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Numero do processo: 16327.000716/2003-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRENCIA.
Não resta caracterizado o cerceamento ao direito de defesa quando se verifica
que a autoridade julgadora de primeira instância analisou os documentos
acostados ao processo. porém entendeu-os insuficientes para fazer prova a
favor da recorrente.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002
SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL. SUCESSÃO.
Na sucessão empresarial, por força dos eventos de cisão, fusão ou
incorporação, a sucessora assume os direitos e as obrigações da sucedida,
dentre os quais podem estar inclusos os direitos creditórios decorrentes de
saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados no encerramento dos respectivos
períodos de apuração, devidamente comprovados, e efetivamente
transferidos.
SALDO NEGATIVO DE IRPI. IRRF SOBRE RENDIMENTOS DECLARADOS.
Tendo sido juntadas aos autos comprovantes de rendimentos emitidos pelas
fontes pagadoras, indicando a retenção de imposto de renda na fonte sofrida
pela interessada sobre rendimentos por ela declarados, impõe-se o
reconhecimento da comprovação dos valores retidos, salvo prova em
contrário que venha a ser produzida pelo fisco.
SALDO NEGATIVO DE IRPJ E C:SLL. CRÉDITO PARCIALMENTE
RECONHECIDO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL.
Tendo sido parcialmente reconhecido o direito creditório decorrente de saldo
negativo de IRPJ ou CSLL, por força de estimativas cuja quitação se deu por compensação, e da comprovação da retenção parcial de imposto de renda na
fonte, homologam-se parcialmente as compensações efetuadas, até o limite
do direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 1102-000.433
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, DAR parcial provimento ao recurso para reconhecer como integralmente compesadas com créditos das sucedidas os valores das estimativas de IRPJ e de CSLL devidas de fevereiro a abril de 2002, nos valores de R$ 4.424.854,76(IRPJ) e de R$ 1.197.692,92 (CSLL), e reconhecer ainda o crédito adicional de R$ 356.285,57 de saldo negativo de IRPJ de 2002, relativo ao imposto retido na fonte, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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CSLL. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. Recorrente BANCO ITAU BBA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRENCIA. Não resta caracterizado o cerceamento ao direito de defesa quando se verifica que a autoridade julgadora de primeira instância analisou os documentos acostados ao processo. porém entendeu-os insuficientes para fazer prova a favor da recorrente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL. SUCESSÃO. Na sucessão empresarial, por força dos eventos de cisão, fusão ou incorporação, a sucessora assume os direitos e as obrigações da sucedida, dentre os quais podem estar inclusos os direitos creditórios decorrentes de saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados no encerramento dos respectivos períodos de apuração, devidamente comprovados, e efetivamente transferidos. SALDO NEGATIVO DE IRP.I. IRRF SOBRE RENDIMENTOS DECLARADOS. 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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a iti:Jr de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao :curso para reconhecer como integralmente compensadas com créditos das sucedidas os valores das estimativas de IRPJ e de CSLL devidas de fevereiro a abril de 2002, nos valores de R$ 4.424.854,76 (IRPJ) e de R$ 1.197.692,29 (CSLL), e reconhecer ainda o crédito adicional de R$ 356.285,57 de saldo negativo de IRPJ de 2002, relativo ao imposto retido na fonte, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro - Presidente. Documento assinado digitalmenie. João Otávio Oppermann Thomé - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Otávio Oppermann Thomd, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Manoel Mota Fonseca, e Meigan Sack Rodrigues. Relatório Trata-se o presente de recurso voluntário interposto por Banco Rail BBA S/A, sucessora do Banco BBA Creditanstalt S/A, CNPJ n° 31.516.198/0001-94, contra a decisão prolatada no Acórdão n° 8.999, de 06 de março de 2006, de 10' Turma de Julgamento da DRJ/Sdo Paulo I, que deferiu em parte a manifestação de inconformidade interposta contra Despacho Decisório da Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo, que decidiu não homologar parte da compensação de tributos de que trata a Declaração de Compensação objeto deste processo. No presente estágio, o processo retorna de diligência solicitada pela Egrégia Sétima Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, consubstanciada na Resolução n° 107- 00.675, de 16.10.2007, cujo relator foi o eminente conselheiro Jayme Juarez Grotto. Reproduzo a seguir o seu relatório, por bem sintetizar a questão em litígio até aquele momento. "Em 07 de março de 2003 a contribuinte apresentou a Declaração de Compensação de fls. I e 2, relativa a compensação de débitos dos códigos 5273, 1708, 8045, 6854 e 3426 - todos com vencimento em 07/03/2003 -, corn credito L',10::12011 ,l()A0 1. PESSOA MONTEMO Auien uce 60 (4:01.a l tmmo, I5K);.5.12,--1 \.,10 2 ifrpre ,sso k•rfl 2510 ./r20 I por ::.,11.`v!, CASTRO Di ARF Mi Fl. 3 Processo n° 16327.000716/2003-15 SI -CIT2 Acórdão n.° 1102 -00.433 Fl. 1.799 decorrentes de saldos negativos de IRPJ e CSLL verificados na apuração anual do ano-calendário 2002. Por meio do Despacho Decisório de fls. 216/228, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras decidiu por homologar parcialmente a compensação pieiteada. Isso por não reconhecer o direito credit6rio referente aos saldos negativos de IRPJ e CSLL na parte em que provém das estimativas mensais - uma vez que estas foram indevidamente compensadas com saldos negativos de IRPJ e CSLL de titularidade de outras pessoas jurídicas -, e reconhecer parcialmente o crédito na parte que provém do Imposto de Renda Retido na Fonte, em face dos valores informados nas D1RF pelas fontes pagadoras. Não se conformando, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 235/ 254, em que alega o seguinte, em síntese: - o § 9 0 do artigo 74 da Lei n° 9430, de 1996, introduzido pelo artigo 17 da Lei no 10.833, de 2003, determina que é facultado ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, apresentar manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação; - assim, nos termos de Lei n° 9430, de 1996, com as modificações introduzidas pela Lei n° 10.833, de 2003, a manifestação de inconformidade segue o rito processual do Decreto no 70.235, de 1972, a sua apresentação tempestiva suspende a exigibilidade do crédito tributário decorrente da não-homologação da compensação; - em função da reorganização societária das empresas do grupo, recebeu, em sucessão, o saldo negativo de 1RPJ das empresas Rio Bonito e Serra Nova Desenvolvimento, que constituem parte dos ativos vertidos (crédito tributário) corno conseqüência da sucessão tributária prevista no CTN. Desta forma, com fundamento no CTN, que versa sobre a sucessão tributária, de direitos e de obrigações, assim como na Lei n° 6.404/76, o requerente é sucessor de todos os créditos detidos pelas empresas vertidas em função de cisão parcial e/ou incorporação; - os créditos são próprios, uma vez que foram assumidos por sucessão. Não se pode admitir que os créditos assumidos por sucessão, em função de cisão parcial e incorporação, sejam considerados de terceiros, pois, de acordo corn a legislação comercial e fiscal a empresa receptora do patrimônio cindido é sucessora não só das obrigações, mas também dos direitos que fazem parte dos ativos da sucedida; - a Instrução Normativa SRF n°21 [rectius 210], de 2002, veda a utilização de créditos de terceiros. Mas, no caso, trata-se de créditos próprios, absorvidos por sucessão, nos termos da Lei n° 6.404, de 1976, sendo que a lei tributaria não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, como determina o art. 110 do CTN; - quanto a glosa relativa ao IRRF, apresenta copias de documentos que não deixam dúvidas sobre o crédito compensado. Acresce que foram apresentados os informes de rendimentos fornecidos pelas respectivas fontes pagadoras, sendo que não pode ser penalizada pela falta de cumprimento de obrigação acessória por terceiros; - a multa isolada merece ser cancelada, visto que não se admite a sua imposição sem uma obrigação principal a cumprir, mesmo porque essa obrigação .,0A0 arxiio PESSOA MONTEIRO f. ■,,Rentlf„; ;!; do diOt;:gn,,,,. nlE, cm 3 !mprer,,so cm 26/C7.TO I I por V. íGLO JL2A ;.; DF CA R F I= F1.4 Processo n° 16327.000716/2003-15 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.433 Fl. 1.800 principal foi cumprida quando da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL ao final do ano calendário, momento em que ocorre o efetivo fato gerador do tributo ou contribuição; Analisando a matéria, a 10" Turma de Julgamento da DRJ/S -ão Paulo — I déferiu parcialmente a solicitação, por meio do Acórdão n° 8.999, de 06 de março de 2006, cuja ementa tem a seguinte dicção: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica —IRPJ Ano-calendário: 2002 Ementa: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A manifestação de inconformidade contra indeferimento de pedido de compensação, com créditos de terceiros, não suspende a exigibilidade dos débitos objeto do pedido, por inadequação às hipóteses descritas no art. 151, do CTN. CISÃO PARCIAL. TRANSFERENCIA DE SALDO NEGATIVO DE 1RPJ E CSLL. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. A legislação tributária não permite a cessão de créditos a terceiros com a finalidade de compensação. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. 1RRF SOBRE RENDIMENTOS DECLARADOS NA DIPJ. S6 poderá ser reconhecido o direito creditório do IRRF efetivamente comprovado. PROVAS, PRECLUSÃO. Ressalvadas as exceções legais, o momento oportuno para a adução de provas pelo sujeito passivo é aquele correspondente à apresentação da manifestação de inconformidade, sob pena de preclusão temporal." Por meio da referida decisão, foi aceita mais uma parcela do crédito relativo ao 1RRF, por ter sido comprovado com os documentos juntados corn a impugnação. Quanto ao crédito proveniente das estimativas mensais, não foi reconhecido, porque tais estimativas foram compensadas com créditos de terceiros, empresas Rio Bonito e Serra Nova Desenvolvimento, que continuam titulares do direito, uma vez que não foram incorporadas, mas apenas cindidas, com versão parcial do patrimônio. Cientificada da decisão em 12/05/2006 (fl. 607), a contribuinte apresentou, em 05/06/2006, o recurso de fls. 609/634, articulado da seguinte forma, em síntese: - reafirma que a manifestação de inconformidade e o recurso ao Conselho de Contribuintes suspende (sic) a exigibilidade do crédito tributário. Acresce que o fato de estar em discussão o direito ao crédito, não implica o reconhecimento do débito. Pelo contrário, o que pretende é justamente demonstrar que não há débito a lhe ser exigido, em face da compensação efetuada; - diz que a lei n° 9.430, de 1996, não faz qualquer restrição à previsão de que a manifestação de inconformidade ou o recurso voluntário sejam instrumentos hábeis para impedir o prosseguimento de qualquer cobrança fiscal, não podendo ser afastada a aplicação in totum da norma contida no art. 74, § 11, da Lei n° 9.430, de 1996, e do art. 151, III, do CTN; - refere-se ao art. 74, § 11, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 10.833, de 2003, e aos arts. 31, 33 a 59, II, do Decreto n° 70.235, de 1972, para demonstrar a admissibilidade do recurso voluntário; so dgi:a PESSOA MONTH:0 ALJ:eniir;ado di,gRaim crW.: om 15100 , 20' imprt'sv,:› em 25/07r201 I por =V CI j();,(3 (;)TAVC) 4 DF CARF MF FL 5 Processo n° 16327.000716/2003-15 SI-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.433 Fl. 1.801 - reafirma que os créditos guerreados não são de terceiros , mas próprios, por telem sido adquiridos por sucessão, em função de reorganização ao grupo empresarial; - diz que, nos termos do art. 229, § 1°, da Lei n° 6.404, de 1976, a sociedade absorver parcela do patrimônio da companhia cindida sucede a esta nos direitos e obrigações relacionados no ato da cisão, enquanto que na incorporação, a sucessora sucede a incorporadora em todos os direitos e obrigações, nos termos do art. 227 da mesma lei. Assim, a cisão parcial seguida de incorporação enseja a versão total ou parcial, não só das obrigações, mas também dos direitos relativos a essas operações: - alega que o art. 132 do CTN estabelece quo a pessoa jurídica sucessora responde pelos débitos fiscais da pessoa jurídica sucedida, de maneira principal, e sem beneficio de ordem. Assim, há de se admitir a possibilidade de a pessoa jurídica sucessora utilizar-se dos créditos da pessoa jurídica sucedida, sem quaisquer restrições, mesmo porque a Lei n° 6.404, de 1976, prevê expressamente que a incorporadora assume não apenas as obrigações, mas também os direitos da empresa sucedida; - ressalta que, no protocolo de cisão/incorporação e justificação, as partes podem livremente determinar os ativos e os passivos que devem ser vertidos, sendo que não há impedimento legal que o ativo representado por crédito tributário também seja transferido. Logo, mesmo que a empresa cindida não seja extinta, em face da cisão parcial, os créditos tributário podem ser transferidos, de acordo com o que ficar acertado no protocolo da cisão; - a Instrução Normativa SRF n° 21 [rectius 210], de 2002, veda a utilização de créditos de terceiros. Mas, no caso, não se trata de créditos de terceiros, mas de créditos próprios, absorvidos por sucessão. Também não se trata de restituição de imposto, mas de compensação; - diz que, junto com a manifestação de inconformidade, apresentou documentos cópias dos informes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras e outros documentos que confirmam os créditos de IRRF, mas a autoridade julgadora de primeira instância praticamente ignorou tais documentos e, pior, alegou preclusão do direito de apresentar as provas, constituindo cerceamento do direito de defesa; - refere-se ao IRRF constante da tabela IV anexada com a manifestação de inconformidade, que corresponde ao imposto recolhido por ela mesmo, conforme previsto na Instrução Normativa SRF n° 153, de 1987, esclarecendo ter cumprido a obrigação de fornecer As fontes pagadoras documento comprobatório corn a indicação do valor das importâncias pagas e do respectivo imposto de renda recolhido. Assim, tendo cumprido todas as obrigações, não cabe a glosa pretendida pelo Fisco; - quanto aos demais créditos de IRRF, entende que não pode ser penalizada pela falta de cumprimento das obrigações acessórias por parte das respectivas fontes pagadoras; - quanto à multa isolada, reconhece que, efetivamente, a exigência faz parte de outro processo administrativo fiscal. Porém, para o caso de, por qualquer motivo, o Conselho de Contribuintes vir a entender que aqui também se discute aquela exação, reitera as suas razões de fato e de direito elencadas na manifestação de inconformidade; em 16/03:20:1 pf .30):%0 0 7 1:': SOA MONTE AL,eil!fr;ado d;aii altr*nt,c, cm 1, 5r();)/20 II p:;!- ,107,0 (fi 5 crn 25!0/r20 , I v:3r 1 "/ANA ( )DiA S;>..VR ORO Ft. 6 Processo n 0 16327.000716/2003-15 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.433 Fl. 1.802 - reitera que, tendo direito aos créditos pleiteados, por serem próprios, não há débito a ser exigido e, por conseqüência, também não ha multa ou juros de qualquer espécie. o relatório." A Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria, conver o julgamento em diligência em razão de não ser possível, apenas corn as então constantes dos autos, saber se entre os créditos tributários transferidos A rc-zorrerik: por meio de uma sequência de cisões parciais e incorporações estariam os alegados sakios negativos de IRPJ e CSLL, originariamente apurados pelas empresas Rio Bonito Assessoria de Negócios Ltda e Serra Nova Desenvolvimento de Negócios Ltda. A Delegacia Especial das Instituições Financeiras em Sao Paulo realizou então uma série de intimações A. recorrida, bem corno As empresas Serra Nova Fomento Comercial Ltda, sucessora de Serra Nova Desenvolvimento de Negócios Ltda. e Rio Bonito Assessoria de Negócios Ltda, no intuito de: - verificar a contabilização dos créditos de IRPJ e CSLL recebidos e transferidos nas diversas operações societárias de cisão e incorporação; - esclarecer a origem dos créditos tributários de IRPJ e CSLL cindidos de Serra Nova e Rio Bonito, e posteriormente incorporados pela recorrente; - confirmar os valores originais cindidos em beneficio da recorrente; - verificar se houve a utilização dos referidos créditos apurados por Serra Nova e Rio Bonito para compensação de débitos diretamente por essas empresas, inclusive por meio de Pedidos de Compensação e DCOMP, ou para cessão a terceiros no âmbito do Refis, e se haveria eventual saldo ainda não compensado ou cedido para terceiros. Neste procedimento, identificou que parte dos créditos transferidos A recorrente por Rio Bonito Assessoria de Negócios Ltda tinha origem em créditos tributários a esta vertidos por Montana Desenvolvimento de Negócios Ltda também em virtude de cisão. A partir das informações coletadas durante a diligência, e das consultas efetuadas As DCTF apresentadas pelas empresas interessadas, elaborou a autoridade fiscal os demonstrativos de cálculo reconstitutivo dos saldos negativos de IRPJ e CSLL das três empresas mencionadas, abrangendo os períodos de apuração compreendidos entre 01.01.1998 e 19.10.2001, bem como das compensações efetuadas , e deu ciência à recorrente. A contribuinte manifestou-se sobre os cálculos da autoridade fiscal, apontando diversos equívocos, que, no seu entender, teriam sido cometidos: - Com relação aos créditos tributários decorrentes do saldo negativo da CSLL de Serra Nova, apontou a existência de urn simples erro de soma nos valores que foram compensados pela própria, de sorte que a fiscalização reduziu indevidamente o montante do saldo credor a compensar em R$ 36.159,99. Afirmou também que o débito referente a janeiro de 2000 no valor de R$ 13.227,88 foi lançado, equivocadamente, pela D. Autoridade Fiscal, em fevereiro de 1999, de sorte que o valor R$ 13.227.88 deixou de ser atualizado pelos juros SELIC no período de fevereiro de 1999 a janeiro de 2000, o que importa em uma diferença de A$yrta f-"FSSOA :\'ON HRO Auton1,c0-) alpiiaqr:ri,r1Te I or em 2!)!OT/20 I I F.,or 1\i/ ..„Rts C AC ;;•:,;A DF CA RF Nvii7 Ft, 7 Processo n° 16327.000716/2003-15 si -(21T2 Ac6rcIdo n.° 1102-00.433 Fl. 1.803 - Corn relação aos créditos tributários decorrentes do saldo negativo de IRPJ de Serra Nova, apontou a existência de urn simples erro de soma nos valores que foram compensados pela própria, de sorte que a fiscalização reduziu indevidamente o montante do saldo credor a compensar em R$ 36.160,00. Apontou também o lançamento em duplicidade do valor de R$ 192.716,22, tendo sido incluído na planilha tanto na la quanto na 3' semana de maio de 1999, sendo que o correto seria somente o lançamento na 3' semana. E ainda alegou erro na adoi» .,) de critério para atualização do juros SELIC, tendo em vista que a D. Autoridade Fiscr::,, ao apurar suposto saldo devedor em decorrência das compensações realizadas pelo c:ontrihuirite no período em questão, passou a computar a incidência dos juros SELIC a partir da dLia de apuração dos débitos, quando, na verdade, deveria ter aplicado a referida taxa apeilas a partir da data do seu vencimento (posterior à data da apuração), o que também resultou na cobrança de diferença a maior, em desconformidade com o disposto no § 4 0 do artigo 39 da Lei n° 9.250/95. - Com relação aos créditos tributários decorrentes do saldo negativo de IRPJ de Rio Bonito em 31.12.1998, apontou a existência de urn simples erro de soma nos valores que foram compensados pela própria, de sorte que a fiscalização reduziu indevidamente o montante do saldo credor a compensar em R$ 36.160,00. Apontou também débito lançado indevidamente na planilha, no ano-calendário de 2001, no valor de R$ 386.384,01, uma vez que tal débito foi compensado com saldo credor de IRF apurado nesse mesmo ano, fato que foi ignorado pela fiscalização, que considerou ter o mesmo sido compensado corn o referido saldo negativo de IRPJ apurado pelo contribuinte em 1998. E, ainda, que houve erro na adoção de critério para atualização do juros SELIC, computados a partir da data de apuração dos débitos, e não da data do seu vencimento. - Corn relação aos créditos tributários decorrentes do saldo negativo de IRPJ de Montana Desenvolvimento de Negócios, apontou a existência de um simples erro de soma nos valores que foram compensados pela própria, de sorte que a fiscalização reduziu indevidamente o montante do saldo credor a compensar em R$ 36.160,00. - Demonstra, por meio de tabelas, que, corrigidos os equívocos apontados, não caberia a glosa de nenhum valor residual. Após a manifestação da contribuinte, a fiscalização sintetizou suas conclusões no relatório de diligência de fls. 1776 a 1778, no qual relaciona todos os débitos que não tiveram os seus saldos zerados, em decorrência das compensações pleiteadas, dentre os quais constam alguns dos débitos que a este processo dizem respeito diretamente, quais sejam, as estimativas de IRPJ e CSLL devidas pela recorrente relativas aos meses de fevereiro a abril de 2002. A tabela abaixo resume os valores de compensação pleiteados e reconhecidos, relativos aos débitos que interessam ao presente processo: Código Tributo P.A. Pleiteado Reconhecido Saldo 2319 IRPJ Estimativa fev/02 1.904.070,10 1.904.070,10 0 2319 IRPJ Estimativa mar/02 1.348.552,74 936.662,54 411.890,20 2319 IRPJ Estimativa abr/02 1.172.231,92 1.172.125,70 106,22 2469 CSLL Estimativa fev/02 514.676,20 514.612,78 63,42 2469 CSLL Estimativa mar/02 364.685,93 364.657,90 28,03 2469 CSLL Estimativa abr/02 318.330,16 318.330,16 0 ' dçta , Ga PESSOA Atilcnl!cd.o diOtalgr.o.r.te cul'i I 5 Impress° Frn 2;:ii;;;20 11 pür IVANt,, el. At 7 FL 8 Processo 110 16327.000716/2003-15 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.433 Fl. 1.804 Ainda no referido relatório, a autoridade fiscal contesta as afirmações da interessada quanto A alegada duplicidade do valor de R$ 192.716.22 em maio de 1999, urna vez que tais débitos foram confirmados pela própria Serra Nova em DCTF, e quanto ao lançamento alegadamente indevido de R$ 386.384,01 na compensação com o saldo negativo de IRPJ de Rio Bonito, wyro 1, -,7z que tal débito também foi confirmado pela própria. Cientificado do relatório, a recorrente manifestou-se As fls. 1786 a 1795, expend° os argumentos que a seguir se resume: - Que o argumento fiscal de que a duplicidade do valor de R$ 192.716,22 não restou configurada, por estar informada em DCTF. não pode prosperar, porque a escrituração do contribuinte faz prova a seu favor, de sorte que cabe ao fisco o ônus de demonstrar a improcedência dos seus registros contábeis, o que não foi feito. - Que declaração errada não gera vinculo obrigacional tributário, de sorte que o simples erro no preenchimento da DCTF não tem o condão de fazer surgir novo fato gerador de obrigação tributária na 1" semana de maio de 1999. e que assim tem decidido os Tribunais. - Que a duplicidade do lançamento no valor de R$ 192.716,22 viola o principio constitucional da legalidade estrita, que esta duplicidade deveria ter sido sanada de oficio pelo próprio fisco, e que, se não retificada, irá gerar o enriquecimento indevido do erário. - Que houve também um equivoco, quando a empresa, ao ser questionada sobre o débito de R$ 386.384,01 no Termo de Intimação DEINF/SPO/DIORT no 286, informou que a sua quitação teria ocorrido via DCTF, quando, na verdade, a sua compensação foi feita diretamente com o IRF do próprio exercício fiscal, conforme informado na resposta dada ao Termo de Intimação DEINF/SPO/DIORT no 420. Repete para este débito os mesmos argumentos expostos quanto à duplicidade do débito anterior. - E, por fi m, que a cobrança dos débitos de IRF, 10F, CPMF, e PIS, relativos a abril e outubro de 2002, que relaciona, os quais estão sendo cobrados em razão de os saldos negativos de IRPJ e de CSLL do contribuinte serem, supostamente, insuficientes para suportar a sua compensação, aduz que a insuficiência dos saldos credores foi originada por um erro de cálculo das Autoridades Fiscais, que consideraram que a atualização dos saldos negativos de IRPJ e CSLL deveria acontecer somente a partir de janeiro do ano seguinte àquele em que ocorreu a cisão ou a incorporação, quando o correto é considerar que os juros Selic devem ser calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração, consoante determinam o Ato Declaratório da Receita Federal do Brasil n° 3, de 7.1.2000, o Ato Declaratório Normativo do Coordenador-Geral do Sistema de Tributação n° 31, de 27.10.1999, e a Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil IV 900, de 30 de dezembro de 2008, conforme os trechos que transcreve. Tendo sido sorteado relator dos processos n° 16327.000751/2005-04 e 16327.000752/2005-41, que tratam dos lançamentos de multa isolada sobre as estimativas consideradas não recolhidas de IRPJ e de CSLL de 2002, os quais foram retirados de pauta em novembro de 2010, por for-0 da conexão com o presente processo, fui designado relator deste, a fim de que sejam todos julgados na mesma sessão. o relatório. dig;',alrneni,c; ern ;SDA, mcg-o•F ;NO AukAltirocio di0:?.