPJ do anocalendário em análise, passando de imposto a pagar de R$1.331.206,83 para um saldo negativo de IRPJ de R$654.402,78. Mostrouse pouco diligente a recorrente. Tratase de caso típico em que a contribuinte parece aguardar o momento em que a autoridade fiscal irá produzir a prova em seu favor. Pelo contrário. Se promoveu uma nova apuração, deveria ter disponibilizado os livros contábeis e documentos de suporte para comprovar alteração do cômputo do lucro de exploração. Ao contrário do que alega a recorrente, não é mero erro de preenchimento de declaração, ou decisão amparada apenas em aspectos formais. Tampouco caso de nulidade. O caso em tela trata de questão de fato, probatória. Notase claramente que vem a contribuinte utilizarse dos embargos de declaração não para reclamar da ocorrência de omissões ou contradições, mas sim buscar uma revisão no mérito, que já foi devidamente analisado pelo colegiado. Ocorre que tal pretensão não se mostra possível na via admitida pelos embargos de declaração, cujo cabimento é adstrito a erros in procedendo, o que não ocorreu no presente caso. Diante do exposto, voto no sentido rejeitar os embargos declaratórios. Assinatura Digital André Mendes de Moura Fl. 178DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727039/2011-08
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE.INEXISTÊNCIA
O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA . VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO IN NATURA. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA.
O vale-transporte pago pela empresa não integra o salário de contribuição, mesmo que pago em pecúnia, vez que não possui natureza salarial. Súmula CARF n.º 89.
MULTA. APLICAÇÃO DA MAIS BENÉFICA.
Pode-se aplicar a multa de forma retroativa se for mais benéfica ao contribuinte.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. NÃO ENFRENTAMENTO.
Não apresentado a recorrente, efetivamente, recurso em face das demais verbas lançadas na autuação, não há o que ser provido, respeitando-se, por consectário, o princípio tantum devolutum quantum appellatum.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, afastando a incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre os valores pagos pela recorrente a título de auxílio transporte e para que seja aplicada a multa prevista no artigo 32-A, I, da lei 8.212/91, caso seja mais benéfica da norma em favor do contribuinte.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia De Lima - Presidente.
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE.INEXISTÊNCIA O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA . VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO IN NATURA. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O vale-transporte pago pela empresa não integra o salário de contribuição, mesmo que pago em pecúnia, vez que não possui natureza salarial. Súmula CARF n.º 89. MULTA. APLICAÇÃO DA MAIS BENÉFICA. Pode-se aplicar a multa de forma retroativa se for mais benéfica ao contribuinte. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. NÃO ENFRENTAMENTO. Não apresentado a recorrente, efetivamente, recurso em face das demais verbas lançadas na autuação, não há o que ser provido, respeitando-se, por consectário, o princípio tantum devolutum quantum appellatum. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1995; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 639 1 638 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.727039/201108 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.779 – 3ª Turma Especial Sessão de 04 de novembro de 2014 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente COMERCIAL SÃO PATRÍCIO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE.INEXISTÊNCIA O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA . VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO IN NATURA. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O valetransporte pago pela empresa não integra o salário de contribuição, mesmo que pago em pecúnia, vez que não possui natureza salarial. Súmula CARF n.º 89. MULTA. APLICAÇÃO DA MAIS BENÉFICA. Podese aplicar a multa de forma retroativa se for mais benéfica ao contribuinte. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. NÃO ENFRENTAMENTO. Não apresentado a recorrente, efetivamente, recurso em face das demais verbas lançadas na autuação, não há o que ser provido, respeitandose, por consectário, o princípio tantum devolutum quantum appellatum. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 70 39 /2 01 1- 08 Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, afastando a incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre os valores pagos pela recorrente a título de auxílio transporte e para que seja aplicada a multa prevista no artigo 32A, I, da lei 8.212/91, caso seja mais benéfica da norma em favor do contribuinte. (assinatura digital) Helton Carlos Praia De Lima Presidente. (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727039/201108 Acórdão n.º 2803003.779 S2TE03 Fl. 640 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela COMERCIAL SÃO PATRICIO S.A em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) que julgou procedente em parte a impugnação, e manteve o crédito tributário exigido. De acordo com a descrição dos fatos, tratase de Auto de infração referente ao AI DEBCAD nº 51.008.1886, por infringência ao disposto na Lei nº 8.212, de 24/7/1991, artigo 32, inciso I, combinado com o disposto no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 6/5/1999, artigo 225, inciso I e § 9º (Código de Fundamentação Legal – CFL nº 30). AI DEBCAD nº 51.008.1894, por descumprimento de obrigação por infringência ao disposto na Lei nº 8.212, de 24/07/1991, artigo 32, inciso II, combinado com disposto no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999, artigo 225, inciso II e §§ 13 a 17 (Código de Fundamentação Legal – CFL nº 34). AI DEBCAD nº 51.008.1908, no valor de R$ 1.524,43, por descumprimento de obrigação acessória estabelecida pela Lei nº 8.212 de 24/7/1991, artigo 30, inciso I, alínea “a” e pela Lei nº 10.666 de 8/5/2003. artigo 4º, caput, combinado com o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6/5/1999, artigo 216, inciso I, alínea “a” (Código de Fundamentação Legal – CFL nº 59). AI DEBCAD nº 51.008.1843,por infringência ao que dispõe a Lei nº 8.212, de 24/7/1991, artigo 32, inciso IV (Código de Fundamentação Legal – CFL. Após devidamente intimado do lançamento em 26/04/2011 o contribuinte, apresentou impugnação tempestiva às fls. 583/603. No entanto a Delegacia manteve o lançamento em parte, a ementa do acórdão de primeira instância restou lavrado nos termos que transcrevo abaixo: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2008 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ELABORAR FOLHA DE PAGAMENTO FORA DOS PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS. Preparar folha de pagamento em desacordo com os padrões e normas estabelecidos constitui infração à legislação previdenciária. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DEIXAR DE ESCRITURAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS. Deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos representa infração à legislação previdenciária. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DEIXAR DE ARRECADAR CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PELOS SEGURADOS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto, as contribuições previdenciárias dos segurados sob sua remuneração. Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS. Apresentar GFIP com erros ou omissões constitui infração à legislação previdenciária. ALIMENTAÇÃO IN NATURA Nos lançamentos de contribuições previdenciárias incidentes sobre despesas com alimentação in natura fornecida aos segurados empregados aplicase o disposto no Ato Declaratório PGFN nº 3 de 20/12/2011. CONEXÃO. Devem ser julgados em conjunto com o processo principal os processo vinculados por conexão Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido” Intimado da decisão da instância a quo, em 11/11/2013, conforme aviso de recebimento da ECT de fls. 625, o recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário fls. 629/635, alegando em síntese: a) Preliminarmente alega que os lançamentos se revestem de ilegalidades que acarretam sua nulidade diz que no auto de infração foram tecidas maiores considerações acerca do “grupo econômico”, relatandose genericamente os fatos que impuseram a aplicação das penalidades, sem diferenciar as situações de cada caso; b) aduz que a fiscalização fez pequena síntese do que considera irregularidade e, em seguida fez o seu relatório de lançamento colocando todas as situações na mesma situação lega que o relatório dos fatos foi genérico, tendo sido os fatos geradores discriminados na planilha de lançamento comum, sem distinção, o que impossibilita destacar o que realmente foi considerado pelo auditor fiscal. Aduz que não consta nos autos, a documentação que ele apresentou à fiscalização e os documentos que deram origem ao débito; c) Que não foram atendidos os requisitos legais para elaboração do auto de infração pela ausência de apresentação de provas dos fatos constitutivos do direito da Fazenda Pública. diz que falta à autuação impugnada requisito essencial que enseja sua nulidade em decorrência de vício formal, qual seja, a “fiel descrição do fato infringente”; d) Afirma que cumpre rigorosamente com seus compromissos e não deixa de efetuar o pagamento de nenhuma verba a seus trabalhadores, sendo que, em determinados casos, e excepcionalmente por algum lapso, pode ter deixado de declarar tais importâncias em GFIP. Diz que a não declaração ocorreu por falha e não por dolo e que o valor devido foi pago. diz que nesses casos como não haveria que se falar em débito principal, a multa, que é acessória, deveria deixar de existir; e) Assevera que, na remota hipótese de não serem acatadas as teses alinhavadas, devese levar em consideração o disposto na Lei nº 11.941/2009 quanto à aplicação da multa pela não declaração em GFIP e Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727039/201108 Acórdão n.º 2803003.779 S2TE03 Fl. 641 5 pelo não recolhimento das contribuições previdenciárias, devendo ser revisto os autos de infração. Ao final, Requer a declaração de nulidade dos autos de infração e das multas a elas aplicadas reformando o acórdão impugnando. Sem contrarrazões da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este conselho. É o relatório. Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso voluntário apresentado é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos de sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Da Inexistência de Nulidade Aduz a recorrente que os autos de infração não foram confeccionados e atendimento aos requisitos mínimos exigidos, por não se observar a fiel descrição do fato infringente. Contudo, diferentemente do que entende a recorrente, não há nulidade no presente processo. Devo concordar com a decisão a quo, visto ser totalmente improcedente a alegação da contribuinte, pois não houve ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. Da análise dos autos depreendese que a autoridade fiscal descreveu os fatos e apresentou o enquadramento legal. Ademais, os dados baseiamse em arquivos e dados prestados pela própria autuada, constantes de sua escrita fiscal, não pode a recorrente alegar que desconhece os valores constantes das informações inconsistentes. Deste modo, rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, em face da inexistência de ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Do Vale Transporte No tocante ao pagamento feito a título de valetransporte em pecúnia, ainda que as razões apresentadas pela recorrente sejam frívolas e genéricas, não posso deixar de dar provimento neste ponto nos termos da Súmula 89 deste Conselho. Com a devida venia ao entendimento do fisco, tenho como certo que o fato de a empresa ter pago o valetransporte em pecúnia não tem o condão de modificar a natureza jurídica dessa verba. Sendo assim, a origem da verba paga tem natureza jurídica indenizatória, pois foi assim que a norma, que criou o benefício, deixou consignada. Vejase que a norma previdenciária tratou da matéria da seguinte forma: “Art. 28 Entendese por salário de contribuição: (...) Parágrafo 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727039/201108 Acórdão n.º 2803003.779 S2TE03 Fl. 642 7 (...) f) a parcela recebida a título de vale transporte, na forma da legislação própria; (...)” (negritamos e sublinhamos) Como se pode perceber, nos termos do art. 28, parágrafo 9º, alínea “f”, da Lei nº 8.212/91, a quantia (parcela) recebida a título de valetransporte não compõe o salário de contribuição, para fins de apuração da contribuição previdenciária. De mais a mais, o fornecimento de transporte aos seus empregados é imprescindível para a execução do trabalho, e não pode compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. De outro lado, a Lei nº 10.243/2001, alterou o §2º do art. 458 da CLT, que passou a ter a seguinte redação: "Art. 458...................................................... § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; ......................................................................” (NR) Com isso, considerando o inciso III, acima transcrito, o transporte concedido como utilidade não será considerado como salário. Assim, se não é salário o transporte, não creio que os valores reembolsados pela empresa aos empregados, para o seu deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público, seja considerado para efeito de incidência da contribuição social. E sobre a natureza indenizatória do benefício o Supremo Tribunal Federal já firmou seu posicionamento considerando que, mesmo quando pago em pecúnia, o vale transporte não possui natureza salarial, in verbis: “EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 8 BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” (RE 478410/ SP; Relator Ministro Eros Grau) Dito isso, verificase que a exigência tributária pretendida é descabida, razão pela qual deve a mesma ser afastada, vez que, como demonstrado, o pagamento realizado não constitui fato gerador das contribuições devidas a Seguridade Social e as destinadas a Terceiros. No mesmo diapasão, posicionouse a Advocacia Geral da União, nos termos do art. 4º, inc. XII, 28, inc. II, e 43, caput, § 1º, da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, ao promulgar a Súmula 60 no seguinte sentido: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba". Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727039/201108 Acórdão n.º 2803003.779 S2TE03 Fl. 643 9 Por fim, ressalto que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em reunião extraordinária do Pleno e das Turmas da CSRF realizada em 10 de dezembro de 2012, aprovou, por unanimidade, o enunciado de Súmula nº 89, com o seguinte teor: “A contribuição social previdenciárias não incide sobre os valores pagos a título de vale transporte, mesmo que em pecúnica” Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário neste tópico. Valores pagos de acordo com a Convenção Coletiva Aduz a recorrente que no tocante ao dissídio e férias retroativas, houve engano do auditor fiscal, visto que a previsão de aumento deuse somente em 01.11.2008, não havendo o que falar em retroatividade. Analisando os autos, observase que equívoco há nas alegações lançacadas pela recorrente, visto que os pagamentos realizados na competência 12/2008 com a rubrica Dissidio retroativoela análise na CCT(679/691), que foi assinada somente em dezembro de 2008, os efeitos do aumento alcanc ariam o dia 1/11/2008 e as diferenc as seriam pagas em 12/2008. Observase, com baseno DD de fls. 46/56 e no demonstrativo Anexo XII (fls. 401/450) que, corretamente, essa foi aúnica compete ncia em relac ão a qual, a fiscalizac ão apurou contribuic ões relativas à retroac ãodos efeitos do dissídio, utilizandose para tanto do código de levantamento DI nos autos. Assim, não há o que prover no presente tópico. Da Multa Aplicada No que tange ao valor da multa aplicada, essa matéria deve ser revista de ofício tendo em vista a superveniência de legislação mais benéfica no que se refere a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Ocorre que a Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 10 entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727039/201108 Acórdão n.º 2803003.779 S2TE03 Fl. 644 11 Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 12 devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727039/201108 Acórdão n.º 2803003.779 S2TE03 Fl. 645 13 Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 14 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Porém, nos casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. Razão pela qual entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32A, eis que mais benéfico para o contribuinte. Das demais alegações As demais alegações lançadas pela recorrente são extremamente genéricas, não apresentado a recorrente, efetivamente, recurso em face das demais verbas lançadas na autuação, razão pela qual não pode este conselheiro acolhelas, mormente porque a recorrente limitase a informar que se não há o principal, não há que se falar em obrigação acessoria, “uma vez que o acessório segue o principal”. Ora, a extensão do efeito devolutivo determinase pela extensão do recurso voluntário apresentado pela recorrente, respeitandose, por consectário, o princípio tantum devolutum quantum appellatum. A exata configuração do efeito devolutivo resulta na análise de dois aspectos: o primeiro concerne à extensão do efeito; o segundo, à sua profundidade. Delimitar a extensão do efeito devolutivo é precisar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem; medirlhe a profundidade é determinar com que matéria há de trabalhar o órgão ad quem para julgar. Ademais, a decisão recorrida tem o seu objeto: pode haver julgado o mérito da causa (sentença definitiva), ou matéria preliminar ao exame do mérito (sentença terminativa). Devese analisar se a decisão do tribunal cobrirá ou não área igual á coberta pela do juiz a quo. A questão é analisada aqui do ponto de vista horizontal. Por outro lado, a decisão recorrida tem os seus fundamentos: o órgão de primeiro grau, para decidir, precisou enfrentar e resolver questões, isto é, pontos duvidosos de fato e de direito suscitados pelas partes ou apreciados de ofício. Cumpre averiguar se todas essas questões, ou nem todas, devem ser reexaminadas pelo Conselho, para proceder, por sua vez, ao julgamento; ou ainda se, porventura, hão de ser examinadas questões que o órgão a quo, embora pudesse ou devesse apreciar, de fato não apreciou. Aqui o problema é tratado em perspectiva vertical. Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727039/201108 Acórdão n.º 2803003.779 S2TE03 Fl. 646 15 Assim, não recorredo a contribuinte especificamente dos termos decididos pela DRJ, não pode este Conselho fazer as vezes de advogado e tratar temas inexistentes no recurso. Razão pela qual não enfrento os demais lançamentos efetuados pela fiscalização e mantidos no acórdão a quo. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer o recurso, para darlhe parcial provimento, afastando a incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre os valores pagos pela recorrente a título de auxílio transporte e para que seja aplicada a multa prevista no artigo 32A, I, da lei 8.212/91, caso seja mais benéfica da norma em favor do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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Numero do processo: 23034.040664/2005-32
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2005
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, por intermédio da Súmula Vinculante n° 8, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra do Código Tributário Nacional.
O lançamento fiscal encontra-se parcialmente decadente.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SALÁRIO-EDUCAÇÃO.
A contribuição do salário-educação previsto no art. 212, parágrafo 5º, da Constituição Federal/88 é devida pelas empresas, calculada sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, aos segurados empregados, de acordo com a Lei 9.424, de 1996.
VALE-TRANSPORTE. DESCONTO INFERIOR AO ESTABELECIDO EM LEI. IRRELEVÂNCIA, POIS PARA O CAMPO DA TRIBUTAÇÃO PREVIDENCIÁRIA TER O EMPREGADOR EFETUADO O DESCONTO ABAIXO DO VALOR LEGAL, NADA SIGNIFICA, UMA VEZ QUE O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM RE SEDIMENTOU O ENTENDIMENTO DE QUE O VALE TRANSPORTE NÃO É BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA, AINDA, QUE PAGO EM PECÚNIA.
