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Numero do processo: 12466.002534/2010-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 12/04/2006
PROCESSO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 05
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3201-001.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 14/10/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Monica Elisa de Lima, Carlos Alberto Nascimento e Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente a conselheira .Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 12/04/2006 PROCESSO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 05 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 14/10/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Monica Elisa de Lima, Carlos Alberto Nascimento e Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente a conselheira .Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 25 34 /2 01 0- 62 Fl. 766DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de autos de infração lavrados para constituição de crédito tributário no valor de R$ 4.245.927,65 referente a PIS/Pasepimportação, Cofinsimportação, multas de oficio e juros de mora. Depreendese da descrição dos fatos dos autos de infração que a interessada impetrou a ação judicial nº 2004.50.01.0052060 2006 na qual a Justiça Federal determinou que a aplicação das alíquotas das contribuições ao PIS/Pasepimportação e à Cofinsimportação fosse feita, única e exclusivamente, sobre o valor aduaneiro das mercadorias. Ao amparo da decisão liminar, cuja comunicação à autoridade aduaneira se procedeu em 10/05/2004, a interessada registrou Declarações de Importação no período de 01/01/2006 a 12/04/2006 adotando a base de cálculo reduzida. A liminar foi revogada em 16/10/2006 e a segurança foi denegada. A interessada apresentou recurso ao Tribunal Regional Federal. O auto de infração foi lavrado para a prevenção da decadência do crédito tributário, enquanto aguarda decisão final da Justiça Federal. Cientificada pela via pessoal a interessada apresentou impugnação na qual alega, em síntese, que impetrou ação judicial para contestar a exigência das contribuições ao PIS/Pasepimportação e à Cofinsimportação calculadas sobre a base de cálculo estabelecida pela Lei nº 10.865/2004, pois há violação do artigo 149, II, “a”, da Constituição Federal, além de que somente Lei Complementar poderia instituir e dispor sobre a base de cálculo referida. Alega que a discussão judicial ainda persiste e que, mesmo que a decisão final lhe seja desfavorável, não haverá prejuízo ao Erário em razão da sistemática de recolhimento das Contribuições. Requer seja anulado ou julgado totalmente improcedente ou insubsistente o auto de infração. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis não conheceu da defesa ofertada, conforme Decisão DRJ/FNS n.º 29.536: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 12/04/2006 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 12466.002534/201062 Acórdão n.º 3201001.706 S3C2T1 Fl. 442 3 As matérias diferenciadas entre o processo judicial e o processo administrativo e impugnadas devem ser apreciadas no âmbito administrativo, desde que não tenham influência quanto ao mérito do objeto litigado judicialmente. Impugnação Improcedente. Cientificado o contribuinte, apresenta recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo. Discutese nos autos a majoração da base de cálculo do PIS e COFINS importação, mais especificamente quanto ao entendimento do valor aduaneiro. A decisão recorrida não conheceu do recurso por concomitância do debate com o processo judicial n.º 2004.50.01.0052060, onde também é discutida a majoração da base de cálculo do PIS e COFINS importação. Correta a decisão, já que a discussão travada é a mesma. Podemos ver dos documentos juntados que ambos os processos tratam da mesma questão, o que impede a análise do recurso interposto, em face da Súmula n. 05 desta Corte: Súmula n. 05 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso interposto, prejudicados os demais argumentos. Sala de sessões, 20 de agosto de 2014. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 768DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 4 Fl. 769DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000019/2009-15
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício:2007
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA.
Tem cabimento a aplicação da multa de ofício isolada decorrente de compensação não declarada no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) seja aplicada sobre o montante dos débitos indevidamente compensados, pela utilização de crédito de natureza não tributária.
DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-002.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício:2007 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Tem cabimento a aplicação da multa de ofício isolada decorrente de compensação não declarada no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) seja aplicada sobre o montante dos débitos indevidamente compensados, pela utilização de crédito de natureza não tributária. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Tem cabimento a aplicação da multa de ofício isolada decorrente de compensação não declarada no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) seja aplicada sobre o montante dos débitos indevidamente compensados, pela utilização de crédito de natureza não tributária. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 00 19 /2 00 9- 15 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 12571.000019/200915 Acórdão n.º 1803002.378 S1TE03 Fl. 225 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foram lavrados: I O Auto de Infração às fls. 167173, com a exigência do crédito tributário no valor de R$56.433,97, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro real e multa de ofício isolada por compensação não declarada no anocalendário de 2006. O lançamento foi apurado cotejo entre os dados informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 0375, e aqueles contidos nos Demonstrativos de Cálculo de Tributos, fls. 138142, no Livro de Registro dos Ajustes do Lucro Líquido do Exercício (Lalur), fls. 143149 e nos Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) com utilização de crédito oriundo de precatório alimentar para extinção indevida do débito de CSLL determinada pela base de cálculo estimada no valor R$56.794,60 referente a 31.08.2006, fls. 160165, em conformidade com a Tabela 1. Tabela 1 – Falta de recolhimento de CSLL no anocalendário de 2006 AnoCalendário de 2006 (A) DIPJ R$ (B) Valores Glosados de Ofício R$ (D) Valores Apurados de Ofício R$ (E) Total da CSLL 136.517,60 0,00 136.517,60 CSLL Paga por Estimativa 186.354,92 56.794,60 129.560,32 CSLL a Pagar (49.837,32) 0,00 6.957,28 Meses do Ano Calendário de 2006 (A) DIPJ R$ (B) Diferenças Apuradas de Ofício R$ (D) Multas de Ofício Isolada R$ E = (D x 75%) 31.08.2006 6.957,28 6.874,67* Fl. 225DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 12571.000019/200915 Acórdão n.º 1803002.378 S1TE03 Fl. 226 3 31.08.2006 56.794,60 56.794,60 42.595,95* *Os valores destacados foram objeto da ação fiscal Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, Lei nº 11.195, de 2005 e Lei n° 11.051, de 2005, bem como art. 28 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. II O Auto de Infração às fls. 174176, com a exigência do crédito tributário no valor de R$115.229,42, a título de multa de ofício isolada por compensação não declarada no anocalendário de 2006. O lançamento foi apurado pelo cotejo entre os dados informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 0375, e aqueles contidos nos Demonstrativos de Cálculo de Tributos, fls. 138142, no Livro de Registro dos Ajustes do Lucro Líquido do Exercício, fls. 143149 e nos Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) com utilização de crédito oriundo de precatório alimentar para extinção indevida do débito de IRPJ determinada pela base de cálculo estimada no valor R$153.639,22 referente a 31.08.2006, fls. 160165, em conformidade com a Tabela 2. Tabela 2 – Falta de recolhimento de IRPJ no anocalendário de 2005 AnoCalendário de 2006 (A) DIPJ R$ (B) Valores Glosados de Ofício R$ (D) Valores Apurados de Ofício R$ (E) Total do IRPJ 391.295,28 0,00 391.295,28 Operação de Caráter Cultural e Artístico (9.967,08) 0,00 (9.967,08) PAT (9.967,08) 0,00 (9.967,08) IRRF (61.217,63) 0,00 (61.217,63) IRPJ Pago por Estimativa 505.832,70 153.639,22 352.193,48 IRPJ a Pagar (49.837,32) 0,00 (42.049,99) Meses do Ano Calendário de 2006 (A) DIPJ R$ (B) Diferenças Apurada de Ofício R$ (D) Multas de Ofício Isolada R$ E = (D x 75%) 31.08.2006 153.639,22 153.639,22 115.229,42* *O valor destacado foi objeto da ação fiscal Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, Lei nº 11.195, de 2005 e Lei n° 11.051, de 2005. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 185194, com as alegações a seguir sintetizadas. Tece esclarecimentos sobre os fatos e que apresenta a peça de defesa tempestivamente suscitando que: Fl. 226DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 12571.000019/200915 Acórdão n.º 1803002.378 S1TE03 Fl. 227 4 Tratase de auto de infração lavrado contra a impugnante, por meio do qual a autoridade fiscal objetiva a cobrança de multa isolada em razão de compensação considerada indevida pela Receita Federal. Ainda, cumulativamente com a pretensão de cobrar a multa isolada, objetiva a autoridade fiscal o adimplemento de saldo de contribuição social sobre o lucro, residual este havido em razão da não aceitação da compensação efetuada. Não obstante o trabalho desenvolvido pela autoridade fiscal, o mesmo é fruto de interpretação totalmente equivocada da legislação e jurisprudência vigente, sendo mister o imediato cancelamento da exigência fiscal ora hostilizada. [...] Em 2006, na expectativa de determinado resultado, a impugnante optou por recolher a contribuição social e o imposto de renda por estimativa. Por outro lado, a impugnante é credora da União Federal, tendo em vista que a mesma adquiriu créditos decorrentes de precatório requisitório federal não pago atempadamente pela entidade devedora. Face 6 aquisição supra mencionada, a impugnante utilizouse das prerrogativas constantes do § 2° do artigo 78 do ADCT da Constituição Federal de 1988, realizando o pagamento das antecipações IRPJ e CSLL devido com os créditos que possui junto à União Federal por força do precatório não pago atempadamente. Ditos pagamentos foram devidamente informados na Delegacia da Receita Federal anteriormente ao vencimento do IRPJ e da CSLL. Contudo, os requerimentos administrativos de pagamento (denominados pela Receita Federal como de compensação) foram indeferidos, sob a alegação de falta de atenção do disposto na legislação federal. Não obstante, prejuízo algum adveio aos cofres públicos, eis que os então pagamentos das antecipações simplesmente foram desconsiderados quando da apuração final do resultado do exercício. Por tais motivos, a impugnante sequer resolveu que questionar o indeferimento dos pedidos de compensação perante a Justiça Federal, eis , na sua ótica, como prejuízo algum adveio ao fisco, o assunto estaria encerrado. Agora, para sua total surpresa, vem a Receita Federal e lhe impõe uma pesada multa isolada, como se a impugnante — empresa listada na Bovespa —tivesse agido de maneira ardil e dolosa. Da Multa Cobrada — Inexigibilidade No Caso Concreto A aplicação da referida multa é característico ato de excessiva penalização, para não dizer verdadeiro abuso. A sanção jurídica tem por escopo desestimular o possível devedor do descumprimento da obrigação a que estiver sujeito, estimulandose assim o adimplemento correto, pontual e necessário de suas obrigações, pactuados entre a sociedade e o Estado, que os administra. Tem, pois, a sanção essa finalidade, mas só essa. A sanção não pode ser utilizada com intuito confiscatório. [...] Fl. 227DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 12571.000019/200915 Acórdão n.º 1803002.378 S1TE03 Fl. 228 5 No caso em apreço, impende seja considerado, de forma cumulativa, o disposto na Medida Provisória n° 351 que, em seu artigo 18, deu nova redação ao artigo de mesmo número da Lei 10.833/03, senão vejamos: "Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo." Ora, ainda que não se homologue a "compensação" levada a efeito pelo contribuinte, não se admite no caso presente que a mesma seja considerada como oriunda de falsidade de declaração. Isto porque a atitude da impugnante, como visto alhures, foi a mais cristalina possível, estando amparada em dispositivo constitucional, não podendo lhe ser imposta penalidade similar ás devidas por empresas que se utilizam de subterfúgios para fugir das suas obrigações perante os órgãos arrecadadores. Entender de forma contrária é permitir um verdadeiro abuso de direito, com o qual não pode pactuar a impugnante que sempre foi uma contribuinte cordata, estando em dia para com suas obrigações. [...] Por conseguinte, o exercício abusivo de direito se inclui entre uma das muitas variedades de atos ilícitos, como ato antisocial, com a ruptura, por um desses fundamentos, do equilíbrio dos interesses estabelecidos pela ordem jurídica, no condicionamento da harmonia social. Daí se impor a obrigação de reparar as conseqüências danosas de dito ato, seja na decretação, em sendo o caso, da nulidade do ato jurídico, com o desconhecimento dos seus efeitos, ou da composição econômica do prejuízo, com o reestabelecimento do status quo ante, isto é o retorno à situação anterior, em sendo possível. Por vezes há concomitantemente, a decretação da nulidade do ato e da recomposição econômica dos danos. Assim, o ato administrativo que imputa à empresa Metalgrafica Iguaçu S/A a condição de sujeito passivo que prestou declaração falsa, embora aparentemente legal, merece ser afastado na medida em que, diretamente, afronta as garantias constitucionais do contraditório, ampla defesa e do devido processo legal. [...] Mister, pois, o cancelamento da multa imposta ou, pelo menos, a sua redução. [...] Da Presunção de Falsidade de Declaração — Impossibilidade de Embasamento para a Imposição de Penalidade Os fundamentos que embasam o inquinado Auto de Infração, objeto da presente Reclamação, têm suporte em meras presunções extraídas de conclusões vagas e hipotéticas, não se podendo admitir possa prevalecer a autuação bem como seus drásticos efeitos, com fundamentos superficiais e desprovidos de substância. A exigência fiscal ora hostilizada é acintosa e reprovável, eis que sequer veio a ter sua materialidade provada, mas simplesmente presumida, resultante de circunstâncias indiciárias, que jamais poderiam confirmar qualquer irregularidade. De outra parte, a doutrina consagra que além do principio da reserva legal, que sujeita o ato administrativo à Lei, devese explicitar que a administração, como ente público, deve agir com lealdade (principio da moralidade e finalidade), de modo a não estimular insegurança nas relações jurídicas. A autuação é totalmente presuntiva. Portanto nula. Inexistem efeitos, inexistiu fato gerador — que sequer foi descrito pelo fiscal autuador — e, por conseqüência, Fl. 228DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 12571.000019/200915 Acórdão n.º 1803002.378 S1TE03 Fl. 229 6 não há obrigação principal e nem acessória, capaz de gerar crédito tributário. Isto está no Código Tributário Nacional. [...] Nenhuma das exigências vertidas no Auto de Infração devem prosperar pela manifesta impossibilidade de se exigir tributo e/ou impor penalidades com base em meras presunções. Admitirse como procedentes tais exigências seria determinar a criação de novas hipóteses de incidência tributária. [...] Nesse desiderato, é importante observarse que em matéria de lançamento tributário não se aplica a presunção de legitimidade, cabendo sempre a administração fiscal demonstrar e comprovar os motivos de sua exigência. Em face ao artigo 142 do Código Tributário Nacional o ônus da prova pertence exclusivamente à Autoridade Administrativa encarregada de declarar a obrigação de constituir o crédito tributário. Ademais, a iníqua imposição fiscal vertida no Auto de Infração não restou comprovada. A zelosa fiscalização preferiu encaminhar seu entendimento de forma totalmente presuntiva, albergandose indevidamente pelos caminhos da responsabilidade presumida. Com efeito, se a Fiscalização não logrou provar cabalmente a obrigação tributária, não poderia autuar os reclamantes meramente por presunção e indícios, impondose, assim, seja declarada nula a referida autuação. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Diante do exposto, requerse: a) preliminarmente, seja conhecida a presente impugnação, posto que tempestiva e perfeitamente cabível. b) posteriormente seja desconstituído o presente Auto de Infração, reconhecendose a impossibilidade da cobrança da multa isolada, eis que a contribuinte não agiu de modo ardiloso ou com dolo, tomandose como base as razões vertidas na presente impugnação. Requerse outrossim, a intimação do signatário para manifestarse sobre a contestação apresentada à presente impugnação, em atendimento aos princípios constitucionais da Ampla Defesa e do Contraditório, pena de nulidade "in totum" do procedimento fiscal iniciado. Está registrado como ementa do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/CTA/PA nº 06 37.945, de 18.11.2010, fls. 198204: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/09/2006 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 12571.000019/200915 Acórdão n.º 1803002.378 S1TE03 Fl. 230 7 Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO. Tratandose de compensação não declarada em que o crédito utilizado seja de terceiros e não se refira a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal é cabível a aplicação de multa isolada de 75% sobre o valor total dos débitos indevidamente compensados. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não tem competência para, em sede de julgamento, negar validade às normas vigentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 19.09.2012, fl. 207, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 24.11.2011, fls. 208220, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Acrescenta que apresenta a peça de defesa tempestivamente arguindo que: Tratase de auto de infração lavrado contra a recorrente, por meio do qual a autoridade fiscal objetiva a cobrança de multa isolada em razão de compensação considerada indevida pela Receita Federal. Ainda, cumulativamente com a pretensão de cobrar a multa isolada, objetiva a autoridade fiscal o adimplemento de saldo de contribuição social sobre o lucro, residual este havido em razão da não aceitação da compensação efetuada. Não obstante o trabalho desenvolvido pela autoridade fiscal, o mesmo é fruto de interpretação totalmente equivocada da legislação e jurisprudência vigente, sendo mister o imediato cancelamento da exigência fiscal ora hostilizada. Desta feita, promoveu a recorrente sua tempestiva impugnação, a qual, contudo, não foi acolhida, tendo sido mantida a exigência em sua integral [...]. Esclarecimentos Preliminares A recorrente é pessoa jurídica de direito privado, estando o resultado das suas atividades sujeito ao pagamento de diversos tributos à União, Estados e Municípios, dentre os quais destacamse o Imposto de Renda devido pela pessoa jurídica e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Em 2006, na expectativa de determinado resultado, a recorrente optou por recolher a contribuição social e o imposto de renda por estimativa. Por outro lado, a recorrente é credora da União Federal, tendo em vista que a mesma adquiriu créditos decorrentes de precatório requisitório federal não pago atempadamente pela entidade devedora. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 12571.000019/200915 Acórdão n.º 1803002.378 S1TE03 Fl. 231 8 Face à aquisição supra mencionada, a recorrente utilizouse das prerrogativas constantes do § 2º do artigo 78 do ADCT da Constituição Federal de 1988, realizando o pagamento das antecipações IRPJ e CSLL devido com os créditos que possui junto à União Federal por força do precatório não pago atempadamente. Ditos pagamentos foram devidamente informados à Delegacia da Receita Federal anteriormente ao vencimento do IRPJ e da CSLL. Contudo, os requerimentos administrativos de pagamento (denominados pela Receita Federal como de compensação) foram indeferidos, sob a alegação de falta de atenção do disposto na legislação federal. Não obstante, prejuízo algum adveio aos cofres públicos, eis que os então pagamentos das antecipações simplesmente foram desconsiderados quando da apuração final do resultado do exercício. Por tais motivos, a recorrente sequer resolveu questionar o indeferimento dos pedidos de compensação perante a Justiça Federal, eis que, na sua ótica, como prejuízo algum adveio ao fisco, o assunto estaria encerrado. Para sua total surpresa, veio a Receita Federal e lhe impor uma pesada multa isolada, como se a recorrente empresa listada na Bovespa tivesse agido de maneira ardil e dolosa. Da Multa Cobrada — Inexigibilidade No Caso Concreto A aplicação da referida multa é característico ato de excessiva penalização, para não dizer verdadeiro abuso. A sanção jurídica tem por escopo desestimular o possível devedor do descumprimento da obrigação a que estiver sujeito, estimulandose assim o adimplemento correto, pontual e necessário de suas obrigações, pactuados entre a sociedade e o Estado, que os administra. Tem, pois, a sanção essa finalidade, mas só essa. A sanção não pode ser utilizada com intuito confiscatório. [...] No caso em apreço, impende seja considerado, de forma cumulativa, o disposto na Medida Provisória n° 351 que, em seu artigo 18, deu nova redação ao artigo de mesmo número da Lei 10.833/03, senão vejamos: "Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo." Ora, ainda que não se homologue a "compensação" levada a efeito pelo contribuinte, não se admite no caso presente que a mesma seja considerada como oriunda de falsidade de declaração. Isto porque a atitude da impugnante, como visto alhures, foi a mais cristalina possível, estando amparada em dispositivo constitucional, não podendo lhe ser imposta penalidade similar ás devidas por empresas que se utilizam de subterfúgios para fugir das suas obrigações perante os órgãos arrecadadores. Entender de forma contrária é permitir um verdadeiro abuso de direito, com o qual não pode pactuar a impugnante que sempre foi uma contribuinte cordata, estando em dia para com suas obrigações. [...] Fl. 231DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 12571.000019/200915 Acórdão n.º 1803002.378 S1TE03 Fl. 232 9 Por conseguinte, o exercício abusivo de direito se inclui entre uma das muitas variedades de atos ilícitos, como ato antisocial, com a ruptura, por um desses fundamentos, do equilíbrio dos interesses estabelecidos pela ordem jurídica, no condicionamento da harmonia social. Daí se impor a obrigação de reparar as conseqüências danosas de dito ato, seja na decretação, em sendo o caso, da nulidade do ato jurídico, com o desconhecimento dos seus efeitos, ou da composição econômica do prejuízo, com o reestabelecimento do status quo ante, isto é o retorno à situação anterior, em sendo possível. Por vezes há concomitantemente, a decretação da nulidade do ato e da recomposição econômica dos danos. Assim, o ato administrativo que imputa à empresa Metalgrafica Iguaçu S/A a condição de sujeito passivo que prestou declaração falsa, embora aparentemente legal, merece ser afastado na medida em que, diretamente, afronta as garantias constitucionais do contraditório, ampla defesa e do devido processo legal. [...] Mister, pois, o cancelamento da multa imposta ou, pelo menos, a sua redução. [...] Da Presunção de Falsidade de Declaração — Impossibilidade de Embasamento para a Imposição de Penalidade Os fundamentos que embasam o inquinado Auto de Infração, objeto da presente Reclamação, têm suporte em meras presunções extraídas de conclusões vagas e hipotéticas, não se podendo admitir possa prevalecer a autuação bem como seus drásticos efeitos, com fundamentos superficiais e desprovidos de substância. A exigência fiscal ora hostilizada é acintosa e reprovável, eis que sequer veio a ter sua materialidade provada, mas simplesmente presumida, resultante de circunstâncias indiciárias, que jamais poderiam confirmar qualquer irregularidade. De outra parte, a doutrina consagra que além do principio da reserva legal, que sujeita o ato administrativo à Lei, devese explicitar que a administração, como ente público, deve agir com lealdade (principio da moralidade e finalidade), de modo a não estimular insegurança nas relações jurídicas. A autuação é totalmente presuntiva. Portanto nula. Inexistem efeitos, inexistiu fato gerador — que sequer foi descrito pelo fiscal autuador — e, por conseqüência, não há obrigação principal e nem acessória, capaz de gerar crédito tributário. Isto está no Código Tributário Nacional. [...] Nenhuma das exigências vertidas no Auto de Infração devem prosperar pela manifesta impossibilidade de se exigir tributo e/ou impor penalidades com base em meras presunções. Admitirse como procedentes tais exigências seria determinar a criação de novas hipóteses de incidência tributária. [...] Nesse desiderato, é importante observarse que em matéria de lançamento tributário não se aplica a presunção de legitimidade, cabendo sempre a administração fiscal demonstrar e comprovar os motivos de sua exigência. Em face ao artigo 142 do Código Tributário Nacional o ônus da prova pertence exclusivamente à Autoridade Administrativa encarregada de declarar a obrigação de constituir o crédito tributário. Ademais, a iníqua imposição fiscal vertida no Auto de Infração não restou comprovada. A zelosa fiscalização preferiu encaminhar seu entendimento de forma totalmente presuntiva, albergandose indevidamente pelos caminhos da responsabilidade presumida. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 12571.000019/200915 Acórdão n.º 1803002.378 S1TE03 Fl. 233 10 Com efeito, se a Fiscalização não logrou provar cabalmente a obrigação tributária, não poderia autuar os reclamantes meramente por presunção e indícios, impondose, assim, seja declarada nula a referida autuação. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Diante do exposto, requerse preliminarmente seja conhecido o presente recurso para que, reformandose a decisão de primeira instância, reconhecendose a impossibilidade da cobrança da multa isolada, eis que a contribuinte não agiu de modo ardiloso ou com dolo, tomandose como base as razões vertidas no presente recurso. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº Fl. 233DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 12571.000019/200915 Acórdão n.º 1803002.378 S1TE03 Fl. 234 11 As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, os Autos de Infração, fls. 167176 e o Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/CTA/PA nº 0637.945, de 18.11.2010, fls. 198204, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 12571.000019/200915 Acórdão n.º 1803002.378 S1TE03 Fl. 235 12 ensejaram os procedimentos de ofício. A tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada. A Recorrente discorda do da aplicação das multas de ofício isoladas. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais6. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A obrigação tributária pode ser principal ou acessória. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária7. As obrigações acessórias decorrem diretamente da lei, no interesse da administração tributária. É autônoma e sua observância independe da existência de obrigação principal correlata. Os deveres instrumentais previstos na legislação tributária ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, uma vez que vinculam inclusive as pessoas jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal. 8 Por essa razão o pagamento dos tributos devidos não têm força normativa de afastar a multa de ofício isolada aplicada em função de descumprimento de obrigação acessória. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a 6 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 7 Fundamentação legal: art. 113 do Código Tributário Nacional. 8 Fundamentação legal: art. 175 e art. 194 do Código Tributário Nacional. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 12571.000019/200915 Acórdão n.º 1803002.378 S1TE03 Fl. 236 13 compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Vale esclarecer que tem cabimento a aplicação da multa de ofício isolada decorrente de compensação não declarada no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) seja aplicada sobre o montante dos débitos indevidamente compensados, pela utilização de crédito decorrente de ação judicial não transitada em julgado.9. Nesse caso não se trata de presunção legal, mas sim de verificação da ocorrência de compensação não declarada a ensejar a aplicação da multa de ofício isolada. Os lançamentos foram apurados pelo cotejo entre os dados informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 0375, e aqueles contidos nos Demonstrativos de Cálculo de Tributos, fls. 138142, no Livro de Registro dos Ajustes do Lucro Líquido do Exercício, fls. 143149 e nos Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) com utilização de crédito oriundo de precatório alimentar para extinção indevida: a) do débito de CSLL determinada pela base de cálculo estimada no valor R$56.794,60 referente a 31.08.2006, fls. 160165; b) do débito de IRPJ determinada pela base de cálculo estimada no valor R$153.639,22 referente a 31.08.2006, fls. 160165. Consta no Despacho Decisório proferido em face da apresentação do Per/DComp formalizado no processo nº 10166.009231/2006 43, fl. 160165: Trata o presente processo de Declaração de Compensação de créditos oriundos de Precatório Alimentar Transitado em Julgado VTBV 054/90 com débitos de IRPJ e CSLL, de responsabilidade do contribuinte. Embora o contribuinte tenha apresentado Escritura Pública como prova de aquisição de direitos sobre créditos alimentícios oriundos de Reclamação Trabalhista promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Roraima — SINTER —contra a União Federal, decorrentes dos autos VTBV 054/90, tais créditos não têm, [...] natureza tributária. Ademais, considerando que ditos precatórios se configuram como créditos de terceiros, cabe lembrar que convenções particulares não podem ser opostas à Fazenda Pública nos termos do art. 123 do Código Tributário Nacional (CTN), sendo a vedação especifica à compensação explicita na Instrução Normativa SRF n° 41, de 07 de abril de 2000. [...] Portanto, a compensação pretendida deve ser considerada não declarada, acarretando a imediata cobrança dos créditos tributários confessados, indevidamente 9 Fundamentação legal : art. 165, art. 168, art. 170, arty. 170A do Código Tributário Nacional art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 12571.000019/200915 Acórdão n.º 1803002.378 S1TE03 Fl. 237 14 compensados e não pagos. Também devem ser adotadas as providências necessárias para o lançamento da multa isolada de que trata o art. 18 da Lei n° 10.833/03. Desse modo, não há que se falar em presunção legal e tem aplicação do disposto no art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, Lei nº 11.195, de 2005 e Lei n° 11.051, de 2005, bem como art. 44 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Todas essa circunstâncias constam no Relatório de Ação Fiscal, fls. 177179, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: A fiscalização abrangeu o ano calendário de 2006, tendo como tributos fiscalizados o IRPJ e a CSLL, tendo sido motivada devido à declaração de compensação apresentada pela fiscalizada e considerada não declarada (fl. 159). [...] Considerando as informações constantes nos autos, temse que a fiscalizada apresentou declaração de compensação (fl. 159), em que pleiteava que os débitos abaixo especificados fossem compensados com créditos oriundos de precatório alimentar com trânsito em julgado, transferidos via escritura pública de seção de créditos (fl. 160). Código Receita Período de Apuração Vencimento Valor Original do Débito (R$) 2362 31/08/2006 29/09/2006 153.639,22 2484 31/08/2006 29/09/2006 56.794,60 Tal declaração de compensação foi objeto do processo administrativo n° 10166.009231/200643, sendo considerada não declarada por meio do despacho decisório n° 5/2007 (fls. 160 a 164), com base nas alíneas "a" e "e" do inciso II do § 12 do Art. 74 da Lei n° 9.430/1996. Assim sendo, considerando os dispositivos legais em vigor à época dos fatos, tal hipótese se encaixa perfeitamente no disposto do § 4° do Art. 18 da Lei n° 10.833/2003, o qual dispõe: Art. 18 [...] § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso 11 do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: (Redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005) 1 no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) (grifouse) Desta forma, devese aplicar a multa isolada no percentual previsto no inciso I do art. 44 da Lei no 9.430/1996, que é de 75% (setenta e cinco por cento), resultando nos seguintes lançamentos: Fl. 237DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 12571.000019/200915 Acórdão n.º 1803002.378 S1TE03 Fl. 238 15 Código Receita Período de Apuração Valor Original do Débito (R$) Valor da Multa Isolada 2362 31/08/2006 153.639,22 115.229,42 2484 31/08/2006 56.794,60 42.595,95 Ocorre que, por força do § 12 do Art. 74 da Lei n° 9.430/1996, quando a compensação é considerada não declarada, não se aplica o disposto nos §§ 2° e 5º a 11 deste mesmo artigo, ou seja, a compensação considerada não declarada não extingue o crédito tributário. Conseqüentemente, deve ser aplicado ao caso o tratamento dado ás estimativas não pagas, quer seja, na apuração do ajuste anual do Imposto sobre a Renda, as estimativas porventura deduzidas devem ser glosadas. No caso da fiscalizada, considerando as informações da DIPJ referente ao ano calendário de 2006 (fls. 07 a 74), a qual foi apresentada pela própria fiscalizada, verificase que o valor de R$153.639,22 foi considerado como antecipação de IRPJ (fl. 16), compondo o valor de R$505.832,70, que a fiscalizada declarou como o somatório das estimativas mensais pagas a titulo de antecipação de IRPJ (fl. 18), resultando no saldo negativo de R$ 195.689,21. Considerando a glosa do valor de R$153.639,22, o saldo negativo de IRPJ foi reduzido para RS 42.049,99, [...]. Verificase que o valor utilizado para as bases de cálculo das multas de ofício isoladas foram exatamente os totais dos valores indevidamente compensados com utilização de crédito de natureza não tributária, procedimento esse expressamente vedado pelo § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso10. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade11. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. 10 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 11 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 12571.000019/200915 Acórdão n.º 1803002.378 S1TE03 Fl. 239 16 Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 239DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 19515.004004/2010-75
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 24/11/2010
CONEXÃO. AUTOS LANÇADOS EM UM ÚNICO PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA. OS AUTOS REPUTADOS CONEXOS EXIGEM TRIBUTOS DISTINTOS E MULTA TRIBUTÁRIAS DE DIFERENTES ORIGENS. REGIME TRIBUTÁRIO DO LUCRO PRESUMIDO. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EM PARCELA SUPERIOR AO LIMITE LEGAL. AUSÊNCIA DE CONTABILIDADE REGULAR. LIVRO CAIXA. AUSÊNCIA DE REGISTRO DE TODA MOVIMENTAÇÃO. SELIC APLICABILIDADE RECONHECIDA PELO STJ E STF. SUSPENSÃO DOS JUROS MORATÓRIOS NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL DA SUSPENSÃO AO CONTRÁRIO DO ALEGADO EXISTENTE PREVISÃO LEGAL PARA A COBRANÇA. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA ISONOMIA E IGUALDADE DE TRATAMENTO CONTRIBUINTE/FISCO, VISANDO EVITAR LESÃO AO BEM DA SOCIEDADE.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicação do artigo 32 - A, I, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009, se mais benéfica, conforme o momento do pagamento, parcelamento ou execução.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 24/11/2010 CONEXÃO. AUTOS LANÇADOS EM UM ÚNICO PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA. OS AUTOS REPUTADOS CONEXOS EXIGEM TRIBUTOS DISTINTOS E MULTA TRIBUTÁRIAS DE DIFERENTES ORIGENS. REGIME TRIBUTÁRIO DO LUCRO PRESUMIDO. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EM PARCELA SUPERIOR AO LIMITE LEGAL. AUSÊNCIA DE CONTABILIDADE REGULAR. LIVRO CAIXA. AUSÊNCIA DE REGISTRO DE TODA MOVIMENTAÇÃO. SELIC APLICABILIDADE RECONHECIDA PELO STJ E STF. SUSPENSÃO DOS JUROS MORATÓRIOS NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL DA SUSPENSÃO AO CONTRÁRIO DO ALEGADO EXISTENTE PREVISÃO LEGAL PARA A COBRANÇA. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA ISONOMIA E IGUALDADE DE TRATAMENTO CONTRIBUINTE/FISCO, VISANDO EVITAR LESÃO AO BEM DA SOCIEDADE. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2025; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 414 1 413 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004004/201075 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.630 – 3ª Turma Especial Sessão de 10 de setembro de 2014 Matéria CP: AUTO DE INFRAÇÃO: GFIP. FATOS GERADORES. Recorrente FIDELIDADE CONSULTORIA EM INFORMÁTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/11/2010 CONEXÃO. AUTOS LANÇADOS EM UM ÚNICO PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA. OS AUTOS REPUTADOS CONEXOS EXIGEM TRIBUTOS DISTINTOS E MULTA TRIBUTÁRIAS DE DIFERENTES ORIGENS. REGIME TRIBUTÁRIO DO LUCRO PRESUMIDO. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EM PARCELA SUPERIOR AO LIMITE LEGAL. AUSÊNCIA DE CONTABILIDADE REGULAR. LIVRO CAIXA. AUSÊNCIA DE REGISTRO DE TODA MOVIMENTAÇÃO. SELIC APLICABILIDADE RECONHECIDA PELO STJ E STF. SUSPENSÃO DOS JUROS MORATÓRIOS NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL DA SUSPENSÃO AO CONTRÁRIO DO ALEGADO EXISTENTE PREVISÃO LEGAL PARA A COBRANÇA. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA ISONOMIA E IGUALDADE DE TRATAMENTO CONTRIBUINTE/FISCO, VISANDO EVITAR LESÃO AO BEM DA SOCIEDADE. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicação do artigo 32 A, I, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009, se mais benéfica, conforme o momento do pagamento, parcelamento ou execução. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 40 04 /2 01 0- 75 Fl. 414DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004004/201075 Acórdão n.º 2803003.630 S2TE03 Fl. 415 2 (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004004/201075 Acórdão n.º 2803003.630 S2TE03 Fl. 416 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.255.8461 CFL.68, em razão de apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal da Infração – REFISC, de fls. 11 e 12, com período de apuração de 01/2006 a 12/2006, segundo consta do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 01. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 29/04/2010, conforme AR, de fls. 26. O contribuinte apresentou petição de defesa, as fls. 252, recebida, em 25/12/2010, com razões impugnatórias acostadas, as fls. 253 a 256, acompanhada dos documentos, de fls. 257 a 283. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 318 e 319. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1638.792 11ª, Turma DRJ/RJ1, em 15/05/2012, fls. 347 a 368. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 11/12/2012, conforme Termo de Ciência, de fls. 375. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 379, recebida, em 09/01/2013, carimbo de recepção, de fls. 379, com razões recursais, as fls. 380 a 409, desacompanhado de qualquer documento. Mérito. · que há conexão entre os autos Nº 19515.003987/201022 – DEBCAD 37.255.8445; Nº 19515.00406/201064 – DEBCAD 37.255.8470 – CFL.35, Nº 19515.004012/201011, multa isolada IRRF e Nº 19515.003426/201023, IRPJ e reflexos, o que foi reconhecido pela DRJ, bem como por terem sido emitidos na mesma ação fiscal determinada pelo MPF; · que a análise pela DRJ, ainda, que indireta das alegações da defesa apresentada no processo 19515.004012/201011 demonstra a conexão, não sendo o lucro distribuído aos sócios prólabore o crédito é improcedente; Fl. 416DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004004/201075 Acórdão n.º 2803003.630 S2TE03 Fl. 417 4 · que a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória é improcedente, pois os lucros distribuídos não são remuneração pró labore e assim não poderiam constar da GFIP, bem como foram apuradas em procedimento fiscal, só podendo ser declaradas depois de apuradas pelo fisco; · que a distribuição dos lucros está pautada nas demonstrações contábeis e na legislação que regem a matéria, devendo a julgadora observar as prescrições dos artigos 1.179 a 1.182; 1.188 e 1.189 da Lei 10.406/2002, pois o balanço e a DRE correspondem ao extrato de todos os fatos econômicos/financeiros da empresa, sendo que no PL, temse o capital subscrito, o lucro apurado e as reservas de lucros, observandose que cabe a aplicação ao caso da Lei 6.404/76, podendo o valor de lucro distribuído ser maior que o presumido se o lucro contábil for superior ou se houver reserva de lucro nos exercícios anteriores, sendo o lucro a essência de qualquer empreendimento; · que os serviços são prestados pela próprios sócios, não impedido que esses apesar das disposições societárias prefiram abdicarem do pró labore, em prol da distribuição de lucros, pois essa é isenta de tributação, sendo tal imputação improcedente, pois reflexa, com intima relação com os demais procedimentos citados; · que com base na Lei 9.784/99 o cidadão contribuinte pode buscar todos os meios de provas lícitas, requerer diligências, perícias, juntar novos elementos e etc; · que a taxa SELIC não deve ser aplicada ao presente, devendo os juros moratórios serem limitados a 1% ao mês; · que os juros moratórios não devem incidir no curso do processo administrativo, sendo que o artigo 27, do Decreto 70.235/72, na redação da Lei 9.532/97 diz que os processos serão julgados na ordem e nos prazos estabelecidos em ato do Secretário da Receita Federal, o que foi disciplinado pela PT 454/2004; · Dos requerimentos e requerimentos: a) que a razões de mérito sejam acolhidas, reconhecendose a improcedência da autuação; b) que acaso mantido o lançamento, ainda, que parcialmente, seja afastada a aplicação da SELIC; c) que a incidência dos juros moratórios seja suspensos no curso do contencioso; d) protesta pela produção de novos argumentos de fato e direito, provas, diligência, perícias, se necessárias. A autoridade preparadora considerou o recurso tempestivo, fls. 411 e 412. O processo foi remetido ao CARF, fls. 412. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 20/03/2014, Lote 01, fls. 413. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004004/201075 Acórdão n.º 2803003.630 S2TE03 Fl. 418 5 É o Relatório. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004004/201075 Acórdão n.º 2803003.630 S2TE03 Fl. 419 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Mérito. Ao contrário do que alega a recorrente a I. Relatora em momento algum reconheceu a existência conexão ou intima relação entre os autos emitidos em função de um único procedimento fiscal, basta ler o que a seguir está transcrito. Ante todo o exposto, o presente Auto de Infração constitui lançamento autônomo e independente do contido no processo nº 19515.004012/201011, e encontrase revestido das formalidades legais, gozando de liquidez e certeza, estando de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei n.º 11.457, de 16/03/2007, e artigo 293 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999, tendo sido formulado de modo que a Autuada tivesse pleno conhecimento de seu conteúdo, para que pudesse exercer seu direito à ampla defesa, observados os princípios da motivação e da legalidade dos atos administrativos. Não devem ser atendidos, portanto, os pedidos da Impugnante, de decretação de nulidade ou de improcedência, de apensação do presente AI ao processo nº 19515.004012/201011, de afastamento da aplicação da Taxa SELIC, e de não incidência de juros moratórios até a decisão final na esfera administrativa. (os realces são meus). Além do que dito acima, a contribuição previdenciária não é reflexo de IRPJ ou IRRF, pois o fato gerador e a base de cálculo destes e da contribuição social previdenciária são distintas, como consta to artigo 195, I, “a” e II, em relação a contribuição previdenciária. A decisão de primeiro grau apenas faz menção a defesa apresentada no processo 10.915.004012/201011, para esclarecer que a defesa transposta do citado processo para esse, fls. 285 a 311, não interessa a esses autos, não havendo razão para a apensação dos autos. Desse modo, não deve ser acatado o pedido da Impugnante de que o presente processo seja apensado ao de nº 19515.004012/201011, pois são processos administrativo fiscais autônomos. A impugnação apresentada no Processo Administrativo Fiscal 19515.004012/201011, a qual a autuada requer que seja considerada como parte integrante da contestação ao presente Fl. 419DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004004/201075 Acórdão n.º 2803003.630 S2TE03 Fl. 420 7 AI, já foi exaustivamente analisada e a incidência das contribuições previdenciárias da parte da empresa e dos segurados contribuintes individuais sobre tais valores a título de prólabore,correspondentes a valores de lucro distribuídos acima do limite permitido na sistemática do lucro presumido, foi decidida nos autos dos Processos Administrativos Fiscais nº 19515.003987/201022 e nº 19515.004001/201031, nos termos dos Acórdãos nº 1638.790 e nº 1638.791, respectivamente proferido pela 11ª Turma da DRJ/SP 1, na sessão de 15/05/2012, que julgaram as impugnações improcedentes e mantiveram o crédito tributário lançado, conforme trechos abaixo transcritos: O Termo de Constatação e Intimação Fiscal TCFI, de fls. 228 a 232, é esclarecedor quanto ao fato de a distribuição de lucros, ter sido promovida acima do limite legal, bem como da inexistência de contabilidade regular, de distribuição de lucros acima do permitido em lei, observese a transcrição. É irrelevante o fisco só ter verificado a existência de parcelas que deveriam ter sido declaradas e que não foram após o período de declaração das GFIP’s, pois cabe ao Fl. 420DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004004/201075 Acórdão n.º 2803003.630 S2TE03 Fl. 421 8 contribuinte nos termos da lei identificar todos os fatos geradores da contribuição previdenciária incluindoas em folhas de pagamento, escrituração contábil e GFIP, artigo 32, I, II, IV da Lei 8.212/91 c/c o artigo 225, I, II, IV, parágrafos 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99. O agente fiscal asseverou que a empresa não possui escrituração contábil livro Diário e Razão, mas apenas livro Caixa é o que consta dos presentes autos no TCFI, de fls. 243 e 244, veja a transcrição. A ação fiscal teve inicio com a ciência do Termo de Inicio da Ação Fiscal em 29/04/2010, onde foram solicitados ao contribuinte a apresentação do contrato social e alterações, Livros Diário/Razão/Caixa/Prestação de Serviços do período de 2006 e extratos bancários do período de 2006. Diante da falta de apresentação dos mesmos, foi emitido o Termo de Reintimação Fiscal, cuja ciência se deu em 26/05/2010. De posse dos extratos bancários e considerando que a movimentação financeira não estava escriturada em seu Livro Caixa, relacionamos todos os valores creditados em sua conta bancária e intimamos o contribuinte a comprovar a origem dos mesmos com documentos hábeis e idôneos. No Termo de Verificação Fiscal – TVF, de fls. 218 a 221, o agente lançador informa o que segue. O contribuinte entregou, em 14/06/2007, a DIPJ 2007, na forma de tributação com base no Lucro Presumido, ZERADA. (grifo do original). 0 contribuinte foi intimado em 29/04/2010 e reintimado em 26/05/2010, através do Termo de Inicio do Procedimento Fiscal e Termo de Reintimagão Fiscal, respectivamente, a apresentar livros Diário e Razão/Livro Caixa, livro de Prestação de Serviços, contrato social e alterações e extratos bancários que deram origem à movimentação financeira junto ao Unibanco. O contribuinte apresentou o Livro Caixa e cópias dos extratos bancários do UNIBANCO, Ag. 7335c/c 1029167, do ano calendário de 2006. Deixou evidente o agente fiscal que a recorrente não possui contabilidade regular e nem que seu livro caixa registra a movimentação financeira e assim não pode tal instrumento ser utilizado para demonstrar a existência de lucro acima do que a lei autoriza presumir. Aliás, assevera o agente lançador que a empresa informou para 2006 DIPJ zerada sem expressão monetária. Irrelevante a citação das normas sobre escrituração, pois segundo consta a escrituração da empresa Livro Caixa é deficiente e não registra o movimento real. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004004/201075 Acórdão n.º 2803003.630 S2TE03 Fl. 422 9 O agente lançador não discordou de que os serviços são prestados pelos sócios ao contrário consignou tal fato em várias de seus escritos. Uma vez previsto e estipulado no contrato social o pagamento de prólabore só é possível excluir tal previsão por meio de uma alteração contratual, pois a reserva mental não produz efeitos no mundo jurídico e só por meio desse instrumento se pode modificar a previsões estatutárias. Lei 10.406/2002 Art. 110. A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhecimento. Ficou esclarecido linha atrás que o presente lançamento nada tem de reflexo, pois seus pressupostos e critérios são outros e não se confundem com os do IRPJ ou IRRF. Nos termos do artigo 16, IV, bem como seu parágrafo 4º, do Decreto 70.235/72 todos os elementos de provas, diligência, perícias e etc devem ser requeridas, suscitadas e apresentadas no momento da impugnação. A lei suscitada pela recorrente não se aplica ao PAF federal, uma vez que esse tem regramento próprio, veja a decisão colacionada. EMENTA TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, Dje 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; Resp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) Fl. 422DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004004/201075 Acórdão n.º 2803003.630 S2TE03 Fl. 423 10 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum , dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. RESP 1.138.206 – RS. Min. Relator Luiz Fux,data 09.08.2010 (o destaque é meu). Fl. 423DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004004/201075 Acórdão n.º 2803003.630 S2TE03 Fl. 424 11 A utilização da taxa SELIC é absolutamente admitida e normal na esfera tributária. O artigo 35, da Lei 8.212/91, assim o determinava, bem como é admitida pela Súmula 4 do CARF e pelos nossos tribunais superiores – STJ e STF. Aliás, o próprio CARF tem Súmula sobre o assunto. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O STJ assim se posiciona, sendo inclusive compatível com o artigo 161, § 1º da Lei 5.172/66 para este tribunal superior. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AFERIÇÃO DA NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. ANÁLISE DOS REQUISITOS FORMAIS DA CDA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. PAGAMENTO NÃO EFETUADO. NÃO OCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. PRECEDENTE REGIDO PELA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. 1. "Avaliar a necessidade da produção de prova pericial atrai o óbice contido na Súmula 7/STJ, haja vista tal providência demandar o revolvimento do substrato fáticoprobatório permeado nos autos" (AgRg no Ag 989.493/SP, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 23/06/2008). 2. A investigação acerca do preenchimento dos requisitos formais da CDA que aparelha a execução fiscal demanda, necessariamente, a revisão do substrato fático probatório contido nos autos, providência que não se coaduna com a via eleita, conforme vedação expressa da Súmula 7/STJ. 3. É inaplicável o benefício do art. 138 do CTN ao tributo confessado e nãopago pelo contribuinte. 4. A Primeira Seção desta Corte, quando do julgamento do REsp. n. 1.111.175/SP, de relatoria da Ministra Denise Arruda, pacificou entendimento, pela sistemática do art. 543C, do CPC, no sentido da legalidade da Taxa Selic, a qual incide sobre o crédito tributário a partir de 1º.1.1996 não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária tendo em vista que o art. 39, § 4º da Lei n. 9.250/95 preenche o requisito do § 1º do art. 161 do CTN. 5. O presente agravante regimental tratou, também, de questões diversas daquelas pacificadas em sede de recurso repetitivo, pelo que deixo de aplicar a multa prevista no § 2º do art. 557 do CPC. 6. Agravo regimental não provido.(AGA 200900895519, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, 28/09/2010) (grifo meu). A SELIC em recente julgamento do STF no sistema da Repercussão Geral Tema nº 214, no RE 212.209, em 08/06/2011, foi considerada cabível e compatível com a seara tributária, conforme sua página de notícias, assim pensa, também, o STJ, observese os textos. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004004/201075 Acórdão n.º 2803003.630 S2TE03 Fl. 425 12 O Plenário do Supremo Tribunal Federal (SFT) ratificou, ontem, quartafeira (18), por maioria de votos, jurisprudência firmada em 1999, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 212209, no sentido de que é constitucional a inclusão do valor do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) na sua própria base de cálculo. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 582461, interposto pela empresa Jaguary Engenharia, Mineração e Comércio Ltda .contra decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), que entendeu que a inclusão do valor do ICMS na própria base de cálculo do tributo – também denominado “cálculo por dentro” – não configura dupla tributação nem afronta o princípio constitucional da não cumulatividade. No caso específico, a empresa contestava a aplicação, pelo governo de São Paulo, do disposto no artigo 33 da Lei paulista nº 6.374/89, segundo o qual o montante do ICMS integra sua própria base de cálculo. Súmula Em 23 de setembro de 2009, o Plenário do STF reconheceu repercussão geral à matéria suscitada no RE. Após a decisão do RE, o presidente da Corte, ministro Cezar Peluso, propôs que fosse editada uma súmula vinculante para orientar as demais cortes nas futuras decisões de matéria análoga. Assim, uma comissão da Corte vai elaborar o texto da súmula para ser posteriormente submetido ao Plenário. O caso A decisão da Justiça paulista afastou a alegação da empresa de que o artigo 13, parágrafo 1º, da Lei Complementar (LC) nº 87/96 (que prevê a inclusão do valor do ICMS na sua própria base de cálculo), bem como o artigo 33 da lei paulista nº 6.374/89, no mesmo sentido, conflitariam com a Constituição Federal (CF) no que diz caber a lei complementar definir os fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes dos impostos. Considerou legítima, ainda, a aplicação da taxa Selic e da multa de 20% sobre o valor do imposto corrigido. (grifos meus). Esta casa de justiça vem assim decidindo. EMBARGOS DECLARATÓRIOS – ESCLARECIMENTOS. Em se tratando de situação concreta a reclamar esclarecimentos, impõese prover os declaratórios sem o empréstimo de eficácia modificativa. TAXA SELIC – DÉBITO TRIBUTÁRIO. O Tribunal, na sessão plenária de 18 de maio de 2011, apreciando o Recurso Extraordinário nº 582.461/SP, assentou a legalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários. (AI 760894 AgRED, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 03/04/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe084 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004004/201075 Acórdão n.º 2803003.630 S2TE03 Fl. 426 13 DIVULG 30042012 PUBLIC 02052012 RET v. 15, n. 85, 2012, p. 139141) (realce meu) Assim, não há razão para a exclusão dos juros SELIC. Inicialmente, podese dizer que não há previsão legal para a suspensão da fluência dos juros moratórios no curso do PAF e a Administração do qual o fisco é parte só pode agir na existência de previsão legal, artigo 37, caput, da CRFB/88. Ademais, a lei manda aplicar o juros até o mês anterior ao pagamento, veja o texto. Artigo 61, da Lei 9.430/96 § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Por fim, e não menos importante por uma questão de isonomia e igualdade das partes, nos termos da CRFB/88, pois o contribuinte, também, pode esperar até o limite legal para pleitear restituição, compensação ou reembolso e tendo o valor corrigido, sem que o fisco nada tenha feito para isso. Art. 89, da Lei 8.212/91. § 4o O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). O CARF é órgão do Ministério da Fazenda fora da estrutura da RFB e assim não se subordina as determinações do secretário daquele órgão, aplicandose, exclusivamente, as DRJ a prioridade de distribuição e não de julgamento, bem como a violação a tal previsão em nada afeta o crédito, pois esse não deixa de existir em razão do passagem do tempo. Indefiro o pedido de produção de novas provas, perícias, diligências e novos argumentos, pois um vez julgados o recurso voluntário, tal providência seria inócua, bem como tal pedido encontra limite no artigo 16, do Decreto 70.235/72. Assim sendo, rejeito todos os pedidos da recorrente. Todavia, reconheço que a aplicação da multa como estabelecida no auto de infração fere o espírito da nova lei, pois a pena que era estipulada no artigo 32, parágrafo 5º, com a limitação do parágrafo 4º, tudo da Lei 8.212/91 na redação anterior, passou a ter outro patamar, conforme nova sistemática introduzida pelo artigo 32, A, I, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004004/201075 Acórdão n.º 2803003.630 S2TE03 Fl. 427 14 Assim sendo, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66 deve a multa ser recalculada na forma estabelecida em lei, como acima declinado e sem levar em consideração o cálculo da PT Conjunta PGFN/RFB 14/2009. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito, darlhe provimento parcial para aplicação do artigo 32 – A – I, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009, se mais benéfica, conforme o momento do pagamento, parcelamento ou execução. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10166.016840/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA
Valores recebidos acumuladamente na contenda trabalhista devem se submeter ao regime de competência, em consonância com jurisprudência pacífica do STJ.
Numero da decisão: 2101-002.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso, para recalcular o valor do débito conforme recurso representativo de controvérsia, Resp 1118429/SP. Vencidos os conselheiros Heitor de Souza Lima Júnior e Alexandre Naoki Nishioka, que davam provimento parcial ao recurso, e o conselheiro Eduardo de Souza Leão, que cancelava o lançamento integralmente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Presidente e Redatora Designada.
