Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,797)
- Primeira Turma Ordinária (16,268)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,177)
- Primeira Turma Ordinária (16,126)
- Primeira Turma Ordinária (16,115)
- Segunda Turma Ordinária d (15,858)
- Segunda Turma Ordinária d (14,456)
- Primeira Turma Ordinária (13,024)
- Primeira Turma Ordinária (12,395)
- Segunda Turma Ordinária d (12,382)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,433)
- Quarta Câmara (84,928)
- Terceira Câmara (67,526)
- Segunda Câmara (55,905)
- Primeira Câmara (20,315)
- 3ª SEÇÃO (16,177)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,442)
- Segunda Seção de Julgamen (114,527)
- Primeira Seção de Julgame (76,632)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,890)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- HELCIO LAFETA REIS (3,758)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,730)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,922)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,550)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,244)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10166.729141/2011-30
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%.
O prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro real posteriormente apurado, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%.
A base de cálculo negativa de CSLL poderá ser compensada com as bases de cálculo posteriormente apuradas, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado (base positiva). Não há previsão legal que permita a compensação de base negativa acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.
Numero da decisão: 9101-002.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Demetrius Nichele Macei, que lhe negaram provimento.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Demetrius Nichele Macei, Luis Flavio Neto, Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. O prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro real posteriormente apurado, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. A base de cálculo negativa de CSLL poderá ser compensada com as bases de cálculo posteriormente apuradas, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado (base positiva). Não há previsão legal que permita a compensação de base negativa acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10166.729141/2011-30
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5643856
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9101-002.452
nome_arquivo_s : Decisao_10166729141201130.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10166729141201130_5643856.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Demetrius Nichele Macei, que lhe negaram provimento. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Demetrius Nichele Macei, Luis Flavio Neto, Cristiane Silva Costa.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
id : 6515227
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688428843008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2210; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 853 1 852 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10166.729141/201130 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.452 – 1ª Turma Sessão de 22 de setembro de 2016 Matéria Compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL. Limite legal. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO DO BRASIL S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. O prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro real posteriormente apurado, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. A base de cálculo negativa de CSLL poderá ser compensada com as bases de cálculo posteriormente apuradas, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado (base positiva). Não há previsão legal que permita a compensação de base negativa acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Demetrius Nichele Macei, que lhe negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 91 41 /2 01 1- 30 Fl. 853DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 854 2 (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Demetrius Nichele Macei, Luis Flavio Neto, Cristiane Silva Costa. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL em 15/09/2014, com fundamento no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 (RICARF/2009), em que se alega a existência de divergência jurisprudencial acerca de matéria relacionada à lide. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 1103001.058, por meio do qual os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiram, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. A decisão recorrida determinou o cancelamento dos créditos tributários constituídos pela Fiscalização. As autuações se fundamentaram no entendimento de que as instituições financeiras BESC S/A e BESCRI S/A, incorporadas pelo contribuinte BANCO DO BRASIL S/A em 30/09/2008, não respeitaram o limite legal de 30% ao compensar a totalidade de seu lucro real, apurado nos balanços especiais de incorporação levantados em setembro de 2008, com prejuízos fiscais acumulados. O mesmo foi observado em relação à CSLL, que teve sua base de cálculo positiva apurada em setembro de 2008 compensada integralmente com saldos negativos de exercícios anteriores. Em ambos os casos, entendeu a Fiscalização que o procedimento adotado pelas instituições financeiras sucedidas estava em desacordo com os arts. 42 e 58 da Lei nº 8.981/1995 e arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995. Assim foram lavrados autos de infração relativos ao IRPJ e à CSLL apurados em 2008, mediante a aplicação do limite legal de 30% de redução das bases de cálculo dos tributos. Os créditos tributários lançados contra a empresa BESCRI S/A, sucedida do BANCO DO BRASIL S/A, constituem o objeto dos presentes autos. Já os autos de infração lavrados contra a outra sucedida, BESC S/A, são tratados no processo administrativo fiscal nº 10166.728996/201143. A autuação fora mantida em sede de julgamento administrativo de primeira instância e, posteriormente, cancelada pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, em julgamento que culminou na prolação do acórdão contra o qual ora se insurge a recorrente. O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 854DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 855 3 Anocalendário: 2008 PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS SEM A TRAVA DE 30%. A pessoa jurídica incorporada pode compensar no balanço de encerramento de atividades o prejuízo fiscal acumulado sem observância da "trava" de 30%. Os autos foram encaminhados eletronicamente à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) em 03/09/2014. A intimação pessoal presumida do Procurador se daria apenas em 03/10/2014, nos termos do §3º do art. 7º da Portaria MF nº 527/2010. Antes disso, em 15/09/2014, tempestivamente portanto, foi interposto recurso especial que se insurgiu contra o Acórdão nº 1103001.058, sob a alegação de que ele teria dado à lei tributária interpretação diversa da que tem sido adotada em outros processos julgados no âmbito do CARF. O recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional contesta a interpretação dada pelo acórdão recorrido à questão da aplicabilidade da trava legal de 30% à compensação de prejuízos fiscais (e de bases de cálculo negativas de CSLL) no exercício de encerramento das atividades de empresa, em razão de sua incorporação. Em atendimento aos requisitos de admissibilidade do recurso especial, então previstos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do RICARF/2009 (requisitos que basicamente foram mantidos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II da versão atualmente vigente do Regimento, aprovada pela MF nº 343, de 09/06/2015 RICARF/2015), a recorrente apontou acórdãos administrativos que teriam dado ao tema combatido interpretação diversa daquela esposada pelo acórdão recorrido. A PGFN afirma que o acórdão guerreado, ao possibilitar à pessoa jurídica incorporada a compensação, no balanço de encerramento, de todo o prejuízo fiscal acumulado, sem a observância da limitação de 30% imposta pela legislação, teria divergido frontalmente do Acórdãos nº 9101001.337 e nº 910100.401, ambos proferidos pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Além de defender a existência de divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigmas em relação à matéria indicada, a recorrente apresenta ainda alegações que deveriam, sob seu ponto de vista, provocar a reforma da decisão recorrida. Em suma, argumentase que: Da análise dos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995, verificase que não há previsão de exceção quanto à limitação da compensação de prejuízos fiscais e, assim sendo, por absoluta falta de previsão legal, não é permitida a compensação de prejuízos fiscais acima do limite máximo de 30% do lucro real, mesmo se tratando do anocalendário de extinção da pessoa jurídica; A interpretação adotada pelo recurso recorrido, no sentido de que, com o encerramento da empresa sucedida e diante da impossibilidade de aproveitamento dos prejuízos fiscais pela sucessora, a trava de 30% não deve ser aplicada, cria hipótese de exceção não prevista em lei; Fl. 855DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 856 4 A compensação de prejuízos não pode ser considerada um direito subjetivo da empresa, mas sim um benefício fiscal que tem como objetivo permitir que ela não arque sozinha com todo o ocasional déficit que venha a ter. Assim, a observância da trava de 30% para a compensação não limita direitos dos contribuintes, mas apenas regula a forma como a compensação permitida pela lei será exercida; O julgador, ao estabelecer exceção à regra de compensação de 30%, sem a existência de previsão legal, está, na prática, limitando a plenitude da norma e entendendoa parcialmente inconstitucional, embora sem redução de texto. A PGFN encerra seu recurso especial com o pedido de que este seja conhecido e provido para reformar o acórdão contestado. A irresignação da recorrente foi submetida a juízo de admissibilidade, a fim de se verificar o atendimento dos requisitos regimentalmente exigidos dos recursos especiais. As conclusões foram expostas em despacho de 27/02/2015. Considerouse, mediante o cotejo entre as decisões, devidamente comprovado o dissenso proclamado pela recorrente: os acórdãos apontados como paradigmas entendem, de forma contrária à defendida pelo acórdão recorrido, que deve haver a manutenção do limite de 30% para a compensação de prejuízos fiscais, mesmo nos casos de incorporação. Diante da caracterização da existência de divergência jurisprudencial e do cumprimento dos demais requisitos regimentais aplicáveis à espécie recursal, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. Em 14/04/2015, o contribuinte foi intimado para tomar ciência do Acórdão nº 1103001.058, do recurso especial apresentado pela PGFN e do despacho que o admitiu. Em resposta à intimação, o contribuinte recorrido protocolou, em 17/04/2015, contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional. Assim podem ser resumidas as alegações perfiladas pelo recorrido BANCO DO BRASIL: Não se aplica a "trava" de compensação aos casos de incorporação, por ausência de previsão legal que trate do tema em a empresas que estão encerrando suas atividades. A limitação de 30% trazida pelos arts. 42 e 58 da Lei nº 8.981/1995 c/c os arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995, a toda evidência, não se aplica às hipóteses de empresas/sociedades incorporadas; O precedente do Supremo Tribunal Federal (STF) que norteou o julgamento dos acórdãos trazidos como paradigmas (nº 9101001.337 e nº 910100.401) em nenhum momento tratou do tema específico discutido nos presentes autos, ou seja, da compensação dos prejuízos fiscais para o caso exclusivo de encerramento da pessoa jurídica por incorporação, fusão e/ou extinção; O Prof. Edmar Oliveira Andrade Filho defende o entendimento de que, não sendo tratada pela lei a aplicação do limite de 30% às compensações nos casos de Fl. 856DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 857 5 desaparecimento de pessoa jurídica, por incorporação, fusão, cisão ou extinção, estaria autorizada a compensação integral ("onde não há proibição, está implícita a permissão"). Além disso, como a lei não teve a intenção de restringir o direito à compensação, mas apenas de imporlhe um marco temporal, na situaçãolimite de encerramento das atividades da pessoa jurídica, o direito à compensação poderia ser exercido integralmente; Estudo elaborado por Eurico Marcos Diniz de Santi demonstra a total incorreção do acórdão paradigma nº 910100.401, contraditando as razões de decidir que justificaram, naquela ocasião, o não provimento do recurso especial da contribuinte. Tal estudo comprovaria que este julgado, que marcou a mudança de orientação jurisprudencial da CSRF acerca do tema, não refutou adequadamente as teses e convicções firmadas ao longo dos dez anos em que a jurisprudência do Conselho de Contribuintes (atual CARF) foi pacífica pela possibilidade de afastamento da limitação de 30% nos casos de extinção da pessoa jurídica por incorporação; O mesmo estudo defende que o julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 344.994 pelo STF não deveria ter interferido na jurisprudência do CARF em relação à não aplicabilidade da trava de 30% para os casos de extinção da pessoa jurídica, uma vez que esta hipótese específica não foi considerada no caso analisado por aquela Corte; O estudo afirma ainda que nunca houve restrição à plena compensação de prejuízos no caso de extinção de pessoa jurídica, desde a vigência da Lei nº 154/1947 até os dias atuais, em que vigora a Lei nº 9.065/1995. Quando uma pessoa jurídica é incorporada por outra, há necessariamente a sucessão de direitos e obrigações. Os prejuízos fiscais da incorporada, no entanto, não podem ser aproveitados, para fins de compensação nos anos posteriores, pela incorporadora, em razão de vedação expressa encontrada no art. 514 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999). Assim, nada impede que, em caso de descontinuidade da empresa, e na declaração de encerramento, seja efetuada a compensação integral dos prejuízos fiscais e bases negativas acumulados, sendo inaplicável a trava de 30%. Por conta de tudo que expôs, o recorrido pede, ao final, que o recurso especial da PGFN não seja conhecido, "por total ausência de preenchimento dos requisitos intrínsecos recursais". Caso seja conhecido o recurso, requer o contribuinte que seu provimento seja negado, com base nas razões expostas, mantendose incólume o acórdão recorrido. Os autos seguiram então para a CSRF para o julgamento do recurso especial. É o relatório. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 858 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Inicialmente, analiso o fato de o recorrido BANCO DO BRASIL ter pedido em suas contrarrazões, "que o recurso aviado não seja conhecido por total ausência de preenchimento dos requisitos intrínsecos recursais". Antes do pedido propriamente dito, mas já nas conclusões de suas contrarrazões, o recorrido afirma que o recurso manejado pela PGFN "não reúne as condições necessárias ao seu regular prosseguimento" e não mereceria agasalho "por inexistir a alegada divergência jurisprudencial". Pois bem. Apesar de as afirmações do recorrido serem características de alegações preliminares de não conhecimento do recurso especial interposto pela parte oposta, não são explicitados em suas contrarrazões quais seriam os requisitos implícitos recursais que restaram inobservados. Tampouco trouxe o recorrido análise das características dos acórdãos indicados como paradigmas que acarretariam na inexistência de divergência jurisprudencial frente à decisão recorrida. O trecho das contrarrazões que mais se assemelha a uma arguição de não conhecimento por ausência de divergência jurisprudencial é o seguinte parágrafo, encontrado na efl. 761: "Convém ressaltar, por pertinente, que o precedente do STF que norteou o julgamento do acórdão nº 910100.401 (caso BUNGE) trazido como paradigma pela Recorrente, e na mesma esteira, em relação ao outro acórdão nº 9101001.337 trazido no Especial visando comprovar a suposta divergência jurisprudencial em nenhum momento tratou do tema específico discutido nos presentes processos, ou seja, a compensação dos prejuízos fiscais para o caso exclusivo de encerramento da pessoa jurídica por incorporação, fusão e/ou extinção." (grifouse) Observese que, na realidade, o recorrido defende a ausência de similitude entre o acórdão recorrido e o julgado do Supremo Tribunal Federal mencionado na fundamentação dos acórdãos paradigmas. Por óbvio, tal fato não ofende o requisito de admissibilidade dos recursos especiais exigido pelo art. 67, anexo II, do RICARF/2009 (vigente à época da interposição do recurso) ou do RICARF/2015 (que vige atualmente). O que se exige, para fins de conhecimento de recursos especiais, é que os acórdãos recorrido e paradigma tragam interpretações divergentes acerca de legislação tributária em face de situações fáticas e jurídicas semelhantes. Não há cabimento em se procurar similitude entre o acórdão recorrido e uma decisão judicial utilizada na fundamentação do entendimento que prevaleceu nos acórdãos paradigmas. Fl. 858DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 859 7 Sendo assim, adoto integralmente as razões expostas no despacho que examinou a admissibilidade do recurso especial interposto pela PGFN, dele CONHECENDO em relação à matéria contestada. Passo à análise do mérito. A controvérsia existente no presente processo diz respeito à autuação de IRPJ e CSLL relativamente ao anocalendário de 2008, por inobservância da chamada trava de 30% na compensação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL. Os autos de infração foram lavrados em face do sujeito passivo BANCO DO BRASIL S/A devido ao fato de ele ter incorporado, em 30/09/2008, as instituições financeiras BESC S/A e BESCRI S/A. A esta última instituição sucedida dizem respeito os créditos tributários tratados nos presentes autos. De acordo com a peça fiscal, a documentação fornecida pelo contribuinte, concernente ao anocalendário de 2008, demonstra que o BESCRI S/A não observou o limite de 30% do lucro líquido ajustado para fins de compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas dos períodos anteriores. Ainda segundo a peça fiscal: com relação ao IRPJ referente ao anocalendário de 2008, o BESCRI S/A realizou a compensação acima do limite legal (30%), pois, apesar de o lucro apurado por essa empresa ter sido de R$16.353.892,26, ela compensou o montante correspondente a R$16.353.892,26, havendo, dessa forma, o excesso de compensação no valor de R$11.447.724,58; com relação à CSLL referente ao anocalendário de 2008, o BESCRI S/A realizou a compensação acima do limite legal (30%), pois, apesar de a base de cálculo desse período ter sido de R$16.353.892,26, ela compensou o montante correspondente a R$16.353.892,26, havendo, dessa forma, o excesso de compensação no valor de R$11.447.724,58. O lançamento foi integralmente mantido pela decisão de primeira instância administrativa. A decisão de segunda instância administrativa (ora recorrida), por sua vez, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para fins de cancelar o lançamento, encampando o entendimento de que "a pessoa jurídica incorporada pode compensar no balanço de encerramento de atividades o prejuízo fiscal acumulado sem observância da "trava" de 30%". O recurso especial da PGFN objetiva restabelecer os lançamentos de IRPJ e CSLL. De acordo com o acórdão recorrido, a empresa incorporada poderia compensar integralmente o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa de CSLL, acumulados em períodos anteriores, com os lucros apurados até a data de sua extinção, sem a observância da "trava" de 30%, prevista nos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995. Trazem os mencionados dispositivos legais: Fl. 859DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 860 8 Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. (grifouse) O acórdão recorrido sustenta suas razões em aspectos que abordam a implicação legal de o direito à compensação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL estar assegurado para os anos seguintes e as nuances desse direito diante do quadro de continuidade ou não das atividades da pessoa jurídica. A matéria em pauta ainda é objeto de controvérsias no CARF, mas eu me filio à interpretação que já há algum tempo vem prevalecendo na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), no sentido de que a compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas deve observar o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, seja por incorporação, ou por qualquer outro evento. Como razões de decidir, adoto inicialmente o brilhante voto do Conselheiro Marcelo Cuba Netto no Acórdão nº 1201000.888, de 09/10/2013, que fez um perspicaz estudo do tema: "Feitas essas considerações iniciais, passemos a examinar os fundamentos da tese proposta pela interessada. Afirma a recorrente que o significado de uma norma jurídica não é aquele que advém diretamente da literalidade do texto normativo, devendo, ao contrário, ser extraído mediante o emprego dos métodos de interpretação aceitos tanto pela doutrina quanto pela jurisprudência, em especial o histórico, o sistemático e o teleológico. Nesse sentido, explica que a nova sistemática de compensação de prejuízos fiscais introduzida pela Lei nº 9.065/95 há que ser compreendida Fl. 860DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 861 9 mediante comparação com o sistema vigente até então. Diz que, na sistemática anterior (Lei nº 8.541/92), era possível a compensação integral de prejuízos, porém com limitação temporal de quatro períodosbase. Alega que a nova sistemática extinguiu o limite temporal, mas manteve o direito à compensação integral, observado o limite de 30% em cada períodobase futuro. Conclui, assim, que no período em que ocorrer incorporação, fusão ou cisão, ainda que parcial, da pessoa jurídica, não sendo mais possível a compensação dos prejuízos em períodosbase futuros, a única solução jurídica possível, consentânea com o preceito contido na Lei nº 9.065/95 de que o sujeito passivo não perde o direito à compensação, é que o limite de 30% não se aplica. Pois bem, relativamente a essa argumentação é preciso, inicialmente, concordar com a recorrente quando afirma que o significado da norma jurídica deve ser compreendido mediante o emprego dos métodos de hermenêutica jurídica. No entanto, a interpretação histórica empreendida pela recorrente parte de uma premissa equivocada, qual seja, a de que tanto na sistemática de compensação vigente antes do advento da Lei nº 9.065/95, quanto na atual, o sujeito passivo tem direito à compensação integral de prejuízos fiscais. Vejamos. Na sistemática anterior o sujeito passivo tinha o direito à compensação de prejuízos, desde que observado o limite temporal de quatro anos. Exemplifiquemos