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Numero do processo: 12466.004819/2005-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 28/06/2000
AUTO DE INFRAÇÃO. LEGISLAÇÃO DO IPI. NOTA FISCAL QUE NÃO CORRESPONDA À SAÌDA EFETIVA.
A multa por emissão de nota fiscal que não corresponda à efetiva saída (art. 83, II da Lei no 4.502/1964) é aplicável ao exportador, se comprovado que a exportação não foi concretizada, e que as mercadorias sequer ingressaram em recinto alfandegado para exportação.
Para fins de intimação em processo administrativo fiscal, o domicílio tributário eleito a que se refere o art. 23, II do Decreto no 70.235/1972, não é aquele no qual o contribuinte pede, em um dado processo, para ser cientificado (por exemplo, no escritório de um advogado), mas, como esclarece o § 4o do mesmo artigo, o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais , à administração tributária, e o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado.
FISCALIZAÇÃO DE ESCRITA. HABILITAÇÃO DE CONTADOR. DESNECESSIDADE. SÙMULA CARF N. 8.
O Auditor-Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.
DECADÊNCIA. EXPORTAÇÃO FICTÍCIA. CONTAGEM DE PRAZO. SÚMULA CARF N. 72.
Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN.
COMPETÊNCIA. CARF. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3403-003.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: 1) negar provimento ao recurso de ofício; 2) não tomar conhecimento do recurso apresentado pelo Sr. Waldir Antônio da Silva; 3) dar provimento aos recursos voluntários das empresas VALE e POSEIDON, para excluí-las da sujeição passiva; e 4) negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela empresa VITROTEC.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELEITO. DEFINIÇÃO LEGAL. Para fins de intimação em processo administrativo fiscal, o “domicílio tributário eleito” a que se refere o art. 23, II do Decreto no 70.235/1972, não é aquele no qual o contribuinte pede, em um dado processo, para ser cientificado (por exemplo, no escritório de um advogado), mas, como esclarece o § 4o do mesmo artigo, “o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais , à administração tributária”, e “o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado”. FISCALIZAÇÃO DE ESCRITA. HABILITAÇÃO DE CONTADOR. DESNECESSIDADE. SÙMULA CARF N. 8. O AuditorFiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. DECADÊNCIA. EXPORTAÇÃO FICTÍCIA. CONTAGEM DE PRAZO. SÚMULA CARF N. 72. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. COMPETÊNCIA. CARF. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 48 19 /2 00 5- 71 Fl. 521DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Data do fato gerador: 28/06/2000 AUTO DE INFRAÇÃO. LEGISLAÇÃO DO IPI. NOTA FISCAL QUE NÃO CORRESPONDA À SAÌDA EFETIVA. A multa por emissão de nota fiscal que não corresponda à efetiva saída (art. 83, II da Lei no 4.502/1964) é aplicável ao exportador, se comprovado que a exportação não foi concretizada, e que as mercadorias sequer ingressaram em recinto alfandegado para exportação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: 1) negar provimento ao recurso de ofício; 2) não tomar conhecimento do recurso apresentado pelo Sr. Waldir Antônio da Silva; 3) dar provimento aos recursos voluntários das empresas “VALE” e “POSEIDON”, para excluílas da sujeição passiva; e 4) negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela empresa “VITROTEC”. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente sobre auto de infração lavrado em 22/12/2005 (fls. 3 a 9, com ciência à empresa “VITROTEC” Vidros de Segurança LTDA em 24/12/2005 fl. 1701), para exigência de multa por emissão de nota fiscal que não corresponda à saída efetiva dos produtos nela descritos (prevista no art. 83, II da Lei no 4.502/1964, com as alterações efetuadas pelo Decretolei no 400/1968), no valor de R$ 1.277.395,30) em relação a duas notas fiscais (no 9032 e no 9034), que instruíram a declaração de exportação no 2000460289/7, em razão de tais notas (assim como outros documentos e a própria declaração) terem sido fraudulentamente produzidas, tendo em conta que não houve o efetivo embarque dos bens para o exterior. No Relatório de Fiscalização de fls. 11 a 27, narrase que: (a) o despacho aduaneiro de exportação é processado no SISCOMEX (Sistema Integrado de Comércio Exterior), 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 522DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 12466.004819/200571 Acórdão n.º 3403003.187 S3C4T3 Fl. 522 3 com base em declaração formulada pelo exportador ou seu mandatário (v.g. despachante aduaneiro), instruída coma primeira via da Nota Fiscal correspondente, e com a via original do Conhecimento de Carga, entre outros; (b) para que se processe o despacho, é necessário que o depositário (ou o exportador, nos casos previstos no art. 11 da IN SRF no 28/1994) informe a “presença da carga” no depósito/recinto, comunicando que a carga já está presente (e disponível para a fiscalização); (c) com base em critérios internos registrados no SISCOMEX, a declaração de exportação pode ser selecionada para os canais de conferência verde (liberação sem verificação da mercadoria nem dos documentos), laranja (com exame documental) ou vermelho (com exame documental e verificação da mercadoria); (d) após o desembaraço (liberação) da declaração de exportação, na via marítima, deve o transportador registrar os “dados do embarque” no SISCOMEX, atestando que a mercadoria efetivamente foi carregada com destino ao exterior; (e) após o registro dos dados do embarque, procedese (automática ou manualmente) à “averbação do embarque”, possibilitando a emissão do “comprovante de exportação”; (f) no caso em análise, o registro da declaração de exportação foi efetuado pelo despachante aduaneiro “GALBA”, devidamente credenciado (cf. documentos de fls. 33 a 46) no SISCOMEX a representar a “VITROTEC” (exportadora) pelo Sr. “WALDIR”, presidente e sóciogerente da empresa exportadora (cf. documentos de fls. 47 a 53); (g) a presença da carga foi atestada pelo fiel depositário da companhia “VALE”, Sr. Sérgio Lima Dias (cf. documentos de fls. 54 e 55), e o registro dos dados de embarque foi efetuado pelo Sr. Edimar Brás Kapitzky, representante legal da empresa marítima “POSEIDON” (cf. documentos de fls. 56 a 58), tendo a declaração sido averbada no SISCOMEX, atestando que a mercadoria teria sido efetivamente exportada; (h) no entanto, como se percebe a seguir, a operação de exportação não passou de uma simulação, possibilitando, como pano de fundo, por exemplo, a Fl. 523DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 lavagem de dinheiro e/ou utilização indevida de benefícios fiscais ligados à exportação; (i) intimado o depositário (“VALE”) a apresentar as Notas Fiscais de entrada dos bens naquele recinto, e os conhecimentos de carga correspondentes, este informou que “não foi encontrado nenhum documento referente à DE 2000460289/7” (fls. 60 e 61), em que pese ter seu representante registrado a presença da carga naquele recinto; (j) o conhecimento de carga (Bill of Lading BL) entregue à Aduana pelo despachante “GALBA” (fl. 68) é material e ideologicamente falso; (k) a empresa “POSEIDON”, responsável pela emissão do conhecimento, confirma que o documento apresentado à Aduana é falso, e não sabe informar quem o emitiu ou assinou (fls. 71 e 149 a 165); (l) a empresa “PENNANT SERVIÇOS MARÍTIMOS LTDA”, em nome do armador “MSC MEDITERRANEAN SHIPPING DO BRASIL LTDA”, apresentou um histórico da movimentação do contêiner onde deveria estar a carga exportada (MSCU 879.622 5), no período de 1999/2000, informando que tal unidade de carga foi utilizada em importação da empresa “ELETROTRADING” em 29/05/2000, devolvida ao depósito de contêineres vazios da MSC em 29/06/2000, e embarcada para o exterior em nome da “BAHIA SUL” no navio “MSC KATRINA”, em 21/07/2000 (fls. 72 a 82); (m) a “PENNANT” apresentou ainda o plano de carga do navio “MSC LAURENCE”, indicado pela “VITROTEC” como o veículo transportador na capa da DE (com embarque em 05/07/2000), sem a presença do referido contêiner, e o plano de carga do navio “MSC KATRINA”, em 21/07/2000, contendo o referido contêiner (fls. 83 a 146); (n) os contratos de câmbio vinculados à DE 2000460289/7 foram devidamente liquidados, comprovando que houve o efetivo ingresso de recursos no país, a despeito de não ter havido efetiva exportação (cf. documentos de fls. 147 e 148); (o) assim, não houve nem entrada da carga no depósito da “VALE” nem o embarque registrado pela “POSEIDON”, tendo ambas as empresas responsabilidade objetiva, assumindo as consequências dos dados registrados por seus prepostos, e interesse comum na operação; Fl. 524DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 12466.004819/200571 Acórdão n.º 3403003.187 S3C4T3 Fl. 523 5 (p) não tendo havido efetiva saída das mercadorias exportadas do estabelecimento industrial, conforme se informava nas Notas Fiscais de Saída (para exportação na DE 2000460289/7) de no 9032 e no 9034, cabível a aplicação da multa prevista no art. 83, II da Lei no 4.502/1964, com as alterações efetuadas pelo Decreto lei no 400/1968. Esclarecese ainda na autuação que a apuração da responsabilidade dos intervenientes externos para fins de aplicação das sanções administrativas previstas no art. 76 da Lei no 10.833/2003 (advertência, suspensão e cassação/cancelamento) foi levada a cabo no processo administrativo no 12466.004820/200503, e a demanda de apuração de responsabilidade do servidor da RFB que recepcionou os documentos foi registrada no processo administrativo no 12466.001562/200414. E informa que os originais de documentos foram trasladados para o processo administrativo no 12466.004821/200540, de representação fiscal para fins penais. São indicados como responsáveis solidários as empresas Companhia “VALE” do Rio Doce (cientificada da autuação em 27/12/2005 fl. 5) e “POSEIDON” Marítima LTDA (cientificada da autuação em 26/12/2005 fl. 5), além dos senhores “GALBA” Braga de Melo (cientificado em 27/12/2005 fl. 5) e “WALDIR” Antônio da Silva (cientificado em 24/12/2005 fl. 169). As pessoas incluídas no polo passivo como responsáveis solidárias o foram porque a efetivação da fraude dependeu do concurso de uma série de pessoas, que, em tese, buscam um fim comum (a exportação fictícia de mercadorias). A empresa “VITROTEC” apresenta impugnação em 24/01/2006 (fls. 236 a 253), sustentando que: (a) a autuação é nula por contrariar o art. 11 do Decreto no 70.235/1972, (autorização do chefe do órgão para a notificação de lançamento); (b) a fiscalização, por tratarse de atividade de natureza contábil, deve ser realizada exclusivamente por contador, não havendo no processo prova de que os auditoresfiscais o são; (c) o lançamento foi homologado tacitamente pelo fisco (art. 150, § 4o do Código Tributário Nacional), em 29/06/2005 (cinco anos após 28/06/2000), extinguindose o crédito tributário antes da lavratura da autuação, em dezembro de 2005; (d) houve cerceamento do direito de defesa, pois não foi dada oportunidade para que a contribuinte pudesse esclarecer a verdade absoluta, apresentando a documentação necessária para isso (a notificação da autuação se deu na véspera de natal, em 24/12/2005, tendo sido recebida por segurança terceirizado); (e) em nenhum momento ocorreu o fato descrito no enquadramento legal apontado na autuação; (f) a autuação se baseia em mera suposição, não tendo sido apresentadas provas concretas, cabais e robustas; e Fl. 525DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 (g) a multa aplicada é confiscatória, o que é vedado pelo art. 150, IV da Constituição Federal. As impugnações apresentadas pelos responsáveis solidários trazem alguns argumentos comuns aos apresentados pela “VITROTEC” (que serão no quadro abaixo designados apenas pelas letras correspondentes aos itens da impugnação da “VITROTEC”, adotadas acima) e argumentos diversos (a serem relacionados sinteticamente no quadro abaixo com letras subsequentes): Responsável solidário Razões/argumentos da Impugnação síntese (no caso de repetição, relacionase somente a letra correspondente, entre aspas) Impugnação (folhas e data) Companhia “VALE” do Rio Doce CVRD “(e)”, no sentido de que o enquadramento utilizado na autuação é equivocado, principalmente em relação à “VALE”, pois esta não praticou a conduta ali descrita, de “emitir nota fiscal ...” ou “...em proveito próprio ou alheio, utilizar, receber ou registrar essa nota para qualquer efeito...”; (h) a empresa opera , sob o regime de concessão, recinto no Porto de Vila Velha/ES (TVV), e foi autuada porque um funcionário seu (Sr. Sérgio Lima Dias) teria informado a presença das cargas no Porto de Tubarão (TPD), mas não se comprova (e nem existe) interesse comum da empresa com os demais partícipes da operação aduaneira, não havendo ainda que se falar em responsabilidade objetiva, parecendo ter sido a empresa arrolada no polo passivo por ser a única a atuar no despacho que teria suporte patrimonial para saldar a autuação; (i) também não teria ocorrido a prática da infração sem a participação do servidor da RFB que recepcionou os documentos, e que não figura no polo passivo da autuação, assim como o funcionário da CVRD Sérgio Lima Dias (requerendo depoimentos pessoais de todos e diligências, além da suspensão do processo até a apuração administrativa disciplinar da RFB). 175 a 188 (23/01/2006) “POSEIDON” Marítima LTDA “(e)”, no sentido da inaplicabilidade do enquadramento utilizado; e “(h)”, afastando a aplicação de responsabilidade objetiva, no caso; (j) a “POSEIDON” (subscritora do conhecimento de carga BL) e seu funcionário Edimar Brás Kapitzky (que registrou os dados de embarque) não podem ser responsabilizados por fraude realizada com a utilização de seus nomes, e praticada pelos próprios funcionários da RFB; (k) nem o booking nem o BL existem na sequência do transportador, e o BL (conhecimento de carga) não apresenta cláusulas contratuais obrigatórias; e, durante todo o tempo que a “POSEIDON” agenciou os navios da MSC, jamais o navio “MSC Alexandra” fez a linha Estados Unidos; (l) todos os BL relativos ao navio “MSC Alexandra” foram assinados Michaile Saba, gerente de operações, e a assinatura constante no BL que ampara a exportação é diversa; e (m) não há qualquer comprovação de que o registro de embarque feito com o CPF do Sr. Edimar tenha efetivamente sido feito por ele (e a RFB possui as senhas dos intervenientes, sendo indicado perícia para saber de onde partiu o irregular registro), e, certamente, se o funciona´rio experiente o fizesse, não seria grosseiro como o apontado nos autos. 221 a 228 (24/01/2006) “GALBA” Braga de “(d)” e “(i)”, destacando que em nenhum momento foi chamado a 199 a 213 Fl. 526DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 12466.004819/200571 Acórdão n.º 3403003.187 S3C4T3 Fl. 524 7 Melo prestar esclarecimentos sobre o ocorrido e que a RFB não investigou, por exemplo, eventual roubo se senhas e nem rastreou o dinheiro remetido na transação cambial; e “e” (com argumentação idêntica à da “VALE”, inclusive no que se refere ao pedido / requerimentos finais “i”); (n) não há provas da participação do despachante aduaneiro na situação identificada pela fiscalização, não existindo (nem tendo sido demonstrado) o interesse comum na operação, sendo a alegação contida em decisão anterior da DRJ inaplicável ao caso; (o) mesmo que houvesse participado do despacho aduaneiro (na verdade, sua senha foi indevidamente utilizada), o papel do despachante é simplesmente de formalizar o despacho à vista da documentação fornecida pelo exportador, e as Notas Fiscais apresentadas pelo exportador possuíam inclusive o carimbo do fisco estadual, não sendo possível ao despachante concluir pela sua falsidade. (26/01/2006) Não consta impugnação apresentada pelo Sr. “WALDIR” Antônio da Silva, sóciogerente da “VITROTEC”. A unidade local, após afirmar a revelia dos autuados “POSEIDON” (fl. 216), “WALDIR” (fl. 217), e “VITROTEC” (fl. 218), encaminha à DRJ para julgamento as impugnações da “VALE” e do Sr. “GALBA”. Contudo, são posteriormente juntadas aos autos as impugnações da “POSEIDON” e da “VITROTEC”, em função de entrega tempestiva com numeração incorreta ou em outra unidade da RFB. A decisão de primeira instância é proferida em 30/11/2007 (fls. 290 a 307), acordandose unanimemente pela manutenção do lançamento em relação a todos os autuados (à exceção do Sr. “GALBA”, por carência probatória de vinculação à infração), concluindose que: (a) é equivocada a argumentação de nulidade em função do art. 11 do Decreto no 70.235/1972, tendo em vista que se trata de auto de infração, e não de notificação de lançamento; (b) não há necessidade de que o auditorfiscal seja contador para promover fiscalizações tributárias e aduaneiras; (c) não houve cerceamento de defesa; (d) a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do Código Tributário Nacional; (e) há provas cabais de que a mercadoria efetivamente não embarcou para exportação, tratandose de uma “exportação fictícia”; (f) houve efetiva participação do depositário (que informou a “presença de carga” em 28/06/2000) e do transportador (que registrou “dados do embarque” em 01/07/2000), sem que a mercadoria houvesse ingressado no recinto nem embarcado, e a concretização da fraude dependeu da participação de cada um deles; (g) a fiscalização alegou equivocadamente o art. 124, I para imputação de responsabilidade solidária, quando o correto seria o art. 603, I do Regulamento Aduaneiro (com base no art. 95, I do DecretoLei no 37/1966) responsabilidade conjunta ou isolada”, a quem quer que, de qualquer forma, concorra para a prática da infração ou dela se beneficie; (h) as jurisprudências administrativa e judicial admitem o erro de enquadramento legal quando os fatos valorados como ilícitos são apresentados no auto de infração ou na petição inicial; (i) não há possibilidade de “clonagem” de senha, nem a possibilidade de utilização por servidor da RFB, mas apenas de obtenção da senha por terceiro se o portador não for diligente; e (j) não incumbe ao julgador administrativo a análise de caráter confiscatório em multa legalmente estabelecida. Cientificada da decisão de piso em 10/01/2008 (fl. 318), a empresa “VITROTEC” apresenta recurso voluntário em 08/02/2008 (fls. 411 a 429), basicamente reiterando a argumentação exposta em sua impugnação. Responsável Razões/argumentos da Impugnação síntese (no caso de Ciência do Recurso Fl. 527DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 solidário repetição, relacionase somente a letra correspondente, entre aspas) Acórdão DRJ (folhas e data) Voluntário (folhas e data) Companhia “VALE” do Rio Doce CVRD (p) além de reiterar a argumentação exposta na impugnação, afirma que a decisão de piso reconhece erro na autuação, alterandoa, mas sequer considera que tal alteração causou cerceamento de defesa, além de ferir o princípio do devido processo legal, e não ocorreu simples correção de norma legal apontada, mas verdadeiro reenquadramento da fundamentação usada para toda a responsabilização solidária, impedindo o contraditório, tendo ainda havido cerceamento de defesa no indeferimento de provas testemunhais/periciais. 312 (07/01/2008) 385 a 407 (31/01/2008) “POSEIDON” Marítima LTDA (q) além de reiterar as argumentações sobre ter havido fraude informática (juntando matérias publicadas na imprensa sobre o tema) e sobre o caráter grosseiro dos erros, que levaria a crer que forma praticados fora do contexto de profissionais da empresa marítima, afirma que houve ausência de culpa, porque houve zelo na guarda da senha pelo funcionário, tendo existido cerceamento de defesa na recusa em periciar os sistemas da RFB e saber se os demais lançamentos de “dados de embarque” do mesmo navio foram efetuados da mesma máquina em que o lançamento da operação objeto da autuação, ou ter informações sobre a conclusão do procedimento interno em relação ao servidor da RFB. 309 (08/01/2008) 339 a 355 (24/01/2006) Consta ainda ciência da decisão pelo Sr. “GALBA” Braga Melo, em 04/01/2008 (documento pouco legível à fl. 315). Às fls. 381 a 382 é juntado documento datado de 22/01/2008, subscrito por “WALDIR” Antônio da Silva, no qual este afirma que jamais foi intimado da autuação levada a cabo no presente processo. E a unidade local confirma, então, que a intimação inicialmente enviada havia sido endereçada equivocadamente à empresa (e não à pessoa física, que não mais fazia parte do quadro societário nem da administração, à época). Assim, propõese no expediente de fl. 384, em 25/07/2008, reabertura de prazo para defesa, ocorrendo a ciência em 06/03/2008 (fl. 410). “WALDIR” Antônio da Silva apresenta sua impugnação em 02/04/2008 (fls. 431 a 438), sustentando ter havido a extinção do crédito tributário pela decadência (mesmo se aplicada a regra do art. 173, I do CTN), considerando que se passaram mais de sete anos entre o prazo para lançamento (01/01/2006) e sua intimação (06/03/2008), que não foi comprovada qualquer infração, e que a multa aplicada é confiscatória. A impugnação é enviada à DRJ em 16/04/2008 (fl. 442), sendo apreciada em 05/05/2008, por meio do despacho decisório de fls. 445 e 446, concluindo a instância de piso que a intimação inicialmente enviada ao Sr. “WALDIR” Antônio da Silva, em 24/12/2005 (fl. 169) foi válida, pois encaminhada ao endereço indicado pelo contribuinte à Receita Federal. Assim, a impugnação apresentada é intempestiva em mais de três anos. Cientificado do despacho decisório em 04/08/2008 (fl. 447), o Sr. “WALDIR” apresenta recurso voluntário em 29/08/2008 (fls. 453 a 471), reiterando o teor de sua impugnação, e questionando o que designa como “julgamento extra petita” pela DRJ (manifestação sobre a validade da primeira intimação), demandando anulação da decisão de piso, e nova apreciação, no mérito, da impugnação. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 12466.004819/200571 Acórdão n.º 3403003.187 S3C4T3 Fl. 525 9 Em 26/08/2010 este CARF, por meio do Acórdão no 310100.496 (fls. 475 a 482), acolhese, por maioria de votos, a preliminar de nulidade do despacho decisório proferido em relação à impugnação do Sr. “WALDIR” Antônio da Silva, em função de ser do colegiado (e não monocrática) a competência para a decisão sobre a tempestividade da impugnação. Em 13/09/2011 (fl. 483), a DRJ emite despacho saneador, esclarecendo que deve haver recurso de ofício (que figura na fl. 492) no processo, em função da exclusão do Sr. “GALBA” Braga Melo do polo passivo pela decisão da DRJ. E, na mesma data, julga novamente (agora em colegiado) a impugnação do Sr. “WALDIR” Antônio da Silva (fls. 484 a 489), chegando à mesma conclusão externada anteriormente de forma monocrática: por unanimidade de votos, não se conhece da peça de defesa. Na sequência, todos os autuados são cientificados da nova decisão da DRJ (“VITROTEC”, em 28/11/2011 fl. 495; “WALDIR”, em 28/11/2011 fl. 497; “GALBA”, em 25/11/2011 fl. 499; “VALE”, sem data, e com entrega em 25/11/2011 fl. 501; e “POSEIDON”, em 25/11/2011 fl. 503), e o processo retorna ao CARF para julgamento. Há ainda um novo “recurso voluntário” interposto por “WALDIR” Antônio da Silva, em 22/12/2011 (fls. 508 a 519), no qual o contribuinte atesta que novamente a RFB enviou documentos a ele no endereço da “VITROTEC”, em 28/11/2011, contrariando a determinação do art. 23, II do Decreto no 70.235/1972, que determina a intimação no domicílio fiscal eleito, e aproveita para reafirmar a ocorrência de decadência. