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Numero do processo: 11080.909842/2008-68
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Despacho Decisório 790541672 Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp registrada sob n.º 09504.64740.301204.1.3.046805, o direito à compensação ficou limitado ao valor do crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP. De acordo com as RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 09 84 2/ 20 08 -6 8 Fl. 42DF CARF MF Processo nº 11080.909842/200868 Resolução nº 3001000.035 S3C0T1 Fl. 43 2 características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Por esta razão, não se homologou a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Foi arguido, pela recorrente, que em determinado momentos passou por dificuldades financeiras, acarretando no atraso no pagamento de tributos, sendo que, nesta ocorrência, teria recolhido com juros e multa, mesmo antes da entrega da DCTF. Pagamento Indevido Conforme seu entendimento, esses pagamentos seriam indevidos, pois configurariam o instituto da Denúncia Espontânea. Fundamento da Glosa O fundamento da glosa, conforme o mencionado despacho, seria a ausência de crédito, ressaltando a recorrente que a Fazenda assim o fez sem solicitar ao contribuinte nenhum documento capaz de comprovar a existência do crédito. Sustenta que se porventura a autoridade fazendária houvesse solicitado tais documentos, teria tido acesso à planilha de apuração e teria verificado a regularidade do encontro de contas. Segundo os documentos acostados aos autos, verificase que o pagamento deu se fora do prazo, mas que, no entanto, anterior à entrega da DCTF DRJ/POA A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 1040.748 2ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA PAGAMENTO A DESTEMPO Não constitui denúncia espontânea o pagamento de tributos em atraso desacompanhado da devida multa de mora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: Trata o presente processo fiscal de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido pela DRF Porto Alegre relativo ao aproveitamento de indébito de Pis mediante exame de declaração de compensação transmitida pela interessada, no qual não foi confirmada a existência do crédito informado, uma vez que o pagamento (localizado) foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados em dcomp. Tempestivamente, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que em algumas oportunidades teve dificuldades em recolher pontualmente os tributos. Sempre que Fl. 43DF CARF MF Processo nº 11080.909842/200868 Resolução nº 3001000.035 S3C0T1 Fl. 44 3 ocorreram tais fatos, o contribuinte acabou efetuando o pagamento do débito, acrescido de multa e juros, antes mesmo da apresentação da DCTF. Conforme art. 138 CTN, as multas recolhidas nas situações acima são indevidas, e, ao tomar conhecimento de tal fato, o contribuinte alegou que mensurou o crédito e procedeu a compensação na forma da legislação em vigor. Alega que se a autoridade fiscal tivesse cumprido com seu dever de solicitar a prova dos créditos, teria acesso às planilhas de apuração e verificaria a regularidade do encontro de contas efetuado, além de constatar o pagamento dos tributos espontaneamente, portanto, inexigível sendo a multa. Requer que se anule o despacho decisório em questão, apurando a existência do crédito utilizado pelo contribuinte nas compensações glosadas. A motivação para a não homologação da compensação foi devidamente explicitada pela administração ao apontar que os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp”. A base legal citada e a fundamentação fática são suficientes para convalidar o indeferimento do pleito, sendo plenamente justificável que a administração Tributária tenha considerado dispensável qualquer esclarecimento adicional, pela via da intimação ao contribuinte, uma vez que seus controles de conta corrente já indicavam a alocação para outro débito do suposto crédito oponível. pela interessada, sendo suficiente tais elementos para a tomada de decisão. Assim sendo, ao acolher a alegação de nulidade do despacho decisório, corretamente exarado pela DRFB jurisdicionante, estaríamos respaldando irregularidades no procedimento de compensação interposto pela interessada. A interessada apresentou declaração de compensação alegando a existência de direito creditório oriundo do recolhimento de multa de mora pelo pagamento a destempo da Cofins/Pis. Argumenta que não seria devida a multa de mora tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. Não tem amparo a tese sustentada pela impugnante, no sentido de a denúncia espontânea da infração à legislação tributária, com o recolhimento do tributo devido, desobrigar o contribuinte do pagamento da multa de mora.. Na verdade, está o contribuinte dando interpretação equivocada ao disposto no art. 138 do CTN, não podendo, pois, prosperarem seus argumentos. A denúncia espontânea de uma infração à legislação tributária exclui a responsabilidade pelo ilícito praticado, afastando a aplicação das penalidades cabíveis, nos precisos termos do CTN, art. 138. Isso, contudo, não autoriza a interpretação de que é indevido o pagamento da multa moratória exigida pela Secretaria da Receita Federal em recolhimentos de tributos fora do prazo legal. A espontaneidade exclui apenas as penalidades de natureza punitiva, resultantes da responsabilidade quanto a crime, contravenção ou delito tributário, não podendo ser aplicada às de natureza moratória, derivada do inadimplemento puro e simples de obrigação tributária regularmente constituída, que não possuem vinculo direto com o fato Fl. 44DF CARF MF Processo nº 11080.909842/200868 Resolução nº 3001000.035 S3C0T1 Fl. 45 4 gerador do tributo. No caso, o não pagamento da exação não constitui infração, e sim, mora ou inadimplência. A multa por atraso no pagamento de tributos tem finalidade de coagir o contribuinte ao recolhimento dos tributos e contribuições dentro do prazo legal. Se desconsiderássemos o recolhimento da multa decorrente da impontualidade do sujeito passivo da obrigação tributária, simplesmente pelo pagamento espontâneo, estaríamos diante de uma afronta ao contribuinte responsável e cumpridor de suas obrigações e sua imposição legal seria inócua. Pelo contrário: os valores declarados em DCTF e recolhidos em atraso não configuram denúncia espontânea, uma vez que tais débitos já eram de conhecimento do Fisco. Portanto, inexistindo direito creditório passível de compensação, não há como homologar o encontro de contas declarado. Recurso Voluntário Segundo a recorrente, foram apresentados diversos pedidos de compensação de crédito cuja origem terseia dado em recolhimentos indevidos de multa, que, posteriormente, teriam sido utilizados para compensação de débitos de Pis e Cofins. Denúncia Espontânea A tese defendida pela Recorrente valese do argumento no qual reside sorte a seu racicíonio, qual seja, a possibilidade de aplicação do artigo 138 do CTN, quando o pagamento espontâneo ocorre após o vencimento do tributo, mas antes da entrega da DCTF É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de Recurso Voluntário cuja pretensão escorase em legitimar a compensação de valores pagos a título de multa de mora. Argumenta pela aplicação de jurisprudência do STJ, indicando estar submetida aos requisitos do precedente judicial apontado. Origem do Crédito pagamento indevido por recolhimento de multa de mora ausência de procedimento fiscalizatório Ao analisar a Perd Dcomp acostada a estes autos percebese que se trata de pagamento ocorrido a destempo, com recolhimento de multa. Pleiteia a devolução do crédito, pago a título de multa, pois entende estar submetido à denúncia espontânea, vez que o recolhimento se deu ante a ausência de procedimento de fiscalização. Débito compensado sem recolhimento de multa de mora Já o débito compensado, no caso em análise, há que confrontálo com a data do pedido de Compensação, ocorrido em 27 de janeiro de 2005 , conforme imagem do carimbo Fl. 45DF CARF MF Processo nº 11080.909842/200868 Resolução nº 3001000.035 S3C0T1 Fl. 46 5 aposto em efls. 02. Neste caso, falta à análise, a DCTF correspondente, para sacar as dúvidas quanto à aplicação do conteúdo prescrito no Resp nº 1.149.022/SP: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008) 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que Fl. 46DF CARF MF Processo nº 11080.909842/200868 Resolução nº 3001000.035 S3C0T1 Fl. 47 6 resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; Resp 1.149.022; Relator: Ministro Luiz Fux; Data do julgamento: 09.06.2010) De acordo com o precedente judicial, seguiuse a orientação aos julgados deste CARF, conforme se depreende: Acórdão nº 3302004.451 Ano calendário: 2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO Entendese por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração, ou antes, do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Realizado o pagamento antes do ato fiscalizatório a multa de mora deve ser excluída (Resp nº 1.149.022/SP). Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Neste cenário, evidenciase que a exigência de multa de mora quando de recolhimento em atraso consiste na regra geral a ser observada, em obediência aos dispositivos legais citados, sem prejuízo de outros que também a prevêem. Por outro lado, há causa excludente de penalidade prevista no artigo 138, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Compulsando os autos, verificase que no preenchimento da PER/DCOMP em análise, entregue em 17.11.2004 (fls. 0204), a Recorrente informou débitos de PIS, código de receita 6912 (PISNão Cumulativo), relativos ao mês de março de 2003, sem considerar as multas de mora. Consultando a DCTF entregue pela Recorrente em 15.05.2003 (fls.8182), constatase que o débito de PIS, código de receita 6912, Fl. 47DF CARF MF Processo nº 11080.909842/200868 Resolução nº 3001000.035 S3C0T1 Fl. 48 7 relativo ao mês de março de 2003, não havia sido declarado quando foi objeto de pedido de compensação por meio da Dcomp. Adicionalmente, não há notícia de nenhum procedimento fiscal com relação ao débito de PIS, código de receita 6912, relativo ao mês de março de 2003 informado na Declaração de Compensação, o qual, conforme já mencionado, também não havia sido previamente confessado por meio de DCTF. Assim, considerando que a Recorrente efetuou o pagamento do débito não declarado antes de qualquer procedimento fiscalizatório e, com base no entendimento proferido pelo Ministro Luiz Fux no RESP anteriormente citado, reconheço o benefício da denúncia espontânea, descabendo a exigência de multa de mora em relação ao débito sob análise. Para a correta aplicação do instituto da Denúncia Espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, e conforme preceituado anteriormente nos julgados supra transcritos, necessária a satisfação de dois requisitos: não ter sido declarado o débito até a data da entrega da Per Dcomp, e, para tanto, há a necessidade de verificação na DCTF, e; não ter havido nenhum procedimento fiscalizatório até o momento da confissão. Este requisito, a meu ver, satisifeito. Ausência de declaração em DCTF A recorrente argumenta, tanto em manifestação de inconformidade, como em seu recurso voluntário, que o recolhimento da multa de mora, em decorrência do atraso em seu pagamento, se deu antes da entrega da DCTF, o que, por via de consequência, poderseia inferir a ausência desta informação na declaração referenciada. Entretanto, compulsando os autos, não localizo a DCTF, mas tão somente, a Per Dcomp, tornandose inviável a análise da existência das condições para fruição da Denúncia Espontânea prevista no artigo 138 do CTN e com aplicação referendada pelo (REsp 1.149.022) Conclusão Diante do exposto, proponho, como acima transcrito, a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. Caso entenda necessário, intime a recorrente a comparecer nos autos a fim de comprovar a veracidade das alegações. Posteriormente, a autoridade incumbida da diligência deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo na PER/DCOMP apresentada. Na sequência o contribuinte deverá ser intimado para que, no prazo regulamentar, caso entenda conveniente, adite seu recurso voluntário, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Por fim, devolva os autos para este CARF, para julgamento. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 11080.909842/200868 Resolução nº 3001000.035 S3C0T1 Fl. 49 8 (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 49DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.901479/2006-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso especial quando os acórdãos indicados como paradigmas assentam-se em normas diferentes para fatos geradores ocorridos em períodos distintos.
Numero da decisão: 9303-006.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial quando os acórdãos indicados como paradigmas assentam-se em normas diferentes para fatos geradores ocorridos em períodos distintos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial quando os acórdãos indicados como paradigmas assentamse em normas diferentes para fatos geradores ocorridos em períodos distintos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 14 79 /2 00 6- 91 Fl. 403DF CARF MF 2 Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3802002.308, da 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA OPERACIONAL BRUTA. BASE DE CÁLCULO. Para fins de apuração do crédito presumido do IPI, a receita operacional bruta deverá ser apurada considerando apenas aquela decorrente dos produtos industrializados pela empresa e destinados aos mercados externo e interno. As receitas de exportação também devem seguir o mesmo padrão, sendo assim admitidas, na apuração da relação percentual, unicamente as exportações de produtos industrializados pela pessoa jurídica. Assim, na base de cálculo do crédito presumido não deverão ser considerados, nem na receita de exportação, nem na receita operacional bruta, os valores das receitas de vendas de produtos não industrializados pela empresa, para os quais não foram utilizados quaisquer insumos, como, por exemplo, os produtos adquiridos de terceiros e vendidos nos mercados interno e externo e os produtos classificados como não tributados. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE. Os montantes correspondentes aos insumos adquiridos de cooperativas, utilizados na industrialização dos produtos exportados, integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI (STJ, REsp 993.154MG, submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e aplicado por força do artigo 62A do RICARF). Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10783.901479/200691 Acórdão n.º 9303006.517 CSRFT3 Fl. 404 3 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES DE ENERGIA ELÉTRICA E DE COMBUSTÍVEIS. CUSTOS COM A GERAÇÃO DE VAPOR E COM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e de energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou de produto intermediário (Súmula CARF nº 19). Pela mesma razão também não podem integrar a base de cálculo do crédito presumido os custos com a geração de vapor e com máquinas e equipamentos.” Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão que deu provimento parcial ao recurso voluntário para que a base de cálculo do crédito presumido do IPI seja apurada considerando as seguintes observações: · Na apuração da relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta deverão ser excluídos os valores das receitas de vendas de produtos não industrializados pela empresa, ou seja, para os quais não foram utilizados quaisquer insumos, como, por exemplo, os produtos adquiridos de terceiros e vendidos nos mercados interno e externo e os produtos classificados como NT; · Na receita operacional bruta deverá ser apurada considerando apenas aquela decorrente dos produtos industrializados pela empresa e destinados aos mercados externo e interno, enquanto as receitas de exportação deverão contemplar unicamente as exportações de produtos industrializados pela pessoa jurídica; Traz a Fazenda Nacional, entre outros, que: · Tratase de saber como efetivar o cálculo da base de cálculo do crédito presumido de IPI quando se está diante do montante correspondente à exportação de produtos adquiridos de terceiros e “NT”; Fl. 405DF CARF MF 4 · O acórdão recorrido, embora tenha procedido com acerto ao manter a exclusão das referidas receitas do cálculo da “receita de exportação”, incorreu, concessa venia, em equívoco ao também determinar a sua exclusão do cálculo da “receita operacional bruta”; · O entendimento expressado pela decisão recorrida desvirtua a proporcionalidade do cálculo referido, tendo em vista que, excluídos os valores dos produtos adquiridos de terceiros e “NT” do cálculo da “receita operacional bruta”, denominador da fração referida no art. 2º da Lei 9.363/96, prejudicada estará a referida rubrica e, consequentemente, o cálculo do crédito presumido do IPI; · A fração “receita de exportação/receita operacional bruta” é fórmula criada pelo legislador para determinar a representatividade das exportações dos produtos produzidos e exportados pelo contribuinte dentro do volume de operações da empresa, cujo resultado, multiplicado ao valor total dos insumos adquiridos pelo produtor exportador, indicará a real proporção dos insumos aplicados aos produtos exportados pelo contribuinte, esta que, aplicada ao percentual de 5,37%, levará ao valor real do crédito de IPI; · Nesse sentido, excluídas as receitas dos produtos adquiridos de terceiros e “NT” da apuração da “receita operacional bruta”, é de se verificar que a fração aludida não traduzirá, com fidedignidade, o valor das operações realizadas pela contribuinte, como também a proporção das exportações frente às referidas operações, prejudicando a real precisão dos insumos utilizados no processo de industrialização para exportação e, consequentemente, o valor final do crédito presumido apurado. Em Despacho às fls. 342 a 346, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros, que: Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10783.901479/200691 Acórdão n.º 9303006.517 CSRFT3 Fl. 405 5 · Tal matéria já se encontra pacificada no âmbito da CSRF favoravelmente aos contribuintes, inclusive com a reforma do próprio julgado apontado como paradigma principal pela PGFN; · O 1º acórdão apontado como paradigma pela PGFN de nº 201 79.254 e sobre o qual a PGFN buscou realizar a demonstração analítica da divergência, não mais subsiste nesta oportunidade, na medida em que foi objeto de reforma pela CSRF, em decisão unânime através do acórdão 9303002.910; · Ademais, o 2º acórdão indicado como paradigma pela PGFN também já foi objeto de recurso à CSRF – motivo pelo qual deverá ser reformado na mesma linha da jurisprudência pacificada desta ulterior instância administrativa. Requer, assim, que seja mantido o acórdão recorrido na parte em que entendeu que a receita operacional bruta deverá ser apurada considerando apenas aquela decorrente dos produtos industrializados pela empresa e destinados aos mercados externo e interno, enquanto as receitas de exportação deverão contemplar unicamente as exportações de produtos industrializados pela pessoa jurídica. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que não devo conhecêlo, eis que não comprovada a divergência jurisprudencial, nos termos do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Para melhor elucidar, importante recordar que o acórdão recorrido trata do período de apuração de abril a junho/2003, tendo sido decidido que a Receita Operacional Bruta ROB deveria ser composta somente com os produtos Fl. 407DF CARF MF 6 industrializados pelo contribuinte destinados aos mercados externo e interno. Exatamente como previa a Portaria MF nº 64/2003 vigente para o 2º trimestre/2003, in verbis: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. [...] § 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo; [...]” Enquanto, os acórdãos indicados como paradigmas adotaram normas diferentes do acórdão recorrido (e que mudaram a apuração em comento), considerando o período discutido naqueles processos. Eis: · Acórdão 20179.254, que tratava do 4ª trimestre de 1997, adotou a Portaria MF 38/97; diferentemente do acórdão recorrido. · Acórdão 20217.265, que tratava do 4º trimestre de 2001, adorou a Portaria MF 38/97; diferentemente do acórdão recorrido. Sendo assim, não há como se conhecer do recurso que não demonstre a mesma norma tributária que fora interpretada de forma divergente. Em vista de todo o exposto, não conheço o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10783.901479/200691 Acórdão n.º 9303006.517 CSRFT3 Fl. 406 7 Fl. 409DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.001995/2007-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
IRPF. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO.
A partir do momento que o contribuinte retira o bem imóvel de sua declaração de bens, o critério jurídico para apurar o custo de aquisição é o previsto em lei para os casos de ausência do valor pago, podendo ser utilizado o valor corrente na data da aquisição do bem.
MULTA QUALIFICADA. INFORMAÇÃO FALSA EM DECLARAÇÃO DE AJUSTE.
Somente é justificável a exigência da multa qualificada de 150%, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. Ao prestar informação falsa na Declaração de Ajuste (venda não realizada de bem), o contribuinte age de forma tendente a impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal (fraude), ou impedir o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária (sonegação).
IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. REGRA ISENTIVA.
A isenção do imposto de renda relativa ao ganho de capital auferido na alienação de imóvel só contempla as alienações cujo valor seja de até R$ 440.000,00, do único imóvel que o titular possua e desde que não tenha efetuado, nos últimos cinco anos, outra alienação a qualquer título, tributada ou não.
Numero da decisão: 2201-004.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 07/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 IRPF. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. A partir do momento que o contribuinte retira o bem imóvel de sua declaração de bens, o critério jurídico para apurar o custo de aquisição é o previsto em lei para os casos de ausência do valor pago, podendo ser utilizado o valor corrente na data da aquisição do bem. MULTA QUALIFICADA. INFORMAÇÃO FALSA EM DECLARAÇÃO DE AJUSTE. Somente é justificável a exigência da multa qualificada de 150%, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. Ao prestar informação falsa na Declaração de Ajuste (venda não realizada de bem), o contribuinte age de forma tendente a impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal (fraude), ou impedir o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária (sonegação). IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. REGRA ISENTIVA. A isenção do imposto de renda relativa ao ganho de capital auferido na alienação de imóvel só contempla as alienações cujo valor seja de até R$ 440.000,00, do único imóvel que o titular possua e desde que não tenha efetuado, nos últimos cinco anos, outra alienação a qualquer título, tributada ou não.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 07/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
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Recorrente MASSAMARU SUGAWARA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 IRPF. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. A partir do momento que o contribuinte retira o bem imóvel de sua declaração de bens, o critério jurídico para apurar o custo de aquisição é o previsto em lei para os casos de ausência do valor pago, podendo ser utilizado o valor corrente na data da aquisição do bem. MULTA QUALIFICADA. INFORMAÇÃO FALSA EM DECLARAÇÃO DE AJUSTE. Somente é justificável a exigência da multa qualificada de 150%, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. Ao prestar informação falsa na Declaração de Ajuste (venda não realizada de bem), o contribuinte age de forma tendente a impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal (fraude), ou impedir o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária (sonegação). IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. REGRA ISENTIVA. A isenção do imposto de renda relativa ao ganho de capital auferido na alienação de imóvel só contempla as alienações cujo valor seja de até R$ 440.000,00, do único imóvel que o titular possua e desde que não tenha efetuado, nos últimos cinco anos, outra alienação a qualquer título, tributada ou não. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 19 95 /2 00 7- 08 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 13839.001995/200708 Acórdão n.º 2201004.133 S2C2T1 Fl. 145 2 (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 07/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 131/139, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 115/126, a qual julgou procedente o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 35/36, lavrado em 01/06/2007, decorrente da omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos, relativo a fato gerador ocorrido em julho/2003. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 270.125,59, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 150%. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal de fls. 30/32, mediante análise de documentação apresentada pelo RECORRENTE, restou evidenciada a propriedade e a alienação de bem imóvel sem o correspondente recolhimento do imposto incidente sobre o ganho de capital. De acordo com a autoridade fiscal, durante a fiscalização, o contribuinte esclareceu o seguinte: “o imposto incidente sobre Ganhos de Capital não foi recolhido na oportunidade por absoluta falta de condições financeiras. Portanto, reconheço a necessidade de pagamento do tributo e, estava predisposto a pagálo assim que tivesse condições para tal”. Sobre o ganho de capital, a fiscalização verificou que o imóvel alienado foi adquirido em 30/03/1989 pelo valor de NCz$ 2.565,76 (cruzados novos), conforme Registros do 14º Cartório de Bens e Direitos (fls. 10/12). Tendo em vista que o RECORRENTE omitiu referido bem em suas Declarações de Bens e Direitos, considerou como custo de aquisição o valor de aquisição atualizado até 31/12/1995, com aplicação do índice de 0,9447, conforme IN nº 84/2001, o que corresponde a R$ 4.989,63. No que diz respeito ao valor da alienação, verificou que o mesmo foi de R$ 590.000,00, conforme Escritura Pública de Venda e Compra datada de 02/07/2003 (fls. 17/19). Portanto, calculou que o ganho de capital foi da ordem de R$ 585.010,37 (= R$ 590.000,00 – R$ 4.989,63) e, aplicando a alíquota de 15%, apurou o imposto de renda de R$ 87.751,55. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13839.001995/200708 Acórdão n.º 2201004.133 S2C2T1 Fl. 146 3 Ante o reconhecimento pelo próprio RECORRENTE acerca da obrigação de recolher o tributo incidente sobre a operação, aliado ao fato de o mesmo ter omitido o imóvel alienado em sua Declaração de Bens e Direitos do período fiscalizado (fls. 27/29), evitando a apuração do ganho de capital, a autoridade fiscal concluiu pela lavratura de Representação Fiscal para Fins Penais, por dever de ofício, conforme art. 1º da Lei nº 8.137/90. Consequentemente, aplicou multa de ofício qualificada no percentual de 150%, nos termos do art. 44, II, da Lei nº 9.430/96. O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 43/61 em 13/07/2007. Da Decisão da DRJ Quando do julgamento do caso, a DRJ em São Paulo/SP julgou procedente o lançamento (fls. 115/126). O acórdão proferido na ocasião possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 GANHO DE CAPITAL Tributase o ganho de capital decorrente do lucro auferido com a alienação de bem móvel, caracterizado pela diferença Positiva entre o valor de venda e o respectivo custo de aquisição. Considerase custo de aquisição o valor efetivamente pago, à vista da documentação acostada aos autos. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ex vi art. 173, I, do CTN. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE A multa de oficio prevista na legislação de regência é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de oficio não podendo a autoridade lançadora furtarse à sua aplicação. Lançamento Procedente” Fl. 146DF CARF MF Processo nº 13839.001995/200708 Acórdão n.º 2201004.133 S2C2T1 Fl. 147 4 Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora rebateu, uma a uma, as alegações da RECORRENTE e findou por manter o lançamento. O Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 26/03/2009, conforme documento de fl. 130, apresentou o recurso voluntário de fls. 131/139 em 23/04/2009. Em suas razões de apelo, alegou, em síntese, o seguinte: I. A infração apurada não pode prosperar porque o Sr. Fiscal não observou os preceitos legais e jurisprudenciais. As informações apresentadas pelo Fisco não condizem com a realidade e o cálculo apresentase equivocado, razão pela qual o lançamento deve ser anulado; II. Cita o art. 173, I, do CTN e afirma que se o Ente Público não obedecer ao prazo legal perece no seu deverpoder de cobrar dívida oriunda de lançamento fiscal; III. Alega que declarou no exercício de 1995 a propriedade do imóvel situado na Al. dos Anapurus, 620, sob o valor venal de R$ 350.000,00. Assim, não existe razão plausível para que a base de cálculo do ganho de capital seja a diferença entre o valor da venda e o valor originário da aquisição do imóvel, até porque na ocasião da aquisição o imóvel estava em construção; IV. Portanto, deve ser considerado o valor da declaração de 1995, ocasião em que o imóvel estava acabado e o seu valor devidamente apurado. Logo a diferença entre o custo de aquisição e de alienação deve ser realizado com base nos seguintes valores: R$ 590.000,00 (alienação) – R$ 350.000,00 (aquisição) = R$ 240.000,00 (base de cálculo para o imposto). Sendo assim, seria isento nos termos da Lei 9.250/95; V. Cita o art. 23 da Lei nº 9.250/95 e afirma que não realizou outra alienação nos últimos cinco anos e que, deduzindo o valor de R$ 440.000,00 (limite da isenção estabelecida pela Lei nº 9.250/95) do valor de alienação no montante de R$ 590.000,00, restaria R$ 150.000,00, o qual seria o valor correto para a base de cálculo; VI. O critério material da regra matriz de incidência para o imposto de renda pessoa física é auferir e concomitantemente receber rendimentos, mas o RECORRENTE não recebeu o montante de R$ 590.000,00; VII. Por fim, expos breves considerações sobre princípios constitucionais tributários e afirmou que, sendo o lançamento defeituoso, por desrespeito aos requisitos e pressupostos legais que ditam o critério de validade a ser observado, cabe à Administração apenas anulálo em decorrência da ilegitimidade, do vício. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 13839.001995/200708 Acórdão n.