com duas situações distintas: a) o sujeito passivo apura no ano “X” prejuízo fiscal de R$ 1.000,00. Nos quatro anos subsequentes apura lucro líquido ajustado, respectivamente, nos valores de R$ 200,00, R$ 300,00, R$ 400,00 e R$ 400,00; b) o sujeito passivo apura no ano “X” prejuízo fiscal de R$ 1.000,00. Nos quatro anos subsequentes apura lucro líquido ajustado, respectivamente, nos valores de R$ 100,00, R$ 200,00, R$ 200,00 e R$ 300,00; Na hipótese descrita na situação “a” o sujeito passivo poderá compensar integralmente o prejuízo. Já na hipótese descrita na situação “b” o sujeito passivo não poderá, e, ainda que se diga que isso se deva à imposição do limite temporal, o fato iniludível é que restará uma parcela que não mais será passível de compensação. Em outras palavras, na situação “b” não haverá compensação integral do prejuízo apurado no ano “X”. Portanto, resta claro que a previsão, por lei, de um limite temporal é incompatível com a premissa afirmada pela recorrente de existência de um direito do sujeito passivo em compensar integralmente seus prejuízos fiscais. O que existia na sistemática anterior era algo distinto, qual seja, um direito do sujeito passivo em compensar até integralmente seus prejuízos fiscais, a depender do caso concreto, como ilustrado nas situações “a” e “b” retro. E dizer que a compensação poderá ser realizada até integralmente é algo distinto de dizer que poderá ser realizada integralmente. É que ao Fl. 861DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 862 10 estabelecer que a compensação poderá ser realizada até integralmente a lei, desde logo, admite que poderá haver hipóteses em que a compensação não se dará integralmente, conforme visto na situação “b”. Seguindo a trilha da interpretação histórica proposta pela interessada, é de se dizer que a nova sistemática introduzida pela Lei nº 9.065/95, na linha da sistemática anterior, manteve o direito do sujeito passivo em compensar até integralmente seus prejuízos fiscais. Afastado o limite temporal de quatro anos, e introduzido o limite máximo de redução do lucro líquido ajustado em 30%, o direito à compensação (até integral) passou a poder ser exercido ao longo da existência da pessoa jurídica. A própria exposição de motivos à Medida Provisória nº 998/95, posteriormente convertida na Lei nº 9.065/95, e apontada pela interessada para sustentar a sua tese, expressamente prevê que o sujeito passivo poderá compensar até integralmente seus prejuízos fiscais. Confira sua redação: "Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Mediada Provisória n. 812/94 (Lei n. 8981/95). Ocorre hoje vacatio legis em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo." (Grifamos) Assim, a compensação poderá se dar até integralmente, seja em um mesmo ano, seja em diversos anos ao longo da existência da pessoa jurídica, desde que observado, em cada um desses anos, o limite máximo de redução do lucro líquido ajustado em 30%. Se no ano da extinção da pessoa jurídica, ou da sua cisão parcial, o valor dos prejuízos acumulados for superior a 30% do lucro líquido ajustado, ainda assim o limite deverá ser observado. É que tal como na situação “b” referente à sistemática antiga, também na sistemática atual poderá haver casos, como o retratado nos presentes autos, em que o sujeito passivo não poderá compensar integralmente seus prejuízos acumulados, haja vista a imposição do limite de 30%. E não há nada de ilegal nisso, pois a lei não garante o direito à compensação integral. Na sequência de sua peça recursal a interessada enfatiza o emprego da interpretação sistemática. Argumenta que, ao contrário do que disse a fiscalização, o caso dos autos não é de lacuna no ordenamento jurídico (inexistência de norma), e sim de uma norma jurídica existente, porém implícita. Diz, primeiramente, que o exame conjunto do aludido art. 15 da Lei nº 9.065/95 com o abaixo transcrito art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 conduziria à conclusão da existência de uma norma implícita cujo conteúdo seria a inaplicabilidade do limite de 30% quando da extinção da pessoa jurídica ou de sua cisão parcial. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Fl. 862DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 863 11 Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Também aqui não me parece estar correta a interpretação proposta pela defesa. Vejamos. O art. 15 da Lei nº 9.065/95 veda a compensação de prejuízos em montante que reduza em mais do que 30% o lucro líquido ajustado do período. Não há menção, nesta norma, aos eventos de extinção da pessoa jurídica ou sua cisão parcial. Por sua vez, o art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 veda que a sucessora compense prejuízos da sucedida, e, em caso de cisão parcial, limita a compensação, pela própria pessoa jurídica, ao valor de seu prejuízo proporcional à parcela do patrimônio não objeto da cisão. A incidência isolada de cada uma dessas duas normas à hipótese de extinção de pessoa jurídica que possua prejuízos fiscais acumulados em montante superior a 30% do lucro líquido ajustado conduzirá às seguintes conclusões: a) art. 15 da Lei nº 9.065/95 impossibilidade de compensação, pela pessoa jurídica extinta, do valor do prejuízo fiscal acumulado não compensado por força do limite de 30%; b) art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 impossibilidade de compensação, pela sucessora, do valor do prejuízo fiscal acumulado não compensado pela sucedida. Já a interpretação conjunta dessas duas normas sobre a mesma situação hipotética acima descrita conduziria, de acordo com a recorrente, à conclusão da existência de uma norma implícita cujo conteúdo afastaria a aplicação do limite de 30% à pessoa jurídica extinta. Ocorre que o simples fato de o prejuízo não compensado pela sucedida também não ser passível de compensação pela sucessora não conduz, necessariamente, à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado na hipótese aventada. Dito de outro modo, se as premissas (o art. 15 da Lei nº 9.065/95 e o art. 33 do Decretolei nº 2.341/87) do silogismo lógicodedutivo proposto pela recorrente não conduzem necessariamente à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado no caso de extinção da pessoa jurídica, então a recorrente deve reconhecer que não logrou êxito em demonstrar a existência da aludida norma implícita. (...) Prossegue a recorrente em sua defesa afirmando, com fundamento nas lições de Karl Larenz, que a já citada norma implícita também pode ser deduzida a partir do silêncio eloquente da lei. No Capítulo V.2 de sua famosa obra (Metodologia da Ciência do Direito, 3a. ed., pg. 524 e ss.), o prestigiado filósofo do direito citado pela recorrente discorre sobre o conceito e espécies de lacunas. Nesse sentido, explica que nem todo silêncio da lei deve ser tido como uma lacuna, conforme trecho a seguir transcrito: Fl. 863DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 864 12 "Poderia pensarse que existe uma lacuna só quando e sempre que a lei (...) não contenha regra alguma para uma determinada configuração no caso, quando, portanto, “se mantém em silêncio”. Mas existe também um “silêncio eloquente” da lei." Assim é que, pelas lições de Larenz, nem todo silêncio da lei deve ser compreendido como uma lacuna a ser preenchida pelo aplicador do direito. Casos há em que, embora o legislador haja silenciado sobre determinado assunto, não significa que haja ali uma lacuna, daí porque não pode o aplicador pretender regulála por meio de analogia, princípios gerais do direito ou qualquer outro método de integração do direito. É o que o autor chama de silêncio eloquente. Pois bem, a idéia de lacuna corresponde à antítese da idéia de existência de norma, seja explicita seja implícita. Em outras palavras, se há norma regulando o caso, ainda que implícita, então não haverá ali uma lacuna. Inversamente, se há lacuna, não há norma regulando o caso, ainda que implícita. A questão do silêncio eloquente da lei, segundo leciona Larenz, está afeto ao campo das lacunas, e não ao campo da existência de normas, sejam estas explícitas ou implícitas. Portanto, ao procurar conectar o problema das normas implícitas à questão do silêncio eloquente da lei a recorrente mistura alhos e bugalhos. Na sequência, a interessada faz uso do princípio da eventualidade alegando que, se for entendido haver lacuna, e não norma implícita, deve ela ser preenchida segundo o espírito da lei. Argumenta que, como o espírito do art. 15 da Lei nº 9.065/95 não foi vedar a compensação integral, qualquer integração só poderá ser produzida no sentido de assegurar a compensação sem a observância do limite de 30%, nas situações em que em virtude de outra norma (art. 33 do Decretolei nº 2.341/87) a limitação nessas situações frustraria qualquer possibilidade de compensação futura do excedente. Novamente a recorrente traz à balha a questão da compensação integral do prejuízo. Sua argumentação, agora, é que há uma lacuna na Lei nº 9.065/95, a qual deixou de excepcionar o limite de 30% previsto no art. 15 às hipóteses de extinção ou cisão parcial da pessoa jurídica. No entanto, conforme Larenz, nem todo silêncio da lei pode ser tido como uma lacuna. Nesse sentido, o simples fato de a Lei nº 9.065/95 não excepcionar a incidência de seu art. 15 a casos como o dos presentes autos, não nos autoriza concluir que exista uma lacuna naquela lei. Mas, então, quando é que poderseá dizer que existe uma lacuna na lei? A resposta pode ser encontrada também em Larenz (sobre o assunto vide, também, Aleksander Peczenik, in On Law and Reason, pg. 24 e ss.). Haverá uma lacuna na lei quando, com base nos valores albergados pelo sistema jurídico, for possível afirmar que a norma deveria existir. E se o legislador não produziu uma norma que, em razão dos valores presentes no ordenamento jurídico, deveria existir, então o próprio direito autoriza ao aplicador promover a integração da lacuna, por meio de analogia, princípios gerais do direito, equidade, etc. Fl. 864DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 865 13 Já vimos anteriormente que não existe norma jurídica, sequer implícita, estabelecendo o direito do sujeito passivo em compensar integralmente seus prejuízos fiscais. Investiguemos agora se essa propalada compensação integral, apesar de não ser um direito formalmente estabelecido, constituise em um valor resguardado pelo ordenamento jurídico. Se a resposta for positiva, então, conforme afirmado pela recorrente, há que se reconhecer a existência de uma lacuna na Lei nº 9.065/95 ao não excepcionar a incidência de seu art. 15 aos casos de extinção ou cisão parcial. A defesa não aponta qual a norma ou conjunto de normas do ordenamento que albergaria esse suposto valor. Certamente não está ele contido no art. 33 do Decretolei nº 2.341/87, pois, como dito outrora, o simples fato de o prejuízo não compensado pela sucedida também não ser passível de compensação pela sucessora não conduz, necessariamente, à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado nas hipóteses de extinção ou cisão parcial. Talvez a única norma do ordenamento jurídico em que seria possível vislumbrar a existência do afirmado valor (compensação integral de prejuízos) é a contida no art. 153, III, da Constituição da República, o qual estabelece competir à União instituir imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Ocorre que o próprio STF, ao examinar por diversas vezes a questão, já afirmou e reafirmou que a limitação de 30% à compensação de prejuízos não ofende o conceito constitucional de renda, daí porque é de se concluir não ser possível dele se inferir a existência do alegado valor concernente à compensação integral de prejuízos." Entendo completamente aplicáveis à discussão desenvolvida nos presentes autos as considerações expostas no voto reproduzido. A tese abraçada pelo acórdão recorrido, no sentido de que existiria, no ordenamento atinente ao IRPJ, norma implícita que determina a possibilidade de afastamento da trava de 30% no ano de encerramento das atividades da pessoa jurídica, é devidamente refutada. Demonstrase que a interpretação conjunta dos arts. 15 da Lei nº 9.065/1995 e do art. 33 do DecretoLei nº 2.341/1987 (reproduzido no art. 514 do RIR/1999) não conduz necessariamente à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado. Assim, improcede a defesa da existência da aventada norma implícita. O voto ainda aborda a questão do pretenso direito adquirido das pessoas jurídicas à compensação integral dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas de CSLL acumulados ao longo dos exercícios anteriores. A este respeito, concluise que inexiste tal direito adquirido no sistema atualmente adotado para as compensações (limitação quantitativa em cada exercício, sem limite temporal), assim como não existia na regra anterior (limitação temporal de quatro anos para a compensação, sem limite quantitativo para cada exercício). O Acórdão CSRF nº 910100.401, de 02/10/2009, expressamente mencionado na decisão recorrida e indicado como paradigma pela recorrente, também discute se existe ou não direito adquirido dos contribuintes à compensação de resultados negativos anteriores. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 866 14 Tal decisão representou uma mudança de posicionamento da CSRF a respeito do tema, motivada, entre outras razões, por decisões do próprio Poder Judiciário: "Voto Conselheira IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO (...) Os Tribunais Superiores já definiram que na compensação de prejuízos não se trata de direito adquirido, mas sim de uma expectativa de direito, como demonstram decisões do Superior Tribunal de Justiça, como exemplo o Recurso Especial nº. 307.389 RS, que ao enfrentar semelhante questão pronunciase da forma seguinte: (...) Também o STF se pronunciou acerca do tema, em 25/03/2009, no RE 344.9940 do Paraná, cujo Relator inicial, o Ministro Marco Aurélio restou vencido. Redige o voto vencedor o Ministro Eros Grau, acórdão assim ementado: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS LIMITAÇÕES ARTIGOS 42 E 58 DA LEI Nº 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E 'B", E 5°, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de beneficio fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Neste recurso pretendia o autor que a trava não incidisse sobre os saldos de prejuízos ocorridos até dezembro de 1994, sob argumento de que se estava diante de um direito adquirido à compensação de todo prejuízo e a nova lei não poderia restringir tal direito. Aliás, quanto à interpretação teleológica pretendida no paradigma trazido à colação, no que toca aos prejuízos fiscais, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em sua composição Plenária, que a compensação de prejuízos fiscais tem natureza de beneficio fiscal e pode, como instrumento de política tributária, ser revisto pelo legislador sem implicar, sequer, no direito adquirido. Destaque é de ser dado ao voto da Ministra Ellen Gracie, que bem traduz a lógica do que aqui defendemos e neutraliza os argumentos da Recorrente nos seguintes termos: (...) Fl. 866DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 867 15 5. (...) Entendo, com vênia ao eminente Relator, que os impetrantes tiveram modificada pela Lei 8981/95 mera expectativa de direito donde o não cabimento da impetração. 6. Isto porque, o conceito de lucro é aquele que a lei define, não necessariamente, o que corresponde às perspectivas societárias ou econômicas. Ora, o Regulamento do Imposto de Renda RIR, que antes autorizava o desconto de 100% dos prejuízos fiscais, para efeito de apuração do lucro real, foi alterado pela Lei 8981/95, que limitou tais compensações a 30% do lucro real apurado no exercício correspondente. 7. A rigor, as empresas deficitárias não têm "crédito" oponível à Fazenda Pública. Lucro e prejuízo são contingências do mundo dos negócios. Inexiste direito liquido e certo à "socialização" dos prejuízos, como a garantir a sobrevivência de empresas ineficientes. E apenas por benesse da política fiscal atenta a valores mais amplos como o da estimulação da economia e o da necessidade da criação e manutenção de empregos que se estabelecem mecanismos como o que ora examinamos, mediante o qual é autorizado o abatimento dos prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados. Como todo favor fiscal, ele se restringe às condições fixadas em lei. É a lei vigorante para o exercício fiscal que definirá se o beneficio será calculado sobre 10, 20 ou 30%, ou mesmo sobre a totalidade do lucro líquido. Mas, até que encerrado o exercício fiscal, ao longo do qual se forma e se conforma o fato gerador do Imposto de Renda, o contribuinte tem mera expectativa de direito quanto à manutenção dos patamares fixados pela legislação que regia os exercícios anteriores. Não se cuida, como parece claro, de qualquer alteração de base de cálculo do tributo, para que se invoque a exigibilidade de lei complementar. Menos ainda, de empréstimo compulsório. Não há, por isso, quebra dos princípios da irretroatividade (CR, art. 150, III, a e b ) ou do direito adquirido (CF, art 5°, XXXVI). (...) 8. Por tais razões, peço licença para seguir a linha da divergência inaugurada pelo Ministro Eros Grau. Em sendo a compensação de prejuízos fiscais espécie de incentivo fiscal outorgado por lei e não um patrimônio do contribuinte a ser socializado, não se pode ampliar o sentido da lei nem ampliar o seu significado, eis que as normas que cuidam de benefícios fiscais devem ser interpretadas de forma restritiva nos termos do artigo 111 do Código Tributário Nacional. (...) Dessa forma, em homenagem ao comando legal do art. 111 do CTN, que impõe restrição de interpretação das normas que concedem benefícios Fl. 867DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 868 16 fiscais, como é o caso, descabe o elastério interpretativo pretendido pela Recorrente." Em que pese o RE nº 344.9940 efetivamente não tratar de hipótese idêntica à discutida nos presentes autos (ou no processo em que foi prolatado o Acórdão CSRF nº 910100.401), a mencionada decisão judicial joga luz sobre aspectos extremamente úteis à discussão acerca da aplicabilidade da trava de 30% na compensação realizada por empresas prestes a serem incorporadas. De início, estabelecese que a possibilidade de compensação de resultados negativos passados é um benefício fiscal, concedido pelo Estado, mediante lei perfeitamente constitucional, como instrumento de política tributária e econômica. Assim sendo, leis que limitem a possibilidade de compensação (até totalmente) são igualmente constitucionais. Por fim, entendeu a Suprema Corte que a compensação de eventuais prejuízos fiscais já acumulados revestese da condição de mera expectativa de direito, inexistindo direito adquirido à sua utilização tributária posterior. Trazendose tais conclusões para a discussão travada nos presentes autos, podese construir o entendimento de que não é inquestionável, como entende o acórdão combatido e defende o contribuinte recorrido, a premissa de que existe um direito sagrado à compensação integral dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL já registrados. Somente tomandose por intocável tal premissa é que se pode defender que a única solução possível para a situação em que uma pessoa jurídica terá suas atividades encerradas, por conta de sua incorporação, é pela dispensa da limitação da compensação a 30% do resultado positivo apurado. Após a prolação do Acórdão nº 910100.401, a CSRF proferiu uma série de outras decisões em que prevaleceu a tese de que a trava de 30% na compensação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, prevista nos arts. 42 e 58 da Lei nº 8.981/1995 e arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995, é obrigatória mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica. Uma destas decisões é o Acórdão CSRF nº 9101001.337, de 26/04/2012, também apontado pela recorrente como paradigma, que faz uma pertinente observação acerca da evolução da legislação que trata da compensação de prejuízos fiscais, ao mesmo tempo em que aborda os aspectos materiais e temporais para a incidência do IRPJ. Com isso, visouse a afastar o argumento de que a negativa da compensação integral de prejuízos fiscais representaria tributação de outra grandeza que não a renda: "Voto Vencedor Conselheiro Alberto Pinto S. Jr.. Com a devida vênia do ilustre Relator, ouso discordar do seu tão elaborado voto, por enxergar, nele, um caráter muito mais propositivo do que analítico do Direito posto. Sustenta o ilustre relator que: “o direito à compensação existe sempre, até porque, se negado, estarseá a tributar um não acréscimo patrimonial, uma não renda, mas sim o patrimônio do contribuinte que já suportou tal tributação”. Fl. 868DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 869 17 Ora, se isso fosse realmente verdade, a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 154/47 teria ofendido o conceito de renda e chegaríamos à absurda conclusão de que, até essa data, tributouse, no Brasil, outra base que não a renda. Da mesma forma, mesmo após a autorização da compensação de prejuízos fiscais (Lei 154/47), também não se estaria tributando a renda, pois sempre foi imposto um limite temporal para que se compensasse o prejuízo fiscal, de tal sorte que, em não havendo lucros suficientes em tal período, caducava o direito a compensar o saldo de prejuízo fiscal remanescente. Pelo entendimento esposado pelo ilustre Relator, a perda definitiva do saldo de prejuízos fiscais, nesses casos, também contaminaria os lucros reais posteriores, já que não mais estariam a refletir “renda”. Não é razoável imaginar que toda a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 9.065/95 (ou do art. 42 da Lei 8.981/95) tenha ofendido o conceito de renda, nem também é possível sustentar que a Lei 9065/95 tenha instituído um novo conceito de renda. Notese que o art. 43 do CTN trata do aspecto material do imposto de renda, seja de pessoa jurídica ou física, e não há que se dizer que a legislação do IRPF ofende o conceito de renda ali previsto, pelo fato, por exemplo, de não permitir que a pessoa física que tenha mais despesas médicas do que rendimento em um ano leve o seu descréscimo patrimonial para ser compensado no ano seguinte. Na verdade, o CTN não tratou do aspecto temporal do IRPJ, deixando para o legislador ordinário fazêlo. Ora, se o legislador ordinário define como período de apuração um ano ou três meses, é nesse período que deve ser verificado o acréscimo patrimonial e não ao longo da vida da empresa como quer o Relator. Sobre isso, vale trazer à colação trecho colhido do voto do Min. Garcia Vieira no Recurso Especial nº 188.855GO, in verbis: “Há que compreenderse que o art. 42 da Lei 8.981/1995 e o art. 15 da Lei 9.065/1995 não efetuaram qualquer alteração no fato gerador ou na base de cálculo do imposto de renda. O fato gerador, no seu aspecto temporal, como se explicará adiante, abrange o período mensal. Forçoso concluir que a base de cálculo é a renda (lucro) obtida neste período. Assim, a cada período corresponde um fato gerador e uma base de cálculo próprios