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Da delimitação do julgamento Cabe, de início, esclarecer exatamente o que se vai julgar no presente processo: o recurso de ofício apresentado na peça saneadora de fls. 483, e interposto à fl. 492, e os recursos voluntários tempestivos das empresas “VITROTEC”, “VALE” e “POSEIDON”. Tais recursos atendem aos requisitos formais de admissibilidade e deles se toma conhecimento. A peça intitulada “recurso voluntário”, apresentada pelo Sr. “WALDIR” Antônio da Silva, em 22/12/2011, se refere a uma decisão definitiva da DRJ, que não toma conhecimento da impugnação, por intempestividade. O único obstáculo anteriormente levantado por este CARF à manifestação da DRJ em relação à matéria era o caráter monocrático. Sanada a deficiência, com um julgamento colegiado da matéria, atestouse a intempestividade (de aproximadamente três anos) na impugnação apresentada. E, reconhecida a ciência válida em relação à autuação, cai por terra toda a argumentação decadencial do sujeito passivo, restando ainda esclarecer que o comando do art. 23, II do Decreto no Fl. 529DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 10 70.235/1972 deve ser lido na íntegra: “domicílio tributário eleito” não é aquele no qual o contribuinte pede, em um dado processo, para ser cientificado (por exemplo, no escritório de um advogado), mas, como esclarece o § 4o do mesmo artigo, “o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária”, e “o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado”. Assim, não se toma conhecimento da peça apresentada a título de recurso voluntário pelo Sr. “WALDIR” Antônio da Silva. Do recurso de ofício A DRJ exclui do polo passivo o despachante aduaneiro, Sr. “GALBA” Braga de Melo, sob o argumento de que (fl. 305): “Acerca do despachante aduaneiro Galba, não há nos autos elementos que demonstrem a sua participação consciente para a ocorrência da infração, uma vez que o simples fato de registrar DDE ou de entregar os documentos para a fiscalização não demonstram por si só a sua participação condenável.” E, efetivamente, não apresenta o autuante nenhum elemento que ateste a vinculação explícita do despachante aduaneiro à fraude detectada. De fato, parece que pouco se fiscalizou em relação ao despachante, limitandose o fisco a intimar intervenientes e tirar conclusões a partir de suas respostas. Não consta no processo ter havido nenhuma diligência ao estabelecimento do despachante, onde poderiam ter sido encontrados (ou não) elementos adicionais que corroborassem a tese da autuação. Assim, acordase com o julgador de piso sobre a necessidade de exclusão do Sr. “GALBA” Braga de Melo do polo passivo da autuação, pelo que se nega provimento ao recurso de ofício. Da autuação em relação à “VITROTEC” É de se esclarecer, inicialmente, que o despacho de exportação sob o qual paira toda a discussão nestes autos foi, conforme extrato de fl. 28, iniciado em 28/06/2000, com o registro da declaração de exportação no 2000460289/7 pelo despachante aduaneiro; sendo atestada a presença da carga em recinto alfandegado pelo representante do depositário ainda em 28/06/2000; tendo sido os documentos apresentados (e recepcionados por servidor da RFB) em 30/06/2000, havendo na mesma data liberação sem conferência (canal verde), tendo a carga sido embarcada em 05/07/2000, conforme atesta o registro de dados de embarque por representante do transportador. Ou seja, em duas semanas acontece uma exportação que, como numerosas outras (mais de 80% das exportações registradas no Brasil2), é desembaraçada em canal verde, 2 Esse percentual vem aumentando paulatinamente, na última década, cabendo destacar que em 2013 o número de declarações selecionadas para o canal verde chegou a 90% do total de declarações registradas (Fonte: Relatório Aduaneiro 2013, disponível em: Fl. 530DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 12466.004819/200571 Acórdão n.º 3403003.187 S3C4T3 Fl. 526 11 sem exame documental e sem verificação das mercadorias. E isso não significa que a Aduana seja condescendente, ou defasada. Pelo contrário, a tendência de redução da seletividade, com incremento de mecanismos de gestão de risco, é mundial. Contudo, para que se possa fiscalizar um percentual menor, é preciso que a Aduana se resguarde com controles cruzados, que evitem ou ao menos minimizem o cometimento de irregularidades e fraudes. Daí a necessidade de que intervenientes credenciados/habilitados registrem em sistema informatizado cada passo do despacho. A Aduana não verifica, uma a uma, as chegadas de mercadorias a recintos, pois é incumbência do depositário registrar a chegada, por meio da função “presença de carga”. Também não verifica a Aduana se as cargas por ela desembaraçadas (com ou sem verificação) foram efetivamente embarcadas rumo ao exterior, pois é incumbência do transportador registrar os “dados de embarque”. Porém, no presente processo os dois controles a cargo de intervenientes falharam, e o sistema informatizado não identificou risco na operação, selecionando para o canal verde de conferência a operação. Assim, a carga que comprovadamente não entrou no recinto nem embarcou nem foi vista pelo fisco3 acabou passando por todas as etapas do despacho de exportação, com êxito. Assim, as mercadorias (kits de vidros para automóveis) amparadas pelas Notas Fiscais no 9032 (fl. 65, no valor de R$ 1.077.526,38, com peso líquido de 7.100,00 Kg) e no 9034 (fl. 66, no valor de R$ 199.868,92, com peso líquido de 1.278,00 Kg), passaram a constar formalmente como exportadas da “VITROTEC” para a empresa norteamericana “Alpine Armoring Inc.”, acondicionados (segundo o conhecimento/BL de fl. 68) no contêiner MSCU879.6225, e embarcados no Porto de Vitória/ES, no navio “MSC Alexandra”, com destino ao Porto de Baltimore/USA. Há documento datado de 06/12/2002, dirigido pelo Inspetor da Alfândega do Porto de Vitória à “Pennant Serviços Marítimos LTDA” no qual já se demonstrava preocupação com o referido contêiner MSCU879.6225, solicitando suas movimentações no ano de 1999/2000, e o “Master Plan” de três navios da MSC (entre os quais o Alexandra), atracados em Vitória à época do despacho (de 27/06/2000 a 20/07/2000). Com a resposta, em 17/12/2002, já se descobriu que era impossível que o referido contêiner tivesse embarcado no navio Alexandra, na data informada (05/07/2000), pois ele havia sido utilizado para importação em 29/05/2000 (com “pneus recauchutados destinados à empresa “Electrotrading”), tendo sido devolvido ao depósito de vazios da MSC em 29/06/2000, tendo embarcado para exportação no navio “MSC Katrina” em 21/07/2000 (exportação da “Bahia Sul”). Mas o processo não tem sequência de 2002 a 2005. Em 20/12/2005 é cadastrado o procedimento fiscal, e são nomeados os responsáveis pela fiscalização (fl. 10). http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/destinacaoMercadorias/MercadoriasApreendidas/RelatorioAduaneiro2 013.pdf. Acesso em 13.ago.2014). 3 Convém aqui destacar, sem qualquer juízo de valor, que o servidor que recepcionou os documentos tinha meramente essa tarefa (de recepção de documentos), não tendo verificado a carga nem checado "in loco" se a mercadoria efetivamente estava no recinto, ou à bordo da embarcação. Não se pode confundir o papel do agente responsável pela conferência com a função do agente responsável pelo recebimento dos documentos. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 12 A intimação para que a “VALE” (depositário) apresentasse as Notas Fiscais que ampararam a exportação de 28/06/2000 foi efetuada, assim, em 20/12/2005 (fl. 60), tendo a empresa respondido ainda no dia seguinte (21/12/2005). A intimação dirigida à “POSEIDON”, também datada de 20/12/2005, pedia a confirmação da veracidade do BL, tendo a empresa respondido dois dias depois (em 22/12/2005) que o referido BL era uma “falsificação grosseira”. E ainda no dia 20/12/2005, em uma verdadeira corrida contra a “decadência”, a fiscalização extrai as fichas cambiais de fls. 147/148. Também de 20/12/2005 são a maior parte das telas de sistema juntadas ao processo (v.g. fls. 28 a 31, 33, 34, 47 a 57, e 59), sendo ainda outras telas, como a de fl. 58, extraídas em 21/12/2005. O auto de infração é lavrado dois dias depois de aberta a fiscalização, em 22/12/2005. Assim, é de se registrar elogios à celeridade do trabalho dos auditoresfiscais designados para a fiscalização, que conseguiram, em dois dias, efetivamente comprovar cabalmente a exportação foi fictícia, mediante arsenal probatório cristalino. São absolutamente infundadas, assim, as argumentações recursais que sustentam que a autuação se baseia em mera suposição, não tendo sido apresentadas provas concretas, cabais e robustas. Ademais, a argumentação de defesa da “VITROTEC” parece concentrarse em nulidades inexistentes, ou fruto de interpretações equivocadas. A afirmação de que há contrariedade ao art. 11 do Decreto no 70.235/1972, (autorização do chefe do órgão para a notificação de lançamento), resulta de equivocada leitura do comando normativo, aplicável a notificações de lançamento (quando, no caso, houve auto de infração, regido pelo art. 10 do mesmo diploma normativo). A alegada nulidade pela ciência irregular, por óbvio, foi suprida pelo comparecimento aos autos do sujeito passivo, tempestivamente. E a suscitada nulidade por não serem os fiscais contadores (se é que não o são, e já destacando que no presente processo sequer está em discussão qualquer registro contábil), também não encontra guarida no ordenamento brasileiro, a ponto de se ter sumulado a matéria neste CARF: “Súmula CARF no 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.” A alegação recursal de decadência encontra barreira no art. 173, I do Código Tributário Nacional, não havendo sombra de dúvidas de que no presente caso houve fraude. A matéria também já se encontra sumulada neste CARF: “Súmula CARF no 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN.” E o argumento de que houve cerceamento do direito de defesa, pois não foi dada oportunidade para que a contribuinte pudesse esclarecer a verdade absoluta, apresentando a documentação necessária para isso (tendo a notificação da autuação se deu na véspera de natal, em 24/12/2005, tendo sido recebida por segurança terceirizado), somente revela que não desejava a recorrente efetivamente discutir a matéria. No prazo de impugnação, assim como no prazo recursal após a decisão de piso, estava aberta a oportunidade para que a empresa “esclarecesse a verdade absoluta”, o que não foi feito, limitandose a defesa a preliminares a alegações genéricas, fugindo à discussão Fl. 532DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 12466.004819/200571 Acórdão n.º 3403003.187 S3C4T3 Fl. 527 13 sobre o que efetivamente ocorreu (a designada “verdade absoluta”). Ausente, assim, o cerceamento de defesa apontado. Sobre o caráter confiscatório da multa, que a recorrente entende contrariar o art. 150, IV da Constituição Federal, que impede a utilização de “tributo” com efeito de confisco, cabe destacar o equívoco entre penalidade e tributo (nos presentes autos não se exige nenhum tributo, invocandose a legislação do IPI tão somente para aplicação de multa), e que não é competente o julgador administrativo para apreciar a constitucionalidade de norma legal vigente (como aquela que estabelece a penalidade aplicada nos autos), tema também já sumulado neste tribunal administrativo: “Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” A penalidade imputada resulta do comando legal vigente constante no art. 83, II da Lei no 4.502/1964: “Art . 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: (...) II Os que emitirem, fora dos casos permitidos nesta Lei, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do imposto e ainda que a nota se refira a produto isento.” (grifo nosso) Não é preciso muito esforço, a partir do aqui exposto, para perceber que a “VITROTEC” emitiu as Notas Fiscais de exportação no 9032 (fl. 65) e no 9034 (fl. 66), que ampararam uma exportação que comprovadamente não ocorreu. Patente, assim, o enquadramento eleito pelo fisco em relação à “VITROTEC”, pelo que se mantém integralmente a autuação em relação a tal sujeito passivo. Dos responsáveis “solidários” Como o Sr. “GALBA” Braga de Melo foi afastado do polo passivo, e o sujeito passivo “WALDIR” Antônio da Silva teve seu recurso não conhecido, como destacado nos tópicos anteriores deste voto, passase a analisar as peças recursais das duas empresas indicadas como responsáveis solidárias: “VALE” e “POSEIDON”. Em ambas, restam presentes, como principais argumentos, a oposição no que se refere à comprovação da existência de “interesse comum” (art. 124, I do CTN) e no que se refere à adequação a tais empresas ao enquadramento da infração adotado na autuação. Em relação ao primeiro tema (interesse comum), a DRJ praticamente “corrige” a autuação, como se percebe pela transcrição abaixo, de excerto do julgamento de piso (fl. 301): Fl. 533DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 14 “A acusação constante no auto de infração em relação aos outros autuados, notadamente em relação às empresas Vale do Rio Doce (CVRD) e Poseidon, é de que a atuação dessas duas empresas concorreu fundamentalmente para a ocorrência da fraude e da autuação. Somente na hora de subsumir o fato participação fundamental dos outros autuados para a ocorrência da infração à norma, alegou a fiscalização equivocadamente o artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN) em vez do correto artigo 603, inciso I, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto no 4.543/2002. (...) As jurisprudências administrativa e judicial admitem o erro de enquadramento legal quando os fatos valorados como ilícitos são apresentados no auto de infração ou na petição inicial. Este correto posicionamento parte do princípio que as defesas impugnações ou constatações decorrem dos fatos descritos na inicial e, uma vez provados os fatos, ocorre o enquadramento na legislação nacional; e que o erro de enquadramento legal é irrelevante, uma vez que há a presunção absoluta de conhecimento da lei “a ninguém é dado alegar o desconhecimento da lei”. (norma decorrente do art. 3o da Lei de Introdução ao Código Civil). (...)” (grifo nosso) Temos que a análise do presente caso não demandará o espinhoso enfrentamento do tema tão naturalmente encarado pela DRJ, que é a possibilidade de “correção” do enquadramento legal da autuação, ainda que para efeito de atribuição de responsabilidade por infração. E não será necessário o aprofundamento do tema, visto que a DRJ não “corrige”, no caso, mas “altera” o enquadramento legal que fundamenta a responsabilização solidária na autuação. Não parece ter sido por acaso (ou equívoco) a escolha do art. 124, I do CTN (combinado com o art. 136) para a responsabilização solidária, assim como não parece ter sido fruto de desconhecimento a escolha do enquadramento legal da autuação: art. 83, II da Lei no 4.502/1964. É certo que o Decretolei no 37/1966 trata de responsabilidade por infrações, em seu art. 95, I (que é reproduzido no dispositivo do Regulamento Aduaneiro citado pela DRJ4), e que tal dispositivo abarca as penalidades aduaneiras. É certo ainda que o mesmo Decretolei, que tem tópico específico sobre penalidades aduaneiras, apresenta tratamento decadencial diferenciado, em seu art. 139 (que se transcreve aqui ao lado do art. 138, por razões didáticas): “Art. 138. O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) 4 O Regulamento Aduaneiro mencionado pela DRJ ao corrigir a autuação sequer era vigente na época dos fatos (ano de 2000), o que é até de menor importância, visto que o comando legal que ampara o dispositivo regulamentar citado (art. 603) é de 1966. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 12466.004819/200571 Acórdão n.º 3403003.187 S3C4T3 Fl. 528 15 Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art. 139. No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração.” Se a infração foi praticada em 28/06/2000, e é entendida como “aduaneira”, então cessaria o direito de impor penalidade em 27/06/2005. Tal prazo decadencial diferenciado já foi acolhido unanimemente por esta turma (v.g. Acórdão no 3403002.782, e em diversos julgados do CARF (v.g. Acórdão no 3201001.311 e no 3202001.085). Assim, não entendemos, como o julgador de piso, que “errou” o autuante. Pelo contrário, entendemos que houve uma escolha pela responsabilização exclusivamente com base nos arts. 124, I e 136 do Código Tributário Nacional (“tributária, ainda que infracional”). Por isso, deixase aqui de analisar a argumentação das recorrentes em relação à mudança de enquadramento pela DRJ, justamente por não se reconhecer que na autuação esteja presente o erro apontado pela DRJ como ensejador da mudança. Assim, mantémse a análise da autuação tal qual ela foi lavrada, com base nos arts. 124, I e 136 do CTN, e no art. 83, II da Lei no 4.502/1964. Mas essa escolha faz surgir a obrigação de provar o “interesse comum” (o, que, destaquese, não se faz somente com demonstração de transferência patrimonial ou benefício econômico). É preciso reconhecer que, talvez pela escassez de tempo (entre a abertura da fiscalização e o auto de infração decorreram dois dias, como destacado), não foram aprofundadas as investigações, de modo a colacionar aos autos elementos que vinculassem as pessoas jurídicas à conduta imputada: art. 83, II da Lei no 4.502/1964. No Relatório de Fiscalização, são dedicados (afora as citações/transcrições) apenas três parágrafos dedicados ao tema da responsabilidade (fl. 21): “Ressaltouse, ao longo do Relatório, que o processo de exportação compreende uma série de etapas sucessivas, interdependentes e complementares, operacionalizadas pelos diversos agentes que atuam no despacho. Desse modo, considerando a natureza do ilícito e o aspecto complementar dos registros efetuados junto ao SISCOMEX, resta evidente que a efetivação da fraude depende do concurso de uma série de pessoas, que, em tese, buscam um fim comum. Assim, à luz do disposto no art. 124, I do CTN, todos os que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador do tributo e, que, em tese, tenham logrado algum proveito econômico com a operação realizada, respondem pela obrigação principal”. Em tais parágrafos, que acabam confundindo a questão estritamente tributária em relação ao fato gerador (crêse, do IPI), e a própria conduta infracional imputada (que afirma que a fraude depende do concurso dos agentes, embora a fraude imputada não se refira a Fl. 535DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 16 exportação fictícia, ou a uso de documento de exportação falso, mas a emissão de nota fiscal em desacordo com a saída, conduta que independe dos demais agentes). Ainda que se invoque a responsabilidade objetiva (art. 136 do CTN) ao final do referido Relatório de Fiscalização, na autuação, dispensando a comprovação de dolo ou culpa, é preciso apontar que, a nosso ver, é incontestável a culpa (in eligendo / in vigilando) de ambas as empresas, que não tomaram os cuidados devidos para evitar a inserção (ainda que efetuada por funcionário habilitado) de dados em sistemas oficiais (como o SISCOMEX) que correspondiam a operação (exportação) que de fato não ocorria. Assim, até acordamos que o depositário (“VALE”) e a empresa marítima transportadora (“POSEIDON”) são intervenientes que contribuíram para a concretização da exportação fictícia (ainda que de forma culposa), o que ensejaria sanções administrativas às referidas empresas, após a vigência da Medida Provisória no 135, de 30/10/2003 (posteriormente convertida na Lei no 10.833/2003, que trata de sanções administrativas a intervenientes em seu art. 76). Contudo, a conduta imputada não é de exportação fictícia (ou de exportação com uso de documento falso), mas aquela referida no art. 83, II da Lei no 4.502/1964: emitir, fora dos casos permitidos na Lei n. 4.502/1964, notafiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, ou utilizar, receber ou registrar essa nota para qualquer efeito, em proveito próprio ou alheio, haja ou não destaque do imposto e ainda que a nota se refira a produto isento. Não se tem a mínima dúvida de que a “VITROTEC” emitiu as notas fiscais discutidas nestes autos (no 9032 e no 9034), assim como não se tem dúvidas de que às demais empresas (“VALE” e “POSEIDON”) somente se poderiam atribuir as demais condutas ali previstas: utilizar, receber ou registrar essa nota para qualquer efeito, em proveito próprio ou alheio, visto que nenhuma delas emitiu nota fiscal. Então, na verdade, não se estaria a atribuir responsabilidade solidária, mas individualizada, por práticas de condutas diferentes, aos sujeitos passivos. Enquanto a “VITROTEC” teria emitido notas fiscais que não correspondiam às saídas efetivas, a “VALE” e a “POSEIDON” teriam utilizado, recebido ou registrado a nota para qualquer efeito, em proveito próprio ou alheio. Não nos parece, assim, que a contribuição de tais empresas para a perpetração da exportação fictícia (motivadora da responsabilização solidária) tenha relação com o enquadramento infracional eleito: art. 83, II da Lei no 4.502/1964. A “VITROTEC” poderia ter emitido nota fiscal em desacordo com as saídas sem a participação da “VALE” e da “POSEIDON”, e sequer ter destinado a mercadoria para exportação. O que requer a participação da “VALE” e da “POSEIDON” é a efetiva comprovação da exportação fictícia, que, recordese, não é a conduta imputada na autuação. Assim, por deficiência na adequação dos responsáveis solidários à conduta imputada na autuação, entendese que não deve prosperar a inclusão das empresas “VALE” e “POSEIDON” na sujeição passiva do presente auto de infração. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício apresentado, de não tomar conhecimento do recurso apresentado pelo Sr. Waldir Antônio da Silva, de dar provimento aos recursos voluntários das empresas “VALE” e “POSEIDON”, Fl. 536DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 12466.004819/200571 Acórdão n.º 3403003.187 S3C4T3 Fl. 529 17 para excluílas da sujeição passiva, e de negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela empresa “VITROTEC”. Rosaldo Trevisan Fl. 537DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10935.907137/2011-61
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/08/2004
PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3803-005.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 13/08/2004 PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Recurso negado.
