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Numero do processo: 10820.000945/2005-44
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE DO ADE DE EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. INOCORRÊNCIA.
Improcede a arguição de nulidade do Ato Declaratório de Exclusão do Simples Federal por cerceamento do direito de defesa, quando verificado que o Ato Administrativo revestiu-se de todas as formalidades legais e que o contribuinte teve ciência de seus termos, sendo-lhe assegurado o exercício pleno da faculdade de interposição do Recurso Voluntário.
ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. CABIMENTO.
A locação de mão de obra constitui motivo para exclusão de ofício do contribuinte do Simples Nacional, consoante expressa previsão legal.
Numero da decisão: 1002-000.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE DO ADE DE EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. INOCORRÊNCIA. Improcede a arguição de nulidade do Ato Declaratório de Exclusão do Simples Federal por cerceamento do direito de defesa, quando verificado que o Ato Administrativo revestiu-se de todas as formalidades legais e que o contribuinte teve ciência de seus termos, sendo-lhe assegurado o exercício pleno da faculdade de interposição do Recurso Voluntário. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. CABIMENTO. A locação de mão de obra constitui motivo para exclusão de ofício do contribuinte do Simples Nacional, consoante expressa previsão legal.
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NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE DO ADE DE EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. INOCORRÊNCIA. Improcede a arguição de nulidade do Ato Declaratório de Exclusão do Simples Federal por cerceamento do direito de defesa, quando verificado que o Ato Administrativo revestiuse de todas as formalidades legais e que o contribuinte teve ciência de seus termos, sendolhe assegurado o exercício pleno da faculdade de interposição do Recurso Voluntário. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. CABIMENTO. A locação de mão de obra constitui motivo para exclusão de ofício do contribuinte do Simples Nacional, consoante expressa previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 09 45 /2 00 5- 44 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10820.000945/200544 Acórdão n.º 1002000.365 S1C0T2 Fl. 105 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por bem expressar os fatos ocorridos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade que contestou a exclusão do Simples Nacional, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/RPO, complementandoo ao final. Trata o processo de exclusão da contribuinte acima identificada, do Sistema Integrado de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, a partir de 01/05/2003, conforme Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/Araçatuba/SP, n° 004, de 2 de fevereiro de 2009 (fl. 50), tendo em vista a prestação de serviços que caracterizam locação de mão obra, atividade vedada para opção pelo sistema, consoante o disposto na Lei n° 9.317, de 1996. arts. 9°, XII, f e XIII e IN SRF n° 608. de 2006, arts. 20,inciso XI, alínea e, e 24, II. Cientificada do ADE e do despacho de fls. 46/49 em 12/02/2009, a contribuinte ingressou em 13/03/2009 com a manifestação de inconformidade de fls. 53/60, mediante a qual solicita o cancelamento do referido ato, sendo mantida no Simples. Para tanto, alegou em suma: • A empresa está cadastrada no CNPJ com a seguinte atividade econômica principal: CNAE 01.61.099 — atividade de apoio agricultura não especificados anteriormente. Além disso, como atividade secundária: CNAE 01.63.600 — atividades pós colheita. • Mediante instrumento particular de contratação de serviços, datado de 14/04/2003 foi contratada pela empresa FBAFranco Brasileira S/A Açúcar e Álcool para que fossem prestados serviços. O objeto do contrato é 'serviços de operações com máquinas agrícolas em lavoura de canadeaçúcar'. Quanto à remuneração dos serviços, estes somente serão pagos se a contratada apresentar nota fiscal respectiva e os documentos comprobatórios do recolhimento de todos os encargos relacionados à atividade da contratada. • O auditor é taxativo ao concluir que a empresa atua exclusivamente na atividade de locação de mão de obra e Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10820.000945/200544 Acórdão n.º 1002000.365 S1C0T2 Fl. 106 3 considera que a situação que deu origem A. exclusão ocorreu na data de 30/04/2003, baseandose na nota fiscal n° 110 emitida para a empresa FBAFranco Brasileira S/A Açúcar e Álcool, a qual possui em seu corpo a seguinte especificação: 'Serviços de mecanização agrícola'. • O serviço compreende o uso de tratores, assim, mesmo que constasse a discriminação 'locação de mãodeobra', não haveria dúvidas quanto ao ramo de atividade. Em momento algum a recorrente utilizou artifícios. • Os efeitos da exclusão somente poderiam alcançar os atos supervenientes ao entendimento manifestado pela Receita Federal do Brasil, por força do principio constitucional da segurança jurídica e das disposições contidas nos arts. 103, I e 146 do Código Tributário Nacional (CTN). Além disso, a Lei n° 9.317, de 1996 foi revogada a partir de 01/07/2007 e portanto não seria possível a aplicabilidade da penalidade. Para instrução processual juntou contrato de prestação de serviço à empresa acima referida e cópias de notas fiscais de prestação de serviços. Ao final da apresentação de suas razões de defesa, o então manifestante afirma que não ficou configurado o impedimento estabelecido na legislação relativo ao exercício da atividade de locação de mão de obra e da prestação de serviços profissionais de corretor. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/RPO, conforme acórdão n. 1428.655 (efl. 85), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. Constatado nos autos que a empresa exerce atividade vedada pela legislação tributária para manterse no Simples locação de mãodeobra cabe sua exclusão. EFEITOS DA EXCLUSÃO. Considerado que a contribuinte exerce locação de mãodeobra, deve ser excluída do Simples a partir do mês subseqüente Aquele em que incorrida a situação excludente. Verificado que isto ocorreu em abril de 2003, cabe a exclusão a partir de 01/05/2003, de acordo com a legislação de regência. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário no qual elenca argumentos e fundamentos de fato e de direito abaixo sintetizados. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10820.000945/200544 Acórdão n.º 1002000.365 S1C0T2 Fl. 107 4 Diz que (sic) "Em relação a fundamentação da recorrente no recurso interposto a DRFB de julgamento, foi baseado no motivo que ensejou a Notificação/Sacat, pois em nenhum momento, foi observado na referida Notificação que o motivo da exclusão do Simples se fez em função da folha de pagamento da empresa e da Declaração de Ajuste Anual da Pessoa Física, do recorrente, fatos estes somente apresentado no relatório dos ilustres julgadores, dos quais deixaram claro, que este fato veio a confirmar que a empresa realizava locação de mãodeobra". Salienta que "os ilustres julgadores deixaram claro, que a motivação real que ensejou a Notificação/Sacat não estava discriminada na mesma, pois, como pode ser observado, em nenhum momento ficou configurado a locação de mãodeobra pelos autos, como querem fazer transparecer os ilustres julgadores da DRFB". Aduz que "...os ilustres julgadores fizeram alusão que o recorrente não poderia optar pelo regime de tributação, dado o exercício de atividade vedada" ressaltando que "tal situação em nenhum momento foi questionada pela RFB, pois, quando da abertura da empresa, ficou armazenado no sistema da RFB o pedido de inclusão no Simples Federal e o responsável pela análise, ao receber o arquivo, em nenhum momento, mesmo com toda a documentação de abertura da empresa em vossas mãos ou nas dependências da Delegacia da Receita Federal de AraçatubaSp, detectou que a empresa estaria impedida de optar pelo Simples Federal, pelo fato de estar com sua atividade vedada". Afirma que (sic) "no caso que se cuida, as autoridades administrativas é bastante clara, em observar a irregularidade que teria motivado a Notificação/Sacat, portanto, querer desviar do fato concreto o que foi imputado na Notificação buscando provas emprestada que em nenhum momento foi citado, é acreditar que as autoridades não foram preciso na infração aliado a deficiente instrução probatória do ilícito cometido, impedindo assim a identificação real do motivo que originou a exclusão da recorrente". Ao final requer a "nulidade do feito fiscal, tendo em vista o cerceamento do direito de defesa da empresa notificada" alegando que (sic) "fez seu recurso baseado em uma situação e no relatório dos julgadores da DRFB de julgamento, trouxe fatos que realmente motivaram a exclusão da empresa do Simples Lei 9.317/96". É o Relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Como preliminar de mérito, o ora Recorrente alega que o Acórdão de Impugnação exarado pela instância a quo deixou claro que não estava consignado no Parecer Sacat nº 10820/047/2009 (efls. 48) a "motivação real" da exclusão do Simples Federal. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10820.000945/200544 Acórdão n.º 1002000.365 S1C0T2 Fl. 108 5 Perscrutando os autos, verifico que o que Parecer Sacat nº 10820/047/2009 consubstanciou o Ato Declaratório Executivo DRF/ATA nº 004/2009, que excluiu o contribuinte do Simples Federal com efeitos retroativos a 01/05/2003, ante a constatação da realização de atividades econômicas vedadas à opção ou permanência naquele sistema de tributação simplificado relativas à prestação de serviços de corretor e ao exercício de locação de mão de obra. Para melhor entendimento da matéria, reproduzo a base legal em que se enquadra a exclusão do contribuinte do Simples Federal e que constou do Ato Declaratório Executivo DRF/ATA nº 004/2009 (grifos nossos): Lei nº 9.317/96 Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: I (...) (...) XII que realize operações relativas a: a)(...) (...) f) prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; Como se observa, o ora Recorrente foi excluído do Simples Federal pelo exercício da atividade de locação de mão de obra e da prestação de serviços profissionais de corretor, atividades que foram expressamente referenciadas no Parecer Sacat nº 10820/047/2009, conforme comprova a imagem ilustrativa abaixo: (grifos do original): Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10820.000945/200544 Acórdão n.º 1002000.365 S1C0T2 Fl. 109 6 Reconhecese, portanto, que o fundamento legal da exclusão que constou do Ato Declaratório Executivo DRF/ATA nº 004/2009 foi devidamente evocado e consignado no Parecer Sacat nº 10820/047/2009, que o precedeu e lhe serviu de base, o que infirma o argumento do Recorrente de ausência da motivação real da sua exclusão e que supostamente teria dado azo ao cerceamento de seu direito de defesa. Aliás, em nenhum momento de sua Manifestação de Inconformidade apresentada na instância a quo notase qualquer alegação de cerceamento do direito de defesa. Muito pelo contrário, verificase que o próprio Manifestante contesta sua exclusão afirmando expressamente em suas razões de defesa que não ficaram materialmente configuradas as atividades de locação de mão de obra e de corretor que motivaram sua exclusão do Simples Federal. Pelos argumentos expendidos, rejeito a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente, baseada na argüição de cerceamento do direito de defesa por suposta imprecisão na descrição dos dispositivos legais infringidos. Quanto ao mérito, o Recorrente não contesta os fundamentos jurídicos exarados no Acórdão de Impugnação. Apenas afirma que há deficiência de instrução probatória da infração nos autos e reitera o argumento apresentado em sede de Manifestação de Inconformidade no sentido de que, desde a abertura da empresa junto à RFB, em nenhum Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10820.000945/200544 Acórdão n.º 1002000.365 S1C0T2 Fl. 110 7 momento foi detectado pelo órgão que o contribuinte estaria impedido de optar pelo Simples por exercer atividade vedada. Quanto a essa última alegação, cabe registrar que a análise deste julgador cingese às provas e aos elementos constantes dos autos, as quais evidenciaram de modo inequívoco a realização de atividades vedadas ao ingresso/permanência no Simples Federal, descabendo, portanto, perscrutar acerca dos motivos que, à época da abertura da empresa e de registro de seus dados cadastrais e fiscais junto à RFB, permitiram sua inclusão neste regime simplificado, mesmo porque a constatação de eventual irregularidade administrativa nesse sentido não teria o condão de deslegitimar juridicamente a exclusão perpetrada pelo Ato Declaratório Executivo DRF/ATA nº 004/2009. No que toca à deficiência de instrução probatória, vejo que se trata de alegação genérica do Recorrente, desacompanhada de qualquer novo elemento fático ou jurídico capaz de desconstituir a decisão recorrida. Sendo assim e considerando que os argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade foram fundamentadamente afastados em primeira instância, peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 e em atenção ao disposto no §3º do art. 57, do RICARF (grifos do original) : Assim, limitase este julgamento a analisar tãosomente a atividade que realmente foi constatada nos autos, a locação de mãodeobra. Dispõe a Lei n°9.317, de 1996, art. 9°, inciso XII, f : Art. 9" Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessou jurídica: XII que realize operações relativas a: f) prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; Cabe então, analisar a atividade da empresa à luz do esclarecimento contido no Parecer n° 69, de 10 de novembro de 1999, da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, que examinou a questão da vedação à opção pelo Simples para as empresas que se dedicam à locação de mãodeobra, empreitada exclusivamente de mão deobra ou cessão de mãodeobra, valendo transcrever os itens 3 a 5: 3. Em se tratando de locação da mão de obra, pressupõese que será utilizado trabalho alheio, ou seja, alguém cederá a outrem a atividade laborativa em virtude de necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou do acréscimo extraordinário de tarefas. 4. A locação de mão de obra pode também ser definida como o contrato pelo qual o locador se obriga a fazer alguma coisa para uso ou proveito do locatário, não importando a natureza do Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10820.000945/200544 Acórdão n.º 1002000.365 S1C0T2 Fl. 111 8 trabalho ou do serviço. Os trabalhos são realizados sem a obrigação de executar a obra completa, ou seja, sem a produção de um resultado determinado. Na locação de mão de obra, também definida como contrato de prestação de serviços, a locadora assume a obrigação de contratar empregados, trabalhadores avulsos ou autônomos sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico. A locadora é responsável pelo vinculo empregatício e pela prestação de serviços, sendo que os empregados ou contratados ficam à disposição da tomadora dos serviços (locatária), que detém o comando das tarefas, fiscalizando a execução e o andamento dos serviços. (grifos nossos) 5. A legislação aplicável ao SIMPLES, relativamente ao aspecto discutido, estabelece a vedação para as pessoas jurídicas que tenham como atividade a locação de mãodeobra. Assim, onde a atividade referida for o objeto da pessoa jurídica, estará caracterizada a vedação a sua opção pela sistemática de pagamento de que trata o SIMPLES. O Parecerista, no final, concluiu que estão impedidas de optar pelo Simples as pessoas jurídicas que: a) tem como atividade a locação de mãodeobra; (...) De acordo com a IN SRF n° 31 de 1989, na locação de mãode obra, os empregados são colocados a serviço da locatária, pessoa jurídica, em local por esta determinado. O Parecer n° 1.236, de 26 de dezembro de 1989, emitido por esta Coordenação, acerca das disposições acima, expressa o entendimento que na locação de mãodeobra é necessário que a locatária administre os serviços realizados pelos empregados da locadora, isto é, a locatária detém o comando, determinando as tarefas, fiscalizando a execução dos trabalhos, enfim, controlando o andamento dos serviços desempenhados pelos empregados colocados à sua disposição. Ressaltese que consta do contrato juntado pela manifestante (fl..68/71), na cláusula décima primeira: '... — A contratante fica autorizada a inspecionar os serviços prestados pela contratada sempre que isso desejar, podendo exigir modificações visando a adequar os serviços à melhor técnica existente, assim, por ela considerada, o que de forma alguma exime e nem tampouco diminui a responsabilidade da contratada pelos serviços por ela prestados, nos termos deste ajuste'. Com relação a alegação de que o objeto do contrato com a empresa FBAFranco Brasileira S/A Açúcar e Álcool é o serviço de operação com máquinas agrícolas, em lavoura de canade açúcar (fls. 68/71) e que deve apresentar para o recebimento de seus serviços, os documentos comprobatórios de recolhimento de todos os encargos relacionados com a atividade contratada, tal fato não descaracteriza a atividade de locação de mãodeobra, Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10820.000945/200544 Acórdão n.º 1002000.365 S1C0T2 Fl. 112 9 ao contrário, visto que, nessa atividade os encargos tributários, trabalhistas etc. são da contratada. Além disso, embora se constata das notas fiscais de nºs 110 e 117, emitidas em 30 de abril de 2003 e 30 de setembro de 2003, que a contribuinte discriminou a prestação de serviços de mecanização agrícola, o que também foi descrito nas notas fiscais apresentadas pela contribuinte, quando da apresentação de sua inconformidade, de n° 105, 107 e 109. Todavia, analisandose a relação dos funcionários da empresa e a folha de pagamento de abril de 2003 (fls. 03 e 04), verificase que a empresa possuía, em média, 12 (doze funcionários) na função de 'tratorista'. Porém, conforme informação constante da representação de fls. 01 02, em diligência efetuada pelo Auditor da Receita Federal do Brasil junto ao escritório de contabilidade da contribuinte, foi verificado que no anocalendário de 2003, a empresa não possuía máquinas agrícolas. Foi ainda informado que não apresentou nenhum comprovante de propriedade. Consta apenas um trator na Declaração de Ajuste anual da Pessoa Física, do sócio Sr. Paulo César Dias, relativa ao ano calendário de 2003. Assim, mesmo que a contribuinte se utilizasse de trator de propriedade de seu sócio firmando contrato de locação, não teria necessidade de contratar tantos funcionários para uma só máquina (trator). Esse fato vem confirmar que a empresa realiza locação de mãodeobra, sob a supervisão e comando da contratante, conforme cláusula contratual acima citada, atividade que não permite à contribuinte, manterse no sistema simplificado de tributação. A análise acima descrita reflete o posicionamento deste julgador quanto ao tema ora examinado, não merecendo qualquer reparo, porquanto os fundamentos da exclusão do Simples Federal estão em perfeita consonância com a legislação regente da matéria e porque a circunstância excludente foi inequivocamente comprovada nos autos. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.900432/2014-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 00 43 2/ 20 14 -7 9 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10850.900432/201479 Resolução nº 1402000.712 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que expressamente deixou de reconhecer, integralmente, o suposto crédito de IRPJ, utilizado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que houve preenchimento equivocado de suas DIPJ e DCTF. Desse modo, inicialmente, não seria detectável tal direito creditório em face desse erro escusável, tendo, então, prontamente promovido a retificação eficaz das declarações, denotando o total de IRRF percebido no ano calendário de 2010, bem como o recolhimento de IRPJ, procedido já no anocalendário de 2011, que configurouse indevido fatos estes que, conjuntamente, dariam margem ao crédito pleiteado. Também relata que o suposto crédito fora utilizado em 17 pedidos de compensação diferentes, requerendo a reunião dos feitos em que tramitam. Acrescenta, ao final, que diante da procedência de seu direto, não haveria prejuízo ao Erário na homologação das compensações. Acosta documentos que supostamente registrariam a origem e a apuração do crédito pretendido. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento integral à defesa, entendendo que, pelo sistema DIRF, consta saldo de IRRF sofrido muito menor do que o alegado pela ora Recorrente, confirmados tais valores na própria documentação trazida aos autos em sede de Manifestação de Inconformidade, a qual aponta que o montante de IRRF excedente, que permitiria a existência do crédito nos termos alegados, teria sido efetuado sob razão e CNPJ de terceiro. Este foi o fundamento da denegação do crédito pela C. Instância anterior. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, primeiramente esclarecendo que os valores de IRRF retidos em nome de terceiros, na verdade, são de titularidade de Consórcio de empresas do qual fazia parte na época dos fatos, tendo direito ao seu aproveitamento. No mais, reitera suas demais alegações acerca da retificação de declarações e histórico da origem do crédito. Traz novos documentos em relação à existência do mencionado Consórcio. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10850.900432/201479 Resolução nº 1402000.712 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.698, de 16/08/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10850.900418/201475, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.698): "O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Conforme relatado, em r. Despacho Decisório eletrônico, o crédito pretendido foi rejeitado, posto que não houve a comprovação da sua existência, constando em observação que o valor do IRRF do anocalendário de 2010 informado pelas Fontes Pagadoras foi deveras menor do que aquele declarado pela Contribuinte, de modo que o recolhimento efetuado já em 2011 não configurou a existência de nenhum direito creditório, mas apenas saldou débito apurado no período, sem ultrapassar a monta apurada e devida. Por sua vez, mesmo tendo a Recorrente esclarecido em Manifestação de Inconformidade a origem do crédito, apontando para erro escusável em suas declarações do exercício de 2011 e a devida retificação posteriormente promovida, a DRJ a quo entendeu que não houve a demonstração ou comprovação da existência do crédito, constatando inclusive que a precisa monta controversa dos recolhimentos de IRRF valor que observouse no r. despacho decisório que não constava das informações fornecidas pelas Fontes Pagadoras deramse em nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore CNPJ nº 08.727.318/00018: Assim, temos que o fundamento do v. Acórdão recorrido foi de reconhecer que as retenções de IRRF que formariam o suposto crédito pretendido são de terceiro. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10850.900432/201479 Resolução nº 1402000.712 S1C4T2 Fl. 5 4 Em sede de Recurso Voluntário, em razão de tal nova constatação da DRJ, a Recorrente informa que fazia parte de tal Consórcio, o qual não possui personalidade jurídica, sendo ela a titular, na proporção de sua participação, de parte dos valores de IRRF retidos. Provando o alegado, traz cópia de 1º Alteração do Contrato de Constituição de Consórcio, onde efetivamente consta como parte e consorciada. Pois bem, primeiro, no que tange aos aspectos processuais da demanda, cabe aqui registrar a aceitação de tal nova demonstração e documentação, vez que ausentes na Manifestação de Inconformidade. Devese ter em vista que o r. Despacho Decisório, contra o qual fora oposta a Manifestação de Inconformidade fundamentou a negativa do crédito na ausência de comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior e, observou, que nas informações das Fontes Pagadoras, a monta dos recolhimentos era inferior àquela declarada pela Contribuinte. Apenas isso. Não se mencionou terceiros ou Consórcio nessa primeira decisão denegatória. Ao seu turno, a DRJ a quo corretamente aprofundou a investigação dos fatos e constatou que essa diferença de retenções de IRRF correspondia a valores retidos em nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore inclusive espontaneamente consultando sistemas da Receita Federal do Brasil. Fica, então, claro que o fundamento de que as retenções ainda controversas foram efetuadas em nome de terceiro é motivação nova e incidental na demanda, sendo objetivamente trazida apenas em sede de julgamento da Manifestação de Inconformidade. Antes disso, não se falava em outra pessoa jurídica, e muito menos em Consórcio, para denegar as compensações declaradas. Desse modo, entendese que os documentos trazidos, principalmente a cópia da 1ª Alteração do Contrato de Consórcio, devem ser aceitos e deles deve se conhecer, considerando a previsão da alínea "c" do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/721, a qual deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas de regência do processo administrativo fiscal, especialmente o art. 18 daquele mesmo Decreto, o Código de Processo Civil vigente e à luz do princípio da busca pela verdade material. Dito isso, primeiramente temos que a Recorrente combateu com eficácia a fundamentação da DRJ a quo para denegar o crédito. Nesse sentido, a constatação e correspondente afirmação dos I. Julgadores a quo de que os comprovantes de rendimentos em 1 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10850.900432/201479 Resolução nº 1402000.712 S1C4T2 Fl. 6 5 nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore tornamse ineficazes para afastar totalmente a pretensão da Parte pugnante, vez que demonstrado que a Contribuinte participava desse mesmo Consórcio, sendo, comprovadamente, titular de parte das retenções de IRRF. É certo que os Consórcios de empresas não possuem personalidade jurídica. Logo, a própria designação outra Pessoa Jurídica beneficiária utilizada pela DRJ revelase data maxima venia equivocada. Ainda que passível/obrigado a possuir de registro no CNPJ, assim como hoje em dia também ocorre com as Sociedades em Conta de Participação, tal comando, de forma alguma, é capaz de, per si, atribuir personalidade jurídica aos Consórcios. Seguramente, os Consórcios podem ser descritos como uma reunião por meio contratual de empresas, que visa propiciar a divisão das receitas, custos e despesas de uma determinada atividade ou empreita a ser desenvolvida, proporcionalmente ao avençado entre as partes celebrantes. Tal figura de Direito Comercial é até hoje regulada pelos arts. 278 e 279 da Lei das S/A2, sendo alterado este último dispositivo pela Lei nº 11.941/2009. Ainda que uma maior e mais detalhada regulamentação na esfera tributária tenha apenas ocorrido com o advento da Lei nº 12.402/2011 e da correspondente IN nº 1.119/2011, tal figura contratual e interempresarial há muito já guardava relevância fiscal, com regulação presente em pontuais normativos que reconheciam e atribuíam efeito tributário a tal contrato, assim como às suas estipulações, encaixandose na exceção inicial do art. 123 do CTN. 2 Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consórcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Capítulo. Art. 279. O consórcio será constituído mediante contrato aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a alienação de bens do ativo não circulante, do qual constarão: I a designação do consórcio se houver; II o empreendimento que constitua o objeto do consórcio; III a duração, endereço e foro; IV a definição das obrigações e responsabilidade de cada sociedade consorciada, e das prestações específicas; V normas sobre recebimento de receitas e partilha de resultados; VI normas sobre administração do consórcio, contabilização, representação das sociedades consorciadas e taxa de administração, se houver; VII forma de deliberação sobre assuntos de interesse comum, com o número de votos que cabe a cada consorciado; VIII contribuição de cada consorciado para as despesas comuns, se houver. Parágrafo único. O contrato de consórcio e suas alterações serão arquivados no registro do comércio do lugar da sua sede, devendo a certidão do arquivamento ser publicada. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10850.900432/201479 Resolução nº 1402000.712 S1C4T2 Fl. 7 6 Por exemplo, IN nº 105/84 já obrigava a inscrição dos Consórcios no CNPJ se estes pagassem, individualmente, rendimentos sujeitos à retenção na fonte ou auferisse rendimentos em decorrência de suas atividades. Confirmando o afirmado e complementando a demonstração acima expedida, confirase o comentário de Hiromi Higuchi3, ainda sobre a regulamentação tributária dos Consórcios, antes de 2011 (as retenções referentes à presente lide são referentes a 2010): O ADN nº 21, de 081184, esclareceu que o fato de aplicar se aos consórcios o mesmo regime tributário a que estão sujeitas as pessoas jurídicas, não os obriga, nem autoriza, a apresentar declaração de rendimentos. Esclarece ainda que para efeito de aplicação do referido regime tributário, os rendimentos decorrentes das atividades desses consórcios devem ser computadas nos resultados das empresas consorciadas, proporcionalmente à participação de cada uma no empreendimento. O seu item 3 dispõe que o valor do imposto retido na fonte sobre rendimentos auferidos pelos consórcios será compensado na declaração de rendimentos das pessoas jurídicas consorciadas, no exercício financeiro competente, proporcionalmente à participação contratada. (destacamos) Oportunamente digase aqui que a previsão expressa e específica de retenção de tributos na fonte, sobre recebimentos dos Consórcios, em nome individual das empresas consorciadas, somente surge com o advento da IN nº 1.199/20114. A única exceção na legislação infralegal anterior a 2011, que determinava retenção em nome das empresas participantes, era o art. 16 da IN nº 480/2004, que regulava apenas pagamentos advindos do Poder Público que não é, aqui, o caso. Diante disso, temos cenário em que certamente não estáse diante de retenções efetuadas em favor de outra pessoa jurídica, vez que as empresas participantes de Consórcio são as titulares da retenções efetuadas em seu nome, devendo ser, desde já, afastada a fundamentação do V. Acórdão recorrido. As cópias da 1ª Alteração de Contrato de Consórcio juntadas, que possuem todos os sinais de registro cartorial, já fazem prova da existência do dito Consórcio e da participação da Recorrente em tal pacto. Desse modo, tendo em vista o tratamento tributário de tais valores à época dos pagamentos e retenções, resta certo que a Contribuinte faz jus a parte desses valores de IRRF, compensável com 3 Imposto de Renda das Empresas. 41ª Ed. São Paulo : IR Publicações, 2016. p. 216. 4 Art. 7º Nos recebimentos de receitas decorrentes do faturamento das operações do consórcio sujeitas à retenção do imposto sobre a renda, da CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, na forma da legislação em vigor, a retenção deve ser efetuada em nome de cada pessoa jurídica consorciada, proporcionalmente à sua participação no empreendimento. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10850.900432/201479 Resolução nº 1402000.712 S1C4T2 Fl. 8 7 o IRPJ devido no anocalendário de 2010, proporcionalmente à sua participação no Consórcio. Ocorre que, o conjunto probatório que se apresenta é incompleto, não podendo da Alteração Contratual se verificar a precisa proporção da Recorrente em tal reunião contratual pactuada. Tampouco está clara a contabilização específica, individual e proporcional das receitas auferidas por meio do referido Consórcio, correspondente ao IRRF em questão. Mesmo sendo ônus do contribuinte a prova do seu direito creditório, temos que no presente caso já foi demonstrada, com eficácia, a improcedência do fundamento adotado pelo v. Acórdão recorrido, não podendo prevalecer tal decisão. Considerando a necessidade de reforma de tal posição jurisdicional anterior e a existência de provas idôneas e fortes indícios de procedência, ainda que parcial, do pleito original da Contribuinte, entendese ser, aqui, cabível a determinação de diligência. Diante do exposto, resolvese por encaminhar os autos à D. Unidade Local de fiscalização, para que: 1) seja intimada a Recorrente a apresentar: 1.a) Cópia do Contrato de Consórcio original, pelo qual fora constituído o Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore (CNPJ nº 08.727.318/00018), apontando em arrazoado a ser apresentado junto de tal documentação a percentagem de sua participação nas receitas referentes ao IRRF retido; 1.b) Cópias das todas as eventuais alterações contratuais do Consórcio, procedidas até ao final do anocalendário de 2010; 1.c) Demonstração, por meio de documentos idôneos e arrazoado explicativo, da contabilização das receitas correspondentes ao IRRF retido pelo Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore, bem como a sua oferta à tributação, na proporção de sua participação no referido Consórcio, mencionada no Item 1.a; 2) Após, a D. Unidade Local, à luz do Parecer COSIT nº 02/2018, deverá analisar a documentação trazida, os arrazoados apresentados, as declarações fiscais e as demonstrações presentes nos autos, elaborando Relatório, claro, fundamentado e conclusivo, no qual seja atestado se houve ou não a comprovação satisfatória de que o crédito pretendido pela Contribuinte é procedente, considerando em tal análise as retenções efetuadas pelas Fontes Pagadoras em nome do Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore, na proporção de sua participação em tal contrato. 3) Deverá ser dada ciência ao Contribuinte do Relatório elaborado, com a abertura do devido prazo legal para manifestação formal, antes do retorno dos autos para julgamento." Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10850.900432/201479 Resolução nº 1402000.712 S1C4T2 Fl. 9 8 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720803/2016-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
AUTO DE INFRAÇÃO. HIPÓTESES DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. PROCEDIMENTO LÍCITO.
É vedado à autoridade administrativa alterar o regime de tributação adotado para, desconsiderando-o, tributar o ganho de capital na pessoa jurídica que promoveu a devolução de capital aos acionistas, alegando que a carga tributária aplicável seria mais elevada. A própria lei autoriza ao contribuinte optar pela tributação na pessoa física, sujeita a carga tributária inferior, conforme dispõe os artigos 22 e 23, da Lei nº 9.249/1995. Trata-se de norma indutora de comportamento.
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. INOCORRÊNCIA.
São legítimos os atos praticados pelo contribuinte quando estes são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados e sua dinâmica operacional/negocial. Não há dúvidas de que as operações em análise observaram as disposições do artigo 22, da Lei nº 9.249/95 e, para superação questões operacionais e de imagem da Neogama (governança e transparência corporativa), a redução de capital veio como alternativa legítima e eficiente.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL
Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se ao lançamento reflexo o decidido no principal.
Numero da decisão: 1201-002.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa (Relatora), Eva Maria Los e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar que negavam provimento ao recurso. Designada a conselheira Gisele Barra Bossa para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 AUTO DE INFRAÇÃO. HIPÓTESES DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. PROCEDIMENTO LÍCITO. É vedado à autoridade administrativa alterar o regime de tributação adotado para, desconsiderando-o, tributar o ganho de capital na pessoa jurídica que promoveu a devolução de capital aos acionistas, alegando que a carga tributária aplicável seria mais elevada. A própria lei autoriza ao contribuinte optar pela tributação na pessoa física, sujeita a carga tributária inferior, conforme dispõe os artigos 22 e 23, da Lei nº 9.249/1995. Trata-se de norma indutora de comportamento. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. INOCORRÊNCIA. São legítimos os atos praticados pelo contribuinte quando estes são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados e sua dinâmica operacional/negocial. Não há dúvidas de que as operações em análise observaram as disposições do artigo 22, da Lei nº 9.249/95 e, para superação questões operacionais e de imagem da Neogama (governança e transparência corporativa), a redução de capital veio como alternativa legítima e eficiente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se ao lançamento reflexo o decidido no principal.
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HIPÓTESES DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. PROCEDIMENTO LÍCITO. É vedado à autoridade administrativa alterar o regime de tributação adotado para, desconsiderandoo, tributar o ganho de capital na pessoa jurídica que promoveu a devolução de capital aos acionistas, alegando que a carga tributária aplicável seria mais elevada. A própria lei autoriza ao contribuinte optar pela tributação na pessoa física, sujeita a carga tributária inferior, conforme dispõe os artigos 22 e 23, da Lei nº 9.249/1995. Tratase de norma indutora de comportamento. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. INOCORRÊNCIA. São legítimos os atos praticados pelo contribuinte quando estes são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados e sua dinâmica operacional/negocial. Não há dúvidas de que as operações em análise observaram as disposições do artigo 22, da Lei nº 9.249/95 e, para superação questões operacionais e de imagem da Neogama (governança e transparência corporativa), a redução de capital veio como alternativa legítima e eficiente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 08 03 /2 01 6- 88 Fl. 2095DF CARF MF 2 Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento reflexo o decidido no principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa (Relatora), Eva Maria Los e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar que negavam provimento ao recurso. Designada a conselheira Gisele Barra Bossa para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, por meio dos quais se exige em face da apuração de omissão de ganho de capital, as importâncias de R$ 29.625.803,27 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, e R$ 10.667.449,18 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, acrescidas de multa de ofício de 150% e juros moratórios calculados até 12/2016. A tributação se dá pelo Lucro Presumido em relação ao 2º trimestre de 2012. Por economia processual e bem descrever os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida, efls.1.972/1.990, do qual transcrevo as seguintes partes: A fiscalização relatou os seguintes fatos: Por meio dos Termos de Início, foram solicitados: contrato social e alterações; demonstrativo de todas as alterações societárias ocorridas na empresa; cópia dos contratos de compra e venda da participação societária; justificativa, por escrito, se houve a comunicação à RFB e à JUCESP das citadas alterações societárias; Livro Diário ou equivalente; plano de contas, balancetes mensais, Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício; demonstrativo da composição dos valores declarados em cada linha da DIPJ 2012; e justificativa, por escrito, se houve alguma atividade comercial com a empresa Neogama BBH Publicidade Ltda (03.248.864/000115). Fl. 2096DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 3 3 Durante o procedimento fiscal, foram lavrados outros Termos, por meio dos quais foram pedidos outros documentos e esclarecimentos. Durante a execução destes procedimentos fiscais programados, visando obter subsídios à fiscalização, foram feitas as seguintes diligências: 08.1.90.002015014982: no CPF 010.130.16858, de Alexandre Gama Medeiros, sócio da Eyedo; 08.1.90.002015015008: no CNPJ 03.248.864/000115, da Neogama BBH Publicidade SA, que tinha como sócia a empresa Eyedo; e 08.1.90.002015015016: no CNPJ 10.389.403/000128, da BRZ Digital Comunicações Ltda, que adquiriu, de Alexandre Gama Medeiros, as quotas da Neogama. ... Conforme Contrato Social, a sociedade tem o seu objeto social assim descrito em sua cláusula 2a.: “A sociedade tem por objeto: a) o agenciamento nas áreas de comunicação e entretenimento; b) a produção cinematográfica e o marketing cultural; c) o planejamento, produção e organização de eventos; d) a criação, planejamento e veiculação publicitária; e) a participação em outras sociedades; f) o planejamento de marketing e comunicação; g) o desenvolvimento, marketing, comunicação e serviços correlatos na INTERNET". Na primeira resposta dada à fiscalização durante o procedimento, foi informado que a única movimentação societária de entrada ou saída de sócios da Eyedo ocorreu em 2011, mediante a transferência de 50 quotas de titularidade da Sra. Presciliana Gama de Medeiros ao Sr. Alexandre Gama de Medeiros, por seu respectivo valor nominal, R$ 50,00 (cinquenta reais), quitada no ato da transferência em moeda corrente nacional. Na mesma 4ª Alteração Contratual de 15/06/2011, o capital social da empresa foi aumentado, mediante a capitalização de reservas, de R$ 5.000 (cinco mil reais) para R$ 10.000,00 (dez mil reais), com a emissão de 5.000 (cinco mil) novas quotas, sendo que a totalidade delas foi atribuída ao Sr.Alexandre Gama de Medeiros, passando ele a ser o único quotista da Eyedo. Esta 4ª Alteração Contratual foi registrada na JUCESP (Junta Comercial do Estado de São Paulo), em 31/01/2012. Fl. 2097DF CARF MF 4 A sociedade Eyedo detinha investimento na Neogama BBH Publicidade Ltda (Neogama), atualizado contabilmente pelo método da equivalência patrimonial. Constatou o fisco que a composição das contas "Saldo de Lucros Acumulados" = R$ 15.661.500,53 e "Lucro Líquido do Ano" = R$ 27.948.155,82, constantes da DIPJ 2012, decorrem, essencialmente, do reflexo, por equivalência patrimonial, do investimento na Neogama BBH Publicidade Ltda. Importante notar que a contribuinte Eyedo efetuou o ajuste por equivalência patrimonial para todo o ano de 2011, havendo a cessão das quotas em 28/12/2011, conforme conta contábil 12201001 Investimento em Coligada/Controlada. A seguir, os lançamentos referentes à equivalência patrimonial: Data Histórico Valor 31/01/2011 Equivalência Patrimonial 957.071,12 28/02/2011 Equivalênda Patrimonial 3.219.099,02 31/03/2011 Equivalência Patrimonial 915.885,55 30/04/2011 Equivalência Patrimonial 1.746.628,14 31/05/2011 Equivalência Patrimonial 1.202.649,58 30/06/2011 Equivalência Patrimonial 769.564,90 30/06/2011 Apropriação de Custo 988.448,02 31/07/2011 Equivalência Patrimonial 6.759,70 31/08/2011 Equivalência Patrimonial 4.395.315,99 30/09/2011 Equivalência Patrimonial 1.076.502,37 31/10/2011 Equivalência Patrimonial 1.733.998,43 30/11/2011 Equivalência Patrimonial 1.392.523,73 28/12/2011 Equivalência Patrimonial 10.636.633,50 Total 27.064.184,01 O lançamento de 30/06/2011, referente à apropriação de custo, é proveniente da venda de 75.180 quotas da participação societária da Neogama para o Sr.Roberto Crissiuma Mesquita, e de 32.220 quotas para a sociedade Rahenann Participações Ltda. Assim, do total de quotas detidas no início de 2011 (1.030.951), com a venda das mencionadas quotas (107.400), o saldo de quotas passou a ser de 923.551, exatamente a quantidade que foi transferida para Alexandre Gama de Medeiros, conforme lançamento contábil de 28/12/2011. Portanto, o valor declarado na DIPJ 2012 na linha Demais Receitas e Ganhos de Capital, se deve exclusivamente à venda de quotas da Neogama para Roberto e Rahenann. Foram apresentados contratos de compra e venda. Fl. 2098DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 4 5 Relativamente à 4ª. alteração contratual da Eyedo, não se trata de simples aumento de capital social da empresa mediante capitalização de reservas, de R$ 5.000,00 para R$ 10.000,00, com a emissão de 5.000 novas quotas, conforme primeira resposta dada à fiscalização. Na verdade, foram duas operações na mesma alteração contratual: primeiro,aumentouse o capital social de R$ 5.000,00 para R$ 9.495.000,00, realizado mediante a emissão de 9.490.000 quotas, e imediato cancelamento de 9.485.000 quotas. O aumento fora subscrito e integralizado pelo sócio Alexandre Gama de Medeiros, da seguinte forma: R$ 7.186.695,56 mediante capitalização do valor registrado como "obrigações com quotista", e R$ 2.303.304,44 mediante incorporação da conta "Lucros Acumulados" e de parcela da conta "Resultado do Exercício". Em contrapartida ao cancelamento, Alexandre Gama de Medeiros recebeu 923.551 quotas de titularidade da Eyedo, representativas de 51,595% do capital social da Neogama BBH Publicidade Ltda de valor contábil correspondente a R$ 9.484.442,95, mais R$ 557,05 em moeda corrente nacional. A Ata de Reunião de Sócios foi registrada em 31/01/2012, sob número 46.840/126, na JUCESP. A alteração contratual foi registrada sob número 46.839/124, em 31/01/2012 (data do protocolo: 26/01/2012). Com o aumento e redução do capital social no mesmo dia, foi possível viabilizar a cessão das quotas da Neogama ao sócio Alexandre Gama de Medeiros. Com relação à integralização de R$ 7.186.695,56, este valor consta da conta contábil 24401001 Empréstimo de Sócios. No entanto, não houve o efetivo ingresso financeiro de recursos nas contas correntes da Eyedo. Este saldo provém, conforme documentos apresentados pela contribuinte (anexos), do reconhecimento de ativos adquiridos (essencialmente imóveis e veículos) e de despesas pagas pelo Sr. Alexandre Gama de Medeiros. Com relação à integralização de R$ 2.303.304,44 mediante incorporação da conta "Lucros Acumulados" e de parcela da conta "Resultado do Exercício", importante destacar que o saldo de ambas as contas decorre, essencialmente, do reflexo, por equivalência patrimonial, do investimento na Neogama BBH Publicidade Ltda, cujas quotas foram cedidas em contrapartida à "redução de capital". Contabilmente, a baixa do investimento se deu apenas em 28/12/2011,conforme lançamento na conta Investimento. A alegada "redução do capital" teria se dado nos termos do art. 1.082, II, do Código Civil. De acordo com esse artigo e o de nº 1084 na redução de capital social é necessária a alteração contratual pertinente. E mais, a redução do capital deve ser realizada com a consequente diminuição proporcional do valor nominal das quotas e só se tornará efetiva após sua averbação no órgão de registro competente, que, no caso, é a JUCESP. A Fl. 2099DF CARF MF 6 hipótese argumentada pela contribuinte para redução do capital é a do inciso II do art. 1.082, qual seja, que o capital seja excessivo em relação ao objeto da sociedade. No caso em tela, não foi o que ocorreu, ou seja, não é possível vislumbrar o capital excessivo em relação ao objeto da sociedade. Também não houve diminuição proporcional do valor nominal das quotas, mas tão somente um aumento de quotas e, ato contínuo, o seu cancelamento. Este mecanismo foi utilizado para viabilizar a cessão, por parte da Eyedo, de quotas da Neogama, pelo valor contábil, para o sócio Alexandre Gama, em contrapartida ao cancelamento mencionado. A cessão de quotas pela Eyedo para Alexandre Gama, que já era sócio minoritário da Neogama, consta do Instrumento Particular de 9ª Alteração e Consolidação do Contrato Social da Neogama BBH Publicidade, datado de 28/12/2011, e registrado na JUCESP sob número 97.069/127, em 16/03/2012. Alexandre Gama já possuía 89 quotas da Neogama, correspondentes a 0,01% do Capital Total. Com o registro da 9a. Alteração Contratual em 16/03/2012, efetivouse a cessão e transferência de 923.551 quotas pertencentes à Eyedo para Alexandre Gama. Ato contínuo, o sócio Alexandre Gama cedeu e transferiu 3.222 quotas de que era titular a Eduardo Lorenzi Paiva de Carvalho e 3.222 quotas de que era titular a Mônica Mattos Fernandes, nos termos de Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Quotas Sociais e Outras Avenças, permanecendo, portanto, com 917.196 quotas, correspondentes a 51,24% do Capital Social Total da Neogama. O sócio Alexandre Gama alienou o total remanescente de 917.196 quotas da Neogama para BRZ Digital Comunicações Ltda, CNPJ 10.389.403/000128, por R$ 127.946.816,04, conforme contrato de compra e venda celebrado em 28 de maio de 2012(cópia anexa). Por tal contrato, a BRZ adquire 1.178.536 quotas, que representam 65,84% do Capital Social Total, conforme a seguir: ... A venda das quotas da Neogama para a BRZ Digital Comunicações Ltda, cuja sócia majoritária é a Publicis Groupe Holdings BV, foi amplamente divulgada pela imprensa mundial. Antes da operação, o grupo Publicis já detinha, indiretamente, 49% do capital social da BBH Brazil Limited (por meio de participação de 49% do capital social da BBH Communications Limited) e, portanto, já era acionista minoritário indireto da Neogama BBH. Os 51% restantes da BBH Brazil Limited (e, consequentemente, os 51% do capital social da BBH Communications Limited) eram detidos pelo grupo BBH. Como já detinha uma participação indireta na Neogama BBH antes da operação, o grupo Plublicis já exercia influência no processo decisório/gerencial da Neogama BBH. Diante desses fatos, constatase um planejamento tributário abusivo associado à transferência da apuração de ganho de Fl. 2100DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 5 7 capital de pessoa jurídica para pessoa física, por meio de uma simulação. Houve uma "redução de capital" da Eyedo em 31/01/2012. A rigor, como demonstrado, não se trata de redução de capital, mas sim de um mecanismo utilizado para viabilizar a cessão das quotas da Neogama ao sócio Alexandre Gama de Medeiros. Esta transferência passou a ter eficácia a partir do registro da 9a. Alteração Contratual da Neogama BBH, em 16/03/2012 (reg. JUCESP 97.069/127). Por fim, as quotas de titularidade de Alexandre Gama foram alienadas para BRZ Digital Comunicações Ltda (grupo Publicis) em 28 de maio de 2012. O art. 22 da Lei n. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, prevê: ... A cessão de quotas, pela Eyedo, da Neogama BBH, para o sócio Alexandre Gama, se deu pelo valor contábil, o que levaria a apuração do ganho de capital para a pessoa física. Na prática, corresponde a uma alíquota inferior (15% de IRPF, ante 34% na PJ 15% de IR, 10% de adicional e 9% de CSLL). Contudo, os fatos constatados durante o procedimento fiscal indicam planejamento tributário abusivo. O grupo Publicis tinha a intenção de adquirir o controle de 100% da Neogama BBH, empresa sobre a qual já exercia influência no processo decisório/gerencial, pois já detinha, indiretamente, 49% do capital social da BBH Brazil Limited (por meio de participação de 49% do capital social da BBH Communications Limited) e, portanto, já era acionista minoritário indireto da Neogama BBH. Portanto, Alexandre Gama, Eyedo e, indiretamente, o grupo Publicis, já eram sócios da Neogama BBH. As negociações da venda de 100% da Neogama BBH para o grupo Publicis, como se depreende dos fatos, foram iniciadas há mais de um ano do efetivo contrato de compra e venda entre Alexandre e BRZ (grupo Publicis). A transferência das quotas da Neogama de titularidade da Eyedo para o sócio Alexandre se deu em 16/03/2012, por meio de um mecanismo de aumento e cancelamento simultâneo de quotas, como já explicado. A venda das quotas para a BRZ se deu em 28/05/2012. Portanto, o lapso temporal entre a transferência das quotas para Alexandre e a venda destas para a BRZ foi de pouco mais de dois meses. Portanto, o conjunto destes e dos demais fatos narrados estabelecem a inequivocidade de uma situação de fato: houve um planejamento tributário abusivo por meio de uma simulação, pois, a rigor, a operação que de fato aconteceu foi a alienação feita pela Eyedo de 917.196 quotas da Neogama BBH para a BRZ (grupo Publicis). Foi aplicada a alíquota de multa de ofício de 150,00%, prevista na lei 9.430/96, art. 44, I e §1°, com a redação dada pela lei 11.488/07, haja vista o planejamento tributário abusivo. A aplicação da multa em dobro (qualificada) está relacionada com a existência das circunstâncias agravantes previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Fl. 2101DF CARF MF 8 A fiscalização formou convicção de que o ato de "redução de capital" simulado foi utilizado para viabilizar a cessão, por parte da Eyedo, de quotas da Neogama BBH, pelo valor contábil, para o sócio Alexandre Gama, com a intenção de declarar o ganho de capital na venda das quotas da Neogama BBH para a BRZ na pessoa física, em condições menos onerosas. Ou, dito de outra forma, suprimir a apuração, declaração e o pagamento de tributo pela FISCALIZADA. Essas conclusões a que chegou a fiscalização nos itens precedentes a respeito do IRPJ afetam, na mesma medida, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), uma vez que se aplica a esta contribuição as mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o IRPJ, por força do comando do art. 57 da lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com a redação dada pela lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Foi lavrado o presente auto de infração de IRPJ, com reflexos de CSLL Contribuição Social sobre o Lucro, utilizando como base de cálculo para o IRPJ o ganho de capital de valor total R$ 118.527.213,12. Notificada da autuação, a contribuinte ingressou com a impugnação de fls.1779 a 1810, na qual alega: ● O Auto de Infração não merece prevalecer, na medida em que (a.) a redução de capital não foi realizada com o propósito de economia tributária; (b.) houve lapso temporal de aproximadamente um ano entre a redução de capital e a efetiva venda da participação societária na Neogama pelo Sr. Alexandre Gama; (c.) não há irregularidades na operação de redução de capital na forma como foi realizada; e (d.) a operação realizada encontra amparo na legislação, bem como na jurisprudência do E. Carf. ● Antecedentes Necessários: ● A Impugnante foi constituída em 23 de maio de 1996 com o objetivo de atuar como holding patrimonial do Sr. Alexandre Gama. Por meio da Impugnante, portanto, o Sr. Alexandre Gama detinha uma série de ativos, dentre eles, a participação societária na Neogama. Foi exatamente nesse contexto que o Sr. Alexandre Gama, na qualidade de sócio controlador indireto da Neogama, deliberou a redução de capital da Impugnante, de forma que passasse a deter a participação societária na Neogama diretamente em sua pessoa física. Destaquese que a redução de capital da Impugnante foi realizada, basicamente, por conta de duas razões. A primeira decorreu da exigência dos demais sócios da Neogama para que o Sr. Alexandre Gama na qualidade de controlador e principal executivo da agência de publicidade detivesse diretamente a participação societária da Neogama em seu nome, sem o intermédio da Impugnante. A segunda consistiu na necessidade de o Sr. Alexandre Gama destacar seus demais ativos mantidos sob a titularidade da Fl. 2102DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 6 9 Impugnante da participação societária da Neogama. Buscavase, portanto, evitar confusão patrimonial entre bens relacionados à esfera pessoal do Sr. Alexandre Gama e o investimento na Neogama. ● A redução de capital com a transferência da participação na Neogama para a Sr. Alexandre Gama se deu em 15 de junho de 2011. foi publicada em 15 de julho de 2011, protocolada na JUCESP em 06 de dezembro de 2011 e, finalmente, registrada em 31 de janeiro de 2012. Inobstante a data de registro da alteração contratual ser em 31 de janeiro de 2012, a redução de capital da Impugnante já tinha sido deliberada (e, inclusive, levada a conhecimento público pela publicação em jornais de grande circulação) em julho de 2011. É importante mencionar que o último passo da operação de redução de capital da Impugnante ocorreu em 16 de março de 2012. com o registro da alteração do contrato social da Neogama, que refletiu no quadro de sócios a transferência das quotas da Impugnante para o Sr. Alexandre Gama. ● Posteriormente à operação da redução de capital se iniciaram as primeiras tratativas para venda da participação societária na Neogama pelo Sr. Alexandre Gama, a qual passou a ser mantida em seu nome próprio, conforme demonstrado. Assim, em junho de 2011, quando de fato ocorre a redução de capital, não havia sequer cogitação de venda da participação na Neogama, seja por quem fosse. Nesse contexto, em 28 de maio de 2012, o Sr. Alexandre Gama assinou contrato de compra e venda das 917.196 quotas que detinha da Neogama , anexo às fls.623/702 deste processo administrativo (versão traduzida para o português às fls. 711/793), pelo valor total de R$127.946.816,04. Referido contrato regulava os termos e condições da operação, condicionandoa à verificação de determinados eventos. O cumprimento de todas condições da operação foi verificado em 04 de julho de 2012. quando foi finalmente concluída a operação de compra e venda e transferidas as 917.196 ações da Neogama para a BRZ (doe. 02). Visando facilitar a compreensão da matéria posta a julgamento, os fatos acima narrados podem ser sintetizados na seguinte linha do tempo: ● Nulidade do Auto de Infração. A acusação fiscal busca fundamentação legal nos artigos 3º da Lei nº 9.249/95 e 521, 522 e 528 do Decreto n.º 3.000/99 ("RIR/99"), sendo que a Impugnante é acusada essencialmente de omitir receita não operacional (ganho de capital), nos termos do relatório fiscal de fls. 1.740/1.759. Contudo, o fato é que a Impugnante não omitiu qualquer receita, uma vez que não vendeu a participação societária na Fl. 2103DF CARF MF 10 Neogama. A venda foi realizada pelo Sr.Alexandre Gama, que reconheceu o produto da venda das quotas como 'rendimento tributável' em sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física ("DIRPF"), recolhendo o IRPF sobre o ganho de capital à alíquota de 15%. Assim, na verdade, em momento algum a Impugnante omitiu qualquer receita. O AuditorFiscal desconsiderou totalmente a operação de redução de capital da Impugnante e deixou de fundamentar a autuação fiscal na legislação federal que dá suporte à desconsideração de negócios jurídicos para fins tributários. Houve incoerência da fundamentação legal e as razões adotadas pelo fisco para autuar. Se o Sr. AuditorFiscal entendeu que para acusar a Impugnante de omitir receita não operacional (ganho de capital) seria preciso desconsiderar os efeitos da operação de redução de capital (plenamente regular do ponto de vista formal, jurídico e negocial),certamente deveria ter fundamentado a autuação fiscal nos dispositivos da legislação tributária que dão suporte à desconsideração de negócios jurídicos, ou seja, art. 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN). ● Regularidade da operação de redução de capital. A fiscalização federal requalificou os atos efetivamente realizados para construir o raciocínio de que, na realidade, a alienação da participação societária da Neogama deveria ter sido realizada diretamente pela Impugnante e não pelo Sr. Alexandre Gama. Ocorre que, para invalidar a operação de redução de capital, o Sr. Auditor Fiscal levou em consideração argumentos que não merecem prevalecer. Inicialmente, ao contrário do quanto sustentado pelo Sr. AuditorFiscal, a operação de redução de capital não foi realizada como forma de proporcionar menor carga tributária sobre a venda das quotas da Neogama. Até porque, conforme será evidenciado, à época da operação de redução de capital da Impugnante, ainda não havia qualquer indício ou intenção de venda da Neogama. Na verdade, conforme já mencionado, a redução de capital foi realizada por conta de dois motivos: (i) o Sr. Alexandre Gama na qualidade de controlador da Neogama (agência de publicidade) e de seu principal executivo era pressionado pelos demais sócios e pela busca de transparência ao mercado para que detivesse diretamente a participação societária da Neogama em seu nome, sem o intermédio da Impugnante; e (ii) identificouse a necessidade de o Sr. Alexandre Gama destacar seus demais investimentos mantidos sob a titularidade da Impugnante das quotas da Neogama. Além disso, também não merece prosperar a alegação do Sr. Auditor Fiscal de que entre a redução de capital da Impugnante e a venda das quotas da Neogama pelo Sr. Alexandre Gama teria decorrido lapso temporal de pouco mais de 02 meses, até Fl. 2104DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 7 11 porque, qualquer operação de redução de capital, legalmente, não pode ser concluída em menos de 90 dias, prazo legal exigido para oposição de credores. É juridicamente impossível uma operação de redução de capital seguida de venda do ativo no prazo de 02 meses, como tenta fazer crer o Sr. AuditorFiscal que teria ocorrido no presente caso. Ao contrário do que sustenta a d. fiscalização federal, houve relevante lapso temporal entre a redução de capital e a efetiva venda da participação societária na Neogama. O decurso de um ano desde a aprovação da redução de capital até a efetiva venda da participação societária afasta a possibilidade de qualificar essa operação como "simulada", tal como pretendido pelo Sr. AuditorFiscal. Para validar seu argumento de curto lapso temporal entre as duas operações, a fiscalização federal ardilosamente utiliza como termo inicial para contagem desse prazo a data de registro da alteração contratual de Neogama em que foi refletida a transferência das quotas da Impugnante para o Sr. Alexandre Gama. O fato é que o registro da alteração contratual da Neogama foi o último ato de todo o processo de redução de capital da Impugnante, que passou pelas seguintes etapas: (i.)realização de reunião de sócios e aprovação da redução de capital, devidamente documentada em ata; (ii.) publicação da Ata de Reunião de Sócios para conferir publicidade a terceiros (sobretudo, eventuais credores); (iii.) assinatura e registro da alteração contratual da Impugnante; e, por fim, (iv.) assinatura e registro da alteração do contrato social da Neogama. Notese que todas essas etapas envolviam uma série de documentos, os quais precisavam ser assinados por todos os sócios das sociedades envolvidas, sendo inclusive que alguns deles são estrangeiros e, portanto, de difícil acesso e carecem de representação adequada no Brasil, que por si só já implica relevante procedimento burocrático. Conforme já mencionado, o registro da correspondente alteração contratual da Impugnante (fls., 588/592) perante JUCESP se deu em 31 de janeiro de 2012, em decorrência do prazo mínimo de 90 (noventa) dias exigido por lei (cf. art. 1.084 do Código Civil/2002) para a redução de capital de qualquer sociedade limitada com devolução de bens aos sócios, somado ao prazo para cumprimento de exigências impostas pela JUCESP e as restrições de expedientes de final de ano de referido órgão. A própria alegação de que a redução de capital da Impugnante teria ocorrido 02 meses antes da operação de venda, nesse sentido, é juridicamente impossível. Se para a conclusão de qualquer operação de redução de capital são necessários no mínimo 03 meses de prazo para oposição de credores, como Fl. 2105DF CARF MF 12 seria possível concluir a redução e a venda em 02 meses como alega o Sr. AuditorFiscal? Ora, não foi com o registro da alteração contratual da Neogama que surgiu o interesse de reduzir o capital da Impugnante, essa intenção foi manifestada formalmente com a assinatura da Ata de Reunião de Sócios em que foi deliberada a redução de capital da Impugnante, o que se deu em 15 de junho de 2011. É nesse momento, por óbvio, que deve ser verificada a intenção da sociedade e do sócio na restituição de ativos pela redução de capital. Notese que a participação societária da Neogama passou a ser reconhecida já na DIRPF12, referente ao anocalendário 2011, do Sr. Alexandre Gama, de forma que, para fins fiscais, os seus efeitos já poderiam ser observados (doc. 03) por quaisquer terceiros e, principalmente, pelas autoridades fiscais desde aquele momento. Nesse particular, para dar suporte a seu argumento de "planejamento tributário abusivo", o Sr. AuditorFiscal maliciosamente, cita declarações isoladas dadas à imprensa pelo Sr. Alexandre Gama de que sempre existiu assédio de outros grupos para aquisição da agência. Isso não quer dizer, contudo, que o capital da Impugnante foi reduzido especificamente em vistas do processo de venda da participação das quotas da Neogama para a BRZ. Ademais, é fato notório o interesse de grandes grupos publicitários internacionais em se estabelecer no pujante mercado brasileiro. A operação de venda da Neogama foi antecedida pela operação de compra pela Publicis da rede britânica Bartle Bogle Hegarty, mais conhecida como BBH, esta uma das acionistas da Neogama. Aquela operação sim, era negociada internacionalmente há mais de um ano e, somente quando de sua conclusão, passouse a negociar a consolidação da operação da BBH no Brasil, por meio da aquisição da totalidade de quotas da Neogama. Não houve, àquela época, qualquer venda de quotas pela Impugnante ou pelo Sr. Alexandre Gama. As notas da imprensa eram reflexo daquela operação ocorrida no exterior, envolvendo indiretamente a Neogama e não a Impugnante. ● Não bastassem os questionamentos do Sr. AuditorFiscal quanto aos motivos que levaram à redução de capital, no relatório fiscal às fls. 1.740/1.759, ainda são questionados aspectos formais da operação de redução de capital. Mais especificamente, o Sr. AuditorFiscal questiona a forma como foi realizada a operação de redução de capital, pois entendeu que (i.) o capital da sociedade não era excessivo em relação ao objeto da sociedade, de forma que não estaria satisfeita a hipótese prevista no artigo 1.082, II, do Código Civil; e (ii.) a operação de redução de capital não deveria ocorrer mediante redução do número de quotas, mas mediante a diminuição do valor nominal atribuído a cada quota. Fl. 2106DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 8 13 Em relação a esse ponto, vale dizer que a avaliação quanto à suficiência ou não do capital da sociedade cabe exclusivamente a seus sócios, desde que a redução não represente a insolvência da sociedade e a consequente impossibilidade de arcar com as suas obrigações com terceiros (credores). É exatamente por essa razão que a deliberação da redução de capital deve ser levada a conhecimento público (mediante publicação em jornal de grande circulação, providência observada pela Impugnante) e somente pode ser registrada depois de decorridos 90 dias da respectiva publicação. Tanto que a impossibilidade de pagamento de credores é a única hipótese legalmente prevista que permite o questionamento da redução de capital por terceiros, nos termos do artigo 1.082, § 1º do Código Civil. Além disso, o Sr. AuditorFiscal afirmou que a operação de redução de capital não deveria ocorrer mediante redução do número de quotas, mas mediante a diminuição do valor nominal atribuído a cada quota. Novamente, está equivocada a afirmação. Vale destacar que a diminuição do valor nominal das quotas ao invés de seu cancelamento, no contexto adotado atualmente pelas sociedades brasileiras, ocasionaria inúmeros transtornos de ordem prática, com quotas de valores quebrados e de difícil cálculo. Sendo assim, passou a ser usual o cancelamento de parte das quotas em casos de redução do capital social. Importante notar que, caso fosse a intenção do Sr. Alexandre Gama a alienação da Neogama com carga tributária mais benéfica, não precisaria ter passado por todo o procedimento de redução de capital da Impugnante. Seria muito mais simples, do ponto de vista societário, a segregação, por cisão ou dação em pagamento dos demais ativos diferentes da participação na Neogama e, ato subsequente, a venda da Impugnante que, nesse momento, deteria a participação societária na Neogama como seu único ativo. As razões pelas quais foi realizada a redução de capital, por consequência lógica, foram outras que não a busca por uma eficiência fiscal. Existiam questões operacionais e de imagem da Neogama que, naquele momento demandavam a participação direta do Sr.Alexandre Gama na composição acionária da sociedade e esse resultado somente era viável por meio da redução de capital. Tanto é verdade que, na mesma época da redução de capital, a Impugnante alienou 107.400 quotas da Neogama para Roberto Crissiuma Mesquita e Rahenann Participações Ltda., apurando o efetivo ganho de capital em tal operação e o submetendo à tributação. Ou seja, se a intenção naquele momento fosse de alienação da Neogama para BRZ com menor carga tributária, Fl. 2107DF CARF MF 14 porque a mesma sistemática não foi utilizada para a alienação de participação para Roberto Crissiuma Mesquita e Rahenann Participações Ltda.? Ainda no mesmo sentido, quando da alienação da Neogama pelo Sr.Alexandre Gama, outras empresas voltadas ao mercado de comunicação, mais especificamente as sociedades Triacom e Made in Moon, também foram alienadas ao Grupo Publicis pela Investmark, empresa da qual o Sr. Alexandre Gama é controlador e que não tinha a BBH como sócia. Ou seja, se a intenção era reduzir a carga tributária, a Investmark também poderia ter reduzido o seu capital e transferido a participação para que seus sócios alienassem os investimentos em Triacom e Made in Moon. Não foi isso o que se passou, tendo a Investmark alienado diretamente tais empresas para a Publicis e suportado a carga tributária correspondente. ● Respaldo jurídicotributário da operação realizada. A operação de redução de capital realizada pela Impugnante e que deu ensejo à presente autuação fiscal encontra respaldo jurídicotributário no artigo 22 da Lei nº 9.249/95. Nesse sentido, com base no quanto disposto pelo artigo 22 da Lei nº 9.249/95, quando da redução de capital da Impugnante com a transferência da participação na Neogama para o Sr. Alexandre Gama, foi levantado balancete especial da Neogama (data base 31.05.2011), oportunidade na qual foi reconhecido o correspondente resultado de equivalência patrimonial nas demonstrações contábeis da Impugnante e, com base nesse valor contábil (i.e.R$9.484.442,95), determinouse a devolução de bens aos sócios. Referido critério, inclusive, está evidenciado na 4ª Alteração Contratual da Impugnante. Verificase, portanto, que foi deliberada a redução de capital da Impugnante com a restituição das quotas da Neogama ao Sr. Alexandre Gama com base no valor contábil desse ativo, o qual refletia a respectiva equivalência patrimonial da participação societária. Essa operação, portanto, não teve qualquer reflexo tributário, na medida em que não foi auferido qualquer ganho de capital pela Impugnante, com total respaldo pelo quanto disposto no artigo 22 da Lei nº 9.249/95. Ato subsequente, nos termos do artigo 22, §3º da Lei nº 9.249/95, o Sr.Alexandre Gama reconheceu em sua DIRPF12 (ano calendário 2011 doc. 03) as quotas da Neogama pelo respectivo valor de custo das quotas da Impugnante que foram canceladas (i.e.R$ 9.484.442,95). Vale mencionar que o Carf adotou o entendimento de que, com o advento do artigo 22 da Lei n.º 9.249/95, a redução de capital mediante a entrega em bens ou direitos, pelo valor patrimonial, não constitui mais hipótese de distribuição disfarçada de lucros e, portanto, não há qualquer ilicitude/irregularidade na conduta de redução do capital pelo valor contábil dos ativos, mesmo que o objetivo da operação seja a subsequente venda do ativo pelo sócio pessoa física. Fl. 2108DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 9 15 Nos acórdãos proferidos ainda foram analisados aspectos formais das operações societárias realizadas, com o objetivo de identificar eventuais distorções nas condutas dos contribuintes. Mais especificamente, foram analisadas as seguintes questões: "(i.)quando os bens foram alienados; (ii.) a quem pertenciam na data da alienação; (iii.) quem alienouos; e (iv.) quem pagou e quem efetivamente recebeu a importância correspondente" (Acórdão nº 1402001.477). No caso presente caso, (i.) as quotas da Neogama foram alienadas em 04 de julho de 2012; (ii.) as referidas quotas pertenciam ao Sr. Alexandre Gama, desde de 15 de junho de 2011, um ano antes da operação de alienação): (iii.) as quotas foram efetivamente alienadas pelo Sr. Alexandre Gama, que figurou como vendedor no contrato de compra e venda; (iv.) o preço de venda ajustado com a BRZ foi pago diretamente ao Sr. Alexandre Gama; (v.) o Sr. Alexandre Gama reconheceu ganho de capital e recolheu os respectivos tributos; e (vi.) o Sr. Alexandre Gama refletiu a operação em sua DIRPF12 relativa o anocalendário de 2011, antes de qualquer negociação de alienação da Neogama. Dessa forma, resta claro que a Impugnante conduziu seus atos com base na estrita observância da legislação tributária (especialmente, no artigo 22 da Lei nº 9.249/95). Assim, é de rigor que se reconheça a regularidade da operação realizada pela Impugnante e, por consequência, a improcedência da presente autuação fiscal. ● Erro de cálculo cometido no auto de infração. Tendo em vista que as quotas da Neogama foram efetivamente alienadas pelo Sr. Alexandre Gama, o qual figurou como vendedor no contrato de compra e venda celebrado com a BRZ, o mesmo reconheceu em sua DIRPF12 o lucro decorrente da venda da participação societária, tendo apurado e recolhido o IRPF sobre o ganho de capital. Da análise da DIRPF13 (anocalendário 2012) anexa ao doc. 03, verificase que foi apurado e recolhido IRPF sobre o ganho de capital no montante total de R$16.876.021,10. Tendo sido desconsiderados os efeitos da operação de redução de capital, por decorrência lógica, a fiscalização federal deveria ter abatido do presente Auto de Infração os valores espontaneamente recolhidos pelo Sr. Alexandre Gama a título de IRPF sobre ganho de capital. ● Impossibilidade de aplicação da multa qualificada de 150%. Não houve no presente caso a caracterização de "simulação", não sendo possível a aplicação da multa agravada. Aliás, sequer juridicamente fundamentado em eventual simulação (i.e. artigo 116, parágrafo único do Código Tributário Nacional) foram os Autos de Infração ora guerreados. Fl. 2109DF CARF MF 16 Nos termos da legislação civil (artigo 167 do Código Civil), será caracterizada a simulação do negócio jurídico quando (i.) aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; (ii.) contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; e (iii.) os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. Nenhuma dessas hipóteses foi verificada no presente caso. Conforme já evidenciado, todos os atos e negócios jurídicos que culminaram na alienação da participação societária diretamente pelo Sr. Alexandre Gama foram realizados em estrita observância à legislação civil, societária e tributária. A operação realizada encontra amparo na legislação tributária vigente, como também no entendimento consolidado da jurisprudência do E. Carf. Da mesma forma nenhum ato foi praticado com o intuito de encobrir a real intenção das partes, mas tão somente, aplicar a legislação sobre a matéria com o respaldo da jurisprudência administrativa sobre a matéria vigente. A vontade declarada pelas partes em todos os documentos societários efetivamente refletia a realidade e a real intenção das partes, não existindo qualquer conduta simulada. Não há um laivo sequer de simulação ou falta de transparência negocial. Além disso, todos os atos realizados foram formalmente aprovados pelas autoridades competentes e corretamente divulgados, mediante registro na JUCESP e publicação em jornais. Da mesma forma, todos os atos que deram ensejo à presente autuação fiscal foram declarados à Receita Federal do Brasil na exata forma em que foram realizados, o que indica que a Impugnante sempre pautou sua autuação na estrita legalidade e observância da legislação sobre a matéria, valendose de operação expressamente reconhecida pelo legislador e já validada em inúmeras oportunidades pelas instâncias administrativas de julgamento em outros casos semelhantes ao presente. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (3ª Turma/ DRJ/RPO), mediante o Acórdão nº 1466.958, de 23 de junho de 2017, julgou improcedente a impugnação. O predito Acórdão está assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. Constatada, pelo conjunto de atos praticados pelas partes envolvidas, a ocorrência de fraude em operações de aumento e redução de capital objetivando desconfigurar Fl. 2110DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 10 17 transferência de participação societária, procedente a tributação na pessoa jurídica do ganho de capital na alienação de investimento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. As exigências decorrentes devem seguir a mesma orientação decisória adotada para o tributo principal, tendo em vista serem fundadas nos mesmos fatos. COMPENSAÇÃO. GANHO DE CAPITAL APURADO PELA PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não há permissivo legal para compensação do ganho de capital de pessoa jurídica, não declarado no devido tempo, com os tributos já recolhidos pela pessoa física a título também de ganho de capital. MULTA QUALIFICADA. Deve ser mantida a qualificação da multa quando configurada a ocorrência de simulação. A contribuinte tomou ciência da referida decisão de 1ª instância, em 03/07/2017, conforme o Termo de Ciência (efl.1.997), e protocolizou Recurso Voluntário em 01/08/2017 (efls.2.000/2.035), conforme o Termo de Juntada, efls.1.999. No recurso voluntário a autuada, alega, no essencial, os mesmos argumentos trazidos na impugnação, desnecessário repetilos. Finalmente requer o provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O recurso voluntário apresentado pela contribuinte/autuada é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Conforme relatado a autuação decorre da apuração de ganho de capital na alienação da participação societária que a autuada (EYEDO) detinha na sociedade Neogama BBH Publicidade Ltda ("NEOGAMA") para BRZ Digital Comunicações Ltda ("BRZ"). O âmago da questão envolve a desconsideração, pelo Fisco, de duas operações societárias registradas pela "EYEDO", quais sejam: a redução de capital nela ocorrida pela qual o sócio pessoa física Sr.Alexandre Gama recebera a devolução de capital em quotas da "NEOGAMA" e a posterior alienação dessas quotas (pelo mencionado sócio pessoa física) à "BRZ". Fl. 2111DF CARF MF 18 No entendimento da Fiscalização, essas duas operações representaram uma "estratégia" com vistas a ocultar a alienação das quotas, pertencentes a autuada (EYEDO), diretamente à BRZ e assim pagar menos tributo. Tanto na impugnação quanto no recurso voluntário, a contribuinte alega, em síntese, que a autuação não deve prevalecer, uma vez que (a) a redução de capital não foi realizada com o propósito de economia tributária; (b) houve lapso temporal de aproximadamente um ano entre a redução de capital e a efetiva venda da participação societária na Neogama pelo Sr. Alexandre Gama; (c) não há irregularidades na operação de redução de capital na forma como foi realizada; e (d) a operação realizada encontra amparo na legislação, bem como na jurisprudência do E. Carf. Sobre as operações, no Relatório Fiscal, parte integrante do auto de infração, consta o seguinte: ... 13 Voltando à 4ª. alteração contratual da Eyedo, não se trata de simples aumento de capital social da empresa mediante capitalização de reservas, de R$ 5.000,00 para R$ 10.000,00, com a emissão de 5.000 novas quotas, conforme primeira resposta dada à fiscalização. Na verdade, foram duas operações na mesma alteração contratual: primeiro, aumentouse o capital social de R$ 5.000,00 para R$ 9.495.000,00, realizado mediante a emissão de 9.490.000 quotas, e imediato cancelamento de 9.485.000 quotas. O aumento fora subscrito e integralizado pelo sócio Alexandre Gama de Medeiros, da seguinte forma: R$ 7.186.695,56 mediante capitalização do valor registrado como “obrigações com quotista”, e R$ 2.303.304,44 mediante incorporação da conta “Lucros Acumulados” e de parcela da conta “Resultado do Exercício”. Em contrapartida ao cancelamento, Alexandre Gama de Medeiros recebeu 923.551 quotas de titularidade da Eyedo, representativas de 51,595% do capital social da Neogama BBH Publicidade Ltda de valor contábil correspondente a R$ 9.484.442,95, mais R$ 557,05 em moeda corrente nacional. 14 A Ata de Reunião de Sócios foi registrada em 31/01/2012, sob número 46.840/126, na JUCESP. A alteração contratual foi registrada sob número 46.839/124, em 31/01/2012 (data do protocolo: 26/01/2012). 15 Com o aumento e redução do capital social no mesmo dia, foi possível viabilizar a cessão das quotas da Neogama ao sócio Alexandre Gama de Medeiros. 16 Com relação à integralização de R$ 7.186.695,56, este valor consta da conta contábil 24401001 – Empréstimo de Sócios. No entanto, não houve o efetivo ingresso financeiro de recursos nas contas correntes da Eyedo. Este saldo provém, conforme documentos apresentados pelo contribuinte (anexos), do reconhecimento de ativos adquiridos (essencialmente imóveis e veículos) e de despesas pagas pelo Sr. Alexandre Gama de Medeiros. 17 Com relação à integralização de R$ 2.303.304,44 mediante incorporação da conta “Lucros Acumulados” e de parcela da Fl. 2112DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 11 19 conta “Resultado do Exercício”, importante destacar que o saldo de ambas as contas decorre, essencialmente, do reflexo, por equivalência patrimonial, do investimento na Neogama BBH Publicidade Ltda, cujas quotas foram cedidas em contrapartida à “redução de capital”. 18 Contabilmente, a baixa do investimento se deu apenas em 28/12/2011, conforme lançamento na conta Investimento. 19 A alegada “redução do capital” teria se dado nos termos do art. 1.082, II, do Código Civil, que traz o seguinte: Art. 1.082. Pode a sociedade reduzir o capital, mediante a correspondente modificação do contrato: I depois de integralizado, se houver perdas irreparáveis; II se excessivo em relação ao objeto da sociedade. 20Por sua vez, o art. 1.084 diz: Art. 1.084. No caso do inciso II do art. 1.082, a redução do capital será feita restituindose parte do valor das quotas aos sócios, ou dispensandose as prestações ainda devidas, com diminuição proporcional, em ambos os casos, do valor nominal das quotas. § 1o No prazo de noventa dias, contado da data da publicação da ata da assembléia que aprovar a redução, o credor quirografário, por título líquido anterior a essa data, poderá oporse ao deliberado. § 2o A redução somente se tornará eficaz se, no prazo estabelecido no parágrafo antecedente, não for impugnada, ou se provado o pagamento da dívida ou o depósito judicial do respectivo valor. § 3o Satisfeitas as condições estabelecidas no parágrafo antecedente, procederseá à averbação, no Registro Público de Empresas Mercantis, da ata que tenha aprovado a redução. 21Analisando tais artigos verificamos que, primeiramente, na redução do capital social fazse necessária a alteração contratual pertinente. E mais, a redução do capital deve ser realizada com a consequente diminuição proporcional do valor nominal das quotas e só se tornará efetiva após sua averbação no órgão de registro competente, que, no caso, é a JUCESP. A hipótese argumentada pelo contribuinte para redução do capital é a do inciso II do art. 1.082, qual seja, que o capital seja excessivo em relação ao objeto da sociedade. No caso em tela, não foi o que ocorreu, ou seja, não é possível vislumbrar o capital excessivo em relação ao objeto da sociedade. Também não houve diminuição proporcional do valor nominal das quotas, mas tãosomente um aumento de quotas e, ato contínuo, o cancelamento destas quotas. ... Fl. 2113DF CARF MF 20 Como visto, de acordo com o Código Civil, a redução de capital constitui medida de caráter excepcional, somente utilizada em circunstâncias específicas e justificáveis, por exemplo capital excessivo, a conferir, inclusive, direito de oposição por parte dos credores. Há que se comprovar que o capital social se mostra excessivo para o desenvolvimento das atividades empresariais. No caso da redução pelo capital social se mostrar excessivo para a atividade, a diminuição ocorrerá com a restituição proporcional ao valor das quotas, a cada sócio. Esta regra encontrase inserta no artigo 1.084: Art. 1.084. No caso do inciso II do art. 1.082, a redução do capital será feita restituindose parte do valor das quotas aos sócios, ou dispensandose as prestações ainda devidas, com diminuição proporcional, em ambos os casos, do valor nominal das quotas. Conforme ata de reunião dos únicos sócios (Presciliana e Alexandre), registrada na JUCESP, em 31/01/2012, efls.588/592, foi deliberada, na EYEDO, a redução do capital social de R$ 9.495.000,00 para R$10.000,00, pelo motivo de ser "excessivo" para o objeto da sociedade, nos seguintes termos: Inicialmente, o Presidente informou que esta reunião tinha por ordem do dia deliberar sobre: (i) a cessão da totalidade das quotas representativas do capital social da Sociedade de titularidade de Presciliana Gama de Medeiros para Alexandre Gama de Medeiros, (ii) o aumento do capital social da Sociedade; (ii) a posterior redução do capital social da Sociedade, nos termos do artigo 1.082, inciso II do Código Civil Brasileiro. Colocadas as matérias em discussão, os sócios, por unanimidade de votos, aprovaram: (i) a cessão da totalidade das 50 (cinqüenta) quotas representativas do capital social da Sociedade de titularidade de Presciliana Gama de Medeiros para Alexandre Gama de Medeiros e, em virtude da cessão de quotas, aprovaram a saída da Presciliana Gama de Medeiros do quadro de sócios da Sociedade; (ii) o aumento do capital social de RS 5.000,00 (cinco mil reais) para RS 9.495.000,00 (nove milhões, quatrocentos e noventa e cinco mil reais), sendo o aumento de RS 9.490.000,00 (nove milhões, quatrocentos e noventa mil reais), realizado mediante a emissão de 9.490.000 (nove milhões, quatrocentas e noventa mil) quotas, sendo que o aumento de capital ora aprovado é subscrito e integralizado pelo sócio Alexandre Gama de Medeiros neste ato, da seguinte forma: (ii.1) R$7.186.695,56 (sete milhões, cento e oitenta e seis mil, seiscentos e noventa e cinco reais e cinqüenta e seis centavos) mediante capitalização do valor registrado no balanço patrimonial da Companhia de 31 de maio de 2011 como "obrigações com quotista", conforme adiantamento para futuro aumento de capital realizado pelo referido sócio; e (ii.2) RS 2.303.304,44 (dois milhões, trezentos e três mil, trezentos e quatro reais e quarenta e quatro centavos) mediante incorporação (a) da conta Lucros Acumulados e (b) de parcela da conta Resultado do Exercício, conforme balanço patrimonial da Companhia de 31 de maio de 2011; (iii) nos termos do artigo 1.082, inciso II, do Código Civil Brasileiro, reduzir o capital Fl. 2114DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 12 21 social da Sociedade de R$9.495.000,00 (nove milhões, quatrocentos e noventa e cinco mil reais) para R$10.000,00 (dez mil reais), sendo a redução, no valor de R$ 9.485.000,00 (nove milhões, quatrocentos e oitenta c cinco mil reais), realizada mediante o cancelamento de 9.485.000 (nove milhões, quatrocentas e oitenta e cinco mil) quotas, de valor nominal de R$1,00 (um real) cada, de titularidade do sócio Alexandre Gama de Medeiros, que recebeu, em contrapartida ao cancelamento: (a) 923.551 (novecentas e vinte e três mil, quinhentas e cinqüenta e uma) quotas de titularidade da Sociedade, representativas de 51,595% do capital social da Neogama BBH Publicidade Ltda., sociedade limitada, com sede na Capital do Estado de São Paulo, na Rua Mofarrej, n° 1.174, Vila Leopoldina, CEP 05311000, inscrita no CNPJ sob n° 03.248.864/000115, com seus atos constitutivos registrados na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob NIRE 35.216.178.231, em sessão de 10.03.2000, de valor correspondente a R$9.484.442,95 (nove milhões, quatrocentos e oitenta e quatro mil, quatrocentos e quarenta e dois reais e noventa e cinco centavos), conforme investimento registrado no balancete patrimonial da Companhia levantado em 31 de maio de 2011, pelo método de equivalência patrimonial; e (b) R$557,05 (quinhentos e cinquenta e sete reais e cinco centavos) em moeda corrente nacional; e (c) em decorrência das deliberações anteriores, alterar a Cláusula 5a do Contrato Social, mediante a celebração do competente instrumento de alteração contratual da Sociedade. Vejamos o texto da deliberação, mediante o INSTRUMENTO PARTICULAR DE ALTERAÇÃO DO CONTRATO SOCIAL DA EYEDO CRIAÇÃO, PLANEJAMENTO E MARKETING LIDA, após, ATA DE REUNIÃO DE SÓCIOS, ambos registrados no mesmo dia 31/01/2012 na JUCESP: ... I. Cessão de quotas. 1.1 A sócia Preseiliana Gama de Medeiros, titular e legítima proprietária de 50 (cinqüenta) quotas da Sociedade, de valor nominal de R$ 1.00 (um real) cada uma. neste ato retirase da Sociedade, cedendo e transferindo, em caráter irrevogável e irretratável, a totalidade das quotas de que é titular ao sócio Alexandre Gama de Medeiros. 1.2 A cessão e transferência de quotas mencionada em 1.1, supra, foi realizada pelo respectivo valor nominal das quotas, valor este pago neste ato pelo cessionário à cedente, que outorga a mais ampla, geral, irrevogável e irretratável quitação quanto ao pagamento tias quotas, declarando nada mais ter a receber a este titulo, a qualquer tempo. 1.3 O sócio Alexandre Gama de Medeiros subrogase em todos os direitos e obrigações inerentes às quotas por ele adquiridas, bem como se compromete a compor a pluralidade de sócios da Fl. 2115DF CARF MF 22 Sociedade no pra/o de 180 (cento e oitenta) dias a contar da presente data. 2.Aumento de capital social. 2.1 O sócio Alexandre Gama de Medeiros resolve aumentar o capital social de R$ 5.000.00 (cinco mil reais) para R$ 9.495.000,00 (nove milhões, quatrocentos e noventa e cinco mil reais),sendo o aumento de R$ 9.490.000,00 (nove milhões, quatrocentos e noventa mil reais),realizado mediante a emissão de 9.490.000 (nove milhões, quatrocentas e noventa mil) quotas.O aumento de capital ora aprovado é subscrito e integralizado pelo sócio Alexandre Gama de Medeiros neste ato, da seguinte forma: (i)R$7.186.695.56 (sete milhões, cento e oitenta e seis mil. seiscentos e noventa e cinco reais e cinqüenta e seis centavos) mediante capitalização do valor registrado no balanço patrimonial da Sociedade de 31.05.2011 como 'obrigações com quotista', conforme adiantamento para futuro aumento de capital realizado pelo referido sócio; (ii)R$ 2.303.304,44 (dois milhões, trezentos e três mil. trezentos e quatro reais e quarenta e quatro centavos) mediante incorporação (a) da conta Lucros Acumulados e (b) de parcela da conta Resultado do Exercício. conforme balanço patrimonial da Sociedade de 31.05.2011. 2.2 Em decorrência do disposto em 1.1 e 2.1, supra, o capital social passa a ser dividido em 9.495.000 (nove milhões, quatrocentas e noventa e cinco mil) quotas, do valor nominal de R$1,00 (um real) cada uma integralmente detidas pelo sócio Alexandre Gama de Medeiros. 3.Redução do capital social. 3.1. Ato contínuo, o sócio Alexandre Gama de Medeiros resolve, nos termos do artigo 1.082. inciso II. do Código Civil Brasileiro, reduzir o capital social da Sociedade de R$9.495.000,00 (nove milhões, quatrocenios e noventa e cinco mil reais) para R$ 10.000,000 (dez mil reais), sendo a redução, no valor de RS 9.485.000.00 (nove milhões, quatrocentos e oitenta e cinco mil reais), realizada mediante o cancelamento de 9.485.000 (nove milhões, quatrocentas e oitenta e cinco mil) quotas, de valor nominal de R$1.00 (um real) cada. de titularidade do sócio Alexandre Gama de Medeiros, que recebeu, em contrapartida ao cancelamento: (a) 923.551 (novecentas e vinte e três mil, quinhentas e cinqüenta e uma) quotas de titularidade da Sociedade, representativas de 51.595% do capital social da Neogama BBII Publicidade Ltda.. , sociedade limitada com sede na Capital do Estado de São Paulo, na Rua Mofarrcj, n° 1.174. Vila Leopoldina. CLP 05311000, inscrita no CNP.) sob nv 03.248.864/000115, com seus atos constitutivos registrados na Junta Comercial do listado de São Paulo sob NIRL 35.216.178.231. em sessão de 10.03.2000, de valor correspondente a R$ 9.484.442,95 (nove milhões, quatrocentos e oitenta e quatro mil. quatrocentos e quarenta c dois reais e Fl. 2116DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 13 23 noventa e cinco centavos), conforme investimento registrado no balanço patrimonial da Sociedade. ... Por força da operação de "redução de capital" realizada nos termos do disposto o artigo 5o do contrato social da Sociedade passou a vigorar com a seguinte redação: '"Artigo 5a O capital social, totalmente subscrito e integralizado em moeda corrente nacional, é de RS 10.000.00 (dez mil reais), dividido em 10.000 (dez mil) quotas, de valor nominal de R$1.00 (um real) cada, distribuídas da seguinte forma: Sócios Nº de Quotas Valor (RS) Alexandre Gama de Medeiros 10.000 10.000.00 Total 10.000 10.000,00 Pois bem, com a redução do capital social, na EYEDO, fora considerado devolvido ao único sócio da EYEDO o valor em disponibilidades e bens do ativo permanente (51.595% do capital social da Neogama BBH Publicidade Ltda). A recorrente aduz que: (i) as quotas da Neogama foram alienadas em 04/07/2012; (ii) as referidas quotas pertenciam ao Sr. Alexandre Gama, desde 15 de junho de 2011; (iii) as quotas foram efetivamente alienadas pelo Sr. Alexandre Gama, que figurou como vendedor no contrato de compra e venda; (iv) o preço de venda ajustado com a BRZ foi pago diretamente ao Sr. Alexandre Gama; (v) o Sr. Alexandre Gama reconheceu ganho de capital e recolheu os devidos tributos; e (iv) o Sr. Alexandre Gama refletiu a operação de redução de capital em sua DIRPF/12 relativo ao ano calendário de 2011, antes de qualquer negociação de alienação da Neogama. Observase, de plano, que se a Ata de Reunião de Sócios foi registrada em 31/01/2012, sob número 46.840/126, na JUCESP, e, alteração contratual foi registrada sob número 46.839/124, em 31/01/2012 (data do protocolo: 26/01/2012), não há falar que as quotas da Neogama pertenciam ao Sr. Alexandre Gama, desde 15 de junho de 2011. A análise realizada na decisão da Delegacia de Julgamento, que não merece reparo, considera que, no presente caso, ocorreu a realização de planejamento tributário abusivo com vistas à redução da incidência tributária. Vejamos: Segundo alega a contribuinte a redução do capital foi realizada, basicamente, para que Alexandre Gama destacasse seus demais ativos mantidos sob a titularidade da impugnante da participação societária da Neogama, para evitar confusão patrimonial. Entretanto, apesar de a impugnante argumentar que a operação é lícita, está comprovado que ela decorreu de abuso de direito. A utilização do art. 22 da Lei nº 9.249/95, que a impugnante alega permitir a transferência a título de devolução de capital, bens e direitos aos seus respectivos acionistas avaliados pelo valor contábil ou de mercado, deve ser visto por meio do “quadro completo”. A transferência com imediata venda, em Fl. 2117DF CARF MF 24 operação que poderia ser direta, não é permitida justamente por gerar efeitos tributários abusivos. Os fatos descritos no Relatório Fiscal denotam que, embora tenha sido registrado aumento e redução de capital da contribuinte, a vontade das partes não era de promover as operações retratadas, mas sim de transferir o controle da Neogama para a BRZ, sem pagamento de tributos. O próprio Alexandre Gama afirma em entrevistas que as negociações da venda da Neogama BBH para o grupo Publicis foram iniciadas há mais de um ano do efetivo contrato de compra e venda entre Alexandre Gama e BRZ (grupo Publicis), mesma época em que foi realizada a “redução” do capital da contribuinte com a entrega das quotas da Neogama, transferindo a propriedade dessas quotas da pessoa jurídica para a pessoa física. À época da alteração contratual, Alexandre Gama era o único proprietário da contribuinte, possuindo, assim, 51,595% das quotas da Neogama, restando claro que o único propósito da redução de capital foi a redução do pagamento de tributo. Ficou configurado o planejamento tributário abusivo, pois o grupo Publicis tinha a intenção de adquirir o controle de 100% da Neogama BBH, empresa sobre a qual já exercia influência no processo decisório gerencial. Ademais, de acordo com a alteração contratual (fl.589), o fundamento da redução de capital foi o art. 1082, II, do Código Civil, qual seja, que o capital era excessivo em relação ao objeto da sociedade, o que, de acordo com o artigo 1084, do citado Código, demandaria a redução proporcional do valor nominal das quotas, e não o cancelamento delas como ocorreu no presente caso. Desse modo, no quadro probatório posto, constatase que as operações aparentemente lícitas (redução do capital social, devolução ao sócio pelo valor contábil e venda da participação recebida como devolução de capital pela pessoa física) foram realizadas de modo a evitar situações previstas nas normas de incidência tributária. A descrição dos fatos é transparente ao atestar que uma série de ações intencionais perpetradas com um único fim: excluir a impugnante do pólo passivo tributário, modificando característica essencial do fato gerador (sujeição passiva tributária) e ainda esquivarse do pagamento do montante dos tributos devidos. É pertinente discorrer sobre as fraudes à lei relacionadas aos casos de planejamento tributário com abuso de direito. Cabe mencionar as lições de Marco Aurélio Greco, na obra já citada, págs. 219 e 251: “Interessanos neste momento a figura da fraude à lei também chamada de fraus legis. (...) Nesta figura, estamos perante duas normas (ou de uma norma e uma ausência de previsão expressa do ordenamento: Fl. 2118DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 14 25 .uma norma imperativa de tributação que se considera indesejada, à qual o contribuinte não quer se submeter (a norma contornada); e.uma norma ou uma ausência de previsão expressa, que o contribuinte utiliza para evitar a norma contornada (a norma de contorno). Na fraude à lei, o contribuinte monta determinada estrutura negocial que se enquadre na norma de contorno para, desta forma, numa expressão coloquial, “driblar” a norma contornada. Com isto pretende fazer com que a situação concreta seja regulada pela norma de contorno, com o que ficaria afastada a aplicação da norma de tributação (ou de tributação mais onerosa). (...) Na fraude à lei, buscase contornar determinada norma imperativa, mediante a utilização de outra norma (ou ausência de previsão expressa). Neste caso, o ordenamento reage aplicando a norma contornada.” Ainda segundo Marco Aurélio Greco, na mesma obra, págs. 419 a 421: “O abuso é corolário do uso regular do direito, pois há décadas já se afastou a visão individualista de que um direito comporta qualquer tipo de uso, inclusive o excessivo ou que distorça seu perfil objetivo. A fraude à lei é decorrência da legalidade e da imperatividade do ordenamento positivo, como um todo, e da norma jurídica específica. Lei existe para ser seguida e não contornada ou ‘driblada’. (...) Em suma, a aplicação das figuras do abuso do direito e da fraude à lei em matéria tributária, no ordenamento positivo brasileiro, pode ocorrer independente de lei expressa que as autorize, pois são decorrência da legalidade e da imperatividade do ordenamento. Ainda que fosse indispensável uma lei autorizando a aplicação de tais categorias, este requisito estaria atendido pelo parágrafo único do artigo 116 aqui comentado.” No caso em tela, ficou caracterizado o abuso do direito, visto que a impugnante praticou atos societários que resultaram em uso abusivo de autoorganização. A fraude à lei caracterizouse também pela inobservância da norma impositiva que previa a incidência de IRPJ (alíquota de 15% e adicional de 10%) e CSLL (alíquota de 9%) na venda de bem do ativo permanente por pessoa jurídica (norma contornada), tendo a impugnante montado uma seqüência de operações de modo a enquadrar a operação como venda de bem por pessoa física (norma de contorno). A alegação de que quem alienou os bens foi a pessoa física, que era, à época da venda, a legítima proprietária e, portanto, contribuinte, não se sustenta, pois, conforme já mencionado, a Fl. 2119DF CARF MF 26 seqüência de atos demonstrou a falta de propósito negocial na transferência da participação societária para a pessoa física. Dessa forma, é de se confirmar que houve alteração irregular do pólo passivo da obrigação tributária. ... No presente processo, o fisco não desconsiderou o negócio jurídico realizado entre particulares, como foi alegado. O negócio continua válido entre eles, tanto que não foi notificada a Jucesp para qualquer providência de anulação do arquivamento anteriormente levado a efeito. Não foram considerados, apenas, os efeitos tributários desse negócio, que tiveram por finalidade exclusiva a diminuição do recolhimento de tributos ao fisco. Diante de todo o exposto, é de se concluir que está correto o lançamento formalizado na pessoa jurídica. Como visto, a ata de reunião dos sócios que determinou a redução de capital em nada demonstra ser o capital excessivo em relação ao objeto da sociedade. Não apresenta nenhum motivo específico, para simplesmente reduzir o capital e se desfazer das quotas da NEOGAMA. De fato, não vislumbro qualquer propósito negocial, nenhum motivo outro para a realização da redução do capital e devolução ao único sócio das quotas da NEOGAMA senão o de transferir a tributação do ganho de capital a ser auferido na alienação da participação da pessoa jurídica (autuada) para a pessoa física do sócio/titular, Sr.Alexandre Gama de Medeiros. E nem se diga que constitui propósito negocial legítimo o encadeamento de operações societárias visando a redução das incidências tributárias. É dessa forma que se consegue evitar a tributação pela alíquota mais alta. Se a venda fosse feita pela EYEDO seriam aplicados 34% de Imposto de Renda (IRPJ) e CSLL sobre o ganho de capital. Já com o negócio sendo fechado pelo quotista pessoa física, a tributação varia de 15% a 22,5%. A recorrente alega que, a operação de redução de capital realizada que deu ensejo à autuação fiscal encontra respaldo jurídicotributário no artigo 22 da Lei nº 9.249/95 que assim dispõe: Art. 22. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista. a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. Ora, o artigo 22 da Lei 9.249, de 1995, por si só, não dá ao interessado a opção fiscal de escolher quem seja o sujeito passivo da obrigação tributária se a pessoa física ou a pessoa jurídica. É cediço, que, a teor do artigo 123 do Código Tributário Nacional (CTN) ...as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. É de meridiana clareza a inexistência de motivo econômico do ato em comento que não seja a pura e simples economia tributária. Assim, o ato realizado pela Fl. 2120DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 15 27 EYEDO não implica apenas em uma simples operação econômica, mas sim a alteração indevida do sujeito passivo de uma operação iminente. Essa operação que envolve a chamada redução do capital com a devolução de patrimônio da empresa para o quotista Sr.Alexandre, tem como escopo exclusivamente evitar que a alienação das quotas da NEOGAMA fosse registrada na autuada. Assim, não merece reparo a desconsideração dos efeitos tributários na operação (alienação das quotas da NEOGAMA efetuada pelo sócio/titular Sr.Alexandre Gama de Medeiros) para modificar a titularidade da participação, sem qualquer propósito econômico ou comercial, única e exclusivamente para não submeter os ganhos da operação à tributação que lhe seria típica no caso. De sorte que, a operação efetiva a ser considerada é a venda pela autuada para BRZ Digital Comunicações Ltda ("BRZ") da participação que detinha na Neogama BBH Publicidade Ltda ("NEOGAMA"). Sob o título " Erro de cálculo cometido na lavratura do Auto de Infração", a Recorrente argúi que tendo sido desconsiderados os efeitos da operação de redução de capital, por decorrência lógica, a d. fiscalização federal deveria ter abatido do presente Auto de Infração os valores espontaneamente recolhidos pelo Sr. Alexandre Gama a título de IRPF sobre ganho de capital. Finalmente requer: 139. Assim, na impensável hipótese de manutenção do presente Auto de Infração, tornase imperioso seja radicalmente corrigida a autuação fiscal, para o fim de que seja cobrada da Recorrente apenas eventual diferença de IRPJ e CSLL, descontandose os valores recolhidos pelo Sr. Alexandre Gama a título de IRPF sobre ganho de capital, reformandose nessa parte o v. acórdão recorrido. Sobre a matéria diverge a decisão recorrida, cujos fundamentos também adoto como razão de decidir, razão pela qual transcrevo os termos do voto condutor da decisão (fls.1200 e seguintes), conforme faculta o art.50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, verbis: No que tange ao pleito de compensação do crédito tributário aqui cobrado com o tributo já recolhido pela pessoa física, quando da alienação das quotas, não há permissivo legal para tanto. E o caput do art. 170 do CTN é claro quanto a essa necessidade: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. A tributação da pessoa física, declarada via DIRPF, não se confunde com a tributação da pessoa jurídica, declarada via DIPJ e DCTF. Em caso de recolhimento a maior ou indevido do ganho na pessoa física, somente a retificação da DIRPF possibilita sua restituição administrativa. O mesmo se daria no caso de restituição na pessoa jurídica. Nesse caso, não há que se Fl. 2121DF CARF MF 28 falar em dívidas recíprocas, já que são o eventual credor da União (pessoa física) e diverso do devedor neste processo (Impugnante). A legislação em vigor não possibilita a compensação de tributos entre pessoas diferentes, pois o patrimônio de uma não se confunde com o de outra. As multas e juros decorrem da ausência de oferecimento à tributação do modo correto, ou seja, por meio de declaração da empresa autuada, motivo pelo qual também não se confunde com eventual tributação (indevida) na pessoa física. Além disso, há que se ressaltar que a Impugnante não detém autorização ou procuração da pessoa física que declarou ganho de capital para que transacione em seu nome. Quanto à aplicação da multa qualificada de 150%, em síntese, alega a Recorrente que jamais pretendeu omitir a ocorrência do fato gerador, mediante atos simulados, mas valeuse de estrutura inegavelmente lícita e regular do ponto de vista formal e material, portanto, não pode a operação ser tratada como fraudulenta ou simulada, razão pela qual requer o cancelamento da mencionada multa. Sobre a matéria, também não merece reparo à decisão de primeira instância ao entender cabível a qualificação da multa porque considera caracterizada a fraude com a simulação descrita pela autoridade fiscal, portanto, ocorrida alguma das hipóteses previstas nos art. 71 a 73, da Lei n 4.502/64. Vejamos: De acordo com o Relatório Fiscal foi imputada a multa qualificada de 150% porque a fiscalização considera que houve simulação na redução de capital, que foi utilizada para viabilizar a cessão, por parte da Eyedo, de quotas da Neogama para o sócio Alexandre Gama, com a intenção de declarar o ganho de capital na venda das citadas quotas da Neogama para a BRZ, na pessoa física, em condições menos onerosas e suprimir a apuração e pagamento de tributo pela contribuinte. Nos termos da legislação de regência, a qualificação da multa é cabível quando ocorrida alguma das hipóteses previstas nos art. 71 a 73, da Lei n 4.502/64. Assim, a ocorrência da simulação deve ser avaliada sob o enfoque dos dispositivos mencionados: Art. 71 — Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I — da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II — das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 — Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 2122DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 16 29 Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. No presente caso, ficou claro que a redução de capital foi uma operação artificial com o único objetivo de transferir as ações para a pessoa física de forma que a alienação posterior à BRZ, já decidida em momento anterior e de pleno conhecimento dos envolvidos, fosse tributada nessa pessoa física em montante inferior àquele decorrente da alienação pela autuada. Plenamente caracterizada a intenção de modificar as características essenciais do fato gerador (venda das quotas pela Eyedo à BRZ) através da montagem de outra operação desprovida de lastro motivacional com vista a pagar menos tributo. De fato, as operações realizadas não podem legitimar consequências tributárias, visto que são procedimentos legais apenas no seu aspecto formal, mas ilícitas na medida em que objetivaram unicamente reduzir a carga tributária a que estava sujeita a fiscalizada. Portanto, mantida a multa qualificada prevista na Lei nº 9.430/96, art.44, I e §1º, com a redação dada pela Lei 11.488/07. LANÇAMENTO REFLEXO – CSLL. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Voto Vencedor 1. Em que pesem os argumentos apresentados pelo Ilustre Colega Relatora, peço vênia, para, respeitosamente, divergir de seu voto para fins de afastar os lançamentos de IRPJ e CSLL em virtude da inocorrência de omissão de ganho de capital nas operações constantes do presente processo administrativo. 2. Conforme relatado, tratase de Recurso Voluntário interposto por Eyedo Criação Planejamento e Marketing Ltda. (“Eyedo”) contra r. acórdão que manteve auto de infração que exige IRPJ e CSLL, em decorrência da venda de participação societária detida pelo sócio da Recorrente – Sr. Alexandre Gama – na sociedade Neogama BBH Publicidade Ltda. (“Neogama”) para BRZ Digital Comunicações Ltda. (“BRZ”). 3. Em síntese, a DRJ/RPO manteve o auto de infração com base nos mesmos fundamentemos utilizados pela autoridade lançadora, por entender que “houve um planejamento tributário abusivo associado à transferência de apuração de ganho de capital de pessoa jurídica para pessoa física, por meio de uma simulação”. Fl. 2123DF CARF MF 30 4. Em outros termos, para as autoridades fiscal e julgadoras a venda da participação na Neogama deveria ter sido realizada diretamente pela Recorrente – que era inicialmente titular das quotas na Neogama – e não pelo Sr. Alexandre Gama, que passou a ser titular direto da participação societária quase um ano antes de realizada a respectiva venda. I. Da Observância dos Pressupostos de Validade do Lançamento 5. Preliminarmente, a Recorrente alega ser nulo o lançamento "por grave equívoco na fundamento dos autos de infração". Contudo, não verifico qualquer nulidade formal e/ou material ocasionada pela inobservância do disposto nos artigos 10 e 59, tampouco dos requisitos constantes do artigo 5º, incisos V e XXXIII, da Constituição Federal e artigo 142 do Código Tributário Nacional. 6. Sem adentrar na questão de estarem corretas ou não as razões que levaram a autoridade fiscal à constituição do crédito tributário, o que será feito quando da análise de mérito, não há que se falar em falta de motivação ou fundamentação equivocada, pois as exigências legais para a lavratura do auto de infração foram cumpridas e a constituição do crédito tributário foi feita de maneira a preservar os direitos da contribuinte. 7. Por essas razões, afasto a caracterização de nulidade. II. Da Legitimidade da Operação de Redução de Capital no Caso Concreto 8. No mérito, evidencio que as autoridades fiscal e julgadoras fundamentaram as autuações fiscais e a manutenção dos lançamentos na premissa equivocada de que a operação de redução de capital da Recorrente consistiu em planejamento tributário abusivo, visando tão somente possibilitar a venda das quotas da Neogama diretamente pelo Sr. Alexandre Gama, com carga tributária reduzida. 9. Em análise as circunstâncias fáticoprobatórias constantes dos autos, fica claro que a redução de capital foi realizada porque (i) o Sr. Alexandre Gama, na qualidade de controlador da Neogama e seu principal executivo, era pressionado pelos demais sócios e pelo próprio mercado investidor para que detivesse diretamente a participação societária da Neogama em seu nome, sem o intermédio da Recorrente; e (ii) identificouse a necessidade de o Sr. Alexandre Gama destacar seus demais investimentos mantidos sob a titularidade da Recorrente das quotas da Neogama. 10. Vejam que, para superação destas questões operacionais e de imagem da Neogama (necessária participação direta do Sr. Alexandre Gama na composição acionária da sociedade) a redução de capital veio como alternativa legítima e eficiente. 11. Ademais, se o único propósito da operação fosse a economia tributária, por que, na mesma época da redução de capital, a Recorrente alienou 107.400 quotas da Neogama para Roberto Crissiuma Mesquita e Rahenann Participações Ltda., apurando o efetivo ganho de capital em tal operação e o submetendo à tributação? Em outras palavras, se a intenção naquele momento fosse de alienação da Neogama para BRZ com menor carga tributária, porque a mesma sistemática não foi utilizada para a alienação de participação para Roberto Crissiuma Mesquita e Rahenann Participações Ltda.? 12. Na mesma linha de raciocínio, quando da alienação da Neogama pelo Sr. Alexandre Gama, outras empresas voltadas ao mercado de comunicação, mais especificamente as sociedades Triacom e Made in Moon, também foram alienadas ao Grupo Publicis pela Investmark, empresa da qual o Sr. Alexandre Gama é controlador e que não tinha a BBH como sócia. Ou seja, se a intenção era reduzir a carga tributária, a Investmark também Fl. 2124DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 17 31 poderia ter reduzido o seu capital e transferido a participação para que seus sócios alienassem os investimentos em Triacom e Made in Moon. Não foi isso que ocorreu, tendo a Investmark alienado diretamente tais empresas para a Publicis e suportado a carga tributária correspondente. 13. Logo, fica evidente que não havia intenção de venda das quotas remanescentes da Neogama à época, mas um simples rearranjo societário para melhor governança da sociedade. Estrutura essa que trazia a transparência e inegável associação da pessoa física do Sr. Alexandre Gama com a Neogama, sociedade que inclusive faz alusão ao seu próprio nome. 14. Não é demais consignar que, tais medidas são usuais nas empresas para fins de atender às políticas de compliance e transparência corporativa, bem como para fomentar a atração de investimentos, o que por si só afasta o argumento de que o único objetivo da operação em pauta é economia tributária. 15. Por outro lado, não alinhase aos fatos a alegação das doutas autoridades de que a redução de capital foi seguida de "imediata venda", isso porque, de acordo com a própria legislação, qualquer operação de redução de capital não pode ser concluída em menos de 90 dias. 16. Em verdade, a Recorrente demonstrou que houve relevante lapso temporal entre a redução de capital e a venda da participação societária na Neogama. O decurso de 1 ano desde a aprovação da redução de capital até a venda da participação societária, somado ao fato de todos os requisitos formais para a redução de capital terem sido atendidos, acaba por afasta a possibilidade de qualificar essa operação como “simulada”. 17. Vale trazer a timeline apresentada pela Recorrente: 18. Ainda assim, entendo que são evidentes as razões negociais/operacionais que impulsionaram a reestruturação societária em análise. O suposto curto espaço de tempo entre a redução do capital e a alienação definitivamente não configuram planejamento tributário abusivo. 19. No mais, a operação de redução de capital foi realizada pela Recorrente de acordo com ao artigo 22, da Lei nº 9.249/951. É certo que, nos casos de redução de capital 1 “Art. 22. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. §1º No caso de a devolução realizarse pelo valor de mercado, a diferença entre este e o valor contábil dos bens ou direitos entregues será considerada ganho de capital, que será computado nos resultados da pessoa jurídica Fl. 2125DF CARF MF 32 com devolução em bens aos sócios ou acionistas, os referidos bens podem ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. E, na hipótese de devolução pelo respectivo valor de mercado, caso este seja superior ao valor contábil, a sociedade deve oferecer à tributação do IRPJ e CSLL o ganho de capital auferido. De outro lado, na hipótese de devolução pelo valor contábil, nenhum tributo é devido, mantendo o acionista o respectivo custo da participação cancelada pelo recebimento dos ativos restituídos. 20. Em observância a citada dinâmica normativa, quando da redução de capital da Recorrente com a transferência da participação na Neogama para o Sr. Alexandre Gama, foi levantado balancete especial da Neogama (data base 31.05.2011), oportunidade na qual foi reconhecido o correspondente resultado de equivalência patrimonial nas demonstrações contábeis da Recorrente e, com base nesse valor contábil (i.e. R$ 9.484.442,95), determinouse a devolução de bens aos sócios. Este critério restou evidenciado na 4ª Alteração Contratual da Recorrente, conforme relatado. 21. Verificase, portanto, que foi deliberada a redução de capital da Recorrente com a restituição das quotas da Neogama ao Sr. Alexandre Gama com base no valor contábil desse ativo, o qual refletia a respectiva equivalência patrimonial da participação societária. Essa operação, portanto, não teve qualquer reflexo tributário, na medida em que não foi auferido qualquer ganho de capital pela Recorrente. 22. Ato subsequente, nos termos do artigo 22, §3º, da Lei nº 9.249/95, o Sr. Alexandre Gama reconheceu em sua DIRPF12 (anocalendário 2011 – fls. 1.820/1.848) as quotas da Neogama pelo respectivo valor de custo das quotas da Recorrente que foram canceladas (i.e. R$ 9.484.442,95). 23. Logo, não há dúvidas de que as operações em questão seguiram as diretrizes constantes do artigo 22, da Lei nº 9.249/95 e mais, a própria jurisprudência deste E. CARF reconhece a regularidade de operações dessa natureza: "REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. SITUAÇÃO AUTORIZADA PELOS ARTS. 22 DA LEI Nº 9.249 DE 1995. PROCEDIMENTO LÍCITO. Os arts. 22 e 23 da Lei nº 9.249, de 1995, adotam o mesmo critério tanto para integralização de capital social, quanto para devolução deste aos sócios ou acionistas, conferindo coerência ao sistema jurídico: o art. 23 prevê que a pessoa física transfira à pessoa jurídica, a título de integralização de capital social, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração ou de mercado: o art. 22, que os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou o sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, também poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado." tributada com base no lucro real ou na base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido devidos pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado. §2º Para o titular, sócio ou acionista, pessoa jurídica, os bens ou direitos recebidos em devolução de sua participação no capital serão registrados pelo valor contábil da participação ou pelo valor de mercado, conforme avaliado pela pessoa jurídica que esteja devolvendo capital. §3º Para o titular, sócio ou acionista, pessoa física, os bens ou direitos recebidos em devolução de sua participação no capital serão informados, na declaração de bens correspondente à declaração de rendimentos do respectivo ano base, pelo valor contábil ou de mercado, conforme avaliado pela pessoa jurídica”. Fl. 2126DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 18 33 (Processo nº 16561.720087/201512, Acórdão nº 1201001.809, Relatora Eva Maria Los, julgado em 25/07/2017). "REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. SITUAÇÃO AUTORIZADA PELO ARTIGO 22 DA LEI Nº 9.249 DE 1995. PROCEDIMENTO LÍCITO. Os artigos 22 e 23 da Lei nº 9.249, de 1995, adotam o mesmo critério tanto para integralização de capital social, quanto para devolução deste aos sócios ou acionistas, conferindo coerência ao sistema jurídico. O artigo 23 prevê a possibilidade das pessoas físicas transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital social, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração ou pelo valor de mercado. O artigo 22, por sua vez, prevê que os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. Quando os bens, tanto na integralização quanto na devolução de participação no capital social, forem entregues/avaliados por montante superior ao que consta da declaração da pessoa física ou valor contábil da pessoa jurídica, a diferença a maior será tributada como ganho de capital (Inteligência dos artigos 22, § 4º e 23, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995). Não seria lógico exigir ganho de capital quando os bens e direitos fossem entregues pelo valor de mercado na integralização de capital social e não se admitir a devolução destes, aos acionistas, pelo valor contábil. INTERESSE PROTEGIDO E NORMA INDUTORA DE COMPORTAMENTO. É juridicamente protegido o procedimento levado a efeito pelas Companhias e seus acionistas por meio do qual se devolve a estes, pelo valor contábil, bens e direitos do ativo da pessoa jurídica (art. 22, caput, da Lei nº 9.249, de 1995). Diante do fato de que o acesso a recursos junto ao mercado financeiro, de que necessitam as empresas, está ligado, em parte, ao capital social das Companhias, a regra que permite a devolução da participação acionária pelo valor contábil, sem que isto implique em custo tributário ao titular dos recursos, se constitui em norma indutora de comportamento que tem por finalidade aumentar o capital social das empresas, garantindo a devolução destes aos sócios acionistas, pelo valor contábil, sem exigência de tributação neste ato. Ademais, o fato de os acionistas planejarem a redução do capital social, celebrando contratos preliminares de que tratam os artigos 462 e 463 do Código Civil, com cláusulas suspensivas, visando a subsequente alienação de suas ações a terceiros, tributando o ganho de capital na pessoa física, se constitui em procedimento expressamente previsto no direito brasileiro. Fl. 2127DF CARF MF 34 No caso concreto, não se pode confundir os contratos preliminares feitos entre os titulares das ações e o contrato definitivo que foi o instrumento que materializou e conferiu validade e eficácia na transação feita entre os titulares das ações e a empresa adquirente. Por fim, em que pese a autuação invocar o contrato preliminar datado de 3/8/2007 para imputar responsabilidade à empresa POLPAR, esta sequer figurou como parte ou anuente no referido instrumento e tampouco recebeu o produto da venda que foi entregue, mediante crédito em conta, aos titulares das ações. Recurso Voluntário Provido." (Processo nº 19515.004548/201037, Acórdão nº 1402 001.477, Relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva , julgado em 09/10/2013). "DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. INOCORRÊNCIA NAS REDUÇÕES DE CAPITAL MEDIANTE ENTREGA DE BENS OU DIREITOS, PELO VALOR PATRIMONIAL A PARTIR DA VIGÊNCIA DA LEI 9.249/1995. Constitui propósito negocial legítimo o encadeamento de operações societárias visando a redução das incidências tributárias, desde que efetivamente realizadas antes da ocorrência do fato gerador, bem como não visem gerar economia de tributos mediante criação de despesas ou custos artificiais ou fictícios. A partir da vigência do art. 22 da Lei 9.249/1995, a redução de capital mediante entrega de bens ou direitos, pelo valor patrimonial, não mais constituiu hipótese de distribuição disfarçada de lucros, por expressa determinação legal. Recurso Provido. (Processo nº 11080.724651/201123, Acórdão nº 1402 001.252, Relator Designado Antônio José Praga de Souza, julgado em 07/11/2012). 24. Pessoalmente, já me pronunciei sobre a questão no Acórdão nº 1201 002.082, julgado em 15 de março de 2018. 25. Por fim, cabe consignar que tal entendimento tem fundamento na opinião própria opinião do citado Marco Aurélio Greco2, para quem as faculdades asseguradas pela legislação tributária não se inserem na temática da elisão fiscal. Segundo o autor, as opções fiscais “estão fora do planejamento, pois correspondem a escolhas que o ordenamento positivamente coloca à disposição do contribuinte, abrindo expressamente a possibilidade de escolha”, podendo um caminho “ser menos oneroso do que o outro”. 26. Não é o caso, mas ainda que motivado pela economia tributária (leiase boa gestão corporativa), são legítimos os atos praticados pelo contribuinte quando estes são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados e sua dinâmica operacional/negocial. “Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 SIMULAÇÃO DE NEGÓCIOS. SUBSTÂNCIA DOS ATOS. O planejamento tributário que é feito segundo as normas legais e que não configura as chamadas operações sem propósito negocial, não pode ser considerado simulação se há não elementos suficientes 2 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário, 2.ed. São Paulo: Dialética, p. 100. Fl. 2128DF CARF MF Processo nº 19515.720803/201688 Acórdão n.º 1201002.584 S1C2T1 Fl. 19 35 para caracterizála. Não se verifica a simulação quando os atos praticados são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados, assumindo o contribuinte as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas, ainda que motivado pelo objetivo de economia de imposto” (Acórdão 1302001.713, Rel. Cons. Hélio Eduardo de Paiva Araújo, J: 25/03/2015). 27. No processo em tela, não se verifica atipicidade da forma jurídica adotada em relação ao fim, ao intenso prático visado, tampouco adoção de forma jurídica anormal, atípica e inadequada. Definitivamente, não estamos diante de condutas abusivas e/ou simuladas. III. Tributação Reflexa 28. A solução dada ao litígio principal, em relação ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, aplicase ao litígio decorrente ou reflexo relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido na medida em que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. Conclusão 29. Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do presente RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, DARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 2129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.004049/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 28/10/2008
II. PIS/COFINS-IMPORTAÇÃO. FATO GERADOR. VISTORIA ADUANEIRA.
Para efeito de ocorrência dos fatos geradores do Imposto sobre a Importação (II) e das contribuições de PIS/COFINS-importação, considerar-se-á entrada no território nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada em procedimento de vistoria aduaneira.