e independentes. Se houve renda (lucro), tributase. Se não, nada se opera no plano da obrigação tributária. Daí que a empresa tendo prejuízo não vem a possuir qualquer "crédito" contra a Fazenda Nacional. Os prejuízos remanescentes de outros períodos, que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivas bases de cálculo, não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda do período em apuração, constituindo, ao contrário, benesse tributária visando minorar a má atuação da empresa em anos anteriores..” Data máxima venia, confundese o Relator quando cita o art. 189 da Lei 6.404/76, para sustentar que “o lucro societário somente é verificado após a compensação dos prejuízos dos exercícios anteriores”. Primeiramente, por força do disposto nos arts. 6 e 67, XI, do DL 1598/77, o lucro real parte do lucro líquido do exercício, ou seja, antes de qualquer destinação, inclusive daquela prevista no art. 189 em tela (absorver prejuízos acumulados). Em segundo, os arts. 6 e 67, XI, do DL 1598/77 já demonstram, à saciedade, Fl. 869DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 870 18 que o acréscimo patrimonial que se busca tributar é de determinado período lucro líquido do exercício. Sustenta também o Relator que “a compensação de prejuízos fiscais não deve ser entendida como um beneficio fiscal” e traz jurisprudência do STJ nesse sentido. Todavia, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é em sentido contrário, ou seja, que “somente por benesse da política fiscal que se estabelecem mecanismos como o ora analisado, por meio dos quais se autoriza o abatimento de prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados”, conforme dicção da Min. Ellen Gracie ao julgar o RE 344994. Evidencia ainda o caráter de mera liberalidade do legislador ordinário, quando se verifica que, para o IRPF, decidiuse que apenas os resultados da atividade rural podem ser compensados com prejuízos de períodos anteriores. Ou seja, o benefício de poder compensar prejuízos fiscais foi concedido apenas a uma parte do universo de contribuinte de IRPF. Duas verdades óbvias se deduz de tal entendimento: primeiro, renda é o acréscimo patrimonial dentro do período de apuração definido em lei; segundo, a compensação de prejuízo poderia ser totalmente desautorizada pelo legislador ordinário, pois não haveria ofensa ao conceito de renda (art. 43 do CTN). (...) Vale ainda ressaltar que, quando o legislador ordinário quis, ele expressamente afastou a trava de 30%. Refirome ao art. 95 da Lei 8.981/95. Assim, nem mesmo o Poder Judiciário poderia chegar tão longe a ponto de criar, por jurisprudência, uma nova exceção à regra da trava de 30%, sob pena de se estar legislando positivamente." O voto vencedor redigido pelo Conselheiro Alberto Pinto S. Jr. faz um interessante apanhado das normas concernentes ao imposto de renda, tanto de pessoas jurídicas quanto de físicas, que não permitem(iam) o aproveitamento tributário de resultados negativos anteriores e nem por isso desnaturaram o conceito constitucional de renda. Para corroborar sua tese, traz trecho de julgado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que declara expressamente que tais resultados negativos anteriores não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda. Seu aproveitamento tributário seria, isso sim, benesse tributária instituída pelo Estado para "minorar a má atuação da empresa em anos anteriores". Após diferenciar o tratamento dado ao tema pelas Ciências Contábeis daquele que interessa à seara tributária ("renda é o acréscimo patrimonial dentro do período de apuração definido em lei"), o Redator faz observação relevante para o deslinde da controvérsia aqui examinada: existem exceções, legalmente previstas, à submissão da compensação ao limite de 30% do resultado positivo do período de apuração. E, entre elas, não está a pretendida pelo contribuinte. Em outras palavras: quando o legislador quis estabelecer exceções à regra geral, o fez expressamente. A controvérsia também é abordada no voto vencedor do Acórdão CSRF nº 9101001.760, de 16/10/2013, que trata com profundidade de vários aspectos relevantes para a discussão proposta: "Voto Vencedor Mérito Fl. 870DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 871 19 Marcos Aurélio Pereira Valadão Redator Designado (...) Sopesando os argumentos da Fazenda e do Contribuinte, a I. Relatora inicialmente traça um histórico da legislação que rege a matéria da compensação de prejuízos. Peço vênia para reproduzir entre aspas trechos do voto da I. Relatora, porque desta forma se torna mais clara a contraposição de argumentos. A I. Relatora parte da constatação de que "nunca subsistiram limitações temporais e quantitativas concomitantemente" e conclui que isto se deve à razão de ser a compensação de prejuízos um direito do contribuinte, "inerente aos princípios que regem a apuração do IRPJ/CSLL e à lógica contábil que determina os efeitos intertemporais dos atos das pessoas jurídicas, a qual atribui os critérios de apuração do lucro líquido, ponto de partida para a apuração do IRPJ e da CSLL". Primeiramente, embora nunca tenham subsistido limitações temporais e quantitativas concomitantemente, até 1945, no Direito brasileiro, não existia possibilidade de compensação de prejuízos, ou seja, a limitação era total, assim os prejuízos de um período de apuração não eram transportados para o período seguinte, que eram considerados estanques. Ora, isto era muito pior para o contribuinte, pois não havia limites porque simplesmente não era possível compensar o prejuízo, e a norma não foi considerada inconstitucional. No que diz respeito ao segundo argumento, embora a lógica contábil seja usada para o cálculo da base tributável do IRPJ e da CSLL, a base de cálculo do imposto está sob o império da lei que pode, inclusive, ser diferente, ou mesmo contrária à lógica contábil, que é lastreada em princípios geralmente aceitos, resoluções e pronunciamentos de instituições de Direito Privado, etc... Ocorre que em matéria de direito público, sempre prevalece a lei. Assim, em que pesem argumentos que possam ser procedentes dentro da lógica contábil na qual todo prejuízo deve ser confrontado com os resultados dos períodos seguintes (e imediatamente), esta não é a lógica legal. Na verdade, a lógica da lei tem a ver com dois aspectos essenciais ao caso, a periodização e o fato gerador do imposto de renda. A periodização é importante pois há que se confrontar situações em tempos diferentes para que se identifique se a empresa tem ou não prejuízo, se a empresa tem ou não lucro. Esta lógica contábil existe para se informar ao dono do "equity" acionista ou sócio, como está evoluindo seu patrimônio, o que só tem lógica se forem confrontados períodos distintos. E daí se faz a escolha temporal, que pode ser cinquenta anos, dez anos, um ano, seis meses, três meses, um mês, etc, aquilo que a lógica contábil entender conveniente em termos de mercado, pois como foi dito informar ao dono do capital a situação do seu patrimônio é a função da contabilidade. No caso brasileiro, este prazo está na própria lei comercial (art. 175 da Lei. 6.404/1977, prevê o exercício social de um ano, e em seu Par. Único permite períodos distintos). Daí que em função da continuidade, ou princípio da continuidade, os prejuízos têm que ser levados em conta, pois o acionista ou sócio não olha o seu investimento por períodos equivalentes ao exercício social, mas por todo o período do investimento que planejou, embora tenha que “tomar o pulso” de tempos em tempos (e.g., balanços mensais, semestrais ou anuais, com os prejuízos passando para o período seguinte). Assim, um acionista que tem em perspectiva ações de uma empresa por um determinado período, olha o quanto o investimento vale no Fl. 871DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 872 20 início e no final do período; assim, vinculado a uma lógica contábil, todos os ganhos e todas as perdas do período devem ser computados continuamente, é o princípio da continuidade operando, o que lhe dá o resultado final ao longo do período. Vejase que a função da contabilidade, ou pelo menos uma das funções principais, é informar ao dono do capital a situação do seu investimento. Na verdade, está se assumindo o princípio da continuidade e seus efeitos nos lucros, mais no seu sentido econômico, porque no seu sentido contábil mais exato o princípio da continuidade não trata disto, mas sim na forma com que os ativos são avaliados, a depender da continuidade da empresa. Diz a resolução CFC 750/1993 (com redação dada pela Resolução CFC nº. 1.282/10), quando trata dos princípios da contabilidade: “Art. 5º O Princípio da Continuidade pressupõe que a Entidade continuará em operação no futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância.” Ou seja, este princípio diz respeito à precificação dos componentes do patrimônio, nada indicando que decorre dele a imposição principiológica do aproveitamento de prejuízos de um período em relação a outro. Mas, ad argumentandum tantum e seguindo a lógica econômica da compensação de prejuízos como decorrência da continuação da empresa, que se presume indefinidamente, os prejuízos e lucros se compensariam contínua e indefinidamente. Mas esta não é a lógica da legislação tributária. Para efeitos tributários, a periodização tem como função firmar o aspecto temporal para efeito de se verificar se entre o momento inicial e momento final houve variação patrimonial positiva (atualmente a lei prevê este lapso em três meses, e opcionalmente de um ano, para o lucro real). Vejase que o fato de a legislação tributária permitir que se transponha o prejuízo de um período para o período seguinte é uma decisão de política tributária. Digase de passagem, uma política correta, mas que obedece aos princípios legais e não aos princípios contábeis. Assim, o aproveitamento de prejuízos é uma decisão de política tributária (em linha com a política econômica), mas não entendo que seja um benefício fiscal, pois não se enquadra neste conceito, mesmo porque é geral. Neste aspecto específico concordo com a posição da I. Relatora. Benefício fiscal ocorre quando a lei tributária concede o aproveitamento integral (sem a trava dos 30%) para algumas atividades, isto porque difere da regra geral da sujeição à limitação dos 30 %. Ou seja, o aproveitamento de prejuízos não pode ser considerado um benefício fiscal, mas tão somente nas situações que se dirijam a atividades específicas em que se permite um tratamento mais benéfico, com o aproveitamento integral (enquanto os outros contribuintes têm a “trava”). Posto de outra forma, decorre de decisão em sede política tributária e econômica que a legislação tributária permita a dedução de prejuízos, mas isto por uma lógica econômica de formação de capital, e não simplesmente por uma lógica contábil. A lógica econômica é que a dedução de prejuízo na verdade implica em um alongamento do período de apuração, permitindo que a empresa se recupere de períodos sem lucro (como é típico do início das atividades, em face de perspectivas futuras). Em suma, a dedutibilidade do prejuízo, embora impacte a base de cálculo do imposto de renda, é matéria legal, não se contrapondo a princípios constitucionais que informam a matéria tributária, como entende a I. Relatora. A lei pode tanto impedir totalmente o aproveitamento do prejuízo, Fl. 872DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 873 21 como, de fato, fazia por volta de 68 anos atrás para pessoas jurídicas em geral e assim o faz até hoje, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido ou pelo Simples. Por outro lado, a lei pode permitir o aproveitamento integral, como faz para algumas atividades, como pode impor limites temporais (como fazia até pouco tempo) ou quantitativos (como o faz atualmente), sem que possa ser considerada violadora de qualquer princípio ou regra constitucional. (...) (...) Outro argumento expedido pela I. Relatora, muito semelhante ao primeiro, diz respeito à obediência da norma tributária aos princípios e normas contábeis, no que se refere à apuração da base do IRPJ e da CSLL. Ocorre que, neste caso, o tratamento dado pela legislação tributária diverge da norma comercial, mas é consentâneo com a própria Lei n. 6.404/1977, a lei comercial e contábil, que prevê em seu art. 177, §7º (redação atual dada pela Lei nº 11.941/ 2009) que tratamento tributário diferente pode ser dado pela legislação tributária, conforme seu art.177, in verbis: (...) Ou seja, a própria lei que dispõe sobre o tratamento tributário da apuração contábil ressalva que a aplicação das normas tributárias com critérios diferentes deve ser observada. Assim, não há contradição entre norma tributária e norma contábil, mesmo porque o tratamento dado à apuração do lucro real direciona justamente à apuração do lucro com base na legislação comercial sucedido pelos ajustes previstos da norma tributária (adições e exclusões), conforme preconiza o art. 6º do Decretolei nº 1.598/1977, e também o art. 17 da Lei nº 11.941/2009 (Lei que tratou das novas normas contábeis) e tributação, introduzindo o denominado regime tributário de transição RTT). Ou seja, a vedação de aproveitamento de prejuízos persiste mesmo no caso de encerramento da empresa, à míngua de previsão legal tributária. Não se pode impor normas e princípios contábeis para alterar a legislação tributária, criando uma situação excepcional onde a norma tributária não prevê exceção. (...) Outra linha argumentativa da I. Relatora se fia na história legislativa do dispositivo que implementou a trava dos 30% (MP n. 998/1995). Todos os argumentos normogenéticos são pertinentes e admissíveis, e é justamente o que se debate aqui, mas a lei não criou exceções. O que a exposição de motivos (EM) noticia é justamente que o aproveitamento não é limitado no tempo, mas não cogita e nem especifica o que ocorreria caso a empresa encerrasse as atividades, assim como não o faz a lei. Tratase de interpretação da exposição de motivos, pois ela, a EM, literalmente não diz que não há trava no enceramento das atividades. Por outro lado, a história legislativa de determinado dispositivo não permite um embargo interpretativo com efeitos legislativos infringentes, mas tão somente teleológicos. (...) Nesta linha de argumentos, durante os debates da sessão foi também foi suscitada a tese de que o prejuízo teria a mesma natureza de patrimônio, isto seria um "ativo". Disto decorreria que haveria tributação sobre o Fl. 873DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 874 22 patrimônio (prejuízo), se não fosse permitida sua dedutibilidade. Ocorre que prejuízo (perda), no meu entender não é ativo. A legislação tributária, norma de sopreposição, consentânea com a economia e as bases econômicas da atividade empresarial, concede o aproveitamento dos prejuízos dentro da lógica da continuidade empresarial, mas daí a entender que prejuízo acumulado pode representar patrimônio, é o mesmo que dizer que tanto faz lucro ou prejuízo, o que contrasta com a própria lógica econômica. A empresa distribui lucro ou ativa lucro, não distribui prejuízo, nem ativa prejuízo. Ninguém persegue o prejuízo, a atividade empresarial persegue o lucro. Norma que permite transmutar perda em lucro com base na rationale de que a perda tem valor patrimonial é uma contradição em si mesma. Contudo, é verdade que dada a perspectiva (expectativa) de que o prejuízo fiscal em um dado exercício diminua o tributo devido em um exercicio posterior, no futuro, há a possibilidade se ativar esta expectativa de direito, a título de ativo fiscal diferido (conforme, e.g., Resolução CFC n. 1189/09). Tratase de perspectiva de impacto patrimonial positivo, como é qualquer redução de custo, ainda que tributário. Assim, o prejuízo fiscal, que difere do prejuízo contábil (podendo haver caso de lucro contábil com prejuízo fiscal, o que não é infrequente) pode ser considerado uma espécie de expectativa de direito com perspectivas de consequências patrimoniais positivas. Contudo, é um argumento puramente contábil e se aplica, na perspectiva puramente contábil. Ou seja, isto tudo é uma questão contábil e que, neste aspecto, nada tem a ver com a limitação legal de aproveitamento de prejuízo fiscal, que só comporta exceções legais. O fato dos prejuízos fiscais acumulados constarem da parte B do Lalur e de reduzirem tributo a pagar no futuro, não lhes dá o condão de patrimônio. (...) Quanto ao argumento relacionado à jurisprudência judicial, o único ponto relevante é que entendo que a decisão do STF de que a trava é constitucional impacta o presente processo ainda que indiretamente. Uma coisa o STF reconhece de pronto, qual seja: o tema é matéria de lei e esta lei não é inconstitucional. Embora o STF não tenha discutido a questão da trava na extinção da empresa especificamente, a decisão é um indicativo claro de que a vedação total no encerramento da empresa é também matéria de lei infensa à questionamento constitucional. De outro lado, se não for assim entendido estaríamos a discutir a inconstitucionalidade de lei, o que regimentalmente não podemos fazer, ou então, haveria uma omissão legal, o que não há. O que corrobora a conclusão de que para se aceitar o afastamento da trava na hipótese em debate teria que haver previsão expressa da lei tributária, o que também não há. (...) Assim, o entendimento que adoto é também consentâneo com a direção que está seguindo a jurisprudência contemporânea do CARF, embora reconheça que haja divergências, as quais respeito, embora divirja. Desta forma, entendo não deve ser admitida exceção não prevista em lei tributária, quando a lei tributária fixa limites para o aproveitamento de prejuízos, devendo ser negada o aproveitamento integral dos prejuízos no enceramento das atividades da empresa, que está limitado a 30%, na forma da legislação tributária." Fl. 874DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 875 23 O I. Redator expõe brilhantemente, com notável grau de detalhamento, as razões que prevaleceram naquele julgamento a respeito de vários aspectos relevantes para o debate acerca do afastamento da trava de 30% no caso de empresa incorporada: inexistência de direito adquirido à compensação de prejuízos fiscais já registrados; independência da lei tributária em relação às normas contábeis; constitucionalidade das restrições legais à possibilidade de compensação pelos contribuintes. Além disso, aborda também outra discussão suscitada nos presentes autos. O acórdão recorrido elencou, entre suas razões de decidir, o argumento de que a aplicação da trava de 30% à compensação promovida por pessoa jurídica prestes a ser incorporada "resultaria no abandono forçado de um ativo seu, de origem tributária, assegurado em lei". Com muita propriedade, o voto transcrito há pouco admite que tal tese pode ser dotada de algum sentido se analisada sob o ponto de vista puramente contábil. Mas não se pode admitir a tentativa de se atribuir ao prejuízo fiscal acumulado a natureza de patrimônio. Tal configuração afrontaria à própria lógica econômica das empresas, uma vez que, de certa forma, estarseia pretendendo transmutar a perda em lucro. Considero que os argumentos que fundamentaram a decisão recorrida foram satisfatoriamente refutados pelas decisões administrativas acima referidas, cujas razões de decidir transcritas adoto como minhas. Acrescento ainda, a título de ilustração, que esta CSRF, em seus julgamentos mais recentes, tem se mantido fiel ao entendimento aqui adotado, pela impossibilidade de dispensa do limite legal, para a compensação, de 30% do lucro real (ou da base de cálculo positiva de CSLL), mesmo no encerramento das atividades da pessoa jurídica. Neste sentido os Acórdãos nº 9101002.153, nº 9101002.191, nº 9101002.192, nº 9101002.207, nº 9101002.208, nº 9101002.209, nº 9101002.210, nº 9101002.211 e nº 9101002.225. A meu ver, o principal aspecto da polêmica em pauta reside no equivocado entendimento de que necessariamente deve haver uma completa comunicação entre os períodos de apuração do IRPJ e da CSLL. É precisamente esse entendimento que dá azo à idéia de que todo o prejuízo ao longo da história da empresa deve ser confrontado com todo o lucro auferido ao longo do tempo. Entretanto, a tributação do IRPJ e da CSLL não se dá dessa forma. Com efeito, o que se tributa é a renda/lucro (acréscimo patrimonial) auferida em um determinado período de apuração, e não a renda/lucro resultante de toda a existência da empresa. No julgamento do já referido RE nº 344994, o STF, apesar de não ter examinado a questão do limite de 30% para compensação de prejuízo fiscal em caso de extinção de empresa, deixou bem claro que a lei aplicável em relação à compensação de prejuízo fiscal é a lei vigente na data do encerramento do exercício fiscal. Tal pronunciamento veio no sentido preciso de afirmar a independência entre os exercícios, o que também ficou bem evidenciado pelas situações apontadas nas decisões da Fl. 875DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 876 24 Câmara Superior de Recursos Fiscais transcritas neste voto (em especial, a evolução histórica do instituto e o paralelo com a tributação da renda das pessoas físicas). Nesse mesmo passo, vale ainda observar que não há doutrinadores defendendo a possibilidade de compensação de prejuízos futuros com lucros anteriores, dando margem a repetição de indébitos. Caso isso fosse possível, pagamentos realizados no passado poderiam vir a ser considerados indevidos em razão de prejuízos futuros. Contudo, tal hipótese é prontamente repelida pelo senso comum da prática tributária, e a ilustração permite visualizar claramente que os exercícios devem mesmo ser independentes. De todo o exposto, podese concluir que a continuidade da empresa não implica em um direito adquirido à compensação de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL, independentemente do aspecto temporal para a incidência do imposto/contribuição; que o referido limite de 30% não desnatura a materialidade do imposto/contribuição (renda/lucro em determinado período de apuração); e que a compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas deve observar o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, seja por cisão/incorporação, ou por qualquer outro evento. Nesse passo, devem ser restabelecidas as autuações fiscais a título de IRPJ e CSLL. Registrese que a aplicação de multa e a incidência de juros de mora não foram objeto de contestação pelo contribuinte em sede de recurso voluntário. Desse modo, voto no sentido de: CONHECER do recurso especial interposto pela PGFN; DAR provimento ao recurso especial, restabelecendo os lançamentos relativos ao IRPJ e à CSLL. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 876DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O
score : 1.0
Numero do processo: 13819.004290/2002-68
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999, 2001
Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO — NOVA
FORMALIZAÇÃO DO PEDIDO - Desnecessária a formalização de novo
pedido de compensação quando o formulário apresentado evidencia os dados da incorporada independente do preenchimento do campo "Outras
Informações".
