Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,732)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10850.722801/2011-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. FALTA DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
É nula, por cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, a decisão de primeira instância que deixa de apreciar documentos apresentados, tempestivamente, pelo contribuinte.
Numero da decisão: 2201-002.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade e votos, dar provimento ao recurso para anular o acórdão de Primeira Instância, nos termos do voto do Relator.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Márcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2007 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. FALTA DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nula, por cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, a decisão de primeira instância que deixa de apreciar documentos apresentados, tempestivamente, pelo contribuinte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10850.722801/2011-33
anomes_publicacao_s : 201307
conteudo_id_s : 5267431
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2201-002.149
nome_arquivo_s : Decisao_10850722801201133.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : EDUARDO TADEU FARAH
nome_arquivo_pdf_s : 10850722801201133_5267431.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade e votos, dar provimento ao recurso para anular o acórdão de Primeira Instância, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Márcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
id : 4957275
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983993004032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1761; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.722801/201133 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.149 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de junho de 2013 Matéria ITR Recorrente ALTAIR MARIA PEDROSA CASTILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. FALTA DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nula, por cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, a decisão de primeira instância que deixa de apreciar documentos apresentados, tempestivamente, pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade e votos, dar provimento ao recurso para anular o acórdão de Primeira Instância, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Márcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 28 01 /2 01 1- 33 Fl. 693DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2007, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 03/06), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 3.813.543,92, calculados até 18/10/2011, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Fazendinha, com área total de 2.673,8 ha, localizado no município de Novo Horizonte/SP. A fiscalização glosou toda a área declarada de produtos vegetais (583,1 ha), de pastagens (2.078,6 ha), além de arbitrar o VTN declarado de R$ 9.929.500,00 (R$ 3.713,63/ha) para R$ 20.716.415,23 (R$ 7.747,93/ha), com base no SIPT – Sistema de Preços de Terras. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Preliminarmente, suscita invalidade do lançamento por afronta ao princípio da legalidade e por cerceamento de defesa, alegando que: a) o lançamento não foi embasado na Declaração Retificadora entregue antes do início do procedimento fiscal, portanto, espontaneamente; b) o VTN foi arbitrado sem respaldo legal ou prova técnica, o que configura arbitrariedade e falta de motivação; c) o contribuinte não teve acesso às informações do Sistema de Preços de Terras; d) o lançamento é omisso quanto à metodologia de apuração dos dados que compõem o SIPT; e) o Código Tributário Nacional veda que o mesmo tributo seja lançado por homologação e também de ofício. No mérito, alega que apresentou à autoridade lançadora as notas fiscais relativas ao período de 01/01/2006 a 31/01/2006 e o Demonstrativo de Movimento de Gado DMG do imóvel, os quais comprovam a compra de 1.217 animais e a venda de 2.370 cabeças de gado bovino, no ano de 2006 e que o saldo de gado bovino em 31/12/2006 foi de 1.820 animais, o que corresponde à área de pastagem de 2.600 hectares. Sustenta que no imóvel existe área de reserva legal, devidamente averbada às margens de sua matrícula, correspondente a 895,50 hectares, o que ora se comprova por meio de memoriais descritivos das matas, acompanhado de Ato de Responsabilidade Técnica do profissional, mapa demonstrando a localização dessas matas no imóvel e laudo de vistoria emitido pela Secretaria de Estado dos Negócios da Segurança Pública Polícia Militar do Estado de São Paulo, datado de 24 de janeiro de 2008, comprovando ao final, que referido imóvel tem 957 hectares de área de Reserva Legal e de preservação permanente. Não obstante isso, considerando que não possuía o Ato Declaratório Ambiental do Exercício 2007, essa área foi oferecida à tributação na DITR 2007 retificadora entregue em 01/03/2011, antes da ciência do lançamento que ocorreu em 03/05/2011, tendo sido pago o ITR complementar apurado, conforme DARF em anexo. Quanto à área utilizada com produtos vegetais, informa que junta à impugnação contratos de parceria firmados com Fl. 694DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10850.722801/201133 Acórdão n.º 2201002.149 S2C2T1 Fl. 3 3 Agrícola Santa Luzia Agropecuária Ltda, empresa agrícola da Usina Santa Izabel, onde a canadeaçúcar produzida no estabelecimento fiscalizado foi processada no ano de 2006 e notas fiscais de canadeaçúcar. Entende que esses documentos comprovam a exploração agrícola no imóvel durante o ano de 2006, na área de 450,7 hectares. Com base no exposto, entende que o grau de utilização do imóvel no período fiscalizado foi superior a 80%, o que corresponde à alíquota de 0,30. Discorda do valor da terra nua arbitrado, alegando que cabe ao Fisco o ônus da prova de que a declaração do sujeito passivo não merece fé, mediante laudo elaborado por um técnico capacitado para este fim, contendo demonstrativo claro e preciso dos vícios que entende existir na forma de atribuição do VTN pelo contribuinte, conforme previsto no art. 9o do Decreto 70.235/72 e jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Acrescenta que no lançamento fiscal não foi considerado o VTN da Declaração Retificadora e que o VTN arbitrado com base no SIPT contraria a lei 9.393/96, pois deixa de considerar as peculiaridades do imóvel, tais como, potencial da terra, localização, topografia da área, benfeitorias existentes, etc. Ao final, pede que seja declarada a nulidade do lançamento ou que seja reconhecida a insubsistência da exigência fiscal. A 1ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS julgou parcialmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. VALIDADE DO LANÇAMENTO. Não se declara a nulidade do lançamento quando não se configura, no caso concreto, óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público. MODALIDADE DE LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. LEGALIDADE. O lançamento por homologação dá ensejo, quando o recolhimento é menor do que aquele exigido pela legislação tributária, à efetivação de lançamento direto ou exofficio. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. EFEITO. A Declaração Retificadora entregue antes do início do procedimento fiscal substitui a declaração anterior e o ITR apurado em Declaração Retificadora não compõe o crédito tributário constituído em lançamento de ofício. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AUSÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL TEMPESTIVO. ISENÇÃO NÃO RECONHECIDA. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 O reconhecimento da isenção da área de reserva legal depende da prova da averbação dessa área à margem da matrícula do imóvel no competente Registro de Imóveis e também da sua inclusão em Ato Declaratório Ambiental ADA do Exercício 2007 entregue no IBAMA até 30 de setembro de 2007. ÁREA COBERTA POR FLORESTA NATIVA. AUSÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL TEMPESTIVO. ISENÇÃO NÃO RECONHECIDA. O reconhecimento da isenção da área de área coberta por floresta nativa depende da prova da sua existência por meio de laudo técnico elaborado por profissional habilitado e, também, da sua inclusão em Ato Declaratório Ambiental ADA do Exercício 2007 entregue no IBAMA até 30 de setembro de 2007. ÁREA UTILIZADA COM PRODUTOS VEGETAIS. PROVA PARCIALMENTE EFICAZ. Constituem prova eficaz da área utilizada com produtos vegetais os contratos agrários firmados com terceiros para plantio da terra e as notas fiscais vinculadas ao estabelecimento fiscalizado, referentes à comercialização ou à transferência da produção agrícola. ÁREA UTILIZADA COM PASTAGENS. FALTA DE PROVA. A dedução da área de pastagem depende da comprovação da existência de animais apascentados no imóvel. VALOR DA TERRA NUA. FALTA DE PROVA. É do sujeito passivo o ônus da prova do valor da terra nua do imóvel quando sua omissão tiver dado ensejo ao lançamento pela técnica do arbitramento, nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização em procedimento de ofício, nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração quando o contribuinte não apresenta elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Intimado da decisão de primeira instância em 13/04/2012 (fl. 187processo digital), Altair Maria Pedrosa Castilho apresenta Recurso Voluntário em 09/05/2012 (fl. 189 processo digital), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo, cerceamento do direito de defesa em função da não apreciação dos documentos tempestivamente entregues na repartição fazendária. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10850.722801/201133 Acórdão n.º 2201002.149 S2C2T1 Fl. 4 5 Cuida o presente processo de glosa da área declarada de produtos vegetais (583,1 ha), de pastagens (2.078,6 ha), além de arbitramento do Valor da Terra Nua declarado de R$ 9.929.500,00 (R$ 3.713,63/ha) para R$ 20.716.415,23 (R$ 7.747,93/ha), com base no SIPT – Sistema de Preços de Terras. Antes de adentrarmos no mérito, cumpre examinar, de antemão, a preliminar de cerceamento do direito de defesa arguida pelo recorrente. Alega o suplicante, em linhas gerais, que entregou, em 25/05/2001, diversos documentos na repartição fazendária, conforme solicitado pelo Termo de Intimação. Contudo, a responsável pelo recebimento não repassou os referidos documentos à autoridade lançadora e, portanto, não fizeram parte do processo. Assevera ainda que os documentos foram localizados no processo de nº 10850.721256/201168 somente em 22 de abril de 2012, ou seja, 20 dias após a decisão de primeira instância. Pelo que se vê, a questão que reclama solução reside em saber se o interessado teve de fato seu direito de defesa cerceado. Neste sentido, analisando detidamente a decisão de primeira instância, verificase que em relação à glosa da área de pastagem a autoridade recorrida consignou em seu voto o seguinte: O impugnante alega que apresentou os documentos necessários à comprovação dessa matéria durante o procedimento fiscal. O fato é que não consta dos autos prova da entrega dos documentos à autoridade lançadora e essa consignou, na notificação de lançamento, que o interessado não comprovou a área declarada a título de pastagens. Por fim, na fase de impugnação ele deixa de apresentar os documentos mencionados. (grifei) Ora, diante da absoluta impossibilidade de ter acesso aos documentos apresentados pelo contribuinte, procedeu a autoridade recorrida o julgamento com os elementos constantes do processo nº 10850.722801/201133. Assim sendo, penso que esta situação desrespeita o direito de defesa assegurado ao sujeito passivo da obrigação tributária pelo artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal de 1988. Por pertinente, convém citar os arts. 31 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 59. São nulos: (...) Fl. 697DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (grifei) A falta de apreciação dos documentos acarreta cerceamento do seu direito de defesa e torna nula a decisão prolatada, nos termos do inciso II, do artigo 59, do Decreto n° 70.235, de 1972. Diante do exposto, voto no sentido de declarar a nulidade da decisão de primeira instância para que outra seja proferida, levando em consideração todos os documentos constantes do processo nº 10850.721256/201168. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 698DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 15504.017584/2009-03
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. ESTAGIÁRIO. SEGURADO EMPREGADO. BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. DESCARACTERIZAÇÃO.
O descumprimento dos requisitos fixados na Lei n° 6.494/77 e a presença dos elementos caracterizadores da condição de segurado empregado impõem a desconsideração do vínculo pactuado sob o título de estágio e a incidência de contribuições previdenciárias sobre as importâncias pagas a título de bolsa estágio.
O pagamento irregular de bolsas a alunos de graduação e pós-graduação, nas modalidades de especialização, mestrado ou doutorado, considerar-se-á o valor da bolsa como remuneração paga a segurados empregados, desde que preenchidos os pressupostos básicos da relação de emprego.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. ESTAGIÁRIO. SEGURADO EMPREGADO. BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. O descumprimento dos requisitos fixados na Lei n° 6.494/77 e a presença dos elementos caracterizadores da condição de segurado empregado impõem a desconsideração do vínculo pactuado sob o título de estágio e a incidência de contribuições previdenciárias sobre as importâncias pagas a título de bolsa estágio. O pagamento irregular de bolsas a alunos de graduação e pós-graduação, nas modalidades de especialização, mestrado ou doutorado, considerar-se-á o valor da bolsa como remuneração paga a segurados empregados, desde que preenchidos os pressupostos básicos da relação de emprego. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 15504.017584/2009-03
anomes_publicacao_s : 201307
conteudo_id_s : 5267288
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2803-002.407
nome_arquivo_s : Decisao_15504017584200903.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 15504017584200903_5267288.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
id : 4957132
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045984016072704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1980; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 1.634 1 1.633 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.017584/200903 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803002.407 – 3ª Turma Especial Sessão de 18 de junho de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FUNDAÇÃO CHRISTIANO OTTONI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. ESTAGIÁRIO. SEGURADO EMPREGADO. BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. O descumprimento dos requisitos fixados na Lei n° 6.494/77 e a presença dos elementos caracterizadores da condição de segurado empregado impõem a desconsideração do vínculo pactuado sob o título de estágio e a incidência de contribuições previdenciárias sobre as importâncias pagas a título de bolsa estágio. O pagamento irregular de bolsas a alunos de graduação e pósgraduação, nas modalidades de especialização, mestrado ou doutorado, considerarseá o valor da bolsa como remuneração paga a segurados empregados, desde que preenchidos os pressupostos básicos da relação de emprego. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 75 84 /2 00 9- 03 Fl. 1634DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15504.017584/200903 Acórdão n.º 2803002.407 S2TE03 Fl. 1.635 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 1635DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15504.017584/200903 Acórdão n.º 2803002.407 S2TE03 Fl. 1.636 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela FUNDAÇÃO CHRISTIANO OTTONI (FCO) em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada. 2. Conforme consta do Relatório Fiscal (fls. 52/65), os créditos lançados referemse às contribuições destinadas à Seguridade Social relativas à parte Patronal, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa, incidentes sobre a remuneração de segurados bolsistas não amparados pela Lei 8.958/94, que dispõe sobre as relações entre as Instituições de Ensino Superior e as Fundações de apoio e pela Lei 6.494/77, que dispõe sobre os estágios de estudantes; bem como sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais e sobre despesas escolares financiadas para funcionários em desacordo com a legislação vigente; tendo em vista que a empresa deixou de recolher as referidas contribuições no prazo e forma determinados pelo artigo 30, inciso I, alínea “a” e “h” da Lei 8.212/1991. 3. A fiscalização considerou que todas as Bolsas de Monitoria, Iniciação Científica, Aperfeiçoamento, Mestrado, Doutorado e as de Ensino (dos segurados Iara Souza Castro e Edmar Pires Murta) foram concedidas em desacordo com a legislação vigente, pois os instrumentos jurídicos apresentados não obedecem às normas contidas na Lei 6.494/77 e Decreto 87.497/82; bem como não se enquadram na Lei 8.958/94 e Decreto 5.205/04, que regulam exclusivamente a concessão de bolsas a professores e funcionários técnico administrativos das Instituições Federais de Ensino Superior. Portanto, estão sendo apurados débitos de contribuições previdenciárias referentes à remuneração dos beneficiários destas bolsas. 4. O auditor fiscal concluiu da seguinte forma: “9.5. Portanto, concluímos que se encontram presentes os pressupostos da Relação de Emprego como Pessoalidade, pois os serviços são prestados pessoalmente pelo bolsista; Não Eventualidade, pois os serviços prestados estão diretamente relacionados com as atividades da Fundação pela natureza das atividades exercidas; Remuneração, pois recebem o valor das bolsas pelo serviços prestados e, finalmente, a Subordinação (sujeição ao empregador sob sua orientação 8 e controle) pela obrigatoriedade de cumprimento de atividades de interesse da Fundação subordinado as suas normas internas, tendo suas atividades orientadas, controladas e avaliadas pela Fundação através do coordenador do Projeto, tendo todos os custos de suas atividades pagos pela Fundação, estando sujeito a elaboração de relatórios sobre suas atividades como forma de prestação de contas, respondendo por perdas e danos decorrentes da inobservância de normas internas da Fundação e normas contratuais e tem, ainda, seu desempenho final avaliado.” Fl. 1636DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15504.017584/200903 Acórdão n.º 2803002.407 S2TE03 Fl. 1.637 4 5. Foi apresentado Relatório Fiscal Complementar excluindo do débito alguns bolsistas, em razão de equivoco da fiscalização (fls. 344/345). 6. O acórdão (fls. 1565/1580) exarado em primeira instância restou ementado nos termos que passo a transcrever abaixo: “CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. FUNDAÇÃO DE APOIO. As instituições federais de ensino superior e pesquisa científica e tecnológica, a seu interesse, podem contratar instituições criadas com a finalidade de dar apoio a projetos de pesquisa, ensino, extensão e desenvolvimento institucional, científico e tecnológico (fundações de apoio), por meio da concessão de bolsas. CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS EM DESCONFORMIDADE COM A LEI. INTERVENIÊNCIA OBRIGATÓRIA DA INSTITUIÇÃO DE ENSINO. A realização do estágio darseá mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, com interveniência obrigatória da instituição de ensino. Os estagiários que recebem bolsas de estágio, em desacordo com a lei são segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de empregados. BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. Nas situações em que a fundação efetua irregularmente pagamento de bolsas a alunos de graduação e pósgraduação, nas modalidades de especialização, mestrado ou doutorado, considerarseá o valor da bolsa como remuneração paga a segurados empregados, desde que preenchidos os pressupostos básicos da relação de emprego. A isenção de contribuições previdenciárias sobre importâncias referentes à bolsa de ensino, pesquisa e extensão, concedida na Lei n.º 8.958, de 1994, aplicase somente no caso do beneficiário ser servidor de instituição federal de ensino superior, não abrangendo os alunos desta. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” 7. Buscando reverter o lançamento, a contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese: Fl. 1637DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15504.017584/200903 Acórdão n.º 2803002.407 S2TE03 Fl. 1.638 5 a) nulidade da decisão, em razão do cerceamento do direito de defesa, por não ter sido dada oportunidade à recorrente para a produção de prova testemunhal; b) afirma que a decisão colegiada não enfrentou todos os vícios apontados pela recorrente; c) necessidade da lavratura de autos de infração distintos, pois as autuações têm fundamento em elementos de prova distintos; d) incompetência da autoridade para o reconhecimento de vínculo empregatício; e) as supostas irregularidades constatadas pelo autuante, na verdade, não eram obrigatórias na vigência da Lei 6.944/77 e do Decreto 87.497/82, motivo pelo qual a autuada não pode ser punida por fato pretérito ocorrido antes da vigência da nova lei; f) para que haja a caracterização de vínculo empregatício, nos termos da Lei 6.494/77, não são meras irregularidades que automaticamente ocasionam a existência de vínculo, mas sim o desvirtuamento do seu objetivo, o que não é o caso dos autos; g) as bolsas estavam vinculadas a um projeto, ao contrário do asseverado na decisão, constando tais projetos do termo de requerimento de bolsa, bem como das portarias expedidas, não havendo que se falar em reconhecimento de vínculo empregatício; h) as atividades desenvolvidas pelos bolsistas não são atividades fins da autuada; i) inexistência de subordinação, existindo apenas coordenação e acompanhamento; j) bolsa não deve ser confundida com remuneração, pois possui natureza fomentadora e não de contraprestação; l) os valores destinados ao ensino superior não são considerados saláriosde contribuição, não incidindo qualquer recolhimento previdenciário. 8. Sem apresentação de contrarrazões, os autos foram enviados para a apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 1638DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15504.017584/200903 Acórdão n.º 2803002.407 S2TE03 Fl. 1.639 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA 2. Aduz o contribuinte que o lançamento deve ser anulado por não ter sido dada oportunidade ao contribuinte para a apresentação de prova testemunhal. 3. Compulsando os autos verificase que, conforme os documentos discriminados no relatório fiscal (item 16 a 21), foram analisados diversos documentos que deram ensejo à lavratura do auto de infração em questão. 4. Assim, cumpre salientar que o processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material. Segundo esse princípio, a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos, conforme ocorrida, e para tal, ao formar sua livre convicção na apreciação dos fatos, poderá julgar conveniente a realização de diligências que considere necessárias à complementação da prova ou ao esclarecimento de dúvida relativa aos fatos trazidos ao processo. 5. Dessa forma, esvaziam as argumentações trazidas pelo contribuinte no sentido de defender a existência de nulidade do processo administrativo, pois o julgador pode analisar as provas necessárias à formação de sua convicção, não estando vinculado a análise de provas que não sejam pertinentes ou sejam desnecessárias ao esclarecimento dos fatos. Além disso, não consta nos autos nenhum incidente processual que comprove a dificuldade recorrente em se defender, o que demonstra o acerto do agente fiscal. 6. Cumpre ressaltar que o lançamento encontrase devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011. Assim, não há que se falar em anulação do lançamento fiscal, no que rejeito a preliminar levantada pelo contribuinte. 7. Por fim, sobre o argumento da recorrente a respeito da necessidade de lavratura de autos de infração distintos, em razão de as autuações terem fundamento em elementos de provas distintos, cabe destacar que há previsão expressa indicando que foi correto o procedimento da fiscalização, qual seja o art. 9º, § 1º, do Decreto 70.235/72, que assim dispõe: “Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de Fl. 1639DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15504.017584/200903 Acórdão n.º 2803002.407 S2TE03 Fl. 1.640 7 lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1º Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova.” DAS BOLSAS DE ESTÁGIO, MONITORIA, INICIAÇÃO CIENTÍFICA, APERFEIÇOAMENTO, MESTRADO E DOUTORADO 8. A fiscalização considerou os contratos de concessão como irregulares, pois não tinham a intermediação obrigatória da instituição de ensino, e nem qualquer vinculação ao convênio celebrado entre a Universidade Federal de Minas Gerais e a recorrente. Também afirmou que não restou comprovado que o estágio estava na programação pedagógica da UFMG. 9. Em seus argumentos, a recorrente dispõe que as irregularidades constatadas pelo autuante, na verdade, não eram obrigatórias na vigência da Lei 6.944/77. 10. Entretanto, cabe salientar que o relatório fiscal do auto de infração tomou como base a lei vigente à época do período fiscalizado, como segue (fl. 60): “7. A legislação determina que para a caracterização e realização efetiva do Estágio existe a obrigatoriedade deste estar inserido na programação didáticopedagógica da Instituição de Ensino que o estudante frequenta e fazer parte do currículo escolar, constituindose em complementação de aprendizado e, ainda, são exigíveis os seguintes instrumentos jurídicos: CONVÊNIO DE ESTÁGIO, que é um acordo de parceria entre a Unidade Concedente e a instituição de ensino; TERMO DE COMPROMISSO DE ESTÁGIO, documento celebrado entre o estudante e a empresa concedente, com interveniência obrigatória da Instituição de Ensino de origem do estudante, que se constitui como documento exigível para comprovação de inexistência de vínculo empregatício, devendo mencionar em seu conteúdo o convênio de estágio a que se vincula (art. 3º da Lei 6.494/77 – artigos 5º e 6º §§ 1º e 2º do Decreto 87.497/82).” 11. Acrescentese que os documentos analisados foram (fls. 61 e ss.): folhas de pagamento, Guias de Recolhimentos constantes da conta corrente da empresa, Contratos de Concessão de Bolsas dos Estagiários e Bolsistas servidores da UFMG, Projetos de Pesquisa, legislação pertinente, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), telas de vínculo empregatício do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) para confirmação de vínculos dos bolsistas da UFMG, documentação do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), documentação de salário maternidade, fichas de registro de empregados, livros razão, livros diários n.º 73 a 78 registrados no Cartório de Pessoas Jurídicas José Neri sob o n.º 66.455 – Livro A em 05/09/2006, averbados, respectivamente, sob números 522 a 527, foi apresentado também os dados em arquivos digitais. Fl. 1640DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15504.017584/200903 Acórdão n.º 2803002.407 S2TE03 Fl. 1.641 8 12. Desse modo, observase que a constatação da infração teve como base inúmeros documentos que identificaram o descumprimento do previsto na legislação aplicável à concessão de bolsas. 13. Pelo que se extrai dos autos, não restou demonstrado o cumprimento de todos os requisitos da Lei n.º 6.494/77, bem como do seu regulamento (Decreto 87.497/82), portanto, encontramse presentes os elementos caracterizadores do segurado empregado, sendo que as importâncias pagas a título de bolsa estágio integram o saláriodecontribuição, conforme art. 28, § 9º, alínea “i”, da Lei 8.212/91, impondose o enquadramento dos trabalhadores como segurados obrigatórios na qualidade de empregados, desconsiderandose o vínculo tacitamente pactuado sob o título de estágio, pois estão presentes todos os pressupostos da relação de emprego, quais sejam: não eventualidade; subordinação; pessoalidade e onerosidade. DAS BOLSAS DE ENSINO E EXTENSÃO 14. A concessão de bolsas de ensino e extensão está prevista na Lei n.º 8.958/94 e no Decreto n.º 5.205/2004. Assim, verificase que é necessário o cumprimento de alguns requisitos previstos em lei, dentre eles o de que as bolsas de ensino, pesquisa ou extensão devem estar necessariamente vinculadas a um projeto de pesquisa, ensino ou extensão, ou para o desenvolvimento institucional, científico ou tecnológico de interesse das instituições federais contratantes, elaborado previamente, conforme metodologia científica aplicável à espécie, para fins de não incidência de contribuições sociais. 15. Salientese que a recorrente não apresentou nenhuma comprovação de que os projetos tenham sido consignados em plano institucional aprovado pelo órgão superior da instituição. 16. Desse modo, descumprido requisito legal, considerase saláriode contribuição o pagamento das referidas bolsas, sendo, portanto, passível de incidência tributária. CONCLUSÃO 17. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito negar lhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 1641DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15504.017584/200903 Acórdão n.º 2803002.407 S2TE03 Fl. 1.642 9 Fl. 1642DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 35936.000319/2005-81
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/1998 a 31/12/1998
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA
VINCULANTE Nº 08, DO STF.
1. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula
Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008,
reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
2. No caso destes autos, o lançamento está fulminado pela decadência,
tanto pela regra do § 4º do art. 150, como pela regra do inciso I do art. 173,
ambos do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-001.491
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), em razão da decadência.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1998 a 31/12/1998 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 08, DO STF. 1. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. 2. No caso destes autos, o lançamento está fulminado pela decadência, tanto pela regra do § 4º do art. 150, como pela regra do inciso I do art. 173, ambos do CTN. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 35936.000319/2005-81
anomes_publicacao_s : 201204
conteudo_id_s : 5055368
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2803-001.491
nome_arquivo_s : 280301491_35936000319200581_201205.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 35936000319200581_5055368.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), em razão da decadência.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
id : 4956117
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045984062210048
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1715; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 244 1 243 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35936.000319/200581 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 280301.491 – 3ª Turma Especial Sessão de 18 de maio de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente TYCO ELETRONICS AMAZÔNIA LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1998 a 31/12/1998 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 08, DO STF. 1. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. 2. No caso destes autos, o lançamento está fulminado pela decadência, tanto pela regra do § 4º do art. 150, como pela regra do inciso I do art. 173, ambos do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), em razão da decadência. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Fl. 251DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35936.000319/200581 Acórdão n.º 280301.491 S2TE03 Fl. 245 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Leôncio Nobre de Medeiros. Ausência momentânea: Wilson Antônio de Souza Corrêa. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35936.000319/200581 Acórdão n.º 280301.491 S2TE03 Fl. 246 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD lavrada em desfavor do contribuinte acima identificado, lançada e constituída contra as empresas TYCO ELECTRONICS DA AMAZÔNIA LTDA, na qualidade de responsável solidária, como tomadora de serviços, e SAN PRESS SEGURANÇA PATROMINIAL LTDA, na qualidade prestadora de serviços. De acordo com o Relatório Fiscal de fis. 23/24, o lançamento diz respeito ao período de 03 a 12/1998. A finalidade do lançamento foi apurar e constituir o crédito relativo às contribuições destinadas à Seguridade Social e não recolhidas, correspondentes às contribuições descontadas de Segurados, as devidas pela Empresa, as contribuições para o financiamento de SAT/RAT (financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho) e as destinadas a outras entidades, sob a rubrica Terceiros. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 09 de novembro de 2007, ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1998 a 31/12/1998 NFLD 35.846.8590. CONTRIBUIÇÔES SOCIAIS. SOLIDARIEDADE NA CESSÃO DE MÃODEOBRA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. GUARDA DE DOCUMENTOS. PRODUÇÃO DE PROVAS. EXCLUSÃO DE TERCEIROS. REVISÃO DE OFÍCIO. AFERIÇÃO INDIRETA. QUALIFICAÇÃO TÉCNICA DA AUTORIDADE FISCAL. DECADÊNCIA. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. O Art. 31, § 3° da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.032/95, bem como o Art. 42, § 2° do Regulamento de Organização e Custeio da Seguridade Social, aprovado pelo Dec. 2173/97 (aplicado até a competência dezembro de 1998) definem a forma de elisão da responsabilidade solidária. Não cumpridos estes requisitos, a tomadora é responsável pelas contribuições previdenciárias apuradas pela fiscalização, incompatível com o beneficio de ordem e distinta da responsabilidade subsidiária. Excluemse da responsabilidade solidária as contribuições destinadas a outras entidades e fundos. A verificação de elementos capazes de alterar a base de cálculo do lançamento do crédito previdenciário obriga a administração Pública a promover sua retificação. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35936.000319/200581 Acórdão n.º 280301.491 S2TE03 Fl. 247 4 O sujeito passivo das contribuições previdenciárias deve manter em boa guarda e ordem, à disposição da fiscalização, durante dez anos, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações previdenciárias acessórias (Decreto 3.048/99, art. 225, §5°). É de competência do Auditor Fiscal o exame da contabilidade da empresa, conforme o § 1° do art. 33 da Lei n° 8.212/91, prescindindo ser contador diplomado para desempenhar suas funções. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições sociais previdenciárias é de 10 anos, fixado em lei ordinária federal, sendo distinta da competência para fixação de norma geral pelo CTN. É vedado aos órgãos do Poder Executivo afastar, no âmbito administrativo, a aplicação de lei, decreto ou ato normativo, por inconstitucionalidade ou ilegalidade. Será indeferido o requerimento de perícia quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. Lançamento Procedente em Parte Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Inicialmente cumpre dizer que toda a matéria abordada na presente decisão que ora se recorre, tem como pano de fundo, fatos ocorridos no exercício financeiro de 1998, cuja constituição e cobrança encontramse prejudicadas pelo instituto da decadência e prescrição nos termos do art. 173 do CTN, fato este que por si aniquila toda e qualquer pretensão do INSS em face das contribuições previdenciárias objeto da ação fiscal, cuja feitura também se torna inócua, na medida em que a Recorrente, como toda pessoa jurídica, não está obrigada a manter seus registros fiscais por período superior a (cinco) anos. Seja deferida a Perícia Técnica Contábil para fins de provar que a Recorrente nada deve ao INSS, a teor da determinação dos princípios norteadores do devido processo legal aliado aos princípios norteadores da Administração Pública. Seja decretada a decadência e prescrição do direito do INSS constituir e cobrar os créditos previdenciários a teor do que determina a MP nº 413/08, na medida em que os fatos constatados durante a ação fiscal ocorreram no exercício de 1998 e a fiscalização ocorreu no ano de 2.005, depois de 07(sete) anos da materialização do fato gerador. Reiteramse os argumentos da Impugnação primária, para em sede de Recurso requerer seja JULGADO TOTALMENTE IMPROCEDENTE A NFLD 35.846.859 0, para o fim de eximir a Recorrente do pagamento da multa arbitrária e desmotivada que lhe é imposta, na medida em que a mesma tem como pano de fundo matéria não prevista em Lei Complementar, conforme adiante provado. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35936.000319/200581 Acórdão n.º 280301.491 S2TE03 Fl. 248 5 Por fim, requerse seja suspensa toda e qualquer constrição em nome da Recorrente, nos termos do que determina o inciso III do art. 151 do CTN, sendo, por conseguinte, respeitados os prazos processuais incidentes a presente demanda. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35936.000319/200581 Acórdão n.º 280301.491 S2TE03 Fl. 249 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Tendo em vista o período do lançamento, não resta dúvida de que o crédito foi alcançado pelos efeitos da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal – STF. O Supremo Tribunal Federal, de acordo com entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212/91 há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias, como se sabe, são tributos lançados por homologação. Assim, deve, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Na hipótese de o contribuinte não efetuar o lançamento, aplicase a regra do inciso I do art. 173 do referido diploma legal. No caso destes autos, o lançamento está fulminado pela decadência, tanto pela regra do § 4º do art. 150, como pela regra do inciso I do art. 173, ambos do CTN. Nestes autos, o contribuinte tomou ciência da notificação por meio de edital afixado em 12/09/2005 e em 06/02/2006. A documentação que embasou o lançamento diz respeito às competências de 03/1998 a 12/1998. Destarte, não resta dúvida de que a pretensão do fisco está fulminada pela decadência, devendo ser aplicada a Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35936.000319/200581 Acórdão n.º 280301.491 S2TE03 Fl. 250 7 Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. No caso destes autos, o lançamento está fulminado pela decadência, tanto pela regra do § 4º do art. 150, como pela regra do inciso I do art. 173, ambos do CTN. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10410.002694/2007-26
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 05/11/2004 a 13/11/2006
É nulo, por vício formal, o lançamento tributário quando não estiverem presentes todos os elementos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, bem como, quando se constatar confusa contextualização dos elementos de prova que visavam determinar o fato gerador da obrigação, e os que forem formalizados com erro na determinação da matéria tributável, posto que, por representar preterição de uma formalidade essencial, caracteriza-se cerceamento do direito de defesa.
