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Numero do processo: 19515.004810/2008-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jul 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
NULIDADE. PROCESSO. FUNDAMENTO LEGAL. DECRETO.
O decreto utilizado como fundamento legal do auto de infração, expressamente, indica as leis em que está baseado. Nulidade do lançamento inexistente.
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO.ALEGAÇÃO VAZIA.
Vazia é a alegação do contribuinte contra o alargamento da base de cálculo da contribuição quando este em nenhum momento prova e logra demonstrar a existência de receitas, contas, rubricas e/ou valores concretos que deveriam estar fora do alcance da exação por conta do guerreado alargamento.
DECLARAÇÃO CONFLITANTE ENTRE A DIPJ E A DCTF. DECLARAÇÃO INEXATA. MULTA DE OFÍCIO.
Correta a imputação da multa de oficio sobre diferença de tributos não informada em DCTF, embora tenha sido corretamente informados na DIPJ. Declaração inexata configurada. Precedente da 1ª Turma do CSRF do CARF.
SÚMULA CARF Nº 2:
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso voluntário conhecido em parte; na parte conhecida, recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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DCTF. DIVERGÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. Recorrente ICLA S/A COMÉRCIO INDÚSTRIA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003, 2004, 2005 NULIDADE. PROCESSO. FUNDAMENTO LEGAL. DECRETO. O decreto utilizado como fundamento legal do auto de infração, expressamente, indica as leis em que está baseado. Nulidade do lançamento inexistente. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO.ALEGAÇÃO VAZIA. Vazia é a alegação do contribuinte contra o alargamento da base de cálculo da contribuição quando este em nenhum momento prova e logra demonstrar a existência de receitas, contas, rubricas e/ou valores concretos que deveriam estar fora do alcance da exação por conta do guerreado alargamento. DECLARAÇÃO CONFLITANTE ENTRE A DIPJ E A DCTF. DECLARAÇÃO INEXATA. MULTA DE OFÍCIO. Correta a imputação da multa de oficio sobre diferença de tributos não informada em DCTF, embora tenha sido corretamente informados na DIPJ. Declaração inexata configurada. Precedente da 1ª Turma do CSRF do CARF. SÚMULA CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso voluntário conhecido em parte; na parte conhecida, recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 48 10 /2 00 8- 29 Fl. 608DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Por bem narrar o histórico do caso dos autos até o acórdão recorrido, transcrevo o relatório da DRJ: Trata o presente processo de ação fiscal levada a efeito em relação à Contribuinte em epígrafe da qual surtiu Lançamento, consubstanciado no “Auto de Infração” de fls. 192/196, da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS no que tange a períodos de apuração dos anoscalendário de 2003 a 2005 O crédito apurado em favor da União, composto pela contribuição, multa proporcional e juros de mora (calculados até 31/07/2008), perfaz o total equivalente a R$ 1.547.736,43 (um milhão, quinhentos e quarenta e sete mil, setecentos e trinta e seis reais e quarenta e três centavos). Pelo Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 182/183, relata a Autoridade Lançadora no sentido de que os valores informados em DIPJ referentes a "PIS a Pagar" estão superiores aos informados em DCTF ou superiores aos valores recolhidos aos cofres públicos e que, sendo a Contribuinte intimada e reintimada a prestar esclarecimentos e a apresentar documentos e/ou livros fiscais/comerciais comprobatórios, nada recebeu. No mesmo Termo de Verificação e Constatação Fiscal é exibido demonstrativo, mês a mês, dos valores envolvidos e das diferenças apuradas pela Fiscalização em favor da União. O Lançamento foi contestado, fls. 200/202 e fls. 206/209, alegando a Impugnante, em síntese, no sentido: de que o Auto de Infração não pode ser fundamentado em mero decreto (cita os artigos 2º, 3º, 10º, 22 e 51 do Decreto 4.524/02), violando o princípio da estrita legalidade e caracterizando manifesto cerceamento de defesa; de que o Auto de Infração é nulo por exigir tributo eivado de inconstitucionalidade, uma vez que o alargamento da base de cálculo da contribuição foi declarado inconstitucional; e de que a multa de 75% aplicase a Fl. 609DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.004810/200829 Acórdão n.º 3202001.635 S3C2T2 Fl. 609 3 Lançamento de ofício, procedimento desnecessário no caso tendo em vista que, conforme consta do próprio relatório fiscal, os valores exigidos foram declarados como devidos na DIPJ e, desta forma, poderia ter o Fisco procedido à inscrição do débito em dívida ativa com a inclusão da multa de mora de 20%. Apreciando a impugnação, a DRJ a julgou procedente em parte, exonerando o crédito tributário apenas para reconhecer sua decadência parcial, relativamente aos períodos de apuração de abril, maio, junho e julho de 2003, conforme resume a ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário:2003, 2004, 2005 NULIDADE.DESCABIMENTO. É incabível de ser pronunciada a nulidade de Auto de Infração lavrado por autoridade competente, tendo em conta o art. 59 do Decreto 70.235/72. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS É de cinco anos o prazo decadencial para fins de Lançamento das contribuições sociais, consoante a Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei 8.212/91. DIFERENÇAS INJUSTIFICADAS ENTRE VALORES INFORMADOS E VALORES CONFESSADOS OU PAGOS. Havendo diferenças não justificadas entre os valores informados em DIPJ e/ou DACON e aqueles confessados/pagos, cabe lançálas, fundandose o Lançamento em bases econômicas concretas representadas por receitas ou valores inseridos em informações do próprio contribuinte perante o Erário. MERAS ALEGAÇÕES. Meras alegações, desacompanhadas de elementos concretos, não propiciam a modificação ou extinção da pretensão fazendária. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO.ALEGAÇÃO VAZIA. Vazia é a alegação do contribuinte contra o alargamento da base de cálculo da contribuição quando este em nenhum momento prova e logra demonstrar a existência de receitas, contas, rubricas e/ou valores concretos que deveriam estar fora do alcance da exação por conta do guerreado alargamento. MULTA. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 Legítima a constituição do crédito tributário com a multa de ofício prescrita na legislação de regência quando os débitos do contribuinte não se encontram confessados/pagos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Diante da manutenção parcial do crédito tributário, a empresa interpôs recurso voluntário, pedindo que fosse julgado nulo o lançamento, por ter se baseado em decreto. Caso fosse considerada válida a autuação, a recorrente pede seja julgado improcedente, por incidir o PIS sobre a sua receita bruta, e não sobre o faturamento, e por exigir multa de ofício no percentual de 75%, embora os valores já estivessem declarados em DIPJ. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator ad hoc. Com fundamento no art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, incumbiume a Presidente da Turma a formalizar o presente acórdão, cujo relator original, Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pelo relator original, que, embora não mais integre os colegiados do CARF, apresentou a minuta do voto na sessão de julgamento, que será adotada na presente formalização. Assim, passase a transcrever, a seguir, o voto que consta da minuta apresentada: O recurso voluntário é tempestivo e merece ser apreciado. Trata o presente processo de ação fiscal levada a efeito em relação à Contribuinte em epígrafe da qual surtiu Lançamento, consubstanciado no “Auto de Infração” de fls. 192/196, da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS no que tange a períodos de apuração dos anoscalendário de 2003 a 2005. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 611DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.004810/200829 Acórdão n.º 3202001.635 S3C2T2 Fl. 610 5 O crédito apurado em favor da União, composto pela contribuição, multa proporcional e juros de mora (calculados até 31/07/2008), perfaz o total equivalente a R$ 1.547.736,43 (um milhão, quinhentos e quarenta e sete mil, setecentos e trinta e seis reais e quarenta e três centavos). Pelo Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 182/183, relata a Autoridade Lançadora no sentido de que os valores informados em DIPJ referentes a "PIS a Pagar" estão superiores aos informados em DCTF ou superiores aos valores recolhidos aos cofres públicos e que, sendo a Contribuinte intimada e reintimada a prestar esclarecimentos e a apresentar documentos e/ou livros fiscais/comerciais comprobatórios, nada recebeu. A recorrente alega que o Auto de Infração é nulo, pois não pode ser fundamentado em mero decreto. Porém, os artigos 2º, 3º, 10º, 22 e 51 do Decreto 4.524/02, citados pela empresa, estão arrimados em atos legais mencionados expressamente neles próprios. Reparese: Art. 2º As contribuições de que trata este Decreto têm como fatos geradores (Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 2º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, art. 13): (...) Art. 3º São contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre o faturamento as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 1º , Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 60, Lei nº 9.701, de 17 de novembro de 1998, art. 1º , Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, art. 2º , Lei nº 9.718, de 1998, art. 2º , e Lei nº 10.431, de 24 de abril de 2002, art. 6º , inciso II). (...) Art. 10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º , têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 1º , Lei nº 9.701, de 1998, art. 1º , Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º , Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, art. 5º , e Lei nº 9.718, de 1998, arts. 2º e 3º ). (...) Art. 22. Para efeito de apuração da base de cálculo de que trata este capítulo, observado o disposto no art. 23, podem ser excluídos ou deduzidos da receita bruta, quando a tenham integrado, os valores (Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º ): (...) Art. 51. As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins aplicáveis sobre o faturamento são de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) e de 3% (três por cento), respectivamente, e as diferenciadas previstas nos arts. 52 a 59 (Lei nº 9.715, de 1998, Fl. 612DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 art. 8º , Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 1º , e Lei nº 9.718, de 1998, art. 8º ). Assim sendo, não procede esse alegação da recorrente. Quanto à suposta tributação da COFINS, utilizandose base de cálculo inconstitucional, concordo com o acórdão da DRJ, quando assentou que a recorrente teceu argumentações genéricas sobre o assunto sem nada trazer de provas – ainda que indiciárias – sobre a suposta tributação de valores diversos da venda de mercadorias ou prestação de serviços.Incorporo, dessa forma, os seguintes termos da decisão recorrida: Importa, agora, examinar as eventuais implicações do chamado alargamento da base de cálculo da contribuição para o caso sob exame. Quanto a isso, cabe registrar que a Impugnante em nenhum momento provou e logrou demonstrar a existência de receitas, contas, rubricas e/ou valores concretos que deveriam, na linha de seus argumentos, estar fora do alcance da contribuição por conta do chamado alargamento da base de cálculo. Nem sequer, para iniciar, é apresentado qualquer registro contábil efetuado pelo sujeito passivo para efeito de apuração da contribuição. Naturalmente, tratandose de pessoa jurídica, eventual testemunho em seu favor é a própria escrita contábil da Empresa, a qual constitui o primeiro suporte para a comprovação de suas variações patrimoniais e operações. Outrossim, não se olvide que as DIPJ e os DACON, por exemplo, têm força probante contra o sujeito passivo, que os apresentou perante o Fisco, mas por si sós não dão suporte às assertivas da Impugnante. O posicionamento da Impugnante revelase insustentável pela mais completa carência de elementos de prova que servissem de supedâneo aos seus argumentos, não havendo como atestar a existência, a regularidade e o montante de eventuais valores através da análise de documentação comprobatória que desse integral suporte a eles. No que diz respeito à assertiva de que a declaração na DIPJ do valor correto devido, a titulo de COFINS, excluiria a cominação da multa de ofício, igualmente não é procedente. Sobre o tema, nossa turma já teve oportunidade de decidir, com base em precedente da CSRF, e peço vênia para transcrever os seguintes trechos do meu voto sobre o tema, ora ratificados: Como se vê, o pressuposto da multa de ofício é a falta de declaração ou de declaração inexata, sendo certo que essa norma jurídica não menciona a DIPJ, a DCTF nem obrigação acessória que constitua confissão de dívida.Fala,apenas,em declaração. No caso dos autos, como reconhece o acórdão recorrido, a recorrente apresentou uma declaração exata(DIPJ) e uma declaração inexata (DCTF). Fl. 613DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.004810/200829 Acórdão n.º 3202001.635 S3C2T2 Fl. 611 7 Nessa hipótese,há controvérsia jurisprudencial no CARF sobre a correção ou não da aplicação da multa de ofício. Esse dissídio jurisprudencial foi uniformizado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais por meio do Acórdão nº 910100.503,Sessão de 25 de janeiro de2010, que dispôs pela cominação da multadeofíciode75%: [...] Efetivamente,é acertada a interpretação da CSRF acerca do art.44,I,da Lei nº9.430/1996. Apresentar declarações conflitantes ao Fisco enquadrase no conceito legal de declaração inexata. In casu, foi a DCTF a fonte da incorreção e da cominação da penalidade. Não foi a DIPJ. Deve ser mantido, por isso,o acórdão recorrido. Também não procede a alegação da contribuinte de que a multa de ofício violaria os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e nem da legalidade. Isto porque o agente fiscal limitouse a aplicar a legislação tributária vigente, levando a efeito a punição estipulada pelo legislador. A lei não confere qualquer âmbito de discricionariedade ao agente administrativo,nem ao julgador, no tocante à dosimetria desta punição, sendo suficiente que se caracterize a situação descrita na norma para que haja a aplicação da punição, por dever de ofício. Alegações de inconstitucionalidade da própria lei teriam de ser feitas por meio de ação judicial, tendo em vista que apenas o Poder Judiciário tem competência para afastar a aplicação de dispositivo de lei. Este Tribunal Administrativo não tem competência para afastar a aplicação de uma lei em vigor,que goza de presunção de constitucionalidade. O entendimento a respeito deste tema foi consolidado na Súmula CARF nº 2. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Forte nessas razões, conheço em parte do recurso voluntário; na parte conhecida, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 614DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 Fl. 615DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10980.723758/2009-23
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jul 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
DIREITO CREDITÓRIO. DESPESAS COM FRETE INTERNACIONAL.
Não geram direito de crédito as despesas incorridas com transportadores não domiciliados no País, ainda que, por escolha do contribuinte, estas sejam creditadas a agente marítimo que os represente.
ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. VIGÊNCIA DO ART. 31 DA LEI 10865/2004.
Não fere direito adquirido nem contraria regra de lei a regra do art. 31 da lei 10865/2004, a qual, para períodos de apuração posteriores a 01/05/2004, veda o aproveitamento dos encargos de depreciação como descontos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3802-004.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário pra NEGAR-LHE o provimento.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Dmorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 DIREITO CREDITÓRIO. DESPESAS COM FRETE INTERNACIONAL. Não geram direito de crédito as despesas incorridas com transportadores não domiciliados no País, ainda que, por escolha do contribuinte, estas sejam creditadas a agente marítimo que os represente. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. VIGÊNCIA DO ART. 31 DA LEI 10865/2004. Não fere direito adquirido nem contraria regra de lei a regra do art. 31 da lei 10865/2004, a qual, para períodos de apuração posteriores a 01/05/2004, veda o aproveitamento dos encargos de depreciação como descontos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário pra NEGARLHE o provimento. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 37 58 /2 00 9- 23 Fl. 575DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D’morim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 574), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. O contribuinte WOODGRAIN DO BRASIL LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0633.992, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada por insuficiência de direito creditório, negandoo. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da manifestação de inconformidade, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: "Trata o presente processo do pedido de ressarcimento de crédito do PIS/Pasep não cumulativo vinculado às receitas de exportação do 1º trimestre de 2006, no valor de R$ 107.960,09 (cento e sete mil e novecentos e sessenta reais e nove centavos), formalizado através do PER/DCOMP nº 21407.58964.020908.1.1.088780. A análise do referido pedido foi realizada pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, que, em conclusão aos trabalhos realizados, emitiu o Despacho Decisório DRF/CTA, de 30 de junho de 2010, o qual reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 81.905,25 (oitenta e um mil e novecentos e cinco reais e vinte e cinco centavos). Ressaltese que a análise do pedido foi efetuada em atendimento a liminar proferida no Mandado de Segurança nº 2009.70.00.0210978/PR. Conforme consta da decisão mencionada, a autoridade fiscal realizou, primeiramente, um ajuste nos valores das receitas informadas no DACON. Foram considerados como receitas de exportação e do mercado interno os valores constantes dos Livros de Registro de Saídas, excluindose os valores das receitas financeiras; e do valor da receita bruta foram excluídos os descontos concedidos pela empresa de forma incondicional, pelo fato de os mesmos não integrarem a base de cálculo das contribuições (PIS e Cofins). Em conseqüência dessas correções, a autoridade procedeu a um novo cálculo do rateio proporcional a ser aplicado sobre os valores dos créditos da nãocumulatividade. No tocante aos créditos da nãocumulatividade a autoridade administrativa realizou glosas nas seguintes rubricas: a) Bens Utilizados como Insumos: relativamente às Notas Fiscais de Entrada das empresas Seven Madeiras Ltda., CNPJ nº 06.136.813/000190, e Cyklop Fl. 576DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723758/200923 Acórdão n.º 3802004.193 S3TE02 Fl. 576 3 do Brasil Embalagens S/A, CNPJ nº 56.993.512/000150, para as quais constam CFOP (5.501 e 6.501) que indicam aquisições com o fim específico de exportação; e relativamente às Notas Fiscais da empresa Vidia Comércio e Serviços Técnicos Ltda., CNPJ nº 00.737.615/000103, cujas aquisições foram realizadas com “Suspensão das contribuições para o PIS/Pasep e a COFINS”, em razão do Ato Declaratório Executivo nº 22/2005, que habilitou a interessada como empresa preponderante exportadora nos termos da IN/SRF nº 595, de 2005. Nas duas situações descritas, as aquisições teriam ocorrido sem a incidência das contribuições (PIS/PASEP e a COFINS), ficando impedido o aproveitamento dos créditos, conforme estabelece o artigo 3º, § 2º, inc. II das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. b) Despesas de Energia Elétrica: relativamente às despesas constantes das faturas que não correspondam ao consumo de energia elétrica, tais como encargos moratórios (juros, multa e correção monetária) e taxa de iluminação pública; c) Despesas de alugueis de máquinas e equipamentos: glosa de uma Nota Fiscal, no mês de setembro, que já havia sido contabilizada na rubrica “Bens utilizados como Insumo”; d) Despesas de Fretes pagos na operação de venda: nesta rubrica foram considerados somente os fretes internacionais pagos pela empresa exportadora a transportador domiciliado no Brasil (empresa nacional); foram glosados, portanto, os valores de fretes internacionais cujos pagamentos foram realizados a agentes nacionais, que representam transportador não domiciliado no Brasil, em atendimento ao disposto no inciso II, § 3º, art. 3º das Lei 10.637/2002 e 10.833/2003; e) Encargos de Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado: relativamente aos encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 01/05/2004, em atendimento ao artigo 31 da Lei nº 10.865/2004. Por fim, a autoridade fiscal realizou a apuração dos créditos do mercado interno e do mercado externo do trimestre, levandose em consideração os ajustes anteriormente mencionados (nas receitas, no rateio proporcional e nos créditos) e o Saldo de Crédito do Mês Anterior (relativo ao mercado interno), e descontandose dos créditos apurados os valores da contribuição devida do próprio trimestre, gerada em decorrência das saídas tributadas. A contribuinte foi cientificada do despacho decisório em 02/07/2010 e apresentou, em 03/08/2010, a manifestação de inconformidade, cujo conteúdo é resumido a seguir. Após um breve relato dos fatos, a interessada defende no primeiro tópico (“Do Princípio da NãoCumulatividade”) a aplicação plena da não cumulatividade. Argumenta que o legislador ordinário não pode restringir a nãocumulatividade da contribuição, uma vez que a mesma tem status constitucional, implementado através da Emenda Constitucional nº 42/2003, que deu nova redação ao § 12, artigo 195, da Constituição Federal. Sustenta que a nãocumulatividade aplicada ao PIS e a Cofins “se opera de forma Fl. 577DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 diversa daquela aplicada ao IPI e ao ICMS, isso porque para as contribuições, referida sistemática consiste em uma redução da base de cálculo com a respectiva dedução de créditos relativos às contribuições que foram recolhidas sobre bens e/ou serviços objeto de faturamento em etapas anteriores.” Em resumo, argumenta a interessada “que o regime nãocumulativo das referidas contribuições não pode ser restringido, pois os contribuintes tem o direito ao crédito da contribuição exigidos anteriormente, como forma de minorar a carga tributária sobre o faturamento, objetivo primordial dessa sistemática.” Nos dois tópicos seguintes (“Das Despesas com Fretes Internacionais” e “Do Princípio da Estrita Legalidade”) a contribuinte dirige sua inconformidade contra as glosas relativas às despesas com fretes internacionais. Relata que no despacho decisório a autoridade fiscal proferiu o entendimento “de que o crédito de PIS/COFINS decorrente de despesas com fretes internacionais é passível de aproveitamento, desde que o seu pagamento seja feito ao transportador domiciliado no Brasil, não bastando para tal que o seu agente o seja.”