º 2201004.133 S2C2T1 Fl. 148 5 Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. PRELIMINAR Decadência Preliminarmente, o RECORRENTE cita o art. 173 do CTN e afirma que o o Ente Público deve obedecer ao prazo legal, sob pena de perecer o seu deverpoder de cobrar dívida oriunda de lançamento fiscal. No entanto, verifico que inexiste a suposta decadência apontada. Independentemente do termo inicial do prazo quinquenal da decadência, seja a contar da ocorrência do fato gerador (art. 150, §4º, do CTN) ou a do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamentopoderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN), não transcorreu o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário. Independentemente da análise fática para verificar qual regra deve ser aplicada ao caso concreto (a do art. 150, §4º ou do art. 173, I, ambos do CTN), a fim de demonstrar a inexistência da decadência, passo a demonstrar a questão aplicando o cenário mais benéfico ao contribuinte, qual seja, a do art. 150, §4º, do CTN. Mediante esta regra, tendo em mente que o prazo decadencial somente começou a fluir quando da ocorrência do fato gerador, qual seja, a venda do imóvel ocorrida em julho de 2003, quando foi dada plena quitação da venda do imóvel através de escritura pública (fls. 17/19), o prazo para efetuar o lançamento findaria em julho de 2008 (05 anos após). Contudo, o lançamento foi realizado em junho/2007. Como não há nos autos indicação da data de ciência do contribuinte, é possível considerar que o mesmo foi cientificado do lançamento quando apresentou sua impugnação, ou seja, em 13/07/2007. Portanto, entre a data do fato gerador (julho/2003) e a data de ciência do lançamento pelo RECORRENTE (considerada como ocorrida em 13/07/2007) é evidente que não transcorreu o lustro decadencial, haja vista que, mesmo nesta regra mais benéfica ao contribuinte, o lançamento poderia ter sido efetuado até julho/2008. Portanto, insubsistentes as alegações do RECORRENTE. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 13839.001995/200708 Acórdão n.º 2201004.133 S2C2T1 Fl. 149 6 MÉRITO Custo de Aquisição O RECORRENTE afirma que declarou o imóvel alienado em sua declaração do exercício 1995 pelo valor venal de R$ 350.000,00. Neste sentido, não existiria razão plausível para que a base de cálculo do ganho de capital seja a diferença entre o valor da venda e o valor originário da aquisição do imóvel, até porque na ocasião da aquisição o imóvel estava em construção. Sendo assim, entendeu que deveria ser considerado como custo de aquisição o valor da declaração do exercício 1995, ocasião em que o imóvel estava acabado e o seu valor devidamente apurado. Logo a diferença entre o custo de aquisição e de alienação deve ser realizado com base nos seguintes valores: R$ 590.000,00 (alienação) – R$ 350.000,00 (aquisição) = R$ 240.000,00 (base de cálculo para o imposto). Em princípio, não verifico nos autos a Declaração de Ajuste relativa ao exercício 1995, sendo impossível verificar as alegações do RECORRENTE. No entanto, analisando a documentação acostada aos autos, é possível constatar o seguinte: o RECORRENTE adquiriu o imóvel (apartamento e duas vagas de garagem) em mar/1989 pelo valor total de NCz$ 2.565,76 (fl. 10/12); informou na Declaração de Ajuste referente ao exercício 1992 o valor de mercado do imóvel como de UFIR 357.752,98 (fl. 95); na Declaração de Ajuste relativa ao exercício 2001 informa que o imóvel foi vendido no ano 2000. Nesta declaração, o valor do imóvel constava como R$ 294.014,00 (fl. 105); nas Declarações relativas aos exercícios 2002, 2003 e 2004 não constam o imóvel no rol de Bens e Direitos do RECORRENTE (fls. 108/110, fls. 112/114 e fls. 27/29); Diante da situação acima, interpretase que o contribuinte atualizou o imóvel a valor de mercado em 31/12/1991 na DAA referente ao exercício 1992 (UFIR 357.752,98), tendo em vista a permissão legal para reavaliação de bens determinada pelo art. 96 da Lei n° 8.383/91: “Art. 96. No exercício financeiro de 1992, anocalendário de 1991, o contribuinte apresentará declaração de bens na qual os bens e direitos serão individualmente avaliados a valor de mercado no dia 31 de dezembro de 1991, e convertidos em quantidade de Ufir pelo valor desta no mês de janeiro de 1992.” No último ano em que este imóvel figurou em sua declaração de bens e direitos (DAA referente ao exercício 2001), ele estava valorado em R$ 294.014,00. Esta quantia é bastante similar aos 357.752,98 UFIR (valor de mercado em 31/12/1991) atualizado até 01/01/1996, procedimento adotado para os bens atualizados a valor de mercado na DAA relativa ao exercício 1992, conforme determina o art. 6º da IN SRF 84/2001. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13839.001995/200708 Acórdão n.º 2201004.133 S2C2T1 Fl. 150 7 A questão problemática no caso é a seguinte: na DAA do exercício 2001, o RECORRENTE informa que alienou o imóvel, sem dar maiores detalhes da operação (fl. 105). Portanto, entendo que a partir do momento que o RECORRENTE retirou o imóvel de sua declaração de bens, o critério jurídico para apurar o custo de aquisição é o previsto em lei para os casos de ausência do valor pago, qual seja (IN SRF nº 84/2001): Art. 18. Na ausência do valor pago, o custo de aquisição é: I o valor que tenha servido de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; II o valor de transmissão utilizado, na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante anterior; III o valor corrente na data da aquisição; IV igual a zero, quando não possa ser determinado nos termos dos incisos I, II e III. Conforme bem expressou a autoridade lançadora, o RECORRENTE omitiu referido bem em suas Declarações de Bens e Direitos. Assim, o lançamento considerou como custo de aquisição o valor pelo qual o RECORRENTE adquiriu o imóvel em mar/1989, qual seja NCz$ 2.565,76 (fl. 10/12), atualizado até 31/12/1995 com aplicação do índice de 0,9447, conforme IN nº 84/2001, o que corresponderia a R$ 4.989,63. Portanto, entendo que não há como fugir de tal regra de apuração do custo de aquisição, pois o RECORRENTE deve arcar com esse ônus na medida que retirou o bem de sua declaração. Frisese: Não há valor de bem declarado pelo RECORRENTE de forma a respaldar o custo de aquisição por ele almejado. Sendo assim, não há outra forma prevista em lei para apurar o custo de aquisição senão aquela observada pela autoridade lançadora. Portanto, tendo em vista o acima exposto, entendo que o custo de aquisição aplicável ao presente caso é o valor apurado pela autoridade fiscal (R$ 4.989,63), não merecendo qualquer ajuste o presente lançamento. Da multa qualificada Sobre a multa aplicada no percentual de 150%, entendo que a mesma deve prevalecer pois, conforme exposto pela autoridade lançadora no Termos de Constatação Fiscal, constitui crime contra a ordem tributária suprimir tributo mediante omissão de informação ou prestação de declaração falsa às autoridades fazendárias (art. 1º da Lei nº 8.137/1990). Portanto, ao retirar de sua declaração de bens o imóvel alienado sob a falsa informação de que havia efetuado a venda do mesmo no ano 2000, o RECORRENTE praticou ação dolosa tendente a impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal (fraude), ou impedir o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária (sonegação), o que enseja a qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13839.001995/200708 Acórdão n.º 2201004.133 S2C2T1 Fl. 151 8 Isenção do art. 23 da Lei nº 9.250/95 O RECORRENTE invoca o art. 23 da Lei nº 9.250/95 e pleiteia a isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital. Contudo, não assiste razão ao RECORRENTE. Vejamos a redação do mencionado dispositivo: “Art. 23. Fica isento do imposto de renda o ganho de capital auferido na alienação do único imóvel que o titular possua, cujo valor de alienação seja de até R$ 440.000,00 (quatrocentos e quarenta mil reais), desde que não tenha sido realizada qualquer outra alienação nos últimos cinco anos.” Independentemente da verificação de que o imóvel alienado se trata de seu único imóvel, ou de que não foi realizada outra alienação de imóvel nos últimos cinco anos, é flagrante constatar que a referida norma isentiva não se aplica ao presente caso pois o RECORRENTE alienou o imóvel pelo valor de R$ 590.000,00 ao passo que a isenção recai sobre o imóvel cujo valor de alienação seja de até R$ 440.000,00. O RECORRENTE pleiteia que seja apenas tributado o valor que exceder o limite permitido para a isenção; ou seja, requer seja tributado somente o valor de R$ 150.000,00 (= R$ 590.000,00 – R$ 440.000,00). Contudo, no direito tributário, as regras sobre isenção devem ser interpretadas literalmente, não cabendo fazer interpretação extensiva dos dispositivos, conforme disciplina o art. 111 do CTN: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção;” Portanto, a isenção do art. 23 da Lei nº 9.250/95 não se aplica ao caso concreto, haja vista a alienação ter sido em valor superior ao limite estabelecido pela norma isentiva. Não incidência do tributo sobre valores não recebidos Por fim, o RECORRENTE argumenta que o critério material da regra matriz de incidência para o imposto de renda pessoa física é auferir e concomitantemente receber rendimentos. Neste sentido, não teria recebido o montante de R$ 590.000,00. O RECORRENTE não dá mais detalhes acerca de seu pedido. No entanto, analisando a Impugnação apresentada, verificase que o RECORRENTE invoca o instrumento particular de aditamento de compromisso de venda e compra de imóvel (fls. 13/16) para defender que não recebeu o valor total da venda (R$ 590.000,00) na medida que R$ 250.000,00 foram destinados à liquidação de ações judiciais. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13839.001995/200708 Acórdão n.º 2201004.133 S2C2T1 Fl. 152 9 Tal pleito também não deve prosperar. Ora, pouco importa se o valor de R$ 250.000,00 foi entregue ao RECORRENTE ou pago diretamente pelo comprador para liquidar dívida do RECORRENTE. O que interessa é que o real beneficiário do valor foi o contribuinte. O RECORRENTE pode não ter ficado com aquela quantia como um ativo, mas ela foi utilizada para dar baixa em um passivo seu e que, pelo que consta dos autos, era necessário quitar tal dívida para liberar o imóvel alienado, pois o mesmo estava sendo utilizado como garantia da mencionada dívida em processo judicial. Tal situação é o mesmo que o contribuinte receber o dinheiro (auferir a renda) e quitar os seus débitos. O acordo para que o comprador quitasse o débito judicial do RECORRENTE foi uma medida que visou, de alguma forma, facilitar as operações de transferência de valores. Ademais, conforme exposto pelo próprio RECORRENTE à fl. 84, a dívida no processo judicial foi negociada pelo valor de R$ 143.000,00. Portanto, além do acima exposto, cai por terra a alegação do RECORRENTE de que utilizou os R$ 250.000,00 para liquidar dívidas judiciais. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, pelas razões acima expostas. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720008/2016-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto da relatora.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto da relatora. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Ribeirão Preto/SP, que declarou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte sobre a cobrança de Contribuição Sociais não cumulativas, consubstanciada nos autos de infração em questão, acrescidos de juros de mora e multa de ofício. 1 1 Segundo a autoridade lançadora, no TV: "Até o presente momento a fiscalizada não declarou o débito ou promoveu qualquer forma de extinção da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes na aquisição das 20 locomotivas do Lote 2011 e dos 200 Vagões 2012". Tal afirmação não foi contestada pelo contribuinte RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 00 8/ 20 16 -4 6 Fl. 3013DF CARF MF Processo nº 16561.720008/201646 Resolução nº 3402001.245 S3C4T2 Fl. 334 2 Em síntese, os autos de infração foram lavrados em 22/01/2016 para a cobrança de Contribuição para o Programa de Integração Social ("PIS") e da Contribuição para o Financiamento da Integração Social ("COFINS", ou, em conjunto, "PIS/COFINS"), acrescidos de juros e multa de ofício, supostamente incidentes sobre a receita decorrente da alienação de locomotivas, vagões e truques à Impugnante nos anoscalendário de 2011 e 2012, cuja exigibilidade estava suspensa, por ser a Contribuinte beneficiária do Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária ("REPORTO"), conforme Ato Declaratório Executivo n° 38, de 13 de outubro de 2005 ("ADE n° 38/2005"), na qualidade de arrendatária de instalação portuária de uso público. Ademais, consta do presente auto de infração multa isolada no valor de 50% sobre os valores que a Autoridade lançadora considerou como sendo o dos bens adquiridos, por descumprimento do disposto no artigo 14 da Lei n. 11.033/2004 (não utilização dos bens na zona portuária). 2 Os referidos valores foram lançados contra a Contribuinte em decorrência de suposto descumprimento do disposto no caput do artigo 14 da Lei n° 11.033/2004, que instituiu o REPORTO, na redação vigente à época dos fatos geradores, o que, no entender da Autoridade Fiscal, levaria a tais exigências nos termos de seus parágrafos 11 e 12. Segundo a Autoridade Fiscal, a Recorrente teria descumprido os termos de tal regime, uma vez que tais bens não foram utilizados estritamente na zona portuária, o que, na visão do Fisco, seria requisito necessário ao usufruto do benefício da suspensão pela Contribuinte, entendida pela legislação como responsável pelo recolhimento dos tributos3 por força do citado desvio e finalidade. 4 (doc. 022). Isso posto, sobre os valores não recolhidos cabe aplicação de multa de oficio de 75%, conforme prevê o artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007 (...). 2 Tal imputação foi assim fundamentada no TVF: “a ocorrência de qualquer uma das hipóteses elencadas no § 11 acima transcrito “utilização do bem em finalidade diversa da que motivou a suspensão de que trata o caput deste artigo, a sua não incorporação ao ativo imobilizado ou a ausência da identificação citada no § 10 deste artigo” , dá ensejo à aplicação da multa de 50% sobre o valor de aquisição do bem no mercado interno ou do respectivo valor aduaneiro (§ 11), sendo que, conforme dispõe o § 12, “A aplicação da multa prevista no § 11 deste artigo não prejudica a exigência dos tributos suspensos, de outras penalidades cabíveis, bem como dos acréscimos legais”. 3 Destaco o seguinte trecho do TVF sobre a responsabilidade: “Pela leitura do disposto no artigo 14 da Lei nº 11.033/04, (...) com a redação dada pela Lei nº 11.726, de 2008, cabe ao adquirente a responsabilidade pelos tributos relativos a bens adquiridos com suspensão sob a justificativa de ser ele beneficiário do REPORTO” 4 Nas palavras da Autoridade Fiscal: "35.3. Em decorrência da titularidade do “direito de construir, reformar, ampliar, melhorar, arrendar e explorar” instalação localizada no porto de Santos. 36. Fica claro, portanto, que, se a habilitação ao regime se fez em razão da titularidade do “direito de construir, reformar, ampliar, melhorar, arrendar e explorar” instalação localizada no porto de Santos, evidentemente os bens adquiridos com suspensão de tributos decorrente da habilitação deveriam necessariamente ser utilizados exclusivamente no exercício desse mesmo “direito de construir, reformar, ampliar, melhorar, arrendar e explorar” a instalação portuária de uso público arrendada no porto de Santos. ... Vimos que o REPORTO estabelece um múltiplo vínculo entre (i) os bens adquiridos com suspensão, (ii) a atividade desenvolvida pelo beneficiário e (iii) o espaço físico que motivou sua habilitação ao regime. Assim, o arrendatário de instalação portuária de uso púbico é habilitado enquanto prestador de serviços de carga, descarga e movimentação de mercadorias executados na área arrendada do porto e, portanto, exclusivamente aí deve utilizar os bens adquiridos com suspensão. Já o concessionário de transporte ferroviário pode ser habilitado enquanto prestador de serviços de transporte de mercadorias em ferrovias, serviços estes executados em sua malha de concessão. Fl. 3014DF CARF MF Processo nº 16561.720008/201646 Resolução nº 3402001.245 S3C4T2 Fl. 335 3 Porém, anteriormente à lavratura do auto de infração ocorreram os seguintes fatos: i) Em 29/10/2009, a Contribuinte formulou consulta à Receita Federal do Brasil (RFB) em que, após expor seus motivos, afirmando entender que “é de seu direito aproveitar os benefícios de suspensão do II, se for o caso, IPI, PIS e COFINS relativos as aquisições no mercado interno, ou importações de locomotivas, vagões e truques para transporte ferroviário de produtos a serem movimentados da região Centro Sul até o terminal portuário da Consulente localizado no porto de Santos”. Assim, requereu manifestação “acerca da conformidade, ou não, desse entendimento em face das disposições legais em vigor”; ii) A resposta foi dada através da Solução de Consulta nº 24, de 18 de janeiro de 2010, da Divisão de Tributação da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 8ª Região Fiscal, firmando entendimento contrário ao da Consulente; iii) Diante de tal cenário, em 10/08/2010 a Recorrente impetrou Mandado de Segurança Preventivo nº 000673684.2010.4.03.6104, com pedido de liminar, justamente sobre a eminente cobrança de tributos federais decorrente da restrição aos benefícios do Reporto, instituído pela Lei n. 11.033/04, com as alterações da Lei n. 11.774/08. Em 23/08/2010, a magistrada competente indeferiu a liminar, decisão esta mantida após pedido de reapreciação formulado pela Impetrante em razão do advento do Decreto n. 7.297/2010, o qual reforçaria seu direito, em 14/10/2010. Na sentença, prolatada em 30/09/2010, a segurança foi denegada. A apelação foi recebida no efeito devolutivo, com remessa dos autos ao TRF, onde aguarda julgamento. Em sua impugnação ao lançamento tributário, a Contribuinte sustentou que: i) Preliminarmente, que os sujeitos passivos da obrigação tributária em questão são os alienantes das locomotivas, dos vagões e truques, que, amparados pelo REPORTO, deixaram de recolher o PIS/COFINS incidente sobre a receita decorrente da venda de tais bens, tendo sido o auto de infração lavrado com erro na sujeição passiva; ii) Ainda em sede preliminar, que a Autoridade Fiscal deixou de imputar, de oficio, os créditos de PIS e COFINS decorrentes da aquisição dos ativos em questão, em desrespeito à sistemática da não cumulatividade, prevista no inciso VI, do caput e inciso III, do §1°, do artigo 3º das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/03, c/c no §14 do artigo 3º e artigo 15, inciso II, ambos da Lei n° 10.833/2003. Afinal, se para efeito de apuração e cobrança do PIS/COFINS a Autoridade Fiscal retroagiu no tempo e calculou os encargos legais como se o crédito tributário fosse devido na época da entrega das mercadorias, é o direito da Impugnante tomar os créditos referentes a tais aquisições também retroativamente. Assim, considerando que os créditos tributários de PIS/COFINS são ilíquidos e incertos, o auto de infração é nulo e deve ser cancelado; Fl. 3015DF CARF MF Processo nº 16561.720008/201646 Resolução nº 3402001.245 S3C4T2 Fl. 336 4 iii) Com relação ao mérito, afirma não ter descumprido o regime do Reporto. Explica que a publicação do Decreto n° 7.297/2010 resolveu a dúvida que anteriormente existia sobre o caso da Recorrente, uma vez que sedimentou (iii.a) ser impossível, por exemplo, ao operador portuário, operar locomotivas, vagões e truques dentro da zona portuária e (iii.b) o concessionário ferroviário não opera na zona portuária, restando claro que a limitação espacial de utilização dos bens adquiridos sob as normas do REPORTO vislumbrada pela Receita Federal do Brasil não é uma exigência legal, bastando que os bens adquiridos sejam empregados no transporte de mercadorias aos portos para que restem cumpridos os ditames da Lei n° 11.033/2004; iv) Uma vez que a atividade da Autoridade Fiscal é vinculada, ao efetuar a análise da legislação concernente ao REPORTO, a autoridade fiscal não poderia ter deixado de levar em conta as disposições contidas no Decreto n° 7.297/2010, que se sobrepõem ao quanto decidido na Solução de Consulta n° 24/2010, para o presente caso que trata de fatos geradores de 2011 e 2012; v) Subsidiariamente, coloca que a Impugnante observou o quanto disposto no Decreto n° 6.582/2008, sendo assim, deve ser afastada, no mínimo, a aplicação da multa isolada, da multa de ofício e dos juros de mora, como determina o parágrafo único do artigo 100 do CTN, c/c no caput do artigo. Em julgamento datado de 16 de maio de 2016, a DRJ Ribeirão Preto/SP negou provimento à impugnação da Contribuinte (Acórdão 1460.665), nos termos da ementa a seguir colacionada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2011, 31/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 30/09/2012, 31/10/2012 SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÃO. SUJEIÇÃO PASSIVA. Por expressa determinação legal, o agente que deu causa ao descumprimento de condição para gozo de benefício fiscal de venda com suspensão das contribuições sociais assume o polo passivo da obrigação tributária na condição de responsável. AUTO DE INFRAÇÃO. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. APROVEITAMENTO. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Os créditos da não cumulatividade devem ser contrapostos ao faturamento auferido pelo contribuinte. Na medida em que o sujeito passivo do lançamento assumiu essa condição por força de ser responsável por infração, não existe o faturamento próprio em relação ao qual contrastar eventuais créditos, pelo que não se lhe reconhece o direito ao desconto. REPORTO. BEM VENDIDO COM SUSPENSÃO. ATIVIDADE DO ADQUIRENTE. UTILIZAÇÃO EM ATIVIDADE DIVERSA. Fl. 3016DF CARF MF Processo nº 16561.720008/201646 Resolução nº 3402001.245 S3C4T2 Fl. 337 5 O benefício de venda com suspensão concedido no âmbito do REPORTO tem como condição a utilização na área portuária e na atividade própria do adquirente dos bens. Na medida em que os bens adquiridos foram utilizados em área diversa e em atividades fora do escopo de atuação do adquirente, este assume a responsabilidade tributária pelos tributos não recolhidos e pelas penalidades daí decorrentes. REPORTO. UTILIZAÇÃO INDEVIDA DE BEM ADQUIRIDO COM SUSPENSÃO. MULTA ISOLADA. Constatada a utilização de bem adquirido com suspensão das contribuições em finalidade diversa da que motivou a suspensão, aplicase penalidade consistente em valor equivalente a cinquenta por cento do valor de aquisição do bem, sem prejuízo da exigência dos tributos não recolhidos, da aplicação de outras penalidades e dos acréscimos legais. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA. Correta a aplicação da multa de ofício quando da constatação da falta de recolhimento de tributo devido e não recolhido por força de suspensão cujas condições não foram atendidas. AUTO DE INFRAÇÃO. PENALIDADES. CONFISCO. PROPORCIONALIDADE. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA. O afastamento de penalidade determinada por lei sob o argumento de violação dos princípios do não confisco e da proporcionalidade implica exame de constitucionalidade o que está além da competência do julgamento administrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2011, 31/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 30/09/2012, 31/10/2012 SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÃO. SUJEIÇÃO PASSIVA. Por expressa determinação legal, o agente que deu causa ao descumprimento de condição para gozo de benefício fiscal de venda com suspensão das contribuições sociais assume o polo passivo da obrigação tributária na condição de responsável. AUTO DE INFRAÇÃO. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. APROVEITAMENTO. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Os créditos da não cumulatividade devem ser contrapostos ao faturamento auferido pelo contribuinte. Na medida em que o sujeito passivo do lançamento assumiu essa condição por força de ser responsável por infração, não existe o faturamento próprio em relação ao qual contrastar eventuais créditos, pelo que não se lhe reconhece o direito ao desconto. Fl. 3017DF CARF MF Processo nº 16561.720008/201646 Resolução nº 3402001.245 S3C4T2 Fl. 338 6 REPORTO. BEM VENDIDO COM SUSPENSÃO. ATIVIDADE DO ADQUIRENTE. UTILIZAÇÃO EM ATIVIDADE DIVERSA. O benefício de venda com suspensão concedido no âmbito do REPORTO tem como condição a utilização na área portuária e na atividade própria do adquirente dos bens. Na medida em que os bens adquiridos foram utilizados em área diversa e em atividades fora do escopo de atuação do adquirente, este assume a responsabilidade tributária pelos tributos não recolhidos e pelas penalidades daí decorrentes. REPORTO. UTILIZAÇÃO INDEVIDA DE BEM ADQUIRIDO COM SUSPENSÃO. MULTA ISOLADA. Constatada a utilização de bem adquirido com suspensão das contribuições em finalidade diversa da que motivou a suspensão, aplicase penalidade consistente em valor equivalente a cinquenta por cento do valor de aquisição do bem, sem prejuízo da exigência dos tributos não recolhidos, da aplicação de outras penalidades e dos acréscimos legais. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA. Correta a aplicação da multa de ofício quando da constatação da falta de recolhimento de tributo devido e não recolhido por força de suspensão cujas condições não foram atendidas. AUTO DE INFRAÇÃO. PENALIDADES. CONFISCO. PROPORCIONALIDADE. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA. O afastamento de penalidade determinada por lei sob o argumento de violação dos princípios do não confisco e da proporcionalidade implica exame de constitucionalidade o que está além da competência do julgamento administrativo. Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho (fls. 1937 e seguintes), repisando os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário e adicionando um novo ponto preliminar, a respeito da inexistência de concomitância entre o objeto do presente lançamento fiscal e o mérito da ação mandamental. O caso foi pautado para julgamento por este Colegiado, dando origem à Resolução n. 3402001.011, de 24 de maio de 2017. Nesta oportunidade, para fins de aferir a existência de concomitância in casu, votouse pela conversão do julgamento do presente processo em diligência, para que fosse juntado o inteiro teor dos autos do Mandado de Segurança n. 000673684.2010.403.6104. Ato contínuo, foram trazidos aos autos os documentos de fls 2.108 a 2.948 e o processo encaminhado para a retomada do julgamento. É o relatório. Fl. 3018DF CARF MF Processo nº 16561.720008/201646 Resolução nº 3402001.245 S3C4T2 Fl. 339 7 Resolução Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Conforme se depreende do relato acima, o presente processo foi objeto da Resolução n. 3402001.011, por meio da qual se buscava elementos suficientes para alcançar o devido entendimento a respeito da existência de concomitância sobre o mérito do caso. Permanecese sem tais elementos. Isto porque a autoridade fiscal de origem, ao invés de intimar a Recorrente para que apresentasse o inteiro teor dos autos do Mandado de Segurança n. 0006736 84.2010.403.6104, juntou aos autos cinco volumes retirados do processo administrativo n. 10845.002251/201021, conforme consta do despacho (fls 2105), in verbis: "DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvo o presente processo para encaminhamento ao CARF informando que a diligência solicitada está sendo efetuada pelo PA10845.002251/201021 que deve ser consultado no EPROCESSO, estando vinculado ao presente processo administrativo." Ocorre que esta Relatora não tem acesso ao referido Processo n. 10845.002251/201021. Ademais, nos cinco volumes trazidos a estes autos não consta justamente a peça mais importante para o deslinde da questão, conforme salientei no seguinte parágrafo da Resolução n. 3402001.011: A única forma de solucionar tal dúvida sobre os limites da decisão a ser proferida no Mandado de Segurança n. 000673684.2010.403.6104 é pela análise do que foi objeto da apelação levada ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, recebida no seu efeito devolutivo. Nela, será possível averiguar se a Recorrente insiste na aplicação dos dizeres do Decreto n. 7.297/2010 tanto para fatos geradores anteriores como posteriores à impetração do MS, ou se adere ao que foi decidido na sentença, no que diz respeito ao seu pleito abranger tão somente os fatos geradores anteriores à edição do referido Decreto. Porém, tal peça recursal não consta dos presentes autos, tampouco do sítio eletrônico do Tribunal, impedindo que esta Relatora possa aferir a existência de concomitância. Assim, voto por converter novamente o processo e diligência, nos termos do artigo 18 caput do PAF, para a conclusão do convencimento deste Colegiado sobre os fatos em discussão. Para tanto, deve a Repartição Fiscal de origem intimar a Recorrente para que apresente cópia do o inteiro teor do Mandado de Segurança n. 000673684.2010.403.6104, especialmente a petição de apelação perante o Tribunal Regional Federal da Terceira Região, certidão de objeto e pé do mesmo processo judicial, e, finalmente, providenciar a juntada desses documentos ao presente processo administrativo. Ainda, aproveite a Recorrente a oportunidade para se manifestar acerca da questão em discussão. Retornem, então, os autos para julgamento. É como voto. Fl. 3019DF CARF MF Processo nº 16561.720008/201646 Resolução nº 3402001.245 S3C4T2 Fl. 340 8 Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 3020DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.905863/2012-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/10/2010
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, torna-se incabível a nulidade arguida.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO
É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.021