€nente ei `,5/C:ii2v ;1 p: OAO !nipr:,,,sso um 2S/07/20 11 ("„A.1 F: H. 9 Processo n° 16327.000716/2003-15 SI-C1T2 Acórdão n.' 1102-00.433 Fl. 1.805 Voto Conselheiro João Otávio Oppennann Thorne A admissibilidade e a tempestividade do recurso já foram anteriormente dp1eciat2zIs pela Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, não havendo reparos a f;zer, pelo que deve o mesmo ser conhecido. Trata-se de Declaração de Compensação corn crédito decorrente de saldos negativos de IRPJ e de CSLL apurados no ano-calendário 2002. Ocorre que parte do saldo negativo de IRPJ, e a totalidade do saldo negativo de CSLL, apontados pela recorrente. referem-se a valores de estimativas que foram quitadas corn saldos negativos apurados por outras empresas. Tanto a autoridade fiscal quanto a autoridade julgadora de primeira instância não aceitaram a compensação destas estimativas , por prender-se ao quanto disposto no caput do art. 74 da Lei n° 9.430/96, influe, no que este dispõe que "o sujeito passivo que apurar crédito.. , passível de restituição ou de ressarchnento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições..... Como segundo fundamento para não reconhecer essa compensação, aduziram que não havia provas da sucessão, posto que as empresas que originariamente apuraram os saldos negativos em questão haviam sido objeto de cisão parcial, processo pelo qual não haviam sido extintas, ou seja, continuavam a ser titulares do direito. Entretanto, é certo que, quando ocorre a sucessão empresarial, por força dos eventos de cisão, fusão ou incorporação, a sucessora assume os direitos e as obrigações da sucedida. E certo também que a lei tributária pode disciplinar a matéria, de sorte a especificar efeitos tributários específicos relativos ao evento societário, como de fato o fez, haja vista os inúmeros dispositivos da legislação fiscal que tratam do assunto. A titulo de exemplo, considere-se a vedação à compensação dos prejuízos fiscais da sucedida. Mas não há restrição na legislação fiscal quanto à sucessão aos direitos creditórios decorrentes de saldos negativos de IRPJ e CSLL, os quais se afiguram como indébitos tributários no encerramento do respectivo período de apuração, donde se conclui que estes direitos podem ser transmitidos aos sucessores. No caso de cisão parcial, porém, há que se ter o cuidado de verificar se o referido crédito fiscal foi efetivamente transferido A sucessora, pois nesta modalidade de evento societário, conforme destacado, não ocorre a extinção da sucedida. Foi corn este entendimento de possibilidade de transferência dos créditos fiscais por sucessão, e com a finalidade de verificar a sua efetiva ocorrência no caso concreto, que foi solicitada pelo CARF a diligência, devidamente cumprida pela autoridade fiscal, e que ora se passa a analisar. Conforme a DCTF de fls. 55, a estimativa de IRPJ do mês de fevereiro de o 209Z,,f9i,,spmpegsaday,eja:Te,correr4e,com p„s_aIdo,,,,negatiyo,de„TRp.1, :apurado pela Rio Bonito A91c:ti ,:;)(10 5inta;a. 9 ; , 5i(); ;Y.,r DF FI\ IF Fl. 10 Processo n° 16327.000716/2003-15 SI-C I T2 Acórdão n.° 1102-00.433 Fl. 1.806 Assessoria de Negócios Ltda, CNPJ 00.520.83410001-28, em 14.05.1999. Consoante a DIP) desta empresa, relativa ao período de apuração 01.01.1999 a 14.05.1999, fls. 272 a 299, o valor do saldo negativo era de R$ 17.045.04136 (ti. 281). No demonstrativo "Listagem de Créditos/Saldos Remanescentes", de fls. 1584, elal'orado pela autoridade fiscal após a diligência, e que integra o conjunto de demorrtrailvos de cálculo das compensações realizadas, pode-se verificar que é exatamente este o va1or que foi reconhecido pelo fisco como saldo negativo de IRPJ oriundo daquela ern presa daquele período. Conforme a DCTF de fls. 56, a estimativa de IRPJ do mês de março de 2002 foi compensada pela recorrente com o saldo negativo de IRPJ apurado pela Rio Bonito Assessoria de Negócios Ltda, CNPJ 00.520.834/0001-28, em 31.12.1999. Consoante a D1PJ desta empresa, relativa ao período de apuração 01.05.1999 a 31.12.1999, fls. 300 a 337, o valor do saldo negativo era de R$ 3.480.101,82 (fl. 312). No demonstrativo "Listagem de Créditos/Saldos Remanescentes". de fls. 1584, elaborado pela autoridade fiscal após a diligência, e que integra o conjunto de demonstrativos de cálculo das compensações realizadas, pode-se verificar que é exatamente este o valor que foi reconhecido pelo fisco como saldo negativo de IRPJ oriundo daquela empresa naquele período. Conforme a DCTF de fls. 57, a estimativa de 1RPJ do mês de abril de 2002 foi compensada pela recorrente com o saldo negativo de IRPJ apurado por Serra Nova Desenvolvimento de Negócios Ltda, CNPJ 01.241.838/0001-30, em 14.05.1999. Consoante a DIPJ desta empresa, relativa ao período de apuração 01.01.1999 a 14.05.1999, fls. 427 a 453, o valor do saldo negativo era de R$ 6.774.380,27 (fl. 436). No demonstrativo "Listagem de Créditos/Saldos Remanescentes", de fls. 1746, elaborado pela autoridade fiscal após a diligência, e que integra o conjunto de demonstrativos de cálculo das compensações realizadas, pode-se verificar que é exatamente este o valor que foi reconhecido pelo fisco como saldo negativo de IRPJ oriundo daquela empresa naquele período. Conforme a DCTF de fls. 58, a estimativa de CSLL do mês de fevereiro de 2002 foi compensada pela recorrente parte com o saldo negativo de CSLL apurado por Serra Nova Desenvolvimento de Negócios Ltda, CNPJ 01.241.838/0001-30, em 31.12.1998, e parte corn o saldo negativo de CSLL apurado pela mesma empresa em 14.05.1999. Consoante a D1PJ desta empresa, relativa ao período de apuração 01.01.1998 a 31.12.1998, lb. 392 a 426, o valor do saldo negativo era de R$ 1.277.152,34 (fl. 415), e a DIPJ relativa ao período de apuração 01.01.1999 a 14.05.1999, fls. 427 a 453, o valor do saldo negativo era de R$ 1.058.523,99 (fl. 443). Nos demonstrativos "Listagem de Créditos/Saldos Remanescentes", de fls. 1743 e 1752, elaborados pela autoridade fiscal após a diligência, e que integram o conjunto de demonstrativos de cálculo das compensações realizadas, pode-se verificar que são exatamente estes os valores que foram reconhecidos pelo fisco como saldos negativos de CSLL oriundos daquela empresa naqueles períodos. Conforme as DCTF de fls. 59 e 60, as estimativas de CSLL dos meses de :ado dicsta!rrRçiPi iei, a191.,il i dem,2002 c fpratn...,córnpeAsada,spelarecorreíite.oiriosa,Ido negativo de CSLL moN ftiíO At,le :i riiGa00 iaita!trente m iCWTO 1 1 co , ,K;AO (.:TA I 0 \I; )1- PERM:,--,:s-L. 251( VArA ::•• VA .) 1;: CARE Nih' Fl. I Processo no 16327.000716/2003-15 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.433 Fl. 1.807 apurado por Serra Nova Desenvolvimento de Negócios Ltda, CNPJ 01.241.838/0001-30, em 14.05.1999. Consoante a DIPJ desta empresa relativa ao período de apuração 01.01.1999 a 14.05.1999, o valor do saldo negativo era de R$ 1.058.523,99, tendo sido este o valor reconhecido pelo fisco, conforme acima já exposto. Portanto, não há divergências entre o fisco e o contribuinte quanto aos valores dos saldos negativos de IRPJ e de CSLL advindos das citadas empresas, nos períodos de aptrac.:210 acima expressamente mencionados, créditos os quais serviram A compensação dos (Mbit2s que pertinem a este processo (estimativas de IRPJ e CSLL de fevereiro a abril de 2002). As divergências do contribuinte com relação As conclusões do fisco se dão em dois planos distintos: (i) na forma de atualização dos créditos; e (ii) na utilização dos referidos saldos negativos para compensação de débitos diversos, por conta de alegados erros. Quanto A forma de atualização dos créditos decorrentes de saldos negativos, tenho que assiste razão A recorrente. Isto porque é possível verificar que, no demonstrativo "Listagem de Créditos/Saldos Remanescentes", de fls. 1584, que contém os saldos negativos de IRPJ oriundos de Rio Bonito Assessoria de Negócios Ltda, em 14.05.1999 e em 31.12.1999, os referidos saldos negativos tem os seus valores referenciados à data de 31.12.1999. Assim, os "Demonstrativos de Compensação" de fls. 1585 a 1602 evidenciam que esses créditos passaram a sofrer atualização decorrente da Selic somente a partir de janeiro de 2000. Entretanto, no caso do saldo negativo apurado em 14.05.1999 (R$ 17.045.041,76), este deveria ter sido atualizado pela Selic a partir de junho de 1999, pois com o evento da cisão encerrou-se o período de apuração das bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social devidos. 0 artigo 73 da Lei n° 9.532/97 é claro ao dispor que o termo inicial para cálculo dos juros é o mês subseqüente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido, de sorte que, no caso concreto, portanto, o indébito tributário relativo ao IRPJ surgiu em 14.05.1999, data da cisão efetuada. Levando-se em conta que a Selic não considerada pela autoridade fiscal representa uma diferença de 10,76% (soma das taxas Selie de junho a dezembro de 1999), é fácil verificar que haverá saldo mais que suficiente para compensar a parcela que foi considerada não compensada (R$ 411.890,20, fls. 1602) da estimativa de IRPJ de março de 2002, que totalizava R$ 1.348.552,74. Da mesma forma, também o saldo negativo de IRPJ oriundo de Serra Nova Desenvolvimento de Negócios Ltda, em 14.05.1999, no valor de R$ 6.774.380,27, no demonstrativo fiscal "Listagem de Créditos/Saldos Remanescentes", de fls. 1746, passou a sofrer atualização decorrente da Selic somente a partir de janeiro de 2000. Assim, aplicando-se a diferença de Selic de 10,76% (soma das taxas Selic de junho a dezembro de 1999), é fácil verificar que haverá saldo mais que suficiente para compensar a parcela que foi considerada não compensada pela autoridade fiscal, de R$ 106,22 da estimativa de IRPJ de abril de 2002, para a qual aquele saldo negativo de IRPJ fora parcialmente utilizado. Da mesma forma, também o saldo negativo de CSLL oriundo de Serra Nova Desenvolvimento de Negócios Ltda, em 14.05.1999, no valor de R$ 1.058.523,99, no ci ,,i , taiAlemonstratixo l fiscaL:.;ListAgem..,..der,41ifos/S. ald,o, Rem a nescentes,",, Lde, fls. 1752, passou a PESSOA MON rER(i) eo (14Miirr.te 15106120 I I r.,c-r. w,O O :AVO Orí V rHO li 25/07/2011 por : 'JAVA f<0 F MF FL 12 Processo n° 16327.000716/2003-15 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.433 Fl. 1.808 sofrer atualização decorrente da Selic somente a partir de janeiro de 2000. Assim. aplicando-se a diferença de Selic de 10,76% (soma das taxas Selic de junho a dezembro de 1999), é fácil verificar que haverá saldo mais que suficiente para compensar as parcelas que foram consideradas não compensadas pela autoridade fiscal, de R$ 63,42 da estimativa de CSLL de fevereiro de 2(62, e de R$ 28,03 da estimativa de CSLL de março de 2002, para as quais aquele sal:10 ne:I.Itivo de CSLL fora parcialmente utilizado. Quanto às estimativas de IRPJ de fevereiro de 2002, no valor de R$ 1.904,070,10, e de CSLL de abril de 2002, no valor de R$ 318.330.16, a diligência fiscal já as consid%trou quitadas por compensação. Assim, conclui-se que as estimativas de IRPJ e de CSLL de fevereiro a abril de 2002 foram integralmente quitadas com os saldos negativos oriundos das empresas sucedidas pela recorrente, sendo desnecessário adentrar na análise do mérito dos erros alegadamente cometidos pela fiscalização na compensação de outros débitos que não as estimativas aqui tratadas, e mesmo impertinente pronunciar-se sobre eventual cobrança que esteja sendo feita sobre débitos outros que tenham sido considerados não compensados pela autoridade fiscal, pois tal matéria refoge aos limites da lide. Resta analisar os valores do imposto de rendi retido na fonte, que também entraram na composição do saldo negativo de IRPJ de 2002 pleiteado pela empresa. Neste quesito. alega a recorrente que os documentos por ela juntados na manifestação de inconformidade foram praticamente ignorados pela autoridade julgadora de primeira instância, que alegou ainda a preclusão do seu direito à posterior juntada de provas, o que caracteriza cerceamento do seu direito de defesa. Entretanto, analisando-se a decisão recorrida, verifica-se que o julgador a quo analisou os documentos anexos pela impugnante, contudo entendeu não comprovada a maior parte das retenções ali apontadas, ao fundamento de não terem sido apresentados os DARE de pagamento do imposto e de sua não inclusão em DIRE, e aceitou a comprovação de uma parcela de R$ 4.614,93 referente a três DARF que foram anexados pela impugnante. Além disto, cumpre observar que, apesar dos protestos feitos para a posterior juntada de provas, o fato é que até o presente momento não foram trazidas novas provas aos autos, de sorte que, também por este motivo, descaracterizado o alegado cerceamento ao seu direito de defesa. Com relação as parcelas discriminadas na Tabela V do Despacho Decisório (fls. 224-225), totalizando o valor de R$ 473.699,29, trata-se de alegadas retenções para as quais não houve apresentação de Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRE nas quais o interessado constasse como beneficiário dos rendimentos. A DIRE é obrigação acessória que serve de importante instrumento de controle para a Secretaria da Receita Federal do Brasil. Entretanto, eventuais inconsistências na DIRE, ou mesmo a sua não apresentação, constituem, a priori, apenas o ponto de partida para maiores investigações por parte do fisco, com vistas à apuração dos fatos, ou seja, saber se houve de fato o auferimento de receitas tributáveis, se estas foram corretamente tributadas, e se foi efetivamente retido e recolhido o imposto de renda na fonte. Assim, não há previsão legal para simplesmente glosar o valor de imposto retido, por inexistência de DIRE, quando o sujeito passivo possui o comprovante de rendinaentos„.,em seu, nome.,emitido.pela.fonte pagadora, uma. vez que este é o documento PES!:.;C:),\ MOWER. i0 151fN)/21 I imprfn:o en) 25.'07/2011 por CI Au-:IA 12 DE CARE ME Processo n° 16327.000716/2003-15 SI -C1T2 Acórdão n.° 1102-00.433 Fl. 1.809 exigido, para fins de comprovação da retenção sofrida, pelo artigo 55 da Lei n° 7.450/85, a seguir transcrito: "Art 55 - O imposto de renda retido na finite sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de p,!ssoa fisica ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela ,fonte pagadora dos rendimentos." Ocorre que, no caso de diversas das retenções ali elencadas, não se trata propriamente de retenção, mas sim de obrigatoriedade de recolhimento de imposto devido na fonte. É que se trata de rendimentos oriundos de comissões e corretagens. aos quais a mesma Lei n° 7.450/85, e sua posterior regulamentação, determina que o recolhimento do imposto seja feito pela própria pessoa jurídica que receber de outras pessoas juridicas importâncias a este titulo. Assim, a obrigatoriedade de emissão dos comprovantes de rendimentos, discriminando o valor das importâncias pagas e do respectivo imposto de renda recolhido, é da própria beneficiária, e não da fonte pagadora. Aliás, a própria recorrente reconhece esta situação, pois ela mesma menciona em suas peças de defesa as Instruções Normativas SRF n° 153 de 05.11.1987, e n°269 de 26.12.2002, e afirma que cumpriu o quanto nelas disposto. ou seja, que recolheu o referido imposto, sob o código de receita 8045. e que emitiu os referidos comprovantes de rendimento que estão anexos aos autos. e que os entregou ás fontes pagadoras para que estas apresentassem as respectivas DIRE. Estes comprovantes de rendimento. porLinto, não se prestam a comprovar a retenção sofrida, pois não foram emitidos por terceiros. mais especificamente, não foram emitidos pelas fontes pagadoras, como menciona a lei. Assim. a eon firmação pelos terceiros, neste caso, se faria apenas pela apresentação da DIRE, entretanto, conforme dito, estes terceiros não a apresentaram. Já da parte da recorrente. poderia ela ter feito a prova do recolhimento que alega ter feito, com a apresentação dos DARE de recolhimento do imposto devido sob o código 8045, mas ela assim não procedeu. Nestas circunstâncias, tenho corno correta a glosa feita pelo fisco, por falta de comprovação do recolhimento do imposto de renda devido na Conte sobre as comissões e corretagens relacionadas na Tabela V do Despacho Decisório. Contudo, nem todas as retenções ali eleneadas dizem respeito a comissões e corretagens. De fato, alguns valores dizem respeito a retenções sofridas pela recorrente sobre outras receitas, no caso, de serviços prestados, ou de papmento de juros sobre o capital próprio. Para estas, aplica-se então o artigo 55 da Lei n° 7.450/85, ou seja, não cabe a glosa do imposto retido, vez que o sujeito passivo possui o comprovante de rendimentos em seu nome emitido pela fonte pagadora, conforme determina a lei, de sorte que a glosa somente seria possível se o fisco tivesse demonstrado que a referida irformação. prestada por terceiros a principio desinteressados na lide, não correspondesse à reaHade. o clue não foi feito. Pelo exposto, devem ser reconhecidas s pai ceias de imposto retido nos valores abaixo demonstrados: Jr.)Ao PESSOt, MO:\ITEIRO Aul,nticado digit.almerne ,;rn I::-VC:51',.:0 -1 I p.;r 13 in!presso c.,ro 2.F;107120 1 'VANA DF CARF IV1F Fl. 14 Processo II° 16327.000716/2003-15 Sl-C1T2 AcOicidr) n.° 1102-00.433 FL 1.810 Observações: (i) o documento de fl s. 500 contém outra retenção no valor de R$ 2.110,09, contudo, este valor não faz parte do montante glosado pela fiscalização, conforme Tabela V do Despacho Decisório; (ii) o documento de fls. 506 contem retenções em valor superior ao glosado pela fiscalização, conforme Tabela V do Despacho Decisório, assim, a recomposição limita-se ao valor glosado. Com relação As parcelas discriminadas na Tabela IV do Despacho Decisório (-fls. 223-224), totalizando o valor de R$ 232.977,83, trata-se de alegadas retenções para as quais além de não ter havido a apresentação de DIRF nas quais o interessado constasse como beneficiário dos rendimentos, tampouco haviam sido apresentados os comprovantes das retenção sofridas. Na impugnação, foram juntados pela interessada os documentos de fls. 516 a 575, os quais passo a analisar. Como primeiro tipo de situação encontrada, verifica-se que boa parte desses documentos são cópias de paginas do livro razão da própria recorrente, DO qual constam os lançamentos alegadamente feitos para registrar o rendimento auferido e a retenção sofrida. Entretanto, nesses casos, os necessários comprovantes de retenção emitidos em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos não foram apresentados. Além disto, verifica-se pelo histórico de tais lançamentos que sequer é possível identificar se se trata efetivamente do lançamento do rendimento e da retenção questionados, pois a identificação do CNPJ da fonte pagadora foi manuscrita, além do que os valores, em muitos casos, apresentam- se divergentes dos glosados. A titulo de exemplo, confira-se os documentos acostados As fls. 546 a 549 para buscar a comprovação da retenção de R$ 72,47 do CNPJ 53.009.825/0001-33. Em casos tais, portanto, a pretensão da recorrente não pode ser acolhida. Da mesma forma, também o documento de fls. 568 consiste em simples relatório emitido por sistema informatizado que sequer identifica a fonte pagadora dos rendimentos, não atendendo tampouco minimamente aos requisitos para comprovar as alegadas retenções. Assi lad° digitalmente ern 1510612011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME. 20/06/2011 por I VETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Autenticado digitalmente em 15 106/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME 14 Impresso em 25/07/2011 por VANA CLAUDIA SILVA CASTRO DF CARF N1F Fl. 15 Processo n° 16327.000716/2003-15 Si -Cl 'F2 Ackirdilo n 1102-00.433 Fl. 1.811 Em outra situação encontrada, o comprovante de retenção apresentado é aquele emitido pela própria recorrente, relativo a comissões e corretagens, ou então um simples recibo, também emitido pela própria recorrente, sem a comprovação do pagamento do imposto, de sorte que tais documentos não podem ser aceitos, pelos motivos já expostos anteriormente. Como exemp:o, cite-se os documentos de fls. 556 e 575. Nos três casos em que houve a apresentação dos DARF de recolhimento do impcsio, a DRJ já reconheceu a comprovação. Entretanto, constam entre os documentos anexos também alguns comprovantes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, os quais não foram aceitos pela eatoridade julgadora a quo, em razão da não apresentação da DIRF. Com relação a estes, portanto, tenho que merece reforma a decisão recorrida. Pelo exposto, devem ser reconhecidas as parcelas de imposto retido nos valores abaixo demonstrados: Observações: (*) IRRF Comprovado = (4265,74*0,2/0,8); (**) IRRF Comprovado = (1.011.714,61*0,15/0,85). Concluindo, rejeito a alegação de cerceamento de defesa, e dou parcial provimento ao recurso, para reconhecer como integralmente compensadas com créditos das sucedidas os valores das estimativas de IRPJ e de CSLL devidas de fevereiro a abril de 2002, o que implica o reconhecimento do direito creditório de saldo negativo de 2002, por este fundamento, nos valores de R$ 4.424.854,76 (IRPJ) e de R$ 1.197.692,29 (CSLL), e para reconhecer ainda o crédito adicional de R$ 356.25,57 de saldo negativo de IRPJ de 2002, relativo ao imposto retido na fonte que consta discriminado nas duas tabelas imediatamente acima. E como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Relator Assmado digitalmente em 15/06/201 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME 20/06/2011 por I VETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Autenticado digitalmente ern 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME 15 Impresso em 25/07/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO DF CARF MF FL 16 Processo n° 16327.000716/2003-15 s 1 -err2 Acórau in. ° 1102-00.433 Fl. 1.812 Assmado dIgitalmente ern 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por I VETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Autenticado digitalmente ern 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME 16 Impresso em 25/0 17/2011 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO
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Numero do processo: 11610.010692/2006-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
IRPF – ANISTIA POLÍTICA.