. Sustenta que o entendimento da autoridade fiscal é equivocado e não merece manutenção em face dos princípios da legalidade e da estrita legalidade tributária (art. 5º, inciso II e art. 150, inciso I da Constituição Federal). Argumenta que “não se vislumbra nos regramentos aplicáveis ao caso (Lei 10.637/02 e 10.833/03) qualquer dispositivo que obstaculize ou mesmo limite o aproveitamento do crédito oriundo de despesas com frete internacional, mesmo que praticada por agente transportador”, e que para se realizar o aproveitamento do crédito as referidas leis exigem somente: que o ônus do pagamento do frete seja suportado pelo vendedor, e; que o frete seja pago ou creditado à pessoa jurídica domiciliada no país. Sustenta que estas exigências foram atendidas pela empresa, “uma vez que, na qualidade de vendedora, arcou com os custos relativos ao frete para a remessa de sua mercadoria ao exterior e referida despesa foi paga à empresa estabelecida no território brasileiro, pouco importando se tais empresas correspondem a agentes transportadores.” Para sustentação de sua tese colaciona cópia das ementas das Soluções de Consulta nº 169/2006 da 10º RF e nº 175/07 da 9º RF. Na seqüência, no tópico “Dos Encargos de Depreciação – Bens Adquiridos antes de 01/05/2004”, a interessada defende a inconstitucionalidade do art. 31, da Lei 10.865/2004, que trata da vedação de desconto de créditos relativos à depreciação de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos antes de 01/05/2004. Argumenta que referido artigo atingiu fatos pretéritos e afrontou os princípios constitucionais do direito adquirido, da irretroatividade da lei tributária e da segurança jurídica. Em corroboração a sua tese colaciona cópia de parte do Acórdão do processo judicial nº 2005.71.010.0044698. Por fim, nos últimos dois tópicos (“Das Demais Glosas” e “Das Provas”) , a contribuinte aduz que: discorda das demais glosas realizadas, dizendo que a improcedência das mesmas “será comprovada oportunamente através da juntada de documentos hábeis e idôneos, os quais certamente ensejarão no reconhecimento integral do crédito reclamado”; e que em face do direito à ampla defesa e ao contraditório “pretende provar o alegado por meio de Fl. 578DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723758/200923 Acórdão n.º 3802004.193 S3TE02 Fl. 577 5 todos as prova em direito admitidas, principalmente através da juntada de novos documentos, a fim de evidenciar melhor a idoneidade do crédito ora guerreado.” Diante dos argumentos apresentados, a contribuinte requer que seja dado provimento à manifestação de inconformidade e que o despacho decisório seja reformado, de modo que seja reconhecido integralmente o crédito pleiteado. É o relatório." Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a rejeição ao direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. ESFERA ADMINISTRATIVA. NÃO CABIMENTO. O exame da legalidade e da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao poder judiciário, restando inócua e incabível qualquer discussão, nesse sentido, na esfera administrativa. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. FRETE INTERNACIONAL. Os gastos com fretes internacionais arcados pela vendedora, decorrentes da exportação de seus produtos, não dão direito a crédito para desconto dos valores devidos a título de PIS/PASEP, na sistemática de não cumulatividade, se o transportador for pessoa jurídica domiciliada no exterior, mesmo se o agente do transportador tiver domicílio no País. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS DO ATIVO IMOBILIZADO. Com a edição da Lei nº 10.865, de 2004, somente poderão ser aproveitados os créditos dos encargos de depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1º de maio de 2004. PROVAS. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A apresentação de provas deve ser realizada junto à impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outra ocasião, ressalvada a impossibilidade por motivo de força maior, quando se refira a fato ou direito superveniente ou no caso de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 579DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba – DRJ/CTA, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, e requer o reconhecimento da homologação de compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 574), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. O Recurso Voluntário, assim como a manifestação de inconformidade, combate as glosas realizadas em basicamente dois itens: Despesas com fretes internacionais (objeto de dois tópicos do recurso); Encargos de depreciação. Relativamente à digressão sobre o princípio da nãocumulatividade que inaugura a argumentação de mérito do Recurso Voluntário, como se trata de argumentação ampla e, a rigor, principiológica (que não pode ser apreciada pelo CARF, conforme verbete Sumular nº 02), não adentrarei em sua análise pormenorizadamente. O Recurso Voluntário não ataca frontalmente as glosas referentes a insumos adquiridos (i) com fim específico de exportação; (ii) junto a empresa preponderantemente exportadora; além de (iii) encargos financeiros decorrentes de pagamento em atraso de faturas de energia elétrica (despesas com multas, juros e correção monetária) e contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública. Isso pois, diferentemente da manifestação de inconformidade, não há o questionamento quanto às “demais glosas”, pelo que reputo como não mais contestadas tais vedações, nos termos do art. 17 do RPAF, aplicável mutatis mutandi ao Recurso Voluntário. De toda forma, no que tange às duas glosas combatidas pelo Recorrente, passase às considerações de mérito. 1. Despesas com fretes internacionais Foram glosadas despesas incorridas com fretes nas operações de venda, pagos a agentes nacionais que representam transportador estrangeiro. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723758/200923 Acórdão n.º 3802004.193 S3TE02 Fl. 578 7 A glosa dessas despesas embasouse no art. 3o, § 3o, II, das leis 10.637/2002 (para o PIS) e 10.833/2003 (para a COFINS), o qual assim dispõe: § 3oO direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: (...) II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; A decisão recorrida entendeu correta a glosa procedida pela autoridade administrativa, ante a presunção de que Conforme a legislação citada, para que o dispêndio possa gerar crédito, é preciso que as despesas sejam pagas ou creditadas a pessoa jurídica domiciliada no País, o que não ocorre no caso em tela. Na verdade a interessada contrata pessoas jurídicas domiciliadas no País que se dedicam à atividade de agenciamento de fretes internacionais (agente marítimo) e faz o pagamento do serviço de transporte para elas, sendo de ser ressaltado que o agente marítimo não presta o serviço de transporte e não é ele que recebe o pagamento por tal serviço; o valor entregue para o agente, na verdade corresponde ao pagamento do armador. Ocorre que o agente marítimo (agente do armador) é mero preposto do armador, para gerir ou administrar seus negócios, inclusive cobrando os respectivos fretes, que são o pagamento do proponente pela prestação do serviço de transporte. Portanto, para que a exigência legal (custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País) fosse atendida, seria preciso que o transportador (o prestador do serviço de transporte marítimo internacional) fosse domiciliado no País, donde, nos casos em que o transportador não tenha domicilio no País, não há o direito a crédito, mesmo que o agente do transportador tenha domicílio no País. O Recorrente, ao seu turno, defende a legitimidade do aproveitamento das referidas despesas como desconto ante a premissa de que há “apenas dois requisitos que merecem observância para que se faça jus aos créditos, quais sejam: 1) o ônus dos valores despendidos com o frete deve ser suportado pelo vendedor, no caso a Recorrente; e 2) os custos relativos ao frete devem ser pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País”. A celeuma se restringe, portanto, à definição se a utilização de agente marítimo brasileiro se enquadra no inciso II do § 3o do art. 3o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Entendo, diferentemente do que supõe o Recorrente, que as despesas incorridas no caso não devem ser aproveitadas como desconto. Explico. No caso em tela, consta dos autos que o frete foi prestado por transportador estrangeiro (pessoa jurídica não domiciliada no Brasil, portanto). Tal é a essência da despesa incorrida pelo Recorrente. Apesar de todas as ressalvas cabíveis ao caso do ponto de vista principiológico, inclusive de ordem isonômica em acordos internacionais comerciais Fl. 581DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 celebrados pelo Brasil, fato é que ao CARF é vedado apreciar a inconstitucionalidade das normas tributárias. Todavia, do ponto de vista puramente legal, o comando vigente permite o aproveitamento de despesas como desconto apenas se estas forem incorridas com pessoa jurídica domiciliada no Brasil. Fato é que a norma se refere a despesas incorridas, pagas ou creditadas a pessoa jurídica domiciliada no País, e concretamente o crédito se deu a um agente marítimo domiciliado no País. Ocorre, contudo, que esse crédito se refere a uma prestação de serviços efetivada por estrangeiro, e a utilização de um intermediário por este não reflete a materialidade da despesa incorrida. Notese que a Recorrente em momento algum afirma que o agente marítimo lhe prestou qualquer serviço de transporte, mas apenas se pauta na expressão legal e do fato de ter havido crédito em favor de pessoa jurídica domiciliada no País. Ora, o agente marítimo em termos concretos nada mais é do que um mero mandatário do transportador domiciliado fora do País. A respeito de sua caracterização, trago digressão da Em. Min. Eliana Calmon no RESP 731226 (DJ de 20/09/2007): (...)pessoas encarregadas pelos armadores, ou por quem as suas vezes faça em cada caso particular, temporária ou permanentemente, do mandato de realizar as operações comerciais que originalmente corresponderiam ao capitão ou armador,nos portos de carga ou descarga,de ajudar o capitão emqualqueroperaçãoedecuidardosinteressesdonavioedacarga,nãosóperantea sautoridades,mastambémnasrelações privadas(SOARES, Luiz Dantas de Souza Soares. Agente de navegação responsabilidade civil. In: Revista de direito mercantil,n.º34,abril/junho1979,p.54).O agente marítimo comprometese a representar o navio em terra, praticando em nome do armador ou capitão os atos que esse teria de realizar pessoalmente. Valese, para isso, de contrato consensual, bilateral e oneroso que corresponde perfeitamente à idéia do mandato profissional, figura jurídica tratada no art. 658 do CC de 2002.” Assim, havendo mera relação de mandato (ou seja, simples intermediação) entre o agente marítimo e o Recorrente, não se pode caracterizar que o frete tenha sido pago a pessoa jurídica domiciliada no País. Concretamente o frete foi pago a pessoa jurídica domiciliada no estrangeiro, todavia por intermédio de um representante legal seu. Noutras palavras, a natureza do creditamento feito em favor do agente marítimo se deu em razão de atividade de intermediação, dado que este fornecedor efetivamente não prestou serviço de transporte para o Recorrente. O transportador está domiciliado fora do País, de modo que a opção de pagar a um intermediário domiciliado no Brasil é ato de mera escolha, ação volitiva da Recorrente, sem essência econômica suficiente e apta a alterar o critério de tributação (que se percebe no discrímen legal entre a contratação de uma empresa transportadora domiciliada no País ou no exterior). O CARF já se posicionou no mesmo sentido, conforme se verifica do Acórdão 3403002.718, de relatoria do Em. Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz (sessão de 29 de janeiro de 2014), cuja ementa segue abaixo: Fl. 582DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723758/200923 Acórdão n.º 3802004.193 S3TE02 Fl. 579 9 PIS NÃOCUMULATIVO. FRETE INTERNACIONAL. TRANSPORTADOR ESTRANGEIROREPRESENTADOPORAGENTEMARÍTIMOSEDIADONO PAÍS.DIREITODECRÉDITO. Sujeito passivo que contrata frete internacional junto a transportador marítimo domiciliado fora do País, embora representado por agente marítimo estabelecido no Brasil. Agente marítimo que atua na condição de mandatário profissional do armador. Direito de crédito inexistente. Diante do exposto, não merece acolhida o pleito da Recorrente quanto a tais despesas. 2. Dos encargos de depreciação O item remanescente discute a glosa de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, adquiridos anteriormente a 01/05/2004, nos termos do art. 31 da lei nº 10.865/2004. Dispõe a referida norma: Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma doinciso III do § 1odo art. 3odas Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. § 1oPoderão ser aproveitados os créditos referidos noinciso III do § 1odo art. 3odas Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, apurados sobre a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1ode maio. § 2oO direito ao desconto de créditos de que trata o § 1odeste artigo não se aplica ao valor decorrente da reavaliação de bens e direitos do ativo permanente. § 3oÉ também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica. A decisão recorrida foi bastante objetiva nesse aspecto, apenas indicando que necessita obedecer as regras vigentes, e que quaisquer formas de contestação do texto legal devem ser obtidas pela via própria, que não a administrativa. O Recorrente, ao seu turno, constrói argumento de cronologia das normas, indicando que desde o início da vigência das Medidas Provisórias que restaram convertidas nas leis 10.637/2002 e 10.833/2003, foi permitido aos contribuintes aproveitar como descontos créditos relativos a encargos de depreciação. Prossegue afirmando que, já que as normas existem desde o nascedouro do regime não cumulativo, o contribuinte teria direito adquirido aos créditos (fl. 629 dos autos), de modo que houve ato jurídico perfeito prócontribuinte em relação aos plurimencionados créditos (fl. 630). Fl. 583DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 Entendo que o contribuinte teria razão em seus fundamentos, caso estivéssemos diante de glosa retroativa de créditos aproveitados antes da vigência da lei 10.865/2004. Porém, esse não é o caso: nos autos tratase de encargos de depreciação em período posterior ao início da vigência da lei 10.865/2004. Dessa forma, não me parece ser o caso de se considerar que o contribuinte teria direito imutável e irrevogável aos créditos decorrentes dos encargos de depreciação, sendo certo que eventual aumento na carga tributária (oriundo da vedação ao aproveitamento dos encargos a partir de maio de 2004, nos termos do art. 31 da lei 10.865/2004) é, em última análise, resultado da auto tributação imposta pela própria sociedade, por intermédio de seus mandatários no Congresso Nacional. Não há, nesse sentido, nenhuma vedação legal (como é o caso do art. 178 do CTN, que veda a revogação de isenções concedidas por prazo certo e em caráter oneroso) à alteração no aproveitamento de créditos. A título ilustrativo valhome, a propósito, da fundamentação adotada no Mandado de Segurança 2005.71.000044698, cujas razões de decidir foram trazidas à lume pelo Recorrente quando da concessão de liminar: Quanto à análise da sucessão de regimes estabelecidos para a não cumulatividade do PIS e da COFINS, tenho que o princípio da irretroatividade e da segurança jurídica não alcançam a dimensão preconizada na inicial. O legislador não fica eternamente vinculado à extensão e ao alcance do benefício fiscal concedido em determinado momento, podendo, da mesma forma com que é permitida a revogação da isenção, reduzilo ou suprimilo, na presença de motivação suficiente e adequada para tanto. Existem diversos graus de retroatividade, e a que aqui se trata é a retroatividade mínima referindose ao efeito futuro dos atos passados. Em se tratando de depreciação e amortização, o tratamento contábil e financeiro que lhes é dispensada pode assumir uma feição semelhante a uma relação continuativa. Existem financiamentos que são amortizados no longuíssimo prazo, e certos bens mais refratários ao processo de obsolescência podem gerar encargos de depreciação que venham a superar dez anos. Ora, os princípios constitucionais trazidos à lume pela impetrante não tutelam planejamentos tributários desta amplitude, visam a proteger direitos de bruscas alterações de curto e médio prazo, não se podendo engessar a atividade legislativa de tal forma que se impeça a adequação dos benefícios concedidos aos imperativos de uma política industrial, ou à situação estrutural (não conjuntural) da política econômicofiscal. Em suma, entendo ser lícito ao legislador que implanta regime tributário totalmente novo (como o PIS/Cofins não cumulativo) algumas alterações e correções de rota, quando não evidenciado lesão aos princípios da retroatividade média (contraprestações estatais descumpridas quando da alteração legislativa) e máxima (situações consumadas no passado). Somese a isso a noção de que a depreciação que visa a compensar o desgaste de máquinas e equipamentos em face do decurso do tempo e a amortização tocante ao prazo em que é imputado determinado custo financeiro são apropriadas em quotas mensais, ou seja, apenas incorporamse ao patrimônio do beneficiado á medida em que passam a integrar a sua contabilidade. Inexistindo a possibilidade da amortização ou da depreciação imediata, não há violação ao princípio da irretroatividade ou da Segurança Jurídica, pois há uma expectativa de benefício fiscal que só se transmuda em direito adquirido à medida em que cada período contabilmente relevante para a amortização/depreciação é atingido. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723758/200923 Acórdão n.º 3802004.193 S3TE02 Fl. 580 11 Destarte, não entendo haver guarida aos argumentos do contribuinte, quanto a este item de seu Recurso. Conclusão Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 13830.722700/2012-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1402-000.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que seja distribuído ao relator o processo 13830.722759/2012-68 para julgamento em conjunto, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar.
Relatório
MD CRED - INFORMAÇÕES CADASTRAIS LTDA. - ME recorre a este Conselho em face do acórdão nº 01-28.081 proferido pela 1ª Turma da DRJ em Belém que julgou improcedente a impugnação apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF).
Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementando-o ao final:
I DO LANÇAMENTO
Trata-se de auto de infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), de Programa de Integração Social (PIS), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), de Contribuição para o Financiamento da Seguridade (Cofins), e de Contribuição Patronal Previdenciária, referente ao ano-calendário de 2008, com os lançamentos discriminados no quadro 1 a seguir (principal, multa e juros, calculados até 11.2012).
TRIBUTO
IMPOSTO- R$
JUROS DE MORA- R$
MULTA R$
TOTAL R$
IRPJ
77.798,52
31.560,02
58.348,83
167.707,37
PIS
54.807,11
22.235,89
41.105,25
118.148,25
COFINS
238.734,87
97.312,92
179.051,08
515.098,87
CSLL
77.906,03
31.755,05
58.429,44
168.090,52
CONT. PREVIDENCIÁRIA PATRONAL
753.635,87
306.145,25
565.226,79
1.625.007,91
TOTAL
2.594.052,92
A impugnante tomou ciência do auto de Infração em 03/12/2012.(fls. 1341/1425).
II DAS INFRAÇÕES LANÇADAS
2. A Empresa foi autuada pelas seguintes infrações à legislação tributária, a saber:
2.1 OMISSÃO DE RECEITA
DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO ESCRITURADO
Demonstramos abaixo os valores totais mensais que foram considerados pára a constituição do crédito tributário que correspondem às receitas brutas omitidas pelo sujeito passivo no ano-calendário de 2008:
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, e de CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL.
III - DA IMPUGNAÇÃO
3 - Em 28/12/2012, a Empresa apresentou impugnação ao Auto de infração (fls. 1427/1974), e alega em síntese:
3.1 DAS PRELIMINARES
3.1.1 TEMPESTIVIDADE
Que a Impugnação é tempestiva;
3.1.2 NULIDADE - DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
- Na descrição dos fatos, incorreu-se em várias contradições e imprecisões;
- Somando as receitas de prestações de serviços já declaradas na Declaração de ajuste anual da empresa autuada, e os depósitos bancários e os considerou como renda, e deposito bancário não é renda, ademais a Fiscalização não descreveu nenhuma transação ou negociação que gerasse renda;
- É inconstitucional a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial.
A fiscalização extrapolou qualquer limite de discricionariedade por obter informações por meio ilícitos, contrariando o art. 30, da lei 9.784/99.