RECURSO DE OFÍCIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-00.249
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do voto da relatora.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200907
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 05/11/2004 a 13/11/2006 É nulo, por vício formal, o lançamento tributário quando não estiverem presentes todos os elementos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, bem como, quando se constatar confusa contextualização dos elementos de prova que visavam determinar o fato gerador da obrigação, e os que forem formalizados com erro na determinação da matéria tributável, posto que, por representar preterição de uma formalidade essencial, caracteriza-se cerceamento do direito de defesa. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO.
turma_s : Segunda Câmara
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 10410.002694/2007-26
anomes_publicacao_s : 200907
conteudo_id_s : 4406695
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-00.249
nome_arquivo_s : 320100249_140234_10410002694200726_026.PDF
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 10410002694200726_4406695.pdf
secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do voto da relatora.
dt_sessao_tdt : Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2009
id : 4956862
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045984076890112
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-30T11:18:08Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-30T11:18:07Z; Last-Modified: 2009-09-30T11:18:08Z; dcterms:modified: 2009-09-30T11:18:08Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-30T11:18:08Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-30T11:18:08Z; meta:save-date: 2009-09-30T11:18:08Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-30T11:18:08Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-30T11:18:07Z; created: 2009-09-30T11:18:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; Creation-Date: 2009-09-30T11:18:07Z; pdf:charsPerPage: 1480; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-30T11:18:07Z | Conteúdo => S3-C2T1 Fl. 781 7_,,op I ,11.-;"• '4' MINISTÉRIO DA FAZENDA °\;4:Rt CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, fr ..,- ..k. . TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10410.002694/2007-26 Recurso n° 140.234 De Oficio Acórdão n° 3201-00.249 — r Câmara / 1* Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2009 Matéria MULTA RECORRENTE DE PENA DE PERDIMENTO Recorrente DRJ-FORTALEZA/CE Interessado DRJ-FORTALEZA/CE ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 05/11/2004 a 13/11/2006 É nulo, por vício formal, o lançamento tributário quando não estiverem presentes todos os elementos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, bem como, quando se constatar confusa contextualização dos elementos de prova que visavam determinar o fato gerador da obrigação, e os que forem formalizados com erro na determinação da matéria tributável, posto que, por representar preterição de uma formalidade essencial, caracteriza-se cerceamento do direito de defesa. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da r Câmara / i a Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do voto da relatora. • JUDIT II AMARAL MA- RCO;DES A' ' DO - Presidente4B .i.._,,,..i A(, M CIA H LENA ' ¡ JANO D'AMORIM - Relatora V Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira, Rosa Maria de Jesus da Silva C. de Castro, Ricardo Paulo Rosa e Luciano Lopes de Almeida Moraes. 1 Processo n° 10410.002694/2007-26 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.249 Fl. 782 Relatório A DRJ acima identificada recorre de oficio a este Conselho de Contribuintes, tendo em vista recurso de oficio, nos termos do art. 34, do Decreto n° 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei n° 9.532/97 e Portaria MF n° 3, de 03/01/2008. Por bem descrever os fatos, adoto integralmente o relatório componente da decisão recorrida, às fls. 750/767, que transcrevo, a seguir: "Trata-se de lançamento da multa capitulada no art. 23, inciso V e seus parágrafos, do Decreto-Lei n° 1.455, de 07/04/1976, com a redação alterada pelo art. 59 da Lei n° 10.637, de 30/12/2002, no valor total de R$ 1.076.085,85 (fls. 01/02), inerente à conversão da pena de perdimento em multa correspondente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas através das Declarações de Importação — DI's — listadas às fls. 31/34. Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal objeto do auto de infração em evidência (fls. 02), complementado pelo Relatório de Ação Fiscal de fls. 08/30, o lançamento foi motivado pela constatação da ocultação do verdadeiro responsável pelas operações de importação, infração a qual ensejaria a aplicação da pena de perdimento de que trata o art. 23, inciso V e § 1°, do Decreto-lei n° 1.455/76. Contudo, pelo fato de as mercadorias não terem sido encontradas ou por já terem sido consumidas houve a conversão da citada penalidade em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, conforme § 3° da prescrição legal acima reportada. De acordo com o trabalho conduzido pelos agentes fiscais, a conclusão de que houve ocultação do verdadeiro responsável pelas operações realizadas pela autuada foi baseada nos seguintes fatos, conforme Relatório de Ação Fiscal (fls. 08/30): "(..) no dia 15 de março de 2006, recebemos correspondência da 7" Região Fiscal onde nos é informado que durante a operação denominada Blindagem II, realizada no Porto de Sepetiba/RI, foram identificados contêineres da empresa Brazilian Trade com solicitação de trânsito aduaneiro, o qual não foi concedido em virtude de se ter detectado que a fiscalizada enquadrava-se na previsão legal da Instrução Normativa n° 455/04 que estabelece os indícios de interposição fraudulenta em operações de comércio exterior e que ensejam, conseqüentemente, a abertura de procedimento especial previsto na Instrução Normativa N° 228/02." "Ao recebermos a documentação fornecida pela empresa para atender o Termo de Início de Ação Fiscal, de imediato notamos a existência de indícios de que a Brazilian Trade era uma interposta pessoa. Tais indícios são verificados na correspondência enviada pela fiscalizada onde nos é informado 2 Processo n° 10410.002694/2007-26 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.249 Fl. 783 que; sobre a origem licita, disponibilidade e a efeli va - transferência dos recursos necessários à prática das operações da empresa, que a mesma opera com o ciclo financeiro invertido. Como informação, as empresas no mercado nacional trabalham, normalmente, com a administração financeira e orçamentária na seguinte seqüência: compram, estocam, vendem, pagam seus fornecedores e recebem dos clientes. Tal ciclo determina que a empresa suporte, durante um período, com recursos próprios, capital de giro ou financiamento bancário, o período entre o pagamento ao fornecedor e o recebimento do cliente, aspecto que a onera sobremaneira. A nossa empresa trabalha na seqüência: compra, não estoca porque já negociou a venda do produto, vende, recebe do cliente, no prazo pactuado, e paga o fornecedor de acordo com a conveniência e oportunidade. [ ]. Por vezes, a nossa empresa trabalha com o ciclo normal, mas tal fato é esporádico. [ ]. Á estrutura de distribuição e revenda é customizada. Para cada cliente, em função de sua localização geográfica, é escolhido um porto/aeroporto, um despachante aduaneiro é contratado para realizar o processo de nacionalização/internação da mercadoria; e, uma empresa de transporte é contratada para a entrega do produto, não havendo, portanto, necessidade de depósito para a mercadoria importada. Além disso a empresa trabalha com encomendante predeterminado, aspecto que facilita a revenda da mercadoria." (grifos dos agentes fiscais) "Á Mm dos indícios de interposição acima assinalados, também fomos informados pela empresa em sua correspondência que ela obtém como outra fonte de receita os benefícios fiscais proporcionados pela Lei N° 6.410/03 do Estado de Alagoas, conhecida como 'Lei dos Precatórios'. A fruição de tal beneficio também caracteriza indício de interposição no comércio exterior, já que, conforme se observa no documento em anexo, as empresas sediadas no Estado de Alagoas e detentoras de títulos precatórios têm sido usadas por empresas localizadas em outras unidades da federação para que estas últimas, também possam usufruir dos benefícios fiscais proporcionados pela referida lei." Com base em tais indícios, a fiscalização passou à analise detalhada da contabilidade da Brazilian Trade, tendo constatado o seguinte: "Analisando-se os Balanceies de Verificação, não verificamos a existência de contas que representassem a obtenção de empréstimos por parte da Brazilian Trade para que a mesma pudesse realizar o volume de importações evidenciadas. Também verificamos nas referidas peças contábeis que poucas foram as compras a prazo realizadas pela fiscalizada. Dessa forma, iniciamos a nossa análise financeira, já que fortes eram os indícios de que a Brazilian Trade estava operando com recursos de terceiros." "Dando início a nossa análise financeira, primeiramente examinamos os referidos Balanceies de Verificação. Nos mesmos observamos movimento atípico na conta Caixa e na conta 3 Processo n° 10410.002694/2007-26 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.249 Fl. 784 Bancos. Nas respectivas contas verificamos que os valores debitados eram praticamente iguais aos valores creditados, ou seja, os recursos monetários que ingressaram na empresa imediatamente saíram, significando, assim, que os recursos monetários recebidos possuíam destinação predeterminada para pagamentos." "Dando continuidade a nossa análise financeira, notamos que a conta representativa de mercadorias também possuía movimento atípico. Nesta conta, observamos que toda a mercadoria que era adquirida era totalmente vendida, indicando, assim, que as mesmas já • possuíam adquirentes predeterminados. Ao examinarmos nos Balancetes de Verificação as contas do Passivo, confirmaram-se os indícios de que a Brazilian Trade não era a real adquirente das mercadorias importadas. Em tais peças contábeis, verificamos a existência da conta Adiantamento de Clientes com a movimentação de expressivas quantias. Em virtude de tal situação, de imediato compulsamos os Livros Razão da conta Caixa e da conta Bancos. No exame de tais contas, verificamos a existência de diversos lançamentos referentes a adiantamentos de recursos monetários feitos por outras empresas." Por meio do Termo de Intimação Fiscal IV' 02, os fiscais solicitaram à empresa que lhes fossem encaminhados os acordos ou contratos assinados com os seus clientes. No único contrato que a fiscalizada enviou, no qual figura como vendedora e o seu cliente, a empresa Meyer Comércio e Serviços Ltda., como comprador, a fiscalização constatou que as cláusulas indicavam claramente que a fiscalizada era uma mera prestadora de serviços, e não a real adquirente das mercadorias importadas. Além disso, verificaram que a Brazilian Trade em nenhum momento assume riscos pela aquisição das mercadorias, que todas as despesas, incluindo todos os impostos incidentes sobre as mercadorias são de responsabilidade da Meyer Comércio e Serviços Ltda., que o lucro obtido pela Brazilian Trade é um pequeno percentual do valor da nota fiscal de entrada, "indicando, assim, que o mesmo trata-se de uma comissão pela prestação de serviços ", e que poderia haver o recebimento antecipado de recursos para pagamento das despesas aduaneiras. Neste sentido, concluem os fiscais autuantes que: "Os dados verificados deixam claro que a fiscalizada é uma interposta pessoa não sendo, portanto, a real adquirente das mercadorias adquiridas no comércio exterior." Analisando-se os demais documentos trazidos aos autos (especialmente as planilhas das notas fiscais de entradas, as planilhas das notas fiscais de saídas, as planilhas de comprovação de direito do recebimento de valores depositados na conta bancária — Relação de Depósitos, as notas fiscais de entradas e as notas fiscais de saídas), a fiscalização identificou novos indícios de que a Brazilian Trade não é a real adquirente das mercadorias importadas, tendo sido constatado o seguinte: 4 Processo n° 10410.002694/2007-26 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.249 Fl. 785 "(a) a maioria das notas fiscais de entradas e de saídas foram emitidas no mesmo dia, com a mesma quantidade e em seqüência, significando, assim, a inexistência de mercadorias em estoque, o que indica, conseqüentemente, que as mercadorias possuíam destinatário predeterminado; (b) a maioria do valor total das notas fiscais de entradas e de saídas é praticamente igual (pouca diferença entre eles), significando, desta forma, a inexistência de lucros compatíveis com as praticas comerciais usuais; (e) nas planilhas das notas fiscais de saídas é informado que as mercadorias foram vendidas a prazo. No entanto, todas as notas fiscais foram emitidas como vendas à vista; (d)o prazo para pagamento das vendas é considerado após a emissão da fatura comercial internacional ou do conhecimento de carga (BL), indicando, portanto, que os prazos referem-se ao vencimento do câmbio e que a responsabilidade por tais pagamentos é do destinatário da mercadoria constante na nota fiscal de saída; (e)para determinados valores que foram recebidos, as notas fiscais de comprovação possuem o CFOP 6905 (Remessa para Armazenagem)." Analisando o Livro Razão das contas "Adiantamento de Clientes", "Caixa", "Clientes" e "Bancos", bem como os extratos de conta corrente da empresa, foram constatadas as seguintes ocorrências: "(I) valores debitados na conta caixa ou banco e creditados na conta adiantamentos de clientes; (2)divergências de datas e valores entre as notas fiscais de saídas e os valores debitados na conta caixa ou bancos; (3)maioria (acima de 90%) dos valores depositados em bancos não se refere a recebimento de títulos; (4)nos extratos não se vê, em sua grande maioria, a ocorrência de títulos colocados em cobrança; (5)valores debitados na conta bancos e creditados na conta clientes, mas os históricos dos Livros Razão e dos extratos bancários não se referem a recebimento de títulos." Quanto à análise acima referida, assim concluiu a fiscalizaçã . o: "O conjunto de fatos apurados levou-nos a conclusão de que não houve a realização de vendas por parte da fiscalizada. Os fatos apurados demonstraram que a Brazilian Trade recebia os recursos dos seus 'clientes' somente para simular que ela possuía condições financeiras para adquirir as mercadorias no comércio exterior e, desta forma, utilizar os beneficios proporcionados pela 'Lei dos Precatórios'. Assim, construímos o Demonstrativo dos Valores Excluídos (onde é demonstrado os 5 Processo n° 10410.002694/2007-26 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.249 F1.786 1 valores que não foram considerados no fluxo financeiro e o motivo da exclusão), o Demonstrativo dos Saldos (onde é demonstrado os saldos nas contas Caixa e Bancos nas datas especificadas) e o Demonstrativo do Fluxo Financeiro (onde é demonstrado o saldo real de recursos monetários da empresa disponíveis para pagamento das despesas aduaneiras realizadas). No Demonstrativo do Fluxo Financeiro, fica demonstrada a total falta de capacidade financeira da empresa para realizar as operações de comércio exterior no período fiscalizado." Compulsando os documentos enviados pela fiscalizada referentes às diversas DIs, a fiscalização observou que diversas duplicatas tinham as datas de vencimento e emissão idênticas. Ao analisarem as respectivas notas fiscais, verificaram que foram emitidas como vendas à vista e em data anterior à data de emissão. Examinando-se os Livros Razão das contas "Caixa" e "Bancos", não localizaram o recebimento de tais valores em datas iguais ou posteriores ao da emissão das notas fiscais. Também notaram a existência de diversos títulos emitidos pela fiscalizada. Em relação a tais títulos (boletos), observaram que: "(a) os mesmos foram emitidos sem data de vencimento; (b) nos extratos de conta corrente os históricos não se referem a recebimento de títulos; (c) título recebido parceladamente; (d) valor do titulo não localizado como recebido na conta bancos ou caixa; (e) documentos emitidos pelo banco informam que houve liquidação de títulos, mas não houve registro de entrada de títulos em carteira." Concluem, assim, os fiscais: "Como até aqui já se demonstrou, a Brazilian Trade não é a real adquirente das mercadorias importadas, pois ela não possui condições econômico-financeiras para realizar as importações registradas em nossa base de dados. Desta forma, não houve, portanto, venda de mercadorias. Assim sendo, as duplicatas emitidas pela empresa constituem-se, em tese, em ilícito penal, já que não houve venda efetiva de mercadorias, pois a fiscalizada, como se demonstrou, não é a real adquirente das mercadorias importadas." A fiscalização relata que, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal N° 02, a empresa enviou correspondência que corrobora o entendimento de que a empresa cometeu irregularidades em suas operações de comércio exterior, por ter atuado como interposta pessoa, destacando as seguintes alegações da Brazilian Trade: "o livro caixa registra entradas regulares de numerário na empresa conforme suas necessidades para a vida vegetativa e despesas administrativas, integralizaa o muitas vezes superior ao que determina o contrato social. Entretanto, não houve preocupacão em documentar tal transferência, pois a movimentação financeira era de conhecimento de ambos os 6 Processo n° 10410.002694/2007-26 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.249 Fl. 787 sócios e a confiança mútua premissa básica." (Grifos dos autuantes) Assim se manifestam os fiscais autuantes quanto a tais assertivas: "Do acima exposto, verifica-se que a inexpressiva quantia disponibilizada pelos sócios não seria capaz de realizar gastos aduaneiros totais de R$ 9.360.126,00 (sem considerarmos outras despesas, como ICMS, COFINS-importação, PIS/PASEP- importação, despachante aduaneiro, capatazia etc), bem como a empresa não gerou lucro suficiente para tanto. Também se verifica que ingressaram recursos monetários na empresa que não foram documentados, e não se informa qual a origem desses recursos, confirmando que a empresa utilizou recursos de terceiros para realizar suas operações." (Grifos dos autuantes) Quanto à estrutura de funcionamento da empresa, os fiscais aduzem que os elementos de prova comprovam que: "a Brazilian Trade não é a real adquirente das mercadorias importadas, pois, além de não possuir capacidade econômica e de não possuir capacidade financeira - como já foi demonstrado em linhas pretéritas - para realizar as importações registradas em nossa base de dados, a empresa também não possui capacidade operacional para realizar tais importações. Como já se mostrou anteriormente, a expressiva quantia referente às importações realizadas pela Brazilian Trade e a complexidade inerente ao comércio exterior requerem da empresa uma estrutura operacional que não pode estar resumida a utilização somente de estagiários. Não possuir a empresa nenhum empregado, nem mesmo especializado. (sic) Da forma como a empresa funciona, não é necessário nenhum esforço de raciocínio para se verificar que não foi ela quem realizou as importações que estão registradas em nossa base de dados. Caracteriza-se assim, com mais este elemento de prova, que a fiscalizada interpôs-se entre os reais adquirentes e os fornecedores no exterior com o fim de obter os benefícios proporcionados pela 'Lei dos Precatórios'." Prosseguindo na análise da documentação apresentada pela Brazilian Trade, a autoridade fiscal afirma, ainda, que: "No atendimento dos Termos de Intimações Fiscais N° 03 e 04, a fiscalizada enviou-nos contrato de mútuo, onde se obtém mais um elemento de prova de que a Brazilian Trade não é a real adquirente das mercadorias importadas. Em tal contrato, na cláusula 11, é pactuado que a mutuante, a empresa Exporta Logística e Assessoria Aduaneira Ltda, que é uma comissária de despacho, transfere para a Brazilian Trade (mutuária) a importância de R$ 500.000,00 em parcelas semanais requisitadas pela mutuária. Na cláusula 2a é pactuado que o valor do empréstimo servirá como parâmetro para que a mutuante inicie a prestação de serviços de comissária de despacho. Na cláusula 3" é pactuado que os 'clientes' da mutuária poderão efetuar o pagamento de suas compras 7 Processo n° 10410.002694/2007-26 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.249 Fl. 788 direldmente Puru mulug lore estes qlle serão utiládos e para custear toda a operaç I ao naelonaleag0 ellirega dag f ii?dÔpia8 da mutuaria, para pagamento dos honortiriog da mutuante e para amortizar o débito do contrato de mútuo. E na última cláusula (49, é pactuado que após OU as deduções acima referidas, a mutuante remeterá o saldo em dinheiro para a mutuária de acordo com os vencimentos dos pagamentos de seus 'clientes'. Ou seja, o presente contrato deixa claro que não houve empréstimo nenhum. Na realidade, o contrato deixa antever que se trata de pagamentos de prestações de serviços aduaneiros realizados por uma comissária de despacho para os reais adquirentes das mercadorias importadas e que o saldo remetido para a Brazilian Trade é a sua recompensa por ter emprestado o seu nome nas diversas simulações realizadas nas importações registradas em nossa base de dados." "O Demonstrativo do Fluxo Financeiro elaborado pela fiscalização demonstra que a auditada não dispunha de recursos monetários próprios para liquidar as despesas aduaneiras referentes às diversas importações realizadas, demonstrando-se, assim, a falta de capacidade financeira da fiscalizada para a realização das operações de comércio exterior evidenciadas. A Declaração de Imposto de Renda dos Sócios também demonstra, nitidamente, que os sócios também não possuíam condições financeiras para integralizarem o Capital Social em montante compatível com as operações realizadas pela empresa. Demonstrou-se alhures que a simulação é pratica costumeira da empresa." Por fim, os agentes fiscais concluem assim o Relatório de Ação Fiscal: "Por tudo que foi exposto, fica caracterizado o dano ao Erário, já que a Brazilian Trade não é a real adquirente das mercadorias importadas, devendo-se, assim, ser aplicado o disposto no artigo 23, inciso V (e seus parágrafos) do Decreto- Lei N° 1.455 de 07 de abril de 1976, com as modificações introduzidas pela Lei N° 10.637 de 30 de dezembro de 2002 (conversão da Medida Provisória N°. 66 de 29 de agosto de 2002)." DAS IMPUGNAÇÕES Cientificadas do lançamento em 26/04/2007 (Brazilian Trade) e 04/05/2007 (7'rade Sport) — vide fls. 01 e 574, respectivamente), as recorrentes insurgiram-se contra a exigência, tendo apresentado, tempestivamente, as impugnações de fls. 576/623 e de fls. 644/659, argüindo, em síntese, o seguinte: DA IMPUGNAÇÃO DA BRAZILIAN TRADE (fls. 576/623) 1. Preliminar de nulidade do auto de infração por equívoco de enquadramento legal — vício de forma Afirma A defendente que "o Auto de Infração em análise pretende a imputação de interposição fraudulenta à Impugnante, 8 Processo n° 10410.002694/2007-26 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.249 Fl. 789 cujo enquadramento legal está arraigado nos artigos 602, 604, inciso IV, 618, e § 1° do Decreto n°4.523/02 e artigo 73, §§ 1° e 2° da Lei n° 10.833/03. Entretanto, verificando as normas utilizadas para a lavratura do mencionado auto de infração, constata-se que o Decreto n° 4.523/02 em nada se refere aos fatos descritos na autuação. Cuida o aludido decreto de regulamentar o arrolamento de bens para interposição de recurso voluntário no processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários da União, sendo que a exação feita à Impugnante não tem qualquer relação com o arrolamento de bens para interposição de recurso, haja vista que não houve sequer uma decisão administrativa que justificasse tal medida. Ademais, manuseando o Decreto n° 4.523/02, vislumbra-se que o mesmo possui tão-somente 07 (sete) artigos, enquanto o auto de infração faz alusão aos artigos 602, 604 e 618. Assim, há um nítido equívoco no enquadramento legal, razão pela qual o auto de infração deve ser anulado, considerando a existência de vício de formalidade. De igual modo, o artigo 10, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72, estabelece que no auto de infração conterá, obrigatoriamente, a disposição legal e a penalidade aplicável. Assim, qualquer erro de tipificação será causa de nulidade." Continua, "no auto de infração, consta que a empresa Indústria e Comércio de Confecções K Hage Ltda. 'passa afigurar no pólo passivo como devedor solidário, conforme determina o art. 87 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002'. Ocorre que, compulsando a indigitada legislação, vislumbra-se que não existe o artigo 87, contemplando apenas um total de 68 (sessenta e oito) artigos. Ademais, não há qualquer dispositivo na supramencionada lei disciplinando a responsabilidade solidária do adquirente. A Lei n° 10.637/02 não trata da responsabilidade do comprador na eventual comprovação de interposição fraudulenta, dispondo apenas sobre a não-cumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), nos casos que especifica; sobre o pagamento e o parcelamento de débitos tributários federais, a compensação de créditos fiscais, a declaração de inaptidão de inscrição de pessoas jurídicas, a legislação aduaneira." Portanto, "o equívoco no enquadramento legal, além de eivar de vício de forma o auto de infração, traz prejuízos à sua impugnação, vez que torna impossível defender-se de uma suposta infração a dispositivos legais que não têm relação alguma com os fatos descritos na autuação." Em socorro de sua tese, colaciona citação doutrinária e jurisprudências dos tribunais administrativos. 2. Ausência de indicação precisa da disposição legal infringida. Erro de direito. Ainda como preliminar de nulidade, a impugnante segue afirmando o seguinte: "Como se não bastasse o equívoco no 9 Processo n° 10410.002694/2007-26 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.249 Fl. 790 - , enquadramento legal, constata-se, ainda, que o auto de infração não traz uma precisa indicação dos dispositivos legais que serviram como base para a autuação. Conforme aduzido anteriormente, no vergastado auto consta apenas o Decreto n° 4.532/02 e a Lei n° 10.833/03 como enquadramento legal. No que diz respeito à primeira norma, resta devidamente demonstrada sua inaplicabilidade no presente caso. Já com relação à Lei n° 10.833/03, mais precisamente seu artigo 73, §,55' 10 e 2°, verifica-se que tais regramentos se referem somente à penalidade aplicável, e não à disposição legal infringida. Note- se que em momento algum no auto de infração houve uma descrição pormenorizada de qual dispositivo legal a Impugnante infringiu. Não há uma imputação precisa da infração à lei supostamente praticada pela Impugnante. Ora, se o auto de infração atesta que a Impugnante praticou interposição, fraudulenta, deveria constar qual o exato dispositivo legal foi violado, o que não ocorreu. Houve apenas a indicação de uma lei que trata apenas da aplicação de multa, em virtude da impossibilidade de apreensão da mercadoria." Por fim, transcreve manifestações doutrinárias e jurisprudência administrativa que corroborariam o seu entendimento. 3. Do contrato celebrado entre a empresa Brazilian Trade Com. e Rep. Ltda. e "seus clientes" Após transcrever algumas cláusulas do contrato celebrado entre as empresas em referência, a impugnante aduz que: "sobre a expressão acima 'A COMPRADORA poderá, quando for o caso, disponibilizar os recursos do item 4.3, antecipadamente', a legislação, à época, não proibia o procedimento adotado. Além disso, a modalidade de pagamento 'pagamento antecipado' encontra abrigo no Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais, atualizado em 19.09.2005, pelo Banco Central do Brasil, onde trata das modalidades de pagamento, abrigando a legislação da Câmara de Comércio Internacional. Destaca-se que, em uma operação de exportação, o produtor pode vender no exterior e receber antecipadamente por mercadoria que ainda não industrializou e ser beneficiado por mecanismos bancários como Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC), modalidade de financiamento mais utilizada, pois reduz os custos para o exportador, amplia a competitividade dos produtos brasileiros no exterior." Relaciona um conjunto de incentivos a exportações para concluir que "se constata os inúmeros incentivos que a exportação recebe, no Brasil, e a importação enfrenta toda sorte de restrições." (sic) Aduz, ainda, que: "adotar o pagamento antecipado para o futuro comprador nacional é apenas uma forma de proteção e financiamento da empresa importadora. Se o comércio exterior adota tal modalidade de pagamento, .se o comércio nacional também a adota, fruto da confiança entre as partes, se o Banco Central a reconhece como legal, é licito que se receba de forma antecipada do cliente determinada quantia como forma de pagamento por mercadoria a ser adquirida, até porque não há 10 Processo n° 10410.002694/2007-26 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.249 Fl. 791 Lei que proíba este procedimento. Vale, portanto, o princípio da liberdade contratual. Outro elemento importante diz respeito ao fato de que ao receber determinada quantia, antecipadamente, mesmo por contrato tácito e verbal, este numerário passa a integrar o capital de giro da empresa que conduz a negociação e, portanto, pode empregá-lo para saldar seus débitos dentro ou fora do país. A Instrução Normativa da SRF N° 634 de 24/03/06, DOU 27/03/06, no parágrafo único do artigo 1° diz que 'não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente; mas não aborda o recebimento antecipado em operação de compra e venda." Por fim, alega que "a observação das regras comerciais permitidas para as operações do mercado nacional ditam a interpretação a ser dada às regras do mercado internacional. Tudo baseado no princípio da isonomia, como determina a Constituição Federal. Ainda sobre a forma de atuação da empresa, muitos empresários de outros estados da federação passaram a procurar a Brazilian Trade, para intermediar suas operações internacionais, aproveitando os precatórios do Estado de Alagoas. Entretanto, a legislação vigente permitia apenas as importações por conta e ordem de terceiros e a importação por conta própria ou compra e venda." Eis aí a forma de atuação da Brazilian Trade no comércio exterior. 4. Da inexistência de interposição fraudulenta Alega, também, que pelas informações prestadas pela Brazilian Trade no curso da fiscalização, ficou cabalmente demonstrada sua operação no comércio exterior mediante importação por encomenda, não cabendo falar em "interposição fraudulenta, com objetivo de ocultar o real adquirente das mercadorias importadas, ao argumento de que teria se utilizado de recursos de terceiros." Afirma que "diversamente do que consta no Relatório de Ação Fiscal, a Impugnante operava no comércio exterior mediante importação por encomenda, ou seja, adquiria as mercadorias diretamente do fornecedor estrangeiro, com seus próprios recursos, inclusive assumia a responsabilidade pelos riscos da importação, pelo pagamento do exportador e pelo recolhimento dos tributos devidos, comprometendo-se a vendê-las à empresa encomendante. As importações realizadas pela Impugnante não se configuram como 'Por conta e ordem de terceiros", haja vista que a ela incumbe a negociação direta com o fornecedor estrangeiro, responsabilizando-se pela pesquisa de mercado, logística internacional, despachante aduaneiro e transporte interno, conforme previsto no contrato firmado com seu cliente, regularmente enviado para a Secretaria da Receita Federal, em atenção ao Termo de Intimação Fiscal N° 02. Ao adquirente cabe apenas informar os dados referentes ao produto solicitado e realizar o pagamento, na ordem de 3% (três por cento) a 4% 11 Processo n° 10410.002694/2007-26 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.249 Fl. 792 (quatro por cento) sobre o valor da nota fiscal, após a entrada da mercadoria no país. Ressalte-se, ainda, que a Impugnante, na condição de importadora, se responsabilizava pela entrega da mercadoria nas exatas especificações exigidas pelo comprador/adquirente, sob pena de multa de 100% (cem por cento) do valor FOB da mercadoria." Finaliza suas alegações quanto a essa matéria, concluindo que "não existe qualquer dúvida que a responsabilidade pelos riscos, preço e prazo de pagamento da importação era de inteira responsabilidade da Impugnante, razão pela qual não há que se falar em importação por conta e ordem de terceiro, mormente quando este não mantém qualquer contato com os fornecedores estrangeiros." Colaciona, ao fim, jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 4° Região. 5.Da não ocultação do real adquirente No que respeita à suposta ocultação do real adquirente, afirma a defendente que "as alegações dos auditores não condizem com a realidade, posto que a Impugnante, a todo o momento, forneceu à Secretaria da Receita Federal documentação suficiente para identificar quais eram seus clientes, informando, ainda, toda a sua contabilidade, com demonstração dos recursos provenientes, fluxo de entrada e saída de mercadoria, dentre outros dados que denotam a transparência da importação." Assim, como o próprio Fisco é sabedor de todos os clientes da Brazilian Trade, não merece guarida a alegação de que houve interposição fraudulenta de terceiros. 6. Da não utilização de recursos de terceiros Aduz que não procede a assertiva dos auditores fiscais quanto à existência de interposição fraudulenta de terceiros, sob o fundamento de que a mesma não possuía situação econômica compatível com os volumes transacionados no comércio exterior, tendo se utilizado de recursos de terceiros, haja vista que "a correspondência enviada pela Impugnante à SRF foi precisa ao dispor sobre a origem lícita e disponibilidade dos recursos necessários, considerando que atua com seu 'ciclo financeiro invertido', bem como se utiliza dos beneficios fiscais instituídos pela Lei n° 6.410/03 (Lei dos Precatórios do Estado de Alagoas), (.) declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal STF." Esclarece que "as empresas no mercado nacional trabalham, normalmente, com a administração financeira e orçamentária na seguinte seqüência: compram, estocam, vendem, pagam seus fornecedores e recebem dos clientes. Tal ciclo determina que a empresa suporte, durante um período, com recursos próprios, capital de giro ou financiamento bancário, o período entre o pagamento ao fornecedor e o recebimento do cliente, aspecto que a onera sobremaneira. A nossa empresa trabalha na seqüência: compra, não estoca porque já negociou a venda do produto, vende, recebe do cliente, no prazo pactuado, e, paga o fornecedor de acordo com a conveniência e oportunidade." 