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AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negouse provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 71 37 /2 01 1- 61 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues. Relatório O Despacho Decisório eletrônico (Rastreamento nº 015070705), indeferiu o Per/DComp transmitida em 13/08/2004, sob a alegação de que, a partir do DARF apresentado, o crédito nele informado foi integralmente utilizado no pagamento de outros débitos, não restando saldo credor para a restituição pleiteada. Manifestando a sua inconformidade a contribuinte alegou que apurou as contribuições ao PIS e à Cofins, com base no art. 3º da então vigente Lei nº 9.718/98; que ampliou o conceito de base de cálculo dessas contribuições e que o Supremo Tribunal Federal, por meio do RE 346.084, julgou inconstitucional a ampliação da base de cálculo trazido por esse dispositivo legal; que a comprovação do recolhimento efetuado a maior se dá através de planilhas de apuração do PIS, as quais demonstram que compuseram a base de cálculo a receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços e outras receitas – financeiras, aluguéis, recuperação de despesas, bem assim dos DARF’s correspondentes anexos, que comprovam o pagamento do valor apurado. Ao final postula pela restituição dos valores pagos a maior a título de PIS, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional e art. 2º, III, ‘c’, da IN RFB 900/08, acrescidos de juros com base na taxa Selic. Em julgamento realizado em 18/04/2013, por meio do Acórdão nº 0640.383, a decisão proferida pela 3ª Turma DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade aviada, consoante transcrição da ementa a seguir ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 13/08/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de Fl. 43DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907137/201161 Acórdão n.º 3803005.637 S3TE03 Fl. 7 3 cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas, posto que a decisão não foi em ADIN, mas em Recurso Extraordinário. Em apertada síntese a decisão de primeira instância limitouse à alegação de que a declaração de inconstitucionalidade do STF não gerou efeito erga omnes, porém apenas inter partes; que até a edição da Lei nº 11.941, DOU de 29/05/09, que revogou tal dispositivo inconstitucional contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, o mesmo era perfeitamente aplicável; e que as condições para o afastamento da aplicação da norma julgada inconstitucional, não se coadunaram com o disposto nos artigos 1º e 4º do Decreto nº 2.346/97, o que fez em observância ao disposto no artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 11.941/09. Por tal razão deixou o voto condutor de reconhecer o direito creditório pleiteado, consoante consta da fl. 03 da decisão vergastada. No que atine à questão probatória a referida decisão entendeu que não há nos autos provas do direito alegado, eis que a contribuinte não demonstrou fazer parte de ação judicial na qual foi declarada a inconstitucionalidade do dispositivo informado na peça inaugural, bem assim não trouxe aos autos documentos e livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN, eis que incumbe à interessada trazer aos autos junto à peça contestatória, o direito em que se fundamenta e as provas a que se alude, em conformidade ao art. 16, III, do Dec. Nº 70.235/72. Cientificado do teor da decisão de primeira instância por meio de AR em 29/04/2013 e, com ela irresignado, o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 17/05/2013, reiterando os termos expendidos na exordial, de forma minudente, para pugnar pela reforma da decisão hostilizada. É o relatório. Voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 44DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. O apelo devolvido a esta Corte versa acerca da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, bem assim acerca da liquidez e certeza do crédito, cuja restituição foi suscitada pela contribuinte, com a devida atualização de acordo com a taxa Selic. O Supremo Tribunal Federal – STF, reconheceu a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, e em decisão unânime, o Plenário resolveu a questão de ordem constitucional no sentido de reconhecer a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Confirase: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). Nos julgamentos realizados no âmbito do CARF a regulação acerca deste tema encontra supedâneo no disposto artigo 62A do RICARF/09, que assim estabelece: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Reiteradas vezes como julgador, ao deparar com o tema sob exame, tenho me pronunciado de forma a observar o contido no artigo 62A do Regimento Interno do CARF/09, e igualmente o faço nesta oportunidade, com o fito de solucionar a questão atinente ao reconhecimento do direito alegado pela Recorrente. No que atine à questão probatória, bem se vê que a decisão a quo esteve silente em relação à eficácia da planilha e dos DARF’s correspondentes, colacionados aos autos pela Recorrente, quando da sua manifestação de inconformidade. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907137/201161 Acórdão n.º 3803005.637 S3TE03 Fl. 8 5 Quanto a este aspecto o aresto recorrido limitouse a indicar a ausência nos autos de documentos “inominados” e de livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN. Logo, a conclusão a que chegou a referida decisão é que os documentos apresentados pela Recorrente foram considerados insuficientes para demonstrar a legitimidade de sua pretensão. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, sobre as quais a contribuinte não se manifestou. Os juros de mora apurados com base na taxa Selic, por força de norma legal vigente, Conforme Dispõe o art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, c/c o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, são devidos, entretanto deles não fará proveito a Recorrente pelas razões explicitadas. Com tais observações oriento o meu voto para NEGAR provimento ao recurso interposto. É assim que voto. Sala de Sessões, em 27 de fevereiro de 2014. Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 46DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11060.000438/2011-61
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
ARBITRAMENTO DO LUCRO
Definida a exclusão do Simples, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, a pessoa jurídica está sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive com relação à forma de apuração dos seus resultados, que, no caso, ocorreu pelo regime do lucro arbitrado, em face do Contribuinte, intimado para tanto, deixar de apresentar a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, que são exigidos nos regimes de tributação do lucro presumido ou do lucro real.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO CONTABILIZADO.
Com o advento do art. 42 da Lei n.° 9.430/1996, deve ser entendido como omissão de receita o valor depositado/creditado em instituição financeira, em relação o qual, a interessada, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem do recurso utilizado nessa operação.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO
A vedação contida na Constituição Federal sobre a utilização de tributo, e não da multa, com efeito de confisco é dirigida ao legislador, não se aplicando aos lançamentos de ofício efetuados em cumprimento das leis tributárias regularmente aprovadas.
MULTA DUPLICADA. SONEGAÇÃO.
Caracterizada a ação dolosa tendente a impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda pessoa jurídica de modo a evitar o seu pagamento, é cabível a aplicação da multa duplicada.
JUROS DE MORA. SELIC.
A utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo ser dispensada.
PIS. CSLL. COFINS. DECORRÊNCIA.
A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa.
Numero da decisão: 1802-002.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 NULIDADE. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Decreto nº 70.235/1972 PAF não prevê a possibilidade de exercício do direito de defesa e do contraditório previamente à lavratura de auto de infração. Os trabalhos de fiscalização (auditoria) tem a natureza de um procedimento investigativo (inquisitorial), e o exercício do contraditório e da ampla defesa apenas é diferido para depois de encerrada essa fase, sem qualquer prejuízo para os contribuintes. Se a Recorrente teve a ciência dos termos e demonstrativos que compõe o processo, e neles estão claramente descritos os fatos que motivaram a exclusão do Simples e o lançamento fiscal, a infração que lhe foi imputada, bem como as disposições legais infringidas, não há que se falar em nulidade por violação ao contraditório e à ampla defesa. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. DESNECESSIDADE. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao Contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES (FEDERAL E NACIONAL). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 04 38 /2 01 1- 61 Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 3 2 Justificase a exclusão de ofício do Simples quando a pessoa jurídica cometer embaraço à Fiscalização ou prática reiterada de infração à legislação tributária. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. A exclusão do Simples pela prática reiterada de infração à legislação tributária gera efeitos a partir, inclusive, do mês que for verificada essa prática. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 ARBITRAMENTO DO LUCRO Definida a exclusão do Simples, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, a pessoa jurídica está sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive com relação à forma de apuração dos seus resultados, que, no caso, ocorreu pelo regime do lucro arbitrado, em face do Contribuinte, intimado para tanto, deixar de apresentar a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, que são exigidos nos regimes de tributação do lucro presumido ou do lucro real. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO CONTABILIZADO. Com o advento do art. 42 da Lei n.° 9.430/1996, deve ser entendido como omissão de receita o valor depositado/creditado em instituição financeira, em relação o qual, a interessada, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem do recurso utilizado nessa operação. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO A vedação contida na Constituição Federal sobre a utilização de tributo, e não da multa, com efeito de confisco é dirigida ao legislador, não se aplicando aos lançamentos de ofício efetuados em cumprimento das leis tributárias regularmente aprovadas. MULTA DUPLICADA. SONEGAÇÃO. Caracterizada a ação dolosa tendente a impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda pessoa jurídica de modo a evitar o seu pagamento, é cabível a aplicação da multa duplicada. JUROS DE MORA. SELIC. A utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo ser dispensada. PIS. CSLL. COFINS. DECORRÊNCIA. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 4 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa. Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 5 4 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que manteve integralmente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, conforme autos de infração de efls. 6 a 53, nos valores de R$ 627.812,63, R$ 196.567,46, R$ 115.256,72 e R$ 24.348,70, respectivamente, incluindose nesses montantes a multa qualificada de 150% e os juros moratórios. Os fatos que antecederam o presente recurso estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1036.163, às fls. 1091 a 1115: DA AUTUAÇÃO FISCAL Em atendimento ao Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização MPFF n° 10.1.03.002009001590, o contribuinte acima identificado foi fiscalizado nos anos calendário de 2006 e 2007. A autoridade fiscal entendeu que a fiscalizada teria cometido a prática reiterada de infração à legislação tributária em razão de o Livro Caixa apresentado não contemplar toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, aliado ao fato de ter incorrido em embaraço a fiscalização, pela negativa não justificada em fornecer informações sobre a sua movimentação financeira. Por esses motivos, a fiscalizada foi excluída do Simples Federal, com efeitos a partir de 01/01/2006, com base legal no art. 7°, § 1°, alínea “a”, art. 14, incisos II e V, art. 15, inciso V e § 3°, da Lei n° 9.317, de 1996 e do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/07/2007, com base nos art. 26, § 2° e art. 29, incisos II e V da Lei Complementar n° 123, de 2006, conforme o Ato Declaratório Executivo DRF/STM n° 06 e o Termo de Exclusão DRF/STM n° 1 (fls. 401/402), ambos de 03 de fevereiro de 2011. No relatório de fiscalização (fls. 54 a 64) diz o autuante que, após receber os extratos bancários mediante requisição de movimentação financeira (RMF) e efetuar a conciliação entre os valores constantes das contascorrentes bancárias do Banespa, Banrisul, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Santander e Sicredi, e a contabilidade (Livro Razão), constatou que valores de depósitos/créditos bancários não haviam sido escriturados, conforme relação constante da “Planilha de Créditos Bancários Pendentes de Comprovação de sua Origem” (fls. 358 a 374), e que, mesmo intimada para tanto (fls. 356/357), a fiscalizada não comprovou a origem nem a contabilização dessas operações, pelo que o montante de R$ 677.210,21 foi Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 6 5 tributado como receita omitida, com base no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Em face da irregularidade apontada, foram lavrados autos de infração com anexos para a exigência de créditos relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição para o PIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, referentes a fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de 01/2006 a 12/2007 (fls. 6 a 52). A forma de tributação adotada na autuação é o lucro arbitrado, com periodicidade trimestral. O motivo do arbitramento do lucro foi porque o contribuinte, intimado, para tanto (fls. 404/405), deixou de apresentar à autoridade tributária, na forma exigida pela legislação, a escrituração comercial e fiscal (Livros Diário, Razão e Livro de Apuração do Lucro Real), a demonstração do resultado do exercício (DRE) e o balanço patrimonial, com apuração pelo Lucro Real Trimestral. O arbitramento tem como base de cálculo os valores apurados de receitas omitidas, caracterizadas por depósitos bancários de origem não comprovada e os valores da receita declarada (DIPJ original/retificadora) pela sistemática do Simples, conforme planilha de fls. 380 a 384. A fiscalização utilizou os percentuais de 9,6% e 38,4% para determinação do lucro arbitrado. O autuante, registrou, ainda, que os valores declarados nas DIPJs originais e retificadoras, nos regimes do Simples Federal e Nacional, relativos aos períodos de apuração 2006 e 2007, foram deduzidos dos valores devidos apurados no regime do lucro arbitrado, conforme planilhas de fls. 381/384. Os montantes lançados foram: IRPJ: R$ 214.531,14. Enquadramento legal: arts. 530, 541 e 841, incisos I e IV, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR/99) e art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996; Contribuição para o PIS: R$ 8.264,75 Enquadramento Legal: arts. 1° e 3°, da Lei Complementar n° 07, de 1979, arts. 2° e 3°, § 1° da Lei n° 9.718, de 1998; e arts. 2°, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524, de 2002. COFINS: R$ 39.352,51 Enquadramento Legal: arts. 2° e 3°, § 1° da Lei n° 9.718, de 1998; e arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524, de 2002. CSLL: R$ 67.232,00 Enquadramento Legal: art. 2° e §§, da Lei n° 7.689, de 1988; art. 20 da Lei n° 9.249, de 1995; art. 29 da Lei n° 9.430, de 1996 e art. 37 da Lei n° 10.637, de 2002. Os valores acima estão acrescidos da multa de ofício no percentual de 150%, aplicada com base no art. 44, inciso I e § Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 7 6 1°, da Lei n° 9.430, de 1996. O agravamento da penalidade se deu em razão de ter o contribuinte, de forma repetida, omitido receitas da atividade em livros fiscais e nas declarações entregues ao fisco, ao longo de dois anoscalendário (2006 e 2007), o que caracteriza a sonegação de tributos nos termos do art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964. Também foram lançados juros de mora com base no art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996. DAS IMPUGNAÇÕES Cientificado da exclusão dos regimes do Simples (Federal e Nacional) em 26/02/2011 e da exigência do crédito tributário em 03/05/2011, o contribuinte apresenta em 29/03/2011 a impugnação de fls. 411 a 428, com documentos de fls. 429 a 431, contra os atos de exclusão do Simples, e, em 01/06/2011, a impugnação de fls. 437 a 458, com documentos de fls. 459 a 760, contra os autos de infração do IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, argüindo, em síntese, o que segue: Na impugnação contra a exclusão do Simples É impossível ao fisco utilizar o procedimento fiscal em comento como meio de justificar a sua exclusão do Simples (Federal e Nacional). Alega que o procedimento fiscal foi iniciado em 25/05/2009 e não havia sido concluído quando da lavratura dos termos de exclusão, e portanto, devem ser anulados. Observa, ainda, que a fiscalização não lhe forneceu cópia ou acesso aos autos do procedimento fiscal para o exercício do seu direito de acompanhamento dos atos de fiscalização, havendo cerceamento de defesa. Diz ainda que não há que se falar em infração, nem tampouco exigibilidade do crédito tributário, enquanto o procedimento fiscal que motivou o ato de exclusão encontrase em andamento. Quanto à movimentação financeira, alega que, mesmo após ter esclarecido com precisão, através da escrituração, a origem dos valores creditados em suas contas correntes bancárias, continuou recebendo intimação fiscal para a apresentação dos extratos bancários, o que deixou de fazêlo, justificadamente, por entender estar amparada pela garantia constitucional do sigilo bancário. Menciona que entregou todos os livros e documentos solicitados ao longo da fiscalização, inclusive respondendo ao termo ratificando que a diferença encontrada entre a receita declarada e a movimentação bancária era oriunda de empréstimos bancários e de terceiros, juntando todos os contratos de empréstimos/financiamentos bancários e planilhas em Excel, demonstrando todos os valores contraídos em empréstimos no período. Esclarece que efetuou auditoria e constatou valores de faturamento que não haviam sido declarados nas declarações originais e que sabedora da sua condição de reaquisição da espontaneidade, pela paralisação do procedimento fiscal, efetuou denúncia espontânea dos tributos decorrentes das DIPJs retificadoras dos anos de 2006 e 2007, cujos valores foram devidamente parcelados através da Lei n° Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 8 7 11.941/09 e estão sendo pagos, motivo pelo qual não podem estar sujeitos a nenhum tipo de penalidade ou multa punitiva. Em relação ao embaraço à fiscalização, argüi que o fisco deve observar o princípio da legalidade para que se efetue a quebra do sigilo bancário, sendo imprescindível a prévia autorização judicial. Diz que as requisições de informações sobre movimentações financeiras (RMF) devem observar as determinações do art. 6° da Lei Complementar (LC) n° 105, de 2001 e do art. 3° do Decreto n° 3.724, de 2001, e, ainda, mesmo nos casos autorizados pela LC, este diploma legal é incompatível com a garantia constitucional do sigilo bancário, a qual resulta dos incisos X e XII do art. 5° da CF/1988. Menciona, em momento algum, a autoridade fiscal demonstrou, de forma concreta, que não havia outros meios de conduzir a fiscalização e que o acesso amplo aos extratos bancários da fiscalizada era indispensável, bem como não lavrou qualquer termo de embaraço à fiscalização, o que é exigível no presente caso. Diz ainda que os extratos bancários não constam no rol dos documentos obrigatórios a serem entregues à fiscalização e a recusa em entregálos foi devidamente motivada e justificada pela contribuinte (sigilo bancário), e ainda, porque o valor excedente entre a movimentação bancária e a receita declarada foi devidamente comprovado como empréstimo/financiamentos, o que não se aplica a hipótese de presunção de omissão de receita prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Sobre à retroação da exclusão, alega que exigir diferenças de impostos, bem como adequação contábil para outra modalidade é ilegal e inconstitucional, conforme disposição expressa no art. 5°, inciso XXXVI da CF/1988. Entende que a pretensa exclusão somente poderia gerar efeitos a partir da data da ciência da contribuinte de eventual decisão final que a considere definitivamente excluída do Simples. Ao final, requer que seja recebida no efeito suspensivo a manifestação de inconformidade para fins de que: a) seja mantida sua inscrição no Simples Federal e Simples Nacional, de forma retroativa à data de sua indevida exclusão; b) caso não seja esse o entendimento, seja dado provimento parcial no sentido da exclusão gerar efeitos somente a partir da ciência do termo de exclusão; c) em caso de manutenção da cobrança retroativa, seja afastada a cobrança de multas, juros de mora, bem como aplicação da taxa Selic. Na impugnação dos lançamentos do IRPJ e Contribuições Repete argumentos trazidos na manifestação de inconformidade relativos ao procedimento fiscal, mencionando que entregou todos os livros solicitados pela fiscalização, deixando de atender a solicitação somente no que tange aos extratos bancários; que não teve acesso aos autos (pedidos de Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 9 8 cópias); que as RMFs foram emitidas antes de ter início a ação fiscal; que retificou as declarações na forma de denúncia espontânea declarando toda a sua receita; que em caso de movimentação financeira superior as receitas declaradas, tal fato se deu em virtude de empréstimos bancários e de terceiros. Alega a nulidade dos autos de infração pelas seguintes razões: a) ausência nos autos da prova do espontâneo atendimento pelas instituições financeiras às RMFs enviadas pelo órgão fiscalizador, bem como dos extratos bancários que alicerçaram o lançamento do crédito tributário; b) cerceamento de defesa pelo fato da autoridade fiscal terlhe negado o acesso aos autos; c) ter havido a quebra do sigilo bancário de forma arbitrária, sem preencher aos requisitos estabelecidos pela legislação que autorizariam tal medida art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001 e incisos I a XI do Dec. 3.724/2001; d) utilização de extratos bancários sem prévia autorização judicial; e) estender a ação fiscal do IRPJ a outros tributos, tais como COFINS, PIS/PASEP E CSLL, fora do objeto da fiscalização inicial. No mérito, fala da inexistência da omissão de rendimentos no valor apontado de R$ 677.210,21, eis que, no período em questão, a contribuinte recebeu a título de empréstimo/ financiamentos (recursos de terceiros) em suas contas correntes bancárias valores que deram origem à toda sua movimentação financeira no período, inclusive sendo superior à diferença apontada pela fiscalização, todos valores devidamente comprovados através dos contratos bancários que ora se juntam. Diz ainda que com algumas instituições financeiras mantinha contrato de cheque especial e CDC préaprovado, sendo que os limites eram utilizados mensalmente, como é o caso do Banco do Brasil, conforme contratos em anexo. Já com o Banrisul existiam no período contratos renovados automaticamente para a Cessão de Direitos recebidos através do Banricompras, que também segue em anexo. Menciona que restou cabalmente demonstrado que não houve depósitos bancários de origem não comprovada. Quanto à multa qualificada aplicada alega ser confiscatória ante a disparidade da mesma em face a realidade fiscal e que não está demonstrado o dolo específico do agente, bem como não está evidenciada de que maneira e por meio de qual ação concreta a contribuinte praticou a alegada sonegação fiscal, bem como quais os vínculos e como praticava. Ao final, diante do exposto, requer que sejam acolhidas as preliminares argüidas, declarando a nulidade dos autos de infração ou, no mérito, que seja extinto o crédito tributário, reconhecendo que não houve omissão de receitas. DA DILIGÊNCIA O processo retornou em diligência à DRF de origem (fl. 793), para que fosse juntado aos autos os extratos bancários das contascorrentes e aplicações financeiras do contribuinte no período de 01/2006 a 12/2007, o ofício de encaminhamento das instituições financeiras às RMFs e a cópia das DIRFs emitidas Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 10 9 pela Caixa Econômica Federal, referentes aos rendimentos brutos sobre aplicações financeiras de renda fixa (código de retenção 6800) auferidos pelo contribuinte no período de 01/2006 a 12/2007. Em resposta, a DRF de origem juntou os referidos documentos às fls. 795 a 1.062, bem como cientificou a fiscalizada a se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, facultandolhe a vista do processo e a obter cópias reprográficas dos dados e documentos que o integram (fls. 1.064/1.065). No prazo legal, o contribuinte apresenta a manifestação de fls. 1.078 a 1.084, fazendo as seguintes considerações, em síntese: que obteve cópia integral de todas as folhas juntadas aos autos somente em 20/10/2011, restando apenas 11 dias do encerramento do prazo estabelecido. Alega que não teria tempo suficiente para fazer a conciliação contábil necessária, sem contar o alto custo que envolveria a operação, totalmente incompatível para uma empresa de pequeno porte com dificuldade financeira; que a juntada de documentos após a apresentação da impugnação é excepcional, e somente será aceita nos casos previstos em lei (força maior, fato ou direito superveniente, fatos ou razões posteriores trazidas aos autos), caso contrário ocorrerá a preclusão. Cita os arts. 9° e 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, e, como reforço de argumentação, os arts. 396 e 397 do Código Civil e acórdãos do Conselho de Contribuintes; ainda que se admita, apenas para fins de argumentação, a juntada intempestiva de documentos em homenagem ao princípio da verdade material, ressaltase que a mesma não é absoluta, e sem sombra de dúvidas encontra óbice nos arts. 9° e 16 do Decreto n° 70.235, de 1972; reitera que os extratos bancários ora juntados aos autos foram obtidos de forma ilícita, sem determinação judicial, e em total afronta à legislação vigente, que foi detalhadamente analisada, conforme manifestadamente demonstrado na tempestiva peça de impugnação. que a juntada da DIRF emitida pela Caixa Econômica Federal, referente aos rendimentos brutos sobre aplicações financeiras de renda fixa (cód. 6800) para o período de 2006 e 2007, além de ser intempestiva, se mostra totalmente imprestável, pois se refere a período diferente do solicitado, e, ainda, fora do período objeto da fiscalização. Ao final, requer que se reconheça a intempestividade da juntada de documentos por parte do fisco após a lavratura do auto de infração, forte a preclusão. Reitera, ainda, os demais pedidos da impugnação. Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 11 10 Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS manteve integralmente as exigências fiscais, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, não é nulo o lançamento de ofício. A AMPLA DEFESA E O CONTRADITÓRIO. Os elementos que demonstram a efetivação do devido processo legal estão presentes in casu, pois a partir do ato de exclusão do Simples e da lavratura do auto de infração, foi assegurado ao contribuinte o amplo direito de defesa, bem como a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até a final decisão a ser proferida na esfera administrativa. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. DESNECESSIDADE. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. ILEGALIDADES. SUPOSTAS OFENSAS AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Os princípios constitucionais tributários são endereçados aos legisladores e devem ser observados na elaboração das leis tributárias, não comportando apreciação por parte das autoridades administrativas responsáveis pela aplicação destas, seja na constituição, seja no julgamento administrativo do crédito tributário. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES (FEDERAL E NACIONAL). Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 12 11 Justificase a exclusão de ofício do Simples quando a pessoa jurídica cometer embaraço à fiscalização ou prática reiterada de infração à legislação tributária. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. A exclusão do Simples pela prática reiterada de infração à legislação tributária gera efeitos a partir, inclusive, do mês que for verificada essa prática. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 ARBITRAMENTO DO LUCRO. Definida a exclusão do Simples, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, a pessoa jurídica está sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive com relação à forma de apuração dos seus resultados, que, no caso, ocorreu pelo regime do lucro arbitrado, em face do contribuinte, intimado para tanto, deixar de apresentar a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, que são exigidos nos regimes de tributação do lucro presumido ou do lucro real. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO CONTABILIZADO. Com o advento do art. 42 da Lei n.° 9.430/1996, deve ser entendido como omissão de receita o valor depositado/creditado em instituição financeira, em relação o qual, a interessada, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem do recurso utilizado nessa operação. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A vedação contida na Constituição Federal sobre a utilização de tributo, e não da multa, com efeito de confisco é dirigida ao legislador, não se aplicando aos lançamentos de ofício efetuados em cumprimento das leis tributárias regularmente aprovadas. MULTA DUPLICADA. SONEGAÇÃO. Caracterizada a ação dolosa tendente a impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda pessoa jurídica de modo a evitar o seu pagamento, é cabível a aplicação da multa duplicada. JUROS DE MORA. SELIC. A utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo ser dispensada. PIS. CSLL. COFINS. DECORRÊNCIA. Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 13 12 A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 09/03/2012 (sextafeira), a Contribuinte apresentou em 09/04/2012 o recurso voluntário de efls. 1131 a 1163, onde reitera o mesmo conjunto de argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Na presente fase recursal, ela ainda apresenta os questionamentos abaixo. Quanto à exclusão do Simples, alega: que inexiste a aduzida omissão de receita, o que comprometeria o fundamento da “prática reiterada de infração à legislação tributária”, e que sequer há decisão definitiva sobre o tema, sendo que a Impugnação e o Recurso Voluntário são dotados de efeito suspensivo; que a Recorrente não poderia ser, desde logo, penalizada por uma infração que sequer se sabe se ocorreu; que enquanto não existir crédito tributário definitivamente constituído e sem exigibilidade suspensa, a Contribuinte não poderia ser excluída do SIMPLES; que o “embaraço à fiscalização” também não se sustenta como fundamento de exclusão da Recorrente do Simples; que no momento do pedido dos extratos inexistia processo instaurado ou procedimento fiscal em curso, pois justamente o que se estava fazendo era dar início ao procedimento de fiscalização. Além do mais, uma vez que se estava dando início ao procedimento fiscal, sequer se poderia falar, naquele momento, que os dados bancários eram “indispensáveis” para a fiscalização; que na medida em que os extratos bancários foram solicitados quando da instauração do procedimento de fiscalização, era de se presumir que a autoridade fiscal sequer poderia afirmar, naquele momento, que os extratos eram “indispensáveis” à fiscalização, fato que, por óbvio, só poderia ser verificado ao longo da fiscalização; que também não procede a afirmação de que teria havido “embaraço à fiscalização” pelo fato de que a “contribuinte não atendeu integralmente à solicitação reiterada de apresentação dos comprovantes da escrituração ou da origem dos recursos depositados em suas contascorrentes”. Isso porque este fundamento sequer consta do termo de exclusão do Simples, consistindo em ilegal e indevida inovação nos autos e motivação a posteriori; Quanto à autuação fiscal, sustenta: que não foi seguida a regra constante da Resolução CGSN n° 15/07, a qual determina que somente após decisão definitiva desfavorável terá efeito a dita exclusão; Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 14 13 que só depois de concluído todo o processo de exclusão, inclusive com seu registro no Portal do Simples Nacional, é que poderia ser lavrado Auto de Infração exigindo impostos por outra modalidade de tributado; que a exclusão do SIMPLES não foi registrada no Portal do Simples Nacional na internet, por parte do órgão fiscalizador e, como determina o § 4° do art. 2º da Resolução CGSN n.° 15/07, os efeitos da exclusão são condicionados a esse registro; que estando o ato de exclusão do SIMPLES suspenso e, por conseguinte, não produzindo qualquer efeito jurídico, é óbvio que não poderiam ser lançados tributos como se a Recorrente já estivesse definitivamente excluída do SIMPLES. Em 23/08/2012, a teor do § 1º do artigo 62A do RICARF o presente processo restou sobrestado. Todavia, o mencionado dispositivo normativo foi revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, não havendo mais determinação para o sobrestamento, passase ao julgamento do presente processo. Este é o Relatório. Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 15 14 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona os atos administrativos que promoveram sua exclusão tanto do Simples Federal quanto do Simples Nacional, e também os lançamentos de IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS) que decorreram dessas exclusões. A controvérsia em pauta abrange os anoscalendário de 2006 e 2007. O procedimento de fiscalização foi iniciado em 20/05/2009, ocasião em que a Contribuinte apresentou à Fiscalização seu contrato social, e os livros Diário, Razão e Caixa. Nessa mesma oportunidade, ela deixou de apresentar seus extratos bancários, alegando o direito constitucional ao sigilo bancário. Novamente intimada, ela mais uma vez não forneceu os extratos bancários, alegando igualmente o direito ao sigilo dessas informações. Em 16/07/2009, a Fiscalização encaminhou ao Delegado da Receita Federal em Santa Maria/RS Solicitação de Emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF). As requisições foram expedidas nessa mesma data, ou seja, 16/07/2009, com base nos seguintes fundamentos apresentados pela Fiscalização: [...] De acordo com consulta ao nosso sistema Dossiê Integrado, as declarações trimestrais quanto à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira – CPMF demonstram que nos anoscalendário de 2006 e 2007 a empresa PELLE NATURAL apresentou movimentação bancária junto ao BANCO BRADESCO S/A, BANCO DO BRASIL S/A, BANCO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. S/A BANRISUL, BANCO SANTANDER S/A e CAIXA ECONÔMICA FEDERAL CEF, nos montante de R$ 1.991.468,23 e R$ 2.751.932,02, certamente incompatível em relação à Receita Bruta de Vendas (RBV) informada nas Declarações de Pessoa Jurídica optante pelo Simples exercícios 2007 e 2008 que foram de apenas R$ 451.830,00 e R$ 159.886,33. Adicionalmente, as Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRFs emitidas pela CEF nos anoscalendário de 2006 e 2007 demonstram que a empresa PELLE NATURAL obteve o montante de R$ 1.779,72 de rendimentos brutos em aplicações Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 16 15 financeiras em fundos de investimentos de renda fixa, sujeitas ao montante de R$ 355,93 de IRRF com o código de retenção 6800. Entretanto, os livros Diários e Razão dos anoscalendário de 2006 e 2007 mostram que a empresa não contabilizou tais rendimentos de aplicações financeiras na conta de resultado “Receitas Financeiras”. [...] Entendeuse que as situações acima descritas se enquadravam nos incisos IV e XI do art. 3º do Decreto 3.724/2001, c/c com o § 2º, I, desse mesmo artigo, e que, portanto, justificavam a expedição de RMF. Obtidos os extratos bancários, e confirmada a ocorrência de movimentação financeira excessiva em relação à receita bruta declarada nas DSPJ, a Contribuinte foi intimada a comprovar a origem dos valores creditados em suas contas bancárias. Para uma análise mais detalhada sobre as justificativas apresentadas pela Contribuinte como origem dos créditos bancários, foi realizada uma nova intimação, cujo prazo de atendimento foi prorrogado pela Fiscalização. Em sua nova resposta, a Contribuinte mais uma vez registrou ter contraído no período fiscalizado diversos empréstimos bancários e de terceiros, e apresentou planilhas onde foram relacionados os valores referentes aos empréstimos, discriminados por data, instituição financeira e origem, seguidos de documentação que comprovam as operações, inclusive cópia do Razão contábil com a contabilização desses valores. A Fiscalização relata que a origem dos demais créditos constantes da planilha anexa à intimação não foi comprovada. Buscando identificar os registros dos valores creditados nas contas bancárias da Contribuinte, a Fiscalização realizou a conciliação entre extratos bancários e contabilidade, e restou comprovada a contabilização da maioria dos créditos. Os créditos bancários não identificados na contabilidade foram relacionados na PLANILHA DE CRÉDITOS BANCÁRIOS PENDENTES DE COMPROVAÇÃO DE SUA ORIGEM, e a Contribuinte foi novamente intimada. Foram concedidas três prorrogações de prazo, mas a Contribuinte não apresentou documentação relativa aos créditos bancários cuja origem ainda restava pendente de comprovação, no montante de R$ 677.210,21 para os anoscalendário de 2006 e 2007, os quais foram considerados como receita omitida por força do art. 42 da Lei 9.430/1996. Constatada a prática de infração à legislação tributária, a primeira providência da Fiscalização foi promover a exclusão da Contribuinte tanto do Simples Federal, quanto do Simples Nacional. Os atos declaratórios de exclusão apresentaram dois fundamentos, “embaraço à fiscalização” e “prática reiterada de infração à legislação tributária”: De acordo com o presente Relatório de Fiscalização, verificamos que a empresa Indústria de Cosméticos Pelle Natural Ltda. deixou de atender diversas intimações relativas à Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 17 16 sua movimentação financeira, bem como apresentou os Livros Caixa sem o registro dos créditos bancários que constam nos extratos fornecidos pelos bancos, o que demonstra que a mesma incorreu em embaraço à fiscalização e na prática reiterada de infração ao disposto na Lei n°. 9.317/96 e na Lei Complementar n°. 123/06, passível de exclusão dos referidos regimes dispensados às microempresas e empresas de pequeno porte, a partir do PRÓPRIO MÊS em que tais infrações houverem sido constatadas. Como a prática de omissão de receitas foi verificada reiteradamente, abrangendo todos os meses dos anoscalendário de 2006 e 2007, a exclusão surtiu efeitos desde o mês de janeiro/2006, nos termos do art. 15, V, da Lei 9.317/96 e art. 29, § 1º, da Lei Complementar 123/2006. Na seqüência, a Contribuinte foi intimada a apresentar: escrituração contábil, elaborada de acordo com as leis comerciais e fiscais (Livros Diários e Razão) relativamente ao período de 01/2006 a 12/2007; Livros de Apuração do Lucro Real – LALUR; Demonstrações de Resultado do Exercício DREs em períodos de apuração trimestrais; balanço patrimonial e a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados relativamente ao período de 01/2006 a 12/2007; e Demonstrativos Trimestrais de Apuração da CSLL relativamente ao período de 01/2006 a 12/2007. A Contribuinte solicitou uma prorrogação de prazo para atender a esse Termo de Intimação, e o pedido foi deferido. Posteriormente, ela apresentou resposta informando ter impugnado a exclusão do Simples, e, em razão disso, requereu a suspensão do procedimento de fiscalização. Diante da não apuração do lucro real trimestral pela Contribuinte, procedeu se ao arbitramento dos lucros para fins de cálculo do IRPJ e da CSLL, levandose em conta as receitas declaradas e as receitas omitidas. O PIS e a COFINS foram apurados no regime cumulativo, considerandose igualmente as receitas declaradas e as receita omitidas. Tendo a Contribuinte readquirido a espontaneidade durante o procedimento fiscal e retificado suas declarações simplificadas, a Fiscalização deduziu no lançamento os valores dos tributos confessados nessas declarações. Os saldos dos tributos foram exigidos com a multa qualificada de 150%, em razão da prática reiterada de omissão de receitas.. A síntese do procedimento fiscal acima apresentada já permite perceber que muitas das alegações da Contribuinte partem de fatos ou situações que não correspondem ao que está nos autos. Esse problema fica bastante evidenciado pelos fundamentos da decisão recorrida, transcritos a seguir: Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 18 17 Questões preliminares Nulidade Cerceamento do direito de defesa No que se refere aos pedidos de anulação dos atos praticados pela DRF de origem (exclusão do Simples e lançamentos do crédito tributário) é de se lembrar que em sede de processo administrativo fiscal as nulidades absolutas estão colocadas no art. 59, do Decreto no 70.235, de 1972, sendo que as providências a tomar em caso de outras irregularidades estão dispostas no art. 60 e 61 do mesmo Decreto. A seguir, transcrevese os referidos artigos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.(Grifouse) Do exame do dispositivo antes transcrito, extraise que só pode haver nulidade se o ato for praticado por agente incompetente, uma vez que a hipótese do inciso II, relativa a cerceamento do direito de defesa, alcança apenas os despachos e decisões, quando proferidos com inobservância do contraditório e da ampla defesa. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões cometidas na ação fiscal não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Analisandose as peças que compõe o processo, não se vislumbra a ocorrência de nenhuma dessas hipóteses, ou seja, os atos praticados (de exclusão do Simples e de formalização do crédito tributário) foram lavrados por servidor competente (AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil fls. 03/50 e 401/402), bem como não ocorreu a hipótese de cerceamento do direito de defesa, estando perfeito do ponto de vista formal, consoante as disposições legais do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, dos arts. 14 e 15 da Lei n° 9.317, de 1996, dos arts. 26 e 29 da Lei Complementar n° 123, de 2006 e do art. 6° , III, da Portaria DRF/STM n° 22, de 12/06/2009, tais como a suficiente descrição dos fatos que ensejaram a autuação, tendo o contribuinte sido cientificado, inclusive, do anexo relatório fiscal (fls. 51 a 61). Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 19 18 Quanto à exclusão do Simples, cumpre registrar que a interessada foi cientificada. A ciência ocorreu por via postal, cujo documento foi entregue no endereço do contribuinte, com assinatura de recebedor (preposto), conforme se verifica no aviso de recebimento AR (fl. 403). Relativamente à constituição do crédito tributário, o art. 142 do Código Tributário Nacional, expressamente confere à autoridade administrativa a competência indelegável e privativa de formalizar o lançamento. Essa autoridade, atualmente, nos termos art. 6° Lei n° 10.593, de 2002, com a redação da Lei n° 11.457, de 2007, é o AuditorFiscal da Receita Federal. Conseqüentemente, verificando a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou o descumprimento de uma obrigação tributária acessória, tem ele o dever de promover o lançamento. É o que tem nos autos. Ainda, em relação à alegação de inobservância aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal é importante destacar que no âmbito da administração tributária, a Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), estabeleceu as primeiras diretrizes para assegurar o cumprimento das determinações constitucionais. A conformação do processo em matéria tributária tem continuidade com o Decreto n° 70.235, de 1972 (alterações da Lei n° 8.748, de 1993) que previu as instâncias administravas de julgamento do contencioso instaurado, os meios e os recursos necessários e suficientes ao exercício pleno do direito ao contraditório e à ampla defesa, constitucionalmente assegurados ao sujeito passivo. Dessa forma, o contraditório, como o ato de refutar uma afirmativa com o intuito de desfazêla e a ampla defesa, vem assegurados no processo administrativo fiscal no período que se segue ao ato de exclusão do Simples ou à formalização do crédito tributário. Verificase que o contribuinte tomou ciência dos termos de exclusão do Simples e dos autos de infração lavrados pela fiscalização, apresentando, no prazo legal, as impugnações, em apreciação, contra a exclusão do Simples e contra a exigência de créditos tributários relativos a IRPJ e Contribuições decorrentes, não havendo, portanto, o alegado cerceamento do direito de defesa. Os requisitos para validade do auto de infração estão expressos no art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972. A entrega de cópia integral do processo fiscal não está elencada entre eles. Para evitar o cerceamento ao direito de defesa basta que o processo administrativo fique à disposição da autuada para vistas e possível esclarecimento sobre as dúvidas suscitadas. No caso, registrase que o contribuinte recebeu em 10/05/2011, uma cópia integral do procedimento fiscal (capa a capa), conforme se verifica no recibo assinado pela representante da pessoa jurídica (fl. 435). Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 20 19 Quanto ao objeto da fiscalização inicial, temse que ele não era apenas a verificação do correto recolhimento do tributo IRPJ, mas de todos os tributos recolhidos no regime do Simples adotado pelo contribuinte, que inclui o COFINS, PIS/PASEP E CSLL. Portanto, a alegação de nulidade por esse motivo também não deve prosperar. Também não se observa impedimento legal para que o fisco, atendendo diligência solicitada por esta Delegacia de Julgamento, proceda a juntada de documentos do próprio contribuinte fiscalizado, desde que lhe seja dado ciência e oportunize manifestação no prazo legal de 30 dias. No caso, cabe registrar que o contribuinte teve ciência, recebeu cópia dos elementos juntados e manifestouse. O art. 18 do Decreto 70.235, de 1972, autoriza a autoridade julgadora de primeira instância determinar a realização de diligências quando entendêlas necessárias para seu melhor convencimento dos fatos alegados tanto pelo fisco como pelo contribuinte. Registrase, ainda, que a movimentação bancária anexada era do conhecimento do contribuinte e deveria ter sido apresentada no decorrer da fiscalização. Portanto, não prospera a alegação de intempestividade dos documentos juntados. Ademais, pelo teor das contestações apresentadas, não se vislumbra a ocorrência de qualquer prejuízo à defesa, assinalandose, ainda, que as inconsistências apontadas constituem matéria de mérito. Nulidade Ilicitude da requisição e quebra do sigilo bancário O contribuinte se insurge contra o fato de a fiscalização ter obtido dados relativos à sua movimentação bancária sem prévia autorização judicial, o que caracterizaria obtenção ilegal de prova. No que concerne à obtenção dos dados relativos à movimentação bancária, o art. 38 da Lei n° 4.595, de 1964, já autorizava a ação fiscal, conforme se depreende de sua leitura: Art. 38. As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) §5° Os agentes fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. §6° O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 21 20 sempre estas e os exames serem conservados em sigilo, não podendo ser utilizados se não reservadamente. §7° A quebra do sigilo de que trata este artigo constitui crime e sujeita os responsáveis à pena de reclusão, de um a quatro anos, aplicandose, no que couber, o Código Penal e o Código de Processo Penal, sem prejuízo de outras sanções cabíveis. (Grifouse) Constatase que o texto legal enumerava apenas dois requisitos para permitir ao Fisco o exame de documentação bancária: a existência de um processo instaurado e a manifestação da autoridade competente, considerandoos indispensáveis. Não há a alegada exigência de autorização judicial. Com efeito, todos os contribuintes, pessoas físicas ou jurídicas, estão obrigados a prestar informações ao Fisco sobre seus rendimentos e operações financeiras, tanto que apresentam regularmente declarações de ajuste, ficando sujeitos à auditoria das informações prestadas, momento em que podem serlhes exigida a documentação comprobatória. Pode ocorrer, no entanto, de o contribuinte negarse a apresentar tais comprovantes, ou até mesmo nem os possuir, restando ao Fisco buscálos nas instituições onde se deram as transações. Assim, o fornecimento de informações por instituições bancárias vem apenas substituir o dever ao qual estão sujeitos os contribuintes, por lei. Admitir o contrário implicaria autorização ao contribuinte de nem mesmo apresentar a declaração de ajuste, alegando o sigilo e a privacidade de suas transações. Além disso, o art. 197 do CTN já obrigava as instituições financeiras a prestar informações ao fisco: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; (...) Observese ainda que, assim como os funcionários dos estabelecimentos bancários, os agentes fazendários estão sujeitos ao dever de resguardar as informações apuradas, não só em virtude do sigilo bancário, mas em função de um manto maior, que é o sigilo fiscal. O mero repasse dos dados à Receita Federal pelo banco não infringe este dever. A transferência destas informações a terceiros é que significaria a quebra do sigilo. De qualquer maneira, cumpre notar que o art. 38 da Lei n.