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6005367 #
Numero do processo: 19515.004810/2008-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jul 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 NULIDADE. PROCESSO. FUNDAMENTO LEGAL. DECRETO. O decreto utilizado como fundamento legal do auto de infração, expressamente, indica as leis em que está baseado. Nulidade do lançamento inexistente. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO.ALEGAÇÃO VAZIA. Vazia é a alegação do contribuinte contra o alargamento da base de cálculo da contribuição quando este em nenhum momento prova e logra demonstrar a existência de receitas, contas, rubricas e/ou valores concretos que deveriam estar fora do alcance da exação por conta do guerreado alargamento. DECLARAÇÃO CONFLITANTE ENTRE A DIPJ E A DCTF. DECLARAÇÃO INEXATA. MULTA DE OFÍCIO. Correta a imputação da multa de oficio sobre diferença de tributos não informada em DCTF, embora tenha sido corretamente informados na DIPJ. Declaração inexata configurada. Precedente da 1ª Turma do CSRF do CARF. SÚMULA CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso voluntário conhecido em parte; na parte conhecida, recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA     2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.    Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente  Charles Mayer de Castro Souza – Relator ad hoc    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Irene  Souza  da  Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza,  Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque  Alves.     Relatório  Por  bem  narrar  o  histórico  do  caso  dos  autos  até  o  acórdão  recorrido,  transcrevo o relatório da DRJ:  Trata  o  presente  processo  de  ação  fiscal  levada  a  efeito  em  relação à Contribuinte em epígrafe da qual surtiu Lançamento,  consubstanciado  no  “Auto  de  Infração”  de  fls.  192/196,  da  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  –  PIS  no  que tange a períodos de apuração dos anos­calendário de 2003  a  2005  O  crédito  apurado  em  favor  da  União,  composto  pela  contribuição,  multa  proporcional  e  juros  de  mora  (calculados  até  31/07/2008),  perfaz  o  total  equivalente  a  R$  1.547.736,43  (um milhão, quinhentos e quarenta e sete mil, setecentos e trinta  e seis reais e quarenta e três centavos).  Pelo Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 182/183,  relata  a  Autoridade  Lançadora  no  sentido  de  que  os  valores  informados em DIPJ referentes a "PIS a Pagar" estão superiores  aos  informados em DCTF ou superiores aos valores recolhidos  aos  cofres  públicos  e  que,  sendo  a  Contribuinte  intimada  e  reintimada a prestar esclarecimentos e a apresentar documentos  e/ou livros fiscais/comerciais comprobatórios, nada recebeu.  No mesmo Termo de Verificação e Constatação Fiscal é exibido  demonstrativo,  mês  a  mês,  dos  valores  envolvidos  e  das  diferenças apuradas pela Fiscalização em favor da União.  O  Lançamento  foi  contestado,  fls.  200/202  e  fls.  206/209,  alegando a Impugnante, em síntese, no sentido: de que o Auto de  Infração não  pode  ser  fundamentado  em mero  decreto  (cita  os  artigos  2º,  3º,  10º,  22  e  51  do  Decreto  4.524/02),  violando  o  princípio  da  estrita  legalidade  e  caracterizando  manifesto  cerceamento  de  defesa;  de  que  o  Auto  de  Infração  é  nulo  por  exigir  tributo  eivado  de  inconstitucionalidade,  uma  vez  que  o  alargamento  da  base  de  cálculo  da  contribuição  foi  declarado  inconstitucional;  e  de  que  a  multa  de  75%  aplica­se  a  Fl. 609DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.004810/2008­29  Acórdão n.º 3202­001.635  S3­C2T2  Fl. 609          3 Lançamento  de  ofício,  procedimento  desnecessário  no  caso  tendo em vista que, conforme consta do próprio relatório fiscal,  os valores exigidos  foram declarados como devidos na DIPJ e,  desta forma, poderia ter o Fisco procedido à inscrição do débito  em dívida ativa com a inclusão da multa de mora de 20%.  Apreciando a impugnação, a DRJ a julgou procedente em parte, exonerando  o crédito tributário apenas para reconhecer sua decadência parcial, relativamente aos períodos  de apuração de abril, maio, junho e julho de 2003, conforme resume a ementa:  ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep   Ano­calendário:2003, 2004, 2005   NULIDADE.DESCABIMENTO.  É  incabível  de  ser  pronunciada  a  nulidade  de  Auto  de  Infração  lavrado  por  autoridade  competente,  tendo  em  conta o art. 59 do Decreto 70.235/72.  DECADÊNCIA.  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  É  de  cinco  anos  o  prazo  decadencial  para  fins  de  Lançamento  das  contribuições sociais, consoante a Súmula Vinculante nº 8  do  Supremo  Tribunal  Federal,  que  declarou  inconstitucional o art. 45 da Lei 8.212/91.  DIFERENÇAS  INJUSTIFICADAS  ENTRE  VALORES  INFORMADOS  E  VALORES  CONFESSADOS  OU  PAGOS.  Havendo  diferenças  não  justificadas  entre  os  valores  informados  em  DIPJ  e/ou  DACON  e  aqueles  confessados/pagos,  cabe  lançá­las,  fundando­se  o  Lançamento em bases econômicas concretas representadas  por  receitas  ou  valores  inseridos  em  informações  do  próprio contribuinte perante o Erário.  MERAS ALEGAÇÕES.  Meras  alegações,  desacompanhadas  de  elementos  concretos,  não  propiciam  a  modificação  ou  extinção  da  pretensão fazendária.  ALARGAMENTO  DA  BASE  DE  CÁLCULO  DA  CONTRIBUIÇÃO.ALEGAÇÃO VAZIA.  Vazia  é  a  alegação  do  contribuinte  contra  o  alargamento  da base de cálculo da contribuição quando este em nenhum  momento prova e logra demonstrar a existência de receitas,  contas, rubricas e/ou valores concretos que deveriam estar  fora  do  alcance  da  exação  por  conta  do  guerreado  alargamento.  MULTA.  Fl. 610DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA     4 Legítima a  constituição  do crédito  tributário  com a multa  de  ofício  prescrita  na  legislação  de  regência  quando  os  débitos  do  contribuinte  não  se  encontram  confessados/pagos.  Impugnação Procedente em Parte   Crédito Tributário Mantido em Parte.  Diante  da  manutenção  parcial  do  crédito  tributário,  a  empresa  interpôs  recurso  voluntário,  pedindo  que  fosse  julgado  nulo  o  lançamento,  por  ter  se  baseado  em  decreto.   Caso  fosse  considerada  válida  a  autuação,  a  recorrente  pede  seja  julgado  improcedente,  por  incidir  o  PIS  sobre  a  sua  receita  bruta,  e  não  sobre  o  faturamento,  e  por  exigir multa de ofício no percentual de 75%, embora os valores  já estivessem declarados em  DIPJ.   O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este  Conselheiro Relator na forma regimental.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator ad hoc.  Com  fundamento  no  art.  17,  III,  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho  de  2015,  incumbiu­me  a  Presidente  da  Turma  a  formalizar  o  presente  acórdão,  cujo  relator  original,  Conselheiro  Thiago  Moura  de  Albuquerque  Alves,  não  integra  mais  nenhum  dos  colegiados do CARF.  Desta  forma,  a  elaboração  deste  voto  deve  refletir  a  posição  adotada  pelo  relator original, que, embora não mais integre os colegiados do CARF, apresentou a minuta do  voto na  sessão de  julgamento,  que  será  adotada na presente  formalização. Assim, passa­se  a  transcrever, a seguir, o voto que consta da minuta apresentada:    O recurso voluntário é tempestivo e merece ser apreciado.  Trata  o  presente  processo  de  ação  fiscal  levada  a  efeito  em  relação  à  Contribuinte em epígrafe da qual surtiu Lançamento, consubstanciado no “Auto de Infração”  de fls. 192/196, da Contribuição para o Programa de  Integração Social – PIS no que  tange a  períodos de apuração dos anos­calendário de 2003 a 2005.                                                              1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as  atividades do respectivo órgão e ainda:  (...)  III ­ designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja  impossibilitado de fazê­lo ou não mais componha o colegiado;    Fl. 611DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.004810/2008­29  Acórdão n.º 3202­001.635  S3­C2T2  Fl. 610          5 O  crédito  apurado  em  favor  da  União,  composto  pela  contribuição,  multa  proporcional  e  juros  de  mora  (calculados  até  31/07/2008),  perfaz  o  total  equivalente  a  R$  1.547.736,43  (um milhão, quinhentos  e quarenta  e  sete mil,  setecentos  e  trinta  e  seis  reais  e  quarenta e três centavos).  Pelo  Termo  de  Verificação  e  Constatação  Fiscal  de  fls.  182/183,  relata  a  Autoridade Lançadora no sentido de que os valores  informados  em DIPJ  referentes  a  "PIS a  Pagar"  estão  superiores  aos  informados  em DCTF  ou  superiores  aos  valores  recolhidos  aos  cofres públicos e que, sendo a Contribuinte intimada e re­intimada a prestar esclarecimentos e  a apresentar documentos e/ou livros fiscais/comerciais comprobatórios, nada recebeu.  A  recorrente  alega  que  o  Auto  de  Infração  é  nulo,  pois  não  pode  ser  fundamentado em mero  decreto. Porém, os  artigos 2º,  3º,  10º,  22  e 51 do Decreto 4.524/02,  citados  pela  empresa,  estão  arrimados  em  atos  legais  mencionados  expressamente  neles  próprios. Repare­se:  Art. 2º As contribuições de que trata este Decreto têm como fatos  geradores (Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 2º , e  Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, art. 13):  (...)  Art.  3º  São  contribuintes  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins  incidentes  sobre o faturamento as pessoas jurídicas de direito privado e as  que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda,  observado  o  disposto  no  art.  9º  (Lei  Complementar  nº  70,  de  1991, art. 1º , Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 60,  Lei nº 9.701, de 17 de novembro de 1998, art. 1º , Lei nº 9.715,  de 25 de novembro de 1998, art. 2º , Lei nº 9.718, de 1998, art.  2º , e Lei nº 10.431, de 24 de abril de 2002, art. 6º , inciso II).  (...)  Art. 10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são  equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o  disposto no art. 9º , têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da  Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta,  assim  entendida  a  totalidade  das  receitas  auferidas,  independentemente  da  atividade  por  elas  exercidas  e  da  classificação contábil adotada para a escrituração das  receitas  (Lei  Complementar  nº  70,  de  1991,  art.  1º  ,  Lei  nº  9.701,  de  1998, art. 1º , Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º , Lei nº 9.716, de 26  de novembro de 1998, art. 5º , e Lei nº 9.718, de 1998, arts. 2º e  3º ). (...)  Art. 22. Para efeito de apuração da base de cálculo de que trata  este  capítulo,  observado  o  disposto  no  art.  23,  podem  ser  excluídos  ou  deduzidos  da  receita  bruta,  quando  a  tenham  integrado, os valores (Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º ): (...)  Art. 51. As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins aplicáveis sobre o  faturamento  são  de  0,65%  (sessenta  e  cinco  centésimos  por  cento)  e  de  3%  (três  por  cento),  respectivamente,  e  as  diferenciadas previstas nos arts. 52 a 59 (Lei nº 9.715, de 1998,  Fl. 612DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA     6 art. 8º , Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 1º , e Lei nº  9.718, de 1998, art. 8º ).  Assim sendo, não procede esse alegação da recorrente.   Quanto  à  suposta  tributação  da  COFINS,  utilizando­se  base  de  cálculo  inconstitucional,  concordo  com  o  acórdão  da  DRJ,  quando  assentou  que  a  recorrente  teceu  argumentações genéricas sobre o assunto sem nada trazer de provas – ainda que indiciárias –  sobre  a  suposta  tributação  de  valores  diversos  da  venda  de  mercadorias  ou  prestação  de  serviços.Incorporo, dessa forma, os seguintes termos da decisão recorrida:  Importa, agora, examinar as eventuais implicações do chamado  alargamento da base de cálculo da contribuição para o caso sob  exame.  Quanto  a  isso,  cabe  registrar  que  a  Impugnante  em  nenhum  momento  provou  e  logrou  demonstrar  a  existência  de  receitas,  contas,  rubricas  e/ou  valores  concretos que deveriam,  na  linha  de  seus argumentos,  estar  fora do alcance da contribuição por  conta do chamado alargamento da base de cálculo.  Nem  sequer,  para  iniciar,  é  apresentado  qualquer  registro  contábil efetuado pelo sujeito passivo para efeito de apuração da  contribuição.  Naturalmente,  tratando­se  de  pessoa  jurídica,  eventual testemunho em seu favor é a própria escrita contábil da  Empresa,  a  qual  constitui  o  primeiro  suporte  para  a  comprovação de suas variações patrimoniais e operações.  Outrossim,  não  se  olvide  que  as  DIPJ  e  os  DACON,  por  exemplo,  têm  força  probante  contra  o  sujeito  passivo,  que  os  apresentou perante o Fisco, mas por  si  sós não dão suporte às  assertivas da Impugnante.  O  posicionamento  da  Impugnante  revelase  insustentável  pela  mais completa carência de elementos de prova que servissem de  supedâneo  aos  seus  argumentos,  não  havendo  como  atestar  a  existência,  a  regularidade  e  o  montante  de  eventuais  valores  através  da  análise  de  documentação  comprobatória  que  desse  integral suporte a eles.  No que diz respeito à assertiva de que a declaração na DIPJ do valor correto  devido,  a  titulo  de  COFINS,  excluiria  a  cominação  da  multa  de  ofício,  igualmente  não  é  procedente.   Sobre  o  tema,  nossa  turma  já  teve  oportunidade  de  decidir,  com  base  em  precedente da CSRF, e peço vênia para transcrever os seguintes trechos do meu voto sobre o  tema, ora ratificados:  Como  se  vê,  o  pressuposto  da  multa  de  ofício  é  a  falta  de  declaração  ou  de  declaração  inexata,  sendo  certo  que  essa  norma  jurídica não menciona a DIPJ, a DCTF nem obrigação  acessória  que  constitua  confissão  de  dívida.Fala,apenas,em  declaração.   No  caso  dos  autos,  como  reconhece  o  acórdão  recorrido,  a  recorrente  apresentou  uma  declaração  exata(DIPJ)  e  uma  declaração inexata (DCTF).  Fl. 613DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.004810/2008­29  Acórdão n.º 3202­001.635  S3­C2T2  Fl. 611          7 Nessa hipótese,há controvérsia jurisprudencial no CARF sobre a  correção ou não da aplicação da multa de ofício. Esse dissídio  jurisprudencial  foi  uniformizado  pela  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais por meio do Acórdão nº 910100.503,Sessão de  25  de  janeiro  de2010,  que  dispôs  pela  cominação  da  multadeofíciode75%:  [...]  Efetivamente,é  acertada  a  interpretação  da  CSRF  acerca  do  art.44,I,da  Lei  nº9.430/1996.  Apresentar  declarações  conflitantes  ao  Fisco  enquadra­se  no  conceito  legal  de  declaração inexata. In casu, foi a DCTF a fonte da incorreção  e  da  cominação  da  penalidade.  Não  foi  a  DIPJ.  Deve  ser  mantido, por isso,o acórdão recorrido.  Também  não  procede  a  alegação  da  contribuinte  de  que  a multa  de  ofício  violaria os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e nem da legalidade.   Isto porque o agente fiscal limitou­se a aplicar a legislação tributária vigente,  levando  a  efeito  a  punição  estipulada  pelo  legislador. A  lei  não  confere  qualquer  âmbito  de  discricionariedade  ao  agente  administrativo,nem  ao  julgador,  no  tocante  à  dosimetria  desta  punição,  sendo  suficiente  que  se  caracterize  a  situação  descrita  na  norma  para  que  haja  a  aplicação da punição, por dever de ofício.   Alegações  de  inconstitucionalidade  da  própria  lei  teriam  de  ser  feitas  por  meio  de  ação  judicial,  tendo  em  vista  que  apenas  o  Poder  Judiciário  tem  competência  para  afastar a aplicação de dispositivo de lei.   Este Tribunal Administrativo não  tem competência para  afastar  a  aplicação  de uma lei em vigor,que goza de presunção de constitucionalidade.   O entendimento a respeito deste tema foi consolidado na Súmula CARF nº 2.  “O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária”.  Forte  nessas  razões,  conheço  em  parte  do  recurso  voluntário;  na  parte  conhecida, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário.   É como voto.  Charles Mayer de Castro Souza                              Fl. 614DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA     8   Fl. 615DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA

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Numero do processo: 10980.723758/2009-23
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jul 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 DIREITO CREDITÓRIO. DESPESAS COM FRETE INTERNACIONAL. Não geram direito de crédito as despesas incorridas com transportadores não domiciliados no País, ainda que, por escolha do contribuinte, estas sejam creditadas a agente marítimo que os represente. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. VIGÊNCIA DO ART. 31 DA LEI 10865/2004. Não fere direito adquirido nem contraria regra de lei a regra do art. 31 da lei 10865/2004, a qual, para períodos de apuração posteriores a 01/05/2004, veda o aproveitamento dos encargos de depreciação como descontos. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3802-004.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário pra NEGAR-LHE o provimento. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D’morim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1774; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE02  Fl. 575          1 574  S3­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10980.723758/2009­23  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3802­004.193  –  2ª Turma Especial   Sessão de  25 de fevereiro de 2015  Matéria  PIS/PASEP  Recorrente  WOODGRAIN DO BRASIL LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006  DIREITO CREDITÓRIO. DESPESAS COM FRETE INTERNACIONAL.  Não geram direito de crédito as despesas incorridas com transportadores não  domiciliados  no  País,  ainda  que,  por  escolha  do  contribuinte,  estas  sejam  creditadas a agente marítimo que os represente.  ENCARGOS  DE  DEPRECIAÇÃO.  VIGÊNCIA  DO  ART.  31  DA  LEI  10865/2004.  Não fere direito adquirido nem contraria regra de lei a regra do art. 31 da lei  10865/2004, a qual, para períodos de apuração posteriores a 01/05/2004, veda  o aproveitamento dos encargos de depreciação como descontos.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER  do Recurso Voluntário pra NEGAR­LHE o provimento.      (assinado digitalmente)  Joel Miyazaki ­ Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.        (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc  (art. 17,  inciso  III,  do  Anexo II do RICARF/2015).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 37 58 /2 00 9- 23 Fl. 575DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano  D’morim  (Presidente), Waldir  Navarro  Bezerra,  Claudio  Augusto  Gonçalves  Pereira,  Bruno  Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.  Relatório  Preliminarmente, ressalta­se que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo  II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ RICARF/2015, fui  designado  como  redator  ad  hoc  (fl.  574),  para  formalização  do  respectivo  Acórdão,  considerando o  resultado  do  julgado,  conforme  o  constante  da ATA da  respectiva  sessão  de  julgamento.    O  contribuinte  WOODGRAIN  DO  BRASIL  LTDA.  interpôs  o  presente  Recurso Voluntário  contra  o Acórdão  nº  06­33.992,  proferido  em  primeira  instância  pela  3ª  Turma  da DRJ  de  Curitiba/PR,  que  julgou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade  apresentada por insuficiência de direito creditório, negando­o.  Por bem explicitar os atos e  fases processuais ultrapassados até o momento  da análise da manifestação de inconformidade, adota­se o  relatório elaborado pela autoridade  julgadora a quo:  "Trata  o  presente  processo  do  pedido  de  ressarcimento  de  crédito  do  PIS/Pasep  não  cumulativo  vinculado  às  receitas  de  exportação  do  1º  trimestre de 2006, no valor de R$ 107.960,09 (cento e sete mil e novecentos e  sessenta  reais  e  nove  centavos),  formalizado  através  do  PER/DCOMP  nº  21407.58964.020908.1.1.08­8780.  A  análise  do  referido  pedido  foi  realizada  pelo  Serviço  de  Orientação  e  Análise Tributária, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba,  que,  em  conclusão  aos  trabalhos  realizados,  emitiu  o Despacho Decisório  DRF/CTA, de 30 de junho de 2010, o qual reconheceu parcialmente o direito  creditório pleiteado, no valor de R$ 81.905,25 (oitenta e um mil e novecentos  e cinco reais e vinte e cinco centavos). Ressalte­se que a análise do pedido  foi efetuada em atendimento a liminar proferida no Mandado de Segurança  nº 2009.70.00.021097­8/PR.  Conforme  consta  da  decisão  mencionada,  a  autoridade  fiscal  realizou,  primeiramente,  um ajuste nos  valores das  receitas  informadas no DACON.  Foram considerados como receitas de exportação e do mercado  interno os  valores constantes dos Livros de Registro de Saídas, excluindo­se os valores  das  receitas  financeiras;  e  do  valor  da  receita  bruta  foram  excluídos  os  descontos concedidos pela empresa de forma incondicional, pelo fato de os  mesmos não integrarem a base de cálculo das contribuições (PIS e Cofins).  Em  conseqüência  dessas  correções,  a  autoridade  procedeu  a  um  novo  cálculo do rateio proporcional a ser aplicado sobre os valores dos créditos  da não­cumulatividade.  No tocante aos créditos da não­cumulatividade a autoridade administrativa  realizou glosas nas seguintes rubricas:  a) Bens Utilizados como Insumos: relativamente às Notas Fiscais de Entrada  das empresas Seven Madeiras Ltda., CNPJ nº 06.136.813/0001­90, e Cyklop  Fl. 576DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723758/2009­23  Acórdão n.º 3802­004.193  S3­TE02  Fl. 576          3 do  Brasil  Embalagens  S/A,  CNPJ  nº  56.993.512/0001­50,  para  as  quais  constam CFOP (5.501 e 6.501) que indicam aquisições com o fim específico  de exportação; e relativamente às Notas Fiscais da empresa Vidia Comércio  e  Serviços  Técnicos  Ltda.,  CNPJ  nº  00.737.615/0001­03,  cujas  aquisições  foram  realizadas  com “Suspensão das  contribuições  para  o PIS/Pasep  e  a  COFINS”,  em  razão  do  Ato  Declaratório  Executivo  nº  22/2005,  que  habilitou  a  interessada  como  empresa  preponderante  exportadora  nos  termos  da  IN/SRF  nº  595,  de  2005.  Nas  duas  situações  descritas,  as  aquisições teriam ocorrido sem a incidência das contribuições (PIS/PASEP e  a  COFINS),  ficando  impedido  o  aproveitamento  dos  créditos,  conforme  estabelece o artigo 3º, § 2º, inc. II das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833,  de 2003.  b) Despesas de Energia Elétrica: relativamente às despesas constantes das  faturas  que  não  correspondam  ao  consumo  de  energia  elétrica,  tais  como  encargos  moratórios  (juros,  multa  e  correção  monetária)  e  taxa  de  iluminação pública;  c) Despesas  de  alugueis  de máquinas  e  equipamentos:  glosa  de  uma Nota  Fiscal,  no  mês  de  setembro,  que  já  havia  sido  contabilizada  na  rubrica  “Bens utilizados como Insumo”;  d)  Despesas  de  Fretes  pagos  na  operação  de  venda:  nesta  rubrica  foram  considerados  somente  os  fretes  internacionais  pagos  pela  empresa  exportadora  a  transportador  domiciliado  no  Brasil  (empresa  nacional);  foram  glosados,  portanto,  os  valores  de  fretes  internacionais  cujos  pagamentos  foram  realizados  a  agentes  nacionais,  que  representam  transportador  não  domiciliado  no  Brasil,  em  atendimento  ao  disposto  no  inciso II, § 3º, art. 3º das Lei 10.637/2002 e 10.833/2003;  e)  Encargos  de  Depreciação  de  Bens  do  Ativo  Imobilizado:  relativamente  aos  encargos  de  depreciação  de  bens  adquiridos  antes  de  01/05/2004,  em  atendimento ao artigo 31 da Lei nº 10.865/2004.  Por  fim,  a  autoridade  fiscal  realizou  a  apuração  dos  créditos  do mercado  interno e do mercado externo do  trimestre,  levando­se  em consideração os  ajustes  anteriormente mencionados  (nas  receitas,  no  rateio  proporcional  e  nos  créditos)  e  o  Saldo  de  Crédito  do Mês  Anterior  (relativo  ao mercado  interno), e descontando­se dos créditos apurados os valores da contribuição  devida do próprio trimestre, gerada em decorrência das saídas tributadas.  A  contribuinte  foi  cientificada  do  despacho  decisório  em  02/07/2010  e  apresentou,  em  03/08/2010,  a  manifestação  de  inconformidade,  cujo  conteúdo é resumido a seguir.  Após  um  breve  relato  dos  fatos,  a  interessada  defende  no  primeiro  tópico  (“Do  Princípio  da  Não­Cumulatividade”)  a  aplicação  plena  da  não­ cumulatividade. Argumenta que o legislador ordinário não pode restringir a  não­cumulatividade  da  contribuição,  uma  vez  que  a  mesma  tem  status  constitucional, implementado através da Emenda Constitucional nº 42/2003,  que deu nova redação ao § 12, artigo 195, da Constituição Federal. Sustenta  que  a  não­cumulatividade  aplicada  ao PIS  e  a Cofins “se  opera  de  forma  Fl. 577DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     4 diversa  daquela  aplicada  ao  IPI  e  ao  ICMS,  isso  porque  para  as  contribuições,  referida  sistemática  consiste  em  uma  redução  da  base  de  cálculo com a respectiva dedução de créditos relativos às contribuições que  foram recolhidas sobre bens e/ou serviços objeto de faturamento em etapas  anteriores.”  Em  resumo,  argumenta  a  interessada  “que  o  regime  não­cumulativo  das  referidas contribuições não pode ser restringido, pois os contribuintes tem o  direito  ao  crédito  da  contribuição  exigidos  anteriormente,  como  forma  de  minorar  a  carga  tributária  sobre  o  faturamento,  objetivo  primordial  dessa  sistemática.”  Nos  dois  tópicos  seguintes  (“Das  Despesas  com  Fretes  Internacionais”  e  “Do  Princípio  da  Estrita  Legalidade”)  a  contribuinte  dirige  sua  inconformidade  contra  as  glosas  relativas  às  despesas  com  fretes  internacionais.  Relata  que  no  despacho  decisório  a  autoridade  fiscal  proferiu  o  entendimento  “de  que  o  crédito  de  PIS/COFINS  decorrente  de  despesas com fretes internacionais é passível de aproveitamento, desde que o  seu  pagamento  seja  feito  ao  transportador  domiciliado  no  Brasil,  não  bastando para tal que o seu agente o seja.”. Sustenta que o entendimento da  autoridade  fiscal  é  equivocado  e  não  merece  manutenção  em  face  dos  princípios da legalidade e da estrita legalidade tributária (art. 5º, inciso II e  art.  150,  inciso  I  da  Constituição  Federal).  Argumenta  que  “não  se  vislumbra nos  regramentos  aplicáveis  ao  caso  (Lei 10.637/02 e 10.833/03)  qualquer  dispositivo  que  obstaculize  ou mesmo  limite  o  aproveitamento  do  crédito  oriundo de despesas  com  frete  internacional, mesmo que  praticada  por  agente  transportador”,  e  que  para  se  realizar  o  aproveitamento  do  crédito as referidas leis exigem somente: que o ônus do pagamento do frete  seja suportado pelo vendedor, e; que o frete seja pago ou creditado à pessoa  jurídica domiciliada no país. Sustenta que estas exigências foram atendidas  pela  empresa,  “uma  vez  que,  na  qualidade  de  vendedora,  arcou  com  os  custos  relativos  ao  frete  para  a  remessa  de  sua  mercadoria  ao  exterior  e  referida  despesa  foi  paga  à  empresa  estabelecida  no  território  brasileiro,  pouco  importando  se  tais  empresas  correspondem  a  agentes  transportadores.” Para sustentação de sua tese colaciona cópia das ementas  das Soluções de Consulta nº 169/2006 da 10º RF e nº 175/07 da 9º RF.  Na seqüência, no tópico “Dos Encargos de Depreciação – Bens Adquiridos  antes de 01/05/2004”, a interessada defende a inconstitucionalidade do art.  31,  da  Lei  10.865/2004,  que  trata  da  vedação  de  desconto  de  créditos  relativos à depreciação de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos  antes de 01/05/2004. Argumenta que referido artigo atingiu fatos pretéritos e  afrontou  os  princípios  constitucionais  do  direito  adquirido,  da  irretroatividade da lei tributária e da segurança jurídica. Em corroboração  a  sua  tese  colaciona  cópia  de  parte  do  Acórdão  do  processo  judicial  nº  2005.71.010.0044698.  Por fim, nos últimos dois tópicos (“Das Demais Glosas” e “Das Provas”) ,  a contribuinte aduz que: discorda das demais glosas realizadas, dizendo que  a  improcedência das mesmas “será comprovada oportunamente através da  juntada de documentos hábeis e  idôneos, os quais certamente ensejarão no  reconhecimento integral do crédito reclamado”; e que em face do direito à  ampla  defesa  e  ao  contraditório  “pretende  provar  o  alegado  por  meio  de  Fl. 578DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723758/2009­23  Acórdão n.