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Numero do processo: 19515.721198/2015-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
DECADÊNCIA.
Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, e não ocorrido o pagamento do tributo para caracterizar o lançamento por homologação, o direito do fisco de constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
OMISSÃO DE RECEITAS.
Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
O percentual da multa de ofício será duplicado se estiverem comprovadas as circunstâncias previstas em lei como caracterizadoras de infração qualificada.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA.
Não se demonstrando que as pessoas físicas tiveram participação ativa na situação que constitua o fato gerador, não cabe a caracterização de serem solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS.
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso.
Numero da decisão: 1402-003.403
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, i) rejeitar as nulidades suscitadas; ii) no mérito, negar provimento ao recurso voluntário da recorrente, mantendo os lançamentos e a qualificação da multa de ofício em 150%, votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado); iii) dar provimento ao recurso voluntário de Manuela Christina Ribeiro da Costa Villaça e Thereza Christina Gonçalves Ribeiro da Costa a fim de excluí-las da imputação de responsabilidade solidária; iv) manter a responsabilidade tributária da Sistal - Alimentação de Coletividade Ltda e das pessoas físicas de Gustavo Guerra Villaça e Marco Aurélio Ribeiro Costa, que não apresentaram recurso voluntário. Participaram do julgamento os Conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados).
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 DECADÊNCIA. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, e não ocorrido o pagamento do tributo para caracterizar o lançamento por homologação, o direito do fisco de constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITAS. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. O percentual da multa de ofício será duplicado se estiverem comprovadas as circunstâncias previstas em lei como caracterizadoras de infração qualificada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. Não se demonstrando que as pessoas físicas tiveram participação ativa na situação que constitua o fato gerador, não cabe a caracterização de serem solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 11 98 /2 01 5- 81 Fl. 812DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, i) rejeitar as nulidades suscitadas; ii) no mérito, negar provimento ao recurso voluntário da recorrente, mantendo os lançamentos e a qualificação da multa de ofício em 150%, votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado); iii) dar provimento ao recurso voluntário de Manuela Christina Ribeiro da Costa Villaça e Thereza Christina Gonçalves Ribeiro da Costa a fim de excluílas da imputação de responsabilidade solidária; iv) manter a responsabilidade tributária da Sistal Alimentação de Coletividade Ltda e das pessoas físicas de Gustavo Guerra Villaça e Marco Aurélio Ribeiro Costa, que não apresentaram recurso voluntário. Participaram do julgamento os Conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados). (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone. Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 3a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG, que julgou IMPROCEDENTE, integralmente, a impugnação da agora recorrente. Da autuação fiscal: O presente processo versa sobre autos de infração de IRPJ, e respectivos reflexos, quais sejam CSLL, Cofins e Pis, referente a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2010. Fl. 813DF CARF MF Processo nº 19515.721198/201581 Acórdão n.º 1402003.403 S1C4T2 Fl. 813 3 Envolve o montante autuado de R$ 14.185.786,44, assim discriminado: Tributo Principal Multa 150% Juros Total IRPJ 2.692.996,86 4.039.495,30 1.428.556,19 8.161.048,35 CSLL 1.113.567,90 1.670.351,87 590.379,08 3.374.298,85 PIS 716.579,17 1.074.868,77 386.994,38 2.178.442,32 Cofins 155.258,83 232.888,28 83.848,81 471.995,92 Total 4.678.402,76 7.017.605,72 2.489.778,46 14.185.786,94 Em R$ 1,00 (juros corrigidos até dezembro/2015 ) Conforme descrição transcrita abaixo, as quais reproduzo da decisão a quo, para fundamentar a autuação que consta no termo de verificação e constatação fiscal: Em 07/12/2015, foram lavrados os quatro autos de infração objeto deste processo, nos quais se formaliza, em relação à contribuinte E B Alimentação Escolar Ltda. e aos responsáveis Sistal Alimentação de Coletividade Ltda, Gustavo Guerra Villaça, Marco Aurélio Ribeiro da Costa, Manuela Christina Ribeiro da Costa Villaça e Thereza Christina Gonçalves Ribeiro da Costa, a exigência de crédito tributário no valor total de R$ 14.185.785,44, assim discriminado: (...) Auto de infração de IRPJ – fls. 291/313 Segundo consta do auto de infração de IRPJ, foram apuradas as cinco infrações a seguir descritas: 1ª INFRAÇÃO: OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL NA REVENDA DE MERCADORIAS Foram identificados créditos bancários oriundos de clientes, para os quais o contribuinte não emitiu as notas fiscais referentes a revendas de mercadorias, caracterizando omissão de receitas da atividade, conforme termo de verificação fiscal. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/01/2010 17.491,70 150 28/02/2010 567.277,24 150 31/03/2010 300.814,70 150 30/04/2010 310.814,70 150 Fl. 814DF CARF MF 4 31/05/2010 637.450,62 150 30/06/2010 377.727,40 150 31/07/2010 1.663.157,84 150 31/08/2010 431.476,31 150 30/09/2010 205.301,10 150 Enquadramento Legal: Art. 3º da Lei nº 9.249/95 Arts. 518, 519 e 528 do RIR/99 2ª INFRAÇÃO: OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL Foram identificados créditos bancários oriundos de clientes, para os quais o contribuinte não emitiu as notas fiscais referentes a prestação de serviços gerais, caracterizando omissão de receitas da atividade, conforme termo de verificação fiscal. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/01/2010 119.729,34 150 28/02/2010 299.053,91 150 31/03/2010 2.076.191,85 150 30/04/2010 916.335,11 150 31/05/2010 1.855.224,04 150 30/06/2010 1.750.101,15 150 31/07/2010 1.226.782,36 150 31/08/2010 628.150,50 150 30/09/2010 1.624.626,84 150 31/10/2010 1.351.402,52 150 30/11/2010 570.110,76 150 31/12/2010 941.953,09 150 Enquadramento Legal: Art. 3º da Lei nº 9.249/95 Arts. 518, 519 e 528 do RIR/99 3ª INFRAÇÃO: OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL Fl. 815DF CARF MF Processo nº 19515.721198/201581 Acórdão n.º 1402003.403 S1C4T2 Fl. 814 5 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme termo de verificação fiscal. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/01/2010 1.722.873,62 150 28/02/2010 716.250,62 150 31/03/2010 424.726,24 150 30/04/2010 1.531.488,19 150 31/05/2010 1.430.712,54 150 30/06/2010 835.516,30 150 31/07/2010 1.740.513,85 150 31/08/2010 556.689,65 150 31/10/2010 178.000,00 150 30/11/2010 880.727,21 150 31/12/2010 508.812,36 150 Enquadramento Legal: Art. 3º da Lei nº 9.249/95 Art. 42 da Lei nº 9.430/96 c/c arts. 518 e 528 do RIR/99 4ª INFRAÇÃO: RECEITA DA ATIVIDADE ESCRITURADA E NÃO DECLARADA RECEITA BRUTA NA REVENDA DE MERCADORIAS Receita bruta na revenda de mercadorias escriturada e não declarada, conforme termo de verificação fiscal. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/01/2010 52.904,80 150 28/02/2010 294.011,82 150 31/03/2010 1.193.953,94 150 30/04/2010 1.095.572,50 150 31/05/2010 1.461.212,47 150 30/06/2010 868.330,18 150 Fl. 816DF CARF MF 6 31/07/2010 1.019.314,30 150 31/08/2010 932.198,73 150 30/09/2010 974.545,53 150 31/10/2010 1.135.003,16 150 30/11/2010 985.385,74 150 31/12/2010 652.842,35 150 Enquadramento Legal: Art. 3º da Lei nº 9.249/95 Arts. 518 e 519 do RIR/99 5ª INFRAÇÃO: RECEITA DA ATIVIDADE ESCRITURADA E NÃO DECLARADA RECEITA BRUTA MENSAL NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL Receita da prestação de serviços em geral escriturada e não declarada, apurada conforme termo de verificação fiscal. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/01/2010 735.671,31 150 28/02/2010 736.875,00 150 31/03/2010 735.913,64 150 30/04/2010 731.525,43 150 31/05/2010 734.607,95 150 30/06/2010 735.661,93 150 31/07/2010 735.769,89 150 31/08/2010 736.190,62 150 30/09/2010 799.014,09 150 31/10/2010 802.266,25 150 30/11/2010 801.977,74 150 31/12/2010 802.811,33 150 Enquadramento Legal: Art. 3º da Lei nº 9.249/95 Arts. 518 e 519, § 1º, inciso III, alínea ‘a’, e §§ 4º e 5º, do RIR/99 Auto de infração (reflexo) de CSLL – fls. 314/333 Fl. 817DF CARF MF Processo nº 19515.721198/201581 Acórdão n.º 1402003.403 S1C4T2 Fl. 815 7 O lançamento de CSLL decorre dos mesmos fatos que caracterizaram as cinco infrações descritas no auto de infração de IRPJ. Autos de infração (reflexos) de Cofins e de contribuição para o PIS – fls. 334/357 Os lançamentos de Cofins e de contribuição para o PIS decorrem dos mesmos fatos que caracterizaram a segunda e terceira infrações descritas no auto de infração de IRPJ. Termo de verificação fiscal No termo a fls. 359/475, a autoridade lançadora detalha a motivação do lançamento. Seu teor pode ser assim resumido: · O procedimento fiscal teve origem no inquérito policial n° 0038655 07.2009.403.000, em que foram denunciados o exprefeito do Município de Taubaté, sua esposa e mais 11 pessoas, dentre elas Marco Aurélio Ribeiro da Costa (real beneficiário da EB) e Cristiane Vetturi (funcionária da EB), pelos crimes de quadrilha, crimes contra licitações e crimes de responsabilidade de prefeito. · O quadro societário da E B Alimentação Escolar Ltda. é composto por: o Gustavo Guerra Villaça (sócioadministrador, incluído em 07/07/2010); o Tendência Participações e Investimentos Ltda. (incluída em 07/07/2010); o Ativa Alimentação Escolar Ltda. (incluída em 07/07/2010); o Marco Aurélio Ribeiro da Costa (sócioadministrador, incluído em 28/01/2015). · Anteriormente, compuseram o quadro societário da EB: o Manuela Christina Ribeiro da Costa Villaça (incluída em 06/08/2003 e excluída em 28/06/2007); o Cristiane Vetturi (sóciaadministradora, incluída em 17/11/2006 e excluída em 02/10/2009); o Tatiana Ribeiro da Costa Façanha (sóciaadministradora, incluída em 28/06/2007 e excluída em 07/07/2010); o Thomas Guerra Villaça (incluído em 02/10/2009 e excluído em 07/07/2010). · O quadro societário da Tendência Participações e Investimentos Ltda., por sua vez, tem a seguinte composição: o Gustavo Guerra Villaça (sócioadministrador, incluído em 30/09/2005); o Empresa Brasileira de Uniformes Profissionais Ltda. (incluída em 13/12/2013). · Os sócios anteriores da Tendência eram: Fl. 818DF CARF MF 8 o Manuela Christina Ribeiro da Costa Villaça (sóciaadministradora, incluída em 30/09/2005 e excluída em 11/03/2009); o Marco Aurélio Ribeiro da Costa (sócioadministrador, incluído em 30/09/2005 e excluído em 15/02/2008); o Pomona Juno Ribeiro da Costa (incluída em 11/03/2009 e excluída em 27/05/2011); o Thomas Guerra Villaça (incluído em 27/05/2011 e excluído em 18/02/2013). · A Tendência possui o mesmo endereço da EB. · Já o quadro societário da Ativa Alimentação Escolar Ltda. tem a seguinte composição: o Gustavo Guerra Villaça (sócioadministrador, incluído em 11/05/2006); o Tendência Participações e Investimentos Ltda. (incluída em 11/05/2006). · A Ativa tem como sócio excluído: o Marco Aurélio Ribeiro da Costa (sócioadministrador, incluído em 11/05/2006 e excluído em 11/07/2008). · A Ativa possui o mesmo endereço que a EB possuía antes de alteração ocorrida em 2014. · O quadro societário da Empresa Brasileira de Uniformes Profissionais Ltda. – ME tem a seguinte composição: o Thereza Christina Gonçalves Ribeiro da Costa (incluída em 20/05/2004); o Manuela Christina Ribeiro da Costa Villaça (sóciaadministradora, incluída em 20/05/2004); o Marco Aurélio Ribeiro da Costa (sócioadministrador, incluído em 04/07/2005). · Além da repetição e alternância dos sócios entre as empresas, vale observar que: Thomas Guerra Villaça é irmão de Gustavo Guerra Villaça; Pomona Juno Ribeiro da Costa é mãe de Tatiana Ribeiro da Costa Façanha; e Thereza Christina Gonçalves Ribeiro da Costa é esposa de Marco Aurélio Ribeiro da Costa e mãe de Manuela Christina Ribeiro da Costa Villaça, que é casada com Gustavo Guerra Villaça. · Marco Aurélio Ribeiro da Costa é o principal responsável pela EB, seja diretamente, seja por meio de outras empresas das quais é sócio, seja por meio de familiares. Seu braço direito na condução dos negócios é seu genro, Gustavo Guerra Villaça. · Os sócios da EB, Gustavo e Marco Aurélio, também são sócios de outra empresa, Sistal – Alimentação de Coletividade Ltda., para a qual foi detectada transferência injustificada de vultosa quantia de dinheiro. · Os endereços das empresas também se misturam ao longo dos anos. Fl. 819DF CARF MF Processo nº 19515.721198/201581 Acórdão n.º 1402003.403 S1C4T2 Fl. 816 9 · Essas empresas compõem um grupo econômico de fato, do qual a EB faz parte. · No curso do procedimento fiscal, a contribuinte (EB) foi intimada a fornecer, dentre outros documentos, os extratos bancários, referentes ao ano calendário de 2010, de suas contas correntes, poupança e aplicações financeiras. · Também foram solicitados quadros demonstrativos indicando a natureza/origem dos créditos bancários, bem como seus correspondentes registros contábeis. Adicionalmente, foram solicitadas as informações contábeis da empresa em meio digital. · Inicialmente, a empresa não forneceu informações acerca dos serviços prestados em 2010, razão pela qual a fiscalização procurou compor suas receitas por meio de diligências a tomadores de serviços e consultas a sistemas informatizados da RFB, dentre outros. · Relativamente aos extratos bancários, eles foram fornecidos em meio papel e parcialmente digitalizados. · Todavia, após realização de batimento entre as transferências bancárias efetuadas entre as diversas contas bancárias da empresa, constatouse que algumas transações não apresentaram a respectiva contrapartida. Tal fato demonstrou que alguns extratos não foram apresentados. · Intimada, a EB admitiu a insuficiência documental, e apontou as contas bancárias para as quais não apresentara os respectivos extratos. · Porém, intimada e reintimada, permaneceu sem apresentar os extratos faltantes. · Consequentemente, foi lavrado Termo de Embaraço à fiscalização e, posteriormente, estes extratos foram solicitados diretamente às instituições financeiras. · Relativamente ao IRRF, foram encontrados diversos débitos bancários; intimada, a empresa não logrou comprovar nem sua natureza, nem seus beneficiários. Foi lavrado auto de infração em que tais valores foram lançados como pagamentos sem causa ou pagamentos a beneficiários não identificados (processo nº 19515.721199/201526). · Em que pese a EB ter declarado não ter percebido qualquer receita no ano de 2010, não foi o que se verificou na prática. · Primeiramente, o termo de verificação fiscal detalha a apuração de “Receitas Omitidas” e de “Receitas não Declaradas”. · “Receitas Omitidas” são os valores decorrentes de prestação de serviços ou vendas de mercadorias (existência de notas fiscais), ausentes de sua DIPJ e dos registros contábeis do contribuinte. · Já as “Receitas não Declaradas” são os valores decorrentes de prestação de serviços ou vendas de mercadorias (existência de notas fiscais), ausentes de sua DIPJ, mas constantes nos registros contábeis do contribuinte. · Houve efetivo recebimento destes valores, constatado por meio dos extratos bancários (créditos bancários). Fl. 820DF CARF MF 10 · Ambos os tipos de receitas não foram oferecidos à tributação. Para se chegar à base de cálculo do imposto (lucro presumido), em relação às receitas referentes à prestação de serviços, foi aplicada a alíquota de 32%; já para as receitas de venda de mercadorias, foi aplicada a alíquota de 8%. · Foram ainda apuradas “Receitas Omitidas por presunção”: valores referentes aos créditos bancários da EB, cuja origem não foi comprovada mediante apresentação de documentação hábil e idônea. Para se chegar à base de cálculo do imposto, foi aplicada a alíquota de 32%. · A multa de ofício foi duplicada para 150% devido à constatação da conduta de sonegação por parte da contribuinte. · Foram incluídas no polo passivo da autuação as seguintes pessoas físicas e jurídicas: o Marco Aurélio Ribeiro da Costa; o Thereza Christina Gonçalves Ribeiro da Costa; o Manuela Christina Ribeiro da Costa Villaça; o Gustavo Guerra Villaça; o Sistal – Alimentação de Coletividade Ltda. · A responsabilidade solidária de Marco Aurélio Ribeiro da Costa e de Gustavo Guerra Villaça restou caracterizada, haja vista o efetivo exercício de gerência e administração sobre os negócios da empresa durante o período em que foram verificadas as omissões de receitas e a falta de recolhimento dos tributos federais. Isto somado à apropriação direta dos recursos da empresa, marcada pelo usufruto de seus recursos financeiros desprovido de maiores formalidades, o que também caracterizou confusão patrimonial entre a EB e seus administradores (arts. 124, I, e 135, III, do CTN). · Thereza Christina Gonçalves Ribeiro da Costa, esposa de Marco Aurélio, demonstrou interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, na medida em que usufruiu dos frutos da sonegação, tendo despesas pessoais pagas pela EB, como compra e uso de carro não popular blindado e viagens turísticas, sem lograr comprovar efetiva prestação de serviços à empresa (art. 124, I, do CTN). · Manuela Christina Ribeiro da Costa Villaça, esposa de Gustavo, demonstrou interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, ao usufruir dos frutos da sonegação, tendo despesas pessoais pagas pela EB, como pagamento do condomínio de lotes, pagamento de viagem feita com a família, pagamento de ITBI e escritura de imóvel e pagamento de serviços prestados para associação da qual é presidente (art. 124, I, do CTN). · Restou caracterizada a responsabilidade solidária, por interesse comum, entre a EB e a Sistal, empresas pertencentes ao mesmo conglomerado empresarial, um grupo econômico de fato, como ficou evidente pela confusão patrimonial estabelecida entre elas, tanto em relação aos recursos financeiros quanto em relação aos recursos humanos (art. 124, I, do CTN). · Na lavratura do auto de infração, foi respeitado o regime de apuração do IRPJ declarado pela empresa na DIPJ do anocalendário 2010, qual seja, lucro presumido. Fl. 821DF CARF MF Processo nº 19515.721198/201581 Acórdão n.º 1402003.403 S1C4T2 Fl. 817 11 · Foi também lavrado auto de infração de IRRF (processo nº 19515.721199/201526). · Formalizouse representação fiscal para fins penais (processo nº 19515.721224/201571). Ciência do lançamento Em 09/12/2015, conforme avisos de recebimento (AR) a fls. 494 e 499/503, a contribuinte e os responsáveis foram cientificados, por via postal, dos autos de infração e documentos complementares. Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: Impugnação da contribuinte E B Alimentação Escolar Ltda. Em 07/01/2016, E B Alimentação Escolar Ltda. apresentou a impugnação a fls. 546/571, cujo teor pode ser assim resumido: Síntese · Apresentase um resumo dos fatos. Lucro presumido – Lançamento sob regime inaplicável · A autoridade considerou que, na DIPJ 2011, a impugnante elegera o regime de tributação do lucro presumido para efeitos de IRPJ e CSLL e, por conseguinte, o regime cumulativo de PIS e Cofins. Tais regimes foram respectivamente aplicados nos lançamentos. · Não é assim, contudo. A opção entre os regimes do lucro presumido ou o lucro real dáse quando do pagamento do IRPJ no primeiro período de apuração de cada anocalendário. · A DIPJ não tem o poder de constituir para o contribuinte um regime de tributação. · E se, por nada recolher, o contribuinte não houver manifestado sua escolha no momento oportuno? Nesse caso, vale a regra, ou seja, a tributação com base no lucro real. · Se o regime de IRPJ/CSLL aplicável à impugnante em 2010 era o do lucro real, o regime de PIS e Cofins era, a seu turno, o não cumulativo. · Ao liquidar os tributos, respectivamente, pelos impertinentes regimes do lucro presumido e cumulativo, a autoridade efetuou lançamentos nulos, que merecem por isso integral cancelamento. Regime de caixa e receitas já tributadas em 2009 · Até 2009, a impugnante era optante pelo regime de competência. Fl. 822DF CARF MF 12 · Tomese o exemplo dos pagamentos realizados pela Prefeitura de Araçariguama. A autoridade responsável pela autuação expressamente admite que as notas fiscais que embasaram as suas conclusões foram emitidas no ano de 2009. · No anocalendário de 2009, a empresa era tributada segundo o regime de competência, e, portanto, não poderiam esses pagamentos ser novamente objeto de tributação em 2010. · O padrão se repete com relação a outras fontes pagadoras, como Prefeitura de Ubatuba (NFs n° 173, 2614, 1112, 1658 e 861, Anexo 21) e Ceasa de Campinas (NFs n° 172 e 173, Anexo 31). · Esses valores, para que seja evitada a bitributação, devem ser excluídos da base tributável considerada pela fiscalização. Transferências entre contas correntes da impugnante · O art. 42, § 3°, I, da Lei n° 9.430/96 determina que os valores decorrentes de meras transferências entre contas bancárias do mesmo contribuinte não se consideram receita omitida. · Atenta ao comando legal, a auditoria realmente desprezou boa parte das transferências entre contas da impugnante. Alguns lançamentos dessa natureza, contudo, foram inexplicavelmente mantidos (vide tabelas a fls. 552). · Tais valores devem ser excluídos da base tributável dos quatro tributos lançados. Transferências entre contas correntes da impugnante e da Sistal · A auditoria imputou à Sistal a condição de responsável, ao fundamento de que haveria verdadeira confusão patrimonial entre ela e a impugnante. · Assim, devem ser admitidas as transferências entre elas como transferências entre contas da mesma pessoa jurídica. · Por isso, os valores indicados nas tabelas a fls. 553/558 deverão ser excluídos da base tributável, com fundamento no art. 42, § 3°, I, da Lei n° 9.430/96. · Alternativamente, caso as movimentações entre a impugnante e Sistal não sejam consideradas tráfego financeiro entre a mesma pessoa jurídica, há de se aceitar que tais movimentações não são mais do que uma conta corrente entre empresas do mesmo grupo. · Assim, jamais poderiam ter sido consideradas como receitas ou como pagamentos. · Alguns lançamentos são particularmente sintomáticos desse tipo de relação jurídica, pela proximidade e identidade de valores com que créditos e débitos são realizados. Vide alguns exemplos nas tabelas a fls. 558/559. Subsidiariamente – Impossibilidade de tributação simultânea de créditos e débitos nas transferências entre a impugnante e Sistal · A fiscalização não se contentou em acrescer as transferências da Sistal à base de cálculo dos tributos incidentes sobre a receita da impugnante; considerou também, no outro auto de infração, como pagamentos sem causa as remessas para aquela empresa. · No primeiro desenho, sugerido no termo de verificação fiscal relativo às receitas, a Sistal funcionaria como uma espécie de veículo para os pagamentos Fl. 823DF CARF MF Processo nº 19515.721198/201581 Acórdão n.º 1402003.403 S1C4T2 Fl. 818 13 recebidos pela impugnante. No segundo, ao contrário, a Sistal seria o veículo distribuidor desses valores aos sócios e “beneficiários” da impugnante. · Essa suposição, além de contraintuitiva, já que o normal seria mesmo que as duas empresas, pertencendo ao mesmo grupo, mantivessem uma conta corrente, não faz o menor sentido lógico. · Admitase, por um segundo, o tacanho modelo desenhado pela fiscalização para o grupo: de que adiantaria, afinal, que os valores transitassem pela conta da impugnante com o só escopo de depois voltarem à Sistal para serem distribuídos aos sócios? · Portanto, caso realmente prevaleça o ímpeto arrecadatório consubstanciado na tributação de movimentações entre empresas cujo patrimônio se considerou confuso o suficiente para a corresponsabilidade e que claramente configuravam uma conta corrente entre elas, das duas uma: ou se tributam as entradas ou se tributam as saídas. Ausência dos extratos do Banco BMG · Entre as várias instituições financeiras cujos extratos respaldam os lançamentos, consta o Banco BMG, junto ao qual a impugnante teria movimentado valores entre abril e dezembro de 2010. · Ou por descuido, ou por qualquer outra razão, os extratos da conta mantida nesse banco não constam dos autos no anexo a eles dedicado (Anexo 48, partes 1 a 12). · Há descumprimento ao disposto no artigo 25 do Decreto n° 7.574/2011. · Essa carência documental não pode ser suprida pela juntada extemporânea dos elementos faltantes, já que a defesa da impugnante já se terá consumado. · A única saída é o reconhecimento da nulidade parcial do auto de infração. · Os valores encontrados nos extratos do BMG, portanto, devem ser subtraídos da base de cálculo dos tributos aqui lançados. Receitas omitidas por presunção – Rateio entre vendas e serviços · A auditoria catalogou as entradas em três grupos: “receitas não declaradas”, “receitas omitidas” e “receitas omitidas por presunção”. · Os dois primeiros grupos foram tributados segundo a efetiva origem de cada entrada. Evidenciada a origem em vendas, aplicouse o coeficiente de 8%; evidenciada a origem em prestação de serviços, aplicouse o coeficiente de 32%. · O grupo das receitas omitidas por presunção foi inteiramente tributado como se de serviço se tratasse, pelo coeficiente de 32%. O fundamento foi o art. 528, parágrafo único, do RIR/99. · Essa norma drástica prescreve o coeficiente mais elevado claramente como um recurso último, quando de fato não for possível determinar de nenhuma forma, direta ou indireta, a origem da entrada. Fl. 824DF CARF MF 14 · Os grupos de “receitas não declaradas” e “receitas omitidas” representam 79,63% das entradas tributadas. · É perfeitamente esperado que o pouco mais de 1/5 das entradas afeitas ao grupo das “receitas omitidas por presunção” mantenha a mesma proporção de origem dos quase 4/5 afeitos aos grupos de “receitas não declaradas” e “receitas omitidas”. · Somados os grupos de “receitas não declaradas” e “receitas omitidas”, encontrase a seguinte proporção de origens: em serviços, 59,66%, e, em vendas, 40,34%. · É essa mesma proporção entre serviços e vendas que deve ser aplicada ao grupo de “receitas omitidas por presunção”. Lançamento por omissão de receitas e multa qualificada – Incompatibilidade · O lançamento por presunção de omissão de receitas é incompatível com a qualificação da multa de ofício. · Tratase de jurisprudência sumulada já à época do então Conselho de Contribuintes e, depois, também do atual Carf, já sob o regime sumular vinculante. · Se nem mesmo o próprio fato gerador está comprovado (pois que apenas presumido) nessa hipótese, tampouco o estarão os eventuais atos tendentes à sua ocultação. · A qualificação da multa requer a comprovação de atos muito além da mera ocultação de rendimentos presumidos. Falase, essencialmente, de atos de falsidade ideológica e documental, e interposição de pessoas, os quais a própria auditoria em nenhum momento cogitou “in casu”. · A própria omissão dos rendimentos, ainda que por período prolongado e de valores vultosos, não autoriza a qualificação da multa. · Assim, há de ser desqualificada, de 150% para 75%, a multa de ofício lançada. Decadência do IRPJ relativo aos três primeiros trimestres de 2010 · Conforme visto no capítulo acima, não se fala em dolo ou fraude na hipótese dos autos. · A própria auditoria reconheceu que houve retenções na fonte de IRPJ nos pagamentos feitos à impugnante ao longo de 2010. · Se não houve dolo ou fraude, se houve pagamento parcial do tributo, e sujeitandose o IRPJ ao chamado lançamento por homologação, a disciplina decadencial aplicável será a do art. 150, § 4° do CTN, conforme já decidiu, sob a sistemática do artigo 543C do CPC, o STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC. · O Carf não tem se furtado a aplicar a regra do artigo 62A do seu Regimento Interno, que permite a conformação das suas decisões à jurisprudência pacífica dos órgãos de cúpula do Poder Judiciário. A diretriz resplandece, inclusive, por casos idênticos ao presente. · Em 9 de dezembro de 2015, quando a impugnante foi intimada do auto de infração, já se havia consumado a decadência do direito de lançar o IRPJ relativo aos três primeiros trimestres de 2010. Juros sobre multa de ofício – Inaplicabilidade Fl. 825DF CARF MF Processo nº 19515.721198/201581 Acórdão n.º 1402003.403 S1C4T2 Fl. 819 15 · Tanto para o art. 161 do CTN como para o art. 61 da Lei n° 9.430/96, os juros moratórios incidem somente sobre o valor da obrigação tributária principal. · Não há fundamento legal para cômputo de juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada. Pedido · Requerse, inicialmente, o recebimento da impugnação com seus regulares efeitos sobre a exigibilidade do crédito tributário. · Ao fim, requerse: o o cancelamento integral da autuação; e subsidiariamente, o o cancelamento parcial da autuação, para que: § sejam excluídas da base tributável todas as receitas decorrentes de notas fiscais emitidas pela impugnante em 2009; § sejam excluídas da base tributável todos os valores indicados nas planilhas a fls. 552 e nas planilhas a fls. 553/558 (coluna “Crédito”); § sejam excluídas da base tributável as saídas imputadas aos extratos do Banco BMG; § seja aplicada, na apuração do IRPJ e da CSLL do grupo de “receitas omitidas por presunção”, a proporção de 40,34% para receitas com vendas e 59,66% para receitas com prestação de serviços; § seja reconhecida a decadência do IRPJ relativo aos três primeiros trimestres de 2010; § seja afastada a qualificação da multa de ofício; § seja afastada a fluência de juros moratórios sobre a multa de ofício, a partir da data de lavratura das autuações. Impugnação da responsável Thereza Christina Gonçalves Ribeiro da Costa Em 07/01/2016, Thereza Christina Gonçalves Ribeiro da Costa apresentou a impugnação a fls. 586/592, cujo teor pode ser assim resumido: Síntese · Apresentase um resumo dos fatos. · Foram trazidos, para o polo passivo obrigacional tributário de cada uma das autuações, cinco supostos corresponsáveis pelo crédito constituído, entre os quais esta impugnante, na qualidade de “sócia de fato” da empresa autuada. Impossibilidade de responsabilização da impugnante · Segundo apurou a fiscalização, a impugnante, esposa do coautuado Marco Aurélio, seria uma espécie de beneficiária da EB, autuada principal. · O tópico VI.1, b, do termo de verificação fiscal (fls. 433/437), dedicado à fundamentação da responsabilidade solidária imputada à impugnante, embora reúna um vasto compêndio de situações em que teria sido beneficiada por Fl. 826DF CARF MF 16 pagamentos de despesas pessoais com recursos oriundos da EB, descarta cabalmente a sua participação na gerência da empresa. · Segundo o raciocínio desenvolvido pela fiscalização, por ter se favorecido com o pagamento pela EB, administrada por quem quer que fosse, de gastos pessoais, a impugnante deveria responder solidariamente pelo débito fiscal, e isso com fundamento no artigo 124, I, do CTN. · A tese não sobrevive a um escrutínio técnico. Impossibilidade de fundamentação no artigo 124, I, do CTN · A identificação do interesse comum a que se refere o artigo 124, I, do CTN não passa por uma pesquisa econômica ou psicológica do sujeito. É simplesmente a verificação da proteção jurídica conferida diretamente àquele sujeito a respeito da situação ensejadora da tributação. · No caso dos autos, é muito evidente que não há nenhum tipo de interesse jurídico da impugnante na realização dos fatos deflagradores da tributação. O que se há de indagar é: o interesse analisado gozava de proteção jurídica? Seria plausível que a impugnante invocasse esse interesse perante o Judiciário em nome próprio? É evidente que não. · O sócio de uma pessoa jurídica seja ele sócio oculto ou ostensivo, não importa tem apenas interesse econômico comum com a própria pessoa jurídica de cujo quadro social participa. Afinal, nos tipos societários de fins econômicos, como as limitadas, o sócio integra o quadro social da empresa com o propósito de perceber dividendos que a empresa lhe poderá proporcionar. Não se trata, contudo, de interesse jurídico. · Se a participação de um indivíduo no quadro social de uma pessoa jurídica ou a fruição de recursos advindos dessa mesma empresa tipificassem o interesse jurídico comum a que alude o art. 124 do CTN, estariam aí abertas as portas para a responsabilização dos sócios por todo e qualquer passivo da empresa, ambição que o próprio fisco jamais teve em relação àquele artigo. · Por essas razões, não pode prevalecer a responsabilização da impugnante fundada no artigo 124, I, do CTN. Impossibilidade de responsabilização da impugnante sob outro fundamento. · Além de não ter cabimento caracterizar a situação da impugnante como aquela prevista no artigo 124, I do CTN, o fato é que o que há nos autos não serve para emprestarlhe responsabilidade sob nenhuma hipótese. · O fundamento fático para a responsabilização foi o fato de a impugnante ter sido considerada beneficiária de recursos da empresa e por ser esposa do coautuado Marco Aurélio. · Acontece que essas figuras (beneficiário e cônjuge) não existem como sustentáculo de responsabilidade tributária. · Se até mesmo o sócio só responde se tiver poderes de gerência, nos termos do artigo 135 do Código Tributário Nacional, como se pode afirmar que o sujeito que simplesmente tem despesas pagas pela empresa responde solidariamente pelos seus débitos tributários? · Não consta dos autos nenhuma prova de que a impugnante tenha concorrido por meio dos seus poderes para os fatos geradores dos tributos lançados. Fl. 827DF CARF MF Processo nº 19515.721198/201581 Acórdão n.