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Numero do processo: 10314.724115/2012-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 11/01/2007
Ementa:
NULIDADE DO LANÇAMENTO. FALTA DE MPF.
Qualquer vício no MPF gerará efeitos na órbita administrativa, mas não a tal ponto de fulminar a própria constituição do crédito tributário, obra da ação fiscal por ele iniciada.
DECADÊNCIA.
É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991 que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante nº08 do STF.
A determinação do termo inicial para contagem do prazo decadencial depende da existência de pagamento ou de alguma atividade que o substitua ou que autorize o não pagamento. Caso não seja identificada a antecipação do pagamento, o termo inicial será o primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, conforme determina o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Caso contrário, o termo inicial será a data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN
CESSÃO DO NOME PARA UTILIZAÇÃO EM OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. MULTA PREVISTA NO ART. 33, DA LEI nº 11.488/07.
A cessão do nome para operações de comércio implica na aplicação da multa de 10% (dez por cento) do valor da mercadoria, prevista no art. 33, da Lei nº 11.488/07.
Numero da decisão: 3402-002.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para declarar a decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento tributário referente as DI's registradas antes de 20/06/2007. Votaram pelas conclusões os conselheiros Fernando Luiz da Gama D Eça, Silvia de Brito Oliveira e João Carlos Cassuli Junior.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Silvia de Brito Oliveira, João Carlos Cassuli Junior e Luiz Carlos Shimoyama.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 11/01/2007 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. FALTA DE MPF. Qualquer vício no MPF gerará efeitos na órbita administrativa, mas não a tal ponto de fulminar a própria constituição do crédito tributário, obra da ação fiscal por ele iniciada. DECADÊNCIA. É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991 que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante nº08 do STF. A determinação do termo inicial para contagem do prazo decadencial depende da existência de pagamento ou de alguma atividade que o substitua ou que autorize o não pagamento. Caso não seja identificada a antecipação do pagamento, o termo inicial será o primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, conforme determina o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Caso contrário, o termo inicial será a data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN CESSÃO DO NOME PARA UTILIZAÇÃO EM OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. MULTA PREVISTA NO ART. 33, DA LEI nº 11.488/07. A cessão do nome para operações de comércio implica na aplicação da multa de 10% (dez por cento) do valor da mercadoria, prevista no art. 33, da Lei nº 11.488/07.
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FALTA DE MPF. Qualquer vício no MPF gerará efeitos na órbita administrativa, mas não a tal ponto de fulminar a própria constituição do crédito tributário, obra da ação fiscal por ele iniciada. DECADÊNCIA. É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991 que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante nº08 do STF. A determinação do termo inicial para contagem do prazo decadencial depende da existência de pagamento ou de alguma atividade que o substitua ou que autorize o não pagamento. Caso não seja identificada a antecipação do pagamento, o termo inicial será o primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, conforme determina o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Caso contrário, o termo inicial será a data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN CESSÃO DO NOME PARA UTILIZAÇÃO EM OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. MULTA PREVISTA NO ART. 33, DA LEI nº 11.488/07. A cessão do nome para operações de comércio implica na aplicação da multa de 10% (dez por cento) do valor da mercadoria, prevista no art. 33, da Lei nº 11.488/07. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 41 15 /2 01 2- 55 Fl. 3982DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724115/201255 Acórdão n.º 3402002.367 S3C4T2 Fl. 101 2 ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para declarar a decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento tributário referente as DI's registradas antes de 20/06/2007. Votaram pelas conclusões os conselheiros Fernando Luiz da Gama D Eça, Silvia de Brito Oliveira e João Carlos Cassuli Junior. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Silvia de Brito Oliveira, João Carlos Cassuli Junior e Luiz Carlos Shimoyama. Relatório Para elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 20/06/2012, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro da mercadoria no valor de R$ 3.476.227,68 em virtude dos fatos a seguir descritos. No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, e conforme programação do Serviço de Pesquisa e Seleção da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em São Paulo (SEPEL/IRF/SPO) foi realizada auditoria fiscal nos termos da Instrução Normativa SRF nº 228 de 21 de outubro de 2002 para a verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior efetuadas pela empresa ALPHA COMÉRCIO DE ARTIGOS ELETRÔNICOS LTDA , CNPJ 7.459.885/000130. Foi constatado que a empresa cedeu seu nome para a realização de operação de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários na operação de importação, o que resultou na lavratura da pena de multa de 10% sobre o valor das mercadorias importadas. Cientificado do auto de infração, por via digital, em 21/06/2012 (fls.2192), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 20/07/2012, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 3784 à 3832, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Fl. 3983DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724115/201255 Acórdão n.º 3402002.367 S3C4T2 Fl. 102 3 Na forma do artigo 57 Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, a impugnante alegou que: DAS PRELIMINARES O decurso do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal. Preliminarmente, requer a decretação da nulidade do Auto de Infração ora impugnado, na medida em que está embasado no Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalizacão que deveria ser concluído até o dia 04/05/2012, o que não ocorreu, sendo que sua prorrogação ocorreu somente com a ciência do Contribuinte em 05.06.2.012 (fls. 2.187/2.191 dos autos), ou seja, quando já decorrido o prazo de 120 (cento e vinte) dias para conclusão do referido MPF. Portanto, é de se aplicar ao caso em tela, a orientação contida no artigo 14, da Portaria n° 3.014/2.011. Não anexação aos autos de cópias das Declarações de Importação. O Auto de Infração ora Impugnado, encontrase maculado, também, de vício formal insanável, na medida em que deixaram de anexar aos autos, cópias das Declarações de Importação processadas no período de 18/01/2007 a 22/12/2010, que ensejaram na proposta da aplicação da penalidade de multa prevista no artigo 33, da Lei n° 11.033/2.007, restando violado o artigo 9º do Decreto n.º 70.235/72. A não instauração de Procedimento Fiscal para a aplicação da Pena de Perdimento. O “Procedimento Especial de Fiscalização” instaurado contra a Requerente com fundamento nas disposições contidas na IN/SRF n° 228/2012, jamais poderia seguir o rito sumário imposto pela IRF/SP, que resultou na proposta de “APLICAÇÃO DA PENALIDADE DE MULTA PREVISTA NO ARTIGO 33. DA LEI N° 11.433/2007, a pretexto de que a mesma teria cedido seu nome para terceiros, visando acobertar as operações de importação processadas no período de 18.01.2.007 a 22.12.2010, o que comprovadamente jamais ocorreu. A fiscalização deixou de cumprir as disposições previstas na IN/SRF n° 228/2002 pela não instauração de Procedimento Fiscal onde deveria ser proferida Decisão administrativa aplicando a Pena de Perdimento das mercadorias importadas pela Requerente do exterior no período de 18.01.2.007 a 22.12.2.010. Significa dizer, que a prevalecer a exigência do recolhimento da penalidade de multa formalizada no Auto de Infração ora impugnado restarão violadas cláusula pétrea da Constituição Federal vigente, bem como, disposições expressas previstas no Decreto n° 70.235/72, com as posteriores alterações das Leis n°s 8.743/93 e 9.532/97, combinado com a Lei n° 9.784/99. Fl. 3984DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724115/201255 Acórdão n.º 3402002.367 S3C4T2 Fl. 103 4 Intimação para promover a restituição/devolução das mercadorias importadas. Também não há notícias nos autos, de que a Requerente tenha sido intimada pela Fiscalização Fazendária para promover a restituição/devolução das mercadorias importadas, até porque tratamse de bens fungíveis. Junta textos da Jurisprudência Judicial e da doutrina a respeito do assunto. Violação do direito adquirido. Entende que as conclusões do Procedimento Especial de Fiscalização instaurado com base na IN/SRF n° 228/2.002, não poderão retroagir para atingir fatos geradores ocorridos anteriormente, no caso, as Declarações de Importação citadas no Auto de Infração, processadas no período de 18.01.2007 a 22.12.2010, uma vez que tais importações foram efetuadas regularmente, com fiel atendimento às normas previstas na legislação vigente, sob pena de restar violado o direito adquirido. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto. Esse procedimento só poderá ser adotado em ato de revisão aduaneira. Da decadência. Também em sede de Preliminares, entende a ora Requerente, que na questão posta nos autos, com relação às Declarações de Importação registradas no SISCOMEX no período de 18.01.2007 a 12.06.2010, operouse a Decadência. Na questão posta nos autos, relativamente as Declarações de Importação relacionadas no Auto de Infração ora impugnado, operouse a “DECADÊNCIA”, nos termos da orientação contida no artigo 173 do Código Tributário Nacional, tendo em vista que a Requerente somente foi cientificada sobre respectivo lançamento de que trata o Auto de Infração ora impugnado em 21.06.12, ou seja, após o decurso do prazo decadencial. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. Para o caso em tela, a orientação prevista no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Portanto, a imediata declaração da nulidade do Auto de Infração ora impugnado, é medida que se impõe, sob pena de restar caracterizado o enriquecimento sem causa, vez que, está sendo exigido da ora Requerente, penalidade de multa manifestamente ilegal. O artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. Fl. 3985DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724115/201255 Acórdão n.º 3402002.367 S3C4T2 Fl. 104 5 Em face da edição da Lei n° 11.488/2.007, artigo 33, não há embasamento legal para conversão da Pena de Perdimento das mercadorias importadas do exterior e desembaraçadas pelas Declarações de Importação processadas no período de 18.01.2007 a 22.11.2005, em Penalidade de multa correspondente ao valor aduaneiro das referidas mercadorias. Na questão posta nos autos, a Instrução Normativas/SRF n° 228/2002 e embasamento legal utilizado pela Fiscalização Fazendária para lavratura do Auto de Infração ora Impugnado extrapolaram, flagrantemente, os limites da lei a que deveriam estar atreladas, no caso ao DecretoLei nº 37/66, artigo 105, incisos I a XXII, combinado com o DecretoLei n° 1.455/76, artigo 23, incisos I a V, e artigo 27, da Lei n° 10.637/2002. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto. O préjulgamento do Contribuinte. Não se deve perder de vista, também, que na forma como é hoje realizado o Procedimento Especial de Fiscalização com base na IN/SRF. n° 228/2.002, o que ocorre, na verdade, é um pré julgamento do Contribuinte, sem que lhe seria assegurado qualquer direito de defesa, o que convenhamos, è manifestamente ilegal/inconstitucional em face da flagrante ofensa ao “DEVIDO PROCESSO LEGAL”, fazendo os Agentes Fazendários as vezes de Juiz e Parte, o que convenhamos, é inadmissível. Na medida em que o Auto de Infração ora Impugnado encontra se maculado por vícios formais insanáveis, como restou acima demonstrado, é de se aplicar a decretação de sua nulidade, a teor do disposto no artigo 59, do Decreto n° 70.235/72, com as posteriores alterações das Leis n°s. 8.748/93 e 9.532/97. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto. Da competência para aplicar a pena de perdimento. No texto original do DecretoLei n° 1.455/76, a competência para aplicação do “PERDIMENTO DE BENS IMPORTADOS”. ERA EXCLUSIVA DO EXMO. SR. MINISTRO DA FAZENDA. Hoje, no entanto, em face de sucessivas delegações de competência, a Autoridade que promove a apreensão dos bens é a mesma que julga o feito, ou seja, faz vezes de Juiz e Parte, o que convenhamos, é inadmissível, ainda mais em se tratando de tão grave sanção como o “PERDIMENTO”, que envolve a perda da propriedade. Portanto, levandose em consideração o princípio da “Imparcialidade dos Julgamentos” que deve imperar no Processo administrativo fiscal, jamais poderia ser aplicada a “PENA DE PERDIMENTO” das mercadorias importadas do exterior pela empresa "ALPHA” por parte da IRF/SP. Junta textos da doutrina a respeito do assunto. Fl. 3986DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724115/201255 Acórdão n.º 3402002.367 S3C4T2 Fl. 105 6 DO MÉRITO Inobservância dos princípios da estrita legalidade. Na questão posta nos autos, a aplicação da Pena de Perdimento das mercadorias importadas pela Requerente do exterior, e despachadas pelas Declarações de importação processadas no período de 18.01.2.007 a 22.12.2.010, está embasado no artigo 23, inciso V, do DecretoLei n° 1.455/76. Contudo, a Requerente jamais praticou a infração tipificada no inciso V, do artigo 23, do DecretoLei n° 1.455/76, com a atual redação do artigo 59, da Lei n° 10.637/2.002, pelos motivos seguintes: • Nas importações realizadas pela Requerente do exterior em 2.007/2010, objeto das Declarações de Importação relacionadas no Auto de Infração, não houve a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor ou comprador, ou responsável pela operação mediante fraude ou simulação, o que é inclusive, corroborado no Relatório elaborado pelo AFRF/IRFSP,quando da realização dos procedimentos especiais de fiscalização com base na IN/SRF. n° 228/2002. • Os documentos anexados aos autos comprovam, de forma inquestionável, que a mesma jamais omitiu ou ocultou o fato de que parte dos Recursos Financeiros utilizados nas operações de importação de que tratam as Declarações de Importação processadas no período de 18.01.2.007 a 22.12.2.010, foram antecipados pelas empresas “V.F.R.” e “PROSERVICE” e “JL”, bem como, pelos “Contratos de Mútuo”, tanto que tais antecipações financeiras foram regularmente contabilizadas e objeto de declaração específica, conforme afirmado pelos Ilustres Agentes Fazendários; • Quanto a importação de mercadorias do exterior, objeto das Declarações de Importação discriminadas no Auto de Infração, não houve ocultação das pessoas jurídicas que forneceram os recursos financeiros para arcar com os custos das importações efetuadas pela Requerente, vez que tais antecipações financeiras foram regularmente registradas em sua escrita fiscal, conforme documentos anexados ao Processo Administrativo em tela, fato esse, corroborado pelos próprios agentes fiscais vinculados à IRF/SP, que realizaram os procedimentos especiais de fiscalização com base na IN/SRF n° 228/2002; • A posterior comercialização/revenda no mercado interno, das mercadorias regularmente importadas pela Requerente do exterior, para as empresas “VFR” e “PROSERVICE”, etc.”, foi efetuada com fiel observância a legislação vigente, inexistindo quaisquer irregularidades que pudessem ser apontadas pelos Agentes do Fisco. Ora, como se sabe, é norma básica do direito tributário que a sanção deve obedecer aos princípios da estrita legalidade, da tipicidade fechada e com reserva absoluta da lei formal. Por Fl. 3987DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724115/201255 Acórdão n.º 3402002.367 S3C4T2 Fl. 106 7 conseguinte, somente aqueles fatos explicitamente previstos na Lei pode ensejar a aplicação da penalidade, sendo inadmissíveis eventuais interpretações maleáveis em prejuízo do contribuinte ou responsável. Com efeito, o direito penal tributário também está submetido ao princípio da tipicidade da norma legal. “Nullum crimen sine lege”, ou seja, não há crime sem lei anterior que o preveja, princípio do direito do cidadão esculpido no artigo 5, inciso XXXIX, da Constituição Federal. Significa dizer, que a infração apontada pela Fiscalização Fazendária no Auto de Infração n° 10831000.300/9199 (fls.33), prevista no artigo 526, inciso IX, do Decreto n° 91.030/85 (IX Descumprir outros requisitos de controle de importação, constantes ou não de Guia de Importação ou documento de efeito equivalente, não compreendidos nos incisos IV a VIII deste artigo: muita de 20% do valor aduaneiro), EM FACE DE SUA INDEFINIÇÃO QUANTO AO CONCEITO DO DESCUMPRIMENTO DE OUTROS REQUISITOS DE CONTROLE DE IMPORTAÇÃO. NÃO OBSERVOU AOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA TIPICIDADE FECHADA E COM RESERVA ABSOLUTA DA LEI FORMAL. RAZÃO PELA QUAL. TAL DISPOSITIVO LEGAL JAMAIS PODERIA TER SIDO UTILIZADO PELOS AGENTES DO FISCO PARA EXIGÊNCIA DA PENALIDADE DE MULTA DE QUE TRAJA O AUTO DE INFRAÇÃO DE FLS. 33. RAZÃO PELA QUAL. O R. ACÓRDÃO RECORRIDO AO JULGAR LEGAL TAL EXAÇÃO. ESTA A MERECER IMEDIATA REFORMA POR PARTE DESSE EGRÉGIO TRIBUNAL. A prática da infração prevista no artigo 23, inciso V, do Decretolei n° 1.455/76. Segundo conclusões dos Agentes Fazendários no Procedimento Especial de Fiscalização instaurado nos autos do Processo Administrativo n° 10314011.926/2.00563, com base na IN/SRF n° 228/2.002, a Requerente teria incorrido na prática da infração prevista no artigo 23, inciso V, do DecretoLei n° 37/66, com a nova redação do artigo 59, da Lei n° 10.637/2.002. O entendimento dos Agentes é manifestamente equivocado. Para comprovar tal fato, basta examinar os documentos anexados aos autos, que comprovam de forma inquestionável que o importador (ALPHA) quando da realização de importações de mercadorias do exterior, jamais praticou as infrações previstas no artigo 23. inciso V. do DecretoLei n° 1.455/76. sendo manifestamente equivocadas as conclusões dos Agentes Fiscais vinculados à IRF/SP quando do encerramento do Procedimento Especial de Fiscalização realizado com base na IN/SRF. n° 228/2.002. pelos motivos seguintes: • Nas importações de mercadorias realizadas pela Recorrente do exterior, não houve a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição Fl. 3988DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724115/201255 Acórdão n.º 3402002.367 S3C4T2 Fl. 107 8 fraudulenta de terceiros; conforme restou comprovado pelos documentos anexados; • Nas importações realizadas pela Recorrente, houve a efetiva comprovação, da origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados nas importações de mercadorias do exterior; Nas situações da espécie, ou seja, nas hipóteses de “INSTAURAÇÃO DE PROCEDIMENTO ESPECIAL DE FISCALIZAÇÃO COM BASE NA IN/SRF. N° 228/2002, o que deve ser observado pelos Agentes Fazendários, é se restou comprovada a violação às disposições contidas no artigo 81, da Lei n° 9.430/96, com a nova redação que lhe foi conferida pelo artigo 60, da Lei n° 10.637/2002. Na questão posta nos autos, a Requerente, comprovadamente, não se acha inserida em nenhuma das hipóteses acima descritas, conforme comprovado pela mesma mediante farta prova documental anexada aos autos. No entanto, ainda que de fato restasse caracterizada a importação por conta e ordem de terceiros, na medida em que a origem dos recursos financeiros antecipados pelas empresas VRF e QGD é lícita, estaria a Requerente, quando muito, sujeita à aplicação de penalidades de multas acessórias pelo não cumprimento da legislação que disciplina a importação por conta e ordem de terceiros, e não tão grave sanção como Perdimento dos bens, como ocorreu com a lavratura do Auto de Infração ora Impugnado, até porque, enfatizese, quanto aos demais aspectos fiscais, tais importações atenderem fielmente a legislação vigente. Dos “Contratos de Mútuo”. Quanto a alegada irregularidade dos “Contratos de Mútuo”, o entendimento dos ilustres Agentes Fazendários quando da fundamentação legal do Auto de Infração ora Impugnado, é manifestamente equivocado, senão vejamos. De acordo com a melhor Doutrina, o contrato de mútuo é o contrato de empréstimo, em que o mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisas do mesmo gênero, qualidade ou quantidade, podendo ser constituído por prazo livremente determinado entre as partes. Por seu turno, os encargos e os juros poderão ser pagos durante a vigência do contrato, ou somente no final dele, conforme estabelecido entre os contratantes. Ressalta a ora Requerente, a propósito, que no Contrato de Mútuo questionado pela Fiscalização Fazendária, a estabeleceuse um limite de valor de saldo máximo na ordem de 5.600.000,00 (cinco milhões e seiscentos mil reais), e para isso foram realizados pagamentos e remessas de mercadorias e portanto ainda que escriturados e realizadas transações que ultrapassaram esse valor no decorrer do período, o limite do contrato serviu como limitação ao passivo no encerramento do exercício. Fl. 3989DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724115/201255 Acórdão n.º 3402002.367 S3C4T2 Fl. 108 9 Em resumo, o contrato de mútuo é um empréstimo em dinheiro, sendo prática muito comum entre sociedades que tenham ligação entre si ou entre sociedade e seus respectivos sócios pessoa física. Da confusão patrimonial. Também não prospera a alegação da suposta “confusão patrimonial”, na medida em que não restou comprovada, ainda que por prova indiciária, que tivesse havido fraude ou abuso de direito por parte dos sócios administradores da Requerente, bem como, das demais empresas citadas no Procedimento Especial de Fiscalização instaurado pela IRF/SP, com base na IN/SRF. n° 228/2.002. Confirase sobre o tema, o seguinte julgado do extinto “Tribunal de Alçada Cível de São Paulo”: “ ....SOMENTE HAVENDO PROVA INCONTROVERSA DA FRAUDE, ONDE A ENTIDADE JURÍDICA VENHA SE DESVIAR DE SUAS FINALIDADES ESPECÍFICAS, CAUSANDO DANOS E NÃO OS PODENDO SUPORTAR, É QUE SE ADMITE A TESE INOVADORA (....). SIMPLES INDÍCIOS E PRESUNÇÕES DE ABUSOS E ATOS FRAUDULENTOS SÃO INSUFICIENTES PARA FORMAR A CONVICÇÃO DO JULGADOR, ATÉ PORQUE, O PRINCÍPIO DE QUE A FRAUDE NÃO SE PRESUME, DEVE SER PROVADA, INCIDE COMO CRITÉRIO PREVALECENTE NO DIREITO CIVIL, PARA QUE SE IMPEÇA SEJA PRATICADA UMA INJUSTIÇA” (RT: 690/104 RELATOR: JUIZ FERRAZ NOGUEIRA). Das embalagens. Também frágil e inconsistente a alegação dos Agentes Fazendários vinculados a IRF/SP, de que teria sido constatado no depósito da ora Requerente, diversas caixas de mercadorias com as iniciais “L J”, daí a presunção de que a empresa “Long Jump” seria a real interessada em tais importações. De fato, ao fazer tal afirmação os Agentes Fazendários limitaramse a verificar parte do estoque de mercadorias importadas armazenadas nos Depósitos da Requerente. No entanto, no período de 18.01.2.007 a 22.12.2.010, apenas cerca de 30% (trinta por cento) das mercadorias importadas do exterior continham nas respectivas embalagens a sigla “L J”, não podendo, assim, ser utilizada como parâmetro para afirmar se que todas as mercadorias importadas no período citado continham tal sigla. Ademais disso, eventuais incorreções/inexatidões nas embalagens de mercadorias importadas do exterior, quando muito, estariam sujeitas a penalidades de multas acessórias, mas nunca em tão grave sanção como o Perdimento dos bens. Fl. 3990DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724115/201255 Acórdão n.º 3402002.367 S3C4T2 Fl. 109 10 Da aplicação da pena de perdimento. Na questão posta nos autos, as razões utilizadas pelos Ilustres Agentes Fazendários às fls. 37, não subsistem à menor Analise em relação ao eventual dano ao Erário. Com efeito, o art. 689 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n°. 6.759/2.009), elenca em rol taxativo, ao contrário do entendimento trazido pelo Fisco, as hipóteses legais em que restará configurado o dano ao Erário. Após o caput do referido dispositivo, o legislador tomou o cuidado de detalhar vinte e dois incisos cada um com as tais hipóteses danosas. Um rol enumerando vinte e dois incisos/hipóteses legais, não pode evidenciar fato outro que não a natureza taxativa do mesmo. Caso fosse a vontade do legislador elencar algumas hipóteses ou fazêlas de modo genérico, ante a “impossibilidade de listálas exaustivamente” como sugere o Auto de Infração ora impugnado, este se socorreria de um rol meramente exemplificativo furtandose de detalhar minuciosamente vinte e duas hipóteses causadoras de dano ao Erário. Outrossim, um tema de tamanha importância como é o Capítulo II do Regulamento Aduaneiro Decreto n° 6.759 de 5 de Fevereiro de 2009, que trata da tão gravosa Pena de Perdimento, jamais poderia estar sujeita ao descuido do legislador tratandoa em rol meramente exemplificativo ou genérico. Isto seria inaceitável em nosso ordenamento jurídico, em razão do Princípio da Segurança Jurídica. A Administração segue uma série de princípios que limitam e direcionam sua atuação, um destes é o da Vinculação de seus atos. O legislador tomou o cuidado de delimitar o campo de atuação do agente administrativo (entendase este como lato sensu) sob as normas e previsões legais, ou seja, a Administração grande parte das vezes atuará adstrita, vinculada à legalidade. Portanto, interpretações extensivas, diversas ou prejudiciais da norma serão vedadas ao administrador que deverá guiar seus atos pelas normas preexistentes. Ao longo da fundamentação do Auto de Infração ora Impugnado, é com frequência que se utilizam expressões como presunção, presumese, ficou evidente, etc. Estas muitas vezes servem de fundamento para conclusões tiradas para conseqüentes infrações e penalidades. O agente administrativo, quando atuar revestido dos interesses estatais deve sempre se valer de meios legais e indiferentes aos seus conceitos íntimos. Os atos praticados devem procurar com eficácia afastar presunções, indícios e noções pessoais para fundamentação. Assimilado o entendimento da vinculação dos atos administrativos, podese então compreender o motivo pelo qual seria inimaginável que as hipóteses nas quais se aplicam pena de perdimento (lembrese da gravidade dessa Sanção, que afronta o direito de propriedade assegurado pela Constituição Federal vigente) pudessem ficar exclusivamente ao critério e à Fl. 3991DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724115/201255 Acórdão n.º 3402002.367 S3C4T2 Fl. 110 11 discricionariedade do agente administrativo, sem qualquer amparo legal, sob o simples argumento de dificuldade de listá las. Em análise ao Princípio da Vinculação dos atos administrativos, podese extrair também o da Legalidade, no qual se traduz que o agente administrativo somente poderá agir ou atuar quando a lei permitir tal conduta. Então, quando não houver autorização legal, hipótese legal em que se verifica dano ao Erário compatível com o caso em concreto, equivale dizer que há proibição de agir. A pena de perdimento, por sua natureza de sanção, deverá respeitar o Princípio da Tipicidade, ou seja, a norma legal deve recair perfeitamente sob o caso em concreto que se analisa, não se admitindo analogias, interpretações extensivas para que se impute responsabilidade de fato à alguém, sob pena de sua inaplicabilidade. A fim de afastar definitivamente qualquer controvérsia, ressalta se que os tributos relativos as operações de importação realizadas pela empresa “ALPHA COMÉRCIO DE ARTIGOS ELETRÔNICOS LTDA.”, ao amparo das Declarações de Importação processadas no período de 18.01.2.007 a 22.12.2.010, foram efetuadas com fiel observância as disposições prevista na legislação vigente, com o integral recolhimento de todos os tributos devidos por meio de débito eletrônico no SISCOMEX, descaracterizando, assim qualquer indício de dano ao Erário. As importações foram regularmente registradas e transcorreram sem nenhum óbice da fiscalização. Desta forma, resta caracterizada a inexistência de prejuízo aos cofres públicos, vez que estes já se abasteceram com os tributos devidos nas operações. Junta textos da doutrina a respeito do assunto. Concluise, pois, do acima exposto, que relativamente as importações realizadas pela empresa “ALPHA COMÉRCIO DE ARTIGOS ELETRÔNICOS LTDA.”, no período de 18.01.2.007 a 22.12.2.010, não havendo qualquer Dano ao Erário, tomase indevida a aplicação da Pena de Perdimento dos bens importados pela Requerente do exterior. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto. Pena de perdimento cumulada com multa. Não havendo, portanto, dano ao Erário como restou demonstrado, incabível a pena prevista no § 1° do art. 689 do Regulamento Aduaneiro equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, aplicável então, ainda que, com fundadas reservas, a exigência junto ao importador (ALPHA), da penalidade de multa de que trata o artigo 33 da Lei n°. 