º 3802­004.193  S3­TE02  Fl. 577          5 todos as prova em direito admitidas,  principalmente através  da  juntada  de  novos documentos, a  fim de evidenciar melhor a  idoneidade do crédito ora  guerreado.”  Diante  dos  argumentos  apresentados,  a  contribuinte  requer  que  seja  dado  provimento  à manifestação  de  inconformidade  e  que  o  despacho  decisório  seja  reformado,  de  modo  que  seja  reconhecido  integralmente  o  crédito  pleiteado.  É o relatório."  Indeferida  a manifestação  de  inconformidade  apresentada,  o  órgão  julgador  de  primeira  instância  sintetizou  as  razões  para  a  rejeição  ao  direito  creditório  na  forma  da  ementa que segue:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006  INCONSTITUCIONALIDADE.  ARGÜIÇÃO.  ESFERA  ADMINISTRATIVA.  NÃO CABIMENTO.  O  exame  da  legalidade  e  da  constitucionalidade  de  normas  legitimamente  inseridas  no  ordenamento  jurídico  nacional  compete  ao  poder  judiciário,  restando  inócua  e  incabível  qualquer  discussão,  nesse  sentido,  na  esfera  administrativa.  INCIDÊNCIA  NÃO­CUMULATIVA.  DIREITO  DE  CRÉDITO.  FRETE  INTERNACIONAL.  Os gastos com fretes internacionais arcados pela vendedora, decorrentes da  exportação  de  seus  produtos,  não  dão  direito  a  crédito  para  desconto  dos  valores  devidos  a  título  de  PIS/PASEP,  na  sistemática  de  não­ cumulatividade,  se  o  transportador  for  pessoa  jurídica  domiciliada  no  exterior, mesmo se o agente do transportador tiver domicílio no País.  ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS DO ATIVO IMOBILIZADO.  Com a edição da Lei nº 10.865, de 2004, somente poderão ser aproveitados  os créditos dos encargos de depreciação ou amortização de bens e direitos  de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1º de maio de 2004.  PROVAS. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO.  A apresentação de provas deve ser realizada junto à impugnação, precluindo  o  direito  de  fazê­lo  em  outra  ocasião,  ressalvada  a  impossibilidade  por  motivo de força maior, quando se refira a fato ou direito superveniente ou no  caso de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Fl. 579DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     6 Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba –  DRJ/CTA, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos  apresentados  em  sua  manifestação  de  inconformidade,  e  requer  o  reconhecimento  da  homologação de compensação.  É o relatório.  Voto             Conselheiro  Waldir  Navarro  Bezerra,  redator  ad  hoc  designado  para  formalizar  a  decisão  (fl.  574),  uma  vez  que  o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo  Curi, não mais compõe este colegiado, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III,  do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de  junho de 2015.  Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros  processos nessa situação tratamento diverso.    Preenchidos  os  pressupostos  de  admissibilidade  e  tempestivamente  interposto,  nos  termos  do  Decreto  nº  70.235/72,  conheço  do  Recurso  e  passo  à  análise  das  razões recursais.  O  Recurso  Voluntário,  assim  como  a  manifestação  de  inconformidade,  combate as glosas realizadas em basicamente dois itens:  ­ Despesas com fretes internacionais (objeto de dois tópicos do recurso);  ­ Encargos de depreciação.  Relativamente  à  digressão  sobre  o  princípio  da  não­cumulatividade  que  inaugura  a  argumentação  de mérito  do  Recurso Voluntário,  como  se  trata  de  argumentação  ampla  e,  a  rigor,  principiológica  (que  não  pode  ser  apreciada pelo CARF,  conforme verbete  Sumular nº 02), não adentrarei em sua análise pormenorizadamente.  O Recurso Voluntário não ataca frontalmente as glosas referentes a insumos  adquiridos  (i)  com  fim  específico  de  exportação;  (ii)  junto  a  empresa  preponderantemente  exportadora; além de (iii) encargos financeiros decorrentes de pagamento em atraso de faturas  de  energia  elétrica  (despesas  com multas,  juros  e  correção monetária)  e  contribuição  para  o  custeio  do  serviço  de  iluminação  pública.  Isso  pois,  diferentemente  da  manifestação  de  inconformidade,  não  há  o  questionamento  quanto  às  “demais  glosas”,  pelo  que  reputo  como  não mais contestadas tais vedações, nos termos do art. 17 do RPAF, aplicável mutatis mutandi  ao Recurso Voluntário.  De  toda  forma,  no  que  tange  às  duas  glosas  combatidas  pelo  Recorrente,  passa­se às considerações de mérito.  1. Despesas com fretes internacionais  Foram  glosadas  despesas  incorridas  com  fretes  nas  operações  de  venda,  pagos a agentes nacionais que representam transportador estrangeiro.  Fl. 580DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723758/2009­23  Acórdão n.º 3802­004.193  S3­TE02  Fl. 578          7 A glosa dessas despesas embasou­se no art. 3o, § 3o, II, das leis 10.637/2002  (para o PIS) e 10.833/2003 (para a COFINS), o qual assim dispõe:  § 3oO direito ao crédito aplica­se, exclusivamente, em relação:  (...)  II ­ aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica  domiciliada no País;  A  decisão  recorrida  entendeu  correta  a  glosa  procedida  pela  autoridade  administrativa, ante a presunção de que  Conforme  a  legislação  citada,  para  que  o  dispêndio  possa  gerar  crédito,  é  preciso que as despesas sejam pagas ou creditadas a pessoa jurídica domiciliada no País, o que  não ocorre no caso em tela.  Na verdade a interessada contrata pessoas jurídicas domiciliadas no País que  se  dedicam  à  atividade  de  agenciamento  de  fretes  internacionais  (agente  marítimo)  e  faz  o  pagamento do serviço de transporte para elas, sendo de ser  ressaltado que o agente marítimo  não presta o serviço de transporte e não é ele que recebe o pagamento por tal serviço; o valor  entregue para o agente, na verdade corresponde ao pagamento do armador. Ocorre que o agente  marítimo  (agente  do  armador)  é  mero  preposto  do  armador,  para  gerir  ou  administrar  seus  negócios,  inclusive  cobrando os  respectivos  fretes,  que são o pagamento do proponente pela  prestação do serviço de transporte.  Portanto, para que a exigência legal (custos e despesas incorridos, pagos ou  creditados  a  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País)  fosse  atendida,  seria  preciso  que  o  transportador  (o prestador do serviço de  transporte marítimo  internacional) fosse domiciliado  no País, donde, nos casos em que o transportador não tenha domicilio no País, não há o direito  a crédito, mesmo que o agente do transportador tenha domicílio no País.  O Recorrente,  ao  seu  turno,  defende  a  legitimidade  do  aproveitamento  das  referidas  despesas  como  desconto  ante  a  premissa  de  que  há  “apenas  dois  requisitos  que  merecem  observância  para  que  se  faça  jus  aos  créditos,  quais  sejam:  1)  o  ônus  dos  valores  despendidos com o frete deve ser suportado pelo vendedor, no caso a Recorrente; e 2) os custos  relativos ao frete devem ser pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País”.  A  celeuma  se  restringe,  portanto,  à  definição  se  a  utilização  de  agente  marítimo  brasileiro  se  enquadra  no  inciso  II  do  §  3o  do  art.  3o  das  leis  10.637/2002  e  10.833/2003.  Entendo,  diferentemente  do  que  supõe  o  Recorrente,  que  as  despesas  incorridas no caso não devem ser aproveitadas como desconto. Explico.  No caso em tela, consta dos autos que o frete foi prestado por transportador  estrangeiro (pessoa jurídica não domiciliada no Brasil, portanto). Tal é a essência da despesa  incorrida pelo Recorrente.  Apesar  de  todas  as  ressalvas  cabíveis  ao  caso  do  ponto  de  vista  principiológico,  inclusive  de  ordem  isonômica  em  acordos  internacionais  comerciais  Fl. 581DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     8 celebrados  pelo  Brasil,  fato  é  que  ao  CARF  é  vedado  apreciar  a  inconstitucionalidade  das  normas tributárias. Todavia, do ponto de vista puramente legal, o comando vigente permite o  aproveitamento  de  despesas  como  desconto  apenas  se  estas  forem  incorridas  com  pessoa  jurídica domiciliada no Brasil.  Fato é que a norma se  refere a despesas  incorridas, pagas ou creditadas a  pessoa  jurídica domiciliada no País,  e concretamente o  crédito  se deu a um agente marítimo  domiciliado no País.  Ocorre,  contudo,  que  esse  crédito  se  refere  a  uma  prestação  de  serviços  efetivada  por  estrangeiro,  e  a  utilização  de  um  intermediário  por  este  não  reflete  a  materialidade da despesa incorrida.  Note­se que a Recorrente em momento algum afirma que o agente marítimo  lhe prestou qualquer serviço de transporte, mas apenas se pauta na expressão legal e do fato de  ter havido crédito em favor de pessoa jurídica domiciliada no País.  Ora,  o  agente marítimo  em  termos  concretos  nada mais  é do  que  um mero  mandatário do transportador domiciliado fora do País. A respeito de sua caracterização, trago  digressão da Em. Min. Eliana Calmon no RESP 731226 (DJ de 20/09/2007):  (...)pessoas encarregadas pelos armadores, ou por quem as suas vezes faça  em  cada  caso  particular,  temporária  ou  permanentemente,  do mandato  de  realizar  as  operações  comerciais  que  originalmente  corresponderiam  ao  capitão  ou  armador,nos  portos  de  carga  ou  descarga,de  ajudar  o  capitão  emqualqueroperaçãoedecuidardosinteressesdonavioedacarga,nãosóperantea sautoridades,mastambémnasrelações  privadas(SOARES,  Luiz  Dantas  de  Souza  Soares.  Agente  de  navegação  responsabilidade  civil.  In:  Revista  de  direito  mercantil,n.º34,abril/junho1979,p.54).O  agente  marítimo  compromete­se  a  representar  o  navio  em  terra,  praticando  em  nome  do  armador ou capitão os atos que esse teria de realizar pessoalmente. Valese,  para  isso,  de  contrato  consensual,  bilateral  e  oneroso  que  corresponde  perfeitamente à idéia do mandato profissional, figura jurídica tratada no art.  658 do CC de 2002.”  Assim,  havendo mera  relação  de mandato  (ou  seja,  simples  intermediação)  entre o agente marítimo e o Recorrente, não se pode caracterizar que o frete tenha sido pago a  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País.  Concretamente  o  frete  foi  pago  a  pessoa  jurídica  domiciliada no estrangeiro, todavia por intermédio de um representante legal seu.  Noutras  palavras,  a  natureza  do  creditamento  feito  em  favor  do  agente  marítimo  se  deu  em  razão  de  atividade  de  intermediação,  dado  que  este  fornecedor  efetivamente  não  prestou  serviço  de  transporte  para  o  Recorrente.  O  transportador  está  domiciliado  fora do País, de modo que a opção de pagar a um  intermediário domiciliado no  Brasil é ato de mera escolha, ação volitiva da Recorrente, sem essência econômica suficiente e  apta a alterar o critério de tributação (que se percebe no discrímen legal entre a contratação de  uma empresa transportadora domiciliada no País ou no exterior).  O  CARF  já  se  posicionou  no  mesmo  sentido,  conforme  se  verifica  do  Acórdão 3403­002.718, de relatoria do Em. Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz (sessão de 29  de janeiro de 2014), cuja ementa segue abaixo:  Fl. 582DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723758/2009­23  Acórdão n.º 3802­004.193  S3­TE02  Fl. 579          9 PIS  NÃO­CUMULATIVO.  FRETE  INTERNACIONAL.  TRANSPORTADOR  ESTRANGEIROREPRESENTADOPORAGENTEMARÍTIMOSEDIADONO  PAÍS.DIREITODECRÉDITO.  Sujeito  passivo  que  contrata  frete  internacional  junto  a  transportador  marítimo  domiciliado  fora  do  País,  embora  representado  por  agente  marítimo estabelecido no Brasil. Agente marítimo que atua na condição de  mandatário profissional do armador. Direito de crédito inexistente.  Diante do exposto, não merece acolhida o pleito da Recorrente quanto a tais  despesas.  2. Dos encargos de depreciação  O item remanescente discute a glosa de encargos de depreciação de bens do  ativo  imobilizado,  adquiridos  anteriormente  a  01/05/2004,  nos  termos  do  art.  31  da  lei  nº  10.865/2004. Dispõe a referida norma:  Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da  publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma doinciso III  do § 1odo art. 3odas Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de  29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e  direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004.  § 1oPoderão ser aproveitados os créditos referidos noinciso III do § 1odo art.  3odas  Leis  nos  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e10.833,  de  29  de  dezembro de 2003, apurados sobre a depreciação ou amortização de bens e  direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1ode maio.  § 2oO direito ao desconto de créditos de que trata o § 1odeste artigo não se  aplica  ao  valor  decorrente  da  reavaliação  de  bens  e  direitos  do  ativo  permanente.  §  3oÉ  também vedado,  a  partir  da  data  a  que  se  refere  o  caput,  o  crédito  relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que  já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica.  A decisão recorrida foi bastante objetiva nesse aspecto, apenas indicando que  necessita  obedecer  as  regras  vigentes,  e  que  quaisquer  formas  de  contestação  do  texto  legal  devem ser obtidas pela via própria, que não a administrativa.  O Recorrente,  ao  seu  turno,  constrói  argumento  de  cronologia  das  normas,  indicando que desde o início da vigência das Medidas Provisórias que restaram convertidas nas  leis  10.637/2002  e  10.833/2003,  foi  permitido  aos  contribuintes  aproveitar  como  descontos  créditos relativos a encargos de depreciação.  Prossegue afirmando que,  já que as normas existem desde o nascedouro do  regime não cumulativo, o contribuinte teria direito adquirido aos créditos (fl. 629 dos autos), de  modo  que  houve  ato  jurídico  perfeito  pró­contribuinte  em  relação  aos  plurimencionados  créditos (fl. 630).  Fl. 583DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     10 Entendo  que  o  contribuinte  teria  razão  em  seus  fundamentos,  caso  estivéssemos  diante  de  glosa  retroativa  de  créditos  aproveitados  antes  da  vigência  da  lei  10.865/2004.  Porém,  esse  não  é  o  caso:  nos  autos  trata­se  de  encargos  de  depreciação  em  período posterior ao início da vigência da lei 10.865/2004.  Dessa  forma, não me parece  ser o  caso de  se considerar que o contribuinte  teria direito imutável e irrevogável aos créditos decorrentes dos encargos de depreciação, sendo  certo  que  eventual  aumento  na  carga  tributária  (oriundo  da  vedação  ao  aproveitamento  dos  encargos  a  partir  de maio  de  2004,  nos  termos  do  art.  31  da  lei  10.865/2004)  é,  em  última  análise,  resultado  da  auto  tributação  imposta  pela  própria  sociedade,  por  intermédio  de  seus  mandatários no Congresso Nacional.  Não há, nesse sentido, nenhuma vedação legal (como é o caso do art. 178 do  CTN, que veda  a  revogação de  isenções  concedidas por prazo  certo  e  em caráter oneroso)  à  alteração no aproveitamento de créditos.  A  título  ilustrativo  valho­me,  a  propósito,  da  fundamentação  adotada  no  Mandado  de  Segurança  2005.71.00004469­8,  cujas  razões  de  decidir  foram  trazidas  à  lume  pelo Recorrente quando da concessão de liminar:  Quanto  à  análise  da  sucessão  de  regimes  estabelecidos  para  a  não­ cumulatividade  do  PIS  e  da  COFINS,  tenho  que  o  princípio  da  irretroatividade  e  da  segurança  jurídica  não  alcançam  a  dimensão  preconizada  na  inicial.  O  legislador  não  fica  eternamente  vinculado  à  extensão  e  ao  alcance  do  benefício  fiscal  concedido  em  determinado  momento,  podendo,  da mesma  forma  com que  é  permitida  a  revogação da  isenção,  reduzi­lo  ou  suprimi­lo,  na  presença  de  motivação  suficiente  e  adequada para tanto. Existem diversos graus de retroatividade, e a que aqui  se  trata  é  a  retroatividade mínima  ­  referindo­se  ao  efeito  futuro  dos  atos  passados.   Em  se  tratando  de  depreciação  e  amortização,  o  tratamento  contábil  e  financeiro  que  lhes  é  dispensada  pode  assumir  uma  feição  semelhante  a  uma  relação  continuativa. Existem financiamentos que são amortizados no longuíssimo prazo, e certos bens  mais  refratários  ao  processo  de  obsolescência  podem  gerar  encargos  de  depreciação  que  venham a superar dez anos. Ora, os princípios constitucionais trazidos à lume pela impetrante  não  tutelam  planejamentos  tributários  desta  amplitude,  visam  a  proteger  direitos  de  bruscas  alterações de curto e médio prazo, não se podendo engessar a atividade legislativa de tal forma  que  se  impeça  a  adequação  dos  benefícios  concedidos  aos  imperativos  de  uma  política  industrial,  ou  à  situação  estrutural  (não  conjuntural)  da  política  econômico­fiscal.  Em  suma,  entendo  ser  lícito  ao  legislador  que  implanta  regime  tributário  totalmente  novo  (como  o  PIS/Cofins não cumulativo)  algumas  alterações  e  correções de  rota,  quando não evidenciado  lesão aos princípios da retroatividade média (contraprestações estatais descumpridas quando da  alteração legislativa) e máxima (situações consumadas no passado).  Some­se  a  isso  a  noção  de  que  a  depreciação  ­  que  visa  a  compensar  o  desgaste de máquinas e equipamentos em face do decurso do tempo ­ e a amortização ­ tocante  ao  prazo  em  que  é  imputado  determinado  custo  financeiro  ­  são  apropriadas  em  quotas  mensais, ou seja, apenas incorporam­se ao patrimônio do beneficiado á medida em que passam  a  integrar  a  sua  contabilidade.  Inexistindo  a  possibilidade  da  amortização  ou  da depreciação  imediata,  não  há  violação  ao  princípio  da  irretroatividade  ou  da Segurança  Jurídica,  pois  há  uma expectativa de benefício fiscal que só se transmuda em direito adquirido à medida em que  cada período contabilmente relevante para a amortização/depreciação é atingido.  Fl. 584DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723758/2009­23  Acórdão n.º 3802­004.193  S3­TE02  Fl. 580          11 Destarte, não entendo haver guarida aos argumentos do contribuinte, quanto a  este item de seu Recurso.  Conclusão  Isto  posto,  CONHEÇO  do  Recurso  Voluntário  para  NEGAR­LHE  o  provimento.   Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo  II do RICARF/2015, subscrevo o presente.         (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc.                                Fl. 585DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA

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Numero do processo: 13830.722700/2012-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1402-000.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que seja distribuído ao relator o processo 13830.722759/2012-68 para julgamento em conjunto, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Relatório MD CRED - INFORMAÇÕES CADASTRAIS LTDA. - ME recorre a este Conselho em face do acórdão nº 01-28.081 proferido pela 1ª Turma da DRJ em Belém que julgou improcedente a impugnação apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementando-o ao final: I – DO LANÇAMENTO Trata-se de auto de infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), de Programa de Integração Social (PIS), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), de Contribuição para o Financiamento da Seguridade (Cofins), e de Contribuição Patronal Previdenciária, referente ao ano-calendário de 2008, com os lançamentos discriminados no quadro 1 a seguir (principal, multa e juros, calculados até 11.2012). TRIBUTO IMPOSTO- R$ JUROS DE MORA- R$ MULTA – R$ TOTAL – R$ IRPJ 77.798,52 31.560,02 58.348,83 167.707,37 PIS 54.807,11 22.235,89 41.105,25 118.148,25 COFINS 238.734,87 97.312,92 179.051,08 515.098,87 CSLL 77.906,03 31.755,05 58.429,44 168.090,52 CONT. PREVIDENCIÁRIA PATRONAL 753.635,87 306.145,25 565.226,79 1.625.007,91 TOTAL 2.594.052,92 A impugnante tomou ciência do auto de Infração em 03/12/2012.(fls. 1341/1425). II– DAS INFRAÇÕES LANÇADAS 2. A Empresa foi autuada pelas seguintes infrações à legislação tributária, a saber: 2.1 – OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO ESCRITURADO Demonstramos abaixo os valores totais mensais que foram considerados pára a constituição do crédito tributário que correspondem às receitas brutas omitidas pelo sujeito passivo no ano-calendário de 2008: INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, e de CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. III - DA IMPUGNAÇÃO 3 - Em 28/12/2012, a Empresa apresentou impugnação ao Auto de infração (fls. 1427/1974), e alega em síntese: 3.1 – DAS PRELIMINARES 3.1.1 – TEMPESTIVIDADE Que a Impugnação é tempestiva; 3.1.2 – NULIDADE - DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - Na descrição dos fatos, incorreu-se em várias contradições e imprecisões; - Somando as receitas de prestações de serviços já declaradas na Declaração de ajuste anual da empresa autuada, e os depósitos bancários e os considerou como renda, e deposito bancário não é renda, ademais a Fiscalização não descreveu nenhuma transação ou negociação que gerasse renda; - É inconstitucional a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. A fiscalização extrapolou qualquer limite de discricionariedade por obter informações por meio ilícitos, contrariando o art. 30, da lei 9.784/99. Para este item a Impugnante menciona julgados judiciais; 3.2 – DO MÉRITO - Além das atividades descritas no Contrato Social, a empresa trabalhava como correspondente bancário, recebendo títulos e boletos de cobrança, contas de água, energia elétrica, IPTU, telefone, etc... O produto desses recebimentos era depositado inteiramente na conta da Impugnante no dia do recebimento e posteriomente repassado ao banco, no primeiro dia útil seguinte ou dia após, com o pagamento de juros. - O Contribuinte juntou inúmeros documentos que comprovam a licitude de suas movimentações financeiras; - Foi desprezado pela Fiscalização o fato da empresa Visão Empreendimentos Imobiliários S/C Ltda, diante de inúmeras dificuldades financeiras e, assim, impedida de movimentar valores em sua conta corrente, repassou à empresa Impugnante, seu contrato de correspondente bancário com o Banco Santander; - Resta comprovado na DIMOB, a existência da movimentação apontada, e que estes valores, refletem as verdades dos fatos, que decorreria em nova fiscalização na Imobiliária Visão( ver documentação anexa): Todas as receitas decorrentes da locação e administração dos imóveis da empresa Visão Empreendimentos S/C Ltda. Foram regulamente registradas nas DIPJ e na DIMOB, e a remuneração que constitui a receita operacional da empresa são percentuais de 10% incidentes sobre valores dos aluguéis administrados........................................................................................................... Portanto, a empresa impugnante não percebe qualquer remuneração pela administração dos valores de IPTU recebidos e repassados à Prefeitura Municipal de Tupã. - Os valores de juros e honorários advocatícios, eram depositados na conta corrente da impugnante para serem repassados aos proprietários dos imóveis; - Foi solicitado ao Banco Santanter que apresentasse documentos, que comprovasse a relação negocial entre a empresa Visão S/C, e a impugnante através de depósitos de cheques na Conta do Banco do Brasil da Impugnante, e não foi atendido. Solicitou a expedição de ofício ao referido banco para apresentar os documentos requeridos. - Que grande parte da movimentação financeira foi proveniente de depósitos bancários e pagamento do sistema PagPerto, e inúmeros empréstimos feitos por um dos sócios da empresa com retorno imediato dos valores emprestados no final do dia; - Não deveria considerar os depósitos bancários como receitas, sem a comprovação de qualquer variação patrimonial; - Não seria coerente a Auditoria considerar que a Impugnante faturasse ou obtivesse rendimento exorbitante, e suas contas corrente apresentasse saldos devedores; - A maioria dos depósitos foram oriundos de transferências de contas pertencentes à Impugnante, e de seu sócio diretor; 3.3 – DO PEDIDO DE DILIGÊNCIAS, E PERÍCIAS Requer diligências: .....inúmeros cheques foram emitidos pela Visão Empreendimentos Imobiliários S/C Ltda, Banco Santander, depositados na conta do Banco do Brasil, de titularidade da impugnante, conforme fazem prova as cópias dos emais em anexo, bem como inúmeros requerimentos dirigidos ao Banco Santander para apresentação de microfilmagem de tais títulos, simplesmente não foram apresentados nem, tampouco, justificados pela instituição financeira. 1 – a expedição de oficio ao Banco Santander, afim de apresentar perante esta entidade, os documentos requeridos para o justo abatimentos dos valores; 2 – para que seja ordenado aos Bancos Santander e Banco do Brasil de Tupã, que centamente oferecerá as informações em quais contas foram depositados os supra mencionados cheques; Requer perícias: ......Como já comprovado nessa impugnação, houve inúmeras incorreções e incongruências em planilhas numéricas apresentadas pela autoridade fiscal, o que não pode ser validade por Vossas Excelências, sem o deferimento uma perícia. - A impugnante aponta os quesitos, e indica o Sr. LUIZ VIERA ROCHA, CRC nº 1SP-051712/0/6 para atuar como perito da empresa. Requer ainda: - que todas as notificações sejam encaminhadas nas pessoas de MARCOS ROBERTO IGNÁCIO, OAB/SP 102.812, ou de RODRIGO IBANHES VIEIRA, ambos com endereço na Rua Caetés 805, centro, Tupã, SP, CEP 17.600-410, sob pena de nulidade; - Juntada de novos documentos; 3.4 – A Impugnante, ao fundamentar seus argumentos, menciona decisões administrativas e judiciais. O contribuinte foi cientificado da decisão em 05 de março de 2014 (fl. 2030), apresentando recurso voluntário de fls. 2031-2084 em 05 de abril de 2014. Em síntese, reafirma os argumentos de sua impugnação, requerendo a declaração de nulidade dos autos de infração em razão da ausência de intimação do contribuinte para informar qual sua opção de tributação após exclusão do Simples Nacional, e também pela ausência do “relatório circunstanciado” para emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira a que alude o art. 4º, § 6º, do Decreto nº 3.724/2001. Ataca ainda a obtenção de extratos bancários diretamente pelo Fisco em afronta à Constituição Federal, citando recente precedente do STF a respeito do tema. Argui ainda a nulidade por ausência de diligências e perícias (cerceamento do direito de defesa), renovando seu pedido de perícia, com a indicação dos quesitos que entende cabíveis e indicando seu assistente técnico. No mérito, questiona o lançamento com base em depósitos bancários, requerendo o cancelamento da autuação. Subsidiariamente, requer a redução do valor lançado com base em percentual pactuado para prestações de serviços a que se referem determinados depósitos. É o relatório.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