EDUARDO DE SOUZA LEÃO . - Relator
EDITADO EM: 13/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA CLECI COTI MARTINS (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO
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REGIME DE COMPETÊNCIA Valores recebidos acumuladamente na contenda trabalhista devem se submeter ao regime de competência, em consonância com jurisprudência pacífica do STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso, para recalcular o valor do débito conforme recurso representativo de controvérsia, Resp 1118429/SP. Vencidos os conselheiros Heitor de Souza Lima Júnior e Alexandre Naoki Nishioka, que davam provimento parcial ao recurso, e o conselheiro Eduardo de Souza Leão, que cancelava o lançamento integralmente. MARIA CLECI COTI MARTINS Presidente e Redatora Designada. EDUARDO DE SOUZA LEÃO . Relator EDITADO EM: 13/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA CLECI COTI MARTINS (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, ALEXANDRE NAOKI AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 68 40 /2 00 8- 11 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 NISHIOKA, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso Voluntário objetivando a reforma do Acórdão de nº 03 44.806, da 3ª Turma da DRJ/BSB (fls. 69/75), que, por unanimidade de votos, julgou procedenteem parte a Impugnaçãoao Lançamento Fiscal lavrado para incluir na tributação valores omitidos correspondentes a rendimentos recebidos pelo Contribuinte em razão de ação trabalhista, de proventos do INSS e de rendimentos de alugueis. Os argumentos de Impugnaçãoarguidos foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “O contribuinte apresenta impugnação (fls. 01/03), na qual, em síntese, expõe os motivos de fato e de direito que se seguem: a) Receita de Ação Judicial. Tanto na apresentação da primeira Declaração de Ajuste Anual, bem como da Declaração Retificadora, procurou fazêlas dentro dos regulamentos e em obediência aos valores dos recibos e comprovantes disponíveis, no que tange ao precatório alimentar de ação judicial interposto em 1991, contra o exBanco Nacional de Crédito Cooperativo S/A. Está convicto de que não incide imposto de renda sobre acessórios de precatório de natureza alimentar. Existe jurisprudência sobre a matéria. Tanto é assim que a Justiça fez a devida taxação apenas sobre o principal. Em suas Declarações de ajuste anual 2005, apontou os valores considerados como principal e o que seria acessório, usando o simples cálculo matemático, já que conhecia o valor taxado e a alíquota do imposto de renda. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10166.016840/200811 Acórdão n.º 2101002.494 S2C1T1 Fl. 3 3 Se o correspondente lançamento comprobatório não é disponibilizado claramente pela Justiça Trabalhista, confessase impotente para transpor este ponto, pois não conseguiu evidenciar e apontar nenhum documento novo que pudesse provar cabalmente sua clara convicção de que não se cobra imposto de renda sobre juros calculados nesse tipo de ação. Se os auditores e técnicos da Receita Federal não puderem fazer maior reflexão sobre a matéria, nada poderá alegar de positivo para a solução do quesito. O valor bruto considerado como recebido de pessoa jurídica declarado na Declaração Retificadora, R$ 142.151,00, corresponde ao valor da taxação de alíquota de IR sobre o principal, o que obviamente contrasta com o valor calculado pela Receita Federal, que lança complementarmente como de ofício o valor de R$ 126.438,96. Ainda lhe imputa multa de ofício. b) Rendimentos Recebidos de Retenção na Fonte O documento de recebimento de sua aposentadoria do INSS (fornecido à Receita Federal) discrimina os seguintes valores: Rendimentos Tributáveis declarados (R$ 10.112,82), Rendimentos isentos e não Tributáveis (R$ 15.026,00), Outros (CPMF, salário família, R$ 99,08) e 13º salário (R$ 84,91). O valor descontado relativo à contribuição na ação aludida na alínea “a” é de R$12.977,55 e a parcela isenta de proventos de aposentadoria (maior de 65 anos) foiapresentada como isenta e não tributável (R$10.112,82), não estando omitidos quaisquervalores na declaração retificadora. c) Receita Anual de Aluguel Residencial A sua taxa é líquida e inquestionável. O erro é grosseiro e todo seu. Solicita sejam suprimidos quaisquer valores suplementares, de multa ejuros de mora.” A decisão proferida pela da 2ª Turma de Julgamento daDelegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro (RJ),afastando a tributação dos valores recebidos a título de proventos de aposentadoria, restou assim ementada: Fl. 96DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 “OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Verificado que os rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte não foram integralmente oferecidos à tributação na Declaração de Imposto de Renda, mantémse o lançamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” No RecursoVoluntário,o Recorrente insiste nos argumentos anteriormente suscitados quanto à isenção dos rendimentos recebidos em sede de ação trabalhista. No entendimento de que o Lançamento Tributário, objeto deste processo, versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo Contribuinte, atentando a norma do artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, cuja matéria estaria sob apreciação do STF no julgamento do RE 614406RS, este Colegiado emitiu Resolução(fls. 443/446) sobrestando a apreciação do presente Recurso Voluntário, até que houvesse decisão definitiva da Corte Suprema, nos termos do disposto no artigo 62A, §§1º e 2º, do RICARF, vigente à época. Ocorre que os §§1º e 2º do art. 62Ado Regimento do CARF foram revogados pelo Sr. Ministro da Fazenda, por meio da Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013. Deste modo, coloco o feito em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO O recurso atende os requisitos de admissibilidade. No entanto, inicialmente deve ficar ressaltado que próprio Recorrente admitiu, na sua Impugnação, ter incorrido em erro na sua declaração de ajuste anual, ao omitir o rendimento recebido a título de aluguel. Diante do reconhecimento do equívoco, o interessadodeixou de contestálo,tornando definitivo o lançamento neste quesito. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10166.016840/200811 Acórdão n.º 2101002.494 S2C1T1 Fl. 4 5 Além disso, o órgãojulgador de primeiro grau decidiu por acolher os seus argumentos no tocante ao rendimentorecebido do Instituto Nacional do Seguro Social a título de proventos de aposentadoria, excluindooda tributação. Sendo assim,restou em litígio somente o lançamento concernente à omissão de rendimentos recebidos emsede de processo trabalhista. Conforme se verifica nos autos, embora o Recorrente perseveresuas alegativas no Recurso Voluntário no sentidode afastar a tributação de valores recebidos em razão de Ação Trabalhista a título de indenização (juros), a verdade insuperável é que o lançamento fiscal questiona rendimentos recebidos acumuladamente. Também observo que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, firmou o entendimento de que, no caso de recebimento acumulado de valores, decorrente de ações trabalhistas, revisionais, e etc., o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF não deve ser calculado por regime de caixa, mas sim por competência; obedecendose as tabelas, as alíquotas, e os limites de isenção de cada competência (mês a mês): “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1118429/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 14/05/2010). Este posicionamento vem sendo mantido de forma pacífica na Colenda Corte Superior de Justiça, conforme ementas transcritas apenas a título de exemplo: Fl. 98DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. POSSIBILIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. SOBRESTAMENTO. DESNECESSIDADE. 1. No julgamento do REsp 1.118.429/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, DJe 14.5.2010, submetido à sistemática do art. 543c do CPC, a Primeira Seção decidiu que o imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos a destempo e acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Disso resulta que não seria legítima a cobrança do tributo sobre o valor global pago fora do prazo legal. 2. O reconhecimento da repercussão geral pela Suprema Corte não enseja o sobrestamento do julgamento dos recursos especiais que tramitam no Superior Tribunal de Justiça. Agravo regimental improvido. (AgRg nos EDcl no REsp 1427079/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe 07/04/2014) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO ART. 535, II, DO CPC. ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. PRETENDIDA REDUÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS FIXADOS COM BASE NO CRITÉRIO DE APRECIAÇÃO EQUITATIVA. INADMISSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. Não procede a alegação de ofensa ao art. 535, II, do CPC, pois, ao julgar os embargos de declaração, embora os tenha rejeitado, o Tribunal de origem pronunciouse sobre a questão neles suscitada como omissa. 2. O art. 295, caput, inciso I e parágrafo único, do CPC, dispõe que a petição inicial será indeferida quando for inepta, dispondo, ainda, quando se considera inepta a petição inicial. Tendo em vista que a alegação de falta de documentos suscitada pela Procuradoria da Fazenda Nacional não se insere nas hipóteses de petição inicial inepta, o dispositivo processual tido como contrariado não possui comando normativo suficiente para reformar o acórdão recorrido no ponto em que o Tribunal de origem rejeitou a alegação fazendária de ausência de documentos que comprovem a remuneração recebida pelo autor. Quanto a este aspecto, incide na espécie a Súmula 284/STF, aplicável por analogia ao recurso especial. 3. De acordo com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), "o imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês Fl. 99DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10166.016840/200811 Acórdão n.º 2101002.494 S2C1T1 Fl. 5 7 pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente". 4. Ressalvadas as hipóteses de valor irrisório ou excessivo, a reavaliação do critério de apreciação equitativa adotado para o arbitramento da verba honorária, quando vencida a Fazenda Pública, não se coaduna com a natureza dos recursos especial e extraordinário, consoante enunciam as Súmulas 7/STJ e 389/STF. Nos presentes autos, o Tribunal de origem elevou os honorários advocatícios para R$ 3.000,00, quantia esta que, conforme consta do acórdão recorrido, equivale a 5% do valor dado à causa. Dadas as peculiaridades fáticas do presente caso, não se apresenta exorbitante a verba honorária fixada pelo Tribunal de origem. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp 1410118/PE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe 11/03/2014 grifamos). Nos termos do art. 62A do seu Regimento Interno, este Conselho está obrigado a respeitar as decisões do STJ, nos exatos moldes em que proferidas, sem modificações ou ressalvas do seu alcance e/ou conteúdo.Tanto que em diversos julgados foi manifesta a posição neste sentido: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. O recebimento de rendimentos decorrentes de revisão do valor da aposentadoria/benefício, em ação judicial, não é sujeito à tributação exclusiva na fonte, mas pelo regime de antecipação do imposto devido, sujeito ao ajuste anual. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REVISÃO DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ em Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 2801003.442, Processo nº 10580.723157/201148, Relator MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, 1ª TE / 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF); IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido (Acórdão nº 2801003.436, Processo nº 10166.003649/200990, Redator Designado CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE, 1ª TE / 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF); IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido (Acórdão nº 2801003.427, Processo nº 10166.007073/200514, Relator CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 1ª TE / 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF). O Direito Tributário admite, na aplicação da lei, o recurso à equidade, que é a justiça no caso concreto. Ora, não se pode tributar proventos recebidos acumuladamente, em razão de decisão trabalhista, sem observar se seriam tributáveis caso recebidos normalmente em época própria. Ocorrendo o equívoco do empregador, o resultado judicial da ação que corrige a ilegalidade não pode servir de base à incidência, sob pena de sancionarse o trabalhador/contribuinte por antijuridicidade de outros. Assim, tendo o lançamento sido fundamentado regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, é dever julgálo improcedente, respeitando ao julgado representativo da controvérsia no STJ. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto no sentido de dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento fiscal, afastando da tributação os valores recebidos acumuladamente. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 101DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10166.016840/200811 Acórdão n.º 2101002.494 S2C1T1 Fl. 6 9 Voto Vencedor O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. Conforme art. 43 do Código Tributário Nacional, o imposto de renda tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, de renda (produto do capital, do trabalho ou de ambos), e de proventos de qualquer natureza, assim entendidos quaisquer acréscimos patrimoniais. Assim, por este diploma legal, os recursos auferidos pelo recorrido seriam considerados “riqueza nova” e, portanto deveriam ser tributados. O contribuinte requer a apuração do IR na forma da lei 12.350/2010 e da IN/RFB 1127/2011. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça pacificou a matéria conforme o Recurso Especial 1.118.429SP. RECURSO ESPECIAL Nº 1.118.429 SP (2009/00557226) RELATOR : MINISTRO HERMAN BENJAMIN RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : VALDIR FLORENTINO DOS SANTOS ADVOGADO : DAZIO VASCONCELOS E OUTRO(S) EMENTA TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Conforme informação de fl. 22 (numeração manual) dos autos, os valores recebidos decorrem da lei 8878/94 que trata da anistia aos funcionários públicos que foram demitidos pelo Governo Collor. Considerando o art. 62A da Portaria MF 256/2009, entendo que os valores tributáveis recebidos acumuladamente na contenda judicial, em decorrência da lei da Anistia, lei 8878/94 (informação à fl. 22 numeração manual), devem ser distribuídos pelos períodos em que deveriam ter sido recebidos, observadas as tabelas e alíquotas vigentes à época e também a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 10 Recurso voluntário provido para tributar os valores recebidos acumuladamente pelo regime de competência, conforme RECURSO ESPECIAL Nº 1.118.429 SP. Redatora Conselheira Maria Cleci Coti Martins Fl. 103DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 13830.722747/2011-52
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2403-000.223
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: Não se aplica
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Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 30 .7 22 74 7/ 20 11 -5 2 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13830.722747/201152 Resolução nº 2403000.223 S2C4T3 Fl. 120 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 1438.395 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP, que julgou procedente os lançamentos de obrigação tributária principal AIOP nº 51.005.9740 e acessória (CFL 78) AIOA nº 51.005.9732, no período de 01/2009 a 10/2010. O Relatório Fiscal informa que, em relação à obrigação principal, foram apurados os créditos relativos às diferenças de contribuições previdenciárias "de empresas" relativas ao RAT para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Conforme o Relatório da decisão de primeira instância: I) Auto de Infração AIOP nº 51.005.9740 De acordo com os fatos relatados pela fiscalização, o município vinha informando em GFIP o CNAE Fiscal 8611.6/00, declarando como atividade econômica preponderante a ‘administração pública em geral’, sujeita, a partir de 06/2007, à alíquota SAT de 2%. Não obstante, procedeu ao recolhimento da alíquota de 1% no período objeto deste lançamento. Contudo, em análise aos documentos fiscais do contribuinte, a autoridade fiscal constatou que o departamento que engloba o maior número de empregados em atividade fim é o departamento de Obras e Serviços Municipais, enquadrando, dessa forma, sua atividade preponderante no CNAE Fiscal 38114/00, sujeito à alíquota de 3% ao SAT. Foi, então, efetuado o lançamento, para o período de 01 a 12/2009, inclusive a competência 13/2009, da diferença de alíquota de 2% sobre o total das remunerações de empregados declarados em GFIP, totalizando, assim, a alíquota de 3% devida.. Em relação ao período de 01 a 10/2010 a alíquota devida ao SAT correspondia a 5,03% em decorrência da aplicação do Fator Acidentário de Prevenção – FAP, tendo o contribuinte recolhido somente 1,67%. Foi, então, efetuado o lançamento da diferença de 3,36%. II) Auto de Infração AIOA nº 51.005.9732 incluindo a multa decorrente do descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 32, IV da Lei nº 8.212/91 por ter o Fl. 120DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13830.722747/201152 Resolução nº 2403000.223 S2C4T3 Fl. 121 3 contribuinte apresentado a GFIP com informações incorretas ou omissas. O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo de Débitos DD é de 01/2009 a 10/2010. A Recorrente teve ciência das autuações em 23.11.2012, conforme Aviso de Recebimento AR, às fls. 87. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Aduz, inicialmente, que o prazo aplicável à compensação seria de 10 anos, com fundamento em tese sedimentada pelo Superior Tribunal de Justiça. Que a Lei Complementar nº 118/2005 fixou em 5 anos o prazo para pleitear restituição argumentando, contudo, ter o STJ afastado a possibilidade de aplicação retroativa da norma a fatos geradores anteriores ao seu advento. E por ter observado as condições estabelecidas pela Portaria nº 133/2006, entende não se justificar a glosa dos valores compensados. Em relação ao SAT, menciona ter o Superior Tribunal de Justiça, através da Súmula 351, decidido que sua alíquota deve ser definida pela atividade preponderante de cada estabelecimento, assim considerado individualmente, e não uma alíquota única para toda empresa. Esclarece que a área educacional constitui, na administração pública municipal, a atividade preponderante diante da vinculação de maior número de segurados empregados, sujeitandose à alíquota de 1%. Questiona o procedimento adotado pela auditora fiscal, argumentando ter a mesma efetuado o desenquadramento de algumas funções sem qualquer critério legal. Transcreve jurisprudência do STJ argumentando que as atividades desenvolvidas pelos servidores municipais são preponderantemente burocráticas e, portanto, de baixo grau de risco. Com fundamento nos argumentos acima mencionados, afirma não existir omissão ou incorreção nas GFIPs apresentadas, tornando a imposição de multa sem efeito para as respectivas competências. Requer, assim, o cancelamento dos presentes autos, com a improcedência do crédito tributário respectivo. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme Ementa do Acórdão nº 1438.395 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP, a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2010 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13830.722747/201152 Resolução nº 2403000.223 S2C4T3 Fl. 122 4 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SEGURO ACIDENTE DO TRABALHO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. Para fins de contribuição ao SAT/RAT financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho o enquadramento nos correspondentes graus de risco deve ser realizada considerando a atividade econômica preponderante da empresa. A fixação da atividade preponderante para fins de definição da alíquota referente ao RAT, para os órgãos da administração pública que possuam outros órgãos a ele vinculados sem inscrição própria no CNPJ, levará em conta o total de segurados empregados e trabalhadores avulsos alocados na mesma atividade, considerados todos os seus estabelecimentos. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM INCORREÇÕES OU OMISSÕES. Constitui infração à legislação previdenciária apresentar, a empresa, GFIP com informações incorretas ou omissas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 9ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pela lei. Sala de Sessões, em 15 de agosto 2012 Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recursos Voluntários, combatendo a decisão de primeira instância e reiterando os argumento deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i)SAT/RAT Órgãos Público enquadramento no grau de risco Súmula 351 STJ A unificação das alíquotas foi instituída pelo Decreto 2173/1997 e mantida pelo atual Regulamento da previdência social Decreto 3.048/1999 e é determinada de acordo com a atividade preponderante da empresa e não mais de seus estabelecimentos assim considerados individualmente, observando sempre o conceito de atividade preponderante. Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça em sessão de 27 de outubro de 2004, no julgamento do EREsp478.100RS através da Súmula 351 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13830.722747/201152 Resolução nº 2403000.223 S2C4T3 Fl. 123 5 decidiu que a alíquota do SAT/RAT é definida pela atividade preponderante de cada estabelecimento, assim considerado individualmente, e não alíquota única para toda a empresa. (i.1) A área educacional constitui a atividade preponderante A área educacional em todos os seus níveis constitui na administração pública municipal a atividade preponderante diante da vinculação de maior número de segurados empregados, tendo sua classificação destacada na Divisão 85 Educação Alíquota SAT/RAT 1%. Esta conclusão é possível de ser comprovada pela relação de funcionários divididos por atividades econômicas, apresentada à auditora fiscal para verificação. (ii) Multa descumprimento de obrigações acessórias Pelas informações e esclarecimentos transcritos nos itens 1 e 2, ficou comprovado a correta interpretação do órgão público na realização da compensação das contribuições previdenciárias e no enquadramento do grau de risco da atividade econômica. As GFIPs preenchidas de acordo com o correto entendimento do contribuinte não apresentam informações com incorreções ou omissões, tornando a imposição de multa sem efeito para as respectivas competências. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13830.722747/201152 Resolução nº 2403000.223 S2C4T3 Fl. 124 6 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para o exame das Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 1438.395 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP, que julgou procedente os lançamentos de obrigação tributária principal AIOP nº 51.005.9740 e acessória (CFL 78) AIOA nº 51.005.9732, no período de 01/2009 a 10/2010. O Relatório Fiscal informa que, em relação à obrigação principal, foram apurados os créditos relativos às diferenças de contribuições previdenciárias "de empresas" relativas ao RAT para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Conforme o Relatório da decisão de primeira instância: I) Auto de Infração AIOP nº 51.005.9740 De acordo com os fatos relatados pela fiscalização, o município vinha informando em GFIP o CNAE Fiscal 8611.6/00, declarando como atividade econômica preponderante a ‘administração pública em geral’, sujeita, a partir de 06/2007, à alíquota SAT de 2%. Não obstante, procedeu ao recolhimento da alíquota de 1% no período objeto deste lançamento. Contudo, em análise aos documentos fiscais do contribuinte, a autoridade fiscal constatou que o departamento que engloba o maior número de empregados em atividade fim é o departamento de Obras e Serviços Municipais, enquadrando, dessa forma, sua atividade preponderante no CNAE Fiscal 38114/00, sujeito à alíquota de 3% ao SAT. Foi, então, efetuado o lançamento, para o período de 01 a 12/2009, inclusive a competência 13/2009, da diferença de alíquota de 2% sobre o total das remunerações de empregados declarados em GFIP, totalizando, assim, a alíquota de 3% devida.. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13830.722747/201152 Resolução nº 2403000.223 S2C4T3 Fl. 125 7 Em relação ao período de 01 a 10/2010 a alíquota devida ao SAT correspondia a 5,03% em decorrência da aplicação do Fator Acidentário de Prevenção – FAP, tendo o contribuinte recolhido somente 1,67%. Foi, então, efetuado o lançamento da diferença de 3,36%. II) Auto de Infração AIOA nº 51.005.9732 incluindo a multa decorrente do descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 32, IV da Lei nº 8.212/91 por ter o contribuinte apresentado a GFIP com informações incorretas ou omissas. A controvérsia está centrada na questão da atividade preponderante que, por um lado, foi considerada pela AuditoriaFiscal como um todo para o sujeito passivo, enquanto que o Recorrente aduz que deveria ter sido considerado por estabelecimentos na qual a atividade preponderante será a de educação. Na linha de se mensurar o grau de risco pela atividade preponderante de cada estabelecimento, individualizado pelo CNPJ, temse a jurisprudência dominante do STJ veiculada na Súmula STJ nº 351: A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Ainda assim, devemos observar o art. 62, parágrafo único, II, a do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Neste sentido, o Ato Declaratório PGFN nº 11/2011 declara que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam a aplicação da alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.” Fl. 125DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13830.722747/201152 Resolução nº 2403000.223 S2C4T3 Fl. 126 8 DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a prejudicial de se determinar qual a atividade preponderante do sujeito passivo aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada estabelecimento individualizado pelo CNPJ. CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente informe: (i) por estabelecimento do sujeito passivo, individualizado por CNPJ, qual a atividade preponderante e qual o grau de risco associado em cada competência objeto do lançamento fiscal, qual seja, de 01/2009 a 10/2010; (ii) se o resultado do item (i) altera o lançamento fiscal efetuado e em que medida; (iii) considerandose o resultado do item (i), em cada competência objeto do lançamento fiscal, qual seja, de 01/2009 a 10/2010, qual o valor devido pelo sujeito passivo em relação à obrigação principal e à acessória. (iv) no caso de existência de um único CNPJ individualizado para o sujeito passivo, ou seja, não houve a individualização de estabelecimentos com distintos CNPJ, qual seria a atividade preponderante em cada competência. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 126DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13851.904684/2009-98
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO DECLARADO RECONHECIDO. RETIFICAÇÃO.