º 1402003.403 S1C4T2 Fl. 820 17 · Ao contrário, a autoridade autuadora esteve sempre pronta para afirmar que a impugnante estava alheia da administração da empresa. · No entanto, a demonstração de um liame de causalidade entre conduta e fato gerador seria indispensável para se caracterizar a sua responsabilidade. · O fisco, portanto, equivocouse na responsabilização da impugnante. Pedido · Requerse, inicialmente, o recebimento da impugnação, com seus regulares efeitos sobre a exigibilidade do crédito tributário. · Ao final, requerse seja julgada procedente, para que seja parcialmente cancelada a autuação, com a exclusão da impugnante do rol de responsáveis dos autos de infração impugnados. Impugnação da responsável Manuela Christina Ribeiro da Costa Villaça Em 07/01/2016, Manuela Christina Ribeiro da Costa Villaça apresentou a impugnação a fls. 600/606, cujo teor pode ser assim resumido: Síntese · Apresentase um resumo dos fatos. · Foram trazidos, para o polo passivo obrigacional tributário de cada uma das autuações, cinco supostos corresponsáveis pelo crédito constituído, entre os quais esta impugnante, na qualidade de “sócia de fato” da empresa autuada. Impossibilidade de responsabilização da impugnante · Segundo apurou a fiscalização, a impugnante, filha do coautuado Marco Aurélio, seria uma espécie de beneficiária da EB, autuada principal. · O tópico VI.1, c, do termo de verificação fiscal (fls. 437/443), dedicado à fundamentação da responsabilidade solidária imputada à impugnante, embora reúna um vasto compêndio de situações em que teria sido beneficiada por pagamentos de despesas pessoais com recursos oriundos da EB, descarta cabalmente a sua participação na gerência da empresa. · Segundo o raciocínio desenvolvido pela fiscalização, por ter se favorecido com o pagamento pela EB, administrada por quem quer que fosse, de gastos pessoais, a impugnante deveria responder solidariamente pelo débito fiscal, e isso com fundamento no artigo 124, I, do CTN. · A tese não sobrevive a um escrutínio técnico. Impossibilidade de fundamentação no artigo 124, I, do CTN · A identificação do interesse comum a que se refere o artigo 124, I, do CTN não passa por uma pesquisa econômica ou psicológica do sujeito. É simplesmente a verificação da proteção jurídica conferida diretamente àquele sujeito a respeito da situação ensejadora da tributação. · No caso dos autos, é muito evidente que não há nenhum tipo de interesse jurídico da impugnante na realização dos fatos deflagradores da tributação. O que se há de indagar é: o interesse analisado gozava de proteção jurídica? Seria Fl. 828DF CARF MF 18 plausível que a impugnante invocasse esse interesse perante o Judiciário em nome próprio? É evidente que não. · O sócio de uma pessoa jurídica seja ele sócio oculto ou ostensivo, não importa tem apenas interesse econômico comum com a própria pessoa jurídica de cujo quadro social participa. Afinal, nos tipos societários de fins econômicos, como as limitadas, o sócio integra o quadro social da empresa com o propósito de perceber dividendos que a empresa lhe poderá proporcionar. Não se trata, contudo, de interesse jurídico. · Se a participação de um indivíduo no quadro social de uma pessoa jurídica ou a fruição de recursos advindos dessa mesma empresa tipificassem o interesse jurídico comum a que alude o art. 124 do CTN, estariam aí abertas as portas para a responsabilização dos sócios por todo e qualquer passivo da empresa, ambição que o próprio fisco jamais teve em relação àquele artigo. · Por essas razões, não pode prevalecer a responsabilização da impugnante fundada no artigo 124, I, do CTN. Impossibilidade de responsabilização da impugnante sob outro fundamento. · Além de não ter cabimento caracterizar a situação da impugnante como aquela prevista no artigo 124, I do CTN, o fato é que o que há nos autos não serve para emprestarlhe responsabilidade sob nenhuma hipótese. · O fundamento fático para a responsabilização foi o fato de a impugnante ter sido considerada “sócia de fato de recursos da empresa” e por ser filha de Marco Aurélio e esposa de Gustavo. · Acontece que essa figura não existe como sustentáculo de responsabilidade tributária. · Se até mesmo o sócio inscrito no quadro social só responde se tiver poderes de gerência, nos termos do artigo 135 do Código Tributário Nacional, como se pode afirmar que um sujeito que simplesmente tem despesas pagas pela empresa responde solidariamente pelos seus débitos tributários? · Não consta dos autos nenhuma prova de que a impugnante tenha concorrido por meio dos seus poderes para os fatos geradores dos tributos lançados. · Ao contrário, a autoridade autuadora esteve sempre pronta para afirmar que a impugnante estava alheia da administração da empresa. · No entanto, a demonstração de um liame de causalidade entre conduta e fato gerador seria indispensável para se caracterizar a sua responsabilidade. · O fisco, portanto, equivocouse na responsabilização da impugnante. Pedido · Requerse, inicialmente, o recebimento da impugnação, com seus regulares efeitos sobre a exigibilidade do crédito tributário. · Ao final, requerse seja julgada procedente, para que seja parcialmente cancelada a autuação, com a exclusão da impugnante do rol de responsáveis dos autos de infração impugnados. Da decisão da DRJ: Fl. 829DF CARF MF Processo nº 19515.721198/201581 Acórdão n.º 1402003.403 S1C4T2 Fl. 821 19 Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, decidiu NEGAR PROVIMENTO INTEGRAL à mesma, por unanimidade. A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 DECADÊNCIA. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, o direito do fisco de constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITAS. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. O percentual da multa de ofício será duplicado se estiverem comprovadas as circunstâncias previstas em lei como caracterizadoras de infração qualificada. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: não houve contestação expressa dos vínculos de responsabilidade solidária de Sistal Alimentação de Coletividade Ltda., de Gustavo Guerra Villaça e de Marco Aurélio Ribeiro da Costa, razão pela qual, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, considerase não impugnada tal matéria; Fl. 830DF CARF MF 20 quanto à alegação de nulidade, por não ter juntado os extratos do Banco BMG, não procede, pois os mesmos foram apresentados pela própria recorrente durante o procedimento fiscal. Além do mais, ao final do procedimento fiscal, foram devolvidos à recorrente, o que não lhe gerou nenhum prejuízo para a defesa; quanto à alegação de ter ocorrido decadência nos termos do art. 150, §4º do CTN, não prospera, pois houve a qualificação da multa, o que ensejou a contagem do prazo decadencial para o art. 173, I do CTN, ou seja, contagem a partir do primeiro do exercício seguinte considerando os fatos tributários no AC 2010, a contagem começa a contar em 01/01/2011 a ciência ocorreu em dezembro/2015; quanto à alegação que não efetuou o pagamento optando pelo lucro presumido no AC 2010, e que a DIPJ entregue (optando pelo lucro presumido) não criaria este vínculo, não caberia a autuação fiscal na forma de tributação do lucro presumido, é descabido. Afinal, na falta de pagamento, vale a informação prestada na DIPJ, algo já prevista na legislação infralegal; quanto à alegação que ocorreu a tributação em 2010 de valores de notas fiscais emitidas em 2009, o que acarretou a bitributação de valores. Contudo, não foi comprovado pela recorrente que teria oferecido à tributação em 2009, e durante o procedimento fiscal já fora ofertado à recorrente se manifestar dos valores que passariam a ser considerados como omissão de receitas; quanto à alegação que foram considerados como receitas omitidas valores creditados em conta bancária decorrentes de transferências de outras contas da própria recorrente foi considerada descabida. Uma análise dos valores impugnados, conforme consignado no v. acórdão recorrido, demonstra que há discrepâncias entre o alegado e o autuado, além de não haver condições de caracterizar o que tenta demonstrar a recorrente. Além do mais, houve exclusões de todos os valores identificáveis como não receitas na autuação fiscal, e dos demais, a recorrente não logrou comprovar nada distinto, nem que as transferências partiram de outras contas bancárias de sua titularidade, como alega; quanto à alegação que houve transferências entre contas correntes da recorrente e da Sistal, pois no seu entender a fiscalização, ambas as pessoas jurídicas seriam a mesma, é descabida. Não houve nenhuma desconsideração de personalidade jurídica, e a confusão patrimonial foi no sentido do enquadramento da responsabilidade solidária (art. 124, I do CTN). No caso, no entender do v. acórdão recorrido, são pessoas jurídicas distintas, e deveria haver a comprovação da origem dos recursos creditados em suas contas correntes, sob a imputação de serem tidos como omissão de receitas; quanto à alegação de que se aplicou, na determinação do lucro presumido, coeficiente incorreto sobre a receita omitida por presunção legal, é descabida. A norma legal (art. 528 do RIR/99) estabelece que caso a pessoa jurídica tenha atividades diversificadas, e não sendo possível sua identificação, a receita omitida será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado, o que foi feito nos autos; a multa qualificada está devidamente apontada no termo de verificação fiscal, pois a recorrente declarou não ter percebido qualquer receita no AC 2010, e se verificou que a mesma emitiu diversas notas fiscais no transcorrer deste ano, além de outros motivos descritos; a postulação de que juros de mora não incidem sobre a multa de ofício não prospera; Fl. 831DF CARF MF Processo nº 19515.721198/201581 Acórdão n.º 1402003.403 S1C4T2 Fl. 822 21 quanto à contestação dos vínculos de responsabilidade das Sras. Thereza e Manuela, que são respectivamente, esposa e filha do Sr. Marco Aurélio Ribeiro da Costa, não prospera, pois ambas usufruíram dos frutos da sonegação constatada na EB, conforme descrito no TVF, incorrendo no interesse comum do art. 124, I do CTN. Do Recurso Voluntário: A recorrente e as solidárias Sras. Manuela Christina Ribeiro da Costa Villaça e Thereza Christina Gonçalves Ribeiro da Costa apresentaram recurso voluntário, repisando praticamente as mesmas alegações da peça impugnatória, que, em apertada síntese, destacase o seguinte, primeiramente da própria recorrente principal autuada: pede que seja o presente processo julgado conjuntamente com o processo administrativo fiscal nº 19515.721199/201526, que trata do IRRF, por entender que este é um reflexo daquele; questiona o regime de tributação (lucro presumido) para apuração dos tributos, pois no seu entender, a DIPJ não serve por si só para manifestar opção válida por uma sistemática de tributação. Alega que no AC 2009 adotava o regime de competência, e em 2010 foi autuada pelo regime de caixa, havendo, contudo, recebido valores em 2010 que eram referente a operações em 2009, o que envolveria um bis in idem; pugna, reiterando, que houve valores transferidos entre contascorrentes da recorrente que não foram desprezados na hora da autuação fiscal, e que a decisão da DRJ está equivoca ao manter estes valores, pois não pode ser obrigado a checar um a um os lançamentos descritos pela fiscalização a fim de, identificandoos pelo respectivo valor, apurar, um a um, quais estão de acordo com o que consta dos extratos anexos e quais não estão; reitera seu posicionamento que as transferências de valores entre as contas correntes da recorrente e da Sistal (arrolada como responsável solidária) devem ser também excluídos da autuação fiscal, pois se houve o entendimento que formava um grupo econômico, seriam apenas repasses de valores internos; contesta a tributação com base na presunção de receita das entradas (presumíveis receitas omitidas) e nas saídas dos extratos bancários (débitos que foram caracterizados como pagamentos sem causa aos seus sócios ou reais beneficiários constantes no outro processo autuado); há ausência dos extratos do Banco BMG nos autos, o que macularia o auto de infração, gerando um cerceamento de defesa da recorrente, devendo os valores serem excluídos da autuação fiscal; as receitas omitidas por presunção devem ser rateadas com base na identificada, na hora de lhe atribuir a atividade para aplicação do coeficiente do presumido, e não como fez a autoridade fiscal, ao atribuir o coeficiente mais elevado; multa qualificada não deve ser aplicada a lançamento por omissão de receitas baseada em presunção; Fl. 832DF CARF MF 22 como não há que se falar em dolo ou fraude nos autos, a decadência será regrada pelo art. 150, §4º, e entende que as retenções sofridas quando recebeu os valores caracterizamse pagamento parcial; que seria inaplicável os juros sobre multa de ofício; neste sentido, seu pedido foi, ipsis litteris: 104. Diante de todo o exposto, requerse seja provido integralmente o presente recurso, de modo que seja cancelada integralmente a autuação; ou, subsidiariamente, de modo parcial, para que: (a) sejam excluídas da base tributável todas as receitas decorrentes de notas fiscais emitidas pela impugnante em 2009; (b) excluamse os valores indicados nas planilhas dos §§32 e 47 acima da base tributável das autuações, ou quanto ao último, que ao menos sejam excluídos os valores destacados na tabela do § 49. (c) sejam excluídas da base tributável as entradas identificadas supostamente nos extratos do banco BMG; (d) seja aplicada, na apuração do IRPJ e da CSLL do grupo de "receitas omitidas por presunção", a proporção de 40,34% para receitas com vendas e 59,66% para receitas com prestação de serviços; (e) seja reconhecida a decadência do IRPJ relativo aos três primeiros trimestres de 2010. (f) seja afastada a qualificação da multa de ofício; (g) seja afastada a fluência de juros moratórios sobre a multa de ofício, a partir da data de lavratura das autuações. Quanto ao recurso voluntário dos responsáveis solidários, Sras. Manuela Christina Ribeiro da Costa Villaça e Thereza Christina Gonçalves Ribeiro da Costa arroladas com fundamento no art. 124, I do CTN, pautaram por idêntica fundamentação para ambas, os quais se destacam os seguintes pontos: na descrição da fundamentação para imputação da responsabilidade, apesar de ter sido beneficiada por pagamentos de despesas pessoais com recursos oriundos da EB, não chega a afirmar a sua participação na gerência da empresa; o interesse comum do art. 124, I do CTN é um interesse jurídico, não constatado no caso sob análise. É o relatório. Fl. 833DF CARF MF Processo nº 19515.721198/201581 Acórdão n.º 1402003.403 S1C4T2 Fl. 823 23 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Apresentaram recurso voluntário a recorrente principal E.B. Alimentação Escolar Ltda. e as responsáveis solidárias Manuela Christina Ribeiro da Costa Villaça e Thereza Christina Gonçalves Ribeiro da Costa. Não apresentaram recurso voluntário, o que já não fizeram na sua impugnação, os responsáveis solidários arrolados pessoa jurídica Sistal Alimentação de Coletividade Ltda e as pessoas físicas de Gustavo Guerra Villaça e Marco Aurélio Ribeiro Costa. Síntese dos fatos: A autuação fiscal objeto do presente processo é referente a imputação de receitas omitidas da recorrente no anocalendário de 2010, decorrentes, em parte, da análise dos seus créditos bancários, em foram identificados como receitas diretas da sua atividade, tanto da revenda de mercadorias quanto da prestação de serviços em geral, e também omissão de receitas por presunção legal nos termos do art. 42 da lei nº 9.430/1996. Houve também autuação fiscal decorrente de valores escriturados e não declarados, tanto na revenda de mercadorias quanto na prestação de serviços, já que não declarou nenhuma receita e nem efetuou pagamentos no período fiscalizado para o IRPJ, CSLL, Cofins e PIS/Pasep. Houve análise e conciliação dos extratos bancários e das notas fiscais emitidas pela recorrente, conforme consultas nos sistemas da SRFB e SEFAZ/SP. Foi mantida a forma de tributação contida na sua DIPJ2011 que foi do lucro presumido. Foi aplicada a multa qualificada para todas as infrações (150%). Além da recorrente, foram arrolados como sujeitos passivos a pessoa jurídica Sistal Alimentação de Coletividade Ltda (art. 124, I do CTN). e as pessoas físicas do Srs. Gustavo Guerra Villaça, Marco Aurélio Ribeiro Costa (art. 124, I e 135,III do CTN), e Sras. Manuela Christina Ribeiro da Costa Villaça e Thereza Christina Gonçalves Ribeiro da Costa (art. 124, I do CTN). O valor total da autuação fiscal (principal+juros+multa) é de R$ 14.185.785,44, corrigidos até dezembro/2015. A base tributável decorre do montante de R$ 45.736.106,95 de créditos em contascorrentes, cotejada com a emissão de NFe's no montante de R$ 15.087.151,08, e beneficiária de pagamentos em DIRF's no montante de R$ 37.070.067,46, em que foram analisados, circularizados, conciliados e recompostos na sua contabilidade, conforme detalhado em extenso termo de verificação fiscal, e pode se visualizar no processo pela quantidade de intimações lavradas ao longo do procedimento fiscal, em que a recorrente foi instada a se manifestar, silenciando na maioria das vezes. Na sua peça impugnatória ataca a forma de tributação adotada pela atuação fiscal, pois entende que deveria ter sido pelo lucro real. Contesta valores autuados (2010 pelo lucro presumido regime de caixa), ou por terem sido de notas fiscais emitidas em 2009 (ano que adotou o regime de competência), ou por serem transferências entre contas bancárias da Fl. 834DF CARF MF 24 própria ou da Sistal (seria um contacorrente entre empresas do mesmo grupo). Não haveria nos autos extratos do banco BMG, o que lhe impediria de se defender a respeito destes valores. A parte autuada com base em presunção de omissão de receitas deveria ser rateada proporcionalmente aos valores de receitas omitidas identificadas como revenda de mercadorias e prestações de serviços para aplicação do coeficiente do lucro presumido, e não pelo maior percentual, como fez a autuação fiscal. Haveria incompatibilidade entre o lançamento por omissão de receitas e multa qualificada. Os valores constituídos de 2010 estariam decaídos, pois a ciência do auto de infração se deu em dezembro de 2015, e já que a multa qualificada não seria válida, se aplicaria a contagem do prazo pelo art. 150,§4º do CTN. E ao final, aduz que seria inaplicável os juros sobre multa de ofício. Apresentaram impugnação apenas as pessoas físicas das Sras. Manuela Christina Ribeiro da Costa Villaça e Thereza Christina Gonçalves Ribeiro da Costa, por impossibilidade de fundamentação com base no art. 124, I do CTN, e que apesar de ter sido beneficiada por pagamentos de despesas pessoais com recursos oriundos da recorrente, não chega a afirmar a sua participação na gerência da empresa. A decisão a quo rechaçou todos os pontos impugnados, mantendo integralmente a autuação fiscal. No geral, não viu nulidade na ausência dos extratos do banco BMG, pois foram entregues pela própria recorrente sob intimação e devolvidos ao final do procedimento. A decadência alegada não prospera pois já que há a caracterização de dolo, fraude e simulação, a contagem do prazo se dá pelo art. 173, I do CTN. Quanto a forma de tributação, entendeu que está correto a autuação fiscal em seguir o informado em DIPJ e constituir os valores sob o lucro presumido. As receitas de 2009 que foram recebidas em 2010 estão corretamente tributadas, pois a recorrente instada a se manifestar sobre os valores, silenciou e não logrou comprovar que oferecera estas receitas no ano de competência. As alegadas transferências entre contas da própria recorrente foram analisadas valor por valor, e descaracterizadas as alegações da recorrente que seriam indevidos a sua autuação. A Sistal, sendo pessoa jurídica distinta da recorrente, não elide por si só a tributação dos valores repassados desta para a recorrente, e os valores autuados não são idênticos aos que alega recebidos da mesma, e durante o procedimento fiscal foi instada a esclarecer estes valores, silenciando. Sobre o coeficiente para apuração do lucro presumido sobre a base tributável presumida de depósitos bancários, está correto, pois segue o art. 528 do RIR/99. A multa qualificada está correta pois há um conjunto de elementos que demonstram a intenção dolosa da recorrente. E não prospera a postulação de que juros de mora não incidam sobre a multa de ofício. Manteve a responsabilidade solidária das Sras. Manuela e Thereza. Na sua peça recursal, praticamente repisa as mesmas alegações da sua peça impugnatória, procurando contestar alguns pontos do v. acórdão recorrido, sem nada agregar além do que já comentado na sua peça impugnatória. As Sras. Manuela e Thereza também apresentam recurso voluntário, praticamente nos mesmos termos da sua peça impugnatória. Dos pontos suscitados na peça recursal: pedido julgamento em conjunto com o processo 19515.721199/201526 Pede a recorrente que o presente processo seja julgado conjuntamente com o processo administrativo nº 19515.721159/201526, que trata de IRRF sobre o mesmo ano calendário, e no seu entender estaria vinculado ao presente. Para tanto, evoca que ambos foram lavrados com fundamento nos mesmos elementos de prova, pois no seu entender a diferença é que, enquanto o outro trata do IRRF incidente sobre as saídas encontradas nos extratos a que a fiscalização teve acesso, o este toma desses mesmos extratos as receitas como omitidas. Fl. 835DF CARF MF Processo nº 19515.721198/201581 Acórdão n.º 1402003.403 S1C4T2 Fl. 824 25 Pleiteia a aplicação do art. 2º, IV, do anexo do II do Regimento Interno do CARF, que assim dispõe: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a:(...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) No caso, quanto à vinculação de um processo ao outro, a conceituação de um processo reflexo está no art. 6º do mesmo dispositivo legal supramencionado: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. No caso concreto, de plano, não vislumbro a ocorrência das situações de conexão e de decorrência. Quanto ao reflexo, alegado pela recorrente, também não vislumbro os mesmos elementos de prova. Explicase. Como se viu anteriormente no relatado, a presente autuação fiscal não versa somente sobre valores creditados nos extratos bancários, como tenta dar a entender a recorrente. Há outras imputações aplicadas, decorrente do cotejo de notas fiscais e outros elementos, decorrentes da constatação de omissão de receitas, tanto por falta de declaração quanto por omissão direta. Além do mais, o processo de IRRF (19515.721199/201526) versa sobre débitos de valores ocorridos em extratos bancários, em que parte foi constituído sobre beneficiários não identificados, e outra parte sobre pagamentos sem causa ou de operação não Fl. 836DF CARF MF 26 comprovada. Tais pagamentos que deram causa à exigência configuram aquisição de disponibilidade por parte de pessoas diversas da fonte pagadora, tratandose de renda nova e auferida por pessoas distintas. A análise material e documental, que envolve o conceito alegado do Ricarf de mesmos elementos de prova, tanto, e principalmente, na fase do procedimento fiscal pré lançamento, quanto na litigiosa administrativa, não é a mesma para fundamentar a autuação fiscal ocorrida em ambos processos administrativos o presente e o de IRRF. Pelo contrário, são comprovações exigidas distintas, sob imputações legais igualmente distintas. Ademais, o caput do art. 6º do anexo II do Ricarf supramencionado fala em poderão ser distribuídos. No caso, quando da distribuição, algo alheio a este relator ou a turma, houve a compreensão da desnecessidade de tal julgamento em conjunto. Por conseguinte, REJEITO o pedido suscitado pela recorrente. quanto às alegações da ausência nos autos dos extratos bancários do Banco BMG requer nulidade destes valores Alega a recorrente que os extratos do banco BMG não constam nos autos, no que tange ao anexo 48 do TVF, e que houve lançamentos que os tomaram como parâmetro. No seu entender, tal situação torna inviável a sindicância dos valores inscritos nas planilhas apresentadas no termo de verificação fiscal. A DRJ analisou os autos, e verificou que estes extratos bancários foram apresentados pela própria recorrente durante o procedimento fiscal, e devolvidos quando do encerramento dos trabalhos fiscais. Além do mais, os dados dos extratos foram reproduzidos em intimação fiscal, o qual a recorrente foi intimada a se manifestar, não tendo ocorrido então nenhuma contestação. Não se poderia falar em invalidade destes valores autuados. Verificando as posições acima, entendo que a figura do direito de defesa cerceada, com eventual prejuízo, tem que ser demonstrado, o que não houve no caso concreto a recorrente não logrou comprovar nenhum prejuízo na sua defesa com tal circunstância. Ademais, as circunstâncias encontráveis nos autos que os extratos foram entregues pela própria recorrente quando instada, analisados e esta foi intimada a comprovar a origem dos valores ali constantes, o que não o fez, e ao receber a ciência do auto de infração, lhe foram devolvidos. Ou seja, a prova, o documento, o extrato bancário que fundamentou tal lançamento partiu do próprio contribuinte, e ele o recebeu ao final do procedimento fiscal. Não foi algo obtido externamente. Não há aqui nenhum prejuízo na situação evocada, até porque os valores creditados em extrato bancário são da titularidade da própria recorrente, algo que deveria ter em sua guarda e zelar os devidos cuidados, o que parece que foi o que fez neste caso específico. Alegar a sua ausência nos autos do extrato, mas ali constar os valores de créditos baseados neles, com descrição dos fatos imputados, não coaduna com um prejuízo do seu direito de defesa. Nesta caso, REJEITO A NULIDADE suscitada. Fl. 837DF CARF MF Processo nº 19515.721198/201581 Acórdão n.º 1402003.403 S1C4T2 Fl. 825 27 das alegações quanto a forma de tributação adotada na autuação fiscal Alega a recorrente que deveria ter sido autuada sob a forma de tributação do lucro real (e não pelo lucro presumido, como procedeu a autoridade fiscal) já que não efetuou nenhum pagamento de IRPJ no primeiro período de apuração do anocalendário de 2010, o que caracterizaria sua opção. Entende que o fato de ter entregue a DIPJ2011 (AC 2010) como sendo optante da forma de tributação pelo lucro presumido não serve, por si só, para manifestar opção válida por uma sistemática de tributação. Destarte, no seu entender, por nada recolher, a recorrente não se manifestou da sua escolha, e a regra seria aplicar a tributação com base no lucro real. A decisão a quo rechaça tal pedido da recorrente, pois a IN/SRF nº 93/971 (vigente na época dos fato), art. 14, §§1º e 2º traz que seria dado ao contribuinte, em caso de falta de pagamento, escolher o regime de apuração até em resposta à intimação fiscal se ocorrida no mesmo anocalendário. A DIPJ também teria o mesmo efeito desta opção para qualquer procedimento para os anos subsequentes. A recorrente traz na sua peça recursal uma análise desta decisão da DRJ, entendoa inaplicável ao caso. Contudo, nesta análise, na estruturação da sua contestação ao decidido, omite e/ou passa ao largo de detalhes importantes do caso concreto e desta legislação. A IN/SRF nº 93/97, no seu artigo 14, diz da opção da forma de tributação em resposta a intimação fiscal que ocorrer no decorrer do anocalendário que está sendo o período fiscalizado (e na ausência de pagamento que configuraria esta opção). Se a fiscalização (o procedimento fiscal) ocorrer em ano distinto (por óbvio, posterior) do período fiscalizado, e não ocorrido nenhum pagamento então, qual seria o referencial mas lógico para se verificar a opção da forma de tributação que não a DIPJ? O papel da DIPJ é justamente deste, uma obrigação acessória que consolida as informações contábeis e fiscais do contribuinte, em um determinado ano (anocalendário) e é apresentada à Secretaria da Receita Federal ao longo do 1º semestre do ano seguinte. No caso concreto, a autuação fiscal se deu no ano de 2015, mais precisamente no mês de dezembro/2015 (tendo sido iniciado em fevereiro de 2013), e o período fiscalizado foi o anocalendário de 2010. Nada mais coerente se basear nas informações prestadas pelo próprio fiscalizado, no caso, a recorrente, no ano de 2011 na sua DIPJ entregue, referente ao anocalendário de 2010. 1 Art. 14. A falta ou insuficiência de pagamento do imposto ou da contribuição social sobre o lucro sujeita a pessoa jurídica aos acréscimos legais previstos na legislação tributária federal. § 1o No caso de lançamento de ofício, no decorrer do anocalendário, será observada a forma de apuração da base de cálculo do imposto adotada pela pessoa jurídica. § 2o A forma de apuração de que trata o parágrafo anterior será comunicada pela pessoa jurídica em atendimento à intimação específica do AuditorFiscal do Tesouro Nacional. § 3o Quando a pessoa jurídica mantiver escrituração contábil de acordo com a legislação comercial e fiscal, inclusive a escrituração do LALUR, demonstrando a base de cálculo do imposto relativa a cada trimestre, o lançamento será efetuado com base nas regras do lucro real trimestral. Fl. 838DF CARF MF 28 Ademais, para se tributar no lucro real, haveria a necessidade da autoridade fiscal autuante dispor dos livros obrigatórios, no caso diário e razão, e, principalmente, o Lalur, nos termos do §3º do supramencionado art. 14 da IN/SRF nº 93/97. Compulsando os autos, verificase que a recorrente foi intimada já no termo de início de procedimento fiscal (fls. 4 e 5) a apresentar os livros diário e razão, ou se optante do lucro presumido o livro caixa e bancos, o que não atendeu inicialmente. Tais livros foram reintimados posteriormente, por duas vezes, a qual respondeu em 29/07/2013 (fl. 42) conforme protocolo constante nos autos, sem nenhuma menção a sua forma de tributação. Ali consta que foi entregue, em meio magnético, o livro diário e o razão analítico 2010, dentre outros livros e documentos, sem nada mais mencionar. Posteriormente foi intimada a entregar a escrituração contábil e fiscal de acordo com a IN/SRF nº 86/2001 (fls. 68 a 69), o qual foi respondido em 25/08/2014 (fls. 71/95), igualmente apenas protocolando a entrega da mídia, sem nada adicional mencionar. Em nenhum momento das suas respostas a recorrente menciona que a sua DIPJ2011 não seria procedente. E muito menos apresenta o Lalur. Entregou o livro diário e razão, em meio magnético, e com base neles e nos demais elementos coletados e analisados no transcorrer do procedimento fiscal, efetuouse a autuação fiscal, mantendo a recorrente na sua opção da forma de tributação pelo lucro presumido, que era o que constava na sua DIPJ2011, já que não houve nenhum recolhimento de tributo de IRPJ em 2010. Não vislumbro aí nenhum erro ou equívoco da autoridade fiscal autuante. Pareceme uma alegação suscitada no litígio administrativo, sem ter mencionado nada a respeito nos quase 3 anos que esteve sob procedimento fiscal, para tentar desvirtuar totalmente a autuação fiscal. A postura adotada pela autoridade fiscal autuante foi a mais sensato, de acordo com a regência legal aplicável ao caso. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO quanto a este item do recurso voluntário. das alegações de que notas fiscais do AC 2009 recebidas em 2010 devem ser excluídas da base tributável Alega a recorrente que a autoridade fiscal autuante ao efetuar a autuação fiscal com base no lucro presumido, pelo regime de caixa, estaria incluindo como receitas do anocalendário de 2010 valores referentes a notas fiscais emitidas em 2009, o quais era optante pelo lucro presumido pelo regime de competência. A autoridade julgadora a quo decidiu que apesar de emitidas em 2009, não se pode inferir que as respectivas receitas foram devidamente oferecidas à tributação naquele período, algo que a, então, impugnante, não logrou, e nem tentou, comprovar. Inclusive, houve a intimação fiscal durante o procedimento fiscal demonstrando estes valores e que o não pronunciamento seria entendido como concordância tácita com as conclusões que a fiscalização chegou. Fl. 839DF CARF MF Processo nº 19515.721198/201581 Acórdão n.