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Relatório MD CRED - INFORMAÇÕES CADASTRAIS LTDA. - ME recorre a este Conselho em face do acórdão nº 01-28.081 proferido pela 1ª Turma da DRJ em Belém que julgou improcedente a impugnação apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementando-o ao final: I – DO LANÇAMENTO Trata-se de auto de infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), de Programa de Integração Social (PIS), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), de Contribuição para o Financiamento da Seguridade (Cofins), e de Contribuição Patronal Previdenciária, referente ao ano-calendário de 2008, com os lançamentos discriminados no quadro 1 a seguir (principal, multa e juros, calculados até 11.2012). TRIBUTO IMPOSTO- R$ JUROS DE MORA- R$ MULTA – R$ TOTAL – R$ IRPJ 77.798,52 31.560,02 58.348,83 167.707,37 PIS 54.807,11 22.235,89 41.105,25 118.148,25 COFINS 238.734,87 97.312,92 179.051,08 515.098,87 CSLL 77.906,03 31.755,05 58.429,44 168.090,52 CONT. PREVIDENCIÁRIA PATRONAL 753.635,87 306.145,25 565.226,79 1.625.007,91 TOTAL 2.594.052,92 A impugnante tomou ciência do auto de Infração em 03/12/2012.(fls. 1341/1425). II– DAS INFRAÇÕES LANÇADAS 2. A Empresa foi autuada pelas seguintes infrações à legislação tributária, a saber: 2.1 – OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO ESCRITURADO Demonstramos abaixo os valores totais mensais que foram considerados pára a constituição do crédito tributário que correspondem às receitas brutas omitidas pelo sujeito passivo no ano-calendário de 2008: INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, e de CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. III - DA IMPUGNAÇÃO 3 - Em 28/12/2012, a Empresa apresentou impugnação ao Auto de infração (fls. 1427/1974), e alega em síntese: 3.1 – DAS PRELIMINARES 3.1.1 – TEMPESTIVIDADE Que a Impugnação é tempestiva; 3.1.2 – NULIDADE - DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - Na descrição dos fatos, incorreu-se em várias contradições e imprecisões; - Somando as receitas de prestações de serviços já declaradas na Declaração de ajuste anual da empresa autuada, e os depósitos bancários e os considerou como renda, e deposito bancário não é renda, ademais a Fiscalização não descreveu nenhuma transação ou negociação que gerasse renda; - É inconstitucional a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. A fiscalização extrapolou qualquer limite de discricionariedade por obter informações por meio ilícitos, contrariando o art. 30, da lei 9.784/99. Para este item a Impugnante menciona julgados judiciais; 3.2 – DO MÉRITO - Além das atividades descritas no Contrato Social, a empresa trabalhava como correspondente bancário, recebendo títulos e boletos de cobrança, contas de água, energia elétrica, IPTU, telefone, etc... O produto desses recebimentos era depositado inteiramente na conta da Impugnante no dia do recebimento e posteriomente repassado ao banco, no primeiro dia útil seguinte ou dia após, com o pagamento de juros. - O Contribuinte juntou inúmeros documentos que comprovam a licitude de suas movimentações financeiras; - Foi desprezado pela Fiscalização o fato da empresa Visão Empreendimentos Imobiliários S/C Ltda, diante de inúmeras dificuldades financeiras e, assim, impedida de movimentar valores em sua conta corrente, repassou à empresa Impugnante, seu contrato de correspondente bancário com o Banco Santander; - Resta comprovado na DIMOB, a existência da movimentação apontada, e que estes valores, refletem as verdades dos fatos, que decorreria em nova fiscalização na Imobiliária Visão( ver documentação anexa): Todas as receitas decorrentes da locação e administração dos imóveis da empresa Visão Empreendimentos S/C Ltda. Foram regulamente registradas nas DIPJ e na DIMOB, e a remuneração que constitui a receita operacional da empresa são percentuais de 10% incidentes sobre valores dos aluguéis administrados........................................................................................................... Portanto, a empresa impugnante não percebe qualquer remuneração pela administração dos valores de IPTU recebidos e repassados à Prefeitura Municipal de Tupã. - Os valores de juros e honorários advocatícios, eram depositados na conta corrente da impugnante para serem repassados aos proprietários dos imóveis; - Foi solicitado ao Banco Santanter que apresentasse documentos, que comprovasse a relação negocial entre a empresa Visão S/C, e a impugnante através de depósitos de cheques na Conta do Banco do Brasil da Impugnante, e não foi atendido. Solicitou a expedição de ofício ao referido banco para apresentar os documentos requeridos. - Que grande parte da movimentação financeira foi proveniente de depósitos bancários e pagamento do sistema PagPerto, e inúmeros empréstimos feitos por um dos sócios da empresa com retorno imediato dos valores emprestados no final do dia; - Não deveria considerar os depósitos bancários como receitas, sem a comprovação de qualquer variação patrimonial; - Não seria coerente a Auditoria considerar que a Impugnante faturasse ou obtivesse rendimento exorbitante, e suas contas corrente apresentasse saldos devedores; - A maioria dos depósitos foram oriundos de transferências de contas pertencentes à Impugnante, e de seu sócio diretor; 3.3 – DO PEDIDO DE DILIGÊNCIAS, E PERÍCIAS Requer diligências: .....inúmeros cheques foram emitidos pela Visão Empreendimentos Imobiliários S/C Ltda, Banco Santander, depositados na conta do Banco do Brasil, de titularidade da impugnante, conforme fazem prova as cópias dos emais em anexo, bem como inúmeros requerimentos dirigidos ao Banco Santander para apresentação de microfilmagem de tais títulos, simplesmente não foram apresentados nem, tampouco, justificados pela instituição financeira. 1 – a expedição de oficio ao Banco Santander, afim de apresentar perante esta entidade, os documentos requeridos para o justo abatimentos dos valores; 2 – para que seja ordenado aos Bancos Santander e Banco do Brasil de Tupã, que centamente oferecerá as informações em quais contas foram depositados os supra mencionados cheques; Requer perícias: ......Como já comprovado nessa impugnação, houve inúmeras incorreções e incongruências em planilhas numéricas apresentadas pela autoridade fiscal, o que não pode ser validade por Vossas Excelências, sem o deferimento uma perícia. - A impugnante aponta os quesitos, e indica o Sr. LUIZ VIERA ROCHA, CRC nº 1SP-051712/0/6 para atuar como perito da empresa. Requer ainda: - que todas as notificações sejam encaminhadas nas pessoas de MARCOS ROBERTO IGNÁCIO, OAB/SP 102.812, ou de RODRIGO IBANHES VIEIRA, ambos com endereço na Rua Caetés 805, centro, Tupã, SP, CEP 17.600-410, sob pena de nulidade; - Juntada de novos documentos; 3.4 – A Impugnante, ao fundamentar seus argumentos, menciona decisões administrativas e judiciais. O contribuinte foi cientificado da decisão em 05 de março de 2014 (fl. 2030), apresentando recurso voluntário de fls. 2031-2084 em 05 de abril de 2014. Em síntese, reafirma os argumentos de sua impugnação, requerendo a declaração de nulidade dos autos de infração em razão da ausência de intimação do contribuinte para informar qual sua opção de tributação após exclusão do Simples Nacional, e também pela ausência do “relatório circunstanciado” para emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira a que alude o art. 4º, § 6º, do Decreto nº 3.724/2001. Ataca ainda a obtenção de extratos bancários diretamente pelo Fisco em afronta à Constituição Federal, citando recente precedente do STF a respeito do tema. Argui ainda a nulidade por ausência de diligências e perícias (cerceamento do direito de defesa), renovando seu pedido de perícia, com a indicação dos quesitos que entende cabíveis e indicando seu assistente técnico. No mérito, questiona o lançamento com base em depósitos bancários, requerendo o cancelamento da autuação. Subsidiariamente, requer a redução do valor lançado com base em percentual pactuado para prestações de serviços a que se referem determinados depósitos. É o relatório.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13830.722700/2012­70  Resolução nº  1402­000.303  S1­C4T2  Fl. 2.110          2 Relatório   MD  CRED  ­  INFORMAÇÕES  CADASTRAIS  LTDA.  ­  ME  recorre  a  este  Conselho  em  face  do  acórdão  nº  01­28.081  proferido  pela  1ª Turma da DRJ  em Belém que  julgou improcedente a impugnação apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo  33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF).  Por  bem  retratar  o  litígio,  adoto  o  relatório  da  decisão  recorrida,  complementando­o ao final:  I – DO LANÇAMENTO  Trata­se  de  auto  de  infração  de  Imposto  de  Renda  de  Pessoa  Jurídica  (IRPJ),  de  Programa  de  Integração  Social  (PIS),  de  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL),  de  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  (Cofins),  e  de  Contribuição  Patronal  Previdenciária,  referente  ao  ano­calendário  de  2008,  com  os  lançamentos  discriminados  no  quadro  1  a  seguir  (principal,  multa  e  juros,  calculados  até  11.2012).  TRIBUTO  IMPOSTO­ R$  JUROS DE MORA­  R$  MULTA – R$  TOTAL – R$  IRPJ  77.798,52  31.560,02  58.348,83  167.707,37  PIS  54.807,11  22.235,89  41.105,25  118.148,25  COFINS  238.734,87  97.312,92  179.051,08  515.098,87  CSLL  77.906,03  31.755,05  58.429,44  168.090,52  CONT.  PREVIDEN CIÁRIA  PATRONAL  753.635,87  306.145,25  565.226,79  1.625.007,91  TOTAL        2.594.052,92  A  impugnante  tomou  ciência  do  auto  de  Infração  em  03/12/2012.(fls. 1341/1425).  II– DAS INFRAÇÕES LANÇADAS  2. A Empresa foi autuada pelas seguintes  infrações à legislação  tributária, a saber:  2.1 – OMISSÃO DE RECEITA  DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO ESCRITURADO  Demonstramos  abaixo  os  valores  totais  mensais  que  foram  considerados  pára  a  constituição  do  crédito  tributário  que  correspondem  às  receitas brutas omitidas pelo sujeito passivo no ano­calendário de 2008:  Fl. 2110DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13830.722700/2012­70  Resolução nº  1402­000.303  S1­C4T2  Fl. 2.111          3   INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, e  de CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL.  III ­ DA IMPUGNAÇÃO  3 ­ Em 28/12/2012, a Empresa apresentou  impugnação ao Auto  de infração (fls. 1427/1974), e alega em síntese:  3.1 – DAS PRELIMINARES  3.1.1 – TEMPESTIVIDADE  Que a Impugnação é tempestiva;  3.1.2 – NULIDADE ­ DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE  DEFESA  ­  Na  descrição  dos  fatos,  incorreu­se  em  várias  contradições  e  imprecisões;  ­ Somando as receitas de prestações de serviços já declaradas na  Declaração de ajuste anual da empresa autuada, e os depósitos  bancários e os considerou como renda, e deposito bancário não é  renda, ademais a Fiscalização não descreveu nenhuma transação  ou negociação que gerasse renda;  ­ É inconstitucional a quebra do sigilo bancário sem autorização  judicial.  A  fiscalização  extrapolou  qualquer  limite  de  discricionariedade  por obter  informações por meio  ilícitos,  contrariando o art. 30,  da lei 9.784/99.  Para este item a Impugnante menciona julgados judiciais;  Fl. 2111DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13830.722700/2012­70  Resolução nº  1402­000.303  S1­C4T2  Fl. 2.112          4 3.2 – DO MÉRITO  ­  Além  das  atividades  descritas  no  Contrato  Social,  a  empresa  trabalhava  como  correspondente  bancário,  recebendo  títulos  e  boletos  de  cobrança,  contas  de  água,  energia  elétrica,  IPTU,  telefone, etc...  O  produto  desses  recebimentos  era  depositado  inteiramente  na  conta  da  Impugnante  no  dia  do  recebimento  e  posteriomente  repassado  ao  banco,  no  primeiro  dia  útil  seguinte  ou  dia  após,  com  o  pagamento de juros.  ­ O Contribuinte juntou inúmeros documentos que comprovam a  licitude de suas movimentações financeiras;  ­  Foi  desprezado  pela  Fiscalização  o  fato  da  empresa  Visão  Empreendimentos  Imobiliários  S/C  Ltda,  diante  de  inúmeras  dificuldades  financeiras  e,  assim,  impedida  de  movimentar  valores em sua conta corrente, repassou à empresa Impugnante,  seu  contrato  de  correspondente  bancário  com  o  Banco  Santander;  ­  Resta  comprovado  na DIMOB,  a  existência  da movimentação  apontada, e que estes valores, refletem as verdades dos fatos, que  decorreria  em  nova  fiscalização  na  Imobiliária  Visão(  ver  documentação anexa):  Todas  as  receitas  decorrentes  da  locação  e  administração  dos  imóveis  da  empresa  Visão  Empreendimentos  S/C  Ltda.  Foram  regulamente  registradas  nas DIPJ  e  na DIMOB,  e  a  remuneração  que  constitui  a  receita  operacional  da  empresa  são  percentuais  de  10%  incidentes  sobre  valores  dos  aluguéis  administrados.................................................................. .........................................  Portanto, a empresa impugnante não percebe qualquer  remuneração pela administração dos valores de IPTU  recebidos  e  repassados  à  Prefeitura  Municipal  de  Tupã.  ­  Os  valores  de  juros  e  honorários  advocatícios,  eram  depositados  na  conta  corrente  da  impugnante  para  serem  repassados aos proprietários dos imóveis;  ­  Foi  solicitado  ao  Banco  Santanter  que  apresentasse  documentos,  que  comprovasse  a  relação  negocial  entre  a  empresa  Visão  S/C,  e  a  impugnante  através  de  depósitos  de  cheques na Conta do Banco do Brasil da Impugnante, e não foi  atendido.  Fl. 2112DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13830.722700/2012­70  Resolução nº  1402­000.303  S1­C4T2  Fl. 2.113          5 Solicitou  a  expedição  de  ofício  ao  referido  banco  para  apresentar os documentos requeridos.  ­ Que grande parte da movimentação  financeira  foi proveniente  de  depósitos  bancários  e  pagamento  do  sistema  PagPerto,  e  inúmeros empréstimos feitos por um dos sócios da empresa com  retorno imediato dos valores emprestados no final do dia;  ­ Não deveria considerar os depósitos bancários  como receitas,  sem a comprovação de qualquer variação patrimonial;  ­  Não  seria  coerente  a  Auditoria  considerar  que  a  Impugnante  faturasse  ou  obtivesse  rendimento  exorbitante,  e  suas  contas  corrente apresentasse saldos devedores;  ­  A maioria  dos  depósitos  foram  oriundos  de  transferências  de  contas pertencentes à Impugnante, e de seu sócio diretor;  3.3 – DO PEDIDO DE DILIGÊNCIAS, E PERÍCIAS   Requer diligências:    .....inúmeros  cheques  foram  emitidos  pela  Visão  Empreendimentos  Imobiliários  S/C  Ltda,  Banco  Santander,  depositados  na  conta  do  Banco  do  Brasil,  de  titularidade  da  impugnante,  conforme  fazem prova  as  cópias  dos  emais  em  anexo,  bem  como  inúmeros  requerimentos  dirigidos  ao  Banco  Santander  para  apresentação  de  microfilmagem  de  tais  títulos,  simplesmente não foram apresentados nem, tampouco,  justificados pela instituição financeira.  1  –  a  expedição  de  oficio  ao  Banco  Santander,  afim  de  apresentar perante esta entidade, os documentos requeridos para  o justo abatimentos dos valores;  2  –  para  que  seja  ordenado  aos Bancos  Santander  e  Banco  do  Brasil  de  Tupã,  que  centamente  oferecerá  as  informações  em  quais contas foram depositados os supra mencionados cheques;  Requer perícias:  ......Como  já  comprovado  nessa  impugnação,  houve  inúmeras  incorreções  e  incongruências  em  planilhas  numéricas  apresentadas  pela  autoridade  fiscal,  o  que  não  pode  ser  validade  por Vossas Excelências,  sem o  deferimento uma perícia.  ­ A  impugnante aponta os quesitos,  e  indica o Sr. LUIZ VIERA  ROCHA,  CRC  nº  1SP­051712/0/6  para  atuar  como  perito  da  empresa.  Requer ainda:  Fl. 2113DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13830.722700/2012­70  Resolução nº  1402­000.303  S1­C4T2  Fl. 2.114          6 ­ que  todas as notificações  sejam encaminhadas nas pessoas de  MARCOS  ROBERTO  IGNÁCIO,  OAB/SP  102.812,  ou  de  RODRIGO  IBANHES  VIEIRA,  ambos  com  endereço  na  Rua  Caetés  805,  centro,  Tupã,  SP,  CEP  17.600­410,  sob  pena  de  nulidade;  ­ Juntada de novos documentos;  3.4 – A Impugnante, ao fundamentar seus argumentos, menciona decisões  administrativas e judiciais.  O contribuinte  foi cientificado da decisão em 05 de março de 2014  (fl. 2030),  apresentando recurso voluntário de fls. 2031­2084 em 05 de abril de 2014.   Em  síntese,  reafirma  os  argumentos  de  sua  impugnação,  requerendo  a  declaração  de  nulidade  dos  autos  de  infração  em  razão  da  ausência  de  intimação  do  contribuinte para informar qual sua opção de tributação após exclusão do Simples Nacional, e  também  pela  ausência  do  “relatório  circunstanciado”  para  emissão  de  Requisição  de  Informações  sobre  Movimentação  Financeira  a  que  alude  o  art.  4º,  §  6º,  do  Decreto  nº  3.724/2001. Ataca ainda a obtenção de extratos bancários diretamente pelo Fisco em afronta à  Constituição  Federal,  citando  recente  precedente  do  STF  a  respeito  do  tema.  Argui  ainda  a  nulidade por ausência de diligências e perícias (cerceamento do direito de defesa), renovando  seu  pedido  de  perícia,  com  a  indicação  dos  quesitos  que  entende  cabíveis  e  indicando  seu  assistente  técnico.  No  mérito,  questiona  o  lançamento  com  base  em  depósitos  bancários,  requerendo o cancelamento da autuação. Subsidiariamente, requer a redução do valor lançado  com base em percentual pactuado para prestações de serviços a que se referem determinados  depósitos.  É o relatório.  Fl. 2114DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13830.722700/2012­70  Resolução nº  1402­000.303  S1­C4T2  Fl. 2.115          7 Voto   Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator.  O recurso é  tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade.  Dele, portanto, tomo conhecimento.  Os  autos  de  infração  lavrados  são  decorrentes  da  exclusão  do  contribuinte  do  Simples Nacional.  Assim, para que se julgue a presente exigência, faz­se necessário analisar se a tal  exclusão se deu na forma exigida pela legislação.  Ocorre  que  tanto  o  processo  de  exclusão  do  Simples  Nacional  (13830.722759/2012­68),  encontram­se  nesta  data  aguardando  distribuição  para  uma  das  câmaras/turmas da 1ª Seção do CARF.  Nesse  contexto,  voto  por  sobrestar  os  presentes  autos,  aguardando  que  sejam  distribuídos a esta turma o processo 13830.722759/2012­68 para que eu também o relate para  futuro julgamento conjunto dos feitos.     (assinado digitalmente)  FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator    Fl. 2115DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO

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Numero do processo: 11080.918976/2012-56
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 25/05/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918976/2012­56  Acórdão n.º 3801­005.143  S3­TE01  Fl. 3          2 Não  compete  aos  julgadores  administrativos  pronunciar­se  sobre  a  inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso voluntário. Participou do  julgamento o Conselheiro  Jacques Mauricio  Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da  Silveira que se declarou impedido    (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Paulo Sérgio Celani ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Flávio  de  Castro  Pontes, Marcos  Antônio  Borges,  Paulo  Sérgio  Celani, Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva  Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.    Relatório  Inicialmente, esclarece­se que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da  3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que  o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento  indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste  direito.  Feitas estas observações, passa­se ao relato propriamente dito.  Trata­se  de  recurso  voluntário  apresentado  contra  decisão  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Curitiba­DRJ/CTA  que  julgou  improcedente  manifestação  de  inconformidade  apresentada  contra  despacho decisório  da Delegacia  da Receita  Federal do Brasil de origem.  O  processo  se  iniciou  com  PER/DCOMP,  por  meio  do  qual  a  contribuinte  pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de  tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado.  Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918976/2012­56  Acórdão n.º 3801­005.143  S3­TE01  Fl. 4          3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF  informado  no  PER/DCOMP,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  utilizados  para  quitação  de  débitos  da  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  suficiente  para  compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.  Assim,  diante  da  inexistência/insuficiência  de  crédito,  a  compensação  declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente.  Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172  de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996,  conforme quadro  “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”  do  despacho decisório “  Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas  pela contribuinte contra o despacho decisório:  “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade  do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da  fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa,  contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de  finalidade.  Expõe  que  o  ato  administrativo  resumiu­se  a  informar  a  não  homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de  crédito  disponível;  entende  que  o  procedimento  correto  da  fiscalização  seria  o  de  intimar  a  contribuinte  para  que  prestasse  informações  sobre  a  origem  do  crédito,  bem como do  fundamento de validade; e  ressalta a necessidade de  fundamentação  ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e  moralidade  administrativa.  Alega  que  o  Despacho  Decisório  não  se  presta  a  dar  início  ao  contraditório  administrativo,  eis  que  carente  de  fundamentação,  restando  prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua,  tornando­se meio  oblíquo  pelo  qual  a  fiscalização  buscou  interromper  o  prazo  de  homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou  de  cumprir  seu  dever  de  ofício  de  bem  instruir  o  procedimento  fiscal,  como  a  solicitação  de  informações,  apreensão  de  documentos,  diligências,  dentre  outros  expedientes.  Sob  o  tema  “Do  Mérito”,  discorre  especificamente  sobre  o  princípio  da  verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do  suposto  crédito,  apenas  alegando  a  posterior  juntada  de  documentos  que  comprovariam  as  ‘alegações  trazidas  na  presente  manifestação’,  eis  que  o  direito  creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo.  Por  fim,  argumenta  sobre  a  inaplicabilidade  da  multa  de  mora  em  face  do  princípio  constitucional  de  não  confisco  e  dos  princípios  administrativos  da  razoabilidade e da proporcionalidade..  A  ementa  do  acórdão  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento em Curitiba­DRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade  contém o seguinte teor:  “ASSUNTO: ...  Data do Fato Gerador: ...  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  INTIMAÇÃO  PARA  ESCLARECIMENTOS.  Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918976/2012­56  Acórdão n.º 3801­005.143  S3­TE01  Fl. 5          4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase  preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de  defesa,  que  é  assegurado  na  fase  do  contraditório,  inaugurada  com  a  manifestação de inconformidade.  1PIS/PASEP.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  RECOLHIMENTO  VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.  Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada  por  inexistência  de  direito  creditório,  tendo  em  vista  que  o  recolhimento  alegado como origem do crédito  está  integral  e validamente  alocado para  a  quitação de débito confessado.  PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.   A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas  na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a  existência de direito creditório pleiteado.  MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS.  Os  débitos  indevidamente  compensados  sofrem  a  incidência  de  multa  e  juros  de  mora,  nos  percentuais  determinados  pela  legislação,  calculados  a  partir  do  primeiro  dia  subsequente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para  o  pagamento  da  contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma  vez  que  a  declaração  de  compensação  constitui  confissão  de  dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  dos  débitos não homologados.”  No  recurso  voluntário  a  recorrente  repete  as  alegações  da manifestação  de  inconformidade.  É o relatório.                                                              1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins,  consta COFINS. Nos processos em que o crédito  seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP.  Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918976/2012­56  Acórdão n.º 3801­005.143  S3­TE01  Fl. 6          5   Voto             Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator.  Admissibilidade do recurso voluntário.  O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta  turma especial.  Preliminar de nulidade do despacho decisório.  O processo se  iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual  informou  ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão.  A  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil­RFB,  baseando­se  em  dados  constantes  de  seus  sistemas  informatizados,  alimentados  por  informações  prestadas  pelo  próprio  contribuinte,  por  meio  de  declarações  fiscais  próprias,  constatou  que  o  pagamento  informado  foi  integralmente  utilizado  para  quitar  tributo  informado  em DCTF,  logo,  tributo  considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada.  Isto  está  claro  no  quadro  “3  –  FUNDAMENTAÇÃO,  DECISÃO  E  ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170  da  Lei  nº  5.172,  de  25/10/66  (CTN),  e  o  artigo  74  da  Lei  nº  9.430,  de  27/12/1996,  como  fundamentos para a não homologação da compensação.  No  mesmo  quadro  3,  consta  que  diante  da  inexistência  do  crédito  não  se  homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente  aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento.  Há,  ainda,  a  informação  de  que  para  verificação  de  valores  devedores  e  emissão  de  DARF,  deveria  ser  consultado  o  endereço  da  internet  “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na  opção “e­CAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”.  Logo,  não  procede  a  alegação  de  que  o  despacho  decisório  não  contém  fundamentação e de que houve desvio de finalidade.  Por outro  lado,  a manifestação de  inconformidade, a qual, por  força do art.  74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicam­se as regras previstas no Decreto nº 70.235, de  1972,  demonstra  que  a  contribuinte  exerceu  plenamente  seu  direito  ao  contraditório,  sem  nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa.  Por estas razões, vota­se por negar provimento às alegações preliminares.  Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918976/2012­56  Acórdão n.º 3801­005.143  S3­TE01  Fl. 7          6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado.  Conforme visto acima:  i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou  ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo;  ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a  maior  fora  integralmente  utilizado  para  quitar  tributo  informado  em  DCTF,  logo,  tributo  considerado devido;  iii)  Isto  está  claro  no  quadro  “3  –  FUNDAMENTAÇÃO,  DECISÃO  E  ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório;  iv)  Esta  constatação  baseou­se  em  dados  constantes  do  sistemas  informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por  meio de declarações fiscais próprias.  Uma  vez  que  o  pagamento  informado  como  indevido  ou  a  maior  estava  totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele  relativo não  prova a existência de crédito algum  A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação  fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado,  manteve o despacho decisório.  As  decisões  da  DRF  e  da  DRJ  estão  amparadas  no  fato  de  a  legislação  tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do  crédito  tributário  (art. 5º do Decreto­Lei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos  tributários  somente  pode  ser  efetuada  mediante  existência  de  créditos  líquidos  e  certos  do  interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário Nacional­CTN), e de a lei  que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve  ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972).  Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a  dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua  manifestação  de  inconformidade,  nenhum  documento  ou  livro  fiscal  ou  contábil  foi  apresentado com o recurso voluntário.  A recorrente limitou­se a discorrer sobre o princípio da verdade material.  Tratando­se  de  despacho  eletrônico,  admite­se  a  apresentação  destes  documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio  da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova  se destina a contrapor  fatos ou razões posteriormente  trazidas aos autos, hipótese prevista no  art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972.  O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum  documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito.  Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado.  Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918976/2012­56  Acórdão n.º 3801­005.143  S3­TE01  Fl. 8          7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que  ensejariam o crédito.  Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC,  aplicável  subsidiariamente  ao  caso,  que  determina  que  o  ônus  da  prova  incumbe  ao  autor  quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado.  