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrente A. M. R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/10/2010 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, tornase incabível a nulidade arguida. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 58 63 /2 01 2- 70 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10930.905863/201270 Acórdão n.º 3302005.021 S3C3T2 Fl. 3 2 Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, que não homologou a compensação declarada por meio de Per/Dcomp uma vez que o crédito informado já estava integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte . Na manifestação apresentada, a contribuinte aduz que, sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada, por isso, pede que seja recebido o recurso e declarada a nulidade do despacho decisório emitido. Segundo afirma, em resumo: não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade; não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; a autoridade administrativa deve obediência à legalidade e que seus atos devem ser motivados, para que se possa promover a defesa do ato; a não homologação ocorreu por uma questão de sistema de informática, já que o crédito propriamente dito sequer foi apreciado e carece de definição o significado de "disponibilidade do crédito" no despacho decisório. Contudo, acredita se tratar de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restando crédito disponível para ser restituído. Mas, salienta, diversas poderiam ser as situações que acarretariam a restituição do valor recolhido. Contesta a falta de intimação para que pudesse fazer os esclarecimentos necessários, acarretando o cerceamento ao seu direito de ampla defesa. Enfim, diz que o pedido formulado tem como fundamento a inclusão indevida na base de cálculo da contribuição não só da receita decorrente de seu faturamento, mas de outras receitas que não deveriam compôla, conforme inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em outras ações já transitadas em julgado. Em relação à produção de provas, diz que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06040.900. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após regularmente cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. Ao final requer que sejam os autos remetidos à Delegacia de origem, para que sejam promovidas diligências necessárias à comprovação do crédito. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10930.905863/201270 Acórdão n.º 3302005.021 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.004, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.901828/201362, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.004): PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DAS NULIDADES Observase que a matéria litigiosa trazida na peça recursal prendese basicamente a arguição de nulidades: a) do despacho decisório que não declinou os motivos do indeferimento de seu pleito, bem como não analisou o mérito do pedido de restituição/ compensação postulado pela empresa, tampouco intimou o interessado a fazer os esclarecimentos necessários a comprovar o alegado, ensejando portanto cerceamento do direito de defesa; b) nulidade da decisão de primeira instância, por ausência de fundamentação e por obstar a produção das provas necessárias, já que sequer é sabido o que não foi reconhecido. Analisase a seguir as nulidades suscitadas. Da fundamentação do despacho decisório Observase que a peça decisória originase do processamento eletrônico das compensações, segundo a legislação de regência da matéria, tendo explícita fundamentação quanto à indisponibilidade do crédito pleiteado, cujos dados demonstrados no referido despacho decisório, seja quanto aos valores do crédito e débitos declarados, estão amparados na PER/DECOMP acostada aos autos. Conclui assim referido despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, crédito disponível para compensação pretendida. Notese que essa situação fática, inclusive é ratificada da pela própria recorrente, quando infere que do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restou crédito disponível para ser restituído, no Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10930.905863/201270 Acórdão n.º 3302005.021 S3C3T2 Fl. 5 4 entanto, tece considerações sobre outras formas de verificação do suposto indébito. Vêse portanto que o despacho decisório apresentou a motivação adequada à situação em exame, respaldandose nos dados oriundos da PER/DECOMP transmitida pelo próprio sujeito passivo. Notese ainda que a contribuinte foi regularmente cientificada do despacho decisório, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, o que lhe oportunizou o exercício do contraditório e da ampla defesa, comparecendo assim aos autos, com a manifestação de inconformidade que inaugurou a lide e recurso voluntário nas referidas instâncias administrativas, onde demonstra perfeita cognição dos fatos demonstrados no despacho decisório pela linha argumentativa apresentada. Instaurada a lide, esse é o momento processual para que a contribuinte apresente os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, inexistindo omissão da autoridade administrativa quanto às intimações suscitadas, visto que os dados utilizados no referido despacho foram fornecidos pelo próprio sujeito passivo, prescindindo assim de motivação para que referida autoridade administrativa diligenciasse com vistas a perquirir a origem do crédito, já que o tratamento inicial dos dados revelou a indisponibilidade do crédito pleiteado. Da fundamentação da decisão de piso Igualmente não prospera a nulidade arguida quanto à suposta falta de motivação da decisão de piso, haja vista que a leitura da referida peça revela que todas as preliminares suscitadas foram devidamente fundamentadas, bem como a análise meritória do pleito, quanto aos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Assim a r. turma julgadora demonstrou fundamentadamente a motivação de sua decisão, exercendo assim a prerrogativa da livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme lhe assegura o 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ante as considerações acima não se vislumbra qualquer mácula no referido despacho decisório, tampouco na decisão de piso, que enseje a declaração de nulidade, visto que além da observância da norma processual específica, Decreto nº 70.235, de 1972, também atendem às normas dispostas nos arts. 2º e 50, da Lei nº 9.784, de 1999. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA A contribuinte requer a realização de diligência, visando demonstrar nessa oportunidade, as provas que lastreiam o crédito pleiteado. Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório, bem como o disciplinamento na norma processual, quanto a um pedido de diligência. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10930.905863/201270 Acórdão n.º 3302005.021 S3C3T2 Fl. 6 5 Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações.(grifei). Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Neste sentido, a recorrente teve a oportunidade processual, uma vez que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, como já ressaltado, a própria recorrente destaca inferir quanto ao despacho decisório que se trata de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o crédito declarado em DCTF, aventando porém estirem outras situações que acarretariam a restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo da exação, no entanto permaneceu silente quando do oportuno momento processual de trazer as provas que lastreiam o seu crédito pleiteado e assim, ensejar uma diligência pelo órgão a quo para verificar a materialidade do crédito arguido, porém a recorrente limitouse em suas peças defensórias a aduzir alegações e solicitar diligências sem demonstrar o lastro probatório que se faz necessário, em se tratando de direito creditório pleiteado, como já destacado. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10930.905863/201270 Acórdão n.º 3302005.021 S3C3T2 Fl. 7 6 Por oportuno, registre o que prevê o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 18 – A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.”(grifei). Verificase assim que o deferimento de um pedido de diligência ou perícia, pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria ou colher determinada prova, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, ou ainda que se faça premente uma análise que exija conhecimentos técnicos específicos, o que não é o caso dos autos, cuja documentação objeto da diligência solicitada deixou de ser apresentada em momento oportuno quando da apresentação da manifestação de inconformidade, tampouco apresentou a Requerente até então a demonstração de qualquer impedimento para realização de seu mister. Observese ainda que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da Recorrente. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. DA APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS Protesta a Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou a recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. Pelo exposto, não há reparos na decisão de piso, uma vez que escudada no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, não acatou a solicitação de Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10930.905863/201270 Acórdão n.º 3302005.021 S3C3T2 Fl. 8 7 apresentação posterior de prova, diferente do prazo estabelecido, destacando em reforço argumentativo, que sequer foram juntadas aos autos quaisquer documentos necessários à sua análise. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do contribuinte e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca a recorrente que ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Assevera ainda que incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôla e nesse sentido utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Ocorre que a recorrente ao enfatizar essa questão o faz de forma genérica, sem identificar quais receitas compuseram indevidamente a base de cálculo da COFINS, tampouco acosta aos autos quaisquer elementos probatórios que o respalde, tais como livros/documentos que sejam passíveis de análise por essa turma julgadora. A lei estabelece o dever de motivação do ato administrativo, que no caso em apreço restou perfeitamente demonstrada a motivação das peças decisórias até então analisadas. Ocorre que o artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece os requisitos a serem cumpridos pelo contribuinte quando da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade, entre os quais, na dicção do inciso III do art. 16, do citado diploma legal a matéria posta em lide há de ser expressamente contestada, ou seja há de demonstrar o interessado [...os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. No caso em exame, embora pondere a interessada que está respaldada na decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal, no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10930.905863/201270 Acórdão n.º 3302005.021 S3C3T2 Fl. 9 8 contribuições, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações, quando da inauguração da lide, haja vista que declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. No entanto, como já exposto em sede preliminar, a recorrente não se desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, já que em suas peças defensórias deixou de carrear aos autos qualquer elemento probatório que lastreie o seu pleito. Cabe registrar que a matéria em exame encontra precedente no âmbito deste Egrégio Conselho, com relação ao mesmo sujeito passivo, nos termos do Ac nº 3803004.798 , de 26/11/2013, a seguir ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da declaração de compensação transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de desprovimento do recurso. MOMENTO POSTERIOR DE PRODUÇÃO DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), em especial no Decreto 70.235/72, não havendo como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS, E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10930.905863/201270 Acórdão n.º 3302005.021 S3C3T2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu rejeitar as preliminares suscitadas, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.659070/2012-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.327
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão da DRJ que considerou improcedente Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada. Conforme o Despacho Decisório, o DARF identificado como origem do crédito vindicado havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte alega que: · importa mercadorias, referentes as NCMS n° 9021.1020 e revende a distribuidores e convênios médicos e hospitais; · de acordo com art. 8°, § 12, inciso XIX da Lei nº 10.865/04, incluído pela Lei nº 12.058/09 (vigência a partir de 01/01/2010), ficam reduzidas a 0% as alíquotas de PIS/COFINS importação, na hipótese de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 59 07 0/ 20 12 -1 4 Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10880.659070/201214 Resolução nº 3402001.327 S3C4T2 Fl. 3 2 importação de artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados na NCM 90.21.10; · Art. 28. Ficam reduzidas a 0% (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: XV artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados no código 90.21.10 da NCM; (Incluído pela Lei n°12.058, de 2009) (Produção de efeito); · a empresa durante o período de Janeiro/2010 a Abril/2012, continuou a recolher PIS/COFINS sobre as mencionadas mercadorias; · outrossim, o valor considerado como VALOR ORIGINAL TOTAL/UTILIZADO no despacho decisório está diferente do informado no PER/DCOMP; · portanto, acredita que faz jus ao crédito utilizado nos PER/DCOMP não homologados, para tanto anexando os documentos, assim especificados: a Cópia da Planilha com os valores dos créditos, tais como o número dos PER/DCOMP; b Cópia do livro de Saída do referido período; c Cópia dos Dacon com os valores de receita com alíquota zero; d Cópia dos Darf recolhidos do referido período; e Cópia da Lei nº 12.058 f Cópia do PER/DCOMP do período. A DRJ não reconheceu o direito creditório por entender que o contribuinte não havia comprovado a existência de crédito líquido e certo. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário, em que repisou os fundamentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, com especial ênfase para o fato haver provado as retificações das declarações prestadas (DACON's e DCTF's) com operações sujeitas à alíquota zero para o período em análise, fato este que não poderia ter sido ignorado pela decisão atacada, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.316, de 22 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.659059/201246, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10880.659070/201214 Resolução nº 3402001.327 S3C4T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.316: "5. A questão aqui posta não demanda maiores digressões. Como visto alhures, no período de janeiro de 2010 a abril de 2012 o recorrente recolheu PIS/COFINS para mercadorias sujeitas a alíquota zero (art. 8°, § 12, inciso XIX e XV da Lei nº 10.865/04), o que fez com que apresentasse pedido de compensação para reaver o que pagou indevidamente. 6. Acontece que as sobreditas retificações foram apresentadas após o despacho decisório impugnado e, por isso, ignorados pela DRF. Ademais, a decisão recorrida aduz que além de tais retificações o contribuinte também deveria ter apresentado outros elementos de prova a atestar seu crédito, de modo a tornálo líquido e certo. 7. Já em sede de recurso voluntário o contribuinte trouxe outros documentos que aparentemente comprovam seu crédito, quais sejam, as notas fiscais de comercialização dos produtos desonerados e indevidamente tributados, bem como uma planilha em que correlaciona tais bens aos valores indevidamente pagos a título de tributo. 8. Percebese, pois, que diante dos fatos aqui expostos e dos documentos acostados nos autos, é possível vislumbrar que de fato o contribuinte possui um crédito em seu favor. Logo, levando ainda em consideração que no âmbito do processo administrativo vigora o princípio da verdade material1, e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o recorrente promoveu as retificações necessárias a demonstrar a existência do crédito aqui vindicado e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para a compensação promovida. 9. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em 1 "Registrese, desde já, que este importante valor normativo não se assemelha a uma ferramenta mágica, como pretendem alguns, e, por óbvio, não tem a aptidão de "validar" preclusões e atecnias, nem de transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização." (RIBEIRO, Diego Diniz. O CPC/2015 e seus reflexos no processo administrativo tributário. In: Paulo de Barros Carvalho, Priscila de Souza. (Orgs.). Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 219240.). Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10880.659070/201214 Resolução nº 3402001.327 S3C4T2 Fl. 5 4 análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, DECIDO CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o recorrente promoveu as retificações necessárias a demonstrar a existência do crédito aqui vindicado e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para a compensação promovida. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire . Fl. 274DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000247/2007-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/07/1995
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08.
As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitam-se aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto.
Numero da decisão: 2201-004.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e prover o recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Ausente, justificadamente, a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 31/07/1995 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08. As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitam-se aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e prover o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente, justificadamente, a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
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DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08. As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitamse aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e prover o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente, justificadamente, a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 02 47 /2 00 7- 95 Fl. 501DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 11330.000216/200734, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária " O presente processo trata de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, referente às contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, Empregados, Empresa, inclusive para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho, e Terceiros. O valor originário lançado é relativo ao período de apuração constante do documento fiscal, sobre o qual incidiram multa e juros. A análise do Relatório Fiscal indica: que a Notificação em tela teve por objetivo substituir a NFLD que foi anulada pelo Conselho de Recursos da Previdência Social, por vício formal, erro na classificação da fundamentação legal do fato gerador das contribuições apuradas; que a lavratura da Notificação tem fundamento no inciso II do art. 45 da Lei 8.212/91, que assegura à Seguridade Social o direito de apurar e constituir seus créditos em até 10 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada; que o fato gerador das contribuições apuradas foi a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados da empresa prestadora, cedidos à empresa NET Rio S.A. (tomadora), cuja responsabilidade foi atribuída a esta última por solidariedade, não afastada nos termos da legislação (§ 4º do art. 31 da Lei 8.212/91). A NET Rio S.A. foi devidamente cientificada do lançamento e, inconformada, formalizou tempestivamente sua impugnação, estruturada nos seguintes tópicos: Preliminares: da necessidade de adequada constituição do pólo passivo desta NFLD; da necessidade de oferecerse ciência ao ora defendente, dos termos de eventual defesa apresentada pelo contribuinte gerador da solidariedade imposta nesta NFLD; Fl. 502DF CARF MF Processo nº 11330.000247/200795 Acórdão n.º 2201004.052 S2C2T1 Fl. 3 3 da inexistência de atos fiscais hábeis à minimização dos riscos de lançamentos em duplicidade; da inexistência de providências fiscais aptas à caracterização da ocorrência da cessão de mãodeobra hábil à geração da solidariedade previdenciária; da ocorrência da decadência quinquenal; De mérito: da condição legal da notificada; dos aspectos valorativos das exageradas alíquotas utilizadas para mensuração dos saláriosdecontribuição extraídos de faturas de serviço; Já a empresa prestadora apresentou intempestivamente sua impugnação. Na análise da impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento considerou procedente em parte o lançamento, promovendo a exclusão dos créditos tributários relativos às contribuições sociais destinadas a outras entidades ou fundos, por não comportar lançamento por solidariedade. No mais, entendeu improcedentes os argumentos da defesa, inclusive em relação à decadência, que concluiu ser de 10 anos, nos termos do art. 45 da Lei 8.212/91. Ciente do Acórdão da DRJ, ainda inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual trouxe à balha considerações sobre a edição da então recente Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal. Na sequência, o recurso, basicamente, constituise na reafirmação dos mesmos tópicos já tratados na impugnação. Posteriormente, o recorrente apresentou nova petição, exclusivamente para reiterar suas considerações sobre a necessidade de cancelamento do lançamento em razão da citada Súmula Vinculante nº 08. É o relatório necessário.." Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de fevereiro de 2018, proferido no julgamento do processo n° 11330.000216/200734, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Fl. 503DF CARF MF 4 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de fevereiro de 2018: Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Por constituir matéria preliminar de mérito, relevante iniciar a análise do presente pela alegação de que os débitos lançados são relativos a períodos de apuração alcançados pela decadência. Como se viu no relatório supra, tanto a Autoridade Fiscal quanto o Julgador de 1ª Instância ampararam seus atos (lançamento e decisão) nos termos do art. 45 da Lei 8.212/91, cuja redação então vidente era a seguinte: art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. O débito ora sob análise decorre do cancelamento, por vício formal, de lançamento anterior. No presente caso, considerando os termos do art. 45 da Lei 8.212/91, o prazo decadencial teria início na data em que se tornou definitiva a decisão que cancelou o lançamento julgado nulo por vício formal. Não obstante, por não ter sido juntado aos autos os elementos que pudessem indicar a data efetiva em que esta se tornou definitiva e considerando que tratar do tema agora resultaria em inovação da lide administrativa com a inclusão de questão sobre a qual a autoridade lançadora, a autoridade julgadora e a defesa não se manifestaram, há que se considerar, como início do prazo decadencial, a data em que foi exarada a decisão definitiva que fulminou o lançamento original. Assim, levandose em consideração os estritos termos da legislação vigentes na época do lançamento, não haveria que se falar em decadência. Não obstante, em Sessão Extraordinária realizada em 12 de julho de 2008, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, editando a Súmula Vinculante n° 08, nos seguintes termos: Súmula Vinculante n° 08: Fl. 504DF CARF MF Processo nº 11330.000247/200795 Acórdão n.º 2201004.052 S2C2T1 Fl. 4 5 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Assim, resta evidente a inaplicabilidade do art. 45 da lei 8.212/91 para amparar o direito da fazenda pública em constituir o crédito tributário mediante lançamento, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições previdenciárias sujeitamse aos artigos 150, § 4º, e 173 da Lei 5.172/66 (CTN), cujo teor merece destaque: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Grifouse Desta forma, considerando a data da prolação de decisão definitiva que anulou o lançamento como termo inicial para contagem do prazo decadencial, em cotejo com a data da ciência do lançamento substitutivo, há que se reconhecer que, nesta data, o direito do fisco em constituir o crédito tributário ora sob análise já se apresentava fulminado pela decadência. Conclusão: Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais acima expostos, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, doulhe provimento para considerar fulminados pela decadência todos o débitos contidos na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em discussão. Fl. 505DF CARF MF 6 Quanto às demais matérias questionadas pela recorrente, deixo de analisálas, por restarem prejudicadas em razão da decadência reconhecida. Carlos Alberto do Amaral Azeredo – Relator” Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 506DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004649/2003-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
INSUMOS E COMPRAS PARA COMERCIALIZAÇÃO. DIFERENÇA.
Há diferença entre os conceitos de insumos e de mercadorias adquiridas para revenda, porém esta é irrelevante para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL já que, em qualquer caso, os respectivos valores devem ser deduzidos da receita para fins de apuração do lucro, uma vez comprovados por documentação idônea.
COMPROVANTE DE CUSTOS E DESPESAS. REQUISITOS. 1. As despesas operacionais devem ser comprovadas com documentação hábil. Se o contribuinte não possuir comprovantes hábeis das despesas escrituradas, deverá adicionar esses dispêndios no lucro real para efeito de tributação. Por outro lado, Não subsiste a autuação fiscal baseada na ausência de documentos comprobatórios dos custos contabilizados uma vez apresentada a documentação solicitada 2. Tendo a diligência fiscal identificado os documentos que foram considerados hábeis para comprovação de despensas, cabe ao autuado, no caso de discordar do procedimento, demonstrar que os documentos não considerados estariam de acordo com a legislação vigente.
ICMS SOBRE VENDAS. DEVOLUÇÃO.
Para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL deve ser considerado a título de ICMS o valor correspondente ao resultado da aplicação da alíquota sobre as receitas de vendas sujeitas ao imposto, deduzido o ICMS sobre as devoluções de venda.
VALORES CONFESSADOS/PAGOS. Na apuração das contribuições PIS e Cofins em lançamento de ofício devem ser deduzidos os valores comprovadamente confessados ou espontaneamente recolhidos pelo sujeito passivo.
DESPESAS FINANCEIRAS. COMPROVAÇÃO. A comprovação de despesas financeiras deve estar lastreada em documentos hábeis e idôneos que permitam identificar os documentos que comprovam as obrigações assumidas, pagamentos efetuados, descontos, variações monetárias, juros e outros encargos decorrentes das operações.
JUROS E MULTA INCIDENTES SOBRE DÉBITOS PARCELADOS. Procede a glosa de despesa de multa e juros sobre débitos supostamente parcelados, quando o contribuinte não comprova a existência dessa obrigação.
PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS À CONTABILIDADE. Não subsiste a acusação fiscal de omissão de receita com base em pagamentos supostamente efetuados com recurso estranho à contabilidade quando o contribuinte comprova o registro da operação em livro contábil (Razão) e apresenta cópia do cheque relacionado à operação.
Numero da decisão: 1401-002.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencida Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, que dava provimento ao recurso voluntário no tocante à multa agravada. Neste ponto, relativo à multa agravada, o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva votou pelas conclusões, para negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto De Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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DIFERENÇA. Há diferença entre os conceitos de insumos e de mercadorias adquiridas para revenda, porém esta é irrelevante para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL já que, em qualquer caso, os respectivos valores devem ser deduzidos da receita para fins de apuração do lucro, uma vez comprovados por documentação idônea. COMPROVANTE DE CUSTOS E DESPESAS. REQUISITOS. 1. As despesas operacionais devem ser comprovadas com documentação hábil. Se o contribuinte não possuir comprovantes hábeis das despesas escrituradas, deverá adicionar esses dispêndios no lucro real para efeito de tributação. Por outro lado, Não subsiste a autuação fiscal baseada na ausência de documentos comprobatórios dos custos contabilizados uma vez apresentada a documentação solicitada 2. Tendo a diligência fiscal identificado os documentos que foram considerados hábeis para comprovação de despensas, cabe ao autuado, no caso de discordar do procedimento, demonstrar que os documentos não considerados estariam de acordo com a legislação vigente. ICMS SOBRE VENDAS. DEVOLUÇÃO. Para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL deve ser considerado a título de ICMS o valor correspondente ao resultado da aplicação da alíquota sobre as receitas de vendas sujeitas ao imposto, deduzido o ICMS sobre as devoluções de venda. VALORES CONFESSADOS/PAGOS. Na apuração das contribuições PIS e Cofins em lançamento de ofício devem ser deduzidos os valores comprovadamente confessados ou espontaneamente recolhidos pelo sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 46 49 /2 00 3- 89 Fl. 10152DF CARF MF 2 DESPESAS FINANCEIRAS. COMPROVAÇÃO. A comprovação de despesas financeiras deve estar lastreada em documentos hábeis e idôneos que permitam identificar os documentos que comprovam as obrigações assumidas, pagamentos efetuados, descontos, variações monetárias, juros e outros encargos decorrentes das operações. JUROS E MULTA INCIDENTES SOBRE DÉBITOS PARCELADOS. Procede a glosa de despesa de multa e juros sobre débitos supostamente parcelados, quando o contribuinte não comprova a existência dessa obrigação. PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS À CONTABILIDADE. Não subsiste a acusação fiscal de omissão de receita com base em pagamentos supostamente efetuados com recurso estranho à contabilidade quando o contribuinte comprova o registro da operação em livro contábil (Razão) e apresenta cópia do cheque relacionado à operação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencida Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, que dava provimento ao recurso voluntário no tocante à multa agravada. Neste ponto, relativo à multa agravada, o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva votou pelas conclusões, para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto De Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Fl. 10153DF CARF MF Processo nº 19515.004649/200389 Acórdão n.º 1401002.159 S1C4T1 Fl. 10.153 3 Tratase de autos de infração para a cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, acrescidos juros e de multa agravada de 112,5%, referentes ao anocalendário de 1998, no regime de lucro real, nos seguintes valores históricos: Conforme Termo de Verificação de fls. 520/570 e Descrição dos Fatos de fls. 585/587 o contribuinte incorreu nas seguintes infrações: 01OMISSÃO DE RECEITAS PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS À CONTABILIDADE Omissão de Receita caracterizada pela não comprovação da contabilização de remessa de recursos ao exterior, através de contas de não residentes no País (contas CC5). Conforme se vê às fls. 530/531, a fiscalização separou, sob rubrica "Remessa de recursos ao exterior, através de contas de não residentes no País (contas CC5)" o histórico da tentativa de obter, junto à contribuinte, a documentação, assim como cópia dos respectivos registros contábeis, que teria dado respaldo à operação internacional, no valor de R$ 564.797,09, lá explicitada. Não há qualquer dúvida de que a operação foi realizada, haja vista que os dados a ela referentes foram fornecidos, observadas as cautelas e com autorização judicial, pelo próprio Banco Central do Brasil (fl. original 335/340). De outro lado, embora insistentemente intimada a tanto, a empresa não se dignou manifestarse. Muito menos fez prova sequer da tramitação da remessa ao exterior por sua contabilidade. Consideramos, portanto, como Omissão de Receitas o valor de R$564.797,09, despendido pela empresa em 13/03/1998, exigindo, no Auto de Infração de que este Termo é parte integrante, o imposto de Renda e reflexos correspondentes. Fl. 10154DF CARF MF 4 Enquadramento Legal Arts. 195, inciso II, 197 e parágrafo único, 226, e 228, parágrafo único do Regulamento do Imposto de Renda RIR/94; Art. 24 da Lei n° 9.249/95. 