º 1402003.403 S1C4T2 Fl. 826 29 Compulsando os autos, antes de qualquer consideração a respeito do alegado, cabe destacar que no anocalendário de 2009 (DIPJ2010), a recorrente declarou receitas, não havendo nos autos informações de valores declarados em DCTF referente a este ano calendário. Contudo, verificase durante o procedimento fiscal acostado aos autos várias intimações em que a autoridade fiscal faz uma análise e conciliação de valores obtidos via circularizações com o contabilizado, relacionando todas as notas fiscais que deram amparo aos seus questionamentos, inclusive as mencionadas notas fiscais emitidas em 2009, mas cujo pagamento ocorreram em 2010, que agora a recorrente se insurge. Fica nítido que durante o procedimento fiscal, a recorrente já poderia ter se manifestado a respeito, mas não o fez, silenciando. Levantou a questão, baseada no detalhismo das próprias informações que a autoridade fiscal autuante teve durante toda a fiscalização, quando a intimou para se manifestar, para questionar estes valores incluídos na autuação fiscal referente a 2010 na fase litigiosa administrativa. Como bem ressalta a decisão recorrida, a recorrente não traz nenhuma comprovação de que tais notas fiscais emitidas foram oferecidas à tributação no anocalendário de 2009. A recorrente cita estas notas fiscais nas suas peças impugnatória e recursal, sendo em torno de umas 8 (oito), mas não traz nenhuma comprovação de foram ofertadas à tributação, mesmo com o alerta já suscitado na decisão a quo, o que se esperaria agora na sua peça recursal. Tem procedência sua alegação, mas também tem procedência a contra argumentação da autoridade julgadora a quo. Nestas circunstâncias, prevalece o que for provado, e no caso, já houve oportunidade da recorrente de se manifestar durante o procedimento fiscal, silenciando, acarretando a autuação fiscal. A partir deste momento, cabe à recorrente fazer prova para elidir tais valores das notas fiscais do total autuado. Já ofertadas 3 oportunidades para se manifestar sobre tais valores destas notas fiscais, silenciando na primeira, e apenas alegando nas demais, e em nenhum momento trazendo um documento contábil hábil, por exemplo, cópia da conta no razão, ou algo do gênero, que seria facilmente obtido para demonstrar que já fora tributado em 2009, não cabe acatar tal pleito da recorrente. Por isso, NEGO PROVIMENTO quanto a este item do recurso voluntário. dos valores transferidos entre contas bancárias da recorrente Alega a recorrente que foram considerados como receitas omitidas valores creditados em contacorrente decorrentes de transferências de outras contas da própria recorrente. Para tanto, lista 11 (onze) valores que entende estarem nesta condição, reconhecendo que a autoridade fiscal já houve desprezado boa parte das transferências entre as contascorrentes da recorrente. Fl. 840DF CARF MF 30 A autoridade julgadora a quo analisa tal ponto da alegação, idêntica na peça impugnatória, com bastante detalhismo. Na sua análise, 3 (três) valores da sua tabela não foram objeto de autuação fiscal, destacando tal situação na decisão recorrida, mas a recorrente os suscita novamente, em idêntica tabela, na sua peça recursal. Um quarto valor o histórico é distinto do relacionado pela recorrente, pois esta aduz que seria Transf entre agen ch pp favorec enquanto no extrato bancário consta Tedtransf elet dispon Remet pm Taubate gse, ou seja, leva a concluir que tal valor foi creditado pela Prefeitura Municipal de Taubaté. Um quinto e sexto valor, com o histórico Tranf entre agen cheque/ o proprio favorecido, contudo, tal histórico aparece para outros créditos identificados pela autoridade fiscal autuante como pagamento efetuado por uma prefeitura ou seja, o histórico não é conclusivo da origem do valor creditado. Os quatro valores remanescentes estão com históricos que também não ensejam a caracterização dos valores. No final, rejeito a alegação da recorrente para todos os valores. Tal posicionamento, com respectiva análise, está bem detalhado, inclusive com cópia dos extratos bancários e ordem de pagamento, dependendo de cada caso, no v. acórdão recorrido. Porém, na sua peça recursal a recorrente contesta as argumentações da DRJ para manter tais valores na base tributável. Parto para analisar os valores suscitados pela recorrente que estão, no seu entender, indevidamente na base tributável por conta da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Conforme planilha apresentada na sua peça recursal, são os seguintes: Item C/C Data Descrição (no RV) Valor 1 BradescoCC 2903.3 19/01/2010 TRANSF ENTRE AG CH pp favorec 880.000,00 2 BradescoCC 2903.3 13/05/2010 TRANSF ENTRE AG CH pp favorec 11.170,55 3 BradescoCC 2903.3 19/05/2010 TED TRANSF remetente EB Alim 380.211,50 4 BradescoCC 2903.3 07/06/2010 TED TRANSF remetente EB Alim 283.036,20 5 BradescoCC 2903.3 15/06/2010 TED TRANSF remetente EB Alima 99.999,99 6 BradescoCC 2903.3 15/06/2010 TED TRANSF remetente EB Alima 28.942,82 7 BradescoCC 2903.3 15/06/2010 TED TRANSF remetente EB Alima 99.999,99 8 BradescoCC 29041 31/05/2010 Transf entre agen ch pp favorec 98.645,91 9 BradescoCC 29041 13/05/2010 TRANSF ENTRE AG CH pp favorec 11.170,55 10 BradescoCC 29041 19/05/2010 TED TRANSF remetente EB Alim 380.211,50 11 BradescoCC 29041 07/06/2010 TED TRANSF remetente EB Alim 283.036,20 itens 1 e 2 A DRJ exemplificou que outro valor, com histórico idêntico, ficou identificado como uma omissão direta, sendo um pagamento da Prefeitura de Ubatuba anexa tela da ordem de pagamento na decisão a quo. Assim, pelo histórico não seria apto para caracterizar como mera transferência entre contas da própria recorrente. No seu RV a recorrente acusa o decidido de disparate, e só com muita má vontade não se perceberá que se trata de cheques do próprio favorecido para efetivar transferências entre agências, e no seu entender, o valor comparado com idêntico histórico (creditado em 13/05/2010 de R$ 50.463,12) deva ser também uma transferência entre contas da própria, coincidindo em valor com o valor recebido da Prefeitura indicada. Contudo, compulsando os autos, a recorrente foi intimada e reintimada durante o procedimento fiscal para justificar tais valores, e silenciou. A autoridade fiscal, conforme enorme gama de documentos anexos ao seu TVF, analisou valor por valor, atribuindo os que conseguiu conciliar, como omissão direta, e os demais como presunção, Fl. 841DF CARF MF Processo nº 19515.721198/201581 Acórdão n.º 1402003.403 S1C4T2 Fl. 827 31 descartando todos os valores que fica caracterizado a transferências de contas entre a própria recorrente, como assume a própria tanto na sua peça impugnatória quanto recursal. Naturalmente que o histórico deixa dúvidas, mas aqui estamos frente uma presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, em que o ônus probatório recaí sobre o fiscalizado, no caso, a recorrente. Há históricos que capitais para se saber a sua origem, mas há outros que deixam esta dúvida, como no caso, e muito bem exemplificado pela autoridade a quo. Sendo ofertada quatro oportunidades (2 no procedimento fiscal, mais a impugnação e recurso voluntário) e esta não traz nenhum documento para elidir a situação, documento facilmente obtível, como a cópia do cheque depositado que certamente terá seus registros na instituição financeira, e aqui estamos falando de um prazo de anos para obtimento disto! Mesmo assim, verificando todos os extratos usados durante o procedimento fiscal (anexo 48 do TVF), em nenhum momento verifiquei, por exemplo, uma saída de cheque de R$ 880.000,00 de outra contacorrente da recorrente, o que seria esperado de acordo com sua alegação. A própria recorrente ao alegar pelo histórico, poderia ter feito esta conciliação, mostrando o débito de saído de uma contacorrente de sua titularidade, e o respectivo crédito em outra contacorrente. Não o fez, baseando toda a sua alegação no histórico. Assim, com base na presunção legal, e não lograr comprovar a origem do valor autuado, entendo que tal valor está corretamente agregado à base tributável imputada. itens 3, 4, 5, 6 e 7 a DRJ entendeu que os extratos não identificam a conta de origem dos recursos, apesar de constar o nome da recorrente no histórico, e a então impugnante não traz nenhuma comprovação. Em relação a estes valores, a recorrente não contrapôs nada específico. Analisando estes valores, além de perfilar a opinião da DRJ, verifico que no conjunto de extratos (anexo 48 do TVF) nenhum valor equivalente a débito dos valores ali constantes. Ou seja, no mesmo raciocínio exposto anteriormente, se houve um crédito decorrente de outra contacorrente de mesma titularidade, presumese, por óbvio haver um débito equivalente nesta outra contacorrente. No caso concreto, com base nos extratos apostos nos autos, não identifiquei nenhum débito equivalente para estes créditos. Por conseguinte, não trazendo nenhuma comprovação hábil e idônea, não resta outra alternativa manter tais valores na base tributável. item 8 o histórico que consta no extrato é ted tranf Elet Dispon Remet pm Taubate qse (anexo 48 do TVF). Aqui a DRJ já identificara o provável engano da recorrente, pois o histórico alegado não é compatível com o encontrado nos extratos. Aqui a recorrente alega que houve erro da fiscalização ao justificar o lançamento para este valor, alegando nulidade de toda a autuação fiscal por conta de que não pode ser obrigado a checar um a um os lançamentos descritos pela fiscalização a fim de, identificandoos pelo respectivo valor, apurar, um a um, quais estão de acordo com o que consta dos extratos anexos e quais não estão. Mas justamente é isso que deveria fazer a recorrente!!! Fl. 842DF CARF MF 32 Deveria demonstrar valor por valor eventual erro de imputação, isso quando já fora intimada pela primeira vez, para elidir a presunção de receita de tais valores. No caso concreto, o valor já fora lançado não como presunção, e sim omissão direta, comprovada. A recorrente foi instada a demonstrar eventual erro no histórico, e não o fez, reintimada, novamente silenciou. Na fase impugnatória traz alegações que não compatíveis com o encontrado nos autos, e na fase recursal tenta repassar o ônus de análise de cada valor creditado na sua contacorrente à fiscalização. Dentro do mesmo raciocínio anterior, não logrou demonstrar diferente do autuado, e cabe a manutenção deste valor na base tributável. itens 9, 10 e 11 A DRJ já se manifestara que tais valores estão ali relacionados, ao que tudo indica, por equívoco da impugnante. Não os localizou nos extratos indicados. Na sua peça recursal alega genericamente que tais valores estão em outra tabela levada em consideração pela fiscalização a fls. 58 ("receitas omitidas por presunção") para o cômputo da receita total tributada. Contudo, a recorrente a contacorrente Bradesco nº 29041, enquanto na tabela que menciona do TVF estão constando como créditos da contacorrente Bradesco nº 29033. E como se pode facilmente verificar, os itens 9,10 e 11 são exatamente os mesmos valores e datas dos itens 3,4 e 5. Na contacorrente Bradesco nº 29041 tais valores não existem. Ou seja, há um grande confusão da recorrente, pois os itens 9,10 e 11, nas contascorrentes indicadas não existem. E os itens 3,4 e 5 já foram analisados acima. Destarte, neste caso, há nítido equívoco de alegação da recorrente. Ademais, na sua alegação no recurso voluntário, a recorrente se insurge enfatizando que as transferências entre contas da própria empresa hão que ser desoneradas e ponto. Concordo em gênero, grau e número com esta premissa contida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Contudo, há a necessidade de haver condições para tanto, e ser algo demonstrável e cabal. A recorrente ainda sugere que o fato de a fiscalização não ter obtido os extratos das contas de que essas transferências provieram não elide a irregularidade do lançamento. Estaria criando uma dúvida se todos os extratos foram analisados e considerados durante a auditoria fiscal promovida, algo, que no meu entender, vai contra si própria. Há nos autos, e bem detalhado no TVF que a autoridade fiscal procedeu de acordo com os preceitos normativos pertinentes, intimando a recorrente a apresentar os extratos, o que fez parcialmente, e então fez uma solicitação dos extratos bancários às instituições bancárias, e estas entregaram os extratos, partindo daí para uma análise, digase de passagem, bem detalhada destes valores. Se há outros extratos bancários não considerados, não devem ser da titularidade da recorrente, o que geraria mais dúvidas se todas as omissões foram realmente consideradas. Ademais, no senso prático, se determinado extrato não foi considerado para apurar eventual omissão de receitas, e desta contacorrente não considerada, hipoteticamente falando, houve recursos transferidos para outra considerada, apenas sanearia, provavelmente, em parte a omissão de receitas real da recorrente. Mas aqui se fala em hipótese, pois acho improvável, pelo extenso e bem detalhado e amplo trabalho fiscal, que a autoridade fiscal não considerasse todas as contasbancárias. Fl. 843DF CARF MF Processo nº 19515.721198/201581 Acórdão n.º 1402003.403 S1C4T2 Fl. 828 33 Baseado em todo o espectro analisados nos autos, fica visível que há uma intenção de, apenas com alegações, gerar dúvidas, o que não se aplica no litígio administrativo, permeado pela verdade material, que é, e sempre será, uma via de duas mãos ou seja, tanto para o contribuinte quanto para a fiscalização. No caso concreto, a recorrente não prova nada apenas alega. Quem alega, sem prova, principalmente no tocante ao art. 42 da nº 9.430/1996, deve ser desconsiderado. O histórico de um valor creditado em contacorrente pode ser norteador da situação, e muitos históricos são cabais. Outros, geram dúvidas. No caso concreto, na presunção legal, com a inversão do ônus da prova, cabe ao contribuinte, no caso a recorrente, dirimir esta dúvida. Não foi o caso nestes autos. A autoridade fiscal procedeu corretamente nos autos, conforme se verifica pelo seu TVF e todos os seus anexos, e por toda a instrução probatória gerada durante o procedimento fiscal. Consigna explicitamente no TVF o seguinte: foi efetuado o batimento entre as diversas contas bancárias da empresa, a fim de se excluir as transações que representavam meras transferências entre contas (bem como estornos, cheques devolvidos, etc.). E demonstra isso em várias análises no transcorrer do TVF, demonstrando todos os valores analisados. Por isso, NEGO PROVIMENTO quanto a este item do recurso voluntário. dos valores transferidos entre a recorrente e a Sistal Alega a recorrente que já que a autoridade fiscal imputou à Sistal Alimentação de Coletividade Ltda. a condição de responsável solidária, sob o fundamento que haveria confusão patrimonial desta com a recorrente, por conseguinte, os valores de transferências entre as contascorrentes entre ambas deveria ser consideradas como do mesmo contribuinte, ou ao menos, um contacorrente entre empresas do mesmo grupo. Para tanto, apresenta um tabela de débitos e créditos entre as duas, em que consta 16 valores de crédito que entende terem que ser excluídos da base tributável do presente processo. Tal pleito, em exatos termos, fora feito na sua peça impugnatória, e então a decisão recorrida foi no sentido que não houve uma desconsideração da personalidade jurídica da Sistal, e que a fundamentação para a responsabilidade tributária, com base no art. 124, I do CTN não geraria um único contribuinte, pois há e foram considerados ambos como duas pessoas jurídicas distintas. No TVF há ponderações a respeito deste pleito, em que expõe o seguinte: em 25/05/2015, a recorrente foi intimada a esclarecer a relação que possuía com a Sistal, já que havia sido encontrado este grande volume de saída de numerários; na sua resposta, cingiuse a dizer que havia entre ambas um sócio em comum, Sr. Gustavo Guerra Villaça; Fl. 844DF CARF MF 34 em 16/06/2015, considerando a resposta anterior, demonstrar como era feito o controle destas entradas e saídas de recursos, e discriminar, uma a uma, a origem e a natureza do valor transferido; nada foi respondido; em 17/08/2015, reiterouse a solicitação de justificativa acima, acompanhada de respectiva documentação comprobatória para as transferências entre a recorrente e a Sistal; novamente nada respondeu; E assim consignase no TVF a respeito: Desta forma, como não foi provado o contrário, as transferências oriundas da SISTAL, sem justificativa pertinente e desacompanhadas de documentação comprobatória, apontam para a omissão de receitas por presunção, uma vez que, como será exposto no item “VI – Sujeição Passiva Solidária” a SISTAL foi a empresa do grupo usada para a prestação de serviços em 2009, podendo estar recebendo os correspondentes pagamentos em 2010, e transferindoos para a EB, à margem da tributação. Notase pelo exposto acima, que a recorrente foi instada, ainda em sede de procedimento fiscal, e reintimada, a comprovar a origem dos valores recebidos da Sistal, e não o fez. Em sede de impugnação e recursal traz a tona a questão, querendo que se exclua estes valores por conta de que já que houve a imputação de responsabilidade solidária da Sistal a autuação fiscal, os valores desta para a com a recorrente deveriam ser consideradas como um contacorrente intragrupo. Contudo, aqui perfilo das razões expostas no v. acórdão recorrido, no sentido que a presunção legal contida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 exige que a origem dos recursos seja comprovada mediante documentação hábil e idônea. A origem não se consubstancia apenas de onde veio este valor, e sim também da sua natureza. A recorrente não logra comprovar a origem (no caso a natureza jurídica destes valores), alegando que sendo da origem da Sistal, e esta ser uma coresponsável pela autuação fiscal, deve ser considerado com uma transferência entre contas do mesmo contribuinte. O fato é que a imputação da responsabilidade solidária não descaracteriza a personalidade jurídica, principalmente no que tange ao art. 124, I do CTN. Ali há um interesse comum compartilhado, com algumas discussões na doutrina e jurisprudência do seu alcance e amplitude. Mas em nenhuma momento isto extrapola para uma despersonalização, mesmo econômica apenas. Assim, tratandose de pessoas jurídicas distintas, cabe à recorrente o ônus de comprovar a origem destes recursos creditados na sua contacorrente, sob pena de serem tidos como omissão de receitas, nos preceitos legais já há muito trabalhado e consabido do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 845DF CARF MF Processo nº 19515.721198/201581 Acórdão n.º 1402003.403 S1C4T2 Fl. 829 35 Não logrando comprovar a origem dos valores creditados da Sistal, cabe sim sua caracterização como omissão de receitas. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO quanto a este item do recurso voluntário. quanto às alegações de bitributação por conta a autuação fiscal no processo administrativo 19515.721199/201526 valores da Sistal Alega a recorrente não caberia a autuação fiscal simultânea dos valores recebidos da Sistal com os valores transferidos para esta, que foram objeto de lançamento no processo administrativo nº 19515.721199/201526. O processo administrativo nº 19515.721199/201526 já foi objeto de análise no início do presente voto, por conta do pedido de julgamento em conjunto com o atual processo. Alega a recorrente que como ambos processos trabalham com base em presunções jurídicas, e ambas seriam contraditórias. Contudo, já analisado anteriormente por este relator, a presente autuação fiscal não versa somente sobre valores creditados nos extratos bancários, como tenta dar a entender a recorrente. Há outras imputações aplicadas, decorrente do cotejo de notas fiscais e outros elementos, decorrentes da constatação de omissão de receitas, tanto por falta de declaração quanto por omissão direta. Ou seja, não apenas presunções legais envolvidas. Além do mais, o processo de IRRF (19515.721199/201526) versa sobre débitos de valores ocorridos em extratos bancários, em que parte foi constituído sobre beneficiários não identificados, e outra parte sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada. Tais pagamentos que deram causa à exigência configuram aquisição de disponibilidade por parte de pessoas diversas da fonte pagadora, tratandose de renda nova e auferida por pessoas distintas. Contudo, a parte da exigência decorrente de receita presumida no presente processo, com base no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 é independente das questões envolvidas na autuação fiscal decorrente do pagamento sem causa, com base no art. 61 da Lei nº 8.981/1995. Cada qual presunção tem sua hipótese de incidência própria, com fundamento legal bem distinto, recaindo toda a questão a comprovação da origem e do destinação dos recursos. O fato de um crédito ser considerado uma receita omitida presumida, não invalida que determinado pagamento debitado da contacorrente seja considerado sem causa ou beneficiário não identificado. Inclusive, a presunção do pagamento sem causa com a respectiva autuação de IRRF é justamente para contrapor a situações que a outra parte esteja omitindo esta eventual receita recebida. E isto em nada tem relação com o valor recebido pela mesma. Se não quiser se sujeitar ao risco de ser tributada desta maneira, o processo é bem fácil: basta ter uma contabilidade que registre e documente todas suas operações. Do contrário, não elidindo a presunção, presumirseá que houve receita omitida nos créditos e os valores foram repassados para benefício de terceiro através de dos débitos. No caso, o IRRF é Fl. 846DF CARF MF 36 uma antecipação da provável situação de omissão na outra parte que recebe o respectivo crédito do débito autuado. De qualquer forma, a recorrente e a Sistal foram instadas a comprovar estes valores, e não o fizeram. Como já dito várias vezes nestes autos, não cabe agora mitigar a legislação aplicável para dúvida gerada aqui há, em ambas as situações, uma inversão de ônus da prova ao contribuinte, e esta não elidida de forma convincente, nada restará a autoridade fiscal constituir o crédito tributário. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto a este item. quanto às alegações de que o coeficiente adotado na autuação fiscal deveria considerar um rateio de valores de acordo com a atividade exercida Alega a recorrente que os valores autuados com base na presunção legal deveriam ter sido rateados proporcionalmente, para se verificar qual parte é inerente a revenda de mercadoria, e qual parte é decorrente da prestação de serviços. Entende que foi equivoca a interpretação do parágrafo único do art. 528 do RIR/1999, que diz que não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado. No caso, no seu entender, seria possível aplicar o rateio proporcional. Analisa a recorrente os valores envolvidos, trazendo a tona que 79,63% das receitas foram tributadas como omissão direta de receitas. Neste percentual, R$ 15.176.787,13 seria da revenda de mercadorias, e R$ 22.447.946,65 seria da prestação de serviços, o que daria uma proporção de 40,34% e 59,66%, respectivamente. Assim, quer que as receitas omitidas presumidas adotem este percentual para o coeficiente aplicável do presumido. A decisão a quo rechaçou tal alegação, pois a ausência de comprovação da origem dos recursos é inerente à natureza da infração, não havendo como precisar as atividades que se referem. Entendo que a legislação a matéria, no que tange ao artigo 5282 do RIR/1999 está devidamente ao caso, e não cabe usar modelos matemáticos e/ou estatísticos para fazer inferência ao caso, como sugere a recorrente. No caso, não há condições de se saber a natureza dos valores envolvidos na parte que concerne ao lançamento por presunção legal com base no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, e havendo dispositivo objetivo para a solução do caso, não resta outra postura que seguir o que foi feito. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO quanto a este item do recurso voluntário. 2 CAPÍTULO V OMISSÃO DE RECEITA Art. 528. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 519 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Parágrafo único. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, § 1º). Fl. 847DF CARF MF Processo nº 19515.721198/201581 Acórdão n.º 1402003.403 S1C4T2 Fl. 830 37 quanto às alegações da improcedência da multa qualificada Alega a recorrente que a multa qualificada aplicada está incompatível com a omissão de receitas pela qual foi autuada, evocando a súmula CARF nº 253. Evoca que foi autuada com base numa presunção legal, não haveria comprovação do fato gerador. No seu entender, diz, ipsis litteris: 77. Os elementos destacados no acórdão como a autorizar a aplicação da multa, como notas fiscais e contratos, estão anos luz daqueles que o Carf considera suficientes para ensejar a qualificação da multa. Nada ali permite supor a ocorrência de fraude. Contudo, o que se vislumbra nos autos é uma sequência de situações que culminam na qualificação da multa, como procedida pela autoridade fiscal: a recorrente entregou sua DIPJ com receitas zeradas referentes ao ano calendário fiscalizado (2010), e não efetuou o pagamento de nenhum tributo, e nem declarou nada em DCTF; houve a imputação da omissão de receitas a parte mais significativa quase 80% do total da base tributável com omissão de receitas diretas, ou seja, com elementos de provas que realmente percebeu receitas (através de circularizações, notas fiscais, DIRFs, etc) e não as ofereceu à tributação. Apenas 20% foi com base em infração imputada de presunção legal, isso num total de créditos auditados de R$ 45.736.106,95. Tal detalhamento no termo de verificação fiscal demonstra a intenção de sonegação da recorrente, e não como alega, mera omissão de rendimentos. Destarte, NEGO PROVIMENTO quanto a este item do recurso voluntário. quanto as alegações de decadência Alega a recorrente que, como não há que se falar em dolo ou fraude nos autos, a decadência será regrada pelo art. 150, §4º, e entende que as retenções sofridas quando recebeu os valores caracterizamse pagamento parcial, o que também deslocaria a contagem do prazo para o mesmo artigo. Contudo, não acompanho do mesmo raciocínio, pois entendo que totalmente caracterizado o dolo, em virtude da caracterização de sonegação encontrada nos autos. Independente disso, como não houve pagamento algum dos tributos autuados no presente processo, tal situação, por si só, leva a contagem do prazo decadencial para o art. 3 Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Fl. 848DF CARF MF 38 173, I4 do CTN, independente de dolo, fraude ou simulação, e não como entende a recorrente com base no art. 150, §4. Não houve nenhum pagamento da recorrente para caracterizar uma situação de lançamento por homologação nos termos do art. 150 do CTN, e ao contrário que tenta argumentar na sua peça recursal, o fato de ter sofrido retenções na fonte, não caracterizam pagamento, pois são operações realizadas por um terceiro, e recolhidos através de DARF com outro CNPJ (a fonte pagadora), ao qual só adentram ao conhecimento da Secretaria da Receita Federal no ano seguinte, quando da entrega da DIRF. Ou seja, a ideia do pagamento antecipado no art. 150,§4º é dar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, começando a contagem do prazo. Tal conhecimento só tem sentido se se souber quem seria o sujeito passivo deste fato gerador. No caso, a aplicação do art. 173,I, fala em primeiro dia do exercício seguinte. No caso concreto, temos autos de infração referentes ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, com fatos geradores de 01/01/2010 a 31/12/2010, em que não houve nenhum pagamento de tributo. Assim, a contagem do prazo decadencial começaria em 01/01/2011, findando em 31/12/2015. Como a ciência do auto de infração se deu em 09/12/2015, não há que se falar em decadência. Friso, totalmente independente da questão inerente se houve dolo ou não ao caso. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO a este item do recurso voluntário. quanto às alegações de não incide juros sobre a multa de ofício O presente tema da incidência de juros sobre a multa de ofício, que não deveria prosperar por falta de previsão legal não é novo no CARF. Para tanto, já editada uma súmula a respeito. Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Destarte, devem ser mantidos os juros sobre a multa de ofício imposta e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste aspecto. das sujeições solidárias das Sras. Manuela Christina Ribeiro da Costa Villaça e Thereza Christina Gonçalves Ribeiro da Costa As Sras. Manuela Christina Ribeiro da Costa Villaça e Thereza Christina Gonçalves Ribeiro da Costa apresentaram recurso voluntário questionando serem arroladas como responsáveis solidárias às autuações fiscais do presente processo administrativo fiscal. 4 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 849DF CARF MF Processo nº 19515.721198/201581 Acórdão n.º 1402003.403 S1C4T2 Fl. 831 39 Foram imputadas com fundamento no art. 124, I do CTN, e nas suas alegações pautaram praticamente as mesmas alegações, que se cingem ao fato de que na descrição da fundamentação para imputação da responsabilidade, apesar de ter sido beneficiada por pagamentos de despesas pessoais com recursos oriundos da recorrente, não chega a afirmar a sua participação na gerência da empresa, e igualmente contestar a figura do interesse comum do art. 124, I do CTN, pois no seu entender é um interesse jurídico, não constatado no caso sob análise. Verificando as fundamentações constantes no termo de verificação fiscal, constato que as Sras. Thereza e Manuela são, respectivamente, esposa e filha de Marco Aurélio Ribeiro da Costa, o qual, segundo concluiu a autoridade fiscal autuante (o que não foi contestado em nenhum momento nos autos), era o “real proprietário” e principal administrador (administrador de fato) da recorrente pessoa jurídica, EB Alimentação Escolar Ltda. Houve o entendimento que as Sras. Thereza e Manuela estariam se beneficiando diretamente dos recursos financeiros ou patrimoniais fornecidos pela recorrente EB, em conjunto com o Sr. Marco Aurélio e Gustavo Guerra Villaça (este genro do Sr. Marco Aurélio). Após elenca que houve despesas pessoais das Sras. Thereza pagas pela EB, tais como compra e uso de carro não popular blindado e viagens turísticas e também que ela recebeu remuneração no período sem lograr comprovar efetiva prestação de serviços à empresa. Da Sra. Manuela, lhe foi imputada responsabilidade por ter despesas pessoais pagas pela EB , dentre elas, pagamento do condomínio de seus lotes no Rancho Maringá, pagamento de viagem feita com a família, pagamento de ITBI e escritura de imóvel adquirido, contratação de previdência privada para seu filho, pagamento de serviços prestados pela OZ Design para a associação da qual é presidente. Entendeu o v. acórdão recorrido que ambas eram sócias de fato da EB, o que caracterizaria o interesse comum contido no art. 124, I do CTN. Contudo, pelo que analiso dos autos, neste momento, divirjo do v. acórdão recorrido. O fato de ter interesse comum no faturamento e lucratividade da empresa, bem como se beneficiar dos seus resultados econômicos envolveria extrapolar o interesse comum contido no art. 124, I do CTN, além da discussão do seu alcance ser econômico ou jurídico. Sras. Thereza e Manuela se beneficiaram as sonegações da empresa? Sim, mas, não há prova nos autos que estiveram próativas nesta situação. Beneficiaramse por serem integrantes da família do Sr. Marco Aurélio, o qual deve ter usado recursos da EB para efetuar os vários depósitos que o fez a elas. Isso pode ocorrer em qualquer pessoa jurídica, e envolveria mais questão de necessidade ou não das despesas, se fosse o caso de uma eventual glosa das mesmas, que nem chega ao presente caso, pois a autuação fiscal foi sob a forma de tributação do lucro presumido. Não há prova cabal do seu envolvimento no diaadia das decisões da empresa, pelo contrário a autoridade fiscal questiona até se a Sra. Thereza apesar de constar como empregada da EB, realmente trabalhou nela como gerente, pois não vira nenhum documento assinado pela mesma neste período. Fl. 850DF CARF MF 40 Há uma série de elementos levantados pela autoridade fiscal que levam a haver eventuais problemas fiscais nas Sras. Thereza e Manuela, até em relação a sua DIRPF, relação com outras empresas e despesas pagas e empréstimos contraídos. Mas não vislumbrei nestes elementos algo que associe a questão levantada pelas autuações fiscais quanto a sonegação praticada, que é o cerne do art. 124, I do CTN, ao falar em interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Ou seja, a sonegação que ocorreu, numa tentativa de elidir o fato gerador da receitas recebidas pela EB não há a participação demonstrada das Sras. Thereza e Manuela. Entendo que o alcance meramente jurídico que se tenta dar ao art. 124, I do CTN não condiz que seu alcance, que é muito maior que isso. Mas aplicar as consequências a todos que eventualmente se beneficiam de determinada sonegação (ou qualquer outra forma de contornar o fato gerador de um tributo) e que não seja demonstrado que eram próativos nas decisões para tanto, é exagerar o calibre aplicado à norma. Querer imputar responsabilidade a todos que se beneficiam seria trazer à responsabilidade solidária, quando for o caso fático, as esposas, filhos, quiçá pais, e por aí vai. Claro que há problemas e situações fiscais que merecem atenção das Sras. Thereza e Manuela, e isto está muito bem contextualizado nos autos, mas entendo que não seja a imputação que lhe foi dada pelo art. 124, I do CTN. Por conseguinte, voto por EXONERAR A RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA das Sras. Manuela Christina Ribeiro da Costa Villaça e Thereza Christina Gonçalves Ribeiro da Costa. Conclusão voto por REJEITAR AS NULIDADES SUSCITADAS; voto por NEGAR, no mérito, o recurso voluntário. voto por EXONERAR a responsabilidade solidária das Sras. Manuela Christina Ribeiro da Costa Villaça e Thereza Christina Gonçalves Ribeiro da Costa, MANTENDO a responsabilidade tributária da Sistal Alimentação de Coletividade Ltda e das pessoas físicas de Gustavo Guerra Villaça e Marco Aurélio Ribeiro Costa, que não apresentaram recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 851DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720516/2009-07
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda.
