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Numero do processo: 10875.001841/2005-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Dec 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, §4º, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, restando demonstrada a ocorrência de pagamento antecipado, impõe-se a aplicação da decadência nos termos do artigo 150, §4º, do CTN, em consonância decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos - Resp n° 973.733/SC
Numero da decisão: 9202-004.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, §4º, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, restando demonstrada a ocorrência de pagamento antecipado, impõese a aplicação da decadência nos termos do artigo 150, §4º, do CTN, em consonância decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 18 41 /2 00 5- 11 Fl. 197DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10875.001841/200511 Acórdão n.º 9202004.540 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 01 e 33/39) relativo ao Imposto Territorial Rural – ITR do imóvel denominado Fazenda Santa Rita (NIRF 3.206.3598), localizado no município de BiritibaMirim/SP, relativo ao exercício de 2000, por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 12.788,96 incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Segundo o fiscal autuante, foram glosadas as áreas de preservação permanente, utilizada com produtos vegetais. Ainda foi modificado o valor da terra nua declarado pelo valor constante do SIPT em virtude da documentação apresentada pelo contribuinte ter sido considerada insuficiente para comprovar esses itens informados na declaração. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS julgado o lançamento procedente, mantendo o lançamento em sua integralidade, fls. 70. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. No Acórdão de Recurso Voluntário, fls. 136, o Colegiado, por unanimidade de votos, reconheceu a decadência. Portanto, em sessão plenária de 16/04/2010, reconheceuse a decadência, prolatandose o Acórdão nº 2102000.560, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRRITORIAL RURAL ITR Exercícios: 2000 ITR. PRAZO DECADENCIAL. O lançamento do ITR é por homologação e se aperfeiçoa no primeiro dia de cada anocalendário. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador, na forma do art. 150, §4º, do CTN, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN. Decadência reconhecida”. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 17/08/2010 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional opôs, tempestivamente, em 19/08/2010, Embargos de Declaração alegando contradição e omissão no acórdão embargado, uma vez que a constituição do crédito ocorreu por meio de lançamento de ofício, devendo, assim, ser levado em conta o disposto no CTN, art. Fl. 199DF CARF MF 4 173, inciso I, cuja aplicação prescinde da verificação da ocorrência de pagamento. Tais embargos foram rejeitados por meio do acórdão 2102002.367, assim ementado: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINSTRATIVO FISCAL Exercícios: 2000 EMBARGOS. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRDIÇÃO OU OBSCURIDADE. Devem ser rejeitados os embargos fundamentados em omissão, contradição ou obscuridade no acórdão quando estas figuras inexistem e o recurso integrativo é empregado com o intuito de reabrir o mérito da causa. Embargos rejeitados”. Novamente intimada, em 19/02/2013, para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010, a Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 25/02/2013, o Recurso Especial. Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido para afastar a preliminar de decadência no caso em exame, uma vez que efetuado o lançamento dentro do prazo legalmente fixado (art. 173, I, do CTN). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/n, da 1ª Câmara, de 29/05/2015, fls. 177. Em seu Recurso Especial, a Recorrente traz as seguintes alegações: · que o §4º do art. 150 do CTN explicita a modalidade de lançamento por homologação, segundo o qual o sujeito passivo apura o montante tributável e antecipa o pagamento, (...): · que no caso dos autos não se operou lançamento por homologação quanto ao crédito tributário, pois, de acordo com as provas, o contribuinte não antecipou pagamento dos tributos desse período, devendo ser aplicado ao caso, o prazo decadencial inerente ao lançamento de ofício da exação, na linha preconizada pelo art. 173, I, do CTN, que assevera: · que esse entendimento já foi sedimentado e pacificado no âmbito do STJ, que, por meio da nova sistemática processual dos recursos repetitivos reconheceu em caráter definitivo que, inexistindo pagamento parcial, o prazo decadencial deve ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, como preconiza o art. 173, I, do CTN. · que, uma vez constatada a inocorrência de recolhimento parcial e considerando tratarse de exigência tributária de ITR referente a exercício de 2000, que se aperfeiçoou em 01/01/2000, é forçoso reconhecer, aplicandose o art. 173, I do CTN, que o qüinqüênio decadencial iniciouse em 01/01/2001, findando em 31/12/2005, o que implica reconhecer que quando da ciência do lançamento – que se Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10875.001841/200511 Acórdão n.º 9202004.540 CSRFT2 Fl. 4 5 deu em 22/06/2005 – não havia operado ainda a decadência do referido crédito tributário. Cientificado do Acórdão nº 2102000.560, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 22/06/2015, o contribuinte apresentou, tempestivamente, em 07/07/2015, contrarrazões, onde alega: · que a União insurge, de forma totalmente protelatória, a recorrer do acórdão que reconheceu a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos antes de dezembro de 1999; que a fundamentação da Câmara do acórdão recorrido é cristalina e irretocável e que o entendimento do STJ não traduz a realidade dos fatos apontados pelo acórdão recorrido, pois versa de matéria diferente da alegada pela União. · salienta que o artigo 150 do CTN foi totalmente recepcionado pela Constituição Federal de 88, sem qualquer retoque, demonstrando que o legislador garantiu ao contribuinte a segurança tributária. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo Procurador é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 177. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do Mérito Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que contrariaram aos artigos 150, e parágrafos, e 173, inciso I, do CTN, além do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. Em defesa de sua pretensão, argumenta que, no caso dos autos, não se operou lançamento por homologação quanto ao crédito tributário, pois, de acordo com as provas, o contribuinte não antecipou pagamento dos tributos desse período, devendo ser aplicado ao caso, o prazo decadencial inerente ao lançamento de ofício da exação, na linha preconizada pelo art. 173, I, do CTN, que assevera: Primeiramente, convém destacar os preceitos que regem a análise do prazo decadencial. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10875.001841/200511 Acórdão n.º 9202004.540 CSRFT2 Fl. 5 7 Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173, I ou art. 150, §4º do CTN, devemos identificar a natureza dos tributos envolvidos para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. Destarte, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para o Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, após passar a ser tributo sujeito à modalidade do lançamento por homologação, com a edição da Lei n° 9.393/1996, limitouse a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Vale destacar, ainda, que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, adotando a tese que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma do entendimento daquele Tribunal Superior, manifestado nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 203DF CARF MF 8 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10875.001841/200511 Acórdão n.º 9202004.540 CSRFT2 Fl. 6 9 Assim, a aplicação do art. 150, § 4º, no caso, de tributos sujeitos a lançamento por homologação é possível quando realizado pagamento antecipado, que em data posterior, acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento. Do exame dos elementos que instruem o processo, constata se que o Acórdão recorrido, embora adotando tese diversa, acaba por convergir com o entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça, especialmente nos autos de Recurso Repetitivo, de observância obrigatória por este Colegiado, como passaremos a demonstrar. Uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Nesse sentido, podemos identificar nos autos, que na própria declaração de ITR colacionado aos autos pela fiscalização, fls. 3, fora calculado imposto devido em relação as áreas declaradas pelo contribuinte. Contudo, não apenas compete ao mesmo declarar o imposto a ser pago, mas devemos identificar a efetiva existência do recolhimento, o que resta comprovado pelas guias (DARF) anexadas às fls. 63 dos autos, razão pela qual entendo correta a aplicação do prazo decadencial a luz do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, tendo a fiscalização constituído o crédito tributário em 22/06/2005, com a devida ciência do contribuinte constante do Aviso de Recebimento – AR, às fls. 40, a exigência fiscal encontrase fulminada pela decadência nos termos do art. 150, §4º do CTN, eis que ocorrido o fato gerador em 01/01/2000, e demonstrado nos autos a existência de recolhimento antecipado. Conclusão Voto pelo CONHECIMENTO do recurso ESPECIAL DO PROCURADOR para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 205DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721866/2012-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2009
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. PREVISÃO LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INOBSERVÂNCIA. PEREMPÇÃO.
Uma vez que definidos em Lei os critérios e os prazos para intimação do contribuinte, assim como para interposição da contestação a que tem direito, importa em perda do direito ao contraditório a inobservância do prazo fixado segundo os critérios definidos na norma regulamentar.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2009
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO RETROATIVA. LEI EXPRESSAMENTE INTERPRETATIVA. POSSIBILIDADE.
Nos termos dos artigos 105 e 106 do Código Tributário Nacional, a legislação tributária, em regra geral, aplica-se imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, exceção feita, dentre outras, à lei que se revele expressamente interpretativa, situação em na qual será aplicada a ato ou fato pretérito.
Recurso Voluntário Conhecido em Parte e Negado na Parte Conhecida
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3302-003.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e conhecer apenas em parte o Recurso Voluntário, negando-lhe provimento na parte em que foi conhecido.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 12/10/2016
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Linhares e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2009 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. PREVISÃO LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INOBSERVÂNCIA. PEREMPÇÃO. Uma vez que definidos em Lei os critérios e os prazos para intimação do contribuinte, assim como para interposição da contestação a que tem direito, importa em perda do direito ao contraditório a inobservância do prazo fixado segundo os critérios definidos na norma regulamentar. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2009 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO RETROATIVA. LEI EXPRESSAMENTE INTERPRETATIVA. POSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 105 e 106 do Código Tributário Nacional, a legislação tributária, em regra geral, aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, exceção feita, dentre outras, à lei que se revele expressamente interpretativa, situação em na qual será aplicada a ato ou fato pretérito. Recurso Voluntário Conhecido em Parte e Negado na Parte Conhecida Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e conhecer apenas em parte o Recurso Voluntário, negando lhe provimento na parte em que foi conhecido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 18 66 /2 01 2- 28 Fl. 2374DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 2 (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 12/10/2016 Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Linhares e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Contra a empresa antes qualificada foram lavrados dois Autos de Infração, a saber: a) o primeiro formalizou a exigência de PIS nãocumulativo, com intimação para recolhimento do valor de R$ 458.959,56 referente a fatos geradores entre 31/01/2007 e 30/09/2009. Esse valor (principal) foi acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora regulamentares. Constou base legal. Houve ciência em 31/08/2012 (AR de fl. 2.006); b) o segundo formalizou a exigência de COFINS nãocumulativa, com intimação para recolhimento do valor de R$ 1.985.381,86, referente a fatos geradores entre 31/01/2007 e 30/09/2009. Esse valor (principal) foi acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora regulamentares. Constou fundamentação legal. Houve ciência em 31/08/2012 (AR de fl. 2.006). Houve glosa de créditos pertinentes a aquisições no mercado interno constituídos indevidamente dos meses de abril de 2005 a setembro de 2009. Foram anexadas Informações Fiscais (verificação da liquidez e certeza da composição de créditos de PIS/COFINS nãocumulativos vinculados a receitas de exportação por trimestre analisado), bem como Termo de Verificação Fiscal. Nestes o autuante efetuou detida análise, entre outros, em documentação e arquivos magnéticos contábeis apresentados pela empresa, tendo pormenorizado os problemas encontrados. Em 01/10/2012 a contribuinte apresentou impugnação onde inicialmente fez exposição fática e se referiu à tempestividade de sua peça de descontentamento, aduzindo, a seguir (de forma sintética): Preliminares . tendo em vista que a empresa somente foi notificada em 31/08/2012, entende decaídas as exigências feitas anteriormente a agosto de 2007 (art. 150, § 4°, do CTN determina o prazo de 5 anos do fato gerador para se fazer a exigência fiscal e art. 173 do mesmo diploma legal, tendo em vista que o prazo decadencial não se suspende, nem se interrompe); . entende ter havido cerceamento do direito de defesa por afronta ao contraditório e a ampla defesa. Refere que: 1. ingressou com medida judicial (MS) perante a 4a Vara Cível Federal da Capital (processo n° 000759629.2012.4.03.6100), que determinou que RFB Fl. 2375DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721866/201228 Acórdão n.º 3302003.394 S3C3T2 Fl. 3 3 analisasse os pedidos de ressarcimentos de créditos de PIS/COFINS exportação no prazo máximo de trinta dias. Houve análise e emissão de DDs nos quais foram indeferidos a quase que a totalidade dos débitos compensados. Houve, também, o lançamento do crédito tributário decorrente da diferença supostamente devida; 2. discorda das conclusões da Autoridade Fiscal, pois estas não estariam de acordo com o que informou. Elaborou e apresentou manifestações de inconformidades contra todos os DDs cientificados. Posteriormente, foi intimada de Autos de Infração que se fundamentaram nos DDs, por supostas diferenças encontradas nas análises dos PER/DCOMPs; 3. consultando informações complementares pertinentes aos AI no sítio da RFB, constatou que seriam ininteligíveis para fins de permitir a defesa, bem como não constariam dos autos nenhum dos DDs informados pela Autoridade Fiscal. Alega ausência de notificação de alguns DDs (1° trimestre de 2008; 1° trimestre de 2009; 2° trimestre de 2009 e 3° trimestre de 2009 para o PIS/4° trimestre de 2007 e 1° trimestre de 2008 para a COFINS), embora tenha sido autuado pela insuficiência de recolhimento destes; 4. explica que foi elaborado Demonstrativo Detalhado dos Valores Autuados PIS e COFINS cujos valores são o resumo das planilhas da fiscalização. Essas apresentam valores de créditos informados pela empresa em DACONs, valores anotados como se fossem créditos indicados em DACONs pelo Fisco e valores dos créditos analisados pela RFB, sendo lançada a diferença entre os dois últimos. Todavia, nã consegue entender como foram obtidos os valores de Desconto dos DACONs (mercado interno, crédito presumido e mercado externo), que correspondem aos valores anotados como se fossem os créditos indicados em DACONs pelo Fisco; 5. observa que as planilhas elaboradas pelo Fisco não trouxeram elementos que permitam a identificação das glosas dos créditos pleiteados, muito menos saber quais insumos não foram aceitos pela Autoridade Fiscal. Isso acarretaria cerceamento ao direito de defesa e do contraditório, nos termos da doutrina e da jurisprudência do CARF; 6. como consequência do cerceamento de defesa e do contraditório (o autor do feito fiscal não descreveu corretamente os fatos que ensejaram o lançamento tributário, donde todo o processo é nulo de pleno direito) entende pelo cancelamento da exigência fiscal contida nos Autos de Infração. Mérito . contestou a glosa de produtos adquiridos que não foram enquadrados no conceito de insumos. Entendeu que a grande quantidade de informações a serem consideradas e o exíguo prazo que a sentença judicial concedeu (30 dias) para serem analisadas, afetou as conclusões do Fisco que concluiu que a empresa não observou a legislação fiscal no procedimento de apuração de créditos de PIS/COFINS quando incluiu certos insumos que não se enquadrariam neste conceito; . as legislações que regem a matéria (Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003) não conceituam o que seja insumo, nem remetem para outra lei qualquer. Em sentido comum seriam cada um dos elementos, diretos ou indiretos, necessários à produção de produtos e serviços. A interpretação do conceito de insumo pela IN SRF n° 404/2004 é restritiva, eivada de ilegalidade por contrariar o art. 99 do CTN, Fl. 2376DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 4 eis que o conteúdo e o alcance dos atos normativos restringemse aos das leis em função dos quais sejam expedidos; . considerou equivocada a interpretação de insumo fundamentada na legislação do IPI. O termo insumo, pela sua direta relação com o faturamento, se aplica aos custos diretos ou indiretos incorridos com a fabricação de produtos e não somente os que sofram desgaste, perda de propriedade ou dano pela ação diretamente exercida no produto; . no que se refere à glosa de insumos adquiridos com alíquota zero, argumentou que a glosa ocorreu devido à aplicação do art. 3°, § 2°, da Lei n° 10.833/2003. Esse artigo previu a possibilidade de créditos de produtos adquiridos com isenção, desde que o produto isento tenha sido revendido ou utilizado na fabricação de produto vendido com tributação da contribuição. Como os produtos que fabrica são tributados, não se aplica a vedação legal citada pelo Fisco; . alegou haver jurisprudência do CARF e SC (n° 23 de 13/02/2004 2a RF) que concluem pelo direito de uma empresa de aproveitar créditos de PIS/COFINS sobre compras de insumos para fabricação dos próprios produtos, mesmo que esses insumos tenham sidos isentos desses tributos em etapa anterior. Esse entendimento está albergado no art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e em jurisprudência do STJ sobre IPI (REsp n° 477.5222003 decidiu sobre a restituição de créditos de IPI a fabricantes de tinta fundamentado na alegação de que sempre que matériasprimas e demais insumos entrarem no estabelecimento do fabricante para utilização no processo industrial, sem o pagamento de IPI na operação anterior, cabe o creditamento para ser abatido no imposto devido sobre o produto transformado); • ao finalizar fez seus requerimentos: a) solicitou o reconhecimento da decadência dos períodos de janeiro a julho de 2007, tendo em vista a inobservância do Fisco em autuar fatos geradores já alcançados por aquele instituto. Pediu a exclusão da autuação dos períodos 1° trimestre de 2008; 1° trimestre de 2009; 2° trimestre de 2009 e 3° trimestre de 2009 (PIS) e do 4° trimestre de 2007 e 1° trimestre de 2008 (COFINS), por tratarse de autuação que usou conclusões de análises de DDs não notificados à empresa; b) demandou fosse reconhecido o cerceamento de defesa e, por consequência, a decretação da nulidade dos Autos de Infração; c) em não se entendendo pela nulidade total dos AI, pediu fosse reconhecido o direito de creditarse de PIS/COFINS incidentes sobre as receitas de exportação sobre aquisição de insumos no mercado interno e sobre o crédito presumido; d) reclamou pela suspensão da exigibilidade dos AI até o julgamento de manifestações de inconformidade que protocolou, por tratarse de autuação decorrente de análises de DDs contestados (créditos solicitados pela empresa, no exercício do direito firmado na legislação federal). O feito somente poderia prosseguir após a definitiva conclusão do contencioso estabelecido pelas citadas contestações; e) rogou provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente apresentação de demonstrativos, extratos, declarações, documentos, inclusive perícias e diligências, vistorias, aditamentos, juntada de documentos e as que mais se fizerem necessárias. [A repartição de origem atestou a tempestividade da peça de contestação (fl. 2.180). Fl. 2377DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721866/201228 Acórdão n.º 3302003.394 S3C3T2 Fl. 4 5 Remetido o processo a esta DRJ, foram os autos analisados. Em 30/09/2013 emitiuse Resolução (pedido de diligência) visando o esclarecimento do litígio. Através dela solicitouse: a) a juntada aos autos de todos os DDs mencionados na descrição dos fatos, bem como todas as planilhas/anexos citados nas Informações Fiscais e que fundamentaram os lançamentos, de forma a deixar claro quais os valores mensais/trimestrais pleiteados, os valores glosados e os deferidos, sendo os dois últimos explicitados por rubrica/ gastos que compuseram os créditos solicitados pela empresa; b) explicação quanto ao Demonstrativo Detalhado dos Valores Autuados PIS e COFINS, especialmente no que se refere aos quadros que o compõem (Informação dos créditos DACON, Contribuinte e Fiscalização e Informação dos Créditos SRFB), cujos valores são resumo das planilhas do Fisco, essas também compostas por quadros (Desconto DACON e Fiscalização e Créditos Analisados). Esses foram apresentados e juntados aos autos exclusivamente pela contribuinte como sendo entregue pelo autuante. Objetivouse o esclarecimento, de forma mensal, de como foram obtidos (Mercado Interno, Mercado Externo e Crédito Presumido) os valores, especificando aqueles glosados, sendo estes explicitados por rubrica/gastos. Em atendimento, o Órgão preparador anexou documentos e produziu Informação Fiscal (fls. 2.257 a 2.285) e Despacho de Diligência (fls. 2.286 a 2.287). Na Informação Fiscal, basicamente concluiu que (excerto colhido da fl. 2.285): (...) 62. De acordo com todo exposto, procedo ao atendimento da determinação de diligência expressa na Resolução 10000.496 da 2a turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre RS (fls. 2.182 a 2.186). 63. Conforme todo o exposto, concluo: a) que o crédito tributário constituído, objeto do auto de infração de falta/insuficiência de recolhimento, deve ser retificado de acordo com a tabela "Demonstrativo de Multa e Juros de Mora", constante do item 59 deste Despacho; b) que os valores das glosas mensais, objetos do auto de infração de glosa de créditos, sejam retificados de acordo com as tabelas do item 61. Dessa Informação a contribuinte tomou ciência em 25/02/2014 (fl. 2.285). Tendo sido reaberto, nos termos da legislação de regência, o prazo de 30 dias para sua manifestação, não houve nova contestação por parte da empresa. O processo retornou a esta DRJ. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Fl. 2378DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 6 Deve ser afastada a hipótese de nulidade dos autos de infração por cerceamento do direito de defesa, quando a autuada foi perfeitamente cientificada dos fatos que lhes foram imputados, teve acesso a toda documentação que serviu de fundamento para a exigência fiscal e, no exercício pleno de sua defesa, apresentou contestação de forma ampla e irrestrita, na qual revelou conhecer as razões dos lançamentos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2009 LANÇAMENTOS. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. REGRA GERAL. O prazo de que dispõe a Fazenda Publica para constituição do crédito tributário iniciase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando a contribuinte não efetua, no período fiscalizado, qualquer pagamento antecipado dos tributos sujeitos a lançamento por homologação. ENTENDIMENTOS ADMINISTRATIVOS E JUDICIAIS. EFEITOS. NÃO VINCULAÇÃO. Regra geral, as decisões administrativas e judiciais têm eficácia interpartes, não sendo lícito estender seus efeitos a outros processos, não só por ausência de permissivo legal para isso, mas também em respeito às particularidades de cada litígio. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COBRANÇA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. O tempestivo protocolo de peça reclamatória suspende a exigibilidade do crédito tributário eventualmente lançado/cobrado, até o desfecho do processo administrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2009 REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Entendese por insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado e sejam utilizadas na fabricação ou produção de bens destinados à venda e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na sua produção ou fabricação. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS SUJEITOS A ALÍQUOTA ZERO. Os bens e serviços adquiridos com incidência de alíquota zero não concedem direito de crédito na sistemática de nãocumulatividade da contribuição. REGIME NÃOCUMULATIVO. AQUISIÇÕES COM ALÍQUOTA ZERO. ALCANCE DO ART. 17 DA LEI N° 11.033, DE 2004. O disposto no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, alcança somente os casos em que houver incidência da contribuição na aquisição de insumos. Fl. 2379DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721866/201228 Acórdão n.º 3302003.394 S3C3T2 Fl. 5 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2009 REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Entendese por insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado e sejam utilizadas na fabricação ou produção de bens destinados à venda e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na sua produção ou fabricação. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS SUJEITOS A ALÍQUOTA ZERO. Os bens e serviços adquiridos com incidência de alíquota zero não concedem direito de crédito na sistemática de nãocumulatividade da contribuição. REGIME NÃOCUMULATIVO. AQUISIÇÕES COM ALÍQUOTA ZERO. ALCANCE DO ART. 17 DA LEI N° 11.033, DE 2004. O disposto no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, alcança somente os casos em que houver incidência da contribuição na aquisição de insumos. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no qual, em linhas gerais, repisa argumentos presentes na impugnação ao lançamento. Em sede de preliminar, procura demonstrar a tempestividade do Recurso Voluntário apresentado. Por seu turno, tendo exonerado crédito tributário em valor superior ao limite de alçada, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento recorre de ofício da decisão tomada a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Do Recurso Voluntário Em fase preliminar, a Recorrente sustenta ter apresentado o Recurso Voluntário dentro do prazo previsto na legislação de regência. Explica: 1.1. Em desfavor da Recorrente foi lavrado auto de infração onde se exigiu o recolhimento de PIS, no valor de R$ 459.959,56, e de COFINS, na importância de R$ 1.985.381,86, relativamente a fatos geradores ocorridos no período de 31/01/2007 a 30/09/2009. Fl. 2380DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 8 1.2. Do referido lançamento a Recorrente foi intimada, via AR, em 31/08/2012, como se depreende do comprovante acostado à fl. 2.006. 1.3. Não se conformando com a indevida exigência, a Recorrente apresentou tempestiva impugnação, à qual foi julgada parcialmente procedente, nos termos do acórdão recorrido. 1.4. Em 10/07/2015 a Recorrente, ao acessar sua caixa postal eletrônica, verificou que o aludido acórdão havia ali sido disponibilizado. Porém, como todos os demais atos anteriores foram realizados pela via postal, a mesma quedouse inerte, aguardando sua regular intimação pela forma eleita pela fiscalização, ou seja, por meio dos correios. 1.5. Diante da morosidade, a Recorrente, a fim de evitar a perempção, antecipouse à Receita Federal e vem darse por intimada, nesta data, da referida decisão de primeira instância. 1.6. Estes são, em síntese, os fatos. II DO DIREITO 2.1. Da preliminar de tempestividade do recurso, dada a inadequação da via eleita para efetuar a intimação: De início, acerca da tempestividade do recurso ora interposto, cumpre à Recorrente consignar que os atos anteriormente praticados, durante o procedimento fiscal, se deram por via postal, inclusive a intimação do lançamento. Isto, aliás, se confirma pelo documento apensado à fl. 2.006 (AR). Ante este fato, temse que as intimações efetivadas em descompasso com às demais praticadas no curso do procedimento fiscal devem ser consideradas nulas e, portanto, não possuem o condão de respaldar medidas restritivas ao direito de petição, à ampla defesa e ao contraditório da Recorrente. Com efeito, não é justo que a Receita Federal adote, para um mesmo processo, múltiplas formas de intimação sem prévia comunicação ao sujeito passivo, pois isso, além de representar uma verdadeira armadilha, lhe cerceia o acesso ao devido processo legal, do qual a ampla defesa e o contraditório são desdobramentos. Assim, em restando demonstrado que houve, no caso em tela, inquestionável cerceamento do direito de defesa, a intimação correspondente deve ser declarada nula, de sorte que o recurso ora interposto deve também ser recebido por tempestivo. Nos termos do Decreto nº 7.574/11, que regula o processo administrativo fiscal, considerarseá realizada a intimação nas seguintes circunstâncias e pelos seguintes meios. Art. 11. Considerase feita a intimação (Decreto no 70.235, de 1972, art. 23, § 2º, com a redação dada pela Lei no 11.196, de 2005, art. 113): I se pessoal, na data da ciência do intimado ou da declaração de recusa lavrada pelo servidor responsável pela intimação; II se por via postal, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 2º, inciso II, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67); Fl. 2381DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721866/201228 Acórdão n.º 3302003.394 S3C3T2 Fl. 6 9 III se por meio eletrônico, quinze dias contados da data registrada (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 2º, inciso III, com a redação dada pela Lei no 11.196, de 2005, art. 113): a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; ou IV se por edital, quinze dias após a sua publicação (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 2º, inciso IV, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67, e pela Lei no 11.196, de 2005, art. 113). Conforme §§ 5º e 6º da Lei 11.196/05, o endereço eletrônico a que alude o Decreto nº 7.574/11 somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. Também, ficou estabelecido que as alterações efetuadas pelo artigo 113 da Lei seriam disciplinadas em ato da administração tributária. Exercendo a prerrogativa outorgada pelo legislador, o Ministério da Fazenda editou a Portaria nº 527/2010, que assim disciplinou a ciência eletrônica. Art. 4° A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pelo órgão competente do MF mediante: I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1° Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a caixa postal a ele atribuída pela Administração Tributária e disponibilizada no centro virtual na Internet, desde que o sujeito passivo expressamente autorize. § 2° A autorização a que se refere o § 1° darseá mediante envio pelo sujeito passivo aos órgãos competentes do MF de Termo de Opção, por meio do centro virtual, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. (...) Art. 6° Considerase feita a intimação por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados: I da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, nos casos do inciso I do art. 4°; II da data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo, nos casos do inciso II do art. 4°; ou III após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. Os mesmos critérios para definição da data a partir da qual considerase intimado o contribuinte foram especificados na Lei nº 11.196/05. No caso em tela, observando o regramento estabelecido na legislação de regência, temse que o contribuinte foi considerado intimado em 10/07/2015 e apresentou o Fl. 2382DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 10 Recurso Voluntário somente em 19/08/2015, tal como consta no Termo de Análise de Solicitação de Juntado. Portanto, constatase o Recurso foi apresentado mais do que um mês depois da data limite para sua interposição. E nem se fale que a Administração esteja obrigada a utilizar sempre os mesmos meios para intimação do Administrado. O § 3o do art. 23 da Decreto 70.235/72, com redação dada pela mesma Lei nº 11.196/05, não deixa margem de dúvidas de que os meios de intimação previstos nos incisos do caput do artigo não estão sujeitos a ordem de preferência, assim como não se tem conhecimento de qualquer comando normativo que oriente o Fisco a utilizar, desde a instauração do procedimento fiscal, o mesmo meio para de notificar o contribuinte dos assuntos de seu interesse. Por todas essas razões, o Recurso deve ser declarado perempto, não se tomando conhecimento das demais matérias nele controvertidas. Do Recurso de Ofício O crédito tributário exonerado no julgamento de primeira instância decorre de revisão dos cálculos realizada no curso de diligência determinada pelo próprio Relator do processo, se não vejamos. Ante o exposto, voto no sentido: (...) c) do cancelamento dos demais valores lançados de PIS/COFINS (ver demonstrativos a seguir), em razão do aproveitamento de créditos presumidos apurados na diligência. Antes da decisão acima, a autoridade diligenciada esclarecera: 47. Prosseguindo com o método, identificamos restarem saldos devedores somente nos meses de outubro/2006, dezembro/2006, fevereiro/2007, março/2007 e outubro/2008. 48. De forma sucinta, podemos afirmar que houve uma sensível redução dos valores que compuseram o crédito tributário constituído no auto de infração, remanescendo apenas os P.A. descritos acima no item 47, causada pelo aumento do crédito presumido disponível para os descontos dos débitos da mesma contribuição, devido à aplicação retroativa do art. 33 da lei 12.865/2013. O artigo a que faz alusão, tem o seguinte teor. Art. 33. O art. 8o da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, passa a vigorar com as seguintes alterações. (...) § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (grifos nossos) E a Lei nº 10.925/2004. Art. 8º... (...) Fl. 2383DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721866/201228 Acórdão n.º 3302003.394 S3C3T2 Fl. 7 11 § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e Tratase de uma controvérsia antiga. Referiase a interpretação da expressão "para os produtos de origem animal". Se referiase aos insumos ou aos produtos acabados. A Lei no 12.865/2013, de caráter expressamente interpretativo e, por conseguinte, obrigatoriamente aplicável a fatos pretéritos, deixou claro que o inciso I do § 3º referiase aos produtos acabados e não a insumos. Não há reparo a fazer na decisão de piso. VOTO por negar provimento ao Recurso de Ofício e conhecer apenas em parte o Recurso Voluntário, negandolhe provimento na parte em que foi conhecido. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 2384DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000380/2007-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 95 .0 00 38 0/ 20 07 -9 5 Fl. 606DF CARF MF Processo nº 16095.000380/200795 Resolução nº 2401000.546 S2C4T1 Fl. 596 2 RELATÓRIO Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada contra a empresa em epígrafe, referente à contribuição social para terceiros salário educação (FNDE) incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados, no período de 04/97 a 03/06. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 208/215), são fatos geradores das contribuições lançadas os valores pagos aos empregados a título de: alugueis, brindes, alimentação, seguro saúde, seguro de vida em grupo, estabilidade e indenização, participação nos lucros e resultados. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, sendo proferido o Acórdão 0524.114 9ª turma da DRJ/CPS, fls. 403/409, que julgou procedente em parte o lançamento, excluindo os valores apurados até a competência 11/01, por decadência. Cientificado do Acórdão em 12/2/09 (Aviso de Recebimento AR de fl. 414), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 5/3/09, fls. 417/421, no qual, dentre outras alegações, afirma que sofreu outras autuações para as quais apresentou defesa, relacionadas aos mesmos fatos geradores apurados no presente lançamento. Conforme Resolução de fls. 559/562, os autos foram baixados em diligência, com solicitação de indicação do número dos processos relativos aos debcad lançados na mesma ação fiscal, sua localização e o resultado do julgamento. Foram juntados os documentos de fls. 565/589 e retornados os autos para o CARF. É o relatório. Fl. 607DF CARF MF Processo nº 16095.000380/200795 Resolução nº 2401000.546 S2C4T1 Fl. 597 3 VOTO Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora Da verificação dos documentos juntados ao processo, construiuse o quadro 1 processos lavrados na ação fiscal. Quadro 1 Processos lavrados na ação fiscal. número eprocesso Debcad Fato gerador/Contrib. DRJ localização 16095.000377/200771 37.079.4214 Alimentação sem PAT improcedente nada no eprocesso 16095.000375/200782 37.079.4222 Seguro de vida em grupo proc parte CARF 16095.000376/200727 37.079.4230 PLR proc parte CARF 16095.000371/200702 37.079.4249 Estab e Indenização improcedente nada no eprocesso 16095.000380/200795 37.079.4257 FNDE proc parte CARF 16095.000379/200761 37.079.4265 Seguro saúde proc parte CARF 16095.000378/200716 37.079.4273 Alugueis proc parte excluído do eprocesso 16095.000384/200773 37.079.4281 Brindes proc parte excluído do eprocesso 16095.000381/200730 37.079.4320 AI 68 proc parte CARF Para o julgamento do presente processo é necessário saber o que ocorreu com os demais processos originados na mesma ação fiscal, conforme resolução anterior, para os quais ainda não restou suficiente as informações e os documentos que foram juntados aos autos. Assim, necessário que os autos sejam baixados em diligência para que DRF de origem preste as seguintes informações e junte documentos: a) A localização do processo nº 16095.000371/200702 (fato gerador estabilidade e indenização) e cópia da decisão da DRJ. Caso ele tenha sido arquivado, o motivo que determinou o arquivamento. b) O motivo que determinou o arquivamento do processo 16095.000378/2007 16 (tela à fl. 585) e cópia da decisão da DRJ. c) O motivo que determinou o arquivamento do processo 16095.000384/2007 73 (tela à fl. 588) e cópia da decisão da DRJ. O sujeito passivo deverá ser intimado do resultado da diligência, devendo ser concedido a ele o prazo de trinta dias para manifestação. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini. Fl. 608DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.004627/2007-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003, 2004, 2005
DA RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO PERDA DA ESPONTANEIDADE.
O início do procedimento administrativo ou medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo, em relação aos atos anteriores, para alterar as informações da DITR original.
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00.
A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-O, §1º, da Lei n.º 6.938/81.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE.
É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel.
ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA E NÃO ENFRENTADA NO RECURSO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente combatida, a teor do art. 17, do Decreto 70.235/72.
ITR. ÁREAS DE PASTAGEM. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA
A existência das áreas de pastagem deve ser comprovada por meio de documentação idônea, que ateste de forma inequívoca a existência de rebanho apascentado para que tais áreas sejam consideradas no cálculo do ITR.
No presente caso, a área declarada é diferente da constante no Laudo Técnico, bem como inexiste Ato Declaratório Ambiental, de modo que impossibilita o acolhimento da área pretendida.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR.
Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996.
MULTA DE OFÍCIO APLICADA. 75%. ART. 44 DA LEI Nº 9.430/96.
Sendo a multa aplicada no percentual mínimo de 75%, não cabe ao julgador administrativo afastá-la ou reduzi-la quando presentes os elementos fáticos necessários para a sua aplicação.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.781
Decisão: Acordam os membros do colegiado, (a) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para atribuir ao Valor da Terra Nua: (a.1) referente a 2003, o valor de R$1.798.315,83 e (a.2) relativo a 2005, o valor declarado de R$3.266.809,42; (b) pelo voto de qualidade, negar provimento do recurso voluntário em relação à Área de Preservação Permanente, por falta de apresentação de Ato Declaratório Ambiental; vencida nessa questão a relatora e os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves; (c) nas demais questões, negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes.
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Julio Cesar Vieira Gomes - Redator Designado
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003, 2004, 2005 DA RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento administrativo ou medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo, em relação aos atos anteriores, para alterar as informações da DITR original. ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA E NÃO ENFRENTADA NO RECURSO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente combatida, a teor do art. 17, do Decreto 70.235/72. ITR. ÁREAS DE PASTAGEM. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA A existência das áreas de pastagem deve ser comprovada por meio de documentação idônea, que ateste de forma inequívoca a existência de rebanho apascentado para que tais áreas sejam consideradas no cálculo do ITR. No presente caso, a área declarada é diferente da constante no Laudo Técnico, bem como inexiste Ato Declaratório Ambiental, de modo que impossibilita o acolhimento da área pretendida. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. MULTA DE OFÍCIO APLICADA. 75%. ART. 44 DA LEI Nº 9.430/96. Sendo a multa aplicada no percentual mínimo de 75%, não cabe ao julgador administrativo afastá-la ou reduzi-la quando presentes os elementos fáticos necessários para a sua aplicação. Recurso Provido em Parte
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, (a) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para atribuir ao Valor da Terra Nua: (a.1) referente a 2003, o valor de R$1.798.315,83 e (a.2) relativo a 2005, o valor declarado de R$3.266.809,42; (b) pelo voto de qualidade, negar provimento do recurso voluntário em relação à Área de Preservação Permanente, por falta de apresentação de Ato Declaratório Ambiental; vencida nessa questão a relatora e os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves; (c) nas demais questões, negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. João Bellini Júnior - Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi - Relatora. (Assinado digitalmente) Julio Cesar Vieira Gomes - Redator Designado (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza
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O início do procedimento administrativo ou medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo, em relação aos atos anteriores, para alterar as informações da DITR original. ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA E NÃO ENFRENTADA NO RECURSO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente combatida, a teor do art. 17, do Decreto 70.235/72. ITR. ÁREAS DE PASTAGEM. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA A existência das áreas de pastagem deve ser comprovada por meio de documentação idônea, que ateste de forma inequívoca a existência de AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 46 27 /2 00 7- 77 Fl. 458DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 rebanho apascentado para que tais áreas sejam consideradas no cálculo do ITR. No presente caso, a área declarada é diferente da constante no Laudo Técnico, bem como inexiste Ato Declaratório Ambiental, de modo que impossibilita o acolhimento da área pretendida. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. MULTA DE OFÍCIO APLICADA. 75%. ART. 44 DA LEI Nº 9.430/96. Sendo a multa aplicada no percentual mínimo de 75%, não cabe ao julgador administrativo afastála ou reduzila quando presentes os elementos fáticos necessários para a sua aplicação. Recurso Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, (a) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para atribuir ao Valor da Terra Nua: (a.1) referente a 2003, o valor de R$1.798.315,83 e (a.2) relativo a 2005, o valor declarado de R$3.266.809,42; (b) pelo voto de qualidade, negar provimento do recurso voluntário em relação à Área de Preservação Permanente, por falta de apresentação de Ato Declaratório Ambiental; vencida nessa questão a relatora e os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves; (c) nas demais questões, negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. (Assinado digitalmente) Julio Cesar Vieira Gomes Redator Designado (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza Relatório Fl. 459DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10183.004627/200777 Acórdão n.º 2301004.781 S2C3T1 Fl. 459 3 Contra a Recorrente acima qualificada foi lavrado Auto de Infração (fls. 08/21), referente a diferença apurada de Imposto Território Rural ITR, dos exercícios de 2003, 2004 e 2005, no valor total de R$ 4.296.624,04, incidente do imóvel rural denominado “Fazenda Jarinã”, inscrito na Receita Federal sob n° 6.712.6634, com área total de 16.668,0492 hectares, situado no município de Peixoto de Azevedo MT. O fiscal autuante relata que foi apurada a falta de recolhimento do ITR, decorrente de glosa da área declarada como de preservação permanente, de utilização limitada (2004/2005), de pastagens (2003) e de exploração extrativa (2003/2004). Houve alteração do valor da terra nua (2003 e 2005), em adequação aos valores constantes do SIPT. Em consequência, houve aumento da base de cálculo, da alíquota e do valor devido do tributo. A contribuinte apresentou os documentos solicitados, dentro do prazo concedido pelo Auditor Fiscal, referente ao exercício de 2003. A recorrente exalta a ficha de Atividade Pecuária, que teve a relação da “Área de Pastagem Calculada” e a ficha de Atividade Extrativa, com enfoque na “Área Calculada”, alegando a ocorrência de erro no preenchimento da DITR, ocasionando divergências da situação real do imóvel, comprovado através do Laudo de Avaliação referente aos anos de 2003, 2004 e 2005. Sendo três laudos, um para cada ano exercício. O Laudo Técnico apresentado pela contribuinte tem o VTN de R$ 107,89. Entende a autuada que pode perfeitamente ser aceito para fins tributários nos exercícios de 2003, 2004 e 2005, por expressar a realidade da propriedade e contexto da região do imóvel, além do que, o VTN nestes exercícios não sofreu grandes variações, podendo também pautar o valor do imóvel em relação ao preço do gado, sofrendo uma variação de 4% para mais ou para menos. Anexou os documentos: Laudo de Avaliação (fls. 46/75), Certidão/INCRA/SR14/UAC/PAZ/N°01/03/2002 (fl. 80), Certidões do Registro de Imóveis (fl. 83/88), Carta Imagem de satélite (fl. 90), Carta Solo – RADAMBRASIL (fl. 92), Carta Capacidade Uso Solo Faz. Jarina II (fl. 94), Certidão das matrículas (fl. 96), Mapa de uso atual do solo (fl. 111), Mapa de vegetação RADAMBRASIL (fl. 114), Histórico do valor da Arroba do boi – FAMATO (fl. 115). A interessada apresentou a impugnação de fls. 312/329. Alegou em síntese: inicialmente, argumenta que o imóvel está localizado próximo a uma área de diversos conflitos agrários, o que acarreta uma enorme instabilidade no mercado imobiliário, ocasionando uma desvalorização dos imóveis naquela região; afirma que o imóvel está inserido na região de abrangência da Amazônia Legal, possuindo um Termo de Ajustamento de Conduta de Compromisso de Averbação de Área de Reserva Legal; argumenta que o Auto de Infração possui vícios, o que acarreta sua nulidade; alega que a isenção das áreas de preservação permanente e de reserva legal deve ser aceita pelo simples efeito da Lei, não estando sujeita a apresentação de ADA ao IBAMA; Fl. 460DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 aduz que o ADA é mera formalidade, cujo descumprimento não pode ensejar a cobrança de crédito tributário. Afirma que as informações não estão sujeitas à prévia comprovação, conforme dispõe a MP 2.16667; solicita a aceitação da área de pastagens, argumentando que fez prova do efetivo pecuário das Fazendas Jarinã I e Jarinã II, informando, ainda que houve remanejamento de gado entre as duas fazendas. Insurgese contra a incidência de multa e juros aplicados no lançamento, por entender que são confiscatórios; não impugna expressamente a glosa da área de exploração extrativa; Resumo da autuação: Exercício de 2003 Distribuição da Área do Imóvel (ha) Declarado Apurado 01. Área Total do Imóvel 16.668,0 16.668,0 02. Área de Preservação Permanente 23,0 23,0 03. Área de Utilização Limitada 668,0 668,0 04. Área Tributável (01 – 02 – 03) 15.977,0 15.977,0 05. Área Ocupada com Benfeitorias 198,0 198,0 06. Área Aproveitável (04 – 05) 15.779,0 15.779,0 Distribuição da Área Utilizada (ha) Declarado Apurado 07. Produtos Vegetais 0,0 0,0 08. Pastagens 198,0 0,0 09. Exploração Extrativa 15.550,0 0,8 10. Atividade Granjeira/Aquícola 0,0 0,0 11. Área Utilizada (07 + 08 + 09 + 10) 15.748,0 0,8 12. Grau de Utilização (11 / 06) * 100 99,8 0,0 Cálculo do Valor da Terra Nua Declarado (R$) Apurado (R$) 13. Valor Total do Imóvel 833.400,00 2.864.062,44 14. Valor das Benfeitorias 0,0 0,0 15. Valor das Culturas/Pastagens/Florestas 0,0 0,0 Fl. 461DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10183.004627/200777 Acórdão n.