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Numero do processo: 10680.006961/2001-69
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Aug 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT.
Os insumos, matérias-primas e material de embalagem, consumidos no processo produtivo de produto exportado, e que tenham, em qualquer fase de suas comercializações, sofrido a incidência de PIS E/OU COFINS, incluem-se na base de cálculo do crédito presumido do IPI.
Incluem-se, igualmente, toadas as receitas de exportação, independentemente de referirem-se a produtos tributados ou não.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Relator), Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo, que davam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator
Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. Os insumos, matériasprimas e material de embalagem, consumidos no processo produtivo de produto exportado, e que tenham, em qualquer fase de suas comercializações, sofrido a incidência de PIS E/OU COFINS, incluem se na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Incluemse, igualmente, toadas as receitas de exportação, independentemente de referiremse a produtos tributados ou não. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Relator), Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo, que davam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 69 61 /2 00 1- 69 Fl. 359DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.006961/200169 Acórdão n.º 9303001.445 CSRFT3 Fl. 360 2 Antonio Carlos Atulim Redator “ad hoc” Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 210/220, contra decisão do acórdão nº 20218294, da Segunda Câmara do Segundo Conselho, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N2 9.363/96. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS. O art. 1º da Lei nº 9.363/96 não exige para o gozo do incentivo que o produto exportado seja tributado pelo IPI ou que a empresa seja contribuinte do IPI. Referindose a lei a "mercadorias", foi dado o beneficio fiscal ao gênero, não cabendo ao intérprete restringilo apenas aos "produtos industrializados", que são espécie do gênero "mercadorias". INSUMOS QUE GERAM DIREITO AO CRÉDITO. Apenas a aquisição de insumos classificados como MP, PI e ME, que se consomem ou desgastam no processo produtivo por ação direta exercida pelo produto ou sobre ele, descritos pelo PN CST nº 65/79, geram direito ao crédito presumido. Não se incluem neste conceito óleo diesel, energia elétrica, bens destinados ao ativo imobilizado, material de uso e consumo, fretes e serviços de comunicação. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. NÃO CABIMENTO. A taxa Selic é imprestável como instrumento de correção monetária, não se justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar a concessão de um "plus” que não encontra previsão legal. Recurso provido em parte. Em sua peça recursal, o recorrente alega que o exportador de produtos classificados na TIPI como “NT” não tem direito a crédito presumido do IPI, por não se enquadrar como produtor na legislação do IPI, condição sine qua non para usufruir do benefício. O recurso teve seguimento nos termos do Despacho nº 202474 de fls. 223/224. O Sujeito Passivo apresentou contrarrazões de fls. 294/308 e recurso especial de divergência às fls. 228/250 Contudo, seu recurso não teve seguimento por ter sido apresentado fora do prazo regimental, nos termos do Despacho nº 2101147, fls. 313/314. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.006961/200169 Acórdão n.º 9303001.445 CSRFT3 Fl. 361 3 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. EXPORTAÇÃO de PRODUTOS “NT” A discussão que devo travar diz respeito à questão do direito ou não a crédito presumido de IPI, como forma de ressarcimento do PIS e da COFINS nas exportações de produtos que constam da TIPI com a notação NT (não tributados). Visando incentivar as exportações de produtos industrializados, a União criou o crédito presumido de IPI como uma forma de ressarcimento das contribuições sociais do PIS e COFINS, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno (nacionais), de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de bens exportados. O benefício fiscal chamado “Crédito Presumido de IPI Exportações” consiste em um crédito adicional de IPI para sociedades industriais que diretamente ou indiretamente exportam seus produtos industrializados ao mercado internacional. Tem como objetivo principal desonerar a cadeia produtiva dos produtos a serem exportados do custo econômico da COFINS e do PIS, conforme podemos notar pelo texto do art. 1º da Lei 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo”. “Parágrafo Único O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior”. Dessa forma, o crédito presumido de IPI somente poderá ser efetuado pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno, onerados pelo PIS e COFINS, e utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Para melhor elucidar a questão, aduzo o voto do Ilustríssimo Presidente da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, Doutor Henrique Pinheiro Torres, no Acórdão nº 202.16.066: Fl. 361DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.006961/200169 Acórdão n.º 9303001.445 CSRFT3 Fl. 362 4 “A questão envolvendo o direito de crédito presumido de IPI no tocante às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens utilizados na confecção de produtos constantes da Tabela de Incidência do IPI com a notação NT (Não Tributado) destinados à exportação, longe de estar apascentada, tem gerado acirrados debates na doutrina e na jurisprudência. No Segundo Conselho de Contribuintes, ora prevalece a posição do Fisco, ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Câmaras. A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque, os estabelecimentos processadores de produtos NT, não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do artigo 3º da Lei 4.502/1964, considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtores exportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal benefício, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à alíquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto crédito prêmio de IPI conferido industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.006961/200169 Acórdão n.º 9303001.445 CSRFT3 Fl. 363 5 Neste caso, a regra geral é que o benefício alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do artigo 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI”. Por outra parte, é cediço que os produtos classificados na TIPI como “NT” não estão incluídos no campo de incidência do IPI. Logo, quem fabrica tais produtos, mesmo sob uma das operações de industrialização previstas no Regulamento do IPI (no caso, as operações dispostas no art. 3º, caput e incisos, do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23/12/1982 – RIPI/82), não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento industrial. Isso porque, de acordo como o art. 8º do RIPI/82 (abaixo transcrito), estabelecimento industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do IPI, ou seja, é aquele estabelecimento que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como “de industrialização”, da qual, cumulativamente, resulte um produto “tributado”, ainda que de alíquota zero ou isento. Ao contrário, não é estabelecimento industrial para fins de IPI aquele que elabora produtos classificados na TIPI como nãotributado (NT), bem como quem realiza operação excluída do conceito de industrialização dado pelo RIPI. “Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no artigo 3º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, art. 3º).” Neste diapasão, Raimundo Clóvis do Valle Cabral em “Tudo sobre o IPI”, 4ª edição, São Paulo, Ed. Aduaneiras, págs. 54/55 e 57, assim assevera: “Estabelecimento Industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa operações definidas na legislação do IPI como de industrialização (transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento/reacondicionamento e renovação/recondicionamento) e da qual resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero, ou isento. Tem por base legal o artigo 3º da Lei nº 4.502, de 1964, alterado pelo artigo 12 do DL nº 34/66, que tem o seguinte texto: ‘Considerase estabelecimento industrial todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto’(art. 8º). Fl. 363DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.006961/200169 Acórdão n.º 9303001.445 CSRFT3 Fl. 364 6 As expressões ‘fábrica’ e ‘fabricante’ são equivalentes a ‘estabelecimento industrial’, como definido acima (art. 487II). Se o produto por ele industrializado corresponde uma alíquota positiva (diferente de zero) estará ele obrigado a destacar o imposto na nota fiscal emitida, observando as demais obrigações concernentes à escrituração fiscal e ao recolhimento do imposto, assumindo o real papel de contribuinte – sujeito passivo de obrigação principal, salvo se optante pela inscrição no Simples (art. 20I, 23II e 107). Se o produto industrializado estiver sujeito à alíquota zero, ou for isento, embora não haja imposto a ser destacado nem recolhido, ele estará obrigado a emitir nota fiscal e proceder às demais obrigações relativas à escrituração fiscal prevista no Ripi, pois está definido como sujeito passivo de obrigações acessórias (art. 21). Contrario sensu, chegase à conclusão de não ser estabelecimento industrial, para fins do IPI, aquele que elabora produtos classificados na Tipi como NT (nãotributados), bem assim os resultantes de operações excluídas do conceito de industrialização pelo artigo 5º do RIPI.” O texto reproduzido acima traduz a essência da expressão “NT” aposta na TIPI ao lado dos produtos excluídos do campo de incidência do IPI, qual seja: o estabelecimento que dá saída a produtos nãotributados, não se classifica, nessas operações, para fins de incidência do imposto, como estabelecimento industrial, ou seja, como contribuinte do IPI. E o aproveitamento de créditos do IPI está intimamente ligado ao conceito do que seja estabelecimento industrial para a legislação desse imposto, no sentido de que não ser um estabelecimento de tal espécie implica o nãoreconhecimento da existência de créditos ou débitos de IPI, impossibilitando o aproveitamento dos primeiros (dos créditos) ou o surgimento da obrigação tributária principal decorrente dos segundos (dos débitos). Nessa linha, merece citar, especificamente no tocante ao crédito presumido do IPI objeto de análise no presente processo, o preceito do art. 1º combinado com o do parágrafo único do art. 3º, ambos da Lei nº 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus ao crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (...). Art. 3º (...). Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação (...) do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento (...) dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, (...).” Lógico que “produção” conformase na atividade do “produtor". E, nos termos da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, matriz legal de grande parte da legislação do IPI, “estabelecimento produtor” é aquele que industrializa produtos sujeitos ao imposto. Estabelece o art. 3º da aludida lei: Fl. 364DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.006961/200169 Acórdão n.º 9303001.445 CSRFT3 Fl. 365 7 “Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto.” Considerandose, então, que o art. 1º da Lei nº 9.363/96 autoriza a fruição do crédito presumido do IPI ao “estabelecimento produtor e exportador”, e que o art. 3º da Lei 4.502/64 é a matriz do Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e, conseqüentemente, de aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como “NT” na TIPI. Pelos fundamentos expostos, é possível arrolar as seguintes conclusões: a) O estabelecimento industrial é aquele que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa as operações definidas na legislação do IPI como de industrialização e da qual resulta um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Portanto, os produtos exportados que não se encontram no campo de incidência do IPI, por constar da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI; b) A legislação que trata do específico benefício do crédito presumido do IPI determina que as “mercadorias” devam decorrer de “estabelecimento produtor”, o qual, à luz da legislação do IPI, é somente o que industrializa produtos tributados por essa exação. Voltando ao caso concreto, a recorrente colima ter reconhecido o ressarcimento do IPI incidente sobre aquisições de materiais empregados na sua atividade econômica, na qual prepondera a produção, beneficiamento, acondicionamento e posterior comercialização de produto classificado na Tabela de Incidência do IPI – TIPI (Decreto nº 4.542/2002), como Não Tributado NT. Em virtude das considerações feitas sobre a matéria, entendo que a recorrente não faz jus ao crédito pleiteado, tendo em vista que seu produto exportado a caracteriza como consumidor final e não como empresa produtora, pressuposto indispensável para a fruição do benefício em questão. Forte nestes argumentos, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É como voto. Gilson Macedo Rosenburg Filho Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator “ad hoc” Fl. 365DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.006961/200169 Acórdão n.º 9303001.445 CSRFT3 Fl. 366 8 Nos termos do art. 17, III, do RICARF1, incumbiume o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o voto vencedor do Acórdão 9303001.445, em virtude da aposentadoria da redatora designada, Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, ter sido publicada antes da formalização e assinatura deste acórdão. Embora não concorde com a posição da redatora designada, tanto que fui vencido na votação da Câmara baixa quanto à questão do direito ao crédito presumido em relação aos produtos NT, sou obrigado a adotar como fundamentos deste voto vencedor os mesmos fundamentos lançados pela Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando no Acórdão 9303001.444, relativo a essa matéria, in verbis: " Conselheira Judith da Amaral Marcondes Armando, Relatora Aprecio Recursos Especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte, ambos admitidos conforme despachos já mencionados e em boa forma. As matérias postas à apreciação por esta Câmara Superior cingemse ao direito ao crédito presumido de IPI decorrente da exportação de produtos NT, contestado pela Procuradoria e ao direito à atualização do ressarcimento pela taxa Selic, pleiteado pelo contribuinte. Quanto ao direito ao crédito presumido de IPI decorrente da exportação de produtos NT, matéria em exame nestes autos, permitome aproveitar parte de voto por mim proferido anteriormente, ressaltando a necessidade de promover os ajustes correspondentes a esta lide: A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional disse algumas vezes em seus recursos sobre esta matéria: “ É inegável que a meta da norma em apreço é desonerar os produtos exportados, eliminando parcela da carga tributária cumulada ao longo do ciclo produtivo, representada pelas indigitadas contribuições sociais, sendo também irrefutável que, em princípio, esse crédito presumido não guardaria correlação com o IPI. No entanto, esta não foi a opção do legislador ordinário, haja vista que inegavelmente criou um crédito presumido de IPI, em todos os seus contornos, de forma que é incontestável que referido imposto, neste comenos, tangencia aquelas contribuições. Assim, a análise desse texto legal, ainda sob o prisma teleológico, pode levar à inferência diametralmente oposta, qual seja, que o objetivo da Lei foi, em verdade, desonerar apenas os produtos industrializados, visando com isso incentivar a exportação de produtos elaborados com maior valor agregado, em detrimento de produtos em estado quase natural ou com incipiente processo de elaboração, como o caso dos produtos em comento” cf. fls 112 Tendo em conta tais afirmativas, ao meu ver 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 366DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.006961/200169 Acórdão n.º 9303001.445 CSRFT3 Fl. 367 9 perfeitamente válidas em termos de aspirações ao desenvolvimento nacional com padrões mais elevados de agregação de valor, muito embora julgueas subjetivas, passo à interpretação sistemática como sugere o Procurador em seu arrazoado, e chegarei a conclusão diametralmente oposta à do Procurador. A Lei 9.363, de 1996 em seus arts 1º e 3º , parágrafo único diz: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. ...................................................................................................... Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. (os grifos são meus) 10 Aqui observo que o crédito presumido está direcionado à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, (não fala de mercadorias nacionais industrializadas) e que o estabelecimento dos conceitos de receita operacional bruta, produção, matérias primas, insumos e materiais de embalagem devem ser buscados no escopo das normas que falam respectivamente do Imposto de Renda e do IPI. Assim sendo, não tenho dúvidas quanto aos produtos que podem gerar os benefícios desta lei 9.363, que são matérias primas, materiais de embalagens e insumos, nas condições estabelecidas na legislação do IPI, isto é, que se consumam no processo produtivo ou integrem o produto final desse processo, e que em algum passo da cadeia produtiva tenham sofrido incidência das contribuições PIS e COFINS. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.006961/200169 Acórdão n.º 9303001.445 CSRFT3 Fl. 368 10 Não tenho dúvidas que a norma não se destina a proteger exportações de maior valor agregado, e menos ainda, de produtos que figurem na TIPI como tributados. Até porque, sabemos, a tributação pelo IPI deixou a muito de ser fundamentada nos princípios que nortearam a criação do tributo, chegando mesmo a não ser seletiva, e não refletir o grau de industrialização do produto. Hoje temos produtos bastante industrializados com notação NT na TIPI, bem assim outros, sem qualquer industrialização com alíquota zero. Passamos ao conceito de crédito presumido: Presumido é o que se pretende verdadeiro à luz de certos conhecimentos previstos. Pode ser entendido como uma probabilidade alta de verdade, ainda que fictício. Pois bem, na proposta de lei introduzida pela Medida Provisória nº. 948, de 23 de março de 1995, ficou clara a inviabilidade de aferir todos os valores de PISPASEPCOFINS que oneram o produto final a ser exportado. O Legislador fez a escolha de presumir um valor a ser restituído ao exportador, a título de desoneração de parte dessa tributação. Naturalmente, não estamos aqui diante de uma benesse do Estado. Estamos diante de ponderação racional e objetiva relativa ao princípio de não exportar tributos, na medida exata do interesse comercial, nem mais nem menos. Vejase bem que, de outra forma, poderíamos incorrer nos subsídios considerados da caixa vermelha pela Organização Mundial de Comércio, órgão ao qual o Brasil deve referenciarse. E lhe convém que o faça. Observo que a Lei não determina que se busque na legislação do IPI o conceito de produtor exportador. Vamos aos aspectos históricos do conjunto de normas que regeram o IPI, o crédito prêmio do IPI, e o ressarcimento. Nascidas da LEI Nº. 4.502 DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964, que dispôs sobre o Imposto de Consumo e reorganizou a Processo nº 10680.006963/200158 Acórdão n.