Numero da decisão: 9303-007.303
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras (GLP e manutenção), vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RASIP AGRO PASTORIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras (GLP e manutenção), vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 05 16 /2 00 9- 07 Fl. 305DF CARF MF Processo nº 11020.720516/200907 Acórdão n.º 9303007.303 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL, com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 380302.864 proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 25 de abril de 2012, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 Ementa: INSUMOS. ALCANCE DO TERMO. São insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam, o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço dela resultantes. CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. Somente os gastos expendidos com combustível que efetivamente incidiram no processo produtivo darão direito ao creditamento do COFINS pleiteado. CREDITAMENTO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. CUSTO DE VENDA DA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Se o serviço de transporte das mercadorias faz parte da operação de venda, tendo seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte, e geram direito a crédito. CREDITAMENTO. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. ART. 62A DO RICARF. REPRODUÇÃO PELOS CONSELHEIROS QUANDO DO JULGAMENTO DE RECURSOS NO ÂMBITO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 11020.720516/200907 Acórdão n.º 9303007.303 CSRFT3 Fl. 4 3 O Colegiado a quo entendeu por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito e autorizar o ressarcimento tão somente quanto aos seguintes itens: (a) despesas com empilhadeiras (custos de aquisição de GLP e manutenção de empilhadeiras); (b) despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes desde que efetivamente comprovada pela Contribuinte sua participação no processo produtivo e feita a segregação do lançamento de combustível/lubrificante que foi contabilizado no ativo imobilizado da empresa (conta contábil 11701009); (c) despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos, manutenção de laboratório; (d) despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores quanto às máquinas que comprovadamente tiveram contato direto com o produto e foram essenciais ao processo de produção; (e) despesas com embalagem de transporte (material de transporte), além de homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. Não resignada em parte com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao conceito de insumos para fins de utilização de créditos das contribuições para o PIS e a COFINS na sistemática da não cumulatividade. Insurgiuse especificamente quanto aos seguintes itens: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. Visando à comprovação do dissenso interpretativo indicou, dentre outros, o Acórdão n.º 20312.448, segundo o qual apenas podem ser considerados insumos para fins de cálculo do crédito do PIS nãocumulativo aqueles elencados no art. 3º da Lei nº 10.637/2002 combinado com o art. 66 da IN SRF nº 464/2004, adotando a tese da definição de “insumos” prevista na legislação do IPI. A Recorrente aduz, em síntese, que os insumos aptos a serem considerados como créditos de PIS/Pasep e COFINS no regime nãocumulativo foram tratados de foram taxativa no art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. Portanto, para efeitos de crédito do tributo, incluemse no conceito de insumo, além de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, os itens que sejam incorporados ao bem produzido, e os bens que, mesmo não se integrando à mercadoria, sejam consumidos e/ou alterados no processo de industrialização em função da ação exercida diretamente sobre o produto, com exceção daqueles compreendidos no ativo permanente. Segundo a Fazenda Nacional, tais requisitos não são atendidos pelos itens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido, merecendo o mesmo ser reformado. Nos termos do despacho de exame de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, por ter sido entendida como comprovada a divergência jurisprudencial, com base no Acórdão paradigma n.º 20312.448. Cientificada a Contribuinte, não foram apresentadas contrarrazões. É o Relatório. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 11020.720516/200907 Acórdão n.º 9303007.303 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.294, de 15/08/2018, proferido no julgamento do processo 11020.720502/200985, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.294): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos – Conceito de insumos No mérito, adentrase à análise do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes de: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos, manutenção de laboratório (bens diversos); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. De início, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 308DF CARF MF Processo nº 11020.720516/200907 Acórdão n.º 9303007.303 CSRFT3 Fl. 6 5 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 309DF CARF MF Processo nº 11020.720516/200907 Acórdão n.º 9303007.303 CSRFT3 Fl. 7 6 As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Fl. 310DF CARF MF Processo nº 11020.720516/200907 Acórdão n.º 9303007.303 CSRFT3 Fl. 8 7 Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os Fl. 311DF CARF MF Processo nº 11020.720516/200907 Acórdão n.º 9303007.303 CSRFT3 Fl. 9 8 efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. No caso dos autos, conforme já afirmado, a Contribuinte RASIP AGROPASTORIL S/A é pessoa jurídica que desenvolve a atividade econômica principal do cultivo de maçãs. No seu Estatuto Social (fl. 213), art. 3º, como objeto social são listadas as seguintes atividades: "(a) a produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; (b) a criação de rebanhos de diversas espécies; (c) a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite; (d) a elaboração e execução de projetos e atividades de fruticultura, florestamento e reflorestamento; (e) a produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas; e (f) a prestação de serviços inerentes a essas atividades." Importa ter em perspectiva referida atividade econômica desenvolvida pela Recorrida, pois ao se adotar o critério da pertinência, relevância e essencialidade para a definição do conceito de insumos, tais parâmetros devem ser analisados frente ao processo produtivo do Sujeito Passivo em referência. A Fazenda Nacional, por meio de recurso especial, confronta o acórdão do recurso voluntário no que tange à possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS não cumulativos pela Contribuinte decorrentes dos seguintes itens, divididos em dois grupos: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. Na perspectiva do conceito de insumos segundo o critério da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo, entendese não assistir razão à Recorrente quanto ao pedido de restabelecimento das glosas, pois as despesas em testilha têm relação direta com a Fl. 312DF CARF MF Processo nº 11020.720516/200907 Acórdão n.º 9303007.303 CSRFT3 Fl. 10 9 atividade econômica principal da empresa contribuinte – o cultivo de maçãs. Para elucidar a assertiva, passase à análise individual dos bens e serviços: (a) despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção): no Relatório de Verificação Fiscal (fl.96), após visitas da Fiscalização à sede da empresa, foi consignado que as empilhadeiras são utilizadas para diversos fins: “descarregamento da fruta vinda dos pomares, carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias, movimentação pelo packing (local onde a maçã é selecionada, limpada e embalada), bem como no carregamento das caixas de maçãs na saída dos produtos do estabelecimento”. Entendeu a Autoridade Fiscal que, ante a falta de segregação dos custos, despesas e respectivos créditos vinculados às empilhadeiras pela Contribuinte, não haveria direito ao crédito, por inexistência de previsão legal, já que as mesmas seriam utilizadas para “mero transporte da fruta dentro do processo produtivo (não há transformação ou ação direta sobre a maçã)” e, ainda, “após a finalização do processo produtivo, em suma, no início da operação de venda – carregamento da fruta na saída do estabelecimento (expedição)”. O entendimento da Fiscalização – que também é defendido pela Fazenda Nacional – é pautado pelo critério do conceito de insumos da legislação do IPI, exigindo o contato, desgaste, modificação do bem ou serviço no processo produtivo, bem como que o mesmo entre em contato com a mercadoria a ser produzida. No entanto, à luz da posição intermediária para definição do conceito de insumos, a utilização das empilhadeiras para o transporte das frutas nos pomares e para o seu carregamento na saída do estabelecimento, denota pertinência, relevância e essencialidade, com o processo produtivo do cultivo de maçãs. As empilhadeiras foram utilizadas pela Contribuinte na produção, ainda que de forma indireta, e se mostram indispensáveis à consecução do seu objeto social de produção e venda das maçãs. Além disso, não se pode imaginar que não conte a empresa com o auxílio de máquinas para o transporte do seu produto, em grandes quantidades, ao longo da produção e na saída para a venda, pois hipótese contrária inviabilizaria o próprio cultivo e escoamento da produção. Portanto, deve ser mantido o reconhecimento do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos com relação às despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção). " (...)3 "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões, quanto ao direito de se aproveitar créditos sobre despesas que não integram o custo do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade previsto nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a 3 Não se transcreveu, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que analisou o direito de crédito de insumos cujos entendimentos resultaram vencidos na votação, e que, portanto, não se aplicam à solução do presente litígio. Contudo, a íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.294. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 11020.720516/200907 Acórdão n.º 9303007.303 CSRFT3 Fl. 11 10 legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso da Fazenda Nacional, como bem relatado, referese ao aproveitamento de créditos assim separados: 1) Despesas com empilhadeiras 2) combustíveis e lubrificantes; 3) Bens diversos; 4) Materiais utilizados para embalagens de transporte; e 5) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da necessidade e da essencialidade, adotado pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento do PIS e da Cofins: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore Fl. 314DF CARF MF Processo nº 11020.720516/200907 Acórdão n.º 9303007.303 CSRFT3 Fl. 12 11 as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (...). 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Ora, segundo estes dispositivos legais, somente geram créditos das contribuições os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que os dispositivos legais descrevem de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitariam ter sido elaborados desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não haveria necessidade de ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que as referidas despesas são necessárias para a atividade econômica do contribuinte. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços estão vinculados às atividades econômicas do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto, considerando esse conceito de que os insumos devem ser utilizados diretamente na fabricação do produto destinado a venda, passemos à análise de cada item objeto do recurso especial. 1) Despesas com empilhadeiras (combustíveis e peças de manutenção) Nesse ponto só vou justificar as razões porque acompanhei a relatora pela possibilidade de tal creditamento. Verificase pelo relatório fiscal que essas empilhadeiras são usadas dentro do processo fabril de beneficiamento das maças, produto final do contribuinte. Ou seja, os combustíveis e as peças de manutenção, não ativáveis, são consumidas diretamente no processamento das maças, que são efetivamente os produtos destinados à venda. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 11020.720516/200907 Acórdão n.º 9303007.303 CSRFT3 Fl. 13 12 2) Combustíveis e lubrificantes Na análise do direito ao crédito efetuada pela autoridade fiscal, foi negado o crédito nas aquisições de combustíveis não utilizados diretamente no processo produtivo. De acordo com a fiscalização a maior parte dos créditos pleiteados eram referentes a combustíveis e lubrificantes utilizados em tratores agrícolas. Em seu recurso voluntário, o contribuinte sustenta que o processo produtivo de maçãs é amplo e iniciase desde o cultivo da terra. Ou seja, um retorno ao conceito de essencialidade, não em relação à sua atividade produtiva direta, mas em relação à sua atividade econômica como um todo. Inclusive, como esclarecido no relatório da fiscalização, boa parte desses combustíveis eram levados ao ativo imobilizado pela própria empresa, em razão da vida útil dos pomares. Porém, como já frizado, as leis da não cumultatividade não trazem essa ampliação toda como pretende o contribuinte e como entende a ilustre relatora do presente voto. Como abordo no item seguinte, não há possibilidade legal do aproveitamento de créditos de insumos de insumos. 3) Bens Diversos Nessa rubrica, o acórdão recorrido negou o creditamento de vários itens e concedeu o crédito sobre alguns itens com a seguinte justificativa: Por sua vez, tomando por vista que a Interessada também é produtora de queijo e derivados do leite, e portanto necessita de todo um cuidado quanto ao gado, para que o produto comercializado e fornecido ao consumidor final seja de boa qualidade, despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos e manutenção de laboratório dado seu contato direto com o produto e participação efetiva no processo produtivo devem ser aproveitadas pela empresa. Não concordo com essa assertiva e não vejo que são insumos, da forma como genericamente descritos, utilizados no processo industrial do produto destinado a venda. O fato, por si só, de que ele tenha a atividade de produção de queijo e leite, significa concluir o seu uso diretamente em sua fase industrial. Notoriamente a cerca para rebanhos, além de não ser insumo, pois provavelmente deve ser um item do ativo imobilizado, jamais teria alguma utilidade direta na fabricação de queijo e leite. Da mesma forma, há que ser comprovado que as despesas com limpeza e higienização não se referem à fase pré industrial. Em que momento foram aplicadas essas despesas. Manutenção de laboratório, também é um termo muito genérico para ser acatado como despesas aplicadas no processo industrial. Importante relembrar que a legislação não prevê possibilidade de creditamento de insumos de insumos e esse colegiado tem tido o entendimento de que não é possível o creditamento de insumos utilizados na fase agrícola, ou préindustrial. 4) Materiais utilizados para embalagens de transporte Tomo da transcrição de trecho do voto da decisão recorrida, sobre que elementos está se discutindo tal creditamento. Constam na glosa itens como Cantoneiras – utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte do produto; Pallets e seus acessórios – pregos e etiquetas – utilizados para o empilhamento de caixas para armazenamento e transporte; Fitas/Amarras – usadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets. Observe que são todos itens utilizados após o encerramento do processo produtivo. São utilizados para acondicionamento de transporte da produção. Não discordo da conclusão Fl. 316DF CARF MF Processo nº 11020.720516/200907 Acórdão n.º 9303007.303 CSRFT3 Fl. 14 13 do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei) ou alguém seria capaz de dizer que o frete na operação de venda, suportado pelo contribuinte, não é um item essencial à sua atividade econômica. Se bastasse isso não seria necessária a excepcionadade constante da Lei. 5) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. Pela característica dos bens, evidente que sua utilização é feita na etapa pré industrial. Na manutenção das lavouras que faz parte da etapa agrícola, em relação aos quais nego provimento pelas mesmas razões do item 3, supra analisado. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para reestabelecer as glosas de crédito em relação aos seguintes itens: (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial para reestabelecer as glosas de crédito em relação aos seguintes itens: (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 317DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18186.726568/2016-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011
COMPENSAÇÃO - DECISÃO PROFERIDA EM PROCESSO VINCULADO - EFEITOS
Uma vez que a não homologação do pleito compensatório se dera em função de auto de infração em que os saldos negativos de IRPJ e de CSLL foram recalculados, havendo, ali, decisão que afete tal cálculo, ainda que parcialmente, esta tem imediato impacto sobre este feito.
COMPENSAÇÃO - INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR
Refeito o cálculo da contribuição devida no ano-calendário de 2011 a partir de decisão parcialmente favorável ao contribuinte, ainda assim, não se observa saldo de crédito passível de utilização de compensação
Numero da decisão: 1302-002.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento do feito e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011 COMPENSAÇÃO - DECISÃO PROFERIDA EM PROCESSO VINCULADO - EFEITOS Uma vez que a não homologação do pleito compensatório se dera em função de auto de infração em que os saldos negativos de IRPJ e de CSLL foram recalculados, havendo, ali, decisão que afete tal cálculo, ainda que parcialmente, esta tem imediato impacto sobre este feito. COMPENSAÇÃO - INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR Refeito o cálculo da contribuição devida no ano-calendário de 2011 a partir de decisão parcialmente favorável ao contribuinte, ainda assim, não se observa saldo de crédito passível de utilização de compensação
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento do feito e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 COMPENSAÇÃO DECISÃO PROFERIDA EM PROCESSO VINCULADO EFEITOS Uma vez que a não homologação do pleito compensatório se dera em função de auto de infração em que os saldos negativos de IRPJ e de CSLL foram recalculados, havendo, ali, decisão que afete tal cálculo, ainda que parcialmente, esta tem imediato impacto sobre este feito. COMPENSAÇÃO INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR Refeito o cálculo da contribuição devida no anocalendário de 2011 a partir de decisão parcialmente favorável ao contribuinte, ainda assim, não se observa saldo de crédito passível de utilização de compensação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento do feito e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 72 65 68 /2 01 6- 64 Fl. 258DF CARF MF 2 Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o feito de pedido de compensação (PERDCOMP de nº 32061.36236.200616.1.7.034311) transmitido pelo recorrente, objetivando a compensação de débitos tributários, no importe de R$ 363.189,84, com créditos decorrentes de saldo negativo de CSLL, apurado no anocalendário de 2011 e, originariamente, demonstrado em pedido de compensação anterior (PERDCOMP de nº 07566.92802.120615.1.3.030093). Num primeiro momento, este pedido havia sido considerado nãodeclarado pela Autoridade Lançadora, decisão esta, contudo, revista de ofício pela própria Unidade de Origem. Nada obstante, já no segundo despacho decisório, digase, considerouse não homologada a compensação pleiteada. Neste particular, e tendo em conta os documentos acostados à manifestação de inconformidade do contribuinte, a nãohomologação de seu pleito se dera com base nos mesmos fundamentos da decisão proferida nos autos do PA de nº 13116.720670/201666 (PERDCOMP nº 07566.92802.120615.1.3.030093), ou seja, o saldo negativo pleiteado no anocalendário de 2011 foi integralmente abatido do valor apurado pela Fiscalização Federal nos autos do PA de nº 13116.722236/201459, em que, após a lavratura de autos infração, exigiuse do contribuinte o pagamento da CSLL no importe de R$ 140.558.617,69. Em outras palavras, ao invés de saldo negativo, no anocalendário de 2011, apurouse CSLL à pagar, inexistindo, pois, crédito compensável com exercícios futuros. Em sua defesa, o contribuinte sustenta que, um vez que o PA de nº 13116.722236/201459 não havia sido, à época, julgado definitivamente (pelo contrário, haveria, inclusive, decisão parcialmente favorável à seus interesses, proferida ela DRJ/BSB), os créditos tributários resultantes da nãohomologação do seu pleito compensatório seriam indevidos, mormente à míngua de sua liquidez e certeza. De outra sorte, e justamente por não se ter verificado o julgamento definitivo do PA 13116.722236/201459, supra, pleiteia o apensamento deste feito àquele e, ainda, o seu sobrestamento. A DRJ/BSB, em julgamento conjunto proferido nos autos em apenso (13116.722124/201660), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sustentando, exclusivamente, a inexistência de previsão legal que autorizasse o sobrestamento dos feitos que tramitassem naquela instância, haja vista que os autos do PA de nº 13116.722236/201459 já se encontravam neste CARF (segundo a DRJ o recurso administrativo não teria efeito suspensivo, uma vez que inexistente previsão explícita no Decreto 70.235/72) O contribuinte tomou ciência do conteúdo do predito acórdão em 13/10/2017 (conforme documento de efls 210 constante do processo em apenso), tendo interposto o seu recurso voluntário em 10/11/2017 (termo de ciência de efls. 212 destes autos), por meio do qual reprisou os argumentos já declinado sem sua manifestação de inconformidade. Cumpre, apenas, destacar, que o processo de nº 13116.722236/201459 foi distribuído à este Colegiado, tendo sido julgado na sessão do mês de junho, sendo certo que, naquela ocasião, foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte a fim de Fl. 259DF CARF MF Processo nº 18186.726568/201664 Acórdão n.º 1302002.958 S1C3T2 Fl. 259 3 que cancelar as exigências concernentes ao IRPJ e CSLL incidentes sobre as subvenções concedidas pelo Estado de Goiás, com base nos preceitos da Lei Complementar 160/17. Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, motivo pelo qual dele conheço. Desde logo, impende destacar que toda discussão relativa ao apensamento/sobrestamento deste feito, até o julgamento definitivo do PA de nº 13116.722236/201459, restou prejudicada já que o citado processo foi analisado e julgado por este Colegiado, ocasião em que parte considerável do auto de infração foi derrubada por esta Turma. E, mesmo havendo uma reversão deste julgado, o resultado final não será suficiente para permitir a apuração de crédito compensável, conforme cálculos abaixo. De fato, o citado feito tratava de 4 (quatro) infrações distintas, sendo elas: a) omissão de receitas, consistente no destaque, indevido, do IPI em notas fiscais de venda, ao mercado interno, de veículos importados; b) omissão de receitas decorrentes da escrituração indevida, como subvenções para custeio ou operação, decorrentes do gozo, pelo contribuinte, de crédito presumido de IPI; c) omissão de receitas decorrentes da escrituração indevida de subvenções concedidas pelo Estado de Goiás aos contribuintes lá instalados; d) glosa de despesas concernentes à bônus sobre vendas. O recorrente noticia aqui (assim como já havia feito naqueles autos) a desistência das suas pretensões concernentes às infrações descritas em "b" e "d"1, mantendo, apenas, a discussão afeita ao IPI destacado nas notas fiscais de venda de veículos importados e à subvenção (benefício fiscal ICMS) concedida pelo Estado de Goiás. A vista disso, este Colegiado decidiu por dar parcial provimento apenas quanto ao questionamento tratado no item "c" supra, mantendose o restante da autuação. Pois bem. Como já alertado no relatório acima, o fundamento utilizado pela Unidade de Origem para considerar não homologada a compensação foi, justamente, o fato de que o saldo negativo originariamente apurado no anocalendário de 2011 teria sido revisto por ocasião da lavratura do auto de infração autuado no PA de nº 13116.722236/201459; e, pelo que afirma o próprio recorrente, com a autuação retro, ao invés de saldo negativo, apontouse a existência de saldo a pagar da predita contribuição, no importe de R$ R$ 140.558.617,69. 1 V. petição juntada à efls. 256/261. Fl. 260DF CARF MF 4 O montante de saldo negativo indicado pelo Contribuinte foi, então, utilizado para reduzir o valor acima descrito, restando, em desfavor da empresa, um montante a pagar de R$ 114.647.669,07. Com a decisão proferida por este Colegiado, e considerando as receitas omitidas, descritas para cada uma das infrações apontadas no auto de infração (documento de efls. 125 a 129), bem como o montante total de despesas glosadas, terseia a seguinte realidade: a) infração descrita em "a" R$ 472.626.360,46; b) infração descrita em "b" R$ 27.363.463,77; c) infração descrita em "c" R$ 767.585.183,90; d) infração descrita em "d" R$ 276.802.781,40 O valor somado das parcelas acima perfazem R$ 1.561.762.418,72 (tal qual apontado no auto de infração). Suprimido o valor concernente à infração descrita em "c", teríamos um saldo de receita tributável no importe de R$ 794.177.234,82 que, incidindo sobre este a respectiva alíquota de 9%, terseia um valor de contribuição a recolher de R$ 71.475.951,13. Compensandose o valor anterior com o saldo negativo originariamente apurado pelo Recorrente, teríamos um valor a pagar de R$ 45.565.002,51. Em outras palavras, mesmo com o provimento parcial do Recurso Voluntário manejado nos autos do PA de nº 13116.722236/201459, ainda assim o contribuinte não conseguiria apurar saldo negativo no anocalendário 2011, não dispondo, pois, de qualquer direito creditório concernente ao período em testilha. Impende destacar, como já dito linhas acima, que mesmo que a decisão final do PA de º 13116.722236/201459 seja revertida e, portanto, seja decotado da receita bruta tributável o valor descrito no item "a", supra, ainda assim apurarseá valor a pagar de CSLL no importe de aproximadamente R$ 3.000.000,00. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 261DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.939904/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PROCESSUAL - PRECLUSÃO - INOBSERVÂNCIA AOS PRECEITOS DO ART. 16 DO DECRETO 70.235/72.
Opera-se preclusão consumativa quanto a matéria não suscitada por ocasião da manifestação de inconformidade, sendo impossível dela conhecer em de sede de recurso de ofício acaso não demonstradas as hipóteses do art. 16 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-003.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 PROCESSUAL - PRECLUSÃO - INOBSERVÂNCIA AOS PRECEITOS DO ART. 16 DO DECRETO 70.235/72. Opera-se preclusão consumativa quanto a matéria não suscitada por ocasião da manifestação de inconformidade, sendo impossível dela conhecer em de sede de recurso de ofício acaso não demonstradas as hipóteses do art. 16 do Decreto 70.235/72.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PROCESSUAL PRECLUSÃO INOBSERVÂNCIA AOS PRECEITOS DO ART. 16 DO DECRETO 70.235/72. Operase preclusão consumativa quanto a matéria não suscitada por ocasião da manifestação de inconformidade, sendo impossível dela conhecer em de sede de recurso de ofício acaso não demonstradas as hipóteses do art. 16 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 93 99 04 /2 00 9- 01 Fl. 168DF CARF MF Processo nº 15374.939904/200901 Acórdão n.º 1302003.053 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o processo de pedido de compensação de crédito oriundo de pretenso indébito de IRPJ apurado no anocalendário de 2004. Inicialmente, o pleito não foi homologado em razão de, na forma do despacho decisório constante dos autos, terse verificado que o DARF que dera origem ao pedido estar alocado, integralmente, à débito declarado em DCTF. Cientificado do respectivo despacho, o contribuinte manejou a sua manifestação de inconformidade sustentando, em apertada síntese, que teria se equivocado quando do preenchimento da mencionada DCTF tendo apresentado, junto com a sua petição, cópia de declaração retificadora, por meio da qual, exclui o débito relativo ao primeiro trimestre de 2004. Ao analisar a manifestação do recorrente, a DRJ do Rio de Janeiro houve por bem julgála improcedente dado entender que a DCTF retificadora teria sido transmitida em 21/07/2009 e, portanto, após a ciência, pela empresa, de despacho decisório concernente a pedido de compensação tratado em processo conexo, relativo ao mesmo crédito. Ato contínuo, e sem maiores explicações, considerou não demonstrada a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Cientificado do acórdão supra em 16 de setembro de 2011 (sextafeira), conforme AR juntado à efls. 111, o recorrente interpôs suas razões de insurgência em 18 de outubro de 2011 (terçafeira), tal como se extrai do carimbo aposto à efls. 113, alegando que: a) a DCTF retificadora seria, per se, suficiente para comprovar o crédito pleiteado, não se observando, na hipótese, a perda da espontaneidade pelo fato de ter sido transmitida após despacho decisório proferido em outro processo de compensação, cujo objeto é o mesmo crédito tratado neste feito; b) a par do alegado anteriormente, a retificação realizada teria se dado porque o contribuinte, sujeito ao regime de lucro presumido, teria aplicado o percentual de presunção de 32% sobre a sua receita bruta quando, como demonstra através de Solução de Consulta de nº 340/04 de 29 de julho de 2004, estaria sujeita ao percentual de 8% por desenvolver atividade hospitalar. A vista do exposto, sustenta que faria, sim, jus ao direito creditório pleiteado, requerendo, pois, a reforma do acórdão combatido e a homologação de seu pleito. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 15374.939904/200901 Acórdão n.º 1302003.053 S1C3T2 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.047, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15374.943401/2009 21, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.047): "O recurso é tempestivo mas, todavia, não merece conhecimento. De fato, o contribuinte argui, em manifestação, apenas e tão somente, que o crédito se originaria de erro no registro de sua DCTF, justificando a respectiva retificação apenas em tal alegação genérica. Apenas quando da interposição de seu recurso voluntário o contribuinte suscita se tratar de empresa que desenvolve atividade hospitalar e que, nesta esteira, faria jus á redução de sua base de presunção... há, neste passo, inegável, e vedada, inovação da matéria em litígio em aberto e incontendível afronta aos preceitos dos arts. 16 e 17 do Decreto 70.235/72. A matéria abordada pelo recurso voluntário, pois, já estaria abarcada por preclusão lógica. Como esta é a única questão tratada no recurso voluntário e, não tendo sido arguída em primeira instância, consentaneamente, o próprio apelo carece dos requisitos mínimos a sua apreciação. Assim, voto por não conhecer do recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10936.721227/2012-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010
DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49.
Recurso Voluntário Improcedente
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.519
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010 DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 6. 72 12 27 /2 01 2- 37 Fl. 24DF CARF MF Processo nº 10936.721227/201237 Acórdão n.º 3402005.519 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração para exigência de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). Cientificada do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação, alegando que apresentou a DACON de forma espontânea, o que excluiria a penalidade nos termos do artigo 138 do CTN. Por meio do acórdão nº 06038.692, o Colegiado a quo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando a alegação de sua impugnação pela exclusão da penalidade nos termos do artigo 138 do CTN (denúncia espontânea). O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.503, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10840.002032/201091, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.503): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese à aplicação da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, em caso de entrega intempestiva de obrigação acessória (DACON), mas antes de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal. Tratase de aplicação direta da Súmula CARF nº 49: Fl. 25DF CARF MF Processo nº 10936.721227/201237 Acórdão n.º 3402005.519 S3C4T2 Fl. 4 3 “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.” As Súmulas do CARF são de observância obrigatória pelos membros do colegiado, conforme disposto no artigo 72 do RICARF. Recentemente, por meio da Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, foi atribuído a determinadas súmulas do CARF, dentre as quais se encontra a Súmula 49, efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Dessa forma, a matéria se encontra pacificada em sentido contrário àquele defendido pela recorrente, não restando qualquer análise a ser feita neste julgamento. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, pela aplicação da Súmula CARF 49. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 26DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10209.000390/2005-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 18/05/2000
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL. RESOLUÇÃO ALADI 252.
Para se beneficiar da redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), o contribuinte deve seguir com rigor as exigências estabelecidas na legislação de regência. Trata-se de benefício tributário a reclamar a aplicação do art. 111 do CTN.
Visto, relatado e discutido os presentes autos.
Numero da decisão: 9303-007.262
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 18/05/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL. RESOLUÇÃO ALADI 252. Para se beneficiar da redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), o contribuinte deve seguir com rigor as exigências estabelecidas na legislação de regência. Trata-se de benefício tributário a reclamar a aplicação do art. 111 do CTN. Visto, relatado e discutido os presentes autos.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S A PETROBRAS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 18/05/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL. RESOLUÇÃO ALADI 252. Para se beneficiar da redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), o contribuinte deve seguir com rigor as exigências estabelecidas na legislação de regência. Tratase de benefício tributário a reclamar a aplicação do art. 111 do CTN. Visto, relatado e discutido os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 03 90 /2 00 5- 58 Fl. 487DF CARF MF Processo nº 10209.000390/200558 Acórdão n.º 9303007.262 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 310100.916, que deu provimento ao recurso voluntário. A discussão do presente processo tem origem no auto de infração lavrado em face do Contribuinte. Consta dos autos que o Contribuinte procedeu à importação de bens com a utilização da redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica n.º 39 (ACE 39), conforme Decreto n.º 3.138, de 1999, firmado entre o Governo do Brasil e os Governos da Colômbia, do Equador, do Peru e da Venezuela (PaísesMembros da Comunidade Andina). A fiscalização concluiu que a importação não contempla o Acordo Tarifário, seja em razão da divergência entre a fatura comercial e o certificado de origem, seja também porque o produto foi comercializado por terceiro país sem que tenham sido atendidos os requisitos estabelecidos na legislação pertinente, razão porque tratou de lavrar o auto de infração objeto da lide, para exigir o tributo de modo integral, deduzido da parte já recolhida, além dos juros de mora e da multa de ofício de 75%. Cientificado do lançamento, o Contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese, que a triangulação comercial não elide a aplicação de redução tarifária prevista em acordo firmado no âmbito da ALADI. A DRJ em Fortaleza/CE, na parte de interesse ao presente julgamento, não reconheceu o direito à redução tarifária. Irresignado, o Contribuinte apresentou recurso voluntário. O Colegiado do CARF deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 310100.916, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 18/05/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. Informações suficientes para caracterizar a operação e supridas por outros documentos. As informações disponibilizadas atendem às exigências previstas no artigo 2º da Resolução 232. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 18/05/2000 FATURA COMERCIAL – Multa por ausência dos requisitos: A verdade material ficou aclarada com a juntada da cópia de fax da Invoice 992890, emitida em 30 de maio de 2000 pela PDVSA Petróleo y Gas, S.A. (folha 129), citada no certificado de origem de 5 de junho de 2000 (folha 25). O artigo 425 do RA impõe regras voltadas para o “exportador”. Fl. 488DF CARF MF Processo nº 10209.000390/200558 Acórdão n.º 9303007.262 CSRFT3 Fl. 4 3 Recurso voluntário provido. A Fazenda Nacional interpôs, então, o Recurso Especial ora sob exame A divergência suscitada diz respeito ao direito à redução tarifária em face da intermediação de terceiro país, que não faz parte do acordo comercial internacional em tela. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial a Fazenda apresentou os acórdãos 30133.018 e 302 36.741. O Recurso Especial da Fazenda foi admitido conforme despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara de competência do CARF. Cientificado do despacho que admitiu o especial fazendário, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.260, de 14/08/2018, proferido no julgamento do processo 10209.000826/200517, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.260): "Da Admissibilidade O Recurso Especial do Fazenda é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho de fls. 326 a 328. (...)1 Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas tenho conclusões distintas das suas a respeito das operações de triangulação comercial e suas consequências de que trata o presente processo. A discussão desse processo gira em torno do tratamento beneficiado de importação efetuada pela recorrente utilizandose de preferência tarifária com suporte no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), firmado entre o Governo Brasileiro com os Governos da Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, Países Membros da Comunidade Andina. Grosso modo, tratase de redução tarifária do Imposto de Importação, caso os produtos sejam 1 Não se transcreveu o voto da relatora do processo paradigma, na parte em que enfrentou o mérito, em razão de trazer entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do litígio dos presentes autos. A íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.260. Fl. 489DF CARF MF Processo nº 10209.000390/200558 Acórdão n.º 9303007.262 CSRFT3 Fl. 5 4 adquiridos daqueles países em determinadas condições. Ou seja, tratase de uma regra de exceção, benefício fiscal, o qual reclama a aplicação do art. 111 do CTN. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. É da essência das regras de exceção, a aplicação literal dos dispositivos que as concedem. Isto porque, se de um lado estabelecese um tratamento beneficiado, de outro, as regras condicionantes devem ser seguidas com rigor. Nesse sentido, vejamos o que dispunham as regras para o aproveitamento da redução tarifária pretendida. No início do referido acordo, vigia o disposto na Resolução ALADI nº 78, o qual não permitia a possibilidade de triangulação comercial nos moldes realizados pela contribuinte no presente processo. Art. 4º da Resolução ALADI nº 78: QUARTO Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para esses efeitos, considerase como expedição direta: a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: i) o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte; it) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e iii) não sofram, durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. Veja que na vigência do art. 4º, acima transcrito, as mercadorias deveriam ser faturadas diretamente do país exportador para o importador, admitindo o seu trânsito por outro país, em síntese, somente por razões de logística do transporte. Não se permitia a participação de outro país interveniente com emissão de fatura nele ocorrida, como no presente caso. Somente a partir de 08/12/98, com a entrada em vigência da Resolução ALADI nº 232 é que se passou a permitir, com uma série de condicionantes. O disposto na Resolução ALADI 232, foi consolidado na Resolução ALADI nº 252, o qual transcrevo abaixo: NONO. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10209.000390/200558 Acórdão n.º 9303007.262 CSRFT3 Fl. 6 5 Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, o campo correspondente do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. Somente com a Resolução 232, que passou a viger no país a partir de 08/12/98, é que se permitiu a participação de um operador de terceiro país, porém as regras para esta participação são claras e não poderiam ser ignoradas pela Petrobrás. Primeiro que são de fáceis cumprimento e seu conteúdo é de clareza meridiana. Então bastava constar o número da fatura do terceiro interveniente já no próprio certificado de origem. Se o número da fatura, ainda não era conhecido, a determinação é que se deixasse em branco o espaço e que fosse apresentada no momento do desembaraço a declaração juramentada. Com certeza a motivação dessas exigências têm fundamento no controle aduaneiro. Ao abandonar ao livre arbítrio estas condições a Petrobrás afastou do conhecimento imediato da aduana as reais condições de sua importação. A comprovação documental em momento bem posterior aos fatos, podem prejudicar a perfeita verificação se os documentos apresentados correspondem aos fatos erigidos. Portanto, penso ser incabível, uma empresa do porte da recorrente, não se submeter a regras simples estabelecidas a nível de tratado internacional. Retomando os fatos do presente processo, vêse que se trata de uma importação objeto da Declaração de Importação nº 00/12080657, cujo registro deuse em 13/12/2000. Constatase de forma inequívoca que não foram seguidas as condições estabelecidas no artigo 9º da Resolução ALADI nº 252, acima trasncrito. No Certificado de Origem, efl. 21, consta a fatura comercial emitida pela ECOPETROL e não tem qualquer referência à fatura comercial emitida pela interveniente de outro país, no caso a PFICO. Neste caso, diferente dos demais, no campo "observações" do Certificado de Origem há referência expressa à empresa interveniente, PIFCO, porém não tem a informação do número da fatura comercial emitida por ela. Também não foi apresentada a declaração juramentada no momento do desembaraço aduaneiro. Assim está comprovado que não foram cumpridas as regras estabelecidas para que se tenha direito à redução tarifária que se pretendia. Também não tem fundamento a invocação do contribuinte pela aplicação do art. 434 do Regulamento Aduaneiro de 1985, Decreto nº 91.030/85, de que a comprovação será feita por qualquer meio julgado idôneo. Veja a sua redação: Art. 434 No caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo Parágrafo único Tratandose de mercadoria importada de país membro da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, a comprovação constará de certificado de origem emitido por entidade competente, de acordo com modelo aprovado pela citada Associação. Ora, o próprio decreto remete à necessidade de cumprimento das regras atinentes ao certificado de origem. Como visto a ALADI aprovou o modelo e as regras de seu preenchimento no caso da referida triangulação comercial. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10209.000390/200558 Acórdão n.º 9303007.262 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 492DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.910809/2008-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2004
Ementa:
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO MATERIAL. COMPROVAÇÃO. APRECIAÇÃO. NECESSIDADE.
Restando comprovado o erro de preenchimento em instrumento declaratório, relativamente à indicação do direito creditório pleiteado, a autoridade administrativa responsável pela revisão do ato que denegou pedido fundado nessa única razão deve, sob pena de afronta aos princípios da verdade material e da ampla defesa, apreciar os elementos carreados aos autos de modo a comprovar a certeza e liquidez do crédito alegado.
Numero da decisão: 1302-000.732
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, anular a decisão de 1ª instância.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO MATERIAL. COMPROVAÇÃO. APRECIAÇÃO. NECESSIDADE. Restando comprovado o erro de preenchimento em instrumento declaratório, relativamente à indicação do direito creditório pleiteado, a autoridade administrativa responsável pela revisão do ato que denegou pedido fundado nessa única razão deve, sob pena de afronta aos princípios da verdade material e da ampla defesa, apreciar os elementos carreados aos autos de modo a comprovar a certeza e liquidez do crédito alegado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1570; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 258 1 257 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.910809/200874 Recurso nº 877.789 Voluntário Acórdão nº 130200.732 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de outubro de 2011 Matéria IRPJ COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Recorrente BERNECK & CIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO MATERIAL. COMPROVAÇÃO. APRECIAÇÃO. NECESSIDADE. Restando comprovado o erro de preenchimento em instrumento declaratório, relativamente à indicação do direito creditório pleiteado, a autoridade administrativa responsável pela revisão do ato que denegou pedido fundado nessa única razão deve, sob pena de afronta aos princípios da verdade material e da ampla defesa, apreciar os elementos carreados aos autos de modo a comprovar a certeza e liquidez do crédito alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, anular a decisão de 1ª instância. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 274DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10980.910809/200874 Acórdão n.º 130200.732 S1C3T2 Fl. 259 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 275DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10980.910809/200874 Acórdão n.º 130200.732 S1C3T2 Fl. 260 3 Relatório BERNECK S/A PAINÉIS E SERRADOS, sucessora por incorporação de BERNECK & CIA, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, Paraná, que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal em Curitiba. Trata o processo de DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO, envolvendo crédito decorrente de SALDO NEGATIVO de Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurado no anocalendário de 2003. No Despacho Decisório de fls. 01 consta a seguinte informação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 172.143.69 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 289.075,32 . Diante de Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, por meio do acórdão nº 0627.551, de 11 de maio de 2010, decidiu pelo indeferimento dos pedidos ali veiculados. O referido julgado restou assim ementado: PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DIVERGÊNCIA ENTRE O VALOR INFORMADO NA DIPJ E NO PER/DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A única via admissível para a efetuação de compensação é por meio da entrega da respectiva declaração, a qual deve, obrigatoriamente, (a) seguir as regras de preenchimento estabelecidas pela RFB, conforme o §14, acima; e (b) informar os créditos que foram utilizados naquela declaração de compensação, conforme o §1°. Portanto, em cumprimento ao disposto no art. 170 do CTN e do § 14 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, na hipótese de a origem do direito creditório ser saldo negativo de IRPJ, o direito de compensação do contribuinte está condicionado a que informe no PER/DCOMP idêntico valor de saldo negativo de IRPJ em relação ao que foi informado na DIPJ. Ciente da Decisão de primeira instância em 10 de junho de 2010, conforme aviso de recebimento de folha 225, BERNECK S/A PAINÉIS E SERRADOS apresentou recurso voluntário em 09 de julho de 2010, conforme registro de recepção de folha 226, por meio do qual sustenta: que, de posse das informações contidas na decisão recorrida, verificou a existência de dois PER/DCOMP iniciais (37650.91002.120204.1.3.021806 lançado saldo Fl. 276DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10980.910809/200874 Acórdão n.º 130200.732 S1C3T2 Fl. 261 4 negativo de R$ 172.143,69; e 36318.51728.231006.1.7.026193 lançado saldo negativo de R$ 96.931,63), cuja soma compõe o valor de R$ 269.075,32, que correspondente ao valor informado na ficha 12, da DIPJ do anocalendário de 2003, exercício 2004, da empresa Berneck & Cia, a qual foi entregue em 29/06/2004; que elaborou PER/DCOMP's de retificação para corrigir as divergências, mas no momento da transmissão via Internet ocorreu erro, uma vez que houve decisão administrativa antes da data de encaminhamento dos citados PER/DCOMPs; que resta indubitavelmente demonstrada a existência do crédito em favor da Berneck suficiente para a homologação da compensação proposta; que, de fato, possui um crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003, exercício 2004, tendo ocorrido tão somente um erro formal quando do preenchimento do PER/DCOMP's, cuja retificação foi impossibilitada pela própria RFB; que a decisão recorrida foi emitida em sentido contrário ao entendimento de outras Turmas de Julgamento. É o Relatório. Fl. 277DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10980.910809/200874 Acórdão n.º 130200.732 S1C3T2 Fl. 262 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator A controvérsia instalada no presente processo está representada pelo não reconhecimento de direito creditório relativo a saldo negativo de imposto de renda apurado no anocalendário de 2003. O referido não reconhecimento se deu em virtude de constatação de divergência entre o valor informado no PER/DCOMP (R$ 172.143,69) e o registrado na DIPJ correspondente (R$ 289.075,32). Apreciando Manifestação de Inconformidade apresentada, a autoridade julgadora de primeira instância indeferiu os pedidos ali veiculados (reconhecimento do direito creditório e homologação das compensações), indicando, como elemento relevante para tal decisão, o fato de a contribuinte ter informado valores distintos de SALDO NEGATIVO DE IRPJ, na DIPJ e no PER/DCOMP. Nessa linha, resta assinalado no voto condutor da decisão recorrida: ... 19. Portanto, em cumprimento ao disposto no art. 170 do CTN e do §14 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, na hipótese de a origem do direito creditório ser saldo negativo de IRPJ, o direito de compensação do contribuinte está condicionado a que informe no PER/DCOMP idêntico valor de saldo negativo de IRPJ em relação ao que foi informado na DIPJ. 20. No presente caso, o contribuinte informou incorretamente os créditos que foram utilizados, havendo divergência entre o crédito informado no PER/DCOMP em relação à origem do direito creditório informado na DIPJ, contrariando a determinação minudenciada nos itens anteriores. 21. Irrelevante, para o deslinde do caso, ter o contribuinte tentado retificar os PER/DCOMPs apresentados, já que as tentativas de retificação aconteceram após os PER/DCOMPs já terem sido objeto de decisão administrativa, o que impede sua retificação, como asseverado pelo contribuinte. Tal impossibilidade resta consignada no art. 77 da IN RFB nº 900/08, in verbis: ... Vêse, assim, que a denegação dos pedidos dos Recorrentes foi fundada, única e exclusivamente, na ausência de identidade entre o valor do crédito consignado no PER/DCOMP e o registrado na DIPJ. Penso que tal decisão não pode prosperar, vez que, inobstante o conflito de informações, a própria Administração Tributária aponta para existência de crédito em favor dos requerentes. Fl. 278DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10980.910809/200874 Acórdão n.º 130200.732 S1C3T2 Fl. 263 6 Com o devido respeito, ainda que se possa admitir que a Recorrente não observou adequadamente as instruções de preenchimento do PER/DCOMP, não se pode, em razão disso, simplesmente deixar de apreciar as razões de defesa por ela trazidas, e, em sentido contrário ao delineado pela documentação aportada ao processo, não reconhecer qualquer parcela do crédito apontado para fins de compensação tributária. Creio que, no caso, a análise do litígio deve ser norteada pelos princípios do informalismo e da verdade material, empregandose menor rigor na aplicação das normas complementares aplicáveis, e buscandose, com base nos elementos reunidos aos autos, a verdade dos fatos. Observo que o crédito indicado pela Recorrente (SALDO NEGATIVO de IMPOSTO DE RENDA do anocalendário de 2003) resultou dos seguintes elementos (DIPJ, fls. 134): Imposto à alíquota de 15% R$ 0,00 Adicional R$ 0,00 Imposto de Renda na Fonte R$ 269.075,32 SALDO NEGATIVO R$ 269.075,32 Destaco, contudo, que, não tendo a decisão recorrida avançado ao mérito da compensação tributária requerida, os elementos formadores acima indicados não foram objeto de aferição, isto é, a própria liquidez e certeza do crédito apontado para o encontro de contas não foi objeto de certificação, o que impede o acolhimento, neste momento, dos pedidos formulados na peça recursal. Assim, entendendo que a decisão recorrida, nos termos em que foi exarada, cerceou o direito de defesa da contribuinte, conduzo meu voto no sentido de decretar a sua nulidade para que, a partir da aferição do crédito indicado para compensação, outra seja prolatada. Sala das Sessões, em 18 de outubro de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 279DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10980.910809/200874 Acórdão n.º 130200.732 S1C3T2 Fl. 264 7 Fl. 280DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10480.010252/2002-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO - CSLL
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
Ementa:
PRECLUSÃO.
A luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto n°. 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei n°. 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada. Decorre dai que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência A. autoridade de segunda instância para delas tomar conhecimento em sede de recurso voluntário.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
0 Mandado de Procedimento Fiscal representa mero instrumento de controle interno da Administração Tributária, e, em razão disso, eventuais irregularidades que se possa identificar na sua emissão ou prorrogação não podem dar causa a nulidade do feito fiscal.
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n°. 8.212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal (súmula vinculante n°. 8 - DOU de 20 de junho de 2008), cancela-se o lançamento que não observou o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional.
FATURAMENTO ANTECIPADO. TRIBUTAÇÃO POSTERIOR. COMPROVAÇÃO.
A alegação, desprovida de documentação de suporte, de que valores
faturados antecipadamente foram, em período posterior, devidamente oferecidos A tributação, não autoriza a desoneração do sujeito passivo em relação ao crédito tributário constituído pela autoridade competente.
Numero da decisão: 1302-000.437
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ªTurma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, reconhecendo, de oficio, decadência para os fatos geradores ocorridos até 30/06/1997.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
1.0 = *:*
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Numero do processo: 10830.720439/2008-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 27/01/2006 a 28/05/2008
MULTA DO ART. 84, I, DA MEDIDA PROVISÓRIA N° 2.158-35/2001
Os produtos importados são, na verdade, vacinas para animais já prontas para uso, classificadas na posição NCM 3002.30.90 " Outras vacinas para medicina veterinária". Portanto, incide na hipótese o art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.158-35/ 2001, que determina a aplicação de multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro quando a mercadoria for classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria.
CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. DESCRIÇÃO INEXATA DA MERCADORIA. PENALIDADE
Aplica-se a multa de 30% do valor dos bens importados, por falta do devido licenciamento de importação, nos casos em que o produto é classificado de forma incorreta e foi descrito de forma inexata nos documentos de importação.
Numero da decisão: 3301-005.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 27/01/2006 a 28/05/2008 MULTA DO ART. 84, I, DA MEDIDA PROVISÓRIA N° 2.15835/2001 Os produtos importados são, na verdade, vacinas para animais já prontas para uso, classificadas na posição NCM 3002.30.90 " Outras vacinas para medicina veterinária". Portanto, incide na hipótese o art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/ 2001, que determina a aplicação de multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro quando a mercadoria for “classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria”. CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. DESCRIÇÃO INEXATA DA MERCADORIA. PENALIDADE Aplicase a multa de 30% do valor dos bens importados, por falta do devido licenciamento de importação, nos casos em que o produto é classificado de forma incorreta e foi descrito de forma inexata nos documentos de importação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 04 39 /2 00 8- 07 Fl. 606DF CARF MF Processo nº 10830.720439/200807 Acórdão n.º 3301005.008 S3C3T1 Fl. 607 2 Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Por bem descrever e retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls.407436: Trata o presente processo de impugnação contra Auto de Infração de fls. 04 12, por meio do qual foi formalizada a exigência de: a) multa por classificação incorreta de mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), prevista no art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, no valor de R$ 87.013,91; b) multa por infração administrativa ao controle das importações, caracterizada por importar mercadoria sem licenciamento, prevista no art. 169, inciso I, alínea "b" do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 6.562/1978, no valor de R$ 2.809.197,15. De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração e ainda do Termo de Constatação Fiscal (fls. 3357), a empresa acima identificada, por meio de quarenta e três Declarações de Importação (DI), relacionadas às fls. 0608, registradas no período de 27/01/2006 a 28/05/2008, submeteu mercadorias a despacho aduaneiro, classificandoas na Tarifa Externa Comum sob o código NCM 3002.90.91, referente a “outras toxinas, culturas de microorganismos e outros produtos semelhantes para saúde animal” (fls. 1520). As descrições das mercadorias de cada DI estão reproduzidas às fls. 3439, as quais, lidas na presente sessão, constam essencialmente dos seguintes dizeres: “ANTIGENO SINTOXAN POLIVALENTE MATERIAPRIMA DESTINADA A FABRICACAO DA VACINA SINTOXAN POLIVALENTE DESTINADA A PREVENCAO DO CARBÚNCULO SINTOMÁTICO (PESTE DA MANQUEIRA), GANGRENAS GASOSAS E ENTEROTOXEMIAS CAUSADAS PELOS CLOSTRIDIUM : CHAUVOEI , SEPTICUM, PERFRINGENS, NOVYI E SORDELLI. QUANTIDADE: 3.000 LITROS EMBALAGEM: BOMBONAS DE 50 LITROS” A autoridade fiscal destaca que, nas descrições das mercadorias, o contribuinte declarou tratarse de “matériaprima”, porém os produtos consistem na própria vacina, totalmente pronta, importada em recipientes de 50 litros de capacidade (bombonas). Informações extraídas do sítio do importador na Internet revelam que os produtos SINTOXAN® POLIVALENTE, SINTOXAN® POLIVALENTE T, SINTOXAN® 9TH e LINOVACR correspondem à linha de vacinas da empresa contra as clostridioses dos ruminantes, constando que “Todas estas vacinas, formuladas na MERIAL com antígenos concentrados e titulados segundo as normas internacionais, Fl. 607DF CARF MF Processo nº 10830.720439/200807 Acórdão n.º 3301005.008 S3C3T1 Fl. 608 3 são a garantia para o pecuarista de que o seu rebanho está protegido com a melhor tecnologia disponível contra clostridioses.” A fim de elucidar se os produtos importados eram realmente apenas matéria prima para a fabricação da vacina SINTOXAN ou se consistiam nas próprias vacinas, prontas e acabadas, e averiguar se havia alguma diferença entre a mercadoria importada e o produto pronto para a venda denominado "VACINA SINTOXAN", o contribuinte foi intimado a prestar esclarecimentos, respondendo aos seguintes quesitos (fls. 4041): “Após a importação do ‘ANTÍGENO SINTOXAN POLIVALENTE’ e do ‘ANTIGENO SINTOXAN POLIVALENTE T’ informar quais os produtos que são a eles agregados. Informar se ocorre alguma alteração química nos produtos importados.” RESPOSTA: "São agregados aos antígenos acima (ANTÍGENO SINTOXAN POLIVALENTE e do ANTÍGENO SINTOXAN POLIVALENTE T) todo o material de embalagem primária: Frascos, rolhas de borracha e cápsulas de alumínio. Não ocorrem transformações químicas neste processo". “Informar se há qualquer diferença entre o antígeno’ importado e a ‘vacina’ pronta, comercializada pela empresa, que não seja apenas uma questão de quantidade na forma de apresentação.” RESPOSTA: "As diferenças entre os antígenos e as vacinas são quanto aos volumes e apresentações: alterações sem as quais é impossível distribuir, comercializar e aplicar o produto de forma a preservar sua eficácia e atender recomendações de boas práticas clínicas. Salientamos que o processo de repartição (envase), de um produto injetável estéril, é considerado pela indústria farmacêutica mundial uma fase crítica do processo produtivo." Diante das respostas acima, a fiscalização afirma que ao produto importado nada é adicionado, não ocorrendo alterações químicas, havendo apenas um processo de reacondicionamento (envase), realizado no Brasil, concluindo que a mercadoria tratase de vacina. Acrescenta, o autuante, que, em face dos esclarecimentos do contribuinte, por não haver qualquer divergência na identificação da mercadoria importada em relação ao que entende o agente fiscal, tornouse desnecessário um laudo técnico. Foram utilizados, como prova emprestada, os laudos datados de 20/06/2000, elaborados pelo Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami (LABANA), referentes aos produtos SINTOXAN POLIVALENTE T e ANTÍGENO TETÂNICO, do mesmo fabricante estrangeiro (Merial, sediado no Uruguai), mesmo importador, extraídos do processo 10831.009016/0087, relativos a mercadorias importadas com base na DI n° 00/05317180. Resumidamente, os citados laudos informam que a “composição da mercadoria é a mesma da vacina SINTOXAN POLIVALENTE, acabada.” A referida DI continha a seguinte descrição das mercadorias, as quais haviam sido classificadas, pelo importador, no código NCM 3002.90.91: “ANTIGENO SINTOXAN 2m1 ANTIGENO IMUNIZANTE CONTENDO ANACULTURA DE CLOSTRIDIUM CHAUVOEL E ANATOXINAS DE CLOSTRIDIUM PERFRINGENS (BETA E EPSILON), DO CLOSTRIDIUM NOVYL Fl. 608DF CARF MF Processo nº 10830.720439/200807 Acórdão n.º 3301005.008 S3C3T1 Fl. 609 4 E DO CLOSTRIDIUM SORDELLI. MATERIAPRIMA DESTINADA A PRODUCAO DA VACINA SINTOXAN POLIVALENTE T.” Instado a informar quais as regras do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias adotadas para determinar a classificação tarifária dos produtos em questão, a empresa respondeu: “A regra de interpretação do Sistema Harmonizado é a 3A, justificase por levar em consideração que os produtos importados não podem ser utilizados no estado em que são importados, necessariamente são obrigados a passarem por um processo de industrialização (beneficiamento e embalagem) nos termos do art. 4º, inciso II e IV do RIPI Decreto 4.544/02, assim não os considerando um produto acabado, isto é, vacina pronta para ser utilizada.” O AuditorFiscal argumenta que a Regra 3 “a” não se aplica ao caso em questão, pois as mercadorias importadas não estão sujeitas a se classificarem em duas ou mais posições. Sustenta, outrossim, que os produtos se classificam com base na Regra 1, numa única posição. Aduz ainda que o Decreto nº 4.544/2002 não tem qualquer efeito na classificação fiscal, sendo que a operação de industrialização não altera, necessariamente, a classificação de um produto na MCN, asseverando ser evidente que os produtos importados em galões e/ou bombonas continuam sendo os mesmos produtos após o reacondicionamento em frascos, prontos para a aplicação, tratando se de vacinas para uso veterinário antes e depois do reacondicionamento/ envase. A empresa foi intimada a apresentar os Certificados de Registro, emitidos pelo Ministério da Agricultura, dos produtos importados e dos respectivos produtos comercializados, havendo exibido os citados documentos. O AuditorFiscal afirma que, nas faturas comerciais emitidas pelo exportador estrangeiro, consta como descrição da mercadoria “ANTÍGENO SINTOXAN POLIVALENTE T BID SOL 16666 DS” e “ANTÍGENO SINTOXAN POLIVALENTE BID 50L 25000 DS”, indicando tratarse de produto acabado, identificado pelo próprio nome comercial, em embalagens de 50 litros, incluindose a especificação da quantidade de doses que contém (“DS”), não mencionando tratar se de "matériaprima". De idêntico modo, os Certificados de Origem do Mercosul apresentam a mesma descrição das mercadorias indicadas nas faturas, sem qualquer referência a "matériaprima" para a fabricação de vacinas. Conclui, o exator, que os produtos descritos pelo contribuinte como "matériaprima" para a fabricação de vacina são, na realidade, a própria vacina. Após discorrer sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, sobre as Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), as Regras Gerais Complementares (RGC) e as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), a autoridade aduaneira sustenta que a mercadoria se classifica no código 3002.30.90 da NCM, por aplicação das RGI 1 e 6, RGC 1 e NESH da posição 3002. Fazendo alusão ao Anexo I da Instrução Normativa SRF nº 680/2006 e art. 11 da Portaria Secex nº 14, de 17/11/2004, é afirmado ainda que o contribuinte descreveu erroneamente a mercadoria, fazendo constar de forma explícita o termo Fl. 609DF CARF MF Processo nº 10830.720439/200807 Acórdão n.º 3301005.008 S3C3T1 Fl. 610 5 "matériaprima" para a fabricação de vacina quando, na verdade, tratavase de vacina totalmente pronta. Aduz que a menção ao nome comercial do produto "Sintoxan Polivalente" e "Antígeno Sintoxan Polivalente T", na descrição da mercadoria, não substitui a perfeita descrição que deveria conter todas as suas características, de modo a propiciar o correto enquadramento na NCM. Em decorrência dos fatos apurados, por haver considerado errônea a classificação na NCM, efetuada pelo contribuinte, a fiscalização infligiu a multa prevista no artigo 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Tendo em vista ainda que para o código correto da NCM a legislação exige licenciamento da importação, de acordo com a fiscalização, ficou caracterizada a realização de importação sem licença de importação (LI), aplicando, por isto, a multa de que trata art. 169, inciso I, alínea "b" do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 6.562/1978. Esclarece, o fiscal, à vista Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/1997, que, para os casos de classificação errônea da mercadoria, cuja descrição não contemple todos os elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário, ou seja, estando incorretamente descrita, havendo necessidade de licenciamento para o código NCM correto, fica o importador sujeito à aplicação da multa por falta de licenciamento. Informa que o módulo "tratamento administrativo" do SISCOMEX indica a necessidade de licenciamento para a NCM 3002.30.90, conforme "destaque 003". Por fim, ressalta que os licenciamentos obtidos pelo contribuinte não se referem às mercadorias realmente importadas e sim ao código NCM 3002.90.91 (outros produtos para saúde animal), havendo sido concedidos com base em descrição incorreta da mercadoria, elaborada pelo contribuinte, que alegou tratarse de "matériaprima" para a produção de vacinas. O licenciamento a ser obtido deveria referirse ao código NCM 3002.30.90 (vacina) “destaque "003". Cientificada do Auto de Infração em 03/07/2008, conforme indicado à fls. 03, a interessada apresentou a impugnação de fls. 6293, em 29/07/2008, expondo as razões de defesa a seguir resumidas: 1) pela suposta divergência de classificação tarifária está se exigindo a multa de 30%, sendo que não pode prosperar o item da acusação fiscal, referente à falta de LI em consequência de classificação fiscal incorreta; 2) a impugnante emitiu devidamente as Declarações de Importação e nelas descreveu corretamente o produto importado como "outras toxinas — culturas de microorganismos para saúde animal" e classificou também corretamente, no código NCM 3002.90.91, além de não ter havido, intuito doloso ou mafé, por parte da impugnante; 3) visto que para quaisquer das duas classificações tarifárias está prevista alíquota zero do Imposto de Importação e do IPI, nos casos de importação de países membros do Mercosul, não haveria interesse da empresa importadora, em optar por determinada classificação fiscal visando obter vantagens financeiras; 4) há divergência de posição adotada pelo agente fiscal autuante, variando de acordo com as suas conveniências de momento, pois assevera: “considerando que não há qualquer divergência na identificacão da mercadoria importada, face aos esclarecimentos do contribuinte, entendemos que o pedido de laudo técnico tornou se desnecessário”; Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10830.720439/200807 Acórdão n.º 3301005.008 S3C3T1 Fl. 611 6 5) contudo, no mesmo Termo assim afirma: “para os casos de classificação fiscal errônea cuja descrição da mercadoria não contemple todos os elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário, ou seja, incorretamente descrita, em cuja NCM está prevista a necessidade de licenciamento fica o importador sujeito a aplicação da multa por falta de licenciamento”; 6) é notória a contradição do agente fiscal, pois em um momento entende que o produto foi bem descrito, alegando não haver “qualquer divergência na identificação da mercadoria” e noutro alega que a “descrição das mercadorias não contempla todos os elementos necessários à sua identificação”; 7) a mercadoria não foi incorretamente descrita, visto que o contribuinte declarou que se tratava de "ANTÍGENO SINTOXAN POLIVALENTE" e o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa assim define “Antígeno”: “Qualquer das substâncias capazes de, penetrando no organismo, provocar a formação de anticorpos”; 8) antígeno tratase do nome técnico de vacina, substância que provoca a formação de anticorpos, não se podendo afirmar que a descrição estava incorreta, visto as termos "antígeno" e "vacina" serem praticamente sinônimos, sendo que qualquer um dos nomes que se desse a esse tipo de mercadoria, não haveria pagamento do Imposto de Importação e do IPI, conforme já dito anteriormente; 9) existe uma explicação para o fato de o importador não haver utilizado o nome “vacina” e seu respectivo código tarifário, tendo sido justificado ao fisco que os produtos importados (antígenos), no estado em que se encontravam no momento da importação, não estavam aptos a serem aplicados nos animais, pois são recebidos do exportador em bombonas de 50 litros, sendo tecnicamente impossível retirarem se pequenas doses do produto e aplicálas diretamente nos animais; 10) porque o Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami, os Laudos nos 1910.02 e 1910.01, de 28/08/2000, que serviram como prova emprestada, identificaram os produtos como "Vacina Acabada"?; 11) os laudos está declarado textualmente: “não dispomos de padrões e substâncias de referencia e nem infraestrutura adequada para analisar a mercadoria ... dessa maneira, as informações técnicas descritas a seguir foram baseadas inteiramente em referências bibliográficas”; 12) de acordo com a referência bibliográfica, vacina antitetânica, contendo anatoxina do tétano, com apresentação em frascos de 20 ml e 100ml, é indicada na prevenção do tétano em animais, ficando provado, através dos laudos, que o laboratório tomou por base o produto em apresentação em frascos de 20 ml e 100ml, o que não corresponde ao produto importado pela impugnante, o qual consiste em antígeno Sintoxan polivalente em bombonas de 50 litros; 13) o procedimento de retirada do produto (antígeno), diretamente da bombona para uso direto e imediato, implicaria na perda total do produto constante da bombona por contaminação; 14) por esse motivo, tornase absolutamente imprescindível o procedimento industrial realizado, ou seja, esterilização externa das bombonas, esterilização dos equipamentos por onde circula o antígeno, envase asséptico, acondicionamento em embalagens e controle de qualidade a ser certificada pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), sem o qual o produto está proibido de ser colocado no mercado; Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10830.720439/200807 Acórdão n.º 3301005.008 S3C3T1 Fl. 612 7 5) os procedimentos acima citados estão caracterizados no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Decreto nº 4.544/2002), como sendo típica operação de industrialização, conforme art. 4º, incisos II e IV (beneficiamento e acondicionamento ou reacondicionamento); 16) se as mercadorias importadas, iriam sofrer um processo de industrialização, nada mais natural, que se desse a ela a qualificação de "matéria prima" e não de produto acabado, quer parecer que o procedimento mais adequado seria tratar o produto importado como “antígeno”, classificação fiscal no código NCM 3002.90.91 e, para o produto na embalagem de pronto uso, como “vacina” no código NCM 3002.30.90; 17) nos casos em que a impugnante importa os antígenos já embalados para pronto uso, que independe de qualquer procedimento adicional para utilização nos animais, utilizase normalmente da nomenclatura "vacina", classificação tarifária NCM 3002.30.90; 18) levandose em consideração que os produtos importados não podem ser utilizados no estado em que são importados, bem como que necessariamente são obrigados a passarem por um processo de industrialização, o bom direito determina que a regra mais adequada a ser aplicada neste caso é a regra 3 “a” das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado; 19) a impugnante declarou com toda clareza a descrição dos produtos importados, bem como acatou, na determinação da classificação dos produtos, as Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado; 20) socorre o entendimento da Impugnante, o Ato Declaratório (Normativo) nº 12/1997, da Receita Federal; 21) a jurisprudência assente na Câmara Superior de Recursos Fiscais, no egrégio Conselho de Contribuintes e no Judiciário é no sentido da não aplicação da multa de 30% em casos que tais, conforme resumido nos itens seguintes; 22) o erro na classificação tarifária não enseja, por si só, a aplicação da multa por falta de licenciamento, estando o produto devidamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação, e não tendo sido comprovado intuito doloso ou máfé por parte do declarante, não havendo caracterização da declaração inexata, para efeito da aplicação da multa por falta de LI; 23) havendo descrição incompleta, mas adequada à identificação do produto importado, a falta de elementos de identificação da mercadoria, embora podendo causar erro de classificação, não enseja a aplicação da multa por falta de LI, se as omissões forem irrelevantes para adequada identificação do produto, em sede do controle administrativo das importações; 24) a descrição da mercadoria importada, quando não acarreta alterações substanciais em suas características, descaracteriza a infração ao controle das importações; 25) ocorrendo apenas imprecisa descrição da mercadoria que não torna inválida a Guia de Importação para dar cobertura à importação, temse como descaracterizada a infração descrita como importar sem Guia de Importação ou documento equivalente; 26) cabe verificar se a mercadoria encontrada em conferência aduaneira corresponde, na sua essência, ao que foi licenciado pelo órgão controlador do Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10830.720439/200807 Acórdão n.º 3301005.008 S3C3T1 Fl. 613 8 comércio exterior brasileiro, sendo que a errônea classificação não leva, por si só, a desconsiderarse a Guia de Importação como imprópria para amparar a importação; 27) há apenas descrição inexata que não chega a descaracterizar o produto em relação ao descrito na Guia de Importação, sendo, o sujeito passivo, impreciso na enunciação das características do produto, não, porém, a ponto de determinar a insuficiência da Guia de Importação que dava cobertura à importação; 28) a mudança de classificação tarifária, após conferência e liberação pela autoridade alfandegária, da mercadoria importada, implica na modificação dos critérios jurídicos antes adotados e caracteriza a ocorrência de erro de direito, o que impossibilita a revisão do lançamento fiscal (Súmula 277 do extinto TFR); 29) só se poderia aplicar a multa de 30%, quando efetivamente se caracterizasse a divergência entre a mercadoria declarada e a verificada fisicamente, o que não é a hipótese do "antígeno Sintoxan Polivalente" importado, ou seja, não há divergência, na identificação dos produtos; 30) em relação à acusação referente a mercadoria classificada incorretamente na NCM, em nome da racionalização processual, ficando devidamente provado que não houve classificação incorreta das mercadorias na NCM, que pudesse ensejar falta de LI, conforme itens precedentes, fica sem base legal a multa por classificação fiscal incorreta, motivo pelo qual, ratificase o inteiro teor da impugnação ao item 001, para o item 002, que deverá ser considerado automaticamente inconsistente e declarado insubsistente; 31) por fim, requer seja julgado totalmente improcedente o feito fiscal, ordenandose a exclusão da multa administrativa de 30%, prevista no art. 633, inciso I, alínea "a" do Decreto nº 4.543/2002, e também da multa prevista no artigo 636, inciso I, do mesmo decreto. Em 20/03/2009, a impugnante peticionou às fls. 176184, apresentando complemento à impugnação, com fundamento no princípio da verdade material, ressaltando que esta, no caso dos presentes autos, representa que as mercadorias “não foram importadas ao desamparo de guia de importação bem como não foram importadas com a descrição incorreta das mercadorias”. Após discorrer sobre o princípio da verdade material, com base na doutrina, a defendente alude à jurisprudência, segundo a qual, a não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material, com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. Informa, outrossim, que obteve um julgamento favorável junto à 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (DRJ/SPOII), na sessão de 26/11/2008, conforme Acórdão nº 1729.006, referente ao mesmo assunto, anexandose a íntegra do julgado, a fim de que sirva de balizamento para o julgamento do presente processo (fls. 185190). Por fim, requer o recebimento do complemento de impugnação, para que afinal, seja julgado totalmente improcedente o feito fiscal, ordenandose a exclusão das multas aplicadas. Em 11/12/2009, às fls. 192200, a litigante novamente apresenta complemento à impugnação, com base nos mesmos fundamentos contidos na petição anterior, a fim de informar que obteve mais um julgamento favorável junto à 2ª Turma do mesmo órgão julgador, na sessão de 17/09/2009, conforme Acórdão nº 1735.046 (fls. 201208). Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10830.720439/200807 Acórdão n.º 3301005.008 S3C3T1 Fl. 614 9 Em mais uma ocasião, na data de 23/06/2015, a interessada apresentou a petição de fls. 376386, vazada nos mesmos moldes das anteriores, comunicando o resultado de dois julgamentos da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), os quais lhe foram favoráveis no tocante à infração administrativa ao controle das importações, consoante os Acórdãos de nos 3102 000.822 e 3201000.666, para que sirva de parâmetro da decisão do presente litígio (fls. 387404). Em 14 de junho de 2016, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 27/01/2006 a 28/05/2008 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. VACINAS PARA USO EM MEDICINA VETERINÁRIA. As vacinas para uso em medicina veterinária que se destinem à prevenção de doenças diferentes daquelas expressamente mencionadas nos desdobramentos da subposição 3002.30 da Nomenclatura Comum do Mercosul classificamse no código 3002.30.90. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 27/01/2006 a 28/05/2008 INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. FALTA DE LICENCIAMENTO. Configura infração, punível com a multa equivalente a trinta por cento do valor aduaneiro, importar mercadoria sem Licença de Importação, nos casos em que a emissão desse documento é exigida pela legislação. Considerase caracterizado o ilícito quando constatada divergência entre a descrição da mercadoria fornecida para fins de licenciamento e o produto efetivamente importado. Intimada de decisão em 24.06.2016 (fls.526), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 22.07.2016 (fls.529) alegando, síntese: (i) preliminarmente: (i.a) inobservância aos incisos II e III, do CTN; (i.b) nulidade do lançamento e do acórdão por aceitarem a revisão do lançamento, fato que, inclusive, constitui mudança de critério jurídico; (ii) meritoriamente reproduz os argumentos apresentados em sede impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira I Admissibilidade Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10830.720439/200807 Acórdão n.º 3301005.008 S3C3T1 Fl. 615 10 O recurso preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. II Preliminares II.1 Observância ao artigo 100 do CTN A Recorrente reiterou seus argumentos apresentados em sede impugnatória, no sentido de que seja aplicado ao presente caso o regramento previsto nos incisos II e III do art. 100 do Código Tributário Nacional, em razão de ter obtido decisões administrativas favoráveis, em casos idênticos. Na impugnação, citou os Acórdãos DRJ n° 1729.006 e 1735.046 e os Acórdãos CARF n° 3102000.822 e 3201000.666, e, no recurso voluntário, mencionou apenas as duas últimas. Nos julgamentos, foram mantidas as multas por erro na classificação fiscal e cancelada a por falta de licenciamento. Dispõe o art. 100 do CTN: “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; Parágrafo Único A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.” (g.n.) A DRJ afastou a pretensão da Recorrente por entender que as citadas decisões não têm eficácia normativa, em razão de inexistir lei que lhes atribua tal efeito, entendimento firmado pelo PN COSIT n° 23/2013. Correto o entendimento emanado pela instância a quo. Também não se aplica o inciso III, pois não foi trazida as autos qualquer prova de que a autoridade administrativa teria orientado ou mesmo concordado formalmente com a forma de cursar as operações sob análise. Neste esteira, não existindo fundamento apto à acolher as infundadas pretensões da Recorrente, nego provimento à presente preliminar. II.2 Revisão de Lançamento A Recorrente traz as seguintes alegações para sustentar o pedido de nulidade do lançamento fiscal e do acórdão recorrido: Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10830.720439/200807 Acórdão n.º 3301005.008 S3C3T1 Fl. 616 11 6.NULO DE PLENO DIREITO, o auto de infração lavrado contra a ora Recorrente, bem como o v. acórdão recorrido de fls., eis que é absolutamente inadmissível a revisão de lançamento de imposto ou multa a pretexto de divergência de classificação tarifária, depois de aceitar as Declarações de Importação do importador com a devida conferência pelos fiscais da Alfândega e efetuado o desembaraço aduaneiro, e que caracteriza erro de direito e assim essa revisão de lançamento constituise em mudanças de critério jurídico, vedada pelo artigo 146 do CTN. 7. NESSE SENTIDO é a MAIS ABALIZADA JURISPRUDÊNCIA assente nos Tribunais do País e principalmente no Colendo STJ, de que são exemplos os acórdãos abaixo colacionados: (...) De modo que, preliminarmente, há de ser decretada a NULIDADE do auto de infração, bem como, do v. acórdão recolhido de fls., mesmo porque, o artigo 54 do DL – 37/66 em que ele (acórdão) se alicerçou, no ponto, não se sobrepõe ao que prescrito pelo artigo 146 do CTN, de índole de Lei Complementar. Não assiste razão à Recorrente.. Sobre o tema: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 05/03/2008 REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI. APURAÇÃO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO ÂMBITO DO DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, por meio do ato de desembaraço aduaneiro é realizada a liberação da mercadoria, põe termo a fase de conferência aduaneira e dar início a fase de revisão aduaneira, expressamente autorizada em lei. Enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário, na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na DI, a autoridade fiscal deve proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis. RETROATIVIDADE BENIGNA A alteração promovida pela Lei 13.043/2014, que modificou o critério de apuração dos impostos previstos no artigo 67, da Lei nº 10.833/2003 não deve ser aplicado retroativamente. Inaplicabilidade do artigo 106, do Código Tributário Nacional. BASE DE CÁLCULO Não comprovado alegado erro na apuração da base de cálculo pela autoridade fiscal, impõese a manutenção do lançamento fiscal. (acórdão 3302003.508 Processo 12689.001133/201071, Relator Walker Araujo) Adoto, por concordar com seus fundamentos, as razões contidas no acórdão anteriormente colacionado, como causa de afastar a pretensão da Recorrente: Sabidamente, o ato de desembaraço aduaneiro não tem a natureza de ato de lançamento de ofício e tampouco ato de homologação expressa do lançamento por homologação. Com efeito, o ato desembaraço aduaneiro, proferido ao final da fase de conferência aduaneira do despacho aduaneiro de importação, tem efeito de formalizar a liberação ou desembaraço da mercadoria, conforme expressamente estabelecido no art. 51 do Decretolei 37/1966. E como as informações e os valores consignados na DI, incluindo a classificação fiscal da mercadoria, foram prestados pelo próprio importador, previamente ao início do despacho aduaneiro, se algum critério jurídico foi definido até o ato de desembaraço aduaneiro, certamente, ele Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10830.720439/200807 Acórdão n.