02 CUSTO DOS BENS OU SERVIÇOS VENDIDOS GLOSAS DE CUSTOS Conforme explicado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 520/570), a fiscalização tentou obter do contribuinte a comprovação dos custos objeto das contas que compunham os valores lançados pelo contribuinte em cada uma das linhas de custo especificadas no quadro 5 (Custo dos Bens e Serviços Vendidos) da DIPJ/99. Como verificado, o contribuinte não trouxe, exceção feita à depreciação, um único documento. Assim, a fiscalização elaborou o quadro GLOSA DE CUSTOS a seguir discriminado que indica, para cada linha da DIPJ/99 considerada, os valores lançados pelo contribuinte, aqueles mantidos pela fiscalização e, à evidência e como resultado da subtração do segundo em relação ao primeiro, os valores glosados pela fiscalização. Na coluna Observações há a indicação do item deste termo que dá suporte aos valores indicados como Mantidos pela Fiscalização. (a) A fiscalização obteve, no Sistema Gerador de Ação Fiscal SIGA, o quadro "Dados Elementares de Compras DIPI 1998", composto de 4 páginas, que totalizam R$ 36.360.542,51. Desse total, excluímos, por óbvio, os R$ 10.431.682,27 que se referem a entradas da própria RIMET, resultando num valor líquido de R$ 25.928.860,24. A fiscalização procedeu à circularização de fornecedores que representaram aproximadamente 84% do valor líquido acima indicado. As respostas dos fornecedores, confrontadas com o livro de registro de entradas do estabelecimento n° 0002, (único fornecido pelo contribuinte, embora intimado a apresentar todos os livros de entrada) indicaram, por amostragem, que os dados trazidos pelos fornecedores podem ser considerados como válidos. Assim, seria justo e buscaria a verdade, no entender da fiscalização, aceitar os valores dos insumos de produção Fl. 10155DF CARF MF Processo nº 19515.004649/200389 Acórdão n.º 1401002.159 S1C4T1 Fl. 10.154 5 lançados pelo contribuinte até o limite da soma dos valores obtidos junto aos fornecedores, conforme acima indicado. Foi considerado, portanto, como regular, dos R$ 30.908.867,73, informados pelo contribuinte na linha 5 (Compras de Insumo a Prazo) da ficha 5 (Custo dos Bens e Serviços Vendidos) da DIPJ relativa ao anobase de 1998, o valor de R$ 25.928.860,24, disponível, à fiscalização. (b) Da mesma forma e sempre no intuito de buscar a verdade material, foram validados os dados de pagamento a empregados, com limite no valor que a empresa tenha informado, na DIRF relativa ao anobase de 1998, como RENDIMENTO BRUTO relativamente ao IRFON código 0561, conforme, informação constante de fls. 373. Dos R$ 17.372.335,46, informados pelo contribuinte na linha 7 (Custo do Pessoal Aplicado na Produção) da ficha 5 (Custo dos Bens e Serviços Vendidos) e dos R$ 294.940,23 informados pelo contribuinte na linha 2 (Ordenados, Salários, Gratificações e outras remunerações a empregados) da ficha 6 (despesas operacionais) da DIPJ relativa a 1998, foi considerado, como regular, o valor de R$ 12.430.804,60, disponível, como demonstrado, à fiscalização. Foi observado, por oportuno, que, na DIPJ/99 não foram informados, nas linhas respectivas, pagamentos a dirigentes. (c) Verificouse, no sistema SINAL08, da SRF, os pagamentos efetuados pelo contribuinte, via DARF, que pudessem representar custos ou despesas dedutíveis, apurando aqueles detalhados em fls. 374/385 e que, de forma resumida, informamos no “QUADRO DEMONSTRATIVO DOS DARES RECOLHIDOS, APROVEITADOS COMO CUSTO/DESPESA”, onde, para cada código de DARF, totalizamos os respectivos valores e informamos em que quadro/linha da DIPJ/99 tais valores estavam sendo considerados pela fiscalização. (d) Foram validados, também, os valores das depreciações apresentados no Mapa de Depreciações do contribuinte, cujos valores, auditados; por amostragem, revelaramse aceitáveis. Enquadramento Legal Arts. 195, inciso I, 197 e parágrafo único, 231, 232, inciso I, 234 E 243, do RIR/94. 03CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE DESPESAS Conforme explicado no Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização tentou obter do contribuinte a comprovação das despesas objeto das contas que compunham os valores lançados pelo contribuinte em cada uma das linhas de Fl. 10156DF CARF MF 6 despesa especificadas na DIPJ/99. Como verificado, o contribuinte não trouxe um único documento. Assim, a fiscalização elaborou o quadro GLOSA DE DESPESAS, abaixo discriminado, que integrante deste Termo, indica, para cada quadro/linha da DIPJ/99 considerada, os valores lançados pelo contribuinte, aqueles mantidos pela fiscalização e, à evidência e como resultado da subtração do segundo em relação ao primeiro, os valores glosados pela fiscalização. Na coluna Observações há a indicação do item deste termo que dá suporte aos valores indicados como Mantidos pela Fiscalização. (*) Foi verificado no sistema SINAL08, da SRF, os pagamentos efetuados pelo contribuinte, via DARF, que pudessem representar custos ou despesas dedutíveis, apurando aqueles detalhados em fls. 374/385 e que, de forma resumida, informamos no "QUADRO DEMONSTRATIVO DOS DARFS RECOLHIDOS, APROVEITADOS COMO CUSTO/DESPESA",onde, para cada código de DARF, totalizamos os respectivos valores e informamos em que quadro/linha da DIPJ/99 tais valores estavam sendo considerados pela fiscalização. Enquadramento Legal Arts. 195, inciso I, 197 e parágrafo único, 242 e 243, do RIR/94. 04 GLOSAS DE DESPESAS FINANCEIRAS Valor lançado a título de "Outras Despesas financeiras" na linha 33 da ficha 7 (Demonstração do Resultado) para o qual o contribuinte, intimado e reintimado, não apresentou documentação de suporte, nem mesmo os lançamentos contáveis relativos, conforme abaixo descrito. Conforme explicado no Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização tentou obter do contribuinte a comprovação dos valores lançados nas diversas contas que compunham os R$ Fl. 10157DF CARF MF Processo nº 19515.004649/200389 Acórdão n.º 1401002.159 S1C4T1 Fl. 10.155 7 13.555.864,40 lançados na linha 33 (outras despesas financeiras) da ficha 7 (Demonstração do Resultado) da DIPJ/99. Como verificado, o contribuinte não trouxe um único documento. Não resta à fiscalização outra alternativa que não considerar como não comprovada a integralidade dos valores informados. Enquadramento Legal Arts. 197 e parágrafo único, 242 e 1o e 2o, e 318, inciso I, do RIR/94. 05 GLOSAS DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS VARIAÇÃO MONETÁRIA Variação monetária passiva lançada pelo contribuinte na linha 30 da ficha 7 (Demonstração do Resultado) sem comprovação, à fiscalização, da respectiva contabilização e dos documentos de suporte aos eventuais lançamentos contábeis, conforme abaixo descrito. Conforme explicado no Termo de Verificação Fiscal(fls.490/541), a fiscalização tentou obter do contribuinte a comprovação dos valores lançados nas diversas contas (fls. 262) que compunham os R$ 1.045.933,58 lançados na linha 30 (variação monetária passiva) da ficha 7 (Demonstração do Resultado) da DIPJ/99. Como verificado, o contribuinte não trouxe um único documento. Aqui também não resta à fiscalização outra alternativa que não considerar como não comprovada a integralidade dos valores informados. Fl. 10158DF CARF MF 8 Enquadramento Legal Arts. 197 e parágrafo único, 242 e 1º e 2º, 320 e 322 do RIR/94. Art.8º da Lei nº 9.249/95. 06 ALIENAÇÃO/BAIXA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE Conforme explicado no Termo de Verificação Fiscal o valor lançado na linha 40 (Valor contábil dos bens e direitos alienados) da Ficha 7 (Demonstração do resultado) da DIPJ/99, para o qual o contribuinte, intimado e reintimado a apresentar os documentos que lhe dão suporte, nada trouxe à fiscalização. A fiscalização tentou obter do contribuinte a comprovação dos valores lançados nas diversas contas (fls. 265) que compunham os R$ 669.628,81 lançados na linha 40 (valor contábil dos bens e direitos alienados) da ficha 7 (Demonstração do Resultado) da DIPJ/99. Como verificado, o contribuinte não trouxe um único documento. Mais uma vez, não resta à fiscalização outra alternativa que não considerar como não comprovada a integralidade dos valores informados. Enquadramento Legal Arts. 193, 194, 197 e parágrafo único, e 369 e parágrafos, do RIR/94. Cientificada do lançamento aos 17/12/2003, fls. 610 (volume 3), a contribuinte apresentou impugnação (fls. 620/628 volume 4), com os seguintes argumentos, conforme relatado pela decisão ora recorrida: I Da Autuação Efetivamente os fatos narrados no referido Termo de Verificação Fiscal simplesmente ocorreram em função de desorganização dos arquivos contábeis da empresa e da desatenção do contador interno que à época atendia aos Srs. Auditores. Em um contexto mais amplo, que também explica o ocorrido, a empresa vem passando por dificuldades há vários anos, enfrentando sucessivas alterações nos quadros da administração, o que provoca por vezes um descontinuidade no trato de alguns problemas, entre eles o da contabilidade e sua organização de documentos. Fl. 10159DF CARF MF Processo nº 19515.004649/200389 Acórdão n.º 1401002.159 S1C4T1 Fl. 10.156 9 De toda maneira, a empresa não teve efetivamente qualquer intenção em embaraçar a fiscalização, até porque, todas as informações solicitadas, se devidamente prestadas, só ajudariam a validar a sua contabilidade, afastando qualquer penalidade. As falhas no atendimento à fiscalização só prejudicaram a própria empresa, que não tinha nenhum interesse nisso pois verdadeiramente tem apresentado resultados operacionais deficitários nos últimos anos não pagando imposto de renda por conta disso, ou seja, não haveria qualquer necessidade em aumentar custos ou despesas de modo a suprimir ou diminuir imposto a pagar. Por fim, destaca se que no próprio Termo de Verificação Fiscal há o reconhecimento de que a empresa "...embora indique sempre uma razão ou a intenção de atender à fiscalização, reconhece que não tem os elementos solicitados pelo fisco." A ora impugnante entende que isto revela a sua postura durante a fiscalização. Teve sempre o propósito de colaborar e atender, não só por obrigação legal mas por lhe ser vantajoso validar a contabilidade, mas, por uma série de problemas não teve êxito nisso. Os recibos de entrega de documentos ora anexados, inclusive dos arquivos magnéticos da contabilidade também atestam esta postura da empresa. Nesta oportunidade, a impugnação ora apresentada, com vários anexos contendo demonstrativos e documentos comprobatórios dos lançamentos fiscais, se procura prestar todas as informações solicitadas pelos Srs. Auditores, fruto de um esforço enorme dos novos dirigentes da empresa e dos responsáveis pela contabilidade. II De Para Migração do Sistema IBM p/ SAP (Anexo 1) A empresa, até setembro de 1998 escriturava a sua contabilidade no sistema IBM e a partir de outubro daquele ano passou a fazê lo com um novo sistema SAP. A migração de um sistema para outro foi feita com mudanças no plano de contas, com agrupamento e cisões de contas, dificultando, num primeiro momento a identificação e a demonstração dos saldos destas contas. Com o demonstrativo anexo se faz esta demonstração, atendendo ao que foi solicitado pela fiscalização conforme relatado no item B.7 do Termo de Verificação Fiscal. IIICompras de Insumos (Anexo 2) Entre as várias glosas de despesas e custos realizada pela fiscalização, que determinaram lavratura do auto ora impugnado, se encontram os valores relativos a compra de insumos. Fl. 10160DF CARF MF 10 Inicialmente há que se destacar que a ora impugnante, discorda da informação contida no item B.9 do relatório fiscal, porque, conforme atesta o protocolo que ora se junta, os arquivos magnéticos da contabilidade foram entregues à fiscalização. De toda maneira, o demonstrativo ora apresentado, reconciliando a transição dos sistemas IBM para SAP, atesta a veracidade dos valores relativos à tais compras. Quanto a este aspecto das compras dos insumos, não foi reconhecido pela fiscalização um expressivo volume de compras realizadas pela empresa Steedrum Embalagens Industrias S.A, que foi incorporada pela empresa ora impugnante. O que ocorreu é que estas compras foram alocadas com o CNPJ da empresa incorporada quando na verdade deveriam ter sido no da empresa incorporadora. Os documentos anexos, entre eles, balancete da empresa Steedrum, demonstrativo de compras e registro de entradas para apuração de ICMS atestam a veracidade do volume das compras. Entre os documentos juntados com a finalidade de demonstrar o montante das compras se encontram também os registros de entradas de todas as filiais da empresa impugnante. IV Remuneração de Empregados e Encargos (Anexo 3) As glosas feitas pela fiscalização com relação estas despesas também não devem subsistir. Inicialmente deve se destacar que a conclusão da fiscalização a partir das informações contidas nas DIRF'S entregues, conforme consta do item B.23 do relatório fiscal apresenta uma distorção relevante. A DIRF só contém informações de pagamentos a empregados sobre os quais incide a retenção de Imposto de Renda na Fonte, sendo que a ora impugnante, dada a sua atividade industrial tem uma massa considerável de operários que recebem salários dentro da faixa de isenção. Para validar o montante destas despesas a ora impugnante apresenta todas as folhas de pagamento que pôde encontrar e, para suprir a falta de algumas, apresenta a contabilização dos números relativos a estas despesas. V Demais Custos e Despesas (Anexo 4) Todas as demais glosas de custos e despesas realizadas pela fiscalização encontram a sua contra prova nos demonstrativos acima referidos e nos demais documentos juntados para esta finalidade específica: Entre eles a ora impugnante junta o demonstrativo de faturamento de todas a suas unidades com o destaque do montante de ICMS incidente, atestando assim a veracidade do montante pago a este título. Fl. 10161DF CARF MF Processo nº 19515.004649/200389 Acórdão n.º 1401002.159 S1C4T1 Fl. 10.157 11 Os demonstrativos da base de cálculo do PIS e da COFINS também demonstra claramente a totalidade dos valores pagos destas contribuições. Esclarece ainda a impugnante que as despesas e custos identificadas nos demonstrativos anexos contam também com a identificação das contas contábeis onde foram lançadas. Contudo algumas contas não foram identificadas em razão de rateios de despesas lançados em várias contas que não se conseguiu identificar. Por fim, no tocante à rubrica "outras despesas" mencionada no relatório fiscal, a fiscalização não considerou o montante de R$ 1.833.258,00 de despesas não dedutíveis que foi adicionado ao cálculo do lucro real pelo próprio contribuinte, não podendo assim ser objeto de nova glosa. VI Impostos Sobre o Faturamento (Anexo 5) Os demonstrativos feitos com base nos registros de saída para efeito de apuração do ICMS comprovam o montante deste imposto que foi glosado pela fiscalização. Com relação aos valores de PIS e COFINS, o demonstrativo analítico que ora se apresenta da base de cálculo destas contribuições, de cada unidade da empresa, acompanhado da memória de cálculo dos valores atestam também os montantes glosados pela fiscalização. VII Despesas Financeiras (Anexos 6,6.1,6.2 e 6.3) As glosas realizadas pela fiscalização no tocante às despesas financeiras também não devem prevalecer, como atestam os documentos ora juntados. A impugnante junta cópias dos livros razão, demonstrando pagamentos de juros ao seu principal fornecedor, Companhia Siderúrgica Nacional CSN, contratos de empréstimo e mútuos, e memórias de cálculo da dívida bancária. Apresenta também para este efeito cópias de alguns extratos bancários com lançamentos de CPMF e tarifas, devendose ressaltar que a fiscalização tem informações precisas sobre o montante pago de CPMF pela empresa. Com relação a estas despesas apresenta ainda a impugnante demonstrativo e documentos relativos aos juros e multas incidentes sobre impostos atrasados e parcelados. Apresenta também a comprovação de inclusão de débitos fiscais no Programa de Recuperação Fiscal REFIS, que geram também encargos financeiros. VIII Remessa de Pagamento ao Exterior (Anexo7) Fl. 10162DF CARF MF 12 A fiscalização efetuou glosa do montante de R$ 564.797,09, se referindo em seu relatório a este valor como "pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade". Descreve pormenorizadamente às páginas 41 e 42 do relatório fiscal qual seria a natureza deste pagamento feito ao exterior, remetido através de conta CC 5, em relação ao qual a empresa não apresentou na época qualquer documento. Nesta oportunidade a impugnante, tendo localizado os documentos, os apresenta, comprovando cabalmente a veracidade do pagamento e a sua causa. IX Do Agravamento da Multa De conformidade com os esclarecimentos prestados na parte inicial da presente impugnação, a empresa não teve qualquer intenção de retardar ou dificultar a fiscalização, pois nada ganharia com isso, como se comprovou pela lavratura do auto em questão. O atendimento à fiscalização sem dúvida foi falho, pelos motivos já expostos, não existindo contudo razão para o agravamento da multa, por não ter havido dolo ou intuito de fraude por parte da empresa. Por tais razões deve ser aplicada, na hipótese de subsistir a autuação, ainda que em parte, a multa de ofício básica de 75%. XConclusão pedido Os documentos e demonstrativos ora apresentados comprovam e validam os lançamentos contábeis da impugnante, afastando as glosas realizadas pela fiscalização. A impugnante destaca que além de todos os documentos ora juntados, em volume bastante considerável, em cada um dispõe ainda de vários outros, encontrados no esforço para se dar suporte à presente impugnação, que corroboram as suas afirmações aqui lançadas, e que não são apresentados nesta por impossibilidade material de organizálos no corpo da impugnação ficando todos eles à disposição das autoridades fiscais. Com isso, a presumida receita auferida pela sujeita à tributação, não se convalida, não podendo substituir o auto ora impugnado. Por todo o exposto, requerse que a presente seja recebida com todos os documentos anexos, e seja procedente para cancelar o auto de infração ora impugnado. Em 30 de setembro de 2005 a DRJ em Fortaleza resolveu converter o julgamento em diligência, com base nos seguintes argumentos: Da verificação dos autos vêse que não foi oportunizada ao autuante a análise dos documentos ora anexados pela impugnante. O que se observa é que todas as intimações efetuadas pelo fisco federal a fim de que a contribuinte apresentasse a documentação referente à receita ou despesa, e Fl. 10163DF CARF MF Processo nº 19515.004649/200389 Acórdão n.º 1401002.159 S1C4T1 Fl. 10.158 13 aquelas que respaldassem os questionamentos efetuados nos inúmeros Termos de Intimação, não foram atendidas pela impugnante ou os foram apenas em parte. Com a peça de defesa de fls. 588/596 procura a contribuinte justificar os questionamentos efetuados pelo autuante nos diversos Termos de Intimação, anexando farta documentação, que, como dito anteriormente, não foi apreciada pelo autuante. CE FORTALEZA DRJ Fl. 9979 Dessarte, dado que a documentação ora anexada é totalmente respaldada por cópia xerográfica, e, tendo em vista a relutância da pessoa jurídica em apresentar dita documentação quando dos trabalhos fiscais, voto por retornar os autos à Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo para que o autuante se pronuncie sobre a autenticidade da documentação ora colacionada aos autos, analisandoa como se fosse resposta aos questionamentos dos Termos de Intimação, elaborando relatório circunstanciado, informando os novos valores a tributar relativamente a cada uma das infrações apuradas, o qual deverá ser cientificado à contribuinte para que esta, em querendo, apresente razões adicionais de defesa. A diligência resultou no Relatório Fiscal e Termo de Encerramento de Diligência, fls. 9.8569.869, a qual opinou por considerar comprovados determinados valores, conforme será detalhado no item do voto referente ao Recurso de Ofício. Em resumo, os valores mantidos após a diligência foram os seguintes: Cientificado do referido relatório em 03/09/2014, fls. 9.872, o contribuinte apresentou manifestação em 30/09/2014, fls. 9.8779.903. Fl. 10164DF CARF MF 14 Em 12 de fevereiro de 2015, a DRJ em Fortaleza deu parcial provimento à impugnação, mantendo os valores a seguir e registrando a remessa necessária a este CARF: Em síntese, a DRJ basicamente manteve as conclusões do relatório de diligência fiscal, à exceção (i) de parte do valor do item C.5 JUROS PAGOS A FORNECEDORES, considerada comprovada a DRJ determinou que fosse excluído do lucro líquido o valor de R$672.453,91, restando não comprovada a quantia de R$ 806.086,48; e (ii) do item F PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS À CONTABILIDADE (relativo à remessa de pagamento ao exterior no valor de R$ 564.797,09), para o qual foi acolhida a explicação dada pelo contribuinte e excluída a tributação do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. O acórdão 0832.673 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 NOVO PEDIDO PARA REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Somente se justifica a realização de uma nova diligência quando for verificado que o auditor responsável pelo exame anterior não realizou os exames solicitados pela autoridade julgadora e a apuração dos dados, por sua natureza, torna inviável a simples anexação de provas pela parte interessada. DA PROVA DOS VALORES ESCRITURADOS. A escrituração mantida com observância das disposições legais somente faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados quando comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. O registro contábil sem qualquer documento emitido por terceiro que o lastreie não é meio de prova. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 INSUMOS E COMPRAS PARA COMERCIALIZAÇÃO. DIFERENÇA. Os insumos para produção compreendem os materiais necessários para incorporação ao produto final, tais como MatériasPrimas, Materiais de Embalagem e Materiais Intermediários, não abrangendo, pois, os valores registrados pelo contribuinte como entradas correspondentes a compras para comercialização (códigos CFOP n.° 1.12/2.12.). COMPROVANTE DE DESPESAS. REQUISITOS. 1. As despesas operacionais devem ser comprovadas com documentação hábil. Se, porventura, o contribuinte não Fl. 10165DF CARF MF Processo nº 19515.004649/200389 Acórdão n.º 1401002.159 S1C4T1 Fl. 10.159 15 possuir comprovantes hábeis das despesas escrituradas, deverá adicionar esses dispêndios no lucro real para efeito de tributação. 2. Tendo a diligência fiscal identificado os documentos que foram considerados hábeis para comprovação de despensas, cabe ao autuado, no caso de discordar do procedimento, demonstrar que os documentos não considerados estariam de acordo com a legislação vigente. ICMS SOBRE VENDAS. DEVOLUÇÃO. DETERMINAÇÃO DA RECEITA LÍQUIDA. Na apuração da Receita Líquida é dedutível o valor do ICMS correspondente ao resultado da aplicação das alíquotas sobre a receita própria respectiva e não ao montante recolhido durante o período de apuração pela pessoa jurídica. VALORES CONFESSADOS/PAGOS. Na apuração das contribuições PIS e Cofins em lançamento de ofício devem ser deduzidos os valores comprovadamente confessados ou espontaneamente recolhidos pelo sujeito passivo. DESPESAS FINANCEIRAS. COMPROVAÇÃO. A comprovação de despesas financeiras deve estar lastreada em documentos hábeis e idôneos que permitam identificar os documentos que comprovam as obrigações assumidas, pagamentos efetuados, descontos, variações monetárias, juros e outros encargos decorrentes das operações. JUROS E MULTA INCIDENTES SOBRE DÉBITOS PARCELADOS. Procede a glosa de despesa de multa e juros sobre débitos supostamente parcelados, quando o contribuinte não comprova a existência dessa obrigação. PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS À CONTABILIDADE. Não subsiste a acusação fiscal de omissão de receita com base em pagamentos supostamente efetuados com recurso estranho à contabilidade, quando o contribuinte comprova o registro da operação em livro contábil (Razão) e apresenta cópia do cheque relacionado à operação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 JURISPRUDÊNCIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. DOUTRINA. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos proferidos em outros julgados administrativos ou judiciais ou em manifestações da doutrina especializada não vinculam os julgamentos administrativos emanados em primeiro grau pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. Procede o agravamento da multa, conforme previsto no art. 44, inciso I, e §2° da Lei nº 9.430/96, quando o contribuinte por diversas vezes durante a ação fiscal não atende intimação para prestar esclarecimentos. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1998 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 10166DF CARF MF 16 Abaixo reproduzo o resumo dos valores remanescentes (bases de cálculo), comparandose o resultado da diligência com o resultado do julgamento pela DRJ: O termo de fl. 10.025 registra que o contribuinte recebeu mensagem com acesso ao acórdão acima por meio de sua Caixa Postal na data de 27 de maio de 2015, tendo aberto a mensagem em 1o de junho de 2015 conforme registram os termos de fls. 10.026 e 10.027. O recurso voluntário foi apresentado em 1o de julho de 2015 (cf. carimbo de fl. 10.030). Em razão do grande número de matérias e de se tratar de questões eminentemente fáticas, os argumentos de defesa serão reproduzidos no voto. Recebi o processo em distribuição realizada em 19 de maio de 2017. Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora Nos termos da Portaria MF nº 63/2017, haverá recurso de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00. A Súmula CARF nº 103 esclarece que "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância." Fl. 10167DF CARF MF Processo nº 19515.004649/200389 Acórdão n.º 1401002.159 S1C4T1 Fl. 10.160 17 No caso, conforme relatado, o valor total lançado relativo a tributo e multa foi de R$20.544.490,57, sendo que a decisão de primeira instância exonerou o sujeito passivo de valor superior ao limite de alçada, remanescendo os valores históricos de R$2.140.535,87 de IRPJ e R$766.183,14 de CSLL e multa de 112,5%. Neste sentido, conheço do recurso de ofício. Por sua vez, o recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. A fim de facilitar o diálogo entre os argumentos de acusação e defesa, o presente voto não será dividido entre "recurso de ofício" e "recurso voluntário", mas antes seguirá o item da autuação assim como foi tratado pelo acórdão recorrido. A – GLOSA DE CUSTOS A1 – COMPRA DE INSUMOS Este item se refere a glosa de custos por ausência de documentação comprobatória. O relatório de diligência reconhece que o valor considerado pela fiscalização à época da autuação não contemplava em sua totalidade as compras de insumos efetuadas pelo contribuinte, bem como que tal fato poderia ter ocorrido em virtude dos fornecedores da Recorrente terem informado na Ficha 41 de suas DIPJs como destinatário a empresa Steeldrum, que foi por ela incorporada. A fim de reconstituir a rubrica de compras de insumos da empresa foi feita a consolidação das informações embasadas nas cópias dos livros ficais (fls. 772 a 874 e 3.727 a 3.813), considerando como CFOPs de compra de insumos os de nºs 1.11 e 2.11 (compras para industrialização, fls 772 a 874), abatidas dos CFOPs 5.31 e 6.31 (Devolução de compras para industrialização, fls. 3.727 a 3.813), chegandose a um valor de compras líquidas de 30.596.010,45 uma diferença de R$312.857,28 com relação ao valor das compras líquidas constante da DIPJ (R$30.908.867,73). A diferença se refere a compras de produtos registradas sob os CFOPs 1.12 (Compras para Comercialização Entradas do Estado) e 2.12 (Compras para Comercialização Entradas de outros Estados), as quais não foram consideradas custos por não se tratar de insumos mas de mercadoria adquirida para revenda. Em seu recurso a contribuinte apenas afirma o seguinte: De fato, conforme sustentou a DRJ, existe uma diferença entre os conceitos de insumos e de mercadorias adquiridas para revenda, sendo que apenas aqueles são incorporados ao produto final. Não obstante, tal diferença é irrelevante para fins de apuração da Fl. 10168DF CARF MF 18 base de cálculo do IRPJ e da CSLL já que, seja no caso dos insumos seja no de mercadorias adquiridas para revenda, os respectivos valores devem ser deduzidos da receita para fins de apuração do lucro da empresa, uma vez comprovados por documentação idônea, o que é o caso. Assim, neste item, voto por negar provimento ao recurso de ofício mantendo a parte exonerada pela DRJ e por dar provimento ao recurso voluntário quanto ao valor de R$312.857,28 mantido pela DRJ. A2 CUSTO DO PESSOAL APLICADO NA PRODUÇÃO E A8 CONSTITUIÇÕES DE PROVISÕES Do total de R$17.372.335,46 informado pelo contribuinte na DIPJ como custo do pessoal aplicado na produção, foi glosada a parcela de R$ 4.941.530,86. Após, em decorrência da diligência fiscal, foram reconhecidos como comprovados o montante de R$460.930,45 (contas contábeis nºs 512.201, 512.202, 513.101 e 513.102). A Recorrente alega que por ocasião da impugnação juntou aos autos as folhas de pagamentos do anocalendário de 1998, as quais não foram aceitas na diligência apenas por estarem desacompanhadas da escrituração contábil (a diligência afirma que "as folhas de pagamento comprovariam, em tese, quais foram os valores dispendidos (sic). Mas as mesmas estão desacompanhadas de escrituração contábil, o que, dentro do escopo desta diligência, não permite a averiguação do aludido." fl. 9.860). Ainda na impugnação, alega que não juntou a escrituração contábil em virtude de isso não lhe ter sido solicitado antes, e então apresenta por amostragem os Livros Razão de Dez/1998 que atestariam a contabilização dos valores (fls. 9.911/9.962). A DRJ considerou que a legislação tributária estabelece a necessidade de o contribuinte manter não só a escrituração regular, mas também os comprovantes que lastreiem os lançamentos contábeis (art. 923 do RIR/99). Afirmou, ademais, que a empresa foi por diversas vezes intimada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração. Nesse ponto, observa que, conforme se pode extrair dos documentos anexados pela fiscalização e resumidos no “Termo de Verificação Fiscal” (fls. 520/576), desde o início da ação fiscal houve um esforço da fiscalização de obter os livros e documentos do contribuinte, o que não foi obtido a contento. Ainda segundo a DRJ, o maior problema decorreu do fato de que a contabilidade, até setembro de 1998, foi feita em um sistema (IBM) e, a partir de outubro de 1998, em outro (SAP), sendo que a empresa não foi capaz de elaborar um Demonstrativo de Migração do Sistema IBM para o Sistema SAP, (de/para) que pudesse evidenciar, partindo de qualquer conta do Sistema IBM, em que conta(s) do Sistema SAP foi(ram) alocado(s) o(s) respectivo(s) saldo(s). Em seu recurso a empresa reafirma o quanto sustentado na impugnação, argumentando, ainda, que caso se entenda necessária a apresentação do Razão das contas, junta aos autos o Razão dos meses de março, junho, setembro e dezembro, os quais também comprovam a contabilização dos custos com folha e encargos sobre ela incidentes. Nesse ponto, entendo que assiste razão à Recorrente. Isso porque, se as folhas de pagamento comprovam os dispêndios, o simples fato de a empresa não conseguir apontar item a item como ocorreu a migração dos saldos entre Fl. 10169DF CARF MF Processo nº 19515.004649/200389 Acórdão n.