O pedido de ressarcimento somente pode ser retificado pelo sujeito passivo, se requerido por meio de instrumento próprio e caso se encontre pendente de decisão administrativa ao tempo da entrega do documento retificador. Uma vez reconhecido integralmente, o valor do crédito pleiteado por meio de PER/DCOMP é o limite máximo para a compensação dos débitos declarados pela contribuinte.
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS EM ATRASO. ACRÉSCIMOS LEGAIS.
Na compensação, os débitos já vencidos na data de transmissão da DCOMP devem ser acrescidos de juros e multa de mora.
IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. DESCABIMENTO.
O ressarcimento de crédito de IPI não enseja atualização monetária ou incidência de juros, por falta de previsão legal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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CRÉDITO DECLARADO RECONHECIDO. RETIFICAÇÃO. O pedido de ressarcimento somente pode ser retificado pelo sujeito passivo, se requerido por meio de instrumento próprio e caso se encontre pendente de decisão administrativa ao tempo da entrega do documento retificador. Uma vez reconhecido integralmente, o valor do crédito pleiteado por meio de PER/DCOMP é o limite máximo para a compensação dos débitos declarados pela contribuinte. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS EM ATRASO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Na compensação, os débitos já vencidos na data de transmissão da DCOMP devem ser acrescidos de juros e multa de mora. IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. DESCABIMENTO. O ressarcimento de crédito de IPI não enseja atualização monetária ou incidência de juros, por falta de previsão legal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 46 84 /2 00 9- 98 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13851.904684/200998 Acórdão n.º 3801003.146 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. “Tratase de manifestação de inconformidade contra a decisão proferida pela repartição fiscal de origem, de homologar parcialmente a compensação declarada através do PER/DCOMP especificado, embora se tenha reconhecido integralmente o direito creditório apontado para a compensação. A interessada identificada em epígrafe pretendia utilizar o saldo credor de IPI requerido, com relação ao trimestre/ano indicado no PER/DCOMP, para quitar os débitos de tributos administrados pela Receita Federal ali especificados, no entanto, o valor do saldo credor alegado, e reconhecido/confirmado pela autoridade competente, é inferior ao valor da soma dos débitos tributários indicados para compensação. O Despacho Decisório recorrido apontou que o direito creditório declarado foi integralmente reconhecido, porém representa valor insuficiente para compensar todos os débitos declarados. Por essa razão foi homologada apenas parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP em tela. Cientificada da decisão, a interessada protocolou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, cujas razões se resumem essencialmente em alegar que conforme documentos anexados, o saldo credor ao final do trimestre especificado no PER/DCOMP seria suficiente para homologação em valor superior ao que foi reconhecido pela Receita Federal. À vista do exposto, demonstrada a insubsistência do Despacho Decisório, requer que seja acolhida a presente manifestação de inconformidade, para o fim de se cancelar o débito fiscal reclamado. Por força da Portaria RFB/Sutri nº 2.440, de 30 de novembro de 2012, o presente processo foi encaminhado a esta DRJ/REC, para o julgamento de sua competência. É o relatório.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (DRJ/REC) indeferiu a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO DECLARADO RECONHECIDO. CRÉDITO INSUFICIENTE PARA A COMPENSAÇÃO PRETENDIDA. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. O saldo credor solicitado/utilizado no PER/DCOMP com referência ao trimestrecalendário ali especificado foi integralmente reconhecido pela autoridade administrativa fiscal competente, porém seu valor é insuficiente para a compensação de todos os débitos ali indicados. Mantémse a decisão exarada Fl. 100DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13851.904684/200998 Acórdão n.º 3801003.146 S3TE01 Fl. 4 3 pela repartição fiscal de origem, de homologação apenas parcial da compensação pretendida.” Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário em que alega o seguinte: i) a autoridade fiscal cometeu equívoco no encontro de contas, ao não considerar saldo credor de IPI de período anterior; ii) demonstrou com documentos que a homologação total da compensação no valor informado se impõe; iii) não haveria que se falar na aplicação de juros e correção monetária sobre o débito compensado; iv) se fosse admitida tal aplicação, o crédito também deveria ser atualizado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre o direito de crédito reconhecido. Está claro no processo que todo o direito creditório solicitado pela contribuinte no PER/DCOMP, com relação ao trimestrecalendáro nele especificado, foi integralmente reconhecido pela autoridade fiscal competente. Porém o valor foi insuficiente para a compensação dos débitos tributários indicados no mesmo PER/DCOMP. Por isto, a compensação declarada foi apenas parcialmente homologada. Como bem esclarecido no acórdão recorrido, a Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB procedeu à análise do PER/DCOMP com base em informações apresentadas pela própria contribuinte e outras constantes de seus sistemas, obtidas de declarações também da contribuinte, após o que, concluiu que o crédito pleiteado era igual ao saldo credor de IPI passível de ressarcimento. Considerar o saldo credor de período anterior informado na manifestação de inconformidade para fins de homologação da compensação declarada implicaria alteração do valor requerido a título de ressarcimento, logo, retificação do pedido originalmente apresentado. Isto estava vedado pelo art. 77 da IN RFB nº 900, de 2008, que dispunha que a retificação somente poderia ser admitida no caso em que o pedido ainda se encontrasse pendente de decisão administrativa, quando da apresentação de documento retificador para análise pela autoridade originalmente competente. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13851.904684/200998 Acórdão n.º 3801003.146 S3TE01 Fl. 5 4 Esta vedação encontrase, também, nas demais instruções normativas que trataram ou tratam da matéria, e está amparada no que dispõe o art. 38, da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal: “Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. (...)” Assim, o pedido inicial poderia ser retificado ou até cancelado, se atendidas algumas formalidades, em especial, que o requerimento fosse efetuado em documento próprio e apresentado antes de decisão administrativa. No presente caso, a decisão da autoridade competente da RFB foi cientificada à contribuinte, sem que qualquer requerimento de retificação tivesse sido apresentado. Apenas após a ciência do despacho decisório, por meio de manifestação de inconformidade, a contribuinte afirmou que o crédito pleiteado deveria ser maior, porque faltara computar saldo credor de período anterior. Naquele momento, o pedido não estava pendente de decisão administrativa, não se admitindo sua retificação. A recorrente não demonstra haver incongruência entre o despacho decisório e os valores constantes do pedido de ressarcimento e. Aceitar os argumentos do recurso voluntário implicaria aceitar pedido de retificação do PER em forma e momento diferentes dos preceituados na legislação. Uma vez que no presente caso todo o valor pleiteado foi deferido, levandose em consideração informações apresentadas pela própria requerente, dar provimento ao recurso implicaria também deferir ressarcimento de valores ultra petita. Incidência de multa e de juros moratórios sobre débitos vencidos. Os débitos que a contribuinte compensou estavam vencidos por ocasião da transmissão do PER/DCOMP. Ao efetuar a imputação do crédito, o Sistema de Controle de Créditos da RFB – SCC detectou diferenças em relação ao cálculo efetuado pela contribuinte, o que deu origem ao valor exigido no DDE. A incidência de acréscimos legais nos pagamentos efetuados em atraso decorre do disposto no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo transcrito: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13851.904684/200998 Acórdão n.º 3801003.146 S3TE01 Fl. 6 5 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. (destaquei) A imputação do crédito está de acordo com o disposto na Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, conforme os artigos a seguir reproduzidos. Igual entendimento consta no art. 44, caput e § 1º da IN RFB 1.300, de 2012, que sucedeu a IN RFB nº 900, de 2008. INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB nº 900, de 2008: “Art. 36. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 72 e 73 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. ... Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais.” Atualização monetária no ressarcimento. O ressarcimento não se trata de restituição de indébito tributário, pois não decorre de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, nem de erro na identificação do sujeito passivo ou no cálculo do montante ou da alíquota aplicável, nem de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, tal como previsto no art. 165 do Código Tributário Nacional. Não há lei que determine seja o ressarcimento corrigido monetariamente ou acrescido de juros, não se aplicando ao caso o art. 39 da Lei n.º 9.250/95. Por outro lado, diversas instruções normativas que tratam da matéria dispõem ser incabível a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13851.904684/200998 Acórdão n.º 3801003.146 S3TE01 Fl. 7 6 Exemplos são o art. 38, §2º, da IN SRF 210, de 2002, o art. 51, §5º, da IN SRF nº 460, de 2004, o art. 83, inc. I, § 5º, da IN RFB nº 1.300, de 2012. São precedentes no âmbito do CARF os seguintes: Acórdão 20402.945, de 22/11/2007, da 4ª Câmara do 2º CC: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializado IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000. Ementa: RESSARCIMENTO DE IPI. INCIDÊNCIA DE JUROS. IMPOSSIBILIDADE. A figura do ressarcimento não se confunde com a da restituição. Inexistindo previsão legal, impossível o acréscimo de juros ao valor pleiteado em ressarcimento, ainda que isso venha denominado como "atualização monetária. Recurso Voluntário Negado.” Acórdão 20181.500, de 10/10/2008, da 1ª Câmara do 2º CC. “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2001 a 30/06/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. A lei não autoriza o ressarcimento referente às aquisições que não sofreram incidência da contribuição ao PIS e da Cofins no fornecimento ao produtor exportador. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS NÃO ADMITIDOS NO CÁLCULO. Não são suscetíveis do benefício de crédito presumido de IPI os gastos com combustíveis, energia elétrica, consoante Súmula n9 12 do Segundo Conselho de Contribuintes, e outros que, embora sendo necessários ao estabelecimento industrial, não se revestem da condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, visto que sequer entram em contato direto com o produto fabricado. TAXA SELIC. RESSARCIMENTO. 1NAPLICABILIDADE. O ressarcimento não se confunde com a restituição pela inocorrência de indébito. Não se justifica a correção em processos de ressarcimento de créditos, visto não haver previsão legal. Recurso voluntário negado. No julgamento do recurso especial 1.035.847/RS, representativo de controvérsia, cuja matéria era a correção monetária de créditos de IPI decorrentes do princípio Fl. 104DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13851.904684/200998 Acórdão n.º 3801003.146 S3TE01 Fl. 8 7 da nãocumulatividade, sobre os quais não incidiria a correção por falta de previsão legal, o STJ decidiu que a oposição constante de ato legal estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito a estes créditos, postergaria o reconhecimento do direito pleiteado, “exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco”. Esta decisão, que transitou em julgado em 10/03/2010, não pode ser aplicada ao caso, pois não ocorreu oposição por resistência ilegítima do Fisco. Como salientado na decisão recorrida, o direito de crédito pleiteado pela contribuinte foi integralmente reconhecido pela administração tributária. A Súmula STJ nº 411, de 25/11/2009 (DJe 16/12/2009), evidencia a necessidade de que tenha ocorrido resistência ilegítima do Fisco para que seja devida atualização monetária em direitos de crédito de IPI. Vejase seu enunciado: “Correção Monetária Creditamento do IPI Resistência Ilegítima do Fisco. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco.” Logo, não se está diante de fatos que, por força do art. 62A do RICARF, ensejariam a reprodução da decisão judicial. Conclusão. Pelo exposto, tendo em vista que o pedido de ressarcimento foi integralmente deferido, que a incidência de multa e juros moratórios sobre os débitos vencidos possui previsão legal, que não houve resistência ilegítima do Fisco e que não há previsão legal para atualização monetária de ressarcimento de IPI, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 13116.000779/2008-73
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IMPUGNAÇÃO INTEMPEST1VIDA.
Nos termos do artigo 15 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, é de trinta dias, a contar da data da notificação, o prazo para o contribuinte apresentar impugnação, sob pena de preclusão do seu direito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (20/11/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (20/11/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (20/11/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (20/11/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
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Nos termos do artigo 15 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, é de trinta dias, a contar da data da notificação, o prazo para o contribuinte apresentar impugnação, sob pena de preclusão do seu direito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (20/11/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (20/11/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 07 79 /2 00 8- 73 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13116.000779/200873 Acórdão n.º 2801002.729 S2TE01 Fl. 79 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado a Notificação de Lançamento de fls.1418, referente ao imposto de renda pessoa física. exercício 2005, ano calendário 2004. 0 crédito tributário apurado está assim constituído: IRPF Suplementar (sujeito à multa de ofício) 5.712,91 Multa de ofício (passível de redução) 4.298,18 Juros de Mora (calculados até o lançamento) 2.046,79 Valor do Crédito Tributário Apurado 12.054,88 No demonstrativo das infrações e enquadramento legal d(s) fl(s). 1516 e 19, as infrações apuradas estão, em síntese, assim descritas: Dedução Indevida de Despesas Médicas Glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pela contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2005, ano calendário 2004. Valor: RS 33.132,09. Motivo da dosa: a documentação apresentada comprova apenas parte da dedução pleiteada: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, relativos ao exercício 2005, anocalendário 2004, recebido(s) pelo titular e/ou dependente(s). Fonte(s) Pagadora(s): Prefeitura Municipal de Anápolis. Valor: RS 4.160,85. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de RS 79,35. Cientificada do lançamento em 18/10/2007, conforme informação dos Correios e aviso de recebimento de fls. 2223, a contribuinte apresenta impugnação (fls. 0102) ao lançamento, alegando, resumidamente, o que se segue: Preliminarmente, esclarece que somente em março de 2008 recebeu a comunicação alusiva aos débitos lançados. Qualquer Fl. 79DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13116.000779/200873 Acórdão n.º 2801002.729 S2TE01 Fl. 80 3 outra correspondência a respeito dos fatos ou processamento dos feitos não alcançou seu objetivo, pois não as recebi. Alega que a ausência de ciência da notificação de lançamento não pode acarretar a perda dos benefícios legais a que têm direito os contribuintes. Informa que procurou a Receita Federal do Brasil e constatou que quem recebeu as notificações de lançamento foi urna pessoa estranha aos seus interesses e, por isso, houve a perda do prazo para defesa. Considerando que não foi intimada do lançamento. requer seja estendido os benefícios fiscais relativos à redução dos valores lançados a titulo de multa e juros, bem como o parcelamento dos débitos. Por fim. acata os lançamentos efetuados, na forma requerida. É o relatório.” Passo adiante, a 6a Turma da DRJ/BRASÍLIA entendeu por bem não conhecer da impugnação, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2005 IMPUGNAÇÃO. INTEMPEST1VIDADE. Considerase intempestiva a impugnação apresentada após o decurso do prazo de trinta dias a contar da data em que foi feita a intimação da exigência, não tendo a faculdade, portanto, de instaurar a fase litigiosa do procedimento fiscal. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Cientificado em 09/12/2010 (Fls.50), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 09/01/2011 (fls.51 a 66), pugnando pelo reconhecimento da tempestividade de sua impugnação, pela nulidade do ato administrativo de lançamento e a validade dos valores deduzidos à título de despesas médicas. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator: Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13116.000779/200873 Acórdão n.º 2801002.729 S2TE01 Fl. 81 4 Em primeiro plano cumpre analisar a questão da intempestividade da impugnação do lançamento; posto que se não superada esta questão não será apreciada qualquer outra alegação do recurso, que não seja esta. Conforme se observa nos autos, a contribuinte foi notificada do lançamento no dia 18 de outubro de 2007 (AR de folhas 2223), no domicílio eleito por si. Contudo a impugnação somente foi apresentada no dia 10 de abril de 2008. Ora, a legislação é clara ao afirmar o prazo de trinta dias, a contar do recebimento da notificação, para apresentação de impugnação do lançamento; senão vejamos: Decreto 70.235, de 06 de março de 1972: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Ademais, não há como acatar o argumento da recorrente de ter sido o prazo para impugnação prorrogado tacitamente por um funcionário da Receita Federal do Brasil, ante qualquer previsão legal neste sentido. Deste modo, correto está o entendimento da DRJ de não conhecer a impugnação em razão de sua intempestividade. Assim, mantida a decisão da DRJ de não conhecer da impugnação, não há como apreciar as demais questões do recurso; posto que precluso está o direito do contribuinte se insurgir contra o lançamento, em razão de não haver sido instaurada a fase litigiosa do processo. Ante tudo acima exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13116.000779/200873 Acórdão n.º 2801002.729 S2TE01 Fl. 82 5 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10746.720021/2007-60
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
PRELIMINAR. NULIDADE.
Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto n. 70.235/72, não há que se falar em nulidade do procedimento.
ÁREA DE RESERVA LEGAL E PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. PROVA.
Não comprovada documentalmente a existência das referidas áreas isentas do ITR, bem como a informação a órgão de fiscalização ambiental, não há de serem excluídas as referidas áreas da base de cálculo.
Embargos Acolhidos
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2801-000.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para re-ratificar o acórdão nº 2801-00.607, de 18 de junho de 2010, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (15/01/2014), em substituição à Presidente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende.