Numero da decisão: 1802-000.355
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Ester Marques Lins de Sousa
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - restituição e compensação
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201001
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999, 2001 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO — NOVA FORMALIZAÇÃO DO PEDIDO - Desnecessária a formalização de novo pedido de compensação quando o formulário apresentado evidencia os dados da incorporada independente do preenchimento do campo "Outras Informações".
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 13819.004290/2002-68
conteudo_id_s : 5639952
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1802-000.355
nome_arquivo_s : Decisao_13819004290200268.pdf
nome_relator_s : Ester Marques Lins de Sousa
nome_arquivo_pdf_s : 13819004290200268_5639952.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
id : 6506570
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688487563264
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-03-30T22:53:54Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-03-30T22:53:54Z; Last-Modified: 2010-03-30T22:53:54Z; dcterms:modified: 2010-03-30T22:53:54Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-03-30T22:53:54Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-03-30T22:53:54Z; meta:save-date: 2010-03-30T22:53:54Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-03-30T22:53:54Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-03-30T22:53:54Z; created: 2010-03-30T22:53:54Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2010-03-30T22:53:54Z; pdf:charsPerPage: 1326; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-03-30T22:53:54Z | Conteúdo => SI-TE02 Fl. I MINISTÉRIO DA FAZENDA• ••. . •••• CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS • . PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13819.004290/2002-68 Recurso n° 168.538 Voluntário 1 Acórdão n° 1802-00355 — r Turma Especial Sessão de 26 de janeiro de 2010 Matéria IRPJ ; Recorrente MORGANITE BRASIL LTDA Recorrida 4a.Turtna/DRI/Campinas/SP Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999, 2001 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO — NOVA FORMALIZAÇÃO DO PEDIDO - Desnecessária a formalização de novo pedido de compensação quando o formulário apresentado evidencia os dados da incorporada independente do preenchimento do campo "Outras Informações". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ESTERtIiRQUES LINS D -44 I A — Presid- - e Relatora. EDITADO EM: MiÀ R 201, Participaram da sessão de gatnento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), José 1 Oliveira Ferraz Corrêa, Natanael Vieira dos Santos (Suplente Convocado), Nelso Ki • - (Suplente Convocado), Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e João Francisco Bianco (Vice Presidente da Turma). Ausente justificadarnente o conselheiro Leonardo Lobo De Almeida. Processo n°13819.004290/2002-68 51-TE02 Acórdão n.° 1802-00.355 Fl. 2 Relatório Em 14/11/2002, a interessada protocolizou Declaração de Compensação (fl. 01/02), objetivando compensar crédito de saldo negativo de IRPJ dos anos calendário de 1998, 1999 e 2001 no valor de RS 105.041,18, com vistas à quitação de débitos de sua responsabilidade. Em 22/08/2007, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Bernardo do Campo exarou o Despacho Decisório de fls. 89/91, indeferindo o pedido da interessada e não homologando a compensação declarada, sob as alegações seguintes: 1) para o ano calendário de 1998 não há saldo negativo declarado de IRPJ (17s.47/54); 2) para o ano calendário de 1999 também não havia saldo negativo de IRRI quando da protocolização deste pedido (/ls.55/62), já em declaração reuficadora transmitida em 27/01/2004 (11s.63/70), o interessado apurou um saldo negativo de IRPJ de R$ 249.466,89, porém este valor foi inteiramente utilizado em compensações no processo administrativo n° 13819.003213/2002-91, o qual foi indeferido pelo SEORT desta DRF através do despacho decisório n° 099, de 15 de março de 2007 (fls.77/88) e cuja manifestação de inconformidade encontra-se em análise na DRJ de Campinas, ficando assim, impossível a análise do pleito deste período em dois processos administrativos. 3) para o ano calendário de 2001 temos a mesma situação do item 1, não há saldo negativo declarado de IRPJ (lis. 71/76). Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte ingressou com a manifestação de inconformidade explicando que referidos saldos negativos provêm da incorporada, Morganite Cadinhos e Refratários Ltda. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DAI/Campinas/SP) proferiu decisão negando a solicitação do pleito, pelos seguintes motivos: 1) Da análise dos documentos em sede de primeira instância constatou a autoridade julgadora à fl.363-v, que da Declaração de Compensação apresentada (fl6.01/02), não observou o preenchimento correto, equivocando-se, na defesa, ao dizer da não existência de campo próprio, no formulário aprovado, para indicação dos créditos advindos de eventual incorporação. Que devem ser informados os dados da pessoa jurídica titular do crédito apontado, existindo campo específico para a indicação do CNPJ referente ao débito a ser compensado, nos casos de incorporação. 2) Consta da decisão recorrida que, o preenchimento da Declaração de Compensação, como implementado, permite concluir que o saldo negativo apontado como origem do crédito a ser utilizado em compensação é da própria contribuinte, e não da incorporada como alega a defesa. Concluiu afinal que o erro cometido não é mais passível de reparação, após a decisão da autoridade preparadora, no caso, DRF/São Bernardo do Campo, consistindo por ora da defesa ? apresentada novo pedido, sujeito a apresentação de nova declaração de compensação, para nova análise pelo Delegado da Receita Federal de jurisdição da interessada, haja vista a competência originária para sua apreciação, conforme previsto na legislação vigente. 2 Processo.? 13819.004290/200248 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00.355 Fl. 3 A empresa foi cientificada da decisão prolatada mediante o Acórdão n° 05-23.064 de 01/09/2008, fls. 362/364, conforme o Aviso de Recebimento (AR), fl.367, em 24/09/2008, e, interpôs recurso ao Conselho de Contribuintes em 06/10/2008 (fls.361/382). Preliminarmente, fls.370/372, a recorrente insurge-se contra a cobrança dos débitos não compensados, por entender ser obrigatória a formalização do crédito por meio de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento, a teor do art.142 do CTN, nos casos em que não homologada a compensação. Em seguida ratifica serem os créditos (saldos negativos dos anos calendário de 1998, 1999 e 2001) originados da empresa Morganite Cadinhos incorporada pela Recorrente em 23/08/2001, que, em razão do art.132 do CTN passaram a ser de sua propriedade. Impõe-se contra as conclusões do despacho decisório que se limitou a analisar as DIPJ da Recorrente, desconsiderando as DIPJ da Morganite Cadinhos (incorporada). Discorda das posições firmadas na decisão recorrida, afirmando seu direito na qualidade de sucessora e, ainda que se admita equivoco no preenchimento do formulário de compensação, alega que a realidade dos fatos deve prevalecer sobre meros equívocos, já que os créditos da Morganite Cadinhos passaram a ser de titularidade da recorrente. Sobre os procedimentos para a elaboração da Declaração de Compensação, alega a Recorrente que, a despeito de o CNPJ e a razão social da Morganite Cadinhos não terem sido indicados no item 4, coluna "outras informações" da declaração, tais informações foram indicadas em campo diverso (item 1 do anexo "Saldo Negativo de IRPJ e CSLL"), o que permite a conclusão de que os créditos compensados tiveram origem na Morganite Cadinhos. E ainda, que, se considere um erro formal a não indicação do CNPJ, conforme acima mencionado, os documentos nós 6 a 13, discriminados à fl.379, "afastam qualquer dúvida sobre a realidade dos fatos. Por último, diz que os registros contábeis da recorrente e da incorporada (Morganie Cadinhos), fazem prova em seu favor e, finalmente requer seja o recurso voluntário integramente provido, para também cancelar a cobrança inclusive os juros e a multa aplicados. É o relatório. 3 Processo n°13819004290/2002-68 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00355 Fl. 4 3/43203 Conselheira ESTER MARQUES UNS DE SOUSA, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes no Decreto n°70.235/1972. Dele conheço. O litígio decorre da decisão administrativa que indeferiu o direito creditório a que alude o interessado, e, por conseqüência a não homologação da compensação pleiteada à f1.01. Quanto a preliminar suscitada pela recorrente ao se insurgir contra a cobrança dos débitos não compensados, por entender ser obrigatória a formalização do crédito por meio de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento, a questão se resolve sob o manto do § do art.74 da Lei n°9430/96, que assim dispõe: "Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(1ncluido pela Lei n°10.833, de 2003)". Assim, no caso de débitos confessados, em instrumentos próprios (DCTF), desnecessário se faz o lançamento de oficio desses mesmos débitos, e, a cobrança será efetuada de acordo com a legislação tributária que determina os acréscimos legais, salvo se houver manifestação de inconformidade que suspende a exigibilidade dos créditos tributários. Portanto não merece acolhida aos argumentos da recorrente. Sobre a Declaração de Compensação em comento, o artigo 74 da Lei n° 9.430/96 que dispõe sobre a restituição e compensação de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, prescreve no § 14 que compete à Secretaria da Receita Federal disciplinar o disposto neste artigo, de modo que ao dispor sobre os formulários mediante os quais o interessado formulará o seu pleito cabe ao mesmo utilizá-los como estabelecido nos atos normativos expedidos pela Receita Federal. Considerado que não tendo o interessado preenchido corretamente a Declaração de Compensação (fi.01/02), a Delegacia da Receita Federal de São Bernardo do Campo, órgão competente para se manifestar sobre o pleito, analisou tal documento à luz das informações efetuadas pelo interessado, ou seja verificou a situação da empresa requerente sem a analise dos saldos negativos da incorporada, fato somente conhecido por ocasião da manifestação de inconformidade. Não se discutiu nos autos, ser ou não ser a recorrente sucessora dos créditos pleiteados. No que tange ao aspecto formal, entendo desnecessário o novo pedido tendo em vista que o formulário (f1.02) evidencia na quadrícula n° 1, os dados da incorporadora e incorporada para que assim, a Delegacia da Receita Federal de São Bernardo do Campo pudesse efetivamente analisar a Declaração de Compensação independente do preenchimento do campo "Outras Informações". 4 Processo n° 13819.004290/2002-68 51-1t02 Acórdão n.° 1802-00355 Fl. 5 Assim, verifica-se que aliado aos esclarecimentos prestados, a autoridade preparadora deverá analisar a Declaração de Compensação (f1.01/02) à luz da documentação juntada aos autos, podendo se for o caso intimar a interessada a apresentar os documentos contábeis que entender necessários. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para que o Pedido de Compensação seja apreciado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Bernardo do Campo/SP, em respeito à competência originária, conforme disposto no § r do art.74 da Lei n°9430/96. 26 de janeiro de 2010 - - LRefatora ESTER MARQUES UNS DE SO)kA ,/ , a MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo : 13819.004290/2002-68 Recurso : 168538 Acórdão : 1802-00.355 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do artigo 81 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF n° 259/2009), intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, a tomar ciência do inteiro ter do Acórdão n° 1802-00.355. Brasilia - DF, em 10 de março de 2010 ,/ o; e; aa-tó Ft aiier.." Secretári da Câmara da Primeira Seção 7 r CARF Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador(a) da Fazenda Nacional , 1 1
score : 1.0
Numero do processo: 10930.903625/2012-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 19/08/2005
PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201612
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 19/08/2005 PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10930.903625/2012-20
anomes_publicacao_s : 201701
conteudo_id_s : 5671691
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-003.595
nome_arquivo_s : Decisao_10930903625201220.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 10930903625201220_5671691.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
id : 6609718
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688502243328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1823; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.903625/201220 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402003.595 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de dezembro de 2016 Matéria PIS PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Recorrente WYNY DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE COUROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 19/08/2005 PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 36 25 /2 01 2- 20 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903625/201220 Acórdão n.º 3402003.595 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.967, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903625/201220 Acórdão n.º 3402003.595 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903625/201220 Acórdão n.º 3402003.595 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903625/201220 Acórdão n.º 3402003.595 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903625/201220 Acórdão n.º 3402003.595 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004264/2007-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
DECADÊNCIA. AFASTADA.
Independentemente da regra decadencial aplicável ao caso - art. 150, § 4º, ou art. 173, ambas do CTN, não há que se falar que, em 20/12/2007, já tivesse ocorrido a decadência do direito de o Fisco efetuar lançamento relativo ao lucro real anual de 2002.
IRPJ SOBRE BASES ESTIMADAS. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO.
Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas.
Numero da decisão: 1302-001.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 DECADÊNCIA. AFASTADA. Independentemente da regra decadencial aplicável ao caso - art. 150, § 4º, ou art. 173, ambas do CTN, não há que se falar que, em 20/12/2007, já tivesse ocorrido a decadência do direito de o Fisco efetuar lançamento relativo ao lucro real anual de 2002. IRPJ SOBRE BASES ESTIMADAS. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO. Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.004264/2007-45
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5646188
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 12 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1302-001.981
nome_arquivo_s : Decisao_19515004264200745.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 19515004264200745_5646188.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). .