° 4.595, de 1964, foi, posteriormente, substituído, no que se refere às investigações fiscais, pelo art. 8° da Lei n° 8.021, de 14 de abril de 1990, in verbis: Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 22 21 Art. 8° Iniciado o procedimento fiscal, a autoridade fiscal poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei n. ° 4.595, de 31 de dezembro de 1964. Parágrafo único. As informações, que obedecerão às normas regulamentares expedidas pelo Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, deverão ser prestadas no prazo máximo de 10 (dez) dias úteis contados da data da solicitação, aplicandose, no caso de descumprimento deste prazo, a penalidade prevista no § 1° do art. 7°. Ressaltese que a utilização do dispositivo legal supra pelas autoridades administrativas, além de correta, era obrigatória, em razão do caráter vinculado de sua função, sendo improfícuas as argüições sobre a sua inaplicabilidade em função de não ser lei complementar. In casu, entretanto, a fiscalização teve início após a edição do art. 6° da Lei Complementar n° 105, de 10/01/2001, que mais uma vez promoveu substancial alteração naquela matéria, dispondo, ipsis litteris: Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. A edição desse dispositivo de lei complementar se fez indispensável na nova lei do sigilo bancário, em virtude de divergência interpretativa que havia sido estabelecida acerca do tema, especialmente em face de um julgado de uma das Turmas do Superior Tribunal de Justiça, de 1994, no qual ficou assentado que o termo “processo”, empregado no art. 38, § 5°, da Lei n° 4.595, de 31 de dezembro de 1964, se referia a processo judicial e não a processo administrativo; que a expressão autoridade competente se referia a autoridade judiciária, não a autoridade administrativofiscal. Cuidou, assim, o preceptivo legal em comento que revogou expressamente, em seu art. 13, o art. 38 da Lei n° 4.595/1964 , de chancelar uma exceção à regra do sigilo bancário, já prevista na lei anterior, agora com toda a clareza, sem deixar margem à interpretação equivocada ou distorcida, ao declarar Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 23 22 expressamente que o processo mencionado é o administrativo; que a autoridade competente, para os fins da lei, é a administrativa. Certamente, ao sopesar interesses opostos (públicos e privados), continuou a preponderar na tomada de decisão do legislador a preocupação com o interesse público e da coletividade. Deveras, se é a própria Constituição que confere competência aos entes da federação para instituir tributos, se é a própria Lei Maior que faculta à administração tributária identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, não seria razoável admitir que uma norma infraconstitucional viesse para aniquilar os meios mediante os quais poderão ser viabilizados os recursos financeiros dos entes federativos, provenientes de tributos, tão necessários à satisfação e ao atendimento de reclamos da coletividade, nas diversas áreas de atuação do Poder Público. O art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001 foi regulamentado pelo Decreto n° 3.724, de 10/01/2001, que estabeleceu uma série de procedimentos a serem observados pelo fisco, quando da obtenção dos dados relativos à movimentação financeira dos contribuintes, do qual transcrevemse os seguintes: Art.2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pelo Decreto n° 6.104, de 30 de abril de 2007) [...] §5º A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. (Redação dada pelo Decreto n° 6.104, de 30 de abril de 2007) Art. 3º Os exames referidos no § 5º do art. 2º somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: (Redação dada pelo Decreto n° 6.104, de 30 de abril de 2007) I subavaliação de valores de operação, inclusive de comércio exterior, de aquisição ou alienação de bens ou direitos, tendo por base os correspondentes valores de mercado; Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 24 23 II obtenção de empréstimos de pessoas jurídicas não financeiras ou de pessoas físicas, quando o sujeito passivo deixar de comprovar o efetivo recebimento dos recursos; III prática de qualquer operação com pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada em país enquadrado nas condições estabelecidas no art. 24 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996; IV omissão de rendimentos ou ganhos líquidos, decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa ou variável; V realização de gastos ou investimentos em valor superior à renda disponível; VI remessa, a qualquer título, para o exterior, por intermédio de conta de não residente, de valores incompatíveis com as disponibilidades declaradas; VII previstas no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996; VIII pessoa jurídica enquadrada, no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), nas seguintes situações cadastrais: a) cancelada; b) inapta, nos casos previstos no art. 81 da Lei nº 9.430, de 1996; IX pessoa física sem inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou com inscrição cancelada; X negativa, pelo titular de direito da conta, da titularidade de fato ou da responsabilidade pela movimentação financeira; XI presença de indício de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato. §1º Não se aplica o disposto nos incisos I a VI, quando as diferenças apuradas não excedam a dez por cento dos valores de mercado ou declarados, conforme o caso. §2º Considerase indício de interposição de pessoa, para os fins do inciso XI deste artigo, quando: I as informações disponíveis, relativas ao sujeito passivo, indicarem movimentação financeira superior a dez vezes a renda disponível declarada ou, na ausência de Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, o montante anual da movimentação for superior ao estabelecido no inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 25 24 II a ficha cadastral do sujeito passivo, na instituição financeira, ou equiparada,contenha: a) informações falsas quanto a endereço, rendimentos ou patrimônio; ou b) rendimento inferior a dez por cento do montante anual da movimentação. Art. 7º As informações, os resultados dos exames fiscais e os documentos obtidos em função do disposto neste Decreto serão mantidos sob sigilo fiscal, na forma da legislação pertinente. No caso concreto, é de se confirmar que o procedimento adotado pela fiscalização, visando à constituição do crédito tributário com base em informações obtidas das instituições financeiras, encontravase plenamente respaldado, pelos seguintes motivos: · Havia procedimento de fiscalização em curso em 16/07/2009, data da emissão da requisição de informações sobre movimentação financeira (RMF fls. 206/227). O procedimento fiscal teve início em 26/05/2009 (fls. 128/129). · A RMF está amparada na hipótese contida no inciso IV do art. 3°, do Decreto n° 3.724, de 2001, omissão de rendimentos líquidos, decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa, conforme provam os documentos anexados às fls. 991/993 e 1.062/1063. Registrase que o dispositivo legal não estabelece qualquer valor de limite mínimo para o rendimento omitido. Também a defesa não mostra que houve a escrituração desses rendimentos que foram efetivamente auferidos em 2006 e 2007, pelo que não prospera a alegação de que eles se referem a período diferente do solicitado, e, ainda, fora do período objeto da fiscalização. · Não houve quebra do sigilo. Em um procedimento administrativofiscal somente têm acesso às informações auditadas os agentes do fisco e o próprio contribuinte. O segredo, portanto, permanece intocado. Relativamente à outra hipótese citada na emissão da RMF, “as informações disponíveis, relativas ao sujeito passivo, indicarem movimentação financeira superior a dez vezes a renda disponível declarada”, efetivamente, no anocalendário de 2007, a relação movimentação financeira/receita declarada corresponde a 7,9 vezes, como alega a defesa, uma vez que a soma da receita declarada constante da DIPJs originais apresentadas do Simples (Federal e Nacional) corresponde a R$ 345.534,43 (fls. 81 a 100) e não como constou da RMF de R$ 159.886,33, que corresponde apenas ao período de janeiro a junho de 2007. A movimentação financeira anual citada na RMF foi de R$ 2.751.932,02. No entanto, apenas tal incorreção não torna ilícita a requisição e o acesso às informações bancárias do contribuinte, pois como Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 26 25 vimos acima, os requisitos estabelecidos pela legislação que autorizariam tal medida estão plenamente atendidos. Ademais, mesmo no regime simplificado de tributação (Simples) o contribuinte deveria escriturar toda a movimentação financeira, inclusive bancária e apresentar os extratos bancários à fiscalização, conforme determinação legal prevista nas alíneas “a” a “c” do § 1° do art. 7° da Lei n° 9.317/96 e § 2° do art. 26 da Lei Complementar n° 123/06. Quanto à alegação de que o art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001 seria inconstitucional por violarem princípios constantes da Carta Magna, cumpre ressaltar que a autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a inconstitucionalidade ou a ilegitimidade de lei, matéria reservada ao Poder Judiciário. O órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza, salvo nos casos autorizados por disposições legais, regulamentares ou normativas, baixadas por autoridade superior competente de conformidade com o estatuído no art. 4° do Decreto n° 2.346, de 10/10/1997 , nos quais não se insere a presente matéria. O Parecer Normativo CST n° 329/1970 é claro nesse sentido: Iterativamente tem esta Coordenação se manifestado no sentido de que a argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. A respeito da jurisprudência judicial invocada pelo contribuinte (Recurso Extraordinário n° 389.808PR, do Supremo Tribunal Federal), esclarecese que o entendimento administrativo sobre a matéria é o exposto no presente voto, e a eficácia dos acórdãos dos tribunais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, limitase especificamente ao caso julgado e às partes inseridas no processo de que resultou a sentença, não aproveitando esses acórdãos em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da sentença, ainda que de idêntica natureza. Logo, pelo exposto, devem ser afastadas as preliminares de nulidade argüidas. Questões de Mérito Exclusão do Simples (Federal e Nacional) Examinase a manifestação da interessada contra o Ato Declaratório Executivo DRF/STM n° 06 e no Termo de Exclusão DRF/STM n° 1, que a excluiu do Simples (Federal e Nacional) por embaraço à fiscalização e por prática reiterada de infração da legislação tributária, com efeitos retroativos a partir de 1° de janeiro de 2006. Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 27 26 A matéria encontrase normatizada pelos seguintes dispositivos legais: Lei n° 9.317/06 Art. 14. A exclusão darseá de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: ... II embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Sistema Tributário Nacional); Grifei ... V prática reiterada de infração à legislação tributária; Lei Complementar n° 123/06 Art. 29. A exclusão de oficio das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: ... II for oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade que estiverem intimadas a apresentar, e nas demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública; Grifei ... V tiver sido constatada prática reiterada de infração ao disposto nesta Lei Complementar; ... Embaraço à fiscalização A alegação de que os livros foram apresentados não é relevante, uma vez que a motivação do embaraço à fiscalização, considerada no Ato Declaratório Executivo DRF/STM n° 06 e no Termo de Exclusão DRF/STM n° 1, de exclusão do Simples Federal e Nacional, foi a falta de apresentação dos extratos bancários. Em vista disso não tecerei aqui maiores comentários a respeito. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 28 27 Outra alegação é que não entregou os extratos bancários, baseado em direito seu de sigilo, o que, segundo ele, não trouxe prejuízo ao agente fazendário, que possuía todas as informações relativas à escrituração da movimentação financeira. Equivocase nesta parte, pois, consoante documentos às fls. 128, 133, 193, 202, e 205 a 228, a autoridade fiscal não possuía os extratos bancários quando da emissão do termo de início de fiscalização e intimação (cientificado em 26/05/2009 AR fl.129), bem assim quando da reintimação (cientificada ao contribuinte em 19/06/2009 AR fl. 203). As requisições de informações às instituições financeiras foram emitidas apenas em 16 de julho de 2009. Além da recusa da entrega dos extratos bancários, fato não contestado pelo contribuinte, o que ocasionou um trabalho adicional à fiscalização, atrasandoa em cerca de 3 meses (pois as instituições financeiras responderam às requisições em agosto de 2009 fls. 795, 968, 987, 1.005 e 1.038), verificase, com base nos documentos às fls. 276/283, que o contribuinte não atendeu integralmente à solicitação reiterada de apresentação dos comprovantes da escrituração ou da origem dos recursos depositados em suas contascorrentes. Ora, a meu ver não resta qualquer dúvida de que a omissão por parte do sujeito passivo dificultou sobremaneira a seqüência da fiscalização, subsumindose, tal fato, no sentido dado ao termo embaraço, contido no art. 14, inciso II da Lei no. 9.317/96, e art. 29, inciso II, da Lei Complementar n° 123/06. Então, este fato já é suficiente para considerar devida a exclusão do Simples resultante do Ato Declaratório Executivo DRF/STM n° 06 e do Termo de Exclusão DRF/STM n° 1, conforme preceitua o caput dos referidos arts. 14 e 29. Também não há necessidade de lavratura de anterior termo de embaraço à fiscalização, com testemunhas, como alega a defesa. O ato lavrado de exclusão do Simples com ciência do contribuinte é suficiente para a caracterização do embaraço à fiscalização previsto na legislação. Prática reiterada de infração à legislação tributária Não obstante isso, o contribuinte traz aos autos outras alegações relativas à movimentação financeira que merecem ser analisadas, garantindose o seu direito à ampla defesa. Alega, em seqüência, que as rubricas não justificadas constantes dos extratos bancários não denotam receitas, mas meros empréstimos bancários e de terceiros (fls.280 e 286). Conforme pode ser visto nos termos de exclusão do Simples (Federal e Nacional) emitidos pela DRF/Santa Maria/RS, o fato considerado pela autoridade fiscal como infração à legislação tributária, justificador da exclusão do Simples com base no inciso V do art. 14 da Lei n° 9.317/96 e inciso V do art. 29 da Lei Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 29 28 Complementar n° 123/06, foi a falta de escrituração da movimentação bancária, infringindo o disposto na alínea “a” do parágrafo 1° do art. 7° da Lei n° 9.317/96 e do art. 26, § 2°, da Lei Complementar n° 123/06 e a decorrente apuração de omissão de receita pela não comprovação da origem de recursos movimentados em contas correntes bancárias. Tal fato está amplamente demonstrado na documentação apresentada (fls. 356 a 375), onde estão relacionados os créditos bancários não identificados na contabilidade. O próprio contribuinte reconhece a não correta escrituração da movimentação bancária, quando diz que: “Estamos empenhados trabalhando diariamente, inclusive finais de semana e feriados para a conclusão do trabalho de esclarecimento das divergências encontradas por esta fiscalização”(fls. 377 e 378). Mesmo após a apresentação da defesa do contribuinte (impugnação) permanece intacta a imputação de omissão de receita caracterizada pela existência de depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada, matéria que se examina logo a seguir. Não resta dúvida, pois, do cometimento de infração à legislação tributária, estando, também, caracterizada sua prática reiterada, já que não ocorreu apenas em um período de apuração mensal. Devida, então, a exclusão do Simples com base no inciso V do art. 14 da Lei n° 9.317/96 e no inciso V do art. 29 da Lei Complementar n° 123/06. Efeitos da exclusão Os efeitos da exclusão de ofício do Simples (Federal e Nacional) são regulados pelo art. 15, inciso V, da Lei n° 9.317/06 e art. 29 § 1°, da Lei Complementar n° 123/06, que assim dispõem: Lei n° 9.317/96 Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: ... V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. Lei Complementar n° 123/06 Art. 29. A exclusão de oficio das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: ... §1° Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 30 29 regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. Desta feita, afastase de pronto a utilização do inciso II do art. 15 da Lei n° 9.317, posto que o disposto só se aplica nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII e XIX do caput art. 9° do mesmo diploma legal. O que não é o caso. A fiscalização apurou a existência de depósitos bancários não escriturados e de origem não demonstrada (omissão receita) em todos os meses dos anoscalendário de 2006 e 2007. Por conseguinte, repetindo os fundamentos acima, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que ocorrida à infração à legislação tributária, no caso janeiro de 2006 (Simples Federal) e julho de 2007 (Simples Nacional). Assim, estão corretos o Ato Declaratório Executivo DRF/STM n° 06 e o Termo de Exclusão DRF/STM n° 1, que determinaram os efeitos da exclusão dos sistemas a partir de 01 de janeiro de 2006 e 01 de julho de 2007, respectivamente, e não a partir da ciência do contribuinte dos atos de exclusão (26/02/2011), como quer a defesa. Imposto de Renda Pessoa Jurídica Arbitramento do lucro Uma vez definida a exclusão do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2006, o contribuinte se sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive com relação à forma de apuração dos seus resultados. Isso é o que determina o art. 16 da Lei n° 9.317, de 1996 e também o art. 32 da Lei Complementar n° 123, de 2006 a seguir transcritos: Lei n° 9.317/96 Art. 16° A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar seá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Lei Complementar n° 123/06 Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Portanto, a fiscalização agiu corretamente ao efetuar os lançamentos a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão (01/01/2006), com base nas normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, que, no caso em tela, foi na sistemática do lucro arbitrado, em face do contribuinte, intimado para tanto (fls. 404/406), deixar de apresentar os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, que são exigidos nos regimes de tributação do lucro real Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 31 30 ou do lucro presumido, ou seja, Livros Diário, Razão ou Livro Caixa contendo toda a movimentação financeira, inclusive bancária, em relação a todo o período fiscalizado anos calendário 2006 e 2007. O art. 530 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999, assim dispõe: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n° 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; ... Apenas a alegação de que entregou todos os livros solicitados pela fiscalização, não é suficiente para descaracterizar o arbitramento do lucro, uma vez que a impugnante não demonstrou que, à época dos fatos, possuía regular escrita contábil/fiscal, contendo toda a movimentação financeira, inclusive bancária, e, também, não há nos autos qualquer indicação de que ela realmente existia. Ademais, o instituto do arbitramento do lucros não é penalidade, é forma lícita de apuração da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social. Assim, deve ser mantido o arbitramento realizado pela fiscalização. Base de cálculo do arbitramento Conforme os autos, o arbitramento do lucro tem como base de cálculo a receita total apurada, tendo sido considerada a receita declarada (DSPJs original e retificadora) no regime do Simples e a receita omitida apurada com base em depósitos/créditos bancários não escriturados e de origem não comprovada. Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 32 31 Omissão de receita Depósitos/créditos bancários de origem não comprovada Valeuse a autoridade fiscal da presunção de omissão de receita do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Reza o art. 42. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II ... (grifei) A Lei n° 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção de omissão de rendimentos/receitas que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. As presunções legais, também chamadas presunções jurídicas, dividemse em absolutas (juris et jure) e relativas (juris tantum). Denominase presunção juris et jure aquela que, por expressa determinação de lei, não admite prova em contrário nem impugnação; dizse que a presunção é juris tantum quando a norma legal é formulada de tal maneira que a verdade enunciada pode ser elidida pela prova de sua irrealidade. Concluise, por conseguinte, que a presunção legal de renda, caracterizada por depósitos bancários, é do tipo juris tantum (relativa). Caberia, portanto, ao contribuinte apresentar justificativas válidas para os ingressos ocorridos em suas contascorrentes. No caso em exame, como se vê dos extratos bancários juntados às fls. 796 a 1.063, a autuada realizou movimentação financeira Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 33 32 no Banrisul, Banco do Brasil, Bradesco, CEF, Santander, Sicredi e Banespa. Segundo a fiscalização, o contribuinte, intimado e reintimado (intimações de fls. 276/278 e 281/283) não comprovou a origem dos depósitos/créditos bancários no montante de R$ 677.210,21, conforme valores individualmente identificados na planilha de fls. 358/374. Na impugnação, a defesa contesta o montante tributado, alegando que não foram excluídos os cheques devolvidos, as transferências bancárias e os empréstimos e financiamentos contraídos no período. A contestação do contribuinte não procede. A um porque a fiscalização não tributou os valores de depósitos/créditos com origem comprovada em empréstimos bancários ou de terceiros, ou em transferências de outras contas da própria pessoa jurídica ou da pessoa jurídica Dermapelle Farmácia de Manipulação Ltda (fls. 288/292). A dois porque a impugnante não identifica individualmente quais os valores que devam ser excluídos do cálculo com origem em cheques devolvidos, transferências ou empréstimos bancários ou de terceiros, nem juntou suficiente comprovação na impugnação, com coincidência em datas e valores. Também não são aceitas apenas alegações de que os empréstimos contratados eram superiores à diferença apontada pela fiscalização, de que mantinha contratos de cheque especial e CDC préaprovado com o Banco do Brasil, de que existiam no período contratos renovados automaticamente para a Cessão de Direitos recebidos através do Banricompras, uma vez que os contratos de aberturas de créditos e os descontos de títulos trazidos pelo impugnante (fls. 522/785), não são hábeis para comprovar a origem dos depósitos/créditos bancários relacionados na planilha de fls. 358/374. Temse a não coincidência em datas e valores das operações bancárias tributadas e os documentos apresentados. Registrase, que a impugnante, na fase de diligência, e até a presente data, não se preocupou em trazer aos autos novas provas, com coincidência em datas e valores, para desfazer a infração cometida. Concluise então, à mingua de qualquer prova a cargo do contribuinte da origem dos depósitos/créditos bancários não escriturados, pela manutenção do lançamento levados a efeito e tributados como omissão de receita na pessoa jurídica, com pleno alcance à hipótese impositiva fiscal estabelecida no caput do art. 42 da Lei 9.430, de 1996 e tributação pelo regime do lucro arbitrado com base na receita total apurada, conforme está nos autos. Multa de oficio duplicada (150%) Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 34 33 Quanto à alegação da multa aplicada ser confiscatória, da mesma forma não merece guarida à defesa. Devese considerar que a multa está prevista em lei vigente, não cabendo ao órgão do Poder Executivo deixar de aplicála enquanto não reconhecida sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal. Além disso, a vedação constitucional referese à utilização de tributo com efeito confiscatório, não se referindo a multas por atos ilícitos. E mais, dirigese ao legislador, e não ao aplicar da lei. O Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (CC) (atualmente CARF) tem se manifestado sobre o assunto, conforme ementas a seguir transcritas: MULTA DE OFÍCIO CARÁTER CONFISCATÓRIO CONSTITUIÇÃO FEDERAL (Art. 150, inciso IV) O princípio da tipicidade não está adstrito à conveniência e à oportunidade da administração tributária. Ocorrendo, pois, os requisitos legais fáticos deverá ser implementado o lançamento, sem margem de discrição, em consonância com o artigo 142 do CTN porque fundados nos artigos 150, I da Superlei e 97 da Lei 5.172/66. A Constituição Federal, em seu artigo 150, inciso IV, veda a utilização de tributo com efeito de confisco. Creio que tributo não deva ser confundido com penalidade, mormente por não ter esta o caráter de prestações permanentes. Ainda assim, o tributo subsumido que está ao princípio da legalidade, curvase, num Estado Democrático de Direito, à lei editada pelo poder legislativo (artigo 48, inciso I da CF/88) consentida pela maioria de seus mandatários (artigo 1°, § único da CF/88). (Acórdão do 1° CC n° 10319.747, de 11/11/98) IRPJ LANÇAMENTO CONFISCO A vedação contida no artigo 150, parágrafo 4°, da Constituição Federal sobre a utilização de tributo com efeito de confisco destinase ao órgão legislativo, não se aplicando aos lançamentos de ofício efetuados em cumprimento das leis tributárias regularmente aprovadas. (Acórdão do 1° CC n° 10192.322, de 25/09/98) A multa de oficio foi aplicada com base no art. 44 da Lei n.