Sobre multa e juros de mora  Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos  juros de mora e multa no presente caso. Cito:  “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na  legislação  específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa  de  trinta  e  três  centésimos  por  cento,  por  dia  de  atraso.  (Vide  Decreto nº 7.212, de 2010)  §1º A multa de que  trata este artigo será calculada a partir do  primeiro  dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que  ocorrer o seu pagamento.  §2º O  percentual  de multa  a  ser  aplicado  fica  limitado  a  vinte  por cento.  §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros  de mora  calculados  à  taxa  a  que  se  refere  o  §  3º do  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento  do  prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998)  (Vide Lei nº 9.716, de 1998)”  “Art.  74.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e  contribuições  administrados  por  aquele  Órgão.(Redação  dada  pela Lei nº 10.637, de 2002)   §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante  a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão  informações  relativas  aos  créditos  utilizados  e  aos  respectivos  débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)   §2º A  compensação declarada à  Secretaria  da Receita Federal  extingue  o  crédito  tributário,  sob  condição  resolutória  de  sua  ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)   (...)  §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  dos  débitos  Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918976/2012­56  Acórdão n.º 3801­005.143  S3­TE01  Fl. 9          8 indevidamente  compensados.  (Incluído  pela  Lei  nº  10.833,  de  2003)   §7º  Não  homologada  a  compensação,  a  autoridade  administrativa deverá cientificar o  sujeito passivo e  intimá­lo a  efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato  que  não a  homologou,  o  pagamento  dos  débitos  indevidamente  compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003)   §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito  será  encaminhado  à  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto  no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003)   §9º  É  facultado  ao  sujeito  passivo,  no  prazo  referido  no  §  7º,  apresentar  manifestação  de  inconformidade  contra  a  não­ homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de  2003)   §10.  Da  decisão  que  julgar  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  caberá  recurso  ao  Conselho  de  Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003)   §11.  A  manifestação  de  inconformidade  e  o  recurso  de  que  tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº  70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram­se no disposto no  inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 ­  Código  Tributário Nacional,  relativamente  ao  débito  objeto  da  compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003)   (...)”  Veja­se que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação  constitui  confissão  de  dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  dos  débitos  indevidamente  compensados  e  que,  não  homologada  a  compensação  e  não  efetuado  o  pagamento  no  prazo  previsto  no  §7º,  o  débito  será  encaminhado  à  Procuradoria­Geral  da  Fazenda Nacional  para  inscrição  em Dívida Ativa  da União,  sendo devidos  juros  de mora  e  multa.  A  exigência  do  pagamento  destes  débitos  não  se  submete  a  julgamento  administrativo.  Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de  observar  lei  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade,  salvo  em  casos  excepcionais  não  presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado  pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009,  e do disposto no art. 26­A da Decreto nº 70.235, de  1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009.  O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis:  Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918976/2012­56  Acórdão n.º 3801­005.143  S3­TE01  Fl. 10          9 Conclusão  Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de  crédito  líquido  e  certo,  voto  por  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  mantendo­se  a  decisão recorrida.  (assinado digitalmente)  Paulo Sergio Celani.                              Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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5958963 #
Numero do processo: 10855.003410/2003-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998 DÉBITOS INDICADOS EM DCTF. LANÇAMENTO. NECESSIDADE. ART. 90 DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.158-35/2001. O art. 90 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, vigente à época do autuação, impunha a necessidade de constituição das diferenças decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, verificados em declaração prestada pelo sujeito passivo. Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-002.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Bernardo Leite de Queiroz Lima. Júlio Césaer Alves Ramos - Presidente Robson José Bayerl - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1948; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 10          1 9  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10855.003410/2003­66  Recurso nº  238.984   Voluntário  Acórdão nº  3401­002.935  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de março de 2015  Matéria  COFINS  Recorrente  FRANGO ATIBAIA LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998  PRESCRIÇÃO.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  INOCORRÊNCIA.  A apresentação de recurso administrativos, nos termos das leis reguladoras do  processo  tributário  administrativo,  suspende  a  exigibilidade  do  crédito  tributário e, por decorrência  lógica,  impede o  início do prazo prescricional,  até o encerramento do contencioso administrativo.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998  DÉBITOS  INDICADOS  EM  DCTF.  LANÇAMENTO.  NECESSIDADE.  ART. 90 DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.158­35/2001.  O  art.  90  da  Medida  Provisória  nº  2.158­35/2001,  vigente  à  época  do  autuação,  impunha a necessidade de constituição das diferenças decorrentes  de  pagamento,  parcelamento,  compensação  ou  suspensão  de  exigibilidade,  indevidos  ou  não  comprovados,  verificados  em  declaração  prestada  pelo  sujeito passivo.  Recurso voluntário negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria,  negar  provimento  ao  recurso. Vencido o Conselheiro Bernardo Leite de Queiroz Lima.    Júlio Césaer Alves Ramos ­ Presidente     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 34 10 /2 00 3- 66Fl. 179DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     2   Robson José Bayerl ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Júlio  César  Alves  Ramos,  Jean Cleuter  Simões Mendonça, Robson  José Bayerl, Eloy Eros  da Silva Nogueira,  Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.  Relatório  Cuida­se  de  auto  de  infração  eletrônico,  período  de  apuração  janeiro/1998  a  março/1998, devido à não localização dos respectivos pagamentos.  Em  impugnação o contribuinte alegou  improcedência do  lançamento de ofício  em  razão  de  os  débitos  encontrarem­se  informados  em  DCTF  e,  também,  ocorrência  de  prescrição da ação de cobrança.  A DRJ Ribeirão Preto/SP manteve o  lançamento com fulcro no art. 90 da MP  2.158­35/2001, rechaçando a ocorrência da prescrição, embasado no art. 151 e 174 do CTN, e  afastou a multa de ofício, em observância ao art. 18 da Lei nº 10.833/03 c/c art. 106, II, “c” do  CTN.  Em recurso voluntário o contribuinte insistiu na impossibilidade do lançamento  de ofício e da verificação da prescrição, ratificando o recurso inaugural.  A 4ª Turma Especial do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, através do  Acórdão 294­00.167, de 10/02/2009, deu provimento ao recurso para declarar decaído o direito  da Fazenda Nacional à constituição do crédito tributário, com fulcro na Súmula Vinculante nº 8  do Supremo Tribunal Federal.  Esta  decisão  foi  objeto  de  recurso  especial  manobrado  pela  PFN,  cuja  3ª  Turma/CSRF,  Acórdão  9303­002.301,  de  19/06/2013,  reformou­a  aplicando  o  art.  62­A  do  RICARF, em razão do julgamento do REsp 973.733, na sistemática do recurso repetitivo, razão  pela qual retornaram os autos para exame de mérito.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Robson José Bayerl, Relator  O  juízo  de  admissibilidade  do  recurso  ora  examinado  já  foi  realizado  por  ocasião do seu primeiro julgamento.  Ultrapassada a preambular de decadência do direito à constituição do crédito  tributário, resta a este colegiado avaliar a desnecessidade do lançamento, em razão do débito  encontrar­se informado em DCTF, e a suposta ocorrência de prescrição da ação de cobrança.  Primeiramente,  acentuo  que,  à  época  da  lavratura  do  presente  auto  de  infração vigia o art. 90 da Medida Provisória nº 2.158­35/2001, que impunha a realização de  Fl. 180DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10855.003410/2003­66  Acórdão n.º 3401­002.935  S3­C4T1  Fl. 11          3 lançamento para cobrança de diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo,  decorrentes  de  pagamento,  parcelamento,  compensação  ou  suspensão  de  exigibilidade,  indevidos ou não comprovados.  Considerando  que  os  pagamentos  não  foram  localizados  e  sequer  comprovados no curso do processo, mas apenas alegados, por determinação legal, necessária a  realização  do  competente  lançamento,  ainda  que  indicados  os  débitos  em  Declaração  de  Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF.  Respeitante,  à  prescrição  da  ação  de  cobrança,  tendo  em  vista  que  o  contencioso  administrativo  ainda  não  se  encerrou,  seu  prazo  qüinqüenal  sequer  começou  a  fluir, não havendo qualquer inércia da Fazenda Nacional a caracterizar sua ocorrência.  Isto  se  dá  por  força  das  disposições  do  art.  151,  III  do  Código  Tributário  Nacional, que prevê a suspensão da exigibilidade do crédito tributário ante a  interposição de  recursos administrativos, nos termos das leis reguladoras do processo administrativo fiscal.  Logicamente,  a  suspensão  da  exigibilidade  nesta  circunstância  impede  a  fluência  do  prazo  prescricional,  que  sequer  se  inicia,  na  precisa  lição  de  Paulo  de  Barros  Carvalho1:  “Suspensão  no  curso  do  prazo  prescricional  não  é  a  mesma  ciosa que suspensão da exigibilidade do crédito tributário. (...).  Para que se suspenda o lapso de tempo que leva à prescrição é  imperativo  lógico que ele  tenha se  iniciado, e, nem sempre que  ocorre a sustação da exigibilidade, o tempo prescricional já terá  começado  a  correr.  Modelo  significativo  dessa  disparidade  encontramos no caso de impugnações e recursos interpostos nos  termos  das  leis  reguladoras  do  procedimento  administrativo  tributário.  Lavrado  o  ato  de  lançamento,  o  sujeito  passivo  é  notificado, por exemplo, a recolher o débito dentro de trinta dias  ou  a  impugná­lo  no  mesmo  espaço  de  tempo.  É  evidente  que  nesse  intervalo  a  Fazenda  ainda  não  está  investida  da  titularidade  da  ação  de  cobrança,  não  podendo,l  por  via  de  conseqüência,  ser  considerada  inerte.  Se  o  suposto  devedor  impugnar  a  exigência,  de  acordo  com  a  fórmula  do  procedimento  administrativo  específico,  a  exigibilidade  ficará  suspensa, mas o prazo de prescrição não terá sequer iniciado.”  Em face de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário.     Robson José Bayerl                                                              1 Curso de direito tributário. 10ª edição revista e aumentada. São Paulo: Saraiva, 1998, pág. 318.              Fl. 181DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     4                 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS

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Numero do processo: 10480.014480/2002-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA - CPMF Período de apuração: 02/04/1997 a 16/09/1998 ISENÇÃO. RECONHECIMENTO. PREENCHIMENTO DAS CONDIÇÕES. PROVA. REQUERIMENTO. OBRIGATORIEDADE. A isenção de tributos e contribuições, quando não concedida em caráter geral, depende da apresentação dos documentos exigidos pela Secretaria da Receita Federal, com os quais o interessado faz prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-01.675
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: CPMF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2012; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C1T2  Fl. 2          1 1  S3­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10480.014480/2002­64  Recurso nº  236.616   Voluntário  Acórdão nº  3102­001.675  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  28 de novembro de 2012  Matéria  CPMF ­ Falta de Recolhimento  Recorrente  DIACONIA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PROVISÓRIA  SOBRE  MOVIMENTAÇÃO  OU  TRANSMISSÃO  DE  VALORES  E  DE  CRÉDITOS  E  DIREITOS  DE  NATUREZA  FINANCEIRA ­ CPMF  Período de apuração: 02/04/1997 a 16/09/1998  ISENÇÃO.  RECONHECIMENTO.  PREENCHIMENTO  DAS  CONDIÇÕES. PROVA. REQUERIMENTO. OBRIGATORIEDADE.  A isenção de tributos e contribuições, quando não concedida em caráter geral,  depende da apresentação dos documentos exigidos pela Secretaria da Receita  Federal,  com  os  quais  o  interessado  faz  prova  do  preenchimento  das  condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para  sua concessão.  ALEGAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  APRECIAÇÃO.  INCOMPETÊNCIA.  É  vedado  aos  membros  das  turmas  de  julgamento  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para  se pronunciar  sobre a  inconstitucionalidade de lei tributária.   Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.  (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 01 44 80 /2 00 2- 64 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA     2 Luis Marcelo Guerra de Castro ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Ricardo Paulo Rosa ­ Relator.  EDITADO EM: 28/12/2012  Participaram da sessão de  julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra  de  Castro,  Nanci  Gama,  Ricardo  Paulo  Rosa,  Álvaro  Arthur  Lopes  de  Almeida  Filho,  Winderley Morais Pereira, e Helder Massaaki Kanamaru.  Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  Relatório  que  embasou  a  decisão  de  primeira instância, que passo a transcrever.  Contra a empresa já identificada no processo, foi lavrado o Auto de Infração  de  fls.  02/04  do  presente,  para  constituição  do  crédito  tributário  da  Contribuição  Provisória s/ Movimentação ou Transmissão de Valores e de Crédito e Direitos de  Natureza  Financeira  –  CPMF,  adiante  especificado,  referente  aos  fatos  geradores  compreendidos entre abril de 1997 e setembro de 1998:   2.  De  acordo  com  o  autuante,  o  referido  Auto  é  decorrente  da  falta  de  recolhimento  da  Contribuição  Provisória  s/  Movimentação  ou  Transmissão  de  Valores e de Crédito e Direitos de Natureza Financeira – CPMF, valores apurados  através  das  informações  apresentadas  pelas  instituições  responsáveis  pela  retenção  da mencionada Contribuição, conforme descrito à fl. 04.    3.  Inconformada  com  a  autuação,  a  contribuinte,  por  seus  procuradores,  instrumento, de  fl.  24,  apresentou a  impugnação  de  fls.  16/23 e  anexou cópia dos  documentos, de fls. 24/62, alegando que:    3.1 – a Diaconia é uma sociedade civil de caráter público, sem fins lucrativos  (entidade  filantrópica),  tendo  como  fonte  de  recursos  prioritariamente,  repasses  financeiros de entidades  internacionais, nacionais, do governo  federal e municipal.  Sendo uma entidade IMUNE, não tem sofrido a incidência da CPMF sobre as suas  movimentações financeiras;  3.2  –  a  Diaconia  possui  reconhecimento  de  Utilidade  Pública  Federal  conforme  Decreto  nº  71.209,  de  05  de  outubro  de  1972;  reconhecimento  de  Utiliadade Pública Estadual,  decretada pela Assembléia do Estado de Pernambuco  em 18 de março de 1974; reconhecimento de Utilidade Pública Municipal conforme  Lei  nº  12.394  de  16  de  novembro  de  1976  e  Certificado  de  Entidade  de  Fins  Filantrópicos  concedido  pelo  Conselho  Nacional  de  Assistência  Social  –  CNAS,  através  do  processo  nº  244.959/70  em  01  de  março  de  1971,  tendo  sido  este  certificado sistematicamente  renovado. Em sendo a Diaconia, entidade beneficente  de  assistência  social,  atende  todos os  requisitos necessários ao gozo da  imunidade  tributária;  3.3 – é imune de acordo com o art. 150, VI, “C” da Constituição Federal e art.  14 do Código Tributário Nacional – CTN, que exige atender cumulativamente a 3  (três) requisitos e, ainda, art. 195 e parágrafo único da CF/1988;  3.4  –  ante  o  exposto,  espera  e  requer  a  impugnante  que  seja  acolhida  a  presente  impugnação  para  o  fim  de  ser  decidido,  cancelando­se  o  débito  fiscal  reclamado.  Fl. 212DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10480.014480/2002­64  Acórdão n.º 3102­001.675  S3­C1T2  Fl. 3          3 Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso  Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.  Assevera  não  ter  ingressado  em  Juízo  com  vistas  ao  não  recolhimento  da  contribuição discutida, como entendeu a Fiscalização Federal,  conforme Descrição dos Fatos  do Auto de Infração.   Que,  ao  contrário  de  como  entendeu  a  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento,  há  comprovação  da  data  de  recebimento  da  declaração  a  que  estava  obrigada  à  folha 48 do processo.   Que a Lei “não trouxe qualquer obrigatoriedade de preenchimento de meros  formulários  para  o  não  recolhimento  de  CPMF  de  entidades  beneficentes  de  assistência  social”.  Refere­se  à  desproporcionalidade  entre  a  penalidade  aplicada  e  a  infração  supostamente cometida. Ausência de dano ao Erário.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.  Preenchidos  os  requisitos  de  admissibilidade,  tomo  conhecimento  do  Recurso.  Algumas  das  considerações  aduzidas  aos  autos  em  sede  de  Recurso  Voluntário  devem  ser  desde  logo  refutadas.  Assim  é  em  relação  à  desproporcionalidade  do  valor  das  multas  aplicadas  e  à  ausência  de  dano  ao  Erário.  A  uma,  por  que  tais  princípios  decorrem  de  disposição  constitucional  e,  assim,  encerram  juízo  que  esbarra  em  proibição  expressa do Regimento deste Conselho.   a)  Art. 62. Fica vedado aos membros das  turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional,  lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.  b)  Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de  tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  c)  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou  d)  II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  e)  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n°  10.522, de 19 de julho de 2002;  f)  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei Complementar n° 73, de 1993; ou  Fl. 213DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA     4 g)  c) parecer do Advogado­Geral da União aprovado pelo Presidente  da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993.  É defeso a esta corte administrativa, salvo as hipóteses expressamente previstas  no parágrafo único do  artigo 62  supracitado, deixar de aplicar dispositivo  legal  formalmente  válido sob pretexto de suposta violação constitucional ou princípios nela resguardados.  Ademais,  vale  transcrever  ensinamento  contido  no  texto  de  coautoria  de  Anderson  Furlan  e  Andrei  Pitten  Velloso,  quanto  à  função  das  normas  e  dos  princípios  no  ordenamento jurídico.  Para  tanto,  é  válido  recorrer  às  conhecidas  definições  de  Dworkin  e  Alexy.  Para  aquele,  as  regras  são  aplicáveis  de  maneira  disjunta,  num modo “tudo­ou­nada”  (in  all­or­nothing  fashion),  conferindo  uma  resposta  precisa  a  uma  situação  específica, enquanto que dos princípios jurídicos não se seguem  automaticamente consequências jurídicas predeterminadas, pois  se  limitam  a  dispor  sobre  uma  razão  que  indica  uma  direção,  sem exigir uma decisão em particular. Alexy também concebe as  regras como normas que somente podem ser cumpridas ou não,  mas define os princípios  como mandados de otimização,  isto é,  normas  que  determinam  a  máxima  realização  dos  seus  fins,  dentro  das  possibilidades  fáticas  e  jurídicas  existentes.  Nessas  concepções, a diferença fundamental entre princípios e regras é  que aqueles, diferentemente destas, são ponderáveis: os conflitos  entre princípios resolvem­se pela ponderação; e os entre regras,  mediante  a  aplicação  de  regras  de  prevalência,  que  atuam  no  plano da validade.  De  se  acrescentar  que  nem  mesmo  os  argumentos  esposados  pela  defesa  discordam dessa linha de entendimento. Como se vê adiante, a própria Recorrente protesta pela  adequada  atuação  do  Poder  Legislativo,  a  quem,  de  fato,  estão  dirigidos  os  princípios  constitucionais.  O que se exige do Legislador brasileiro, é que se faça uma dosagem correta da  proporção  e  da  progressividade  de  um  tributo  de  modo  a  não  violar  a  regra  constitucional referente a capacidade contributiva. A vedação constitucional aplica­ se à cobrança das obrigações tributarias, sejam elas principais ou acessórias.  No  que  diz  respeito  à  ausência  de  dano,  de  se  observar  que  o  artigo  136  do  Código  Tributário  Nacional  esclarece  que  a  responsabilidade  pela  infração  independe  da  extensão de seus efeitos.  Art.  136.  Salvo  disposição  de  lei  em  contrário,  a  responsabilidade  por  infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável  e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.  A multa aplicada, no percentual de 75% do valor da Contribuição é inferior à  que vigia na época dos fatos. Corretamente, a Fiscalização Federal aplicou a retroação benigna  da Lei que comina penalidade menos severa, no caso, a MP 2.158­35/01.  Superadas essas questões, examino o lançamento no mérito.  Foi  a  Lei  9.311/96  o  diploma  legal  que  concedeu  isenção  às  entidades  beneficentes de assistência social.  Fl. 214DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10480.014480/2002­64  Acórdão n.º 3102­001.675  S3­C1T2  Fl. 4          5 Art. 3° A contribuição não incide:   (...)  V ­ sobre a movimentação financeira ou transmissão de valores e de créditos e  direitos de natureza financeira das entidades beneficentes de assistência social, nos  termos do § 7° do art. 195 da Constituição Federal.  O  artigo  19  da  Lei  outorgou  à  Secretaria  da  Receita  Federal  e  ao  Banco  Central do Brasil a competência para baixar normas necessárias à sua execução.  Art.  19.  A  Secretaria  da  Receita  Federal  e  o  Banco  Central  do  Brasil,  no  âmbito  das  respectivas  competências,  baixarão  as  normas  necessárias  à  execução  desta Lei.  Por meio da Instrução Normativa nº 06/97, a Secretaria da Receita Federal se  desincumbiu dessa função. O parágrafo terceiro do artigo primeiro determinou a cobrança da  Contribuição  da  entidade  beneficente  de  assistência  social  que  descumprisse  as  exigências  fixadas no caput e parágrafos precedentes.   Art.  1º  Para  efeito  do  disposto  no  inciso V  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.311,  de  1996,  a  entidade  beneficente  de  assistência  social  deverá  apresentar  à  instituição  responsável  pela  retenção  da  Contribuição  Provisória  sobre  Movimentação  ou  Transmissão de Valores  e de Créditos  e Direitos de Natureza Financeira  ­ CPMF,  declaração, na forma do ANEXO ÚNICO, assinada pelo seu representante legal.   §  1º  A  declaração  será  emitida  em  duas  vias,  devendo  a  instituição  responsável  pela  retenção  da  contribuição  arquivar  a  primeira  via,  em  ordem  alfabética, e devolver a segunda via ao interessado, como recibo.   § 2º A  instituição  responsável pela  retenção da  contribuição  encaminhará  à  Secretaria da Receita Federal, até o último dia útil do mês de abril de 1997, relação,  em meio magnético, contendo o nome ou razão social e o número de  inscrição no  Cadastro Geral  de Contribuintes  do Ministério  da Fazenda  das  entidades  referidas  neste artigo.   §  3º  O  descumprimento  do  disposto  neste  artigo  implicará  a  cobrança  da  contribuição sobre os fatos geradores ocorridos até a data da entrega da declaração.  O artigo 179 do Código Tributário Nacional define os critérios e condições  para efetivação da isenção não concedida em caráter geral.  Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em  cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual  o  interessado  faça  prova  do  preenchimento  das  condições  e  do  cumprimento  dos  requisitos previstos em lei ou contrato para concessão.  § 1º Tratando­se de  tributo  lançado por período certo de  tempo, o despacho  referido  neste  artigo  será  renovado  antes  da  expiração  de  cada  período,  cessando  automaticamente os  seus efeitos  a partir  do primeiro dia do período para o qual o  interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção.  § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicando­se,  quando cabível, o disposto no artigo 155.  Fl. 215DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA     6 Art.  155.  A  concessão  da  moratória  em  caráter  individual  não  gera  direito  adquirido  e  será  revogado  de  ofício,  sempre  que  se  apure  que  o  beneficiado  não  satisfazia  ou  deixou  de  satisfazer  as  condições  ou  não  cumprira  ou  deixou  de  cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrando­se o crédito acrescido de  juros de mora:  I ­ com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do  beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele;  II ­ sem imposição de penalidade, nos demais casos.  Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o  tempo decorrido entre a  concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do  direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode  ocorrer antes de prescrito o referido direito.  Parece  claro  que  a  isenção  é  efetivada  por  despacho  da  autoridade  administrativa  em  requerimento  com  o  qual  o  interessado  faça  prova  do  preenchimento  das  condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão.  A  Recorrente  advoga  ausência  de  disposição  legal  tratando  da  obrigatoriedade de preenchimento de formulários para não recolhimento da CPMF, argumento  que  parece  ainda  reforçado  pelo  fato  de  a  Lei  9.311/96  ter­se  referido  à  edição  de  normas  necessárias à execução da Lei, nunca à efetivação da isenção. Contudo, conforme postulados  acima, a outorga da isenção depende de requerimento com o qual o interessado faça prova do  preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei. O formulário  exigido pelo Órgão Fiscalizador nada mais é do que o modelo definido para tanto. Ausente tal  solicitação, não vejo como reconhecer o direito, até mesmo porque nenhum outro documento  há para comprovar os requisitos e condições exigidos em Lei.  Quanto a isso, não socorre à Entidade o fato de existir data de recebimento da  declaração  à  folha  48  do  processo,  conforme  assevera  com  razão  em  sede  de  Recurso  Voluntário. Como está claro e pode ser confirmado da  leitura do documento, aquela não é a  declaração  exigida  na  Instrução  Normativa  nº  06/97.  Ainda mais,  a  data  da  transmissão  do  documento via fax é o dia 1º de novembro de 2002, muito posterior à data de ocorrência dos  fatos geradores objeto da presente autuação.  Finalmente,  quanto  à  inexistência  do  processo  judicial  referido  no Auto  de  Infração,  tenho  que  trata­se  de  um  equívoco  decorrente  da  interpretação  da  documentação  recebida do Banco, sem qualquer efeito na solução da lide.  VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário.  Sala de Sessões, 28 de novembro de 2012  (assinado digitalmente)  Ricardo Paulo Rosa – Relator.                            Fl. 216DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10480.014480/2002­64  Acórdão n.º 3102­001.675  S3­C1T2  Fl. 5          7     Fl. 217DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA

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Numero do processo: 11080.901010/2008-01
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/1997 a 28/02/1997 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não pode ser utilizado como argumento de defesa para reivindicar crédito no bojo de suposto pagamento efetuado anteriormente à vigência do dispositivo legal.