12 Processo n° 10410.002694/2007-26 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.249 Fl. 793 Segundo seu entendimento, "verifica-se que este tipo de procedimento (ciclo financeiro invertido) supre a eventual insuficiência de capital de giro, sem, contudo, infringir qualquer disposição normativa. A seqüência utilizada pela Impugnante atesta que o recebimento do valor da mercadoria importada pelo cliente é posterior à sua compra e sua nacionalização." Cita 'jurisprudência pátria com relação à demonstração da origem com que a Importadora atua no mercado externo". Continua, afirmando que "em face do crescimento das operações da impugnante no exterior, e considerando os deferimentos para a concessão de novos limites de seu RADAR, há que se reconhecer a capacidade econômica da Impugnante, afastando, por conseguinte, a presunção de sua insuficiência de recursos para negociar no comércio exterior. No tocante ao adiantamento de valores realizado pelos clientes, tal operação se destina exclusivamente ao custeio da utilização da comissária de despachos, conforme consta da cláusula 4.3 do referido contrato, de amplo conhecimento da SRF." Diz que "não há qualquer relação entre este tipo de adiantamento com a utilização de recursos de terceiros/encomendante, vedada pelo parágrafo único do artigo 1°, da Instrução Normativa n° 634/06. Insta registrar que tal antecipação de recurso ocorria em casos esporádicos, não acontecendo em todas as operações.0 que se proíbe na referida norma é que o importador utilize recurso do •encomendante para pagamento, ainda que parcial, destinado à mercadoria importada." Assim, "a operação no exterior praticada pela Impugnante se configura perfeitamente na hipótese de importação por encomenda, posto que se destina a seus clientes/encomendantes predeterminados. Trata-se da importação por conta própria, sob encomenda, disciplinada pela Lei n° 11.281/06." Neste sentido, em tendo cabalmente demonstrada a origem lícita dos recursos utilizados pela Brazilian Trade para a importação das mercadorias, cairia por terra a alegação de que houve interposição fraudulenta de terceiros, até mesmo porque todos os sujeitos da negociação estariam devidamente identificados, não existindo, pois, a intenção de ocultar o adquirente. 7. Do financiamento concedido pelo exportador. Venda aprazo Quanto a este aspecto, declara que "inexiste qualquer dispositivo legal ou norma infralegal da Secretaria da Receita Federal que impeça a Impugnante por sua conta própria de realizar empréstimos, mútuos, ou outros recursos de natureza financeira, para conduzir suas operações comerciais. A impugnante foi financiada pelo fornecedor internacional, ao comprar mercadorias com pagamento a prazo, operação devidamente assegurada pelo Regulamento de Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais, do Banco Central do Brasil, na modalidade de pagamento Remessa sem Saque. A demonstração do financiamento externo está nas faturas comerciais internacionais, onde se verifica o prazo de 13 Processo n° 10410.002694/2007-26 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.249 Fl. 794 te.~ pagamento de 90 (noventa) ou 120 (cento e vinte) dias da data da fatura comercial ou, ainda, 06 (seis) meses da data do conhecimento de transporte (BL). Nos contratos de câmbio e respectivos SWIFT's, em sua quase totalidade, se comprova a modalidade de pagamento aprazo. Das 157 (cento e cinqüenta e sete) operações de importações, conforme se comprova com as declarações de importação, anexas aos autos, e registradas no SISTEMA DE COMERCIO EXTERIOR (SISCOME,1), da Receita Federal do Brasil, apenas 06 (seis) foram para pagamento à vista, 3,82% do total das operações. O restante, 151 (cento e cinqüenta e um), foi realizado com pagamento a prazo - 96,18% do total das operações. Manuseando os documentos acima citados, constata-se que a Brazilian Trade obteve financiamento do exportador para conduzir o montante das operações de compra e um contrato de mútuo para suportar a maioria das obrigações. No tocante ao fechamento da operação de câmbio, conforme previsto na jurisprudência anteriormente colacionada, nào é feita esta exigência quando se tratar de financiamento concedido pelo próprio exportador, haja vista que sequer houve remessa de recursos ao importador, mas sim mera venda aprazo, como aconteceu exatamente no presente caso." 8. Importação por conta própria, sob encomenda. Enquadramento na Lei n°11.281/06. Aplicaçã o retroativa. A impugnante segue afirmando que "o advento da Lei n° 11.281, de 20 de fevereiro do ano de 2006, fez surgir uma nova espécie de importação, denominada importação por encomenda. Para regular esta nova legislação, a SRF editou a Instrução Normativa n° 634, de 24 de março de 2006. Conforme asseverado anteriormente, a impugnante foi criada desde maio do ano de 2004. Ocorre que, no intervalo temporal entre a constituição da empresa Impugnante e a entrada em vigor da citada lei, não havia regramento para regular as importações por encomenda, razão pela qual eram consideradas como importação por conta própria, ainda que existisse comprador/encomendante predeterminado. Veja-se que a importação por encomenda, em que pese se assemelha à importação por conta e ordem de terceiro, se diferencia em muitos aspectos, como, por exemplo, quem realiza a importação, assume os riscos dela decorrentes e quem utiliza seus recursos é a importadora e não o terceiro." Para demonstrar a diferença entre a importação por conta e ordem de terceiro e a importação por encomenda, a defendente apresenta um quadro comparativo e conclui que a Brazilian Trade "é a verdadeira importadora das mercadorias no exterior, e não apenas mera prestadora de serviços," pois é ela quem assume todos os riscos com a importação, "cabendo ao encomendante realizar o pagamento somente após a nacionalização da mercadoria, desde que atendidas as especcações exigidas;" os recursos eram provenientes da Brazilian Trade, e não do encomendante (K Hage); "a antecipação de eventual recurso por parte do comprador se 14 , Processo n° 10410.002694/2007-26 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.249 Fl. 795 i destinava apenas para o custeio do despachante aduaneiro; e é de conhecimento da própria SRF que a Impugnante realizava o fechamento do câmbio e não o comprador." 9. Aplicação retroativa da Lei n° 11.281/06. Inteligência do artigo 106, inciso II, alíneas 'a' e `10', do CT1V. Neste aspecto, alega a impugnante que a Brazilian Trade praticava importação de mercadorias por encomenda (ou seja, "mediante recursos próprios, compra a mercadoria no exterior, realiza os procedimentos de nacionalização e, posteriormente, as revende para o encomendante predeterminado '). No entanto, como tal modalidade de importação somente foi disciplinada pelo ordenamento jurídico com a entrada em vigor da Lei n° 11.281, publicada no Diário Oficial da União em 21 de fevereiro de 2006, e como a Brazilian Trade enquadra-se perfeitamente no conceito previsto na legislação em comento, deve, por conseguinte, o artigo 11, da referida Lei, retroagir para produzir seus efeitos no presente caso, a teor do disposto no artigo 106, inciso II, alíneas "a" e "b", do CTN. Assim, "considerando que o ato não está definitivamente julgado, ao revés encontra-se ainda na primeira instância do processo administrativo fiscal, há que ser aplicada a Lei n° 11.281/06, de forma a retroagir sobre os fatos pretéritos praticados pela Impugnante." 10. Causas (ou indícios) de interposição fraudulenta A impugnante prossegue sua defesa, alegando que não são causas (ou indícios) de interposição fraudulenta os seguintes fatos elencados pela fiscalização: 10.1. Contratação de estagiário "Inexiste qualquer legislação que proíba a contratação de estagiários; se o Fisco imputa à Impugnante a interposição fraudulenta com base na inexistência de empregados, deveria indicar qual o dispositivo legal que foi violado, sob pena de padecer de embasamento legal, nos termos do artigo 10, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72; não existe qualquer relação entre a contratação de estagiário e a incapacidade técnica de atuar no comércio exterior; não é o fato de contratar empregados que atestará sua condição de conhecedora das complexidades de uma importação; os estagiários eram qualificados para a tarefa, como se demonstrou na defesa à intimação." "Outrossim, se o Fisco aduz que 'não foi ela quem realizou as importações que estão registradas em nossa base de dados', deve indicar quem o fez em seu lugar, para que não caracterize em meras presunções carecidas de qualquer prova do alegado." 10.2. Utilização dos precatórios "A Lei n° 6.410/03, do Estado de Alagoas, prevê um possível lucro financeiro para quem opera com precatórios. Neste caso, a 15 Processo n° 10410.002694/2007-26 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.249 Fl. 796 Impugnante tornou-se detentora de títulos precatórios, após submeter-se ao processo conduzido pela Procuradoria Geral do Estado de Alagoas, arquivando, inclusive, toda a documentação na Secretaria da Fazenda do Estado de Alagoas. O lucro financeiro proporcionado pelo emprego dos precatórios permite ampliar a disponibilidade de recursos próprios da empresa - capital de giro, incrementando sua capacidade de realizar operações comerciais e, em última análise, seu patrimônio líquido. As expressões utilizadas pelos auditores-fiscais, como 'nefasto artificio' e 'concorrência desleal' revelam suas opiniões contra o beneficio decorrente da Lei dos Precatórios, não obstante o STF ter se pronunciado sobre sua constitucionalidade. Além de desconhecer a legislação em apreço, o Fisco, mais uma vez faz acusações sem um mínimo de prova, com um simplório argumento que a utilização de benefícios fiscais é indício de interposição fraudulenta, maculando o auto de infração em face do vício de conteúdo." 10.3. Poucas compras aprazo "O Fisco alegou que 'também foi verificado que poucas foram as compras a prazo realizadas pela fiscalizada' (pág. 4). Tal assertiva não condiz com a realidade dos fatos, haja vista que segundo consta no registro do SISCOMEX, a Impugnante realizou 151 importações mediante pagamento a prazo."(.) Dessa forma, a premissa básica dos auditores de que as peças contábeis revelam fortes indícios de que a empresa trabalha com recursos de terceiros é um fato, mas de EXPORTADORES E NÃO DE CLIENTES. Neste aspecto, há um grave vício de conteúdo, insanável no contexto do relatório de ação fiscal, que compromete a base da investigação realizada pelos auditores." Em seguida, apresenta um quadro demonstrativo contendo uma comparação entre os valores das Notas Fiscais de saída e os depósitos efetuados, aduzindo que: "As empresas clientes, no Brasil, são financiadas pela Brazilian Trade por intermédio do alongamento de sua dívida (maior prazo de pagamento), mas respeitando o prazo do pagamento da Brazilian Trade no exterior, haja vista que devem à empresa a quantia de R$ 3.693.105,33. Portanto, a tese dos auditores de que a Brazilian Trade trabalha com recursos de terceiros clientes não prospera. Da mesma forma, fica demonstrado que a Brazilian Trade não é interposta pessoa. A assertiva de que os recursos monetários recebidos possuíam destinação predeterminada para pagamentos é falsa, pois foram recebidos R$ 4.862.335,67 e remetidos ao exterior R$ 3.976.702,67. A elevada quantia remetida ao exterior é conseqüência da antecipação de pagamentos internacionais fruto da atrativa taxa do dólar frente ao real. Tal realização de despesa prejudicou o Patrimônio Líquido da empresa, mas permitiu economizar reais devido à depreciação do dólar. O ciclo financeiro invertido justifica os valores mencionados. Tal ciclo não é aceito pelos auditores fiscais como recurso 16 Processo n° 10410.002694/2007-26 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.249 Fl. 797 válido para compensar a falta de capital de giro. Entretanto, os beneficios de tal ciclo e o uso dos precatórios ficam evidentes ao verificar o crescimento do Patrimônio Líquido no período considerado." Assim, conclui que: "carece de veracidade a alegação dos auditores fiscais de que a Impugnante trabalhava com recursos de seus clientes, posto que o financiamento era oriundo dos exportadores, através de venda a prazo." 10.4. Imprecisões contábeis. "A Impugnante, em obediência aos Termos de Intimações Fiscais N° 03 e 04, apresentou contrato de mútuo realizado junto a Exporta-Logística e Assessoria Aduaneira Ltda., no qual ficou ajustado, dentre outras questões, o valor e as condições do empréstimo. Ocorre que houve uma imprecisão contábil, vez que não foi contabilizado o mútuo realizado junto à empresa Exporta-Logística Assessoria Aduaneira Ltda, no período fiscalizado. Diversamente do alegado pelo Fisco, a maior parte dos valores contabilizados como antecipação de clientes foram, em verdade, antecipações feitas pela empresa Exporta-Logística entre janeiro e março de 2006, nas operações de importação para vendas a clientes no Estado de São Paulo." 10.5. Impugnante não era apenas prestadora de serviços "Tenta a fiscalização aduzir que a Impugnante era mera prestadora de serviços, utilizando-se como fundamento o contrato firmado junto à empresa Meyer Comércio e Serviços Ltda. enviado à SRF. Note-se que o contrato tem duas situações distintas. Na primeira, a Impugnante realiza pesquisa de produtos e mercados, configurando uma prestação de serviços, onde foi emitida uma nota de serviço. Na Segunda, há uma nítida compra da mercadoria, configurando um contrato de compra e venda, e não de prestação de serviços." "Assim, revela-se que o viés preponderante da Impugnante era vender as mercadorias oriundas do exterior para as encomendantes nacionais. O fato de também realizar pesquisa de mercado, constitui apenas um adicional de sua atividade, não podendo enquadrá-la como mera prestadora de serviços." 10.6. Lucro irrisório Afirma a defendente que "a política da empresa Impugnante de instituir lucro baixo está de acordo com a competitividade no mercado interno. Até mesmo por ser iniciante, sua entrada no mercado através de melhor preço revela-se uma estratégia comercial. Dessa forma, o lucro baixo não é causa de caracterização da interposição fraudulenta, muito menos configura violação a qualquer dispositivo. Assim considerar lucro baixo como fraude é cercear a atividade econômica e impor regras ao mercado diferentes da oferta e procura. Pelo contrário, a estratégia permitiu à empresa ampliar seu patrimônio líquido no período considerado." 17 Processo n° 10410.002694/2007-26 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.249 Fl. 798 •.~~•~1, 10.7. Outra tentativa de caracterização de interposição fraudulenta por parte da autuação. "bs auditores alegam que existem contra a fiscalizada duas ocorrências que comprovam que ela agiu como interposta pessoa nas operações de comercio exterior. Na primeira ocorrência, no porto de São Francisco do Sul no Estado de Santa Catarina, a Brazilian Trade registrou uma Declaração de Importação informando como se fosse própria a importação de dois centros de usinagem. Em procedimento administrativo fiscal foi constatado que não existia qualquer indício de interposição. O relatório da Aduana de SFS através do processo administrativo número 0927700/11401/07, comprova que não houve interposição fraudulenta. Em relação à empresa Fivebros, foi comprovado acima não haver interposição fraudulenta por parte da Brazilian Trade, pois aquela empresa é financiada pela última." 10.8. Valores debitados praticamente iguais aos valores creditados. "No período considerado da análise dos auditores fiscais, os valores debitados foram empregados, em grande parte, imediatamente para fechamento de câmbio, pois a valorização do real favorecia ao pagamento dos fornecedores. A apreciação do real frente ao dólar é fato público e favorece ao importador. Além disso, há um contrato de mútuo com a empresa Exporta- Logística que financiava, naquele período, a empresa nas despesas aduaneiras, valores depois ressarcidos quando do pagamento do cliente. Uma parte do pagamento ressarcia aquela empresa das despesas aduaneiras, os valores referentes ao lucro financeiro dos precatórios, do valor da mercadoria e o lucro da operação eram repassados à Brazilian Trade. Fora do período da análise, a empresa passou a receber os valores que os clientes possuíam em débito. Portanto, considerar tal fato indício de fraude é um vício de conteúdo." 10.9. Maioria das notas fiscais de entradas e de saídas foram emitidas no mesmo dia, com a mesma quantidade e seqüência. "Sobre a aparente incoerência que há na coincidência de datas entre a nota fiscal de entrada e a nota fiscal de saída, é fundamental esclarecer que, após o recolhimento dos impostos de nacionalização conforme a legislação vigente e o registro da declaração de importação, quando da condução do despacho, a aduana envolvida solicita a Guia para liberação de mercadoria estrangeira sem comprovação do recolhimento do ICMS, já que este tributo não foi recolhido com os demais. O despachante aduaneiro aciona a empresa, a fim de preparar os documentos para exoneração do ICMS-Desembaraço de Mercadorias Importadas (anexo 52), para a nota fiscal de entrada, e a Guia para liberação de mercadoria estrangeira sem comprovação do recolhimento do ICMS, recolhe o ICMS devido (22%) com o respectivo DAR, e seu representante legal se dirige à Secretaria da Fazenda, onde um funcionário daquele órgão conduz o 18 Processo n° 10410.002694/2007-26 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.249 Fl. 799 processo de apuração do imposto, verifica os documentos apresentados e confronta os valores a serem recolhidos com o DAR. Como a venda ocorre, normalmente, para outra unidade da federação, o ICMS na entrada é diferido e terá o percentual de 12% na nota fiscal de saída. Assim, como não se tem, ainda, uma data do desembaraço, a data escolhida mais próxima da realidade é a data da DL Portanto, para liberar a mercadoria e exercer o direito do crédito alimentar dos precatórios é preciso elaborar as duas notas fiscais com a mesma data. Somente com todos os procedimentos corretos, o funcionário lança as informações na conta gráfica e libera as notas fiscais e demais documentos, para remessa ao despachante aduaneiro. No órgão da Receita Federal onde se faz a nacionalização do produto, os documentos são apresentados e ocorre a liberação da mercadoria para o mercado interno." 10.10. Maioria do valor total das notas fiscais de entradas e de saídas é praticamente igual, significando, desta forma, a inexistência de lucros compatíveis com as praticas comerciais. "A política de formação de preço da mercadoria nacionalizada está na página 5/23 do relatório de ação fiscal e ali consta o lucro praticado. Do exame do texto se deduz que este é um lucro líquido e o fato fica espelhado no crescimento do patrimônio Líquido no período considerado. Uma comparação a ser feita no quadro demonstrativo acima mencionado indica que a empresa vendeu um montante de R$ 8.555.441,00 e o preço FOB da mercadoria foi R$ 6.740.970,21, proporcionando um acréscimo de 26,91% incluídos os impostos e a margem de lucro aceita de acordo com a estratégia de inserção no mercado priorizada pela empresa naquele período. O incremento no patrimônio Líquido indica que a estratégia foi correta. Outro aspecto fundamental, a SRF não tem poderes nem atribuições para determinar, estabelecer ou avaliar o percentual de lucro das empresas, caso contrário estaríamos diante de uma economia estatizada, com forte cunho socialista/ditatorial, onde não há liberdade contratual, nem livre mercado, muito menos propriedade privada. Neste caso, o Estado afrontaria os princípios do Estado Democrático de Direito previstos na Constituição Federal. Portanto, este é um grave vício do relatório de ação fiscal, pois evidencia distorções conceituais dos agentes da administração pública." 10.11. Prazo para pagamento das vendas é considerado após a emissão da fatura comercial internacional ou do conhecimento de carga (BL). "A assertiva não é verdadeira, pois os boletos bancários, a partir do momento em que passaram a serem emitidos, não estabeleceram um prazo de pagamento, pois esta foi a negociação com os clientes. A empresa utilizou o critério que julgou melhor para cada cliente, dentro do princípio da liberdade contratual estabelecida no Direito Comercial. Não reconhecer ou respeitar este princípio contraria a Constituição • Federal e vicia o relatório de ação fiscal. Da mesma forma, o 19 Processo n° 10410.002694/2007-26 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.249 Fl. 800 auditor não pode afirmar que o responsável pelo câmbio é o destinatário final da mercadoria. Para tanto, deve apresentar provas materiais, caso contrário será mera ilação, o que também vicia o dito relatório. A empresa tem como prova que todos os contratos de câmbio estão em nome da pessoa jurídica." 10.12. Autuação fiscal alusiva a impostos estaduais e municipais. Incompetência ratione materiae. "Não restam dúvidas que a Delegacia da Receita Federal de Maceió ultrapassou os limites de sua competência, ao versar sobre impostos de competência diversa da União, uma vez que aponta suposta violação a impostos estaduais e municipais, quais sejam: imposto sobre serviço de qualquer natureza (ISS) e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS). (.) Neste contexto, o artigo 153, da Lei Maior, prevê a competência tributária da União para instituir os impostos previstos nos incisos de Ia VII, deixando de fora dessa competência a de instituir ISS e ICMS, sendo estes de competência municipal e estadual, respectivamente. (.) Não competiria, portanto, a Delegacia da Receita Federal discutir qualquer violação aos referidos tributos (ISS e ICMS), vez que extrapola sua competência, razão pela qual carece de fundamentação idônea o relatório que lastreou o presente auto de infração, por nítida violação a Constituição Federal, sobretudo a autonomia dos entes políticos. Destarte, qualquer alusão acerca de eventuais danos ao Estado e ao Municio deve ser, desde logo, desconsiderado para fins de embasamento deste auto de infração, ante a incompetência em razão da matéria, o que, por si só, nos mostra os equívocos dos argumentos apresentados para justificar a autuação." 11. Da ilegitimidade passiva ad causam. Adquirente de boa-fé. Afirma a defendente, neste tópico da impugnação, que "não pode haver a responsabilização do adquirente das mercadorias importadas quando este age de boa-fé na negociação. Há que levarmos em consideração a presunção da boa-fé nas importações encomendadas pelo adquirente, in casu, a empresa Ind. Com. de Confecções K Hage Ltda.. Ainda que comprovada a existência de uma suposta interposição fraudulenta, a responsabilidade do encomendante somente poderia ser cogitada se ficasse cabalmente demonstrada seu conluio com o importador. No presente caso, sequer ficou comprovado que as mercadorias encomendadas foram importadas de forma irregular, não havendo que se falar em responsabilização da Impugnante, muito menos da adquirente, que foi indevidamente apontada como devedora solidária neste auto de infração." Neste diapasão, transcrevem as impugnantes jurisprudência dos tribunais pátrios para concluir que: "o adquirente de mercadoria importada não pode figurar no pólo passivo desta relação administrativo-processual, vez que não ficou sequer comprovada a interposição fraudulenta, nem tampouco houve 20 Processo n° 10410.002694/2007-26 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.249 Fl. 801 qualquer demonstração de que agiu com má-fé na compra das mercadorias. É cediço que a legislação tributária adotou a responsabilidade subjetiva, mediante a qual o Fisco deve comprovar a culpabilidade do agente para fins de aplicar-lhe qualquer punição. Desta feita, não pode ser imposta a pena de perdimento à empresa adquirente/encomendante da mercadoria importada, mormente quando verificada sua boa-fé na aquisição", conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que transcreve. Ao final de sua peça de defesa (fls. 616), a impugnante relata as operações realizadas (entre a Brazilian Trade e a K Hage), colacionando as planilhas de fls. 617/622, que comprovariam o relatado. DOS PEDIDOS Face às suas alegações, a impugnante requer que seja determinada a suspensão do crédito tributário na forma do artigo 151, inciso IH, do CT'N, sejam acolhidas as preliminares de nulidade do auto de infração e de ilegitimidade passiva e seja julgado improcedente o lançamento. DA IMPUGNAÇÃO DA TRADE SPORT (fis. 644/659) Após relatar os fatos que ensejaram a autuação, alega, em síntese, que, "tratando-se de adquirente de boa-fé, não pode ser prejudicada pela determinação da autoridade fiscal, que declarou o perdimento devido a irregularidades na importação e conseqüente conversão em pena de multa, já que as mesmas foram adquiridas pelo contribuinte no mercado interno de forma regular". Aduz, ainda, que a fiscalização não conseguiu comprovar nenhum fato que possa ser imputado contra a empresa autuada que seja suficiente para embasar a declaração de solidariedade tributária entre as empresas, pois se funda apenas em "devaneios e suposições" e, no caso, não se vislumbra qualquer benefício da adquirente. Além disso, a fiscalização apurou a multa com base nas notas fiscais de saída e não no valor aduaneiro das mercadorias importadas, como determina a legislação de regência. Solicita, ao final, que seja julgado improcedente o lançamento. É o relatório." O pleito foi julgado nulo, em razão de vício formal; no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/FOR if 08-11.478, de 31/08/2007, proferida pelos membros da 2' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, às fls. 749/777, cuja ementa dispõe, verbis: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 05/11/2004 a 13/11/2006 21 Processo n° 10410.002694/2007-26 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.249 Fl. 802 NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. O erro na determinação da matéria tributável acarreta a nulidade do lançamento por vício formal, sem prejuízo do disposto no art. 173, II, do Código Tributário Nacional. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nulo o lançamento quando constatado que vícios formais nele presentes cercearam o direito do sujeito passivo ao contraditório e à ampla defesa. LANÇAMENTO NULO." A decisão DRJ foi no sentido de anular o lançamento por vicio formal, sem prejuízo do disposto no art. 173, II, do Código Tributário Nacional.. O processo foi distribuído a esta Conselheira, à fl. 780 (última) É o relatório. 22 - Processo n° 10410.002694/2007-26 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.249 Fl. 803 VOO Conselheira MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM, Relatora A DRJ recorre de oficio, tendo em vista declarar o lançamento nulo, em razão de vício formal, sem prejuízo da formalização de novo auto de infração, observado o disposto no art. 173, inciso II, do Código Tributário Nacional. Ratifico a motivação do voto da DRJ, por concordar com o mesmo e não merecer reparo, já que o lançamento contém vícios formais e por estarem em desacordo com o artigo 142 do CTN, o que culmina com cerceamento do direito de defesa. Os motivos são os mesmos que baseia o voto, como a seguir se fundamenta em alguns trechos aqui trazidos: "Embora o trabalho fiscal tenha sido conduzido com destacável zelo (principalmente se levarmos em consideração que o negócio simulado levado a cabo pelos envolvidos se reveste de artimanhas que dificultam — e por vezes até mesmo impossibilitam — a comprovação material do mesmo, uma vez que, pela própria natureza do ilícito, os meios utilizados para burlar a fiscalização precisam dar aparência de negócio legal), no auto de infração persistem omissões e inconsistências no tocante à determinação da matéria tributável e subsiste a ausência de documentação idônea que sirva de base à apuração do valor correto da multa a ser aplicada, fatos que comprometem a validade do lançamento. No caso em exame, o procedimento fiscal se propôs a aplicar multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias, conforme determina o art. 23, inciso V, § 3° do Decreto-Lei n° 1.455, de 07 de abril de 1976, com as modificações introduzidas pela Lei n.° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. A autoridade fiscal apurou corretamente o valor aduaneiro relativo a todas as importações da empresa Brazilian Trade no período de 05/11/2004 a 13/11/2006, com base nas informações das Dls constantes da base de dados da Receita Federal, conforme demonstrativo às fls. 31/34, perfazendo um montante de R$ 8.603.339,00. Tal valor não é contestado pela Brazilian Trade, que direciona a sua impugnação no sentido de comprovar que teria capacidade econômica para realizar as operações nos montantes indicados nas referidas Dls. No entanto, ao tentar determinar o montante do crédito tributário relativo à responsabilidade solidária de cada real adquirente, como fração do valor aduaneiro de todas as importações da empresa Brazilian Trade no período analisado, 23 Processo n° 10410.002694/2007-26 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.249 Fl. 804 - entendo que a fiscalização cometeu um grave equívoco, comprometendo o lançamento em questão, senão vejamos. 19 a fiscalização teria utilizado as notas fiscais de saída apenas para identificar os reais adquirentes das mercadorias e, a partir de tal identificação, ter calculado o valor da multa com base no valor aduaneiro dos produtos que foram destinados a cada adquirente; 29 a fiscalização teria utilizado efetivamente os valores das notas fiscais de saída, mas estes seriam idênticos ao valor aduaneiro. Não me parece que tenha ocorrido a primeira situação acima descrita. Cotejando os valores constantes do demonstrativo de fl. 05 com os indicados na relação das notas fiscais de saídas Oh. 1201140), pode-se inferir que a fiscalização efetivamente utilizou os valores das notas fiscais de saída para apurar o valor da multa a ser aplicada no caso, pela qual respondem a Brazilian Trade e a devedora solidária K Hage. Resta saber, portanto, se os valores das notas fiscais de saída são idênticos aos valores aduaneiros das mercadorias importadas, o que justificaria o procedimento levado a efeito pela autoridade fiscal. Analisemos, pois, a segunda situação acima mencionada. Como o preço de venda dos produtos ao adquirente no mercado interno (representado pelo valor das notas fiscais de saída do estabelecimento do importador) deve corresponder ao valor aduaneiro das mercadorias importadas acrescido dos tributos devidos na importação e outros custos inerentes à atividade de comércio exterior, dos tributos internos incidentes sobre a operação de compra e venda e da margem de lucro da importadora, é bastante improvável a ocorrência da segunda situação. Se os valores das notas fiscais de saída coincidissem com os respectivos valores aduaneiros, estaríamos diante de uma situação ímpar no comércio dos referidos produtos: a inexistência de tributos devidos na importação, de outros custos inerentes ao comércio exterior, de tributos internos incidentes sobre a operação de compra e venda e de lucro da importadora. No entanto, é de causar estranhamento o fato de a soma total dos autos de infração (veja demonstrativo à fl. 575) não ser superior ao valor aduaneiro total apurado com base nas Dls da Brazilian Trade, embora a fiscalização tenha-se utilizado dos valores das notas fiscais de saída (a princípio superiores aos respectivos valores aduaneiros) para apurar a matéria tributável em relação a cada real adquirente. Na verdade, como há um lançamento de um saldo remanescente (R$ 47.898,00) em nome, apenas, da Brazilian Trade, a soma dos autos de infração relativos às seis empresas arroladas como solidárias é inferior ao valor aduaneiro total apurado. O que justificaria tal resultado? 24 Processo n° 10410.002694/2007-26 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.249 Fl. 805 O que causa ainda mais dúvida quanto aos efetivos valores dos créditos tributários individualizados por cada uma das seis empresas arroladas pela fiscalização como solidárias, é o fato de haver, na relação de notas fiscais de saídas utilizadas pela fiscalização para o cálculo da multa em questão, várias outras empresas que não foram incluídas no pólo passivo, não tendo a fiscalização feito qualquer menção a elas. Cotejando as informações contidas no demonstrativo de fls. 31/34 com a relação de notas fiscas de saídas (fls. 120/140), observa-se que diversas DIs incluídas no cálculo do valor aduaneiro total estão vinculadas a notas fiscais de saídas cujos destinatários são outras empresas que não as arroladas como solidárias. Não consta das manifestações das autoridades fiscais qualquer referência a este fato, nem uma expressa descaracterização das vincula ções entre as DIs e as notas fiscais contidas na relação de notas fiscais de saídas (fls. 120/140) que justificasse a não consideração das demais empresas. A título de amostragem, se tomarmos apenas as DIs listadas à fl. 31, verificaremos que foi incluído no cálculo do valor aduaneiro total parcial (R$ 2.240.029,00) um montante de R$ 742.346,00 (33,14%) que se refere a Dls que estariam vinculadas a operações de compra e venda realizadas com outras empresas não incluídas no pólo passivo, conforme tabela a seguir. (tabela) Tem-se, ainda, que as informações utilizadas para a apuração da matéria tributável restam desguarnecidas de suporte probatório. A fiscalização se utiliza de uma relação de notas fiscais de saída fornecida pela Brazilian Trade como fonte de informação para determinação da base de cálculo da infração e junta aos autos apenas algumas notas fiscais, segundo ela por economia processual. Entretanto, tal economia não se justifica, quando no caso concreto bastaria juntar as 15 notas relacionadas à fl. 05. A falta das referidas notas fiscais impedem a apreciação de argumentos da impugnante como o de que não reconhece parte das operações como sendo de sua responsabilidade. Por outro lado, convém observar que embora o presente lançamento tenha se originado de uma ampla e complexa fiscalização, que deu origem a outros lançamentos, não seria necessário juntar em todos os processos todas as notas fiscais envolvidas na operação, bastando trazer para cada um deles as cópias das notas fiscais relativas às operações objeto daquela autuação especifica. Isso significa dizer que houve falta de demonstração dos dados que serviram de base à determinação da matéria tributável, a qual está intrinsecamente relacionada com a apuração do valor aduaneiro que, por sua vez, depende da identificação exata dos adquirentes de cada uma das mercadorias importadas, dentre eles a empresa arrolada como responsável solidária no caso sob exame." O art. 142 do CTN estabeleceu os requisitos essenciais para a constituição do crédito tributário e este artigo deve ser interpretado conjuntamente com o art. 10 do Decreto n° 25 Processo n° 10410.002694/2007-26 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.249 Fl. 806 70.235/1972 e sob o enfoque do principio consagrado no art. 5°, inciso LV, da Constituição Federal, o que resultará na conclusão de que a determinação da matéria tributável, a descrição dos fatos e o cálculo do montante do tributo devem estar perfeitamente explicitados no auto de infração, acompanhados ainda dos documentos em que se embasam, com vista a assegurar o contraditório e a ampla defesa ao recorrente, o que não aconteceu no caso presente. Assim sendo, observa-se que o auto de infração não descreve a matéria tributável de forma completa e clara, impedindo a compreensão do crédito tributário apurado e consequentemente ensejando o cerceamento do direito de defesa, logo, cumpre declarar sua nulidade, nos termos do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72 c/c art. 5°, inciso LV, e art. 37, caput, da Constituição Federal. Diante do exposto, voto por negar o recurso de ofício, tendo em vista, a nulidade dos lançamentos, em razão de vício formal, sem prejuízo da formalização de novos autos de infração, observado o disposto no art. 173, inciso II, do Código Tributário Nacional. • Sala das Sessões, em 10 de julho de 2009. (-4 -(é -15e r M CIA HELENA tí JANO D'AMORIM - Relatora 26
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001970/2006-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001
DÉBITO NÃO DECLARADO EM DCTF
Uma vez afastada a espontaneidade, o crédito tributário que não foi confessado pela recorrente com a entrega da DCTF, deve, obrigatoriamente, ser constituído pelo agente fiscal, levando em conta a situação fática existente ao tempo da ciência do contribuinte do início do procedimento fiscal.
