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Numero do processo: 16682.721756/2015-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.739
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório O Trata o presente processo de auto de infração de multa em decorrência de DCOMP não homologada. O contribuinte foi cientificado e apresentou impugnação que, após o julgamento, manteve a cobrança do crédito tributário. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 75 6/ 20 15 -9 9 Fl. 287DF CARF MF Processo nº 16682.721756/201599 Resolução nº 3201001.739 S3C2T1 Fl. 3 2 Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração A Recorrente alega que a aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. Em seu apoio cita doutrina e jurisprudência. Cumulação de Multa Configurando BIS IN IDEM A Recorrente alega que há cumulação da multa de ofício com a multa de mora, entendendo que as duas multas partilham da mesma essência. Nesse raciocínio afirma que a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem. Da Apensação A Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP constante do PAF 16682.720030/201539. Nesse sentido, exige que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Da Suspensão No caso dos processos não serem juntados, a Recorrente pede a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do PAF 16682.720030/201539. Nessa linha, argumenta que este processo seria subsidiário ao PAF 16682.720030/201539. Dos Pedidos Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; c) a apensação do presente processo ao PAF 16682.720030/201539; d) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente. É o relatório. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 16682.721756/201599 Resolução nº 3201001.739 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.718, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.721714/201558, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.718): "Em breve síntese a Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP 14194.20200.240211.1.7.041872 constante do PAF 16682.7200030/201539. Nesse sentido, requer que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Em atendimento ao requerimento da recorrente, resolvo em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. Após a juntada o processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados (ou confirmada a apensação), por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.963896/2009-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006
DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA.
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-007.950
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem.
Em primeira votação, os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006 DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem. Em primeira votação, os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
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RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado UNIVERSAL MUSIC LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006 DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem. Em primeira votação, os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 38 96 /2 00 9- 13 Fl. 1920DF CARF MF Processo nº 15374.963896/200913 Acórdão n.º 9303007.950 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3801003.603, 24 de julho de 2014, decisão que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem na Declaração de Compensação transmitida pelo contribuinte, lastreada em crédito oriundo de recolhimento indevido ou maior que o devido de PIS. O despacho decisório exarado não reconheceu o direito creditório informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido localizado, mas fora integralmente utilizado para quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Inconformado, o Contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese que: apurou valor devido menor que o recolhido, utilizando o crédito resultante para a presente compensação, retificando a DCTF e o DACON correspondentes; a decisão questionada foi proferida juntamente com 82 outras, tornando evidente que a impugnante não teve tempo hábil para exercer de forma ampla seu direito de defesa; as despesas que geraram os créditos objeto da compensação são decorrentes dos custos com gravação e dos pagamentos de direitos autorais, conforme já manifestado por meio da Solução de Consulta nº 33/05, da 2ª Região Fiscal; sobre a questão tratam ainda as Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2004. A DRJ no Rio de Janeiro/RJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão de primeiro grau contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. O Colegiado a quo deu provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. O Acórdão 3801003.603 possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS. Fl. 1921DF CARF MF Processo nº 15374.963896/200913 Acórdão n.º 9303007.950 CSRFT3 Fl. 4 3 Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofins importação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação. NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃOCOMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência suscitando dissenso em relação ao conceito de insumo adotado no acórdão recorrido. Para comprovar a divergência apontou os acórdãos de nºs. 20312.448 e 20400.795. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, sob o argumento que no acórdão paradigma n.º 20312.448 foi julgado caso de empresa industrial, sendo analisados o direito de crédito de diversos tipos de aquisições de bens e serviços, cujas glosas foram mantidas pelo colegiado, que adotou o conceito de insumo próprio da legislação do IPI para analisar o direito de crédito da contribuição nãocumulativa. Por sua vez, na decisão recorrida adotouse um conceito mais amplo, que resultou em admitirse direito de crédito da contribuição em relação aos serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes e de afinação de instrumentos. O Contribuinte também interpôs Recurso Especial de Divergência, mas foi lhe negado seguimento, por ser intempestivo. Contrarrazões foram apresentadas pelo Contribuinte, manifestandose pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o relatório em síntese. Fl. 1922DF CARF MF Processo nº 15374.963896/200913 Acórdão n.º 9303007.950 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.943, de 22/01/2019, proferido no julgamento do processo 15374.951434/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.943): "Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisar o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. A matérias enfrentadas pela Fazenda em sede de apelo especial é referente à aplicação do conceito de insumos. O Contribuinte dedicase à produção e comercialização de discos fonográficos e videofonográficos, fitas e fios gravados ou preparados para gravação, edição e comercialização de obras musicais, literárias ou líteromusicais, bem como a prestação de serviços de distribuição de produtos fonográficos e videofonográficos, conforme se depreende do seu objeto social. E no exercício de suas atividades, entende que incorre em dispêndios diretamente relacionados ao seu objeto social: 1 o pagamento de royalties relativos a cessão de direitos autorais; e 2 custos de gravação. No acórdão paradigma n.º 20312.448 apresentado pela Fazenda Nacional traz a seguinte ementa: Ementa(s) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2003 IPI. CRÉDITOS. Geram o direito ao crédito, bem como compõem a base cálculo do crédito presumido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem), e os artigos que se consumam durante o processo produtivo e que não faça parte do ativo permanente, mas que nesse consumo continue guardando uma relação intrinsica com o conceito stricto sensu de matériaprima ou produto intermediário: exercer na operação de industrialização um contato físico tanto entre uma matériaprima e outra, quanto da matériaprima com o produto final que se forma. Fl. 1923DF CARF MF Processo nº 15374.963896/200913 Acórdão n.º 9303007.950 CSRFT3 Fl. 6 5 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. GLOSA PARCIAL O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições especificas ditadas pelo artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF n° 247, de 2002, com as alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias, cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, manutenção predial. Recurso negado. Argumentos contidos no acórdão paradigma não guardam relação com o presente caso concreto, pois trata de uma industria de tecidos que tem peculiaridade totalmente diferente de uma industria da produção e comercialização de discos fonográficos e videofonográficos, fitas e fios gravados ou preparados para gravação, edição e comercialização de obras musicais, literárias ou líteromusicais, bem como a prestação de serviços de distribuição de produtos fonográficos e videofonográficos. Já no acórdão paradigma n.º 20400.795, verificase que a questão destinase a uma indústria de calçados. Vejase: "Decorrente de diligência na empresa, foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal de fls. 724/733 propondo a glosa dos insumos adquiridos por pessoas físicas e cooperativas, uma vez que nesses casos não há incidência de PIS e COFINS. Também foi proposta a glosa de combustíveis, lubrificantes, energia elétrica e de produtos usados no tratamento de água e efluentes sob fundamento que tais produtos, embora possam ser usados no processo produtivo, não são matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem." E verificase que no acórdão paradigma que questão destinase a outro caso, que não o presente. Vejase: "Os bens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido não atendem a esses requisitos. Com efeito, os materiais auxiliares de limpeza, por exemplo, não sofrem alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Outrossim, as embalagens dos produtos de limpeza não guardam qualquer identidade com os insumos diretamente utilizados na fabricação do produto industrializado. Percebase: as embalagens em questão não acondicionam o produto final da recorrida (calçados), mas os materiais de limpeza, daí o descabimento de enquadrálos como insumos." (grifouse) Como informado acima a Contribuinte não produz calçados e nem tecido e sim é uma indústria de fonográfica e videofonográfica e os custos reconhecidos pelo v. acórdão recorrido como passíveis de creditamento não são de produtos de limpeza ou embalagens de produtos de limpeza, combustíveis, lubrificantes, energia elétrica e de produtos usados no tratamento de água e efluentes como se observa pelos autos. Sendo assim, em face da completa dissociação entre o quanto discutido nos presentes autos, o entendimento consagrado pela Turma Recorrida e as alegações contidas no Especial Fazendário, evidenciase que este não poderia sequer ser admitido. Fl. 1924DF CARF MF Processo nº 15374.963896/200913 Acórdão n.º 9303007.950 CSRFT3 Fl. 7 6 Diante do exposto, entendo que não ficou comprovada a divergência, não há semelhança fática entre o acórdão recorrido e o paradigma. Não há como afirmar que se as situações fáticas fossem iguais, se o colegiado paradigmático daria o mesmo entendimento . Em vista de todo o exposto, voto por não conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado não conheceu do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1925DF CARF MF
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Numero do processo: 13822.000052/2005-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.053
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem (i) intime a Recorrente para trazer aos autos, em 60 dias, prorrogáveis uma vez por igual período: a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, para o produto AÇÚCAR, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos mesmos e sua descrição funcional dentro do ciclo; b) Indicar as notas fiscais glosadas a que se referem os insumos; c) Apontar e descrever o uso de bens do ativo imobilizado no processo de produção que foram glosados, especificando-os; d) Apresente a segregação entre os fretes: 1- venda; 2- compra de insumos e 3-intercompany, indicando as respectivas notas fiscais que foram glosadas; e) Esclarecer se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. ii) Indique os insumos e os bens do ativo permanente que são comuns à produção de açúcar e de álcool, detalhando-os. iii) Ato contínuo à juntada da documentação pelo contribuinte (itens i e ii), manifeste-se a autoridade fiscal, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira e Ari Vendramini, que votaram por converter o julgamento em diligência para a juntada aos autos dos documentos recebidos pela Fiscalização e devolvidos ao contribuinte.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem (i) intime a Recorrente para trazer aos autos, em 60 dias, prorrogáveis uma vez por igual período: a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, para o produto AÇÚCAR, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos mesmos e sua descrição funcional dentro do ciclo; b) Indicar as notas fiscais glosadas a que se referem os insumos; c) Apontar e descrever o uso de bens do ativo imobilizado no processo de produção que foram glosados, especificandoos; d) Apresente a segregação entre os fretes: 1 venda; 2 compra de insumos e 3intercompany, indicando as respectivas notas fiscais que foram glosadas; e) Esclarecer se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. ii) Indique os insumos e os bens do ativo permanente que são comuns à produção de açúcar e de álcool, detalhandoos. iii) Ato contínuo à juntada da documentação pelo contribuinte (itens i e ii), manifestese a autoridade fiscal, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira e Ari Vendramini, que votaram por converter o julgamento em diligência para a juntada aos autos dos documentos recebidos pela Fiscalização e devolvidos ao contribuinte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 22 .0 00 05 2/ 20 05 -7 7 Fl. 540DF CARF MF Processo nº 13822.000052/200577 Resolução nº 3301001.053 S3C3T1 Fl. 541 2 Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente de Pedido de Ressarcimento, de créditos apurados pela sistemática da nãocumulatividade, compensado com créditos tributários do próprio interessado através de PER/DCOMP, conforme dados abaixo: Crédito: PIS não cumulativa Período de apuração: 3° trimestre de 2004. Valor pleiteado: R$ 352.626,16 AUTO DE INFRAÇÃO fls. 371 Efetuada a verificação fiscal junto ao interessado foi lavrado Auto de Infração para formalização da glosa dos créditos, onde foram apuradas irregularidades na formação do crédito objeto do presente processo, a saber: a) Bens utilizados como insumos. Baseado no conceito de insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados a venda, dado pelo art. 8°, §4° c/c § 9°, da Instrução Normativa n° 404, de 2004, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades químicas ou físicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não esteja incluído no ativo imobilizado, o auditor fiscal verificou a existência de registros de despesas não incluídos nesse conceito. Inicialmente, verificou diferenças entre os valores informados na planilha "Livro do PIS e Cofins Consolidado 2007" e no DACON. Intimado, o interessado informou que no DACON informou que, além dos insumos relacionados nas planilhas, incluiu as aquisições de canadeaçúcar de pessoas jurídicas. A fiscalização ressaltou que, de acordo com a Lei n° 10.925/2004, arts. 8° e 9°, regulamentada pela Instrução Normativa SRF n° 606, de 2006, as aquisições de insumos de origem agropecuária geram direito a crédito presumido a alíquota de 2,66%, e não ao crédito referente aos insumos, da linha 02 dos DACON e, portanto, não serão considerados nesse item e serão analisados em item próprio, do Auto de Infração. A seguir, efetuou a análise referente aos grupos que compuseram a planilha de cálculo dos insumos. a.1) Material Intermediário Serviço de Manutenção. Da análise da planilha correspondente e das notas fiscais nela relacionadas, verificou que parte dos gastos não se refere a aquisição de insumos, matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, utilizados ou aplicados diretamente no processo de fabricação do açúcar, referindose a partes e peças de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas e aquisição de pneus, assim como despesas Fl. 541DF CARF MF Processo nº 13822.000052/200577 Resolução nº 3301001.053 S3C3T1 Fl. 542 3 diversas tais como: locação de veículos para uso administrativo e obras de recuperação de rodovias. Ressalta que tais gastos não se dão no âmbito do processo produtivo, mas sim em etapas anteriores ou posteriores à produção. Ressalta, também, que considerou somente os gastos referentes a combustíveis e lubrificantes, para os quais há expressa autorização para a inclusão no conceito de insumos. a.2) Material Intermediário Serviço de Manutenção Industrial. Que efetuou a glosa referente a gastos com bens não diretamente consumidos na fabricação de bens destinados à venda, tais como gastos com construção civil, com reparação de caminhões, reboques, com tintas vernizes diluentes (Estoque tintas), cimento, etc. a.3) Fretes Glosou as despesas com fretes referentes a transporte de pessoas, e transporte de mercadorias não enquadradas no conceito de insumos para destinatários diversos, por não se enquadrarem no disposto no art. 3°, § 3°, da Lei n° 10.833, de 2003. b) Base do crédito a descontar referente ao Ativo Imobilizado com base no valor de aquisição (linha 10 da Ficha 16 A do DACON) Cita a legislação regência e constatou que o interessado incluiu na base de cálculo dos créditos referentes a bens do ativo imobilizado: a) 1/48 de valores de aquisição de bens adquiridos antes de 01/05/2004, contrariando o art. 31 da Lei n° 10.865, de 2004, o art. 3°, § 14 c/c art. 15, da Leis n° 10.833, de 2003; b) 1/24 de valores de aquisição de bens diferentes de máquinas e equipamentos, tais como edificações, veículos, motos, microônibus, caminhões, etc., contrariando o art. 31 da Lei n° 10.865, de 2004, o art. 3°, §14 c/c art. 15, da Lei n°10.833, de 2003; c) bens que não foram utilizados exclusivamente no processo industrial, tais como: rádio motorola, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira de cana, etc., contrariando o disposto no art. 3°, inciso VI, e § 1°, inciso II, da Lei n° 10.837, de 2002, e art. 15, da Lei n° 10.833, de 2003, e art. 2° da ,Lei 11.051, de 2004, e demais dispositivos legais acima citados; d) bens vinculados às receitas sujeitas ao regime cumulativo, tais como destilaria, tanque de álcool, fábrica de álcool, etc; e) bens comuns à fabricação de produtos sujeitos aos regimes cumulativo e não cumulativo, tais como balanças, picadores de cana, moendas, mão alimentadora, etc. Com base nas verificações, efetuou a glosa referente aos valores relacionados nos itens "a" a "d" acima. Aos valores referentes ao item "e", aplicouse o percentual de rateio proporcional apurado para os períodos. c) Créditos presumidos Atividades Agroindustriais. c.1) Forma de utilização do crédito Ressalta que, com base no disposto no art. 8°, caput, da Lei n° 10.925,de 2004, e no art. 8°, §3°, II, da IN SRF n° 660, de 2006, o crédito presumido de atividades agroindustriais somente pode ser utilizado para dedução do valor devido da Fl. 542DF CARF MF Processo nº 13822.000052/200577 Resolução nº 3301001.053 S3C3T1 Fl. 543 4 contribuição, não podendo ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento, e que a apreciação desse item será feita pela Saort da DRF. Conclusão do Auto de Infração Com base nas verificações efetuadas, a fiscalização elaborou demonstrativo de cálculo para a apuração correta do crédito da contribuição do período de apuração referenciado, e conclui que o contribuinte tem direito, que montou ao valor de R$ 275.127,70 PARECER SAORT E DESPACHO DECISÓRIO fls. 384 e 394 A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Araçatuba, através do Parecer Saort, reproduziu as informações do Auto de Infração propôs o deferimento do valor de R$275.127,70, como direito creditório do interessado passível de compensação. Através do Despacho Decisório (DD), acataramse as conclusões do Parecer Saort, deferindo em parte o pedido de ressarcimento, reconhecendo ao interessado o direito creditório ao valor proposto no Parecer, e homologando as compensações efetuadas até o limite do direito creditório reconhecido. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE fls. 413 Ciente das conclusões do Despacho Decisório (DD), o interessado apresentou manifestação de inconformidade, onde relata os fatos e faz as suas contrárias alegações, faz longa exposição a respeito do direito ao crédito da PIS/Cofins, relatando o histórico da edição dos atos legais, faz considerações sobre o conceito de nãocumulatividade, destacando a diferença entre esse conceito, para o PIS e Cofins, e o conceito aplicável ao ICMS e IPI, que não foi observada pela fiscalização. Continua, dizendo que mantidas as restrições impostas pela fiscalização, as contribuições tornamse cumulativas e as tornam inconstitucionais e ilegais, devendo ser observada a lei e os mandamentos constitucionais, em especial, a vontade do legislador, e que as Leis n° 10.637, de 2002 e n° 10.833, de 2003, ao impor um rol taxativo de créditos a serem aproveitados (art. 3°) não se mostram adequadas e subsumidas ao comando constitucional contido no § 12, do art. 195, da CF, ficando evidenciada a inconstitucionalidade das limitações ao direito de créditos de PIS/Cofins, tal como colocada nas referidas leis. Assim, na esteira do entendimento constitucional, é necessário o reconhecimento do direito de crédito em relação a todas as despesas necessárias a produção do resultado econômico e, não sendo esse o entendimento a ser esposado, é certo que o procedimento fiscal é absurdo pois glosou mais de 85% dos créditos levantados, sendo que todos os insumos glosados são aplicados no processo produtivo do requerente, a saber: Material Intermediário Serviço de Manutenção. Que o conceito de insumos, adotado pelo fisco, é totalmente distorcido, uma vez que é desconsiderado parte do processo industrial do requerente, qual seja, a produção do insumo canadeaçúcar, onde temse o preparo do solo, o plantio da cana, os tratos culturais, o corte, e o transporte da cana para a fabricação dos produtos. Que nesse processo são utilizados tratores, caminhões e máquinas para tais procedimentos e, assim, as peças para esses veículos são indispensáveis para o processo de produção. Fl. 543DF CARF MF Processo nº 13822.000052/200577 Resolução nº 3301001.053 S3C3T1 Fl. 544 5 Que as disposições da IN SRF n° 247, de 2002 está eivada de inconstitucionalidade, uma vez que, subverte o estabelecido em lei e que, ao incluir os combustíveis e lubrificantes como insumos que dão direito a crédito, o objetivo do legislador foi estabelecer um rol exemplificativo de bens e serviços, e não taxativos, como quer o fisco. Assim, é de se reconsiderar tal glosa, pois os bens expressamente impugnados são materiais intermediários inseridos e que se desgastam no decorrer do processo produtivo. Material Intermediário Serviço de Manutenção Industrial. Alega o mesmo entendimento do item anterior, contestando especificamente as glosas dos serviços de reparação de equipamentos, manutenção de moenda e outros, pois são equipamentos e serviços utilizados no processo produtivo e que sem esses insumos o processo não decorre sem prejuízo para o requerente e que a falta dos mesmos inviabilizaria a continuidade empresarial. Que deve ser revisada a glosa, haja vista a existência de erro material, bem como equívoco conceitual sobre a interpretação da norma, e que as notas fiscais e fornecedores mencionados estão inseridos no processo produtivo. Do direito ao crédito do frete. Contesta a glosa referente a fretes pagos a pessoa jurídica quando atinentes a transporte de pessoal, de mercadorias para terceiros e aquisição de materiais. Alega que entre as glosas constam despesas de frete nas operações de venda, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3°, da Lei n° 10.833, de 2003, que faz referência aos incisos I e II do próprio art. 3°, que definem o direito a crédito sobre os bens adquiridos para revenda ou bens e serviços utilizados como insumos, daí a razão para a inclusão dos serviços de transporte gasto em seu processo produtivo. Dos encargos de depreciação dos ativos Nesse caso, alega que a lei faz referência expressa aos bens do ativo imobilizado utilizados na fabricação ou produção dos bens e produtos destinados à venda, não estabelecendo a necessidade de contato direto e desgaste na composição do produto final, ou seja, os caminhões, tratores, reboques são inseridos no processo produtivo e, na comercialização, são necessários veículos, telefones, computadores e outros equipamentos para que o processo industrial seja completo. Quanto à limitação de apropriação desse tipo de crédito para os bens adquiridos anteriormente a maio e outubro de 1994, o requerente entende que afronta o princípio da legalidade, pois o direito ao crédito foi previamente constituído com a entrada do bem no ativo, havendo direito adquirido desde tal evento e somente a apropriação do direito préconstituído se dá mês a mês, conforme previsto na lei. E que não há o que se falar em proporcionalidade de receitas, haja visto o sistema de custo integrado, conforme acima explanado. Da utilização do crédito presumido No mérito, também reafirma que sempre se utilizou dos referidos créditos para compensar com débitos das próprias contribuições, conforme pode se verificar nas próprias PER/DCOMP utilizadas no presente processo, e que o art. 74 da Lei n° 9.430/96 serve para garantir ao contribuinte o direito de compensar quaisquer créditos fiscais que possua com quaisquer débitos federais. Fl. 544DF CARF MF Processo nº 13822.000052/200577 Resolução nº 3301001.053 S3C3T1 Fl. 545 6 Do pedido Requer o recebimento da manifestação de inconformidade e que a mesma seja julgada procedente, protestando pela produção de todos os meios de prova, em especial pela designação de perícia técnica para definição do processo produtivo da Defendente. A 5ª Turma da DRJ/RPO, no Acórdão n° 1436.441, manteve as glosas dos créditos, com decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente: ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV, do art. 57, do Decreto n° 7.574, de 2011. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos apuração dos créditos do PIS nãocumulativo, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. FRETES E INSUMOS PAGOS A PESSOA FÍSICA. Fl. 545DF CARF MF Processo nº 13822.000052/200577 Resolução nº 3301001.053 S3C3T1 Fl. 546 7 Somente custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, dão direito ao crédito, por expressa previsão legal art. 3°, §§, 3°, da Lei n° 10.833, de 2003. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. Os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser utilizados para a dedução dos valores devidos das contribuições para o PIS/Cofins, vedada a sua utilização para ressarcimento ou compensação com demais tributos. ADN SRF n° 15 de 2005. Em Recurso Voluntário, a empresa reitera os argumentos da sua manifestação de inconformidade, para pleitear o reconhecimento dos créditos. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, a análise fiscal efetuada voltouse à verificação dos créditos de PIS/COFINS informados pelo contribuinte no DACON, que foram objeto de pedidos de ressarcimento/compensação. A fiscalização utilizou os livros fiscais/contábeis e demais documentos, bem como as informações e esclarecimentos prestados pelo contribuinte. As glosas são analisadas a seguir. Bens utilizados como insumos A fiscalização aplicou o conceito de insumo das Instruções Normativas n° 247 e 404 para demarcar o que poderia ser objeto de tomada de crédito pelo contribuinte. a) Material Intermediário Serviço de Manutenção Informa a fiscalização que, da análise da Planilha 01 (Mat. Intermediário Serv. Manutenção) e das notas fiscais nela relacionadas, constatouse que os gastos não se referiam a aquisição dos insumos matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados ou aplicados diretamente no processo de fabricação do açúcar. Dentre eles, a fiscalização apontou diversos gastos destinados à manutenção de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, aquisição de pneus, etc. e, portanto, Fl. 546DF CARF MF Processo nº 13822.000052/200577 Resolução nº 3301001.053 S3C3T1 Fl. 547 8 relacionados ao transporte de matériaprima, de pessoal e/ou outros produtos. Há ainda, gastos “gerais que não foram consumidos diretamente na produção”. Sustentou a fiscalização que tais gastos não atendem ao critério para caracterização como insumos, já que eles não ocorreram ao longo da linha de produção, no âmbito da fabricação do açúcar, mas sim em etapas anteriores ou posteriores à produção. Apontou, por exemplo, gastos com controle de pragas. A Recorrente por sua vez aduz que as suas atividades vão do plantio de cana deaçúcar, passando pela fabricação de açúcar e álcool, até a comercialização de tais produtos, e que as glosas levadas a efeito pela fiscalização se mostraram insubsistentes, já que não foram considerados os insumos efetivamente utilizados no processo produtivo como um todo. Descreve seu processo produtivo de forma sucinta: Em apertada síntese o processo produtivo da Recorrente se inicia no preparo de solo para plantio da cana, efetivação do plantio desta, tratos culturais, corte da cana, carregamento, transporte, moagem, fabricação de açúcar e álcool e, por fim, comercialização dos produtos. Durante todo esse processo produtivo são consumidos inúmeros insumos dentre os quais aqueles glosados indevidamente pela fiscalização, senão vejamos, por amostragem, que pneus, câmaras de ar, peças para trator, peças para caminhões, peças para máquinas agrícolas são utilizados em tratores, caminhões e máquinas que plantam, colhem e transportam a cana até a moenda industrial fazendo parte do processo de produção. Ante o exposto, de se notar que a fiscalização desconsidera parte do processo industrial da Recorrente que se inicial na produção da cana a ser manufaturada, a qual demanda grande quantidade de insumos e equipamentos para sua produção, corte, carregamento, transporte e outros. a.2) Material Intermediário Serviço de Manutenção Industrial A fiscalização afirmou que a Planilha 02 (Mat. Interm. Serv. Manutenção Industrial), em geral, referese a produtos e serviços consumidos no processo produtivo industrial, tais como partes e peças de máquinas, serviços de reparo em maquinário etc. No entanto, dentre eles, a fiscalização encontrou alguns gastos com bens que não foram diretamente consumidos na fabricação dos bens destinados à venda e que, portanto, não se enquadram no conceito de insumos. Para tanto, cita os gastos com construção civil, com serviços e peças para veículos, tratores, máquinas e carretas agrícolas, como exemplo, aluguel de pá carregadeira, motoniveladora e caminhão basculante. A Recorrente sustenta que os créditos glosados pela fiscalização no processo industrial são indispensáveis para que ocorra a produção contínua e para evitar o sucateamento do parque industrial. Prossegue: No decorrer do processo produtivo são consumidos inúmeros insumos dentre os quais aqueles glosados indevidamente pela fiscalização, tais Fl. 547DF CARF MF Processo nº 13822.000052/200577 Resolução nº 3301001.053 S3C3T1 Fl. 548 9 como, serviços de concretagem, concreto refratário, serviços de perfurações, diluentes, filtros, todos são equipamentos e serviços utilizados no processo produtivo, de modo que, sem estes insumos o processo não decorre sem prejuízos para a Recorrente. Nesse tópico se incluí ainda a glosa sobre a lenha adquirida para a caldeira, a qual foi efetivamente inserida no processo industrial de geração de energia para todo o parque fabril da Recorrente. a.3) Frete O frete para a entrega de insumos compõe a base de cálculo dos créditos a serem descontados, quando correrem por conta do adquirente e desde que pagos a pessoa jurídica, por integrarem os custos, conforme disposto no artigo 3°, § 3° da Lei 10.833/03. Com base nas informações constantes das planilhas e relatórios com a descrição dos gastos, apresentadas pelo contribuinte em meio magnético, a fiscalização elaborou a Planilha 03 (Frete). Então considerou como passíveis de creditamento apenas os fretes que ocorreram para transporte de insumos. Por conseguinte, glosou os fretes relacionados ao transporte de pessoal, à remessa de mercadorias pela Clealco Açúcar e Álcool para destinatários diversos, a frete pagos a pessoas físicas e a fretes cujos remetentes e/ou cujas notas fiscais da mercadoria transportada não se referem à aquisição de insumos, nem integram custos. Neste ponto, a Recorrente aduz que, dentre as glosas levadas a efeito pela fiscalização, constam fretes nas operações de venda das mercadorias, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3° da Lei 10.833/2003. Base de cálculo dos créditos a descontar relativos a bens do ativo imobilizado Nos termos do art. 3°, VI e § 1°, III, da Lei n° 10.637/2002, art. 3°, § 3°, e art. 15, II da Lei n° 10.833/2003 (acrescentados pela Lei n° 10.865/2004) e art. 31 da Lei 10.865/2004, até a data de 31/07/2004, a depreciação dos bens, incorporados ao ativo imobilizado e utilizados exclusivamente na elaboração de produtos destinados à venda, é utilizada para cálculo dos créditos independentemente de suas datas de aquisição. E ainda, a partir de 01/08/2004, gera direito a crédito a depreciação dos bens que, além de estarem incorporados ao ativo imobilizado e de serem utilizados exclusivamente na produção de bens destinados a venda, tenham sido adquiridos a partir de 01/05/2004. Quanto ao detalhamento da depreciação referente aos subgrupos Veículos e Máq. e Equip., a fiscalização constatou que, em julho, o contribuinte adicionou à base de cálculo dos créditos a depreciação de bens que não foram utilizados exclusivamente na produção dos bens destinados à venda. Já nos meses de agosto e setembro, foi constatado que, além de adicionar à base de cálculo dos créditos a depreciação de bens que não foram utilizados exclusivamente na produção dos bens destinados à venda, o contribuinte também incluiu no cálculo dos créditos a depreciação de bens adquiridos antes de 01/05/2004. Com isso, concluiu a fiscalização: Dentre os bens que não foram utilizados exclusivamente na produção de bens destinados à venda, há os veículos utilizados em atividades Fl. 548DF CARF MF Processo nº 13822.000052/200577 Resolução nº 3301001.053 S3C3T1 Fl. 549 10 administrativas (VW Gol, VW Saveiro, GM Astra Sedan) e os utilizados para transporte de insumos até a unidade produtiva ou de produtos acabados para venda (caminhões), No grupo das máquinas e equipamentos, constam tratores, carrocerias/reboques canavieiros (lavoura/transporte da cana), e, ainda, PABX, televisão, rádios; processador de alimentos, câmera fotográfica digital etc. Por sua vez, a Recorrente reitera que não se pode limitar o processo produtivo ao parque industrial, pois é pessoa jurídica AGROINDUSTRIAL, ou seja, seu processo produtivo se inicia na lavoura: A lei, nesse caso, adota entendimento de que os equipamentos utilizados na produção, ora, o caminhão, os reboques canavieiros, os tratores, são efetivamente inseridos no processo produtivo da parte rural da pessoa jurídica, levando a cana até a usina, onde começa o processo industrial da mesma. Já no processo industrial e de comercialização são necessários veículos, telefones, computadores e outros equipamentos para que o processo industrial seja completo, portanto, não há sustentabilidade jurídica ou fática ao posicionamento fiscal, vez que diametralmente oposto aos mandamentos aplicáveis ao caso. Aqui se tratam de duas situações distintas: a contabilização de encargos referentes a bens não utilizados no processo de fabricação dos produtos e a contabilização de encargos referentes a bens adquiridos anteriormente às datas previstas em lei. Crédito Presumido Atividades Agroindustriais Sustentou a fiscalização que, com base no disposto no art. 8°, caput, da Lei n° 10.925/2004, o crédito presumido de atividades agroindustriais somente pode ser utilizado para dedução do valor devido da contribuição, não podendo ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Ocorre que apesar de apontar irregularidades, os valores do crédito presumido da agroindústria foram incluídos na planilha de apuração do saldo de créditos pela fiscalização, não cabendo então exclusão do montante já deferido pela Auditoria. Outros créditos a descontar Neste tópico, a fiscalização indica que nos arquivos magnéticos denominados Outros Créditos, apresentados pelo contribuinte, os valores da linha 22 do DACON são referentes a créditos da Cofins apurados sobre o valor do frete pago a pessoas físicas. Dessa forma, tal despesa não geraria direito a crédito das contribuições, pois, conforme Lei n° 10.833/03, art. 3°, c/c art. 15, inciso II; apenas o frete pago a pessoas jurídicas enseja tal direito. Logo, glosou os fretes pagos a pessoas físicas. Defende a empresa que frete utilizado na operação de venda do produto pode ser objeto de crédito para fins de compensação, mesmo que prestado por pessoa física. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 13822.000052/200577 Resolução nº 3301001.053 S3C3T1 Fl. 550 11 Controvérsia em relação ao conceito de insumo e delimitação do processo produtivo da empresa Um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração nãocumulativa das contribuições do PIS. A Recorrente pleiteia os créditos de gastos que entende como essenciais para sua atividade. O conceito de insumo que norteou a autuação é o restrito, no sentido de que são somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. Assim, na definição de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda, foram enquadrados como insumos pelas citadas Instruções Normativas da Receita Federal, as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na fabricação de produtos. Ressaltese que a DRJ seguiu a mesma linha da auditoria dos créditos. Esta 1ª Turma de Julgamento adota a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS, no regime da nãocumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Em razão disso, deve haver a análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da nãocumulatividade, para se aferir o que é insumo. Ademais, sobreveio o julgamento do REsp 1.221.170PR, proferido na sistemática de recursos repetitivos, no qual o STJ fixou as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF n° 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte (julg. 22/02/2018, DJ 24/04/2018). Em virtude do julgamento desse recurso especial, a RFB editou o Parecer Normativo n° 5, de 17 de dezembro de 2018 (DOU 18/12/2018), que prescreveu: Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 13822.000052/200577 Resolução nº 3301001.053 S3C3T1 Fl. 551 12 Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. A atividade desenvolvida pela Recorrente é o plantio de canadeaçúcar e sua industrialização para produção de açúcar e álcool, de modo que suas atividades se estendem desde a lavoura até a comercialização de seus produtos, o que, em tese, pode envolver que as despesas incorridas e ora pleiteadas sejam de fato insumos. Logo, é imperiosa, portanto, a comprovação da efetiva associação dessas despesas com o processo produtivo da Recorrente. É sabido que em processos de compensação, o ônus da prova da liquidez e certeza dos créditos é do contribuinte. Todavia, consta nos autos que a empresa apresentou todos os documentos referentes a sua tomada de crédito, que foram utilizados para a elaboração da planilha de glosas construída pela fiscalização. Indubitavelmente, o contexto nos anos calendários de 2004 a 2007 difere totalmente do contexto atual, pós julgamento do Recurso Especial e edição do Parecer Normativo da RFB. Isso tudo justifica a conversão do julgamento em diligência, para verificação do processo produtivo da empresa em cotejo com as despesas glosadas, para aferir a essencialidade e relevância das mesmas à atividade da empresa. CONCLUSÃO Fl. 551DF CARF MF Processo nº 13822.000052/200577 Resolução nº 3301001.053 S3C3T1 Fl. 552 13 Pelo exposto acima, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem: (i) intime a Recorrente para trazer aos autos, em 60 dias, prorrogáveis por igual período: a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, para o produto AÇÚCAR, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos mesmos e sua descrição funcional dentro do ciclo; b) Indicar as notas fiscais glosadas a que se referem os insumos; c) Apontar e descrever o uso de bens do ativo imobilizado no processo de produção que foram glosados, especificandoos; d) Apresente a segregação entre os fretes: 1 venda; 2 compra de insumos e 3intercompany, indicando as respectivas notas fiscais que foram glosadas; e) Esclarecer se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. ii) Indique os insumos e os bens do ativo permanente que são comuns à produção de açúcar e de álcool, detalhandoos. iii) Ato contínuo à juntada da documentação pelo contribuinte (itens i e ii), manifestese a autoridade fiscal, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018. Após, deverão os autos serem devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 552DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001872/2005-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2003 a 01/01/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. EQUÍVOCO RECONHECIDO.
Identificado o erro material, consistente na disparidade do voto e o resultado do julgamento, este deve ser sanado.