Os rendimentos decorrentes do reconhecimento da anistia política, recebidos após agosto de 2002, são considerados como isentos e não tributáveis, quando, na forma da Lei nº 10.599, de 2002, concedida a substituição pelo regime de reparação econômica.
Recurso voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.208
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso para reconhecer a isenção pleiteada referente aos rendimentos percebidos a partir de 29 de agosto de 2002, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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Lei 10.559/2002 Recorrente DAGUZAN CARDOSO DIAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IRPF – ANISTIA POLÍTICA. Os rendimentos decorrentes do reconhecimento da anistia política, recebidos após agosto de 2002, são considerados como isentos e não tributáveis, quando, na forma da Lei nº 10.599, de 2002, concedida a substituição pelo regime de reparação econômica. Recurso voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para reconhecer a isenção pleiteada referente aos rendimentos percebidos a partir de 29 de agosto de 2002, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Rubens Maurício Carvalho – Presidente substituto (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator EDITADO EM: 29/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rubens Maurício Carvalho (Presidente substituto), Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Francisco Marconi de Oliveira. Ausente justificadamente o Presidente, Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003 (fls. 10 a 14), referente a omissão de rendimentos tributáveis recebidos da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil. O contribuinte apresentou impugnação em 31 de outubro de 2006, solicitando a improcedência do lançamento, por ser isento, e que se aguarde o julgamento da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça para maior clareza quando a isenção. As alegações apresentadas estão assim resumidas pelo relator no acórdão em primeira instância: 1) É anistiado político desde agosto de 1979 e passou a receber aposentadoria especial de anistiado a partir de 8 de janeiro de 1996; 2) A lei 10.5509/2002 estabeleceu novo regime de tributação e concedeu isenção do Imposto de Renda a partir de 05 de outubro de 1988; 3) O Decreto 4.879/2003 determina a isenção do IR da aposentadoria excepcional do anistiado mesmo antes de sua transformação para o novo regime, a partir de 29 de agosto de 2002; 4) O total de rendimentos isentados no período de setembro a dezembro de 2002 sobre os quais foi retido o IR na fonte no valor de R$ 22.092,10; 5) Após consulta à Receita Federal, a Previ já não desconta o IR na fonte desde dezembro de 2003; 6) A partir de 2004 a declaração de rendimentos pagos e IR retido na fonte descrimina como tributáveis somente o complemento de aposentadoria de sua responsabilidade e como isentas as aposentadorias dos anistiados pagas pelo INSS; 7) Os rendimento objeto do lançamento são apenas repassados pela PREVI que tem convênio com o INSS; 8) No caso de aposentadoria de anistiado, o INSS repassa os valores para a PREVI que são originados da União; 9) A transformação da aposentadoria excepcional de anistiado para o novo regime, está em julgamento junto à Comissão de Anistia do MJ, através do processo n. 2003.01.27608. A 3ª Turma da DRJ/CGE decidiu, por votação não unânime, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário. O voto é fundamentado na Lei nº 10.559, de 13 de novembro de 2002, que regulamentou o art. 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, estabelecendo o Regime do Anistiado Político. O relator transcreve o artigo 1º e inciso II da Lei nº 10.559, de 2002, que garante a reparação econômica, de caráter indenizatório, em prestação única ou em prestação Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO Processo nº 11610.010692/200636 Acórdão n.º 210201.208 S2C1T2 Fl. 56 3 mensal, permanente e continuada; e o artigo 3º, §§ 1º e 2º, que determina não ser a reparação econômica em parcela única acumulável com a prestação mensal, permanente e continuada, e que será a reparação concedida mediante portaria do Ministro de Estado da Justiça, após parecer favorável da Comissão de Anistiado que trata o artigo 12 da referida lei. Reproduz ainda o artigo 9º, parágrafo único, que trata esses rendimentos como indenização e isentos do Imposto de Renda. Mas, ressalta o relator que a restituição do imposto pago, inclusive sob a forma de retenção, é condicionada pelo Decreto nº 4.879, de 25 de novembro de 2003. Transcreve o art. 2º e seu parágrafo único, dispondo que a eventual restituição do IR já pago até a publicação do citado Decreto efetivase somente após o deferimento da substituição prevista no art. 19 da Lei nº 10.559, de 2002. A presidente da turma, vencida, fez declaração de voto, com as seguintes considerações: a) sobre o rendimento de aposentadoria de anistiado político, recebido pelo impugnante, após 29/08/2002, não incide imposto de renda pessoa física, considerando que foi atendido, no caso, o requisito legal da isenção, que o pedido de substituição de regime ao Ministério da Justiça. Há incidência do imposto de renda em relação ao período de janeiro a agosto de 2002, não abrangido pela isenção; b) considerando a omissão do Ministério da Justiça até essa data, entendese que ainda não se verificou a condição exigida seja para a revogação da isenção, seja para o reconhecimento do indébito tributário, ou seja, não ocorreu até o momento, o fato gerador do imposto de renda, no período de setembro/2002 a dezembro/2002, nem tão pouco, restou configurado como indevido o pagamento/retenção do imposto de renda realizado neste período, passível de eventual restituição. Vota a julgadora discordante pela procedência do lançamento, devendo ser cobrado nestes autos parte do crédito tributário, relativa ao imposto de renda pessoa física no valor de R$ 435,76, calculado com base no rendimento de janeiro a agosto de 2002 e com dedução do correspondente imposto de renda retido, sendo sobrestado o restante do crédito tributário até decisão do Ministério da Justiça. Dia 30 de setembro de 2009 foi emitida uma intimação informado a ciência do acórdão da DRJ (fl. 31). O contribuinte apresenta recurso datado de 29 de outubro de 2009 (fls. 34 e 35). Posteriormente, foi postada uma cartacobrança relativo a parte não contestada, que foi recepcionada pelo contribuinte em 05 de fevereiro de 2010. No recurso apresentado (fls. 34 e 35) o contribuinte requer novo cálculo do imposto de renda, apresentando as seguinte considerações: a) o relator (DRJ) reconhece que a restituição pleiteada pode ser apreciada favoravelmente após deferimento, pela Comissão de Anistia do MJ, do requerimento de substituição de aposentadoria; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO 4 b) apesar disso, o relator preferiu opinar contra a isenção do IR nos rendimentos auferidos do INSS, a partir de 29 de agosto de 2002; c) A presidente da Turma, discordando da maioria, chamou a atenção para isenção do IR sobre os rendimentos pagos pelo INSS, a partir de 29 de agosto de 2002, desde que confirmada por decisão da Comissão de Anistia; d) Em 27 de outubro de 2009 a Comissão de Anistia julgou procedente o requerimento do interessado e que a Portaria será publicada em breve. Em correspondência postada dia 21 de julho de 2010 o requerente faz juntada da Portaria MJ nº 1219, publicada no DOU, Seção 1, folha 113, de 21 de junho de 2010, e complementa seu recurso requerendo a isenção dos rendimentos pagos pelo INSS a partir de 29 de agosto de 2002. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO Processo nº 11610.010692/200636 Acórdão n.º 210201.208 S2C1T2 Fl. 57 5 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que o contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário datado dentro dos 30 dias regulamentar. Diante da ausência da ciência, considerase, para fins de tempestividade, a data da assinatura posta no recurso. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. O requerente solicita que sejam considerados isentos os rendimento oriundos do INSS, recebidos a partir de 29 de agosto de 2002, em função da sua condição de anistiado político. De fato, o contribuinte foi declarado anistiado político, conforme pesquisa efetuada no sitio eletrônico do Ministério da Justiça (fl. 24) e registrada no acórdão da DRJ. A informação foi ratificada pela Portaria MJ nº 1.219, de 21 de junho de 2010 (fl. 50), que concedeulhe a substituição da aposentadoria especial de anistiado político, que recebe, referente ao benefício do INSS, pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, nos termos do art. 1º, incisos I e II c/c art. 19 da Lei nº 10.559, de 13 de novembro de 2002. O Lei nº 10.559, de 2002, que trata da anistia política assim, registra no seu artigo 1º, incisos I e II, e artigo 19: Art. 1º O Regime do Anistiado Político compreende os seguintes direitos: I declaração da condição de anistiado político; II reparação econômica, de caráter indenizatório, em prestação única ou em prestação mensal, permanente e continuada, asseguradas a readmissão ou a promoção na inatividade, nas condições estabelecidas no caput e nos §§ 1o e 5o do art. 8o do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; [...] Art. 19. O pagamento de aposentadoria ou pensão excepcional relativa aos já anistiados políticos, que vem sendo efetuado pelo INSS e demais entidades públicas, bem como por empresas, mediante convênio com o referido instituto, será mantido, sem solução de continuidade, até a sua substituição pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, instituído por esta Lei, obedecido o que determina o art. 11. No artigo 10 da Lei nº 10.559, de 2002, consta que caberá ao Ministro de Estado da Justiça a decisão sobre os requerimentos fundados na referida lei Fl. 5DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO 6 O Decreto nº 4.897, de 25 de novembro de 2003, que regulamentou o parágrafo único do artigo 9º da Lei nº 10.559, de 2002, determina: Art. 1º Os valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda, nos termos do parágrafo único do art. 9º da Lei nº 10.559, de 13 de novembro de 2002. § 1º O disposto no caput inclui as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza pagos aos já anistiados políticos, civis ou militares, nos termos do art. 19 da Lei nº 10.559, de 2002. [...] Art. 2º O disposto neste Decreto produz efeitos a partir de 29 de agosto de 2002, nos termos do art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. Parágrafo único. Eventual restituição do Imposto de Renda já pago até a publicação deste Decreto efetivarseá após deferimento da substituição de regime prevista no art. 19 da Lei no 10.559, de 2002..(grifos nossos). O contribuinte fez juntada da Portaria que atende o disposto exigido na lei. Observase que a Portaria MJ nº 1.219, de 21 de junho de 2010, concedeu expressamente ao requerente a substituição da aposentadoria especial de anistiado político, que recebe, referente ao seu benefício, pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, nos termos do art. 1º, incisos I e II c/c art. 19 da Lei nº 10.559, de 13 de novembro de 2002. Diante do exposto, conheço do recurso e voto no sentido de darlhe provimento para considerar isentos os rendimentos oriundos do INSS, recebidos no ano calendário 2002, a partir de agosto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 6DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO
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Numero do processo: 10865.004110/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/04/2005, 01/12/2008 a 31/12/2008
DECADÊNCIA. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS.
LEI 8.212/91. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
No presente caso, aplica-se a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente.
Recurso de Ofício Negado
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.119
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, aplicase a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Mantido em Parte. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes (VicePresidente), Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzales Silvério. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10865.004110/200971 Acórdão n.º 230102.119 S2C3T1 Fl. 175 3 Relatório 1. Tratase de recurso de ofício interposto contra o acórdão nº 1430.610, prolatado pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que excluiu parcialmente o crédito tributário constituído em desfavor do MUNICÍPIO DE ESPÍRITO SANTO DO PINHAL. 2. Segundo o relatório fiscal, “ao confrontar as informações contidas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e de Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, com os valores recolhidos por meio das Guias da Previdência Social GPS, constatouse que o sujeito passivo deixou de recolher no período de 01/2004 a 10/2008 a contribuição a seu cargo para o financiamento do beneficio concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e efetuou compensação indevida no período de 09/2003 a 04/2005 e 12/2008 nas contribuições a seu cargo incidente sobre o total das remunerações pagas aos agentes políticos e segurados empregados em folhas de pagamentos.” (fl. 23) 3. A ementa da decisão monocrática restou vazada nos seguintes termos que ora transcrevo abaixo: “DECADÊNCIA Após a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91 pelo STF por meio da Súmula n° 8 do STF, aplicase aos créditos previdenciários a decadência quinquenal prevista no Código Tributário Nacional. Para a fixação do inicio da contagem do prazo decadencial de cinco anos, caso haja pagamento antecipado da contribuição (ainda que parcial) aplicase o §4° do art. 150 do Código Tributário Nacional; a inexistência de pagamento justifica a utilização da regra do art. 173, I do Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 166) 4. De acordo com a autoridade administrativa, aplicouse a regra do artigo 150, §4º do CTN para declarar a decadência parcial referente ao período de 09/2003 a 12/2004, incluindo a parcela relativa ao décimo terceiro salário – 13/2004. 5. O contribuinte, por sua vez, foi cientificado do prazo de 30 dias para suas razões recursais, porém, não se manifestou. E considerando a apresentação de recurso de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, nos termos do artigo 366, inciso I, do Decreto 3.048/99, com a redação dada pelo Decreto n.º 6.032/07, os autos são remetidos a esse Colegiado para análise. É o relatório. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso de ofício, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DO RECURSO DE OFÍCIO 2. Conforme relatório fiscal, o auto de infração se deu em razão do preenchimento com informações incorretas no campo ‘Compensação’: nas competências de 09/2003 a 04/2005 e 12/2008; e no campo ‘RAT’: nas competências 01/2004 a 10/2008. 3. Após defesa do contribuinte, a 9ª Turma da DRJ/RPO prolatou acórdão no sentido de retificar parcialmente o débito tributário lançado, tendo em vista a observância do comando disposto na súmula vinculante nº 8 do STF, que consolidou o prazo decadencial de 5 anos, nos termos do Código Tributário Nacional. 4. Assim, de acordo com a autoridade administrativa, aplicouse a regra quinquenal do artigo 150, §4º do CTN para declarar a decadência parcial referente ao período de 09/2003 a 12/2004, incluindo a parcela relativa ao décimo terceiro salário – 13/2004. 5. Pois bem, na hipótese dos autos, mantenho o entendimento consubstanciado no acórdão 1430.610, em que se decotou dos autos uma parte do débito por terem sido alcançadas pela decadência, tendo em vista que a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. 6. Importante ressaltar que restou consignado nos autos que houve recolhimento parcial, razão pela qual restou aplicada a regra do artigo 150, § 4º do CTN. Ajuda formar minha convicção o fato de que o presente lançamento se refere a diferenças advindas do confronto de informações contidas nas guias de recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s com os valores recolhidos por meio de Guia da Previdência Social GPS. 7. Portanto, pelas razões expostas nego provimento ao recurso de ofício para manter a decisão de primeira instância que afastou do lançamento fiscal as competências 09/2003 a 12/2004, inclusive o décimo terceiro, ou seja, as competências anteriores ao exercício de 2005. CONCLUSÃO 8. Ante o exposto, CONHEÇO do recurso de ofício, mas NEGOLHE provimento. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 182DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10865.004110/200971 Acórdão n.º 230102.119 S2C3T1 Fl. 176 5 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 37098.004763/2006-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006
DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula
Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-001.097
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da segunda
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em conceder provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto da Relatora.
Nome do relator: Adriana Sato
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Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em conceder provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto da Relatora. Marco André Ramos Vieira Presidente Adriana Sato Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37098.004763/200600 Acórdão n.º 230201.097 S2C3T2 Fl. 70 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros .Marco André Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Manoel Coelho Arruda Junior e Adriana Sato Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37098.004763/200600 Acórdão n.º 230201.097 S2C3T2 Fl. 71 3 Relatório De acordo com o Relatório Fiscal os fatos geradores que ensejaram a presente NFLD foi a intimação encaminhada ao Recorrente para que o mesmo, na qualidade de proprietário de obra de construção civil, comparecesse à Agência da Previdência Social para regularizar a referida obra. Apesar de devidamente intimado em 26/04/2006 o Recorrente não compareceu, resultando na emissão do ARO — Aviso para Regularização de Obra. O ARO e a GPS — Guia da Previdência Social, emitidos em 06.06.2006, foram remetidos ao Recorrente, ressalvando que o mesmo deveria recolher o valor devido através da referida GPS anexada à correspondência enviada e que o não atendimento implicaria na emissão de NFLD. O recorrente tomou conhecimento do ARO e da GPS em 09/06/2006, conforme AR juntado às fls. 20. Face ao não atendimento e recolhimento do Recorrente, houve a emissão da DISO — Ex Officio em 21/06/2006 (fls.21/22). Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, o Recorrente regularizou em 12/1998 a área de 70,28 m2, restando devida a área de 158,47 m2. Em 14/06/2006 o Recorrente representado por seu espólio apresentou manifestação requerendo a nulidade absoluta do procedimento administrativo por falta de oportunidade para apresentar os documentos. Em 23/06/2006 o Recorrente foi informado que houve a intimação para que o mesmo apresentasse documentos e que o não recolhimento da GPS emitida implicaria no encaminhamento ao Setor de Fiscalização da Previdência Social para lavratura de NFLD. Em 13/09/2006 o Recorrente foi intimado da lavratura da NFLD (fls.30) e apresentou impugnação alegando nulidade absoluta do procedimento administrativo e decadência. Juntou o recorrente em sua impugnação: às fls.40 o alvará de licença para construção de uma área de 228,75m2, emitido em 05/12/1997; às fls 42/43 o DRO – Declaração para regularização de obra protocolado no INSS em 16/12/1998, informando que o término da obra ocorreu em 08/12/1998. A DN julgou o lançamento procedente, e, inconformado o Recorrente interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37098.004763/200600 Acórdão n.º 230201.097 S2C3T2 Fl. 72 4 desnecessidade do depósito recursal; nulidade absoluta por falta de disponibilidade prévia para apresentação de documentos; decadência. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37098.004763/200600 Acórdão n.º 230201.097 S2C3T2 Fl. 73 5 Voto Conselheiro Adriana Sato, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo a análise da questão preliminar suscitada pelo Recorrente. Comprovou o Recorrente através dos documentos juntados na impugnação que a obra obteve alvará de construção em 12/1997 e o término da obra ocorreu em 12/1998. Tendo em vista os documentos acostados aos autos comprovam o término da obra em 12/1998 e a lavratura da NFLD ocorreu em 13/09/2006, aplicase a decadência ao presente caso. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37098.004763/200600 Acórdão n.º 230201.097 S2C3T2 Fl. 74 6 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. Compulsando os autos, constatase através do Discriminativo Analítico do Débito que o recorrente não efetuou pagamento parcial de suas obrigações as quais se refere o lançamento. Daí, deve prevalecer a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN. Por todo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37098.004763/200600 Acórdão n.º 230201.097 S2C3T2 Fl. 75 7 Adriana Sato Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10660.002151/2005-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO ENDEREÇADO A SÓCIO DA PESSOA JURÍDICA. VALIDADE
É válida a intimação de início de procedimento fiscalizatório dirigida a sócio de empresa quando o agente dos correios atesta que na sede da empresa pode ser colhido apenas a informação de que esta mudou-se.