º 2301004.781 S2C3T1 Fl. 460 5 16. Valor da Terra Nua (13 – 14 – 15) 833.400,00 2.864.062,44 Exercício de 2004 Distribuição da Área do Imóvel (ha) Declarado Apurado 01. Área Total do Imóvel 16.668,0 16.668,0 02. Área de Preservação Permanente 23,0 0,0 03. Área de Utilização Limitada 15.977,0 0,0 04. Área Tributável 668,0 16.668,0 05. Área Ocupada com Benfeitorias 0,0 0,0 06. Área Aproveitável (04 – 05) 668,0 16.668,0 Distribuição da Área Utilizada (ha) Declarado Apurado 07. Produtos Vegetais 0,0 0,0 08. Pastagens 0,0 0,0 09. Exploração Extrativa 668,0 0,0 10. Atividade Granjeira/Aquícola 0,0 0,0 11. Área Utilizada (07 + 08 + 09 + 10) 668,0 0,0 12. Grau de Utilização (11 / 06) * 100 100,0 0,0 Cálculo do Valor da Terra Nua Declarado (R$) Apurado (R$) 13. Valor Total do Imóvel 3.266.809,42 3.266.809,42 14. Valor das Benfeitorias 0,0 0,0 15. Valor das Culturas/Pastagens/Florestas 0,0 0,0 16. Valor da Terra Nua (13 – 14 – 15) 3.266.809,42 3.266.809,42 Exercício de 2005 Distribuição da Área do Imóvel (ha) Declarado Apurado Fl. 462DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 01. Área Total do Imóvel 16.668,0 16.668,0 02. Área de Preservação Permanente 223,0 0,0 03. Área de Utilização Limitada 15.977,0 0,0 04. Área Tributável 668,0 16.668,0 05. Área Ocupada com Benfeitorias 0,0 0,0 06. Área Aproveitável (04 – 05) 668,0 16.668,0 Distribuição da Área Utilizada (ha) Declarado Apurado 07. Produtos Vegetais 0,0 0,0 08. Pastagens 0,0 0,0 09. Exploração Extrativa 668,0 668,0 10. Atividade Granjeira/Aquícola 0,0 0,0 11. Área Utilizada (07 + 08 + 09 + 10) 668,0 668,0 12. Grau de Utilização (11 / 06) * 100 100,0 4,0 Cálculo do Valor da Terra Nua Declarado (R$) Apurado (R$) 13. Valor Total do Imóvel 3.266.809,42 3.924.313,92 14. Valor das Benfeitorias 0,0 0,0 15. Valor das Culturas/Pastagens/Florestas 0,0 0,0 16. Valor da Terra Nua (13 – 14 – 15) 3.266.809,42 3.924.313,92 A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 2/21. A Turma de Primeira Instância julgou a impugnação improcedente, restando a decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003, 2004, 2005 ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. REQUISITOS. Por exigência de Lei, para ser considerada isenta, a área de reserva legal deve estar averbada na Matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e ser reconhecida mediante Fl. 463DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10183.004627/200777 Acórdão n.º 2301004.781 S2C3T1 Fl. 461 7 Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado. O ADA é igualmente exigido para a comprovação das áreas de preservação permanente. ÁREA UTILIZADA. Não é possível a alteração da área utilizada considerada no Auto de Infração, quando o contribuinte não comprova, mediante documentação hábil, que a utilização do imóvel deuse em nível superior ao constante do lançamento. VALOR DA TERRA NUA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. MATERIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Lançamento Procedente A Contribuinte foi notificada do Acórdão 0417.941 1ª Turma da DRJ/CGE em 24/08/2009 (fl. 402), mediante Aviso de Recebimento – AR. Em 22/09/2009, sobreveio recurso voluntário (fl. 409). Em suas razões passa a expor: que comprovou os dados relativos ao ITR 2003, 2004 e 2005 incidentes sobre o imóvel rural “Fazenda Jarinã II” com o laudo técnico (fl. 426) elaborado pelo Engenheiro Agrônomo Emílio Augusto Mendes Machado o mesmo Laudo Técnico esclarece pontos sobre as Áreas de Preservação Permanente, Área de Reserva Legal, Produção agrícola do imóvel, a conservação dos recursos naturais, dentre outros aspectos; o Laudo de Avaliação também comprova o valor atribuído da Terra Nua – VTN para o lançamento do ITR 2003, 2004 e 2005 tratando do Ato Declaratório Ambiental, a contribuinte alega que a concepção e posteriormente, ter tornado o ADA obrigatório, teve como objetivo a penalização das áreas de reserva legal e preservação permanente com a tributação, para aqueles que não cumprissem a obrigação de registrar no IBAMA; em relação ao Valor da Terra Nua (VTN) de R$ 933.170,37 encontrado no Laudo de Avaliação, o engenheiro agrônomo utilizou a metodologia, partindo do princípio da Interpretação de que o VTN = VTI (Valor Total do Imóvel) – Benfeitorias como consta a própria interpretação da Receita Federal através do Manual DITR/2003/2004/2005; Fl. 464DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 declara que “partindo de que as benfeitorias úteis e necessárias, descritas, ou seja, uma casa sede, um curral com 450,0 m2, 44.000,00 metros de cerca com arame liso, rede elétrica com Grupo Gerador (45 KVA), 1.800,00.00 ha de pastagem artificial e 594,7277 ha de pastagem nativa, avaliadas em R$ 2.333.639, obtevese o VTN para os exercícios de 2003, 2004 e 2005: VTN = VTI (aceito pela RFB) Benfeitorias úteis e necessárias VTN = R$ 3.266.809,42 R$ 2.333.639,05 VTN = R$ 933.170,37” expõe sobre o VTN a Lei 9.393/96 em seu art. 14, que reforça seus argumentos “no caso de subavaliação do valor do imóvel pela Secretaria da Receita Federal, se procederá à determinação e o lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras constantes de sistema a ser por ela instituído. ” complementa que “na hipótese de não serem fornecidos os preços de terras para um determinado município, nem pela Secretaria Estadual de Agricultura, nem pela Secretaria Municipal de Agricultura, tendo em vista o comando e a competência legal para a instituição do SIPT, [...], a Receita Federal do Brasil disporá, para fins de lançamento de ofício do ITR, o preço médio do hectare obtido a partir dos valores informados nas DIRT pelo conjunto dos próprios contribuintes dos imóveis localizados em cada município”. Nas Secretarias de Agricultura Estadual e Municipal, foram solicitadas informações acerca do VTN para serem considerados no estabelecimento do SIPT sobre o imóvel rural autuado, no entanto não obtiveram resposta. a contribuinte questiona a multa de 75% do valor do imposto apurado, considerandoa injustamente imposta por não ter sido constatado máfé por parte do recorrente. Nesse sentido cita a Súmula CARF n° 14 “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária à comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. ”. Ao fim, requer seja aceita a área de pastagem, equivalente a 1.800,0000 hectares, comprovadamente existente e, consequentemente, do efetivo pecuário, com média apurada de 1.322 animais de grande porte remanejado da “Fazenda Jarinã" para a “Fazenda Jarinã II"; seja aceito o Valor da Terra NuaVTN apurado, equivalente a R$ 933.170,37, conforme metodologia da ABNT e recomendada pelos próprios manuais da Receita Federal do Brasil; seja cancelada a multa, correspondente a 75% do valor do imposto apurado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, uma vez não constatado mais do que verdadeiras as informações prestadas pela recorrente; que se digne ainda assegurarlhe a oportunidade de produzir provas complementares, caso sejam necessárias, até porque se encontram duas correspondências retidas com documentação oriunda de Mato Grosso, em razão da greve deflagrada pelos funcionários dos correios em 16/09/2009, substanciais ao recurso voluntário; Fl. 465DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10183.004627/200777 Acórdão n.º 2301004.781 S2C3T1 Fl. 462 9 que após o julgamento recurso voluntário, lhe seja ainda assegurado o direito aos benefícios de que se trata a Lei 11.941, de 27/05/2009, que trata de remissão tributária e parcelamentos especiais; que sejam também levados em conta os aspectos relevantes da impugnação impetrada junto á Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande – MS. É o relatório Passo a decidir. Voto Vencido Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso possui os requisitos de admissibilidade do Decreto 70.235/72, merecendo ser conhecido. Trata o presente de glosa da área declarada como de preservação permanente e de utilização limitada, relativamente aos exercícios de 2004 e 2005, de pastagens no exercício de 2003 e de exploração extrativa referente aos exercícios de 2003 e 2004. Houve alteração do valor da terra nua para os exercícios de 2003 e 2005, em adequação aos valores constantes do SIPT. Área de Preservação Permanente Após o início da ação fiscal o Contribuinte perdeu a espontaneidade para efetuar qualquer alteração nos dados por ele informados, nos termos do art. 138 do CTN c/c o disposto no art. 7º do Decreto nº 70.235/72, e, da mesma forma, no art. 33 do Decreto 7.574/2011. Portanto, prevalece os dados informados nas DITR, embora o Laudo Técnico informe quantidade superior. Salientase que para o ano de 2003 não houve glosa, ou seja, o Fisco admitiu a existência de 23 ha de APP, no entanto glosou para o ano de 2004 os mesmos 23 ha. Para melhor compreensão do que foi declarado pela contribuinte e do que foi glosado pela autoridade fiscal, reportome ao quadro resumo da autuação constante do relatório acima. EXERCÍCIO 2004 02. Área de Preservação Permanente 23,0 0,0 EXERCÍCIO 2005 02. Área de Preservação Permanente 223,0 0,0 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Portanto, verificase que foi objeto de alteração pelo fiscal, a área declarada como sendo de Preservação Permanente APP, nos anos de 2004 e 2005. A partir da alteração promovida pela Lei nº 10.165/00, a entrega da ADA tem sido exigida como requisito à redução de imposto a pagar. Para que se compreenda adequadamente a alteração normativa e seu reflexo sistemático dentro do ordenamento, é preciso que se observe que o ADA é um ato unilateral elaborado pelo contribuinte, que não tem o condão de constituir juridicamente as situações nele descritas. Em outros termos, a mera inserção de área de preservação permanente no respectivo campo possui evidente eficácia declaratória da sua existência, que poderá ser confrontada com a descrição contida em laudo técnico – documento elaborado por terceiro que corroborará a situação inserida no ADA. Coadunamse com o entendimento desta Relatora, os julgados abaixo transcritos: RECURSO ESPECIAL Nº 1.112.283 PB (2009/00474797) RELATOR : MINISTRO BENEDITO GONÇALVES RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL E OUTRO(S) RECORRIDO : LUIZ GONZAGA PRIMO ADVOGADO : FREDERICO MATOS BRITO SANTOS E OUTRO(S) EMENTA TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. 1. A orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmouse no sentido de que "o Imposto Territorial Rural ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite da exclusão da sua base de cálculo a área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007). No mesmo sentido: REsp 812.104/AL, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 10/12/2007; REsp 587.429/AL, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 2/8/2004. 2. Recurso especial não provido.(grifei) ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Luiz Fux, Teori Albino Zavascki e Denise Arruda (Presidenta) votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 19 de maio de 2009 (Data do Julgamento) MINISTRO BENEDITO GONÇALVES Relator ____________________________________________________ Fl. 467DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10183.004627/200777 Acórdão n.º 2301004.781 S2C3T1 Fl. 463 11 RECURSO ESPECIAL Nº 1.589.687 MG (2016/00598642) RELATOR : MINISTRO SÉRGIO KUKINA RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : V & M FLORESTAL LTDA ADVOGADOS : HUDSON FERNANDO COUTO DENISE BRUM MONTEIRO DE CASTRO VIEIRA E OUTRO(S) GUILHERME ANDRADE MARTINS SIBELE FERNANDA PRADO DA SILVA Tratase de recurso especial fundado no CPC/73, manejado pela FAZENDA NACIONAL, com base no art. 105, III, a, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, assim ementado (fl. 246): TRIBUTÁRIO PROCESSUAL CIVIL AÇÃO ORDINÁRIA ITR DECOTADA, DA BASE DE CÁLCULO, A ÁREA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL REGISTRO CARTORÁRIO E ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA: DISPENSÁVEIS PRECEDENTES. 1STJ: para fins de isenção do ITR (AgRgREsp n° 1.315.220/MG) quanto às áreas de preservação ambiental permanente e reserva legal, dispensa se averbação no CRI e ato declaratório do IBAMA. 2 Remessa oficial não provida. (grifei) Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso especial para determinar a incidência do ITR, em relação à área de reserva legal, nos termos da fundamentação. Publiquese. Brasília (DF), 05 de abril de 2016. MINISTRO SÉRGIO KUKINA Relator ____________________________________________________ AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.395.393 MG (2013/02424844) RELATOR: MINISTRO BENEDITO GONÇALVES AGRAVANTE: FAZENDA NACIONAL ADVOGADO: PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL AGRAVADO: V E M FLORESTAL LTDA ADVOGADO: GUILHERME ANDRADE MARTINS E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE AVERBAÇÃO OU DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. INCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL ANTE A AUSÊNCIA DE AVERBAÇÃO. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 1. A orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmouse no sentido de que "o Imposto Territorial Rural ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite a exclusão da sua base de cálculo de área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR,Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007). No mesmo sentido: REsp 1.112.283/PB, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 1/6/2009; REsp 812.104/AL, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 10/12/2007 e REsp 587.429/AL, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 2/8/2004. 2. Agravo regimental não provido ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Marga Tessler (Juíza Federal convocada do TRF 4ª Região) e Napoleão Nunes Maia Filho (Presidente) votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 19 de março de 2015 (Data do Julgamento Destaco, por fim, o Informativo de Jurisprudência do STJ nº 0375 de 2008, que reitera entendimento acerca da dispensabilidade do ADA. Frisese que o Informativo é posterior às alterações procedidas pelo art. 9º, da Instrução Normativa nº 96, de 30 de março de 2006. Informativo nº 0375 Período: 3 a 7 de novembro de 2008. Segunda Turma ITR. ÁREA. PRESERVAÇÃO PERMANENTE. IBAMA A Turma reiterou o entendimento de que o imposto territorial rural (ITR) é tributo sujeito a lançamento por homologação e que o art. 10, § 7º, da Lei n. 9.393/1996 permite a exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do referido imposto, sem necessidade de ato declaratório ambiental do Ibama. Precedentes citados: REsp 812.104AL, DJ 10/12/2007, e REsp 587.429AL, DJ 2/8/2004. REsp 898.537GO, Rel. . Eliana Calmon, julgado em 6/11/2008. Merece guarida, portanto, o entendimento de que não se faz necessária a apresentação da ADA Ato Declaratório Ambiental para exclusão da incidência do ITR das áreas de preservação permanente. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10183.004627/200777 Acórdão n.º 2301004.781 S2C3T1 Fl. 464 13 Ressalvado o entendimento desta relatora quanto a prescindibilidade do ADA quando existentes outros elementos de prova que tornem inequívocas as informações contidas na DITR (LAUDO TÉCNICO), no presente caso, na verdade, o que a contribuinte pretende é o acolhimento da área de 828,88 ha de preservação permanente, alegando o georreferenciamento e a existência de Laudo Técnico. No entanto, como já mencionado anteriormente, a Recorrente perdeu a espontaneidade para retificação da declaração, sendo a área requerida bastante superior à declarada, de modo que, no presente caso, deve prevalecer a área declarada. Assim, restabeleço, com base no Laudo Técnico apresentado, as APP de acordo com as constantes nas DITR. Área de Reserva Legal Novamente, para melhor visualização do que fora declarado e o que fora glosado, colaciono excerto do resumo da autuação constante do relatório. EXERCÍCIO DE 2004 03. Área de Utilização Limitada 15.977,0 0,0 EXERCÍCIO DE 2005 03. Área de Utilização Limitada 15.977,0 0,0 No que tange às áreas de Reserva Legal (Área de Utilização Limitada), é exigência de lei, que esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de Registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. A averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, tratase de ato constitutivo da própria área de reserva legal, documento que cria um registro público da sua existência e faz surgir uma obrigação real de preservação. Vislumbrase que, distintamente da Área de Preservação Permanente, em que a demarcação de tais áreas encontrase na lei ou em declaração do Poder Público, no caso da Reserva Legal, a lei fixa apenas percentuais mínimos a serem observados, cabendo ao proprietário/possuidor escolher qual área de sua propriedade será reservada para proteção ambiental. A simples observância dos percentuais mínimos estabelecidos na lei e comprovados no laudo técnico não garante o benefício fiscal, pois somente com a averbação delimitase a Área de Reserva Legal sobre a qual passa a ser vedada qualquer alteração na “sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área” (art. 16, §8º, do Código Florestal). Fl. 470DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Cabe lembrar ainda, que “os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247 do CC), salvo os casos expressos neste Código” (art. 1.227 do Código Civil). Assim, somente a partir da averbação da reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é que o uso da área correspondente fica restrito às normas ambientais, alterando o direito de propriedade e influindo diretamente. Outrossim, em julgamento recente (EREsp 1027051 – 26/08/2013), a 1ªSeção do STJ, pacificou o entendimento das turmas de direito público, no sentido que a isenção do Imposto Territorial Rural – ITR, vale tão somente para as Áreas de Reserva Legal registradas na matrícula do imóvel, sob o fundamento que a União e os Municípios possam fiscalizar os contribuintes que declaram ter áreas de reserva legal dentro da propriedade para aproveitamento do benefício fiscal. A contribuinte, ao impugnar a autuação, consigna: No recurso inicial impetrado por procurador constituído pela contribuinte, foi informado que, por se tratar se uma área de posse e não possuir matrícula no competente Cartório de Registro de Imóveis, o imóvel não possuía averbação da Área de Reserva legal. Esta informação está correta, todavia, por um lapso, deixou de anexar o Termo de Compromisso para Averbação da Reserva Legal TCARL do imóvel rural "FAZENDA JARINà II", inicialmente identificado, de posse da ora impugnante objeto do presente processo, elaborado e lavrado em 10 de abril de 2001, devidamente assinado à época pelo Engenheiro Florestal/Agrônomo/Gerente de Projeto do IBAMA/UTM/CR/SINOP/MT, bem como pelo detentor do imóvel, o qual encontrase devidamente registrado desde a data de 06 de junho de 2001, no cartório de Títulos e Documentos de Peixoto de AzevedoMT, sob o nº 3.851 do Livro "B10.(grifei) A CERTIDÃO/INCRA/SR13/UAC/PAZ/MT/Nº02/03, acostada pela contribuinte (fl. 437), certifica que a Agropecuária Jarinã detém a posse mansa e pacífica da Fazenda Jarinã, localizada na Rodovia Estadual MT 322. Já a certidão de fl. 438/440, certifica que consta registrado sob o nº 3.851, do Livro nº "B10", em 06 de junho de 2.001 TERMO DE COMPROMISSO PARA AVERBAÇÃO DE RESERVA LEGAL TCARL. Entretanto, em que pese haja verossimilhança nas alegações da autuada, com base nos referidos documentos não é possível inferir qual área do imóvel é de Utilização Limitada/Reserva Legal. Na supramencionada certidão, há tão somente a informação da área total do imóvel, sem constar nenhuma área aproximada ao que fora declarada nas DITR's pela contribuinte e posteriormente glosadas pela fiscalização. Ademais, somente a título de argumentação, as informações constantes dos mapas e documentos carreados aos autos, é de que a Área de Reserva Legal é de, supostamente, 13.334,43.93 ha e não 15.977,0 ha como fora declarado. Assim, ante a inexistência de matrícula no Registro de Imóveis, confirmada pela contribuinte e, por decorrência lógica, a inexistência de averbação da Área de Reserva legal, não há como dar guarida às alegações da recorrente. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10183.004627/200777 Acórdão n.º 2301004.781 S2C3T1 Fl. 465 15 Portanto, por falta de averbação, deve ser mantida a glosa. Área de Exploração Extrativa No que se refere à glosa da área declarada como sendo de exploração extrativa, referente aos exercícios de 2003 (15.550,0 ha) e 2004 (668,0 ha), não houve manifestação expressa da contribuinte quanto a esse ponto, de modo que nos termos do art. 17, do Decreto 70.235/72, considerase como não impugnada. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Área de Pastagens A autoridade fiscal glosou integralmente a área de pastagens declarada no exercício de 2003. Consta do Auto de Infração (fl. 03), que a contribuinte declarou 198,0 ha. 08. Pastagens 198,0 0,0 A recorrente alega a existência de aproximadamente 1.300 animais de grande porte que foram remanejados da Fazenda Jarinã para a Fazenda Jarinã II. Por outro lado, o Laudo de Avaliação acostado, informa a área de pastagens com a extensão de 1.873,500 ha. Além da discrepante diferença existente entre o declarado e o atestado através do Laudo de Avaliação, não é possível a comprovação da existência efetiva de rebanho apascentado na área informada como sendo de pastagens. Em que pese se reconheça a prática de remanejo de gado entre fazendas, o documento acostado pelo recorrente não garante a convicção necessária para que seja acatada a área de pastagens. As informações do Instituto de Defesa Agropecuária de MT (fl. 372/374), apontam rebanho existente na Fazenda Jarinã, que, segundo a contribuinte, uma parte foi remanejada para a Fazenda Jarinã II e Declaração de fl. 370, assinada pelo veterinário Claudemir Volcean Rodrigues, não informa de maneira precisa o efetivo número de cabeças que receberam sistema de remanejando e tampouco informa o período, limitando a consignar que "aproximadamente 1.300 (mil e trezentas) cabeças receberam sistema de remanejamento constantes nesses últimos anos de áreas da Agropecuária Jarinã [...]" Assim, tendo em vista que para o exercício 2003 não restou comprovada a existência de rebanho que justificasse a área de pastagens declarada, deve ser mantida a glosa. Valor da Terra Nua VTN Passase a análise do valor da terra nua informado pelo contribuinte em sua DITR do exercício de 2003 e 2005, o qual fora alterado pela fiscalização. EXERCÍCIO DE 2003 16. Valor da Terra Nua (13 – 14 – 15) 833.400,00 2.864.062,44 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 EXERCÍCIO DE 2005 16. Valor da Terra Nua (13 – 14 – 15) 3.266.809,42 3.924.313,92 A autoridade fiscal considerou ter havido subavaliação no cálculo do VTN declarado para o imóvel na DITR/2003, de R$ 833,400,00 sendo arbitrado o valor de R$ 2.864.062,44 e na DITR/2005, de R$ 3.266.809,42, sendo arbitrado o valor de R$ 3.924.313,92 com base no menor VTN/ha SIPT da Receita Federal, instituído em consonância com o art. 14 da Lei 9.393/1996, e observadas a Portaria SRF nº 447/2002 e a Norma de Execução Cofis nº 02/2010, aplicável à execução da malha fiscal desse exercício. Ao fazer a leitura da decisão "a quo" (fl. 391), a Turma Julgadora afirma que o arbitramento do VTN não foi impugnado, o que é um equívoco. Vejamos, pequeno excerto da impugnação apresentada pela contribuinte (fls. 313/329): Fl. 473DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10183.004627/200777 Acórdão n.º 2301004.781 S2C3T1 Fl. 466 17 [...] [...] Assim, verificase que, equivocadamente, foi consignado pela decisão "a quo" que a matéria referente ao VTN não fora impugnada. Todavia, tendo em vista que a apreciação do mérito referente a esse item da autuação se dará de forma favorável ao contribuinte, esta relatora deixa de encaminhar o feito à Turma Julgadora "a quo" para que se manifeste acerca da impugnação apresentada, sanando assim a nulidade da decisão recorrida, nos termos do art. 59,§3º do Decreto 70.235/72. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade Fl. 474DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.( Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993.) O parágrafo 2° do artigo 8° da Lei n° 9.393, de 1996, dispõe que o VTN deve refletir o preço de mercado de terras, apurado em 1° de janeiro do ano a que se referir a declaração do ITR. A autoavaliação do valor da terra nua a preço de mercado efetuada pelo contribuinte em sua DITR está sujeita à fiscalização pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e, caso verificada a subavaliação, com base na tabela SIPT, será procedida a correção do valor declarado, conforme disposto no art. 14, abaixo transcrito: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Como se vê, por força do estabelecido no § 1º do art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, as informações sobre preços de terras observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II, da Lei n 8.629, de 25 de fevereiro de 1.993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos municípios. Confirase a transcrição do referido artigo, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.18356, de 2001: Art.12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e cessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel; II aptidão agrícola III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. § 1º Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. § 2º Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10183.004627/200777 Acórdão n.º 2301004.781 S2C3T1 Fl. 467 19 § 3º O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Analisandose o conteúdo das normas reguladoras para a fixação dos preços médios de terras por hectare só posso concluir que o levantamento do VTN, levando em conta a média dos VTNs constantes nas DITRs, não tem suporte legal, pois o arbitramento do valor da terra nua com base nos dados do SIPT deve levar em conta, necessariamente, as informações sobre aptidão agrícola. No Estado de Direito deve sempre imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa conforme estabelecido pela lei. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário. Ora, se a fixação do VTN não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, já que a autoridade fiscal lançadora se utilizou do VTN médio das DITRs entregues no município, então não se cumpriu o comando legal e o VTN adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo. O VTN médio declarado por município, obtido com base nos valores informados na DITR, constitui um parâmetro inicial, mas não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. Isso porque esta informação não é contemplada na declaração, que contém apenas o valor global atribuído a propriedade, sem levar em conta as características intrínsecas e extrínsecas da terra que determinam o seu potencial de uso. Nesse sentido, cabe transcrever o julgado abaixo, acórdão nº 2102003.137, da 1ª Câmara da 2ª Turma da 2ª Seção deste Egrégio Conselho, o qual ratifica o entendimento desta relatora. Vejamos: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2003 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso Voluntário Provido" Na mesma esteira trilha o Acórdão 220201.269, Processo 10.183.005183/200525, Relatora Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, do qual subtraio apenas excerto da ementa: Fl. 476DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 [...] VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). INCABÍVEL AUTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO NA DITR. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. [...] Não é outro entendimento da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF ao proferir o Acórdão nº 9202003.749 abaixo ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE. Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da não observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. Assim, o VTN médio utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências determinadas pela legislação de regência. Frisese, ainda, que no presente processo não consta nos autos a tela do SIPT, motivo suficiente, por si só, para o reconhecimento da nulidade da exigência, mormente pela impossibilidade de aferir a legalidade do arbitramento, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF nº 9202003.144 – 2ª Turma). Ademais, o contribuinte acostou Laudos de Avaliação do Imóvel, referente aos exercícios de 2003 e 2005 (fls. 46/76) com Anotação de Responsabilidade Técnica (fl. 77), referente ao exercício de 2003 e referente ao ano de 2005 (fls. 217/251), com Anotação Responsabilidade Técnica ART (fl. 252) ambos elaborados pelo Engenheiro Agrônomo Alexandre Tadeu Waldvogel. Postula que o valor atribuído ao VTN por hectare, seja considerado para os exercícios anteriores. Atendendo ao Laudo Técnico apresentado e ao requerimento da Recorrente, para o ano de 2003 o VTN declarado na DITR que fora R$833.400,00, passa a ser o constante do Laudo, assim, para incidência do imposto, deve ser considerado o de VTN = R$ 1.798.315,83. No que tange ao ano de 2005 deve prevalecer o valor declarado, pela Recorrente, na DITR, que foi de R$ 3.266.809,42. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10183.004627/200777 Acórdão n.º 2301004.781 S2C3T1 Fl. 468 21 Da Multa de Ofício Irresignada, a recorrente insurgese alegando que "está sendo injustamente imposta ao serlhe arbitrada multa correspondente a 75% do valor do imposto apurado pela Secretaria da Receita Federal, uma vez não constatado máfé por parte da recorrente, haja vista que, as informações foram dadas como corretas." No tange a insurgência do recorrente quanto à multa aplicada, não há quaisquer reparos a serem feitos no lançamento, uma vez que a multa está em consonância com o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. In verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Fl. 478DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5º Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e II – (VETADO). No caso presente, conforme se verifica, tendo sido aplicada a penalidade de sua forma simples (75%), o que se tem, no caso, nada mais é que a exclusiva observância da expressa disposição legal. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso para: a) Restabelecer a Área de Preservação Permanente declarada nos exercícios de 2004 e 2005 de 23,0 ha e 223, 0 ha, respectivamente; b) atribuir o Valor da Terra Nua VTN, referente aos anos de 2003 para R$ 1.798.315,83 e 2005, manter o valor declarado de R$ 3.266.809,42. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 479DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10183.004627/200777 Acórdão n.º 2301004.781 S2C3T1 Fl. 469 23 Voto Vencedor Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, redator No presente caso, a ilustre relatora entendeu ser prescindível a emissão de ato declaratório ambiental ADA para os exercícios de 2004 e 2005 por admitir a comprovação da área de preservação permanente por outros meios de prova. Com todas as vênias, divirjo. A jurisprudência da CSRF se consolidou no sentido da imprescindibilidade do ADA a partir da alteração promovida pela Lei nº 10.165/00. Com efeito, o período a que se refere o lançamento em discussão é posterior ao ano de 2000, não sendo portanto aplicável a Súmula CARF nº 41, cujo enunciado, literalmente, cuidou de conferir tratamento tributário distinto para os dois períodos, antes e após a Lei n.º 10.165/00: Súmula CARF nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Vêse que a alteração legislativa, literal e intencionalmente, buscou tornar obrigatória a apresentação do ADA. Basta comparar os dois textos, o artigo 17O, §1º da Lei n.º 6.938/81 com as redações em sentidos diametralmente opostos que lhe foram conferidas pelas Lei nº 9.960/2000 e Lei n.º 10.165/2000: Art. 17O. Os proprietários rurais, que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama 10% (dez por cento) do valor auferido como redução do referido Imposto, a título de preço público pela prestação de serviços técnicos de vistoria." (AC) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é opcional.(Lei nº 9.960/2000) ... §º1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Lei n.º 10.165/2000) Nesse sentido o acórdão da 2ª Turma da CSRF nº 9202003.474, de 10/12/2014: ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Fl. 480DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 24 Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. ... Assim, a partir do exercício de 2001, a exigência do ADA passou a ter previsão legal com a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81, para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. ... Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveuse a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi facilitar a fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma “razoável efetividade da norma tributária” (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.º 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. Assim, entendo que a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA é requisito necessário para o gozo de isenção de ITR quanto à área em questão considerada pelo recorrente como de preservação permanente. É como voto. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13964.000111/95-12
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2000
Ementa: IRPJ — RESTITUIÇÃO — CORREÇÃO MONETÁRIA — Seja em face
do tributo ser uma obrigação de valor, circunstância que impõe a
sua restituição na mesma espécie, do princípio da moralidade que
deve nortear a conduta da administração pública (CF, art. 37), do
princípio que repudia o enriquecimento sem causa (aplicável em
matéria tributária, por força do que dispõe o art. 108, III, do CTN) e, por fim, da jurisprudência mansa e pacífica do Poder Judiciário, na restituição de contribuição paga indevidamente impõe-se a sua devolução com correção monetária.
Recurso provido.
Numero da decisão: CSRF/01-03.087
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Verinaldo Henrique da Silva e Maria Beatriz Andrade de Carvalho.
Nome do relator: Luiz Alberto Cava Maceira
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LTDA. Recorrida : 5a CÂMARA DO 1° C.C. Interessada : FAZENDA NACIONAL Sessão de :11 DE SETEMBRO DE 2000 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 IRPJ — RESTITUIÇÃO — CORREÇÃO MONETÁRIA — Seja em face do tributo ser uma obrigação de valor, circunstância que impõe a sua restituição na mesma espécie, do princípio da moralidade que deve nortear a conduta da administração pública (CF, art. 37), do princípio que repudia o enriquecimento sem causa (aplicável em matéria tributária, por força do que dispõe o art. 108, III, do CTN) e, por fim, da jurisprudência mansa e pacífica do Poder Judiciário, na restituição de contribuição paga indevidamente impõe-se a sua devolução com correção monetária. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FRETTA & CIA. LTDA., pessoa jurídica com sede à Rua Marechal Deodoro, 335, Centro, Tubarão/SC, inscrita no CGC sob o n° 86.428.836/0001-07. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Verinaldo Henrique da Silva e Maria Beatriz Andrade de Carvalho. --• PERE' 401"- ES PRESIDENTE / LUIZ AL: RTO CAVA Pi CEI RA RELAT./- , Processo n° : 13964.000111/95-12 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 FORMALIZADO EM: 27 MAR 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros CELSO ALVES FEITOSA, ANTONIO DE FREITAS DUTRA, MARIA GORETTI AZEVEDO ALVES DOS SANTOS, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, VICTOR LUÍS DE SALLES FREIRE, LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, REMIS ALMEIDA ESTOL, JOSÉ CARLOS PASSUELLO, DIMAS RODRIGUES DE OLIVEIRA, WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES e MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS. k,,:\ 2 , • Processo n° : 13964.000111/95-12 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 Recurso n° : RD/105-0.731 Recorrente : FRETTA & CIA. LTDA. RELATÓRIO FRETTA & CIA. LTDA., pessoa jurídica com sede à Rua Marechal Deodoro, 335, Centro, Tubarão/SC, inscrita no CGC sob o n° 86.428.836/0001-07, inconformada com a decisão colegiada proferida através do Acórdão n° 105-12.147, de 07-01-98 (fls. 35 a 43), o qual, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário n° 113.036, interpõe Recurso Especial à Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 49/54), na forma do artigo 31, "caput", do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes. A matéria objeto do feito consiste em restituição de imposto de renda pago a maior, relativamente ao período de fevereiro a dezembro de 1991, cujo acórdão recorrido se encontra assim ementado: "RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS ANTES OU DURANTE O ANO DE 1991 - Descabe a atualização de 1RPJ, quer para pagamento, quer para a restituição, relativa ao período de 1%2/91 (Leis n`'s 8.177/91 e 8.218/91) até 31/12/91 (Lei n° 8.383/91), não apenas por absoluta falta de previsão legal, mas principalmente devido ao princípio da isonomia. Se o sujeito ativo é impedido de atualizar os seus créditos tributários, igual tratamento deve ser dado quando os restitui." A recorrente apresenta como paradigma o acórdão n° 107-03.989, conforme trecho do voto de seu relator, a seguir transcrito (fls. 70): 41. 3 • Processo n° : 13964.000111/95-12 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 "Para a correta solução do caso em tela, portanto, é de se admitir que lhe assiste o direito à correção monetária do indébito a que faz juz, conforme solicitado, a partir de fevereiro até dezembro de 1991, pela aplicação do INPC do IBGE sobre as parcelas a serem restituídas, sobretudo porque foi o índice oficial de referência da inflação segundo dispôs o artigo 4° da Lei n°8.177/91, e porque trata-se de índice utilizado pela Lei n° 8.383/91 na formação da primeira UFIR (que indexou os tributos), em evidente reconhecimento por parte do legislador de tratar-se de indexador oficial (...)." Assim, pela simples leitura das decisões, constata-se a existência de interpretação diversa sobre a mesma matéria tributária, envolvendo situações idênticas, caracterizando o dissídio jurisprudencial levantado. Através do despacho n° 105-0.046/99 o Sr. Presidente da Colenda Quinta Câmara do 1° Conselho de Contribuintes deu seguimento ao presente recurso, eis que presentes os pressupostos de admissibilidade do mesmo. Intimada, a Fazenda nacional apresentou contra-razões, argumentando, em síntese que: Tratam-se de situações diversas, eis que a pretensão da recorrente resume-se à cobrança de correção monetária sobre quantia a ser restituída espontaneamente pela União, razão pela qual não pode a mesma ser enquadrada no conceito de tributo, enquanto prestação pecuniária compulsória, porquanto está sendo devolvido. 1Traz à colação parecer do ex-Superintendente Regional da Receita Federal, Dr. Hailé José Kaufmann, em processo judicial, o qual confirma seus argumentos apresentados. Apresenta como fundamentação legal de sua tese o artigo 66, caput, e parágrafo 3° da Lei n° 8.383/91. 4 , ' Processo n° : 13964.000111/95-12 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 Sendo assim, acrescenta, ainda, que sobre os créditos tributários pagos no período sob análise não incidiu qualquer taxa ou índice de atualização monetária, portanto, de onde se insere a impossibilidade de fluir correção monetária sobre a restituição do indébito. É o Relatório. f,i 1 I E 5 , „ Processo n° : 13964.000111/95-12 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 VOTO Conselheiro LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, Relator: O recurso é tempestivo, apresentando os demais pressupostos de admissibilidade, merece ser conhecido. A controvérsia reside na possibilidade ou não da atualização monetária na restituição do imposto de renda pago indevidamente pelo contribuinte, no ano-calendário de 1991. Com efeito, o imposto de renda, assim como a contribuição social, no dizer do eminente Ministro da Suprema Corte, Moreira Alves (Representação n°1451-7 - DF - tribunal Pleno, Lex 117/251), "é obrigação de valor, à medida em que nasceu e sempre se sujeitou à atualização monetária”. Nessa perspectiva, uma vez que foi recolhido aos cofres públicos um valor que a ele não era devido, torna-se imperioso que a restituição desse montante ao contribuinte se dê com a incidência da atualização monetária correspondente, sob pena de incorrer a Administração em locupletamento ilícito, ofendendo ao princípio da moralidade administrativa(CF, art. 37) ou pela inobservância dos princípios gerais do direito público (CTN, art. 108, III). Inobstante, há de se considerar, ainda, a posição adotada pelos nossos Tribunais, as quais se apresentam de forma mansa e pacífica sobre o tema. Válida menção à decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal por ocasião do julgamento do RE 89.791-RJ (RTJ 96/781): 6 ' _Processo n° : 13964.000111/95-12 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 "Trata-se de mera alteração nominal e não real do valor ajustado. Mera substituição de desfalque do valor, e não acréscimo de valor. (...)" Também deve ser aplicada à espécie a Súmula n° 562, da já referida Suprema Corte, assim ementada: "Súmula 562: Na indenização de danos materiais decorrentes de ato ilícito cabe a atualização de seu valor, utilizando-se, para esse fim, dentre outros critérios, dos índices de correção monetária." Mais especificamente sobre a incidência da atualização monetária nas restituições de indébitos, há de se considerar, ainda, a determinação da Súmula n° 46 do antigo tribunal Federal de Recursos, a saber: "Súmula 46: Nos casos de devolução do depósito efetuado em garantia de instância e de repetição do indébito tributário, a correção monetária é calculada desde a data do depósito ou do pagamento indevido e incide até o efetivo recebimento da importância reclamada."(grifo nosso). De igual forma, o Superior Tribunal de Justiça tem assim apresentado o seu entendimento: "A correção monetária, como mera atualização de valores defasados pela corrosão da moeda em regime de economia inflacionária, constitui imperativo não só econômico e jurídico, mas também ético" (Resp. 803-BA - 4a T. STJ, DJU de 20/11/89, Min. Sálvio de Figueiredo). 1 Portanto, a pretensão da empresa em ter a restituição do imposto de renda indevido corrigido monetariamente é medida que se faz imperiosa, observando-se os critérios utilizados pela Lei 8383/91, no que se refere à criação da UFIR (art. 2°, parágrafo 1°, "a"), para a apuração do "quantum" a incidir. 7 ' Processo n° : 13964.000111/95-12 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 Note-se que a concessão de correção monetária especificamente durante o período de fevereiro a dezembro decorre do fato de que também naquele período houve inflação e isto é fato notório. O critério de indexação estipulado para esse período é justo e absolutamente correto, na medida em que se espelhou no mesmo critério utilizado pelo legislador na criação do valor da primeira UFIR, em evidente reconhecimento da inflação verificada naquela época e dos índices utilizáveis. Em conclusão, a matéria se encontra tratada de forma incontroversa, resultando ser devida a correção monetária na repetição da quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de imposto de renda. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso, reconhecendo que assiste direito à recorrente, ao cômputo da correção monetária do indébito, no período de fevereiro a dezembro de 1991, pela aplicação do INPC sobre as parcelas a serem restituídas, correspondendo ao índice oficial de referência da inflação, a teor do artigo 4° da Lei n° 8.177/91. Sala das essões - DF, em 11 de setembro de 2000. LUIZ AL, RTO CAVA , ACEIRA 8 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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Numero do processo: 13888.901406/2014-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.340
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Inclusão do ICMS na base de cálculo. Recorrente AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E PRÉMOLDADOS DE CONCRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, cumulado com declaração de compensação, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 14 06 /2 01 4- 29 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901406/201429 Acórdão n.º 3402003.340 S3C4T2 Fl. 3 2 denegado em tempo hábil por meio de despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o DARF representativo do pagamento indevido estava inteiramente alocado para a quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte. Em tempo hábil, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a defesa alegou, em síntese, que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa e que o crédito do contribuinte decorre de pagamento indevido, em razão de ter sido incluído o ICMS na base de cálculo da contribuição. Afirmou que o ICMS é mero ingresso que não pode ser incluído no conceito de faturamento. Invocou o precedente consubstanciado no RE 240.785 do STF e informou que os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 garantem seu direito de compensar o indébito apurado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, decidiu o seguinte: a) o valor do DARF está inteiramente alocado para pagamento de débitos informados pelo próprio contribuinte; b) a lei apenas permite a exclusão da base de cálculo da contribuição do ICMS recolhido na condição de substituto tributário e da receita proveniente da alienação onerosa de créditos do ICMS; e c) o valor dos débitos declarados para compensação é de magnitude superior ao valor do único DARF vinculado a essas compensações. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte apresentou em tempo hábil recurso voluntário a este Colegiado, alegando, em síntese, o seguinte: a) nulidade por cerceamento de defesa porque o despacho decisório não diz as razões pelas quais o contribuinte não tem o crédito que alega possuir. Essa omissão impediu o contribuinte de exercer a plena demonstração de seu crédito, pois não há como argumentar contra uma decisão que se mostra lacônica; b) a base de cálculo da contribuição sempre foi o faturamento e com o advento da Lei nº 10.833/2003 houve uma ampliação, passando a base de cálculo a abranger a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. Entretanto, o valor do ICMS não pode ser considerado como receita do contribuinte, sob pena de violação do art. 110 do CTN, pois a lei não pode considerar receita o que não é receita. O ICMS representa para o contribuinte mero ingresso, pois o valor é posteriormente destinado ao fisco estadual. Tal interpretação foi cristalizada em caráter definitivo no RE 240.7852, que deve ser aplicado ao caso concreto. Reafirmou a existência do indébito e seu direito de compensálo com base nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.317): Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901406/201429 Acórdão n.º 3402003.340 S3C4T2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Relativamente à preliminar de nulidade, não assiste razão à defesa. Isso porque, ao contrário do alegado, o despacho decisório declinou com todas as letras o motivo pelo qual a Administração Tributária denegou o pleito do contribuinte e não homologou as compensações declaradas. O Despacho Decisório apresenta a seguinte motivação: "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP. (...)" No mesmo despacho encontramse perfeitamente identificados o número do PER/DECOMP, o número do DARF e o valor relativo ao suposto pagamento indevido. O texto acima transcrito revela que a compensação não foi homologada porque o valor do DARF está inteiramente alocado para o pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em outras palavras: o contribuinte não possui o crédito alegado no PER/DECOMP porque o valor já foi utilizado para extinguir débitos por ele próprio declarados. Portanto, o despacho decisório não foi lacônico, uma vez que declinou expressamente o motivo da não homologação da compensação: o contribuinte não tem o crédito alegado. Essa fundamentação está explícita de forma clara, precisa e congruente com a decisão de não homologar a compensação, o que atende às exigências do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, é improcedente a alegação de nulidade, pois o contribuinte não teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa cerceados, mesmo porque a apresentação de impugnação e de recurso voluntário, deduzindo argumentos no sentido de demonstrar a existência jurídica do indébito desautorizam a invocação dessa preliminar. No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901406/201429 Acórdão n.º 3402003.340 S3C4T2 Fl. 5 4 O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901406/201429 Acórdão n.º 3402003.340 S3C4T2 Fl. 6 5 Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Considerando que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, com a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, estão conformes à legislação vigente, voto no sentido de negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10611.002440/2010-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 14/01/2008 a 31/10/2008
PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. MULTA DE NATUREZA CONFISCATÓRIA. MATÉRIAS DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE . MATÉRIA SUMULADA PELO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIA DIFERENCIADA ENTRE AS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial - por qualquer modalidade processual - antes ou posteriormente à autuação, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, não configura concomitância entre as esferas administrativa e judicial, não importando em renúncia à instância administrativa, tendo o processo administrativo, prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada
Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 14/01/2008 a 31/10/2008
DRAWBACK SUSPENSÃO. VINCULAÇÃO FÍSICA.