º 9303001.444 CSRFT3 Fl. 319 11 Diretoria de Rendas Internas, posteriormente regulamentada pelo Decreto nº 61.514, de 12 de outubro de 1967, temos que: Art. 1º O Imposto de Consumo incide sobre os produtos industrializados compreendidos na Tabela anexa. ......................................................................................................... Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. ........................................................................................................ Fl. 368DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.006961/200169 Acórdão n.º 9303001.445 CSRFT3 Fl. 369 11 Art. 7º São também isentos ........................................................................................................ § 1º No caso o inciso I, quando a exportação for efetuada diretamente pelo produtor, fica assegurado o ressarcimento, por compensação, do imposto relativo às matériasprimas e produtos intermediários efetivamente utilizados na respectiva industrialização, ou por via de restituição, quando não for possível a recuperação pelo sistema de crédito. A referida tabela anexa não incluía o universo de produtos industrializados. Assim sendo, o estabelecimento produtor e exportador a que se refere a Lei nº 9.363, de 1996 poderia, em princípio, ser aquele que produz os produtos tributados ou com alíquota zero, que estão contidas no campo de incidência do hoje IPI. Mas, voltando ainda aos aspectos históricos, na própria Lei inaugural há uma série de excepcionalidades que contextualizam o desejo do legislador dentro de um processo de substituição de importação acelerado, com elevada defesa da produção interna. Andando um pouco mais no tempo, o Decreto Lei nº 1.136, de 1970, pretendendo modernizar o parque industrial brasileiro permitiu o creditamento de IPI a máquinas e outros bens do ativo das empresas § 2º O Ministro a Fazenda poderá atribuir aos estabelecimentos industriais o direito de crédito do imposto sobre produtos industrializados relativo a máquinas, aparelhos e equipamentos, de produção nacional, inclusive quando adquiridos de comerciantes não contribuintes do referido imposto destinados à sua instalação, ampliação ou modernização e que integrarem o seu ativo fixo, de acordo com as diretrizes gerais de política de desenvolvimento econômico do país. § 3º O regulamento disporá sobre a anulação do crédito ou o restabelecimento de débito, correspondente ao imposto deduzido, nos casos em que os produtos adquiridos saiam do estabelecimento com isenção do tributo, ou os resultantes da industrialização gozem de isenção ou não estejam tributado 12 Verificamos que o IPI, utilizado como ferramenta de desenvolvimento econômico se presta a intervenções pontuais, que afetam aspectos macro e micro econômicos, entrando em vigor imediatamente, e produzindo os efeitos politicamente desejados. Tais intervenções nada têm a ver com a industrialização do produto em si, ou com a notação da alíquota na TIPI, mas estão ligadas a qualificação econômica do produto no contexto econômico, de modo especial ao grau de ganho de produtividade que possa conferir aos processos produtivos em que está inserido. Ora, permitome entender que sendo o IPI um imposto de fácil manejo, e federativo, o legislador diz sempre exatamente o que pretende a fim de que não sejam introduzidas interpretações locais que possam alterar a universalidade da norma. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.006961/200169 Acórdão n.º 9303001.445 CSRFT3 Fl. 370 12 Por outro lado, se é possível admitir que a Lei nº 9.363 tenha vindo substituir a normatização de crédito–prêmio de IPI, superado pela realidade internacional dos incentivos não permitidos pela OMC, e que nesse novo contexto estejamos tratando, de fato, de desoneração das exportações, o conceito de produtor exportador não se confunde com o conceito de produtor industrial. E, pode ser que, em razão dessa construção que acabo de propor seja mais adequada à interpretação do que seja empresa produtora exportadora, como aquela que exporta o que produz, já que na mesma lei, no art. 3º parágrafo único, está determinado que devem ser buscados na legislação do IPI os conceitos de produto, matéria prima, insumos e material de embalagem e não de empresa produtora exportadora. Vendo sob esse aspecto, é importante o contexto econômico e político dos incentivos tributários à exportação ou ao desenvolvimento econômico, conforme induz o raciocínio da PGFN. Sabemos que em tempos de incentivo à modernização do parque industrial deuse o crédito pertinente a máquinas e outros bens de ativo das empresas. Hoje, visando tão só não exportar tributos e fomentar a atividade econômica, é essa a razão que se encontra na exposição de motivos que acompanhou a formação da lei, há de se considerar que, qualquer produto exportado, mesmo estando ele fora do campo de incidência do IPI, ou seja notificado como produto NT circunstancialmente, não deve carregar consigo, por razões que passam da análise dessa lide, carga tributária interna. Por essas razões, entendo que a interpretação teleológica que melhor atende ao espírito da lei, hoje, é que empresas produtoras e exportadoras de produtos fora do campo de incidência do IPI podem beneficiarse do regresso de parte da tributação previstos na lei em comento, desde que tenham utilizado em sua produção os insumos, matérias primas e material de embalagem como definidos nas normas do IPI. Seguindo essa interpretação que não julgo apartada dos termos da Lei, encaminho meu voto no sentido de ser cabível o ressarcimento a título de desoneração da carga tributária nas exportações, quando os produtos exportados sejam obtidos a partir de insumos, matérias primas e material de embalagem, adquiridos de quem quer que os tenha produzido, desde que tenham sido objeto de tributação relativa às contribuições para o PIS, PASEP e COFINS em qualquer etapa de suas produções, e desde que consumidos no processo produtivo ou dele fizerem parte nos termos da legislação do IPI, independentemente de ser o produto resultante exportado tributável pelo IPI. Por todo exposto, voto no sentido de incluir no valor das receitas de exportação todos os resultados de vendas ao exterior de produtos sujeitos ou não à incidência do IPI. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.006961/200169 Acórdão n.º 9303001.445 CSRFT3 Fl. 371 13 (....omissis....) Judith do Amaral Marcondes Armando" A parte omitida do voto da Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando diz respeito à correção do ressarcimento pela taxa Selic. Essa matéria não foi posta à deliberação do colegiado neste processo, pois o recurso especial do contribuinte não foi admitido por ter sido considerado intempestivo. Com esses fundamentos, e mais uma vez deixando ressalvado meu entendimento pessoal quanto à inexistência do direito ao crédito presumido em relação aos produtos NT, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Antonio Carlos Atulim Redator "ad hoc". Fl. 371DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13808.006400/2001-74
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/01/1999
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I, DO CTN. VINCULAÇÃO DOS CONSELHEIROS DO CARF ÀS DECISÕES PROFERIDAS PELO STJ EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 62-A DO NOVO REGIMENTO INTERNO DO CARF (PORTARIA 249/2009).
O direito da fiscalização constituir o crédito tributário referente a tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham não tenham sido pagos decai, conforme o julgamento do recurso especial representativo de controvérsia de nº 973.733, em 5 (cinco) anos a contar do exercício seguinte ao fato gerador, em conformidade ao que dispõe o artigo 173, I, do CTN.
Recurso especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9303-003.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado para, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Substituto
Júlio César Alves Ramos- Redator para o acórdão
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Este recurso especial foi julgado em sessão de novembro do ano passado, sob relatoria da Conselheira Nanci Gama, que, após apresentar o relatório e o voto à Secretaria, viu-se obrigada a renunciar ao mandato em face das novas disposições regimentais, antes de poder assiná-lo. Designou-me por isso o Presidente da CSRF para sua redação, o que faço adotando Relatório, Voto e ementa preparados por ela e a seguir reproduzidos.
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1996 a 31/01/1999 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I, DO CTN. VINCULAÇÃO DOS CONSELHEIROS DO CARF ÀS DECISÕES PROFERIDAS PELO STJ EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 62-A DO NOVO REGIMENTO INTERNO DO CARF (PORTARIA 249/2009). O direito da fiscalização constituir o crédito tributário referente a tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham não tenham sido pagos decai, conforme o julgamento do recurso especial representativo de controvérsia de nº 973.733, em 5 (cinco) anos a contar do exercício seguinte ao fato gerador, em conformidade ao que dispõe o artigo 173, I, do CTN. Recurso especial do Contribuinte Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado para, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Substituto Júlio César Alves Ramos- Redator para o acórdão Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Este recurso especial foi julgado em sessão de novembro do ano passado, sob relatoria da Conselheira Nanci Gama, que, após apresentar o relatório e o voto à Secretaria, viu-se obrigada a renunciar ao mandato em face das novas disposições regimentais, antes de poder assiná-lo. Designou-me por isso o Presidente da CSRF para sua redação, o que faço adotando Relatório, Voto e ementa preparados por ela e a seguir reproduzidos.
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INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I, DO CTN. VINCULAÇÃO DOS CONSELHEIROS DO CARF ÀS DECISÕES PROFERIDAS PELO STJ EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 62A DO NOVO REGIMENTO INTERNO DO CARF (PORTARIA 249/2009). O direito da fiscalização constituir o crédito tributário referente a tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham não tenham sido pagos decai, conforme o julgamento do recurso especial representativo de controvérsia de nº 973.733, em 5 (cinco) anos a contar do exercício seguinte ao fato gerador, em conformidade ao que dispõe o artigo 173, I, do CTN. Recurso especial do Contribuinte Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado para, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Substituto Júlio César Alves Ramos Redator para o acórdão Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 64 00 /2 00 1- 74 Fl. 701DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 13808.006400/200174 Acórdão n.º 9303003.171 CSRFT3 Fl. 702 2 Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Este recurso especial foi julgado em sessão de novembro do ano passado, sob relatoria da Conselheira Nanci Gama, que, após apresentar o relatório e o voto à Secretaria, viuse obrigada a renunciar ao mandato em face das novas disposições regimentais, antes de poder assinálo. Designoume por isso o Presidente da CSRF para sua redação, o que faço adotando Relatório, Voto e ementa preparados por ela e a seguir reproduzidos. Relatório Assim o relatou a dra. Nanci: O recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte ora em exame referese somente a questão relativa à decadência do crédito tributário do período de janeiro de 1996 a novembro de 1996, considerando que a ciência da autuação fiscal em matéria de Cofins se deu em 19 de dezembro de 2001. O contribuinte interpôs recurso especial em face do acórdão 20310.150 que, em síntese, rejeitou as suas alegações acerca de sua imunidade e, portanto, manteve a exigência da COFINS incidente sobre a cobrança de mensalidades dos alunos pela instituição recorrente no período de janeiro de 1996 a janeiro de 1999. O recurso especial foi admitido somente parcialmente em relação à suscitada decadência do período de janeiro a novembro de 1996. No que se refere às demais questões suscitadas no recurso especial e não admitidas conforme despacho de fls. 620 a 6251, o contribuinte interpôs agravo o qual também não foi acolhido. Com efeito, quanto a parte do débito que o contribuinte restou vencido o mesmo manifestou nos presente autos por meio de petição sua desistência parcial do recurso e declarou sua renuncia as respectivas questões de direito ali debatidas, tendo optado pelo recolhimento da exigência fiscal respectiva nos termos da Lei 11.941/2009. Passo assim ao exame do questão ora em análise, destacando que o contribuinte suscita a decadência do direito da Fazenda Nacional exigirlhe a Cofins no período de janeiro a novembro de 1996, com fundamento no artigo 150, § 4º, do CTN, por se tratar de tributo sujeito a homologação. Destaco que conforme consta às fls. 661 dos autos a Fazenda Nacional foi cientificada da parte do recurso especial do contribuinte admitida, mas não apresentou suas contrarrazões. 1 As referências às folhas do processo dizem respeito à numeração atribuida digitalmente Fl. 702DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 13808.006400/200174 Acórdão n.º 9303003.171 CSRFT3 Fl. 703 3 É o relatório. Voto E estas foram as suas considerações que o colegiado encampou: Conselheira Nanci Gama, Relatora Conheço o recurso especial do contribuinte por tempestivo e por restar demonstrada a divergência do acórdão recorrido para com o paradigma, estando atendidos, portanto, os pressupostos de admissibilidade. Com efeito, passo à análise do mérito acerca do termo para contagem do prazo decadencial tratandose de tributo sujeito a homologação, mas cujo pagamento do tributo pelo contribuinte a época não ocorreu. Vale mencionar, primeiramente, que os Conselheiros deste Eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais passaram, com a vigência do artigo 62A2 do Regimento Interno aprovado pela Portaria 256/2009, a estarem vinculados às decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em recursos especiais representativos de controvérsia. Dessa forma, em que pese o meu entendimento pessoal sobre a matéria in casu, digase, contrária ao entendimento manifestado pelo Egrégio Superior Tribunal e Justiça, cabeme julgar a presente questão em consonância ao recurso especial representativo de controvérsia de nº 973.7333 no sentido de entender que o prazo decadencial para a fiscalização constituir crédito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação será aquele previsto no artigo 173, I do CTN4, o qual prevê o prazo decadencial de 5 (cinco) anos a contar do exercício seguinte ao fato gerador. A saber: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. 2 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” 3 REsp 973.733, Min. Rel. Luiz Fux, DJe 18/09/2009. 4 “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Fl. 703DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 13808.006400/200174 Acórdão n.º 9303003.171 CSRFT3 Fl. 704 4 ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 13808.006400/200174 Acórdão n.º 9303003.171 CSRFT3 Fl. 705 5 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Dessa forma, considerando que no presente caso não houve pagamento por parte do contribuinte do tributo questionado mostrase cabível, por força do artigo 62A do Regimento Interno desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais combinado com o julgamento do recurso especial representativo de controvérsia supracitado, a aplicação do prazo decadencial prevista no artigo 173, I do CTN. Assim, tendo a ciência do presente auto de infração sido dada em 19 de dezembro de 2001 e o período de apuração ora em exame se refere a janeiro a novembro de 1996, forçoso concluir que não ocorreu a suscitada decadência do crédito fiscal relativo ao referido período. Dessa forma, conheço o recurso especial de divergência do contribuinte, mas no mérito voto por negarlhe provimento. É como voto. Nanci Gama Esse o acórdão que me coube redigir. CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Redator para o acórdão Fl. 705DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003238/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2101-000.185
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para esclarecimento de questões de fato, relativas à identificação dos terceiros envolvidos nas operações alegadamente realizadas a título de "Câmbio", envolvendo o fiscalizado, inclusive: (a) mediante cotejo dos documentos das ações judiciais relacionadas e (b) informações enviadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, para instrução da ação fiscal. Vencidos os conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Daniel Pereira Artuzo. Designado para redação do voto vencedor o conselheiro Eduardo de Souza Leão. Realizou sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. Thiago Bermudes de Freitas Guimarães - OAB/SP 271.298.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
MARIA CLECI COTI MARTINS - Redatora ad-hoc para formalização da decisão no sistema e-processo
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para esclarecimento de questões de fato, relativas à identificação dos terceiros envolvidos nas operações alegadamente realizadas a título de "Câmbio", envolvendo o fiscalizado, inclusive: (a) mediante cotejo dos documentos das ações judiciais relacionadas e (b) informações enviadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, para instrução da ação fiscal. Vencidos os conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Daniel Pereira Artuzo. Designado para redação do voto vencedor o conselheiro Eduardo de Souza Leão. Realizou sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. Thiago Bermudes de Freitas Guimarães - OAB/SP 271.298. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente MARIA CLECI COTI MARTINS - Redatora ad-hoc para formalização da decisão no sistema e-processo Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo.