RETIFICAÇÃO DE DCTF QUANDO JÁ INSTAURADO O PROCEDIMENTO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE
Reputam-se ineficazes, em face da perda da espontaneidade do sujeito passivo, as informações veiculadas em declarações originárias ou retificadoras apresentadas no curso de ação fiscal.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2001
DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES DE RECEITA OU DE TRIBUTOS INSERTOS NA ESCRITA MERCANTIL E AQUELES CONFESSADOS EM DCTF E/OU PAGOS.
Pertine o lançamento afeto às diferenças, a maior, resultantes do confronto entre os valores do tributo registrados na escrituração mercantil ou fiscal e aqueles efetivamente declarados (confessados) na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) ou efetivamente pagos.
Numero da decisão: 1102-000.394
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: José Sérgio Gomes
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO ENDEREÇADO A SÓCIO DA PESSOA JURÍDICA. VALIDADE É válida a intimação de início de procedimento fiscalizatório dirigida a sócio de empresa quando o agente dos correios atesta que na sede da empresa pode ser colhido apenas a informação de que esta mudou-se. RETIFICAÇÃO DE DCTF QUANDO JÁ INSTAURADO O PROCEDIMENTO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE Reputam-se ineficazes, em face da perda da espontaneidade do sujeito passivo, as informações veiculadas em declarações originárias ou retificadoras apresentadas no curso de ação fiscal. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2001 DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES DE RECEITA OU DE TRIBUTOS INSERTOS NA ESCRITA MERCANTIL E AQUELES CONFESSADOS EM DCTF E/OU PAGOS. Pertine o lançamento afeto às diferenças, a maior, resultantes do confronto entre os valores do tributo registrados na escrituração mercantil ou fiscal e aqueles efetivamente declarados (confessados) na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) ou efetivamente pagos.
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Recorrida 3ª TURMA DE JULGAMENTO DA DRJ EM BELO HORIZONTEMG ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO ENDEREÇADO A SÓCIO DA PESSOA JURÍDICA . VALIDADE É válida a intimação de início de procedimento fiscalizatório dirigida a sócio de empresa quando o agente dos correios atesta que na sede da empresa pode ser colhido apenas a informação de que esta mudouse. RETIFICAÇÃO DE DCTF QUANDO JÁ INSTAURADO O PROCEDIMENTO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE Reputamse ineficazes, em face da perda da espontaneidade do sujeito passivo, as informações veiculadas em declarações originárias ou retificadoras apresentadas no curso de ação fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES DE RECEITA OU DE TRIBUTOS INSERTOS NA ESCRITA MERCANTIL E AQUELES CONFESSADOS EM DCTF E/OU PAGOS. Pertine o lançamento afeto às diferenças, a maior, resultantes do confronto entre os valores do tributo registrados na escrituração mercantil ou fiscal e aqueles efetivamente declarados (confessados) na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) ou efetivamente pagos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 14/03/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIR Processo nº 10660.002151/200503 Acórdão n.º 110200.394 S1C1T2 Fl. 406 2 Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Presidente. José Sérgio Gomes Relator. Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), João Carlos de Lima Júnior (VicePresidente), José Sérgio Gomes (Relator), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto e Manoel Mota Fonseca. Relatório Em foco recurso voluntário visando a reforma da decisão da 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo HorizonteMG que julgou procedentes os lançamentos efetuados em 25/08/2005 pela Delegacia da Receita Federal em VarginhaMG com vistas a exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), acrescidos de multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e juros moratórios calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC). A ação fiscal consistiu na tributação, a título de omissão de receitas, da diferença entre a base de cálculo (receita de prestação de serviços) encontrada no livro “Razão” em relação àquela utilizada para calcular os valores dos tributos declarados/confessados em Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) e Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) apresentadas originariamente. Para fins do IRPJ e CSLL a apuração e tributação do lucro da empresa no anocalendário de 2001 se deu pelo regime do lucro presumido nos quatro trimestres civis, enquanto na seara das contribuições ao PIS e COFINS a tributação incidiu sobre as receitas mensais (janeiro a dezembro). Ainda, consignou a autoridade lançadora que em resposta a intimação fiscal a autuada afirmou que houve equívoco nas informações prestadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) reconhecendo que sua receita total em 2001 foi de R$ 648.795,13 ao invés de R$ 3.084,00 declarados, oportunidade em que anexou cópias das DIPJ e DCTF retificadoras, entregues em 02/07/2005 e 01/07/2005, respectivamente. Impugnando os lançamentos a contribuinte manifestouse no sentido de que não discorda dos valores lançados, lastreados na receita escriturada, contudo, pugnou pela não ocorrência de omissão na medida em que não foi intimada do procedimento fiscal anteriormente à entrega da DCTF retificadora, bem assim, que a exigência de juros à taxa Selic não encontra respaldo no Judiciário. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 14/03/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIR Processo nº 10660.002151/200503 Acórdão n.º 110200.394 S1C1T2 Fl. 407 3 Afirmou que o artigo 23 do Decreto nº 70.235/72 estipula que a intimação deverá ocorrer, obrigatoriamente, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, o que não ocorreu, pois direcionada a endereço diverso, o que impossibilita considerála legítima e apta a produzir quaisquer efeitos legais. Assim, a efetiva ciência dos procedimentos de fiscalização ocorreu apenas em 04/08/2005 quando foi intimado o sócio Luiz Carlos da Silva, posteriormente, portanto, à retificação das DIPJ e DCTF. Relativamente à cobrança de juros à taxa Selic asseverou que esta possui natureza de juros remuneratórios, não podendo jamais ser utilizada como se tivesse natureza de juros moratórios, razão por que sua incidência na hipótese dos autos de infração ofende o ordenamento jurídico pátrio, consoante doutrina e julgados do superior Tribunal de Justiça. Aquele Colegiado (3ª Turma de Julgamento) admitiu a impugnação entendeu procedentes os lançamentos, assim ementando o Acórdão nº 0219.221, tomado por unanimidade de votos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITAS RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. Estando o contribuinte sob ação fiscal, a retificação da declaração de rendimentos e das respectivas DCTF, para nelas incluir receitas e débitos tributários até então não declarados, não impede a lavratura do auto de infração nem exime o contribuinte da imposição da multa devida pelo lançamento de oficio. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL ENDEREÇADA AO SÓCIO. É válida a intimação entregue no domicílio fiscal de sócio da pessoa jurídica quando se frustra a tentativa de a intimar no endereço cadastral desta. LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL COFINS – PIS. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso.” Ciente do decisório em 28 de novembro de 2008 a contribuinte apresentou em 30 do mês seguinte os recursos individuados para cada exigência (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) de fls. 340/347, 355/362, 370/377 e 385/392, nos quais assevera que no caso em comento é incontroverso que o Fisco não efetivou a intimação do início da fiscalização pelo correio, consoante fl. 328, além de que não fez prova da existência de omissão de receita, o que lhe é exigido pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional e artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil. Ao final, requer o provimento do recurso para reformar o acórdão da DRJ/BH e anulados os lançamentos fiscais. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 14/03/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIR Processo nº 10660.002151/200503 Acórdão n.º 110200.394 S1C1T2 Fl. 408 4 É o relatório, em apertada síntese. Voto Conselheiro José Sérgio Gomes, Relator Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. Como visto, não há controvérsia em relação ao quantum dos tributos devidos. A contenda resumese em identificar se a exigência deles se realiza pela informação trazida na DCTF retificadora apresentada em 01/07/2005, uma vez que a comunicação da existência de crédito tributário devido por pessoas jurídicas se opera com este instrumento, o qual, por força do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, consolida efetiva confissão do débito, ou então pelo ato de ofício exteriorizado nos autos de infração ultimados em 25/08/2005. Enquanto a primeira legitima cobrança de multa de mora o segundo expõe a exigência de multa de ofício. Já os juros de mora incidem independentemente de qualquer dos meios, observandose, contudo, que se dá a cobrança destes sobre a própria multa de ofício, uma vez que não recolhida nos trinta dias subsequentes à ciência do auto de infração. Assim estatui o artigo 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que cuida do processo administrativo fiscal: “Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (........................) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (........................)” Por sua vez, o artigo 23 desde mesmo diploma legal possui o seguinte comando: “Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 14/03/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIR Processo nº 10660.002151/200503 Acórdão n.º 110200.394 S1C1T2 Fl. 409 5 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...................................................................................) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (.................................................................................) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (.................................................................................)” O voto condutor do r. acórdão recorrido bem resumiu os fatos acerca da intimação do ato inicial do procedimento fiscalizatório, a ver: “De inicio a autoridade fiscal efetivamente tentou realizar a intimação no endereço cadastral da autuada e que consta em sua última alteração contratual. O documento a folhas 9 comprova que em 09.05.2005 foi postada a correspondência destinada a esse endereço, mas ela foi devolvida no dia seguinte pelos Correios, com a indicação "mudouse". Em seguida, no dia 12.05.2005, remeteuse a mesma correspondência para o endereço de Luiz Carlos da Silva, que figura no cadastro da autuada como seu sócio e representante legal. Essa segunda tentativa também malogrouse, uma vez que, conforme o documento a folhas 10, a correspondência foi devolvida pelos Correios com a indicação "desconhecido". Só então a correspondência foi enviada para o outro sócio da autuada, o senhor Luiz Henrique Barbosa. Ou seja, embora não seja exatamente o endereço cadastral da autuada, a correspondência não foi enviada para nenhuma pessoa que lhe era estranha, mas um Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 14/03/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIR Processo nº 10660.002151/200503 Acórdão n.º 110200.394 S1C1T2 Fl. 410 6 dos seus sócios, e somente depois de frustradas as tentativas de realizar a intimação no domicílio cadastral da autuada.” Assim, e na esteira de entendimentos consolidados nesta Corte, firmo convicção que a intimação efetuada em 24 de maio de 2005 ao sócio Luiz Henrique Barbosa é de todo eficaz, mormente porque não mais existe qualquer possibilidade de se efetivarem intimações no domicílio fiscal eleito pela pessoa jurídica ante a informação prestada pelo agente dos correios no sentido de que o endereçado “mudouse”, fl. 09, e a Recorrente ora alguma impugna ou desnatura esta específica afirmação. Em decorrência, a receita veiculada nas declarações retificadoras não se deram na esfera da espontaneidade, pois trazidas ao sujeito ativo da obrigação tributária quando já plenamente vigente o procedimento fiscal. Válida, assim, a imputação fiscal de omissão de receita. Com tais razões, VOTO pelo improvimento do recurso voluntário. José Sérgio Gomes Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 14/03/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIR
score : 1.0
Numero do processo: 14751.003143/2008-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2005
ARBITRAMENTO DE LUCRO
O imposto devido no decorrer do ano-calendário será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou apresentar escrituração em desacordo com a legislação comercial.
DEPÓSITOS. OMISSÃO DE RECEITAS.
Os depósitos em conta corrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumemse advindos de transações
realizadas à margem da contabilidade.
DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Lançamentos reflexos. Ao se decidir de forma exaustiva a matéria
referenciada ao lançamento principal de IRPJ, a solução adotada espraia seus efeitos aos lançamentos reflexos, próprio da sistemática de tributação das pessoas jurídicas.
Numero da decisão: 1103-000.474
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata e Eric Moraes de Castro e Silva que votaram pela redução da multa de ofício para 75%
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2005 ARBITRAMENTO DE LUCRO O imposto devido no decorrer do ano-calendário será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou apresentar escrituração em desacordo com a legislação comercial. DEPÓSITOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em conta corrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumemse advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Lançamentos reflexos. Ao se decidir de forma exaustiva a matéria referenciada ao lançamento principal de IRPJ, a solução adotada espraia seus efeitos aos lançamentos reflexos, próprio da sistemática de tributação das pessoas jurídicas.
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DEPÓSITOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em contacorrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumemse advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Lançamentos reflexos. Ao se decidir de forma exaustiva a matéria referenciada ao lançamento principal de IRPJ, a solução adotada espraia seus efeitos aos lançamentos reflexos, próprio da sistemática de tributação das pessoas jurídicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata e Eric Moraes de Castro e Silva que votaram pela redução da multa de ofício para 75%. Aloysio José Percínio da Silva Presidente Fl. 347DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. . Relatório Tratasse de recurso voluntário a respeito da decisão da DRJ que julgou parcialmente procedente a impugnação da contribuinte. Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado, em dezembro de 2008, o auto de infração de fls. 02/08, através do qual foi constituído o crédito tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ no valor de R$ 1.394.149,80, incluídos juros de mora e multa proporcional de 150%. O lançamento reportase aos três primeiros trimestres do ano calendário de 2005. De acordo com o auto de infração e com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 29/35), o lançamento do IRPJ decorreu da omissão de receitas em face de depósitos bancários não escriturados nem declarados. O lucro foi arbitrado, tendo em vista que a empresa não apresentou os livros e documentos a que estava obrigada. Em consequência da omissão de receitas, foram lavrados os autos de infração reflexos concernentes à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 09/15), no valor de R$ 98.479,25, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 16/22), no valor de R$ 454.520,18, e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 23/28), no valor de R$ 434.094,43. Aplicouse a multa de 150% em virtude da vultosa movimentação financeira não escriturada nem declarada pelo sujeito passivo, o que teria caracterizado a conduta prevista no art. 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Foi efetuada Representação Fiscal para Fins Penais, constituindo o Processo nº 14751.003144/200803. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 94/107), alegando, em síntese: Ter comprovado à fiscalização, mediante certidão expedida pelo DER/AL, que os valores depositados foram oferecidos à tributação nos anos de 2000 e 2001, conforme Livro Razão apresentado à autoridade lançadora. Afirma que o Livro Diário de 2000 e 2001 encontrase em poder da Justiça Federal, tendo sua apreensão se dado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Confraria; Que os anoscalendário 2000 e 2001 já se encontram alcançados pela decadência e pela prescrição; Que, nos anos de 2000 e 2001, atualizou os saldos da conta Faturas a Receber pelo regime de competência e que esses saldos superam o que foi recebido em 2005 pelo regime de caixa; Fl. 348DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 14751.003143/200851 Acórdão n.º 110300.474 S1C1T3 Fl. 2 3 Que sempre declarou pelo Lucro Real, sendo incabível a tributação com base no Lucro Arbitrado. Alega que a autoridade fiscal deveria ter diligenciado junto à Justiça Federal, de sorte a recompor seu Lucro Real. Não o fazendo, entende ter ocorrido mudança de critério jurídico, pelo que seria nulo o lançamento; Que o PIS e a Cofins foram pagos e declarados em DCTF tempestiva, sendo o saldo remanescente incluído no REFIS e no PAES; Que a empresa detém considerável saldo de prejuízos fiscais acumulados, demonstrado na Parte B do Lalur; Que o agravamento da multa não se justifica; Que, durante a operação Sol Nascente, ocorrida em 2002, a empresa foi fiscalizada em relação aos anoscalendário de 1998 a 2002, tendo apresentado os livros contábeis e as devidas declarações pelo Lucro Real, e os créditos tributários foram incluídos no Refis. Tal fato demonstraria ser incabível o arbitramento do lucro, além da caracterização do bis in idem. Ao final, pugnou pelo oferecimento dos livros Diário e Razão e da DIPJ relativos ao ano de 2005, no prazo de 90 dias, bem assim pelo sobrestamento dos processos que menciona, entre os quais o de Representação para Fins Penais. A DRJ julgou (ementa): “NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento Fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 DECADÊNCIA. Não há falar em decadência se o lançamento foi efetuado dentro do lapso temporal legalmente previsto. MULTA QUALIFICADA. DOLO. Inaplicável a multa qualificada quando não restar demonstrada a ocorrência de dolo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 VENDAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. A falta de escrituração de vendas configura omissão de receitas. Fl. 349DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de optante pelo regime de lucro presumido. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento Fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 DECADÊNCIA. Não há falar em decadência se o lançamento foi efetuado dentro do lapso temporal legalmente previsto. MULTA QUALIFICADA. DOLO. Inaplicável a multa qualificada quando não restar demonstrada a ocorrência de dolo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 VENDAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. A falta de escrituração de vendas configura omissão de receitas. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de optante pelo regime de lucro presumido. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.” Em recurso a contribuinte, ora recorrente, alega (resumo): Ter comprovado à fiscalização, mediante certidão expedida pelo DER/AL, que os valores depositados foram oferecidos à tributação nos anos de 2000 e 2001, conforme Livro Razão apresentado à autoridade lançadora. Afirma que o Livro Diário de 2000 e 2001 Fl. 350DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 14751.003143/200851 Acórdão n.º 110300.474 S1C1T3 Fl. 3 5 encontrase em poder da Justiça Federal, tendo sua apreensão se dado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Confraria; É importante assinalar que em 2008, os anos calendários de 2000 e 2001 onde a receita recebida em 2005 já tinha sido oferecida à tributação, estava decadente, nos termos dos arts. 150 e 173 do CTN. Que sempre declarou pelo Lucro Real, sendo incabível a tributação com base no Lucro Arbitrado.Assim, entende ter ocorrido mudança de critério jurídico, pelo que seria nulo o lançamento. Nesta fase recursal, juntase os documentos contábeis do ano calendário de 2005, disponibilizado à fiscalização e rejeitado por aquela autoridade, onde se comprova que o produto daqueles recebimentos foi empregado no pagamento de pessoal, encargos e demais impostos: assim como a DIRPJ desse ano, como reflexo dos assentamentos contábeis e Fiscais a disposição das autoridades fazendárias para qualquer verificação, se achar conveniente. Quanto ao Livro Diário de 2000 e 2001 em poder da Justiça Federal, por decadente e prescrito, Arts. 173 e 174, se houver conveniência, esse Seleto Tribunal, também se achar necessário, poderá determinar diligências e demais providências junto a Justiça Federal para colher algum elemento atinente a espécie, xerocando as páginas do Livro Diário em que se demonstra a coincidência, em data e valor do montante oferecido a tributação naqueles anos calendários, o que certamente resultará na inconsistência dos lançamentos tributários. No que se relaciona ao PIS e COFINS, com as DCTFs tempestivas, tudo se declarou e pagou naqueles anos calendários, e o que remanesceu no conta corrente da DRFB em João Pessoa/PB, assim como na PFN, foi incluído no REFIS x PAES que ainda está pendente de reintegração a cargo do Tribunal Federal da 5R. Região, a exemplo de outras EPPs que conseguiram seus intentos. Por essas razões, também são insubsistentes os lançamentos tributários de PIS e COFINS, sob pena de se configurar a cobrança em duas oportunidades. Uma em 2000 x 2001, pelo regime de competência, exaustivamente examinada pela Operação Sol Nascente, como veremos adiante e outra em 2005 pelo regime de caixa. Quanto ao arbitramento, a empresa já tinha oferecido a tributação, pelo regime de competência a atualização daqueles valores nos anos calendários de 2000 e 2001, como demonstrados nos Livros Razão disponibilizados à fiscalização; nunca apresentou DIRPJ pela modalidade do Lucro Presumido; mesmo sendo cadastrada como EPP —Empresa de Pequeno Porte, sempre declarou pelo Lucro Real, onde detém considerável saldo de Prejuízos Fiscais Acumulados na parte B do LALUR, não contemplado nos autos. A empresa atualizou os saldos da conta Faturas a Receber, contra o Resultado do Exercício em 2000 e 2001, pelo regime de competência. Como os valores atualizados pelo regime de competência, supera o que foi recebido em 2005, regime de caixa, não existe qualquer importância a recolher, sob pena do bis in idem. Fl. 351DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 6 Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. A defesa se baseia do oferecimento à tributação dos valores aqui lançados, em anos calendários anteriores. Do acórdão da DRJ transcrevo: “De acordo com a autoridade lançadora, a contribuinte, relativamente ao anocalendário de 2005, não apresentou a Declaração de Informações EconômicoFiscais – DIPJ nem as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF. Em contraste, teve movimentação financeira em conta corrente superior a R$ 5.000.000,00, razão pela qual foi selecionada para o procedimento fiscal. 