Numero da decisão: 3402-006.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, suprindo a inexatidão material do acórdão embargado, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2003 a 01/01/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. EQUÍVOCO RECONHECIDO. Identificado o erro material, consistente na disparidade do voto e o resultado do julgamento, este deve ser sanado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, suprindo a inexatidão material do acórdão embargado, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 01/01/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. EQUÍVOCO RECONHECIDO. Identificado o erro material, consistente na disparidade do voto e o resultado do julgamento, este deve ser sanado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, suprindo a inexatidão material do acórdão embargado, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 18 72 /2 00 5- 14 Fl. 250DF CARF MF 2 1. Adoto aqui parte do relatório desenvolvido no acórdão CARF n. 3402 005.286 (fls. 233/240), de relatoria do Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, o que passo a fazer nos seguintes termos: Tratase de Auto de Infração lavrado para exigir crédito tributário relativo a multas regulamentares aplicadas em razão do descumprimento de obrigação acessória prescrita na Instrução Normativa (IN) SRF n° 325, de 30 de abril de 2003, que instituiu a Declaração Especial de Informações Fiscais relativas à Tributação de Bebidas (DIFBebidas). O lançamento fundamentouse nas disposições contidas nos seguintes comandos normativos: art. 505 c/c art. 212 do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002; artigos 1°, 2° e 30 da Instrução Normativa (IN) SRF n° 325, de 30 de abril de 2003. A metodologia de cálculo foi de R$ 5.000,00 por mês calendário, entre o mês de entrega e o mês em que a transmissão ocorreu, conforme a tabela a seguir: O Contribuinte apresentou Impugnação aduzindo: I) inconstitucionalidade da MP nº 215835/2001, cujo art. 57 instituiu a multa aplicada neste caso; II) instituição da DIF Bebidas, por meio da Instrução Normativa (IN) SRF n° 325, de Fl. 251DF CARF MF Processo nº 11516.001872/200514 Acórdão n.º 3402006.306 S3C4T2 Fl. 251 3 2003, teve como fundamento legal a competência instituída pelo Decretolei n° 2.124/84, que teria sido revogado pelo art. 25 do ADCT; III) a não entrega das declarações foi simples erro do contribuinte. A DRJ julgou improcedente a impugnação apresentada, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS DECLARAÇÃO ESPECIAL DE INFORMAÇÕES FISCAIS DIF BEBIDAS. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. PROCEDÊNCIA. Constatada a falta de apresentação da DIFBebidas, no prazo estabelecido, cabível é o auto de infração para a aplicação da multa estipulada no art. 57 da Medida Provisória n°2.15835, de 2001. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. As instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. ASSUNTO: NORN1AS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. Ante à constatação de infração à legislação tributária impõese o lançamento da penalidade aplicável, atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o Contribuinte apresentou extenso Recurso Voluntário aduzindo: I) Preliminarmente: a) nulidade do auto de infração em razão de denúncia espontânea; b) nulidade por cerceamento do direito de defesa; c) nulidade do AI por não conter o dispositivo legal que "em tese" autorizaria a aplicação da multa (MP 215835/2001); II) Mérito: a) Impossibilidade de criação de dever instrumental através de Instrução Normativa; b) ofensa ao princípio da estrita legalidade; c) ofensa ao princípio do não confisco; d) ofensa ao princípio da capacidade contributiva; e) ofensa à Fl. 252DF CARF MF 4 proporcionalidade e à razoabilidade; f) excesso na multa bis in idem; g) excesso de multa: termo ad quem da multa. É o relatório. 2. Devidamente processado, o recurso voluntário interposto pelo contribuinte foi julgado parcialmente procedente pelo aludido voto, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 01/01/2005 MULTA REGULAMENTAR. APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DIFBEBIDAS. REDUÇÃO DA MULTA PELA LEI Nº 12.873/2013. RETROATIVIDADE BENIGNA. A Lei nº 12.873/2013 alterou o art. 57 da Medida Provisória nº 215835/2001 para reduzir a multa por mêscalendário de atraso na entrega de declaração obrigatório de R$ 5.000,00 para 1.500,00. O art. 106, II, "c" do Código Tributário determina a aplicação retroativa da legislação que comine pena menos severa aos casos que ainda não tenham sido definitivamente julgados, inclusive na esfera administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 3. Diante deste quadro, a Fazenda Nacional interpôs os embargos de declaração de fls. 242/244, ao fundamento de inexatidão material do julgado, os quais foram admitidos pelo r. despacho de fls. 247/249: 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. Os embargos de declaração interpostos são tempestivos e preenchem os demais pressupostos de admissibilidade, nos termos do r. despacho de fls. 247/249, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. (i) Da inexatidão material 6. De fato o acórdão embargado apresenta uma clara inexatidão material, a qual deve ser corrigida. 7. Isto porque, conforme se observa do acórdão embargado, restou assentado o seguinte resultado de julgamento: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário e ao Recurso de Ofício, para determinar a redução da multa de R$ 5.000,00 para R$ 1.500,00 por mês calendário, para cada declaração em atraso, em razão da aplicação retroativa da Lei nº 12.873/2013. (grifos nosso). Fl. 253DF CARF MF Processo nº 11516.001872/200514 Acórdão n.º 3402006.306 S3C4T2 Fl. 252 5 8. Acontece que, no presente caso, não houve interposição de recurso de ofício, até porque a decisão a quo (fls. 81/87) foi de improcedência da impugnação do contribuinte. 9. Em verdade, ao se promover a leitura do voto embargado resta clara a razão do erro material, na medida em que os motivos determinantes para a ´parcial procedência do recurso voluntário do contribuinte foram reconhecidos de ofício por este colegiado, conforme se observa do seguinte trecho da decisão embargada: (...). Portanto, com o advento da Lei nº 12.873/2013, a norma sancionatória aplicável ao presente caso passou a ser aquela que prescreve a multa de R$ 1.500,00 por mêscalendário, e não mais o montante anterior. Frisese que tal ponto não foi aduzido no Recurso Voluntário em razão da redução da multa ter se dado posteriormente à apresentação do mesmo. Todavia, por se tratar de questão relativa à legalidade do critério utilizado na apuração da multa e envolver a aplicação da retroatividade benigna, tal questão pode e deve ser conhecida de ofício, por se tratar de matéria de ordem pública, como já foi decidido por este Colegiado no Acórdão CARF nº 3402003.176. Desse modo, a multa deve ser reduzida de R$ 5.000,00 para R$ 1.500,00 por mês calendário, para cada declaração em atraso. (...). 10. Em verdade, para refletir fielmente a decisão embargada, a parte dispositiva do julgado deveria ter sido assim redigida: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário e, de ofício, determinar a redução da multa de R$ 5.000,00 para R$ 1.500,00 por mês calendário, para cada declaração em atraso, em razão da aplicação retroativa da Lei nº 12.873/2013. 11. Neste termos, fica suprimida a inexatidão material do acórdão embargado. Dispositivo 12. Ante o exposto, voto por conhecer e dar provimento aos embargos de declaração interpostos, suprindo a inexatidão material do acórdão embargado, o qual deverá ser integrado com o seguinte resultado de julgamento: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário e, de ofício, determinar a redução da multa de R$ 5.000,00 para R$ 1.500,00 por mês calendário, para cada declaração em atraso, em razão da aplicação retroativa da Lei nº 12.873/2013. Fl. 254DF CARF MF 6 13. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro. Fl. 255DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721790/2015-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.755
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório O Trata o presente processo de auto de infração de multa em decorrência de DCOMP não homologada. O contribuinte foi cientificado e apresentou impugnação que, após o julgamento, manteve a cobrança do crédito tributário. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 79 0/ 20 15 -6 3 Fl. 299DF CARF MF Processo nº 16682.721790/201563 Resolução nº 3201001.755 S3C2T1 Fl. 3 2 Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração A Recorrente alega que a aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. Em seu apoio cita doutrina e jurisprudência. Cumulação de Multa Configurando BIS IN IDEM A Recorrente alega que há cumulação da multa de ofício com a multa de mora, entendendo que as duas multas partilham da mesma essência. Nesse raciocínio afirma que a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem. Da Apensação A Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP constante do PAF 16682.720030/201539. Nesse sentido, exige que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Da Suspensão No caso dos processos não serem juntados, a Recorrente pede a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do PAF 16682.720030/201539. Nessa linha, argumenta que este processo seria subsidiário ao PAF 16682.720030/201539. Dos Pedidos Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; c) a apensação do presente processo ao PAF 16682.720030/201539; d) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente. É o relatório. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 16682.721790/201563 Resolução nº 3201001.755 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.718, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.721714/201558, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.718): "Em breve síntese a Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP 14194.20200.240211.1.7.041872 constante do PAF 16682.7200030/201539. Nesse sentido, requer que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Em atendimento ao requerimento da recorrente, resolvo em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. Após a juntada o processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados (ou confirmada a apensação), por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 301DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.006617/97-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991
EFEITOS DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE UM TRIBUTO QUE FOI EXTINTO POR COMPENSAÇÃO COM UM CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO.
A consequência lógica da declaração da inconstitucionalidade de um tributo extinto pela compensação com um "crédito tributário" não é o ressurgimento daquilo que foi utilizado para extingui-lo, mas sim do surgimento de um novo direito.
Numero da decisão: 3302-006.740
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Rosemburg Filho, Walker Araujo, Corintho Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad. Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1989, 1990, 1991 EFEITOS DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE UM TRIBUTO QUE FOI EXTINTO POR COMPENSAÇÃO COM UM CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO. A consequência lógica da declaração da inconstitucionalidade de um tributo extinto pela compensação com um "crédito tributário" não é o ressurgimento daquilo que foi utilizado para extingui-lo, mas sim do surgimento de um novo direito.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1989, 1990, 1991 EFEITOS DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE UM TRIBUTO QUE FOI EXTINTO POR COMPENSAÇÃO COM UM CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO. A consequência lógica da declaração da inconstitucionalidade de um tributo extinto pela compensação com um "crédito tributário" não é o ressurgimento daquilo que foi utilizado para extinguilo, mas sim do surgimento de um novo direito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Rosemburg Filho, Walker Araujo, Corintho Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad. Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 66 17 /9 7- 16 Fl. 534DF CARF MF Processo nº 10768.006617/9716 Acórdão n.º 3302006.740 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Por bem retratar os fatos, adoto e transcrevo o Relatório elaborado pela DRJ quando da sua análise do processo. "De plano, digase que a este processo estão apensados os de nº 10768. 004307/9740 e nº 10768.024835/9761. Tratase de processos de representação formalizados para controle de débitos de Cofins, PIS, CSLL e Contribuição Previdenciária (INSSempresa), relativos aos anoscalendário de 1991 a 1996, compensados com crédito de Finsocial que foi apurado no âmbito do processo nº 15374.000669/200896 e totaliza a quantia de 89.228.185,65 Ufirs, equivalente a R$ 73.943.397,45 (valores atualizados até 31/12/1995). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária no Rio de Janeiro, por meio do Despacho Decisório de fl. 208 (a numeração de referência é sempre a da versão eletrônica do processo), fundamentada no Relatório Fiscal de fls. 206/207, decidiu: I homologar as compensações dos débitos de COFINS, PIS, CSLL, e Contribuição Previdenciária (INSSempresa), realizadas no período compreendido entre junho/1993 a novembro/1994, e relacionadas no demonstrativo de fls. 198, excetuada a compensação do débito de CSLL relativo ao mês de novembro/1994; II homologar parcialmente a compensação do débito de CSLL relativo ao mês de novembro/1994, no limite de 1.185.954,18 UFIR, também relacionada no demonstrativo de fls.198; III não homologar a compensação do débito de COFINS relativo ao mês de dezembro/1994, igualmente relacionada no demonstrativo de fls. 198; e IV reconhecer de ofício a prescrição da cobrança dos débitos remanescentes de CSLL (relativo ao mês de novembro/1994) e COFINS (relativo ao mês de dezembro/1994), no montante de 8.611.747,63 UFIR, nos termos do art. 174 do CTN e Súmula Vinculante n° 8/2008 do STF e, por conseguinte, a extinção desses débitos, consoante art. 156, V do CTN. Cientificada do despacho decisório em 13/11/2012, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 255/263) em 13/12/2012 (fl. 277), na qual, após dizer da tempestividade de sua contestação, alega que a homologação a que se refere o item I e a suposta exação apurada no item III acima transcritos não merecem prosperar pelas seguintes razões: Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10768.006617/9716 Acórdão n.º 3302006.740 S3C3T2 Fl. 4 3 Por meio dos Mandados de Segurança nº 94.00658087 e nº 93.00157469 (docs. 03 e 04), foram obtidas sentenças favoráveis – transitadas em julgado em 02/09/2003 – que reconheceram o direito da Manifestante de compensar créditos de FINSOCIAL de que dispunha com tributos diversos, incluindo COFINS. Judicialmente amparada pelas ordens liminares deferidas nos referidos Mandados de Segurança, a Manifestante efetuou tais compensações, incluindo as ora homologadas com débitos COFINS, PIS, CSLL e Contribuição Previdenciária (INSSempresa), no período compreendido entre junho de 1993 e dezembro de 1994, dentre outros. Ocorre que, por meio de outro mandamus (MS n° 92.00542808 e AMS n° 94.02. 015540/RJ) (doc. 05), a Manifestante obteve decisão favorável, transitada em julgado em 1998, reconhecendo sua imunidade à COFINS incidente sobre o faturamento advindo de operações com combustíveis e derivados de petróleo. Tal decisão teve por consequência tornar sem efeito as compensações antes realizadas com supostos débitos de COFINS, já que estes não existiram de fato, haja vista que, nos termos do entendimento definitivo proferido pelo Poder Judiciário, prevaleceu a imunidade à COFINS. Ainda que assim não fosse, admitindose apenas por amor ao argumento que a imunidade à COFINS não tivesse sido definitivamente reconhecida pelo Poder Judiciário, fato é que o despacho decisório ora guerreado reconheceu expressamente a prescrição do débito de COFINS compensado em dezembro de 1994 e, por conclusão lógica, assim também seria com os débitos dos demais períodos, anteriores a esse (junho de 1993 a novembro de 1994). Ora, se a própria Administração Pública reconhece a prescrição dos débitos, sob qual fundamento poderia ela homologar as compensações realizadas há mais de 18 (dezoito) anos? Não pode o contribuinte permanecer à mercê do Poder Público diante da inércia deste. Nesse passo, necessário observar que, com a declaração definitiva da imunidade da Manifestante quanto às contribuições COFINS e FINSOCIAL, foram então realizadas novas compensações, no anocalendário 2003, utilizando os créditos de FINSOCIAL, anteriormente compensados com COFINS, com débitos federais diversos (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, CIDE). Com efeito, as novas compensações implicaram em revogação tácita das anteriores, o que somente foi possível com as referidas declarações de imunidade da Manifestante. Fl. 536DF CARF MF Processo nº 10768.006617/9716 Acórdão n.º 3302006.740 S3C3T2 Fl. 5 4 Desse modo, a homologação realizada entre créditos de FINSOCIAL e débitos de COFINS compreendida entre junho de 1993 e novembro de 1994, objeto de parte do despacho decisório ora impugnado, tornase indevida, ensejando a apresentação da presente Manifestação de Inconformidade. Após essas razões, a manifestante discorre sobre a imunidade relativa a suas operações com derivados de petróleo, que prevaleceu até a edição da Emenda Constitucional nº 33, de 2001. Cita ainda o Acórdão nº 20177.748 do Carf, que teria reconhecido essa imunidade, sendo debatidos justamente os efeitos da decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 92.00542808. E acrescenta: Se havia imunidade da Manifestante na época em questão, nunca houve fato gerador da COFINS e, portanto, as compensações realizadas com créditos de FINSOCIAL foram indevidas. Logo, a homologação destas pelo Fisco quedase igualmente indevidas. Tampouco pode se falar em limitação à coisa julgada, por se tratar de relação tributária de natureza continuativa. Ou seja, a coisa julgada só deixa de gerar efeitos a partir de alteração legislativa posterior ou mesmo após manifestação definitiva do Supremo Tribunal Federal em sentido contrário. (...) Dessa forma, resta patente a imunidade da Manifestante à COFINS no período objeto das compensações, isto é, junho de 1993 a novembro de 1994, razão pela qual não poderá prosperar a homologação pretendida pelo Fisco, nem tampouco a apuração de suposto débito de COFINS, ainda que prescrito, em dezembro de 1994. Como resultado do julgamento pela DRJ, lavrada a seguinte Ementa: "COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JÁ UTILIZADO. O fato de a contribuinte conseguir posteriormente provimento judicial que declare débitos quitados por compensação como indevidos não altera o fato de que o crédito original já foi utilizado e não pode ser reaproveitado." Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário por meio do qual reiterando os argumentos já lançados na impugnação, sinteticamente aduz que teria direito aos créditos em razão do trânsito em julgado de decisão judicial que reconheceu a inconstitucionalidade da exigência. É o Relatório. Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10768.006617/9716 Acórdão n.º 3302006.740 S3C3T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad. Relator. A controvérsia gravita em torno da possibilidade jurídica de se voltar ao passado para desfazer uma extinção, por compensação, de um crédito tributário (anular a compensação) pelo fato de que o crédito extinto terse revelado indevido por haver sido declarado inconstitucional. Efetivamente, o crédito compensado teve a sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Poder Judiciário, verbis: "Isso porque, se havia imunidade, mesmo que essa tenha sido mormente reconhecida posteriormente, nunca houve fato gerador da COFINS e, portanto, as compensações então realizadas com os créditos de FINSOCIAL devem ser consideradas indevidas e, consequentemente, as homologações realizadas com tais créditos também não podem ser consideradas válidas. Dessa forma, restando incontroversa a imunidade da MOOVE à COFINS no período que foi objeto das compensações que pretende rever (junho/1993 a novembro/1994), não há razão jurídica para amparar a manutenção de compensação em face de débitos que sequer existiam, mesmo que isso tenha ocorrido posteriormente, não se pode deixar de reconhecer o direito creditório inerente da MOOVE no que diz respeito ao FINSOCIAL, muito menos lhe negar seu direito de reutilizar tais créditos em outras compensações." Este crédito de COFINS foi extinto por compensação de valores indevidamente recolhidos a título de FINSOCIAL. Com a declaração da inconstitucionalidade da COFINS, a Recorrente entendeu que seria correto reutilizar os valores de FINSOCIAL que havia empregado para compensar os créditos de COFINS (que se revelaram indevidos), como se eles tivessem ressurgido. Contudo não é isto que ocorre na sistemática do Código Tributário Nacional. A declaração da inconstitucionalidade de um crédito tributário extinto com aquilo que se chama de "crédito tributário" não tem o condão de fazer ressurgir este último, pelo motivo de que ele foi utilizado para EXTINGUIR o primeiro. A consequência lógica da declaração da inconstitucionalidade de um crédito tributário não é o ressurgimento daquilo que foi utilizado para extinguilo, mas sim do surgimento de um novo direito, novo direito este que pode ser utilizado para extinguir outros créditos. Assim, laborou em equívoco a Recorrente ao pretender reutilizar os "créditos" de FINSOCIAL que já tinham sido utilizados para extinguir outro tributo, ainda que este tributo tenha sido declarado inconstitucional. Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10768.006617/9716 Acórdão n.º 3302006.740 S3C3T2 Fl. 7 6 Aliás, este é o teor do Acórdão 3101.00.40 referente a caso análogo. "COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Assiste razão à Autoridade Fiscal ao nãohomologar a compensação declarada, pois todo o crédito que ora alega possuir a inconformada, de fato, já fora integralmente utilizado em compensações anteriores, consoante restou comprovado nos autos." Por todos estes motivos, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Fl. 539DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.725189/2017-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 09/08/2012, 21/02/2013, 09/11/2015, 07/10/2016
IRPF - GANHO DE CAPITAL - ALIENAÇÃO DE AÇÕES A PRAZO. FATO GERADOR - APURAÇÃO DA DECADÊNCIA Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o momento para contagem do prazo decadencial. Não constatada a decadência.
Súmula CARF nº 112
É nulo, por erro na identificação do sujeito passivo, o lançamento formalizado contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária ocorrida e comunicada ao Fisco Federal antes da lavratura do auto de infração.
Súmula CARF nº 12
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
MERO ERRO/IMPRECISÃO TÉCNICA NA IDENTIFICAÇÃO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. INEXISTENTE.
Somente são nulos os Autos quando constatada a ocorrência do Art. 59 do Decreto n. 70.235/1972. Não se vislumbra a ocorrência de quaisquer dessas hipóteses. O mero erro ou imprecisão técnica na identificação do sujeito passivo, desde que não macule o seu direito de defesa nem o normal andamento do processo administrativo fiscal, não gerará nulidade por vício formal ou material do lançamento. Não há nulidade sem prejuízo.
ALIENAÇÃO OU CESSÃO DE DIREITOS DE USUFRUTO IRPF - ALIENAÇÃO OU CESSÃO DE DIREITOS DE USUFRUTO. - O ganho de capital apurado na cessão de direitos, por alienação, do usufruto está sujeito à tributação na pessoa física do usufrutuário. Ocorrendo a transmissão do usufruto e da nua-propriedade concomitantemente, isto é, em uma mesma operação, tendo como adquirente um terceiro, o usufrutuário e o nu-proprietário estão sujeitos à apuração do ganho de capital.
FIP. AUSÊNCIA DE FINALIDADE NEGOCIAL. Desprovido de finalidade negocial o Fundo de Investimento em Participação FIP, constituído por uma única investidora, com um único investimento ao qual não foi aportado qualquer investimento adicional ou ato de gestão visando seu crescimento/desenvolvimento ou saneamento e cuja permanência no FIP durou alguns dias. FIP.
DESCONSIDERAÇÃO. LEGALIDADE. É desprovida de base a acusação de que a desconsideração do FIP afronta ao princípio da legalidade, dado que foi devidamente avaliado que a interposição do FIP no lugar da autuada tratou-se de manobra para evadir tributação de ganho de capital.
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. SIMULAÇÃO. DOLO. Estando comprovada a prática deliberada de simulação, portanto, estando caracterizados o dolo e sonegação, cabe a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 2301-005.933
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e não reconhecer a decadência, e no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos o conselheiro Wesley Rocha que dava provimento e o conselheiro Thiago Duca Amoni que dava parcial provimento para afastar a qualificação da multa.
