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Numero do processo: 13819.723234/2012-06
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.
Somente são dedutíveis as despesas ocorridas no ano-calendário correspondente ao da Declaração de Ajuste apresentada.
Numero da decisão: 2002-000.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Somente são dedutíveis as despesas ocorridas no ano-calendário correspondente ao da Declaração de Ajuste apresentada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1264; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 71 1 70 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.723234/201206 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.013 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 28 de fevereiro de 2018 Matéria IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA. Recorrente VALQUIRIA RHEIN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Somente são dedutíveis as despesas ocorridas no anocalendário correspondente ao da Declaração de Ajuste apresentada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 32 34 /2 01 2- 06 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13819.723234/201206 Acórdão n.º 2002000.013 S2C0T2 Fl. 72 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2008, ano calendário 2007, tendo em vista a apuração de deduções indevidas de despesas médicas e com instrução. A contribuinte apresentou impugnação (fls.2/12), contestando integralmente a glosa da despesa com instrução e parcialmente a das despesas médicas, requerendo o restabelecimento das despesas médicas próprias e de Filipe Rhein Spolle. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) deu parcial provimento à Impugnação (fls. 43/46), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Somente são dedutíveis as despesas médicas, odontológicas e de hospitalização e os pagamentos feitos a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura destas despesas, quando relativas ao próprio tratamento do contribuinte e ao de seus dependentes e devidamente comprovadas com documentação hábil e idônea. DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Somente são dedutíveis os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, devidamente comprovadas e dentro do limite individual estabelecido. Cientificada dessa decisão em 17/4/2017 (fl.48), a contribuinte formalizou, em 8/5/2017 (fl.54), Recurso Voluntário (fls. 54/61), no qual apresenta as seguintes alegações: na impugnação, apresentou declaração do curso de especialização da profissão de Terapeuta Familiar e de Casal, consignando o valor de R$3.555,00. quanto às despesas médicas, na impugnação teria apontado como impugnado o valor de R$17.375,01, mas o valor correto a ser reavaliado é de R$12.614,01 (Metrus R$1.851,20, de Valquiria e Filipe, Dra. Olívia R$8.722,00 e Metrus R$1.040,01). tece considerações acerca do curso de Terapia Familiar e de Casal e afirma ter conhecimento de que o valor com instrução por pessoa para o anocalendário 2007 era de Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13819.723234/201206 Acórdão n.º 2002000.013 S2C0T2 Fl. 73 3 R$2.480,66. Indica a juntada de recibo de pagamento ao Instituto de Terapia Familiar de São Paulo ITF, no valor de R$3.950,00. informa que o valor de R$1.040,01, pago a Metrus, não foi descontado em contracheque, pelos motivos que explica, tendo sido o pagamento efetuado por boleto bancário. Indica a juntada do recolhimento. indica a juntada ainda de documentos emitidos pela Metrus e por Olívia Rogéria Gomes. requer o cancelamento da exigência fiscal. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.65). É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13819.723234/201206 Acórdão n.º 2002000.013 S2C0T2 Fl. 74 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Despesas com Instrução Nesse tocante, cabe esclarecer que, embora a recorrente teça considerações acerca das despesas com instrução no Recurso Voluntário apresentado, a decisão de piso cancelou integralmente a glosa efetuada, como se extrai do trecho a seguir reproduzido: A contribuinte anexou aos autos os documentos de fls. 20 comprovando a despesa no valor de R$ 3.950,00. Deve ser restabelecida, portanto, a dedução do valor de R$ 2.480,66 tendo em vista que o valor comprovado supera o limite individual. Dessa forma, não remanesce litígio a ser apreciado por este Colegiado quanto a esta matéria. Despesas Médicas À luz da legislação citada na notificação de lançamento, os contribuintes podiam deduzir do rendimento tributável na declaração de ajuste do exercício de 2008, valores relativos a determinadas despesas, tais como as médicas, desde que devidamente comprovadas. No tocante às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13819.723234/201206 Acórdão n.º 2002000.013 S2C0T2 Fl. 75 5 seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados (art. 73, do RIR/1999). No caso, a Notificação de Lançamento noticia a glosa de despesas médicas no montante de R$26.919,46 (fl.7). Em sua impugnação, a contribuinte requereu o restabelecimento de despesas no montante de R$17.375,01, argumentando que seriam despesas próprias e do dependente Filipe Rhein Spolle (fl.2). A decisão de piso consigna: Da análise dos documentos apresentados na impugnação, a seguir relacionados, concluise que as despesas médicas no valor de R$ 11.573,20 são passíveis de dedução dos rendimentos tributáveis, tendo em vista o preenchimento dos requisitos legais, devendo ser afastada a glosa efetuada pelo Fisco. 1. Metrus – R$2.851,20: declaração de fl. 16 (despesas de Valquiria e Filipe Rheins Spolle dependente relacionado na declaração de ajuste anual). 2. Olívia Rogéria Rodrigues Gomes (cirurgiã dentista) – R$8.722,00: recibo de fl. 17. Entretanto, não há como aceitar a despesa com a Metrus informada no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, fl. 12, por falta de discriminação dos beneficiários do plano. Somente são dedutíveis as despesas médicas de pessoas físicas consideradas dependentes perante a legislação tributária e incluídas na declaração do responsável em que for considerado dependente. Ao ser notificada, caberia a interessada trazer aos autos novo documento (declarações ou qualquer outra forma de manifestação escrita por meio da qual pudesse ser suprida a deficiência apontada na peça fiscal). Em sede de recurso, a contribuinte informa que impugnou erroneamente o total de R$17.375,01, mas argumenta que faz jus a deduzir o montante de R$12.614,01, sendo R$3.891,21 referente a Metrus, e R$8.722,00 referente a profissional Olívia Rodrigues Gomes. Acrescenta que o valor de R$1.040,01 foi pago para a Metrus via boleto bancário, indicando a juntada de documento comprobatório. Vêse, assim, que resta em litígio a despesa médica com Metrus no valor de R$1.040,01, uma vez que as demais despesas reclamadas pelo sujeito passivo em seu recurso já foram restabelecidas pela decisão de piso, no montante de R$11.573,20, conforme acima demonstrado. Em seu recurso, em complemento aos documentos de fls. 16, 18 e 19, a contribuinte junta o boleto bancário de fl.58. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13819.723234/201206 Acórdão n.º 2002000.013 S2C0T2 Fl. 76 6 Entretanto, constatase que o documento foi pago em 4/1/2008, quando aqui está se tratando do anocalendário 2007. Dispõe a Lei nº9.250, de 1995, em seu artigo 8º: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (destaque acrescido) Considerando que o IRPF regese pelo regime de caixa, sendo dedutíveis apenas as despesas pagas no anocalendário correspondente ao da Declaração de Ajuste, a despesa comprovada por meio de documento de fl. 58 não pode ser acatada, uma vez que efetuada em 2008. Acrescentese que, ainda que assim não fosse, o documento também não permite certificar que o pagamento ali consignado se refere somente à mensalidade da contribuinte ou se inclui parcela relativa a outros beneficiários. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000722/2005-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2000, 2002, 2003, 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. O lançamento efetuado por agente competente, nos termos da lei, com resguardo do amplo direito de defesa, é plenamente válido e não se torna nulo por eventual descumprimento do mandado de procedimento fiscal, que também não tem o condão de provocar a recuperação da espontaneidade regida pelo Decreto nº 70.235/1972. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2002, 2003, 2004 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de ofício sobre o ajuste anual (mesma base). FORMALIZAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO SUJEITO PASSIVO. DCTF. Débitos não declarados em DCTF não têm a natureza de confissão de dívida e devem ser lançados de ofício para instrumentalizar sua cobrança. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000, 2002, 2003, 2004 MULTA. DESPROPORCIONALIDADE E IRRAZOABILIDADE. CONFISCO. O princípio do não-confisco Tributário, nos termos do art. 150, IV da CF, não se aplica às penalidades, sendo incabível o reexame, pelo julgador Fl. 1 DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓPIA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/2005-16 Acórdão n.º 1402-00.664 S1-C4T2 Fl. 852
Numero da decisão: 1402-000.664
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: 1) rejeitar as preliminares de nulidade, 2) dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa isolada, e 3) negar provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
1.0 = *:*
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2000, 2002, 2003, 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. O lançamento efetuado por agente competente, nos termos da lei, com resguardo do amplo direito de defesa, é plenamente válido e não se torna nulo por eventual descumprimento do mandado de procedimento fiscal, que também não tem o condão de provocar a recuperação da espontaneidade regida pelo Decreto nº 70.235/1972. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2002, 2003, 2004 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de ofício sobre o ajuste anual (mesma base). FORMALIZAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO SUJEITO PASSIVO. DCTF. Débitos não declarados em DCTF não têm a natureza de confissão de dívida e devem ser lançados de ofício para instrumentalizar sua cobrança. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000, 2002, 2003, 2004 MULTA. DESPROPORCIONALIDADE E IRRAZOABILIDADE. CONFISCO. O princípio do não-confisco Tributário, nos termos do art. 150, IV da CF, não se aplica às penalidades, sendo incabível o reexame, pelo julgador Fl. 1 DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓPIA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/2005-16 Acórdão n.º 1402-00.664 S1-C4T2 Fl. 852
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: 1) rejeitar as preliminares de nulidade, 2) dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa isolada, e 3) negar provimento ao recurso de ofício.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2084; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 851 1 850 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13851.000722/200516 Recurso nº 157.288 De Ofício e Voluntário Acórdão nº 140200.664 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de agosto de 2011 Matéria IRPJ Recorrentes AGRITILLAGE DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÁQUINAS E IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2002, 2003, 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. O lançamento efetuado por agente competente, nos termos da lei, com resguardo do amplo direito de defesa, é plenamente válido e não se torna nulo por eventual descumprimento do mandado de procedimento fiscal, que também não tem o condão de provocar a recuperação da espontaneidade regida pelo Decreto nº 70.235/1972. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2002, 2003, 2004 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de ofício sobre o ajuste anual (mesma base). FORMALIZAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO SUJEITO PASSIVO. DCTF. Débitos não declarados em DCTF não têm a natureza de confissão de dívida e devem ser lançados de ofício para instrumentalizar sua cobrança. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2002, 2003, 2004 MULTA. DESPROPORCIONALIDADE E IRRAZOABILIDADE. CONFISCO. O princípio do nãoconfisco Tributário, nos termos do art. 150, IV da CF, não se aplica às penalidades, sendo incabível o reexame, pelo julgador Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 852 2 administrativo, do juízo de valor adotado pelo legislador para fixar o percentual que cumpra a finalidade de punir o infrator. JUROS DE MORA. TAXA SELIC Os juros de mora sobre tributos não pagos nos prazos previstos na legislação devem ser calculados com base na taxa Selic. (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: 1) rejeitar as preliminares de nulidade, 2) dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa isolada, e 3) negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório AgriTillage do Brasil Indústria e Comércio de Máquinas e Implementos Agrícolas Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 1ª Turma da DRJ Ribeirão Preto/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). A Fazenda Nacional recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ São Paulo I/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 34 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Trata o presente de auto de infração concernente ao imposto sobre a renda de pessoa jurídica – IRPJ (fls. 423/443 – demonstrativos inclusos), lavrado em conseqüência de apuração de irregularidades cometidas pelo sujeito passivo relativamente aos anoscalendário 2000, 2002, 2003 e 2004. Conforme Relatório Fiscal de fls. 444/457, que acompanha a autuação, ora sintetizada, em procedimento fiscal denominado “verificações obrigatórias”, consistente no cotejo entre os valores informados nas DCTF e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração, foi constatado que a fiscalizada não efetuou pagamento, nem compensou em Dcomp, o IRPJ apurado no ajuste anual dos anos Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 853 3 calendário 2000, 2002, 2003 e 2004, bem como não recolheu, nem compensou o imposto de renda mensal devido por estimativa. Esclarece o autor do feito que embora tenha a pessoa jurídica apurado IRPJ a pagar no ajuste anual indicado no Lalur e nas DIPJ, os respectivos créditos tributários não foram constituídos por declaração regularmente entregue pela contribuinte (DCTF), nem extintos por pagamento ou compensação, razão pela qual constituemse os mesmos por auto de infração. Do mesmo modo está se exigindo multa isolada de 75% sobre os valores mensais do imposto, devidos por estimativa, não recolhidos pela contribuinte, apurados pela empresa, mas não declarados em DCTF (se esclarece que não foram consideradas as DCTF retificadoras entregues após o início da ação fiscal). Ressalvase que a contribuinte solicitou por meio do processo administrativo nº 13851.001171/200257 a compensação do IRPJ devido por estimativa, no período de 01 a 10/2000, com supostos créditosprêmio de IPI a que teria direito, sendo tal pedido indeferido em 22/11/2002 pela DRF em Araraquara. Com os respectivos enquadramentos legais no corpo do auto de infração, atinge o crédito tributário o valor total de R$ 9.857.474,34 já incluídos multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 31/05/2005 (IRPJ), assim distribuídos: IRPJ ..........................................................R$ 4.766.857,92 Multa isolada.............................................R$ 5.090.616,42 Cientificada em 14/06/2005, se insurgiu a contribuinte contra a autuação, por intermédio da impugnação de fls. 466/537, apresentada em 11/07/2005, e subscrita pelo advogado Marco Antonio Destefani (procuração – fl. 538), na qual se alega, em síntese, que: é nulo o auto de infração pela ausência de cumprimento de formalidades do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, dado que i) não foi indicado especificamente qual tributo seria fiscalizado; ii) foi lavrado por pessoa que não tinha autorização legal para fazêlo – Delegado Substituto; iii) não foi cumprido o prazo para execução do MPF que deveria ocorrer até 10/06/2005; iv) não tomou ciência formal de prorrogação do MPF; acrescenta que ao não ser notificada para se manifestar no encerramento do procedimento, houve desrespeito ao art. 44 da Lei nº 9.784/99, bem como aos princípios constitucionais que elenca; de outro lado, argüi que a autuação baseouse em presunções e que o Fisco não demonstrou as supostas irregularidades apontadas, também razão de nulidade do auto de infração; a autoridade administrativa julgadora tem o dever de julgar conforme os princípios e regras da Constituição Federal, examinando as alegações de inconstitucionalidade a ela submetidas, entre elas questões relativas à Cofins que aponta; os valores do auto de infração foram extintos mediante compensações que relaciona; os créditos tributários objeto do auto de infração já haviam sido constituídos mediante DIPJ’s e DCTF’s retificadoras, sendo nulo o auto de infração posto que sua finalidade já havia sido suprida; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 854 4 como não teve ciência oficial da prorrogação do prazo do MPF, não poderia ter sido penalizada com a exclusão da espontaneidade, defendendo a aplicação do art. 138 do CTN quanto às DCTF’s retificadoras; sustenta a impossibilidade da aplicação concomitante da multa punitiva e da multa isolada previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, já que a primeira seria aplicável na apuração de resultado positivo de lucro tributável ao final do período e a segunda somente no caso de ausência de lucro real; acrescenta que a multa isolada também não poderia ter sido aplicada por não ter havido o exercício da opção pelo regime de apuração do imposto, a qual se consubstanciaria pelo pagamento da primeira quota ou quota única, não realizada no presente caso; pleiteia o afastamento das multas, pelo seu efeito confiscatório, bem como da taxa Selic no cálculo dos juros de mora.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 14 13.879 (fls. 645657) de 09/10/2006, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: processo administrativo fiscal Anocalendário: 2000, 2002, 2003, 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. O lançamento efetuado por agente competente, nos termos da lei, com resguardo do amplo direito de defesa, é plenamente válido e não se torna nulo por eventual descumprimento do mandado de procedimento fiscal, que também não tem o condão de provocar a recuperação da espontaneidade regida pelo Decreto nº 70.235/1972. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2002, 2003, 2004 ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. AJUSTE ANUAL. MULTA DE OFÍCIO. A falta de recolhimento mensal do IRPJ sobre a base de cálculo estimada por contribuinte optante pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada, independentemente do resultado apurado pela empresa no período ou mesmo de formalização de ofício de exigência de tributo devido ao final do ano. FORMALIZAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO SUJEITO PASSIVO. DCTF. Débitos não declarados em DCTF não têm a natureza de confissão de dívida e devem ser lançados de ofício para instrumentalizar sua cobrança. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000, 2002, 2003, 2004 Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 855 5 MULTA. DESPROPORCIONALIDADE E IRRAZOABILIDADE. CONFISCO. O princípio do nãoconfisco Tributário, nos termos do art. 150, IV da CF, não se aplica às penalidades, sendo incabível o reexame, pelo julgador administrativo, do juízo de valor adotado pelo legislador para fixar o percentual que cumpra a finalidade de punir o infrator. APLICAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. A lei aplicase a fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. JUROS DE MORA. TAXA SELIC Os juros de mora sobre tributos não pagos nos prazos previstos na legislação devem ser calculados com base na taxa Selic.” Nos termos da legislação em vigor, aquele Colegiado recorreu de oficio a este Conselho. Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 10/11/2006 (A.R. de fl. 668), a interessada interpôs recurso voluntário em 12/12/2006 (fls. 668684) onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 856 6 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Recurso de Ofício O Recurso de Ofício é assente em lei (Decreto nº 70.235/72, art. 34, c/c a Lei n° 8.748, de 09/12/93, arts. 1° e 3°, inciso I), dele tomo conhecimento. Trata de recurso de ofício interposto pela 5ª Turma da DRJ São Paulo I/SP que reduziu a multa isolada para 50% (cinqüenta por cento) do valor que deixou de ser recolhido mensalmente aos cofres públicos. Assim se pronunciou a DRJ: “... Por sua vez, em vista do que dispõe o art. 106, inciso II, letra “c” do Código Tributário Nacional, cabe observar a Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, que prescreve: Art. 18. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8° da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2° Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1°, serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 857 7 II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38." (destaquei) Assim, a multa isolada calculada em 75% do valor que deixou de ser recolhido deve ser reduzida para 50% (cinqüenta por cento), por força do dispositivo acima.” Entendo que a decisão recorrida está devidamente motivada e os seus fundamentos de fato e de direito não merecem reparos, pelo que encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio interposto. Recurso Voluntário O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Há que se reconhecer, de início, a inaplicabilidade da multa de ofício isolada por falta de recolhimento de estimativas, haja vista ter essa penalidade a mesma base de cálculo da multa de ofício vinculada ao IRPJ, cobrada concomitantemente no auto de infração em análise. Tal entendimento é assente nesta Turma a exemplo do voto condutor do Acórdão 140200.560, de 26 de maio de 2011, da lavra do i. Conselheiro Antonio José Praga de Sousa, cujos fundamentos adoto conforme o que se segue. (...) Além disso, com a fiscalização apurou outras infrações no anocalendário de 1997, ensejando a aplicação da multa de oficio, exigida em concomitância com a multa isolada. Sobre a matéria já possuo entendimento sedimentado, que já manifestei em diversas decisão no CARF, a exemplo do acórdão CSRF 910100.450, de 4/11/2009, cuja ementa transcrevo: MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ou apuração inexistência de tributo a recolher no ajuste anual. Transcrevo agora excertos do voto condutor daquele julgado: No que tange a exigência da multa de oficio isolada, por falta de recolhimento do IRPJ ou CSLL sobre estimativas, após o encerramento do anocalendário, verificase que a penalidade foi aplicada com fulcro no art. 44, inciso I, e § 1o, inciso IV, da Lei 9.430/96, do seguinte teor: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;” ................................................................................................... Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 858 8 § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos ................................................................ IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazê lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente;” (Grifei) Por sua vez, o art. 2o, referido no inciso IV do § 1o do art. 44, dispõe: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 Os artigos 29, 30, 31, 32 e 34 da Lei 8.981/95 tratam da apuração da base estimada. O art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, consubstancia hipótese em a falta de pagamento ou o pagamento em valor inferior é permitida (exclusão de ilicitude). Diz o dispositivo: “Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. (...)” Do exame desses dispositivos podese concluir que o art. 44, inciso I, c.c o inciso IV do seu § 1º, da Lei 9.430/96 é norma sancionatória que se destina a punir infração substancial, ou seja, falta de pagamento ou pagamento a menor da estimativa mensal. Para que incida a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105139.794, Processo n° 10680.005834/200312, Acórdão CSRF/0105.552, verbis: “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 859 9 Quanto aos demais argumentos, ressalto que a empresa, em sua peça recursal, simplesmente reafirma aqueles trazidos em sua impugnação. Por entender que a matéria foi adequadamente enfrentada na decisão de 1a instância, peço vênia ao autor para adotar seus fundamentos, a seguir transcritos: “Em primeiro lugar passo à análise da alegada nulidade da autuação por descumprimento de formalidades atinentes ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Vejase que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, instituído pela Portaria SRF nº 1.265, de 22 de novembro de 1999 (mantido na atual Portaria SRF nº 6.087, de 21 de novembro de 2005) é um instrumento de controle e planejamento das atividades de fiscalização dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal o qual, além de propiciar o gerenciamento interno das ações fiscais, viabiliza a transparência da atuação do Fisco, com a ciência do sujeito passivo e, inclusive, com a possibilidade da certificação da veracidade do procedimento administrativo por intermédio da Internet. Todavia, há que se ponderar que tal instrumento de controle e planejamento não tem o condão de estabelecer regra de competência dos servidores encarregados das atividades de fiscalização Tributária tal como estabelecido na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), artigos 142, 194, 195 e 196, os quais transcrevo: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 194. A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação. Parágrafo único. A legislação a que se refere este artigo aplica se às pessoas naturais ou jurídicas, contribuintes ou não, inclusive às que gozem de imunidade tributária ou de isenção de caráter pessoal. Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles Fl. 9DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 860 10 efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas. Parágrafo único. Os termos a que se refere este artigo serão lavrados, sempre que possível, em um dos livros fiscais exibidos; quando lavrados em separado deles se entregará, à pessoa sujeita à fiscalização, cópia autenticada pela autoridade a que se refere este artigo.” (todos os destaques não constam da redação original) Por outro lado, o artigo 6º da Lei nº 10.593 de 06 de dezembro de 2002 estabelece que: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal, no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal, relativamente aos tributos e às contribuições por ela administrados: I em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário; b) elaborar e proferir decisões em processo administrativo fiscal, ou delas participar, bem assim em relação a processos de restituição de tributos e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, inclusive os relativos ao controle aduaneiro, objetivando verificar o cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo, praticando todos os atos definidos na legislação específica, inclusive os relativos à apreensão de mercadorias, livros, documentos e assemelhados; d) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à aplicação da legislação tributária, por intermédio de atos normativos e solução de consultas; e) supervisionar as atividades de orientação do sujeito passivo efetuadas por intermédio de mídia eletrônica, telefone e plantão fiscal; Defluise da compreensão dos dispositivos transcritos que embora o texto da lei faça referência ao “exercício da competência da Secretaria da Receita Federal”, esta não se traduz naquela competência específica do agente público, no caso presente o AuditorFiscal da Receita Federal – AFRF, para o exercício das atividades de fiscalização e para a prática dos procedimentos e atos administrativos necessários a sua consecução. Podese, sim, falar de uma competência genérica ou atribuição desse órgão – SRF para “dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar os serviços de fiscalização, lançamento, cobrança, arrecadação, recolhimento e controle dos tributos e contribuições e demais receitas da União, sob Fl. 10DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 861 11 sua administração”, nos termos do art. 1º, inciso VII da Portaria MF nº 030 de 25 de fevereiro de 2005 (Regimento Interno da SRF). Por sua vez, a competência atribuída à autoridade administrativa, de acordo com o CTN, somente poderá ser aquela conferida ao agente público, pois, em caso contrário, estarseia imputando pena por responsabilidade funcional, de que trata o parágrafo único do art. 142 daquele diploma legal, em caso de descumprimento da norma, ao órgão administrativo em flagrante despautério jurídico. De se notar, sob outro enfoque, que se a expressão legislação tributária, nos termos do artigos 96 e 100 do CTN compreende inclusive as normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, suas disposições não poderão excluir ou limitar o direito da autoridade administrativa de examinar livros, arquivos, documentos, papéis com efeitos fiscais etc., nem poderão excluir a obrigação dos contribuintes de exibilos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram (art. 195 do CTN). Concluise, desta forma, que o MPF, instituído por norma dita complementar (Portaria), não poderá acarretar qualquer limitação ao exercício da competência tributária do AFRF, nem poderá estabelecer regra de competência para a prática dos atos concernentes à exigência do crédito tributário, estabelecida por lei materialmente complementar (CTN). Assim sendo, inferese que o descumprimento de MPF, quanto a qualquer dos seus elementos, ou até mesmo a inexistência desse instrumento, não acarretam nulidade do lançamento. No máximo, sujeitaria o Auditor Fiscal, além da recusa do contribuinte em submeterse à fiscalização sem MPF ou fora de seus parâmetros, a eventual penalidade administrativa. Sob esse aspecto, determina o art 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: “Art. 59. São nulos; I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Repitase: não tendo o MPF o condão de estabelecer regra de competência, sua ausência ou descumprimento não acarretará a nulidade do auto de infração mormente este tenha sido lavrado com observância das normas que o regem, notadamente a adequada descrição dos fatos, a correta capitulação legal e a devida ciência do sujeito passivo. Nos presentes autos, além da pretensa nulidade do lançamento tributário, discutese a espontaneidade do sujeito passivo (quanto à entrega de DCTF’s retificadoras) à vista de pretenso não conhecimento formal da prorrogação do respectivo MPF. Novamente cabe relembrar o princípio da hierarquia das normas, em cujo fundamento de validade repousa o ordenamento jurídico. Não houve a revogação do art 7º do Decreto nº 70.235/1972 (com força de lei Decretolei nº 822/1969) pela Portaria SRF nº 1.265/99 e sucedâneas e, portanto, não são as normas que regem o MPF que irão dispor acerca do instante em que se exclui ou se readquire a espontaneidade do sujeito passivo em relação a possíveis infrações da lei tributária. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 862 12 Dispõe o citado artigo: “Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos.” (destaquei) Conforme pode ser extraído do “Termo de Início da Ação Fiscal” (fls. 04) – item 2, foi o sujeito passivo intimado em 14/02/2005 a “apresentar as DCTFs referentes ao período de 01/00 a 01/05”, tendo entregado as declarações retificadoras após esta data. Não houve qualquer solução de continuidade que pudesse conceder ao contribuinte a recuperação de espontaneidade. Por outro lado, não fora tais colocações, os argumentos do contribuinte acerca das pretensas irregularidades do MPF também não merecem qualquer guarida. Vejamos: i) no respectivo mandado consta que a fiscalização deveria verificar obrigatoriamente a correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração em relação aos tributos administrados pela SRF nos últimos cinco anos. Ainda que seja redundante a observação quanto aos tributos administrados pela SRF, o IRPJ encontrase dentro desse contexto e foi objeto da autuação; ii) na ausência do titular da unidade da SRF responsável pela emissão do MPF, detém a respectiva competência seu substituto institucionalmente nomeado para tanto; iii) quanto ao prazo de execução do MPF, dispõe a Portaria SRF nº 6.087/2005, art. 13 § 1º, que o prazo poderá ser prorrogado por intermédio de registro eletrônico, cuja informação estará disponível na Internet, prorrogação que pode ser verificada à fl. 02. O fato de não constar recebimento formal da fiscalizada não macula o feito, como já dito anteriormente. Por sua vez, não há previsão no Decreto nº 70.235/1972 de que o sujeito passivo deva ser comunicado do encerramento do procedimento antes da lavratura do auto de infração para manifestarse no prazo de dez dias, a teor do art. 44 da Lei nº 9.784/1999. Nesse caso, dispõe o citado Decreto que formalizada a exigência tributária o sujeito passivo dispõe de trinta dias para impugnála. Conforme dispõe o art. 69 da lei mencionada, os processos administrativos específicos continuarão a regerse por normas próprias, aplicandose apenas subsidiariamente os preceitos da lei. Como dispõe o contribuinte de trinta dias para contradizer a exigência tributária, apresentando suas razões de defesa, não tem sentido a aplicação do prazo de 10 dias estabelecido na lei geral do processo administrativo, restando plenamente garantida observância do princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 863 13 A propósito dos princípios constitucionais, deve sim a autoridade julgadora julgar conforme princípios e regras da Constituição Federal, principalmente respeitando o princípio da legalidade e da unicidade de jurisdição. E em respeito a tais princípios não devem ser apreciadas no processo administrativo as alegações que propugnam a inconstitucionalidade de leis, dado que a Autoridade Administrativa não dispõe de competência para apreciar inconstitucionalidade e/ou invalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional. Toda atividade da Administração Pública encontrase plasmada pelo princípio da legalidade e as normas jurídicas, quando emanadas do órgão legiferante competente, gozam de presunção de constitucionalidade, bastando sua mera existência para inferir a sua validade. Inovado o sistema jurídico com uma norma emanada do órgão competente, ela passa a pertencer ao sistema, cabendo à autoridade administrativa tãosomente velar pelo seu fiel cumprimento até que seja expungida do mundo jurídico por uma outra superveniente, ou por declaração de inconstitucionalidade em ação direta, com efeito erga omnes, ou ainda por resolução do Senado da República, publicada posteriormente à declaração de sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, não sendo lícito à autoridade administrativa de qualquer instância absterse de cumprila nem declarar sua inconstitucionalidade sob pena de violar o princípio da legalidade, na primeira hipótese, e de invadir seara alheia, na segunda. Deixo, assim, de tecer qualquer consideração acerca das normas acerca da Cofins, indicadas na impugnação, seja pelas razões acima expostas, seja porque a Cofins não está sendo exigida no presente processo. Quanto à autuação propriamente dita, vale observar que esta decorreu da verificação de que a empresa não efetuou pagamento, nem compensou em Dcomp o IRPJ apurado no ajuste anual dos anoscalendário 2000, 2002, 2003 e 2004, bem como não recolheu, nem compensou o imposto de renda mensal devido por estimativa. Esclareceu o autor do feito que embora tenha a pessoa jurídica apurado IRPJ a pagar no ajuste anual indicado no Lalur e nas DIPJ, os respectivos créditos tributários não foram constituídos por declaração regularmente entregue pela contribuinte (DCTF), nem extintos por pagamento ou compensação, razão pela qual foram os mesmos constituídos por intermédio do auto de infração. Vejase que acompanham o auto de infração os demonstrativos de fls. 423/430, os quais indicam claramente os valores considerados no lançamento tributário, com notas explicativas que não deixam qualquer duvida quanto ao montante considerado. Não se utilizou qualquer tipo de presunção como equivocadamente expresso na impugnação. Ao contrário, foram utilizados valores apurados pela própria fiscalizada que, no entanto, não formalizou devidamente o crédito tributário como lhe obriga a lei tributária. Registrese a respeito, que a impugnante apesar de sustentar que os créditos tributários já haviam sido constituídos pelas DIPJ’s, transcreve Acórdão do Conselho de Contribuintes nº 20177565, no qual se confirma o entendimento de que somente os valores declarados em DCTF têm o condão de formalizar os créditos tributários pelo sujeito passivo (abaixo transcrito). PIS. DIPJ. DCTF. Se os valores dos débitos declarados não têm a natureza de confissão de dívida, devem ser lançados de ofício para instrumentalizar sua cobrança. Até dezembro de 1998, os Fl. 13DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 864 14 valores declarados em DIPJ tinham tal natureza. Após, só os valores declarados em DCTF.Se os valores declarados em DCTF são menores do que aqueles encontrados pelo Fisco na escrita fiscal do sujeito passivo, a diferença também deve ser lançada de ofício. Como não foram aceitas as DCTF’s retificadoras, entregue sob ação fiscal, sem que tenha sido readquirida a espontaneidade – questão já acima analisada , correto o lançamento de ofício para formalização dos créditos tributários, não havendo porque cogitar sua nulidade. A interessada alega genericamente que os débitos foram extintos por compensação, apresentando a relação de Declarações de Compensações – Dcomp – entregues. Todavia, tais Dcomp foram devidamente consideradas, como se pode conferir nos respectivos demonstrativos e expressamente indicadas pelo autuante no Relatório Fiscal (fl. 450), devidamente entregue ao sujeito passivo com o auto de infração. Como também ficou esclarecido na autuação, não foi aceito o pedido de compensação com créditosprêmio de IPI, pleito já anteriormente indeferido pela DRF em Araraquara (fls. 173/182). ... Em relação à alegação de efeito confiscatório da multa lançada, em desacordo com o art. 150, IV da C.F., vale observar que tal dispositivo constitucional encontra se dirigido ao legislador tributário que não deverá instituir tributo com efeito de confisco. Ora, tributo não se confunde com penalidade; tratase de fenômenos jurídicos totalmente distintos. O tributo tem como hipótese de incidência (antecedente da relação jurídica tributária) a ocorrência de um fato lícito. A penalidade tem como antecedente o descumprimento de um dever legal (fato ilícito), tal como o não recolhimento pelo sujeito passivo de tributo a que estava obrigado por lei. A propósito, assim já se manifestou o Poder Judiciário: “MULTA. CONFISCO. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL INAPLICÁVEL. Embargos à Execução Fiscal. Multa Moratória. Confisco. É inaplicável ao caso o princípio constitucional da vedação ao confisco, que referese ao tributo e não às penalidades em decorrência da inadimplência do contribuinte, cujo caráter agressivo tem o condão de compelir o contribuinte ao adimplemento das obrigações tributárias, ou afastálo de cometer atos ou atitudes lesivos à coletividade.”(Acórdão TRF/4ª Região Ap. Cível 1998.04.01.0178901/RS Relatora Juíza Tânia EscobarDJ 7.10.98). No que concerne à desproporcionalidade e irrazoabilidade das multas aplicadas, acrescentese que por ser a atividade fiscal vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, não é possível qualquer conteúdo discricionário ou desvio do comando normativo, sendo incabível, também, o reexame pelo julgador administrativo do juízo de valor adotado pelo legislador para fixar o percentual que cumpra a finalidade de punir o infrator. ........................................................................................................................... Fl. 14DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 865 15 Por fim, no que se refere à taxa Selic, cumpre reforçar, em consonância com a argumentação trazida na decisão da DRJ, que é matéria já sumulada por este Conselho, no sentido de que os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa Selic para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Pelas razões expostas voto no sentido de: 1) rejeitar as preliminares de nulidade, 2) dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa isolada, e 3) negar provimento ao recurso de ofício. Sala das Sessões, em 4 de agosto de 2011. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10680.721180/2013-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida UNIÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar a matéria aqui debatida, emprego parte do relatório desenvolvido pela DRJ Rio de Janeiro, retratado no acórdão n. 1266.727 (fls. 448/465), o que passo a fazer nos seguintes termos: Trata o presente processo de Declarações de Compensação com informação de crédito no valor de R$ 118.446.239,76 em 09/07/2010 (data da transmissão da primeira Dcomp) e PER Nº 06682.25561.080610.1.2.579705 relativos a crédito de COFINS pagos ou depositados dos períodos de apuração 02/99 a 01/2004 oriundo de decisão judicial final proferida na Ação Rescisória nº 2005.01.00.0704442/MG: Tal valor está atualizado pela SELIC, após RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .7 21 18 0/ 20 13 -3 1 Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 10680.721180/201331 Resolução nº 3402001.313 S3C4T2 Fl. 1.051 2 a dedução do percentual de levantamento de depósitos da Cofins, conforme anistia da MP 66/2002, no valor de R$ 2.547.503,94. Foi formalizado pelo contribuinte em 13/10/2009 o processo de habilitação de crédito reconhecido judicialmente nº 15504.016803/200929, nos termos da então vigente Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, por meio do qual foi exarado o Despacho Decisório nº 1.071/2009, com o deferimento do pedido de habilitação. Foi proferido despacho decisório nº 1.783 (fls. 241/257) que apurou que: (...). O Despacho Decisório INDEFERIU o pedido de restituição eletrônico(PER) nº 06682.25561.080610.1.2.579705 formulado pelo contribuinte, e RECONHECEU o direito de utilização do crédito de R$5.808.602,46 em julho/2010 e HOMOLOGOU PARCIALMENTE as compensações declaradas(até o limite desse crédito). O contribuinte foi cientificado em 31/10/2013 (fl. 295) e apresentou manifestação de inconformidade (fls. 299/325) em 02/02/2013 alegando em síntese: As empresas Acesita S/A, Acesita Energética e Ascipar (antigas denominações de Aperam Inox America do Sul S.A, ArcelorMittal Bionergia Ltda. e Aperam Inox Serviços Brasil Ltda) impetraram Mandado de Segurança visando afastar a aplicabilidade da Lei nº 9.718/98 na parte em que alargou a base de cálculo da Cofins e do Pis e aumentou a alíquota da COFINS de 2% para 3%.. O Tribunal deu provimento ao apelo da União e denegou a segurança concedida. As autoras interpuseram Recurso Extraordinario e posteriormente desistiram do recurso para poder aderir à anistia instituída pela Medida Provisória 66/2002. Como os valores devidos estavam sendo depositados em juízo, foi requerido a conversão dos valores referente ao período abrangido pela anistia, valendo tal conversão como efetivo pagamento, sendo que o saldo remanescente referente aos benefícios da anistia deveria ser levantado pelas impetrantes. Para apurar o valor a ser convertido em renda e o valor que seria levantado pelas empresas (tendo em vista os benefícios do parcelamento), foi apresentada petição, demonstrando os cálculos formulados pela empresa. Após intensa discussão quanto à certeza e atualização destes valores, em 14.12.2005, foi proferido despacho ordenando a conversão em renda nos percentuais indicados pela empresa e pela União em concordância. Importante registrar que neste momento, a conversão em renda foi feita com a anuência da União Federal que, em conjunto com as Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 10680.721180/201331 Resolução nº 3402001.313 S3C4T2 Fl. 1.052 3 Impetrantes, conferiu os valores e base de cálculo informado em todas as declarações até então transmitidas e apurou o quanto seria devido a título de PIS e COFINS e deste montante descontou as benesses do parcelamento então aderido. O crédito utilizado nas compensações não é referente a qualquer erro de cálculo ou discordância das Impetrantes quanto aos percentuais convertidos em renda e sim, em virtude da rescisão do acórdão proferido pelo TRF. Em 2005 o STF decidiu a tese ali discutida e declarou a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. Diante disso, as requerentes ajuizaram ação rescisória distribuída sob o nº 2005.01.000704442. O pedido foi julgado procedente e o acórdão transitou em julgado em 10/07/2009. As empresas formalizaram os pedidos de habilitação de crédito com fundamento no art. 34,§3º, I, f, item 3 da IN 900/2008, que foi deferido. A primeira nulidade do despacho é o fundamento de não homologação pelo fato de que caberia CEF devolver os depósitos mediante ordem judicial. Tal argumento não tem amparo jurídico ou lógico, já que não há mais depósito judicial à disposição do juízo, uma vez que foram convertidos em renda da União. O despacho não apresentou qualquer fundamentação legal para o indeferimento da compensação e analisou situação diversa da que aqui se apresenta. A legislação citada apenas disciplina que somente por ordem judicial é possível conferir a destinação final dos depósitos judiciais, cabendo a CEF eventualmente proceder a devolução dos depósitos judiciais. Não se pretende a compensação de depósitos judiciais e sim depósito convertidos já transformados em pagamento definitivo da União. Nenhum dos dispositivos citados na decisão recorrida se aplica ao caso, o que já importa em nulidade material. Resta clara a completa ausência de motivação e de fundamentação legal para a não homologação do crédito compensado. Os valores depositados foram convertidos em renda e, com a decisão da ação rescisória, tornaramse indevidos. A União verificou que entre os créditos objeto de compensação havia pagamentos realizados por DARF, contudo, sob o fundamento de uma suposta reapuração da base de cálculo, não reconheceu integralmente os valores referentes a COFINS que haviam sido pagos a maior por meio de DARF, mas utilizou parcela deste crédito para quitar os novos valores apurados. Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 10680.721180/201331 Resolução nº 3402001.313 S3C4T2 Fl. 1.053 4 Conforme se encontra demonstrado no Relatório Fiscal e planilhas foi feita uma nova apuração da base de cálculo de PIS e COFINS desconsiderando os valores apontados pela requerente e conforme esta nova apuração, a fiscalização foi discricionariamente alocando os créditos passíveis de compensação. A fiscalização efetuou ilegal imputação de pagamentos, ou seja, diminuiu o valor imputado pela Requerente ao pagamento dos débitos indicados na DCOMP alocandoo para pagamento de débitos manifestamente decaídos. Se a RFB entendia como devida a diferença de PIS e COFINS oriunda da reapuração da base de cálculo, deveria ter lançado este valor e não realizar uma imputação sobre um valor de crédito que já estava tomado por outro pedido de compensação. Nesta imputação não há o devido processo legal, contraditório, ampla defesa, Estado de direito. O pedido de compensação é um direito potestativo do contribuinte, cabe a ele dizer qual o crédito e qual o débito deseja quitar com a compensação. Não pode a Receita Federal, sob pena de ferir o dispositivo acima, quitar parte de um débito que o contribuinte, em momento algum, desejou fazêlo, que sequer entende que é devido. A fiscalização somente poderia questionar os resultados apresentados nas declarações fiscais do contribuinte dentro do prazo de que dispõe para a constituição do crédito tributário. Na rescisória ao negar seguimento a apelação da Fazenda Nacional, prevaleceu a decisão da primeira instância que além de julgar inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS e julgou inconstitucional a majoração da alíquota da COFINS. Ao reapurar a base de cálculo a fiscalização deve incluir o aumento da alíquota como indevido, posto que esta foi a decisão judicial que transitou em julgado. Após a apuração da contribuição devida, o fisco em algumas competências adiciona alguns valores nomeados de crédito comp. ou pagamentos utilizados. O Despacho não explica o porquê da adição destes valores. Em relação a COFINS isto ocorreu nas competências de abr/99, jun/99. ago/99, nov/99, jan/01, mai/01, nov/01 e jun/02. (...). 2. Uma vez processada, a manifestação de inconformidade apresentada foi julgada parcialmente procedente, conforme se observa da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração:01/02/1999 a 31/01/2004 PROVA. JUNTADA POSTERIOR. Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10680.721180/201331 Resolução nº 3402001.313 S3C4T2 Fl. 1.054 5 A prova documental deverá ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, a menos que a interessada demonstre, com fundamentos, a impossibilidade de apresentação por motivo de força maior; refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA Não padece de nulidade o despacho decisório, proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004 COMPENSAÇÃO.VERIFICAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. É dever da autoridade, ao analisar os valores informados em Dcomp para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo. COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM RENDA. PAGAMENTO INDEVIDO. A extinção do crédito tributário por conversão em renda de tributo depositado em valor indevido ou maior que o devido, gera, para o sujeito passivo, direito à restituição, podendo o indébito ser objeto de compensação, assim como dos acréscimos legais proporcionais nos termos dos arts. 165 e 167 do CTN. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. 3. Em suma, a sobredita decisão deu procedência à Manifestação de Inconformidade para: (i) admitir a possibilidade de compensação de créditos oriundos da conversão de depósito judicial em renda e reconhecidos como tal por decisão judicial transitada em julgado (ação rescisória n. 2005.01.000704442); e (ii) limitar a reapuração da base de cálculo dos débitos compensados, de modo que tal reapuração não gerasse débitos, porque decaídos, mas se limitasse a apenas reduzir ou anular o crédito vindicado. 4. Em contrapartida, referida decisão entendeu como válida a reapuração da base de cálculo que implicou a diminuição ou anulação do crédito vindicado pelo contribuinte. Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 10680.721180/201331 Resolução nº 3402001.313 S3C4T2 Fl. 1.055 6 5. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 662/676, oportunidade em que, em síntese, alegou: (i) que a reapuração da base de cálculo dos valores declarado em DCTF e apontados como débito para fins de compensação equivale, em última análise, a lançamento do crédito tributário, o que pressupõe lançamento fiscal, nos termos do art;. 142 do CTN; (ii) que a referida reapuração implicou, por vias transversas, o lançamento de tributo decaído; e, por fim (iii) que ao reapurar as bases da compensação perpetrada pelo recorrente, a decisão recorrida ignorou, em alguns meses, o cômputo de créditos decorrentes de pagamento via DARF ou mediante conversão de depósito em renda. 6. Em 25 de julho de 2017 esta turma julgadora resolveu converter o presente julgamento em diligência (resolução n. 3402001.032 fls. 714/719) para que fosse tomada a seguinte providência pela unidade preparadora: (...). (i) com base no exato teor do acórdão n. 1266.727 (fls. 448/465), reconstitua o saldo de crédito a restituir em favor da recorrente levando em consideração os valores por ela pagos mediante guia DARF, bem como pela conversão de depósitos em renda em favor da União; (...). 7. Referida diligência foi cumprida, conforme se observa do relatório de diligência fiscal de fls. 722/725, sendo que o contribuinte se manifestou a respeito por intermédio da petição de fls. 731/742. 8. É o relatório. Resolução 9. Em resposta a diligência determinada por este colegiado e, mais particularmente, em relação aos créditos referentes aos períodos de agosto de 1999, agosto de 2000 e junho de 2001, a unidade preparadora assim se manifestou em relatório de diligência fiscal: (...). Entretanto, para os períodos de apuração 08/99, 08/2000 e 06/2001, os valores devidos a título de Cofins de acordo com a nova base de cálculo apurada estão inferiores aos valores declarados em DCTF, não tendo havido, desta forma, o alegado excesso de lançamento em relação às DCTFs. (...). 10. Acontece que, ao manifestarse a respeito, o contribuinte aduz que a unidade preparadora teria apurado um valor inferior ao declarado em DCTF por ter ignorado as DCTF's retificadoras (fls. 769/1.031) apresentadas pelo contribuinte para tais competências, as quais Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 10680.721180/201331 Resolução nº 3402001.313 S3C4T2 Fl. 1.056 7 atestariam que os débitos de COFINS para tais meses são, respectivamente, de R$ 733.983,46 (fl. 854), R$ 2.422.31,69 (fl. 941) e R$ 2.838.808,10 (fl. 1.031), ou seja, muito inferior aos valores que originalmente teriam sido declarados pelo contribuinte e que teriam sido indevidamente considerados pela unidade preparadora ao preparar a sua resposta à diligência determinada por este Tribunal. 11. Assim para dissipar dúvida a respeito da questão alhures pontuada, mister se faz nova conversão do feito em diligência, de modo que a unidade preparadora esclareça: · quais os valores de COFINS declarados pelo contribuinte em DCTF's válidas para os meses de agosto de 1999, agosto de 2000 e junho de 2001, bem como quais os motivos e documentos fiscais que eventualmente se contraponham àqueles apresentados pelos contribuintes as fls. 854, 941 e 1.031 dos autos. 12. Cumprida a diligência, o recorrente deverá ser intimado para, no prazo de 30 (trinta) dias, apresentar eventual manifestação acerca do resultado da diligência, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 13. É a resolução. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 1042DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.720001/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 28/11/2007
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUTO INCOMPLETO E DESMONTADO. REGRA APLICÁVEL.