17.Intimada a comprovar a origem de 18 depósitos bancários efetuados em sua conta entre os meses de janeiro e julho de 2005, informou a empresa tratarse de créditos referentes à obra Passo Camaragibe, contratada pelo DER de Alagoas, aduzindo que tais receitas haviam sido reconhecidas e tributadas nos anoscalendário 2000 e 2001. A fiscalização, entretanto, considerou não comprovadas as alegações, em razão do que considerou os valores depositados como receitas omitidas. 18.As alegações veiculadas na peça de defesa não se sustentam, à míngua de qualquer prova que lhes confira substância, conforme se examinará a seguir. 19.No Livro Razão do anocalendário 2000 (fl. 77) há uma conta denominada “obra 128 – Passo Camaragibe”, na qual constam a débito três lançamentos de R$ 1.000.000,00 e um de R$ 500.000,00, totalizando o valor de R$ 3.500.000,00. Entretanto, não há contrapartida para esses lançamentos no resultado do exercício, cujo valor importou em R$ 10.570.974,16, conforme Livro Razão (fls. 78/82) e Demonstrativo de Resultado de fl. 67. Não se evidenciou, portanto, o propalado reconhecimento da receita no anocalendário 2000. 20.Igual conclusão se chega em relação ao anocalendário 2001, pois as contas de resultado (fls. 85/88) não exibem a contrapartida aos débitos havidos na conta “Passo Camaragibe” (fl. 84) nos valores de R$ 1.084.954,64 e R$ 556.434,11, totalizando R$ 1.641.388,75. Ressaltese que, da mesma forma que no ano 2000, todas as receitas levadas à tributação estão elencadas no Livro Razão, já que seu total coincide com a receita demonstrada no balanço geral da empresa (fl. 60). (...) 22.Aduz a impugnante que seu Livro Diário dos anos 2000 e 2001 encontrase apreendido pela Polícia Federal. O fato, todavia, não concorre em seu favor, nem é determinante para o Fl. 352DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 14751.003143/200851 Acórdão n.º 110300.474 S1C1T3 Fl. 4 7 deslinde deste litígio. Isto porque, como já visto, no Livro Razão daqueles anoscalendário não há o reconhecimento das receitas em questão, sendo de inferir que o Livro Diário também não o contemple, já que ambos os livros devem espelhar os mesmos lançamentos contábeis. 23.Ademais, é preciso não perder de vista que o crédito tributário ora em discussão é relativo à movimentação bancária ocorrida no anocalendário 2005, e não nos anoscalendário 2000 e 2001. Assim, ainda que a empresa houvesse ganho e reconhecido a receita em 2000 e 2001, como alega, sua escrita contábil teria que estampar, em 2005, os lançamentos atinentes aos ingressos financeiros sobre os quais versa a presente demanda. 24.Isto não ocorreu. A contribuinte não comprovou a escrituração desses lançamentos, apesar de intimada para tanto desde o início da fiscalização, que se deu em 16/05/2008. Nem agora, em sede de impugnação, trouxe o sujeito passivo qualquer documentação contábil a que estava obrigada, não obstante tenha afirmado em sua peça de defesa que estaria juntando os documentos fiscais e contábeis do ano de 2005. 25.Temse assim que, à falta de prova em contrário, os depósitos bancários efetuados na conta da contribuinte originaramse de receitas ganhas no anocalendário 2005, ou, quando muito, de receitas ganhas em anos anteriores que tiveram sua tributação diferida, faculdade prevista no art. 409 do Regulamento do Imposto de Renda/99 (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, e no art. 7º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Não tendo sido as receitas escrituradas nem declaradas, temse presente o ilícito caracterizado como omissão de receita, exigindose de ofício a decorrente tributação. Assim, vai por terra a tese de que as receitas destes autos estariam na conta resultados de exercício futuro de 2000/2001. DO ARBITRAMENTO DO LUCRO Novamente, socorrome do acórdão da DRJ: “Consoante previsto no art. 530, VI, do RIR/99, a contribuinte teve seu lucro arbitrado por não apresentar à fiscalização o Livro Razão a que estava obrigada. Nesse particular não houve contestação por parte da impugnante, que, entretanto, argumenta que já foi fiscalizada em relação aos anoscalendário 1998 a 2002, que os créditos foram incluídos no Refis e que, assim, o arbitramento representaria bis in idem. Também afirma que os débitos do PIS e da Cofins foram declarados em DCTF e pagos ou parcelados, aduzindo, ainda, que a fiscalização deveria Fl. 353DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 8 ter diligenciado junto à Justiça Federal visando à recomposição do lucro real dos anoscalendário 2000 e 2001. 27.O equívoco é recorrente. Os livros que segundo a impugnante foram apreendidos pela Polícia Federal abrangem os anos calendário 2000 e 2001, enquanto o arbitramento do lucro referese ao anocalendário 2005, em relação ao qual não foram apresentadas DIPJ, DCTF, nem os livros obrigatórios. Portanto, eventual apuração de crédito tributário nos anoscalendário 1998 a 2002, declarados, pagos, contestados ou parcelados, não opera influência no presente lançamento, que, como já assente neste voto, decorreu exclusivamente de receita omitida no ano calendário 2005, tendo a tributação se dado pelo regime do lucro arbitrado ante a ocorrência da hipótese prevista no art. 530 do RIR/99.” Assim, como bem escrito pelo relator da DRJ, o arbitramento foi efetuado pela não apresentação de livros obrigatórios. Fato incontroverso. Quanto aos lançamento reflexos, em face da íntima relação de causa e efeito existente com os autos de infração matriz , o entendimento adotado com referência ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica se estende aos lançamentos decorrentes. Cabe, ainda, ressaltar que não ocorreu a decadência pleiteada, haja vista, que os fatos geradores foram em 2005, e o lançamento ocorreu em 2008. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 26 de maio de 2011 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 354DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001480/2005-68
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Anocalendário:
2002
MULTA
Uma vez lançada conforme a lei não se pode alterar
Numero da decisão: 1103-000.456
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, CONHECER
do recurso, vencido o Conselheiro José Sérgio Gomes que votou pelo não conhecimento em
face do pagamento realizado pelo contribuinte. No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, CONHECER do recurso, vencido o Conselheiro José Sérgio Gomes que votou pelo não conhecimento em face do pagamento realizado pelo contribuinte. No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Aloysio José Percínio da Silva Presidente Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. . Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 27/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 16/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 Trata os presentes autos de recurso da decisão da DRJ do Rio de Janeiro, que julgou procedente o lançamento. Tem origem o presente processo no auto de infração de fls. 80/83, lavrado pela Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro RJ, contra Dancor S/A Indústria Mecânica, para exigir o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — 1RPJ, relativo ao anocalendário 2002, no valor de R$ 9.379,94, acrescido da multa proporcional de 75%, prevista no artigo 441 da Lei n° 9.430/96 e de juros de mora Deu causa ao lançamento, conforme Descrição dos Fatos de fl. 81, a falta de declaração de resultados operacionais, conforme Termo de Verificação e Intimação de fls. 78/80, que esclarece: 1.A empresa Dancor Comércio e Representações Ltda foi extinta e não declarou valores de receitas de prestação de serviços prestados a empresa Dancor S/A Indústria Mecânica; 2. A empresa Dancor S/A Indústria Mecânica é sócia e responsável pela empresa Dancor Comércio e Representações Ltda, conforme distrato social de fls. 74/77 e artigo 207 do RIR/99 (REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA, APROVADO PELO DECRETO N° 3.000/99), já que a empresa extinta não apresentou declaração de rendimentos de encerramento; e 3. Assim sendo, cobrase o crédito tributário correspondente, de ofício, da empresa Dancor S/A Indústria Mecânica. Em decorrência dos fatos apurados na autuação do IRPJ, foram lavrados os autos de infração de fls. 84/95, para exigir a CSLL no valor de R$ 5.890,18, a Cofins no valor de R$ 1.963,39 e a Contribuição para o PIS no valor de R$ 425,40, também acrescidos da multa proporcional de 75% e dos juros de mora. Cientificado das autuações em 29.09.2005, (fls. 80, 84, 88 e 92), a empresa Dancor S/A Indústria Mecânica apresentou, em 24.10.2005, a impugnação de fls. 98/102, alegando, em síntese, que: a) Embora a empresa Dancor Comércio e Representações Ltda tenha, por lapso, entregado a declaração sem movimento, os impostos objeto da autuação impugnada foram recolhidos na íntegra; b) Estando recolhidos os débitos, está extinta a exigibilidade; c) Nem que fosse para prevenir a decadência, não haveria sustentação para o lançamento; d) A única finalidade da autuação é a de pressionar a impugnante a pagar algo que já foi quitado; e e) Contestou, também, a multa e os juros. A DRJ decidiu: “ ...O autuado não contestou a omissão de receita. Tratase, pois, de matéria não impugnada, nos termos do artigo 17 do Decreto n° 70.235/72. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 27/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 16/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18471.001480/200568 Acórdão n.º 110300.456 S1C1T3 Fl. 2 3 Apesar de ter alegado que já efetuara os pagamentos correspondentes, não juntou aos autos qualquer comprovante de tais pagamentos. Consultando os sistemas informatizados da Receita Federal, verifiquei 0110 que não constam registros de pagamentos relativos aos tributos ora exigidos. A multa de ofício e os juros aplicados estão em consonância com a legislação vigente, mencionada nos autos de infração. Desta forma, deve ser mantido o lançamento....” A contribuinte. Coloca suas razões fls. 130/146: Resumidamente, requer a redução da multa. Na fl. 152, em despacho da DRF do Rio de janeiro, é informado que após cientificado da decisão da DRJ em 07/07/2008, a contribuinte em 31 de julho de 2008. liquidou os débitos, conforme extrato do Profisc de fl. 149. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator A contribuinte, em 06 de agosto de 2008, entrou com o presente recurso. Contudo, conforme relatado, e de acordo com o extrato do Profisc de fls. 150/151, a contribuinte quitou os débitos destes autos. Assim, entendo que o presente recurso não poderia ser admitido, pois, uma vez que não há mais lide, faltaria interesse processual ao contribuinte para seguir no processo. A propósito, ocorrera o fenômeno conhecido por preclusão lógica, haja visto que, o ato do pagamento é incompatível com o recurso posterior. Contudo, diante do entendimento majoritário da turma, curvome e admito o recurso. Quanto a multa, esta foi lançada conforme a legislação, não sendo possível alterar seu valor. Em face do exposto, voto por conhecer o recurso, e negar provimento ao mersmo. Sala das Sessões, em 25 de maio de 2011 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 27/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 16/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 27/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 16/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
score : 1.0
Numero do processo: 17546.001098/2007-32
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/2001
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 8/STF.
Na hipótese concreta, houve recolhimento parcial das contribuições
previdenciárias nas competências lançadas, assim, aplicase
a regra prevista
no art. 150, parágrafo 4o do CTN.
Encontramse
atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos
geradores apurados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-00.501
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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SÚMULA VINCULANTE N. 8/STF. Na hipótese concreta, houve recolhimento parcial das contribuições previdenciárias nas competências lançadas, assim, aplicase a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato. Fl. 236DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 24/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD lavrada contra o contribuinte acima identificado referente às contribuições previdenciárias destinadas ao Fundo de Previdência e Assistência Social – FPAS, incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas aos contribuintes individuais cooperados ocupantes de cargos sociais (presidente, vicepresidente, superintendente, conselheiros vogais e conselheiros fiscais), período de 01/1997 a 12/2001, identificadas na análise das Folhas de Pagamento, Atas das Assembléias Gerais Ordinárias da UNIMED, Livros Diário de n°07 a 84 e respectivos Livros Razão. DA CIÊNCIA A ciência da notificação fiscal se deu em 19/03/2007, fl. 01, inconformado o recorrente apresentou impugnação, fls. 146 a 154. A decisão do órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal confirmou a procedência do lançamento, fls. 191 a 194. DO RECURSO O contribuinte tomou ciência da decisão em 30/10/2007, fls. 196. Inconformado interpôs recurso voluntário, fls. 198 a 205, em 30/11/2007, requerendo em síntese a decadência dos fatos geradores lançados. É o Relatório. Fl. 237DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 24/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 17546.001098/200732 Acórdão n.º 280300.501 S2TE03 Fl. 227 3 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator Como já reconhecido pela autoridade fiscal na manifestação de fls. 208, o Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual, passo a analisálo. Quanto à questão preliminar relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser reconhecida. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212/91, há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, se não houver o pagamento antecipado não se aplica o disposto no art. 156, inciso VII do CTN, devendo assim ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN; havendo a necessidade de lançamento de ofício substitutivo, conforme previsto no art. 149, inciso V do CTN. Nessa hipótese, caso não haja o lançamento, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão exarado em Recurso Especial REsp 761908 / SC, 2005/01010128, T1 PRIMEIRA TURMA, relator Ministro Fl. 238DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 24/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 4 LUIZ FUX (1122), publicação DJ 18/12/2006 p. 322, prevê a aplicação de regras de contagem de decadência distintas em um mesmo lançamento de contribuições previdenciárias, cujo excerto transcrevemos: "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SEGURIDADE SOCIAL. PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DE SEUS CRÉDITOS. DECADÊNCIA. LEI 8.212/91 (ARTIGO 45). ARTIGOS 150, § 4º, E 173, I, DA CF/88. ACÓRDÃO ASSENTADO EM FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. 11. In casu, a notificação de lançamento, lavrada em 31.10.2001 e com ciente em 05.11.2001, abrange duas situações: (1) diferenças decorrentes de créditos previdenciários recolhidos a menor (abril e novembro/1991, março a julho/1992; novembro e dezembro/1992; setembro a novembro/1993, janeiro/1994, março/1994 a janeiro/1998; e março e junho/1998); e (2) débitos decorrentes de integral inadimplemento de contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados a autônomos (maio a novembro/1996; janeiro a julho/1997; setembro e dezembro/1997; e janeiro, março e dezembro/1998) e das contribuições destinadas ao SAT incidente sobre pagamentos de reclamações trabalhistas (maio/1993; abril/1994; e setembro a novembro/1995). 12. No primeiro caso, considerandose a fluência do prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador, encontram se fulminados pela decadência os créditos anteriores a novembro/1996. 13. No que pertine à segunda situação elencada, em que não houve entrega de GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), nem confissão ou qualquer pagamento parcial, incide a regra do artigo 173, I, do CTN, contandose o prazo decadencial qüinqüenal do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Desta sorte, encontramse hígidos os créditos decorrentes de contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados a autônomos e caducos os decorrentes das contribuições para o SAT." Nosso grifo No caso em concreto, tratase de lançamento, período 01/1997 a 12/2001, com registro de recolhimento prévio (pagamento parcial) para as competências lançadas, conforme DAD – Discriminativo Analítico de Débito, fls. 09 a 13. Assim deve ser observada a regra do art. 150, § 4o , do CTN, cuja extinção do crédito ocorre em cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. A competência mais recente (12/2001) já estava decadente quando o contribuinte tomou ciência da notificação fiscal em 19/03/2007, fl. 01. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em dar provimento ao recurso em razão da decadência total do período do lançamento, nos termos do art. 150, § 4o , do CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 239DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 24/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 17546.001098/200732 Acórdão n.º 280300.501 S2TE03 Fl. 228 5 Fl. 240DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 24/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 37216.000775/2007-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/05/2005
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. IMUNIDADE QUANTO À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA REMUNERAÇÃO. FINALIDADES DA LEI REGULADORA.
O benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados tem natureza de imunidade quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre a remuneração. A lei reguladora da imunidade tem como finalidades contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade
social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NEGOCIAÇÃO POR MEIO DE COMISSÃO ESCOLHIDA PELAS PARTES. NECESSIDADE DE PRESENÇA DE REPRESENTANTE SINDICAL NO MOMENTO DAS NEGOCIAÇÕES.
Quando as partes optarem pela negociação por meio de comissão por elas escolhida como procedimento para negociar a Participação nos Lucros ou Resultados, deve ser assegurado que haja participação do representante sindical durante as tratativas, em conformidade com o art. 2º, inciso I da Lei
10.101/2000 e como forma de contribuir para que a finalidade de melhoria das relações entre capital e trabalho seja atingida.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DATA DE ASSINATURA E ARQUIVAMENTO DO ACORDO NO SINDICATO DA CATEGORIA.
Diante da ausência de expressa determinação legal e da necessidade de o intérprete garantir o atingimento das finalidades da norma imunizadora e de sua respectiva regulação, a razoabilidade impõe que os instrumentos de acordo (entre as partes ou coletivo) que versem sobre pagamentos de
Participação nos Lucros ou Resultados a empregados devem estar assinados e arquivados na entidade sindical até o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, o prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo passa para o último dia do trimestre
anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ÍNDICE UTILIZADO PARA APURAR OS RESULTADOS. DESNECESSIDADE DE EXISTÊNCIA DE LUCRO.
A lei regulamentadora da imunidade concedida para os pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados não enumera quaisquer índices obrigatórios, apenas sugere alguns, ao passo que a interpretação finalística da norma imunizante e de sua regulamentação não induz à conclusão de que deve haver estrita observância a índices prédeterminados.
Não há exigência de que haja lucro líquido, pois não é apenas uma participação sobre lucros, mas uma participação sobre lucros ou resultados. Qualquer resultado que interesse à empresa pode ser utilizado como critério, desde que passe no teste
das regras claras e objetivas e esteja previsto no acordo.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NÃO EXTENSÃO A TODOS OS TRABALHADORES. POSSIBILIDADE.
A alternativa da negociação coletiva por meio dos sindicatos em si já define a possibilidade de uma determinada categoria não ser contemplada com a Participação nos Lucros ou Resultados, pois as negociações envolvendo aquela categoria podem não ter evoluído para um acordo. Logo, não há, em tese, o óbice ao pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados a
determinadas categorias, desde que o caso concreto não revele discriminação odiosa.
CONTRIBUIÇÃO AO INCRA
Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-001.976
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira
acompanharam a votação por suas conclusões.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2002 a 31/05/2005 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. IMUNIDADE QUANTO À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA REMUNERAÇÃO. FINALIDADES DA LEI REGULADORA. O benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados tem natureza de imunidade quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre a remuneração. A lei reguladora da imunidade tem como finalidades contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NEGOCIAÇÃO POR MEIO DE COMISSÃO ESCOLHIDA PELAS PARTES. NECESSIDADE DE PRESENÇA DE REPRESENTANTE SINDICAL NO MOMENTO DAS NEGOCIAÇÕES. Quando as partes optarem pela negociação por meio de comissão por elas escolhida como procedimento para negociar a Participação nos Lucros ou Resultados, deve ser assegurado que haja participação do representante sindical durante as tratativas, em conformidade com o art. 2º, inciso I da Lei 10.101/2000 e como forma de contribuir para que a finalidade de melhoria das relações entre capital e trabalho seja atingida. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DATA DE ASSINATURA E ARQUIVAMENTO DO ACORDO NO SINDICATO DA CATEGORIA. Diante da ausência de expressa determinação legal e da necessidade de o intérprete garantir o atingimento das finalidades da norma imunizadora e de sua respectiva regulação, a razoabilidade impõe que os instrumentos de acordo (entre as partes ou coletivo) que versem sobre pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados a empregados devem estar assinados e arquivados na entidade sindical até o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, o prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo passa para o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ÍNDICE UTILIZADO PARA APURAR OS RESULTADOS. DESNECESSIDADE DE EXISTÊNCIA DE LUCRO. A lei regulamentadora da imunidade concedida para os pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados não enumera quaisquer índices obrigatórios, apenas sugere alguns, ao passo que a interpretação finalística da norma imunizante e de sua regulamentação não induz à conclusão de que deve haver estrita observância a índices prédeterminados. Não há exigência de que haja lucro líquido, pois não é apenas uma participação sobre lucros, mas uma participação sobre lucros ou resultados. Qualquer resultado que interesse à empresa pode ser utilizado como critério, desde que passe no teste das regras claras e objetivas e esteja previsto no acordo. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NÃO EXTENSÃO A TODOS OS TRABALHADORES. POSSIBILIDADE. A alternativa da negociação coletiva por meio dos sindicatos em si já define a possibilidade de uma determinada categoria não ser contemplada com a Participação nos Lucros ou Resultados, pois as negociações envolvendo aquela categoria podem não ter evoluído para um acordo. Logo, não há, em tese, o óbice ao pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados a determinadas categorias, desde que o caso concreto não revele discriminação odiosa. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Recurso Voluntário Negado.