11.488 de Junho de 2007. Fl. 3992DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724115/201255 Acórdão n.º 3402002.367 S3C4T2 Fl. 111 12 Não há como se atribuir a responsabilidade integral punível com o valor aduaneiro das mercadorias importadas (conversão da pena de perdimento em multa), conforme exigido no Auto de Infração, ora Impugnado Da conceituação de multa. Há que se falar ainda dos valores exigidos à título de multa, indenização ao Erário. O Auto de Infração traz o chamado Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo. Devese atentar para a equivocada caracterização do valor exigido a título de crédito tributário, quando o que se verifica é uma multa, ou seja verdadeira sanção pecuniária que jamais deve ser confundida com tributo. Tributo ou crédito tributário, é toda prestação pecuniária compulsória, instituída por lei, cobrada mediante atividade administrativa QUE NÃO CONSTITUA SANÇÃO A ATO ILÍCITO. Este é o conceito adotado por boa parte da doutrina para definir o que vem a ser um tributo. Observe que a definição é clara em desvincular o tributo de sanção por ato ilícito, vez que ao contrário, o fato gerador do tributo é sempre lícito. Já a sanção possui natureza jurídica completamente diversa, apesar de ser exigida e até mesmo algumas vezes oriunda de relações jurídico tributárias, esta decorre de conduta ou ato ilícito. Portanto, s.m.j., a caracterização dos valores descritos como sendo de natureza crédito tributário está completamente equivocada. Notese que para uma penalidade, como a multa, por exemplo, incabível será o preenchimento destas etapas não formalizando, portanto crédito tributário ou tributo. Concluise, assim, pelo acima exposto, que sob qualquer ângulo que se analise a questão posta nos autos, não há como prosperar a exigência do recolhimento da penalidade de multa formalizada no Auto de Infração ora impugnado (conversão da pena de perdimento em penalidade de multa correspondente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela empresa “ALPHA” do exterior no período de 18.01.2.007 a 22.12.2.010), tendo em vista a comprovada inexistência AO ERÁRIO”, pressuposto básico para aplicação de tão grave sanção. Portanto, que a prevalecer a exigência da penalidade de multa formalizada no Auto de Infração ora impugnado, restarão violados, também, os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Junta textos da Doutrina e da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto. Do pedido de produção de provas/diligências. Caso persista, ainda, qualquer dúvida por parte dessa Delegacia de Julgamentos, a respeito da questão ventilada nos autos, Fl. 3993DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724115/201255 Acórdão n.º 3402002.367 S3C4T2 Fl. 112 13 requer a produção oportuna de todos os meios de prova destinados a comprovação dos fatos questionados no presente Recurso, especialmente a juntada de novos documentos, perícia técnica contábil, e em especial, a conversão do julgamento em diligência a IRF/SP.. que instaurou o Procedimento Especial de Fiscalização com base na IN/SRF. n° 228/2.002. e que deu margem a lavratura do Auto de Infração de que trata o Processo Administrativo em tela. Formula, desde já, os seguintes quesitos a serem respondido pelos ilustres Agentes Fazendários vinculados a Inspetoria da Receita Federal PauloSP: 1. Quando da realização do Procedimento Especial de Fiscalização realizado pela IRF/SP. com base na IN/SRF. n° 228/2.002, a Requerente atendeu tempestivamente às exigências formalizadas? 2. Pelos documentos anexados aos autos do Processo Administrativo restou comprovada a origem dos recursos empregados nas operações de Importação de que tratam as Declarações de Importação processadas no período de 21.07.2007 a 22.12.2010? Há registros contábeis/fiscais, comprovando a origem de tais recursos ? Enfim, pelos documentos apresentados, tomouse possível identificar a origem lícita dos recursos financeiros utilizados em tais operações de importação? 3. As importações de que tratam as Declarações de Importação relacionadas no Auto de Infração ora Impugnado, cujos fatos geradores ocorreram no período de 21.01.2007 a 22.12.2010, foram instruídas por documentação fiscal idônea (L.I./BL/FATURA COMERCIAL, CONTRATO DE FECHAMENTO DE CÂMBIO,ETC) ? 4. Esse procedimento especial de fiscalização instaurado pela IRF/SP, contra a Requerente ao amparo dos Mandados de Procedimento Fiscal anexados aos autos (anexo I), foi concluído dentro do prazo legal de 90 (noventa) dias previsto na IN/SRF. n° 228/2.002 ? Quantos dias demandou? 5. o referido Procedimento Especial de Fiscalização? Caso superado o prazo legal de 90 (noventa) dias, houve solicitação de prorrogação do aludido prazo, devidamente justificada? Em que data o Representante Legal da Requerente foi cientificada de eventual prorrogação ? 6. No curso do Procedimento Especial de Fiscalização instaurado pela ÍRF/SP. nos autos do Processo administrativo em tela, foi observado o “Devido Processo Legal", assegurando se à Requerente o “Direito ao Contraditório e a Ampla Defesa”? Após encerrado tal Procedimento, a Requerente foi Intimada para manifestarse a respeito das Diligências/Conclusões dos Agentes Fazendários, conforme determina o artigo 44 da Lei n° 9.784/99? Fl. 3994DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724115/201255 Acórdão n.º 3402002.367 S3C4T2 Fl. 113 14 7. Por qual razão os Agentes Fazendários não efetuaram à época das importações relacionadas no Auto de Infração (de 18.01.2007 a 22.12.2010), Procedimentos Especiais de Fiscalização com base nas disposições contidas nos artigos 65 e 66, da IN/SRF. 206/2002 (hoje revogada pela IN/SRF. n° 680/2.006) ? 8. Em decorrência da disposição contida no artigo 33, da Lei n°448/2.007, quais os procedimentos que devem ser adotados pela Fiscalização Fazendária para os casos da espécie? 9. O registro das entradas e saídas bancárias através do caixa flutuante, infringe algum dispositivo legal? 10. O registro dos pagamentos e recebimentos da empresa através da conta caixa, também conhecido como caixa flutuante, de alguma forma provocou distorções no patrimônio da sociedade? 11. Durante o ano calendário de 2009, todas as contrapartidas de operações bancárias eram registradas através da conta caixa ou se tratava de técnica utilizada de forma esporádica? 12. Qual ou qual motivo levou o contador à prática desta técnica? 13. Esta técnica é recomendada pelos órgãos técnicos de contabilidade? Protesta pela elaboração de quesitos suplementares. Indica como seu Assistente Técnico, o profissional abaixo qualificado. RESPONSÁVEL TÉCNICO: DILSON SERVIDONE CRC: 1 SP127800/00 Rua Vergueiro, 3153 Conjunto 93/94 Vila Mariana São Paulo SP CEP:04101300 Destaca a ora Requerente, a propósito, que na hipótese do não acolhimento do Pedido de produção de provas/diligências ora requeridas, restará caracterizado o cerceamento ao seu direito de defesa, nos termos do “Devido Processo Legal”, ensejando, assim, via de conseqüência, na decretação da nulidade processual, nos termos das disposições contidas no artigo 59, do Decreto n° 70.235/72. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto. Do pedido. Diante de todo o exposto, a Requerente requer a essa Egrégia Delegacia de Julgamentos: Fl. 3995DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724115/201255 Acórdão n.º 3402002.367 S3C4T2 Fl. 114 15 Sejam acolhidas as preliminares suscitadas nos itens 2(dois) da presente, declarandose, via de conseqüência, a nulidade do Auto de Infração ora impugnado, tendo em vista que o referido processo encontrase eivado de vícios formais insanáveis, inclusive com o cerceamento ao direito de defesa da Requerente, ensejando, assim, a aplicação da orientação contida no artigo 59. do Decreto n° 70.235/72. com as posteriores alterações das Leis n°s. 8.748/93 e 9.532/97; Caso superadas as preliminares, por força da orientação contida no parágrafo 3º do artigo 59, do Decreto n° 70.235/72, com as posteriores alterações das Leis n°s. 8.748/93 e 9.532/97, requer a essa DRFJ/SP, SEJA A AÇÃO FISCAL JULGADA IMPROCEDENTE TORNANDOSE TOTALMENTE INSUBSISTENTE, VIA DE CONSEQÜÊNCIA. O AUTO DE INFRAÇÃO ORA IMPUGNADO. COMO MEDIDA DE INTEIRA JUSTIÇA! A 23ª Turma de Julgamento da Delegacia de São Paulo (SP) julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 16045.191, de 27 de março de 2013, cuja ementa abaixo reproduzo, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 18/01/2007 Prática de interposição fraudulenta de terceiros. Existência de uma "rede" de empresas envolvidas no negócio (comercialização de brinquedos) formatadas sob uma verdadeira confusão patrimonial e societária com empresas fornecedoras de recursos, via contratos de mútuo. Cessão de nome de pessoa jurídica, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, fato que restou comprovado para a empresa autuada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, reproduzindo todos os argumentos apresentados na impugnação. Ressalto, em breve síntese, alguns: a) O lançamento tributário foi lastreado em mandado de procedimento fiscal com prazo expirado, fato que impede sua feitura; b) A falta das cópias das declarações de importações processadas no período de 18/01/2007 a 22/12/2010 eiva o auto de infração de vício insanável; Fl. 3996DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724115/201255 Acórdão n.º 3402002.367 S3C4T2 Fl. 115 16 c) Apresentou todos os documentos contábeis e fiscais solicitados pela repartição fiscal, comprovando, de forma inquestionável, que todas as importações de mercadorias do exterior realizadas no período de 21/07/2007 a 22/12/2010 foram efetuadas regularmente; d) O procedimento especial de fiscalização instaurado pela IRF/SP carece de total respaldo legal, na medida em que efetuado ao arrepio da lei, além de contrariar frontalmente o devido processo legal; e) Jamais restou comprovado quem seriam os reais adquirentes sob a ótica do fisco; f) Após formalizados os desembaraços aduaneiros, quaisquer questionamentos relacionados com as importações somente poderão ser feitos pelo Fisco em ato de revisão aduaneiro, nos termos das disposições contidas no art. 683 do atual RA; g) As declarações de importação relacionadas no lançamento envolve fatos geradores ocorridos no período de 18/01/2007 a 22/12/2010 e a ciência do auto de infração deuse me 21/06/2012, ou seja, após o decurso do prazo decadencial; h) Após encerrado o procedimento especial de fiscalização instaurado com base na IN SRF nº 228/2002, não houve decisão administrativa aplicando a pena de perdimento das mercadorias importadas, objeto das DI registradas no SISCOMEX no período de 18/01/20007 a 22/12/2010, e tampouco a intimação do recorrente para efetuar a devolução da tais mercadorias, anteriormente a aplicação da penalidade de multa de que trata o auto de infração; i) Em face da edição da Lei nº 11.448/2007, art. 33, não há embasamento legal para conversão da pena de perdimento das mercadorias importadas em penalidade de multa correspondente ao valor aduaneiro das mercadorias; j) Nas importações de mercadorias realizadas pelo recorrente não houve a ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude; k) Nas importações realizadas pela recorrente, houve a efetiva comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recurso utilizados nas importações das mercadorias; Fl. 3997DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724115/201255 Acórdão n.º 3402002.367 S3C4T2 Fl. 116 17 Termina a petição recursal requerendo a anulação total do auto de infração, caso superadas as questões de nulidade que seja declarado insubsistente o auto de infração. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade, de sorte conheço do recurso e passo ao mérito. O recorrente reproduziu a petição de impugnação no recurso voluntário. Portanto, os pontos controvertidos são os mesmos lá apresentados: Como preliminares: a) O decurso do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal; b) A não anexação aos autos de cópias das Declarações de Importação; c) A não instauração de Procedimento Fiscal para a aplicação da Pena de Perdimento; d) Intimação para promover a restituição/devolução das mercadorias importadas; e e) A decadência. No mérito: a) A Inobservância dos princípios da estrita legalidade; b) A prática da infração prevista no artigo 23, inciso V, do DecretoLei n° 1.455/76; c) Os “Contratos de Mútuo”; d) A confusão patrimonial; e) A aplicação da pena de perdimento; f) A Pena de perdimento cumulada com multa; Delimitada a lide, avanço à apreciação. PRELIMINARES Mandado de Procedimento Fiscal Fl. 3998DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724115/201255 Acórdão n.º 3402002.367 S3C4T2 Fl. 117 18 O Órgão administrativo Receita Federal do Brasil decorre do que se chama em direito administrativo de desconcentração das competências estatais. O Estado, no intuito de melhor desempenhar suas funções, cria um órgão, sem personalidade própria, seu longa manus, e lhe confere um feixe de competências. No caso da SRF, administrar, fiscalizar e arrecadar tributos e contribuições de competência da União. Assim, no quadro da legalidade, criase um órgão e, normalmente, um quadro de carreira para abrigar seus funcionários, aos quais a lei determinará os limites de suas competências, que decorrerão daquelas do órgão ao qual se vinculam. E dentre as atribuições dos Auditores da Receita Federal, em caráter privativo, a norma legal lhes conferem, a teor do disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, o poderdever de “constituir, mediante lançamento, o crédito tributário”1. E o procedimento de fiscalização2, constituição e cobrança dos créditos tributários administrados pela SRF estão no Decreto 70.235/72, que, sabemos todos, regula o processo administrativo fiscal em relação aos tributos administrados pela Receita Federal, e, estreme de dúvidas, é lei ordinária no sentido material. Sem embargo, temos de um lado uma lei que regula o procedimento fiscal e o processo administrativo fiscal3, e, de outro, atos infra legais que regulam, administrativamente, a forma que o agente fiscal deve agir, criando meios internos de controle e acompanhamento das ações fiscalizatórias. Não vejo entre elas qualquer antinomia. Ao contrário, ambas visam resguardar os interesses da Fazenda Nacional e a legalidade da relação jurídica tributária. Assim, regulamentando o art. 196 do CTN, que se refere à administração tributária, mais especificamente sua ação de fiscalização, criouse o Mandado de Procedimento Fiscal, que designa determinado auditor para inciar os procedimentos fiscais em relação a determinado contribuinte, o qual, por sua vez, disporá de meio para aferir na INTERNET a veracidade e legalidade do ato que o intimou do início da fiscalização. A meu sentir, a normatização administrativa que regulamenta o MPF tem como função, como a própria Portaria SRF 3.007, de 26/11/2001, menciona, o disciplinamento administrativo da execução dos procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF. Portanto, seu âmbito é administrativo, no intuito da administração tributária planejar suas ações de fiscalização de acordo com parâmetros que estabeleça. E, nesse mister, não vejo qualquer mácula para que a Administração regulamente o procedimento fiscal. Legítimo, então, que ela estabeleça a forma como se dará o “ato de ofício” a que alude o art. 7º, I, do já aduzido Decreto. De tal regulamentação decorre que ao AFRF não é dado escolher, ao seu alvedrio, com juízo próprio de oportunidade e conveniência, qual sujeito passivo, em que período, e a extensão que se dará o procedimento fiscal. Sem dúvida, a Administração tributária pode normatizar sobre critérios fiscalizatórios que entenda convenientes ao gerenciamento e busca de diretrizes traçadas. E o AFRF assim deve agir, sob o pálio do princípio administrativo da subordinação hierárquica. 1 Art. 6º, da MP 2.17529, de 24/08/2001. 2 O Decreto 3.724, de 10/01/2001, em seu art. 2º, § 1º, reportase ao art. 7º e seguintes do Decreto 70.235/72, como procedimento fiscal. 3 Assim entendido aquele que decorre do início do litígio adminstrativo fiscal por ocasião da impugnação, tendo por fim a solução do conflito nascido da pretensão resistida do sujeito passivo à pretensão exacional do sujeito ativo. O Decreto 70.235/72 têm normas que regulam tanto o procedimento quanto o processo administrativo federal em relação aos tributos administrados pela Receita Federal. Fl. 3999DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724115/201255 Acórdão n.º 3402002.367 S3C4T2 Fl. 118 19 Qualquer vício no MPF gerará efeitos na órbita administrativa, mas não a tal ponto de fulminar a própria constituição do crédito tributário, obra da ação fiscal por ele iniciada. Em verdade, antes já havia esse expediente quando da emissão de documentos, também interno, denominado FM, meio pelo qual a Administração designava servidor para a realização de ação fiscalizatória. Contudo, não é o caso dos autos, pois como podemos constatar às fls. 82 e 83 dos autos, foram expedidos prorrogações do MPF, com a respectiva ciência do sujeito passivo, em 05/06/2012. Portanto, mesmo para aqueles que acham imprescindível o MPF para fins de validar a autuação, no caso em epígrafe, havia expressa determinação de análise dos períodos compreendidos no lançamento tributário ora vergastado e houve as prorrogações dentro da fase de procedimento fiscal. Falta da anexação nos autos das declarações de importação. Falta de instauração de procedimento fiscal para aplicação da pena de perdimento. Falta de intimação para devolução das mercadorias importadas Sobres esses temas, o recorrente não apresenta argumentos novos no recurso voluntário, restringese a copiar os apresentados na impugnação. Assim, sintome a vontade de repisar os argumentos da instância a quo e utilizálos como razão de decidir, verbis: O Relatório da Ação Fiscal, de folhas 65 à 74, relaciona as Declarações de Importação, com as respectivas datas de registro e valor aduaneiro. A ação fiscal ora empreendida, versa sobre a prática de interposição fraudulenta de terceiros em operação de comércio exterior, ilícito aduaneiro tipificado no inciso V, do artigo 23, do Decreto Lei n° 1.455/76, cujo §1º prevê a incidência com a pena de perdimento das mercadorias. Quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, a pena de perdimento será comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, conforme disposto no §3º do artigo 23, do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante protesta pela juntada das referidas D.I.'s aos autos, mas não apresenta qual seria o dano para o seu exercício da ampla defesa. Apenas faz referência ao percentual de 100% (cem por cento) sobre o valor aduaneiro dos bens importados, declarado nas respectivas Declarações de Importação processadas no período de 18/01/2007 a 22/12/2010. De fato, a única informação relevante para a autuação, constante nas Declarações de Importação, o valor aduaneiro, consta da relação de folhas 65 à 74. (...) Não houve no presente processo rito de aplicação da Pena de Perdimento pelo simples fato de que a ação fiscal em questão Fl. 4000DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724115/201255 Acórdão n.º 3402002.367 S3C4T2 Fl. 119 20 não versa sobre a incidência da pena de perdimento prevista no inciso V, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455 de 07 de Abril de 1976, mas a respeito da incidência da multa proporcional ao valor aduaneiro prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. A aplicação da pena de perdimento para o caso em análise, ocorreu em Processo Administrativo Fiscal distinto. (...) Decadência Alega o recorrente que as declarações de importação relacionadas no lançamento envolvem fatos geradores ocorridos no período de 18/01/2007 a 22/12/2010 e a ciência do auto de infração se deu em 21/06/2012, ou seja, após o decurso do prazo decadencial. Os artigos 138 e 139 do DecretoLei nº 37 de 18 de novembro de 1966, que trata do imposto de importação e dos serviços aduaneiros, dispõe sobre o prazo decadencial e o termo a quo para sua contagem. Art. 138. O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art. 139. No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. O caso em questão é de penalidade aduaneira, logo, aplicase o prazo de cinco anos contados da data da infração. A ciência do lançamento se deu em 20/06/2012, logo, todas as penalidades referentes a declarações de importações protocoladas antes de 20/06/2007 devem ser canceladas em virtude da decadência de o Fisco realizar o lançamento. Lista das Declarações de Importação protocoladas antes de 20/06/2007: Número da DI Dia de Registro Valor Aduaneiro Multa a ser Exonerada 0700803143 18/01/2007 308.699,00 30.866,90 0702465679 26/02/2007 152.140,02 15.214,00 0702806409 05/03/2007 468.225,14 46.822,51 0703313317 14/03/2007 49.579,54 5.000,00 0706056609 10/05/2007 14.938,41 5.000,00 Fl. 4001DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724115/201255 Acórdão n.º 3402002.367 S3C4T2 Fl. 120 21 0707005471 30/05/2007 96.851,56 9.685,16 0707298576 05/06/2007 135.957,24 13.595,72 0707551263 12/06/2007 53.466,42 5.346,64 TOTAL R$ 131.530,93 Diante do exposto, afasto as multas referentes as DI’s registradas antes de 20/06/2007, no montante de R$ 131.530,93. Mérito A lide gira em torno da aplicação da multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. A fiscalização entendeu que a empresa autuada teria cedido o nome para a operação de importação de terceiros. A Recorrente, em sua defesa, alega a licitude das operações sendo imputadas a ela uma fraude que não existe. Delimitada a lide, passo ao exame. Para tanto, farei uso da brilhante explicação sobre controle aduaneiro e interposição fraudulenta contida no Acórdão nº 3402 002.212, dessa Turma de Julgamento, cujo relator foi o conselheiro Winderley Morais Pereira. O controle aduaneiro e a interposição fraudulenta O controle aduaneiro é matéria relevante em todos os países e a comunidade internacional busca de forma incessante, o controle das mercadorias importadas, de forma a garantir a segurança e a concorrência leal dentro das regras econômicas e tributárias. Desde da edição do DecretoLei 37/66, o Brasil busca coibir as irregularidades na importação. Este diploma legal determinava a conferência física e documental da totalidade das mercadorias importadas. Com o crescimento da economia nacional, a crescente integração do País no plano internacional e o aumento significativo das operações de comércio exterior. O Estado Brasileiro decidiu modificar os controles que até então vinha exercendo sobre a importação, desenvolvendo controles específicos que se adequassem ao incremento das operações na área aduaneira. A solução veio com a entrada em produção do Siscomex Importação em janeiro de 1997. A partir deste sistema, os controles de despacho aduaneiro de importação passaram a utilizar canais de conferência, que determinaram níveis diferentes de controles aduaneiros. Desde um controle total durante o despacho aduaneiro, com conferência documental, física das mercadorias e avaliação do valor aduaneiro até a um nível mínimo de conferência. Ao modernizar o seu sistema de controle aduaneiro, o País flexibilizou o controle individual das mercadorias importadas, mas, dai nasceu a necessidade de também trabalhar o controle em nível de operadores de comércio exterior. A partir desta premissa foram definidos controles aduaneiros em dois momentos distintos. O primeiro, anterior a operação de importação, quando é exigido uma habilitação prévia da Fl. 4002DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724115/201255 Acórdão n.º 3402002.367 S3C4T2 Fl. 121 22 empresas interessada em operar no comércio exterior. Este controle busca avaliar a idoneidade daquelas empresas que pretendem operar no comércio exterior e atualmente esta disciplinado na Instrução Normativa da SRF nº 228/2002. Apesar deste controle ser preferencialmente em momento anterior as operações. Existem situações em que não é suficiente para impedir operações irregulares. Para coibir estas irregularidades a Fiscalização Aduaneira também atua em momento posterior ao desembaraço aduaneiro, buscando identificar irregularidades nas operações realizadas. O caminho adotado vem sendo o de confirmar a idoneidade das empresas envolvidas nas operações e investigar a origem do recursos utilizados. A identificação de ilícitos nas operações ou a falta de comprovação da origem dos recursos implica na aplicação da pena de perdimento das mercadorias importadas por operações irregulares. Por força legal, considerase dano ao erário punível com a pena de perdimento das mercadorias, a ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, mediante fraude ou simulação, conforme o art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. “ Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V – estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4º O disposto no § 3º não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)” Fl. 4003DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724115/201255 Acórdão n.º 3402002.367 S3C4T2 Fl. 122 23 É mister salientar, que não são todas as operações por conta e ordem de terceiros são consideradas interposição fraudulenta. O art. 80 da Medida Provisória nº 2.15835/01 estabeleceu a possibilidade de pessoas jurídicas importadoras atuarem em nome de terceiros por conta e ordem destes. Os procedimentos a serem seguidos nestas operações estão atualmente disciplinados nas IN SRF nº 225/02 e 247/02. Considerando a possibilidade de importações, com a intervenção de terceiros, fato previsto em lei e disciplinado pela Receita Federal, torna mais forte a pena a ser aplicada quando importador e real adquirente, utilizando de fraude ou simulação oculta esta operação do conhecimento dos órgãos de controle aduaneiro, visto que, o fato de não seguir as determinações normativas para as importações por conta e ordem, acarretam prejuízo aos controles aduaneiros, fiscais e tributários. Contudo, a matéria ainda não fica totalmente resolvida, visto que em determinadas situações, a pena de perdimento por diversos motivos não pode ser aplicada. Aqui temos um empecilho ao cumprimento da norma, já que impedida de aplicar o perdimento, se não existir outra pena possível, equivaleria a uma ausência de punibilidade, o que poderia além do prejuízo não ser ressarcido, estimular futuros atos ilícitos, diante da não aplicação da pena aos infratores. Tal fato não ficou desconhecida pelo legislador, que de forma lúcida, criou a possibilidade da conversão da pena de perdimento em multa, no valor de 100% do valor da mercadoria, conforme previsto art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76. Diante do arcabouço legal que trata a matéria, fica cristalino a procedência da aplicação da pena de perdimento nas situações em que for comprovada ou presumida a interposição fraudulenta, bem como a conversão da pena de perdimento em multa. Tal posição já é matéria assentada neste Conselho, conforme se verifica nos acórdãos nº 9303001.632,320100.837 e 310200.792. A procedência e legalidade da aplicação da multa de 10% na cessão de nome para terceiro nas operações de interposição fraudulenta. Além, da penas referentes ao perdimento da mercadoria, a interposição fraudulenta também gera a aplicação da penalidade prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. "Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Fl. 4004DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724115/201255 Acórdão n.º 3402002.367 S3C4T2 Fl. 123 24 Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996." De acordo com este mandamento legal, a pessoa jurídica que cede o nome para realização de operações de comércio exterior de terceiros fica sujeita a multa de 10% do valor da operação. Questão reiteradamente discutida é se a referida penalidade teria afastado a aplicação da multa de perdimento e conversão da multa, nos casos de interposição fraudulenta, previsto no art. 23, do DecretoLei nº 1.455/76. A matéria foi disciplinada no art. 727, § 3º do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009. "Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 1º A multa de que trata o caput não poderá ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais) (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 2º Entendese por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. § 3º A multa de que trata o caput não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na exportação. " A determinação do § 3º deixa cristalino que a multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/07 não prejudica a aplicação da pena de perdimento, assim, não existe substituição das penalidade, tampouco, revogação das penalidades previstas no art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 por esta nova multa. Esclarecida a questão da interposição fraudulenta e das penalidade aplicáveis, passo a analisar a situação fática que culminou na aplicação da penalidade ora combatida. Após essa verdadeira aula sobre o assunto, de volta aos autos, entendo que a lide diz respeito a questões de fato, a prova da prática pelo recorrente da infração prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da impugnação. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 333 do Código de Processo Civil, in verbis: Fl. 4005DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724115/201255 Acórdão n.º 3402002.367 S3C4T2 Fl. 124 25 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para a autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito/ressarcimento. Definida a regra que direciona o onus probandi no âmbito do processo administrativo fiscal, resta estabelecer o conceito de prova, sua finalidade e seu objeto. O conceito de prova retirado dos ensinamentos de Moacir Amaral Santos: No sentido objetivo, como os meios destinados a fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Mas a prova no sentido subjetivo é aquela que se forma no espírito do julgador, seu principal destinatário, quanto à verdade desse fatos. A prova, então, consiste na convicção que as provas produzidas no processo geram no espírito do julgador quanto à existência ou inexistência dos fatos. Compreendida como um todo, reunindo seus dois caracteres, objetivo e subjetivo, que se completam e não podem ser tomados separadamente, apreciada como fato e como indução lógica, ou como meio com que se estabelece a existência positiva ou negativa do fato probando e com a própria certeza dessa existência. Para Carnelutti: As provas são fatos presentes sobre os quais se constrói a probabilidade da existência ou inexistência de um fato passado. A certeza resolvese, a rigor, em uma máxima probabilidade. Dinamarco define o objeto da prova: ....conjunto das alegações controvertidas das partes em relação a fatos relevantes para todos os julgamentos a serem feitos no processo. Fazem parte dela as alegações relativas a esses fatos e não os fatos em si mesmos. Sabido que o vocábulo prova vem do adjetivo latino probus, que significa bom, correto, verdadeiro, seguese que provar é demonstrar que uma alegação é boa, correta e portanto condizente com a verdade. O fato existe ou inexiste, aconteceu ou não aconteceu, sendo portanto insuscetível dessas adjetivações ou qualificações. Não há fatos bons, corretos e verdadeiros nem maus, incorretos mendazes. As legações, sim, é que podes ser verazes ou mentirosas e daí a pertinência de proválas, ou seja, demonstrar que são boas e verazes. Fl. 4006DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724115/201255 Acórdão n.º 3402002.367 S3C4T2 Fl. 125 26 Já a finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. Dinamarco afirma: Todo o direito opera em torno de certezas, probabilidades e riscos, sendo que as próprias certezas não passam de probabilidades muito qualificadas e jamais são absolutas porque o espírito humano não é capaz de captar com fidelidade e segurança todos os aspectos das realidades que o circulam. O risco de errar ao presumir dimensionase na razão inversa à do grau de probabilidade de que a relação entre a ocorrência de um fato e a de outro se mantenha sempre. Quanto maior a probabilidade, menor o risco; menor a probabilidade, maior o risco a assumir. Para entender melhor o instituto “probabilidade” mencionado professor Dinamarco, aduzo importante distinção feita por Calamandrei entre verossimilhança e probabilidade: É verossimil algo que se assemelha a uma realidade já conhecida, que tem a aparência de ser verdadeiro. A verossimilhança indica o grau de capacidade representativa de uma descrição acerca da realidade. A verossimilhança não tem nenhuma relação com a veracidade da asserção, não surge como resultante do esforço probatório, mas sim com referência à ordem normal das coisas. A probabilidade está relacionada à existência de elementos que justifiquem a crença na veracidade da asserção. A definição do provável vinculase ao seu grau de fundamentação, de credibilidade e aceitabilidade, com base nos elementos de prova disponíveis em um contexto dado., resulta da consideração dos elementos postos à disposição do julgador para a formação de um juízo sobre a veracidade da asserção. Desse modo, a certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. Quanto ao exame da prova, defende Dinamarco: Fl. 4007DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724115/201255 Acórdão n.º 3402002.367 S3C4T2 Fl. 126 27 (...) o exame da prova é atividade intelectual consistente em buscar, nos elementos probatórios resultantes da instrução processual, pontos que permitam tirar conclusões sobre os fatos de interesse para o julgamento. Já Francesco Carnelutti compara a atividade de julgar com a atividade de um historiador: (...) o historiador indaga no passado para saber como as coisas ocorreram. O juízo que pronuncia é reflexo da realidade ou mais exatamente juízo de existência. Já o julgador encontrase ante uma hipótese e quando decide converte a hipótese em tese, adquirindo a certeza de que tenha ocorrido ou não o fato. Estar certo de um fato quer dizer conhecêlo como se houvesse visto. No mesmo sentido, o professor Moacir Amaral Santos afirma que a prova dos fatos fazse por meios adequados a fixálos em juízo. Por esses meios, ou instrumentos, os fatos deverão ser transportados para o processo, seja pela sua reconstrução histórica, ou sua representação. Assim sendo, a verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar probabilidade às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Regressando aos autos, a autoridade fiscal constatou que a sociedade Alpha Comércio de Artigos Eletrônicos Ltda cedeu seu nome para realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários na operação de importação. Sua conclusão teve por base os fatos que abaixo transcrevo e que foram apurados durante o procedimento de fiscalização. Chamo a atenção que o recorrente participou de toda a instrução processual e teve ciência das premissas utilizadas pelo fisco para embasar o lançamento tributário, ora recorrido: 1. A LONG JUMP é a detentora da marca que leva o mesmo nome, cujos produtos são importados pela ALPHA; 2. A ALPHA importa exclusivamente produtos (brinquedos) da marca LONG JUMP ou voltados ao público infantil; 3. A ALPHA possuiria saúde financeira bastante debilitada para suportar os custos relativos às importações, não fossem os aportes de recursos a ela remetidos a título de contratos de mútuos. Tais recursos geralmente são remetidos em datas muito próximas àquelas em que incorrem gastos aduaneiros. Os remetentes dos recursos (mutuantes) desses contratos Fl. 4008DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724115/201255 Acórdão n.º 3402002.367 S3C4T2 Fl. 127 28 são justamente empresas relacionadas com a ALPHA/LONG JUMP. Muitos dos mútuos nem sequer foram pagos, tendo sido “perdoados” pelos credores, caracterizando um verdadeiro repasse a título definitivo. O pagamento de mútuos, por outro lado, se deu, em alguns casos, mediante mercadorias, evidenciando um verdadeiro adiantamento dos recursos necessários às importações; 4. Há indícios de ingerência administrativa praticada pela LONG JUMP nas práticas da ALPHA; 5. Evidenciase uma verdadeira confusão patrimonial, decorrente de um fluxo incomum de dinheiro entre as empresas citadas. Também, identificase uma verdadeira confusão societária, em que os quadros de Sócios alteramse com frequência, culminando na aquisição, pelos mesmos sócios da LONG JUMP, de todas as empresas envolvidas nas operações. Dentre as empresa adquiridas pelos sócios da LONG JUMP, destaque para a própria ALPHA, adquirida justamente quando já possuía estrutura e movimentação significativas. 6. Em que pese ser uma empresa de representação comercial, todos os fatos apurados apontam para a LONG JUMP como o centro neural da “rede” que comercializa os produtos importados, bem como a real interessada nessas importações. Já o recorrente não contraargumentou nenhum dos pontos fáticos que embasaram o lançamento tributário. Cingiuse a argumentar de forma geral e vaga afirmando que não havia enquadramento legal para a conversão da pena de perdimento em multa correspondente ao valor aduaneiro das mercadorias, que nas importações realizadas não houve ocultação do real comprador, que nas importações realizadas houve a efetiva comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados nas importações das mercadorias. Neste contexto, sinto me na obrigação de julgar com os dados constantes nos autos. Realmente no curso do procedimento fiscal foram apresentados documentos fiscais em que constam o comprador de todas as mercadorias importadas pelo recorrente. Este fato é incontroverso. O que se discute é se ocorreu a cessão do nome da recorrente com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários da importação. O tipo infracional tributário está previsto no 33 da Lei nº 11.488/2007. Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Pelas provas contidas nos autos, a autoridade fiscal comprovou que a recorrente não possuía recursos financeiros para suportar as operações de importação. As operações só se tornaram viáveis graças aos “empréstimos” ou “adiantamentos” efetuados pela sociedade Long Jump. Como já mencionado, muitos destes “empréstimos” foram perdoados ou Fl. 4009DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724115/201255 Acórdão n.º 3402002.367 S3C4T2 Fl. 128 29 quitados com dação em pagamento das mercadorias importadas. Por fim, havia uma verdadeira confusão societária entre a recorrente e a Long Jump, culminando na incorporação da recorrente pela Long Jump, e a substancial ingerência administrativa da Long Jump na recorrente. Pelos fatos acima descritos e não contestados pela recorrente, tenho a plena convicção de que a recorrente cedeu seu nome para sociedade Long Jump nas operações de importação e que a Long Jump não pretendia configurar no pólo passivo das importações, provavelmente por não querer arcar com os custos e as responsabilidades de ser o verdadeiro importador das mercadorias. Portanto, pela perspectiva apresentada nos autos, não vislumbro razões para reformar a decisão de primeira instância, uma vez que sua posição foi baseada nos fundamentos jurídicos constantes dos autos e a racional subsunção aos fundamentos legais que regiam a matéria à época dos fatos geradores. Forte nestes argumentos, dou provimento parcial ao recurso para declarar a decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento tributário referente as DI’s registradas antes de 20/06/2007, no montante de R$ 131.530,93. É como voto. Sala das Sessões, 23/04/2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 4010DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/05/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 16408.001140/2006-56
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2001
DECADÊNCIA - SIGNIFICÂNCIA DO TERMO PRONUNCIAR DO ARTIGO 150, § 4º DO CTN, REFERE-SE À HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA - TRANSCORRIDO O PRAZO DE 5 ANOS DO FATO GERADOR, SEM PRONUNCIAMENTO DO FISCO, OCORRERÁ A HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
De acordo com o §4º do art. 150 do CTN, se a lei não fixar prazo e o fisco não se pronunciar durante o prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, ocorrerá a homologação tácita do lançamento e a extinção do crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
O verbo pronunciar do artigo mencionado faz referência à homologação expressa do lançamento e, se esta inexistir transcorridos 5 anos do fato gerador, ocorrerá a homologação tácita.
Numero da decisão: 9101-001.842
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: HENRIQUE PINHEIRO TORRES (Presidente - Substituto), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, JOSE RICARDO DA SILVA, PLINIO RODRIGUES DE LIMA (suplente convocado), MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA (suplente convocado), VALMAR FONSECA DE MENEZES, MEIGAN SACK RODRIGUES (suplente convocada), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, SUSY GOMES HOFFMANN (Vice- Presidente)
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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De acordo com o §4º do art. 150 do CTN, se a lei não fixar prazo e o fisco não se pronunciar durante o prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, ocorrerá a homologação tácita do lançamento e a extinção do crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O verbo “pronunciar” do artigo mencionado faz referência à homologação expressa do lançamento e, se esta inexistir transcorridos 5 anos do fato gerador, ocorrerá a homologação tácita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 40 8. 00 11 40 /2 00 6- 56 Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES 2 (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES – Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: HENRIQUE PINHEIRO TORRES (Presidente Substituto), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, JOSE RICARDO DA SILVA, PLINIO RODRIGUES DE LIMA (suplente convocado), MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA (suplente convocado), VALMAR FONSECA DE MENEZES, MEIGAN SACK RODRIGUES (suplente convocada), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, SUSY GOMES HOFFMANN (Vice Presidente) Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência (fls. 426/430) interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 256/2009. Insurgiuse a Recorrente contra o acórdão nº 180100.334 de fls. 410/415, na parte em que, os membros da Primeira Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho, por unanimidade de votos, declararam a decadência das exigências relativas ao PIS e à COFINS em relação aos fatos geradores ocorridos de janeiro a outubro de 2001. O acórdão proferido, na parte recorrida, foi assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo havido apuração e pagamento antecipado, ainda que parcial do imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do disposto no parágrafo 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional.” A Recorrente afirmou que conforme literalidade do art. 150, §4º do CTN, a fiscalização tem o prazo de 5 cinco anos para se pronunciar sobre o pagamento antecipado, a partir da ocorrência do fato gerador. Sustentou, ainda, que o pronunciamento em questão ocorre quando a administração tributária inicia a fiscalização, ou seja, uma vez iniciado o procedimento fiscal em face do contribuinte antes do prazo legal de cinco anos, não se opera a decadência. Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 16408.001140/200656 Acórdão n.º 9101001.842 CSRFT1 Fl. 1.378 3 Afirmou que o entendimento do acórdão recorrido diverge do de outras câmaras deste Conselho e trouxe como paradigma acórdão da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, assim ementado: “DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO DESNECESSÁRIA NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele cm que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocado para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente, independentemente de ter ocorrido ou não o pagamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é enviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso dos autos, temos omissões e dolo no não pagamento das contribuições previdenciárias retidas dos empregados, o que fixa a regra decadencial no art 173, inciso I do CTN. (...)” Destacou, ainda, o seguinte trecho do voto condutor do acórdão paradigma: “Então, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de oficio em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4", entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: ‘§4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.’ Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública considerase homologado é a expressão utilizada no caso Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES 4 de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco "se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado" não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de oficio. O verbo pronunciar, no dicionário “Michaelis”, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles "emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente ". Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo e um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4" do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão “pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável.” Por fim, requereu seja dado provimento ao Recurso para que seja reformado o acórdão proferido na parte relativa à decadência. Em sede de admissibilidade (fls. 920/923) foi dado segmento ao recurso. O contribuinte não apresentou contrarrazões (fls. 937). É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A questão colocada em debate pela Recorrente referese à interpretação do artigo 150, §4º do CTN, para definição da ocorrência ou não da decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário relativo ao PIS e à COFINS, cujos fatos geradores ocorreram nos meses de janeiro a outubro de 2001. Primeiramente cumpre a transcrição do disposto no artigo 150, § 4º do CTN: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 16408.001140/200656 Acórdão n.º 9101001.842 CSRFT1 Fl. 1.379 5 definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” A Recorrente sustentou que inexistindo prazo fixado em lei à homologação do lançamento, este será de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador, desde que a Fazenda Pública não se “pronuncie”. E, caso haja “pronunciamento” da Fazenda Pública, este ato deverá ser o considerado como dies a quo para verificação do transcurso do prazo decadencial. E, isto porque, o termo “pronunciado” referese a qualquer ato da Fazenda Pública, inclusive, o termo de início de fiscalização. Entendo que não merece prosperar o argumento da Recorrente, senão vejamos. O lançamento por homologação é disciplinado no art 150 do Código Tributário Nacional. Expressamente esse artigo dispõe que tal forma de lançamento é caracterizada pela atuação do sujeito passivo (pagamento ou declaração constitutiva do crédito) anterior a qualquer notificação por parte do fisco. Nesse passo, existindo a atuação (pagamento ou declaração) do sujeito passivo compete à Administração, expressamente, homologálo ou recusar a homologação. De acordo com o §4º do art. 150 do CTN, se a lei não fixar prazo, a homologação será de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Não se manifestando o fisco durante o prazo estipulado pelo Código, ocorre a homologação tácita do lançamento e a extinção do crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Cabe destacar o entendimento de Amaro (Direito Tributário Brasileiro. 13ª ed. São Paulo. Saraiva, 2007. p. 406): “O lançamento por homologação não é atingido pela decadência, pois, feito o lançamento (dito “antecipado”), ou a autoridade administrativa anui e homologa expressamente (lançamento por homologação expressa) ou deixa transcorrer, em silêncio, o prazo legal, e desta forma, anui tacitamente (lançamento por homologação tácita). Em ambos os casos, não se pode falar em decadência (do lançamento por homologação), pois o lançamento terá sido realizado (ainda que pelo silêncio). O que é passível de decadência é o lançamento de ofício, que cabe à autoridade realizar quando constate omissão ou inexatidão do sujeito passivo no cumprimento do dever de “antecipar” o pagamento do tributo.” Assim, diversamente do que entende a Recorrente, o verbo “pronunciar” do §4,º do artigo 150 do CTN, faz referência à homologação expressa do lançamento e, se esta inexistir transcorridos 5 anos do fato gerador ocorrerá a homologação tácita. Desse modo, correto o acórdão recorrido na parte que reconheceu a decadência. Isto porque, no caso os fatos geradores ocorreram nos meses de janeiro a outubro de 2001 e a ciência do auto de infração se deu em 08 de novembro de 2006. Por todo o exposto, nego provimento ao Recurso. É como voto. Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES 6 (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES
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Numero do processo: 10530.726286/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
IRPJ. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. Não desnatura a subvenção para investimento apenas o fato de não haver contemporaneidade entre os investimentos realizados pelo beneficiário segundo projeto técnico aprovado perante o órgão estadual e a fruição do benefício fiscal. Se de um lado é razoável que se exija certa proporcionalidade entre os investimentos (a serem) realizados pelas empresas beneficiárias e os valores de subvenção recebidos, já que tais benefícios sugerem certa contraprestação do agente privado, não é menos razoável afirmar que não é possível exigir contemporaneidade entre estes (subvenção e investimentos). Tal assertiva é intuitiva em relação aos benefícios que envolvem ICMS, pois estes são fruídos em boa parte quando a unidade industrial está em pleno funcionamento (mediante a venda dos produtos industrializados) e, portanto, já realizou boa parte (senão todos) os investimentos prometidos ao ente público.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 1102-001.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
João Otavio Oppermann Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Limhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. Não desnatura a subvenção para investimento apenas o fato de não haver contemporaneidade entre os investimentos realizados pelo beneficiário segundo projeto técnico aprovado perante o órgão estadual e a fruição do benefício fiscal. Se de um lado é razoável que se exija certa proporcionalidade entre os investimentos (a serem) realizados pelas empresas beneficiárias e os valores de subvenção recebidos, já que tais benefícios sugerem certa contraprestação do agente privado, não é menos razoável afirmar que não é possível exigir contemporaneidade entre estes (subvenção e investimentos). Tal assertiva é intuitiva em relação aos benefícios que envolvem ICMS, pois estes são fruídos em boa parte quando a unidade industrial está em pleno funcionamento (mediante a venda dos produtos industrializados) e, portanto, já realizou boa parte (senão todos) os investimentos prometidos ao ente público. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thomé Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 62 86 /2 01 0- 01 Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10530.726286/201001 Acórdão n.º 1102001.088 S1C1T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Limhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Segunda Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Salvador (DRJ/BA), assim ementado, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo os autos de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de impugnar os lançamentos, descabe a alegação de nulidade. PEDIDOS DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. Indeferemse os pedidos de diligência e perícia quando estas se revelam desnecessárias para o deslinde da matéria em julgamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. FALTA DE RECONHECIMENTO DA RECEITA. O crédito presumido do ICMS, quando não atrelado ao investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, é estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e deve ser computado no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. ISENÇÃO/REDUÇÃO DO IMPOSTO. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Incabível a recomposição do lucro da exploração em função de valores que deixaram de transitar pelo resultado contábil da empresa. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. A insuficiência de recolhimento das estimativas mensais do imposto de renda autoriza o lançamento de ofício da multa isolada incidente sobre a diferença não recolhida. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10530.726286/201001 Acórdão n.º 1102001.088 S1C1T2 Fl. 4 3 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS Contribuição para o Programa de Integração Social PIS Confirmada, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que se dar a estes igual entendimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Tratase da impugnação de fls. 852/881, que contesta os autos de infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 07/13), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 14/19), à Multa Exigida Isoladamente por falta de recolhimento da CSLL sobre a base estimada (fls. 22/25), à Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 27/34) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fls. 36/43), todos lavrados em 23/12/2010, contra o contribuinte acima identificado, para a exigência de crédito tributário relativo a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2007. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 45/50, parte integrante do auto de infração, informa o autuante que realizadas as intimações necessárias e suficientes, e tendo o contribuinte apresentado suas respostas, constatou, com base no art. 392, inciso I, do RIR/1999, a ocorrência de infração à legislação tributária referente a subvenções correntes para custeio ou operações recebidas no período, tendo em vista que: a) o Governo da Bahia, através da Lei nº 7.025/1997 (regulamentada pelo Decreto nº 6.734/1997), autorizou o Poder Executivo a conceder crédito presumido de ICMS, ao mesmo tempo em que estabeleceu as alíquotas e o prazo de fruição desse benefício fiscal, não tendo estabelecido como condição para a fruição do benefício a aplicação efetiva e específica da subvenção em projetos de investimentos; b) o contribuinte é beneficiário da subvenção fiscal, conforme estabelecido pelas resoluções do Conselho Deliberativo do PROBAHIA, citadas no presente Termo; c) regularmente intimado, mediante Termo de Intimação Fiscal nº 0001 (fl. 62), o contribuinte apresentou demonstrativo de apuração do benefício fiscal, bem como indicou as contas do Razão nas quais o benefício encontrase escriturado, mas mantevese silente quanto à efetiva e específica aplicação do referido benefício, de modo que considerado o Parecer Normativo PNCST 112/1978, tal benefício enquadrase como Subvenção Corrente para Custeio ou Operação, devendo seus valores integrar o resultado operacional da pessoa jurídica e, por via de consequência, submeterse à tributação; d) analisandose a contabilidade, constatase que os valores subvencionados (crédito presumido de ICMS) foram contabilizados a crédito da conta “Reservas de Subvenção” e a débito da conta “ICMS a pagar” ou “ICMS a compensar”, não transitando em momento algum pelo resultado operacional do contribuinte, de forma Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10530.726286/201001 Acórdão n.º 1102001.088 S1C1T2 Fl. 5 4 que há de se considerar que seus valores foram integralmente omitidos da apuração tributária; e) após análise dos documentos obtidos no curso do procedimento fiscal e ante o exposto acima, foi constatada a ocorrência de omissão de receitas, uma vez que os valores subvencionados não foram oferecidos à tributação, e procedeuse ao lançamento de ofício dos tributos devidos e dos acréscimos legais. O contribuinte tomou ciência dos autos de infração em 27/12/2010, via correio, e em 24/01/2011 apresentou impugnação, alegando, em síntese: I) os autos de infração têm como único fundamento o entendimento de que o benefício fiscal recebido pelo impugnante, traduzido em crédito presumido de ICMS outorgado pelo Estado da Bahia, tem natureza de subvenção corrente para custeio ou operação, tendo o agente fiscal autuante baseado o seu trabalho no Parecer Normativo COSIT 112/1978, segundo o qual, para se caracterizar “subvenção para investimento” seria necessária “a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado”. II) os autos de infração não podem prevalecer, pois da correta interpretação do §2º do art. 38, do DecretoLei nº 1.598/1977, concluise que as subvenções para investimento qualificamse pelas seguintes características: intenção da pessoa jurídica de direito público de transferir capital para a iniciativa privada, visando o estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos; não vinculação da subvenção ao efetivo e específico investimento projetado; registro das subvenções como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos, ou ser incorporada ao capital social; III) o Parecer Normativo COSIT nº 112/1978 não tem fundamento legal, eis que em desacordo com o que dispõe o art. 38, §2º, do DecretoLei nº 1.598/1977, conforme atestam entendimentos doutrinários e jurisprudenciais transcritos nesta impugnação; IV) foi uma das empresas pioneiras a se instalar no Estado da Bahia, após a criação do Programa de Promoção do Desenvolvimento da Bahia – PROBAHIA, firmado em 29 de setembro de 1997, por meio da sua Controladora, Protocolo de Intenções com o Governo do Estado (Doc. 04 fls. 931/938), e segundo esse documento a empresa se comprometeu a cumprir uma série de exigências de produtividade, de geração de empregos e de investimentos, tendo cumprido todos os compromissos assumidos junto ao Governo do Estado da Bahia, conforme comprova os documentos anexados (fls. 940/1092); V) constaram no Protocolo de Intenções os motivos pelos quais o Estado da Bahia concedia o benefício, restando claro que se pretendeu realizar transferência de capital, por meio de subvenção de investimento (fl.856); VI) as subvenções para investimento traduzemse em transferências de capital, creditadas em reserva de capital e não contabilizadas nas contas de resultado do exercício (o impugnante discorre sobre o conceito de subvenção para investimento); VII) restou comprovado, durante a auditoria fiscal realizada, que o impugnante classificou corretamente a subvenção para investimento, conforme consta no Termo de Verificação Fiscal; Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10530.726286/201001 Acórdão n.