º 1401002.159 S1C4T1 Fl. 10.161 19 sistemas informatizados (no caso, do Sistema IBM para o Sistema SAP) não pode resultar na glosa de custos cuja existência e validade em si não são questionados pela fiscalização. Em outras palavras, a autuação fiscal foi baseada na ausência de documentos que comprovassem os custos contabilizados, ou seja, a autoridade fiscal obviamente efetuou a glosa dos custos que constavam da contabilidade da empresa. Desse modo, uma vez apresentados os documentos que dão base a tais custos, devese considerálos como comprovados, já que inconteste a sua contabilização. Diante disso, devese acolher a pretensão da Recorrente para que sejam aceitas as folhas de pagamento anexadas às fls. 879/1.004, e por amostragem, os Livros Razão de alguns meses de 1998 para comprovar os valores glosados. Portanto, nesse item voto por negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. A3 ENCARGOS SOCIAIS Conforme observou o acórdão recorrido: "A empresa apresentou como documentações comprobatórias para este item as folhas de pagamento (fls. 879 a 1.004) e as confissões de dívida para adesão ao Programa de Recuperação Fiscal REFIS do INSS (fls. 1.007 a 1.079). Quanto ao FGTS, os valores presentes em suas folhas de pagamento não foram considerados porque desacompanhados da escrituração contábil e dos comprovantes de pagamentos. Quanto ao INSS, tendo em vista a adesão ao REFIS, consubstanciado pelos DEBCAD's nºs 35.132.8114 e 35.132.8130 (débitos relativos ao período fiscalizado 1998), ambos de 31/08/2000, a fiscalização considerou como comprovados estes valores, no total de R$ 1.425.776,73, uma vez que os débitos parcelados dão suporte aos que foram considerados na sua DIPJ." A defesa apresentou os mesmos argumentos indicados no item anterior e, em sua análise, a DRJ manteve a tributação, sem indicar qualquer fundamentação em sua "análise" indica apenas "Mantémse a tributação". Tal circunstância poderia acarretar a nulidade do acórdão recorrido, por ausência de indicação expressa dos motivos que levaram à decisão. De qualquer forma, nos termos do parágrafo 3o do artigo 59 do Decreto 70.235/1972, "Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta". Considerando os mesmos argumentos do item acima, em especial o fato de os dispêndios estarem comprovados pelas folhas de pagamentos (FGTS) e ela adesão ao REFIS (INSS), neste item voto por dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício. A4 ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. A5 MANUTENÇÃO E REPARO, A6ARRENDAMENTO MERCANTIL A9 SER. PREST. P/PF S/ VINC. EMPREG., A10 OUTROS CUSTOS A diligência considerou que o contribuinte logrou parcialmente comprovar os valores que foram lançados, conforme documentos constantes de fls. 1.082 a 3.715, não tendo Fl. 10170DF CARF MF 20 aceito alguns dos documentos apresentados por entender que eles não estariam revestidos das formalidades fiscais. Preparouse então a tabela de fls. 9.811/9.854, intitulada “Documentos Considerados na Apuração de Custos/Despesas”, contendo o prestador de serviços; o serviço; CNPJ; nota fiscal; valor das despesas; juros pagos; imposto de renda; conta contábil; data; anexo; folha do processo; e volume. Em sua defesa, a Recorrente sustenta que a alegação vazia de que os documentos apresentados não estão revestidos das formalidades fiscais prejudica sobremaneira sua defesa e o consequente saneamento da inconsistência apontada. Afirma, ainda, que na análise realizada pela fiscalização esta não levou em consideração os custos com aquisição de materiais para uso e consumo do estabelecimento, "cujas notas fiscais serão apresentadas em eventual diligência". A DRJ não acata tais argumentos e observa que a Recorrente não se preocupou em demonstrar a validade dos documentos não considerados pela fiscalização, preferindo alegar tão somente que estava impossibilitada de fazêlo. Com razão o acórdão recorrido. Realmente, a tabela permite a identificação dos documentos que foram aceitos pela auditoria fiscal, fato que possibilita ao contribuinte, por exclusão, identificar os custos/despesas para os quais foram mantidas as glosas. Além disso, em diversas oportunidades a Receita Federal já esclareceu sobre os requisitos para considerar um documento como revestido das "formalidades fiscais". Por exemplo, no item Perguntas e Respostas da DIPJ/2013, nº 23, a Receita Federal observa que os pagamentos efetuados a pessoa jurídica devem ser comprovadas por Nota Fiscal ou Cupom emitidos por equipamentos ECF (Emissor de Cupom Fiscal), observados os seguintes requisitos em relação à pessoa jurídica compradora: sua identificação, mediante indicação do respectivo CNPJ; descrição dos bens ou serviços, objeto da operação; a data e o valor da operação, sendo que qualquer outro meio de emissão de nota fiscal, inclusive o manual, depende de autorização da Secretaria de Estado da Fazenda, com jurisdição sobre o domicílio fiscal da empresa interessada. Igualmente, conforme observou o acórdão recorrido, soluções de consulta já apontaram que, para fins de comprovação das despesas operacionais, o contribuinte dispensado da emissão de nota fiscal pelo fisco Municipal ou Estadual pode utilizar um recibo ou outro documento equivalente, desde que eles contenham os elementos definidores das operações a que se refiram. Assim, era ônus da Recorrente demonstrar a idoneidade dos documentos que pretende considerar como base para seus custos, com base nas normas e instruções editadas pela Receita Federal. Uma vez que tal fora demonstrado com relação a parte dos documentos não procede em parte o lançamento, como apontou o Relatório de Diligência. Por outro lado, não tendo a Recorrente logrado êxito em comprovar a idoneidade de determinados documentos, deve ser mantida a autuação nesse ponto. Quanto ao argumento da Recorrente acerca dos custos com materiais para uso e consumo do estabelecimento, não há que se falar em apresentação de documentos em "eventual diligência" já que, nos termos do Decreto 70.235/72, os documentos e argumentos de defesa devem ser apresentados por ocasião da impugnação, sob pena de preclusão. Neste sentido, acato integralmente o resultado da diligência e portanto quanto a este item voto por negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. B GLOSA DE DESPESAS Fl. 10171DF CARF MF Processo nº 19515.004649/200389 Acórdão n.º 1401002.159 S1C4T1 Fl. 10.162 21 B1 REMUNERAÇÃO A EMPREGADOS; B2 REMUN. SER. PREST. P/PF S/ VINC. EMPREG.; B3 REMUN. SERV. PREST. P/PJ; B4 ENCARGOS SOCIAIS; B5 ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR; B6 IMPOSTOS E TAXAS. CONTR EXCETO IR E CSLL; B7 ALUGUÉIS; B8 BENS E INSTALAÇÕES; B9 – PROPAGANDA E PUBLICIDADE; B10 – MULTAS; B11 PROV. P/FÉRIAS E 13º SAL. EMPREGADOS; B12 OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS. DAS DESPESAS COM REMUNERAÇÃO DE EMPREGADOS, ENCARGOS SOCIAIS E PROVISÃO DE FÉRIAS E 13º SALÁRIO ITENS B.1, B.4 E B.11 DO RELATÓRIO FISCAL O relatório de diligência acatou em parte o solicitado pela defesa na peça impugnatória, por considerar as despesas parcialmente comprovadas. A Recorrente sustenta o cancelamento integral da autuação sob os mesmos argumentos utilizados para combater os itens A2 CUSTO DO PESSOAL APLICADO NA PRODUÇÃO E A8 CONSTITUIÇÕES DE PROVISÕES (i.e., utilização das Folhas de Pagamento como meio de prova e cópia parcial do livro Razão). O acórdão recorrido conclui que "aplicase aqui o entendimento que já externei no presente voto quando da análise dos itens A2 e A8. Mantenhamse, pois, as conclusões do Relatório de Diligência." No caso, porém, considerando que este voto dá provimento aos itens A2 e A8, igual tratamento deve ser dado aos itens B1, B4 e B11. Neste sentido, acato integralmente o resultado da diligência e portanto quanto a este item voto por negar provimento ao recurso de ofício e por dar provimento ao recurso voluntário. DAS DEMAIS DESPESAS GLOSADAS ITENS B.2, B.3, B.5 A B.10 E B.12 DO RELATÓRIO FISCAL O valor considerado pela Fiscalização na diligência perfaz o montante de R$ 9.007.370,68. Contudo, a Recorrente contesta a manutenção da glosa na quantia de R$ 2.408.155,40. O acórdão recorrido observa que os argumentos relativos a estes itens são os mesmos utilizados para contrapor as glosas tratadas nos itens A4 ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. A5 MANUTENÇÃO E REPARO, A6ARRENDAMENTO MERCANTIL A9 SER. PREST. P/PF S/ VINC. EMPREG., A10 OUTROS CUSTOS. Por tal razão, adota o mesmo entendimento aplicado a tais itens. De fato, não tendo a Recorrente logrado êxito em comprovar a idoneidade de determinados documentos, devidamente identificados na tabela preparada por ocasião da diligência, deve ser mantida a autuação nesse ponto. Fl. 10172DF CARF MF 22 Neste sentido, acato integralmente o resultado da diligência e portanto quanto a este item voto por negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. B13ICMS Tendo em vista que a empresa apresentou cópias de Livros de Registro de Entradas, Registro de Saídas e Apuração de ICMS contendo os valores de ICMS creditados no período sob fiscalização, da matriz e suas filiais e da empresa STEELDRUM, incorporada em 31/03/1998, a diligência considerou como valores de ICMS a diferença entre os valores referentes aos CFOPs de Venda e os CFOPs de Devolução de Venda. A Recorrente argumenta que, para fins de determinação do Lucro Real, o Agente Fiscal deveria ter considerado a título de ICMS o valor correspondente ao resultado da aplicação da alíquota sobre as receitas de vendas sujeitas ao imposto, sem deduzir o ICMS sobre as devoluções de Venda. Em outras palavras, o agente fiscal considerou apenas a despesa líquida do ICMS para fins de dedutibilidade do lucro, quando deveria ter considerado o valor total do ICMS, eis que o valor das receitas declaradas na DIPJ teria sido inserido pelo montante líquido. Por sua vez, o acórdão recorrido sustenta que o valor do ICMS incidente sobre vendas deve corresponder apenas ao valor incidente sobre a receita bruta das operações que não foram desfeitas, e que serão consideradas para fins de determinação do lucro líquido. Assevera, ademais, que admitir a tese da defesa seria considerar como dedutível o valor do ICMS que não incidiu sobre a receita bruta que está sendo considerada na apuração do lucro líquido, o que não faz sentido dentro das normas contábeis de apuração do resultado do exercício. E termina por afirmar que a alegação da defesa somente seria possível de ser considerada, caso tivesse demonstrado que o valor declarado como “Receita de Venda no Mercado Interno de Prod. Fabric. Própria”, linha 06 da Ficha 7, da DIPJ 98 já estivesse deduzido das vendas canceladas, no entanto a simples análise da referida Ficha, abaixo indicada, não permite que se chegue a essa conclusão. Aliás, o contribuinte sequer informou valores na linha 11, o que torna mais confuso aceitar a tese defendida pela defesa. Não há como acolher os argumentos da defesa já que, embora esta afirme que o valor das receitas declaradas na DIPJ foi inserido pelo montante líquido não há qualquer prova neste sentido e o acórdão recorrido apurou de forma diversa. Diante disso nego provimento ao recurso voluntário neste item. Fl. 10173DF CARF MF Processo nº 19515.004649/200389 Acórdão n.º 1401002.159 S1C4T1 Fl. 10.163 23 B14COFINS E B15PIS A fim de verificar o montante dedutível a título de PIS e Cofins, a fiscalização efetuou o levantamento dos valores declarados em DCTF de algumas filiais da Recorrente e da empresa incorporada Steeldrum, e considerou como comprovado o montante de R$ 2.121.555,33, apontando divergência de R$ 302.826,27. Segundo a defesa, a divergência apontada pela Fiscalização se deve ao fato de que não foram considerados os valores declarados para as Filiais 10 e 11 e as planilhas detalhadas apresentadas a fls. 3.877/3.879 demonstram que as referidas filiais efetuaram recolhimento do PIS e da Cofins no anocalendário de 1998. Desta forma, assim como foi feito com as demais filiais, a Recorrente sustenta que a fiscalização deveria ter efetuado o levantamento dos valores declarados em DCTF para as filiais 10 e 11. O acórdão recorrido apurou que as planilhas de fls. 3.877/3.879 não permitem que se conclua que os valores nelas indicados tenham sido objeto de declaração e/ou recolhimento pois tratase de demonstrativos de apuração e o contribuinte não apresentou cópias das DCTF que comprovariam que os valores em questão foram efetivamente declarados. Em seu recurso, a empresa não apresenta tal DCTF, apenas afirma que o mesmo critério que foi adotado pela fiscalização para considerar os valores de PIS/COFINS excluídos da autuação (por meio de consulta ao sistema de dados da RFB deveria ser considerado para as filiais 10 e 11). Ora, o fato de a Recorrente ter recebido auxilio para produzir provas com relação ao recolhimento de PIS e COFINS não significa que a fiscalização DEVA produzir tal prova. O ônus da prova neste caso é do contribuinte e se não há prova nos autos de que o PIS/COFINS das filiais tenha sido pago seja por ausência das DCTFs seja por falta de consulta ao banco de dados da RFB não há como julgar a pretensão da contribuinte como procedente. Diante disso, nego provimento aos recursos de ofício e voluntário neste item. B16 – DEMAIS IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE VENDAS E SERVIÇOS E B17 – OUTRAS DESPESAS NÃO OPERACIONAIS. Nem a impugnação nem o recurso voluntário fazem qualquer menção quanto a estes itens, razão porque eles deve ser considerados como não integrantes do contencioso administrativo. C GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS C1 DESPESAS BANCÁRIAS, C3 DESCONTOS CONCEDIDOS EM DUPLICATAS, C4 DESPESAS COB. DE TÍT. EM CARTÓRIO, C6 JUROS PAGOS DESC. DUPLICATAS, C7 ENCARGOS COM EXPORTAÇÃO, C8 FECHAMENTO DE CONTRATO DE CÂMBIO, C9 JUROS E COMISSÕES S/EMPREST. N. PROM., C10 JUROS E COMISSÕES S/EMPREST, MOED NAC. E C11 JUROS E COMISSÕES S/ EMPREST. MOED ESTR. Fl. 10174DF CARF MF 24 A fiscalização observou que para esses itens o contribuinte apresentou cópias de alguns contratos com instituições financeiras (fls. 4.049 a 4.116) e também planilhas do que seria sua dívida bancária (fls. 3.994 a 4.008). No entanto, considerou que a empresa não conseguiu comprovar os valores dos itens acima, uma vez que os contratos estavam desacompanhados de demonstrativos de pagamentos / amortização / juros, o que inviabilizou a auditoria desses valores. O acórdão recorrido também decidiu nesta linha. Em seu recurso, a empresa limitase a reafirmar que trouxe aos autos os contratos de mutuo e as planilhas, sem produzir as provas que foram mencionadas tanto na fiscalização quanto no acórdão recorrido como relevantes para a prova de tais despesas. Como bem relatou o responsável pela diligência, para auditoria dos valores é necessário que se tenha acesso aos demonstrativos de pagamentos / amortização / juros, devidamente acompanhados dos documentos correspondentes. A empresa teve oportunidade de apresentar esses comprovantes por pelo menos cinco vezes: durante a ação fiscal; na peça impugnatória; durante a diligência; quando apresentou a nova contestação e também em sede de recurso voluntário. Todavia, preferiu trilhar o caminho de permanecer apenas repetindo os argumentos já tidos por insuficientes a comprovar o quanto alegado. Assim, não resta outra alternativa senão manter a glosa dos valores dos itens acima. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário neste item. C2 DESPESAS COM CPMF. Nem a impugnação nem o recurso voluntário fazem qualquer menção quanto a estes itens, razão porque eles deve ser considerados como não integrantes do contencioso administrativo. C5 JUROS PAGOS A FORNECEDORES A DRJ retificou o total comprovado de juros pagos a fornecedores de R$ 304.295,73 para R$ 672.453,91, restando não comprovada a quantia de R$ 806.086,48 (1.478.540,39 – 672.453,91), por ausência de documentação. A retificação ocorreu porque, segundo a DRJ, a fiscalização levou em consideração apenas parte dos valores constantes das 3 notas de débito referentes a juros pagos à Companhia Siderúrgica Nacional (fls. 4.079/4.081), as quais totalizavam R$652.762,71 (64.473,67 + 328.895,34 + 259.393,70). A esse valor foi somada a quantia de R$ 19.691,20 já considerada comprovada pela fiscalização. De fato, as notas de débito constantes dos autos demonstram a efetividade e a natureza de tais pagamentos, devendo os valores serem considerados como despesas financeiras dedutíveis. Assim, voto por negar provimento ao recurso de ofício quanto a este item. Quanto ao recurso voluntário, a Recorrente apenas afirma que trouxe aos autos o Razão que comprova o lançamento de todos os juros pagos a fornecedores (fls. 3937 3958) e notas de débito por amostragem (fl. 40174047). Não faz mais qualquer afirmação para sua defesa, não desenvolvendo seu argumento em nem mais uma linha sequer. Fl. 10175DF CARF MF Processo nº 19515.004649/200389 Acórdão n.º 1401002.159 S1C4T1 Fl. 10.164 25 Diante disso, considero que a Recorrente não se desimcumbiu de provar cm documentos que efetivamente incorreu nas despesas com juros pagos a fornecedores contabilizadas, portanto o acórdão recorrido deve ser integralmente mantido neste item. Portanto, neste item nego provimento ao recurso voluntário. C12 MULTA SOBRE IMPOSTOS, C13 JUROS SOBRE IMPOSTOS, C14 MULTAS SOBRE IMPOSTOS PARCELADOS, C15 JUROS SOBRE IMPOSTOS PARCELADOS. A fiscalização observou que a empresa apresentou, para comprovação destes dispêndios, planilhas sobre os impostos parcelados (fls. 4.139 a 4.160) e impostos atrasados (fls. 4.161 a 4.250), mas não apresentou comprovantes de pagamento/parcelamento, nem cópias dos processos de parcelamento. Diante disso, os parcelamentos/pagamentos em atraso do ICMS e do INSS não foram objeto de análise. Já para os parcelamentos relativos à esfera federal e os administrados pela Receita Federal à época, foi realizado o levantamento através dos dados constantes nos Sistemas Informatizados da RFB, sendo considerados como comprovados determinados valores conforme tabela então preparada. A defesa sustenta que a atualização dos juros incidentes sobre os impostos em análise, os quais foram deduzidos do lucro da Recorrente, foram calculados pelo Regime de Competência, e não pelo Regime de Caixa, como pretendeu impor a fiscalização. Assim, a fiscalização não poderia desconsiderar as memórias de cálculo que foram apresentadas pela contribuinte. O acórdão recorrido considerou que a defesa não apresentou nenhum elemento novo na peça contestatória, limitandose apenas a alegar que a fiscalização tomou por base o regime de caixa, quando o correto seria o de competência. Conforme se extrai do relatório de diligência, não foi esse o motivo que levou o fisco a desconsiderar o demonstrativo de imposto, mas sim a falta de elementos comprobatórios, em especial no que concerne aos parcelamentos/pagamentos em atraso do ICMS e do INSS. Assim como foi decidido no item relativo ao PIS e à COFINS, o fato de a Recorrente ter recebido auxilio para produzir provas não significa que a fiscalização DEVA produzila. O ônus da prova permanece sendo do contribuinte e se não há prova nos autos de que os juros foram pagos não há como julgar a pretensão da contribuinte como procedente. Diante disso, mantenho integralmente a decisão recorrida neste ponto, negando provimento ao recurso voluntário. D GLOSA DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS. D1 VARIAÇÃO MONET. EMPR. E FINANC., D2 VARIAÇÃO MONET. FORNECEDORES, D3 VARIAÇÃO MONET. OUTROS, D4 VARIAÇÃO CAMBIAL. Fl. 10176DF CARF MF 26 A fiscalização considerou que o contribuinte apresentou cópias de alguns contratos com instituições financeiras (fls. 4.049 a 4.116), bem como o que seria sua dívida bancária (planilhas apostas às fls. 3.994 a 4.008) e o Razão (fls. 3.976 a 3.993). Diante disso, concluiu que o contribuinte não conseguiu comprovar os valores que considerou como variações monetárias, eis que não foram apresentados os demonstrativos de variação monetária e documentação comprobatória da origem dessas variações. O acórdão recorrido manteve a autuação, observando ademais que a questão aqui abordada tem relação com a tratada no item C GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS, item no qual se chegou à conclusão, após a diligência, que seria necessário o acesso aos demonstrativos de pagamentos / amortização / juros, devidamente acompanhados dos documentos correspondentes, o que não foi feito pela contribuinte. Em seu recurso a empresa repete ipsis literis os argumentos da impugnação, sem efetivamente contestar o teor do acórdão recorrido. Assim, considerando que o contribuinte teve plena oportunidade de apresentar os elementos necessários para o deslinde da questão (no caso, os demonstrativos de variação monetária), não tendo atendido a contento, entendo que a glosa deve ser mantida, em consonância ao que foi decidido quando da análise do item “C”. Neste sentido, voto por negar provimento ao recurso voluntário neste item. E ALIENAÇÃO/BAIXA BENS ATIVO PERMANENTE. Item não impugnado pelo contribuinte, e que portanto não faz parte do presente contencioso administrativo. F PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS À CONTABILIDADE Com relação à remessa de pagamento ao exterior no valor de R$ 564.797,09, a fiscalização autuou o contribuinte por omissão de receitas porque a empresa não logrou demonstrar a tramitação desses recursos por sua contabilidade. Em sua defesa o contribuinte então apresentou cópias do Livro Razão, fls. 9.965/9.966 onde consta o registro de pagamento no valor de R$ 564.797,09, relativo ao mês de março de 1998, o qual coincide em data, valor e banco, com o cheque do Banco Itaú que justificou a autuação (fls. 678). Diante disso, a DRJ considerou comprovado o registro do pagamento na contabilidade do contribuinte, o que afasta a atuação em análise. É de se manter a decisão por seus próprios fundamentos. Diante disso, voto por negar provimento ao recurso de ofício quanto a este item. PEDIDO DE NOVA DILIGÊNCIA A Recorrente considera necessária nova diligência "caso este C.Conselho entenda que os elementos constantes nos autos são insuficientes para desconstituir integralmente a matéria devolvida a este Tribunal Administrativo". Fl. 10177DF CARF MF Processo nº 19515.004649/200389 Acórdão n.º 1401002.159 S1C4T1 Fl. 10.165 27 Ocorre que, conforme visto acima, o presente processo discute essencialmente questões de prova, em que o ônus é do contribuinte e que para os quais não foram trazidos aos autos a documentação serviu de suporte aos registros contábeis e fiscais a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. E quando se fala em "documentação que serviu de suporte aos registros contábeis e fiscais", não se trata apenas de apresentar contratos e outros documentos de forma aleatória, mas efetivamente de demonstrar como foram calculados os valores laçados na contabilidade (memórias de cálculo) e com base em que (indicando os respectivos contratos e comprovantes de pagamento). Toda essa atividade é dever do contribuinte, de maneira que deferir uma diligência para tanto seria inverter tal ônus, impondo à fiscalização a obrigação de comprovar lançamentos contábeis. Notese que no caso em questão o contribuinte teve diversas oportunidades de trazer as provas do quanto pretendeu alegar, tendo sido orientado especificamente sobre quais provas a fiscalização entendia necessárias, tanto antes da autuação quanto por ocasião da conversão do julgamento em diligência, em sede de manifestação sobre a diligência e também após a decisão de primeira instância, em seu recurso voluntário. Preferiu não aproveitar tais oportunidades e permanecer pleiteando por uma diligência adicional sem indicar especificamente os motivos pelos quais a diligência seria necessária para cada custo ou despesa, sem indicar quesitos na forma da legislação em vigor, enfim, sem qualquer base para tanto. Do exposto, entendo que não é o caso de se deferir nova diligência. MULTA AGRAVADA O Termo de Verificação Fiscal observa, a fl. 568, que "Tendo em vista a recusa não justificada do contribuinte em apresentar documentação à fiscalização, apesar de regularmente intimado, reintimado e alertado sobre o agravamento da multa, o lançamento dos impostos e contribuições de que trata o auto de infração do qual este Termo é parte integrante é feito com exigência da multa de ofício de que trata o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, agravada, nos termos do parágrafo 2o desse mesmo artigo". A redação do referido dispositivo legal, vigente à data do lançamento, era a seguinte: § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Vide MPV nº 303, de 2006) a) prestar esclarecimentos; (Incluída pela Lei nº 9.532, de 1997); b) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alterações introduzidas pelo art. 62 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; (Incluída pela Lei nº 9.532, de 1997) c) apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. (Incluída pela Lei nº 9.532, de 1997) Atualmente o referido dispositivo legal possui a seguinte redação: Fl. 10178DF CARF MF 28 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991;(Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) Notese que, apesar da alteração da redação do dispositivo em comento, substancialmente continua em vigor o agravamento da multa para 112,5%, sempre que o contribuinte não atender a intimação no prazo marcado para prestar esclarecimentos. Sobre o comportamento adotado pela empresa durante o procedimento de fiscalização, merecem ser destacados os seguintes trechos do Termo de Embaraço à Fiscalização (fls. 391/392 grifamos): No exercício das funções de Auditores Fiscais da Receita Federal, no curso da ação fiscal no contribuinte acima identificado, de acordo com o disposto nos arts. 904, 905, 910, 911, 927 e 928 e do parágrafo único do art. 919 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n.° 3.000 de 26/03/99 (RIR/99), lavramos o presente TERMO DE EMBARAÇO A AÇÃO FISCAL, para consignar os seguintes fatos: Em virtude da determinação contida no Mandado de Procedimento Fiscal MPF em epígrafe, intimamos o contribuinte em questão, através do Termo de Início de Diligência Fiscal lavrado em 09/05/2003 e recebido em 12/05/2003 (cópia em anexo), a entregar, sob protocolo, no prazo de 20 dias, na Divisão de Fiscalização Indústria da DEFIC SP, cópia autenticada da documentação, assim como cópia autenticada dos respectivos registros contábeis, que teria dado respaldo operações internacionais em Moeda Nacional — PAGAMENTOS, nele relacionadas. Como a documentação solicitada não foi apresentada, reintimamos a empresa, por meio do Termo de Reintimação Fiscal de 04/06/2003, a apresentar o documentário fiscal e contábil inicialmente requisitado (cópia do Termo anexa). O não atendimento gerou a emissão do Termo de Constatação e de Segunda Reintimação Fiscal, lavrado em 12/08/2003, anexo por cópia, no qual a fiscalização tornou a requerer os documentos cuja primeira solicitação já completara 3 meses. Ao contribuinte foi dada, ainda, nova oportunidade de atender à solicitação, consubstanciada no Termo de Constatação e de Terceira Reintimação Fiscal de 20/08/2003, igualmente anexo por cópia. Fl. 10179DF CARF MF Processo nº 19515.004649/200389 Acórdão n.º 1401002.159 S1C4T1 Fl. 10.166 29 Cabe salientar que, nesta última reintimação, o sujeito passivo foi advertido de que o não atendimento aquela solicitação implicaria em embaraço à fiscalização, e poderia resultar, em caso de lançamento do oficio, no agravamento da multa, conforme previsto no artigo 959 do RIR/99, sem prejuízo da continuidade dos trabalhos fiscais. Assim, constatado que até a presente data, embora exaustivamente solicitado por esta Auditoria, os referidos documentos não foram exibidos pelo contribuinte, que também não apresentou qualquer justificativa para essa conduta, lavramos o presente Termo para caracterizar o embaraço à fiscalização nos termos do inciso I, do art. 33, da Lei 9.430/96. Ressaltamos que a exigência da multa regulamentar cabível, será feita por Auto de Infração, com respaldo no Mandado de Procedimento Fiscal complementar nº 08.1.90.0020020195818. O Termo de Embaraço à Fiscalização registra que durante o procedimento fiscal o contribuinte não atendeu, por diversas vezes, às intimações para prestar esclarecimentos, sem apresentar justificativa para tal conduta. De acordo com o art. 136 do CTN, “salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Em sua defesa, a Recorrente observa que a qualificação da multa depende de demonstração de recusa injustificada, ou seja, de que o contribuinte ofereceu efetivo obstáculo à fiscalização, agindo ou omitindose intencionalmente, o que sustenta não ter sido o caso. Repete que a não apresentação de documentos ocorreu por desorganização dos arquivos contábeis da empresa, que passava por dificuldades, e observa que não deixou de atender às intimações e que sempre justificou a impossibilidade de apresentar parte dos documentos solicitados. Tais alegações não condizem com o que fora registrado no Termo de Embaraço, já que este consigna expressamente que não houve justificativa para a não apresentação de documentos. Assim, novamente, a Recorrente não busca demonstrar o quanto alega, limitandose a fazer afirmações genéricas, o que esvazia sobremaneira seus argumentos de defesa. Conforme observou a decisão recorrida, a legislação tributária não estabelece exceção para o agravamento da multa para os casos de suposta desorganização administrativa da empresa, além disso, a apresentação dos documentos quando da impugnação da exigência (ou após) não descaracteriza o embaraço à fiscalização, cuja conduta foi verificada durante a ação fiscal. Do exposto, voto por manter o agravamento da multa. CONCLUSÃO Em resumo, oriento meu voto para negar provimento ao recurso de ofício e para dar provimento parcial ao recurso voluntário, provendoo exclusivamente quanto às seguintes matérias: Fl. 10180DF CARF MF 30 A1 – COMPRA DE INSUMOS: dar provimento ao recurso voluntário quanto ao valor de R$312.857,28 mantido pela DRJ. A2 CUSTO DO PESSOAL APLICADO NA PRODUÇÃO E A8 CONSTITUIÇÕES DE PROVISÕES: dar provimento ao recurso voluntário. A3 ENCARGOS SOCIAIS: dar provimento ao recurso voluntário. DAS DESPESAS COM REMUNERAÇÃO DE EMPREGADOS, ENCARGOS SOCIAIS E PROVISÃO DE FÉRIAS E 13º SALÁRIO ITENS B.1, B.4 E B.11 DO RELATÓRIO FISCAL: dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 10181DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10670.721526/2011-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PESSOA JURÍDICA. LEGITIMIDADE PARA RECORRER.
Por falta de legitimidade para representar as pessoas físicas arroladas como responsáveis tributários, não se conhecem das alegações veiculadas pelo contribuinte principal quanto à a exclusão de terceiros do pólo passivo da obrigação tributária.