Numero da decisão: 3803-006.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/1997 a 28/02/1997 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não pode ser utilizado como argumento de defesa para reivindicar crédito no bojo de suposto pagamento efetuado anteriormente à vigência do dispositivo legal.

turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1952; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 106          1 105  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11080.901010/2008­01  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­006.876  –  3ª Turma Especial   Sessão de  28 de janeiro de 2015  Matéria  PIS ­ COMPENSAÇÃO  Recorrente  FERRAÇO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE FERRO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/02/1997 a 28/02/1997  RESTITUIÇÃO.  COMPENSAÇÃO.  CONDIÇÃO.  PROVA.  CERTEZA  E  LIQUIDEZ DO CRÉDITO.  A extinção de débitos mediante compensação declarada pelo sujeito passivo  condiciona­se  a  ulterior  comprovação  da  certeza  do  crédito  utilizado.  A  ausência da prova da existência do pagamento impossibilita o conhecimento  do recurso.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/02/1997 a 28/02/1997  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITO.  PAGAMENTO  A  MAIOR.  BASE  DE  CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL.  Os  valores  que,  computados  como  receita,  tenham  sido  transferidos  para  outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins,  não  pode  ser  utilizado  como  argumento de defesa para reivindicar crédito no bojo de suposto pagamento  efetuado anteriormente à vigência do dispositivo legal.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente  (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 10 10 /2 00 8- 01 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     2 Belchior Melo de Sousa ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Corintho  Oliveira  Machado,  Hélcio  Lafetá  Reis,    Belchior Melo  de  Sousa,  Paulo  Renato Mothes  de Moraes,  Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo.  Relatório  Trata o presente de recurso voluntário contra o acórdão da DRJ/Porto Alegre  que considerou improcedente a manifestação de inconformidade  Despacho  decisório  da  DRF/Porto  Alegre  não  homologou  a  compensação  declarada  pela  Contribuinte  por  inexistência  do  crédito  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  perante  a  Fazenda  Nacional,  não  tendo  o  órgão  de  origem  localizado  o  DARF  indicado  na  DComp.   Em  manifestação  de  inconformidade  a  Interessada  alegou  que  o  crédito  utilizado  era  decorrente  de  pagamento  indevido  sobre  valores  repassados  a  terceiros,  que  deveriam  ter  sido  excluídos  da  base  tributável,  com  base  no  art.  3°,  §  2º,  inciso  III,  da  Lei  9.718/1998.  Também  foi  alegado  que  houve  burla  à  lei  pela  falta  de  regulamentação  do  dispositivo retrocitado, o que geraria majoração.  Em  julgamento  da  lide,  a  DRJ  Porto  Alegre  considerou  que  o  dispositivo  legal invocado não atuou em sua eficácia, dada a falta de sua regulamentação pela RFB, tendo  sido  revogado  em  julho  de  2000.  Aduziu  também  que  a  Contribuinte  não  trouxe  aos  autos  qualquer documento comprobatório dos repasses, e, portanto, do direito alegado.  A decisão foi ementada com segue:   ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2007  RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO  Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação  —  Nos  termos  do  artigo  170  do  Código  Tributário  Nacional,  essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para  a efetivação do encontro de contas.  CONTROLE  DE  CONSTITUCIONALIDADE  ­  O  controle  de  constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento  é  de  competência  exclusiva  do  Poder  Judiciário  e,  no  sistema  difuso, centrado em última instância revisional no STF.  Compensação não Homologada  Cientificada da decisão em 24 de outubro de 2008, irresignada, a Interessada  apresentou  recurso  voluntário  em  24  de  novembro  de  2008,  em  que  reitera  os  mesmos  argumentos  da  manifestação  de  inconformidade,  sustentando,  adicionalmente,  o  seu  direito  com base na vacatio  legis  resultante da declaração de  inconstitucionalidade da parte  final do  art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98).  É o Relatório.  Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.901010/2008­01  Acórdão n.º 3803­006.876  S3­TE03  Fl. 107          3 Voto             Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  os  demais  requisitos  para  sua  admissibilidade, portanto dele conheço.  Tenha­se que somente no recurso voluntário foi apresentado o fundamento da  ocorrência de vacatio legis, resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do  art.  15,  in  fine,  da  MP  nº  1.212/95  (art.  18,  in  fine,  da  Lei  nº  9.715/98),  para  sustentar  a  legitimidade  do  crédito  utilizado  na  DComp.  Esta matéria  não  foi  prequestionada  perante  a  primeira  instância,  não  se  tendo  instaurado  quanto  a  ela  o  litígio.  Portanto,  não  pode  ser  conhecida.  Na  parte  que  se  conhece,  gize­se  que  passou  ao  largo  da  observação  do  d.  Julgador  a  quo  que  o motivo  da  não  homologação  da  compensação  declarada  foi  o  DARF  originador do crédito indicado na DComp não ter sido localizado.   O DARF  é  referente  ao  PA  fevereiro  de  1997.  Consta  na DComp  ter  sido  pago em 15 de março de 2004. Improvável que seja fato esta declaração. Daí o sistema não tê­ lo  localizado.  Assim,  apresentava­se  para  a  Manifestante,  primeiramente,  a  necessidade  de  provar o seu recolhimento, ainda que tivesse ocorrido em março de 1997. Esta prova haveria de  estar presente para que a Manifestante pudesse sustentar qualquer argumento de pagamento a  maior relativo a ele, além da demonstração contábil/fiscal do alegado indébito  Em  vista  desse  lapso,  a  manifestação  de  inconformidade  poderia  ter  sido  declarada inepta, podendo a decisão de primeira instância ter sido produzida apenas em torno  desta prejudicial de mérito, na medida em que a mera prova da existência do pagamento, para  contrapor­se  ao  resultado  da  busca  feita  pelos  sistemas  da  RFB,  estava  ausente  na  peça.  Entretanto, adentrou no mérito quanto ao fundamento jurídico do pretendido crédito, o art. 3º, §  2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98.  No  recurso  voluntário,  novamente  não  há  prova  de  que  o  DARF  indicado  existe.  Sendo  ele  referente  ao  período  de  apuração  fevereiro  de  1997,  o  teor  da  defesa  pela  exclusão, da base de  cálculo,  dos valores  transferidos  a  terceiros  computados  como  receitas,  uma vez prevista por um uma lei promulgada e publicada anos após, 1998, não se coaduna com  a pretensão da Recorrente.  Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Belchior Melo de Sousa                Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     4                 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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6099965 #
Numero do processo: 10980.000025/2007-55
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é descabida a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo, na hipótese de os débitos não terem sido anteriormente declarados à Receita Federal.
Numero da decisão: 1803-001.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Rodrigues Mendes e Maria Elisa Bruzzi Boechat.
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é descabida a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo, na hipótese de os débitos não terem sido anteriormente declarados à Receita Federal.

turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Rodrigues Mendes e Maria Elisa Bruzzi Boechat.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2206; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE03  Fl. 2          1 1  S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10980.000025/2007­55  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1803­001.651  –  3ª Turma Especial   Sessão de  09 de abril de 2013  Matéria  NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Recorrente  COPEL TELECOMUNICAÇÕES S/A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Exercício: 2004  DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA.   Conforme  decidido  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  sede  de  recurso  repetitivo,  é  descabida  a  exigência  da  multa  de  mora  quando  ocorre  o  recolhimento  extemporâneo de  tributo,  na hipótese de os débitos não  terem  sido anteriormente declarados à Receita Federal.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório  de  voto  que  integram  o  presente  julgado.     (assinado digitalmente)  André  Mendes  de  Moura  ­  Presidente  e  Redator  para  Formalização  do  Acórdão  Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro  de  Conselheiros  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF)  na  data  da  formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº  343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais ­ RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II  do  RICARF,  a  presente  decisão  é  assinada  pelo  Presidente  da  4ª  Câmara/1ª  Seção  André  Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data  da  formalização  da  decisão,  o  relator  VICTOR  HUMBERTO  DA  SILVA MAIZMAN  não  integra  o  quadro  de  Conselheiros  do  CARF,  o  Presidente  André Mendes  de Moura  será  o  responsável pela formalização do voto.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 00 25 /2 00 7- 55 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.000025/2007­55  Acórdão n.º 1803­001.651  S1­TE03  Fl. 3          2 Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Walter  Adolfo  Maresch  (Presidente  à Época  do  Julgamento), Meigan  Sack Rodrigues, Victor Humberto  da  Silva Maizman, Sergio Rodrigues Mendes e Maria Elisa Bruzzi Boechat.             Relatório  Trata­se de auto de  infração decorrente de "Auditoria  Interna de DCTF". A  descrição da infração encontra­se redigida na fl. 17 da seguinte maneira: “Falta ou insuficiência  de  pagamento  de  acréscimos  legais  (multa  de  mora  e/ou  juros  de  mora  parcial  ou  total),  conforme Anexo IV. Juros: art. 160 da Lei n° 5.172/66, art. 43 Lei no 9.430/96, art. 9° da Lei n  10.426/02; Multa: art. 160 da Lei n" 5.172/66, arts. 43 e 61 e parágrafos e da Lei n°9.430/96 e  parágrafo único da Lei n° 10.426/02.  Ao se compulsar o anexo  IV, verifica­se que  trata­se de exigência de multa  de mora paga a menor relativa ao pagamento de CSLL, período de apuração 01­12/2001, data  de vencimento 31/01/2002.  Cientificado  do  auto  de  infração  em  01/12/2006,  o  contribuinte  apresentou  impugnação sustentando em síntese, que  já efetuou o pagamento do  tributo espontaneamente  em  28/03/2002,  não  havendo  por  isso  qualquer  acréscimo  legal  a  título  de multa  de mora  a  compor  o  efetivo  pagamento.  Foi  feito  o  devido  pagamento  dos  juros  de  mora  relativo  ao  período entre o vencimento, 31/01/2002 e a data do pagamento, 28/03/2002.  Ou  seja,  sustenta  que  a DCTF  original  foi  apresentada  em  15/02/2002  e  a  DCTF  retificadora  aconteceu  em  12/08/2004.  Portanto,  tem­se  que  os  pagamentos  para  a  quitação  da  CSLL  de  dezembro  de  2001  ocorreram  antes  da  entrega  da  DIPJ  (entregue  em  28/06/2002)  e  das  DCTFs,  sem  nenhum  procedimento  fiscal  de  verificação  ou  de  qualquer  espécie, requerendo, para tanto, que sejam aplicados os efeitos da espontaneidade nos moldes  do artigo 138 do CTN.  Em  sede  de  cognição  ampla  foi  mantido  lançamento  impugnado,  sob  o  fundamento de que a benesse da denúncia espontânea não tem o condão de afastar a incidência  da multa de mora.  Inconformado  com  a  r.  decisão,  a  empresa  contribuinte  interpõe  Recurso  Voluntário requerendo a sua reforma.  Cabe formalizar a presente decisão conforme apresentada em plenário, dado  que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos do art. 17 e do art. 18 ambos  Fl. 101DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.000025/2007­55  Acórdão n.º 1803­001.651  S1­TE03  Fl. 4          3 do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 343, 09 de junho de 2015, que  em seu art. 6º extinguiu as turmas especiais.  Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº  15169.000109/2011­62:  Aos nove dias do mês de abril do ano de dois mil e treze, às nove  horas  ,  reuniram­se  os  membros  da  3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF,  estando  presentes  WALTER  ADOLFO  MARESCH  (Presidente  em  exercício),  MEIGAN  SACK  RODRIGUES,  VICTOR  HUMBERTO  DA  SILVA  MAIZMAN,  SERGIO  RODRIGUES  MENDES,  MARIA  ELISA  BRUZZI  BOECHAT  e  eu,  MARISTELA  DE  SOUSA  RODRIGUES,  Chefe  da  Secretaria,  a  fim  de  ser  realizada  a  presente Sessão Ordinária. [...]  Relator(a):  VICTOR  HUMBERTO  DA  SILVA  MAIZMAN  Processo: 10980.000025/2007­55   Nome do Contribuinte: COPEL TELECOMUNICAÇÕES S.A.  Acórdão 1803­001.651   Informações  Adicionais:  Por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento ao recurso.  Votação:  Por  Unanimidade  Questionamento:  RECURSO  VOLUNTARIO Resultado: Recurso Voluntário Provido Crédito  Tributário Exonerado  É o Relatório.        Voto             Conselheiro André Mendes de Moura ­ Redator para Formalização do Voto.  Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes  autos,  e  tendo  em  vista  que  o  relator  originário  do  processo  não  mais  integra  o  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais, encontro­me na posição de Redator, nos termos dos arts.  17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais,  aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF).  Informo que, na  condição de Redator,  transcrevo  literalmente  a minuta que  foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de  julgamento. Portanto, a análise do caso  concreto  reflete  a  convicção  do  relator  do  voto  na  valoração  dos  fatos.  Ou  seja,  não  me  encontro  vinculado:  (1)  ao  relato  dos  fatos  apresentado;  (2)  a  nenhum  dos  fundamentos  adotados  para  a  apreciação  das  matérias  em  discussão;  e  (3)  a  nenhuma  das  conclusões  da  decisão incluindo­se a parte dispositiva e a ementa.  Fl. 102DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.000025/2007­55  Acórdão n.º 1803­001.651  S1­TE03  Fl. 5          4 A seguir, a transcrição do voto.  O  recurso  voluntário  apresentado  pela  Recorrente  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de  março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art.  151 do Código Tributário Nacional.  A questão sob julgamento é saber se a denúncia espontânea tem o condão de  alcançar a multa de mora.  Destarte,  restou  evidenciado  nos  autos  de  que  o  contribuinte  declarou  posteriormente o crédito tributário, sendo o auto de infração lavrado unicamente em razão de  entender a fiscalização de que a denúncia espontânea não alcança a multa de mora.  A  questão  relativa  à  denúncia  espontânea  nos  casos  de  tributos  recolhidos  espontaneamente com atraso, foi submetida pelo Superior Tribunal de Justiça ao rito do recurso  repetitivo (art. 543­C, do Código de Processo Civil), por meio do REsp 1.149.022, com decisão  proferida  em 09/06/10  (publicada em 24/06/10)  e  trânsito  em  julgado ocorrido  em 30/08/10,  sendo oportuno transcrever a ementa do respectivo julgado:   “RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP  (2009/01341424) RELATOR: MINISTRO LUIZ FUX  RECORRENTE: BANCO PECÚNIA S/A  ADVOGADO: SERGIO FARINA FILHO E OUTRO(S)  RECORRIDO: UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL)  PROCURADOR:  PROCURADORIA  GERAL  DA  FAZENDA  NACIONAL  EMENTA  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  IRPJ  E  CSLL.  TRIBUTOS  SUJEITOS  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  DECLARAÇÃO  PARCIAL  DE  DÉBITO  TRIBUTÁRIO  ACOMPANHADO  DO  PAGAMENTO  INTEGRAL.  POSTERIOR  RETIFICAÇÃO  DA  DIFERENÇA  A  MAIOR  COM  A  RESPECTIVA  QUITAÇÃO.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  EXCLUSÃO  DA  MULTA  MORATÓRIA.  CABIMENTO.  1.  A  denúncia  espontânea  resta  configurada  na  hipótese  em  que  o  contribuinte,  após  efetuar  a  declaração  parcial  do  débito  tributário  (sujeito  a  lançamento  por  homologação)  acompanhado  do  respectivo  pagamento  integral,  retifica­a  (antes  de  qualquer  procedimento  da  Administração Tributária), noticiando a existência de diferença  a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a  denúncia  espontânea  não  resta  caracterizada,  com  a  conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação  declarados  pelo  contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou  parceladamente,  ainda  que  anteriormente  a  qualquer  Fl. 103DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.000025/2007­55  Acórdão n.º 1803­001.651  S1­TE03  Fl. 6          5 procedimento  do  Fisco  (Súmula  360/STJ)  (Precedentes  da  Primeira  Seção  submetidos  ao  rito  do  artigo  543C,  do  CPC:  REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki,  julgado  em  22.10.2008,  DJe  28.10.2008;  e  REsp  962.379/RS,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.10.2008,  DJe  28.10.2008).  3.  É  que  "a  declaração  do  contribuinte  elide  a  necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser  imediatamente  inscrito  em  dívida  ativa,  tornando­se  exigível,  independentemente de qualquer procedimento administrativo ou  de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro  Castro  Meira,  Primeira  Seção,  julgado  em  28.11.2007,  DJ  07.02.2008).  4.  Destarte,  quando  o  contribuinte  procede  à  retificação  do  valor  declarado  a  menor  (integralmente  recolhido),  elide  a  necessidade  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da  retificação),  razão  pela  qual  aplicável  o  benefício  previsto  no  artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que  admitiu  o  recurso  especial  na  origem  (fls.  127/138):  "No  caso  dos  autos,  a  impetrante  em  1996  apurou  diferenças  de  recolhimento  do  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  e  Contribuição Social sobre o Lucro, ano base 1995 e prontamente  recolheu  esse  montante  devido,  sendo  que  agora,  pretende  ver  reconhecida  a  denúncia  espontânea  em  razão  do  recolhimento  do  tributo  em  atraso,  antes  da  ocorrência  de  qualquer  procedimento  fiscalizatório.  Assim,  não  houve  a  declaração  prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de  dívida  e pagamento  integral, de  forma que  resta configurada a  denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do  Código  Tributário  Nacional."  6.  Conseqüentemente,  merece  reforma  o  acórdão  regional,  tendo  em  vista  a  configuração  da  denúncia  espontânea  na  hipótese  sub  examine.  7.  Outrossim,  forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da  denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja,  as  multas  de  caráter  eminentemente  punitivo,  nas  quais  se  incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do  contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao  regime do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.”  Pelo  exposto,  resta  caracterizada  a  denúncia  espontânea,  que  exclui  a  incidência da multa de mora nos casos em que houve o  recolhimento com atraso de  tributos  que ainda não haviam sido declarados à Receita Federal do Brasil, como ocorre nos casos em  que  o  pagamento  extemporâneo  de  tributos  declarados  em  DCTF,  entregue  após  o  citado  pagamento.  Por  oportuno,  depreende­se  importante  salientar  que  diante  da  abordagem  definitiva da matéria pelo STJ, foi editada a Nota Técnica da Coordenação­Geral de Tributação  da Receita Federal do Brasil com o objetivo de orientar as unidades daquele órgão a interpretar  as consequências decorrentes dos Atos Declaratórios PGFN nº 4/2011 e 8/2011, sendo que este  último  autorizou  a  dispensa  de  apresentação  de  contestação,  de  interposição  de  recursos  e  a  desistência  dos  já  interpostos,  desde  que  inexista  outro  fundamento  relevante,  nos  casos  alcançados pela decisão proferida no Resp 1.149.022.  Fl. 104DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.000025/2007­55  Acórdão n.º 1803­001.651  S1­TE03  Fl. 7          6 Assim, deve­se  afastar a multa de mora  em face da ocorrência de denúncia  espontânea nos moldes do artigo 138 do CTN.  Em assim sucedendo, voto por dar provimento ao recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  André Mendes de Moura ­ Redator para Formalização do Voto                                   Fl. 105DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA

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Numero do processo: 11817.000429/2007-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Aug 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 24/09/2002, 09/05/2003, 04/07/2003 IMPOSSIBILIDADE DE EVENTUAL NULIDADE DO ARBITRAMENTO SER CAUSA DE NULIDADE DE LANÇAMENTO POR VICIO MATERIAL. A nulidade do arbitramento não pode ser considerada causa suficiente para se declarar a nulidade por vício material todo o auto de infração que constatou sonegação com fraude, falsidades e prática de enganar os controles aduaneiros, pois o arbitramento não constitui a materialidade dos fatos imputados. CERCEAMENTO À DEFESA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Afasta as alegações de cerceamento ao direito de defesa a constatação, nas manifestações, impugnação e recurso, da contribuinte que não houve prejuízo à sua capacidade de defesa e ao contraditório pois compreendeu os fatos imputados, a motivação e as razões objetos do lançamento e apresenta argumentação contrária rebatendo-os. ERROS DE CÁLCULOS. CAUSA INSUFICIENTE PARA A NULIDADE DO LANÇAMENTO. Erro de cálculo não se confunde com erro de determinação ou apuração das bases para se efetuar o cálculo dos valores a serem exigidos no lançamento, e por ser mera atividade auxiliar, não pode ser considerada causa suficiente para a nulidade do auto de infração.
Numero da decisão: 3401-002.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso de ofício. Vencida a Conselheira Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça e Bernardo Leite de Queiroz Lima que negavam provimento. Designado o Conselheiro Eloy Eros Nogueira. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS- Presidente. ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : JULIO CESAR ALVES RAMOS (Presidente), ROBSON JOSE BAYERL, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI e BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA . Este recurso foi julgado na sessão de março deste ano com base no relatório e voto elaborados pela Conselheira Angela Sartori reproduzidos abaixo. Tendo sido ela vencida, fui designado para elaborar o voto vencedor. Ocorre que a Conselheira Angela renunciou ao seu mandato sem formalizar o acórdão, tarefa da qual incumbe-me agora o presidente da Turma, na forma regimental. Faço-o aproveitando, na íntegra, o relatório e voto vencido da relatora.