º 1102001.088 S1C1T2 Fl. 6 5 VIII) no caso em tela, a multa isolada é inexigível, pois nenhuma penalidade pode ser aplicada ao caso, eis que o crédito presumido de ICMS percebido deve ser classificado como subvenção para investimento e mesmo que assim não se entenda, é necessário ressaltar que, de qualquer forma, é indevida a aplicação em conjunto da multa de ofício e da multa isolada, verdadeira cumulação ilegítima de penalidade, sendo nesse sentido vasta e pacífica jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais; IX) os valores exigidos de multa isolada alcançam um valor estratosférico, quase igualando a própria base de cálculo do imposto, tanto para o IRPJ como para a CSLL, não deixando dúvidas de que se está diante de multa com caráter confiscatório, o que é expressamente vedado pelo art. 150, inciso IV, da Constituição Federal, e confirmado pela jurisprudência citada; X) a mesma argumentação referente ao conceito de subvenção para investimento, apresentada no início desta impugnação, merece ser adotada para afastar a tributação referente à Contribuição para o PIS e à COFINS, conforme atesta Acórdão nº 10708.738 da Sétima Câmara do Conselho de Contribuintes, ressaltandose, ainda, que os valores referentes a crédito presumido de ICMS, enquanto subvenção para investimento, não podem ser considerados receita e, portanto, não se incluem nas bases de cálculo destas contribuições, conforme demonstra estudo de José Antonio Minatel, transcrito nesta impugnação; XI) é beneficiário da redução do IRPJ, calculando este tributo com base no lucro da exploração. Desta forma, se estivesse correta a interpretação adotada na autuação (hipótese admitida unicamente para fins de argumentação), então os valores subvencionados deveriam ter sido incluídos no lucro operacional, sendo necessário recalcular o lucro da exploração e, tendo em vista que o lançamento não se operou desta forma, imprescindível a anulação dos autos de infração. Ao final da sua impugnação, o contribuinte pede a anulação dos autos de infração; requer que, no mínimo, seja afastada a aplicação da multa isolada em conjunto com a multa de ofício ou, ainda, caso seja mantida a autuação que se proceda ao recálculo do lucro da exploração. Protesta, também, pela produção de todos os meios de prova em Direito admitidas, especialmente a juntada de documentos, diligências e a realização de perícia, esta com o objetivo de confirmar a correta contabilização da subvenção para investimento, para tanto formulando os quesitos, e, ainda protesta pela formulação de quesitos complementares e indica para isso assistente técnico.” O acórdão recorrido julgou improcedente a impugnação pelos motivos sintetizados na ementa descrita acima. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte alega, preliminarmente, nulidade da decisão a quo pelo indeferimento do pedido de perícia. No mérito, reproduz suas alegações de impugnação, especialmente no que se refere à (i) caracterização do crédito presumido de ICMS do Estado da Bahia como subvenção para investimento; (ii) impossibilidade de aplicação de multa isolada por não recolhimentos de estimativas; (iii) inexigibilidade de PIS e COFINS; e (iv) necessidade de recomposição do Lucro da Exploração. É o relatório. Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10530.726286/201001 Acórdão n.º 1102001.088 S1C1T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. (i) Preliminares Aduz a Contribuinte que a decisão recorrida é nula, pois indeferiu o pedido de perícia. Sobre o tema, o acórdão recorrido entendeu que a perícia seria desnecessária para a solução do caso, conforme art. 18 do Decreto n. 70.235/72, verbis: “Quanto ao pedido de diligência e perícia, aventado na impugnação, devese observar que embora previsto no art. 16, do Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal – PAF, verificase que, no caso presente, tanto a diligência quanto a perícia revelamse inteiramente desnecessárias para o deslinde da questão a ser apreciada, ante a verificação de que constam nos autos todos os elementos para a formulação da livre convicção do julgador, em consonância com o art. 18 do Decreto n.º 70.235 de 1972, que regulou o Processo Administrativo Fiscal (PAF), nesses termos: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendelas necessárias, indeferido as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748/93). (Grifei) Portanto, pelos motivos acima expostos, indefiro os pedidos de diligência e de perícia.” Rejeitase o pedido de nulidade por cerceamento do direito de defesa pelo fato de que o indeferimento do pedido de perícia foi motivado e possui embasamento legal. Ademais, fosse essencial para provar eventual direito da Contribuinte, esta poderia ter produzido total ou parcialmente tal prova, de per si, por meio de laudos técnicos e eventuais outros documentos trazidos aos autos. (ii) Mérito a. Caracterização do Crédito Presumido de ICMS como Subvenção para Investimento Nos período de apuração objeto de fiscalização, a Contribuinte era beneficiária de crédito presumido de ICMS outorgado pelo Estado da Bahia, em virtude do Programa de Promoção do Desenvolvimento da Bahia (PROBAHIA), nos termos da Lei nº 7.025/97 e Decreto nº 6.734/97 do referido estado. Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10530.726286/201001 Acórdão n.º 1102001.088 S1C1T2 Fl. 8 7 A contribuinte registrou a referida subvenção diretamente no patrimônio líquido, sem o trânsito em contas de resultado, por classificar o referido incentivo como subvenção para investimento. A Fiscalização, por sua vez, entendeu que o referido benefício não estava vinculado a investimentos da Contribuinte, efetuando o lançamento sob o argumento de que tal incentivo se tratava, na realidade, de uma subvenção para custeio e não para investimento, devendo, portanto, ter sido reconhecido como receita no resultado e oferecido à tributação pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. O acórdão recorrido manteve os lançamentos sob o fundamento de que a Contribuinte não teria comprovado que realizou a aplicação dos recursos provenientes do incentivo fiscal em investimentos para implementação ou expansão do empreendimento econômico. Verbis: “Diante das considerações acima expendidas, observase que, para efeito de se caracterizarem como subvenções para investimentos e, assim, não constituírem receitas, além de outros requisitos, os referidos recursos devem ser efetivamente aplicados na expansão empresarial. As subvenções correntes, entretanto, constituem receita para os mesmos fins. (...) Portanto, por não terem as subvenções concedidas à impugnante pelo governo do Estado da Bahia natureza de subvenção para investimento, à égide da legislação tributária vigente, mas sim de subvenção para custeio, são normalmente tributadas pelo IRPJ, consoante o artigo 392 do RIR/1999, que determina a inclusão desses valores no lucro operacional.” (grifouse) Em seu recurso voluntário, a Contribuinte sustenta que o benefício tem a natureza de subvenção para investimento, colacionando diversas decisões deste órgão julgador, no sentido de que os incentivos de ICMS, inclusive o concedido pelo Estado da Bahia, devem ser tratados como subvenção para investimento. Pois bem. Dispõe os arts. 392 e 443 do RIR/99 que: “Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I – as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV); (...) Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10530.726286/201001 Acórdão n.º 1102001.088 S1C1T2 Fl. 9 8 I – registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II – feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas.” Da leitura dos referidos artigos, depreendese que o Regulamento de Imposto de Renda (RIR/99) adota como regra que a subvenção para custeio deve ser reconhecida no resultado e, portanto, oferecida à tributação, enquanto que subvenção para investimento não deve ser computada na determinação do lucro real. Em julgamento proferido pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Processo n. 10283.005506/200391, do qual este Relator participou e acompanhou o voto condutor do acórdão respectivo (Ac. n. 910100.566), restou assentado que configura outorga de subvenção para investimentos, cumulativamente, a intenção da pessoa jurídica de Direito Público em subvencionar determinado empreendimento e o aumento do estoque de capital na pessoa jurídica subvencionada (via reserva). Verbis: “SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BENEFÍCIO FISCAL. CARACTERIZAÇÃO. CONTRAPARTIDA. NÃO VINCULAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS RECURSOS. A concessão de incentivos às empresas consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento do Estado do Amazonas, dentre eles a restituição total ou parcial do ICMS, notadamente quando presentes a i) intenção da pessoa jurídica de Direito Público em subvencionar determinado empreendimento e o ii) aumento do estoque de capital na pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação dos recursos no seu patrimônio, configura outorga de subvenção para investimentos. O conjunto de obrigações assumidas pela beneficiária, em contrapartida ao favor fiscal, não configura aplicação obrigatória dos recursos transferidos. ................... Concluindo esta análise, em resumo resta claro o entendimento de que: a) as transferências de recursos do Estado do Amazonas, realizadas com base na Lei Estadual n2 1.939/1989, constituem subvenção para investimento, pois visam essencialmente o incremento e a consolidação da atividade econômica na região; b) a concessão do beneficio, conforme o Decreto Estadual n. 12.814A/1990, está condicionada a determinadas exigências documentais que indicam a intenção do Estado em assegurar que os recursos transferidos para o setor privado alcancem os objetivos estabelecidos pela lei; c) as exigências legais, traduzidas pelos benefícios sociais, nada mais representam que a contraprestação do favor fiscal, pois não possuem o condão de fixar o destino ou a aplicação obrigatória dos recursos, e Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10530.726286/201001 Acórdão n.º 1102001.088 S1C1T2 Fl. 10 9 d) os recursos decorrentes da restituição do ICMS, devidamente contabilizados em conta de Reserva de Capital, estão de acordo com a condição estabelecida pelo referido § 22 do art. 38 do Decretolei n. 1.598/77.” (Processo n° 10283.005506/200391, Acórdão n° 910100.566 1a Turma, Sessão de 17 de maio de 2010) Naquela oportunidade não se discutiu a questão do emprego contemporâneo do valor subvencionado (investimento) ao recebimento da subvenção como condição para a não inclusão dos valores respectivos na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, embora a leitura do voto condutor permita inferir o entendimento de que seria impróprio (não razoável) falarse em imediata destinação dos recursos recebidos, excepcionado o requisito contábil mencionado. Para solução do caso, portanto, cumpre perquerir (a) se tais requisitos estão presentes; e (b) se é necessário haver contemporaneidade entre o recebimento da subvenção e o investimento pelo contribuinte, conforme atestam a Fiscalização e o acórdão recorrido. Os incentivos fiscais em referência foram concedidos pela Lei Estadual n. 7.025/97, nos seguintes termos: “Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a conceder crédito presumido de Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) incidente nas operações efetuados por estabelecimentos industriais inscritos no cadastro do ICMS e sediados no Estado da Bahia. § 1º O crédito de que trata o caput deste artigo será concedido nas operações de saídas dos seguintes produtos montados ou fabricados neste Estado e nos percentuais a saber: I veículos automotores, bicicletas e triciclos, inclusive seus componentes, partes, peças, conjuntos e subconjuntos acabados e semiacabados pneumáticos e acessórios: a) até 75% (setenta e cinco por cento) do imposto incidente, nos 5 (cinco) primeiros anos de produção; b) até 37,5% (trinta e sete inteiros e cinco décimos por cento) do imposto incidente, do sexto ao décimo ano de produção; II calçados e seus componentes, bolsas, cintos e artigos de malharia: até 99% (noventa e nove por cento) do imposto incidente durante o período de até 20 (vinte) anos de produção; III móveis: até 90% (noventa por cento) do imposto incidente durante o período de até 15 (quinze) anos de produção. IV fiação e tecelagem: até 90% (noventa por cento) do imposto incidente durante o período de até 15 (quinze) anos de produção; Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10530.726286/201001 Acórdão n.º 1102001.088 S1C1T2 Fl. 11 10 V confecções: até 90% (noventa por cento) do imposto incidente durante o período de até 15 (quinze) anos de produção. § 2º O crédito presumido não alcança as operações relativas a substituição tributária. § 3º Nos casos de empreendimentos industriais habilitados pelo PROAUTO, de relevante interesse para o Estado, o crédito a que se refere o inciso I, do § 1º, deste artigo, poderá ser de até 100% (cem por cento) do imposto incidente nas operações. Art. 4º O Poder Executivo regulamentará esta lei no prazo de sessenta dias contados da sua publicação.” (grifei) O Decreto Estadual nº 6.734/97, regulamentando a matéria, arrolou diversas exigências para a fruição do benefício. Dentre tais exigências, citemse as seguintes: “Art. 1º. (...) § 5º Na definição dos quantitativos a que alude o parágrafo anterior deverá ser considerado, em relação ao estabelecimento beneficiário: I localização dentro das áreas de interesse estratégico para a economia do Estado; II quantidade de empregos, diretos ou indiretos, que o empreendimento possa gerar; III volume do investimento total do empreendimento; IV importância para a matriz industrial do Estado da Bahia dos produtos a serem fabricados. § 6º Para fruição do benefício previsto neste artigo, os contribuintes fabricantes dos produtos listados nos incisos II e VIII do caput deste artigo, que apresentem projeto de investimento poderão ser enquadrados em uma das seguintes classes: I classe I: 99% de crédito presumido, durante quinze anos de produção; II classe II: 95% de crédito presumido, durante quinze anos de produção; III classe III: 90% de crédito presumido, durante quinze anos de produção. § 6ºA. Para fins de enquadramento do benefício previsto no inciso X do caput deste artigo, em relação ao volume de investimento, a definição do percentual de crédito presumido observará os seguintes limites: I para investimento até R$ 75.000.000,00 (setenta e cinco milhões de reais): até 70% (setenta por cento) de crédito presumido; Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10530.726286/201001 Acórdão n.º 1102001.088 S1C1T2 Fl. 12 11 II para investimento entre R$ 75.000.000,00 (setenta e cinco milhões de reais) e R$ 150.000.000,00 (cento e cinquenta milhões de reais) : até 85% (oitenta e cinco por cento) de crédito presumido; III para investimento superior a R$ 150.000.000,00 (cento e cinquenta milhões de reais): até 95% (noventa e cinco por cento) de crédito presumido;” (grifei) Do texto legal extraise que o incentivo fiscal somente é concedido (i) a empreendimentos considerados prioritários para o Estado do Bahia que (ii) estejam em processo de implantação, relocalização, revitalização ou ampliação. Não se destina a qualquer empresa localizada no Estado ou ao financiamento de atividades já instaladas, mas somente àquelas que tenham projeto de desenvolvimento aprovado pelo Estado. Visa a incentivar a indústria e produção de bens expressamente selecionados pelo Poder Executivo em todas as regiões do Estado. Tais circunstâncias ficam ainda mais evidentes ao longo do regulamento (Decreto n. 6.734/97), verbis: § 7º O enquadramento em uma das classes dependerá da pontuação obtida de acordo com o índice de aderência do projeto à matriz de desenvolvimento industrial do Estado, que levará em consideração os seguintes critérios: I repercussão do projeto na geração de empregos diretos e indiretos e na multiplicação da renda; II capacidade de desconcentração espacial dos adensamentos industriais, favorecendo a regionalização do desenvolvimento; III integração e verticalização de cadeias produtivas e de comercialização, inclusive para o exterior; IV vocação para o desenvolvimento regional e subregional, em especial das regiões mais pobres; V grau de desenvolvimento tecnológico dos processos produtivos e de assimilação de novas tecnologias; VI responsabilidade da empresa quanto a aspectos de interesse social na comunidade em que pretenda atuar; VII prevenção do impacto ambiental do projeto e o relacionamento da empresa com o ambiente.”;. ............................................. § 8º O contribuinte beneficiário do crédito presumido previsto nos incisos II e VIII do caput deste artigo, em substituição ao benefício concedido mediante resolução expedida até 31/12/2008, poderá optar pelo enquadramento previsto no § 6º, observandose o seguinte: I o contribuinte deverá: Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10530.726286/201001 Acórdão n.º 1102001.088 S1C1T2 Fl. 13 12 a) apresentar projeto de investimento superior a 35% (trinta e cinco por cento) da capacidade de produção em relação ao exercício anterior; b) formalizar a opção de apropriação de crédito fiscal, em substituição ao incentivo do programa de que trata a Lei nº 7.024, de 23 de janeiro de 1997, nos termos do Decreto nº 10.972, de 18 de março de 2008; c) firmar termo de acordo e compromisso com o Secretário da Fazenda e o Secretário da Indústria, Comércio e Mineração.”; (grifouse) Tal como assentado pelo precedente da 1a Turma da CSRF acima citado, os incentivos fiscais concedidos pelo Estado da Bahia “têm por objetivo geral o desenvolvimento econômico do Estado, mediante a expansão e modernização da atividade econômica”. Concedidos por atividade vinculada do agente público mediante procedimento específico em que aferida a capacidade e eficiência de cada empreendimento econômico segundo projeto próprio, tais incentivos promovem desenvolvimento regional mediante investimentos realizados para integração, expansão, modernização e consolidação dos setores econômicos do Estado. Em suma, a legislação estadual manifesta a intenção do Ente Público em transferir capital às pessoas jurídicas na forma de subvenção para investimento, manifestação esta expressa conforme disposto no Regulamento acima citado. Assim, não há como considerar que a renúncia fiscal seja somente para permitir aos beneficiários a recuperação de custos de sua atividade operacional, desvinculada do interesse público maior. Analisando este mesmo benefício do Estado da Bahia, este Tribunal Administrativo, em mais de uma oportunidade, manifestouse no sentido de que tal benefício possui natureza de subvenção para investimento e não custeio. Confirase: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 IRPJ. LUCRO REAL. INCENTIVOS FISCAIS. EMPRÉSTIMOS SUBSIDIADOS. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. A concessão de incentivos à implantação de indústrias consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento de municípios no interior dos Estados do Ceará e da Bahia, consistentes em empréstimos subsidiados e crédito presumido de ICMS, configuram subvenções para investimento, notadamente quando presentes: i) a intenção do Poder Público em transferir capital para a iniciativa privada; ii) a verba oriunda da subvenção foi destinada para investimento na implantação de empreendimentos econômicos de interesse público; iii) o beneficiário da subvenção é pessoa jurídica constituída sob a forma de companhia; iv) a subvenção foi registrada em conta de reserva de capital; v) ocorreu aumento de capital na pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação das reservas ao seu capital. A conta de reserva de capital poderá ser utilizada apenas para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, não podendo ser distribuída. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. As subvenções para investimento não integram a receita bruta e, por conseqüência, não compõem o faturamento, base de cálculo do PIS e da Cofins, bem como não integram o lucro líquido do exercício, ponto inicial para apuração da base de cálculo da CSLL.” (Acórdão nº 1202000.921. Primeiro Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Relator Carlos Alberto Donassolo. Julgado em 05/12/2012) Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10530.726286/201001 Acórdão n.º 1102001.088 S1C1T2 Fl. 14 13 No mesmo sentido: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 REDUÇÃO DO ICMS A RECOLHER SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO NÃOCARACTERIZAÇÃO Os incentivos concedidos pelos estados da Bahia e de Pernambuco, consistentes em redução do ICMS a recolher pela via do financiamento de longo prazo, com descontos pela antecipação, ou do crédito presumido, cujos valores são mantidos em contas de reserva no patrimônio líquido, não se caracterizam como subvenção para custeio a que se refere a art. 392 do RIR/99. O Parecer Normativo CST 112/78 faz interpretação em desacordo com o art. 38 do Decretolei nº 1.598/77, na redação que lhe foi dada pelo Decretolei nº 1.730/79. LANÇAMENTOS DECORRENTES E MULTAS ISOLADAS Aplicamse aos lançamentos decorrentes (CSLL, PIS e COFINS) as mesmas razões de decidir aplicáveis ao litígio principal. Afastadas as exigências de IRPJ e CSLL, os ajustes nas bases de cálculo das estimativas tornamse indevidos e, portanto, são indevidas as multas isoladas aplicadas por insuficiência de recolhimentos mensais.” (Acórdão nº 10709492. Primeiro Conselho de Contribuintes. 7ª Câmara. Relator Luiz Martins Valero. Julgado em 17/09/2008) Não desnatura a subvenção para investimento apenas o fato de não haver contemporaneidade entre os investimentos realizados pelo beneficiário segundo projeto técnico aprovado perante o órgão estadual e a fruição do benefício fiscal. Se de um lado é razoável que se exija certa proporcionalidade entre os investimentos (a serem) realizados pelas empresas beneficiárias e os valores de subvenção recebidos, já que tais benefícios sugerem certa contraprestação do agente privado, o que, se diga, não é objeto de acusação fiscal, não é menos razoável afirmar que não é possível exigir contemporaneidade entre estes (subvenção e investimentos). Tal assertiva é intuitiva em relação aos benefícios que envolvem ICMS, na medida em que estes são fruídos em boa parte quando a unidade industrial está em pleno funcionamento (mediante a venda dos produtos industrializados) e, portanto, já realizou boa parte (senão todos) os investimentos prometidos ao ente público. No caso, ao invés de alegar de forma lacônica que “nesse caso, a considerar o Parecer Normativo COSIT 112/1978, tal benefício fiscal enquadrase como SUBVENÇÃO CORRENTE PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO, devendo seus valores integrar o resultado operacional da pessoa jurídica e, por via de conseqüência, submeterse à tributação”, incumbiria à Fiscalização demonstrar, alternativamente, (i) que o benefício fiscal foi utilizado sem a indispensável autorização formal do Estado ou (ii) que os investimentos prometidos ao ente estatal não foram realizados pelo contribuinte beneficiário ou (iii) que o benefício fiscal concedido é bastante desproporcional aos investimentos comprometidos com o Estado, descaracterizando sua natureza originária, conforme exame do projeto submetido à apreciação do Poder Público local. Ausente citada prova, e atendidos aos demais requisitos acima citados para caracterização do benefício fiscal como subvenção para investimento, impõese reconhecer a improcedência dos lançamentos. b. Impossibilidade de cobrança cumulativa da multa isolada e da multa proporcional Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10530.726286/201001 Acórdão n.º 1102001.088 S1C1T2 Fl. 15 14 A improcedência das multas de ofício isoladas decorre ainda de outro fundamento. Segundo corrente jurisprudencial majoritária, cujos fundamentos ora se adota como razão de decidir, a exigência da multa de lançamento de ofício isolada, sobre diferenças de IRPJ e CSLL não recolhidos mensalmente, somente se justifica se operada no curso do próprio anocalendário ou, se após o seu encerramento, se da irregularidade praticada pela contribuinte (falta de recolhimento ou recolhimento a menor) resultar prejuízo ao fisco, como a insuficiência de recolhimento mensal frente à apuração, após encerrado o anocalendário, de tributo devido maior do que o recolhido por estimativa. Vejase, nesse sentido, ementas de v. acórdãos proferidos pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, verbis: CSLL – MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – TRIBUTO APURADO INFERIOR AO VALOR CALCULADO POR ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 determina que a multa de ofício seja calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, grandeza que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. Na apuração do lucro real anual, o tributo devido pelo contribuinte só é conhecido ao final do período de apuração quando ocorre a aquisição de renda pelo contribuinte fato gerador do Imposto sobre a Renda. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando o valor do cálculo estimado ultrapassa o tributo devido na escrita fiscal ao final do exercício. (CSRF, Primeira Turma, Processo n. 10680.005834/200312, Relator Marcos Vínícius Neder de Lima, Acórdão 105 139794) No mesmo sentido: CSLL – MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando a empresa recolhe, ao longo do ano, valor superior ao apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Recurso especial provido. (CSRF, Primeira Turma, Processo n. 10665.001042/9948, Ac. 108133750, Rel.: Marcos Vinícius Neder de Lima) No mesmo sentido: RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DEPOIS DE ENCERRADO O ANO CALENDÁRIO: Encerrado o período anual da apuração, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência efetivamente devida, apurada com base no balanço anual, revelandose improcedente a cominação de multa, mormente se o contribuinte optou, antes da ação fiscal, em incluir a referida no REFIS. (CSRF, Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10530.726286/201001 Acórdão n.º 1102001.088 S1C1T2 Fl. 16 15 10140.001362/200247, Ac. 107133806, José Henrique Longo) No mesmo sentido: IRPJ – RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA – MULTA ISOLADA – LANÇAMENTO DEPOIS DE ENCERRADO O ANOCALENDÁRIO: Encerrado o período anual de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido, apurado com base no lucro real, em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente, revelandose improcedente a cominação de multa sobre eventuais diferenças se o imposto recolhido antecipadamente superou o efetivamente devido. Recurso especial negado. (CSRF, Primeira Turma, Ac. 103124926, Rel.: José Carlos Paussuelo, Processo n. 10280.009389/9926) Também é entendimento assente em seara administrativa o de que é ilegítima a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre bases estimadas e da multa de ofício lançada conjuntamente com o montante principal do imposto, quando ambas tiverem por base o mesmo fato apurado em procedimento fiscal. Verbis: “MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado. (Processo n. 10510.000679/200219, Recurso n. 106 131314, Ac. CSRF/0104.987, Primeira Turma, Relator: Leila Maria Scherrer Leitão, 15/06/2004) Do exame dos autos, verificase que os lançamentos de multas isoladas decorreram das infrações que originaram os próprios autos de infração de IRPJ e CSLL, estes já acompanhados da regular multa de ofício de 75% dos tributos lançados. Nesse sentido, considerandose a concomitância entre as penalidades de ofício, impõese o afastamento das multas isoladas aplicadas no caso. (iii) Conclusão Por todo o exposto, orientase voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10530.726286/201001 Acórdão n.º 1102001.088 S1C1T2 Fl. 17 16 Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
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Numero do processo: 11065.000320/2007-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 28/02/2004 a 31/12/2005
INCENTIVO FISCAL. CRÉDITO FISCAL DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. NÃO INCLUSÃO.
Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins, o valor do incentivo fiscal concedido pelo Estado sob forma de crédito fiscal, para redução na apuração do ICMS devido.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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CRÉDITO FISCAL DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação do PIS, o valor do incentivo fiscal concedido pelo Estado sob forma de crédito fiscal, para redução na apuração do ICMS devido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 28/02/2004 a 31/12/2005 INCENTIVO FISCAL. CRÉDITO FISCAL DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins, o valor do incentivo fiscal concedido pelo Estado sob forma de crédito fiscal, para redução na apuração do ICMS devido. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Maria Teresa Martínez López Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 03 20 /2 00 7- 14 Fl. 574DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recuso especial interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão nº 20313.634, proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. A ementa da decisão guerreada está assim redigida: Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. INCENTIVO FISCAL. CRÉDITO FISCAL DO ICMS. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do incentivo fiscal concedido pelo Estado sob forma de crédito fiscal, para redução na apuração do ICMS devido. Período de apuração: 28/02/2004 a 31/12/2005 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA A CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do incentivo fiscal concedido pelo Estado sob forma de crédito fiscal, para redução na apuração do ICMS devido. Mencionado acórdão foi julgado na sessão plenária de 02 de dezembro de 2008, em que não se conheceu parte do recurso voluntário e, relativamente à parte conhecida, foi dado, por maioria de votos, provimento parcial. A decisão não foi unânime e a sessão de julgamento é anterior a 30 de junho de 2009. A recorrente alega que o acórdão recorrido teria contrariado os arts. 1º e 2° da LC n° 70/91, arts. 2° e 3° da LC n° 07/70, bem como o art. 3º da Lei n° 9.718/1998, o art. 1° da Lei n° 10.833/2003 e o art. 1° da Lei n° 10.637/2002. Sustenta o acórdão recorrido que, para a determinação da base de cálculo da COFINS, não se incluem os valores obtidos pela empresa a título de crédito fiscal para redução do ICMS devido, ao passo que a recorrente entende de maneira diversa, inclusive mencionando disposições legais segundo as quais as subvenções correntes integrariam a receita. Pelo Despacho nº 400713, de fls. 335, sob o entendimento de que o recurso atende às formalidades legais, deuse seguimento ao recurso a contrariedade à lei ficou, em tese, demonstrada na exposição apresentada pela Procuradoria. A interessada apresentou contrarrazões onde pede a manutenção da decisão recorrida. Para tanto, cita doutrina e jurisprudência que lhe é favorável ao entendimento defendido. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11065.000320/200714 Acórdão n.º 9303002.618 CSRFT3 Fl. 357 3 É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora O recurso atende aos requisitos legais e dele tomo conhecimento. A discussão posta nos autos para a análise deste Colegiado gira em torno da possibilidade de se exigir PIS/COFINS sobre valores recebidos pela interessada a título de subvenção pública para investimentos (PROBAHIA e FUNDOPEM/RS), no período sujeito à nãocumulatividade das contribuições sociais. Em outras palavras, se o conceito jurídico de receita para fins de incidência da COFINS e do PIS abrange as subvenções públicas recebidas pelo contribuinte. A recorrente, Fazenda Nacional, sustenta, em síntese, a esta Colenda Câmara Superior, que o Acórdão teria contrariado a lei na medida em que conferiu interpretação equivocada ao conceito de receita bruta. Tenho me posicionado no sentido de que as subvenções outorgadas pelo Poder Público com o claro propósito de implementar e/ou expandir empreendimentos econômicos específicos, como é o caso da interessada, são subvenções custeio, e como tal não fariam parte da base de cálculo das contribuições. A decisão recorrida, no entanto, envereda por uma outra linha, a de que pouco importa a contabilização dos ingressos. No caso em tela, defende não se tratar de receita, pelas características dos programas PROBAHIA e FUNDOPEM/RS. 1 Nesse sentido, consta das razões de decidir do ilustre Relator EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS: Aqui, os dois incentivos consistem no seguinte: creditamento de ICMS em valor correspondente à aplicação de um percentual sobre o imposto incidente nas saídas da produção de cada estabelecimento instalado no Estado da Bahia ("Probahia") e concessão de um crédito presumido de ICMS gerado a partir do incremento na arrecadação do imposto decorrente da expansão das atividades, observadas uma série de exigências previamente estabelecidas pelo Estado do Rio Grande do Sul ("Fundopem"). Ambas são registradas contabilmente pelo contribuinte a débito de uma conta do Ativo Circulante e a crédito do Patrimônio Líquido, em uma conta de Reservas de Capital. 1 Com efeito, consta dos autos que a interessada contabilizou o ingresso destes valores de acordo com a legislação. O relatório da fiscalização confirma que foi contabilizado a "débito da conta do ativo circulante ICMS" e a crédito da conta de reserva de capital 'Subvenções para investimentos' ...créditos fiscais decorrentes de subvenção concedida pelo Estado da Bahia (.) do Rio Grande do Sul". Os ingressos obtidos por meio das subvenções foram registradas na conta de reserva de capital, em consonância com o disposto no artigo 182 e 187 da Lei nº 6.404/76. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Dada a similitude dos incentivos destes autos com o incentivo analisado no Recurso n° 136271, doravante repito a interpretação por mim adotada naquele, e que como já dito prevaleceu por maioria. Para o deslinde da controvérsia, não dou qualquer relevo à contabilidade da empresa. Tampouco adentro no debate sobre a tributação (ou não) das subvenções em geral. O que me faz ver a impossibilidade de inclusão do incentivo na base de cálculo da Contribuição é a sua caracterização como crédito fiscal do ICMS, tal como estatuído nas normas estaduais concessivas do beneficio. No sistema de débitos e créditos de apuração do ICMS, os incentivos concedidos sob a forma de créditos fiscais servem à redução do imposto estadual devido, sendo os valores correspondentes redutores do saldo devedor. Daí não serem computados como faturamento ou receita bruta, mesmo nos termos do alargamento promovido pela Lei n° 9.718/98 (reputado inconstitucional porque anterior à EC n° 20/98) e Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 (posteriores à citada Emenda e plenamente eficazes). Seria diferente, e ensejaria a tributação mediante o cômputo na receita bruta, tal como definida nas três leis retrocitadas, se o incentivo fosse estabelecido como crédito em moeda corrente (em vez de crédito escritural), e servisse para pagamento do imposto. Do mesmo modo, também seria tributado se o incentivo se desse por meio de desconto no valor de empréstimo concedido ao contribuinte, mas que em função do beneficio Estadual é pago a menor. Pelo exposto, dou provimento parcial ao Recurso para excluir, da base de cálculo da Cofins e do PIS, os valores dos incentivos estaduais concedidos sob a forma de crédito escritural do ICMS pelos Estados da Bahia e do Rio Grande do Sul. Receita não é todo e qualquer ingresso que a empresa tem. Assim, por exemplo, não se cogita que a integralização de capital social seja tributada pela COFINS, mesmo sendo um ingresso de valor para a empresa. Receita surge como decorrência direta da atividade fim desenvolvida pela empresa e, ainda, ter vinculação com o resultado desta atividade. Assim, voltase a afirmar, não é qualquer ingresso que constitui uma receita. Nessa linha de raciocínio, a interessada destaca em suas contrarrazões: “ crédito de IPI ressarcido pela União, não é considerado uma receita. Os créditos de PIS e COFINS (requeridos via ressarcimento) não são considerados uma receita (§10°, do art. 3°, da Lei n° 10.833/03). Porquê então, os créditos presumidos de ICMS (subvenções do PROBAHIA e FUNDOPEM) haverão de ser? Será que o beneficio outorgado pela União possui natureza jurídica distinta daqueles que são outorgados pelos Estadosmembros?” E mais, citando o eminente ex Conselheiro José Minatel, que assim se posiciona sobre o conceito de Receita: Fl. 577DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11065.000320/200714 Acórdão n.º 9303002.618 CSRFT3 Fl. 358 5 "...é ingresso qualificado pela sua origem, caracterizando a entrada definitiva de recursos que, ao mesmo tempo, remunera e é proveniente do exercício da atividade empresarial.(...) Se o objetivo é cotejar o conceito que impingimos para receita, confrontandoo com a natureza dos ingressos recebidos com a chancela de subvenção governamental, essa distinção de tratamento afigurasenos irrelevante: bastanos o indicativo da origem, ou seja, ingresso qualificado como beneficio governamental e, pronto, estará à margem da regra de incidência das contribuições cuja base de cálculo é a receita auferida, no sentido de proveniente do exercício da atividade empresarial.(...) as subvenções governamentais não se qualificam no conceito isolado de receita, porque não decorrente de esforço ou do exercício da atividade empresarial.(.)" (Minatel, José Antônio. Conteúdo do Conceito de Receita. MP Ed. SP. 2005. pág. 101/240). De se observar, a partir desta definição, a receita ainda traz consigo a característica de ser o produto que vem de fora do patrimônio empresarial, mas que é derivado de dentro, por decorrer de atos, operações ou atividades da empresa, ou do emprego de recursos que compõem esse patrimônio, e de que resulte algum benefício direto para a pessoa que o remunera por isso. Logo, correta a decisão que excluiu da base de cálculo da Cofins e do PIS, os valores dos incentivos estaduais concedidos sob a forma de crédito escritural do ICMS pelos Estados da Bahia e do Rio Grande do Sul. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Maria Teresa Martínez López Fl. 578DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10925.911403/2011-79
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2002
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/05/2002 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 91 14 03 /2 01 1- 79 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.911403/201179 Acórdão n.º 3801002.918 S3TE01 Fl. 62 2 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.911403/201179 Acórdão n.º 3801002.918 S3TE01 Fl. 63 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu indeferilo (Despacho Decisório à folha 5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega que a exigência da prévia retificação da DCTF como condição para reconhecer o crédito tributário pleiteado pela recorrente não possui qualquer fundamento legal, devendo ser enfrentado os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.911403/201179 Acórdão n.º 3801002.918 S3TE01 Fl. 64 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Apesar da alegação da existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não ter sido acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais Fl. 64DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.911403/201179 Acórdão n.º 3801002.918 S3TE01 Fl. 65 5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.911403/201179 Acórdão n.º 3801002.918 S3TE01 Fl. 66 6 INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.911403/201179 Acórdão n.º 3801002.918 S3TE01 Fl. 67 7 (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 67DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10850.001047/92-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/05/1989 a 31/12/1991
ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO
Preclui o direito do recorrente sobre preliminar de erro na identificação do sujeito passivo, vez que não abordada na peça impugnatória. Preliminar rejeitada.
MULTAS.
Aplica-se a legislação mais benéfica aos atos e fatos não definitivamente julgados.
JUROS DE MORA. TRD
Ficam excluídos os juros moratórios calculados com base na TRD, no período de fevereiro a julho de 1991, remanescendo, nesse período, juros de mora à razão de 1% ao mês-calendário ou fração.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3401-002.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, não se conheceu do recurso quanto à ilegitimidade passiva, por preclusão, e negou-se provimento quanto às matérias de que se conheceu.
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Marques Cleto Duarte- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte, Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/05/1989 a 31/12/1991 ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO Preclui o direito do recorrente sobre preliminar de erro na identificação do sujeito passivo, vez que não abordada na peça impugnatória. Preliminar rejeitada. MULTAS. Aplica-se a legislação mais benéfica aos atos e fatos não definitivamente julgados. JUROS DE MORA. TRD Ficam excluídos os juros moratórios calculados com base na TRD, no período de fevereiro a julho de 1991, remanescendo, nesse período, juros de mora à razão de 1% ao mês-calendário ou fração. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, não se conheceu do recurso quanto à ilegitimidade passiva, por preclusão, e negou-se provimento quanto às matérias de que se conheceu. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos - Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte, Angela Sartori.
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Preliminar rejeitada. MULTAS. Aplicase a legislação mais benéfica aos atos e fatos não definitivamente julgados. JUROS DE MORA. TRD Ficam excluídos os juros moratórios calculados com base na TRD, no período de fevereiro a julho de 1991, remanescendo, nesse período, juros de mora à razão de 1% ao mêscalendário ou fração. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, não se conheceu do recurso quanto à ilegitimidade passiva, por preclusão, e negouse provimento quanto às matérias de que se conheceu. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 10 47 /9 2- 25 Fl. 720DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte, Angela Sartori. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte Usina Catanduva S/A Açúcar e Álcool, em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que por unanimidade de voto julgou procedente em parte a impugnação apresentada, reduzindo a multa de ofício de 100% para 75%, bem como afastar a aplicação de TRD como atualização monetária do crédito tributário apurado. O processo em questão visa exigir a Contribuição e o Adicional ao Instituto do Açúcar e do Álcool de que trata o Decretolei n° 308, de 28/02/1967, art. 3°, com as alterações introduzidas pelo Decretolei n° 1.712, de 14/11/1979, arts. 1°e 2° e pelo Decretolei n° 1.952, de 15/07/1982, arts. 1° e 3'; combinado com o Decreto n° 96.022, de 09/05/88, e Decretolei n° 2.471, de 01/09/81, art. 3 0; Portarias Interministeriais/Atos ifs 51/90, 439/90, 480190,521/9Õ, 578/90, 661/90, 745/90, MP n°279/90, Portaria rfs 11/91, 57/91, 425/91, 699/91, 118/91, 150/91, 180/91, 199/91, 226/91, 235/91, 264/91, 318/91 e 334/91. O lançamento decorreu da falta de recolhimento da contribuição e do adicional sobre o açúcar e o álcool nos períodos de apuração compreendidos entre maio de 1989 e dezembro de 1.991 (fls. 37/38). Regularmente notificado, apresentou o recorrente a impugnação de fls. 44/51, instruída com os documentos de fls. 52/223, onde junta cópias de petições, de sentenças judiciais, de guias de depósito judicial, cópias de cartas de fiança bancária e de um acórdão do Tribunal Regional Federal da lª Regido. Argüiu em preliminar a nulidade da peça impositiva, sob o argumento de que teria sido lavrada na vigência de ordem judicial com expressa proibição de a União cobrar os tributos e impor multas pelo nãorecolhimento no período em questão. Com tal proibição as autoridades fiscais teriam se tornado incompetentes para a prática do ato administrativo de lançamento e o fato de o juiz, posteriormente, ter autorizado a substituição do depósito judicial pela fiança bancária, em nada teria alterado, a situação da impugnante, já que ela continuaria protegida pela decisão judicial que autorizara o nãorecolhimento da exação. No mérito, alegou que a exigência dos tributos, da correção monetária, dos juros de mora e da multa é incabível na espécie por todas as razões por ela invocadas nas iniciais da cautelar e da ação principal que se seguiu, as quais integram a presente impugnação para todos os fins de direito como se aqui 'estivessem transcritas. Finalizando sia defesa, acrescentou que todas essas razões foram integralmente acolhidas pela M.M. Juiza da 4a Vara Federal de BrasiliaDF, nos autos do Fl. 721DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10850.001047/9225 Acórdão n.º 3401002.346 S3C4T1 Fl. 721 3 processo n° 89.79522 (I864/89), doe. n° 07 (fls. 203/217) e que o . Tribunal Regional Federal da lª Região, rejeitou recurso interposto pela Unido contra a sentença prolatada no referido, processo, acolhendo argumento idêntico ao empregado pela impugnante na ação que impetrou, doc. n° 08 (fls. 218/223). Requereu fossem acolhidas suas razões para o fim de cancelarse o auto de infração em apreço. Com base em parecer da PGFN de n° 25.406, de 22/09/78, e em cumprimento ao que determina o Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit n° 3, de 14/02/1996, foi elaborada a decisão de fls. 230/233, declarando a definitividade da 'exigência na esfera administrativa. Cientificada da decisão, em 16/04/1996, a Recorrente ingressou com o Recurso Voluntário de fls. 241/292, acompanhado dos documentos de fls. 293/407. Em 15/07/1996, a contribuinte tomou ciência de que o Recurso Voluntário apresentado; face à Decisão de n° 11.12.64.3/0315796, proferida pela Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto, teve o seu seguimento negado, conforme despacho exarado à fl. 413 dos autos. Em 22/07/1996, a contribuinte apresentou o Pedido de Reconsideração de fls. 417/427, que foi indeferido no termos do despacho de fl. 445 dos autos. A Recorrente impetrou Mandado de Segurança (autos n° 97.07066814), fls. 469/472, objetivando a remessa do Recurso Voluntário de fls. 241/292 ao Conselho de Contribuintes, tendo o MM Juiz Federal deferido parcialmente a cautelar, para excluir da apreciação do Conselho de Contribuintes a obrigação tributária em relação à Contribuição e Adicional sobre o Açúcar e o Àlcool, podendo o Conselho de Contribuintes se manifestar sobre toda a matéria restante do recurso. A PGFN, em suas ContraRazões (fls. 477/481), reforçou que a interposição de ação judicial importa renúncia de recurso na esfera administrativa, sendo o objeto coincidente nas duas esferas. Quanto ao alegado erro na identificação do sujeito passivo pela Recorrente, frisa que a matéria não foi suscitada em sede de primeira instância administrativa, tendo precluido o direito sobre tal preliminar,' devendo a empresa converter os depósitos judiciais em renda à favor da Unido, sob pena de inscrição na divida ativa e ajuizamento da respectiva execução fiscal. O Segundo Conselho de Contribuinte proferiu o Acórdão n° 20306.660 (fls. 485/488), por unanimidade de votos, rejeitando a preliminar de ilegitimidade passiva e dando provimento parcial ao recurso para que sejam analisadas as parcelas relativas a multas, juros e correção monetária. Cientificada do aresto por via postal (AR de fl., 494), a contribuinte apresentou, em face do Acórdão n° 20306.660, embargos de declaração (fls. 495/502), que foram rejeitados (fls. 534/537),e Recurso Especial (fls. 505/530), cujo seguimento foi negado, nos termos do Despacho de n° 203045 do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 553/554). Fl. 722DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 Cientificada do Despacho do Segundo Conselho de Contribuintes, fls. 564/565, a ,contribuinte interpôs Agravo, objetivando reexame de admissibilidade do recurso especial (fls. 566/572), tendo sido este rejeitado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ciente da Comunicação n° 13866.9/048/2010, retornaram os autos à DRJ para a prolação de nova decisão assim ementada: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/05/1989 A 31/12/1991 MULTAS. Aplicase a legislação mais benéfica aos atOs e fatos não definitivamente julgados. JUROS DE MORA. TRD Ficam excluídos os juros moratórios calculados com base na TRD, no período de fevereiro a julho de 1991, remanescendo, nesse período, juros demora à razão de 1% ao mêscalendário ou fração. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignado, o contribuinte apresentou novo Recurso Voluntário (fls. 678/706), reiterando sua ilegitimidade passiva e no mérito que a exigibilidade do crédito em questão encontravase suspensa, não podendo, em seu entendimento, incidir multas e juros. Aduziu, ainda, a nulidade do auto de infração, visto que o quanto devido foi mensurado por autoridade incompetente. A Recorrida não apresentou contrarazões, sendo os autos encaminhados a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para apreciação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA ILEGITIMIDADE PASSIVA No tocante à alegação de ilegitimidade de parte, entendo que essa não merece prosperar, conforme bem assentado pelo extinto Conselho de Contribuintes, ao analisar o primeiro recurso voluntário interposto contribuinte, “precluiu o direito da recorrente sobre tal preliminar, vez que não abordada na peça impugnatória” (fls. 509). Ora, em nenhum momento de sua impugnação a contribuinte contesta sua legitimidade, inovando tal preliminar em sede de recurso, o que não pode ser aceito visto que não é permitido ao recorrente inovar no recurso, ou seja, não é possível alegar fatos novos ou Fl. 723DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10850.001047/9225 Acórdão n.º 3401002.346 S3C4T1 Fl. 722 5 requerer novas provas, salvo se, por força maior, esses fatos ou provas não puderam ser provados antes, ou ainda se se tratar de matéria de ordem pública, o que não é o caso. Assim, em respeito aos próprios colegas que já analisaram esta preliminar anteriormente, não conheço do recurso voluntário neste ponto, por preclusão. DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual conheço do recurso nos demais pontos. DA INEXISTÊNCIA DE SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A decisão a quo foi lapidar ao demonstrar que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não significa suspensão da atividade de lançamento, como quis fazer crer a impugnação. Nesse sentido, a conclusão da impugnante é equivocada, uma vez que resulta da interpretação literal e isolada do art. 62, do Decreto n°,70.235, de 06 de março de 1972. A interpretação sistemática desse dispositivo com os artigos 142 e 173 do CTN, revela que . a existência de medida judicial suspendendo ou não a exigibilidade do crédito tributário, não impede a constituição do crédito tributário, tampouco suspende o prazo decadencial. Portanto, a existência de medida judicial ou de cláusula suspensiva da exigibilidade do crédito não pode se constituir em óbice ao exercício da atividade administrativa de lançamento, que é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, a teor do CTN, art. 142, parágrafo único. Ademais, conforme consta da Representação Fiscal de fls. 01/02, a impugnante não declarou, em DCTF, os respectivos débitos devidos à Fazenda Pública. Ora, é cediço que para um credito tributário poder ser exigido, é imprescindível que o mesmo seja primeiramente constituído, o que foi feito com a lavratura do competente auto de infração antes do termo final do prazo decadencial.' Em segundo lugar, não consta dos autos, quer seja na ação cautelar, quer seja na ação ordinária, comando judicial, nos termos postos pela recorrente, impedindo a lavratura de auto de infração. Com efeito, à fl. 90, o juiz limitouse a deferir o depósito então requerido o que significa que a exigibilidade do crédito tributário estaria suspensa, caso o depósito fosse feito em dinheiro no seu montante integral (CTN, art: 151, II). Em terceiro lugar, ao contrário do alegado, a exigibilidade do crédito tributário não estava suspensa, pois em que pese A. fl. 90 constar deferimento judicial do depósito em dinheiro do tributo questionado, o MM Juiz da 5ª Vara Federal deferiu à fl. 91 o pedido da Recorrente de substituição dos valores depositados por fianças bancárias, que não estão previstas como cláusulas suspensivas de exigibilidade do credito tributário no CTN. Acrescentese ainda que a autoridade fiscal constatou a fl. 01 dos autos que os valores da referida contribuição e adicional devidos, nos períodos de maio de 1989 a junho de 1991, eram superiores à carta de fiança apresentada pela recorrente. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 6 Assim sendo, não há como vislumbrar qualquer nulidade no auto de infração ora em questão, não prosperando o recurso da contribuinte neste ponto. DOS JUROS E MULTAS No que diz respeito à exigência de multa de mora e juros, melhor sorte não merece o recurso apresentado, visto ser perfeitamente cabível no caso em tela porque além de se tratar de procedimento de oficio, na data da lavratura do auto de infração, em 20/05/1992, não pendia nenhuma das cláusulas suspensivas de exigibilidade do crédito tributário previstas no art. 151 do CTN, uma vez que os depósitos judiciais foram levantados pela recorrente em 28/02/1991 (fl. 91) e substituídos por cartas de fiança bancária. Nem se argumente com a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 63, que autoriza lançamentos para prevenir a decadência sem a inflição de multa, porque para que não incida a multa, o dispositivo legal exige que a cláusula suspensiva da exigibilidade do crédito tributário esteja vigorando antes do inicio do procedimento fiscal do qual se origine a autuação, o que não se verificou no caio concreto. Não se • olvide que os depósitos foram levantados antes da autuação e que a fiança bancária não se constitui em cláusula legal de suspensão de exigibilidade do crédito tributário, por não estar elencada no CTN, art. 151. Destarte, como bem acertado pela DRJ, que pese a procedência da multa, esta deve ser reduzida para 75%, em obediência ao principio da retroatividade benigna, consubstanciado no art. 106, inciso II, "c", do CTN, combinado com o superveniente artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Quanto aos juros de mora, mais uma vez correta foi a interpretação da DRJ, visto que deve ser excluída a parcela calculada com base na taxa referencial diária (TRD), referente ao período de 4 de fevereiro de 1991 a 29 de julho de 1991, nos termos da IN SRF n° 32/97, remanescendo, nesse período, os juros de 1%' ao mês calendário ou fração (art. 161, § 1º do CTN). Pelo que se observa, não há qualquer reparo a ser feito da decisão proferida pela instância singela, devendo a r. decisão ser mantida em sua integralidade, com o corolário não provimento do recurso voluntário do contribuinte. CONCLUSÃO Pelo exposto, não conheço do recurso voluntário apresentado quanto à ilegitimidade passiva, por preclusão, e, no mérito, negolhe provimento quanto às demais matérias. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 725DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10850.001047/9225 Acórdão n.º 3401002.346 S3C4T1 Fl. 723 7 Fl. 726DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 10980.722855/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se tratar de caso de inobservância dos pressupostos legais para lavratura do auto de infração, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal.