O produto importado desmontado e incompleto, mas que, no estado em que se encontra, apresenta as características essenciais do artigo completo e acabado, deve ser classificado no código tarifário específico, e não de acordo com as peças que o compõe, por força da Regra 2.a do sistema de Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado - RGI/SH.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-004.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COM. INFORMÁTICA E ELETRÔNICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 28/11/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUTO INCOMPLETO E DESMONTADO. REGRA APLICÁVEL. O produto importado desmontado e incompleto, mas que, no estado em que se encontra, apresenta as características essenciais do artigo completo e acabado, deve ser classificado no código tarifário específico, e não de acordo com as peças que o compõe, por força da Regra 2.a do sistema de Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 00 01 /2 00 8- 10Fl. 140DF CARF MF 2 convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes. Relatório Cuidase de auto de infração que promove a reclassificação fiscal de 70.560 unidades de mouse desmontados, importados através da DI 07/16515606, classificados originalmente segundo as peças individualmente consideradas, com exigência das diferenças de tributos, acrescidos de juros de mora, multa de ofício e multa por erro de classificação fiscal. Em impugnação o contribuinte defendeu a classificação fiscal adotada destacando que, de fato, as peças destinavamse à produção de 70.560 mouses, contudo havia, também, peças de reposição e outras partes destinadas à produção de teclados. Questionou ainda a constitucionalidade das multas aplicadas. A DRJ Florianópolis/SC deu parcial provimento à impugnação para limitar a autuação às peças necessárias à montagem dos mouses, excluindo as pretensas peças de reposição: “INSUMOS IMPORTADOS DESMONTADOS E INACABADOS. Conforme as Regras Gerais do Sistema Harmonizado (SH), a classificação fiscal de um produto incompleto ou inacabado, desmontado ou por montar, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado, se dará no código desse artigo completo e acabado. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editado.” O recurso voluntário sustentou equívoco na interpretação das regras gerais de classificação fiscal, por parte da decisão recorrida; que o produto (mouse) não estaria pronto, por faltarlhe a peça principal – placa integrada de circuitos –; e, que houve afronta ao princípio da legalidade, ao não aplicar adequadamente a Regra 2.a) VII NESH. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Nos termos do art. 94, parágrafo único, do Decreto nº 4.543/2002, que aprovou o Regulamento Aduaneiro, vigente por ocasião dos fatos geradores, relativamente à classificação das mercadorias, a interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10660.720001/200810 Acórdão n.º 3401004.423 S3C4T1 Fl. 11 3 Nomenclatura Comum do Mercosul será feita com observância das Regras Gerais para Interpretação, das Regras Gerais Complementares e das Notas Complementares e, subsidiariamente, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, da Organização Mundial das Alfândegas (Decretolei no 1.154, de 1o de março de 1971, art. 3o). As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, utilizadas prioritariamente para classificação fiscal, são as seguintes: “1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b) Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. Fl. 142DF CARF MF 4 b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classifica se na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. 4. As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificamse na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. 5. Além das disposições precedentes, as mercadorias abaixo mencionadas estão sujeitas às Regras seguintes: a) Os estojos para aparelhos fotográficos, para instrumentos musicais, para armas, para instrumentos de desenho, para jóias e receptáculos semelhantes, especialmente fabricados para conterem um artigo determinado ou um sortido, e suscetíveis de um uso prolongado, quando apresentados com os artigos a que se destinam, classificamse com estes últimos, desde que sejam do tipo normalmente vendido com tais artigos. Esta Regra, todavia, não diz respeito aos receptáculos que confiram ao conjunto a sua característica essencial. b) Sem prejuízo do disposto na Regra 5 a), as embalagens contendo mercadorias classificamse com estas últimas quando sejam do tipo normalmente utilizado para o seu acondicionamento. Todavia, esta disposição não é obrigatória quando as embalagens sejam claramente suscetíveis de utilização repetida. 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário.” A regra aplicável ao caso vertente, segundo a autuação e a decisão reclamada é a “2.a”. O próprio contribuinte reconhece, em sede impugnatória, que as peças importadas destinavamse à montagem de 70.560 (setenta mil, quinhentos e sessenta) mouses: Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10660.720001/200810 Acórdão n.º 3401004.423 S3C4T1 Fl. 12 5 “Como é cediço, em se tratando de uma empresa do porte da impugnante, que produz e comercializa peças e equipamentos para diversos países, as importações são constantes, sempre no intuito de suprir os estoques da produção, como de matérias primas, peças e equipamentos, além de adquirir os demais suprimentos indispensáveis ao prosseguimento de sua atividade. E de forma a suprir seus estoques para a consecução do seu objetivo (produzir e comercializar acessórios de informática), a impugnante importou através da Declaração de Importação n°07/16515606, matérias primas e peças para a produção de 70.560 (setenta mil quinhentos e sessenta) mouses e outros equipamentos, (...)” (destacado) Indiscutível, portanto, a aplicação da citada RGI/SH 2.a, consoante a qual qualquer referência a um artigo em determinada posição alcança o produto, ainda que incompleto ou inacabado, mas que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado, abrangendo ainda, nos termos precedentes, aquele que se apresente desmontado ou por montar. Então, uma vez identificado que as peças declaradas e classificadas isoladamente compunham 70.560 mouses desmontados, mesmo inacabados/incompletos, correta a reclassificação para o código correspondente ao produto acabado. O fato de faltarlhe peças essenciais, como as placas de circuito interno, ou mesmo a necessidade de outros processos para sua finalização, não operam em favor do recorrente, porquanto, pela mencionada regra, a classificação como produto final se estendem às partes desmontadas ou por montar, ainda que incompletos, mas desde que identificáveis como tais. Na situação dos autos, é inequívoco que as partes importadas permitem identificar que se tratam de mouses desmontados. Também não procede o raciocínio que, para receberem a caracterização de “produtos desmontados ou por montar”, as mercadorias importadas não poderiam sofrer qualquer trabalho adicional para complementação de produto, a partir das disposições das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH, o que, no entendimento do recorrente, exigiria que o produto deveria ser completo, ainda que desmontado, para se enquadrar na regra indicada. A leitura proposta, se acatada, iria de encontro às próprias disposições da referida Regra 2.a, porquanto é clara em estabelecer que o produto, incompleto ou inacabado, desmontado ou por montar, deve seguir a classificação do produto pronto, desde que, no estado em que se encontre, apresente as características essenciais daquele, o que sucede no caso sub examine. Nesse sentido, não vislumbro qualquer afronta ao princípio da legalidade a justificar a improcedência do lançamento. Fl. 144DF CARF MF 6 Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.005279/2007-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/09/2006
PRELIMINAR DE NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. O exercício do contraditório e da ampla defesa foi assegurado mediante intimação válida, ao sujeito passivo, do lançamento devidamente instruído com relatório fiscal contendo descrição clara e precisa dos fatos geradores, dos fundamentos legais, das contribuições devidas e do período.
PRLIMINAR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NFLD RETENÇÃO DE 11% EMPREITADA DE CONSTRUÇÃO CIVIL OBRIGAÇÃO DE EFETIVAR A RETENÇÃO
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal.
Em se tratando de contratação de serviços mediante empreitada de mão de obra é clara a legislação vigente à época, acerca da responsabilidade do contratante em reter 11% do valor da nota fiscal, recolhendo o fruto da retenção no CNPJ da empresa contratada.
O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998, nestas palavras: A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela MP nº 1.66315, de 22/10/98 e convertida no art. 23 da Lei nº 9.711, de 20/11/98). Vigência a partir de 01/02/99, conforme o art. 29 da Lei nº 9.711/98.
RETENÇÃO DE 11% NATUREZA TRIBUTÁRIA RECOLHIMENTOS NAS PRESTADORAS APRESENTAÇÃO DE CND NÃO ELIDE A OBRIGAÇÃO DE RETER
O fato das empresas prestadoras possuírem recolhimentos ou mesmo CND não desobriga a empresa tomadora de efetuar a retenção, conforme descrito acima, nem tão pouco refuta o presente lançamento, ou seja, o desconto sempre se resume feito regularmente e é obrigação da tomadora de serviços.
Numero da decisão: 2401-005.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 30/09/2006 PRELIMINAR DE NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. O exercício do contraditório e da ampla defesa foi assegurado mediante intimação válida, ao sujeito passivo, do lançamento devidamente instruído com relatório fiscal contendo descrição clara e precisa dos fatos geradores, dos fundamentos legais, das contribuições devidas e do período. PRLIMINAR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NFLD RETENÇÃO DE 11% EMPREITADA DE CONSTRUÇÃO CIVIL OBRIGAÇÃO DE EFETIVAR A RETENÇÃO Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. Em se tratando de contratação de serviços mediante empreitada de mão de obra é clara a legislação vigente à época, acerca da responsabilidade do contratante em reter 11% do valor da nota fiscal, recolhendo o fruto da retenção no CNPJ da empresa contratada. O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998, nestas palavras: A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela MP nº 1.66315, de 22/10/98 e convertida no art. 23 da Lei nº 9.711, de 20/11/98). Vigência a partir de 01/02/99, conforme o art. 29 da Lei nº 9.711/98. RETENÇÃO DE 11% NATUREZA TRIBUTÁRIA RECOLHIMENTOS NAS PRESTADORAS APRESENTAÇÃO DE CND NÃO ELIDE A OBRIGAÇÃO DE RETER O fato das empresas prestadoras possuírem recolhimentos ou mesmo CND não desobriga a empresa tomadora de efetuar a retenção, conforme descrito acima, nem tão pouco refuta o presente lançamento, ou seja, o desconto sempre se resume feito regularmente e é obrigação da tomadora de serviços.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 30/09/2006 PRELIMINAR DE NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. O exercício do contraditório e da ampla defesa foi assegurado mediante intimação válida, ao sujeito passivo, do lançamento devidamente instruído com relatório fiscal contendo descrição clara e precisa dos fatos geradores, dos fundamentos legais, das contribuições devidas e do período. PRLIMINAR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NFLD RETENÇÃO DE 11% EMPREITADA DE CONSTRUÇÃO CIVIL OBRIGAÇÃO DE EFETIVAR A RETENÇÃO Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. Em se tratando de contratação de serviços mediante empreitada de mão de obra é clara a legislação vigente à época, acerca da responsabilidade do contratante em reter 11% do valor da nota fiscal, recolhendo o fruto da retenção no CNPJ da empresa contratada. O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998, nestas palavras: “A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 52 79 /2 00 7- 90 Fl. 2869DF CARF MF 2 em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela MP nº 1.66315, de 22/10/98 e convertida no art. 23 da Lei nº 9.711, de 20/11/98). Vigência a partir de 01/02/99, conforme o art. 29 da Lei nº 9.711/98.” RETENÇÃO DE 11% NATUREZA TRIBUTÁRIA RECOLHIMENTOS NAS PRESTADORAS APRESENTAÇÃO DE CND NÃO ELIDE A OBRIGAÇÃO DE RETER O fato das empresas prestadoras possuírem recolhimentos ou mesmo CND não desobriga a empresa tomadora de efetuar a retenção, conforme descrito acima, nem tão pouco refuta o presente lançamento, ou seja, o desconto sempre se resume feito regularmente e é obrigação da tomadora de serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira. Fl. 2870DF CARF MF Processo nº 10120.005279/200790 Acórdão n.º 2401005.338 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório MAIA E BORBA S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 0330.655/2009, às efls. 2.351/2.365, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, referente à retenção de 11% sobre o valor bruto dos serviços realizados mediante cessão de mãodeobra contida em notas fiscais de serviços prestado a recorrente, em relação ao período de 01/2000 a 09/2006, conforme Relatório Fiscal, às fls. 212/216 e demais documentos que instruem o processo. Conforme relatado pela autoridade lançadora, a empresa atua no ramo de construção civil e também explora concomitantemente outras atividades empresariais, tais como: concessão para exploração de terminais rodoviários e gerenciamento e administração de shoppings centers. Na atividade de construção civil a empresa executou muitas obras por administração, por empreitada total e por incorporação. Prestou também serviços, realizando empreitadas parciais e executando pequenas obras. No transcurso da ação fiscal, a notificada foi intimada a apresentar os documentos necessários para realização do procedimento de auditoria, entre eles: as notas fiscais emitidas pelas empresas prestadoras de serviços e os respectivos recolhimentos da retenção dos 11%, bem como os contratos de prestação de serviços, contudo, as notas fiscais foram apresentadas parcialmente, entre outras omissões, razão pela qual foi aplicado à empresa o auto de infração debcad n° 37.055.3381. A presente notificação referese apenas às notas fiscais apresentadas parcialmente pela empresa. Da análise desses documentos a fiscalização identificou a existência de notas fiscais emitidas pelos prestadores e sujeitas à retenção sem o'“devido recolhimento ou com recolhimento parcial, conforme discriminado na planilha às fls. 217/235. Acrescenta o relatório fiscal que, embora a legislação previdenciária determine percentuais minimos de incidência nos casos de fornecimento de materiais e equipamentos, tanto o prestador (ao elaborar o destaque) quanto o contratante (na retenção e no recolhimento), não obedeceram às previsões legais, além disso não foram apresentados os contratos firmados entre a empresa contratante (notificada) e as prestadoras. O lançamento consolidado em 22/06/2007 importa em R$ 463.819,59 (Quatrocentos e sessenta e três mil, oitocentos e dezenove reais e cinqüenta e nove centavos) incluindo multa e juros de mora. O débito abrange o período de 01/2000 a 09/2006. A notificada apresentou impugnação, fls. 236/245, anexando documentos fls. 246/751, requerendo, em síntese, a declaração de invalidade do lançamento tributário ou sua retificação, tendo em vista os erros materiais apontados, bem como o descumprimento do princípio da ampla defesa, ausência de relatório com descrição clara e precisa dos fatos ou a retificação da notificação à vista de erro material de cálculo pela não dedução dos valores relativos à mãodeobra terceirizada. Fl. 2871DF CARF MF 4 Em 20/09/2007, os autos do processo foram baixados em diligência, fls. 754/756, com o objetivo de a autoridade lançadora manifestarse, de forma conclusiva, acerca das alegações proferidas pela empresa, especificamente em relação à descrição dos procedimentos/metodologia utilizados para obtenção da base de cálculo das contribuições no que concerne ao percentual aplicado nas notas fiscais a título de retenção. Também foi solicitado relatório complementar com a identificação dos dispositivos regulamentares que embasaram a definição dos percentuais de retenção, considerando o tipo de serviço prestado, bem como análise das notas fiscais anexadas aos autos. Além disso, foi solicitada informação acerca das razões de terem sido consideradas as notas fiscais de concreto usinado. Às fls. 2273/2276, a autoridade fiscal apresentou informação em resposta à diligência determinada. (vide fls.). Concluindo a diligência, foi elaborada planilha, fls. 2277/2292, sugerindo a retificação do lançamento, alterando o valor originário de R$ 260.220,41 para R$ 159.403,23, tendo sido elaborada planilha informando quais valores devem ser excluídos da notificação, fls. 2307/2315. Em obediência ao princípio da ampla defesa, foi reaberto o prazo para que a notificada exercesse seu direito ao contraditório, conforme correspondência enviada à empresa à fl. 2316. Às fls. 2318/2321 a notificada apresentou sua manifestação referente à resposta de diligência efetuada pela autoridade fiscal. O processo, em seguida, foi encaminhado ao órgão julgador para prosseguimento do feito. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às efls. 2.402/2.413, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pugna pela decretação da decadência da competência junho/2002, uma vez que o fisco só completou o lançamento em 12/07/2007, com a intimação da recorrente (Ofício n° 95/2007/SEFIS/DRF/GOI). Ainda preliminarmente, insurgese quanto ao excesso de exação, pois o método adotado pelo fisco, de aplicar a retenção sobre a diferença valores das notas fiscais apresentadas em contas do razão e as apresentadas fisicamente, fere os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade. Destaca que a avaliação do custo da construção civil para fins da apuração da remuneração dos segurados despendida em uma obra, por aferição indireta, com base na area construída e no padrão da obra, observa o Custo Global da Obra CGO (art. 442, da IN 03/05), e a Remuneração da Mão de Obra Total RMT despendida na obra (art. 443, da IN 03/05). Além disso, os artigos 448 e 474 da Instrução Normativa n° 3, de 2005, determinam a dedução de eventuais valores contidos em notificações, bem como a mãode obra de terceiros, e os prestadores contratados. Prossegue afirmando que os atos normativos (OS, IN) desde que não sejam ilegais ou manifestamente ilegais, devem ser obedecidos pelos agentes do fisco, pois asseguram tratamento uniforme aos contribuintes. Contudo, o inciso HI do art. 447 Instrução Normativa no 3, é ilegal, razão pela qual, inferese, não deve ser aplicado. Fl. 2872DF CARF MF Processo nº 10120.005279/200790 Acórdão n.º 2401005.338 S2C4T1 Fl. 4 5 Acrescenta que diversos atos normativos que normatizaram a matéria no espaço de tempo abrangido pelo lançamento fiscal deixaram de ser citados pelos fiscais (Ordens de Serviço INSS/DAF no 165, de 11/07/97; Instrução Normativa n° 18, de 11 de Maio de 2000; Instrução Normativa n° 69, de 10 de Maio de 2002; Instrução Normativa n° 100, de 18 de Maio de 2003; Instrução Normativa n° 3, de 14 de Junho de 2005. Manifesta que a aferição indireta não é carta branca para o fisco descumprir normas do próprio fisco. Dessa forma o método de aferição utilizado pelos fiscais (aplicação de 11% não sobre o valor da nota fiscal, mas sobre a diferença entre o arquivo apresentado e as notas fiscais fornecidas item 11 do relatório fiscal), além de cercear a defesa, impede não só que as normas do fisco previdencidrio sejam aplicadas, mas também que o valor apurado seja o mais próximo possível da realidade (principio da verdade material). Pondera que nas notas fiscais deveriam ter sido observados os percentuais aplicáveis sobre o valor da nota nas diversas situações de fornecimento de material ou equipamento, serviços de limpeza, pavimentação asfáltica, terraplenagem etc., nos quais a própria norma do fisco (IN 3) prevê a aplicação do percentual sobre valores inferiores ao valor bruto foram ignorados, além do fato de que Notas fiscais não sujeitas A retenção: serviço em estrutura metálica, serviço prestado por empresa optante pelo SIMPLES etc, fazem parte da apuração. Aduz que não foram deduzidas, na apuração do crédito tributário, a mão de obra de terceiros contida nas notas fiscais com retenção acompanhadas de guias de recolhimento. Não se pode exigir, sob pretexto algum, que a recorrente pague a contribuição sobre mão de obra cuja contribuição já foi retida e recolhida por ela como contratante, conforme determina o art. 31, da Lei n° 8.212/91, o que se comprovou, pela exibição das notas fiscais e GPS aos agentes do fisco, e cujos valores eles não relacionaram no anexo II e também não consideraram para efeito de dedução no valor da contribuição indevidamente lançada, e se comprova agora anexando os referidos documentos, conforme planilha também anexa. Não deduzir o valor das contribuições incidentes sobre a mão de obra contida nas notas fiscais relacionadas na planilha, cujas contribuições já foram recolhidas, conforme notas fiscais e guias de recolhimento anexas, significa cobrar duas vezes o mesmo tributo (bis in idem). Afirma que, mesmo quando se trata de arbitramento, o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justifiquem o crédito lançado, com observância de garantir o devido processo legal. Acrescenta que o fato de o fisco desconsiderar a contabilidade sem razões relevantes e lavrar 44 NFLD pelos mais diversos motivos (guardados em segredo absoluto), não desobriga as autoridades lançadoras de cumprirem as instruções normativas, pois estas, antes e acima de tudo são expedidas para que eles, agentes do fisco cumpram. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a decadência e nulidade do lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 2873DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. PRELIMINARES DAS INCONSTITUCIONALIDADES Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. NULIDADE DO LANÇAMENTO O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social referentes à retenção de onze por cento, como substituta tributária, incidentes sobre o valor de mão de obra incluído nas notas fiscais emitidas pelas empresas prestadoras de serviços contratadas pela notificada e não recolhidas nos respectivos vencimentos, previstas no art. 31 da Lei n°8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei n°9.711, de 1998. Conforme descrito no relatório, os procedimentos contábeis adotados pela empresa, bem como a não entrega dos documentos requisitados pela autoridade fiscal, prejudicaram o andamento da ação fiscal. Além disso, a notificada não fez prova do recolhimento das referidas contribuições diferenças. Por tais razões, conforme consta do relatório, e com base no § 3° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, a presente notificação foi lavrada pela autoridade fiscal com arbitramento da base de cálculo das contribuições devidas, Fl. 2874DF CARF MF Processo nº 10120.005279/200790 Acórdão n.º 2401005.338 S2C4T1 Fl. 5 7 tendo sido utilizado como critério de aferição a mesma relação que foi entregue pela empresa, deduzindo os valores das notas fiscais apresentadas parcialmente. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRF, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: a) Instruções para o Contribuinte — IPC fornece ao sujeito passivo orientações, dentre outros assuntos de seu interesse, sobre as providências para regularização de sua situação perante a Previdência Social, por meio de recolhimento, parcelamento ou apresentação de defesa ou recurso, quando for o caso; b) Discriminativo Analítico do Débito — DAD discrimina, por estabelecimento, levantamento, competência e item de cobrança, os valores originários das contribuições devidas pelo sujeito passivo, as aliquotas utilizadas, os valores já recolhidos, anteriortriente confessados ou objeto de notificação, as deduções legalmente permitidas e as diferenças existentes; c) Discriminativo Sintético do Débito — DSD discrimina sinteticamente, por estabelecimento, competência e levantamento, as contribuições objeto da apuração, atualização monetária, multa e juros devidos pelo sujeito passivo; Fl. 2875DF CARF MF 8 d) Relatório de Lançamentos — RL relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo, com observações, quando necessárias, sobre sua natureza ou fonte documental; e) Fundamentos Legais do Débito — FLD informa ao contribuinte os dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado, de acordo com a legislação vigente A época de ocorrência dos fatos geradores; f) Relatório Fiscal — REFISC se destina A narrativa dos fatos verificados em procedimento fiscal. Registrese, ainda, que foram elaboradas diversas planilhas descritivas dos levantamentos, bem como aproveitados os eventuais recolhimentos que puderam ter sido vinculados aos fatos abrangidos pela notificação, inclusive os documentos apresentados após o prazo legal limite, que é a impugnação, tendo sido entregues todas as informações ao contribuinte. Além disso, o relatório fiscal é claro e exaustivo, informando todas as circunstâncias que levaram a autoridade lançadora a promover o arbitramento. Desde as falhas na contabilidade até a omissão para entrega das informações necessárias ao bom andamento do procedimento fiscal, todos os eventos foram relatados com imparcialidade e sobriedade sem, em nenhum momento, insinuar qualquer juizo de valor em relação às razões determinantes para as faltas cometidas pela empresa notificada. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se Fl. 2876DF CARF MF Processo nº 10120.005279/200790 Acórdão n.º 2401005.338 S2C4T1 Fl. 6 9 referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. NULIDADE DA DECISÃO DE 1° INSTÂNCIA A recorrente alega que a decisão de primeira instância deixou de apreciar a alegação de que o entendimento da junta fiscal contraria o entendimento de todos os outros fiscais que fiscalizaram a recorrente, portanto devese decretar a sua nulidade. Não obstante o entendimento da Recorrente, não há como aderir a tal porque a AuditoriaFiscal não está vinculada a posicionamento de outra AuditoriaFiscal que tenha realizado procedimento de fiscalização anterior no contribuinte. Ademais, o art. 6o , I, a da na Lei 10.593/2002 dispõe acerca das atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentre as quais constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo:(Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) Além do mais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os argumentos expostos pelas partes, mormente quando já encontrou motivos suficientes e relevantes para fundamentar a decisão. Portanto, afasto a preliminar. MÉRITO RETENÇÃO 11% Em se tratando de contratação de serviços mediante empreitada de mão de obra é clara a legislação vigente à época, acerca da responsabilidade do contratante em reter 11% do valor da nota fiscal, recolhendo o fruto da retenção no CNPJ da empresa contratada. Fl. 2877DF CARF MF 10 O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998, nestas palavras: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela MP nº 1.66315, de 22/10/98 e convertida no art. 23 da Lei nº 9.711, de 20/11/98). Vigência a partir de 01/02/99, conforme o art. 29 da Lei nº 9.711/98 Pelas informações trazidas no relatório fiscal, bem como pelo que restou demonstrado na informação fiscal, não foram efetuados os devidos destaques na notas, nem tão pouco cumpriu a recorrente a obrigação de reter e recolher as contribuições previdenciárias correspondentes. Desse modo, a recorrente deveria ter retido o valor de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura, observados os limites de deduções e recolher a importância até o dia dois do mês subseqüente à emissão da respectiva nota fiscal/fatura. De acordo com o previsto no art. 33, § 5º da Lei n° 8.212/1991, o desconto sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa, sendo a responsabilidade direta de quem tinha o dever de realizálo. Art. 33 (...). §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. No caso da retenção de 11% não há que se falar em solidariedade, tampouco em benefício de ordem, pois o comando legal impôs a responsabilidade à tomadora de serviços, assim como o fez em relação ao desconto dos segurados empregados. Essa é uma presunção legal absoluta que milita em favor da fiscalização previdenciária. Ao contrário dos argumentos trazidos pelo recorrente, entendo que no caso de retenção há duas obrigações: a primeira, acessória, que é o desconto dos 11%; a segunda é a principal, que é o recolhimento das contribuições retidas. Uma vez que as contribuições previdenciárias são tributos, o objeto da retenção dos 11% também possui natureza tributária, haja vista ser uma antecipação das contribuições, possuindo natureza de substituição tributária. Com o intuito de regulamentar a lei, as autoridades tributárias, no exercício de suas competências, elaboraram e publicaram a Instrução Normativa SRP n° 03, de 2005, estabelecendo procedimentos relacionados à atividade de construção civil, especificamente os casos de regularização de obra cuja base de cálculo tenha sido arbitrada por meio de aferição indireta, arts. 430 a 471. A acuidade e precisão no tocante à normatização dos procedimentos relacionados às obras de construção civil, devese ao fato de que, historicamente, este setor sempre apresentou inúmeras dificuldades no que tange à fiscalização, seja pela quantidade de trabalhadores seja pelo volume de informações. Fl. 2878DF CARF MF Processo nº 10120.005279/200790 Acórdão n.º 2401005.338 S2C4T1 Fl. 7 11 Nesse sentido, nos casos em que determinada obra submetase ao regime de aferição indireta, o cálculo da remuneração da mão de obra e, por conseqüência das contribuições devidas, ocorre a partir do enquadramento da obra, de acordo com os procedimentos descritos nos artigos 436 e 441 da Instrução Normativa SRP n° 3, de 2005, (número de pavimentos, tipo de edificação, etc.) Em seguida, a remuneração é calculada de acordo com a aplicação de percentuais específicos conforme a metragem da obra para, então, aplicarse o custo unitário básico da construção civil vigente na competência em que o recolhimento deva ser efetuado, ou no caso presente, constituído o lançamento, conforme arts. 443 e 446 da Instrução Normativa. Ato continuo, são apropriados os eventuais recolhimentos relacionados A mão de obra própria contratada pela empresa, isto é, seus empregados, valores estes que serão convertidos em área regularizada, conforme arts. 445 e 446. Também é possível que a empresa tenha contratado empreiteiros e subempreiteiras para prestarem serviços específicos durante a construção. Nesses casos, isto é, nas situações em que há mão de obra terceirizada e, portanto, o contratante, é responsável tributária pelo recolhimento da retenção no CNPJ da empresa prestadora, a Instrução Normativa estabelece critérios específicos para que ocorra o aproveitamento desses recolhimentos. Especificamente, em relação às notificações cujo lançamento se deu por aferição indireta com base na área construída, 34 obras, e, reflexamente, na presente notificação, os incisos II e III do art. 447 da Instrução Normativa n° 3, de 2005, no período de 02/1999 a 09/2002, determinam que a remuneração relativa A mão de obra terceirizada (empreiteiras, subempreiteiras e cooperativas), inclusive o décimo terceiro salário, somente será convertida em área regularizada, ou seja, deduzida do arbitramento, caso os recolhimentos possam ser inequivocamente vinculados á obra em evidência. II a partir de fevereiro de 1999 até setembro de 2002: a) a remuneração declarada em GFIP referente a obra, identificada com a matricula CEI no campo "CNPJ/CEI do tomador/obra", com comprovante de entrega, emitida por empreiteira contratada diretamente pelo responsável pela obra, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira; b) a remuneração declarada em GFIP referente it obra, identificada com a matricula CEI no campo "CNPJ/CEI do tomador/obra", emitida pela subempreiteira contratada, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos pelo contratante com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira ou subempreiteira; c) o valor retido com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira ou subempreiteira contratada, quando não tenha sido apresentada a GFIP da contratada, conforme previsto nas a líneas "a" e "b" deste inciso, observado o disposto no §2° e no art. 239; Fl. 2879DF CARF MF 12 III a partir de outubro de 2002, somente serão convertidas em área regularizada as remunerações declaradas em GFIP referente ti obra, com comprovante de entrega, emitidas pelo empreiteiro ou pelo subempreiteiro, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos correspondentes. Conforme pode ser observado na legislação aplicável, no período de 02/1999 a 09/2002, os critérios para que os valores eventualmente recolhidos a titulo de retenção pudessem ser aproveitados e deduzidos no arbitramento da obra são: remuneração paga pelo prestador declarada em GFIP, devendo ser identificada com a matricula CEI respectiva, no campo "CNPJ/CEI do tomador/obra", bem como apresentado o comprovante de entrega, recolhimento dos valores retidos com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira, devem ser comprovados. De igual modo, em relação As subempreiteiras, exigese o mesmo procedimento No período a partir de outubro de 2002, a conversão em área regularizada, conforme exigia o inciso III do art. 447 da Instrução Normativa n° 3, somente ocorreria nos casos em que as remunerações declaradas em GFIP referente A obra, com comprovante de entrega, emitidas pelo empreiteiro ou pelo subempreiteiro, mediante comprovação o recolhimento dos valores retidos correspondentes. Por essa razão, o artigo 425 da Instrução Normativa n° 3, de 2005, estabelece como obrigação da empresa contratante que esta mantenha em arquivo, por empresa contratada, em ordem cronológica, pelo prazo decadencial, as notas fiscais, as faturas ou os recibos de prestação de serviços e as correspondentes GFIP's. De igual modo, o parágrafo único do mesmo artigo, autoriza que o tomador dos serviços exija as cópias das GFIP's das empresas contratadas, com informações especificas para a obra, identificando todos os segurados que executaram serviços e suas respectivas remunerações. Durante a ação fiscal e, principalmente, no decorrer do julgamento dos processos, especialmente nas várias vezes em que os mesmos foram baixados em diligencias, a empresa apresentou grande quantidade de documentos, que por sua vez, foram analisados individualmente pelas autoridades fiscalizadoras. Dessa forma, em relação à presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) 37.096.6554, cuja cobrança referese aos 11% que a notificada, na qualidade de contratante, deveria ter retido e recolhido, e que teve a base de calculo aferida indiretamente a partir da relação fornecida pela própria empresa, todas as notas fiscais, e quaisquer documentos apresentados com a impugnação e nos diversos aditamentos, que puderam ser vinculados a quaisquer das obras analisadas durante o procedimento fiscal, foram deduzidas deste lançamento, conforme informação prestada pela autoridade fiscal. Contudo, o exemplo indicado pela recorrente em relação às notas fiscais emitidas pela empresa do Sr. Carlos José Moreira da Silva, cujos serviços foram prestados nas obras RENOV e NOVOB, fica prejudicado, pois o aproveitamento destes valores, de acordo com a legislação previdenciária, incisos II e III do art. 447 da Instrução Normativa n° 3, de 2005, somente é possível mediante apresentação da GFIP do prestador, razão pela qual não foram considerados para efeito de retificação do lançamento. Nesse sentido, a alegação de que a junta fiscal resiste em retificar o presente crédito tributário quanto às remunerações cobradas nas notificações das obras é improcedente, tendo em vista que os eventuais recolhimentos e créditos em favor do sujeito passivo, foram devidamente aproveitados, inexistindo qualquer razão no tocante à assertiva de que ha tributação em duplicidade, isto é, sobre os mesmos fatos geradores. Fl. 2880DF CARF MF Processo nº 10120.005279/200790 Acórdão n.º 2401005.338 S2C4T1 Fl. 8 13 Pelo que se observa, é a notificada que resiste em cumprir os atos normativos da previdência social, em especial o art. 425, já mencionado, e os incisos II e III do art. 447, ambos da Instrução Normativa n° 3, de 2005, taxandoos de ilegais. O primeiro relacionado à obrigação de arquivar os documentos (entre eles as GFIP's das prestadoras) para apresentação oportuna à autoridade fiscal, o que não ocorreu, razão pela qual a empresa teve contra si a lavratura de auto de infração. O segundo relacionado à forma de aproveitamento dos recolhimentos às obras arbitradas. Em relação aos percentuais aplicados às notas fiscais, cumpre lembrar que a empresa deixou de apresentar os contratos que permitiriam a verificação quanto à necessidade de os serviços serem prestados mediante fornecimento de material e/ou equipamentos, circunstância que influencia, diretamente, o procedimento fiscal. Portanto, nego provimento quanto aos aspectos encimados. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Explicita que, mesmo quando. se trata de arbitramento, o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justificam o crédito lançado, assim como os cálculos, raciocínios e fundamentos legais da apuração da quantia devida. Ausentes esses pressupostos, o direito de defesa está comprometido. Registrese que não há dúvidas de que a legislação previdenciária, no caso sob análise, dadas as condições fáticas ocorridas durante o procedimento fiscal, autoriza a fiscalização a promover o arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme previsão, inclusive do artigo 148 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Assim, a conseqüência jurídica disso, portanto, nos termos dos parágrafos 3°, 4° e 6° do art. 33, é a imediata e consequente inversão do ônus da prova. Tal circunstância determina que a simples manifestação de contrariedade do impugnante não tem o condão de afastar o ato administrativo dotado de presunção de legitimidade, legalidade e veracidade. Em que pese a contribuinte ter apresentado inúmeras cópias de guias de recolhimento e notas fiscais, observase, conforme manifestado pela autoridade lançadora, fls., muitos documentos foram repetidos e outros em nada se relacionam com a notificação sob análise. No tocante ao eventual aproveitamento dos valores lançados na presente notificação em relação As demais notificações relacionadas às obras, lançadas por arbitramento com base na área construída, impende observar que tal aproveitamento, à luz do que determina os incisos do art. 447 da Instrução Normativa n° 3, de 2005, somente podem ser efetuados a partir da vinculação inequívoca da nota fiscal à obra reivindicada. Além disso, necessário se Fl. 2881DF CARF MF 14 faz a apresentação das GFIP's preparadas separadamente por cada prestador, sendo certo que tais procedimentos são essenciais para acolhimento da tese da defendente, tendo em vista a inversão do ônus da prova, justificada pelo descumprimento das obrigações acessórias já informadas anteriormente. No tocante à conta "Serviços de Terceiros", para a qual a notificada alega que foram contabilizadas as notas fiscais excluídas do regime de retenção e que, por essa razão, deveriam ser excluídas do lançamento, importante destacar que a mera alegação de tal fato não é suficiente para exclusão destes valores da notificação, tendo em vista a inversão do ônus da prova comentada há pouco. É dizer, para que tais valores pudessem ser excluídos, a empresa deveria apresentar todas as notas fiscais relacionadas presentes na relação que serviu como critério de aferição do arbitramento para que a fiscalização pudesse verificar se, de fato, estariam, ou não, excluídas do regime da retenção. Pelo exposto, não acolho o pleito da recorrente. BIS IN IDEM, BITRIBUTAÇÃO, IMPARCIALIDADE E NOTAS FISCAIS Insurgese, sob a complacência da DRJ/BSB, a corrigir o erro de lançar duas vezes a contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras três NFLD utilizando como artifício para enganar métodos diferentes de aferição indireta. Tal argumentação da recorrente se circunscreve a valoração de prova fática, posto devese verificar se houve ou não o lançamento duplicado de contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras três NFLD. Ante o exposto, quanto a alegação de que houve bi tributação e bis in idem, expressões utilizadas pela defendente durante as manifestações nos autos do processo, importante destacar que em matéria tributária as diferenças entre esses termos são nítidas. Roque Antonio Carrazza descreve de modo simples que "...em matéria tributária, dáse o bis in idem quando o mesmo fato jurídico é tributado duas ou mais vezes, pela mesma pessoa política. Já, bitributação é o fenômeno pelo qual o mesmo fato jurídico vem a ser tributado por duas ou mais pessoas políticas". No caso sob análise, não ocorreu o bis in idem, pois todas as notas fiscais que estavam inequivocamente vinculadas à obra objeto do presente lançamento, conforme determina a Instrução Normativa SRP n" 03, de 2005, foram consideradas para efeito de redução do lançamento, con forme atestado pela autoridade fiscal e verificado por este órgão julgador. Dessa forma, não se verifica a bitributação nem tão pouco qualquer ausência de prejuízo em desfavor da recorrente no sentido de não ter sido efetuado algum credito eventual de alguma retenção. Em verdade, todas as notas fiscais e respectivas guias de recolhimento da previdência social que puderam ser vinculadas a cada uma das obras para aproveitadas pela autoridade lançadora. Observase que não houve afronta ao princípio da imparcialidade, bem como não houve bis in idem, uma vez que fora observado os requisitos legais. Fl. 2882DF CARF MF Processo nº 10120.005279/200790 Acórdão n.º 2401005.338 S2C4T1 Fl. 9 15 Assim, não prospera a argumentação da contribuinte. DECADÊNCIA COMPETÊNCIAS ATÉ JUNHO/2002 Aduz está decadente as competência até junho de 2002. Nesse aspecto não assiste razão ao recorrente, pois, o fato de ter sido reaberto o prazo pela substituição dos documentos, não implica em nova notificação, sendo certo que a data inicial a ser considerada para efeito da contagem do período decadencial é a da primeira notificação regular ao sujeito passivo, uma vez que o lançamento foi ali perfectibilizado Nesse sentido, a .simples substituição dos relatórios não determina a irregularidade do lançamento. Assim, a notificação feita no dia 22/06/2007 foi o último ato do procedimento de constituição formal do crédito tributário, tomandoo oponível a contribuinte, razão pela qual as competências abrangidas pela decadência referemse ao prazo indicado pela DRJ, ou seja, os meses decadentes e excluídos da notificação referemse ao período abrangido pelas competências 01/2000 a 05/2002, devendo ser mantidas a competência 06/2002, haja vista a substituição dos relatórios ter tido apenas o efeito de dilatar o prazo da impugnação, subsistindo a validade da notificação efetuada no dia 22/06/2007. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para rejeitar as preliminares, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 2883DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.905200/2009-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS POR IMAGEM.