dt_sessao_tdt : Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
id : 6523133
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688508534784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1984; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 659 1 658 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004264/200745 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1302001.981 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de setembro de 2016 Matéria IRPJ sobre nase estimada Recorrente DUKE ENERGY INTERNAC., GERAÇÃO PARANAPANEMA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA. AFASTADA. Independentemente da regra decadencial aplicável ao caso art. 150, § 4º, ou art. 173, ambas do CTN, não há que se falar que, em 20/12/2007, já tivesse ocorrido a decadência do direito de o Fisco efetuar lançamento relativo ao lucro real anual de 2002. IRPJ SOBRE BASES ESTIMADAS. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANOCALENDÁRIO. Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 42 64 /2 00 7- 45 Fl. 659DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 2 . Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1617.876 da 4ª Turma da DRJ/SP1, o qual foi assim ementado: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 INCENTIVO FISCAL. IRPJ SOBRE O LUCRO INFLACIONÁRIO. INEXISTÊNCIA DE DUPLO LANÇAMENTO. FUNDAMENTO DIFERENTE. Não há duplicidade de lançamento sobre o mesmo fato e o mesmo período se o fundamento da autuação e outro. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA. IRPJ SOBRE O LUCRO INFLACIONÁRIO. Sendo o lançamento datado de 20/12/2007, decaiu o direito de lançar o IRPJ sobre o lucro inflacionário em relação aos meses anteriores a dezembro de 2002. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 INCENTIVO FISCAL. OPÇÃO POR MEIO DE DARF ESPECÍFICO. DÉBITOS DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. SUBSCRIÇÃO VOLUNTÁRIA. EXCESSO DE APLICAÇÃO EM DETRIMENTO DO IMPOSTO. PERC NÃO APRESENTADO A falta da certidão negativa da PGFN permite atribuir plena validade as pendências fiscais apontadas pelos sistemas da RFB, que impedem a concessão do incentivo. TAXA SELIC. MULTA. Não compete a instância administrativa a discussão sobre a ilegalidade e/ou inconstitucionalidade da legislação tributária, inclusive no tocante a juros de mora e multa de ofício. Não foram lançados juros sobre a multa de ofício. Lançamento Procedente em Parte”. Quanto ao recurso de ofício, vale a transcrição dos seguintes trechos do relatório e voto do acórdão recorrido: O interessado foi autuado no IRPJ, em 20/12/2007, em conformidade com o Decreto n.° 70.235/72 e suas alterações, tendo sido exigido o crédito tributário total de R$ 13.420.183,10, incluindo imposto, multa de 75% e juros de mora calculados até 30/11/2007, com base no art. 601, § 7° do RIR/99, art. 27 alinea "c", da Lei n.° 8.036/90, art. 13, § 7°, da MP n.° 2.058/2000 e reedições, art. 60 da Lei n.° 9.069/95, art. 44 da Lei n.° 9.430/96 e art. 4°, §§ 6° e 7° da Lei n.° 9.532/97, por excesso de aplicação em fundo de investimento incentivado em detrimento do imposto, em vista de ter sido considerada subscrição voluntária a diferença de R$ 5.337.542,50 entre o total de R$ Fl. 660DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19515.004264/200745 Acórdão n.º 1302001.981 S1C3T2 Fl. 660 3 11.325.734,40 recolhido por meio DARF's específicos (codigo 9032) e o valor do saldo negativo, de RS 5.988.191,90 (fls. l a 63). O Termo de Constatação da conta de que o procedimento fiscal decorre de auditoria de revisão da declaração do anocalendário 2002, conforme processo em apenso de n.° 16143.000335/200718, de fls. 1 a 71, na qual foram apuradas pendências fiscais, de forma que o incentivo pleiteado não foi reconhecido com base no art. 60 da Lei n. 9.069/95 e no art. 27, alinea "c" da Lei n.° 8.036/1990 (fls. 2 e 3). O processo em apenso de n.° 16143.000335/200718 detalha pendências a fl. 25. O auto de infração consta a fls. 57 a 63. (...) O lançamento foi efetuado em 20/12/2007, de forma que a Fazenda decaiu do direito de lancar em relação ao período de 11/2002 e anteriores, devendo ser exonerada essa parte do lançamento. Preliminar deferida. (...) Portanto, VOTO pela manutencao do lancamento referente ao mes de dezembro, conforme o demonstrative a seguir. EXIGIDO EXONERADO MANTIDO PRINCIPAL MULTA PRINCIPAL MULTA PRINCIPAL MULTA 5.337.542,50 4.003.156,87 4.393.731,30 3.295.298,47 943.811.20 707.858,40 A recorrente, cientificada do Acórdão nº 1617.876, conforme AR a fls. 553, no qual não consta a data de recebimento, interpôs, em 27/03/2009 (vide carimbo da Derat/SP a fls. 554), recurso voluntário (doc. a fls. 554 e segs.), no qual aduz, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: “4. O Termo de Constatação anexo ao Auto de Infração demonstra que a D. Fiscalização Federal entendeu indevida a destinação ao FINAM do imposto de renda sobre o lucro inflacionário no período de Janeiro a dezembro do ano calendário de 2002 (no valor de R$ 11.325.734,40) e excluiu daquele montante o valor alocado no item 18 da Ficha 12 A (Cálculo do IR sobre o Lucro Real Imposto de Renda a Pagar) da DIPJ 2003 R$ 5.988.191,90, que fora considerado como um crédito de antecipação de IRPJ da Recorrente. Nesse sentido, e cobrado o montante de R$ 5.337.542,20, a título de IRPJ a pagar, acrescentado de imposição de multa de ofício de 75% e juros de mora. Referido Termo de Constatação alega que o incentivo fiscal não foi reconhecido com base na alegada existência de pendências fiscais e na falta de apresentação de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais ("PERC") pela Recorrente. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 4 5. Não podendo concordar com a lavratura do referido Auto de Infração, a Recorrente apresentou Impugnação para demonstrar a improcedência da exigência fiscal formulada. Tal Impugnação argumenta que a exigência fiscal formalizada pela D. Fiscalização Federal não encontra qualquer respaldo jurídico na medida em que, além de restringir um direito expressamente assegurado ao contribuinte pela legislação que rege os incentivos fiscais, o Auto de Infração pecou também por constituir créditos tributários já extintos pela ocorrência da decadência, e que já são objeto de discussão no Processo Administrativo n° 19515002934/200616. (...) 9. O presente Auto de Infração constitui créditos tributários, relativos às parcelas equivalentes a 18% do imposto de renda sobre o lucro inflacionário que foram destinados ao FINAM, no anocalendario de 2002, que já são objeto de discussão no Processo Administrativo n° 19515.002934/200616!!! 10. O Processo Administrativo n° 19515.002934/200616 formalizou exigência de crédito tributário no montante de R$ 97.930.699,42 (noventa e sete milhões novecentos e trinta mil seiscentos e noventa e nove reais e quarenta e dois centavos) com imposição de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo as parcelas equivalentes a 18% do imposto de renda sobre o lucro inflacionário que foram aplicados no FINAM, nos meses de Janeiro do anocalendário de 2001 até novembro do anocalendário de 2004. Note que referido Auto de Infração compreende o mesmo período ora em discussão (dezembro do ano calendário de 2002). Referido Auto de Infração e objeto de discussão no Processo Administrativo n° 19515.002934/200616 e atualmente pende julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 11. Contrariamente ao alegado no Acordão recorrido, independentemente de o fundamento da autuação ser outro, a duplicidade no lançamento e verificada quando o lançamento busca o mesmo crédito tributário! Isso porque a dupla cobrança de um mesmo crédito tributário, mesmo que sob argumentos diferentes, e o que leva a cobrança indevida, caracterizando o confisco. Ou seja, em ambos os processos administrativos estão sendo exigidas parcelas equivalentes a 18% do imposto de renda sobre o lucro inflacionário que foram destinados ao FINAM no anocalendario de 2002. (...) 15. Ademais, o Auto de Infração em questão é claramente ilegal, pois contraria, frontalmente, o disposto na legislação. O artigo 906 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26.3.1999 ("RIR/99"), prevê, expressamente, que: (...) 16. Assim sendo, conforme o dispositivo transcrito anteriormente, um segundo exame e, consequentemente, um segundo Auto de Infração, só seria possível, se houvesse uma ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal, o que, no caso em tela, não ocorreu. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19515.004264/200745 Acórdão n.º 1302001.981 S1C3T2 Fl. 661 5 (...) 17. Ademais, o artigo 149 do Código Tributário Nacional ("CTN") prevê os casos em que o lançamento e efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa. No caso específico, não se trata de revisão de lançamento e, "ad argumentandum", ainda que fosse, o caso em tela não estaria enquadrado em nenhuma das hipóteses previstas no artigo 149 do CTN. (...) 19. Fato é que não se pode admitir de forma alguma, a exigência de tributo em duplicidade, sob pena de incorrer em ilegalidade e confisco, o que é vedado pela Constituição Federal, além de incorrer no bis in idem. Portanto, resta claro que o Auto de Infração em tela deve ser cancelado, pelas razões acima e a seguir aduzidas. (...) 22. Ad argumentandum, mesmo admitindo que o lançamento em duplicidade fosse possível, e ainda mais, que fosse possível o absurdo deste encontrar a sua fundamentação na existência do lançamento anterior, o próprio Acordão recorrido corretamente atesta que "os valores do imposto de renda sobre o lucro inflacionário dos arts. 454 e 455 podem ser, sim, adicionados a base de cálculo do incentivo". Posicionamento que está em linha com a recente jurisprudência do Egrégio Conselho de Contribuintes. (...) 24. O Acórdão ora recorrido afirma que ‘a falta de certidão negativa da PGFN permite atribuir plena validade as pendências fiscais apontadas pelos sistemas da RFB, que impedem a concessão do incentivo’. Ora, a Recorrente tem como requisito para exercer regularmente suas atividades a comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, uma vez que para participar de licitações e necessária a certidão de regularidade fiscal. Nesse sentido, a alegação de existência de pendências fiscais e inverídica e não pode prosperar. 25. O meio hábil para comprovar a regularidade fiscal e a apresentação de Certidão Negativa de Débito ou de Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa: (...) 27. Nesse sentido, a Recorrente demonstrou por meio das certidões negativas da Secretaria da Receita Federal e da Procuradoria Geral da Fazenda Naeional, anexas aos autos (doc. n° 3) sua regularidade fiscal no momento em que optou pela destinação dos recursos! A existência de débitos surgidos após a referida destinação apenas poderiam influenciar a concessão de benefícios em anos subsequentes. 28. Ad argumentandum, mesmo que se admitisse que a existência de pendências fiscais surgidas após o momento da opção, não seria possível alegar a existência destas em nome da Recorrente. Nesse sentido, segue anexa Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Fl. 663DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 6 Negativa (doc. n° 4) que comprova a regularidade fiscal atual da Recorrente. (...) 29. Como já demonstrado acima, a falta de apresentação de PERC pela Recorrente não poderia sustentar um lançamento em duplicidade, fundamentado na própria existência de um Auto de Infração anterior sobre o mesmo período e baseado em fato inverídico (no caso, a falta de regularidade fiscal da Recorrente). Entretanto, admitindo, apenas para fins de argumentação, que a lavratura do presente Auto de Infração fosse possível, a ora Recorrente vem demonstrar a impossibilidade de se alegar a falta de apresentação de PERC. 30. Após analisar as cópias do Processo Administrativo n° 16143.000335/200718 mencionado no Termo de Constatação do presente Auto de Infração, a Recorrente verificou que a de intimação com o Extrato de Destinação nunca foi recebida por preposto e/ou representante legal! Portanto, sem o recebimento do Extrato de Destinação apontando irregularidade na sua destinação, a Recorrente não teria qualquer motivo para apresentação de PERC. 31. O Egrégio Conselho de Contribuintes e os Tribunais Regionais Federais reconhecem a nulidade de intimações entregues a pessoas que não são representantes legais do contribuinte. Confirase: (...) 32. O fato de a suposta intimação ter sido entregue a terceiro desconhecido pela Recorrente viola inclusive o artigo 37 da Constituição Federal, que exige a publicidade dos atos praticados pela Administração Pública. 33. Portanto, os precedentes citados demonstram que a alegação de nulidade de intimação formulada pela Recorrente tem respaldo em entendimentos adotados tanto pelo Conselho de Contribuintes, quanto pelos tribunals Regionais Federais. (...) 34. Ademais, cumpre notar que, conforme já decidido pelo Egrégio Conselho de Contribuintes, inexiste norma expressa que fixe qualquer prazo para o exercício do direito do contribuinte para pleitear a revisão dos valores de incentivos fiscais pretendidos. (...) 38. Ora, resta claro que o prazo para contestar ou requerer o Certificado de Incentivos Fiscais, que não foi recebido pela ora Recorrente é de cinco anos a contar da data da entrega da declaração de rendimentos. 39. O presente Auto de Infração trata de informações constantes da declaração de rendimentos do ano de 2003, anocalendário 2002. A DIPJ/2003, referente ao anocalendário de 2002 foi entregue pela Recorrente no dia 30.6.2003 (doc. n° 5). Nesse sentido, a Recorrente poderia requerer a emissão do Certificado de Incentivos Fiscais até 30.6.2008 o que lhe foi negado com a lavratura do presente Auto de Infração. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19515.004264/200745 Acórdão n.º 1302001.981 S1C3T2 Fl. 662 7 40. Diante do exposto, restou suficientemente demonstrada a necessidade de reformar o Acórdao ora recorrido e CANCELADO o Auto de Infracao ora em comento, uma vez que: (i) tratase de lançamento em duplicidade, já que o Processo Administrativo n° 19515.002934/200616 constitui o mesmo crédito tributário no mesmo período (anocalendario de 2002, exercício de 2003). Diferentemente do alegado no Acórdão em discussão, a duplicidade no lançamento é verificada quando o lançamento busca o mesmo crédito tributário, como e no caso em tela. Nesse sentido, não se pode admitir de forma alguma, a exigência de tributo em duplicidade, sob pena de incorrer em ilegalidade e confisco, o que é vedado pela Constituição Federal, além de incorrer no bis in idem; (ii) a Recorrente demonstrou sua regularidade fiscal atual e no momento em que optou pela destinação dos recursos; (in) a intimação referida no processo administrativo n° 16143.000335/200718 nunca foi recebida por preposto e/ou representante legal da Recorrente e a falta de contestação pela Recorrente não pode ser utilizado como base para o Auto de Infração em referenda; e (iv) o prazo para contestar ou requerer o Certificado de Incentivos Fiscais, que não foi recebido pela ora Recorrente é de cinco anos a contar da data da entrega da declaração de rendimentos e a Recorrente poderia requerer a emissão do Certificado de Incentivos Fiscais ate 30.6.2008, o que ficou superado diante da lavratura do presente Auto de Infração. 41. Dessa forma, a Recorrente requer seja conhecido e integralmente provido o presente Recurso Voluntario, para o fim de que seja reformado o Acórdão recorrido no que lhe foi desfavorável, sendo reeonhecida a total improcedência da exigência fiscal formulada por meio do Auto de Infração e Imposição de Multa objeto deste processo administrativo.”. É o relatório. Voto O recurso de ofício atende ao disposto no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72 c/c a Portaria MF nº 03/2008, razão pela qual dele conheço. A decisão de primeira instância é bastante lacônica, pois não desenvolve as razão pelas quais considerou decaído, restringindose a afirmar que “lançamento foi efetuado em 20/12/2007, de forma que a Fazenda decaiu do direito de lançar em relação ao período de 11/2002”. Ora, a recorrente optou pelo lucro real anual no AC 2002, conforme DIPJ/2003 a fls. 9, logo, independentemente da regra decadencial aplicável ao caso – art. 150, § 4º, ou art. 173, ambas do CTN, não há que se falar que, em 20/12/2007, já tivesse ocorrido a decadência do direito de o Fisco efetuar lançamento relativo ao lucro real anual de 2002. O equívoco do julgador de primeira instância, ao que parece, derivou da Fl. 665DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 8 absurda tese esposada na impugnação, segundo a qual o fato gerador do IRPJ seria mensal, com base na Lei 8.541/95. Olvidouse o patrono e o julgador que, em 2002, já vigorava a Lei 9.430/96, pela qual, o lucro real é, em regra, trimestral e, por opção, como no presente caso, anual. Por essas razões, voto por dar provimento ao recurso de ofício. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatários com poderes para tal, conforme procuração a fls. 569, razão pela qual voto pelo seu conhecimento. Em preliminar, alega a recorrente que a Fiscalização não observou o art. 906 do RIR, o qual assim versa: “Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, § 2º, e Lei nº 3.470, de 1958, art. 34).”. A nãoobservância do art. 906 do RIR/99, em caso de revisitação pela Fiscalização de fato gerador já auditado, pode gerar duas posições diametralmente opostas, uma pela nulidade do auto de infração e outra que entenda que tal inobservância não macula o lançamento feito pelo AuditorFiscal, autoridade competente para o lançamento. Não obstante, tenho suportado que a inobservância do art. 906 em caso de revisitação de período já auditado gera a nulidade do lançamento, porém, como a norma não prevê uma forma para este ato, esta autorização pode se dar inclusive por meio de MPF. Ora, o procedimento teve início com o MPF 08.1.90.00207031113, o qual não se encontra nos autos, razão pela qual se faria necessário a conversão do julgamento em diligência, para que fosse juntado o referido MPF a estes autos, pelo menos, para aqueles que compartilham do mesmo entendimento por mim suportado. Não obstante, deixo de propor o aprofundamento da investigação com relação a essa preliminar de nulidade, em observância ao princípio da primazia da decisão de mérito, uma vez que, ao meu juízo, o mérito da questão posta em julgamento é favorável justamente à parte que alega e que se beneficiaria com o acolhimento da preliminar de nulidade, se não vejamos o que se segue. A recorrente alega, também, que há lançamento em duplicidade, pois o Processo Administrativo n° 19515.002934/200616 teria constituído o mesmo crédito tributário no mesmo período (anocalendário de 2002, exercício de 2003). As únicas peças do referido processo que constam destes autos é o Acórdão 0322.280 da DRJ/BSA e o Acórdão nº 130100.221 da 3ª Câm./1ªTO/1ª Sejul (a fls. 646), dos quais se conclui que a autuação ali em tela versa sobre a interpretação do art. 593 do RIR/99, pois a recorrente teria destinado parte do valor do IR sobre o lucro inflacionário do AC 2002 (e de outros AC também) para incentivos fiscais e recolhido sobre o código de receita 6692. Vale ressaltar que o CARF deu provimento ao recurso voluntário e cancelou o auto de infração. Por sua vez, o objeto deste processo é apenas o auto de infração a fls. 127 e segs, no qual a infração está assim descrita: “Valor do imposto de renda recolhido a menor em decorrência de excesso na destinação feita ao FINOR, FINAM ou FUNRES, conforme apurado no Termo de Constatação lavrado nesta data, que passa a fazer parte integrante deste como se nele transcrito fosse.” Os recolhimento a menor de que a descrição dos fatos tratam, são na verdade IRPJ sobre estimativas mensais, pois, no AC 2002, a recorrente apurou Prejuízo Fiscal no montante de R$ 106.060.048,39, conforme DIPJ a fls, 15. Ademais, no Termo de Constatação a fls. 4, consta a relação dos recolhimentos feitos através de DARF específicos com o código 9032 Finam – Estimativa – Pessoa Jurídica que atenda às condições. Assim, não há que se falar em lançamento em duplicidade, já que temos Fl. 666DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19515.004264/200745 Acórdão n.º 1302001.981 S1C3T2 Fl. 663 9 infrações diferentes, pois uma versava sobre a destinação a incentivos fiscais do IR sobre lucro inflacionário e a outra sobre o IR sobre bases estimadas. Por outro lado, aplicase na espécie a Súmula CARF nº 82, cujo verbete assim dispõe: “Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas.” Por essas razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar integralmente o auto de infração e, consequentemente, considerar prejudicado o julgamento do recurso de ofício. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 667DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003708/2008-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9202-004.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201612
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.003708/2008-14
anomes_publicacao_s : 201702
conteudo_id_s : 5676467
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-004.786
nome_arquivo_s : Decisao_19515003708200814.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 19515003708200814_5676467.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
id : 6641756
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688554672128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1681; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 434 1 433 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.003708/200814 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202004.786 – 2ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2016 Matéria RETROATIVIDADE BENIGNA, NATUREZA DA MULTA NOS LANÇAMENTOS PREVIDENCIÁRIOS ANTERIORES A MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI 11.941/2009 Recorrente SAGA CONSULTORIA EM NEGÓCIOS S/S LTDA. ME Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 37 08 /2 00 8- 14 Fl. 259DF CARF MF Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 9202004.786 CSRFT2 Fl. 435 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10552.000439/200724. Tratase de recurso especial interposto pelo sujeito passivo diante da divergência de entendimento entre turmas julgadoras do CARF acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso e requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.777, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10552.000439/200724, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.777): O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 9202004.786 CSRFT2 Fl. 436 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 9202004.786 CSRFT2 Fl. 437 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Fl. 262DF CARF MF Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 9202004.786 CSRFT2 Fl. 438 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 9202004.786 CSRFT2 Fl. 439 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 264DF CARF MF Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 9202004.786 CSRFT2 Fl. 440 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 9202004.786 CSRFT2 Fl. 441 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 266DF CARF MF Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 9202004.786 CSRFT2 Fl. 442 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 9202004.786 CSRFT2 Fl. 443 10 Em face ao exposto, nego provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, mantendose incólume o Acórdão recorrido. É como voto. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, negarlhe provimento, mantendose incólume o Acórdão recorrido (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 268DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.904201/2009-38
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/06/2001
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 28/06/2001 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13888.904201/2009-38
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5621130
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-004.068
nome_arquivo_s : Decisao_13888904201200938.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 13888904201200938_5621130.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
id : 6468333
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688570400768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1926; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13888.904201/200938 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.068 – 3ª Turma Sessão de 07 de junho de 2016 Matéria PIS/COFINS. Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente CRISTINA APARECIDA FREDERICH & CIA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/06/2001 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 42 01 /2 00 9- 38 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904201/200938 Acórdão n.º 9303004.068 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3303002.489, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 290DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904201/200938 Acórdão n.º 9303004.068 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904201/200938 Acórdão n.º 9303004.068 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904201/200938 Acórdão n.º 9303004.068 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 293DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904201/200938 Acórdão n.º 9303004.068 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904201/200938 Acórdão n.º 9303004.068 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904201/200938 Acórdão n.º 9303004.068 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 296DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905667/2011-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.725