Para este item a Impugnante menciona julgados judiciais;
3.2 DO MÉRITO
- Além das atividades descritas no Contrato Social, a empresa trabalhava como correspondente bancário, recebendo títulos e boletos de cobrança, contas de água, energia elétrica, IPTU, telefone, etc...
O produto desses recebimentos era depositado inteiramente na conta da Impugnante no dia do recebimento e posteriomente repassado ao banco, no primeiro dia útil seguinte ou dia após, com o pagamento de juros.
- O Contribuinte juntou inúmeros documentos que comprovam a licitude de suas movimentações financeiras;
- Foi desprezado pela Fiscalização o fato da empresa Visão Empreendimentos Imobiliários S/C Ltda, diante de inúmeras dificuldades financeiras e, assim, impedida de movimentar valores em sua conta corrente, repassou à empresa Impugnante, seu contrato de correspondente bancário com o Banco Santander;
- Resta comprovado na DIMOB, a existência da movimentação apontada, e que estes valores, refletem as verdades dos fatos, que decorreria em nova fiscalização na Imobiliária Visão( ver documentação anexa):
Todas as receitas decorrentes da locação e administração dos imóveis da empresa Visão Empreendimentos S/C Ltda. Foram regulamente registradas nas DIPJ e na DIMOB, e a remuneração que constitui a receita operacional da empresa são percentuais de 10% incidentes sobre valores dos aluguéis administrados...........................................................................................................
Portanto, a empresa impugnante não percebe qualquer remuneração pela administração dos valores de IPTU recebidos e repassados à Prefeitura Municipal de Tupã.
- Os valores de juros e honorários advocatícios, eram depositados na conta corrente da impugnante para serem repassados aos proprietários dos imóveis;
- Foi solicitado ao Banco Santanter que apresentasse documentos, que comprovasse a relação negocial entre a empresa Visão S/C, e a impugnante através de depósitos de cheques na Conta do Banco do Brasil da Impugnante, e não foi atendido.
Solicitou a expedição de ofício ao referido banco para apresentar os documentos requeridos.
- Que grande parte da movimentação financeira foi proveniente de depósitos bancários e pagamento do sistema PagPerto, e inúmeros empréstimos feitos por um dos sócios da empresa com retorno imediato dos valores emprestados no final do dia;
- Não deveria considerar os depósitos bancários como receitas, sem a comprovação de qualquer variação patrimonial;
- Não seria coerente a Auditoria considerar que a Impugnante faturasse ou obtivesse rendimento exorbitante, e suas contas corrente apresentasse saldos devedores;
- A maioria dos depósitos foram oriundos de transferências de contas pertencentes à Impugnante, e de seu sócio diretor;
3.3 DO PEDIDO DE DILIGÊNCIAS, E PERÍCIAS
Requer diligências:
.....inúmeros cheques foram emitidos pela Visão Empreendimentos Imobiliários S/C Ltda, Banco Santander, depositados na conta do Banco do Brasil, de titularidade da impugnante, conforme fazem prova as cópias dos emais em anexo, bem como inúmeros requerimentos dirigidos ao Banco Santander para apresentação de microfilmagem de tais títulos, simplesmente não foram apresentados nem, tampouco, justificados pela instituição financeira.
1 a expedição de oficio ao Banco Santander, afim de apresentar perante esta entidade, os documentos requeridos para o justo abatimentos dos valores;
2 para que seja ordenado aos Bancos Santander e Banco do Brasil de Tupã, que centamente oferecerá as informações em quais contas foram depositados os supra mencionados cheques;
Requer perícias:
......Como já comprovado nessa impugnação, houve inúmeras incorreções e incongruências em planilhas numéricas apresentadas pela autoridade fiscal, o que não pode ser validade por Vossas Excelências, sem o deferimento uma perícia.
- A impugnante aponta os quesitos, e indica o Sr. LUIZ VIERA ROCHA, CRC nº 1SP-051712/0/6 para atuar como perito da empresa.
Requer ainda:
- que todas as notificações sejam encaminhadas nas pessoas de MARCOS ROBERTO IGNÁCIO, OAB/SP 102.812, ou de RODRIGO IBANHES VIEIRA, ambos com endereço na Rua Caetés 805, centro, Tupã, SP, CEP 17.600-410, sob pena de nulidade;
- Juntada de novos documentos;
3.4 A Impugnante, ao fundamentar seus argumentos, menciona decisões administrativas e judiciais.
O contribuinte foi cientificado da decisão em 05 de março de 2014 (fl. 2030), apresentando recurso voluntário de fls. 2031-2084 em 05 de abril de 2014.
Em síntese, reafirma os argumentos de sua impugnação, requerendo a declaração de nulidade dos autos de infração em razão da ausência de intimação do contribuinte para informar qual sua opção de tributação após exclusão do Simples Nacional, e também pela ausência do relatório circunstanciado para emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira a que alude o art. 4º, § 6º, do Decreto nº 3.724/2001. Ataca ainda a obtenção de extratos bancários diretamente pelo Fisco em afronta à Constituição Federal, citando recente precedente do STF a respeito do tema. Argui ainda a nulidade por ausência de diligências e perícias (cerceamento do direito de defesa), renovando seu pedido de perícia, com a indicação dos quesitos que entende cabíveis e indicando seu assistente técnico. No mérito, questiona o lançamento com base em depósitos bancários, requerendo o cancelamento da autuação. Subsidiariamente, requer a redução do valor lançado com base em percentual pactuado para prestações de serviços a que se referem determinados depósitos.
É o relatório.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que seja distribuído ao relator o processo 13830.722759/2012-68 para julgamento em conjunto, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Relatório MD CRED - INFORMAÇÕES CADASTRAIS LTDA. - ME recorre a este Conselho em face do acórdão nº 01-28.081 proferido pela 1ª Turma da DRJ em Belém que julgou improcedente a impugnação apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementando-o ao final: I DO LANÇAMENTO Trata-se de auto de infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), de Programa de Integração Social (PIS), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), de Contribuição para o Financiamento da Seguridade (Cofins), e de Contribuição Patronal Previdenciária, referente ao ano-calendário de 2008, com os lançamentos discriminados no quadro 1 a seguir (principal, multa e juros, calculados até 11.2012). TRIBUTO IMPOSTO- R$ JUROS DE MORA- R$ MULTA R$ TOTAL R$ IRPJ 77.798,52 31.560,02 58.348,83 167.707,37 PIS 54.807,11 22.235,89 41.105,25 118.148,25 COFINS 238.734,87 97.312,92 179.051,08 515.098,87 CSLL 77.906,03 31.755,05 58.429,44 168.090,52 CONT. PREVIDENCIÁRIA PATRONAL 753.635,87 306.145,25 565.226,79 1.625.007,91 TOTAL 2.594.052,92 A impugnante tomou ciência do auto de Infração em 03/12/2012.(fls. 1341/1425). II DAS INFRAÇÕES LANÇADAS 2. A Empresa foi autuada pelas seguintes infrações à legislação tributária, a saber: 2.1 OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO ESCRITURADO Demonstramos abaixo os valores totais mensais que foram considerados pára a constituição do crédito tributário que correspondem às receitas brutas omitidas pelo sujeito passivo no ano-calendário de 2008: INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, e de CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. III - DA IMPUGNAÇÃO 3 - Em 28/12/2012, a Empresa apresentou impugnação ao Auto de infração (fls. 1427/1974), e alega em síntese: 3.1 DAS PRELIMINARES 3.1.1 TEMPESTIVIDADE Que a Impugnação é tempestiva; 3.1.2 NULIDADE - DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - Na descrição dos fatos, incorreu-se em várias contradições e imprecisões; - Somando as receitas de prestações de serviços já declaradas na Declaração de ajuste anual da empresa autuada, e os depósitos bancários e os considerou como renda, e deposito bancário não é renda, ademais a Fiscalização não descreveu nenhuma transação ou negociação que gerasse renda; - É inconstitucional a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. A fiscalização extrapolou qualquer limite de discricionariedade por obter informações por meio ilícitos, contrariando o art. 30, da lei 9.784/99. Para este item a Impugnante menciona julgados judiciais; 3.2 DO MÉRITO - Além das atividades descritas no Contrato Social, a empresa trabalhava como correspondente bancário, recebendo títulos e boletos de cobrança, contas de água, energia elétrica, IPTU, telefone, etc... O produto desses recebimentos era depositado inteiramente na conta da Impugnante no dia do recebimento e posteriomente repassado ao banco, no primeiro dia útil seguinte ou dia após, com o pagamento de juros. - O Contribuinte juntou inúmeros documentos que comprovam a licitude de suas movimentações financeiras; - Foi desprezado pela Fiscalização o fato da empresa Visão Empreendimentos Imobiliários S/C Ltda, diante de inúmeras dificuldades financeiras e, assim, impedida de movimentar valores em sua conta corrente, repassou à empresa Impugnante, seu contrato de correspondente bancário com o Banco Santander; - Resta comprovado na DIMOB, a existência da movimentação apontada, e que estes valores, refletem as verdades dos fatos, que decorreria em nova fiscalização na Imobiliária Visão( ver documentação anexa): Todas as receitas decorrentes da locação e administração dos imóveis da empresa Visão Empreendimentos S/C Ltda. Foram regulamente registradas nas DIPJ e na DIMOB, e a remuneração que constitui a receita operacional da empresa são percentuais de 10% incidentes sobre valores dos aluguéis administrados........................................................................................................... Portanto, a empresa impugnante não percebe qualquer remuneração pela administração dos valores de IPTU recebidos e repassados à Prefeitura Municipal de Tupã. - Os valores de juros e honorários advocatícios, eram depositados na conta corrente da impugnante para serem repassados aos proprietários dos imóveis; - Foi solicitado ao Banco Santanter que apresentasse documentos, que comprovasse a relação negocial entre a empresa Visão S/C, e a impugnante através de depósitos de cheques na Conta do Banco do Brasil da Impugnante, e não foi atendido. Solicitou a expedição de ofício ao referido banco para apresentar os documentos requeridos. - Que grande parte da movimentação financeira foi proveniente de depósitos bancários e pagamento do sistema PagPerto, e inúmeros empréstimos feitos por um dos sócios da empresa com retorno imediato dos valores emprestados no final do dia; - Não deveria considerar os depósitos bancários como receitas, sem a comprovação de qualquer variação patrimonial; - Não seria coerente a Auditoria considerar que a Impugnante faturasse ou obtivesse rendimento exorbitante, e suas contas corrente apresentasse saldos devedores; - A maioria dos depósitos foram oriundos de transferências de contas pertencentes à Impugnante, e de seu sócio diretor; 3.3 DO PEDIDO DE DILIGÊNCIAS, E PERÍCIAS Requer diligências: .....inúmeros cheques foram emitidos pela Visão Empreendimentos Imobiliários S/C Ltda, Banco Santander, depositados na conta do Banco do Brasil, de titularidade da impugnante, conforme fazem prova as cópias dos emais em anexo, bem como inúmeros requerimentos dirigidos ao Banco Santander para apresentação de microfilmagem de tais títulos, simplesmente não foram apresentados nem, tampouco, justificados pela instituição financeira. 1 a expedição de oficio ao Banco Santander, afim de apresentar perante esta entidade, os documentos requeridos para o justo abatimentos dos valores; 2 para que seja ordenado aos Bancos Santander e Banco do Brasil de Tupã, que centamente oferecerá as informações em quais contas foram depositados os supra mencionados cheques; Requer perícias: ......Como já comprovado nessa impugnação, houve inúmeras incorreções e incongruências em planilhas numéricas apresentadas pela autoridade fiscal, o que não pode ser validade por Vossas Excelências, sem o deferimento uma perícia. - A impugnante aponta os quesitos, e indica o Sr. LUIZ VIERA ROCHA, CRC nº 1SP-051712/0/6 para atuar como perito da empresa. Requer ainda: - que todas as notificações sejam encaminhadas nas pessoas de MARCOS ROBERTO IGNÁCIO, OAB/SP 102.812, ou de RODRIGO IBANHES VIEIRA, ambos com endereço na Rua Caetés 805, centro, Tupã, SP, CEP 17.600-410, sob pena de nulidade; - Juntada de novos documentos; 3.4 A Impugnante, ao fundamentar seus argumentos, menciona decisões administrativas e judiciais. O contribuinte foi cientificado da decisão em 05 de março de 2014 (fl. 2030), apresentando recurso voluntário de fls. 2031-2084 em 05 de abril de 2014. Em síntese, reafirma os argumentos de sua impugnação, requerendo a declaração de nulidade dos autos de infração em razão da ausência de intimação do contribuinte para informar qual sua opção de tributação após exclusão do Simples Nacional, e também pela ausência do relatório circunstanciado para emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira a que alude o art. 4º, § 6º, do Decreto nº 3.724/2001. Ataca ainda a obtenção de extratos bancários diretamente pelo Fisco em afronta à Constituição Federal, citando recente precedente do STF a respeito do tema. Argui ainda a nulidade por ausência de diligências e perícias (cerceamento do direito de defesa), renovando seu pedido de perícia, com a indicação dos quesitos que entende cabíveis e indicando seu assistente técnico. No mérito, questiona o lançamento com base em depósitos bancários, requerendo o cancelamento da autuação. Subsidiariamente, requer a redução do valor lançado com base em percentual pactuado para prestações de serviços a que se referem determinados depósitos. É o relatório.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que seja distribuído ao relator o processo 13830.722759/201268 para julgamento em conjunto, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 30 .7 22 70 0/ 20 12 -7 0 Fl. 2109DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13830.722700/201270 Resolução nº 1402000.303 S1C4T2 Fl. 2.110 2 Relatório MD CRED INFORMAÇÕES CADASTRAIS LTDA. ME recorre a este Conselho em face do acórdão nº 0128.081 proferido pela 1ª Turma da DRJ em Belém que julgou improcedente a impugnação apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: I – DO LANÇAMENTO Tratase de auto de infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), de Programa de Integração Social (PIS), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), de Contribuição para o Financiamento da Seguridade (Cofins), e de Contribuição Patronal Previdenciária, referente ao anocalendário de 2008, com os lançamentos discriminados no quadro 1 a seguir (principal, multa e juros, calculados até 11.2012). TRIBUTO IMPOSTO R$ JUROS DE MORA R$ MULTA – R$ TOTAL – R$ IRPJ 77.798,52 31.560,02 58.348,83 167.707,37 PIS 54.807,11 22.235,89 41.105,25 118.148,25 COFINS 238.734,87 97.312,92 179.051,08 515.098,87 CSLL 77.906,03 31.755,05 58.429,44 168.090,52 CONT. PREVIDEN CIÁRIA PATRONAL 753.635,87 306.145,25 565.226,79 1.625.007,91 TOTAL 2.594.052,92 A impugnante tomou ciência do auto de Infração em 03/12/2012.(fls. 1341/1425). II– DAS INFRAÇÕES LANÇADAS 2. A Empresa foi autuada pelas seguintes infrações à legislação tributária, a saber: 2.1 – OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO ESCRITURADO Demonstramos abaixo os valores totais mensais que foram considerados pára a constituição do crédito tributário que correspondem às receitas brutas omitidas pelo sujeito passivo no anocalendário de 2008: Fl. 2110DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13830.722700/201270 Resolução nº 1402000.303 S1C4T2 Fl. 2.111 3 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, e de CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. III DA IMPUGNAÇÃO 3 Em 28/12/2012, a Empresa apresentou impugnação ao Auto de infração (fls. 1427/1974), e alega em síntese: 3.1 – DAS PRELIMINARES 3.1.1 – TEMPESTIVIDADE Que a Impugnação é tempestiva; 3.1.2 – NULIDADE DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Na descrição dos fatos, incorreuse em várias contradições e imprecisões; Somando as receitas de prestações de serviços já declaradas na Declaração de ajuste anual da empresa autuada, e os depósitos bancários e os considerou como renda, e deposito bancário não é renda, ademais a Fiscalização não descreveu nenhuma transação ou negociação que gerasse renda; É inconstitucional a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. A fiscalização extrapolou qualquer limite de discricionariedade por obter informações por meio ilícitos, contrariando o art. 30, da lei 9.784/99. Para este item a Impugnante menciona julgados judiciais; Fl. 2111DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13830.722700/201270 Resolução nº 1402000.303 S1C4T2 Fl. 2.112 4 3.2 – DO MÉRITO Além das atividades descritas no Contrato Social, a empresa trabalhava como correspondente bancário, recebendo títulos e boletos de cobrança, contas de água, energia elétrica, IPTU, telefone, etc... O produto desses recebimentos era depositado inteiramente na conta da Impugnante no dia do recebimento e posteriomente repassado ao banco, no primeiro dia útil seguinte ou dia após, com o pagamento de juros. O Contribuinte juntou inúmeros documentos que comprovam a licitude de suas movimentações financeiras; Foi desprezado pela Fiscalização o fato da empresa Visão Empreendimentos Imobiliários S/C Ltda, diante de inúmeras dificuldades financeiras e, assim, impedida de movimentar valores em sua conta corrente, repassou à empresa Impugnante, seu contrato de correspondente bancário com o Banco Santander; Resta comprovado na DIMOB, a existência da movimentação apontada, e que estes valores, refletem as verdades dos fatos, que decorreria em nova fiscalização na Imobiliária Visão( ver documentação anexa): Todas as receitas decorrentes da locação e administração dos imóveis da empresa Visão Empreendimentos S/C Ltda. Foram regulamente registradas nas DIPJ e na DIMOB, e a remuneração que constitui a receita operacional da empresa são percentuais de 10% incidentes sobre valores dos aluguéis administrados.................................................................. ......................................... Portanto, a empresa impugnante não percebe qualquer remuneração pela administração dos valores de IPTU recebidos e repassados à Prefeitura Municipal de Tupã. Os valores de juros e honorários advocatícios, eram depositados na conta corrente da impugnante para serem repassados aos proprietários dos imóveis; Foi solicitado ao Banco Santanter que apresentasse documentos, que comprovasse a relação negocial entre a empresa Visão S/C, e a impugnante através de depósitos de cheques na Conta do Banco do Brasil da Impugnante, e não foi atendido. Fl. 2112DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13830.722700/201270 Resolução nº 1402000.303 S1C4T2 Fl. 2.113 5 Solicitou a expedição de ofício ao referido banco para apresentar os documentos requeridos. Que grande parte da movimentação financeira foi proveniente de depósitos bancários e pagamento do sistema PagPerto, e inúmeros empréstimos feitos por um dos sócios da empresa com retorno imediato dos valores emprestados no final do dia; Não deveria considerar os depósitos bancários como receitas, sem a comprovação de qualquer variação patrimonial; Não seria coerente a Auditoria considerar que a Impugnante faturasse ou obtivesse rendimento exorbitante, e suas contas corrente apresentasse saldos devedores; A maioria dos depósitos foram oriundos de transferências de contas pertencentes à Impugnante, e de seu sócio diretor; 3.3 – DO PEDIDO DE DILIGÊNCIAS, E PERÍCIAS Requer diligências: .....inúmeros cheques foram emitidos pela Visão Empreendimentos Imobiliários S/C Ltda, Banco Santander, depositados na conta do Banco do Brasil, de titularidade da impugnante, conforme fazem prova as cópias dos emais em anexo, bem como inúmeros requerimentos dirigidos ao Banco Santander para apresentação de microfilmagem de tais títulos, simplesmente não foram apresentados nem, tampouco, justificados pela instituição financeira. 1 – a expedição de oficio ao Banco Santander, afim de apresentar perante esta entidade, os documentos requeridos para o justo abatimentos dos valores; 2 – para que seja ordenado aos Bancos Santander e Banco do Brasil de Tupã, que centamente oferecerá as informações em quais contas foram depositados os supra mencionados cheques; Requer perícias: ......Como já comprovado nessa impugnação, houve inúmeras incorreções e incongruências em planilhas numéricas apresentadas pela autoridade fiscal, o que não pode ser validade por Vossas Excelências, sem o deferimento uma perícia. A impugnante aponta os quesitos, e indica o Sr. LUIZ VIERA ROCHA, CRC nº 1SP051712/0/6 para atuar como perito da empresa. Requer ainda: Fl. 2113DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13830.722700/201270 Resolução nº 1402000.303 S1C4T2 Fl. 2.114 6 que todas as notificações sejam encaminhadas nas pessoas de MARCOS ROBERTO IGNÁCIO, OAB/SP 102.812, ou de RODRIGO IBANHES VIEIRA, ambos com endereço na Rua Caetés 805, centro, Tupã, SP, CEP 17.600410, sob pena de nulidade; Juntada de novos documentos; 3.4 – A Impugnante, ao fundamentar seus argumentos, menciona decisões administrativas e judiciais. O contribuinte foi cientificado da decisão em 05 de março de 2014 (fl. 2030), apresentando recurso voluntário de fls. 20312084 em 05 de abril de 2014. Em síntese, reafirma os argumentos de sua impugnação, requerendo a declaração de nulidade dos autos de infração em razão da ausência de intimação do contribuinte para informar qual sua opção de tributação após exclusão do Simples Nacional, e também pela ausência do “relatório circunstanciado” para emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira a que alude o art. 4º, § 6º, do Decreto nº 3.724/2001. Ataca ainda a obtenção de extratos bancários diretamente pelo Fisco em afronta à Constituição Federal, citando recente precedente do STF a respeito do tema. Argui ainda a nulidade por ausência de diligências e perícias (cerceamento do direito de defesa), renovando seu pedido de perícia, com a indicação dos quesitos que entende cabíveis e indicando seu assistente técnico. No mérito, questiona o lançamento com base em depósitos bancários, requerendo o cancelamento da autuação. Subsidiariamente, requer a redução do valor lançado com base em percentual pactuado para prestações de serviços a que se referem determinados depósitos. É o relatório. Fl. 2114DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13830.722700/201270 Resolução nº 1402000.303 S1C4T2 Fl. 2.115 7 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Os autos de infração lavrados são decorrentes da exclusão do contribuinte do Simples Nacional. Assim, para que se julgue a presente exigência, fazse necessário analisar se a tal exclusão se deu na forma exigida pela legislação. Ocorre que tanto o processo de exclusão do Simples Nacional (13830.722759/201268), encontramse nesta data aguardando distribuição para uma das câmaras/turmas da 1ª Seção do CARF. Nesse contexto, voto por sobrestar os presentes autos, aguardando que sejam distribuídos a esta turma o processo 13830.722759/201268 para que eu também o relate para futuro julgamento conjunto dos feitos. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 2115DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 11080.918976/2012-56
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/05/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 25/05/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 89 76 /2 01 2- 56 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918976/201256 Acórdão n.º 3801005.143 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918976/201256 Acórdão n.º 3801005.143 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918976/201256 Acórdão n.º 3801005.143 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918976/201256 Acórdão n.º 3801005.143 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918976/201256 Acórdão n.º 3801005.143 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918976/201256 Acórdão n.º 3801005.143 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918976/201256 Acórdão n.º 3801005.143 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918976/201256 Acórdão n.º 3801005.143 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10855.003410/2003-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998
DÉBITOS INDICADOS EM DCTF. LANÇAMENTO. NECESSIDADE. ART. 90 DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.158-35/2001.