IPI. FATO GERADOR. VISTORIA ADUANEIRA.
Para efeito de ocorrência do fato gerador do IPI vinculado à importação, considerar-se-á ocorrido o respectivo desembaraço aduaneiro da mercadoria que constar como tendo sido importada e cujo extravio ou avaria venham a ser apurados pela autoridade fiscal em vistoria aduaneira.
VISTORIA ADUANEIRA. FALTA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. TRANSPORTADOR.
Para efeitos fiscais, é responsável o transportador quando houver extravio, constatado na descarga, de volumes manifestados.
Recurso Voluntário negado
Crédito Tributário mantido
Numero da decisão: 3402-005.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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PIS/COFINSIMPORTAÇÃO. FATO GERADOR. VISTORIA ADUANEIRA. Para efeito de ocorrência dos fatos geradores do Imposto sobre a Importação (II) e das contribuições de PIS/COFINSimportação, considerarseá entrada no território nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada em procedimento de vistoria aduaneira. IPI. FATO GERADOR. VISTORIA ADUANEIRA. Para efeito de ocorrência do fato gerador do IPI vinculado à importação, considerarseá ocorrido o respectivo desembaraço aduaneiro da mercadoria que constar como tendo sido importada e cujo extravio ou avaria venham a ser apurados pela autoridade fiscal em vistoria aduaneira. VISTORIA ADUANEIRA. FALTA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. TRANSPORTADOR. Para efeitos fiscais, é responsável o transportador quando houver extravio, constatado na descarga, de volumes manifestados. Recurso Voluntário negado Crédito Tributário mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 40 49 /2 00 8- 17 Fl. 410DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em São Paulo I que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Versa o processo sobre Notificações de Lançamento decorrentes de vistoria aduaneira para a exigência de Imposto sobre a Importação (II), com a correspondente multa de ofício, IPI, PIS/Pasepimportação, Cofinsimportação, no montante total de R$ 38.166,83, em razão de extravio de mercadorias desembarcadas. Inconformada, a interessada impugnou o lançamento, alegando, em síntese: i) Inexiste extravio de carga, eis que, embora a transportadora tenha informado no Mantra 4 (quatro) volumes pesando 56,000 kg, apenas lhe foram efetivamente confiados para transporte 2(dois) volumes com 6,450 kg. ii) O agente consolidador, que expede o conhecimento aéreo, tem a obrigação de repassar ao transportador as informações precisas que atentem fielmente aos interesses do proprietário da mercadoria para a que o transporte tenha êxito. Houve erro exclusivo do agente consolidador, pois dois volumes da mercadoria objeto do HAWB 417 1046 3493MIA 05146 não seguiram no vôo para o qual estavam originalmente manifestados. iii) O Termo de Vistoria Aduaneira comprova que a carga importada chegou absolutamente incólume, uma vez que não há qualquer sinal externo de avaria, não há indícios de violação. Não há, portanto, elementos concretos aptos a comprovar a responsabilidade da impugnante pelo hipotético extravio em debate, uma vez não observado o quanto determinado no art. 592, II do Regulamento Aduaneiro. iv) A fiscalização utilizase de meras presunções jurídicas para definir o fato gerador dos tributos cobrados; presunção essa relativa, já que a impugnação configura admissão de prova em contrário. A Delegacia de Julgamento não acatou as razões de defesa da impugnante, sob os seguintes fundamentos principais: Os registros de descarga e movimentação da carga, relativos ao conhecimento aéreo Master AWB 417 1046 3493, House HAWB MIA 05146, indicam que apenas dois volumes com 6,540 kg foram descarregados, quando estavam manifestados 4 volumes com 56,000 kg (fl. 198). Considerase responsável, nos termos do inciso I do § 2º do art. 60 do Decretolei nº 37/66, o transportador, quando constatado o extravio até a conclusão da descarga da mercadoria no local ou recinto alfandegado. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 12466.004049/200817 Acórdão n.º 3402005.670 S3C4T2 Fl. 411 3 O argumento de que o art. 10 da Convenção de Varsóvia determina ao consolidador o dever de indenizar o transportador pelo dano em razão das indicações e declarações sobre a carga referese à relação entre eles e o consignatário da carga, da mesma forma que o estabelecido no art. 745 do Código Civil; não, perante o Fisco. A alegação de que os dois volumes faltantes não embarcaram não restou comprovada, além do que o transportador nenhuma ressalva fez acerca da carga quando da recepção da mesma para transportar. Cientificada dessa decisão em 08/08/2016, a interessada interpôs recurso voluntário em 25/08/2016, sob os seguinte tópicos: 1. Da conferência final de manifesto e dos princípios da legalidade e da verdade Material dos Fatos 2. Da responsabilidade exclusiva do agente de cargas pelo extravio de carga consolidada (Full Pallet) 3. Da não ocorrência dos fatos geradores dos tributos discriminados no auto de infração É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Alega a recorrente que a fiscalização teria adotado o procedimento equivocado para a constatação da falta de mercadoria. Conforme consta nas Notificações de Lançamento, foi realizado o procedimento de "vistoria aduaneira" a pedido da empresa Target Trading S/A, no processo n° 12466.003390/200847, por existirem indícios de extravio nas mercadorias por ela importadas e acobertadas pelo conhecimento de transporte aéreo MAWB 4171046 3493/ HAWB MIA05146. Foi, assim, constituída a Comissão de Vistoria Aduaneira, a fim de apurar a existência de extravio e atribuir a responsabilidade tributária pela mercadoria eventualmente extraviada, nos termos do art. 581 do Regulamento Aduaneiro/2002, abaixo transcrito: Art. 581. A vistoria aduaneira destinase a verificar a ocorrência de avaria ou de extravio de mercadoria estrangeira entrada no território aduaneiro, a identificar o responsável e a apurar o crédito tributário dele exigível (Decretolei no 37, de 1966, art. 60, parágrafo único). § 1o A vistoria será realizada a pedido, ou de ofício, sempre que a autoridade aduaneira tiver conhecimento de fato que a justifique, devendo seu resultado ser consubstanciado em termo próprio. § 2o No caso de remessa postal internacional, a vistoria atenderá ainda às normas da legislação específica. § 3o Não será efetuada vistoria após a saída da mercadoria do recinto de despacho. Fl. 412DF CARF MF 4 A vistoria aduaneira poderá ser realizada a qualquer momento antes da saída da mercadoria importada do recinto alfandegado, inclusive havendo fatos que a justifique, após o início da conferência aduaneira ou da verificação física da mercadoria, situação na qual tais procedimentos serão interrompidos até a conclusão da vistoria aduaneira, nos termos do art. 584 do Regulamento Aduaneiro/2002. A recorrente parece confundir um pouco os conceitos de "vistoria aduaneira" e de "conferência final de manifesto", que são procedimentos distintos, embora, em algumas situações, possam ter resultado semelhante, com a exigência dos tributos em face do responsável pela falta das mercadorias. Nesse ponto, é pertinente transcrever as sempre preciosas lições de Roosevelt Baldomir Sosa1 acerca da "conferência final de manifesto": 50. MANIFESTO DE CARGA O manifesto de carga é documento típico do veículo transportador e corresponde a um rol ou relação dos conhecimentos relativos à carga transportada pelo veículo. 51. CONTROLE DO MANIFESTO O registro do manifesto na repartição fiscal inaugura, por assim dizer, um espécie de contacorrente pela qual controlam se as cargas chegadas e desembarcadas nos pontos alfandegados. As mercadorias, no manifesto, estão designadas aos respectivos consignatários, os quais, por ocasião do despacho aduaneiro, credenciamse a seu recebimento, fazendo prova de propriedade pelo conhecimento de carga. Os conhecimentos são então confrontados com o manifesto e "baixados". Se ao final houver saldos a maior a mercadoria poderá ser reembarcada a seu verdadeiro destino, ou poderá recair no abandono, ou ainda poderá ser normalmente desembaraçada, conforme o caso. A qualquer sorte, acréscimos de cargas não manifestadas ensejam aplicação de sanção ao transportador. Havendo falta, ou seja, quando uma dada mercadoria foi manifestada e não foi encontrada presumese ocorrido o fato gerador (fato gerador presumido) e exigemse direitos aduaneiros do responsável. (...) 558. FALTA (OU EXTRAVIO) DE MERCADORIAS. CONCEITO (...) (...) Devese distinguir, por boa técnica, as faltas por mercadorias não descarregadas, embora manifestadas para descarga no País, das demais espécies de faltas. As faltas em manifesto dão ensejo à presunção de terem sido desviadas do que decorrerá exigência tributária por "fato gerador presumido" (vide comentário nº 91). A hipótese de falta em manifesto obedece rito próprio não sendo abrangida pelo processo de vistoria aduaneira. (...) 570. MANIFESTO DE CARGA. CONFERÊNCIA FINAL O manifesto de carga é literalmente, um rol, lista ou relação, das mercadorias transportadas e destinadas a um determinado destino, segundo os conhecimentos de transporte emitidos (contratos de transporte) a favor dos respectivos recebedores ou consignatários. É documento fundamental ao controle aduaneiro das mercadorias em importação. Após a descarga das mercadorias adotase, no âmbito da repartição aduaneira com jurisdição no ponto de descarga, um procedimento de apuração de eventuais faltas ou acréscimos relativamente ao manifestado. A esse cotejo entre o declarado por manifesto e o efetivamente descarrregado e que o legislador chama de "confronto do manifesto com o registro de cargas", consoante o art. 476 [do Regulamento Aduaneiro/85] corresponde à denominada conferência final de manifesto (vide comentários nºs 50 e 51). 1 SOSA, Roosevelt Baldomir. Comentários à Lei Aduaneira. São Paulo: Aduaneiras, 1995. Fl. 413DF CARF MF Processo nº 12466.004049/200817 Acórdão n.º 3402005.670 S3C4T2 Fl. 412 5 A conferência final de manifesto destinase a verificar eventual falta ou acréscimo de mercadoria em relação ao manifestado para todo ponto de descarga do veículo no País, enquanto que a vistoria aduaneira visa apurar eventual avaria ou falta de mercadoria numa carga em particular, objeto de um determinado conhecimento de carga. No caso presente, apurouse, no procedimento de vistoria aduaneira, a falta de 2 volumes, com peso bruto de 6,450 kg, do total da carga objeto do conhecimento de carga MAWB 4171046 3493/ HAWB MIA05146, o qual foi devidamente manifestado, ou seja, constou no manifesto de carga do ponto de destino, razão pela qual não se apurou qualquer problema no que diz respeito à conferência final de manifesto. Dessa forma, não procedem as alegações da recorrente acerca de irregularidade no procedimento para a apuração da falta de mercadoria, o qual foi efetuado adequadamente como vistoria aduaneira para apurar indícios de extravio nas mercadorias acobertadas pelo conhecimento de transporte aéreo MAWB 4171046 3493/HAWB MIA05146, importadas pela empresa Target Trading S/A, inclusive a pedido desta. Acerca da responsabilização da transportadora, ela foi efetuada nas Notificações de Lançamento em conformidade com o disposto na legislação, conforme se depreende da trecho abaixo: Na descarga das mercadorias no Aeroporto Internacional de Vitória foram recebidos pelo depositário 02(dois) volumes com peso bruto total de 6,450kg, quando deveriam ter sito a ele entregues pelo transportador aéreo 04(quatro) volumes com peso bruto total de 56,000kg, de acordo com o que consta no conhecimento de transporte aéreo citado. (...) Ao final da vistoria, apurouse a responsabilidade do transportador estrangeiro, com base no art. 32, parágrafo único, alínea "b" do DecretoLei n°2.472/88, pela falta, nos seguintes valores, conforme o demonstrativo abaixo e pelas seguintes razões: Regulamento Aduaneiro Decreto n° 4.543/02: "Artigo 592 Para efeitos fiscais, é responsável o transportador quando houver: VI extravio, constatado na descarga, de volume ou de mercadoria a granel, manifestados.; A alegação da recorrente de que teria sido induzida a erro pelo Agente Consolidador das cargas, carece de demonstração nos autos, como já havia sido esclarecido na decisão da DRJ, não tendo a recorrente apresentado qualquer elemento modificativo quanto a essa parte da decisão recorrida, razão pela qual é de ser mantida pelos próprios fundamentos: O texto legal estabelece de maneira objetiva a responsabilidade do transportador em caso de extravio, na condição especificada, ressalvada a hipótese de erro inequívoco ou comprovado de expedição; conforme já salientado, a impugnante limitouse a alegar que lhe foram entregues para transporte apenas dois volumes com 6,540 kg, enquanto o agente consolidador tinha indicado quatro volumes com 56,000 kg; contudo, ainda que verdadeira tal situação, a responsabilidade, para efeitos fiscais, é do transportador, como se depreende da leitura do dispositivo legal citado. (...) Já se explicou que a alegação de que os dois volumes faltantes não embarcaram não foi comprovada, além do que o transportador nenhuma ressalva fez acerca da carga quando da recepção da mesma para transportar; na verdade, Fl. 414DF CARF MF 6 portanto, não há nada concreto que possa sustentar a alegação da impugnante, de modo que, diferentemente da responsabilidade para efeitos fiscais, com base na legislação mencionada, ficalhe assegurado o exercício do direito de regresso pelo dano que suportar; por conclusão, a fiscalização não se valeu de meras presunções, mas de definição legal; e descabido qualquer direcionamento da responsabilidade ao agente de carga, porque nos termos legais, para os efeitos fiscais, reiterando, o ônus é do transportador. Ademais, os dispositivos colacionados pela recorrente do Código Brasileiro de Aeronáutica, da Convenção Internacional de Varsóvia e do Código Civil, no sentido de que caberia ao expedidor indenizar o transportador pelo prejuízo que causar em face de suas indicações ou declarações irregulares, acaso sejam efetivamente comprovadas, poderiam dar guarida à recorrente fora do âmbito administrativo, inclusive quanto a eventuais tributos daí decorrentes, mas não lhe socorrem na sua relação com o Fisco, que é regida pelo art. 592 do Regulamento Aduaneiro/2002, cuja matriz legal é o art. 41 do Decretolei nº 37/66. O art. 146, III, "a" da Constituição Federal, mencionado pela recorrente, delimita como uma das atribuições da lei complementar em matéria tributária estabelecer "as normas gerais" em relação aos fatos geradores dos impostos, mas não o próprio fato gerador, o qual pode ser definido por lei ordinária, nos termos do art. 114 do CTN ("Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência" [negritei]). No caso, a situação retratada nos autos, de falta de mercadoria importada declarada, acarreta as incidências tributárias do II, IPI e das contribuições de PIS/Cofins importação, nos termos dos dispositivos legais abaixo transcritos: Decretolei nº 37/66: Art. 1º O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (...) § 2º Para efeito de ocorrência do fato gerador, considerarseá entrada no Território Nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira. (Parágrafo único renumerado para § 2º pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (...) Lei n° 4.502/64: Art. 2º Constitui fato gerador do impôsto: (...) § 3o Para efeito do disposto no inciso I, considerarseá ocorrido o respectivo desembaraço aduaneiro da mercadoria que constar como tendo sido importada e cujo extravio ou avaria venham a ser apurados pela autoridade fiscal, inclusive na hipótese de mercadoria sob regime suspensivo de tributação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003) (...) Lei nº 10.865/2004: Art. 1o Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINSImportação, com base nos arts. 149, § 2o, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6o. Fl. 415DF CARF MF Processo nº 12466.004049/200817 Acórdão n.º 3402005.670 S3C4T2 Fl. 413 7 (...) Art. 3o O fato gerador será: I a entrada de bens estrangeiros no território nacional; ou (...) § 1o Para efeito do inciso I do caput deste artigo, consideramse entrados no território nacional os bens que constem como tendo sido importados e cujo extravio venha a ser apurado pela administração aduaneira. (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 416DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722082/2016-83
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
DESPESAS MÉDICAS. DEPENDENTE. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Somente são dedutíveis as despesas efetuadas que tenham como beneficiário o contribuinte ou seus dependentes.
Numero da decisão: 2001-000.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 DESPESAS MÉDICAS. DEPENDENTE. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Somente são dedutíveis as despesas efetuadas que tenham como beneficiário o contribuinte ou seus dependentes.
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score : 1.0
Numero do processo: 11634.000207/2009-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004, 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/10/2004 a 30/11/2004
CIDE-ROYALTIES. REMESSA. EXTERIOR. PAGAMENTO. SOFTWARE. USO. LICENÇA. INCIDÊNCIA. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. ESFERA ADMINISTRATIVA. RENÚNCIA.
Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
BASE DE CÁLCULO. IRRF. EXCLUSÃO.
Inexiste amparo legal para se excluir da base de cálculo da CIDE o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre os valores pagos, creditados e/ ou remetidos a residentes/domiciliados no exterior.
Numero da decisão: 9303-007.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004, 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/10/2004 a 30/11/2004 CIDE-ROYALTIES. REMESSA. EXTERIOR. PAGAMENTO. SOFTWARE. USO. LICENÇA. INCIDÊNCIA. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. ESFERA ADMINISTRATIVA. RENÚNCIA. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. BASE DE CÁLCULO. IRRF. EXCLUSÃO. Inexiste amparo legal para se excluir da base de cálculo da CIDE o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre os valores pagos, creditados e/ ou remetidos a residentes/domiciliados no exterior.