PLANO DE SAÚDE QUE INCLUIU OS DEPENDENTES DE FUNCIONÁRIOS. POSSIBILIDADE. A LEI EXIGE QUE A COBERTURA DO PLANO DE SAÚDE ABRANJA A TOTALIDADE DE EMPREGADOS E DIRIGENTES E NADA FALA SOBRE DEPENDENTES. PORÉM, NADA MAIS COMUM, REGULAR E NORMAL QUE TAL PLANO SEJA EXTENSIVO AOS DEPENDENTES, POIS A PROTEÇÃO ÀQUELES É, EM REGRA, MAIS IMPORTANTE E MAIS VISADA DO QUE A DO PRÓPRIO TITULAR DO PLANO.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-004.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Eduardo de Oliveira. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
(Assinado digitalmente)
Eduardo de Oliveira Redator Designado.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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SALÁRIOEDUCAÇÃO Recorrente BUNGE ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, por intermédio da Súmula Vinculante n° 8, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra do Código Tributário Nacional. O lançamento fiscal encontrase parcialmente decadente. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SALÁRIOEDUCAÇÃO. A contribuição do salárioeducação previsto no art. 212, parágrafo 5º, da Constituição Federal/88 é devida pelas empresas, calculada sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, aos segurados empregados, de acordo com a Lei 9.424, de 1996. VALETRANSPORTE. DESCONTO INFERIOR AO ESTABELECIDO EM LEI. IRRELEVÂNCIA, POIS PARA O CAMPO DA TRIBUTAÇÃO PREVIDENCIÁRIA TER O EMPREGADOR EFETUADO O DESCONTO ABAIXO DO VALOR LEGAL, NADA SIGNIFICA, UMA VEZ QUE O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM RE SEDIMENTOU O ENTENDIMENTO DE QUE O VALE TRANSPORTE NÃO É BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA, AINDA, QUE PAGO EM PECÚNIA. PLANO DE SAÚDE QUE INCLUIU OS DEPENDENTES DE FUNCIONÁRIOS. POSSIBILIDADE. A LEI EXIGE QUE A COBERTURA DO PLANO DE SAÚDE ABRANJA A TOTALIDADE DE EMPREGADOS E DIRIGENTES E NADA FALA SOBRE DEPENDENTES. PORÉM, NADA MAIS COMUM, REGULAR E NORMAL QUE TAL PLANO SEJA EXTENSIVO AOS DEPENDENTES, POIS A PROTEÇÃO ÀQUELES É, EM REGRA, MAIS IMPORTANTE E MAIS VISADA DO QUE A DO PRÓPRIO TITULAR DO PLANO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 04 06 64 /2 00 5- 32 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.040664/200532 Acórdão n.º 2803004.081 S2TE03 Fl. 346 2 Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Eduardo de Oliveira. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator (Assinado digitalmente) Eduardo de Oliveira – Redator Designado. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.040664/200532 Acórdão n.º 2803004.081 S2TE03 Fl. 347 3 Relatório DO LANÇAMENTO FISCAL Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD nº 49.901.3271, referente à contribuição social do SalárioEducação para o Fundo Nacional para Desenvolvimento da Educação (FNDE), nas competências 01/1996 a 06/2005. Consta que o lançamento fiscal teve origem na Representação Administrativa feita pela Seção de Fiscalização da Previdência Social (fls. 3 a 77), em que se constatou pagamento de salário utilidade relacionado a ValeTransporte em desacordo com a legislação e Plano de Saúde aos dependentes de empregados, detalhados no documento de representação e seus anexos. DA CIÊNCIA O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando impugnação. A Delegacia de Julgamento, 5ª Turma da DRJ/FNS, deu provimento parcial à impugnação, declarando a decadência do período 01/1996 a 11/2001. O contribuinte foi cientificado da decisão da 5ª Turma da DRJ/FNS, apresentando recurso voluntário, alegando em síntese: Preliminarmente: o lançamento fiscal trata de diferenças apuradas, logo houve recolhimento prévio parcial e deve ser aplicada a regra do art. 150, §4o do CTN; a nulidade da notificação fiscal (NRD) por falta de motivação, ausência de apontamento da legislação infringida e de documentos. A representação administrativa menciona em sua última página a existência de diversos anexos onde deveria estar a documentação usada pelo fisco para a formação de sua convicção, entretanto, tais documentos não foram juntados a NRD enviada para a recorrente, causando dificuldade na defesa; No Mérito: o vale transporte não integra o salário e já que não tem incorporação não tem o dever de recolher as contribuições; todos os funcionários tem direito ao plano saúde que é extensivo aos dependentes. Não se pode atribuir natureza salarial ao benefício gratuito; o salárioeducação tem limite máximo de 20 salários mínimos para a incidência, pois são reguladas pelo § único do art. 4o da Lei 6.950/81; por fim, requer o cancelamento do lançamento fiscal. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.040664/200532 Acórdão n.º 2803004.081 S2TE03 Fl. 348 4 É o relatório. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.040664/200532 Acórdão n.º 2803004.081 S2TE03 Fl. 349 5 Voto Vencido EM PARTE. Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade e será analisado. O contribuinte apresenta os mesmo argumento da impugnação no recurso voluntário que já foram apreciados pela fiscalização e pela decisão recorrida. DECADÊNCIA Consta às folhas 94 dos autos digitalizados, documentos CCORGFIP – Consulta valores a recolher (x) Valores recolhidos (x) LDCG/DCG, registro de recolhimento prévio para todo o período lançamento fiscal. Destarte, deve ser aplicada a regra do art. 150, §4o do CTN. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal em 22/09/2006, fl. 118. O período do lançamento compreende as competências 01/1996 a 30/06/2005. Destarte, estão decadentes as competências lançadas até a competência 08/2001, inclusive, pela regra do art. 150, §4o do CTN. FALTA DE MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA DE LEGISLAÇÃO. Consta da Informação n 649/2006 (fl. 115) que a Representação Administrativa foi emitida pela Delegacia da Receita Previdenciária DRP em Blumenau, em 15/12/2005, às fls. 5 a 77, enviada a esta Autarquia por meio do Oficio n° 100/2005/20.421.2, à fl. 2/4, na qual é relatado débito referente ao SalárioEducação, proveniente de Convênio de Saúde para as competências 01 a 12/1995, 01 a 12/1996, 01 a 12/1997, 01 a 12/1998, 01 a 12/1999, 01 a 12/2000, 01 a 12/2001, 01 a 12/2002, 01 a 12/2003, 01 a 12/2004 e 01 a 06/2005, e ValeTransporte para as competências 01 a 12/1995, 01 a 12/1996, 01 a 12/1997, 01 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.040664/200532 Acórdão n.º 2803004.081 S2TE03 Fl. 350 6 a 12/1998, 01 a 12/1999, 01 a 12/2000, 01 a 12/2001, 01 a 12/2002, 01 a 12/2003, 01 a 12/2004 e 01 a 06/2005. As planilhas com as respectivas bases de cálculo constam dos autos. A Notificação para Recolhimento de Débito – NRD, fls. 116, que o lançamento fiscal, juntamente com os Relatórios e Demonstrativos anexos, decorre de irregularidades verificadas nos recolhimentos referentes ao SalárioEducação, e/ou na aplicação dos recursos do Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental — SME, consoante o disposto na legislação aplicável, conforme a fundamentação legal descrita na NRD. O Quadro de Lançamento de Débitos, fls. 96/102, demonstra o valor da base de cálculo da contribuição social, detalhado por competência, explicitados na Informação n 649/2006, referente a valores de convênio saúde e valetransporte. O contribuinte foi cientificado de todos os atos da fiscalização com oportunidade para contestação. Desse modo, não que se falar em nulidade da notificação fiscal (NRD) por falta de motivação, ausência da legislação infringida e de documentos. Todos os documentos que fizeram parte do lançamento fiscal encontramse nos autos, não havendo cerceamento de defesa ou de contraditório. VALETRANSPORTE. DESCONTO INFERIOR AO ESTABELECIDO EM LEI. A decisão recorrida assevera que vários empregados sofreram descontos em percentual inferior ao previsto na legislação do valetransporte (6%). A participação desses empregados, portanto, não ocorreu da maneira como determina a legislação do valetransporte. Os valores correspondentes a diferença entre o percentual que deveria ter sido descontado dos empregados e o percentual efetivamente descontado dos empregados assumiram caráter remuneratório, porquanto o artigo 28, 9 , f da Lei 8.212/91, assim como o artigo 2 , alínea b , da Lei 7.418/85, excluem da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias apenas o valetransporte pago na forma da legislação própria. A Lei 7.418/85, assim como o Decreto 95.247/87, estabelecem a participação do empregado (beneficiário) no percentual de 6% de seu salário básico/vencimento. Art. 4º A concessão do benefício ora instituído implica a aquisição pelo empregador dos ValesTransporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residência trabalho e viceversa, no serviço de transporte que melhor se adequar. (Artigo renumerado pela Lei 7.619, de 30.9.1987) Parágrafo único O empregador participará dos gastos de deslocamento do trabalhador com a ajuda de custo equivalente à parcela que exceder a 6% (seis por cento) de seu salário básico. Decreto nº 95.247/87 Art. 9º O ValeTransporte será custeado: Fl. 350DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.040664/200532 Acórdão n.º 2803004.081 S2TE03 Fl. 351 7 I – pelo beneficiário, na parcela equivalente a 6% (seis por cento) de seu salário básico ou vencimento, excluídos quaisquer adicionais ou vantagens; II – pelo empregador, no que exceder à parcela referida no item anterior. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ também entende que quando não há o desconto da parcela devida pelo empregado na forma da lei (6%), há incidência da contribuições sociais. PREVIDENCIÁRIO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. VALE TRANSPORTE. AUXÍLIOCRECHE. 1. O valetransporte, quando descontado no percentual estabelecido em lei do empregado, não integra o saláriode contribuição para fins de pagamento da previdência social. 2. Situação diversa ocorre quando a empresa não efetua tal desconto, pelo que passa a ser devida a contribuição para a previdência social, porque tal valor passou a integrar a remuneração do trabalhador. [...]4. Recurso do INSS provido. (STJ, REsp 194229/RS, Primeira Turma, Relator José Delgado, DJ 05/04/1999, p. 90) EMEN: PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. SALÁRIO DECONTRIBUIÇÃO. TRANSPORTE GRATUITO OFERECIDO PELA EMPRESA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. (...). 2. Entendimento deste Tribunal de que constitui salário in natura o transporte gratuito oferecido aos trabalhadores quando o empregador não realiza o desconto de 6% (seis por cento) previsto na Lei n. 7.418/85, para o custeio do valetransporte. 3. Precedentes: REsp 586908/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 09/04/2007; AgRg no REsp 597899/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 02/05/2006; REsp 443820/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 04/10/2004; REsp 447100/RS, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ de 02/08/2006. 4. Recurso especial provido. ..EMEN: (RESP 200700377244RESP RECURSO ESPECIAL – 927996 – 1ª Turma – STJ Rel. José Delgado – DJ 29.06.2007 – pg. 00522.. DTPB) Desse modo, pode concluir que está correto o lançamento das contribuições sociais relativas a diferença entre o percentual que deveria ter sido descontado dos empregados (6%) e o percentual efetivamente descontado dos empregados, a título de valetransporte, em razão da falta de previsão legal para não incidência. CONVÊNIO SAÚDE A DEPENDENTES DE FUNCIONÁRIOS Fl. 351DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.040664/200532 Acórdão n.º 2803004.081 S2TE03 Fl. 352 8 Não há previsão legal para excluir do lançamento fiscal as contribuições sociais devidas em decorrência de pagamento de plano de saúde a dependentes. O art. 28, inciso I, e 9 , alínea “q” estabelece a exclusão da base do salário de contribuição somente o valor relativo à assistência prestada por serviço médico, próprio ou conveniado, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Como se pode notar, a legislação não faz referência aos dependentes dos empregados. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. SEM LIMITE. Não há limite para as contribuições patronais devidas à Seguridade Social e a Outras Entidades (Terceiros) nos termos do art. 28, inciso I da Lei 8.212/91, que deve ser sobre o total da remuneração auferida pelo empregado durante mês e sem limite. O limite é apenas para a contribuição do segurado empregado, o que não é o caso do lançamento fiscal em debate. O lançamento fiscal encontrase fundamentado no art. 212, § 5º, da Constituição Federal, regulamentado pelas Leis nº 9.424/96 e nº 9.766/98, bem como pelo Decreto n° 3.142/99,demais dispositivos constantes dos autos. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência das competências lançadas até a competência 08/2001, inclusive, pela regra do art. 150, §4o do CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Voto Vencedor EM PARTE. Conselheiro Eduardo de Oliveira. Peço vênias ao I. Conselheiro Relator, mas divirjo de sua opinião, em relação ao vale transporte a ao plano de saúde extensivo aos dependentes. No que tange ao vale transporte não cabe mais discussão sobre o assunto uma vez que o Supremo Tribunal Federal – STF no RE cuja a ementa abaixo transcrevo pacificou a questão dizendo que tal rubrica não é base de cálculo da contribuição social previdenciária, no que foi acompanhado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.040664/200532 Acórdão n.º 2803004.081 S2TE03 Fl. 353 9 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.040664/200532 Acórdão n.º 2803004.081 S2TE03 Fl. 354 10 EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de vales transporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. (RE 478410, Relator(a): Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 10/03/2010, DJe086 DIVULG 13052010 PUBLIC 14052010 EMENT VOL0240104 PP00822 RDECTRAB v. 17, n. 192, 2010, p. 145166) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALETRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃOINCIDÊNCIA. PRECEDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. REVISÃO. NECESSIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2003, em caso análogo (RE Fl. 354DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.040664/200532 Acórdão n.º 2803004.081 S2TE03 Fl. 355 11 assentada de 10.03.2003, em caso análogo (RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória. Informativo 578 do Supremo Tribunal Federal. 2. Assim, deve ser revista a orientação pacífica desta Corte que reconhecia a incidência da contribuição previdenciária na hipótese quando o benefício é pago em pecúnia, já que o art. 5º do Decreto 95.247/87 expressamente proibira o empregador de efetuar o pagamento em dinheiro. 3. Recurso especial provido. (RESP 200901216375, CASTRO MEIRA, STJ SEGUNDA TURMA, 26/08/2010) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. AUXÍLIOCRECHE. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AUXÍLIOTRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃOINCIDÊNCIA. ENTENDIMENTO DO STF. REALINHAMENTO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. O acórdão de origem consignou que a parte não comprovou os gastos com o auxíliocreche nem a idade dos beneficiários. Rever tal entendimento demanda reexame da matéria fáticoprobatória, vedado em Recurso Especial (Súmula 7/STJ). 3. Em razão do pronunciamento do Plenário do STF, declarando a inconstitucionalidade da incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas referentes a auxílio transporte, mesmo que pagas em pecúnia, fazse necessária a revisão da jurisprudência do STJ para alinharse à posição do Pretório Excelso. 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, em parte, provido. (RESP 201000889094, HERMAN BENJAMIN, STJ SEGUNDA TURMA, 14/09/2010) (os grifos são meus). Assim, a exigência de contribuição social previdenciária sobre vale – transporte deve ser afastada. O lançamento tributário sobre a verba plano de saúde não alcança melhor sorte, ainda, que os motivos sejas outros. O artigo, 28, §9º, alínea “q” para reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre os valores relativos à assistência médica e odontológica apenas exige que a cobertura de tal benefício abranja a totalidade de empregados e dirigentes e não fala sobre dependentes. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.040664/200532 Acórdão n.º 2803004.081 S2TE03 Fl. 356 12 Ora se o plano de assistência médica e odontológica é extensível a todos os trabalhadores e dirigentes, veja o que abaixo transcrito, do plano de saúde código IOP00RH029, fls. 31, dos autos, não há porque considerálo como hipótese de incidência, pela simples possibilidade de se proteger os dependentes dos trabalhadores, pois ausente de dúvidas de que tais trabalhadores prefeririam proteger a seus dependentes em primeiro lugar do que a si mesmos. 2.3 INCLUSÃO DE USUÁRIOS No caso de contratação de um novo colaborador, a adesão do mesmo e de seus dependentes será automática, dentro da rotina de inclusão de novos usuários através do Sistema Folha de Pagamento(vide Manual Sistema Antares — Bunge Saída), respeitandose os prazos aqui previstos, observando a data de inicio do beneficio, e a ativação do mesmo no cadastro do colaborador. A lei de custeio da seguridade social ao prever a não incidência da exação sobre assistência médica e odontológica é silente quantos aos dependentes, exigindo apenas que tal benefício abranja a totalidade de empregados e dirigentes e isso está demonstrado nos autos. Aliás, o trecho do Acórdão da DRJ a seguir transcrito não deixa dúvidas quanto a isso, observese. Da leitura do dispositivo legal transcrito, depreendese que a citada isenção alcança apenas gastos com a assistência médica e odontológica dos empregados e dirigentes da empresa, não sendo extensível às despesas com saúde arcadas pela empresa referentes aos dependentes destes (empregados e dirigentes). À luz da previsão legal acima, portanto, observase que os valores despendidos pela empresa com planos de saúde relativos a dependentes de seus funcionários, por se constituírem em ganhos habituais fornecidos sob a forma de utilidades para retribuir o trabalho, e não estarem abrangidos pela isenção prevista na alínea “q”, do § 9º, do artigo 28 da Lei nº 8.212/91, devem integrar o salário de contribuição. Assim sendo, o fato de a assistência médica e odontológica ser extensível aos dependentes, não desnatura o fato de que tal benefício não é hipótese de incidência da contribuição, pois a exigência legal não é essa, mas é apenas a abrangência de tal benefício a totalidade de empregados e dirigentes e isso como dito alhures está demonstrado nos autos. Não fosse isso suficiente para excluir a exação, também, está claro nos autos que tal benefício é promovido por meio de cooperativas de assistência médica, conforme trecho do plano transcrito abaixo. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.040664/200532 Acórdão n.º 2803004.081 S2TE03 Fl. 357 13 2.1 OPERADORA DO PLANO DE SAÚDE Fica definido como Operadora do BUNGE SAÚDE Plano de Saúde a FEDERAÇÃO DAS UNIMEDS DE SANTA CATARINA, que prestará os serviços necessários através das Unimeds localizadas nas cidades sedes das Regionais. (destaquei) A transcrição da passagem acima deixa claro que tal benefício é operacionalizado pela UNIMED, ou seja, por cooperativa de plano de saúde. Desta forma, na esteira de diversos precedentes desta turma, exarados desde janeiro/2014, inclusive, de minha lavra está assentado que tal rubrica não é base de cálculo da contribuição social previdenciária, transcrevo abaixo minha posição pessoal sobre o tema e que lanço em meus votos sobre a matéria. A exação em tela vinha sendo objeto de muitas discussões no âmbito do contencioso administrativo e até pouco tempo atrás me posicionava ao lado de sua validade. Todavia, após novas reflexões e análise de vários elementos passei a adotar novo entendimento, o qual discorro e explicito a seguir. Realmente, de um olhar mais aguçado verifico que a questão em tela não se subsume ao que consta do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, observese os esclarecimentos. O citado texto legal diz que “...relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados...”, e, como bem disse a recorrente os serviços não são prestados a ela recorrente, mas sim aos seus trabalhadores. A diferença pode ser sutil, mas implica em uma significativa mudança de direção. Um exemplo, talvez, possa por luz sobre a matéria. Imaginese uma cooperativa de trabalho típica – como a de carregadores e descarregadores de carga, em uma empresa transportadora. Ora a transportadora vai contratar e a cooperativa colocará nas dependências desta ou de terceiros indicados por aquela, os cooperados que realizarão os serviços. Ou seja, uma pessoa jurídica contrata uma cooperativa e recebe serviços dos cooperados por intermédio da cooperativa, serviços esses que trarão à contratante desempenho e desenvolvimento de suas atividade operacionais, com a consequente Fl. 357DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.040664/200532 Acórdão n.º 2803004.081 S2TE03 Fl. 358 14 geração de riqueza, hipótese da Lei 8.212/91, artigo 22. IV. No caso dos autos a empresa contrata a cooperativa que disponibilizará os cooperados que prestarão os serviços, nos seus consultórios próprios ou nas dependências de hospitais e clínicas conveniadas e os serviços serão prestados aos trabalhadores pessoas físicas e não a empresa contratante, que não terá nenhum benefício direito decorrente da prestação dos serviços pelos cooperados e muito menos produção de riqueza. Além disso, ainda, se pode indagar, por que a contratação de uma cooperativa ensejaria a contribuição do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 e a contratação de uma empresa comercial de assistência a saúde não ensejaria esta contribuição, mas apenas as contribuições convencionais. E por que a empresa que fornece assistência à saúde a seus empregados por intermédio de cooperativa não pode beneficiarse da isenção do artigo 28, § 9º, alínea “q”, sendo que a que contrata empresa comercial de assistência à saúde faria jus a esta isenção. Destarte, penso que se tem duas possibilidades que excluem a exação ou a situação não se amolda ao artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, pois o serviço não é prestado a favor da empresa contratante, mas sim dos empregados ou a empresa que presta assistência à saúde a seus trabalhadores dentro das determinações legais independentemente do tipo de prestador contratado faz jus a isenção do artigo 28, § 9º, alínea “q”, como citado. Qualquer que seja a tese que se abrace a exação tornase indevida, isto é, deixa de ter suporte e substrato a sua exigência. Inclusive, hoje, o Supremo Tribunal Federal – STF já considerou tal exação sobre cooperativas indevida, veja a transcrição RE 595.838/SP, Min. Relator Dias Toffoli. Diante do exposto, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Com esses esclarecimentos a rubrica plano de saúde, também, deve ser excluída do lançamento. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.040664/200532 Acórdão n.º 2803004.081 S2TE03 Fl. 359 15 Com esses esclarecimentos a rubrica plano de saúde, também, deve ser excluída do lançamento. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso para no mérito darlhe provimento parcial em maior extensão que a concedida pela relator originário e, também, excluir do lançamento a rubrica vale – transporte e plano de saúde, além, da decadência das competências lançadas até a partir da competência 08/2001, inclusive, pela regra do art. 150, §4o do CTN, que fora reconhecida pela relator original. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10680.012151/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.