Numero da decisão: 1302-001.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da Turma), Luiz Tadeu Matosinho, Paulo Roberto Cortez, Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri e Alberto Pinto.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2001 DÉBITO NÃO DECLARADO EM DCTF Uma vez afastada a espontaneidade, o crédito tributário que não foi confessado pela recorrente com a entrega da DCTF, deve, obrigatoriamente, ser constituído pelo agente fiscal, levando em conta a situação fática existente ao tempo da ciência do contribuinte do início do procedimento fiscal.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 16327.001970/2006-83
anomes_publicacao_s : 201306
conteudo_id_s : 5257082
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1302-001.085
nome_arquivo_s : Decisao_16327001970200683.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 16327001970200683_5257082.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. EDUARDO DE ANDRADE - Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da Turma), Luiz Tadeu Matosinho, Paulo Roberto Cortez, Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri e Alberto Pinto.
dt_sessao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
id : 4895150
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045984136658944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1910; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 572 1 571 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001970/200683 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1302001.085 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de maio de 2013 Matéria IRPJ e CSLL Recorrentes JP Morgan Chase Bank, National Association Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DÉBITO NÃO DECLARADO EM DCTF Uma vez afastada a espontaneidade, o crédito tributário que não foi confessado pela recorrente com a entrega da DCTF, deve, obrigatoriamente, ser constituído pelo agente fiscal, levando em conta a situação fática existente ao tempo da ciência do contribuinte do início do procedimento fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 DÉBITO NÃO DECLARADO EM DCTF Uma vez afastada a espontaneidade, o crédito tributário que não foi confessado pela recorrente com a entrega da DCTF, deve, obrigatoriamente, ser constituído pelo agente fiscal, levando em conta a situação fática existente ao tempo da ciência do contribuinte do início do procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. EDUARDO DE ANDRADE Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 19 70 /2 00 6- 83 Fl. 572DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da Turma), Luiz Tadeu Matosinho, Paulo Roberto Cortez, Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri e Alberto Pinto. Relatório Versa o presente processo sobre recursos de ofício e voluntário interpostos em face do Acórdão n˚ 1632.736 da 10ª Turma da DRJ/BSB, cuja ementa assim dispõe: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2001 AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo Decreto, válido é o auto de infração. AUTO DE INFRAÇÃO. DÉBITO NÃO DECLARADO EM DCTF. Na ausência da confissão do tributo devido em DCTF, é cabível a realização do lançamento de ofício, ainda que o débito tenha sido quitado por pagamento ou compensação. Nesse caso, o crédito deve ser vinculado ao débito e a respectiva multa de ofício deve ser exonerada. PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PROTESTO GENÉRICO. Há que ser indeferido o processo genérico pela produção de provas, face ao não atendimento das condições previstas no art. 16 do Decreto 70235/72. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001 DCTF. RETIFICAÇÃO. EFEITOS. A retificação da DCTF não produz efeitos quando tiver por objetos alterar débitos relativos a impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de disposição expressa em lei, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo afastar sua aplicação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. A autoridade julgadora de primeira instância, inicialmente, decide que os lançamentos do IRPJ e da CSLL devem ser mantidos, pois, não tendo a contribuinte os declarado em DCTF, as suas constituições pelo lançamento de ofício são cabíveis, já que a DIPJ é meramente informativa (não é constitutiva do crédito). Por outro lado, após baixar o processo em diligência, concluiu que restou demonstrado o saldo negativo do imposto de renda do ano de 2000 no montante de R$ 1.003.238,13, razão pela qual vincula tal crédito ao valor ora lançado e cancela a multa de ofício incidente sobre esse montante. Sobre o valor lançado de 2001 que superava tal saldo negativo em 2000, R$ 70.857,49, a autoridade julgadora manteve a multa de ofício. Em relação, ao débito de CSLL relativo ao ajuste anual do anocalendário de Fl. 573DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001970/200683 Acórdão n.º 1302001.085 S1C3T2 Fl. 573 3 2001, no montante de R$ 621.812,37, concluiu que restou comprovada a quitação de R$ 596.618,30, restando o saldo devedor de R$ 25.194,07, razão pela qual manteve a multa de ofício apenas sobre o saldo devedor. A contribuinte tomou ciência da decisão recorrida em 07/11/2011, conforme AR a fls. 505, e interpôs recurso voluntário em 07/12/2011 (doc. a fls. 506 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que, em razão do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2000, no valor de R$ 3.425.059,18, bem como o saldo negativo de CSLL na monta de R$ 876.059,29 (“Créditos”), a Recorrente houve por bem utilizar parte destes créditos para compensar o IRPJ e parte da CSLL apurados no ano seguinte (2001), nos montantes de R$ 1.074.095,62 e R$ 621.812,371; b) que a CSLL apurada no anocalendário de 2001 foi de R$ 621.812,31 porém, apenas a parcela de R$ 574.787,54 foi quitada através de compensação com a utilização do saldo negativo do anocalendário anterior; c) que, porém, em razão de algumas parcelas que compõe os aludidos créditos não terem sido validadas pela D. Autoridade Administrativa, os créditos utilizados mostraramse insuficientes para compensar os saldos de IRPJ e CSLL devidos no ano calendário de 2001; d) que, em relação ao IRPJ, dentre as parcelas não validadas pela D. Autoridade Administrativa está o valor de R$ 116.442,952, referente a estimativa do mês de abril de 2000, decorrente da não validação da sua compensação com pagamento a maior de IRPJ relativo a agosto de 1999 e, assim, entendeu que tal montante não poderia compor o saldo negativo apurado no anocalendário de 2000; e) que, em relação ã CSLL, esclareçase que a D. Autoridade Administrativa deixou de validar a parcela de R$ 42.441,58 relativa CSLL do mês de abril do anocalendário de 2000, glosando tal valor da composição do saldo negativo daquele ano; f) que, não considerou o D. Julgador que tais pretensos débitos foram devidamente quitados pela ora Recorrente no programa instituído pela Lei nº 11.941/09, após serem inscritos em divida ativa (CDA no 80.2.05.02979699 e 80.6.05.) e executados em sede dos autos da Execução Fiscal nº 2005.61.82.0178541; g) que a Recorrente entendeu por bem incluir referidos débitos, inicialmente, no parcelamento extraordinário criado pela Lei nº 11.941/ 2009, tendo, apos, promovido a antecipação das parcelas no momento da consolidação, valendose dos benefícios como se tivesse efetuado o pagamento à vista, nos termos do artigo 7° da referida Leifi, bem como do artigo 17 da Portaria J Conjunta PGFN/ RFB no 06/ 20094, conforme pode se verificar do extrato de consolidação e guias de pagamento acostadas ao presente recurso (Doc. 03); h) que, diante da prova clara e evidente do pagamento desse pretenso débito na forma prevista na Lei no 11.941/09, deve ser computado na composição do saldo negativo daquele ano e, pois, habilitado à compensação dos débitos discutidos neste Procedimento Administrativo; i) que, mesmo que não tivessem sido quitadas nos termos acima mencionados, ainda assim não poderiam ser objeto de nova cobrança neste procedimento Fl. 574DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 administrativo, pois, como dissemos anteriormente, tais valores já eram objeto de cobrança nos autos da Execução Fiscal no 2005.61.82.0178547 e, portanto, não poderiam sofrer nova cobrança no presente procedimento, sob pena, novamente, se praticar cobrança em duplicidade; j) que, ainda que se desconsidere a recomposição do saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 2000, o que se admite apenas por amor ao debate, é fato que o saldo apurado pela D. Autoridade a quo, no montante de R$ 3.307.464,47, também se afigura suficiente à compensação dos débitos em debate, relativos ao anocalendário de 2001, impondose que as compensações realizadas com base nesse saldo sejam computadas na correta ordem cronológica; l) que, conforme se verifica do quadro extraído do v. Acórdão ora recorrido, abaixo copiado, a D. Autoridade julgadora pretendeu demonstrar a insuficiência do saldo negativo relativo ao anocalendário de 2000 para quitação do IRPJ apurado no anocalendário de 2001 por meio de raciocínio absolutamente descabido, pois utilizou tal saldo para quitar estimativas do anocalendário de 2002 e, somente após, confrontou o saldo remanescente com o IRPJ apurado no ano de 2001, quando já não era mais suficiente para quitar integralmente o imposto em sua integralidade, restando descoberto um saldo de R$ 70.857,49; m) que a D. Autoridade Administrativa deve promover a compensação do crédito na ordem determinada pelo Contribuinte, conforme disposição contida no § 7º, do art. 26, da IN RFB no 460/2004, com a redação mantida pela IN RFB nº 600/2005 e posteriormente pela IN RFB nº 900/2008, em seu artigo 34; n) que, assim, não se mostra adequada a utilização do crédito para compensar as estimativas do anocalendário de 2002 antes do saldo de IRPJ do próprio anocalendário de 2001. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior O recurso de ofício atende o disposto no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72 c/c a Portaria MF nº 03/2008, razão pela qual dele conheço. No mérito, negolhe seguimento, pois correto o entendimento da autoridade julgadora de primeira instância ao reconhecer a compensação do montante do IRPJ e CSLL lançados até o valor dos créditos que restaram demonstrados nos autos e, consequentemente, o cancelamento da multa de ofício que incidia sobre essa parcela dos lançamentos. Ocorre que, à época, vigorava a IN SRF 21/97, a qual, no seu art. 14, previa a possibilidade de compensação de créditos tributários de mesma natureza, independentemente de requerimento. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por advogados com poderes para tal (conforme doc. a fls. 522), razão pela dele conheço. Inicialmente, não tem razão a recorrente quando sustenta efeitos retificadores à DCTF entregue após o início do procedimento fiscal, mesmo porque, uma vez afastada a espontaneidade, o crédito tributário que não foi constituído pela recorrente com a entrega da Fl. 575DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001970/200683 Acórdão n.º 1302001.085 S1C3T2 Fl. 574 5 DCTF, deve, obrigatoriamente, ser constituído pelo agente fiscal, levando em conta a situação fática existente ao tempo da ciência do contribuinte do início do procedimento fiscal. Por essa mesma razão, é irrelevante se, anos após a lavratura do auto de infração, tenha a contribuinte quitado débitos relativos as estimativas de abril de 2000, pois isso não tem o condão de retroagir para desconstituir o lançamento. Ora, se, à época em que ocorrida a fiscalização, a contribuinte tinha compensado indevidamente a estimativa do mês de abril de 2000, já que restou provado que não tinha o crédito que pleiteava relativo a pagamento a maior do mês de agosto de 1999, o saldo negativo de IRPJ de 2000 compensável com o IRPJ do anocalendário de 2001 tinha necessariamente que ser reduzido e a diferença não compensada lançada com multa de ofício. Notese que a contribuinte alega que pagou a estimativa de abril de 2000 quando do parcelamento da Lei 11.941/09. Ressalto também que não há falar em cobrança em duplicidade, pelo fato de a estimativa de abril de 2000 (cuja compensação com o crédito de 1999 fora negada) ter sido objeto de ação de execução em 2005, pois o crédito ora em julgamento se refere ao IRPJ do ano de 2001. Tratase aqui de verificar se havia o crédito relativo ao IRPJ de 2001 no momento em que foi lançado. Ora, verificado que no momento em que houve o lançamento, a estimativa de abril de 2000 não tinha sido paga, não se poderia jamais aceitar uma compensação com um crédito inexistente. Por último, não procede a alegação da recorrente de que a autoridade julgadora de primeira instância teria indevidamente alterado a ordem de compensação. Ocorre que a autoridade levou em conta os momentos em que houve as constituições e as compensações dos créditos. Assim, como a DCTF constitui o crédito e a compensação os extingue, no momento do lançamento em tela (22/12/2006), já estavam extintos pela compensação (feita nas DCTF) os débitos de 2002 e os créditos de 2000. Por sua vez, o crédito do IRPJ de 2001 só constituído em 22/12/2006, quando do lançamento de ofício, razão pela qual, com ele, só poderia se compensar o saldo remanescente do ano de 2000. Em face do exposto, voto por negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 576DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13896.001970/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado.
DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
O Recurso Voluntário da qual o interessado desiste expressamente não será conhecido.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2301-003.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; b) acolhidos os embargos, em não conhecer do recurso, devido à desistência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva (relator) e Marcelo Oliveira (presidente).
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201302
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. O Recurso Voluntário da qual o interessado desiste expressamente não será conhecido. Embargos Acolhidos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13896.001970/2010-17
anomes_publicacao_s : 201306
conteudo_id_s : 5256633
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2301-003.308
nome_arquivo_s : Decisao_13896001970201017.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MAURO JOSE SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 13896001970201017_5256633.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; b) acolhidos os embargos, em não conhecer do recurso, devido à desistência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva - Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva (relator) e Marcelo Oliveira (presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
id : 4890753
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045984140853248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1855; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 123 1 122 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.001970/201017 Recurso nº 999.999 Embargos Acórdão nº 2301003.308 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2013 Matéria EMBARGOS OMISSÃO Embargante CONSELHEIRO MAURO JOSÉ SILVA Interessado GP TECCALL SERVIÇOS DE TELEMARKETING LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. O Recurso Voluntário da qual o interessado desiste expressamente não será conhecido. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; b) acolhidos os embargos, em não conhecer do recurso, devido à desistência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva (relator) e Marcelo Oliveira (presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 19 70 /2 01 0- 17 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 2 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301003.308 S2C3T1 Fl. 124 3 Relatório Tratase de Embargos interpostos pelo Relator em face de omissão na consideração de documentos dos autos que comprovam a desistência do Recurso por parte da recorrente. Em face da óbvia omissão, os Embargos foram acolhidos pelo Presidente da Turma. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Em assentada anterior ocorrida em agosto/2012, conhecemos e analisamos o Recurso Voluntário sem considerar o requerimento de desistência protocolizado em 07/02/2012. A omissão emerge cristalina de modo a autorizar o acolhimento dos Embargos, nos moldes do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Na presença de requerimento de desistência, o resultado de nossa análise só pode concluir pelo não conhecimento do Recurso abandonado. Por todo o exposto, voto no sentido de ACOLHER E DAR PROVIMENTO AOS EMBARGOS para retificar o Acórdão, passando a registrar o não conhecimento do Recurso Voluntário por ter havido desistência. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.001441/2005-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2003
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA “DIFPAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por atraso ou falta da entrega da chamada “ DIF-Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal
nos seguintes comandos normativos: art. 16 da Lei nº. 9.779, de 19/01/1999; art. 57 da Medida Provisória nº. 2.15835, de 24/08/2001; arts. 11 e 12 da Instrução Normativa/SRF n° 71, de 24/08/2001 e arts. 212 e 505 do Decreto nº. 4.544, 26/12/2002 (RIPI/2002).
VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIFPAPEL IMUNE.
Com a vigência do art. 1º da Lei no 11.945/2009, a partir de
16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIF- Papel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês-calendário,
conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP no 2.158- 35/2001.
RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO.
Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.462
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2003 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA “DIFPAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por atraso ou falta da entrega da chamada “ DIF-Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal nos seguintes comandos normativos: art. 16 da Lei nº. 9.779, de 19/01/1999; art. 57 da Medida Provisória nº. 2.15835, de 24/08/2001; arts. 11 e 12 da Instrução Normativa/SRF n° 71, de 24/08/2001 e arts. 212 e 505 do Decreto nº. 4.544, 26/12/2002 (RIPI/2002). VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIFPAPEL IMUNE. Com a vigência do art. 1º da Lei no 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIF- Papel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês-calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP no 2.158- 35/2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Recurso Voluntário provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10980.001441/2005-17
anomes_publicacao_s : 201203
conteudo_id_s : 5159276
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3202-000.462
nome_arquivo_s : 3202000462_10980001441200517_201203.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
nome_arquivo_pdf_s : 10980001441200517_5159276.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
id : 4955902
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045984167067648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2226; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 133 1 132 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.001441/200517 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202000.462 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2012 Matéria DIFPAPEL IMUNE. MULTA REGULAMENTAR. Recorrente COPYGRAF GRÁFICA E EDITORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2003 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA “DIFPAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por atraso ou falta da entrega da chamada “ DIFPapel Imune”, pois esta encontra fundamento legal nos seguintes comandos normativos: art. 16 da Lei nº. 9.779, de 19/01/1999; art. 57 da Medida Provisória nº. 2.15835, de 24/08/2001; arts. 11 e 12 da Instrução Normativa/SRF n° 71, de 24/08/2001 e arts. 212 e 505 do Decreto nº. 4.544, 26/12/2002 (RIPI/2002). VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIFPAPEL IMUNE. Com a vigência do art. 1o da Lei no 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIFPapel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP no 2.158 35/2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. José Luiz Novo Rossari Presidente Fl. 264DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 2 Irene Souza da Trindade Torres Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls. 32/35, que se prestou a exigir crédito tributário relativo a multa regulamentar (código de arrecadação: 3199), aplicada em razão do descumprimento de obrigação acessória prescrita na Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 24 de agosto de 2001, que instituiu a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune). O crédito tributário consolidado no referido auto de infração, referente a fato gerador relativo ao 2° trimestre de 2002, atingiu o montante de R$ 155.000,00. O lançamento fundamentouse nas disposições contidas nos seguintes comandos normativos: art. 505, e parágrafo único, c/c art. 368, ambos do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002; art. 4º do DecretoLei n° 1.680/79, c/c art. 10 c/c art. 1 °, ambos da Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 24 de agosto de 2001. A ação fiscal foi realizada conforme determinação contida no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 09.1.01.002004007887 (fl. 01), tendo a fiscalizada sido inicialmente intimada a regularizar sua situação fiscal em relação à entrega da DIFPapel Imune relativa ao período acima mencionado, ou apresentar o respectivo comprovante de entrega (fl. 03). Após solicitar prorrogação de prazo para o atendimento à intimação fiscal (fl.31), a intimada apresentou cópia do recibo de entrega da declaração (fl. 29), que comprova sua entrega intempestiva, em 15/02/2005. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento por meio de correspondência encaminhada por Aviso de Recebimento, recebida em 03/03/2005 (fl. 37), tendo protocolado sua impugnação em 30/03/2005, conforme peça de fls. 38/53 (firmada por procuradores regularmente estabelecidos, fls. 54/60), e anexos que a seguem, na qual aduz, em síntese: a) que, das doze DIFPapel Imune que deveria apresentar desde que se inscreveu no Registro Especial, não conseguiu apresentar apenas a declaração relativa ao 2° trimestre de 2002, "em virtude do programa gerado pela Receita Federal apresentar alguns problemas técnicos". Para provar o que alega, anexa à sua peça reclamatória um disquete que, se analisado, "verificarseá em suas propriedades que o arquivo foi gerado em 31 de julho de 2002". Neste caso, seu erro é "plenamente escusável"; b) que as regras de imunidade do papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos não podem ser desrespeitadas por leis infraconstitucionais."Caso estas violem algum dispositivo que se relaciona à imunidade tributária, elas serão consideradas inconstitucionais"; Fl. 265DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 10980.001441/200517 Acórdão n.º 3202000.462 S3C2T2 Fl. 134 3 c) que a melhor doutrina entende ser inapropriado o termo "obrigação acessória", preferindo adotar o termo "dever instrumental ou formal". Isto porque o termo "obrigação" tem conotação de uma prestação pecuniária; d) que, no caso de imunidades tributárias, tratandose de norma de incompetência, não há obrigação principal e, por isso, não se pode falar em obrigação acessória, "uma vez que não existe o acessório sem o principal, ou melhor, o acessório segue a sorte do principal"; e) que "o dever instrumental não possui qualquer aspecto de patrimonialidade".Isto em face da "questão do dever instrumental estar caracterizado pelo cumprimento de deveres que não correspondem ao pagamento do tributo em si, mas de penalidade pecuniária por descumprimento de deveres que auxiliam a fiscalização ou arrecadação de tributo". E também "pelo fato da obrigação acessória depender da existência da obrigação principal, o que não ocorre no caso em análise, pois se versa a respeito de imunidade tributária"; f) que, "se a própria imunidade é uma norma de incompetência, a qual não pode o legislador ordinário tributar, tampouco poderia o legislador infraconstitucional em um dever instrumental acessório impor uma penalidade pecuniária". Ademais, no caso em questão, a obrigação acessória (dever instrumental) não se enquadra no requisito no § 2° do art. 113 do CTN, "uma vez que não existe tributação”; g) que, "no caso em análise, a penalidade pecuniária não possui qualquer previsão em lei, mas tão somente em uma instrução normativa emitida pela Secretaria da Receita Federal". Neste sentido, não resta observado o princípio da estrita legalidade (art. 97 do CTN). E o art. 57 da MP n° 2.158 35, de 2001, somente possui o condão de estabelecer o valor da penalidade, cuja previsão de aplicação, no caso em tela, "provém da Instrução Normativa e não da Medida Provisória" (no caso, o art. 12 da IN SRF n° 71/2001). Assim sendo, é "totalmente insubsistente a penalidade aplicada, uma vez que eivada de vícios e sem qualquer fundamentação jurídica". É este o entendimento das jurisprudências judicial e administrativa, conforme ementas de decisões trazidas; h) que "outro princípio de suma relevância no direito tributário e o princípio da capacidade contributiva", que "possui ligação intrínseca com a vedação ao tributo com efeito confiscatório". E valor da penalidade exigida no presente processo "fere totalmente os princípios da capacidade contributiva e do não confisco". A documentação que anexa comprova que se o papel não fosse imune "o valor final relativo aos tributos pagos seria menor do que a penalidade pecuniária aplicada ao processo produtivo". Neste sentido, a penalidade aplicada representa um "total desrespeito à imunidade tributária"; i) que a jurisprudência judicial tem se posicionado pela aplicação do princípio de vedação ao confisco não só aos tributos, mas também às penalidades pecuniárias. Conclui a impugnante pedindo pelo cancelamento do auto de infração, "uma vez que a penalidade pecuniária aplicada à Impugnante é insubsistente, consoante demonstrado". O processo foi inicialmente encaminhado à 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Porto Alegre, que determinou a realização de diligências para o fim de que fosse analisado o disquete acostado pela impugnante, o Fl. 266DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 4 qual, segundo ela, demonstraria a entrega tempestiva da declaração relativa à presente autuação (fl. 92). Em atenção ao solicitado pela DRJ Porto Alegre, o Serviço de Tecnologia e Segurança da Informação — Setec da DRF Curitiba pronunciouse nos termos do despacho de fl. 93, asseverando que no referido disquete só consta a própria declaração, gerada em 31/07/2002, "mas não consta recibo provando que a declaração foi efetivamente entregue". E prossegue o referido despacho afirmando que, em consulta ao sistema que registra o envio de declarações para a Receita Federal pela internet (ReceitaNetLog), a DIFPapel Imune do 2° trimestre de 2002 foi efetivamente entregue em 15/02/2005, "conforme anexo ora encaminhado na folha 93". A DRJRibeirão Preto/SP julgou procedente o lançamento (fls. 96/103), nos termos da ementa transcrita adiante: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/07/2002 DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A nãoapresentação, ou a apresentação da DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.15835. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2002 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/2002 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTONOMIA. O gozo de imunidade ou de beneficio fiscal como a isenção não dispensa o beneficiado de cumprir as obrigações acessórias a que estão obrigados quaisquer contribuintes. Lançamento procedente” Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls 109/125), repisando os mesmos argumentos expendidos na impugnação, alegando, em síntese: que as regras de imunidade estão previstas e asseguradas pela Constituição Federal, não podendo, portanto, serem desrespeitadas por leis infraconstitucionais. Caso estas violem algum dispositivo que se relaciona à imunidade tributária, elas serão consideradas inconstitucionais; que a entrega da DIF Papel Imune não se trata de uma obrigação acessória, mas de um dever instrumental ou formal, que não denota qualquer aspecto patrimonial, mas tão Fl. 267DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 10980.001441/200517 Acórdão n.º 3202000.462 S3C2T2 Fl. 135 5 somente o cumprimento de um dever estabelecido pela administração tributária para fiscalizar ou arrecadar o tributo; não há obrigação principal nos casos de imunidade tributária. Assim sendo, como poderia falarse em obrigação acessória se não existe obrigação principal? A palavra "acessória" esvaziase, perdendo completamente o sentido, uma vez que não existe o acessório sem o principal, ou melhor, o acessório segue a sorte do principal; no caso em análise, temse uma peculiaridade, qual seja, está se tratando de imunidade. Sendo assim, se a própria imunidade é uma norma de incompetência, a qual não pode o legislador ordinário tributar, tampouco poderia o legislador infraconstitucional em um dever instrumental acessório impor uma penalidade pecuniária; que a cominação de penalidades somente poderão ser estabelecidas por meio de lei. No caso em análise, a penalidade pecuniária não possui qualquer previsão em lei, mas tão somente em uma instrução normativa emitida pela Secretaria da Receita Federal, o que afrontaria o princípio da legalidade; que, no caso em análise, a penalidade pecuniária aplicada à Impugnante expressa o valor de R$ 307.500,00 (trezentos e sete mil e ,quinhentos reais) [sic]. Um valor que fere totalmente os princípios da capacidade contributiva e do nãoconfisco; que, caso afastada a argüição de ilegalidade, requer seja, quando menos, determinado o afastamento da cumulatividade para cálculo da multa. A omissão de entrega de declaração não poderia ser computada de forma cumulativa, considerando que foi apenas um ato (qual seja, a nãoapresentação da DIF Papel Imune na data prevista) a infração ensejadora da multa aplicada, que não pode ser considerada como repetida a cada mês seguinte, sob pena de transformação da multa punitiva em moratória, gerando inevitável bis in idem. Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida e o correspondente cancelamento do Auto de Infração. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Ao teor do relatado, em 23/02/2005 foi lavrado Auto de Infração contra a contribuinte COPYGRAF GRÁFICA E EDITORA LTDA (fls. 34/35), para aplicação da multa regulamentar por falta da entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (“DIFPapel Imune”), referente ao 2º trimestre do ano de 2002, totalizando a exigência o valor de R$ 155.000,00. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 6 O lançamento fundamentouse nas disposições contidas nos seguintes comandos normativos: art. 505, e parágrafo único, c/c art. 368, ambos do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002); art. 4º do DecretoLei n° 1.680/79, c/c art. 10 c/c art. 11 ambos da Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 24 de agosto de 2001. Após diligência solicitada pela DRJPorto Alegre (fl. 92), verificouse que, muito embora a DIF referente ao trimestre sob autuação tenha sido gerada em 31/07/2002, às 21h07, somente foi entregue em 15/02/2005, às 8h21, quando a contribuinte já se encontrava sob procedimento de fiscalização (MPF de 06/12/2004). Vejamos, pois, toda a fundamentação legal que ampara a autuação perpetrada. Lei nº. 9.779, de 19/01/1999 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Medida Provisória 2.15825, de 24/08/2001 Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Instrução Normativa/SRF nº 71, de 24/08/2001 Art. 11. A DIF Papel Imune deverá ser apresentada até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores, em meio magnético, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado pela SRF. Parágrafo único. A DIF Papel Imune, relativa ao período de fevereiro a março de 2002, poderá, excepcionalmente, ser apresentada até o dia 31 de julho de 2002. (redação dada pela IN/SRF nº. 134, de 08/02/2002) Fl. 269DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 10980.001441/200517 Acórdão n.º 3202000.462 S3C2T2 Fl. 136 7 Art. 12. A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.158 34, de 27 de julho de 2001. Decreto nº. 4.544, 26/12/2002 (RIPI/2002) Art. 212. A SRF poderá dispor sobre as obrigações acessórias relativas ao imposto, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável (Lei nº 9.779, de 1999, art.16). (...) Art. 505. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 212 acarretará a aplicação da multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por mêscalendário, aos contribuintes que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 57). Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante Pelo SIMPLES, a multa de que trata o caput será reduzida em setenta por cento (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art.57, parágrafo único). Assim, conforme acima exposto, verificase, claramente, que a multa prevista na Instrução Normativa/SRF nº 71/2001, com a nova redação dada pela IN/SRF nº. 134, de 08/02/2002, encontra todo um arcabouço legal a lhe dar fundamento, descabendo razão à contribuinte quando afirma que a multa estabelecida na referida IN não teria amparo legal e, por isso, feriria o princípio da legalidade. Também descabe razão à recorrente quando tenta valerse da imunidade constitucional referente ao papel para eximirse da obrigação acessória quanto à entrega da DIFPapel Imune, ao argumento de que, se não existe cobrança de tributos em razão da imunidade (obrigação principal), também não haveria que se falar em cumprimento de obrigação acessória, vez que o acessório segue o principal. Acontece que se trata de obrigação acessória autônoma, desvinculada de qualquer fato gerador de tributo, podendo ser instituída pelo ente legiferante no interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, nos termos do §2º do art. 113 do CTN, ainda que a obrigação principal não exista (STJ REsp 1.116.792PB, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24/11/2010) Quanto ao valor da multa cominada, temse que idêntica matéria foi muito bem enfrentada pelo eminente Conselheiro José Luiz Novo Rossari, Presidente desta Turma, nos autos do processo nº 10218.000118/200569, cujos fundamentos adoto como razão de decidir e reproduzo abaixo seu teor: “No mérito, em face da competência para dispor sobre obrigações acessórias, que foi atribuída à SRF pelo art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, resta clara a legislação no que respeita à obrigatoriedade de apresentação da DIFPapel Imune no prazo Fl. 270DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 8 definido no art. 11 da Instrução Normativa SRF no 71, de 2001, sob pena de aplicação da multa instituída pelo art. 57 da Medida Provisória no 2.15834, de 2001, conforme estabelece o art. 12 da referida IN. A multa exigida tem plena aplicação às infrações da espécie, por se tratar de norma tributáriapenal destinada ao controle fiscal e com previsão expressa em lei, sendo descabida a alegação de que, pelo seu valor elevado, importaria em confisco. (...) No entanto, com a superveniência da Lei no 11.945, de 4/6/2009, houve substancial alteração na legislação pertinente ao Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil e à apresentação de informações referentes ao controle de papel beneficiado com imunidade, como se verifica do seu art. 1o, verbis: “Art. 1º Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1º A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2º O disposto no § 1º deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2º do art. 2º da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2º do art. 2º e no § 15 do art. 3º da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8º da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3º Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4º O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e Fl. 271DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 10980.001441/200517 Acórdão n.º 3202000.462 S3C2T2 Fl. 137 9 II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido.(destaquei) § 5º Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4o deste artigo será reduzida à metade.” Esse dispositivo legal foi objeto da IN RFB no 976, de 2009, que revogou a IN SRF no 71 e as INs que lhe alteraram a redação, e dispôs especificamente sobre a apresentação da DIF – Papel Imune em seu art. 12, verbis: “Art. 12. A nãoapresentação da DIFPapel Imune, nos prazos estabelecidos no art. 11, sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. (destaquei) Parágrafo único. Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do caput será reduzida à metade.” Verificase que a nova legislação sobre a matéria é clara, alterando a sistemática até então vigente, de imposição de penalidade por mêscalendário estabelecida pela Medida Provisória no 2.15834, de 2001, de forma a cominar multa única no caso de falta de apresentação da DIF – Papel Imune no prazo estabelecido (art. 1o, § 4o, II, da Lei no 11.945/2009 e art. 12, II, da IN RFB no 976/2009). Nos termos do seu art. 33, o art. 1o da Lei no 11.945, de 4/6/2009, produziu efeitos a partir de 16/12/2008. No entanto, tendo em vista que o presente processo encontrase pendente de julgamento, há que se considerar a norma benigna prevista no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (Lei no 5.172, de 1966), que, ao tratar da aplicação da legislação tributária, dispõe, verbis: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Fl. 272DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 10 Assim, por aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, c, tendo a nova lei cominado penalidade menos severa que a anterior, entendo que o valor da multa aplicada deve ser de R$ 5.000,00 para cada declaração trimestral apresentada fora do prazo, isto é, para a única declaração trimestral entregue a destempo, referente ao 2º trimestre do ano de 2002, reduzindoa para o valor total de R$ 5.000,00. Assim, pelo exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reduzir o valor da multa aplicada, na forma acima posta. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 273DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10875.909393/2009-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002
PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO.
No âmbito do procedimento de compensação, o ônus da prova do indébito tributário recai sobre o declarante que, se não exercido ou exercido inadequadamente, implica não homologação da compensação declarada, por ausência de comprovação do crédito utilizado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS. PRESCINDIBILIDADE DO EXAME. INDEFERIMENTO.
A realização de diligência na escrituração contábil e fiscal da autora do procedimento de compensação revela-se prescindível quando não apresentado qualquer documento ou indício acerca da origem do crédito utilizado, bem como não expostos os motivos nem formulados os quesitos concernente à diligência pleiteada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida e foi substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro. Fez sustentação oral a advogada Nathalia de Andrade Medeiros Tavares.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Adriana Oliveira Ribeiro.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO. No âmbito do procedimento de compensação, o ônus da prova do indébito tributário recai sobre o declarante que, se não exercido ou exercido inadequadamente, implica não homologação da compensação declarada, por ausência de comprovação do crédito utilizado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS. PRESCINDIBILIDADE DO EXAME. INDEFERIMENTO. A realização de diligência na escrituração contábil e fiscal da autora do procedimento de compensação revela-se prescindível quando não apresentado qualquer documento ou indício acerca da origem do crédito utilizado, bem como não expostos os motivos nem formulados os quesitos concernente à diligência pleiteada. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10875.909393/2009-20
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5281560
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3102-001.902
nome_arquivo_s : Decisao_10875909393200920.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 10875909393200920_5281560.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida e foi substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro. Fez sustentação oral a advogada Nathalia de Andrade Medeiros Tavares. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Adriana Oliveira Ribeiro.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
id : 4991965
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045984172310528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2055; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 20 1 19 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.909393/200920 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102001.902 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de junho de 2013 Matéria COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente LABORATÓRIOS PFIZER LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. A não comprovação da existência do crédito utilizado na compensação constitui motivo suficiente para a não homologação do respectivo procedimento compensatório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO. No âmbito do procedimento de compensação, o ônus da prova do indébito tributário recai sobre o declarante que, se não exercido ou exercido inadequadamente, implica não homologação da compensação declarada, por ausência de comprovação do crédito utilizado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS. PRESCINDIBILIDADE DO EXAME. INDEFERIMENTO. A realização de diligência na escrituração contábil e fiscal da autora do procedimento de compensação revelase prescindível quando não apresentado qualquer documento ou indício acerca da origem do crédito utilizado, bem como não expostos os motivos nem formulados os quesitos concernente à diligência pleiteada. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 93 93 /2 00 9- 20 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida e foi substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro. Fez sustentação oral a advogada Nathalia de Andrade Medeiros Tavares. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Adriana Oliveira Ribeiro. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DComp) eletrônica, transmitida em 16/4/2007, em que informada a compensação da parcela indevida do pagamento da Cofins do mês de abril de 2002, no valor de R$ 42.403,94, com débito da Cofins do mês de março de 2007. Por intermédio do Despacho Decisório eletrônico de fls. 55 e 63/64, a compensação não foi homologada, em razão da inexistência parcial de crédito disponível, sob o argumento de que, embora localizado na base dados, o pagamento informado havia sido parcialmente utilizado na quitação dos débitos da Cofins do mês de abril de 2002, no valor de R$ 3.486.099,20, e do mês de maio de 2002, no valor de R$ 10.773,60, remanescendo um saldo de R$ 107,74. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que: a) o crédito informado era decorrente de pagamento indevido, porém, como não retificara a DCTF do período, por ocasião da análise e verificação eletrônica da compensação, o valor do pagamento indevido informado encontravase integralmente utilizado na quitação do débito informado na DCTF originária; b) esse equívoco poderia ter sido esclarecido, caso a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) tivesse lhe requisitado informação e esclarecimento a respeito do crédito utilizado ou determinado a realização de diligência na sua escrituração contábil e fiscal; c) não apresentara a DCTF retificadora, porque não era mais permitido, uma vez que já havia expirado o prazo de 5 (cinco) para apresentar a DCTF retificadora gerada no programa determinado pela RFB; e d) procedera a compensação em apreço em conformidade com o disposto nos artigos 73 e 74 da Lei 9.430/1996. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a 8ª Turma de Julgamento da DRJ – Capinas/SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, com base no argumento de que não fora apresentada a documentação Fl. 156DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10875.909393/200920 Acórdão n.º 3102001.902 S3C1T2 Fl. 21 3 adequada que permitisse a verificação da existência do valor do pagamento indevido ou a maior que o devido e, por conseguinte, a certeza e liquidez do crédito compensado. Em 8/2/2012, a recorrente foi cientificada da referida decisão. Em 8/3/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 78/84, no qual reafirmou os argumentos de defesa suscitados na fase de manifestação de inconformidade, incluindo o pedido de realização de diligência na sua escrita contábil e fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A presente controvérsia limitase à comprovação do direito creditório utilizado na DComp de fls. 58/62. Por meio do Despacho Decisório eletrônico, emitido em 23/10/2009, a compensação não foi homologada parcialmente, sob o fundamento de que o valor do pagamento informado fora parcialmente utilizado na quitação dos débitos da Cofins do mês de abril de 2002, no valor de R$ 3.486.099,20, e do mês de maio de 2002, no valor de R$ 10.773,60, remanescendo um saldo de R$ 107,74. Por outro lado, alegou a recorrente que tinha direito à compensação do crédito utilizado, porém, como não retificara a DCTF do período, a análise e verificação eletrônica da compensação não levaram em consideração o valor do correto do débito da Cofins do mês de abril 2002, mas o valor de R$ 3.486.099,20, equivocadamente declarado na DCTF original. No âmbito do procedimento de compensação de iniciativa do sujeito passivo, por força do disposto art. 170 do CTN, o declarante tem o ônus de provar que o crédito utilizado atende os requisitos da certeza e liquidez e que, na data da entrega da referida Declaração, e que era passível de restituição ou ressarcimento, nos termos do caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Nesse sentido, quando originário de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, além do cumprimento dos requisitos formais determinados na legislação específica, o contribuinte deve comprovar, com documentação adequada, que o alegado indébito é decorrente de alguma das causas especificadas nos incisos I a III do art. 165 do CTN. Em conformidade os referidos preceitos legais, determina o disposto no inciso III do art. 161 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), combinado com o § 1 "Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...]" Fl. 157DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que já na fase de manifestação de inconformidade, a recorrente tinha o ônus/dever de provar o alegado indébito, mediante apresentação de documentação contábil e fiscal adequada, e assim refutar o fato da inexistência do crédito suscitado na decisão não homologatória da compensação e comprovado nos autos. No caso em tela, o crédito utilizado pela recorrente teve origem no suposto pagamento a maior que o devido da Cofins do mês de setembro de 2007, portanto, necessitava de comprovação com documentos hábeis e idôneos, previstos na legislação tributária. Em sede de manifestação de inconformidade, a recorrente não apresentou nenhum documento contábil e fiscal, sequer o demonstrativo de apuração da Contribuição foi colacionado aos autos. Em decorrência, acertadamente, a Turma de Julgamento de primeiro grau reputou não comprovado o direito creditório pleiteado. Da mesma forma, na atual fase recursal, a recorrente não apresentou (i) as planilhas de fls. 87/93, relativas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins dos sobre receitas financeiras (base de cálculo ampliada Lei nº 9.718, de 1998) e (ii) as cópias da DCTF do 3º trimestre de 2002 (fls. 94/95) e das Fichas 19B e 20B da DIPJ 2003 (fls. 96/99), referentes aos demonstrativos de Débito Apurado e Créditos Vinculados e de Cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins do mês de abril de 2002, porém, desacompanhado de qualquer documento contábil e fiscal que corrobore os valores apresentados. Além disso, os débitos da Cofins do mês de abril de 2002, informado na DCTF do 3º trimestre de 2002 (fl. 87) e na Ficha 20B da DIPJ 2003 (fls. 90/91), respectivamente, nos valores de R$ 3.496.980,54 e R$ 3.486.099.20, são superiores ou igual ao alegado pagamento indevido em apreço, no valor de R$ 3.486.099,20, conforme consignado no contestado Despacho Decisório. Com base nessas considerações, deve ser mantida a não homologação da compensação em apreço, por falta de comprovação dos requisitos da certeza e liquidez do credito utilizado no presente procedimento compensatório. Por fim, com respaldo no art. 18 do PAF, indefiro o pedido de diligência formulado, porque ele não atende os requisitos fixados no inciso IV do art. 16 do PAF, pois não foram expostos os motivos nem formulados os quesitos relativos aos exames desejados. Ademais, na ausência de qualquer documento ou mero indício acerca da origem do crédito compensado, revelase prescindível a pretendida diligência na escrituração contábil e fiscal da recorrente. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 158DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10875.909393/200920 Acórdão n.º 3102001.902 S3C1T2 Fl. 22 5 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.003738/2007-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jul 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
CONCOMITÂNCIA - A concomitância de ação judicial com a mesma causa
de pedir na via administrativa impede a apreciação da Impugnação e do Recurso Voluntário.
Recurso voluntário não conhecido.
Recurso de oficio provido.
Numero da decisão: 2201-000.348
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por concomitância com ação judicial e dar provimento ao recurso de oficio para restabelecer a exigência do crédito tributário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRF- ação fiscal - outros
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200907
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 CONCOMITÂNCIA - A concomitância de ação judicial com a mesma causa de pedir na via administrativa impede a apreciação da Impugnação e do Recurso Voluntário. Recurso voluntário não conhecido. Recurso de oficio provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 29 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 10980.003738/2007-71
anomes_publicacao_s : 200907
conteudo_id_s : 4426898
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-000.348
nome_arquivo_s : 220100348_164686_10980003738200771_009.PDF
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : Eduardo Tadeu Farah
nome_arquivo_pdf_s : 10980003738200771_4426898.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por concomitância com ação judicial e dar provimento ao recurso de oficio para restabelecer a exigência do crédito tributário, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 29 00:00:00 UTC 2009
id : 4955450
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045984175456256