Assinado digitalmente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto (Vice-Presidente), Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Julio Cezar da Fonseca Furtado e Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: Tânia Mara Paschoalin
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 PRELIMINAR. NULIDADE. Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto n. 70.235/72, não há que se falar em nulidade do procedimento. ÁREA DE RESERVA LEGAL E PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. PROVA. Não comprovada documentalmente a existência das referidas áreas isentas do ITR, bem como a informação a órgão de fiscalização ambiental, não há de serem excluídas as referidas áreas da base de cálculo. Embargos Acolhidos Crédito Tributário Mantido
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NULIDADE. Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto n. 70.235/72, não há que se falar em nulidade do procedimento. ÁREA DE RESERVA LEGAL E PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. PROVA. Não comprovada documentalmente a existência das referidas áreas isentas do ITR, bem como a informação a órgão de fiscalização ambiental, não há de serem excluídas as referidas áreas da base de cálculo. Embargos Acolhidos Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para reratificar o acórdão nº 280100.607, de 18 de junho de 2010, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (15/01/2014), em substituição à Presidente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 72 00 21 /2 00 7- 60 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Processo nº 10746.720021/200760 Acórdão n.º 2801000.781 S2TE01 Fl. 170 2 Assinado digitalmente Marcelo Magalhães Peixoto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto (VicePresidente), Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Julio Cezar da Fonseca Furtado e Sandro Machado dos Reis. Relatório Cuidase de impugnação de Notificação de Lançamento de fls. 10/13, no qual é cobrado o Imposto Sobre Propriedade Territorial Rural – ITR, relativo ao exercício de 2004, sobre imóvel denominado “Fazenda Pequizeiro”, localizado no Município de Ponte Alta do Bom Jesus/TO, com área total de 8.478,5 há, perfazendo um crédito tributário total de R$ 271.692,21 (duzentos e setenta e um mil seiscentos e noventa e dois reais e vinte e um centavos). A notificação foi lavrada face a rejeição, pela fiscalização, pela fiscalização, do Valor da Terra Nua – VTN, lançado pelo contribuinte na DITR/2004, de R$ 0,00 (zero reais). Intimado em 19/12/2007 (fl. 14), apresentou o contribuinte a impugnação de fls. 16, alegando que sofreu autuações referentes as declarações do ITR das duas áreas de que é proprietário (Pequizeiro e Orocal), relativas aos anos de 2003, 2004 e 2005, todas pertinentes ao questionamento do VTN e que, para sua defesa, precisava providenciar um Laudo Pericial. Que só recebeu a segunda intimação, momento em que contratou Engenheiro Agrônomo para elaboração de Laudo Técnico, que seria entregue até o dia 25/01/2008, pois a primeira foi entregue a terceira pessoa. Em 25/01/2008, o contribuinte juntou o Laudo de Avaliação de fls. 31/41, assinado por Engenheiro Agrônomo, acompanhado de ART. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília proferiu acórdão (fls. 84/89) julgando o lançamento procedente em parte, para tributar o imóvel com base no VTN de R$ 587.563,62, equivalente a R$ 69,30 por hectare, apontado no “ Laudo de Avaliação”, efetuandose as demais alterações decorrentes, com redução do imposto suplementar apurado pela fiscalização de R$ 122.826,50, para R$ 117.502,72. Segundo a decisão da DRJ, “ o laudo de avaliação, documento elaborado pelo engenheiro agrônomo Petrucio Correia Ferra, profissional legalmente habilitado, e, nesta condição responsável pelas informações constantes do trabalho por ele desenvolvido , com ART/CREATO, devidamente anotado, possibilita o acatamento do VTN nele demonstrado”. Intimado em 19/09/2008 (AR – fls. 89) o contribuinte apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 90/101), atacando o auto de infração através de preliminares bem como o seu mérito, juntando, inclusive, Laudo Complementar de Avaliação, Fl. 171DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Processo nº 10746.720021/200760 Acórdão n.º 2801000.781 S2TE01 Fl. 171 3 fls. 125/136.O processo foi julgado por esta 1ª Turma Especial em sessão datada de 18 de junho de 2010, quando foi lavrado o acórdão de n. 280100.607, fls. 140/143, tendo sido acordada a rejeição das preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso para restabelecer o VTN declarado. Ocorre que, este conselheiro, quando da formalização do acórdão, percebeu equívoco no julgamento, e interpôs Embargos de Declaração, com o seguinte teor: No caso, o contribuinte declarou VTN igual a zero, motivando o arbitramento. Ao apresentar impugnação, pleiteou revisão do VTN, tendo juntado laudo de avaliação que foi acatado para esse fim. Em sede de recurso voluntário, alega que as áreas de preservação permanente, reserva legal, utilizadas com pastagens e com produtos vegetais, indicadas no laudo, não foram aceitas no julgamento de primeira instância para fins de cálculo do ITR. A 1ª Turma Especial/2ª Seção de Julgamento/CARF, apreciado o recurso voluntário, em sessão ocorrida em 18 de junho de 2010, decidiu, “por unanimidade de voto, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” (Acórdão 280100607). Ocorre que o voto que integra o referido julgado, no tocante ao exame do mérito, desconsiderou que o VTN declarado era zero e que o VTN apontado no laudo apresentado à DRJ já havia sido aceito. Assim, a fundamentação ali exposta, que volta a apreciar se os critérios de arbitramento adotados são ou não cabíveis, estágio esse já superado no julgamento de primeira instância, está em desacordo com a situação fática dos autos e é omissa quanto ao pleito realmente formulado no recurso voluntário, ou seja, o direito de o contribuinte ter consideradas as áreas de pastagem, utilizadas com produtos vegetais e de interesse ambiental (Área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal). O artigo 65 e seu §1º, anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, dispõem: “Artigo 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos por conselheiro da turma, pelo Procurador da Fazenda Nacional, pelos Delegados de Julgamento, pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou pelo recorrente, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Câmara, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. Diante do exposto, submeto estes embargos à apreciação do Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, pois entendo que os autos devam retornar à apreciação do Colegiado para que sejam sanadas as falhas acima apontadas. Os embargos foram conhecidos, razão pela qual foram os autos novamente à julgamento, nesta sessão, para sua retificação. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Processo nº 10746.720021/200760 Acórdão n.º 2801000.781 S2TE01 Fl. 172 4 É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR Requer o recorrente a nulidade do processo, alegando não ter recebido a primeira intimação fiscal, ainda na fase de fiscalização, restando assim cerceado o seu direito de defesa. A respeito é preciso destacar que a fiscalização é fase préprocessual, conduzida exclusivamente pelo agente do fisco, cabendo a ele, imbuído dos poderes que lhes são conferidos pela legislação, definir os passos necessários para alcançar os objetivos da ação fiscal. Na fase de fiscalização o contribuinte tem uma participação de natureza passiva, devendo cooperar e atender à fiscalização, quando solicitada, no próprio interesse de demonstrar o cumprimento daquelas obrigações. Ressaltese que nessa fase não há ainda crédito tributário constituído, inexistindo, consequentemente, resistência a ser oposta pela pessoa fiscalizada. Portanto, nessa fase, inexiste processo, assim entendido como meio para solução de litígios, haja vista ainda não haver litígio. A pretensão fiscal ainda não se concretizou. Logo, não há o que se falar em preterição ao direito de defesa do contribuinte no transcurso da ação fiscal. Deparandose com irregularidades fiscais, o Auditorfiscal deve lavrar o auto de infração para devida formalização da exigência. Esse procedimento é que torna obrigatória a intimação do contribuinte, para o devido conhecimento da constituição da exigência. Em suma, o falado cerceamento do direito de defesa somente poderia ocorrer a partir da lavratura do auto de infração, por vários motivos, entre eles a falta da ciência do procedimento fiscal, porém, antes disso, não há que se cogitar tal situação. In casu, verificase que o Termo de Intimação Fiscal de fls. 01, a Consulta de Postagem de fls. 03, o AR de fls. 04, a Notificação de Lançamento de fls. 10 e a Consulta de Postagem de fls. 14, foram entregues no endereço indicado pelo próprio contribuinte, conforme consta de seu DIAC Documento de Informação e Atualização Cadastral, fls. 05, ou seja, na Rua Eduardo de Paula Reis, n. 21, apto 102, Rodeiro/MG. Desta forma, as intimações no presente feito se deram regularmente, como previsto no artigo 23, do Decreto n. 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Processo nº 10746.720021/200760 Acórdão n.º 2801000.781 S2TE01 Fl. 173 5 Destarte, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto n. 70.235/1972 e a nulidade só será declarada se importar em prejuízo para o Recorrente, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. Assim sendo, não há qualquer irregularidade no tocante as intimações levadas a efeito no presente feito, especialmente porque ao Recorrente foi assegurado o conhecimento detalhados das infrações que lhe foram imputadas, bem como suas fundamentações legais, tanto que apresentou defesa e recurso quanto aquilo que entende não ser devido, correndo o processo seu trâmite regular. Não se vislumbra, in casu, ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa, não caracterizando o cerceamento do direito de defesa, razão pela qual rejeito a preliminar. DO MÉRITO DAS ÁREAS DE PASTAGEM, PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL No caso em apreço, o contribuinte declarou VTN igual a zero, motivando o arbitramento da base de cálculo do ITR. Ao apresentar impugnação, pleiteou revisão do VTN, tendo juntado laudo de avaliação que foi acatado para esse fim. Em sede de recurso voluntário, alega que as áreas de preservação permanente, reserva legal, utilizadas com pastagens e com produtos vegetais, indicadas no laudo, não foram aceitas no julgamento de primeira instância para fins de cálculo do ITR. Com relação ao VTN, inicialmente declarado em zero, percebese que o valor de demonstrado em laudo de avaliação, no importe de R$ 69,30 (sessenta e nove reais e trinta centavos), reduziu o imposto exigido para o montante de R$ 117.502,72 (cento e dezessete mil, quinhentos e dois reais e setenta e dois centavos), portanto, resta superada esta matéria do lançamento. Resta, portanto, os questionamentos do contribuinte quando ao direito de ter consideradas as áreas de pastagem, utilizadas com produtos vegetais e de interesse ambiental (Área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal). O contribuinte afirma que apesar de o primeiro laudo apresentado não fazer referência a estas áreas, estava juntando novo laudo que supriria essa omissão. Ocorre que não há nos autos prova de tal alegação. O laudo em anexo trás apenas uma tabela com a área que possivelmente seria de preservação permanente ou de reserva legal. No entanto, destaquese que apenas esta alegação não é capaz de embasar a exclusão dessas áreas da base de cálculo do imposto devido, uma vez que não há embasamento teórico no laudo para tanto. Ademais, não foi apresentado Ato Declaratório Ambiental, ou fora averbada a área de reserva legal no registro imobiliário. Quanto ao ADA – em 2000, com o advento da Lei 10.165/2000, que incluiu o art. 170, parágrafo 1º à Lei n. 6.938/1981, a exigência de apresentação do Ato Declaratório Fl. 174DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Processo nº 10746.720021/200760 Acórdão n.º 2801000.781 S2TE01 Fl. 174 6 Ambiental, passou a ter fundamento legal, da mesma forma o Decreto n. 4.382, de 19 de setembro de 2002, Regulamento do ITR. Com relação à Averbação no registro imobiliário, a legislação prevê a necessidade de averbação da reserva legal, de acordo com o que dispõe o parágrafo 8º do art. 16 da Lei n. 4.771/65. A sua não averbação prevê sanção prevista no art. 55 do Decreto n. 6.514/2008. Apesar de estas duas obrigações estarem previstas na legislação, o melhor entendimento à respeito do tema é que ambos são capazes de inverter o ônus da prova em favor do fisco e, não trazendo o contribuinte uma contraprova apta, há de se manter a decisão da DRJ. Quanto ao ônus da prova, por oportuno, transcrevese as palavras de Marcos Vinícius Neder (A PROVA NO PROCESSO TRIBUTÁRIO, Dialética: São Paulo, 2010), quando afirma que “no processo administrativo fiscal, temse como regra que o ônus da prova recai sobre quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar a prova de sua ocorrência. Se, por outro lado, o contribuinte aduz a inexistência da ocorrência do fato gerador, igualmente, terá que provar a falta dos pressupostos de sua ocorrência ou a existência de fatores excludentes” (g.n.). Ante o exposto, há de se manter a decisão da DRJ. DA CONFISCATORIEDADE DA MULTA Alega o recorrente que a multa de ofício aplicada é confiscatória e não observa os ditames da Constituição da República. No entanto, a matéria não pode ser apreciada por este tribunal administrativo, ante o teor de sua súmula de n. 02, por ser de observância obrigatória. Tendo o fiscal agido conforme a legislação de regência, a qual goza de presunção de constitucionalidade, há que se considerar improcedente a alegação recursal. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo acolhimento dos Embargos de Declaração para não conhecer das preliminares e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 175DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Processo nº 10746.720021/200760 Acórdão n.º 2801000.781 S2TE01 Fl. 175 7 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
score : 1.0
Numero do processo: 11052.000978/2010-62
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
JUNTADA POSTERIOR DE PROVA. NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
A contribuinte traz apenas comentários genéricos acerca da possibilidade de uma eventual juntada posterior de prova, mas não apresenta efetivamente nenhum documento relativamente aos fatos autuados, para comprovar suas alegações. Não havendo nenhum elemento de prova adicional para ser examinado, a argumentação é inócua.
DISTORÇÃO NO ASPECTO TEMPORAL DOS FATOS GERADORES. NÃO COMPROVAÇÃO.
A Contribuinte alega suposto vício no lançamento por possíveis distorções no aspecto temporal dos fatos geradores, mas não traz qualquer elemento para dar consistência a essa alegação. A grande divergência entre os ingressos bancários e as receitas declaradas, verificada continuamente ao longo de 12 meses, não pode ser justificada por uma suposta distorção no aspecto temporal dos fatos geradores. A alegação da Contribuinte deveria ser por ela comprovada, a partir de seus próprios lançamentos contábeis e documentos correspondentes, mas ela se manteve inerte, e seus argumentos não encontram amparo nos fatos colacionados aos autos.