Nome do relator: ANGELA SARTORI

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso de ofício. Vencida a Conselheira Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça e Bernardo Leite de Queiroz Lima que negavam provimento. Designado o Conselheiro Eloy Eros Nogueira. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS- Presidente. ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : JULIO CESAR ALVES RAMOS (Presidente), ROBSON JOSE BAYERL, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI e BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA . Este recurso foi julgado na sessão de março deste ano com base no relatório e voto elaborados pela Conselheira Angela Sartori reproduzidos abaixo. Tendo sido ela vencida, fui designado para elaborar o voto vencedor. Ocorre que a Conselheira Angela renunciou ao seu mandato sem formalizar o acórdão, tarefa da qual incumbe-me agora o presidente da Turma, na forma regimental. Faço-o aproveitando, na íntegra, o relatório e voto vencido da relatora.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     2 Bernardo  Leite  de  Queiroz  Lima  que  negavam  provimento.  Designado  o  Conselheiro  Eloy  Eros Nogueira.  JULIO CÉSAR ALVES RAMOS­ Presidente.      ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA – Redator designado.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  :  JULIO  CESAR  ALVES  RAMOS  (Presidente),  ROBSON  JOSE  BAYERL,  JEAN  CLEUTER  SIMÕES  MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI e BERNARDO  LEITE DE QUEIROZ LIMA .  Este recurso foi julgado na sessão de março deste ano com base no relatório e  voto elaborados pela Conselheira Angela Sartori reproduzidos abaixo. Tendo sido ela vencida,  fui designado para elaborar o voto vencedor. Ocorre que a Conselheira Angela  renunciou ao  seu  mandato  sem  formalizar  o  acórdão,  tarefa  da  qual  incumbe­me  agora  o  presidente  da  Turma,  na  forma  regimental.  Faço­o  aproveitando,  na  íntegra,  o  relatório  e  voto  vencido  da  relatora.      Relatório  A  empresa  Asia  Importadora  e  Distribuidora  Elétrica  Ltda.  realizou  a  importação  de  lâmpadas  e  outras mercadorias  por meio  da Declaração  de  Importação­DI  n"  06/0935345­9,  instruída  com  a  fatura  comercial  n"  JTG1823,  bem  como  de  outra  carga  de  mercadorias  chegadas  ao  Porto  Seco  (I  se  Brasilia  acompanhadas  do  Conhecimento  de  Transporte  HBL  n"  NSHA06031261  e  fatura  comercial  n°587989­6.  Durante  o  despacho  aduaneiro  realizado  pelas  autoridades  alfandegárias  foram,  levantadas  suspeitas  quanto  ao  valor aduaneiro declarado.  O despacho aduaneiro foi  interrompido, sendo aberto procedimento especial  de  acordo  com  o  art.  3"  da  IN  SRF N"  52,  de  08/05/2001  c/c  os  arts.  65  e  69  da  IN  SRF  n"206/2002. 0 fato foi comunicado à Seção de Operações Aduaneiras­SAOPE desta Alfândega  para  apuração.  Na  continuidade  dos  trabalhos,  a  Saope  intimou  o  interessado  a  apresentar  documentação  a  fim  de  apurar  a  regularidade  das  importações.  Com  os  documentos  apresentados pela empresa e a continuidade dos trabalhos, foram levantadas suspeitas sobre a  autenticidade  das  faturas  comerciais  que  instruíam  o  despacho  aduaneiro,  com  indícios  de  falsificação documental.  Assim,  cumprindo  determinação  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  — Diligência n' 0117600­2006­00263­1, a fiscalização compareceu ao estabelecimento comercial  da  empresa  importadora,  intimando­a  a  apresentar  livros,  documentos,  correspondências  comerciais referente As importações realizadas no período de o 2001 a outubro de 2006.  Entre os documentos apresentados e/ou apreendidos no escritório da empresa  encontram­se várias listas de "Invoice" e de "Packing List" em branco, carimbadas assinadas,  Fl. 546DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 11817.000429/2007­01  Acórdão n.º 3401­002.957  S3­C4T1  Fl. 3          3 dizendo­se ser das empresas exportadoras. Apreendeu­se também diversas folhas brancas, sem  timbre e sem carimbo com os mesmos dados que foram lançados nas  faturas comerciais que  instruíam as declarações de importação da empresa.  A empresa importadora, a fim de solicitar o inicio do despacho aduaneiro de  importação,  apresentou  duas  Invoices,  corn  a  mesma  numeração,  porem  com  nomes  de  empresas exportadoras diferentes — Changzhou  . General Lightinhg Co e General Lightinhg  Co. Ainda, na diligência  foi apreendida urna terceira  fatura com a mesma numeração, porém  não  contendo  uma  das  mercadorias.  Todas  as  faturas  comerciais  apresentam  a  mesma  assinatura,  embora  o  nome das  empresas  seja  diferente,  com  os mesmos  dados  contidos  em  folhas apreendidas no escritório do importador, indicando a produção das faturas pelo próprio  importador, a partir das faturas em branco, também encontradas em seu escritório.  Também  foram  encontradas  faturas  comerciais  que  apontam  uma  grande  diferença de preços em relação às faturas comercias apresentadas para instruir o despacho de  importação  das  mercadorias.  Ainda  foi  encontrada  uma  fatura  original  da  empresa  General  Lightinhg Co, referente ao ano de 2005, que serviria para instruir a Declaração de Importação  n"  05/1153393­9.  Contudo,  os  preços  declarados  na  Declaração  de  Importação  não  são  os  mesmos do documento apreendido, ou seja, o importador instruiu a Declaração de Importação  n" 05/1153393­9 com uma fatura forjada, sonegando impostos, indicando que a empresa já se  utilizou artificio a fim de pagar menos impostos.  Com  a  comprovação  da  falsificação  das  faturas  comerciais,  foi  lavrado  o  Auto  de  Infração  e  Termo  de  Apreensão  e  Guarda  Fiscal  de  n"  0117600/00524/06,  de  29/12/2006,  propondo  a  aplicação  da  pena  de  perdimento  às  mercadorias.  A  empresa  Asia  Importadora  e  Distribuidora  Elétrica  Ltda  apresentou  impugnação  administrativa  tempestivamente.    ALEGAÇÕES DA IMPUGNANTE  Em resumo, a impugnante alega que:  1.  •  As  Invoices  n"  587986­6  são  da  mesma  empresa  —  General  Lightinhg Co — e que por equivoco causado pelo alfabeto e  idioma  chinês,  ao  se  traduzir  as  Invoices,  veio  a  constar  em  frente  o  nome  fantasia da empresa, a cidade Changzhou, aonde fica localizada a sede  da empresa;  2.  •  Os  documentos  em  branco  apreendidos  eram  simples  minuta  que  serviam e servem ao propósito de efetuar pedidos aos fornecedores no  exterior, de forma a permitir a  tradução para a lingua chinesa, assim  sendo,  pediam  aos  importadores  para  elaborarem  uma  minuta  exempliticativa, para melhor agilidade e segurança nas importações;  3.  •  Não  há  laudo  técnico  que  comprove  a  falsificação  das  faturas  comerciais;    Fl. 547DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     4 4.  • Não se efetuou nenhuma prova de preço diferente dos documentos  apresentados,  não  havendo  base  para  se  declarar  que  valores  declarados  a  menor.  Os  produtos  pesquisados  pela  fiscalização  de  produtos diferentes, não podendo ser comparados com as mercadorias  da impugnante;  5.  • Erro no enquadramento legal, visto que a Declaração de Importação  foi instruída com todos os documentos legais obrigatórios.    FUNDAMENTAÇÃO  Após a  interrupção do despacho aduaneiro das mercadorias  relacionadas na  Declaração  de  Importação­DI  n"  06/0935345­9  e  recebimento  da  comunicação  de  suspeitas  quanto  ao  valor  aduaneiro  declarado,  a  Seção  de Operações Aduaneiras  deu  inicio  aos  seus  trabalhos, intimando a interessada a apresentar documentos relativos à contratação de câmbio  para  a  importação  acobertada  pela  referida  DI  bem  corno  demais  documentos  relativos  à  transação, de acordo com a Intimação NI' 010/2006, de 06/09/2006.  Em resposta a  essa  intimação,  a  impugnante apresentou alguns documentos  solicitados,  entre os quais um contrato de compra  e venda  com a  a  empresa  Jiangxi Elegant  Lighting Co,  traduzido para o português. Na continuidade dos trabalhos,  levantadas suspeitas  sobre a autenticidade das faturas comerciais que instruíam o despacho aduaneiro, com indícios  de falsi ficação documental.  A IN SRF n." 52/2001 abrange situações que dá à fiscalização prerrogativas  de  reter  a  mercadoria,  além  daquelas  que  legalmente  já  possuía,  quando  suspeitar  de  irregularidades, possibilitando urna investigação mais apurada dentro de prazos maiores.  O  procedimento  adotado  mostra­se  legitimo,  com  suporte  na  própria  Constituição  Federal,  por  meio  de  seu  artigo  237,  baseando­se  em  normas  editadas  pela  Administração Fazendaria Nacional, que para tanto tem a competência de criar meios mediante  os quais possa controlar a entrada de mercadorias estrangeiras em território brasileiro, isto tudo  autorizado pela nossa Lei Maior, que expõe:    "Art.237­A  fiscalização  e  o  controle  sobre  o  comércio  exterior,  essenciais defesa dos  interesses  fazendários nacionais, serão exercidos  pelo Ministério da Fazenda."    Desde  logo,  fica  evidente,  que  mais  do  que  um  mero  procedimento  administrativo,  são as providências dadas pela  IN SRF 52/2001 a garantia de que a Fazenda  Nacional não sofrerá qualquer dano ou prejuízo, erigindo­se tal procedimento em salvaguarda  dos interesses públicos, entendidos estes em sentido amplo.    A Instrução Normativa SRF n" 52, de 08/05/2001 estabelece procedimentos  especiais de controle de mercadoria importada sob fundada suspeita de irregularidade punível  com a pena de perdimento.  Fl. 548DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 11817.000429/2007­01  Acórdão n.º 3401­002.957  S3­C4T1  Fl. 4          5 As  infrações  consideradas  dano  ao  Erário  estão  definidas  no  art.  23  do  Decreto­Lei 1.455/76. 0 art. 105 do Decreto­Lei if 37/66 define os casos em que será aplicada a  pena de perda da mercadoria. Dentro dessas hipóteses  temos que será punida com a pena de  perda  da  mercadoria,  se  qualquer  documento  necessário  ao  embarque  ou  desembaraço  das  mercadorias tiver sido falsificado ou adulterado. O caso em questão se enquadra perfeitamente  à  hipótese  acima  descrita  com  a  indicação  de  que  a  fatura  comercial  foi  forjada,  com  a  existência  de  diversas  faturas  comerciais  com  a  mesma  numeração,  porém  com  dados  diferentes  umas  das  outras. Assim,  foi  lavrado  o Auto  de  Infração  e Termo de Apreensão  e  Guarda  Fiscal  de  n"  0117600/00524/06,  de  29/12/2006,  propondo  a  aplicação  da  pena  de  perdimento das mercadorias, pois esta  infração constitui dano ao Erário, conforme legislação  acima citada.  Esclarecido  os  pontos  relativos  A.  legislação  aplicada  ao  caso,  cumpre  analisar  as  alegações  da  interessada.  Inicialmente  a  interessada  alega  que  as  Invoices  n"  587986­6,  que  instruíram  o  despacho  de  importação,  são  da  mesma  empresa  —  General  Lightinhg Co — e que por equivoco causado pelo alfabeto e  idioma chinês, ao se traduzir as  Invoices, veio a constar em frente do nome  fantasia da empresa, a cidade Changzhou, aonde  fica  localizada  a  sede  da  empresa.  Assim,  não  haveria  base  para  a  lavratura  do  Auto  de  Infração, pois o mesmo afirma que as faturas pertencem a duas empresas diferentes.  A  interessada também alega que os documentos em branco apreendidos  em  seu escritório eram simples minutas que serviam e servem ao propósito de efetuar pedidos aos  fornecedores no  exterior, de  forma a permitir  a  tradução para  a  lingua chinesa, assim sendo,  pediam aos importadores para elaborarem urna minuta exemplificativa, para melhor agilidade e  segurança nas importações. Contudo, não é isso que se verifica.  Após  o  surgimento  de  suspeitas  quanto  a  autenticidade  das  faturas  comerciais,  foi  emitido o Mandado de Procedimento Fiscal — Diligência n"  0117600­2006­ 00263­1,  tendo  a  fiscalização  comparecido  ao  estabelecimento  comercial  da  empresa  importadora,  intimando­a  a  apresentar  livros,  documentos,  correspondências  comerciais  referente as importações realizadas no período de outubro de 2001 a outubro de 2006.  Entre os documentos apresentados e/ou apreendidos no escritório da empresa  encontram­se várias listas de "Invoice" e de "Packing List" em branco, carimbadas e assinadas,  dizendo­se ser das empresas exportadoras. Apreendeu­se também diversas folhas brancas, sem  timbre e sem carimbo com os mesmos dados que foram lançados nas  faturas comerciais que  instruíam as declarações de importação da empresa.  A empresa importadora, a fim de solicitar o inicio do despacho aduaneiro de  importação,  apresentou  duas  Invoices,  com  a  mesma  numeração,  porem  com  nomes  de  empresas  exportadoras  diferentes — Changzhou General  Lightinhg  Co  e General  Lightinhg  Co. Ainda, na diligência  foi apreendida uma  terceira fatura com a mesma numeração, porem  não  contendo  uma  das  mercadorias.  Todas  as  faturas  comerciais  apresentam  a  mesma  assinatura, embora o nome das empresas seja diferente e as faturas com mesma numeração não  são  iguais. Descobriu­se que a partir  das  faturas  em branco  encontradas  em seu  escritório,  e  outras folhas já preenchidas com os mesmos dados das faturas comerciais apresentadas, que as  mesmas eram preenchidas pelo próprio importador.    Fl. 549DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     6 Verifica­se que foram encontradas/apresentadas três faturas comerciais com a  mesma numeração ­ 587986­6, porém apresentando diferenças entre si. Não há possibilidade  de uma fatura comercial com o mesmo número apresentar diferenças entre  si,  tal  fato  indica  que  as  faturas  foram  fabricadas/alteradas.  Assim,  a  alegação  faturas  pertencem  à  mesma  empresa,  havendo  apenas  um  erro  na  tradução  do  em  nada  altera  a  situação,  visto  que  urna  fatura comercial com urna numeração divergente com relação a urna mesma fatura de mesma  numeração,  as  vias  da  fatura  comercial  devem  ser  todas  iguais,  caracterizando  a  adulteração/fabricação das mesmas.  Também  deve­se  destacar  que  os  documentos  encontrados  no  estabelecimento  do  importador,  com  faturas  em  branco  e  folhas  brancas,  sem  timbre  e  sem  carimbo  com os mesmos  dados  que  foram  lançados  nas  faturas  comerciais  que  instruíam  as  declarações  de  importação  da  empresa,  indicam  a  produção.  das  mesmas  pelo  próprio  importador. A  falsificação das  faturas  comercias pod e.  ser  comprovada  face  a  existência de  três faturas comerciais com a mesma numeração, porém divergentes entre si.  Tambem  não  merece  prosperar  a  alegação  da  interessada  de  que  os  documentos  em branco  apreendidos  em  seu  escritório  eram  simples minutas  que  serviam  ao  propósito de efetuar pedidos aos fornecedores no exterior, de forma a permitir a tradução para a  lingua chinesa, representando urna minuta exemplificativa, para melhor agilidade e segurança  nas  importações.  Contudo,  não  é  isso  que  se  verifica.  As  faturas  em  branco  e  já  assinadas  foram  utilizadas  para  instruir  o  despacho  aduaneiro  e  não  apenas  para  facilitar  o  comércio  exterior.  A  fim  de  se  permitir  a  negociação  das  operações  de  comércio  exterior,  as  empresas se utilizam de "faturas pro forma" e não de faturas mesmo, a expressão que a fatura é  pro forma deve constar dos documentos que são utilizados para o exportador enviar o preço de  seus  produtos  aos  importadores  e  permitir  a  negociação.  Não  havia  nos  documentos  encontrados  e  expressão  de  que  as  faturas  eram  pro  forma. Na  realidade  foram  encontrados  documentos  em  branco  e  assinados,  que  posteriormente  eram  preenchidos  pelo  próprio  importador  e  que  eram  utilizados  no  despacho  aduaneiro,  com  preços  abaixo  dos  preços  praticados no comércio exterior, não eram apenas faturas pro forma. Também se fossem mero  ajuste de pregos  entre  exportador  e  importador,  não  existiram "packing  list"  ern branco para  serem  preenchidos  pelo  importador.  Esse  documento  deve  ser  preenchido  pelo  exportador,  informando o que está sendo realmente enviado.  Com  relação  à  alegação  de  que  não  se  efetuou  nenhuma  prova  de  preço  diferente do consignado nos documentos apresentados, não havendo base para se declarar que  existam  valores  declarados  a  menor  e  que  os  produtos  pesquisados  pela  fiscalização  são  produtos diferentes, não podendo ser comparados com as mercadorias da impugnante, melhor  sorte não assiste à impugnante.  Deve­se destacar que a suspeita quanto ao valor declarado foi o que motivou  uma  análise  mais  apurada  da  Declaração  de  Importação  n°  06/0935345­9,  registrada  pelo  importador. Contudo, a proposta de aplicação da pena de perdimento foi efetuada com base na  falsificação de documento obrigatório do despacho aduaneiro. Assim, a proposta de aplicação  da pena de perdimento não  foi  efetuada  com base no valor declarado, mas de acordo com o  artigo  105,  inciso  VI,  do Decreto­Lei  n°  37/66,  no  qual  se  aplica  a  pena  de  perdimento  da  mercadoria  se  qualquer  documento  necessário  ao  seu  embarque  ou  desembaraço  tiver  sido  falsificado ou adulterado.  A fiscalização ainda efetuou pesquisa em seus arquivos e sistemas, que para o  mesmo  tipo  de  mercadoria,  foram  encontrados  valores  bem  superiores  declarados  pelo  Fl. 550DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 11817.000429/2007­01  Acórdão n.º 3401­002.957  S3­C4T1  Fl. 5          7 importador.  Contudo,  não  foi  essa  questão  que  ensejou  a  proposta  de  aplicação  da  pena  de  perdimento  das  mercadorias,  as  suspeitas  quanto  ao  valor  declarado  serviram  apenas  para  iniciar a fiscalização sobre a importação da empresa.   Verifica­se  também que  foram encontradas  faturas  comerciais que  apontam  urna grande diferença de preços em relação As faturas comercias apresentadas para instruir o  despacho  de  importação  das  mercadorias.  Foi  encontrada  uma  fatura  original  da  empresa  General  Lightinhg  referente  ao  ano  de  2005,  que  serviria  para.  instruir  a  Declaração  de  Importação no 05/1153393­9. Contudo, os preços declarados na Declaração de Importação não  são  os  mesmos  do  documento  apreendido,  Ou  seja,  o  importador  instruiu  a  Declaração  de  Importação  n"  05/1153393­9  corn  unia  fatura  forjada,  sonegando  impostos,  indicando  que  a  empresa já se utilizou artificio a fim de pagar menos impostos. O Julgamento foi convertido em  diligencia.  A DRJ decidiu em síntese:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 24/09/2002, 09/05/2003, 04/07/2003  ARBITRAMENTO DE PREÇOS. OBSCURIDADES NO PROCEDIMENTO.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO POR VICIO FORMAL.  A  falta  de  demonstração  da  origem  dos  preços  paradigmas,  aliada  às  impropriedades na sistemática de cálculo apresentadas pelo sistema gerador  dos  autos  de  infração  (SAFIRA),  configurou  cerceamento  ao  exercício  do  direito de ampla defesa da empresa autuada, por ter  prejudicado a clareza, a transparência e a objetividade do lançamento, fato  que  acarretou  sua  nulidade  por  vicio  formal.  Impugnação  Procedente.  Crédito Tributário Exonerado.      O  processo  não  tem  recurso  voluntário,  somente  recurso  de  ofício  para  julgamento.    É o relatório.      Voto Vencido  Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira ­ redator ad hoc designado.    Foram  as  seguintes  as  considerações  expendidas  pela  relatora  para  negar  provimento ao recurso de ofício:  Fl. 551DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     8 O Recurso de Ofício  segue os  requisitos de admissibilidade, por  isto  dele tomo conhecimento.  Entendo que não assiste razão ao recurso de ofício pelos mesmos  motivos alegados pela DRJ:   Dentre a série de falhas do lançamento que a impugnante alega como  cerceadoras  de  seu  direito  de  defesa,  uma  ficou  realmente  caracterizada  e  não  foi  devidamente  sanada  quando  da  diligência  solicitada  pela  DRJ.  Trata­se  da  obscuridade  na  demonstração  dos  valores que compõem a base de cálculo dos tributos cobrados, fato que  efetivamente  está  apto  a  tolher  o  exercício  desse  direito,  alçado  à  categoria de fundamental pela nossa Carta Magna.  O Relatório de Auditoria foi omisso no tocante a fundamentação legal  do  critério  de  arbitramento,  e  não  foi  claro  na  descrição  da  metodologia  utilizada  pela  fiscalização.  Com  efeito,  sem  os  esclarecimentos  posteriores  da  autoridade  preparadora,  seria  admissível  concluir  que  as  faturas  com  os  preços  verdadeiros,  apreendidas  no  escritório  da  empresa  autuada,  serviram  não  apenas  para evidenciar o uso de documento falso no despacho, como também  para balizar  inteiramente a determinação do preço efetivo de todas as  mercadorias importadas.  Ocorre que, embora a diligência tenha tido sucesso em esclarecer esses  aspectos,  ela  revelou  outra  omissão  no  lançamento,  ao  afirmar  que  a  maior parte das mercadorias (121 produtos) foi valorada com base em  dados extraídos dos sistemas informatizados da Receita Federal, sendo  que não constam nos autos as fontes desses dados (número e data das  DI's ou documentos equivalentes). Ou seja, não consta no processo a  demonstração da origem da  totalidade dos parâmetros utilizados pelo  Fisco  para  arbitramento  do  prego  das  mercadorias.  Dessa  forma,  apesar  de  esclarecida  qual  a metodologia  utilizada,  faltam  elementos  que  possibilitem  avaliar  se  os  valores  arbitrados  foram  devidamente  calculados  com  base  em  dados  aceitáveis,  passíveis  de  comprovação  por quem tiver interesse.  A  indicação da fonte especifica e da data a que se  referem os preços  utilizados  para  subsidiar  o  arbitramento  é  importante  para  conferir  transparência e objetividade ao lançamento, e ainda, para demonstrar a  variação  dos  preços  reais  das  mercadorias  importadas  ao  longo  dos  exercícios  de  2002  e  2003.  Ou  seja,  esses  dados  são  relevantes,  também,  para  a  análise  da  aptidão  da  documentação  apreendida  na  sede da empresa para provar os fatos alegados pela fiscalização. Logo,  essa  informação  interessa  não  apenas  ao  autuado,  para  possibilitar  o  exercício pleno de seu direito de defesa, mas também ao julgador, para  formar com mais rigor sua convicção. Dai a necessidade desses dados  serem devidamente demonstrados.  Além  desse  aspecto,  as  falhas  no  sistema  de  geração  dos  autos  de  infração  (SAFIRA),  as  quais  foram  reconhecidas  pela  autoridade  preparadora,  e  inclusive  deram  ensejo  à  revisão  do  lançamento  para  exclusão  de  R$  261.375,51,  dificultam  o  entendimento  sobre  a  Fl. 552DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 11817.000429/2007­01  Acórdão n.º 3401­002.957  S3­C4T1  Fl. 6          9 formação  da  base  de  cálculo  dos  tributos  cobrados  e  das  multas  aplicadas.  Também  não  ficaram  claras  as  justificativas  apresentadas  para  utilização do critério de arbitramento indicado, uma vez que, de acordo  com os  esclarecimentos  prestados,  os  preços  de  121  (cento  e vinte  e  um)  produtos  importados  foram  arbitrados  levando  em  conta  "mercadorias paradigmas" encontradas nos sistemas informatizados da  Receita Federal. Ou seja, aparentemente, para esses produtos, caberia o  emprego  do  critério  previsto  no  inciso  I  do  art.  88  da MP  n°  2.158­ 35/2001.   Assim, constatadas essas  falhas no  lançamento,  resta ainda definir  se  elas configuram vicio formal ou material. Levando­se em conta que os  fatos geradores dos tributos cobrados ocorreram em 2002 e 2003, essa  definição  reveste­se de especial  importância, pois dependendo de seu  resultado  o  Fisco  não  terá mais  direito  a  fazer novo  lançamento,  em  face da decadência.  Para  facilitar  a  análise,  convém  fazer  breve  comentário  quanto  aos  requisitos  de  validade  do  ato  administrativo,  gênero  do  qual  o  lançamento  é  espécie.  Em  relação  à  competência,  à  finalidade  e  ao  objeto,  entendo  ser  desnecessária  qualquer  anotação,  uma  vez  que  nenhum  desses  aspectos  está  sendo  contestado,  ou  é  passível  de  questionamento,  no  processo  ora  apreciado. Assim,  conclui­se  que  a  questão  será  resolvida  ao  se  avaliar  o  atendimento  à  motivação  e  a  forma.  O  motivo  é  o  fato  que  autoriza  a  realização  do  ato  que,  tratando­se de lançamento tributário, é plenamente vinculado, eis que  decorrente de expressa disposição legal.  No  caso  sob  análise,  a  razão  fática  que  ensejou  a  autuação  foi  a  constatação,  com base  em documentação  apreendida  no  escritório  da  autuada, da prática das seguintes infrações principais: subfaturamento  e  uso  de  documentos  falsos  no  despacho  aduaneiro  de  mercadorias  importadas.  As  diferenças  de  impostos  cobradas  e  penalidades  aplicadas  são  decorrentes  dessas  irregularidades,  as  quais  estão  perfeitamente descritas e devidamente fundamentadas no Relatório de  Auditoria  Fiscal  a  fls.  26/32.  Por  conseguinte,  verifica­se  que  o  ato  está devidamente motivado.  A  forma.  Logo,  a  falha  verificada  nos  autos  de  infração  só  pode  ser  referente  a  esse  requisito,  que  pode  ser  visto  sob  dois  aspectos:  extrínseco — que diz  respeito a maneira como o ato se exterioriza, e  intrínseco —  ligado  ao  processo  de  formação  do  ato. Em  relação  ao  revestimento  exterior  do  lançamento,  não  há  questionamento.  0  problema  está  justamente  nas  formalidades  essenciais  à  validade  do  procedimento, especificamente no que diz respeito ao direito de ampla  defesa, que deve ser oferecido a parte contra a qual o ato é dirigido.  Conforme visto anteriormente, embora a autoridade preparadora tenha  informado  genericamente  a  fonte  da  maioria  dos  preços  paradigmas  Fl. 553DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     10 (bancos de dados da Receita Federal) e, a despeito da fé pública de que  gozam  os  auditores­fiscais,  a  falta  da  demonstração  da  origem  especifica  desses  preços  é  fator  suficiente  para  prejudicar  o  pleno  exercício do direito de defesa. Com efeito,  sem  essa  informação  fica  dificil para o autuado contestar a adequação dos valores utilizados pelo  Fisco para fins de arbitramento.  Portanto, conclui­se que a condição  legal que não foi adequadamente  cumprida é a ausência de elemento necessário para o pleno exercício  do  direito  de  defesa.  Ou  seja,  não  foi  devidamente  atendida  uma  formalidade  exigida  para  a  validade  do  lançamento,  configurando­se  assim o vicio de forma.  A  ausência  de  provas  licitas,  o  erro  na  identificação  do  infrator,  a  determinação equivocada da infração cometida são falhas que atingem  a  própria  essência  (ou  existência)  da  divida,  dai  serem  considerados  como  vícios materiais.  Já  a  demonstração  confusa  ou  incompleta  de  como  foram  calculados  os  valores  cobrados,  o  erro  ou  a  omissão  na  capitulação  legal  das  infrações  identificadas,  a  inobservância  dos  prazos  processuais,  em  prejuízo  do  exercício  pleno  do  direito  de  defesa,  são  defeitos  que  atingem  o  processo  de  formação  do  ato,  prejudicando­lhe  as  garantias  de  higidez  e,  por  conseguinte,  sua  validade.  Cumpre  ainda  ressaltar  que  o  lançamento  atende  também  a  todos  os  requisitos específicos presentes no art. 142 do CTN, eis que realizado  por  autoridade  competente;  verificada  a  ocorrência  do  faro  gerador  (entrada de produtos estrangeiros no território nacional); determinada a  matéria  tributável  (diferença  entre  os  preços  subfaturados  e  o  preço  efetivo); calculado o montante do tributo devido; identificado o sujeito  passivo;  e  aplicadas  as  penalidades  cabíveis. Ou  seja,  não  ha  que  se  falar em vicio material.  