O art. 90 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, vigente à época do autuação, impunha a necessidade de constituição das diferenças decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, verificados em declaração prestada pelo sujeito passivo.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-002.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Júlio Césaer Alves Ramos - Presidente
Robson José Bayerl - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998 DÉBITOS INDICADOS EM DCTF. LANÇAMENTO. NECESSIDADE. ART. 90 DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.158-35/2001. O art. 90 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, vigente à época do autuação, impunha a necessidade de constituição das diferenças decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, verificados em declaração prestada pelo sujeito passivo. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Bernardo Leite de Queiroz Lima. Júlio Césaer Alves Ramos - Presidente Robson José Bayerl - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998 PRESCRIÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOCORRÊNCIA. A apresentação de recurso administrativos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspende a exigibilidade do crédito tributário e, por decorrência lógica, impede o início do prazo prescricional, até o encerramento do contencioso administrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998 DÉBITOS INDICADOS EM DCTF. LANÇAMENTO. NECESSIDADE. ART. 90 DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835/2001. O art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, vigente à época do autuação, impunha a necessidade de constituição das diferenças decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, verificados em declaração prestada pelo sujeito passivo. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Bernardo Leite de Queiroz Lima. Júlio Césaer Alves Ramos Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 34 10 /2 00 3- 66Fl. 179DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Cuidase de auto de infração eletrônico, período de apuração janeiro/1998 a março/1998, devido à não localização dos respectivos pagamentos. Em impugnação o contribuinte alegou improcedência do lançamento de ofício em razão de os débitos encontraremse informados em DCTF e, também, ocorrência de prescrição da ação de cobrança. A DRJ Ribeirão Preto/SP manteve o lançamento com fulcro no art. 90 da MP 2.15835/2001, rechaçando a ocorrência da prescrição, embasado no art. 151 e 174 do CTN, e afastou a multa de ofício, em observância ao art. 18 da Lei nº 10.833/03 c/c art. 106, II, “c” do CTN. Em recurso voluntário o contribuinte insistiu na impossibilidade do lançamento de ofício e da verificação da prescrição, ratificando o recurso inaugural. A 4ª Turma Especial do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 29400.167, de 10/02/2009, deu provimento ao recurso para declarar decaído o direito da Fazenda Nacional à constituição do crédito tributário, com fulcro na Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal. Esta decisão foi objeto de recurso especial manobrado pela PFN, cuja 3ª Turma/CSRF, Acórdão 9303002.301, de 19/06/2013, reformoua aplicando o art. 62A do RICARF, em razão do julgamento do REsp 973.733, na sistemática do recurso repetitivo, razão pela qual retornaram os autos para exame de mérito. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O juízo de admissibilidade do recurso ora examinado já foi realizado por ocasião do seu primeiro julgamento. Ultrapassada a preambular de decadência do direito à constituição do crédito tributário, resta a este colegiado avaliar a desnecessidade do lançamento, em razão do débito encontrarse informado em DCTF, e a suposta ocorrência de prescrição da ação de cobrança. Primeiramente, acentuo que, à época da lavratura do presente auto de infração vigia o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, que impunha a realização de Fl. 180DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10855.003410/200366 Acórdão n.º 3401002.935 S3C4T1 Fl. 11 3 lançamento para cobrança de diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados. Considerando que os pagamentos não foram localizados e sequer comprovados no curso do processo, mas apenas alegados, por determinação legal, necessária a realização do competente lançamento, ainda que indicados os débitos em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF. Respeitante, à prescrição da ação de cobrança, tendo em vista que o contencioso administrativo ainda não se encerrou, seu prazo qüinqüenal sequer começou a fluir, não havendo qualquer inércia da Fazenda Nacional a caracterizar sua ocorrência. Isto se dá por força das disposições do art. 151, III do Código Tributário Nacional, que prevê a suspensão da exigibilidade do crédito tributário ante a interposição de recursos administrativos, nos termos das leis reguladoras do processo administrativo fiscal. Logicamente, a suspensão da exigibilidade nesta circunstância impede a fluência do prazo prescricional, que sequer se inicia, na precisa lição de Paulo de Barros Carvalho1: “Suspensão no curso do prazo prescricional não é a mesma ciosa que suspensão da exigibilidade do crédito tributário. (...). Para que se suspenda o lapso de tempo que leva à prescrição é imperativo lógico que ele tenha se iniciado, e, nem sempre que ocorre a sustação da exigibilidade, o tempo prescricional já terá começado a correr. Modelo significativo dessa disparidade encontramos no caso de impugnações e recursos interpostos nos termos das leis reguladoras do procedimento administrativo tributário. Lavrado o ato de lançamento, o sujeito passivo é notificado, por exemplo, a recolher o débito dentro de trinta dias ou a impugnálo no mesmo espaço de tempo. É evidente que nesse intervalo a Fazenda ainda não está investida da titularidade da ação de cobrança, não podendo,l por via de conseqüência, ser considerada inerte. Se o suposto devedor impugnar a exigência, de acordo com a fórmula do procedimento administrativo específico, a exigibilidade ficará suspensa, mas o prazo de prescrição não terá sequer iniciado.” Em face de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl 1 Curso de direito tributário. 10ª edição revista e aumentada. São Paulo: Saraiva, 1998, pág. 318. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10480.014480/2002-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA - CPMF
Período de apuração: 02/04/1997 a 16/09/1998
ISENÇÃO. RECONHECIMENTO. PREENCHIMENTO DAS CONDIÇÕES. PROVA. REQUERIMENTO. OBRIGATORIEDADE.
A isenção de tributos e contribuições, quando não concedida em caráter geral, depende da apresentação dos documentos exigidos pela Secretaria da Receita Federal, com os quais o interessado faz prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-01.675
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: CPMF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA - CPMF Período de apuração: 02/04/1997 a 16/09/1998 ISENÇÃO. RECONHECIMENTO. PREENCHIMENTO DAS CONDIÇÕES. PROVA. REQUERIMENTO. OBRIGATORIEDADE. A isenção de tributos e contribuições, quando não concedida em caráter geral, depende da apresentação dos documentos exigidos pela Secretaria da Receita Federal, com os quais o interessado faz prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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RECONHECIMENTO. PREENCHIMENTO DAS CONDIÇÕES. PROVA. REQUERIMENTO. OBRIGATORIEDADE. A isenção de tributos e contribuições, quando não concedida em caráter geral, depende da apresentação dos documentos exigidos pela Secretaria da Receita Federal, com os quais o interessado faz prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 01 44 80 /2 00 2- 64 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA 2 Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 28/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, e Helder Massaaki Kanamaru. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Contra a empresa já identificada no processo, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02/04 do presente, para constituição do crédito tributário da Contribuição Provisória s/ Movimentação ou Transmissão de Valores e de Crédito e Direitos de Natureza Financeira – CPMF, adiante especificado, referente aos fatos geradores compreendidos entre abril de 1997 e setembro de 1998: 2. De acordo com o autuante, o referido Auto é decorrente da falta de recolhimento da Contribuição Provisória s/ Movimentação ou Transmissão de Valores e de Crédito e Direitos de Natureza Financeira – CPMF, valores apurados através das informações apresentadas pelas instituições responsáveis pela retenção da mencionada Contribuição, conforme descrito à fl. 04. 3. Inconformada com a autuação, a contribuinte, por seus procuradores, instrumento, de fl. 24, apresentou a impugnação de fls. 16/23 e anexou cópia dos documentos, de fls. 24/62, alegando que: 3.1 – a Diaconia é uma sociedade civil de caráter público, sem fins lucrativos (entidade filantrópica), tendo como fonte de recursos prioritariamente, repasses financeiros de entidades internacionais, nacionais, do governo federal e municipal. Sendo uma entidade IMUNE, não tem sofrido a incidência da CPMF sobre as suas movimentações financeiras; 3.2 – a Diaconia possui reconhecimento de Utilidade Pública Federal conforme Decreto nº 71.209, de 05 de outubro de 1972; reconhecimento de Utiliadade Pública Estadual, decretada pela Assembléia do Estado de Pernambuco em 18 de março de 1974; reconhecimento de Utilidade Pública Municipal conforme Lei nº 12.394 de 16 de novembro de 1976 e Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, através do processo nº 244.959/70 em 01 de março de 1971, tendo sido este certificado sistematicamente renovado. Em sendo a Diaconia, entidade beneficente de assistência social, atende todos os requisitos necessários ao gozo da imunidade tributária; 3.3 – é imune de acordo com o art. 150, VI, “C” da Constituição Federal e art. 14 do Código Tributário Nacional – CTN, que exige atender cumulativamente a 3 (três) requisitos e, ainda, art. 195 e parágrafo único da CF/1988; 3.4 – ante o exposto, espera e requer a impugnante que seja acolhida a presente impugnação para o fim de ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10480.014480/200264 Acórdão n.º 3102001.675 S3C1T2 Fl. 3 3 Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Assevera não ter ingressado em Juízo com vistas ao não recolhimento da contribuição discutida, como entendeu a Fiscalização Federal, conforme Descrição dos Fatos do Auto de Infração. Que, ao contrário de como entendeu a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, há comprovação da data de recebimento da declaração a que estava obrigada à folha 48 do processo. Que a Lei “não trouxe qualquer obrigatoriedade de preenchimento de meros formulários para o não recolhimento de CPMF de entidades beneficentes de assistência social”. Referese à desproporcionalidade entre a penalidade aplicada e a infração supostamente cometida. Ausência de dano ao Erário. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. Algumas das considerações aduzidas aos autos em sede de Recurso Voluntário devem ser desde logo refutadas. Assim é em relação à desproporcionalidade do valor das multas aplicadas e à ausência de dano ao Erário. A uma, por que tais princípios decorrem de disposição constitucional e, assim, encerram juízo que esbarra em proibição expressa do Regimento deste Conselho. a) Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. b) Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: c) I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou d) II que fundamente crédito tributário objeto de: e) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; f) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou Fl. 213DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA 4 g) c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. É defeso a esta corte administrativa, salvo as hipóteses expressamente previstas no parágrafo único do artigo 62 supracitado, deixar de aplicar dispositivo legal formalmente válido sob pretexto de suposta violação constitucional ou princípios nela resguardados. Ademais, vale transcrever ensinamento contido no texto de coautoria de Anderson Furlan e Andrei Pitten Velloso, quanto à função das normas e dos princípios no ordenamento jurídico. Para tanto, é válido recorrer às conhecidas definições de Dworkin e Alexy. Para aquele, as regras são aplicáveis de maneira disjunta, num modo “tudoounada” (in allornothing fashion), conferindo uma resposta precisa a uma situação específica, enquanto que dos princípios jurídicos não se seguem automaticamente consequências jurídicas predeterminadas, pois se limitam a dispor sobre uma razão que indica uma direção, sem exigir uma decisão em particular. Alexy também concebe as regras como normas que somente podem ser cumpridas ou não, mas define os princípios como mandados de otimização, isto é, normas que determinam a máxima realização dos seus fins, dentro das possibilidades fáticas e jurídicas existentes. Nessas concepções, a diferença fundamental entre princípios e regras é que aqueles, diferentemente destas, são ponderáveis: os conflitos entre princípios resolvemse pela ponderação; e os entre regras, mediante a aplicação de regras de prevalência, que atuam no plano da validade. De se acrescentar que nem mesmo os argumentos esposados pela defesa discordam dessa linha de entendimento. Como se vê adiante, a própria Recorrente protesta pela adequada atuação do Poder Legislativo, a quem, de fato, estão dirigidos os princípios constitucionais. O que se exige do Legislador brasileiro, é que se faça uma dosagem correta da proporção e da progressividade de um tributo de modo a não violar a regra constitucional referente a capacidade contributiva. A vedação constitucional aplica se à cobrança das obrigações tributarias, sejam elas principais ou acessórias. No que diz respeito à ausência de dano, de se observar que o artigo 136 do Código Tributário Nacional esclarece que a responsabilidade pela infração independe da extensão de seus efeitos. Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. A multa aplicada, no percentual de 75% do valor da Contribuição é inferior à que vigia na época dos fatos. Corretamente, a Fiscalização Federal aplicou a retroação benigna da Lei que comina penalidade menos severa, no caso, a MP 2.15835/01. Superadas essas questões, examino o lançamento no mérito. Foi a Lei 9.311/96 o diploma legal que concedeu isenção às entidades beneficentes de assistência social. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10480.014480/200264 Acórdão n.º 3102001.675 S3C1T2 Fl. 4 5 Art. 3° A contribuição não incide: (...) V sobre a movimentação financeira ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira das entidades beneficentes de assistência social, nos termos do § 7° do art. 195 da Constituição Federal. O artigo 19 da Lei outorgou à Secretaria da Receita Federal e ao Banco Central do Brasil a competência para baixar normas necessárias à sua execução. Art. 19. A Secretaria da Receita Federal e o Banco Central do Brasil, no âmbito das respectivas competências, baixarão as normas necessárias à execução desta Lei. Por meio da Instrução Normativa nº 06/97, a Secretaria da Receita Federal se desincumbiu dessa função. O parágrafo terceiro do artigo primeiro determinou a cobrança da Contribuição da entidade beneficente de assistência social que descumprisse as exigências fixadas no caput e parágrafos precedentes. Art. 1º Para efeito do disposto no inciso V do art. 3º da Lei nº 9.311, de 1996, a entidade beneficente de assistência social deverá apresentar à instituição responsável pela retenção da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF, declaração, na forma do ANEXO ÚNICO, assinada pelo seu representante legal. § 1º A declaração será emitida em duas vias, devendo a instituição responsável pela retenção da contribuição arquivar a primeira via, em ordem alfabética, e devolver a segunda via ao interessado, como recibo. § 2º A instituição responsável pela retenção da contribuição encaminhará à Secretaria da Receita Federal, até o último dia útil do mês de abril de 1997, relação, em meio magnético, contendo o nome ou razão social e o número de inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda das entidades referidas neste artigo. § 3º O descumprimento do disposto neste artigo implicará a cobrança da contribuição sobre os fatos geradores ocorridos até a data da entrega da declaração. O artigo 179 do Código Tributário Nacional define os critérios e condições para efetivação da isenção não concedida em caráter geral. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA 6 Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. Parece claro que a isenção é efetivada por despacho da autoridade administrativa em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. A Recorrente advoga ausência de disposição legal tratando da obrigatoriedade de preenchimento de formulários para não recolhimento da CPMF, argumento que parece ainda reforçado pelo fato de a Lei 9.311/96 terse referido à edição de normas necessárias à execução da Lei, nunca à efetivação da isenção. Contudo, conforme postulados acima, a outorga da isenção depende de requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei. O formulário exigido pelo Órgão Fiscalizador nada mais é do que o modelo definido para tanto. Ausente tal solicitação, não vejo como reconhecer o direito, até mesmo porque nenhum outro documento há para comprovar os requisitos e condições exigidos em Lei. Quanto a isso, não socorre à Entidade o fato de existir data de recebimento da declaração à folha 48 do processo, conforme assevera com razão em sede de Recurso Voluntário. Como está claro e pode ser confirmado da leitura do documento, aquela não é a declaração exigida na Instrução Normativa nº 06/97. Ainda mais, a data da transmissão do documento via fax é o dia 1º de novembro de 2002, muito posterior à data de ocorrência dos fatos geradores objeto da presente autuação. Finalmente, quanto à inexistência do processo judicial referido no Auto de Infração, tenho que tratase de um equívoco decorrente da interpretação da documentação recebida do Banco, sem qualquer efeito na solução da lide. VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 28 de novembro de 2012 (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10480.014480/200264 Acórdão n.º 3102001.675 S3C1T2 Fl. 5 7 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.901010/2008-01
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/1997 a 28/02/1997
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL.
Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não pode ser utilizado como argumento de defesa para reivindicar crédito no bojo de suposto pagamento efetuado anteriormente à vigência do dispositivo legal.