CSLL. CONVENÇÃO FIRMADA COM A ÁUSTRIA PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. APLICABILIDADE. A substancial semelhança entre o IRPJ e a CSLL impõe a aplicação do disposto na convenção para evitar a dupla tributação.
Numero da decisão: 1101-000.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento; e 2) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pela Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri, e votando pelas conclusões do voto vencedor o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
(documento assinado digitalmente)
NARA CRISTINA TAKEDA TAGA - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2008 NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se tratar de caso de inobservância dos pressupostos legais para lavratura do auto de infração, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. CSLL. CONVENÇÃO FIRMADA COM A ÁUSTRIA PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. APLICABILIDADE. A substancial semelhança entre o IRPJ e a CSLL impõe a aplicação do disposto na convenção para evitar a dupla tributação.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2154; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.722855/201113 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101000.902 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de junho de 2013 Matéria CSLL Juros da dívida pública de títulos emitidos no exterior Recorrente HSBC BANK BRASIL S/A BANCO MÚLTIPLO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se tratar de caso de inobservância dos pressupostos legais para lavratura do auto de infração, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. CSLL. CONVENÇÃO FIRMADA COM A ÁUSTRIA PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. APLICABILIDADE. A substancial semelhança entre o IRPJ e a CSLL impõe a aplicação do disposto na convenção para evitar a dupla tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento; e 2) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pela Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri, e votando pelas conclusões do voto vencedor o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 28 55 /2 01 1- 13 Fl. 656DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digi talmente em 10/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722855/201113 Acórdão n.º 1101000.902 S1C1T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora (documento assinado digitalmente) NARA CRISTINA TAKEDA TAGA Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digi talmente em 10/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722855/201113 Acórdão n.º 1101000.902 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório HSBC BANK BRASIL S/A – BANCO MÚLTIPLO, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 31/05/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 32.570.174,63. O lançamento decorre da exclusão, na base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, devida no anocalendário de 2008, de rendimentos relativos a juros provenientes de títulos da dívida pública do Governo da Áustria, no valor de R$ 110.624.871,42. Afirmou a autoridade fiscal que a incidência da CSLL sobre tais rendimentos não era afastada pela Convenção firmada entre Brasil e Áustria, promulgada pelo Decreto nº 78.107, de 22 de julho de 1976, na medida em que esta fez referência apenas ao imposto de renda. Observou que nenhuma Convenção Adicional, posterior a Lei nº 7,689, de 15 de dezembro de 1988, que instituiu a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, foi firmada com o Governo da Áustria para excluíla do rol dos tributos não alcançados pela dupla tributação. De forma diversa se procedeu relativamente à Convenção firmada entre Brasil e Reino da Bélgica, assinada em 1972 e alterada por meio de Convenção Adicional em 2002 para estabelecer que a CSLL estaria incluída entre os tributos alcançados pela Convenção. Impugnando a exigência, a contribuinte: 1) defendeu a prevalência dos tratados internacionais sobre a legislação interna; 2) observou que a Convenção firmada entre Brasil e Áustria é anterior à instituição da CSLL, tributo substancialmente semelhante ao imposto de renda, assim alcançado pela referida Convenção nos termos de seu art. 2o; 3) a natureza jurídica do tributo seria aferida por sua hipótese de incidência e base de cálculo, donde se conclui pela identidade entre o IRPJ e a CSLL; 4) os Tratados deveriam ser interpretados de acordo com o contexto e o objetivo em que são editados. Reportouse a parecer de Alberto Xavier acerca da questão em litígio, bem como argüiu a iliquidez e incerteza do lançamento, em razão do erro na aplicação da alíquota da CSLL vigente até abril/2008, que seria de 9%, e não 15%, pedindo o cancelamento da exigência que não poderia ser retificada com alteração do critério jurídico do lançamento. Por fim, contestou a cobrança de juros sobre a multa de ofício. A Turma julgadora acolheu parcialmente estes argumentos, aplicando a alíquota de 9% aos juros recebidos até abril/2008, e reduzindo o principal lançado de R$ 16.593.730,71 para R$ 16.523.772,62. O voto condutor estribase nos seguintes fundamentos: · Do disposto no art. 142 do CTN, e nos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, depreendese que o lançamento somente é nulo em razão da incompetência do autuante e da inobservância dos pressupostos legais para a sua lavratura. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não Fl. 658DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digi talmente em 10/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722855/201113 Acórdão n.º 1101000.902 S1C1T1 Fl. 5 4 influírem na solução do litígio. À autoridade julgadora compete analisar a procedência ou não do lançamento, inclusive quanto à exatidão dos cálculos da exigência fiscal, somente se verificando a hipótese do art. 146 do CTN quando refeita a materialidade ou a fundamentação do lançamento; · Embora o termo imposto, expresso na Convenção firmada entre Brasil e Áustria, deva ser interpretado como tributo, a CSLL tem base de cálculo própria em face de os ajustes decorrentes de adições, exclusões e compensações autorizadas na apuração do lucro real não serem automaticamente computáveis na sua base de cálculo, de modo que esta exação não é idêntica ou substancialmente semelhante ao imposto sobre a renda das pessoas jurídicas. · Ademais, para que a CSLL fosse alcançada pela Convenção seria imprescindível a notificação de sua instituição pelas autoridades competentes do Governo Brasileiro às autoridades competentes do Governo da Áustria, conforme exigido pelo parágrafo 2 do artigo 2. Até porque, depois da instituição da CSLL, vários acordos bilaterais foram assinados pelo Brasil sem qualquer referência àquela contribuição, objeto de disposição adicional em apenas alguns Tratados, como aqueles firmados com Portugal, Bélgica e Paraguai. Logo, como nas Convenções firmadas após a sua instituição da CSLL não foi de forma automática e invariável incluída dentre os impostos visados pela regra contra a dupla tributação, concluise que essa contribuição não se amolda aos pressupostos delineados pela cláusula de identidade ou substancial semelhança com o IRPJ. · A alíquota aplicável às pessoas jurídicas componentes do sistema financeiro, de janeiro a abril/2008, é de 9%, conforme artigo 3º da Lei nº 7.689, de 1988, e artigo 37 da Lei nº 10.637, de 20 de dezembro de 2002, a qual somente foi majorada para 15% a partir de maio/2008, nos termos do artigo 17 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, e IN RFB nº 810, de 21 de janeiro de 2008. Cientificada da decisão de primeira instância em 19/10/2011 (fl. 571), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 17/11/2011 (fls. 572/621), no qual, inicialmente, reafirma a nulidade do lançamento em razão de sua iliquidez e incerteza, dado o erro da Fiscalização na aplicação da alíquota para determinação da exigência. Em seu entendimento, ante as disposições do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora pode, apenas, declarar a total improcedência do lançamento ou sua procedência, não lhe cabendo corrigilo, pois não detém competência para aperfeiçoar o lançamento. Cita jurisprudência administrativa e doutrina em favor de seu entendimento. Reitera a prevalência dos tratados internacionais sobre a legislação interna, em especial o Tratado BrasilÁustria, que expressamente amparou o direito de a Recorrente não submeter à tributação, tanto pelo IRPJ como pela CSLL, os juros pagos pelo governo da Áustria, em razão da aquisição dos títulos da dívida pública austríaca. Invoca o artigo 2 da referida convenção, para defender sua aplicação aos tributos idênticos ou substancialmente semelhantes que forem posteriormente introduzidos no ordenamento jurídico interno. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digi talmente em 10/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722855/201113 Acórdão n.º 1101000.902 S1C1T1 Fl. 6 5 Aborda a natureza jurídica da CSLL, arrolando os critérios necessários para a identificação da natureza jurídica dos tributos, e concluindo ser ela tributo idêntico ou substancialmente semelhante ao IRPJ. Dentre outras referências, cita lições de Ricardo Mariz de Oliveira, no sentido de que a CSLL foi “retirada” do interior do imposto de renda, no intuito de concentrar mais recursos em seu poder. Discorda da alegação da Turma Julgadora de que há divergência de base de cálculo entre os dois tributos, pois ambos tributam o lucro da pessoa jurídica. As pequenas diferenças de apuração não desconstituem o fato de o IRPJ e a CSLL serem substancialmente semelhantes. Da mesma forma, diferenças de alíquotas apenas impedem afirmar que se tratam de exações idênticas. Menciona, ainda, a possibilidade de compensação de créditos de imposto pago no exterior também com a CSLL devida sobre lucros lá auferidos e aqui tributados, a teor do disposto na Medida Provisória nº 2.15835/2001. Cita o art. 57 da Lei nº 8.981/95 e julgados administrativos e judiciais acerca da equivalência de normas de apuração relativamente aos dois tributos. Defende que a interpretação literal do Tratado é suficiente para afastar a incidência, não se podendo opor os arts. 176, c/c o art. 111, inciso II do CTN, como fez a Fiscalização. Discorda da determinação da natureza jurídica da CSLL feita pela autoridade julgadora de 1a instância a partir da abordagem da contribuição nas Convenções firmadas após sua instituição, as quais a ela se reportaram expressamente, e da inferência de que o governo brasileiro não pretendeu incluir essa contribuição nos demais acordos. Isso porque (i) tais disposições, constantes em protocolos anexos aos tratados e não em seus respectivos artigos segundos (os quais citam expressamente apenas o imposto sobre a renda), têm caráter meramente declaratório interpretativo; e (ii) o governo brasileiro jamais poderia interpretar de uma forma um tratado celebrado com determinado país e de maneira diversa outro tratado idêntico celebrado com outros países. Ressaltando que o presente caso tem em conta tratado firmado antes da instituição da CSLL, classifica de irrelevante o entendimento da Turma Julgadora a respeito da inclusão ou não da CSLL no escopo dos tratados firmados após a sua introdução no ordenamento jurídico brasileiro, como é o caso do Tratado BrasilCoréia, aplicado pela própria contribuinte apenas para afastar a incidência do IRPJ relativamente a rendimentos auferidos naquele país. Observa que a finalidade do parágrafo 4o do artigo 2o da Convenção Modelo da OCDE é evitar que seja necessário modificar o tratado na hipótese de um novo tributo, idêntico ou substancialmente semelhante àqueles já previstos em seu texto, ser introduzido na legislação de um dos Estados Contratantes, como é o caso da CSLL, instituída após o Tratado BrasilÁustria. Ainda, na medida em que este acordo foi firmado para evitar a dupla tributação sobre a renda, alcançaria qualquer tributo incidente sobre a renda, ou qualquer tributo incidente sobre o fato jurídico tributário auferir rendimentos decorrentes de juros pagos pelo governo austríaco a um contribuinte brasileiro. Reproduz acórdão do Tribunal Regional Federal da 3a Região favorável à sua tese de interpretação literal do Tratado em referência, mas subsidiariamente defende a interpretação da norma no contexto em que ela é editada, de modo a evitar a tributação do Fl. 660DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digi talmente em 10/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722855/201113 Acórdão n.º 1101000.902 S1C1T1 Fl. 7 6 acréscimo patrimonial auferido pela recorrente. Ressalta que a própria Turma Julgadora reconheceu que o termo “imposto”, usado no Tratado, referese apenas a esta espécie tributária, e invoca o art. 31, parágrafo 1 da Convenção de Viena, no sentido de que um Tratado deve ser interpretado em acordo com o significado ordinariamente atribuído aos termos do Tratado em seu contexto e à luz de seu objetivo e propósito. Quanto à falta de notificação do Governo Brasileiro às autoridades austríacas, mencionada na decisão recorrida, assevera que o Fisco brasileiro não pode invocar sua inércia para comunicar às autoridades austríacas acerca da criação da CSLL como uma justificativa para o fato de que a CSLL não está abrangida pelo Tratado BrasilÁustria. Em seu entendimento, a postura das Autoridades Fiscais brasileiras contraria a boa fé e o pacta sunt servanda. Ao final, resume seus argumentos e aduz que o Professor Alberto Xavier elaborou Parecer específico acerca da tributação, pela CSLL (documento entregue durante a fiscalização), dos juros recebidos pela Recorrente decorrentes de títulos emitidos pelo governo da Áustria, tendo concluído que “em face das considerações precedentes, podese concluir sem margem de dúvida, que a CSLL é um tributo alcançado pela Convenção com a Áustria (Decreto nº 78.107, de 22 de julho de 1976) por ter natureza de um tributo idêntico ou substancialmente à do imposto de renda existente na data em que tal convenção foi celebrada. Ainda, opõese à aplicação de juros sobre a multa de ofício, na medida em que a lei autoriza sua exigência apenas sobre tributos. Aborda o princípio da legalidade, e reportase a jurisprudência administrativa favorável ao seu entendimento, opondose à invocação do art. 43 da Lei nº 9.430/96 como fundamento para tal exigência. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário (fls. 634/635), inicialmente opondose à arguição de nulidade do lançamento, na medida em que eventual erro cometido pelo Fisco quanto ao cálculo dos tributos lançados não acarreta a nulidade do auto de infração, mas sim a sua retificação de ofício, a qual, por economia e eficiência processual, pode ser promovida no âmbito das Delegacias de Julgamento, sem qualquer prejuízo à defesa da contribuinte. No mérito, discorda da tese da recorrente, no sentido de que a CSLL passou a integrar o rol de tributos objeto do Tratado BrasilÁustria automaticamente, vislumbrando a exigência de ato específico dos países Contratantes para que o aludido tributo fosse incluído no âmbito normativo da Convenção. Isto porque: 1) várias Convenções firmadas pelo Brasil após a edição da Lei nº 7.689/88 trouxeram disposição expressa acerca da inclusão da CSLL, apesar de adotado o mesmo modelo da Convenção BrasilÁustria; e 2) a segunda parte do art. 2 do Tratado BrasilÁustria exige notificação ao outro Estado Contratante acerca de modificações em suas legislações tributárias que possam comprometer a eficácia do Tratado. Ao final, defende a aplicabilidade dos juros sobre a multa de ofício. Em sustentação oral, a Procuradoria da Fazenda Nacional também fez referências às restrições apresentadas pelo Brasil relativamente à interpretação dos artigos da Convenção Modelo da OCDE, reportouse à destinação específica da CSLL, restringiu a questão à definição pelos Poderes Executivo e Legislativo, bem como destacou a semelhança entre o tratado BrasilÁustria e o tratado BrasilBélgica, observando que este foi objeto de aditamento. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digi talmente em 10/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722855/201113 Acórdão n.º 1101000.902 S1C1T1 Fl. 8 7 Voto Vencido Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Cumpre, inicialmente, afastar a arguição de nulidade do lançamento, tendo em conta que o erro na aplicação da alíquota era passível de revisão pela autoridade julgadora de 1a instância, como bem expresso pelo Presidente e Julgador Ney Kazuo Kusakariba, no voto condutor da decisão recorrida: 6. Argúi a impugnante a preliminar de nulidade do lançamento fiscal, ao argumento de o auto de infração ser ilíquido e incerto em face de a CSLL ter sido calculada com a alíquota de 15% para todo o anocalendário de 2008, quando a alíquota aplicável às instituições financeiras era de 9% até abril/2008 e somente passou para 15% a partir de maio/2008. Também entende que esta Turma Julgadora não poderia apenas retificar o auto de infração originário, determinando a aplicação do critério previsto na IN RFB nº 810, de 2008, por ser incompetente para alterar o critério jurídico do lançamento. 7. Os pressupostos legais para a validade do auto de infração são determinados pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, cujo art. 10 dispõe: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” 8. O mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, dispõe sobre a nulidade no processo administrativo nos seguintes termos: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” 9. O auto de infração inserese na categoria prevista no transcrito inciso I do art. 59 (atos e termos), sendo nulo, portanto, apenas quando lavrado por pessoa incompetente. O art. 142 do CTN fornece a definição legal de lançamento, estabelecendo como requisitos indispensáveis a sua constituição a verificação da ocorrência do fato gerador, a identificação do sujeito passivo, a determinação da matéria tributável e o cálculo do montante do crédito a favor da Fazenda Pública, nos seguintes termos: “Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito Tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo Fl. 662DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digi talmente em 10/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722855/201113 Acórdão n.º 1101000.902 S1C1T1 Fl. 9 8 devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” (Grifouse). 10. O reproduzido parágrafo único dispõe sobre a vinculação e a obrigatoriedade do lançamento. Aquela consiste na cerrada observância dos ditames legais quando da efetivação do lançamento; esta impede que o agente que constatar a ocorrência de infração à legislação fiscal, para não faltar com o dever de ofício, que lhe foi atribuído por lei, deixe de lavrar o competente auto de infração para a formalização e cobrança do crédito tributário devido pelo sujeito passivo. 11. Da combinação dos dispositivos acima transcritos depreendese que são duas as causas processuais para invalidar o auto de infração e, por via de consequência, o lançamento nele consignado: a incompetência do autuante e a inobservância dos pressupostos legais para a sua lavratura. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (art. 60 do Decreto nº 70.235, de 1972). 12. No presente caso, os autos de infração de CSLL em exame foi lavrado por auditorfiscal em pleno exercício de suas funções e contêm todos os requisitos indispensáveis a sua validade, não havendo que se cogitar, assim, na sua nulidade. 13. No que se refere à alegação de que esta Turma Julgadora não poderia apenas retificar o auto de infração originário em face de ser incompetente para alterar o critério jurídico do lançamento, cabe destacar ser totalmente descabida tal arguição, porquanto, uma vez instaurada a fase litigiosa do procedimento fiscal, cabe à autoridade julgadora analisar a procedência ou não do lançamento fiscal, mediante apreciação das alegações de defesa apresentadas pelos impugnantes, inclusive quanto à exatidão dos cálculos da exigência fiscal, cujo exame constitui matéria de mérito. 14. Acrescentese que a mudança do critério jurídico, nos termos do artigo 146 do CTN, somente ocorreria quando a autoridade julgadora, ao analisar um lançamento completo e acabado, refaz sua materialidade e sua fundamentação, mudandolhe totalmente o sentido. 15. Assim, eventual correção dos cálculos da exigência, mediante ajuste da alíquota aplicada, não acarreta qualquer alteração do critério jurídico, porquanto não houve adoção de critério jurídico diverso do adotado no lançamento fiscal, qual seja, a inaplicabilidade da convenção internacional para evitar a dupla tributação para fins de incidência da CSLL, conforme será analisado na apreciação do mérito. 16. Dessa forma, voto por não se acatar a preliminar de nulidade suscitada pela impugnante. De fato, não houve a inserção de qualquer elemento novo, apenas restringindose temporalmente a eficácia da norma que, invocada pela autoridade lançadora, majorara a alíquota de CSLL aplicável às instituições financeiras. Em conseqüência, não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa ou alteração de critério jurídico do lançamento, devendo ser REJEITADA a preliminar de nulidade. Quanto aos efeitos do Tratado BrasilÁustria relativamente à incidência de CSLL, esta Relatora já havia se posicionado favoravelmente à tese da recorrente ao assim se manifestar no voto, nesta parte condutor, do Acórdão nº 1101000.836 desta Turma, exarado na Fl. 663DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digi talmente em 10/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722855/201113 Acórdão n.º 1101000.902 S1C1T1 Fl. 10 9 sessão de 04 de dezembro de 2012, em razão dos recursos de ofício e voluntário veiculados no processo administrativo nº 12897.000757/200981: Também por estes mesmos argumentos, é possível afirmar a regularidade da constituição do crédito tributário relativo à CSLL incidente sobre estes mesmos rendimentos, independentemente do alcance do Tratado firmado entre o Brasil e os Países Baixos. De toda sorte, cabe destacar que o voto vencedor da decisão recorrida expressa argumentos dos quais esta Relatora compartilha, os quais ensejam a conclusão de que o referido acordo internacional não produz efeitos relativamente à incidência da CSLL: [...] Por fim, não enxergo ilogicidade no fato de que a CSLL está incluída no âmbito da convenção BrasilÁustria, mas não está no da convenção BrasilPaíses Baixos, sendo que em ambas há a previsão de que “A Convenção aplicase também a quaisquer impostos idênticos ou substancialmente semelhantes que forem estabelecidos após a data de sua assinatura, adicionalmente ou em substituição aos impostos mencionados no parágrafo 2”. Isso porque, no meu modo de ver, tal previsão convencional tem seu núcleo significativo na oração adjetiva restritiva que a integra (“que forem estabelecidos após a data de sua assinatura“). Tratase de cláusula que tem por escopo o prestígio aos princípios da previsibilidade contratual e da boafé objetiva, impedindo que uma das partes se surpreenda com a criação de novo “imposto” incidente sobre a renda pela outra parte, a qual talvez possa estar imbuída do intuito nada nobre de contornar a vedação de tributação prevista na convenção. Nessa esteira, se, na época da assinatura da convenção BrasilPaíses Baixos, o Brasil já havia instituído a CSLL, pressuponho que tal exação foi objeto dos debates prévios ao encerramento da negociação. Isso, no entanto, não foi possível quando da assinatura da convenção BrasilÁustria, pois que, na época, não havia o tributo CSLL. Dessa forma, pareceme claro que, no caso da convenção BrasilÁustria, exigirse a CSLL ofende os princípios da previsibilidade contratual e da boafé objetiva; o mesmo não pode ser dito no que concerne à convenção BrasilPaíses Baixos, pois, repito, à época de sua assinatura, já existia a CSLL. [...] Equivocada, ainda, a comparação feita pela recorrente com o acordo firmado entre Brasil e Áustria, bem como a referência feita, em memoriais, a interpretação contida no julgamento do processo administrativo nº 16327.000112/200531, o qual se reportava ao acordo firmado entre Brasil e Espanha. Em ambos os casos, os Tratados foram firmados antes da instituição da CSLL, e neste caso, sim, a interpretação de boa fé impõe que se estendam os efeitos ali previstos àquela contribuição substancialmente semelhante ao IRPJ, na medida em que o representante brasileiro, neste acordo, não teria como cogitar de tal circunstância de outra forma. Porém, análise mais aprofundada do tema, especialmente com arrimo no contexto constitucional vigente, afastou aquela interpretação, como adiante fundamentado. Embora o Brasil não seja país membro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE, vários tratados por ele firmados com vistas a evitar a dupla tributação da renda seguem o Modelo de Convenção tributária sobre o Rendimento e o Fl. 664DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digi talmente em 10/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722855/201113 Acórdão n.