Antônio Savio Nastureles - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Savio Nastureles (Presidente), Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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FATO GERADOR APURAÇÃO DA DECADÊNCIA Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o momento para contagem do prazo decadencial. Não constatada a decadência. Súmula CARF nº 112 É nulo, por erro na identificação do sujeito passivo, o lançamento formalizado contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária ocorrida e comunicada ao Fisco Federal antes da lavratura do auto de infração. Súmula CARF nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. MERO ERRO/IMPRECISÃO TÉCNICA NA IDENTIFICAÇÃO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. INEXISTENTE. Somente são nulos os Autos quando constatada a ocorrência do Art. 59 do Decreto n. 70.235/1972. Não se vislumbra a ocorrência de quaisquer dessas hipóteses. O mero erro ou imprecisão técnica na identificação do sujeito passivo, desde que não macule o seu direito de defesa nem o normal andamento do processo administrativo fiscal, não gerará nulidade por vício formal ou material do lançamento. Não há nulidade sem prejuízo. ALIENAÇÃO OU CESSÃO DE DIREITOS DE USUFRUTO IRPF ALIENAÇÃO OU CESSÃO DE DIREITOS DE USUFRUTO. O ganho de capital apurado na cessão de direitos, por alienação, do usufruto está sujeito à tributação na pessoa física do usufrutuário. Ocorrendo a transmissão do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 51 89 /2 01 7- 20 Fl. 1849DF CARF MF 2 usufruto e da nuapropriedade concomitantemente, isto é, em uma mesma operação, tendo como adquirente um terceiro, o usufrutuário e o nu proprietário estão sujeitos à apuração do ganho de capital. FIP. AUSÊNCIA DE FINALIDADE NEGOCIAL. 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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e não reconhecer a decadência, e no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos o conselheiro Wesley Rocha que dava provimento e o conselheiro Thiago Duca Amoni que dava parcial provimento para afastar a qualificação da multa. Antônio Savio Nastureles Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Savio Nastureles (Presidente), Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 10380.725189/201720 Acórdão n.º 2301005.933 S2C3T1 Fl. 1.850 3 Tratase de Recurso voluntário juntado nas fls. 1537/1576 contra a decisão da DRJ, proferida pela 6ª Turma da DRJ/FOR, em 25 de outubro de 2017, Acórdão 0840.980, cuja a Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Data do fato gerador: 09/08/2012, 21/02/2013, 09/11/2015, 07/10/2016 DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. TERMO DE INÍCIO. A incidência do IRPF sobre ganhos de capital ocorre sob o regime de caixa, pelo que não se encontra decaído o lançamento fiscal cientificado ao contribuinte antes do prazo quinquenal, com termo de início na data do efetivo recebimento dos recursos alusivos à alienação. PEDIDO DE NULIDADE. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. FUNDO DE INVESTIMENTO PERTENCENTE A GRUPO EMPRESARIAL. DESCONSIDERAÇÃO. Com a desconsideração de fundo de investimento, tal entidade não se torna inválida ou inexistente, porém fica suspensa a eficácia de sua formação quanto a determinado(s) ato(s) praticado(s) pelo fundo. Nesse passo, a desconsideração do fundo de investimentos não faz retroagir a estrutura societária do grupo empresarial para o momento anterior à criação de tal fundo, pelo que o fato gerador do tributo deve ser analisado (inclusive quanto à identificação do sujeito passivo) na data de sua efetiva ocorrência, apenas retirando o fundo de investimento da citada estrutura. FUNDO DE INVESTIMENTO EM PARTICIPAÇÕES FIP. FINALIDADE. EMPRESAS OPERACIONAIS PREVIAMENTE CONTROLADAS PELO GRUPO EMPRESARIAL ANTES DA CRIAÇÃO DO FIP. DESNECESSIDADE. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. O fundo de investimento em participações tem como finalidade precípua a realização de investimentos novos, e não a gestão profissional de investimentos antigos, assim representados por empresas operacionais que já pertenciam àquele grupo empresarial, antes da criação do FIP. No caso de FIP criado para gerir empresas operacionais previamente controladas pelo grupo empresarial, os ganhos esperados pelos cotistas do FIP seriam os mesmos que obteriam se mantivessem diretamente o controle das empresas, revelandose, assim a desnecessidade de tal FIP e sua falta de propósito negocial. DESCONSIDERAÇÃO DE FUNDOS DE INVESTIMENTO. Comprovada a interposição de fundos de investimento, com o fim exclusivo de usufruir da isenção de imposto de renda sobre o ganho de capital na venda de sociedade formalmente controlada por tais entidades, devese desconsiderar os fundos de Fl. 1851DF CARF MF 4 investimento, de modo a cobrar o tributo dos cotistas desses fundos, proprietários últimos das ações da sociedade vendida. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE FUNDOS DE INVESTIMENTO. Identificado o dolo do agente na interposição de fundos de investimento entre seus cotistas e a companhia operacional vendida, para beneficiarse de isenção de imposto de renda sobre o ganho de capital na mencionada venda, devese qualificar a multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado o afastamento da aplicação de lei, sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que a autoridade julgadora administrativa não tem competência para afastar o dispositivo legal que determina a cobrança de multa de ofício, no percentual de 150% sobre o imposto devido, nas hipóteses de sonegação, fraude e conluio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Conforme consta do Auto de Infração de fl. 2/10, tratase de lançamento de ofício de IRPF em decorrência da omissão de rendimentos recebidos ganho de capital, durante o período apurado, que ensejou a cobrança do valor do crédito tributário na importância de R$48.369.258,73, sendo que deste valor, a quantia de R$16.295.985,53 é refere à IPRF; R$7.629.294,91 de juros de mora; R$24.443.978,29 de multa proporcional. Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal (fl. 11/32), houve a constatação da infração – omissão de ganhos de capital na alienação de ações não negociadas em Bolsa de Valores, segundo à seguinte razão: Foram realizadas fiscalizações junto às pessoas físicas, membros do mesmo grupo familiar, que eram sócias da empresa holding TELLES PARTICIPAÇÕES E NEGÓCIOS S/A, CNPJ n° 02.806.215/000120. O grupo familiar utilizou um planejamento tributário abusivo, com a criação, sem propósitos negociais, de fundos de investimento, com o intuito de se eximir do pagamento do imposto devido sobre ganho de capital na venda da empresa YPIÓCA AGROINDUSTRIAL DE BEBIDAS S/A, CNPJ n° 15.209.980/000104, uma das empresas pertencentes à holding; O grupo extinguiu a empresa holding após transferir suas participações societárias para o TELLES FUNDO DE INVESTIMENTO EM PARTICIPAÇÕES (TELLES FIP), CNPJ n° 14.769.978/000127, como forma de integralização das cotas deste, que por sua vez teve suas cotas transferidas para o ALVORADA FUNDO DE INVESTIMENTO MULTIMERCADO CRÉDITO PRIVADO (ALVORADA FIM) CNPJ n° 15.091.732/0001 01, também para fins de integralização das cotas do último; As operações societárias foram realizadas quase que concomitantemente à venda da empresa fabricante de bebidas YPIÓCA AGROINDUSTRIAL DE BEBIDAS S/A e a soma dos valores não recolhidos ultrapassa os cem milhões de reais. Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 10380.725189/201720 Acórdão n.º 2301005.933 S2C3T1 Fl. 1.851 5 Por conta do planejamento tributário abusivo, a venda das ações da YPIÓCA AGROINDUSTRIAL DE BEBIDAS S/A realizouse, então, artificial e formalmente, através do TELLES FIP, com o que se pretendeu afastar a incidência do imposto de renda devido sobre o ganho de capital obtido. Com a criação do Fundo de Investimento (TELLES FIP) e com a posterior integralização das cotas do Fundo com as ações da TELLES PARTICIPAÇÕES e, conseqüentemente, de todas as empresas do grupo, dentre elas a recémcriada e logo em seguida alienada, YPIOCA Agroindustrial de Bebidas S/A, os rendimentos provenientes de ganho de capital, decorrentes da alienação desta empresa à CINTER INTERNATIONAL BRANDS INDUSTRIA E COMERCIO LTDA, passariam a ser do Fundo (TELLES FIP) e não mais da TELLES PARTICIPAÇÕES (Holding). Considerando que os rendimentos de fundos de investimentos decorrentes de alienação, liquidação, resgate, cessão ou repactuação de títulos, aplicações financeiras e valores mobiliários são isentos de IR, nos termos do Art. 28, §10º da Lei 9.532/97, a criação da TELLES FIP (Fundo), através da extinção e transferência das quotas para integralização da TELLES PARTICIPAÇÕES (Holding) levou ao não pagamento do Ganho de Capital da venda da YPIOCA Agroindustrial de Bebidas S/A (sócia majoritária era a TELLES FIP) à CINTER INTERNATIONAL BRANDS INDUSTRIA E COMERCIO LTDA, tornandose um planejamento tributário abusivo; Assim, os ganhos decorrentes da venda da YPIOCA Agroindustrial de Bebidas S/A foram recebidos inicialmente pelo TELLES FIP, que seria o proprietário das ações, e esses recursos, correspondentes ao valor acima referido, foram repassados a título de amortização para o ALVORADA FIM, único cotista da TELLES FIP, sendo que, em ambos os casos, por se tratarem de fundos de investimento, não haveria incidência de imposto, seja sobre ganho de capital, seja sobre rendimentos do fundo decorrentes da operação de venda da empresa; Restou caracterizada a ausência do propósito negocial na integralização das cotas do TELLES FIP com as Ações da TELLES PARTICIPAÇÕES, desnudandose o real propósito da operação, qual seja, alterar os elementos constitutivos da obrigação tributária, mais particularmente o sujeito passivo, que passaria a ser o Fundo, o que, a prevalecer a pretensão dos contribuintes, e como já referido anteriormente, estaria isento de IR sobre ganho de capital. Foram, então, efetuados os lançamentos dos valores não recolhidos à Fazenda Pública desconsiderandose as operações societárias efetuadas. Nas fls. 1112/1152, a Contribuinte apresenta impugnação, na qual requer: · Erro na identificação do sujeito passivo – o lançamento ocorreu pela venda da totalidade das ações do capital social da Ypioca, realizada pela Telles FIP a empresa Cinter, sendo equivocado o entendimento que o ganho de capital foi auferido pelas PF sócias da Telles FIP e não pela empresa – o ganho de capital deveria ser apropriado à empresa Agropaulo, proprietária inicial das ações Ypiocas Bebidas, jamais às pessoas físicas; Fl. 1853DF CARF MF 6 · Nulidade – decadência – art. 150, §4º do CTN – se o FISCO desconsiderou o ato jurídico de criação do TELLES FIP, obviamente o IR recolhido sobre o ganho de capital, naquela data, obrigatoriamente, deve representar parte do recolhimento do IRPF devido na operação, utilizandose da regra do art. 150, §4º do CTN. Considerando que a formalização da negociação e consequente pagamento parcial do ganho de capital ocorreu em 25/05/2012, considerase esta a data do fato gerador, sendo que o FISCO poderia lançar o tributo até o dia 25/05/2017; · No mérito, a criação do TELLES FIP, bem como dos demais Fundos de Investimentos criados pelo Grupo TELLES fez parte de um processo de reestruturação iniciado em 1998, decorrente de um planejamento societário e sucessório. · O objetivo central desse processo de reestruturação foi prover aos membros da família Telles uma gestão profissional de suas empresas operacionais, assim como manter distante, dessas empresas, eventuais divergências pessoais entre os membros da família. · Requer a compensação do imposto pago nos valores de R$22.066.198,00 e R$4.349.999,61 com o imposto lançado. · Em relação à multa qualificada, indícios podem autorizar, quando muito, a presunção, mas não no presente caso. As presunções somente são admitidas quando previstas em lei. Em direito, à guisa de princípio maior, temse assente que a simulação, a fraude, o conluio, etc, não se presumem, devem ficar sobejamente comprovados, estreme de qualquer dúvida, o que não encontramos nos autos. · Consoante o princípio da vedação ao confisco, o RE 523471 admite como razoável apenas penalidades cujo valor não ultrapasse o limite de 30% do crédito tributário. No presente caso estamos falando de 5 (cinco) vezes esse limite. Na DRJ de fls. 1499/1525, verificase o entendimento: · Opção pelo julgamento em conjunto: os processos 10380.724638/201712, 10380.725183/201752, 10380.725184/2017 05, 10380.725185/201741, 10380.725186/201796, 10380.725188/201785 e 10380.725189/201720 referemse ao mesmo fato jurídicotributário: ganho de capital na venda da YPIÓCA BEBIDAS; · Nulidade pelo Erro na Identificação: a ineficácia que se pretende configurar ao desconsiderar os fundos de investimentos é a relativa, uma vez que deve alcançar somente o negócio jurídico que for ineficaz para o Fisco, devendo ser necessariamente eficaz para outras (o ato é válido, mas apenas sua eficácia subjetiva é limitada); · Com a desconsideração dos fundos de investimento, o TELLES FIP e o ALVORADA FIM não se tornaram inválidos ou inexistentes, porém ficou suspensa a eficácia de sua formação especificamente no Fl. 1854DF CARF MF Processo nº 10380.725189/201720 Acórdão n.º 2301005.933 S2C3T1 Fl. 1.852 7 episódio da venda da totalidade das ações pertencentes à YPIÓCA BEBIDAS; · Desconsideração dos fundos de investimentos não faz retroagir a estrutura societária do grupo empresarial para o momento anterior à criação dos mencionados fundos, pelo que o fato gerador do tributo deve ser analisado (inclusive quanto à identificação do sujeito passivo) na data de sua efetiva ocorrência, apenas retirando os fundos de investimento da citada estrutura. Desconsiderar um fundo de investimento significa apenas extirpar o falso manto interposto com a sua constituição, imputandose aos cotistas a titularidade pelo ato jurídico praticado; · Como inicialmente foi desconsiderado o TELLES FIP, a venda por ele praticada foi imputada ao seu cotista único (ALVORADA FIM). Como, ato contínuo, o ALVORADA FIM também foi desconsiderado, a venda foi imputada aos seus cotistas, é dizer, aos membros da família Telles (pessoas físicas); · Decadência: para fins de contagem do prazo decadencial, a data da venda é irrelevante porque o Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – IRPF, mais especificamente sobre os ganhos de capital, não obedece ao regime de competência, mas sim de caixa, ou seja, o imposto deve ser pago até o último dia útil do mês subsequente ao da percepção dos ganhos e se a venda foi a prazo, o Ganho de Capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês; · A data mais antiga de recebimento de recursos alusivos à venda de ações da YPIÓCA BEBIDAS aconteceu em 09/08/2012 e o Contribuinte foi intimado em 13/07/2017, portanto não resta decaído o débito tributário lançado. · Criação do TELLES FIP fez parte de um processo de reestruturação: não convence tal alegação, pois a finalidade central de um fundo de investimento em participações FIP se realiza por meio da aquisição de ações e de outros títulos e valores mobiliários. Como ninguém tem como objetivo adquirir algo que previamente já estava sob seu domínio, o objetivo precípuo do TELLES FIP deveria ser a realização de investimentos novos, e não a gestão profissional de investimentos antigos falta de propósito negocial; · Antes da criação do TELLES FIP, o Grupo Telles era administrado por meio de holding (TELLES PARTICIPAÇÕES) que, por isso, já cumpria esse papel de interface administrativa entre os membros da família TELLES; · Fechamento do negócio da venda da Ypioca era posterior a criação dos Fundos, o que não identifica planejamento tributário ilícito: irrelevante o argumento pois, em cada negócio efetivado pelo TELLES FIP, inclusive quanto à venda da YPIÓCA BEBIDAS, Fl. 1855DF CARF MF 8 deveria o impugnante demonstrar (e não o fez) que a citada companhia operacional teria o aspecto de um investimento novo, configurando assim em parte integrante do propósito negocial do TELLES FIP que, dessa forma, encontrarseia apto para obter a isenção de imposto de renda sobre eventual ganho de capital; · Se a venda da YPIÓCA BEBIDAS tivesse se dado por meio de outro fundo de investimento, o contribuinte teria, da mesma forma, o ônus de demonstrar que a YPIÓCA BEBIDAS teria o aspecto de um investimento novo, configurandose assim como parte integrante do propósito negocial de determinado fundo de investimento que, só assim, encontrarseia apto para obter a isenção de imposto de renda sobre eventual ganho de capital. Caso contrário, esse fundo também seria desconsiderado para apuração de tal imposto; · Fundo de investimento em participações (FIP) é um mecanismo legal para diversificar as aplicações de recursos financeiros: trata se de argumento que milita em favor da autoridade lançadora, já que no caso ora examinado o Grupo TELLES usou o TELLES FIP para controlar sociedades que eram previamente controladas pelo citado Grupo, e não para diversificar investimentos em empresas alheias. · Valores sociais da livre iniciativa (art. 1º, IV), à livre concorrência (art. 170, IV), ao princípio da legalidade (art. 5º, II), à garantia do direito de propriedade (art. 5º, XXII): Todavia, essa mesma Constituição traz também valores opostos àqueles, como o objetivo de construir uma sociedade solidária (art. 3º, I), a função social da propriedade (art. 5º, XXIII, e art. 170, III) e o princípio da capacidade contributiva (art. 145, § 1º). · Planejamento tributário ilícito mesmo pagando R$22.066.198,00 de imposto de renda, a título de ganho de capital, sem que, à época do pagamento, não havia nenhuma venda confirmada: citado pagamento referese a imposto de renda incidente sobre ganho de capital, em dezembro/ 2011, alusivo à alienação das ações da TELLES PARTICIPAÇÕES para o TELLES FIP (transferência para integralização das cotas do fundo – fls. 216/219); · Compensação de Imposto Pago: YPIÓCA BEBIDAS, objeto do ganho de capital ora sob exame, só foi criada em 29/02/2012 (dois meses depois do ganho de capital ocorrido em dezembro/2011. O objeto do ganho de capital incidiu na alienação de ações da TELLES PARTICIPAÇÕES. Os fatos tributários ora analisados ocorreram em 09/08/2012, 21/02/2013, 09/11/2015 e 07/10/2016 e consistem em ganhos de capital na alienação de ações da YPIÓCA BEBIDAS, portanto, os elementos material e temporal dos fatos geradores são distintos. · De qualquer sorte, o impugnante sequer se esforçou para demonstrar – mediante escrituração contábil devidamente suportada por documentos – que o evento de dezembro/2011 foi influenciado, pelo menos em parte, por fatos imputáveis futuramente à YPIÓCA BEBIDAS (que só foi criada em fevereiro/2012); tampouco Fl. 1856DF CARF MF Processo nº 10380.725189/201720 Acórdão n.