Portanto, está demonstrado que as  falhas  retro citadas prejudicaram a  clareza,  a  transparência  e  a  objetividade  dos  autos  de  infração,  com  prejuízos para o pleno exercício do direito de defesa da autuada, mas  sem  macular  a  essência  do  lançamento.  Ou  seja,  as  irregularidades  apontadas  pela  fiscalização  estão  baseadas  em  provas  aparentemente  plausíveis;  o  suposto  infrator  foi  devidamente  identificado;  está  demonstrado o nexo de causalidade entre a ação do sujeito passivo e as  infrações constatadas; e foram quantificados os tributos, as multas e os  juros considerados devidos.  Assim,  deixa­se  de  apreciar  o mérito  da  questão  consoante  dispõe  o  art. 59, § 3°, do Dec. n° 70.235/72.  Diante do exposto mantenho a decisão da DRJ e nego provimento ao  Recurso de Ofício.    Fl. 554DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 11817.000429/2007­01  Acórdão n.º 3401­002.957  S3­C4T1  Fl. 7          11 Essas  conclusões  da  Ilustre  Conselheira  Ângela  Sartori,  porém,  não  foram  acompanhadas pelos Conselheiros fazendários, do que decorreu minha designação, em sessão,  para elaborar o voto vencedor.    Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira ­ Relator ad hoc designado para o  voto vencido.    Voto Vencedor    Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira ­ redator designado.    Respeitosamente  com  relação  ao  bem  fundamentado  voto  da  relatora,  a  Ilustre  Conselheira  Ângela  Sartori,  e  cumprindo  minha  missão  de  redator  designado,  peço  vênia  para  apresentar  o  entendimento  resultante  deste  julgamento,  consoante  votação  dos  Conselheiros,  que  diverge  da  proposição  da  Conselheira  relatora  de  negar  provimento  ao  recurso de ofício.  Os julgadores de 1º piso declararam a improcedência do auto de infração por  identificarem cerceamento de defesa pelas seguintes razões:  1.  impropriedades  na  sistemática  de  cálculo  apresentadas  pelo  sistema  gerador dos autos de infração (SAFIRA);  2.  por  que  teria  havido  obscuridade  na  demonstração  dos  valores  que  compõem a base de cálculo dos tributos cobrados, e   3.  por que teria havido omissão na descrição da metodologia utilizada pela  fiscalização e na fundamentação legal do critério de arbitramento.      Com relação à declaração de nulidade do auto de infração pela impropriedade do cálculo feito  pelo sistema SAFIRA:    Ao analisarmos que  impropriedade seria essa e quais efeitos sobre o direito  de  defesa  da  contribuinte,  constatamos  que  o  problema  do  sistema  SAFIRA  gerou  erro  na  apuração  do  crédito  a  ser  lançado  somente  para  o  cálculo  da  multa  administrativa  do  subfaturamento  (100%  de  alíquota  sobre  a  diferença  entre  o  preço  declarado  e  o  preço  arbitrado).  E  essa  diferença  reduziu  o  valor  lançado  dessa multa  de R$  773.544,61  para R$  512.179,10, sendo uma mudança favorável à contribuinte.  Todos  os  outros  valores  lançados  de  créditos  tributários  (  imposto  de  importação,  IPI, multa de  ofício  sobre  diferença  de  tributos, multa  de  conversão  da  pena  de  perdimento) nada sofreram pelo problema no sistema SAFIRA.  Fl. 555DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     12 No  hipótese  que  esse  erro  de  cálculo  tivesse  provocado  cerceamento  ao  direito  de  defesa,  certamente  que  a  nulidade  justificada  por  essa  hipótese  deveria  se  cingir  exclusivamente à multa administrativa de subfaturamento, único cálculo cujo valor  resultante  foi mudado por causa do problema no sistema SAFIRA.    Contudo,  ao  estudar os  documentos  e  atos que  instruem este processo,  este  colegiado chegou a conclusão divergente dos julgadores de 1º piso.   Verifica­se  que  os  problemas  do  SAFIRA  se  resumem  a  simples  erros  de  cálculos, e não a erros na apuração das bases de cálculo, pois os critérios para determinação e  apuração das bases de cálculo estão na descrição dos fatos e da motivação das autuações. As  formas de cálculo dos tributos, multa de ofício, acréscimos legais, multa de subfaturamento e  multa  de  conversão  da  pena  de  perdimento  estão  prescritas  em  texto  de  Lei.  Não  há  ambigüidades nesses textos legais a justificar que a contribuinte alegue prejuízo ao seu direito  de  defesa.  O  relatório  fiscal  deixa  claro  os  critérios  adotados  para  se  determinar  o  preço  arbitrado, e  junta planilha detalhando os valores  resultantes desse procedimento. A  leitura da  argumentação da contribuinte em sua impugnação demonstra que ela compreendeu a autuação,  tanto assim que ela contesta os  fatos descritos, as motivações de cada uma das exigências, o  modo de determinação do preço arbitrado e  reclama que não se usou o método de valoração  aduaneira. Ou seja, não se constata o cerceamento ao direito de defesa alegado.  Além do mais, não houve erro na descrição dos fatos, nem na determinação  da  sua materialidade,  nem  na motivação  e  fundamentação  das  exigências.  Simples  erros  de  cálculo  do  valor  de  crédito  tributário  exigido  não  comprometem  o  lançamento,  exigindo,  apenas, providências para sua correção.    Concluiu­se que se deve dar provimento ao recurso de ofício com relação a  essa razão de nulidade.      Com relação à obscuridade na demonstração dos valores que compõem a base de cálculo dos  tributos  cobrados  e  que  teria  havido  omissão  na  descrição  da  metodologia  utilizada  pela  fiscalização e na fundamentação legal do critério de arbitramento :    A contribuinte afirmou que seu direito de defesa foi prejudicado por causa:  (a) da altíssima confusão dos valores adotados nos cálculos feitos no auto de  infração,   (b)  por  que  nele  não  constam  os  parâmetros  que  levaram  o  Fisco  a  descaracterizar os declarados nas DI's;   (c) não se vislumbrou os motivos da autuação;   (d) não há provas das acusações, especialmente provas materiais;   (e) não se sabe bem com que base se valorou os 121 produtos na autuação,  nem  foi  apresentada  planilha  identificando  detalhadamente  cada  uma  das  mercadorias;   (f) não compreendeu como a autoridade fiscal determinou o valor  tributável  do IPI;   (g) o lançamento não cita os fundamentos legais do critério de determinação  do valor a ser tributado;   (h) houve erro no cálculo da multa, como reconhecido pela autoridade fiscal;   Fl. 556DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 11817.000429/2007­01  Acórdão n.º 3401­002.957  S3­C4T1  Fl. 8          13 (i)  o  lançamento  não  discrimina  quais  produtos  foram  valorados  por  que  critérios.  (j) dificuldade de acesso aos autos.    Verifiquemos cada uma dessas afirmações da contribuinte:     Com  relação  à  afirmação  "h"  acima,  como  já  apreciado  neste  voto,  ela  foi  considerada  neste  julgamento  como mero  erro  de  cálculo  e que  não  prejudicou  a  defesa  e  o  contraditório.    Com  relação  ao  item  "f",  a  determinação  do  valor  tributável  do  IPI  está  prescrito  na  legislação,  e  ela  não  traz  ambigüidades.  O  conhecimento  da  Lei  é  matéria  incontroversa  nos  autos.  Ademais,  após  analisar  o  auto  de  infração  sob  este  aspecto,  verificamos  que  ele  obedece  a  essa  prescrição  legal.  Portanto,  não  se  pode  considerar  procedente a afirmação de que houve cerceamento de direito de defesa por este motivo.    Com  relação  aos  itens  "e"  e  "j"  acima,  não  conseguimos  encontrar,  no  que  instrui o processo, confirmação do que alega a contribuinte. Os registros disponíveis informam  que o processo esteve à disposição da contribuinte, para consulta e obtenção de cópia, desde  sua intimação e ciência do auto de infração; e que ela recebeu o auto de infração integralmente  instruído,. Ademais, os dados e argumentos constantes nas suas manifestações demonstram que  ela teve acesso aos autos e que compreendeu com que base foram valorados os produtos. E isso  fica  repetidamente  evidente  quando  se  analisa  os  demais  argumentos  da  contribuinte  para  invocar cerceamento de defesa, como veremos a seguir.    Ao ler e reler o auto de infração e o seu relatório, não se logrou encontrar a  altíssima confusão vista pela contribuinte (item 'a' acima). Ao contrário, o auto de infração está  acompanhado  de  planilha  que  detalha  as  mercadorias,  as  declarações  de  importação,  as  adições,  os  valores,  e  está  acompanhada  de  cópia  das  declarações  de  importação  e  acompanhada  de  cópia  do  conjunto  de  faturas  verdadeiras  e  das  não  verdadeiras  das  importações dos mesmos tipos de mercadorias que serviram de referência para a apuração da  base de cálculo das exigências fiscais.  Segundo  a  autoridade  fiscal  os  documentos  que  haviam  sido  anteriormente  apreendidos  e  as  informações  constantes  das  declarações  de  importação  demonstram  que  a  contribuinte  também  praticou  o  subfaturamento,  a  falsidade  material  e  falsidade  ideológica  nessas importações, objeto deste processo administrativo.   O  procedimento  e  os  critérios  usados  pela  autoridade  lançadora  para  a  apuração dos preços para compor a base de cálculo das exigências estão claros:  1.  adoção  do  preço  verdadeiro/real  quando  encontrada  a  fatura  verdadeira/real;  2.  quando  não  encontrada  a  fatura  com  o  preço  verdadeiro,  verificar  se  a  mercadoria  em  questão  corresponde  a  um  dos  tipos  de mercadorias  em  várias  e  sucessivas  importações  posteriores  da  contribuinte  em  que  se  Fl. 557DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     14 constatou  um  padrão  de  subfaturamento  (preços  declarados  aproximadamente  igual  a  20%  do  preço  real,  comparando  preços  das  faturas falsas/falsificadas com preços reais das faturas verdadeiras).  3.  arbitra­se  o  preço  dessa  mercadoria  aplicando  o  índice  de  correção  (multiplicar  o  valor  declarado  por  5)  para  superar  esse  padrão  de  subfaturamento;  4.  consulta­se  o  banco  de  dados  da  Receita  Federal  com  importações  do  mesmo tipo de mercadoria, com a mesma origem e procedência, e adota­ se o preço informado por essa consulta caso seja ele inferior ao calculado  pelo índice de correção.    A contribuinte compreendeu esse procedimento e os critérios, como se pode  ver  em  sua  impugnação.  Portanto,  também  não  se  confirma  que  o  critério  informado  pela  autoridade  fiscal  no  auto  de  infração  tenha  prejudicado  o  direito  de  defesa  da  contribuinte.  Vejamos o que ela argumenta:    5. ­ Nada mais  enganador.  NÃO  É VERDADE que  as mercadorias sejam as  mesmas.  São  de  cambulhadas  totalmente  distintas,  são  de  épocas  diferentes.  A  afirmação é gratuita, órfã da verdade e visa unicamente criar imagem falsa. Nunca se  viu  tamanha  desfaçatez  no  meio  fiscal. As  aquisições,  nobre  Junta  Julgadora,  distam  de  até  quatro  anos  uma  da  outra  (as  paradigmas  e  a  objeto  de  autuação). Por conseguinte, não existiu qualquer base de cálculo jurídica para  estabelecer o paradigma eleito. Induz o agente, que houve diferença entre o valor  declarado  e  aquele  efetivamente  praticado  no  mercado  internacional,  quando  na  verdade  sua  técnica  (condenável)  foi  comparar  valores  de  mercadorias  adquiridas há cerca de quatro e três anos à frente. Isso não é jurídico. É conduta  criminosa  e  ilícita,  em  tese,  que  se  enquadra  no  tipo  penal  descrito  no  art.  316,  parágrafo único e no artigo 299, do Código Penal brasileiro, além de ferir disposto  nos artigos 116, III, e 117, IX e XV da Lei n° 8.112/90.    6.  Tais argumentos desviantes do agente fiscal autuante deixa claro que o  simulacro de revisão aduaneira foi uma farsa, realizada pelas vias transversas,  ilícitas, posto que: e a) foi baseada em afirmaçâo falsa, alteradora da verdade  dos  fatos,  criminosa  em  tese. b) não  foi  precedida do  indispensável  "exame  conclusivo" para  se desconsiderar o valor da  transação  internacional,  sendo  certo  que  não  foi  instaurado  procedimento  administrativo  específico  de  "valoração  aduaneira*  para  verificação  da  alardeada  subvaloração,  omitindo­se  na  aplicação  de  critérios  científicos  com  aplicação  de métodos  substitutivos  e  seqüenciais  previstos  legalmente;  c) a  aplicação  sumaria  da  pena com base em perdimento caracteriza excesso de poder e violação a texto  de  norma  vigente;  d)  fatura  comercial  (invoice)  não  faz  parte  da  definição  legal de documento necessário ou essencial ao desembaraço, tendo em vista  que sua existência, ou não, independe para o desembaraço ou embarque das  mercadorias,  sendo que  tal  irregularidade  implica na  aplicação  de multa  de  10% sobre o valor do imposto da mercadoria importada e não de 100%, e  e) é abusiva a imposição da pena de 4 espécies de multa, concomitantemente,  não atendendo ao verdadeiro propósito da lei.  (grifos nossos)    Como  se  pode  ver,  a  contribuinte  demonstra  claro  conhecimento  sobre  os  motivos  e  critérios  adotados  pela  autoridade  fiscal,  chegando  a  dirigir­lhes  críticas  precisas.  Mas ela não alega cerceamento à defesa. Mas reclama por não ter a autoridade lançadora usado  Fl. 558DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 11817.000429/2007­01  Acórdão n.º 3401­002.957  S3­C4T1  Fl. 9          15 o roteiro da valoração aduaneira. Trata­se de um equívoco da contribuinte, pois a constatação  de fraude afasta a possibilidade de uso pleno do acordo de Valoração Aduaneira.    Quando  ela,  em  sua  impugnação,  de  fato  alega  cerceamento  de  defesa,  apresenta as seguintes razões:    20 ­ O prejuízo da defesa é total. O cerceamento ao direito de defesa restou  plenamente  comprovado,  pois  desde  a  lavratura  do  auto  de  infração,  a  autoridade  Impetrada, por  si  e  seus prepostos, negam a  fornecer  a cópia do  processo,  bem  como,  também,  não  permite  vista  dos  autos,  em  total  desrespeito aos preceitos constitucionais e ao próprio Decreto n° 70.235/72.  No  processo  administrativo,  como  sabido,  a  observância  aos  princípios  do  contraditório e da ampla defesa é medida que se impõe, sob pena de nulidade.    21.  O cerceamento ao direito de defesa da Impugnante é evidente,  haja vista a dificuldade para defender­se do  lançamento fiscal,  tendo em vista que  não  consta  na  peça  do  auto  de  infração,  os  parâmetros  que  levaram  o  fisco  a  descaracterizar os valores constantes das Declarações de Importações objeto do  indigitado auto.  Nesta  esteira,  não  vislumbrado  nos  autos  do  processo  em  apreço,  os  motivos que levaram o fisco a lançar arbitrariamente valores, bem como  a  inexistência  de  provas  a  embasarem as  acusações,  há  de  se  decretar  a  nulidade do indigitado auto de infração ora vergastado.  GRIFOS NOSSOS    A contribuinte argumenta que houve cerceamento de seu direito de defesa por  que não consta do auto de infração:  o  os parâmetros que levaram o fisco descaracterizar os valores informados  nas declarações de importação;  o  os motivos que levaram o fisco a arbitrar os preços das mercadorias;  o  provas do fatos imputados à contribuinte.    Ora, essas afirmações da contribuinte ­ que correspondem aos itens "b", "c" e  "d" retro citados como razões para o cerceamento de defesa ­ não se sustentam face o relatório  fiscal  e  as  próprias  alegações  brandidas  pela  contribuinte  em  sua  impugnação  e  recurso.  Contrariamente  à  sua  pretensão,  não  há  dúvidas  quais  foram  os  parâmetros  que  levaram  a  descaracterizar os preços informados nas declarações de importação, e quais os motivos para se  arbitrar os preços para efeito de exigência fiscal. Os parâmetros e os motivos estão descritos no  relatório fiscal e nos documentos que instruem este processo. E a contribuinte se refere a esses  parâmetros e a esses motivos em suas manifestações. Como provas a autoridade fiscal junta os  documentos pretéritamente apreendidos no escritório da contribuinte; e que eles demonstram,  pelas características de gerenciamento e controle, que havia deliberada e  recorrente  falsidade  ideológica,  falsidade material  e  subfaturamento,  em  várias  importações,  inclusive  nas  objeto  desta autuação.  Fl. 559DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     16 A  contribuinte,  em  sua  impugnação,  ao  contrário  do  que  propõem  os  julgadores a quo, desde antes da diligência por eles solicitada, já sabia as fontes e referências  adotadas pela autoridade fiscal para lavrar as exigências fiscais. In verbis:    25. ­ É certo, a teor do auto de infração e respectivo relatório, que a acusação de  SUBFATURAMENTO  contida  nas  DIs  N°s.  02/0853726­5,  02/0853730­3,  03/0386661­0,  03/0386686­6  e  03/0563252­8,  de 24/09/2002. 09/05/2003 e  04/07/2003.  fls.  39  a  81,  se  baseou,  exclusivamente,  na  comparação  de  preços constantes dessas DI's com aqueles constantes de  'propostas de vendas'  grafadas em chinês pelos fornecedores, datadas de 2004 e 2006, fls. 106 a 112,  ao que o astucioso fiscal chamou eufemisticamente de "faturas verdadeiras  apreendidas" (sic), para justificar a sanha da devassa.  26.  ­  Confirmando:  Não  há  dúvidas  de  que,  para  convencer  que  houve  subfaturamento,  o  agente  fiscal  utilizou documentos em  idioma chinês/inglês,  sem  tradução,  relativas  a  listas  de  preços  praticados  em  2004  e  2006,  para  valorar  produtos  adquiridos  em  setembro  de  2002,  dois  a  quatro  anos  antes.  .....  29. ­ No caso, como adiantado, fez o sr. agente fiscal juntar os expedientes de  fls. 106 a 113, propostas e listas de preços em língua chinesa, e a esses papéis  chamou, ardilosamente, de "faturas verdadeiras apreendidas". Não são faturas,  sequer guarda relação com a operação.  30.  ­  No  entanto,  Nobre  Junta  Julgadora,  compulsando  referidos  papéis,  somente permitido vista em 27/11/2007, 1  (um) dia antes do  termo  final para  apresentação  da  impugnação,  nota­se  que  todos  eles  estão  grafados  na  língua chinesa, com alguns deles contendo titulos em Inglês. E mais,  constata­se que não consta dos autos documento de tradução para o vernáculo.  ...  43.  ­  Primeiro,  a  de  que  é  falsa  a  afirmação  de  que  as  mercadorias  são  as  mesmas.  Sim,  porque  as  listagens  de  fls.  107  a  113,  paradigmas,  são  documentos datados de 2004 e 2006 e não de 2002 e 2003 a que se  refere as  DI's objetos de revisão aduaneira, fls. 39 a 81. Como então poder afirmar com  honestidade e lisura, "que as mercadorias importadas através destas DI's  são as mesmas  trazidas através da DI n° 06/0935345­9". Aliás,  sequer  essa última DI consta dos autos de forma a permitir a comparação.  ...  53.  ­  Retornando  ao  tema  que  tange  ao  subfaturamento,  tem­se  que  o  fisco  levantou os preços paradigmas pelas listagens de fornecedores, fls. 107 a 113,  referentes  a  2004  e  2006,  e  com  base  nesses  preços  atribuiu  valores  às  mercadorias  constante 3  da Dl's  de  fls.  39  a  81,  que  referem­se  aos  anos  de  2002  e  2003,  do  que  resultou  a  cobrança  de  II  e  IPI  nos  valores  de  R$  1.970.501,24 e R$ 349.094,91, respectivamente.  GRIFOS NO ORIGINAL      Veja­se que a contribuinte, na impugnação, argumenta a distância de quatro  anos  entre  as  importações  supostamente  usadas  como  paradigma  e  as  importação  objeto  da  autuação. E critica com precisão e diretamente os critérios adotados pela autoridade fiscal para  chegar a determinar o preço por arbitramento.  Também não se sustenta a alegação de que houve prejuízo à defesa por que o  lançamento não teria citado os fundamentos legais do arbitramento. O auto de infração cita o  artigo  da  lei  que  prevê  o  arbitramento.  E  a  contribuinte,  em  sua  impugnação,  discute  os  Fl. 560DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 11817.000429/2007­01  Acórdão n.º 3401­002.957  S3­C4T1  Fl. 10          17 equívocos do modo de arbitramento adotado pelo fiscal, o que prova que ela compreendeu as  bases legais para o procedimento de arbitramento:    53.  Retornando ao tema que tange ao subfaturamento, tem­se que o fisco  levantou  os  preços  paradigmas  pelas  listagens  de  fornecedores,  fls.  107  a  113,  referentes a 2004 e 2006, e com br«*e nesses preços atribuiu valores às mercadorias  constante 3 da Dl's de fls. 39 a 81, que referem­se aos anos de 2002 e 2003, do que  resultou  a  cobrança  de  II  e  IPI  nos  valores  de  R$  1.970.501,24  e  R$  349.094,91,  respectivamente.  54.  A Medida Provisória n° 2.158­35, assim dispõe sobre a qv :stão (art.  84 do Decreto n° 4.543/2002):    "Art.  88. No  caso  de  fraude,  sonegação  ou  conluio,  em  que  não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado  na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos  incidentes  será  determinado mediante arbitramento  do  preço  da  mercadoria,  em  conformidade  com  um  dos  seguintes  critérios, observada a ordem seqüencial:    I ­ preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou  similar;    II­ preço no mercado internacional, apurado:  a)  em  cotação  de  bolsa  de  mercadoria  ou  em  publicação  especializada;  b)  de acordo  com o método previsto no Artigo  7 do  acordo  para  Implementação  do  Artigo  VII  do  GATT/994,  aprovado  pelo Decreto Legislativo n° 30, de 15 de dezembro de 1994, e  promulgado pelo Decreto n° 1.355, de 10 de dezembro de 1994,  observados  os  dados  disponíveis  e  o  princípio  da  razoabilidade;  c)  mediante  laudo  expedido  por  entidade  ou  técnico  especializado.    55.  Como visto,  a previsão  legal para os  casos de  suspeita de  fraude no  preço  indicado  em  fatura  comercial,  a  autoridade  administrativa  deve  buscar  identificar  o  preço  de  exportação  de  mercadoria  idêntica  ou  similar,  na  mesma  época e, posteriormente, apurar os preços no mercado internacional.  56.  Assim, tratando­se de subfaturamento de mercadoria, se fosse o caso,  o fato poderia, no máximo, desencadear a instauração do procedimento de valoração  aduaneira.  57.  Tal  processo  de  valoração  aduaneira  teria  que  se  dar  nos  exatos  termos dos  Incisos  I ou  II do art. 88 da MP 2158­35  (art do Dec.  4.543/2002) e não através de chutômetro.  58.  ­ A base para aplicação de  tal processo de valoração aduaneira  encontra­se  no  Acordo  Geral  sobre  Tarifas  e  Comércio  ­GATT  1994  (Acordo  de  Valoração  Aduaneira)  publicado  no  Brasil  por  farta legislação.  59 ­ Como já dissertado, a autoridade lançadora afastou o primeiro método  de  valoração  aduaneira  (valor  da  transação),  porque  ao  comparar  os  Fl. 561DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     18 preços  do  produto  com  outros,  adquiridos  dois  a  quatro  anos  após  a  transação, encontrou diferenças.    60 ­ Ora, não basta que se afirme simplesmente que o preço da mercadoria  é inaceitável, e adote como correto parâmetro não autorizado por lei. Em  obediência  ao  determinado  no  Acordo  de  Valoração  Aduaneira,  deve  comprovar que aplicou metodologia científica aprovada por norma legal e  que  comprove  que  o  preço  paradigma:  "AO  MESMO  TEMPO.  E  NAS  MESMAS  QUANTIDADES,  A  IMPORTAÇÃO  DO  MESMO  PRODUTO,  ORIUNDO  DO  MESMO  PAÍS  EXPORTADOR,  ERA NEGOCIADO PELO PREÇO POR ELA  INDICADO  COMO  CORRETO",  como  assevera  o  equilibrado  e  jurídico  Acórdão  n°  303­33.146,  da  Terceira  Câmara  do  Terceiro  Conselho de Contribuintes do MF, de autoria da competente conselheira  Anelise Daudt. Confira: [...]   62  ­  Como  já  exaustivamente  exposto,  o  ilustre  fiscal  autuante  elegeu  como paradigma meras  listagens  em  línguas  estrangeiras  e  sem tradução, relativas a preços praticados de 2 a 4 anos depois das  datas das DI's, referindo­se a seguir a elementos que constariam de  outra  DI  que  não  juntou  aos  autos  (06/09353459),  não  havendo,  assim,  forma  de  saber  se  as  mercadorias  são  as  mesmas  como  alardeou (não se sabe se quis dizer 'idênticas' ou 'similares' segundo  a terminologia da AVA) para se determinar se se deve aplicar o 2o  ou  o  3o  método  de  avaliação  previsto  no  GATT  1994.  Estas  as  razões jurídicas que impõe os cancelamentos dos autos de infração.  É o que pede    Como  se pode  ver,  nenhuma das  razões  alegadas  que  teriam prejudicado  o  direito  á  defesa  se  sustentaram,  o  que  significa  entendimento  e  conclusão  diferentes  do  Acórdão recorrido.      Com  relação  ao  argumento  dos  julgadores  a  quo  de  que  faltaram  dados  para  formarem  sua  convicção:    Os julgadores de 1º piso, para justificar a decisão de que teria havido prejuízo  ao  direito  de  defesa  da  contribuinte,  também  se  referiram  que  faltaram  informações  para  formarem sua convicção. Reproduzimos a seguir o trecho do Acórdão:      Ocorre que, embora a diligência  tenha  tido sucesso em esclarecer esses  aspectos,  ela  revelou  outra  omissão  no  lançamento,  ao  afirmar  que  a  maior  parte  das mercadorias  (121  produtos)  foi  valorada  com  base  em  dados  extraídos  dos  sistemas  informatizados  da Receita Federal,  sendo  que não constam nos autos as fontes desses dados (número e data das  DI's  ou  documentos  equivalentes). Ou  seja, não  consta  no processo  a  demonstração  da  origem  da  totalidade  dos  parâmetros  utilizados  pelo  Fisco  para  arbitramento  do  preço  das  mercadorias.  Dessa  forma,  apesar  de  esclarecida  qual  a  metodologia  utilizada,  faltam  elementos  que  possibilitem  avaliar  se  os  valores  arbitrados  foram  Fl. 562DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 11817.000429/2007­01  Acórdão n.º 3401­002.957  S3­C4T1  Fl. 11          19 devidamente  calculados  com base  em  dados  aceitáveis,  passíveis  de  comprovação por quem tiver interesse.  A indicação da fonte específica e da data a que se referem os preços  utilizados  para  subsidiar  o  arbitramento  é  importante  para  conferir  transparência e objetividade ao lançamento, e ainda, para demonstrar a  variação dos preços reais das mercadorias importadas ao longo dos  exercícios de 2002 e 2003. Ou seja, esses dados são relevantes, também,  para  a  análise  da  aptidão  da  documentação  apreendida  na  sede  da  empresa  para  provar  os  fatos  alegados  pela  fiscalização.  Logo,  essa  informação  interessa  não  apenas  ao  autuado,  para  possibilitar  o  exercício pleno de seu direito de defesa, mas também ao julgador, para  formar  com  mais  rigor  sua  convicção.  Daí  a  necessidade  desses  dados serem devidamente demonstrados.  GRIFOS NOSSOS    Mui  respeitosamente,  somos  obrigados  a  divergir  do  argumento  e  da  conclusão,  primeiramente  por  uma  questão  fática.  Parece­nos  não  corresponder  aos  fatos  a  afirmação de que não consta dos autos a demonstração da origem da totalidade dos parâmetros  utilizados pelo Fisco para o arbitramento do preço das mercadorias, a indicação da fonte e da  data a que  se  referem os preços. Tanto o  relatório  fiscal,  quanto  a  resposta à diligência  (fls.  232), a autoridade fiscal aponta que às fls. 86/113 ela juntou os documentos apreendidos que  informam as mercadorias,  os  preços  reais  e os  não  reais,  e permitem  conhecer o  "padrão de  subfaturamento", a prática de falsificar o preço e falsificar a fatura. A autoridade fiscal declara  com  todas  as  letras  que  as mercadorias das  importações  sob exame  são  as mesmas daquelas  importações onde  se  constatou  subfaturamento; para demonstrar,  junta cópia das declarações  de  importação onde constam as descrições da mercadorias, para que se possa cotejar com as  mercadorias descritas nos documentos de fls. 86/113.  S.m.j.,  contrariando  os  ilustres  julgadores  da  DRJ,  os  dados  estão  demonstrados e não nos pareceram insuficientes para prosseguir na apreciação do contencioso.      Com  relação  à  nulidade  do  auto  de  infração  que  imputa  prática  sonegação  com  fraude  e  subfaturamento por insubsistência do procedimento de arbitramento de preço:      O objeto da autuação está na constatação de prática intencional, organizada e  continuada  de  falsidade  documental,  falsidade  ideológica,  subfaturamento  e  pagamento  de  tributos  a menor  que  o  devido.  