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10980.905667/2011-29
anomes_publicacao_s : 201702
conteudo_id_s : 5675910
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-003.725
nome_arquivo_s : Decisao_10980905667201129.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 10980905667201129_5675910.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
id : 6640055
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688574595072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1939; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.905667/201129 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402003.725 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2017 Matéria PIS/COFINS. COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente BRASILSAT LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 56 67 /2 01 1- 29 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10980.905667/201129 Acórdão n.º 3402003.725 S3C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte. 2. Segundo consta dos autos, o contribuinte alega possuir um crédito tributário decorrente do pagamento a maior de COFINS, nos termos exigidos pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, o qual foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, por intermédio do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral. 3. Referida manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJCuritiba nos termos do que se depreende da ementa abaixo transcrita, na parte de interesse ao presente julgamento: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando, em suma, o que segue: (i) nulidade da decisão atacada, uma vez que ao pretexto de não poder analisar constitucionalidade de norma, a decisão vergastada deixou de analisar outros fundamentos jurídicos desenvolvidos pelo recorrente e que seriam autônomos e suficientes para a procedência do seu pleito; e, ainda (ii) que o crédito vindicado pelo contribuinte seria legítimo, nos termos da já citada decisão Pretoriana, a qual apresentaria caráter vinculativo para este CARF, conforme previsto no então vigente art. 62A do RICARF. 5. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10980.905667/201129 Acórdão n.º 3402003.725 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.723, de 24 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.933424/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.723): "6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Da nulidade da decisão atacada 7. Não há nulidade da decisão atacada. Conforme se observa da própria manifestação de inconformidade do contribuinte, o pano de fundo a originar seu crédito para a contribuição em apreço é a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, reconhecida pelo STF. É o que se observa do seguinte trecho da sua manifestação: O contribuinte extinguiu o débito da COFINS, apurada conforme acima e declarada em DCTF, com DARF, período de apuração 28/02/2003, código de receita 2172, recolhido em 14/03/2003. Posteriormente, com a Declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98 surgiu para o contribuinte o crédito tributário oponível ao Fisco referente a COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 18.459,40. 8. A decisão recorrida, por sua vez, partiu do pressuposto que a questão em apreço tocava a análise quanto à (in)constitucionalidade de normas, o que não seria passível de apreciação na instância administrativa, nos exatos termos da Súmula CARF no 2. 9. Assim, uma vez reconhecida a sua incompetência para a questão de fundo e cuja análise seria essencial para o deslinde da questão debatida, a DRJ não poderia seguir adiante na análise da manifestação de inconformidade proposta pelo contribuinte. 10. Todavia, ainda que se considere que a decisão recorrida apresenta uma mácula, o que se afirma aqui a título de obiter dicta, mesmo assim tal fato não seria impediente para a análise do recurso voluntário interposto, haja vista o disposto no art. 59, Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10980.905667/201129 Acórdão n.º 3402003.725 S3C4T2 Fl. 0 4 §3º do Decreto m. 70.235/721, motivo pelo qual passo a análise de mérito do presente recurso. II. Do mérito da compensação perpetrada 11. Superada a questão preliminar, não há dúvida que, nos mérito, a juridicidade do crédito do contribuinte deve ser reconhecida, haja vista que a origem do citado crédito decorre da reconhecida inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, assim reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE nº 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP 00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) 1 "Art. 59. São nulos: (...). § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (...)." Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10980.905667/201129 Acórdão n.º 3402003.725 S3C4T2 Fl. 0 5 12. Referida decisão vincula este órgão julgador, nos termos art. 62, § 2º, do RICARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 13. Assim, o crédito do contribuinte é juridicamente válido, cabendo à fiscalização tão somente apurar se o montante aproveitado pelo contribuinte efetivamente retrata o aludido crédito. Dispositivo 14. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo o direito ao crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722768/2013-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos converter o julgamento em diligência nos termos do voto da redatora designada, vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins (relator) que negava provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Julgado dia 20/09/2016 no período da tarde.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Márcio de Lacerda Martins
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Marcio Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.722768/2013-99
anomes_publicacao_s : 201611
conteudo_id_s : 5656847
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 14 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2401-000.533
nome_arquivo_s : Decisao_19515722768201399.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCIO DE LACERDA MARTINS
nome_arquivo_pdf_s : 19515722768201399_5656847.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos converter o julgamento em diligência nos termos do voto da redatora designada, vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins (relator) que negava provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Julgado dia 20/09/2016 no período da tarde. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Marcio Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
id : 6564187
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688592420864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1327; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2‐C4T1 Fl. 786.882 1 786.881 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.722768/201399 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.533 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 20 de setembro de 2016 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente ROGÉRIO MAURO D'AVOLA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos converter o julgamento em diligência nos termos do voto da redatora designada, vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins (relator) que negava provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Julgado dia 20/09/2016 no período da tarde. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Marcio Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 22 76 8/ 20 13 -9 9 Fl. 76883DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.883 2 RELATÓRIO Da situação fiscal do Contribuinte: O quadro abaixo apresenta os dados, extraídos da Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira Dimof de instituições bancárias e das declarações de ajuste anual do Contribuinte, (efls. 10 a 25)1 que evidenciam a incompatibilidade numérica relevante entre os rendimentos declarados do Contribuinte identificado em epígrafe e a sua movimentação financeira. Os dados coletados mostram que a movimentação financeira deste Contribuinte foi 3,4 e 14,5 vezes os rendimentos declarados nos exercícios 2009 e 2010, respectivamente, conforme quadro abaixo: RENDIMENTOS DECLARADOS (em Reais) EXERCÍCIOS Tributáveis Isentos e não tributáveis Tributação exclusiva Totais Movimentação Financeira (em Reais) 2009 120.575,93 8.076.439,67 690.351,65 8.887.367,25 30.370.668,24 2010 543.387,52 1.814.591,99 459.724,71 2.817.704,22 40.881.662,15 Da Intimação Inicial e Prorrogações de prazo: O Contribuinte foi cientificado do Termo de Início de Fiscalização em 05/03/2012 conforme doc. efls. 5 a 9. A pedido do Contribuinte, a fiscalização concedeu prorrogação de prazo para o atendimento da intimação inicial em 26/03/2012, efl. 26 a 50, em 17/04/2012, efl. 51 a 67, em 16/05/2012, efls. 68 a 117. Às efls. 118 a 271, consta correspondência do Contribuinte informando que exerce a advocacia e que atua no mercado de precatórios nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Alagoas. No exercício dessa atividade movimenta em suas contas correntes valores pertencentes a terceiros e que, portanto, não são de sua titularidade. Afirma tratar com uma grande quantidade de clientes e apresenta uma planilha com a movimentação relativa ao mês de janeiro de 2008, acompanhada de recibos e procurações públicas de cedentes. Da resposta do Contribuinte à Intimação Inicial: O Contribuinte informou que "as movimentações apontadas pela Receita Federal são oriundas da profissão do Contribuinte, pois o mesmo é advogado, figurando como procurador de inúmeros clientes". Juntou cópia de documentos que, segundo entende, comprovam "que o Contribuinte, a título de procurador, formaliza instrumento particular de cessão de crédito precatório, e habilita o cessionário nos autos da ação que originou o crédito". 1 Os números das folhas mencionados neste acórdão são da numeração digital do eprocesso. Fl. 76884DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.884 3 Informou ainda que "advoga na área tributária, especificamente com débitos de inúmeras empresas oriundos de ICMS, e como representante legal, atua como receptor das quantias despendidas das pessoas jurídicas repassando os numerários aos Cedentes" e que "no exercício de sua atividade profissional, representando empresas devidamente consolidadas, que tem interesse na aquisição de créditos consubstanciados em precatórios, intermedia negociação entre credores de precatórios e pessoas jurídicas". Da Constatação Fiscal: Termo de Constatação e Embaraço à Fiscalização, efls. 272 e 273, ciência em 13/06/2012, AR efl. 274, foi lavrado nos seguintes termos: (destaque do original) "[...] Assim, considerandose que: até a presente data a documentação requerida não foi exibida em sua integralidade, não obstante o prazo concedido ao contribuinte tenha sido mais que suficiente; nos termos fiscais lavrados anteriormente, o contribuinte já fora alertado que, na hipótese do contribuinte deixar de fornecer, dentro do prazo estipulado, as informações sobre sua movimentação financeira, bem como outros elementos, como definido no inciso I, do artigo 33 da Lei nº 9.430/96, configuraria embaraço à fiscalização e consequentemente permitiria o acesso às respectivas informações relacionadas com operações e serviços junto às instituições financeiras, conforme disposto no art. 3º, inc. VII, do decreto nº 3.724/01. Assim, não havendo justificativa RAZOÁVEL para esse procedimento por parte do contribuinte, o presente Termo formaliza o embaraço à fiscalização, nos termos da legislação anteriormente referenciada, por ser indispensável ao prosseguimento da ação fiscal.[...]" Da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF: A fiscalização visando a dar continuidade à auditoria, constatado o transcurso de mais de noventa dias da ciência do Contribuinte em relação à primeira intimação e, ainda, sem elementos comprobatórios da origem dos rendimentos que provocaram a relevante movimentação financeira supracitada, lavrou Termo de Embaraço e a RMF dirigida às instituições financeiras, responsáveis pelas informações relacionadas ao Contribuinte. Com fulcro nas disposições do Decreto nº 3.274, de 10 de janeiro de 2001, que regulamentou o artigo 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, doc. efls. 275 a 287, foram requisitados extratos de contas correntes de titularidade do Contribuinte, seja de forma isolada ou conjunta. Da Intimação para comprovar a origem dos depósitos: O Contribuinte foi intimado a comprovar, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos depósitos/créditos registrados em contas correntes de sua titularidade na Caixa Econômica Federal, Nossa Caixa, Banco Safra, Itaú e Unibanco. A Srª Sandra Maria Gonçalves Victor, CPF 713.705.52815, foi intimada a comprovar/justificar a origem dos valores depositados nas contas correntes nº 450179, do Banco Itaú e Fl. 76885DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.885 4 n° 8202020, do Unibanco, uma vez indicada como cotitular nas fichas cadastrais e extratos dessas referidas contas, doc. efls. 251 a 296. Do Termo de Verificação Fiscal e Auto de Infração: Considerando insatisfatórios e insuficientes os documentos e os esclarecimentos prestados para comprovar a origem dos valores creditados em conta bancária do Contribuinte, a autoridade fiscal lavrou Termo de Verificação Fiscal de efls. 26.333 a 26.418. Neste termo, a autoridade fiscal relatou o desenvolvimento da auditoria, desde o início até o encerramento, e justificou a aplicação das determinações contidas no artigo 42, caput e parágrafos da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002. Assim, foram consignadas as infrações à legislação tributária, referentes aos exercícios 2009 e 2010, efls. 26.333 a 26.427, listadas na sequência: (grifei) 1 Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica – rendimentos pagos a sócio ou acionista de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, excedente ao valor escriturado, nos termos do art. 51 e parágrafos da Instrução Normativa SRF nº 11, de 1996, conforme descrição constante do Termo de Verificação Fiscal. Enquadramento legal: Artigos 654, 662 e 666 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 Decreto nº 3.000, de 1999 e Artigo 1º da Lei nº 11.482, de 2007. 2 Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrição constante do Termo de Verificação Fiscal anexo. Enquadramento legal: Artigo 849 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 Decreto nº 3.000, de 1999 e Artigo 1º da Lei nº 11.482, de 2007. Da Impugnação: O Contribuinte, por meio da Impugnação de efls. 26.442 a 26.486, questionou a validade do lançamento a partir das considerações que foram resumidas e listadas a seguir: 1. Em decorrência da ilegalidade da "quebra" do sigilo bancário, sem autorização judicial, que permitiu o lançamento com base nos depósitos nas contas correntes, requer que se reconheça a nulidade do lançamento; 2. Devido à impossibilidade de se presumir omissão de rendimentos com base unicamente na movimentação financeira, que seja cancelado o Auto de Infração; 3. A documentação apresentada não foi analisada como devido, pois comprovam que os depósitos foram repassados aos seus clientes, de forma que inexiste auferimento de renda sujeita à tributação; 4. Requer a realização de perícia a fim de apurar realmente a incidência ou não de tributação em suas movimentações financeiras; 5. Solicita a dilação de prazo para a localização e juntada de contratos e demais documentos que identifiquem especificamente todos os valores recebidos neste mesmo sentido; Fl. 76886DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.886 5 6. Requer a exclusão da responsabilidade da cotitular sobre os valores que transitaram pelas contas bancárias e sua movimentação financeira; 7. Questiona a aplicação da multa de ofício de 75% e sua base de cálculo; 8. Apresenta justificativas para diversos depósitos e movimentações referentes às cessões de crédito, e ainda as guias juntadas que demonstram os recolhimentos de custas de processos judiciais que são oriundas da atividade como profissional liberal; 9. Requer que se considere transferências de valores entre contas de sua titularidade; 10. Posteriormente à apresentação da impugnação, o Contribuinte juntou vasta documentação constante às fls. 26.631 a 76.394 dos autos. Do acórdão de impugnação: A decisão do acórdão 1275.892, efls. 76.397 a 76.488, foi assim resumida: "Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, apurandose o Imposto Suplementar a seguir: Relativo ao anocalendário de 2008: R$ 4.928.256,37, mais Multa de Ofício e Juros de Mora. Relativo ao anocalendário de 2009: R$ 4.401.148,59, mais Multa de Ofício e Juros de Mora. Ressaltese que a parcela de R$ 154.000,00 do Imposto Suplementar correspondente ao anocalendário de 2008 se refere à matéria não impugnada e deve ser apartada para cobrança imediata. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972. À Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, para as providências necessárias ao cumprimento deste ato decisório." Este acórdão foi assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008, 2009 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada. PEDIDO DE PERÍCIA. Fl. 76887DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.887 6 Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência/produção de provas quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59, do Decreto n.º 70.235/72, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. DECISÕES DE JULGADOS ADMINISTRATIVOS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais não constituem normas gerais, não podendo seus julgados serem aproveitados em qualquer outra ocorrência, senão naquela objeto da decisão. SIGILO BANCÁRIO. OBTENÇÃO DE DADOS PELA FISCALIZAÇÃO. É autorizada, nos termos da lei, a obtenção pela Fiscalização da movimentação financeira do contribuinte junto às instituições financeiras, com vistas a demonstrar a ocorrência de infração à legislação tributária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove, por meio de documentação hábil e idônea, suas origens, bem como a natureza de cada operação realizada. CONTA CONJUNTA. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. IMPUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS. A não comprovação da origem dos depósitos, comprovação esta que pode ser feita por qualquer um dos cotitulares da conta bancária, resulta, por expressa determinação do § 6º, do art. 42, da Lei nº 9.430/96, na imputação da omissão de rendimentos a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. REGIME DE CAIXA. Desde a edição da Lei nº 7.713, de 1988, a apuração do imposto de renda das pessoas físicas passou a ser efetuada pelo “regime de caixa”, ou seja, os rendimentos são tributados na medida em que forem recebidos, o mesmo se aplicando às deduções da base cálculo do referido imposto, que somente poderão ser utilizadas na declaração de ajuste anual do ano calendário em que forem efetivamente realizadas as despesas correspondentes. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Fl. 76888DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.888 7 Do Recurso Voluntário: Com amparo no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, o Contribuinte apresentou em 14/08/2015 o Recurso Voluntário, efls. 76.495 a 76.559, alegando, em síntese: 1. Insurgese com a glosa do valor de R$560.000,00 do montante total de R$2.560.000,00 recebidos de D'Avola e Bastos Sociedade de Advogados a título de lucros. A fiscalização não acatou este valor como lucro comprovado, tendo em vista que a pessoa jurídica informou na Dipj naquele ano somente R$2.000.000,00, como lucro distribuído. Alega que, contrariamente ao decidido pela 1ª instância administrativa, efetuou a impugnação desta glosa e reitera as razões da impugnação. 2. Do cerceamento de defesa: 2.1. Da falta de acesso aos autos: Afirma que, "só obteve cópias do 6º volume em diante no dia 11 de agosto de 2015, quando faltavam seis dias para o prazo fatal do recurso". E conclui requerendo a nulidade do haja vista a falta da disponibilização integral dos autos o que impede a ampla defesa e o contraditório nesta fase recursal. 2.2. Do indeferimento do pedido de perícia: O pedido de perícia foi indeferido sem fundamentação adequada pelos julgadores da DRJ e que é de rigor a nulidade do processo com a negativa de produção de tal prova. 2.3. Da falta de individualização dos depósitos: O lançamento com base em depósitos bancário de origem considerada não comprovada tem validade apenas com a individualização dos créditos para permitir a defesa do autuado. 2.4. Da desconsideração dos julgados administrativos e judiciais colacionados: A vinculação dos órgãos administrativos às decisões pacificadas nos Tribunais e às súmulas do CARF é imperativa e sua desobediência provoca a nulidade do processo. 3. Do entendimento pacificado no STF quanto à impossibilidade da quebra do sigilo bancário e a possibilidade de eventual sobrestamento do recurso. No julgamento do RE 389.808 o STF decidiu que o Fisco só pode quebrar o sigilo bancário se a Justiça o autorizar, sob pena de tornar nulo qualquer procedimento fiscal que infrinja tal decisão, conforme ainda decisão RE 387.604. 4. Da irregularidade na obtenção dos dados pela fiscalização. O acesso aos dados bancários do Recorrente não foi realizado com a observância dos requisitos legais sem que fosse provada a indispensabilidade da quebra do sigilo bancário. 5. Da decadência: Fl. 76889DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.889 8 O Recorrente alega que o período compreendido de janeiro a outubro de 2008 encontra se inexigível haja vista a configuração da decadência. 6. Da impossibilidade de depósito bancário constituir fato gerador do IR. Como já prevê inclusive súmula do TRF, a mera movimentação financeira não traduz o conceito de acréscimo patrimonial. Cita julgados do CARF que vazam entendimento sustentando que os depósitos bancários não constituem, por si só, fato gerador do imposto de renda CSRF/0102.741 e 10417.494. 7. Da impossibilidade da soma algébrica dos depósitos: A autuação é nula e totalmente improcedente pois calcada exclusivamente em depósitos bancários e estes não representam aquisição de disponibilidade econômica, conforme inúmeras decisões do próprio CARF como os acórdãos CSRF/0102.641; CSRF/0102.564; CSRF/0103.148 e outros. 8. Da aplicação da presunção de omissão de receitas. O Recorrente avoca a Súmula 182 do TRF que prescreve: "É ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários". Cita trechos do voto condutor do acórdão nº 210200.683 que reforçam o entendimento que o suporte fático da tributação não pé o depósito bancário em si, mas sim o acréscimo patrimonial, a renda consumida ou o benefício de qualquer ordem, tal qual, o pagamento de uma obrigação, por exemplo. 9. Da análise individualizada dos depósitos realizada no acórdão da DRJ quando da análise da impugnação. O Recorrente enumera depósitos que foram analisados pela 1ª instância e contesta as justificativas utilizadas para não aceitarem a comprovação da origem desses valores. Reitera as justificativas. 10. Da eventual incidência da alíquota de ganho de capital. Na eventualidade do Auto de infração não ser integralmente afastado, seja pelas nulidades, seja pelo período abrangido pela decadência, seja pelas provas da origem de toda a movimentação financeira, aplicase as regras de tributação pelo ganho de capital pela realização de negócios jurídicos de compra e venda de créditos em precatórios. 