Numero da decisão: 3803-006.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/1997 a 28/02/1997 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não pode ser utilizado como argumento de defesa para reivindicar crédito no bojo de suposto pagamento efetuado anteriormente à vigência do dispositivo legal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/1997 a 28/02/1997 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CONDIÇÃO. PROVA. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A extinção de débitos mediante compensação declarada pelo sujeito passivo condicionase a ulterior comprovação da certeza do crédito utilizado. A ausência da prova da existência do pagamento impossibilita o conhecimento do recurso. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1997 a 28/02/1997 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não pode ser utilizado como argumento de defesa para reivindicar crédito no bojo de suposto pagamento efetuado anteriormente à vigência do dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 10 10 /2 00 8- 01 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o acórdão da DRJ/Porto Alegre que considerou improcedente a manifestação de inconformidade Despacho decisório da DRF/Porto Alegre não homologou a compensação declarada pela Contribuinte por inexistência do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep perante a Fazenda Nacional, não tendo o órgão de origem localizado o DARF indicado na DComp. Em manifestação de inconformidade a Interessada alegou que o crédito utilizado era decorrente de pagamento indevido sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável, com base no art. 3°, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/1998. Também foi alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração. Em julgamento da lide, a DRJ Porto Alegre considerou que o dispositivo legal invocado não atuou em sua eficácia, dada a falta de sua regulamentação pela RFB, tendo sido revogado em julho de 2000. Aduziu também que a Contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento comprobatório dos repasses, e, portanto, do direito alegado. A decisão foi ementada com segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2007 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação — Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. Compensação não Homologada Cientificada da decisão em 24 de outubro de 2008, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário em 24 de novembro de 2008, em que reitera os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, sustentando, adicionalmente, o seu direito com base na vacatio legis resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98). É o Relatório. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.901010/200801 Acórdão n.º 3803006.876 S3TE03 Fl. 107 3 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Tenhase que somente no recurso voluntário foi apresentado o fundamento da ocorrência de vacatio legis, resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98), para sustentar a legitimidade do crédito utilizado na DComp. Esta matéria não foi prequestionada perante a primeira instância, não se tendo instaurado quanto a ela o litígio. Portanto, não pode ser conhecida. Na parte que se conhece, gizese que passou ao largo da observação do d. Julgador a quo que o motivo da não homologação da compensação declarada foi o DARF originador do crédito indicado na DComp não ter sido localizado. O DARF é referente ao PA fevereiro de 1997. Consta na DComp ter sido pago em 15 de março de 2004. Improvável que seja fato esta declaração. Daí o sistema não tê lo localizado. Assim, apresentavase para a Manifestante, primeiramente, a necessidade de provar o seu recolhimento, ainda que tivesse ocorrido em março de 1997. Esta prova haveria de estar presente para que a Manifestante pudesse sustentar qualquer argumento de pagamento a maior relativo a ele, além da demonstração contábil/fiscal do alegado indébito Em vista desse lapso, a manifestação de inconformidade poderia ter sido declarada inepta, podendo a decisão de primeira instância ter sido produzida apenas em torno desta prejudicial de mérito, na medida em que a mera prova da existência do pagamento, para contraporse ao resultado da busca feita pelos sistemas da RFB, estava ausente na peça. Entretanto, adentrou no mérito quanto ao fundamento jurídico do pretendido crédito, o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98. No recurso voluntário, novamente não há prova de que o DARF indicado existe. Sendo ele referente ao período de apuração fevereiro de 1997, o teor da defesa pela exclusão, da base de cálculo, dos valores transferidos a terceiros computados como receitas, uma vez prevista por um uma lei promulgada e publicada anos após, 1998, não se coaduna com a pretensão da Recorrente. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.000025/2007-55
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA.
Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é descabida a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo, na hipótese de os débitos não terem sido anteriormente declarados à Receita Federal.
Numero da decisão: 1803-001.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Rodrigues Mendes e Maria Elisa Bruzzi Boechat.
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é descabida a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo, na hipótese de os débitos não terem sido anteriormente declarados à Receita Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Rodrigues Mendes e Maria Elisa Bruzzi Boechat.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é descabida a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo, na hipótese de os débitos não terem sido anteriormente declarados à Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 00 25 /2 00 7- 55 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.000025/200755 Acórdão n.º 1803001.651 S1TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Rodrigues Mendes e Maria Elisa Bruzzi Boechat. Relatório Tratase de auto de infração decorrente de "Auditoria Interna de DCTF". A descrição da infração encontrase redigida na fl. 17 da seguinte maneira: “Falta ou insuficiência de pagamento de acréscimos legais (multa de mora e/ou juros de mora parcial ou total), conforme Anexo IV. Juros: art. 160 da Lei n° 5.172/66, art. 43 Lei no 9.430/96, art. 9° da Lei n 10.426/02; Multa: art. 160 da Lei n" 5.172/66, arts. 43 e 61 e parágrafos e da Lei n°9.430/96 e parágrafo único da Lei n° 10.426/02. Ao se compulsar o anexo IV, verificase que tratase de exigência de multa de mora paga a menor relativa ao pagamento de CSLL, período de apuração 0112/2001, data de vencimento 31/01/2002. Cientificado do auto de infração em 01/12/2006, o contribuinte apresentou impugnação sustentando em síntese, que já efetuou o pagamento do tributo espontaneamente em 28/03/2002, não havendo por isso qualquer acréscimo legal a título de multa de mora a compor o efetivo pagamento. Foi feito o devido pagamento dos juros de mora relativo ao período entre o vencimento, 31/01/2002 e a data do pagamento, 28/03/2002. Ou seja, sustenta que a DCTF original foi apresentada em 15/02/2002 e a DCTF retificadora aconteceu em 12/08/2004. Portanto, temse que os pagamentos para a quitação da CSLL de dezembro de 2001 ocorreram antes da entrega da DIPJ (entregue em 28/06/2002) e das DCTFs, sem nenhum procedimento fiscal de verificação ou de qualquer espécie, requerendo, para tanto, que sejam aplicados os efeitos da espontaneidade nos moldes do artigo 138 do CTN. Em sede de cognição ampla foi mantido lançamento impugnado, sob o fundamento de que a benesse da denúncia espontânea não tem o condão de afastar a incidência da multa de mora. Inconformado com a r. decisão, a empresa contribuinte interpõe Recurso Voluntário requerendo a sua reforma. Cabe formalizar a presente decisão conforme apresentada em plenário, dado que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos do art. 17 e do art. 18 ambos Fl. 101DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.000025/200755 Acórdão n.º 1803001.651 S1TE03 Fl. 4 3 do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 343, 09 de junho de 2015, que em seu art. 6º extinguiu as turmas especiais. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Aos nove dias do mês de abril do ano de dois mil e treze, às nove horas , reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes WALTER ADOLFO MARESCH (Presidente em exercício), MEIGAN SACK RODRIGUES, VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, SERGIO RODRIGUES MENDES, MARIA ELISA BRUZZI BOECHAT e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...] Relator(a): VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Processo: 10980.000025/200755 Nome do Contribuinte: COPEL TELECOMUNICAÇÕES S.A. Acórdão 1803001.651 Informações Adicionais: Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO Resultado: Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado É o Relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto. Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.000025/200755 Acórdão n.º 1803001.651 S1TE03 Fl. 5 4 A seguir, a transcrição do voto. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A questão sob julgamento é saber se a denúncia espontânea tem o condão de alcançar a multa de mora. Destarte, restou evidenciado nos autos de que o contribuinte declarou posteriormente o crédito tributário, sendo o auto de infração lavrado unicamente em razão de entender a fiscalização de que a denúncia espontânea não alcança a multa de mora. A questão relativa à denúncia espontânea nos casos de tributos recolhidos espontaneamente com atraso, foi submetida pelo Superior Tribunal de Justiça ao rito do recurso repetitivo (art. 543C, do Código de Processo Civil), por meio do REsp 1.149.022, com decisão proferida em 09/06/10 (publicada em 24/06/10) e trânsito em julgado ocorrido em 30/08/10, sendo oportuno transcrever a ementa do respectivo julgado: “RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR: MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE: BANCO PECÚNIA S/A ADVOGADO: SERGIO FARINA FILHO E OUTRO(S) RECORRIDO: UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR: PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer Fl. 103DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.000025/200755 Acórdão n.º 1803001.651 S1TE03 Fl. 6 5 procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, ano base 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Pelo exposto, resta caracterizada a denúncia espontânea, que exclui a incidência da multa de mora nos casos em que houve o recolhimento com atraso de tributos que ainda não haviam sido declarados à Receita Federal do Brasil, como ocorre nos casos em que o pagamento extemporâneo de tributos declarados em DCTF, entregue após o citado pagamento. Por oportuno, depreendese importante salientar que diante da abordagem definitiva da matéria pelo STJ, foi editada a Nota Técnica da CoordenaçãoGeral de Tributação da Receita Federal do Brasil com o objetivo de orientar as unidades daquele órgão a interpretar as consequências decorrentes dos Atos Declaratórios PGFN nº 4/2011 e 8/2011, sendo que este último autorizou a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nos casos alcançados pela decisão proferida no Resp 1.149.022. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.000025/200755 Acórdão n.º 1803001.651 S1TE03 Fl. 7 6 Assim, devese afastar a multa de mora em face da ocorrência de denúncia espontânea nos moldes do artigo 138 do CTN. Em assim sucedendo, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Fl. 105DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 11817.000429/2007-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Aug 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 24/09/2002, 09/05/2003, 04/07/2003
IMPOSSIBILIDADE DE EVENTUAL NULIDADE DO ARBITRAMENTO SER CAUSA DE NULIDADE DE LANÇAMENTO POR VICIO MATERIAL.
A nulidade do arbitramento não pode ser considerada causa suficiente para se declarar a nulidade por vício material todo o auto de infração que constatou sonegação com fraude, falsidades e prática de enganar os controles aduaneiros, pois o arbitramento não constitui a materialidade dos fatos imputados.
CERCEAMENTO À DEFESA. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Afasta as alegações de cerceamento ao direito de defesa a constatação, nas manifestações, impugnação e recurso, da contribuinte que não houve prejuízo à sua capacidade de defesa e ao contraditório pois compreendeu os fatos imputados, a motivação e as razões objetos do lançamento e apresenta argumentação contrária rebatendo-os.
ERROS DE CÁLCULOS. CAUSA INSUFICIENTE PARA A NULIDADE DO LANÇAMENTO.
Erro de cálculo não se confunde com erro de determinação ou apuração das bases para se efetuar o cálculo dos valores a serem exigidos no lançamento, e por ser mera atividade auxiliar, não pode ser considerada causa suficiente para a nulidade do auto de infração.
Numero da decisão: 3401-002.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso de ofício. Vencida a Conselheira Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça e Bernardo Leite de Queiroz Lima que negavam provimento. Designado o Conselheiro Eloy Eros Nogueira.
JULIO CÉSAR ALVES RAMOS- Presidente.
ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : JULIO CESAR ALVES RAMOS (Presidente), ROBSON JOSE BAYERL, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI e BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA .
Este recurso foi julgado na sessão de março deste ano com base no relatório e voto elaborados pela Conselheira Angela Sartori reproduzidos abaixo. Tendo sido ela vencida, fui designado para elaborar o voto vencedor. Ocorre que a Conselheira Angela renunciou ao seu mandato sem formalizar o acórdão, tarefa da qual incumbe-me agora o presidente da Turma, na forma regimental. Faço-o aproveitando, na íntegra, o relatório e voto vencido da relatora.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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FRAUDE ADUANEIRA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ASIA IMPORTADORA E DISTRIBUIDORA ELÉTRICA LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 24/09/2002, 09/05/2003, 04/07/2003 IMPOSSIBILIDADE DE EVENTUAL NULIDADE DO ARBITRAMENTO SER CAUSA DE NULIDADE DE LANÇAMENTO POR VICIO MATERIAL. A nulidade do arbitramento não pode ser considerada causa suficiente para se declarar a nulidade por vício material todo o auto de infração que constatou sonegação com fraude, falsidades e prática de enganar os controles aduaneiros, pois o arbitramento não constitui a materialidade dos fatos imputados. CERCEAMENTO À DEFESA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Afasta as alegações de cerceamento ao direito de defesa a constatação, nas manifestações, impugnação e recurso, da contribuinte que não houve prejuízo à sua capacidade de defesa e ao contraditório pois compreendeu os fatos imputados, a motivação e as razões objetos do lançamento e apresenta argumentação contrária rebatendoos. ERROS DE CÁLCULOS. CAUSA INSUFICIENTE PARA A NULIDADE DO LANÇAMENTO. Erro de cálculo não se confunde com erro de determinação ou apuração das bases para se efetuar o cálculo dos valores a serem exigidos no lançamento, e por ser mera atividade auxiliar, não pode ser considerada causa suficiente para a nulidade do auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso de ofício. Vencida a Conselheira Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 81 7. 00 04 29 /2 00 7- 01 Fl. 545DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 Bernardo Leite de Queiroz Lima que negavam provimento. Designado o Conselheiro Eloy Eros Nogueira. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : JULIO CESAR ALVES RAMOS (Presidente), ROBSON JOSE BAYERL, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI e BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA . Este recurso foi julgado na sessão de março deste ano com base no relatório e voto elaborados pela Conselheira Angela Sartori reproduzidos abaixo. Tendo sido ela vencida, fui designado para elaborar o voto vencedor. Ocorre que a Conselheira Angela renunciou ao seu mandato sem formalizar o acórdão, tarefa da qual incumbeme agora o presidente da Turma, na forma regimental. Façoo aproveitando, na íntegra, o relatório e voto vencido da relatora. Relatório A empresa Asia Importadora e Distribuidora Elétrica Ltda. realizou a importação de lâmpadas e outras mercadorias por meio da Declaração de ImportaçãoDI n" 06/09353459, instruída com a fatura comercial n" JTG1823, bem como de outra carga de mercadorias chegadas ao Porto Seco (I se Brasilia acompanhadas do Conhecimento de Transporte HBL n" NSHA06031261 e fatura comercial n°5879896. Durante o despacho aduaneiro realizado pelas autoridades alfandegárias foram, levantadas suspeitas quanto ao valor aduaneiro declarado. O despacho aduaneiro foi interrompido, sendo aberto procedimento especial de acordo com o art. 3" da IN SRF N" 52, de 08/05/2001 c/c os arts. 65 e 69 da IN SRF n"206/2002. 0 fato foi comunicado à Seção de Operações AduaneirasSAOPE desta Alfândega para apuração. Na continuidade dos trabalhos, a Saope intimou o interessado a apresentar documentação a fim de apurar a regularidade das importações. Com os documentos apresentados pela empresa e a continuidade dos trabalhos, foram levantadas suspeitas sobre a autenticidade das faturas comerciais que instruíam o despacho aduaneiro, com indícios de falsificação documental. Assim, cumprindo determinação do Mandado de Procedimento Fiscal — Diligência n' 01176002006002631, a fiscalização compareceu ao estabelecimento comercial da empresa importadora, intimandoa a apresentar livros, documentos, correspondências comerciais referente As importações realizadas no período de o 2001 a outubro de 2006. Entre os documentos apresentados e/ou apreendidos no escritório da empresa encontramse várias listas de "Invoice" e de "Packing List" em branco, carimbadas assinadas, Fl. 546DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 11817.000429/200701 Acórdão n.º 3401002.957 S3C4T1 Fl. 3 3 dizendose ser das empresas exportadoras. Apreendeuse também diversas folhas brancas, sem timbre e sem carimbo com os mesmos dados que foram lançados nas faturas comerciais que instruíam as declarações de importação da empresa. A empresa importadora, a fim de solicitar o inicio do despacho aduaneiro de importação, apresentou duas Invoices, corn a mesma numeração, porem com nomes de empresas exportadoras diferentes — Changzhou . General Lightinhg Co e General Lightinhg Co. Ainda, na diligência foi apreendida urna terceira fatura com a mesma numeração, porém não contendo uma das mercadorias. Todas as faturas comerciais apresentam a mesma assinatura, embora o nome das empresas seja diferente, com os mesmos dados contidos em folhas apreendidas no escritório do importador, indicando a produção das faturas pelo próprio importador, a partir das faturas em branco, também encontradas em seu escritório. Também foram encontradas faturas comerciais que apontam uma grande diferença de preços em relação às faturas comercias apresentadas para instruir o despacho de importação das mercadorias. Ainda foi encontrada uma fatura original da empresa General Lightinhg Co, referente ao ano de 2005, que serviria para instruir a Declaração de Importação n" 05/11533939. Contudo, os preços declarados na Declaração de Importação não são os mesmos do documento apreendido, ou seja, o importador instruiu a Declaração de Importação n" 05/11533939 com uma fatura forjada, sonegando impostos, indicando que a empresa já se utilizou artificio a fim de pagar menos impostos. Com a comprovação da falsificação das faturas comerciais, foi lavrado o Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal de n" 0117600/00524/06, de 29/12/2006, propondo a aplicação da pena de perdimento às mercadorias. A empresa Asia Importadora e Distribuidora Elétrica Ltda apresentou impugnação administrativa tempestivamente. ALEGAÇÕES DA IMPUGNANTE Em resumo, a impugnante alega que: 1. • As Invoices n" 5879866 são da mesma empresa — General Lightinhg Co — e que por equivoco causado pelo alfabeto e idioma chinês, ao se traduzir as Invoices, veio a constar em frente o nome fantasia da empresa, a cidade Changzhou, aonde fica localizada a sede da empresa; 2. • Os documentos em branco apreendidos eram simples minuta que serviam e servem ao propósito de efetuar pedidos aos fornecedores no exterior, de forma a permitir a tradução para a lingua chinesa, assim sendo, pediam aos importadores para elaborarem uma minuta exempliticativa, para melhor agilidade e segurança nas importações; 3. • Não há laudo técnico que comprove a falsificação das faturas comerciais; Fl. 547DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 4. • Não se efetuou nenhuma prova de preço diferente dos documentos apresentados, não havendo base para se declarar que valores declarados a menor. Os produtos pesquisados pela fiscalização de produtos diferentes, não podendo ser comparados com as mercadorias da impugnante; 5. • Erro no enquadramento legal, visto que a Declaração de Importação foi instruída com todos os documentos legais obrigatórios. FUNDAMENTAÇÃO Após a interrupção do despacho aduaneiro das mercadorias relacionadas na Declaração de ImportaçãoDI n" 06/09353459 e recebimento da comunicação de suspeitas quanto ao valor aduaneiro declarado, a Seção de Operações Aduaneiras deu inicio aos seus trabalhos, intimando a interessada a apresentar documentos relativos à contratação de câmbio para a importação acobertada pela referida DI bem corno demais documentos relativos à transação, de acordo com a Intimação NI' 010/2006, de 06/09/2006. Em resposta a essa intimação, a impugnante apresentou alguns documentos solicitados, entre os quais um contrato de compra e venda com a a empresa Jiangxi Elegant Lighting Co, traduzido para o português. Na continuidade dos trabalhos, levantadas suspeitas sobre a autenticidade das faturas comerciais que instruíam o despacho aduaneiro, com indícios de falsi ficação documental. A IN SRF n." 52/2001 abrange situações que dá à fiscalização prerrogativas de reter a mercadoria, além daquelas que legalmente já possuía, quando suspeitar de irregularidades, possibilitando urna investigação mais apurada dentro de prazos maiores. O procedimento adotado mostrase legitimo, com suporte na própria Constituição Federal, por meio de seu artigo 237, baseandose em normas editadas pela Administração Fazendaria Nacional, que para tanto tem a competência de criar meios mediante os quais possa controlar a entrada de mercadorias estrangeiras em território brasileiro, isto tudo autorizado pela nossa Lei Maior, que expõe: "Art.237A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda." Desde logo, fica evidente, que mais do que um mero procedimento administrativo, são as providências dadas pela IN SRF 52/2001 a garantia de que a Fazenda Nacional não sofrerá qualquer dano ou prejuízo, erigindose tal procedimento em salvaguarda dos interesses públicos, entendidos estes em sentido amplo. A Instrução Normativa SRF n" 52, de 08/05/2001 estabelece procedimentos especiais de controle de mercadoria importada sob fundada suspeita de irregularidade punível com a pena de perdimento. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 11817.000429/200701 Acórdão n.º 3401002.957 S3C4T1 Fl. 4 5 As infrações consideradas dano ao Erário estão definidas no art. 23 do DecretoLei 1.455/76. 0 art. 105 do DecretoLei if 37/66 define os casos em que será aplicada a pena de perda da mercadoria. Dentro dessas hipóteses temos que será punida com a pena de perda da mercadoria, se qualquer documento necessário ao embarque ou desembaraço das mercadorias tiver sido falsificado ou adulterado. O caso em questão se enquadra perfeitamente à hipótese acima descrita com a indicação de que a fatura comercial foi forjada, com a existência de diversas faturas comerciais com a mesma numeração, porém com dados diferentes umas das outras. Assim, foi lavrado o Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal de n" 0117600/00524/06, de 29/12/2006, propondo a aplicação da pena de perdimento das mercadorias, pois esta infração constitui dano ao Erário, conforme legislação acima citada. Esclarecido os pontos relativos A. legislação aplicada ao caso, cumpre analisar as alegações da interessada. Inicialmente a interessada alega que as Invoices n" 5879866, que instruíram o despacho de importação, são da mesma empresa — General Lightinhg Co — e que por equivoco causado pelo alfabeto e idioma chinês, ao se traduzir as Invoices, veio a constar em frente do nome fantasia da empresa, a cidade Changzhou, aonde fica localizada a sede da empresa. Assim, não haveria base para a lavratura do Auto de Infração, pois o mesmo afirma que as faturas pertencem a duas empresas diferentes. A interessada também alega que os documentos em branco apreendidos em seu escritório eram simples minutas que serviam e servem ao propósito de efetuar pedidos aos fornecedores no exterior, de forma a permitir a tradução para a lingua chinesa, assim sendo, pediam aos importadores para elaborarem urna minuta exemplificativa, para melhor agilidade e segurança nas importações. Contudo, não é isso que se verifica. Após o surgimento de suspeitas quanto a autenticidade das faturas comerciais, foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal — Diligência n" 01176002006 002631, tendo a fiscalização comparecido ao estabelecimento comercial da empresa importadora, intimandoa a apresentar livros, documentos, correspondências comerciais referente as importações realizadas no período de outubro de 2001 a outubro de 2006. Entre os documentos apresentados e/ou apreendidos no escritório da empresa encontramse várias listas de "Invoice" e de "Packing List" em branco, carimbadas e assinadas, dizendose ser das empresas exportadoras. Apreendeuse também diversas folhas brancas, sem timbre e sem carimbo com os mesmos dados que foram lançados nas faturas comerciais que instruíam as declarações de importação da empresa. A empresa importadora, a fim de solicitar o inicio do despacho aduaneiro de importação, apresentou duas Invoices, com a mesma numeração, porem com nomes de empresas exportadoras diferentes — Changzhou General Lightinhg Co e General Lightinhg Co. Ainda, na diligência foi apreendida uma terceira fatura com a mesma numeração, porem não contendo uma das mercadorias. Todas as faturas comerciais apresentam a mesma assinatura, embora o nome das empresas seja diferente e as faturas com mesma numeração não são iguais. Descobriuse que a partir das faturas em branco encontradas em seu escritório, e outras folhas já preenchidas com os mesmos dados das faturas comerciais apresentadas, que as mesmas eram preenchidas pelo próprio importador. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 Verificase que foram encontradas/apresentadas três faturas comerciais com a mesma numeração 5879866, porém apresentando diferenças entre si. Não há possibilidade de uma fatura comercial com o mesmo número apresentar diferenças entre si, tal fato indica que as faturas foram fabricadas/alteradas. Assim, a alegação faturas pertencem à mesma empresa, havendo apenas um erro na tradução do em nada altera a situação, visto que urna fatura comercial com urna numeração divergente com relação a urna mesma fatura de mesma numeração, as vias da fatura comercial devem ser todas iguais, caracterizando a adulteração/fabricação das mesmas. Também devese destacar que os documentos encontrados no estabelecimento do importador, com faturas em branco e folhas brancas, sem timbre e sem carimbo com os mesmos dados que foram lançados nas faturas comerciais que instruíam as declarações de importação da empresa, indicam a produção. das mesmas pelo próprio importador. A falsificação das faturas comercias pod e. ser comprovada face a existência de três faturas comerciais com a mesma numeração, porém divergentes entre si. Tambem não merece prosperar a alegação da interessada de que os documentos em branco apreendidos em seu escritório eram simples minutas que serviam ao propósito de efetuar pedidos aos fornecedores no exterior, de forma a permitir a tradução para a lingua chinesa, representando urna minuta exemplificativa, para melhor agilidade e segurança nas importações. Contudo, não é isso que se verifica. As faturas em branco e já assinadas foram utilizadas para instruir o despacho aduaneiro e não apenas para facilitar o comércio exterior. A fim de se permitir a negociação das operações de comércio exterior, as empresas se utilizam de "faturas pro forma" e não de faturas mesmo, a expressão que a fatura é pro forma deve constar dos documentos que são utilizados para o exportador enviar o preço de seus produtos aos importadores e permitir a negociação. Não havia nos documentos encontrados e expressão de que as faturas eram pro forma. Na realidade foram encontrados documentos em branco e assinados, que posteriormente eram preenchidos pelo próprio importador e que eram utilizados no despacho aduaneiro, com preços abaixo dos preços praticados no comércio exterior, não eram apenas faturas pro forma. Também se fossem mero ajuste de pregos entre exportador e importador, não existiram "packing list" ern branco para serem preenchidos pelo importador. Esse documento deve ser preenchido pelo exportador, informando o que está sendo realmente enviado. Com relação à alegação de que não se efetuou nenhuma prova de preço diferente do consignado nos documentos apresentados, não havendo base para se declarar que existam valores declarados a menor e que os produtos pesquisados pela fiscalização são produtos diferentes, não podendo ser comparados com as mercadorias da impugnante, melhor sorte não assiste à impugnante. Devese destacar que a suspeita quanto ao valor declarado foi o que motivou uma análise mais apurada da Declaração de Importação n° 06/09353459, registrada pelo importador. Contudo, a proposta de aplicação da pena de perdimento foi efetuada com base na falsificação de documento obrigatório do despacho aduaneiro. Assim, a proposta de aplicação da pena de perdimento não foi efetuada com base no valor declarado, mas de acordo com o artigo 105, inciso VI, do DecretoLei n° 37/66, no qual se aplica a pena de perdimento da mercadoria se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado. A fiscalização ainda efetuou pesquisa em seus arquivos e sistemas, que para o mesmo tipo de mercadoria, foram encontrados valores bem superiores declarados pelo Fl. 550DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 11817.000429/200701 Acórdão n.º 3401002.957 S3C4T1 Fl. 5 7 importador. Contudo, não foi essa questão que ensejou a proposta de aplicação da pena de perdimento das mercadorias, as suspeitas quanto ao valor declarado serviram apenas para iniciar a fiscalização sobre a importação da empresa. Verificase também que foram encontradas faturas comerciais que apontam urna grande diferença de preços em relação As faturas comercias apresentadas para instruir o despacho de importação das mercadorias. Foi encontrada uma fatura original da empresa General Lightinhg referente ao ano de 2005, que serviria para. instruir a Declaração de Importação no 05/11533939. Contudo, os preços declarados na Declaração de Importação não são os mesmos do documento apreendido, Ou seja, o importador instruiu a Declaração de Importação n" 05/11533939 corn unia fatura forjada, sonegando impostos, indicando que a empresa já se utilizou artificio a fim de pagar menos impostos. O Julgamento foi convertido em diligencia. A DRJ decidiu em síntese: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/09/2002, 09/05/2003, 04/07/2003 ARBITRAMENTO DE PREÇOS. OBSCURIDADES NO PROCEDIMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VICIO FORMAL. A falta de demonstração da origem dos preços paradigmas, aliada às impropriedades na sistemática de cálculo apresentadas pelo sistema gerador dos autos de infração (SAFIRA), configurou cerceamento ao exercício do direito de ampla defesa da empresa autuada, por ter prejudicado a clareza, a transparência e a objetividade do lançamento, fato que acarretou sua nulidade por vicio formal. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado. O processo não tem recurso voluntário, somente recurso de ofício para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira redator ad hoc designado. Foram as seguintes as considerações expendidas pela relatora para negar provimento ao recurso de ofício: Fl. 551DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 8 O Recurso de Ofício segue os requisitos de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. Entendo que não assiste razão ao recurso de ofício pelos mesmos motivos alegados pela DRJ: Dentre a série de falhas do lançamento que a impugnante alega como cerceadoras de seu direito de defesa, uma ficou realmente caracterizada e não foi devidamente sanada quando da diligência solicitada pela DRJ. Tratase da obscuridade na demonstração dos valores que compõem a base de cálculo dos tributos cobrados, fato que efetivamente está apto a tolher o exercício desse direito, alçado à categoria de fundamental pela nossa Carta Magna. O Relatório de Auditoria foi omisso no tocante a fundamentação legal do critério de arbitramento, e não foi claro na descrição da metodologia utilizada pela fiscalização. Com efeito, sem os esclarecimentos posteriores da autoridade preparadora, seria admissível concluir que as faturas com os preços verdadeiros, apreendidas no escritório da empresa autuada, serviram não apenas para evidenciar o uso de documento falso no despacho, como também para balizar inteiramente a determinação do preço efetivo de todas as mercadorias importadas. Ocorre que, embora a diligência tenha tido sucesso em esclarecer esses aspectos, ela revelou outra omissão no lançamento, ao afirmar que a maior parte das mercadorias (121 produtos) foi valorada com base em dados extraídos dos sistemas informatizados da Receita Federal, sendo que não constam nos autos as fontes desses dados (número e data das DI's ou documentos equivalentes). Ou seja, não consta no processo a demonstração da origem da totalidade dos parâmetros utilizados pelo Fisco para arbitramento do prego das mercadorias. Dessa forma, apesar de esclarecida qual a metodologia utilizada, faltam elementos que possibilitem avaliar se os valores arbitrados foram devidamente calculados com base em dados aceitáveis, passíveis de comprovação por quem tiver interesse. A indicação da fonte especifica e da data a que se referem os preços utilizados para subsidiar o arbitramento é importante para conferir transparência e objetividade ao lançamento, e ainda, para demonstrar a variação dos preços reais das mercadorias importadas ao longo dos exercícios de 2002 e 2003. Ou seja, esses dados são relevantes, também, para a análise da aptidão da documentação apreendida na sede da empresa para provar os fatos alegados pela fiscalização. Logo, essa informação interessa não apenas ao autuado, para possibilitar o exercício pleno de seu direito de defesa, mas também ao julgador, para formar com mais rigor sua convicção. Dai a necessidade desses dados serem devidamente demonstrados. Além desse aspecto, as falhas no sistema de geração dos autos de infração (SAFIRA), as quais foram reconhecidas pela autoridade preparadora, e inclusive deram ensejo à revisão do lançamento para exclusão de R$ 261.375,51, dificultam o entendimento sobre a Fl. 552DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 11817.000429/200701 Acórdão n.º 3401002.957 S3C4T1 Fl. 6 9 formação da base de cálculo dos tributos cobrados e das multas aplicadas. Também não ficaram claras as justificativas apresentadas para utilização do critério de arbitramento indicado, uma vez que, de acordo com os esclarecimentos prestados, os preços de 121 (cento e vinte e um) produtos importados foram arbitrados levando em conta "mercadorias paradigmas" encontradas nos sistemas informatizados da Receita Federal. Ou seja, aparentemente, para esses produtos, caberia o emprego do critério previsto no inciso I do art. 88 da MP n° 2.158 35/2001. Assim, constatadas essas falhas no lançamento, resta ainda definir se elas configuram vicio formal ou material. Levandose em conta que os fatos geradores dos tributos cobrados ocorreram em 2002 e 2003, essa definição revestese de especial importância, pois dependendo de seu resultado o Fisco não terá mais direito a fazer novo lançamento, em face da decadência. Para facilitar a análise, convém fazer breve comentário quanto aos requisitos de validade do ato administrativo, gênero do qual o lançamento é espécie. Em relação à competência, à finalidade e ao objeto, entendo ser desnecessária qualquer anotação, uma vez que nenhum desses aspectos está sendo contestado, ou é passível de questionamento, no processo ora apreciado. Assim, concluise que a questão será resolvida ao se avaliar o atendimento à motivação e a forma. O motivo é o fato que autoriza a realização do ato que, tratandose de lançamento tributário, é plenamente vinculado, eis que decorrente de expressa disposição legal. No caso sob análise, a razão fática que ensejou a autuação foi a constatação, com base em documentação apreendida no escritório da autuada, da prática das seguintes infrações principais: subfaturamento e uso de documentos falsos no despacho aduaneiro de mercadorias importadas. As diferenças de impostos cobradas e penalidades aplicadas são decorrentes dessas irregularidades, as quais estão perfeitamente descritas e devidamente fundamentadas no Relatório de Auditoria Fiscal a fls. 26/32. Por conseguinte, verificase que o ato está devidamente motivado. A forma. Logo, a falha verificada nos autos de infração só pode ser referente a esse requisito, que pode ser visto sob dois aspectos: extrínseco — que diz respeito a maneira como o ato se exterioriza, e intrínseco — ligado ao processo de formação do ato. Em relação ao revestimento exterior do lançamento, não há questionamento. 0 problema está justamente nas formalidades essenciais à validade do procedimento, especificamente no que diz respeito ao direito de ampla defesa, que deve ser oferecido a parte contra a qual o ato é dirigido. Conforme visto anteriormente, embora a autoridade preparadora tenha informado genericamente a fonte da maioria dos preços paradigmas Fl. 553DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 10 (bancos de dados da Receita Federal) e, a despeito da fé pública de que gozam os auditoresfiscais, a falta da demonstração da origem especifica desses preços é fator suficiente para prejudicar o pleno exercício do direito de defesa. Com efeito, sem essa informação fica dificil para o autuado contestar a adequação dos valores utilizados pelo Fisco para fins de arbitramento. Portanto, concluise que a condição legal que não foi adequadamente cumprida é a ausência de elemento necessário para o pleno exercício do direito de defesa. Ou seja, não foi devidamente atendida uma formalidade exigida para a validade do lançamento, configurandose assim o vicio de forma. A ausência de provas licitas, o erro na identificação do infrator, a determinação equivocada da infração cometida são falhas que atingem a própria essência (ou existência) da divida, dai serem considerados como vícios materiais. Já a demonstração confusa ou incompleta de como foram calculados os valores cobrados, o erro ou a omissão na capitulação legal das infrações identificadas, a inobservância dos prazos processuais, em prejuízo do exercício pleno do direito de defesa, são defeitos que atingem o processo de formação do ato, prejudicandolhe as garantias de higidez e, por conseguinte, sua validade. Cumpre ainda ressaltar que o lançamento atende também a todos os requisitos específicos presentes no art. 142 do CTN, eis que realizado por autoridade competente; verificada a ocorrência do faro gerador (entrada de produtos estrangeiros no território nacional); determinada a matéria tributável (diferença entre os preços subfaturados e o preço efetivo); calculado o montante do tributo devido; identificado o sujeito passivo; e aplicadas as penalidades cabíveis. Ou seja, não ha que se falar em vicio material. Portanto, está demonstrado que as falhas retro citadas prejudicaram a clareza, a transparência e a objetividade dos autos de infração, com prejuízos para o pleno exercício do direito de defesa da autuada, mas sem macular a essência do lançamento. Ou seja, as irregularidades apontadas pela fiscalização estão baseadas em provas aparentemente plausíveis; o suposto infrator foi devidamente identificado; está demonstrado o nexo de causalidade entre a ação do sujeito passivo e as infrações constatadas; e foram quantificados os tributos, as multas e os juros considerados devidos. Assim, deixase de apreciar o mérito da questão consoante dispõe o art. 59, § 3°, do Dec. n° 70.235/72. Diante do exposto mantenho a decisão da DRJ e nego provimento ao Recurso de Ofício. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 11817.000429/200701 Acórdão n.º 3401002.957 S3C4T1 Fl. 7 11 Essas conclusões da Ilustre Conselheira Ângela Sartori, porém, não foram acompanhadas pelos Conselheiros fazendários, do que decorreu minha designação, em sessão, para elaborar o voto vencedor. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator ad hoc designado para o voto vencido. Voto Vencedor Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira redator designado. Respeitosamente com relação ao bem fundamentado voto da relatora, a Ilustre Conselheira Ângela Sartori, e cumprindo minha missão de redator designado, peço vênia para apresentar o entendimento resultante deste julgamento, consoante votação dos Conselheiros, que diverge da proposição da Conselheira relatora de negar provimento ao recurso de ofício. Os julgadores de 1º piso declararam a improcedência do auto de infração por identificarem cerceamento de defesa pelas seguintes razões: 1. impropriedades na sistemática de cálculo apresentadas pelo sistema gerador dos autos de infração (SAFIRA); 2. por que teria havido obscuridade na demonstração dos valores que compõem a base de cálculo dos tributos cobrados, e 3. por que teria havido omissão na descrição da metodologia utilizada pela fiscalização e na fundamentação legal do critério de arbitramento. Com relação à declaração de nulidade do auto de infração pela impropriedade do cálculo feito pelo sistema SAFIRA: Ao analisarmos que impropriedade seria essa e quais efeitos sobre o direito de defesa da contribuinte, constatamos que o problema do sistema SAFIRA gerou erro na apuração do crédito a ser lançado somente para o cálculo da multa administrativa do subfaturamento (100% de alíquota sobre a diferença entre o preço declarado e o preço arbitrado). E essa diferença reduziu o valor lançado dessa multa de R$ 773.544,61 para R$ 512.179,10, sendo uma mudança favorável à contribuinte. Todos os outros valores lançados de créditos tributários ( imposto de importação, IPI, multa de ofício sobre diferença de tributos, multa de conversão da pena de perdimento) nada sofreram pelo problema no sistema SAFIRA. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 12 No hipótese que esse erro de cálculo tivesse provocado cerceamento ao direito de defesa, certamente que a nulidade justificada por essa hipótese deveria se cingir exclusivamente à multa administrativa de subfaturamento, único cálculo cujo valor resultante foi mudado por causa do problema no sistema SAFIRA. Contudo, ao estudar os documentos e atos que instruem este processo, este colegiado chegou a conclusão divergente dos julgadores de 1º piso. Verificase que os problemas do SAFIRA se resumem a simples erros de cálculos, e não a erros na apuração das bases de cálculo, pois os critérios para determinação e apuração das bases de cálculo estão na descrição dos fatos e da motivação das autuações. As formas de cálculo dos tributos, multa de ofício, acréscimos legais, multa de subfaturamento e multa de conversão da pena de perdimento estão prescritas em texto de Lei. Não há ambigüidades nesses textos legais a justificar que a contribuinte alegue prejuízo ao seu direito de defesa. O relatório fiscal deixa claro os critérios adotados para se determinar o preço arbitrado, e junta planilha detalhando os valores resultantes desse procedimento. A leitura da argumentação da contribuinte em sua impugnação demonstra que ela compreendeu a autuação, tanto assim que ela contesta os fatos descritos, as motivações de cada uma das exigências, o modo de determinação do preço arbitrado e reclama que não se usou o método de valoração aduaneira. Ou seja, não se constata o cerceamento ao direito de defesa alegado. Além do mais, não houve erro na descrição dos fatos, nem na determinação da sua materialidade, nem na motivação e fundamentação das exigências. Simples erros de cálculo do valor de crédito tributário exigido não comprometem o lançamento, exigindo, apenas, providências para sua correção. Concluiuse que se deve dar provimento ao recurso de ofício com relação a essa razão de nulidade. Com relação à obscuridade na demonstração dos valores que compõem a base de cálculo dos tributos cobrados e que teria havido omissão na descrição da metodologia utilizada pela fiscalização e na fundamentação legal do critério de arbitramento : A contribuinte afirmou que seu direito de defesa foi prejudicado por causa: (a) da altíssima confusão dos valores adotados nos cálculos feitos no auto de infração, (b) por que nele não constam os parâmetros que levaram o Fisco a descaracterizar os declarados nas DI's; (c) não se vislumbrou os motivos da autuação; (d) não há provas das acusações, especialmente provas materiais; (e) não se sabe bem com que base se valorou os 121 produtos na autuação, nem foi apresentada planilha identificando detalhadamente cada uma das mercadorias; (f) não compreendeu como a autoridade fiscal determinou o valor tributável do IPI; (g) o lançamento não cita os fundamentos legais do critério de determinação do valor a ser tributado; (h) houve erro no cálculo da multa, como reconhecido pela autoridade fiscal; Fl. 556DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 11817.000429/200701 Acórdão n.