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Numero do processo: 10783.906604/2012-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, á Unidade de Origem, para que elabore relatório onde se demonstre o critério de rateio adotado para os créditos a serem descontados.
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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Por bem descrever os fatos, adoto os dizeres do Relatório do Acórdão nº 09 49349, exarado pela 2ª Turma da DRJ/JUIZ DE FORA : O interessado transmitiu os Pedidos de Ressarcimento (PER) e/ou Declarações de Compensação (Dcomp) relacionados no Despacho Decisório, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 06 60 4/ 20 12 -0 5 Fl. 1829DF CARF MF Processo nº 10783.906604/201205 Resolução nº 3301000.906 S3C3T1 Fl. 1.829 2 visando a compensação dos débitos nelas declarados, com crédito oriundo de PIS/Pasep nãocumulativo referente ao 4º trimestre de 2008; A DRFVitória/ES emitiu Despacho Decisório, no qual reconhece parcialmente o direito creditório e homologa as compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese que : a) em preliminar: a.1) da imprecisão da apuração fiscal; a.2) da legitima desconsideração de negócios jurídicos. Da ausência de previsão legal para os procedimentos adotados pela fiscalização; b) do mérito: b.1) dos fundamentos jurídicos de validade e correção dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos auferidos pela impugnante; b.2) da insubsistência das provas apresentadas pela fiscalização; b.3) da ausência de comprovação por parte da fiscalização, acerca da participação conjunta da impugnante com as empresas laranjas citadas nos itens II.4 e II.5, do Parecer Fiscal; b.4) a contabilidade (aquisições devidamente registradas) como meio de prova em favor da impugnante – a essência sobre a forma; b.5) da patente contradição do fisco frente a atuação pretérita e atual; b.6) das diligências efetuadas sob a denominação “Operação tempo decolheita”. Da ausência de nexo de casualidade para com as operações realizadas pela recorrente; b.7) da impossibilidade de extensão em face da impugnante dos efeitos dos atos praticados no âmbito da denominada “Operação Broca”; b.8) do entendimento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento sobre a possibilidade do creditamento integral do PIS e da Cofins nas aquisições de cooperativas; b.9) sem dúvida, um dado curioso; b.10) da precariedade do trabalho fiscal – prova produzida pela impugnante; b.11) do restabelecimento integral dos créditos informados pela impugnante; É o breve relatório. 4. Assim restou ementada a decisão da DRJ/JUIZ DE FORA, materializada no retrocitado Acórdão : Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Incabível anular decisão sem que haja fatos ofensivos ao direito de ampla defesa, ao contraditório ou às normas que definem competência. PIS/PASEP COFINS.NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ILEGITIMIDADE. PESSOA JURÍDICA IRREGULAR. A realização de transações com pessoas jurídicas irregulares, com fortes indícios de terem sido inseridas na cadeia produtiva com único propósito de gerar crédito na sistemática da não cumulatividade, compromete a liquidez e certeza do pretenso crédito, o que autoriza a sua glosa, sendo insuficiente para afastála, nesse caso, a prova do pagamento do preço e do recebimento dos bens adquiridos. Fl. 1830DF CARF MF Processo nº 10783.906604/201205 Resolução nº 3301000.906 S3C3T1 Fl. 1.830 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 5. Irresignada com tal decisão, a empresa interpôs Recurso Voluntário, tempestivamente, onde, em suas razões de defesa, repisa os argumentos expendidos na impugnação como segue : 01 – FATO RELEVANTE a) aquisições de fornecedores b) aquisições de cooperativas 02 – PRELIMINARES a) da nulidade absoluta do procedimento fiscal, face ao inequívoco cerceamento ao direito de defesa da recorrente b) da descaracterização dos negócios jurídicos – situação tributária de todas as pessoas envolvidas 03 – DO MÉRITO a) da insubsistência das provas apresentadas pela fiscalização b) da contabilidade (aquisições devidamente registradas) como meio de prova em favor da recorrente – a essência sobre a forma c) da patente contradição do Fisco frente á atuação pretérita e atual d) das diligências realizadas sob a denominação “ Operação Tempo de Colheita”. Da ausência de nexo de causalidade para com as operações realizadas pela recorrente e) da impossibilidade de extensão em face da recorrente dos efeitos dos atos praticados no âmbito da denominada “Operação Broca” f) do entendimento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento sobre a possibilidade do creditamento integral do PIS e da COFINS nas aquisições de cooperativas g) sem dúvida, um dado curioso h) da precariedade do trabalho fiscal – prova produzida pela recorrente i) do restabelecimento integral dos créditos informados pela recorrente 04 – CONCLUSÃO se contornadas a s questões anteriores, o que se cogita apenas como argumento, entende a Recorrente que deve ser dado provimento integral ao presente recurso, visto que de todo corretos os seus procedimentos, em especial, pelos seguintes motivos : Fl. 1831DF CARF MF Processo nº 10783.906604/201205 Resolução nº 3301000.906 S3C3T1 Fl. 1.831 4 É o relatório. Voto Conselheiro Ari Vendramini Relator 6. Peço vênia para reproduzir alguns excertos do voto do julgador da DRJ, constante do processo administrativo nº 15586.720765/201326, ao qual este se encontra apenso, que bem sintetizou as complexas operações envolvidas na autuação Os autos de infração foram lavrados tendo em vista que a empresa apurou créditos indevidos para as contribuições em Fl. 1832DF CARF MF Processo nº 10783.906604/201205 Resolução nº 3301000.906 S3C3T1 Fl. 1.832 5 comento e usou parte desses créditos como dedução do valor a pagar no mês respectivo. A autoridade administrativa glosou parte dos citados créditos e indeferiu o pedido de ressarcimento respectivo e/ou não homologou as compensações correspondentes. Assim, as contribuições devidas foram declaradas a menor na DCTF relativa ao mês de apuração tendo em vista as deduções efetuadas com os créditos glosados. Essas diferenças foram lançadas nos autos de infração ora em análise. Registrase que os PER/Dcomps que deram origem às citadas glosas, constam dos processos abaixo;. PROCESSO CONTRIBUIÇÃO PERÍODO 10783.906589/201297 COFINS NÃO CUMULATIVA 4º TRIMESTRE/2008 10783.906590/201211 COFINS NÃO CUMULATIVA 1º TRIMESTRE/2009 10783.906593/201255 COFINS NÃO CUMULATIVA 2º TRIMESTRE/2009 10783.906594/201208 COFINS NÃO CUMULATIVA 3º TRIMESTRE/2009 10783.906597/201233 COFINS NÃO CUMULATIVA 4º TRIMESTRE/2009 10783.906599/201222 COFINS NÃO CUMULATIVA 1º TRIMESTRE/2010 10783.906601/201263 COFINS NÃO CUMULATIVA 2º TRIMESTRE/2010 10783.906603/201252 COFINS NÃO CUMULATIVA 3º TRIMESTRE/2010 10783.906605/201241 COFINS NÃO CUMULATIVA 4º TRIMESTRE/2010 10783.906588/201242 PIS NÃO CUMULATIVO 4º TRIMESTRE/2008 10783.906591/201266 PIS NÃO CUMULATIVO 1º TRIMESTRE/2009 10783.906592/201219 PIS NÃO CUMULATIVO 2º TRIMESTRE/2009 10783.906595/201244 PIS NÃO CUMULATIVO 3º TRIMESTRE/2009 10783.906596/201299 PIS NÃO CUMULATIVO 4º TRIMESTRE/2009 10783.906598/201288 PIS NÃO CUMULATIVO 1º TRIMESTRE/2010 10783.906600/201219 PIS NÃO CUMULATIVO 2º TRIMESTRE/2010 10783.906602/201216 PIS NÃO CUMULATIVO 3º TRIMESTRE/2010 10783.906604/201205 PIS NÃO CUMULATIVO 4º TRIMESTRE/2010 As manifestações de inconformidade apresentadas pela empresa em face dos processos acima, foram julgadas nesta mesma sessão de julgamento tendo sido prolatados acórdãos que as consideraram improcedentes, conforme voto deste mesmo relator (fls. 1.611 dos autos digitais) ............................................................................................................... Desde a implantação do regime de apuração nãocumulativa doPIS/Pasep e da Cofins, temos notícias de que grandes empresas do ramo cafeeiro vêm realizando operações irregulares com o objetivo de apurar e acumular créditos das citadas contribuições que poderão ser ressarcidos e/ou usados em compensação se o produto for exportado. A estratégia adotada passa pela criação de empresas intermediárias,caracterizadas como agroindústrias. O café adquirido por essas empresas tem origem em produtores rurais (pessoas físicas) ou em cerealistas que ao vender seus produtos conferem ao adquirente o direito de descontar créditos presumidos com percentual de 3,238% do valor das aquisições, ou seja, 35% do crédito ordinário (normal). Posteriormente, empresas exportadoras e/ou grandes atacadistas adquirem o café dessas empresas intermediárias, apurando créditos no Fl. 1833DF CARF MF Processo nº 10783.906604/201205 Resolução nº 3301000.906 S3C3T1 Fl. 1.833 6 montante de 9,25% (1,65% + 7,6%) de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativa. Até este momento, pelo menos aparentemente, não existe nenhuma ilegalidade. O grande problema está no fato de que essas “empresas intermediárias”, criadas com a conivência de grandes exportadoras e/ou grandes atacadistas, são, em regra, constituídas por interpostas pessoas, e não pagam os tributos devidos (muitas delas sequer apresentam as declarações a que estão sujeitas). Significa dizer: são empresas de fachada ou empresas laranjas. Em geral, essas empresas de fachada apresentam algumas características em comum. A saber: não possuem estrutura física condizente com as atividades que dizem exercer, visto que o mínimo que se espera de uma empresa atacadista de café é a existência de áreas de armazenagem além de estrutura que a capacite movimentar grandes volumes de café; os endereços que fornecem como sendo o de sua sede, quando existem, não passam de simples “portas de garagem” e não raro os vizinhos nunca ouviram falar de tal empresa; seus sócios, quando encontrados, não possuem capacidade econômica financeira para serem proprietários de empresa deste porte. Muitas vezes não possuem sequer qualificação profissional e/ou intelectual para tal;incompatibilidade entre volume financeiro movimentado e total de tributos recolhidos, acompanhado de situação de omissão contumaz. Quando apresentam as declarações exigidas pela legislação muitas delas declaram não estar em atividade ou apresentam todos os quadros zerados. Resumindo, são empresas criadas unicamente com o objetivo de gerar créditos indevidos sem pagar os tributos correspondentes. A aplicação do regime de apuração nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins no setor agropecuário é complexa. A maior parte das operações com o café é multifásica. A primeira fase ocorre quando um produtor (pessoa física) vende seus produtos a uma pessoa jurídica (comercial atacadista, comercial varejista, agroindustrial ou cooperativa). Se a pessoa jurídica adquirente dos produtos estiver submetida ao regime de apuração nãocumulativa, deveria ter direito de apurar e deduzir os créditos do PIS/Pasep e da Cofins, que corresponderão, via de regra, às mesmas contribuições pagas na fase anterior. Ocorre que o produtor rural (pessoa física) não é contribuinte, e sendo assim não havia pagamento de contribuições que permitisse apurar crédito a ser descontado na fase posterior. Portanto, as compras de produtos e mercadorias de pessoas físicas não geravam o direito de creditamento. A aplicação do regime da forma acima relatada provocava uma distorção no mercado agropecuário. As pessoas jurídicas desse setor, que estivessem inseridas no regime de apuração nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, rejeitavam a aquisição de produtos e mercadorias diretamente dos produtores pessoas físicas, porque estas aquisições provocavam um aumento do custo tributário de suas operações. Para tentar corrigir essas distorções, o art. 25 da Lei nº 10.684/2003, inseriu os § 10 e 11 no art. 3º da Lei nº 10.637/2002, instituindo crédito presumido para o setor agropecuário. Ao criar este tipo de crédito, o legislador buscou equilibrar,ou pelo menos reduzir, as pressões mercadológicas produzidas pelo novo regime de apuração. Esse Fl. 1834DF CARF MF Processo nº 10783.906604/201205 Resolução nº 3301000.906 S3C3T1 Fl. 1.834 7 crédito presumido foi aperfeiçoado quando da publicação da Lei nº 10.833/2003, cujo § 5º do art. 3º possibilitava a apuração destes créditos também em relação à Cofins. Por fim, a Lei nº 10.925/2004 revogou os dispositivos acima mencionados, e em seus arts. 8º e 9º disciplinou a matéria, verbis: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) I – (...) II – (...) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: Fl. 1835DF CARF MF Processo nº 10783.906604/201205 Resolução nº 3301000.906 S3C3T1 Fl. 1.835 8 I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5o (...) § 6o Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). § 7o O disposto no § 6o deste artigo aplicase também às cooperativas que exerçam as atividades nele previstas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). § 8o (...) Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) O citado art. 9º suspendeu a incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos relacionados no art. 8º, quando efetuada por:cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM pessoas jurídicas que exerçam cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; ou pessoas jurídicas que desenvolvam atividades agropecuárias e cooperativas de produção agropecuária, nas vendas de insumos para produção das mercadorias mencionadas no caput do art. 8º. Fl. 1836DF CARF MF Processo nº 10783.906604/201205 Resolução nº 3301000.906 S3C3T1 Fl. 1.836 9 Em conseqüência, a possibilidade de apuração e desconto dos créditos presumidos foi expandida para as aquisições efetuadas com a suspensão de incidência estabelecida pelo art. 9º.Vale ressaltar o fato de que o crédito presumido, além de ser em valor inferior ao chamado crédito ordinário, não pode ser objeto de ressarcimento e nem de compensação, sendo especificamente destinado à dedução com débitos tributários da mesma espécie contributiva apurados em fases posteriores. Este entendimento foi formalizado por meio do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/2005, cujos arts 1º e 2º não permitem a compensação ou ressarcimento. Uma vez que o crédito presumido, além de ser em valor menor que o normal, não pode ser ressarcido e nem compensado, a exportação dos produtos adquiridos com esse tipo de crédito deixa de oferecer a possibilidade de ressarcimento ou compensação que ocorre em relação aos créditos normais, e, assim, ao final, os grandes prejudicados são o pequeno produtor rural e a pessoa jurídica que vende produtos com suspensão de incidência. Assim sendo, as grandes empresas exportadoras passaram à prática de adquirir produtos e mercadorias de empresas “intermediárias” (que na sua grande maioria, como já se disse, são empresas de fachada) porque essas são (em tese) contribuintes da do PIS/Pasep e da Cofins em relação às receitas de vendas desses produtos e mercadorias. E as contribuições que deveriam ser pagas por essas “intermediárias”, na fase anterior, geram o crédito ordinário de 9,25% ao invés do crédito presumido de 3,238% sobre o valor das aquisições. Os pequenos produtores, para não ficar fora do mercado, são compelidos a vender para estas “intermediárias”, cuja única finalidade é produzir créditos apurados com base no percentual de 9,25%, os quais serão ressarcidos nas exportações. No ramo do café, onde as exportações atingem um grande percentual da produção, este fato produz montantes realmente muito elevados de créditos que podem ser ressarcidos e/ou compensados. Os expedientes até aqui descritos trazem para as empresas que deles se valem duas vantagens cumulativas: além da majoração indevida do crédito gerado, permitem a burla da restrição à compensação e ao ressarcimento imposta aos créditos presumidos. Outra estratégia usada consiste no fato de se adquirir o café de cooperativas e cerealistas como se fossem para revenda. Assim, nos termos da legislação de regência, as vendas devem ser efetuadas sem a suspensão das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins prevista no art. 9º acima, ou seja, o vendedor fica obrigado ao pagamento dessas contribuições. No entanto, a empresa vendedora (muitas vezes uma cooperativa), mesmo informando na nota fiscal que efetuou a venda “sem suspensão”, ao preencher o Dacon respectivo considera a venda como se fosse “com suspensão”, ou seja, como se fosse para industrialização e não para revenda, não pagando a contribuição devida. Quando questionada por uma autoridade fiscal ela simplesmente responde que errou ao emitir a nota fiscal. A questão é que esse fato se repete em praticamente todas as notas fiscais emitidas para um determinado grupo de empresas, todas elas grandes exportadoras, o que induz a se acreditar na existência de acordo escuso entre vendedores e compradores no sentido de se produzir ilegalmente créditos a serem ressarcidos, o que gera enorme prejuízo aos cofres públicos. Fl. 1837DF CARF MF Processo nº 10783.906604/201205 Resolução nº 3301000.906 S3C3T1 Fl. 1.837 10 Tais conclusões ultrapassam a condição de meras conjecturas na medida que as irregularidades apuradas demonstram no caso concreto semelhante modus operandi ao constatado em esquema de vantagens tributárias ilegais entre empresas comerciantes, exportadoras e torrefadoras de café do Espírito Santo (ES) e em Minas Gerais (MG). Esquema desvendado por operações deflagradas pela Receita Federal, Ministério Público Federal e Polícia Federal (Tempo de Colheita e Broca), amplamente divulgado na mídia conforme excerto abaixo, extraído da Revista Cafeicultura, reportagem de 02/06/2010 (http://www.revistacafeicultura.com.br/index.php?tipo=ler&mat=3284 3): Na manhã desta terçafeira (1º), foi deflagrada uma operação, no Espírito Santo, baseada em investigações que sobre um esquema de obtenção de vantagens tributárias ilícitas por parte de empresas especializadas na exportação e na torrefação de café. A fraude teria resultado em um prejuízo aos cofres públicos de R$ 280 milhões. Documentos, computadores e armas foram apreendidos. As investigações apontam 39 empresas exportadoras, ao menos 23 atacadistas laranjas envolvidas no esquema. Na operação conjunta da Polícia Federal, Ministério Público Federal (MPF) e Receita Federal, foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão em 74 locais. Já foram 25 prisões na operação até o momento, dos 32 mandados expedidos Sete pessoas ainda não foram encontradas. Buscas foram realizadas em 74 endereços entre empresas e residências dos investigados, nos municípios de Colatina, Domingos Martins, Linhares, São Gabriel da Palha, Viana, Vila Velha Vitória e também em Manhuaçu (MG). Cerca de 20 homens foram ao Palácio do Café, na Enseada do Suá, em Vitória, de onde a operação foi desdobrada para outros dois prédios, o Arábica e o Conilon, também na Enseada. No Palácio do Café oito salas foram vistoriadas. Por volta das 9h agentes saíram com dois malotes contendo documentos apreendidos. A operação, denominada \"Broca\", conta com 337 homens da Polícia Fedral, com apoio de agentes de outros estados, além de 107 fiscais da Receita Federal Esquema. As firmas de exportação e torrefação envolvidas no esquema utilizavam empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra do café dos produtores. As empresas beneficiárias da fraude eram as verdadeiras compradoras da mercadoria, mas formalmente quem aparecia nessas operações eram as empresas laranjas, que na verdade tinham como única finalidade a venda de notas fiscais, o que garantia a obtenção ilícita de créditos tributários. As empresas exportadoras conseguiam, por meio de criação de empresas laranjas, créditos de Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS). Essas empresas de exportação e torrefação usavam esses créditos para quitar seus próprios débitos tributários ou até mesmo para pedir ressarcimento junto ao Fisco. As empresas fictícias, no entanto, não recolhiam esses impostos, até porque não tinham lastro econômico para isso, uma vez que eram laranjas, criadas somente para \"guiar\" com suas notas fiscais o café para os verdadeiros compradores e gerar os créditos tributários. O creditamento para exportadores e torrefadores, portanto, era indevido, Fl. 1838DF CARF MF Processo nº 10783.906604/201205 Resolução nº 3301000.906 S3C3T1 Fl. 1.838 11 já que eram ressarcidos de valores que jamais entraram nos cofres públicos. As empresas, apesar de registradas como atacadistas, não tinham armazéns e funcionavam em pequenas salas. Para o Ministério Público Federal (MPF), está claro que as empresas exportadoras não só tinham conhecimento da fraude, mas também ditavam suas regras. Ao todo existem 300 empresas no Espírito Santo registradas no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) como atacadistas de café. Segundo a delegada da Receita Federal, Laura Gadelha, grande parte delas foi criada para o esquema de fraudes. Algumas, inclusive, com vida útil em torno de um ano. ................. Crimes seriam praticados desde 2003 As investigações, realizadas em conjunto pela Delegacia da Receita Federal em Vitória, pelo MPF e pela PF, começaram em outubro de 2007 com a deflagração da Operação Tempo de Colheita, quando auditores fiscais da Receita fiscalizavam o setor de comércio de café, inicialmente em empresas localizadas nas regiões Noroeste e Norte do estado. A prática criminosa, ainda segundo o MPF, vem ocorrendo desde 2003. Há indícios consistentes da existência dos crimes de formação de quadrilha, crime contra a ordem tributária, falsidade ideológica e estelionato. Mais recentemente, foi desencadeada a operação denominada de “Robusta”, que culminou na prisão de sete empresários, tendo em vista que “as investigações do MPES e da Receita Estadual apontam que empresas utilizavam notas fiscais irregulares e simulavam a compra de café de outras 25 empresas de fachadas, localizadas em Minas Gerais e no Rio de Janeiro”. (notícia extraída do Portal G1/RJ de 09/04/2013). Ao constatar o tamanho da evasão de divisas em funçãonesse tipo de esquema fraudulento, e, segundo noticiado pela imprensa nacional, a pedido da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) e do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), e visando acabar com essas operações de geração de créditos irregulares foi editada a Medida Provisória nº 545/2011,convertida na Lei 12.599/2012 que introduz nova sistemática de apuração de créditos do PIS/Pasep e da Cofins nos casos de exportação de café. Reportagem sobre a citada MP nº 545/2011 publicada no jornal Valor Econômico, edição de 10/02/2012, de autoria de Carine Ferreira, relata que “segundo os defensores do novo regime, como a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), a tributação anterior gerava fraudes, irregularidades e favoreciam algumas poucas empresas”. Quando autuadas pela Receita Federal do Brasil ou quando o pedido de ressarcimento dos créditos apropriados indevidamente é indeferido, via de regra, as beneficiárias apresentam defesa nas quais alegam basicamente as mesmas razões: são compradoras de boa fé; não tinham conhecimento que as vendedoras eram “laranjas” e não podiam apurar esse fato; e a operação mercantil foi realizada. Ora, mesmo tendo em mente a presunção de boa fé das adquirentes, causa profunda estranheza o fato de, ao comprar café de fornecedores estabelecidos em cidades não muito grandes, essas empresas não saibam que aquelas das quais compram grande parte do café que exportam são empresas de fachada. Afinal, Fl. 1839DF CARF MF Processo nº 10783.906604/201205 Resolução nº 3301000.906 S3C3T1 Fl. 1.839 12 considerando o volume das operações efetuadas, para se concretizar a compra seus dirigentes precisariam ir até a sede da vendedora quando e onde certamente constatariam a precariedade ou inexistência de suas instalações. Da mesma forma teriam que se relacionar com os funcionários dessas “laranjas” e se cientificariam de que na verdade não existem. Também, é de se supor, iriam querer ter contato com os sócios das intermediárias e poderiam certamente ver que, quando encontrados, são pessoas sem as mínimas qualificações necessárias para atuar na direção de uma empresa. ................................................................................................................... ......................... Pelo contrário; no presente caso, a autoridade fiscal demonstra, por meio do PARECER FISCAL GAB903/ DRF/VIT/ES nº 007/2013 anexo, que a manifestante adquiriu o café que exporta de empresas que se enquadram perfeitamente na descrição das empresas de fachadas acima. ................................................................................................................. No entanto, como a autoridade fiscal explica no citado PARECER FISCAL GAB903/ DRF/VIT/ES nº 007/2013, “entre os documentos que fundamentam o presente Parecer estão aqueles carreados ao longo da investigação TEMPO DE COLHEITA .– como declarações prestadas a termo por produtores rurais/maquinistas, corretores, sócios e pessoas ligadas às empresas de fachada. 7. Tanto nas preliminares da sua impugnação, como nas suas razões recursais a recorrente alega que " a autoridade fazendária não trouxe aos autos os elementos necessários para demonstrar como foram apurados os ‘rateios’ dos valores por ela discriminados nas Tabelas constantes do referido Parecer, os quais foram utilizados pela mesma como base para a aplicação dos percentuais das glosas sobre as aquisições efetuadas pela Impugnante, falha esta que a prejudica em seu regular e legítimo direito de defesa, inclusive impossibilitando a de infirmar com precisão os supostos débitos indicados pela fiscalização 8. Verificando o Parecer Fiscal GAB903/DRF/VIT/ES nª 007/2013, (fls. 1.095 a 1.344 dos autos digitais do processo 15586.72765/201326), encontramos ás fls.1.331 o item II.6.4 RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO A DESCONTAR APÓS GLOSAS EFETUADAS PELA FISCALIZAÇÃO, E ÁS FLS. 1.333 encontramos a LETRA (G) RATEIO DO CRÉDITO PASSÍVEL RESSARCIMENTO, onde os Auditores Fiscais esclarecem ; " o rateio dos créditos a descontar da linha (F) foi efetuado com base na proporção da receita de vendas de bens e serviços : receita mercado interno (tributada) e receita de exportação" 9. Ás fls. 1.077 do processo 15586.72765/201326 encontrase o Demonstrativo PIS NÃOCUMULATIVO DEMONSTRATIVO DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS A DESCONTAR , com os quadros F e G respectivamente F) TOTAL DE CRÉDITOS APURADO NO MÊS SUJEITO AO RATEIO VALOR AJUSTADO PELA FISCALIZAÇÃO Rateio apenas Crédito Integral e (G) Rateio do crédito a descontar com base na proporção da Receita Bruta auferida Receita de Vendas de Mercadorias no Mercado interno (tributada) , Receita de Vendas de Mercadorias p/ o Mercado Externo (Exceto Compra Fim Específio Exportação) Créditos vinculados às operações no Mercado interno , Créditos vinculados às operações no Mercado Externo . Fl. 1840DF CARF MF Processo nº 10783.906604/201205 Resolução nº 3301000.906 S3C3T1 Fl. 1.840 13 10. Entendemos assistir razão á recorrente quando afirma não estar claro o critério utilizado pela fiscalização para o rateio dos créditos a serem descontados, pois que examinando os quadros citados não se vislumbra o critério adotado de forma clara detalhadamente demonstrada, o que pode ser interpretado pela recorrente como um cerceamento de defesa, pois esta alega que teria dificuldade em entender tal rateio. 11. Diante destas considerações, proponho que os autos sejam encaminhados á DRF/VITÓRIA/ES para que, em diligência fiscal : a) seja elaborado relatório onde se demonstre o critério de rateio adotado para os créditos a serem descontados, especificando os detalhes de como foram encontrados os valores do demonstrativo Demonstrativo PIS NÃOCUMULATIVO DEMONSTRATIVO DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS A DESCONTAR , com os quadros F e G respectivamente F) TOTAL DE CRÉDITOS APURADO NO MÊS SUJEITO AO RATEIO VALOR AJUSTADO PELA FISCALIZAÇÃO Rateio apenas Crédito Integral e (G) Rateio do crédito a descontar com base na proporção da Receita Bruta auferida Receita de Vendas de Mercadorias no Mercado interno (tributada) , Receita de Vendas de Mercadorias p/ o Mercado Externo (Exceto Compra Fim Específio Exportação) Créditos vinculados às operações no Mercado interno , Créditos vinculados às operações no Mercado Externo . b) seja dada ciência deste relatório á recorrente, facultandolhe manifestação em até 30 dias da data da ciência 12. Após, sejam os autos retornados a este CARF para julgamento dos recursos voluntários apresentados neste e nos processos em apenso. 13. É como voto. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 1841DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000633/2009-05
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2005
Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não configura cerceamento de defesa, se comprovado nos autos que a Recorrente foi intimada por duas vezes a esclarecer a divergência encontrada em suas declarações e não se manifestou.
LANÇAMENTO PAUTADO EM PRESUNÇÕES.
Não há que se alegar nulidade do lançamento por ter sido pautado
exclusivamente em presunções quando provado nos autos a insuficiência do recolhimento e a divergência das declarações.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA Nº 4 DO CARF.
A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 1202-000.756
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Geraldo Valentim Neto, relator, Orlando José Gonçalves
Bueno e Nereida de Miranda Finamore Horta, que davam provimento parcial ao recurso para excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Designada a conselheira Viviane
Vidal Wagner para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: Geraldo Valentim Neto
1.0 = *:*
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2005 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não configura cerceamento de defesa, se comprovado nos autos que a Recorrente foi intimada por duas vezes a esclarecer a divergência encontrada em suas declarações e não se manifestou. LANÇAMENTO PAUTADO EM PRESUNÇÕES. Não há que se alegar nulidade do lançamento por ter sido pautado exclusivamente em presunções quando provado nos autos a insuficiência do recolhimento e a divergência das declarações. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA Nº 4 DO CARF. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2259; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 344 1 343 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10932.000633/200905 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 1202000.756 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2012 Matéria IRPJ Recorrente RAGI REFRIGERANTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não configura cerceamento de defesa, se comprovado nos autos que a Recorrente foi intimada por duas vezes a esclarecer a divergência encontrada em suas declarações e não se manifestou. LANÇAMENTO PAUTADO EM PRESUNÇÕES. Não há que se alegar nulidade do lançamento por ter sido pautado exclusivamente em presunções quando provado nos autos a insuficiência do recolhimento e a divergência das declarações. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA Nº 4 DO CARF. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Geraldo Valentim Neto, relator, Orlando José Gonçalves Bueno e Nereida de Miranda Finamore Horta, que davam provimento parcial ao recurso para Fl. 0DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado d igitalmente em 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10932.000633/200905 Acórdão n.º 1202000.756 S1C2T2 Fl. 345 2 excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Designada a conselheira Viviane Vidal Wagner para redigir o voto vencedor. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho – Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator (documento assinado digitalmente) VIVIANE VIDAL WAGNER Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado d igitalmente em 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10932.000633/200905 Acórdão n.º 1202000.756 S1C2T2 Fl. 346 3 Relatório Tratase de autos de infração (fls. 154/180) consubstanciados em lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, em decorrência da insuficiência de recolhimento dos referidos tributos no ano calendário de 2005, decorrente do confronto dos dados declarados em DCTF com os que resultaram da apuração apresentada pela DIPJ. Durante o procedimento fiscal, a Recorrente foi intimada a esclarecer o motivo pelo qual não recolheu os tributos anteriormente declarados (fls. 114 e 117), mas não atendeu a nenhuma das intimações. Segundo o Termo de Descrição dos fatos (fls. 148), a Recorrente apresentou DCTF com valores menores do que aqueles declarados na DIPJ e DACON, no ano calendário de 2005, o que resultou no presente lançamento de ofício baseado no artigo 841, incisos I, III e IV do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). A Recorrente optou por apurar seus resultados trimestralmente, pelo Lucro Real. Ciente dos Autos de Infração, a Recorrente apresentou Impugnação pautada nos seguintes fundamentos: Primeiramente arguiu a nulidade do lançamento, alegando cerceamento do direito de defesa e violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa, visto não ter tido prazo hábil para se manifestar acerca do não recolhimento dos tributos declarados. Também alegou que o lançamento teria sido lavrado pautado simplesmente em presunções, o que acarretaria sua nulidade; No mérito aduziu apenas a impossibilidade da utilização da Taxa Selic como taxa de juros, por esta ser inconstitucional; e A impossibilidade de cobrar juros sobre a multa de ofício. Os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, a qual decidiu pela improcedência da impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 JUROS DE MORA. SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado d igitalmente em 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10932.000633/200905 Acórdão n.º 1202000.756 S1C2T2 Fl. 347 4 Inconformada com a decisão supra, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário se valendo das mesmas alegações aduzidas na Impugnação. Oportunamente os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado d igitalmente em 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10932.000633/200905 Acórdão n.º 1202000.756 S1C2T2 Fl. 348 5 Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Como o recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicio pela análise das preliminares suscitadas pela Recorrente. I PRELIMINAR DE NULIDADE Primeiramente, a Recorrente alega que o Auto de Infração teria cerceado seu direito de defesa, visto que a autoridade lançadora não teria concedido prazo razoável para a Recorrente se manifestar acerca das intimações recebidas e esclarecer o motivo do não recolhimento do tributo anteriormente declarado. Porém, não assiste razão à Recorrente e não há motivos para se decretar a nulidade do lançamento, pois foi intimada duas vezes para esclarecer os motivos do não recolhimento e não se manifestou em nenhuma das intimações, conforme fls. 114 e 117. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, estando demonstrado através dos autos que a Recorrente teve oportunidade para se manifestar, mas não o fez. Este também é o entendimento deste E. Conselho: PRELIMINAR Nulidade por falta de intimação para prestar esclarecimentos. Não tem qualquer fundamento a preliminar suscitada já que o processo administrativo fiscal tem regras próprias, diferente que é do judicial civil ou criminal, sendo assegurado ao contribuinte autuado a ampla defesa e o contraditório através das fases para a impugnação e para os recursos, sem prejuízo das oportunidades que venham a lhe ser dadas, a critério da autoridade lançadora, antes da lavratura do auto de infração. PRELIMINAR DE NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento invocada com base em cerceamento do direito de defesa, porquanto ao contribuinte foi lhe dado tomar conhecimento do inteiro teor das infrações que lhe são imputadas, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Concedida ao contribuinte ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, não há que se falar em cerceamento do direito defesa. (...) (Primeiro Conselho de Contribuintes. 5ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10515719 do Processo 136780000639878, Data: 24/05/2006). (Não grifado no original) Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado d igitalmente em 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10932.000633/200905 Acórdão n.º 1202000.756 S1C2T2 Fl. 349 6 NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA Não pode ser inquinado de nulidade, por cerceamento de direito de defesa, o lançamento que descreve com precisão e clareza os fatos imponíveis, e identifica adequadamente o dispositivo legal em que se fundamenta, bem como em intimações regularmente expedidas para ciência do contribuinte, na forma prescrita na legislação vigente. IRPJ LUCRO PRESUMIDO OMISSÃO DE RECEITA Uma vez apurado, com base nos documentos oferecidos à fiscalização, que, no período base de incidência, os desembolsos realizados foram superiores à receita declarada, a diferença fica sujeita a tributação como receita omitida, se o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados. Recurso negado. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10609658 do Processo 104690041709130, Data: 10/12/1997). (não grifado no original) Também não merece prosperar a alegação de nulidade do lançamento por este ter sido pautado em meras presunções. Conforme se depreende dos documentos juntados aos autos, tornase clara a necessidade de se proceder ao lançamento de ofício, visto que a Recorrente declarou valores em suas DCTF e DIPJ, que não foram recolhidos, procedimento esse que dá ensejo ao lançamento de ofício e consequente aplicação da multa de ofício, conforme estabelece o artigo 841, inciso IV do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) e artigo e 44, inciso I, da Lei 9.430/96 in verbis: Art. 841. O lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito passivo: (...) IV não efetuar ou efetuar com inexatidão o pagamento ou recolhimento do imposto devido, inclusive na fonte; Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). Resta claro que, partindo do pressuposto de que a Recorrente não recolheu o imposto devido, conforme declarado pela própria, não há outro procedimento a ser adotado pela autoridade fiscal, a não ser proceder ao lançamento de ofício dos valores que deixaram de ser recolhidos. Este também é o entendimento deste E. conselho. Vejamos: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado d igitalmente em 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10932.000633/200905 Acórdão n.º 1202000.756 S1C2T2 Fl. 350 7 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL ALEGAÇÃO DE OFENSA A COISA JULGADA INOCORRÊNCIA MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO Em matéria tributária a coisa julgada não tem o condão de perenidade, sobretudo tendo a Suprema Corte, na qualidade de guardiã da Constituição, declarado a constitucionalidade da exigência da contribuição social sobre o lucro a partir do exercício financeiro de 1988. Aplicabilidade, no caso, da Súmula 239 do STF. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO Havendo falta ou insuficiência no recolhimento do tributo, impõese a aplicação da multa de lançamento de ofício sobre o valor do imposto ou contribuição devido, nos termos do artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96. PENALIDADE. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO (ISOLADA). FALTA DE RECOLHIMENTO. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento de imposto por estimativa em de ajustes efetuados pela fiscalização, com a glosa de custos/despesas operacionais e adições e exclusões ao lucro líquido na determinação do lucro real, sob pena de dupla incidência de multa de ofício sobre uma mesma infração. JUROS DE MORA SELIC Nos termos dos arts. 13 e 18 da Lei n° 9.065/95, a partir de 1°/04/95 os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10194084 do Processo 13504000072200117, Data: 30/01/2003). Assim, não há que se falar em nulidade do lançamento, visto não ter ocorrido cerceamento do direito de defesa, conforme amplamente demonstrado, assim como não há que se falar em lançamento pautado somente em presunções, pois os documentos acostados aos autos são suficientes para demonstrar a legalidade do lançamento efetuado. Ademais, o Processo Administrativo Fiscal (Decreto 7.0325/72) elenca de forma exaustiva as hipóteses de nulidade dos autos de infração e o presente caso não se enquadra em nenhuma dessas hipóteses, conforme se verifica do artigo abaixo transcrito: Art. 59. São nulos; I — os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II — os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Dessa forma, sendo os atos e termos lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade, e garantido o mais absoluto direito de defesa, não há que se cogitar de nulidade dos autos de infração. II – MÉRITO Vale esclarecer que no mérito a Recorrente não se insurgiu contra o lançamento efetuado, no que consiste à situação fática que o originou, mas apenas alegou que não é possível a utilização da Taxa Selic como índice de atualização monetária, pois esta seria inconstitucional. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado d igitalmente em 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10932.000633/200905 Acórdão n.º 1202000.756 S1C2T2 Fl. 351 8 Primeiramente, não cabe a esse Órgão Julgador se manifestar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária, essa matéria já foi objeto de súmula do próprio CARF, senão vejamos: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. E ainda, especificamente quanto à aplicação da Taxa SELIC, a regularidade da sua aplicação também é matéria sumulada, conforme abaixo transcrito: “Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Dessa forma, tendo sido encerrada a discussão acerca da aplicabilidade da Taxa Selic como índice de atualização, com a edição da súmula acima transcrita, não assiste razão à Recorrente quanto à impossibilidade da aplicação da referida taxa. III – EXIGÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA Por fim, a Recorrente alega a impossibilidade de cobrar juros sobre a multa de ofício aplicada sob o fundamento de que multa já é uma penalidade, o que tornaria a cobrança dos juros sobre o valor da multa ainda mais onerosa para a Recorrente e configuraria um enriquecimento sem causa pelo Estado. Nesse ponto assiste razão à Recorrente, visto que a este respeito o E. CARF já se manifestou diversas vezes acerca da impossibilidade da exigência de juros sobre a multa (vide, por exemplo, Acórdão 20216397). Vale ressaltar, também, que a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais já decidiu pela não incidência dos referidos juros, em sessão realizada em 08.11.2010, no acórdão cuja ementa se transcreve abaixo: “RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO. Não se deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE – Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada.”. (Acórdão 910100.722) (não grifado no original) Dessa forma, em observância ao entendimento deste E. Conselho e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, deve ser afastada a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, por ausência de previsão legal neste sentido. Portanto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir a incidência dos juros de mora sobre o valor da multa de ofício aplicada. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado d igitalmente em 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10932.000633/200905 Acórdão n.º 1202000.756 S1C2T2 Fl. 352 9 É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 8DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado d igitalmente em 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10932.000633/200905 Acórdão n.º 1202000.756 S1C2T2 Fl. 353 10 Voto Vencedor Conselheira Viviane Vidal Wagner, Redatora designada Peço vênia ao ilustre relator para discordar do seu entendimento no que tange à exigência de juros sobre a multa de ofício, muito embora bem fundamentado e alicerçado em entendimento jurisprudencial. Observo, inicialmente, que a questão não tem definição pela Câmara Superior, haja vista que, num lapso de poucos meses, ocorreram votações em sentidos opostos, ambos decididos por maioria apertada de votos, como se verifica dos acórdãos nº 910100539, de 11/03/2010, e nº 910100.722, de 08/11/2010, este último referido pelo relator. Assim, entendo que não deve ser considerado o posicionamento mais recente da CSRF como representativo de um entendimento pacificado da jurisprudência, pois, nessa matéria, o que se verifica é que ainda resta latente a divergência. Diante disso, e abstraindo dos argumentos finalísticos apresentados pela recorrente, como o enriquecimento ilícito do Estado, os quais fogem à alçada deste tribunal administrativo, consoante a Súmula CARF nº 2, passo a expor os fundamentos adotados como razão de decidir no voto vencedor de minha autoria no acórdão nº 910100539, de 11/03/2010, suficientes para justificar a cobrança nos presentes autos. Considerando que o conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária, adoto e transcrevo parte daquele voto, in verbis: Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), “interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito.” Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: “Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas Fl. 9DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado d igitalmente em 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10932.000633/200905 Acórdão n.º 1202000.756 S1C2T2 Fl. 354 11 substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação.” (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário “é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional).” Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de ofício a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1º, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e é exigida “juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago” (§1º). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado d igitalmente em 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10932.000633/200905 Acórdão n.º 1202000.756 S1C2T2 Fl. 355 12 Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei nº 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3º do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950.Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). §1ºA multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, §1º). §2ºO percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, §2º). §3ºA multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado d igitalmente em 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10932.000633/200905 Acórdão n.º 1202000.756 S1C2T2 Fl. 356 13 No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão nº CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA – MULTA DE OFÍCIO – OBRIGAÇÃO PRINICIPAL – A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf nº 5: “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n.) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Fl. 12DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado d igitalmente em 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10932.000633/200905 Acórdão n.º 1202000.756 S1C2T2 Fl. 357 14 Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante disso, outra não pode ser a conclusão no presente caso, senão pela escorreita incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício lançada. Após tais considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 13DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado d igitalmente em 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 13888.906866/2012-81
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a não-homologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa.
AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO.
A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 3002-000.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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COMPENSAÇÃO. Recorrente ELRING KLINGER DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a nãohomologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 68 66 /2 01 2- 81 Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 13888.906866/201281 Acórdão n.º 3002000.530 S3C0T2 Fl. 1.048 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Trata o processo de declaração de compensação de crédito proveniente de pagamento a maior de PIS no valor de R$ 6.496,63, relativo ao período de apuração março/2008, para a quitação de débitos de CSLL (fls. 47 a 51). Por meio do despacho decisório à fl. 43, a Delegacia da Receita Federal em Piracicaba decidiu pela não homologação da declaração porque o Darf informado no PER/Dcomp havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos, não restando crédito para a realização da compensação. A recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 2 a 7), na qual alegou, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por tratarse de decisão genérica, sem a devida motivação, o que caracterizaria o cerceamento ao contraditório e à ampla defesa. Quanto ao mérito, informou que ao proceder à revisão dos créditos das contribuições sociais no período de agosto/2006 a junho/2011, na sistemática nãocumulativa, constatou que não havia descontado créditos relativos às aquisições de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda e relativos às despesas e custos incorridos com armazenagem e frete, decorrendo daí o pagamento indevido da PIS para o qual pleiteava compensação. Instruiu sua peça recursal com atos constitutivos e de representação da empresa, o Despacho Decisório, o Dacon retificador e o Per/Dcomp original (fls. 8 a 43). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte proferiu o Acórdão nº 0256.392 (fls. 54 a 58), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que o despacho decisório não incidiu em nenhuma hipótese que possibilitasse a decretação de sua nulidade e, em relação ao mérito, que a divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF afastavam a certeza do crédito. A decisão sustentouse, ainda, no fato de o contribuinte, a quem caberia o ônus da prova, não ter trazido aos autos documentação probatória, sendo insuficiente a retificação do Dacon, desacompanhada de documentos para suportar a alteração efetuada. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 13888.906866/201281 Acórdão n.º 3002000.530 S3C0T2 Fl. 1.049 3 Data do fato gerador: 31/03/2008 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de nulidade, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, e a tramitação do processo se dá em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 31.07.2014, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 60, e protocolizou seu Recurso Voluntário em 28.08.2014, conforme Termo de Solicitação de Juntada à fl. 61. Em seu recurso voluntário (fls. 62 a 72), o contribuinte retoma a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa, agora tanto do despacho decisório quanto da decisão de primeira instância, configurado pela ausência de análise dos argumentos e da prova apresentada (Dacon retificador), bem como por não ter sido solicitada a realização de diligência ou de apresentação de novos documentos pela DRJ. Em relação ao mérito, repisa os argumentos da manifestação de inconformidade, sobre não ter tomado crédito relativo a despesas na prestação de serviços de ferramentaria, usinagem de peças e manutenção de máquinas; nos serviços de frete; e nas aquisições de peças para manutenção de máquinas e equipamentos. Defende a adoção de um conceito de insumo que seja sinônimo de custos de produção, ou seja, os gastos incorridos no processo de obtenção de bens e serviços colocados à venda. Juntou ao recurso voluntário, a título de prova, o Dacon original, notas fiscais de prestação de serviços de manutenção e venda/substituição de peças, emitidas por empresas diversas em março/2008, e Livro Diário, referente aos meses de março e abril/2008 (fls. 73 a 1.044). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 13888.906866/201281 Acórdão n.º 3002000.530 S3C0T2 Fl. 1.050 4 O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de Nulidade – Cerceamento de Defesa Na alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a recorrente defende que, em prol da verdade material, deveria a autoridade administrativa ter analisado os documentos juntados e solicitado novos documentos (e/ou diligência) para apurar mais alguma informação necessária para a decisão. Prossegue afirmando que a divergência entre Dacon e DCTF não seria motivo suficiente para o indeferimento do pedido, visto que a DCTF por si só não é garantia de liquidez ou certeza da compensação, motivo pelo o qual deveria o julgador ter procurado esclarecer a razão da divergência entre Dacon e DCTF, em uma análise mais cuidadosa da situação, e que o cerceamento se configura por não ter havido fundamentação baseada na análise dos documentos apresentados. De pronto, chama a atenção a inversão de papéis e responsabilidades pretendida pela recorrente. O que temos, de fato, ao longo de todo este processo, são falhas na atuação do contribuinte. Quando fez a transmissão da declaração de compensação, ela estava em desacordo tanto com o Dacon quanto com a DCTF. Ao se aperceber da divergência, providenciou a retificação apenas do Dacon, mas não da DCTF, que é uma declaração que tem o poder de uma confissão de dívida. Posteriormente, ao protocolar sua manifestação de inconformidade, mesmo sabedor do não provimento do seu pedido, não trouxe aos autos eventuais provas que pudesse ter sobre o montante do débito que considerava realmente devido. Limitouse a juntar o Dacon retificador, documento ao qual a DRJ já tinha acesso. E apenas agora, nesta fase, após a segunda negativa a seu pleito, junta as notas fiscais e o livro diário, ao mesmo tempo em que protesta contra a omissão da Administração Fazendária, que não teria se ocupado de produzir as provas que a ele caberia. É cediço que, nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, cabe ao contribuinte, aquele que alega o direito, o ônus da produção da prova. Tal entendimento, aplicado de forma pacífica nos diversos colegiados do Carf, sustentase no Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União. Por ele, vemos em seu art. 28 que cabe ao interessado a prova dos fatos que alega. Igualmente podemos nos socorrer do Código de Processo Civil, que estabelece em seu art. 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. Portanto, se o contribuinte não exerceu o seu direito no momento e na forma que deveria, não cabe inculpar a Administração por sua desatenção. O Decreto nº 70.235/1972 (PAF) estabelece que a manifestação de inconformidade deve conter os argumentos e provas necessários para a demonstração do que se alega, nos seguintes termos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 13888.906866/201281 Acórdão n.º 3002000.530 S3C0T2 Fl. 1.051 5 II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito; V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (grifado) Fica claro pelo texto legal que a recorrente deveria ter produzido as provas quando apresentou sua impugnação/manifestação de inconformidade. No que tange à reclamação pela ausência de diligência, deve ser esclarecido que se trata de procedimento facultativo, disponível para o julgador quando há dúvida substancial, que deve ser sanada para que seja possível a tomada de decisão, nos termos do que dispõe o PAF em seu art. 18, in verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (grifado) Segundo se depreende do voto do Acórdão da DRJ, não houve qualquer incerteza que justificasse a determinação de ofício de realização de diligência. Como, de sua parte, o contribuinte também não solicitou o procedimento, possibilidade prevista no PAF, não cabe reclamar do julgador que entendeu existirem elementos suficientes para a decisão e assim a proferiu. Cabem ainda algumas considerações sobre o PER/Dcomp e o despacho decisório. A declaração de compensação (Per/Dcomp) que se analisa teve tratamento eletrônico, que consiste no cruzamento dos dados informados pelo contribuinte em suas declarações, em busca de se encontrar, ao menos, consistência e coerência nas informações, de modo a permitir o deferimento do pleito. Essa sistemática visa ao processamento rápido de um número expressivo de compensações, o que não se alcança com a análise manual. De se ressaltar que esse batimento de dados não é apto para verificar a fidedignidade contidos nas declarações, mas tão somente a coerência entre eles, de tal forma que o mínimo que se exige do contribuinte nesta fase é que preste a mesma informação em sua declaração de compensação e em sua DCTF. Caso se constate divergência, a compensação é indeferida e o contribuinte tem a oportunidade de apresentar explicações e documentos que irão demonstrar o seu direito ao crédito. Portanto, ainda que a verificação eletrônica consista em um procedimento pré Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 13888.906866/201281 Acórdão n.º 3002000.530 S3C0T2 Fl. 1.052 6 estabelecido e limitado, de forma alguma o direito de argumentar, explicar ou se defender é reduzido ou retirado do contribuinte. Fazse necessário, ainda, o esclarecimento sobre o propósito e alcance de cada declaração, aspectos que a recorrente trata com impropriedade e tenta utilizar como forma de desacreditar as decisões. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) constitui confissão de dívida, instrumento hábil e suficiente para a cobrança administrativa, conforme dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984, sendo enviada para inscrição na Divida Ativa da União em caso de não liquidação dos débitos, e, por isso, é a declaração que a Receita Federal utiliza em suas verificações. O Dacon, por sua vez, é mero demonstrativo da apuração das contribuições sociais, prestandose a detalhar para a Receita Federal como o contribuinte encontrou o valor declarado em DCTF e auxiliar a fiscalização. O Dacon não tem o mesmo status jurídico da DCTF. Por esse motivo, o que consta no Dacon é indício de direito, mas não prova, não havendo qualquer mácula na fundamentação da decisão de primeira instância quando afirma que a retificação de Dacon, destituída de documentos que comprovem a redução do débito não faz prova do direito creditório. Nestes autos, ocorre que, no momento da emissão do despacho decisório, a Receita Federal dispunha de uma declaração de débito de PIS no valor de R$ 117.936,51 (DCTF), ao passo que na declaração de compensação o contribuinte afirmava ser o débito inferior, de apenas R$ 83.500,06, e que poderia utilizar a diferença para compensar débitos de CSLL. Logo, a não homologação da compensação está plenamente justificada pela utilização integral do Darf para quitar os débitos de PIS confessados em DCTF e não padece de nenhum vício que possa acarretar a sua nulidade. Igualmente descabido é o argumento de que a DRJ teria ignorado as alegações e argumentos juntados pela recorrente, sem considerálos em sua decisão. A leitura do voto é suficiente para demonstrar o que se afirma e, por isso, transcrevo a parte final do acórdão recorrido: No caso, o recorrente não comprova erro que possa alterar o fundamento do despacho decisório. Na falta de comprovação do erro, a divergência entre os valores informados em Dacon e DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido de restituição ou da compensação. Nesse ponto, cabe assinalar que a simples indicação de supostos valores corretos em Dacon retificador ou em demonstrativo integrante da manifestação de inconformidade não é suficiente para comprovar erro nas informações prestadas originalmente na DCTF, de forma a evidenciar a existência de pagamento indevido ou a maior no período considerado e atestar a certeza e liquidez do crédito. Para melhor ilustrar os fatos acima relatados, as verificações efetuadas nos sistemas da RFB e nos autos desse processo podem ser assim consolidadas: Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 13888.906866/201281 Acórdão n.º 3002000.530 S3C0T2 Fl. 1.053 7 Dessa maneira, concluo que não há vício nas decisões que integram este processo, pois estão fundamentadas, foram proferidas por autoridades competentes, os prazos e ciências foram respeitados, os argumentos e o único documento pertinente juntado à manifestação de inconformidade foi analisado. Ademais, e tratase de aspecto elementar para a caracterização do cerceamento de defesa, pelo conteúdo das peças recursais, vêse que o sujeito passivo compreendeu perfeitamente o motivo da denegação do seu pedido. Pelo o exposto, afasto a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. Mérito Tendo compreendido que a mera retificação do Dacon, desacompanhada de documentação que justificasse a redução do débito confessado, não era suficiente para demonstrar o direito, a recorrente traz aos autos provas documentais, pela primeira vez, na fase de recurso voluntário. E requer a sua apreciação, sem maiores considerações sobre o fato de fazêlo intempestivamente. Sobre esse ponto, então, irá residir o cerne deste julgamento. A compensação somente pode ser concedida para créditos líquidos e certos, conforme estabelece o art. 170 do Código Tributário Nacional, e, como já mencionado, que a demonstração da certeza e liquidez nos casos de compensação é ônus que recai sobre o requerente. Assim sendo, para que a Receita Federal autorize a compensação, deve a recorrente demonstrar de forma inequívoca seu crédito, por meio de alegações e provas, e o momento de fazêlo é quando da apresentação da manifestação de inconformidade, em obediência ao Decreto nº 70.235/1972, que assim instituiu: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 13888.906866/201281 Acórdão n.º 3002000.530 S3C0T2 Fl. 1.054 8 b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) Do exposto, extraímos que a recorrente deveria ter juntado a documentação necessária para comprovar o seu direito quando decidiu recorrer do despacho decisório. Foi aí que se iniciou o contencioso e foram definidos os limites desta lide. A apresentação da manifestação de inconformidade é momento crucial no processo administrativo fiscal. O que é trazido pelo sujeito passivo a título de razões e provas define a natureza e a extensão da controvérsia que, regra geral, só deveria alcançar este Conselho após a apreciação da matéria pela primeira instância. Ao admitir o início da produção de provas em fase de recurso voluntário, suprimimos o exame da matéria pelo colegiado a quo, de fato, uma supressão de instância, em desfavor do contraditório e do rito processual estabelecido no referido Decreto. Consoante ainda o art. 16, transcrito acima, preclui o direito da recorrente de fazer prova em momento posterior à apresentação da manifestação de inconformidade, exceto se demonstrada a impossibilidade de fazêlo tempestivamente por motivo de força maior ou a existência de novos fatos ou razões, ocorridos ou trazidos aos autos após a juntada da manifestação. Ainda sobre a entrega extemporânea de documentos, dita o comando que tal solicitação deve ocorrer mediante petição fundamentada, na qual fique demonstrada a ocorrência de alguma das exceções. Conforme já abordado, no momento do despacho decisório havia informação discrepante sobre o real débito de PIS, prestada pelo próprio contribuinte, que desconsiderou que a redução de débitos confessados em DCTF deveria estar amparada por documentos fiscais e contábeis, hábeis a comprovála, como determina o art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Por esse motivo as instruções normativas da Receita Federal que disciplinavam o Dacon, já extinto, determinavam que a pessoa jurídica que retificasse esse Demonstrativo deveria também apresentar DCTF retificadora, confirmando a concepção de que o conteúdo do Dacon pode ser indício de direito, mas não faz prova. É pacífico neste Colegiado que a ausência de retificação da DCTF pode ser superada pela comprovação do direito ao crédito por meio de documentos fiscais e contábeis Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 13888.906866/201281 Acórdão n.º 3002000.530 S3C0T2 Fl. 1.055 9 hábeis e suficientes, mas a manifestação de inconformidade foi instruída apenas com a retificadora do Dacon, que não tem valor de prova, e agora foram juntadas notas fiscais e o livro díário, sem justificativa para a apresentação tardia dessa documentação. Incontestável que a situação não se enquadra em nenhuma das alíneas do § 4º do art. 16 do Decreto e está configurada, por consequência, a preclusão temporal. Há de se ponderar, todavia, que a ocorrência de determinadas especificidades permitiria ao julgador conhecer da prova apresentada intempestivamente, em prol da verdade material, que é um princípio caro ao processo administrativo fiscal, mas não absoluto, como muitas vezes se pretende. Deve o julgador procurar o equilíbrio com os demais princípios, em especial como os princípios da legalidade e do devido processo legal, principalmente porque se trata de afastar a aplicação de um dispositivo legal que determina expressamente a preclusão. Para tanto, é requisito que o contribuinte tenha exercido seu papel de tentar demonstrar o direito quando devido, ou seja, na interposição da manifestação de inconformidade. Nesse contexto, as provas apresentadas com o recurso voluntário poderiam ser conhecidas com o objetivo de esclarecer um ponto obscuro, complementar uma demonstração já iniciada ou reforçar o valor do que foi anteriormente apresentado, algo próprio do desenvolvimento da marcha processual. O que se configura inadmissível é a invocação da busca da verdade material com vistas a propiciar ao recorrente a oportunidade de suprir sua própria omissão em fase anterior, que é o que ocorre nestes autos. Tal entendimento é o que prevalece atualmente em diversos colegiados no Carf. A ver os Acórdãos seguintes, todos proferidos em julgamentos realizados em 2018: nº 3201003.476 do conselheiro Marcelo Vieira e nº 1302002.731 do conselheiro Flávio Dias, representativos de decisões em Turmas Ordinárias de diferentes Seções de Julgamento, bem como o Acórdão nº 9303007.555, do conselheiro Luiz Eduardo Santos, nº 9303006.241, da conselheira Vanessa Cecconello, e nº 9303007.334, do conselheiro Demes Brito, todos da 3ª Seção da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Transcrevese, a título complementar, as razões de decidir da conselheira relatora Vanessa Cecconello no Acórdão nº 9303006.241, pela pertinência no presente caso: Esclareçase não se estar privilegiando o formalismo exacerbado em detrimento do princípio da verdade material, norteador do processo administrativo fiscal. Ocorre que não ficou demonstrada no caso em exame qualquer das hipóteses autorizadoras do acolhimento das provas apresentadas somente na fase recursal, quais sejam: (a) impossibilidade de apresentação oportuna, por força maior; (b) sejam referentes a fato ou a direito supervenientes ou, ainda, (c) destinemse a contrapor fatos ou razões posteriormente veiculados nos autos. Somese aos fundamentos até aqui expendidos, que, conforme consignado no acórdão recorrido, mesmo sendo admitidos os documentos fiscais e contábeis trazidos pelo Sujeito Passivo em sede de recurso voluntário, não seriam suficientes para comprovar a certeza e a liquidez do indébito tributário. Por conseguinte, demandaria a reabertura da fase de instrução do processo para que a Contribuinte colacionasse aos autos outras provas complementares, as quais provavelmente estavam em seu Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 13888.906866/201281 Acórdão n.º 3002000.530 S3C0T2 Fl. 1.056 10 poder quando da apresentação da manifestação de inconformidade, providência incabível, nesse caso, em sede de recurso. Admitirseia a análise de argumentos e provas novas se os mesmos tivessem sido apresentados com a manifestação de inconformidade e, somente no julgamento da mesma por meio de acórdão, tivessem sido considerados por insuficientes. Nessa hipótese, em prol da busca da verdade real dos fatos e demonstrando, a empresa, o intuito de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, poderseia acolher a complementação das alegações e do conjunto probatório trazido ao processo. Nesse diapasão, os argumentos e provas não trazidos em sede de manifestação de inconformidade, mas tão somente em sede de recurso voluntário e não comprovada a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, §4º do Decreto 70.235/72, são considerados preclusos, não podendo ser analisados por este Conselho em sede recursal. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Contribuinte. (grifado) Pelo o exposto, uma vez não caracterizada a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, concluo por precluso o direito de produzir provas e não conheço da documentação juntada aos autos. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 1056DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002743/2004-62
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE APÓS O LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.
Numero da decisão: 2002-000.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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IMPOSSIBILIDADE. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 27 43 /2 00 4- 62 Fl. 75DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 10/17) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2001, onde se apurou: Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave e Dedução Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. O contribuinte apresentou impugnação (efls. 02/05), cujas alegações foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido (efls. 49): Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresenta a impugnação de folhas 1 a 3, na qual alega que: a) parte de seus rendimentos é de aposentadoria e, como é portador de moléstia grave, tais rendimentos, no valor de R$ 1.909,33, são isentos do Imposto de Renda Retido na Fonte, conforme Comprovante de Rendimentos Pagos e de Imposto de Renda na Fonte, à folha 20. b) parte de seus rendimentos são de aluguel, sendo que a fonte pagadora reteve R$ 2.796,52 a título de IRRF, conforme DIRF entregue em 29 de setembro de 2004. O contribuinte alega, ainda, que a jurisprudência é pacífica quando comprovado erro no preenchimento da declaração de rendimentos ser admissível sua retificação, ainda que após o lançamento suplementar do imposto. O contribuinte cita, ainda, jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, em sua defesa. Por fim, o contribuinte concorda com o IRPFSuplementar no valor de R$ 2.106,41, conforme Declaração de Ajuste Anual Simplificada, às folhas 23 a 25. O lançamento foi julgado procedente em parte pela 4ª Turma da DRJ/FNS (e fls. 48/52), a qual manteve apenas parte dos rendimentos tributáveis apurados pela autoridade fiscal. Cientificado da decisão de piso em 05/06/2009 (efls. 56), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 06/07/2009 (efls. 58/60) com os argumentos a seguir sintetizados. Expõe que utilizou a declaração completa, mas a mesma não contemplou as despesas legais dedutíveis. Insurgese contra a alegação dos julgadores de primeira instância de que após o lançamento de ofício não há como autorizar a retificação da DIRPF. Defende que o Conselho de Contribuintes vem mantendo pacífica jurisprudência de que, comprovado o erro no preenchimento da declaração de rendimentos, é admissível a sua retificação, ainda que após o lançamento suplementar do imposto. Entende que, como a declaração foi entregue pelo modelo completo, deve o fiscal considerar o direito de o contribuinte lançar as despesas com dependentes (Cléa Maria Fl. 76DF CARF MF Processo nº 11516.002743/200462 Acórdão n.º 2002000.608 S2C0T2 Fl. 76 3 Koerich 24/01/1953, Enzo Irineu Koerich 29/09/1979 e Kênia Maria Koerich 24/01/1953) e de instrução (Enzo Irineu Koerch R$ 3.256,73 e Kênia Cléa Koerich R$ 2.795,17). Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. No caso em tela o acórdão recorrido restabeleceu integralmente a dedução de IRRF considerada indevida no lançamento e acatou a isenção de parte dos rendimentos classificados como tributáveis pela fiscalização, negando, contudo, a solicitação de retificação da Declaração de Ajuste com a inclusão do desconto simplificado (efls. 48/52). Em seu Recurso Voluntário (efls. 58/60) o contribuinte reitera que houve erro no preenchimento de sua declaração e defende que teria direito à retificação da mesma, solicitando, uma vez que negado o desconto simplificado pela DRJ, a inclusão das deduções de dependentes e de instrução por ele listadas. Nesse ponto, cabe observar o disposto no art. 57 da Instrução Normativa SRF nº 15 de 2001, vigente à época: Art. 57. Após o prazo previsto para a entrega da declaração, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo. Assim, tendo em vista que o recorrente apresentou declaração no modelo completo para o ano calendário 2000, correta a decisão da primeira instância em negar a inclusão do desconto simplificado solicitado. Cumpre esclarecer, ainda, que a competência deste Colegiado situase dentro dos estritos limites da matéria litigiosa, não cabendo a ele efetuar alterações em valores que não compõem a lide. A inclusão de deduções não informadas na declaração em exame, que não foram objeto da autuação e portanto não fazem parte do litígio, representaria retificação após o início da ação fiscal, procedimento expressamente vetado pela legislação pertinente, nos termos do art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional CTN. Vale lembrar que a inclusão de deduções na Declaração de Ajuste é uma opção que deve ser exercida em época própria, não restando caracterizada a ocorrência de erro de preenchimento passível de saneamento quando estas não são consignadas por descuido ou desconhecimento do contribuinte. Ressaltese que a responsabilidade pelas informações contidas na Declaração de Ajuste Anual pertence exclusivamente ao titular da mesma. Em vista do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 77DF CARF MF 4 Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.908329/2013-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, sobrestar o presente julgamento deste processo até prolatação de Acórdão meritório definitivo, nesta mesma instância do CARF nos autos do processo nº 11080.901050/2010-60, vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que votou pelo sobrestamento até decisão definitiva no âmbito administrativo.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Relatório
Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 1093 a 1112) interposto contra v. Acórdão (fls. 1071 a 1082) proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte (fls. 02 a 150), mantendo o r. Despacho Decisório (fls. 1436) que expressamente deixou de reconhecer, parcialmente, o suposto crédito de IRPJ oriundo de saldo negativo do ano-calendário de 2007.
Em resumo, a parcela ainda controversa do crédito pretendido por meio da PER/DCOMP nº 12563.78562.301009.1.3.02-1109 refere-se a R$ 1.142.093,59, dividido entre o não reconhecimento de R$ 13.585,98 de IRRF do período e R$ 1.128.507,61 relativos a estimativa compensada.
A retenção de IRRF é referente a tomada de serviços de propaganda e a estimativa refere-se ao adiantamento de IRPJ do mês de dezembro de 2007, saldado com compensação de crédito de IPI, que não fora inicialmente homologada.
Já o valor da estimativa de dezembro de 2007 teria sido saldado por meio de compensação com crédito de pagamentos de IPI, igualmente não homologada, que é objeto do processo administrativo nº 11080.901050/2010-60, ainda não findado.
Por muito bem resumir o início da lide, adota-se a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo:
Tem-se no presente o Despacho Decisório nº de rastreamento 067692158, fl. 1047, tratando-se de ato administrativo que reconheceu de forma parcial o direito creditório evidenciado no PER/DCOMP nº 12563.78562.301009.1.3.02-1109, fls. 1053/1066, concernente ao saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2007, exercício 2008, o que se deu na forma a seguir reproduzida:
A pessoa jurídica postulou o crédito de R$ 2.014.551,60, enquanto o valor reconhecido foi de apenas R$ 872.458,01. A diferença se deu em razão da confirmação apenas parcial das retenções na fonte, assim como das estimativas informadas pela interessada, tudo conforme abaixo quantificado:
Retenções na Fonte: R$ 20.989,66 (valor informado) R$ 7.403,68 (valor reconhecido) = R$ 13.585,98 (valor não reconhecido)
Estimativas: R$ 9.986.990,98 (valor informado) R$ 8.858.483,37 (valor reconhecido) = R$ 1.128.507,61 (valor não reconhecido)
Dessa forma, o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual a compensação informada pelo sujeito passivo foi homologada de modo parcial, restando exigível a seguinte parcela:
R$ 986.685,48 + R$ 197.337,09 + R$ 536.259,76 = R$ 1.720.282,33 (total exigido)
A pessoa jurídica foi notificada da decisão administrativa em 11/11/2013, fl. 1067.
Não satisfeita com o que foi deliberado, em 03/12/2013 a interessada apresentou a sua manifestação de inconformidade, fls. 02/30, documento em que teceu as considerações a seguir apresentadas:
[...] a discussão destes autos refere-se a dois pontos: (a) ao não reconhecimento da estimativa-IRPJ de dezembro/2007; e (b) não reconhecimento de parte das retenções na fonte informada. Ocorre que tal pagamento, feito via DCOMP, já está sendo discutido administrativamente no Processo Administrativo nº 11080.901050/2010-60, onde foi proferido Despacho Decisório (em 2011, posteriormente às compensações aqui discutidas, que datam de 2009) negando a compensação de créditos de IPI com o débito estimativa 12/2007 da DCOMP nº 32852.07322.310108.1.3.01-6910, conforme restará demonstrado a seguir e consoante se verifica pela cópia anexa (Doc. 06 da manifestação de inconformidade).
A falta de reconhecimento do direito creditório mostra-se precoce e indevida, uma vez que há manifestação de inconformidade e recurso voluntário apresentados pela empresa no processo administrativo nº 11080.901050/2010-60, em que se discute justamente a compensação que quitou a estimativa de IRPJ de dezembro de 2007 com saldos credores de IPI, e tais recursos possuem efeito suspensivo, conforme teor do art. 151, III, do CTN. Ante o argumento apresentado, afirmou que se faz necessária a suspensão do presente processo até a conclusão do julgamento do Recurso Voluntário do Processo Administrativo nº 11080.901050/2010-60 que trata da existência dos créditos de IPI utilizados na compensação para pagamento da estimativa de IRPJ para o mês de dezembro de 2007 e que, por sua vez, trata indiretamente do montante de Saldo Negativo de IRPJ para o ano de 2007 ou, caso não seja este o entendimento desta R. Delegacia, seja o despacho decisório ora combatido inteiramente reformado para fins de homologar as compensações realizadas pela Contribuinte, com base na total procedência da compensação que quitou a estimativa de IRPJ de dezembro de 2007 e formou o saldo negativo de IRPJ para aquele ano no exato valor declarado pela empresa na DIPJ e na DCOMP. Assegurou, ainda, que as retenções não reconhecidas pela fiscalização devem também ser revertidas.
Prosseguindo, passou a discorrer de maneira mais aprofundada sobre as duas alternativas acima apresentadas, ou seja, a suspensão do presente processo administrativo até o efetivo julgamento do processo administrativo nº 11080.901050/2010-60 (item III, fls. 06/11), ou, caso não seja este o entendimento deste órgão julgador, o imediato reconhecimento do saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2007 (item IV, fls. 11/28).
No que se relaciona às retenções na fonte não reconhecidas pela autoridade administrativa, anuiu possuir razão a fiscalização, quanto a retenção do código 1708, em que não foi confirmada a pequena parcela de R$ 64,95. Quanto às demais, informou haver juntado documentos intitulados Comprovante Anual de Imposto de Renda Recolhido, os quais, a seu ver, possuem a capacidade de comprovar que as retenções não reconhecidas pela fiscalização foram efetivamente realizadas.
É o que se tem a relatar.
Processada a Defesa, foi proferido pela 3ª Turma da DRJ/FOR o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo o r. Despacho Decisório recorrido:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
SALDO NEGATIVO. NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. ESTIMATIVA COMPENSADA. NÃO HOMOLOGAÇÃO OU HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. QUESTÃO PENDENTE DE JULGAMENTO. AUSÊNCIA DOS ATRIBUTOS DE CERTEZA E DE LIQUIDEZ.
A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Ausentes os atributos de certeza e de liquidez, dada a inexistência de decisão administrativa definitiva, a respeito do direito creditório utilizado na compensação da estimativa, não há como se reconhecer o direito creditório pertinente ao saldo negativo.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
SERVIÇOS DE PROPAGANDA E PUBLICIDADE. IRRF. APROPRIAÇÃO NA APURAÇÃO DO SALDO NEGATIVO. GLOSA. APRESENTAÇÃO DOS COMPROVANTES ANUAIS.
O IRRF incidente sobre rendimentos decorrentes dos serviços de propaganda e publicidade somente poderá ser considerado na apuração do saldo negativo do período pela pessoa jurídica prestadora dos serviços contratados. Quanto à empresa contratante, é estabelecida a prerrogativa de deduzir as despesas incorridas com a publicidade, desde que observadas as condicionantes estabelecidas pela legislação do imposto de renda, quando da apuração do tributo, o que corresponde a um momento anterior ao cálculo do saldo negativo do período.
Manifestação de Inconformidade Improcedente
Direito Creditório Não Reconhecido
Diante de tal revés, foi interposto o Recurso Voluntário, em suma, trazendo as mesmas alegações de Impugnação, nada versando sobre o IRRF, explicando a origem do crédito utilizado na compensação sobre análise, requerendo a homologação da compensação pretendida e, subsidiariamente, a suspensão do feito.
Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar.