Numero da decisão: 1302-002.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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PESSOA JURÍDICA. LEGITIMIDADE PARA RECORRER. Por falta de legitimidade para representar as pessoas físicas arroladas como responsáveis tributários, não se conhecem das alegações veiculadas pelo contribuinte principal quanto à a exclusão de terceiros do pólo passivo da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 15 26 /2 01 1- 59 Fl. 3183DF CARF MF Processo nº 10670.721526/201159 Acórdão n.º 1302002.582 S1C3T2 Fl. 3.184 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração opostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (fls. 3.170 a 3.174), em relação ao Acórdão nº 1302001.858, proferido por esta Turma, em julgamento realizado em 04 de maio de 2016, sob a alegação da existência de obscuridade e contradição. O Acórdão embargado possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. FALTA DE INCLUSÃO DE TRIBUTO LANÇADO. EXPIRAÇÃO DE PRAZO. Nos termos da legislação então vigente, era desnecessária a inclusão, no MPF, de tributos cuja lançamento se verificasse com base nos mesmos elementos de prova do tributo principal nele indicado. A execução do procedimento fiscal, por sua vez, poderia ter seu prazo prorrogado por autoridade competente. ARBITRAMENTO. VÍCIOS QUE IMPEDEM A IDENTIFICAÇÃO DA EFETIVA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. Subsiste o arbitramento dos lucros se o sujeito passivo não escritura o movimento de suas contas bancárias nem apresenta documentos que permitam correlacionar os registros da conta caixa com os depósitos/créditos bancários do período. Ainda que as receitas escrituradas superem tais ingressos, o registro de todas as entradas financeiras como vendas à vista impede qualquer conferência para aferição da efetiva movimentação financeira da pessoa jurídica. MULTA QUALIFICADA. ALEGAÇÃO DE PARCELAMENTO. A adesão ao parcelamento da Lei nº 11.941, de 2009, alcança, apenas, débitos constituídos, e somente dispensa o lançamento de ofício daqueles confessados espontaneamente, antes do início do procedimento fiscal. DIPJ ZERADA. DÚVIDA. A justificativa de que a DIPJ foi apresentada sem informações porque ainda não consolidada a contabilidade, associada ao fato de que o Livro Diário somente foi levado a registro depois do início do procedimento fiscal, promovido oito meses depois do prazo final para entrega da DIPJ, suscita dúvida razoável quanto ao intuito de fraude e impõe a redução da penalidade ao percentual básico de 75%. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU SEM CAUSA. A fonte pagadora é responsável pelo imposto de renda na fonte quando promove pagamentos a beneficiários não Fl. 3184DF CARF MF Processo nº 10670.721526/201159 Acórdão n.º 1302002.582 S1C3T2 Fl. 3.185 3 identificados ou relativamente aos quais não prova a operação ou causa que os motiva. A escrituração comercial não se presta como prova quando deixa de espelhar os pagamentos questionados por não estar integrada pela movimentação bancária, cumprindo ao sujeito passivo identificar o beneficiário e a operação/causa mediante documentação apresentada em resposta a intimação fiscal. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM DECORRENTE DE SONEGAÇÃO/FRAUDE. Se a imputação de responsabilidade tributária está fundamentada, apenas, no art. 124, I do CTN e na constatação de sonegação e fraude, o afastamento da qualificação da penalidade determina o provimento do recurso voluntário dos responsáveis tributários, ainda que outras circunstâncias presentes nos autos pudessem autorizar a responsabilização dos sócios sob outro fundamento legal." A Embargante funda o seu recurso no fato de que a decisão guerreada adota como pressuposto a existência de Recurso Voluntário conjuntamente apresentado pela contribuinte pessoa jurídica e pelas pessoas físicas a quem foi atribuída responsabilidade solidária pelos créditos tributários constituídos nos presentes autos. Contudo, não haveria Recurso conjunto, mas apenas Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte pessoa jurídica. Assim, a contradição consistiria no fato de que "se fala em interposição de recurso conjunto, mas no dispositivo e no acórdão se aborda a questão como se dois recursos existissem". A obscuridade, por sua vez, versaria sobre a dúvida gerada na execução do julgado, com a concessão total do pedido do inexistente recurso voluntário dos responsáveis, motivo pelo qual não seria possível se descobrir qual seria a extensão desse provimento. Os Embargos foram objeto de Despacho de admissibilidade (fls. 3.177 a 3.179), que os considerou tempestivos; e entendeu que o erro apontado acabou "por suprimir do Colegiado a apreciação acerca do interesse recursal da contribuinte em questionar a responsabilidade tributária atribuída a seus sócios". Assim, a questão extrapolaria a mera obscuridade ou contradição apontada pela Embargante, de modo que, pela aplicação do princípio da fungibilidade dos recursos, os Embargos foram admitidos com base na "omissão de ponto sobre o qual a Turma deveria se manifestar". É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator Os Embargos foram regularmente admitidos, devendo ser conhecidos. Fl. 3185DF CARF MF Processo nº 10670.721526/201159 Acórdão n.º 1302002.582 S1C3T2 Fl. 3.186 4 Efetivamente, o Recurso Voluntário apresentado em face à decisão de primeira instância (fls. 3.071 a 3.095) foi interposto, exclusivamente, pela pessoa jurídica autuada, e não de forma conjunta com os sócios apontados como responsáveis solidários. De outra parte, a decisão deste Colegiado, em todos os instantes, adota como premissa a referida interposição conjunta, de modo que, ao final, chega a dar provimento ao "recurso voluntário interposto por Rodrigo Magela Castro Campos e Renata Cristina Mendes Campos". Os Embargos de Declaração, na forma do art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, prestase, não apenas ao saneamento de omissão ou contradição em decisão, mas também para possibilitar ao julgador a oportunidade de se pronunciar sobre questão sob a qual deveria haver se manifestado. In verbis: "Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma." É essa a precisa hipótese presente nestes autos, em que, como bem indicou o Despacho de Admissibilidade, "o erro apontado no relato do recurso voluntário acabou por suprimir do Colegiado a apreciação acerca do interesse recursal da contribuinte em questionar a responsabilidade tributária atribuída a seus sócios". Passo, portanto, à análise das consequências do fato de os responsáveis solidários não haverem apresentado Recurso Voluntário, que, no meu entender, não pode ser outra senão o reconhecimento da definitividade da decisão de primeira instância em relação a eles, com a manutenção da sujeição passiva solidária. O Recurso Voluntário interposto pela pessoa jurídica, assinado por Procuradora por ela constituída à fl. 3.092, não pode ser conhecido na parte em questiona a atribuição da responsabilidade solidária, por ausência de interesse recursal da pessoa jurídica para defender interesses de terceiros (ainda que estes sejam os seus sócios). A conclusão similar chegou a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta Primeira Seção do CARF, por meio dos Acórdãos nº 1103000.834 (Relator Eduardo Martins Neiva Monteiro, Redator Designado Sergio Luiz Bezerra Presta, sessão de 09 de abril de 2013) e 1103000.905 (Relator André Mendes de Moura, sessão de 06 de agosto de 2013). Pedese vênia para transcrever parte da Ementa da primeira decisão acima referida: "RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LEGITIMIDADE PARA RECORRER. AVALIAÇÃO DAS PROVAS EM SEDE DE JULGAMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO DO RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. Por falta de legitimidade para representar as pessoas físicas arroladas como responsáveis tributários, não se conhecem das alegações veiculadas pelo contribuinte quanto à matéria. Fl. 3186DF CARF MF Processo nº 10670.721526/201159 Acórdão n.º 1302002.582 S1C3T2 Fl. 3.187 5 O responsável tributário, no processo administrativo tributário, tem legitimidade para recorrer, em concretização às garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa. O fato de constar como sócio, ou mesmo como beneficiário econômico de atos que, salvo prova em contrário, não foram por ele praticados, não justifica a sua inclusão como sujeito passivo indireto, ainda que solidariamente. Recurso voluntário do responsável tributário provido." O Superior Tribunal de Justiça, nos autos do Recurso Especial nº 1.347.627 (Rel. Min. Ari Pargendler, DJe 21/12/2013), também, entendeu pela ilegitimidade da pessoa jurídica para interpor recurso em defesa de interesse dos seus sócios. Tratouse de julgado conforme o procedimento previsto para os Recursos Repetitivos, na forma do art 543C, do Código de Processo Civil de 1973, o que atrairia o art. 62, §2º, do Regimento Interno do CARF, pelo que transcrevo a ementa: "PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DO DEVEDOR. A pessoa jurídica não tem legitimidade para interpor recurso no interesse do sócio. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08." Recentemente, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais ao enfrentar o tema da legitimidade da pessoa jurídica para defender interesse dos responsáveis solidários, apesar de suscitar dúvidas sobre a aplicação obrigatória do citado posicionamento do STJ, decidiu com base no mesmo raciocínio que o motivou: "Tenho dúvidas se o REsp n. 1.347.627/SP apresenta aplicação obrigatória ao caso concreto, especialmente porque se dirige a espécie bem delimitada de ação judicial, qual seja, embargos à execução. Contudo, me parece que o racional da aludida decisão deve ser acolhido no caso. Notese que o CPC/73 trazia conhecida regra em seu art. 6o, qual seja: Art. 6o. Ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei. Aludida regra passou a constar no art. 18 do CPC/2015: Art. 18. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Parágrafo único. Havendo substituição processual, o substituído poderá intervir como assistente litisconsorcial. A observância da referida regra no presente caso decorre também do art. 15 do CPC/2015: Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Fl. 3187DF CARF MF Processo nº 10670.721526/201159 Acórdão n.º 1302002.582 S1C3T2 Fl. 3.188 6 No presente caso, a pessoa jurídica foi quem requereu, em nome próprio, a exclusão dos responsáveis solidários do pólo passivo da autuação fiscal, padecendolhe, portanto, legitimidade para tanto. Nesse seguir, voto no sentido de também dar provimento a essa parcela do recurso especial da PFN, de forma a restabelecer a responsabilidade tributária em questão." (Acórdão nº 9101 002.986, Relator Luís Flávio Neto, sessão de 07 de agosto de 2017) Neste sentido, entendo que o Acórdão embargado deve ser modificado para a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento; NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, na parte referente à responsabilidade tributária dos sócios, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente às exigências de IRPJ e CSLL; e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às exigências de IRRF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Do mesmo modo, a ementa do referido Acórdão deve ser alterada, para excluir a menção à responsabilidade tributária dos sócios, passando ao seguinte texto: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. FALTA DE INCLUSÃO DE TRIBUTO LANÇADO. EXPIRAÇÃO DE PRAZO. Nos termos da legislação então vigente, era desnecessária a inclusão, no MPF, de tributos cuja lançamento se verificasse com base nos mesmos elementos de prova do tributo principal nele indicado. A execução do procedimento fiscal, por sua vez, poderia ter seu prazo prorrogado por autoridade competente. ARBITRAMENTO. VÍCIOS QUE IMPEDEM A IDENTIFICAÇÃO DA EFETIVA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. Subsiste o arbitramento dos lucros se o sujeito passivo não escritura o movimento de suas contas bancárias nem apresenta documentos que permitam correlacionar os registros da conta caixa com os depósitos/créditos bancários do período. Ainda que as receitas escrituradas superem tais ingressos, o registro de todas as entradas financeiras como vendas à vista impede qualquer conferência para aferição da efetiva movimentação financeira da pessoa jurídica. MULTA QUALIFICADA. ALEGAÇÃO DE PARCELAMENTO. Fl. 3188DF CARF MF Processo nº 10670.721526/201159 Acórdão n.º 1302002.582 S1C3T2 Fl. 3.189 7 A adesão ao parcelamento da Lei nº 11.941, de 2009, alcança, apenas, débitos constituídos, e somente dispensa o lançamento de ofício daqueles confessados espontaneamente, antes do início do procedimento fiscal. DIPJ ZERADA. DÚVIDA. A justificativa de que a DIPJ foi apresentada sem informações porque ainda não consolidada a contabilidade, associada ao fato de que o Livro Diário somente foi levado a registro depois do início do procedimento fiscal, promovido oito meses depois do prazo final para entrega da DIPJ, suscita dúvida razoável quanto ao intuito de fraude e impõe a redução da penalidade ao percentual básico de 75%. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU SEM CAUSA. A fonte pagadora é responsável pelo imposto de renda na fonte quando promove pagamentos a beneficiários não identificados ou relativamente aos quais não prova a operação ou causa que os motiva. A escrituração comercial não se presta como prova quando deixa de espelhar os pagamentos questionados por não estar integrada pela movimentação bancária, cumprindo ao sujeito passivo identificar o beneficiário e a operação/causa mediante documentação apresentada em resposta a intimação fiscal." Isto posto, voto pelo acolhimento dos Embargos de Declaração da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, para alterando o Acórdão nº 1302001.858, nos termos acima explicitados, não conhecer de parte do Recurso Voluntário interposto pela pessoa jurídica e manter a responsabilidade solidária dos sócios Rodrigo Magela Castro Campos e Renata Cristina Mendes Campos, pelos créditos tributários constituídos no âmbito do presente processo. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 3189DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.000034/2009-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
EXCLUSÃO DO SIMPLES. MATÉRIA PRECLUSA.
Havendo decisão definitiva em outro processo administrativo em que foi mantida a exclusão do Simples, não há como se manifestar sobre a matéria.
PROVA TESTEMUNHAL.
No rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução, na qual seriam ouvidas testemunhas, e os depoimentos de testemunhas podem ser reduzidos a termo que deveam ser carreados junto com a impugnação ou recurso, sem prejuízo da sustentação oral da recorrente ou de seu representante legal no decorrer do julgamento do recurso voluntário, nos termos do artigo 58, inciso II, do RICARF.
NULIDADE. EXCLUSÃO SIMPLES. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
A manifestação de inconformidade da exclusão do Simples não impede que a Administração Tributária lance os créditos tributários apurados nos termos das normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
COBRANÇA RETROATIVA DE TRIBUTOS.
Enquanto não decaído o direito da Fazenda Pública, pode haver o lançamento de tributos e, ocorrida a exclusão retroativa do contribuinte do Simples, tal cobrança é dever de ofício, nos termos do artigo 142 do CTN, uma vez que a sistemática de tributação nos períodos passa a ser outra, mais gravosa que a do Simples.
AUTO DE INFRAÇÃO. COBRANÇA. EFEITO CONFISCATÓRIO.
Havendo lei devidamente editada e em vigor determinando a cobrança, não cabe a esse colegiado a análise da conformidade de tal norma em face de princípios constitucionais, ante ao princípio da legalidade objetiva que rege o lançamento tributário e o julgamento administrativo deste, nos termos da Súmula CARF nº 2:
DECADÊNCIA. DECURSO DE PRAZO NÃO OCORRIDO.
Não ocorre a decadência, nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez não ter decorrido mais de cinco anos entre o fato gerador e a ciência quanto ao auto de infração, contado esse prazo do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado.
NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
O tributo lançado de ofício foi devidamente calculado, aplicando-se a multa no percentual previsto na legislação, e a descrição das infrações e as indicações dos dispositivos legais relativos às infrações e à multa aplicada constam do auto de infração e do Termo de Verificação Fiscal, não tendo ocorrido a nulidade.
NULIDADE. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTOS.
Não ocorre a nulidade alegada uma vez que por consulta aos autos constata-se o cálculo do tributos com o desconto quanto aos valores já pagos na sistemática do Simples.
APLICAÇÃO DO ARTIGO 112 DO CTN. DÚVIDA. NÃO OCORRÊNCIA.
O artigo 112 do CTN refere-se à interpretação de leis que definem infrações ou cominam penalidades e, ainda, no caso de dúvidas existentes quanto aos casos enumerados nos incisos do referido artigo, o que não ocorre no caso em tela.
MULTA QUALIFICADA. FRAUDE.
Demonstrado o evidente intuito de fraude, mantém-se a multa por infração qualificada.
Numero da decisão: 1201-001.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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ME, atual denominação de KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES. MATÉRIA PRECLUSA. Havendo decisão definitiva em outro processo administrativo em que foi mantida a exclusão do Simples, não há como se manifestar sobre a matéria. PROVA TESTEMUNHAL. No rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução, na qual seriam ouvidas testemunhas, e os depoimentos de testemunhas podem ser reduzidos a termo que deveam ser carreados junto com a impugnação ou recurso, sem prejuízo da sustentação oral da recorrente ou de seu representante legal no decorrer do julgamento do recurso voluntário, nos termos do artigo 58, inciso II, do RICARF. NULIDADE. EXCLUSÃO SIMPLES. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A manifestação de inconformidade da exclusão do Simples não impede que a Administração Tributária lance os créditos tributários apurados nos termos das normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COBRANÇA RETROATIVA DE TRIBUTOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 00 34 /2 00 9- 72 Fl. 372DF CARF MF 2 Enquanto não decaído o direito da Fazenda Pública, pode haver o lançamento de tributos e, ocorrida a exclusão retroativa do contribuinte do Simples, tal cobrança é dever de ofício, nos termos do artigo 142 do CTN, uma vez que a sistemática de tributação nos períodos passa a ser outra, mais gravosa que a do Simples. AUTO DE INFRAÇÃO. COBRANÇA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Havendo lei devidamente editada e em vigor determinando a cobrança, não cabe a esse colegiado a análise da conformidade de tal norma em face de princípios constitucionais, ante ao princípio da legalidade objetiva que rege o lançamento tributário e o julgamento administrativo deste, nos termos da Súmula CARF nº 2: DECADÊNCIA. DECURSO DE PRAZO NÃO OCORRIDO. Não ocorre a decadência, nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez não ter decorrido mais de cinco anos entre o fato gerador e a ciência quanto ao auto de infração, contado esse prazo do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. O tributo lançado de ofício foi devidamente calculado, aplicandose a multa no percentual previsto na legislação, e a descrição das infrações e as indicações dos dispositivos legais relativos às infrações e à multa aplicada constam do auto de infração e do Termo de Verificação Fiscal, não tendo ocorrido a nulidade. NULIDADE. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTOS. Não ocorre a nulidade alegada uma vez que por consulta aos autos constata se o cálculo do tributos com o desconto quanto aos valores já pagos na sistemática do Simples. APLICAÇÃO DO ARTIGO 112 DO CTN. DÚVIDA. NÃO OCORRÊNCIA. O artigo 112 do CTN referese à interpretação de leis que definem infrações ou cominam penalidades e, ainda, no caso de dúvidas existentes quanto aos casos enumerados nos incisos do referido artigo, o que não ocorre no caso em tela. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Demonstrado o evidente intuito de fraude, mantémse a multa por infração qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 3 3 Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório Adoto o relatório da Resolução nº 1803000.129 da 3ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento deste CARF, de 3de março de 2015, complementandoo a seguir: Tratase, o presente feito, de auto de infração relativos aos anos calendários de 2004, 2005, 2006 e o 1º e 2º trimestre de 2007, exigindo PIS, acrescido de juros de mora e decorre de exclusão do Simples Federal (processo 10925.002074/200878), fundamentada na vedação ao sistema para pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios, bem como que realize operações relativas à locação de mão de obra, sendo apurado o PIS relativa a falta de recolhimento/declaração. Juntamente com o presente procedimento, também foi constituído processo de exclusão do Simples Federal e Nacional, protocolizado sob os números 10925.002074/200878 e 10925.002253/200813, bem como os lançamentos de IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, e Contribuições Previdenciárias, decorrentes da exclusão do Simples Federal e Nacional, protocolizados sob os números 10925.000032/200983, 10925.000033/200928, 10925.000035/200917, 10925.000036/200961, 10925.000037/200914, 10925.000038/200951, 10925.000039/200903, 10925.000040/200920, 10925.000041/200974, 10925.000042/200919, 10925.000043/200963, 10925.000044/200916, 10925.000045/200952, 10925.000046/200905, 10925.000047/200941, 10925.000048/200996, 10925.000049/200931, 10925.000051/200918. Temse que a empresa recorrente faz parte de um grupo empresarial constituído com o objetivo de segmentar, mediante prática de simulação, parte de suas atividades e o faturamento, beneficiandose, desse modo, do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido do Simples, tratandose, de fato, tal grupo, de uma única empresa, com faturamento global superior aos limites permitidos para ingresso e permanência no regime simplificado de tributação. O pretenso grupo empresarial é comandado pelo Sr. José Schazmann e sua esposa, a Sra. Silvana Marques Schazmann, que além de figurarem como únicos sócios da empresa Idugel Industrial Ltda., desde 20/11/1998, exercem também, mediante procuração, a administração das empresas J.S. Máquinas Ltda. ME e K.F. Montagens Industriais Ltda. ME. Os sócios da J.S. e K.F. possuem parentesco de primeiro grau com o Sr. José Schazmann. Figuram como únicas integrantes do quadro societário da empresa J.S. Máquinas Ltda. ME, atualmente, a mãe e a irmã do Sr. José Schazmann, e da empresa K.F. Montagens Industriais Ltda. ME como únicos sócios, dois filhos do Sr. José Schazmann. Fl. 374DF CARF MF 4 A empresa K.F. Industrial Ltda., na prática, cede mãodeobra para empresa Idugel, que concentra quase todo o faturamento e registra apenas dois empregados, em média, nos últimos três anos, e entre três e quatro empregados, nos anos de 2003 e 2004", situação esta, juntamente com faturamento, custos, folha de pagamento, demonstrada em quadro de fls.22/23. Em relação à contabilidade das empresas, constatouse a ocorrência de vários pagamentos "cruzados", ferindose o princípio contábil da entidade e não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. Também foram encontrados vários pagamentos efetuados pela empresa em nome dos sócios administradores e seus familiares referentes a compromissos assumidos com terceiros, tendo o registro contábil apenas da saída de numerário de contas bancárias e como destino à entrada em caixa, não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. A empresa também efetuou pagamentos "extrafolha" aos seus segurados empregados, sem o devido registro contábil. Em sua escrituração contábil deixou de registrar os compromissos com fornecedores de materiais e serviços adquiridos "a prazo", considerando tais operações como se fossem realizadas "a vista", ferindo o princípio da competência. "Esses fatos também levam à conclusão de que o 'Grupo' é administrado como se fosse uma única empresa, entendimento equivocado por parte de seus administradores e que contraria a legislação em vigor, comprometendo de forma irremediável sua escrituração contábil." Quanto ao tributo apurado, refere que para apuração do PIS devido, foi ajustada a receita bruta mensal para aproveitar os créditos decorrentes dos recolhimentos efetuados através do Simples. E, quanto à multa qualificada de 150%, entendeu a fiscalização caracterizado, de forma clara, o intuito de fraudar por parte da fiscalizada, tomando em conta a análise dos fatos relatados e pela simulação de constituição de empresas com o objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento, e se beneficiar do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. Devidamente cientificada, a empresa recorrente apresenta, de forma tempestiva, suas razões em seara de impugnação, alegando que foi excluída do regime simplificado de tributação, motivo do lançamento dos tributos correspondentes com base no regime de tributação normal. Atenta a recorrente que foram apresentadas defesas ao ato de exclusão, mas apesar do efeito suspensivo dos recursos, foram expedidas intimações para prestar declarações ao fisco pelo regime comum de tributação e por fim emitidos os autos de infração, não tendo estes validade. Alega, a empresa recorrente, que o grupo familiar de Elita Schazmarm, formado por si, seus filhos e netos, exploram ramos comerciais e industrial de fabricação de máquinas e equipamentos industriais e com a evolução dos negócios, optaram pelo fracionamento da cadeia produtiva, não havendo nenhum ilícito na formação de empresas por grupos familiares, bem como na terceirização de atividades como no caso. Afere que a empresa Idugel é responsável pelos projetos dos maquinários, comercialização e coordenação da execução dos mesmos (Knowhow), que conta com a participação de diversas empresas delegadas (aqui não se limita apenas a K.F. Montagens e J.S. Máquinas). Dispondo: “*J.S.: é responsável pela fabricação dos acessórios e complementos das máquinas produzidas pela empresa IDUGEL (direta e indiretamente); Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 4 5 *K.F.: é responsável pela montagem e instalação das máquinas e acessórios fabricados pela IDUGEL, J.S. e outras empresas participantes da cadeia produtiva.” Afirma que a legislação brasileira permite o desenvolvimento de ações para se evitar a ocorrência da hipótese de incidência, dentro do campo da elisão fiscal, na forma do art. 116 do CTN, sendo perfeitamente possível separar as atividades em diversos setores no caso em tela. As práticas adotadas, pelas empresas, foram revestidas de formalidades perfeitamente válidas, atendidos todos os pressupostos contábeis idôneos a registrar as operações, não existindo nenhuma mácula suficiente para afastar o direito de opção pelo regime simplificado de tributação. No tocante à delimitação temporal da exclusão, manifesta que o ato impugnado delimitou o início do tempo da exclusão (01/07/2007), entretanto deixou de delimitar o prazo final. Entende como ilegal a extensão do ato de exclusão para período posterior a 31/12/2008. Aduz a recorrente que o presente processo fere os princípios da ampla defesa e do contraditório, pois houve exclusão sumária com aplicação de penalidade sem qualquer notificação prévia ou oportunidade de defesa da requerente. De igual modo, referese acerca dos dois sócios formadores da requerente, sendo nulo o procedimento administrativo. Prossegue referindo que são incompatíveis entre si os motivos para exclusão do Simples, pois a partir do momento que há enquadramento como sendo a atividade desempenhada: locação de mãodeobra, respaldase a existência autônoma das duas empresas. Assim, entende ser incompatível com a decisão de anular a existência da empresa J.S., como leva a crer na fundamentação. Assim, refere que ou elas existem e então há apenas que perquirir sobre a existência ou não da locação de mão de obra no relacionamento, ou inexiste a empresa K.F., por vício de formação que não se trata do caso em tela. E dessa forma, entende estar caracterizada a nulidade por defeito na fundamentação da exclusão do Simples, prejudicando o direito de defesa da empresa recorrente na forma do art. 59 do Decreto 70235/72. De igual modo, a empresa recorrente afirma ser constituída pela sociedade entre Elita e Cláudia desde 20.02.1998, não havendo nenhuma insurgência contra sua atividade em uma década. Aduz que o art. 45, parágrafo único, do CC prevê o prazo de decadência de 3 anos para anular a constituição das pessoas jurídicas, ou seja, incabível anulação da constituição da empresa após uma década de sua formação, mesmo considerando o prazo do diploma civil anterior. Atenta para a questão de que as situações fáticas, apuradas no ano de 2008, somente podem ser consideradas como prova para esse período, não havendo como comprovar que os supostos indícios existiam em exercício em exercícios anteriores. A opção pelo Simples é feita para cada exercício, que findo, não há com se alterar posteriormente. Ademais, o CTN prevê em seus art. 105 e 106 a aplicação da legislação tributária, e os casos em que se aplica retroativamente, nela não se incluindo o caso em análise. A opção pelo Simples ocorreu em 1998, quando o art. 15, V da Lei 9.317/96 disciplinava a matéria, devendo a exclusão (equivocadamente atestada) ser aplicada apenas após a constatação da ocorrência, ou seja, somente após outubro de 2008, sendo ilegal e arbitrária a retroatividade da análise fáticoprobatória. Fl. 376DF CARF MF 6 Expõe que a cobrança com efeito retroativo dos tributos tem efeitos confiscatórios, sob o aspecto da capacidade contributiva. O Ato Declaratório Excludente modifica a base de cálculo dos tributos, pela exclusão de um regime tributário, implicando em majoração de tributo, que conforme art. 97 do CTN, só lei pode estabelecer. A exclusão foi do SIMPLES, e não somente da tributação simplificada, impedindo automaticamente a empresa dos benefícios e incentivos fiscais positivados na Lei n° 9.841/99. Tal ato desvirtua a finalidade da citada Lei e dos arts. 170 e 179 da Constituição Federal, impondo indevida pena de restrição ao direito de exercer atividade econômica. Ademais, salienta que a Autoridade é incompetente para apreciar se a exigência do tributo ou se a condição da empresa é de enquadramento ou não, ou se é legítima ou ilegítima, violando direito de defesa da contribuinte e sem o devido processo legal. Entende que o ente arrecadador não opôs óbice à adesão dos contribuintes à tributação simplificada, iniciada em 1997, entretanto, somente em 2004 passou a emitir atos declaratórios sob o argumento de atividade vedada. Discorre quanto o art. 112 do CTN, entendendo que não há qualquer ato ilícito, por parte do contribuinte, para que seja excluído da tributação simplificada, sendo ilegítima a cobrança retroativa dos tributos à época da suposta vedação, ao exclusivo critério da autoridade fiscal, uma vez que abusa da autoridade e constrange o contribuinte a recolher tributos sob base de cálculos diferenciadas e majoradas, em período pretérito, sem que este sequer tenha dado causa à sua exclusão do regime. Frisa que a autuação do agente fiscal está fundada no art. 116 do CTN, entretanto referido dispositivo não é autoaplicável, carecendo de procedimentos a serem estabelecidos por lei ordinária. Assim, cabendo ao agente público fazer apenas o que a lei autoriza, falta amparo legal para atuação fiscal. No tocante à excludente de Locação de Mão de Obra, refere a recorrente que no conceito de cessão de mão de obra, fica o pessoal utilizado à disposição exclusiva do tomador, que gerencia a realização do serviço. O objeto do contrato é somente a mão de obra. No conceito de empreitada o contrato focalizase no serviço a ser prestado. Para sua realização, envolverá mãodeobra, que não estará, necessariamente, à disposição do tomador. O gerenciamento será do contratado. No caso presente, tratase de empreitada, “pois, há delegação de tarefa da contratante à contratada, mediante retribuição pecuniária por execução do serviço, cabendo à contratada a gerência do serviço, bem como a responsabilidade por seus empregados, e ainda de meios mecânicos necessários a execução da tarefa”. Assim, entende que, apesar de, às vezes, o serviço ser desenvolvido em local cedido pela contratante (no caso ldugel), há contratação para execução de tarefa determinada, preço certo, sem qualquer intervenção ou ingerência da contratante. Não há que se falar em vedação de opção ao regime simplificado de tributação. Já no tocante à "interposta pessoa", refere que não há qualquer demonstração de não serem as sócias, Elita e Cláudia, as verdadeiras titulares da sociedade, como são na realidade, recebendo pro labore mensal e distribuição de lucros/dividendos, conforme declarações prestadas a Receita Federal. O fato de outorga de procurações para representálas em situações específicas, especificamente para movimentar contas bancárias, não desconstitui a sociedade, nem configura a existência de interpostas pessoas na sua formação. O art. 1018 do Código Civil autoriza a outorga de procuração sem, com isso, desvirtuar a condição de sócios ou da natureza da própria sociedade. Alega, de igual modo, que não se tratando de locação de mão de obra, nem havendo qua se falar em interpostas pessoas no quadro societário, inexiste qualquer óbice à opção pelo regime simplificado de tributação. Atenta para o fato de que a autoridade fiscal utilizouse de documentos e fatos posteriores ao período de Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 5 7 01/01/2003 a 30/06/2007 para fundamentar a decisão de exclusão do Simples, não se prestando para