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IMUNIDADE QUANTO À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA REMUNERAÇÃO. FINALIDADES DA LEI REGULADORA. O benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados tem natureza de imunidade quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre a remuneração. A lei reguladora da imunidade tem como finalidades contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NEGOCIAÇÃO POR MEIO DE COMISSÃO ESCOLHIDA PELAS PARTES. NECESSIDADE DE PRESENÇA DE REPRESENTANTE SINDICAL NO MOMENTO DAS NEGOCIAÇÕES. Quando as partes optarem pela negociação por meio de comissão por elas escolhida como procedimento para negociar a Participação nos Lucros ou Resultados, deve ser assegurado que haja participação do representante sindical durante as tratativas, em conformidade com o art. 2º, inciso I da Lei 10.101/2000 e como forma de contribuir para que a finalidade de melhoria das relações entre capital e trabalho seja atingida. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DATA DE ASSINATURA E ARQUIVAMENTO DO ACORDO NO SINDICATO DA CATEGORIA. Diante da ausência de expressa determinação legal e da necessidade de o intérprete garantir o atingimento das finalidades da norma imunizadora e de sua respectiva regulação, a razoabilidade impõe que os instrumentos de acordo (entre as partes ou coletivo) que versem sobre pagamentos de Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA 2 Participação nos Lucros ou Resultados a empregados devem estar assinados e arquivados na entidade sindical até o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, o prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo passa para o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ÍNDICE UTILIZADO PARA APURAR OS RESULTADOS. DESNECESSIDADE DE EXISTÊNCIA DE LUCRO. A lei regulamentadora da imunidade concedida para os pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados não enumera quaisquer índices obrigatórios, apenas sugere alguns, ao passo que a interpretação finalística da norma imunizante e de sua regulamentação não induz à conclusão de que deve haver estrita observância a índices prédeterminados. Não há exigência de que haja lucro líquido, pois não é apenas uma participação sobre lucros, mas uma participação sobre lucros ou resultados. Qualquer resultado que interesse à empresa pode ser utilizado como critério, desde que passe no teste das regras claras e objetivas e esteja previsto no acordo. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NÃO EXTENSÃO A TODOS OS TRABALHADORES. POSSIBILIDADE. A alternativa da negociação coletiva por meio dos sindicatos em si já define a possibilidade de uma determinada categoria não ser contemplada com a Participação nos Lucros ou Resultados, pois as negociações envolvendo aquela categoria podem não ter evoluído para um acordo. Logo, não há, em tese, o óbice ao pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados a determinadas categorias, desde que o caso concreto não revele discriminação odiosa. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Recurso Voluntário Negado Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37216.000775/200744 Acórdão n.º 230101.976 S2C3T1 Fl. 2 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira acompanharam a votação por suas conclusões. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA 4 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa INFOGLOBO COMUNICAÇÕES S/A contra decisão monocrática que julgou procedente o lançamento fiscal referente à contribuição patronal destinada ao Instituto Nacional de Colonização e reforma Agrária (INCRA), incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), no período de 01/10/2002 a 31/05/2005. 2. Segundo informa o relatório fiscal, a recorrente agiu em desconformidade com lei específica, qual seja o artigo 28, §9º, alínea ‘j’, da Lei 8.212/91 combinado com o artigo 214, §10º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99; fato esse que ensejou a cobrança de contribuições previdenciárias. Nesse sentido, transcrevo abaixo os apontamentos fáticos descritos pela autoridade administrativa: “2.24. Podese detectar diversas irregularidades nos acordos analisados (Anexo I, II e III). 2.25. A primeira se refere ao requisito formal do instrumento acordado entre as partes, pois, embora sob o pálio de acordo coletivo, na realidade, não se reveste como tal, pois o §1º do artigo 611 da CLT esclarece que os acordos coletivos são pactos entre um ou mais empresas com o sindicato da categoria profissional. E, no acordo, não há representantes dos sindicatos das categorias profissionais dos empregados. 2.26. A segunda, a bem verdade, é uma consequência da primeira já que não se comprovou o processo de escolha dos empregados que subscrevem os acordos, não havendo também indicação dos representantes dos sindicatos das categorias, o que não denota um verdadeiro acordo, mas sim vontade unilateral da empresa, que inclusive, será plenamente demonstrada mais adiante, quando a INFOGLOBO escolhe um novo critério de aferição de resultado, não prevista sequer no suposto acordo. 2.27. A terceira, diz respeito ao ajuste prévio de vontade para execução do ajustado, pois o Acordo de Participação de 2002 (Anexo I) foi subscrito no final do ano, mais precisamente, em 30 de dezembro de 2002 e pago em janeiro de 2003. O Acordo de Participação de 2003 (Anexo II) foi subscrito em 30 de dezembro de 2003 e pago no mesmo mês e o Acordo de Participação de 2004 (Anexo III) foi subscrito em 30 de dezembro de 2004 e pago, também, no mesmo mês, sem, sequer, ter apurado o lucro do exercício. 2.28. Registrase que os acordos de 2003 e 2004 estabeleciam que o pagamento da participação fosse feito após a apuração e aprovação dos resultados pela auditoria externa, o que não ocorreu. 2.29. A quarta, trata da natureza da modalidade de participação. Os acordos exteriorizam como meta (cláusula terceira) a racionalização dos gastos (orçamento estimado para cada uma das áreas da empresa), bem como o seu resultado operacional e financeiro. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37216.000775/200744 Acórdão n.º 230101.976 S2C3T1 Fl. 3 5 2.30. Contudo, de acordo com os prospectos do programa (Anexo IV, V e VI), exteriorizamse duas vinculações; a primeira, se refere ao orçamento, peça de cunho gerencial; a segunda, o lucro obtido antes dos juros, impostos, depreciações e autorizações (LAJIDA) 2.31. No prospecto sobre a participação de 2003 e 2004 (Anexo V e VI), a meta a ser atingida pela empresa está assim exposta: 1 DA INFOGLOBO – Este ano será calculada através de novo indicador: “O LAJIDA*”. Este indicador não considera o resultado financeiro da empresa, ou seja, elimina fatores externos não administráveis pela INFOGLOBO. Isto reduz os riscos causados por possíveis mudanças na economia. *LAJIDA = LUCRO ANTES DOS JUROS, IMPOSTOS, DEPRECIAÇÕES E AMORTIZAÇÕES. O RESULTADO DA EMPRESA será obtido através da comparação entre o realizado e o orçado no ano. (grifouse) 2.32. Portanto, a bem verdade, estáse diante de um verdadeiro PLR (Participação nos Lucros e Resultados), sendo que o lucro aferido pela empresa para pagamento do PLR não poderia ser o LAJIDA, e sim o lucro líquido, sendo certo que deste deverão ser deduzidos, antes de qualquer participação, os prejuízos acumulados (art. 189 Lei 6.404/76) 2.33. E, compulsando os Balanços Patrimoniais, Demonstrações do Resultado, as Demonstrações das Mutações do patrimônio Líquido, constouse que nas mesmas, em relação ao lucro ou prejuízo acumulado, constam saldo positivo em 2001 de [...] e saldos negativos em 2002 [..], 2003 [...] e 2004 [...] 2.34. Portanto, não poderia distribuir lucro, se na realidade acumulou prejuízo em 2002, 2003 e 2004, apresentando inclusive, situação de passivo a descoberto. E a distribuição em 2003 e 2004 ocorreu antes mesmo da apuração do resultado. 2.35. A quinta, e a última análise, caracterizase pela ausência na folha de pagamento dos cargos melhores remunerados, quais sejam, gerentes e diretores, o que afronta o princípio da igualdade, primordial princípio e garantia individual existente no ordenamento jurídico pátrio, não sendo, assim, o benefício extensível a todos os trabalhadores. 2.36. Enfim, face a todo exposto, todos os valores desembolsados a título de participação nos lucros e resultados são fatos geradores para incidência da contribuição previdenciária, por não atender à lei especifica que rege o assunto, a teor da alínea ‘j’, §9º, art. 28 da Lei nº 8.212/91 combinado com o § 10, art. 214 do regulamento da previdência social, aprovado pelo decreto nº 3.048/99.” (fl. 125/127) 3. A ementa da decisão de primeira instância restou vazada nos seguintes termos: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA 6 “TRIBUTÁRIO – SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO – VERBA PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS EM DESACORDO COM LEI ESPECÍFICA – CONTRIBUIÇÃO SEGURIDADE SOCIAL – PAGAMENTO EM ATRASO – ACRÉSCIMOS LEGAIS Integra o saláriodecontribuição a verba intitulada participação nos lucros ou resultados da empresa quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica, conforme prevê o inciso X do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Interpretase literalmente a legislação tributária que dispõe sobre outorga de isenção (art. 111, II do Código Tributário nacional). Incidem sobre o pagamento em atraso das contribuições sociais, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, juros e multa moratórios de caráter irrelevável (artigos 34 e 35 da Lei nº 8.212/91, com as respectivas alterações da MP nº 1.571/97 reeditada até conversão na Lei nº 9.528/97; e da Lei nº 9.786/99). LANÇAMENTO PROCEDENTE.” 4. O contribuinte, por sua vez, manejou recurso voluntário, aduzindo, em síntese, o que se segue: “(i) os pagamentos de valores a título de participação nos lucros ocorreram com observância aos requisitos dispostos no inciso XI, do artigo 7º, da Constituição Federal de 1988 e na Lei nº 10.101, de 19.12.2000, não podendo desta forma se falar em pagamento equiparado à remuneração; e (ii) não há que se falar na exigência de multa de mora, uma vez que a legislação expressamente prevê que na hipótese de lançamento realizado para prevenir a decadência, haja vista que o crédito tributário se encontra com a exigibilidade suspensa, como é o caso, não será exigida multa.” (fl. 398) 5. Por fim, o fisco apresentou suas contrarazões ao recurso da empresa pugnando pela manutenção do decisum recorrido haja vista ausência de elementos probatórios que ensejem sua modificação. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37216.000775/200744 Acórdão n.º 230101.976 S2C3T1 Fl. 4 7 Voto Vencido Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DAS PRELIMINARES 2. Preliminarmente, fazse necessário esclarecer que o fisco notificou a empresa, porquanto não houve recolhimento da contribuição ao INCRA incidente sobre os valores pagos a título de participação nos lucros e/ou resultados, efetuados em desacordo com a lei regulamentadora. 3. Segundo a Decisão Notificação nº 17.401.4/036/2007, “a notificada não tem recolhido os 0,2% (dois décimos por cento) de contribuição para o INCRA.” tendo em vista sentença proferida na Ação ordinária nº 2004.51.01.0162930, sendo assim, a “presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD foi lavrada visando à garantia do crédito tributário relativo à contribuição questionada no âmbito judicial com decisão não transitada em julgado.” (fl. 360) 4. Sabese que o mandado de segurança preventivo com pedido de liminar impetrado pela recorrente questionava especificamente a cobrança da contribuição destinada ao INCRA incidente sobre a folha de salários, instituída pela Lei nº 2.613/95, sob a alegação, em resumo, de que tal tributo só é devido até o advento da Lei 8.212/91, além do fato de que a empresa não possui atividade vinculada ao meio rural. 5. Da petição apresentada em Juízo consta do rol dos pedidos os seguintes pontos: “4.4. Nesse sentido, as impetrantes pedem seja deferida liminar, inaudita altera pars, para, nos termos do art. 151, inciso IV, do CTN, suspender a exigibilidade da contribuição para o INCRA, a partir do mês de agosto de 2004, inclusive. 5. DO PEDIDO 5.1. Por todo o exposto, as impetrantes requerem: a) seja deferida a liminar requerida em 4.4., retro; b) sejam notificados os impetrados, para prestarem suas informações no prazo legal, intimado o INSS e ouvido o Ministério Público Federal; c) seja, ao final, concedida a segurança para que, confirmando a liminar requerida em a), supra, as impetrantes não sejam compelidas a pagar a contribuição para o INCRA, instituída pela Lei n.º 2.613/55, a partir do mês de agosto de 2004, inclusive.” Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA 8 (fl. 341) 6. Por sua vez, a decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região foi prolatada nos termos em que delimitado na exordial: “Assim, ante a verossimilhança da alegação e por entender presentes os pressupostos autorizados da liminar requerida, defiro o efeito ativo, para suspender a exigibilidade da contribuição para o INCRA, instituída pela Lei n.º 2.613/55, a partir do mês de agosto de 2004, inclusive, até o trânsito em julgado da decisão a ser proferida no feito originário, MS n.º 2004.51.01.0162930”. (fl.346) 7. Considerando que a fiscalização desqualificou o plano de participação nos resultados, mantido pela empresa, por estar em desacordo com a legislação específica, fato esse que resultou na cobrança de contribuição para o INCRA sobre os valores pagos a título de PLR, entendo que a matéria constante do processo judicial é distinta da que será apreciada por este Colegiado, logo, afasto a aplicação da súmula nº 1 do CARF. 8. Desta forma, a decisão a respeito da exigibilidade ou não da contribuição do INCRA sobre a folha de salários da recorrente no âmbito judiciário, não impede a discussão sobre a natureza salarial do programa de participação nos resultados definido pelo contribuinte. 9. Reforça a minha convicção para adentrar na discussão do mérito recursal, o fato de o lançamento trazer algumas competências não abrangidas pela demanda judicial, qual seja o período de 10/2002 a 07/2004. Isso porque, conforme anunciado no dispositivo do acórdão prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região restou destacado que as competências objeto da lide foram delimitadas à partir de agosto de 2004. 10. Sendo assim, passo às questões de fundo. PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS 11. A controvérsia central dos autos restringese à incidência da contribuição ao INCRA sobre valores pagos aos segurados empregados da ora recorrente, a título de participação nos resultados. 12. Conforme consignado no relatório (125/127), o fisco desconsiderou o programa de benefício oferecido pela recorrente a seus empregados configurando a natureza remuneratória das importâncias pagas como participação nos resultados, essencialmente, por cinco motivos: a) os acordos utilizados como base para o benefício não estariam revestidos das formalidades necessárias à celebração devido à ausência expressa de representantes dos sindicatos das categorias profissionais dos empregados; b) não restou comprovado o processo de escolha dos empregados que subscrevem os acordos, não havendo também indicação dos representantes dos sindicatos das categorias representativas dos trabalhadores da empresa para compor a comissão de negociação; c) não ocorreu ajuste prévio de vontade entre empregador e empregado para a execução do ajustado nos anos de 2002, 2003 e 2004, ressaltando que no Acordo de Participação de 2004 “foi subscrito em 30 de dezembro de 2004 e pago, também, no mesmo mês, sem, sequer, ter apurado o lucro do exercício”; e os acordos de 2003 e 2004 estabeleciam que o pagamento da participação fosse feito após a apuração e aprovação dos resultados pela auditoria externa, o que não ocorreu; Fl. 8DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37216.000775/200744 Acórdão n.º 230101.976 S2C3T1 Fl. 5 9 d) o critério de apuração do ‘lucro’ auferido pela empresa para pagamento da PLR não poderia ser o LAJIDA, e sim o lucro líquido; e) o benefício não era extensível aos gerentes e diretores, o que afrontaria o princípio da igualdade. 13. A recorrente, por sua vez, afirmou que “os planos de PR que vigoraram na impugnante no período vistoriado observaram os mais estritos parâmetros da legalidade, tanto em seu processo de elaboração como no de execução, sendo absolutamente descabida a conclusão de que os valores pagos aos trabalhadores sob aquelas rubricas não teriam sido feitos ‘de acordo com a lei específica’(art. 28, §9º, “j”, Lei nº 8.212/91)”. (fl. 167) 14. E, a meu ver, não colhe êxito a alegação do Fisco quanto à natureza salarial dos valores pagos pelo empregador a título de participação nos resultados, conforme passarei a demonstrar abaixo. 15. A Constituição Federal de 1988, no inciso XI, do artigo 7º, incluiu entre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, a participação nos lucros ou resultados da empresa, enfatizando a sua desvinculação da remuneração, nos termos da Lei. Eis o teor do dispositivo constitucional: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visam à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei.” 16. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal, o exercício do direito assegurado pelo referido artigo começaria “com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração”. (RE 398284, Relator Min. Menezes Direito, Primeira Turma, julgado em 23/09/2008). A seu turno, a regulamentação do dispositivo “somente ocorreu com a edição da Medida Provisória 794/94”, posteriormente convertida na Lei 10.101/00. (RE 393764 AgR, Relator(a): Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, julgado em 25/11/2008) 17. Nesse sentido, a Lei de Custeio da Seguridade Social em seu artigo 28, § 9º, "j"`, condicionou a não incidência de contribuição previdenciária ao atendimento dos critérios fixados em lei específica: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;” 18. É dizer: o gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação especial, in casu, Fl. 9DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA 10 Lei nº 10.101/2000. E, uma vez descumpridas as exigências legais, as quantias em comento pagas pelo empregador a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 19. Deste modo, para que uma empresa possa efetuar pagamentos aos seus funcionários do referido benefício são necessários que se preencham os seguintes requisitos dispostos no artigo 2°, da Lei nº 10.101/2000: “Art.2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.” 20. Posta a norma resta saber se o procedimento adotado pela empresa afrontou ou não tal regulamentação. 21. Quanto ao primeiro argumento da autoridade fiscalizadora no sentido de que os acordos realizados pela empresa recorrente foram firmados sem o acompanhamento de representantes dos sindicatos das categorias profissionais dos empregados, não merece prosperar tal pretensão. 22. Isso porque, conforme já me pronunciei em julgamento anterior, do mesmo contribuinte, no recurso voluntário nº 244.857, os documentos carreados às fls. 230/231 são suficientes para assegurar o cumprimento do artigo 2º, da Lei nº 10.101/2000. Consta dos autos, declarações expedidas pelos Sindicatos comprovando a participação nas diversas negociações coletivas de trabalho, com a recorrente, das quais resultaram na celebração dos programas de participação dos empregados nos resultados da empresa. 23. Reforça a minha posição o fato de o Sindicato atestar que os respectivos instrumentos de acordo foram devidamente arquivados na entidade sindical dos trabalhadores, o que denota compreender a veracidade dos argumentos trazidos pelo contribuinte, até porque eventuais questionamentos em relação ao benefício poderiam ser facilmente levados às instâncias judiciais. 24. É bem verdade que as declarações foram extemporâneas, ou seja, lavradas após a concretização dos acordos. Contudo, não há como aceitar a tese fiscal de que não houve a participação sindical nas negociações do benefício. Primeiro, porque existe prova Fl. 10DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37216.000775/200744 Acórdão n.º 230101.976 S2C3T1 Fl. 6 11 documental nos autos acerca desse fato, ou seja, a declaração do sindicato. Segundo, porquanto o elemento temporal não encontra óbice na Lei regulamentadora. Terceiro, pois a norma também não exigiu a formalidade determinada pelo fiscal, qual seja a assinatura do representante sindical exatamente na data da lavratura do acordo. 25. Vale ressaltar que a participação sindical nos acordos de PLR deve ser vista com parcimônia, vez que se trata de formalidade a ser observada para assegurar o direito dos trabalhadores ao recebimento dos benefícios e não para a imposição de tributo. Nesse passo, mesmo que se verificasse a ausência de representação laboral, a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho – TST tem precedentes sobre a matéria no sentido de que não se evidencia violação ao artigo 2º, da Lei 10.101/2000 quando da ausência da representação sindical na negociação, in litteris: “AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. CESTA BÁSICA. VANTAGEM PREVISTA EM CONVENÇÃO COLETIVA. Não se evidencia a alegada violação dos artigos 8º, VI, da CF e 2º da Lei nº 10.101/00, uma vez que o acórdão regional considerou inválido o acordo firmado pela empresa diretamente com a comissão de empregados, que previa dispensa do pagamento da cesta básica por adoção do programa de participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, por entender que a ausência da representação sindical na negociação estava em desacordo com o previsto na cláusula 37ª da convenção coletiva 2004/2005 e no inciso I do art. 2º da Lei nº 10.101/00. Agravo de instrumento conhecido e não provido. (AIRR 13764028.2004.5.04.0403 , Relatora Ministra: Dora Maria da Costa, Data de Julgamento: 25/11/2009, 8ª Turma, Data de Publicação: 27/11/2009)” 26. De igual modo, não acolho a segunda teste fiscal que alega não ter sido comprovado, pela empresa, o processo de escolha dos empregados que subscreveram os acordos, não havendo também indicação dos representantes dos sindicatos das categorias representativas dos trabalhadores para compor a comissão de negociação. 27. Salta aos olhos que o fisco adentrou em seara estranha à norma de regência da matéria, pois o processo de escolha dos empregados que subscreveram os acordos não encontra qualquer regulamentação que obrigue a empresa a seguir formalidades ou parâmetro préestabelecido. Portanto, não se pode aceitar que a avaliação subjetiva do fisco se contraponha à vontade das partes plasmada nos instrumentos entabulados. 28. Ressaltese ainda que, da leitura do artigo 2º, da Lei 10.101/2000, importa que a participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante comissão escolhida pelas partes, o que efetivamente ocorreu no presente caso. 29. Além do que, as questões meramente procedimentais não possuem o condão de descaracterizar a natureza jurídica do benefício, razão pela qual também afasto o argumento do fisco de que não houve a indicação dos representantes dos sindicatos das categorias representativas dos trabalhadores da empresa para compor a comissão de negociação. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA 12 30. No mais, assevera o relato fiscal que houve falha no que “diz respeito ao ajuste prévio de vontade para execução do termo, pois o Acordo de Participação de 2002 (Anexo I) foi subscrito no final do ano, mais precisamente, em 30 de dezembro de 2002 e pago em janeiro de 2003. O Acordo de Participação de 2003 (Anexo II) foi subscrito em 30 de dezembro de 2003 e pago no mesmo mês e o Acordo de Participação de 2004 (Anexo III) foi subscrito em 30 de dezembro de 2004 e pago, também, no mesmo mês, sem, sequer, ter apurado o lucro do exercício”. (fl. 126) 31. Não vejo óbice para que o benefício seja ajustado num exercício e pago no subsequente ou até mesmo pago em uma única parcela ao final do ano. Tanto é verdade que é da lógica das atividades negociais entre patrões e empregados que haja certa flexibilidade quanto ao momento exato para a concretização dos acordos. 32. Vale ressaltar ainda que a autoridade administrativa não pode, ao analisar um acordo firmado anualmente, observar apenas as regras de forma isolada, ignorando que antes de cada termo negocial há outro instrumento que o precede, sendo necessário levar em consideração também que a cada ano esses termos são revistos. No mais, até que determinado acordo seja revogado por outro, não se pode negar sua existência, vigência e aplicação do antecedente. 33. Inclusive sobre esse ponto, no recurso voluntário nº 254.694, de minha relatoria, a matéria foi enfrentada por este Colegiado e a conclusão foi no sentido de que não se pode desqualificar o benefício pactuado tão somente com base na data da assinatura dos acordos coletivos de trabalho, visto que, no caso anotado, o auditor fiscal desconsiderou o programa, dentre outros motivos, pelo fato de os acordos terem sido assinados apenas no final de cada ano sem que suas metas tenham sido estabelecidas previamente. Nesse sentido transcrevo abaixo a ementa desse julgado, in verbis: “CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADENCIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NÃO INCIDENCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante nº 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Não integram o saláriodecontribuição pelo seu valor total o pagamento de verbas a título de participação nos lucros e resultados, quando pagas de acordo com a lei nº 10.101/2000. A regulamentação normativa é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Recurso Voluntário provido.” 34. Ademais, não merece prosperar o argumento fiscal ao estabelecer que o critério de apuração do lucro auferido pela empresa para pagamento do PLR não poderia ser o LAJIDA, e sim o lucro líquido. Isso porque, todos os planos da empresa recorrente são baseados exclusivamente nos resultados, logo, não há que se confundir “resultado operacional financeiro” com o “lucro” propriamente dito. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37216.000775/200744 Acórdão n.