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RESOLVEM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para esclarecimento de questões de fato, relativas à identificação dos terceiros envolvidos nas operações alegadamente realizadas a título de "Câmbio", envolvendo o fiscalizado, inclusive: (a) mediante cotejo dos documentos das ações judiciais relacionadas e (b) informações enviadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, para instrução da ação fiscal. Vencidos os conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Daniel Pereira Artuzo. Designado para redação do voto vencedor o conselheiro Eduardo de Souza Leão. Realizou sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. Thiago Bermudes de Freitas Guimarães OAB/SP 271.298. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente MARIA CLECI COTI MARTINS Redatora adhoc para formalização da decisão no sistema eprocesso Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 03 23 8/ 20 08 -8 1 Fl. 544DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 17/07/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 526 ___________ Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 429/438) interposto em 08 de março de 2010 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) (efls. 358/380), do qual o Recorrente teve ciência em 11 de fevereiro de 2010 (efl. 382), que julgou procedente o auto de infração de fls. 262/497, lavrado em 16 de julho de 2008, em decorrência de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, verificada no anocalendário de 2003. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2003 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não restando comprovada a incompetência do autuante nem a ocorrência de preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. CERCEAMENTO DE DEFESA. É de se rejeitar a alegação de cerceamento de defesa quando os fatos que ensejaram o lançamento se encontram corretamente descritos e tipificados no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal e estão presentes nos autos todos os elementos necessários à elaboração da impugnação, tendo sido oferecida ao litigante, seja durante o curso da ação fiscal, seja na fase de impugnação, ampla oportunidade de se manifestar e de apresentar provas que elidissem a autuação. ILEGITIMIDADE DAS PROVAS. São legítimas as provas advindas do exterior, que foram objeto de laudo pericial pelo Instituto Nacional de Criminalística, da Policia Federal do Brasil, uma vez constatada a sua regular disponibilização ao Fisco Federal, mediante autorização judicial, o rigor na elaboração do referido laudo, a lisura dos peritos criminais do Departamento de Polícia Federal envolvidos e a confiabilidade dos dados (pela total impossibilidade de eles sofrerem qualquer tipo de alteração). JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, não podendo o contribuinte apresentála em outro momento a menos que demonstre motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente, ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. SUSTENTAÇÃO ORAL. Não há, no âmbito da legislação que cuida do processo administrativo fiscal, previsão para a realização de sustentação oral pela defesa em sessão de julgamento administrativo de primeira instância. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 17/07/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.003238/200881 Resolução nº 2101000.185 S2C1T1 Fl. 527 3 As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas complementares contidas no art. 100 do CTN e, por consegüinte, não vinculam as decisões desta instância julgadora, restringindose aos casos julgados e às partes inseridas no processo de que resultou a decisão. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. ÔNUS DA PROVA. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. Os débitos, decorrentes de tributos, não pagos nos prazos previstos pela legislação específica, são acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês do pagamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (efls. 358/359). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 429/438, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. Em 03 de dezembro de 2014, o presente recurso foi objeto de julgamento pela 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento deste CARF, oportunidade em que o Colegiado decidiu, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para esclarecimento de questões de fato, relativas à identificação dos terceiros envolvidos nas operações alegadamente realizadas a título de "Câmbio", envolvendo o fiscalizado, inclusive: (a) mediante cotejo dos documentos das ações judiciais relacionadas e (b) informações enviadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, para instrução da ação fiscal. Vencidos os conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Daniel Pereira Artuzo. Designado para redação do voto vencedor o conselheiro Eduardo de Souza Leão. Realizou sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. Thiago Bermudes de Freitas Guimarães OAB/SP 271.298. Considerando que os Conselheiros Relator do processo e Redator do voto vencedor tiveram seus mandatos encerrados sem que tivessem formalizado o referido Acórdão, foi necessária a designação de Redator ad hoc, conforme o art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009. Desta forma, a formalização está sendo procedida conforme tomada em sessão pública, nos termos da ATA DA SESSÃO. Enfatizo, contudo que aqueles conselheiros providenciaram a redação do relatório e dos votos vencido e vencedor constante deste Acórdão. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 17/07/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.003238/200881 Resolução nº 2101000.185 S2C1T1 Fl. 528 4 É o relatório. Voto Vencido ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Conselheiro Relator O Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator do processo na ocasião, se pronunciou contrariamente à transformação do julgamento em diligência, tendo em vista considerar que as informações constantes dos autos seriam suficientes para o seu convencimento. Fora acompanhado no voto pelo Conselheiro Daniel Pereira Artuzo que também não mais faz parte do colegiado. Alexandre Naoki Nishioka Relator Voto Vencedor EDUARDO DE SOUZA LEÃO Conselheiro Redator O Conselheiro Redator do voto vencedor não mais compõe este colegiado, entretanto, estas foram as razões de decidir adotadas por aquele Conselheiro. Apesar de respeitar o posicionamento do Ínclito Relator, não se pode olvidar que o presente lançamento trata de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada em conta corrente, caso em que, obrigatoriamente, deve ser observado o comando do art. 42 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não há dúvida de que a autoridade fiscal pode utilizar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 para considerar como rendimentos omitidos os valores depositados em conta corrente, condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, nas instituições financeiras. E cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de alguns depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é admitida a ocorrência de omissão de Fl. 547DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 17/07/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.003238/200881 Resolução nº 2101000.185 S2C1T1 Fl. 529 5 rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Não obstante, a identificação de terceiros vinculados às operações supostamente de “câmbio” analisadas pela Fiscalização no presente procedimento, impõe a certificação de responsabilidades econômicas e financeiras de cada pessoa física ou jurídica envolvida, sob pena de violação aos preceitos constitucionais do contraditório e ampla defesa (art. 5º, LV da CF/88), e assim de não se aperfeiçoar a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96. De fato, uma análise mais crítica da realidade fática e jurídica exposta no caso em análise, onde se destaca a existência de laudos econômicos e financeiros da Polícia Federal juntado aos autos, aponta terceiros envolvidos nas operações questionadas, impondo o acréscimo de alguns elementos de convicção visando assegurar certeza à conclusão administrativa tributária a ser proferida, evitando injustiça fiscal, em respeito ao princípio da verdade material que predomina no processo administrativo, onde se busca descobrir a ocorrência ou não do fato gerador, assim como a real base de cálculo do imposto, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. Neste sentido, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, para esclarecimento de questões de fato, relativas à identificação dos terceiros envolvidos nas operações efetivamente realizadas a título de "Câmbio", envolvendo o fiscalizado, inclusive: (a) mediante cotejo dos documentos das ações judiciais relacionadas e (b) informações enviadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, para instrução da ação fiscal. A autoridade fiscal deverá fazer análise dos documentos em termo circunstanciado, confirmando ou afastando a realização da operação de câmbio com o terceiro indicado, após o qual o Recorrente deverá ser intimado para, se desejar, apresentar manifestação, no prazo de 30 dias. Efetivadas as diligências solicitadas, o Processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento. Voto proferido pelo ExConselheiro Dr. EDUARDO DE SOUZA LEÃO na sessão de julgamento do dia 03 de dezembro de 2014. MARIA CLECI COTI MARTINS Conselheira Redatora ad hoc para a formalização no sistema eprocesso. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 17/07/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10640.002173/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AVALIAÇÃO DO CASO CONCRETO. EMBARGOS ADMITIDOS.
Frente ao argumento da embargante de que a posição do relator em ressalvar seu entendimento pessoal e aderir a posição dos demais membros teria lhe causado dúvidas quanto ao real alcance do julgado, os autos retornaram à pauta para exame.