º 2301005.933 S2C3T1 Fl. 1.853 9 quantificou essa parte. Portanto, denegase o pleito do administrado para excluir, do imposto lançado, o tributo pago sobre ganho de capital ocorrido em 30/12/2011; · Entre a data de constituição dos fundos TELLES FIP e ALVORADA FIM e a data de hoje, ocorreram amortizações no ALVORADA FIM pelas pessoas físicas, o que ensejou o recolhimento de imposto de renda sobre ganho de capital, na forma da legislação vigente, no valor total de R$4.349.999,61 – requer compensação: indeferese o impugnante não explicitou o fundamento fático que determinou a alegada amortização de cotas, tampouco a norma do Regulamento que embasou sua realização. E mais importante: o impugnante não demonstrou – por meio de escrituração contábil devidamente suportada por documentos – que o fundamento da amortização de cotas do ALVORADA FIM seria a venda das ações da YPIÓCA BEBIDAS; · Multa qualificada: houve fundamentação no TVS – “conforme demonstrado ao longo deste termo, em relação à infração acima, o contribuinte promoveu e se beneficiou de um planejamento tributário abusivo, cujo objetivo foi alterar maliciosamente as características essenciais da obrigação tributária decorrente da compra e venda de ações representativas de sua participação societária na empresa Ypióca Agroindustrial de Bebidas S/A”; · Para se demonstrar o dolo do contribuinte, há que se perquirir os elementos vontade e consciência voltados para a prática do delito. Tais elementos estão demonstrados; · Da natureza confiscatória da multa qualificada: foi aplicada com fulcro no art. 44, I e §1º, da Lei nº 9.430/1996, portanto, devida. Nas fls. 1537/1576 a Contribuinte apresenta Recurso Voluntário, no qual requer: · Nulidade do lançamento fiscal: erro na identificação do sujeito passivo uma vez que a pessoa física jamais foi proprietária direta das participações societárias alienadas. Houve a desconsideração dos dois Fundos criados, portando, a proprietária das participações societárias vendidas (Ypióca) era a Agropaulo Agroindustrial S/A ou então a Holding Participações S/A, mas jamais as pessoas físicas proprietárias do Fundo FIMALVORADA; · Se o posicionamento da 6ª Turma da DRJ/FO vier a ser mantido, todas e quaisquer alienações futuras de participações societárias da FIPTELLES, o sujeito passivo não será mais o fundo, mas sim, seus cotistas, fato inimaginável. Os fundos foram constituídos de forma lícita e, por consequência, todos os atos, inclusive constituições são válidos e eficazes; Fl. 1857DF CARF MF 10 · Se os fundos são obras simuladas, as participações societárias da FIP TELLES devem retornar ao status quo ante, as participações societárias deveriam retornar aos seus antigos proprietários e estes, com certeza, não são as pessoas físicas cotistas, pois a Ypióca Bebidas pertencia diretamente à Agropaulo. · Os membros da família Telles (PF) jamais foram detentores diretos do capital social da empresa alienada (Ypióca Bebidas) e tampouco da sua controladora (Agropaulo). Os membros da família Telles, antes da constituição do FIP TELLES eram controladores da Holding Telles Participações, assim, portanto, inadmissível imaginar que uma vez desconsiderada a constituição do FIP TELLES, por ter sido constituído de suposta forma ilícita, as participações societárias alienadas devam ser consideradas como de propriedade do membro da família Telles. · Cita o Parecer da PGFN n. 278/2014; · Nulidade do lançamento fiscal devido a decadência do direito de lançar com base no art. 150, § 4° do CTN levandose em consideração que o CADE aprovou a operação de compra e venda das participações acionárias em 25/05/2012 e notificação da presente autuação ocorreu somente em 13/07/2017. · Mérito: Afirma que a criação do TELLES FIP, bem como dos demais Fundos de Investimentos criados pelo Grupo TELLES fez parte de um processo de reestruturação iniciado em 1998, decorrente de um planejamento societário e sucessório. · O objetivo central desse processo de reestruturação foi prover aos membros da família Telles uma gestão profissional de suas empresas operacionais, assim como manter distante, dessas empresas, eventuais divergências pessoais entre os membros da família. · Defende que os fundos de investimentos são ferramentas cada vez mais utilizadas, não só no Brasil, mas em todo o mundo, para gerir investimentos de forma geral, não só investimentos novos. · Cita como exemplo o fundo FIPDibra que criado em 2006 fez oferta pública no mesmo ano de parte significativa das ações representativas do capital social da M. Dias Branco, não resultando em nenhuma sanção à família Dias Branco ou qualquer outra instituição ou empresa, agindo corretamente o fisco neste caso; · Descreve todo procedimento realizado em ordem cronológica, desde 1998 quando se deu início ao processo de planejamento estratégico das empresas; · Quando da criação da FIP TELLES (dezembro de 2011) a Ypióca Bebidas não existia, a empresa somente foi constituída em fevereiro de 2012, ainda sobre o controle societário da AGROPAULO empresa controlada pela Holding Telles Participações, que pertencia ao FIP TELLES; Fl. 1858DF CARF MF Processo nº 10380.725189/201720 Acórdão n.º 2301005.933 S2C3T1 Fl. 1.854 11 · A Ypióca Bebidas foi criada juntamente com outras duas empresas para segregar as atividades da AGROPAULO, ação que fazia parte do processo de planejamento estratégico do Grupo Telles. Essas duas empresas criadas em 2012 não foram negociadas até o presente momento e são controladas pela FIP TELLES; · FIP Telles vem realizando investimentos na ampliação dos negócios do Grupo Telles cujo montante alcança a cifra dos R$355.200.000,00, conforme demonstram os aumentos de capital social das empresas que compõem o Fundo – cumprindo com o objetivo da legislação que criou Fundos de Investimentos; · Não existe isenção tributária em Fundos de Investimentos: há uma antecipação de tributos no momento da subida das empresas para o FIP, como foi o caso da criação do FIP TELLES, quando se recolheu IR no valor de R$22.000.000,00 e um diferimento de tributos para o momento em que ocorrer amortizações ou resgates. · Compensação do imposto pago: afirma que a integralização da TELLES FIP foi realizada dentro da legislação vigente, inclusive com pagamento do Imposto de Renda sobre o Ganho de Capital antecipadamente, assim, devese compensar o imposto pago nos valores de R$22.066.198,00 e R$4.349.999,61 com o imposto lançado; · Multa qualificada: afirma que indícios podem autorizar, quando muito, a presunção, mas não no presente caso. As presunções somente são admitidas quando previstas em lei. Em direito, à guisa de princípio maior, temse assente que a simulação, a fraude, o conluio, etc., não se presumem, devem ficar sobejamente comprovados, estreme de qualquer dúvida, o que não encontramos nos autos. · Princípio da vedação ao confisco: o RE 523471 admite como razoável apenas penalidades cujo valor não ultrapasse o limite de 30% do crédito tributário. No presente caso estamos falando de 5 (cinco) vezes esse limite. · Requer o provimento do recurso considerando improcedente a autuação ou, alternativamente que, caso mantida, seja considerado o recolhimento do imposto efetuado quando da constituição da TELLES FIP. Requer ainda a retirada da qualificação da multa e que a multa seja reduzida aos limites estipulados pelo STF. Nas fls. 1711/1784 consta das Contrarrazões da PGFN, na qual sucintamente, traz a fundamentação do Acórdão da DRJ, destacandose: · Inocorrência de extinção do crédito pela decadência: em 25.05.2012 não ocorreu nem o fato gerador do IRPF nem, tampouco, a alienação das participações societárias: no TVF consta que 25.05.2012 corresponde à data da assinatura do contrato de compra e venda entre Fl. 1859DF CARF MF 12 TELLES FIP e CINTER, entretanto, em 03.08.2012, foi assinado instrumento de Aditamento e Consolidação do Contrato de Compra e Venda (Anexo 25) e a fiscalização nota que, de acordo com as demonstrações contábeis do período competente a venda teria sido realizada em 09.08.2012 tratase de Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF tributo cujo fato gerador ocorre no momento do recebimento (art. 2º, da Lei n. 7713/88) se o pagamento ocorre a prazo o ganho de capital também ocorre a prazo e consequentemente o fato gerador se "renova" a cada parcela; · Inocorrência de erro na sujeição passiva: não houve reconhecimento de nulidade. Houve, isto sim, aplicação dos comandos dos artigos 118, I e II, 123 e 142 do CTN pela autoridade fiscalizadora no regular exercício de sua competência. Uma vez identificada, no curso do processo administrativo, a atuação irregular de pessoa jurídica ou entidade despersonalizada (sem substância econômica ou sem nenhum propósito extra tributário), a identificação do sujeito passivo pelo fisco, com a respectiva reclassificação dos rendimentos auferidos, revelase obrigatória e necessária por força dos princípios constitucionais da solidariedade (CF, art. 3º, I), a capacidade contributiva (CF, art. 145, §1º) e a isonomia (CF, art. 150, II), além dos já mencionados artigos 118, I, 142 e 149, VII, do Código Tributário Nacional. Uma vez afastados os dois fundos, os direitos de propriedade sobre as ações da YPIOCA BEBIDAS é dos quotistas dos já mencionados fundos. Destarte, devida a tributação das pessoas físicas quotistas, dentre elas a recorrente. · Artificialidade da interposição do fundo de investimento na operação apurada: criação de entidade apenas para tomar parte na operação O TELLES FIP foi criado em 22.02.2012 e as quotas da TELLES PARTICIPAÇÕES foram integralizadas em 23.04.2012. A YPIOCA BEBIDAS foi transferida para o TELLES FIP após a dissolução da TELLES PARTICIPAÇÕES em 12.05.2012. A data da assinatura do contrato de compra e venda é 25.05.2012. Verificase, portanto, que o TELLES FIP foi criado apenas 4 meses antes da alienação dos ativos da YPIOCA BEBIDAS para a CINTER; · Carta de Oferta Vinculativa apresentada pela DIAGEO em 24.10.2011: não foi o Fundo quem negociou os ativos nem, tampouco, os detinha durante a maior parte das negociações. · A criação do fundo não se deu para o fim de melhorar a gestão do empreendimento, nem para fins sucessórios, pela constatação óbvia de que tais investimentos não permaneceram sob a gestão do Fundo, mas sim foram alienados. · Não houve, em decorrência da criação do Fundo de Investimentos, qualquer mudança no controle das empresas. As pessoas físicas controladoras do Grupo TELLES, que eram as detentoras das ações da TELLES PARTICIPAÇÕES e, pois, indiretamente, das ações da YPIOCA BEBIDAS (e, antes ainda, das ações da AGROPAULO), passaram a deter a totalidade das quotas do ALVORADA FIM, único cotista do TELLES FIP. Fl. 1860DF CARF MF Processo nº 10380.725189/201720 Acórdão n.º 2301005.933 S2C3T1 Fl. 1.855 13 · Constatase que, no TELLES FIP, não há a comunhão de investidores que caracteriza os fundos de investimento. Os recursos que o integram não são oriundos da agregação de investimentos de diferentes interessados. Foi criado por pessoas da mesma família que formam um mesmo grupo econômico e que já partilham todos os ativos que foram integralizados no Fundo. Foi constituído com o objetivo de servir à reorganização de suas próprias participações societárias e não visando à comunhão de investidores para viabilizar novos investimentos; Nas fls. 1832 e ss., a Contribuinte junta Parecer sobre o caso elaborado pelo Prof. Dr. Eurico Marcos Diniz de Santi, no qual pontua o erro na identificação do sujeito passivo, erro na indicação do motivo legal e flagrante tentativa da DRJ em modificar o Auto de Infração: · A indicação das pessoas físicas sócias da Holding Telles Participações como contribuintes do imposto foi escolha inadequada do Auditor Fiscal, buscando salvar o crédito da decadência, pois se ele indicasse a TELLES Participações ou a Agropaulo, implicaria reconhecer que o fato gerador do IR teria ocorrido na extinção da Holding, em 12/05/2012, ou então, na data da alienação das ações da Ypióca Bebidas, em 25/05/2012 e, portanto, já teria decorrido o prazo decadencial de 5 anos, pois a ciência do AI se deu em 13/07/2007; · As 7 pessoas físicas nunca foram detentoras das ações da Ypióca Bebidas, sendo que a relação jurídica delas com a Ypióca surgiu através da constituição da Telles Participações em 1998 e, portanto, desconsiderar a sua constituição por alegação de fraude implica no dever de autuar a AGROPAULO, efetiva controladora inicial da empresa alienada; assim como, as 7 pessoas físicas nunca poderiam constar como sujeitos passivos, pois são apenas nusproprietárias das ações da Telles Participações, cabendo tão somente autuar os 2 usufrutuários das ações, beneficiários em última instancia do ganho de capital (Everardo e Maria Heloísa) – a DIRPF dessas 7 pessoas comprovam que não possuíam qualquer rendimento advindo da Telles Participações – sem disponibilidade econômica; · Erro na indicação do motivo legal: as 7 pessoas físicas acionistas da Telles Participações foram autuadas como contribuintes, sem enquadramento legal como responsáveis, quando só poderiam constar no polo passivo se fosse por responsabilidade, sendo indevida a utilização da legislação do IRPF, uma vez que a obrigação decorrer de pessoa jurídica a autoridade lançadora deveria indicar os dispositivos legais que atribuem a sujeição passiva por responsabilidade aos sócios da pessoa jurídica extinta, mas não o fez, acarretando a nulidade do auto de infração; · O crédito deveria ter sido constituído com base na legislação do imposto de renda da pessoa jurídica e não na legislação do imposto de renda da pessoa física; Fl. 1861DF CARF MF 14 · Inovação do acórdão da DRJ: desconsidera a venda das ações pelo Telles FIP, desconsidera a venda das ações pelo Alvorada Fim, e indica os cotistas do Alvorada Fim como beneficiários do ganho de capital e contribuintes do IR – DRJ inova ao afirmar que a desconsideração dos fundos não os torna inválidos ou inexistentes e não faz retroagir a estrutura societária para o momento anterior às suas criações, apenas ficando suspensa a eficácia de sua formação, de modo a cobrar o tributo dos cotistas do fundo; Por fim, nas fls. 1835/1843, a Contribuinte junta razões aditivas ao Recurso Voluntário, no qual requer: · Admissibilidade das razões aditivas do Recurso Voluntário, nos termos do art. 415, VI e §3º do CPC, que determina o conhecimento de ofício pelo juízo das matérias relacionadas à ausência de legitimidade das partes, ou seja, matéria de ordem pública (CARF Acórdão 9303003.834); · Nulidade. Erro na identificação do sujeito passivo. Recorrente nu proprietária das ações da holding TELLES PARTICIPAÇÕES e das cotas do FIMALVORADA e do FIPTELLES – mesmo que se admita o planejamento tributário abusivo e desconsidere as constituições dos dois Fundos, o sujeito passivo em decorrência dessas desconsiderações não poderiam ter sido as pessoas físicas ex acionistas da holding Telles Participações S/A, como entendeu a fiscalização no presente caso, tampouco os cotistas proprietárias do FIMALVORADA, como argumentou a Turma julgadora da DRJ/FOR. · Há erro na identificação do sujeito passivo do auto de infração, tendo em vista que a Recorrente não foi beneficiada pelo ganho de capital alegado pelo Fisco, já que detém apenas a nuapropriedade das cotas do FIMALVORADA (argumento da DRJ/FOR), bem como detinha unicamente a nuapropriedade das ações representativas do capital social da holding TELLES PARTICIPAÇÕES (argumento da DRF/FOR), objeto de instrumentos de doações; · As ações que a Recorrente detinha na Holding TELLES PARTICIPAÇÕES, assim como as cotas do FIMALVORADA de propriedade da Recorrente, foram recebidas por doação e gravadas com reserva de usufruto em favor dos doadores e a fiscalização tinha pleno conhecimento do usufruto quando do lançamento; · Qualquer ganho de capital apurado na alienação da YPIÓCA BEBIDAS só poderia ter como beneficiários os usufrutuários desses títulos patrimoniais, os quais gozam da disponibilidade econômica e jurídica dos valores recebido · Citase o Acórdão n° 1103001.123 do CARF e o Acórdão n° 9101 002.536 da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF); É o relatório. Fl. 1862DF CARF MF Processo nº 10380.725189/201720 Acórdão n.º 2301005.933 S2C3T1 Fl. 1.856 15 Voto Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato Relatora Admissibilidade Verificase nas fls. 1532 que a emissão da intimação do resultado do Acórdão da DRJ para a contribuinte se deu em 22/11/2017, sendo dado a leitura pela mesma no mesmo dia. O Recurso Voluntário foi apresentado em 21/12/2017, ou seja, dentro do prazo de 30 dias, o que torna seu Recurso tempestivo e admissível. Conheço do Recurso e passo à análise do mérito. Mérito Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão da DRJ que decidiu pela improcedência da Impugnação, pois entendeu que o planejamento tributário realizado pela empresa da Contribuinte foi abusivo, no intuito de se omitir no recolhimento de Ganho de Capital gerado na venda de uma das empresas que compunha o Grupo da Família. Sobre as preliminares, julgo ante a seguinte razão. DECADÊNCIA Afirma a Contribuinte que houve decadência do direito do FISCO de lançar o crédito tributário, pois o fato gerador se deu quando da alienação da empresa Ypióca Bebidas, ou seja, 25/05/2012 e sua intimação se deu em 13/07/2017. Se razão a Contribuinte. Tratase de IRPF de Ganho de Capital, sendo que a venda da empresa Ypióca Bebidas se deu por pagamento parcelado. O Fato Gerador deste imposto diz respeito ao recebimento do valor pelo beneficiário, conforme comprova as jurisprudências consolidadas deste Conselho: DECADÊNCIA Nos casos de lançamento por homologação, ausente dolo, fraude ou simulação, e constatandose pagamento antecipado, a decadência se opera após o decurso do prazo de cinco anos, contado do fato gerador. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA. FATO GERADOR. O Imposto de Renda Pessoa Física incidente sobre ganhos de capital na alienação de bens e direitos constitui tributação definitiva, não se sujeitando ao ajuste anual, considerandose ocorrido o fato gerador no mês do recebimento. (Acórdão nº 9900000.274 – Pleno 07 de dezembro de 2011) IRPF GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE AÇÕES A PRAZO. FATO GERADOR APURAÇÃO DA DECADÊNCIA Fl. 1863DF CARF MF 16 Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o momento para contagem do prazo decadencial. (Acórdão nº 9202003.819 08/03/2016) IRPF. GANHO DE CAPITAL. RECEBIMENTO PARCELADO DE QUOTAS DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA ALIENADAS. PARCELAS INDEXADAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O termo inicial para contagem do prazo decadencial em se tratando de imposto de renda devido sobre o ganho de capital decorrente de contrato de alienação de cotas societárias a prazo e com parcelas indexadas, é o momento do recebimento de cada parcela, pois nesse momento é que se afere de forma definitiva o preço de venda que resta condicionado índice de correção monetária. Precedente. (Acórdão nº 2101002.674 21/01/2015) IRPF GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE AÇÕES A PRAZO. FATO GERADOR APURAÇÃO DA DECADÊNCIA Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o momento para contagem do prazo decadencial. (Acórdão nº 9202003.819 – Sessão de 08 de março de 2016) GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO A PRAZO DE IMÓVEL. TRIBUTAÇÃO PELO REGIME DE CAIXA. MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. A circunstância fática (acréscimo patrimonial) que constitui o fato gerador do imposto de renda sobre o ganho de capital decorrente de alienação a prazo de imóvel se revela em um momento concomitante ou posterior à celebração do “Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda”. O contrato regula uma situação jurídica que irá desencadear a incidência do tributo se e quando houver acréscimo patrimonial. O regime de caixa, como o próprio nome indica, privilegia o aspecto financeiro dos negócios jurídicos, de modo que os efeitos fiscais das mutações patrimoniais só serão reconhecidos quando houver a realização financeira deles. Na apuração do imposto de renda pelo regime de caixa, aplicável às pessoas físicas, somente ocorrerá o acréscimo patrimonial se houver a efetiva disponibilidade financeira. Logo, nas alienações a prazo de bens e direitos de pessoa física o fato gerador do ganho de capital ocorrerá no recebimento de cada uma das parcelas pactuadas. (Acórdão nº 2201002.928 Sessão de 18 de fevereiro de 2016) Portanto, não se vislumbra a decadência, pois o fato gerador de cada IR de ganho de capital ocorreu na data do recebimento dos valores pagos pela Cinter International Brands Indústria e Comércio LTDA, ou seja, 09/08/2012; 21/02/2013; 09/11/2015 e 07/10/2016. Considerando que a intimação do lançamento pela Contribuinte se deu em 13/07/2017, não ocorreu a decadência de nenhum dos fatos geradores. Rejeitase a preliminar. ERRO NA INDICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Fl. 1864DF CARF MF Processo nº 10380.725189/201720 Acórdão n.º 2301005.933 S2C3T1 Fl. 1.857 17 São duas as razões apontadas pelo Contribuinte como sendo erro na indicação do sujeito passivo que leva à nulidade do Auto de Infração: 1. 1º) indevida a indicação das pessoas físicas acionistas da Telles FIP e da Alvorada Fim, pois se considerou inválida a constituição desses fundos, sendo que ao retornar o status a quo, a autuação deveria recair sobre a TELLES Participações ou a Agropaulo, proprietárias da Ypióca Bebidas; 2. 2º) As pessoas físicas acionistas da Telles FIP e da Alvorada Fim nunca poderiam constar como sujeitos passivos, pois são apenas nus proprietárias das ações da Telles Participações, cabendo tão somente autuar os 2 usufrutuários das ações, beneficiários em última instancia do ganho de capital (Everardo e Maria Heloísa) – a DIRPF dessas 7 pessoas comprovam que não possuíam qualquer rendimento advindo da Telles Participações – sem disponibilidade econômica; Sobre as causas de nulidade do Auto de Infração, o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. determina: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula Portanto, o Auto de Infração deve conter os requisitos previstos no Art. 10, pois, caso contrário, tratase de ato nulo. Sobre o erro na identificação do Sujeito Passivo, a Jurisprudência Consolidada deste Conselho e as Súmulas determinam: MERO ERRO/IMPRECISÃO TÉCNICA NA IDENTIFICAÇÃO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. INEXISTENTE. O mero erro ou imprecisão técnica na identificação do sujeito passivo, desde que não macule o seu direito de defesa nem o normal andamento do processo administrativo fiscal, não gerará nulidade por vício formal ou material do lançamento. Não há nulidade sem prejuízo. Acórdão nº 9202003.098, Sessão de 25 de março de 2014. Súmula CARF nº 112 Fl. 1865DF CARF MF 18 É nulo, por erro na identificação do sujeito passivo, o lançamento formalizado contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária ocorrida e comunicada ao Fisco Federal antes da lavratura do auto de infração. Súmula CARF nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Portanto, colacionando o acima exposto, verificase que, no que consiste o erro na identificação do sujeito passivo, temse os seguintes entendimentos do CARF sobre nulidade de auto de infração lançado: 1. Quando se está diante de Auto de Infração proveniente de Imposto de Renda, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário do fato gerador (no caso, o beneficiário do ganho de capital); 2. É nulo o lançamento formalizado contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária ocorrida e comunicada ao Fisco Federal antes da lavratura do auto de infração; 3. Erro na identificação do sujeito passivo não leva à nulidade do Auto de Infração, desde que não se macule o seu direito de defesa das partes nem o normal andamento do processo administrativo fiscal; Destacase que neste momento não se analisará o mérito da questão, ou seja, se o planejamento tributário foi ou não abusivo, mas sim, se foi devido o lançamento contra as pessoas físicas dos sócios acionistas. Levandose em consideração os apontamentos acima, verificase o presente lançamento. Para isto, necessária fazer a progressão dos atos/acontecimentos que levaram ao lançamento, até mesmo para facilitar o entendimento do caso. Em 04/1998 foi criada a empresa Holding Telles Participações e Negócios LTDA com a integralização das participações societárias que o Sr. Everardo, sua primeira esposa Maria Heloísa e seus seis filhos possuíam em diversas empresas, para que estas passassem a ser controladas pela Holding recémcriada: Fl. 1866DF CARF MF Processo nº 10380.725189/201720 Acórdão n.