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-02T20:16:41Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-02T20:16:40Z; Last-Modified: 2009-10-02T20:16:41Z; dcterms:modified: 2009-10-02T20:16:41Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-02T20:16:41Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-02T20:16:41Z; meta:save-date: 2009-10-02T20:16:41Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-02T20:16:41Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-02T20:16:40Z; created: 2009-10-02T20:16:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2009-10-02T20:16:40Z; pdf:charsPerPage: 1466; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-02T20:16:40Z | Conteúdo => S2-C2T1 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA • .41•141k CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10980.003738/2007-71 Recurso e 164.686 De Oficio e Voluntário Acórdão n° 2201-00.348 — 2 Câmara / la Turma Ordinária Sessão de 29 de julho de 2009 Matéria IRF - Ano(s): 2001 a 2006 Recorrente INEPAR ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO S/A Recorrida 1' TURMA/DRJ-CURITIBA/PR Assunce IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 Ementa: CONCOMITÂNCIA - A concomitância de ação judicial com a mesma causa de pedir na via administrativa impede a apreciação da Impugnação e do Recurso Voluntário. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NAO CONHECER do recurso voluntário por concomitância com ação judicial e DAR provimento ao recurso de oficio para restabelecer a exigência do crédito tributário, nos termos do voto do Relator. % MOISÉS A • M • II A SILVA - 'residente rio"! EDUARDO //a DEU FARA - R , ator FORMALIZADO EM: 28 :ET 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheir. s Pedro Paulo Pereira Barbosa, Edgar Silva Vidal (Suplente convocado), Eduardo Tadeu arah, Renato Coelho Borelli (Suplente convocado), Núbia Moreira Barros Mazza (Suplent: convocada) e Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Presidente em exercício). Processo n° 10980.003738/2007-71 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.348 Fl. 2 i Relatório Inepar Administração e Participações S/A recorre a este conselho contra a decisão de primeira instância, proferida pela 1' Turma da DRJ de Curitiba/PR, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário de fls. 816 a 842. Trata o presente processo do Auto de Infração de fls. 554/581, em que são exigidos R$ 3.446.719,23 de Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF, relativamente aos períodos de apuração 01/03/2001 a 01/10/2006 (IRRF sobre trabalho assalariado); 17/02/2001 a 15/06/2002 (IRRF sobre trabalho sem vínculo de emprego); 08/07/2001 a 01/02/2003 (IRRF sobre remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica); 31/01/2001 a 28/03/2003 (IRRF sobre outros rendimentos — pagamentos a beneficiários não identificados) e 31/01/2001 a 02/02/2002 (IRRF não recolhido), e multa de oficio de 150% no valor de R$ 5.170.078,55, além dos encargos legais. Cientificada do auto de infração, em 03/04/2007 (fl. 554), a autuada apresentou, em 03/05/2007, impugnação de fls. 594/630, alegando diversas irregularidades na constituição da exigência, conforme descreve o relator de primeira instância: "Alega, no item "Preliminarmente — Nulidade do auto de infração", ser nulo o auto de infração "em face da sua manifesta impropriedade, especialmente por inexistência de justa causa para sua lavratura contra a impugnante, por inocorréncia de qualquer ilicitude, muito menos a irrogada na peça acusatória": fala que "nào vulnerou os dispositivos legais inseridos no auto de infração", e, ainda, que "a impropriedade é gritante, já que como consta do auto, não exsurge o ânimo sancionatório exigido na exação sob contestação, o que também por esse prisma, marca de nulidade a pretensão do fiscal autuante". Por seu turno, no item "Dos Fundamentos Jurídicos — Da manifestação dos fiscais quanto a compensação informada: ", diz que os autuantes partiram de premissas que seriam equivocadas, para fundamentar seu raciocínio, quais sejam: (a) que a impugnante não tem qualquer relação de parte ou litisconsorte ativo com os processos judiciais informados nas DCTF; (b) que falta comando judicial em vigor, dentre os citados processos, que autorize a pretensa compensação que ora se discute, de modo que todas as compensações vinculadas às ações elencadas no relatório foram devidamente glosadas pelo fisco; e (c) que os títulos da dívida pública não são de natureza tributária e estão excluídos da possibilidade de compensação, porque inexiste qualquer previsão legal que autorize o seu uso. Contestando tais conclusões, comenta que, no tocante à ação judicial n." 2001.35.00.006898-2/GO, haveria o reconhecimento de seu direito de compensar créditos representados por apólices da dívida pública (custodiadas na Caixa Econômica Federal, e validadas em decisão judicial) com tributos federais; transcreve trecho de decisão judicial que conteria tal mandamento (fl. 598/599 - onde constaria o deferimento à contribuinte de antecipação de tutela, tão-só para o fim de utilizarem as apólices como aporte ou integralizaç ii o de capital), e considera ser natural a utilização do ativo financeiro para fins de aporte de capital em sua contabilidade; ante o referido ,aporte de capital, e judicialmente autorizado para pagamento de quaisquer tributos, teria passado • , exercer todos os direitos que emanam do provimento judicial noticiado, inclusive o de proceder • 7,', compensação dos tributos por autolançamento; no seguimento, às fls. 598/599, reproduz mais trecho, , dessa decisão judicial, que diz amparar suas alegações. Prosseguindo, diz que enz 12/12/2002, no citado processo foi prolatada sentença, da qual destaca o seguinte trecho ((l. 601): "... a plena 2 Processo n° 10980.003738/2007-71 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.348 Fl. 3 validade e eficácia, inclusive imobiliária, das apólices da dívida pública federal fundada interna, identificadas nesta sentença, de sorte a que os autores possam, livremente, afastada qualquer alegação de prescrição, usufruir dos direitos de crédito que delas emergem, principalmente o de receberem os respectivos valores através de precatório contra a União Federal"; afirma que a Secretaria do Tesouro Nacional, consultada sobre a liquidação voluntária de ativos, teria informado que os títulos referidos são pagáveis (principal e juros), mediante apresentação ao agente pagador, em Londres, pelo que os títulos utilizados pela empresa, além de ter reconhecida sua validade no âmbito judicial, tiveram seu reconhecimento expresso pelo Ministério da Fazenda, após a prolação da sentença, razão pela qual seria desnecessária a discussão sobre sua oponibilidade. Diz que tais fatos, de per si, fariam cair por terra as alegações do fisco, utilizadas como razão para decidir, de que não haveria comando judicial em vigor, dentre os processos citados, que autorizasse a compensação realizada, a qual se fundaria em outros institutos, não se confundindo, necessariamente, com a ação ordinária 2001.35.00.006898-2/GO, que teria como objetivo único o reconhecimento da validade dos títulos nela colacionados; argumenta que o amparo legal estaria no Código Civil (Lei n.° 10.406, de 2002) e construção analógica da legislação que trata da matéria. No título "Do Pagamento com Títulos da Dívida Externa Mediante Compensação", alega que atendendo normas emanadas da Resolução do Conselho Federal de Contabilidade n.° 686, de 1990, procedeu em sua escrituração contábil o aporte de títulos reconhecidos como pagáveis pelo Tesouro Nacional, e em razão desse aporte de capital, que constituir-se-ia em crédito, passou a proceder à compensação, conforme autorização contida no art. 368 e seguintes, do atual Código Civil, bem como nos arts. 150 e 170 do Código Tributário Nacional (CTN), além da legislação que rege a escrituração comercial e tributária. Fala que a compensação teria sido feita mediante autolançamento, a qual equivaleria ao pagamento, nos termos do art. 156 do CTN, com o que teria havido a extinção dos débitos fiscais reclamados pelo fisco. Tece considerações sobre ser o pagamento uma das formas de extinção da obrigação, e diz que uma vez assim extinta a obrigação, é direito do devedor exigir a regular quitação, sob pena de se configurar o locupletamento ilícito do já pseudocredor. Considera, ainda, que o direito de compensar e de alegar a compensação é da categoria dos direitos potestativos, em virtude do que estaria investido no poder de exercer sobre seus direitos toda ação que lhe é assegurada pela lei, no caso, utilizar-se de ativos financeiros aportados ao seu capital, mediante autorização judicial; finalizando esse item, reafirma que com a compensação informada, equivalente ao pagamento, teria ocorrido o cumprimento da obrigação e, por conseqüência, a extinção da relação jurídica obrigacional em tela. A seguir, nos itens "O Crédito Utilizado para Proceder a Compensação. Da Declaração Emitida pelo Ministério da Fazenda — Secretaria do Tesouro Nacional Informando que o Título é Pagável (Oficio n." 4929/CODIP/STN)", "O Texto de Emissão da Apólice Prevê que os Títulos Retirados Assim Como os Cupons Vencidos Deverão Ser Aceitos pelo Estado para Pagamento de Impostos", "Da Cotação na Bolsa de Valores do Estado de São Paulo — Bovespa" e "Da Previsão de Pagamento no Orçamento da União", faz diversos comentários sobre seu suposto crédito, que seria representado por apólices da dívida externa brasileira, e sustenta que tais títulos "deverão ser aceitos pelo Estado como dinheiro para o pagamento de impostos". Por seu turno, no item "A Previsão Legal da Compensação Noticiada", no que diz respeito à compensação em causa, sustenta que a doutrina e a jurisprudência evidenciam dois posicionamentos: (a) uns entenderiam que a lei é omissa; (b) outros sustentariam que a integração analógica da lei admitiria concluir que é permitida a utilização de ativos financeiros com débitos fiscais. Prossegue afirmando que a posição favorável terminou por se ver triunfante e contemplada no art. 374 do Código Civil vigente, que teria passado a regulamentar a compensação legal, ou se' n , aquela que independeria do concurso da vontade das partes envolvidas, inovação que consagraria s0'1 direito potestativo que os contribuintes e credores teriam de compensar o seu crédito. Acrescenta que a possibilidade de pagamento de quaisquer tributos por meio de ativos financeiros oriundos da dívida pública "normatizou-se em vários institutos legais", dentre os quais cita o art. 6" da Lei n." 10.179, de 2001, e complementa, com apoio no princípio da isonomia (art. 3 Processo n° 10980.003738/2007-71 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.348 Fl. 4 5°, capuz' da Constituição Federal), que não mais se poderia falar na impossibilidade da compensação ou pagamento de tributos com tais créditos, mesmo que decorrentes de apólices da República Velha, posto que "todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza", não se podendo, assim, distinguir entre credores antigos (detentores de apólices da divida pública) e credores novos (detentores de NTN), tendo, tanto um como outro, poder liberatório para pagamento dos tributos federais. Mencionando o art. 170 do CTN fala que os créditos dos contribuintes podem ser líquidos e certos, vencidos ou vincendos, e que ficaria claro que esses créditos não são tributários, porque não existiria crédito tributário vincendo, agregando que os únicos créditos `vincendos' oponíveis à Fazenda Pública constituem-se exatamente naqueles que decorrem da dívida pública, ou seja, as apólices dessa dívida. Reafirmando que o art. 374 do atual Código Civil contém a disciplina da compensação das dívidas fiscais e parafiscais, diz que "inexiste desde então, qualquer impeço legal para a exclusão das dívidas fiscais do instituto da compensação regulado pelo Código Civil. A compensação é uma só, quer seja de dividas privadas, quer seja do indébito tributário, sendo efetuada diretamente pelo contribuinte e, no caso, dos débitos fiscais, posteriormente, comunicada à autoridade fazendária." (lI. 608); entende, assim, que a administração fazendária não pode, em hipótese alguma, limitar, restringir ou negar ao contribuinte o pleno direito à compensação sempre que este for credor da Fazenda Pública, e que esse direito é corolário lógico do próprio direito de propriedade, não havendo que se remeter à legislação especial, mais precisamente, à legislação tributária, a definição dos limites ao direito à compensação, quando a Fazenda Pública for a devedora; agrega que esse ente (Fazenda Pública), por lhe ser mais confortável, embora sem base legal, "prefere limitar a angulação da matéria aos limites restritos e uma exegese restritiva do artigo 170 do Código Tributário Nacional, olvidando toda atuação legiferante sobre o tema, notadamente o ingresso no direito positivo pátrio do novo Código Civil Brasileiro, que deu integro tratamento à questão, fazendo plasmar no titulo que trata da extinção das obrigações os novos rumos para aplicação do instituto jurídico da compensação aos débitos fiscais e parafiscais" (fi. 608). Na seqüência, prosseguindo no tema, faz extenso arrazoado (fls. 609/617) no sentido de defender o direito de efetuar a compensação pretendida tendo por base legal o art. 374 do Código Civil em vigor. Em item seguinte, denominado "Das Ações Declaratórias N. 2003.34.00.025915- 9, 2004.34.00.007316-9 e 2006.34.00.024076-2, em Curso Perante a Seção Judiciária do Distrito Federal. Da Suspensão da Exigibilidade Administrativa por Força da Doutrina Processual — Artigo 38 da Lei n.° 6.838/80", afirma que a interposição das ações judiciais tem natureza jurídica de declaração espontânea dos passivos tributários perante o fisco federal, ou seja, confissão de débitos para todos os fins legais, submetendo ao Judiciário o pronunciamento definitivo acerca da extinção dos tributos lá informados, objetos de compensação. Em razão de o ajuizamento das ações declaratórias ter se dado em data anterior aos procedimentos de auditoria fiscal, alega que teria encerrado a competência do fisco para se manifestar sobre a excussão dos débitos aqui relacionados, tornando-se o Juizo de Brasília de fato e de direito competente para o exercício da jurisdição invocada em virtude da prevenção, devendo-se aguardar o trânsito em julgado da ação de conhecimento. No seguimento, tece considerações, valendo-se da doutrina, sobre a impossibilidade de o fisco efetuar o lançamento em causa, em face da existência de discussão judicial; acrescenta que tendo se antecipado aos fatos e às possíveis atitudes que o fisco federal porventura pudesse, ou possa tomar, mostrou ao Poder Judiciário, e à própria Procuradoria da Fazenda Nacional, exatamente como vem promovendo suas compensações, demonstrando sua mais lídima boa-fé; fala que não há como negar que a própria administração já teria reconhecido que havendo ação judicial em curso, até por razoabilidade e economia processuais, dever-se-ia suspender os procedimentos administrativos até deslinde final da ação proposta, sob pena de se violar a unidade de jurisdição; assim, entende que deve o órgão da Receita Federal determinar a suspensão da exigibilidade dos créditos porventura ainda existentes itr ,/ o fisco e a interessada. 4 Processo n° 10980.003738/2007-71 82-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.348 Fl. 5 Sob o título "Da Inconstitucionalidade pela Imposição de Multas em Percentuais Exorbitantes e de Forma Cumulativa", contesta a multa de oficio aplicada, dizendo que a alegação do fisco de que as "ações judiciais informadas nas DCTF's para extinguir os créditos tributários por compensação não possuem qualquer comando judicial que autorizasse o uso de títulos da dívida pública para esse fim" e de que o comportamento adotado seria, em tese, dissimulado, não correspondem à realidade, já que as informações de compensação prestadas nos campos 'antecipação de tutela' somente ocorreram por não existir outra forma de prestar a informação, já que não existem campos na DCTF para tal, o que seria uma forma de o fisco não conhecer da informação de compensação, e depois autuar a empresa com a aplicação de multas que considera expropriatórias, além de outras exigências. Entende que não há dolo, já que compareceu antecipadamente em juízo, declarando a compensação realizada, encontrando-se no aguardo de decisão judicial definitiva, não se podendo, assim, falar em ação dolosa. Diz, ainda, que não há dúvida que se deve 'responder à obrigação acessória', consistente na aplicação de penalidade pecuniária, por não haver pago o tributo no tempo devido, entretanto, tal qual o império no trato com as questões civis e comerciais, a primeira (civil) com multas no máximo a 10%, e a outra (comercial) a 2%, o fisco, sujeito que está ao albergue dos princípios constitucionais, não pode submeter os contribuintes a multas 'exorbitantes', que, muitas vezes, superam em muito o valor original do tributo. No seguimento, falando em ferimento aos princípios constitucionais da isonomia, capacidade contributiva e vedação ao confisco, tece considerações sobre tais princípios, ficando claro, de seu arrazoado, que, caso seja aplicada multa, ela não deveria ultrapassar o percentual de 10%, e nem ser aplicada de forma cumulativa. No item "Da Aplicação de Juros Exorbitantes", questiona a exigência de juros de mora com base na taxa Selic no lançamento; depois de fazer comentários sobre o panorama legislativo brasileiro, com o qual não concorda, volta ao tema dos juros de mora, alegando que no regime privado os juros são de 6% ao ano, o que se afiguraria como justo e normal, pedindo que no caso da autuação, observe-se tal percentual, em homenagem ao princípio constitucional da isonomia. Argumenta, ainda, que os juros de mora somente poderiam ser exigidos a partir da inscrição da dívida, citando, quanto a isso, ementa de julgado (fl. 628). Já, no título "Do Auditor Fiscal como Agente do Estado", argumenta que, no caso, teria havido a cobrança de 'tributo' inexistente, pelo que deveria o Estado adotar as medidas adequadas em face de um alegado ferimento do art. 316, § 1 0, do Código Penal (crime de excesso de exação) por parte de seu agente. Por fim, pelas razões alegadas, pede que se reconheça a total improcedência do lançamento. Na capa do presente processo, consta informação de que foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais, objeto do processo administrativo n" 10980.003757/2007-05." Por sua vez, a 1' Turma da DRJ de Curitiba/PR julgou parcialmente procedente o lançamento, consubstanciada nas seguintes ementas: "NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Período de apuração: 31/01/2001 a 01/10/2006 • COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. 5 Processo n° 10980.003738/2007-71 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00348 Fl. 6 É cabível o lançamento de oficio de crédito tributário que, ao tempo em que formalizado, foi efetuado em face da inexistência de autorização judicial ou administrativa que amparasse a pretensão de compensação. DCTF. COMPENSAÇÃO. INFORMAÇÃO INDEVIDA. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. PERCENTUAL. Considerada indevida a informação de compensação prestada pelo contribuinte em DCTF, cabível a aplicação da multa de oficio, no percentual de 75%, sendo impingida a multa qualificada de 150% somente na hipótese de ser caracterizado o "evidente intuito defraude" referido pela legislação. MULTA DE OFICIO. JUROS DE MORA. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobram-se multa de oficio e juros de mora na forma prevista na legislação. Período apuração: 01/12/2005 a 01/10/2006 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria fiscal, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas em DCTF, sobre compensação ou suspensão de exigibilidade, devem ser enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, com os acréscimos moratórios devidos, sendo incabível, portanto, o lançamento de oficio sobre tais parcelas." Em relação ao julgamento de primeira instância, destaca-se: a) relativamente aos fatos geradores havidos entre 01/12/2005 e 01/10/2006, a decisão de primeira instância exonerou a parcela de R$ 326.065,70 a titulo de IRRF, além da multa de oficio de 150% e dos respectivos encargos legais; b) em relação aos demais fatos geradores, o julgamento manteve a parcela de R$ 3.120.653,53 a titulo de IRRF e reduziu a multa aplicada de 150% para 75%, mantendo a parcela de R$ 2.340.490,14 e cancelando a parcela de R$ 2.340.490,15. Cientificada da decisão de primeira instância, a autuada apresenta Recurso Voluntário, sustentando, basicamente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. É o relatório. "A\ 6 Processo n° 10980.003738/2007-71 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.348 Fl. 7 Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Pelo que se depreende da análise dos autos, verifica-se que há concomitância de processo administrativo e judicial, visto que, se trata da mesma matéria, ou seja, o direito a compensação. Na impugnação apresentada discorre o contribuinte, fundamentalmente, sobre o direito de compensar, todavia, ingressou com ações judiciais onde pede providência jurisdicional que lhe defira o mesmo direito. Com efeito, conforme se extrai do Recurso Voluntário (fl. 837) o contribuinte relaciona às ações judiciais (Ações Declaratórias nos 2003.34.00.025915-9 e 2004.34.00.007316-9) que ingressou em juízo, postulando o direito de compensação. Nessa senda, como bem pontuou a recorrente (fl. 617) a administração deve aguardar o trânsito do processo judicial: "Tendo em vista que o ajuizamento das ações declaratórias se deram em data anterior aos procedimentos administrativos aqui referidos, e devidamente informados ao vigilante agente fiscal que lavrou o auto, encerrando a competência da Administração para se manifestar sobre a excussão dos débitos aqui relacionados, o Juízo de Brasília tornou-se de fato e direito competente para o exercício da jurisdição invocada em virtude da prevenção, devendo-se aguardar o trânsito em julgado da ação de conhecimento. "(grifei) Neste mesmo sentido, cita o contribuinte o acórdão n° 201-68.773, que estabeleceu: "A opção do sujeito passivo pela via judicial exclui a apreciação da mesma matéria na via administrativa. Recurso que não se conhece, por falta de objeto, eis que o ingresso em juízo tornou a exigência fiscal definitiva na esfera administrativa." (grifei) / V ' Ademais, não se pode perder de vista o conteúdo da Súmula n° 1, do Primeiro Conselho de Contribuintes: 7 Processo n° 10980.003738/2007-71 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.348 Fl. 8 "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Nessa ordem de idéias encaminho meu voto no sentido de não conhecer o Recurso Voluntário, por concomitância entre processo administrativo e judicial. Relativamente ao Recurso de Oficio, impende registrar as observações da douta 1' Turma de Julgamento da DRJ de Curitiba, no que respeita a ocorrência da concomitância de processo administrativo e judicial (fls.793 e 794): "A interessada alega, em sua impugnação, que nas aludidas ações judiciais há discussão sobre a possibilidade de utilizar pretensos direitos creditórios, que adviriam de títulos da dívida pública, a fim de extinguir tributos por meio de compensação. Dessa forma, descabe a apreciação, na esfera administrativa sobre tal discussão, posto que, em função do princípio da unidade da jurisdição, cumpre ao Judiciário fazer pronunciamento final sobre essa matéria." (grifei) • Portanto, ingressando com ação judicial sobre a mesma matéria, o contribuinte renunciou ao processo administrativo-fiscal, motivo pelo qual sua impugnação não deveria ser objeto de análise. O acórdão julgou procedente em parte o lançamento, dele decotando o IRRF relativo aos fatos geradores ocorridos entre 01/12/2005 e 01/10/2006 e todos os seus consectários legais, bem como reduziu a multa de 150% para 75%, para todos os fatos geradores remanescentes. Todavia, além de haver ações judiciais discutindo a mesma matéria (os acessórios seguem a mesma sorte do principal), o que importa renúncia ao Processo Administrativo Fiscal. Desta feita, o julgamento da DRJ se apresenta extra petita, eis que o contribuinte não dedicou uma linha sequer na sua Impugnação de matéria que pudesse ser objeto de tal decisão. Assim, em relação ao Recurso de Oficio, encaminho meu voto para lhe dar provimento, restabelecendo o lançamento em sua íntegra. fii! 8 Processo n° 10980.003738/2007-71 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.348 Fl. 9 Ante ao exposto voto no sentido de NÃO CONHECER o Recurso Voluntário e DAR provimento ao Recurso de oficio para restabelecer a exigência do crédito tributário. É como voto. Sala d.: -ssões, em . 29 de 'ulho de 200' EDUARD ri DEU FARAH - el. or 9
score : 1.0
Numero do processo: 12448.736150/2011-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2009
OMISSÃO DO GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. MAJORAÇÃO ARTIFICIAL DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS DE LUCROS REFLETIDOS NAS EMPRESAS HOLDINGS PELO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL.
É indevida a majoração do custo de aquisição na capitalização de lucros ou reservas de lucros apurados na empresa investidora pelo Método de Equivalência Patrimonial refletidos nas empresas holdings investidoras, do mesmo lucro da sociedade investida, disponível para capitalização ou retiradas.
Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societário alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas refletidos da investidora, decorrentes dos ganhos avaliados pelo método da equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos, ou apurado o custo de aquisição da participação societária em função do patrimônio liquido da sociedade alienada, com a conseqüente tributação do efetivo ganho de capital.
MULTA QUALIFICADA. DOLO OU FRAUDE
Incabível a multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo especifico ou fraude do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador, de excluir ou modificar as suas características essenciais.
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Incabível a incidência de juros sobre a multa de ofício por falta de previsão legal.
Numero da decisão: 2202-002.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO À MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA: Por maioria de votos, desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins que mantinha a qualificação da multa de ofício. QUANTO À EXCLUSÃO DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: Por maioria de votos, excluir da exigência a taxa Selic incidente sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Márcio de Lacerda Martins, que negaram provimento ao recurso nesta parte. QUANTO ÀS DEMAIS QUESTÕES: Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior. Apresentarão Declaração de Voto os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Rafael Pandolfo. Manifestaram-se, quanto ao processo, o contribuinte por meio de seu advogado Dr. Luís Cláudio Gomes Pinto, inscrito na OAB/RJ sob nº 88704 e a Fazenda Nacional, por meio da sua representante legal, Dra. Indiara Arruda de Almeida Serra (Procuradora da Fazenda Nacional).
(Assinatura digital)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Presidente Substituta.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes - Relator
(Assinatura digital)
Antonio Lopo Martinez Declaração de voto vencedor
(Assinatura digital)
Rafael Pandolfo Declaração de voto vencido
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Marcio Lacerda Martins, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201304
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2009 OMISSÃO DO GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. MAJORAÇÃO ARTIFICIAL DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS DE LUCROS REFLETIDOS NAS EMPRESAS HOLDINGS PELO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. É indevida a majoração do custo de aquisição na capitalização de lucros ou reservas de lucros apurados na empresa investidora pelo Método de Equivalência Patrimonial refletidos nas empresas holdings investidoras, do mesmo lucro da sociedade investida, disponível para capitalização ou retiradas. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societário alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas refletidos da investidora, decorrentes dos ganhos avaliados pelo método da equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos, ou apurado o custo de aquisição da participação societária em função do patrimônio liquido da sociedade alienada, com a conseqüente tributação do efetivo ganho de capital. MULTA QUALIFICADA. DOLO OU FRAUDE Incabível a multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo especifico ou fraude do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador, de excluir ou modificar as suas características essenciais. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Incabível a incidência de juros sobre a multa de ofício por falta de previsão legal.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 12448.736150/2011-46
anomes_publicacao_s : 201307
conteudo_id_s : 5267532
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2202-002.259
nome_arquivo_s : Decisao_12448736150201146.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ODMIR FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 12448736150201146_5267532.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO À MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA: Por maioria de votos, desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins que mantinha a qualificação da multa de ofício. QUANTO À EXCLUSÃO DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: Por maioria de votos, excluir da exigência a taxa Selic incidente sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Márcio de Lacerda Martins, que negaram provimento ao recurso nesta parte. QUANTO ÀS DEMAIS QUESTÕES: Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior. Apresentarão Declaração de Voto os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Rafael Pandolfo. Manifestaram-se, quanto ao processo, o contribuinte por meio de seu advogado Dr. Luís Cláudio Gomes Pinto, inscrito na OAB/RJ sob nº 88704 e a Fazenda Nacional, por meio da sua representante legal, Dra. Indiara Arruda de Almeida Serra (Procuradora da Fazenda Nacional). (Assinatura digital) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Presidente Substituta. (Assinatura digital) Odmir Fernandes - Relator (Assinatura digital) Antonio Lopo Martinez Declaração de voto vencedor (Assinatura digital) Rafael Pandolfo Declaração de voto vencido Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Marcio Lacerda Martins, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Rafael Pandolfo.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
id : 4957376
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045984181747712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 34; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2438; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.736150/201146 Recurso nº 999 Voluntário Acórdão nº 2202002.259 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2013 Matéria IRPF Recorrente ANDRE FERNANDES LOPES DIAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2009 OMISSÃO DO GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. MAJORAÇÃO ARTIFICIAL DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS DE LUCROS REFLETIDOS NAS EMPRESAS HOLDINGS PELO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. É indevida a majoração do custo de aquisição na capitalização de lucros ou reservas de lucros apurados na empresa investidora pelo Método de Equivalência Patrimonial refletidos nas empresas holdings investidoras, do mesmo lucro da sociedade investida, disponível para capitalização ou retiradas. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societário alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas refletidos da investidora, decorrentes dos ganhos avaliados pelo método da equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos, ou apurado o custo de aquisição da participação societária em função do patrimônio liquido da sociedade alienada, com a conseqüente tributação do efetivo ganho de capital. MULTA QUALIFICADA. DOLO OU FRAUDE Incabível a multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo especifico ou fraude do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador, de excluir ou modificar as suas características essenciais. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Incabível a incidência de juros sobre a multa de ofício por falta de previsão legal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 61 50 /2 01 1- 46 Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO À MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA: Por maioria de votos, desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins que mantinha a qualificação da multa de ofício. QUANTO À EXCLUSÃO DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: Por maioria de votos, excluir da exigência a taxa Selic incidente sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Márcio de Lacerda Martins, que negaram provimento ao recurso nesta parte. QUANTO ÀS DEMAIS QUESTÕES: Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior. Apresentarão Declaração de Voto os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Rafael Pandolfo. Manifestaramse, quanto ao processo, o contribuinte por meio de seu advogado Dr. Luís Cláudio Gomes Pinto, inscrito na OAB/RJ sob nº 88704 e a Fazenda Nacional, por meio da sua representante legal, Dra. Indiara Arruda de Almeida Serra (Procuradora da Fazenda Nacional). (Assinatura digital) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Presidente Substituta. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator (Assinatura digital) Antonio Lopo Martinez – Declaração de voto vencedor (Assinatura digital) Rafael Pandolfo – Declaração de voto vencido Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Marcio Lacerda Martins, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Rafael Pandolfo. Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736150/201146 Acórdão n.º 2202002.259 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da 21ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro/RJ, que manteve a autuação do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF aos anoscalendário 2006 e 2009 sobre omissão de ganhos de capital na alienação de ações. Auto de infração (fls. 111 a 118) com ciência em 19/11/2011 (AR fls. 119) Termo de Verificação Fiscal (fls. 71 a 110). A ação fiscal teve como objeto a análise da operação de alienação das ações do Banco Pactuai S/A, CNPJ n° 30.306.294/000145, de propriedade do sócio Sr. André Fernandes Lopes Dias, precedida por reorganização societária ocorrida entre sociedades holdings, as quais detinham todas as ações do Banco Pactuai. A referida reorganização consistiu na extinção das holdings que detinham participação societária no Banco, por meio de sucessivas incorporações às avessas, culminando com a alienação das ações do Banco Pactuai diretamente pelos acionistas pessoas físicas da instituição. Por meio da reorganização societária foi adotado um planejamento tributário inconsistente, por meio do qual se verificou a majoração ilícita do custo das ações alienadas, gerando, como conseqüência, a redução indevida do ganho de capital tributável obtido pelo acionista pessoa física. Verificouse um acréscimo no custo das ações alienadas do Banco Pactuai ó/A pertencentes ao acionista André Fernandes Lopes Dias da ordem de 199,83%, na data da alienação em dezembro de 2006, enquanto o aumento de patrimônio líquido do Banco Pactuai S/A, entidade que concentrava toda a riqueza efetiva do grupo, no mesmo período, foi de 89% conforme Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica DIPJ da instituição financeira relativa ao anocalendário de 2006. Constatouse, assim, uma total discrepância entre a evolução da riqueza da instituição financeira alienada com o acréscimo patrimonial do custo das respectivas ações pertencentes a um dos seus acionistas. Tais processos de reorganizações societárias não teriam como produzir efeitos econômicos que justificassem o acréscimo patrimonial da pessoa física, tendo como objeto tãosomente a majoração irregular do custo de aquisição das ações alienadas do Banco Pactuai S/A e, consequentemente, a supressão de tributos devidos pela pessoa física relativos à operação de alienação do Banco. Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 4 Através de contrato firmado em 09/05/2006, entre a pessoa jurídica UBS AG, a pessoa jurídica Pactuai S.A (controladora direta do Banco Pactuai S.A.) e as pessoas físicas que possuíam participação indireta sobre o patrimônio do Banco Pactuai S.A., ficou definido, entre outras cláusulas, que as holdings detentoras de todas as ações do Banco Pactuai S.A seriam extintas mediante a reorganização, para que os sócios pessoas físicas assumissem a condição de proprietários diretos das ações negociadas. O pagamento pela compra das ações do Banco Pactuai S.A. foi dividido em parcelas, sendo a primeira paga na data de "Fechamento" da compra e venda das ações, ocorrido em dezembro de 2006, e a segunda em data posterior denominada de "Pagamento Diferido". Além desses pagamentos, os alienantes das ações receberiam ainda outros valores denominados "Pagamentos Especiais; Usufruto". Os sócios pessoas físicas providenciaram uma reestruturação societária no anocalendário 2006, mediante incorporações às avessas das holdings controladoras do Banco, para permitir que a transferência das ações do Banco Pactuai S.A. ao UBS AG fosse feita diretamente pelos sócios pessoas físicas. Em 28/12/2004 e em 31/12/2005, foram realizados os aumentos do capital social de Pactuai Participações Ltda nos montantes de R$ 210.000.000,00 e R$ 130.000.000,00, respectivamente, passando de R$ 125.000.321,05 para R$ 335.000.321,71 em 28/12/2004 e R$ 465.000.320,61 em 31/12/2005, mediante capitalização de parte dos lucros retidos na conta lucros acumulados da sociedade. Em 31/12/2005 a Pactuai Participações Ltda é incorporada por Pactuai Participações S/A, cujo capital social passou de R$ 26.969.514,00 para R$ 70.118.786,40 (aumento de R$ 43.149.272,40). Posteriormente, a Pactuai Participações S/A transformouse em Nova Pactuai Participações Ltda. Em 13/10/2006, foi realizado o aumento do capital social da Nova Pactuai Participações Ltda no montante de R$ 686.000.000,00, passando de R$ 70.118.786,40 para R$ 756.1 H 36,vO, mediante capitalização dos créditos detidos pelos sócios quotistas contra a sociedade. Em 13/10/2006 a Pactuai Holdings S/A, aumentou seu capital social em R$ 202.500.000,00, mediante a capitalização de créditos detidos contra a sociedade e a capitalização da reserva legal da Companhia. Em 13/10/2006 a Pactuai Holdings S/A é incorporada por Pactuai S/A, passando o capital social da incorporadora de R$ 34.498.190,25 para R$ 64.248.147,47. Também nesta data, a Nova Pactuai Participações Ltda é incorporada por Pactuai S/A, cujo capital social passou de R$ 64.248.147,47 para RS 97.841.295,93. Em 01/11/2006, o capital social da Pactuai S/A foi aumentado em R$ 3.862.542,92, passando para R$ 101.698.838,85, com a conseqüente emissão de duas ações preferenciais subscritas Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736150/201146 Acórdão n.