Admitido os embargos, da análise dos argumentos da embargante depreendeu-se que sua pretensão estava voltada ao reexame da matéria, procedimento incabível por meio de embargos de declaração.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 1402-001.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, admitir os embargos de declaração para, no mérito, negar-lhes provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moises Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pela e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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AVALIAÇÃO DO CASO CONCRETO. EMBARGOS ADMITIDOS. Frente ao argumento da embargante de que a posição do relator em ressalvar seu entendimento pessoal e aderir a posição dos demais membros teria lhe causado dúvidas quanto ao real alcance do julgado, os autos retornaram à pauta para exame. Admitido os embargos, da análise dos argumentos da embargante depreendeuse que sua pretensão estava voltada ao reexame da matéria, procedimento incabível por meio de embargos de declaração. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, admitir os embargos de declaração para, no mérito, negarlhes provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pela e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 21 73 /2 01 0- 61 Fl. 740DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10640.002173/201061 Acórdão n.º 1402001.934 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente processo esteve em pauta na sessão de 12 de fevereiro de 2014 e trata de autuação em face da empresa acima indicada que no anocalendário de 2005 movimentou em suas contas bancárias o valor de R$ 27.785.109,28 e no ano seguinte R$ 11.159.438,80, sendo que no anocalendário de 2005 apresentou declaração de inativa, permanecendo omissa em relação aos anos posteriores1. Na ocasião, apresentei proposta de voto rejeitando a preliminar de nulidade e por manter a exigência do crédito tributário, inclusive com multa qualificada. Igualmente, votei por negar provimento aos recursos dos coobrigados Marcelo Detoni e Maurício Detoni. No decorrer dos debates os Conselheiros Alexandre Alkmin Teixeira e Paulo Cortez inauguraram divergência em relação à qualificadora da multa, tendo sido consignado na ementa e nos fundamentos do acórdão embargado (fl. 700). MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITO BANCÁRIO EM CONTA CORRENTE DO TITULAR DOS RECURSOS. ENTREGA DE DECLARAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA OMITINDO OS VALORES. Ressalvada a posição do relator em relação ao caso concreto, o fato de a pessoa jurídica apresentar declaração omitindo os valores movimentados em suas contas bancárias ou declarando parte ínfima destes, não é elemento suficiente para qualificar a multa de ofício. Se por força das disposições contidas na Lei Complementar nº 102, de 2001 e artigo. 2°, § 3°, do Decreto n° 4.489, de 2002, as informações sobre a movimentação bancária são continuamente, em arquivos digitais, encaminhadas à Secretaria da Receita Federal, identificando cada uma das operações realizadas por seus respectivos titulares, não se pode falar em sonegação ou omissão com o intuito de ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador, pois o contribuinte que deposita valores em suas próprias contas, ao assim proceder, confere à autoridade fiscal meios para que esta tome conhecimento e apure eventuais omissões de receitas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Intimada do acórdão, a Fazenda Nacional apresentou os embargos de fls. 725 e seguintes destacando obscuridade e omissão em sua fundamentação, sob o argumento de que não restou suficientemente claro o fundamento da Turma julgadora para afastar a incidência da multa qualificada. Em síntese, destacou a embargante: 1 Quando da sessão de julgamento que se realizou em 14/02/2014 constou do relatório que a empresa, no ano de 2006, tinha apresentado declaração com receita de R$ 15.020,00 e no ano seguinte R$ 5.368,00. No entanto, tais valores, conforme se extrai das fls. 385 e 387 referemse aos rendimentos declarados pelo sócio Jaime José D´Avila. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10640.002173/201061 Acórdão n.º 1402001.934 S1C4T2 Fl. 4 3 "No caso concreto, conforme indicado à fl. 49, no ano de 2005 a empresa autuada movimentou em suas contas bancárias o valor de R$ 27.785.109,28 e no ano seguinte R$ 11.159.438,80 e declarou como receita tributável de R$ 15.020,00 em 2005 e R$ 5.368,00 em 2006. Uma empresa que movimenta tamanha grandeza de valores e declara, de forma reiterada, ínfima quantia, me leva a concluir que efetivamente cometeu omissão com o propósito de retardar o conhecimento do fato gerador pelas autoridades fazendárias. Ainda, em relação às multas qualificadas, também entendo que nos casos em que o sujeito passivo entrega as GIAS do ICMS com o valor efetivo das operações comerciais e entrega declaração com valor consideravelmente a menor, estando a demonstrar que não se trata de equivoco no registro de uma ou outra operação, tal fato também caracterizam a situação descrita nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, a que se refere o § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.” Por meio do despacho de fls. 731, opinei pelo conhecimento dos embargos, situação propícia para análise de sua pertinência e, também, para correção quanto ao fato da empresa, no anocalendário de 2005, ter apresentado declaração de inatividade e, no anos anos seguintes, permanecido como omissa. É o relatório. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10640.002173/201061 Acórdão n.º 1402001.934 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Comprovada a tempestividade dos embargos, deles tomo conhecimento e passo ao exame do tema. Na ocasião do julgamento, na minuta de voto que inseri no sistema, assim me posicionava em relação à qualificadora da multa: I Da questão relacionada à multa qualificada Inicialmente, registro que tenho entendimento formado de que da presunção de omissão de receita caracterizada em face da não comprovação da origem dos depósitos bancários, por si só, não pode decorrer o entendimento de que o sujeito passivo, que não conseguiu comprovar a origem dos depósitos bancários, agiu com dolo, fraude ou simulação com a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. O dolo, a fraude e a simulação não se presumem. Hão de estar comprovados nos autos. Ademais, na exigência de crédito tributário constituído a partir de depósitos bancários de origem não comprovada não se pode falar em omissão qualificada do contribuinte com a finalidade de sonegar, ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador, pois ao efetuar transações financeiras dáse o oposto, isto é, possibilita, conforme artigo 5° da Lei Complementar n° 105, de 2001, e arts. 1°, 2°, §§ 2° e 3°, do Decreto n° 4.545, de 2002, esses abaixo transcritos, que seja encaminhado à Fiscalização informações acerca de todos os recursos que movimentou. Decreto nº 4.489, de 2002, Art. 1º As instituições financeiras, assim consideradas ou equiparadas nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 1º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, devem prestar à Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda informações sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços, sem prejuízo do disposto no art. 6º da referida Lei Complementar. Art. 2º As informações de que trata este Decreto, referentes às operações financeiras descritas no § 1º do art. 5º da Lei Complementar nº 105, de 2001, serão prestadas, continuamente, em arquivos digitais, de acordo com as especificações definidas pela Secretaria da Receita Federal, e restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e com os montantes globais mensalmente movimentados, relativos a cada usuário, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos efetuados. .... Fl. 743DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10640.002173/201061 Acórdão n.º 1402001.934 S1C4T2 Fl. 6 5 § 2º As instituições financeiras deverão conservar todos os documentos contábeis e fiscais, relacionados com as operações informadas, enquanto perdurar o direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários delas decorrentes. § 3º A identificação dos titulares das operações ou dos usuários dos serviços será efetuada pelo número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e pelo número ou qualquer outro elemento de identificação existente na instituição financeira. Se por força das disposições legais antes referidas, mais precisamente o art. 2°, § 3°, do Decreto n° 4.489, de 2002, as informações são continuamente, em arquivos digitais, prestados à Secretaria da Receita Federal, identificando cada uma das operações realizadas por seus respectivos titulares, não se pode falar em sonegação ou omissão com o intuito de ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador. Se estivéssemos no campo do direito penal estaria configurada situação de crime impossível, pois em fazendo aplicação financeira não tem o contribuinte como impedir o conhecimento desta por parte da fiscalização. Ademais, nos casos em que entrega declaração sem movimento ou com movimento reduzido e apresenta movimentação financeira incompatível acaba por chamar atenção da Receita acerca da existência de anormalidade. Ainda, no exercício das atividades empresarias podem ocorrer situações que revelam erro ou esquecimento de registro de uma ou outra operação, circunstâncias em que o sujeito passivo entende que determinados rendimentos não estão sujeitos à incidência de tributos, como pode ocorrer nos casos de desapropriação e, por fim, as conhecidas situações em que a empresa, para não perder o prazo e evitar a multa por não cumprir obrigação acessória, entrega declaração sem movimento e não toma a providência de restituíla posteriormente. Nos casos de entrega de declaração sem movimento, estando esta referida a um único anocalendário, em razão dos fundamentos acima referidos e diante do disposto no art. 112, IV, do CTN, aplico a teoria do “in dubui pró contribuinte”. Voltando aos fundamentos legais que embasam a qualificadora da multa, o artigo 44, § 1º da Lei nº 9.430, de 1996, faz referência aos artigos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem: Das circunstâncias fáticas acima referidas concluise que o caso dos autos revela situação de sonegação e fraude cujos conceitos encontramse definidos nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964, os quais seguem transcritos: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, Fl. 744DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10640.002173/201061 Acórdão n.º 1402001.934 S1C4T2 Fl. 7 6 ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. No caso concreto, conforme indicado à fl. 49, no ano de 2005 a empresa autuada movimentou em suas contas bancárias o valor de R$ 27.785.109,28 e no ano seguinte R$ 11.159.438,80 e declarou como receita tributável de R$ 15.020,00 em 2005 e R$ 5.368,00 em 20062. Uma empresa que movimenta tamanha grandeza de valores e declara, de forma reiterada, ínfima quantia, me leva a concluir que efetivamente cometeu omissão com o propósito de retardar o conhecimento do fato gerador pelas autoridades fazendárias. Ainda, em relação às multas qualificadas, também entendo que nos casos em que o sujeito passivo entrega as GIAS do ICMS com o valor efetivo das operações comerciais e entrega declaração com valor consideravelmente a menor, estando a demonstrar que não se trata de equivoco no registro de uma ou outra operação, tal fato também caracterizam a situação descrita nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, a que se refere o § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Com tais considerações e deixando expressamente consignado que a situação dos autos não se encaixa na hipótese de simples omissão prevista de que trata a Súmula 14 do CARF, voto por manter a multa qualificada. Ocorre que os fundamentos que apresentei naquela ocasião, a partir de divergências inauguradas pelos Conselheiros Alexandre Alkmin Teixeira e Paulo Cortez, não foram acolhidos, situação que, ressalvando meu entendimento pessoal, aderi a posição da douta maioria no sentido de que a omissão caracterizada pela não declaração dos valores creditados em conta bancária do próprio contribuinte não constitui em causa que resulte na qualificadora da multa. Na ocasião, em que aderi a prosição da douta maioria consignei no voto: "...o procedimento da contribuinte entregar DIPJ registrando movimentação inexpressiva, que não confere com os valores verificados com os depósitos bancários a que a autoridade fiscal tem acesso, antes de se constituir em ato com a finalidade de retardar o conhecimento do fato gerador é elemento que se constitui em pressuposgo para desencadear o procedimento fiscal...." A propósito, na lição de PONTES DE MIRANDA, os embargos de declaração não se prestam para “corrigir erro intelectual da sentença (quaestio facti ou quaestio juris), ainda de lógica, ou de inadvertência no exame das provas." Da lição do jurista de maior produção intelectual e certamente o mais ilustre que nosso país já teve, nos comentários ao Código de Processo Civil de 1973, cuja norma em questão tem a mesma dicção, finalidade e natureza dos embargos de declaração previstos no artigo 57 do Regimento Interno do CARF, quanto à impossibilidade de pretendêlos utilizálos para corrigir supostos erros intelectuais do julgador, colhese os seguintes ensinamentos: 2 Quando da sessão de julgamento que se realizou em 14/02/2014 constou do relatório que a empresa, no ano de 2006, tinha apresentado declaração com receita de R$ 15.020,00 e no ano seguinte R$ 5.368,00. No entanto, tais valores, conforme se extrai das fls. 385 e 387 referemse aos rendimentos declarados pelo sócio Jaime José D´Avila. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10640.002173/201061 Acórdão n.º 1402001.934 S1C4T2 Fl. 8 7 “Se os embargos de declaração corrigem erro intelectual da sentença, e não erro de expressão (erro de forma do pensamento), cabe ação rescisória com fundamento em violação do artigo 535 do Código de 1973, antes art. 862, § 4º, do Código de 1939.” 3 No caso concreto, sem entrar no mérito quanto ao entendimento contido no acórdão embargado, passível de ser atacado mediante recurso próprio, não vislumbro obscuridade, omissão e nem contradição. ISSO POSTO, conheço dos embargos e, no mérito, rejeitoos. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva 3 PONTES DE MIRANDA. Comentários ao Código de Processo Civil. Ed. Forense. 1975. Tomo VII, pág. 410. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 15504.000086/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CRÉDITOS DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
A compensação de contribuições previdenciárias está sujeita às limitações legais e à homologação pela fiscalização, não sendo um direito absoluto do sujeito passivo.
A cessão de crédito celebrada entre as empresas é negócio jurídico válido somente entre as partes, sendo vedada a compensação da contribuição previdenciária devida com crédito adquirido de terceiros, por meio de cessão de direitos creditórios.
É ilegítima a compensação baseada em crédito cedido por terceiros, mesmo que o crédito tenha sido reconhecido em decisão judicial, que não se manifestou a respeito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CRÉDITOS DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. A compensação de contribuições previdenciárias está sujeita às limitações legais e à homologação pela fiscalização, não sendo um direito absoluto do sujeito passivo. A cessão de crédito celebrada entre as empresas é negócio jurídico válido somente entre as partes, sendo vedada a compensação da contribuição previdenciária devida com crédito adquirido de terceiros, por meio de cessão de direitos creditórios. É ilegítima a compensação baseada em crédito cedido por terceiros, mesmo que o crédito tenha sido reconhecido em decisão judicial, que não se manifestou a respeito. Recurso Voluntário Negado.