º 1101000.902 S1C1T1 Fl. 11 10 Capital da OCDE. E, periodicamente, esta Organização publica os comentários a esta Convenção Modelo, inclusive com o acréscimo de observações de vários países nãomembros, em reconhecimento da influência crescente da Convenção Modelo fora dos países da OCDE. O texto da Convenção Modelo da OCDE1 pouco difere do Acordo firmado entre Brasil e Áustria. Vejase: 1) Convenção Modelo da OCDE: ARTIGO 2 IMPOSTOS ABRANGIDOS 1. Esta Convenção se aplica a impostos sobre o rendimento e o capital exigíveis por um Estado Contratante suas subdivisões políticas ou autoridades locais, independentemente da maneira pela qual sejam exigíveis. 2. Serão considerados impostos sobre o rendimento e o capital todos os impostos exigíveis sobre a totalidade do rendimento, a totalidade do capital ou sobre componentes de rendimento ou de capital, incluindo impostos sobre ganhos provenientes da alienação de bens móveis ou imóveis, impostos sobre o montante de salários pagos por empresas, bem como impostos sobre as maisvalias. 3. Os impostos aos quais a Convenção se aplica são especificamente os seguintes: a) (no Estado A): .............................................. b) (no Estado B): .............................................. 4. A Convenção também se aplica a quaisquer impostos de natureza idêntica ou substancialmente similares que forem estabelecidos posteriormente à data de assinatura da Convenção seja em adição, seja em substituição aos impostos existentes. As autoridades competentes dos Estados Contratantes notificarseão acerca de qualquer alteração significativa que tenha sido introduzida em suas respectivas legislações tributárias. (negrejouse) 2) Convenção firmada entre Brasil e Áustria: ARTIGO 2 Impostos visados pela Convenção 1. Os impostos atuais aos quais se aplica a presente Convenção são: a) no caso do Brasil: o imposto de renda, com exclusão das incidências sobre remessas excedentes e atividades de menor importância (doravante referido como "imposto brasileiro"); b) no caso da Áustria: [...] 2. Esta Convenção também será aplicável a quaisquer impostos idênticos ou substancialmente semelhantes que forem posteriormente introduzidos, seja em adição aos impostos já existentes, ou em sua substituição. As autoridades competentes dos Estados Contratantes notificarseão mutuamente de qualquer 1 Todas as referências contidas neste texto têm como origem o Modelo de Convenção Tributária sobre o Rendimento e o Capital traduzido por Demarest & Almeida Advogados e publicado por International Tax Institute 2011, em cooperação com a OCDE em Paris. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digi talmente em 10/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722855/201113 Acórdão n.º 1101000.902 S1C1T1 Fl. 12 11 modificação que tenha ocorrido em suas respectivas legislações tributárias, especialmente no que se refere ao Artigo 23, parágrafo 7. (negrejouse) Reproduzindo a posição do Brasil como país nãomembro da OCDE, referida Organização assim fez constar nos Comentários à Convenção Modelo: Parágrafo 2 6. O Brasil deseja utilizar, em suas convenções, definição de imposto de renda que esteja de acordo com a sua legislação constitucional. Dessa forma, reservase o direito de não incluir o parágrafo 2 em suas convenções. Significa dizer que o alcance das convenções firmadas pelo Brasil, no que tange à tributação incidente sobre a renda, está limitado pela definição constitucional do imposto de renda. E, neste âmbito, não é possível estabelecer a pretendida equivalência entre o IRPJ e a CSLL. De fato, embora tais tributos sejam materialmente semelhantes, por incidirem sobre o lucro da pessoa jurídica, sujeitaremse às mesmas regras de periodicidade e vencimento (art. 57 da Lei nº 8.981/95), inclusive freqüentemente apresentandose associados em lançamentos tributários decorrentes de infrações que repercutem na base tributável de ambos, a ensejar uma decisão única para a solução dos litígios, a Constituição Federal estabelece distinções significativas entre eles, especialmente em razão destinação dada à CSLL: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: [...] III renda e proventos de qualquer natureza; [...] § 2º O imposto previsto no inciso III: I será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, na forma da lei; [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] § 6º As contribuições sociais de que trata este artigo só poderão ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, "b". [...] § 9º As contribuições sociais previstas no inciso I do caput deste artigo poderão ter alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da atividade econômica, da utilização intensiva de mãodeobra, do porte da empresa ou da condição estrutural Fl. 666DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digi talmente em 10/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722855/201113 Acórdão n.º 1101000.902 S1C1T1 Fl. 13 12 do mercado de trabalho. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005) [...] Isto porque a CSLL, ao ser concebida como fonte de custeio da Seguridade Social, é informada pelo princípio da solidariedade, como amplamente abordado nas razões de decidir expressas em voto da I. Conselheira e Presidente Ana de Barros Fernandes, que integra o Acórdão nº 180100.259, a seguir reproduzidas De início, cumpre esclarecer à recorrente que as contribuições sociais são tributos de natureza diversa dos impostos e não é pelo fato que a norma tributária esclarece que se aplicam as mesmas normas de apuração e de pagamento para o imposto de renda às contribuições sociais sobre o lucro líquido que as imunidades ou isenções também serão compartilhadas. É cediço que o artigo 111 do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172/66) dispõe, claro e expressamente, que as isenções tributárias se interpretam literalmente, além da obrigatoriedade de estarem expressamente previstas em lei. Também é matéria recorrente a discussão sobre as contribuições sociais e a sua regulação por intermédio do artigo 195 da Constituição Federal, que, salientamos, trouxe às contribuições essa ‘marca’ do princípio da solidariedade, pelo qual todos devem financiar a seguridade social, com as exceções, impropriamente denominadas ‘isenções’, quando tratamos na verdade de ‘imunidades’, estão inseridas, sabiamente, pelo poder constituinte, no próprio dispositivo, em seu parágrafo sétimo. Vale a pena transcrever: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. § 8º O produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o pescador artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes, contribuirão para a seguridade social mediante a aplicação de uma alíquota sobre o resultado da comercialização da produção e farão jus aos benefícios nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) § 9º As contribuições sociais previstas no inciso I do caput deste artigo poderão ter alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da atividade econômica, da utilização intensiva de mãodeobra, do porte da empresa ou da Fl. 667DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digi talmente em 10/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722855/201113 Acórdão n.º 1101000.902 S1C1T1 Fl. 14 13 condição estrutural do mercado de trabalho. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005) § 10. A lei definirá os critérios de transferência de recursos para o sistema único de saúde e ações de assistência social da União para os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, e dos Estados para os Municípios, observada a respectiva contrapartida de recursos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) § 11. É vedada a concessão de remissão ou anistia das contribuições sociais de que tratam os incisos I, a, e II deste artigo, para débitos em montante superior ao fixado em lei complementar. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) § 13. Aplicase o disposto no § 12 inclusive na hipótese de substituição gradual, total ou parcial, da contribuição incidente na forma do inciso I, a, pela incidente sobre a receita ou o faturamento. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Ao me debruçar sobre tão importante tema, observo, ainda, que a Carta Magna cuidou das contribuições sociais com tal zelo que até aos produtores rurais, pescadores artesanais, ainda que não empreguem terceiros e se trate de economia familiar, o legislador não os poupou da obrigação tributária de contribuir para a seguridade social. É o que está escrito no parágrafo 8º. Nem a eles foi reconhecida imunidade. E, lendo os demais parágrafos a seguir, vemos que as contribuições sociais discriminadas no inciso I (e aí estão as calculadas sobre as folhas, os trabalhadores individuais, as receitas ou faturamento, ou sobre o lucro) poderão ter alíquotas ou base de cálculo diferenciadas em razão da atividade exercida. É o que dispõe o parágrafo 9º. E eu creio que o legislador deixou aqui uma porta para diferenciar as pessoas jurídicas em geral das demais, tais como as cooperativas. Mas não há concessão de imunidade, ainda. Cuidou ainda o Poder Constituinte de prever, no caso das contribuições sociais, as hipóteses de nãocumulatividade e substituição tributária, a serem reguladas por lei (§§ 12 e 13), e, limitar valores para a concessão de remissão ou anistia (§ 11). Também não pude deixar de lembrar a interpretação realizada pela Suprema Corte ao impingir aos aposentados e pensionistas a continuidade da obrigação em recolher a contribuição previdenciária, em vista de sobrepesar os princípios constitucionais, sobretudo o princípio já mencionado da solidariedade. Mesmo essa classe social está obrigada a contribuir, pois faz parte de ‘toda a sociedade’, por mais paradoxo que possa parecer. Não foram contemplados nem com imunidade, nem com lei que os isentasse. Por conseguinte, ao instituir a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a Lei nº 7.689/88, entendo, preservou, acuradamente, o espírito do Poder Constituinte ao dispor sobre as contribuições sociais, sujeitando toda a sociedade, respeitandose apenas a quem aquele Poder concedeu a imunidade. [...] Sob esta ótica, não é possível estabelecer a substancial semelhança que permitiria reconhecer o alcance do Acordo firmado entre Brasil e Áustria relativamente à CSLL. Vejase que ao chancelar referido acordo, o Congresso Nacional concordou a redução da base arrecadatória da União, mas não é possível inferir, a partir desta concordância, que também dispensaria fonte de custeio da Seguridade Social, somente posteriormente constituída. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digi talmente em 10/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722855/201113 Acórdão n.º 1101000.902 S1C1T1 Fl. 15 14 A CSLL, neste sentido, não pode ser interpretada como um tributo destacado do imposto de renda para burlar o acordo de tributação anteriormente firmado. Referida contribuição advém do novo contexto social reconhecido com a promulgação da Constituição Federal de 1988, no qual a Seguridade Social passou a ter significativo relevo como fonte de desequilíbrios orçamentários, mas também como meio de distribuição de renda e justiça social. Indispensável, portanto, seria a produção de aditivo ao acordo internacional após a criação da CSLL, o qual, submetido ao Congresso Nacional, passaria a reunir a formalidade necessária para afastar a incidência da referida contribuição. Aliás, é oportuno destacar que, ao contrário do que disse a recorrente em sustentação oral, este aspecto já integrava a acusação fiscal. Como relatado, observou o fiscal autuante que nenhuma Convenção Adicional, posterior a Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, que instituiu a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, foi firmada com o Governo da Áustria para excluí la do rol dos tributos não alcançados pela dupla tributação. E ainda complementou (fls. 400/401): Como ocorreu com o Reino da Bélgica, que através da Convenção Adicional, celebrada em Brasília, em 20 de novembro de 2002, alterou a Convenção para Evitar a Dupla Tributação e Regular Outras Questões em Matéria de Impostos sobre a Renda Brasil Bélgica, assinada em Brasília em 23 de junho de 1972, promulgada pelo Decreto nº 6.332, de 28 de dezembro de 2007, que estabeleceu no seu artigo XII, que a CSLL está incluída entre os impostos aos quais se aplicam esta Convenção, in verbis: ARTIGO XII Os pontos 3 e 4 do Protocolo final são suprimidos e substituídos pelas disposições seguintes: "3.Ad Artigo 2, parágrafo 2, b: Fica entendido que os impostos visados no artigo 2, parágrafo 2, b), compreendem a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), criada pela Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988." Neste sentido, a autoridade julgadora de 1a instância também confirma que o Congresso Nacional, mesmo depois de instituída a CSLL, não estendeu a ela o alcance da maior parte dos tratados firmados após sua criação. Vejase Acrescentese que após a instituição da CSLL, pela Lei nº 7.689, de 1988, o Brasil assinou os acordos bilaterais para evitar a dupla tributação com os países a seguir relacionados, os quais seguem o mesmo modelo padrão da Convenção concluída entre o Brasil e a Áustria, em 24/05/1975, constando do artigo 2º dos respectivos Decretos de promulgação que, no caso do Brasil, o imposto atual ao qual se aplica a Convenção é apenas o imposto de renda, sem qualquer referência à CSLL: . África do Sul (Decreto Legislativo nº 301, de 2006, e Decreto nº 5.922, de 2006); . Bélgica (Decreto Legislativo nº 266, de 2007, e Decreto nº 6.332, de 2007); . Chile (Decreto Legislativo nº 331, de 2003, e Decreto nº 4.852, de 2003); . China (Decreto Legislativo nº 85, de 1992, e Decreto nº 762, de 1993); . Coréia (Decreto Legislativo nº 205, de 1991, e Decreto nº 354, de 1991); . Filipinas (Decreto Legislativo nº 198, de 1991, e Decreto nº 241, de 1991); Fl. 669DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digi talmente em 10/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722855/201113 Acórdão n.º 1101000.902 S1C1T1 Fl. 16 15 . Finlândia (Decreto Legislativo nº 35, de 1997, e Decreto nº 2.465, de 1998); . Holanda (Decreto Legislativo nº 60, de 1990, e Decreto nº 355, de 1991); . Hungria (Decreto Legislativo nº 13, de 1990, e Decreto nº 53, de 1991); . Índia (Decreto Legislativo nº 214, de 1991, e Decreto nº 510, de 1992); . Israel (Decreto Legislativo nº 931, de 2005, e Decreto nº 5.576, de 2005); . México (Decreto Legislativo nº 58, de 2006) e Decreto nº 6.000, de 2006); . Paraguai (Decreto Legislativo nº 972, de 2003); . Peru (Decreto Legislativo nº 500, de 2009, e Decreto nº 7.020, de 2009) . Portugal (Decreto Legislativo nº 188, de 2001, e Decreto nº 4.012, de 1991); . República Tcheca (Decreto Legislativo nº 11, de 1990, e Decreto nº 43, de 1991); . República Eslovaca (Decreto Legislativo nº 11, de 1990, e Decreto nº 43, de 1991); . Ucrânia (Decreto Legislativo nº 66, de 2006, e Decreto nº 5.779, de 2006). É certo que no momento da assinatura da Convenção destinada a Evitar a Dupla Tributação com Portugal, foi também firmado protocolo contendo, dentre outras, a seguinte disposição adicional: “1. Com referência ao Artigo 2º, nº 1, alínea a) Fica entendido que, nos impostos visados no Artigo 2º, nº 1, alínea a), está compreendida a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), criada pela Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988.” De igual forma, no artigo XII da Convenção Adicional Alterando a Convenção entre o Brasil e o Reino da Bélgica para Evitar a Dupla Tributação consta: “3. Ad Artigo 2, parágrafo 2, b: Fica entendido que os impostos visados no artigo 2, parágrafo 2, b), compreendem a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), criada pela Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988." No momento da assinatura da Convenção TributárioAduaneira com o Paraguai, foi também assinado protocolo contendo, dentre outras disposições, a seguinte ressalva: “Com referência ao Artigo 2º, parágrafo 1, “a”) Nos impostos abrangidos no Artigo 2º, parágrafo 1, “a” está compreendida a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), criada pela Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988.” Portanto, é de se ressaltar que o alcance de disposição que inclui a CSLL no rol dos impostos submetidos à regra para evitar a dupla tributação fica limitado aos acordos internacionais nos quais ela expressamente constou, razão pela qual para as Convenções firmadas após a instituição da CSLL e sem qualquer referência nesse sentido não há que se falar, por falta de previsão expressa, em exclusão da tributação dessa contribuição. É certo que, na forma do art. 4o, inciso II do CTN, a destinação legal do produto da arrecadação de um tributo é irrelevante para determinar sua natureza jurídica. Todavia, a Constituição Federal segregou as contribuições sociais para tratamento distinto daquele dado aos impostos, e o governo brasileiro direcionou para o âmbito constitucional a interpretação do alcance dos acordos internacionais que buscam evitar dupla tributação. Por sua vez, o dispositivo sob análise, inserido no Acordo firmado entre Brasil e Áustria, exige identidade ou substancial semelhança entre impostos. Deste modo, caracterizar esta identidade Fl. 670DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digi talmente em 10/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722855/201113 Acórdão n.º 1101000.902 S1C1T1 Fl. 17 16 entre tributos não só com diferente destinação constitucional, mas também submetidos a distinto regime tributário constitucional, ultrapassa os limites da interpretação e adentra à integração de suposta lacuna na norma que concede isenção. Não é dado ao agente administrativo, por via de interpretação, suprir a inexistência de ato cuja produção compete, exclusivamente, ao Poder Executivo com chancela do Congresso Nacional. Ausente previsão expressa que exclua a incidência tributária, deve subsistir a exigência de CSLL sobre rendimentos relativos a juros provenientes de títulos da dívida pública do Governo da Áustria. Quanto aos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, adoto as razões de decidir da I. Conselheira Viviane Vidal Wagner expressas em voto vencedor em julgamento proferido em 11/03/2010 na Câmara Superior de Recursos Fiscais, formalizado no Acórdão nº 910100.539: Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma noima não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo:Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digi talmente em 10/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722855/201113 Acórdão n.º 1101000.902 S1C1T1 Fl. 18 17 Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1o). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). Fl. 672DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digi talmente em 10/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722855/201113 Acórdão n.º 1101000.902 S1C1T1 Fl. 19 18 § 1o A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo 13 previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaraçã o do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 Fl. 673DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digi talmente em 10/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722855/201113 Acórdão n.º 1101000.902 S1C1T1 Fl. 20 19 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte e DAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional para considerar aplicável a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, devidos à taxa Selic. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 674DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digi talmente em 10/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722855/201113 Acórdão n.º 1101000.902 S1C1T1 Fl. 21 20 Voto Vencedor Conselheira NARA CRISTINA TAKEDA TAGA As razões para manutenção da exigência estão expressas no próprio voto da I. Relatora, ao transcrever excerto da decisão de primeira 1a instância reproduzida no voto condutor do Acórdão nº 1101000.836: Por fim, não enxergo ilogicidade no fato de que a CSLL está incluída no âmbito da convenção BrasilÁustria, mas não está no da convenção BrasilPaíses Baixos, sendo que em ambas há a previsão de que “A Convenção aplicase também a quaisquer impostos idênticos ou substancialmente semelhantes que forem estabelecidos após a data de sua assinatura, adicionalmente ou em substituição aos impostos mencionados no parágrafo 2”. Isso porque, no meu modo de ver, tal previsão convencional tem seu núcleo significativo na oração adjetiva restritiva que a integra (“que forem estabelecidos após a data de sua assinatura“). Tratase de cláusula que tem por escopo o prestígio aos princípios da previsibilidade contratual e da boafé objetiva, impedindo que uma das partes se surpreenda com a criação de novo “imposto” incidente sobre a renda pela outra parte, a qual talvez possa estar imbuída do intuito nada nobre de contornar a vedação de tributação prevista na convenção. Assim, considerando que o acordo firmado entre Brasil e Áustria é anterior à instituição da CSLL, a interpretação de boa fé impõe que se estendam os efeitos ali previstos àquela contribuição substancialmente semelhante ao IRPJ, na medida em que o representante brasileiro, neste acordo, não teria como cogitar de tal circunstância de outra forma. Por tais razões, voto pelo PROVIMENTO do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) NARA CRISTINA TAKEDA TAGA Redatora designada Fl. 675DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digi talmente em 10/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10860.900389/2008-84
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
AUSÊNCIA DE LIDE. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO
A lide é instaurada com a apresentação tempestiva da Manifestação de Inconformidade. Não se conhece de Recurso Voluntário quando inexistente lide.