A  decisão  sobre  a  procedência  de  cada  uma  das  exigências  fiscais feitas deve analisar a materialidade e as provas de cada um dos fatos justificadores das  respectivas exigências, individual e conjuntamente.  A autuação se  refere a um conjunto complexo de elementos que pretendem  provar a conduta e a ocorrência das infrações, e, ainda, a justificar as exigências fiscais.  Nessa  autuação,  o  subfaturamento  não  é  a  única  infração,  e,  embora  seja  relevante,  não  representa,  nem  substitui,  as  outras.  A  qualificação  de  um  fato  como  subfaturamento não depende de se determinar precisamente o quanto foi subfaturado. A prova  Fl. 563DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     20 de que houve  subfaturamento pode não estar acompanhada da prova que permita determinar  exatamente de quanto foi a diferença entre o preço verdadeiro e o não verdadeiro.     O direito aduaneiro estabelece que o  julgador analise cada  infração, mesmo  que estejam identificadas e reunidas no mesmo auto de infração:  Decreto­lei n. 37, de 1966:  Art.97 ­ Compete à autoridade julgadora:  I ­ determinar a pena ou as penas aplicáveis ao infrator ou a quem deva  responder pela infração, nos termos da lei;  II ­ fixar a quantidade da pena, respeitados os limites legais.  Art.98  ­  Quando  a  pena  de  multa  for  expressa  em  faixa  variável  de  quantidade,  o  chefe  da  repartição  aduaneira  imporá  a  pena  mínima  prevista para a  infração,  só a majorando em razão de circunstância que  demonstre a existência de artifício doloso na prática da infração, ou que  importe  agravar  suas  conseqüências  ou  retardar  seu  conhecimento  pela  autoridade fazendária.  Art.99 ­ Apurando­se, no mesmo processo, a prática de duas ou mais  infrações  pela  mesma  pessoa  natural  ou  jurídica,  aplicam­se  cumulativamente,  no  grau  correspondente,  quando  for  o  caso,  as  penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas.  § 1º ­ Quando se tratar de infração continuada em relação à qual tenham  sido  lavrados  diversos  autos  ou  representações,  serão  eles  reunidos  em  um só processo, para imposição da pena.  §  2º  ­  Não  se  considera  infração  continuada  a  repetição  de  falta  já  arrolada  em  processo  fiscal  de  cuja  instauração  o  infrator  tenha  sido  intimado.  Art.100  ­  Se  do  processo  se  apurar  responsabilidade  de  duas  ou  mais  pessoas,  será  imposta  a  cada  uma  delas  a  pena  relativa  à  infração  que  houver cometido.  .......  Art.103  ­  A  aplicação  da  penalidade  fiscal,  e  seu  cumprimento,  não  elidem,  em  caso  algum,  o  pagamento  dos  tributos  devidos  e  a  regularização cambial nem prejudicam a aplicação das penas cominadas  para o mesmo fato pela legislação criminal e especial.      Portanto, a apreciação do contencioso deve considerar o conjunto e cada um  dos  fatos  infracionais,  mas  não  pode  invalidar  toda  a  autuação  baseada  na  invalidação  de  apenas um dos fatos infracionais.    Ocorre  que  os  fatos  imputados  à  contribuinte  nesta  autuação  concluem  se  tratar  de  prática  contumaz  de  sonegação  com  fraude  com  falsidade  material,  falsidade  ideológica e subfaturamento, para enganar intencionalmente os controles aduaneiros.  O  arbitramento  de  preços  para  fins  de  apuração  da  base  de  cálculo  das  exigências  não  constitui  a  materialidade  dos  fatos  imputados,  do  objeto  da  autuação.  O  arbitramento  é  mero  procedimento  necessário  para  suprir  a  determinação  dos  valores  das  exigências fiscais.  Fl. 564DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 11817.000429/2007­01  Acórdão n.º 3401­002.957  S3­C4T1  Fl. 12          21 A eventual nulidade do arbitramento adotado não pode tornar sem efeito os  fatos que ensejaram o arbitramento. O arbitramento não pertence ao núcleo da autuação, nem  das exigências fiscais.   Por essas razões, propugnamos que a nulidade do arbitramento não pode ser  considerada  causa  suficiente  para  se  declarar  a  nulidade  por  vício  material  todo  o  auto  de  infração  que  constatou  sonegação  com  fraude,  falsidades  e  prática  de  enganar  os  controles  aduaneiros.       Conclusão final:    Concluímos,  após  todas  essas  ponderações,  que  não  foram  acolhidas  as  razões adotadas pelos Julgadores a quo para declararem a nulidade do auto de infração e ficou  decidido  que  se  deve  dar  provimento  ao  recurso  de  ofício,  devolvendo­lhes  a  lide  para  julgamento.    Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira ­ redator designado.                      Fl. 565DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA

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Numero do processo: 11516.008315/2008-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES. TRIBUTAÇÃO. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitar-se-á, a partir do período em que ocorrerem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Sujeita-se ao arbitramento do lucro o contribuinte cuja escrituração contiver deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou para determinar o lucro real, bem como o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa contendo a escrituração de toda a movimentação financeira, inclusive bancária, no caso de contribuinte do lucro presumido. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. Aplica-se aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido no principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1102-000.813
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos argumentos recursais relativos à exclusão da recorrente do Simples, e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé

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FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2005, 2006  DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS.  Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou  de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nestas operações.  PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES. TRIBUTAÇÃO.  A pessoa  jurídica  excluída do Simples  sujeitar­se­á,  a partir  do período  em  que ocorrerem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis  às  demais pessoas jurídicas.  ARBITRAMENTO DO LUCRO.  Sujeita­se ao arbitramento do lucro o contribuinte cuja escrituração contiver  deficiências  que  a  tornem  imprestável  para  identificar  a  efetiva  movimentação financeira, inclusive bancária, ou para determinar o lucro real,  bem como o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os  livros  e  documentos  da  escrituração  comercial  e  fiscal,  ou  o  Livro  Caixa  contendo  a  escrituração  de  toda  a  movimentação  financeira,  inclusive  bancária, no caso de contribuinte do lucro presumido.  TRIBUTAÇÃO  REFLEXA  OU  DECORRENTE.  CSLL.  PIS/PASEP.  COFINS.  Aplica­se  aos  lançamentos  decorrentes  ou  reflexos  o  decidido  no  principal,  em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 83 15 /2 00 8- 77 Fl. 398DF CARF MF Impresso em 10/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 11516.008315/2008­77  Acórdão n.º 1102­000.813  S1­C1T2  Fl. 3          2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer  dos argumentos recursais relativos à exclusão da recorrente do Simples, e, na parte conhecida,  negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente  julgado.  Documento assinado digitalmente.  Albertina Silva Santos de Lima ­ Presidente.   Documento assinado digitalmente.  João Otávio Oppermann Thomé ­ Relator.    Participaram do julgamento os Conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima,  Antonio  Carlos  Guidoni  Filho,  João  Otávio  Oppermann  Thomé,  José  Sérgio  Gomes,  e  Francisco  Alexandre  dos  Santos  Linhares.  Ausente,  justificadamente,  a  Conselheira  Silvana  Rescigno Guerra Barretto.    Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto por ANJO PESCA IND E COM DE  PESCADOS  LTDA,  contra  acórdão  proferido  pela  3ª  Turma  de  Julgamento  da  DRJ/Florianópolis­SC, que  julgou procedente o  lançamento de ofício efetuado, e encontra­se  assim ementado:  “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 2005, 2006  OMISSÕES  DE  RECEITAS.  PRESUNÇÃO.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.  Caracterizam­se  como  omissão  de  receita,  por  presunção  legal,  os  valores  creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais  o  titular,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.  OMISSÃO DE RECEITAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA.  A  contestação  genérica  do  lançamento  pela  negação geral,  desacompanhada  de  elementos  comprobatórios  hábeis,  não  é  suficiente,  por  si  só,  para  elidir  a  presunção legalmente admitida.  LUCRO ARBITRADO. APLICABILIDADE.  A partir da data de início da produção dos efeitos de exclusão do SIMPLES a  pessoa  jurídica,  atendidas  todas  as  demais  condições  legais,  pode  optar  pelo  lucro  presumido ou apurar o imposto de renda e a contribuição social pela regra, que é o  Fl. 399DF CARF MF Impresso em 10/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 11516.008315/2008­77  Acórdão n.º 1102­000.813  S1­C1T2  Fl. 4          3 lucro real. Em não se verificando as condições necessárias para a tributação por um  destes regimes de apuração do IRPJ, impõe­se o arbitramento do lucro.  LANÇAMENTOS DECORRENTES.  Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os decorrentes, devem  as  conclusões  relativas  àquele  prevalecer  na  apreciação  destes,  desde  que  não  presentes argüições específicas ou elementos de prova novos.  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário  Ano­calendário: 2005, 2006  MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE.  Se as provas carreadas aos autos pelo Fisco, evidenciam a intenção dolosa de  ocultar  a  ocorrência  do  fato  gerador,  pela  prática  reiterada  de  desviar  receitas  da  tributação, cabe a aplicação da multa qualificada.”  A pessoa  jurídica foi submetida a procedimento  fiscal, do qual  resultou sua  exclusão de ofício do Simples Federal a partir de 1º de janeiro de 2005, e a lavratura de Autos  de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição para o Programa  de  Integração  Social  –  PIS,  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  –  COFINS  e  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  –  CSLL,  perfazendo  um  crédito  tributário no montante de R$ 2.644.583,52, aí já incluídos os juros de mora e a multa de ofício  de 150%.  De acordo com as Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica (fls. 103 a  121),  a  recorrente  esteve  inativa  no  ano­calendário  de  2005,  e  teria  auferido  receita  total  de  apenas R$ 2.400,00 no ano de 2006.  Por meio do Termo de  Início de Fiscalização de  fls. 5 a 7, a fiscalizada foi  intimada a apresentar, entre outros elementos, os livros de sua escrituração comercial e fiscal,  relativos  ao  anos­calendário  2005  e  2006,  e  os  extratos  bancários  de  todas  as  suas  contas  correntes bancárias e de aplicações financeiras neste mesmo período.  Posteriormente, foi a empresa intimada a esclarecer o motivo de não constar  em sua escrituração a movimentação financeira estampada nos extratos bancários, bem como a  comprovar  a  origem  dos  créditos,  devidamente  identificados  em  planilha  elaborada  pela  fiscalização de forma individualizada, totalizando R$ 13.663.851,31.  Em  resposta,  informou  a  recorrente  que  não  possuía  a  documentação  hábil  para atender a solicitação efetuada (fls. 101).  Em  face  da  resposta  apresentada,  o  auditor  fiscal  formulou  Representação  Fiscal (fls. 01 a 04) com proposta de exclusão da recorrente do regime simplificado, a qual foi  acolhida  pelo  Delegado  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Florianópolis,  que  expediu  o  Ato  Declaratório Executivo DRF/FNS nº 83, de 12 de dezembro de 2008 (fl. 152), excluindo­a de  ofício do Simples, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2005.  A fiscalização intimou e reintimou a recorrente a apresentar a escrita contábil  que  permitisse  a  apuração  do  imposto  de  renda  de  acordo  com as  regras  do  lucro  real,  bem  como  tornou  a  intimar  a  recorrente  acerca  da  comprovação  da  origem  dos  créditos  em  suas  Fl. 400DF CARF MF Impresso em 10/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 11516.008315/2008­77  Acórdão n.º 1102­000.813  S1­C1T2  Fl. 5          4 contas bancárias,  novamente  tendo a  recorrente  respondido que não possuía  a documentação  hábil para atender a solicitação efetuada (fls. 161).  As  exigências  foram  constituídas  pela  fiscalização  segundo  as  regras  do  Lucro  Arbitrado,  e  foram  apenadas  com  a  multa  de  150%,  exceto  com  relação  à  receita  declarada (março de 2006, no valor de R$ 2.400,00), sobre a qual foi aplicada a multa de 75%.  No  cálculo  dos  valores  devidos,  foram  deduzidos  os  valores  pagos/declarados  segundo  as  regras do Simples Federal.  Em sede de impugnação, aduz a recorrente que não poderia ter sido excluída  do  Simples  por  suposta  prática  reiterada  de  infração  à  legislação  tributária,  antes  de  que  houvesse  a  constituição  definitiva  do  crédito  tributário  pela  suposta  omissão  de  receitas  apurada.  Além  de  ser  improcedente  a  sua  exclusão  do  Simples,  o  ato  que  a  excluiu  deve ser anulado, por não se encontrar devidamente motivado.  Houve violação ao princípio da irretroatividade, posto que os efeitos do ato  declaratório  não  podem  retroagir  no  tempo,  conforme  tem  sido  reconhecido  também  pela  jurisprudência.  Também  houve  desrespeito  aos  princípios  constitucionais  da  garantia  ao  contraditório, à ampla defesa,  e ao devido processo  legal, pois o Ato Declaratório Executivo  que a excluiu do Simples não estabeleceu prazo para impugnação.  Com  relação  aos  depósitos  bancários,  sustenta  que  alguns  deles  são  decorrentes  de  venda  de  mercadorias  devidamente  registradas  em  sua  contabilidade.  E  que,  além de depósitos de clientes,  aportavam nestas  contas valores provenientes de descontos de  duplicatas,  algumas  das  quais  não  eram  saldadas  pelos  clientes,  obrigando  a  empresa  a  reembolsar  a  instituição  financeira,  de  modo  que,  havendo  o  posterior  pagamento  pelos  clientes, a movimentação financeira resulta muito superior às suas vendas efetivas.  Alega  também  que  há  vários  depósitos  provenientes  de  vendas  de  ativos,  registradas na contabilidade, e valores transferidos de outras contas de sua própria titularidade,  que não foram objeto de análise pela fiscalização.  Os depósitos nas contas não representam receitas à margem da contabilidade,  mas  sim mera movimentação  física de valores  financeiros na órbita da  recorrente. Por outro  lado, o numerário depositado nessas contas foi utilizado para pagamento de diversas despesas  componentes do seu custo.  Não  houve  qualquer  diligência  no  sentido  de  provar  que  os  depósitos  identificados  pela  fiscalização  seriam  provenientes  de  omissão  de  receitas,  cabendo  exclusivamente ao Fisco esta prova, conforme jurisprudência que transcreve.  Inadvertidamente,  os  auditores  não  consideraram que os  valores  declarados  pela recorrente deveriam ter sido excluídos da base tributável, evitando­se o bis in idem ilegal.  O  Arbitramento  realizado  é  completamente  ilegal,  pois  o  Fisco  possuía  elementos  para  determinar  a  base  de  cálculo,  sem  lançar  uso  do  arbitramento,  uma  vez  que  tinha  em  mãos  a  movimentação  bancária  que,  segundo  o  próprio  auditor,  comprovaria  a  Fl. 401DF CARF MF Impresso em 10/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 11516.008315/2008­77  Acórdão n.º 1102­000.813  S1­C1T2  Fl. 6          5 omissão de receita. Não há porque arbitrar o lucro, basta aplicar as alíquotas próprias do lucro  presumido.  Há vício formal no lançamento, uma vez que o motivo do arbitramento e da  base de cálculo não se conforma com a realidade fática.  A  multa  qualificada  não  pode  ser  aplicada,  pois  o  Termo  de  Verificação  Fiscal não  faz qualquer  análise da possibilidade da  receitas  terem origem  fraudulenta,  e,  por  outro lado, evidente está que não houve fraude, mas tão somente, na pior das hipóteses, falta de  informação a Receita Federal da venda de mercadorias.  Finaliza requerendo a anulação do Ato Declaratório Executivo que a excluiu  do  SIMPLES,  a  anulação  dos  autos  de  infração  lavrados,  ou,  alternativamente,  que  seja  desconsiderado o arbitramento realizado.  A DRJ observou que o Ato Declaratório que excluiu a recorrente do Simples,  e do qual ela foi cientificada em 17.12.2008, expressamente ofereceu o prazo de 30 dias para a  apresentação  de  manifestação  de  inconformidade.  Contudo,  somente  na  impugnação  ao  lançamento de ofício, interposta em 02.04.2009, houve a contestação à sua exclusão.  Assim,  somente  a questão de  fundo, que motivou a  referida exclusão,  seria  passível  de  análise,  ao  raciocínio  de  que,  acaso  acatados  os  argumentos  trazidos  pela  impugnante  contra  os  lançamentos  fiscais,  e  sendo  esses mesmos  argumentos  determinantes  para  a  manutenção  da  pessoa  jurídica  no  regime  simplificado,  haveria  que  se  provocar  a  revisão de ofício do ato de exclusão do Simples.  Entretanto,  em  análise  dos  argumentos  interpostos,  decidiu  a  DRJ,  por  unanimidade  de  votos,  pela  manutenção  integral  dos  lançamentos  efetuados,  nos  termos  da  ementa já ao norte transcrita.  Cientificada desta decisão em 18.08.2009, conforme AR de  fls. 352, e com  ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 15.09.2009, fls. 353 a 379, no  qual,  em  síntese,  reprisa  os  argumentos  expostos  por  ocasião  da  inicial,  exceto  quanto  à  qualificação  da  multa,  não  se  encontrando,  no  recurso,  nenhum  argumento  ou  contestação  específica  à  multa  aplicada,  quer  quanto  ao  seu  percentual,  quer  quanto  às  circunstâncias  fáticas que determinaram a sua qualificação, no presente caso.  É o relatório.    Voto             Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé  Inicialmente,  observo  que,  embora  o  presente  processo  tenha  sido  a  mim  distribuído para relato em sorteio realizado em setembro de 2009, foi somente em 20 de agosto  de 2012 — conforme informação registrada no sistema e­processo por ocasião da inclusão, no  próprio  sistema,  dos  arquivos  digitais  correspondentes  —  que  os  respectivos  volumes  Fl. 402DF CARF MF Impresso em 10/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 11516.008315/2008­77  Acórdão n.º 1102­000.813  S1­C1T2  Fl. 7          6 digitalizados foram inseridos no e­processo, e, consequentemente, disponibilizados ao relator,  motivo pelo qual somente nesta sessão pode o mesmo ser incluído em pauta para julgamento.  O  recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  requisitos  de  admissibilidade,  dele  tomo conhecimento.  Conforme  restou  exposto  no  relato  efetuado,  tendo  em  vista  a  intempestividade  da  contestação  da  recorrente  quanto  à  sua  exclusão  do  Simples,  os  argumentos recursais relativos a este fato não devem ser conhecidos por esta turma julgadora,  do mesmo modo que também não o foram pela autoridade julgadora de primeira instância.  De  fato,  a  recorrente  foi  cientificada  do  Ato Declaratório  Executivo  que  a  excluiu do regime simplificado em 17.12.2008, e o referido ato expressamente consignou que o  prazo para a apresentação de manifestação de inconformidade era de de 30 dias.  Assim dispõe a Lei nº 9.317/96 a respeito:  “Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e  14 surtirá efeito:  (...)  §  3o A  exclusão  de  ofício  dar­se­á mediante  ato  declaratório  da  autoridade  fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o  contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário  administrativo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.1998)”  Portanto, a lei determina que ao processo de exclusão do regime simplificado  seja aplicado o Decreto no 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, e, este, como é  cediço, estabelece o prazo de 30 dias para que o contribuinte apresente a competente defesa, a  qual, nos termos do seu artigo 14, instaura a fase litigiosa do procedimento.  No caso  concreto,  portanto,  não  se  iniciou o  litígio  com  relação  à  exclusão  efetuada, motivo pelo qual a referida exclusão somente poderia ser revista de ofício, nos exatos  termos em que referiu a decisão recorrida, na eventualidade de serem considerados procedentes  os argumentos recursais relativos à matéria de fundo aqui discutida, posto que a exclusão está  calcada nos mesmos fatos que também deram azo aos lançamentos de ofício efetuados.  Alega a recorrente que os depósitos bancários, por si só, não constituem fato  gerador  do  imposto  de  renda,  e  que  caberia  ao  Fisco  fazer  a  prova  de  que  os  depósitos  identificados seriam provenientes de omissão de receitas.  Não  lhe  assiste  razão.  Assim  dispõe  o  artigo  42  da  Lei  nº  9.430/96,  que  fundamenta o lançamento efetuado:  “Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.”  Fl. 403DF CARF MF Impresso em 10/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 11516.008315/2008­77  Acórdão n.º 1102­000.813  S1­C1T2  Fl. 8          7 Nesta nova realidade erigida pelo legislador à condição de presunção legal, a  caracterização  da  ocorrência  do  fato  gerador  do  imposto  de  renda  não  se  dá  pela  mera  constatação  de  um  depósito  bancário,  isoladamente  considerada,  mas  sim  pela  falta  de  esclarecimentos  da  origem  dos  numerários  depositados.  Ou  seja,  há  uma  correlação  lógica  estabelecida pelo legislador entre o fato conhecido (ser beneficiado com um depósito bancário  sem  demonstração  de  sua  origem)  e  o  fato  desconhecido  (auferir  rendimentos),  e  é  esta  correlação  que  dá  fundamento  à  presunção  legal  em  comento,  de  que  o  dinheiro  surgido  na  conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de receitas ou rendimentos omitidos.  É  a  própria  lei  que  determina  que  os  depósitos  bancários,  de  origem  não  comprovada,  caracterizam  omissão  de  receita  ou  de  rendimento,  e  não  meros  indícios  de  omissão. E a presunção legal, em favor do Fisco, tem o condão de transferir ao contribuinte o  ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos.  A  recorrente,  no  caso,  fez meras  alegações,  desacompanhadas  de  qualquer  elemento  de  prova,  no  sentido  de  que  parte  dos  depósitos  nas  contas  não  representariam  receitas  à  margem  da  contabilidade,  mas  tão  somente  movimentações  físicas  de  valores  financeiros,  tais  como  as  provenientes  de  descontos  de  duplicatas  reembolsadas  e  de  transferências entre contas correntes de sua titularidade.  Além de a recorrente não provar as suas alegações, registre­se que, conforme  restou assentado já na decisão recorrida, a autoridade fiscal procedeu a um acurado exame dos  extratos bancários apresentados,  tendo o cuidado de não  incluir,  entre os depósitos sujeitos a  comprovação,  aqueles  cujo  histórico  da  respectiva  transação  identificava  tratar­se  de  transferência entre contas ou de resgate de aplicações financeiras.  Também  não  apresentou  a  recorrente  qualquer  prova  de  que  alguns  dos  depósitos  identificados  pela  fiscalização  seriam  decorrentes  de  vendas  de  mercadorias  e  de  ativos,  as  quais  estariam  devidamente  registradas  em  sua  contabilidade,  mesmo  porque,  de  acordo com o relato fiscal, nem o Livro Caixa, obrigatório para as pessoas jurídicas optantes do  Simples,  foi  escriturado,  nem  tampouco  os  Livros  Diário  e  Razão,  que  possibilitariam  a  apuração pelo lucro real, foram apresentados ao fisco.  Portanto,  perfeitamente  caracterizada,  no  caso,  a  omissão  de  receitas  atribuída à recorrente, posto que não foi por ela elidida, nos termos da lei.  Sustenta a recorrente a ilegalidade do arbitramento efetuado, e protesta pela  utilização do lucro presumido, em vez do lucro arbitrado.  Não lhe assiste razão. O arbitramento do lucro, no caso, decorre diretamente  de expressa previsão legal.  De acordo com o artigo 16 da Lei nº 9.317/96, a pessoa jurídica excluída do  Simples sujeita­se, a partir do período em que se processam os efeitos da exclusão, às normas  de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.  No caso, a contribuinte foi excluída do Simples com efeitos a partir de 1o de  janeiro de 2005, conforme o Ato Declaratório expedido.  Confira­se o que dispõe o artigo 530 do RIR/99, no tocante ao arbitramento:  Fl. 404DF CARF MF Impresso em 10/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 11516.008315/2008­77  Acórdão n.º 1102­000.813  S1­C1T2  Fl. 9          8 “Art.  530.  O  imposto,  devido  trimestralmente,  no  decorrer  do  ano­calendário,  será  determinado  com  base  nos  critérios  do  lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47 e Lei nº  9.430, de 1996, art. 1º):  (...)  II­ a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar  evidentes  indícios  de  fraudes  ou  contiver  vícios,  erros  ou  deficiências que a tornem imprestável para:  a)  identificar  a  efetiva  movimentação  financeira,  inclusive  bancária; ou  b) determinar o lucro real;  III ­ o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária  os  livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o  Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527;  (...)”  Conforme  ao  norte  relatado,  o  contribuinte  não  apresentou  nem  o  Livro  Caixa, nem os Livros Diário e Razão, de sorte que não poderia, em nenhuma hipótese, manter­ se no Simples, nem tampouco ser tributada pelo lucro presumido ou pelo lucro real, restando o  arbitramento, no caso, como a única modalidade passível de utilização para a apuração do lucro  relativo aos anos­calendário de 2005 e 2006.  E  o  arbitramento,  no  caso,  foi  efetuado  seguindo  rigorosamente  o  quanto  previsto na legislação de regência, a qual determina que, à base de cálculo apurada, deve ser  aplicado  o  percentual  previsto  na  lei  para  o  lucro  presumido,  correspondente  à  respectiva  atividade da empresa, acrescido de vinte por cento.  Dos  valores  dos  tributos  devidos,  apurados  pela  fiscalização,  foram  deduzidos  os  valores  declarados  pela  recorrente.  Conforme  já  observara  a  DRJ,  os  demonstrativos de fls. 179, 191, 201 e 213, comprovam que os valores pagos relativos ao mês  de março  de  2006,  único mês  em que  a  recorrente  declarara  receitas  de R$ 2.400,00,  foram  efetivamente deduzidos dos valores apurados pelo fisco.  A recorrente, por sua vez, não trouxe aos autos nenhuma prova de que tenha  feito  algum  outro  recolhimento  de  tributo  que  pudesse  vir  a  ser  aproveitado,  pelo  que  resta  improcedente o argumento de que a fiscalização teria desconsiderado os valores por ela pagos.  Em conclusão, não há reparos a fazer quanto ao procedimento fiscal levado a  efeito, nem tampouco qualquer correção ou ajuste a ser feito nos valores lançados de ofício e  apenados, conforme o caso, com as multas de ofício de 75% e 150%.  Quanto  aos  lançamentos  decorrentes  ou  reflexos,  tendo  em  vista  que  efetuados  em  razão  dos  mesmos  fatos  que  deram  origem  ao  lançamento  principal,  deve­se  aplicar a eles a mesma decisão adotada quanto à exigência do IRPJ, em razão da íntima relação  de causa e efeito que os vincula.  Pelo exposto, não conheço dos argumentos recursais relativos à exclusão da  recorrente do Simples, e, na parte conhecida, nego provimento ao recurso.  Fl. 405DF CARF MF Impresso em 10/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 11516.008315/2008­77  Acórdão n.º 1102­000.813  S1­C1T2  Fl. 10          9 É como voto.  Documento assinado digitalmente.  João Otávio Oppermann Thomé ­ Relator                                  Fl. 406DF CARF MF Impresso em 10/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA

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