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CRÉDITOS DE TERCEIROS Recorrente ADSERVIS MULTIPERFIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CRÉDITOS DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. A compensação de contribuições previdenciárias está sujeita às limitações legais e à homologação pela fiscalização, não sendo um direito absoluto do sujeito passivo. A cessão de crédito celebrada entre as empresas é negócio jurídico válido somente entre as partes, sendo vedada a compensação da contribuição previdenciária devida com crédito adquirido de terceiros, por meio de cessão de direitos creditórios. É ilegítima a compensação baseada em crédito cedido por terceiros, mesmo que o crédito tenha sido reconhecido em decisão judicial, que não se manifestou a respeito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 00 86 /2 00 7- 51 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.000086/200751 Acórdão n.º 2402004.624 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente a contribuições compensadas, de forma administrativa, indevidamente pelo sujeito passivo, mediante o procedimento de glosa, no período de 07/2005 a 12/2006. O Relatório Fiscal (fls. 23/29) informa que o contribuinte compensou contribuições com créditos oriundos de outros sujeitos passivos, adquiridos das empresas Drauzio Rangel e Associados Consultoria Trabalhista, Brasmarine Agência Marítima Ltda, Agência Marítima Dickinson do Rio de Janeiro, Clínica Dermatológica de Ipanema S/C e Superamar S/A., razão pela qual glosou as respectivas compensações. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 11/10/2007 (fls. 01/02). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 33/109), alegando, em síntese, que: 1. há expressa permissão constitucional para a utilização de créditos de Terceiros em sede de compensação tributária, objeto da Emenda Constitucional 30/2000, que deu nova redação ao art.78 no Ato das Disposições Transitórias. Assevera que a regra geral é que os créditos de um titular podem ser livremente cedidos e que tal regime abarca, inclusive, os créditos oriundos de decisão condenatória contra a Fazenda Pública, submetidos ao regime de precatório. Aduz que a jurisprudência do STJ é pacífica no sentido da aplicação, na execução, do art. 67, II do CPC, que concede ao cessionário o direito de promovêla, ou nela prosseguir, quando o direito resultante do título executivo lhe for transferido por ato entre vivos, não se exigindo o consentimento da parte contrária, a que se refere o art.42, §l° do mesmo código; 2. consistindo a compensação e a restituição em modalidades de execução do julgado, pode a parte detentora de título judicial que declare o crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de tributo, escolher entre a compensação ou a restituição por meio de precatório, estando a faculdade prevista pelo art.66 §2° da Lei 8.383/91, admitida a cessão de crédito, por expressa previsão constitucional (art.78 do ADCT); 3. informa que as guias de recolhimento referentes aos créditos adquiridos das empresas cedentes comprovam o indébito tributário, eforam disponibilizadas à`fiscalização. Afirma que os fundamentos adotados pela fiscalização para impor a glosa de compensação não encontram respaldo nem mesmo na Consultoria Tributária, como se constata na Nota Técnica/Confis/Consultoria Tributária n° 01/2006. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Alega que o referido documento admite a prática da compensação adotada. Destaca que o posicionamento da fiscalização foi rechaçado pelo Poder Judiciário no Mandado de Segurança n° 2005.38.00.0257819. Junta cópia da Decisão às fls.l01/ 109; 4. aduz que a glosa de compensação efetuada pela fiscalização baseouse em fundamento jurídico equivocado, ignorando o disposto no art.78 do ADCT; 5. requer seja julgada improcedente a NFLD, em face da constitucionalidade e legalidade da compensação objeto da glosa lançada ou ainda, a nulidade da glosa, reabrindose o procedimento fiscal para que se apure a adequação da compensação efetuada, nos moldes do art. 89 da Lei 8.212/91. Protesta pela produção de prova documental, que comprove a adequação da compensação mediante cessão de crédito de terceiros às exigências expostas na Nota Técnica/Confis/Consultoria Tributária n° 0l/2006, e cópia da sentença no Mandado deSegurança 2005.38.00.02578l. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão 0218.186 da 8a Turma da DRJ/BHE (fls. 112/120) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte/MG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.000086/200751 Acórdão n.º 2402004.624 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Com relação ao direito de realizar a compensação, razão não assiste à Recorrente, eis que é vedada a compensação de contribuição previdenciária devida com crédito adquirido de terceiros, distintos da relação obrigacional tributária estabelecida entre o Fisco e a Recorrente. Inicialmente, devese observar que o caráter facultativo da compensação não desobriga o sujeito passivo do cumprimento da legislação pertinente, no caso, o Código Tributário Nacional (CTN) e a Lei 8.212/1991. Assim, se em uma ação fiscal ficar constatada a compensação de valores em desacordo com o permitido pela legislação previdenciária, será constituído o crédito tributário por meio do instrumento competente, sem prejuízo das penalidades cabíveis. A compensação como modalidade de extinção do crédito tributário está prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional (CTN). O mesmo diploma legal, artigos 170 e 170A, prevê regras gerais sobre a matéria; as regras específicas são objeto de lei ordinária. Transcrevemos abaixo os artigos do CTN que tratam da compensação: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação; ......................................................................................................... Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (g.n.) ......................................................................................................... Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela Lei Complementar nº 104, de 10.1.2001) A Lei 8.212/1991 – diploma que dispõe sobre o Plano de Custeio da Seguridade Social – em seu art. 891, que ora transcrevemos, traz comando no sentido de que 1 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Fl. 278DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 somente serão compensados os valores pagos ou recolhidos indevidamente a título de contribuição para a Seguridade Social nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O direito à compensação surgirá após o pagamento indevido de contribuição destinada à Seguridade Social, de atualização monetária, de multa ou de juros de mora. Nesse caminhar, somente é permitida a compensação entre créditos e débitos que se contrapõem. Deve haver, portanto, identidade entre os sujeitos das relações jurídicas. Não se admite compensar valor devido a uma pessoa com crédito existente perante terceiro. Pois, a regra estampada no art. 170 do CTN somente autoriza a compensação de créditos tributários com créditos que o próprio sujeito passivo tenha contra a Fazenda Pública. O fundamento legal para a impossibilidade de compensação com créditos de terceiro está no próprio CTN, que não menciona (interpretação restritiva, literal, art. 111) a possibilidade de compensações com créditos que seriam de terceiros e que foram cedidos para o interessado. Logo, a compensação tributária com a utilização de créditos de terceiros encontra óbice na falta de previsão legal. A Recorrente realizou a compensação de contribuição previdenciária devida com créditos pertencentes às empresas diversas da relação obrigacional tributária estabelecida entre ela e o Fisco, pois as empresas cedentes – Drauzio Rangel e Associados Consultoria Trabalhista, Brasmarine Agência Marítima Ltda, Agência Marítima Dickinson do Rio de Janeiro, Clínica Dermatológica de Ipanema S/C e Superamar S/A. – do suposto crédito possuem personalidade jurídica e obrigacional distintas da Recorrente. Registrase que não existe qualquer medida judicial que suspenda a exigibilidade do crédito ou que autorize a referida compensação com créditos de terceiros. Desa forma, impossível acolher o pedido da Notificada para que seja aceita a compensação realizada com créditos obtidos através de cessões de créditos realizadas com as empresas cedentes. A Recorrente menciona dispositivos do Código Civil para demonstrar a possibilidade de cessão de direito de crédito de terceiros contra a Fazenda Pública. Entretanto, quando se trata de matéria tributária, é necessário observar a especialidade da legislação que trata do assunto, em virtude da relação Fisco/contribuinte não se situar no mesmo patamar das relações privadas. A impossibilidade de realizar compensação com crédito de terceiros já foi manifestada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos seguintes termos: “AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO DE DÉBITO DE ICMS COM CRÉDITOS ALIMENTARES HABILITADOS PRECATÓRIOS. TRIBUTOS DISTINTOS. PESSOAS JURÍDICAS DIFERENTES. IMPOSSIBILIDADE. 1. Cuidase de agravo regimental em agravo de instrumento no qual a agravante pretende a reforma da decisão que negou direito de compensar os seus débitos com o ICMS com créditos alimentares vencidos, habilitados em precatórios judiciais, § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 279DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.000086/200751 Acórdão n.º 2402004.624 S2C4T2 Fl. 5 7 adquiridos por cessão de direitos, ou seja, de outra pessoa jurídica, no caso o IPERGS. 2. A compensação tributária somente é permitida entre tributos e contribuições da mesma natureza, sendo proibida a compensação de créditos entre pessoas jurídicas distintas." 3. Agravo regimental nãoprovido.” (AgRg no Ag 827639/RS, Relator Min. José Delgado, DJ 27.09.2007) No âmbito deste Tribunal Administrativo, a compensação com crédito de terceiros também não encontra acolhida, conforme se depreende das decisões, cujas ementas transcrevo abaixo: Recurso 139334, Sessão 19/10/2007, Acórdão 20218448: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ementa: COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CRÉDITO DE TERCEIROS DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL. É ilegítima a compensação baseada em créditoprêmio do cedido por terceiros, mesmo que o crédito tenha sido reconhecido em decisão judicial, que não se manifestou a respeito.” ......................................................................................................... Recurso 128959, Sessão 12/04/2005, Acórdão 30331951: "Ementa: COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. Descabe a compensação de débitos de natureza tributária com créditos de terceiros vedação expressa na IN/SRF 41/2000 e art. 74 da Lei 9.430/96, alteração introduzida pela Lei 10.637/2002. RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO.” Considerando os elementos fáticos e probatórios, entendese que a Recorrente não cumpriu todos os requisitos previstos na legislação previdenciária para realizar as compensações almejadas nas competências 07/2005 a 12/2006. Com relação às demais questões postuladas na peça recursal, elas foram devidamente refutadas na decisão de primeira instância, a qual não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação dessa decisão, nos seguintes termos: “[...] Quanto à alegação de que o posicionamento da fiscalização foi rechaçado pelo Poder Judiciário no Mandado de Segurança n° 2005.38.00.0257819, destacamos que tal assertiva carece de fundamento. A referida ação judicial não tem a empresa Notificada como parte. Assim sendo, as decisões proferidas naqueles autos só possuem validade para aquele caso concreto, ou seja, não surtem qualquer efeito para aqueles que não são parte naquele processo, como a Notificada. Quanto à citação da Nota Técnica/Confis/Consultoria Tributária n°01/2006, ressaltamos, inicialmente, que as Notas Técnicas emitidas pelo Órgão de Arrecadação do Serviço de Dívida Ativa da ProcuradoriaGeral Federal têm caráter apenas opinativo. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Consignamos, ainda, que os pareceres/notas técnicas para terem força vinculante devem ser exarados nos termos dos artigos 40 a 42 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Também merece destaque o fato de que a Nota Técnica/Confis/Consultoria Tributária n°0l/2006 achase circunscrita à cessão de crédito resultante de precatório, porquanto, toda a fundamentação autorizadora da cessão acha se no art.78 do ADCT introduzido pela Emenda Constitucional n°30/2000. Assim, a despeito da constatação do caráter opinativo da citada Nota Técnica, a sua incidência ao caso em tela não decorre desse efeito, mas do fato de a situação fática não se harmonizar com a matéria tratada nessa Nota Técnica, a qual enfeixou a questão atinente ao crédito resultante de precatório e não sobre crédito reconhecido por decisão judicial ou não, não objeto de precatório. Portanto, definido que a legislação tributária não autoriza a cessão de créditos e sendo a compensação matéria que se insere sob o princípio da reserva legal, exigindo lei, no sentido formal e material, que estipule as condições e garantias em que deve ser feita ou que atribua à autoridade administrativa essa estipulação (art. 170 do CTN), verificase que está correto o procedimento adotado pela fiscalização ao desconsiderar a compensação procedida pela Notificada com utilização dos créditos adquiridos das empresas Drauzio_Rangel e Associados Consultoria Trabalhista, Brasmarine Agência Marítima Ltda, Agência Marítima Dickinson do Rio de Janeiro, Clínica Dennatológica de Ipanema S/C e Superamar S/A. [...]” Pelas razões fáticas e jurídicas acima delineadas, as alegações da Recorrente não devem ser acatadas. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10840.901884/2009-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/2001
INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIA. ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO.
A realização de diligência depende da convicção do julgador, que pode indeferir, ao seu livre arbítrio, as diligências que entender prescindíveis, sem que isso gere a nulidade do processo.
PIS FATURAMENTO. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO JULGADA EM REPERCUSSÃO GERAL.
Em apreciação a Recurso Extraordinário com Repercussão Geral reconhecida, o STF julgou inconstitucional a base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, no que amplia o significado do termo faturamento. Assim, o PIS tributado na forma da Lei nº 9.718/98 incide somente sobre receita originada na venda, na prestação de serviço ou na venda e prestação de serviço.
Numero da decisão: 3401-002.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. A realização de diligência depende da convicção do julgador, que pode indeferir, ao seu livre arbítrio, as diligências que entender prescindíveis, sem que isso gere a nulidade do processo. PIS FATURAMENTO. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO JULGADA EM REPERCUSSÃO GERAL. Em apreciação a Recurso Extraordinário com Repercussão Geral reconhecida, o STF julgou inconstitucional a base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, no que amplia o significado do termo faturamento. Assim, o PIS tributado na forma da Lei nº 9.718/98 incide somente sobre receita originada na venda, na prestação de serviço ou na venda e prestação de serviço. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 18 84 /2 00 9- 20 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /05/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida em 22/11/2005 (fls.02/06) pela qual a Contribuinte pediu o ressarcimento de crédito do PIS, supostamente recolhido a maior em 15/08/2001, referente ao período de apuração de julho de 2001, para compensar com débitos do IRPJ de outubro de 2005. O crédito foi indeferido. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls.11/22), mas a DRJ em Ribeirão Preto/SP manteve o indeferimento (fls. 58/61). A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 08/06/2010 (fl.63) e interpôs recurso voluntário em 01/07/2010 (fls.64/85). Na primeira análise do recurso voluntário, sob a relatoria do Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte, o debate era acerca da base de cálculo aplicável, em razão da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo promovida pela Lei nº 9.718/98. O julgamento foi convertido em diligência para que fosse averiguada a existência do crédito (fls.96/100). A conclusão da diligência está presente nas fls. 113/114. A Contribuinte foi intimada, mas não se manifestou. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O valor requerido pela Recorrente para ressarcimento era de R$ 15.391,66. No recurso voluntário, preliminarmente, alegouse a nulidade do acórdão da DRJ por indeferir a realização de diligência. No mérito, alegou que o recolhimento a maior ocorreu porque concluiuse na base de cálculo valores de receitas não operacionais. Argumentando a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Lei nº 9.718/98, a Recorrente pediu que o crédito fosse calculado utilizandose a correta base de cálculo. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /05/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10840.901884/200920 Acórdão n.º 3401002.958 S3C4T1 Fl. 123 3 1 Da nulidade do acórdão da DRJ A Recorrente alega que o acórdão da DRJ é nulo em razão de aquela instância ter negado a realização de perícia contábil. Ocorre que o indeferimento de diligência por parte da DRJ não torna o julgamento nulo, haja vista que, nos termos do art. 18, combinado como art. 29, do Decreto nº 70.235/72, a realização de diligência é questão de livre convicção do julgador. A autoridade julgadora pode negar a realização de diligência se entendêla prescindível, senão, vejamos: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine”. “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”. Portanto, o acórdão da DRJ não é nulo. 2 Da base de cálculo do PIS faturamento A Recorrente alega que a base de cálculo disposta no art. 3o da Lei nº 9.718/98 é inconstitucional, porque amplia indevidamente o campo e incidência do PIS. A base de cálculo determinada pela Lei nº 9.718/98 pode ser observada pela leitura conjunta do art. 2o e art. 3o, da aludida lei, in verbis: “Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /05/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 Ocorre que o STF, em 10/09/2008, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, com Repercussão Geral reconhecida, prolatou a seguinte decisão: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008, ) (grifo nosso) Um dos precedentes utilizados pelo Supremo para chegar ao julgamento do RE 585.235 e reconhecêlo na sistemática de repercussão Geral foi o seguinte: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 346084, Relator (a): Min. ILMAR GALVÃO, Relator (a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 0109 2006 PP00019 EMENT VOL0224506 PP01170) (grifos nosso) Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /05/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10840.901884/200920 Acórdão n.º 3401002.958 S3C4T1 Fl. 124 5 Em suma, o STF julgou que o PIS e a COFINS, tributados na forma da Lei nº 9.718/98, incidem somente sobre as receitas oriundas de venda e de prestação de serviço. Portanto, seguindo a linha do STF, o PIS só incide sobre as receitas que sejam originadas em vendas, prestação de serviço ou vendas e prestação de serviço, de modo que os recolhimentos feitos sobre outras receitas são indevidos. A diligência, aplicando a base de cálculo correta, isto é, somente as receitas oriundas de vendas, concluiu que existe um saldo credor em favor da Contribuinte no montante de R$ 6.954,23. Como a Recorrente não se manifestou contra o resultado da diligência, presumese que o novo cálculo está correto, devendo ser reconhecido o direito creditório encontrado durante a diligência. Ex positis, dou provimento parcial ao recurso voluntário interposto para reformar o acórdão da DRJ e reconhecer o direito creditório no montante de R$ 6.954,23 e homologar as compensações até o limite do crédito. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /05/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 10735.904581/2008-85
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004/
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do pedido de restituição no prazo de 5 anos. O Art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar a o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o pedido de restituição.