A contribuinte que executa prestação de serviços médicos por imagem, conforme restou confirmado nos autos, está submetida ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399-BA.
Numero da decisão: 9101-003.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.904183/2009-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS POR IMAGEM. A contribuinte que executa prestação de serviços médicos por imagem, conforme restou confirmado nos autos, está submetida ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399-BA.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.904183/2009-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado C. P. A. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS RADIOLÓGICOS LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS POR IMAGEM. A contribuinte que executa prestação de serviços médicos por imagem, conforme restou confirmado nos autos, está submetida ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399BA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13888.904183/200994, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 52 00 /2 00 9- 19 Fl. 363DF CARF MF Processo nº 13888.905200/200919 Acórdão n.º 9101003.332 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que foi decidido sobre o coeficiente para cálculo do lucro presumido no caso de empresa que presta serviços por imagem. A recorrente insurgese contra Acórdão que reconhece que a prestação de serviço médico por imagem estava submetido ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente, relativamente à matéria acima mencionada, da que tem sido dada em outros processos. Sustenta que a decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp 1116399 não menciona os serviços por imagem, equiparandoos a serviços hospitalares. Tal julgado tão somente discorre acerca da interpretação objetiva da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei nº 9.429/95. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente de Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho fundamentado deu seguimento ao recurso. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O presente processo trata de IRPJ. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.319, de 17.01.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.904183/200994. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.319): Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. A tributação dos serviços hospitalares na modalidade do lucro presumido já suscitou muitas controvérsias. A Lei 9.249/1995, em sua redação original, definiu o coeficiente de 8% para os serviços hospitalares nos seguintes termos: Fl. 364DF CARF MF Processo nº 13888.905200/200919 Acórdão n.º 9101003.332 CSRFT1 Fl. 4 3 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Havia muita polêmica sobre quais atividades poderiam ser enquadradas como “serviço hospitalar”, e quais os requisitos que os contribuintes deveriam atender para que fosse aplicado o coeficiente de 8%. A Lei nº 11.727/2008, então, promoveu uma alteração na alínea “a” acima transcrita, que passou a conter a seguinte redação: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Os fatos debatidos nesse processo são anteriores a esta alteração legislativa. Interpretando a redação original da Lei 9.249/1995, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao julgar um Recurso Especial representativo de controvérsia, que foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/00064810) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados Fl. 365DF CARF MF Processo nº 13888.905200/200919 Acórdão n.º 9101003.332 CSRFT1 Fl. 5 4 ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) O STJ vinha interpretando o referido dispositivo legal de maneira bem restritiva, e a mudança neste posicionamento se deu no Fl. 366DF CARF MF Processo nº 13888.905200/200919 Acórdão n.º 9101003.332 CSRFT1 Fl. 6 5 julgamento do RESP 951.251PR, conforme o destaque feito na transcrição acima. Também é interessante transcrever a ementa dessa decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 PR (2007/01102360) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § 1º, III, “A”, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR.. INTERNAÇÃO. NÃOOBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO PROVIMENTO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como “serviços hospitalares” aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. 8. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) Fl. 367DF CARF MF Processo nº 13888.905200/200919 Acórdão n.º 9101003.332 CSRFT1 Fl. 7 6 O voto que orientou o julgamento do RESP 951.251PR esclarece bem o que significa interpretar a norma em questão sob a ótica de seu conteúdo objetivo: Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.274/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não na pessoa do contribuinte que executa a “prestação de serviços hospitalares”. Doutro modo, seria alterar a própria natureza da norma legal, transmudandose o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo, a fim de concedêlo apenas aos estabelecimentos hospitalares. (...) Se a intenção do legislador – que, não se deve esquecer, representa a vontade popular – fosse beneficiar determinados contribuintes em face de suas características particulares, concedendo, assim, uma isenção subjetiva, a regra deveria referirse a esses sujeitos, e não ao serviço por eles prestado. Dessa forma, não se deve restringir o benefício aos hospitais, até mesmo porque, se esse fosse o propósito da lei, caberia explicitarse que a concessão estaria dirigida apenas a esses estabelecimentos, pois nada o impediria de ter assim procedido. (...) A Receita Federal tem reconhecido o direito à base de cálculo reduzida do IRPJ a prestadores de serviços hospitalares, mesmo que esses não possuam estrutura física para realizar internação de pacientes. (...) Em conclusão, por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos. (grifos acrescidos) Este mesmo voto fornece ainda outros parâmetros para a compreensão do que seriam serviços hospitalares, especialmente no sentido de diferenciálos da “simples prestação de atendimento médico”: (...) Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e humano específico – instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais oneroso do que aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas. Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja Fl. 368DF CARF MF Processo nº 13888.905200/200919 Acórdão n.º 9101003.332 CSRFT1 Fl. 8 7 realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos necessariamente da internação de pacientes. (grifos acrescidos) Retomando o conteúdo destes autos, vêse que a atividade da contribuinte não consiste em simples prestação de consultas médicas. Em seu recurso, a PGFN argumenta que a decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.116.399 não menciona os serviços de radiologia, equiparandoos a serviços hospitalares; que tal julgado tãosomente discorre acerca da interpretação objetiva da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, deixando claro que não se pode exigir internação e assistência médica integral para o enquadramento. De fato, a referida decisão do STJ não tratou especificamente de serviços de radiologia, mas tudo o que foi dito naquela decisão sobre a questão em torno da tributação dos serviços hospitalares deve ser aplicado para as várias atividades ligadas à promoção da saúde. Com efeito, o STJ, ao proferir a citada decisão na sistemática dos recursos repetitivos, não restringiu sua análise aos serviços médicos laboratoriais (situação específica daquele REsp). Por outro lado, embora a PGFN reconheça que o STJ deixou claro que não se pode exigir internação e assistência médica integral para o enquadramento no coeficiente de 8%, ela acabou buscando fundamento nas antigas instruções normativas da Receita Federal que defendiam justamente essa linha de interpretação. As decisões invocadas pela PGFN, tanto do antigo Conselho de Contribuintes, quanto do STJ (2006), realmente trazem um entendimento superado, alterado em 2009 pelo próprio STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, conforme já mencionado. Esta Câmara Superior de Recursos Fiscais já se posicionou em outras oportunidades sobre situações semelhantes à destes autos, reconhecendo a aplicação do coeficiente de 8% para entidades que também não são hospitais, mas que se encaixam na referida interpretação do STJ manifestada em sede de recursos repetitivos, e que foi considerada pela CSRF como de observância obrigatória, em razão do art. 62A do RICARFAnexo II: Acórdão nº 9101001.870 Sessão de 30 de janeiro de 2014 Recorrente: LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS DE SOROCABA LTDA Interessado: FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício:1999,2000,2001,2002 Ementa: LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS. SERVIÇOS HOSPITALARES. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI N° 11.727/08. COEFICIENTES DISTINTOS PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 13888.905200/200919 Acórdão n.º 9101003.332 CSRFT1 Fl. 9 8 As empresas laboratoriais de análises clínicas que optaram pelo Lucro Presumido, antes da vigência da Lei n° 11.727/08, devem utilizar o coeficiente de 8% para determinar o referido lucro. Aplicação do entendimento exarado no RESp nº 1.116.399BA, conforme art. 62A do RICARFAnexo II. [...] Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão O recurso preenche os pressupostos e dele conheço. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior referese ao enquadramento de prestadora de serviços de análises clinicas na mesma categoria das atividades de serviços hospitalares, para efeito de tributação pelo lucro presumido. Os outros temas levantados no especial do Contribuinte não foram admitidos. O recurso especial foi apresentado pelo Contribuinte em 30 de junho de 2009 (fls. 366), ocorre que em 08/11/2010, transitou em julgado o RESp nº 1.116.399BA, Primeira Seção, Rel. Min. Benedito Gonçalves (decidido em 28 de outubro de 2009), objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça, pelo regime instituído no art. 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), em que foi negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Isto posto, conheço do recurso especial. O RESp nº 1.116.399BA tem a seguinte ementa: [...] A ementa do julgado evidencia que estão excluídas do conceito tributário de atividades hospitalares as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. E, decidindo especificamente a matéria tratada nestes autos, o Superior Tribunal de Justiça estabeleceu que o coeficiente de presunção de lucros estabelecido na Lei nº 9.249/95 deve ser de 8%, para fins de apuração do IRPJ, e de 12%, para fins de apuração da CSLL, relativamente à parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, naquele caso também empresa prestadora de serviços médicos laboratoriais, atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas. Vejase que o julgado afastou qualquer aplicação retroativa da Lei nº 11.727/2008, e fixou a interpretação em referência para os fatos geradores anteriores à sua edição, ou seja, anteriormente ao anocalendário 2008 (caso dos presentes autos). Assim, há que se aplicar ao caso o art. 62A do RICARFAnexo II, devendo se observada mandatoriamente a decisão do STJ acima mencionada. Neste sentido, há que se dar provimento parcial ao recurso especial (que pede a nulidade do auto de infração), apenas para submeter a receita bruta ao coeficiente de 8% para o cálculo do IRPJ, e não para afastar integralmente a exigência. Isto porque as receitas não operacionais devem ser adicionadas ao lucro presumido e não se Fl. 370DF CARF MF Processo nº 13888.905200/200919 Acórdão n.º 9101003.332 CSRFT1 Fl. 10 9 submetem à aplicação do coeficiente de presunção, como fez o Contribuinte. Em conclusão, voto por conhecer e dar provimento parcial ao recurso especial do Contribuinte. Acórdão nº 9101001.559 Sessão de 23 de janeiro de 2013 Recorrente: FAZENDA NACIONAL Interessado: CAMP IMAGEM NUCLEAR S/C LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEMMEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). [...] Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. [...] Quanto ao mérito, a discussão gravita em torno do percentual aplicado na apuração do lucro presumido às sociedades prestadoras de serviços médicos na área de medicina nuclear nos anos calendários de 1998, 1999 e 2000, dependendo do conceito de serviços hospitalares. Sobre a legislação aplicável ao assunto, diz a Lei n° 9.249/95, em sua redação original: [...] Com o advento da Lei n° 11.277/2008, não restam dúvidas, que, a partir de janeiro de 2009, os serviços prestados pela interessada enquadramse no conceito de serviços hospitalares, desde que cumpridos os requisitos a seguir dispostos: [...] Antes da vigência da Lei n° 11.727/2008, em caso semelhante, a 1ª Turma da CSRF, entendera que serviços médicos e ambulatoriais enquadramse na categoria de serviços gerais em acórdão assim ementado: [...] Porém, em 28/10/2009, o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n° 1.116.399 – BA, relator Ministro Benedito Gonçalves, Fl. 371DF CARF MF Processo nº 13888.905200/200919 Acórdão n.º 9101003.332 CSRFT1 Fl. 11 10 proferiu decisão na mesma linha de raciocínio da decisão do acórdão ora recorrido: [...] Referido julgado enquadrouse na sistemática dos recursos especiais repetitivos a que se refere o art. 543–C do Código de Processo Civil (CPC). Devese, em decorrência, aplicar a Portaria MF n° 586, de 22 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com a seguinte redação: [...] Portanto, devemse considerar os serviços específicos prestados pela interessada como enquadrados no conceito de serviços hospitalares, cuja receita bruta auferida recebe o percentual de 8% na apuração do IRPJ pelo lucro presumido. No presente processo, cabe adotar o mesmo posicionamento das referidas decisões desta 1ª Turma da CSRF (acima transcritas). Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da PGFN. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do Recurso Especial e, no mérito, em negolhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 372DF CARF MF
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Numero do processo: 10074.000023/2007-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 24/07/2001, 23/08/2001
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
O prazo decadencial para constituição do crédito tributário rege-se pelo artigo 173, inciso I do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543-C do anterior Código de Processo Civil, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF.
ATO CONCESSÓRIO DE DRAWBACK. ANULAÇÃO. COMPETÊNCIA.
A atribuição para emitir, modificar ou anular ato concessório de Drawback é da Secretaria de Comércio Exterior - SECEX, não cabendo à Secretaria da Receita Federal do Brasil julgar a legalidade de atos praticados no âmbito da Secretaria de Comércio Exterior.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-005.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Diego Weis Jr.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 24/07/2001, 23/08/2001 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário rege-se pelo artigo 173, inciso I do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543-C do anterior Código de Processo Civil, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF. ATO CONCESSÓRIO DE DRAWBACK. ANULAÇÃO. COMPETÊNCIA. A atribuição para emitir, modificar ou anular ato concessório de Drawback é da Secretaria de Comércio Exterior - SECEX, não cabendo à Secretaria da Receita Federal do Brasil julgar a legalidade de atos praticados no âmbito da Secretaria de Comércio Exterior. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Diego Weis Jr.