Restando comprovado nos autos a não aplicação dos insumos importados ao amparo de ato concessório sob o regime de drawback-suspensão, nos produtos exportados, é cabível a cobrança dos tributos, além de multas e juros moratórios.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 14/01/2008 a 31/10/2008
ANTECIPAÇÃO DE TUTELA ANTERIOR AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE
Incabível a aplicação de multa de ofício quando constatado que a antecipação de tutela determinando a suspensão da exigibilidade do Imposto de Importação e do IPI é anterior ao início do procedimento fiscal.
AUTO DE INFRAÇÃO. PIS.COFINS.MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO
É cabível a imputação da multa de ofício na lavratura de auto de infração, quando inexiste medida judicial na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, concedida antes do início de qualquer procedimento de ofício relativo aos referidos tributos.
No caso dos autos, inexistia medida judicial, concedida antes do início de qualquer procedimento de ofício, relativo às Contribuições para o PIS/PASEP e COFINS.
Numero da decisão: 3302-003.379
Decisão: RO Negado e RV Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário nos termos dos itens 5 e 6, fl.1.100 do Relatório de Diligência Fiscal, parcialmente vencidos o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa Prado que davam integral provimento ao Recurso.
Fez sustentação oral o Dr. Tadeu Negromonte - OAB 97.692 - MG
[assinado digitalmente]
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
[assinado digitalmente]
MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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MULTA DE NATUREZA CONFISCATÓRIA. MATÉRIAS DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE . MATÉRIA SUMULADA PELO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIA DIFERENCIADA ENTRE AS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. INOCORRÊNCIA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, não configura concomitância entre as esferas administrativa e judicial, não importando em renúncia à instância administrativa, tendo o processo administrativo, prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 14/01/2008 a 31/10/2008 DRAWBACK SUSPENSÃO. VINCULAÇÃO FÍSICA. Restando comprovado nos autos a não aplicação dos insumos importados ao amparo de ato concessório sob o regime de drawbacksuspensão, nos produtos exportados, é cabível a cobrança dos tributos, além de multas e juros moratórios. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 14/01/2008 a 31/10/2008 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 24 40 /2 01 0- 47 Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 2 ANTECIPAÇÃO DE TUTELA ANTERIOR AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE Incabível a aplicação de multa de ofício quando constatado que a antecipação de tutela determinando a suspensão da exigibilidade do Imposto de Importação e do IPI é anterior ao início do procedimento fiscal. AUTO DE INFRAÇÃO. PIS.COFINS.MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO É cabível a imputação da multa de ofício na lavratura de auto de infração, quando inexiste medida judicial na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, concedida antes do início de qualquer procedimento de ofício relativo aos referidos tributos. No caso dos autos, inexistia medida judicial, concedida antes do início de qualquer procedimento de ofício, relativo às Contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. RO Negado e RV Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário nos termos dos itens 5 e 6, fl.1.100 do Relatório de Diligência Fiscal, parcialmente vencidos o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa Prado que davam integral provimento ao Recurso. Fez sustentação oral o Dr. Tadeu Negromonte OAB 97.692 MG [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Cuida o presente processo de lançamentos consubstanciados nos Autos de Infração relativos ao Imposto de ImportaçãoII e multa regulamentar, (fls. 03/22); Imposto sobre Produtos Industrializados IPI vinculado à importação (fls. 23/38); Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINSimportação (fls. 39/53); Contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEPimportação (fls. 54/68), nos valores de, respectivamente, R$ 4.196.069,26, R$ 711.000,00, R$ 2.465.423,46, R$ 2.787.002,12 e R$ 605.072,75, perfazendo o valor total de R$ 10.764.567,59, sendo os tributos acrescidos dos juros de mora e da multa de ofício de 75%. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/201047 Acórdão n.º 3302003.379 S3C3T2 Fl. 1.128 3 Os lançamentos foram efetuados com suspensão da exigibilidade por força de liminar concedida nos autos do processo judicial nº 2009.38.06.0008388, do Juízo da Vara Única Federal da Subseção Judiciária de Patos de Minas/MG. A decisão relativa à antecipação de tutela, datada de 17/07/2009 (fl. 511, volume 3), assim destaca: “...defiro a antecipação de tutela para determinar a suspensão da exigibilidade do Imposto de Importação e do IPI, cujas operações estejam amparadas pelo Ato Concessório de Drawback n. 20070144214, concedido à parte autora em 13/11/2007. Determino a intimação da ré para que, no prazo de 10 (dez) dias, reexamine o pedido de prorrogação do prazo do ato concessório de Drawback, tendo em vista o disposto no art. 13, da Lei n. 11.945/2009, comunicando a este Juízo a decisão proferida, no prazo de 05 (cinco) dias, contados do vencimento do prazo para o reexame.” Em 31/05/2011, conforme fl. 969, volume 6, foi prolatada sentença que revogou a decisão supra: “Por esses fundamentos, concluise que a autora não faz jus à prorrogação do ato concessório de drawback n° 20070144214. Ante o exposto, revogo a decisão de fls. 1.687/1.689, que deferiu a antecipação dos efeitos da tutela e julgo improcedente o pedido.” Destaca a decisão de piso sobre a motivação da autuação: I) com relação ao lançamentos dos tributos: “A Kinross Brasil Mineração S.A realizou importações sob o Regime Aduaneiro Especial de Drawback, com a suspensão do II, IPI, PIS e COFINSImportação, sendo que foi concedido prazo para a utilização dos bens em seu processo produtivo e que ao seu término, deveria ocorrer a exportação. Conforme relatado no titulo 5.7.1, do Relatório de Fiscalização, constatouse que após a última exportação, restou saldo positivo no estoque dos produtos importados com a suspensão de tributos ao amparo do Ato Concessório de DRAWBACK, modalidade Suspensão n° 20070144214. De acordo com o Principio da Vinculação Física, os produtos importados com suspensão dos tributos deveriam ser integralmente utilizados no processo produtivo do Ouro destinado à exportação. Constatado que parte das mercadorias importadas com suspensão dos tributos não foi utilizada no processo produtivo do Ouro destinado à exportação e não tendo a beneficiária tomado alguma das providências elencadas no art. 342 do RA, Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 4 resolvese a suspensão, exigindo os tributos devidos, e consequentemente, os acréscimos legais”. I.1 ) com relação ao inadimplemento parcial do regime de Drawback: Em relação ao subitem 5.3 (Ato Concessório Drawback nº 20070144214), a fiscalização apresenta, à fl. 86, vol. 1, dados relativos ao AC, apresentado pela autuada, no qual consta como data de registro 13/11/2007 e data de validade 12/11/2008. Nesse subitem são apresentados diversos produtos, constantes do AC, com as respectivas quantidades, que a empresa poderia importar. A empresa deveria exportar a mercadoria de descrição “Barras/Fios/Perfis de Ouro de Seção Maciça”, NCM 7108.13.10, na quantidade de 9.784,00077 Kg.(grifei). No que pertine ao subitem 5.6 (Da Análise do Ato Concessório de Drawback nº 20070144214), a fiscalização, analisando as importações previstas no AC, afirma que 39 DI´s foram vinculadas ao AC 20070144214, as quais foram registradas entre 12/11/2007 e 27/10/2008; a beneficiária importou a totalidade dos itens 002, 008, 012, 013 e 016 autorizados no AC, mas os outros foram importados parcialmente. Em relação às exportações, a fiscalização afirma que os embarques e averbações das exportações efetivadas pela beneficiária ocorreram no período de 29/11/2007 a 06/11/2008. Foram 43 Registros de Exportação vinculados ao AC, por meio dos quais a beneficiária efetivou a exportação de 5.841,452050 Kg de Ouro, classificado na NCM 7108.1310. I.1.1 ) com relação ao saldo positivo do estoque de mercadorias importadas após as exportações, subitem 5.7.1: “(...) Conforme relatado no título 5.7.1, constatouse que, após a última exportação, restou saldo positivo no estoque dos produtos importados – com suspensão de tributos – ao amparo do Ato Concessório de DRAWBACK, modalidade Suspensão nº 20070144214. Tal fato é de fácil visualização no quadro resumo abaixo, no qual verificase um estoque final (saldo positivo de estoque) de insumos importados, caracterizando assim que estas mercadorias importadas não foram integralmente utilizadas no processo produtivo das mercadorias a serem exportadas”. A partir da relação insumo x produto, apresentada no laudo técnico, a fiscalização elaborou “Planilha de Cálculo de Utilização do Insumo Importado na Produção do Bem Exportado – Produção e Estoque” para cada um dos itens importados; Tendo em vista que as primeiras importações são as primeiras a saírem, a fiscalização, ao efetuar a glosa das importações, utilizou as mais recentes, conforme consta, por exemplo, à fl. 131, em relação ao insumo “Corpos Moedores em Aço Fundido 2”” (título 6.1.1.1.1). Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/201047 Acórdão n.º 3302003.379 S3C3T2 Fl. 1.129 5 II) com relação à infração “Descumprimento de norma para habilitarse ou utilizarse de regime aduaneiro especial”, cuja penalidade tem como base legal o art. 107, VII, “e”, DecretoLei nº 37/1966: “Sendo o Drawback um Regime Aduaneiro Especial e tendo constatado que a Kinross Brasil Mineração S.A descumpriu norma, conforme verificado no título 6.1, ao utilizar o Regime Aduaneiro Especial de Drawback que fora operacionalizado por meio do Ato Concessório de Drawback modalidade Suspensão n° 20070144214, sujeitarseá a MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE REGIME ADUANEIRO ESPECIAL no valor diário de R$ 1.000,00 (Hum mil Reais), conforme disposto no art. 107 do decreto lei n° 37/66 com redação dada pelo art. 77 Lei n° 10.833/03 e também prevista na alínea "d" do inciso VII do art. 728 do Regulamento Aduaneiro RA aprovado pelo decreto n° 6.759/09”.(sic). Continuando esse assunto, assim dispôs a fiscalização, à fl. 144: “Tendo o Ato Concessório de DRAWBACK, modalidade Suspensão nº 20070144214, expirado em 12/11/2008 (=data de validade), conforme se verifica pela tela do sistema Drawback Web do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio – MDIC – intitulada “Consulta de Dados Básicos – (Documento 02) a multa será aplicada a partir do primeiro dia subseqüente ao 30º dia, ou seja, 13/12/2008. Entretanto, por ser o dia 13/12/2008 um sábado, a contagem iniciará no primeiro dia útil, dia 15/12/2008, uma segunda– feira, até dia 17/08/2010, data de lavratura do Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 0615100.2010.002261, perfazendo um total de 711 dias, conforme demonstrativo abaixo:” Inconformada com as exigências das quais tomou ciência em 03/12/2010, conforme Aviso de Recebimento, fls. 515/516, volume 3, a interessada apresentou sua impugnação em 04/01/2011, documento de fls. 526/547, volume 3, conforme excertos a seguir da decisão de piso: fazendo considerações ao regime aduaneiro de drawback e sua legislação, afirma que, apesar de nos termos do artigo 3º da Portaria MF nº 594/1992 competir à RFB a fiscalização do regular cumprimento, pela importadora, dos requisitos e condições fixados pelas disposições legais pertinentes, pelos termos do artigo 142 do CTN, a atividade fiscalizatória é totalmente vinculada ao que dispõe a Lei, não podendo ser extrapolados os seus limites ou intentada interpretação desarrazoada, no objetivo de se forçar a arguição de descumprimento dos termos do Drawback, com a cassação de um benefício legalmente previsto; será demonstrado que a autoridade tributária não agiu com acerto, uma vez que extrapolou o conteúdo da norma e os limites de sua interpretação razoável, em face da situação concreta; Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 6 Exportação vinculada ao ato concessório – aplicabilidade do princípio da tributação no país de destino de acordo com a Fiscalização, para comprovar o cumprimento das obrigações contidas no Ato Concessório n° 20070144214, a impugnante teria que demonstrar que todas as mercadorias importadas por meio do Drawback Suspensão foram integralmente Utilizadas em seu processo produtivo; esse entendimento da fiscalização decorre do princípio da vinculação física, segundo o qual, conforme a fiscalização, os produtos importados com suspensão dos tributos deveriam ser integralmente utilizados no processo produtivo do Ouro destinado à exportação; apesar de a Impugnante ter utilizado integralmente os insumos importados no processo de produção do ouro com destino ao exterior, a fiscalização entendeu que houve inadimplemento parcial do Ato Concessório n° 20070144214, na medida em que o insumo importado deveria ter sido consumido integralmente em seu processo produtivo durante a vigência do referido Regime Especial Aduaneiro; Segundo a fiscalização, seria irrelevante o fato de todo o insumo importado ter sido consumido no processo de produção destinado à exportação, se não foram respeitados os limites temporais e quantitativos do Ato Concessório n° 20070144214 e os aspectos formais do Regime Aduaneiro Especial de Drawback; assim, há um nítido conflito entre o princípio da não exportação de impostos (tributação no país de destino) e a premissa da vinculação física adotada pela Fiscalização; conforme o princípio da tributação no país de destino, os impostos de consumo sobre as transações devem ser exigidos no país onde o produto será consumido. Precisamente por isso, o país de origem, isto é, o local no qual o bem foi produzido, procede normalmente à restituição ou isenção do imposto no momento da exportação e, por razões simétricas, o país do destino, onde o bem será consumido, institui um encargo compensatório sobre as mercadorias importadas com o objetivo de colocálas em igualdade para competir com os produtos nacionais; o sistema assim descrito estimula a livre concorrência, pela eliminação da dupla tributação e da evasão fiscal, para que o produto importado seja tributado apenas uma vez, objetivando que as mercadorias estrangeiras suportem o mesmo encargo fiscal que as mercadorias nacionais; o Regime Especial Aduaneiro do Drawback Suspensão, baseado no princípio da tributação do país de destino, é um necessário e poderoso instrumento de política de comércio exterior, pois a supressão deste regime poderia comprometer não somente os contribuintes exportadores, mas também, todo o plano econômico e financeiro nacional; Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/201047 Acórdão n.º 3302003.379 S3C3T2 Fl. 1.130 7 no caso concreto, se a impugnante não fosse beneficiária do Regime Especial Aduaneiro do Drawback Suspensão, seria obstada de forma relevante à consecução de seu objeto social, pois conforme se comprova por meio de suas Declarações de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica nos anos calendário de 2008, 2009 e 2010 (documento n° 03), a sua receita total decorre precisamente de 99% (noventa e nove pontos percentuais) do ouro exportado, sendo forçoso concluir que todas as matériasprimas e os insumos importados pela impugnante são integralmente utilizados na extração do ouro com destino ao exterior; dessa forma, como a impugnante utilizou todos os insumos importados na extração do ouro com destino ao exterior, sendo que a comercialização do referido minério representa 99% (noventa e nove pontos percentuais) de sua receita total, devem ser mantidos os benefícios fiscais instituídos por meio do Ato Concessório n° 20070144214 Drawback Suspensão, em conformidade com o princípio da tributação no país de origem; Inaplicabilidade de penalidades e juros de mora – suspensão da exigibilidade do crédito tributário – ação ordinária nº 2009.38.06.0008388 a impugnante ajuizou a Ação Ordinária n° 2009.38.06.0008388, com o escopo de obter a ordem judicial para declarar o seu direito à "(...) prorrogação do prazo de vencimento do regime de Drawback Suspensão (Ato Concessório n° 20070144214), com a consequente inexigibilidade de quaisquer tributos incidentes sobre as importações de insumos realizadas." (documento n° 04); em 17 de julho de 2009, foi deferido o pedido de antecipação da tutela formulado pela impugnante "(...) para determinar a suspensão da exigibilidade do Imposto de Importação e do IPI, cujas operações estejam amparadas pelo Ato Concessório de Drawback n° 20070144214, concedido à parte autora em 13/11/2007."; essas informações foram corroboradas pelo auto de infração contido no processo administrativo nº 10611.002440/201047, onde ficou disposto que o crédito tributário lançado está com a exigibilidade suspensa por força da medida liminar concedida nos autos do processo nº 2009.38.06.0008388 do Juízo da Vara Única Federal da Subseção Judiciária de Patos de Minas – MG; no caso, o presente Auto de Infração possui objeto distinto da Ação Ordinária n° 2009.38.06.0008388, pois na referida medida judicial a Impugnante objetiva a prorrogação do prazo do Ato Concessório n° 20070144214, e não o cancelamento dos tributos exigidos na importação de insumos necessários para o desenvolvimento de suas atividades; entretanto, como há identidade entre as matérias discutidas no presente Auto de Infração e na Ação Ordinária n° 2009.38.06.0008388, inexiste qualquer fundamento jurídico que Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 8 autorize a Fiscalização a aplicar multa de lançamento de ofício, juros de mora e multa regulamentar, conforme será demonstrado a seguir; (...) no caso concreto, como a impugnante possui uma decisão deferindo a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários decorrentes da importação de insumos e matériasprimas, fica obstada a aplicação de juros de mora pela Fiscalização; isso porque, no mesmo sentido da inaplicabilidade de multa pelo lançamento de ofício, os encargos moratórios são devidos apenas quando há atraso no cumprimento da obrigação tributária; ademais, é cristalina a contradição na fundamentação do presente Auto de Infração ao confirmar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e, mesmo assim, exigir o pagamento dos juros moratórios, em detrimento da posição consolidada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; dessa forma, devem também ser excluídos do presente Auto de Infração os juros moratórios incidentes sobre pretenso inadimplemento do Imposto de Importação, Imposto sobre Produto Industrializados, PIS e COFINS Importação; Multa pelo descumprimento de regime aduaneiro especial a aplicação da multa regulamentar diária de R$ 1.000,00, “em conformidade com a alínea 'd' do inciso VII do artigo 107 do Decretolei n° 37/66”, teve como data inicial o dia 12 de novembro de 2008 (momento em que expirou a validade do Ato Concessório n° 20070144214) e como final o dia 17 de agosto de 2010 (data da lavratura do MPF n° 0615100.2010.002261); no entanto, conforme se demonstrará é totalmente equivocada a aplicação da multa regulamentar ao presente caso, já que a mesma não se adequa à situação fático/jurídica que deu origem ao presente lançamento; primeiramente, a tipificação na alínea 'd' do inciso VII do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66 é claramente equivocada. A referida penalidade aplicase tão somente às hipóteses em que houve descumprimento de condição estatuída por norma para o exercício de serviços relacionados ao despacho aduaneiro; a referida norma incluise na regulamentação das atividades do despachante aduaneiro, profissional devidamente credenciado junto à Aduana para o exercício dos serviços inerentes ao despacho aduaneiro; a definição de atividades relacionadas ao despacho aduaneiro consta do artigo 718 do Decreto n° 4.543/02 (Regulamento Aduaneiro vigente à época das operações); o DecretoLei n° 2.472/75, por sua vez, também dispõe sobre a função de Despachante Aduaneiro; (...); a tipicidade é uma garantia fundamental para a higidez do sistema tributário, sendo ainda mais importante a sua correta Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/201047 Acórdão n.º 3302003.379 S3C3T2 Fl. 1.131 9 aplicação no que se refere às multas e penalidades, tendo em vista o seu caráter sancionador; inclusive, as normas constantes do citado artigo 107 do DecretoLei n° 37/66, invariavelmente reproduzidas nos regulamentos aduaneiros, afrontam a tipicidade ao não indicar efetivamente qual a conduta punida, ao trazer locuções genéricas, referentes a descumprimento de condições, sem indicar efetivamente quais seriam e onde estariam previstas; o antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (atual CARF) já reconheceu a violação à tipicidade por parte das multas aduaneiras regulamentares; no presente caso, conforme expressamente consignado pela própria Fiscalização, a autuação decorre do suposto inadimplemento parcial do Ato Concessório n° 20070144214, e não por qualquer descumprimento de condição para a obtenção e fruição do benefício fiscal; (...); entretanto, caso se entenda que seja aplicável ao caso concreto a multa regulamentar, na mesma linha de raciocínio acerca da exclusão da multa de ofício e juros de mora, como em 17 de julho de 2009 foi deferido o pedido de antecipação da tutela formulado pela impugnante nos autos da Ação Ordinária n° 2009.38.06.0008388, não há como incluir os dias compreendidos entre a data da referida decisão até o momento da lavratura do MPF n° 0615100.2010.002261 no cômputo da multa diária pelo descumprimento de regime aduaneiro especial; isso porque os efeitos do Ato Concessório n° 20070144214 foram prolongados pela decisão proferida nos autos da Ação Ordinária n° 2009.38.06.0008388, pois foi determinada a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários decorrentes da importação de produtos necessários para a consecução do objeto social da Impugnante; dessa forma, por força da antecipação da tutela obtida por meio da Ação Ordinária n° 2009.38.06.0008388, deve ser excluída do presente Auto de Infração a multa regulamentar no período compreendido entre o dia 17 de julho de 2009 (momento da decisão proferida nos autos da Ação Ordinária n° 2009.38.06.0008388) e o dia 17 de agosto de 2010 (data da lavratura do MPF n° 0615100.2010.002261). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita, a decisão proferida. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 14/01/2008 a 31/10/2008 DRAWBACK SUSPENSÃO. ESTOQUE DE PRODUTOS IMPORTADOS COM SUSPENSÃO. SALDO POSITIVO. Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 10 INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR. Caracteriza inadimplemento do regime aduaneiro especial de drawback, modalidade suspensão, a existência de saldo positivo de estoques de produtos importados com suspensão de tributos, após trinta dias do vencimento do prazo para exportar, previsto em ato concessório, o que enseja a cobrança dos tributos suspensos e consectários legais. DRAWBACK SUSPENSÃO. VENCIMENTO DO PRAZO PARA EXPORTAR. MULTA DIÁRIA POR DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO, CONDIÇÃO OU NORMA OPERACIONAL. NÃO CABIMENTO. Expirado o prazo para exportação, previsto em ato concessório de Drawback, modalidade suspensão, é incabível a aplicação da multa diária por descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para utilizar regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais, prevista no artigo 107, inciso VII, alínea “e”, do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação da Lei nº 10.833, de 2003. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 14/01/2008 a 31/10/2008 TUTELA ANTECIPADA EM AÇÃO JUDICIAL. VIGENTE À ÉPOCA DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. Não cabe lançamento de multa de ofício na constituição de crédito tributário, destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade estiver suspensa, por tutela antecipada em ação judicial, na data de lavratura do auto de infração. LANÇAMENTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDA JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE DEPÓSITO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. É cabível o lançamento de juros de mora na constituição de crédito tributário, destinada a prevenir a decadência, quando a exigibilidade houver sido suspensa por força de medida judicial, sem que tenha sido efetuado depósito do montante integral. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 14/03/2012, conforme documento de fl. 1035, apresenta em 13/04/2012, Recurso Voluntário a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fls. 1.036/1.056 e documentos de fls. 1.057/1.068, arguindo em síntese, após a recomposição fática da autuação: Após a lavratura do auto de infração e da impugnação apresentada houve o deferimento por parte da SECEX de pedidos de prorrogação do Ato Concessório. Tal prorrogação inicialmente até 14/11/2011 e posteriormente até 14/12/2012, posto que a Portaria SECEX nº 23, de 14/07/2011, teria autorizado a prorrogação excepcional de atos concessórios que haviam vencido no período de 01/10/2008 a 31/12/2009; Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/201047 Acórdão n.º 3302003.379 S3C3T2 Fl. 1.132 11 Após o deferimento das prorrogações, também ocorreu autorização para a transferência dos saldos de importação do Ato Concessório n º 20070144214 para outros Atos Concessórios. Em face dos documentos acostados em sede recursal que teriam por objetivo comprovar os fatos alegados, através da Resolução CARF nº 3302.000.455, de 16/10/2014, fls.1.073/1.088, o julgamento foi convertido em diligência nos termos do voto do relator: O principal fundamento do lançamento efetuado esta centrado no fato de que o Ato Concessório que a Recorrente detinha teria expirado e com a fiscalização verificouse que haviam saldos positivos de insumos importados que não haviam sido utilizados no processo de produção de ouro para exportação. Com o Recurso Voluntário foram juntados diversos documentos que procuram comprovar que o Ato Concessório analisado foi prorrogado por duas vezes e que os saldos de insumos importados foi transferido para outros Atos Concessórios por expressa autorização do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MIDC. De fato as prorrogações ocorreram em momento posterior (2011) ao lançamento efetuado e a impugnação apresentada. O Decreto n° 7.574/2011 assim consigna no art. 57 : §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: I fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; II refirase a fato ou a direito superveniente; ou III destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No presente caso está claro a ocorrência do previsto no inciso II do § 4º do Art. 57 supra transcrito. Isto posto, tendo os documentos apresentados trazido a baila fatos novos que impactam diretamente nos lançamentos efetuados entendo ser imperioso que o processo seja baixado em diligência para que a autoridade fiscal se manifeste sobre os fatos e documentos juntados com o Recurso Voluntário, elaborando relatório. A Recorrente deverá ser intimada a se manifestar sobre as conclusões da diligência proposta. Após a resposta, voltem os autos para conclusão do julgamento. Após o cumprimento da diligência, foi emitido o RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL de fls.1.092/1.102, no qual estão apreciados os fatos e documentos Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 12 supervenientes, apresentados quando do Recurso Voluntário, cuja conclusão a seguir se transcreve: DA CONCLUSÃO À época do lançamento o Ato concessório n º 20070144214 não havia sido prorrogado e/ou qualquer providência foi tomada em relação a transferência de saldo do AC, assim o AC foi considerado inadimplido e a beneficiária foi autuada. Diante da prorrogação do Ato concessório, a beneficiária não tomou qualquer providência no que diz respeito as exportações a que se comprometeu quando da obtenção do benefício do Regime de Drawback, ou seja, a beneficiária não vinculou outras exportações ao ato concessório nº 20070144214, exportações essas que deveriam ser de produtos (ouro) produzidos com os insumos importados através do ato concessório. À época do lançamento, 43 (quarenta e três) Registros de Exportação – REs estavam vinculados ao Ato concessório n º 20070144214, e, atualmente, os mesmos 43 (quarenta e três) REs permanecem vinculados, sem qualquer alteração. Concluindose, portanto, que a beneficiária não utilizou os saldos positivos de insumos lançados à época, na produção do produto (ouro) a ser exportado no Ato concessório. No entanto, na vigência do período prorrogado, com a anuência do MIDC, a beneficiária foi autorizada a transferir os saldos de insumos relativos as DIs nº 08/0558864 1/001, 08/0990624 9/001, 08/14116005/001, 08/15305405/001, 08/15309230/001, 08/16262505/001 e 08/16964313/001. Com a transferência das DIs para outro ato concessório, essas DIs não mais se vinculam ao Ato Concessório n º 20070144214, e, portanto, os saldos de insumos dessas DIs não devem mais ser considerados para o cálculo do saldo positivo de estoque do Ato concessório n º 20070144214. Assim, tendo em vista, tão somente, os elementos trazidos para análise, temos que: 1 – Em relação as DIs transferidas, as mesmas devem ser retiradas do Auto de infração relativo ao Ato Concessório n º 20070144214, uma vez que não estão vinculadas a este, não cabendo, portanto, conforme planilha abaixo, o lançamento efetuado à época. 2 – Com relação aos outros insumos do ato concessório n º 20070144214 que não foram abarcados pela transferência para outro ato concessório, não tendo a beneficiária tomado alguma das providências elencadas no art. 342 do Decreto nº 4.543/02, Regulamento Aduaneiro (art 390 do Decreto nº 6.759/09, Regulamento Aduaneiro vigente), entendo pela manutenção do lançamento efetuado à época. A interessada após ter ciência do citado relatório de diligência em 18/05/2015, conforme AR de fl.1.104, apresentou em 17/06/2015, manifestação de inconformidade de fls. 1.107/1.121, nos termos a seguir resumidos: Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/201047 Acórdão n.º 3302003.379 S3C3T2 Fl. 1.133 13 Manifesta sua concordância com a apreciação da fiscalização com relação à transferência das 7 DI's a outro Ato Concessório, em virtude da prorrogação excepcional por mais um ano, até 14/12/2012, cujos saldos dos estoques relativos aos 4 (quatro) insumos objetos dessas Declarações de Importação diminuíram significativamente, tendo, inclusive, para os itens Cianeto de Sódio, Carvão Ativado e Aero Promoter 3473, resultado em saldo de estoque zero; Expressa sua discordância quanto aos seguintes aspectos: a) Valor remanescente do Auto de Infração: Benefício extrafiscal e exportação vinculada aos Atos Concessórios Que o fiscal autuante entendeu que permanecem as exigências fiscais calculadas sobre os demais insumos objetos do ato concessório n° 20070144214 que não foram abarcados pela transferência para outro ato concessório, considerando, ainda, que não houve outras exportações, além dos 43 (quarenta e três) Registros de Exportação já vinculados a este Ato Concessório desde a época do lançamento; Mesmo após a diligência fiscal, a Fiscalização entendeu que, como ainda existe valor remanescente de alguns insumos no estoque da Recorrente, sem vinculação a nenhum Registro de Exportação do seu produto final, o presente auto de infração deveria ser parcialmente mantido, conforme demonstrado no Relatório de Diligência Fiscal; Que há um nítido conflito entre o princípio da não exportação de impostos (tributação no país de destino) e a premissa adotada pela Fiscalização, ressaltando conforme argumentos já colacionados em sede impugnatória que conforme o princípio da tributação no país de destino/não exportação de impostos, os impostos de consumo sobre as transações devem ser exigidos no país onde o produto será consumido; Destaca que no caso concreto, a Recorrente é empresa indiscutivelmente exportadora, sendo conhecido que a sua receita total decorre precisamente de 99% do ouro exportado, sendo forçoso concluir que todas as matériasprimas e os insumos importados pela Recorrente são integralmente utilizados na extração do ouro com destino ao exterior; Tendo em vista que a Recorrente conseguiu cumprir o verdadeiro objetivo do Regime de Drawback, qual seja a integral utilização dos insumos importados no processo produtivo das mercadorias destinadas ao exterior, fato corroborado pelas DIPJs e Planilhas Contábeis acostadas à Impugnação, por força dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, deve ser considerado o adimplemento total do Ato Concessório n° 20070144214, cancelandose integralmente o presente lançamento tributário. b) Reflexo da prorrogação do Ato Concessório n° 20070144214 na exigência dos juros moratórios Considerando que restou apurado pela diligência fiscal que o prazo de vigência do Ato Concessório n° 20070144214 foi prorrogado até 14/12/2012, não há que se falar em exigência de quaisquer juros antes desta data, o que leva à conclusão de que não eram devidos os juros de mora exigidos na presente autuação; Como não houve qualquer falta de pagamento de tributos até a data final do Ato Concessório, posterior à lavratura do presente auto de infração, a Recorrente requer seja, Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 14 ao menos, excluídos integralmente os juros moratórios até ao prazo final de vigência do Ato Concessório objeto dos autos. c) Demais argumentos que devem levar ao menos à redução do crédito tributário c.1 Equívoco da Fiscalização acerca do termo inicial do Ato Concessório §4° do artigo 83 da Portaria Secex N° 10/2010 (atual art. 93 da Portaria Secex n° 23/2011) A Fiscalização entendeu que, para ser verificado o cumprimento do Ato Concessório n° 20070144214, o termo inicial de vigência do Regime Especial Aduaneiro em questão deveria ser aplicado após a primeira importação efetuada pela Recorrente. Ou seja, embora já reconhecido que existem 43 Registros de Exportação vinculados ao AC objeto dos autos, o benefício extrafiscal do Drawback teria como termo inicial somente a primeira importação de cada insumo; Reportase ao Relatório Fiscal, fl. 101: Relatório FiscalFl. 101 A apuração do estoque, no caso do Regime de Drawback, deve ser realizada por Ato Concessório. O estoque inicial de determinado insumo será a primeira importação vinculada ao Ato Concessório, à exceção da beneficiária ter solicitado tempestivamente a transferência de insumos de outro Ato Concessório, conforme já exposto no título 4.3.3. Assim, regra geral, se no levantamento de estoque constatase que antes da primeira importação (entrada) temos exportação (ões) (saída) fica caracterizado que essas saídas foram realizadas com insumos adquiridos no mercado interno ou de outro AC, e portanto, essas saídas não são aceitas para fins de comprovação do regime, uma vez que o objetivo do levantamento do estoque é exatamente identificar se os insumos importados foram aplicados diretamente e fisicamente ao produto exportado, (fl. 101). Destaca que ao desconsiderar as exportações efetuadas pela Recorrente que foram devidamente vinculadas ao Ato Concessório por meio das Notas Fiscais de Saída e aos Registros de Exportação, a Fiscalização diminuiu consideravelmente a utilização dos insumos importados no processo produtivo do ouro destinado ao exterior, em nítida afronta ao termo inicial de vigência do Regime Especial Aduaneiro disposto no § 4° do artigo 83 da Portaria SECEX n° 10/2010; Pelo Ato Concessório n° 20070144214, foi concedido à Recorrente o direito de serem importados insumos utilizados na extração e beneficiamento do ouro a ser exportado, não se aplicando a exceção do mencionado § 4° do artigo 83 da Portaria SECEX n° 10/2010, tendo em vista que as mercadorias estrangeiras em questão não são para fornecimento ao mercado interno ou embarcação; Por força do § 4° do artigo 83 da Portaria SECEX n° 10/2010 (atual art. 93 da Portaria SECEX n° 23/2011), a Fiscalização deve computar todas as exportações efetuadas pela Recorrente (43RE's) desde o termo inicial da vigência do Ato Concessório n° 20070144214, qual seja, a data do deferimento dos mencionados Regimes Especiais Aduaneiros; Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/201047 Acórdão n.º 3302003.379 S3C3T2 Fl. 1.134 15 É necessária também a manifestação fiscal neste ponto, no que se refere à aplicação do § 4° do artigo 83 da Portaria SECEX n° 10/2010 (atual art. 93 da Portaria SECEX n° 23/2011) ao caso concreto, para que seja corretamente computado o consumo de insumos importados pela Recorrente no período de vigência do Ato Concessório n° 20070144214, devendo ser revisto o presente lançamento fiscal. c.2) Multa De Ofício A Fiscalização aplicou a multa no importe de 75%, pelo entendimento que ante o descumprimento parcial do Regime Aduaneiro Especial, seriam devidos todos tributos devidos no regime comum de importação que se encontravam suspensos sob a égide do DrawbackSuspensão; A DRJ entendeu que a multa de ofício aplicavase tão somente ao PIS e a COFINS, vez que o II e o IPl estavam com exigibilidade suspensa por força de decisão que antecipou os efeitos da tutela; não se pode admitir a aplicação de tal multa em relação a essas contribuições (PIS/COFINS) vez que, como amplamente demonstrado nos autos, sequer existiu qualquer fato que ensejasse a exigência dos tributos ora exigidos, tampouco da multa de ofício no patamar de 75%; isto porque, não existiu dolo por parte da contribuinte, tendo sim, cumprido estritamente todas as bases fixadas pelos Atos concessórios tidos como descumpridos; Invoca as disposições do art. 155, II c/c art. 179 do CTN ressaltando que as provas carreadas até a presente manifestação, deixam clara a inocorrência de descumprimento das condições estabelecidas nos atos concessórios; Ressalta ainda o caráter confiscatório (art. 150, IV, CF) do percentual aplicado de 75%, que atenta à capacidade contributiva da contribuinte, bem como aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, sendo assim frontalmente violadas garantias da contribuinte, como também o texto constitucional; Assim pugna pelo seu cancelamento ou, ao menos, a redução percentual fixado para o patamar de 20%, conforme estabelecido pelo § 2o do artigo 61 da Lei n. 9.430/1996, em consonância com o entendimento fixado pelo E. STF; Ao final requer: (i) as devidas exclusões dos tributos em relação às 7 (sete) Declarações de Importação transferidas a outro Ato Concessório, conforme reconhecido na Diligencia Fiscal realizada; (ii) a inexigência de quaisquer tributos em relação aos insumos que tiverem seu estoque reduzido a zero, conforme apresentado no Relatório de Diligência Fiscal. (iii) que não é devida a exigência juros de mora desde a lavratura do presente auto de infração até o prazo final da ultima prorrogação do Ato Concessório, em 14/12/2012; Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 16 Além disto, a Requerente vem reiterar todos os argumentos e pedidos apresentados em seu Recurso Voluntário, inclusive aqueles relativos ao cancelamento da multa de ofício mantida pela Fiscalização em relação ao PIS e à COFINS. Ademais, considerando a existência de Recurso de Ofício em face da decisão proferida pela DRJ, requerse sejam mantidas as exclusões feitas quando do julgamento pela DRJ no que se refere: (i) à multa de ofício, no percentual de 75% relativa ao Imposto de Importação e ao IPI, vez que, no momento da lavratura do auto de infração a Requerente possuía decisão antecipatória em vigor, suspendendo à exigibilidade desses tributos. E, ainda, (ü) à multa regulamentar por absoluta falta de tipicidade, vez que os fatos narrados nos presentes autos não se subsumem às hipóteses normativas descritas para a aplicação da referida multa. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício apresentado diz respeito às seguintes matérias: a) aplicação pela fiscalização da multa referente ao “Descumprimento de norma para habilitarse ou utilizarse de regime aduaneiro especial”, cuja penalidade tem como base legal o art. 107, VII, “e”, Decretolei nº 37/1966: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)(Vide) VII de R$ 1.000,00 (mil reais):(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)(Vide) (...); e) por dia, pelo descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para habilitarse ou utilizar regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais, ou para habilitarse ou manter recintos nos quais tais regimes sejam aplicados;(grifei). 1. Fundamentos da autuação: “Tendo o Ato Concessório de DRAWBACK, modalidade Suspensão nº 20070144214, expirado em 12/11/2008 (=data de validade), conforme se verifica pela tela do sistema Drawback Web do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio – MDIC – intitulada “Consulta de Dados Básicos – (Documento 02) a multa será aplicada a partir do primeiro dia subseqüente ao 30º dia, ou seja, 13/12/2008. Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/201047 Acórdão n.º 3302003.379 S3C3T2 Fl. 1.135 17 Entretanto, por ser o dia 13/12/2008 um sábado, a contagem iniciará no primeiro dia útil, dia 15/12/2008, uma segunda– feira, até dia 17/08/2010, data de lavratura do Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 0615100.2010.002261, perfazendo um total de 711 dias, conforme demonstrativo abaixo:” 2. Fundamentos da decisão de piso, (excertos): A infração cometida pela impugnante, conforme se pode deduzir do acima expendido, referese ao fato de haver, após o término do prazo para exportar, saldo positivo de estoques de produtos importados com suspensão ao amparo do Ato Concessório de Drawback Suspensão nº 20070144214, tendo havido inadimplemento parcial do regime. Entretanto, esses fatos relacionados à citada infração não se enquadram em nenhuma das citadas hipóteses. Isso porque, conforme artigos 338344 do RA/2002, o drawback suspensão se caracteriza por ser um regime aduaneiro no qual, mediante condições estabelecidas em ato concessório, ocorre a importação, com suspensão de tributos aduaneiros, de insumos que devem ser integralmente utilizados no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas. A mencionada suspensão é concedida sob condição de posterior exportação, que atenda aos requisitos fixados no ato concessório. Realizada a exportação nos específicos termos pré estabelecidos, consolidarseá a isenção; contudo, uma vez não comprovada a exportação, nos moldes a que se sujeita o regime, tornarseão exigíveis todos os tributos devidos em razão da importação, acrescidos dos encargos correspondentes. Assim, ao término do prazo concedido no AC para utilização do regime de drawback, não há que se falar em aplicação de multa diária por descumprimento de obrigação durante a utilização do regime, e sim, como já mencionado, na verificação do cumprimento de todas as condições e requisitos assumidos na concessão do regime.(grifo do original). No sentido de que não cabe essa multa após o prazo para exportação previsto no AC, vide o Acórdão 0725.151, da 1ª Turma da DRJ/Florianópolis, processo nº 10074.001789/2010 96, sessão de 06/07/2010, Relatora: Marta de Souza Marques. Resultado: Ora, ao término do prazo concedido no AC para utilização do regime de drawback, não há que se falar em aplicação de multa diária por descumprimento de obrigação durante a utilização do regime, e sim, na verificação do cumprimento de todas as condições e requisitos assumidos na concessão do regime. Constatado o não cumprimento, ou seja, a não utilização dos insumos importados nas exportações pactuadas no AC, há que se exigir os tributos suspensos com seus respectivos consectários legais. (...)”. Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 18 É certo, como já destacado nas linhas anteriores, que a impugnante descumpriu norma relativa ao regime de drawback suspensão; entretanto, não ficou demonstrado nos autos o descumprimento de norma para habilitarse no ou utilizarse do referido regime. Portanto, apesar de não ter se referido exatamente à multa exigida pela fiscalização, acertou a impugnante ao afirmar que não houve tipicidade; ou seja, realmente os fatos narrados nos autos não se subsumem às hipóteses normativas contempladas no artigo 107, VII, “e”, do Decretolei nº 37/1966. Cabe, em consequência, a exclusão da referida multa. .(grifos do original). Inferese dos fundamentos da decisão de piso, cujos excertos acima transcritos demonstram que o núcleo decisório prendese à ausência de tipicidade para aplicação da referida multa visto que o Regime Aduaneiro de Drawback suspensão é regido por legislação específica, estando os requisitos e condições assumidos no ato concessório disciplinados em regramento próprio, implicando a constatação de descumprimento do citado regime na cobrança dos tributos suspensos quando da importação dos insumos amparados no ato concessório, conforme legislação de regência. Ante o exposto, constatase que não há reparos na decisão de piso, assim, uma vez restando esclarecida a situação fática dos autos, podese inferir à luz do comando legal acima destacado e da interpretação jurídica destes conferida pela fiscalização que os fatos não se subsumem aos seus preceitos normativos. Dizse então que não há tipicidade, ou seja não há a conformação do fato à hipótese legal que comina a penalidade acima referida, nesse sentido, nego provimento ao recurso de ofício. b) Do não cabimento da multa de ofício em relação ao Imposto de Importação e ao Imposto sobre Produtos Industrializados Destaca a decisão de piso: 17/07/2009 (fl. 511, volume 3): decisão relativa à antecipação de tutela determinando a suspensão da exigibilidade do Imposto sobre as Importações e do IPI; essa decisão, datada de 17/07/2009, foi nestes termos: “...defiro a antecipação de tutela para determinar a suspensão da exigibilidade do Imposto de Importação e do IPI, cujas operações estejam amparadas pelo Ato Concessório de Drawback n. 20070144214, concedido à parte autora em 13/11/2007. (...); 08/09/2010 (fl. 162, volume 1): ciência do Termo de Início de Fiscalização pela impugnante; 03/12/2010 (fl. 515, volume 3): ciência, pela impugnante, dos autos de infração e Relatório de Fiscalização; 31/05/2011 (fl. 969, volume 6): sentença denegando a segurança e revogando a decisão de 17/07/2009, que havia antecipado os efeitos da tutela e suspendido a exigibilidade do Imposto sobre as Importações e do IPI; Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/201047 Acórdão n.º 3302003.379 S3C3T2 Fl. 1.136 19 A Lei nº 9.430/1996, art. 63, estabelece as regras legais pertinentes a créditos tributários que se encontrem sub judice, conforme segue: "Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). §1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. (grifei). § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição." Verificase da peças dos autos referidas nos excertos acima transcritos, notadamente o TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO n° 012.01/2010, fls.151/160 (vol. 1), com ciência por AR em 08/09/2010, fls.162/163 que a situação em exame se enquadra exatamente nas disposições excepcionais prescritas no § 1º do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, visto que a antecipação de tutela determinando a suspensão da exigibilidade do Imposto de Importação e do IPI concedida em 17/07/2009 (fl. 511, volume 3) é anterior ao início do procedimento fiscal. Nesse sentido, nego provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da ausência de concomitância Da análise da petição Inicial, fls. 734/738, relativa à ação ordinária, processo judicial nº 2009.38.06.0008388, ajuizada pela empresa RIO PARACATU MINERAÇÃO S/A, atual KINROSS BRASIL MINERAÇÃO S.A, constatase que referida empresa buscou provimento judicial visando a prorrogação do prazo de vencimento de seu Drawback, consubstanciado no Ato Concessório n º 20070144214, conforme excertos a seguir transcritos: “Ante o exposto, considerando a presença dos requisitos exigidos pelo art. 273 do Código de Processo Civil, requerse a antecipação dos efeitos da tutela jurisdicional, para que seja suspensa a exigibilidade dos créditos tributários relativos às importações que foram realizadas sob o amparo do regime de Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 20 Drawback Suspensão (Ato Concessório nº 20070144214) até o julgamento final da presente ação. IV – PEDIDO Em virtude do exposto, a Autora requer: a) seja deferida a antecipação dos efeitos da tutela jurisdicional, nos termos acima requeridos; b) seja citada a União Federal para contestar a presente ação; c) seja julgada procedente a presente ação, para declarar o direito da Autora à prorrogação do prazo de vencimento do regime de Drawback Suspensão (Ato Concessório nº 20070144214), com a consequente inexigibilidade de quaisquer tributos incidentes sobre as importações de insumos realizadas; d) A condenação da União Federal ao pagamento das custas processuais e honorários de sucumbência a serem fixados por V. Exa.” Corrobora o entendimento acima, neste caso, não apenas o objeto delimitado na petição inicial como acima transcrito, mas também o pronunciamento judicial referente à antecipação de tutela, de 17/07/2009, fl. 511, que determinou à ré no prazo de 10 (dez) dias o reexame do pedido de prorrogação do prazo do ato concessório de Drawback, bem como a sentença de fl. 971/984, proferida em 31/05/2011 que revogou a decisão antecipatória. Prescreve o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830, de 1980, que o ingresso da contribuinte na via judicial importa em renúncia da via administrativa, ou desistência do recurso interposto. Nesse sentido o Parecer Normativo/Cosit nº 7, de 22 de agosto de 2014, que dispõe sobre o tratamento a ser dispensado ao processo administrativo fiscal quando o sujeito passivo opta pela discussão concomitante na esfera judicial sobre objeto idêntico, declara em caráter normativo que a propositura pela contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; consequentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. Conforme relatado, constatase que o principal fundamento do lançamento, de II, IPI, PIS e COFINS decorrente do descumprimento das exigências relativas ao Drawback Suspensão aprovado pelo Ato Concessório nº 20070144214, reside na constatação pela fiscalização de saldos positivos de insumos importados que não haviam sido utilizados no processo de produção de ouro para exportação, buscando a Recorrente através das peças de defesa refutar os fundamentos da autuação. Como bem ressaltado na decisão de piso, vale destacar: (...)considerandose que as matérias, apesar de não serem coincidentes, são interligadas, cumpre ressaltar que o presente julgamento administrativo fica subordinado à decisão definitiva a ser proferida na ação judicial. Assim, na hipótese de superveniência de decisão judicial transitada em julgado favorável ao contribuinte, tornarseá sem efeito o auto de infração, total ou parcialmente, acaso se torne incompatível com a citada decisão judicial, conforme o seu teor e extensão, devendo, se for o caso, ser extinto ou revisto eventual Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/201047 Acórdão n.