º 2301005.933 S2C3T1 Fl. 1.858 19 05/2011: As ações da Telles Participações são doadas aos 07 filhos do Sr. Everardo, ficando o mesmo, e sua primeira esposa, a Sra. Maria Heloísa, com o usufruto vitalício; 12/2011: Criação da Telles FIP – fundo de investimento em participações, sendo que os 07 filhos do Sr. Everardo integralizaram suas cotas com as ações que detinham na Telles Participações, passando a Telles FIP ser controlador da holding Telles Participações, ficando as cotas da Telles FIP gravadas com as mesmas cláusulas de inalienabilidade, impenhorabilidade, incomunicabilidade e usufruto vitalício em favor do Sr. Everardo e Sra. Maria Heloísa: 02/2012: segregação da Ypióca Agroindustrial, sendo criada 03 novas companhias: Fl. 1867DF CARF MF 20 22/02/2012: criação de outro fundo de investimento, o Alvorada Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado (Alvorada FIM), sendo suas cotas integralizadas com as cotas do Telles FIP em 23/04/2012, com transferência das cláusulas inalienabilidade, impenhorabilidade, incomunicabilidade e usufruto vitalício em favor do Sr. Everardo e Sra. Maria Heloísa: 03/2012: Ypióca Agroindustrial S/A altera sua denominação social para Agropaulo Agroindustrial S/A (AGROPAULO): Fl. 1868DF CARF MF Processo nº 10380.725189/201720 Acórdão n.º 2301005.933 S2C3T1 Fl. 1.859 21 Em 11/05/2012: cisão parcial da empresa Agropaulo: as participações societárias da Yplastic, Ipark e Ypióca Bebidas, detidas pela Agropaulo são vertidas para o patrimônio da holding Telles Participações: Em 12/05/2012: a Holding Telles Participações é liquidada, sendo que seus ativos (participação em todas as empresas operacionais do Grupo Telles passa a ser propriedade do Grupo Telles FIP: Fl. 1869DF CARF MF 22 25/05/2012 a Telles FIP vende o controle acionário da Ypióca Bebidas: O Auto de Infração, em seu Termo de Verificação Fiscal entende que o planejamento tributário foi fraudulento (com abuso de direito), pois, considerando que a Telles FIP é Fundo de Investimento, ficou isenta de recolhimento de Ganho de Capital, sendo que a criação dos fundos se deu única e exclusivamente com o fim de se abster do pagamento. Ao considerar o planejamento tributário abusivo, a autoridade lançadora, conforme justificativa no TVF, desconsiderou “a integralização das cotas do Telles FIP com as ações da empresa Telles Investimento em Participações S/A, bem como a posterior integralização das quotas do Alvorada FIM com as quotas do Telles Fip. Como se viu, tais operações foram realizadas sem o propósito negocial e em total descompasso com os objetivos da criação de um fundo de investimento; o único proposito que se pode vislumbrar é o de driblar maliciosamente as normas de incidência tributária”. Segundo o TVF, ao desconsiderar os fundos, “emergem efetivos proprietários das ações da empresa alienada cada um dos membros do grupo familiar Telles, sendo estes os beneficiários últimos do ganho de capital. Como tal, devem ser posicionados como sujeitos passivos da obrigação tributária relativamente ao imposto incidente sobre o ganho de capital”. A Contribuinte afirma que houve erro na indicação do sujeito passivo, pois se for desconsiderado a integralização das cotas do Telles FIP com as ações da empresa Telles Investimento em Participações S/A, bem como a posterior integralização das quotas do Alvorada FIM com as quotas do Telles Fip, o Auto deveria ter sido lançado ou contra a Agropaulo ou contra a Telles Investimento em Participações S/A. Com relação à Agropaulo, observase que no momento em que houve a alienação da Ypióca Bebidas à Cinter (23/05/2012), a Ypióca Bebidas não fazia mais parte do quadro societário da Agropaulo, que foi cindida parcialmente em 11/05/2012, passando a ser controlada pela Telles Investimento em Participações S/A e, posteriormente, com a liquidação da Telles Investimento em Participações S/A, passou a ser controlada pela Telles FIP, não sendo, a Agropaulo, beneficiada diretamente com a alienação. Portanto, considerando que o Auto de Infração não considerou inválida a cisão da Agropaulo, não se poderia lançar o ganho de capital contra a Agropaulo, pois não era mais a controladora da Ypióca Bebidas. Com relação ao pedido de que o lançamento deveria ter sido realizado contra a Telles Investimento em Participações S/A, observase que de igual maneira, seria indevido o lançamento contra a mesma. Fl. 1870DF CARF MF Processo nº 10380.725189/201720 Acórdão n.º 2301005.933 S2C3T1 Fl. 1.860 23 Isto, pois a Telles Investimento em Participações S/A foi liquidada antes do lançamento do presente auto de infração. Por esta razão, com base Súmula CARF nº 112, o auto seria nulo se fosse lançado contra a Telles Investimento em Participações S/A, justamente por erro na identificação do sujeito passivo, pois o lançamento foi formalizado contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária ocorrida e comunicada ao Fisco Federal antes da lavratura do auto de infração. No caso de impossibilidade de lançar contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária ocorrida e comunicada ao Fisco Federal antes da lavratura do auto de infração, ou seja, contra a Telles Investimento em Participações S/A, lançase contra os responsáveis solidários e reais beneficiários da alienação, com fito na Súmula 12 do CARF. Neste contexto, observa o CTN: Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; Portanto, o CTN permite a responsabilização solidária da pessoa física dos sócios, como ocorreu no caso em análise, pois foram os reais beneficiários com a alienação da Ypióca Bebidas. Além disto, necessário pontuar que a o mero erro ou imprecisão técnica na identificação do sujeito passivo, desde que não macule o seu direito de defesa nem o normal andamento do processo administrativo fiscal, não gera nulidade por vício formal ou material do lançamento, nos termos da Jurisprudência Consolidada deste Conselho, previamente inserida neste voto. No presente caso não se observou qualquer impedimento ao direito de defesa da Contribuinte: sua inclusão como responsável pelo crédito se deu desde o início da ação fiscal, foi possibilitada a apresentação de impugnação, recurso voluntário, juntada de provas e parecer, não havendo qualquer mácula ao direito à ampla defesa e contraditório. Por fim e de forma a complementar com a fundamentação anteriormente aduzida, com relação ao segundo motivo de nulidade do auto de infração por erro na indicação do sujeito passivo, pois as pessoas físicas acionistas da Telles FIP são apenas nusproprietárias das ações da Telles Participações, cabendo tão somente autuar contra os 2 usufrutuários das ações, beneficiários em última instancia do ganho de capital (Everardo e Maria Heloísa), verificase, novamente, sem razão a Contribuinte. Isto, pois, neste caso, a Jurisprudência consolidada deste Conselho determina: Fl. 1871DF CARF MF 24 ALIENAÇÃO OU CESSÃO DE DIREITOS DE USUFRUTO IRPF ALIENAÇÃO OU CESSÃO DE DIREITOS DE USUFRUTO. O ganho de capital apurado na cessão de direitos, por alienação, do usufruto está sujeito à tributação na pessoa física do usufrutuário. Ocorrendo a transmissão do usufruto e da nuapropriedade concomitantemente, isto é, em uma mesma operação, tendo como adquirente um terceiro, o usufrutuário e o nuproprietário estão sujeitos à apuração do ganho de capital. IRPF — BENS IMOVEIS — DIREITOS REAIS — USUFRUTO — Considerase imóveis para todos os efeitos legais os direitos reais sobre imóveis, a exemplo do usufruto. IRPF — GANHO DE CAPITAL — REDUCÃO — Para apuração do valor a ser tributado, no caso de alienação de bens imóveis, será aplicado um percentual de redução sobre o ganho de capital, segundo o ano de aquisição ou incorporação. (Acórdão n°.: 10416.957 17 de março de 1999) O Parecer Normativo CST 04/1995 também determina que “ocorrendo a transferência do usufruto e da nuapropriedade, sendo adquirido por terceiro, o usufrutuário e o nuproprietário sujeitamse à apuração do ganho de capital”. Ao alienar o bem que era protegido com cláusula de usufruto, havendo, portanto, a transmissão do usufruto e da nuapropriedade concomitantemente, tendo como adquirente terceiro (CINTER) tanto o usufrutuário, como o nuproprietário estão sujeitos à apuração do ganho de capital. Por esta razão, foi devido o lançamento contra a pessoa física dos nu proprietários, rejeitandose, portanto a preliminar. DO PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ILÍCITO Apesar de a Contribuinte afirmar que a criação do TELLES FIP, bem como dos demais Fundos de Investimentos criados pelo Grupo TELLES fez parte de um processo de reestruturação iniciado em 1998, decorrente de um planejamento societário e sucessório, com objetivo central de promover aos membros da família Telles uma gestão profissional de suas empresas operacionais, verificouse que as operações societárias tiveram início justamente depois que houve o interesse da CINTER na compra da Ypióca. Entre os critérios definidores de um planejamento tributário legítimo, oponível às autoridades fiscais, temse que: (i) os atos que impliquem a redução na carga tributária devem ocorrer cronologicamente antes do fato gerador; (ii) os atos praticados pelo contribuinte que resultaram na redução da carga tributária devem ser lícitos; e (iii) a manifestação/declaração de vontade (causa típica) deve corresponder à sua realização fática (causa objetiva), ou melhor, à sua finalidade econômico social. Não é o conteúdo formal do negócio jurídico (causa típica) consubstanciado na declaração de vontade que irá determinar a incidência tributária, mas sim sua causa objetiva (propósito). É preciso verificar a função a que se destina a operação dentro do empreendimento econômico, e não somente a prática de atos baseados em dispositivos legais (princípio da estrita legalidade em matéria tributária). Fl. 1872DF CARF MF Processo nº 10380.725189/201720 Acórdão n.º 2301005.933 S2C3T1 Fl. 1.861 25 Assim, não se faz suficiente a licitude dos atos realizados, tampouco a máxima argumentativa da liberdade empresarial de autoorganização, para legitimar as alternativas escolhidas em uma reestruturação societária, pois estas devem estar providas de causa econômica, de modo que o motivo da reorganização não seja único ou predominantemente de economizar tributos. Ao se confrontar a legislação tributária, que adota os princípios da tipicidade e da estrita legalidade, com as atividades desenvolvidas pelas empresas, objeto de planejamento tributário, devese também valorizar o propósito das atividades empresariais praticadas e a existência de substância econômica. Nesse sentido seguem alguns precedentes administrativos: [...] OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA – O fato de cada uma das transações, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA – A liberdade de autoorganização não endossa a prática de atos sem motivação negocial, sob o argumento de exercício do planejamento tributário.” (1º Conselho de Contribuintes /4ª Câmara/Turma Ordinária. Acórdão nº 10420749. Data 15/06/2005) [...]NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO. INOPONIBILIDADE AO FISCO. O fato de ser um negócio jurídico indireto não traz a consequência direta de tornar eficaz o procedimento da interessada, pois essa figura não é oponível ao fisco quando, como é o caso concreto, sem propósito negocial algum, visto de seu todo, visar apenas a mera economia de tributos. No caso concreto, houve por conseguinte fraude à lei do imposto de renda que comanda a tributação do ganho de capital na alienação de bens do ativo permanente através da utilização de norma de cobertura. (CARF. 1ª Seção / 1ª Turma da 4ª Câmara / Acórdão nº 140100.582 em 29/06/2011, Publicado no DOU em: 27.03.2012) Simulação – conjunto probatório – Se o conjunto probatório evidencia que os atos formais praticados (reorganização societária) divergiam da real intenção subjacente (compra e venda), caracterizase a simulação, cujo elemento principal não é a ocultação do objetivo real, mas sim a existência de objetivo diverso daquele configurado pelos atos praticados, seja ele claro ou oculto. Ausência de motivação extra tributária – O princípio da liberdade de autoorganização, mitigado que foi pelos princípios constitucionais da isonomia tributária e da capacidade contributiva, não mais endossa a prática de atos sem motivação negocial, sob o argumento de exercício de planejamento tributário. (CARF. 1º Conselho de Contribuintes 4a. Câmara/ Acórdão nº 104 21498, Publicação em 06/09/2007) Portanto, necessário verificar, entre outras coisas, se a finalidade da reorganização societária não foi exclusiva e predominantemente tributária e, paralelamente, Fl. 1873DF CARF MF 26 analisar a existência ou não de um propósito negocial, compreendido como a vontade objetiva final do negócio jurídico. Verificada a divergência entre a realização prática aferida objetivamente (causa objetiva) e a causa típica do negócio jurídico (conteúdo formal), temse um planejamento inválido e, como tal, os negócios jurídicos realizados não são oponíveis às autoridades fiscais. No decorrer do presente procedimento fiscal não restou claramente demonstrado o motivo e a finalidade negocial das operações societárias. A Recorrente buscou aduzir diversos argumentos para tentar demonstrar o fundamento econômico das operações realizadas que, contudo, não parecem ter o condão de desconsiderar e infirmar a autuação, especialmente se levado em consideração (i) o curto lapso temporal entre as operações, (ii) a dependência das empresas envolvidas por pertencerem a um mesmo Grupo Empresarial e (iii) a incongruência entre a operação realizada e os motivos alegados pela Recorrente. As operações societárias foram milimetricamente planejadas e realizadas no decorrer do ano de 2012, com a criação dos dois Fundos de Investimento até a finalização, com a efetiva venda da Ypióca à CINTER, em maio de 2012. A cisão parcial da Agropaulo se deu em 11/05/2012 e a liquidação da holding Telles Participações se deu logo no dia posterior, 12/05/2012 e a venda da Ypióca Bebidas treze dias depois (25/05/2012). O curto lapso temporal entre as operações demonstram que a venda da Ypióca para a Cinter já estava previamente ajustada, aguardandose, apenas a criação dos Fundos, para que não fosse necessário o recolhimento do Ganho de Capital da venda, pois com Fundos, as alienações de ativos têm tributação exclusiva. O que se observou, com as operações societárias, foi apenas a migração das empresas do grupo da família, que antes pertenciam à holding Telles Participações, para os dois fundos criados (Telles FIP e Alvorada Fim), no intuito de se abster de recolher os tributos da venda. Portanto, não se objetivou a simples redução do ganho de capital, mas, sim, a efetiva isenção de sua tributação. Outro fator que vem a invalidar o planejamento tributário realizado é que, a partir da ausência de causa econômica das etapas societárias, isoladamente consideradas, é possível aferir que os fatos formalizados juridicamente não parecem corresponder à realidade, vislumbrandose uma simulação para obter vantagens tributárias. Procedeu corretamente a Fiscalização em examinar o conjunto da reestruturação societária realizada pelo Grupo quando se está diante de operações sucessivas e envolvendo várias empresas, conforme doutrina de Marco Aurélio Greco sobre o assunto: “Uma operação estruturada indica a existência de um objetivo único, predeterminado à realização de todo o conjunto. E mais, indica a existência de uma causa jurídica única que informa todo o conjunto. Nestes casos, cumpre examinar se há motivos autônomos, ou não, pois se estes inexistirem, o fato a ser enquadrado é o conjunto e não cada uma das etapas. Fl. 1874DF CARF MF Processo nº 10380.725189/201720 Acórdão n.º 2301005.933 S2C3T1 Fl. 1.862 27 Na medida em que o conjunto de operações corresponde apenas a uma pluralidade de meios para atingir um único fim, a verificação das alterações relevantes deve ser feita não apenas considerando os momentos anterior e posterior a cada etapa mas, principalmente, os momentos anterior e posterior ao conjunto de etapas” (in Planejamento Tributário, São Paulo, Dialética, 2004, pp. 345347). Na hipótese dos autos, não foram constatados motivos autônomos para a realização de cada etapa societária, de modo que a anterior só tinha sua razão de existir se verificada a etapa posterior. Por fim, não se vislumbra qualquer finalidade negocial para a constituição dos Fundos de Investimento, sendoos criados apenas para o gozo da tributação exclusiva vantajosa, quando das alienações dos ativos. A instrução CVM no 391, de 16 de julho de 2003, com alterações introduzidas pelas Instruções CVM nº 435/06, 450/07, 453/07, 496/11, 498/11, 535/13, 540/13, 545/14, 549/14 e 554/14, determina: Art. 2o O Fundo de Investimento em Participações (fundo), constituído sob a forma de condomínio fechado, é uma comunhão de recursos destinados à aquisição de ações, debêntures, bônus de subscrição, ou outros títulos e valores mobiliários conversíveis ou permutáveis em ações de emissão de companhias, abertas ou fechadas, participando do processo decisório da companhia investida, com efetiva influência na definição de sua política estratégica e na sua gestão, notadamente através da indicação de membros do Conselho de Administração. §1o Sempre que o fundo decidir aplicar recursos em companhias que estejam, ou possam estar, envolvidas em processo de recuperação e reestruturação, será admitida a integralização de cotas em bens ou direitos, inclusive créditos, desde que tais bens e direitos estejam vinculados ao processo de recuperação da sociedade investida e desde que o valor dos mesmos esteja respaldado em laudo de avaliação elaborado por empresa especializada. §2o A participação do fundo no processo decisório da companhia investida pode ocorrer: I – pela detenção de ações que integrem o respectivo bloco de controle, II – pela celebração de acordo de acionistas ou, ainda, III – pela celebração de ajuste de natureza diversa ou adoção de procedimento que assegure ao fundo efetiva influência na definição de sua política estratégica e na sua gestão. Ora, sendo um fundo de investimento uma reunião de recursos para a aplicação em diversos ativos e, no caso específico do Fundo de Investimento em Participações, em ações de companhias das quais o fundo deve participar da gestão, qual a finalidade de se Fl. 1875DF CARF MF 28 integralizar as quotas de um fundo recémcriado com ações de empresa das quais os próprios cotistas do fundo já eram os proprietários? Se o objetivo de um investimento é a aplicação de recursos para a obtenção de um ganho com esses investimentos, que ganhos os cotistas do TELLES FIP (e a Contribuinte) esperariam obter com o Fundo que não obteriam se mantivessem diretamente o controle das ações das empresas através da holding que já existia? Qual o propósito negocial, então, de se integralizar as quotas do fundo com as ações da holding TELLES PARTICIPAÇÕES E NEGÓCIOS S/A? Nenhum. O Fundo, neste caso, se apresenta como mero ente interposto entre as empresas e os seus acionistas/cotistas. Em caso semelhante, este Conselho entendeu: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2009 VENDA DE AÇÕES DE EMPRESA CONTROLADA. FUNDO DE INVESTIMENTO EM PARTICIPAÇÕES FIP. ATO SIMULADO. SUJEITO PASSIVO. HOLDING CONTROLADORA. O sujeito passivo a ser tributado por ganho de capital na venda das ações de empresa controlada é a holding detentora e não o FIP constituído alguns dias antes da operação mediante a conferência das ações da empresa vendida, pois ato simulado não é oponível ao fisco, devendo receber o tratamento tributário que o verdadeiro ato dissimulado produz. FIP. AUSÊNCIA DE FINALIDADE NEGOCIAL. Desprovido de finalidade negocial o Fundo de Investimento em Participação FIP, constituído por uma única investidora, com um único investimento ao qual não foi aportado qualquer investimento adicional ou ato de gestão visando seu crescimento/desenvolvimento ou saneamento e cuja permanência no FIP durou alguns dias. FIP. DESCONSIDERAÇÃO. LEGALIDADE. É desprovida de base a acusação de que a desconsideração do FIP afronta ao princípio da legalidade, dado que foi devidamente avaliado que a interposição do FIP no lugar da autuada tratouse de manobra para evadir tributação de ganho de capital. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. SIMULAÇÃO. DOLO. Estando comprovada a prática deliberada de simulação, portanto, estando caracterizados o dolo e sonegação, cabe a qualificação da multa de ofício. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. CARF 1ª Seção, 2ª Câmara, 1ª Turma Ordinária. Acórdão 1201001.640. 11 de abril de 2017 Fl. 1876DF CARF MF Processo nº 10380.725189/201720 Acórdão n.º 2301005.933 S2C3T1 Fl. 1.863 29 Portanto, considerando a) que as operações societárias ocorreram sem finalidade negocial (não houve justificativa para a ocorrência das mesmas); b) que as operações societárias ocorreram em um curto espaço de tempo, no qual evidencia ainda mais o objetivo das partes; c) que os Fundos criados são desprovidos de finalidade negocial; constatase que o presente planejamento tributário se mostrou abusivo, sendo válido o lançamento referente ao ganho de capital da alienação da Ypióca Bebidas. Ainda no mérito, a Contribuinte afirma que não existe isenção tributária em Fundos de Investimentos, pois há uma antecipação de tributos no momento da subida das empresas para o FIP, como foi o caso da criação do FIP TELLES, quando se recolheu IR no valor de R$22.000.000,00 e um diferimento de tributos para o momento em que ocorrer amortizações ou resgates. Sem razão a Contribuinte. Isto, pois a legislação é clara ao determinar que os rendimentos dos fundos de investimento de alienação, liquidação, resgate, cessão ou repactuação dos títulos, aplicações financeiras e valores mobiliários integrantes de sua carteira são isentos do Imposto de Renda, nos termos do art. 28, §10º e §11º da Lei 9.532/1997. Desta forma, há sim isenção de IR nas alienações realizadas pelos fundos de investimento. Se há tributação nas amortizações ou resgates, verificase que haverá outro fato gerador, não sendo o mesmo que trata o presente lançamento. Portanto, sem razão o pedido. Por fim, com relação ao pedido de compensação do imposto pago, em que o Contribuinte afirma que a integralização da TELLES FIP foi realizada dentro da legislação vigente, inclusive com pagamento do Imposto de Renda sobre o Ganho de Capital antecipadamente, assim, devese compensar o imposto pago nos valores de R$22.066.198,00 e R$4.349.999,61 com o imposto lançado, verificase. Novamente, tratase de fato gerador distinto e não há qualquer legislação que permita o acolhimento do pedido. O ganho de capital que o Contribuinte requer a compensação ocorreu em 30/12/2011, proveniente da alienação de ações da TELLES PARTICIPAÇÕES. Os fatos tributários ora analisados ocorreram em 09/08/2012, 21/02/2013, 09/11/2015 e 07/10/2016 e consistem em ganhos de capital na alienação de ações da YPIÓCA BEBIDAS. Portanto, os elementos material e temporal dos fatos geradores são distintos. Além disto, não há qualquer demonstração – mediante escrituração contábil devidamente suportada por documentos – que o evento de 30/12/2011 foi influenciado, pelo menos em parte, por fatos imputáveis futuramente à YPIÓCA BEBIDAS (que só foi criada em fevereiro/2012). Com relação ao pedido de compensação do valor de R$4.349.999,61 (quatro milhões, trezentos e quarenta e nove mil, novecentos e noventa e nove reais e sessenta e um centavos), das amortizações no ALVORADA FIM pelas pessoas físicas, verificase, novamente, a necessidade de indeferir o pedido. Fl. 1877DF CARF MF 30 Isto, pois, a Contribuinte não explicitou o fundamento fático que determinou a alegada amortização de cotas, tampouco a legislação que embasou sua realização. Da mesma forma, destacase que, como o ALVORADA FIM detém o controle do TELLES FIP (que, por seu turno, controla diversas empresas operacionais do grupo, tais como, AGROPAULO, NATURÁGUA, PECÉM, HALLEY, CEARÁMIRIM, YPETRO, YPLASTIC e IPARK), os rendimentos conferidos aos cotistas podem ter origem quaisquer desses ativos. Além disso, alega a Contribuinte que houve modificação da fundamentação da DRJ com o abordado no Auto de Infração. Não se vislumbra o ocorrido A DRJ é clara ao constatar que houve planejamento tributário ilícito, da mesma forma como pontuou e fundamentou a autoridade fiscal lançadora no auto de infração, assim como restou constatado nesta decisão do Colegiado do CARF. Por esta razão, indeferese o pedido. MULTA QUALIFICADA A Contribuinte afirma que indícios podem autorizar, quando muito, a presunção, mas não no presente caso. As presunções somente são admitidas quando previstas em lei. Em direito, à guisa de princípio maior, temse assente que a simulação, a fraude, o conluio, etc., não se presumem, devem ficar sobejamente comprovados, estreme de qualquer dúvida, o que não encontramos nos autos. Requer a aplicação do princípio da vedação ao confisco, ante fundamentação do RE 523471 admite como razoável apenas penalidades cujo valor não ultrapasse o limite de 30% do crédito tributário. Na análise realizada no presente voto, concluiuse que houve a prática da simulação, dado que o FIP foi constituído para finalidades que não coadunavam com os objetivos para os quais a legislação o instituiu. Houve dolo da Contribuinte em realizar as operações societárias que culminaram na constatação do planejamento tributário abusivo, pois o objetivo principal foi a isenção da obrigação tributária com a venda de ativos. Estando presentes o dolo, a simulação e a sonegação, cabe confirmar como pertinente a qualificação da multa de ofício. Não se trata de ação contrária ao princípio da vedação ao confisco, pois está estabelecida conforme permite a legislação. Portanto, não há que se falar em modificação na multa lançada. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares, não reconhecer a decadência, não reconhecer da nulidade da inclusão de novos fundamentos da DRJ que não constavam no auto de infração e, no mérito, negar provimento. Fl. 1878DF CARF MF Processo nº 10380.725189/201720 Acórdão n.º 2301005.933 S2C3T1 Fl. 1.864 31 (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato – Relatora. Fl. 1879DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13364.720088/2013-25
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DEDUÇÃO INDEVIDA - DESPESA MÉDICA - COMPROVAÇÃO
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a glosa com a profissional Herica Samara Martins Veloso, no valor de R$5.000,00 e a glosa com Antônio Edideus Borges Veloso, no valor de R$6.000,00.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 DEDUÇÃO INDEVIDA - DESPESA MÉDICA - COMPROVAÇÃO As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a glosa com a profissional Herica Samara Martins Veloso, no valor de R$5.000,00 e a glosa com Antônio Edideus Borges Veloso, no valor de R$6.000,00. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 36 4. 72 00 88 /2 01 3- 25 Fl. 58DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 09 a 14), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 4.400,00, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 08 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: A ciência do Lançamento ocorreu em 25/03/2013 (fls. 15) e a contribuinte apresentou sua impugnação em 15/04/2013 (fls. 02), acompanhada de documentação, alegando, em síntese, que junta os documentos necessários à comprovação das despesas glosadas. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 30/10/2014, no acórdão 0364.424, às efls. 25 a 29, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, às efls. 38 a 54, alegando, em síntese, que não há preclusão quanto a juntada de novos documentos em sede recursal, vide o princípio da verdade material. Por fim pede o afastamento das glosas sob fundamento de que todos os documentos juntados confirmam as despesas médicas. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 07/06/2016, efls. 34, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 30/06/2016, efls. 38, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O contribuinte foi autuado pela dedução indevida das seguintes despesas médicas: · Antônio Edideus Borges Veloso R$6.000,00; Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13364.720088/201325 Acórdão n.º 2002000.713 S2C0T2 Fl. 59 3 · Herica Samara Martins Veloso R$5.000,00. · Miriam Maria de Sousa Santos R$5.000,00; A DRJ manteve a glosa sob os fundamentos abaixo narrados: A motivação da glosa foi o fato dos recibos apresentados não serem suficientes para a admissibilidade das despesas médicas como dedução. Com efeito, os recibos de fls. 03/05 carecem do endereço dos prestadores de serviços, item obrigatório na legislação tributária. Adicionalmente, o recibo de fls. 04 se refere a consultas e tratamento holístico exercido por profissional não listado no caput do art. 80. Dessa forma, não há previsão legal para tal dedução. Mantidas as glosas apuradas, por conseqüência. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com Fl. 60DF CARF MF 4 exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13364.720088/201325 Acórdão n.º 2002000.713 S2C0T2 Fl. 60 5 comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de Fl. 62DF CARF MF 6 prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13364.720088/201325 Acórdão n.º 2002000.713 S2C0T2 Fl. 61 7 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Às efls. 46 há recibo de Miriam Maria de Sousa Santos, que não há carimbo profissional que comprove que é profissional da área de Psicologia. Ainda, como bem mencionou a decisão da DRJ, terapias holísticas não constam no rol da legislação como dedutíveis, motivo pelo qual mantenho a glosa. Às efls.48 há recibo emitido por Antônio Edideus Borges Veloso. Já às efls. 49 há recibo emitido por Herica Samara Martins Veloso e, por atender os requisitos legais, aceito como prova para afastar a glosa da despesa médica. Por todo exposto, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe parcial provimento, afastando a glosa com a profissional Herica Samara Martins Veloso, no valor de R$5.000,00 e a glosa com Antônio Edideus Borges Veloso, no valor de R$6.000,00. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 64DF CARF MF
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Numero do processo: 10315.720660/2013-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. ASSOCIAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
O instituto da concomitância deve ter tratamento semelhante ao da litispendência no processo civil, de forma que somente ocorrerá a renúncia ou desistência do recurso administrativo quando houver identidade entre os três elementos dos processos administrativo e judicial, quais sejam, partes, pedidos e causas de pedir.
A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa, eis que não há identidade de partes nos processos judicial e administrativo.
Em que pese a superioridade de eventual decisão judicial definitiva superveniente sobre o mesmos fatos, a contribuinte tem o direito subjetivo de ter apreciada sua impugnação administrativa, eis que, se ela não optou pela via judicial, não há que se falar em sua renúncia às instâncias administrativas.
É nula a decisão de primeira instância proferida com preterição do direito de defesa da impugnante, que não era parte da ação judicial de mesmo objeto.
Nulidade da decisão recorrida
Aguardando nova decisão
Numero da decisão: 3402-006.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para declarar a nulidade da decisão recorrida, determinando à Delegacia de Julgamento que profira nova decisão com a apreciação dos argumentos de mérito da contribuinte.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. ASSOCIAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. O instituto da concomitância deve ter tratamento semelhante ao da litispendência no processo civil, de forma que somente ocorrerá a renúncia ou desistência do recurso administrativo quando houver identidade entre os três elementos dos processos administrativo e judicial, quais sejam, partes, pedidos e causas de pedir. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa, eis que não há identidade de partes nos processos judicial e administrativo. Em que pese a superioridade de eventual decisão judicial definitiva superveniente sobre o mesmos fatos, a contribuinte tem o direito subjetivo de ter apreciada sua impugnação administrativa, eis que, se ela não optou pela via judicial, não há que se falar em sua renúncia às instâncias administrativas. É nula a decisão de primeira instância proferida com preterição do direito de defesa da impugnante, que não era parte da ação judicial de mesmo objeto. Nulidade da decisão recorrida Aguardando nova decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para declarar a nulidade da decisão recorrida, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 72 06 60 /2 01 3- 43 Fl. 131DF CARF MF 2 determinando à Delegacia de Julgamento que profira nova decisão com a apreciação dos argumentos de mérito da contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente Substituto (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Fortaleza que não conheceu a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre pedido de ressarcimento objeto do PER nº 11749.59887.300508.1.1.114650 de Cofins relativa ao 4º trimestre de 2004, no valor de R$ 62.899,82, relativos às operações no mercado interno, nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/2004. A esse pedido foram vinculadas as compensações objeto das Dcomps nºs 39346.08835.300508.1.3.115532, 37548.71231.030209.1.7.112061, 28780.79429.300608.1.3.11 3048, 34721.22695.010708.1.3.115194, 29060.02466.280708.1.3.118332, 19737.52992.220409.1.7.114017 e 08492.16419.200810.1.7.112056. Mediante Despacho Decisório, o pedido de ressarcimento foi indeferido e as compensações não foram homologadas, sob os seguintes argumentos principais: A manutenção de créditos vinculados às vendas de que trata o art. 17 da Lei nº 11.033/2004, no que diz respeito a produtos comercializados com a incidência de alíquota zero, alcança apenas os créditos admitidos pela legislação sobre alguns itens de dispêndios que se tem na atividade (tais como: energia elétrica, aluguéis de prédios, etc.). De modo algum, o citado dispositivo revogou as alíneas “b”, dos incisos I dos arts. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, permanecendo, portanto, válidas e eficazes as vedações ao aproveitamento de créditos estipuladas nesses dispositivos legais, no que refere às aquisições, para revenda de produtos sujeitos à incidência monofásica das referidas contribuições. O contribuinte impetrou o Mandado de Segurança nº 2008.34.00.0011699 objetivando a escrituração dos créditos vincendos de PIS e COFINS, decorrentes das aquisições para revenda diretamente do fabricante de veículos novos, autopeças e acessórios. Na decisão, salientou o juiz que o pedido de utilização dos créditos desde 01/08/2004 não era possível de atendimento, já que a sentença proferida em mandado de segurança não teria efeitos pretéritos, ou seja, só produziria efeitos a partir da data da impetração, que fora efetuada em 10/01/2008. Efetuandose a glosa do item "Outros Créditos a Descontar", assim como "Saldo de Créditos do Mês Anterior", haja vista o não reconhecimento do crédito do trimestre anterior no processo 10315.900381/201281, e realizandose os necessários ajustes, constatase Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10315.720660/201343 Acórdão n.º 3402006.362 S3C4T2 Fl. 132 3 a inexistência de créditos no final do período de apuração, não havendo direito creditório a ser reconhecido. A Delegacia de Julgamento não conheceu da peça de defesa da interessada, sob o argumento de que a matéria estaria sendo discutida no mandado de segurança coletivo nº 2008.34.00.0011699 (nova numeração 0001162.69.2008.4.01.3400). Cientificada dessa decisão em 20/06/2016, a interessada apresentou recurso voluntário em 06/07/2016, alegando, em síntese: Nos termos da Súmula nº 629 do STF, a impetração de mandado de segurança coletivo prescinde de autorização de seus associados, o que significa que esses não estão obrigados a aproveitar os benefícios obtidos na possível decisão favorável concedida no processo ajuízado pela associação, podendo, inclusive, ajuizar demanda individual própria. O período abrangido pelos créditos concedidos no processo judicial da Assobrav não é o mesmo do crédito por aquela pleiteado administrativamente, como destacou o AuditorFiscal, razão pela qual não há vinculação entre o processo administrativo e o mandado de segurança. Portanto, a alínea "c" do Ato Declaratório nº 03/96 não se aplica ao caso, devendo o recurso ser recebido e conhecido. A recorrente está sujeita à alíquota zero de PIS/Cofins sobre as receitas decorrentes de suas vendas de veículos e peças, dentro do regime de incidência monofásica ao qual está submetido, conforme disposto na Lei nº 10.833/2003, de forma que tem direito ao aproveitamento de créditos pelas suas aquisições de veículos e peças para revenda, nos termos do art. 16 da MP nº 206/2004 e do art. 17 da Lei nº 11.033/2004. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. Importa verificar se teria havido a concomitância do presente processo administrativo com o mandado de segurança coletivo nº 000116269.2008.4.01.3400, distribuído na 17ª Vara Federal em Brasília, impetrado pela Associação Brasileira de Distribuidores Volkswagen Assobrav em face do Secretário da Receita Federal do Brasil. A questão do encerramento da discussão no âmbito administrativo quando a matéria seja submetida à apreciação judicial foi tratada nos seguintes dispositivos legais: Decretolei nº 1.737/79: Art 1º (...) (...) § 2º A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Fl. 133DF CARF MF 4 Lei nº 6.830/80: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. [negritos da Relatora] A matéria foi objeto da Súmula CARF nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, no sentido de que: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Pelo que se depreende dos textos em negrito dos dispositivos acima, a renúncia ou desistência do litígio administrativo somente resta caracterizada quando a ação judicial é proposta pelo contribuinte ou sujeito passivo ou, no mínimo, integre o seu pólo ativo como litisconsorte, o que é bastante razoável, eis que a contribuinte, quando opta pela via judicial, já é sabedora da previsão de caracterização de renúncia ou desistência do seu recurso administrativo. Por certo, a contribuinte não poderia perder o direito à discussão administrativa em face da opção de outrem pela via judicial. No mais, tratandose de normas que excepcionam a regra geral de que o administrado tem direito ao devido processo legal no âmbito administrativo, é certo que não poderia haver interpretação extensiva ou ampliativa dessa exceção. Considerando, no entanto, a regulamentação um pouco dúbia dada pelo art. 87 do Decreto nº 7.574/20111, que parece abrigar a mera existência de ação judicial com o mesmo objeto, convém prosseguir um pouco mais na análise da matéria. Sobre a questão da identidade entre os objetos dos processos administrativo e judicial, o Parecer Normativo Cosit nº 7, de 22 de agosto de 2014, DOU de 27/08/2014, veicula o seguinte entendimento: 9. Poderseia questionar quanto à definição da expressão “mesmo objeto” a que se reportam o ADN Cosit nº 3, de 1996, a Súmula nº 1 do CARF e a Portaria MF nº 341, de 2011. Aqui, fazse mister diferenciar o objeto da relação jurídica substancial ou primária do objeto da relação jurídica processual. Aquele consiste no bem da vida sobre o qual recaem os interesses em conflito, in casu, o patrimônio do contribuinte; este, por sua vez, diz respeito ao serviço que o Estado tem o dever de prestar, e nos procedimentos de que este se utiliza para tanto, resultando no proferimento de decisões administrativas ou judiciais em cada processo, guardando relação de instrumentalidade com a real demanda do autor (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Constituição Federal Comentada. 2. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2009. p. 179). 1 Decreto nº 7.574/2011: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10315.720660/201343 Acórdão n.º 3402006.362 S3C4T2 Fl. 133 5 9.1. Assim, só produz o efeito de impedir o curso normal do processo administrativo a existência de processo judicial para o julgamento de demanda idêntica, assim caracterizada aquela em que se verificam as mesmas partes, a mesma causa de pedir (fundamentos de fato – ou causa de pedir remota e de direito – ou causa de pedir próxima) e o mesmo pedido (postulação incidente sobre o bem da vida) a chamada teoria dos três eadem, conforme definida no art. 301, § 2º da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), o qual ora se aplica por analogia. 