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REMESSA. EXTERIOR. PAGAMENTO. SOFTWARE. USO. LICENÇA. INCIDÊNCIA. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. ESFERA ADMINISTRATIVA. RENÚNCIA. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. BASE DE CÁLCULO. IRRF. EXCLUSÃO. Inexiste amparo legal para se excluir da base de cálculo da CIDE o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre os valores pagos, creditados e/ ou remetidos a residentes/domiciliados no exterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 02 07 /2 00 9- 91 Fl. 769DF CARF MF Processo nº 11634.000207/200991 Acórdão n.º 9303007.067 CSRFT3 Fl. 745 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial interposto tempestivamente pelo contribuinte contra o acórdão nº 3102002.141, de 25 de fevereiro de 2014, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF. O Colegiado da Câmara Baixa, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso de voluntário, nos termos das ementas transcritas abaixo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004, 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/10/2004 a 30/11/2004 LICENÇA DE USO. AQUISIÇÃO DE CONHECIMENTO TECNOLÓGICO. CONTRATOS QUE IMPLIQUEM TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. SERVIÇOS TÉCNICOS, DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. ROYALTIES. PAGAMENTO, CREDITAMENTO. ENTREGA. EMPREGO OU REMESSA AO EXTERIOR. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. CONDIÇÃO. INEXISTÊNCIA. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE onera os valores pagos creditados, entregues, empregados ou remetidos a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, por licença de uso de conhecimentos tecnológicos, aquisição de conhecimentos tecnológicos, contratos que impliquem transferência tecnológica, serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes e royalties. A transferência de tecnologia ou de conhecimento tecnológico não é condição sine qua non à incidência da Contribuição. LICENÇAS DE USO OU DE DIREITOS DE COMERCIALIZAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO. PROGRAMAS DE COMPUTADOR. AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. EXCLUSÃO DAS HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. VIGÊNCIA. A exclusão das hipóteses de incidência da CIDE da remuneração paga pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador quando não houver transferência de tecnologia, determinada pela Lei 11.452/07, não é disposição de natureza interpretativa. Não há menção expressa na norma a essa condição e seu artigo 21 determinou que a regra entraria em vigor no dia 1º de janeiro de 2006. Fl. 770DF CARF MF Processo nº 11634.000207/200991 Acórdão n.º 9303007.067 CSRFT3 Fl. 746 3 BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF). CÁLCULO POR DENTRO (GROSSUP). VALOR DO IMPOSTO. INCORPORAÇÃO AO VALOR DA OPERAÇÃO. O valor do Imposto de Renda (IRRF) incidente sobre o valor pago na espécie de operação onerada pela Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE e retido pela fonte pagadora integra a base de cálculo da Contribuição. A metodologia de cálculo conhecida como "cálculo por dentro", própria dos tributos para os quais a responsabilidade pela retenção e recolhimento é atribuída à fonte pagadora (ou a quem paga), acarreta o reajuste do próprio valor da operação, que passa a ser integrado pelo valor do imposto retido." Intimado do acórdão, o contribuinte interpôs recurso especial, requerendo a sua reforma a fim de que seja reconhecida a não incidência da CIDE sobre as remessas ao exterior para pagamento de royalties sobre licença de uso de software, serviços de manutenção, atualização e suporte, alegando, em síntese, a inocorrência do fato gerador da contribuição pelo fato de não ter havido transferência de tecnologia pelos fornecedores; alegou ainda a indevida inclusão do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) na base de cálculo da contribuição por falta de amparo legal. Por meio do despacho do Exame de Admissibilidade de Recurso Especial às fls. 697e/700e, o recurso do contribuinte foi admitido pelo Presidente da Primeira Câmara. Intimada do recurso especial do contribuinte e do despacho de sua admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, defendendo a manutenção da decisão recorrida, alegando, em síntese, que, no presente caso, a contribuição é devida nos termos dos arts. 1 e 2º, §§ 2º e 3º da Lei nº 10.168/2000, sem a necessidade de transferência de tecnologia pelos fornecedores, citando a Solução de Consulta Cosit nº (DOU de 18/5/2006) e a decisão do TRF da 3ª Região, na Apelação nº 2002.61.00.0252771/SP, bem como jurisprudência administrativa; quanto à inclusão do IRRF, na base de cálculo da contribuição, alega que está de acordo com o disposto no art. 2º da Lei nº 10.168/2000, tendo em vista que esse dispositivo define como base de cálculo os valores pagos, creditados, entregues ou remetidos, a titulo de royalties ou da contraprestação de serviços, o que implica considerar o valor bruto. É o relatório em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido, em parte, ou seja, da matéria que não foi objeto de ação judicial. Fl. 771DF CARF MF Processo nº 11634.000207/200991 Acórdão n.º 9303007.067 CSRFT3 Fl. 747 4 A matérias em litígio abrangem (i) a incidência da CIDE sobre as remessas ao exterior para pagamento de royalties sobre licença de uso de software, serviços de manutenção, atualização e suporte e (ii) a inclusão do IRRF na base de cálculo da contribuição. Do exame dos autos, verificase que a CIDE, objeto do lançamento em discussão, foi também objeto de ação judicial MS 2004.51.01.0040563, inclusive, o crédito tributário foi constituído sem o lançamento da respectiva multa de ofício, conforme se verifica do auto de infração às fls. 317e, do Termo de Verificação Fiscal às fls. 313e. Também, o contribuinte, na impugnação às fls. 330e/331e, bem como no recurso voluntário às fls. 462e, reconheceu que a matéria tributada foi objeto daquela ação judicial, inclusive, informa que efetuou depósitos judiciais dos valores lançados e exigidos. Ora, a opção do contribuinte pela via judiciária para a discussão de matéria tributária com idêntico pedido na instância administrativa implicou renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos da Lei nº 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único, e do Decretolei nº 1.737, de 1979, art. 1º, § 2º. Tratase de matéria já sumulada pelo CARF por meio da Súmula nº 01, nos seguintes termos: “Súmula CARF nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Assim, por força no disposto no art. 72, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, obrigatoriamente, aplicase esta súmula ao presente caso. Também, em face do disposto no art. 72, daquela portaria, o recurso especial do contribuinte não deve ser conhecido, quanto à incidência da CIDE, objeto do lançamento em discussão. Remanesce todavia, a análise e julgamento da inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE, matéria que não foi objeto da referida ação judicial A CIDE foi criada e regulamentada pela Lei nº 10.168/2000 que assim dispõe: "Art. 1º Fica instituído o Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação, cujo objetivo principal é estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediante programas de pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo. Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, Fl. 772DF CARF MF Processo nº 11634.000207/200991 Acórdão n.º 9303007.067 CSRFT3 Fl. 748 5 bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (...). § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.332, de 2001." Ao contrário do entendimento do contribuinte, a base de cálculo da CIDE, segundo o § 3º do art. 2º, da Lei nº 10.168, de 2000, citado e transcrito acima, é o valor pago, creditado ou remetido, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. Do exame das normas legais que tratam desta contribuição, não encontramos quaisquer dispositivos que determinam e/ ou permitam a exclusão do IRRF da sua base de cálculo. Também este é o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) externado por meio do Ato Declaratório Interpretativo nº de 13 de outubro de 2004, que assim dispõe: “Art. 1º As disposições do Regulamento de Melbourne, trazidas pelo Tratado de Melbourne, celebrado em 09 de dezembro de 1988, não foram legitimamente incorporadas ao Direito Brasileiro, não tendo eficácia no País no tocante ao Imposto sobre a Renda e à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) incidentes sobre as remessas efetuadas por empresas de telecomunicações pela prestação de serviços técnicos realizados em chamadas de longa distância internacional, iniciadas no País, ou em chamadas de longa distância nacional, em circunstâncias em que haja a utilização de redes de propriedade de não domiciliadas no Brasil. Art. 2º É devido o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, à alíquota de 15%, e a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), à alíquota de 10%, sobre o total dos valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos às empresas de telecomunicações domiciliadas no exterior, a título de pagamento pela contraprestação de serviços técnicos realizados em chamadas de longa distância internacional, iniciadas no Brasil, ou a chamadas de longa distância nacional, em que haja a utilização de redes de propriedade de empresas congêneres, domiciliadas no exterior. Art. 3º A base de cálculo do Imposto sobre a Renda e da Cide, incidentes nas hipóteses previstas no art. 2º, é o valor total da operação, ainda que não sejam as remessas integralmente enviadas ao exterior, e não apenas o saldo líquido resultante de encontro de contas envolvendo débitos e créditos entre o tomador e o prestador dos serviços. Fl. 773DF CARF MF Processo nº 11634.000207/200991 Acórdão n.º 9303007.067 CSRFT3 Fl. 749 6 Art. 4º Os rendimentos decorrentes da prestação de serviços técnicos de telecomunicações que sejam pagos, creditados, entregues ou remetidos a residentes ou domiciliados em países com os quais o Brasil mantenha tratados para evitar a dupla tributação (regularmente incorporados ao ordenamento jurídico brasileiro) estão sujeitos ao tratamento específico neles constantes.” Ressaltamos ainda que, por meio da Solução de Divergência nº 17, a Coordenação Geral de Tributação (Cosit) da RFB, solucionou a divergência até então existente sobre esta questão, assim decidindo: “BASE DE CÁLCULO CIDE. PESSOA JURÍDICA BRASILEIRA. ASSUNÇÃO DO ÔNUS DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF). O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus imposto do IRRF.” Dessa forma, independentemente de quem assumiu a responsabilidade pela retenção/pagamento do IRRF, a base de cálculo da CIDE é o valor bruto pago e/ ou creditado ao residente/domiciliado no exterior. À luz do exposto, voto por não conhecer do recurso especial do contribuinte, quanto à incidência da CIDE sobre as remessas ao exterior para pagamento de royalties sobre licença de uso de software, serviços de manutenção, atualização e suporte, matéria objeto de ação judicial, e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 774DF CARF MF Processo nº 11634.000207/200991 Acórdão n.º 9303007.067 CSRFT3 Fl. 750 7 Fl. 775DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.925302/2016-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2014
CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.927
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 53 02 /2 01 6- 18 Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10680.925302/201618 Acórdão n.º 3301004.927 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido efetuado pela empresa Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda., CNPJ nº 05.805.826/000141, mas não teria sido confirmado evento de sucessão entre o declarante e o detentor do crédito. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que a empresa Asyst teria sido incorporada pela Algar Tecnologia, a qual teria sofrido cisão, passando a ser controlada pela Algar TI, de modo que o acervo incorporado da Asyst, teria sido incorporado pela Algar TI. O contribuinte argumentou que na sucessão, a empresa sucessora se torna responsável pelas obrigações tributárias e dos direitos inerentes à sucessão. Citou jurisprudência. Alegou que a finalidade da reorganização societária teria sido segregar as atividades de tecnologia da informação, juntando todo acervo em uma única empresa, a Algar TI. Defendeu que a cessão de crédito está demonstrada no Balanço Patrimonial, pela linha “Impostos a Recuperar”. Concluiu, para requerer que a manifestação de inconformidade fosse conhecida e julgada como procedente, a legitimação da sucessão dos direitos e obrigações da Asyst pela Algar TI, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a nulidade do despacho decisório, que fosse deferida a realização de perícia contábil e a produção de todos meios de prova admitidos em Direito. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 14065.508. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e adicionou preliminar de nulidade da decisão de piso, por cerceamento do direito de defesa. Apesar de postulado, a DRJ não teria apreciado o pedido de produção de prova pericial, optando por decidir pela improcedência da defesa, por ausência de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10680.925302/201618 Acórdão n.º 3301004.927 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.919, de 27 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.919): "A DRF em Belo Horizonte (MG) não homologou a compensação de créditos da COFINS do período de apuração de novembro de 2014. O Despacho Decisório (fl. 07) informa que o crédito deriva de pagamentos indevidos, porém não o teria homologado, em razão de o detentor do crédito ser a ASYST INTERNACIONAL SERVICOS DE INFORMATICA LTDA.. Não havia registro de que a recorrente seria sucessora da ASYST, no que tange aos créditos da COFINS em questão. Na manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou descrição detalhada da reorganização societária implementada no Grupo Algar, que resultou na transferência dos créditos da ASYST para o seu patrimônio. Carreou aos autos os atos societários correspondentes. Informou que os créditos (R$ 148.639,56) integraram o acervo líquido incorporado. E, por fim, pleiteou que fosse realizada perícia contábil, caso os documentos anexados não fossem considerados como suficientes pela DRJ. Em suma, a DRJ, apesar de reconhecer a legitimidade da sucessão, julgou improcedente o pleito, por falta de elementos que comprovassem a efetiva transferência dos créditos para a recorrente. Apontou que o fato de ter sido incorporado o grupo de contas contábeis "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06) não significava, necessariamente, que os créditos em questão (R$ 148.639,56) naquele saldo havia sido computado. Passemos ao recurso voluntário. Inicia, contestando a conclusão da DRJ, acusandoa de cerceamento do direito de defesa, em razão de não ter convertido o julgamento em diligência, para oportunizar a juntada de documentação suplementar, sem que uma justificativa houvesse sido apresentada, conforme determina o art. 28 do Decreto n° 70.235/72. Afasto estes argumentos. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10680.925302/201618 Acórdão n.º 3301004.927 S3C3T1 Fl. 5 4 Primeiro, porque diligências ou perícias não se destinam à produção de provas em favor das partes. E, segundo, porque tampouco foi instruído, os termos do inciso IV do art. 16 do decreto n° 70.235/72 "IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito." No mérito, novamente apresentou detalhada descrição das operações que resultaram na transferência para o seu patrimônio dos créditos da Asyst. Em síntese, a Algar Tecnologia incorporou a Asyst International (proprietária original dos créditos) e a Rhealeza VR. Simultaneamente, a Algar Tecnologia sofreu cisão parcial, com incorporação do acervo líquido cindido na Algar TI (recorrente). Enfatizou que a parcela do patrimônio cindido correspondeu aos acervos líquidos da Asyst e Rhealeza. Com efeito, os respectivos atos societários anexados às defesas, foram assim sintetizados na decisão de piso (fl. 70): "a) Ata da Assembléia Geral Extraordinária da empresa Algar Tecnologia e Consultoria, CNPJ nº 21.246.699/000144, realizada em 2 de julho de 2015, protocolizada em 31/07/2015 na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, através da qual foram deliberados os termos e as condições da incorporação da Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda. e Rhealeza Volta Redonda Informática Ltda. pela Algar Tecnologia e Consultoria S/A.; b) Protocolo de Incorporação das sociedades, no qual são firmadas as condições para a incorporação das empresas, datado de 15 de junho de 2015 e Laudo de Avaliação, datado de 02 de julho de 2015, ambos protocolizados na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 31/07/2015. No Laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015. c) Ata da reunião dos sócios quotistas realizada em 02 de julho de 2015, registrada na Junta Comercial em 14/09/2015, pela empresa “Acional Serviços de Informática Ltda.” (sic), CNPJ nº 05.805.826/000141, no qual os sócios quotistas aprovaram a incorporação da empresa pela Algar, dando como extinta a sociedade. d) Protocolo de cisão parcial da sociedade Algar Tecnologia e Consultoria S/A com incorporação da parcela cindida na Algar TI Consultoria S/A, datado de 15 de junho de 2015 e protocolizado na Junta Comercial em 31/07/2015. e) Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada pela Algar Tecnologia e Consultoria, em 3 de julho de 2015 (protocolizada na Junta Comercial em 13/08/2015), através da qual foram aprovados o Protocolo de cisão parcial, o laudo de avaliação e a cisão parcial da sociedade. No laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015." Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10680.925302/201618 Acórdão n.º 3301004.927 S3C3T1 Fl. 6 5 Destacou que o saldo do grupo contábil "Impostos a Recuperar", transferido da Algar Tecnologia, de R$ 2.160.819,06, era composto por R$ 282.419,93, originários da Rhealeza, e R$ 1.878.399,13, da Asyst. E concilia os montantes com os atos societários. Trouxe dispositivos legais, doutrina e julgados, fundamentando o direito de a Algar TI aproveitar créditos tributários resultantes de operações de cisão, seguida de incorporação. E, por fim, mais uma vez, pleiteia a realização de diligência, para a juntada do documentos complementares, caso esta turma não se satisfaça com os já apresentados. Restou incontroversa a possibilidade de os contribuintes utilizarem créditos tributários, resultantes das operações societárias em questão, cujo fundamento se encontra nos artigos 227 e 229 da Lei n° 6.404/76. Contudo, concordo com a DRJ. Não é suficiente para comprovar a liquidez e certeza dos créditos, informar que o montante dos créditos (R$ 148.639,56) se encontrava na rubrica "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06), indicada nos atos societários. Relevo, naturalmente, a ausência de detalhes acerca da incorporação da Ayst pela Algar Tecnologia, pois, da leitura dos atos societários, concluise que houve realmente houve uma incorporação, operação por meio da qual extinguese uma pessoa jurídica (incorporada) por meio da transferência de seu acervo líquido (ativos e passivos) para a incorporadora. Contudo, a operação subsequente foi uma cisão parcial, seguida de incorporação, em cujos atos societários não há destaque dos créditos foram transferidos para a recorrente. A recorrente deveria ter trazido aos autos, ao menos, as seguintes informações complementares, para comprovar que era a titular dos créditos: razão contábil da rubrica em que o crédito foi originalmente registrado na escrita da Asyst, devidamente conciliada com demonstrativo da base de cálculo, DCTF e guia de recolhimento, em que ficaria evidenciada a apuração do crédito e sua contabilização; lançamentos contábeis, com os respectivos razões, evidenciando a transferência, por incorporação, dos créditos da Asyst para Algar Tecnologia; e lançamentos contábeis da cisão parcial da Algar Tecnologia e da incorporação do respectivo acervo líquido na Algar TI, evidenciando que os créditos compuseram o patrimônio cindido e em seguida incorporado. E, pelas razões anteriormente apresentadas, também nego o pedido de diligência ou perícia. Concluo, negando provimento ao recurso voluntário. É como voto." Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10680.925302/201618 Acórdão n.º 3301004.927 S3C3T1 Fl. 7 6 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 295DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.736682/2011-83
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. FALTA DE MOTIVAÇÃO. ARGUMENTOS EM CONTRARRAZÕES.
Os Embargos constituem remédio recursal cabível nos casos em que o acórdão não se manifesta sobre ponto que tenha sido argüido oportunamente pelas partes. Na hipótese, os argumentos contrários ao conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, oferecidos pelo Contribuinte em sede de Contrarrazões, não foram devidamente enfrentados, o que demanda a integração do julgado.
Numero da decisão: 9202-006.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada no Acórdão nº 9202-005.708, de 29/08/2017, sem efeitos infringentes, mantendo-se inalterado o resultado do julgamento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. FALTA DE MOTIVAÇÃO. ARGUMENTOS EM CONTRARRAZÕES. Os Embargos constituem remédio recursal cabível nos casos em que o acórdão não se manifesta sobre ponto que tenha sido argüido oportunamente pelas partes. Na hipótese, os argumentos contrários ao conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, oferecidos pelo Contribuinte em sede de Contrarrazões, não foram devidamente enfrentados, o que demanda a integração do julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada no Acórdão nº 9202 005.708, de 29/08/2017, sem efeitos infringentes, mantendose inalterado o resultado do julgamento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 66 82 /2 01 1- 83 Fl. 1346DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Os presentes Embargos de Declaração visam apontar omissão, face ao acórdão 9202005.708, proferido por esta 2ª Turma / Câmara Superior de Recursos Fiscais CARF. Trata o presente processo de três Autos de Infração: 37.342.7328; 31.342.7336 e 37.342.7344, relativos a pagamentos a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), efetuados pelo Contribuinte aos seus empregados, nos meses de fevereiro e agosto de 2007, em desconformidade com o art. 2º, I, da Lei nº 10.101/2000, por não participação do sindicato nas negociações do respectivo Acordo de PLR. O Contribuinte apresentou a impugnação, contudo, a 13ª Turma da DRJ/RJ1, às fls. 347/360, julgou totalmente procedente o lançamento. A empresa, tempestivamente, interpôs recurso voluntário, fls. 363/386, e, às fls. 595/609, 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A União (Fazenda Nacional) interpôs Recurso Especial contra o Acórdão do CARF, às fls. 614 a 625, no sentido de que prevalecesse o entendimento de que deveria ser verificada qual a norma mais benéfica ao contribuinte: havendo lançamento de contribuições previdenciárias, o dispositivo legal aplicado passa a ser o art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei 11.941/2009. Igualmente o Contribuinte apresentou Recurso Especial, às fls. 640/663, para que restasse reanalisado o entendimento sobre exigência da participação do sindicato nas negociações do PLR. Às fl. 1019/1042, o Contribuinte apresentou contrarrazões ao Recurso Especial da União. No Acórdão nº 9202005.708, esta 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, 29/08/2017, às fls. 1075/1096, deu provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e negou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Às fls. 1107/1118, o Contribuinte apresentou Embargos de Declaração, sob a alegação de que, embora mencionada no relatório, a preliminar arguida em sede de contrarrazões não foi enfrentada pelo voto vencido acerca do conhecimento do apelo da União. Fl. 1347DF CARF MF Processo nº 12448.736682/201183 Acórdão n.º 9202006.962 CSRFT2 Fl. 10 3 Os Embargos de Declaração restaram admitidos às fls. 1341/1345, retornando os autos para novo julgamento. Os citados itens, que no entender do Contribuinte não teriam sido enfrentados, têm o seguinte conteúdo: "2.1. Como visto no presente caso, o ACÓRDÃO RECORRIDO analisou autos de infração em que foram exigidas (i) multa de mora pelo descumprimento de obrigação principal, com base no que dispunha o art. 35 da Lei no 8.212/ 91, com a redação dada pela Lei nº 9.816/99, e (ii) multa isolada pelo descumprimento de obrigação acessória (GFIP), com fundamento no que dispunha o art. 32, IV, §5º, da Lei nº 8.212/9L, com a redação dada pela Lei nº 9.528/91. 2.2. Em face do disposto no art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional, segundo o qual a 1ei aplicase a ato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa, o ACÓRDÃO RECORRIDO concluiu que ambas as multas devem ser recalculadas da seguinte forma: (i) no que diz respeito a multa moratória exigida pelos AUTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, ela deve ficar limitada ao percentual de 20%, nos termos do art. 35 da Lei no 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/09, 9.430/96, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/96; (ii) no que diz respeito a multa isolada exigida pelo AUTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, ela deve ser comparada e reduzida (se mais ben6fica) conforme o disposto no art. 32A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei no 11.941/09. 2.3. PeIa leitura do recurso especial da Fazenda Nacional, verificase que e1a apenas se insurgiu, de forma clara e específica, contra a parte do ACÓRDÃO RECORRIDO que determinou que a multa isolada por descumprimento de obrigação acessória fosse recalculada, se mais benéfica, nos termos do art. 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/09. 2.4. Isso porque a Fazenda Nacional sequer menciona em seu recurso especial o art. 61 da Lei nº 9.430/96 que, combinado com o art. 35 da Lei no 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/09, prevê que a multa de natureza moratória deve ficar limitada ao percentual de 20%. 2.5. Notese, ainda, que: (i) o fundamento suscitado pelo recurso especial fazendário foi o de que o ordenamento jurídico pátrio rechaçaria a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias, pelo que o art. 32A da Lei no 8.212/91, inserido pela Lei nº 11.941/09, não poderia ser aplicado ao caso concreto, já que o descumprimento de obrigação acessória, quando acompanhado do descumprimento de obrigação principal, teria passado a ser punido pelo art. 35A da Lei nº 8,212/91, inserido pela Lei nº 11.941/09, que remete a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/00; e Fl. 1348DF CARF MF 4 (ii) todos os Acórdãos citados no recurso especial fazendário (quais sejam, Acórdãos nos 20601.782, 240100.127, 2402002.070, 2401 02.206, 2401 001.625 e 240101.552, sendo os dois primeiros coligidos como paradigmas) envolviam autos de infração em que se exigia multa isolada por omissão de informação em GFIP (obrigação acessória). 2.6. Portanto, o art. 61 da Lei específica contra a parte do ACÓRDÃO RECORRIDO que limitou a multa de mora exigida nos autos de infração nos 31 .342.7328 e 37 .342.7336 ao percentual de 20% (descumprimento de obrigação principal) e apenas cita Acórdãos do CARF e do antigo Conselho de Contribuintes (CC) que envolviam o julgamento de auto de infração exigindo multa pelo descumprimento de obrigação acessória (GFIP), forçosa é a conclusão de que aquela parcela do ACÓRDÃO RECORRIDO se tornou definitiva. 2.7. Mas, ainda que prevaleça o entendimento de que a Fazenda Nacional também recorreu da parcela do ACÓRDÃO RECORRIDO que limitou a multa de mora ao percentual de 20%, o que se admite apenas para fins de argumentação, essa suposta parte do recurso especial não poderia ser admitida. 2.8. A época em que interposto o recurso especial fazendário, vigia o art. 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 256, de 22 .06.2009 , que assim dispunha: "Art. 67. Compete a CSRF, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF". 2.9. O pressuposto para o conhecimento do recurso especial fazendário é a apresentação de acórdão proferido por outra Câmara, Turmas de Câmara ou pela própria CSRF que tenha dado ao mesmo dispositivo legal, interpretação contrária àquela conferida pelo ACÓRDÃO RECORRIDO. 2.10. Como visto acima, nos Acórdãos nos 20601.782 e 2401001.127, coligidos como paradigmas pela Fazenda Nacional., discutiuse, apenas autos de infração lavrados para exigir multa solada por descumprimento de obrigação acessória (omissão de informações em GFIP), com fundamento no art. 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, conforme se verifica nos seguintes trechos de seus relatórios e votos: (...) 2.11. Portanto, verificase que os Acórdãos coligidos como paradigmas nºs 20601.782 e 2401001 .127 não envolviam o julgamento de autos de infração exigindo multa de mora pelo descumprimento de obrigação principal, com fundamento no art. 35 da Lei no 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 9.876/99), tratase, repitase, autos de infração lavrados para exigir multa isolada por descumprimento de obrigação acessória, com fundamento no art. 32, IV, § 5º da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 9.528/97) . Fl. 1349DF CARF MF Processo nº 12448.736682/201183 Acórdão n.º 9202006.962 CSRFT2 Fl. 11 5 2.12. Logo, ainda que se vislumbrasse do recurso fazendário, instauração de litígio contra a parcela do ACÓRDÃO RECORRIDO que limitou a multa de mora ao percentual de 20%, essa suposta e fictícia parcela do recurso não poderia ser admitida, por falta de demonstração de específica divergência jurisprudencial. 2.13. Registrese, neste particular, que a RECORRIDA tem conhecimento de que há divergência jurisprudencial específica sobre a matéria (limite do percentual da multa de mora nos casos envolvendo julgamento de auto de infração de obrigação principal, mas o fato é que nenhum desses precedentes foi citado pela Fazenda Nacional em seu recurso especial, não podendo esse fato ser ignorado em eventual exame de admissibilidade dessa suposta parcela do recurso especial". (destaques no original). O Embargante acrescentou, ainda, que “2ª Turma da CSRF parece ter reformado a parte do Acórdão nº 2301003.752 que limitou a multa de mora exigida pelos AUTOS DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL ao percentual de 20%, já que afirmou que ‘a multa de mora prevista no art. 67 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de oficio’, em que pese o fato de essa matéria não ter sido objeto do recurso especial fazendário e, portanto, ter se tornado definitiva na esfera administrativa”. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora Os Embargos de Declaração interpostos pelo Contribuinte são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merecem ser conhecidos. Trata o presente processo de três Autos de Infração: 37.342.7328; 31.342.7336 e 37.342.7344, relativos a pagamentos a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), efetuados pelo Contribuinte aos seus empregados, nos meses de fevereiro e agosto de 2007, em desconformidade com o art. 2º, I, da Lei nº 10.101/2000, por não participação do sindicato nas negociações do respectivo Acordo de PLR. O Acórdão embargado deu provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e negou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Os Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte visa correção de omissão quanto às preliminares arguidas em sede de Contrarrazões ao Recurso Especial do Contribuinte. Assiste razão o embargante quanto a omissão apontada. Embora a relatora tenha se referido ao conhecimento o fez de modo demasiadamente sucinto. Contudo no que se refere as questões recursais que discutem tese jurídica tenho seguido o entendimento de que pequenas divergências são meramente acidentais e não Fl. 1350DF CARF MF 6 possuem o condão de elidir a divergência jurisprudencial entre o que foi provido na Turma ordinária e o que foi concedido pelo acórdão paradigma. Na hipótese dos autos, adoto as razões do exame de admissibilidade: Vêse, portanto, que a E. Câmara a quo entendeu que em relação a infração relacionada à apresentação da GFIP, o dispositivo legal aplicável é o art. 32A da Lei 8.212/91, independentemente de ter havido ou não lançamento de ofício. Aplicando aos DEBCAD relativos aos AIOP a multa prevista na nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Em posicionamento diametralmente oposto, a então 6ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes e a 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção consideraram ser legítima a aplicação da multa nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, em situação análoga à presente, por entender que, havendo lançamento de ofício das contribuições previdenciárias vinculadas à infração em análise, não mais deve ser aplicado o art. 32A do mesmo diploma legal, sob pena de bis in idem. Dessa forma, uma vez evidenciada a divergência jurisprudencial no que toca ao diploma legal a reger a aplicabilidade da multa no caso em testilha, passase a demonstrar doravante as razões pelas quais merece ser adotado o entendimento exarado no paradigma, reformandose, assim, o v. acórdão ora recorrido. Assim, considero a informação prestada suficiente para corrigir a omissão apontada, contudo esta não altera o conteúdo material do voto e de seu dispositivo. Diante do exposto conheço e acolho os Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada no Acórdão nº 9202005.708, de 29/08/2017, sem efeitos infringentes, mantendose inalterado o resultado do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 1351DF CARF MF Processo nº 12448.736682/201183 Acórdão n.º 9202006.962 CSRFT2 Fl. 12 7 Fl. 1352DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.726882/2013-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2009
PLATAFORMAS. NATUREZA DE EMBARCAÇÕES
As plataformas (fixas ou flutuantes) devem ser consideradas como embarcações. Natureza foi conferida aos navios sonda na Solução de Consulta COSIT nº 225/2014 e às plataformas semissubmerssíveis na Solução de Consulta COSIT nº 12/2015.