11. Da autuação da cotitularidade. Aduz que a cotitular das contas não foi intimada até a presente data sobre o julgamento do processo 19515.722769/201333 que, segundo informação à fl. 76.471 será julgado em conjunto com o presente processo. Ao final da peça recursal, o Contribuinte reforça seus pedidos resumidos e listados na sequência: a) Nulidade do auto de infração e da imposição de multa por cerceamento ao direito de ampla defesa e pelos vícios que aponta; Fl. 76890DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.890 9 b) Nulidade do procedimento fiscal baseado em informações protegidas pelo sigilo bancário em flagrante desobediência às decisões do STF nos RE 389.806 e 387.604; c) Reconhecer a decadência do lançamento sobre período relativo ao ano calendário de 2008; d) Requer sobrestamento do feito até decisão definitiva do STF sobre a constitucionalidade da Lei Complementar nº 105, de 2001; e) Na hipótese de manutenção da decisão, requerse que seja acolhida a questão relativa a eventual incidência do imposto com base no ganho de capital, como amplamente explicitado nas razões recursais. É o relatório. Fl. 76891DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.891 10 VOTO VENCIDO Conselheiro Marcio de Lacerda Martins Relator Fiquei vencido quanto à necessidade da diligência constatado que o Contribuinte não se incumbiu de comprovar a origem dos depósitos bancários, relacionados pela fiscalização, com documentação que permita a vinculação dos valores e datas. (Assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins. Fl. 76892DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.892 11 VOTO VENCEDOR Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Redatora Designada Em que pese os doutos argumentos trazidos pelo Ilustre Conselheiro Relator, tomo a liberdade para dele divergir, para tanto, peço vênia para apontar alguns elementos fáticos, que formaram o meu convencimento. Tratamse de Autos de Infração lavrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 19/11/2013, em face de Rogério Mauro D’Avola e Sandra Maria Gonçalves Victor, respectivamente, para exigir valores a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, referente aos anoscalendário de 2008 e 2009, decorrentes de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. A base legal do lançamento é o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996. A fiscalização que originou o auto de infração, iniciouse em 05 março de 2012 com o pedido de apresentação dos extratos bancários de suas contas correntes. No dia 26 de março de 2012, o contribuinte apresentou parte da documentação requerida (termo de recepção de fls. 26 do pdf) e requereu prazo suplementar para a apresentação do restante dos documentos; em 17 de abril de 2012 apresentou novos documentos e requereu um novo prazo, juntando, dessa feita, cópia das cartas encaminhadas aos bancos com o pedido de fornecimento dos extratos (termo de recepção de fls. 51 do pdf e folhas seguintes). Notese que, mesmo antes da entrega de todos os extratos, o contribuinte informou à fiscalização que a origem dos valores ora em debate decorrem da compra e venda de precatórios e apresentando documentos a sustentar suas alegações, também apresentou uma relação de clientes adquirentes e cessionários dos precatórios e de processos e, ainda, uma planilha com a relação das entradas, saídas e origens do mês de janeiro de 2008 (fls. 120/271 do pdf). Às fls. 272/273, a fiscalização lavrou um “termo de constatação de embaraço à fiscalização” (13/06/2012), entendendo não ser razoável a falta de entrega total da documentação por parte do contribuinte a despeito dele ter apresentado justificativa para a demora e requisitou diretamente toda a movimentação aos bancos. Entretanto, esclareçase, não consta nos autos resposta das instituições financeiras. Em 22 de fevereiro de 2013, o contribuinte (fls. 317/880) apresentou os extratos que lhe foram entregues pelas instituições financeiras. No avançar desse procedimento, um ano após a entrega dos extratos (entrega em 09/08/2012, vide fls. 305, volume IV), a fiscalização intimou o contribuinte para comprovar a origem das movimentações listadas individualizadamente das fls. 881 até às fls. 949 (12/08/2013) AR de 15/08/2013 (anexado às fls. 950). Assim, por intermédio da petição de fls. 951 e seguintes, o contribuinte junta aos autos, documentos justificando os depósitos constantes das suas contas correntes. Fl. 76893DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.893 12 Na referida petição apresenta as informações, nos moldes conforme os exemplos a seguir: Às fls. 2.385, já aparentemente com o intuito de analisar a natureza da operação, a fiscalização intima a parte a apresentar os seguintes documentos: a) Apresentar os contratos de prestação de serviços firmados com os supostos adquirentes dos precatórios; b) Quantificar a remuneração recebida pelos serviços prestados; em se tratando de remuneração para a pessoa jurídica da qual tenha participação societária apresentar recibos e escrituração contábil; c) Demonstrar com documentação hábil e idônea, o repasse dos recursos depositados aos vendedores dos precatórios; Intimado em 30 de setembro de 2013 (AR de fls. 2.386), o contribuinte junta em 21 de outubro de 2013, as informações para as quais presta os esclarecimentos (fls. 2.387 e seguintes do pdf). Fl. 76894DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.894 13 Os esclarecimentos referentes à operação de compra e venda de precatórios são prestadas, conforme assevera o próprio contribuinte às fls. 2.389, do seguinte modo: Na sequência da apresentação dessas planilhas, inicialmente juntadas às fls. 2.412/2.431, junta os seguintes documentos: 1) Cópia dos Contratos de Instrumento Particular com Identificação dos depositantes (indicados na coluna “B”), identificação dos cedentes originários e advindos de processo judicial que originou o crédito precatório (indicados na coluna “D”); 2) Cópia de recibo de pagamento e/ou comprovante de depósito realizado aos cedentes originários e advindos de processo judicial que originou o crédito o precatório (indicados na coluna “E”). 3) Cópia de recibo de pagamento e/ou comprovante de depósito realizado com desembolsos havidos (indicados na coluna “G); Nessa ordem separa cada valor e os respectivos documentos comprobatórios em 26 volumes juntados a partir das fls. 2.431. Fl. 76895DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.895 14 Cada operação (e correspondentes depósitos e despesas) é apontada separadamente — dividida com uma folha na qual consta o nome do depositante, por ex., fls. 2432 e seguintes, corresponde a “PELZER”, fls. 2446 e seguintes a 'NEW AGE' e assim na sequência, do seguinte modo: Quando a empresa adquirente dos precatórios faz mais de uma aquisição temse, na sequência, uma nova “capa” e os documentos relativos à nova operação, por ex., “NEW AGE” tem novos documentos, entre outros momentos, justificados às fls. 2887 e seguintes. Em todos os casos existem depósitos/recibos, etc. com as comissões pagas, conforme tabela e com datas compatíveis com os negócios realizados. Em 18 de novembro de 2013, às fls. 14.218 (5.069, vol. II) o contribuinte faz a juntada dos documentos complementares. É importante ressaltar que seis dias após a entrega de toda a documentação do modo supra mencionado, em 18 de novembro do 2013, às fls. 26.333 (fls. 7.755 do pdf, vol III), o auto de infração é lançado com base na presunção do art. 42 da Lei 9.430/96, sob a justificativa de que “Os documentos apresentados, sob alegação de intermediação na aquisição de precatórios, que justificariam os depósitos na conta corrente n° 8202020, uma vez que apenas apontam suposto depositante, mas não comprovam a origem dos depósitos, isto é, não permitem qualquer vinculação coincidente em data e valor de determinado crédito em conta corrente com a alegada prestação de serviço de intermediação na aquisição de precatório ou qualquer outro tipo de prestação de serviço. Nesse mesmo sentido, também o demonstrativo em planilha não restou suficiente. Vale dizer, para a comprovação da origem é indispensável a apresentação dos contratos de prestação de serviços firmados com os supostos adquirentes dos precatórios, de modo que seja possível concluir, inequivocamente, a relação “depósito/prestação de serviço (…).” É com base nos fatos descritos que formei o entendimento da minha divergência, salvo melhor juízo de entendimentos em contrário. Analisando a documentação apresentada, entendo que restou demonstrada a origem dos respectivos depósitos. Nesse descortino, discordo do entendimento exposado pela Autoridade Fiscal onde, para que ocorra prova da origem dos recursos, há necessidade de que a documentação demonstre a relação de cada valor e cada documento de modo biunívoco, ou seja, conforme constante do auto de infração que “para comprovação da origem, é necessária a vinculação de “cada crédito” a uma operação realizada” de modo que cada valor teria um “recibo” ou um contrato ao qual corresponda uma obrigação idêntica aos valores depositados até mesmo pela natureza do serviço prestado pelos Fl. 76896DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.896 15 Recorrentes, essa pretensão é impossível de se operar, já que comumente os precatórios possuem um valor de face e são comercializados com deságio. Nesse diapasão, notese ainda que, comprovar a origem do recurso, s.m.j, não obriga ao contribuinte a apresentar um recibo dos valores depositados em sua conta corrente, mesmo porque a prática geral é de se fornecer um recibo para quem paga e não para quem recebe. É importante evidenciar que, quando a lei expressa que se deve comprovar a origem dos recursos o faz para determinar ao sujeito passivo que demonstre a procedência ou a causa daquele depósito. Ressalto que adoto esse entendimento alicerçada nas seguintes premissas: primeiro porque o sentido da palavra origem é esse, conforme expresso no vernáculo – procedência ou causa; segundo porque se aceitarmos essa origem somente seja comprovada se houver uma correspondência exata de valores entre os depósitos e os documentos teríamos uma tal redução do direito de prova dos contribuintes que viria abaixo, por meio de presunção relativa, o direito constitucional da ampla defesa, transformada, nesse passo, em estreita defesa. Salientese que, essa obrigação, de fazer a comprovação coincidente em data e valor não consta na Lei, o que a lei expressa é a obrigação de comprovar a origem. No caso dos presentes autos, o Recorrente ao captar um cliente que possui direito de precatório, poderá comercializálo somente a posteriori, no entanto, a origem do recurso restará demonstrada, como restou da documentação colacionada aos autos. Nesse diapasão, entendo que o contribuinte demonstrou que para cada depósito havia um correspondente depositante, apresentou os seus respectivos CNPJ’s, mostrou que tinha um contrato de cessão de direitos creditórios no qual o Recorrente figurava como procurador por meio de uma procuração pública irrevogável e isenta de prestação de contas, firmado em data próxima do depósito; demonstrou pagamentos aos cedentes e apresentou outros instrumentos que demonstram que as relações havidas correspondem a compra e venda de direitos precatórios nos quais o Recorrente figura como adquirente por meio de procuração in rem suam e como vendedor, na qualidade de procurador do cedente, através do instrumento de cessão dos direitos . Não há como negar a admissibilidade e validade dessa documentação. Impende registrar que procuração em causa própria, não encerra uma mera outorga de mandato, até porque se trata de um verdadeiro negócio jurídico dispositivo, translativo de direitos, tanto que em regra é lavrado com caráter irrevogável e com isenção de prestação de contas e confere poderes especiais de livre disposição do bem, tudo isso no exclusivo interesse do mandatário. A compra e venda dos direitos resta demonstrada quando contrapostos os documentos. O Recorrente adquire os direitos e recebe por eles procurações públicas, por exemplo, no caso do valor cedido posteriormente para a empresa Pelzer System Ltda., conforme exemplificouse no próprio acórdão da DRJ, um recibo emitido em 29/03/2007 por Oscar Mernick, no valor de R$ 25.000,00, recebido de Rogério Mauro D’Avola, referente à cessão dos direitos creditórios oriundos do precatório alimentício de EP nº 06388/05, o correspondente comprovante de TED remetida por Rogério Mauro D’Avola, em 29/03/2007, no valor de R$ 25.000,00, em favor de Oscar Mernik e a procuração pública de 29/03/2007 outorgada por Oscar Mernick ao seu procurador Rogério Mauro D’Avola, para que este último tenha amplos poderes para ceder a quem quiser os direitos creditórios da totalidade de seus valores referentes ao precatório EP nº 06388/05; Demonstrando relação e datas coincidentes na aquisição dos precatórios e posteriormente a cessão desses precatórios através de Instrumento Particular Fl. 76897DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.897 16 de Cessão de Direitos Creditórios, devidamente registrado no qual Oscar Mernick (representado por Rogério Mauro D’Avola) cede esses precatórios para a empresa Pelzer System Ltda.. Por outro lado, não existe dúvida de que o depósito de R$298.954,89 (duzentos e noventa e oito mil novecentos e cinquenta e quatro reais e oitenta e nove centavos) foi originário da Pelzer System Ltda. isso porque é o que consta expressamente no extrato de fls. 317 (TED RECEBIDA ITAU PELZER SYSTEM LTDA 298.954,89 C). Supor que tais elementos não são suficientes para indiciar a prova que ilide a presunção do art. 42 é igualmente presumir que o contribuinte falseou a enormidade de documentos colacionados aos autos, a maioria deles com registro público e procurações lavradas por meio de escritura pública – isso implicaria, por outro lado, em atribuir a prática de crimes aos agentes públicos que fizeram os competentes instrumentos e registros. Repisese, não temos, pelo senso comum, como afastar as provas juntadas nos autos. “A presunção decorrente da conjugação de indícios coerentes, certos e convergentes é aceita, pela jurisprudência administrativa, como prova do fato jurídico tributário.” 2 A presunção arbitrária imposta pela fiscalização, inverte o ônus da prova e obriga ao contribuinte elidila, descaracterizando a função essencial da regra no Direito Tributário (praticabilidade e arrecadação), as presunções, como a presunção em discussão, permite que o fato possa ser indiretamente provado e que igualmente possa ser elidido. No exame dos extratos nos traz a certeza de quem são os inúmeros depositantes, por ex., RST Fabricação e Comércio de Artefatos de Papéis Ltda., Samar Comercial Importação e Exportação Ltda., Bentomar Indústria e Comércio de Minérios Ltda. e outros, expressamente identificados no extrato na supra citada fl. 317 e também constantes das documentações juntadas antes do auto de infração pelo Recorrente. O que se verifica é que, em exame ainda que superficial da relação apresentada pela DRJ no acórdão, a partir das fls. 76.422 (referente aos depósitos tributados), somente aumenta a incerteza quanto ao lançamento. Senão vejamos, logo no início, consta um valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais) do dia 06/05/2008, creditado no Banco Safra, pelo que consta do extrato às fls. 611 referese à “Transferência da Conta Poupança”, logo a seguir aponta um crédito no valor de R$ 5.999,32 (cinco mil, novecentos e noventa e nove reais e trinta e dois centavos) em 27/02/2008 que conforme extrato de fls. 605/606 corresponde a um TED de Rogério Mauro D’Avola, ocorre que o extrato é horizontal e o valor é lançado no fim da fl. 605 do lado direito e a identificação do depositante está no começo da fl. 606 do lado esquerdo e sendo transferência eletrônica de uma conta para outra é certamente originária da conta do mesmo titular, o Recorrente. A mesma coisa ocorre no lançamento do valor seguinte de R$ 16.149,65 (dezesseis mil, cento e quarenta e nove reais e sessenta e cinco centavos) de 03/03/2008, ou seja, TED Eletrônico de Rogério Mauro D’Avola, conforme expresso no extrato às fls. 607 e correspondente ao seguinte recorte: 2 Acórdão n. 1401001.181, 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (voto vencedor), na sessão de 29 de julho de 2014. Fl. 76898DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.898 17 Se o contribuinte apresentou provas que tornaram incerta a presunção legal a ele atribuída, o auto de infração necessitaria, como ele próprio apontou, de melhor investigação, pois não pode haver incertezas no lançamento, as provas não podem deixar margem a dúvidas quanto à ocorrência do fato alegado. Em verdade, sabemos que os fatos presuntivos não fazem prova concludente e absoluta da ocorrência do fato jurídico, mas, seguramente, nos fornecem elementos de provas ou alguns indicativos que nos levam a crer no sucesso do fato jurídico, a depender do grau de verossimilhança ou probabilidade. Assim, dos fatos presuntivos devese induzir a idéia do fato jurídico em sentido estrito. De modo oposto, a regra comparece na forma de dedução, de maneira que do fato jurídico stricto sensu devemse deduzir os fatos presuntivos. Vejamos como o artigo em exame descreve a presunção: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. A norma estabelece que a presunção de omissão de rendimentos somente se conformará se o contribuinte for regularmente intimado e não comprovar por meio de documentos hábeis e idôneos a origem dos recursos, ou melhor, a presunção de omissão de receitas só é autorizada se o contribuinte não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. No presente caso, cumpre consignar, entendo ser hábil e idônea a comprovação da origem dos recursos, devendo cada documento acostado ser analisado pela autoridade fiscal, individualmente. Conjugandose o “caput” do artigo 42 da Lei 9.430/96, com o seu §2º, temos que ainda que se aplique a presunção legal de omissão de receita, para afastála basta a comprovação da procedência dos recursos; o que, em uma análise perfunctória, ocorreu no caso sub examine. O artigo 369 do Novo Código de Processo Civil, dispõe que: Art. 369. As partes têm o direito de empregar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados Fl. 76899DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.899 18 neste Código, para provar a verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na convicção do juiz. Logo, aplicandose tal dispositivo subsidiariamente ao Processo Administrativo Tributário, temos que será admissível qualquer tipo de prova, desde que permitida em lei e moralmente legítima. Assim, quando o contribuinte comprova a procedência ou a pertinência das alegações de fato produzidas, caberá à Autoridade Fiscal, por sua vez, no mínimo fazer a contraprova dos fatos comprovados e trazidos pelo Contribuinte, caso opte por questionálas ou ignorálas, o que em momento algum, nos presentes autos ocorreu. Verificase que a lei dispõe que, sabida a origem dos recursos, caberá à autoridade lançar eventuais valores que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos com base nas normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, no presente caso, com base em eventual diferença de ganho de capital, o que não foi feito. Nessa esteira de entendimento, urge mencionar, por ser pertinente, parte do voto proferido pelo Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa no processo 11543.001046/200386: A DRJ/R10 DE JANEIRO/RJ II, não acolheu a alegação da defesa sob o fundamento de que os documentos apresentados pelo contribuinte comprovam apenas quem foi o depositante, mas não a natureza da operação que ensejou o depósito, requisito que considera essencial para caracterizar a comprovação da origem dos recursos, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Com a devida vênia, divirjo da decisão recorrida quanto a esse ponto. Primeiramente, não compartilho da interpretação de que o verbete "origem", constante do dispositivo legal, tenha ali outro significado senão o de procedência, fonte, de local de onde veio. A mim me parece claro que a legislação autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos quando o contribuinte não informa a origem, no sentido acima referido; sem tal informação, a lei autoriza a presunção de que tais depósitos são receitas ou rendimentos tributáveis omitidos, até porque não tem o Fisco elementos para averiguar a efetiva natureza dos recursos. Tal situação não ocorre, entretanto, quando se conhece a origem, a conta corrente de um parente, de uma pessoa física qualquer, de uma empresa da qual o contribuinte é sócio ou não, etc. Nesses exemplos, não há falar em presunção de omissão de rendimentos, mas de identificação da natureza da operação que ensejou a transferência do recurso e se, for o caso, da eventual incidência tributária. Penso que a leitura conjunta do caput do art. 42 com o seu § 2° conduz à interpretação de que, para afastar a presunção legal de omissão de rendimentos basta a comprovação da procedência dos Fl. 76900DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.900 19 recursos. Conhecida esta, cumpre ao Fisco examinar a hipótese de eventual incidência tributária em face de legislação outra que não o próprio art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Imaginemos, por hipótese, que o presente lançamento não teve por base depósitos bancários, que a fiscalização simplesmente tivesse se deparado com a informação de que o Contribuinte recebera do mesmo sr. Celso Melro o dito cheque de R$ 13.000,00. Nesse caso, provavelmente, intimaria o Contribuinte a declarar e comprovar a natureza da operação que ensejou a transferência dos recursos e, se não justificada a operação, certamente procederia ao lançamento considerando a infração omissão de rendimentos recebidos de pessoa física. Ora, o fato de os recursos recebidos terem sido depositados em sua conta bancária não desnatura o fato de que os recebeu de pessoa física e, portanto, deve ser aplicada, no caso, a legislação especifica e não a presunção legal do art. 42 da Lei n°9.430, de 1996, em obediência ao § 2° desse mesmo artigo. Os documentos trazidos aos autos, cópia de cheque coincidente em data e valor com o depósito bancário, por exemplo, não deixam dúvida quanto ao fato de que os recursos depositados na Conta do Recorrente são procedentes da conta do sr. Celso Melro, que declara lhe ter emprestado essa quantia. Esses dados são suficientes para comprovar a origem dos recursos creditados/depositados, nos termos apontados acima, embora a simples declaração do sr. Celso Melro seja frágil como comprovação de que houve o alegado empréstimo. Poderseia contraargumentar afirmando que, no presente caso, a fiscalização não teve acesso à informação da origem dos recursos e, portanto, procedeu corretamente ao lançamento, de conformidade com o comando do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 e, nessas condições, o lançamento não poderia ser desconstituído com a simples comprovação da origem dos recursos, já que a falta de comprovação da natureza da operação autorizaria, da mesma forma, o lançamento. Enfim, teria havido omissão de rendimentos de qualquer forma. (…) Por outro lado, se o julgador administrativo mantém a exigência, não mais pela falta de comprovação da origem dos recursos, mas porque, comprovada essa não restou comprovado, também, a natureza da operação, estaria, a meu juízo, operando uma modificação no fundamento da exigência. Vale dizer, estarseia transmudando o fundamento da exigência de uma presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos de origem não Fl. 76901DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.901 20 comprovada, para omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, pessoa jurídica, etc. No presente caso, o contribuinte comprovou os dois elementos, a origem – a maioria das vezes até apresentada no descritivo do extrato bancário como se viu, e a natureza da operação que a originou – a compra e venda de precatórios. No mais, resta demonstrado que o lançamento fiscal confundiu origem e natureza da receita, conforme pode se ver na justificativa que já havíamos apontado (fls. 26354/26355): “Vale dizer, para a comprovação da origem é indispensável a apresentação dos contratos de prestação de serviços firmados com os supostos adquirentes dos precatórios, de modo que seja possível concluir, inequivocamente, a relação “depósito/prestação de serviço, o que não foi objeto de atendimento pelo contribuinte, embora tenha sido sucessivamente intimado a fazêlo. Após a comprovação da origem – o que não ocorreu , ainda restaria a esta fiscalização a análise da natureza dos depósitos recebidos (se tributáveis ou não).” Para comprovar a origem é preciso apontar quem são os depositantes e para saber qual a natureza, indicar o negócio jurídico que implicou na respectiva receita de modo a alcançar o fato gerador da obrigação e se tributar conforme a legislação específica. A Fiscalização, s.m.j, errou ao exigir que a origem fosse comprovada por intermédio da natureza da operação, confundindo, os elementos caracterizadores da norma. Em conclusão, após a análise dos autos, entendo que deva ser realizada uma diligência fiscal para o fim de serem confrontados individualmente os documentos apresentados pelos Recorrentes, documentos esses que em sua grande maioria foram entregues ainda no curso da fiscalização e não obtiveram a detida análise que o caso requer por parte da fiscalização. PELO EXPOSTO, voto para BAIXAR OS AUTOS EM DILIGÊNCIA, para que sejam analisadas, individualmente, as operações comprovadas pelos documentos colacionados aos autos, os quais, s.m.j, estão aptos à demonstrar os dois elementos exigidos pela norma de regência, quais sejam, a origem – a maioria das vezes até apresentada no descritivo do extrato bancário como mencionado no voto, e a natureza da operação que a originou – compra e venda de precatórios, solicitando que a autoridade fiscal se manifeste sobre todos esses documentos trazidos pelo Recorrente, individualmente, e elaborando relatório circunstanciado sobre os referidos fatos, evidenciando ainda, com base em toda a documentação colacionada aos autos, se tais receitas foram oferecidas à tributação espontaneamente pelo Recorrente. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 76902DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.726546/2014-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 09/01/2009 a 12/12/2011
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
Não afastado o fato do recurso voluntário ser intempestivo, é legítimo o seu não conhecimento.