O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, sendo certo que a compensação não pode ser admitida calcada apenas em prova indiciária da ocorrência da retenção do imposto de renda, sem que seja demonstrado a efetividade da retenção e do seu quantum.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-003.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar suscitada de oficio pelo Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, para retorno dos autos à origem para cumprimento integral da resolução nº 2102-000.182. Vencido o proponente. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Alice Grecchi, que dava provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Núbia Matos Moura Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, sendo certo que a compensação não pode ser admitida calcada apenas em prova indiciária da ocorrência da retenção do imposto de renda, sem que seja demonstrado a efetividade da retenção e do seu quantum. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar suscitada de oficio pelo Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, para retorno dos autos à origem para cumprimento integral da resolução nº 2102000.182. Vencido o proponente. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Alice Grecchi, que dava provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 21 51 /2 00 8- 18 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Núbia Matos Moura – Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até a Conversão do Julgamento em Diligência por esta turma, em sessão realizada em 18 de março de 2014, adoto de forma livre o relatório da Resolução nº 2102.000.182, da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção deste E. Conselho, no qual esta Conselheira fora relatora (fls. 51/54): Tratase de Notificação de Lançamento nº 2004/606450897404098, lavrada em 18/08/2008 (fls. 15/18), contra a contribuinte acima qualificada, relativa ao Exercício 2004, que exige crédito tributário no valor de R$ 1.864,60, acrescida multa de ofício e juros de mora, calculados até 18/08/2008. Consta de “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fl. 16), que foi glosado o valor de R$ 3.026,81 indevidamente compensado a titulo de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, correspondente a diferença entre o valor declarado e o total de IRRF informado pela fonte pagadora (Fundação Ezequiel Dias – CNPJ nº 17.503.475/000101) na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRRF da Contribuinte. Cientificada da exigência tributária na data de 27/08/2008 (fl. 25), e, inconformada com o lançamento lavrado pelo Fisco, a autuada apresentou impugnação, datada de 08/09/2008 (fls. 01/02), acompanhada dos documentos de fls. 03 e seguintes. Inicialmente alegou que deixou de atender à intimação porque havia se mudado, conforme endereço que consignou na DIRPF/2008. Aduziu que o IRRF glosado corresponde a valor atinente ao anocalendário subsequente (2004), conforme se observa no recibo firmado por advogado que patrocinou ação trabalhista com trâmite na 3ª Vara do Trabalho de Juiz de Fora, tendo, como reclamada, a Fundação Ezequiel Dias. Portanto, os rendimentos tributáveis alusivos à citada demanda trabalhista, de R$ 9.040,19, devem ser excluídos de sua DIRPF/2004. A Turma de primeira instância, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme excertos do voto transcritos abaixo: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.012151/200818 Acórdão n.º 2102003.238 S2C1T2 Fl. 80 3 “[...] Destacamse dentre os elementos que acompanharam a impugnação o recibo de fl. 9, firmado pelo advogado Abdalla Daniel Curi, com data de 14/04/2004, e a ata de audiência relativa à ação trabalhista, realizada em 12/08/2003. Esses citados documentos não amparam o pleito passivo, uma vez que o recibo a titulo de honorários não expressa quando nem quanto o advogado recebeu, em nome da contribuinte, em razão do processo trabalhista. O fato de acusar o recebimento de honorários apenas em abril de 2004 não significa que os rendimentos foram pagos, repisese, ao representante da interessada somente no mencionado anocalendário; sobretudo, por se inferir que a determinação expressa na ata de fls. 10/11, para a expedição de alvará, acarretaria providências imediatas para pagamento dos rendimentos ali tratados. Ademais, a interessada não trouxe um documento sequer que indicasse quais as parcelas que lhe seriam efetivamente afetas em decorrência daquela ação trabalhista, nem quando foram disponibilizadas; mesmo que isso se realizasse por crédito em conta mantida por seu advogado. Em assim sendo, tais omissões não possibilitam atrelar os rendimentos tributáveis declarados como recebidos da FUNED, na monta de R$ 9.040,19, como oriundos da ação trabalhista em comento nem que o pagamento ocorrera apenas no anocalendário de 2004. [...]”A contribuinte foi cientificada do Acórdão n° 0934.230 da 4ª Turma da DRJ/JFA em 27/04/2011. Sobreveio Recurso Voluntário, datado de 09/05/2011 (fls. 40/42), desacompanhado de documentos. Em síntese, a Recorrente arguiu que: “Está comprovado nos autos que correu perante à 3ª Vara do Trabalho de Juiz de Fora uma ação trabalhista e está comprovado, documentos inclusos que existiu a retenção do imposto. A recorrente ao elaborar sua declaração do IRPF fez incluir na mesma o rendimento e o imposto retido sendo certo que a Repartição glosou o imposto, mantendo o rendimento. A Fundação Ezequiel Dias não apresentou a DIRF. Certo é que somente no exercício seguinte, conforme recibo do advogado é que houve o repasse do numerário para a recorrente. O contribuinte NÃO TEM COMO FISCALIZAR OU FAZER A FONTE PAGADORA CUMPRIR COM SUA OBRIGAÇÃO, ônus este que está sendo transferido para a recorrente. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Tendo oferecido o rendimento à tributação e se não existiu a informação do pagamento direito é do contribuinte, já que houve a glosa do imposto a mesma autoridade lançadora na revisão RETIRAR O VALOR DE R$ 9.040,19, pois mantém o rendimento e não admite o abatimento do imposto o que não se coaduna com os princípios que norteiam a justiça tributária. A recorrente não tem como fazer a Fundação Ezequiel Dias apresentar a DIRF, sequer o poder de fiscalizar e o fisco a quem compete tal mister simplesmente o abandona e autua o contribuinte por no existir a informação que deveria ser prestada por terceiro e ainda mantém a tributação do rendimento. Desta forma deve ser dado provimento ao recurso para determinar a exclusão do rendimento de R$ 9.040,19 da fonte pagadora Fundação Ezequiel Dias ou ainda determinar seja o processo baixado em diligência para o fisco comprovar a legalidade do abatimento do imposto de renda retido tudo por questão de JUSTIÇA.” Em sessão realizada em 18 de março de 2014, o presente julgamento foi convertido em diligência, Resolução nº 2102000.182, conforme excertos do voto proferido por esta relatora na ocasião: “[...] A controvérsia versa sobre a compensação indevida do imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 3.026,81, no anocalendário 2003, porquanto se verificou a inexistência de DIRF apresentada pela fonte pagadora Fundação Ezequiel Dias – FUNED. Consta da Ata de Audiência, em fl. 10, que a ação judicial possui vários reclamantes e que a reclamada pagará “Imposto de Renda na Fonte, no valor de R$26.091,68 (observância do Art. 157, Inciso I da Constituição Federal). O(s) reclamante(s) saiu(ram) ciente(s) de que deverá(ão) utilizar cópia desta ata e do cálculo anexo para a declaração anual de ajuste do imposto de renda, se for o caso.” Compulsando os autos, verificase que não foram acostados os cálculos referidos na Ata, os quais são necessários para se apurar o valor individual pago à cada reclamante e o respectivo Imposto Retido na Fonte, tendo em vista a Ata ainda refere que “As partes acordaram na forma do Cálculo anexo”, o qual repiso, não foi acostado aos autos, e que a “A Reclamada pagará aos Reclamantes a quantia líquida de R$90.571,18, devendo a Secretaria expedir alvará para pagamento, nos termos da Portaria 001/2002 deste Juízo, para credito no Banco do Brasil, ag. 29955, Conta nº. 309.3123, sendo seu CPF o de nº. 884.217.67087.” Com efeito, para o devido deslinde do feito, fazse necessário que sejam acostados aos autos, os cálculos anexos à Ata de Audiência do processo trabalhista que tramitou perante à 3ª Vara do Trabalho de Juiz de Fora, a fim de verificarse corretamente o mérito acerca da Compensação Indevida do valor de R$ 3.026,81 à título de Imposto de Renda Retido na Fl. 82DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.012151/200818 Acórdão n.º 2102003.238 S2C1T2 Fl. 81 5 Fonte, correspondente à diferença entre o valor declarado e o total de IRRF informado pela Fonte Pagadora (FUNDACAO EZEQUIEL DIAS). Neste sentido, proponho a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a repartição de origem intime o advogado Abdalla Daniel Curi, OAB/MG 42.300, para que junte os cálculos anexos à Ata de Audiência do processo nº 575/92, que tramitou perante à 3ª Vara do Trabalho de Juiz de Fora, onde a contribuinte figurou como reclamante, e, caso o advogado não atenda a intimação, para que a própria repartição de origem busque os cálculos no referido processo judicial e acoste ao presente feito.” A contribuinte foi cientificada da Resolução através de Edital de Ciência Eletrônica, publicado em 12/08/2014 (fl. 73). O Advogado da contribuinte, em cumprimento à diligência foi intimado através de carta AR em 18/08/2014 (fl. 74), no entanto, deixou de atender a referida diligência. Conforme despacho de encaminhamento de fl. 76, os presentes autos foram encaminhados ao setor responsável pelos cálculos solicitados à folha 54 deste, e diante da impossibilidade de serem atendidos, retornaramse os autos a este relatora para julgamento dos mesmos. É o relatório. Passo a decidir. Voto Vencido Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Tramitou perante à 3ª Vara do Trabalho de Juiz de Fora uma ação trabalhista, em que a Contribuinte figurou como Reclamante naquele processo. Consta da Ata de Audiência, em fl. 10, que a ação judicial possui vários reclamantes e que a reclamada pagará “Imposto de Renda na Fonte, no valor de R$26.091,68 (observância do Art. 157, Inciso I da Constituição Federal). O(s) reclamante(s) saiu(ram) ciente(s) de que deverá(ão) utilizar cópia desta ata e do cálculo anexo para a declaração anual de ajuste do imposto de renda, se for o caso”. Embora esta julgadora tenha entendido à época que seria essencial acostar os cálculos referidos na Ata a fim de apurarse o valor individual pago à cada reclamante, especialmente no que tange ao IRRF no valor de R$ 3.026,81, considerando que a diligência não foi atendida pela Repartição de Origem e nem pelo advogado que representou a contribuinte na Ação Trabalhista, passa a julgar o presente recurso com base nos documentos constantes dos autos. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Com efeito, extraíse da ata da justiça do trabalho (fl. 10), que houve a retenção do IRF no valor de R$ 26.091,68, e aos reclamantes foi pago somente o valor líquido. Logo, há verossimilhança nos valores declarados pela contribuinte referentes ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF pela reclamada em relação à reclamante, ora recorrente, no valor de R$ 3.026,81. O fisco concordou que o valor pago à recorrente pela empresa reclamada, foi de R$ 9.040,19, tendo em vista que glosou apenas o IRF de R$ 3.026,81, com fundamento exclusivo de que faltou a DIRF da empresa. Portanto, assiste razão à recorrente quando afirma: [...] dúvidas não existem de que todo o emaranhado decorre de não ter a Fundação Ezequiel Dias apresentado a DIRF o que é sua obrigação. Vale ressaltar que o contribuinte NÃO TEM COMO FISCALIZAR OU FAZER A FONTE PAGADORA CUMPRIR COM SUA OBRIGAÇÃO, ônus este que está sendo transferido para a recorrente. In casu, temse que a recorrente não tem como fazer a Fundação Ezequiel Dias apresentar a DIRF, sequer o poder de fiscalizar e o fisco a quem compete tal mister simplesmente o abandona e autua o contribuinte por não existir a informação que deveria ser prestada por terceiro e ainda mantém a tributação do rendimento. A jurisprudência deste E. Conselho é uniforme no sentido de que comprovada a retenção, a obrigação pelo recolhimento passa a ser da pessoa jurídica que reteve o imposto, não podendo ser exigido duplamente o imposto do contribuinte de fato. “Acórdão nº 2202002.479 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de outubro de 2013 Matéria IRFonte Recorrentes Banco Itau S/A Fazenda Nacional IRRF. COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO. Não há que se manter o lançamento por falta de recolhimento de tributo quando apresentada a prova da sua efetiva quitação.” “ Acórdão nº 2802003.001 – 2ª Turma Especial Sessão de 12 de agosto de 2014 Matéria IRPF Recorrente MARIA DA CONCEIÇÃO CORREIA CASSIANO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.012151/200818 Acórdão n.º 2102003.238 S2C1T2 Fl. 82 7 COMPENSAÇÃO DE IRRF. COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES E RECOLHIMENTOS. Apresentada documentação comprobatória tanto da retenção quanto do recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte que motivou a autuação por compensação indevida, resta essa glosa insubsistente.” “Acórdão nº 2201002.436 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de julho de 2014 Matéria IRPF Recorrente APARECIDO DOMINGUES DOS SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 Ementa: IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. DIRF. ERRO COMETIDO PELA FON TE PAGADORA. Comprovado que a causa do lançamento foi em razão de erro cometido pela fonte pagadora no preenchimento da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), devese exonerar o contribuinte da exigência fiscal.” “Acórdão nº 2102002.542 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de abril de 2013 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Recorrente ARY COUTINHO JUNIOR Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IRPF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. EFETIVA RETENÇÃO, MAS AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DA FONTE PAGADORA. Tendo restado devidamente comprovada a retenção na fonte do imposto de renda devido sobre honorários advocatícios percebidos em processo judicial trabalhista, mas não efetuado o recolhimento pela fonte pagadora não subsiste a glosa da compensação efetuada pelo contribuinte, eis que o recolhimento do imposto retido é de responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, que deve arcar com os juros de mora e Fl. 85DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 multa oficio subjacentes. Inteligência do art. 128 do CTN e Parecer Normativo COSIT nº 01/2002.” Assim, comprovada a retenção do imposto de renda através da ata de audiência da ação trabalhista, que informa os valores pagos aos reclamantes e a respectiva retenção do imposto, é der ser provido o presente recurso e cancelada glosa do IRRF. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora Voto Vencedor Conselheira Núbia Matos Moura, redatoradesignada Com a devida vênia, discordo da ilustre Conselheira relatora quando afirma que restou demonstrado nos autos que houve a retenção do imposto de renda. Na verdade, a Ata de Audiência, fls. 10, traz indícios de que a retenção na fonte pode ter ocorrido, mas não é prova inconteste da ocorrência de retenção de imposto de renda na fonte, no valor de R$ 3.026,81. Tanto é assim, que esta Turma, na sessão plenária realizada em 18/03/2014, acreditando que a retenção de fato tivesse ocorrido, converteu o julgamento em diligência, com a finalidade de ver produzidas provas no sentido de que fosse demonstrada a efetividade da retenção e do seu quantum. Tal diligência seria desnecessária caso já estivesse demonstrada nos autos a retenção do imposto de renda na fonte, no valor pleiteado pela contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 2004. Assim, devese concluir que o Ata de Audiência, fls. 10, não pode ser tomada como comprovação da retenção de imposto de renda na fonte, no valor de R$ 3.026,81. Nesse sentido, para o deslinde da questão devese observar o disposto no parágrafo 2º do art. 87 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), a seguir reproduzido: Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): (...) § 2º O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7º, §§ 1º e 2º, e 8º, § 1º (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55). O dispositivo acima transcrito é categórico ao afirmar que o imposto de renda retido na fonte somente poderá ser deduzido na DAA se o contribuinte possuir comprovante de Fl. 86DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.012151/200818 Acórdão n.º 2102003.238 S2C1T2 Fl. 83 9 retenção emitido pela fonte pagadora. Ou seja, a compensação do imposto de renda retido na fonte somente pode ser admitida caso reste demonstrada a sua ocorrência, de forma inequívoca, sendo certo que o ônus de tal demonstração é do contribuinte. No presente caso, a contribuinte pleiteou a compensação do imposto e intimada a comprovar a retenção deixou de fazêlo, seja durante o procedimento fiscal, seja nas fases de impugnação e recursal ou mesmo quando lhe foi novamente oportunizado fazêlo, quando dos procedimentos de diligência determinada por esta Turma. Assim, na falta da comprovação da retenção do imposto de renda retido na fonte, devese manter a infração de compensação indevida, nos termos em que consubstanciado no lançamento. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Núbia Matos Moura – redatoradesignada Fl. 87DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 11516.721695/2011-34
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2008, 2009
REAQUISIÇÃO DA ESPONTANEIDADE. APLICAÇÃO RETROATIVA.
A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplica-se retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. (Súmula CARF nº 75)
REAQUISIÇÃO DA ESPONTANEIDADE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INCONFUNDIBILIDADE.
Não se confunde a figura da reaquisição da espontaneidade, de que trata o art. 7º, §§ 1º e 2º, do Decreto nº 70.235, de 1972 - que exclui apenas a multa de ofício -, com o instituto da denúncia espontânea, a que se refere o art. 138 do Código Tributário Nacional - CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) - que, além da multa de ofício, exclui também a multa de mora, segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), proferido na Sistemática de Recursos Repetitivos.