º 2202002.259 S2C2T2 Fl. 4 5 pelos acionistas André Santos Esteves e Gilberto Sayão da Silva e integralizadas mediante a capitalização de créditos por eles detidos contra a sociedade. Em 03/11/2006 a Pactuai S/A aumenta seu capital social em R$ 996.087.876,00, passando este para R$ 1.097.786.714,85, mediante a capitalização de créditos detidos pelos acionistas contra a Companhia. Em 01/12/2006 a Pactuai S/A é incorporada pelo Banco Pactuai S/A, sendo vertido para o incorporador o patrimônio líquido da incorporada, de R$ 1.149.597.660,18. A partir deste último evento societário, os acionistas pessoas físicas passaram a ter participação direta no Banco Pactuai S/A, detendo as ações que, posteriormente, foram alienadas. Observase um padrão nos eventos societários. Após o incremento dos respectivos Patrimônios Líquidos das companhias em decorrência dos ajustes de equivalência patrimonial originados pelo lucro do Banco Pactuai S/A, todas as companhias Investidoras (Nova Pactuai Participações Ltda, Pactuai Holdings S/A e Pactuai S/A) tiveram seus lucros e reservas capitalizados e posteriormente foram incorporadas pelas suas Investidas, operações essas inversas ao processo normal que é o da Investidora incorporar a Investida. Nos processos de incorporação reversa houve majoração irregular no custo das ações alienadas, tendo em vista que o processo de extinção das holdings Pactuai Participações Ltda, Nova Pactuai Participações Ltda e Pactuai Holdings S/A, com a anterior capitalização de dividendos nos valores de R$ 210.000.000,00, R$ 130.000.000,00, R$ 43.149.272,40, R$ 202.500.000,00, R$ 686.000.000,00, não poderiam gerar o aumento no custo das ações alienadas do Banco Pactuai S/A, uma vez que, posteriormente, houve acréscimo cumulativo do custo das aludidas ações alienadas com a incorporação do acervo líquido da Pactuai Holdings S/A e da Nova Pactuai Participações Ltda e, mais tarde, a capitalização dos dividendos da companhia Pactuai S/A, anteriormente à sua incorporação pelo Banco Pactuai S/A, no montante de R$ 1.063.293.524,60, que representa a soma das parcelas R$ 29.749.957,22, RS 33.593.148,46, RS 3.862.542,92 e R$ 996.087.876,00. Com o evento de incorporação, todo o acervo líquido da Pactuai S/A (PL), no montante de RS 1.149.610.206,41, foi incorporado pelo Banco Pactuai S/A. As ações ou quotas recebidas pelo sócio ou acionista, em decorrência do aumento de capital subscrito pela sociedade fundida, incorporada ou cindida, continuam sendo basicamente as mesmas de antes, ainda que qualitativamente tenha sofrido alteração, da mesma forma como se aceitaria indiscutivelmente como inalterada a participação societária dos sócios ou acionistas que participavam em uma sociedade que tenha incorporado patrimônio de outra. Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 6 Concluise que o custo da ação alienada por cada acionista tem como base a participação de cada um deles no capital social da Pactuai S/A, em 01/12/2006. Todavia, o contrato firmado na compra e venda do Banco Pactuai S/A determinava que, entre a data da celebração do negócio e a data da efetivação do mesmo os lucros auferidos seriam objeto de distribuição aos antigos proprietários, de tal forma, que em 22/02/2007, os acionistas alienantes, àquela época exacionistas, receberam de dividendos o montante de R$ 290.754.000,06. Tal montante, portanto, referese a lucros auferidos até 01/12/2006 e, para que pudessem ser distribuídos deveriam estar incluídos no patrimônio líquido da Pactuai S/A. Por isso, esta parcela deve ser deduzida do custo de aquisição apurado. Com isso, chegase ao custo das ações alienadas pelo Contribuinte, que é de R$ 855.014,67, correspondente a 0,10% do total da sociedade. O que evidencia a irregularidade é que o sujeito passivo recebeu novas ações em troca das extintas, por ocasião da extinção da Nova Pactuai Participações Ltda, mantendo assim, em sua propriedade a mesma parcela que detinha indiretamente do Banco Pactuai S/A, entidade que concentrava a efetiva riqueza econômica e financeira do grupo empresarial, como também aumentou o custo de aquisição de tais ações por meio de dividendos não distribuídos. Os dividendos capitalizados são os mesmos, na medida em que as Reservas e Lucros capitalizados por Nova Pactuai Participações Ltda e Pactuai S/A nada mais são do que o Resultado da Equivalência Patrimonial do Banco Pactuai S/A. As operações engendradas pelas citadas sociedades empresariais (uma autêntica cadeia de repercussões de equivalência patrimonial), no que concerne à questão da incorporação de lucros e dividendos, somente encontra lastro jurídicocontábilfinanceiro no que se refere àqueles gerados pelo Banco Pactuai S/A, com repercussão na controladora Pactuai S/A. Com efeito, eventuais ajustes promovidos pelo Banco Pactuai S/A em função de acréscimos patrimoniais ocorridos nas sociedades Pactuai Participações Ltda e Nova Pactuai Participações Ltda nada mais eram do que a própria riqueza gerada pelo Banco Pactuai S/A, as quais já haviam sido consignadas no patrimônio de Pactuai S/A. A capitalização cumulativa dos lucros de equivalência patrimonial para aumentar o custo de aquisição das ações acima do cabível não pode ser admitida por causa de sua ilicitude, além do que deve ser inibida, para que, futuramente, não só comprometa a eficácia de toda tributação do ganho de capital sobre participações societárias, uma vez que o estratagema contábil viabilizaria a utilização de "empresas de papel" (holdings) tãosomente para não pagar imposto de renda sobre ganho de capital, distorcendo gravemente a percepção do Fisco acerca da capacidade contributiva dos sócios pessoas físicas. Com os procedimentos adotados pelos exacionistas, estes informaram no Demonstrativo de Ganho de Capital de suas Declarações de Ajuste Anual o custo majorado de suas ações, Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736150/201146 Acórdão n.º 2202002.259 S2C2T2 Fl. 5 7 inserindo, dessa forma, elementos inexatos com o fim de pagar menos imposto de renda, conduta que se insere no contexto de fraude à fiscalização tributária, sendo o tipo doloso (art.72, da Lei 4.502/64). Todo o arcabouço montado foi no sentido de prejudicar o direito do Fisco, configurando, em tese, crime contra a Ordem Tributária definido no inciso I, dos artigos Io e 2o da Lei 8.137/90. O ato praticado vai contra as palavras e espírito da lei (art. 135 do RIR/99), apesar de o contribuinte fiscalizado afirmar que nela se baseou. Mesmo que isso fosse verdade, o ato preservaria a letra da lei, mas ofenderia o espírito dela, envolvendo o abuso do direito, intimamente ligado à idéia segundo a qual não há direito ilimitado. O abuso do direito pode ser definido como o exercício egoístico, normal do direito, sem motivos legítimos, com excessos intencionais ou voluntários, dolosos ou culposos, nocivos a outrem, contrários ao critério econômico e social do direito em geral. Foi aplicada a multa de 150% com base no art. 957, n, do RIR/99, tendo em vista a intenção do fiscalizado de majorar o custo de suas ações e permanecer com esse valor de custo majorado, mesmo após o recebimento de dividendos previstos no contrato de compra e venda das ações do Banco Pactuai S/A em fevereiro de 2007, momento em que deveria recalcular o imposto apurado referente à primeira parcela, deduzindose tal valor do custo. Foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais Processo n° 12448.738757/201161, a qual se encontra em anexo, para comunicação ao Ministério Público da prática de fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária. Impugnação (fls. 917 a 951). Decisão recorrida ( fls. 957 a 984) com ciência em 06.07.2012 (fls. 1036), esta assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2006, 2009 ENQUADRAMENTO LEGAL GENÉRICO O fato de constarem do auto de infração vários dispositivos legais concernentes a aspectos gerais relativos à tributação dos rendimentos de ganho de capital não macula o lançamento, quando restar caracterizado que não houve prejuízo ao contribuinte, seja porque a descrição da infração lhe possibilita ampla defesa, seja porque a impugnação apresentada revela pleno conhecimento da infração imputada. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. MÉTODOS DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. IMPOSSIBILIDADE DE Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 8 MÚLTIPLO PROVEITO DO MESMO LUCRO. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. É indevida a capitalização de lucros apurados na empresa investidora através do Método de Equivalência Patrimonial, quando este mesmo lucro permanece inalterado na empresa investida, disponível nesta como lucros e/ou reservas de lucros tanto para que se efetue capitalizações como para retiradas pelos sócios. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas oriundas de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. É aplicável a multa qualificada quando restar caracterizado o evidente intuito de fraude do Contribuinte no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Considerando que a multa de ofício é classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é correta a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A autuação foi mantida pela decisão recorrida sob os seguintes fundamentos: a) A reestrutura foi utilizada com o propósito de reduzir o ganho de capital dos sócios na venda do Banco Pactual; b) O art. 135 do RIR /99 não ampara a forma como o contribuinte calculou o custo de aquisições das ações; c) Os lucros e reservas de lucros existentes no Banco Pactual, refletidos no PL da cadeia de investidores (Pactual Participações Ltda, Nova Pactual Participações Ltda e Pactual Holdings S/A) não podem ser considerados novo bem ou direito a ser adquirido pelo Banco Pactual quando das sucessivas incorporações reservas; d) A distribuição dos lucros ou a retenção dos lucros na investidora é incompatível com a permanência dos mesmos lucros na investida, que produziu o os lucros; e) Não há amparo legal ou suporte fático e econômico para considerar que teria sido desembolsado, pelo contribuinte, o aporte inicial de recursos nas sociedades, seja com a efetiva capitalização de lucros não recebidos; f) Os fatos ocorridos correspondem a clara intenção de majorar o custo das ações com a capitalizações indevidas de lucros; Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736150/201146 Acórdão n.º 2202002.259 S2C2T2 Fl. 6 9 g) A incidência de juros moratórios sobre a multa aplicada possui previsão legal , haja vista compor o crédito tributário. Recurso Voluntário (fls. 986 a 1030) protocolado em 25.07.2012, repete os argumentos da Impugnação e sustenta em síntese: a) O caminho trilhado pelos acionistas para se tornarem vendedores do Banco foi o mais lógico, rápido e econômico entre todos disponíveis, e o acréscimo do custo de seus investimentos é mera conseqüência da aplicação das normas em vigor, em especial do art. 135 do RIR; b) Não procede a assertiva constante do Termo de Verificação Fiscal de que a Reestruturação foi realizada com o objetivo de aumentar fraudulentamente o custo de aquisição dos investimentos do Recorrente. As incorporações reversas eram das variantes disponíveis para a realização do negócio; era lógica , admitida por lei e conveniente para os acionistas; c) A opção pela capitalização de lucros antes das incorporações era irrelevante em termos fiscais, especificamente no que tange as participações. A razão desta conduta vinculase ao fato de a mesma distribuir lucros de forma desproporcional, conforme autoriza o art. 1007 do CC/02; d) Os lucros de participações foram distribuídos em bases desproporcionais e reaplicados na empresa, acertando as participações dos acionistas no patrimônio líquido antes da incorporação, assim a participação indireta do Recorrente no banco subiu de 0,000014%(0,000019% de 78,18%) para 0,10% (0,13% de 78,18%). e) O capital de participações foi aumentado em R$ 686.000.000,00, mediante a conversão de créditos detidos por seus quotistas, decorrentes do direito ao recebimento de lucros e da capitalização dos referidos lucros gerou significativa alteração nos percentuais de participações dos acionistas no capital da referida empresa; f) Na incorporação inversa, os acionistas da incorporada recebem ações da incorporadora por custo idêntico ao das ações da incorporada por eles detidas e, por outro lado, ocorre capitalização de lucros ou reservas eventualmente existentes na incorporada; g) O aumento do custo de aquisição do valor dos investimentos do Recorrente no Banco se verificaria de qualquer forma, quer houvesse deliberação expressa e específica no sentido da capitalização dos lucros das sociedades holdings ; h) Tratando da alienação de quotas ou ações e em sendo o alienante uma pessoa física, o custo de aquisição corresponde ao custo original do investimento acrescido do montante dos lucros e reservas de lucros capitalizados, nos termos do § 1º do art. 130 e do art. 135 do RIR; i) O montante dos lucros capitalizados somase ao custo dos investimentos a que correspondem, ainda que eles tenham sido reconhecidos em razão da aplicação do MEP – Método da Equivalência Patrimonial; j) Mesmo que a reestruturação tivesse sido levada a efeito nas bases que o Termo de Verificação Fiscal consideraria adequada, os R$ 1.567.494,00 corresponderiam ao custo dos investimentos do Recorrente no Banco. Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 10 k) A interpretação que o Recorrente conferiu ao art. 135 do RIR no pode ser absurda a ponto de, por si só, justificar a aplicação de penalidade com intuito de fraude l) A aplicação de juros de mora sobre o valor da multa qualificada contraria as recentes decisões do CARF. É o breve relatório. Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736150/201146 Acórdão n.º 2202002.259 S2C2T2 Fl. 7 11 Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade ser deve ser conhecido. Cuidase de autuação mantida pela decisão recorrida, com a multa qualificada de 150%, do Imposto de Renda Pessoa Física IRPF sobre ganho de capital na apuração a maior do custo de aquisição na alienação das ações do Banco Pactual realizadas pelo Recorrente, após a reorganização societária de incorporações inversas e extinção das sociedades investidoras (holdings) e detentoras das ações alienadas. A autuação e a decisão recorrida entenderam que houve duplicidade na apuração do custo de aquisição das ações alienadas, pela apropriação indevida dos mesmos lucros e reservas de lucros refletidos da sociedade da investida (geradora dos lucros) nas sociedades investidoras holdings na apuração dos resultados pelo método da equivalência patrimonial. O relatório de fiscalização, a decisão recorrida e o recurso fazem longas e exaustivas explicações contábeis, societárias e a motivação do negócio realizado alienação da participação societária, com a necessidades das incorporações inversas. Destaca o relatório de fiscalização: O reconhecimento da ocorrência de uma dupla capitalização, antes e depois da incorporação, com os mesmos lucros de equivalência patrimonial auferidos no exercício social em que ocorre a reorganização societária, objetivando multiplicar o aumento de custo das ações com base nos mesmos lucros de equivalência patrimonial, não é possível por falta de suporte fático. Ou os sócios retiram os lucros correntes da sociedade antes da incorporação, quando o valor a ser incorporado ficará reduzido na mesma proporção dos lucros retirados, ou os sócios deixam o referido lucro na sociedade para que a capitalização fique consolidada nas ações da sociedade incorporadora dadas em substituição ao patrimônio líquido incorporado. A finalidade da incorporação é capitalizar o investimento do patrimônio pessoal do sócio pessoa física na sociedade incorporadora. Não há como sustentar que os lucros do exercício em que ocorre o evento de incorporação, apurados com a finalidade específica de atender a incorporação, possam ter como objeto a capitalização na pessoa jurídica a ser incorporada, porque o investimento Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 12 do sócio pessoa física não se destina mais à pessoa jurídica que está em vias de extinção pela incorporação. Não cabe a hipótese de que os mesmos lucros de equivalência patrimonial apurados com o fim específico de atender o evento de incorporação pudessem ser utilizados, cumulativamente, tanto para a capitalização na sociedade incorporada, quanto na incorporadora, a fim de multiplicar o aumento do custo das ações pertencentes aos sócios pessoas físicas. A apuração desses lucros na incorporada para o levantamento do balanço com a finalidade específica de incorporação tem como base um único fato: a capitalização na sociedade incorporadora por absorção do patrimônio líquido da sociedade incorporada. Portanto, a questão é de falta de suporte fático que legitime a sobreposição dós aumentos de custo das ações, mediante uma dupla capitalização com o mesmo lucro de equivalência patrimonial. Por conseguinte, em se tratando de incorporação, se os lucros do exercício não forem removidos da sociedade a ser incorporada, estes integrarão a universalidade jurídica (patrimônio líquido) a ser transmitida, sendo indiferente, enquanto universalidade jurídica, que estes lucros de equivalência patrimonial do exercício em que ocorre o evento de incorporação estejam classificados em um ou outro componente do bem coletivo (no capital social, em reservas ou nos lucros acumulados). Com inteira propriedade destaca a decisão recorrida: A utilização do Método de Equivalência Patrimonial (MEP), segundo o art. 248, da Lei n° 6.404/76 (LSA), é obrigatória no caso de investimentos considerados relevantes em sociedades controladas, como é o caso das empresas do grupo Pactuai. Sendo Equivalência Patrimonial a "alteração do valor contábil dos investimentos registrados no Ativo Permanente (AP), pela investidora, conforme o aumento ou a diminuição do Patrimônio Líquido (PL) da investida"1, caso a sociedade investida/controlada, através da obtenção de lucros, aumente seu Patrimônio Líquido (PL) tal aumento deverá ser refletido na contabilidade da sociedade investidora, aumentando o valor contábil do investimento que esta possui na sociedade investida e, conseqüentemente, também o seu PL. Vejase que em razão de a empresa investidora não possuir outra atividade econômica, senão o controle da investida, todo o incremento no PL da investidora consiste em um mero reflexo dos lucros obtidos pela investida. Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736150/201146 Acórdão n.º 2202002.259 S2C2T2 Fl. 8 13 O art. 227, caput, da LSA, define o termo "Incorporação" como sendo a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. No caso das incorporações reversas, não se pode entender, com base em uma aplicação equivocada da citada norma, que todo PL representado na contabilidade da incorporada deve ser acrescido ao capital social da incorporadora. Não há qualquer lógica jurídica ou matemática para que o direito econômico que a incorporada possua sobre o patrimônio da incorporadora seja ao patrimônio desta acrescido quando do implemento da incorporação. Não se pode admitir que o próprio patrimônio da incorporadora, refletido na incorporada, constitua um novo patrimônio adquirido pela incorporadora quando da incorporação. No caso em discussão, os lucros e reservas de lucros existentes no Banco Pactual, refletidos no PL da cadeia de investidoras (Pactuai Participações Ltda, Nova Pactuai Participações Ltda e Pactuai Holdings S/A), não poderiam ser considerados um novo bem ou direito a ser adquirido pelo Banco Pactual quando das sucessivas incorporações reversas. A reorganização societária foi necessária para extinguir as sociedades holdings (detentoras das ações), mediante a incorporação inversa (sociedade investida Banco Pactual incorpora as investidoras – as holdings), de forma que a pessoa física – entre elas o Recorrente – pudesse alienar as ações do próprio Banco e não a participação societária das holdings investidoras. Esta plenamente justificada a necessidade de a venda das ações do Banco ser realizada por intermédio das pessoas físicas e não com a alienação da participação nas sociedades holdings, face à responsabilidade personalíssima do negócio realizado, conforme admitiu expressamente o Relatório de Fiscalização e a decisão recorrida. O negócio existiu, as incorporações e a extinção das sociedades holdings existiram, não há vicio na vontade ou na forma do negócio realizado. O Relatório de Fiscalização e a decisão recorrida dão conta que os lucros e as reservas de lucros do Banco Pactual foram capitalizados nas empresas investidoras (holdings) e, ao mesmo ao mesmo tempo, disponibilizados na investida (Banco), causando assim duplo ou triplo efeito reflexo de os mesmos lucros ou reservas de lucros apropriados no custo de aquisição. Este fato – de os lucros e reservas de lucros da sociedade investida (Banco Pactual, gerador do lucro) – apurados pelo Método da Equivalência Patrimonial refletir nas sociedades investidoras (holdings) permitiu – artificialmente ao Recorrente majorar o custo de aquisição da participação societária com a dupla ou tripla apropriação dos mesmos lucros e Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 14 reservas de lucros no custo de aquisição na apuração dos ganhos de capital na alienação das ações. Sustenta o Recorrente que o art. 135, do RIR/99, que regulamentou o Parágrafo Único art. 10, da Lei nº 9.249, de 1995, ampara seu procedimento tributário. Vejamos: Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único). De fato, o dispositivo autoriza computar no custo de aquisição para efeito da apuração do ganho de capital os lucros ou reservas de lucros em razão do aumento de capital ou incorporação dos resultados apurados pela sociedade. A conduta do Recorrente estaria perfeita se a qualificação do fato – que é único – o lucros ou reservas de lucros – gerado do Banco Pactual, sociedade operacional, geradora efetiva de resultados econômicos, pudesse existir de forma isolada nas sociedades investidoras – as holdings. O efeito contábil de os mesmos resultados da investida, geradora dos lucros, refletir nas sociedades investidoras, existe apenas para fins contábeis da apuração pelo Método da Equivalência Patrimonial e a demonstração dos resultados exigidos pela legislação societária, mas isso não significa a existência de lucros autônomos nas investidoras se elas nada geram de resultados para adicionar ao custo de aquisição na alienação da participação societária, como fez o Recorrente ao aplicar o art. 135, do RIR/99. A independência e a autonomia patrimonial entre as sociedades investida, investidoras, sócios, acionistas e controladores não socorre o Recorrente para permitir a dupla ou tripla capitalização com a utilização dos mesmos lucros e reservas de lucros no custo de aquisição, se eles não possuem o feito multiplicador ao apenas refletirem na demonstração dos resultados das sociedades coligadas, advindos da investida, o Banco Pactual. Importa, para o deslinde do conflito, enfatizar que o fato – lucro e reservas de lucros da investida é apenas um. Não existem dois ou três lucros e reservas de lucros isolados e independentes gerados na sociedade investida e nas investidoras. Ao contrário do que sustenta o Recorrente, não há equivoco na lei e nem na sua interpretação. O detalhe é qualificação do fato único – os lucros ou reservas de lucros da sociedade operacional, investida (Banco Pactual), refletir nas sociedades holdings, mas isso não permite artificialmente – computar o duplo ou triplo custo de aquisição, como se existisse lucro autônomo nas sociedades investidoras. O duplo ou triplo efeito é mera ficção, necessária na apuração da demonstração dos resultados na participação societária em cada sociedade. Houvesse Balanço Patrimonial Consolidado das coligadas estaria espelhada a total impropriedade da tese do Recorrente que não se sustenta ao menor argumento com o conhecimento dos fatos. Apenas em memoriais e em sustentação oral, não no recurso, ressaltese, aventouse abuso, arbítrio e erro da autuação ao adotar a fiscalização critério diferente de Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736150/201146 Acórdão n.º 2202002.259 S2C2T2 Fl. 9 15 outras autuações da mesma operação de alienação da participação societária do Banco Pactual, em razão de o fisco arbitrar o custo de aquisição e não apurar o efetivo custo. Com isso, sustentouse abuso da autuação por se afastar da legalidade e levar em consideração aspecto econômico do fato gerador da condenada doutrina Alemã da República de Weimar de 1919, do pós 1a Guerra Mundial, onde surgiu o primeiro Código Tributário de que se tem noticia. Não vemos qualquer abuso ou arbítrio ou arbitramento da base de cálculo de que cuida o art. 148, do CTN. Na hipótese em exame, apenas apurouse o montante da participação societária em relação ao Patrimônio Liquido (PL) da sociedade investida para determinar o custo de aquisição. Foi mero cálculo aritmético, de coisa certa e determinada, sem qualquer arbitramento no seu exato sentido e alcance à constituição do crédito tributário. Critério lógico e racional por representar, com exatidão, o custo do bem/direito alienado as ações representativas do capital social Patrimônio Liquido da sociedade negociada. Com acerto também foi o desconto do custo apurado, dos lucros prometidos contratualmente em usufruto de serem pagos e não capitalizados. Não se cuida ainda de tributar o efeito econômico do fato gerador, mas de qualificar o fato, único, repetimos, representado pelos lucros ou reservas de lucros, que não podem ser utilizadas, os mesmos resultados em mais de uma operação pela simples razão de eles com a incorporação apenas refletirem nos resultadas das sociedades holdings investidoras. De outro modo, caberia ao Recorrente demonstrar e comprovar com provas firmes, seguras e estremes de dúvidas, sequer aventado nas razões de recurso, o possível prejuízo sofrido com o combatido abuso, arbítrio e erro no critério do custo de aquisição. Vemos que tanto a autuação e a decisão recorrida agiram com o costumeiro acerto, assim devem ser mantidas e prestigiadas. Contudo, o mesmo não acorre em relação à multa qualificada. A decisão recorrida manteve a qualificadora por entender que houve fraude à fiscalização tributária e informação de elementos inexatos no custo de aquisição das ações, e assim teria havido dolo e crime na conduta dotada pelo Recorrente. O Relatório de Fiscalização qualifica a conduta do autuado Recorrente em dolo e crime, ao utilizar mais de um lucro no custo de aquisição das ações pelo simples efeito reflexo dos resultados nas sociedades holdings, em seguia ressalta “...o ato praticado vai contra as palavras e o espírito da lei (art. 135, do RIR/99), é ele contra legem, contrário à lei, em que há a violação direta da lei.”. Com isso, entendeu fiscalização que houve abuso do direito. Entendeu a fiscalização, de forma dúbia, que ainda houve abuso do direito, Ora, abuso do direito é ilícito civil, não possuir conotação penal/tributário e consistente Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 16 basicamente em o agente exceder os limites da lei, da sua finalidade econômica e social, a boa fé e aos bons consumes (art. 187 do CC). Abuso do direito significa ultrapassar os limites da lei no sentido do razoável, do bom senso, do senso comum. Não há tipificação penal tributário ou tributário penal para esta conduta, ainda que presente nos autos. Apenas por esses aspectos da dubiedade na qualificação da penalidade a decisão merece reforma parcial. Mas não é só. O negócio da compra e venda das ações existiu, as incorporações e a extinção das empresas holding existiram, foi justificada a necessidade da venda das ações por intermédio das pessoas físicas e não pelas sociedades holdings, em da face exigência de responsabilidade pessoal e personalíssima assumida na realização do negócio, conforme admitiu expressamente a decisão recorrida. Portanto, não houve qualquer fraude ou simulação no negócio realizado. O Recorrente se utilizou da dupla ou tripla capitação dos lucros apenas por eles refletirem nas sociedades holdings e se acumularem, por assim dizer, com a incorporação inversa. Na aparência os resultados da investida existem nas investidoras, tem sua finalidade, mas são mesmos lucros e reservas de lucros da sociedade investida. Observando esses resultados de forma individualizada, na figura da separação e autonomia patrimonial de bens das sociedades holdings como fez o Recorrente, eles de fato adquirem o efeito o multiplicador na aparência, a diferença é de serem os mesmos resultados apenas refletidos de uma em outra sociedade. Nada mais. Não há prova do dolo, do aspecto subjetivo do agente infrator a vontade livre, consciente e deliberada de realizar a sonegação. Prova difícil de produzir. A fiscalização não possui a habitualidade dessa tarefa, que não é própria do cotidiano, mas aos agentes Policiais, Ministério Público, Juízo Criminal é coisa simples e corriqueira. Aferir o aspecto subjetivo exige necessariamente a oitiva dos sujeitos do delito, com o interrogatório do acusado pela infração e testemunhas, isto é imprescindível para a comprovação sempre que houver qualificação pelo dolo. Na comprovação da fraude e simulação nem sempre se exige a oitiva do infrator e testemunhas, os documentos e o negócio falam por si, na máxima, sempre presente nessas condutas: Simulase o que não é, e dissimulase o que é, totalmente diferente de aferir o aspecto subjetivo que envolve a qualificação pelo dolo. Pelas razões expostas, pelo meu voto, afasto a qualificadora da multa. Por fim pede o Recorrente a exclusão dos juros sobre a multa, citando vários julgados deste Conselho: JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. (...)" (Acórdão n° 10196008, Rel. Caio Marcos Cândido, em 01.03.2007, DOU S.I de 20.08.2007, p. 22) JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO Por não se tratar da hipótese de penalidade aplicada na forma isolada, a multa de ofício não integra o principal e sobre ela não incidem os juros de mora. (...) Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736150/201146 Acórdão n.º 2202002.259 S2C2T2 Fl. 10 17 (Acórdão n° 10323566, Rel. Leonardo de Andrade Couto, em 17.09.2008, DOU S.I de 20.01.2009, p. 6) JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. A lei 943096 não prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. O art. 161, parágrafo 1, que se subordina ao caput, prevê supletivamente a aplicabilidade de juros de mora à taxa de 1 por cento ao mês. O art. 161, caput, do CTN prevê a incidência de juros de mora antes de imposição das penalidades cabíveis. Sobre a multa de oficio são inaplicáveis juros de mora." (Acórdão 110300193, Rel. Aloysio José Percínio Da Silva, em 18.05.2010, DOU S.I de 14.03.2011, p. 34) INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei 9430 96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. RO Negado. RV provido em Parte. (Acórdão n° 10196523, Rel. João Carlos de Lima Júnior, em 23.01.2008, DOU S.I de 11.12.2008, p. 50) No mesmos sentido: Acórdão 10196607, Re.L João Carlos de Lima Júnior, em 06.03.2008, DOU S.I de 11.12.2008, p. 51; Acórdão n° 10196593, Rel. João Carlos de Lima Júnior, em 05.03.2008, DOU S.I de 11.12.2008, p. 51). De fato, esta Turma de Julgamento, por maior de votos, vem cancelando a exigência de juros pela Taxa Selic sobre a multa de ofício e temos posição fixada a partir do entendimento esposado pela ilustre Conselheira Dra. Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, de cujo voto, com alterações passamos a reproduzir: “A incidência de juros de mora no atraso cumprimento da obrigação tributária encontra sua previsão no caput do art. 161, CTN: ‘Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária (Grifamos e ressaltamos para destacar).’ O crédito, não integralmente pago no vencimento, destaca o dispositivo em exame. Essa obrigação pode ser principal ou acessória, conforme prevê o art. 113, do mesmo CTN: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 18 § 2o A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3o A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A obrigação tributária tem por objeto o pagamento do (a) tributo ou da (b) penalidade pecuniária. Inferese, assim, que na obrigação principal não inclui a multa de ofício, mas tão somente a multa pelo descumprimento da obrigação acessória. ’ Dessa forma, se o “o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” (art. 139, do CTN), este alcança a multa de ofício proporcional exigida com o tributo. Reforça este entendimento, o art. 161, do CTN, ao explicitar que os juros serão exigidos “...sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Parece claro que a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício não encontra amparo no CTN. Vejamos a exigência da Taxa Selic, prevista no art. 61, da Lei no 9.430, de 1996: Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. ...... §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Referido dispositivo prevê a exigência da multa e dos juros de mora incidentes sobre o débito tributos e contribuições não pagos no vencimento, ou seja, sobre o valor do principal (que não se confunde com a multa de ofício vinculada). Observese que se a multa de ofício integrasse o conceito de débito previsto no art. 161, do CTN, caberia à incidência da multa de mora sobre multa de ofício, o que não se pode admitir. A multa de mora é decorre do pagamento espontâneo com atraso do tributo, enquanto a multa de ofício decorre da falta de pagamento apurada pela autuação. Ademais, notese ser totalmente inadmissível a aplicação concomitante ou cumulativa da multa de mora e da multa de ofício, com vedação expressa no art. 950, § 3o, do Decreto no 3.000, 1999 – RIR/99. A incidência cumulativa da Taxa Selic está prevista apenas no lançamento isolado de multa ou juros de mora, nos termos do art. 43 da Lei no 9.430, de 1996: Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736150/201146 Acórdão n.º 2202002.259 S2C2T2 Fl. 11 19 Art.43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Concluise, que também na legislação ordinária não existe previsão para a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Ante o exposto, pelo meu voto, conheço e dou parcial provimento ao recurso para desqualificar a penalidade, reduzindoa ao percentual de 75% e excluir a incidência de juros sobre a multa de oficio. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 20 Declaração de Voto Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736150/201146 Acórdão n.