º 3301005.008 S3C3T1 Fl. 617 12 deve ser atribuído ao importador e não a autoridade fiscal, que se limitou a liberar a mercadoria. Entretanto, ainda que haja lançamento de crédito tributário, apurado na fase de conferência aduaneira, por força de autorização legal expressa (art. 54 do Decretolei 37/1966), na fase de revisão aduaneira, a autoridade administrativa tem plena competência, para, na eventual apuração de irregularidade no pagamento de tributos, na aplicação de benefício fiscal e na exatidão das informações prestadas pelo importador na DI, proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis. Dessa forma, se o ato de desembaraço aduaneiro se restringe ao respectivo despacho aduaneiro de importação e tem como efeito a liberação da mercadoria importada, obviamente, a ele não pode ser atribuído a natureza de ato de homologação expressa dos tributos devidos na correspondente operação de importação, por não atender as condições previstas no art. 150 do CTN. E por ter natureza de direito indisponível, cabe a lei mencionar qual o ato administrativo que tem o efeito de extinguir o crédito tributário. E o desembaraço aduaneiro, inequivocamente, não tem esse efeito, pois não se encontra mencionado no rol taxativo dos atos extintivos do crédito tributário, elencados no art. 156 do CTN. Não se pode olvidar, ademais, que a necessidade de celeridade dos atos de liberação da imensa quantidade de mercadorias importadas e estocadas diariamente nos recintos alfandegados brasileiros, impossibilita que a fiscalização aduaneira, na fase de conferência aduaneira do despacho, realize um exame minucioso de todos os aspectos aduaneiros e tributários atinentes aos inúmeros despachos aduaneiros de importação que se processam diariamente nas inúmeras unidades aduaneiras da RFB. Dada essa característica, para evitar prejuízo financeiro aos importadores, decorrentes de demora na liberação das mercadoria, e prejuízo à Fazenda Nacional, com o não pagamento de tributos devidos, andou bem a lei em autorizar a realização procedimento de revisão aduaneira do despacho aduaneiro após o ato de desembaraço aduaneiro, enquanto não ocorrida a decadência do direito de constituir o crédito tributário. Assim, se há expressa previsão legal, o lançamento por homologação, realizado pelo importador, mediante antecipação do pagamento dos tributos apurados na DI, ou o lançamento de ofício realizado na fase de conferência aduaneira do despacho de importação, pode ser revisto pela autoridade fiscal antes de findo o prazo decadencial, conforme autoriza o art. 149, I, do CTN, a seguir transcrito: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; [...] (grifos não originais) E em consonância como referido comando legal, a lei expressamente determina que, se apurada falta ou insuficiência de pagamento de tributos, na fase de revisão do despacho aduaneiro de importação, por força do disposto no art. 142 do CTN, o lançamento para exigência dos valores apurados deve ser feito pela autoridade fiscal, sob pena responsabilidade funcional. Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10830.720439/200807 Acórdão n.º 3301005.008 S3C3T1 Fl. 618 13 Com base nessas considerações, rejeitase a alegada preliminar de impossibilidade jurídica de realização de revisão do despacho aduaneiro importação. III. Mérito Conforme exposto anteriormente, a presente demanda tem por escopo auferir a correta classificação dos produtos importados pela Recorrente denominados SINTOXAN POLIVALENTE T que, para o contribuinte, deve ser classificado no código NCM 3002.90.91, referente a “outras toxinas, culturas de microorganismos e outros produtos semelhantes para saúde animal", ao passo que a autoridade aduaneira sustenta que a mercadoria se classifica no código 3002.30.90 da NCM, por aplicação das RGI 1 e 6, RGC 1 e NESH da posição 3002. Dado a divergência quanto à classificação do produto em questão, a fiscalização lavrou o presente Auto de Infração para cobrança de multas, uma, por classificação incorreta de mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), prevista no art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, no valor de R$ 87.013,91; e outra, por infração administrativa ao controle das importações, caracterizada por importar mercadoria sem licenciamento, prevista no art. 169, inciso I, alínea "b" do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 6.562/1978, no valor de R$ 2.809.197,15. A discussão tratada nestes autos já foi objeto de análise nos autos do PA nº 10831.009116/201417, instaurado em face da recorrente, sendo que, naquela oportunidade, restou decidido o quanto segue: Multa do art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001 Por haver divergência de classificação entre a adotada pela empresa e o fisco, mas com identidade de alíquotas, a fiscalização lançou, apenas, as multas por falta de apresentação de licença de importação (LI), nos termos do art. 169 do DecretoLei nº 37/66, regulamentado pelo art. 633, inciso II, do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/2002), e a multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro da mercadoria, em razão do erro de classificação fiscal, nos termos do art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/ 2001. Assim, não há diferenças de tributos a serem recolhidas na presente hipótese. Todavia, uma vez que a multa do art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/ 2001, está condicionada a erro de classificação, cumpre examinar se a classificação empregada no caso concreto está correta. A empresa acima qualificada importou mediante as Declarações de Importação à fl. 32 o que declarou ser: "Antígeno tetânico contendo anatoxina de clostridium tetani, hidróxido de alumínio, fomuldeido e solução de cloreto de sódio. Matériaprima destinada à produção da vacina SINTOXAN POLIVALENTE T, fabricada pela MerialUruguai" e "Antígeno imunizante contendo anacultura de clostridium chauvoel e anatoxinas de clostridium perfringens (beta e epsilon) do clostridium novyl e do clostridium sordelli. Matériaprima destinada à produção da vacina S1NTOXAN POLIVALENTE C, fabricada pela MenaiUruguai". Uma vez que o Contribuinte entende que tais mercadorias seriam matéria prima para fabricação de vacinas, elas foram classificadas na posição 3002.90.91, Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10830.720439/200807 Acórdão n.º 3301005.008 S3C3T1 Fl. 619 14 relativa às "Outras vacinas, toxinas, culturas de microrganismos e produtos semelhantes". A fiscalização determinou a realização de perícia técnica pelo Laboratório Nacional de Análises acerca da natureza dos produtos desembaraçados. O perito entendeu que, ao contrário do que afirma o contribuinte, os produtos desembaraçados não são matéria prima para fabricação de vacinas, mas sim vacinas já prontas e acabadas. Consta do laudo pericial: “A composição da mercadoria declarada no campo 'Discriminação do Produto' do pedido de exame LAB1316/ALF Viracopos, está de acordo com a composição descrita nas Referências Bibliográficas para vacina AntiTetânica, constituída de anotoxina tetânica obtida da toxina de elostridium tetani, submetida à destoxificação pelo formaldeído, purificada e adsorvida pelo hidróxido de alumínio em solução salina, e indicada para imunização ativa contra o tétano. Portanto, as informações acima indicam que a mercadoria é uma vacina acabada". E também que: "A composição da mercadoria declarada no campo 'Discriminação do Produto' do pedido de exame LAB1316/ALF Viracopos, está de acordo com a composição descrita nas Referências Bibliográficas para vacina de nome comercial POLIVALENTE e em literatura técnica para vacina SINTOXAN POLIVALENTE, licenciada no Ministério da Agricultura sob número 3.868/91. Portanto, as informações acima indicam que a composição da mercadoria é a mesma da vacina SINTOXAN POLIVALENTE, acabada". A mercadoria foi, então, classificada na posição NCM 3002.30.90, relativa às "Outras vacinas para medicina veterinária". De fato, as informações fornecidas pelo perito oficial elidem de quaisquer dúvidas o fato de que os produtos importados são, na verdade, vacinas para animais já prontas para uso. Portanto, a posição 3002.90.91, dada pelo Contribuinte, não se afigura adequada. Por outro lado, a classificação na posição NCM 3002.30.90 " Outras vacinas para medicina veterinária", é perfeitamente adequada à hipótese, por espelhar literalmente a composição e a natureza do produto desembaraçado. Isto posto, é pertinente a aplicação da multa do art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001, que determina a aplicação de multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro quando a mercadoria for “classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria”. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento da multa do art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/ 2001. Multa por falta de licenciamento – artigo 526, II, do Regulamento Aduaneiro Passo ao exame do recurso de ofício. Quanto à aplicação da multa prevista no artigo 526, II, do Regulamento Aduaneiro, entendo que o lançamento é, de fato, improcedente. Além da descrição Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10830.720439/200807 Acórdão n.º 3301005.008 S3C3T1 Fl. 620 15 correta da mercadoria, apontada pela DRJ, cumpre considerar que a multa administrativa prevista no artigo 526, II, do Regulamento Aduaneiro, não é aplicada nos casos em que se verifica, tão somente, descrição inexata de mercadoria em declaração de importação, porém, especificamente, incide tal multa nos episódios de ausência de licença de importação ou guia de importação.No novo regime de licenciamento, em vigor desde a incorporação da Rodada do Uruguai, em 1994, o elemento que identifica se a mercadoria está ou não sujeita a licenciamento nãoautomático e, em caso afirmativo, quais os procedimentos que devem ser seguidos para sua obtenção dessa autorização, é a classificação fiscal. Assim caso se demonstre erro na indicação da classificação tarifária e o item tarifário apontado como correto estiver sujeito a controle administrativo não previsto para a classificação original (por exemplo, o código tarifário original estava sujeito a LI automática e o corrigido, a nãoautomática), forçosamente, mercadoria não passou pelos controles próprios da etapa de licenciamento e, conseqüentemente, teria sido importada desamparada de documento equivalente à Guia de Importação. Ocorre, por outro lado, que se, tanto a classificação empregada pelo importador, quanto definida pela autoridade autuante não estiver sujeita a licenciamento ou, se sujeita, possuir o mesmo tratamento administrativo da classificação original, não há que se falar em falta de licenciamento por erro de classificação. Esse é, precisamente, o caso em exame. Depreendese do r. acórdão a quo que, tanto na posição na qual a empresa classificou os produtos, quanto na posição indicada pelo Fisco, as mercadorias estavam sujeitas a licenciamento automático. Nesse sentido, vejase a redação do ato que tipifica a infração, qual seja, a atual redação do art. 169 do Decretolei nº 37/66 (destaque nosso): Art. 169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Artigo com redação dada pela Lei nº 6.562, de 18/09/1978) (...) b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. Dispõe o art. 526, inciso II, do RA, com a redação vigente a época dos fatos geradores: Art. 526. Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas (Decretolei nº 37/66,art. 169, alterado pela Lei No 6.562/78, art. 2º): (...) II importar mercadoria do exterior sem guia de importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria; Ora, se o controle administrativo das importações não foi prejudicado, evidentemente não se pode falar na aplicação da multa em questão. Compulsando os extratos de declaração de importação, verificase que, efetivamente, a mercadoria passou por processo de licenciamento. Indevida a multa, portanto. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10830.720439/200807 Acórdão n.º 3301005.008 S3C3T1 Fl. 621 16 Transcrevese ementa de precedente administrativo nesse sentido: Assunto: Imposto sobre a Importação – II Data do fato gerador: 21/09/1999 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. APRESENTAÇÃO DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO EXIGIDA, SOB NCM INECORRETO. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. A multa administrativa prevista no artigo 526, II, do RA e aplicada no presente caso pelo Fisco, não se sobrepõe nos casos de declarações inexatas, mas nos episódios de ausência das respectivas declarações ou de documentação equivalente. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE AFASTADA. Não cabe às autoridades administrativas analisar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de legislação infraconstitucional, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, conforme disposto no art. 102, inciso I, alínea "a", da Constituição Federal. Também incabível às mesmas autoridades afastar a aplicação de atos legais regularmente editados, pois é seu dever observálos e aplicálos, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único, do art. 142, do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, Recurso n° 337.531, Processo n° 11128.000357/200248, Contribuinte: Cognis Brasil Ltda., Data da Sessão: 13/08/2008, Rel. Cons. Heroldes Bahr Neto, Acórdão n° 30335551, destaque atual) Conclusão Pelo exposto, nego provimento aos recursos voluntário e de ofício. Em relação à correta classificação do produto sob análise e da cobrança da multa tipificada no art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001, considerando as idênticas situações fática e jurídica dos processos, bem como por concordar com seus termos e entender que muito bem enfrentam e afastam os argumentos contidos no recurso voluntário em questão, faço da decisão acima reproduzida minha razão de decidir (§ 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99). Não obstante, para que não me acusem de omissão, consigno que este colegiado não pode afastar a incidência do art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001, dispositivo legal em pleno vigor na data da infração, por eventual ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, previsto no art. 2° da Lei n° 9.784/99, tal qual alegou a recorrente. Já em relação a multa por falta de licenciamento, tipificada no artigo 526, II, do Regulamento Aduaneiro, a decisão proferida naquela processo não pode ser aplicada ao presente caso. Naquele processo, que trata de fato geradores ocorridos em datas distintas das aqui tratadas, tanto o NCM eleito pelo contribuinte quanto o adotado pela fiscalização sujeitavam as mercadorias a licenciamento automático. Já no presente caso, para ambas as classificações contribuinte e Fisco o tratamento administrativo era de licenciamento não automático. Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10830.720439/200807 Acórdão n.º 3301005.008 S3C3T1 Fl. 622 17 Com efeito, cumpre mencionar que, no recurso voluntário (fl. 543), a recorrente informou que importara os bens sem "LI". Contudo, nos autos, verificase o contrário (fls. 226, 233, 240 etc.), isto é, que foi obtida LI. E isto se confirma, pela leitura do item 7.4 do Termo de Constatação Fiscal: "7.4. Do licenciamento obtido Embora se constate que o contribuinte tenha realizado tais importações mediante licenciamento (LI), destacamos que tais licenciamentos não se referem às mercadorias realmente importadas. Os licenciamentos obtidos referemse ao NCM 3002.90.91 outros produtos para saúde animal, analisados sob a ótica de uma descrição incorreta, elaborada pelo contribuinte, que alegou tratarse de "matéria prima" para a produção de vacinas. O licenciamento que deveria ter sido obtido deveria ser referente A NCM 3002.30.90, (VACINA) destaque "003", conforme item "7.3" acima. Concluise, deste modo, que a real mercadoria importada, VACINA, não foi objeto de LI." Apesar de as importações terem sido cursadas com LI, o agente fiscal entendeu que deveria aplicar a multa de 30%, pois a licença teria sido obtida para a NCM incorreta e houve descrição inexata da mercadoria nas DI informou tratar de matériaprima, quando se tratava de produto acabado (vacina): Art. 169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Artigo com redação dada pela Lei nº 6.562, de 18/09/1978) (...) b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. Dispõe o art. 526, inciso II, do RA, com a redação vigente a época dos fatos geradores: Art. 526. Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas (Decretolei nº 37/66,art. 169, alterado pela Lei No 6.562/78, art. 2º): (...) II importar mercadoria do exterior sem guia de importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria; Dadas as citadas incorreções, a fiscalização considerou inaplicável o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12/97: Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10830.720439/200807 Acórdão n.º 3301005.008 S3C3T1 Fl. 623 18 “... não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante”. A recorrente sustenta que as mercadorias foram perfeitamente identificadas. "Antígeno Sintoxan Polivalente" é o nome técnico de "vacina", de acordo com o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa (Doc. 03, anexo ao recurso). Assim, antígeno e vacina seriam "praticamente" sinônimos". Utilizou "antígeno" e não "vacina", justamente porque, no estado em que importadas, ainda não estavam aptas a ser aplicadas no animais. O primeiro seria o "princípio ativo" para a produção do segundo. Que a descrição constante das DI permitiu que o Fisco realizasse a classificação fiscal e, assim, protesta pela aplicação do retromencionado ADN COSIT n° 12/97. E robustece, com trecho do Relatório de Constatação Fiscal, em que o próprio fiscal assim dispôs: "Considerando que não há qualquer divergência na identificação da mercadoria importada, face aos esclarecimentos do contribuinte, entendemos que o pedido de laudo técnico tornouse desnecessário" (fl. 41). Por fim, colacionou decisões administrativas, no sentido de que o erro na classificação fiscal não ensejaria a aplicação da multa por falta de LI, caso a mercadoria tenha sido corretamente descrita nas DI. Também neste caso, os argumentos de defesa não merecem prosperar. Os atos de omitir que se tratava de vacina e informar que era matériaprima, induzem a erros nos processos de classificação fiscal o incorreto NCM 3002.90.91, aplicável a “outras toxinas, culturas de microorganismos e outros produtos semelhantes para saúde animal” e de licenciamento de importação. O assunto foi muito bem abordado na decisão de primeira instância, motivo pelo qual dela adoto trechos como minha razão de decidir (fls. 425 a 433): "(. . .) Neste estágio de cognição, constatase que a descrição da mercadoria, feita pelo importador, omitiu exatamente a informação essencial, que dá identidade à mercadoria e permitiria sua imediata e perfeita caracterização para fins de classificação na NCM e licenciamento, qual seja, a de que o produto é “vacina”, o que somente foi descoberto em procedimento de fiscalização instaurado pela autoridade aduaneira. Ainda que se venha aventar que, no caso, “antígeno” foi a denominação usada para fins comerciais, isso não elimina a obrigatoriedade legal de que a descrição fornecida aos órgãos aduaneiros contenha a clareza necessária para identificar com precisão e especificidade a mercadoria como “vacina”. Em face do que foi elucidado pela fiscalização aduaneira, acerca da real natureza do produto importado, para que a descrição da mercadoria se reputasse correta, teria que ter sido informado, no mínimo, de modo inequívoco, que o produto Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10830.720439/200807 Acórdão n.º 3301005.008 S3C3T1 Fl. 624 19 era vacina, podendo, então, ser acrescentadas as demais características, nome técnico, científico, comercial, referências etc. Entretanto, desprezando a clareza e a precisão na descrição da mercadoria que levaria a se dizer o óbvio quando da descrição da mercadoria (vacina), na situação concreta, o importador optou por recorrer ao ambíguo termo “antígeno”, o qual, como visto, não retrata com fidedignidade o produto submetido a despacho aduaneiro. Apesar de se reputar evidente qual a informação objetivamente imprescindível na descrição da mercadoria (vacina), o importador não atendeu às exigências mínimas, consistentes num padrão de descrição tido como razoável. Além de haver omitido o dado essencial na descrição da mercadoria (vacina), fator determinante para a classificação e licenciamento da importação, substituindo o por termo inadequado (antígeno), o importador ainda aduziu informação absolutamente impertinente, ao incluir na descrição que se tratava “matériaprima” para fabricação de vacina. Diante de todo o exposto, temse induvidoso que o material importado, ainda que deva submeterse a reacondicionamento, não corresponde à matériaprima e tampouco a produto intermediário, porquanto ele já representa o produto final (vacina). A partir desse momento, os conceitos legais se impõem mais uma vez, tendo em vista que o legislador especificou, através da nomeação dos processos de industrialização a que são submetidos os insumos, o conceito de matériaprima. De acordo com o art. 4º do Decreto nº 4.544, de 26/12/2002, dáse o nome de matériaprima ao insumo a ser submetido a operação de industrialização por transformação, da qual resultará uma nova espécie de mercadoria, o que não ocorre com o produto importado, a uma, porque não é submetido a transformação, a duas porque não se converte em uma outra espécie de produto após seu processamento industrial pela empresa adquirente. Assim, nos termos da norma regulamentar acima mencionada, quando o processo de industrialização do insumo implique em sua transformação em espécie nova, esse mesmo insumo é denominado “matériaprima”. Concluise então que, o fator distintivo para se considerar um insumo como matériaprima, num determinando processo industrial, reside no fato desse insumo após submeterse a operação de industrialização, resultar em uma nova espécie de mercadoria. O produto importado mesmo depois de reacondicionado em frascos de 2, 20 ou 100 ml, jamais resultará em uma nova espécie de mercadoria, continuando sempre a ser vacina até que venha a ser consumido. Portanto, as mercadorias importadas não são meramente antígenos nem são matériasprimas. Assim, além de incompleta (omitindo que se trata de vacina), a descrição fornecida é inadequada à identificação do produto por referirse a antígeno e atribuirlhe a condição de matériaprima destinada fabricação de vacina. Observese que a omissão de dado relevante na descrição da mercadoria (vacina) associada a esse conjunto de informações impertinentes (antígeno, matéria prima) induz erroneamente a que se imagine que a empresa importava apenas o antígeno isoladamente, ou seja, agentes infecciosos culturas de bactérias, vírus (vivos ou atenuados) ou alguma espécie de proteína (toxina), na condição de matériasprimas, a fim de submetêlos aos complexos métodos de industrialização inerentes à biotecnologia, mediante a manipulação laboratorial (purificação, atenuação ou inativação dos microorganismos e toxinas e/ou modificação química ou genética), adição de solução de cloreto de sódio com vista a obter a concentração Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10830.720439/200807 Acórdão n.º 3301005.008 S3C3T1 Fl. 625 20 adequada e ainda agregação de substâncias conservantes (formaldeído), estabilizadores, antibióticos e adjuvantes (hidróxido de alumínio), nas medidas corretas, para então finalmente obter o produto final “vacina”. Essa série de incorreções na descrição da mercadoria acaba por conduzir equivocadamente a classificação do produto no código 3002.90.91 adotado pelo importador, aplicável a “outras toxinas, culturas de microorganismos e outros produtos semelhantes para saúde animal”, induzindo a erro, tanto o procedimento de classificação na NCM como também o licenciamento da importação, haja vista a divergência entre a mercadoria declarada e a verificada fisicamente. Não fossem suficiente os aspectos até aqui examinados, os quais revelam divergência substancial entre as características das mercadorias descritas e das efetivamente importadas, há mais elementos que reforçam a conclusão sobre a incorreção na descrição dos produtos, formulada pelo importador. Nesse passo, verificase que nem a descrição contida nas faturas comerciais nem aquela constante dos Certificados de Origem do Mercosul, que amparam as mercadorias em foco, não identificam o produto como “matériaprima”, sendo este termo acrescido unicamente por iniciativa do importador quando da prestação de informações para fins de licenciamento e despacho aduaneiro (vide fls. 222, 227 e seguintes). Ademais, verificase ainda com base nos documentos de fl. 345346 e 347 348, expedidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que a descrição dos produtos a serem importados e comercializados, fornecida pela interessada para fins de obtenção de documentos intitulados “Renovação de Licença de Produtos de Uso Veterinário” não menciona tratarse de “matériaprima”, mas indica expressamente que tais produtos consistiam em “VACINA INATIVADA CONTRA CARBÚNCULO SINTOMÁTICO, GANGRENA GASOSA ...” (o destaque não consta no texto original). Ressaltese, porém, que o referido documento não se confunde com o licenciamento da importação nem é apto a substituílo, o qual deve ser obtido em cada operação, de acordo com a legislação aduaneira citada. Além disso, nos referidos documentos, diferentemente das informações prestadas quando do licenciamento, consta a composição completa do produto, conforme se verifica no documento de fl. 345346, da seguinte forma: FÓRMULA COMPLETA DO PRODUTO Cada 3mL (1 dose) do produto contém: Toxóide de C. Perfringens B 10 UI Toxóide de C. Perfringens D 5 UI Toxóide de C. Septicum 2,5 UI Toxóide de C. Novyi 2,5 UI Toxóide de C. Tetani 2,5 UI Toxóide de C. Sordelli q.s.p 100% PROTEÇÃO Toxóide do C. Chauvoei q.s.p 87,5% PROTEÇÃO Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10830.720439/200807 Acórdão n.º 3301005.008 S3C3T1 Fl. 626 21 Hidróxido de Alumínio 6,3 mg Formaldeído < 4,8 mg Solução de cloreto de sódio 0,15 M q.s.p 3 MI Como visto, embora de posse de todos esses documentos, os quais se referiam exatamente às mercadorias importadas, o padrão de descrição fornecido pelo importador para fins de licenciamento destoou significativamente das informações neles contidas. A informação detalhada da composição do produto, omitida nos documentos de importação, somente foi fornecida pelo importador ao órgão aduaneiro durante o procedimento de fiscalização, em decorrência de intimação da autoridade fiscal, conforme se verifica na correspondência de fls. 340. Assim, constatase que a mercadoria foi descrita de modo incorreto, pelos seguintes motivos: a) foi omitido dado essencial para a classificação na NCM e para o licenciamento da importação: informação de que se tratava de “vacina”; b) foi informado erroneamente que se tratava de simplesmente de “antígeno”, o qual representa apenas um dos elementos constitutivos da vacina, ao passo que ocorreu a importação de vacina, completa e acabada; c) foi afirmado que se tratava de “matériaprima” para fabricação de vacinas, quando, na verdade, a mercadoria não consiste em matériaprima e sim no produto final. Observese que a descrição feita pela impugnante tanto foi insuficiente que, com base nela, não foi possível efetuar a classificação da mercadoria, havendo necessidade de instauração de um procedimento fiscal (intimações, pesquisas na internet, prova emprestada) com vista à obtenção de esclarecimentos que permitissem a correta identificação da mercadoria. No caso, as mercadorias importadas não correspondem às indicadas nas diversas Licenças de Importação, pois a impugnante importou mercadorias diversas das que foram licenciadas. Portanto, tudo contribui para que se possa afirmar que, as importações das mercadorias estão desamparadas de Licença da Importação, uma vez que os licenciamentos obtidos pelo importador acobertam mercadorias de espécie diferente daquelas efetivamente importadas. Em termos práticos, isso significa que o importador, por meio de quarenta e três importações, fez adentrar no território nacional milhares de litros de vacinas para uso em animais sem o licenciamento governamental da importação, afetando o controle aduaneiro, inclusive, para fins estatísticos. Ressaltese que, nos termos do art. 9º, inciso I, da Portaria Secex nº 14/2004, e de acordo com a tabela de Tratamento Administrativo do Siscomex, as vacinas classificadas no código 3002.30.90, como é caso da mercadoria em questão, estavam sujeitas a Licenciamento Não Automático ("destaque 003"). 21. Ocorre que a mercadoria efetivamente importada não obteve o Licenciamento Não Automático do órgão competente, tendo em vista que o licenciamento de fato ocorrido recaiu sobre a mercadoria classificada no código NCM 3002.90.91, havendo sido concedido com base em descrição incorreta da mercadoria, elaborada Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10830.720439/200807 Acórdão n.º 3301005.008 S3C3T1 Fl. 627 22 pelo contribuinte, que alegou tratarse de "matériaprima" (antígenos) para a produção de vacinas. Assim, a impugnante efetuou importações da mercadoria sem licença de importação a que estava obrigada. Diante dessas considerações verificase que o caso concreto não se enquadra na hipótese de que trata o ADN COSIT nº 12/1997, porque a mercadoria não foi corretamente descrita pelo importador, com todos os elementos necessários a sua perfeita identificação e classificação tarifária. Portanto, ficou configurada a infração administrativa ao controle das importações, pela importação de mercadoria sem licença de importação, sujeitando o importador à multa de 30% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, nos termos do art. 169, inciso I, alínea "b", do Decretolei no 37/1966, com a redação dada pela Lei no 6.562/1978. (. . .)" Por essas razões, entendo inaplicável o ADN COSIT n° 12/97, motivo pelo qual mantenho a aplicação da multa de 30%. III. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 627DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.721734/2016-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
NULIDADE DO LANÇAMENTO
Aplicação do princípio da primazia da resolução de mérito de acordo com § 2º do art. 282 do CPC de 2015 e art. 59 § 3º do Decreto-lei 70.235/72
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. RESPONSABILIDADE
Diante do provimento do recurso voluntário do sujeito passivo principal, afastando o lançamento, dá-se provimento aos recursos dos solidários para excluí-los do lançamento.
CONTRATAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO MÉDICOS. RELAÇÃO DE EMPREGO. SÓCIO MÉDICO. PRESENÇA DOS REQUISITOS. SUBORDINAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVA NOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO.
Dada a formalização de contratos de prestação de serviços médicos diretamente com pessoas jurídicas, compete ao Fisco o ônus probatório da existência do vínculo de emprego entre instituição hospitalar e sócios das contratadas, na medida em que a prova cabe a quem tem interesse em fazer prevalecer o fato afirmado, sob pena de insubsistência do crédito tributário.
A circunstância de o médico prestar serviços diretamente ligados à atividade-fim do hospital, por si só, não leva ao reconhecimento do vínculo de emprego, dependendo da prova da subordinação. Via de regra, não se presume a subordinação do médico, tendo em vista as peculiaridades da atividade médica.