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INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário regese pelo artigo 173, inciso I do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do anterior Código de Processo Civil, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF. ATO CONCESSÓRIO DE DRAWBACK. ANULAÇÃO. COMPETÊNCIA. A atribuição para emitir, modificar ou anular ato concessório de Drawback é da Secretaria de Comércio Exterior SECEX, não cabendo à Secretaria da Receita Federal do Brasil julgar a legalidade de atos praticados no âmbito da Secretaria de Comércio Exterior. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 00 23 /2 00 7- 99 Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 313 2 Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Diego Weis Jr. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese o relatório do acórdão recorrido: "Contra INEPAR EQUIPAMENTOS E MONTAGENS S/A foi lavrado auto de infração, no qual é cobrado Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados Vinculado à Importação, além de multa de ofício, totalizando um montante de R$ 5.180.321,81. Segundo relatado, a autoridade fiscal fora informada acerca da declaração de nulidade do Ato Concessório de Drawback n° 161600/299, de interesse do sujeito passivo, com base no MEMO n° 0759/2006, de 05 de setembro de 2006, da COANA/DIFIA, o qual fez referência ao Oficio n° 280/DECEX 32006, de 16 de agosto de 2006, que encaminhou cópia da Decisão n° 436/DECEX2006, de 15/08/2006, referente ao Processo n ° 52500.017726/200567, de 22/09/2005, daquele Órgão. Promovida pesquisa no sistema DW Aduaneiro, constatouse a existência de importações efetivadas nas Declarações de Importação (DI) 01/07339530, 01/07339654 e 01/08431872, com a utilização do beneficio de Drawback, concedido com base no ato que foi posteriormente anulado. Intimada a empresa (Termo de Intimação n° 190/2006, de 30/10/2006) a comprovar o eventual pagamento dos tributos suspensos compareceu perante a autoridade fiscal o procurador da empresa, apresentando requerimento no qual solicitava a dilatação de prazo para atendimento da citada intimação. Não tendo mais se manifestado a empresa após o novo prazo concedido efetuouse o lançamento de oficio, por falta de pagamento, com a multa de 75% calculada sobre a totalidade do II e do IPI devidos, nos termos do artigo 44 e seu § 1°, inciso I e 45 da Lei n° 9.430/1996. Cientificada pessoalmente a contribuinte em 28 de dezembro de 2006 (cópia à fl. 71), lavrouse, em 05 de fevereiro de 2007, Termo de Revelia (cópia à fl 80). No entanto, à fl. 218, declara se a nulidade do citado Termo de Revelia, vez que em 29 de janeiro havia sido protocolizada impugnação na DRF/Joinville SC, posteriormente encaminhada a IRF/RJO. A impugnante inicia seu arrazoado discorrendo sobre os fatos que antecederam a anulação do Ato Concessório de Drawback Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 314 3 n° 161600/299 pela Secretaria de Comércio Exterior, os quais sintetizaremos a seguir: Em 12 de janeiro de 2000, a Impugnante requerera junto ao Decex Ato Concessório de Drawback para fornecimento no mercado interno; Em 28 de fevereiro de 2000 fora expedido o aludido Ato Concessório, encaminhado cópia à impugnante por fax, advindo da Secex, assinado pelo Sr. Eduardo Coelho Fernandes; Posteriormente, foi instaurado processo administrativo no 5200.040714/200115, do Decex, para apuração de irregularidades em documentos internos relacionados ao citado ato concessório, e a outros três, emitidos em favor das empresas LEMFÔRDER DO BRASIL S/A e NEC DO BRASIL S/A. O fiscal responsável alegadamente não teria reconhecido sua assinatura, tendo sido apontadas falhas relacionadas à ordem de numeração dos atos. Em 22.11.2003, a Consultoria Jurídica do MDIC, apresentou parecer PARECER/MEDIC/CONJUR/CRS no 4675.3/2003, determinando a instauração de procedimento administrativo objetivando a anulação dos atos concessórios irregularmente emitidos, a instauração de sindicância administrativa, visando à apuração e punição dos agentes responsáveis pelas irregularidades cometidas, a comunicação dos fatos à Secretaria da Receita Federal, para adoção das providências pertinentes, e, ainda, a comunicação à Polícia Federal para apuração de crime eventualmente praticado. Em 04 de outubro de 2005, a impugnante tomara ciência do processo administrativo n. 52500.017726/200567, que tinha por objeto a anulação do Ato Concessório de Drawback n. 1616 00/0000299. Em 30 de outubro de 2005, a impugnante apresentara sua defesa naquela esfera, alegando que recebera cópia do ato deferido diretamente de linha telefônica da Secex. Não poderia a Administração unilateralmente anular tal ato, sem que a apuração dos responsáveis pelas irregularidades estivesse concluída. O processo de apuração dos fatos, assim como o parecer da Consultoria Jurídica da Secex, deixaram de mencionar a impugnante, cerceando seu direito de defesa. A ordem da maioria dos processos do Decex seria realizada manualmente, à caneta, o que poderia resultar em equívocos de numeração e arquivamento. A impugnante praticara seus atos de boafé, baseada em documento expedido pela Administração Pública. Em 15 de agosto de 2006, foi proferida a Decisão n. 436/DECEX 2006, no referido processo, declarando a nulidade do Ato Concessório de Drawback n. 161600/0000299. Em 28 de dezembro de 2006, a impugnante recebeu o Auto de infração ora guerreado. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 315 4 No tocante ao lançamento, alega preliminarmente a impugnante que decaíra o direito da Fazenda de constituir o crédito tributário. Defende que tratase de tributos cujos lançamentos darseiam por homologação, os quais seriam perfectibilizados através da declaração de importação, não importando se teria sido feito ou não o pagamento antecipado do tributo, posto que a ausência de pagamento antecipado é parte do referido benefício, o que não descaracterizaria o lançamento por homologação. Sustenta ainda que a contagem do prazo decadencial seguiria a regra insculpida no art. 150, § 4o do CTN, sendo que o "dever de antecipar o pagamento" não se faz essencial para o inicio da contagem do prazo prescricional. O que autorizaria o início do prazo prescricional seria a ocorrência do fato gerador e não o pagamento antecipado. Acrescenta que a autoridade fiscal não necessitaria aguardar o término do adimplemento dos requisitos contidos no ato concessório, posto que, se tomar ciência de alguma irregularidade deverá lançar o tributo. Sustenta ainda que, nas hipóteses em que há suspensão da obrigação, a contagem do prazo decadencial iniciaria com a lavratura do Termo de Responsabilidade. Por outro lado, defende a impugnante que haveria erro de capitulação legal no lançamento, posto que o auto de infração teria sido fundamentado em diversos dispositivos legais do Decreto 2.637/98, decreto que aprovou e instituiu o Imposto de Renda (sic), o qual teria sido expressamente revogado do ordenamento jurídico pátrio através do art. 524 do Decreto 4.544, de 27/12/2002. No mérito, sustenta que o Gerente em Exercício do DECEX, teria cassado sumariamente o Ato Concessório de Drawback conferido à Impugnante, pelos seguintes argumentos: i) não reconhecimento de sua assinatura no Ato Concessório; ii) falta de lembrança de ter emitido o referido Ato; e iii) que os documentos de contraprova ao Ato não se encontrariam nos arquivos do Decex. Alega que anulação unilateral do Ato Concessório, sem o devido processo legal e o contraditório, e sem o resultado conclusivo acerca da prática de irregularidades e respectivos responsáveis seria ilegal. Sustenta que sem a conclusão da apuração do ilícito pelo Decex não se poderia cobrar os tributos objeto de exigência. Ressaltando ainda que a anulação do Ato Concessório produzira efeito sobre terceiro de boafé, observa que não caberia à impugnante o ônus de fiscalizar os fatos ocorridos no Decex. Defende que deveria prevalecer a presunção de legitimidade para a impugnante, posto que não teria praticado qualquer ato ilícito, sendo que a concessão do regime teria lhe parecido legítima. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 316 5 Ao cobrar juros e multa, estaria a Administração penalizando a impugnante por uma operação que a própria Administração lhe havia autorizado a efetuar. Assim sendo, não estariam presentes os requisitos para imposição da multa, descumprimento espontâneo e culpa, tendo restado caracterizada a boafé da impugnante. Por fim, requer: i) A suspensão desse processo administrativo, até que se apure definitivamente os ilícitos e respectivos responsáveis, no âmbito do Processo Administrativo n. 52500.0017726/200567, que tramita perante o SECEX/RJ; ii) O reconhecimento da decadência do direito de constituir o crédito tributário litigioso; iii) Uma vez julgado o Processo Administrativo n. 52500.0017726/200567, requer: iii.i) caso a decisão reconheça a validade do ato concessório anulado, requer o restabelecimento dos seus efeitos, afastando se o lançamento; iii.ii) caso a decisão mantenha a anulação, o reconhecimento da boafé da impugnante, reconhecendose seu direito de pagar os tributos devidos sem a incidência de multa. Apreciando a defesa da empresa, a Sexta Turma da DRJ em Recife julgou improcedente a impugnação, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 24/07/2001, 23/08/2001 Drawback Suspensão. Prazo decadencial. Enquanto não concluído o prazo outorgado para cumprimento do compromisso de exportar, inerente ao regime, não tem início a fluência do prazo decadencial do direito de o Fisco promover o lançamento decorrente do eventual descumprimento daquele compromisso. Findo tal prazo, iniciase no primeiro dia do exercício seguinte o quinquênio em que tal lançamento deve ser levado a efeito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 24/07/2001, 23/08/2001 Responsabilidade por Infração. Alegação de boa fé do agente. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 317 6 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/07/2001, 23/08/2001 Anulação de Ato Concessório de Drawback pela Secex. Reflexos Tributários. Não cabe à Secretaria da Receita Federal julgar a legalidade de atos praticados no âmbito da Secretaria de Comércio Exterior. No que se refere ao Regime de Drawback, a repartição de competência entre os dois órgãos é clara, cabendo exclusivamente à Secex a concessão do benefício, por meio de Ato Concessório. Uma vez anulado o Ato Concessório pela própria Secex, perde efeito a suspensão dos tributos, competindo à Receita Federal promover o seu lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzias em impugnação, a seguir resumidas: 1. A ocorrência de decadência; 2. Vício no enquadramento legal; 3. Vícios formais acerca dos procedimentos adotados em relação à anulação do ato concessório do regime de Drawbacksuspensão; 4. Arbitrariedade quanto à anulação unilateral e cobrança de multas e juros da recorrente, que agiu de boafé; 5. A impossibilidade de produção de prova negativa no sentido de provar que o Ato Concessório era válido, sendo inadmissível a transferência da responsabilidade à recorrente; 6. O afastamento da imposição de multa de ofício, tendo em vista que a recorrente agiu de boafé. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Em prejudicial de mérito, a recorrente alegou decadência para constituição do crédito tributário de Imposto de Importação II e Imposto sobre Produtos Industrializados Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 318 7 IPI, em decorrência da anulação do AC 161600/299, pela Decisão nº 436/DECEX2006, de 15/8/2006 no processo nº 52500.017726/200567. A recorrente pugnou pela aplicação da norma prevista no artigo 150, §4º do CTN. Inicialmente, esclareçase que matéria relativa à aplicação dos prazos decadenciais para constituição de crédito tributário encontrase pacificada no STJ, com o julgamento do REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do antigo CPC (recursos repetitivos), cuja decisão definitiva deve ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho, por força da aplicação do artigo 62 do Anexo II do RICARF. Transcrevese a ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 319 8 a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário dos tributos sujeitos a pagamento antecipado (lançamento por homologação) regese pelo art. 150, §4º do CTN, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em dolo, fraude ou simulação. Inexistindo pagamento ou ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo passa a ser regido pelo art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), ou seu parágrafo único, se verificada a existência de medidas preparatórias indispensáveis ao lançamento. No caso, não houve pagamentos de II ou de IPIvinculado à importação no momento de registro das DIs, nem posterior à ciência da decisão de nulidade do ato concessório e anteriormente à ciência do auto de infração, razão pela qual a norma a ser aplicada é a do artigo 173, inciso I, do CTN. O prazo decadencial para cobrança dos tributos suspensos em regime de drawback é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite para exportação, nos termos do §3º do Decreto nº 6.759/2009 (disposição de natureza interpretativa) e conforme Acórdãos da CSRF nº 9303 003.850 e 9303003.465, cuja ementa transcrevese: DRAWBACK. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. No regime do Drawback Suspensão o início do prazo para o lançamento é o primeiro dia do exercício seguinte ao trigésimo dia após o término do regime concessivo, constante no respectivo ato concessório. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO Transcrevese também o dispositivo normativo: Decreto nº 6.759/2009: Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 320 9 Art. 752. O direito de exigir o tributo extinguese em cinco anos, contados (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 138, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 4o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 173, caput): I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado; ou II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. § 1o O direito a que se refere o caput extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento (Lei nº 5.172, de 1966, art. 173, parágrafo único). § 2o Tratandose de exigência de diferença de tributo, o prazo a que se refere o caput será contado da data do pagamento efetuado (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 138, parágrafo único, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 4o). § 3o No regime de drawback, o termo inicial para contagem a que se refere o caput é, na modalidade de: I suspensão, o primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite para exportação; e II isenção, o primeiro dia do exercício seguinte à data do registro da declaração de importação na qual se solicitou a isenção. (grifos não originais) O ato concessório anulado foi emitido em 1º/03/2000, conforme doc. de efl. 125/126, pelo prazo de dois anos. Assim, a validade do ato extinguirseia em 1º/03/2002 e, consequentemente, o termo inicial para contagem do prazo decadencial seria 1º/01/2003, dispondo a Administração Tributária/Aduaneira até 31/12/2007 para efetuar o lançamento. Como o Auto de Infração foi cientificado em 28/12/2006, afastase a prejudicial de decadência arguida. Ainda sobre a matéria, a recorrente alega que o termo inicial do prazo decadencial se iniciaria na assinatura dos termos de responsabilidade, parecendo querer alegar se tratar de ato a constituir o crédito tributário e, consequetemente, ser passível de execução. A respeito da possibilidade de execução do termo de responsabilidade, verificase que, apesar do disposto no artigo 72 do Decretolei nº 37/1966, o termo de responsabilidade não comporta a cobrança de multas de ofício nem acréscimos legais decorrentes do descumprimento do compromisso de exportação, conforme artigo 674, §2º do Decreto nº 4.543/2002 (RA/2002) e, para constituir o crédito tributário relativo a tais parcelas, é necessária a lavratura de Auto de Infração, nos termos do artigo 682 do referido decreto; Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 321 10 Art. 674. O termo de responsabilidade é o documento no qual são constituídas obrigações fiscais cujo adimplemento fica suspenso pela aplicação dos regimes aduaneiros especiais (Decretolei no 37, de 1966, art. 72, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o). § 1o Serão ainda constituídas em termo de responsabilidade as obrigações tributárias relativas a mercadorias desembaraçadas na forma do § 4o do art. 120. § 2o As multas por eventual descumprimento do compromisso assumido no termo de responsabilidade, bem assim os acréscimos legais cabíveis, não integram o crédito tributário nele constituído [...]Art. 682. A exigência de crédito tributário apurado em procedimento posterior à apresentação do termo de responsabilidade, em decorrência de aplicação de penalidade ou de ajuste no cálculo de tributo devido, será formalizada em auto de infração, lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal, observado o disposto no Decreto no 70.235, de 1972. Além disso, a cobrança do termo de responsabilidade não comporta o rito do PAF, de modo a garantir o contraditório e a ampla defesa. Neste sentido, transcrevese posicionamento da Coana, expresso no Manual de Drawback, exposto na Nota Técnica Cosit nº 6/2015: "O Termo de Responsabilidade é tratado nos arts. 758 e 760 do Decreto nº 6.759/09 RA/09 e a execução administrativa deste, na IN SRF nº 117/01. Não obstante os dispositivos legais supracitados, a execução do termo de responsabilidade apresenta diversas restrições legais e práticas. Há que se considerar, inicialmente, o previsto na Constituição de 1988: Art. 5o ............................ LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. (grifo nosso) Zessa forma, a execução do termo de responsabilidade não possibilitaria ao contribuinte o direito de defesa e muito menos o recurso a ela inerente (princípio do duplo grau de jurisdição). Além disso, há ainda que se levar em consideração o seguinte: A partir de 1997, as DI passaram a ser efetuadas em meio eletrônico (SISCOMEX). Logo, o Termo de Responsabilidade deixou de ser um documento impresso. O que pode ser feito é imprimir as observações da ficha “Informações Complementares” da DI, na qual normalmente consta o Termo de Responsabilidade, mas sem a assinatura do contribuinte; Não há um modelopadrão de termo de responsabilidade para o caso do drawback suspensão, possibilitando a existência de diversos tipos, nem sempre com todos os dados necessários para a cobrança dos tributos suspensos; Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 322 11 As DI parametrizadas para o canal verde não sofrem nenhum controle da Receita. Logo, nesses casos, a confecção do Termo fica dependente, única e exclusivamente, da decisão da beneficiária. Não há nenhuma segurança de que o Termo seja feito e de que este reflita o valor real dos tributos suspensos; Inadimplementos parciais do Ato Concessório implicam cálculo dos tributos, gerando valores diferentes (menores) do que os constantes do Termo. Pode ser objeto de questionamento a forma desses cálculos, bem como a base de cálculo utilizada; Em muitos inadimplementos totais, há divergências entre a beneficiária e a Secex, não sendo pacíficos, portanto, tais inadimplementos. No caso de Auto de Infração, há a possibilidade de o contribuinte apresentar seus argumentos. Os Termos de Responsabilidade não abrangem o valor dos acréscimos legais (multa + juros) que seriam devidos no caso de descumprimento dos compromissos assumidos. Isto, aliado à complexidade e às constantes mudanças na legislação, torna inviável, além de descabida, a recusa em julgar eventuais impugnações na esfera administrativa; A “execução administrativa”, a rigor, não se constitui em execução propriamente dita, pois somente na esfera judicial há previsão para tal. Tratase, na realidade, de uma simples cobrança, que, como qualquer outra, pode sempre ser contestada; Há inclusive entendimento consolidado, na esfera judicial, de que a prolatada execução administrativa poderia ser normalmente contestada na forma prevista no PAF, razão pela qual recomendase neste Manual que o lançamento dos tributos suspensos e devidos acréscimos legais seja feito através de Auto de Infração e não seja feita a execução administrativa do Termo de Responsabilidade. Nesse sentido, dispõe o art. 766 do RA/09, in verbis: Art. 766. A exigência de crédito tributário apurado em procedimento posterior à apresentação do termo de responsabilidade, em decorrência de aplicação de penalidade ou de ajuste no cálculo de tributo devido, será formalizada em auto de infração, lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, observado o disposto no Decreto no 70.235, de 1972." Ainda em preliminar, a recorrente alegou vício de capitulação legal da autuação, informando que a autuação fora capitulada em dispositivos legais do Decreto nº 2.637/1998, relativo ao imposto de renda. A recorrente se insurgiu contra a aplicação do Decreto nº 2.637/1998 (RIPI/1998), que se refere ao Regulamento de IPI e não de imposto de renda, como afirmara equivocadamente. Quanto ao fato de o RIPI/1998 ter sido revogado pelo Decreto nº 4.544/2002 não altera sua propagação de efeitos aos fatos geradores regidos por ele em sua vigência. É o que depreendese do artigo 144 do CTN: Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 323 12 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. O fato gerador do IPI na importação é o desembaraço aduaneiro, nos termos do artigo 32, inciso I do Decreto nº 2.637/1998, cuja matriz legal é a Lei nº 4.502/1964. No caso, o lançamento reportou aos fatos ocorridos em 24/07/2001 e 23/08/2001, durante a vigência do Decreto nº 2.637/1998, que fora revogado apenas em 27/12/2002. Ademais, é bom salientar que os decretos regulamentares presidenciais se destinam a disciplinar o cumprimento das leis e, normalmente, seus artigos referenciam a matriz legal que os originou. Assim, tivesse alguma dúvida, bastaria à recorrente verificar ao final de cada artigo citado, a matriz legal correspondente. Porém, verificase que a recorrente não demonstrou possuir alguma dúvida sobre o conteúdo da capitulação legal do auto de infração. Destarte, afastase a preliminar arguida. No mérito, a recorrente alegou vícios formais nos procedimentos adotados pela DECEX no processo de anulação do ato concessório, questionando aspectos procedimentais e materiais relativos à decisão proferida pela DECEX no processo 52500.017726/200567, como a aplicação do princípio da autotutela e acusando de ter havido arbitrariedade no processo. Porém, como já decidido em primeira instância, o contraditório e a ampla defesa relativa ao processo de anulação do ato concessório 161600/299, já foram realizados no processo nº 52500.017726/200567. É que falece à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para autorizar ou anular o ato de concessão do regime de drawback, inserido na competência do DECEX. De fato, a concessão do Regime Especial Aduaneiro de Drawback era regulado pela Consolidação das Normas do Regime de Drawback (CND) disposta no Comunicado DECEX nº 21/1997. Tal comunicado fora expedido no âmbito da competência prevista no inciso II do artigo 17 do Anexo I do Decreto nº 1.757/1995 (aprovava a estrutura regimental do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo) e da Portaria SECEX nº 4/1997, cujos dispositivos dispunham: Decreto nº 1.757/1995: Art. 1° Ficam aprovados a Estrutura Regimental e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e Funções Gratificadas do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo, na forma dos Anexos I e II, a este Decreto. [...] ANEXO I ESTRUTURA REGIMENTAL MINISTÉRIO DA INDÚSTRIA, DO COMÉRCIO E DO TURISMO Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 324 13 [...] CAPÍTULO III DA COMPETÊNCIA DOS ÓRGÃOS [...] Art. 17. Ao Departamento de Operações de Comércio Exterior compete: I coletar, analisar, sistematizar e disseminar dados e informações estatísticas de comércio exterior; II autorizar operações de importação e exportação e emitir documentos especiais quando exigidos por acordos bilaterais e multilaterais assinados pelo Brasil; III elaborar, acompanhar e avaliar estudos sobre a evolução da comercialização de produtos e mercados estratégicos para o comércio exterior brasileiro, com base nos parâmetros de competitividade setorial e disponibilidades mundiais. Portaria SECEX nº 4/1997: O Secretário de Comércio Exterior, no uso de suas atribuições legais, tendo em vista o disposto no art. 16, inciso I do Decreto nº 1.757, de 22 de dezembro de 1995, resolve: I – DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 1º A concessão do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, nas modalidades de suspensão e isenção de tributos, conforme o disposto nos artigos 314 a 334 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, com alterações, seguirá o disposto nesta Portaria. Art. 2º Constitui atribuição do Departamento de Operações de Comércio Exterior (DECEX) a concessão do Regime de Drawback, compreendidos os procedimentos que tenham por finalidade sua formalização, bem como o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar. Esclareçase que a separação das competências da RFB e da SECEX (DECEX) quanto ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback foi objeto da Súmula CARF nº 1001, cujo paradigma nº 930301.248, bem delineou as competências de cada órgão. A respeito, transcrevese excerto do voto condutor do paradigma, proferido pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres: "Em relação ao conflito aparente de atribuições entre a administração tributária e a Secex, que emitira o ato concessório do drawback, entendo não haver tal desarmonia, pois o órgão 1 Súmula CARF nº 100: O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 325 14 fazendário e o do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior exercem atribuições distintas, mas que se complementam: um aprova o plano de exportação, confere a documentação apresentada pelo exportador e emite o ato concessário da importação vinculada; o outro fiscaliza a consecução do plano para verificar se o importador atendeu as condições do incentivo fiscal que lhe foi concedido. Se por um lado Administração Tributária não é dada competência para emitir, modificar ou anular ato concessório de drawback, cabe a ela, exclusivamente a ela, verificar o cumprimento das obrigações tributárias decorrentes de importações, ainda que essas tenham sido amparadas por regimes aduaneiros especiais que suspendam ou isentem o pagamento do tributo, corno o drawback. (grifos não originais). Em outro giro, não é razoável pretenderse que a legislação tenha conferido atribuição para o Fisco auditar as importações realizadas ao amparo de drawback, c, uma vez procedida a auditoria e constatadas irregularidades na execução do regime aduaneiro especial — irregularidades essas que evidenciem o descumprimento das condições do incentivo á exportação e justifiquem a perda do direito ao favor fiscal —, seja vedado aos agentes do Fisco cumprirem o dever de oficio de lançar o crédito tributário devido. Ora, o ato concessório não pode se sobrepor ao CTN, que exige da autoridade administrativa o lançamento do crédito tributário devido. Também não parece razoável atribuir á. Fiscalização o papel de mero coadjuvante da Secex, pois se atribuísse à autoridade fazendária o dever de examinar as importações vinculadas aos atos concessórios, mas sem qualquer atribuição para reprimir, por meio de autuação, as irregularidades de natureza fiscal, estarseia reduzindo a Receita Federal a mero auxiliar da Secex, e os seus agentes a simples auxiliares de conferentes de notas fiscais e de faturas comerciais." A matéria já foi abordada em outros julgados nesta turma, como o proferido no voto condutor do Acórdão nº 3302003.519, de lavra do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, cujo excerto transcrevese abaixo: "Em relação ao regime drawback suspensão, a competência do Decex e da fiscalização do RFB são distintas e complementares, conforme claramente explicitado nos preceitos normativos da Portaria MEFP 594/1992 e da Portaria Secex 25/2008. De acordo com os referidos atos normativos, a atividade do Decex limitase à concessão do regime e ao acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar, conforme expressamente estabelecido no art. 512 da Portaria Secex 25/2008. A atividade de verificação do compromisso de exportar é feita com base nas informações eletrônicas prestadas pelo próprio beneficiário do regime no módulo específico de 2 Art. 51. Compete ao DECEX a concessão do regime de drawback, compreendidos os procedimentos que tenham por finalidade sua formalização, bem como o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 326 15 drawback no Siscomex (“Módulo Drawback Suspensão Web”). Porém, ao assim proceder, o beneficiário do regime fica dispensado da apresentação de documentos impressos, tanto na fase de habilitação, quanto na fase de comprovação das operações amparadas pelo regime. Porém, tais documentos deverão ser mantidos em poder do beneficiário do regime, para eventual verificação por parte do Docex (art. 125 da Portaria Secex 25/2008). E se as quantidades e os valores de importação e exportação compromissados forem idênticos aos valores das importações e exportações efetivamente realizadas dentro do prazo de validade do regime, automaticamente, o sistema emite a comprovação do adimplemento do respectivo ato concessório. Dessa forma, fica demonstrado que a atividade do Decex limita se a concessão do regime e, posteriormente, a verificação do adimplemento do compromisso de exportar, com base nas informações eletrônicas prestadas pelo próprio beneficiário do regime no Siscomex. Em razão da precariedade desse controle, que se limita a mera confrontação de informações prestadas pelo próprio beneficiário do regime, há no parágrafo único do art. 152 do da Portaria Secex 25/2008, expressa ressalva que, por estar sujeita a verificação posterior por parte da fiscalização da RFB, o Decex não fornece atestado de adimplemento do regime. Nesse sentido, confira a redação do citado preceito normativo, que segue transcrito: [...] De acordo com o citado comando normativo, é da RFB a competência para fiscalizar o regular cumprimento dos requisitos e condições do regime drawback suspensão, com a finalidade de verificar o adimplemento das obrigações assumidas no ato de concessão do regime, em especial, o compromisso de exportação, bem como o cumprimento das demais condições e requisitos estabelecidos na legislação, especialmente, o requisito da vinculação física entre insumo importado e produto exportado. Em suma, com base no teor dos citados atos normativos, infere se que a atuação dos dois órgãos ocorre em momentos distintos e de forma complementar. À Secex compete a concessão, acompanhamento e verificação do compromisso de exportação. Logo, ela atua na fase anterior, durante e após a vigência do regime. Enquanto que à RFB compete a aplicação e a fiscalização do cumprimento dos requisitos e condições estabelecidos no ato concessório e na legislação. Portanto, ela atua durante o regime (na fase de despacho aduaneiro, ao reconhecer a suspensão dos tributos) e após o término do regime (normalmente, após o Decex pronunciarse sobre o adimplemento total ou parcial do compromisso de exportação), quando procede a fiscalização do cumprimento dos compromissos de importações e exportações vinculadas ao regime, quando, se confirmado o integral cumprimento, a suspensão dos tributos convertese em isenção; Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 327 16 de outra parte, se comprovado o inadimplemento total ou parcial do regime, o procedese o lançamento dos tributos devidos, com os acréscimos legais devidos." Ressaltase que a recorrente pode exercer o contraditório e a ampla defesa no processo nº 52500.017726/200567, que culminou na decisão DECEX nº 436/2006, a qual declarou a nulidade do Ato Concessório de Drawback nº 161600/0000299, com efeito retroativo à data de validade inicial, conforme efls. 22/23, e que, aparentemente, é decisão definitiva no âmbito administrativo, uma vez que foi proferida em 15/08/2006, e, passados quase nove anos, a recorrente nada informou em sua peça recursal (protocolada em 02/04/2015) acerca de eventual decisão que lhe tenha sido favorável no referido processo. Assim, não tomo conhecimento das alegações desenvolvidas nos tópicos a) Dos vícios formais acerca dos procedimentos adotados; b) Das arbitrariedades e seus efeitos contra terceiros e c) Da impossibilidade de produção de prova negativa. Por fim, a recorrente pugnou pela exclusão da multa de ofício aplicada, pois agira de boafé e não tivera intenção de lesar o fisco. Neste ponto, a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme artigo 136 do CTN: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. A multa foi aplicada no percentual de 75% de acordo com o artigo 44, inciso I da Lei nº 9.430/1996 e artigo 80, inciso I, da Lei nº 4.502/1964. Diante do exposto voto para conhecer parcialmente o recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 327DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.923125/2012-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 19/09/2008
CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE.