É o relatório.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, sobrestar o presente julgamento deste processo até prolatação de Acórdão meritório definitivo, nesta mesma instância do CARF nos autos do processo nº 11080.901050/2010-60, vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que votou pelo sobrestamento até decisão definitiva no âmbito administrativo. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 1093 a 1112) interposto contra v. Acórdão (fls. 1071 a 1082) proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte (fls. 02 a 150), mantendo o r. Despacho Decisório (fls. 1436) que expressamente deixou de reconhecer, parcialmente, o suposto crédito de IRPJ oriundo de saldo negativo do ano-calendário de 2007. Em resumo, a parcela ainda controversa do crédito pretendido por meio da PER/DCOMP nº 12563.78562.301009.1.3.02-1109 refere-se a R$ 1.142.093,59, dividido entre o não reconhecimento de R$ 13.585,98 de IRRF do período e R$ 1.128.507,61 relativos a estimativa compensada. A retenção de IRRF é referente a tomada de serviços de propaganda e a estimativa refere-se ao adiantamento de IRPJ do mês de dezembro de 2007, saldado com compensação de crédito de IPI, que não fora inicialmente homologada. Já o valor da estimativa de dezembro de 2007 teria sido saldado por meio de compensação com crédito de pagamentos de IPI, igualmente não homologada, que é objeto do processo administrativo nº 11080.901050/2010-60, ainda não findado. Por muito bem resumir o início da lide, adota-se a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: Tem-se no presente o Despacho Decisório nº de rastreamento 067692158, fl. 1047, tratando-se de ato administrativo que reconheceu de forma parcial o direito creditório evidenciado no PER/DCOMP nº 12563.78562.301009.1.3.02-1109, fls. 1053/1066, concernente ao saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2007, exercício 2008, o que se deu na forma a seguir reproduzida: A pessoa jurídica postulou o crédito de R$ 2.014.551,60, enquanto o valor reconhecido foi de apenas R$ 872.458,01. A diferença se deu em razão da confirmação apenas parcial das retenções na fonte, assim como das estimativas informadas pela interessada, tudo conforme abaixo quantificado: Retenções na Fonte: R$ 20.989,66 (valor informado) R$ 7.403,68 (valor reconhecido) = R$ 13.585,98 (valor não reconhecido) Estimativas: R$ 9.986.990,98 (valor informado) R$ 8.858.483,37 (valor reconhecido) = R$ 1.128.507,61 (valor não reconhecido) Dessa forma, o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual a compensação informada pelo sujeito passivo foi homologada de modo parcial, restando exigível a seguinte parcela: R$ 986.685,48 + R$ 197.337,09 + R$ 536.259,76 = R$ 1.720.282,33 (total exigido) A pessoa jurídica foi notificada da decisão administrativa em 11/11/2013, fl. 1067. Não satisfeita com o que foi deliberado, em 03/12/2013 a interessada apresentou a sua manifestação de inconformidade, fls. 02/30, documento em que teceu as considerações a seguir apresentadas: [...] a discussão destes autos refere-se a dois pontos: (a) ao não reconhecimento da estimativa-IRPJ de dezembro/2007; e (b) não reconhecimento de parte das retenções na fonte informada. Ocorre que tal pagamento, feito via DCOMP, já está sendo discutido administrativamente no Processo Administrativo nº 11080.901050/2010-60, onde foi proferido Despacho Decisório (em 2011, posteriormente às compensações aqui discutidas, que datam de 2009) negando a compensação de créditos de IPI com o débito estimativa 12/2007 da DCOMP nº 32852.07322.310108.1.3.01-6910, conforme restará demonstrado a seguir e consoante se verifica pela cópia anexa (Doc. 06 da manifestação de inconformidade). A falta de reconhecimento do direito creditório mostra-se precoce e indevida, uma vez que há manifestação de inconformidade e recurso voluntário apresentados pela empresa no processo administrativo nº 11080.901050/2010-60, em que se discute justamente a compensação que quitou a estimativa de IRPJ de dezembro de 2007 com saldos credores de IPI, e tais recursos possuem efeito suspensivo, conforme teor do art. 151, III, do CTN. Ante o argumento apresentado, afirmou que se faz necessária a suspensão do presente processo até a conclusão do julgamento do Recurso Voluntário do Processo Administrativo nº 11080.901050/2010-60 que trata da existência dos créditos de IPI utilizados na compensação para pagamento da estimativa de IRPJ para o mês de dezembro de 2007 e que, por sua vez, trata indiretamente do montante de Saldo Negativo de IRPJ para o ano de 2007 ou, caso não seja este o entendimento desta R. Delegacia, seja o despacho decisório ora combatido inteiramente reformado para fins de homologar as compensações realizadas pela Contribuinte, com base na total procedência da compensação que quitou a estimativa de IRPJ de dezembro de 2007 e formou o saldo negativo de IRPJ para aquele ano no exato valor declarado pela empresa na DIPJ e na DCOMP. Assegurou, ainda, que as retenções não reconhecidas pela fiscalização devem também ser revertidas. Prosseguindo, passou a discorrer de maneira mais aprofundada sobre as duas alternativas acima apresentadas, ou seja, a suspensão do presente processo administrativo até o efetivo julgamento do processo administrativo nº 11080.901050/2010-60 (item III, fls. 06/11), ou, caso não seja este o entendimento deste órgão julgador, o imediato reconhecimento do saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2007 (item IV, fls. 11/28). No que se relaciona às retenções na fonte não reconhecidas pela autoridade administrativa, anuiu possuir razão a fiscalização, quanto a retenção do código 1708, em que não foi confirmada a pequena parcela de R$ 64,95. Quanto às demais, informou haver juntado documentos intitulados Comprovante Anual de Imposto de Renda Recolhido, os quais, a seu ver, possuem a capacidade de comprovar que as retenções não reconhecidas pela fiscalização foram efetivamente realizadas. É o que se tem a relatar. Processada a Defesa, foi proferido pela 3ª Turma da DRJ/FOR o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo o r. Despacho Decisório recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 SALDO NEGATIVO. NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. ESTIMATIVA COMPENSADA. NÃO HOMOLOGAÇÃO OU HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. QUESTÃO PENDENTE DE JULGAMENTO. AUSÊNCIA DOS ATRIBUTOS DE CERTEZA E DE LIQUIDEZ. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Ausentes os atributos de certeza e de liquidez, dada a inexistência de decisão administrativa definitiva, a respeito do direito creditório utilizado na compensação da estimativa, não há como se reconhecer o direito creditório pertinente ao saldo negativo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 SERVIÇOS DE PROPAGANDA E PUBLICIDADE. IRRF. APROPRIAÇÃO NA APURAÇÃO DO SALDO NEGATIVO. GLOSA. APRESENTAÇÃO DOS COMPROVANTES ANUAIS. O IRRF incidente sobre rendimentos decorrentes dos serviços de propaganda e publicidade somente poderá ser considerado na apuração do saldo negativo do período pela pessoa jurídica prestadora dos serviços contratados. Quanto à empresa contratante, é estabelecida a prerrogativa de deduzir as despesas incorridas com a publicidade, desde que observadas as condicionantes estabelecidas pela legislação do imposto de renda, quando da apuração do tributo, o que corresponde a um momento anterior ao cálculo do saldo negativo do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Diante de tal revés, foi interposto o Recurso Voluntário, em suma, trazendo as mesmas alegações de Impugnação, nada versando sobre o IRRF, explicando a origem do crédito utilizado na compensação sobre análise, requerendo a homologação da compensação pretendida e, subsidiariamente, a suspensão do feito. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório.
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, sobrestar o presente julgamento deste processo até prolatação de Acórdão meritório definitivo, nesta mesma instância do CARF nos autos do processo nº 11080.901050/201060, vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que votou pelo sobrestamento até decisão definitiva no âmbito administrativo. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 08 32 9/ 20 13 -1 7 Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 11080.908329/201317 Resolução nº 1402000.734 S1C4T2 Fl. 1.119 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1093 a 1112) interposto contra v. Acórdão (fls. 1071 a 1082) proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte (fls. 02 a 150), mantendo o r. Despacho Decisório (fls. 1436) que expressamente deixou de reconhecer, parcialmente, o suposto crédito de IRPJ oriundo de saldo negativo do anocalendário de 2007. Em resumo, a parcela ainda controversa do crédito pretendido por meio da PER/DCOMP nº 12563.78562.301009.1.3.021109 referese a R$ 1.142.093,59, dividido entre o não reconhecimento de R$ 13.585,98 de IRRF do período e R$ 1.128.507,61 relativos a estimativa compensada. A retenção de IRRF é referente a tomada de serviços de propaganda e a estimativa referese ao adiantamento de IRPJ do mês de dezembro de 2007, saldado com compensação de crédito de IPI, que não fora inicialmente homologada. Já o valor da estimativa de dezembro de 2007 teria sido saldado por meio de compensação com crédito de pagamentos de IPI, igualmente não homologada, que é objeto do processo administrativo nº 11080.901050/201060, ainda não findado. Por muito bem resumir o início da lide, adotase a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: Temse no presente o Despacho Decisório nº de rastreamento 067692158, fl. 1047, tratandose de ato administrativo que reconheceu de forma parcial o direito creditório evidenciado no PER/DCOMP nº 12563.78562.301009.1.3.021109, fls. 1053/1066, concernente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2007, exercício 2008, o que se deu na forma a seguir reproduzida: Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 11080.908329/201317 Resolução nº 1402000.734 S1C4T2 Fl. 1.120 3 A pessoa jurídica postulou o crédito de R$ 2.014.551,60, enquanto o valor reconhecido foi de apenas R$ 872.458,01. A diferença se deu em razão da confirmação apenas parcial das retenções na fonte, assim como das estimativas informadas pela interessada, tudo conforme abaixo quantificado: Retenções na Fonte: R$ 20.989,66 (valor informado) – R$ 7.403,68 (valor reconhecido) = R$ 13.585,98 (valor não reconhecido) Estimativas: R$ 9.986.990,98 (valor informado) – R$ 8.858.483,37 (valor reconhecido) = R$ 1.128.507,61 (valor não reconhecido) Dessa forma, o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual a compensação informada pelo sujeito passivo foi homologada de modo parcial, restando exigível a seguinte parcela: R$ 986.685,48 + R$ 197.337,09 + R$ 536.259,76 = R$ 1.720.282,33 (total exigido) A pessoa jurídica foi notificada da decisão administrativa em 11/11/2013, fl. 1067. Não satisfeita com o que foi deliberado, em 03/12/2013 a interessada apresentou a sua manifestação de inconformidade, fls. 02/30, documento em que teceu as considerações a seguir apresentadas: [...] a discussão destes autos referese a dois pontos: (a) ao não reconhecimento da estimativaIRPJ de dezembro/2007; e (b) não reconhecimento de parte das retenções na fonte informada. Ocorre que tal pagamento, feito via DCOMP, já está sendo discutido administrativamente no Processo Administrativo nº 11080.901050/201060, onde foi proferido Despacho Decisório (em 2011, posteriormente às compensações aqui discutidas, que datam de 2009) negando a compensação de créditos de IPI com o débito “estimativa 12/2007” da DCOMP nº 32852.07322.310108.1.3.016910, conforme restará demonstrado a seguir e consoante se verifica pela cópia anexa (Doc. 06 da manifestação de inconformidade). A falta de reconhecimento do direito creditório mostrase precoce e indevida, “uma vez que há manifestação de inconformidade e recurso voluntário apresentados pela empresa no processo administrativo nº Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 11080.908329/201317 Resolução nº 1402000.734 S1C4T2 Fl. 1.121 4 11080.901050/201060, em que se discute justamente a compensação que quitou a estimativa de IRPJ de dezembro de 2007 com saldos credores de IPI, e tais recursos possuem efeito suspensivo, conforme teor do art. 151, III, do CTN”. Ante o argumento apresentado, afirmou que se faz “necessária a suspensão do presente processo até a conclusão do julgamento do Recurso Voluntário do Processo Administrativo nº 11080.901050/201060 que trata da existência dos créditos de IPI utilizados na compensação para pagamento da estimativa de IRPJ para o mês de dezembro de 2007 e que, por sua vez, trata indiretamente do montante de Saldo Negativo de IRPJ para o ano de 2007 ou, caso não seja este o entendimento desta R. Delegacia, seja o despacho decisório ora combatido inteiramente reformado para fins de homologar as compensações realizadas pela Contribuinte, com base na total procedência da compensação que quitou a estimativa de IRPJ de dezembro de 2007 e formou o saldo negativo de IRPJ para aquele ano no exato valor declarado pela empresa na DIPJ e na DCOMP”. Assegurou, ainda, que “as retenções não reconhecidas pela fiscalização devem também ser revertidas”. Prosseguindo, passou a discorrer de maneira mais aprofundada sobre as duas alternativas acima apresentadas, ou seja, a suspensão do presente processo administrativo até o efetivo julgamento do processo administrativo nº 11080.901050/201060 (item III, fls. 06/11), ou, caso não seja este o entendimento deste órgão julgador, o imediato reconhecimento do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2007 (item IV, fls. 11/28). No que se relaciona às retenções na fonte não reconhecidas pela autoridade administrativa, anuiu possuir razão a fiscalização, quanto a retenção do código 1708, em que não foi confirmada a pequena parcela de R$ 64,95. Quanto às demais, informou haver juntado documentos intitulados “Comprovante Anual de Imposto de Renda Recolhido”, os quais, a seu ver, possuem a capacidade de comprovar que as retenções não reconhecidas pela fiscalização foram efetivamente realizadas”. É o que se tem a relatar. Processada a Defesa, foi proferido pela 3ª Turma da DRJ/FOR o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo o r. Despacho Decisório recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 SALDO NEGATIVO. NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. ESTIMATIVA COMPENSADA. NÃO HOMOLOGAÇÃO OU HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. QUESTÃO PENDENTE DE JULGAMENTO. AUSÊNCIA DOS ATRIBUTOS DE CERTEZA E DE LIQUIDEZ. Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 11080.908329/201317 Resolução nº 1402000.734 S1C4T2 Fl. 1.122 5 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Ausentes os atributos de certeza e de liquidez, dada a inexistência de decisão administrativa definitiva, a respeito do direito creditório utilizado na compensação da estimativa, não há como se reconhecer o direito creditório pertinente ao saldo negativo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 SERVIÇOS DE PROPAGANDA E PUBLICIDADE. IRRF. APROPRIAÇÃO NA APURAÇÃO DO SALDO NEGATIVO. GLOSA. APRESENTAÇÃO DOS COMPROVANTES ANUAIS. O IRRF incidente sobre rendimentos decorrentes dos serviços de propaganda e publicidade somente poderá ser considerado na apuração do saldo negativo do período pela pessoa jurídica prestadora dos serviços contratados. Quanto à empresa contratante, é estabelecida a prerrogativa de deduzir as despesas incorridas com a publicidade, desde que observadas as condicionantes estabelecidas pela legislação do imposto de renda, quando da apuração do tributo, o que corresponde a um momento anterior ao cálculo do saldo negativo do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Diante de tal revés, foi interposto o Recurso Voluntário, em suma, trazendo as mesmas alegações de Impugnação, nada versando sobre o IRRF, explicando a origem do crédito utilizado na compensação sobre análise, requerendo a homologação da compensação pretendida e, subsidiariamente, a suspensão do feito. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 11080.908329/201317 Resolução nº 1402000.734 S1C4T2 Fl. 1.123 6 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Inicialmente, registrese que a Recorrente não combate o não reconhecimento da monta de R$ 13.585,98 referente ao IRRF, que teria formado seu saldo credor. Além do mero relato da denegação de tal parcela, não há razões expressas para o acatamento de tais valores retidos como formadores do seu crédito. O pedido consignado ao final do Recurso Voluntário apenas menciona a relação de duplicidade/prejudicialidade do presente feito com o processo administrativo nº 11080.901050/201060 como razão para a homologação da compensação pretendida (ou a suspensão do feito) o que não se relaciona ao IRRF em questão. Feita tal observação, inicialmente alega a Recorrente que a não homologação da da DCOMP agora sob análise, diante da justificativa de que o crédito de IPI e correspondente satisfação da estimativa de IRPJ de dezembro de 2007, debatidos nos autos processo administrativo nº 11080.901050/201060, foram inicialmente rejeitados, encontrandose o processo ainda em trâmite administrativo, representaria cobrança em duplicidade. Por tal motivo e considerando que ou será tal crédito reconhecido ou, se negado, a Contribuinte promoverá o pagamento do débito correspondente, deveria, então, aqui ser homologada a compensação que depende de tal outro pleito, evitando a oneração dupla e o indevido enriquecimento da União. Pois bem, o entendimento há muito professado por essa C. 2ª Turma Ordinária é que tal correlação de dependência entre débitos não pode ensejar a denegação da compensação pretendida (como procedeu a DRJ a quo), mas, também, não basta para justificar a homologação da manobra do Contribuinte. Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 11080.908329/201317 Resolução nº 1402000.734 S1C4T2 Fl. 1.124 7 Isso porque, de fato, no presente momento, não é ainda líquida e certa esta parcela do crédito empregado na compensação, não podendo, legalmente, confirmarse a satisfação dos débitos saldados pela DCOMP. E não há aqui propriamente o enriquecimento ilícito da União Federal ou mesmo cobrança de débitos em duplicidade, mas somente um anacronismo na apuração de procedência da cadeia de créditos auferida e declarada pela própria Contribuinte, sendo a mais adequada solução o sobrestamento do feito dependente, sem a resolução instantânea do mérito, como será visto a seguir. Já passando ao enfrentamento do segundo tópico de alegações da Recorrente, é imperiosa a verificação de relação de conexão e prejudicialidade entre a presente contenda e o processo administrativo nº 11080.901050/201060 (que trata da estimativa de dezembro de 2007, que formou o saldo negativo de IRPJ). Nesse sentido, a dependência da procedência do crédito pretendido pela Recorrente nesse feito com a homologação da compensação da estimativa, objeto do processo administrativo mencionado, não só é fato notório e inquestionável, como também foi a motivação para a denegação da DCOMP no r. Despachos Decisório e pela sua manutenção pela DRJ a quo. Confirase trecho do v. Acórdão recorrido da DRJ: Acontece que o que deverá prevalecer, para o deslinde da controvérsia posta em julgamento, é a situação atual da compensação tratada no processo n° 11080.901050/201060, que é no sentido do reconhecimento apenas parcial do crédito e da improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, de forma que na presente conjuntura não há como se alterar o que foi decidido no despacho decisório atacado, posto que no julgamento de primeira instância não foi acatado o pedido da pessoa jurídica interessada, formulado no sentido reconhecimento integral do crédito relacionado ao IPI do primeiro trimestre/2007. Reconhecer o saldo negativo aqui discutido, sem que exista uma decisão administrativa definitiva, decretando a existência do crédito informado no PER/DCOMP nº 32852.07322.310108.1.3.016910, representaria inquestionável afronta ao caput do art. 170 do CTN, dada a ausência dos atributos da certeza e da liquidez, imprescindíveis para o reconhecimento do direito creditório postulado pelo sujeito passivo, senão vejamos: (...) Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 11080.908329/201317 Resolução nº 1402000.734 S1C4T2 Fl. 1.125 8 Portanto, tendo em conta o fato de já haver ocorrido o julgamento em primeira instância da questão relacionada à estimativa de dezembro/2007 (tratada no processo administrativo de nº 11080.901050/201060, em que foi considerada improcedente a manifestação de inconformidade pela empresa apresentada), o que resta patente no presente julgado é a correção do despacho decisório contraditado. Claramente, temse aqui uma didática relação de dependência, na forma como leciona Fredie Didier Jr1, na medida que o fundamento causal e a premissa essencial (sine qua non) para a constatação da existência do crédito estampada na DCOMP, ora sob análise, é a homologação daquela outra Declaração de Compensação, que saldou aquela estimativa de IRPJ do final do anocalendário de 2007 (dando margem ao saldo negativo utilizado). Por sua vez, o RICARF/MF, no art. 6º do seu Anexo II, faz apenas as seguintes previsões sobre conexão: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando se a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas;e III reflexo, constatado entre processos formaliza dos em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por 1 A relação de dependência entre causas pendentes pode ocorrer de duas maneiras: a) uma causa é prejudicial a outra: a solução que se der a uma causa pode interferir na solução que se der a outra; b) uma causa é preliminar a outra: a solução que ser a uma pode impedir o exame da outra. (...) Essa visão autorizanos a concluir pela existência de conexão por prejudicialidade ou preliminaridade: se uma causa é prejudicial/preliminar a outra há conexão e a reunião se exige, respeitados os limites impostos para qualquer reunião. Disponível em: http://www.frediedidier.com.br/artigos/parecerconexaopreliminaridade/ Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 11080.908329/201317 Resolução nº 1402000.734 S1C4T2 Fl. 1.126 9 despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III d o § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho d o Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. Como há muito vem decidindo esta C. 2ª Turma Ordinária, por unanimidade, não há como se prosseguir com o julgamento desta pendenga sem o desfecho, pelo menos em mesma instância administrativa, dos demais processos. Caso contrário, não só será mantido um profundo anacronismo na apreciação de verdadeira cadeia creditória (esta, fruto das disposições do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e regulamentação infralegal), como também poderseia ensejar a indevida denegação precipitada de compensação ulteriomente procedente. Sequer a quantificação do crédito pode ser objeto de aferimento antes da apreciação do crédito debatido naqueles outros feitos. Como já mencionado, não se está diante de inexistência de crédito, mas sim de verdadeiro obstáculo, lógico e temporal, para tal apuração e confirmação, não podendo simplesmente afastar a pretensão do Contribuinte. Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 11080.908329/201317 Resolução nº 1402000.734 S1C4T2 Fl. 1.127 10 Posto isso, temos que o processo administrativo nº 11080.901050/201060 encontramse pendente de distribuição na C. 3ª Seção de E. CARF2. Como acima se observa, não houve em tal contenda a apreciação do mérito da procedência do crédito utilizado pela Contribuinte nessa instância recursal ordinária. Certamente, em face de tal circunstância e diante da patente relação de dependência preliminar no julgamento daquele outro processo, é racional, lógico e processualmente adequado aqui o sobrestamento do feito até o desfecho meritório, nessa mesma instância, de tais feitos como é o entendimento pacífico e absoluto deste N. Colegiado. Diante de todo o exposto, resolvese por sobrestar o presente feito até a prolatação de Acórdão meritório definitivo, nesta mesma instância deste E. CARF, apreciando a procedência do crédito e a homologação das compensações, nos autos do processo administrativo nº 11080.901050/201060, para, somente então, retomarse o julgamento. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella 2 http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarInformacoesProcessuais/consultarInformacoesProcessuais .jsf consulta realizada em 01/10/2018. Fl. 1127DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.000816/2003-66
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1002-000.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, com o objetivo de reavaliar a compensação pretendida, considerando o êxito obtido no deslinde do processo n°10920.002260/2001-81.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, com o objetivo de reavaliar a compensação pretendida, considerando o êxito obtido no deslinde do processo n°10920.002260/200181. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário (efls. 150 à 156) interposto contra o Acórdão n° 0620.519, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (efls. 142 à 146), que, por unanimidade de votos, manteve a homologação parcial das compensações pleiteadas pelo Recorrente. Decisão essa ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 00 81 6/ 20 03 -6 6 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10920.000816/200366 Resolução nº 1002000.024 S1C0T2 Fl. 174 2 Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. CONEXÃO COM OUTRO PROCESSO. ANEXAÇÃO. OBJETO DISTINTOS. Rejeitase pedido de anexação com outro processo, ainda que conexo, quando tratam de objetos distintos, sendo um deles já julgado em primeira instância. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS NÃO HOMOLOGADAS. Correta a decisão de homologação parcial de compensação de crédito de saldo negativo de IRPJ, diante de estimativas de IRPJ indevidamente compensadas em outro processo, resultando em saldo negativo inferior ao apurado na DIPJ. Solicitação Indeferida Por representar acurácia na descrição do deslinde fáticoprocessual, transcrevo o Relatório formulado na ocasião do Acórdão a quo: Trata o processo de Declarações de Compensação de fls. 01/02 e 04/05, protocolados em 31/03/2003 e 11/04/2003, respectivamente, sendo que a segunda declaração era objeto do processo administrativo n° 10920.000974/200316, que foi anexado ao presente, conforme despacho de fl. 07. Em ambas as declarações foram declarados créditos decorrente de saldo negativo de IRPJ, referente ao ano calendário de 2002, no valor original de R$ 596.345,91. Os débitos declarados foram de IRPJ (R$ 601.836,37) e CSLL (R$ 11.415,20) do período 03/2003, na primeira declaração, e Cofins (R$ 11.917,99) do período 04/2003, na segunda declaração. 2. Conforme Despacho Decisório proferido pela Saort/DRF Joinville, em 25/12/2007, As fls. 107/112, a autoridade fiscal homologou parcialmente as compensações, reconhecendo somente o crédito de R$ 582.694,85. 3. Cientificada do Despacho Decisório em 16/01/2008, conforme AR de fl. 118, tempestivamente, em .14/02/2008, a interessada ingressou com a reclamação de fls. 119/125, através de seu procurador, conforme instrumento de fl. 126, acompanhada dos documentos de fls. 127/130, que se resume a seguir: a. Salienta que a presente lide traduz as conseqüências advindas da análise no processo administrativo n° 10920.002260/200181, que se encontra em tramitação em esfera administrativa; b. Afirma que, por conta de uma indefinição anterior, a utilização do saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2002 acabou sendo prejudicada; e que, no processo que analisa a restituição do IPI, a SRF glosou exatamente o montante referente As estimativas de IRPJ que haviam sido compensadas com o crédito de IPI, o que levou A recorrente a apresentar manifestação de inconformidade, que se encontra em análise na DRJ/Ribeirão Preto; Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10920.000816/200366 Resolução nº 1002000.024 S1C0T2 Fl. 175 3 c. Contesta o procedimento da autoridade administrativa, que, ao invés de aguardar o posicionamento quanto ao crédito do IPI, preferiu não homologar as compensações realizadas com saldo negativo de IRPJ ano calendário 2002 para evitar a futura prescrição de exigir estes valores; d. Entende que o desfecho daquele processo de restituição de IPI estará por validar todas as estimativas de 07/2002 e 10/2002 de saldo negativo de IRPJ que agora não foram homologadas nos presentes autos, o que torna imprescindível ressaltar que as compensações não homologadas correspondem exclusivamente aos efeitos da homologação ou não do crédito postulado no pedido de ressarcimento de IPI; e. Esclarece que as estimativas referentes aos períodos de 07/2002 e 10/2002 foram compensadas com créditos de IPI e, por este crédito estar sob análise da SRF, estas compensações não foram reconhecidas, sendo homologado do saldo original e restando crédito em favo do contribuinte, referente a saldo negativo de IRPJ, referência 31/12/2002, somente o valor de R$ 582.694,85; f. Alega que, tendo por base o principio da razoabilidade, o melhor caminho para solucionar as pendências será o apensamento do presente processo ao de n° 10920.002260/200181, ou aguardar o seu desfecho, haja vista um estar intimamente ligado ao outro. 4. E o relatório. (GN) Deflagrada a manifestação de inconformidade, a colenda DRJ de Curitiba proferiu Acórdão nos seguintes termos: (...) 7. O exame dos fatos indica que a decisão atacada não merece reparos. 8. Ao examinar a exatidão do saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 2002, que o contribuinte ofereceu em compensação, a autoridade administrativa constatou que as estimativas do IRPJ, dos períodos 07/2002 e 10/2002, haviam sido compensadas nos autos do processo n° 10920.002260/200181, que tem por objeto ressarcimento de crédito presumido de IPI cumulado com pedido de compensação. A DRF/Joinville, nos autos daquele processo, homologou parcialmente a compensação em comento, restando em aberto saldos de R$ 5.570,60 (período 07/2002) e R$ 7.573,50 (10/2002), conforme fl. 91. Assim, no presente processo, a autoridade administrativa reapurou o IRPJ, desconsiderando as estimativas indevidamente compensadas, e chegou a um saldo negativo de R$ 582.694,85, ao invés dos R$ 596.345,91 informado na DIPJ/2003. 9. O processo n° 10920.002260/200181 já foi apreciado em primeira instância, em 12/03/2008, tendo a DRJ/Ribeirão Preto proferido o acórdão n° 18.975, indeferindo a solicitação, cujas ementas são transcritas a seguir: (...) Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10920.000816/200366 Resolução nº 1002000.024 S1C0T2 Fl. 176 4 10. Não cabe a esta instância julgadora apreciar o mérito das decisões proferidas no referido processo, cabendo, por conseqüência, simplesmente reconhecêlas. Dessa forma, tendo o contribuinte compensado indevidamente as estimativas do IRPJ dos períodos 07/2002 e 10/2002, reputo correto o procedimento adotado pela DRF/Joinville, que revisou o saldo negativo do IRPJ, que resultou menor do que o apurado pelo contribuinte. Conseqüentemente, o crédito disponível para compensação restou reduzido, o que justifica a decisão de homologação parcial. 11. Quanto ao pedido de apensamento de processos, não há como acolhêlo, uma vez que os processos possuem objetos distintos, e um deles já foi julgado em primeira instância. CONCLUSÃO. 12. A vista do exposto, voto no sentido de rejeitar o pedido de anexação de processos e, no mérito, indeferir a manifestação de inconformidade contra o despacho decisório da DRF/Joinville, para manter a decisão de homologação parcial das compensações. (GN) Já em sede de Recurso Voluntário, o Contribuinte reitera os fundamentos apresentados na exordial defensiva, e reforça que o desiderato de seu pedido de compensação do atual PAF encontrase vinculado à decisão final a ser conferida nos autos do processo n°10920.002260/200181, razão pela qual requer o sobrestamento do feito até o ultimato deste. A seguir constam os principais trechos: Após a análise da decisão proferida pela DRJ, denotase que o julgador manteve a homologação parcial das compensações, tendo em vista que a parte glosada pelo fisco condiz com o montante referente As estimativas de IRPJ, objeto também de compensação em outro processo administrativo, de ressarcimento de IPI, gerando a diferença apontada no saldo negativo de IRPJ para o anocalendário de 2002, exercício de 2003. O pedido de ressarcimento de IPI da Recorrente está sendo discutido administrativamente no processo n°. 10920.002260/200181, que atualmente encontrase na primeira câmara do Segundo Conselho de Contribuintes aguardando julgamento. Naquele processo anteriormente mencionado, o direito creditório da contribuinte, decorrente de pedido de ressarcimento de IPI formulado com base na Lei 9.363/96, foi reconhecido parcialmente. O que gerou uma glosa do saldo que o fisco entendeu não caber ressarcimento. Ocorre que a Recorrente insurgiuse contra o indeferimento parcial de seu direito creditório, que, conforme mencionado, aguarda decisão pelo Conselho de Contribuinte. (...) Frisese que, assim como no processo judicial, o processo administrativo também depende de decisão final com trânsito em julgado para que tanto o direito do contribuinte quanto do fisco sejam considerados definitivos e assim produzir efeitos. Assim sendo, enquanto perdurar a discussão administrativa no processo de ressarcimento de IPI, não há que se falar em inexistência de direito Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10920.000816/200366 Resolução nº 1002000.024 S1C0T2 Fl. 177 5 creditório ou, conforme o caso dos autos, a recomposição das estimativas de saldo negativo de IRPJ dos meses de 07/2002 e 10/2002, pois interferem diretamente no resultado do presente processo, gerando ônus para a contribuinte. Neste sentido, o desfecho do presente processo depende da homologação integral dos créditos de IPI do processo 10920.002260/200181, cujas compensações de IRPJ para o período de 07/2002 e 10/2002 estão inseridos e influenciam diretamente na estimativa do saldo negativo de IRPJ a compensar. (...) Por esta razão, embora as matérias discutidas em ambos os processos sejam divergentes, o resultado de um interfere no resultado do outro, devendo, portanto, os feitos serem apensados, ou, suspensos até o deslinde final dos autos 10920.002260/200181 que aguarda decisão da primeira turma do Segundo Conselho de Contribuintes, que fundamentalmente reconhecerá integralmente o pedido de ressarcimento formulado. Em seqüência, o Recorrente apresentou informações complementares (efls. 159 à 161) atestando resultado favorável ao seu pleito, conforme Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais n° 9303002.390. Tratase de um processo que se deu origem a partir do Despacho Decisório homologando parcialmente as compensações informadas na Declaração de Compensação realizada pela Contribuinte na data de 31/03/2003 na qual utiliza créditos originados de saldo negativos de IRPJ. No referido despacho, o Sr. Julgador da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC indeferiu parte das compensações informadas na DCOMP, em especial o crédito relativo ao Saldo Negativo de IRPJ das estimativas de Julho/2002 e Outubro/2002, ano calendário2002, exercício 2003, nos valores respectivos de R$ R$5.570,60 (cinco mil, quinhentos e setenta reais e sessenta centavos) e R$ 7.573,50 (sete mil, quinhentos e setenta e três reais e cinquenta centavos). No que concerne ao montante glosado pelo fisco, o crédito de IRPJ pela estimativa dos períodos de Julho/2002 e Outubro/2002 sempre foram intimamente ligadas à análise das compensações discutidas no processo administrativo de n° 10920.002260/200181 com um crédito de IPI. Na época do protocolo da Manifestação de Inconformidade e posteriormente do Recurso Voluntário ora aditado, referido processo não estava transitado em julgado administrativamente e por isso ainda passível de recursos. No entanto o processo vinculado em questão atualmente encontrase encerrado na via administrativa, de modo a não caber mais recursos, e dessa forma, tendo como consequência a efetivação dos reflexos nos processos que dele dependiam da confirmação definitiva do direito do Contribuinte. Vejase o acórdão: Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10920.000816/200366 Resolução nº 1002000.024 S1C0T2 Fl. 178 6 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração 01/07/2001 a 30/09/2001. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STH NO RITO DO ART. 543C DO CPC Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei 5.869 de 11 de Janeiro de 1973, CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E CONFINS E ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543C. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo de crédito presumido de que trata a Lei 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas bem como a aplicação da taxa Selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de "atualização monetária" do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte Administração tributária (RESP 993.164). (...) Voto, assim, por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. Ressaltase que para o desfecho do presente processo era imprescindível a homologação das compensações realizadas no processo 10920.002260/200181, cuja compensação de IRPJ para os períodos de 07/2002 e 10/2002 estão inseridas e influenciam diretamente na composição do saldo negativo aqui tratado. Assim, como a Recorrente já havia solicitado o sobrestamento da análise deste processo até o deslinde final do 10920.002260/200181 devido a influência já descrita e se destacar ainda que foi proferida decisão a qual não cabe mais recurso, deve este E. Conselho considerar os efeitos da decisão trazida aos autos na análise e homologação integral desta compensação de IRPJ. Diante o exposto, requer o reconhecimento dos efeitos da decisão do processo de n° 19020.002260/200181 no processo ora aditado e de modo consequente o reconhecimento integral do saldo negativo de IRPJ anocalendário 2002, para homologar integralmente as compensações formuladas pela Recorrente. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10920.000816/200366 Resolução nº 1002000.024 S1C0T2 Fl. 179 7 É o Relatório. VOTO Conselheiro Breno do Carmo Moreira Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Percebo, de imediato, que o Contribuinte fez prova cabal da existência do processo n°10920.002260/200181, o qual pleiteava o ressarcimento de créditos de IPI. Nessa trilha, o Recorrente pretendia que tais valores fossem utilizados na compensação requerida nos autos do presente PAF. Outrossim, a aludido pleito não restou viabilizado, por ter entendido a DRJ que o apensamento ou a suspensão deste processo seria inviável, em virtude de tratarem de objetos distintos. Contudo, conforme consectário decorrente do êxito obtido no processo n°10920.002260/200181, fazse mister analisar o efeito reflexo da glosa pretendida, haja vista a ausência de homologação das compensações realizadas com saldo negativo de IRPJ, no ano calendário de 2002. Portanto, é imperativo que se retome a análise compensatória de modo a considerar o desfecho do aludido processo retro; pois, quando da prolação do Acórdão da DRJ, o indigitado PAF não estava julgado em definitivo e, que proceder com a análise na presente ocasião significaria manifesta supressão de instância. Conclusão Ante o exposto, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, o meu voto é por converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que se proceda a análise da presente DCOMP considerando o desfecho obtido no processo n°10920.002260/200181. Esclareço que, por força do parágrafo único do art. 35 do Decreto n.º 7.574, de 2011, o sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização da diligência, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese em que deverá ser concedido prazo de trinta dias para sua manifestação. É como Voto. (Assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 179DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.903155/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencido o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca (Relator) que dava provimento parcial ao recurso e o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo que votou por negar provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Lúcia Miceli.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca Relator
(assinado digitalmente)