º 3401002.957 S3C4T1 Fl. 8 13 (i) o lançamento não discrimina quais produtos foram valorados por que critérios. (j) dificuldade de acesso aos autos. Verifiquemos cada uma dessas afirmações da contribuinte: Com relação à afirmação "h" acima, como já apreciado neste voto, ela foi considerada neste julgamento como mero erro de cálculo e que não prejudicou a defesa e o contraditório. Com relação ao item "f", a determinação do valor tributável do IPI está prescrito na legislação, e ela não traz ambigüidades. O conhecimento da Lei é matéria incontroversa nos autos. Ademais, após analisar o auto de infração sob este aspecto, verificamos que ele obedece a essa prescrição legal. Portanto, não se pode considerar procedente a afirmação de que houve cerceamento de direito de defesa por este motivo. Com relação aos itens "e" e "j" acima, não conseguimos encontrar, no que instrui o processo, confirmação do que alega a contribuinte. Os registros disponíveis informam que o processo esteve à disposição da contribuinte, para consulta e obtenção de cópia, desde sua intimação e ciência do auto de infração; e que ela recebeu o auto de infração integralmente instruído,. Ademais, os dados e argumentos constantes nas suas manifestações demonstram que ela teve acesso aos autos e que compreendeu com que base foram valorados os produtos. E isso fica repetidamente evidente quando se analisa os demais argumentos da contribuinte para invocar cerceamento de defesa, como veremos a seguir. Ao ler e reler o auto de infração e o seu relatório, não se logrou encontrar a altíssima confusão vista pela contribuinte (item 'a' acima). Ao contrário, o auto de infração está acompanhado de planilha que detalha as mercadorias, as declarações de importação, as adições, os valores, e está acompanhada de cópia das declarações de importação e acompanhada de cópia do conjunto de faturas verdadeiras e das não verdadeiras das importações dos mesmos tipos de mercadorias que serviram de referência para a apuração da base de cálculo das exigências fiscais. Segundo a autoridade fiscal os documentos que haviam sido anteriormente apreendidos e as informações constantes das declarações de importação demonstram que a contribuinte também praticou o subfaturamento, a falsidade material e falsidade ideológica nessas importações, objeto deste processo administrativo. O procedimento e os critérios usados pela autoridade lançadora para a apuração dos preços para compor a base de cálculo das exigências estão claros: 1. adoção do preço verdadeiro/real quando encontrada a fatura verdadeira/real; 2. quando não encontrada a fatura com o preço verdadeiro, verificar se a mercadoria em questão corresponde a um dos tipos de mercadorias em várias e sucessivas importações posteriores da contribuinte em que se Fl. 557DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 14 constatou um padrão de subfaturamento (preços declarados aproximadamente igual a 20% do preço real, comparando preços das faturas falsas/falsificadas com preços reais das faturas verdadeiras). 3. arbitrase o preço dessa mercadoria aplicando o índice de correção (multiplicar o valor declarado por 5) para superar esse padrão de subfaturamento; 4. consultase o banco de dados da Receita Federal com importações do mesmo tipo de mercadoria, com a mesma origem e procedência, e adota se o preço informado por essa consulta caso seja ele inferior ao calculado pelo índice de correção. A contribuinte compreendeu esse procedimento e os critérios, como se pode ver em sua impugnação. Portanto, também não se confirma que o critério informado pela autoridade fiscal no auto de infração tenha prejudicado o direito de defesa da contribuinte. Vejamos o que ela argumenta: 5. Nada mais enganador. NÃO É VERDADE que as mercadorias sejam as mesmas. São de cambulhadas totalmente distintas, são de épocas diferentes. A afirmação é gratuita, órfã da verdade e visa unicamente criar imagem falsa. Nunca se viu tamanha desfaçatez no meio fiscal. As aquisições, nobre Junta Julgadora, distam de até quatro anos uma da outra (as paradigmas e a objeto de autuação). Por conseguinte, não existiu qualquer base de cálculo jurídica para estabelecer o paradigma eleito. Induz o agente, que houve diferença entre o valor declarado e aquele efetivamente praticado no mercado internacional, quando na verdade sua técnica (condenável) foi comparar valores de mercadorias adquiridas há cerca de quatro e três anos à frente. Isso não é jurídico. É conduta criminosa e ilícita, em tese, que se enquadra no tipo penal descrito no art. 316, parágrafo único e no artigo 299, do Código Penal brasileiro, além de ferir disposto nos artigos 116, III, e 117, IX e XV da Lei n° 8.112/90. 6. Tais argumentos desviantes do agente fiscal autuante deixa claro que o simulacro de revisão aduaneira foi uma farsa, realizada pelas vias transversas, ilícitas, posto que: e a) foi baseada em afirmaçâo falsa, alteradora da verdade dos fatos, criminosa em tese. b) não foi precedida do indispensável "exame conclusivo" para se desconsiderar o valor da transação internacional, sendo certo que não foi instaurado procedimento administrativo específico de "valoração aduaneira* para verificação da alardeada subvaloração, omitindose na aplicação de critérios científicos com aplicação de métodos substitutivos e seqüenciais previstos legalmente; c) a aplicação sumaria da pena com base em perdimento caracteriza excesso de poder e violação a texto de norma vigente; d) fatura comercial (invoice) não faz parte da definição legal de documento necessário ou essencial ao desembaraço, tendo em vista que sua existência, ou não, independe para o desembaraço ou embarque das mercadorias, sendo que tal irregularidade implica na aplicação de multa de 10% sobre o valor do imposto da mercadoria importada e não de 100%, e e) é abusiva a imposição da pena de 4 espécies de multa, concomitantemente, não atendendo ao verdadeiro propósito da lei. (grifos nossos) Como se pode ver, a contribuinte demonstra claro conhecimento sobre os motivos e critérios adotados pela autoridade fiscal, chegando a dirigirlhes críticas precisas. Mas ela não alega cerceamento à defesa. Mas reclama por não ter a autoridade lançadora usado Fl. 558DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 11817.000429/200701 Acórdão n.º 3401002.957 S3C4T1 Fl. 9 15 o roteiro da valoração aduaneira. Tratase de um equívoco da contribuinte, pois a constatação de fraude afasta a possibilidade de uso pleno do acordo de Valoração Aduaneira. Quando ela, em sua impugnação, de fato alega cerceamento de defesa, apresenta as seguintes razões: 20 O prejuízo da defesa é total. O cerceamento ao direito de defesa restou plenamente comprovado, pois desde a lavratura do auto de infração, a autoridade Impetrada, por si e seus prepostos, negam a fornecer a cópia do processo, bem como, também, não permite vista dos autos, em total desrespeito aos preceitos constitucionais e ao próprio Decreto n° 70.235/72. No processo administrativo, como sabido, a observância aos princípios do contraditório e da ampla defesa é medida que se impõe, sob pena de nulidade. 21. O cerceamento ao direito de defesa da Impugnante é evidente, haja vista a dificuldade para defenderse do lançamento fiscal, tendo em vista que não consta na peça do auto de infração, os parâmetros que levaram o fisco a descaracterizar os valores constantes das Declarações de Importações objeto do indigitado auto. Nesta esteira, não vislumbrado nos autos do processo em apreço, os motivos que levaram o fisco a lançar arbitrariamente valores, bem como a inexistência de provas a embasarem as acusações, há de se decretar a nulidade do indigitado auto de infração ora vergastado. GRIFOS NOSSOS A contribuinte argumenta que houve cerceamento de seu direito de defesa por que não consta do auto de infração: o os parâmetros que levaram o fisco descaracterizar os valores informados nas declarações de importação; o os motivos que levaram o fisco a arbitrar os preços das mercadorias; o provas do fatos imputados à contribuinte. Ora, essas afirmações da contribuinte que correspondem aos itens "b", "c" e "d" retro citados como razões para o cerceamento de defesa não se sustentam face o relatório fiscal e as próprias alegações brandidas pela contribuinte em sua impugnação e recurso. Contrariamente à sua pretensão, não há dúvidas quais foram os parâmetros que levaram a descaracterizar os preços informados nas declarações de importação, e quais os motivos para se arbitrar os preços para efeito de exigência fiscal. Os parâmetros e os motivos estão descritos no relatório fiscal e nos documentos que instruem este processo. E a contribuinte se refere a esses parâmetros e a esses motivos em suas manifestações. Como provas a autoridade fiscal junta os documentos pretéritamente apreendidos no escritório da contribuinte; e que eles demonstram, pelas características de gerenciamento e controle, que havia deliberada e recorrente falsidade ideológica, falsidade material e subfaturamento, em várias importações, inclusive nas objeto desta autuação. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 16 A contribuinte, em sua impugnação, ao contrário do que propõem os julgadores a quo, desde antes da diligência por eles solicitada, já sabia as fontes e referências adotadas pela autoridade fiscal para lavrar as exigências fiscais. In verbis: 25. É certo, a teor do auto de infração e respectivo relatório, que a acusação de SUBFATURAMENTO contida nas DIs N°s. 02/08537265, 02/08537303, 03/03866610, 03/03866866 e 03/05632528, de 24/09/2002. 09/05/2003 e 04/07/2003. fls. 39 a 81, se baseou, exclusivamente, na comparação de preços constantes dessas DI's com aqueles constantes de 'propostas de vendas' grafadas em chinês pelos fornecedores, datadas de 2004 e 2006, fls. 106 a 112, ao que o astucioso fiscal chamou eufemisticamente de "faturas verdadeiras apreendidas" (sic), para justificar a sanha da devassa. 26. Confirmando: Não há dúvidas de que, para convencer que houve subfaturamento, o agente fiscal utilizou documentos em idioma chinês/inglês, sem tradução, relativas a listas de preços praticados em 2004 e 2006, para valorar produtos adquiridos em setembro de 2002, dois a quatro anos antes. ..... 29. No caso, como adiantado, fez o sr. agente fiscal juntar os expedientes de fls. 106 a 113, propostas e listas de preços em língua chinesa, e a esses papéis chamou, ardilosamente, de "faturas verdadeiras apreendidas". Não são faturas, sequer guarda relação com a operação. 30. No entanto, Nobre Junta Julgadora, compulsando referidos papéis, somente permitido vista em 27/11/2007, 1 (um) dia antes do termo final para apresentação da impugnação, notase que todos eles estão grafados na língua chinesa, com alguns deles contendo titulos em Inglês. E mais, constatase que não consta dos autos documento de tradução para o vernáculo. ... 43. Primeiro, a de que é falsa a afirmação de que as mercadorias são as mesmas. Sim, porque as listagens de fls. 107 a 113, paradigmas, são documentos datados de 2004 e 2006 e não de 2002 e 2003 a que se refere as DI's objetos de revisão aduaneira, fls. 39 a 81. Como então poder afirmar com honestidade e lisura, "que as mercadorias importadas através destas DI's são as mesmas trazidas através da DI n° 06/09353459". Aliás, sequer essa última DI consta dos autos de forma a permitir a comparação. ... 53. Retornando ao tema que tange ao subfaturamento, temse que o fisco levantou os preços paradigmas pelas listagens de fornecedores, fls. 107 a 113, referentes a 2004 e 2006, e com base nesses preços atribuiu valores às mercadorias constante 3 da Dl's de fls. 39 a 81, que referemse aos anos de 2002 e 2003, do que resultou a cobrança de II e IPI nos valores de R$ 1.970.501,24 e R$ 349.094,91, respectivamente. GRIFOS NO ORIGINAL Vejase que a contribuinte, na impugnação, argumenta a distância de quatro anos entre as importações supostamente usadas como paradigma e as importação objeto da autuação. E critica com precisão e diretamente os critérios adotados pela autoridade fiscal para chegar a determinar o preço por arbitramento. Também não se sustenta a alegação de que houve prejuízo à defesa por que o lançamento não teria citado os fundamentos legais do arbitramento. O auto de infração cita o artigo da lei que prevê o arbitramento. E a contribuinte, em sua impugnação, discute os Fl. 560DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 11817.000429/200701 Acórdão n.º 3401002.957 S3C4T1 Fl. 10 17 equívocos do modo de arbitramento adotado pelo fiscal, o que prova que ela compreendeu as bases legais para o procedimento de arbitramento: 53. Retornando ao tema que tange ao subfaturamento, temse que o fisco levantou os preços paradigmas pelas listagens de fornecedores, fls. 107 a 113, referentes a 2004 e 2006, e com br«*e nesses preços atribuiu valores às mercadorias constante 3 da Dl's de fls. 39 a 81, que referemse aos anos de 2002 e 2003, do que resultou a cobrança de II e IPI nos valores de R$ 1.970.501,24 e R$ 349.094,91, respectivamente. 54. A Medida Provisória n° 2.15835, assim dispõe sobre a qv :stão (art. 84 do Decreto n° 4.543/2002): "Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinado mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/994, aprovado pelo Decreto Legislativo n° 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto n° 1.355, de 10 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. 55. Como visto, a previsão legal para os casos de suspeita de fraude no preço indicado em fatura comercial, a autoridade administrativa deve buscar identificar o preço de exportação de mercadoria idêntica ou similar, na mesma época e, posteriormente, apurar os preços no mercado internacional. 56. Assim, tratandose de subfaturamento de mercadoria, se fosse o caso, o fato poderia, no máximo, desencadear a instauração do procedimento de valoração aduaneira. 57. Tal processo de valoração aduaneira teria que se dar nos exatos termos dos Incisos I ou II do art. 88 da MP 215835 (art do Dec. 4.543/2002) e não através de chutômetro. 58. A base para aplicação de tal processo de valoração aduaneira encontrase no Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT 1994 (Acordo de Valoração Aduaneira) publicado no Brasil por farta legislação. 59 Como já dissertado, a autoridade lançadora afastou o primeiro método de valoração aduaneira (valor da transação), porque ao comparar os Fl. 561DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 18 preços do produto com outros, adquiridos dois a quatro anos após a transação, encontrou diferenças. 60 Ora, não basta que se afirme simplesmente que o preço da mercadoria é inaceitável, e adote como correto parâmetro não autorizado por lei. Em obediência ao determinado no Acordo de Valoração Aduaneira, deve comprovar que aplicou metodologia científica aprovada por norma legal e que comprove que o preço paradigma: "AO MESMO TEMPO. E NAS MESMAS QUANTIDADES, A IMPORTAÇÃO DO MESMO PRODUTO, ORIUNDO DO MESMO PAÍS EXPORTADOR, ERA NEGOCIADO PELO PREÇO POR ELA INDICADO COMO CORRETO", como assevera o equilibrado e jurídico Acórdão n° 30333.146, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes do MF, de autoria da competente conselheira Anelise Daudt. Confira: [...] 62 Como já exaustivamente exposto, o ilustre fiscal autuante elegeu como paradigma meras listagens em línguas estrangeiras e sem tradução, relativas a preços praticados de 2 a 4 anos depois das datas das DI's, referindose a seguir a elementos que constariam de outra DI que não juntou aos autos (06/09353459), não havendo, assim, forma de saber se as mercadorias são as mesmas como alardeou (não se sabe se quis dizer 'idênticas' ou 'similares' segundo a terminologia da AVA) para se determinar se se deve aplicar o 2o ou o 3o método de avaliação previsto no GATT 1994. Estas as razões jurídicas que impõe os cancelamentos dos autos de infração. É o que pede Como se pode ver, nenhuma das razões alegadas que teriam prejudicado o direito á defesa se sustentaram, o que significa entendimento e conclusão diferentes do Acórdão recorrido. Com relação ao argumento dos julgadores a quo de que faltaram dados para formarem sua convicção: Os julgadores de 1º piso, para justificar a decisão de que teria havido prejuízo ao direito de defesa da contribuinte, também se referiram que faltaram informações para formarem sua convicção. Reproduzimos a seguir o trecho do Acórdão: Ocorre que, embora a diligência tenha tido sucesso em esclarecer esses aspectos, ela revelou outra omissão no lançamento, ao afirmar que a maior parte das mercadorias (121 produtos) foi valorada com base em dados extraídos dos sistemas informatizados da Receita Federal, sendo que não constam nos autos as fontes desses dados (número e data das DI's ou documentos equivalentes). Ou seja, não consta no processo a demonstração da origem da totalidade dos parâmetros utilizados pelo Fisco para arbitramento do preço das mercadorias. Dessa forma, apesar de esclarecida qual a metodologia utilizada, faltam elementos que possibilitem avaliar se os valores arbitrados foram Fl. 562DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 11817.000429/200701 Acórdão n.º 3401002.957 S3C4T1 Fl. 11 19 devidamente calculados com base em dados aceitáveis, passíveis de comprovação por quem tiver interesse. A indicação da fonte específica e da data a que se referem os preços utilizados para subsidiar o arbitramento é importante para conferir transparência e objetividade ao lançamento, e ainda, para demonstrar a variação dos preços reais das mercadorias importadas ao longo dos exercícios de 2002 e 2003. Ou seja, esses dados são relevantes, também, para a análise da aptidão da documentação apreendida na sede da empresa para provar os fatos alegados pela fiscalização. Logo, essa informação interessa não apenas ao autuado, para possibilitar o exercício pleno de seu direito de defesa, mas também ao julgador, para formar com mais rigor sua convicção. Daí a necessidade desses dados serem devidamente demonstrados. GRIFOS NOSSOS Mui respeitosamente, somos obrigados a divergir do argumento e da conclusão, primeiramente por uma questão fática. Parecenos não corresponder aos fatos a afirmação de que não consta dos autos a demonstração da origem da totalidade dos parâmetros utilizados pelo Fisco para o arbitramento do preço das mercadorias, a indicação da fonte e da data a que se referem os preços. Tanto o relatório fiscal, quanto a resposta à diligência (fls. 232), a autoridade fiscal aponta que às fls. 86/113 ela juntou os documentos apreendidos que informam as mercadorias, os preços reais e os não reais, e permitem conhecer o "padrão de subfaturamento", a prática de falsificar o preço e falsificar a fatura. A autoridade fiscal declara com todas as letras que as mercadorias das importações sob exame são as mesmas daquelas importações onde se constatou subfaturamento; para demonstrar, junta cópia das declarações de importação onde constam as descrições da mercadorias, para que se possa cotejar com as mercadorias descritas nos documentos de fls. 86/113. S.m.j., contrariando os ilustres julgadores da DRJ, os dados estão demonstrados e não nos pareceram insuficientes para prosseguir na apreciação do contencioso. Com relação à nulidade do auto de infração que imputa prática sonegação com fraude e subfaturamento por insubsistência do procedimento de arbitramento de preço: O objeto da autuação está na constatação de prática intencional, organizada e continuada de falsidade documental, falsidade ideológica, subfaturamento e pagamento de tributos a menor que o devido. A decisão sobre a procedência de cada uma das exigências fiscais feitas deve analisar a materialidade e as provas de cada um dos fatos justificadores das respectivas exigências, individual e conjuntamente. A autuação se refere a um conjunto complexo de elementos que pretendem provar a conduta e a ocorrência das infrações, e, ainda, a justificar as exigências fiscais. Nessa autuação, o subfaturamento não é a única infração, e, embora seja relevante, não representa, nem substitui, as outras. A qualificação de um fato como subfaturamento não depende de se determinar precisamente o quanto foi subfaturado. A prova Fl. 563DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 20 de que houve subfaturamento pode não estar acompanhada da prova que permita determinar exatamente de quanto foi a diferença entre o preço verdadeiro e o não verdadeiro. O direito aduaneiro estabelece que o julgador analise cada infração, mesmo que estejam identificadas e reunidas no mesmo auto de infração: Decretolei n. 37, de 1966: Art.97 Compete à autoridade julgadora: I determinar a pena ou as penas aplicáveis ao infrator ou a quem deva responder pela infração, nos termos da lei; II fixar a quantidade da pena, respeitados os limites legais. Art.98 Quando a pena de multa for expressa em faixa variável de quantidade, o chefe da repartição aduaneira imporá a pena mínima prevista para a infração, só a majorando em razão de circunstância que demonstre a existência de artifício doloso na prática da infração, ou que importe agravar suas conseqüências ou retardar seu conhecimento pela autoridade fazendária. Art.99 Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicamse cumulativamente, no grau correspondente, quando for o caso, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas. § 1º Quando se tratar de infração continuada em relação à qual tenham sido lavrados diversos autos ou representações, serão eles reunidos em um só processo, para imposição da pena. § 2º Não se considera infração continuada a repetição de falta já arrolada em processo fiscal de cuja instauração o infrator tenha sido intimado. Art.100 Se do processo se apurar responsabilidade de duas ou mais pessoas, será imposta a cada uma delas a pena relativa à infração que houver cometido. ....... Art.103 A aplicação da penalidade fiscal, e seu cumprimento, não elidem, em caso algum, o pagamento dos tributos devidos e a regularização cambial nem prejudicam a aplicação das penas cominadas para o mesmo fato pela legislação criminal e especial. Portanto, a apreciação do contencioso deve considerar o conjunto e cada um dos fatos infracionais, mas não pode invalidar toda a autuação baseada na invalidação de apenas um dos fatos infracionais. Ocorre que os fatos imputados à contribuinte nesta autuação concluem se tratar de prática contumaz de sonegação com fraude com falsidade material, falsidade ideológica e subfaturamento, para enganar intencionalmente os controles aduaneiros. O arbitramento de preços para fins de apuração da base de cálculo das exigências não constitui a materialidade dos fatos imputados, do objeto da autuação. O arbitramento é mero procedimento necessário para suprir a determinação dos valores das exigências fiscais. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 11817.000429/200701 Acórdão n.º 3401002.957 S3C4T1 Fl. 12 21 A eventual nulidade do arbitramento adotado não pode tornar sem efeito os fatos que ensejaram o arbitramento. O arbitramento não pertence ao núcleo da autuação, nem das exigências fiscais. Por essas razões, propugnamos que a nulidade do arbitramento não pode ser considerada causa suficiente para se declarar a nulidade por vício material todo o auto de infração que constatou sonegação com fraude, falsidades e prática de enganar os controles aduaneiros. Conclusão final: Concluímos, após todas essas ponderações, que não foram acolhidas as razões adotadas pelos Julgadores a quo para declararem a nulidade do auto de infração e ficou decidido que se deve dar provimento ao recurso de ofício, devolvendolhes a lide para julgamento. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira redator designado. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
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Numero do processo: 11516.008315/2008-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS.
Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou
de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o
titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove,
mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações.
PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES. TRIBUTAÇÃO.
A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitar-se-á, a partir do período em
que ocorrerem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às
demais pessoas jurídicas.
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
Sujeita-se ao arbitramento do lucro o contribuinte cuja escrituração contiver
deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou para determinar o lucro real, bem como o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa contendo a escrituração de toda a movimentação financeira, inclusive bancária, no caso de contribuinte do lucro presumido.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP.
COFINS.
Aplica-se aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido no principal,
em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1102-000.813
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos argumentos recursais relativos à exclusão da recorrente do Simples, e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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Recorrente ANJO PESCA IND E COM DE PESCADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES. TRIBUTAÇÃO. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que ocorrerem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Sujeitase ao arbitramento do lucro o contribuinte cuja escrituração contiver deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou para determinar o lucro real, bem como o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa contendo a escrituração de toda a movimentação financeira, inclusive bancária, no caso de contribuinte do lucro presumido. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido no principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 83 15 /2 00 8- 77 Fl. 398DF CARF MF Impresso em 10/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 11516.008315/200877 Acórdão n.º 1102000.813 S1C1T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos argumentos recursais relativos à exclusão da recorrente do Simples, e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes, e Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Ausente, justificadamente, a Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barretto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por ANJO PESCA IND E COM DE PESCADOS LTDA, contra acórdão proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ/FlorianópolisSC, que julgou procedente o lançamento de ofício efetuado, e encontrase assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 OMISSÕES DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. A contestação genérica do lançamento pela negação geral, desacompanhada de elementos comprobatórios hábeis, não é suficiente, por si só, para elidir a presunção legalmente admitida. LUCRO ARBITRADO. APLICABILIDADE. A partir da data de início da produção dos efeitos de exclusão do SIMPLES a pessoa jurídica, atendidas todas as demais condições legais, pode optar pelo lucro presumido ou apurar o imposto de renda e a contribuição social pela regra, que é o Fl. 399DF CARF MF Impresso em 10/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 11516.008315/200877 Acórdão n.º 1102000.813 S1C1T2 Fl. 4 3 lucro real. Em não se verificando as condições necessárias para a tributação por um destes regimes de apuração do IRPJ, impõese o arbitramento do lucro. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005, 2006 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. Se as provas carreadas aos autos pelo Fisco, evidenciam a intenção dolosa de ocultar a ocorrência do fato gerador, pela prática reiterada de desviar receitas da tributação, cabe a aplicação da multa qualificada.” A pessoa jurídica foi submetida a procedimento fiscal, do qual resultou sua exclusão de ofício do Simples Federal a partir de 1º de janeiro de 2005, e a lavratura de Autos de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, perfazendo um crédito tributário no montante de R$ 2.644.583,52, aí já incluídos os juros de mora e a multa de ofício de 150%. De acordo com as Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica (fls. 103 a 121), a recorrente esteve inativa no anocalendário de 2005, e teria auferido receita total de apenas R$ 2.400,00 no ano de 2006. Por meio do Termo de Início de Fiscalização de fls. 5 a 7, a fiscalizada foi intimada a apresentar, entre outros elementos, os livros de sua escrituração comercial e fiscal, relativos ao anoscalendário 2005 e 2006, e os extratos bancários de todas as suas contas correntes bancárias e de aplicações financeiras neste mesmo período. Posteriormente, foi a empresa intimada a esclarecer o motivo de não constar em sua escrituração a movimentação financeira estampada nos extratos bancários, bem como a comprovar a origem dos créditos, devidamente identificados em planilha elaborada pela fiscalização de forma individualizada, totalizando R$ 13.663.851,31. Em resposta, informou a recorrente que não possuía a documentação hábil para atender a solicitação efetuada (fls. 101). Em face da resposta apresentada, o auditor fiscal formulou Representação Fiscal (fls. 01 a 04) com proposta de exclusão da recorrente do regime simplificado, a qual foi acolhida pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, que expediu o Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 83, de 12 de dezembro de 2008 (fl. 152), excluindoa de ofício do Simples, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2005. A fiscalização intimou e reintimou a recorrente a apresentar a escrita contábil que permitisse a apuração do imposto de renda de acordo com as regras do lucro real, bem como tornou a intimar a recorrente acerca da comprovação da origem dos créditos em suas Fl. 400DF CARF MF Impresso em 10/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 11516.008315/200877 Acórdão n.º 1102000.813 S1C1T2 Fl. 5 4 contas bancárias, novamente tendo a recorrente respondido que não possuía a documentação hábil para atender a solicitação efetuada (fls. 161). As exigências foram constituídas pela fiscalização segundo as regras do Lucro Arbitrado, e foram apenadas com a multa de 150%, exceto com relação à receita declarada (março de 2006, no valor de R$ 2.400,00), sobre a qual foi aplicada a multa de 75%. No cálculo dos valores devidos, foram deduzidos os valores pagos/declarados segundo as regras do Simples Federal. Em sede de impugnação, aduz a recorrente que não poderia ter sido excluída do Simples por suposta prática reiterada de infração à legislação tributária, antes de que houvesse a constituição definitiva do crédito tributário pela suposta omissão de receitas apurada. Além de ser improcedente a sua exclusão do Simples, o ato que a excluiu deve ser anulado, por não se encontrar devidamente motivado. Houve violação ao princípio da irretroatividade, posto que os efeitos do ato declaratório não podem retroagir no tempo, conforme tem sido reconhecido também pela jurisprudência. Também houve desrespeito aos princípios constitucionais da garantia ao contraditório, à ampla defesa, e ao devido processo legal, pois o Ato Declaratório Executivo que a excluiu do Simples não estabeleceu prazo para impugnação. Com relação aos depósitos bancários, sustenta que alguns deles são decorrentes de venda de mercadorias devidamente registradas em sua contabilidade. E que, além de depósitos de clientes, aportavam nestas contas valores provenientes de descontos de duplicatas, algumas das quais não eram saldadas pelos clientes, obrigando a empresa a reembolsar a instituição financeira, de modo que, havendo o posterior pagamento pelos clientes, a movimentação financeira resulta muito superior às suas vendas efetivas. Alega também que há vários depósitos provenientes de vendas de ativos, registradas na contabilidade, e valores transferidos de outras contas de sua própria titularidade, que não foram objeto de análise pela fiscalização. Os depósitos nas contas não representam receitas à margem da contabilidade, mas sim mera movimentação física de valores financeiros na órbita da recorrente. Por outro lado, o numerário depositado nessas contas foi utilizado para pagamento de diversas despesas componentes do seu custo. Não houve qualquer diligência no sentido de provar que os depósitos identificados pela fiscalização seriam provenientes de omissão de receitas, cabendo exclusivamente ao Fisco esta prova, conforme jurisprudência que transcreve. Inadvertidamente, os auditores não consideraram que os valores declarados pela recorrente deveriam ter sido excluídos da base tributável, evitandose o bis in idem ilegal. O Arbitramento realizado é completamente ilegal, pois o Fisco possuía elementos para determinar a base de cálculo, sem lançar uso do arbitramento, uma vez que tinha em mãos a movimentação bancária que, segundo o próprio auditor, comprovaria a Fl. 401DF CARF MF Impresso em 10/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 11516.008315/200877 Acórdão n.º 1102000.813 S1C1T2 Fl. 6 5 omissão de receita. Não há porque arbitrar o lucro, basta aplicar as alíquotas próprias do lucro presumido. Há vício formal no lançamento, uma vez que o motivo do arbitramento e da base de cálculo não se conforma com a realidade fática. A multa qualificada não pode ser aplicada, pois o Termo de Verificação Fiscal não faz qualquer análise da possibilidade da receitas terem origem fraudulenta, e, por outro lado, evidente está que não houve fraude, mas tão somente, na pior das hipóteses, falta de informação a Receita Federal da venda de mercadorias. Finaliza requerendo a anulação do Ato Declaratório Executivo que a excluiu do SIMPLES, a anulação dos autos de infração lavrados, ou, alternativamente, que seja desconsiderado o arbitramento realizado. A DRJ observou que o Ato Declaratório que excluiu a recorrente do Simples, e do qual ela foi cientificada em 17.12.2008, expressamente ofereceu o prazo de 30 dias para a apresentação de manifestação de inconformidade. Contudo, somente na impugnação ao lançamento de ofício, interposta em 02.04.2009, houve a contestação à sua exclusão. Assim, somente a questão de fundo, que motivou a referida exclusão, seria passível de análise, ao raciocínio de que, acaso acatados os argumentos trazidos pela impugnante contra os lançamentos fiscais, e sendo esses mesmos argumentos determinantes para a manutenção da pessoa jurídica no regime simplificado, haveria que se provocar a revisão de ofício do ato de exclusão do Simples. Entretanto, em análise dos argumentos interpostos, decidiu a DRJ, por unanimidade de votos, pela manutenção integral dos lançamentos efetuados, nos termos da ementa já ao norte transcrita. Cientificada desta decisão em 18.08.2009, conforme AR de fls. 352, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 15.09.2009, fls. 353 a 379, no qual, em síntese, reprisa os argumentos expostos por ocasião da inicial, exceto quanto à qualificação da multa, não se encontrando, no recurso, nenhum argumento ou contestação específica à multa aplicada, quer quanto ao seu percentual, quer quanto às circunstâncias fáticas que determinaram a sua qualificação, no presente caso. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Inicialmente, observo que, embora o presente processo tenha sido a mim distribuído para relato em sorteio realizado em setembro de 2009, foi somente em 20 de agosto de 2012 — conforme informação registrada no sistema eprocesso por ocasião da inclusão, no próprio sistema, dos arquivos digitais correspondentes — que os respectivos volumes Fl. 402DF CARF MF Impresso em 10/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 11516.008315/200877 Acórdão n.º 1102000.813 S1C1T2 Fl. 7 6 digitalizados foram inseridos no eprocesso, e, consequentemente, disponibilizados ao relator, motivo pelo qual somente nesta sessão pode o mesmo ser incluído em pauta para julgamento. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme restou exposto no relato efetuado, tendo em vista a intempestividade da contestação da recorrente quanto à sua exclusão do Simples, os argumentos recursais relativos a este fato não devem ser conhecidos por esta turma julgadora, do mesmo modo que também não o foram pela autoridade julgadora de primeira instância. De fato, a recorrente foi cientificada do Ato Declaratório Executivo que a excluiu do regime simplificado em 17.12.2008, e o referido ato expressamente consignou que o prazo para a apresentação de manifestação de inconformidade era de de 30 dias. Assim dispõe a Lei nº 9.317/96 a respeito: “Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) § 3o A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.1998)” Portanto, a lei determina que ao processo de exclusão do regime simplificado seja aplicado o Decreto no 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, e, este, como é cediço, estabelece o prazo de 30 dias para que o contribuinte apresente a competente defesa, a qual, nos termos do seu artigo 14, instaura a fase litigiosa do procedimento. No caso concreto, portanto, não se iniciou o litígio com relação à exclusão efetuada, motivo pelo qual a referida exclusão somente poderia ser revista de ofício, nos exatos termos em que referiu a decisão recorrida, na eventualidade de serem considerados procedentes os argumentos recursais relativos à matéria de fundo aqui discutida, posto que a exclusão está calcada nos mesmos fatos que também deram azo aos lançamentos de ofício efetuados. Alega a recorrente que os depósitos bancários, por si só, não constituem fato gerador do imposto de renda, e que caberia ao Fisco fazer a prova de que os depósitos identificados seriam provenientes de omissão de receitas. Não lhe assiste razão. Assim dispõe o artigo 42 da Lei nº 9.430/96, que fundamenta o lançamento efetuado: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Fl. 403DF CARF MF Impresso em 10/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 11516.008315/200877 Acórdão n.º 1102000.813 S1C1T2 Fl. 8 7 Nesta nova realidade erigida pelo legislador à condição de presunção legal, a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, isoladamente considerada, mas sim pela falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados. Ou seja, há uma correlação lógica estabelecida pelo legislador entre o fato conhecido (ser beneficiado com um depósito bancário sem demonstração de sua origem) e o fato desconhecido (auferir rendimentos), e é esta correlação que dá fundamento à presunção legal em comento, de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de receitas ou rendimentos omitidos. É a própria lei que determina que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimento, e não meros indícios de omissão. E a presunção legal, em favor do Fisco, tem o condão de transferir ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos. A recorrente, no caso, fez meras alegações, desacompanhadas de qualquer elemento de prova, no sentido de que parte dos depósitos nas contas não representariam receitas à margem da contabilidade, mas tão somente movimentações físicas de valores financeiros, tais como as provenientes de descontos de duplicatas reembolsadas e de transferências entre contas correntes de sua titularidade. Além de a recorrente não provar as suas alegações, registrese que, conforme restou assentado já na decisão recorrida, a autoridade fiscal procedeu a um acurado exame dos extratos bancários apresentados, tendo o cuidado de não incluir, entre os depósitos sujeitos a comprovação, aqueles cujo histórico da respectiva transação identificava tratarse de transferência entre contas ou de resgate de aplicações financeiras. Também não apresentou a recorrente qualquer prova de que alguns dos depósitos identificados pela fiscalização seriam decorrentes de vendas de mercadorias e de ativos, as quais estariam devidamente registradas em sua contabilidade, mesmo porque, de acordo com o relato fiscal, nem o Livro Caixa, obrigatório para as pessoas jurídicas optantes do Simples, foi escriturado, nem tampouco os Livros Diário e Razão, que possibilitariam a apuração pelo lucro real, foram apresentados ao fisco. Portanto, perfeitamente caracterizada, no caso, a omissão de receitas atribuída à recorrente, posto que não foi por ela elidida, nos termos da lei. Sustenta a recorrente a ilegalidade do arbitramento efetuado, e protesta pela utilização do lucro presumido, em vez do lucro arbitrado. Não lhe assiste razão. O arbitramento do lucro, no caso, decorre diretamente de expressa previsão legal. De acordo com o artigo 16 da Lei nº 9.317/96, a pessoa jurídica excluída do Simples sujeitase, a partir do período em que se processam os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. No caso, a contribuinte foi excluída do Simples com efeitos a partir de 1o de janeiro de 2005, conforme o Ato Declaratório expedido. Confirase o que dispõe o artigo 530 do RIR/99, no tocante ao arbitramento: Fl. 404DF CARF MF Impresso em 10/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 11516.008315/200877 Acórdão n.º 1102000.813 S1C1T2 Fl. 9 8 “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47 e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...)” Conforme ao norte relatado, o contribuinte não apresentou nem o Livro Caixa, nem os Livros Diário e Razão, de sorte que não poderia, em nenhuma hipótese, manter se no Simples, nem tampouco ser tributada pelo lucro presumido ou pelo lucro real, restando o arbitramento, no caso, como a única modalidade passível de utilização para a apuração do lucro relativo aos anoscalendário de 2005 e 2006. E o arbitramento, no caso, foi efetuado seguindo rigorosamente o quanto previsto na legislação de regência, a qual determina que, à base de cálculo apurada, deve ser aplicado o percentual previsto na lei para o lucro presumido, correspondente à respectiva atividade da empresa, acrescido de vinte por cento. Dos valores dos tributos devidos, apurados pela fiscalização, foram deduzidos os valores declarados pela recorrente. Conforme já observara a DRJ, os demonstrativos de fls. 179, 191, 201 e 213, comprovam que os valores pagos relativos ao mês de março de 2006, único mês em que a recorrente declarara receitas de R$ 2.400,00, foram efetivamente deduzidos dos valores apurados pelo fisco. A recorrente, por sua vez, não trouxe aos autos nenhuma prova de que tenha feito algum outro recolhimento de tributo que pudesse vir a ser aproveitado, pelo que resta improcedente o argumento de que a fiscalização teria desconsiderado os valores por ela pagos. Em conclusão, não há reparos a fazer quanto ao procedimento fiscal levado a efeito, nem tampouco qualquer correção ou ajuste a ser feito nos valores lançados de ofício e apenados, conforme o caso, com as multas de ofício de 75% e 150%. Quanto aos lançamentos decorrentes ou reflexos, tendo em vista que efetuados em razão dos mesmos fatos que deram origem ao lançamento principal, devese aplicar a eles a mesma decisão adotada quanto à exigência do IRPJ, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Pelo exposto, não conheço dos argumentos recursais relativos à exclusão da recorrente do Simples, e, na parte conhecida, nego provimento ao recurso. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 10/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 11516.008315/200877 Acórdão n.º 1102000.813 S1C1T2 Fl. 10 9 É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 406DF CARF MF Impresso em 10/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
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