° 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) ... Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 35 34 § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) Para explicitar a aplicabilidade dessa multa, transcrevemse também os dispositivos da Lei n.° 4.502, de 30 de novembro de 1964, que a fundamentam, in verbis: Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Vêse que para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade que esteja caracterizado o dolo na ação desenvolvida pelo infrator. Ademais, podese afirmar que cada ato ilícito carrega uma determinada carga de lesão à ordem tributária, onde determinadas condutas são tão graves a ponto de, por si só, imediatamente consubstanciarem o intuito doloso. Outros procedimentos, de menor poder ofensivo, se analisados individualmente não caracterizam a ação premeditada, no entanto, podem evidenciar o dolo quando reiteradamente praticados ao longo de um determinado tempo. De acordo com os autos (fls. 209 e 451), foram verificadas diferenças expressivas entre os valores de receitas originariamente declaradas pela contribuinte, relativamente aos anos de 2006 e 2007 e os valores de sua movimentação financeira (MF), na seguinte ordem de grandeza: Ano calendário Movimentação financeira (CPMF) Receita declarada (DSPJ) Diferença apurada % decl./Mov. CPMF 2006 R$ 1.991.468,23 R$ 451.830,00 R$1.539.638,23 22,69% 2007 R$ 2.751.932,02 R$ 345.534,43 R$ 2.406.397,59 12,56% Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 36 35 No Relatório de Fiscalização (fls. 62/63) consta que, durante o procedimento fiscal, o contribuinte readquiriu a espontaneidade e aproveitandose disso, reenviou suas DSPJs de 2006 e 2007, declarando e oferecendo à tributação novos e maiores valores de receita que os já declarados originalmente, conforme demonstra a planilha de comparação de fl. 430. Essa diferença entre declarações representa um significativo percentual de 74,58% sobre a receita bruta informada nas DSPJs retificadoras. Diz o autuante que a apresentação das novas DSPJs, com valores de receita bruta (RB) maiores que os anteriormente declarados, demonstra que a autuada mantinha um histórico de sonegação durante todo o período fiscalizado, cuja iniciativa de retificação das DSPJs e DCTFs não foi suficiente para que toda a sua movimentação financeira ficasse compatível com a receita bruta declarada, conforme planilha anexa à fl. 407. Analisando os fatos apresentados e o que consta da impugnação, entende se que procede a conclusão fiscal, uma vez que restou confirmado que a impugnante não escriturou parte da movimentação financeira e não logrou êxito em comprovar a origem dos valores creditados em suas contas correntes bancárias, nos anoscalendário de 2006 e 2007, no montante de R$ 677.210,21. Ora, deixar de apresentar os extratos bancários requisitados pela fiscalização, não escriturar parte de sua movimentação financeira e não declarar expressivas parcelas de receitas, de forma repetida ao longo de dois anos, evidencia a tentativa, dolosa, por parte da autuada de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Não se está diante de um mero erro na escrituração, mas da intenção do agente de praticar o ato ilícito, com consciência e representação de que o ato praticado alcançaria o objetivo almejado, qual seja, o de não pagar ou de reduzir os tributos devidos. Ao contrário do que alega a impugnante, o agravamento da penalidade, pela detecção da presença da circunstância qualificadora de “sonegação”, é irretocável. Vemse consolidando na jurisprudência do Conselho de Contribuintes (atualmente CARF) a associação do conceito de fraude à prática reiterada de ações e omissões menos evidentes, como é o caso da omissão sistemática de valores nos livros contábeis ou declarações de rendimentos, restando evidenciado o dolo pelo “conjunto da obra”. O “animus fraudandi” é delimitado pela forma premeditada e contínua com que essas ações, aparentemente isentas de dolo quando tomadas individualmente, são executadas ao longo do tempo. A propósito do tema, assim temse pronunciado o Conselho de Contribuintes (atualmente CARF): Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 37 36 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO FALTA DE RECOLHIMENTO EXIGÊNCIA MULTA AGRAVADA Sobre créditos apurados em procedimento de ofício cabe multa agravada quando, restar caracterizada a omissão sistemática e intencional de informações relevantes à administração tributária. (1° CC Ac. 108.06667/2001 8ª C Data da sessão: 19.09.2001). ERROS REITERADOS NO SOMATÓRIO DE VENDAS MULTA AGRAVADA A prática de reduzir indevidamente a receita oferecida à tributação, por força de erro de soma, é forte indício de prática fraudulenta, merecendo a imposição da multa agravada. (1 ° CC AJc. 10805.900 – 8ª C. Rel. Mário Junqueira Franco Júnior – DJU 14.12.1999 – p.8). IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS SOMA A MENOR NO LIVRO REGISTRO DE SAÍDAS As reiteradas diferenças a menor constatadas entre a soma dos valores constantes das notas fiscais de vendas e as totalizações da coluna correspondente aos valores das vendas dos livros registro de saídas caracterizam a omissão de receitas. IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS MULTA QUALIFICADA Caracteriza a intenção de fraudar o Tesouro Nacional o fato de o contribuinte, reiteradamente, somar a menor, nos livros de registro de saídas, a coluna correspondente aos valores das vendas. Aplicável, assim, a multa qualificada prevista no inc. II do art. 992 do RIR/94. (1° CC Ac. 10191.987 – 1ª C DOU 28.05.1998 p. 45). Assim, não tem razão a defesa. Entendese que está correto o agravamento da multa (150%) pela presença da circunstância “sonegação”, conforme definida no artigo 71 da Lei n° 4.502, de 1964. Também não ocorreu penalização indevida como alega a defesa. Os valores dos tributos declarados espontaneamente nos regimes Simples (Federal e Nacional), estão deduzidos dos valores devidos apurados no regime do lucro arbitrado, conforme planilhas de fls. 381/384. Juros de mora. Utilização da taxa Selic Com fundamento no art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996, entre outros dispositivos legais já citados, em razão da falta de recolhimentos dos tributos e contribuições em favor da Fazenda Nacional, estão sendo exigidos juros de mora com base na taxa SELIC, ou seja, a exigência decorre de lei, não havendo possibilidade de afastar sua aplicação nesta apreciação administrativa, que se limita a cumprir os atos legais vigentes. A matéria encontrase pacificada na esfera administrativa conforme se verifica na Súmula n° 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 38 37 A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Lançamentos decorrentes PIS/PASEP, COFINS e CSLL As exigências relativas aos lançamentos decorrentes devem acompanhar o que ficou decidido quanto ao IRPJ, pois os autos de infração baseiamse nos mesmos fatos, e, assim, a decisão de mérito prolatada naquele feito constitui prejulgado nas decisões das exigências chamadas decorrentes. Conclusão do voto Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, julgar improcedentes as impugnações, mantendose os atos de exclusão do Simples (Federal e Nacional) e as exigências do crédito tributário lançado. Na presente fase recursal, a Contribuinte não conseguiu refutar os sólidos fundamentos da decisão de primeira instância administrativa, pelo que os adoto também nesta decisão. Acrescento apenas algumas considerações. A Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF não foi emitida em 18/05/2009, mas em 16/07/2009. A data de 18/05/2009 que consta das fls. 191 (mencionada pela Contribuinte) corresponde apenas ao dia em que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF foi expedido. A solicitação para a emissão de RMF e a emissão desse documento pela autoridade competente ocorreram efetivamente em 16/07/2009, conforme constam das fls. 194/195. Com efeito, a RMF não foi emitida antes do início do procedimento fiscal. Aliás, está bastante evidente que quando da solicitação para expedição de RMF, a Fiscalização já havia inclusive analisado os livros fiscais e contábeis apresentados pela Contribuinte no curso da auditoria fiscal. A motivação para a referida requisição também não foi a simples recusa de apresentação dos extratos bancários, mas sim a grande incompatibilidade verificada entre a movimentação bancária (valores globais) e a Receita Bruta de Vendas (RBV) informada nas Declarações Simplificadas dos anoscalendário 2006 e 2007, e ainda o fato de os livros Diário e Razão não registrarem a contabilização de rendimentos de aplicações financeiras auferidos junto à Caixa Econômica Federal (CEF) nesses mesmos anos, conforme informado em DIRF por aquela instituição financeira. As críticas apresentadas em relação à RMF, portanto, são equivocadas. Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 39 38 A Contribuinte também alega nulidade por não ter tido acesso às informações durante o procedimento de fiscalização, mas não houve nenhuma ofensa ao devido processo legal, por violação ao contraditório e à ampla defesa. A esse respeito, cabe registrar que o Decreto nº 70.235/1972 (que regulamento o PAF com status de lei), em seus arts. 14 e 15, apenas não prevê a possibilidade do exercício do direito de defesa e do contraditório previamente à lavratura do ato de exclusão de Simples e da autuação fiscal que decorre desse ato. Com efeito, o art. 14 do Decreto 70.235/1972 menciona expressamente que “a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”, e a impugnação é sempre apresentada depois das ciências do ato de exclusão e do lançamento fiscal. Aliás, o art. 15 do Decreto 70.235/1972 é bastante claro a esse respeito: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Isto não quer dizer, todavia, que a legislação que regula o PAF não preveja o contraditório ou a possibilidade do direito de defesa, mas apenas que o exercício destes direitos é diferido para um determinado momento, eis que os trabalhos de fiscalização (auditoria) tem a natureza de um procedimento investigativo (inquisitorial). Em relação ao caso concreto, vêse que a Recorrente teve a ciência dos termos e demonstrativos que compõe o processo, onde estão claramente descritos os fatos que motivaram a exclusão do Simples e o lançamento, bem como a infração a ela imputada e as disposições legais que teria infringido. Diante disso, ela pôde perfeitamente exercer o seu direito ao contraditório e à ampla defesa, e o fez por meio da impugnação já analisada, e novamente agora, por meio do recurso voluntário sob exame. Assim, essa preliminar deve mesmo ser rejeitada. A Recorrente alega nulidade em razão de os extratos bancários terem sido juntados aos autos apenas na ocasião da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento, ou seja, após a apresentação da impugnação. Em relação à juntada dos extratos bancários, não procede o argumento de que “a Impugnação já estava apresentada, não tendo a Recorrente como modificála”, eis que foi reaberto o prazo para sua manifestação, direito que aliás foi exercido pela Contribuinte, quando complementou a impugnação anteriormente apresentada. Os extratos bancários obtidos junto às instituições financeiras eram documentos pertencentes à própria Contribuinte, que ela tinha pleno acesso. Além disso, ao longo do procedimento fiscal foram elaboradas várias planilhas relacionando os ingressos bancários para a comprovação de origem. A Contribuinte examinou essas planilhas, e a maioria das justificativas que ela apresentou à Fiscalização foram aceitas, remanescendo apenas uma parte de depósitos bancários sem comprovação de origem. Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 40 39 Não procede, assim, a alegação de que ela tomou conhecimento do conteúdo dos extratos bancários somente após a diligência realizada pela DRJ, eis que desde a fase de auditoria ela já vinha apresentando justificativas para os ingressos bancários que constavam desses extratos, e que, não é demais frisar, eram documentos que já lhe pertenciam. Vêse que a juntada posterior dos extratos em nada prejudicou o direito de defesa da Contribuinte. Preliminar rejeitada. A Contribuinte também alega que não podia ser autuada enquanto a exclusão do Simples não se tornasse definitiva. Por outro lado, alega que não podia ser excluída do Simples enquanto a omissão de receitas, ou seja, a autuação fiscal, não estivesse definitivamente julgada. Tal argumentação, se acolhida, resultaria em uma contradição lógica, em um paradoxo sem solução. O Fisco passaria a depender da definitividade de “A” para fazer “B”, ao mesmo tempo em que dependeria da definitividade de “B” para fazer “A”. A autuação fiscal não depende de se tornar definitiva a exclusão do Simples. Da mesma forma que a exclusão do Simples não precisa de uma decisão final sobre a omissão de receitas. As defesas administrativas suspenderam os efeitos tanto do ato de exclusão quanto das autuações fiscais, e somente no final do processo administrativo, quando não restarem mais recursos pendentes de análise, é que esses atos administrativos efetivamente poderão produzir efeitos. Também nesse caso não procedem as críticas apresentadas pela Recorrente. Nesse mesmo passo, é importante registrar que a exclusão do Simples não foi ainda registrada no Portal do Simples Nacional na internet, como determina o § 4° do art. 2º da Resolução CGSN n.° 15/07, justamente porque tanto o ato de exclusão quanto as autuações fiscais estão suspensos em razão das defesas apresentadas no presente processo administrativo. Somente após o término deste processo administrativo é que os questionados atos administrativos poderão produzir efeitos, dependendo do que restar decidido em relação a eles. A Contribuinte ainda alega que o AuditorFiscal deveria ter excluído do cálculo os valores relativos à denúncia espontânea. Contudo, o Relatório de Fiscalização, às e fls. 62, e os demonstrativos de efls. 381 a 384 deixam bastante claro que a Fiscalização reconheceu a reaquisição de espontaneidade no decorrer do procedimento, que decompôs os valores declarados a título de Simples, e que deduziu do auto de infração os valores dos tributos constantes das declarações retificadoras. Em relação à apuração dos valores e à comprovação da origem dos depósitos bancários, é importante registrar que a defasagem verificada no início do procedimento entre os ingressos bancários e a receita declarada era de R$ 3.946.035,82, e que depois de vários confrontos entre os valores ingressados na conta e a escrituração, chegouse à divergência de R$ 677.210,21, que remanesceram sem a devida comprovação de origem. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000438/201161 Acórdão n.º 1802002.271 S1TE02 Fl. 41 40 São improcedentes as alegações de que a Fiscalização não teria excluído os valores relativos aos cheques devolvidos, às diversas transferências bancárias e aos empréstimos e financiamentos contraídos no período. Além dessas considerações adicionais, registro novamente que adoto neste voto as razões da decisão de primeira instância administrativa, acima transcritas. Deste modo, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10735.001135/2005-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1994
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA DEFINIDA EM
FUNÇÃO DA ESPÉCIE TRIBUTÁRIA A QUE CORRESPONDE O CRÉDITO ALEGADO.
De acordo com o RICARF, Anexo II, artigo 7º, §1º (Portaria MF nº. 256/09),
a competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado. Como na Declaração de compensação o crédito oferecido pelo sujeito passivo tributário resulta de supostos pagamentos a maior do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (código de arrecadação nº 2511), a competência para julgamento é da Primeira Seção do CARF.
Numero da decisão: 2201-002.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso e declinar da competência em favor da Primeira Seção de Julgamento, para onde o processo deverá ser redirecionado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: FRACISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1994 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA DEFINIDA EM FUNÇÃO DA ESPÉCIE TRIBUTÁRIA A QUE CORRESPONDE O CRÉDITO ALEGADO. De acordo com o RICARF, Anexo II, artigo 7º, §1º (Portaria MF nº. 256/09), a competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado. Como na Declaração de compensação o crédito oferecido pelo sujeito passivo tributário resulta de supostos pagamentos a maior do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (código de arrecadação nº 2511), a competência para julgamento é da Primeira Seção do CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso e declinar da competência em favor da Primeira Seção de Julgamento, para onde o processo deverá ser redirecionado. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTA CARDOZO Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
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COMPETÊNCIA DEFINIDA EM FUNÇÃO DA ESPÉCIE TRIBUTÁRIA A QUE CORRESPONDE O CRÉDITO ALEGADO. De acordo com o RICARF, Anexo II, artigo 7º, §1º (Portaria MF nº. 256/09), a competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado. Como na Declaração de compensação o crédito oferecido pelo sujeito passivo tributário resulta de supostos pagamentos a maior do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (código de arrecadação nº 2511), a competência para julgamento é da Primeira Seção do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso e declinar da competência em favor da Primeira Seção de Julgamento, para onde o processo deverá ser redirecionado. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTA CARDOZO – Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 11 35 /2 00 5- 74 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 5/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Este processo trata de pedido de compensação de tributos para extinguir obrigações de Cofins (Código 2172), referente ao período de apuração 07/2004 e vencido em 15 de agosto de 2004, no valor de R$ 344,10 (fl. 1), com pagamentos informados como a maior no código 2511. A Declaração de Compensação foi apresentada pelo contribuinte em 26 de abril de 2005 e apresenta como pagamento a maior (fls. 2 a 5) os valores de R$ 132,32, R$ 147,21 e de R$ 161,02, todos no Código 2511, totalizando R$ 451,12, recolhidos, respectivamente, em 15 de janeiro, 18 de janeiro, 21 de fevereiro e 31 de maio de 1993. Entretanto, não consta nos autos qualquer Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), ou comprovação destes pagamentos. A Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu/RJ, por meio de despacho decisório de fls. 16 a 18 recusou a homologação da compensação sob o argumento de que, por ter sido protocolado em 26/04/2005, o pedido estaria fulminado pela decadência com relação aos DARFs utilizados, todos recolhidos, no mínimo, cinco anos antes. O sujeito passivo, não conformado com a decisão, interpôs manifestação de inconformidade tempestiva, a fim de sustentar, em síntese, que (fls. 21/23): (i) não dispondo de informações suficientes a liquidar o valor do crédito passível de repetição, foi impelido a impetrar habeas data contra o Sr. Delegado da Receita Federal em Nova Iguaçu, a fim de conseguilas; (ii) até que obtivesse a liminar requerida no writ em questão, não lhe era possível formular a declaração de compensação ou equivalente pedido de restituição; (iii) nas hipóteses em que a existência ou o montante do crédito é objeto de lide judicial, o prazo para a iniciação do processo administrativo apenas principia com o trânsito em julgado da sentença que reconhece o direito; e, finalmente, (iv) como a liminar que lhe franqueou acesso às informações indispensáveis ao pedido somente foi deferida em dezembro de 2003, nesta data é que principiou a contagem do prazo decadencial para a repetição do indébito. Os membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro I, por meio do Acórdão nº 1229.832 (fls. 47 a 50), de 13 de abril de 2010, por unanimidade, votaram em não dar provimento à manifestação de inconformidade da interessada, mantendose o que foi decidido através do Despacho Decisório de fl. 18, proferido pela DRF/Nova IguaçuRJ. Cientificado em 6 de julho de 2010 (fl. 52), a contribuinte interpôs o recurso voluntário em 30 de julho (fls. 53 a 56), cujos fundamentos, da mesma forma, remontam àqueles já aduzidos na impugnação. O processo foi distribuído à Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento, cujo colegiado, por meio do Acórdão 3403.00.850, declinou da competência, por força das disposições regimentais, haja vista os supostos pagamentos a maior se referirem a Imposto de Renda Retidos na Fonte. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 5/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 10735.001135/200574 Acórdão n.º 2201002.463 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. Inicialmente, observase que código 2511 referese a Imposto Sobre o Lucro Líquido das Pessoas Jurídicas Tributadas pelo Lucro Real não sujeitas a adicional, apurado com base em estimativa, conforme consta do Ato Declaratório nº 27, de 22 de dezembro de 1992, do CoordenadorGeral do Sistema de Arrecadação da Secretaria da Receita Federal, publicado no Diário Oficial da União de 23 dezembro de 1992, Seção I, folhas 17939 a 17941, a seguir transcrito: CoordenaçãoGeral do Sistema de Arrecadação ATO DECLARATÓRIO Nº 27, DE 22 DE DEZEMBRO DE 1992. O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE ARRECADAÇÃO, no uso de suas atribuições, declara: 1. Que as datas fixadas para pagamento de tributo e contribuições federais no mês de janeiro de 1993 são as constantes da AGENDA TRIBUTÁRIA, anexa. JOSÉ ALVES FONSECA AGENDA TRIBUTÁR1A – MÊS JANEIRO/93 DATAS DE VENCIMENTO PARA PAGAMENTO DE TRIBUTOS/CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS (1) Data paras pagamento do imposto/contribuição, sem a incidência de atualização monetária (UFIR) (2) Data em que se esgota o prazo para pagamento do imposto/contribuição com a incidência, exclusivamente, de atualização monetária (UFIR). DATA VENCIMENTO (1) (2) TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES CÓDIGO DARF PERÍODO DO FATO GERADOR [...] 29 IMPOSTO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO PJ TRIB. LUCRO REAL SUJEITA ADICIONAL BASE BALANCETE MENSAL 2497 OUTUBRO/92 BASE ESTIMATIVA 2511 OUTUBRO/92 PJ TRIB. LUCRO REAL SUJEITA ADICIONAL BASE BALANCETE MENSAL 2497 JUL e AGO/92 BASE ESTIMATIVA 2511 JUL e AGO/92 [...] Portanto, ao contrário do informado no Acórdão nº 340300.850, da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção, o tributo não se refere a Imposto de Renda Retido na Fonte, e sim do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, cuja competência, Fl. 72DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 5/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 4 nos termos do art. 2º, inciso I, c/c com o art. 7º do Anexo II do RICARF, e da Primeira Seção de Julgamento. Assim sendo, voto em não conhecer do recurso e declinar a competência em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 73DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 5/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.902369/2012-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/06/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/06/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/06/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/06/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 23 69 /2 01 2- 11 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.675, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 01/08/2012, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 17899.99227.260207.1.2.043951, rastreamento nº 029223976, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 1.319,20, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 8109), do período de 31/05/2002, efetuado em 14/06/2002, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 13/08/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/06/2002 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902369/201211 Acórdão n.º 3802002.525 S3TE02 Fl. 122 3 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902369/201211 Acórdão n.º 3802002.525 S3TE02 Fl. 123 5 VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902369/201211 Acórdão n.º 3802002.525 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 19515.002732/2003-13
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL.
Para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
ÔNUS DA PROVA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26).