Maria Lúcia Miceli - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencido o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca (Relator) que dava provimento parcial ao recurso e o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo que votou por negar provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Lúcia Miceli. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca – Relator (assinado digitalmente) Maria Lúcia Miceli Redatora Designada Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o feito de 7 (sete) pedidos de compensação transmitidos pelo Recorrente por meio de formulário eletrônico, os quais descreviam como crédito compensável, o saldo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 03 15 5/ 20 09 -3 1 Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10880.903155/200931 Resolução nº 1302000.651 S1C3T2 Fl. 628 2 negativo de IRPJ pretensamente apurado no anocalendário de 2004, no importe de R$ 10.422.521,13 (dez milhões, quatrocentos e vinte e dois mil, quinhentos e vinte e um reais e treze centavos). Aproveitandome de quadro demonstrativo elaborado pelo próprio recorrente, os aludidos PER/DCOMPs podem ser, assim, resumidos: Os pedidos de compensação destacados no quadro, já antecipo, foram objeto de pedidos de desistência, apresentados em 19 de outubro de 2017 (doc. de efls. 585) a qual foi homologada por meio do despacho de efls. 612, e consolidados em processos apensados à este feito. Tais pedidos, portanto, não compõem, mais, o litígio. Pois bem, conforme se dessume do despacho decisório de efls. 44, os pedidos deduzidos pelo contribuinte não foram homologados pela DERAT/SÃO PAULO, tendo em conta a não comprovação do saldo negativo declarado nas preditas DECOMPs. Peço particular atenção, neste ponto, ao demonstrativo de efls. 48 que resume a demonstração do crédito efetivada pelo próprio contribuinte: Parcelas Confirmadas Vale destacar a existência de uma observação inserida pela Autoridade Fiscal dando conta de que o valor reconhecido estaria limitado aos montantes de saldo negativo Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10880.903155/200931 Resolução nº 1302000.651 S1C3T2 Fl. 629 3 declarados nas DCOMPs (daí o lançamento apenas parcial do valor relativo à competência de 30/09/2004). O problema identificado, todavia, pela Unidade Origem está no fato de que, a partir da DIPJ (Ficha 12A), o valor total pago a título de estimativas, somado aos montantes concernentes ao IRRF, declarados pelo contribuinte aos quais a Derat se refere como parcelas de composição do saldo negativo alçaria à monta de R$ 33.396.490,54; como o contribuinte limitara a demonstração de seu crédito apenas às parcelas de estimativas efetivamente pagas e limitadas pelo saldo informado nas preditas DCOMPs, não teria reconhecido o direito creditório por falta de liquidez do crédito. Frisese que o contribuinte foi intimado em 29/03/2007 (doc. de efls. 35) para retificar as suas declarações para corrigir a incongruência acima apontada (entre o saldo informado em DCOMP e aquele apontado na DIPJ). Na mesma notificação, a DERAT apontou, ainda, a existência divergência entre os valores de estimativas apuradas e declaradas nas DCTFs de março, outubro, novembro e dezembro de 2004, e aquelas lançadas na predita DIPJ, conforme demonstrativo abaixo reproduzido: ESTIMATIVAS DIVERGENTES A vista disso, instou o contribuinte a promover a retificação de sua DCTF/DIPJ para corrigir, também, as divergências concernentes às estimativas acima descritas. Notem que a DERAT não intimou o contribuinte para prestar qualquer informação que seja, limitando a determinar a retificação de suas declarações. Como não houve qualquer resposta, foram emitidas mais duas intimações de igual teor, também sem que houvesse manifestação do ora recorrente. Pois bem, cientificado do despacho decisório mencionado anteriormente, a empresa opôs a sua competente manifestação de inconformidade em que, num primeiro momento, esclarece ter quitado as estimativas de março a outubro por meio de compensações (não tendo apresentado nenhum documento comprobatório relativo à tais compensações), ao passo que, quanto as demais competências, teria efetuado pagamentos de DARFs, já considerados pela Unidade de Origem. Em seguida, pontua que a própria DERAT teria reconhecido um crédito no importe de R$ 33.000.000,00, aproximadamente, muito superior ao valor originariamente declarado pela empresa; traz, então, discussão acerca de um pretenso erro no preenchimento das DCOMPs que pode ser melhor resumido a partir do seguinte trecho de sua peça de defesa: Ocorre que ao preencher o PER/DCOMP de nº 41238.66234.070206.1.7.020755 para utilização de parte do saldo negativo de IRPJ verificado no anocalendário de 2004 e realizar a primeira compensação, a ora Requerente, atendendo a uma orientação que a Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10880.903155/200931 Resolução nº 1302000.651 S1C3T2 Fl. 630 4 própria Receita Federal passava verbalmente aos contribuinte na época, consignou em referido pedido apenas o valor do saldo credor e montante das antecipações do imposto de renda realizados até o limite do débito a ser quitado, ou seja: R$ 6.803.164,28. Como consequência do argumento acima, sustenta ter tentado a retificação de suas DCOMPs, sem sucesso. Ao fim, e par do alegado erro de preenchimento das DCOMPs, discorreu sobre o princípio da verdade material, imputando à Autoridade Administrativa o mister de exaurir a matéria fática concernente às inconsistências apontadas, mormente à luz dos preceitos do art. 65 da IN 600 (então vigente) e, também, por dispor dos documentos e declarações transmitidas que comprovariam a correção e existência do saldo negativo. Ao analisar a referida manifestação de inconformidade, a DRJ/São Paulo houver por bem julgála improcedente, destacando não ter o contribuinte logrado comprovar as compensações aventadas na sua peça de defesa (relativas às estimativas de março a outubro), nem tampouco comprovar as retenções por ele suportadas a título de IRFonte e, ainda, a origem de uma dedução concernente à "operações de caráter cultural e artístico". Afastou, outrossim, a alegação concernente à violação ao princípio da verdade material e aos preceitos do art. 65 da IN 600, justamente por, a despeito de ter sido intimado por três vezes pela DERAT, sobre as divergências descritas neste feito, a contribuinte preferiu silenciarse. Transcrevo, a seguir, a ementa do julgado acima apontado: SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURIDICA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. 0 saldo negativo indicado na declaração de rendimentos da pessoa jurídica está sujeito a comprovação quanto aos valores que o compõem. JUNTADA DE PROVAS. PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente; destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos ( art. 67 da Lei n.° 9.532/1997). O recorrente foi regularmente intimado do acórdão supra em 17 de dezembro de 2009 (efls. 200), tendo interposto seu apelo em 13/01/2010 (efls. 204), sustentando, agora de forma mais objetiva, a existência do saldo negativo mormente a partir das compensações realizadas e não consideradas, nem pela DERAT, nem tampouco pela DRJ (esta última por falta de provas). Nesta senda, argumenta que transmitidas as compensações para a quitação de suas estimativas, o respectivo débito estaria definitivamente constituído, a par de qualquer solução que seja dada ao respectivo processo, razão pela qual deverseia considerar as preditas estimativas no cômputo do saldo negativo tratado neste feito, sem prejuízo do fato de que algumas daquelas compensações já ter sido objeto de homologação tácita. Afirmou, outrossim, especialmente para se contrapor aos argumentos da DRJ, que pouco antes da transmissão dos pedidos objetos deste feito, havia suportado processo fiscalizatório em que a respectiva autoridade fiscal teria concluído pela lisura dos lançamentos contábeis e fiscais da empresa no anocalendário de 2004 (doc. de efls. 575). Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10880.903155/200931 Resolução nº 1302000.651 S1C3T2 Fl. 631 5 Trouxe, de outra sorte, e pela primeira vez, a cópia do LALUR e outros documentos comprobatórios (comprovantes de retenção e de dispêndios com projetos de educação e cultura) e, ainda, prestou esclarecimentos sobre os motivos das divergências apontadas pela DERAT quanto as estimativas informadas em DCTF e aquelas lançadas na DIPJ (quanto ao mês de março, teria deixado de informar, na DCTF, uma compensação realizada para quitar parte do débito; quanto ao mês de outubro, teria incorrido em erro material corrigido, pretensamente, por meio de DCTF retificadora, nada dizendo sobre as demais divergências). Ao final, reiterou as suas considerações quanto ao princípio da verdade material, pedindo, além do reconhecimento do crédito (mesmo que parcialmente), o sobrestamento deste feito até o julgamento em definitivo dos pedidos de compensação das estimativas que não tivesse, já, sido objeto de homologação. Este é o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O recurso voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. I Prefacialmente. Toda a discussão travada nestes autos, digase, tem origem num erro, assumido, digase, ocorrido pelo recorrente ao transmitir as suas DCOMPs. É que, tal como se dessume de sua impugnação (trecho reproduzido no relatório acima), o contribuinte, ao preencher os campos concernentes à demonstração de seu crédito, limitouse a apontar os valores pagos (recolhidos) das estimativas ao longo do ano calendário... e, sob a alegação de que assim teria sido orientado pela RFB, mesmo quanto a tais montantes, teria limitado a demonstração ao valor do saldo negativo pretensamente apurado no aludido anocalendário. Por isso, inclusive, em relação à DCOMP de nº 41238.66234.070206.1.7.020755, teria informado a título de estimativa paga apenas a importância de R$ 536.034,26, ao invés dos R$ 6.596.491,98 efetivamente recolhidos. A par do erro acima, deixou, outrossim, de prestar qualquer informação sobre as demais parcelas componentes do aludido saldo, inclusive quanto as estimativas "quitadas" por compensação. Este erro, digase, impôs a conclusão exarada no despacho decisório, emitido de forma eletrônica, e que, nesta senda, restara limitado às informações prestadas pelo próprio contribuinte. Em suas razões de impugnação, o contribuinte aponta, de fato, o erro acima mencionado e diz, mais, que as outras estimativas teriam sido objeto de compensação; para tanto, se limita a referenciar a sua DIPJ como prova da "quitação" de tais estimativas via processos compensatórios, sem trazer qualquer outro indício ou documento concernente à tal demonstração. Ao apreciar as razões de insurgência, a DRJ, vejam bem, nega o pleito justamente sob a alegação de falta de provas quanto: Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10880.903155/200931 Resolução nº 1302000.651 S1C3T2 Fl. 632 6 a) aos motivos das divergências encontradas pela Unidade de Origem quanto as estimativas de março, outubro, novembro e dezembro informadas em DCTF e aquelas constantes de sua DIPJ (que, nada obstante ter sido intimado para retificálas, o contribuinte permaneceu silente); b) quanto à parcela deduzida pelo recorrente a título de despesas com programas de caráter cultural e artístico; c) quanto aos valores informados a título de IRRF, refutando que a simples apresentação da DIPJ e da DIRF seria suficiente à demonstração quanto ao seu efetivo recolhimento; d) quanto as estimativas quitadas por meio de DCOMPs (compensações). Objetivamente, extraise do acórdão recorrido que a instância a quo ultrapassa o alegado erro de preenchimento das DCOMPs e aprofunda a sua análise sobre a formação do saldo negativo informado em DIPJ. Nada obstante, afasta a pretensão do contribuinte porque, sustenta, caberialhe, desde a impugnação, trazer os documentos hábeis e idôneos à comprovação de seu direito creditório, instandoo, apenas neste momento, sobre tal mister. A partir daqui, e somente a partir daqui, o recorrente passa a se ocupar da comprovação efetiva das aludidas parcelas, tendo trazido, somente por ocasião da interposição de suas razões de recurso, documentos que, em tese, demonstrariam: a) as razões das divergências apontadas já pela Unidade de Origem, em relação às estimativas mencionadas em "a", supra"; b) pretensa dedutibilidade das despesas concernentes à operações de caráter cultural e artístico (documentos trazidos, apenas no apelo, à efls. 563/570); c) provas das compensações das estimativas de março a outubro e a situação atual destes processos; d) provas concernentes à efetiva retenção do IRFonte (efls 558 a 561). Os problemas com o quais, agora, nos deparamos, é: a) poderia a DRJ exigir comprovações concernentes à, por exemplo, parcelas deduzidas pelo contribuinte a título de despesas com progamas artísticos ou culturais (considerando que tais parcelas não foram, em qualquer momento, objeto de questionamento pela Unidade de Origem)? b) poderia, lado outro, o contribuinte trazer as comprovações concernentes ás compensações das estimativas, ao IRFonte e às preditas divergências entre algumas estimativas e a sua DIPJ somente agora, por ocasião de seu recurso adminsitrativo (e, neste passo, poderíamos tomar conhecimento destes documentos à luz do art. 16 do Decreto 70.235)? E, sobre tais problemas, passo, agora, a discorrer. II Premissas maiores. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10880.903155/200931 Resolução nº 1302000.651 S1C3T2 Fl. 633 7 II.1 O ônus probatório nos processos/procedimentos1 de compensação. A priori, os pedidos de compensação encerram a inversão do onus probandi, até porque, aqui, não estamos tratando, objetivamente, do lançamento tributário e, portanto, a regra aplicável à espécie não é aquela preconizada pelo art. 142 do CTN. O mister, pois, de comprovar a existência, a liquidez e a certeza do crédito cuja repetição se postula é do contribuinte, até mesmo por força dos preceitos do art. 373, I, do CPC, aplicável, de forma suplementar, ao processo tributário administrativo. Esta, outrossim, é, digase, é a mens legis do art. 170, caput, do CTN, quando franqueia aos entes federados a realização compensação, senão vejamos: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Os pressupostos, pois, do direito creditório a ser utilizado pelo sujeito passivo da obrigação tributária é a sua liquidez e certeza, pressupostos estes que antecedem o próprio pedido de compensação. Por isso, e não por outra razão, compete ao contribuinte demonstrar tais liquidez e certeza; é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária. Isto, todavia, não afasta por completo a aplicação, ao processo/procedimento de compensação, do princípio da verdade material ou, de outra sorte, o erro no preenchimento da declaração de compensação, como, aliás, ocorreu no caso em análise, não admitiria verificar qualquer fato que não expressamente descrito na DCOMP. A instrução do processo/procedimento deverá se nortear pela verdade material, mesmo que, neste caso, semelhante princípio se aplique tão só para garantir ao contribuinte a oportunidade para corretamente demonstrar o seu direito. II.2 Princípio da verdade material Como dito anteriormente, ainda que o ônus probatório quanto a existência, liquidez e certeza do crédito seja deu quem o postula, a Administração Pública está, ainda, obrigada a embasar o seu ato quando menos num lastro fático inerente à justificação dos mesmos motivos porventura declinados para a sua prática. A verdade material é um princípio, dado que, ainda que implícito, porquanto não positivado textualmente na CF/88 ou, mesmo, na legislação ordinária ou infralegal (salvo algumas exceções), contêm em seu núcleo semânticonormativo premissas que revelam a sua decorrência lógica do próprio sistema jurídico, calcado num Estado Republicano, Democrático e de Direito. Vale, aqui, trazer o escólio de Márcio Luiz de Oliveira que, ao discorrer sobre a natureza dos princípios jurídicos, assim pontua: Como normas jurídicas nocionais em sua composição e expressão normativas, os princípios podem ser constituídos pro premissas e/ou diretrizes de lógica jurídica mais precisa ou de lógica jurídica mais genérica. Por essa razão, princípios jurídicos mais específicos (ex.: 1 Haverá procedimento apenas enquanto não instaurado o contencioso; isto é, transmitida a DCOMP, estarseá, até aí, apenas diante de um procedimento, dada a inexistência de uma relação jurídoco processual, caracterizada, a luz da teoria geral do processo, por uma pretensão resistida. Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10880.903155/200931 Resolução nº 1302000.651 S1C3T2 Fl. 634 8 princípio da presunção de inocência) são constituído de menos premissas e diretrizes, se comparados a princípios mais genéricos (ex.: princípio do devido processo legal). Mas, independentemente da generalidade generalidade ou da especialidade de um princípio jurídico, o seu núcleo semânticonormativo será sempre dedutível da lógica fenomênicosistêmica do Direito2. Vale destacar que a Administração Pública está compelida aos primados da publicidade, eficiência e legalidade (art. 37 da CF/88) e, nesta esteira, está jungida ao dever de motivar os seus atos. Consentaneamente, os motivos declinados devem, obrigatoriamente, ter lastro fático apreensível (até para se demonstrar a efetiva existência destes motivos) e, ainda, descrito na lei como suficiente à justificação de sua prática. Num Estado Republicano, pois, todos os atos da administração devem ser publicizados, corretamente justificados e calcados nas autorizações legais, pena de nulidade, justamente por lhes retirar a necessária eficiência (pois, a míngua destes requisitos, não operarão seus efeitos). E, a eficiência, a publicidade e a legalidade são, em essência, decorrências lógicas de uma superpremissa do sistema jurídico a segurança jurídica: Paralelamente, percebemos, ainda, que, ao longo de todo o processo civilizatório, o Direito sempre se construiu, desconstruiuse e se reconstruiu sob três importantes paradigmas: a segurança das relações humanas, o ideal de justiça e o senso de alteridade. Esses três paradigmas, aliados ao objetivo de minimização dos conflitos humanos e ao da viabilização do bem comum, constituem a essência do fenômeno e do sistema jurídicos. Consequentemente, a premissa ou conjunto de premissas lógicas que, fundamentalmente, decorrem dessa essência do Direito poderão vir a ser classificados como princípio jurídico (princípio como indício/elemento primordial de manifestação ou de pressuposição do fenômeno, ainda que em algumas especificidades) 3 Considerandose, outrossim, que a correta motivação dos atos encontra na garantia da ampla defesa a sua própria razão de ser, também esta última conforma uma premissa da verdade material, já que motivar, sem lastrear a motivação em fatos concretos a demonstrar a sua própria existência, significa não motivar. O princípio da verdade material, portanto, não encerra a sua significância semânticonormativa no dever de perscrutar os fatos inerentes aos motivos determinantes do ato, mas, considerandose as suas premissas (publicidade, eficiência, legalidade e garantia da ampla defesa como decorrências da segurança jurídica), na necessidade de se garantir o efetivo lastro fático justificante da prática do ato de sorte a garantir a inteligência de seus motivos, a sua adequação à lei e a possibilidade de, a eles, se contrapor o administrado por meio de provas e argumentos suficientes à defesa de seus interesses, afetados pelo próprio ato administrativo. Por esta razão, insistase, ainda que em procedimentos/processos tributários administrativos em que, inicialmente, o ônus probandi seja da parte querelante (contribuinte), um início de prova a ser produzida pela fiscalização é, verdadeiramente, premente até para 2 OLIVEIRA, Marcio Luiz. Constituição Juridicamente Adequada. Ed. Belo Horizonte: Editora D´Plácido, 2016, p. 331. 3 Op. cit. p. 282. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10880.903155/200931 Resolução nº 1302000.651 S1C3T2 Fl. 635 9 que se possa identificar a situação normativojurídica que imponha a predita inversão do ônus da prova. V.g., cabe à administração tributária demonstrar e provar as situações de fato que permitam assumir a ocorrência de omissão de receitas; igualmente, impõese à autoridade fiscal demonstrar, provar, que o crédito pleiteado não encontra, de início, lastro documental suficiente a lhe emprestar liquidez e certeza e, apenas então, invertendo o ônus probandi, instar o contribuinte a provar o contrário. III O caso concreto. III.1 Da aceitação dos documentos e argumentos trazidos apenas por ocasião do recurso inteligência do art. 16, e incisos, do Decreto 70.235. Vejam de forma detida e minudente a motivação fática contida no despacho decisório a justificar a não homologação das compensações pleiteadas pelo contribuinte/recorrente: FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Analisadas as Informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 10.422.521,13 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIP): R$ 33.396.490,54 IRPJ: devido: R$ 22.973.790,92 Valor do saldo negativo disponível= (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIP)) (IRPJ devido) limitado ao valor do valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 0,00 Vejam que a razão determinante para a não homologação dos pedidos deduzidos pelo contribuinte cingiuse à falta de comprovação do pagamento de estimativas que compunham o saldo negativo, natureza do crédito cuja devolução se perqueria... não por outra razão, as intimações que se seguiram à transmissão das DCOMPs (efls.) se limitaram à correta apuração destas estimativas e eventuais divergências entres os valores declarados pelo recorrente em sua DCTF e aqueles declinados em DIPJ. Ainda que a limitação da atividade instrutória, no caso, tenha se dado como decorrência do próprio erro incorrido confessadamente pela empresa, o fato é que não se observa, em nenhum momento, qualquer pretensão da autoridade administrativa de questionar a ocorrência efetiva (ou não) das demais parcelas que comporiam o predito saldo negativo... Fl. 635DF CARF MF Processo nº 10880.903155/200931 Resolução nº 1302000.651 S1C3T2 Fl. 636 10 não houve, aí, qualquer intimação subsequente ao recorrente para demonstrasse a efetiva retenção do IRFonte ou mesmo das despesas com "projetos culturais e artísticos". O processo (vejase nota de número acima), instaurouse a partir da resistência ofertada pela Unidade de Origem, delimitada pela falta de comprovação do pagamento/extinção das estimativas (a relação jurídicoprocessual é delimitada pela causa de pedir e pela pretensão resistida), surgindo o questionamento relativo ao IRFonte, declarado na linha 13 e à despesa descrita na linha 4, ambas da Ficha 12A da DIPJ/AC2004 (efls 136) apenas quando do julgamento realizado pela DRJ. Como dito anteriormente, ainda que o princípio da verdade material não se aplique ao caso concreto com a mesma extensão que se observaria num processo/procedimento de lançamento, ele ainda garante, ao interessado, ao menos o conhecimento quanto aos elementos de fato sobre os quais deve produzir as provas necessárias à demonstração da liquidez e certeza de seu direito; e tal conhecimento só foi oportunizado, digase, por ocasião da prolação do acórdão recorrido. Neste passo, considero preenchidos os pressupostos do art. 16, § 4º, alínea "c", do Decreto 70.235/72: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. É, portanto, de se admitir e aceitar os documentos trazidos pelo recorrente apenas por ocasião de sue recurso voluntário como provas válidas à potencial demonstração da liquidez e certeza do direito creditório pretendido, cabendo, todavia, me aprofundar quanto ao problemas das estimativas objetos de pedidos de compensação. III.1.1 Quanto as estimativas compensadas A necessidade de se tratar das estimativas pretensamente compensadas pelo contribuinte, e que comporiam o saldo negativo cujas restituição se postula, é preciso trazerse uma premissa adicional. Isto porque, como afirmei linhas acima, o pagamento das estimativas foi, sim, objeto de questionamento pela Unidade de Origem e, neste passo, a sua demonstração ab initio pelo contribuinte comporia o próprio espectro do onus probandi atribuível à empresa. Nesta esteira, seria factível considerar que a comprovação das alegações do recorrente, neste particular, teria que ocorrer desde logo, com a apresentação de sua impugnação, não se aplicando à espécie, a regra excepcional constante do já citado art. 16, § 4º, "c", do Decreto 70.235. Nada obstante, vejam bem, a Autoridade Administrativa tinha conhecimento das estimativas que teriam sido, pretensamente, extintas por compensação. De fato, como se extrai do quadro reproduzido no relatório, supra (extraída do termo de intimação de efls 35 e reproduzida nos termos subsequentes), a Unidade de Origem limita o seu questionamento tão só à divergência, já tratada anteriormente, entre os valores informados em DCTF e aqueles constantes da DIPJ; não questiona, insta o contribuinte a explicar ou comprovar, a própria forma de extinção das preditas estimativas e, portanto, não Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10880.903155/200931 Resolução nº 1302000.651 S1C3T2 Fl. 637 11 lhe dá o já alardeado conhecimento (com espeque no princípio da verdade material) acerca dos processo de compensação em si... Mais uma vez, digase, a existência fática, a situação processual e a própria possibilidade do uso das compensações como forma de quitação das estimativas somente foram abordadas pela DRJ. Assim, também quanto aos documentos afeitos às preditas compensações, impõese deles tomar conhecimento a luz do art. 16, § 4º, "c", do Decreto 70.235. III.1.2 Das divergências apontadas pela Unidade Origem. De tudo o que foi exposto anteriormente, é, de outra sorte, impossível, agora, analisar as justificativas trazidas pelo recorrente quanto as divergências apontadas pela Unidade de Origem em relação às estimativas de março, outubro, novembro e dezembro... isto porque este foi, de fato, o único questionamento efetivamente realizado pela Autoridade Administrativa e, nada obstante, sobre elas o contribuinte nada disse, nem na fase instrutória, nem, tampouco, por ocasião da apresentação da manífestação de inconformidade. Esta preclusão, todavia, não encerra as consequências declinadas pelo acórdão recorrido (iliquidez do crédito) o que, todavia, será tratado oportunamente ao longo deste voto. III.2 O direito creditório. Composição e comprovação do saldo negativo. III.2.1 Estimativas Antes de verificar as provas trazidas pelo recorrente, impende vencer uma última questão jurídica; a possibilidade de admitir estimativas quitadas por compensação para fins de formação do saldo negativo (sobre o que repousa o direito creditório aqui analisado). E, sobre este tema, não me alongarei, já que este colegiado já tem posição sedimentada. De fato, considerandose que os pedidos de compensação comportam confissão de dívida, é admitido, mesmo que com algumas divergências, que os débitos ali consignados serão objeto de cobrança apartada, caso os citados pedidos não sejam homologados; neste particular, não admitir a inserção dos valores da estimativas compensadas no cômputo do saldo negativo poderia encerrar uma cobrança em duplicidade (consequência esta não admitida pelo direito tributário bis in idem). Este entendimento, digase, vem sendo repetidamente sustentado, principalmente, nas Câmaras Baixas deste Conselho e se alinha, pois, ao entendimento deste relator: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO O reconhecimento de direito creditório relativo a saldo negativo do IRPJ condicionase à demonstração da existência e da liquidez do direito, bem como a certeza e a liquidez das demais compensações e recolhimento efetuados, visando a extinção das estimativas ou aproveitadas no encerramento do período. Confirmado o direito creditório pleiteado nas PER/DCOMP, há que ser reconhecido o direito (Acórdão de nº 1401002.728, publicado em 24/09/2018). COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTOS. COMPROVAÇÃO. Comprovandose pela documentação acostada ao processo a quitação das estimativas mensais, seja por pagamento, seja por compensação Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10880.903155/200931 Resolução nº 1302000.651 S1C3T2 Fl. 638 12 com saldos negativos de períodos anteriores, a Contribuinte faz jus à utilização dos referidos valores na apuração do saldo credor do período de apuração sob análise (Acórdão de nº 1401002.769, publicado em 17/09/2018). Não desconheço, vale dizer, a noviça posição assumida pela Câmara Superior tendente a determinar o sobrestamento do feito até que os processos de compensação transitem em julgado, de sorte a se prestar uma maior segurança no julgamento de processos da natureza como o que ora se decide. Todavia, entendo que semelhante solução não só seria inóqua (seja qual for o destino dos processos de compensação das estimativas, estas ou serão cobradas no processo apartado, acaso não homologadas as compensações, ou serão terão a extinção reconhecida na forma do art. 156 do CTN), seja porque, a eficácia desta modalidade de extinção para formação do saldo negativo não foi objeto da decisão de primeira instância, que limitou a dizer não haver provas quanto a própria existência das preditas compensações. Ultrapassada a questão jurídica acima, passo à análise das provas trazidas pelo recorrente em suas razões de insurgência. Pois bem... para comprovar a correção do saldo apurado, exclusivamente em relação às antecipações extintas (sob condição resolutória) por compensação, é necessário primeiro identificar se tais compensações foram informadas em DCTF. E, pelo que se extrai do recurso voluntário, o contribuinte utilizouse de pedidos de compensação para quitar (total ou parcialmente), apenas as estimativas de março a outubro (vejase tabela constante do apelo à e fls. 218); tais compensações, pois, devem ter sido declaradas nas DCTFs relativas aos quatro trimestres. Passo seguinte, a partir da efls. 159, foram juntadas ao feito as DCTF transmitidas pelo contribuinte, das quais se extraem as seguintes informações: Já a partir das efls. 366, o contribuinte traz, efetivamentes, as DCOMPs relativas às compensações informadas nas DCTFs acima. Quanto a competência de março, à efls. 372, propriamente, temse a DCOMP de nº 29287.86007.290404.1.3.04.0807, que comprova a compensação do indébito informado na DCTF de efls. 159; à efls. 374, vêse a DCOMP Retificadora de nº 23067.62872.240609.1.7.021990 que trata de compensação de crédito de saldo negativo no importe de R$ 419.938,83 (com juros de mora e multa), também tratada pela DCTF de efls. 159. Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10880.903155/200931 Resolução nº 1302000.651 S1C3T2 Fl. 639 13 No que toca à competência de abril, as respectivas DCOMPs, de nos 16934.29511.031106,1.7.025259 e 10421.25488.240604.1.7.043313 foram juntadas à efls. 379 (e ss) e 400 (e ss), respectivamente, comprovandose as duas compensações tratadas na DCTF de efls. 164 (indébito e "outras compensações"). Para quitar a estimativa de maio, o recorrente transmitiu várias DCOMPs: a) nº 36395.69593.240604.1.3.041012 (efls. 414 e ss), utilizandose totalmente de um crédito oriundo de "pagamento a maior" no valor de R$ 1.055.116,10; b) nº 31613.37219.240604:1.3.0446l7 (efls. 420 e ss), veiculando um crédito de mesma natureza da anterior ("pagamento a maior") para quitar mais uma parte da estimativa em tela, no valor de R$ 96.929,63; c) à efls. 426 foi juntada a DCOMP de nº 28195.33179.25060,44.3.040160, que descreve um débito de R$ 322.085,49, descrevendo crédito da mesma origem que descrita nas declarações retro referidas; d) nº 02554.57048.250604.1.3.043696 (efls. 432 e ss), utilizada para quitar o valor de R$ 17.994,47 da estimativa em análise (tratase também de crédito oriundo de "pagamento a maior"); e) nº 39385.97798.256604.1.3.047009 (efls. 438 e ss), veiculando o débito relativo a estimativa de maio no valor de R$ 473,11; f) nº 40319.88731.161006,1.7.0.49200 (efls. 444 e ss), utilizada para quitar uma parcela de R$ 580.313,85; g) nº 02620.06834.240604.1.3.045028 (efls. 450 e ss), veiculando nova parcela do débito da estimativa de maio no valor R$ 46.594,12; h) nº 15022.20690.240604.1.3.048747 (efls. 456 e ss), descrevendo um débito de R$ 186.088,19; e i) nº 30454.74626.2406041.3.641429 (efls. 462 e ss), apontando, dentre outros, um débito no valor de R$ 503.234,15. Somandose todos os débitos declarados nas DCOMPs acima, todas contendo créditos oriundos de indébitos tributários, chegase à R$ 2.808.829,11, correspondentes ao valor descrito na DCTF de efls. 165 como "indébito compensação a maior" (a diferença de R$ 50,00, exatos, provavelmente se deve à algum erro de digitação incorrido por este mesmo relator de toda sorte, é quase irrelevante). Em seguida, a recorrente traz mais uma DCOMP relativa, ainda, ao mês de maio, de nº 39899.48965.240609.1.7.025931 (efls. 468 e ss), no valor de R$ 23.265,20, veiculando um crédito oriundo de saldo negativo de imposto (outras compensações); na cópia da DCTF juntada à efls. 398, bem como no quadro constante do recurso voluntário (fls. 193 do processo físico) há a menção à uma DCOMP de nº 16934.29511.031.1.0617.025259, descrevendo um débito no valor de R$ 68.786,98... não localizei esta última DCOMP nos autos e, a míngua da prova de sua transmissão, não posso considerála. Este último valor, digase, Fl. 639DF CARF MF Processo nº 10880.903155/200931 Resolução nº 1302000.651 S1C3T2 Fl. 640 14 comporia o montante total descrito na DCTF (efls. 165) a título de "outras compensações" (R$ 92.052,18). Quanto a maio, pois, foi comprovado um montante total pago/compensado no valor de R$ 2.832.144,31. Em junho, todo a estimativa teria sido objeto do pedido de compensação constante de efls. 473 e ss), transmitida com o nº 29831.12285.231106.1.7.026444, descrevendo um crédito oriundo de saldo negativo... o valor total compensado, no caso, foi R$ 2.595.381,09. Para prova a quitação da estimativa de julho, o recorrente apresenta à efls. 488 (e ss), a DCOMP de nº 09777.05309.101104.1.7.025267, descrevendo como débito uma parte desta estimativa, no valor R$ 1.621.734,63, e a efls. 492 (e ss) a DCOMP de nº 27653.61423.231106.1.7.039940, veiculando como débito outra parte da predita estimativa, no valor de R$ 1.220.293,48. Somadas as duas compensações, temse um valor de R$ 2.842.028,10 (exatamente o valor descrito na DCTF de efls. 171). Para agosto, a empresa requerente trouxe a cópia da DCOMP de nº 24288.64390.100609.1.3 1.090075 (efls. 504 e ss), contemplando uma parte desta estimativa, no valor de R$ 463.778,00 (que, atualizada por multa e juros de mora alçou a monta de R$ 854.232,69); a outra parte desta estimativa teria sido comprovada pela DCOMP de nº 39980.58286.300904.1.3.044886, apresentada à efls. 509 e ss, e que descreve um débito no importe de R$ 338.641,12. Somados estes dois valores, chegase exatamente ao valor de R$ 802.419,12, descrito na DCTF de efls. 172. A estimativa de setembro foi objeto de compensações realizadas pelo recorrente através de formulário físico (previsto na então vigente IN 210), apresentadas à efls. 518 (e ss) e 533 (e ss), contemplando, cada qual, um débito registrado sob o código de receita de nº 2362, no valor, respectivamente, de R$ 1.068.111,42 e 2.896.046,25. A par da inespecificidade do código de receita informado (já que o código relativo ao IRPJ/Estimativa Mensal teria um dígito 01 à sua frente), o período de apuração descrito no aludido formulário é mensal, sendo, pois, razoável assumir se tratar, de fato, de débito de estimativa relativo ao mês de setembro de 2004. O problema é que o valor somado dos dois pedidos chega ao importe de R$ 3.964.157,67 e, portanto, diferente daquele declarado pelo contribuinte em sua DCTF (efls. 173), qual seja, R$ 3.856.929,80. O motivo de semelhante divergência me é desconhecido e o recorrente, destacase, não traz quaisquer dados ou documentos adicionais que possam justificála... há, neste passo, concreta incerteza sobre se tais compensações de fato se destinaram à quitação da estimativa de setembro de 2004 e, por isso, entendo, é impossível considerálas para computo do saldo negativo aqui tratado. Finalmente, quanto ao mês de outubro, também teriam sido formulados dois pedidos de compensação, um por meio de formulário físico e outro por meio de PER/DCOMP... a primeira se encontra juntada à efls. 292, informando um débito de R$ 599.999,99. Já quanto a outra parcela da estimativa de outubro, o PER/DCOMP de efls. 550 e ss, seria a prova de sua quitação, no importe de R$ 393.334,20. A luz de todo o exame realizado acima, e com as ressalvas relativas aos meses de maio e outubro (estou considerando o valor integral concernente ao mês de setembro, a despeito das divergências apontadas), é de considerar comprovadas as quitações das respectivas estimativas. Neste passo, o valor total demonstrado, seria de R$ 11.113.774,27 Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10880.903155/200931 Resolução nº 1302000.651 S1C3T2 Fl. 641 15 (resultado da diminuição do valor total de compensações declaradas em DCTF R$ 15.039.491,05 da parcela considerada não comprovada maio/04, no importe de R$ 68.786,98 e da estimativa relativa à setembro R$ 3.856.929,80). Agora, já se sabe, e que foi admitido pela Unidade de Origem, que as estimativas relativas aos meses de setembro a dezembro foram quitadas total ou parcialmente por meio de DARF e que tais pagamentos alçaram a monta de R$ 16.499.530,26. Assim, somandose estes pagamentos aos valores de estimativas objetos de compensações efetivamente demonstradas, considero comprovado o valor total de estimativas a compor o saldo negativo de 2004 no importe de R$ 27.613.304,53. Destaco que, como não admiti os argumentos e documentos apresentados pelo recorrente concernentes às divergências apuradas quanto as estimativas de março, outubro, novembro e dezembro, considerei apenas os montantes declarados em DCTF... diferentemente do que decidiu, quanto a este ponto, a DRJ, semelhante divergência, apontada pelo cotejo entre a DCTF e a DIPJ não encerra a iliquidez do crédito, mormente porque esta última declaração é meramente informativa, ao passo que a DCTF, de fato, importa em confissão de dívida. Notem, outrossim, que a despeito do contribuinte trazer provas sobre a situação atual de cada uma dos pedidos de compensação (que se observa, inlcusive, a homologação de algumas delas), pelo que expus no início deste tópico entendo dispiscienda tal demonstração, razão pela qual não me debrucei sobre estes documentos (juntados pelo recorrente à efls. 299/323). III.2.2 Despesas com operações de caráter cultural e artístico Nos termos do art. 475 do RIR, "a pessoa jurídica tributada com base no lucro real poderá deduzir do imposto devido as contribuições efetivamente realizadas no período de apuração em favor de projetos culturais devidamente aprovados, na forma da regulamentação do Programa Nacional de Apoio à Cultura PRONAC", observados os limites impostos pelos seus parágrafos abaixo reproduzidos: § 1º A dedução permitida terá como base: I quarenta por cento das doações; e(...) II trinta por cento dos patrocínios. § 2º A dedução não poderá exceder a quatro por cento do imposto devido, observado o disposto no art. 543. (...) § 6º Não serão consideradas, para fins de comprovação do incentivo, as contribuições que não tenham sido depositadas, em conta bancária, específica, em nome do beneficiário, na forma do regulamento de que trata o caput. (...) § 8º A soma das deduções previstas neste artigo e no art. 484, não poderá reduzir o imposto devido pela pessoa jurídica em mais de quatro por cento, observado o disposto no art. 543 Fl. 641DF CARF MF Processo nº 10880.903155/200931 Resolução nº 1302000.651 S1C3T2 Fl. 642 16 O regulamento a que faz referência o caput, por sua vez, foi estabelecido pela Lei 8.313 (Lei Rouanet) que, por sua vez, na forma de seu artigo 19, estipula que os projetos tratados no citado art. 475, supra, deverão ser aprovados pelo Ministério da Cultura cuja decisão, inclusive, será objeto de publicação. A partir dos preceitos acima é possível se destacar os pressupostos necessários ao gozo do benefício, a saber: a) os projetos fomentados tem que ter sido aprovados pelo Ministério da Cultura; b) a dedução não pode ultrapassar 40% do valor total das doações ou 30% do montante despendido como patrocínio; c) somente serão admitidas as deduções concernentes aos dispêndios que tenha sido objeto de depósito em conta bancária específica aberta em nome do titular do projeto (art. 29 da Lei 8.313); d) a dedução também não poderá ultrapassar 4% do valor total do imposto devido, não se considerando, neste particular, o adicional. Vejamos, agora, as provas que foram trazidas ao feito pelo recorrente. À efls. 563, é apresentada uma página aparentemente relativa ao razão, em que se descreve uma conta contábil destinada ao controle de doações... a força probandi deste documento, permissa venia, é reduzidíssima... O documento seguinte, juntado à efls. 564, já diz respeito à um recibo emitido por instituição pretensamente beneficiária do programa de incentivo à cultura e artes visuais, denominada Audichromo Criação em Audiovisuais e Editora Ltda. Este recibo tratada de um patrocínio (sujeito, portanto, à limitação descrita no inciso II do § 1º do art. 475 do RIR), concedido pelo recorrente no importe de R$ 200.000,00. Em seguida traz cópia de um contrato firmado com o beneficiário e, ainda, a cópia do diário oficial (ilegível) a fim de demonstrar o preenchimento de todos os pressupostos elencados acima. Pois bem... o recorrente não trouxe nenhuma prova de que o valor de R$ 200.000,00 tenha, de fato, sido creditado em conta corrente aberta em nome do benefíciário (prova esta que somente poderia ser feita mediante extrato bancário ou comprovante de depósito bancário)... lado outro, como já dito, a cópia do Diário Oficial apresentada é ilegível... não é possível, pois, verificar, nem mesmo, sem, porventura, o projeto descrito no recibo apresentado fora, efetivamente, aprovado pelo MinC. Por fim, por se tratar de patrocínio, o montante total dedutível seria de apenas R$ 60.000,00 (30% do valor do patrocínio)... Os documentos apresentados mencionam apenas o citado patrocínio, no importe de R$ 200.000,00 dos quais, como dito, apenas R$ 60.000,00 seriam dedutíveis. A empresa, contudo, deduziu um valor total de R$ 300.000,00... quanto aos R$ 240.000,00 faltantes, o recorrente nada trouxe ou alegou... Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10880.903155/200931 Resolução nº 1302000.651 S1C3T2 Fl. 643 17 Neste ponto, não há como considerar comprovada a dedutibilidade desta parcela, ao menos para fins de apuração de saldo negativo passível de compensação. E, digase, o fato da empresa ter sido "auditada" pela Receita em outra oportunidade não se presta a demonstrar a correção ou a comprovação de fatos que, dentro do prazo decadencial, ainda estaria obrigada a evidenciar, acaso, por óbvio, assim fosse demandada. III.2.3 IRFonte Quanto a dedução do IRFonte, e sem me alongar demais, é premente que, para tanto, dois requisitos devam ser observados, extraíveis da Sumula 80, deste Conselho: a) a ocorrência efetiva e concretamente demonstrada da retenção; b) a comprovação de que as receitas em relação as quais foram realizadas as preditas retenções tenham sido objeto de tributação. Para demonstrar o preenchimento destes dois pressupostos, o contribuinte trouxe um relatório apócrifo, sem nome específico e sem classificação, dando conta de retenções realizadas pelo Banco ABN, no valor total de R$ 1.627.857,39, pela empresa Delta Transportes e pela empresa UPS Transportes (essas duas últimas em valores que não ultrapassam a monta de R$ 100,00)... Em relação ao ABN, os rendimentos em testilha decorreriam de aplicação em renda fixa; para comproválos, o recorrente apresentou o respectivo informe de rendimentos, em que, além dos valores já mencionados no parágrafo anterior, traz, também, o valor total das receitas tributáveis. O problema é que este documento aparentemente foi retirado de uma base de dados estranha e não consigna qual exercício ou anocalendário se refere... venia concessa, mas era perfeitamente possível, à empresa, obter diretamente com a instituição financeira (ou, no caso, com a sua sucessora Santander) uma segunda via formalmente aceitável de se extrato de rendimentos financeiros... O pouco esmero e esforço demonstrado pelo recorrente para comprovar, neste ponto, a dedutibilidade de parcela componente do saldo negativo cuja compensação se postula revela, quiçá, a própria descrença da empresa na sua tese. No que tange aos demais valores, relativos às empresas de transporte, há, realmente, informes de rendimentos mais críveis... mas não foram juntados quaisquer documentos adicionais, como, por exemplo, eventuais notas fiscais de prestação de serviços, livro razão, entre outros... a recorrente, vejam bem, nem se ocupa (num esforço mínimo) de demonstrar que, mesmo tais parcos valores, tenha, eventualmente, suportado tributação. Por estas razões, considero não comprovados os valores relativos ao IRFonte. IV Conclusão parcial. A vista de todas as considerações anteriores, é de se reconhecer, para a formação de eventual saldo negativo, apenas o valor total de estimativas pagas/compensadas, como tratado no tópico III.2.1, deste voto. E, neste particular, considerandose que o valor total reconhecido das preditas estimativas alçou a monta de R$ 27.613.304,53 e, outrossim, a não Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10880.903155/200931 Resolução nº 1302000.651 S1C3T2 Fl. 644 18 comprovação das demais parcelas declaradas pelo recorrente em sua DIPJ (IRFonte e despesas com operações culturais e artísticas), necessário se faz recompor o predito saldo de imposto a fim de se verificar se, efetiva e concretamente, a empresa detém, ainda que em menor proporção, qualquer direito creditório reconhecível. Reproduzo, para tanto, abaixo, a Ficha 12A da DIPJ/AC2004, modificandoa de acordo com as conclusões exaradas ao longo deste voto: Ou seja, ainda assim o contribuinte deteria parte do direito creditório pretendido. V Conclusão. Por todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário a fim de reconhecer, em parte, o direito creditório do recorrente, no valor de R$ 4.339.513,61 e, assim, por homologar as compensações (que não tenham sido objeto de desistência) pleiteadas até o limite do crédito reconhecido, com as minhas ressalvas particulares quanto a competência deste Conselho para tanto (homologação de pedidos de compensação). (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Voto Vencedor Conselheira Maria Lucia Miceli Redatora Designada Como de praxe, o i. Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca apresentou seu voto bem fundamentado, mas que eu ouso divergir por entender que faltam elementos para formação de minha convicção neste julgamento, motivo pelo qual concluo que o mesmo deve ser convertido em diligência, pelas seguintes razões. Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10880.903155/200931 Resolução nº 1302000.651 S1C3T2 Fl. 645 19 Trata o processo de Declaração de Compensação no qual a recorrente pretende compensar saldo negativo de IRPJ, do anocalendário de 2004, no valor de R$ 10.422.699,62. O direito creditório não foi reconhecido, e a recorrente alega que teria errado no preenchimento das parcelas que comporiam o crédito do saldo negativo. Estas parcelas, que devem ser informadas nas Fichas de Crédito da DCOMP, se referem a todos os valores recolhidos de imposto de renda durante o período estimativas pagas, estimativas compensadas e imposto de renda retido na fonte e que possuem natureza de antecipação do imposto devido no final. O somatório destas parcelas deve ser suficiente para quitar o tributo devido no final do período, e ainda formar o saldo negativo. Em regra, este somatório deve coincidir com os valores informados (estimativas e imposto de retido na fonte) na Declaração de Informação da Pessoa Jurídica DIPJ. No presente caso, o total das parcelas do crédito que consta na DIPJ/2005 é de R$ 33.396.490,54. Entretanto, a recorrente se limitou a informar somente pagamentos suficientes para compor o crédito do saldo negativo, no valor de R$ 10.422.521,13. Foi neste contexto que recorrente foi intimada a retificar as declarações, com o seguinte teor: A soma das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP é inferior ao demonstrativo de crédito informado nas linhas correspondentes da DIPJ, e o(s) débito(s) por estimativa informado(s) na DIPJ é(são) diferente(s) do(s) valor(es) declarado(s) na(s) DCTF correspondente(s). O total do crédito demonstrado no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição ou imposto devido, se houver, e a apuração do saldo negativo negativo. Apuração: EXERCÍCIO 2004 Demonstrativo parcelas crédito DIP]: R$ 33.396.490,54 (Somatório dos valores da FICHA 12A, LINHAS 12 A 19) Demonstrativo parcelas crédito PER/DCOMP: R$ 10.422.521,13 (Somatório das informações das fichas Imposto de Renda pago no exterior, Imposto de Retido na Fonte, Pagamentos, Estimativas compensadas com saldo de períodos anteriores, Estimativas parceladas e Demais estimativas compensadas. Como bem apontou o relator, as intimações apenas instaram a recorrente a retificar as informações prestadas à Receita Federal, podendo ser a DIPJ ou a DCOMP, incluindo as DCTF. O objetivo da intimação seria tornar coerentes as informações prestadas nas citadas declarações, de forma que a apuração do crédito de saldo negativo pudesse ser feita. É bem verdade que, nos casos de Pedido de Restituição e Declaração de Compensação, é ônus do contribuinte demonstrar o crédito tributário, por força do artigo 373 do CPC (Lei nº 13.105/2015). Entretanto, é fato que a apresentação destes pedidos/declarações por meio de programas informatizados que limitam o contribuinte a apenas prestar informações não ajudam na tarefa de demonstrar o crédito com apresentação de documentos hábeis e idôneos. Vejam que, ainda que a recorrente tenha sido intimada, não procedeu com as retificações necessárias, o levou ao indeferimento do pedido. Outro fator a ser considerado é a dificuldade em se determinar quais provas que devem ser apresentadas na defesa para o convencimento do julgador com o intuito de Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10880.903155/200931 Resolução nº 1302000.651 S1C3T2 Fl. 646 20 demonstrar o crédito. No presente caso, quando da apresentação da manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que: 1) no período de março a outubro efetuou compensações que poderiam ser verificadas nas DCTF e DCOMP em poder da própria Receita Federal do Brasil; 2) nos meses de setembro a dezembro houve recolhimento por meio de DARF anexados aos autos. 3) houve imposto de renda retido na fonte, o que poderia ser comprovado pela DIPJ constante nos sistemas da Receita Federal do Brasil, na Ficha 53. Entretanto, o julgador a quo julgou improcedente a defesa afirmando que: 1) não havia comprovação das compensações e; 2) não comprovou as retenções do imposto de renda retido na fonte e; 3) não comprovou a origem da dedução com "Operações de Caráter Cultural e Artístico", no valor de R$ 300.000,00. Assim, para contrapor os motivos que levaram o julgador a quo a julgar improcedente a manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou maiores esclarecimentos, assim como a escrituração contábil fiscal. Neste contexto, concordo com o relator no sentido que estes novos fatos e razões devem ser conhecidos, pois restou caracterizada a exceção expressa na alínea "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Entretanto, divirjo do resultado do julgamento, pois entendo que não estão presentes todos os elementos necessários para formação de minha convicção, ainda mais nesta situação em que não ocorreu, propriamente dito, uma análise quanto ao mérito. De fato, o despacho decisório apenas constatou que as parcelas do crédito informados na DCOMP não seriam suficientes para sequer extinguir o IRPJ devido. Já a decisão recorrida deixou de examinar as compensações das estimativas e as retenções do imposto de renda fonte, alegando que seria ônus do contribuinte a comprovação destas parcelas. Ocorre que a recorrente tem razão quando afirma que as informações estão disponíveis nos sistemas da Receita Federal do Brasil, motivo pelo qual se furtou a trazer qualquer documentação que demonstrasse as compensações e o imposto de renda retido na fonte. O artigo 37 da Lei nº 9.784/99 determina que: Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10880.903155/200931 Resolução nº 1302000.651 S1C3T2 Fl. 647 21 As compensações estão informadas nas DCTF e na DCOMP, declarações que a Administração tem acesso. O mesmo vale quanto aos valores do imposto de renda retido, pois as fontes pagadores são obrigadas a apresentar a Declaração de Informação de Rendimentos Retidos DIRF, por meio da qual a autoridade a quo poderia confirmar os valores constantes na Ficha 53 da DIPJ/2005 (fls. 147). Passo, então, a apontar quais os elementos que necessitam uma maior investigação, que deverá ser feita por meio de diligência na unidade de jurisdição da recorrente. Tendo por base a DIPJ/2005, o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004 é formado conforme apuração a seguir: Cálculo do IRPJ devido Valor R$ IRPJ 15% 13.978.674,55 Adicional IRPJ 10% 9.295.116,37 IRPJ devido apuração anual 23.273.790,92 DEDUÇÕES Operações de Caráter Cultural e Artístico 300.000,00 Imposto de Renda Retido na Fonte 1.156.185,93 Imposto de Renda pago por estimativa 32.240.304,61 CRÉDITO Saldo Negativo 10.422.699,62 O imposto de renda pago por estimativa, no valor de R$ 32.240.304,61, teria sido quitado conforme tabela abaixo, elaborada com base nas informações prestadas pela recorrente. Os valores informados na DCTF e na DIPJ divergem nos meses de março e outubro. Mas, para fins de apuração de saldo negativo, o que importa são os valores efetivamente quitados, que serão apreciados a seguir: FORMA DE QUITAÇÃO PA DCTF DIPJ IRPJ a pagar Compensado Pagamento IRRF SOMATÓRIO jan/04 fev/04 mar/04 600.738,70 739.495,58 739.495,58 139.902,49 879.398,07 abr/04 447.828,76 447.828,76 447.828,76 447.828,76 mai/04 2.900.831,29 2.900.831,29 2.900.831,29 152.419,81 3.053.251,10 jun/04 2.595.381,09 2.595.381,09 2.595.381,09 45.234,30 2.640.615,39 jul/04 2.842.028,11 2.842.028,11 2.647.666,27 194.361,84 44.725,10 2.886.753,21 ago/04 802.419,12 802.419,12 802.419,12 44.874,17 847.293,29 set/04 10.560.649,65 10.560.649,65 3.856.929,80 6.703.719,85 44.694,08 10.605.343,73 out/04 3.280.432,15 3.274.634,49 993.334,19 2.287.097,96 3.280.432,15 nov/04 6.281.861,15 6.281.861,15 6.354.921,61 6.354.921,61 dez/04 1.244.467,30 1.244.467,30 Totais 14.983.886,10 16.784.568,56 471.849,95 32.240.304,61 A) DAS ESTIMATIVAS PAGAS DARF => R$ 16.784.568,56 A recorrente apresentou os seguintes comprovantes dos pagamentos, não merecendo maiores investigações: Fl. 647DF CARF MF Processo nº 10880.903155/200931 Resolução nº 1302000.651 S1C3T2 Fl. 648 22 PA Pagamento Comprovante jul/04 194.361,84 fls. 487 20/08/2008 set/04 6.703.719,85 fls. 516 out/04 2.287.097,96 fls. 549 nov/04 6.354.921,61 fls. 555 dez/04 1.244.467,30 fls. 556 01/02/2005 16.784.568,56 B) DAS ESTIMATIVAS COMPENSADAS => R$ 14.983.886,10 A recorrente elaborou tabela na qual discrimina todas as compensações, para cada mês, apontando quais já teriam sido homologadas, e as que ainda estariam pendentes de julgamento definitivo na esfera administrativa. Informou, ainda, que teria efetuado pagamento quando a homologação foi parcial. 180.799,87 29287.86007.290404.1.3.040807 homologada fls. 256 419.938,83 23657.62872.240609.1.7.021990 pendente mar/04 138.756,88 16934.29511.031106.1.7.025359 pendente Total 739.495,58 249.814,53 10421.25488.240604.1.7.043313 DARF pago fls. 258 pgto em 31/10/2008 abr/04 198.014,23 16934.29511.031106.1.7.025259 pendente Total 447.828,76 1.055.116,10 38395.69543.240604.1.3.041012 pendente 96.929,63 31613.37219.240604.1.3.044617 homologada fls. 259 322.085,49 28195.33179.250604.1.2.040160 pendente fls. 260 homologado parcial R$ 17.668,13 17.944,47 02554.57648.250604.1.3.043696 homologada pgto em 30/09/08 R$ 276,34 473,11 39385.97790.250604.1.3.040819 DARF pago fls. 266 pgto em 31/03/2009 580.313,85 40319.88731.101006.1.7.049200 homologada fls. 267 46.594,12 02620.06834.240604.1.3.045028 homologada fls. 268 186.088,19 15022.20690.240604.1.3.048747 pendente 503.234,15 30454.74626.240604.1.3.041429 pendente 23.265,20 39899.48965.240609.1.7.025931 pendente mai/04 68.786,98 16934.29511.031106.1.7.025259 pendente Total 2.900.831,29 jun/04 2.595.381,09 29831.12285.231106.1.7.02.6444 pendente 1.427.372,79 07509.70016.101104.1.7.021274 pendente jul/04 1.220.293,48 27653.61423.231106.1.7.039940 pendente Total 2.647.666,27 Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10880.903155/200931 Resolução nº 1302000.651 S1C3T2 Fl. 649 23 463.778,00 24288.64390.100609.1.3.090075 pendente ago/04 338.641,12 39980.58286.300904.1.3.044886 DARF pago fls. 270 pgto em 29/12/2008 Total 802.419,12 fls. 283 compensado R$ 960.883,55 960.883,55 13811.003181/200465 homologada pgto em 19/02/2009 R$ 107.227,87 set/04 2.896.046,25 13811.003180/200411 homologada fls. 279 Total 3.856.929,80 599.999,99 13811.003619/200413 homologada fls. 287 processo arquivado sem comprovação nos autos da compensação fls. 274 compensado R$ 363.293,47 out/04 393.334,00 38931.39389.291104.1.3.043019 homologada pgto em 04/06/2009 R$ 30.040,73 Total 993.333,99 O relator acatou a argumentação da recorrente de que as estimativas compensadas seriam quitadas, seja qual for o resultado do julgamento, pois (1) pode resultar na homologação das compensações, ou (2) serão cobradas no caso de não homologação, em processos apartados. Ocorre que tenho entendimento diverso, pois o reconhecimento do direito creditório depende da comprovação a certeza e liquidez que, no caso de saldo negativo, necessariamente passa pela comprovação da quitação das estimativas. De toda sorte, como a proposta é de diligência, para que haja uma maior segurança da análise da matéria, a unidade de jurisdição deverá verificar qual a atual situação das compensações que estão pendentes de análise ou julgamento. Também deverá ser verificada qual a decisão nos autos do processo administrativo nº 13811.003619/200413, pois a recorrente informa a compensação da estimativa do mês de outubro, no valor de R$ 599.999,99, estaria homologada, mas os documentos acostados aos autos, fls. 287/292, não comprovam esta afirmação. De fato, estes documentos são as Declarações de Compensação apresentadas, mas sem qualquer análise por parte da Administração quanto à homologação. C) DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE =>R$ 1.628.035,88 De acordo com as informações na DIPJ/2005, a recorrente deduziu do IRPJ devido o montante de R$ 1.628.035,88 a título de IRRF, conforme as parcelas a seguir: 1) R$ 471.849,95 (compensação mensal das estimativas) 2) R$ 1.156.185,93 (ajuste anual) A recorrente apresentou os seguintes comprovantes do imposto de renda retido na fonte: Fl. 649DF CARF MF Processo nº 10880.903155/200931 Resolução nº 1302000.651 S1C3T2 Fl. 650 24 Fonte Pagadora CNPJ Rendimento IRRF Doc. BANCO ABN AMRO REAL S/A 33.066.408/000115 R$ 8.139.287,48 R$ 1.627.857,39 fls. 559 DELTA CARGO 74.182.593/000190 R$ 1.044,00 R$ 15,66 fls. 560 UPS SCS TRANSPORTES BRASIL S.A. 53.284.634/000180 R$ 7.461,46 R$ 75,86 fls. 561 Total R$ 8.147.792,94 R$ 1.627.948,91 Como bem apontou o relator, a Súmula nº 80 do CARF determina que os seguintes requisitos devem ser comprovados para que a recorrente possa aproveitar os valores retidos a titulo de imposto de renda: a) a ocorrência efetiva e concretamente demonstrada da retenção; b) a comprovação de que as receitas em relação as quais foram realizadas as preditas retenções tenham sido objeto de tributação. No presente caso, a recorrente apresentou os comprovantes das retenções, que devem ser confirmados nos sistemas da Receita Federal. Entretanto, não demonstrou que os rendimentos, no valor de R$ 8.147.792,94, foram oferecidos à tributação. Esta comprovação, entendo, deverá ser feito por meio da presente diligência a ser proposta. D) DAS DEDUÇÕES COM OPERAÇÕES DE CARÁTER CULTURAL E ARTÍSTICO. O i. relator, tendo por base o artigo 475 do RIR/99, citou os requisitos necessários para que a recorrente possa usufruir do incentivo fiscal, deduzindo o IRPJ devido, quais sejam: a) os projetos fomentados tem que ter sido aprovados pelo Ministério da Cultura; b) a dedução não pode ultrapassar 40% do valor total das doações ou 30% do montante despendido como patrocínio; c) somente serão admitidas as deduções concernentes aos dispêndios que tenha sido objeto de depósito em conta bancária específica aberta em nome do titular do projeto (art. 29 da Lei 8.313); d) a dedução também não poderá ultrapassar 4% do valor total do imposto devido, não se considerando, neste particular, o adicional. Como esta matéria foi suscitada pela decisão recorrida, para fins de comprovação da correta apuração do saldo do negativo de IRPJ, a recorrente não foi instada a comprovar estes requisitos, motivo pelo qual entendo que deverão ser objeto de diligência pela unidade de jurisdição para verificar a dedutibilidade desta parcela na apuração do crédito ora analisado. DA DILIGÊNCIA De todo acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de jurisdição: Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10880.903155/200931 Resolução nº 1302000.651 S1C3T2 Fl. 651 25 1) Verifique se foram homologadas ou não as Declarações de Compensação abaixo listadas, informando a situação atual do julgamento, se houver: PA Valor R$ DCOMP Situação 419.938,83 23657.62872.240609.1.7.021990 pendente mar/04 138.756,88 16934.29511.031106.1.7.025359 pendente abr/04 198.014,23 16934.29511.031106.1.7.025259 pendente 1.055.116,10 38395.69543.240604.1.3.041012 pendente 322.085,49 28195.33179.250604.1.2.040160 pendente 186.088,19 15022.20690.240604.1.3.048747 pendente 503.234,15 30454.74626.240604.1.3.041429 pendente 23.265,20 39899.48965.240609.1.7.025931 pendente mai/04 68.786,98 16934.29511.031106.1.7.025259 pendente jun/04 2.595.381,09 29831.12285.231106.1.7.02.6444 pendente 1.427.372,79 07509.70016.101104.1.7.021274 pendente jul/04 1.220.293,48 27653.61423.231106.1.7.039940 pendente ago/04 463.778,00 24288.64390.100609.1.3.090075 pendente out/04 599.999,99 13811.003619/200413 Processo arquivado 2) Intime a recorrente a comprovar, com a apresentação dos livros contábeis e fiscais, se os rendimentos listados a seguir foram oferecidos à tributação, para fins de aproveitamento do imposto de renda retido na fonte, nos termos do inciso III do §4º do art. 2º da Lei 9.430/96: Fonte Pagadora CNPJ Rendimento IRRF Doc. BANCO ABN AMRO REAL S/A 33.066.408/000115 R$ 8.139.287,48 R$ 1.627.857,39 fls. 559 DELTA CARGO 74.182.593/000190 R$ 1.044,00 R$ 15,66 fls. 560 UPS SCS TRANSPORTES BRASIL S.A. 53.284.634/000180 R$ 7.461,46 R$ 75,86 fls. 561 Total R$ 8.147.792,94 R$ 1.627.948,91 3) Intime a recorrente a comprovar que atendeu aos requisitos previstos na legislação tributária para usufruir do incentivo fiscal, conforme artigo 475 do RIR/99, deduzindo o IRPJ devido com as despesas com operações de caráter cultural e artístico, no valor de R$ 300.000,00. Ao final dos trabalhos, a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, incluindo a correta apuração do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, dele cientificando a recorrente, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar, se assim entender necessário. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli Redatora Designada Fl. 651DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000975/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TERCEIROS. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS.
O contrato de trabalho, sendo um contrato-realidade, não está vinculado ao aspecto formal, prevalecendo as circunstâncias reais em que estão sendo prestados os serviços. Se essas circunstâncias demonstram estarem presentes os requisitos estabelecidos no artigo 12, I, "a" da Lei 8.212/91, a Fiscalização deve considerar tal segurado como empregado.
Numero da decisão: 2402-006.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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TERCEIROS. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. O contrato de trabalho, sendo um contratorealidade, não está vinculado ao aspecto formal, prevalecendo as circunstâncias reais em que estão sendo prestados os serviços. Se essas circunstâncias demonstram estarem presentes os requisitos estabelecidos no artigo 12, I, "a" da Lei 8.212/91, a Fiscalização deve considerar tal segurado como empregado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 09 75 /2 00 9- 18 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 15586.000975/200918 Acórdão n.º 2402006.745 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Foi lavrado Auto de Infração DEBCAD 37.241.6802 para cobrança das contribuições previdenciárias destinadas a terceiros, incidentes sobre pagamentos a profissionais considerados pela autuada como prestadores de serviço através de contrato de parceria e qualificados pela Fiscalização como segurados empregados. Segundo o relato fiscal, as bases de cálculos foram aferidas indiretamente, com base na média das remunerações mensais declaradas pelos segurados (cirurgiões dentistas) em depoimentos constantes dos autos de processo movido pelo MPT e, no caso específico da Empresária Titular, obtidas através da DIRPF/07. Consoante se extrai do relatório do acórdão de piso, o recorrente aduziu em sua impugnação: Que a ação fiscal ofendeu o principio da legalidade, assim como o artigo 2º, § único, incisos I, VI, e VIII da Lei 9.784/99, vez que a ação fiscal iniciouse pela comunicação do MPT da existência de procedimento para apurar o possível vínculo de emprego existente entre a impugnante e os cirurgiões dentistas, antecipandose à decisão judicial, ainda inexistente. Que não é na esfera administrativa que se declara, ou não, o vinculo de emprego, mas sim na Justiça do Trabalho. Que a contribuição ao INSS da Sra Ana Cláudia Migliorini foi feita, conforme documentos em anexo. Que o empresário individual não é obrigado a retirar prólabore e nem recolher a contribuição de 11% sobre este, desde que recolha 20% sobe o salário mínimo como contribuinte individual. Que os valores constantes na DIRPF da sra Ana Cláudia podem ser considerados como simples retirada de lucro, tendo em vista não haver sócios. Que referidos os cirurgiõesdentistas pagam suas contribuições como autônomos, conforme documentos em anexo. Que o Auto de Infração está alicerçado em meras presunções acerca da existência do vínculo empregatício, uma vez que ausentes os requisitos essenciais estabelecidos pela legislação, doutrina e jurisprudência para caracterizálos como empregados. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 15586.000975/200918 Acórdão n.º 2402006.745 S2C4T2 Fl. 4 3 Que nos depoimentos prestados pelos próprios dentistas, junto à Procuradoria Regional do Trabalho, não há nenhuma afirmação no sentido de que são subordinados à impugnante. Que ninguém que é subordinado trabalha sem horário determinado, faz o horário de trabalho e almoço que quer, conforme suas necessidades, recolhe facultativamente seu INSS como autônomo, e tem ampla liberdade para faze os orçamentos dos serviços que irá prestar. Que os contratos de parceria para prestação de serviços estabelecem que não há o requisito da subordinação entre as partes. Que não devem incidir a multa de mora, de ofício e juros Selic, em função do recolhimento da Sra Ana Cláudia como contribuinte individual. Como já dito alhures, a DRJ julgou improcedente a Impugnação apresentada fls. 109/114. A autuada apresentou Recurso Voluntário às fls. 118/139 renovando as razões de sua impugnação e acrescendo i) que a decisão vergastada não teria considerada as provas documentais e testemunhais existentes no processo e citadas em sua impugnação; ii) que ao contrário do que afirmam os julgadores (DRJ), não houve depoimento dos envolvidos na esfera judicial; e iii) que a decisão recorrida não teria observado os princípios da legalidade, razoabilidade, proporcionalidade e segurança jurídica.. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator A autuada tomou ciência do acórdão de piso em 04.06.2010 (fls. 140) e apresentou, tempestivamente, seu Recurso Voluntário em 01.07.2010 (fls. 118). Preenchido os demais requisitos, dele passo a conhecer. Como já assentado nos autos, o ponto nevrálgico da lide reside em determinar se há, no que toca à relação entre a recorrente e os cirurgiõesdentistas, evidências da existência de subordinação a caracterizar a relação de emprego entre as partes, com vistas a concluir pela subsunção, ou não, ao disposto no artigo 12, I, "a" da Lei 8.212/91, c/c artigo 3º da CLT e, por conseguinte, no artigo 22 do mesmo diploma. A recorrente refuta a existência de subordinação aos argumentos de que nos depoimentos prestados pelos próprios dentistas, junto à Procuradoria Regional do Trabalho, não haveria qualquer afirmação no sentido de que seriam subordinados à impugnante e que nos contratos de parceria para prestação de serviços estaria estabelecido que não haveria o requisito da subordinação entre as partes. Além do mais, assevera que ninguém que é subordinado trabalha sem horário determinado, faz o horário de trabalho e almoço que quer, conforme suas necessidades, recolhe Fl. 146DF CARF MF Processo nº 15586.000975/200918 Acórdão n.º 2402006.745 S2C4T2 Fl. 5 4 facultativamente seu INSS como autônomo, e tem ampla liberdade para fazer os orçamentos dos serviços que irá prestar. De plano, cumpre destacar que a mera menção no contrato, no sentido de que não haveria subordinação, não é requisito definitivo/suficiente à comprovar tal condição, mas sim o que se evidencia da realidade dos fatos envolvidos. Antes de mais nada, há de se registrar que estão acostados aos autos do processo principal nº 15586.000973/200929, às fls. 48/141, cópias de resumos de folha de pagamento, GFIP, contatos de parcerias celebrados entre a autuada e os trabalhadores qualificados como empregados, Atas de Depoimentos constantes do processo PP/CODIN/PRT 17ª REGIÃO/Nº 00061/2007, Ata de Audiência do referido processo, com os depoimentos da titular da empresa e seu gerente, Ofício do Conselho Regional de Odontologia do ES, indicando a empresa Ana Claudia Migliorini para ser fiscalizada pelo MPT, pelos motivos que lá especifica, e Auto de Infração lavrado pela Inspeção do Trabalho. Prosseguindo ainda quanto à expressa determinação contratual de que não haveria subordinação (cláusula quarta a diante colacionada), cumpreme tecer algumas outras considerações. O fato de o contratado gozar de independência quanto à execução do seu trabalho, no que toca aos aspectos técnicos inerentes às suas competências, não quer dizer, por si só, que inexista subordinação a caracterizar a relação de emprego, pois como muito bem colocado pela decisão de piso, "a não ingerência técnica no trabalho e eventual flexibilidade de horário para almoço, como a possibilidade de faltas ao serviço, não desnaturam a subordinação, que é jurídica e não e técnica, mormente tratandose de profissionais liberais." Sobre esse aspecto, vale trazer à baila a seguinte lição de Maurício Godinho Delgado1: [...] no Direito do Trabalho a subordinação é encarada sob um prisma objetivo: ela atua sobre o modo de realização da prestação e não sobre a pessoa do trabalhador. É, portanto, incorreta, do ponto de vista jurídico, a visão subjetiva do fenômeno, isto é, que se compreenda a subordinação como atuante sobre a pessoa do trabalhador, criandolhe certo estado de sujeição ("status subjectiones"). Não obstante essa situação de sujeição possa concretamente ocorrer, inclusive com inaceitável frequência, ela não explica, do ponto de vista sócio jurídico, o conceito e a dinâmica essencial da relação de subordinação. Observese que a visão subjetiva, por exemplo, é incapaz de captar a presença de subordinação na hipótese de trabalhadores intelectuais e altos funcionários. 1 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 3ª ed. São Paulo: LTr, 2004, p. 303. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 15586.000975/200918 Acórdão n.º 2402006.745 S2C4T2 Fl. 6 5 Por questões técnicas e óbvias, a avaliação que precedia ao orçamento pelos serviços que seriam prestados era desempenhada exclusivamente pelo profissional dentista, que não tinha liberdade para, a partir de então, determinar o preço que deveria ser cobrado do paciente. Confirase os termos da cláusula segunda dos contratos de parceria: Notese, a previsão de que determinado percentual do valor bruto do serviço prestado (80% nos casos de procedimentos de prótese e 70% nos de dentística, endodontia e exodontia) deva ser repassado a autuada, não configura, em meu sentir, a assunção comum pelos "parceiros" dos lucros e perdas do negócio, circunstância típica nos contratos de parceria. Isso porque, além de os profissionais não terem, como já dito, autonomia para a fixação do preço pelos serviços prestados, é a autuada quem arca com a totalidade das despesas necessárias para o desempenho das atividades daqueles profissionais, a teor da cláusula abaixo reproduzida. Vale dizer, diferentemente de determinada situação, na qual, por exemplo, o dono de um estabelecimento e um determinado profissional resolvem ser parceiros e acabam por assumir de forma proporcional e comum os lucros e perdas do negócio, no caso em exame, não se pode afirmar que a comunhão dos esforços tenha resultado nessa assunção compartilhada. Explico: uma vez que os profissionais receberiam em torno de 30% ou 20% da renda bruta auferida pelos serviços que prestavam, haveria de se demonstrar que os outros 70% ou 80% que cabiam a autuada, quando confrontado com as despesas que corriam exclusivamente por sua conta e que eram comuns a outros tantos "parceiros", lhe garantiriam uma participação liquida parecida com aquela experimentada pelos profissionais. Não é, pois, o caso. Por força da cláusula quinta encimada, a autuada arcaria com todas as despesas do negócio, inclusive com aquelas comuns a vários ou a todos os profissionais "parceiros", além daquelas de natureza fixa, fazendo com quê o risco da atividade empresarial recaísse, a rigor, exclusivamente sobre seus ombros. Ou seja, uma vez prestado o serviço, ao profissional era garantido, sem qualquer embargo, o valor combinado. Por sua vez, o mesmo não se pode dizer com relação à participação da autuada no processo, que, a depender do volume de trabalho (quantidade de profissionais parceiros, clientes e atendimentos), sua parte poderia ser insuficiente a saldar as Fl. 148DF CARF MF Processo nº 15586.000975/200918 Acórdão n.º 2402006.745 S2C4T2 Fl. 7 6 despesas que assumiu ou muito, mas muito maior do que a parcela recebida pelos cirurgiões, em termos proporcionais. Vale dizer, essa incerteza, típica da atividade empresarial, que pode levar o empreendedor ao "sucesso" ou ao "fracasso", não é suportada pelo profissional, mas somente pela autuada, o que, a meu ver, revela circunstância inerente à relação de emprego. Nesse contexto, não é absurdo aceitar que em função do forte interesse da autuada na maximização de suas receitas, ela promovesse o intenso controle na distribuição dos clientes aos dentistas, dos recebimentos em caixa, além de prédefinir os dias, segundo seus critérios e possibilidades, para que fossem, dentre eles, escolhidos pelos profissionais para atendimento. Vale dizer, os profissionais escolhiam o dia e horários, dentre aqueles disponibilizados pela autuada. No que diz respeito aos recebimentos, contrariamente ao que dispunha a cláusula terceira do contrato, dando conta de que os profissionais entregariam diretamente à autuada o percentual lá estabelecido, pressupondo que os valores ingressavam, inicialmente, ao patrimônio do profissional para, só então, serem transferidos, naquele percentual, ao da autuada; o que foi admitido pela Empresária Titular é que, na prática, os pagamentos eram recolhidos ao caixa das clínicas, que posteriormente efetuava o pagamento das comissões aos dentistas, demonstrando, assim e ao meu ver, o exercício de uma das facetas da subordinação. Somemse a isso, os apontamentos promovidos pela decisão vergastada no sentido de que "a teor dos depoimentos anexados aos autos, constatouse que o comando dos serviços prestados pelos dentistas sempre foi da empresa, haja vista que as secretárias das clínicas marcavam e desmarcavam horários de atendimentos com os clientes. Esses eram captados pela clínica, e atendidos pelo profissional que estivesse disponível." Os pacientes, em regra, não procuravam a autuada em função de um ou outro profissional, já que não haveria atendimento por agendamento com hora marcada. O encaminhamento ao profissional davase por ordem de chegada àquele que estivesse disponível no momento, salvo nos casos de retorno para tratamento, quando então haveria uma espécie de "vinculação" para o atendimento. Ademais, como bem ressaltado pela julgador de piso, podese extrair do depoimento prestado pela Dra Alessandra Ribeiro Igreja, que haveria um horário a ser cumprido pelo profissional, independentemente, é o que se infere, de haver ou não pacientes aguardando e a ele direcionado, posto que os atendimentos, como já dito, não se davam por agendamento, mas sim por ordem de chegada à medida em que iam aparecendo os clientes, se fosse o caso. Com efeito, penso que a subordinação aqui não é aquela determinada simplesmente pelo viés das ordens e mandos no cotidiano da empresa, mas sim aquela, ainda que intrínseca, inerente à posição de quem assume, por inteiro, o risco do negócio, frente aqueles que recebem pelo trabalho prestado independentemente se as despesas da empreitada estão sendo ou não saldadas. E isso sim me parece bem razoável. Os fatos, a meu ver, levam a essa conclusão e não a presunção, como quer fazer crer a recorrente. Prosseguindo nas alegações recursais. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 15586.000975/200918 Acórdão n.º 2402006.745 S2C4T2 Fl. 8 7 Não merece acolhida a tese de que a declaração da existência de vínculo não deve se dar na esfera administrativa. O Auditor Fiscal é a autoridade competente para determinar a matéria tributável, ainda que a análise dos fatos que interessam ao caso, revele uma realidade não espelhada nos documentos apresentados pelo sujeito passivo. É a lógica do incido I do artigo 116 do CTN. 2 Nessa mesma linha, valhome dos fundamentos e conclusões da decisão de piso, a seguir colacionada: Por sua vez, no que tange à alegação de que os dentistas recolheriam a contribuição como autônomo, vale destacar que além de tal situação não se estender a todos os 2 Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; Fl. 150DF CARF MF Processo nº 15586.000975/200918 Acórdão n.º 2402006.745 S2C4T2 Fl. 9 8 profissionais, como se extrai dos depoimento da Dra Alessandra Ribeiro Igreja e Dr Hermilton Machado de Melo Junior, tal condição não é hábil o suficiente a, isoladamente, legitimar a tese recursal no que toca à não caracterização da relação de trabalho entre as partes, em especial quando se tem elementos que militam em sentido contrário. Vejase que há inclusive profissional que presta serviço exclusivamente à autuada, consoante se verificado depoimento logo a diante. Dra Alessandra Ribeiro Igreja Dr Hermilton Machado de Melo Junior Por derradeiro quanto ao tema, vale destacar o excerto do Relatório Fiscal onde é assentado que "O trabalho autônomo, segundo a doutrina especializada, só se caracteriza quando há inteira liberdade de ação, ou seja, quando o trabalhador atua como patrão de si mesmo, com os poderes jurídicos de organização própria, por meio dos quais desenvolve o impulso de sua livre iniciativa e presta serviços a mais de uma empresa ou pessoa." Passo a abordar, doravante, a exigência sobre os valores pagos/retirados pela Empresária Titular, Dra. Ana Cláudio Migliorini. O valores utilizados como base de cálculo foram extraídos da DIRF da empresa, onde foram declarados importâncias pagas mensalmente à titular, com natureza tributável. Logo, há de se presumir que não estamos a tratar da distribuição do lucros, que, se efetuada na forma da lei, não sofre a incidência do IR, por ser verba isenta para fins desse imposto. Assim, caberia a recorrente, com vistas a infirmar a declaração por ela própria prestada em sua DIRF, demonstrar, documentalmente, que tais pagamentos, tratarse iam, efetivamente, de lucros distribuídos e não do recebimento de prólabores, que no valor recebido, sujeitarseão à regra geral que se tem para os contribuintes individuais (cota patronal 20% sobre o valor pago), independentemente de qualquer valor recolhido pela titular empresária. Quanto ao pleito de que não deveria incidir a multa de mora, de ofício e juros Selic em função dos recolhimentos encimados, cumpre destacar que não houve o lançamento da multa de oficio de 75%, eis que o autuante valeuse da legislação da época por ser mais benéfica ao contribuinte. Vejase: Fl. 151DF CARF MF Processo nº 15586.000975/200918 Acórdão n.º 2402006.745 S2C4T2 Fl. 10 9 Por outro lado, a multa e juros aplicados estão ancorados nos dispositivos legais apontados pela Fiscalização às fls 22, de observância obrigatória tanto pelo autuante, quanto pelos julgadores administrativos. No que tange aos argumentos de que a decisão vergastada não teria considerada as provas documentais e testemunhais existentes no processo e citadas em sua impugnação, há de se ressaltar que a fundamentação adotada pelo julgador de piso, ao expor suas razões de decidir, acabou, por razões de lógica, desconsiderando os documentos lá acostados, a saber, recolhimentos efetuados por alguns dos dentistas na condição de autônomo. Da mesma forma, não me parece que a decisão recorrida não observara os princípios da legalidade, razoabilidade, proporcionalidade e segurança jurídica. Muito pelo contrário, deu aos fatos então postos pelo autuante, a melhor interpretação segundo as normas que regem a matéria, em especial, os artigos 12, I, "a" da Lei 8.212/91, c/c artigo 3º da CLT. Por fim, vale reforçar, que a atuação da Fiscalização não está, em matéria tributária, condicionada e/ou vinculada às conclusões dos procedimentos investigatórios no âmbito do Ministério Público. Em outras palavras, uma vez verificada a inobservância à legislação tributária, seja lá por quem quer que tenha sido o noticiante, compete ao Fisco a tomada de providências com vistas a assegurar a cobrança do crédito tributário então devido e não declarado/recolhido. Face ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER do recurso para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 152DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.903425/2015-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011
DCTF. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Comprovada que a retificação da DCTF encontra respaldo na contabilidade, há que se reconhecer o pagamento indevido ou a maior.
PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO.
Não tendo havido expressa manifestação no Despacho Decisório Eletrônico relativa à necessidade de retificação de DCTF, tampouco à comprovação desta retificação, considerando, ainda, o princípio da verdade material, é facultada ao Contribuinte a apresentação da referida prova por ocasião do Recurso Voluntário, fulcro no artigo 16, § 4º, alínea "c" do Decreto nº 70.235/72, uma vez que o fundamento da falta de comprovação veio à tona no acórdão da DRJ.
Numero da decisão: 1302-003.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca solicitaram a apresentação de declaração de voto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.903415/2015-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Como foram propostas 3 soluções distintas, foi observado o procedimento do art. 60 do Ricarf, sendo que, em primeira votação venceu a proposta de conversão em diligência, apresentada pela conselheira Maria Lúcia Miceli contra a de negar provimento ao recurso, vencidos nesta votação os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 DCTF. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Comprovada que a retificação da DCTF encontra respaldo na contabilidade, há que se reconhecer o pagamento indevido ou a maior. PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. Não tendo havido expressa manifestação no Despacho Decisório Eletrônico relativa à necessidade de retificação de DCTF, tampouco à comprovação desta retificação, considerando, ainda, o princípio da verdade material, é facultada ao Contribuinte a apresentação da referida prova por ocasião do Recurso Voluntário, fulcro no artigo 16, § 4º, alínea "c" do Decreto nº 70.235/72, uma vez que o fundamento da falta de comprovação veio à tona no acórdão da DRJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca solicitaram a apresentação de declaração de voto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13888.903415/201535, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Como foram propostas 3 soluções distintas, foi observado o procedimento do art. 60 do Ricarf, sendo que, em primeira votação venceu a proposta de conversão em diligência, apresentada pela conselheira Maria Lúcia Miceli contra a de negar provimento ao recurso, vencidos nesta votação os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 34 25 /2 01 5- 71 Fl. 211DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório A Recorrente apresentou Declaração de Compensação utilizandose de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) relativo ao 2º trimestre de 2011 para extinguir sob condição resolutória débitos próprios. Despacho Decisório (DD) eletrônico considerou inexistente o crédito, uma vez que o valor do DARF estava totalmente vinculado ao débito de IRPJ trimestral (código 2089) daquele período, não homologando a compensação pleiteada na DComp. Em sua manifestação de inconformidade, a Empresa diz que reconheceu, após a notificação do DD, o erro cometido pela contabilidade, uma vez que não retificou a DCTF de junho/2011, sendo que o valor da DCTF original não correspondia ao valor constatado e declarado em DIPJ, sendo este último o valor considerado correto. Assim retificou a DCTF e pediu o anulação do DD e a homologação da compensação requerida. A 4ª Turma da DRJ de Recife proferiu acórdão considerando improcedente a manifestação de inconformidade, nos seguintes termos: DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO VIA DIPJ. SEM FORÇA PROBATÓRIA. A DIPJ não é suficiente, por si só, para comprovar erro de fato no preenchimento da DCTF, sendo necessário trazer provas documentais outras suficientes, tais como livros fiscais e contábeis, e, conforme o caso, documentos fiscais, para que o julgador administrativo possa verificar se o tributo apurado naquela declaração corresponde ao montante escriturado. Em sede de recurso voluntário, a Empresa busca demonstrar seu direito creditório, acostando: a DCTF retificadora; o DARF com recolhimento a maior; a DIPJ 2012; Diário Geral de 2011; Razão Analítico contas "Prestação de Serviços" e "Vendas de Mercadorias"; balancete de verificação relativo a junho de 2011. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13888.903425/201571 Acórdão n.º 1302003.255 S1C3T2 Fl. 3 3 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.239, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.903415/2015 35, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.239): "O Contribuinte foi cientificado do acórdão em 25 de julho de 2016, tendo apresentado o recurso em 12 de agosto de 2016, portanto, tempestivamente. A representação é regular, conforme instrumento de mandato. Conheço do recurso voluntário. Como sói acontecer estamos tratando de declaração de compensação por pagamento a maior sem que a Requerente tenha retificado a DCTF correspondente. Assim, nos batimentos do Sistema de Controle de Créditos (SCC) o valor é negado. Não consta do processo que a Empresa tenha sido intimada em momento anterior à emissão do DD, e há que se fazer registro que, caso a retificação apontada tivesse ocorrido, o despacho eletrônico de nãohomologação não teria sido expedido. Então, retificando posteriormente a citada declaração, a Recorrente requer, em manifestação de inconformidade, que a DRJ considere o erro e reconheça o valor corrigido de IRPJ, com base em sua DIPJ, o que não acontece por falta de comprovação lastreada em documentos e livros contábeis e fiscais. Estamos tratando de empresa administradora de bens, tributada pelo lucro presumido, com objeto de compra e venda de bens imóveis (fl. 11). Na receita do 2ª trimestre de 2011 consta parcela significativa de venda de bens imóveis (R$11.110.500,00) oferecida no percentual de presunção de 8% e outra parte relativa a prestação de serviços, embora não conste do seu objeto social (R$52.100,35), o que entendo não prejudicar seu direito, oferecida no percentual de 32% (fls. 199 e 201), esta última com pequena diferença de 50 reais a menor. Inicialmente, entendo que as provas apresentadas nesta oportunidade devem ser aceitas, ante uma escalada que começa pela determinação de que a DCTF teria que ser retificada (DD); com a apresentação da respectiva retificação, esta deixa de ser aceita por falta de provas (Acórdão DRJ); e, finalmente, sendo apresentadas as provas relativas à retificação, vem o processo à apreciação desta turma. A questão está centrada na retificação da DCTF: caso fosse feita antes do DD, nada do que está em análise teria ocorrido; como foi feita depois do DD, exigese prova de que a retificação está conforme a escrita contábil e fiscal. Fl. 213DF CARF MF 4 Então, entendo ser compreensível a apresentação em sede de manifestação de inconformidade apenas da DCTF retificadora, haja vista que a prova de sua correção é dedução, não é requerida expressamente, se não somente depois do acórdão recorrido. Noutras palavras, a fundamentação do indeferimento do pleito na falta de comprovação só veio a tona com o acórdão recorrido. Sem adentrar no questionamento sobre se a dedução referida seria exigível ou não, haja vista que ainda temos que considerar e sopesar, também, o princípio da verdade material, entendo que a aceitação, conforme apontei até agora, teria respaldo no artigo 16 § 4º alínea "c" do Decreto nº 70.235, de 1972. Conhecidas as provas juntadas pelo Recorrente, entendo que são suficientes para demonstrar a correção de seus cálculos e, consequentemente, da DCTF retificadora apresentada, fazendo jus ao direito creditório pleiteado, no valor original de R$3.578,12, conforme declaração de compensação ora em julgamento. Assim, a decisão deste processo, limitado que está à Declaração de Compensação, seria o provimento do recurso voluntário, com o reconhecimento do direito creditório requerido de R$3.578,12 e homologando a compensação requerida na DComp 09584.08284.290415.1.3.046505. Todavia, este processo é paradigma para os de nº 13888.903416/201580, 13888.903417/201524, 13888.903418/201579, 13888.903419/201513, 13888.903420/201548, 13888.903421/201592, 13888.903422/201537, 13888.903423/201581, 13888.903424/201526, 13888.903425/201571, 13888.903426/201515, 13888.903427/201560, 13888.903428/201512, 13888.903431/201528, 13888.903432/201572, 13888.903433/201517, 13888.903434/201561, 13888.903435/201514, 13888.903436/201551, 13888.903437/201503, 13888.903438/201540, 13888.903439/201594, 13888.903440/201519, 13888.903441/201563, 13888.903442/201516, 13888.903443/201552, 13888.903444/201505 e 13888.903445/201541, conforme previsto no artigo 47, § 1º do Anexo II do RICARF, abaixo transcrito: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, será formado lote de recursos repetitivos e, dentre esses, definido como paradigma o recurso mais representativo Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13888.903425/201571 Acórdão n.º 1302003.255 S1C3T2 Fl. 4 5 da controvérsia. (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) Assim, todos os processos citados tratam de declarações de compensação, tendo como crédito o pagamento a maior relativo ao 2º trimestre de 2011, lucro presumido, cuja análise se procedeu nestes autos. A Empresa comprova o valor total de crédito de R$51.260,05, que, na sistemática de repetitivos, limita o valor total a ser utilizado nos demais processos conjuntamente com este. Feitas estas considerações, dou provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório pleiteado na DComp, e homologando a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, a despeito da posição deste relator no julgamento do recurso paradigma, impõese dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Declaração de Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Peço vênia para divergir da decisão do Relator, fundamentada na busca pela verdade material, um dos princípios que informam o processo administrativo fiscal. É que, conforme o art. 170 do CTN, a legislação que permite a compensação de créditos tributários exige a liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo. Assim, na hipótese de apresentação de Declaração de Compensação (DComp) por parte do sujeito passivo é ônus deste a demonstração de tais requisitos em relação ao seu direito creditório. Fl. 215DF CARF MF 6 No caso da análise eletrônica e automática como a que gerou o Despacho Decisório que não homologou a compensação de que tratam estes autos, a liquidez e certeza é aferida pela administração tributária, via de regra, pelo mero cruzamento das informações disponíveis em seu banco de dados, fornecidas seja pelo próprio sujeito passivo seja por terceiros. Incumbe, então, ao sujeito passivo a responsabilidade para que as informações por ele fornecidas à administração tributária sejam compatíveis com o direito creditório invocado. Nos presentes autos, a Recorrente apresentou a DComp compensando suposto direito creditório proveniente de pagamento indevido ou a maior, mas as informações confessadas por ela própria em sua DCTF demonstravam a inexistência do alegado direito. Por esta razão, a compensação não foi homologada pelo Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piracicaba/SP. Com a apresentação da Manifestação de Inconformidade, e instauração do contencioso administrativo, a análise da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado passa a outro nível, sendo ônus do sujeito passivo comprovála cabalmente, por meio da adequada instrução documental. O art. 16, §§4º a 6º, do Decreto nº 70.235, de 1972, de aplicação ao presente processo, por força do art. 74, §11, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, dispõe acerca do momento para a apresentação das referidas provas: " Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13888.903425/201571 Acórdão n.º 1302003.255 S1C3T2 Fl. 5 7 § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)" (Destacouse) A Recorrente, como relatado, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, limitouse a apresentar cópia da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificada para compatibilizar o valor do débito confessado ao informado na, também retificada, Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), e que alega ser o correto. Deste modo, deve ser considerada irretocável a decisão de primeira instância, para quem: "20. Então, atualmente a DIPJ não possui força probante, por si só, das informações prestadas na Dcomp. Portanto, para provar que a DCTF foi preenchida com erro e, por conseguinte, que a apuração contida na DIPJ representa a realidade fiscal do contribuinte, tornase necessário que o contribuinte traga aos autos provas documentais, tais como os livros contábeis e fiscais, na parte de interesse, e documentos fiscais, conforme o caso, de forma a permitir ao julgador administrativo verificar se o que foi declarado na DIPJ corresponde ao registrado na escrituração. 21. Frisese, adicionalmente, que, ainda que se desconsiderasse o caráter informativo da DIPJ e o caráter de confissão da DCTF, ainda assim seria necessária a comprovação documental (escrituração) do valor correto do IRPJ apurado haja vista a discrepância entre as informações constantes nessas duas declarações, ambas de lavra do contribuinte. 22. Como o interessado não trouxe aos autos qualquer outro documento que não a própria DIPJ, entendo que não comprovou o erro de fato no preenchimento da DCTF, sendo devido considerar a utilização integral do Darf para a liquidação do débito nela declarado." Os parcos elementos de prova juntados pelo sujeito passivo, de fato, não demonstram de modo algum que o novo valor de débito confessado na DCTF é o montante efetivamente devido, e não aquele confessado na primeira DCTF apresentada e informado na DIPJ original. Cabia ao sujeito passivo instruir a sua manifestação de inconformidade com todos os elementos necessários para a demonstração inconteste do seu suposto crédito. Era seu totalmente o ônus da prova. Não se desincumbindo de tal mister, operase a preclusão consumativa, sobre a qual Fredie Didier Jr (Curso de Direito Processual Civil, 18a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona: "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido Fl. 217DF CARF MF 8 exercido, pouco importa se bem ou mal. Já se praticou o ato processual pretendido, não sendo possível corrigilo, melhorálo ou repetilo. A consumação do exercício do poder o extingue. Perdese o poder pelo exercício dele." As questões que se põem, neste instante, são três: 1) as novas provas trazidas aos autos apenas com o Recurso Voluntário devem ser admitidas? 2) se admitidas, as novas provas são suficientes para comprovar a liquidez e certeza do crédito compensado? 3) se admitidas as provas e não sendo suficientes, há a necessidade de realização de alguma diligência para suprir eventual dúvida remanescente com estes novos elementos? Entendo que o limite temporal previsto no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, acima transcrito, não pode ser excepcionado a não ser nas hipóteses que se enquadrem nas suas alíneas. Não estou só neste posicionamento, cabendo citar a Professora Fabiana Del Padre Tomé (A prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2011): "Em tais situações, e apenas nelas, autorizase a juntada de novos documentos até mesmo em instante posterior ao ato decisório de primeira instância, sendo apreciados pelo órgão julgador de segundo grau, caso seja interposto recurso. O direito de contraporse à exigência fiscal e de produzir provas dos seus argumentos é regrado pelo ordenamento, que, não admitindo a instabilidade das relações jurídicas, fixa termos dentro dos quais as atividades hão de ser realizadas. Assim ocorre com a instrução probatória. Pertinente é a crítica de James Marins à prática adotada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consistente em apreciar provas em grau de recurso, independentemente do preenchimento dos pressupostos legais. O direito à produção probatória implica observância aos limites temporais à sua realização, além, é claro, do atendimento ao requisito de sua obtenção por meio lícito." Tratando acerca da possibilidade de flexibilização de tais regras, Maria Rita Ferragut (As provas e o Direito Tributário, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2016, pp. 6465) é categórica, mas prevê o que entende ser uma nova hipótese de exceção: "Entendemos que o limite temporal é inflexível. Tal inflexibilidade contempla, entretanto, o recebimento de provas após a impugnação, nas duas e somente duas, situações a seguir: (i) Se a prova não tiver sido juntada antes pelas razões previstas nas alíneas a,b e c do §4º acima. (ii) Pela impossibilidade de o sujeito passivo defenderse de forma plena, considerando a complexidade da autuação versus o tempo que lhe foi legalmente conferido para apresentação da defesa. Tratase, nessa medida, de comprovada impossibilidade material de se defender no prazo legal." No meu julgar, a hipótese veiculada pela doutrinadora, na verdade, já é albergada pela alínea "a" do §4º, na medida em que poderia ser entendido como um acontecimento inevitável e para o qual o sujeito passivo não concorreu ainda que culposamente, para contemplar os requisitos previstos por Maria Helena Diniz para a força maior (Código Civil Comentado, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 1997, pp. 747748). Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13888.903425/201571 Acórdão n.º 1302003.255 S1C3T2 Fl. 6 9 De outra parte, para afastar a alegação de que o não acolhimento de documentos extemporâneos, na ausência de configuração das hipóteses de exceção previstas no texto legal, configuraria ofensa à ampla defesa, valhome da lição de Maria Teresa Martínez Lopes e Marcela Cheffer Bianchini (Aspectos polêmicos sobre o momento de apresentação da prova no processo administrativo fiscal federal in: A prova no processo tributário, São Paulo: Dialética, 2010, p. 48): "Devese observar que a justificativa apresentada para o entendimento que ocorre afronta ao princípio da ampla defesa quando não são apreciadas provas apresentadas após a impugnação é de índole constitucional e, portanto, para afastar a aplicabilidade do parágrafo 4º do artigo 16 do PAF, devese alegar sua inconstitucionalidade, mas é vedado por lei aos órgãos administrativos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." No caso dos autos, não há alegação da Recorrente de qualquer motivo que a impediu de trazer aos autos as novas provas, nem ainda estas se referem a fato ou direito superveniente, de modo que se afastam das hipóteses das alíneas "a" e "b" do referido §4º. Apenas com muito "contorcionismo hermenêutico" se poderia entender que o caso se enquadra na alínea "c" do citado dispositivo. É que não é possível admitir que o sujeito passivo foi surpreendido com a insuficiência dos elementos de prova apresentados com a Manifestação de Inconformidade. Em que a comprovação de que apresentou uma DCTF retificadora, reduzindo o débito confessado; a comprovação de que o débito anteriormente confessado em DCTF tinha um valor superior; a comprovação de que o débito informado em DIPJ retificadora corresponde ao novo valor confessado; e a comprovação de que efetuou pagamento em montante equivalente ao débito inicialmente confessado poderia atestar a liquidez e certeza do crédito tributário invocado? É óbvio que seria necessário demonstrar com a escrituração contábil e fiscal, bem como com os elementos que a embasaram, que os valores que conduzem ao novo débito confessado tem suporte fático e não são mera criação do sujeito passivo, de modo a conferir ao crédito pleiteado a certeza e liquidez exigida pela legislação. Assim, entendo que não devem ser conhecidos os novos documentos apresentados, uma vez que a Manifestação de Inconformidade era o momento adequado para a comprovação do crédito tributário. Decidir em sentido diverso, ainda que visando à busca da verdade material significa contrariar a expressa disposição legal do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972. Reconheço que há julgados, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que adotam a chamada "formalidade moderada", para, com base no art. 38 da Lei nº 9.784, de 1999, bem como no critério da adequação entre meios e fins (previsto para o processo administrativo no art. 2º, inciso VI, daquela mesma norma), acatar a juntada de provas fora das regras prescritas no PAF. Fl. 219DF CARF MF 10 Com a devida vênia, entendo que tal corrente não observa que a própria disciplina trazida pelo Decreto nº 70.235, de 1972, já adota uma "formalidade moderada", quando prevê hipóteses razoáveis em que se pode mitigar o formalismo de se exigir que as provas sejam apresentadas no momento da Impugnação. Não há uma formalidade irrestrita ou exacerbada no dispositivo em questão, mas um regramento, adequado e necessário a meu ver, para o saudável funcionamento do processo administrativo, sem margens a chicanas, máfé processual ou indevida protelação. Válida mais uma vez a lição da Professora Professora Fabiana Del Padre Tomé (Op. cit.): "A doutrina costuma distinguir verdade material e verdade formal, definindo a primeira como a efetiva correspondência entre proposição e acontecimento, ao passo que a segunda seria uma verdade verificada no interior de determinado jogo, mas susceptível de destoar da ocorrência concreta, ou seja, da verdade real. Com base em tais argumentos, é comum identificar o processo administrativo tributário com a busca pela verdade material, e o processo judicial tributário com a realização da verdade formal. Nesse sentido posicionamse Alberto Xavier, Paulo Celso B. Bonilha e James Marins, dentro outros, considerando a busca pela verdade material um princípio de observância indeclinável da administração tributária, em oposição ao princípio da verdade formal que preside o processo civil e prioriza a formalidade processual probatória. Essa corrente doutrinária proclama o abandono da formalidade, na esfera administrativa, em prol da produção de prova e contraprova, para, com isso, alcançar a verdade material. Tal conclusão, entretanto, não procede. O que se consegue, em qualquer processo, é a verdade lógica, obtida em conformidade com as regras de cada sistema. Conquanto nos processos administrativos sejam dispensadas certas formalidades, isso não implica a possibilidade de serem apresentadas provas ou argumentos a qualquer instante, independentemente da espécie e forma. É imprescindível a observância do procedimento estabelecido em lei, ainda que esse rito dê certa margem de liberdade aos litigantes." Observase, portanto, que esta busca pela verdade material, bem como o atendimento ao citado critério da adequação entre meios e fins, não pode ser algo que passe ao largo dos procedimentos estabelecidos, e tolere que o administrado vá apresentando as provas "a contagotas", mesmo que em momento processual posterior ao adequado. Lembrese que o art 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, como acima destacado, impõe ao sujeito passivo a apresentação na Impugnação das "provas que possuir", sob pena, inclusive de representar a supressão da instância, com a consequente violação do devido processo legal, posto que a conduta do sujeito passivo subtrairia ao julgador de primeira instância a possibilidade de apreciar as provas juntadas em momento posterior, que seriam examinadas, exclusivamente, pelo julgador do CARF. Tal fato, inclusive, é constatado pela Recorrente, que apresenta pedido subsidiário para que os autos sejam baixados à autoridade julgadora a quo, para que esta possa se pronunciar sobre os novos elementos de prova. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13888.903425/201571 Acórdão n.º 1302003.255 S1C3T2 Fl. 7 11 Ora, se a regra processual foi originalmente prevista para os procedimentos de constituição do crédito tributário, quanto mais válida será para os procedimentos de restituição e compensação, em que o ônus de provar a existência do direito creditório recai exclusivamente sobre o sujeito passivo. Ressalvo, apenas para demonstrar a ausência de zelo do sujeito passivo na busca de comprovar o direito creditório que invoca, que, ainda que fossem acatados os novos documentos apresentados, nada trariam de prova inconteste do referido crédito. É que os elementos em questão se limitam a cópias simples do Diário Geral de 2011; do Razão Analítico das contas "Prestação de Serviços" e "Vendas de Mercadorias"; e do balancete de verificação relativo a junho de 2011. É óbvio que tais elementos são um começo de prova em favor do direito creditório do sujeito passivo, mas estão longe de conferir a liquidez e certeza necessária. Se o sujeito passivo confessou, à época dos fatos geradores, um valor de débito e o quitou por recolhimento; se o sujeito, tempos depois, informou este mesmo valor em sua DIPJ, qual a razão para, agora, afirmar que tal valor está incorreto? É imprescindível que ele explicite o erro cometido e como chegou ao novo valor. Assim, mesmo que se acatem os novos documentos (decisão da maioria dos meus pares), terseia a mesma situação em que se encontrou a DRJ, ou seja, elementos de prova insuficientes, sendo que a realização de diligência para a complementação documental não significaria mero esclarecimento de dúvida para a formação do convencimento do julgador, mas o suprimento da ineficiência da instrução probatória realizada pelo sujeito passivo. Os novos elementos apresentados em nada esclarecem qual foi o erro que motivou o suposto pagamento a maior. Quais foram os valores alterados na nova apuração? Não se sabe. Onde estão as provas hábeis a comprovar o indébito? A Recorrente não as apresentou. Concluise, portanto, que o sujeito passivo não provou a liquidez e certeza do crédito utilizado na Dcomp de que tratam os presentes autos. Isto posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação realizada na Dcomp apresentada. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Declaração de Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Com a devida venia ao D. Relator mas, o caso vertente, conforme posição por mim adotada em diversos processos passados, o ônus probatório em procedimentos de compensação administrativa é, para além de dúvidas razoáveis, do contribuinte. Isto é, a luz dos preceitos do art. 170 do CTN, a liquidez e certeza do crédito cuja recuperação se postula Fl. 221DF CARF MF 12 deve ser demonstrada pelo contribuinte, quando assim for instado pelas autoridades competentes. E, para que não recaia sobre mim a pecha de incoerente, sustento, de fato, que pelo princípio da verdade material seja atribuível às autoridades administrativas o mister de, quando menos, declinar os motivos que as levaram a não reconhecer a mencionada liquidez e certeza do direito creditório postulado (de sorte que o contribuinte possa entender, quiçá, quais provas deva produzir). Na hipótese em exame, todavia, o recorrente transmitiu DCOMP, veiculando um crédito cujo valor, declinado em DARF que lhe dera origem, estava integralmente vinculado a um débito regularmente confessado, sem que se apurasse qualquer saldo a compensar... Em outras palavras, a autoridade administrativa, aqui, por uma limitação imposta pelo próprio postulante, apontou como "questão problema" apenas a inexistência de saldo compensável, desincumbindose, neste particular, do dever de indicar qualquer outro ponto de discórdia, até por ausência de dados suficientes para assim se proceder. Não me oponho, é verdade, a que o contribuinte apresente DCTF ou mesmo DIPJ retificadora, sob alegação de erro de preenchimento, mesmo que posteriormente à prolação do competente despacho decisório desde que, contudo, esta correção venha devidamente acompanhada dos documentos que lhe comprovem a lisura e acuidade (o ônus, insistase, é de que retifica a declaração). Até porque, por força dos preceitos do art. 373, I, do CPC, compete ao requerente a comprovação do "fato constitutivo de seu direito". Se o fato que constitui o direito é o erro de preenchimento de DCTF ou DIPJ, compete a quem o alega a sua demonstração e tal demonstração deve ser feita no momento oportuno, isto é, quando da apresentação de sua impugnação (art. 16 do Decreto 70.235/75). Assim, entendo, a apresentação extemporânea de documentos necessários ao cumprimento do dever definido nos mencionados preceitos legais (art. 371 do CPC e 16 do Decreto 70.235), impede o seu conhecimento nesta fase processual. O motivo que me levou, no entanto, a concordar com as conclusões do D. Relator, cinge ao fato da maioria de meus pares ter decidido por, justamente, conhecer dos documentos trazidos pelo recorrente por ocasião da interposição de suas razões de insurgência, a par das limitações do, por vezes invocado, art. 16 do Decreto 70.235. Ato contínuo, conhecidos os preditos documentos, a única conclusão que me resta é pela procedência das alegações trazidas pelo insurgente, e, assim, reconhecer o seu direito creditório conforme posto pelo voto vencedor. Por tais razões, e só por elas, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 222DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15868.720030/2017-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2011, 2012, 2013
PRELIMINARES DE NULIDADE.
Inexistem causas de nulidade nos termos do que dispõe o art. 12 do RPAF. As supostas causas de nulidade são objeto de Súmula deste CARF, que vinculam este julgador.
ARGUIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE
O CARF não é competente para afastar a aplicação de lei ou considerá-la inconstitucional. Aplicação da Súmula 2 do CARF.
GLOSA DE CUSTOS. DESPESAS NÃO COMPROVADAS.
Para se comprovar uma despesa, de modo a torná-la dedutível, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve o desembolso. É requisito essencial para a sua dedutibilidade a comprovação da efetiva prestação do serviço, com documentação hábil e idônea.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se às contribuições sociais, no que couber, o que foi decidido para a obrigação matriz, imposto de renda, dada a íntima relação de causa e efeito que as une.
IRRF. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU QUANDO REFERIR-SE A OPERAÇÃO OU CAUSA NÃO COMPROVADA.
Se sujeita à incidência do imposto de renda na fonte, com alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiro ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
CONDUTA DOLOSA. MULTA QUALIFICADA.
Caracterizada a conduta dolosa do sujeito passivo, aplica-se a multa qualificada prevista na legislação de regência.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
Restou claramente configurada a responsabilidade prevista no art. 135 do CTN vez que o administrador agiu contra lei, utilizando-se de documentos ideologicamente falsos e de uma empresa de fachada para reduzir a base tributável e realizar pagamentos para beneficiários não identificados.
APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR.
Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE
Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal.