Numero da decisão: 3401-003.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente).
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 09/01/2009 a 12/12/2011 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Não afastado o fato do recurso voluntário ser intempestivo, é legítimo o seu não conhecimento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 12448.726546/2014-28
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5651054
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3401-003.247
nome_arquivo_s : Decisao_12448726546201428.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 12448726546201428_5651054.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso. Robson José Bayerl - Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
id : 6549259
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688615489536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1365; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.726546/201428 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.247 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de setembro de 2016 Matéria ADUANA. INTERPOSIÇÃO. OCULTAÇÃO. Recorrente NEXT TRADE SERVIÇOS DE APOIO ADMINISTRATIVO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 09/01/2009 a 12/12/2011 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Não afastado o fato do recurso voluntário ser intempestivo, é legítimo o seu não conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente). Relatório Este processo cuida de auto de infração que constituiu e exige a multa de 100% do valor aduaneiro estabelecida pelo inciso V do artigo 23 do Decretolei n. 1.455, de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 65 46 /2 01 4- 28Fl. 1752DF CARF MF 2 1976, relativa as operações de importação realizadas e registradas pela NEXT TRADE LTDA (doravante denominada NEXT TRADE). Em síntese, a autuação fixa a penalidade é 100% do valor aduaneiro de mercadorias sujeita a pena de perdimento, não localizadas, consumidas ou revendidas, decorrente pela não comprovação da origem, transferência e disponibilidade dos recursos empregados nas operações de comércio exterior amparadas pelas declarações de importação. Segundo resumo elaborado pelo relator a quo, informa a auditoria em seu Relatório Fiscal (fls 09/59): Em diligência ao endereço onde foi declarado como da empresa NEXT TRADE identificou que: No local, placas identificam como sendo a empresa VENTURA MAR; Nos fundos do estabelecimento, identificouse uma sala onde estava a sócia administradora, Sra Silene, a qual informou da não existência de estoques de mercadorias, sendo estas enviadas diretamente aos compradores, sem armazenamento. A auditoria fiscal traz imagens do local, as fls. 15/16. A auditoria fiscal informa da lavratura a termo de esclarecimentos prestados por outro sócio, Sr. Júlio Ivo Albertoni, por meio do qual se constatou que as vendas eram "casadas" e realizada mediante antecipação de pagamentos, ou seja, as mercadorias já teriam encomendante definido e eram enviadas, depois do desembaraço, ao comprador. A auditoria fiscal informa das falhas dos registros contábeis relativos aos anos de 2009 e 2010 e uma melhor organização dos registros no ano de 2011. Conclui a auditoria fiscal que a contabilidade da NEXT TRADE não segue as regras legais, não apresenta confiabilidade de informações, logo não presta a fazer prova da origem dos recursos empregados nas atividades de comércio exterior realizadas pela empresa nos anos de 2009 a 2011 Informase da existência de importações registradas pela NEXT TRADE, por conta própria e por sua conta e ordem, tendo como importador identificado a empresa INTERCOM. Efetuada análise da origem, disponibilidade e transferência do recursos empregados na operações de comércio exterior de 37 DI, a auditoria informa que 14 não possuíam contratos de câmbio vinculados e que somente em 6 os valores dos contratos apresentados são correspondentes aos das importações. Verificado que grande parte dos recursos são provenientes de transferências efetuadas a conta da NEXT TRADE, por meio de TED, para os quais os volumes transacionados não são compatíveis com os das operações de importação. Informa a auditoria fiscal da existência de contratos de mútuo registrados na contabilidade da NEXT TRADE, celebrados com os reais adquirentes das mercadorias importadas, neste caso NEXT Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 12448.726546/201428 Acórdão n.º 3401003.247 S3C4T1 Fl. 3 3 BOATS, SAMAMBAIA, NEXT INDUSTRIA (TERRA & MAR), detalhando assim as operações realizadas entres estas e a autuada, para as quais houve lavratura auto de infração e lançamento de crédito tributário em outros processos, identificados na tabela exposta as fls 58/59, por meio dos quais estaria comprovada a antecipação de recursos por parte dessas empresas. Conclui assim, a auditoria fiscal, seu relatório as fls 56: "pela não comprovação da origem dos recursos empregados nas operações de comércio exterior, nos termos da Instrução Normativa SRF n° 228 de 2002. De acordo com o § 2° do Art 23 do Decreto Lei n° 1455/1976, presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados". Apresenta ainda a auditoria fiscal, um resumo de sua análise dos registros contábeis e comerciais da NEXT TRADE para fins de reforçar a sua tese de que não houve a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados: 1) Das 34 DI registradas, 12 não possuem vinculação com contratos de câmbio, porque os contratos não foram apresentados; 2) Em apenas 6 DI os valores dos contratos de câmbio são correspondentes aos valores das importações; 3) Os contratos de câmbio liquidados nos anos de 2009 a 2011 cobrem apenas parte das importações realizadas no mesmo período; 4) Poucas operações de comércio exterior possuem rastreabilidade financeira, para muitas das Declarações de Importação, as operações de câmbio não têm vinculação inequívoca; 5) A empresa não apresentou prova da integralização do capital social, nem do recebimento pela venda de imóvel do ativo, no valor de R$ 1.400.000,00; 6) O livro Diário Geral do ano calendário de 2009, contém os lançamentos individuais apenas do 1° trimestre do ano calendário; 7) O livro Diário do ano calendário de 2010 não foi entregue, no seu lugar foi apresentado a "listagem verificadora de lançamentos do ano de 2010"; 8) A contabilidade não descreve os lançamentos de maneira a identificálos individualmente, utilizando notações genéricas, como TED, transferência, recebimentos, depósito; Fl. 1754DF CARF MF 4 9) A contabilidade apresentada pela empresa, além de não apresentar o mínimo de formalidades legais, não apresenta confiabilidade das informações. Utilizando contas diversas nos anos calendários apresentados para o mesmo fato operacional, com saldos inicial e final incompatíveis; contas de transação entre Next Trade e ela mesma; várias transações contabilizadas sem contrapartida de lançamentos; 10) As operações de mútuo realizadas com as empresas Next Boats, Samambaia e Next indústria, são um vaievem de recursos, parecendo apenas operações de "fluxo de caixa", não podendo ser consideradas fontes de recursos; 11) As transferências oriundas do Banco Safra aparentemente têm por base a atividade operacional da empresa, contudo os valores transacionados cobrem apenas uma pequena parte das operações de importação realizadas. Além disto, os extratos bancários não foram apresentados pela empresa. Não podendo ser confirmada a efetiva transferência destes recursos, tornando impossível uma conclusão definitiva sobre o ingresso de recursos provenientes da atividade operacional da empresa. A NEXT TRADE apresentou sua impugnação. A respeitável 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Florianópolis, após apreciar esta Impugnação e demais atos e documentos que compõem este contraditório, por voto de qualidade quanto à preliminar de decadência e por unanimidade quanto ao mérito, decidiu pela improcedência do recurso e por manter o crédito. O Acórdão ficou assim ementado: Acórdão 0737.084 2a Turma da DRJ/FNS Sessão de 24 de abril de 2015 Processo 12448.726546/201428 Interessado NEXT TRADE SERVICOS DE APOIO ADMINISTRATIVO LTDA CNPJ/CPF 02.415.890/000128 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 09/01/2009 a 12/12/2011 DECADÊNCIA. LEI COMPLEMENTAR. HIPÓTESES DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA E SUBFATURAMENTO MEDIANTE FRAUDE. O instituto da decadência e da prescrição são matérias reservadas à lei complementar, nos termos do que dispõe o artigo 146, inciso III, alínea "b" da Constituição Federal de 1988. Nos casos de fraude, simulação ou dolo, tais como a interposição fraudulenta na importação e a ocorrência de subfaturamento mediante fraude, a contagem do prazo decadencial deve ser feita nos termos do artigo 173, inciso I, da Lei n° 5.172/1966 CTN, tanto para o lançamento de tributos quanto para a imposição de penalidades. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM E DISPONIBILIDADE DOS RECURSOS EMPREGADOS NO COMÉRCIO EXTERIOR. PROVAS. A não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior justifica a presunção de interposição fraudulenta, a qual, entretanto, é juris tantum, ou seja, admite prova em contrário. Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 12448.726546/201428 Acórdão n.º 3401003.247 S3C4T1 Fl. 4 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 09/01/2009 a 12/12/2011 NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica, revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. PRODUÇÃO DE PROVAS. SOLICITAÇÃO. A solicitação para produção de provas deve estar acompanhada da devida motivação, nos termos da legislação em vigor impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros da 2a Turma de Julgamento, por voto de qualidade no tocante à preliminar de decadência e por unanimidade de votos quanto às demais questões, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Vencido em parte o relator originário e o julgador Evandro Moritz. Designado para redigir o voto vencedor, na parte discordante, o julgador Orlando Rutigliani Berri. A empresa NEXT TRADE ingressa com recurso voluntário contra esse Acórdão, reunindo as suas razões e argumentos por que entende devem ser revistas e reformadas a autuação e a decisão colegiada. No processo houve inserção de informação de que a empresa é autora da ação judicial 001546732.2015.4.01.3200 (Justiça Federal do Amazonas). É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Análise dos requisitos de admissibilidade: Tenho a obrigação de apontar minha primeira impressão de que o recurso voluntário é intempestivo. Explicome. Encontrei, nos autos, que a contribuinte tomou ciência do Acórdão do colegiado de 1º piso em 15/05/2015 (fls. 1.721), mas o Recurso Voluntário foi recebido em 03/07/2015. Em meu contar, o termo final da tempestividade seria 16/06/2015. Portanto, o recurso foi entregue além desse limite. Fl. 1756DF CARF MF 6 Por ser intempestivo, proponho a este colegiado não seja conhecido o recurso voluntário e seja mantido a autuação e a decisão de 1ª instância. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 1757DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.000534/2010-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 08 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e converter o julgamento diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(Assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 08 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13884.000534/2010-60
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5631746
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 09 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-000.572
nome_arquivo_s : Decisao_13884000534201060.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
nome_arquivo_pdf_s : 13884000534201060_5631746.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e converter o julgamento diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
id : 6487411
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688618635264
conteudo_txt : Metadados => date: 2016-09-06T12:09:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-09-06T12:09:03Z; Last-Modified: 2016-09-06T12:09:03Z; dcterms:modified: 2016-09-06T12:09:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:b8bb8dc8-0057-4b78-a093-c8268cbce08c; Last-Save-Date: 2016-09-06T12:09:03Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-09-06T12:09:03Z; meta:save-date: 2016-09-06T12:09:03Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-09-06T12:09:03Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-09-06T12:09:03Z; created: 2016-09-06T12:09:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2016-09-06T12:09:03Z; pdf:charsPerPage: 1405; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-09-06T12:09:03Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13884.000534/201060 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.572 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 17 de agosto de 2016 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente LAIRE DE FALCHI Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e converter o julgamento diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 84 .0 00 53 4/ 20 10 -6 0 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13884.000534/201060 Resolução nº 2402000.572 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO O contribuinte sofreu Notificação de Lançamento – Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, relativa ao ano calendário de 2006, exercício de 2007, para formalização de exigência e cobrança de restituição indevida a devolver, no valor de R$ 9.501,68 e seus acréscimos legais. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 02, na qual requereu o cancelamento do débito fiscal, alegando que o imposto de renda a ser devolvido não foi de fato restituído, pois a declaração em questão teve várias retificações, tendo a última ocorrido em 23/02/2010, conforme documento em anexo, sendo que na mesma não consta imposto a ser restituído nem tampouco a pagar. A 19ª Turma da DRJ/SPO julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: RESTITUIÇÃO INDEVIDA A DEVOLVER. É correto o lançamento que exige a devolução de restituição indevida, em virtude da apresentação de declaração retificadora em que não resultou nenhum valor de imposto a restituir. No entender da DRJ: Na pesquisa efetuada aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil foi constatado que o contribuinte apresentou a declaração de imposto de renda pessoa física do exercício 2007 retificadora, em 14/08/2007, na qual informou rendimentos tributáveis de R$ 161.842,60 e imposto retido na fonte de R$ 42.228,36. O resultado dessa declaração foi imposto a restituir de R$ 9.501,68 que, acrescido de juros até 04/2008, perfez o total de R$ 10.535,46, do qual foi deduzido o débito de R$ 7.471,95, restando a diferença de R$ 3.063,51 que acrescida de juros até 05/2008 atingiu o valor de R$ 3.088,36, valor esse que foi resgatado no banco em 14/05/2008, conforme se vê na consulta abaixo: [...]Entretanto, em 23/02/2010, o contribuinte apresentou Declaração de Ajuste Anual retificadora do exercício 2007, com os valores zerados (fls. 08/12) e, conseqüentemente, foi emitida a Notificação de Lançamento, objeto da impugnação do presente processo, para exigência da restituição indevida a devolver no valor de R$ 9.501,68 e seus acréscimos legais. Sendo assim, encontrase correta a exigência da devolução da restituição, eis que restou comprovado o seu recebimento indevido, já que o contribuinte retificou a declaração que lhe deu origem e não apurou nenhum valor de imposto a restituir. O contribuinte foi intimado da decisão em 07/08/2014 (fl. 24) e interpôs recurso voluntário em 01/09/2014, no qual alega que a declaração retificadora apresentada em Fl. 40DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13884.000534/201060 Resolução nº 2402000.572 S2C4T2 Fl. 4 3 23/02/2010 está equivocada, pois a única alteração que deveria ter sido feita seria a do seu endereço. Destarte, o recorrente pleiteia que seja validada a primeira declaração, requerendo, assim, o cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13884.000534/201060 Resolução nº 2402000.572 S2C4T2 Fl. 5 4 VOTO Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da provável existência de erro material É sabido que a declaração retificadora substitui a original, conforme consignado no acórdão nº 2402005.137, deste Colegiado, ex vi do art. 18 da MP 2.18949/20011. É sabido, igualmente, que não compete a este Conselho retificar a declaração prestada pelo sujeito passivo (vide acórdão nº 2402005.230). Portanto, poderseia acolher a afirmação de que seria correta a exigência, pois "o contribuinte retificou a declaração que lhe deu origem e não apurou nenhum valor de imposto a restituir". Ocorre, contudo, que o lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo pode ser alterado em virtude de iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos do art. 149 do CTN, conforme preleciona o seu art. 145, inc. III. Entre as hipóteses autorizadores da revisão de ofício, aplicáveis ao caso concreto, encontramse a comprovação do erro (art. 149, inc. IV) e a apreciação de fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento (art. 149, inc. VIII). Vejase: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: [...] III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. .... Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; 1 Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13884.000534/201060 Resolução nº 2402000.572 S2C4T2 Fl. 6 5 VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; [...] No caso vertente, o "Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte" (fl. 35) prova, aparentemente, a existência de erro de fato cometido pelo recorrente (fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento), o qual, por ocasião da apresentação da declaração retificadora, zerou os montantes que haviam sido originalmente declarados a título de rendimentos tributáveis, de contribuição previdenciária oficial e de imposto de renda retido, zerando, consequentemente, o saldo restituído apurado na declaração retificada. Do citado comprovante, destacase o seguinte quadro demonstrativo: Sendo assim, (i) diante do aparente erro de fato cometido pelo contribuinte; (ii) erro este não detectável quando do lançamento, sobretudo porque o comprovante de rendimentos somente foi apresentado em grau recursal; (iii) dando azo à constituição do crédito em questão; o julgamento deve ser convertido em diligência, para que a autoridade fiscal (i) se manifeste sobre o comprovante de rendimentos de fl. 35; (ii) sobre a provável existência de erro material na declaração retificadora, mormente se considerado o aludido comprovante; e (iii) sobre a subsistência ou insubsistência do crédito lançado em face do sujeito passivo. 3 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO DILIGÊNCIA, nos termos da fundamentação. (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