tal intento. No que diz respeito ao endereço, local utilizado pelas empresas J.S. e IDUGEL, apensar da coincidência do imóvel, encontrase dividido fisicamente, conforme se verifica em planta anexada, instalação de alarmes distintos e ateste do Município que atribuiu diferenciação na identificação das unidades. Observa que a empresa IDUGEL é que detém capacidade técnica para desenvolver projets, possibilidade de angariar contratos e obras, inclusive com a pessoa do Sr. José Schaznann como o técnico de maior capacidade reconhecida no Brasil. No processo de desenvolvimento da atividade industrial de alta complexidade, como exemplifica a instalação de um moinho de trigo, parte da atividade é delegada a empresas terceirizadas, mediante contratação por empreitada, como ocorre com a empresa J.S. O valor agregado de cada produto produzido pelas empresas contratadas é muito inferior àquele cobrado pela empresa IDUGEL, quando da comercialização do conjunto todo, o que no exemplo do moinho de trigo, representa para a fabricante até 1/3 do valor final faturado pela empresa IDUGEL. Em resumo, o preço do conjunto é muito superior das máquinas isoladamente. Dai o motivo de que o faturamento das empresas contratadas, em que pese com número de empregados superior à contratante, apresente faturamento inversamente proporcional. Atenta para o fato de que também há casos que as empresas IDUGEL e J.S. fornecem, mediante parceria, quando a IDUGEL fica responsável pelo fornecimento das máquinas principais e a J.S. pelo fornecimento de acessórios. Portanto, a IDUGEL explora seu KnowHow, diante de sua grande credibilidade do mercado, motivo da desproporção do faturamento, não tendo como comparar a proporcionalidade do faturamento ao número de empregados. Ainda, a existência de empréstimos entre as empresas não desqualifica a individualidade de ambas. Efetivamente, refere que houve transferências de recursos, sempre na proporção dos créditos existentes da K.F. perante IDUGEL. Portanto, a IDUGEL explora seu knowhow, diante da sua grande credibilidade no mercado motivo da desproporção do faturamento, não tendo como comparar a proporcionalidade do faturamento ao número de empregados. Salienta a existência de empréstimos entre as empresas, mas que isso não desqualifica a individualidade de ambas. Efetivamente, houve transferências de recursos, sempre na proporção dos créditos existentes da J.S. perante a IDUGEL. Ademais, havendo crédito e ao mesmo tempo devido algum pagamento, ocorreram situações que a devedora IDUGEL pagou pelos serviços através da quitação de débitos específicos. De qualquer forma, a contabilização fora feita corretamente. Nesse caminho, entende que há que se aplicar o princípio da proporcionalidade no caso presente, pois foram levantados elementos insignificantes para sustentar o ato de exclusão. E, apresenta julgado do conselho de contribuintes, cuja ementa dispõe não ser simulação a instalação de duas empresas na mesma área geográfica com desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária. Ainda, salienta que a manutenção da interpretação dada pela fiscalização inviabilizará a atividade do negócio, resultando em débito impagável, quanto mais diante da pequena margem de lucro e a concorrência com produtos chineses. Fl. 378DF CARF MF 8 A recorrente ainda argumenta cerceamento de defesa, já que as intimações fiscais foram objetos de impugnação administrativas não decididas, bem como por conter, no relatório fiscal menção de diversas intimações para apresentação de documentos, sem o esclarecimento quanto ao atendimento, requerendo a nulidade do presente auto. Entende que o lançamento foi fundamentado no art. 149, VII do CTN, sendo neste previsto que este deverá ser efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa. Assim, manifesta que o auto em questão não foi submetido a qualquer revisão de oficio pela autoridade tributária superior ao autuante, motivo que requer a nulidade do processo por falta de cumprimento de exigência legal. Da mesma forma, alega não estar caracterizada a fraude, que só pode ser aferida no momento da ocorrência do fato gerador, não com relação às obrigações acessórias, como por exemplo, ausência de declarações ao fisco ou declaração a menor de tributo, opção de regime tributário, etc. E, observa ser necessário a demonstração pelo fisco que o ato foi realizado com evidente intuito de fraude, situação não realizada, inclusive pela ausência da hipótese legal do artigo 149, VII, do CTB. Atenta para o fato de que ao auto de Infração decorre de interpretação do agente fiscal de haver fraude no planejamento tributário adotado pela recorrente, entretanto os elementos mencionados permitem concluir que o entendimento foi equivocado, ademais pelas disposições do art. 112 do CTB que aplica o brocardo in dubio pro reo. De igual modo, afirma que a aferição indireta é medida extrema, disponível somente quando totalmente imprestáveis ou inexistentes os lançamentos contábeis, ou ainda, pela recusa no fornecimento da documentação exigida pela autoridade fiscal, situação não verificada no caso presente. E reproduz: "A empresa autora conta com lançamentos contábeis regulares, dotados dos respectivos documentos, os quais foram colocados inteiramente à disposição da Autoridade Fiscal." "Meras irregularidades ou pequenas falhas contábeis não autorizam o arbitramento da verba previdenciária". Concluindo que "há de restar garantido à impugnante o direito à apuração dos tributos com base no lucro real". Alega que toda receita e toda despesa está devidamente lançada na sua contabilidade, discorrendo que até valores não lançados em GEFIP's foram localizados nos lançamentos contábeis, devendo assim ser utilizada a contabilidade da recorrente para apuração dos tributos e considerados os créditos dos tributos, na forma da legislação em vigor. E, entende que o lançamento não considerou os valores recolhidos, motivo que requer sua nulidade, bem como a consideração dos pagamentos efetuados a título do regime simplificado, correspondente à presente rubrica. Importa informar que a empresa recorrente ingressou em juízo, através de um mandado de segurança, objetivando que não fosse autuada, segundo o regime de tributação diverso do Simples, até que a decisão a respeito da exclusão fosse definitiva. A sentença transitou em julgado, sem que houvesse recurso da Fazenda Nacional, perpetuando a decisão de que não poderiam ser lançados tributos antes que fosse proferida a decisão pelo órgão colegiado administrativo. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter o lançamento, ora em comento. Afere, quanto à exclusão do Simples, que os argumentos apresentados, em que pese se referirem a empresa J.S. Máquinas, mas diante da semelhança do procedimento e atividades das "empresas", eles são "correspondentes" àqueles feitos na defesa do processo relativo à referida exclusão (processo n° 925.002074/200878), cuja manifestação de inconformidade foi objeto Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 6 9 de análise e indeferimento no Acórdão DRJ/RPO n° 1425.629, proferido por esta Turma de Julgamento. Transcreve o voto proferido no Acórdão citado. Já no que diz respeito à nulidade arguida, entende que não há qualquer tipo de nulidade no lançamento, vez que não foi ferido o disposto no art. 59 do Decreto 70232/75, assim como entende que não procede o argumento de que foram apresentadas defesas ao ato de exclusão do Simples, motivo que não seria possível intimações fiscais e lançamentos dos tributos por regime diverso do Simples. Também observa que não há previsão para impugnação administrativa de intimações fiscais, pois o procedimento fiscal é inquisitório, só se iniciando o contraditório e a defesa após o lançamento tributário. Afere que nos termos do art. 15, §3º, da Lei n° 9.317/96, a exclusão de oficio darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. Prescreve, ainda, o art. 16 da Lei n° 9.317/96 que a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Segundo o julgador, a manifestação de inconformidade da exclusão do Simples não impede que a Administração Tributária lance os créditos tributários apurados nos termos das normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, entretanto, como mencionado no relatório fiscal, referido lançamento tem o objetivo de se prevenir a decadência dos valores apurados, tendo sua exigibilidade suspensa enquanto não julgadas as manifestações de inconformidade de exclusão do Simples. E, improcede a argumentação de nulidade sob argumento de que o art. 149 do CTN exige a revisão do lançamento, pois referido dispositivo legal não obriga a revisão do lançamento, apenas prevê casos em que pode o lançamento ser realizado e revisto de oficio. Portanto, salienta que o auto de infração foi lavrado por pessoa competente, no caso, Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, Autoridade Fiscal para o lançamento tributário. Já no tocante à multa qualificada, argumenta o julgador de primeira instância que a mesma foi aplicada por entender o autuante caracterizado de forma clara o intuito de fraudar por parte recorrente, tomando em conta a análise dos fatos relatados e pela simulação de constituição de empresas com objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento, e se beneficiar do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. De igual modo, afere que houve simulação de constituição de empresas com o objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento com objetivo de se beneficiar de tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, apenas aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. Salienta, o julgador a quo, que o artificio fraudulento de segmentação apenas formal das atividades do "grupo" foi fartamente analisado no julgamento do processo de exclusão do simples e evidenciado, dentre outros, pela falta de autonomia da recorrente como entidade empresarial, caracterizados pelo uso do mesmo uniforme por seus funcionários, pela localização física na mesma sede, pelos setores administrativos conjuntos, pelos pagamentos cruzados e documentos conjuntos que maculam o princípio contábil da entidade, pelos semelhantes objetos sociais e pelas inverossímeis relações entre dispêndios (custos, folha de pagamentos, Fl. 380DF CARF MF 10 empregados) e resultados entre as empresas do mesmo "grupo empresarial", pela administração única de todas as empresas pelas pessoas de José Schazmann e sua esposa, Silvana Marques Schazmann. E, conclui que ficou plenamente caracterizado o evidente intuito de fraude nos termos previstos no art. 72 da Lei n° 4.502, de 1996, não se aplicando no caso o art. 112 do CTN, pois não há dúvida como prevista no referido artigo. Também aborda o julgador de primeira instância a solicitação de produção de prova testemunhal, referindo que não pode ser deferida por não ter previsão no rito processual administrativo. Mas, frisa que os testemunhos que a empresa recorrente tenha em seu favor devem ser apresentados sob a forma de declaração escrita, já com a impugnação. No que diz respeito ao apedido da recorrente de apresentação de documentos durante a fase de instrução, o julgador cita o art. 16 do Decreto 70.235/72 para negar. Mas, que de toda a forma a recorrente nada trouxe aos autos processuais após sua impugnação, perdendo o objeto o presente pedido. Devidamente cientificada da decisão, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntário, de forma tempestiva, aduzindo o já disposto na impugnação. Em face da referida Resolução, converteuse o julgamento em diligência, o que se deu nos seguintes termos: Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente examine o provimento jurisdicional do Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028250 com base na atual fase processual, instrua os autos com a Certidão de Objeto e Pé e demais peças da ação judicial, bem como oficie a Procuradoria da Fazenda Nacional para que se pronuncie sobre seus efeitos jurídicos em face do Auto de Infração. A autoridade designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial a respeito dos efeitos jurídicos do provimento jurisdicional do Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028250 em face do Auto de Infração. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes à diligência efetuada e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. Baixados os autos à DRF/Joaçaba, após os trâmites e análises efetuadas tanto pelo setor especializado dessa unidade de Receita Federal do Brasil, quanto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, foi proferida a Informação nº 438/2016– SACAT/DRF/JOA/SC (fls. 360 a 363), verbis: Tratase de processo administrativo relativo a Auto de Infração de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), correspondente aos períodos de apuração 04/2004 a 12/2004, 02/2005, 04/2005 a 09/2005, 11/2005 a 01/2006, 04/2006, 08/2006 a 11/2006, 02/2007 e 04/2007, do qual resultou crédito tributário na importância de R$ 8.255,95 (oito mil, duzentos e cinquenta e cinco reais e noventa e cinco centavos), já computados os juros de mora e multa de ofício qualificada de 150%. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 7 11 2. Segundo o Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 17 a 31), o presente processo decorre da exclusão da contribuinte do Simples Federal levada a efeito no processo administrativo nº 10925.002074/200878, fundamentada na vedação ao sistema para pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios, bem como realize operações relativas à locação de mão de obra, sendo apurada o PIS relativo à falta de recolhimento/declaração. 3. Ainda segundo o mencionado Relatório, o Auto de Infração teve como objetivo prevenir a decadência dos valores apurados, enquanto não julgada a impugnação do ato de exclusão do Simples Federal. 4. Irresignada com a autuação, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 34 a 80. Todavia, o recurso foi considerado improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (fls. 151 a 172). 5. Na sequência, houve a interposição de Recurso Voluntário junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 177 a 233). 6. Iniciado o julgamento, os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, resolveram converter o julgamento na realização de diligência (fls. 243 a 255). Nesse contexto, é pertinente transcrever o Voto Vencedor: [...] 7. Observase que o objeto da diligência é o mandado de segurança nº 2008.72.03.002825. A autoridade julgadora requer a instrução do presente processo com a documentação pertinente ao referido mandamus, bem como o pronunciamento da Procuradoria da Fazenda Nacional quanto aos efeitos jurídicos dos provimentos judiciais nele proferidos quanto ao Auto de Infração de PIS. 8. Pois bem. A documentação relativa ao mandado de segurança foi anexada às fls. 257 a 273, sendo que todo o histórico de tramitação foi delineado na Informação Fiscal de fls. 344 a 350. Além disso, a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Joaçaba concluiu no seguinte sentido quanto aos efeitos jurídicos dos provimentos judiciais em relação ao Auto de Infração em epígrafe (fls. 351 a 359): a) Não houve impugnação do mérito do auto de infração por meio do writ; b) O mandado de segurança impetrado pela contribuinte teve apenas por objetivo assegurar o efeito suspensivo das impugnações administrativas, mantendoa no regime do SIMPLES até o julgamento definitivo dos recursos; c) Com o julgamento definitivo das impugnações na esfera administrativa, não há óbice para que os atos questionados, caso sejam mantidos, produzam seus efeitos normais, uma vez que a decisão judicial sustava somente os efeitos específicos da exclusão do SIMPLES até a conclusão dos recursos. d) Com o desfecho no âmbito administrativo, não remanescem os efeitos da sentença, ainda que transitada em julgado. 9. A contribuinte deverá ser cientificada acerca do teor da presente Informação Fiscal, em relação à qual poderá haver manifestação no prazo de 30 Fl. 382DF CARF MF 12 (trinta) dias, bem como da Resolução nº 1803000.129 – Turma Especial / 3ª Turma Especial. Ao término do referido prazo, com ou sem manifestação, o processo será remetido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para continuidade do julgamento. Em face da extinção das Turmas Especiais, o presente processo foi redistribuído por sorteio no âmbito desta Turma Ordinária. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. O recurso é tempestivo e preenche aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se deve conhecer. Exclusão do Simples Federal. O presente processo referese a auto de infração de contribuição para o PIS/Pasep relativa aos anoscalendário 2004, 2005 e 2006 e aos 1º e 2º trimestres de 2007. O principal do tributo foi acrescido de juros de mora e multa de ofício de 150%. A exigência decorre da exclusão da recorrente do Simples Federal, que foi objeto de discussão administrativa no processo nº 10925.002074/200878. Quanto a esse processo, já houve decisão administrativa irrecorrível, tendo sido mantida a exclusão. Em face disso, relativamente às alegações veiculadas no recurso, específicas à defesa quanto à exclusão do Simples Federal, a matéria está preclusa, nenhum julgamento sendo mais possível. A título informativo, transcrevese o entendimento esposado no citado processo, conforme abaixo: A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 8 13 a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais. O ato de exclusão foi lavrado por servidores competentes com observância de todos os requisitos legais (Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996). A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional. Assim, o ato de exclusão e a decisão de primeira instância contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. Fl. 384DF CARF MF 14 A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido pertinente ao cumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina no inciso X do art. 170 e no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. Com o escopo de implementar esses princípios constitucionais foi editada a Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, que instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples. No presente caso, a Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/JOA/SC nº 22, de 21.10.2008, fl. 136, com efeitos a partir de 01.12.2003, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: O Delegado da Receita Federal do Brasil em Joaçaba Santa Catarina, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 238 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria Ministerial n° 095, de 30 de abril de 2007, declara: Art. 1°. A pessoa jurídica abaixo identificada fica excluída da sistemática de pagamento de impostos e contribuições de que trata o artigo 3° da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, denominada Simples, face ao disposto nos artigos 9° ao 16 da supracitada lei, observadas as alterações posteriores, e de acordo com o disciplinamento constante da Instrução Normativa SRF n° 608, de 09 de janeiro de 2006, em razão de constituição por interpostas pessoas e prática de atividade vedada, conforme fatos apurados no processo administrativo n° 10925.002074/200878. Art. 2°. Os efeitos da exclusão obedecem ao disposto no artigo 15 e 16 da Lei n° 9.317, de 1996, observadas as alterações posteriores e o disciplinamento constante no art. 24 da Instrução Normativa SRF n° 608, de 09 de janeiro de 2006. Art. 3°. Fica intimada a pessoa jurídica, ainda, de que no prazo de 30 (trinta) dias da ciência deste poderá manifestar, por escrito, sua inconformidade relativamente ao procedimento acima, assegurando, assim, o contraditório e a ampla defesa. Art. 4°. Não havendo manifestação no prazo indicado no artigo anterior a exclusão tomarseá definitiva. Esse procedimento não gera qualquer efeito nos atos constitutivos da Recorrente, tendo alcance tão somente na sistemática de tributação e fundamentase nas justificativas jurídicas constantes no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC nº 351, de 21 de outubro de 2008, fls. 121135: Trata o presente processo administrativo de representação fiscal, de fls. 01 a 06, na qual se informa que a empresa em epígrafe, optante pelo Simples Federal, faz parte de um “grupo” empresarial constituído com o objetivo de segmentar, mediante Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 9 15 prática de simulação, parte de suas atividades e o faturamento, beneficiandose, desse modo, do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido do Simples, tratandose, de fato, tal “grupo”, de uma única empresa, com faturamento global superior aos limites permitidos para ingresso e permanência naquele regime simplificado de tributação. Segundo a mencionada representação fiscal, o pretenso “grupo” empresarial é comandado pelo Sr. José Schazmann e sua esposa, a Sra. Silvana Marques Schazmann, que além de figurarem como únicos sócios da empresa Idugel Industrial Ltda., desde 20/11/1998, exercem também, mediante procuração, a administração das empresas J.S. Máquinas Ltda. ME e K.F. Industrial Ltda. ME (cujo nome original era K.F. Montagens Industriais Ltda. ME). Quanto aos sócios destas duas últimas empresas, todos possuem parentesco de primeiro grau com o Sr. José Schazmann. Figuram como únicas integrantes do quadro societário da empresa J.S. Máquinas Ltda. ME, atualmente, a mãe e a irmã do Sr. José Schazmann, Sra. Elita Schazmann e Sra. Claudia Schazmann Perottoni, respectivamente, tendo a empresa K.F. Industrial Ltda. ME como únicos sócios consignados no contrato social o Sr. Fellipe Marques Schazmann e a Sra. Karinne Marques Schazmann, ambos filhos do Sr. José Schazmann, conforme quadro de fls. 03. Aduzse ainda, na representação fiscal, que as empresas KS Industrial Ltda. ME e J.S. Máquinas Ltda. ME, na prática, são meras fornecedoras de mãodeobra para a empresa Idugel, que concentra quase todo o faturamento e os custos em geral (exceto custos com folha de pagamento, incluindo gastos com matérias primas e outros insumos, como energia, etc.). A fim de se demonstrar a distribuição do faturamento, custos, folha de pagamento, número de empregados registrados por empresa e as relações custos/receita, folha de pagamento/receita, e receita/empregado, incluiuse na representação fiscal um quadro específico (fls. 05 a 06), com dados anuais, para o período de 2003 a 2007. Em tal demonstrativo informase, por exemplo (fls. 05), que a empresa Idugel registra apenas dois empregados, em média, nos últimos três anos (2005 a 2007), e entre três e quatro empregados, nos anos de 2003 e 2004. A respeito da contabilidade das empresas envolvidas, relatase, na representação fiscal, a ocorrência de vários pagamentos “cruzados”, ferindose o princípio contábil da entidade, ou seja, “quando não havia recursos financeiros para pagar os compromissos assumidos por uma das empresas, simplesmente utilizavam os recursos da outra, como se na verdade fosse uma única empresa com diversas contas bancárias” (fls. 04). Fl. 386DF CARF MF 16 São tecidas ainda outras considerações sobre as práticas contábeis e econômicas das empresas mencionadas, tendo sido anexadas cópias de documentos contábeis para exemplificação de tais práticas. Como fundamentos legais para a exclusão, no caso do Simples Federal, apontamse, na representação fiscal, o art. 14, inciso IV, da Lei n° 9.317/96, dispositivo que trata da constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas, e o art. 9°, inciso XIII, da mesma lei, que estabelece vedação à atividade de prestação de determinados serviços profissionais. Concluise, na representação fiscal, que a pessoa jurídica K.F. Industrial Ltda. ME não poderia ter optado pelo Simples Federal, nem pelo Simples Nacional, representandose, ao final, para a exclusão da empresa de ambos os regimes de tratamento diferenciado. [...] Em consonância com o Parecer SACAT n° 351, de 21 de outubro de 2008, que aprovo, e fazendo uso da competência delegada pelo artigo 238, inciso II, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 095, de 30 de abril de 2007, com fundamento nos artigos 9°, XII, “f”; 14, IV; e 15, V, da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, e com observância dos artigos 20, XI, “e”; 22, II, “a”; 23, I e IV; e 24, VII, da Instrução Normativa SRF n° 608, de 9 de janeiro de 2006, determino a exclusão da pessoa jurídica em epígrafe do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), instituído pela supracitada Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, com efeitos a partir do dia 01/12/2003. No que se refere à interposição de pessoas, a Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, determina: Art. 14. A exclusão darseá de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em qualquer das seguintes hipóteses: [...] IV constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas, ou o titular, no caso de firma individual; A interposição de pessoas consiste em uma pessoa, que não é a titular dos interesses em causa, praticar um ato jurídico no lugar daquela que é a verdadeiro titular desses direitos. Esse instrumento pode ser utilizado para criação de pessoas jurídicas com o intuito formação de grupo econômico, mediante procuração com outorga de amplos poderes em que é nomeado como procurador o real titular dos interesses e sócio de uma delas para gerir e administrar todos os negócios concernentes às demais pessoas jurídicas integrantes. Considerase a existência de grupo econômico de fato quando duas ou mais pessoas jurídicas encontramse sob a direção, o controle ou a administração de uma delas. A constituição de várias pessoas jurídicas, que ocupam um espaço físico contíguo, desenvolvem objeto social similar, utilizam os mesmos colaboradores e maquinários e, cujos sócios possuem grau de parentesco ou afinidade entre si, objetivando reduzir custos, usufruir tributação privilegiada e distribuir receitas, caracteriza constituição de grupo econômico de fato e impede a opção pelo Simples. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 10 17 Consta no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC nº 351, de 21 de outubro de 2008, fls. 121135, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: O presente Parecer Sacat tratará somente da exclusão do Simples, regime diferenciado e favorecido instituído pela Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, atualmente conhecido como Simples Federal. A exclusão do Simples Nacional, regime de que trata a Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, será apreciada no processo administrativo n° 10925.002253/200813, originário do presente processo. A trajetória da J.S. Máquinas Ltda. ME e sua exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional, foram abordadas, respectivamente, nos processos administrativos n° 10925002073/200823 e 10925.002252/200861. A Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, ao instituir e disciplinar o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, restringiu o universo de empresas aptas a aderir ao mesmo. Tais limitações tiveram como escopo não apenas vedar o acesso de empresas cujas características tomam prescindíveis qualquer tratamento tributário privilegiado, mas também impedir que empresas inicialmente inaptas a aderir ao Simples utilizem meios transversos para adquirir a legitimidade necessária à opção. No caso em tela, constatase com clareza que a criação da pessoa jurídica em epígrafe é o coroamento de uma movimentação orientada a manter sob o total controle do Sr. José Schazmann, e de sua esposa, Sra. Silvana Marques Schazmann, três pessoas jurídicas, com aparência de empreendimentos econômicos distintos, que formariam um pretenso “grupo” empresarial, o qual, na verdade, consiste em uma única empresa de fato, a Idugel Industrial Ltda., e duas empresas simuladas, sem autonomia econômica ou administrativa, as já citadas K.F. Industrial e J.S. Máquinas, mantidas na forma de pessoas jurídicas individualizadas, fundamentalmente para se proceder à segmentação artificial das atividades, do faturamento, e da contratação da mãodeobra do “grupo”, com o fim de se reduzir o pagamento de tributos apuráveis na forma do Simples Federal, especialmente as contribuições previdenciárias patronais, manipulandose contabilmente os gastos com mãode obra, alocados em sua quase totalidade às empresas simuladas, optantes do Simples Federal até 01/07/2007, e mantendoas com faturamento dentro dos limites para opção, uma vez que as receitas auferidas pelo “grupo” , como um todo, ultrapassam sistematicamente os limites para opção e permanência no Simples Federal, o que, em condições normais, impediria o Fl. 388DF CARF MF 18 ingresso do empreendimento, como empresa única, no citado regime diferenciado de tributação. Enquanto a J.S. Máquinas teve suas atividades incorporadas, na prática, pela Idugel Industrial Ltda., após ter sido aparentemente fundada como empresa de constituição autônoma, conforme constatado nos processos n° 10925.002073/200823 e 10925.002252/200861, a K.F. Industrial já nasceu sob o comando do Sr. e da Sra. Schazmann, quando estes já eram os únicos donos da Idugel e da J.S., sendo que, desta última, como proprietários de fato da pessoa jurídica, constituída, então, por interpostas pessoas, época em que a J.S., enquanto empreendimento econômico autônomo, já não passava de uma ficção. Por economia processual transcrevemos abaixo um trecho do Parecer Sacat n° 341/2008, desta DRF/JOASC, integrante do processo n° 10925.002252/200861, no qual analisamos a evolução societária da empresa Idugel e da pessoa jurídica J.S., bem como a questão de passarem ambas a ter sede no mesmo endereço comercial, assim como a K.F.. Isto propiciará o entendimento sobre a constituição do pretenso “grupo” empresarial. Em seguida, incluiremos considerações adicionais sobre o surgimento da K.F., no mesmo contexto. Assim nos pronunciamos no referido Parecer Sacat n° 341/2008: “..constatase com clareza que, pelo menos a partir de determinado momento, a pessoa jurídica em epígrafe perdeu, se é que possuía, sua autonomia como entidade empresarial, passando a ter suas atividades incorporadas pela empresa Idugel Industrial Ltda. A partir de tal momento, a empresa J.S. Máquinas Ltda. ME assumiu existência apenas no campo formal, uma ficção, sob os aspectos econômico, contábil, administrativo, operacional e societário, desde então constituída por interpostas pessoas, da inteira confiança dos proprietários da Idugel Industrial Ltda., beneficiandose indevidamente, esta última (Idugel), pelo fato de acometer artificialmente à pessoa jurídica J.S. Máquinas Ltda. ME, no regime diferenciado, a responsabilidade por significativa parcela dos tributos com os quais normalmente teria que arcar, especialmente as contribuições previdenciárias, uma vez que o faturamento da única empresa de fato (Idugel), do pretenso “grupo” empresarial, ultrapassa sistematicamente os limites para ingresso e permanência no Simples Federal. Notase uma incontestável movimentação visando a que se submetesse o controle administrativo da empresa J.S. Máquinas Ltda. ME ao casal que atualmente domina com exclusividade a composição societária da empresa Idugel Industrial Ltda., o Sr. José Schazmann e sua esposa, Sra. Silvana Marques Schazmann. Tal controle administrativo, sobre a J.S. Máquinas, vem sendo exercido tanto de fato, segundo constatou a fiscalização da RFB, quanto formalmente, em virtude dos amplos poderes conferidos ao casal para “gerir e administrar" a J.S. Máquinas Ltda. ME, segundo procuração de fls. 07 a 10. Também se cuidou para que o contrato social da J.S. Máquinas Ltda. ME evoluísse de modo a manter como únicos sócios Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 11 19 formais parentes de primeiro grau do Sr. José Schazmann, o que reforça a intencionalidade de se atribuir o controle absoluto desta pessoa jurídica à vontade do casal detentor de todos os poderes para administrála. A dinâmica da composição societária da J.S. Máquinas Ltda. ME demonstra que desde sua constituição original, em 15/01/1997, o Sr. José Schazmann já estava em seu comando, como sócio fundador, ao lado de sua mãe, Sra. Elita Schazmann. Observase que o Sr. Schazmann optou por se retirar formalmente do quadro societário da empresa em epígrafe (J.S. Máquinas) para ingressar, juntamente com sua esposa, em 22/09/1997, no quadro societário da Idugel Industrial Ltda., criada em 06/02/1995. Pouco mais de um ano após o ingresso do casal na sociedade empresarial Idugel Industrial Ltda., ou seja, a partir de 20/11/1998, o Sr. e a Sra. Schazmann se tornaram oficialmente proprietários exclusivos das cotas societárias daquela empresa (Idugel), na mesma data em a J.S. Máquinas Ltda. ME passou a ter como sócias formais, exclusivamente, a mãe do Sr. Schazmann, e uma irmã deste, a Sra. Claudia Schazmann. Ao lado desta movimentação societária, verificase que a partir do ingresso do casal Schazmann no quadro societário da Idugel, em 22/09/1997. a J.S. deixou de ter sede própria, alterandose o endereço de sua sede, no contrato social, para o mesmo endereço no qual a Idugel passara a funcionar dois meses antes. na Av. Caetano Natal Branco. 