Numero da decisão: 1401-003.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as arguições de nulidade e de decadência e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a aplicação da multa isolada sobre estimativas, vencidos os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano, Sérgio Abelson e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Sérgio Abelson (Suplente Convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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Inexistem causas de nulidade nos termos do que dispõe o art. 12 do RPAF. As supostas causas de nulidade são objeto de Súmula deste CARF, que vinculam este julgador. ARGUIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para afastar a aplicação de lei ou considerála inconstitucional. Aplicação da Súmula 2 do CARF. GLOSA DE CUSTOS. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Para se comprovar uma despesa, de modo a tornála dedutível, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve o desembolso. É requisito essencial para a sua dedutibilidade a comprovação da efetiva prestação do serviço, com documentação hábil e idônea. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase às contribuições sociais, no que couber, o que foi decidido para a obrigação matriz, imposto de renda, dada a íntima relação de causa e efeito que as une. IRRF. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU QUANDO REFERIRSE A OPERAÇÃO OU CAUSA NÃO COMPROVADA. Se sujeita à incidência do imposto de renda na fonte, com alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiro ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 00 30 /2 01 7- 60 Fl. 7853DF CARF MF 2 CONDUTA DOLOSA. MULTA QUALIFICADA. Caracterizada a conduta dolosa do sujeito passivo, aplicase a multa qualificada prevista na legislação de regência. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Restou claramente configurada a responsabilidade prevista no art. 135 do CTN vez que o administrador agiu contra lei, utilizandose de documentos ideologicamente falsos e de uma empresa de fachada para reduzir a base tributável e realizar pagamentos para beneficiários não identificados. APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as arguições de nulidade e de decadência e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a aplicação da multa isolada sobre estimativas, vencidos os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano, Sérgio Abelson e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Sérgio Abelson (Suplente Convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Fl. 7854DF CARF MF Processo nº 15868.720030/201760 Acórdão n.º 1401003.035 S1C4T1 Fl. 7.854 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Brasília (DF), que julgou procedente em parte a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte em virtude de supostas infrações a legislação tributária, exigindose o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF, o Imposto de Renda Pessoa Jurídica e a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, lavrado para formalização e exigência de crédito tributário no valor total do auto de IRPJ de R$ 21.375.522,20, CSLL de R$ 7.790.141,76, e o IRFF de R$ 17.957.233,65, além de juros e multa. As exigências tributárias referemse a: · Custos não comprovados apurados de despesas operacionais; · Falta de pagamento do Imposto sobre a Renda da Pessoa jurídica, incidente sobre a base de calculo estimada em função de balanço ou balancete de suspensão ou redução; · Custos não comprovados apurados conforme descrito no Relatório Fiscal anexado aos autos com despesas operacionais e encargos não comprovados; · Falta de pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido por estimativa incidente sobre a base de calculo estimada em função de balanço ou Balancete de suspensão ou redução; · Valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre pagamentos efetuados a terceiros, contabilizados ou não, cujas operações e causas não foram comprovadas. Ciente da autuação em 16/05/2017 o interessado (CONSTRUCAP CCPS ENGENHARIA E COMÉRCIO S/A) apresenta IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA – em 14/06/2017 (fls. 509/571), na qual alegou em síntese: 1. Quanto à dedutibilidade das despesas: Afirma que “a comprovação da efetiva prestacã̧o de um serviço pode ser feita pela reunião de diversos elementos, a saber, as notas fiscais emitidas em função dos serviços prestados, contratos firmados, relatórios de reuniões realizadas, corresponden̂cias e ‘emails’ trocados entre as partes, etc., pois tais documentos permitem que se comprove, ainda que indiretamente, que ocorreu a efetiva prestação dos servico̧s”; 2. Que há que se atentar para o fato de que a legislacã̧o que disciplina a matéria não impõe à empresa a apresentação de relatórios de serviços ou outros documentos relacionados à prestação de serviços, sendo que tal apresentação é apenas mais um elemento que, somado a outros, demonstra que ocorreu a efetiva prestação dos serviços; Fl. 7855DF CARF MF 4 3. Que, se a natureza dos servico̧s prestados e sua inserção na rotina da empresa tomadora dos serviços naõ permitem que sejam apresentados relatórios detalhados de atividades, e se a fiscalizaçaõ não apresenta qualquer indício de que estes não tenham sido prestados, fundando sua glosa na ausência de apresentaçaõ de relatórios de atividades e documentos correlatos, ou ainda, sem declinar o porque ̂ da não aceitacã̧o dos documentos apresentados, é de rigor a conclusão pelo cancelamento da exigen̂cia fiscal, pois a exigência de comprovaçaõ da efetiva prestação dos serviços deve guardar relação de coeren̂cia com o tipo de serviço de que se cuida; 4. Que não é admissível que a Fiscalizacã̧o sem qualquer prova ou indício veemente, desconsidere a documentaçaõ apresentada pelo contribuinte para comprovar a efetiva prestaçaõ de serviços, glosando as despesas deduzidas, sob o argumento de que não se provou, com a apresentacã̧o de “relatórios técnicos, estudos, memoriais, levantamento de dados e análises, projetos, planos de açaõ, cronogramas, planilhas, pareceres, resultados, atas de reunião, relatórios de viagens, comprovantes de viagens efetuadas etc”, a efetiva prestacã̧o dos serviços, tambeḿ não sendo admissível que as exigen̂cias de comprovação desconsiderem as características dos serviços prestados, ultrapassando os limites da razoabilidade; 5. Que o teor do “Instrumento Particular de Subempreitada” firmado entre a CONSTRUCAR CONSTRUÇÃO, COMÉRCIO E SERVICOS LTDA ME e o Consórcio Construtor Nova Arena BH, onde no escopo do contrato está claro que “constitui objeto deste contrato a execucã̧o da prestação de serviços de corte e dobra, montagem de CA 50, montagem e desmontagem de forma, montagem e desmontagem de cimbramento metálico, lançamento e adensamento de concreto magro e estrutural, fundacã̧o e reaterro compactado pela CONTRATADA, devendo esta fornecer toda a mão de obra, todos os materiais e todos os equipamentos necessários para a consecucã̧o do objeto contratual, doravante denominados simplesmente SERVIÇOS, que deverão ser executados na Avenida Abrahão Caram, no 1001, Belo Horizonte, doravante denominado simplesmente LOCAL DAS OBRAS, incluído, se for o caso, a obtencã̧o de liberacõ̧es de licenças; 6. Que, do mesmo modo, o contrato firmado entre a CONSTRUCAR CONSTRUÇAO, COMERCIO E SERVICOS LTDA ME e o Consórcio Construcap CEC, onde está consignado que o objeto do contrato era “prestação de serviços de montagem e desmontagem de formas incluso cimbramento e recimbramento de lajes e concreto na obra do Novo Hospital Dório Silva no Município de Serra – ES”, demonstra que os serviços contratados junto à empresa em questão tem total e completa relação com as atividades desenvolvidas pela Reqte., constituindo, em verdade, subcontratacõ̧es feitas para se cumprir integralmente o contrato frimado entre a Reqte. e o Contratante Principal; 7. Que não é admissível que diante da apresentação de prova documental consistente na apresentação dos (i) contratos de prestação Fl. 7856DF CARF MF Processo nº 15868.720030/201760 Acórdão n.º 1401003.035 S1C4T1 Fl. 7.855 5 de serviços de subempreitada firmados com a CONSTRUCAR CONSTRUÇAO, COMERCIO E SERVICOS LTDA ME; (ii) boletins de mediçaõ e relatórios descritivos dos serviços prestados; (iii) comprovação dos pagamentos efetivados por força dos contratos; (iv) termos de encerramento de cada contrato; (v) cópias dos relatórios de presenca̧ dos funcionaŕios da CONSTRUCAR nos treinamentos ministrados pela Reqte. para o pessoal de obra; (vi) comprovação de que a Reqte. foi demanda em 249 acõ̧es trabalhistas na posiçaõ de responsável solidária com a CONSTRUCAR em razão de serviços prestados nas obras da Reqte., afirmese que os serviços não foram realmente prestados; 8. Que nem se diga que a declaração de inidoneidade de tal empresa efetivada agora por força do fato de que esta não teria entregue suas DIPJs após o ano de 2013 demonstraria que os serviços naõ foram prestados, pois os serviços ora tratados foram prestados antes disso e irregularidades fiscais posteriores não tem o condão de afetar a realidade do fato de que os serviços em questão foram prestados; 9. Que a fiscalizaçaõ não avaliou o quadro de funcionários atual da Reqte., a crise do mercado de construçaõ civil que fez com esta dispensasse praticamente todos os seus funcionários, os registros de funcionários da época dos fatos tratados no presente feito, as acõ̧es trabalhistas movidas pelos seus exfuncionários da CONSTRUCAR, logo, não poderia afirmar inexisten̂cia de capacidade operacional sem que esses pontos tivessem sido avaliados e as respectivas provas carreadas aos autos; 10. Que a fiscalizacã̧o não considerou que o Sr. Carlos Roberto Rodrigues de Morais e o Sr. Ronilson da Costa Barbosa fizeram declaraçaõ clara no procedimento instaurado para baixa do CNPJ da CONSTRUCAR, sendo que estes declararam que constituíram a empresa e que ela, apesar de atualmente ter apenas uma funcionária, ela já possuiu, entre 2009 e 2010, 250 funcionários e que, entre 2011 e 2015, alcanco̧use a marca de 800 funcionários; 11. Que a contratação dos serviços prestados pela CONSTRUCAR CONSTRUÇAO, COMERCIO E SERVICOS LTDA ME fezse necessária para que a Reqte. pudesse dar integral cumprimento aos termos dos contratos firmados com empresas particulares e com entes públicos, de modo que se fazem absolutamente legítimas as deduções efetivadas dos custos dos serviços tomados e a prova documental carreada aos autos é cabal na demonstração da efetividade dos serviços prestados; 12. Requerse que seja acolhida e provida a presente impugnacã̧o, restabelecendose a deduçaõ das despesas decorrentes dos serviços prestados pela empresa CONSTRUCAR CONSTRUÇAO, COMERCIO E SERVIÇOS LTDA no período objeto dos lanca̧mentos fiscais ora impugnados, pelas razões postas nas linhas Fl. 7857DF CARF MF 6 antecedentes, com o cancelamento integral dos autos de infração lavrados para a exigência de valores a título de IRPJ, CSLL e multas correlatas, os quais são absolutamente improcedentes; 13. Quanto ao IRRF e os pagamentos feitos à Construcar: (...) “que não pode o Fisco considerar esses pagamentos como pagamentos sem causa, eis que a causa que os motiva é a liquidaçaõ dos servico̧s de subempreitada contratados e executados pela empresa CONSTRUCAR CONSTRUÇAO, COMERCIO E SERVICOS LTDA ME diretamente para a Requerente ou para os Consórcios dos quais esta fazia parte; 14. Que não está presente no caso vertente a figura do pagamento sem causa, pois, em verdade, o que existem são pagamentos feitos pela Requerente e pelos Consórcios em razão dos serviços que foram efetivamente prestados pela empresa CONSTRUCAR CONSTRUÇAO, COMERCIO E SERVICOS LTDA ME, não podendo os AFRFB autuantes desconsiderarem a natureza de tais pagamentos apenas porque não aceitaram os contratos e boletins de mediçaõ como provas hábeis à demonstracã̧o da efetividade dos serviços, numa postura, inclusive, de total desconsideração para com toda a prova documental apresentada na fase de fiscalizacã̧o e que não foi sequer referenciada no TVF; 15. Que, se há um fundamento e/ou uma justificativa, já não se está mais no âmbito de um pagamento sem causa, mas sim no da avaliaçaõ da qualidade da despesa, se ela é necessária para as atividades da empresa e, portanto, se se trata de despesa dedutível; 16. Que os esclarecimentos prestados nas linhas antecedentes, em conjunto com a farta documentação acostada aos autos comprovam não só a efetividade dos serviços prestados como a necessidade de tais serviços para a consecução das atividades da Requerente; 17. Que é inviável a cobrança do IRRF, à alíquota de 35%, cumulada com o alargamento da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, via glosa das despesas incorridas pela Reqte., sob pena de se configurar bis in idem e confisco. E isso se dá na medida em que se pretende tributar, de duas formas distintas, a mesma base de cálculo; 18. Que a incidência do IRRF prevista no art. 61 da Lei no 8.981/95, pretendida pela fiscalizacã̧o, só seria aplicável se as despesas não tivessem sido glosadas, ou, alternativamente, a cobranca̧ do IRRF de 35% seria possível se o pagamento feito pela Requerente. não tivesse ensejado reconhecimento de despesa; 19. Que, em nenhum momento a fiscalizacã̧o negou que tais pagamentos foram efetuados para a empresa CONSTRUCAR, mas apenas questionou sua dedutibilidade para fins de apuracã̧o do IRPJ e da CSLL à luz das regras de dedutibilidade de que trata o art. 299 do Decreto no 3.000/99 e o Parecer Normativo CST no 32/81; Fl. 7858DF CARF MF Processo nº 15868.720030/201760 Acórdão n.º 1401003.035 S1C4T1 Fl. 7.856 7 20. Que seja cancelada a integralidade da cobranca̧ de IRRF lavrada em face da Requerente, e, subsidiariamente, requerse sejam reconhecidos os créditos relativos aos tributos já retidos pela Requerente. e pelos Consórcios dos quais fez parte dos pagamentos efetivados à CONSTRUCAR CONSTRUÇAO, COMERCIO E SERVICOS LTDA ME”; 21. Quanto à multa qualificada: que “se constata da leitura do relatório fiscal, que os AFRFB autuantes apoiaram a aplicação da multa qualificada de que ora se trata na suposiçaõ de que se teria agido de maneira evasiva, com o registro de pagamentos com histórico contábil falso, utilizandose de documentação inidônea, de modo que tais atos teriam sido praticados deliberada e sistematicamente com a presença de dolo para a sonegacã̧o de tributos”; 22. Que só se pode cogitar da aplicacã̧o da multa qualificada se estiver provada nos autos do feito administrativo a presença do dolo específico que é elemento essencial da sonegação e da fraude e também se a conduta imputada ao contribuinte estiver descrita e capitulada de modo claro numa dessas figuras, pois, em razão do caráter penal de tal multa, só se pode admitir que ela seja aplicada na sua forma qualificada a determinado contribuinte se a fiscalização tiver, com clareza, individualizado sua conduta, com a indispensável capitulação do tipo que lhe é imputado, por conta do princípio da tipicidade estrita que vige em tais casos; 23. Que deverá a fiscalizacã̧o, ao qualificar a multa, comprovar e demonstrar os ardis e subterfúgios utilizados pelo contribuinte para alcançar seu objetivo ilícito, com a indicacã̧o dos atos concretos que comprovam a presença do intuito de se fraudar ou de se sonegar; 24. Que não há qualquer sorte de dolo específico e tampouco de fraude, conluio ou sonegação com relação à CONSTRUCAR CONSTRUÇAO, COMERCIO E SERVICOS LTDA ME; 25. Que não há nenhum elemento de prova carreado aos autos pela fiscalizaçaõ no sentido de que a Requerente teria agido movida pela presença de dolo específico e direcionado para, mediante a utilização de ardis e artifícios, causar prejuízo ao Fisco; 26. Que, ao contrário, foram postas no TVF inúmeras digressões sobre as investigações feitas pelo Ministério Público Federal e Polícia Federal com relaçaõ ao Consórcio Novo Cenpes, do qual a Requerente. fez parte, mas é certo que o prestador de serviços CONSTRUCAR CONSTRUÇAO, COMERCIO E SERVICOS LTDA ME naõ está sequer mencionado nas transcricõ̧es feitas pela fiscalizaçaõ de trechos da acusaçaõ feita pelo Ministério Público para amparar a aplicação da multa qualificada; 27. Que a fiscalizaçaõ não aceitou a documentacã̧o apresentada para a comprovação dos serviços prestados e, sem produzir qualquer sorte de Fl. 7859DF CARF MF 8 prova da existência de fraude, conluio ou sonegação, aplicou a multa qualificada nas exigências fiscais vinculadas à CONSTRUCAR CONSTRUÇAO, COMERCIO E SERVICOS LTDA ME em hipótese na qual a multa qualificadora evidentemente não é aplicável; 28. Quanto a decadência: Afirma que “o afastamento da multa qualificada imposta nos autos de infração ora impugnados, com base nas razões de fato e de direito acima elencadas gera a constatacã̧o de que, quando menos, já estão extintos por decaden̂cia os débitos de IRPJ e CSLL relativos ao período entre janeiro/2011 e dezembro/2011, ou seja, aqueles que dizem respeito ao anocalendário 2011; 29. Que, “no que diz respeito ao IRRF, é de se frisar que parte dos débitos exigidos no auto de infraçaõ ora impugnado já está extinta pela decadência, eis que, em sendo o fato gerador do IRRF apurado diariamente, pois o §2o do artigo 674 é claro ao asseverar que “considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância”, já estão extintos pela decadência os deb́itos exigidos com relação ao período entre 10/01/2012 e 12/06/2012, por decurso do prazo de decadência quinquenal; 30. Que não se faz possível a aplicacã̧o da multa isolada sobre o valor da estimativa, após o encerramento do ano calendário, de modo concomitante com a aplicação da multa de ofício; 31. Requereu o acolhimento da impugnação, “para o fim de que sejam consideradas dedutíveis todas as despesas e custos decorrentes dos serviços que foram prestados pela empresa CONSTRUCAR CONSTRUÇAO, COMERCIO E SERVICOS LTDA ME a ̀Reqte. e aos Consórcios dos quais esta fazia parte, que foram indevidamente glosados pela fiscalização, cancelandose a integralidade dos autos de infração lavrados para a exigência de IRPJ, CSLL e multas isoladas em face da Reqte. e ora impugnados no presente feito; 32. Que, como consequen̂cia do afastamento da multa qualificada pleiteado no item antecedente, pede a Requerente., subsidiariamente, seja a presente impugnacã̧o acolhida e provida para o fim de se reconhecer que estão extintos por decaden̂cia os débitos de IRPJ e CSLL relativos ao anocalendário 2011, reconhecendose, ainda, a decadência que já extinguiu os débitos de IRRF exigidos com relação ao período entre 10/01/2012 e 12/06/201”. ÀS Fls. 1033/1082 DOS AUTOS – IMPUGNAÇÃO DE Nº 2 APRESENTADA POR “ROBERTO RIBEIRO CAPOBIANCO”, que além de repisar os argumentos aduzidos pela contribuinte em contestação à multa qualificada, trouxe os seguintes argumentos: 1. Que de início, devese ressaltar que, em que pese o procedimento fiscal tenha sido instaurado em face da empresa Construcap CCPS em razão do seu suposto envolvimento na operação denominada Lava Jato, deflagrada pelo Ministério Público Federal (MPF), Polícia Fl. 7860DF CARF MF Processo nº 15868.720030/201760 Acórdão n.º 1401003.035 S1C4T1 Fl. 7.857 9 Federal (PF) e Receita Federal do Brasil (RFB), para a investigação de um esquema de corrupção na Petrobrás, devendose dar o devido destaque a forma detalhada como o AFRFB autuante tratou dessas acusações em seu TVF, é certo que o exame atento de sua íntegra revela que o próprio AFRFB não afirma, em momento algum, que os serviços prestados por CONSTRUCAR CONSTRUÇÃO, COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA ME tenham qualquer espécie de relação com as supostas práticas delituosas nele relatadas e que são objeto de investigação pelos órgãos competentes; 2. Que o que se busca com o relato efetivado é estabelecer uma presunção de que, dadas as acusações que estão sendo investigadas pelos órgãos competentes (Ministério Público e Polícia Federal) sob o manto da Operação Lava Jato com relação ao Consórcio Novo Cenpes, do qual a empresa Construcap CCPS participava em conjunto com outras empresas, todos os prestadores de serviços que prestaram serviços para a empresa Construcap CCPS e para os Consórcios dos quais ela participou nos anos entre 2011 e 2013 não o fizeram de forma real, quando então se estaria diante de contratos celebrados de forma fraudulenta e que não corresponderiam a serviços efetivamente prestados; 3. Que “a leitura do TVF revela que os serviços que foram prestados a empresa Construcap CCPS por CONSTRUCAR CONSTRUÇÃO, COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA ME não possuem qualquer relação com a Operaçao Lava Jato, até mesmo porque nas acusações advindas do Ministério Público e que estão relatadas no TVF não há qualquer menção a referida empresa”; 4. Que, “nada obstante toda a narrativa efetivada no TVF acerca das investigações em curso na Operação Lava Jato, a leitura do Termo de Fiscalização evidencia que, com relação a empresa CONSTRUCAR CONSTRUÇÃO, COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA ME, a discordância da fiscalização fundase exclusivamente da afirmação de que a Construcap não apresentou documentos comprobatórios dos serviços que lhe foram prestados”; 5. Que “dessa suposta ausência de comprovação da efetiva prestação dos serviços passam os Agentes Fiscais autuantes as afirmações de que os serviços não foram prestados, de que se que se tratava de empresa “noteira” utilizada por operadores para operacionalizar o pagamento de propina a diversos agentes e ingerências do gênero”; 6. Que “tanto é fato que se tratam de inferências totalmente descontextualizadas e dissonantes da realidade documental do processo que no TVF que instrui os autos de infração lavrados em face da empresa Construcap CCPS, especificamente nos itens 7, 7.1 e 7.2, onde são descritas as supostas infrações imputadas a empresa Construcap CCPS, os AFRFB autuantes não mencionam qualquer elemento que relacione tal empresa com a Lava Jato”; Fl. 7861DF CARF MF 10 7. Que “invocouse, ainda, o resultado tido por alcançado no processo instaurado para a baixa de ofício do CNPJ da Construcar (nº 10.774.616/000173), decretada com efeitos a partir da constituição da empresa, ou seja, 12/03/2009, sob a alegação de que a Construcar não dispunha de patrimônio próprio e não possuiria capacidade operacional para a realização do seu objeto, inexistindo de fato, o que conduziu a fiscalização a conclusão de que ela não prestou serviços a empresa Construcap CCPS”; 8. Que “mencionase, ainda, que os documentos integrantes da Representação Fiscal para baixa de Ofício do CNPJ da CONSTRUCAR seriam carreados aos autos do presente feito, o que não ocorreu, eis que nos presentes autos não constam as provas as quais se refere a fiscalização, o que se afigura um procedimento que gera preterição do direito de defesa da empresa Construcap CCPS e do Requerente”; 9. Que, “dentre os elementos motivadores da conclusão da fiscalização de que a Construcar nunca existiu de fato estaria o fato de que esta somente apresentou DIPJ com relação aos anos de 2011 e 2012, não tendo apresentado declarações com relação aos anos subsequentes”; 10. Que “tratase, portanto, de informação leviana e absolutamente improcedente, desgarrada do teor das investigações que estão sendo feitas pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal e que tem como única finalidade descaracterizar serviços licitamente prestados a empresa Construcap CCPS, afirmandose, categoricamente, que estes não foram prestados e inferindose, de forma absolutamente infundada, que estes apenas visavam "dar saída de dinheiro dos seus cofres como se fosse um pagamento regular”; o) que, além de se ter apresentado (i) todos os contratos celebrados com a empresa Construcap CCPS e os Consorcios contratantes da Construcar, cuja leitura demonstra a relevância dos serviços desempenhados para o bom andamento da obra, bem como as responsabilidades tecnicas assumidas pela Construcar e (ii) processos completos de pagamento de cada uma das notas, nos quais constam a autoriza9ao de diversos setores da empresa Construcap CCPS e Consórcios para a realização dos pagamentos e Boletins de Medição/Relatórios de Medição, parte dos quais também estão assinados pela empresa Construcap CCPS; também foram apresentados (iii) Termos de Encerramento das Obras, onde as partes se deram quitação com relação aos serviços prestados; (iv) copias de ações trabalhistas movidas por funcionários que atuaram nas obras em face da Construcar e da Reqte. e (iv) Listas de presença de funcionários da CONSTRUCAR que participaram de treinamentos ministrados pela empresa Construcap CCPS durante o período de realização das obras, provas estas que são cabais demonstração de que não se está diante de “empresa noteira”, mas sim pessoa jurídica que prestou serviços a empresa Construcap CCPS durante o período fiscalizado, tendo a empresa Construcap CCPS treinado alguns de seus funcionarios e sido acionada em reclamações trabalhistas movidas por outros”; Fl. 7862DF CARF MF Processo nº 15868.720030/201760 Acórdão n.º 1401003.035 S1C4T1 Fl. 7.858 11 11. Que “agindo de modo a buscar fundamento para sua afirmação de que os serviços não teriam sido prestados, a fiscalização sequer juntou esses documentos aos autos do processo administrativo no bojo do qual foram lavrados autos de infração em face da empresa Construcap CCPS, pois juntou essa documentação aos autos do presente feito em forma de arquivo não paginável localizável a partir das fls. 308”. 12. Que se tivesse examinado os documentos apresentados com maior profundidade, teria a fiscalização constatado que a prestação dos serviços estava devidamente comprovada, até mesmo porque somente poderia a empresa Construcap CCPS ter sido acionada em processos trabalhistas por funcionários de CONSTRUCAR se estes tivessem, como de fato ocorreu, prestado serviços em obras de sua responsabilidade; 13. Que o mais do que foi dito são ilações da fiscalização sem respaldo em qualquer sorte de prova, ilações nas quais se baseou a fiscalização para inclusive, aplicar multa qualificada no ato da lavratura dos lançamentos fiscais em discussão e mais ilações nas quais se baseou a fiscalização também para imputa responsabilidade solidária pelos débitos autuados ao Requerente; 14. Que “o Requerente. foi responsabilizado, de modo solidário, pelas exigências fiscais lavradas em face da empresa Construcap CCPS pelo fato de ocupar o cargo de Diretor Presidente da referida empresa e por, supostamente, ter praticado atos com infração à lei, na forma de sonegação, fraude e conluio, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64”; 15. Que “os únicos elementos apresentados pela fiscalização para sustentação da afirmação de que o Requerente. teria praticado atos com infração a lei são alguns trechos da denuncia oferecida pelo Ministério Público Federal na operação Lava Jato que deu origem a ação penal n° 503780018.2016.404.7000”; 16. Que “se não há qualquer menção a essa empresa na investigação em questão, afigurase claro que não pode o Requerente. ser responsabilizado pelos débitos oriundos dos autos de infração lavrados no presente feito por conta de sua suposta participação na Operação Lava Jato, conforme denúncia oferecida pelo MPF e que esta sendo apurada na ação penal n. 503780018.2016.404.7000, pois na referida ação penal não foi feita qualquer acusação em face do Reqte. que diga respeito a referida empresa”; 17. Que “é inegável que os AFRFB não comprovaram a presença dos requisitos agasalhados no inciso III do art. 135 do CTN, que são fundamentais para que se possa cogitar da responsabilidade de pessoas físicas por débitos de pessoas jurídicas”; 18. Que a responsabilidade dos diretores, gerentes ou administradores pelos débitos da pessoa jurídica somente pode ser cogitada quando Fl. 7863DF CARF MF 12 restar comprovado que tal agente praticou atos dolosos com o intuito de infringir a lei, ao contrato social ou aos estatutos da empresa, de sorte que tal responsabilidade somente poderá ser suscitada quando restar provada a conduta dolosa; 19. Que a mera transcrição de trechos da denúncia formulada pelo MPF na operação Lava Jato que não dizem respeito à empresa acusada de não ter prestado serviços a empresa Construcap CCPS não é suficiente para comprovar que o Reqte. Tenha agido com fraude, dolo ou máfé, pois o fato apontado não é objeto da referida ação penal e não ha nada que comprove sua participação nos eventos motivadores da lavratura dos autos de infração já impugnados no presente feito; 20. Que, “no que diz respeito ao IRRF, também há que se ter presente que a impossibilidade de manutenção da responsabilidade solidária em face do Reqte. também decorre do fato de que terceiros não podem ser responsabilizados solidariamente em caso de tributação exclusiva na fonte, com base no art. 61 da Lei n° 8.981/1996”; 21. Que “o artigo 61 da Lei n° 8.981/1996 trata da responsabilidade prevista no artigo 121, inc. II, combinado com o artigo 128 do CTN, tratandose de responsabilidade exclusiva da fonte pagadora”; 22. Requereu o recebimento da impugnação para “cancelar integralmente o Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado em face do Reqte. e julgandose improcedente sua responsabilização solidária pelos débitos exigidos no presente feito, pelas razões expostas nas linhas antecedentes”; 23. E para o fim de que “seja afastada a aplicação da multa qualificada imposta nos autos de infração em questão, por ser medida de justiça”. O Acórdão ora Recorrido (0377.041 4ª Turma da DRJ/BSB) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012, 2013 DECADÊNCIA. REGRA DO ART.173, I, DO CTN. IRPJ. CSLL Há que se exonerar o contribuinte da parte do crédito tributário lançada após transcorridos mais de 5 anos do primeiro dia do exercício seguinte ao que o Fisco poderia lançar. GLOSA DE DESPESA. DEVIDA Há que se manter a glosa da despesa se a contribuinte não logra provar a efetiva prestação do serviço. MULTA QUALIFICADA. INDEVIDA. Fl. 7864DF CARF MF Processo nº 15868.720030/201760 Acórdão n.º 1401003.035 S1C4T1 Fl. 7.859 13 Deve ser mantida a qualificação da multa, quando restar provado o dolo de sonegar, caracterizado pelo uso de documentos ideologicamente falsos para dissimular a indedutibilidade de valores lançados como se despesas dedutíveis fossem. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2012, 2013, 2014 CAUSA DE PAGAMENTO. BENEFICIÁRIO. NÃO IDENTIFICADOS É procedente o lançamento do IRRF com base no art. 61, § 1º, da Lei 8.981/95, quando não identificada à causa ou o real beneficiário de pagamentos. MULTA QUALIFICADA. INDEVIDA. Deve ser mantida a qualificação da multa, quando restar provado o dolo de sonegar ou de fraudar, caracterizado pelo uso de documentos ideologicamente falsos para justificar a causa de pagamentos. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Isto porque, segundo entendimento da Turma, ressaltouse que "não existe qualquer relação de causa e efeito entre o lançamento do IRRF sobre pagamento sem causa e do IRPJ/CSLL em virtude da glosa de despesa. Notese que um pagamento sem causa não terá qualquer impacto na base tributável do IRPJ e da CSLL, desde que o contribuinte não o tenha contabilizado como despesa dedutível, ou seja, se a impugnante tivesse adicionado ao lucro líquido as despesas referentes a tais pagamentos sem causa, não haveria IRPJ e CSLL a serem lançados. Por sua vez, se o contribuinte contabilizou um pagamento sem causa ou sem identificação do beneficiário como despesa dedutível das bases do IRPJ e da CSLL, estamos diante também de uma despesa indevida, a qual deverá ser glosada, para fins de cálculo do lucro real e da base ajustada. Assim, totalmente descabida a alegação de que haveria um bis in idem pela cobrança de IRRF em conjunto com o IRP e CSLL. Ademais, a impugnante responde pelo IRRF na condição de fonte pagadora (art. 45 do CTN combinado com art. 61 da Lei 8.981/95); já pelos IRPJ e CSLL, responde na condição de contribuinte (sujeito passivo direto). Somese a isso o fato de que o IRPJ e a CSLL são devidos pelo recálculo das bases tributáveis a partir da glosa da despesa, pois a impugnante não logrou provar a efetiva ocorrência das operações; já com relação ao IRRF, o lançamento decorre da incidência do IRRF sobre os pagamentos que a impugnante fonte pagadora – não logrou provar as suas causas”. Não obstante, “os indícios convergentes e harmônicos coligidos no âmbito do processo de baixa do CNPJ da Construcar e que foram juntados a estes autos, conforme antes Fl. 7865DF CARF MF 14 abordados, demonstraram de maneira suficientemente contundente que a Construcar era uma sociedade com existência meramente formal e que não teria sido ela quem prestou os serviços indicados nos contratos, notas fiscais e relatórios de medição, razão pela qual há que se concluir que tais documentos são ideologicamente falsos e que foram adrede concebidos para lastrear, como se dedutíveis fossem das bases do IRPJ e da CSLL, pagamentos com fins outros que não aqueles que estavam informados nos referidos documentos. Ou seja, a um só tempo os referidos documentos ideologicamente falsos lastreavam o lançamento dos pagamentos como despesas dedutíveis e serviam para dissimular a verdadeira causa. Por essas razões, voto por manter a multa qualificada”. E que, “a sistemática de antecipação dos impostos ocorre por diversos meios previstos na legislação tributária, sendo exemplos disto, além dos recolhimentos por estimativa, as retenções feitas pelas fontes pagadoras e o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), feitos pelos contribuintes pessoas físicas. O que se tem, na verdade são diferentes formas e momentos de exigência da obrigação tributária. Todos esses instrumentos visam ao mesmo tempo assegurar a efetividade da arrecadação tributária e o fluxo de caixa para a execução do orçamento fiscal pelo governo, impondose igualmente a sua proteção (como bens jurídicos). Portanto, não há um bem menor, nem uma conduta menos grave que possa ser englobada pela outra, neste caso. Ademais, é um equívoco dizer que o não recolhimento do IRPJestimada é uma ação preparatória para a realizacã̧o da “conduta mais grave” – não recolhimento do tributo efetivamente devido no ajuste. O não pagamento de todo o tributo devido ao final do exercício pode ocorrer independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado final apurado não guarda necessariamente proporção com os valores devidos por estimativa. Ainda que o contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. As infrações tributárias que ensejam a multa isolada e a multa de ofício nos casos em tela são autônomas. A ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, logo inaplicável o princípio da consunção, já que não existe conflito aparente de normas. Ciente da decisão do Acórdão em 04/10/2017 (fl. 1145), o interessado – CONSTRUCAP CCPS ENGENHARIA E COMÉRCIO S.A., interpõe Recurso Voluntário em 01/11/2017 (fls. 1150/1234), trazendo as mesmas razões apresentadas em sede de impugnação administrativa às fls. 509/571 dos autos. Às fls. 1734 – Petição do Contribuinte – “CONSTRUCAP CCPS ENGENHARIA E COMÉRCIO” – juntada de documentos. Às fls. 7696 dos autos (segunda parte) Petição do Contribuinte – “CONSTRUCAP CCPS ENGENHARIA E COMÉRCIO” – juntada de documentos. Às fls. 7726 dos autos (segunda parte) Petição do Contribuinte – “CONSTRUCAP CCPS ENGENHARIA E COMÉRCIO” – juntada de documentos. Tais documentos foram juntados ao Recurso Voluntário e, em que pese sejam documentos que sempre estiveram de posse do contribuinte, apenas foram juntados em sede recursal. Fl. 7866DF CARF MF Processo nº 15868.720030/201760 Acórdão n.º 1401003.035 S1C4T1 Fl. 7.860 15 Às fls. 7741/ 7794 dos autos (segunda parte) Recurso Voluntário apresentado por ROBERTO RIBEIRO CAPOBIANCO, trazendo as mesmas razões apresentadas em sede de impugnação administrativa às fls. 1033/1082 dos autos. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Os recursos são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade por isso deles conheço. Da análise dos autos é fácil constatar que o Recurso Voluntário apresentado constituise de repetição dos argumentos utilizados em sede de impugnação, os quais foram detalhadamente apreciadas pelo julgador a quo. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). Fl. 7867DF CARF MF 16 Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Ademais, as centenas de documentos juntados pela Recorrente, se não bastasse a preclusão processual que impediria esse julgador de apreciálo em sua grande parte, em nada lhe acrescem vez que apenas serviriam para confirmar a tese de impugnação reafirmada em sede recursal. Outrossim, os documentos apresentados, no meu entender, não possuem o condão de modificar a decisão recorrida vez que suficientemente demonstrada e comprovada a inexistência de substrato para sustentar a validade das despesas realizadas. Assim, desde já proponho a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, com exceção da matéria relativa à cumulação da multa isolada e de ofício, para a qual tenho posicionamento diverso e analisarei ao final, considerandose como se aqui transcrito integralmente o voto da decisão recorrida: PRELIMINARMENTE PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA Alega o responsável tributário que a Fiscalização menciona “que os documentos integrantes da Representação Fiscal para baixa de Ofício do CNPJ da CONSTRUCAR seriam carreados aos autos do presente feito, o que não ocorreu, eis que nos presentes autos não constam as provas as quais se refere a fiscalização, o que se afigura um procedimento que gera preterição do direito de defesa da empresa Construcap CCPS e do Requerente”. Equivocase o responsável tributário, pois todos os documentos foram juntados ao processo na pasta (não paginável) intitulada “Baixa de Ofício do CNPJ da Construcar – Cópia Elementos do PA 19515720254201702”, a qual faz parte dos autos do processo eletrônico e sempre esteve à disposição dos recorrentes. Aliás, vale esclarecer que os arquivos não pagináveis devem sempre estar a disposição das partes, razão pela qual também não tem razão o responsável tributário quando se insurge pelo fato das provas apresentadas pelo contribuinte terem sido juntadas em um pasta não paginável. O responsável tributário não traz qualquer prova de que tais documentos lhe tenham sido sonegados, razão pela qual afasto a preliminar de nulidade. DA PRELIMINAR DE MÉRITO – DECADÊNCIA Tendo em vista a relação de causa e efeito entre a eventual constatação de conduta fraudulenta e a aplicação da regra decadencial do art. 173, I, do CTN, fazse necessário que invertamos a ordem deste julgamento, para que a decadência seja analisada após a análise do mérito, especificamente, após a apreciação do ponto relativo à qualificação da multa de ofício. DA GLOSA DAS DESPESAS Fl. 7868DF CARF MF Processo nº 15868.720030/201760 Acórdão n.º 1401003.035 S1C4T1 Fl. 7.861 17 Inicialmente, vale, desde já, observar que a apresentação de nota fiscal e do termo de contrato não se configuram como presunção jure et de jure da existência das operações que neles estão indicadas. Assim, o fato de prestadora de serviço contratada ter emitido nota fiscal não é certeza de que os serviços tenham sido efetivamente prestados. Aliás, no mundo das fraudes fiscais, não é raro a descoberta de pessoas jurídicas dedicadas à venda de notas fiscais. A recorrente alega que não é admissível que “a Fiscalização sem qualquer prova ou indício veemente, desconsidere a documentação apresentada pelo contribuinte para comprovar a efetiva prestação de serviços”, razão pela qual passamos a analisar os referidos documentos. Vejamos, então de quais documentos se trata no Relatório Fiscal, in verbis: “Da análise de toda a documentação apresentada pela Construcap, constatase a inexisten̂cia de elementos comprobatórios da efetiva prestacã̧o dos servico̧s pela pessoa jurídica Construcar Construção, Comércio e Servico̧s Ltda. ME. A Construcap se limitou a apresentar cópia das notas fiscais de prestação de serviços, dos comprovantes dos pagamentos realizados e de documentos intitulados como sendo ‘Boletim de Medição de Servico̧s’. De tudo o quanto foi apresentado, em nenhum momento é possível concluir qual foi a atuação desempenhada pela pessoa jurídica Construcar Construcã̧o, Comércio e Serviços Ltda. ME. Nada do que foi apresentado demonstra o efetivo exercício das atividades que a referida pessoa jurídica diz desempenhar. Em 12/07/2016 a Construcap apresentou diversos documentos que intitulou como sendo "Boletim de Medição de Serviços", de sua própria emissão. No entanto, tais documentos não passam de simples folhas de papel, sem nenhuma assinatura, nem da contratante nem da contratada. Observese ainda que, em tais "folhas de papel", de emissão da Construcap, consta a expressão "Relatórios em Anexo", mas nenhum relatório foi apresentado. Para deixar bem demonstrada esta constatação, extraímos dos arquivos apresentados pela Construcap diversas cópias desses boletins, que nada comprovam, e os digitalizamos em um novo arquivo PDF ("Anexo 14"). Embora intimada a apresentar quaisquer documentos que pudessem comprovar, de forma cabal, a efetiva prestação dos serviços tomados junto à pessoa jurídica Construcar Construção, Comércio e Serviços Ltda. ME, a Construcap nada apresentou nesse sentido.” Ao se compulsar o Anexo 14, verificase, ao contrário do que afirma a Fiscalização, que os Boletins de Medição são indícios da prestação dos serviços em tela. Lógico que por serem documentos produzidos unilateralmente pela recorrente, a quem interessa a prova, necessitariam estar suportados por outras provas, ou mesmos indícios, que os confirmem. No entanto, a recorrente não logrou trazer qualquer outra prova em apoio às informações contidas nos boletins. Fl. 7869DF CARF MF 18 Ademais, ao se analisar a discriminação dos serviços em referidos boletins, constatase que a Construcar necessitaria de uma estrutura operacional no ramo da construção para execução dos serviços ali especificados, o que também não foi constatado pela Fiscalização. Vale salientar que agiu corretamente a Fiscalização quando partiu para investigar a capacidade operacional da Construcar nos autos do PAF 19515720254/201722, tendo concluído, conforme Representação para baixa de Ofício do CNPJ, o seguinte: “Isto posto, e tendo em vista que a CONSTRUCAR é uma empresa inexistente de fato, caracterizada por não dispor de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, PROPONHO o encaminhamento da presente Representacã̧o para a DEFIS/SPO, para que se promova a baixa de ofício da CONSTRUCAR CONSTRUÇÃO, COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA – ME, CNPJ 10.774.616/000173, conforme o rito definido no art. 29 da IN RFB no 1634/2016, com efeitos a partir da constituicã̧o da empresa, ou seja, 12/03/2009.”. A Construcar foi intimada a contrapor as razões da Representação, mas nada aduziu, sendo então baixada de ofício sua inscrição no CNPJ, por meio do seguinte ADE: “Número do Ato Declaratório Executivo: 002015163 Data da Publicação: 09/05/2017 Baixa de ofício de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Pelo presente ato, considerando o que consta no processo administrativo n. 19515.720254/201722, em conformidade com o disposto no parágrafo 2o do art. 31 da Instrução Normativa RFB no 1.634, de 06 de maio de 2016, declarase: Art. 1º BAIXADA de ofício a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de no 10.774.616/000173 do contribuinte CONSTRUCAR CONSTRUCAO, COMERCIO E SERVICOS LTDA ME. Art. 2º Inidôneos, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros interessados desde 12/03/2009, os documentos emitidos pela pessoa jurídica, com fundamento no art. 29, II, da Instrução Normativa RFB no 1.634, de 06 de maio de 2016.”