No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento.
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa.
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA
Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.836
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 19/09/2008 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 31 25 /2 01 2- 47 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.923125/201247 Acórdão n.º 3302004.836 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada não foi homologada na sua totalidade, tendo em vista que o valor do pagamento tido como origem do crédito pretendido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, a contribuinte salienta que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, recolhendoas nos seus devidos prazos ou por força maior, com os devidos encargos legais, por isso discorda do débito cobrado no Despacho Decisório. Diz ser detentora de crédito decorrente de pagamento supostamente indevido ou a maior, que foi utilizado para compensar débito no mesmo valor, cuja data de vencimento é a mesma do recolhimento. Lembra que não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados em Per/Dcomp e não imputou multa e juros sobre os débitos compensados porque são do mesmo período de apuração. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06045.300. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Declaração de Compensação, na forma da legislação de regência. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese que: · existe nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido por ausência de motivação, dada a generalidade da fundamentação sem aferir o real motivo do indeferimento ou o equívoco cometido pela recorrente, com consequente cerceamento do direito de defesa; · o despacho que não homologa o pedido de compensação deve conter, tal qual o auto de infração, a descrição do fato, disposição legal infringida e multa aplicável; · não houve prejuízo para o Erário, pois apenas houve erro na rubrica no DARF, e não atraso no recolhimento; · a cobrança de multa de mora sem atraso no recolhimento constitui enriquecimento sem causa Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.923125/201247 Acórdão n.º 3302004.836 S3C3T2 Fl. 4 3 · não há que se falar em juros de mora uma vez que, no caso, o período de apuração é o mesmo para o crédito e o débito. · subsidiariamente solicita diligência para reexame dos documentos; · reitera a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em análise , finalmente · solicita que a advogada da causa seja intimada e informada de todas as publicações sob pena de arguição de nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.825, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.923119/201290, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.825): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Do pedido do subscritor do recurso (advogada) para recebimento de futuras publicações/intimações no endereço por ela indicado. No Processo Administrativo Fiscal PAF o artigo 10 do Decreto nº 7.574 estabelece as formas de intimação sempre direcionadas ao próprio contribuinte. Por sua vez o artigo 26 e seguintes da Lei nº 9.784, de 1999 Processo Administrativo Federal também não prevê que o advogado possa ser comunicado dos atos de interesse do administrado que em última instância é quem sofrerá seus efeitos. Atentese, ainda, que a intimação em sede de PAF é de competência da RFB não havendo pronunciamento normativo do CARF amparando a pretensão, assim sendo, indefiro o pedido. Do alegado cerceamento ao direito de defesa Sem razão a Recorrente. O Despacho Decisório de fl, 17, assim como a Decisão recorrida estão perfeitamente fundamentados, com enquadramento legal, descrição dos fatos e cálculo da valoração (detalhamento da compensação, valores devedores e Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.923125/201247 Acórdão n.º 3302004.836 S3C3T2 Fl. 5 4 emissão de DARF, fl. 11), portanto não há que se falar em nulidade de atos ou cerceamento ao direito de defesa. Mérito Cuida o presente processo de erro cometido pela Recorrente no preenchimento de código em DARF pago, cujo valor a Recorrente deseja aproveitar para pagamento do débito correspondente ao código/tributo correto sem, entretanto, sofrer os acréscimos legais da multa de mora. A recorrente não alega qualquer tipo de erro nos débitos nem há notícia de que os mesmos não tenham sido informados nas correspondentes declarações entregues antes do PerDcomp, assim sendo, os fatos mostramse incontroversos e dispensam diligência. Não se vislumbra incorreção no procedimento da RFB na análise do PerDcomp que culminou com cobrança de débitos indevidamente compensados em virtude do contribuinte não ter considerado a multa de mora no pagamento/compensação dos débitos. Pois bem, um tributo só é considerado efetivamente pago, total ou parcialmente, quando o sistema de dados da Fazenda Nacional compara o código informado no DARF com o correspondente código do débito informado em declaração específica e faz a vinculação entre ambos. Caso contrário o valor recolhido equivocadamente permanece "em aberto" como crédito e não como pagamento, podendo por isso ser restituído acrescido dos juros compensatórios. Por outro lado o débito formalmente declarado, que não corresponde ao código informado equivocadamente no DARF, continua sem quitação e a sofrer os acréscimos de juros e multa de mora. Optando ou não a contribuinte pela compensação, sempre haverá cobrança de mora se o débito não foi formalmente liquidado na data do vencimento, independente de quando tenha sido realizado o pagamento indevido. A sistemática de análise de PerDcomp não altera essas duas situações distintas e independentes (pagamento indevido e pagamento em atraso), pois ela apenas faz o encontro de contas na data da entrega do PerdComp, momento da valoração do crédito para restituição e automática conversão em pagamento do débito em aberto, total ou parcialmente, mediante compensação. Repitase que este encontro de contas sempre será desfavorável ao contribuinte tendo em vista que o código do débito1, 1 Lei 9.430, de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.923125/201247 Acórdão n.º 3302004.836 S3C3T2 Fl. 6 5 correspondente ao código correto que deveria constar no DARF, não foi encontrado pelo sistema e assim o débito em aberto sofre acréscimos da multa de mora diária mais juros de mora mensais até a data a entrega do Perdcomp, enquanto que (ii) o crédito2 a ser restituído e compensando sofre somente os juros compensatórios mensais, calculados também até a data da entrega do PerDcomp. Em resumo, se no momento da valoração, ou seja na data da transmissão da PerDcomp, o débito que se buscou compensar já estava sujeito a acréscimos moratórios, e o crédito com seus acréscimos não foram suficientes para quitálos, então a compensação é homologada parcialmente e o saldo residual do débito considerado indevidamente compensado, exigindose, em consequência, seu pagamento com os acréscimos legais3. A mesma sistemática se repete em sucessivos PerDcomp quando existe saldo residual de crédito na compensação homologada a ser aproveitado em outro(s) PerdComp. A situação parece injusta mormente porque o pagamento indevido ou a maior decorre em regra de um erro do contribuinte que não pretendia ficar em mora, porém não é o caso de se aplicar o art. 108 do CTN, pois verificase que não foi a RFB que deu causa ao erro. Ademais, mesmo sem levar em consideração os transtornos e custos que os erros causam à administração, há de se observar ainda que o julgador administrativo está vinculado à lei, ainda na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 2 Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: II houver a entrega da Declaração de Compensação ...; § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, observarseá, como termo inicial da incidência: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) III na hipótese de pagamento indevido ou a maior: c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; 3 Lei nº 9.430 /1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IN 900/2009 Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.923125/201247 Acórdão n.º 3302004.836 S3C3T2 Fl. 7 6 que esta reflita apenas aspectos sobre cumprimento dos prazos e forma de apuração dos valores, e assim não pode deixar de reconhecer a aplicação destas formalidades legais utilizadas para cálculo da restituição de pagamentos indevidos e para cobrança de débitos vencidos, independente deste tipo de erro cometido pela contribuinte que o deixou em mora. Não se vislumbra ilegalidade no procedimento da Receita Federal e tampouco enriquecimento ilícito da União, pois decorrente da lei. Conclusão Diante de tudo que foi exposto, rejeito a preliminar arguida, e no mérito nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o(s) débito(s) que se procuravam compensar já se encontravam vencidos na data em que foi transmitida a DCOMP inicial. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.901862/2011-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.076
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PIS/COFINS Recorrente FERMENTOS BRASIL ESPANHA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 18 62 /2 01 1- 37 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10950.901862/201137 Acórdão n.º 3302005.076 S3C3T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o PIS/Pasep. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que, após profícuo e extenuante estudo, constatou que desde o advento da Lei 10.925, de 23 de Julho de 2004, estava recolhendo PIS e COFINS em desacordo com o citado diploma legal, haja visto que a peticionária comercializa, dentre outros, o produto popularmente conhecido como "fermento lático" cuja classificação no código NCM é 3002.90.99, código este contemplado pela referida lei através do seu Art º com alíquota 0 para PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de vendas no mercado interno. Afirma ainda que após ser cientificada do DD, tentou retificar a DCTF sem êxito, haja vista o prazo já ter expirado. O contribuinte apresentou Solução de Consulta sobre classificação de mercadorias e notas fiscais (amostragem), requerendo a reavaliação do Despacho Decisório. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 02052.048. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa, após ser cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.066, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10950.900108/201180, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.066): "PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10950.901862/201137 Acórdão n.º 3302005.076 S3C3T2 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do pedido para juntada posterior de provas Protesta o Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou o recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do particular e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca o recorrente que desde o advento da Lei nº 10.925, de 23 de Julho de 2004, estava recolhendo PIS e COFINS em desacordo com o citado diploma legal, haja vista que comercializa, dentre outros, o produto popularmente conhecido como "fermento lático" cuja classificação no código NCM é 3002.90.99, código contemplado pela referida lei com alíquota zero para PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de vendas no mercado interno. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10950.901862/201137 Acórdão n.º 3302005.076 S3C3T2 Fl. 5 4 Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório. Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Nesse sentido, o recorrente teve a oportunidade processual, visto que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, pela minudência da fundamentação, reproduzo parcialmente excertos da decisão de piso: Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta.(grifei). Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10950.901862/201137 Acórdão n.º 3302005.076 S3C3T2 Fl. 6 5 No caso concreto, o contribuinte declarou em DIPJ e confessou em DCTF o tributo recolhido por meio do Darf apresentado como crédito para a compensação. Transmitiu o PerDcomp (...), mas não efetuou a retificação de suas declarações. Ressaltese que (...) retificou as DCTF (....) contudo sem alterar os valores em discussão. A Solução de Consulta de classificação serve para amparar a classificação da mercadoria ali descrita. As notas fiscais apresentadas, de acordo com o contribuinte, por amostragem comprovam a venda da mercadoria indicada na Solução de Consulta. Entretanto, o valor pleiteado como crédito é igual a 96% do Darf. Significa dizer que o contribuinte , praticamente, só comercializa o produto objeto da Solução de Consulta, informação que não foi prestada nem comprovada na manifestação. As provas apresentadas por amostragem são insuficientes para comprovar os fatos relatados e para conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado.(grifei). Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR A PRELIMINAR SUSCITADA E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar os fatos relatados e conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.000268/87-45
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 1991
Ementa: IPI - Base de cálculo. Despesas de promoção pagas por distribuidoras - adquirentes sob a forma de rateio , ainda que estabelecidas em percentual sobre o valor do preço de venda no varejo das mercadorias adquiridas. Não se configuram como despesas acessórias por caracterizado no caso tratar de despesas de interesse das adquirentes e necessárias ao desenvolvimento de seus negócios.
Recurso a que se dá provimento.
Numero da decisão: 202-04.230
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso; foram vencidos os Conselheiros: ELIO ROTHE, ANTONIO CARLOS DE MORAES e JEFERSON RIBEIRO SALAZAR. Foi o conselheiro JOSÉ CABRAL GAROFANO designado para redigir o Acórdão. Fez sustentação oral o Dr. NELSON DE AZEVEDO BRANCO - OAB/RJ - Insc. nº 14. Ausente o Conselheiro ALDE DA COSTA SANTOS JÚNIOR.