º 230101.976 S2C3T1 Fl. 7 13 35. Considerando que o artigo 2º da Lei 10.101/00 nada dispõe sobre a definição do critério a ser utilizado pelo empregador para a distribuição de lucros ou resultados, entendo que não há qualquer óbice quanto à fixação de resultados pelo LAJIDA. 36. Assim, não vislumbro quaisquer impedimentos capazes de desvirtuar a participação nos lucros até então. O que importa é que o trabalhador esteja protegido e, consequentemente que a participação nos lucros seja efetivamente assegurada. Aliás, neste particular, cabe lembrar as palavras do Conselheiro Júlio Cesar Vieira Gomes, no julgamento do Recurso 244.015: “Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros.” (acórdão 20500563) 37. No mesmo sentido, é equivocada a premissa que diz respeito à possibilidade de a lei 10.101/00 exigir a previsão, no acordo eventualmente firmado, de mecanismos de aferição a ser adotados pela empresa para que haja a distribuição dos valores advindos dos resultados obtidos. 38. Tanto é verdade que reforça meu posicionamento o teor do voto vencedor do Relator Designado Rogério de Lellis Pinto ao ser enfático no sentido de que o §1º, do art. 2º da lei específica “não quer impor as partes acordantes àqueles critérios arrolados nos seus incisos, onde estão consignadas as indigitadas metas e resultados. Tanto isso é verdade, que na parte final, o caput do § 1º usa a expressão ‘podendo ser considerados, entre outros (...)’, que nos leva a uma interpretação de que os incisos concedem meros caminhos que podem ou não ser eleito pelas partes aderentes, portanto, sem qualquer repercussão na natureza da verba a ser paga.” (acórdão 20600640). Da mesma forma, entendeu o Conselheiro Relator Elias Sampaio Freire durante sessão de julgamento no primeiro semestre desse ano na Câmara Superior de Recursos Fiscais ao asseverar que a lei não determina, apenas autoriza ou sugere, nomenclatura própria “de normas facultativas, não de normas cogentes.” (acórdão 920200.503). 39. Desta forma, a ausência de previsão legal sobre a definição de mecanismos de aferição a ser utilizado pelo empregador para distribuição de lucros ou resultados, não impede a recorrente de fixar os resultados pelo LAJIDA. 40. Por último, a autoridade fiscal afirma que a empresa não teria estendido o pagamento da PLR aos gerentes e diretores, o que afrontaria o princípio da igualdade, argumento com o qual não posso concordar, simplesmente porque não vislumbro na lei de regência nenhum dispositivo que faça esse tipo de exigência. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA 14 41. Ora, se a Legislação mencionada não exige a observância da situação narrada pela fiscalização, in casu, a distribuição de valores relativos aos resultados da empresa a todos os empregados, a sua ocorrência não poderá ter o condão de imprimirlhe natureza tributável para fins previdenciários. 42. Nessa esteira, transcrevo trecho da obra “Participação nos Lucros ou Resultados como meio de integração dos empregados na empresa” baseada na tese de doutorado do Juiz do Trabalho Ismal Gonzalez: “A Lei nº 10.101/2000 não estipula que a participação deve abranger todos os empregados da empresa, de onde se conclui que ela pode ser parcial, abranger apenas um segmento. Mas há outra razão que reforça essa convicção: a lei dispõe que o acordo alcançado deve ser levado a registro no sindicato competente. Ora, numa empresa, além das categorias preponderantes, há as categorias diferenciadas. Um acordo celebrado com advogados não será registrado no sindicato dos metalúrgicos, atividade preponderante daquela empresa; tem de ser registrado no sindicato dos advogados. Basta isso para mostrar que o acordo deve ser segmentado. Podese fazer um acordo com os advogados que não seja extensivo aos metalúrgicos, ou o contrário. As macroempresas têm inúmeras categorias diferenciadas: a dos motoristas, dos desenhistas, dos advogados, das profissões liberais de modo geral, o que indica, com clareza, que se pode tornar multifacetada a participação em lucros e resultados. Há ainda outra razão, de ordem prática. Não tem sentido, por exemplo, dar a mesma participação ao pessoal da linha de montagem e ao de vendas. Obviamente, este deve ser aquinhoado com participação no faturamento, ao passo que o pessoal da linha de montagem deve ser aquinhoado com a melhoria das unidades produtivas ou o aumento dessas unidades. São critérios diferentes, indicação de que se pode segmentar os planos de participação, dando a um segmento e não a outros.” 43. Cabe ressaltar ainda que a desqualificação da PLR não pode advir da interpretação subjetiva de quem a analisa, mas sim do confronto direito entre a forma com que se deu e a legislação que a regula. 44. Sobre a matéria, existem decisões do CARF no sentido de que a lei regulamentadora da PLR não estabelece que a distribuição de lucros deva ser, necessariamente, dirigida a totalidade de empregados, exigência essa que não pode advir da interpretação subjetiva de quem aplica a legislação. Eis o teor da ementa do aresto nº 240100.066 de relatoria do Conselheiro Rogério de Lellis Pinto: “PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD SALÁRIO INDIRETO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. I A discussão em torno da tributação da PLR não cingese em infirmar se esta seria ou não vinculada a remuneração, até porque o texto constitucional expressamente diz que não, mas sim em verificar se as verbas pagas correspondem efetivamente a Fl. 14DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37216.000775/200744 Acórdão n.º 230101.976 S2C3T1 Fl. 8 15 distribuição de lucros; II Para a alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, e para este Conselho, PLR é somente aquela distribuição de lucros que seja executada nos termos da legislação que a regulamentou, de forma que apenas a afronta aos critérios ali estabelecidos, desqualifica o pagamento, tornandoo mera verba paga em decorrência de um contrato de trabalho, representando remuneração para fins previdenciários; III Os instrumentos de negociação devem adotar regras claras e objetivas, de forma a afastar quaisquer dúvidas ou incertezas, que possam vir a frustrar o direito do trabalhador quanto a sua participação na distribuição dos lucros; IV A legislação regulamentadora da PLR não exige que a distribuição de lucros deva, necessariamente, ser dirigida a totalidade dos empregados, exigência essa que não pode advir da interpretação subjetiva de quem aplica a legislação. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” 45. Na mesma linha de raciocínio, postulou o Conselheiro Rogério Lellis Pinto ao proferir o entendimento de que não há previsão legal exigindo que a totalidade dos empregados para que seja válido o benefício. Desta forma, transcrevo parte do seu voto vencedor, in litteris: “Nesse ideal, e caminhando pela Lei regulamentadora da PLR, não vejo qualquer exigência ou previsão no sentido de que todos os empregados tenham que efetivamente receber a distribuição para esta ser válida. Em verdade, a regulamentação fala sempre em empregados, mas não em todos os empregados, raciocínio esse que também pode ser aplicado em relação aos estabelecimentos. Insisto, as limitações são apenas aquelas estipuladas na Lei, fora dela, não há justificativa que sustente a desqualificação de um pagamento. Merece nota o fato de que mesmo que se entendesse que deveria o pagamento ser estendido a todos os empregados e todos os estabelecimentos, não poderia tal entendimento ser aplicado, simplesmente porque significaria estender as exigências legais, impondo obrigações onde a própria legislação não as fixou, num raciocínio completamente contra legem, contrariando inclusive o art. 111 do CTN.” (Acórdão nº 20600.640, recurso nº 144.566, Sessão de Julgamento 08 de abril de 2008, 6ª Turma, 2º Conselho de Contribuintes) 46. Por último, concluo que não há incidência de contribuições sociais no que tange a participação nos resultados, vez que a empresa recorrente agiu em consonância com a norma vigente. 47. Nesse sentido, o lançamento se tornou insubsistente porquanto o programa de participação nos resultados é válido haja vista sua conformidade com a Lei 10.101/00, logo, inexiste, por arrastamento, a incidência do INCRA no período levantado pelo fiscal. CONCLUSÃO Fl. 15DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA 16 48. Diante do exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 16DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37216.000775/200744 Acórdão n.º 230101.976 S2C3T1 Fl. 9 17 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado O Conselheiro Relator assinalou que o presente caso é similar àquele constante do Recurso 244.857 já julgado por este Colegiado e no qual apresentou Declaração de Voto. Naquela ocasião, foi negado provimento por maioria ao Recurso Voluntário acompanhando o voto do Relator, Conselheiro Marcelo Oliveira. Em outro caso similar da mesma empresa, Recurso 245.345, julgado na 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, a Turma votou por negar provimento por unanimidade, acompanhando o voto da relator Conselheiro Marcos André Ramos Vieira. Entre a situação tratada no Recurso 244.857 e o caso em análise a única diferença é que aqui tratamos da cobrança da Contribuição ao INCRA e naquele recurso o lançamento referiase a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, correspondentes à contribuição da empresa, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e as contribuições devidas aos Terceiros. Assim sendo aproveitaremos partes do Relatório do Recurso 244.857 quanto ao Relatório Fiscal e o Recurso Voluntário. Ficou consignado no Relatório Fiscal: os valores da base de cálculo possuem origem em pagamentos aos segurados empregados referentes a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), em desconformidade com a legislação. A desconformidade apontada é demonstrada, em síntese: a) Pela falta de participação do Sindicato da categoria no acordo que fundamenta o pagamento; b) Pela não comprovação do processo de escolha dos empregados que subscrevem o acordo; c) Não há indicação de representante do sindicato na comissão que acordou o PLR; d) Pelo acordo ter sido firmado no fim dos exercícios a que se referem; e) O PLR não poderia se fundamentar no índice que a recorrente adota; e f) Não há pagamento de PLR aos cargos melhores remunerados, o que afronta o Princípio da Igualdade. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA 18 No Recurso voluntário os argumentos podem ser assim sintetizados: 1. Inúmeros argumentos contidos na impugnação foram acolhidos na decisão; 2. A decisão afirma que os acordos de PLR foram elaborados a partir de negociação com comissão de empregados; 3. Outro ponto reconhecido é que a Lei não exige forma de escolha dos participantes da comissão representativa de empregados; 4. A decisão reconheceu que o PLR pago é destinado a distribuir resultados; 5. A única irregularidade apontada na decisão, para sustentar a procedência do lançamento, é que a recorrente não pode alterar unilateralmente o critério de aferição de resultados; 6. Os sindicatos reconhecem, por documentos anexos, que participaram do processo de elaboração do PLR; 7. Conseqüentemente, o requisito de representatividade sindical foi sobejamente observado e a finalidade da Lei foi obedecida; 8. Todos os PLR estão arquivados no Sindicato; 9. A lei não exige como escolher os participantes da comissão representativa dos empregados; 10. A presença de representante do sindicato na comissão de empregados representa mera faculdade das partes interessadas; 11. A exigência de representante do sindicato na comissão de empregados é contrária ao texto constitucional; 12. Quanto ao acordo prévio, não há diploma legal que normatize antecedência na instituição de plano e o pagamento de resultados; 13. A natureza do pagamento possui mais importância que sua forma; 14. Anexa documentos que comprovam o acompanhamento das metas pelos empregados; 15. A recorrente não modificou unilateralmente os critérios estabelecidos nos PLR; 16. Não há afronta à legislação na utilização de índice de resultado (LAJIDA); 17. A legislação não determina que o PLR seja estendido a todos os trabalhadores; 18. Ante o exposto, a recorrente pede que se julgue improcedente o lançamento. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37216.000775/200744 Acórdão n.º 230101.976 S2C3T1 Fl. 10 19 No Julgamento do Recurso 244.857, o principal argumento do Relator foi a não participação de representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria, apesar de existir declaração posterior de representantes do sindicato no sentido de que foram realizadas diversas negociações coletivas de trabalho. Entendeu o Relator que a legislação exige que o sindicato se faça presente na celebração do termo que fundamenta a PLR, o que não teria sido cumprido. Inicio a análise do litígio posicionandome sobre a natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR. Definir a natureza jurídica do benefício fiscal será crucial para adotarmos a metodologia jurídica de interpretação, pois, como sabemos, para a isenção o CTN exige uma interpretação literal, ou seja, veda uma interpretação analógica ou extensiva, preferindo a interpretação restritiva dentro do sentido possível das palavras. Ainda que isso não represente uma exclusividade do método literal ou gramatical na interpretação da isenção – tarefa hermenêutica impossível diante da pluralidade de sentidos do conteúdo de algumas normas isencionais , a interpretação da isenção deve buscar o sentido mais restritivo da norma. Por outro lado, para a imunidade o processo interpretativo é livre para percorrer todos os métodos – literal, histórico, sistemático e teleológico. É nesse sentido a lição de Amílcar de Araújo Falcão (FALCÃO, Amílcar de Araújo. Fato Gerador da obrigação tributária. São Paulo: Revista dos tribunais, 1977, p. 120 121): “A distinção [entre não incidência, imunidade e isenção], além da importância que possui sob o ponto de vista doutrinário ou teórico, tem conseqüências práticas importantes, no que se refere à interpretação. É que, sendo a isenção uma exceção à regra de que, havendo incidência, deve ser exigido o tributo, a interpretação dos preceitos que estabeleçam isenção deve ser estrita, restritiva. Inversamente, a interpretação, quer nos casos de incidência, quer nos de nãoincidência, que, portanto, nos de imunidade, é ampla, no sentido de que todos os métodos, inclusive o sistemático, o teleológico etc., são admitidos”. Adotamos, para a interpretação das imunidades, a sistematização de suas características e limites fornecida por Ricardo Lobo Torres (TORRES, Ricardo Lobo. Tratado de direito constitucional financeiro e tributário, v. III; os direitos humanos e a tributação: imunidades e isonomia. Rio de Janeiro: Renovar, 1999, p. 97): “Nessa perspectiva podemos dizer que a interpretação das imunidades fiscais: a) adota o pluralismo metodológico, com o equilíbrio entre os métodos literal, histórico, lógico e sistemático, todos eles iluminados pela dimensão teleológica[das finalidades]; b) modera os resultados da interpretação, admitindo assim a interpretação extensiva que a restritiva, tanto a objetiva quanto a subjetiva, todas em equilíbrio e a depender do texto a ser interpretado; c) apóiase no pluralismo teórico, com o princípio respectivo da nãoidentificação com ideologias triviais; d) recusa, da mesma forma que a interpretação das isenções, a analogia, que implica a extensão da imunidade a direitos nãofundamentais; e) busca o pluralismo dos valores, com o equilíbrio entre liberdade, justiça e segurança jurídica”. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA 20 Tendo tomado tais lições, passemos à busca da natureza jurídica do benefício fiscal concedido os pagamentos a título de PLR. Encontramos duas posições a respeito da natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR: os que o consideram uma imunidade e os que o consideram uma isenção. Haveria imunidade na medida em que o art. 7º, inciso XI da CF desvincula a PLR da remuneração, o que equivaleria a afastar a natureza de remuneração e, em conseqüência, afastar a possível incidência prevista no art. 195, inciso I, alínea “a” e inciso II. Dessa forma, estaria configurada uma supressão da competência constitucional impositiva atendendo ao conceito clássico de imunidade. Na jurisprudência, encontramos o anterior presidente desta Câmara, Júlio César Vieira Gomes que, em declaração de voto no Acórdão 20500.563, asseverou: “Outra importante constatação é que a participação nos lucros e resultados goza de imunidade tributária. Não é caso de isenção, como a maioria das rubricas excluídas da incidência de contribuições previdenciárias por força do artigo 28, 9º' da Lei 8.212 de 24/07/91. Isto porque cuidou a própria Constituição Federal de desvincular o beneficio da remuneração dos trabalhadores(...)” Entre doutrinadores, Kyoshi Harada e Sydnei Sanches assumiram a natureza jurídica de imunidade no texto a seguir: “O legislador constituinte, objetivando incentivar as empresas a repartirem seus lucros ou resultados com os seus empregados, promovendo a ‘socialização dos lucros’ como meio de alcançar o justo equilíbrio entre o capital e o trabalho, prescreveu no inciso XI do art. 7º da Carta Política, que a PLR fica desvinculada da remuneração. Em outras palavras, retirou do campo do exercício da competência impositiva prevista no art. 195, I, a da CF tudo o que for pago pela empresa a título de participação nos lucros, ou resultados. (...)A PLR, uma vez imunizada pela Constituição, jamais poderia integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, sem gravíssima ofensa ao texto constitucional.” (HARADA, Kiyoshi; SANCHES, Sydney. Participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa: incidência de contribuições previdenciárias. Jus Navigandi, Teresina, ano 11, n. 962, 20 fev. 2006. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/16671>. Acesso em: 13 jan. 2011) A princípio, não entendemos que houve a total supressão da competência constitucional impositiva, pois não podemos deixar de considerar que a competência constitucional impositiva da União para a contribuição previdenciária inclui não só o que está inserto no art. 195, mas também o que está previsto no §11º do art. 201 (ganhos habituais a qualquer título). Nesse sentido o Ministro Marco Aurélio anotou em seu voto no RE 398.284: “não vejo cláusula a abolir a incidência de tributos, cláusula a limitar a regra específica do artigo 201,§11º, da Constituição Federal”. Portanto, houve supressão constitucional apenas da competência da União instituir contribuição previdenciária sobre a PLR na forma de remuneração, mas não na forma de ganho habitual. Ocorre que, a despeito de possuir competência constitucional para criar contribuição previdenciária sobre ganhos habituais a Fl. 20DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37216.000775/200744 Acórdão n.º 230101.976 S2C3T1 Fl. 11 21 qualquer título, a União somente o fez em relação aos ganhos habituais sob a forma de utilidades, conforme consta da segunda parte do inciso I do art. 22(contribuição da empresa sobre pagamentos a empregados) e da segunda parte do inciso I do art. 28 (definição de salário decontribuição). Logo, a PLR só estará no campo de incidência da contribuição previdenciária se tomar a forma de remuneração. E isso só poderá ocorrer se houver desobediência à lei reguladora da imunidade. Curioso notar que a natureza jurídica de imunidade que o benefício fiscal concedido ao pagamento de PLR alcança colocanos diante da ausência de uma norma reguladora constitucionalmente válida, pois, como limitação constitucional ao poder de tributar, a imunidade, em obediência ao art. 146, inciso II da Constituição Federal, só pode ser regulada por lei complementar, status que a Lei 10.101/200 não possui. Se confirmada pelo STF a tese de que o inciso XI do art. 7º é norma de eficácia limitada, teríamos, em conseqüência, que considerar todos os pagamentos de PLR como desamparados de imunidade. Mas a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, o que nos obriga a acatar a Lei 11.101/200 como norma reguladora da imunidade. Não ignoramos que o STJ já se manifestou no sentido de considerar como isenção o benefício fiscal concedido aos valores pagos a título de PLR, conforme ementas que transcrevemos: RE 865.489 – Relator Ministro Luis Fux PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ. 1. A isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91. RE 856.160 – Relatora Ministra Eliana Calmon PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. (...) 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. Fl. 21DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA 22 Com o respeito devido aos Ministros do STJ que assumiram tal posição, reiteramos que nossa conclusão é a de que existe imunidade para os pagamentos a título de PLR na forma de remuneração. Estabelecida a natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR no tocante às contribuições previdenciárias como imunidade, passemos a investigação de quais finalidades devem ser atendidas pela norma reguladora exigida no texto constitucional. Iniciamos a investigação sobre as finalidades da norma reguladora da imunidade com a lição de Luís Eduardo Schoueri. Para o autor, não existem tributos que tenham uma função estritamente fiscal (arrecadatória) sem que possuam qualquer efeito indutor a atuar no Domínio Econômico. (SCHOUERI, Luís Eduardo. Normas tributárias indutoras e intervenção econômica. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 16). Porém, prossegue afirmando que há normas que possuem o caráter indutor em destaque. Assim, as normas indutoras são normas por meio das quais “o legislador vincula a determinado comportamento um conseqüente, que poderá consistir em vantagem (estímulo) ou agravamento da natureza tributária”(op.cit., p. 30). Em outras palavras, uma norma indutora é o que a doutrina clássica chamaria de norma extrafiscal stricto sensu. Parecenos que a norma do art. 7º, inciso XI da Constituição, bem como as normas que criaram requisitos para a fruição da imunidade possuem nítido caráter indutor de comportamento. Ao desvincular da remuneração o pagamento de PLR, conforme requisitos a serem estabelecidos pela lei, quis o legislador constituinte, de um lado, conforme interpretação do Ministro Marco Aurélio no RE 398.284, proteger o trabalhador de fraude que poderia ser perpetrada pelos empregadores que poderiam compensar o direito constitucional com o salário do trabalhador. Nas palavras do Ministro: “É uma cláusula pedagógica para evitar o drible pelos empregadores, a compensação, o esvaziamento do direito constitucional” A fraude que pode estar relacionada à PLR não está relacionada apenas à compensação do salário com o direito de índole constitucional. A solidariedade no financiamento da seguridade social, prevista no caput do art. 195 da CF, pode ser violada na medida em que for revestida de PLR parcela verdadeiramente salarial, na tentativa de evasão da contribuição previdenciária. Esse é outro aspecto da fraude que a regulamentação tenta evitar e que já foi assinalado pelo antigo presidente desta Câmara, Júlio César Viera Gomes, em trecho da Declaração de Voto no Acórdão 20500.563 ao afirmar que: “é possível que esse importante direito trabalhista [a participação nos lucros e resultados] seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o . Princípio da Verdade Material para considerar os valores pagos integrantes da base de cálculo , das contribuições previdenciárias”. Por outro lado, o próprio direito em si à participação nos lucros pretende, em sintonia com um dos fundamentos de nosso Estado Democrático de Direito – o valor social do trabalho e da livre iniciativa (art. 1º, inciso IV da CF) , incrementar os meios para o Fl. 22DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37216.000775/200744 Acórdão n.