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base tributada o valor de R$63.000,00 (sessenta e três mil reais), nos termos do voto do relator. Vencido em preliminar o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández que votou pela preliminar de nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para acesso aos dados bancários do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: Jaci de Assis Junior
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ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. ÔNUS DA PROVA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso voluntário provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 27 32 /2 00 3- 13 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base tributada o valor de R$63.000,00 (sessenta e três mil reais), nos termos do voto do relator. Vencido em preliminar o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández que votou pela preliminar de nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para acesso aos dados bancários do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Por bem resumir os procedimentos tratados nos presentes autos até o início da instauração do litígio, a seguir reproduzo o relatório extraído da decisão proferida pela autoridade de primeira instância: “Contra o contribuinte, acima identificado, foi lavrado Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, fls. 119/123, relativo ao ano calendário de 1998, exercício de 1999, para formalização de exigência e cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 216.237,82, incluindo multa de ofício e juros de mora. A infração apurada pela fiscalização, relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais, fls. 122, e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 114/118, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontramse detalhados às fls. 120 e 122 do Auto de Infração. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 12/08/2003, fls. 126, o contribuinte apresentou impugnação em 04/09/2003, fls. 127/130, trazendo as seguintes alegações: 2. Com a devida vénia, não se houve o prolator do Auto de Infração com a necessária isenção, restando claro que, no caso, tratase de excesso de exação. Isto porque: 2.1. O Impugnante exerce a atividade de vendedor de automóveis usados, comércio no qual, efetivamente, não existe uma perfeita coincidência entre os Fl. 262DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.002732/200313 Acórdão n.º 2802003.015 S2TE02 Fl. 262 3 valores pagos pelos clientes e aqueles que efetivamente transitaram pelas contas correntes bancárias. Assim, come é cediço, nesse mercado, via de regra, o cliente comprador adquire um automóvel usado e dá como parte de pagamento o automóvel de seu uso. Face à natureza da atividade do Impugnante, pretender coincidência de valores como prova de origem é, evidentemente, excederse na função e como conseqüência cometer equívoco maldoso de conseqüências danosas. 2.2. Ocorrem, ainda, outras hipóteses, quais sejam aquelas em que o cliente comprador adquire o automóvel via financiamento bancário, em cuja instituição o Impugnante é credenciado. Neste caso, o valor de parte do financiamento é depositado na conta do agente credenciado, ou seja, no caso, do Impugnante, mediante autorização do cliente financiado. Certamente, pela simples mecânica do processo, não há como buscarse coincidência da datas e valores. 2.3. Por oportuno, acentuese que o Sr. Auditor Fiscal, limitouse a considerar como não comprovada a origem de toda a movimentação financeira existente na conta corrente do Impugnante, à exceção daqueles depósitos inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais). Vale dizer, nenhuma dedução foi feita, nem ao menos aquelas constantes da declaração de imposto sobre a renda do Impugnante. Para o Sr. Auditor Fiscal, os depósitos efetuados na conta corrente do Impugnante são rendimentos líquidos, passíveis de serem oferecidos à tributação. Em verdade, se examinarmos a conta corrente do Impugnante, anexada aos autos do processo, resta insofismável que em sua imensa maioria, correspondem a valores que simplesmente transitaram por aquela conta, não se traduzindo no conceito legal de renda ou proventos de qualquer natureza. 2.4. A todo o expendido acrescentese que nenhuma preocupação ressalta dos autos do processo, na verificação e comprovação da utilização dos valores depositados como renda consumida. 3. A melhor doutrina e jurisprudência, entendem que depósitos bancários não caracterizam, por si só, rendimentos tributáveis e que o simples levantamento dos depósitos em extratos bancários não justifica lançamento, sendo imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida. (...) Em face do exposto, deve ser julgada improcedente a pretensão fiscal e cancelado o auto de infração por infundado. E o que se requer.” Apreciando a impugnação a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE(DRJ/FOR), fls. 173 a 179 (processo digital), considerou procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de Io de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção Fl. 263DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Lançamento Procedente Cientificado em 13/11/2007, fls. 184, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 04/12/2007, fls. 188 a 207, alegando, em síntese, que: Merece censura o entendimento da Relatora, haja vista que o Recorrente não pretendeu vincular a decisão ora combatida com os acórdãos citados em sua Impugnação. Explica que sua atividade comercial exercida é a de compra e venda de automóveis usados; fato que, por vezes, ao vender um veículo aceita outro como forma de pagamento e, assim, sucessivamente. Também podem haver diversos outros fatos peculiares a cada compra e venda de automóveis que acabam por dificultar a comprovação de identidade entre valores e datas dos depósitos bancários. Todavia, conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, os documentos apresentados não foram suficientes para comprovar a origem dos valores depositados. Por sua vez, a relatora do acórdão combatido entendeu que: "Já os documentos de fls. 75/88 são cópias de certificados de registro de veículos e de autorizações para transferências de veículos, acompanhados por documentos emitidos pela pessoa jurídica 3000 Automóveis. Do exame dos mesmos, não se verifica referência ao nome do contribuinte, tampouco se observa vinculação entre os valores ali mencionados e aqueles depositados nas contascorrentes do contribuinte". Nesse aspecto, entende que tal entendimento não assiste razão, tendo em vista que o Recorrente é sócio da empresa "3000 Automóveis Ltda.", conforme comprova a alteração contratual, que alega juntar ao seu recurso. Diante disso, entende que documentos de fls. 75/88 prestam, sim, para comprovação da origem dos depósitos efetuados em conta bancária do Recorrente. Aduz que, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 quanto aos depósitos bancários deve vir acompanhada de outros indícios que justifiquem que os valores transitados na conta do contribuinte seriam equiparáveis a rendimentos tributáveis, especialmente no caso de contribuinte pessoa física. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.002732/200313 Acórdão n.º 2802003.015 S2TE02 Fl. 263 5 Explica que “são diversas as possibilidades de valores movimentados nas contas correntes que não caracterizariam rendimentos tributáveis, de forma que, para a validade da presunção, a Fazenda Pública deverá procurar outros elementos probatórios de que se trata de disponibilidade de riqueza nova, ou seja, de renda ou de proventos de qualquer natureza”. Em seu entendimento, é indispensável que a fiscalização verifique a existência de sinais exteriores de riqueza, para que assim conclua que os rendimentos da pessoa física são incompatíveis com os valores informados ao Fisco e a movimentação na sua conta corrente. Transcreve enunciado da Súmula 182, do antigo TFR, bem como das ementas proferidas pelo TRF e pelo STJ. Destaca que a multa aplicada não pode prevalecer, dado seu caráter confiscatório violar o art. 150, IV, da Constituição Federal. Também não pode prosperar a exigência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic, sob pena de violação à Constituição Federal, tendo em vista que a mesma não foi criada por lei. Requer o provimento integral do recurso voluntário. O processo foi incluído na pauta da sessão realizada em 4 de novembro de 2011, tendo a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ªSejul proferido a Resolução nº 2202 000.343, que, por unanimidade de votos, sobrestou o julgamento nos termos do §1º do art. 62 A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 que aprovou o Regimento Interno do CARF RICARF c/c Portaria CARF nº 01/2012, fls. 183 a 189. Tendo em vista que a Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do RICARF, o presente processo foi redistribuído a este Conselheiro em 11/04/2014. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. A exigência constante do presente processo decorre da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou a origem dos recursos utilizados nessas operações. Inicialmente, cumprese ressaltar que, conforme constou da Resolução nº 2202000.293, proferida pela 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara da 2ª Seção, a matéria tratada neste processo administrativo se encontra sob apreciação do Supremo Tribunal Federal em Fl. 265DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 diversos processos, entre os quais cumpre destacar o Recurso Extraordinário 601314, com a decisão que segue1: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Cármen Lúcia e Cezar Peluso. Até a vigência do § 1º do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, com as alterações dadas pela Portaria nº 586, de 2010, havia previsão para que os julgamentos dos recursos interpostos no âmbito dos processos administrativos fiscais fossem sobrestados sempre que o e. STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria. Com a revogação de tal regra regimental pela Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, e diante do fato de o RE nº 601314 ainda se encontrar pendente de julgamento pelo STF, cabe a esse Colegiado examinar a matéria à luz da legislação tributária vigente. Ratificando decisões reiteradas desta Turma Julgadora, rejeito a preliminar suscitada, em sessão de julgamento, pelo Conselheiro German Alejandro San Martin Fernandez, que foi vencido, decorrente da decisão no RE389.808/PR, quanto à nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários do contribuinte. Nesse sentido, ficou patente o entendimento de que: a) a obtenção de dados bancários do contribuinte foi regular, posto que fundamentada em lei; b) as decisões do STF em controle difuso de constitucionalidade proferidas fora da sistemática do art. 543B do CPC (art. 62A do Regimento Interno do CARF) não vinculam os membros do CARF. c) a interpretação sistemática do Regimento Interno do CARF é no sentido de que a possibilidade de o CARF afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou Decreto sob fundamento de inconstitucionalidade é medida excepcional e que, na matéria sob apreciação, não se pode tomar como declaração de inconstitucionalidade por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal (inciso I do parágrafo único do art. 62 do RICARF) a decisão dada no RE389.808/PR, uma vez 1 RERG 601314, em 22/10/2009, DJe nº 218 Divulgação 19/11/2009 Publicação 20/11/2009, Relator Min. Ricardo Lewandowski. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.002732/200313 Acórdão n.º 2802003.015 S2TE02 Fl. 264 7 que o Recurso Extraordinário designado como paradigma e ainda pendente de julgamento é o de nº 601314, este sim, uma vez julgado e com trânsito em julgado, será de reprodução obrigatória. Alega o recorrente que depósitos bancários não constituem renda tributável, pois, deve ser demonstrada a efetiva existência de renda consumida, através de sinais exteriores de riqueza. Entende, pois, ser inaplicável a presunção de omissão de receitas sobre depósitos bancários. A tributação da omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários pautouse no art. 42 e parágrafos, da Lei n° 9.430, de 1996, com as alterações posteriores introduzidas pelo art. 4° da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, e pelo art. 58 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, nos seguintes termos: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (redação dada pela Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de Fl. 267DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002). Depreendese da leitura do dispositivo legal acima que o legislador estabeleceu, a partir de 01/01/1997, uma presunção legal de omissão de rendimentos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, desde que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Assim, cabe ao contribuinte o dever de demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável, invertendo, portanto, o ônus da prova, característica das presunções relativas, as quais admitem prova em contrário. Observese que, diferentemente da tese defendida pelo recorrente, a autoridade fiscal não tem a obrigação de comprovar renda consumida. Neste sentido foi editada a Súmula CARF nº 26, nos seguintes termos: SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Portanto, perfeitamente válida a aplicação da presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, no caso examinado nos presentes autos. Ressaltese que a Súmula n° 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos, citado pela defesa, foi editada em momento histórico distinto, no qual não era possível formularse uma presunção legal com base em depósitos bancários e sinais exteriores de riqueza. Por conseguinte, não abrange o caso examinado nos presentes autos, que tem por base a citada Lei n° 9.430, de 1996. Em seu recurso o contribuinte alega ser comerciante de automóveis usados tendo, para tanto, apresentado cópia do contrato social da empresa 3000 Veículos Ltda., que confirma tal alegação, fls. 215 a 247. À época dos procedimentos de fiscalização, o recorrente apresentou os documentos de 75 a 88 (fls. 96 a 109 do processo digital), os quais não foram aceitos como comprovação da origem dos depósitos creditados nas contas correntes bancárias, ao argumento de que “as transações comerciais envolvendo a compra e venda desses veículos não comprovam quaisquer depósitos bancários efetuados nas contas correntes movimentadas pelo fiscalizado no ano calendário de 1998, não foi observado coincidência de data e valor”. Contudo, do confronto desses documentos com o DEMONSTRATIVO DOS VALORES TRIBUTÁVEIS, elaborado pela fiscalização às fls. 105 a 107 (fls. 126 a 128 do processo digital) revela que as datas e os valores das autorizações para transferências dos veículos descritos nos Certificados de Registros de Veículos são próximos e/ou coincidentes com os seguintes depósitos: DATA DEPÓSITO VALOR DEPÓSITO FLS. DATA DOCUMENTOS VALOR DOCUMENTOS FLS. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.002732/200313 Acórdão n.º 2802003.015 S2TE02 Fl. 265 9 27/1/1998 16.331,00 126 27/1/1998 16.000,00 102 26/2/1998 19.500,00 126 26/2/1998 (*) 19.500,00 96 a 100 15/6/1998 14.549,00 127 16/6/1998 15.000,00 104 14/9/1998 12.916,98 127 14/9/1998 12.500,00 106 TOTAL COMPROVADO 63.000,00 (*) Cheques prédatados Há que se considerar comprovada, portanto, a origem dos depósitos no valor de R$63.000,00, acima relacionados Quanto aos demais documentos apresentados pelo contribuinte, fl.s 89 a 93 (fls. 110 a 114 do processo digital) a fiscalização deixou claro que: “Com relação aos Comprovantes Anuais de Rendimentos (itens 15. a 19. fls. 89 a 93), efetuamos pesquisas junto aos sistemas eletrônicos à disposição da SRF (fls. 08 e 09) onde obtivemos a discriminação mensal dos rendimentos recebidos pelo contribuinte e pudemos verificar que esses valores não circularam pelas contas corrente objeto da presente fiscalização.” Relativamente aos documentos de fls. 94/97 (fls. 115 a 118 do processo digital), como bem observou a DRJ, referemse a “operações realizadas no ano de 1999 e, portanto, não se prestam a comprovar a origem de depósitos efetuados durante o ano calendário de 1998”. Alegou o recorrente, ainda, que a multa aplicada seria confiscatória. A esse respeito, observese primeiramente que a vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála, sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou. O lançamento é uma atividade vinculada. Observese, ainda, que não compete ao CARF deliberar acerca das alegações de violação aos princípios constitucionais, tal como disposto na Súmula CARF nº 2: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim, não há que se falar em confisco com relação à multa aplicada de 75% prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Sobre a contestação da exigência de Juros SELIC, observese que a Súmula nº 4 do CARF reconhece que os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia, nos seguintes termos: Fl. 269DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Logo, correta a aplicação da taxa referencial SELIC para títulos federais sobre o débito tributário apurado pelo lançamento fiscal. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base tributada o valor de R$63.000,00 (sessenta e três mil reais). (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 270DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10880.962388/2008-95
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO.
Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco.
Numero da decisão: 3802-002.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE o provimento.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco Jose Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Waldir Navarro Bezerra e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO. Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE o provimento. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco Jose Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Waldir Navarro Bezerra e Solon Sehn.
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO. Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 23 88 /2 00 8- 95 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco Jose Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Waldir Navarro Bezerra e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra Acórdão lavrado pela 6ª Turma da DRJ de São Paulo, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem resumir a controvérsia até a respectiva fase processual, tomo emprestado a descrição fática lançada no acórdão da instância a quo acima referido (fls. 42 e seguintes): 1. A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação n° 38335.89078.101104.1.3.044235 em 10/11/04 (fls. 06/10), pleiteando a compensação de débitos de PIS, com créditos de PIS, decorrentes de suposto pagamento a maior ou indevido efetuado em 14/06/02. 2. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico de fl. 01, emitido em 11/12/08, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 3. Cientificado da decisão em 05101/09 (fls. 04/05), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 11/14) alegando, em síntese, que: 3.1 Como se pode observar no demonstrativo da composição das bases de cálculo, o crédito de PIS utilizado para sua compensação referese A parcela da contribuição Fl. 185DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.962388/200895 Acórdão n.º 3802002.272 S3TE02 Fl. 184 3 indevidamente paga sobre valores relativos As saídas gratuitas ("brindes") de seus produtos. 3.2 Se a base de cálculo tanto do PIS quanto da COFINS é constituída pela receita ou pelo faturamento, não há que se falar em ocorrência do fato gerador sobre o valor de notas fiscais de saída de mercadorias, sem que haja de fato ou de direito a correspondente receita ou faturamento. 3.3 Ao compor a base de cálculo das contribuições, cometeu equivoco de incluir valores que não constituíam sua receita ou faturamento, e deveria ter apresentado retificações de suas declarações para excluir destas bases de cálculos do PIS e da COFINS estes valores. 3.4 Em determinados casos, suas declarações não foram retificadas, e assim, cometeu erro de fato no procedimento tendente A apresentação desta PER/DCOMP. 3.5 Tal equivoco não macula seu direito à obtenção dos créditos, de fácil apuração, caso a autoridade administrativa competente tivesse cumprido sua obrigação legal e diligenciado ao estabelecimento da ora requerente, como determina o artigo 24 da IN SRF 600/2005. 3.6 Não procedendo assim, o despacho decisório representa ofensa aos princípios da moralidade administrativa, da razoabilidade, da finalidade e da oficialidade, além de ensejar o enriquecimento sem causa da União, ferindo o capuz do artigo 37 da Carta Magna, e os artigos 2°, 3°, inciso I, e 50, inciso I da Lei 9.784/99. 3.7 Requer a reforma do Despacho Decisório, reconhecendo seu direito creditório na sua totalidade e homologando a compensação do PER/DCOMP. 4. É o relatório. Ao analisar a reclamação, a 6ª Turma da DRJ/SPO entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo a glosa do crédito requerido pela contribuinte e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA COFINS Anocalendário: 2001 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para Fl. 186DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgador de 1ª instância entendeu que as provas apresentadas pelo contribuinte (balancete e resumo da apuração) não eram suficientes para demonstrar o direito creditório suscitado. Em seu Recurso Voluntário (fls. 67 e seguintes), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, sob o argumento de que, ao contrário do indicado na decisão recorrida, a DRJ não deveria ter indeferido de plano seu pedido ante a suposta ausência de provas, pois cabe a ela verificar a materialidade do crédito suscitado; e que, ainda que se entendesse pela possibilidade de a DRJ negar o pedido ante a ausência de provas, o Recorrente apresenta, além das provas acostadas à manifestação de inconformidade, cópias dos Livro Registro de Saídas do ICMS, demonstrando a veracidade das suas alegações. Com base nos argumentos apresentados, a Recorrente pede a procedência do Recurso Voluntário para que seja reformada a decisão de 1ª instância e, consequentemente, homologadas as compensações efetuadas. Voto Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, Relator O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. Tratase de processo de revisão de compensação, em que o contribuinte embasa seu pleito na alegação de que teria, equivocadamente, submetido à tributação de PIS e COFINS diversas saídas de brindes. No caso em tela, instado pela DRJ a apresentar provas cabais da materialidade de seu crédito, a Recorrente apresentou uma série de documentos – basicamente, além das informações do balancete que apresentou em sede de manifestação de inconformidade, consta um demonstrativo das notas fiscais do período envolvido no seu pedido e uma cópia do Livro Registro de Saídas do ICMS, que indica que as notas fiscais foram efetivamente escrituradas. Acontece que as provas apresentadas ainda não são suficientes para demonstrar a materialidade dos créditos do Recorrente. Vejase. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.962388/200895 Acórdão n.º 3802002.272 S3TE02 Fl. 185 5 O balancete apresentado pelo sujeito passivo apresenta os saldos das contas contábeis, com ênfase para as contas referentes às saídas a título gratuito. Além do balancete, foi acostado um relatório indicando as notas fiscais de CFOP referente a tais saídas. No entanto, esse relatório não indica totalização para fins de conferência dos saldos das contas indicadas no balancete apresentado. Outrossim, o Livro Registro de Saídas não indica o CFOP apresentado pelo sujeito passivo, o que não permite a aferição das informações apresentadas em seu relatório. Somase a isso o fato de que não há cópia de sequer uma nota fiscal no processo, o que permitiria verificar cabalmente os dados informados naquele documento fiscal. Ora, no rito do processo de análise de pedidos de compensação ou ressarcimento, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. No caso em tela, o Recorrente não me parece ter demonstrado, de modo cabal, a verdade material que lhe assiste. Nesse sentido, importante destacar que o julgador não pode se basear em planilhas internas apresentadas pelo contribuinte. Vale repisar, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de ressarcimento o contribuinte deve demonstrar cabalmente as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Em que pese a juntada de planilhas, temse que estas são nada além de um arrazoado na forma esquemática, ou mesmo matemática. Mas sempre arrazoado, não prova. Prova é a documentação, oponível ao fisco, que redunde em demonstração inequívoca do direito de crédito. Sobre essa prova é que deverão ser elaboradas planilhas resumo; porém é certo que as planilhas, em si, não constituem prova. Friso ainda que, com relação à afirmação do Recorrente, de que há presunção de veracidade nas declarações apresentadas, que mais do que declarações, é necessário que o conjunto fáticoprobatório dos autos é fundamental para se assegurar o direito de crédito suscitado em DCOMP. A presunção de boa fé nas informações, da maior importância para todo o ordenamento jurídico, não pode se sobrepor à necessidade de instrução probatória (ou seja, documental e não meramente informativa) no rito da revisão de compensação. Destarte, oriento meu voto no sentido de que seja mantida a decisão de primeira instância, mantendo a glosa das compensações, pois o Recorrente não demonstrou cabalmente a origem dos créditos de PIS/COFINS a serem compensados. Conclusão Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 188DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10283.900185/2009-25
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO.
Acolhem-se os embargos de declaração, para o fim de suprir contradição que é aquela havida no interior da própria decisão.
LAPSO MANIFESTO
Acolhe-se o Despacho de Lapso Manifesto no caso de serem identificadas inexatidões materiais.