9.2. Levase em consideração o objeto da relação jurídica substancial; se a discussão judicial se refere a questões instrumentais do processo administrativo, contra as quais se insurge o sujeito passivo da obrigação tributária, não há que se falar em desistência da instância administrativa nem em definitividade da decisão recorrida, quando nesta se discute alguma questão de direito material. Se, no entanto, a discussão administrativa gira em torno de alguma questão processual, como a tempestividade da impugnação, por exemplo, questão esta também levada à apreciação judicial, configurase a renúncia à esfera administrativa quanto a este ponto específico. 9.3. Seguindo esse raciocínio, encontrase entendimento na doutrina e na jurisprudência de que só se caracteriza a identidade de ações quando se verificam as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir: 19. Identidade de ações: caracterização. As partes devem ser as mesmas, não importando a ordem delas nos pólos das ações em análise. A causa de pedir, próxima e remota [...], deve ser a mesma nas ações, para que se as tenha como idênticas. O pedido, imediato e mediato, deve ser o mesmo: bem da vida e tipo de sentença judicial. Somente quando os três elementos, com suas seis subdivisões, forem iguais é que as ações serão idênticas. (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil Comentado. 11. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010. p. 595) Litispendência. Identidade de pedidos. A identidade de pedidos não caracteriza a litispendência. Somente se verifica a litispendência com a identidade de ações: as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir. (TRF5ª, 1ª T., Ap 17299RN, rel. Juiz Ridalvo Costa, v.u., j. 10.12.1992, JSTJ 47/583) 9.4. Vale reproduzir o seguinte excerto do Parecer PGFN/Cocat nº 2/2013: 49. Dito disso, conferimos ao instituto da concomitância no PAF o mesmo tratamento da litispendência no processo civil, pois a verificação da ausência desses dois pressupostos negativos têm como finalidade precípua evitar o processamento de causas iguais quando houver: (i) identidade das partes, (ii) da causa de pedir e (iii) do pedido (art. 301, §§ 1º e 2º, do CPC; e Súmula nº 1/CARF). 50. Com efeito, na linha do que foi afirmado no item 26, tanto a concomitância quanto a litispendência constituem requisitos de validade objetivos extrínsecos da relação processual. São pressupostos negativos, ou seja, fatos que não podem ocorrer para que o procedimento se instaure validamente. Representam acontecimentos estranhos à relação jurídica processual (daí o adjetivo "extrínseco") que, uma vez existentes, impedem a formação válida do processo (procedimento). (grifos conforme original) 9.5. Feitos esses esclarecimentos, e à vista da terminologia utilizada nos normativos retromencionados, adotarseá, neste parecer, o entendimento de que a expressão “mesmo objeto” diz respeito àquilo sobre o qual recairá o mérito da decisão, quando sejam idênticas as demandas. Portanto, temse como critérios de aplicação da impossibilidade do prosseguimento do curso normal do processo administrativo, em vista da concomitância com processo judicial, tanto o pedido como a causa de pedir, e não somente o pedido. Fl. 135DF CARF MF 6 9.6. Seguindo essa lógica, caso o processo administrativo fiscal contenha pedido mais abrangente que o do processo judicial, ele deve ter seguimento somente em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. Se, por exemplo, a ação judicial requer a anulação de um lançamento em relação a determinada multa, mas nada diz sobre a base de cálculo do tributo, e a impugnação administrativa tratar também da discussão sobre a base de cálculo, esta parte deverá ser objeto de julgamento administrativo. Assim, o entendimento que prevalece na Receita Federal é no sentido de que deve ser dado ao instituto da concomitância tratamento semelhante ao da litispendência no processo civil, de forma que somente ocorrerá a renúncia ou desistência do recurso administrativo quando houver identidade entre os três elementos dos processos administrativo e judicial, quais sejam, partes, pedidos e causas de pedir. No caso, embora não conste nos autos a petição inicial do referido mandado de segurança coletivo, a fim de que se possa cotejar os pedidos e causas de pedir dessa ação judicial com aqueles do presente processo, podese analisar, de imediato, a questão de a impetrante do mandado de segurança não ser a própria recorrente, mas uma entidade da qual ela é associada. Sobre o conceito de parte e substituição processual, Humberto Theodoro Júnior2, nos ensina que: (...) Assim para Liebman, "são partes do processo os sujeitos do contraditório instituído perante o juiz (os sujeitos do processo diversos do juiz, para os quais este deve proferir o seu provimento". Parte, portanto, em sentido processual, é o sujeito que intervém no contraditório ou que se expõe às suas consequências dentro da relação processual. (...) Em regra a titularidade da ação vinculase à titularidade do pretendido direito material subjetivo, envolvido na lide (legitimação ordinária). Assim, "ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico" (NCPC, art. 18). Há, só por exceção, portanto, casos em que a parte processual é pessoa distinta daquela que é parte material do negócio jurídico litigioso, ou da situação jurídica controvertida. Quando isso ocorre, dáse o que em doutrina se denomina substituição processual (legitimação extraordinária), que consiste em demandar a parte, em nome próprio, a tutela de um direito controvertido de outrem. (...) (...) Uma consequência importante da substituição processual, quando autorizada por lei, passase no plano dos efeitos da prestação jurisdicional: a coisa julgada formase em face do substituído, mas, diretamente, recai também sobre o substituído. A regra, porém prevalece inteiramente na substituição nas ações coletivas de consumo. Nestas, as sentenças benéficas fazem coisa julgada para todos os titulares dos direitos homogêneos defendidos pelo substituto processual (CDC, art. 103, III). O insucesso, porém, da ação coletiva não obsta as ações individuais, a não ser para aqueles que tenham integrado o processo como litisconsortes (CDC, arts. 94 e 103, §2º). Nesse último caso, a coisa julgada impede a repropositura da ação coletiva, mas não o manejo de ações individuais com o mesmo objeto visa pela demanda coletiva. Dizse que a pretensão individual nunca será a mesma formulada coletivamente, ou seja: o direito difuso ou coletivo nunca se confunde com o direito individual de cada um dos indivíduos interessados. Mesmo no caso dos direitos 2 THEODORO JR., Humberto. Curso de Direito Processual Civil Teoria geral do direito processual civil, processo de conhecimento e procedimento comum. v. 1. 58. ed. rev., atual. e ampl. Rio de Janeiro: Forense, 2017, p. 270/273. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10315.720660/201343 Acórdão n.º 3402006.362 S3C4T2 Fl. 134 7 individuais homogêneos, o que se discute, coletivamente, é apenas a tese comum presente no grupo de cointeressados. Nunca ficará o indivíduo privado do direito de demonstrar que sua situação particular tem aspectos que justificam a apreciação da ação individual. (...) Com relação especificamente ao mandado de segurança coletivo, esclarece Sergio Ferraz3 que: "(...) a entidade comparece não em representação, mas em defesa dos interesses ou direitos de seus filiados. Há, pois, legitimação direta, extraordinária (substituição processual), nãointermediada, para agir. Por isso, aqui não se há de cogitar de autorização expressa, mandato etc. (...)"4. Prossegue o autor: "(...) a legitimação coletiva não exclui a individual, ainda que sobre o mesmo tema versado no writ coletivo (...). Tampouco invocável, aqui, a excludente de litispendência, eis que, no eventual ajuizamento de mandado de segurança individual e coletivo contra o mesmo ato coator, pertinente a mesma constrição, não está estritamente configurado o requisito da identidade dos autores (...)". Dessa forma, no presente caso, não se verifica a identidade entre as partes do processo administrativo fiscal e do mandado de segurança coletivo, razão pela qual não há que se falar em concomitância entre o presente processo e o referido mandado de segurança. Nesse sentido já foi decidido por este CARF, conforme ementas abaixo transcritas: Acórdão nº 3402004.614– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 20017 Relator: Carlos Augusto Daniel Neto ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Acórdão n° 9101001.216 — 1ª Turma Sessão de 18 de outubro de 2011 Relator: Antonio Carlos Guidoni Filho Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercícios: 1998, 2000, 2002 Ementa: PROCESSO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. É impróprio falarse em afronta ao principio da unicidade de jurisdição neste caso, pois o sistema jurídico admite a coexistência e convivência pacifica entre duas decisões (uma de natureza coletiva e outra individual), sendo que, via de regra, aplicarseá ao contribuinte aquela proferida no processo individual. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante 3 FERRAZ, Sergio. Mandado de Segurança. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 73/77. 4 Vide Súmula do STF nº nº 629, nos seguintes termos:"A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes". Fl. 137DF CARF MF 8 litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo administrativo, o que não se verifica na hipótese. Recurso Especial do Procurador Negado. Ademais, não se poderia sequer alegar relação de prejudicialidade entre os processos, eis que, pelo que consta no sítio do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, o mandado de segurança coletivo já transitou em julgado com resultado desfavorável à associação impetrante. Dessa forma, em consonância com o disposto no art. 59, II do Decreto nº 70.235/725, entendo que deve ser declarada a nulidade da decisão recorrida para que outra seja proferida com a análise de mérito dos argumentos da impugnante, que não é parte na ação judicial. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a nulidade da decisão recorrida, determinando à Delegacia de Julgamento que profira nova decisão com a apreciação dos argumentos de mérito da contribuinte. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula 5 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10315.720660/201343 Acórdão n.º 3402006.362 S3C4T2 Fl. 135 9 Fl. 139DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.907462/2012-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO.
A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor.
Numero da decisão: 2202-004.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 74 62 /2 01 2- 73 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10920.907462/201273 Acórdão n.º 2202004.975 S2C2T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10920.907456/201216, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.969 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão de Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis / SC – DRJ/FNS, que considerou improcedente, por unanimidade de votos, manifestação de inconformidade do contribuinte em face de Despacho Decisório eletrônico que não homologou compensação informada em PER/DCOMP. 2. A seguir reproduzse o relatório do Acórdão da DRJ/FNS , o qual retrata adequadamente os fatos ocorridos. Relatório (...) Por intermédio de DESPACHO DECISÓRIO eletrônico a autoridade administrativa assim se manifestou: "Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Enquadramento legal: Art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN)." A Contribuinte – em sua contestação – alega ter efetuado “pagamento indevido ou a maior”, em recolhimento operado com o código de arrecadação 0481 – JUROS E COMISSÕES EM GERAL. Diz que, desde sua fundação, em 2000, “foi obtendo de sua sócia majoritária italiana, remessas para sua ampliação, os quais foram sendo tratados como dívida em aberto e com incidência de juros, sem prefixação de data para devolução do principal e juros incidentes.”. Mais adiante afirma que os valores devidos foram convertidos em “aumento de capital da sociedade Marcegaglia do Brasil Ltda.” Aduz que o Banco Central do Brasil exigiu a prova do pagamento do imposto de renda na fonte incidente sobre remessas ao exterior, nos termos do art. 9º da Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962: Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10920.907462/201273 Acórdão n.º 2202004.975 S2C2T2 Fl. 4 3 Art. 9º As pessoas físicas e jurídicas que desejarem fazer transferências para o exterior a título de lucros, dividendos, juros, amortizações, royalties assistência técnica científica, administrativa e semelhantes, deverão submeter aos órgãos competentes da SUMOC e da Divisão do Impôsto sôbre a Renda, os contratos e documentos que forem considerados necessários para justificar a remessa.(Redação dada pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964)(Vide Decreto nº § 1º As remessas para o exterior dependem do registro da emprêsa na SUMOC e d eprova de pagamento do impôsto de renda que fôr devido.(Renumerado pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) (...) § 3º No caso previsto pelo parágrafo anterior, as transferências sempre dependerão de prova de quitação do Impôsto de Renda.(Incluído pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) Diz que operou o recolhimento do IRRF “sem questionar a existência ou não do fato gerador para a incidência da tributação do imposto de renda, na espécie, são: ‘as remessas para o exterior’.” Entende que, se não houve remessa ao exterior, em razão de haver sido convertida em capital a dívida então existente, não há fato gerador do referido tributo. Em razão disso requer o reconhecimento do indébito e o deferimento de “ressarcimento” dos valores pagos. 3. A DRJ/FNS considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos termos da Ementa da decisão abaixo transcrita: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. A conversão dos juros de empréstimos em participação no capital social de empresa brasileira por pessoa jurídica com sede no exterior constitui fato gerador do IRRF, art. 702 do RIR/99, na medida em que configura quitação da dívida por compensação de maneira equivalente, o que também pode ser definido como pagamento 4. Destaquemse também alguns trechos relevantes do voto do Acórdão proferido pela DRJ/FNS: (...) De início, para esclarecimento, é bom que se diga que o Despacho Decisório eletrônico considerou a inexistência do crédito em razão de haver a vinculação na DCTF, do pagamento com o respectivo débito. (...) Quanto a este fato – exigência do Banco Central do Brasil – da prova do pagamento do IRRF, é prevista no art. 880, do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000, de 1999: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10920.907462/201273 Acórdão n.º 2202004.975 S2C2T2 Fl. 5 4 Art.880. O Banco Central do Brasil não autorizará qualquer remessa de rendimentos para fora do País, sem a prova de pagamento do imposto (DecretoLei nº5.844, de 1943, art. 125, parágrafo único, alínea "c", e Lei nº4.595, de 31 de dezembro de 1964, art. 57, parágrafo único). Parágrafo único.Nos casos de isenção, dispensa ou não incidência do referido tributo deverá ser apresentada declaração que comprove tal fato. Como se vê, o parágrafo único vem relativizar tal exigência, autorizando a entrega de declaração que comprove a isenção, dispensa ou não incidência. Não há nos autos prova de apresentação de tal declaração ao BCB. (...) Ocorre que em 19 de junho de 2008, em reunião na sede da quotista majoritária, Marcegaglia S.p.A, na cidade de Gazoldo Degli Ippoliti – Itália, restou decidido que os empréstimos então concedidos seriam convertidos em participação societária. A Contribuinte entende que em não havendo remessa – dos juros – ao exterior não teria ocorrido hipótese de incidência do IRRF, pois, subentende que a remessa ao exterior é elementar da hipótese de incidência, e, portanto, razão pela qual não teria emergido o fato gerador. Em análise ao texto legal que veicula a norma de incidência tributária em questão, há que se discordar da Impugnante: Art. 702. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, por fonte situada no País, a título de juros, comissões, descontos, despesas financeiras e assemelhadas. Primeiro registro a fazer referese à multiplicidade de ações que o legislador empregou para expressar a tipicidade tributária. Percebese que a remessa ao exterior é uma das hipóteses. Pagar, creditar, entregar ou empregar importâncias ao exterior, a título de juros, também constituem fatos imponíveis da obrigação tributária em exame. Portanto, em conformidade com o art. 702 do RIR/99, o imposto deve ser retido por ocasião do pagamento,crédito, entrega, emprego ou remessa, desses fatos, o que ocorrer primeiro. (...) Pagar juros ao exterior, neste contexto legal, significa adimplir a obrigação de pagar juros a pessoa domiciliada no exterior, independentemente da forma de pagamento, de modo que pode haver incidência do imposto, inclusive, sem que em nenhum momento haja a efetiva remessa de recursos ao exterior. Além disso, não se pode perder de vista o interesse jurídico tributário subjacente à norma de incidência do IRRF. O interesse jurídico em questão é o rendimento de pessoa jurídica domiciliada no exterior, oriundo de fonte situada no País, independentemente de esse rendimento auferido ter sido, ou não, remetido ao exterior. A remessa ao exterior não é a única elementar da incidência tributária em exame. (...) Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10920.907462/201273 Acórdão n.º 2202004.975 S2C2T2 Fl. 6 5 No presente caso, a pessoa jurídica credora dos empréstimos optou por empregálos – incluídos aí dos juros – no aumento de sua participação do capital a empresa brasileira. A capitalização dos empréstimos pode ser entendida como quitação ou pagamento da dívida, com juros. O ato de pagar pode ser também compreendido como compensação de maneira equivalente de benefícios econômicos. (...) Posto isto, podese afirmar que houve sim a ocorrência de fato gerador [pagamento de juros] para a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte e que, desta forma, eram sim devidas as importâncias cuja restituição era pleiteada pela Contribuinte. Manifestome pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. 5. Cientificado da decisão a quo, o contribuinte repisa as questões trazidas na Manifestação de Inconformidade e infere ter comprovado do direito creditório pleiteado, uma vez que à época realizou o recolhimento integralmente, de forma equivocada. 6. Requer, por fim, que seja acolhido o recurso com o reconhecimento do indébito, e o deferimento de ressarcimento pelos meios disponíveis. 7. É o relatório." Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10920.907462/201273 Acórdão n.º 2202004.975 S2C2T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro RONNIE SOARES ANDERSON – Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10920.907456/201216, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2202004.969 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "8. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo. Portanto dele conheço. 9. Ressalto que a recorrente não levanta questões preliminares. 10. Quanto ao Mérito, entendo que não existe razão ao pleito da recorrente e não há motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, que não homologou a compensação. 12. Não obstante a contribuinte argüir no sentido de que o recolhimento do imposto de renda retido na fonte foi equivocado, por apenas ter aplicado valores de empréstimos no aumento de seu capital, que a seu ver não seria equiparável às remessas ao exterior, para comprovação do alegado deveria ter juntado elementos mínimos de prova documental que fundamentassem plenamente suas alegações sobre as operações. Seria necessário que tivessem sido colacionados aos autos, no momento oportuno, documentos hábeis à comprovação dos registros contábeis relativos à operação, e não apenas Ata de Reunião de Sócios Quotistas e Alteração e Consolidação do Contrato Social, conforme realizado. 13 No caso de pedido de compensação, a liquidez do direito há de ser provada pela comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O art. 373, inciso I, do novo Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, dispõe que o ônus da prova incumbe ao autor, enquanto que o art. 36 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, impõe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Em idêntico sentido atua o Decreto nº 70.235, de 1972, Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10920.907462/201273 Acórdão n.º 2202004.975 S2C2T2 Fl. 8 7 que, regendo as compensações por força do art. 74, § 11, da Lei 9.430/96, determina em seu art. 15 que os recursos administrativos devem trazer os elementos de prova. 14. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, como não resta o crédito devidamente comprovado nestes autos, entendo por não haver motivos para a reforma do Acórdão da DRJ e por não reconhecer o indébito. Conclusão 15. Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima." Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON– Relator Fl. 108DF CARF MF
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