º 230101.976 S2C3T1 Fl. 12 23 atingimento de, pelo menos, dois dos objetivos da Republica: construir uma sociedade livre, justa e solidária e garantir o desenvolvimento nacional( art. 3º, incisos I e II da CF). Nesse sentido, alguns Ministros do STF viram no dispositivo um “avanço no sentido do capitalismo social”(Ministro Ricardo Lewandowiski, RE 398.284) que contribuiria para a “humanização do capitalismo”(Ministro Carlos Britto, RE 398.284) na medida em que tenta “implantar uma nova cultura, uma nova mentalidade, a mentalidade do compartilhamento do progresso da empresa com seus atores sociais, com os seus protagonistas” (Ministro Carlos Britto, RE 398.284). Como se vê, os Ministros do STF capturaram as duas preocupações que devem nos nortear na interpretação dos reflexos tributários da norma que estatui os requisitos exigidos pelo Texto Magno: evitar a fraude e levar as relações entre capital e trabalho a um patamar mais harmônico. Assim agindo, o intérprete estará garantindo que a finalidade indutora ou o caráter extrafiscal stricto sensu da norma regulamentadora da imunidade seja atingido. Portanto, no transcorrer do processo hermenêutico não perderemos de vista que os requisitos da lei reguladora da imunidade devem contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Passamos a analisar algumas questões específicas que interessam no presente caso. Participação de representante dos sindicatos nas negociações que antecederam o acordo sobre a PLR São dois os procedimentos previstos pela lei para a celebração de acordo sobre PLR: comissão escolhida entre as partes e convenção ou acordo coletivo. Neste último, é fora de dúvida que haverá a participação do sindicato, pois é exigência do art. 611 da CLT. No primeiro, a lei determina que a comissão escolhida pelas partes será “integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria”. A expressão “também” não pode ser interpretada aqui como uma possibilidade, como quer a recorrente, e sim como uma exigência adicional, pois somente assim estaríamos garantindo que a finalidade da norma imunizante e de sua regulamentação no sentido de harmonizar as relações capital e trabalho seja atingida. As tratativas diretas entre empregados e patrão sem a intermediação do sindicato são permeadas pelo temor pelo emprego, o que retira do trabalhador a vontade livre e espontânea de suas manifestações. A repetição desses eventos pode agravar as relações capital e trabalho, ao invés de contribuir para a sua harmonização. A manifestação a posteriori do sindicato, como no presente caso, não tem o condão de suprir tal omissão, pois as tratativas que antecederam a assinatura do acordo já estão maculadas. Assim, quando o empregador optar pela comissão escolhida entre as partes como procedimento para negociar a PLR, deve assegurar que haja participação do representante sindical durante as tratativas. No caso dos autos, tal participação não existiu, o que caracteriza violação da regulamentação da imunidade, determinando a incidência da contribuição sobre tais verbas. Fl. 23DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA 24 Data da assinatura dos acordos Questão recorrente nas discussões sobre a incidência da contribuição previdenciária sobre pagamentos a título de PLR é aquela que versa sobre a data de assinatura dos acordos. Em suma, o que se questiona é se deve existir alguma relação entre três datas: (i) data da assinatura do acordo coletivo ou data da assinatura do acordo entre as partes; (ii) data do fim do período a que se referem os lucros ou resultados; e (iii) data do recebimento, pelo empregado dos pagamentos de PLR. Para tal análise tomamos o conteúdo do art. 2º da Lei 10.101/200, in verbis: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Faremos a interpretação de tal dispositivo considerando as finalidades dos requisitos para fruição da imunidade, conforme anteriormente esclarecemos: contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Inicialmente, extraímos do dispositivo legal que é necessário que haja uma negociação entre empresa e empregados. Tal requisito está em harmonia, principalmente, com o objetivo de contribuir para a melhoria das relações entre capital e trabalho. Certamente, a norma se refere a uma negociação concluída e não a uma negociação em curso, o que nos coloca diante de um primeiro requisito temporal: a negociação entre empresa e empregados deve estar concluída antes do pagamento da PLR. Justificamos tal posição com a constatação de que, antes de assinado, antes de se tornar um ato jurídico perfeito, a proposta da empresa pode ser retirada ou alterada, bem como o pleito dos trabalhadores pode ser alterado. Em Fl. 24DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37216.000775/200744 Acórdão n.º 230101.976 S2C3T1 Fl. 13 25 adição, devemos considerar que, em tese, a demora na conclusão de uma negociação em andamento pode servir para ganhar tempo para que os lucros ou resultados a serem pactuados sejam estabelecidos em patamares já sabidamente atingidos, de forma a garantir que uma verba salarial possa ser revestida de PLR sem que os trabalhadores tenham motivos para obstaculizar o acordo. É uma porta aberta para a fraude. Como somente com a assinatura do termo de acordo entre as partes ou do acordo coletivo é que teremos a formalização do término da negociação e estaremos diante de um ato jurídico perfeito apto a exarar efeitos jurídicos, concluímos que o termo de acordo entre as partes ou o acordo coletivo deve estar assinado antes do pagamento da PLR. Além de assinado, o instrumento de acordo deve estar arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Tal exigência, constante do §2º pretende dar transparência ao instrumento de acordo e permitir que sejam evitadas fraudes com a lavratura pósdatada de um acordo entre as partes. Restanos desvendar se a data de encerramento do período a que se referem os lucros ou resultados deve se considerada. Tomando o conteúdo do inciso II do §1º do dispositivo acima transcrito, poderíamos concluir que há a exigência de uma pactuação prévia dos programas de metas, resultados e prazos. Mas não podemos deixar de considerar que os incisos do §1º não são taxativos, o que poderia nos levar a concluir que a necessidade de pactuação prévia não é extensível, por exemplo, aos casos enquadrados no inciso I. Esse argumento isolado, portanto, é frágil. Tomamos outro caminho. É certo que o dispositivo do art. 2º da Lei 10.101/200 exige regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Tratase de exigência que está em harmonia tanto com a finalidade de combater a fraude quanto com a finalidade de contribuir para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Se não houver a estipulação das regras quanto ao atingimento dos lucros ou resultados antes do término do período a que se referem, não haverá meios para evitarmos as fraudes. Ou seja, não haverá meios para evitarmos que, diante de um lucro ou resultado já conhecido, sejam revestidos de pagamento de PLR determinados valores entregues aos empregados e que a eles já seriam ou serão devidos pela contraprestação dos serviços. Conhecidos os lucros ou resultados, seria possível instituir objetivos para os empregados que, de antemão, a empresa saberia que seriam atingidos. Diante da certeza do pagamento, o empregado, ou mesmo seus representantes, aceitaria assinar um acordo que, na sua visão, só estaria mudando a nomenclatura da verba devida por seu trabalho. A impossibilidade de haver certeza de que o acordado seja cumprido é uma determinação legal que extraímos do trecho da lei que determina que existam”mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado”. Se deve haver aferição do que foi acordado é porque não deve o lucro ou resultado estar totalmente configurado no momento da assinatura do instrumento de acordo. Portanto, harmonizando o texto da norma com suas finalidades, concluímos que o instrumento do acordo deve estar assinado e arquivado na entidade sindical antes do término do período a que se refiram os lucros ou resultados. Tendo concluído que o instrumento de acordo deve ser assinado e arquivado na entidade sindical antes do término do período a que se refiram os lucros ou resultados, podemos indagar se cumpriria a exigência da norma se, por exemplo, a assinatura e Fl. 25DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA 26 arquivamento ocorresse um dia antes do encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Evidentemente que não, pois estaríamos em situação em tudo similar à assinatura posterior. Os lucros e resultados já estariam, com um alto grau de previsibilidade, consolidados. É preciso que entre a data de assinatura e arquivamento dos acordos e a data de término do período a que se refiram os lucros ou resultados haja um intervalo temporal que tanto permita ao empregado direcionar seus melhores esforços para alcançar o que foi acordado como afaste a possibilidade de ser uma alternativa para a empresa fraudar a solidariedade no financiamento da seguridade social. Como a lei – ou qualquer norma infralegal não esclarece qual seria o prazo necessário entre tais datas, mas a finalidade da norma exige que o intérprete adote uma posição, utilizaremos como data limite para a assinatura e arquivamento dos instrumentos de acordo o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, consideraremos como prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. É certo que encontramos respeitosas posições mais conservadoras em relação à data de assinatura dos acordos. A Conselheira Ana Maria Bandeira concluiu que os Acordos devem estar assinados antes do início do período a que se refiram os lucros ou resultados, tendo se manifestado no voto condutor do Acórdão 240100.276 nos seguintes termos “Entendo que para fazer valer o que dispõe o § 1º do art. 2º da Lei n° 10/101/2000 que determina a existência de regras claras e objetivas, mecanismos de aferição etc, é imprescindível que tais questões sejam decididas a priori, ou seja, antes do início do exercício, findo o qual, a empresa pretende dividir os lucros com seus empregados. Os acordos firmados pela recorrente foram todos posteriores ao início do exercício para o qual deveria ser aferida a participação dos empregados na obtenção do lucro ou resultado.” No mesmo sentido temos o Acórdão 240100.545 cuja redatora designada foi a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. A despeito dos méritos dos argumentos acima, entendemos que os limites que adotamos passam pelo teste da razoabilidade, pois asseguram que após os três primeiros meses do ano – normalmente um período difícil para que as partes se reúnam os interessados tenham três meses para iniciar e avançar nas negociações e três meses adicionais para sua total conclusão. Além de razoáveis, os limites adotados atendem à finalidade de que haja tempo hábil para negociações de modo contribuir para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Exigir a assinatura do acordo antes de iniciado o período atenderia apenas a uma das finalidades da norma regulamentadora – combater a fraude , mas acabaria por criar um significativo obstáculo para a concessão da PLR, o que impediria que o acesso dos trabalhadores a uma direito social previsto no art. 7º, inciso XI da Constituição Federal. Em resumo, concluímos que os instrumentos de acordo (entre as partes ou coletivo) que versem sobre pagamentos de PLR a empregados devem estar assinados e arquivados na entidade sindical até o último dia do semestre anterior ao encerramento do Fl. 26DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37216.000775/200744 Acórdão n.º 230101.976 S2C3T1 Fl. 14 27 período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, consideraremos como prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. No caso em destaque, todos os acordos foram assinados no final do período a se referiam os resultados, o que está em ofensa aos requisitos da lei, conforme tratado acima. Índice usado para apurar os resultados A fiscalização alega que a empresa deveria escolher somente o lucro líquido e não o LAJIDA(lucro antes dos juros, impostos, depreciações e amortizações) como critério para pagamento da PLR. A lei regulamentadora da imunidade concedida para os pagamentos a título de PLR não enumera quaisquer índices obrigatórios, apenas sugere alguns, ao passo que a interpretação finalística da norma imunizante e de sua regulamentação não induz à conclusão de que deve haver estrita observância a índices prédeterminados. Para a PLR, não há exigência de que haja lucro líquido, pois não é apenas uma participação sobre lucros, mas uma participação sobre lucros e resultados. Qualquer resultado que interesse à empresa pode ser utilizado como critério, desde que passe no teste das regras claras e objetivas e esteja previsto no acordo. Assim, afastamos o óbice anotado pela fiscalização quanto ao critério LAJIDA. Não extensão da PLR a todos os empregados A fiscalização anotou como quinta irregularidade o não pagamento da PLR aos cargos melhores remunerados. Não há tal exigência na Lei 10.101/200, nem mesmo uma interpretação finalística da norma imunizante e de sua regulamentação nos permite chegar a tal requisito de forma genérica. Se a PLR depende de acordo, e este pode ser inclusive o coletivo, podemos ter um caso que determinada categoria, por meio de seu sindicato, opte por não celebrar o acordo, ao passo que outra, também integrante dos quadros da empresa, opte por assinálo. Assim, não há como exigir, genericamente, que o pagamento da PLR seja extensível a todos os empregados da recorrente. Na análise do caso, porém, poderíamos, constatando uma discriminação arbitrária e atentatória às finalidades já assinaladas, concluir de outro modo. In casu, não vemos como atentatória à harmonização das relações capital e trabalho o não pagamento da PLR aos cargos de chefia, uma vez que estes estão mais próximos da figura do patrão do que do empregado e não vislumbramos, em tese, uma possibilidade de agravamento das relações trabalhistas. Fl. 27DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA 28 Da contribuição ao INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que a contribuição destinada ao INCRA tenha natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra: “DECRETOLEI Nº 1.110, DE 9 DE JULHO DE 1970. Regulamento Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário e o Grupo Executivo da Reforma Agrária e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item I, da Constituição, DECRETA: Art. 1º É criado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entidade autárquica, vinculada ao Ministério da Agricultura, com sede na Capital da República. Art. 2º Passam ao INCRA todos os direitos, competência, atribuições e responsabilidades do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) e do Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA), que ficam extintos a partir da posse do Presidente do novo Instituto. LEI Nº 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 37. São órgãos específicos para a execução da Reforma Agrária: (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) I O Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA); (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) II O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), diretamente, ou através de suas Delegacias Regionais; (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) III as Comissões Agrárias. (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Art. 43. O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária promoverá a realização de estudos para o zoneamento do país em regiões Fl. 28DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37216.000775/200744 Acórdão n.º 230101.976 S2C3T1 Fl. 15 29 homogêneas do ponto de vista sócioeconômico e das características da estrutura agrária, visando a definir: I as regiões críticas que estão exigindo reforma agrária com progressiva eliminação dos minifúndios e dos latifúndios; II as regiões em estágio mais avançado de desenvolvimento social e econômico, em que não ocorram tenções nas estruturas demográficas e agrárias; III as regiões já economicamente ocupadas em que predomine economia de subsistência e cujos lavradores e pecuaristas careçam de assistência adequada; IV as regiões ainda em fase de ocupação econômica, carentes de programa de desbravamento, povoamento e colonização de áreas pioneiras. Art. 74. É criado, para atender às atividades atribuídas por esta Lei ao Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário (INDA), entidade autárquica vinculada ao mesmo Ministério, com personalidade jurídica e autonomia financeira, de acordo com o prescrito nos dispositivos seguintes: I o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário tem por finalidade promover o desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo; II o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário terá os recursos e o patrimônio definidos na presente Lei; III o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário será dirigido por um Presidente e um Conselho Diretor, composto de três membros, de nomeação do Presidente da República, mediante indicação do Ministro da Agricultura; IV Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário integrará a Comissão de Planejamento da Política Agrícola; ...” Vale enfatizar, porque importante, que a contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, que relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas: “DECRETOLEI Nº 1.146, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1970. Consolida os dispositivos sobre as contribuições criadas pela Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955 e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, Fl. 29DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA 30 DECRETA: Art. 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos termos deste DecretoLei, são devidas de acordo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º deste DecretoLei; 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º deste Decretolei. II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º deste Decretolei. Art 2º A contribuição instituída no " caput " do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sobre a soma da folha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: I Indústria de canadeaçúcar; II Indústria de laticínios; III Indústria de beneficiamento de chá e de mate; IV Indústria da uva; V Indústria de extração e beneficiamento de fibras vegetais e de descaroçamento de algodão; VI Indústria de beneficiamento de cereais; VII Indústria de beneficiamento de café; VIII Indústria de extração de madeira para serraria, de resina, lenha e carvão vegetal; IX Matadouros ou abatedouros de animais de quaisquer espécies e charqueadas. “ Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que também se consolidou no Supremo Tribunal Federal: “PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO Fl. 30DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37216.000775/200744 Acórdão n.º 230101.976 S2C3T1 Fl. 16 31 REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratandose de agravo interno manifestamente infundado, impõese a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original).” A seu turno, destaquese ementa no Agravo Regimental do Recurso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: “EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido.” Desta forma, não vislumbro reparos na decisão recorrida neste ponto. Por todo o exposto, portanto, votamos por negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 31DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA 32 Fl. 32DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37216.000775/200744 Acórdão n.º 230101.976 S2C3T1 Fl. 17 33 Fl. 33DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, 30/06/2011 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10920.001521/2003-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula 1º CARF nº. 11, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009).
ART. 14 DA LEI Nº 11.941/2009. FAVOR FISCAL. PRAZO DE
VENCIMENTO DO TRIBUTO.
Por força do art. 14 da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, é direito do recorrente se atendidos os demais critérios estabelecidos na lei gozar do favor fiscal de ver remetidos seu(s) débito(s) para com a Fazenda Nacional, desde que
esteja(m) vencido(s) há mais de cinco anos na data de 31 de dezembro de 2007, e o valor consolidado não ultrapasse, na mesma data, R$ 10.000,00 (dez mil reais).
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-001.094
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura (relatora) que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula 1º CARF nº. 11, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009). ART. 14 DA LEI Nº 11.941/2009. FAVOR FISCAL. PRAZO DE VENCIMENTO DO TRIBUTO. Por força do art. 14 da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, é direito do recorrente se atendidos os demais critérios estabelecidos na lei gozar do favor fiscal de ver remetidos seu(s) débito(s) para com a Fazenda Nacional, desde que esteja(m) vencido(s) há mais de cinco anos na data de 31 de dezembro de 2007, e o valor consolidado não ultrapasse, na mesma data, R$ 10.000,00 (dez mil reais). Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura (relatora) que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora Fl. 55DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 07/07/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPOS, 04/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Processo nº 10920.001521/200315 Acórdão n.º 210201.094 S2C1T2 Fl. 26 2 Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima – Redator designado. EDITADO EM: 20/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Relatório Contra JONES KID DE OLIVEIRA foi lavrado Auto de Infração, fls. 17/22, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativo ao anocalendário 2000, exercício 2001, no valor total de R$ 2.584,69, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/05/2003. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração, foram dedução indevida de previdência oficial (R$ 915,06), dedução indevida de dependente (R$ 4.320,00), dedução indevida de despesas médicas (R$ 2.160,40) e dedução indevida de despesas com instrução (R$ 1.280,00). Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 27/28, que foi devidamente apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/FNS nº 0714.740, de 05/12/2008, fls. 40/42, decidindose, por unanimidade de votos, pela procedência do lançamento. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 14/01/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 45, o contribuinte apresentou, em 16/01/2009, recurso voluntário, fls. 46, onde requer o cancelamento do lançamento, calcandose na prescrição intercorrente e na Medida Provisória nº 449, de 2008, que teria extinguido todos os débitos de valor inferior a R$ 10.000,00. É o Relatório. Fl. 56DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 07/07/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPOS, 04/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Processo nº 10920.001521/200315 Acórdão n.º 210201.094 S2C1T2 Fl. 27 3 Voto Vencido Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O contribuinte suscita a prescrição intercorrente, alegando que transcorreram mais de cinco anos entre as datas da apresentação da impugnação e do julgamento de primeira instância. Tal matéria já foi pacificada neste Colegiado que, inclusive, já editou súmula aplicável ao caso: Súmula CARF nº. 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Logo, não pode prevalecer a tese de prescrição intercorrente suscitada pelo contribuinte. Em sua defesa, o recorrente argumenta também que o crédito tributário exigido no Auto de Infração teria sido remitido, conforme disposto no art. 14 da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, abaixo transcrito: Art.14.Ficam remitidos os débitos com a Fazenda Nacional, inclusive aqueles com exigibilidade suspensa que, em 31 de dezembro de 2007, estejam vencidos há cinco anos ou mais e cujo valor total consolidado, nessa mesma data, seja igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). De fato, conforme disposto no caput do artigo acima transcrito, restou estabelecida a remissão dos débitos com a Fazenda Nacional, que, em 31/12/2007, estivessem vencidos há cinco anos ou mais. Ou seja, a remissão alcançou débitos com a Fazenda Nacional constituídos em período anterior à 31/12/2002, inclusive. Logo, estão excluídos do referido benefício os débitos vencidos a partir de 01/01/2003. No presente caso, o crédito tributário foi lançado em 23/05/2003, data em que o contribuinte foi cientificado do lançamento, conforme Aviso de Recebimento (AR), fls. 24. Logo, a remissão concedida no art. 14 da Lei nº 11.941, de 2009, não alcança o crédito tributário exigido no Auto de Infração, que ora se discute. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 57DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 07/07/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPOS, 04/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Processo nº 10920.001521/200315 Acórdão n.º 210201.094 S2C1T2 Fl. 28 4 Voto Vencedor Como bem identificado no voto vencido, o recorrente, em sua defesa, argumenta que o crédito tributário exigido no Auto de Infração teria sido remitido, conforme disposto no art. 14 da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, abaixo transcrito: DA REMISSÃO Art.14.Ficam remitidos os débitos com a Fazenda Nacional, inclusive aqueles com exigibilidade suspensa que, em 31 de dezembro de 2007, estejam vencidos há cinco anos ou mais e cujo valor total consolidado, nessa mesma data, seja igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). O prazo de vencimento do tributo é aquele previsto em lei, e decorre simplesmente da ocorrência do fato gerador tributário. O tributo se considera vencido independentemente de o contribuinte haver declarado a ocorrência do fato gerador ou de haver – contra si – lançamento tributário. Os arts. 160 e 161 do Código Tributário Nacional auxiliam a interpretação sobre quando exsurge o vencimento do tributo: Art. 160. Quando a legislação tributária não fixar o tempo do pagamento, o vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento. Parágrafo único. A legislação tributária pode conceder desconto pela antecipação do pagamento, nas condições que estabeleça. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Para o caso, considerandose que as infrações apontadas pela autoridade fiscal foram, como delineou a Conselheira Relatora: (i) dedução indevida de previdência oficial (R$ 915,06); (ii) dedução indevida de dependente (R$ 4.320,00); (iii) dedução indevida de despesas médicas (R$ 2.160,40); e (iv) dedução indevida de despesas com instrução (R$ 1.280,00), entendo que todas essas glosas são impactantes na Declaração de Ajustes Anual do AnoCalendário 2000 / Exercício 2001 do RECORRENTE. E, portanto, é de se concluir que o vencimento do tributo decorrente da glosa se deu no mesmo prazo previsto para pagamento do saldo de imposto devido no ajuste, qual seja, 30 de abril de 2001, como indicado no Ato Fl. 58DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 07/07/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPOS, 04/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Processo nº 10920.001521/200315 Acórdão n.º 210201.094 S2C1T2 Fl. 29 5 Declaratório Executivo Cosar no 25, de 28 de março de 2001, da Secretaria da Receita Federal; verbis: Data de Vencimento Tributo / Contribuição Código DARF Período do Fato Gerador (...) (...) (...) (...) 30 de abril 1ª quota ou quota única do imposto apurado na Declaração de Ajuste 0211 Anocalendário de 2000 (...) (...) (...) (...) Diante do conjunto de fatos e normas, principalmente por força do art. 14 da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, é direito do recorrente – se atendidos os demais critérios estabelecidos na lei – gozar do favor fiscal, pois o crédito tributário analisado, estava vencido há mais de cinco anos na data de 31 de dezembro de 2007. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso, ficando sob encargo da Unidade Preparadora analisar o atendimento aos demais requisitos previstos em lei para o gozo do favor fiscal. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 59DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 07/07/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPOS, 04/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L
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