3800. Centro. Joacaba/SC. conforme primeira alteração contratual da J.S., de 22/09/1997 (fls. 15 a 18), e alteração contratual da Idugel, de 31/07/1997 (fls. 28 a 30). Atualmente as duas pessoas jurídicas têm como endereço o imóvel situado na BR 282, Km 385, Trevo Oeste, Acesso Adolfo Ziguellí, Joaçaba/SC. Segundo os respectivos contratos sociais, a Idugel ocuparia o Bloco A, enquanto a J.S. Máquinas estaria instalada no Bloco B deste imóvel. Contudo, segundo constatou a fiscalização da RFB, esta pequena diferença é apenas formal. Para se ter uma ideia mais clara do grau de simulação da existência de um “grupo” formado por três empresas distintas, vale destacar, quanto à localização destas, o seguinte relato da fiscalização da RFB, às fls. 04 da representação de fls. 01 a 06, com alguns grifos nossos: “No mesmo imóvel situado na BR 282, Km 385, Trevo Oeste, Acesso Adolfo Ziguellí, Joaçaba/SC, funcionam as empresas IDUGEL INDUSTRIAL LTDA. e J.S. MÁQUINAS LTDA. Embora a empresa K.F. MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA. indique em seu contrato social e alterações ter como endereço a Rua Almirante Barroso, 592, Bairro Tobias, Joaçaba/SC, trata se na verdade de um endereço residencial, o mesmo das Senhoras Elita Schimidtz Schazmann e Cláudia Schazmann Perottoni, sócias da empresa J.S." Fl. 390DF CARF MF 20 (...) “A cessão de mãodeobra fica claramente caracterizada uma vez que as empresas envolvidas, JS e IDUGEL, ocupam o mesmo espaço físico de trabalho e têm seu pessoal subordinado ao comando das mesmas pessoas." (...) “As empresas IDUGEL, J.S. e K.F., na verdade, funcionam num mesmo estabelecimento, com empregados formalmente vinculados a elas, com uniforme contendo a descrição 'GRUPO IDUGEL', trabalhando sob a administração de um mesmo empregador. Portanto, a supremacia dos fatos revela tratarse de uma só empresa." A K.F. Industrial Ltda. ME, conforme elementos a seguir abordados, foi constituída no mesmo contexto e com os mesmos objetivos que orientaram a movimentação societária da J.S. Máquinas Ltda. ME, que culminou na atual constituição desta última. A diferença é que a J.S. passou por um processo de depuração de seus sócios formais, e mudança do endereço de suas instalações, até ser completamente absorvida, de fato, pela Idugel Industrial Ltda., conforme transcrição acima. De outro modo, a K.F. já nasceu, como dissemos, sob completo controle do casal Schazmann, com sede no mesmo endereço das outras duas pessoas jurídicas, em que pese o endereço consignado em seu contrato social ser o endereço residencial das Senhoras Elita Schimidtz Schazmann e Cláudia Schazmann Perottoni, segundo relata a fiscalização da RFB, na representação fiscal (fls. 04). O controle da K.F. pelo Sr. José Schazmann tornase evidente por todas as circunstâncias verificadas e, especialmente, pelo fato de que seus atuais sócios formais, além de serem seus filhos, ingressaram na sociedade antes de completarem a maioridade civil, representados, nos respectivos atos de subscrição de cotas, pelo próprio Sr. José Schazmann, de modo coerente com a estratégia de nomear somente parentes muito próximos como sócios das pessoas jurídicas do pretenso “grupo” empresarial, mantendo para si e sua esposa, Sra. Silvana Marques Schazmann, amplos poderes para “gerir e administrar”, conferidos por procuração, conforme fls. 14. Até este ponto, analisamos a movimentação societária e a evolução da localização das pessoas jurídicas K.F. Industrial Ltda. ME, J.S. Máquinas Ltda. ME e Idugel Industrial Ltda., principalmente a partir de informações extraídas de seus contratos sociais. Abordamos também a questão do controle administrativo daquelas pessoas jurídicas. São elementos que corroboram o entendimento de que a constituição da pessoa jurídica K.F. Industrial Ltda. ME como uma empresa autônoma é simulada, e que esta constituição fictícia conta com a participação de pessoas interpostas pelos proprietários da empresa Idugel. Contudo, tais elementos não devem ser isoladamente considerados, e sim em conjunto com as demais informações trazidas na representação fiscal que inaugurou o presente processo administrativo. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 12 21 A questão central do caso em apreço é a caracterização da simulação, conforme descrito na representação fiscal; se tal simulação é motivo para exclusão do Simples Federal, sob quais fundamentos, e com efeitos a partir de qual momento. Para tanto, tornase importante a análise do quadro demonstrativo incluído na representação fiscal, fls. 05, que relaciona dados contábeis referentes aos exercícios financeiros de 2003 a 2007. Neste demonstrativo foram separados os custos com folha de salários dos demais custos, estes na coluna “Total Custos” que incluem principalmente insumos, inclusive matériasprimas, energia, etc., podendo englobar também outros custos operacionais. Quanto ao objeto social da K.F., vale ressaltar que embora seu nome original fosse K.F. Montagens Industriais Ltda., que sugere serviços de montagem, alterado para o nome atual, K.F. Industrial Ltda. ME (fls. 35), mais identificado com a produção fabril, somente após a segunda alteração contratual, de 03/08/2007 (fls. 42), observase que desde sua constituição original está presente em seu objeto a “fabricação” de máquinas e equipamentos industriais. Apenas no período de 26/04/2007 (primeira alteração contratual, fls. 34) a 03/08/2007 (segunda alteração contratual, fls. 42) foi suprimida do objeto social a referência à atividade fabril, conforme as respectivas cláusulas de fls. 20, 28 e 36. Portanto, somente durante pouco mais de três meses a referência foi suprimida. Este detalhe formal (presença da referência da atividade fabril no objeto social) apenas vem reforçar a análise ora desenvolvida. Por outro lado, a ocorrência de período com supressão da atividade fabril no contrato social não tem o condão de provocar qualquer impacto na presente análise, frente a todos os elementos levantados, que comprovam a simulação de atividade empresarial autônoma para a K.F. Industrial Ltda. ME. Verificase, desse modo, que os objetos sociais das pessoas jurídicas K.F. Industrial Ltda. ME e Idugel Industrial Ltda., registrados em seus respectivos contratos sociais, são muito semelhantes, podendose afirmar que se trata do mesmo ramo de atividades, que envolve, essencialmente, a fabricação, o comércio, a instalação e a manutenção de máquinas e equipamentos industriais. Operando sob a mesma administração, no mesmo local e no mesmo ramo de negócios, nada indica serem verossímeis as discrepâncias detectadas para os percentuais anuais da relação custos/receita das duas empresas. Nos exercícios financeiros de 2004 e 2005, por exemplo, mesmo registrando receitas entre R$123.705,30 e R$266.623,09, a K.F. não registrou sequer um centavo de real a título de custos, evidenciando sua total ausência de autonomia empresarial. Ainda que as receitas referidas hajam tido como contrapartida apenas a prestação de serviços de montagem, que demandariam principalmente custos com mãodeobra, notase a injustificável ausência de custos com aluguel da sede administrativa, energia Fl. 392DF CARF MF 22 elétrica, telefone, água, etc. Mesmo em 2003 quando não houve registro de receita, tais custos operacionais deveriam ter sido contabilizados, caso houvesse intenção de se construir uma atividade empresarial de fato. Concluise que a K.F. não registrou tais custos simplesmente em razão de não haver distinção, na prática, entre sua atividade e a atividade da empresa Idugel, do modo como afirma a fiscalização da RFB. Embora no exercício financeiro de 2006 o percentual custos/receita da K.F. (24%) mostrese compatível com o da Idugel (34%), segundo os registros contábeis compilados no demonstrativo, observase que em para uma receita de apenas R$8.298,04, a K.F. registrou custos não salariais de R$204.689,36, elevando o percentual custos/receita da K.F. para extraordinários 2.467%, contra 16% da Idugel. Mais uma vez, não se encontra substrato para a existência de uma atividade empresarial real da K.F. Já para a relação folha de pagamento/receita, no período 2004 a 2007, comparandose as duas empresas, as discrepâncias alcançam patamares ainda mais absurdos, variando entre 1 e 2%, para a Idugel, e situandose entre 93 e 3.656%, no caso da K.F. São números que causam perplexidade. Importante também ressaltar que no ano de 2003, mesmo sem contabilizar receita, a K.F. manteve, em dois meses de funcionamento, o número médio mensal de 4 empregados contratados, que corresponde ao mesmo número médio de empregados da Idugel, contingente supostamente capaz de propiciar a geração da receita de R$1.164.065,76. O que chama mais à atenção, no referido quadro de fls. 05, efetivamente, são os valores relativos aos números de empregados. A maior prova isolada de que ocorre a simulação da existência de atividades empresariais autônomas, em nosso entendimento, é a informação contábil de que a Idugel, com apenas dois a quatro empregados (médias mensais) nos exercícios financeiros de 2004 a 2007, conseguiu obter um faturamento anual na ordem de aproximadamente R$ 1 a 5 milhões, ao passo que a K.F., no mesmo ramo de atividade, no mesmo local, e sob a mesma administração, precisou de 15 a 25 empregados (médias mensais) para obter um faturamento da ordem de apenas R$8 a 266 mil anuais. Verificase que estas discrepâncias tomaramse progressivamente mais profundas, chegandose a registrar para a K.F., em para uma receita de apenas R$62.482,54, a manutenção de vinte e cinco empregados contratados, em média, e custos salariais anuais de R$268.821,85, equivalentes a 430% da receita. O auge desta progressão ocorre em 2007, com receita de R$8.298,04, custos (exceto salários) de R$204.689,36 (2.467%), salários de R$303.340,20 (3.656%) para um número médio de vinte e quatro empregados. Desse modo, os dados tomam óbvio que a Idugel utiliza para obtenção de sua receita, os empregados contratados pela K.F. Industrial Ltda. ME. Conjugados com os demais, já Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 13 23 mencionados, são extremamente reveladores de que ambas as empresas, de fato, atuam como uma só, juntamente com a J.S. Máquinas Ltda. ME, com faturamento total superior ao permitido para ingresso e permanência no Simples Federal (mesmo que não considerados os faturamentos da K.F. e da J.S.). Estes dados (e outros apresentados no mesmo quadro de fls. 05) comprovam a informação da fiscalização da RFB de que a Idugel concentra o faturamento com vendas, enquanto as outras pessoas jurídicas do “grupo” (inclusive a K.F.) assumem a maior parte dos gastos com mãodeobra, com consideráveis vantagens tributárias, em razão de sua inclusão no Simples. especialmente com relação às contribuições previdenciárias patronais. Ocorre que outras informações trazidas pela fiscalização devem, ainda, ser levadas em conta. É também muito reveladora a informação incluída na representação fiscal, de que as empresas, além de ocuparem o mesmo espaço físico, têm seu pessoal subordinado ao comando das mesmas pessoas, trabalhando com o mesmo uniforme, com a inscrição “Grupo Idugel”. Além disso, e não menos importante, os setores administrativos (financeiro, pessoal, etc.) atendem indistintamente às duas empresas. Verificou a fiscalização, também, a ocorrência de diversos pagamentos cruzados por meio da utilização frequente de contas bancárias de uma pessoa jurídica para pagar despesas de outra, ostensivamente, ferindo se o princípio contábil da entidade, princípio reconhecido como essencial para caracterizar a autonomia de uma empresa em relação a seus sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou em relação a outras empresas do mesmo grupo empresarial. Foram incluídas no presente processo diversas cópias de documentos que comprovam as práticas contábeis acima descritas, as quais agridem frontalmente o princípio contábil da entidade (fls. 07 a 13 e 82 a 115). Em virtude dos argumentos e documentos trazidos aos autos pela fiscalização da RFB, consideramos fartamente provada a simulação da existência de empresas distintas e autônomas. Na representação fiscal, de fls. 01 a 06, como fundamento para a exclusão do Simples Federal, apontase o art. 14, inciso IV, da Lei n° 9.317/96. [...] No caso em tela, encontrandose o patrimônio da empresa K.F. Industrial Ltda. ME, bem como os empregados contratados em seu nome, flagrantemente subordinados à direção e aos interesses econômicos dos sócios e administradores da empresa Idugel Industrial Ltda., concluise que a empresa K.F. Industrial Ltda. ME, não se constituindo como entidade empresarial autônoma, no mundo real, pertence, de fato, aos sócios da empresa Idugel Industrial Ltda., ou à própria Idugel, como sócia pessoa jurídica. Fl. 394DF CARF MF 24 As evidências comprovam amplamente, em nosso entendimento, que a K.F. Industrial Ltda. ME destinase apenas, como pessoa jurídica formalmente constituída, a que a Idugel Industrial Ltda., através dela, possa beneficiarse do Simples, não se constituindo de fato a J.S. como empresa, o que exigiria um propósito econômico próprio, hipótese incompatível com todos os dados já discutidos. Logo, segundo apontam as evidências, as pessoas que figuram formalmente como sócias da K.F. Industrial Ltda. ME, em seu contrato social, não são, na realidade, sócios verdadeiros desta pessoa jurídica, não a dirigem por meio de sua própria iniciativa, nem exercem atividade empresarial de fato. Pelo exposto, concluímos que se enquadra perfeitamente, a situação em apreço, no art. 14, inciso IV, da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996. Restou evidenciado que a Idugel Industrial Ltda tem com sócios Silvana Marques Schazmann e José Schazmann, que foram nomeados os bastantes procuradores com poderes amplos para gerir e administrar todos os negócios concernentes a Recorrente. Por seu turno, a Recorrente tem como sócios Fellipe Marques Schazmann e Karine Marques Schazmann, ambos filhos de José Schazmann, conforme consta expressamente no Contrato Social e alterações e no Instrumento Público de Procuração. Temse que a Idugel Industrial Ltda e a Recorrente têm objetos sociais similares, são domiciliadas em espaços físicos contíguos e ainda utilizam empregados, em cujos uniformes está estampado o logotipo do “Grupo Idugel”. As despesas incorridas e as receitas auferidas se confundem com aquelas da Idugel Industrial Ltda de modo a afastar a entidade e a autonomia patrimonial. Todos esses elementos estão efetivamente comprovados nos autos e explicitados minuciosamente de maneira clara, explícita e congruente no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC e no Ato Declaratório de Exclusão formando um conjunto probatório robusto da constituição de um grupo econômico de fato por intermédio do instrumento de interposição de pessoas, o que impede a opção pelo Simples. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. Atinente à locação de mão de obra, a Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, prevê: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica:[...] XII que realize operações relativas a: [...] f) prestação de serviço de vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; Para elucidar, cabe mencionar excertos da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que dispõe: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5° do art. 33 desta Lei. [...] Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 14 25 § 3ª Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4º Enquadramse, na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974. Atinente à realização de operações relativas à locação de mãodeobra, o seu pressuposto básico é a utilização do trabalho alheio. A empresa fornecedora pode se limitar ao fornecimento da mão de obra e assumir a obrigação de contratar os trabalhadores, sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico. Dessa forma, tornase a responsável pelo vínculo empregatício e pela prestação dos serviços, muito embora os trabalhadores sejam colocados à disposição da contratante, que detém o comando das tarefas, fornece os equipamentos, bem como fiscaliza a execução e o andamento dos serviços. Há ainda as operações nas quais o objeto contratado identificase com a apresentação de um resultado. A empresa contratada associase com a finalidade de apresentar um resultado específico, obra ou serviço. Ela obrigase a fazer alguma coisa para uso ou proveito da contratante, fica responsável pelo fornecimento da mão de obra necessária à produção desta coisa, objeto da contratação, assume o ônus relativo à fiscalização, orientação e planejamento dos trabalhos, e também a gestão do risco de apresentação do resultado, que pode ser uma obra completa ou a prestação de um serviço, ambos perfeitamente identificados como produto final. Se o recurso fornecido pela contratada é exclusivamente a mãodeobra, esta modalidade de contratação também é impeditiva da inscrição nos sistemáticas. Outra possibilidade reúne a colocação da mão de obra à disposição da contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, para a realização de serviços em condições de continuidade e habitualidade. Tem cabimento a aplicação subsidiária da Consolidação das Leis do Trabalho que determina: Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. [...] Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Fl. 396DF CARF MF 26 Neste sentido, os sujeitos do contrato de trabalho são: o empregador que assume o risco da atividade econômica, ou seja, não pode transferir os custos decorrentes do empreendimento, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços, bem como detém o poder de direção, organização, fiscalização, regulação, controle e disciplina advindos da relação jurídica com seus empregados; o empregado é a pessoa física que realiza pessoalmente a operação relativa à prestação de serviços, com habitualidade, subordinação e mediante contraprestação. Assim, podese inferir que a pessoa jurídica que não assume o risco da atividade econômica, ou seja, transfere os custos decorrentes do empreendimento realiza operação relativa à locação de mão de obra. Consta no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC nº 351, de 21 de outubro de 2008, fls. 121135, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Por outro lado, em razão de tudo o que foi apurado, chegase à conclusão de que estas duas pessoas jurídicas são mantidas nesta condição, pelos seus verdadeiros controladores, primordialmente para a contratação de empregados em nome destas entidades jurídicas, K.F. e J.S., a fim de que esta força de trabalho seja cedida e se mantenha à disposição da única empresa de fato do pretenso “grupo” empresarial, a Idugel Industrial Ltda.. A atividade de cessão ou locação de mãode obra realizada por uma empresa também constitui motivo impeditivo à opção ou permanência no Simples Federal, conforme dispõe o art. 9°, inciso XII, alínea “f”, da Lei n° 9.317, de 1996. Ainda que a K.F. Industrial Ltda. ME exercesse atividade econômica autônoma, esta seria, em grande medida, a de fornecer mãodeobra para a empresa Idugel Industrial Ltda., visto que, segundo seus próprios registros, os gastos da K.F. com mãodeobra mostramse extremamente exagerados e incompatíveis com seu faturamento, ainda mais quando comparados aos números da Idugel Industrial Ltda. (fls. O5), conforme já abordado. Desse modo, mesmo se considerarmos apenas os registros contábeis da K.F. Industrial Ltda. ME, abstraindonos da questão da simulação da existência de atividades empresariais distintas, entre esta empresa e a Idugel Industrial, ainda assim, entendemos que fica caracterizada a incidência em vedação ao Simples Federal, também com fundamento no art. 9°. inciso XII. alínea “f". da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996 (cessão de mãodeobra. Portanto, o exame conjunto dos dispositivos legais supracitados e dos documentos mencionados leva à conclusão da impossibilidade da permanência da pessoa jurídica K.F. Industrial Ltda. ME no Simples Federal. Os documentos constantes nos autos evidenciam que a Recorrente realiza operação relativa à locação de mão de obra, uma vez que não assume o risco e não se responsabiliza pela atividade econômica, ou seja, as despesas incorridas e as receitas auferidas se confundem com aquelas da Idugel Industrial Ltda de modo a Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 15 27 afastar a entidade e a autonomia patrimonial, bem como seus empregados usam uniformes com o logotipo do “Grupo Idugel”. Todos esses elementos estão efetivamente comprovados nos autos e explicitados minuciosamente de maneira clara, explícita e congruente no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC e no Ato Declaratório de Exclusão formando um conjunto probatório robusto da constituição de um grupo econômico por intermédio do instrumento de interposição de pessoas, o que impede a opção pelo Simples. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. Relativamente aos efeitos da exclusão, a Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, prevê: Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção; II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; [...] Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: [...] IV constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual; [...] Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] II a partir do mês subsequente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9º desta Lei. [...] V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. [...] Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. No presente caso o ato de exclusão surte efeito a partir da ocorrência das situações excludentes ainda que coincida com a data do início das atividades, termo a partir do qual fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1124507/MG, cujo trânsito em julgado ocorreu em 16.06.20107 e que deve ser Fl. 398DF CARF MF 28 reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF8. Esclareçase que o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagem à data da efetiva ocorrência da situação excludente. Consta no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC nº 351, de 21 de outubro de 2008, fls. 121135, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Superada a questão do cabimento da exclusão, parecenos que o próximo ponto a ser enfrentado reside na data de início dos efeitos desta exclusão. Considerando que as informações analisadas, entendemos que os elementos que constam do presente processo permitem caracterizar de forma plena a ocorrência das referidas situações de exclusão a partir da abertura da pessoa jurídica K.F. Industrial Ltda. ME, tendo sido iniciados os efeitos da opção pelo Simples Federal em 01/12/2003. Definido que desde a sua constituição inicial é possível caracterizar plenamente a ocorrência de situações de exclusão do Simples Federal, com base nos documentos incluídos no processo, importante trazer à baila o disposto nos artigos 20, 22, 23 e 24 da Instrução Normativa SRF n° 608, de 09 de janeiro de 2006, que ora transcrevemos [...] Uma vez que restou plenamente comprovada no presente processo, a nosso juízo, a ocorrência do fato mencionado no inciso IV, do art. 23, acima transcrito, desde o ingresso da pessoa jurídica no Simples Federal, e sendo este fato o principal e mais grave motivo para a exclusão, entendemos que prevalece a regra do inciso VII. do art. 24, da IN SRF n° 608/2006, acima reproduzido, incluindose, quanto aos efeitos da exclusão do Simples Federal. o mês de dezembro de 2003. As situações impeditivas de opção pelo Simples de interposição de pessoas para formação de grupo econômico e de locação de mão de obra estão efetivamente evidenciadas nos autos desde o início das atividade da Recorrente. Por essa razão os efeitos da exclusão do Simples desde 01.12.2003 está correta. A contestação proposta pela defendente, dessa maneira, não se confirma. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso9. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade10. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 16 29 março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Lançamento de ofício. No que tange ao lançamento a que se refere o presente processo, foi alegado: a cobrança de tributos de forma retroativa tem efeitos confiscatórios; não houve ilícito praticado pelo contribuinte para a exclusão, pelo que é ilegítima a cobrança retroativa de tributos à época da vedação, acrescidos de multa e juros; "foi emitido auto de infração calculado no valor do próprio tributo, o que é vedado"; "possuindo, o auto de infração e a notificação fiscal de lançamento de débito, naturezas jurídicas distintas, não há corno admitir a utilização de uma no lugar da outra"; "não há, como narrado, consignada a penalidade aplicada e sua gradação, nem a disposição legal infringida"; há cerceamento do direito de defesa, "na medida que ainda pendentes intimações fiscais objeto de impugnações administrativas não decididas"; o auto de infração é nulo, pois fundamentado no artigo 149, inciso VII, do CTN e, no entanto, não houve qualquer revisão efetuada por superior hierárquico ao autuante; operouse a decadência quanto às parcelas anteriores a janeiro de 2004, nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez ter decorrido mais de cinco anos entre o fato gerador e a ciência quanto ao auto de infração; não houve fraude, pelo que impossível a manutenção do lançamento, pois ausente a hipótese legal do artigo 149, inciso VII, do CTN; deve ser aplicado ao caso o artigo 112 do CTN, cancelandose o lançamento em tela; é nulo o auto de infração, em face do não aproveitamento dos pagamentos efetuados segundo a sistemática do Simples, mas que podem ser decompostos para cada rubrica específica; "não há como aplicar multa qualificada, eis que ausente qualquer demonstração de má fé ou fraude no caso em tela, como já fundamentado anteriormente". É requerida a produção de prova oral, cujo rol será apresentado oportunamente. No que tange à cobrança retroativa de tributos e o alegado efeito confiscatório, temse que, enquanto não decaído o direito da Fazenda Pública, pode haver o Fl. 400DF CARF MF 30 lançamento de tributos. E, ocorrida a exclusão retroativa do contribuinte do Simples, tal cobrança é dever de ofício, nos termos do artigo 142 do CTN, uma vez que a sistemática de tributação nos períodos passa a ser outra, mais gravosa que a do Simples. Quanto ao alegado efeito confiscatório, havendo lei devidamente editada e em vigor determinando a cobrança, não cabe a esse colegiado a análise da conformidade de tal norma em face de princípios constitucionais, ante ao princípio da legalidade objetiva que rege o lançamento tributário e o julgamento administrativo deste, nos termos da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A decadência também foi alegada quanto às parcelas anteriores a janeiro de 2004, nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez ter decorrido mais de cinco anos entre o fato gerador e a ciência quanto ao auto de infração. Como pode ser visto no auto de infração de fls. 3 a 16, o primeiro período autuado foi o mês de abril de 2004, pelo que não tem substância a alegação. A título de esclarecimento, temse que a ciência, pessoal, quanto ao lançamento ocorreu em 28 de janeiro de 2009. Considerandose a aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN, como invocado pela própria recorrente, o lançamento relativo a abril de 2004 poderia ser efetuado em maio desse mesmo ano. Assim, o prazo decadencial iniciouse em 1º de janeiro de 2005, com termo final em 31 de dezembro de 2009. Portanto, não se operou a decadência quanto a nenhum dos períodos considerados para o lançamento de ofício. Alegouse ainda a nulidade porque "foi emitido auto de infração calculado no valor do próprio tributo, o que é vedado". Ainda, "possuindo, o auto de infração e a notificação fiscal de lançamento de débito, naturezas jurídicas distintas, não há corno admitir a utilização de uma no lugar da outra" e, "não há, como narrado, consignada a penalidade aplicada e sua gradação, nem a disposição legal infringida". Quanto a tais alegações, não se vislumbra qualquer irregularidade, pelo que nulidade não ocorreu. O tributo lançado de ofício foi devidamente calculado, conforme pode ser visto no Termo de Verificação Fiscal de fls. 17 a 31, aplicandose a multa no percentual de 150% previsto na legislação. A descrição das infrações e as indicações dos dispositivos legais relativos às infrações e à multa aplicada constam do auto de infração e do Termo de Verificação Fiscal. Aduz ainda a recorrente que é nulo o auto de infração, em face do não aproveitamento dos pagamentos efetuados segundo a sistemática do Simples, mas que podem ser decompostos para cada rubrica específica. Quanto a essa questão, basta uma simples consulta ao Termo de Verificação Fiscal (fls. 26 e 27) para se constatar a impropriedade da alegação. Consta ali o cálculo do tributos com o desconto quanto aos valores já pagos na sistemática do Simples: Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 17 31 Argumentou a recorrente que deve ser aplicado ao caso o artigo 112 do CTN, cancelandose o lançamento em tela. Ocorre que tal dispositivo referese à interpretação de leis que definem infrações ou cominam penalidades e, ainda, no caso de dúvidas existentes quanto aos casos enumerados nos incisos do referido artigo. Como se viu e, também, como restará consignado abaixo, não se está diante de nenhuma dúvida quanto à infração cometida, pelo que não é aplicável ao caso o dispositivo em tela. No que tange à produção de prova oral, não há disposição legal que a permita. No entanto, como evidenciado no voto da decisão de piso, os depoimentos de testemunhas poderiam ser reduzidos a termo que deveriam ter sido carreados junto com a impugnação, sem prejuízo da sustentação oral da recorrente ou de seu representante legal no decorrer do julgamento do recurso voluntário, nos termos do artigo 58, inciso II, do RICARF. Quanto às demais alegações, no voto condutor da decisão de piso elas são abordadas com propriedade, pelo que se transcreve abaixo excerto desse voto, cujas conclusões são adotadas como razões de decidir: 2 — NULIDADES Inicialmente, quanto à nulidade do lançamento, o disposto no PAF, art. 59, tratando das hipóteses de nulidade, assim estabelece: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso, não ocorreram aquelas irregularidades. O auto de infração foi lavrado por pessoa competente e não se constata cerceamento ao direito de defesa da contribuinte. A descrição dos fatos, os cálculos nela demonstrados e a capitulação legal contida no auto de infração foram suficientes para que a contribuinte pudesse Fl. 402DF CARF MF 32 exercer seu direito de defesa. Além disso, não cabe falar em cerceamento do direito de defesa quando não comprovado o prejuízo ao contribuinte e este se mostra conhecedor do motivo da autuação. Não procede o argumento de que foram apresentadas defesas ao ato de exclusão do Simples, motivo que não seria possível intimações ficais e lançamento dos tributos por regime diverso do Simples. Também não há previsão para impugnação administrativa de intimações fiscais, pois o procedimento fiscal é inquisitório, só se iniciando o contraditório e a defesa após o lançamento tributário. Nos termos do art. 15, § 3º, da Lei n° 9.317/96, a exclusão de oficio darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. Prescreve, ainda, o art. 16 da Lei n° 9.317/96 que a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Assim, a manifestação de inconformidade da exclusão do Simples não impede que a Administração Tributária lance os créditos tributários apurados nos termos das normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, entretanto, como mencionado no relatório fiscal, referido lançamento tem o objetivo de se prevenir a decadência dos valores apurados, tendo sua exigibilidade suspensa enquanto não julgadas as manifestações de inconformidade de exclusão do Simples. Da mesma forma, improcede a argumentação de nulidade sob argumento de que o art. 149 do CTN exige a revisão do lançamento, pois referido dispositivo legal não obriga a revisão do lançamento, apenas prevê casos em que pode o lançamento ser realizado e revisto de oficio. Portanto, conforme já mencionado, o auto de infração foi lavrado por pessoa competente, no caso, Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, Autoridade Fiscal para o lançamento tributário. Destarte, não há vício de nulidade no lançamento. 3 — MULTA QUALIFICADA As multas constantes do lançamento foram aplicadas com base na legislação que rege a matéria, qual seja, a Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, I, §1°, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007) Os arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1996, têm a seguinte redação: Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 1201001.940 S1C2T1 Fl. 18 33 "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72". No caso, foi aplicada a multa qualificada por entender o autuante caracterizado de forma clara o intuito de fraude por parte da fiscalizada, pela análise dos fatos relatados e pela simulação de constituição de empresas com o objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento, e se beneficiar do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. Procede a fundamentação da Autoridade Fiscal, pois como fartamente demonstrado no presente processo, bem como nos procedimentos de exclusão do Simples, houve simulação de constituição de empresas com o objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento com objetivo de se beneficiar de tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, apenas aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. O artifício fraudulento de segmentação apenas formal das atividades do "grupo" foi fartamente analisado no julgamento do processo de exclusão do Simples e evidenciado, dentre outros, pela falta de autonomia da impugnante como entidade empresarial, caracterizados pelo uso do mesmo uniforme por seus funcionários, pela localização física na mesma sede, pelos setores administrativos conjuntos, pelos pagamentos cruzados e documentos conjuntos que maculam o princípio contábil da entidade, pelos semelhantes objetos sociais e pelas inverossímeis relações entre dispêndios (custos, folha de pagamentos, empregados) e resultados entre as empresas do mesmo "grupo empresarial", pela administração única de todas as empresas pelas pessoas de José Schazmann e sua esposa, Silvana Marques Schazmann. Portanto, ficou plenamente caracterizado o evidente intuito de fraude nos termos previstos no art. 72 da Lei n° 4.502, de 1996, não se aplicando no caso o art. 112 do CTN, pois não há dúvida como prevista no referido artigo. Portanto, é devida a multa de oficio qualificada no lançamento em análise. Conclusão. Fl. 404DF CARF MF 34 Em face de todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 405DF CARF MF
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