Nome do relator: Elio Rothe
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C" Em4Z..de_ .. ~. __ 199 1 C . aCio;;;j---=J MINISTÉRIO DA FAZENdA' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINT S Processo N."11.'020.000.268/87-45 FCLB S.ssão d•...J5...g.ê...mg.i.Q. d. 19 .~J. ACORDA0N.".?º ..?::.º.~~..?3O Recurso n." Recorrente Recorrid a 79.026 INDÚSTRIA DE BEBIDAS ANTARCTICA - POLAR S/A. DRF EM CAXIAS DO SUL - RS. IPI - Base de cálculo. Despesas de promoção pagas por distribuidoras - adquirentes sob a forma de rateio , ainda que estabelecidas em percentual so bre o valor do preço de venda no varejo das merca dorias adquiridas. Não se configuram como despe = sas acessórias por caracterizado no caso tratar~ de despesas de interesse das adquirentes e neces- sárias oo,desenvolvimento de seus negócios. Recur- so a que se dá provimento. Vistos relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por INDÚSTRIA DE BEBIDAS ANTARCTICA -.PO - LAR S/A. ACORDAM os Membros da Segunda Cãmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provi - mento ao recurso~ foram vencidos os Conselheiros: ELIO ROTHE , ANTONIO CARLOS DE MORAES e JEFERSON RIBEIRO SALAZAR. Foi o con selheiro JOst CABRAL GAROFANO designado para redigir o Acórdão~ Fez sustentação oral o Dr. NELSON DE AZEVE ' BRANCO - OAB/RJ - Insc. nº 14. Ausente o Conselheiro ALDE D fi OSTA SANTOS JÚNIOR. /.Sala em 15 de 1991. SIDENTE - DESIGNADO P~RErnESENTANTE DA FAZENDA NACIONAL t 4 JUN 1991 Participaram, ainda, do presente julgamente, os Conselheiros OSCAR LUIS DE MORAIS e SEBASTIÃO BORGES TAQUARY. -I6J- R e c u r s o n 0. Acordõo nO. Recorrente: MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N." 11.020-000.268/87-45 79.026 202-04.230 INDOSTRIA DE BEBIDAS ANTARCTICA - POLAR S/A. RELATORIO -02- INDOSTRIA DE BEBIDAS ANTARCTICA - POLAR S/A recor re para este Conselho de Contribuintes da decisão de fls. 161/ 167 do Delegado Substituto da Receita Federal em Caxias do Sul, que julgou procedente o Auto de Infração de fls. 131. Em conformidade com. o referido Auto de Infração, Termos, Demonstrativos e documentos que o acompanham, a ora recor rente foi intimada ao recolhimento da importãncia de CZ$7.648.192,16, a título de Imposto sobre Produtos Industrializados, tendo em vista que no período de junho de 1983 a dezembro de 1986, o con- tribuinte efetuou vendas de produtos de sua fabricação (cerveja), deixando de inclui~ na base de cálculo do imposto, valores cobra dos re'seus clientes a título de co-participação em despesas de propaganda, promoções e publicidade, com base em contratos parti culares e pagamentos contra recibos, sendo que tais valores con~ tituem despesas acessórias que por exigência legal devem ser in- c1uídos no preço das operações de venda, compondo a base de cál culo do IPI. Exigidos ,também, correção monetária, juros de mora e multa,sendo dados como infringidos os artigos -..,54 ,,-!;!; 19 -segue- SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo nº 11.020-000.268/87-45 Acórdão nº 202-04.230 -03- e 2º, 55,inciso I, alinea "b", e 11, alinea "c", e seu pari~rafo único, e 63, inciso 11, e ~ 1º do RIPI aprovado pelo Decreto nº 87.981/82, sujeitando-se a multa prevista no artigo 364 inciso TI do mesmo regulamento. Impugnando o feito expoe a autuada, em resumo: a) que" a autuação tem por despesas acessórias tributiveis a participação no custo da propaganda, promoção e publicidade realizadas sob a orientação da suplicante, em proveito próprio e dos distribui dores de seus produtos, especifica e independente- mente contratada e que nada tem a ver comb o pre- ço dos produtos que a eles vende"; b) que por contrato de distribuição de bebidas in - cumbe as distribuidoras a retirada dos produtos a£ quiridos diretamente na fibrica da proqutora, con- tra pagamento à vista, segundo tabela estabelecida pelo CIP; c) que, no intuito de conserv~ção da clientela, bem como de sua ampliação, foi avençada a criaç?~ e di vulgação de propaganda, publicidade e promoçao de vendas dos produtos Antarctica, em ãmbito nacional, havendo, portanto, interesse comum das distr~úidarcB na realização desse programa, oq.:e:rs=levou";," a es- tabelecer uma co-participação nas despesas para is e- SER','iÇO PÚBliCO f£DERAl Processo nº Acórdão . nº -04- 11.020.000.268/87-45 202.04.230 so, necessãrias, em contrato-tipo que celebraram "à base de 2% sobre o preço da tabela vareJ1s- ta de suas compras de cervejas e choop - exclui das as parcelas de frete e carlEto'calculada se gundo a tabela própria, pagável mrrarento e se= gundo o valor das retiradas de produtos que for efetuando, contra recibo" d)que a cargo da Antarctica ficou a responsabili dade de manter contabilização e arquivamento re -, todos os comprovantes de tais despesas, como prrNade aplicação dos valores correspondentes à participação da distribuidora e mais os da prQ pria Antarctica; e) que, conquanto a propaganda tenha por objeto a promoção da marca Antarctica, é de peculiar i~ teresse das distribuidoras essa promoçao, com vistas ao consumo dos produtos, sendo, portanto, inegãvel a mutualidade de interesses; f) que provado está que as distribuidoras, com o contrato de co-participação,têm à obrigação de custeio de parte dos gastos com a propaganda , promoçao e publicidade feitas pela produtora g) que a licitude dessa contratação foi reconhe SEilVIÇO PU6UCO rEDEiUl Processo Acórdão nº 11.020.000.268/87-45 nº 202.04.230 (67 -05- cida tanto pela 3ª Cãmara do lº Conselho de Con tribuintes como pelo Juízo da lª Vara da Justi- ça Federal em são Paulo, como refere; h) que nao há porque confundir-se a participação das distribuidoras nas d=:re,?afeEl'qay"lli,flllto;ãfepu- blicidade com as despesas acessórias a que alu- de o art. 63, 11, :;;lº,do RIPI; que o referido texto é incisivo acestabelecer que o preço da operação compreende dois tipos de despesas, a principal, que é o preço do produto, e as aces- sórias, assim entendidos outros gastos necessa- rios à realização da operaçao, que as despesas acessórias debitadas ao comprador são apenas aquelas relativas à própria operaçao,por isso nao integram o valor tributável do IPI ; que esse é o entendimento posto rrB Pareceres Normativos CST 253/70 e 32/84 e, ao afirmar que somente sac tributáveis despesas acessórios "relativas a fl? pria operação", que, portanto, as despesas de propaganda em causa não podem ser equiparadas ffi despesas acessórias passíveis de tributação pe- lo IPI; i) que os preços dos produtos fabricados pela su- -segue-: S~RVIÇO PÚBLICO FEDER.AL Processo nQ Acórdão nQ 11.020.000.268/87-45 202.04.230 -06- .suplicante sao estabelecidos, de forma detalha- da, com discriminação de todas as parcelas que os informam, por órgão federal de controle de preços, o CIP, sendo o IPI fixado pelo próprio Governo, como exemplifica; que se tratando de produto cujo preço é administ~ado pelo Governo, incompatível com isso ter-se a contribuição dm distribuidoras no custo da propaganda como de~ pesas acessórias nos termos da legislação tri- butária, nada tendo a ver com o preço do prod~ to,base tributável do IPI, constituindo antes dispêndios das distribuidoras; j) que o fato de ter sido contratadoque a partic~ paçao das distribuidoras nas despesas de prop~ ganda tem por base a receita obtida com os pr~ dutos, não pode caracterizar tais dispêndios~ mo despesas acessórias, para os efeitos do IPI, simplesmente porque o valor tomado serve apenas como parâmetro para mensurar a co-participação de cada distribuidora; l)..que nâo há cOITO'atribuir-se ã participação das distribuidoras desses produtos na sua propaga~ -'da o cara ter de acessoriedade para os efeitos do IPI, tanto porque a propaganda é em.tratadacom "" .• -segue- S:pv:ÇO PÚBLICO rmER.!L -07- Processo Acórdão' 'riº 11.020.000.268/87-45 nº 202.04.230 terceiros, como por serem alheias ao preço do produto na forma em que e estabelecida CIP. Pede a insubsistência da autuação fiscal. pelo A decisão recorrida julgou procedente o lançame~ to com fundamento no artigo 63,inciso I~ e ~ lº,tendo em vista que a despesa em tela é despesa acessória integrante do valor tri butãvel do IPI, e, ainda, o entendimento expresso nos Pareceres Normativos CST 370/71 e 32/84 em suas partes pertinentes. Tempestivamente, a autuada apresentou recurso a este Conselho pelo qual, em substância, reproduz suas razões de im pugnaçao, para concluir que a co-participação nas despesas de propaganda não constitui despesa acessória passível de tributa çao pelo IPI ,porque inteiramente desvinculada da operaçao de com pra e venda da mercadoria e do preço do produto, na forma estabe lecida pelo CIP, pedindo a reforma da decisão recorrida. t; o relatório. -segue- 5ERVlÇO PUBLICO FEDERAL Processo nº Acórdão nº L7-1 -08- JI1.J020.,O O0,.2 68I8;7 -4:5 202-04.230 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ELIO ROTHE (VENCIDO) como A questão'€SI:ánóm.'sal:erse as despesas de propaganda, I promoçao e publicidade compõem o valor tributãvel do IPI, quer a autuação, ou se do mesmo devem ser excluídas como entende a recorrente. O artigo 63, inciso 11 do RIPI/82 dispõe que, p~ .ra os produtos nacionais, o valor tributável é o preço da opera- ça~ de que decorrer o fato gerador do imposto, fato gerador esse que se verifica pela saida do produto do estabelecimento indus - trial ou equiparado (art. 29, 11). Ainda, o ~ lº do mencionado artigo 63 estabelece que no preço da operaçao serão incluídas as despesas acessórias debitadas ao comprador, salvo as de transporte e seguro nas con- dicões que estipula. Portanto, para que as despesas de propaganda,prQ moçao e publicidade sejam alcançadas pelo imposto e necessário que estejam compreendidas no preço da operaçao ou que se consti- tuam em despesas acessórias debitadas ao comprador. Com efeito~ na formação do preço do produto,para fins de vendas, que passa pela aferição dos custos primários,in- dustrial ou de produção e comercial, as despesas com propaganda se constituem Effi1despesas comerciais que são apropriadas ao custo comercial, portanto, afinal, compondo o preço do produto. -segue- ;... SERViÇO PUBLICO fEDERAL Processo ll"Q Acórdão nº 11.~LO~~~b.L~~#Bif=4~ 202-04. :230 -09- Não se trata de nenhuma inovação na determinação do preço dos produtos, a qual se verifica a p!l,rtirdos respecti- vos custos, o que pode ser constatado em qualquer literatura a respeito, como em "Contabilidade Industrial" de armando Aloe e Francisco Valle, Editora Atlas ~, 2ª, edição, páginas 60 a 62 , item 2.7 - Fases dos Custos, .e, também, em "Introdução à Contabi lidade" de Milton Augusto Walter, Editora Saraiva, Vqlume 2,pági nas 86 a 88. De conseguinte, as despesas de propaganda inte - d d f "- .grando o preço o pro uto, orçosamente, como consequencl-a, est~ rão compondo,incluidas, o preço da operação relativamente aos P'Q dutos vendidos e, desse modo, constituindo valor tributável pelo IPI. No caso concreto, a recorrente, por sua conveniên cia, dada a contratação levada a efeito com os distribuidores de seus produtos para a co-participação em tais despesas, adotou o sistema de cobrar as despesas com propaganda separadamente, medi ante recibo, excluindo-a do preço da operação constante das notas fiscais. Como vimos, no artigo 63,inciso II e ~ lº do ~! - ' .-82, o valor tributavel do IPI é o preço da operação IDnclul-dasas despesas acessórias debitadas ao comprador. Essa determinação de serem incluídas as despesas acessórias ao valor tributável existe justamente para alcançar casos comoo presente, em que, por qualquer ciramstãncia, despe - -segue- SERViÇO PÚBLICO fEDERAL Processo nº Acórdão nº 11~020.000.268/87-45 202-04.230 -10- .. sas-custos fossem desmembradas do preço do produto ( e do preço da operação) para serem cobradas em separado, porém, sem pre - ju{zo do valor tributável. Não fosse essa providência da lei estaria aber- to o caminho para que qualquer parcela do preço de venda, e con seqnentemente do preço da operação, fosse destacada do preço e cobrada em separado do comprador,desse modo excluindo-a do valor tributável e do imposto. Por conseguinte, no'~aso, como o contribuinte pr~ feriu receber eID1separadoas suas despesas de propaganda, mediaQ te recibo, a sua inclusão no valor tribufável se faz como des - pesas acessórias. Por outro lado,os~receomenüJs dessas importãncias, calculadas pelo percentual de 2% sobre os seus produto~ vendi - dos ê saídos do estabelecimento industrial ou equiparado para distribuidores, apesar de recebidas para cobertura de futuros pagamentos com despesas de propaganda, constituem autênticas re- ceitas porque provenientes das atividades quê constituem seu ob jeto social - produção e venda de bebidas - portanto decorrentes das vendas de seus produtos, nao havendo qualquer di~positivo legal que exclua tais valores da incidência do imposto. t de se ressaltar que o contrato de co-partici- çao das despesas de propaganda não apresenta nenhum inconvenien -segue- SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Processo nº 11.020~OOO.268/87-45 Acórdão nº 202-04.230 -11- te legal quanto à legislação do IPI,devendo, porem, suas parce- las compor o valor tributável, como visto. o Acórdão nº l03-06.267,da Terceira Cãmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, tendo como recorrente Sampaio e Barreto Ltda~ empresa distribuidora da recorrente, em nada a beneficia, eis que se trata de despesas-de propaganda pagas e <nl tabilizadas por aquela empresa, enquanto que neste processo se cuida de recebimentos (receitas) da recorrente. Quanto à sen~a em anexo, ela diz respeito a dedução de despesas de propaganda com vista à exigência de Im - posto de Renda, o que não é o caso em pauta. No que respeita aos pareceres normativos ~ CST/ SIPE, invocados pela recorrente, o entendimento aqú~ expostoreo discrepa dos mesmos, eis que tais despesas de propagand~ c~ ., -o preço de venda e,consequentemente,o preço da operaçao,portan- to, sendo despesas relativas às próprias operações. Também,quanto ao fato~é~ bebidas terem seus preços determinados pelo CIP, nenhuma interferência tem quanto ao valor tributável do IPI que é objeto de determinação legal , sendo certo que esse órgão não foi informado quanto à existên- cia de tais despesas, como se verifica dos elementos formadores do preço, apresentados pela recorrente,que não elenca despesas -segue- [. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL I 7-~- -12- Processo Acórdão nºnQ" 11.020~000.268/87-45202-04.2:3-0í de propaganda, nem pode ser considerada incluída no "liquido" I porqlle cobrada 8mseparado, mediante recibo. Por fim,deve ser destacado que o próprio RIPI/ 82, em seu artigo 64, ~ único, inciso 11, dispõe que o valor tributável deve ser composto, entre outros, do custo de publ! cidade, dispositivo esse aplicável na hipótese de arbitramento do valor tributável por impossibilidade de apuração dos preços ( art. 69,~ 2º,do RIPI/82) b~,como em casos do artigo 64,inci so 11, e do artigo 68,~ 6º, do mesmo RIPI. Assim,o RIPI-X82, no referido dispositivo, vem confirmar que as despesas (custos) de propaganda (publicidade) compoem o valor tributável do IPI, eis que o valor tributável arbitrado pelo somatório dos elementos nele discriminados, vi- sa justamente obter o valor tributável-preço da operaçao. Pelo exposto, deve ser mantida a decisão recor rida e nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sesseos, em 15 de maio de 1991. cl;il;,~ ELIO ROT~E,,\/7 . trb 13- S~RVIÇO PÚBLICO fEDERAL Processo nº 11.020.000.268/87-45 Acórdão nº 202-04.230 VOTO DO CONSELHEIRO JOS~ CABRAL GAROFANO, DESIGNADO PARA REDIGIR O AC6RDÃo De plano, nao há como deixar de reconhecer que todo o esforço publicitário - quando em ámbito nacional - cen trado ..em uma empresa coordenadora do planejamento e acompa-. nhamento, decidindo um ou mais tipos de mj;dia: imprensa, cin~ ma, rádio, televisão, etc., dirigida ao suporte de seus prod~ tos, tende a reduzir os custos, padronizar as matérias veicu- ladas, proporcionar maior eficiência, enfim, toda uma estratégia de marketing do produto. Neste caso sob exame, a empresa operaéionalizar coordenadora da publicidade é a mesma detentora da marca universal dos pr~ dutos ANTARCTICA. As empresas distribuidoras do chopp e cerve ja produzidos pela fabricante estão espalhados por todo o ter ritório nacional; pelo que se entende, a dificuldade encontra- da - respeitando as diferenças regionais - se cada uma destas •empresas-mebros do grupo, com venda exclusiva da marca ANTARC TICA, decidisse e contratasse sua própria publicidade. Assim/pode-se aceitar serem as despesas de propaganda sob discussão normais, necessárias e usuais a todos os participantes envolvidos na comercialização dos produtos, inclusive, a própria coordenadora que se beneficia vendo sua marca fortalecida pela publicidade. segue- 17-1- .. -14- SERViÇO PÚBLICO rEDERAl Processo nº 11.020.000.268/87-45 Acórdão nº 202-04.230 Muito embora se reconheça a autonomia dos Conse- lhos de Contribuintes, a distinção dos tributos e suas legislações, não se pode olvidar que esta matéria tenha reflexos, tanto no Pri- meiro como no Segundo Conselho. É oportuno trazer à colação trecho do voto condutor do Acórdão nº 103-08.605, do Primeiro Conselho de Contribuintes provido por unanimidade - que apreciando a matéria sob a legisla- ção do Imposto de Renda, concluiu o Ilustre Conlheiro Sebastião Rodrigues Cabral: "Aqui as empresas contribuem para a formação de um montante cuja destinação é financiàmento de campa- nha publicitária institucional; a Antárctica, tam- bém participante direta no somatório dos recurso e beneficiária do resultado, funciona como coordenado ra e planejadora da campanha publicitária; a quita= ção é dada aos participantes mediante recibos; a contabilização é feita de forma destacada, com emis sao de mapas demonstrativos da alocaçao dos recur - sos, de sua distribuição e rateio; a documentação comprobatória dos gastos encontra-se arquivada na sede da coordenadora, disponível para todos os par- ticipantes. Em razão de diligência promovida por esta, Càmara, restou comprovado que a verba apl~cada pela empresa coordenadora da campanha publicitária foi superior ao montante arrecadado das distribuidoras. Também está evidenciado que o volume de recursos. aplicados na propaganda que, teoricamente, beneficiaria a região onde está localizada a recorrente, supera aquele resultante das empresas distribuidoras ali sediadas." .o ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• .o •••••••••••••••••• "O essencial, para solução da controvérsia, é o fato de os gastos poderem ser caracterizados como despe- sas operacionais, o que requer a satisfaçao dos requisitos fixados na legislação de regência; que a empresa coordenadora da publlcldade, mantenha escrl turaçao destacada de todos os atos dlretamente rela cionados com a movimentação dos recursos; que sejam elaborados mapas e demonstrativos, lastreados em segue- /ovrs/ SERViÇO PUBLICO FEDERAL Processo nº ll.D20.000.268/87-45 Acórdão nº 202-04.230 15- { 1- Y documentação hábil e idônea, dos recursos arrecada- aos, aplicados e rateados entre as partes; que os serv~ços seJam efetivamemB~prestados; que a quita- çao obedeça aos requisitos impostos pela legislação própria; que cada um dos participantes, desde que solicitado por quem de direito, comprove a satisfa- ção das condiçôes retro mencionadas." (grifos na transcrição) • Assim, nao restou dúvida que as despesas de propa- ganda pagas pelos distribuidores (na legislação do Imposto de Ren da) foram reconhecidas e aceitas como usuais, normais e necessa- rias. O reembolso das cotas-parte pagas pelos co-participantes - -demonstrado em contabilidade individuada e à disposição da fisca- lização - recebidos pela efupresa coordenadora não constitui outra renda, tampouco, estão caracterizadas como despesas debitadas ao comprador ou destinatário. acessórias É consabido que a recorrente nao explora atividade de agência publicitária, nem tem como objeto social a intermedia- ção de serviços de propaganda, logo, também, nao se constitui como prestadora de serviços. Sua atividade é a produção e de bebidas. venda Há vários precedentes na Primeira Cãmara deste Con- selho - cópias dos Acórdãos colacionados nos autos - que tiveram o entendimento unãnime de tais recursos recebidos pela coordenadQ ra da propaganda serem de ressarcimento das dêspesas, comprovadas por mapas e demonstrativos, relativas à cota-parte de cada um dos :'beneficiados. Cabe aqui reproduzir parte das razoes de decidir do Ilustre Conselheiro Lino de Azevedo Mesquita, que, com singu- segue- /ovrs/ SERViÇO PUBLICO fEDERAL Processo nº 11.020. 000.268/87-45 Acórdão nº 202-04.230 16- singular propriedade, assim entendeu a matéria no voto do Acórdão nº 201-64.573: condutor "Desconheço norma legal que diga que as despesas de publicidade e promoção são somente de respon- sabilidade do fabricante do produto. De certo que o aumento das vendas proporciona lucro do fabricante, mas sem dúvida também dele se beneficia o distribuidor." ................................................ -Em assim sendo, as despesas de publicidade e promoção de que tratamos autos são inerentes, quer às atividades do fabricante, quer às do re- vendedor-distribuidor, como o decidiu à unanimi- dade de seus membros o Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes que reconheceu que as despesas de publicidade e promoção feita de forma institu cional e rateadas proporcionalmente entre fabri= cantes e distribuidor, a parte paga pelo distri- buidor-revendedor são despesas operacionais des- te. Vale dizer o Primeiro Conselho de Contribuin tes, reconheceu que essas despesas nao sao aces- sórias de venda, por proprias do revendedor e necessãrias à atividade dessas empresas." (grifos na transcrição) e, mais a frente, concluiu o Ilustre Conselheiro: "E não se diga que para efeito do Imposto de Ren- da, considerar-se essas despesas como àcessórias à venda ou como operacionais, o resultado final seria o mesmo. Essa afirmativa não tem apoio na lei do referido tributo. Fossem elas considera- das não operacionais a publicidade paga pelo dis tribuidor-revendedor seria glosada, vez que ela- seria de responsabilidade do fabricante e o paga mento pelo revendedor uma liberalidade, além do que que este ainda teria o custo de seus esto- ques (influenciados do lucro tributãvel) acresci do, por integrarem essas despesas, se considera- dos não operacionais, integrantes dos custos das mercadorias adquiridas. Do processo resta provado que a publicidade em tela fora paga tanto pela recorrente, como pelas distribuidoras adquirentes das mercadorias, não ficando evidenciado, ainda que por indícios, que essas despesas se constituíram em fatos simula- dos da operação." segue- /ovrs/ SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Processo nQ 11.020.000.268/87-45 Acórdão nQ 202-04.230 17':' { eo De duas uma, ou se aceita as despesas serem dos distribuidores dos produtos e por isso podem ser lançadas como custos operacionais dos mesmos e, em 'contrapa~tida,é.reembolso de despesas de propaganda na contabilidade da recorrente, ou, então, se aceita não serem normais, usuais e necessárias dos distribuidores, devendo serem glosadas pela legislação do Impo~ to de Renda e, por conseqüéncia, são receitas de venda, compro- vadamente, da recorrente e integrantes. da base de cálculo do IPI. Dáí não há como sair. Também nao tenho notícia de dispositivo legal que proíba duas ou mais empresas participarem, sob a coordena- çao de uma, de esforço publicitário, quando as mesmas tenham objetivos e metas convergentes a um só resultado. A forma como que se apresenta o caso sob exame, a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, a Doutrina e a Lei, me levam a aceitar aquela primeira hipótese, visto a mesma encerrar em si mesma uma decisão jurídica que acolhe o entendimento no deslinde da questão. melhor Por fim, entendo serem tais ingressos, na conta- bilidade da recorrente, oriundos de reembolsos de despesas de propaganda do interesse de cada qual dos distribuidores e nao se constituem como suas despesas acessórias de que trata o arti go 63, inciso 11 e ~ lQ, do RIPI/82. O dispositivo apontado di~ ciplina as despesas acessórias do produtor, as quais devem int~ grar o valor tributável e, no caso sob exame, as mesmas são, re segue- --------------------------------------------~,' SERViÇO PÚBLICO fEDERAL Processo nº 11.020.000.268/87-45 Acórdão nº 202-04.230 18- reconhecidamente, despesas de publicidade dos distribuidores dos produtos da recorrente. ao recurso. são estas razoes que me levam a dar provimento Sala das Sessões, em 15 de maio de 1991. 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018
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