º 3302003.379 S3C3T2 Fl. 1.137 21 procedimento administrativo de cobrança, por haver perdido ou modificado seu objeto. Dessumese assim que as matérias nas esferas administrativa e judicial são diferenciadas, inexistindo assim concomitância entre as referidas esferas, consequentemente não há renúncia à instância administrativa, tendo o processo administrativo prosseguimento normal, nos termos do artigo 87 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011 e alterações promovidas pelo Decreto nº 8.853, de 2016. Dos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao confisco Em relação ao malferimento dos princípios invocados, da proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao confisco, matéria em essência de natureza constitucional, de competência decisória exclusiva do Poder Judiciário, cabe ressaltar que o 1art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, à exceção do disposto em seu § 6º, vedou expressamente aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Na esteira das referidas disposições legais o Regimento Interno deste E. Conselho prevê em seu 2artigo 62 que é vedado aos membros das turmas de julgamento do 1 Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6.º. O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I–que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II–que fundamente crédito tributário objeto de: a)dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b)súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n.º 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c)pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Todo o parágrafo 6.o incluído pelo art. 25 da Lei nº 11.941, de 2009). 2 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 22 CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto nas hipóteses previstas no § 1º do mencionado dispositivo regimental. Não se enquadrando o caso em exame em nas hipóteses excepcionadas, aplicase como fundamento decisório sobre essa matéria a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Do Pedido de diligência prescindibilidade A contribuinte requer a realização de diligência para que haja manifestação fiscal no que se refere à aplicação do § 4° do artigo 83 da Portaria SECEX n° 10/2010 (atual art. 93 da Portaria SECEX n° 23/2011) ao caso concreto, no intuito de que seja corretamente computado o consumo de insumos importados pela Recorrente no período de vigência do Ato Concessório n° 20070144214. O pedido de realização de realização de diligência deve se analisado à luz do que dispõe o artigo 18 do mesmo diploma legal, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993: “Art. 18 – A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.” Nesse mister, é importante ressalvar que o deferimento de um pedido de diligência ou perícia, pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria ou colher determinada prova, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, ou ainda que se faça premente uma análise que exija conhecimentos técnicos específicos, o que não é o caso dos autos, como restará demonstrada na análise de mérito. Logo, na espécie em análise, o exame dos autos demonstra ser prescindível a realização de uma diligência, notadamente em face da Informação Fiscal de fls.1.092/1.102 que analisou os fatos supervenientes apresentados pela própria Recorrente no recurso voluntário, existindo assim elementos probatórios que permitem ao julgador a cognição dos fatos que motivaram o presente feito, além da clareza do tipo legal que rege a espécie dos autos, tal como se verifica na parte meritória da presente peça, motivo pelo qual o pedido de diligência deve ser indeferido nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. MÉRITO Do Ato Concessório n º 20070144214 e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/201047 Acórdão n.º 3302003.379 S3C3T2 Fl. 1.138 23 Das constatações apuradas no Relatório de Fiscalização de fls.71/148, quanto aos compromissos de importação e exportação vinculados ao Ato Concessório n º 20070144214, atualizadas pela Informação Fiscal de fls.1.092/1.102 em cumprimento à diligência determinada pela Resolução CARF nº 3302.000.455, de 16/10/2014, fls.1.073/1.088, temse a ratificação da prorrogação da validade do Ato Concessório n º 20070144214, registrado em 13/11/2007 com validade prorrogada para 14/11/2012, gerando os seguintes efeitos quanto ao auto de infração em exame: 1 Transferência dos saldos de insumos relativos às DIs nºs 08/0558864 1/001, 08/09906249/001, 08/14116005/001, 08/15305405/001, 08/15309230/001, 08/16262505/001 e 08/16964313/001. As 07 (sete) DIs transferidas referemse a 04 (quatro) itens (produtos) do Ato concessório n º 20070144214, conforme discriminados na tabela do item 5 da Informação Fiscal; 2 Reapuração do estoque após a exclusão das referidas DIs do Ato concessório n º 20070144214, os saldos de estoque ficam significativamente alterados, tendo inclusive para os itens 11, 12 e 14 saldo de estoque zero. 3 Exclusão dos valores lançados auto de infração referentes às DI transferidas conforme valores apurados na Informação Fiscal de fls.1.092/1.102, (item 1) a seguir demonstrados: Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 24 Ante a superveniência da situação fática, ratificada nos aspectos acima demonstrados que levaram à reapuração dos compromissos assumidos no Ato Concessório n º 20070144214, os tributos acima destacados, apurados segundo a Informação Fiscal de fls.1.092/1.102 serão exonerados do presente auto de infração. 4 Manutenção do saldo positivo do estoque de mercadorias importadas Conforme item 6 (seis) da Informação Fiscal de fls.1.092/1.102, após atualização do saldo de estoque do Ato concessório n º 20070144214, já considerando as devidas transferências, constatou a fiscalização ainda a existência de saldo de estoque dos insumos importados não transferidos, a seguir demonstrados: Destaca a Informação Fiscal de fls.1.092/1.102: Diante da prorrogação do Ato concessório, a beneficiária não tomou qualquer providência no que diz respeito as exportações a que se comprometeu quando da obtenção do benefício do Regime de Drawback, ou seja, a beneficiária não vinculou outras exportações ao ato concessório nº 20070144214, exportações essas que deveriam ser de produtos (ouro) produzidos com os insumos importados através do ato concessório. À época do lançamento, 43 (quarenta e três) Registros de Exportação – REs estavam vinculados ao Ato concessório n º 20070144214, e, atualmente, os mesmos 43 (quarenta e três) REs permanecem vinculados, sem qualquer alteração. (grifei). Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/201047 Acórdão n.º 3302003.379 S3C3T2 Fl. 1.139 25 Concluindose, portanto, que a beneficiária não utilizou os saldos positivos de insumos lançados à época, na produção do produto (ouro) a ser exportado no Ato concessório. No entanto, na vigência do período prorrogado, com a anuência do MIDC, a beneficiária foi autorizada a transferir os saldos de insumos relativos as DIs nº 08/0558864 1/001, 08/0990624 9/001, 08/14116005/001, 08/15305405/001, 08/15309230/001, 08/16262505/001 e 08/16964313/001. Com a transferência das DIs para outro ato concessório, essas DIs não mais se vinculam ao Ato Concessório n º 20070144214, e, portanto, os saldos de insumos dessas DIs não devem mais ser considerados para o cálculo do saldo positivo de estoque do Ato concessório n º 20070144214.(sic). A Recorrente em sua manifestação de inconformidade de fls. 1.107/1.121, questiona esse estoque remanescente através de alguns argumentos tais como: conflito entre o princípio da não exportação de impostos (tributação no país de destino); que sua receita total decorre precisamente de 99% do ouro exportado, sendo forçoso concluir que todas as matérias primas e os insumos importados pela Recorrente são integralmente utilizados na extração do ouro com destino ao exterior, fato corroborado pelas DIPJs e Planilhas Contábeis acostadas à Impugnação e por força dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, deve ser considerado o adimplemento total. Questiona ainda a metodologia de apuração dos estoques, quanto ao termo inicial da vigência do Ato Concessório n° 20070144214, qual seja, a data do deferimento dos mencionados Regimes Especiais Aduaneiros. Conforme se demonstrará a seguir, não assiste razão à Recorrente. Pelo teor do art. 341 do RA/2002, cuja matriz legal é o art. 78 do Decretolei n.º 37, de 1966 podese inferir que o texto regulamentar impõe de forma clara a vinculação entre a mercadoria importada e a mercadoria a ser exportada no regime aduaneiro especial de Drawback suspensão seja quanto à espécie, quantidade, valor e prazo. Assim, sendo referido regime um incentivo fiscal à exportação, é necessário que a importação e a exportação estejam devidamente vinculadas, de tal forma a permitir o efetivo controle pelo fisco do emprego e destinação dos bens, possibilitando a exigência dos tributos suspensos caso não sejam atendidas as condições que levaram à concessão do regime. Os requisitos legalmente determinados para admissão das mercadorias no regime de drawback materializamse em cada caso na emissão de um Ato Concessório. Expedido um Ato Concessório, o beneficiário do regime drawback, modalidade suspensão, responsabilizase pelos termos nele acordados. Ao beneficiário é dado o direito de importar com suspensão de tributos os produtos ali discriminados, desde que, cumpra com o dever de exportar os produtos também ali determinados, nas quantidades, valores e prazos constantes no referido Ato. No caso em espécie, quando da diligência solicitada, fez a fiscalização uma apuração criteriosa ante os fatos arguídos pela Recorrente, no entanto restou cabalmente demonstrado, que (embora posteriormente a autuação, a validade do Ato Concessório n º 20070144214, registrado em 13/11/2007 tenha sido prorrogada até 14/11/2012), quando da Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 26 diligência efetuada, cujo relatório fiscal foi emitido em 29/04/205, com ciência pela interessada em 18/05/2015, conforme AR de fl.1104, a situação quanto aos compromissos de exportação permaneceram iguais à época da autuação, como já demonstrado, fato não questionado pela defesa visto que seus argumentos de discordância têm outro viés de contestação. É de se ressaltar que embora argua a defesa que há um montante significativo de sua receita decorrente da exportação de ouro, fato plenamente plausível pela sua condição de exportadora de ouro, o que se discute nos autos é o inadimplemento dos compromissos assumidos no âmbito do drawback conforme Ato Concessório n º 20070144214, fato até agora sobejamente demonstrado pela fiscalização, visto que mesmo com a prorrogação da validade do ato concessório até 14/11/2012 não houve a exportação do produto no montante compromissado, restando no estoque insumos importados na vigência do regime, com suspensão dos tributos (II, IPI, PIS e COFINS) . Notese que a Recorrente não trouxe aos autos qualquer documento que vise infirmar as provas trazidas pela fiscalização ou qualquer outra prova que demonstre recolhimentos efetuados pela referida empresa, com relação aos tributos suspensos quando da importação dos insumos discriminados no já referido ato concessório, seja na impugnação, no recurso voluntário ou ainda quando manifestação de inconformidade após a ciência da diligência. Da metodologia para apuração do estoque Quanto à metodologia utilizada pela fiscalização igualmente não prospera a tese da defesa, conforme se verifica dos excertos Relatório de Fiscalização de fls.71/148: A partir da relação Insumo x Produto apresentada no laudo técnico, esta fiscalização elaborou Planilha de Cálculo De Utilização Do InsumoxImportado Na Produção Do Bem Exportado Produção e Estoque para cada um dos Itens importados. (Documentos 06) A conclusão a que se chegou pode ser verificada no quadro resumo abaixo, no qual verificase um estoque final (saldo positivo de estoque) de insumos importados. O saldo positivo de estoque final caracteriza que as mercadorias importadas não foram integralmente utilizadas no processo produtivo das mercadorias a serem exportadas.(grifei). (...) A apuração do estoque, no caso do Regime de Drawback, deve ser realizada por Ato Concessório. O estoque inicial de determinado insumo será a primeira importação vinculada ao Ato concessório, à exceção da beneficiária ter solicitado tempestivamente a transferência de insumos de insumos de outro ato concessório, conforme já exposto no título 4.3.3.(grifei). Observese que os insumos transferidos foram indicados pela Recorrente ao Departamento de Operações de Comércio Exterior DECEX do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MDIC , fl. 1.067 e recalculado o estoque com o cômputo de todas as exportações efetuadas no prazo de vigência do regime, ou seja, foram computadas as exportações cujos embarques ocorreram no período de 29/11/2007 a 06/11/2008, pois como já enfatizado, ainda que a validade tenha sido prorrogada não foram Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/201047 Acórdão n.º 3302003.379 S3C3T2 Fl. 1.140 27 vinculadas outras exportações além dos 43 (quarenta e três) Registros de Exportação – REs que já estavam vinculados ao Ato concessório n º 20070144214 conforme metodologia já referida, não sendo aplicado pela fiscalização a exceção do 3§ 4° do artigo 83 da Portaria SECEX n° 10/2010 (atual art. 93 da Portaria SECEX n° 23/2011), como argui a defesa, visto que essa norma diz respeito ao prazo a quo para a validade de um ato concessório, regra geral, a partir do deferimento deste, e regra excepcional para os casos de drawback para fornecimento ao mercado interno e não à metodologia para a quantificação dos estoques dos insumos importados com vistas a aferir a utilização destes durante o regime em função do ciclo produtivo da empresa. Nesse mister, cabe enfatizar que somente a partir do deferimento do ato concessório está a beneficiária apta a importar com suspensão dos tributos, logo para a quantificação do estoque, o estoque inicial de um determinado insumo será a primeira importação vinculada ao Ato concessório, Também não prospera o suposto conflito entre o princípio da não exportação de impostos e a tributação no país de destino como pertinentemente fundamentou a decisão de piso: Não assiste razão à defendente quando afirma que há conflito do princípio da vinculação física com o da tributação no país de destino. Ambos estão incorporados a normas relacionadas ao tratamento tributário das exportações. Enquanto o segundo visa a evitar a exportação de tributos, o primeiro visa a inibir o uso indevido do drawback, evitando que pessoas se utilizem indevidamente de insumos importados sem o pagamento de tributos, desviandoos irregularmente ao mercado interno, concorrendo deslealmente com os produtores nacionais, prejudicando a indústria brasileira. Igualmente não assiste razão à defesa quando afirma que por não haver prejuízos aos cofres públicos uma vez que recolhe todos os tributos incidente sobre sua renda, folhasdesalários e demais contribuições em função da exploração do ouro com destino ao exterior, não é razoável manter a exigência em discussão, inclusive porque também se aplica ao caso a fungibilidade, haja vista que as hipóteses mencionadas se referem a fatos geradores distintos, inaplicáveis ao caso, tampouco a fungibilidade dos insumos, pois como já ressaltado, no drawback suspensão, prepondera por força da legislação de regência, o princípio da vinculação física, cujos insumos importados devem ser utilizados integralmente no produto a ser exportado, nas quantidades e dentro do prazo de validade do ato concessório. Da multa de ofício relativa ao PIS/COFINS Com relação a exclusão ou redução ao percentual de 20% da multa de ofício relativo ao PIS/COFINS, cabem as seguintes considerações: Dispõe a Lei nº 9.430/1996: "Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da 3 §4º O prazo de vigência do drawback será contado a partir da data de deferimento do respectivo ato concessório, à exceção do drawback para fornecimento ao mercado interno ou embarcação, para os quais será contado a partir da data de registro da primeira declaração de importação. Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 28 União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). §1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.(grifei). Conforme já ressaltado no presente voto, a antecipação de tutela além de ser expressa quanto à suspensão da exigibilidade do Imposto de Importação e do IPI, cujas operações estejam abrigadas pelo Ato Concessório de Drawback nº 20070144214, foi anterior (concedida em 17/07/2009) à ciência do Termo de Início de Fiscalização, situação amparada pelas disposições do § 1º do art. 63 acima transcrito, no entanto com relação às Contribuições para o PIS/PASEP e à COFINS, devidas por ocasião das importações compromissadas, não cabe a exclusão da multa de ofício, já que, na data da ciência do Termo de Início de Fiscalização, (em 08/09/2010 ) inexistia qualquer medida judicial na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN, suspendendo a exigibilidade dos referidos tributos. Quanto à redução pretendida, cabe ressaltar que a cominação de uma penalidade, é matéria adstrita à reserva legal, conforme art. 97, V, do Código Tributário Nacional – CTN devendo haver em decorrência do princípio da estrita legalidade, a subsunção dos fatos à hipótese legal. No caso dos autos de lançamento de ofício o percentual de 75% foi aplicado por força art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, inexistindo base legal para a redução pleiteada. Dos Juros de Mora Quanto à incidência dos juros de mora, está prevista no artigo 161 do Código Tributário Nacional, verbis: "Art. 161 O Crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária." §1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês.”(grifei). Os juros de mora, ex vi do art. 161 retrotranscrito, incidem quando da insuficiência ou do retardo do pagamento do crédito tributário, qualquer que seja a intenção da contribuinte ou o motivo do atraso, visto que a natureza cogente da norma tributária estabelece seja qual for o motivo determinante da falta. Diferentemente da multa de ofício, que por expressa determinação legal, por força do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, que estabelece as regras legais pertinentes a créditos tributários que se encontrem sub judice, não caberá lançamento de multa de ofício na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN. Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/201047 Acórdão n.º 3302003.379 S3C3T2 Fl. 1.141 29 Acrescentese ainda, pela escorreita análise sobre a matéria, excertos da decisão de piso: Em relação aos juros de mora nos lançamentos para prevenir a decadência, quando não realizado depósito judicial integral, como acontece no caso presente, os referidos acréscimos devem se à exigência legal estipulada no art. 161 do CTN, cuja interpretação mais abalizada leva à conclusão de que além do depósito integral, a outra exceção a inibilo é o processo de consulta sobre a legislação tributária. Observese o referido artigo: (...) Segundo o caput do art. 161 os juros de mora são exigidos “seja qual for o motivo determinante da falta”. A exceção admitida referese a pendência de resposta a consulta sobre a legislação tributária, formulada pelo contribuinte. Enquanto não respondida a consulta, o Fisco se constitui em mora com relação ao consulente. Por dar causa a uma eventual demora no recolhimento do tributo objeto da consulta – se acaso a resposta for para pagar mais do que o contribuinte entende dever, nos termos da consulta formulada – é que não cabe ao Fisco exigir juros de mora. Nas outras hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, em que ao Fisco não cabe a responsabilidade pela mora, como sói acontecer no caso das ações judiciais quando deferida liminar em mandado de segurança ou tutela antecipada – cabe, quando revogadas as citadas decisões, o pagamento dos juros de mora, que possuem natureza indenizatória. A outra exceção a excluir a incidência dos juros de mora, afora a pendência de consulta, é a do inciso II do art. 151 do CTN: depósito integral, seja judicial ou administrativo. Em havendo depósito integral, após o trânsito em julgado o montante depositado será convertido em renda da União, caso o Fisco saia vitorioso na causa, ou então será levantado pelo contribuinte, se este lograr êxito na contenda. A conversão em renda equivale a um pagamento à vista. Por isto descabe o lançamento de juros de mora. Esta não é a situação em tela, em que o lançamento teve a sua exigibilidade suspensa sem ter sido efetuado o depósito do montante equivalente aos créditos tributários com exigibilidade suspensa judicialmente. O Decretolei nº 1.736/1979, ainda em vigor, afasta qualquer dúvida que possa existir quanto à incidência dos juros de mora em relação a créditos tributários cuja exigibilidade tenha sido suspensa por decisão judicial: Art 5º A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 30 Argumenta ainda a Recorrente [... que o prazo de vigência do Ato Concessório n° 20070144214 foi prorrogado até 14/12/2012, não há que se falar em exigência de quaisquer juros antes desta data, o que leva à conclusão de que não eram devidos os juros de mora exigidos na presente autuação] (grifei), no entanto, não prospera a tese ventilada haja vista que a prorrogação da validade do ato concessório, de modo algum interfere na contagem dos juros de mora, uma vez que referidos acréscimos moratórios são contados a partir da data do registro da importação dos insumos, à época com suspensão, cujos valores são objeto do presente lançamento, em decorrência do descumprimento dos compromissos assumidos como acima fundamentado e não da data de vencimento do ato concessório como proposto, conforme determina a legislação tributária, artigo 161 do CTN c/c o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, sendo a atividade administrativa de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme disciplina o parágrafo único do art. 142 do CTN, cumpre ao agente público, no caso em espécie, ao AuditorFiscal, desempenhála na forma e nas condições estabelecidas por lei. Nesse mister, foram aplicados aos débitos objeto da presente lide o percentual de juros de mora com escopo na legislação específica. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, rejeitar as preliminares suscitadas e no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos dos itens 5 e 6, fl.1.100 do Relatório de Diligência Fiscal. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.721997/2015-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
DEDUÇÕES. ADMISSIBILIDADE.