Numero da decisão: 2201-004.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento aos recursos voluntários, vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negou provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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RESPONSABILIDADE Diante do provimento do recurso voluntário do sujeito passivo principal, afastando o lançamento, dáse provimento aos recursos dos solidários para excluílos do lançamento. CONTRATAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO MÉDICOS. RELAÇÃO DE EMPREGO. SÓCIO MÉDICO. PRESENÇA DOS REQUISITOS. SUBORDINAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVA NOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO. Dada a formalização de contratos de prestação de serviços médicos diretamente com pessoas jurídicas, compete ao Fisco o ônus probatório da existência do vínculo de emprego entre instituição hospitalar e sócios das contratadas, na medida em que a prova cabe a quem tem interesse em fazer prevalecer o fato afirmado, sob pena de insubsistência do crédito tributário. A circunstância de o médico prestar serviços diretamente ligados à atividade fim do hospital, por si só, não leva ao reconhecimento do vínculo de emprego, dependendo da prova da subordinação. Via de regra, não se presume a subordinação do médico, tendo em vista as peculiaridades da atividade médica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 17 34 /2 01 6- 62 Fl. 2269DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.270 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento aos recursos voluntários, vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negou provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório 1 Adoto como relatório o da decisão da DRJ/BEL de fls. 1.967/1.999, por bem relatar os fatos ora questionados. 1 DA AÇÃO FISCAL Foi lavrado o seguinte Auto de Infração: Contribuição a outras entidades e fundos: incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, nas competências de 01/2012 a 12/2012, e não declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social (GFIP), lavrado em 03/03/2016, no valor de R$ 5.398.814,57 (cinco milhões trezentos e noventa e oito mil oitocentos e quatorze reais e cinquenta e sete centavos). O Auditor Fiscal relata que a impugnante contratou pessoas jurídicas para prestação de serviços, que são executados por pessoas físicas, como forma de reduzir custos trabalhistas e tributários. 1.1 DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL 1.1.1 Contratação de médicos como pessoas jurídicas pejotização Relata que da análise de documentos, verificou alguns fatos: • as despesas com pagamentos a médicos era escriturada em “Serviços Médicos Pessoa Jurídica”, e as receitas com serviços Fl. 2270DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.271 3 médicos era contabilizada como Receita Operacional do Hospital Santa Marta (HSM); • as notas fiscais emitidas por essas pessoas jurídicas, apresentavam como discriminação do serviço “ salários”, “férias” e “13º salário”, “adiantamentos”, “pendências”, “escalas”, “plantões”, “coordenação”, e que os médicos, cujos nomes estavam relacionados nelas como os prestadores dos serviços, não tinham qualquer vínculo societário ou empregatício com essas supostas empresas; • essas notas fiscais discriminavam serviços que foram prestados em período anterior à constituição daquelas pessoas jurídicas; o que também foi verificado nas escalas médicas, onde os nomes dos médicos que prestaram serviços por meio de pessoas jurídicas, constavam nessas escalas, mesmo antes da constituição das supostos empresas. • os sócios do HSM, e seus familiares eram os únicos sócios de empresas “pejotizadas”, como ocorreu nos casos das empresas “Laboratório de Patologia e Clinicas Ltda. – EPP (LAPAC) e Clínica Ouvir Ltda – ME; empresas por meio das quais os médicos prestaram serviços ao HSM; Além disso, o contador do HSM é contador de várias dessas pessoas jurídicas; • em diligência realizada “in loco” no HSM verificou que os médicos presentes no dia da visita, prestavam serviços no hospital desde 2012. Diante dessas constatações concluiu o seguinte: [...] fica muito claro que o Hospital Santa Marta usou as empresas com o único objetivo de contabilizar os salários dos médicos por meio delas; e em muitos casos, sem a preocupação sequer de haver uma relação formal destes com a empresa emitente da nota fiscal. Tendo com isso o objetivo de pagar menos tributo. Assevera que a atividade médica era exercida com pessoalidade, pois as notas fiscais eram emitidas em nome dos médicos pessoas físicas, que constavam tanto na relação de médicos encaminhada ao Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde em 2012 (CNES), quanto no arquivo de prontuários entregue à fiscalização, discriminando “médicos por empresa”, e “sócios ativos” (médicos) em 2012, sendo que os serviços prestados por eles eram contabilizados na conta “serviços médicos pessoas jurídicas”. Argumenta que os serviços eram exercidos continua e permanentemente, pois as escalas médicas tinham periodicidade mensal; as notas fiscais foram emitidas em vários ou em todos os meses do ano; a Fl. 2271DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.272 4 relação de médicos enviadas ao CNES continha os mesmos médicos em todos os meses do ano, os quais também foram informados no ano de 2015; assim como, nos prontuários entregues à fiscalização, esses médicos apareciam em todos os meses do ano. Acrescenta que os serviços prestados por esses médicos fazem parte do objeto do empreendimento hospitalar. Eles eram pagos por meio de notas fiscais, que eram escrituradas na conta “serviços médicos pessoa jurídica”. Havia subordinação deles às diretrizes do hospital, pois os pacientes eram todos do hospital, que assumia toda a responsabilidade pelas ações deles. Assevera que havendo obrigatoriedade de o médico comparecer ao hospital para realizar seus serviços, sem poder executálos em outro lugar caracteriza subordinação jurídica. Cita a legislação que rege a vinculação empregatícia, disposta na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), para fins de contribuição previdenciária, conforme Lei nº 8.212/91. Relembra os princípios da primazia da realidade e da indisponibilidade, e sobre a desconsideração do vínculo pactuado não se tratar de desconsideração ou anulação da personalidade jurídica. Faz comentários ao art. 129 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, para afirmar que se a participação da pessoa jurídica tem caráter meramente formal, estará caracterizado o vínculo empregatício quando presentes a não eventualidade do serviço prestado e a subordinação. Cita ainda os artigos 206 e 207 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, ressaltando as situações em que não incide contribuição previdenciária sobre honorários recebidos por profissionais, que utilizam as dependências ou os serviços de empresas que atuam na área de saúde. Após essas considerações o Auditor fiscal narra que analisando as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), apresentadas pelo HSM, verificou que este declarou apenas um médico como segurado e somente na competência 03/2012, enquanto na sua Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) do anocalendário 2012, havia vários beneficiários declarados no Código 1708 (Remuneração de Serviços Profissionais Prestados por Pessoa Jurídica), e na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) desse ano, o contribuinte declarou receita operacional no valor de R$ 116.598.607,32. Reproduz planilhas extraídas da Contabilidade da impugnante, da DIPJ/2012, e de notas fiscais emitidas pela impugnante, onde na descrição dos serviços realizados aparecia “serviços médicos e hospitalares prestados”. Fl. 2272DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.273 5 Narra ainda que a impugnante escriturou em sua contabilidade a despesa de “serviços médicos pessoa jurídica”, discriminando em seu histórico o nome da pessoa jurídica e o número da nota fiscal. Na DIPJ 2012 declarou o valor de R$ 38.295.623,12 em “serviços prestados por terceiros”, entre os quais está incluso “serviços médicos pessoa jurídica”, no valor de R$ 32.110.712,30, conforme detalhamento apresentado para a fiscalização. Com essas informações o Auditor Fiscal concluiu: Dessa forma, de plano, nos termos dos artigos 206 e 207 da IN 971/09, vêse que toda receita pelos serviços médicos prestados no hospital era auferida pelo Hospital Santa Marta que a contabilizava na CONTA: 311103 RECEITA OPERACIONAL, valor: R$ 116.598.607,32. Também se caracteriza de plano que o Hospital Santa Marta era o responsável pelo pagamento dos salários dos médicos, e contabilizava esta despesa na conta: 3313010002 SERVIÇOS MÉDICOS PESSOA JURÍDICA, no valor total de R$ 32.110.712,3. Acrescenta que as notas fiscais escrituradas na conta contábil 3313010002 (serviços médicos pessoa jurídica) apresentavam no campo discriminação dos serviços prestados, o valor de salários e férias. Anexa essas notas e as informações prestadas pela empresa, relativas à conta “serviços médicos pessoa jurídica”, demonstrando a que médico corresponde cada nota fiscal. Apresenta o exemplo do médico Edvaldo Silva Lima, Diretor Médico desde 2012, conforme informação prestada pelo HSM: • Ele foi declarado em GFIP com o CBO “Diretores e gerentes de operações em empresa de serviços de saúde”, totalizando o valor de R$ 57.026,30 em 2012, e informado para o CNES como empregado celetista e carga horária de 12 horas; • É sócio da pessoa jurídica Clínica de Proctologia Ltda ME – Edvaldo Lima & Murilo Mendes Associados Ltda. (PROCTOMED), que prestou serviços ao HSM, emitindo notas fiscais que totalizaram R$ 236.178,61, no ano de 2012. Tais notas apresentavam na discriminação dos serviços prestados o valor pago a esse médico; • Em análise às empresas das quais ele é sócio, verificou que elas também emitiram notas fiscais por serviços prestados ao HSM, contendo o nome de todos os médicos que receberam por esses serviços, sem que eles tivessem qualquer vinculação empregatícia ou de prestação de serviço com aquelas empresas. Afirma ainda que a prática narrada foi constatada em todas as empresas analisadas por amostragem. Descreve cada uma delas, anexando planilhas com dados extraídos dos registros contábeis, Fl. 2273DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.274 6 notas fiscais, cadastros das empresas, dados das DIPJ, inclusive demonstrando que muitas empresas apropriavam despesas em notas fiscais, de períodos anteriores à constituição da própria empresa. Narra que realizou cotejo entre os dados constantes nos sistemas cadastrais da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB), os prontuários entregues pelo HSM contendo o período em que cada médico realizou os atendimentos, e as GFIP’s transmitidas por ele, onde apurou que vários médicos não possuem qualquer relação de vínculo quer societário quer empregatício com as empresas emitentes das notas fiscais. Informa que em diligência às dependências do HSM em 02/02/2015, onde verificou a escala médica mensal, e recolheu assinatura dos médicos em escala no dia, constatou a presença da médica “Weridyana Batista de Oliveira”, que prestou serviços ao Hospital em 2012, por intermédio das empresas “Climast Clínica de Mastologia Ginecologia E Obstetricia Ltda” e “Gestar Serviços Médicos Ltda”, conforme informações da autuada. Concluiu que o fato de ela estar prestando serviços desde 2012 caracteriza vínculo empregatício. Acrescenta que essa situação ocorreu com vários médicos, dos quais o Auditor Fiscal anexou as fichas de coleta de assinatura do dia da visita, e cópia da Cédula de Identidade de Médico (CIM). Informa que o nome de todos eles constavam registrados no histórico da conta contábil 3313010002 (SERVIÇOS MÉDICOS PESSOA JURÍDICA). Faz referência a processo judicial no qual a impugnante foi diretamente responsabilizada por serviço médico efetuado por um dos médicos que lhe prestavam serviços. Com isso, afirma demonstrar que todos os pressupostos caracterizadores da relação empregatícia, dispostos na Lei nº 8.212/91 estavam presentes. O Auditor Fiscal citou o §2º do art. 206 da IN RFB 971/09, expondo a base de cálculo utilizada para o lançamento. Aduz ter comprovado, com os fatos apresentados, que a impugnante não tinha a qualidade de mera repassadora. Assim, considerou como remuneração a soma dos valores escriturados na conta contábil 3313010002 (SERVIÇOS MÉDICOS PESSOA JURÍDICA), sobre a qual aplicou as alíquotas determinadas pela legislação vigente. Com relação aos diretores do HSM, apurou que eles recebiam remuneração por meio de emissão de notas fiscais, nas quais constava como discriminação de serviços inclusive pagamento de 13º salário. Anexou relação dos profissionais que prestaram serviço, e planilhas extraídas dos registros contábeis contendo os valores recebidos por eles por intermédio dessas empresas; resposta de um dos prestadores de serviço obtida mediante Fl. 2274DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.275 7 circularização na suposta empresa; contracheques; e relação dos sócios, sóciosadministradores, contadores e diretores, cujos nomes constavam escriturados na conta contábil “Serviços de Consultoria/Planejamento” (3313010010). Muitos deles não são informados em GFIP, nem em folha de pagamento, e se informados, o são com cargo diferente do de diretor Informa que na constituição de crédito foi considerada a faixa salarial, o teto do salário contribuição, e os valores já declarados em GFIP. Aplicou a qualificação da multa de ofício a 150%, considerando que todos os fatos relatados demonstram o intuito de sonegação, fraude ou simulação, nos termos do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 1.2 DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS 1.2.1 Não escrituração em títulos próprios A Autoridade Fiscal lavrou Auto de Infração porque a empresa deixou de escriturar em títulos próprios de sua contabilidade os fatos geradores de contribuição previdenciária, nos termos do inciso II do art. 32 da Lei 8.212/91 e inciso II do § 13º do art. 225 do Decreto 3.048/99. Acrescenta que a impugnante lançou na conta contábil 3313010002 (SERVIÇOS MÉDICOS PESSOA JURÍDICA) outras despesas que não têm natureza de serviços médicos, tais como serviços de outdoor, hotéis, chaveiros, construção, tecnologia, dentre outros. Anexa Planilha exemplificativa. A multa aplicada foi calculada nos termos do art. 92 da Lei nº 8.212/91, e art. 102 do Decreto nº 3.048/99, c/c Portaria Interministerial Ministros de Estado do Trabalho e Previdência Social MTPS/MF nº 1 de 08 de janeiro de 2016. Em função do intuito de sonegação, fraude ou simulação, o Auditor Fiscal agravou a multa, elevandoa em três vezes, nos termos dos artigos 290 e 292 do Decreto nº 3.048/99. 1.2.2 Não atendimento à intimação O Auditor Fiscal relata ter solicitado, por meio do Termo de Intimação Fiscal (TIF) nº 4 e TIF nº 5, relação contendo todos os diretores, coordenadores e gerentesmédicos, entretanto, a empresa apresentou uma relação contendo apenas diretor técnico e gerentes de enfermagem, por isso lavrou Auto de Infração nos termos do art. 32, inciso III, § 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009; e art. 225, inciso III, do Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999. O valor da multa foi calculado nos termos dos arts. 92 e 102 da Lei nº 8.212/91, e art. 283, inciso II, alínea “b” e art. 373 do Decreto nº 3.048/99, c/c Portaria Interministerial Ministros de Fl. 2275DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.276 8 Estado do Trabalho e Previdência Social MTPS/MF nº 1 de 08 de janeiro de 2016. Em função do intuito de sonegação, fraude ou simulação, o Auditor Fiscal agravou a multa, elevandoa em três vezes, nos termos dos artigos 290 e 292 do Decreto nº 3.048/99. 1.3 DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA: GRUPO ECONÔMICO DE FATO O Auditor Fiscal relata que os sócios da impugnante são também sócios de outras empresas, que por serem controladas, controladoras e coligadas, formam grupo econômico de fato (conforme tabela abaixo), que decorre do exercício do poder de controle. Anexa planilha com dados cadastrais das empresas do grupo, com percentual de participação dos sócios em cada empresa. Atribuiu responsabilidade solidária às empresas do grupo, nas contribuições objeto do lançamento e aos Autos de Infração decorrentes de obrigação acessória. 1.4 DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA: ART. 135 DO CTN O Auditor Fiscal responsabilizou solidariamente os dirigentes da empresa, Manuel Ronaldo de Oliveira Simeão, Sebastião Maluf, Marcos Antonio da Costa Diniz, e o contador Marcio Silva Cunha, pois foram os responsáveis pelos documentos/notas fiscais escriturados na contabilidade, e em função de a conduta da empresa caracterizar as hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a intenção de causar prejuízo ao Fisco. Fundamenta a responsabilização nos seguintes dispositivos: artigos 124, I, II, combinado com o art. 149, inciso VII, e art. 135, incisos II e III do CTN; inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91; e art. 167 da Lei nº 10.406/02. Fl. 2276DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.277 9 Exemplifica que a empresa Centro de Medicina Intervencionista Ltda – ME, além de possuir o mesmo endereço, objeto e contador do HSM, a quantidade de sócios/médicos que entraram e saíram dessa suposta empresa destoa da intenção de criar uma sociedade, servindo apenas de respaldo para lançamentos contábeis. Acrescenta que a solidariedade dos grupos econômicos abrange a multa por descumprimento das obrigações acessórias, nos termos do art. 152, §5º da IN RFB nº 971/09. E no caso da ocorrência de interesse comum ou dolo, abrangem as contribuições previdenciárias e relativas a outras entidades e fundos. 2 DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELO HOSPITAL SANTA MARTA A impugnante faz uma síntese da constituição do crédito lançado pela fiscalização, transcrevendo trechos do Relatório Fiscal, e aduz serem inverídicos os fatos apontados pela fiscalização, pugnando pelo cancelamento e nulidade dos Autos de Infração. 2.1 A DISTINÇÃO ENTRE SERVIÇOS MÉDICOS E SERVIÇOS HOSPITALARES A impugnante começa distinguindo serviços médicos de serviços hospitalares: [...] serviços médicos (serviços intelectuais, de natureza científica, atinente ao exercício da medicina), os quais são prestados por profissionais médicos ou por grupos de profissionais constituídos em pessoas jurídicas, [...] serviços hospitalares (consistente no fornecimento de leitos, apartamentos, estrutura de enfermagem, nutrição, além do fornecimento de materiais, medicamentos e alimentação, especificamente solicitados pelos profissionais médicos), que são prestados pelos Hospitais. Afirma que o Auditor Fiscal cometeu equívoco ao confundir esses dois institutos, pois entendeu que o hospital presta serviços médicos quando em realidade presta exclusivamente serviços hospitalares, que complementam os serviços médicos propriamente ditos, que são prestados exclusivamente por médicos, “[...] que atuam como pessoa física ou constituídos em forma de pessoa jurídica, [...]”. Explica o funcionamento de hospitais com quadro clínico aberto, que possuem um mínimo de corpo clínico e permitem que profissionais médicos internem seus pacientes em sua estrutura, havendo diferença entre quem presta os serviços médicos e os hospitalares. Diz que este é o caso do HSM. De outro lado, estão os hospitais com quadro clínico fechado, que possuem corpo clínico próprio, havendo interação entre os serviços médicos e hospitalares. Cita que o Ministério da Saúde distingue essas modalidades. Fl. 2277DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.278 10 Assim, ela ressalta que não exerce a atividade da medicina, e que os médicos externos precisam ser cadastrados no Hospital para aferição de que estão habilitados para exercer a medicina, e que eles exercem suas atividades eventualmente nas dependências do HSM sem pertencer ao seu corpo clínico. Acrescenta que esses médicos exercem suas atividades em outros hospitais e também atendem em seus próprios consultórios, podendo ser substituídos por qualquer profissional habilitado sem qualquer autorização do HSM, e que também não faz nem controla a escala de plantão como afirmou a fiscalização, estando ausentes os requisitos da pessoalidade e subordinação, razão pela qual eles não podem ser considerados seus funcionários. Com esses argumentos afirma que a hipótese de “pejotização” levantada pela Autoridade Fiscal não se sustenta. Aduz que a fiscalização não observou o contrato social da contribuinte para demonstrar a identidade entre as atividades do hospital e das clínicas, e presumiu que havia terceirização de atividade fim e relações empregatícias. 2.2 DA CORRETA DEFINIÇÃO DE CONTRATANTE, CONTRATADO, TOMADOR E REPASSADOR NA RELAÇÃO JURÍDICA OBJETO DA AUTUAÇÃO Explica que o paciente atendido no HSM é o tomador de serviço, o plano de saúde é o contratante (ou o paciente se for particular), o médico ou clínica médica é o contratado, e o HSM, por determinação das operadoras de Planos de Saúde, recebe o valor pelos serviços prestados e imediatamente o repassa aos médicos, e, portanto, estas ou os pacientes particulares são os contratantes que pagam diretamente os honorários aos médicos. 2.3 A NULIDADE DO AUTO ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Aduz que não tem qualquer ingerência ou conhecimento sobre os valores pagos diretamente pelos planos de saúde às clínicas médicas, nem pela forma de pagamento pelos serviços prestados por essas pessoas jurídicas. Afirma, que em função da liberdade de atuação em virtude de existência de hospitais de quadro clínico aberto, há dificuldade de as operadoras de Planos de Saúde negociar com milhares de médicos individualmente, por isso, por imposição dos convênios o pagamento dos honorários médicos é feito em conjunto com o de serviços hospitalares pela utilização de sua estrutura. Anexa contratos com essas operadoras. Diz que o Hospital encaminha ao Convênio uma nota fiscal com as receitas próprias e com os honorários dos profissionais de saúde ou da clínica que prestou o serviço. Acrescenta que o montante pago pelo Convênio ao HSM é repassado à clínica ou ao médico, por isso sua natureza de receita de terceiros. Aduz que a responsabilidade pelo pagamento das contribuições previdenciárias deve recair sobre Fl. 2278DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.279 11 o particular ou operadoras de Planos de Saúde que são as verdadeiras fontes pagadoras. Cita os artigos 206 e 207 da Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009. Informa que o pequeno equívoco contábil quanto aos recursos que ingressaram no HSM, e posteriormente repassados, não desnatura a intermediação existente nessa relação. Assevera que as notas fiscais emitidas pelas clínicas médicas demonstram que elas receberam a integralidade dos honorários que lhe cabiam. Cita a Resolução do Conselho Federal de Medicina nº 1.642, de 7 de agosto de 2002, que dispõe que as operadoras de saúde, cooperativas, hospitais e empresas de seguro de saúde devem efetuar o pagamento dos honorários diretamente aos médicos sem qualquer retenção. Arrazoa que a contabilização de tais recursos com despesa dedutível do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorre da dificuldade contábil da empresa de segregar as receitas hospitalares das médicas, que são pagas de uma só vez pelos Convênios, pois há emissão de uma única nota fiscal. E, apesar dessa forma de escrituração, os recursos são repassados integralmente aos profissionais e clínicas médicas. Nessa argumentação afirma ser nulo o Auto de Infração por erro na identificação do sujeito passivo. Cita art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, e artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, e transcreve doutrina para embasar a nulidade requerida por erro de direito. 2.4 A AFRONTA, CONTIDA NO AUTO DE INFRAÇÃO AOS DISPOSITIVOS DA LEI Nº 11.196/05 Alega que o lançamento contraria o permissivo da Lei nº 11.196/05, que permite aos serviços que se encaixam em seu tipo legal de se constituírem em pessoas jurídicas. Acrescenta, que a fiscalização também se imiscuiu na seara do Poder Judiciário Trabalhista para desconsiderar a pessoa jurídica regularmente constituída, e reconhecer elementos de vínculos empregatícios, usurpando competência. Descreve que o art. 129 da Lei nº 11.196/2005 regularizou a atividade de prestação de serviços por profissionais liberais, por meio da constituição de pessoas jurídicas, pois antes esse tipo de contratação era contestado pela Secretaria da Receita Federal e Instituto Nacional do Seguro Social, que a entendiam como forma de evitar o pagamento de tributos e disfarçar os vínculos empregatícios. Assevera que não existia e não há qualquer dispositivo que restrinja a constituição de pessoa jurídica por um indivíduo, para prestação de serviços. Nesse sentido, cita o art. 647 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, e o Fl. 2279DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.280 12 princípio da livre iniciativa, nos termos do art. 170 da Constituição Federal de 1988. Assevera que a inclusão desse artigo na Lei teve a intenção de inibir as autuações originadas por essas interpretações, e cristalizar que a competência para reconhecer as relações de emprego é exclusivamente do Poder Judiciário. Aduz ainda que a SRFB carece de competência para desconsiderar a personalidade jurídica de uma empresa legalmente constituída, cuja atribuição é também do Poder Judiciário. Arrazoa que se a SRFB entendesse que determinada empresa estaria sendo constituída para lesar o Fisco evitaria sua criação, não emitindo Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), nem documentos de regularidade fiscal, uma vez que seria paradoxo, conferir vida à empresa e depois desconsiderála juridicamente, por incapacidade de controle, e autuar terceiro que mantém relação jurídica com ela. 2.5 DA AUSÊNCIA DOS ELEMENTOS DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO E DO DOLO NA CONDUTA DO CONTRIBUINTE Alega que não estão presentes os pressupostos previstos no art. 12, da Lei nº 8.212/91. Transcreve carta encaminhada à Delegacia Regional do Trabalho do Distrito Federal (DRTDF) pelas entidades representativas dos profissionais médicos, na qual os médicos afirmam não existir relação de emprego mantida com o HSM. Diante disso, a impugnante conclui que somente a Justiça Trabalhista poderia contrapor essa manifestação de vontade. 2.6 DOS SUPOSTOS PAGAMENTOS A DIRETORES COMO PESSOAS JURÍDICAS Arrazoa a impugnante que não se deve confundir as atividades administrativas do diretor do hospital, por exemplo, com suas atividades de profissional médico junto a seus pacientes, pois para aquela atividade não há exigência de exclusividade, cuja remuneração é distinta da recebida quando as atividades médicas são exercidas por meio de sua pessoa jurídica. Acrescenta que mesma situação ocorre com outros diretores que cumulam funções distintas sem correlação com a área médica. Afirma que a fiscalização não provou que não houve a prestação de serviço pelas pessoas jurídicas, nem que ocorreu simulação ao pagamento de diretores; portanto, como não houve a descaracterização da prestação de serviço, não há como manter o lançamento tributário. 2.7 DO NÃO CABIMENTO DA MULTA QUALIFICADA A impugnante alega que, ao contrário do que a fiscalização tenta demonstrar, a constituição dos médicos em pessoas jurídicas não Fl. 2280DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.281 13 foi uma determinação dela em conluio com esses profissionais. Transcreve trecho do Relatório Fiscal. Relembra a carta enviada ao DRTDF, em que há a afirmação de que esses profissionais atuam de forma autônoma por meio dessas pessoas jurídicas. Conclui que a fiscalização não comprovou a existência de simulação ou fraude, e, portanto, não cabe a aplicação da multa qualificada. Argumenta que caberia ao Fisco comprovar de forma definitiva a intuição do agente, o dolo em realizar conluio com o objetivo de sonegação fiscal. Alega que também não foi demonstrada qualquer ação dolosa da impugnante no sentido de mascarar a obrigação tributária. Afirma que em momento algum escondeu ou modificou o fato gerador. Assevera que ocorreu entendimentos diferentes entre ela e o Fisco, o qual acredita que o fato descrito se trata de relação de emprego, enquanto ela que se trata de relação entre pessoas jurídicas. Ressalta que as figuras da fraude, dolo e simulação não foram comprovadas, cita doutrina e jurisprudência do CARF, no sentido do ônus da prova nessas situações para fins de qualificação da multa. 2.8 DAS INFRAÇÕES POR DESCUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS E DAS CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS Arrazoa que sendo cancelado o lançamento fiscal em função das alegações apresentadas, os Autos de Infração decorrentes de obrigações acessórias também não subsistem. 2.8.1 Da suposta ausência de atendimento à intimação Argumenta que o Auditor Fiscal foi contraditório ao dizer que o HSM não apresentou os documentos solicitados; se o que afirma se comprovasse não teria conseguido relacionar todos os diretores. Diz que houve uma insatisfação da Autoridade Fiscal pela forma como as informações foram apresentadas. Transcreve jurisprudência do CARF sobre multa por não atendimento à intimação e apresentação de forma insatisfatória de livros contábeis e fiscais. Arrazoa que se as informações estavam insuficientes, a fiscalização deveria ter reiterado e detalhado como gostaria de receber os documentos. 2.9 O NÃO CABIMENTO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA – GRUPO ECONÔMICO Alega que não se sustenta a responsabilidade solidária, em função da caracterização do grupo econômico. Transcreve trechos do Relatório Fiscal, para dizer que “[...] o Auto de Infração somente se “esqueceu” de fazer a imprescindível vinculação entre os fatos geradores objeto da presente autuação e as ações perpetradas por essas demais empresas.”. Diz que a Autoridade Fiscal considerou que as contribuições devidas por uma sociedade passariam automaticamente para Fl. 2281DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.282 14 outras, apenas pelo fato de formarem grupo econômico. Discorda dessa situação, pois as sociedades do grupo têm personalidades jurídicas distintas, gestão e organização independentes, e não há provas nos autos de que tenha havido confusão entre as empresas apontadas, seja no âmbito operacional, comercial, trabalhista e financeiro; o que seria necessário para atribuir solidariedade tributária a um terceiro, pois a vinculação ao fato gerador é requisito para essa caracterização. Nesse sentido cita doutrina e artigos 113, 118, 121 e 128 da Lei nº 5.172/66. Acrescenta que a responsabilização deveria ter sido fundamentada em provas de que as empresas atuaram na realização do fato gerador de descumpriumento da obrigação tributária, cujo ônus cabe ao Fisco. Cita jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 4a Região (TRT/4ª), do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e de julgado da Delegacia de Julgamento da Receita Federal de Belo Horizonte (DRJ/BHE). 2.10 DA INDEVIDA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS DO CONTRIBUINTE Transcreve trecho do Relatório Fiscal para alegar que o Fisco deveria ter comprovado que os diretores participaram da suposta fraude da “pejotização”, pois não é o simples interesse comum ou econômico na situação que constitui o fato gerador, conforme art. 124, I e II do CTN, “[...] que justifica a solidariedade passiva, mas o interesse jurídico, vinculado a uma atuação comum ou conjunta quanto ao fato gerador.”. Assevera que a suposta “pejotização” não foi criada por ela, muito menos pelos dirigentes, e se foi criada pelos médicos não se pode aplicar o art. 128 do Código Tributário Nacional (CTN). Quanto ao inciso III do art. 135, do CTN, assevera que os supostos atos tidos contrários à legislação teriam sido praticados pela pessoa jurídica e não pelos administradores, o que daria razão para a reforma do Auto de Infração. Acrescenta que esse artigo só teria aplicabilidade se os atos de infração à lei fossem cometidos pelos administradores à revelia da sociedade, caso contrário, quem estará praticando o ato será a sociedade e não o sócio, e quem responderá pelos tributos é a pessoa jurídica. Aduz que “[...] a infração à lei capaz de gerar a responsabilidade do administrador é aquela de natureza societária, o que em momento algum restou demonstrado no presente Auto de Infração.”. Afirma que em momento algum houve infração à lei societária que justificasse a solidariedade dos diretores, mas tão somente atos praticados pela sociedade, cujas suposições de infração à lei derivaram de presunções e conclusões precipitadas sem provas que a suportassem. 2.11 DOS PEDIDOS A impugnante querer: Fl. 2282DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.283 15 a) Nulidade do lançamento fiscal; b) Procedência da impugnação, cancelamento da exigência e afastamento das multas aplicadas, inclusive as decorrentes das obrigações acessórias e às contribuições destinadas a outras entidades e fundos. c) Se não reconhecidos os pedidos anteriores, a desqualificação da multa de 150% para 75%. d) Reforma do lançamento quanto à solidariedade tanto das empresas quanto dos diretores arrolados como responsáveis. e) Todos os meios de prova admitidos e juntada posterior de documentos. 3 DAS IMPUGNAÇÕES APRESENTADAS POR SEBASTIÃO MALUF, MARCOS ANTONIO DA COSTA DINIZ, MANUEL RONALDO DE OLIVEIRA SIMEÃO Os impugnantes fazem uma síntese da constituição do crédito tributário, transcrevendo trechos do Relatório Fiscal, e aduzem que os fatos apontados pela fiscalização são inverídicos. Afirmam ser ilegal e sem razão a inclusão deles como responsáveis solidários. 3.1 O NÃO CABIMENTO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Nesse ponto, as impugnações têm o mesmo teor da apresentada pelo HSM. Os defendentes alegam que a Autoridade Fiscal considerou que as contribuições devidas por uma sociedade passariam automaticamente para seus diretores em função do cargo ocupado por eles no Hospital Santa Marta. Acrescenta que a regra é a responsabilização da pessoa jurídica, os diretores e sóciosgerentes apenas seriam responsabilizados “quando agissem com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou dos estatutos”, nos termos do art. 124, do CTN, e não há provas de que o impugnante teria atuado dessa forma, seja no âmbito operacional, comercial, trabalhista e financeiro. Interpretam que o art. 30 da Lei nº 8.212/91 só poderia ser utilizado para impor responsabilidade tributária às empresas do grupo e aos diretores mediante provas concretas de que aquelas atuaram de forma a determinar a realização do fato gerador, e estes com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou dos estatutos. 3.2 QUANTO AO MÉRITO Utilizam as mesmas razões apresentadas na impugnação do HSM, quanto à consideração de um planejamento tributário efetuado por ele, e dizem que o Fisco distorceu os fatos por desconhecer a realidade do setor médicohospitalar no Distrito Fl. 2283DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.284 16 Federal, atribuindo uma inexistente situação de fraude ou simulação ao hospital, e ignorando a existência de pessoas jurídicas regularmente constituídas. Ressaltam que os Autos de Infração devem ser cancelados, pois extrapolam a competência da Autoridade Fiscal, no reconhecimento de vínculo empregatício, e em razão de erro na identificação do sujeito passivo. 3.3 DOS PEDIDOS: Os impugnantes requerem: a) acolhimento total das impugnações e cancelamento da imputação da responsabilidade solidária a eles; b) nulidade dos Autos de Infração pelas mesmas razões apresentadas na impugnação do HSM; c) provar o alegado por todos os meios de prova e juntada posterior de documentos. 2 – A impugnação foi julgada improcedente por decisão da DRJ assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 NULIDADE DO LANÇAMENTO Estando os atos administrativos revestidos de suas formalidades essenciais, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. Matérias alheias a essas comportam decisão de mérito. COMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio de seus agentes fiscais, possui poderes para investigar a situação fática que configura vinculação de trabalhadores à Previdência Social para fins de arrecadação e lançamento da contribuição respectiva, todavia sem prejuízo ou interferência nas normas afetas à legislação do trabalho. PEJOTIZAÇÃO. CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES. EMPRESA INTERPOSTA. EFEITOS FISCAIS E PREVIDENCIÁRIOS. CONJUNTO PROBATÓRIO. Para afastar a caracterização de contratação de trabalhadores por empresa interposta e seus respectivos efeitos tributários e previdenciárias, a impugnante deve ultrapassar o campo das alegações e produzir provas que se contraponham às levantadas pelo setor fiscal, mormente aquelas relacionadas à existência dos elementos caracterizadores da relação de emprego, pessoalidade, onerosidade, não eventualidade e subordinação. Fl. 2284DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.285 17 LEI 11.196/05. INAPLICABILIDADE QUANDO HÁ PRESTAÇÃO DE SERVIÇO COM CARACTERÍSTICAS DA RELAÇÃO DE EMPREGO. A contratação de prestadores de serviços na condição de pessoas jurídicas somente é legal, de acordo com o art. 129 da Lei nº 11.196/05, desde que não se caracterize vínculo de emprego entre a empresa contratante e a prestadora de serviços contratada. Constatados os requisitos necessários para a configuração de vínculo empregatício, deve ser desconsiderado o vínculo pactuado e ser efetuado o enquadramento como segurado empregado. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. RESPONSABILIDADE São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Diante de expressa previsão legal, é cabível a responsabilização solidária de administradores ou representantes de pessoas jurídicas pelos créditos tributários decorrentes, uma vez comprovada documentalmente, por uma série de elementos convergentes, a sua atuação determinante, na direção dos rumos empresariais, para a prática de condutas ilícitas. MULTA QUALIFICADA A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que caracterizada a prática de ato com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fazendária. DILAÇÃO PROBATÓRIA A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. 3 Cientificado da decisão de piso o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. (2.150/2.202), seguido dos recursos dos sujeitos passivos tributários fls. 2.209/2.220 (Manuel Ronaldo de Oliveira Simeão), Fls. 2.227/2.238 (Marcos Antonio da Costa Diniz) e fls. 2.244/2.255 ( Sebastião Maluf) mantendo praticamente os mesmos argumentos da impugnação e ao final requer o provimento do recurso com o cancelamento do auto de infração. 4 É o relatório do necessário. Fl. 2285DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.286 18 Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 5 – Todos os recursos são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço. 6 Peço venia antes de adentrar ao mérito para indicar a análise teórica sobre o tema ora em discussão nesse lançamento introduzida pelo I. Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira no Ac. que diante de seu grande conhecimento poderá nos elucidar com suas lições, verbis: "Preceitua a Carta da República que a ordem econômica é fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, com expressa garantia para todos do livre exercício de qualquer atividade econômica. Assim está redigido o artigo 170: "Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: (...) Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei." O preceito constitucional é claro em garantir que qualquer do povo pode exercer todo tipo de atividade econômica encontrando, por óbvio, na lei, o limite desse exercício. Dessa constatação, podemos inferir que é lícito ao profissional que presta serviços, fazêlo por meio de uma pessoa jurídica, uma vez que o exercício dessa atividade econômica não encontra óbice legal, tampouco a constituição de uma empresa com essa mister ofende a ordem jurídica. Cediço que a conformação societária dessa pessoa jurídica é critério daquele que a constitui, existindo no ordenamento pátrio diversos modelos societários que se amoldam a esse mister. Constituída a pessoa jurídica, essa ficção passa a contar com a tutela do ordenamento jurídico que empresta Fl. 2286DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.287 19 personalidade ficta a essa pessoa, que passa a ser objeto e sujeito de direito. Não obstante, a prestação de serviços atividade econômica cujo o objeto é uma obrigação de fazer por vezes também é prestada por uma pessoa física, realizada pelo trabalho dessa pessoa, atividade também valorizada pelo mesmo comando constitucional acima mencionado. Por muito tempo, a doutrina distinguiu pelo atributo da pessoalidade, a prestação de serviços realizado pela pessoa jurídica daquele prestado pela pessoa física. Assim, quando o contratante precisava que tal serviços fosse prestado por determinada pessoa, era essa a contratada, em razão da característica única que é atributo típico do ser humano, do trabalhador. Se, por outro lado, a prestação do serviço se resumia a um objetivo determinado, um 'facere' pretendido, a contratação de pessoa jurídica atendia a essa necessidade, vez que despicienda a característica de personalidade para a execução do objeto do contrato de prestação de serviços. Se por um lado, no âmbito dos contratos, tal diferenciação interessa somente às partes, causando pouco, ou nenhum, impacto a terceiros, por outro, no âmbito tributário, tal diferenciação é ponto fulcral, em razão da diferenciação da exação incidente sobre as duas formas de prestação de serviços, menos onerosa quando prestada por pessoa jurídica. O menor custo tributário, tanto para o contratante, quanto para o prestador de serviços, fomentou uma crescente transformação de pessoas físicas que prestavam serviços, trabalhadores portanto, em empresas. Em 2005, com o advento da Lei nº 11.196, a legislação tributária passou a explicitamente admitir tal fenômeno. Vejamos a redação do artigo 129: "Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil." Claríssima a disposição legal. Havendo prestação de serviços por meio de pessoa jurídica, mesmo que atribuição de obrigações às pessoas físicas, e sendo esses serviços de natureza intelectual, assim compreendidos os científicos, os Fl. 2287DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.288 20 artísticos e os culturais, o tratamento fiscal e previdenciário deve ser aquele aplicável as pessoas jurídicas, exceto no caso de desvio de finalidade ou confusão patrimonial, como consta das disposições do artigo 50 do Código Civil Brasileiro. Não obstante o exposto, cediço recordar que a CLT impõe limite legal à prestação de serviços por pessoa jurídica. Tal limite se expressa exatamente na relação de trabalho. Vejamos as disposições da Lei Trabalhista: " Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. (...) Art. 9º Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação." (destaquei) Patente o limite da prestação de serviços personalíssimos por pessoa jurídica: a relação de emprego. Ao recordarmos as disposições do CTN, constantes não só do parágrafo único do artigo 116, como também do inciso VII do artigo 149, podemos asseverar que, encontrando a Autoridade Tributária as características da relação de emprego na contratação de prestação de serviços por pessoa jurídica, surge o direito do Fisco de desconsiderar tal situação jurídica, vez que dissimuladora do contrato de trabalho, e constituir o crédito tributário decorrente da constatação do fato gerador verificado com o trabalho da pessoa física. Dito de maneira diversa: para que haja o lançamento tributário por desconsideração da prestação de serviços por meio de pessoa jurídica é ônus do Fisco a comprovação da existência da relação de emprego entre a pessoa física que prestou os serviços objeto da desconsideração da personalidade jurídica e o contratante desses serviços. Fl. 2288DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.289 21 A doutrina trabalhista é assente em reconhecer o vínculo de emprego quando presentes, simultaneamente, as características da pessoalidade, da onerosidade, da habitualidade e da subordinação. Confrontemos as disposições da melhor doutrina trabalhista com os ditames específicos da Lei nº 11.196/05, com o objetivo de encontrarmos a exata diferenciação entre a relação de emprego e a prestação de serviços por pessoa jurídica. Em primeiro lugar é necessário observar que a pessoalidade não é relevante no distinção em apreço. Tal afirmação se corrobora com a simples leitura do artigo 129 da Lei nº 11.196, que explicitamente afasta a questão do caráter personalíssimo e da atribuição de obrigações às pessoas que compõe a sociedade prestadora de serviços. Em segundo lugar, forçoso reconhecer que a habitualidade não apresenta relevância como fato distintivo entre a prestação de serviços por pessoa física ou jurídica, vez que tanto numa como em outra, a habitualidade, ou ausência desta, podem estar presentes. Nesse ponto é necessário recordar que nas relações comerciais também se instaura uma relação de confiança, decorrente do conhecimento da excelência na prestação de serviços do fornecedor habitual. A análise da onerosidade também não ajuda no traço distintivo. Cediço que tanto no emprego quanto na mera relação comercial de prestação de serviços, o pagamento pelos serviços prestados está presente. Logo, o ponto fulcral da distinção é a subordinação. Somente na relação de emprego o contratante, no caso empregador, subordina o prestador de serviços, no caso , o empregado. Porém, não se pode, sob pena de ofensa ao direito, entender que qualquer forma de direção da prestação de serviços é a subordinação típica das normas trabalhistas. Esta, a subordinação trabalhista, se apresenta em duas situações específicas. A primeira se observa quando o empregador, no nosso caso o contratante da prestação de serviços conduz, ordena, determina a prestação de serviços. É a chamada subordinação subjetiva onde o prestador de serviços, o trabalhador, recebe ordens específicas sobre seu trabalho, assim entendida a determinação de como trabalhar, de Fl. 2289DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.290 22 como executar as tarefas a ele, trabalhador, atribuídas. É a subordinação típica, aquela presente no modelo fordistataylorista de produção. Modernamente, encontramos o segundo modelo de subordinação, erroneamente chamado por muitos de subordinação jurídica. Não se pode admitir tal denominação, quanto mais a afirmação que esta subordinação decorre do contrato. Ora, qualquer contrato imputa direitos e deveres e por certo, desses decorre subordinação jurídica, posto que derivada de um negócio jurídico que atribui obrigações. Essa moderna subordinação é a chamada subordinação estrutural, nos dizeres de Maurício Godinho Delgado. É a subordinação consubstanciada pela inserção do trabalhador no modelo organizacional do empregador, na relação institucional representada pelo fluxo de informações e de prestação de serviços constante do negócio da empresa contratante desses serviços. Mister realçar que é por meio da subordinação estrutural que o empregador, o tomador de serviços que subordina o prestador, garante seu padrão de qualidade, uma vez que controla todo o fluxo da prestação dos serviços necessários a consecução do mister constante de seu objeto social, ou seja, é por meio de um modelo de organização que há o padrão de qualidade necessário e o controle das atividades e informações imprescindíveis para a prestação final dos serviços, para a elaboração do produto, para a venda da mercadoria que é o fim da atividade econômica pretendida pelo contratante dos serviços, pelo empregador. Com essa considerações, a solução da lide tributária instaurada por meio do presente recurso voluntário será encontrada a partir da comprovação, ou não, da existência da relação de emprego, consubstanciada pela comprovação da subordinação, entre as pessoas físicas que prestaram os serviços mencionados no auto de infração e a Recorrente." 7 De acordo com a fiscalização, fls. 44/344 em síntese a autuada é um hospital, sendo que todos ou a maioria dos atendimentos médicos realizados por pessoas jurídicas contratadas e depois de examinar livros contábeis, notas fiscais de prestação de serviços, escalas de plantão médico, entre outros documentos, concluiu pela existência de simulação e fraude na contratação das sociedades de profissionais para a prestação de serviços médicos, tendo por finalidade a dissimulação da verdadeira relação de emprego mantida entre a empresa autuada e os sócios das sociedades civis contratadas (pessoas físicas) e outros médicos que não tinham nenhum vínculo formal com as pessoas jurídicas, mas que prestavam serviço Fl. 2290DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.291 23 dentro do hospital através dessas pessoas jurídicas. O lançamento e a constatação de tais fatos foram todos estabelecidos através de arbitramento. 8 Dessa maneira a fiscalização entendeu que tanto os sócios das pessoas jurídicas prestadoras de serviços na área médica foram considerados segurados empregados da autuada, devido à comprovação da presença dos requisitos básicos da relação empregatícia: serviço prestado por pessoa física, pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação, da mesma forma os médicos sem qualquer vínculo formal com essas pessoas jurídicas. 9 A título de comprovação dos fatos imputados ao sujeito passivo, os seguintes elementos de prova, entre outros, depreendese das considerações consignadas pela autoridade fiscal no item 4 e 5 do Relatório Fiscal (fls. 24/27), foram, em síntese, considerados segurados empregados pelas seguintes razões: "4. Como resultado da ação fiscal, constatado que houve Pejotização contratação de pessoas jurídicas para prestação de serviços quando estes são de fato executados por pessoas físicas, de forma subordinada, habitual e onerosa, visando proporcionar irregularmente a redução de custos trabalhistas e economia de tributos (Contribuições Previdenciárias e Imposto de Renda), tanto por parte da contratante quanto dos prestadores de serviço. Foram apurados os créditos tributários previdenciários mediante lançamento dos valores devidos. 5. IIII – CONTRATAÇÃO DE MÉDICOS como Pessoas Jurídicas – Pejotização Da análise das notas fiscais, da contabilidade e dos demais documentos apresentados aferiuse, entre outros: As receitas com os serviços médicos prestados foram contabilizadas pelo hospital na conta de resultado: conta contábil: 311103 Receita Operacional no valor de R$ 116.598.607,32; As despesas com os pagamentos aos médicos foram escriturados na conta de resultado: 3313010002 SERVIÇOS MÉDICOS PESSOA JURÍDICA, no valor total de R$ 32.110.712,3. Há caso em que a própria nota fiscal emitida discrimina que os serviços médicos prestados tratase do pagamento de SALÁRIOS e de FÉRIAS; Há caso em que a própria nota fiscal emitida discrimina que os serviços médicos prestados tratase do pagamento de 13º SALÁRIO; Fl. 2291DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.292 24 A empresa individualizou no corpo da notal fiscal, confirmado pela relação de médico por nota fiscal entregue pelo contribuinte à fiscalização (anexo 4 Médicos por empresas conta 3313010002 SERVIÇOS MÉDICOS PESSOA JURIDICA.), médicos que não possuem nenhuma vinculação com a empresa emitente da nota fiscal.(não são sócios, nem empregados). Houve a prestação de serviços médicos de forma extemporânea. Os médicos prestaram serviços antes de se tornarem sócios das empresas emitentes das notas fiscais. Houve apropriação de despesas de escalas médicas extemporâneas; ou seja, os serviços médicos foram prestados pelos médicos antes da constituição da empresa. Houve apropriação de despesas no corpo da nota fiscal atinentes a adiantamentos, pendências, escalas, plantões, coordenação. O que evidencia a pessoalidade, subordinação, onerosidade, não eventualidade. O próprio sócio do Hospital Santa Marta, Manuel Ronaldo de Oliveira Simeao CPF: 193.230.77704, e seu cônjuge Suely Maria Pimentel Simeao, CPF: 028.977.76153, são os únicos sócios de empresa que prestou serviço ao Hospital Santa Marta: Empresa LAPAC Laboratorio de Patologia e Clinicas LTDA – EPP, CNPJ: 00.454.686/000190. Ressaltese ainda que o cônjuge CPF: 028.977.76153 SUELY MARIA PIMENTEL SIMEAO, CBO: 251510PSICOLOGO CLINICO, junto com as filhas: CPF: 864.967.19187 VANESSA PIMENTEL SIMEAO e CPF: 864.079.37191 SIMONE PIMENTEL SIMEAO também são sócias da empresa CNPJ: 08.329.752/000102 CLINICA OUVIR LTDA – ME, que prestou serviços médicos ao Hospital Santa Marta. O contador do Hospital Santa Marta, CPF: 308.432.78153 Marcio Silva Cunha, também é o contador de várias empresas que prestaram serviços ao Hospital Santa Marta; Em trabalho de campo no Hospital Santa Marta, realizado em 02/02/2015, feito por amostragem, foi constatada a prestação de serviço in loco da médica Weridyana Batista de Oliveira, CPF: 694.774.50120, CRM:17616, com a coleta de sua assinatura. Esclareça que o Hospital Santa Marta informou que ela teria prestado serviços médicos em 2012 intermediada por empresas; contudo, em análise aos cadastros da RFB, ela não possuía nenhuma vinculação com tais empresas (não era sócia nem empregada). Bem como, o fato de continuar prestando serviços em 2015 é caracterizador do vinculo empregatício. Coincidentemente, nesse trabalho de campo, todas as assinaturas dos médicos coletadas foram de médicos que prestaram serviços médicos em 2012, e continuam prestando em Fl. 2292DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.293 25 2015. O que demonstra, de forma clara, os vínculos empregatícios. Dessa forma, fica muito claro que o Hospital Santa Marta usou as empresas com o único objetivo de contabilizar os salários dos médicos por meio delas; e em muitos casos, sem a preocupação sequer de haver uma relação formal destes com a empresa emitente da nota fiscal. Tendo com isso o objetivo de pagar menos tributo. E como a atividade médica era exercida com: Pessoalidade (personalizados no corpo das notas fiscais emitidas, na relação de médicos encaminhadas ao CNES Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde em 2012, no arquivo de prontuário entregue à fiscalização, na relação médico por empresa entregue à fiscalização, na relação de sócios ativos (médicos) em 2012 das empresas contabilizadas na conta contábil 3313010002 serviços médicos pessoa jurídica. Vide ANEXOS. De maneira continua e permanente: as escalas médicas são de periodicidade mensal, as notas fiscais são emitidas em vários meses no ano; quando não, em todos os meses do ano, a relação de médicos encaminhadas ao CNES Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde em 2012, engloba os mesmos médicos em todos os meses do ano e comprova que médicos informados em 2012 continuam sendo informados em 2015. O prontuário entregue à fiscalização relaciona os médicos nos dozes meses do ano. Assim como o serviço prestado é parte integrante da cadeia produtiva do hospital; ou seja, inserese no objeto do empreendimento hospitalar. Os médicos recebiam pagamentos, ainda que por meio de notas fiscais escrituradas na conta de resultado: 3313010002 Serviços Médicos Pessoa Jurídica, no valor total de R$ 32.110.712,3. (Configurado como mera tentativa de fraude a direitos trabalhistas e tributários pejotização) onerosidade. Havia subordinação às diretrizes traçadas pelo hospital: os pacientes eram todos do hospital (Receita Operacional de R$ 116.598.607,32), que assumia os riscos do trabalho executado pelo médico, a chamada alteridade, como ocorrido no Processo: 2003.01.1.0308045 do TJDFT). Outrossim, só o fato de haver obrigatoriedade de o profissional médico comparecer ao hospital para prestar o seu serviço, não podendo realizálo em outro local, por si só, já caracteriza a subordinação jurídica. Denotase, por amostragem, o vínculo empregatício." Fl. 2293DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.294 26 10 Quanto ao mérito do recurso entendo que deve ser dado provimento, uma vez que a autoridade fiscal não se desvencilhou em comprovar os elementos caracterizadores do vínculo de emprego. 11 No que concerne à chamada “pejotização“ de empregados, importa verificar se há, ou não, a presença dos elementos fáticojurídicos caracterizadores do vínculo empregatício na relação de trabalho constituída entre a recorrente e os trabalhadores que, apontados pela fiscalização, lhe teriam prestado serviço nos períodos de competência fiscalizados. 12 Entendo com a devida venia, nos caso dos autos, a autoridade lançadora passou ao largo da demonstração inequívoca, e até mesmo da comprovação, da existência desses elementos fáticojurídicos na relação de trabalho, sobretudo no que pertine à comprovação da subordinação na prestação dos serviços. 13 Dada a prestação de serviços diretamente com pessoas jurídicas, compete ao Fisco o ônus probatório da existência do vínculo de emprego, visto que a prova dos fatos jurídicos cabe a quem tem interesse em fazer prevalecer o que afirma. 14 Em outras palavras, a fiscalização deve adicionar aos autos os elementos que demonstrem indubitavelmente a ocorrência dos fatos que invoca como fundamento à sua pretensão, assim como as circunstâncias em que foram verificados durante o procedimento investigatório. 15. Na hipótese de médicos, enquadrados na categoria dos profissionais liberais, a comprovação da prestação de serviços na condição de empregados representa ainda mais desafio à fiscalização, tendo em vista as peculiaridades do exercício da profissão, em caráter personalíssimo, com independência de opinião e autonomia de execução da medicina, via de regra. 16 Dito de outro modo, o tão só fato de que os sócios das pessoas jurídicas contratadas pela fiscalizada prestavam diretamente o serviço contratado não se afigura suficiente para provar que o elemento da pessoalidade na relação de trabalho está ligado à pessoa física do sócio e não à pessoa jurídica, fazendose necessário que a imputação esteja acompanhada de outros elementos de prova que descredenciem a pessoa jurídica como o sujeito dessa relação, o que, todavia, na espécie, a fiscalização, a meu ver, não logrou fazer integralmente. Fl. 2294DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.295 27 17 Esse desafio da fiscalização na minha ótica acabou na demonstração "precária" da comprovação do vínculo de emprego através de arbitramento, utilizandose de forma genérica de situações que sequer chegam próximo dos elementos caracterizadores indicados nos arts. 2º e 3º da CLT aplicando os mesmos efeitos jurídicos a todas as pessoas jurídicas e pessoas físicas indicadas na autuação, sem estabelecer qualquer motivação para efetuar o levantamento fiscal e o cálculo através de aferição indireta na forma do art. 148 do CTN. 18 No detalhamento desses pressupostos da prestação de serviço com vinculação empregatícia, o Fisco Federal não os individualizou por contrato ou profissional de saúde, como muitas vezes procede os diversos Termo de Verificação Fiscal já analisados em casos como este, mas sim optou em considerar provado o vínculo de emprego reproduzindo esse fato a todos os profissionais médicos, a título de elementos de prova do vínculo de emprego da seguinte forma: " Em trabalho de campo no Hospital Santa Marta, realizado em 02/02/2015, feito por amostragem, foi constatada a prestação de serviço in loco da médica Weridyana Batista de Oliveira, CPF: 694.774.50120, CRM:17616, com a coleta de sua assinatura. Esclareça que o Hospital Santa Marta informou que ela teria prestado serviços médicos em 2012 intermediada por empresas; contudo, em análise aos cadastros da RFB, ela não possuía nenhuma vinculação com tais empresas (não era sócia nem empregada). Bem como, o fato de continuar prestando serviços em 2015 é caracterizador do vinculo empregatício. Coincidentemente, nesse trabalho de campo, todas as assinaturas dos médicos coletadas foram de médicos que prestaram serviços médicos em 2012, e continuam prestando em 2015. O que demonstra, de forma clara, os vínculos empregatícios. Dessa forma, fica muito claro que o Hospital Santa Marta usou as empresas com o único objetivo de contabilizar os salários dos médicos por meio delas; e em muitos casos, sem a preocupação sequer de haver uma relação formal destes com a empresa emitente da nota fiscal. Tendo com isso o objetivo de pagar menos tributo. E como a atividade médica era exercida com: Pessoalidade (personalizados no corpo das notas fiscais emitidas, na relação de médicos encaminhadas ao CNES Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde em 2012, no arquivo de prontuário entregue à fiscalização, na relação médico por empresa entregue à fiscalização, na relação de sócios ativos (médicos) em 2012 das empresas contabilizadas na conta contábil 3313010002 serviços médicos pessoa jurídica. Vide ANEXOS. Fl. 2295DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.296 28 De maneira continua e permanente: as escalas médicas são de periodicidade mensal, as notas fiscais são emitidas em vários meses no ano; quando não, em todos os meses do ano, a relação de médicos encaminhadas ao CNES Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde em 2012, engloba os mesmos médicos em todos os meses do ano e comprova que médicos informados em 2012 continuam sendo informados em 2015. O prontuário entregue à fiscalização relaciona os médicos nos dozes meses do ano. Assim como o serviço prestado é parte integrante da cadeia produtiva do hospital; ou seja, inserese no objeto do empreendimento hospitalar. Os médicos recebiam pagamentos, ainda que por meio de notas fiscais escrituradas na conta de resultado: 3313010002 Serviços Médicos Pessoa Jurídica, no valor total de R$ 32.110.712,3. (Configurado como mera tentativa de fraude a direitos trabalhistas e tributários pejotização) onerosidade. Havia subordinação às diretrizes traçadas pelo hospital: os pacientes eram todos do hospital (Receita Operacional de R$ 116.598.607,32), que assumia os riscos do trabalho executado pelo médico, a chamada alteridade, como ocorrido no Processo: 2003.01.1.0308045 do TJDFT). Outrossim, só o fato de haver obrigatoriedade de o profissional médico comparecer ao hospital para prestar o seu serviço, não podendo realizálo em outro local, por si só, já caracteriza a subordinação jurídica. Denotase, por amostragem, o vínculo empregatício." Sem grifos no original 19 A partir dessa única constatação acima reproduzida a fiscalização utilizou para identificar a relação de emprego para todos os casos. Contudo, se utilizarmos também através de amostragem alguns pontos identificados no próprio relatório fiscal vamos constatar que a fiscalização adota premissa equivocada e que por si só na visão desse relator afasta o lançamento tributário. 20 A fiscalização alega que "fica muito claro que o Hospital Santa Marta usou as empresas com o único objetivo de contabilizar os salários dos médicos por meio delas; e em muitos casos, sem a preocupação sequer de haver uma relação formal destes com a empresa emitente da nota fiscal. Tendo com isso o objetivo de pagar menos tributo."; com essa afirmação a fiscalização parte do pressuposto de que as pessoas jurídicas foram constituídas de forma fraudulenta a título de não pagar diretamente os "salários" pelos serviços médicos dos prestadores que não tinham nenhum contrato formal com as pessoas jurídicas prestadoras e o hospital e até mesmo dos sócios das pessoas jurídicas. Fl. 2296DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.297 29 21 Às fls. 57 do relatório fiscal a fiscalização faz referência como prova da empresa DIGESTIVE CLINICA DO APARELHO DIGESTIVO CNPJ: 14.353.297/000183, que foi uma das desconsideradas pela fiscalização, alegando que havia nas Notas Fiscais a indicação de médicos que não eram sócios e não tinham nenhum contrato ou vínculo formal a título de prestação de serviços, contudo a fiscalização junta aos autos a GFIP dessa empresa em que identificamos diversos empregados registrados: 22 Continuando seu raciocínio a autoridade fiscal afirma: Fl. 2297DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.298 30 "Portanto, os médicos personalizados nas Notas Fiscais e no documento entregue pelo contribuinte, abaixo: Lívia Gomes dos Santos Tavares – CPF 00242676191; Adriano Cláudio Pereira de Morais – CPF 02367287400; Alexandre Chastuni Pereira Teixeira – CPF 04381511603; Juline Monteiro Marinho – CPF 05192871425; José Guilherme Filho – CPF 26893398387; Edson Lustosa Machado – CPF 09606220397; Jandui Gomes de Abreu Filho – CPF 347889415; Drª Lina. Não possuem nenhuma vinculação com a empresa DIGESTIVE CLINICA DO APARELHO DIGESTIVO LTDA. Portanto, os médicos não poderiam ser pessoas jurídicas já que não eram sócios da pessoa jurídica emitente da nota fiscal. Nem eram terceirizados, já que também não eram empregados dessa pessoa jurídica emitente da nota fiscal. Fica muito claro que o Hospital Santa Marta usou as empresas com o único objetivo de contabilizar os salários dos médicos por meio delas; sem a preocupação sequer de haver uma relação formal destes com a empresa emitente da nota fiscal. Tendo com isso o objetivo de pagar menos tributo." 23 Não verifico nos autos nenhuma prova que sugere que as pessoas jurídicas, tais como a acima indicada, fosse utilizada para orquestrar um ato simulatório no qual alega a fiscalização. Pelo contrário, verifico que a fiscalização parte de uma premissa sem qualquer fundamento e provas concretas para alegar tal fato. Chegase ao absurdo de se alegar a simulação de uma pessoa jurídica que contem empregados no setor administrativo, sem ao menos promover o levantamento da estrutura de fato e de direito de tal empresa. Às fls. 2.125 por exemplo o recorrente traz prova de uma estrutura da referida empresa e de outras indicadas como emissoras das notas fiscais. 24 Verificamos portanto que partindo da mesma premissa que a fiscalização, ou seja, através de amostragem, não há prova da simulação perpetrada pelas pessoas jurídicas que prestavam serviço à recorrente, e portanto, com isso a autuação é improcedente, posto que de acordo com art. 2º da CLT: "Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, Fl. 2298DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.299 31 admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço." Grifei 25 Ora, se considera empregador aquele que "assalaria" ou remunera de alguma forma o trabalho pessoal da pessoa física. Contudo, no caso, sem a prova robusta de que as pessoas jurídicas que prestavam serviço à recorrente foram utilizadas como meros "anteparos" ou "pessoa interposta" para tentar "mascarar a relação de emprego", e pelo fato desses profissionais que de acordo com a fiscalização "os médicos não poderiam ser pessoas jurídicas já que não eram sócios da pessoa jurídica emitente da nota fiscal. Nem eram terceirizados, já que também não eram empregados dessa pessoa jurídica emitente da nota fiscal." o fato de serem remunerados pelas pessoas jurídicas prestadoras de serviço já afastaria qualquer tipo de responsabilidade da recorrente. 26 No caso, não sabemos sequer a relação desses prestadores para com as prestadoras de serviço, no máximo, o que podemos considerar sem qualquer sombra de dúvida é uma relação de prestação de serviço autônoma, e mesmo assim para com essas prestadoras que remuneravam esses médicos, não podendo se afirmar qualquer tipo de vínculo tal como foi alegado de forma categórica pela fiscalização sem qualquer fundamento jurídico, verbis: "Em trabalho de campo no Hospital Santa Marta, realizado em 02/02/2015, feito por amostragem, foi constatada a prestação de serviço in loco da médica Weridyana Batista de Oliveira, CPF: 694.774.50120, CRM:17616, com a coleta de sua assinatura. Esclareça que o Hospital Santa Marta informou que ela teria prestado serviços médicos em 2012 intermediada por empresas; contudo, em análise aos cadastros da RFB, ela não possuía nenhuma vinculação com tais empresas (não era sócia nem empregada). Bem como, o fato de continuar prestando serviços em 2015 é caracterizador do vinculo empregatício." 27 A constatação acima mencionada pela autoridade fiscal com o consequente efeito jurídico não é crível, não há elementos de causa e efeito que por si só geram a relação de emprego, o simples fato da pessoa ter trabalhado para uma outra em época anterior sem qualquer tipo de contrato formal (CLT ou autonômo) e o fato de ainda continuar trabalhando nos mesmos moldes, em nada prova e configura o vínculo de emprego ou a denominação de empregado do art. 3º da CLT. 28 Outrossim, outros fatos narrados a seguir em nada faz crer por si só que existe a configuração do vínculo de emprego: Fl. 2299DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.300 32 Assim como o serviço prestado é parte integrante da cadeia produtiva do hospital; ou seja, inserese no objeto do empreendimento hospitalar. Omissis Havia subordinação às diretrizes traçadas pelo hospital: os pacientes eram todos do hospital (Receita Operacional de R$ 116.598.607,32), que assumia os riscos do trabalho executado pelo médico, a chamada alteridade, como ocorrido no Processo: 2003.01.1.0308045 do TJDFT). Outrossim, só o fato de haver obrigatoriedade de o profissional médico comparecer ao hospital para prestar o seu serviço, não podendo realizálo em outro local, por si só, já caracteriza a subordinação jurídica. Grifei 29 A respeito desse assunto acima indicado (subordinação) adoto como razões de decidir parte do voto do I. Conselheiro Cleberson Alex Friess no Ac. 2401004.413 em caso similar temos, verbis: 33.1 A par da participação integrativa do trabalhador na atividade da empresa, é necessária a demonstração adicional da existência de poder diretivo e disciplinar do empregador, afastando de vez a autonomia da atividade do trabalhador, ainda que tais requisitos não se configurem sob a forma clássica de ordens diretas voltadas à prestação de serviço. 34. Com o devido respeito aos que pensam diferente, o fato de o médico prestar serviços diretamente ligados à atividade fim do hospital, por si só, não leva ao reconhecimento do vínculo de emprego, até porque, nessa área médica, não é incomum a relação ocorrer de uma forma autônoma. 35. Passandose mais especificamente à análise dos fatos e motivos que amparam a acusação fiscal, verifico que o Regimento Interno do Corpo Clínico do Hospital Ministro Costa Cavalcanti não estabelece uma relação vertical e hierárquica entre diretor clínico e profissional médico, mas sim, como destaca a recorrente, uma aproximação horizontal, de caráter técnico, assegurada a autonomia e a ética no exercício da medicina (fls. 8.858/8.877). 36. É frágil a proposta de descaracterizar a autonomia que usufruem os profissionais médicos pelo fato de fazerem parte do corpo clínico do hospital, submetendose às normas administrativas estabelecidas no regimento. 36.1 O respeito dos horários de consultas e exames agendados, assim como o cumprimento das normas administrativas emanadas pela entidade hospitalar, não são de molde a caracterizar a subordinação. Longe disto, porquanto o respeito às normas de organização interna básica é algo imprescindível Fl. 2300DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.301 33 ao funcionamento de qualquer instituição que presta serviços de saúde. 37. Por sua vez, não localizei nos autos elementos contundentes que revelem a falta de definição da agenda pelo próprio médico, de modo a lhe faltar independência para estabelecer a sua jornada diária e eventuais ausências, tendo que comparecer necessariamente ao hospital, mesmo que concedido ao profissional alguma flexibilidade nos seus horários. 38. No caso da escala de plantões, embora obrigação identificada em diversos contratos, por haver necessidade da presença de médicos "in loco" no período de 24 (vinte e quatro) horas, não há provas que deixava de levar em conta a disponibilidade de horários de cada médico, com interferência da instituição além de uma finalidade de acompanhamento e coordenação da atividade. 38.1 Aparentemente, eventuais substituições dos plantonistas eram permitidas, mediante troca de horários de plantões entre os colegas da respectiva sociedade contratada, inexistindo uma obrigação de um determinado médico comparecer ao hospital, sob pena de punição, proibindolhe assim de mandar outro profissional no seu lugar, sem autorização prévia do contratante. 39. Em uma visão geral, os contratos de prestação de serviços e os respectivos valores das notas fiscais emitidas indicam o faturamento pelas pessoas jurídicas de valores constantemente alterados ao longo dos meses, conforme fls. 8.303/8.422, evidenciando o repasse a título de honorários médicos ao contratado, oriundos da produtividade variável aferida no atendimento a pacientes particulares e conveniados, e não o pagamento de salários. 40. Segundo a fiscalização, a disponibilização do espaço físico, da estrutura de recepção e marcação de consultas, entre outros aspectos, às pessoas jurídicas contratadas, sem custos adicionais, acabaria afastando os riscos econômicos decorrentes da criação das sociedades médicas contratadas, demonstrando que constituía o objeto pactuado, indubitavelmente, a própria atividade do profissional de saúde. 40.1 Tal raciocínio, porém, deve ser avaliado no contexto da natureza dos serviços prestados, em que a dispensabilidade da interposição da pessoa jurídica na relação contratual é evidente, dadas as características dos serviços médicos contratados, os quais serão desempenhados necessariamente por uma pessoa física que fornece a sua força de trabalho, ainda que vinculada a uma pessoa jurídica. 40.2 De todo modo, mesmo constatada que a participação da pessoa jurídica tem caráter meramente formal, apenas restará configurado o vínculo empregatício se comprovada a subordinação jurídica na relação mantida entre tomador do serviço e sócio da sociedade médica. Fl. 2301DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.302 34 41. Ante as especificidades próprias da profissão de médico, em que não há impedimento legal, segundo entendo, para a contratação de pessoa jurídica ou mesmo de autônomos (contribuintes individuais) na atividade fim de hospitais, caberia a fiscalização, por exemplo, aprofundar a investigação junto aos prestadores de serviço, preferencialmente avaliando de maneira individual a situação do profissional. 41.1 Tal procedimento poderia auxiliar na demonstração pormenorizada do vínculo empregatício existente, inclusive quanto à eventual imposição pelo hospital aos médicos da forma jurídica para a sua contratação. 42. Embora possível, a generalização da existência de subordinação nas dezenas de contratações de pessoas jurídicas exige bastante cautela e, principalmente, um conjunto probatório robusto e convincente da realidade fática comum. 42.1 É imprescindível a fiscalização convencer o julgador que os serviços não eram prestados de forma autônoma para a entidade hospital, havendo significativa limitação de comando e controle sobre as atividades profissionais exercidas, caracterizando, desse modo, trabalho subordinado. 43. Em vista de exposto, em que pese o esforço despendido pela autoridade fiscal para demonstrar os pressupostos da relação de emprego, não logrou êxito em comprovar o requisito subordinação, em linguagem de prova convincente, o que dispensa a análise da presença dos demais requisitos cumulativos ensejadores do vínculo empregatício noticiados pela acusação fiscal e refutados pela fiscalizada no recurso voluntário." 30 A pessoalidade, não eventualidade e onerosidade são requisitos que podem estar presentes em outras relações de trabalho, como na atividade autônoma. É, contudo, o requisito da subordinação que tem papel relevante e fundamental para delimitar se o trabalhador detém a condição de empregado ou não. 31 Via de regra, não se presume a subordinação do médico. É nesse ponto, em especial, que reside as dificuldades da área de fiscalização previdenciária, porque o reconhecimento do vínculo empregatício entre hospital e o profissional de saúde exige prova cabal dessa subordinação, ou pelo menos indícios sérios, convergentes e contundentes da submissão da atividade que desempenha ao poder de direção do tomador, implicando clara limitação da autonomia do médico. 32 Portanto não há elementos de prova robustos, sendo que até mesmo a alegação de nota fiscal indicando salário e férias e 13º salário, após a análise por esse relator por amostragem nas milhares de notas fiscais, juntadas no eprocesso em arquivos não Fl. 2302DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.303 35 pagináveis, consideradas como um dos elementos de prova pela fiscalização, não verifiquei outras notas com o mesmo teor, (a grande maioria consta serviços médicos prestados) sendo que ao que parece a fiscalização utilizou apenas de uma nota com esse teor para comprovar a existência de vínculo de emprego. 33 Em relação à prova em caso similar julgado recentemente por essa Turma de relatoria do Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira no excerto antes indicado verbis: "Não há uma única prova das alegações fiscais. Há, sim, anexos que relacionam o nome de médicos que prestaram serviços ao hospital (fls. 92/132), anexo com nomes de médicos que não eram sócios das empresas declaradas em DIRF (fls. 133/169), anexo de com nomes de profissionais que constavam dos prontuários do hospital e eram sócios da empresas prestadoras (fls. 170/174), Anexo com o quadro societário das pessoas jurídicas prestadoras de serviço (fls. 210/226), inúmeros contratos de prestação de serviços anexados ao Relatório Fiscal (fls 495/565) e várias notas fiscais da empresas prestadoras (fls. 566/582). Nada mais! Nenhuma prova das alegações fiscais. Nenhuma comprovação nem por amostragem de que uma pessoa física, aquele ser individualmente considerado, prestou serviço pessoal para o tomador, por intermédio de pessoa jurídica. Nenhuma comprovação, mesmo que indiciária, de que fulano de tal estava subordinado, hierarquicamente ou por meio de inserção no modelo organizacional do tomador de seus serviços. Ora, mera análise de contrato, embasada em percepção da autoridade fiscal, fundada em frase de efeito e imputações de vícios de consentimento e de ilicitudes várias, não tem o condão de comprovação da fraude, ou simulação previstas no artigo 9º da CLT que ensejam a aplicação das normas trabalhistas ao caso concreto. Não há subordinação que seja ínsita a um tomador de serviços que, por previsão contratual, determine o local da prestação de serviços! Ofende o primado da lógica, querer crer que algum contratante de serviços a serem prestados, alguém que contrate outrem para um facere, para uma obrigação de fazer, não defina o local aonde o serviço será prestado, ou preveja, contratualmente, a eventual alteração de tal local. Fl. 2303DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.304 36 Não se pode por ser um argumento pueril dizer que por existir na avença a possibilidade do contratante mudar o local do atendimento médico a ser prestado pelo contratado (mudar o consultório do médico que paga pelo aluguel do mesmo), demonstra a vinculação do prestador às regras do tomador, que reproduzimos abaixo com o perdão da repetição (fls 56, in fine): Trechos que deixam clara a permissão de ocupação de área física, para permitir que o médico atue dentro do ambiente do Hospital, sob o seu controle e subordinação: “CLÁUSULA PRIMEIRA – DO OBJETO O presente contrato tem por objetivo a ocupação de área física no Ambulatório do HOSPITAL CONTRATANTE, adequada ao exercício das atividades profissionais da CONTRATADA e restrita a atendimento ambulatorial para o exercício das atividades profissionais da CONTRATADA, relativa à sua especialidade de Ginecologia, mediante o pagamento mensal de uma taxa de ocupação.” Ora, se há pagamento pela utilização do espaço do hospital, resta de maneira cabal, afastada a alegada subordinação e controle. Não se pode emprestar presunção de veracidade a alegações que pretendem imputar relação de emprego com base em um contrato que prevê pagamento por ocupação de um espaço físico no pretenso empregador. Nunca soube de empregado que pagasse aluguel por sua mesa ou espaço de trabalho para seu empregador. Não há, como dito, nenhuma comprovação das alegações fiscais. Não se prova pessoalidade pelo simples motivo de que não há nenhuma identificação concreta de que fulano, beltrano ou sicrano, prestavam serviços 'intuito personae' ao Recorrente. Não se comprova tal argumento com a seguinte afirmação (fls. 72) " (...) a pessoalidade é patente, pois faz se necessário a interveniência de profissionais de saúde de quem são exigidos requisitos funcionais, como: registro no CRM, formação e especialização, que permitem que o profissional e somente ele possa executar os procedimentos nos pacientes da REDE DOR – HSL " Ora, qualquer um dos milhares de médicos registrados no CRM são, potencialmente habilitados a prestar serviços médicos, tendo registro, formação e especialização, afastando de forma patente para se usar a expressão da autoridade fiscal a pessoalidade exigida para a caracterização do empregado. Diante de todo o exposto, e ressaltando a necessidade da comprovação da relação de emprego para a desconsideração da relação entre as pessoas jurídicas prestadoras e a tomadora dos serviços, forçoso reconhecer a procedência das alegações recursais, em razão da comprovação dos fatos impeditivos do direito do Fisco ao crédito tributário lançado." Fl. 2304DF CARF MF Processo nº 10166.721734/201662 Acórdão n.º 2201004.587 S2C2T1 Fl. 2.305 37 34 Deixo de me manifestar em relação às preliminares indicadas no recurso em vista do seu provimento quanto ao mérito aplicando o princípio da primazia da resolução de mérito de acordo com § 2º do art. 282 do CPC de 2015 e art. 59 § 3º do Decretolei 70.235/72 que se pode afirmar que, "quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta". 35 Pelo exposto nesse tópico dou provimento ao recurso e por consequência afasto, deixo de analisar as razões recursais no tocante a qualificadora da multa e ao descumprimento de obrigações acessórias, sendo que tais fundamentos são aplicados também quanto ao lançamento indicado no item quanto a IIIIII – CONTRATAÇÃO DOS DIRETORES como Pessoas Jurídicas – Pejotização CONTA CONTÁBIL: 3313010010 SERVIÇOS DE CONSULTORIA /PLANEJAMENTO. 36 Quanto aos recursos dos sujeitos passivos por solidariedade, em vista do provimento do recurso principal, dou provimento aos mesmos afastando a solidariedade passiva dos mesmos. Conclusão 37 Diante do exposto, com fundamento na legislação competente e nas disposições acima mencionadas, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO RECURSO VOLUNTÁRIO do sujeito passivo principal e DOU PROVIMENTO ao recurso dos sujeitos passivos por solidariedade. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 2305DF CARF MF
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