Numero da decisão: 1803-002.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e o Despacho de Lapso Manifesto para rerratificar o Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803-001.951, de 06.11.2013, fls. 112-119, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos de declaração, para o fim de suprir contradição que é aquela havida no interior da própria decisão. LAPSO MANIFESTO Acolhese o Despacho de Lapso Manifesto no caso de serem identificadas inexatidões materiais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e o Despacho de Lapso Manifesto para rerratificar o Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803001.951, de 06.11.2013, fls. 112119, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 01 85 /2 00 9- 25 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.900185/200925 Acórdão n.º 1803002.350 S1TE03 Fl. 139 2 A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 04880.51197.290605.1.3.040741, em 29.05.2005, fls. 02 06, utilizandose do pagamento a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2362, no valor de R$683.206,38 contido no DARF no valor de R$683.206,38 recolhido em 30.09.2004, determinado sobre a base de cálculo estimada para fins de compensação do débito ali confessado. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 07, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 1117. Está registrado como ementa do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/BEL/PA nº 01 20.484, de 25.01.2011, fls. 7579: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO D E COMPENSAÇÃO. OBJETO. CRÉDITO. LIMITE. A análise da Declaração de Compensação efetuase em relação à data de sua transmissão, encontrandose vinculada também aos exatos limites do crédito originalmente identificado pelo contribuinte como compensável. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada em 23.02.2011, fl. 80, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 24.03.2011, fls. 8188, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Consta na parte dispositiva como resultado do Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803001.951, de 06.11.2013, fls. 112119, para “rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito dar provimento ao recurso voluntário e reconhecer o direito creditório”. Por outro lado, na conclusão do Voto condutor está registrado: “Diante do exposto, voto para rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito negar provimento ao recurso voluntário por não encontrar nos autos comprovação do direito creditório, mantendo, desta feita, a decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – PA.” Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, fls. 127129, argumentando, em síntese que há contradição entre a parte dispositiva e na conclusão do Voto condutor no Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803001.951, de 06.11.2013, fls. 112119. Ainda, foi proferido o Despacho de Lapso Manifesto, fls. 140142, para fins de sanar as inexatidões materiais, em face da Ata da Reunião de Julgamento do período de Fl. 139DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.900185/200925 Acórdão n.º 1803002.350 S1TE03 Fl. 140 3 05.11.2013 a 07.11.2013 da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ do CARF/MF, formalizada no processo nº 151690.000109/201162. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Os Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, atendem aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, como também o Despacho de Lapso Manifesto, nos termos do art. 65 e do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Assim, deles tomo conhecimento. Assim, deles tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Procuradoria da Fazenda Nacional, aduz, em síntese que há contradição entre a parte dispositiva e a conclusão do Voto condutor no Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803001.951, de 06.11.2013, fls. 112119. Restou identificada de forma clara, explícita e congruente a contradição que é aquela havida no interior da própria decisão, ou seja, a desconformidade interna da decisão jurisdicional. De outro lado, também foram identificadas inexatidões materiais, conforme Despacho de Lapso Manifesto, enganos esses que devem ser retificadas conjuntamente com apreciação dos Embargos de Declaração. Consta na Ata da Reunião de Julgamento do período de 05.11.2013 a 07.11.2013 da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ do CARF/MF, formalizada no processo nº 151690.000109/201162, fl. 432: Relator(a): SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo: 10283.900185/200925 Recorrente: SHOWA DO BRASIL LTDA Acórdão 1803001.951 Decisão: Por unanimidade de votos deram provimento parcial ao recurso voluntário para que o direito creditório seja analisado como saldo negativo. [...] Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 140DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.900185/200925 Acórdão n.º 1803002.350 S1TE03 Fl. 141 4 Resultado: Recurso Voluntário Provido em Parte Aguardando Nova Decisão Para melhor espelhar a situação dos autos, devem ser rerratificados os seguintes trechos na parte dispositiva e no Voto condutor do Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803001.951, de 06.11.2013, fls. 112119, como segue: De: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito dar provimento ao recurso voluntário e reconhecer o direito creditório, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. [...] Diante do exposto, voto para rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito negar provimento ao recurso voluntário por não encontrar nos autos comprovação do direito creditório, mantendo, desta feita, a decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – PA. Para: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade jurisdição, para análise do mérito do litígio, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. [...] Antes de entrar no mérito, passo a analisar a preliminar de nulidade em decorrência do indeferimento do pedido de diligência levantada pela Recorrente no pedido do recurso voluntário, fls. 81 e segs. dos autos. Relativamente à diligência/perícia requerida não pode o pleito ser acolhido, pois a Recorrente busca o esclarecimento de fatos que já deveria ter sido providenciado desde a manifestação de inconformidade, conforme arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Nos termos deste mesmo Decreto, a realização de diligências ou perícias justificase somente quando necessárias, a juízo da autoridade julgadora: “Art.18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências, ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. [...] Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”. No caso dos autos a perícia não se faz necessária, eis que as provas que foram (ou deixaram de ser) acostadas ao longo do procedimento fiscal são suficientes para a formação da convicção do julgador. Desse modo, não se faz necessária a dilação probatória por meio de diligências ou perícia. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.900185/200925 Acórdão n.º 1803002.350 S1TE03 Fl. 142 5 E, não tendo a Recorrente anexado qualquer elemento que pudesse servir para justificar a utilidade de uma diligência ou perícia, fazse imperioso indeferir o pedido. Ultrapassado esse ponto, passo agora à questão de mérito, que foi bem sintetizada pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém/PA, quando afirmou às fl. 79 dos autos: [...] “No caso presente, embora a manifestante afirme que se trata de saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido, verificase que ao efetivar sua compensação a interessada indicou como crédito pagamentos correspondentes a estimativas mensais. Impõese assinalar que, nos termos da legislação relativa à apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), aplicável à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) por força do art. 30 da Lei n° 9.430/19961. os recolhimentos efetuados pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, no decorrer dos meses do ano civil, caracterizam, em princípio, antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, o sujeito passivo, ao exercer a opção prevista no artigo 2º da Lei n° 9.430/1996, fica obrigado aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do anocalendário, proceder à apuração do tributo devido, oportunidade em que poderá, então, deduzir os valores anteriormente recolhidos por estimativa.”. Porém, o único ponto levantado pela Recorrente é que é detentora do Ato Declaratório n° 58, de 04 de abril de 2005, fl. 41 dos autos, e por isso afirma o seguinte: “Ato Declaratório n° 58, de 04 de abril de 2005 está respaldado por lei e ratificado pelo Decreto n° 756/69, de 11 de agosto de 1969, que trata das deduções tributárias para fins de investimentos, cujo artigo 1º, assim prescreve: ‘Art 1º. Todas as pessoas jurídicas registradas no Pais poderão deduzir do Imposto de Renda e seus adicionais não restituíveis: a) Até 75% (setenta e cinco por cento) do valor das obrigações, que adquirirem, emitidas pelo Banco da Amazônia S/A, com o fim específico de ampliar os recursos do Fundo para Investimentos Privados no Desenvolvimento da Amazônia (FINAM);’ Do mesmo modo, o Ato Declaratório n° 58, foi expedido por autoridade competente, ou seja, Sr. Delegado da Receita Federal, amparado por Resolução da SUFRAMA que autorizou a realização da atividade industrial da Recorrente, retroativamente ao ano de 2004, nos seguintes termos: ‘Art. 1° Fica reconhecido o direito da empresa SHOWA DO BRASIL LTDA, CNPJ n° 04.012.043/000148, à redução de 75% do imposto de renda das pessoas jurídicas e adicionais não restituíveis, incidente sobre o lucro da exploração, relativo ao projeto de modernização de empreendimento da empresa, na área da atuação da extinta SUDAM, pelo prazo de 9 (nove) anos a partir do anocalendário de 2004’”. A decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém/PA, consubstanciada através do Acórdão nº 0120.484, de 25.01.2011, asseverou, em síntese, que não haveria direito à compensação, pois a Recorrente, enquanto pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, que efetue pagamento de estimativas mensais (IRPJ ou CSLL), só poderia utilizar esses valores ao final do período de apuração, já que a lei determina que o indébito seja apurado apenas no dia 31 de dezembro. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.900185/200925 Acórdão n.º 1803002.350 S1TE03 Fl. 143 6 A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém/PA, em um voto bem fundamentado, mas sob uma premissa equivocada, não se pronunciou sobre o mérito do direito creditório da Recorrente, que efetivamente recolheu aos cofres públicos R$683.206,38, porém, manifestouse no sentido de que a Recorrente apenas deveria utilizar tal pagamento quando da apuração da CSLL anual, seja para dedução do CSLL devida ou na composição do respectivo saldo negativo. Esse tema já possui direcionamento reiterado no CARF que fixou o entendimento segundo o qual à Administração Tributária não é permitido definir qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Além do mais, a matéria é objeto da Súmula nº 84 desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que assim determina: “Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”. Essa questão já foi enfrentada diversas vezes por essa 3ª Turma Especial, com vários julgados dos Ilustres Conselheiros Sérgio Rodrigues Mendes e Walter Adolfo Maresch. Nesse sentido tem cabimento adotar o mesmo entendimento constante no Acórdão 3º TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803001.654, de 09.04.2013, proferido no processo nº 10240.900338/201074, em cuja ementa consta: “IRPJ ESTIMADO. RECOLHIMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011)”. De outro giro, a recorrente afirma categoricamente que o valor indevidamente recolhido compõe o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2004, devendo sobre este ponto de vista ser apreciado pela Administração Tributária, juntamente com outras PER/DCOMP que indiquem o mesmo direito creditório. Com relação a redução de imposto de renda de 75% decorrente de projeto em área de atuação da extinta SUDAM é matéria estranha à lide não devendo ser apreciada por esta turma julgadora. Diante de tudo isso e em face do exposto, uma vez que a Recorrente não teve apreciado o mérito de seu direito creditório, pois a instância administrativa preparadora estabeleceu como prejudicial ao exame, a impossibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, deve ser o retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para apreciação do aspecto meritório do crédito em tela. Ainda, deve se ressaltar, conforme a linha de entendimento adotada, que enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos, Fl. 143DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.900185/200925 Acórdão n.º 1803002.350 S1TE03 Fl. 144 7 abrindose inclusive, novos prazos para o exercício do contraditório e ampla defesa, sobre o entendimento meritório acerca do direito de crédito. Desta forma voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos à unidade de jurisdição, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. Em assim sucedendo, voto por em acolher os embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e o Despacho de Lapso Manifesto para rerratificar o Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803001.951, de 06.11.2013, fls. 112119, afastando a contradição e alterando o decidido. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 144DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10580.911723/2009-52
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2004
Direito ao crédito não conhecido.
Ausência da prova do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3802-003.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Ausência da prova do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 23 /2 00 9- 52 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ/BHE, a qual, por unanimidade de votos, julgou pela IMPROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade, tendo em vista que, na ótica fazendária, o contribuinte não conseguiu comprovar o direito ao crédito e, por via de conseqüência, não houve a homologação da compensação pleiteada. Em ato contínuo, o processo de Declaração de Compensação fora realizado pelo contribuinte por meio eletrônico, no qual pretendia quitar os débitos declarados no referido documento, com créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado, por meio de DARF, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à identificação e exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme decisão em seu favor, ainda não transitada em julgado, perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal sob o número 2009.34.00.0314472, de modo a manter a integralidade do crédito declarado e a homologar a compensação pleiteada por intermédio do PER/DCOMP. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que os requisitos de admissibilidade do presente recurso se fazem presentes, é de rigor dele tomar conhecimento e analisar o mérito da questão. Mérito Consultando os autos do processo noticiado pelo contribuinte, se verifica que houve a propositura de mandado de segurança coletivo, impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos e Serviços, com o objetivo de suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores feitas pela Lei nº 10.548/02, de modo a isentar ou impedir a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clínicas substituídos. Nessa decisão de primeira instância do Pode Judiciário em favor ao recorrente, a qual está em segundo grau de jurisdição, a segurança foi concedida para Fl. 204DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911723/200952 Acórdão n.º 3802003.452 S3TE02 Fl. 112 3 determinar à autoridade fiscal que se abstivesse de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicação, bem como foi declarado o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. A partir da decisão judicial proferida pelo Justiça Federal, surge a seguinte situação: o contribuinte cumpre a determinação judicial e, por sua conta e risco, adota esse novo modelo tributário para o futuro e aqui sempre é bom lembrar que essa decisão judicial ainda não é definitiva, pois comporta recursos de ambas as partes envolvidas no processo até o seu ultimato da marcha processual. E, por outro lado, em relação ao passado, o contribuinte se antecipa e requer a compensação dos direitos decorrentes da própria decisão judicial. Pois bem! Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do artigo 170 do Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária dáse nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Não é possível o encontro de contas se o contribuinte não demonstrar, previamente, estes dois requisitos. No presente caso, o recorrente tem ao seu favor uma decisão judicial precária que suspende a exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores, bem como declaração do direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. Esta situação, por sua vez, não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários. A compensação de tributos devidos com créditos do particular em face do fisco é permitida em nossa legislação, desde que satisfeitos certos requisitos para tanto. Inicialmente, é interessante lembrar que a matéria está prevista no Código Tributário Nacional, no caput do art. 170: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Desde logo se verifica que o CTN é expresso ao afirmar que a lei poderá permitir a compensação, desde que seja ela feita com a utilização de créditos líquidos e certos. Não basta, assim, que existam hipotéticos pagamentos de um tributo posteriormente julgado indevido: é preciso que exista a certeza do pagamento, bem como o valor atualizado do seu montante. Por via de conseqüência, qualquer decisão judicial que autorize a compensação de créditos ilíquidos ou incertos estará violando o art. 170 do CTN. Interessante observar que o dispositivo transcrito acima não condiciona a compensação a uma necessária intervenção do Poder Judiciário. Não exige o CTN, assim, que somente possa compensar créditos aquele que tenha uma autorização judicial para tanto. O caput do art. 66 da Lei nº 8.383, de 30/12/91, autoriza a compensação prevista no art. 170 do CTN: "Art. 66. Os casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação Fl. 205DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes." Expressamente se verifica, inicialmente, que há de haver pagamento indevido ou a maior de tributos para que possa surgir o direito à compensação. Além disso, como mencionado acima, os créditos precisam ser líquidos e certos. Assim, se inexiste pagamento indevido ou a maior, não é possível compensar (art. 66 da Lei nº 8.383/91). Nesse sentido, se não há a certeza da existência dos pagamentos devidos, ou se estes não são líquidos, não é possível compensar (art. 170 do CTN). Presentes esses requisitos, tem o contribuinte o direito à compensação. Se não estão presentes esses requisitos, não tem o contribuinte o direito à compensação. Tendo em vista que, no presente caso, o contribuinte tem em seu poder uma decisão judicial passível de reforma, já que não houve o acertamento tributário definitivo, sou pelo CONHECIMENTO do presente recurso e dele NEGOLHE provimento para manter a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 206DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 16327.001376/2004-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
JUROS ISOLADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO DECADENCIAL.
Não se trata de lançamento de tributo sujeito à homologação, mas sim de penalidades impostas para punir a falta de retenção do imposto de renda no momento do recebimento dos rendimentos (juros isolados), e, portanto, a contagem do prazo decadencial submete-se à regra geral estabelecida no art. 173, inciso I, do CTN.
O prazo para a Fazenda Pública constituir de oficio o crédito tributário decorrente da exigência de juros isolados decorrentes de valores não retidos e não recolhidos pela fonte pagadora é o previsto no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
No presente caso, todos valores não retidos e não recolhidos objeto do presente lançamento deram-se os entre 31.01.1999 e 31.12.1999. Ou seja, para os fatos geradores mais remotos, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial dá-se no dia 01/01/2000 e o termo final no dia 31/12/2004.
Considerando que o sujeito passivo foi cientificado do auto de infração, em 29/09/2004, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira e Gustavo Lian Haddad.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire - Relator
EDITADO EM: 12/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 JUROS ISOLADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO DECADENCIAL. Não se trata de lançamento de tributo sujeito à homologação, mas sim de penalidades impostas para punir a falta de retenção do imposto de renda no momento do recebimento dos rendimentos (juros isolados), e, portanto, a contagem do prazo decadencial submetese à regra geral estabelecida no art. 173, inciso I, do CTN. O prazo para a Fazenda Pública constituir de oficio o crédito tributário decorrente da exigência de juros isolados decorrentes de valores não retidos e não recolhidos pela fonte pagadora é o previsto no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente caso, todos valores não retidos e não recolhidos objeto do presente lançamento deramse os entre 31.01.1999 e 31.12.1999. Ou seja, para os fatos geradores mais remotos, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial dáse no dia 01/01/2000 e o termo final no dia 31/12/2004. Considerando que o sujeito passivo foi cientificado do auto de infração, em 29/09/2004, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 76 /2 00 4- 21 Fl. 434DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira e Gustavo Lian Haddad. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 12/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº. 2202 00.560, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF em 16 de junho de 2010, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, acolheu a argüição de decadência suscitada pelo Recorrente, para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores anteriores a 29/10/1999 (período de 30/01/1999 a 27/10/1999) e, no mérito, deu provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada. Segue abaixo a sua ementa: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1999 IRRF COM NATUREZA DE ANTECIPAÇÃO DE IMPOSTO A SER APURADO POSTERIORMENTE PELO BENEFICIÁRIO DO RENDIMENTO. FALTA DE RETENÇÃO. MULTA ISOLADA. A falta de retenção de imposto de renda devido por antecipação, constatada após o prazo final fixado para a entrega da declaração, no caso de pessoa física, ou após o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, no caso de pessoa jurídica, enseja a aplicação da multa isolada exigida da fonte pagadora somente para os fatos gerados ocorridos a partir da edição da Medida Provisória nº 16, de 27/12/2001, convertida na Lei nº 10.426, de 2002. IRRF COM NATUREZA DE ANTECIPAÇÃO DE IMPOSTO A SER APURADO POSTERIORMENTE PELO BENEFICIÁRIO DO RENDIMENTO. FALTA DE RETENÇÃO. JUROS Fl. 435DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001376/200421 Acórdão n.º 9202003.248 CSRFT2 Fl. 9 3 ISOLADOS. Os juros isolados exigidos da fonte pagadora pela falta de retenção de imposto de renda devido por antecipação, constatada após o prazo final fixado para a entrega da declaração, no caso de pessoa física, ou após o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, no caso de pessoa jurídica, são devidos termos do art. 43 da Lei ne 9.430, de 1996. Arguição de decadência acolhida. Recurso parcialmente provido. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional entende que o r. acórdão diverge da jurisprudência mantida pelo CARF sobre o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários sujeitos a lançamento por homologação, quando não houver recolhimento do tributo, devendo, portanto, ser reformado. Argumenta que, na hipótese dos autos, em que o contribuinte não antecipa o pagamento dos tributos recolhidos mediante lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial deverá se dar com fulcro no art. 173, inciso I, do CTN, conforme majoritário entendimento jurisprudencial e doutrinário sobre o tema. Ressalva que o art. 150, §4º do CTN dispõe sobre prazo para o ato de homologação de um pagamento antecipado e que, não existindo tal pagamento, o lançamento se dá de ofício, com fulcro no art. 149, V, do CTN. Registra ainda, que esse posicionamento já está pacificado no âmbito do STJ, de acordo com recente decisão do Ministro Luiz Fux. Apresenta acórdão paradigma 910100.460, cuja ementa segue abaixo: DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733 SC, submetido ao regime do art. 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Ao final, requer o provimento do seu recurso. Nos termos do Despacho nº. 220000.380/2010, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte apresentou contrarrazões. Argumenta que não há nenhum dispositivo na legislação que vincule o modo de contagem do prazo decadencial ao fato de ter sido ou não realizado o pagamento antecipado do tributo. Alega que os tributos sujeitos a lançamento por homologação estão disciplinados no art. 150 do CTN e que, segundo esse dispositivo, o lançamento por Fl. 436DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 homologação ocorre nos casos em que a legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Diz que o IRF é o típico caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, pois a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de efetuar o seu recolhimento sem prévio exame da autoridade administrativa. Posteriormente, cabe à autoridade administrativa analisar as atividades desenvolvidas pelo contribuinte, os seus livros e declarações e confirmar se a apuração e o recolhimento do IRF foi efetuado de forma correta ou não. Acrescenta que o prazo para que a autoridade administrativa exerça esse dever está previsto no art. 150, § 4º do CTN, que é de cinco anos. Passado esse prazo, o crédito tributário será considerado definitivamente extinto, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Frisa que não há qualquer previsão no art. 150, § 4º do CTN que vincule a sua aplicação ao fato de ter ocorrido o pagamento antecipado do tributo. Finaliza com o argumento de que, além de não encontrar base legal, a tese defendida pela Fazenda Nacional gera incongruência, pois, sempre que o contribuinte não recolher e não declarar o tributo da forma supostamente devida, será caso de lançamento de ofício, pois esse é o lançamento efetuado pelas autoridades fiscais para constituir o crédito tributário nos casos em que apura irregularidade por parte do contribuinte. Assim, se esse tipo de lançamento (lançamento de ofício) bastasse para atrair a aplicação do art. 173, inciso I do CTN, o art. 150, º 4º do CTN não teria qualquer razão de ser, pois ele jamais seria aplicado pelas autoridades fiscais. Ao final, requer seja negado provimento do recurso da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Conheço do recurso especial, posto que restam demonstrados o dissídio jurisprudencial e os demais requisitos de admissibilidade. A discussão cingese a regra decadencial a ser aplicada em lançamento que envolve exclusivamente os juros isolados decorrentes de valores não retidos e não recolhidos pela fonte pagadora. Salientese que a multa isolada foi afastada pelo acórdão recorrido e não foi objeto de recurso especial. A obrigação principal tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente, nos temos do art. 113, § 1°, do CTN, tendo por fato gerador, de acordo com o art. 114 do mesmo diploma legal, a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001376/200421 Acórdão n.º 9202003.248 CSRFT2 Fl. 10 5 Já o fato gerador da obrigação tributária acessória, diz o art. 115 do CTN, é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Isto porque em se tratando de obrigação acessória, clara é a disposição do § 3° do art. 113 do CTN, de que a sua inobservância convertea em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária, como no dizer de Luiz A. Gurgel de Faria, in. Código Tributário Nacional Comentado, que havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados ao tributo. Assim sendo, já que pelo simples fato da sua inobservância, a obrigação acessória é convertida em principal (CTN, art. 113, § 3°), sujeitandose, portanto, ao lançamento de oficio, na forma do art. 149 do CTN. Ressaltese que o fato gerador do IRRF não se confunde com o fato gerador da multa e dos juros cobrados em razão da falta de retenção do IRRF, pois, no primeiro caso, o objeto é o pagamento de tributo, enquanto que, no segundo, o pagamento de penalidade pecuniária. Ou seja, não se trata de lançamento de tributo sujeito à homologação, mas sim de penalidades impostas para punir a falta de retenção do imposto de renda no momento do recebimento dos rendimentos (juros isolados), e, portanto, a contagem do prazo decadencial submetese à regra geral estabelecida no art. 173, inciso I, do CTN. Tratandose de lançamento de oficio, a regra a ser observada é a do art. 173, I, do CTN. Confirase, a propósito, os seguintes precedentes dos Tribunais e deste Conselho: "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE. I A multa pelo descumprimento de obrigação acessória sujeitas ao prazo decadencial de cinco anos, nos termos do art. 173, I, do CTN. 2. A inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91 foi reconhecida pela Corte Especial deste Tribunal na Argüição de Inconstitucionalidade n°2000.04.01.0922283. 3. Apelação a que se nega provimento." (TRF 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL N° 2006.72.10.001962 3/SC, Relator: Juiz Federal ALEXANDRE ROSSATO DA SILVA ÁVILA) "TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁ RIA APRESENTAÇÃO DA GFIP OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO DECADÊNCIA REGRA APLICÁVEL: ART. 173, I, DO CTN. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 I. A falta de apresentação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), assim como o fornecimento de dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias devidas configura descumprimento de obrigação tributária acessória, passível de sanção pecuniária, na forma da legislação de regência. 2. Na hipótese, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é regido pelo art. 173, I, do CIN, tendo em vista tratarse de lançamento de oficio, consoante a previsão do art. 149, incisos II, IV e VI. 3. Ausente afigura do lançamento por homologação, não há que se falar em incidência da regra do art. 150, § 4°, do CTN. 4. Recurso especial não provido." (STJ RECURSO ESPECIAL N° 1.055.540 — SC — Relator: MINISTRA ELANA CALMON) "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2004 MULTA ISOLADA E JUROS ISOLADOS. FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PELA FONTE PAGADORA POR FORÇA DE MEDIDA JUDICIAL. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. Os processos que versem sobre o lançamento de Multa Isolada e Juros Isolados exigidos em razão da não retenção do imposto de renda pela fonte pagadora por força de decisão judicial, posteriormente revogada, que impedia a responsável tributária de reter o imposto devido, são de competência da Segunda Seção do CARF, visto que o lançamento das penalidades pela falta de retenção não se confunde com o lançamento do imposto propriamente dito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário:2003, 2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO DECADENCIAL. O prazo para a Fazenda Pública constituir de oficio o crédito tributário decorrente da exigência de multa e juros isolados é o previsto no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Registrese que as hipóteses do artigo 151 do CTN não suspendem o prazo decadencial, para efetivação do lançamento, mas tão somente o prazo prescricional, para a cobrança judicial do crédito tributário. Em outras palavras, o Fisco não poderá inscrever em dívida ativa ou ajuizar execução fiscal de crédito que esteja com sua exigibilidade suspensa, mas poderá efetuar o lançamento, exercendo o seu direito potestativo, nos termos do artigo 142 do CTN. Preliminar de incompetência rejeitada. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001376/200421 Acórdão n.º 9202003.248 CSRFT2 Fl. 11 7 Recurso de ofício negado. Argüição de decadência acolhida. (grifei) (Acórdão 220202.204, de 12 de março de 2013, da 2ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, relator designado: conselheiro Antônio Lopo Martinez) "AUTO DE INFRAÇÃO. PENALIDADE DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. O prazo decadencial aplicável à exigência de multa decorrente de omissão de informações em GFIP é aquele previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (...) (Acórdão 920202.193, de 27 de junho de 2013, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, relator: conselheiro Elias Sampaio Freire) Assim, há de se concluir que o prazo para a Fazenda Pública constituir de oficio o crédito tributário decorrente da exigência de juros isolados decorrentes de valores não retidos e não recolhidos pela fonte pagadora é o previsto no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente caso, todos valores não retidos e não recolhidos objeto do presente lançamento deramse os entre 30.01.1999 e 31.12.1999. Ou seja, para os fatos geradores mais remotos, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial dáse no dia 01/01/2000 e o termo final no dia 31/12/2004. Considerando que o sujeito passivo foi cientificado do auto de infração, em 29/09/2004, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência. Despiciendo é o retorno dos presentes autos para o colegiado a quo, posto que as alegações do contribuinte contidas em seu recurso voluntário já foram enfrentadas pela decisão recorrida. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a decadência declarada. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 440DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 Fl. 441DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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