Numero da decisão: 1803-002.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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APLICAÇÃO RETROATIVA. A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. (Súmula CARF nº 75) REAQUISIÇÃO DA ESPONTANEIDADE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INCONFUNDIBILIDADE. Não se confunde a figura da reaquisição da espontaneidade, de que trata o art. 7º, §§ 1º e 2º, do Decreto nº 70.235, de 1972 que exclui apenas a multa de ofício , com o instituto da denúncia espontânea, a que se refere o art. 138 do Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) que, além da multa de ofício, exclui também a multa de mora, segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), proferido na Sistemática de Recursos Repetitivos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 16 95 /2 01 1- 34 Fl. 606DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Acórdão n.º 1803002.556 S1TE03 Fl. 607 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler e Arthur José André Neto. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Acórdão n.º 1803002.556 S1TE03 Fl. 608 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 477 a 491): I) Dos autos de infração Trata o presente processo de autos de infração lavrados pela DRF/Joaçaba SC, amparados nos fatos descritos em Termo de Verificação Fiscal, consubstanciando lançamentos de exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 103/116), no valor de R$ 47.876,33, da Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 117/127), no valor de R$ 7.736,54, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fls. 128/138), no valor de R$ 35.707,36, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 139/151), no valor de R$ 34.279,09, referentes aos anoscalendário 2006, 2007 e 2008, com o acréscimo da multa qualificada de 150% e dos juros moratórios. 2. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela interessada, optante pela forma de tributação com base no Lucro Presumido Trimestral (IRPJ e CSLL) nos anoscalendário fiscalizados, foi apurada a seguinte irregularidade, ensejando a lavratura dos autos de infração de IRPJ e da tributação reflexa do PIS, COFINS e CSLL: . Omissão de receitas oriundas da prestação de serviços – Lucro Arbitrado, devido à não apresentação de livros e documentos. Fato Gerador, Base Tributável e Demonstrativo de Apuração: IRPJ – fls.103/116; PIS – fls.117/127; COFINS – fls.128/138; CSLL – fls.139/151 Enquadramento legal: IRPJ – arts. 530, inciso III, 532 e 537, do RIR/1999; PIS – arts. 1º e 3º da Lei Complementar nº 7/1970; art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249/1995; arts. 2º, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91, do Decreto nº 4.524/2002; COFINS – arts. 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91, do Decreto nº 4.524/2002; CSLL – art. 37 da Lei nº 10.637/2002; art. 22 da Lei nº 10.684/2003; e art. 3º da Lei nº 7.689/1988, com as alterações do art. 17 da Lei nº 11.727/2008; Multa de Ofício (150%) – art. 44, inciso I e § 1º, e inciso II, da Lei nº 9.430/1996 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007; Juros de Mora – art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996. II) Do Termo de Verificação Fiscal Fl. 608DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Acórdão n.º 1803002.556 S1TE03 Fl. 609 4 3. As irregularidades apontadas nos autos de infração, descritas no Termo de Verificação de fls. 96/101, são, em síntese, as seguintes: 3.1. em 31/05/2010, foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 09.2.01.002010005357, determinando a abertura de fiscalização no contribuinte CARLOS RODRIGUES BARZAN, principal sócio da empresa BARZAN ADVOGADOS, CNPJ nº 05.529.396/000182, para exame do Imposto de Renda Pessoa Física de sua responsabilidade, no período de 01/01/2006 a 31/12/2008; 3.2. em suas Declarações de Ajuste Anual, dos anoscalendário 2006, 2007 e 2008, o Sr. CARLOS RODRIGUES BARZAN informou ter recebido Lucros e Dividendos da BARZAN ADVOGADOS, nos valores de R$ 101.075,50 (em 2006), R$ 199.880,18 (em 2007) e R$ 265.950,06 (em 2008); 3.3. posteriormente, em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização Intimação nº 281/2010 (fls. 41/44) e aos Termos de Intimação Fiscal nº 458/2010 (fls. 45/48) e nº 596/2010 (fls. 49/50), o Sr. CARLOS RODRIGUES BARZAN informou (fls. 52), que esses lucros, na verdade, foram de R$ 137.946,65 (em 2006), R$ 191.466,50 (em 2007) e R$ 494.500,00 (em 2008); 3.4. no sentido de verificar a veracidade dos fatos e dirimir as divergências verificadas quanto aos valores dos lucros distribuídos, foi emitido, em 08/06/2011, o MPF nº 09.2.01.002011008228, para permitir a coleta de informações junto à sociedade BARZAN ADVOGADOS; 3.5. para tanto, em 14/06/2011 foi solicitado à sociedade, através do Termo de Intimação Fiscal nº 301/2011 (fls. 53), a apresentação de seus talões de Notas Fiscais, assim como os Livros Fiscais, relativos aos anoscalendário 2006, 2007 e 2008; 3.6. no mesmo dia, a empresa apresentou os talões de notas fiscais e informou que: “... a empresa BARZAN ADVOGADOS CNPJ 05.529.396/000182 não possui Livros fiscais e que a empresa, neste período, adotará o arbitramento.” (fls. 54); 3.7. da consulta realizada nos cadastros da Receita Federal fica demonstrado que a empresa havia apresentado as DIPJ relativas aos anoscalendário 2006, 2007 e 2008 sem qualquer receita, ou seja, declarações “zeradas”; 3.8. ademais, a empresa apresentou as DCTF “zeradas” para o ano calendário 2006 (1º e 2º semestres) e para o 1º semestre/2007, ao passo que as DCTF relativas ao 2º semestre/2007 e ao anocalendário 2008 somente foram apresentadas após o início da ação fiscal; 3.9. apesar de apresentar declarações “zeradas”, a empresa emitiu notas fiscais (fls. 55/93), evidenciando o recebimento de receitas que deveriam ter sido tributadas; 3.10. assim, em 17/06/2011, foi emitido o MPF nº 09.2.01.002011008333, com vistas à abertura de fiscalização na empresa BARZAN ADVOGADOS, CNPJ nº 05.529.396/000182, para exame do Imposto de Renda Pessoa Jurídica de sua responsabilidade, no período de 01/01/2006 a 31/12/2008; 3.11. efetivamente, a inexistência de Livros Contábeis e Fiscais conduz à apuração dos tributos com base no Lucro Arbitrado; Fl. 609DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Acórdão n.º 1803002.556 S1TE03 Fl. 610 5 3.12. tendo em vista que, na diligência realizada na empresa, foram apreendidos os talões de notas fiscais, os quais contêm as notas emitidas em 2006, 2007 e 2008, o lucro foi arbitrado com base nos valores dessas notas fiscais; 3.13. a empresa retificou, em 12/07/2011, as DIPJ apresentadas anteriormente, conforme extrato em anexo (fls. 39), incluindo receitas auferidas no curso dos anoscalendário 2006, 2007 e 2008, entretanto, a DIPJ não constitui crédito tributário, motivo pelo qual foi lavrado o auto de infração correspondente para constituílo; 3.14. além disso, as mencionadas declarações retificadoras foram apresentadas após a diligência realizada na empresa, em 14/06/2011, e após o início da ação fiscal no contribuinte CARLOS RODRIGUES BARZAN, seu principal sócio (Termo de Início de Fiscalização Intimação nº 281/2010, fls. 41/43; e AR, fls. 44), ficando excluída, portanto, sua espontaneidade, conforme disposto no art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/1972; 3.15. cabe lembrar também, que as DCTF apresentadas pela empresa não alteram o quadro descrito acima, tendo em vista que parte delas foram apresentadas “zeradas” (as do ano de 2006 e a do 1º semestre de 2007) e a outra parte, após a diligência realizada na empresa, em 14/06/2011, e posteriormente ao início da ação fiscal no sócio CARLOS RODRIGUES BARZAN (a do 2º semestre de 2007 e as do ano de 2008); 3.16. diante da inexistência dos Livros Fiscais e Contábeis, foi apurado o Lucro Arbitrado sobre as receitas de prestação de serviços (percentual de 38,4%) com base nas Notas Fiscais emitidas pela empresa nos anos de 2006, 2007 e 2008, conforme disposto nos arts. 530, inciso III, 532 e 537, do RIR/1999; 3.17. em decorrência, foram constituídos autos de infração para exigência dos créditos tributários relativos ao IRPJ, PIS, COFINS e CSLL; 3.18. as notas fiscais emitidas pela empresa nos anos calendário 2006, 2007 e 2008, são as seguintes: [...]. 3.19. nos quadros abaixo estão consolidados, mensalmente, os valores das notas fiscais emitidas: [...]. 3.20. os fatos acima descritos, especialmente o relativo à apresentação de declarações com receitas “zeradas”, quando haviam sido emitidas notas fiscais em montantes significativos, caracterizam a sonegação, que, neste caso, definese pela ação dolosa do contribuinte para impedir "o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal”; 3.21. consequentemente, nos períodos fiscalizados, os créditos tributários do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS foram constituídos de ofício, com a multa majorada de 150% (cento e cinquenta por cento), nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e alterações posteriores; 3.22. em atendimento ao art. 1º da Portaria RFB nº 2.439, de 21/12/2010, foi formalizado processo administrativo de Representação Fiscal Para Fins Penais (processo nº 11516.721.696/201189). Fl. 610DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Acórdão n.º 1803002.556 S1TE03 Fl. 611 6 III) Da impugnação 4. Inconformada com os lançamentos efetuados, dos quais tomou ciência em 15/09/2011 (fls. 157), interpôs a interessada, em 11/10/2011, a impugnação de fls. 158/180, instruída com os documentos de fls. 181/197, alegando que: 4.1. tratase de sociedade de advogados, regida pelos arts. 15 a 17, da Lei nº 8.906, de 04/07/1994, tendo adquirido personalidade jurídica com o registro aprovado dos seus atos constitutivos no Conselho Seccional da OAB em Santa Catarina, em 14/06/2002 (CC, arts. 45 e 985), conforme atesta o próprio Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica; 4.2. em 31/05/2011, seu sócio Sr. CARLOS RODRIGUES BARZAN, CPF nº 952.230.53915, teve iniciada ação fiscal pelo Auditor encarregado; 4.3. em 14/06/2011, o Sr. Auditor compareceu pessoalmente à sede da sociedade BARZAN ADVOGADOS portando o Termo de Intimação Fiscal nº 301/2011, afirmando que ali estava para que a sociedade colaborasse com a fiscalização do Sr. CARLOS RODRIGUES BARZAN, solicitando, então, a apresentação dos documentos referidos na intimação, no prazo imediato; 4.4. além da própria afirmação do fiscal, vários elementos inequívocos manifestavam que a sociedade BARZAN ADVOGADOS atendia o Auditor na mera condição de terceira, que colaborava na fiscalização de seus sócios, a destacar: (1) o Termo de Intimação Fiscal nº 301/2011, que solicitava documentos, não fixara qualquer prazo para esclarecimentos, conforme prescreve o art. 844 do RIR/1999, e o art. 19 da Lei nº 3.470, de 28/11/1958 (fls. 53); (2) a Descrição Sumária do MPF Diligência nº 09.2.01.002011008228, cujo objeto era subsidiar a fiscalização junto ao contribuinte/responsável Sr. CARLOS RODRIGUES BARZAN, devendo ser observado que o Sr. Auditor não acostou este mandado ao presente processo; (3) o Sr. Auditor fora designado para a fiscalização de pessoa física, e assim se apresentou na sede da sociedade; 4.5. em 12/07/2011, a BARZAN ADVOGADOS envia as DIPJ (retificadoras) dos anoscalendário 2006, 2007 e 2008; 4.6. em 02/09/2011, o Sr. Auditor enviou à BARZAN ADVOGADOS o Termo de Intimação nº 384/2011 (MPF nº 09.2.01.002011008333), entretanto, o AR (fls. 95) foi enviado a endereço diverso daquele constante do Cartão Nacional da Pessoa Jurídica e do próprio endereço em que fora atendido o Termo de Intimação Fiscal nº 301/2011 (fls. 53), bem como das próprias DIPJ arroladas pelo fiscal (fls. 03, 12, 24); 4.7. em razão do erro de preenchimento do endereço por parte do Sr. Auditor, que determinou o encaminhamento da carta à Caixa de Correio diversa, a BARZAN ADVOGADOS somente recebeu efetivamente o AR em 12/09/2011, muito embora conste do registro a data de 05/09/2011; 4.8. a comprovar o desleixo e, para não dizer, máintenção com que o Sr. Auditor tratou a informação fiscal da sociedade, deve ser verificado que o Termo de Intimação Fiscal nº 384/2011 (fls. 94) apresenta endereço diverso do contido no envelope (fls. 95), muito embora a declaração de conteúdo a este faça referência; Fl. 611DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Acórdão n.º 1803002.556 S1TE03 Fl. 612 7 4.9. em decorrência deste erro, a sociedade BARZAN ADVOGADOS não pôde atender à solicitação contida no Termo de Intimação Fiscal nº 384/2011 (fls. 94); 4.10. constatado este erro do Sr. Auditor ainda no prazo para apresentação de documentos, a preposta da sociedade BARZAN ADVOGADOS entrou em contato com o fiscal em 12/09/2011, pelo número em que atende na DRF em Florianópolis/SC, sendo informada pelo mesmo que “a fiscalização já estava fechada e que caberia à contribuinte unicamente se defender”; 4.11. muito embora tenha esclarecido que o assinante do AR não era preposto da empresa e que este havia sido enviado a endereço equivocado, o Sr. Auditor negouse a receber a documentação, solicitada por uma única vez, sem oferecer prazo adicional para o atendimento, sendo que, na manhã do dia seguinte, 13/09/2011, o Sr. Auditor encerrou a ação fiscal (MPF nº 0920100/00833/11); 4.12. variados erros podem ser apontados no procedimento do Sr. Auditor: a) as Notas Fiscais nºs 32, 33, 34, 36, 38, 39, 41, 44, 45, 50, dizem respeito a aluguéis, sujeitandose à base de cálculo arbitrada diversa da escolhida pelo fiscal, ou seja, não a do art. 15, inciso III, alínea "c", c/c art. 16 da Lei nº 9.249/1995, mas sim a do art. 15, caput, c/c art. 16, da Lei nº 9.249/1995, consoante o disposto no art. 25, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, pois a sociedade BARZAN ADVOGADOS não tem como objeto a atividade de locação de imóveis; b) na nota de fim de página (*), o Auditor afirma que: “a Nota Fiscal se refere (...)”, sem, todavia, sujeitar os valores à adequada base de cálculo do lucro arbitrado de oito por cento adicionada de vinte por cento; c) não considerou como efetivados no Lucro Presumido os pagamentos antecipados, para efeito de apuração do tributo e graduação da multa, como deveria fazêlo, com fundamento nos §§ 2º e 3º do art. 150, do CTN; d) lançou competências onde evidentemente decaiu o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário; 4.13. alguns dos fatos já narrados, além dos a seguir especificados, já denotam a nulidade do processo de fiscalização, tais como: o Sr. Auditor não deu início à Fiscalização, não ofertou prazo para esclarecimentos, e quando deu, o fez em patamar inferior ao da lei e de decreto; 4.14. assim, não houve a lavratura de Termo de Início de Ação Fiscal, porque o Sr. Auditor, a todo momento, estabeleceu que a fiscalização era contra o sócio, Sr. CARLOS RODRIGUES BARZAN, e não contra a BARZAN ADVOGADOS; 4.15. não se inicia ação fiscal sem o oferecimento de prazo ao contribuinte para esclarecimentos, como dispõem o art. 844 do RIR/1999, e o art. 19 da Lei nº 3.470, de 28/11/1958; 4.16. mesmo para os documentos que servem de fundamento direto às declarações, o prazo para apresentação destes esclarecimentos é de vinte dias, na forma fixada no art. 835, § 3º, do RIR/1999; 4.17. a ausência de prazo para esclarecimentos demonstra que a sociedade BARZAN ADVOGADOS não se encontrava sob fiscalização, pois tanto a lei como o Regulamento do Imposto de Renda prescrevem este direito aos contribuintes, logo, como poderia a contribuinte cogitar que estava sendo fiscalizada, se sequer lhe foi oferecido prazo para esclarecimentos? 4.18. para que não se tenha qualquer dúvida quanto ao fato de que não havia se iniciado a ação fiscal, e que, portanto, era terceira interessada, basta conferir a Fl. 612DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Acórdão n.º 1803002.556 S1TE03 Fl. 613 8 Descrição Sumária do MPF – Diligência, onde se encontra destacado como seu objetivo: “Proceder à coleta de informações e documentos destinados a subsidiar o procedimento de fiscalização junto ao contribuinte/responsável CARLOS RODRIGUES BARZAN, CPF/CNPJ nº 952.230.53915”; 4.19. impossível não se concluir que a fiscalização era sobre o seu sócio e não sobre a sociedade, pois o próprio Sr. Auditor admite que o Termo de Intimação Fiscal é de diligência, invocando, confusamente, a ausência de espontaneidade pelo início da ação fiscal no contribuinte CARLOS RODRIGUES BARZAN; 4.20. a intimação para diligência numa pessoa jurídica não é intimação para fiscalização, de acordo com a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF (Acórdão nº 20214.693, processo nº 13116.000024/2002 83 Segundo Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Turma Ordinária); 4.21. de acordo com os dizeres do Termo de Início de Fiscalização nº 281/2010, lavrado pelo Sr. Auditor contra a pessoa física do sócio, às fls. 41 (“Salientamos que a partir da ciência deste Termo de Início de Fiscalização, o contribuinte em epígrafe estará sob procedimento fiscal, conforme o disposto no art. 7º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972”), vêse que, em nenhum dos termos de intimação fiscal lavrados contra a pessoa jurídica, nº 301/2011 (fls. 53) e nº 384/2011 (fls. 94), há alerta desta natureza; 4.22. em dois momentos do Termo de Verificação Fiscal o próprio Sr. Auditor, às fls. 03/06, admite que o Termo de Intimação Fiscal, datado de 14/06/2011, é de diligência (vide primeiro e segundo parágrafos); 4.23. evidente que a intimação de início de fiscalização na pessoa física do sócio não tem validade como início de fiscalização na pessoa jurídica, ainda mais quando o fiscal adentra seu estabelecimento solicitando, imediatamente, informações sem prazo para esclarecimentos, amparado em mandado de diligência, para obtenção de documentos a serem utilizados em fiscalização de pessoa diversa, e toma isto como Termo de Início de Ação Fiscal da Pessoa Jurídica, ocultando e dissimulando o seu evidente propósito que era o de fiscalizar a sociedade; 4.24. é deveras frágil a assertiva de que o Termo nº 301/2011 (fls. 53) possa fazer as vezes de Termo de Início de Ação Fiscal, pois, o prazo para apresentação de documentos e esclarecimentos foi imediato, isto é, ainda que não importando o termo, não se inicia ação fiscal não oferecendo nenhum prazo para o contribuinte apresentar documentos e ofertar esclarecimentos; 4.25. assim, a autoridade fiscalizadora atropelou os ditames regulamentares acerca da prestação de esclarecimentos pela contribuinte e, consequentemente, em relação à fiscalização; 4.26. reconhecer a validade do Termo nº 301/2011 (fls. 53) como início de ação fiscal, como propôs a Fiscalização, conduzirá infalivelmente à nulidade do mesmo, por ausência de abertura de prazo para esclarecimentos, de vez que não se começa a fiscalizar ninguém sem o oferecimento desse prazo; 4.27. não se sabe qual o fundamento normativo de que se valeu a Fiscalização para a exigência de apresentação de documentos e oferecimento de esclarecimentos neste inadequado prazo, senão que a resolução teve o notório propósito de impor complicação ao contribuinte, impossibilitandoo de esclarecer, em prejuízo das garantias da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, aplicáveis ao processo administrativo tributário, consagradas na Constituição Fl. 613DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Acórdão n.º 1803002.556 S1TE03 Fl. 614 9 Federal (CF, art. 5º, LV) e na legislação de regência (RIR/1999, art. 844, e art. 835, §3º); 4.28. em 15/09/2011, a contribuinte foi notificada de lançamentos que remontam a fatos geradores anteriores a 15/09/2006, abrangendo os decorrentes das Notas Fiscais nos 22, 24, 25, 26, 29, 28, 30, 32, 33, 34, as quais somam R$ 65.084,35; 4.29. o Sr. Auditor reconhece a idoneidade das notas fiscais e das antecipações de pagamento efetuadas, devendo ser observada a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que é uníssona no sentido de que: “A aplicação do arbitramento é medida extrema e só deve ser utilizada como último recurso, por ausência absoluta de outro elemento que tenha mais condições de aproximarse do valor real.” (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 10610.781); 4.30. o art. 150 do CTN, dispõe que, “não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito” (§ 2º); e “os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação” (§ 3º); 4.31. a parcela da base de cálculo do imposto de renda sujeita à retenção na fonte não pode integrar a base de cálculo do lucro arbitrado na proporção em que efetivada a antecipação, sujeita à tributação pelo lucro presumido; 4.32. neste caso, a antecipação é ato praticado pelo sujeito passivo ou por terceiro visando à extinção parcial do crédito tributário já na data de ocorrência do fato gerador (CTN, art. 150, § 2º), devendo essa parcela ser considerada na apuração do saldo porventura devido (CTN, art. 150, § 3º) e na imposição e graduação da penalidade (CTN, art. 150, § 3º); 4.33. no caso concreto, tanto a apuração da base de cálculo como a imposição e graduação da multa de ofício deveriam considerar a tributação pelo lucro presumido na proporção do ato de antecipação do pagamento, visando à extinção parcial do crédito tributário, com fundamento nos §§ 2º e 3º, do art. 150 do CTN; 4.34. assim, se 5,76% da receita é tributável e 1,5% destes foram antecipadamente oferecidos à tributação, logo, somente 4,26% do valor da receita bruta pode estar sujeito aos juros e à multa, ou seja, somente o lucro presumido atinente a este percentual de 4,26% da receita sofre o agravamento de 20% por cento pelo arbitramento; 4.35. a antecipação foi feita quando a empresa se encontrava no lucro presumido, sujeita à alíquota efetiva de 4,8%, do qual a retenção de 1,5% do valor da receita correspondia a 31,25%, ou seja, os 1,5% do valor da receita antecipados correspondem a 31,25% das receitas que agora não podem estar sujeitos ao lucro arbitrado, pois esta proporção é que deve ser deduzida; 4.36. portanto, 31,25% das receitas devem ser mantidas no lucro presumido, posto que o pagamento do imposto foi adiantado na ocasião em que vigente este regime de recolhimento para a contribuinte, e somente 68,25% das receitas, não amparadas por nenhuma antecipação, é que podem se sujeitar ao arbitramento de lucros; Fl. 614DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Acórdão n.