Numero da decisão: 1802-002.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 JUNTADA POSTERIOR DE PROVA. NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A contribuinte traz apenas comentários genéricos acerca da possibilidade de uma eventual juntada posterior de prova, mas não apresenta efetivamente nenhum documento relativamente aos fatos autuados, para comprovar suas alegações. Não havendo nenhum elemento de prova adicional para ser examinado, a argumentação é inócua. DISTORÇÃO NO ASPECTO TEMPORAL DOS FATOS GERADORES. NÃO COMPROVAÇÃO. A Contribuinte alega suposto vício no lançamento por possíveis distorções no aspecto temporal dos fatos geradores, mas não traz qualquer elemento para dar consistência a essa alegação. A grande divergência entre os ingressos bancários e as receitas declaradas, verificada continuamente ao longo de 12 meses, não pode ser justificada por uma suposta distorção no aspecto temporal dos fatos geradores. A alegação da Contribuinte deveria ser por ela comprovada, a partir de seus próprios lançamentos contábeis e documentos correspondentes, mas ela se manteve inerte, e seus argumentos não encontram amparo nos fatos colacionados aos autos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 JUNTADA POSTERIOR DE PROVA. NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A contribuinte traz apenas comentários genéricos acerca da possibilidade de uma “eventual” juntada posterior de prova, mas não apresenta efetivamente nenhum documento relativamente aos fatos autuados, para comprovar suas alegações. Não havendo nenhum elemento de prova adicional para ser examinado, a argumentação é inócua. DISTORÇÃO NO ASPECTO TEMPORAL DOS FATOS GERADORES. NÃO COMPROVAÇÃO. A Contribuinte alega suposto vício no lançamento por possíveis distorções no aspecto temporal dos fatos geradores, mas não traz qualquer elemento para dar consistência a essa alegação. A grande divergência entre os ingressos bancários e as receitas declaradas, verificada continuamente ao longo de 12 meses, não pode ser justificada por uma suposta distorção no aspecto temporal dos fatos geradores. A alegação da Contribuinte deveria ser por ela comprovada, a partir de seus próprios lançamentos contábeis e documentos correspondentes, mas ela se manteve inerte, e seus argumentos não encontram amparo nos fatos colacionados aos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 09 78 /2 01 0- 62 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11052.000978/201062 Acórdão n.º 1802002.356 S1TE02 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11052.000978/201062 Acórdão n.º 1802002.356 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – DRJ/RJ I, que, por maioria de votos, manteve lançamento realizado para a constituição de crédito tributário no regime de tributação simplificada – Simples. A autuação fiscal abrangeu os meses do anocalendário de 2006. Foram imputadas à Contribuinte duas infrações: omissão de receitas e insuficiência de recolhimento gerada pela mudança nos coeficientes para apuração do Simples, após a adição das receitas omitidas. Os fatos que antecederam o presente recurso estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1237.537, às efls. 353 a 366: Do Lançamento Tratase de processo, Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica SIMPLES, referente ao anocalendário de 2006, com a seguinte composição: TRIBUTO CÓDIGO PRINCIPAL JUROS DE MORA (*) MULTA * TOTAL AI fls IRPJ 7104 19.075,23 8.261,63 14.306,37 41.643,23 226/253 PIS/PASEP 7200 13.995,96 6.059,94 10.496.89 30.552,79 254/263 CSLL 7307 19.562,61 8.513,84 14.671,90 42.748,35 264/273 COFINS 7403 57.543,10 25.054,25 43.157,27 125.754,62 274/283 INSS 7500 165.265,17 71.834,68 123.948,84 361.048,69 284/293 TOTAL 275.442,07 119.724,34 206.581,27 601.747,68 * Juros de Mora calculados até 29/10/2010. * Multa de ofício de 75% 2. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal: 2.1. No início do procedimento Fiscal, Termo de Início de Fiscalização, fls. 22, foram solicitados os livros razão e diário de 2006, livro registro de inventário, contrato social e alterações posteriores, extratos de todas as contascorrentes e de aplicações financeiras de titularidade do sujeito passivo, mantidas junto às instituições Banco do Brasil S.A.Unibanco S.A. e Banco Itaú SA., bem como, extratos de cartões de crédito. 2.2. Posteriormente, o sujeito passivo foi intimado, doc. de fls. 127 a 170, a comprovar, de forma individualizada, a origem e natureza jurídica dos valores creditados nas contascorrentes de sua titularidade, bem como a correta contabilização e o oferecimento à tributação dos mesmos. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11052.000978/201062 Acórdão n.º 1802002.356 S1TE02 Fl. 5 4 2.3. Em resposta à intimação, o sujeito passivo, fls. 171, informou que os valores constantes das planilhas em anexo ao Termo de Intimação são provenientes da atividade da empresa. 2.4. Considerando a resposta apresentada e o montante de recursos que transitaram pelas contascorrentes de sua titularidade, discriminado mensalmente, nas planilhas “Créditos Bancários decorrentes de Receitas da Atividade”, fls. 184 a 199 e 202 a 219, com origem em receitas da atividade da empresa, foram apuradas as seguintes irregularidades: OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS NÃO DECLARADAS 2.5. Pela diferença entre receitas escrituradas, doc. de fls. 172 a 183, e a movimentação financeira especificada na Planilha “Demonstrativo de Apuração do Simples sobre Receitas Omitidas” doc. de fls. 220, que foi reconhecida pelo Sujeito Passivo como receitas da atividade da empresa, doc. de fls. 171, foi verificado que o sujeito passivo ofereceu parcialmente à tributação as receitas de sua atividade. 2.6. Assim, foi efetivado o lançamento de ofício do SIMPLES (IRPJ, PIS, CSLL, COFINS, INSS), como omissão de receita, utilizando as alíquotas corretas, discriminadas no “Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis Sobre a Receita Bruta”, doc. de fls. 236 a 241; “Demonstrativo de Apuração do Imposto/Contribuição Sobre Diferenças Apuradas”, doc. de fls. 248 a 253; e na planilha “Demonstrativo de Apuração do Simples Sobre Receitas Omitidas”, doc. de fls. 220. 2.7. Fundamentação Legal: IRPJSIMPLES art 24 da Lei 9249/95, arts 2º, §2°, 3º, § 1º, alínea "a", 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei 9317/96, art. 3º da Lei 9.732/98.; arts. 186, 188 e 199 do RIR/99. PISSIMPLES Art. 3º, alínea "b" da Lei Complementar 7/70 c/c art. 1º, parágrafo único da Lei Complementar 17/73 e arts. 2º, inciso I, 3º e 9º, da Medida Provisória n° 1.249/95 e suas reedições; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "b", 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei n° 9.317/96. CSLL SIMPLES Art. 1º da Lei 7.689/88; arts, 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "c", 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei 9.317/96. COFINS SIMPLES Art 1º da Lei Complementar 70/91: arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "d", 5º, 7°, §1º e 18 da Lei 9.317/96. INSS SIMPLES Arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "f”, 5º, 7º, § 1º, e 18, da Lei 9.317/96. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS 2.8.Em decorrência das receitas omitidas, foram apurados novos percentuais do SIMPLES, discriminados na planilha "Demonstrativo do Simples Recolhido a Menor em Função da Mudança de Faixa de Receita e Alíquota”, doc. de fls. 221, Fl. 391DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11052.000978/201062 Acórdão n.º 1802002.356 S1TE02 Fl. 6 5 sendo promovido o lançamento de ofício do SIMPLES (IRPJ, PIS, CSLL, COFINS, INSS), por insuficiência de recolhimento em função da utilização de alíquotas fora da faixa apropriada, conforme "Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis Sobre a Receita Bruta”, doc. de fls. 236 a 241, "Demonstrativo de Apuração de Valores Não Recolhidos” , doc. de fls. 242 a 247, e planilha "Demonstrativo do Simples Recolhido a Menor em Função da Mudança de Faixa de Receita e Alíquota”, doc. de fls. 221. 2.9. Fundamentação Legal IRPJ SIMPLES Art. 5º da Lei 9.317/96 c/c art. 3º da Lei nº 9.732/98; Arts. 186 e 188, do RIR/99. PIS SIMPLES Art. 3º, alínea "b" da Lei Complementar 7/70 c/c art. 1º, parágrafo único da Lei Complementar 17/73 e arts. 2º, inciso I, 3º e 9º, da Medida Provisória 1.249/95 e suas reedições; art. 5º da Lei 9.317/96. CSLL SIMPLES Art. 1º da Lei 7.689/88; art. 5º da Lei 9.317/96; Art. 3° da Lei 9.732/98. COFINS SIMPLES Art. 1º da Lei Complementar 70/91; art. 5º da Lei 9.317/96. INSS SIMPLES Art. 5º da Lei 9.317/96; art. 3º da Lei 9 732/98. 2.10. Em função da receita bruta acumulada no anocalendário de 2006, superar o valor máximo de R$ 2.400.000,00 ( dois milhões e quatrocentos mil reais), atingindo, conforme apurado, o montante de RS 3.337.152,78 (três milhões, trezentos e trinta e sete mil, cento e cinqüenta e dois reais e setenta e oito centavos), excedendo, portanto, o referido limite estabelecido pelo art. 9º da Lei 9.317/96, com redação dada pelo art. 1º da Lei 11.307/2006, foi formalizado Processo Administrativo Fiscal 11052.000.979/201015, com Representação para Exclusão do Simples, no anocalendário subseqüente ao fiscalizado. Da Impugnação 3. O sujeito passivo, cientificado dos lançamentos em 04/11/2010, apresentou impugnação, em 30/11/2010, fls. 325/332, na qual, em síntese, alega: Dos Fatos 3.1. A Impugnante teve dificuldade para colher todos os elementos requisitados, uma vez que, por estar enquadrada no SIMPLES, seus registros contábeis estavam simplificados, fato agravado pelo tempo decorrido. Todavia, entregou à repartição fiscal tudo o que fora solicitado. 3.2. Uma parte das vendas são feitas parceladamente, mediante cartões de crédito, de tal modo que a movimentação financeira contabilizada e aquela que aparece nas contas correntes bancárias não correspondem exatamente, ao faturamento. Pode Fl. 392DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11052.000978/201062 Acórdão n.º 1802002.356 S1TE02 Fl. 7 6 haver ingressos bancários em 2006 relativos a vendas de 2005, recebidas em parcelas creditadas pela operadora do cartão de crédito, portanto, com os respectivos fatos geradores já alcançados pelo prazo decadencial. 3.3. Surpreendeuse: · com o recebimento de um "Termo de Verificação Fiscal”, datado de 04/11/2010, acompanhado de volumosos demonstrativos, de mais que 100 (cem) páginas, não numeradas, dentre as quais aparecem 5 (cinco) autos de infração, cujos relatos dão conta da existência de omissão de receitas no âmbito do Imposto sobre a Renda, PIS, CSLL, COFINS E INSS. · Com a entrega, pelo Auditor, na mesma data, de um "Termo de Intimação Fiscal”, "dando continuidade à ação fiscal”, no qual a Impugnante é intimada a: “comprovar a origem e a natureza jurídica dos valores creditados/depositados nas contas correntes mantidas, conforme detalhado nas 43 (quarenta e três) planilhas, em anexo ao presente termo, devendo ainda identificar a correta contabilização e o oferecimento à tributação dos referidos valores. Do mesmo "Termo” consta a advertência de que a não comprovação da origem dos recursos ensejará o lançamento de ofício a título de omissão de receita. · ao verificar que o conteúdo das 43 planilhas, também não numeradas e fora de ordem cronológica, representava a mesma movimentação bancária já arrolada na lavratura dos autos de infração e juntada nas folhas seguintes ao "Termo de Verificação Fiscal”, desta vez em ordem cronológica, mas persistindo na falta de numeração das páginas. Isto significa que a Impugnante está sendo ameaçada com a "continuidade” de uma ação fiscal já encerrada, em que houve a lavratura de autos de infração sobre a mesma movimentação financeira. Das Nulidades Questões Preliminares Arrolamento de Cartões de Crédito não Objeto da Intimação 3.4. A intimação expedida em 05/03/2010, no que concernia aos cartões de crédito, visava às seguintes operadoras: Companhia Brasileira de Meios de Pagamento (VISANET), REDECARD (Itaú) e Banco Bankpar S/A (AMEX). Sendo assim, não eram objeto da ação fiscal as operações com REDESHOP, SISPAG e HIPERCARD, que aparecem nas planilhas anexadas ao relato inicial do "Termo de Verificação Fiscal” como componentes das "receitas omitidas”, tributadas mediante os autos de infração. Os valores correspondentes a esses cartões devem ser expurgados das planilhas que instruem o lançamento, e devem ser objeto de ação fiscal específica, observados os prazos decadenciais. Cerceamento do Direito De Defesa 3.5..Avoca o artigo 59 do Decreto 70.235, nos seguintes aspectos: Fl. 393DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11052.000978/201062 Acórdão n.º 1802002.356 S1TE02 Fl. 8 7 a) a intimação, ao referirse a 3 (três) operadoras de cartões de crédito, e os autos de infração, ao arrolarem outros 3 (três) cartões, certamente comprovam que a Impugnante teve dificultada a consecução de elementos para atender à fiscalização e para defenderse; b) a entrega, à Impugnante, das 43 (quarenta e três) planilhas fora de ordem cronológica e sem numeração das folhas, dificultou sobremaneira a conferência dos dados financeiros colhidos pela Receita Federal, para efeito de justificativa e de defesa, do mesmo modo que o “Termo de Verificação Fiscal”; c) a entrega do "Termo de Intimação Fiscal” no mesmo dia da ciência do "Termo de Verificação Fiscal”, com as planilhas de movimentação financeira já utilizadas no lançamento de tributos sobre a alegada "omissão de receitas”, constitui nulidade absoluta, que não pode prosperar. Se a Receita Federal tivera avesso a essas informações, estas deveriam ter sido franqueadas à Impugnante antes do encerramento da ação fiscal, também para efeito de justificativa e defesa. Decadência 3.6. Foi explicada ao Auditor a questão das vendas parceladas por meio de cartões de crédito, de modo que o fato gerador da obrigação tributária ocorre em determinado mês e os efetivos recebimentos ao longo dos meses seguintes, de acordo com o prazo de financiamento. Nessa hipótese, vendas efetuadas perto do final do ano fatalmente serão recebidas ao longo do exercício posterior, acarretando distorções entre o faturamento declarado pelo contribuinte e sua movimentação financeira. 3.7 Para comprovar a lisura do seu procedimento, a Impugnante teria de rever todo o faturamento do ano de 2005, selecionar as vendas parceladas e aquilatar seus reflexos nos ingressos financeiros de 2006, mas essa tarefa também poderia ser realizada pela fiscalização, que tem poderes para intimar as operadoras de cartões de crédito a informar as datas de origem dos repasses mensais feitos aos comerciantes. Outros Valores Não Representativos de Receitas 3.8. Alguns valores que aparecem nos demonstrativos das supostas “omissões de receitas” são depósitos que não têm qualquer correspondência com receitas, tais como: a) valores "redondos”, em dinheiro, de R$ 6.000,00, R$ 5.000.00, R$ 5.000,00, R$ 6.000,00, R$ 8.000,00, R$ 4 000,00, R$ 3.000,00, R$ 6 000,00, R$ 9.000,00, R$ 7.000,00, R$ 9.000,00, R$ 5.000,00, R$ 1.000,00, R$ 5 000,00, R$ 8.000,00, R$ 8.000,00, R$ 10.000,00, R$ 6.000,00, R$ 1.000,00, que aparecem no UNIBANCO entre janeiro e dezembro de 2006, decorrentes de eventuais necessidades de caixa, que os sócios retiram quando a situação permite; Fl. 394DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11052.000978/201062 Acórdão n.º 1802002.356 S1TE02 Fl. 9 8 b) valores "quebrados”, inclusive com centavos, em dinheiro, para cobrir eventuais cheques devolvidos, aparecem no UNIBANCO, em agosto, outubro e dezembro, respectivamente, R$ 2.719,81, R$ 8.002,36 e R$ 12.202,39; c) nos meses de março, maio e junho aparecem adiantamentos recebidos do REDECARD/ltaú, respectivamente, de R$ 20.250,53, R$ 5.176,65, R$ 8.424,29 e R$ 8.416,93, correspondentes a vendas anteriores, parceladas. Arbitramento 3.9. A fiscalização tomou a totalidade dos ingressos financeiros nas contas bancários da Impugnante como base de cálculo para todos os tributos e contribuições que entendeu devidas à Fazenda Pública. A isto se chama arbitramento. Porém, essa modalidade de lançamento, prevista em dispositivo próprio do CTN (art. 148), prevê a ocorrência de pressupostos e requer um rito específico para sua efetivação. O Auditor costeou essas diretrizes, por isso não se referiu à espécie que adotou. Enquanto o lançamento por homologação se realiza por meio de um procedimento da autoridade administrativa, disciplinado no art. 142 do CTN, o arbitramento farseá "mediante processo regular”, nos termos do aludido art 148. Cita José Afonso da Silva. 3.10. O desatendimento a características legais do arbitramento implicou prejuízo ao direito de defesa, por isso está patenteada, preliminarmente, mais essa nulidade. 3.11. O Auditor Fiscal informa que a Impugnante entregou ao seu Supervisor, em 05/04/2010, extratos bancários de 2006 do Banco do Brasil, UNIBANCO e Banco Itaú; contrato social, livros Diário e Razão, todos relativos a esse ano calendário. 3.12. O Agente aduz que, em resposta a um "Termo de Intimação” de 25/10/2010, as “diferenças foram reconhecidas como receitas da atividade da empresa”. A Impugnante está anexando cópia dessa “confissão”, entregue ao Auditor no mesmo dia da "intimação” (25/10/2010), para que V. Sa, na condição de julgador, aquilate se o conteúdo do documento pode levar um profissional, técnico em matéria tributária, a equiparar movimento bancário a receitas operacionais. 3.13. O açodamento desse Agente ficou evidenciado pelo fato de, recebida a resposta em 25/10/2010, imediatamente, em 04/11/2010, ter procedido à lavratura de 5 autos de infração, compostos de mais que 100 folhas, com a agravante de, nas conclusões do seu relato, anunciar que está formalizando representação para excluir a empresa do SIMPLES, com efeito retroativo a 2007, isto é, considera definitivo o seu “arbitramento” de tributos e contribuições sobre movimentação bancária. Dos Pedidos Fl. 395DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11052.000978/201062 Acórdão n.º 1802002.356 S1TE02 Fl. 10 9 3.14. Pede nulidade dos autos de infração ou, alternativamente, diligências para esclarecimento de situações que possam permanecer duvidosas. 3.15. Protesta pela eventual juntada de quaisquer provas admitidas em direito, aguarda decisão com a possível brevidade. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – DRJ/RJ I manteve o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2006 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS A juntada de documentos em momento posterior à apresentação da impugnação requer a comprovação de umas das condições prevista no artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, o que não ocorreu nos autos. OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS Cabe o lançamento de ofício de omissão de receita caracterizada pela falta ou insuficiência de contabilização de receitas. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS Cabe lançamento por insuficiência de recolhimentos quando se constata omissão de receita e por conseqüência, a utilização de alíquota inferior a que deveria ser utilizada para calcular os impostos TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS e INSS. Aplicase aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 24/10/2011, a Contribuinte apresentou em 23/11/2011 o recurso voluntário de efls. 370 a 375, com os seguintes argumentos: Preliminar ao ser cientificada do teor do julgamento da 7ª Turma da DRJ/RJ1, surpreendeuse, desde logo, com a negativa de juntada posterior de documentos, pois, segundo Fl. 396DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11052.000978/201062 Acórdão n.º 1802002.356 S1TE02 Fl. 11 10 consta da ementa correspondente, o Contribuinte teria de comprovar determinadas condições para aditar elementos documentais em seu favor por força do art. 16 do Decreto 70.235/72; o julgador não indicou em qual dos 5 (cinco) incisos ou em qual dos 6 (seis) parágrafos e alíneas desse dispositivo se enquadra tal impedimento, atitude que configura um irrecusável cerceamento do direito de defesa; o art. 16 do Decreto 70.235/72 não pode conflitar com a Lei n° 9.784, de 29/01/1999, que lhe é posterior e reconhece direitos dos administrados em geral, de modo amplo e democrático, em oposição ao Decreto acima, cuja data de publicação, num momento negro para a democracia brasileira, deveria ser fator de reformulação; o inciso III do art. 3º da Lei 9.784/99 permite a juntada de documentos antes da decisão, e não especificou se esta seria relativa à primeira ou à segunda instância, assim como o art. 65 não determinou prazo para uma eventual revisão de matéria decidida; em conclusão, com respeito a esta preliminar, espera a Recorrente seja rejeitada a decisão de primeira instância quanto ao impedimento de eventual ou necessária juntada de quaisquer outros elementos em defesa dos seus interesses; Mérito as quantias informadas pelas administradoras dos citados cartões correspondem aos desembolsos em prol da ora Recorrente por força de vendas por esse sistema. Esses desembolsos ocorrem por força dos contratos entre as partes, mas também podem decorrer de adiantamentos que as financeiras fazem aos varejistas como se fosse um cheque especial, caso em que não há tributação; é notório que por força das opções de cada um dos compradores de mercadorias, a operadora do cartão de crédito receberá destes à vista ou a prazo, assim como, de acordo com o contrato firmado com a empresa varejista, a operadora repassará a esta, à vista ou a prazo, as quantias vinculadas às mencionadas vendas, independentemente dos adiantamentos aludidos acima; toda a complexidade desse relacionamento tripartido foi desprezada pela Fiscalização ao considerar simplesmente os relatórios obtidos das operadoras de cartões de crédito, inclusive porque as operações que envolvem as vendas e os respectivos recebimentos podem situarse em exercícios distintos, de tal modo que o faturamento de dezembro pode ser recebido ao longo de alguns meses do ano seguinte; por um outro ângulo, pelo fato de estar enquadrada no Simples Nacional, seu sistema contábil se apresentava o mais simplificado possível. Tudo isto foi demonstrado ao ilustre Auditor, pessoalmente, e nas razões expostas na peça impugnatória como fator de improcedência da ação fiscal, que desconsiderou todas essas circunstâncias; a Recorrente não tem outra diretriz senão adotar aquela sustentada na declaração de voto contida na decisão de primeira instância administrativa; a referida declaração de voto captou de forma irrepreensível os fundamentos da defesa, constates da peça impugnatória, quando deu destaque aos regimes de caixa e de competência que não foram considerados pela fiscalização; Fl. 397DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11052.000978/201062 Acórdão n.