São admissíveis as deduções incluídas em Declaração de Ajuste Anual quando comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade, com documentação hábil e idônea.
ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a glosa.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, afastando a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 13.500,00.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ADMISSIBILIDADE. São admissíveis as deduções incluídas em Declaração de Ajuste Anual quando comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade, com documentação hábil e idônea. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a glosa. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, afastando a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 13.500,00. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 19 97 /2 01 5- 01 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 11080.721997/201501 Acórdão n.º 2202003.534 S2C2T2 Fl. 62 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 11080.721997/201501, em face do acórdão nº 1277.110, julgado pela 18ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: Contra o contribuinte foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls.08/10 relativa ao Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, anocalendário 2011, para cobrança do crédito tributário de R$ 16.465,06. O lançamento é decorrente das seguintes infrações: *dedução indevida de previdência privada e Fapi de R$ 9.897,65; *dedução indevida de despesas médicas de R$ 20.000,00. O enquadramento legal encontrase às fls. 27/29 e 32. Inconformado, o interessado ingressou com a impugnação de fls. 08/10, alegando, em síntese, que: 1. é natural de Caçapava do Sul, tem familiares ( mãe, sobrinho(dentista) irmãos) na cidade e, portanto, retorno com freqüência para lá; 2. durante o ano de 2011, realizou tratamento dentário que incluiu, cinco implantes dentários e cinco jaquetas de porcelana, cujos procedimentos, por serem demorados, exigiram várias idas e vindas para aquela cidade e portanto justificando a despesa que, em Porto Alegre teria um custo bem maior; 3. está anexando cópia do recibo de despesa com declaração do profissional que realizou o trabalho para dar veracidade ao recibo; Fl. 62DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 11080.721997/201501 Acórdão n.º 2202003.534 S2C2T2 Fl. 63 3 4. alega que, no recibo consta o ano da emissão por duas vezes e solicita não sejam computados juros sobre o valor que está comprovando. 5. por fim, solicita prioridade com base no Estatuto do Idoso e o cancelamento do débito fiscal reclamado. Ressaltese que, em 20/03/2015 , o crédito tributário foi transferido para o processo nº 11080.722.355/201511, de acordo com o Termo de Transferência de fl.28. O processo foi encaminhado a esta Delegacia de Julgamento para solução da lide , em 12/05/2015 (fl.32) Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 46/47, onde são reiterados, em parte, os argumentos já lançados na impugnação, apresentando, em anexo ao recurso, documentos às fls. 48/52, no intuito de comprovar seu direito. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, quanto aos documentos juntados em anexo ao recurso voluntário, entendo que devem ser recebidos como prova do alegado, por força do princípio da verdade material e formalismo moderado. Em recurso voluntário o contribuinte delimita a lide em relação, exclusivamente, à glosa no valor de R$ 13.500,00 referente a despesas médicas com o cirurgião dentista Antonio Celso Souza Ribeiro. Verificase que às fls. 13/14 dos autos há declaração do dentista quanto ao tratamento odontológico, bem como recibo de pagamento, no valor total do tratamento, no valor de R$ 13.500,00, datado de 28/12/2011. A DRJ de origem entendeu por manter a glosa por não ter sido especificado a forma de pagamento. Em recurso voluntário foi dito pelo contribuinte que o pagamento foi realizado em dinheiro, de forma parcelada, no decorrer do ano de 2011. Assim, recebeu o contribuinte do seu dentista, no final do respectivo ano, o recibo dos valores que já haviam sido antecipados o pagamento durante o tratamento em um recibo único. Conforme documento de fl. 13 (declaração do dentista) há informações do procedimento realizado pelo dentista com o contribuinte: tratamento periodontal, implantes, próteses e restaurações. Corroborando este documento, há nos autos uma radiografia à fl. 48, com laudo interpretativo de médico radiologista a qual fica confirmado que o contribuinte Fl. 63DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 11080.721997/201501 Acórdão n.º 2202003.534 S2C2T2 Fl. 64 4 efetivamente recebeu este tratamento, pois a radiografia é clara ao referir que há 7 implantes metálicos e 16 próteses para reabilitação de dentes ausentes. Além disso, são apresentadas todas as conclusões da radiografia, que por não serem relevantes, deixase de fazer referência. Deste modo, entendo como comprovado o tratamento odontológico recebido pelo contribuinte. Quanto a forma de pagamento do valor de R$ 13.500,00, entendo que nada impeça ao contribuinte de realizar tal pagamento em dinheiro, sendo o recibo prova suficiente para comprovação desta despesa, não havendo indícios, neste caso, para exigir do contribuinte que prove o pagamento com outras provas. Portanto, pelo demonstrado pela prova dos autos, não há razões para manter a glosa impugnada. Portanto, prosperam as razões apresentadas pelo contribuinte, devendo ser afastada glosa de despesa médica no valor de R$ 13.500,00, consubstanciada na notificação de lançamento. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, afastandose a glosa no valor de R$ 13.500,00, em relação a dedução de despesas médicas. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.011851/2007-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Nov 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
INCENTIVO FISCAL - FINOR. REQUISITOS - ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DÉBITOS.
A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos.
Uma vez deslocado o marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dando-se a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo.
Caso nenhuma das duas partes consiga comprovar a existência ou, diante de uma negativa ao gozo do benefício, a ausência de débitos à época da opção efetuada, então a presunção é de que deve ser aceito o pleito do contribuinte.
Numero da decisão: 1402-002.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo M ateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 INCENTIVO FISCAL - FINOR. REQUISITOS - ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DÉBITOS. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Uma vez deslocado o marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dando-se a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. Caso nenhuma das duas partes consiga comprovar a existência ou, diante de uma negativa ao gozo do benefício, a ausência de débitos à época da opção efetuada, então a presunção é de que deve ser aceito o pleito do contribuinte.
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REQUISITOS ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DÉBITOS. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Uma vez deslocado o marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dandose a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. Caso nenhuma das duas partes consiga comprovar a existência ou, diante de uma negativa ao gozo do benefício, a ausência de débitos à época da opção efetuada, então a presunção é de que deve ser aceito o pleito do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 18 51 /2 00 7- 20 Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10980.011851/200720 Acórdão n.º 1402002.348 S1C4T2 Fl. 236 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo M ateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10980.011851/200720 Acórdão n.º 1402002.348 S1C4T2 Fl. 237 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 131 a 199) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (fls. 125 a 128) que manteve o r. Despacho Decisório de indeferimento (fls. 102 a 106 ) do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC (fl. 2). A opção pelo incentivo ao FINOR foi feita pelo ora Recorrente, Banco Banestado S/A, na sua DIPJ 2005, relativa ao anocalendário de 2004. Em face da denegação da emissão do incentivo pretendido, o PERC foi, em 25/09/2007, apresentado por procurador do Contribuinte, trazendo o recibo de entrega e cópias de inúmeras Fichas da sua DIPJ em questão. Também instrui o pedido com comprovantes de recolhimento de Imposto de Renda do anocalendário 2004, planilha de pagamentos, DCOMPs transmitidos em fevereiro de 2005 e outros documentos fiscais do mesmo período (fls 4 a 23). Devidamente processado o Pedido, e após juntada de Consulta ao CADIN, Certidão Previdenciária e Extrato de Informação de Apoio a Emissão de Certidão, em junho de 2008, a Fiscalização regional emitiu a Intimação SEORT/EQEST nº 95/2008 (fls. 41 a 44), instruída com parte de tal documentação levantada internamente pela RFB. A referida Intimação exigia a seguinte documentação: Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10980.011851/200720 Acórdão n.º 1402002.348 S1C4T2 Fl. 238 4 Na sequência, depois de pedido de dilação de prazo (fl. 45 a 52), que restou deferido mas não cumprido pelo Contribuinte, em agosto de 2008, foram juntados aos autos cópia de processo administrativo referente a DCOMP, cópia de decisão judicial sobre tal compensação, Extrato de Informação de Apoio a Emissão de Certidão, consulta ao CADIN, Certidões de regularidade do FGTS e Previdenciária, Consulta de Declarações e Pagamentos de IRPJ, resumos de DIRF (54 a 94), acompanhado de "diagnóstico doPERC", feito pelo Órgão interno da Fiscalização (fls. 96 a 101). Imediatamente após, foi exarado o r. Despacho Decisório (fls. 102 a 106) indeferindo PERC, na data de 26/08/2008. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10980.011851/200720 Acórdão n.º 1402002.348 S1C4T2 Fl. 239 5 Tal decisão indefere o pedido com base na simples alegação de que o sistema da RFB e o CADIN apontam débitos ativos, naquele momento, em nome do Banco. Eis o trecho que fundamenta e decide pela rejeição do pedido: (...) Diante de tal revés, o ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 107 a 122), alegando que a decisão é nula, seja pela Fiscalização não ter analisado a opção pelo benefício à época de sua entrega, bem como pelo sistema da RFB ser manifestamente falho e incongruente em relação a pendências ativas. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10980.011851/200720 Acórdão n.º 1402002.348 S1C4T2 Fl. 240 6 Ato contínuo, a DRJ de Curitiba/PR proferiu o v. Acórdão (fls. 125 a 128) ora recorrido, indeferindo o pedido contido na Manifestação de Inconformidade. De tal v. Acórdão, desatacamse a ementa e os seguintes trechos: (...) (...) Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10980.011851/200720 Acórdão n.º 1402002.348 S1C4T2 Fl. 241 7 Em face do v. Acórdão, o Recorrente interpôs o Recurso Voluntário (fls. 131 a 199), agora sob apreço, repisando os argumentos da Manifestação de Inconformidade e acostando novos documentos (listagem SINCOR, extrato de débitos de IRRF referentes a processo administrativo de 2003 e seus respectivos DARFs recolhidos, cópias de Petições e Cartas à RFB esclarecendo a suposta não entrega de Declarações de ITR, pedidos de baixa cadastral fiscal de tais bens e cópia de acordo judicial, no qual os imóveis rurais, inicialmente arrestados e sequestrados, foram dados em pagamento por Réus em Ação de Prestação de Contas e de Indenização), todos visando à comprovação da ausência dos débitos apontados pelo sistema da RFB. Na seqüência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10980.011851/200720 Acórdão n.º 1402002.348 S1C4T2 Fl. 242 8 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Como demonstram os autos, podese constatar inicialmente que, em momento algum, foi feita a análise específica da existência de débitos ativos em face da decorrente no momento da opção ao benefício para ao FINOR (DIPJ 2005). Ao seu turno, todas as manifestações das Autoridades Fazendárias julgadoras se voltaram a verificar as pendências constantes do sistema da Receita Federal do Brasil nos momentos de análise e apreciação de procedência do PERC, o que foi feito no ano de 2008. Nesse sentido, a r. Decisão que primeiro indeferiu o PERC se limita a atestar que o sistema IRPJOEIF foi alimentado com a informação de irregularidade fiscal do contribuinte, determinando, conforme diagnóstico de fls. 93 a 98, o indeferimento do Perc em questão. Essa é fundamentação da denegação ao Contribuinte, não se aprofundando na origem e data das pendências, apenas remetendo às consultas efetuas em agosto de 2008. E, por sua vez, no v. Acórdão recorrido, a situação é muito semelhante, afirmando que deveria [o Recorrente]: 1) comprovar a extinção ou a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários relativos a três débitos já ajuizadas (processos n° 10980 502.690/200606, n° 10980003.871/200727, e n° 10980011.369/200285); 2) comprovar o recolhimento dos tributos declarados na DIPJ 2005; 3) apresentar recibos de entrega de três DITR, ali perfeitamente discriminadas; e 4) apresentar comprovantes da regularização das situações que deram causa à sua inclusão no CADIN, indicadas no demonstrativo que lhe foi enviado junto com a intimação. (...) O fato concreto é, primeiro, que por expresso comando legal (art. 60 da Lei n° 9.069, de 29/06/1995), a existência de débitos fiscais obsta a concessão de incentivos fiscais; e, segundo, que existem pendências e que estas, debalde foram apontadas de forma absolutamente inequívoca à contribuinte, bem como lhe foi assinalado prazo posteriormente dilatado para que as remediasse. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10980.011851/200720 Acórdão n.º 1402002.348 S1C4T2 Fl. 243 9 Em primeiro lugar, todos os supostos débitos mencionados neste v. Acórdão têm origem posterior à opção feita na DIPJ 2005, (inclusive aqueles apontados em consulta ao CADIN e o do Processo Administrativo nº 10980011.369/200285, o qual, apesar de gerado em 2002, só teve sua inserção no sistema como "ativo" em 18/06/2006 e ajuizamento para cobrança em 26/06/2007 fl. 50) não se demonstrando, com sucesso, a existência de um débito plenamente exigível no período original da opção. Mister esclarecer que a mera constatação de ausência de entrega de DITRs, per si, não constitui débito tributário exigível, ativo, visto que não constam lançamentos isolados de penalidades por descumprimento de tal obrigação acessória em seu "conta corrente" (o art. 60 da lei nº 9.069/65 é claro quando condiciona os benefícios à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais). Mas, mesmo assim, nesse ponto, justificando a razão da ausência de entrega de Declarações, o Recorrente faz prova nos recursos apresentados de que já estava esclarecendo, junto à RFB, tais supostas pendências acessórias, existindo inúmeros processos administrativos específicos para cada imóvel, e pedidos de baixa cadastral deles, sendo estes, inclusive, objeto de uma Ação Judicial de Prestação de Contas e de Indenização. Por fim, é relatado no v. Acórdão o descumprimento do Recorrente em trazer documentos de recolhimento do ano de 2004 (DIPJ 2005). Tal solicitação, abstrata e padronizada, cria uma espécie de presunção de débito em aberto, o que não poderia obstar o benéfico pretendido. Melhor explicando, tal exigência claramente se trata de requisito genérico para concessão de benefício, vez que nos Extratos, várias vezes juntados aos autos, não há menção expressa a débito de IRPJ ou CSLL de tal período, não havendo apontamento específico de um débito sequer de tal anocalendário na Intimação SEORT/EQEST nº 95/2008 (fls. 41 a 44), representando uma verdadeira inversão automática do ônus comprobatório da existência de débitos. Fica claro que o indeferimento do PERC se deu em razão da existência de supostos débitos em aberto nos momentos em que os decisórios foram exarados, qual seja agosto e novembro de 2008 e pelo descumprimento de exigências descabidas. Ainda que o Recorrente não tenha atendido a Intimação para esclarecimento e regularização das supostas pendências apresentadas, todas aquelas que foram objetivamente detectadas são referentes a débitos ativos, posteriores à opção pelo benefício. Claramente, o v. Acórdão deve ser reformado, à medida em que colide frontalmente com o teor da Súmula nº 37 e com a jurisprudência majoritária deste E. CARF/MF. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10980.011851/200720 Acórdão n.º 1402002.348 S1C4T2 Fl. 244 10 Súmula CARF nº. 37 "Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72." O sentido dessa norma (artigo 60 da Lei nº 9069/95) não é tolher o direito do contribuinte ao usufruto dos benefícios os quais em questão, possuem, inclusive, intenção final de fomento econômico regional mas apenas condicionar o seu gozo à quitação ou regularização de eventuais débitos e pendências fiscais em aberto. Diante disso, em não havendo a constatação precisa e objetiva de que, na data da entrega da DIPJ, o contribuinte possuía débitos de tributos ou contribuições federais plenamente exigíveis, não há motivação legal para impedir a fruição do benefício optado. Ainda que novos débitos surjam após a data da entrega da declaração, estes apenas terão relevância para a concessão de benefícios nos períodos posteriores, temporalmente correspondentes a tais créditos tributários ativos. Superada a ponderação de necessidade de reforma do v. Acórdão, a qual se mostra imperiosa, deve ser feita a análise devida da documentação constante dos autos, seja trazida pelo contribuinte, seja acostada pelos Órgãos de Fiscalização, à luz da Súmula mencionada. Não obstante ter o ora Recorrente trazido documentos probatórios e esclarecimentos de sua regularidade em relação a determinados períodos no seu Recurso Voluntário e, da mesma forma, tenha sido acostado diversas vezes Certidões e Extratos referente à situação fiscal do contribuinte, não há elementos nos autos bastantes à clara comprovação precisa da inexistência de débitos ativos, ao tempo da opção. Ressalvese aqui, mas uma vez, o descabimento de se exigir, genericamente, do contribuinte a prova de sua lisura fiscal na época da opção pelo incentivo. Mesmo assim, é interessante apontar que, no julgamento do Acórdão nº 10323546, de 14/08/2008, proferido pela C. 3ª Câmara do E. Primeiro Conselho de Contribuintes, que também serviu de paradigma para a Súmula CARF nº 37, os I. Julgadores enfrentaram situação muito semelhante e adotaram o seguinte entendimento: Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10980.011851/200720 Acórdão n.º 1402002.348 S1C4T2 Fl. 245 11 A análise do favor fiscal caminhou em sentido diverso da jurisprudência deste Conselho, segundo a qual, para seu gozo, a beneficiada deve estar regular na data da entrega da declaração (e não na data do pedido de revisão ou do despacho administrativo ou em outro qualquer). (...) Não há no processo comprovação cabal de que a empresa estava regular em 1998; por outro lado, também não há prova em contrário. Cabe fixar a quem deve realizar tal prova. É cediço que a SRF orienta a apresentação da prova da regularidade relativamente à data do pedido, assim como no curso do processo e não na data da entrega da declaração. Assim, se o pedido houvesse sido indeferido com base em algum débito comprovadamente contemporâneo da declaração de rendas, caberia à defesa fazer prova em contrário no recurso voluntário. No entanto, não é o caso nos presentes autos No mesmo sentido é o Acórdão n.º 1102.001.334, de votação unânime e de relatoria do I. Conselehiro Ricardo Marozzi Gregório, proferido em 04/05/2015, pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara dessa mesma 1ª Seção, trazendo, de forma explicativa, essa mesma posição jurisprudencial do CARF: Este acórdão[o de nº 10323546, acima citado, que deu origem à Súmula 37] traz lição no sentido de determinar a distribuição dos ônus de prova. Entendese que, tendo a Administração Pública comprovado, quando do indeferimento do pedido, que a Contribuinte tinha débitos ou pendências ao tempo da opção ou do Pedido de Revisão, qualquer que seja, então ainda restaria à Contribuinte a possibilidade de comprovar que os débitos não existiam, ou não eram exigíveis. Entretanto, caso nenhuma das duas partes consiga comprovar nada, então a presunção é que deve ser aceito o pleito da Contribuinte. Como se observa, o entendimento foi claramente firmado no sentido de ser necessária, inicialmente, a oposição pelo Fisco ao contribuinte da existência de determinada pendência, à época da opção e, por sua vez, caberia ao contribuinte elidir tal demonstração, através de prova, durante o processo administrativo. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10980.011851/200720 Acórdão n.º 1402002.348 S1C4T2 Fl. 246 12 Posto isso, vez que a Fiscalização não apontou, objetivamente débitos ativos, exigíveis, no momento da escolha pelo benefício, tendo o v. Acórdão a quo baseado sua improcedência na análise de débitos surgidos em momento posterior e no descumprimento de exigência abstrata e genérica de prova de regularidade, concluise não haver a causa legal prevista no artigo 60 da Lei nº 9.060/95 capaz de obstar o gozo do incentivo. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reformar o v. Acórdão recorrido e deferir o Pedido de Revisão de Emissão de Ordem de Incentivo Fiscal, em seus termos, concedendo ao Contribuinte o benefício pretendido. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Fl. 258DF CARF MF
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Numero do processo: 11070.000894/2010-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 08 94 /2 01 0- 19 Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 11070.000894/201019 Acórdão n.º 9202004.687 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 11070.000894/201019 Acórdão n.º 9202004.687 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 11070.000894/201019 Acórdão n.º 9202004.687 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 11070.000894/201019 Acórdão n.º 9202004.687 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 11070.000894/201019 Acórdão n.º 9202004.687 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 11070.000894/201019 Acórdão n.º 9202004.687 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 11070.000894/201019 Acórdão n.º 9202004.687 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 11070.000894/201019 Acórdão n.º 9202004.687 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 11070.000894/201019 Acórdão n.º 9202004.687 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1127DF CARF MF
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