º 1803002.556 S1TE03 Fl. 615 10 4.37. devese segregar a base sujeita ao lucro presumido e a base sujeita ao lucro arbitrado, com a ressalva de que, 31,25% da base do imposto foi declarada e paga antes de qualquer ação fiscal; 4.38. uma vez que os atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito, devem ser considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação (CTN, art. 150, § 3º e 4º), o contribuinte não pode estar sujeito à penalidade de arbitramento e também de multa ofício agravada sobre a parcela da receita considerada para cálculo da antecipação do pagamento; 4.39. tomandose como exemplo o imposto de renda antecipado nas Notas Fiscais nºs 022 e 024 e computandose a receita de R$ 1.300,00, período de apuração 1º trimestre/2006 e vencimento em 28/04/2006, verificase que, ainda no mês do faturamento, ou seja, em fevereiro/2006, foram antecipados R$ 19,50 nas duas notas, que correspondiam a 31,25% do imposto devido no valor de R$ 62,40; 4.40. tratase de ato praticado pelo sujeito passivo ou, se preferir, por terceiro, visando a extinção parcial do crédito tributário sob a égide do lucro presumido; 4.41. a aplicação dos §§ 3º e 4º do art. 150 do CTN, no caso concreto, é, por si só, axiomática, cumprindo assinalar, que outros dois dispositivos legais também convergem em definitivo para esta consequência: o art. 6º, § 6º, da Lei nº 8.021, de 12/04/1990 (“Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte”), e o art. 112, inciso IV, do CTN (“A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação”); 4.42. é indevida a aplicação da multa de ofício, visto que todos os valores foram oferecidos à tributação antes do inexistente início da ação fiscal contra a sociedade BARZAN ADVOGADOS, como pode ser verificado através dos extratos juntados pela própria Fiscalização ao processo em relação às DIPJ enviadas: [...]. 4.43. foram oferecidas à tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (Ficha 15) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (Ficha 18A), as seguintes receitas: [...]. 4.44. da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, colhemos o entendimento de que a retificação da DIPJ antes do início do procedimento fiscal tem a virtude de afastar a aplicação da multa de ofício (Primeiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 101 96.037/2007); 4.45. o fato de que a retificação foi efetuada após o início da ação fiscal no sócio da pessoa jurídica não afasta sua existência, validade e eficácia, sobretudo para o efeito de afastar a multa de mora, e, mais ainda, de afastar a multa qualificada; 4.46. o entendimento do Sr. Auditor de que o início da ação fiscal na pessoa física do sócio afastaria a validade da DIPJ da pessoa jurídica, equivale a rasgar noções básicas do direito civil e comercial; Fl. 615DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Acórdão n.º 1803002.556 S1TE03 Fl. 616 11 4.47. o procedimento adotado pelo Sr. Auditor suscita, no mínimo, dúvidas quanto às circunstâncias materiais em que foi iniciada a fiscalização, sendo certo que esta condição indeterminada quanto ao termo de início da fiscalização não pode ser interpretada em desfavor da contribuinte, conforme prescreve o art. 112, inciso II, do CTN; 4.48. é cediço que somente o Termo de Início de Ação Fiscal devidamente lavrado contra a sociedade BARZAN ADVOGADOS afastaria a espontaneidade, o que não pode ser suprido pelo MPF Diligência, ainda mais quando este expressamente se fundamenta no âmbito de fiscalização do contribuinte sócio da empresa; 4.49. para a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nem mesmo o início de ação fiscal com respeito a outro tributo no mesmo contribuinte afasta a espontaneidade no oferecimento de declaração, o que serve de indicação de que a fiscalização do sócio não afasta a espontaneidade da empresa (Acórdão nº 180500.019/2009 e Acórdão nº 10196.229/2007) e nem tampouco o MPF afastaria a espontaneidade (Acórdão nº 40106.044/2008); 4.50. ainda que por absurdo, considerando apenas para argumentar, que a coleta de elementos para fiscalização do sócio na empresa teria o condão de afastar a espontaneidade desta, verificase, no caso concreto, que a espontaneidade foi reinstaurada, posto que o Termo de Ação Fiscal nº 301/2011 foi assinado pela sociedade BARZAN ADVOGADOS em 14/06/2011 e o Termo de Ação Fiscal nº 384/2011 foi postado apenas em 05/09/2011; 4.51. assim, foramse mais de dois meses em que a fiscalização nada remeteu ou contatou a sociedade BARZAN ADVOGADOS, que, deste modo, recobrou sua espontaneidade, conforme prescreve o art. 7º, § 2º, do Decreto nº 70.235/1972 e, nos termos da pacífica jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Primeiro Conselho de Contribuintes, 8ª Câmara, Turma Ordinária Acórdão nº 10806.937/2002; Segundo Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara, Turma Ordinária Acórdão nº 20176.943/2003; Acórdão nº 10323.237/2007); 4.52. diante da impossibilidade de o contribuinte exibir seus livros fiscais à Fiscalização, fica vedado a esta agravar a multa de ofício com fundamento no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, sendo este entendimento pacífico no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Primeiro Conselho de Contribuintes, 3ª Câmara, Turma Ordinária Acórdão nº 10322.705/2006); 4.53. ainda mais que, no caso concreto, a contribuinte, de imediato, confessou a imprestabilidade de seus livros fiscais à Fiscalização, conforme registrou o próprio fiscal, às fls. 95, ao referenciar o documento de fls. 54 (Primeiro Conselho de Contribuintes, 8ª Câmara, Turma Ordinária Acórdão nº 108 09.009/2006), em consonância ainda com o disposto no art. 112, inciso I, do CTN (Primeiro Conselho de Contribuintes. 5ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 10516.680/2007); 4.54. neste sentido, ainda que considerada a omissão de receitas, as Notas Fiscais foram espontaneamente fornecidas pela contribuinte em sede de diligência (Primeiro Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara, Turma Ordinária Acórdão nº 10196.620/2008); 4.55. deve ser salientado, que o lançamento foi todo efetuado com base no lucro arbitrado, portanto, com base em presunção legal, assim, nestas hipóteses, a pacífica jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem Fl. 616DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Acórdão n.º 1803002.556 S1TE03 Fl. 617 12 reiterado que a multa agravada deve ser afastada (Primeiro Conselho de Contribuintes, 8ª Câmara, Turma Ordinária Acórdão nº 10808.512/2005); 4.56. o Auditor não fez a ligação entre o dispositivo legal e o fundamento da qualificação da multa em cento e cinquenta por cento, fazendo mera menção ao art. 44 da Lei n.º 9.430, de 27/12/1996, sem especificação do fundamento de direito, em afronta, pois, ao art. 11, inciso III, do Decreto nº 70.235/1972; 4.57. a ausência do fundamento de direito que autoriza o procedimento de arbitramento determina a nulidade do lançamento em decorrência de vício formal insanável, nos termos do artigo 37 da Lei nº 8.212/1991, c/c art. 11, inciso III, do Decreto nº 70.235/1972 (Segundo Conselho de Contribuintes, 6ª Câmara, Turma Ordinária Acórdão nº 20601.517/2008); 4.58. o Auditor não tipificou a conduta da contribuinte, seja no art. 71, 72 ou 73, assim, a Fiscalização não tipificou qual seria a conduta agravante da contribuinte, se sonegação, fraude, ou conluio; 4.59. a hipótese dos autos resta claramente tipificada no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996 (multa de 75%), porquanto se trata de declaração inexata; 4.60. ainda que mediante esforço exegético se concluísse pela aplicação do § 1º do art. 44 (duplicação da multa), não houve a precisa tipificação da conduta da contribuinte, não sendo especificada a razão pela qual a apresentação da declaração inexata teria o intuito de fraude; 4.61. a mera omissão de rendimentos não conduz à existência do intuito de fraude, nos termos da Súmula CARF nº 14 (“A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.”); 4.62. neste sentido, a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Primeiro Conselho de Contribuintes, 6ª Câmara, Turma Ordinária Acórdão nº 10616.952/2008; Primeiro Conselho de Contribuintes, 8ª Câmara, Turma Ordinária Acórdão nº 10809.137/2006); 4.63. diante de todo o exposto, requer: a) em sede de diligência, a exibição de documento em poder da Receita Federal, com fundamento no art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972; b) em sede de diligência, a exibição de documento em poder de terceiro, com fundamento no art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972; c) a produção de prova documental inclusa, com fundamento no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972; d) a produção de prova documental superveniente, com fundamento nas alíneas do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972; e) a produção de prova pericial, acaso restem dúvidas quanto a quem está exercendo o direito de usar, gozar e dispor do imóvel, mediante levantamento topográfico e econômico social, com fundamento no art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972; f) em sede de diligência, a requisição às repartições públicas das certidões, informações de interesse e dos procedimentos administrativos necessários à prova das alegações, com fundamento no art. 1º da Lei nº 9.051, de 18/05/1995, art. 4º, da Lei nº 8.159, de 08/01/1991, e art. 3º, inciso III, da Lei nº 9.784, de 29/01/1999; e g) seja a presente impugnação julgada totalmente procedente, com a declaração da nulidade do auto de infração e, consequentemente, a anulação do lançamento tributário, com fundamento no art. 145, inciso I, do CTN. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 474 a 476): Fl. 617DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Acórdão n.º 1803002.556 S1TE03 Fl. 618 13 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2008 PRELIMINAR DE NULIDADE. ARGUIÇÃO DE VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. A violação aos princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal não se caracteriza, se o procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, lavrado por servidor competente, do qual a pessoa jurídica, ou seu preposto, toma ciência, sendo concedido prazo para apresentação de esclarecimentos/documentos a ambos os envolvidos nas infrações verificadas, mediante intimações realizadas no curso da ação fiscal. PRELIMINAR DE NULIDADE. ARGUIÇÃO DE AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. A arguição de vício formal insanável não prospera, se a motivação em que se baseou o autor do procedimento para a aplicação da multa qualificada encontrase perfeitamente descrita no Termo de Verificação Fiscal que integra o Auto de Infração, assim como o dispositivo legal aplicável à espécie, em decorrência das condutas da pessoa jurídica verificadas durante a ação fiscal. PRELIMINAR. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA E PRODUÇÃO DE PROVA. Considerase prescindível a realização de diligência e/ou perícia, se os documentos constantes dos autos são suficientes para o deslinde das pendências. Ademais, não se considera formulado o pedido de diligência/perícia que não atenda os requisitos do art. 16, inciso IV, § 1º, do Decreto nº 70.235/1972, mediante formulação de quesitos e indicação de perito, com as devidas justificativas. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. FALTA DE PAGAMENTO. REGRA GERAL DE CONTAGEM DO PRAZO. A falta de pagamento de tributos e contribuições no anocalendário fiscalizado, conduz à aplicação da regra geral da decadência, que consiste na prorrogação do termo inicial de contagem do prazo quinquenal para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Consequentemente, os fatos geradores ocorridos no curso do anocalendário 2006 não se considera alcançados pelo instituto da decadência, se a ciência dos autos de infração deuse no decorrer do ano de 2011. ESPONTANEIDADE. RECUPERAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A recuperação da espontaneidade da pessoa jurídica ocorre em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias. Entretanto, para assegurar a espontaneidade do sujeito passivo e considerar as transações efetuadas como se espontâneas fossem, mister se fazia o pagamento dos valores relativos à infração. Nesta hipótese, as DCTF retificadoras apresentadas pela pessoa jurídica após o início da ação fiscal não têm efeito de confissão de dívida, tornandose correta a imputação através do lançamento de ofício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 618DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Acórdão n.º 1803002.556 S1TE03 Fl. 619 14 Anocalendário: 2006, 2007, 2008 LUCRO ARBITRADO. AUSÊNCIA DE LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS. CONCOMITÂNCIA COM O LUCRO PRESUMIDO. SOLICITAÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O imposto e as contribuições devidos nos anoscalendário fiscalizados serão determinados com base nos critérios do lucro arbitrado, quando a pessoa jurídica deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal. Inexiste previsão legal para tributação sob as formas de lucro presumido e arbitrado concomitantemente. LUCRO ARBITRADO. RECEITA DA LOCAÇÃO DE IMÓVEL. ALÍQUOTA. A locação de imóvel constitui atividade cuja receita sujeitase à alíquota de 32% (trinta e dois por cento), com o acréscimo de 20% (vinte por cento), nos termos da legislação vigente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INCIDÊNCIA. A ausência de espontaneidade, em virtude da não ocorrência do pagamento dos tributos relativos à infração, faz com que não sejam consideradas as declarações apresentadas pelo sujeito passivo, em substituição a DIPJ e DCTF “zeradas” e/ou não apresentadas, ensejando, na espécie a aplicação da multa qualificada de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006, 2007, 2008 PIS. COFINS. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento matriz (IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificada da referida decisão em 07/10/2013 (fls. 517), a tempo, em 06/11/2013, apresenta a interessada Recurso de fls. 523 a 546, instruído com os documentos de fls. 547 a 551, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que, por voto de qualidade, não foi provida a impugnação da contribuinte; b) que deve ser dada total razão aos julgadores infelizmente vencidos por voto de qualidade; e c) que nem a fiscalização, nem a instância a quo procederam ao reconhecimento das importâncias referentes às antecipações de pagamento efetuadas de IRRF, CSLL, Cofins e Pis. 4. Posteriormente ao Recurso apresentado, juntou a Recorrente aos autos a seguinte petição (fls. 555): Fl. 619DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Acórdão n.º 1803002.556 S1TE03 Fl. 620 15 5. Tendo em vista esse fato, decidiu esta Turma, por meio da Resolução nº 1803000.100, de 26/08/2014 (fls. 558 a 571), converter o presente processo em diligência, para que a autoridade local esclarecesse, mediante audiência ao sujeito passivo, se necessário: a. se a desistência do Recurso Voluntário requerida é realmente parcial ou total; e b. sendo parcial, qual a parte da exigência fiscal ainda objeto de litígio. 6. Em resposta, assim se pronunciou a Recorrente (fls. 579): Em mesa para julgamento. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Acórdão n.º 1803002.556 S1TE03 Fl. 621 16 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 7. Tanto o voto vencedor quanto o voto vencido da decisão recorrida não divergem quanto à ocorrência da figura da reaquisição da espontaneidade por parte da Recorrente, na forma do art. 7º, §§ 1º e 2º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF): Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos 8. É que, intimada inicialmente no mês de junho de 2011 (Termo de Intimação Fiscal nº 301/2011, com ciência em 14/06/2011 – fls. 53), teve a Recorrente contra si novo ato fiscalizatório (Termo de Intimação Fiscal nº 384/2011, com ciência em 05/09/2011 – fls. 94 e 95) apenas no mês de setembro de 2011, ou seja, mais de 60 (sessenta) dias depois. 9. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 75: A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. 10. Considerando que, nesse interregno de reaquisição da espontaneidade, a Recorrente apresentou DCTFs retificadoras, com indicação de débitos, relativas aos segundo semestre de 2007 e aos primeiro e segundo semestres de 2008, em 15/06/2011 (fls. 458), não cabe a autuação fiscal quanto a esses períodos, salvo no que exceder aos valores então confessados (casos do mês de outubro de 2007, para o Pis e a Cofins, e do 4º trimestre de 2007, para a CSLL), tudo de conformidade com o demonstrativo de fls. 581 a 583 (“Apartamento de processo referente à parte não desistida”), que acolho. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Acórdão n.º 1803002.556 S1TE03 Fl. 622 17 11. Nesse sentido, o voto vencido da decisão recorrida (fls. 499 e 500): 49. [...]. Por esse motivo, não cabe lançamento sobre os débitos confessados nas DCTF do 2º semestre/2007 e 1º e 2º semestres/2008, os quais devem ser cobrados à parte, com a incidência da multa de mora de 20% e dos juros. Sobre os débitos não confessados em DCTF, apurados de ofício, objeto dos autos de infração sob exame, incide, entretanto, a multa de ofício e os juros moratórios. 12. O voto vencedor da decisão recorrida, porém, laborou em equívoco, ao confundir a figura da reaquisição da espontaneidade, de que trata o art. 7º, §§ 1º e 2º, do Decreto nº 70.235, de 1972 que exclui apenas a multa de ofício , com o instituto da denúncia espontânea, a que se refere o art. 138 do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) que, além da multa de ofício, exclui também a multa de mora, segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), proferido na Sistemática de Recursos Repetitivos, como segue (fls. 509 e 510): Entendo, portanto, que a recuperação da espontaneidade ocorreria caso o interessado apresentasse, além das DIPJ e DCTF correspondentes aos períodos em aberto, o respectivo recolhimento dos tributos então devidos, fato esse que não se verifica dos presentes autos. [...]. Portanto, entendo que a interessada, durante o intervalo de tempo entre os atos de ofício emanados pelo fisco tentou, através do cumprimento de obrigações acessórias, afastar a incidência das infrações tributárias, fazendo com que fosse a ela conferido o direito de readquirir a espontaneidade, o que, na verdade, a meu ver, não ocorreu, já que inexiste prova do pagamento dos valores objeto de confissão. Assim, entendo não serem cabíveis a apresentação das DIPJ e DCTF durante o interregno aquém de 60 dias, em que o fisco não tenha lavrado qualquer ato de ofício, eis que tais providências encontramse desacompanhadas do respectivo pagamento dos tributos relativos às infrações. 13. Na verdade, no período da reaquisição da espontaneidade (gênero), pode o sujeito passivo lançar mão de várias medidas em seu favor (espécies), a saber: parcelamento, compensação, pagamento, entrega ou retificação de declaração, confissão de dívida, adesão ao Refis, denúncia espontânea etc. 14. Nesse sentido, corretamente observa o voto vencido da mesma decisão recorrida (fls. 499, grifouse): 43. Ressaltandose que a recuperação da espontaneidade, aqui tratada, não se confunde com a denúncia espontânea da infração, uma vez restabelecida a espontaneidade, então os atos praticados pelo sujeito passivo são considerados espontâneos, com efeitos ex tunc, ou seja, são aplicáveis, retroativamente, Fl. 622DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.721695/201134 Acórdão n.º 1803002.556 S1TE03 Fl. 623 18 desde o início do procedimento fiscal, alcançando os atos por ele praticados no decorrer desse prazo. 44. Em consequência, os débitos porventura confessados neste período deverão ser acompanhados, quando pagos, apenas dos acréscimos moratórios previstos na legislação (multa de mora e juros de mora), ficando excluída a aplicação da multa de ofício. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO, na parte ainda em litígio, para cancelar a exigência tributária remanescente neste processo. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 623DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 11020.901281/2006-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1102-000.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório e converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedido o conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto- Relator
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório e converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedido o conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto- Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé.