º 1802002.356 S1TE02 Fl. 12 11 entre os argumentos adotados por aquela autoridade, aos quais a Recorrente se reporta, encontramse os seguintes: Entendo que, se as receitas declaradas pelo interessado foram pelo regime de competência (receitas brutas auferidas), o montante apurado no auto de infração deveria seguir a mesma sistemática, qual seja, o regime de competência. Não foi, todavia, o que ocorreu. Constatase que a fiscalização apurou o montante tributável com base nos depósitos bancários constantes nos extratos bancários. Apesar de o interessado afirmar que tais depósitos se referiam a receitas de vendas, os valores creditados em contracorrente vão indicar, não as receitas de vendas auferidas (regime de competência), mas sim, as receitas de vendas recebidas (regime de caixa). Tal procedimento adotado pela fiscalização causa uma séria de distorções na apuração da base de cálculo. Por exemplo: os depósitos efetuados no ano de 2006 podem se referir a receitas de vendas auferidas no anocalendário de 2005, como bem destacou o interessado em sua impugnação, fazendo com que o fato gerador do tributo seja deslocado indevidamente de um ano para o outro, ferindo o regime de competência. Outro exemplo: dentro do próprio anocalendário, uma receita auferida em determinado mês (regime de competência) pode só ser recebida em outro mês (regime de caixa), em razão de, por exemplo, parcelamento da venda, o que pode ocasionar a incidência de alíquotas maiores, em razão da receita bruta acumulada. (...) Portanto, está claro que a inobservância do critério de reconhecimento de receita (regime de competência receitas auferidas) no procedimento adotado pela fiscalização (regime de caixa depósitos bancários receitas recebidas) distorceu a apuração do montante tributável, devendo, por conseguinte, ser cancelada a autuação. É o voto. Pedidos por tudo o que foi exposto, está demonstrada a insubsistência dos lançamentos. Por isso, espera a Recorrente seja acolhido o presente recurso e cancelados os créditos tributários reclamados, além de mantida a sua inclusão no Simples Nacional. Este é o Relatório. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11052.000978/201062 Acórdão n.º 1802002.356 S1TE02 Fl. 13 12 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona lançamento de tributos no regime de tributação simplificada – Simples, com fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2006. A autuação fiscal está fundamentada em omissão de receitas apurada a partir de auditoria na movimentação bancária da empresa, realizada sobre extratos bancários que a Contribuinte apresentou à Fiscalização. Pela alteração nas faixas de receita bruta acumulada e, conseqüentemente, nos percentuais para a apuração do Simples, a omissão de receita repercutiu em uma outra infração insuficiência de recolhimento sobre a receita declarada, que também foi objeto de lançamento. O montante das receitas apuradas neste processo ensejou representação para exclusão do Simples a partir do anocalendário subseqüente (2007), que é matéria de outro processo administrativo (11052.000.979/201015). No caso dos presentes autos, os argumentos que a Contribuinte trouxe na impugnação foram examinados de forma bastante detalhada pela Delegacia de Julgamento, que não detectou qualquer vício no lançamento. Quanto à posterior juntada de provas, a Delegacia de Julgamento transcreveu os arts. 15 e 16 do Decreto 70.235/1972, destacando que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, e que a juntada posterior pode ser admitida desde que a Contribuinte demonstre a ocorrência de uma das condições previstas no § 4º do art. 16 do referido diploma. O fato é que a Contribuinte apenas reivindicou de forma genérica a possibilidade de uma eventual juntada posterior de provas, mas não apresentou qualquer documento para ser examinado. Quanto às demais questões suscitadas na impugnação, a Delegacia de Julgamento teceu as seguintes considerações: Cerceamento do Direito de defesa 8. Pela análise dos autos constatase que inicialmente o Auditor intimou a Impugnante a apresentar os livros razão e diário de 2006, livro registro de inventário, contrato social e alterações posteriores, extratos de todas as contascorrentes e de aplicações financeiras de titularidade do sujeito passivo, Fl. 399DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11052.000978/201062 Acórdão n.º 1802002.356 S1TE02 Fl. 14 13 mantidas junto às instituições Banco do Brasil S.A., Unibanco S.A. e Banco Itaú S.A., bem como, extratos de cartões de crédito através do Termo de Início de Fiscalização de 05/03/2010 entregue à Impugnante em 05/03/2010. 9. Posteriormente, houve intimação, doc. de fls. 127 a 170, para comprovar, de forma individualizada, a origem e natureza jurídica dos valores creditados nas contascorrentes de sua titularidade, bem como a correta contabilização e o oferecimento à tributação dos mesmos. Este Termo com a lista dos créditos bancários a comprovar, detalhado por banco, data, histórico e valor, foi entregue à Impugnante em 05/10/2010. 10. Em resposta à intimação, a Impugnante, em 25/10/2010, fls. 171, informou que os valores constantes das planilhas em anexo ao Termo de Intimação referemse a RECEITAS DA ATIVIDADE DA EMPRESA. 11. Isto posto, o Auditor, ao lavrar o Auto de Infração declarou: Considerando a resposta apresentada e o montante de recursos que transitaram pelas contascorrentes de sua titularidade, discriminado mensalmente, nas planilhas “Créditos Bancários decorrentes de Receitas da Atividade”, fls. 184 a 199 e 202 a 219, com origem em receitas da atividade da empresa, foram apuradas as seguintes irregularidades: 12. Pelo exposto acima e lendo o relato dos fatos constantes da Impugnação, constatase que a Impugnante tenta distorcer os fatos ao afirmar que: · recebeu do Auditor, na mesma data em que recebeu o Auto de infração, a intimação para comprovar a origem e a natureza jurídica dos valores creditados/depositados nas contas correntes. · que as planilhas estavam fora da ordem cronológica. · que está sendo ameaçada com a "continuidade” de uma ação fiscal já encerrada. · o agente aduz que, em resposta a um "Termo de Intimação” de 25/10/2010... · a Impugnante está anexando cópia dessa "confissão”, entregue ao Sr Auditor Fiscal no mesmo dia da "Intimação” (25/10/2010...(grifei) 13. Importante destacar que as razões expostas na Impugnação não estão acompanhadas de provas. Mas, pela transcrição das intimações e dos documentos anexados aos autos pelo Auditor, constatase que tais afirmações não procedem e também, que a empresa teve a oportunidade de comprovar a movimentação bancária que deu origem ao lançamento, mas, ao invés de fazê lo, apresentou uma DECLARAÇÃO de que os valores constantes Fl. 400DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11052.000978/201062 Acórdão n.º 1802002.356 S1TE02 Fl. 15 14 das planilhas em anexo ao Termo de Intimação referemse a RECEITAS DA ATIVIDADE DA EMPRESA. Logo impossível acatar as alegações de cerceamento do direito de defesa. 14. Importante destacar também, que analisando as planilhas de fls. 128/170, comprovase que as operações com REDESHOP, SIPAG e HIPERCARD constam como valores creditados nas contas bancárias a que a interessada foi intimada a comprovar a origem dos valores. Logo não é possível falar que não eram objeto da ação fiscal. Da Decadência 15. Não é possível acatar a tese defendida pela Impugnante "de decadência das vendas parceladas por meio de cartões de crédito, de modo que o fato gerador da obrigação tributária ocorre em determinado mês e os efetivos recebimentos ao longo dos meses seguintes, de acordo com o prazo de faturamento. Nessa hipótese, vendas efetuadas perto do final do ano fatalmente serão recebidas ao longo do exercício posterior, acarretando distorções entre o faturamento declarado pelo contribuinte e sua movimentação financeira”. Tal fato seria facilmente comprovado pelos lançamentos contábeis e dos documentos que a amparam e que deveriam estar a disposição da fiscalização. 16. Mas, no lugar de apresentar os lançamentos contábeis que comprovem tais fatos, a empresa preferiu argumentar que “tal comprovação poderia ser realizada pela fiscalização, que tem poderes para intimar as operadoras de cartões de crédito a informa as datas de origem dos repasses mensais feitos aos comerciantes, dos quais auferem comissões sobre as vendas”. 17. Foi juntado aos autos pelo Auditor, folhas do Livro Diário 02 da Impugnante, fls 172/183, Diário este que não detalha as receitas da Impugnante nos termos estabelecidos pelo Código Civil, que estabelece: Art. 1.183. A escrituração será feita em idioma e moeda corrente nacionais e em forma contábil, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transportes para as margens. Parágrafo único. É permitido o uso de código de números ou de abreviaturas, que constem de livro próprio, regularmente autenticado. Art. 1.184. No Diário serão lançadas, com individuação, clareza e caracterização do documento respectivo, dia a dia, por escrita direta ou reprodução, todas as operações relativas ao exercício da empresa. § 1º Admitese a escrituração resumida do Diário, com totais que não excedam o período de trinta dias, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas Fl. 401DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11052.000978/201062 Acórdão n.º 1802002.356 S1TE02 Fl. 16 15 ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares regularmente autenticados, para registro individualizado, e conservados os documentos que permitam a sua perfeita verificação, (grifei) 18. As empresas optantes pelo SIMPLES estão obrigadas a guardar os documentos da escrituração contábil que escrituraram. 19. Assim, como o lançamento foi comunicado ao contribuinte em 04/11/2010, o período de 31/01/2006 a 31/12/2006 não foi atingido pela decadência, nos termos do artigo 150, §4°, e nem mesmo nos termos do artigo 173, I do CTN. Logo, não é possível declarar decadência, visto que a Impugnante não apresentou comprovação de que os valores que declarou ao Auditor como Receita da Atividade referiamse ao ano calendário cujos fatos geradores já tinham sido atingidos pelo prazo de decadência. Outros valores não representativos de Receitas 20. Não é possível aceitar os argumentos deste tópico, pois, como já foi dito, a Impugnante não apresentou os documentos solicitados para comprovar sua movimentação bancária, limitandose em apresentar uma Declaração de que os valores constantes das planilhas em anexo ao Termo de Intimação referemse a RECEITAS DA ATIVIDADE DA EMPRESA, fls. 171. Importante destacar que o Auditor ao intimar à empresa a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes, informou que a não comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de créditos relacionados no termo, na forma e prazo estabelecidos, ensejaria lançamento de ofício, a título de omissão de receita ou de rendimento, nos termos do artigo 849, do RIR/99 (fls. 127). 21. Agora, na impugnação, argumenta que "foi explicado ao Sr. Auditor fiscal a questão das vendas parceladas por meio de cartões de crédito, de modo que o fato gerador da obrigação tributária ocorre em determinado mês e os efetivos recebimentos ao longo dos meses seguintes, de acordo com o prazo de financiamento”. “Vendas efetuadas perto do final do ano fatalmente serão recebidas ao longo do exercício posterior”. Mas não junta à sua Impugnação qualquer documento para comprovar os fatos alegados, ou seja, quais valores referemse ao ano anterior. 22. Argumenta que “alguns valores que aparecem nas planilhas anexadas ao Termo de Intimação Fiscal, e que, por sua vez capeia os autos de infração, são depósitos que não têm qualquer correspondência com receitas” e que “deixa de indicar as páginas correspondentes a esses ingressos porque a listagem recebida do Sr. Auditor Fiscal não teve suas folhas numeradas”. Assim, sem trazer qualquer elemento de prova, contradiz o que declarou ao Auditor e que consta da fl. 171 dos autos e ainda, não observou que os valores constantes da intimação foram Fl. 402DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11052.000978/201062 Acórdão n.º 1802002.356 S1TE02 Fl. 17 16 detalhados pela data em que ocorreram os créditos em suas contas correntes. 23. O Decreto 70235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal trata de provas nos artigos 15 e 16, e estabelece: Art.15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.(grifei) Art. 16. A impugnação mencionará: ... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) 24. Continua sua impugnação afirmando que “teria que rever todo o faturamento do ano de 2005, selecionar as vendas parceladas e...”. Procedimento totalmente desnecessário com a apresentação dos documentos que deram base aos livros que optou escriturar e que está obrigada a guardar nos termos do art 7° da Lei 9317/96: [...] Do Arbitramento 25. Também não é possível acatar tal argumento, pois, como já exposto, a base de cálculo do lançamento foi tomada considerando a Declaração da Impugnante de fls. 171, razão pela qual o Auditor apurou o imposto pelo regime do simples, aplicando as alíquotas desta sistemática, considerando a nova receita reconhecida pela Impugnante. Logo, não procedem as razões apresentadas. 26. Logo, rejeito as razões e mantenho o lançamento INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS 27. Considerando que a Impugnante não contestou expressamente este item da autuação, VOTO, POR MANTER O LANÇAMENTO, visto que a Impugnante apresentou declaração simplificada informando um valor de receita inferior ao que foi apurado a título de omissão de receita, tendo, por conseqüência, sido considerado uma alíquota inferior a que deveria ser utilizada para calcular os impostos. LANÇAMENTOS REFLEXOS 28. Conseqüentemente, em razão de serem decorrentes do principal, os lançamentos reflexos de PIS, COFINS, CSLL e Fl. 403DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11052.000978/201062 Acórdão n.º 1802002.356 S1TE02 Fl. 18 17 INSS também serão MANTIDOS com os valores que foram apurados. 29. Assim, REJEITO AS RAZÕES APRESENTADAS NA IMPUGNAÇÃO E MANTENHO OS LANÇAMENTOS COM OS VALORES QUE FORAM APURADOS 30. É o meu voto. O lançamento realmente não acarretou qualquer cerceamento do direito de defesa, e nem está fulminado por decadência. Vêse que a Contribuinte distorceu informações sobre a cronologia do trabalho fiscal, e não apresentou qualquer documento para comprovar que a autuação está abrangendo fatos geradores de 2005, ou valores que não correspondem a receitas da atividade empresarial. Também não se trata de lançamento com base no arbitramento previsto no art. 148 do Código Tributário Nacional CTN. Nem mesmo foi utilizado o método de arbitramento dos lucros. A autuação se deu na sistemática do regime simplificado, a partir de ingressos bancários que a própria Contribuinte reconheceu como decorrentes de receitas por ela auferidas. Nessa fase recursal, a Contribuinte alega novo cerceamento do direito de defesa, desta vez acarretado pela decisão de primeira instância administrativa, “quanto ao impedimento de eventual ou necessária juntada de quaisquer outros elementos em defesa dos seus interesses”. Alega também que a autuação, ao pautarse pelo regime de caixa, deslocou indevidamente fatos geradores de um ano para outro, até mesmo de um mês para outro, ferindo o regime de competência e distorcendo a apuração do montante tributável, o que ensejaria o seu cancelamento. Para esses argumentos, ela reproduz no recurso trechos da declaração de voto exarada na primeira instância administrativa. A nulidade por cerceamento de defesa deve ser rejeitada. Da mesma forma como ocorreu na primeira instância administrativa, nessa fase recursal a Contribuinte tece comentários genéricos acerca da possibilidade de uma “eventual” juntada posterior de prova, mas não apresenta efetivamente nenhum documento relativamente aos fatos autuados, para comprovar suas alegações. Sua argumentação é inócua, simplesmente porque não há nenhum elemento adicional para ser examinado. Tudo o que está nos autos é o que foi colacionado pela Fiscalização durante o trabalho de auditoria. O outro ponto abordado pela Recorrente, relativo às distorções no aspecto temporal dos fatos geradores, já foi muito bem examinado pela Delegacia de Julgamento, quando a Contribuinte, pelas mesmas razões, suscitou a possibilidade de decadência para fatos geradores ocorridos em 2005. Durante o procedimento fiscal, a Contribuinte foi intimada a comprovar a origem dos ingressos bancários relacionados na planilha de fls. 129 a 171, onde estavam Fl. 404DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11052.000978/201062 Acórdão n.º 1802002.356 S1TE02 Fl. 19 18 discriminados o banco, a data, o histórico, o nº do documento e o valor de cada um desses ingressos. Nessa mesma ocasião, foi mencionada a possibilidade de lançamento de ofício com base nos referidos ingressos bancários. Em resposta, a Contribuinte informou apenas “que os valores questionados pela referida intimação, constantes das planilhas em anexo à mesma, referemse a receitas da atividade da empresa”, e que “tais valores se encontram contabilizados em nossos livros, sendo o que temos para informar no presente momento”. As diferenças entre as receitas declaradas e os depósitos bancários motivaram o lançamento por omissão de receitas. O montante dos ingressos bancários é bem maior que as receitas declaradas pela Contribuinte no anocalendário de 2006: 2006 Receita Declarada Ingressos Bancários Diferença jan 99.472,10 189.726,79 90.254,69 fev 81.370,97 219.451,22 138.080,25 mar 127.802,16 316.506,50 188.704,34 abr 99.509,23 253.047,08 153.537,85 mai 139.500,34 298.862,11 159.361,77 jun 90.155,28 284.225,46 194.070,18 jul 75.860,87 278.522,97 202.662,10 ago 99.990,33 302.694,44 202.704,11 set 114.253,63 303.135,30 188.881,67 out 107.442,59 288.717,95 181.275,36 nov 102.239,68 307.635,48 205.395,80 dez 120.107,77 294.627,48 174.519,71 Total 1.257.704,95 3.337.152,78 2.079.447,83 Essa grande divergência, verificada continuamente ao longo de 12 meses, não pode ser justificada por uma suposta distorção no aspecto temporal dos fatos geradores. Fossem procedentes as alegações da Contribuinte, as divergências deveriam se compensar umas com as outras, pela seguinte razão: ao mesmo tempo em que haveria ingresso bancário em um determinado mês relativo a receita já declarada em períodos anteriores (cujo recebimento foi diferido no tempo), não haveria ingresso bancário para receita auferida/declarada nesse mesmo mês e cujo recebimento também seria diferido no tempo. As alegações da Contribuinte ganhariam credibilidade na medida em que as diferenças nos vários períodos consecutivos se neutralizassem, umas às outras, mas não é o que acontece. Essas diferenças continuamente se acumulam, e seu montante vai sempre aumentando de valor, o que desqualifica a tese esboçada nas peças de defesa. No caso dos autos, não foi preciso aplicar a presunção legal do art. 42 da lei 9.430/1006, porque a própria Contribuinte reconheceu que os ingressos bancários relacionados Fl. 405DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11052.000978/201062 Acórdão n.º 1802002.356 S1TE02 Fl. 20 19 na planilha elaborada pela Fiscalização correspondiam a receitas provenientes da atividade empresarial. De qualquer modo, vale registrar que esse dispositivo traz comandos acerca do critério temporal para a apuração de fato gerador com base em depósitos bancários: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Diante de todo esse contexto, o que se verifica é que a Contribuinte simplesmente alega suposto vício no lançamento por possíveis distorções no aspecto temporal dos fatos geradores, mas não traz qualquer elemento para dar consistência a essa alegação. Na fase processual anterior, ela chegou a sustentar que “tal comprovação poderia ser realizada pela fiscalização, que tem poderes para intimar as operadoras de cartões de crédito a informar as datas de origem dos repasses mensais feitos aos comerciantes, dos quais auferem comissões sobre as vendas”. No entanto, esse tipo de comprovação, como bem observou a Delegacia de Julgamento, é ônus da interessada, e poderia ser feita a partir de seus próprios lançamentos contábeis e documentos correspondentes. Tal elemento de prova, de fato, deveria ser apresentado pela Contribuinte, mas ela se manteve inerte, e suas alegações não encontram amparo nos fatos colacionados aos autos. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 406DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11052.000978/201062 Acórdão n.º 1802002.356 S1TE02 Fl. 21 20 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 10314.009009/2009-42
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/07/2009
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE.
É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE.
Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.
Numero da decisão: 3803-006.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento, quanto aos juros.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/07/2009 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento, quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/07/2009 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 90 09 /2 00 9- 42 Fl. 409DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento, quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; Fl. 410DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.009009/200942 Acórdão n.º 3803006.578 S3TE03 Fl. 410 3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/07/2009 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo Fl. 411DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 14/08/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 20/08/2013, em que reitera os mesmos termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Fl. 412DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.009009/200942 Acórdão n.º 3803006.578 S3TE03 Fl. 411 5 Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de Fl. 414DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.009009/200942 Acórdão n.º 3803006.578 S3TE03 Fl. 412 7 lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.009009/200942 Acórdão n.º 3803006.578 S3TE03 Fl. 413 9 § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, por não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário e em negar provimento, quanto aos juros. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 417DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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