Numero da decisão: 3803-005.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por ausência de litígio, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 AUSÊNCIA DE LIDE. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO A lide é instaurada com a apresentação tempestiva da Manifestação de Inconformidade. Não se conhece de Recurso Voluntário quando inexistente lide.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO A lide é instaurada com a apresentação tempestiva da Manifestação de Inconformidade. Não se conhece de Recurso Voluntário quando inexistente lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por ausência de litígio, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 03 89 /2 00 8- 84 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 27/02/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Tratase de PER/DCOMP transmitido com a finalidade de compensar débitos administrado pela RFB, com crédito de COFINS recolhido indevidamente. À fl. 14 está anexo Despacho Decisório, por meio do qual não foi homologado integralmente o pedido de compensação, sob o argumento de que foram localizados pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Cumpre informar que ciência do Despacho Decisório aconteceu em 05.05.2008, conforme se retira do Aviso de Recebimento anexo aos autos à fl 15, enviado para a Avenida Targino Vilela Nunes, 57, Vila Nunes, LorenaSP, CEP n° 12.603000, mas o contribuinte protocolizou a Manifestação de Inconformidade somente em 11.06.2008, ou seja, intempestivamente. Em sua Manifestação de Inconformidade o contribuinte anexa às fls. 16/17, o contribuinte não discorre a respeito do motivo da intempestividade, mas apenas tece comentários em relação ao mérito do indeferimento da compensação. Já às fls. 32/35 está anexo o Acórdão 0535.991 – 7ª Turma da DRJ de Campinas, por intermédio do qual foi indeferido o pedido formulado, sob o argumento de que a Manifestação de Inconformidade é intempestiva. Com efeito, os julgadores de primeiro grau compreenderam que com a Manifestação de Inconformidade intempestiva não se instaura a fase litigiosa do processo administrativo. Contudo, o Recurso Voluntário foi apresentado tempestivamente e está anexo às fls. 40/43, embora o AR referente a intimação do acórdão da DRJ tenha sido encaminhado para a Avenida Targino Vilela Nunes, 57, Vila Nunes, LorenaSP. No Recurso Voluntário, o contribuinte também silencia a respeito dos motivos da intempestividade da Manifestação de Inconformidade e discorre exclusivamente a respeito do seu direito creditório. Este é o relatório. Voto Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O Recurso Voluntário não preenche os requisitos de admissibilidade, uma vez que é intempestiva a Manifestação de inconformidade. Compulsando os autos, concluise que não há vício na intimação do Decisório, realizada via postal, principalmente em razão de que o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que o AR foi encaminhado para endereço diverso daquele que consta como sendo o seu domicílio tributário. Além do que, o Recurso Voluntário foi apresentado tempestivamente, muito embora a intimação do acórdão da DRJ tenha sido encaminhado para a Avenida Targino Vilela Nunes, 57, Vila Nunes, LorenaSP, CEP n° 12.603000, ou seja, o mesmo endereço para o qual foi endereçado o AR pertinente a intimação do Despacho Decisório. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 27/02/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10860.900389/200884 Acórdão n.º 3803005.563 S3TE03 Fl. 50 3 Neste passo, caso o contribuinte tivesse demonstrado prova capaz de elidir a intempestividade de sua Manifestação de Inconformidade, certamente que caberia a este colegiado ingressar ao mérito da discussão. Todavia, assim não procedeu, pois ao invés do procurador da empresa se esforçar em comprovar o “suposto” erro cometido pelo funcionário do Correio, optou por discorrer a respeito do mérito da não homologação da compensação. Assim, agiram com acerto os julgadores de primeiro grau, já que por força da legislação não se instaurou a fase litigiosa no presente processo administrativo. Ante o exposto, não conheço do recurso em face da intempestividade da manifestação de inconformidade. Sala das sessões, 26 de fevereiro de 2014. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 27/02/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11030.902144/2012-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2003
INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. DESCABIMENTO.O fato gerador e a base de cálculo das contribuições é o faturamento. O ICMS não se insere nos critérios informadores da Regra Matriz de Incidência Tributária - RMIT- do PIS e da Cofins, para a formação da norma tributária ensejadora do nascimento da obrigação tributária principal, portanto não configura faturamento da pessoa jurídica e sim arrecadação do Estado.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-005.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2003 INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. DESCABIMENTO.O fato gerador e a base de cálculo das contribuições é o faturamento. O ICMS não se insere nos critérios informadores da Regra Matriz de Incidência Tributária - RMIT- do PIS e da Cofins, para a formação da norma tributária ensejadora do nascimento da obrigação tributária principal, portanto não configura faturamento da pessoa jurídica e sim arrecadação do Estado. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2237; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 18 1 17 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.902144/201211 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803055.895 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de março de 2014 Matéria Compensação Recorrente SANDERO INDUSTRIA E COMERCIO DE VELAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2003 INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. DESCABIMENTO.O fato gerador e a base de cálculo das contribuições é o faturamento. O ICMS não se insere nos critérios informadores da Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT do PIS e da Cofins, para a formação da norma tributária ensejadora do nascimento da obrigação tributária principal, portanto não configura faturamento da pessoa jurídica e sim arrecadação do Estado. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 21 44 /2 01 2- 11 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório Sob a alegação de realização de pagamento a maior ou indevido de PIS/PASEP a contribuinte transmitiu Per/DComp, entretanto a compensação realizada restou não homologada, eis que por meio de despacho decisório eletrônico a autoridade administrativa declarou que, a partir do DARF discriminado, constatou haver outros débitos e que o crédito informado foi integralmente utilizado para a quitação dos mesmos, não havendo saldo credor o suficiente para solver os débitos declarados na DComp aviada. Sobreveio a manifestação do inconformismo e com ela os argumentos de que: (i) a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento mensal (art. 2º, LC nº 70/91; RE 150.755); (ii) o conceito de faturamento não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”. Verificase que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, aqui entendido como terceiro titular desses valores. Nesse sentido encontrase em fase decisória o RE nº 240.785, Rel. Min. Marco Aurélio, segundo o qual o conceito de faturamento “decorre de um negócio jurídico”, de uma operação, assim, “a base de cálculo da Cofins não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela percebida com a operação mercantil ou similar”. Assim o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da COFINS e do PIS, por não ser incluído no conceito de “faturamento”, mas mero “ingresso” na escrituração contábil das empresas. O ICMS e o IPI é antecipação de pagamento (mera transferência) repassado ao consumidor final, não se adequando ao conceito de faturamento, pois tratase de receita do Estado e não da pessoa jurídica; (iii) que possui a garantia constitucional ao direito de propriedade (art. 5º, XXII, CF), da vedação à utilização do tributo com caráter de confisco (art. 150, IV, CF) e do princípio da capacidade contributiva (art. 145, § 1º, CF/88); (iv) que as competências tributárias atribuídas pelos artigos 153, 154 e 155 da CF/88 revelam que os tributos devem incidir, exclusivamente, sobre os fatos signos presuntivos de riqueza e que tributar aquilo que não representa riqueza implica, inevitavelmente, em ofensa a todos os dispositivos constitucionais citados; (v) que o ICMS não é riqueza do contribuinte. Finalmente requereu a restituição corrigida à base da taxa Selic. Colacionou aos autos a título de elemento material de prova o DARF correspondente ao pagamento efetuado e o Registro de Apuração de ICMS, nada mencionando acerca do saldo devedor, apenas sobre o credor. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902144/201211 Acórdão n.º 3803055.895 S3TE03 Fl. 19 3 A decisão prolatada pela 2ª Turma da DRJ/BHE, de 08/10/2013 (fls. 01/) por meio do Acórdão nº 0249.800, entendeu pela impossibilidade da exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição da Cofins, eis que por estrita previsão legal, o ICMS incidente sobre as vendas só poderia ser excluído da receita bruta, para fim de determinação da base de cálculo da contribuição em tela, quando o contribuinte figurar na condição de substituto tributário (até a vigência da Lei nº 10.637, de 2002). Não havendo comprovação da situação prevista em lei, não há como acatar a alegação da defesa. E no mesmo sentido veio a Lei nº 10.833/03. Dessa forma não havendo previsão legal pára as exclusões pleiteadas, caracterizada está a correção do Despacho Decisório Eletrônico e, demonstrada a inexistência dos pretendidos créditos, resta prejudicada a análise da aplicação da taxa Selic sobre aqueles. A legislação que rege o julgamento administrativo de primeira instância não determina a publicação da pauta das sessões no DOU. Ciente da decisão prolatada em 01/11/2013, a contribuinte protocolou defesas específicas em 28/11/2013, respectivamente, em sede de recurso voluntário, reiterando, de forma minudente, acerca das razões de defesas apresentadas na exordial. Requereu ainda a publicação da pauta de julgamento no DOU com indicação da empresa recorrente. É relatório. Voto Conselheiro Relator Conselheiro Relator Jorge Victor Rodrigues O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Inicialmente cumpre informar que a publicação de pauta de julgamento é de domínio público, constando do DOU e do sítio do CARF, portanto disponível aos interessados. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da referida contribuição, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902144/201211 Acórdão n.º 3803055.895 S3TE03 Fl. 20 5 Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); Fl. 61DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902144/201211 Acórdão n.º 3803055.895 S3TE03 Fl. 21 7 [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902144/201211 Acórdão n.º 3803055.895 S3TE03 Fl. 22 9 b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902144/201211 Acórdão n.º 3803055.895 S3TE03 Fl. 23 11 IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902144/201211 Acórdão n.º 3803055.895 S3TE03 Fl. 24 13 a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 14 Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902144/201211 Acórdão n.º 3803055.895 S3TE03 Fl. 25 15 "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 16 Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Neste sentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – e isso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre o faturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a Suprema Corte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que Fl. 72DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902144/201211 Acórdão n.º 3803055.895 S3TE03 Fl. 26 17 prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 18 No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto por negar provimento ao recurso interposto. É como voto. Sala de sessão em 26 de março de 2014 Jorge Victor Rodrigues Relator Relator Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10283.000467/2004-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 21/06/1995
Admissão Temporária. Prazo Para Promover o Lançamento de Multa Decorrente do Desvio do Bem Admitido no Regime.
O sucateamento do bem admitido no regime, pelo desvio de partes e peças que conferiam suas características essenciais e o tornavam apto a ser empregado na finalidade para o qual a admissão temporária foi concedida caracteriza a introdução irregular no Território Nacional.
A partir daquela data em que se caracterizou a infração, portanto, começa a fluir o prazo decadencial do direito de promover o lançamento da multa correspondente.
Restando demonstrado que o lançamento somente se aperfeiçoou quando decorridos mais de 5 anos, contados daquele termo inicial, forçoso é reconhecer a insubsistência da exigência.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-001.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Helder Massaaki Kanamaru e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama..
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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PRAZO PARA PROMOVER O LANÇAMENTO DE MULTA DECORRENTE DO DESVIO DO BEM ADMITIDO NO REGIME. O sucateamento do bem admitido no regime, pelo desvio de partes e peças que conferiam suas características essenciais e o tornavam apto a ser empregado na finalidade para o qual a admissão temporária foi concedida caracteriza a introdução irregular no Território Nacional. A partir daquela data em que se caracterizou a infração, portanto, começa a fluir o prazo decadencial do direito de promover o lançamento da multa correspondente. Restando demonstrado que o lançamento somente se aperfeiçoou quando decorridos mais de 5 anos, contados daquele termo inicial, forçoso é reconhecer a insubsistência da exigência. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Helder Massaaki Kanamaru e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama.. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 04 67 /2 00 4- 16 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10283.000467/200416 Acórdão n.º 3102001.951 S3C1T2 Fl. 326 2 Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de exigência da multa prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/1964, com a redação dada pelo art. 1º, alteração 2ª, do Decretolei nº 400, de 30 de dezembro de 1968, no valor de R$ 2.721.000,00, objeto do Auto de Infração de fls. 0108. 2. De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a fiscalização expõe os seguintes fundamentos: 2.1 a interessada, na condição de beneficiária do regime de admissão temporária da aeronave Boeing 707321C, série 18716, apresentou, ao órgão aduaneiro, com a finalidade de extinção do citado regime, um bem em desacordo com o declarado na importação, ficando evidenciada sob sua responsabilidade, a introdução irregular, no País, de mercadoria estrangeira; 2.2 a importação da aeronave se deu por meio da DI nº 021655/1995, sob regime de admissão temporária, concedido até 31/12/1996; 2.3 em 23/09/1996, a beneficiária requereu a destruição do bem, assim como autorização para reexportação das peças economicamente aproveitáveis, e despacho para consumo, após destruição, dos resíduos economicamente utilizáveis; 2.4 o citado pedido foi indeferido, por falta de previsão legal; 2.5 em 03/04/1997, a empresa protocolizou novo expediente solicitando a extinção do regime, mediante a destruição do bem e despacho para consumo dos resíduos economicamente utilizáveis; 2.6 este último pedido foi deferido em 19/07/1997 e cientificado à empresa em 15/06/1998; 2.7 embora designada comissão para acompanhar a destruição, o procedimento não se consumou por haver sido constatado que o bem havia sido “canibalizado” (sic), com a retirada da maioria das partes e peças importantes e de considerável valor econômico, restando somente a “carcaça” da aeronave, conforme laudo de vistoria, elaborado pelo Departamento de Aviação Civil, datado de 19/11/1998, em atendimento à solicitação do Inspetor da Alfândega do Porto de Manaus; 2.8 intimada a apresentar as partes e peças que foram extraídas da aeronave sem autorização da Alfândega, a empresa protocolizou expediente, datado de 09/03/1999, no qual eximese de qualquer responsabilidade em relação ao desaparecimento Fl. 346DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10283.000467/200416 Acórdão n.º 3102001.951 S3C1T2 Fl. 327 3 das partes e peças, alegando que, pelo contrato de arrendamento, firmado com a proprietária da aeronave, a guarda e reparo da aeronave cabia à arrendadora, Race Aviation Corporation; 2.9 após dar oportunidade, à interessada, de apresentar os bens, sem que houvesse resultado, a Alfândega tentou valorar as partes e peças que foram retiradas da aeronave, havendo solicitado laudo técnico para essa finalidade; 2.10 a tentativa foi frustrada, pois o que restou a aeronave foi penhorado e entregue como sucata por ordem da Justiça do Trabalho em ação promovida contra a Race Aviation Corporation; 2.11 “a Vasp, ao entrar o pedido de destruição da aeronave, tinha pleno conhecimento da condição de total descaracterização em que ela se encontrava, ficando notório que o procedimento solicitado objetivou, na verdade, iludir o fisco com a aparente tentativa de regular extinção do regime especial a ela concedido”; 2.12 a alegação baseada no contrato particular de arrendamento não se traduz em exclusão de sua responsabilidade no tocante às obrigações fiscais e por infrações “decorrentes de atos promovidos por conta da permanência do bem”, haja vista sua condição de beneficiária do regime especial de admissão temporária e, dessa forma, constituída, perante a Fazenda Pública, como responsável pela boa guarda da mercadoria, devendo recolher a multa equivalente ao valor comercial da mercadoria, pela situação irregular configurada; 2.13 foi formalizada a representação fiscal para fins penais no processo 10283.000466/200471. 3. Cientificado do lançamento em 11/08/2004, conforme Aviso de Recebimento de fl. 213, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando a impugnação de fls. 214223, em 10/09/2004, por meio da qual expõe as seguintes razões de defesa: 3.1 por motivos alheios a sua vontade, antes do término do prazo para admissão temporária foi requerida a destruição do bem, a qual restou prejudicada por fatores que impediram o regular processamento dessa modalidade de extinção; 3.2 ao término do prazo concedido (31/12/1996), a impugnante não obteve êxito em extinguir o regime de admissão temporária da aeronave, com o fim de obter a baixa do Termo de Responsabilidade, ficando, assim, sujeita, à execução desse termo; 3.3 desde janeiro de 1997, a Receita Federal estava apta a efetuar o lançamento do crédito tributário que entendesse direito, mas somente agora foi formalizado, com a intimação da impugnante, em 11/08/2004, embora a destempo; Fl. 347DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10283.000467/200416 Acórdão n.º 3102001.951 S3C1T2 Fl. 328 4 3.4 o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN) dispõe que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 3.5 a admissão temporária da aeronave teve seu prazo encerrado em 31/12/1996, iniciandose, a partir de 01/01/1997, o prazo para lançamento do crédito tributário, “com a imediata execução do Termo de Responsabilidade através da lavratura do Auto de Infração respectivo” (sic); 3.6 a Fazenda dispunha do prazo de 5 anos para proceder ao lançamento, sob pena de decadência do direito de constituir o crédito tributário; 3.7 havendo verificado o inadimplemento, no prazo fixado, da condição resolutiva que caracteriza o regime de admissão temporária, estaria o Fisco apto para, de imediato, iniciar o procedimento visando ao lançamento do crédito tributário, que a partir de então passou a ser exigível; 3.8 o pedido de destruição do bem, formulado pela impugnante, não pode ser interpretado como fato interruptivo da decadência, uma vez que os prazos decadenciais são fatais, fluindo inexoravelmente, impassíveis de impedimento, interrupção ou suspensão; 3.9 configurouse a decadência do direito de o Fisco proceder ao lançamento, pois o fato gerador ocorrido há mais de cinco anos (em dezembro de 1996), contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, impossibilita a Fazenda Pública de constituir o crédito tributário, o qual deve ser declarado extinto; 3.10 os fatos descritos pela autoridade fiscal não ocorreram na forma como foram postos no auto de infração, mostrandose tendenciosos, distorcidos e voltados para justificar a extemporânea constituição do crédito tributário; 3.11 por se tratar do regime de admissão temporária, sujeito a uma condição resolutiva, seu descumprimento indica que o ingresso do bem passa de temporário para definitivo, incidindo o Imposto de Importação, exigível a partir do término do prazo fixado para permanência no País; 3.12 com a finalidade de garantir o pagamento do imposto, em caso de descumprimento da condição, no regime de admissão temporária, há constituição de um Termo de Responsabilidade, o qual deve ser executado dentro do prazo legal de cinco anos do fato gerador, previsto nos arts. 309 e 310 do Regulamento Aduaneiro; 3.13 é por demais simplista a autoridade fiscal entender ter havido indício de crime de natureza tributária, a fim de justificar a representação para fins penais, com base no art. 334 do Fl. 348DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10283.000467/200416 Acórdão n.º 3102001.951 S3C1T2 Fl. 329 5 Código Penal, já que esta disposição legal trata de contrabando e descaminho, inaplicáveis ao caso, haja vista a legalidade dos atos praticados com a finalidade de obter regularmente o regime de admissão temporária, não tendo ocorrido importação de mercadoria proibida nem se tentou iludir o pagamento do imposto; 3.14 a ausência de extinção do regime de admissão temporária no prazo estipulado acarretaria a cobrança do imposto de importação, que até então estava suspenso, não sendo admissível que tal ocorrência possa se ajustar ao crime de contrabando ou descaminho; 3.15 a impugnante sabe que é responsável pela devolução do bem, quando da extinção do regime, pois garantiu os tributos suspensos mediante a assinatura do Termo de Responsabilidade; 3.16 a Race Aviation Corporation arrendou a aeronave à Vasp, por meio de um contrato de wet lease, obrigandose aquela empresa a realizar viagens por certo período de tempo, mantendo o controle sobre a tripulação e a condução técnica da aeronave; 3.17 a aeronave era colocada à disposição da Vasp para realização das viagens contratadas até duas horas antes dos vôos, demonstrando que a guarda do equipamento, fora desse período, ficava sob a responsabilidade da arrendadora (Race); 3.18 a aeronave enfrentou problemas para sua liberação, culminando com sua apreensão pela autoridade aduaneira, que decretou a pena de perdimento, privando a impugnante de usufruir do bem; 3.19 aproveitandose do livre acesso que tinham à aeronave, funcionários da Race foram flagrados retirando peças, o que ocasionou a abertura de inquérito policial, em que foi determinado o comparecimento dos representantes legais da Race para prestarem esclarecimentos; 3.20 denúncias feitas à Receita Federal, por funcionários da Race, levaram à apreensão de inúmeras peças e decretação da pena de perdimento desses bens; 3.21 tempos depois, a própria Receita Federal relevou a pena de perdimento da aeronave e de suas peças; 3.22 passado muito tempo submetida às intempéries, a aeronave não tinha mais condições de voar, o que levou ao pedido de destruição, por se tornar mais vantajoso à Race que, inclusive, autorizou esse procedimento; 3.23 a impugnante, embora beneficiária do regime de admissão temporária jamais teve a guarda da aeronave, não tendo acesso a ela durante o período em que permaneceu estacionada no aeroporto e, assim, não tinha conhecimento do pleno estado do bem, que estava sob guarda exclusiva da arrendadora; Fl. 349DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10283.000467/200416 Acórdão n.º 3102001.951 S3C1T2 Fl. 330 6 3.24 o representante da Race no Brasil, em depoimento no inquérito instaurado pela Polícia Federal que apurava a subtração das peças da aeronave, declarou que recebeu ordens de seu patrão, proprietário da aeronave, para retirar uma determinada peça e pediu a mecânicos que assim o fizessem, esclarecendo que estes somente podem tocar na aeronave mediante sua autorização, sendo ainda de seu conhecimento que foram removidas peças para inspeção e reparo; 3.25 a situação iniciouse por culpa da própria Receita Federal que, de forma irregular, decretou a pena de perdimento do bem, a qual somente anos mais tarde foi declarada indevida, com a conseqüente liberação da aeronave e o reconhecimento da legalidade da importação; 3.26 a aeronave ficou inoperante, submetida às intempéries e sob a guarda da Race, que se aproveitou da situação para retirada de peças, sem nenhuma participação ou conhecimento da impugnante; 3.27 a irregularidade imputada à impugnante não encontra previsão no art. 83 da Lei nº 4.502/1964, pois a aeronave não foi introduzida clandestinamente no País nem importada de forma irregular ou fraudulenta, tampouco se enquadra nas hipóteses do art. 618 do Regulamento Aduaneiro, revelando a total falta de motivação do auto de infração. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2002 Ementa: PRAZO DECADENCIAL. A contagem do prazo decadencial para aplicação de penalidade somente se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que se consumou a infração, momento, a partir do qual, o Fisco poderia aplicar a sanção pecuniária. Lavrado o auto de infração dentro do prazo decadencial, considerase regularmente constituído o crédito tributário. Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2002 Ementa: IMPORTAÇÃO IRREGULAR. MULTA. Deferido o pedido de extinção do regime de admissão temporária, mediante a destruição da mercadoria, mas constatandose que esta já se encontrava parcialmente dilapidada tendo ainda, durante o curso do procedimento, sido submetida desmonte e destinada a consumo, fica configurada a Fl. 350DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10283.000467/200416 Acórdão n.º 3102001.951 S3C1T2 Fl. 331 7 importação irregular, punível com a multa equivalente ao valor do bem. Lançamento Procedente Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Julgando que a multa imposta não se inseria na competência do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, decidiu a primeira câmara por declinar da competência em favor do extinto Segundo Conselho de Contribuintes. Este, por sua vez, entendeu que a irregularidade apontada, atrelada ao descumprimento de regime aduaneiro especial, deveria ser apurada pelo Terceiro Conselho de Contribuintes. Antes de julgado o conflito negativo de competência, foi instituído o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, momento em que a Terceira Seção que incorporou competências que outrora pertencia ao Segundo e ao Terceiro Conselho de Contribuintes. Em face de sorteio realizado no dia 28/02/2013, foram os autos distribuídos a este Conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta a esta Terceira Seção. Nesse aspecto, é importante destacar que a recorrente tomou conhecimento da decisão recorrida em 27/01/20061 (sextafeira) e que o trigésimo dia após o início da contagem do prazo (28/02/2006) coincidiu com a terçafeira de carnaval. Assim sendo, deslocouse o encerramento do prazo recursal para o primeiro dia de expediente normal após o feriado, no caso, a quintafeira 02/03/2006, mesma data em que o recurso voluntário foi postado, segundo despacho à fl. 286. Feitas tais considerações, julgo que o presente lançamento encontrase fulminado pela decadência. A fim de delimitar a data a partir da qual teria restado caracterizada a infração que motivou a lavratura do auto de infração litigioso, transcrevo excerto do relatório fiscal que descreve os fatos que o dão suporte (original não destacado): Para o acompanhamento da destruição autorizada foi designada comissão, composta mediante a Portaria do Sr. Inspetor da 1 AR à fl. 252. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10283.000467/200416 Acórdão n.º 3102001.951 S3C1T2 Fl. 332 8 Alfândega de n ° 115 de 25 de maio de 1998. No entanto, o procedimento não teve como prosseguir, pois se constatou que o bem tinha sido canibalizado, com a retirada da maioria das partes e peças importantes e de valor econômico considerável, restando para a destruição somente a "carcaça" da aeronave. Esta situação está relatada em Laudo de Vistoria emitido pelo Departamento de Aviação Civil datado de 19/11/1998, feito em atendimento de solicitação do Inspetor da Alfândega com o objetivo de subsidiar os trabalhos da competente comissão de destruição. (...) Após dar oportunidade à autuada de apresentar os bens, sem qualquer resultado, esta alfândega tentou ainda valorar o que fora retirado da aeronave mediante a solicitação de laudo A perito credenciado junto a esta repartição. Esta tentativa foi frustrada, pois o que restou da aeronave foi penhorado e entregue como sucata por ordem da Justiça do Trabalho em ação promovida contra a RACE AVIATION CORPORATION, no processo n 111939406 da Sexta Vara do Trabalho de Manaus. Dos fatos que estão circunstanciados no processo 10283.004580/9645, temse como evidente que a VASP S/A ao entrar com o pedido de destruição da aeronave, tinha pleno conhecimento da condição de total descaracterização em que ela se encontrava, ficando notório que o procedimento solicitado, objetivou na verdade iludir o fisco com a aparente tentativa da regular extinção do regime especial a ela concedido. Importa ainda destacar que o auto de infração sob análise somente se aperfeiçoou em 11/08/2004, data em que ocorreu a ciência da autuada2 Ante a tais elementos, não vejo como não considerar que, na data da lavratura do auto de infração litigioso, a possibilidade de fazêlo encontravase fulminada pela decadência. De fato, com a devida licença às opiniões em contrário, a meu ver, muito antes do desmonte do que restou da aeronave, ocorrido em 06/08/2001, já havia sido consumada a destinação irregular daquele bem. Naquele momento, como descrito inclusive na peça fiscal, o bem importado já havia sido descaracterizado, pela destinação de suas partes e peças essenciais. Ou seja, não havia mais um avião, mas exclusivamente uma sucata. Daí porque, a meu ver, o termo inicial da contagem do prazo decadencial não se dá 06/08/2001 (ou 1º de janeiro de 2002), mas em 19/11/1998, data em que as autoridades constataram que o avião havia sido sucateado. Reforça essa convicção os valores considerados quando da adjudicação do bem pela Justiça do Trabalho (R$ 150.000,00)3 e da comercialização do bem pelo reclamante (R$ 35.000,00)4. 2 AR à fl. 230 (numeração digital) 3 Mandado de entrega à fl. 184. 4 Contrato de compra e venda à fl. 185. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10283.000467/200416 Acórdão n.º 3102001.951 S3C1T2 Fl. 333 9 Considerando que o elemento que motivou a penalidade decorre do descumprimento da legislação aduaneira, se o prazo decadencial se iniciou em 19/11/1998, o prazo decadencial encerrouse em 19/11/2003, nos termos do que dispõem os artigos 138 e 139 do Decreto Lei nº 37, de 19665 Por outro lado, ainda que se considerasse que a penalidade litigiosa teria sido instituída pela legislação que disciplina a cobrança do IPI e que não se submeteria aos artigos 138 e 139 do Decreto Lei nº 37, de 1966, não seria outro o resultado do presente julgamento. Com efeito, se fosse fixado como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, 01/01/1999, nos termos do art. 173, I do CTN6, o prazo decadencial estaria encerrado em 31/12/2003. Ou seja, qualquer que seja o diploma considerado, (DL nº 37/66 ou CTN), quando da lavratura do auto de infração (11/08/2004), não havia mais possibilidade de fazêlo. Com essas considerações, acato a prejudicial de decadência e dou provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 24 de julho de 2013 Luis Marcelo Guerra de Castro 5 Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. 6 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 353DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10283.000467/200416 Acórdão n.º 3102001.951 S3C1T2 Fl. 334 10 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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