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IMPLEMENTOS E PARTICIPAÇÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório e converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Declarouse impedido o conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Presidente (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé. Relatório Este processo administrativo versa sobre PER/DCOMP não homologada por falta de crédito, em que a Contribuinte contesta tanto a forma do Despacho Decisório, quanto a alegação da Autoridade Fiscal de que não existe o crédito. Os mesmos fatos são debatidos nos seguintes processos administrativosfiscais: nº 11020.901280/200657, nº 11020.005075/2002 35 e nº 11020.000801/200312. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .9 01 28 1/ 20 06 -0 0 Fl. 465DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 11020.901281/200600 Resolução nº 1102000.222 S1C1T2 Fl. 4.616 2 Enfim, a Contribuinte apresenta Recurso Voluntário (fls. 422/441) e anexos (fls. 442/461) interposto contra o Acórdão nº 1035.314 (fls. 414/418) proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), na sessão de 31 de outubro de 2011, que, de forma unânime, julgou improcedente a manifestação de inconformidade não reconhecendo o Direito Creditório da Contribuinte. Em suma, a Recorrente está sujeita ao lucro real e desta forma antecipou o tributo devido por meio do pagamento mensal por estimativas. O recolhimento do Imposto de Renda se faz necessário. De acordo com o Art. 2º parágrafo 4º da Lei nº 9.430/96, a empresa abate as estimativas mensalmente quanto ao saldo do imposto de renda devido ao fim do exercício. No período de 01/01/2003 a 30/06/2003 verificouse a existência de saldo negativo de IRPJ devido à cisão parcial. Solicitouse PER/DCOMP nº 05047.58438.260803.1.3.020060 (fls.01/06), entregue em 26/08/2003, retificado pelo PER/DCOMP nº 28672.62657.150906.1.7.021678 (fls.13/21), entregue em 15/09/2006, no valor de R$ 815.833,69. A Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul, ignorou o crédito referente ao saldo negativo. No despacho decisório nº 15 – DRF/CXL (fls 115/118) afirmouse que o PER/DCOMP não deveria ser homologado. Neste despacho não foram indicados os dispositivos legais para que não fosse homologada a compensação da Recorrente. Intimada do Despacho Decisório em 09/06/2009 (fl. 167), a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em 26/06/2009 (fls. 168/188) pedindo a nulidade do referido despacho e demonstrando também que o crédito informado na PER/DCOMP deveria ser reconhecido integralmente. A Delegacia da Receita Federal (RS) julgou improcedente a referida manifestação. O acórdão nº 1035.314 da 5ª Turma da DRJ/POA (fls. 414/418) ficou assim ementado (fls. 414/415): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2003 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O despacho decisório não é nulo quando não se verificam os casos taxativos enumerados no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, especialmente o relativo ao direito de defesa, o qual é garantido à contribuinte através de manifestação de inconformidade. QUESTÃO PREJUDICIAL. SUSPENSÃO DO PROCESSO. Não há previsão legal, no âmbito do Decreto n° 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal), de suspensão de julgamento de processo que dependa de outro processo ainda não definitivamente julgado na esfera administrativa. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 11020.901281/200600 Resolução nº 1102000.222 S1C1T2 Fl. 4.617 3 A homologação da compensação depende, como requisito fundamental, da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado pela contribuinte, sem o que não deve ser homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros da 5a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório da contribuinte. (assinado) Ricardo Noé Bretin de Mello Relator (assinado) Nei Simões Pires Gallois – Presidente Participaram ainda do presente julgamento: Ricardo Manoel de Oliveira Borges e Ilson Roberto Librenza. Intimada em 14/11/2011 (fl. 421), a Recorrente interpõe o Recurso Voluntário em 05/12/2011 (fls. 422/441) pleiteando a nulidade do Despacho Decisório, a suspensão do processo administrativo, de sorte a aguardar a decisão de outros dois processos, e, subsidiariamente, que seja integralmente homologada a compensação através dos débitos informados na PER/DCOMP. Seus fundamentos foram: DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Devido à falta de fundamentação para a não homologação da compensação realizada, a Recorrente requer a nulidade do despacho decisório. Foi indicado apenas o número da PER/DCOMP, os valores envolvidos e a menção a dois processos administrativos no referido Despacho, sendo o seu conteúdo muito restrito. Não há menção há dispositivos de lei infringidos pela Recorrente, nem penalidades cabíveis. Desta forma, não foi encontrado impedimento à homologação da compensação por parte da Recorrente, discordando dos argumentos apresentados pela Autoridade Fiscal. A Autoridade limitouse a mencionar dois processos administrativos ainda em andamento, retenções na fonte supostamente não comprovadas e o reconhecimento do decurso de 5 anos para a autoridade se manifestar quanto a compensação constatada do PER/DCOMP nº 05157.38983.2600903.1.3.023008 (fls 22/25). Violase o princípio da ampla defesa e do contraditório pela não observância do art.59 do Decreto nº 70.235/1972. O julgador deve fundamentar suas decisões. A Recorrente fica impossibilitada de se defender de forma adequada por desconhecer os fundamentos, bases legais e razões que levaram a autoridade fazendária a não homologar a compensação realizada. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 11020.901281/200600 Resolução nº 1102000.222 S1C1T2 Fl. 4.618 4 A Recorrente junta ainda acórdãos apontando que o Conselho de Contribuintes já analisou a questão e, em casos onde foi decretada nulidade do processo administrativo por cerceamento de defesa, decidiu: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE. É nulo o presente feito por não haver sido efetuado novo lançamento segundo as normas ditadas pelo PAF, tendo in casu ocorrido cerceamento do direito de defesa. PROCESSO ANULADO A PARTIR DA DECISÃO MONOCRÁTICA, INCLUSIVE." (Recurso Voluntário nº 123.218, Acórdão nº 30234983, Segunda Câmara, Terceiro Conselho de Contribuintes, Rei. Con. Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior, Sessão 19/10/2001) IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR EXERCÍCIO 1994 NULIDADE. São nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa (arts. 59, inciso II, do Decreto ns 70.235/72). Anulado o processo, a partir da decisão de primeira instância, inclusive." (Recurso Voluntário na 122.571, Acórdão nº 30235088, Segunda Câmara, Terceiro Conselho de Contribuintes, Rei. Con. Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto, Sessão 20/03/2002)” – fls. 430/431. DAS ESTIMATIVAS REFERENTES AOS MESES DE JANEIRO E FEVEREIRO DE 2003 De acordo com a Autoridade Fazendária, as estimativas referentes aos meses de janeiro e fevereiro de 2003 não foram compensadas por falta de crédito. Esta falta de créditos seria pelo fato de existirem débitos discutidos nos processos administrativos nº 1120.005075/200235 (doc. 07 a 10 da manifestação de inconformidade) e nº 11020.000801/2003 12 (docs. 11 a 13 da manifestação de inconformidade). No acórdão foi informado que o direito creditório não poderia ser reconhecido, uma vez que não seria nem líquido nem certo e que teria sido realizado por compensações não homologadas pela DRF/CXL. A Recorrente faz digressão para demonstrar pontos controversos. DOS CRÉDITOS QUE ORIGINARAM AS DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO OBJETO DOS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS Nº 11020.005075/200235 E 11020.000801/200312 No anocalendário de 2002 a Recorrente efetuou várias operações comerciais em nível nacional e internacional. Em primeiro lugar realizou uma cisão, de acordo com o art.229 da Lei 6.404/76, na qual uma companhia transferiu parcelas de seu patrimônio para uma ou mais sociedades. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 11020.901281/200600 Resolução nº 1102000.222 S1C1T2 Fl. 4.619 5 Em 22 de abril de 2002, a empresa Randon procedeu à cisão parcial da companhia, sendo a empresa Suspensys Automotivos Ltda a incorporadora da parcela cindida. Em 01 de outubro de 2002 realizouse outra cisão parcial das mesmas pessoas jurídicas anteriormente citadas. Devido às cisões parciais citadas, foram apurados saldos negativos que poderiam ser compensados, tanto de IRPJ quanto de CSLL. Estes foram demonstrados para a Autoridade Fiscal para que fosse realizado o procedimento. A Recorrente obedeceu a Lei nº 6.404/76. A Recorrente realizou o fechamento do balanço nos períodos de 01/01/2002 a 22/04/2002 (1ª cisão) e 23/04/2002 a 01/10/2002, relativo à segunda alteração. A Autoridade fiscal entendeu que não poderia existir a compensação, pois os créditos em questão não foram determinados na data do fechamento do balanço, momento em que deveria ter ocorrido a cisão, conforme se verifica no final da decisão que não homologou o pedido e originou o processo nº 11020.005075/200235: “7) A autoridade preparadora, com base no disposto nos arts. 220 e 221 do Decreto n° 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), entendeu que o imposto deve ser determinado, no caso de cisão, na data do evento. Assim, concluiu que considerando que o período em análise para apuração do saldo negativo de IRPJ e CSLL a que se refere o processo em epígrafe extrapolou em 22 (vinte e dois) dias a abrangência dos eventos contábeis e fiscais sobre os créditos existentes no encerramento do período em setembro de 2002 destoando da legislação em vigor, e indispondose a contribuinte em retificar as declarações necessárias, não há como avaliar o montante do direito creditório porventura devido.” – fl. 432/433. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade nos termos da Lei nº 9.430/96, a qual foi indeferida pela Autoridade julgadora. A Autoridade julgadora limitouse a repetir a decisão e os argumentos apresentados pela Autoridade fiscal, não homologando a compensação. A Recorrente efetuou a compensação do saldo negativo apurado em 2002 nas apurações de cisão e incorporação e compensou com tributos vincendos no 1º trimestre de 2003, gerando a autuação do processo administrativo nº 11020.000801/200312. A Autoridade entende que o débito deveria prevalecer, pois não houve nenhuma causa de suspensão ao processo. A Recorrente discorda, pois demonstrou tabela de cálculo, bem como declarações sobre balanços que permitiriam que fosse realizada ao menos uma glosa dos tributos recolhidos, embasando a compensação de 2003. Os processos nº 11020.005075/200235 e o nº 11020.000801/200312, estão pendentes de julgamento perante o E.Primeiro Conselho de Contribuintes com os respectivos recursos voluntários nº 150.940 e 156.561. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 11020.901281/200600 Resolução nº 1102000.222 S1C1T2 Fl. 4.620 6 DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE POR ÓRGÃOS PÚBLICOS A Autoridade Fazendária ao proferir o Despacho Decisório, informou que o imposto de renda retido na fonte por órgaõs públicos solicitado na DIPJ, referente à estimativa de fevereiro de 2003, valor de R$ 914,29 não foi comprovada em DIRF. A Recorrente comprovou a retenção com o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenções de Imposto de Renda na Fonte referente anocalendário de 2002. Este foi emitido pelo SIAFI e teve como fonte pagadora o 1º Batalhão de Engenharia de Construção. De acordo com o Doc. nº 27, a pessoa jurídica beneficiária e responsável pela transmissão do PER/DCOMP nº 28672.62657.150906.1.7.021678 é a empresa Randon S.A. A 5ª Turma da DRJ/POA reconheceu a retenção e aceitou o comprovante. Entretanto, isto não restou suficiente para reconhecer o valor de R$ 914,29 como parte do pagamento mensal. Afirmou que o valor teria sido “concedido à contribuinte , englobado nos valores concedidos pela DRF/CXL conforme homologação do PER/DCOMP nº 05157.38983.260903.1.3.023008”. Verificase que o valor em análise foi lançado na PER/DCOMP nº 28672.62657.150906.1.7.021678 e não na PER/DCOMP nº 05157.38983.260903.1.3.023008. Desta forma, a Recorrente poderia utilizarse da retenção na fonte do valor alegado para\ apurar o saldo negativo do IRPJ do respectivo exercício. DA SUSPENSÃO OU DA CONEXÃO Existem quatro processos que tramitam em conjunto: nº 11020.901281/200600, nº 11020.901280/200657, nº 11020.005075/200235 e nº 11020.000801/200312 e neles há objetos comuns. Entende a Recorrente que as matérias são conexas entre o processo administrativo atual e o de nº 11020.901280/200657 como o são os processos nº 11020.005075/200235 e 11020.000801/200312, devendo os primeiros ser suspensos até julgarse estes. Pleiteia a Recorrente que caso não seja deferida a suspensão, seja reconhecida a conexão entre os quatro processos. A Recorrente sustenta que seja suspensa a exigibilidade do feito ao decidir os quatro processos simultaneamente. Devese determinar a suspensão do presente processo ou que seja anexado aos autos dos processos de nº 11020.005075/200235 e 11020.0009801/200312, para evitar conflitos de decisões. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 11020.901281/200600 Resolução nº 1102000.222 S1C1T2 Fl. 4.621 7 Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto Relator Os pressupostos e requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, determinados pelo Decreto 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, fazemse presentes, senão vejamos. Nos termos dos art. 7º, § 1º1, do Regimento Interno do CARF, combinado com o art. 2º, inciso I2, desse mesmo diploma, os recursos interpostos em processo de compensação, cujo crédito alegado seja IRPJ, é da competência desta 1ª Seção. No que tange à legitimidade, a petição está assinada por advogada com poderes para a prática deste ato, como pode ser visto no Instrumento Público de Procuração (fls. 457/459). Quanto à tempestividade, considerando que a Contribuinte foi intimada da decisão em 14/11/2011, uma segundafeira (fl.421), é tempestivo o ato praticado em 05/12/2011 (fl. 422), pois o termo final para interpor o Recurso Voluntário é no dia 14/12/2011. Nesse caminho, recebo o recurso. 1. DOS PONTOS CONTROVERTIDOS Ultrapassado o juízo de admissibilidade, vêse que os pontos controvertidos são: · Houve nulidade do despacho decisório por falta de fundamentação? · É possível suspender o processo? E redistribuir por conexão? · Restaram comprovados os créditos? 2. PRELIMINARES 2.1 DA NULIDADE Já tendo a Contribuinte aventado esta nulidade na Manifestação de Inconformidade, a DRJ/POA entendeu que houve nenhum dos requisitos do art. 59 do Decreto 1 Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. §1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. 2 Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); Fl. 471DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 11020.901281/200600 Resolução nº 1102000.222 S1C1T2 Fl. 4.622 8 70.235/72, especificamente que não houve preterição do direito de defesa, bem como não houve prejuízo quanto ao entendimento, pela ora Recorrente, do motivo da não homologação da compensação. Enfim, explica que o despacho decisório foi claro quanto à falha da contribuinte em comprovar certeza e liquidez de seu direito creditório, requisitos para a apuração do crédito, e que o art. 74 da Lei 9.430/96 é base legal suficiente para este entendimento. Em sede de Recurso Voluntário, a Contribuinte reafirma a falta de indicação dos dispositivos legais que teria infringido e que justificassem a aplicação da penalidade de não homologação da compensação. Explica que, conforme o art. 42 do CTN, seria dever da autoridade fiscal demonstrar as razões que proibam ou restrinjam a compensação, mas que somente foram narrados fatos – já declarados no PER/DCOMP – sem se preocucar em apresentar razões e dispositivos legais para a não homologação. Com razão a DRJ/POA. Efetivamente, a autoridade fiscal descreveu os fatos, bem como apontou norma legal (art. 74 da Lei nº 9.430/96) que exige a apuração do crédito para haver compensação. Ainda que não tivesse explicitado o dispositivo legal, tendo sido esclarecido o conceito e a razão da não homologação, se torna inadmissível a exigência daquele. Assim o CARF recentemente, no acórdão 2802002.810, de 14 de abril de 2014: DESPACHO DECISÓRIO EXPLICITAÇÃO DE CONCEITO JURÍDICO. FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA. DESCABIMENTO DA ALEGAÇÃO DE FALTA DE MENÇÃO A DISPOSITIVO LEGAL. Definir conceitos jurídicos não é tarefa própria das leis. A alegação de nulidade por falta de menção a dispositivo legal é descabida por ter o despacho decisório se ocupado de explicitar conceitos jurídicos de compensação e de saldo negativo, hipótese em que é inadimissível exigir menção a dispositivo legal. Ademais, haja vista que a Contribuinte defendeuse de todos os fatos, não há que se falar em prejuízo nem de cerceamento de defesa. 3. SUSPENSÃO ou CONEXÃO DO PROCESSO Quanto ao pedido de suspensão do processo, impossível por falta de previsão legal. Já o pedido de conexão entre os quatro processos, apesar da previsão legal constante do art. 47 e especialmente do art. 49, §7º, ambos do Regimento Interno do CARF, não há mais interesse, posto que os processos de número 11020.005075/200235 e 11020.000801/200312 já foram julgados. 4. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA O presente litígio não está em condições de ser resolvido. O processo ora em análise tem efetiva dependência com relação aos processos de nº 11020.005075/200235 e 11020.000801/200312. Foi, inclusive, parte do fundamento para a nãohomologação do PER/DCOMP, se não, vejamos o que afirma o Despacho Decisório: “Constatase, por outro lado, que as estimativas referentes aos meses de janeiro e fevereiro de 2003 não foram compensadas, por falta de crédito, conforme comprovam os documentos de fls. 103/105 e 111, Fl. 472DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 11020.901281/200600 Resolução nº 1102000.222 S1C1T2 Fl. 4.623 9 tendo em vista que referidos débitos constam dos processos administrativos de nºs 11020.000801/200312 e 11020.005075/2002 35, os quais estão no Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme extrato do sistema Comprot de fl. 111.” – fl. 156. Ocorre que, neste momento, os citados processos já foram julgados, conforme acórdãos publicados no site do próprio CARF. Observase que o processo nº 11020.005075/200235, após ser determinada a diligência em 14/05/2009, voltou desta e foi julgado em 23/07/2013, sendo decidido que: “Diante do exposto, considerando que no cumprimento da diligência de fls. 1.436/1.440, a autoridade de origem reconhece a validade contábil bem como a idoneidade da documentação trazida pelo contribuinte no intuito de comprovar o direito creditório, manifestandose, apenas, pela proporcionalização do da (sic) antecipação do mês de abril em relação ao IRPJ e CSLL, e considerando que a Recorrente manifesta concordância com tais alegações, não se opondo ao citado ajustem sou pelo parcial provimento do Recurso, para que seja reconhecido o direito creditório postulado, bem como para que se proceda a proporcionalização da antecipação referente ao mês de abril, relativamente ao direito creditório do IRPJ e CSLL, remanescendo do citado pagamento o valor de R$ 277.747,17 (R$ 696.121,16 – R$ 418.373,99, nos termos da manifestação fiscal de fls. 1.438/1.439.” Já no processo nº 11020.000801/200312, pautado na sessão de 14/05/2009, o Recurso Voluntário não foi conhecido, por ser intempestivo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Anocalendário: 2003. EMENTA NÃO CONHECIMENTO. PRECLUSÃO DO DIREITO DE DEFESA INICIAL. Uma vez intempestiva a impugnação inicial, confessadamente, a matéria é considerada não impugnada e revel o sujeito passivo, razão pela qual não se conhece as razões de seu inconformismo perante esta instância recursal. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.” Atualmente, este processo nº 11020.000801/200312 encontrase na Procuradoria da Fazenda Nacional, desde 25/03/2014, conforme informações do sistema COMPROT. Por esta razão, o julgamento deve ser convertido na realização de diligências para que a unidade de jurisdição da recorrente: · Reavalie a constituição dos créditos da Contribuinte, calculando o quanto será afetado pelo reconhecimento da compensação ou da cobrança do débito nos demais processos. · A recorrente deverá tomar ciência do Relatório Fiscal e serlhe concedido prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar, se desejar. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 11020.901281/200600 Resolução nº 1102000.222 S1C1T2 Fl. 4.624 10 · Encerrados todos os procedimentos, os autos deverão retornar a este Conselheiro para dar continuidade ao julgamento do litígio. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 474DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME
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Numero do processo: 10166.904909/2008-65
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1801-000.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Alvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich – Presidente (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca – Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Alvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório e Voto Este processo administrativo já foi relatado por este Conselho, pois foi inicialmente distribuído à douta 2º Turma Ordinária da 1º Câmara da 2ª Seção de Julgamentos, de cujo relatório valhome neste momento: Tratase da Declaração e Compensação (Dcomp) de nº 38550.72359.150304.1.3.043967, transmitida eletronicamente em 15 de março de 2004, relativos a créditos do Imposto de Renda Retido na Fonte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .9 04 90 9/ 20 08 -6 5 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 10166.904909/200865 Resolução nº 1801000.359 S1TE01 Fl. 125 2 Na Per/Dcomp a requerente declarou a existência de crédito decorrente do seguinte pagamento indevido ao a maior: Período de Apuração Código Valor do DARF (R$) Data da arrecadação 25/04/2001 5204 787.500,00 25/04/2001 A Declaração de Compensação não foi homologada pela DRF Brasília, tendo em vista não ter sido confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF citado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. A contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, no prazo regulamentar, alegando que: a) O crédito foi gerado em decorrência do acordo consubstanciado na Escritura Pública de Transação sob Condição Suspensiva, firmada em 16 de abril de 2001, por meio da qual a BASF S/A se comprometeu a pagar o montante de R$ 15.750.000,00 ao Grupo OK Construção e Incorporação, que teria sido contabilizado como receita própria. Em decorrência dessa operação, teria sido recolhido pela BASF S/A a quantia de R$ 787.500,00 de imposto de renda retido na fonte, conforme DARF à folha 61; b) cometeu o equívoco de não incluir o valor no ajuste anual do imposto de renda como dedução do imposto devido no primeiro trimestre do ano calendário, como saldo negativo de IRPJ; c) a negativa da RFB em homologar a compensação frente às evidências apresentadas caracterizaria uma tentativa de enriquecimento ilícito do Estado, no sentido de que a receita correspondente teria sido tributada juntamente com os demais rendimentos e o valor retido não teria sido utilizado até o envio das Declarações de Compensação. d) a doutrina corrobora com o seu entendimento e que a administração tributária deveria pautar sua atuação pelo Princípio da Moralidade, prevalecendo o Princípio da Verdade Material; e e) o crédito existe, é certo e exigível e poderá ser compensado para quitação de outros débitos da contribuinte. A DRJ Brasília considerou a manifestação de inconformidade improcedente, tendo em vista que a origem do crédito informado não seria "saldo negativo de IRPJ” e que não poderia ser alterado o objeto da manifestação de inconformidade para retificar o PER/Dcomp. Cientificado da decisão em 29 de junho de 2010, a recorrente interpôs recurso voluntário, por meio de procuradores legalmente habilitados, no dia 29 do mês subsequente, com os seguintes argumentos: a) o crédito concernente ao pagamento indevido ou a maior de IRRF foi gerado em virtude do acordo expresso em Escritura Pública de Transação sob Condição Suspensiva, firmada 16 de abril de 2001, por meio do qual foi recebido R$ 15.750.000,00, com retenção de R$ 787.00,00 a título de imposto retido na fonte; b) a requerente não cometeu erro, contrariamente ao afirmado na Manifestação de Inconformidade, de não haver incluído como antecipação do imposto devido no primeiro trimestre do ano calendário de 2001, pois era optante pela tributação do IRPJ e da CSLL na modalidade de lucro presumido, não tendo nada adicionar à base de cálculo para a apuração dos impostos; c) não está pleiteando a retificação de informações contidas no PER/Dcomp e que a RFB tem o dever de ofício de verificar a existência do referido crédito; d) o DARF foi originalmente recolhido no código 5204 (IRRF juros indenizações e lucros cessantes) que foi alterado unilateralmente e sem justificativas pela fonte pagadora, por meio de Redarf, para o código 1708 (IRRF remuneração de serviços Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 10166.904909/200865 Resolução nº 1801000.359 S1TE01 Fl. 126 3 prestados por pessoa jurídica), penalizando a recorrente em face da não localização do referido documento de arrecadação; e) a administração tributária deve pautar sua atuação pelo Princípio da Moralidade e não fazendo a compensação estaria se locupletando indevidamente do valor retido pela fonte pagadora; f) a compensação está de acordo com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo agido a contribuinte dentro da mais estrita legalidade; e g) a análise do pedido de compensação deve levar em conta a verdade material e não a verdade real, de forma prefacial e superficial. Anexa aos autos uma contranotificação extrajudicial da BASF S/A e os comprovantes de arrecadação emitidos pela RFB, e, por fim, requer que seja determinado o deferimento de diligência para verificação da existência, nos sistemas da RFB, do crédito demonstrado, com a consequente quitação, homologandose a referida compensação. É o relatório. Conheço do recurso, pois tempestivo. A princípio, a compensação pretendida pela Recorrente nestes autos foi negada pelo Despacho Decisório (fl. 62) em virtude de suposta inexistência do crédito, pois a Recorrente informou um pagamento a maior via DARF de R$787.500,00, mas esse DARF não foi encontrado nos registros da Receita Federal. Essa foi a fundamentação do despacho decisório. Em sede de manifestação de inconformidade, a Recorrente esclareceu os fatos e afirmou que, na verdade, o seu crédito é decorrente do saldo negativo do anocalendário de 2001, e não de simples pagamento a maior. É que a Recorrente teria feito um acordo judicial que lhe rendeu a quantia de R$15.750.000,00, sendo que, desse valor, R$ 787.500,00 foram pagos a título de imposto retido na fonte. No entanto, a Recorrente, ao declarar em sua DIPJ essa receita de R$15.750.000,00, não informou a retenção e, consequentemente, não a deduziu do valor do total de IRPJ devido ao final do período de apuração. Assim sendo, em razão dessa não dedução, a Recorrente acabou efetuando um recolhimento a maior no valor de R$787.500,00, exatamente o valor do crédito aqui pleiteado. Essas alegações da Recorrente estão acompanhadas de documentos que revestem de verossimilhança as alegações, principalmente a DIPJ/2002 (fls. 3659) e o DARF no valor de R$787.500,00, este devidamente recolhido (fl. 61). Diante dessas alegações da Recorrente, a DRJ constatou que o motivo que fundamentou o Despacho Decisório (inexistência do DARF) realmente não subsistia, pois o DARF foi apresentado nestes autos (fl. 61). No entanto, ainda assim a DRJ negou a compensação pleiteada, adotando argumento novo, não trabalhado anteriormente pelo Despacho Decisório, qual seja: a impossibilidade de retificação do PER/DCOMP através de manifestação de inconformidade. Percebese, portanto, que a DRJ alterou por completo a fundamentação do Despacho Decisório, adotando outra diversa. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 10166.904909/200865 Resolução nº 1801000.359 S1TE01 Fl. 127 4 Sabese que este Conselho tem adotado com frequência o acertado entendimento de que o ato administrativo tem sua validade vinculada aos motivos que lhe deram origem. Se os motivos forem inválidos ou inexistentes, a anulação do ato administrativo é medida impositiva. É a chamada Teoria dos Motivos Determinantes. A ementa abaixo demonstra bem esse entendimento: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. PER/DCOMP. DIPJ. HOMOLOGAÇÃO. Se o saldo negativo informado no Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) é inferior ao mesmo saldo negativo informado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deve a homologação da compensação se fazer até o limite daquele primeiro saldo. DESPACHO DECISÓRIO. TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES. ATO ADMINISTRATIVO. Uma vez declarado o motivo ou o fundamento de um ato administrativo, aquele (motivo ou fundamento) deve ser respeitado, condicionando a validade deste (ato administrativo). (CARF, Primeira Seção, 3ª Turma Especial, acórdão de nº 1803002.236, de 31/07/2014) No entanto, não há lugar no presente caso para aplicação da referida teoria, a despeito de a DRJ ter adotado fundamentação distinta daquela adotada pelo Despacho Decisório. É que, por uma questão de lógica, a Teoria dos Motivos Determinantes só tem espaço nas situações em que a Administração, no momento de edição do ato administrativo, tenha conhecimento de toda a matéria que circunda a situação, de modo a possuir condições totais de analisar a matéria por completo. No presente caso, no entanto, considerando a informação prestada pelo contribuinte de que o crédito pleiteado possuía a natureza de pagamento indevido ou maior, e tendo o recolhimento sido realizado pela fonte pagadora do rendimento em questão (IRRF), a RFB não dispunha de elementos suficientes para proceder a uma análise mais acurada da existência do crédito em questão. Foi só com as informações prestadas pela Recorrente, na manifestação de inconformidade, é que a autoridade administrativa teve ciência do efetivo crédito pleiteado, e só então ela pode adotar o fundamento de impossibilidade de retificação da PER/DCOMP, o que foi feito pela DRJ. Portanto, a alteração da fundamentação do ato administrativo levada a cabo pela DRJ foi legítima. Contudo, no aspecto material, entendo que a decisão merece reforma, por ter sido extremamente formalista e relegado a segundo plano a verdade material, que deve nortear o processo administrativo. Como visto acima, a falta de reconhecimento, pela RFB, do direito creditório invocado pela Recorrente decorre de mero equívoco do contribuinte na hora de transmitir a declaração de compensação, uma vez que, no PER/DCOMP, deveria ter justificado o saldo credor como sendo “saldo negativo” e não como “pagamento a maior”. Todavia, erros formais no preenchimento de declarações não são capazes de elidir a pretensão da Recorrente, mormente quando esta se baseia em direito creditório efetivamente demonstrado. O CTN é categórico em reconhecer o direito de restituição ao contribuinte que tenha pagado tributo a maior ou indevidamente. É o que dispõe o art. 165: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 10166.904909/200865 Resolução nº 1801000.359 S1TE01 Fl. 128 5 modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória.” (destacamos) Assim sendo, por questões de eficiência, moralidade e legalidade, é dever da Administração anular seus atos eivados de ilegalidade tão logo esta seja detectada, sem criar óbices burocráticos ao cumprimento da lei. No presente caso, a Recorrente, tendo verificado a existência de saldo negativo de IRPJ, pretendeu efetuar, nos termos da legislação federal, a compensação de tal valor no PER/DCOMP objeto deste processo. Entretanto, ao emitir sua declaração de compensação, a Recorrente cometeu uma impropriedade formal que, de fato, impossibilitou à Administração, num primeiro momento, a verificação da existência do crédito. No entanto, essa impossibilidade inicial foi afastada com a apresentação da manifestação de inconformidade, por meio da qual a Recorrente demonstrou bem qual era, de fato, a sua pretensão. Nesse caso, a Administração não deve ficar presa à literalidade da declaração. E isso por vários motivos: (i) porque a Constituição exige da Administração uma atuação eficiente (art. 37), e não se pode reconhecer eficiência numa decisão que simplesmente desconsidera a verdade dos fatos; (ii) porque é cediço que na esfera administrativa impera a verdade material, devendo ser mitigados institutos processuais como o da preclusão ou coisa julgada; (iii) porque fere a razoabilidade negar, depois de já se ter movimentado toda a máquina administrativa, um crédito tributário que pode ser reconhecido no Judiciário, o que gerará mais gastos para o erário, tanto para custear o processo administrativo que não acabará ali, mas também para o acompanhamento do processo judicial, que certamente se seguirá. Ora, os órgãos administrativos devem prezar pelo gasto consciente do dinheiro público. De nada adianta negar aos contribuintes compensações com base em argumentos extremamente burocráticos e gerar novos gastos (acompanhamento do processo administrativo e do processo judicial) para que, ao final, a compensação seja analisada e determinada pelo Judiciário. Sendo possível, é dever da Administração resolver a questão quando ela se encontra na sua esfera. E no presente caso era (e ainda é) possível. Em resumo, deve prevalecer a boafé da empresa e o princípio da verdade material. Nesse contexto, aliás, a jurisprudência administrativa tem reconhecido a possibilidade de se desconsiderarem pequenos erros materiais no preenchimento da DCOMP, conforme demonstram as ementas abaixo: Fl. 128DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 10166.904909/200865 Resolução nº 1801000.359 S1TE01 Fl. 129 6 “IRPJ PREJUÍZO FISCAL COMPENSAÇÃO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Compensação de IRPJ recolhido por estimativa em exercício cujo resultado foi prejuízo fiscal, deve ser admitida, não obstante erro de fato no preenchimento da declaração, que não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Prevalência do princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido.” (Primeiro Conselho de Contribuintes. 8ª Câmara. Acórdão nº 10808.805, PTA 1014000094620020, sessão de 27/04/2006) “COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO. Descabe considerarse, como suposta alteração da origem do crédito pleiteado, o comprovado erro no preenchimento de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp).” (3ª Turma Especial, 3ª Seção do CARF. Acórdão nº 1803001.551 do PTA nº 10283.900422/200958, sessão de 06.11.2012) “COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido.” (Primeiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Acórdão nº 10196.829, PTA 10768100409200368, sessão de 27/06/2008) Portanto, erro no preenchimento do PER/DCOMP não pode prevalecer sobre o direito ao crédito decorrente de pagamento indevidamente efetuado, desde que este seja devidamente demonstrado. Nestes autos há documentos que ao menos indicam a efetiva existência do crédito alegado pela Recorrente. Como dito acima, às fls. 3659 está acostada a DIPJ do ano calendário de 2001. Analisando essa declaração, é possível ver que nos três primeiros trimestres do ano a receita bruta da Requerente girou em torno de R$1.800.000,00. No entanto, no quarto trimestre daquele ano houve reconhecimento de valor extremamente superior aos três primeiros trimestres, que monta em R$42.544.213,28. Ou seja, é razoável de se admitir que a receita decorrente do acordo judicial (no valor de R$15.750.000,00) está contida nos R$42.544.213,28 informados no 4º trimestre de 2001, pois esta receita foi extremamente superior a dos demais e, ao que tudo indica, não faz parte dos ganhos habituais da Recorrente. Nesse contexto, visando a apurar a verdade material dos fatos de modo a dar subsídios para este Conselho decidir da maneira mais consentânea com a legalidade, voto por determinar a conversão do julgamento na realização de diligência com a finalidade de que a unidade de jurisdição da Recorrente: (i) intime a Recorrente para comprovar o recolhimento regular do IRPJ com base nos valores declarados na DIPJ/2002, por meio de demonstrativo analítico que ateste a inclusão do rendimento em questão nas bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, que deve guardar correspondência com a escrituração contábil, especialmente com os valores lançados na conta contábil nº 4103010001 e suas contrapartidas; (ii) verifique se o crédito de R$787.500,00 não foi utilizado em outros processos e, caso tenha sido, se há saldo suficiente para compensar o débito declarado neste processo. Ao final, devem ser juntados aos presentes autos o resultado da diligência já realizada nos autos do PAF nº xxxxxxxx, bem como cópia do acórdão lá formalizado. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Fl. 129DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES
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Numero do processo: 10280.904348/2012-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.
Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
Numero da decisão: 3402-002.650
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas de créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
Participaram ainda do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas de créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram ainda do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
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CONHECIMENTO. A parte, ao recorrer, deve claramente identificar o objeto e os motivos de sua irresignação. Não se conhece do recurso genérico e desprovido de fundamentação. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de formular quesitos. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social nãocumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 43 48 /2 01 2- 74 Fl. 527DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas de créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator Participaram ainda do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Alunorte –alumina do Norte do Brasil S/A transmitiu o Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER nº 23632.35077.260411.1.1.082764, visando ao ressarcimento do saldo credor da PIS acumulado no 1° trimestre de 2011, no valor de R$ 6076659,4500000002. A DRF/BEL deferiu o ressarcimento de R$ 2212915,1600000001. De acordo com o Parecer SEORT/DRF/BEL Nº 1017 (fls. 12 a 30), que amparou o Despacho Decisório, a glosa de R$ 3863744,29, deveuse aos seguintes ajustes: (i) no coeficiente de rateio dos créditos, previsto no inciso II do § 8º do art. 3º da Lei de Regência, pelo recálculo das receitas de vendas para o mercado interno, com acréscimos das receitas omitidas contribuinte; (ii) exclusão dos créditos sobre bens que não são empregados na produção de bens destinados à venda, ou descritos de forma imprecisa que não possibilita enquadramento para fins de aproveitamento do crédito; (iii) exclusão dos créditos tomados sobre ferramentas e equipamentos de segurança e proteção individual; (iv) exclusão dos créditos tomados sobre itens não enquadrados como partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, que não atende aos requisitos para crédito, porque não são partes e peças de reposição que possam comprovadamente ser enquadradas como insumos diretos; (v) exclusão dos créditos tomados sobre itens empregados indiretamente na produção: a aquisição de bens e Fl. 528DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904348/201274 Acórdão n.º 3402002.650 S3C4T2 Fl. 528 3 serviços não enquadrados como insumos diretos, porque não sofrem alterações em decorrência da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; (vi) exclusão dos créditos tomados sobre combustíveis e lubrificantes, não aplicados em máquinas e equipamentos diretamente envolvidos na produção dos bens destinados à venda; (vii) exclusão dos créditos tomados sobre serviços que não guardam relação direta com as atividades produtivas; (viii) exclusão dos créditos tomados sobre serviços de manutenção de bens componentes do Ativo Imobilizado; (ix) exclusão dos créditos sobre serviços de hotelaria e sobre serviços prestados por pessoas físicas; (x) exclusão dos créditos tomados sobre o valor das despesas com fretes contratados para o transporte de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos industriais e destes para os estabelecimentos comerciais da mesma pessoa jurídica; (xi) exclusão dos créditos tomados sobre serviços não especificados adequadamente em relação ao processo produtivo: (xii) exclusão dos créditos tomados sobre as despesas de depreciação de bens destinados ao Ativo Imobilizado, mas que, pela sua descrição, não se destinam ao AI (serviços de hotelaria, sedex, locação de veículos, serviços de apoio administrativo, aluguel de imóvel residencial, serviços de intérprete e tradução francês português, limpeza de fossa, fornecimento de combustíveis, serviços de paisagismo, serviços de transporte, desenvolvimento e implantação de site da internet); (xiii) exclusão dos créditos tomados sobre as despesas de depreciação de bens destinados ao Ativo Imobilizado, não utilizados na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços: (compra de cadeiras para o restaurante, armários, condicionador de ar, válvulas); (xiv) exclusão dos créditos tomados sobre as despesas de depreciação de bens destinados ao Ativo Imobilizado, sem prova de que efetivamente destinemse ao AI: aquisição de materiais diversos, fornecimento de materiais; Fl. 529DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 4 (xv) recomposição dos créditos tomados sobre edificações, procedida pelo contribuinte à taxa de 1/12, quando o correto é 1/24., e; (xvi) exclusão dos créditos tomados em aquisições de bens com suspensão das contribuições sociais. Todos esses ajustes foram detalhados, item por item, consolidados em planilha específica. Sobreveio Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/BEL. O Acórdão nº 01030.195, de 9/30/2014 (fls. 328 a 354), teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 PAF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972, também se fazendo incabível sua realização quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS. DESCRIÇÃO E IDENTIFICAÇÃO. IMPRESCINDIBILIDADE. Em sede de ressarcimento, deve restar demonstrada de forma induvidosa a existência dos créditos alegados. A descrição precisa de bens e serviços, bem como a perfeita identificação de sua concreta aplicação ou consumo na produção ou fabricação do produto, é imprescindível ao reconhecimento da pretensão creditória. PIS NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo do PIS NãoCumulativo somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a Fl. 530DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904348/201274 Acórdão n.º 3402002.650 S3C4T2 Fl. 529 5 insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. PIS NÃOCUMULATIVO. FRETE. CRÉDITOS. A pessoa jurídica somente poderá descontar créditos calculados em relação a frete na operação de venda e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor. PIS NÃOCUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na nãocumulatividade do PIS, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/BEL. O arrazoado de fls. 362 a 407, após síntese dos fatos relacionados com a lide, repetindo integralmente os termos da Manifestação de Inconformidade, está estruturado em três capítulos. O primeiro, intitulado “DA BREVE SÍNTESE DO PROCESSO PRODUTIVO DA ALUMINA DA APLICAÇÃO DIRETA DE ALGUNS DOS INSUMOS INEXPLICAVELMENTE GLOSADOS DO INCABIMENTO DAS GLOSAS RELATIVAS AO ÁCIDO SULFÚRICO, CALCÁRIO CALDEIRA. INIBIDOR DE CORROSÃO E SERVIÇOS EMPREGADOS COMO INSUMOS DESCRIÇÃO E JUSTIFICATIVA DE SUA INCLUSÃO NO COMPUTO DO CUSTO DE PRODUÇÃO DA ALUMINA EXPORTADA DA JURISPRUDÊNCIA DO CARF QUE VEM REFORMANDO TAIS GLOSAS ESPECIFICAS”, descreve o processo produtivo da alumina, controverte as glosas dos créditos tomados sobre as compras de ácido sulfúrico, calcário e inibidores de corrosão, explicando seu emprego no processo. Irresignase também contra as glosas dos créditos sobre os serviços de remoção de rejeitos industriais. O segundo capítulo – DO INCABIMENTO DAS GLOSAS DOS CRÉDITOS RELATIVOS AO ATIVO IMOBILIZADO/EDIFICAÇÕES SEGUNDO O REGIME PREVISTO NAS LEIS 10833/2003 E 10637/2002 ART. 31. INCISO II. DA LE111.196/2005 E §14, DO ART. 3° DA LEI 10833/2003 E INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N° 457/2004 – pugna pelo direito de tomada de créditos sobre a depreciação acelerada, aplicável para as aquisições de bens de capital realizadas por pessoas jurídicas estabelecidas na área de atuação da SUDAM, com fundamento na Lei nº 11.196, de 2005, que instituiu o Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras (RECAP), ou com fundamento na Lei nº 11.488, de 2007, que instituiu o Regime Especial de Investimentos para o Desenvolvimento da InfraEstrututra (REIDI). Fl. 531DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 6 O último capítulo – DOS CONTORNOS LEGAIS. ENTENDIMENTO DOUTRINÁRIO E JURISPRUDENCIAL RELATIVO AO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE APLICADO A COFINS E CONTRIBUIÇÃO AO PISPASEP – digressiona sobre a não cumulatividade das contribuições sociais. Em conclusão, pede a reversão das glosas e reitera o pedido de realização de perícia, indicando e qualificando o perito. A numeração das folhas referese à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 362 a 407 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJBEL3ª Turma nº 01030.195, de 9/30/2014. MATÉRIAS CONTROVERTIDAS Dentre os diversos ajustes procedidos pela Fiscalização, o recorrente atevese às glosas dos créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico, de calcário e de inibidores de corrosão e sobre a contratação de serviços de transporte de resíduos industriais. PEDIDO DE PERÍCIA Transcrevo o pedido de perícia formulado na conclusão do recurso para maior clareza: Reiterase, outrossim, o pedido e realização de perícia suplementar em que pese o material probatório que ilustra claramente, não somente a aplicação efetiva dos bens glosados como insumos que integram o custo de produção do produto final destinado à venda como ainda que não houve classificação e apropriação de créditos sobre "edificações" ao Ativo Imobilizado da companhia recorrente, senão de máquinas e equipamentos que, portanto, deveriam ter sido considerados como cabíveis para esse fim, levando em consideração não ter sido realizada qualquer inspeção física presencial na industrial da Refinaria da Recorrente. Na condição de assistente técnico, reitera a nomeação do Sr. Sebastião José Rosa inscrito no CRC/RJ, sob o n.° 039332/04, residente e domiciliada na cidade de Barcarena PA, sito na Tv. Lino José Gomes, 223, CEP 68447 000. A propósito, o § 1° do art. 16 do Processo Administrativo Fiscal Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF determina que se considere não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do mesmo artigo. Embora Fl. 532DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904348/201274 Acórdão n.º 3402002.650 S3C4T2 Fl. 530 7 tenha indicado e qualificado o perito, o recurso deixou de formular quesitos, de sorte que tenho como não formulado o pedido. MÉRITO Conceito de insumo adotado neste voto Com a edição da Emenda Constitucional nº 42, de 31 de dezembro de 2003, o princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais alcançou o plano constitucional através da inserção do § 12 ao art. 195 da Constituição da República Federativa do Brasil – CF/88. É verdade, da norma constitucional em referência não se extrai a possibilidade de dedução de créditos a todo e qualquer bem ou serviço adquirido para consecução da atividade empresarial, restando expresso que a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade aplicável às Contribuições Sociais ficaria afeta ao legislador ordinário. Foi o art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , inc. II, com a redação da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, no que pertine ao PIS, que regulamentou o direito de crédito da Contribuição sobre bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI. Interpretando o conteúdo da legislação fiscal em comento, a Autoridade Tributária veiculou, pela Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002 (redação alterada pela Instrução Normativa SRF nº 358, de 9 de setembro de 2003), e Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, orientação necessária à sua execução, estabelecendo, para fins de aproveitamento de créditos, o alcance do termo "insumo", ao dispor: INSRF nº 247, de 2002 PIS/Pasep Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: [...] b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...] Fl. 533DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 8 § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) INSRF nº 404, de 2004 Cofins Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: [...] b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Fl. 534DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904348/201274 Acórdão n.º 3402002.650 S3C4T2 Fl. 531 9 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...] O que se deduz da leitura das referidas regras infralegais é que a apuração do creditamento da Contribuição ao PIS e da Cofins foi restrita aos bens que compõem diretamente os produtos da empresa (a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado) ou prestação de serviços aplicados ou consumidos na fabricação do produto. A definição de "insumos" adotada pelo Fisco foi, nitidamente, contrabandeada da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ditada, atualmente pelo art. 226 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 – RIPI/2010. Comparese: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; [...] Todavia, penso não ser possível que a sistemática das Contribuições Sociais nãocumulativas colha o conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI, porque o legislador ordinário simplesmente não fez essa importação. Cabe enfatizar: nas leis que tratam do PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, não há remissão a qualquer arcabouço normativo em vigor para se colher o conceito de "insumos". A nãocumulatividade das Contribuições Sociais apresenta perfil totalmente diverso daquela atinente ao IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Como se verifica, na técnica de arrecadação dessas contribuições, não há propriamente um mecanismo nãocumulativo, decorrente do creditamento de valores das entradas de bens que sofrerão nova incidência em etapa posterior da cadeia produtiva, nos moldes do que existe para o IPI, tributo geneticamente informado pelo princípio. As próprias Leis Instituidoras elasteceram a definição de "insumos", ao admitir que prestação de serviços seja considerada como tal, verdadeira heresia no regime do IPI. Ressalta se, ainda, que a nãocumulatividade do PIS e da Cofins não tem por objetivo eliminar o ônus Fl. 535DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 10 destas contribuições apenas no processo fabril, visto que a incidência destas exações não se limita às pessoas jurídicas industriais, mas a todas as pessoas jurídicas que aufiram receitas, inclusive prestadoras de serviços (excetuandose as pessoas jurídicas que permanecem vinculadas ao regime cumulativo elencadas nos artigos 8º da Lei nº 10.637, de 2002, e 10 da Lei nº 10.833, de 2003), o que dá maior extensão ao contexto normativo desta contribuição do que aquele atribuído ao IPI. A utilização da legislação do IR, como pretende parcela da doutrina e a jurisprudência marginal do CARF, também encontra o óbice do excessivo alargamento do conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a produção de uma empresa, perdendo a conceituação uma desejável proximidade ao processo produtivo e à atividadefim, que é o que se intenta desonerar, passandose a desonerar o produtor como um todo e não especificamente o processo produtivo. Com efeito, o conceito de “insumos” não é próprio da legislação do Imposto de Renda que faz uso de termos jurídicocontábeis, a exemplo dos termos “Custos de mercadorias ou serviços” e “Despesa Operacional”. Sob o signo “Despesas Operacionais” se encontra uma miríade de despesas que sequer se aproximam de um conceito formulado pelo senso comum de “insumos”. Inclinome pelo conceito de insumo deduzido no voto condutor do REsp nº 1.246.317 MG (2011/00668193). Nele, o Ministro Mauro Campbell Marques interpreta que, da dicção do inc. II do art. 3º tanto da Lei nº 10.637, de 2002, quanto da Lei nº 10.833, de 2003, extraise que nem todos os bens ou serviços, utilizados na produção ou fabricação de bens geram o direito ao creditamento pretendido. É necessário que essa utilização se dê na qualidade de "insumo" ("utilizados como insumo"). Isto significa que a qualidade de "insumo" é algo a mais que a mera utilização na produção ou fabricação, o que também afasta a utilização dos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" inerentes ao IR. Não basta, portanto, que o bem ou serviço seja necessário ao processo produtivo, é preciso algo a mais, algo mais específico e íntimo ao processo produtivo. As leis, exemplificativamente, mencionam que se inserem no conceito de “insumos” para efeitos de creditamento: a) serviços utilizados na prestação de serviços; b) serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c) bens utilizados na prestação de serviços; d) bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e) combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f) combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. O Min. Campbell Marques extrai o que há de nuclear da definição de “insumos” para efeito de creditamento e conclui: a) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos pertinência ao processo produtivo; Fl. 536DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904348/201274 Acórdão n.º 3402002.650 S3C4T2 Fl. 532 11 b) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição essencialidade ao processo produtivo; e c) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Explica ainda que, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. O Carf, ao menos majoritariamente, vem sufragando o entendimento de que o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Ilustro: Acórdão nº 3403002.783, de 25 de fevereiro de 2014, Cons. Rosaldo Trevisan ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS .NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art.62 A de seu Regimento Interno. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO.CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais. Por outro lado, não constituem insumos os combustíveis utilizados em veículos da empresa que transportam funcionários. Acórdão nº 3403002.656, de 28 de novembro de 2013, Cons. Rosaldo Trevisan: Fl. 537DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 12 ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO.SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Particularmente, entendo ainda mais apropriado a especificidade do conceito deduzido pelo Min. Mauro Campbell Marques, plasmado no REsp 1.246.317MG, segundo o qual (sublinhado no original): Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Portanto, não é todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ. Há de se perquirir a pertinência e a essencialidade do gasto relativamente ao processo fabril ou de prestação de serviço para que se lhe possa atribuir a natureza de insumo. Com as disposições das Leis de Regência em vista e à luz do conceito acima deduzido, passase à analise do caso concreto. A Alunorte dedicase à extração da alumina (Al2O3) da bauxita por meio do processo Bayer. De 4 a 7 toneladas métricas de bauxita extraemse 2 toneladas métricas de alumina, que permitirão produzir 1 tonelada métrica de alumínio.As principais etapas desse Fl. 538DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904348/201274 Acórdão n.º 3402002.650 S3C4T2 Fl. 533 13 processo são: moagem, digestão (extração com soda cáustica), separação e filtração de resíduos sólidos, precipitação e calcinação, obtendose então a alumina calcinada1. Fluxograma do Processo Bayer 2 Em apertadíssima síntese, a alumina é separada da bauxita por meio de uma solução aquecida de soda cáustica (hidróxido de sódio) e de cal (óxido de cálcio). A mistura é bombeada para o interior de recipientes de alta pressão e aquecida. A soda cáustica dissolve a alumina, que se precipita da solução saturada. A alumina é, então, lavada e aquecida para a remoção da água. O material precipitado é filtrado e lavado, para remover e recuperar a solução cáustica. Todo o restante é eliminado por filtragem e a alumina é seca até atingir a forma de pó branco. Mérito: glosa de créditos a título de insumos No contexto do Processo Bayer, a recorrente explica que o ácido sulfúrico é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água 1 Fonte: http://slideplayer.com.br/slide/78211/, visitado em 04/02/2015. 2 Publicado em http://www.hydro.com/pt/AHydronoBrasil/Sobreoaluminio/Ciclodevidado aluminio/Refinodaalumina/, visitado em 04/02/2015. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 14 para as caldeiras. O calcário (produto AL 200 – Carbomil) é empregado durante o processo de combustão nas caldeiras a carvão para absorção do enxofre, que é formado durante o processo de queima do carvão mineral. O inibidor de corrosão, por sua vez, é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. Entendo que o recorrente demonstrou de maneira satisfatória, por meio de sua explicação, a relação de pertinência e essencialidade do ácido sulfúrico e do produto denominado AL200Carbomil para com o processo produtivo da Alumina, nos termos do conceito de insumo que se adota neste voto, devendose reverter as respectivas glosas. Quanto ao inibidor de corrosão, compulsando o Parecer nº 1.017, fls. 22, contatei que não houve glosa de créditos tomados sobre este item. No que pertine à glosa dos créditos sobre serviços, a insurgência recursal resumiuse ao excerto abaixo transcrito: Especificamente quanto aos serviços utilizados com insumos. a D. autoridade fazendária, glosara serviços inegavelmente empregados como insumos porque diretamente aplicados ao processo produtivo, particularmente o de Transporte de Rejeitos Industriais, Serviço de Limpeza Industrial. Ácido Sulfúrico e Serviços Portuários. Naturalmente, que não poderia furtarse a impugnante do creditamento dos valores desembolsados com o transporte destes rejeitos, que são sabidamente inerentes ao processo fabril da alumina produzida e exportada por pessoa jurídica como a requerente. Os dispêndios com este transporte são, portanto, irrefutavelmente, dedutíveis. Não obstante a variada gama de rejeitos produzidos – alguns relacionados com a atividade produtiva, outros não, o fato é que o recurso foi genérico, sem especificar a que resíduo industrial se referia, nem indicar como se dá a prestação do serviço de transporte, de modo que se pudesse aferir sua pertinência com o processo produtivo e certificar a satisfação dos demais requisitos para a tomada de créditos a título de insumo (e.g., ser prestado por pessoa jurídica). Incidentalmente, convém também frisar que o Parecer nº 1017 não reporta qualquer glosa com a designação genérica “Transporte de Rejeitos Industriais”. A teor do art. 17 do Processo Administrativo Fiscal Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, é dever do contribuinte indicar as matérias contra as quais se insurge, bem como deduzir as razões de alegação, sendolhe vedado fazer contestações genéricas. Nesse sentido, não conheço dessa insurgência recursal. Mérito – glosa dos créditos sobre as despesas de depreciação Da planilha de créditos tomados sobre despesas de depreciação, além daqueles tomados sobre bens que não compõem o AI (e.g. serviços de hotelaria, sedex, locação de veículos, serviços de apoio administrativo, aluguel de imóvel residencial, serviços de intérprete e tradução francês/português, limpeza de fossa, fornecimento de combustíveis, serviços de paisagismo, serviços de transporte, desenvolvimento e implantação de sítio da internet etc.) e que não são utilizados para utilização na produção de bens (e.g. cadeiras para o restaurante, armários, condicionador de ar, válvulas etc.), a Fiscalização glosou o creditamento em excesso, decorrente, ou do emprego do valor de aquisição do bem como base de cálculo do crédito, ou do emprego de taxa de depreciação acelerada (1/12), sobre bens relacionados a Fl. 540DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904348/201274 Acórdão n.º 3402002.650 S3C4T2 Fl. 534 15 edificações, entendendo que, neste caso, deve ser aplicada taxa de depreciação em função da vida útil da edificação, ou seja, 25 anos ou 1/24 avos na hipótese de edificações incorporadas ao ativo imobilizado, adquiridas ou construídas para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (art. 6º da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). A Recorrente, por sua vez, não contesta a classificação das operações, tal como realizada pela Fiscalização. O argumento recursal fundamental é o de que, em relação a DRS Depósito de Rejeitos Sólidos; motobombas de diversas capacidades; válvulas angulares de diversos tamanhos; tanques de diversos tamanhos; empilhadeiras de bauxita e carvão; recuperadoras de bauxita e carvão; filtros hiperbáricos para polpa de bauxita; moinhos; Agitadores; aquecedores de polpa de bauxita; digestores pequenos e grandes; aquecedores de licor pobre; flash tanques; hidrociclones para remoção de areia; decantadores de licor rico; lavadores de lama vermelha; filtros de lama vermelha; válvulasfacas nos filtros de lama vermelha; filtros de pressão e licor rico; trocadores de calor de tubos; trocadores de calor de placas; precipitadores de hidrato; hidrociclones de hidrato; classificadores gravimétricos de hidrato; espessadores de hidrato; filtros de hidrato; calcinadores de hidrato/alumina; correias transportadoras de hidrato e alumina, e; silos de hidrato e alumina, os gastos com a aquisição e montagem de tais equipamentos são evidentes passíveis de incorporação ao ativo imobilizado, e os créditos gerados sobre os valores de compra, naturalmente apropriáveis no período apuratório considerado pelos regimes especiais constantes do art. 31, inciso II, da Lei 11.196/2005 e §3°, do art. 14 da Lei 10.833/2003 e Instrução Normativa SRF n° 457/2004 Alega, a Recorrente, que a Lei de Regência teria assegurado o direito de crédito também para estas hipóteses, conforme previsto categoricamente no art. 3°, incisos VI e VII. Ocorre que, nada obstante se esteja tratando de situação prevista pela Lei como hipótese de creditamento, tratase de hipótese em que a Lei não permite o creditamento pelo valor da aquisição, mas na proporção de sua depreciação. O que fez a Fiscalização, portanto, foi glosar o crédito que o contribuinte apropriou pelo valor integral da aquisição, visto que, ao classificarse a operação na hipótese do inciso VI, não poderia haver o creditamento tomando como base de cálculo o valor total pelo qual foi adquirido o bem. Não procede, pois, a alegação do Recorrente, devendo ser mantida a glosa. O Recorrente também sustenta que a Lei nº 11.196, de 2005, concede aos beneficiários do RECAP a possibilidade de optar pela amortização de em periodicidade diferenciada de 1/12 para os equipamentos referidos pela Lei. A Lei nº 11.196, de 2005, foi regulamentada pelo Decreto nº 5.988, de 2006, que assim dispôs: Art. 1º Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, para bens adquiridos de 1° de janeiro de 2006 a 31 de dezembro de 2013, as pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação, enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional, em microrregiões menos desenvolvidas localizadas nas áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM, terão direito: Fl. 541DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 16 I à depreciação acelerada incentivada, para efeito de cálculo do imposto sobre a renda; e II ao desconto, no prazo de doze meses contado da aquisição, dos créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS de que tratam o inciso III do § 1° do art. 3° da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o inciso III do § 1° do art. 3° da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e o § 4° do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, na hipótese de aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, destinados à incorporação ao ativo imobilizado. O Recorrente, no entanto, não demonstrou o preenchimento dos requisitos para a fruição deste benefício de amortização acelerada, não tendo impugnado pontualmente os fundamentos específicos das glosas, nem detalhado as características de cada um dos bens glosados. A arguição já foi apreciada pelo Conselheiro Ivan Allegretti por ocasião do julgamento do recurso voluntário interposto pela própria Alunorte, no processo nº 10280.722278/200932, idêntico ao que ora se analisa, resultando no Acórdão nº 3403 002.764, de 25 de fevereiro de 2014. Confirase as ementas pertinentes, que corroboram a presente decisão: MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS E OUTROS BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E EDIFICAÇÕES. ART. 3°, VI e VII, e § 1º, III, DA LEI 10.833/2003. Nada obstante se esteja tratando de situações previstas pela Lei como hipóteses de creditamento, tratase de hipóteses em que a Lei não permite o creditamento pelo valor da aquisição, mas na proporção dos encargos de depreciação e amortização. ATIVO IMOBILIZADO. FALTA DE IMPUGNAÇÃO CONCRETA DOS BENS ENVOLVIDOS. DEPRECIAÇÃO ACELERADA PREVISTA NA LEI 11.196/2005. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. Para a fruição da depreciação acelerada prevista na Lei n° 11.196/2005 é necessário demonstrar o atendimento de seus requisitos. Conclusão Com essas considerações, voto em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas dos créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Sala de sessões, em 24 de fevereiro de 2015 Fl. 542DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904348/201274 Acórdão n.º 3402002.650 S3C4T2 Fl. 535 17 Fl. 543DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN
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