º 2202002.259 S2C2T2 Fl. 12 21 Conselheiro Antonio Lopo Martinez, O processo versa fundamentalmente sobre a validade do procedimento adotado pelo recorrente para a apuração do custo de aquisição da ações do Banco Pactual que foram alienadas a UBS Brasil. Da análise do caso concreto, identifico que a operação ainda que revestida de aparente legalidade no que toca as partes isoladas, cria no conjunto uma situação irreal e artificial, que não condiz com o que o nosso sistema tributário almeja. No caso concreto não tenho dúvidas que houve o aumento do custo de aquisição, fundamentado no procedimento adotado, deliberado e intencionalmente, materializado para assegurar o aumento do custo de aquisição pelo efeito multiplicativo dos resultados do Banco Pactual. Entendo que no processo de hermenêutica, o operador do direito tributário deve empreender um esforço, para a aplicação da norma tributária mais consistente e rigorosamente compatível com o princípio da certeza do direito, na adequação da verdade material como exige o nosso artigo 145, parágrafo primeiro da Constituição., Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: § 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. Segundo o recorrente, a validade do método encontra respaldo no artigo 135 do RIR: Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único). Nas operações em cotejo, os lucros apurados decorrem de lucros reconhecidos no Banco Pactual, materializados nos resultados de equivalência patrimonial. O método de Equivalência Patrimonial é assim denominado, pois o seu cálculo se baseia no valor do patrimônio líquido da empresa coligada ou controlada, diferentemente do método do custo, que somente considera o valor efetivamente desembolsado no momento da aquisição. Urge preliminarmente destacar, que inobstante o procedimento contábil adotado, destaquese que para a Contabilidade, os registros contábeis em conjunto devem Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 22 refletir a essência e a realidade econômica, tal como se destaca da análise da estrutura conceitual da contabilidade que enfatiza a primazia da essência sobre a forma. A equivalência patrimonial não é mais do que uma forma de atualização contínua do valor do investimento, que consiste na avaliação na empresa investidora, dos investimentos pelas variações do patrimônio líquido da empresa investida, mediante reconhecimento direto das variações apuradas, lucros, perdas ou prejuízos, para os fins de determinação do aumento ou da redução do valor investido. Entrementes, a equivalência patrimonial prestase para a determinação do capital aplicado que pertence ao seu titular e suas variações patrimoniais no período, pois há de levar em conta: (i) o patrimônio líquido atual da controlada ou coligada; (ii) o custo de aquisição da participação societária e (iii) o valor do investimento, com os reflexos do resultado da controlada ou coligada. Toda a apuração da equivalência patrimonial, portanto, dependerá da determinação contábil do patrimônio líquido da sociedade investida, conforme exige o art. 248, I, da Lei nº 6.404/76. E a razão é evidente: "os conceitos de patrimônio líquido e de capital próprio representam o mesmo objeto a quotaparte ideal de capital existente no ativo que é de propriedade do titular do patrimônio". Assim, a conta de investimentos da controladora variará segundo a variação do patrimônio líquido na controlada ou coligada, ou ainda pelo percentual da respectiva participação. De modo resumido, a equivalência patrimonial tem a função de atualizar os investimentos relevantes em empresas controladas ou coligadas conforme os resultados forem sendo apurados nestas entidades, independentemente da distribuição dos lucros apurados. E para investimentos que não se qualificarem como relevantes, empregase o método de custo de aquisição (art. 183, III, da Lei nº 6.404/76) . O método de equivalência patrimonial deve refletir sempre a essência econômica, o verdadeiro valor do investimento da controladora, com os ajustes inerentes ao lucro ou prejuízo obtido e seus efeitos fiscais, o que se depreende da interpretação sistemática da legislação fiscal, compreendida à luz dos conceitos contábeis. A patrimonialidade vinculase ao conteúdo econômico, porque está intimamente vinculada ao valor econômico dos bens e direitos. Por isso, no Direito, a patrimonialidade somente tem sentido quando vinculada ao conceito de "direitos" (subjetivos), sobre coisas (reais) ou contra pessoas (pessoais). Daí que, sendo o patrimônio composto não de bens materiais, mas de direitos, qualquer acréscimo patrimonial há de ser de direitos (reais ou pessoais), logo, como uma "disponibilidade jurídica" efetiva, e não apenas artificial. Para dar destaque a irregularidade do procedimento adotado pelo recorrente cabe apontar aquilo que prescreve ao CPC 18, que versa sobre os procedimentos para a equivalência patrimonial. 26. Muitos dos procedimentos que são apropriados para a aplicação do método da equivalência patrimonial são similares aos procedimentos de consolidação, descritos no Pronunciamento Técnico CPC 36 – Demonstrações Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736150/201146 Acórdão n.º 2202002.259 S2C2T2 Fl. 13 23 Consolidadas. Além disso, os conceitos que fundamentam os procedimentos utilizados para contabilizar a aquisição de controlada devem ser também adotados para contabilizar a aquisição de investimento em coligada ou em empreendimento controlado em conjunto. 27. A participação de grupo econômico em coligada ou em empreendimento controlado em conjunto é dada pela soma das participações mantidas pela controladora e suas outras controladas no investimento. As participações mantidas por outras coligadas ou empreendimentos controlados em conjunto do grupo devem ser ignoradas para essa finalidade. Quando a coligada ou empreendimento controlado em conjunto tiver investimentos em controladas, em coligadas ou em empreendimentos controlados em conjunto (joint ventures), o lucro ou prejuízo, os outros resultados abrangentes e os ativos líquidos considerados para aplicação do método da equivalência patrimonial devem ser aqueles reconhecidos nas demonstrações contábeis da coligada ou do empreendimento controlado em conjunto (incluindo a participação detida pela coligada ou pelo empreendimento controlado em conjunto no lucro ou prejuízo, nos outros resultados abrangentes e nos ativos líquidos de suas coligadas e de seus empreendimentos controlados em conjunto), após a realização dos ajustes necessários para uniformizar as práticas contábeis (ver itens 35 e 36). Esse mesmo procedimento deve ser aplicado à figura da controlada no caso das demonstrações contábeis individuais. 28. Os resultados decorrentes de transações ascendentes (upstream) e descendentes (downstream) entre o investidor (incluindo suas controladas consolidadas) e a coligada ou o empreendimento controlado em conjunto devem ser reconhecidos nas demonstrações contábeis do investidor somente na extensão da participação de outros investidores sobre essa coligada ou empreendimento controlado em conjunto, desde que esses outros investidores sejam partes independentes do grupo econômico a que pertence a investidora. As transações ascendentes são, por exemplo, vendas de ativos da coligada ou do empreendimento controlado em conjunto para o investidor. As transações descendentes são, por exemplo, vendas de ativos do investidor para a coligada ou para o empreendimento controlado em conjunto. A participação do investidor nos resultados resultantes dessas transações deve ser eliminada. 28A. Os resultados decorrentes de transações descendentes (downstream) entre a controladora e a controlada não devem ser reconhecidos nas demonstrações contábeis individuais da controladora enquanto os ativos transacionados estiverem no balanço de adquirente pertencente ao mesmo grupo econômico. O disposto neste item deve ser aplicado inclusive quando a controladora for, por sua vez, controlada de outra entidade do mesmo grupo econômico. 28B. Os resultados decorrentes de transações ascendentes (upstream) entre a controlada e a controladora e de transações Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 24 entre as controladas do mesmo grupo econômico devem ser reconhecidos nas demonstrações contábeis da vendedora, mas não devem ser reconhecidos nas demonstrações contábeis individuais da controladora enquanto os ativos transacionados estiverem no balanço de adquirente pertencente ao grupo econômico. 28C. O disposto nos itens 28A e 28B deve produzir o mesmo resultado líquido e o mesmo patrimônio líquido para a controladora que são obtidos a partir das demonstrações consolidadas dessa controladora e suas controladas. Devem também, para esses mesmos itens, ser observadas as disposições contidas na Interpretação Técnica ICPC 09 Demonstrações Contábeis Individuais, Demonstrações Separadas, Demonstrações Consolidadas e Aplicação do Método da Equivalência Patrimonial.. Por sua vez, assim define o CPC 36 que versa sobre as demonstrações consolidadas: B86. Demonstrações consolidadas devem: (a) combinar itens similares de ativos, passivos, patrimônio líquido, receitas, despesas e fluxos de caixa da controladora com os de suas controladas; (b) compensar (eliminar) o valor contábil do investimento da controladora em cada controlada e a parcela da controladora no patrimônio líquido de cada controlada (o Pronunciamento Técnico CPC 15 explica como contabilizar qualquer ágio correspondente); (c) eliminar integralmente ativos e passivos, patrimônio líquido, receitas, despesas e fluxos de caixa intragrupo relacionados a transações entre entidades do grupo (resultados decorrentes de transações intragrupo que sejam reconhecidos em ativos, tais como estoques e ativos fixos, são eliminados integralmente). Os prejuízos intragrupo podem indicar uma redução no valor recuperável de ativos, que exige o seu reconhecimento nas demonstrações consolidadas. O Pronunciamento Técnico CPC 32 – Tributos sobre o Lucro se aplica a diferenças temporárias, que surgem da eliminação de lucros e prejuízos resultantes de transações intragrupo. Desse modo, inegavelmente, aumentase o custo do Banco Pactual não através de recursos, mas através de reflexos/imagens de recursos, o que se torna patente ao compararmos o aumento do patrimônio líquido do Banco Pactual no período de 31/12/2005 a 31/11/2006 ao acréscimo do custo de aquisição das ações do contribuinte no mesmo período, tal como apontado pela fiscalização e pela autoridade recorrida. O custo de aquisição apontado não representa fidedignamente a realidade econômica, alterando o montante do tributo apurado, e desrespeitando o principio da capacidade contributiva. Outro ponto de destaque no lançamento, apontado pela autoridade fiscal em seu Termo de Verificação Fiscal, é que na operação ficou estabelecido que além do pagamentos descritos que compunham o valor de alienação das ações do Banco Pactual S/A, os contratantes convencionaram que os alienantes das ações receberiam ainda outros valores sob denominação de “Pagamentos especiais: Usufruto” (Clausula 6.13 do Contrato), também Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736150/201146 Acórdão n.º 2202002.259 S2C2T2 Fl. 14 25 denominados dividendos posteriores ao fechamento. De acordo com a referida Clausula 6.13, os adquirentes não poderiam receber dividendos do Banco Pactual, enquanto o usufruto não fosse extinto mediante o total pagamento do valor convencionado. Deste modo, pragmaticamente, quando da venda, os alienantes estariam se desfazendo das ações, entretanto não estariam abrindo mão dos dividendos reconhecidos como usufrutos, decorrente de lucro apurados. Na sistemática adotada pelo recorrente, capitalizar lucros para feito de apuração do custo das ações alienadas, que serão depois distribuídos como dividendos, não se justifica, pois na verdade ao se desfazer de suas ações , o alienante não estaria efetivamente abrindo mão de parte desses lucros, ou seja isto não seria um custo para os mesmos. A situação sui generis em cotejo ganha um destaque maior pois a capitalização dos lucros foi efetuada de modo duplicado para aumento artificial do custo de alienação das ações. Acrescentese, por pertinente, que parte dos lucros capitalizados já estariam reservados para os próprios alienantes como dividendos a serem distribuídos, por força de uma convenção firmada na negociação da venda das ações. Nessa situação não identifico qualquer falha na metodologia adotada pelo fiscalização para aproximarse do valor do custo de alienação. A metodologia é oportuna tendo em vista que a origem primária dos lucros é o Banco Pactual S.A., não percebo vícios ou imperfeições. Não se acolhe o argumento do recorrente de que deveria existir uma única metodologia, pois o que se almeja com esta é tentar aproximarse do custo de alienação, ou valor que represente mais fidedignamente, o ônus efetivo do recorrente ao se desfazer de suas ações. Reconheço que qualquer procedimento/método adotado pode ser questionado por eventuais incoerências, mas não foi o que aconteceu no caso concreto. Existe apenas questionamentos genéricos, sem uma proposição concreta de qual seria a metodologia que asseguraria uma representação fidedigna do custo de aquisição, ou qual falha existiria na metodologia empregada que teria efetivamente prejudicado o recorrente. No que toca a base de cálculo e fundamentação, o tributo foi apurado conforme o valor de cotas apontadas pelo próprio recorrente em sua declaração de ajuste anual. O procedimento revestese deste modo de legalidade e nenhum vício se identificou, não merecendo prosperar quaisquer dos vícios apontados pelo recorrente. Divergências de opiniões e interpretação distintas do direito são muitas vezes apontadas na Impugnação e Recurso Voluntário com grande eloqüência e garantindo que a razão estaria sempre com o recorrente, entretanto, com a devido respeito, s.m.j., a pratica adotada não encontra respaldo em nosso sistema tributário. Esse é o entendimento que firmo e com base no qual não reconheço a validade do procedimento adotado pelo recorrente. No relativo a qualificação da multa, não consigo identificar a simulação apontada pela fiscalização e pela autoridade recorrida. Entendo que configurase como simulação , o comportamento do contribuinte em que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substancia ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, ou seja, dáse pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade. Não é o caso nos autos tendo em vista que os fatos são Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 26 transparentes e refletem o que realmente ocorreu, encontrando inclusive possível propósito negocial para a sua realização. No caso concreto, o suposto planejamento tributário realizado é certamente uma matéria controversa, sem precedentes jurisprudenciais contrários à nova qualificação dos fatos pelo seu verdadeiro conteúdo, e não pelo aspecto meramente formal. Nesse contexto implica escusável desconhecimento da ilicitude do conjunto de atos praticados, ocorrendo na espécie erro de proibição. Tendo o contribuinte informado as operações com absoluta transparência, e assim permitindo ao fisco fiscalização e qualificação do fato, está ausente na espécie o evidente intuito de fraude. Neste contexto, afastase a qualificação da multa de ofício. Finalmente, cabe observar que no que toca a incidência de juros sobre a multa de ofício, diversas decisões judiciais e administrativas reconhecem a legalidade da incidência do juros sobre a multa de ofício. No STJ, a duas turmas já adotaram o posicionamento defendido pela Fazenda. No âmbito do CARF também diversos julgados confirmam esse entendimento. Desse modo, deve ser mantida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa a percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Declaração de Voto Conselheiro Rafael Pandolfo 1 ANÁLISE DA LEGALIDADE DAS AÇÕES DO RECORRENTE O presente processo trata de operação em que uma sociedade controladora (holding) apura resultado decorrente da aplicação do Método de Equivalência Patrimonial (MEP) em face de sua controlada. Isto é, o lucro apurado na sociedade controlada reflete na apuração do resultado positivo da controladora pelo MEP. A partir disso, a sociedade controladora capitaliza o lucro distribuindo as ações/quotas aos sócios que, com base no art. 135 do RIR/99, aumentam o custo de aquisição do seu investimento. Ocorre que, no caso em tela, a operação ocorreu mais de uma vez a partir do lucro existente na sociedade controlada (operacional) e, combinada com incorporação das sociedades controladoras pelas controladas (incorporação às avessas), permitiu ao recorrente o aumento desproporcional do custo de aquisição do investimento. E o resultado do aumento do custo de aquisição do investimento possibilitou aos sócios a diminuição do ganho de capital na venda de suas ações da sociedade operacional (no caso o Banco Pactual S.A., único remanescente após as sucessivas incorporações). O desenho da estrutura societária e das operações ocorridas que envolveram a participação societária do recorrente pode ser assim resumido: Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736150/201146 Acórdão n.º 2202002.259 S2C2T2 Fl. 15 27 1 – Entrada de André Fernandes Lopes Dias na Pactual Participações S.A. (posteriormente convertida em Nova Pactual Participações Ltda), com a compra de 100 ações ao custo de R$ 132,00, em 31/12/05; 2 – Recebimento de R$ 1.567.362,00 a título de lucros distribuídos desproporcionalmente pela Nova Pactual Participações Ltda., seguida da capitalização desses lucros na sociedade, com o recebimento de 1.567.362 novas quotas, em 13/10/06; 3 – Incorporação da Nova Pactual Participações Ltda. pela Pactual S.A, com o cancelamento das quotas da Nova Pactual Ltda. e recebimento de quotas da Pactual S.A., em 13/10/06; 4 – Recebimento de R$ 996.089,00, a título de lucros distribuídos pela Pactual S.A., seguida de capitalização desses lucros na sociedade, com o recebimento de 996.089 novas ações da Pactual S.A., em 01/11/06; 5 – Cisão parcial da Pactual S.A., com reversão de parcela do capital social para a Capital Partners Participações Ltda., e recebimento de 50 quotas, no valor de R$ 5,00, em 01/11/06; 6 – Incorporação da Pactual S.A. pelo Banco Pactual S.A., com o cancelamento das ações da Pactual S.A., e recebimento de 1.134.079 ações do Banco Pactual S.A., em 03/12/06. Com razão a fiscalização aponta – fl. 94 que “o método adotado pelo contribuinte para aumentar desproporcionalmente o custo de suas ações e reduzir o imposto de renda devido na alienação induz a crer que existiria uma deficiência ou lacuna na legislação do imposto de renda, que permitiria eliminar o ganho de capital na alienação de participações societárias, bastando, para tanto, a criação de diversas holdings “de papel” inseridas entre os sócios pessoas físicas e a sociedade produtiva, que, pela repetição de capitalizações com lucros do mesmo exercício social, intercalada com incorporações às avessas, seria possível aumentar o custo das ações até o montante do valor da venda destas e, Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 28 consequentemente, seria possível, com esse método adotado pelo contribuinte, zerar o ganho de capital na alienação de participações societárias e o imposto de renda decorrente, mediante o aumento desproporcional do custo de aquisições. Isto é, a criação de estruturas nos moldes acima transcritos teria, sem dúvida, como efeito o aumento artificial do custo de aquisição das ações, conduta rechaçada pela jurisprudência desse Conselho, conforme se observa: CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS. ENCARGO DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO GERADO COM UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. ÁGIO DE SI MESMO. ABUSO DE DIREITO. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos econômicos efetivamente existentes. A geração de ágio de forma interna, ou seja, dentro do mesmo grupo econômico, sem a alteração do controle das sociedades envolvidas, sem qualquer desembolso e com a utilização de empresa inativa ou de curta duração (sociedade veículo) constitui prova da artificialidade do ágio e torna inválida sua amortização. A utilização dos formalismos inerentes ao registro público de comércio engendrando afeiçoar a legitimidade destes atos caracteriza abuso de direito. (CARF. Primeira Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 3ª Turma Ordinária. Ac. nº 110300.501. Rel. Conselheiro José Sérgio Gomes. Julg. em 30/06/11). Entendo, entretanto, que o julgamento não deve ficar adstrito ao plano das hipóteses ligadas ao tema de fundo analisado, mas construir um significado concreto ligado às peculiaridades do caso (pragmática). Nesse ponto, acho relevante diferenciar (i) a conduta materializada na criação de uma estrutura societária desprovida de conteúdo econômico, com a finalidade exclusiva de economizar tributos, (ii) da conduta do contribuinte que, diante de uma estrutura previamente existente, opta pela adoção de um caminho que lhe confere menor custo tributário. Essa parece ser a hipótese ora analisada. Analisandose o caso concreto denotase que a estrutura que possibilitou o aumento do custo de aquisição das ações do recorrente existia, no mínimo, há mais de dois anos da data da venda das ações do Banco Pactual S.A. Mais que isso, consultando o sistema COMPROT se pode constatar a existência de processos administrativos datados de 2002, o que sugere que as empresas existiam, muito antes desta data. Ou seja, não se trata de estrutura criada com a finalidade de reduzir ou eliminar a incidência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) sobre o ganho de capital na venda das ações do Banco Pactual S.A., mas, sim, da adoção, pelo recorrente, do caminho legal mais vantajoso, em termos fiscais, diante da encruzilhada que poderia gerar maior ou menor custo tributário. No caso em tela, o recorrente conseguiu demonstrar não apenas a utilidade da estrutura societária existente como a existência de propósito negocial/econômico, o que permite concluir, inclusive, que aconteceria independentemente da redução da carga tributária para os acionistas na venda de sua participação no Banco Pactual S.A. O recorrente poderia, é verdade, ter adotado outro meio para realização da venda de sua participação no Banco Pactual S.A., como, por exemplo, após a incorporação Nova Pactual Ltda. pela Pactual Holding S.A, vender suas ações desta última (que detinha Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736150/201146 Acórdão n.º 2202002.259 S2C2T2 Fl. 16 29 100% do Banco Pactual S.A.), fazendo com que, indiretamente, o comprador tivesse o controle do Banco. Até mesmo, poderiam as sociedades não ter capitalizado, antes de sua incorporação, o resultado positivo auferido pelo MEP, mantendo esse resultado dentro do patrimônio líquido da incorporada. Mas não. O recorrente utilizou a possibilidade de aumento do custo de aquisição do investimento, prevista no art. 135 do RIR/99, para minimizar o impacto tributário na operação de venda de sua participação no Banco Pactual S.A. Se a utilização desse mecanismo gerou distorção entre a evolução do patrimônio líquido do Banco e a evolução do aumento do custo do investimento do recorrente – e isso é um fato, de forma evidente há uma distorção econômica , essa é mais uma, dentre tantas distorções permitidas/previstas na lei, que ora atuam em favor dos contribuintes, ora em desfavor. Como exemplo, podemos citar a limitação da compensação do prejuízo fiscal acumulado pelas empresas no percentual de 30%, restrição legal cujo efeito é a criação artificial de um lucro fiscal que não encontra respaldo na situação patrimonial do contribuinte. Em outros termos, o fato de o lucro obtido no Banco Pactual S.A. gerar reflexos de resultado positivo na sua controladora (Pactual Holding S.A.) e também na empresa que controla essa última (Nova Pactual Ltda.), através do MEP não encontra qualquer óbice legal. Do mesmo modo, não há qualquer impedimento legal nas capitalizações desses resultados aos quotistas da Nova Pactual Ltda. e, posteriormente, aos acionistas da Pactual Holding S.A., ainda que provenientes do lucro existente no Banco Pactual S.A. Pelo contrário, tanto a fiscalização quanto a decisão recorrida admitem que, se houvesse em caixa dinheiro disponível, o lucro obtido com o MEP, tanto numa quanto noutra empresa controladora, poderia ser distribuído aos sócios. Portanto, se o lucro poderia ter sido distribuído aos sócios, por que o resultado positivo auferido através do MEP não poderia ser capitalizado, aumentando o custo de aquisição do investimento do quotista/acionista, nos termos previstos pelo art. 135 do RIR/99? Nesse compasso, a fiscalização busca enquadrar o aumento do custo de aquisição do investimento engendrado pelo recorrente, com base no art. 135 do RIR/99, como abuso de direito. Tal abuso de direito, inclusive, teria caracterizado fraude à legislação tributária (segundo concluiu a decisão recorrida). Abaixo, transcrevese um trecho do Termo de Verificação Fiscal que ilustra o pensamento da fiscalização: O abuso de Direito está intimamente ligado à idéia segundo a qual não há direito ilimitado, e a distinção entre o direito, e a forma pela qual é este exercitado, revelase de notável importância para a caracterização do abuso do direito, e em consequência, permite o estabelecimento de limites para o planejamento tributário, a partir dos quais a conduta destinada a evitar, ou reduzir o tributo, caracteriza “fraude fiscal”. Como tal, pode ser considerado o uso de fórmulas anômalas, absolutamente inusuais, cuja validade não pode ser razoavelmente sustentada mesmo no âmbito do Direito em que está situada a figura jurídica então deformada. O abuso de direito pode ser definido, portanto, como sendo o exercício egoístico, normal do direito, sem motivos legítimos, com excessos intencionais ou voluntários, dolosos ou culposos, Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 30 nocivos a outrem, contrário ao critério econômico e social do direito em geral. O certo é que no mundo atual, pós era liberal, o abuso de direito é contrário a tendência socializante do direito, na sua vontade de sempre o direto, qualquer que seja, atender à sua função social. Assim com o abuso de forma, o abuso de direito é desdobramento da interpretação econômica do direito tributário. O abuso de direito considera ilícita a conduta do contribuinte que pratica negócios jurídicos visando exclusivamente à economia de imposto, tendo como fundamento o uso imoral do direito. O intérprete aplicaria uma regra moral própria, convertendoa numa regra jurídica a incidir em cada caso. Para cada situação exigirá uma regra moral específica. Seu campo de incidência é o plano da moral, o que rejeita o princípio da legalidade e o valor da segurança jurídica. (Grifamos). A peça fiscal busca sustentação expressa na clássica interpretação econômica do direito tributário, sustentando que nela é papel do intérprete a aplicação de uma regra moral própria em detrimento da legalidade e da segurança jurídica. Cabe lembrar que a Teoria da Interpretação Econômica do Direito, nascida nos idos de 1919 na Alemanha, sob a regência de Enno Becker, permitiu aos entes fiscais ultrapassar a linha tênue que existe entre a legalidade e o arbítrio, pois a legislação fiscal foi simplificada a ponto de os fatos geradores serem regidos pelos efeitos econômicos, e não pela forma jurídica que assumiam. Não se discorda que as operações analisadas acarretaram uma distorção entre os planos tributário e patrimonial. Essa distorção, no entanto, não decorreu num contexto societário/ jurídico artificialmente criado. Exigir que o contribuinte, nesse contexto, não percorra o caminho tributariamente menos oneroso e dele retire seus efeitos tributários implica sacrificar desnecessariamente a legalidade e substituíla pelo “princípio da maior capacidade contributiva” (sic). As distorções existentes entre os efeitos prescritivos previstos pelo ordenamento e sua correspondência patrimonial, no presente caso, possuem foro específico para correção: poder legislativo. Aliás, sob o ponto de vista econômico, o subjetivismo da “criação normativa realizada pelo intérprete”, em prejuízo do regime jurídico genericamente estendido a todos os contribuintes agrega desnecessária incerteza nos agentes econômicos, num claro prejuízo ao crescimento do país, como já havia constatado Adam Smith, em 1776: O tributo que cada indivíduo está obrigado a pagar deve ser certo, e não arbitrário. O tempo do pagamento, o modo de pagamento, a quantidade a ser paga, tudo deve ser claro e evidente ao contribuinte, e a qualquer outra pessoa. Onde isso é diferente, cada pessoa sujeita à tributação é posta em maior ou menor grau à mercê do coletor de impostos, que pode tanto agravar o tributo incidente sob cada contribuinte antipático, ou extorquir, pelo temor desta agravação, algum presente ou gratificação para si mesmo. A incerteza da tributação encoraja a insolência e favorece a corrupção de uma categoria de homens que são naturalmente impopulares, mesmo quando não são insolentes ou corruptos. A certeza do que cada indivíduo deve pagar é, na tributação, uma questão de tão grande importância que um considerável grau de desigualdade, parece, eu creio, da Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736150/201146 Acórdão n.º 2202002.259 S2C2T2 Fl. 17 31 experiência de todas as nações, não está próximo de representar um mal tão grande quanto um pequeno grau de incerteza. (Tradução livre de: SMITH. Adam. An inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations. Edited by S. M. Soares. MetaLibri Digital Library, 29th May 2007. Book V: “Of the Revenue of the Sovereign or Commonwealth”, chap. II: “Of the Sources of General or Public Revenue of the Society”, part III: “Of Taxes”, par. II. p. 639640.) Desse modo, entendo que o recurso merece provimento, pois não há contexto que autorize a desconsideração dos efeitos tributários estendidos pelo ordenamento ao contribuinte, que acabaram acarretando o aumento do custo de aquisição das ações por ele vendidas e a consequente redução do seu ganho de capital. 2 DOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO A Fiscalização tomou como base para o cálculo do custo do investimento do recorrente a sua participação no patrimônio líquido da empresa Pactual Holding S.A., no valor de R$ 1.149.610.206,41, antes de sua incorporação pelo Banco Pactual S.A. Acredita a Fiscalização que o patrimônio líquido da aludida empresa, por ter sido a última a participar das operações de capitalização de resultados positivos decorrentes do MEP, representaria, perfeitamente, a base para o cálculo do custo da participação de cada um dos sócios. Em outra conta para chegar ao mesmo resultado, a Fiscalização somou o valor do patrimônio líquido de cada sociedade investida/ incorporadora no evento “incorporação às avessas” (além de uma pequena diferença oriunda do resultado da Pactual Holding S.A. nos meses anteriores à sua incorporação pelo Banco Pactual S.A.), e chegou ao mesmo montante: R$ 1.149.610.206,41. Além disso, em razão de o contrato de venda do Banco Pactual S.A. prever o pagamento de “exdividendos” (apurados após a venda, no valor de R$ 290.754.000,06) aos exacionistas, a fiscalização deduziu da base para cálculo do custo do investimento dos sócios o valor dos dividendos por eles recebidos a posteriori, chegando ao valor final de R$ 858.876.206,35. Por fim, identificada a base de cálculo, bastou à fiscalização aplicar o percentual que cada sócio detinha no patrimônio líquido da Pactual Holding S.A. (no caso do recorrente, 0,1%), para chegar ao alegado valor do custo de aquisição do investimento do recorrente R$ 855.014,67. O auto de infração, nesse ponto, adota critério incoerente e desprovido de respaldo legal. O art. 135 do RIR/99, conforme já referido, define que o custo de aquisição do investimento, no caso de quotas ou ações distribuídas em razão da incorporação de lucros, como é o caso dos autos, será igual à parcela do lucro capitalizada, que corresponder ao sócio ou acionista: Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 32 parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único). A peça fiscal utiliza como premissa a inviabilidade dos efeitos causados pela dupla capitalização na composição do custo de aquisição do recorrente. A consequência lógica seria a glosa das ações recebidas pelo recorrente na segunda capitalização, caminho, aliás, trilhado noutros autos de infração lavrados contra os demais acionistas. Desse modo, o lançamento manteria sua indispensável coerência intranormativa. Neste mesmo compasso, ao apresentar contrarazões ao recurso voluntário do processo nº 19515.720169/201179, que trata de auto de infração lavrado contra outro acionista do Banco Pactual, com fulcro no mesmo objeto (discordância quanto ao duplo resultado pelo MEP em razão de um só lucro) a Procuradoria da Fazenda Nacional se manifestou concordando com a primeira capitalização do lucro obtido através da aplicação do MEP, ocorrida antes da incorporação de Novo Pactual Ltda., conforme se observa: “Pois bem. Em 13 de outubro de 2006, foi realizada a primeira capitalização, ocorrida na Nova Pactual Participações Ltda. Os sócios aprovaram o aumento do seu capital social em R$ 686 milhões, que passa de R$ 70.118.786,40 para R$ 756.118.786,40, e cuja integralização foi efetuada mediante a capitalização de créditos que os referidos sócios possuíam frente a empresa (conforme balanço relativo a 31.08.2006), provenientes de distribuição de dividendos. É certo que, em razão do que determina o art. 135 do RIR/99, o Contribuinte promoveu o aumento no valor do custo de aquisição de sua participação nessa empresa no montante de R$ 70.451.635,00. Até aqui, não existe nenhuma irregularidade. [...] Entretanto, o contribuinte se apegou ao art. 135 do RIR/99 e se “esqueceu” do contexto fático que envolveu a alienação das mencionadas ações. Ele tenta fazer prevalecer a tese de que o lucro gerado pelo Banco Pactual, a única operacional do grupo, pode ser utilizado em mais de uma capitalização dentro de um mesmo grupo de empresas. A equivocada interpretação adotada pelo contribuinte teve como resultado prático a utilização sucessivas vezes de um único lucro, mesmo não havendo suporte econômico para tanto.” O critério que deveria ter sido utilizado pela fiscalização para apuração do custo do investimento do recorrente seria, segundo a orientação da própria Procuradoria da Fazenda Nacional, efetuar a evolução do custo de aquisição a partir da primeira capitalização ocorrida na empresa Novo Pactual Ltda. Jamais poderia adotar outro método, por absoluta falta de fundamento legal. Entretanto, o crédito tributário foi constituído a partir de um arbitramento realizado em prejuízo do preceito legal cogente e aplicável (RIR, art. 135), e em descompasso com os limites contidos no art. 148, do CTN. Isto porque, o arbitramento somente poderia ter sido utilizado se fossem omissos ou não merecessem fé: i) as declarações ou esclarecimentos prestados pelo recorrente; ou ii) os documentos por ele apresentados, conforme prevê o art. 148, do CTN, in verbis: Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736150/201146 Acórdão n.º 2202002.259 S2C2T2 Fl. 18 33 Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Esses requisitos de cabimento do arbitramento estão consubstanciados na jurisprudência deste Conselho: ARBITRAMENTO DE CUSTO DE CONSTRUÇÃO SINDUSCON/PINI As hipóteses de arbitramento encontram se definidas no art. 148 do CTN e alcançam a ausência de documentação ou documentação imprestável. Na segunda hipótese, cabe ao fisco comprovar que a documentação apresentada pelo contribuinte não é merecedora de fé e somente após proceder ao arbitramento. É improcedente o auto de infração que se utiliza de arbitramento para fixar o custo de construção, que origina o acréscimo patrimonial a descoberto, quando o contribuinte presta os esclarecimentos solicitados e apresenta os documentos probatórios dos fatos arbitrados pela fiscalização. Recurso especial negado. (CARF, Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1ª Turma, AC 40104813. Julg. em 02/12/03) PREVIDENCIÁRIO. HELD. FALTA DE ATENDIMENTO A SOLICITAÇÃO DE ELEMENTOS EFETUADA PELO FISCO. ARBITRAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. CABIMENTO. Quando o sujeito passivo, regularmente intimado, deixa de apresentar ao fisco documentos necessários ao desenvolvimento da ação fiscal, a legislação autoriza a apuração do crédito por arbitramento, ficando o contribuinte com o encargo comprovar o contrário. (CARF. 2ª Seção. 4ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Ac. nº 2401 00.966. Rel. Kleber Ferreira de Araújo. Julg. em 28/02/10) Entretanto, não foi o que se verificou no caso em tela, pois, instado a apresentar documentos e prestar esclarecimentos o recorrente sempre atendeu prontamente à fiscalização. Deste modo, tanto a incoerência intranormativa do lançamento acima apontada, como o expresso comando previsto pelo art. 135 do RIR/99, demonstram a invalidade do critério jurídico utilizado na fixação da base e cálculo, que fulminou o direito subjetivo da Fazenda. Com base no acima exposto, voto pelo PROVIMENTO do recurso voluntário, nos termos do voto. (Assinado digitalmente) Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 34 Rafael Pandolfo Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por RAFAEL PANDOLFO
score : 1.0