RECURSO
Numero da decisão: 3801-005.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos por negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004/ PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do pedido de restituição no prazo de 5 anos. O Art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar a o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o pedido de restituição. RECURSO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004/ PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do pedido de restituição no prazo de 5 anos. O Art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar a o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o pedido de restituição. RECURSO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 45 81 /2 00 8- 85 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 06/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo o relatório da douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro (I):g Trata o processo de declaração de compensação Dcomp nº 40598.05420.170906.1.7.046501 (fls.7/11), por meio da qual o interessado compensa o crédito relativo ao pagamento indevido ou a maior de programa de integração social PIS (Darf no valor de R$ 35.000,00, código 6912, recolhido em 10/01/2004) com diversos débitos. 2. A DRF Nova Iguaçu/RJ por meio do despacho decisório eletrônico de fl. 14, emitido em 20/05/2008, não homologou a compensação declarada, uma vez que o Darf discriminado na Dcomp não foi localizado nos sistemas da Receita Federal do BrasilRFB. 3. Cientificado da decisão em 29/05/2008 (fl.17), o interessado apresentou em 30/06/2008 a manifestação de inconformidade de fls. 18/35, acompanhada dos documentos de fls. 36/42, alegando, em síntese, que: os créditos utilizados na compensação estão relacionados no pedido de restituição nº 13748.000436/200368, de 24/09/2003; incorreu em erro material, gerada pela inexperiência no uso do programa PERDCOMP, que apenas aceitava um único Darf, quebrando todo o processo de levantamento e utilização de formulários de compensação em papel que permitia transcrever quaisquer quantidades de Darf e créditos; como detém os créditos que seriam objeto da compensação, solicita que a declaração de compensação seja refeita, agregandose os juros e multa legais, utilizandose dos créditos relacionados no processo de restituição; Analisando o caso, a DRJ no Rio de Janeiro (I) entendeu por bem manter o indeferimento do pleito, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2008 PAGAMENTO INDEVIDO DE PIS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. É defeso ao contribuinte retificar a DCOMP após a ciência da decisão administrativa. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 06/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10735.904581/200885 Acórdão n.º 3801005.315 S3TE01 Fl. 12 3 Inconformado, o contribuinte apresentou o seu Recurso Voluntário, no qual traz argumentação diferente da que restou apresentada na Manifestação de Inconformidade. Neste Recurso, alega, em síntese, que houve homologação tácita do pedido de restituição dos créditos, uma vez que não houve análise pela Receita Federal do Brasil dentro do prazo de 05 anos, contados da data de protocolo. É o relatório. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O Recurso Voluntário foi apresentado no prazo legal e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, cumpre consignar que o Recurso Voluntário ora analisado é bastante confuso, sem nenhuma correlação lógica entre os fatos e os argumentos apresentados, o que dificulta sobremaneira o trabalho do julgador administrativo. Ademais, em um primeiro momento, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o Recorrente alegou que o não reconhecimento do seu crédito se deu por erro no preenchimento do pedido de compensação. Não tendo sido acolhida a argumentação lançada pelo acórdão recorrido, em Recurso confuso, o Recorrente traz extensa argumentação acerca da necessidade de reconhecimento da homologação tácita do pedido de restituição apresentado, uma vez que decorrido prazo de 05 anos, sem que fosse proferida qualquer decisão administrativa. Pois bem. Em julgados anteriores, esta Turma de Julgamento já se posicionou pela possibilidade de haver retificação das declarações posteriormente à decisão administrativa. Contudo, a retificação deve vir com a comprovação documental da origem dos créditos, até mesmo para que haja elementos nos autos capazes de aferir o direito creditório do contribuinte. Contudo, no presente caso, não há nos autos qualquer comprovação do direito creditório, nem mesmo as declarações retificadoras do Recorrente. Inclusive, como restou consignado no acórdão recorrido, antes de ser proferido o despacho decisório, foi dada a oportunidade ao Recorrente de justificar a origem do seu crédito e, se fosse o caso, retificar as suas declarações, o que, entretanto, não foi feito. Como se não bastasse, a princípio desprezando a linha de defesa exposta em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente alega no Recurso Voluntário que houve a homologação tácita do pedido de restituição dos créditos, uma vez que transcorrido prazo de 05 anos, contados da data do protocolo do pedido. Contudo, não há como acatar tal linha de defesa, uma vez que o Código Tributário Nacional regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da Fl. 118DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 06/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 4 ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. Quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Contudo, essa linha de raciocínio não pode ser utilizada nos casos de pedido de restituição, como pretendeu o Recorrente. O pedido de restituição não pode ser confundido com o pedido de compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. Por isso a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento (quando não atrelado a um pedido de compensação), e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. É sabido que os contribuintes vêm sofrendo prejuízos financeiros e danos morais decorrentes da morosidade da Administração Tributária Federal em proferir decisões sobre os requerimentos apresentados perante as repartições fiscais de sua circunscrição. Contudo, o Princípio Constitucional da razoável duração do procedimento administrativo, nos termos do artigo 5o, inciso LXXVIII da Carta Magna de 1.988, não pode ser aplicado como se regra fosse. Deve, sim, nortear o agente administrativo e todos os seus atos, mas não há, ainda, na legislação vigente, nenhuma norma que o obrigue a efetuar a análise de um pedido de restituição no prazo de 2, 3 ou 5 anos, por exemplo, sob pena de seu acatamento sem maiores delongas. Por conseguinte, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos (os interesses de todos nós, cidadãos), nada o impede de, depois de transcorridos mais de 05 anos após o pedido de restituição formulado pela Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4o., do CTN, como defende o Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. Considerando que o Recorrente se limitou a arguir a homologação tácita do pedido de restituição, com base no artigo 150, § 4o., do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. Por essas razões, nego provimento ao Recurso Voluntário. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 119DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 06/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10735.904581/200885 Acórdão n.º 3801005.315 S3TE01 Fl. 13 5 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 06/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Numero do processo: 10646.000419/2006-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 20/12/2005
PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do recurso voluntário, configura renúncia às instâncias administrativas, não devendo ser conhecido o recurso apresentado pela recorrente.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. REQUISITOS.
A realização de diligência requerida pela impugnante depende de que os motivos expostos justifiquem a necessidade, sob pena de indeferimento do pleito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-01.161
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do recurso voluntário, configura renúncia às instâncias administrativas, não devendo ser conhecido o recurso apresentado pela recorrente. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. REQUISITOS. A realização de diligência requerida pela impugnante depende de que os motivos expostos justifiquem a necessidade, sob pena de indeferimento do pleito. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 09/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Mara Cristina Sifuentes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama, ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente de auto de infração, fls. 08, contra o contribuinte acima qualificado, com a exigência da Cofins Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Importação, no valor de R$ 18.017,27, pelas razões a seguir expostas. O contribuinte, por meio da Dl n° 05/13892448, registrada em 20/12/2005, processou o despacho da mercadoria importada. Naquela data do registro da Dl (fato gerador da contribuição, conforme art. 4°, inciso I, da Lei n° 10.865/2004), a aliquota da Cofins, era de 7,60%. Entretanto, o contribuinte deixou de recolher o valor desse crédito tributário, obtendo junto ao Poder Judiciário, mediante uma tutela antecipada, para a suspensão da exigibilidade do referido crédito. Tendo ocorrido a decisão com a sentença favorável à Fazenda Nacional, foi lavrado o presente auto de infração para exigência do referido crédito tributário, relativamente a Cofins. O contribuinte foi intimado e cientificado, fls.18, em 10/11/2006, tendo apresentando sua Impugnação, em 06/12/2006, fls. 23/41, onde alega: a inconstitucionalidade da exigência da Cofins; e, a incorreção da base de cálculo da contribuição. Requer a realização de perícia para a apuração de eventual diferença de valores das duas contribuições existente em razão do cálculo que considere as regras da D n°17/04 e 436/04, indicando perito e formulando quesitos. Ao final, postula pela improcedência do lançamento. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/12/2005 PRELIMINAR PROCESSUAL. CONCOMITÂNCIA. Desnecessária a perícia quando o importador calculou e apurou a base de cálculo da Cofins, conforme consta da própria Dl que elaborou. Por outro lado, considerase legitima a aplicação do ADE n° 17/2004 no cálculo da Cofins na importação de bens, ato normativo vigente quando da ocorrência do fato gerador. Inconstitucionalidade e ilegalidade não se discute em processo administrativo fiscal. Pelo Princípio da Jurisdição Una, considerase renúncia a instância administrativa, quando o contribuinte propõe ação judicial sobre a mesma matéria (Sumula n° 5 do Terceiro Conselho de Contribuintes). Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10646.000419/200623 Acórdão n.º 310201.161 S3C1T2 Fl. 2 3 Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Como se depreende das informações contidas no processo, a recorrente ingressou perante o Poder Judiciário com Mandado de Segurança, por meio do qual intentava desonerarse de valores devidos a título de COFINS na importação. Para tanto, discutiu, no mérito, a procedência da exigência que neste se lhe está sendo feita. Na essência, o que justifica a negativa ao contribuinte do direito de discutir o assunto na esfera administrativa quando o mesmo opta por discutilo em juízo, é o fato de que, ante a decisão tomada na esfera judicial, a decisão administrativa tornase sem nenhum efeito, sendo absolutamente despicienda qualquer iniciativa tendente a dar andamento ao processo administrativo. Quanto ao pedido de perícia, não vejo razão para seu deferimento. Assim assevera a recorrente. Conforme exposto pela Recorrente na impugnação, a perícia se justifica para que seja apurada a eventual diferença de valores da contribuição existente em razão de cálculo que considere as regras do Ato Declaratório n° 17/2004 e Instrução Normativa SRF n° 436/2004. Os Atos Normativos citados apenas esclarecem a metodologia de cálculo das Contribuições para o PIS/PASEP e COFINS na importação. Não tendo sido apontado nenhuma irregularidade nas informações prestadas na Declaração de Importação ou na aplicação do método especificado nos Atos, considero o pedido desprovido de fundamento. Ademais, como bem apontado pelo i. Julgador da decisão de piso, quem informou a base de cálculo na importação foi a própria recorrente, razão ainda maior para que esclarecesse de forma pormenorizada as razões para o pedido de diligência. Ante o exposto, considerando que a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, VOTO POR NÃO CONHECER o recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. Sala de Sessões, 10 de agosto de 2011. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10882.001514/2005-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2102-000.110
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, EM
SOBRESTAR o julgamento do Recurso, na forma do artigo 62-A,
caput e §1º do Anexo II do RICARF.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, EM SOBRESTAR o julgamento do Recurso, na forma do artigo 62A, caput e §1º do Anexo II do RICARF. Assinado digitalmente Rubens Maurício Carvalho – Presidente em Exercício Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 26/02/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 2308DF CARF MF Impresso em 13/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 po r RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10882.001514/200571 Resolução nº 2102000.110 S2C1T2 Fl. 2 2 Relatório Contra ANTONIO LUIZ MAGLIARI JUNIOR foi lavrado Auto de Infração, fls. 1047/1055, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2000, exercício 2001, no valor total de R$ 2.388.684,55, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/06/2005. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 1043/1046, foram: (i) omissão de ganhos líquidos no mercado de renda variável obtidos em bolsa de valor (operações comuns); (ii) omissão de ganhos líquidos no mercado de renda variável obtidos em operações day trade em bolsa de valor e (iii) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 1.062/1096, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente em parte o lançamento, reduzindo as infrações de omissão de ganhos líquidos em renda variável para R$ 20.552,70 e a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada para R$ 1.041.102,46, conforme Acórdão DRJ/SDR nº 15 18.249, de 29/01/2009, fls. 2063/2066. A DRJ Salvador recorreu de ofício de sua decisão ao Primeiro Conselho de Contribuintes, em razão do limite de alçada estabelecido na Portaria MF nº 375, de 07 de dezembro de 2001. Cientificado da decisão de primeira instância, em 10/03/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 2095, o contribuinte apresentou, em 06/04/2009, recurso voluntário, fls. 2099/21271, trazendo as alegações a seguir resumidas: Preliminar – Solicitase a apreciação das novas provas apresentadas com o recurso voluntário ao tempo em que esclarece que quando da apresentação da impugnação havia formulado pedido de prazo para a apresentação de novas provas e tal pedido não foi apreciado pela decisão recorrida. Cumpre mencionar também que, com relação às operações de renda variável, a Corretora de Valores Imobiliários Planibanc, através de seu liquidante, informou não ter mais arquivada as notas de corretagem do ano de 1999, uma vez que já se passaram 10 anos da operação realizada com esta corretora de valores. Estas notas de corretagem de 1999 comprovariam a compensação de prejuízos de operações em bolsa, uma vez que os prejuízos tanto em operações à vista, como em operações day trade, podem ser transportados de ano a ano até o seu total abatimento com lucros posteriores. Depósitos com origem não comprovada 1. Administração de bens de terceiros: (i) As empresas abaixo mencionadas prestaram serviços de corretagem juntamente com a empresa MORAES MAGLIARI A.C.F. S/C LTDA., de propriedade do Recorrente, no anocalendário de 2000, para a empresa FLUXO CORRETORA DE CAMBIO S/A, conforme esta mesma declarou. Fl. 2309DF CARF MF Impresso em 13/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 po r RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10882.001514/200571 Resolução nº 2102000.110 S2C1T2 Fl. 3 3 (ii) A empresa FLUXO CORRETORA DE CAMBIO S/A. depositava na conta corrente do Recorrente o valor referente às comissões das empresas abaixo indicadas, bem como a comissão referente à empresa MORAES MAGLIARI A.C.F. S/C LTDA., visando assim centralizar a forma de pagamento dos valores das comissões de câmbio e corretagem de todas as empresas, com a coordenação e administração do Recorrente (iii) Assim, por questão de economia e facilidade na organização