. Não obstante, para a questão sub examine vale as provas coligidas nos autos do PAF 19515720254/201722, as quais indicam efetivamente a falta de capacidade operacional da Construcar para prestar os serviços à Construcap, se não vejamos: a) notese que estamos tratando de uma sociedade (Construcar) que recebeu pagamentos apenas da Construcap no montante de R$ 4 milhões em 2011, R$ 7,09 milhões em 2012 e 14,04 milhões em 2013, não sendo assim razoável que o Sr. Carlos Roberto Rodrigues Morais, seu controlador, afirme que: não possui comprovante de pagamento efetuado com locação, de equipamentos, transporte, refeicõ̧es e alojamentos de funcionários, pois não solicitava recibos e que pagava Fl. 7870DF CARF MF Processo nº 15868.720030/201760 Acórdão n.º 1401003.035 S1C4T1 Fl. 7.862 19 tudo em dinheiro, ou seja, quer nos fazer crer que, no ano de 2013, a Construcar recebeu pagamentos no montante de R$ 14 milhões e que pagou todos os seus funcionários e fornecedores em dinheiro; b) a Construcar apresentou apenas duas DIPJs e mesmo assim sem informar qualquer receita; c) a Construcar não tem uma sede ou mesmo um endereço para recebimento de correspondência; d) uma empresa que faturou R$ 7 milhões em 2012 e R$ 14 milhões em 2013 apenas com os pagamentos da Construcap, teve metade de suas cotas vendidas pelo Sr. Ronilson da Costa Barbosa para a Sra. Ana Elizabeth por apenas R$ 30 mil em 2013 ou 2014 (pois o Sr. Ronilson não soube precisar exatamente a data). Todos esses indícios convergem à conclusão de que realmente se tratava de uma “empresa de fachada”, como qualificou a Fiscalização, razão pela qual há que se entender que as notas fiscais e boletins de medição apresentados são ideologicamente falsos. Vale ainda ressaltar que o fato de existirem 249 ações trabalhistas movidas por ex funcionários da Construcar em face da referida empresa e da recorrente em nada modifica as conclusões acima, pois o que restou demonstrado não foi que os serviços não foram prestados, mas que eles não foram prestados pela Construcar, por total falta de estrutura para fazêlo. Tanto é assim que, em caso de êxito dos autores dessas ações trabalhistas, apenas o patrimônio da recorrente poderá responder pela dívida, pois a Construcar é uma empresa sem sede e sem patrimônio, como foi constatado. Por essa razão, voto por manter a glosa de despesa e, assim, manter os lançamentos do IRPJ e CSLL. DOS PAGAMENTOS SEM CAUSA Verificado que a recorrente não logrou provar a efetiva prestação de serviços pela empresa Construcar, há que se concluir também que não resta demonstrada a causa dos pagamentos feitos a tal empresa, razão pela qual voto por manter também o lançamento do IRRF. Quanto à alegacã̧o de que “é inviável a cobrança do IRRF, à alíquota de 35%, cumulada com o alargamento da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, via glosa das despesas incorridas pela Requerente, sob pena de se configurar bis in idem e confisco”, há que se esclarecer que, quanto à alegação de confisco, esquivome de apreciar a questão, pois isso importaria em juízo de constitucionalidade de lei federal, o que é vedado à instância administrativa de julgamento por força do art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Por sua vez no que tange Fl. 7871DF CARF MF 20 à alegação de bis in idem, a recorrente não tem razão, se não vejamos o que se segue. Inicialmente, é importante ressaltar que não existe qualquer relação de causa e efeito entre o lançamento do IRRF sobre pagamento sem causa e do IRPJ/CSLL em virtude da glosa de despesa. Notese que um pagamento sem causa não terá qualquer impacto na base tributável do IRPJ e da CSLL, desde que o contribuinte não o tenha contabilizado como despesa dedutível, ou seja, se a recorrente tivesse adicionado ao lucro líquido as despesas referentes a tais pagamentos sem causa, não haveria IRPJ e CSLL a serem lançados. Por sua vez, se o contribuinte contabilizou um pagamento sem causa ou sem identificação do beneficiário como despesa dedutível das bases do IRPJ e da CSLL, estamos diante também de uma despesa indevida, a qual deverá ser glosada, para fins de cálculo do lucro real e da base ajustada. Assim, totalmente descabida a alegação de que haveria um bis in idem pela cobrança de IRRF em conjunto com o IRP e CSLL. Ademais, a recorrente responde pelo IRRF na condição de fonte pagadora (art. 45 do CTN combinado com art. 61 da Lei 8.981/95); já pelos IRPJ e CSLL, responde na condição de contribuinte (sujeito passivo direto). Somese a isso o fato de que o IRPJ e a CSLL são devidos pelo recálculo das bases tributáveis a partir da glosa da despesa, pois a recorrente não logrou provar a efetiva ocorrência das operações; já com relação ao IRRF, o lançamento decorre da incidência do IRRF sobre os pagamentos que a recorrente fonte pagadora – não logrou provar as suas causas. Noutro ponto, a recorrente alega que a fiscalização não reduziu do valor cobrado a título de IRRF as retenções efetuadas a título de IRRF, CSLL, PIS e COFINS por ela. Não obstante alegue que houve tais retenções e recolhimentos, ela não apresenta sequer um início de prova a justificar uma diligência nesse sentido, ou seja, não apresentou nenhuma DIRF relativa a tais retenções, razão pela qual há que se negar o pedido. Por essas razões, voto também por manter o lançamento do IRRF. DA MULTA QUALIFICADA A recorrente alega que “a fiscalização não aceitou a documentação apresentada para a comprovação dos serviços prestados e, sem produzir qualquer sorte de prova da existen̂cia de fraude, conluio ou sonegação, aplicou a multa qualificada nas exigências fiscais vinculadas à CONSTRUCAR CONSTRUÇAO, COMERCIO E SERVICOS LTDA ME em hipótese na qual a multa qualificadora evidentemente não é aplicável”: Vejamos, então, como a Fiscalização fundamentou a qualificação da multa: “Qualificamos, nos termos do art. 44, §1º, da Lei no 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14, da Lei no 11.488/07, o percentual da multa de ofício aplicável aos tributos apurados em decorrência das infrações descritas neste Relatório Fiscal, uma vez que constatamos a ocorren̂cia Fl. 7872DF CARF MF Processo nº 15868.720030/201760 Acórdão n.º 1401003.035 S1C4T1 Fl. 7.863 21 da conduta prevista nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. A presente fiscalização também é um desdobramento do enorme esforço que está sendo desenvolvido pelo Ministério Público Federal, Polícia Federal, Receita Federal do Brasil e outros órgãos federais no âmbito da denominada Operacã̧o Lava Jato, a qual, nas palavras do Ministério Público Federal, “é a maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro que o Brasil já teve”. A evasão tributária perpetrada pela Construcap ao deixar de recolher os tributos descritos neste Relatório Fiscal foi idealizada através da utilização de notas fiscais de prestação de serviços e recibos inidôneos, pois os serviços não foram prestados. Isto porque, conforme demonstrado, os pagamentos foram feitos por razão outra. Serviram para o acobertamento contábil e financeiro do pagamento de propinas. A Construcap, liderada pelo seu Diretor Presidente Roberto Ribeiro Capobianco, conforme demonstrado ao longo deste Relatório Fiscal, agindo de forma consciente, deliberada, organizada, meticulosa e reiterada pagou propinas, ou, eufemisticamente, “vantagens indevidas”, a agentes públicos para assegurar sua participação em licitações promovidas pela Petrobras e, desse modo, contribuiu para fraudálas. Os fatos relatados neste Relatório Fiscal caracterizam a figura da sonegação fiscal. A pessoa já acima mencionada tinha conhecimento da inidoneidade dos pagamentos realizados e da consequência tributária na apuracã̧o dos tributos devidos (Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e Imposto de Renda Retido na Fonte), mas preferiu agir de maneira evasiva, registrar os pagamentos com histórico contábil falso, utilizandose de documentação inidônea. Desta forma, tal pessoa praticou atos que deliberada e sistematicamente demonstram a presença do DOLO, no sentido de ter a consciência e querer a conduta de sonegação e agir em conluio com outras empresas, descritas nos art. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64, justificando a aplicação da multa qualificada de 150%.”. A recorrente tem razão quando alega que não há nada no Relatório Fiscal que vincule a Construcar com a operação “Lava Jato” e, consequentemente, com o pagamento de propinas para agentes públicos e políticos, mesmo porque as referências feitas ao sócio da Construcap, Roberto Capobianco, em depoimentos de colaboradores no âmbito da referida operação Lava Jato, não fazem qualquer menção à Construcar. Não obstante, os indícios convergentes e harmônicos coligidos no âmbito do processo de baixa do CNPJ da Construcar e que foram juntados a estes autos, conforme antes abordados, demonstraram de maneira suficientemente contundente que a Construcar era uma sociedade com existência meramente formal e que não teria sido ela quem prestou os serviços indicados nos contratos, notas fiscais e relatórios de medição, razão pela qual há que se concluir que tais documentos são ideologicamente falsos e que foram adrede concebidos para lastrear, como se dedutíveis fossem das bases do IRPJ e da CSLL, pagamentos com fins outros que não aqueles que estavam informados nos referidos documentos. Ou Fl. 7873DF CARF MF 22 seja, a um só tempo os referidos documentos ideologicamente falsos lastreavam o lançamento dos pagamentos como despesas dedutíveis e serviam para dissimular a verdadeira causa. Por essas razões, voto por manter a multa qualificada. DA DECADÊNCIA Conforme antes mencionado, coube a análise primeiro da qualificação da multa, para então abordarmos a questão da decadência. Assim, mantida a qualificação da multa por este Colegiado, resta aplicável, in casu, a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, tendo em vista o disposto no § 4º, in fine, do art. 150 do CTN. Com relação ao fato gerador mais antigo do IRPJ e da CSLL, datado de 31/03/2011 (em razão da Cisão Parcial, pois a recorrente era optante do lucro real anual), já havia decaído o direito de o Fisco efetuar o lançamento no momento em que a recorrente teve ciência do auto de infração em 16/05/2017 (AR a fls. 496). A regra do art. 173, I, do CTN é clara, quando dispõe que o dies a quo do prazo decadencial será o primeiro dia do exercício seguinte ao que o Fisco poderia lançar. Para o fato gerador de 31/03/2011, o Fisco poderia efetuar o lançamento no próprio ano de 2011, logo, o primeiro dia do exercício seguinte foi 01 de janeiro de 2012. Por sua vez, sendo o dia de início de contagem 01/01/2012, tinha o Fisco o direito de constituir o crédito de IRPJ e CSLL do fato gerador de 31/03/2011 até 31/12/2016, razão pela qual deve ser acolhida a alegação de decadência do lançamento com relação ao fato gerador de 31/03/2011. No que tange aos demais fatos geradores lançados do IRPJ e da CSLL, o mais antigo é o de 31/12/2011, sendo que o Fisco poderia efetuar o lançamento relativo a ele somente em 2012, logo, o primeiro dia do exercício seguinte ao que o Fisco poderia lançar foi 01/01/2013 e, assim sendo, o prazo decadencial se esgotaria em 31/12/2017, razão pela qual, com relação aos fatos geradores de 31/12/2011, 31/12/2012 e 31/12/2013, a alegação de decadência deve ser afastada, já que os lançamentos do IRPJ e da CSLL ocorreram em 16/05/2017 (AR a fls. 496). Da mesma forma, deve ser afastada a alegação de decadência com relação aos lançamentos do IRRF e da multa isolada por falta de recolhimento de IRPJestimativa e CSLLestimativa, cujos fatos geradores mais antigos lançados são de janeiro de 2012, pois o Fisco poderia efetuar o lançamento ainda em 2012 e o primeiro dia do exercício seguinte ao que o Fisco poderia lançar foi 01/01/2013, razão pela qual o prazo decadencial se esgotaria em 31/12/2017. Nas mesmas conclusões se chega com relação ao responsável tributário, Roberto Ribeiro Capobianco, pois ele tomou ciência do lançamento apenas um dia após a ciência do contribuinte, ou seja, em 17/05/2017 (AR a fls. 503). Por essas razões, voto por acolher a preliminar de decadência com relação aos lançamentos do IRPJ e da CSLL relativos ao fato gerador de 31/03/2011. Fl. 7874DF CARF MF Processo nº 15868.720030/201760 Acórdão n.º 1401003.035 S1C4T1 Fl. 7.864 23 DA MULTA ISOLADA A recorrente alega que não se faz possível a aplicação da multa isolada sobre o valor da estimativa, após o encerramento do anocalendário, de modo concomitante com a aplicação da multa de ofício. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (assim como o extinto Conselho de Contribuintes) firmou, ao longo do tempo, diferentes posições sobre o tema, se não vejamos: a) que não se aplica a multa isolada após o encerramento do anocalendário, pois, a partir desse momento, só caberia a multa de ofício sobre o imposto de renda devido sobre o lucro real, já que não se pode penalizar duas vezes pela mesma infração; b) que só se aplica a multa isolada sobre o valor que o montante do imposto sobre as bases estimadas superarem o imposto de renda sobre o lucro real devido ao final do ano; c) que, até a entrada em vigor da redação dada pela Lei 11.488/07, a literalidade da redação original do art. 44, § 1o , IV, da Lei 9.430/96 impunha que a multa isolada só fosse devida quando a pessoa jurídica deixasse de pagar o IRPJ e a CSLL e que os valores calculados sobre a base estimada são meras antecipações, logo não se confundem com tais tributos; d) que a multa isolada não é devida juntamente com a multa de ofício por ser aplicável o instituto do Direito Penal da “consunção”. Em 08/12/2014, foi aprovada a Súmula CARF nº 105, cujo verbete assim dispõe: “A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.” Notese que o teor da Súmula CARF nº 105 deixa claro, para mim, que o Pleno deste Colegiado adotou a posição segundo a qual a multa isolada só pode ser cumulada com a multa de ofício a partir da entrada em vigor da MPv nº 351/2007 (que se converteu na Lei 11.488/07), a qual alterou o art. 44 da Lei 9.430/96, tanto que faz constar expressamente em seu verbete que só era inaplicável a cumulação de multas, quando a multa isolada fosse fundamentada no art. 44, § 1º, IV, da Lei 9430/96. Assim, como os lançamentos das multas isoladas em tela se fundamentaram no art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei 9.430/96, é inaplicável, na espécie, a Súmula CARF nº 105. Fl. 7875DF CARF MF 24 Tratase assim de questão de amplo conhecimento deste Colegiado, razão pela qual, peço vênia aos meus pares para reproduzir voto proferido em outras assentadas, no qual enfrentei cada uma dessas posições. Da inviabilidade de aplicação do princípio da consunção. O princípio da consunção é princípio específico do Direito Penal, aplicável para solução de conflitos aparentes de normas penais, ou seja, situações em que duas ou mais normas penais podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato. Primeiramente, há que se ressaltar que a norma sancionatória tributária não é norma penal stricto sensu. Vale aqui a lembrança que o parágrafo único do art. 273 do anteprojeto do CTN (hoje, art. 112 do CTN), elaborado por Rubens Gomes de Sousa, previa que os princípios gerais do Direito Penal se aplicassem como métodos ou processos supletivos de interpretação da lei tributária, especialmente da lei tributária que definia infrações. Esse dispositivo foi rechaçado pela Comissão Especial de 1954 – que elaborou o texto final do anteprojeto, sendo que tal dispositivo não retornou ao texto do CTN que veio a ser aprovado pelo Congresso Nacional. À época, a Comissão Especial do CTN acolheu os fundamentos de que o direito penal tributário não tem semelhança absoluta com o direito penal (sugestão 789, p. 513 dos Trabalhos da Comissão Especial do CTN) e que o direito penal tributário não é autônomo ao direito tributário, pois a pena fiscal mais se assemelha a pena cível do que a criminal (sugestão 787, p.512, idem). Não é difícil, assim, verificar que, na sua gênese, o CTN afastou a possibilidade de aplicação supletiva dos princípios do direito penal na interpretação da norma tributária, logicamente, salvo aqueles expressamente previstos no seu texto, como por exemplo, a retroatividade benigna do art. 106 ou o in dubio pro reo do art. 112. Das condutas infracionais diferentes. Ainda que aplicável fosse o princípio da consunção para solucionar conflitos aparentes de norma tributárias, não há no caso em tela qualquer conflito que justificasse a sua aplicação. Conforme já asseverado, o conflito aparente de normas ocorre quando duas ou mais normas podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato, o que não ocorre in casu, já que temos duas situações fáticas diferentes: a primeira, o não recolhimento do tributo devido; a segunda, a não observância das normas do regime de recolhimento sobre bases estimadas. Ressaltese que o simples fato de alguém, optante pelo lucro real anual, deixar de recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada não enseja per se a aplicação da multa isolada, pois esta multa só é aplicável quando, além de não recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada, o contribuinte deixar de levantar balanço de suspensão, conforme dispõe o art. 35 da Lei no 8.981/95. Assim, a multa isolada não decorre unicamente da falta de recolhimento do IRPJ mensal, mas da inobservância das normas que regem o recolhimento sobre bases estimadas, ou seja, do regime. Fl. 7876DF CARF MF Processo nº 15868.720030/201760 Acórdão n.º 1401003.035 S1C4T1 Fl. 7.865 25 Temos, então, duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas também diferentes. O art. 44 da Lei no 9.430/96 na sua redação originária já albergava várias normas, das quais vale pinçar as duas sub examine: a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1º aplicável por falta de pagamento do tributo; e a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do § 1o – aplicável pela não observância das normas do regime de recolhimento por estimativa. Ora, a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o do art. 44 jamais poderia ser aplicada pela falta de recolhimento do IRPJ sobre a base estimada, então, como se falar em consunção, para que esta absorva a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do mesmo § 1º . Assim, demonstrado que temos duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas diferentes, resta irrefutável que não há unidade de conduta, logo não existe qualquer conflito aparente entre as normas dos incisos I e IV do § 1º do art. 44 e, consequentemente, indevida a aplicação do princípio da consunção no caso em tela. Noutro ponto, refuto os argumentos de que a falta de recolhimento da estimativa mensal seria uma conduta menos grave, por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo. Conforme já demonstrado, a multa isolada é aplicável pela não observância do regime de recolhimento pela estimativa e a conduta que ofende tal regime jamais poderia ser tida como menos grave, já que põe em risco todo o sistema de recolhimento do IRPJ sobre o lucro real anual – pelo menos no formato desenhado pelo legislador. Em verdade, a sistemática de antecipação dos impostos ocorre por diversos meios previstos na legislação tributária, sendo exemplos disto, Além dos recolhimentos por estimativa, as retenções feitas pelas fontes pagadoras e o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), feitos pelos contribuintes pessoas físicas. O que se tem, na verdade são diferentes formas e momentos de exigência da obrigação tributária. Todos esses instrumentos visam ao mesmo tempo assegurar a efetividade da arrecadação tributária e o fluxo de caixa para a execução do orçamento fiscal pelo governo, impondose igualmente a sua proteção (como bens jurídicos). Portanto, não há um bem menor, nem uma conduta menos grave que possa ser englobada pela outra, neste caso. Ademais, é um equívoco dizer que o não recolhimento do IRPJ estimada é uma ação preparatória para a realização da “conduta mais grave” – não recolhimento do tributo efetivamente devido no ajuste. O não pagamento de todo o tributo devido ao final do exercício pode ocorrer independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado final apurado não guarda necessariamente proporção com os valores devidos por estimativa. Ainda que o contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. As infrações tributárias que ensejam a multa isolada e a multa de ofício nos casos em tela são autônomas. A ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, logo inaplicável o princípio da consunção, já que não existe conflito aparente de normas. Fl. 7877DF CARF MF 26 Das diferentes bases para cálculos das multas A tese de que as multas isolada e de ofício, no presente caso, estariam incidindo sobre a mesma base, também, não deve prosperar, seja porque as bases não são idênticas, seja porque, ainda que idênticas, o bis in idem só ocorreria se as duas sanções fossem aplicadas pela ocorrência da mesma conduta, o que já ficou demonstrado que não ocorre, se não vejamos. A multa isolada corresponde a um percentual do IRPJ calculado sobre a base estimada, na qual o valor das despesas e dos custos decorrem de uma estimativa legal, ou seja, o legislador quando determina a aplicação de um percentual sobre a receita bruta, para o cálculo da base estimada, está, em verdade, estimando custos e despesas. A multa de ofício, in casu, corresponde a um percentual sobre o IRPJ calculado sobre o lucro real, na qual se leva em conta as despesas e custos efetivamente incorridos. Em suma, se a base estimada difere do lucro real, se são valores distintos, inclusive com previsões legais distintas, os impostos delas resultantes são também valores distintos e, consequentemente, as multas ad valorem que incidem sobre elas, também, são valores que não se confundem. Todavia, ainda que as multas isolada e de ofício fossem calculadas sobre o IRPJ incidente sobre a mesma base de cálculo, isso não significaria um bis in idem, pois, como já asseverado acima, a ocorrência de uma infração não importa necessariamente na ocorrência da outra, o que torna irrefutável que as infrações decorrem de condutas diversas. O contribuinte pode ter recolhido todo o IRPJ devido sobre a base estimada em cada mês do anocalendário e não recolher a diferença calculada ao final do período, ficando sujeito assim a multa de ofíco, mas não a multa isolada. Ao contrário, pode deixar de recolher o IRPJ sobre a base estimada, mas pagar, ao final do ano, todo o IRPJ sobre o lucro real, hipótese na qual só ficará sujeito à multa isolada. A definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa aplicável é matéria exclusiva de lei, nos termos do art. 97, V do CTN, não cabendo ao intérprete questionar se a dosimetria aplicada em tal e qual caso é adequada ou excessiva, a não ser que adentre a seara da sua constitucionalidade, o que está expressamente vedado pela Súmula CARF no 2. Da redação original do art. 44, § 1o, IV, da Lei 9430/96. Aditese ainda, que o legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do § 1o do art. 44, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro, assim, que: a) primeiro, que estava se referindo ao imposto ou contribuição calculado sobre a base estimada, já que em caso de prejuízo fiscal e base negativa, não há falar em tributo devido no ajuste; e b) segundo, que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada; e Fl. 7878DF CARF MF Processo nº 15868.720030/201760 Acórdão n.º 1401003.035 S1C4T1 Fl. 7.866 27 c) terceiro, que a multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do anocalendário, já que pode ser lançada mesmo após apurado prejuízo fiscal ou base negativa. Por último, saliento que tudo quanto antes sustentado acerca da multa isolada por falta de recolhimento do IR sobre a base estimada aplicase, mutatis mutandi, à multa isolada por falta de recolhimento da CSLL sobre a base estimada. Por essas razões, voto por manter os lançamentos das multas isoladas por falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre as bases estimadas mensais. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Inicialmente, cabe repetir aqui tudo quanto já alegado quando da apreciação da multa qualificada, ou seja, que não há nada no Relatório Fiscal que vincule a Construcar com a operação “Lava Jato” e , consequentemente, com o pagamento de propinas com agentes públicos e políticos, mesmo porque as referências feitas ao sócio da Construcap, Roberto Capobianco, ora recorrente, em depoimentos de colaboradores no âmbito da referida operação Lava Jato, não fazem qualquer menção à Construcar. Todavia, da mesma forma como sustentado ao apreciarmos a multa qualificada, restou demonstrado, por indícios convergentes e harmônicos coligidos no âmbito do processo de baixa do CNPJ, que a Construcar era uma sociedade com existência meramente formal e que não teria sido ela quem prestou os serviços indicados nos contratos, notas fiscais e relatórios de medição, razão pela qual há que se concluir que tais documentos são ideologicamente falsos e que foram adrede concebidos para lastrear, como se dedutíveis fossem das bases do IRPJ e da CSLL, pagamentos com fins outros que não aqueles que estavam informados nos referidos contratos, notas fiscais e boletins de medição. Por sua vez, nos contratos ideologicamente falsos assinados com a Construcar (por exemplo, a fls. 597), a Construcap foi representada pelo Sr. Roberto Capobianco, o ora recorrente , razão pela qual, restando demonstrado que serviram para dissimular despesas indedutíveis e pagamentos sem causa, há que se concluir que está perfeita a sua responsabilização com base no art. 135, III, do CTN. Por sua vez, totalmente descabida a alegacã̧o da recorrente de que “o artigo 61 da Lei n° 8.981/1996 trata da responsabilidade prevista no artigo 121, inc. II, combinado com o artigo 128 do CTN, tratandose de responsabilidade exclusiva da fonte pagadora”. Primeiramente, o Relatório Fiscal não faz qualquer referência ao art. 121, II, do CTN, mas apenas ao art. 135, III. Em segundo, recorrente não está sendo responsabilizado por ser o beneficiário dos pagamentos sem causa, mas por ter praticado atos contrários à lei (contratos ideologicamente falsos) na condição de Diretor Presidente da Construcap, fonte pagadora (dos pagamentos sem causa). Fl. 7879DF CARF MF 28 Notese que, se o art. 61 da Lei 8.981/95 prevê uma tributação exclusiva na fonte, é justamente porque ou a causa do pagamento ou o beneficiário não foi identificado. Se o beneficiário não foi identificado, por óbvio, o IRRF só poderia ser cobrado exclusivamente na fonte; por sua vez, se a causa não foi identificada, há, pela via oblíqua, também uma incerteza quanto ao beneficiário do pagamento, razão pela qual também se justifica a tributação exclusivamente na fonte. Ora, com relação ao IR incidente sobre os pagamentos sem causa, nem a recorrente nem a Construcap são contribuintes, pois esta responde na condição de fonte pagadora e aquele é o responsável por ter praticado ato ilícito na condição de Diretor Presidente da fonte pagadora. Noutro ponto, a recorrente alega que a aplicação do artigo 121, II, do CTN não pode ser feita conjuntamente com o artigo 135, III, do CTN. Como já dito, o Relatório Fiscal sequer menciona o art. 121, II, do CTN, mas, em um esforço hercúleo para dar sentido ao que a recorrente alega, quero crer que ele se insurge contra a possibilidade de responsabilidade solidária com base no art. 135, III, do CTN, daí talvez porque a razão de insistir em citar o art. 121, II, do CTN, embora estranho ao enquadramento legal da autuação em tela. Essa questão foi muito bem enfrentada pela D. Procuradoria da Fazenda Nacional no Parecer PGFN/CRJ/CAT/Nº 55/2009, o qual bem sintetiza a questão, in verbis: “De início, achamos relevante rememorar as teses possíveis de serem adotadas no que tange à natureza da responsabilidade tributária decorrente da incidência do art. 135, III, do CTN (ver item III do parecer): i) Responsabilidade por substituição, exclusiva do administrador que incidiu numa das hipóteses legais; ii) Responsabilidade subsidiária, em sentido próprio, do administrador e “responsabilidade” principal da sociedade; iii) Responsabilidade principal do administrador e subsidiária da sociedade; iv) Responsabilidade subsidiária, em sentido impróprio, do administrador; v) Responsabilidade solidária do administrador que responde com a sociedade igualmente e sem benefício de ordem. A mera leitura dos acórdãos do Superior Tribunal de Justiça pode levar confusão mental ao estudioso do tema. Em muitos acórdãos, lêse que a responsabilidade tributária prevista no art. 135 do CTN é por substituição (p. ex., AgRg no REsp 724.180/PR, REsp 670.174/RJ). Noutros julgados, está expresso que a responsabilidade acolhida nesse preceito legal é subsidiária (p. ex., REsp 833.621/RS, REsp 545.080/MG); logo, por transferência tributária. Noutros, mencionase a responsabilidade solidária (p. ex., REsp 86.439/ES, AgRg no AG 748.254/RS). Chegamos a encontrar ementa de acórdão em que se refere, simultaneamente, à responsabilidade subsidiária e à responsabilidade por substituição (EDcl no REsp 724.077/SP). 65. A existência de julgados aparentemente contraditórios, porém, não exime o intérprete da lei e da jurisprudência de examinálos procurando Fl. 7880DF CARF MF Processo nº 15868.720030/201760 Acórdão n.º 1401003.035 S1C4T1 Fl. 7.867 29 coerência. Ainda que a lei não seja coerente, nem o seja a prática judicial, deve sêlo o hermeneuta, por imposição não só de técnica, mas também de justiça. É o que indica Norberto BOBBIO: “Là dove la coerenza non è condizione di validità, è però pur sempre condizione per la giustizia dell’ordinamento” (grifo do original). 66. Apesar da aparente dissonância, não cremos que exista verdadeira divergência jurisprudencial nesse ponto. Em verdade, o Superior Tribunal de Justiça simplesmente não acolhe a distinção feita doutrinariamente entre responsabilidade por substituição e por transferência. Assim, quando se lê que o sócio responde “por substituicã̧o”, não se quer desonerar a sociedade. Simplesmente, querse dizer que o sóciogerente responde em lugar da (em substituição à) sociedade quando esta não adimple os créditos tributários e é caso de aplicação do art. 135, III, do CTN. 67. Na prática, em grande parte dos casos, a Fazenda Pública costuma buscar primeiro o patrimônio da sociedade para só então, em caso de insucesso, pesquisar bens pessoais dos administradores, o que é coerente com um sistema de responsabilidade subsidiária. Essa práxis é abonada pela jurisprudência, batizandose essa operacã̧o de “redirecionamento da execução fiscal”. Neste, a ação de execução fiscal é ajuizada contra a sociedade e, não havendo satisfação do crédito, incluise o administrador no pólo passivo do processo executivo. Admitese, ainda, que a ação de execução seja diretamente ajuizada contra sociedade e administrador, se o nome deste constar da Certidão da Dívida Ativa. Nessa hipótese, é incongruente afirmar que a responsabilidade do sóciogerente é por substituição, visto que, no mesmo processo, estáse cobrando dele o crédito tributário sem “irresponsabilizar” a sociedade. 68. A análise da jurisprudência do STJ no que tange à responsabilidade derivada da aplicação do art. 135, III, do CTN deve se basear mais nos seus pressupostos e conclusões do que em atenção aos signos “substituição”, “pessoalmente”, “subsidiária” e “solidária” que comumente surgem qualificando a responsabilidade tributária do “sócio gerente” que comete infracã̧o à lei. Assim, para se desvendar a natureza da responsabilidade acolhida, devemos partir, antes de tudo, da natureza dos atos que ensejam essa responsabilidade. 69. Como vimos no item anterior, o STJ, quando admite o chamamento do administrador à execução fiscal, parte da idéia de responsabilidade por ato ilícito. É a ilicitude que permite sua responsabilização, ilicitude esta que deve ter sido praticada durante o exercício da gerência. É irrelevante a condição de sócio; não é suficiente a condição de administrador; é necessária a prática de ato ilícito. 70. Pois bem. Se o elemento relevante para a caracterização da responsabilidade tributária do art. 135, III, do CTN fosse a condição de sócio, faria sentido a tese da responsabilidade subsidiária. Deveras, se o terceiro respondesse por ser sócio, seria plenamente razoável que demandasse o esgotamento do patrimônio da sociedade para que só então viesse a ser chamado a pagar o crédito tributário. Como, porém, não responde por ser sócio, mas porque, na condição de administrador, pratica ato ilícito, não faz o menor sentido que seja facultado a ele esquivarse da responsabilidade exigindo que, primeiro, responda a Fl. 7881DF CARF MF 30 sociedade para, só em caso de sua insolvabilidade, seja a ele imposta a sanção pela ilicitude. 71. A concepção de responsabilidade por ato ilícito exclui o caráter de subsidiariedade da obrigação do infrator. Este deve responder imediatamente por sua infração, independentemente da suficiência do patrimônio da pessoa jurídica. Eis o sentido de estar expresso no caput do art. 135 do CTN que são “pessoalmente responsáveis” os administradores infratores da lei. Dessa forma, deve ser excluída a tese da responsabilidade subsidiária em sentido próprio. 72. Dessa forma, ainda nos casos em que os julgados do STJ mencionam a “responsabilidade subsidiária”, só é razoável interpretálos como referentes à responsabilidade subsidiária em sentido impróprio, tal qual já a conceituamos no início. Vale dizer, nesse caso, estariam os julgadores exigindo, para a responsabilização do administradorinfrator, três requisitos cumulativos: (a) a própria condição de administrador, (b) a prática de ato ilícito e (c) a ausência de pagamento do crédito tributário no prazo da lei ou do regulamento; não se deve exigir, porém, o esgotamento do patrimônio da pessoa jurídica. 73. O afastamento da tese da responsabilidade subsidiária ainda é corroborado por importante precedente da egrégia Primeira Seção. Tratase dos Embargos de Divergência 702.232/RS (Rel. Min. Castro Meira, julgado em 14.9.2005 e publicado em 26.9.2005), o qual, apesar de ter por mira a presunção de certeza e liquidez da Certidão da Dívida Ativa, acabou por firmar que, estando o administrador (sóciogerente) nela contemplado, pode ser a execução movida diretamente contra ele, ao lado da pessoa jurídica.”. CONCLUSÃO Isso posto, voto pelo desprovimento do Recurso Voluntário interposto, para: a) AFASTAR a preliminar de nulidade; b) ACOLHER PARCIALMENTE a preliminar de decadência, para cancelar apenas os lançamentos do IRPJ e da CSLL referentes ao fato gerador de 31/03/2011 (apurado no auto de infração do IRPJ a fls. 418/419 e no auto de infração da CSLL a fls. 448); c) NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO às impugnações do contribuinte (Construcap CCPS Engenharia e Comércio S/A) e do responsável tributário (Roberto Ribeiro Capobianco). Quanto às preliminares alegadas, tal qual a decisão da DRJ, não vejo como acolhêlas. Não houve qualquer cerceamento do direito de defesa vez que o lançamento seguiu os estritos termos do RPAF. Quanto à decadência, em razão da qualificação da multa já foi afastado do lançamento em decisão definitiva, a parcela decaída, não havendo mais o que se falar em extinção do crédito por decurso do prazo decadencial vez que, absolutamente demonstradas e comprovadas as razões que levaram à qualificação da multa. Fl. 7882DF CARF MF Processo nº 15868.720030/201760 Acórdão n.º 1401003.035 S1C4T1 Fl. 7.868 31 Quanto à alegação de confiscatoriedade, nos termos do que dispõe a Súmula CARF n. 2 este Conselho não possui competência para questionar a constitucionalidade da legislação tributária. Acertada a DRJ ao concluir inexistir cobrança em duplicidade no que se refere ao IRRF e à glosa dos custos. A exigência de IRPJ e de CSLL se dá pela glosa das despesas inexistentes e a exigência do IRRF incide sobre pagamentos efetivamente realizados a beneficiário não identificado (caput do art. 674 do RIR/99) ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa (§ 1º do art. 674 do RIR/99). É perceptível, portanto, que não há bis in idem, pois os fatos geradores dos tributos são distintos. No caso do IRRF, especificamente em relação ao caso concreto, o fato gerador é o pagamento sem causa ou sem operação comprovada. Ademais, o IRPJ e a CSLL são devidos pela recorrente na qualidade de contribuinte, enquanto que o IRRF é devido na qualidade de responsável tributário. Em relação à glosa de despesas realizadas com a Construcar, igualmente entendo que a decisão deva ser mantida pelos seus exatos fundamentos. O agente fiscal logrou êxito em demonstrar que, de toda a documentaçaõ apresentada pela Construcap, inexistem elementos comprobatórios da efetiva prestação dos serviços pela pessoa jurídica Construcar Construção, Comércio e Serviços Ltda. ME. A Construcap se limitou a apresentar cópia das notas fiscais de prestaçaõ de serviços, dos comprovantes dos pagamentos realizados e de documentos intitulados como sendo ‘Boletim de Medição de Serviços’, os quais foram emitidos pela própria Recorrente, sem nenhuma assinatura, nem da contratante nem da contratada. Outrossim, nos referidos boletins sequer os serviços são descritos, fazendo referência a anexos jamais apresentados e, embora intimada, não logrou trazer qualquer outra prova em apoio às informações contidas nos boletins. Ademais, em diligências realizadas pelo agente fiscal, restou comprovado que a CONSTRUCAR é uma empresa inexistente de fato, caracterizada por não dispor de patrimônio e capacidade operacional necessários à realizacã̧o de seu objeto, tanto assim que o seu CNPJ foi baixado de ofício.(“Número do Ato Declaratório Executivo: 002015163 Data da Publicação: 09/05/2017 Baixa de ofício de inscricã̧o no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ)). Outrossim, estamos tratando de uma sociedade (Construcar) que recebeu pagamentos apenas da Construcap no montante de R$ 4 milhões em 2011, R$ 7,09 milhões em 2012 e 14,04 milhões em 2013, não sendo assim razoável que o Sr. Carlos Roberto Rodrigues Morais, seu controlador, afirme que: não possui comprovante de pagamento efetuado com locacã̧o, de equipamentos, transporte, refeicõ̧es e alojamentos de funcionários, pois não solicitava recibos e que pagava tudo em dinheiro, ou seja, quer nos fazer crer que, no ano de 2013, a Construcar recebeu pagamentos no montante de R$ 14 milhões e que pagou todos os seus funcionários e fornecedores em dinheiro. Fl. 7883DF CARF MF 32 Durante o período a Construcar apresentou apenas duas DIPJs e mesmo assim sem informar qualquer receita, além de não ter uma sede ou mesmo um endereço para recebimento de correspondência. E para concluir, uma empresa que faturou aproximados R$ 25 milhões em 03 anos, apenas com os pagamentos da Construcap, teve metade de suas cotas vendidas pelo Sr. Ronilson da Costa Barbosa para a Sra. Ana Elizabeth por apenas R$ 30 mil. Assim, por essas e todas as demais provas reunidas pelo agente fiscal, entendo que se tratava de uma “empresa de fachada”, razão pela qual não há como não concluir que as notas fiscais e boletins de medição apresentados são ideologicamente falsos. Ainda, como bem asseverado pela DRJ, o fato de existirem ações trabalhistas movidas por ex funcionários da Construcar em face da referida empresa e da recorrente em nada modifica as conclusões acima, pois o que restou demonstrado não foi que os serviços não foram prestados, mas que eles não foram prestados pela Construcar, por total falta de estrutura para fazêlo. Tanto é assim que, em caso de êxito dos autores dessas ações trabalhistas, apenas o patrimônio da recorrente poderá responder pela dívida, pois a Construcar é uma empresa sem sede e sem patrimônio, como foi constatado. A Construcar era empresa de fachada utilizada pela Recorrente, que era quem possuía capacidade técnica e operacional. Assim, concordo com a decisão recorrida razão pela qual mantenho a glosa das despesas. Por outro lado, tendo em vista que a recorrente não logrou provar a efetiva prestação de serviços pela empresa Construcar, há que se concluir também que não resta demonstrada a causa dos pagamentos feitos a tal empresa, razão pela qual voto por manter também o lançamento do IRRF. Quanto à multa qualificada, restando comprovado de maneira contundente que a Construcar era uma sociedade de fachada, e que não teria sido ela quem prestou os serviços indicados nos contratos, notas fiscais e relatórios de medição, razão pela qual há que se concluir que tais documentos são ideologicamente falsos e que foram concebidos para lastrear, como se dedutíveis fossem das bases do IRPJ e da CSLL, pagamentos com fins outros que não aqueles que estavam informados nos referidos documentos. Desta feita, como bem concluiu a DRJ, a um só tempo os referidos documentos ideologicamente falsos lastreavam o lançamento dos pagamentos como despesas dedutíveis e serviam para dissimular a verdadeira causa. Por essas razões, voto por manter a multa qualificada. No que se refere à responsabilidade tributária, restou claramente configurada a responsabilidade prevista no art. 135 do CTN vez que o administrador agiu contra lei e não há como se infirmar que o mesmo não tinha conhecimento de saídas em montantes de aproximadamente 25 milhões em 3 anos para uma empresa de fachada, que nenhum serviço prestou à Recorrente. Existiu uma clara simulação e intuito doloso de sonegar, mantendo uma empresa de fachada para reduzir bases tributáveis, forjar relação jurídica inexistente e, justificar pagamentos realizados para outras finalidades, como bem apurado nas provas colhidas em razão da operação "Lava Jato". Fl. 7884DF CARF MF Processo nº 15868.720030/201760 Acórdão n.º 1401003.035 S1C4T1 Fl. 7.869 33 Mantenho a responsabilização do responsável solidário. Passo a analisar a alegação de impossibilidade de concomitância da multa de ofício e isolada, e neste particular discordo da decisão Recorrida, entendo que assiste razão aos Recorrente na alegação de impossibilidade de cumulação da multa de ofício e isolada. Cumpre ressaltar que a multa de oficio absorve todo o montante da multa isolada. É posição majoritária nesta e em diversas Turmas do CARF ou a impossibilidade de cumulação ou a aplicação do princípio da consunção. No presente caso seja por uma ou por outra tese o resultado de desoneração é o mesmo. Sigo o entendimento acerca da impossibilidade da aplicação simultânea sobre a mesma infração da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo anocalendário. Tal fato se deve à conclusão de que o não pagamento das estimativas é apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Uma vez que as estimativas são meras antecipações dos tributos devidos, a concomitância significa dupla imposição de penalidade sobre o mesmo fato. Neste ponto me permito valer dos fundamentos aduzidos pelo Conselheiro Guilherme Adolfo Mendes no Acórdão 120100.235: As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norna punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Fl. 7885DF CARF MF 34 Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3°: Art. 3" A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, "pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático". Para Delmanto, "a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste". Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa Fl. 7886DF CARF MF Processo nº 15868.720030/201760 Acórdão n.º 1401003.035 S1C4T1 Fl. 7.870 35 proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada. Digase ainda que a questão é objeto de Súmula do CARF nº 105, que entendo permanecer aplicável a mesma lógica aos fatos geradores posteriores à edição da Lei nº 11.488/07 in verbis: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Outrossim, tal posição encontra guarida em diversas decisões deste Conselho, incluindose esta mesma Turma Ordinária e, seja pela exclusão, seja pela aplicação da consunção. Assim, assiste razão às Recorrentes neste ponto. Assim, face a tudo o quanto exposto, dou parcial provimento aos Recursos Voluntários, tão somente, para excluir a multa isolada, mantendo, em razão da faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF, a decisão recorrida nos demais termos, pelos seus próprios fundamentos, com os acréscimos aqui expostos. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 7887DF CARF MF
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