dos recebimentos das receitas, todas as empresas abaixo indicadas utilizavam a conta pessoal do Recorrente para depósito de valores elevados referentes ao rendimento auferido por estas próprias empresas. (iv) Após o depósito da quantia referente às empresas abaixo indicadas na conta corrente do Recorrente, este, em ato contínuo, emitia cheques pessoais transferindo os valores para os sócios das empresas abaixo indiciadas. (v) Observase que o Recorrente efetuava apenas a administração de bens de terceiros, uma vez que os valores referentes a outras pessoas jurídicas eram transferidos para sua conta corrente pessoal para retransmissão aos seus verdadeiros destinatários. (vi) Em nenhum momento os valores depositados na conta corrente do Recorrente representavam receita auferida por este contribuinte, não passando de administração de bens de terceiros. (vii) O acórdão ora recorrido identificou a origem de depósitos em cheques e DOC como provenientes de diversas empresas devidamente identificadas através dos dados dos cheques depositados, incluindo número da conta do depositante, comprovantes da titularidade das contas dos depositantes e demais documentos comprobatórios da operação acima descrita. (viii) Os depósitos efetuados na conta corrente de titularidade do Recorrente pertencem às seguintes pessoas jurídicas: a. Sanches e Costa Assessoria e Consultoria Financeira S/C Ltda. b. Mariano Borges Assessoria e Consultoria Financeira S/C Ltda. c. Guerreiro e Nagem Assessoria e Consultoria Financeira S/C Ltda. d. Rodrigues e Paiva Assessoria e Consultoria Financeira S/C Ltda. e. Galeskas e Curtolo Cavalcanti Assessoria e Consultoria Financeira S/C Ltda. f. Freitas e Maia Assessoria e Consultoria Financeira S/C Ltda. g. Selmo Assessoria em Finanças e Comércio Exterior Ltda. 2. Depósitos de cheques na conta corrente de titularidade de CLARISSA MAGLIARI esposa do Recorrente: Fl. 2310DF CARF MF Impresso em 13/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 po r RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10882.001514/200571 Resolução nº 2102000.110 S2C1T2 Fl. 4 4 (i) A conta corrente de titularidade da esposa do Recorrente Sra. Clarissa Magliari foi indevidamente incluída no lançamento fiscal (banco Citibank c/c nº 30016401). (ü) A Sra. Clarissa Magliari não está sob fiscalização e nem foi notificada a apresentar qualquer informação sobre sua movimentação bancária. (...) Tendo em vista que na maior parte dos valores foi possível a comprovação da origem, requerse a consideração, pela boa fé do recorrente, que a totalidade da origem dos depósitos seja considerada comprovada , tendo em vista que a falta de comprovação de alguns depósitos se deu por motivos de força maior e não por má fé do contribuinte. É o Relatório. Fl. 2311DF CARF MF Impresso em 13/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 po r RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10882.001514/200571 Resolução nº 2102000.110 S2C1T2 Fl. 5 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora Na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF, sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC), deveriam as Turmas de Julgamento do CARF sobrestar o julgamento de matéria idêntica em recurso administrativo, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte. A interpretação conjunta da cabeça e do parágrafo primeiro do dispositivo regimental citado indicava que bastava o reconhecimento da repercussão geral para o sobrestamento do trâmite do recurso administrativo fiscal, não se fazendo maiores considerações sobre o procedimento de sobrestamento dos recursos extraordinários do próprio judiciário, como condicionante para o sobrestamento dos recursos da via administrativa. Essa era a interpretação das Turmas de julgamento do CARF. Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da Segunda Seção do CARF, as controvérsias sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente e a incidente a partir da transferência compulsória do sigilo bancário dos contribuintes para o Fisco (e aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001) vinham tendo o julgamento administrativo sobrestado, pois o STF havia reconhecido a repercussão geral em ambas as matérias, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br): Tema 225 Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. RE 601.314 – Relator o Min. Ricardo Lewandowski. Tema 228 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. – RE 614.406 – Relatora a Min. Ellen Grace. Com a publicação da Portaria CARF nº 001/2012, que objetiva disciplinar os procedimentos do sobrestamento no âmbito do CARF, surgiram dúvidas sobre o cabimento do sobrestamento para o Tema 225, acima, em decorrência da redação do art. 1º, parágrafo único, da referida Portaria, pois o STF não teria determinado o sobrestamento dos recursos extraordinários que versavam sobre a transferência compulsória do sigilo bancário para o Fisco (e retroatividade da Lei nº 10.174/2001), como se poderia ver na decisão que reconheceu a repercussão geral para o tema, no RE 601.314. Apreciando a controvérsia acima, no julgamento do processo 19647.009419/200653, sessão de 09 de fevereiro de 2012, pela Resolução 2102000.045, esta Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção entendeu que a controvérsia espelhada no Tema 225 do STF deveria continuar tendo os julgamentos administrativos sobrestados, pois “o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por si só, tem como consectário lógico e inafastável o sobrestamento do julgamento de todos os recursos extraordinários sobre a mesma matéria, pois não se pode imaginar que o STF reconheça a repercussão geral e os RE possam continuar a tramitar, isso sem qualquer possibilidade de julgamento no STF, pois na Suprema Corte somente se apreciará o RE leading case”. E como exemplo do entendimento que tem obstado o julgamento dos recursos extraordinários, com Fl. 2312DF CARF MF Impresso em 13/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 po r RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10882.001514/200571 Resolução nº 2102000.110 S2C1T2 Fl. 6 6 devolução do apelo extremo aos tribunais de origem no Tema 225, vejase despacho no Recurso Extraordinário 611.139, relator o Min. Luiz Fux, decisão de 07 de fevereiro de 2012. Ora se há o sobrestamento dos recursos extraordinários no rito da repercussão geral, aplicável o art. 62A, § 1º, do RICARF nos recursos com o Tema 225 no âmbito administrativo. Por tudo, no caso de controvérsias sobre a transferência compulsória do sigilo bancário (Lei complementar nº 105/2001) e retroatividade da Lei nº 10.174/2001, considerando que o STF também vem sobrestando o julgamento dos recursos extraordinários dessa matéria, devemse igualmente sobrestar os julgamentos administrativos nesta Turma de Julgamento, na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF, aguardando que o STF resolva em definitivo a controvérsia sobre o Tema 225. No presente caso, embora o contribuinte não faça alegações acerca da transferência compulsória do sigilo bancário (Lei complementar nº 105/2001), inferese do Termo de Verificação Fiscal, que os extratos bancários do contribuinte foram obtidos mediante emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF), fato que denota que a transferência do sigilo bancário se deu de forma compulsória. Importa destacar que a autoridade fiscal não juntou aos autos as RMF, fazendo, apenas, menção às mesmas no Termo de Verificação Fiscal. Consta somente uma RMF, fls. 1499, para o Planibanc, cuja cópia foi juntada aos autos juntamente com uma das resposta do contribuinte. Assim, devese sobrestar o julgamento dos recursos voluntário e de ofício, cumprindo o procedimento do art. 2º, § 1º, I, da Portaria CARF nº 001/2012. Ante o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento dos recursos de ofício e voluntário. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 2313DF CARF MF Impresso em 13/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 po r RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA
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Numero do processo: 10680.014116/2005-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001
Ementa:
INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO OU DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. COFINS. ISENÇÃO.
São isentas da Cofins apenas as receitas relativas às atividades próprias das instituições de educação ou de assistência social, sem fins lucrativos, que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado.
ATIVIDADES PRÓPRIAS. DEFINIÇÃO. ESTATUTO.
Consideram-se atividades próprias da entidade todas aquelas que tenham sido previstas em seu Estatuto, independentemente da sua fonte de financiamento.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
Tal como disposto no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as decisões de Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, a COFINS incide apenas sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-000.928
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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COFINS. ISENÇÃO. São isentas da Cofins apenas as receitas relativas às atividades próprias das instituições de educação ou de assistência social, sem fins lucrativos, que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado. ATIVIDADES PRÓPRIAS. DEFINIÇÃO. ESTATUTO. Consideramse atividades próprias da entidade todas aquelas que tenham sido previstas em seu Estatuto, independentemente da sua fonte de financiamento. COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Tal como disposto no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as decisões de Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, a COFINS incide apenas sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Recurso Voluntário Provido Fl. 319DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 14/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Lavrouse contra o contribuinte identificado o Auto de Infração de fls. 03/11, relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, totalizando um crédito tributário de R$ 1.318.882,51, incluindo multa de oficio e juros moratórios, correspondente aos períodos especificados em fls. 04/05. A autuação ocorreu em virtude da falta de recolhimento da Cofins. O enquadramento legal encontrase citado em fls. 05. Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 12/14, a congregação não declara a Cofins e os DARF dessa contribuição não foram apresentados sob alegação de não haver recolhimento de tal tributo. O crédito tributário correspondente foi constituído de conformidade com os quadros "Demonstrativo da Base de Cálculo da Cofins", que tiveram como base as receitas escrituradas nos Livros Diário e Razão e Balancetes de Verificação, excetuandose as receitas das atividades próprias. Cientificado em 04/10/05 (fls. 03), o interessado apresentou, em 03/11/2005, impugnação ao lançamento, conforme arrazoado de fls. 206/225, acompanhado dos documentos de fls. 226/257, com as suas razões de defesa, assim resumidas: A isenção do § 7º, do artigo 195, tinha que ser mantida, como o foi , na Lei Complementar n° 70/91. Toda e qualquer lei posterior à Carta Magna de 1988 tinha e tem de conservar aquela isenção. Fl. 320DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.014116/200591 Acórdão n.º 310200.927 S3‐C1T2 Fl. 308 3 Faturamento não é equivalente à receita. Faturamento só ocorre nas empresas mercantis. É a emenda Constitucional n° 20, que acrescentou "receita" ao texto constitucional. Uma Lei Ordinária não poderia conceituar "receita" como base de cálculo da Cofins sem que a Constituição o permitisse. As entidades de assistência social não se equiparam a empresas menos, ainda, a empresas mercantis. A Lei 9.718/98, veio a criar conceito sobre receita quando vigente a norma constitucional originária, que só previa incidência de contribuição social sobre folha de pagamento e sobre faturamento. Em sendo assim, a Lei n° 9.718/98, quando promulgada, estava contrariando a Constituição. Tornarase lei inconstitucional. A auditora pretende admitir como possível a alteração de uma Lei Complementar por meio de uma Lei Ordinária. Deixandose de lado a discussão quanto à subsistência, ou não, das Medidas Provisórias n° 18566, de 29/06/1999 e n° 2.15835, de 24/08/2001, que não foram convertidas em lei e, a última, sequer foi objeto de análise pelo Congresso Nacional, o certo é que, no máximo, poderiam elas ser equiparadas a leis ordinárias. Metemse elas, no entanto, a alterar, a suprimir, a ampliar e a restringir dispositivos da Lei Complementar n° 70/91. Em suma, querer a Auditora Fiscal adotar como fundamento da autuação as "mudanças" e as "alterações" que teriam advindo de medidas provisórias e que teriam "revogado" isenções previstas em Lei Complementar n° 70/91, é, "data venia" erro de direito, é ilegalidade, é arbítrio. Assim, quando a MP restringe isenção da Cofins "às receitas oriundas das atividades próprias das entidades referidas no artigo 13" daquela MP, outra vez está ela ferindo o direito, usurpando competência e rezando na ilegalidade. Ao seu turno, uma Instrução Normativa jamais poderia emitir conceito interpretativo do alcance da "restrição" contida na inválida Medida Provisória. Sendo assim, a Instrução Normativa invocada na autuação não pode arredar a aplicação da isenção e, menos, ainda, da imunidade tributária das instituições de assistência social. A par das ilegalidades e inconstitucionalidades até agora apontadas, admitindose apenas por hipótese e pelo princípio da eventualidade, que fosse possível exigirse da impugnante alguma obrigação quanto à Cofins, terseá de reconhecer que arbitrária e abusiva também é a autuação quando "escolhe" receitas tributáveis e as considera como base de cálculo para a ilegal tributação. Os inclusos "Demonstrativos das Receitas Auferidas" pela Congregação durante os exercícios de 2000 e 2001 trazem especificadas as fontes de receita que sustentaram a Instituição naqueles dois anos. Fl. 321DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 Tudo o que recebeu a impugnante adveio de suas atividades próprias e se encontra previsto em seus Estatutos como fonte de sustentação de suas finalidades institucionais. As anuidades e mensalidades escolares percebidas são previstas em lei e nos Estatutos, já que a principal missão da Entidade é a prestação de assistência educacional através das diversas Escolas que mantém. Pacientes do SUS, pacientes particulares e pacientes associados rendem à impugnante ressarcimento de seus custos com o Hospital São Vicente de Paulo, que mantém na cidade de LambariMG. Subvenções e doações são recebidas de pessoas jurídicas e físicas principalmente da Cemig e da Copasa, além de eventuais donativos de Prefeituras Municipais. Juros advêm de mora e atrasos em mensalidades, além de remuneração de alguma parca aplicação financeira. Contribuições de Internos é a que se recebe de idosos abrigados em Asilos mantidos pela Instituição. Aluguéis de imóveis são fonte de receita subsidiária para o sustento das atividades finalistas da assistência social, assim como as demais receitas. Todas a receitas auferidas pela impugnante são sistematicamente destinadas à manutenção da Entidade e à consecução de seus objetivos institucionais. Insubsistente é o crédito tributário levantado e constituído no processo aqui impugnado. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. A atividade administrativa, sendo plenamente vinculada, não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Fl. 322DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.014116/200591 Acórdão n.º 310200.927 S3‐C1T2 Fl. 309 5 Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário apresentado pela recorrente. Discutese a incidência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, sobre receitas diversas auferidas pela Congregação Nossa Senhora da Piedade, consideradas pela fiscalização como não decorrentes de atividades próprias. O i. Relator do voto vencido assim manifestouse a respeito do assunto. Outra é, contudo, a situação das receitas hospitalares e as oriundas de mensalidades pagas como condição para a fruição de um beneficio pessoal e individualizado, tal como o direito de freqüentar determinado curso em instituição de educação. Estas receitas enquadramse no conceito de faturamento e, conseqüentemente, devem ser oferecidas à tributação, por configurarem, inequivocamente, receitas de prestação de serviços. Tal como já foi explicitado nos autos, a Contribuição em epígrafe tem origem na Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991. No que concerne à sujeição passiva e ao campo de incidência, assim dispunha a norma legal. Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. O artigo 6º da Lei Complementar isentava da contribuição algumas entidades, dentre elas as beneficentes de assistência social. Art. 6° São isentas da contribuição: I as sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação específica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades; II as sociedades civis de que trata o art. 1° do DecretoLei n° 2.397, de 21 de dezembro de 1987; III as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Fl. 323DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 Com o advento da MP 2.158_35, ainda em edição anterior à identificada por este número, revogouse, com efeitos a partir de 30 de junho de 1999, o inciso III do artigo 6º da Lei Complementar nº 70/91. Art. 93. Ficam revogados: (...) II a partir de 30 de junho de 1999: a) os incisos I e III do art. 6o da Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991; Por força destas alterações na legislação, na data de ocorrência dos fatos geradores deste processo, durante os anos de 2000 e 2001, a isenção objeto da lide estava normatizada no inciso X, do artigo 14 da MP 2.158_35/01. Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Lei 9.532/97. Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. A meu ver, ante tais disposições legais, resta incontroverso que, durante os anos de 2000 e 2001, a isenção da Cofins atingia não mais a integridade das receitas auferidas pelas entidades enquadradas como de assistência social ou educacionais, mas exclusivamente aquelas passíveis de serem enquadradas como oriundas de suas atividades próprias. Foi partindo desta mesma leitura, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento considerou tributáveis todas as receitas que, segundo entendimento veiculado na Fl. 324DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.014116/200591 Acórdão n.º 310200.927 S3‐C1T2 Fl. 310 7 Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 247/02, não se enquadram no conceito de atividades próprias dessas entidades. Assim dispõe a IN 247/02. Art. 47. As entidades relacionadas no art. 92 desta Instrução Normativa: I — não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II — são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. (...) § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais." Entendo que está correta a linha de raciocínio que conduziu a decisão de piso. Contudo, considero necessário analisar o alcance do conceito contido na expressão “derivadas das atividades próprias”, delimitador definido pelo legislador para o favor isentivo. Como se trata de definição trazida ao mundo jurídico por norma infralegal, penso que seja de recomendável perquirir quanto ao acerto do Órgão Público no trabalho de normatização das disposições contidas na Lei, assim como do agente autuante na interpretação dada à Instrução Normativa. De se destacar que essas questões não passaram desapercebidas na manifestação contida no texto do recurso voluntário apresentado a este Conselho. Seguindo neste caminho, temse que, nos termos da Lei propriamente dita, são isentas da Cofins as instituições de educação ou de assistência social, que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos, sendo essa isenção aplicável apenas às receitas derivadas das atividades próprias destas entidades. A isenção, portanto, está vinculada, por um lado, à qualidade da pessoa jurídica – instituição de educação ou de assistência social (...) sem fins lucrativos, e, por outro, ao enquadramento da receita como sendo própria da entidade. Conforme Dicionário Houaiss da língua portuguesa, a palavra próprio determina alguma coisa característica, inerente, peculiar, típica. Partindo desse conceito, entendo que o juízo a respeito da tipicidade das atividades desenvolvidas por uma entidade de assistência social deva ser feito levandose em consideração as informações presentes em seu estatuto, já que este não só registra a finalidade para a qual a entidade foi instituída, segundo vontade manifesta por seus fundadores, mas também testemunha a condição de interesse social determinada por lei para o gozo do favor isentivo. Fl. 325DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA 8 A despeito disso, no entender da Secretaria da Receita Federal do Brasil, manifesto por meio da Instrução Normativa nº 247/02, as receitas decorrentes de atividades próprias são somente aquelas (i) originadas de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades (ii) fixadas por lei, assembléia ou estatuto, (iii) recebidas de associados ou mantenedores e (iv) sem caráter contraprestacional direto. Esse entendimento é determinante de importante restrição no conceito em tela, na medida em que, ao definir atividades próprias como sendo exclusivamente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades, recebidas de associados ou mantenedores e sem caráter contraprestacional direto, exclui, dentre outras, qualquer receita originada de valores pagos a título de cobrança, na medida em que estas não se constituem em contribuições nem doações, são frequentemente eventuais e quando recolhidas anual ou mensalmente não são pagas por associados, nem por mantenedores, mas pelo público em geral e tem caráter contraprestacional direto. O Termo de Verificação Fiscal lavrado pela fiscalização, com fulcro no entendimento fixado pela Secretaria da Receita Federal, referese às contas de receita identificadas que, conforme entendimento dos fiscais autuantes, deveriam integrar a base de cálculo da Cofins, nos seguintes termos. Mediante o exposto está sendo constituído o crédito tributário correspondente à COFINS, de conformidade com a legislação vigente. O crédito tributário correspondente está sendo constituído de conformidade com os quadros "Demonstrativo da Base de Cálculo da COFINS". Esses quadros tiveram como base as receitas escrituradas nos Livros Diário e Razão e Balancetes de Verificação, em anexo, excetuandose as receitas das atividades próprias. O referido Demonstrativo da Base de Cálculo da COFINS especifica diversas fontes de receita, dentre elas as mensalidades escolares, receitas hospitalares, aluguéis, rendimentos financeiros etc. Vejamos as disposições estatutárias da Congregação Nossa Senhora da Piedade. Art. 5° A CIANSP tem por finalidade: I ser um espaço de fortalecimento da fé, da cultura, da vida e da cidadania; II oferecer a educação básica, formada pela Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação de jovens e Adultos, Ensino Profissionalizante, Alfabetização, Ensino é Superior e Educação à Distância; III prestar serviços na área de saúde preventiva e curativa; IV prestar serviços pastorais e profissionais nas áreas de educação, saúde e assistência social, servindo fraternálmente; V promover uma educação geradora de autonomia intelectual de vida criativa e participativa, com responsabilidade social; VI desenvolver a gestão pedagógica interativa, norteada pelos princípios éticos, religiosos, educacionais e sociais no compromisso com a comunidade e a família; Fl. 326DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.014116/200591 Acórdão n.º 310200.927 S3‐C1T2 Fl. 311 9 VII manter o atendimento sócioeducativo em meio aberto proporcionandoa reintegraçãosociale o acessoàeducação de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade e de risco social; VIII desenvolver projetos de Proteção Social, em prol dos menos favorecidos, em vista da inclusão social; IX favorecer o acesso da criança e do adolescente à educação através de bolsas de estudo parciais e totais, de acordo com o nível de sua carência e das exigências das Leis vigentes no País; X firmar convênios ou parcerias com outras entidades similares, públicas ou particulares, nacionais ou internacionais, para a consecução de suas finalidades; XI oferecer a cordial hospitalidade para quem dela necessite, com espírito fraterno e solidário; XII oferecer assistência ao idoso, através de centro de convivência, bem como a acolhida de pessoas idosas doentes em unidade de atendimento especial; XIII desenvolver a formação humana, social, espiritual, cultural, profissionalapostólica da mulher vocacionada à vida da Congregação das Irmãs Auxiliares de Nossa Senhora da Piedade. A meu ver, a análise destes elementos permite distinguir dois grupos distintos. No primeiro, encontramse as mensalidades escolares e as receitas hospitalares; no segundo todas as demais receitas – aluguéis, rendimentos financeiros etc. Assim entendo porque as receitas oriundas de mensalidades escolares e serviços hospitalares parecemme ajustarse à disposição contida nos incisos II e III do artigo 5º do Estatuto da Congregação, ao prever a educação básica, formada pela Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação de jovens e Adultos, Ensino Profissionalizante, Alfabetização, Ensino e Superior e Educação à Distância e a prestação de serviços na área de saúde preventiva e curativa como finalidades institucionais. Desta forma, ainda que claramente em desacordo com o disposto na IN 247/02, penso que a decisão a respeito da tributação das receitas decorrentes dessas contribuições deva ser tomada com maior cautela, já que tratamse de receitas provenientes de atividade comtemplada no Estatuto da Entidade. O mesmo não se pode dizer em relação às receitas de aluguéis, rendimentos financeiros etc. Salvo engano, embora admitidas, elas não podem ser pensadas como decorrentes das atividades próprias da Congregação Claretiana, pelo menos não à luz dos critérios até aqui adotados, sob pena de restarem todas as receitas indistintamente incluídas nesse conceito, independentemente de estarem elas identificadas ou não com as finalidades institucionais. Admitidas tais premissas, ao passo seguinte impõese determinar qual a justificativa para a exclusão das receitas provenientes de mensalidades escolares e de serviços hospitalares do conceito de atividade própria. Embora tal não tenha sido explicitado no relatório produzido pela fiscalização e nem no voto condutor da decisão recorrida, é possível, num exercício dialético, Fl. 327DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA 10 constatar que elas descumprem dois dos requisitos determinados na IN 247: não são recebidos de associados nem de mantenedores, mas de alunos, e tem caráter contraprestacional direto. Temse, por conseguinte, que a receita de mensalidades escolares e de serviços hospitalares não foi admitida como originada de atividades próprias da Congregação Nossa Senhora da Piedade não porque a atividade em si não seja própria da Entidade, mas por ser ela prestada mediante pagamento e por representar uma contraprestação de serviços correspondentes. Isso remete à conclusão de que uma mesma atividade pode ser considerada própria ou não dependendo exclusivamente de ela ser paga por alguém ou oferecida graciosamente à comunidade. Em outras palavras, a atividade é qualificada como própria ou não dependendo da sua fonte de financiamento. De fato, encontro grande dificuldade em admitir tal distinção. Segundo me parece, se a Congregação Nossa Senhora da Piedade foi criada, conforme estatuído, com a finalidade de oferecer educação básica, ensino profissionalizante, alfabetização, ensino superior e a prestação de serviços na área de saúde, de que forma a cobrança por estes serviço desqualifica a receita? Pareceme que, uma vez que a atividade em si está em harmonia com as disposições estatutárias, seria necessário demonstrar como a cobrança tem como consequência a desqualificação da receita. Oportuno a esta altura acrescentar que a legislação que regula a desoneração tributária concedida às atividades assistenciais e educacionais parece nunca ter dispensado o ingresso de receitas como forma de financiamento das atividades próprias das entidades. A Lei 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, dispunha sobre as condições para isenção das contribuições para o financiamento da seguridade social concedida às entidades beneficentes de assistência social. Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. Fl. 328DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.014116/200591 Acórdão n.º 310200.927 S3‐C1T2 Fl. 312 11 § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. § 6o A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição. Claramente, o que a legislação veda é a aplicação de recursos em atividades distintas, que não as de manutenção e desenvolvimento dos objetivos sociais da entidade, assim como a remuneração de seus dirigentes, mas nunca a cobrança por serviços prestados. De fato, não é demais acrescentar que, no plano social, não existe nenhum inconveniente em que as entidades assistenciais cobrem por parte dos serviços prestados à comunidade. Desde que revertam o resultado única e exclusivamente à manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais, terão melhores condições e maior alcance no atendimento à população carente e, corolário, na obtenção dos resultados almejados por seus estatutos. Do ponto de vista estritamente jurídico, não se desconhece trataremse de dispositivos legais complementares. Este determina as condições para o gozo da isenção e aquele restringe a isenção a determinado tipo de receita. Inobstante, o que importa neste momento é ter a compreensão de que a percepção de receitas oriundas de pagamento por serviços prestados, em caráter contraprestacional, não está em dissonância com todo o arcabouço lógicojurídico que regula o favor isentivo sub examine, merecendo ser reconhecido como parte integrante da mecânica própria do tipo de atividade desenvolvido por entidades desta natureza. Esse entendimento é robustecido pelas disposições estatutárias da Congregação Nossa Senhora da Piedade prevendo o financiamento de suas atividades por meio da renda proveniente da prestação de serviços. Dos recursos econômicos e financeiros Art. 62 Os recursos econômicos e financeiros da CIANSP são provenientes de: I rendas ou rendimentos de seus bens e serviços; Fl. 329DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA 12 II receitas decorrentes de contratos ou convênios/ parcerias de prestação de serviços; III locações; IV doações de pessoas físicas e jurídicas; V subvenções de entidades públicas e privadas nacionais e/ ou estrangeiras; VI receitas eventuais; VII contribuições e doações de suas Associadas; VIII diárias e hospedagem. Parágrafo Único O patrimônio pode ser aumentado por todos os títulos legítimos de aquisição e posse. De tudo isso, forçoso concluir que as receitas decorrentes de contribuições escolares, a título de matrícula e mensalidades escolares, está de acordo com as disposições estatutárias da Congregação Nossa Senhora da piedade, tanto no que concerne à previsão de realização da atividade, quanto à forma de financiamento, assim como em perfeita harmonia com a legislação que delimita as condições para o reconhecimento da isenção, restando ausentes os fundamentos para sua descaracterização como receita decorrente das atividades próprias. Superada essa questão, cumpre examinar a regularidade da exigência em relação às demais receitas objeto do auto de infração. Como se disse, a origem da Contribuição em epígrafe encontrase na Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, que, em seu artigo 2º referiuse à base de cálculo como sendo “o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza”. Fácil perceber que alugueis, juros etc não estão contemplados neste universo. De fato, a exigência encontra fundamento legal na Lei 9.718/98 que, ao promover o famigerado “alargamento da base de cálculo”, inclui na base tributável toda e qualquer receita, independentemente de sua classificação contábil, nos seguintes termos. Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Contudo, a inconformidade dos contribuintes alcançados pelo alargamento levou o assunto ao Poder Judiciário. A matéria terminou por ser decidida pelo Supremo Tribunal Federal, considerada como de repercussão geral, nos seguintes termos. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Fl. 330DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.014116/200591 Acórdão n.º 310200.927 S3‐C1T2 Fl. 313 13 Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso Tal como disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, conforme alteração introduzida pela Portaria 586/2010, as matérias de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes."(AC) Código do Processo Civil Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. § 2o Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4o Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5o O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Fl. 331DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA 14 Por todo o exposto, considerando de um lado a correta classificação das receitas provenientes das atividades hospitalares e das mensalidades pagas e, de outro, a decisão do Supremo Tribunal Federal quanto a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, VOTO POR DAR INTEGRAL PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, 01 de março de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 332DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA
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