REMESSA AO EXTERIOR. IRRF. ALÍQUOTA ZERO. CONTRATO COMPLEXO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS COM AFRETAMENTO.
É zero a alíquota de IRRF sobre remessa paga pagamento do afretamento de embarcações, quanto autorizado pela autoridade competente. O afretamento é a contratação de embarcação para transporte. O contrato de prestação de serviços de prospecção de dados sísmicos, ainda que haja o emprego de equipamentos náuticos ou embarcações científicas, não caracteriza afretamento por não ter por objeto o transporte de pessoas ou cargas.
REMESSA AO EXTERIOR. CONVENÇÃO ENTRE BRASIL E FRANÇA PARA EVITAR DUPLA TRIBUTAÇÃO. PAGAMENTO POR SERVIÇOS CIENTÍFICOS PRESTADOS. ROYALTIES. INCIDÊNCIA DO IRRF.
Os pagamentos pelo uso de equipamento industrial, comercial ou científico e por informações concernentes à experiência adquirida no setor industrial, comercial ou científico caracteriza royalties, nos termos da Convenção para Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos celebrada entre o Brasil e a França. A Convenção autoriza a incidência do IRRF sobre o pagamento de royalties. Não há dupla tributação quando o valor do imposto retido no Brasil pode ser compensado com o imposto devido na França.
Numero da decisão: 2301-005.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário; vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa (relator), o qual reajustou seu voto proferido na sessão de 07/2018 para dar provimento ao recurso voluntário, Wesley Rocha, Alexandre Evaristo Pinto e Juliana Marteli Fais Feriato. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Maurício Vital. manifestou interesse de apresentar declaração de voto o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto.
(assinado digitalmente)
João Belinni Júnior- Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital- Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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NATUREZA DE EMBARCAÇÕES As plataformas (fixas ou flutuantes) devem ser consideradas como embarcações. Natureza foi conferida aos navios sonda na Solução de Consulta COSIT nº 225/2014 e às plataformas semissubmerssíveis na Solução de Consulta COSIT nº 12/2015. REMESSA AO EXTERIOR. IRRF. ALÍQUOTA ZERO. CONTRATO COMPLEXO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS COM AFRETAMENTO. É zero a alíquota de IRRF sobre remessa paga pagamento do afretamento de embarcações, quanto autorizado pela autoridade competente. O afretamento é a contratação de embarcação para transporte. O contrato de prestação de serviços de prospecção de dados sísmicos, ainda que haja o emprego de equipamentos náuticos ou embarcações científicas, não caracteriza afretamento por não ter por objeto o transporte de pessoas ou cargas. REMESSA AO EXTERIOR. CONVENÇÃO ENTRE BRASIL E FRANÇA PARA EVITAR DUPLA TRIBUTAÇÃO. PAGAMENTO POR SERVIÇOS CIENTÍFICOS PRESTADOS. ROYALTIES. INCIDÊNCIA DO IRRF. Os pagamentos pelo uso de equipamento industrial, comercial ou científico e por informações concernentes à experiência adquirida no setor industrial, comercial ou científico caracteriza royalties, nos termos da Convenção para Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos celebrada entre o Brasil e a França. A Convenção autoriza a incidência do IRRF sobre o pagamento de royalties. Não há dupla tributação quando o valor do imposto retido no Brasil pode ser compensado com o imposto devido na França. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 68 82 /2 01 3- 90 Fl. 1841DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário; vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa (relator), o qual reajustou seu voto proferido na sessão de 07/2018 para dar provimento ao recurso voluntário, Wesley Rocha, Alexandre Evaristo Pinto e Juliana Marteli Fais Feriato. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Maurício Vital. manifestou interesse de apresentar declaração de voto o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto. (assinado digitalmente) João Belinni Júnior Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator (assinado digitalmente) João Maurício Vital Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado visando a cobrança do Imposto de Renda Retido na Fonte, relativo ao ano calendário de 2009, incidente sobre remessa de valores ao exterior. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 1036/1.047 verificouse que: A autuada celebrou 3 (três) contratos distintos com a empresa CGC Veritas Services S. A., sediada na França, sendo esta “Contratada” para a Prestação de Serviços Técnicos Especializados de Prospecção Sísmica Marítima, com delimitação de área para exploração e determinação de embarcação a ser utilizada. Estes contratos estão vinculados a outros firmados com a Petrobrás, no qual a obrigação da autuada é de fornecer dados sísmicos 3D e 2D, na modalidade não exclusiva, relativos às mesmas áreas, e com utilização das mesmas plataformas. A autuada efetuou diversas remessas ao exterior para a empresa CGC Veritas Services S.A. relativas a afretamento, mas que se referiam aos contratos já mencionados. A autoridade fiscal concluiu que os citados contratos não tratam de afretamento, mas sim Contratos de Prestação de Serviços Técnicos Especializados de Levantamento de Dados Sísmicos, sem transferência de tecnologia. O afretamento das embarcações é necessária para a execução dos serviços contratados, mas as mesmas foram transferidas pelo fretador ao afretador aparelhadas, Fl. 1842DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.530 3 equipadas, tripuladas, e com todas as condições de navegabilidade e de uso para levantamentos dos dados sísmicos, ficando patente que o contrato é de prestação de serviços. Intimada a apresentar Autorização fornecida pela ANTAQ para afretamento de embarcações estrangeiras, necessária para obter a alíquota zero referente ao imposto de renda retido na fonte, conforme determina a Lei nº 9.481/97, a autuada afirma que não cumpre esta obrigação por força do art. 1º, §único, inciso V da Lei nº 9.432/97 a autuada ainda informou que faz jus ao benefício fiscal, considerando o inciso I do artigo 1º da Lei nº 9.481/97. O fiscal autuante concluiu, da leitura dos artigos 9 e 10 da Lei nº 9.432/97, que a autorização era desnecessária no caso de embarcação para pesquisa sísmica. Por outro lado, o artigo 1º da Lei nº 9.481/97, com redação dada pelo art. 20 da Lei nº 9.532/97, reduziu a alíquota para zero do IRRF somente quando a embarcação tenha sido aprovada pelas autoridades competentes, no caso, a ANTAQ. A autoridade ainda afirma que, considerando a legislação, a alíquota zero se destina a serviços de transportes – marítimo, fluvial e aéreo, não se destinando a pesquisa sísmica. Também esclarece que o objetivo do benefício fiscal é desonerar do IRRF as remessas que atendam às necessidades das exportações brasileiras, em harmonia com a política de incentivo às exportações. Assim, considerando que o contrato trata de prestação de serviços, adicionado ao fato de que a embarcação se destina à pesquisa sísmica, a autoridade fiscal concluiu que a autuada é contribuinte do IRRF. Os valores pagos foram contabilizados na conta “Locações Meios Explorações”, sem qualquer desmembramento de qual parcela seria do afretamento e qual seria da prestação do serviço, corroborando para a natureza jurídica do contrato ser de Prestação de Serviços. Logo, o lançamento visa a constituição do crédito tributário do IRRF, com a aplicação da alíquota de 15% sobre as remessas ao exterior, com base no artigos 682, 685, inciso II, alínea “a”, 785, todos do RIR/99. A autuada apresentou sua impugnação em 19/08/2013, fls. 1.074/1.088, com as seguintes alegações: Que no regular desempenho de suas atividades, contratou a CGC Veritas Services S.A., empresa estabelecida na França, para afretamento de embarcações e prestação de serviços técnicos especializados de prospecção sísmica marítima, sendo certo que remeteu numerário ao exterior para pagamento. Aduz que o objeto dos contratos celebrados com a CGC Veritas S.A. é complexo, sendo parte afretamento de embarcação e parte serviços técnicos especializados (knowhow da tripulação que opera a embarcação para verificação da coleta de dados sísmicos). Fl. 1843DF CARF MF 4 Reconhece que incide CIDE e IRRF sobre a cota financeira relativa aos serviços técnicos, e não na parcela referente ao afretamento da embarcação, sendo que o modelo do contrato permite a exata configuração do quantum é relativo a cada uma das atividades avençadas. Afirma que recolheu os tributos devidos sobre as remessas ao exterior em razão da realização dos serviços técnicos. Que não recolheu os tributos relativos a remessas ao exterior remunerando afretamento por não serem devidos. Diz constar nos contratos a cláusula quinta com a discriminação dos valores para o afretamento e para a prestação dos serviços, estes representando em torno de 20% do valor total. Que em todo contrato de afretamento de embarcação existe um elemento de serviços, por ser necessária a contratação da tripulação especializada na operação, mas fato este que não desconfigura a natureza de afretamento de embarcação, conforme já decidiu o Superior Tribunal de Justiça. Tratase de contrato com custo altíssimo, pois as embarcações, atracadas em território estrangeiro, devem se deslocar para a localidade de pesquisa, existindo poucas embarcações com equipamentos capazes de realizar pesquisas em águas profundas. O objeto social da autuada não se confunde com o objeto dos contratos firmados com a CGC Veritas Services S.A., que são somente parte das atividades. Sustenta que em qualquer ramo da economia é necessária a contratação de terceiros, para prestação de serviços ou fornecimento de insumos, correspondendo a custo do negócio. Que o custo do afretamento prepondera ao custo da prestação de serviços, sendo certo que recolheu IRRF sobre a parcela referente à prestação dos serviços, e indevidamente, pois a prestadora de serviços está amparada pela Convenção para Evitar Dupla Tributação. O auditor fiscal partiu de premissa equivocada de que não poderia firmar contratos de afretamento posto que fugiria do seu objeto social. Que nos termos do artigo 691, inciso I do RIR/99, a alíquota do IRRF é zero sobre rendimentos de residentes e domiciliados no exterior relativos a despesas de afretamento de embarcações marítimas. Esclarece que são apenas duas condições para que se aplique a alíquota zero: (1) receita de afretamento de embarcação marítima e (2) que tenham sido aprovadas por autoridades competentes. Que o conceito de embarcação deve ser considerado como tudo aquilo suscetível de locomover em água e ter capacidade de transportar pessoas ou coisas, definição que se alinha com a Lei nº 9.537/97, artigo 2º. Em que pese que a Lei nº 9.532/97 tenha adotado definição de embarcação com redação diferente daquela do projeto original, o seu conteúdo não difere da definição acima, não havendo qualquer restrição quanto à finalidade de transporte ou outra. Fl. 1844DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.531 5 As embarcações objetos dos contratos atendem à definição acima, fazendo jus ao benefício fiscal e não cabe ao julgador impor uma limitação à regra da lei quando esta não dispõe desta forma, ferindo o Princípio da Legalidade. Cita Acórdão de julgamento da DRJ, confirmado pelo CARF ao negar provimento ao recurso de ofício. Cita também entendimento em processo de consulta da 9ª Região da SRF. Argumenta que o auditor fiscal justifica o lançamento afirmando que o afretamento das embarcações em voga não estariam enquadrado no artigo 691 do RIR/99, pois a operação não precisa de aprovação da autoridade competente, no caso a ANTAQ. No entanto, estes requisitos não são aplicáveis às embarcações de pesquisa, fato reconhecido pela própria autoridade fiscal. Que ainda assim, a fiscalização se apegou à aprovação das autoridades competentes para negar a fruição do benefício. Defende que não há razões para a negativa do gozo do benefício da redução da alíquota do IRRF para zero, sobretudo porque não se está diante de uma regra absoluta, que, destarte, deve ser harmonizada com a legislação tributária. Trouxe documentos de autoridade competentes permitindo a navegação das embarcações, e realização das atividades de pesquisa, motivo pelo qual tem direito à fruição do benefício da alíquota zero. Que ainda partindo da premissa que os contratos seriam de prestação de serviços, também não caberia a cobrança do IRRF, pois o destinatário é empresa francesa, país com o qual o Brasil mantém em vigor tratado para evitar a dupla tributação. Assim, conforme artigo VII do Acordo Internacional existente entre Brasil e França, os lucros de uma empresa francesa só podem ser tributados na França. Afirma que mantendose o lançamento ocorrerá pagamento em duplicidade do mesmo rendimento auferido pela empresa estrangeira no Brasil e na França, o que deve ser rechaçado de plano, vez que estes rendimentos compõem o lucro da empresa francesa. Defende que, conforme doutrina de Alberto Xavier, estes rendimentos são classificados no artigo 7º da Convenção da OCDE (lucro), e não o artigo 21 (outros rendimentos). Que é incoerente tributar na fonte os valores recebidos por empresas francesas e ao mesmo tempo em que se reconhece que o lucro só é tributado na França, devendo ser aplicado o artigo 7º do tratado. Cita doutrina e ementa de julgado do STJ e TRF da 1ª Região. Requer o cancelamento da autuação tendo em vista que (1) cuida o contrato de afretamento de embarcação, onde não há incidência por força do artigo 691 do RIR/99 e (2) ainda considerando contrato de prestação de serviços, não há incidência do imposto de renda, por força da Convenção Brasil e França. Fl. 1845DF CARF MF 6 A DRJ julgou procedente o lançamento através do Acórdão 1262.150 5ª Turma da DRJ/RJ1, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2009 AFRETAMENTO DE EMBARCAÇÃO. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NATUREZA JURÍDICA. INCIDÊNCIA DO IRRF. CABIMENTO. Para fins tributários, é necessário verificar qual a natureza dos pagamentos, tendo em vista a realidade fática. Dos fatos apontados nos autos, restou comprovado tratarse de contrato de prestação de serviços, no qual o afretamento da embarcação é o meio necessário para execução do objeto acordado. A existência de cláusula contratual com preços discriminados para o afretamento e o serviço não descaracteriza a natureza de prestação de serviços. CONTRATO DE AFRETAMENTO DE EMBARCAÇÃO PARA PESQUISAS. RETENÇÃO DO IRRF. ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de usufruir a aplicação da alíquota zero na determinação do imposto de renda retido na fonte, é necessário que a finalidade da embarcação seja o transporte de cargas e pessoas. Embora as embarcações se locomovam na água, a atividade para a qual foram concebidas, no presente caso, é a de prospecção sísmica marítima para fins de pesquisa, com incidência do IRRF sobre as remessas ao exterior com alíquota de 15%. PAÍSES SIGNATÁRIOS DE TRATADOS INTERNACIONAIS PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO INAPLICABILIDADE PARA PAGAMENTOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS As remessas decorrentes de contratos de prestação de assistência técnica e de serviços técnicos sem transferência de tecnologia sujeitamse à tributação do imposto de renda, de acordo com o art. 685, inciso II, alínea “a”, do Decreto nº 3.000, de 1999, bem como que nas Convenções para Eliminar a Dupla Tributação da Renda das quais o Brasil é signatário esses rendimentos classificamse no artigo Rendimentos não Expressamente Mencionados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada a autuada apresentou recurso a este conselho reiterando todas as alegações contidas na impugnação. É o Relatório Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.532 7 Voto Vencido Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Inicialmente, cumpre esclarecer que, quando do início do presente julgamento, na Sessão de 05 de julho de 2018, onde cheguei a ler o voto na íntegra, tinha o entendimento de que a autuação estaria correta e cheguei a declarar o voto pelo não provimento do recurso. Em razão das sustentações orais do Patrono da Recorrente, bem como da Ilustre Procuradora da Fazenda Nacional, aos quais eu elogio pelo brilhantismo de seus argumentos, e ainda, pelas discussões abertas pelos conselheiros, que culminou com o pedido de vistas, acabei por realizar maiores estudos acerca do caso em concreto, fazendo com que tivesse uma nova conclusão para o presente caso, a qual peço vênia para trazer ao conhecimento deste colegiado. Do que se depreende dos autos, tratase de contratações em que a prestação de serviços de levantamento de dados sísmicos foi bipartida em dois “subcontratos”, um de afretamento e outro de serviços, envolvendo empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, as quais atuam em conjunto, de forma interdependente. A maior parte do preço (em média 80%) é atribuída ao afretamento da unidade e destinada ao exterior, sem retenção do imposto de renda na fonte e sem o recolhimento da CIDE, enquanto parcela muito inferior (20%) é atribuída aos serviços, sobre os quais a recorrente alega ter recolhido o IRRF correspondente. A recorrente advoga no sentido de que o objeto dos contratos celebrados com CGG Veritas S.A. sã complexos, sendo parte afretamento de embarcação e parte serviços técnicos especializados, não cabendo à fiscalização se imiscuir nessa qualificação. Aduz que se há uma parte que deve prevalecer sobre outra, o afretamento prevaleceria sobre os serviços, em face dos seus custos elevados. Já a fiscalização esclareceu que a autuada CGG do Brasil Participações Ltda celebrou três contratos distintos com a empresa CGG Veritas Services S/A, sendo esta contratada para a prestação de serviços técnicos especializados de prospecção sísmica marítima. A cláusula primeira de todos os contratos descreve o objeto da seguinte forma: o presente contrato tem por objeto a prestação, pela CONTRATADA, com seus próprios recursos de pessoal, materiais e equipamentos de serviços técnicos especializados de levantamento sísmico de reflexão tridimensional (3D) na Plataforma Continental Brasileira, estimado em (...). Tais contratos são distintos apenas quanto à área de exploração e aos blocos do território brasileiro. Na mesma época, a Petrobrás firmou com a autuada (CGG do Brasil) contratos para aquisição de licenças de uso de dados sísmicos 3D e 2D, não exclusivos, em Fl. 1847DF CARF MF 8 áreas que são coincidentes com aquelas constantes dos contratos firmados entre a CGG do Brasil e CGG Veritas Services. Temos então que um contrato está vinculado ao outro. Para CGG do Brasil fornecer à Petrobrás os dados sísmicos objeto do contrato de licenciamento, necessita da empresa estrangeira do grupo, CGG Veritas Services, que tem o knowhow e equipamento para realizar a atividade. São comuns autuações onde a Petrobrás celebra contrato de prestação de serviço (de pesquisa sísmica, prospecção, perfuração, etc) com empresa brasileira, a qual recebe sua remuneração no mercado interno. A fiscalização tem considerando que o afretamento faz parte da prestação de serviços, e cominado tributação de IRRF e CIDE sobre a operação. Contudo, entendo caber razão à recorrente. Em caso bastante semelhante ao ora apreciado, a 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção, em 05/12/2017 proferiu o Acórdão 2401005.149 , dando razão ao contribuinte. Os fatos e fundamentos são tão similares ao caso em apreço que peço vênia para transcrever trechos do relatório e do voto que me convenceram a acompanhar o mesmo entendimento. Iniciemos com a Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano/calendário: 2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO. EXAME DE DOCUMENTOS A arguição de nulidade do lançamento em relação aos contratos de prestação de serviço que não foram solicitados e nem examinados em sua profundidade pelo Auditor Fiscal diz respeito à questão de prova da verificação da ocorrência do fato gerador do IRRF. Referida matéria deve ser reservada ao exame do mérito de demanda. O lançamento foi fundamentado e o Fiscal delimitou a base de incidência tributária. Se existem inconsistências relevantes, elas serão analisadas por ocasião da apreciação do mérito. PLATAFORMAS. NATUREZA DE EMBARCAÇÕES As plataformas (fixas ou flutuantes) devem ser consideradas como embarcações. Natureza foi conferida aos navios sonda na Solução de Consulta COSIT nº 225/2014 e às plataformas semissubmerssíveis na Solução de Consulta COSIT nº 12/2015. COLIGAÇÃO DE CONTRATOS. BIPARTIÇÃO ARTIFICIAL. IRRF.ALÍQUOTA ZERO DAS REMESSAS A EMPRESAS ESTRANGEIRAS A TÍTULO DE AFRETAMENTO A vinculação na execução simultânea de contratos de afretamento e de prestação de serviços é perfeitamente legítima Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.533 9 e não autoriza a desconsideração dos contratos pactuados da forma como efetivada no lançamento. No caso em apreço constatase que a presunção lançada pela fiscalização para descaracterizar os contratos de afretamento não encontra respaldo na Lei nº 9.481/97 com as alterações estabelecidas pela Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014, que trouxe em seu bojo a bipartição de contratos como consequência natural do negócio jurídico. Insubsistência da motivação do lançamento. TRIBUTAÇÃO DAS REMESSAS FEITAS A PARAISOS FISCAIS Correta a exigência do IRRF à alíquota de 25% no caso dos pagamentos a residentes em paraísos fiscais, conforme art. 8º da Lei nº 9.779/99. Agora transcrevo uma parte do relatório que se amolda perfeitamente à questão sob análise neste processo: (...) " 1. O objetivo do processo é apurar a possível incidência do imposto de renda retido na fonte sobre os pagamentos em favor de empresas estrangeiras, a título de afretamento de plataformas, navios sondas para pesquisa/exploração de petróleo e gás; 2. A autuada esclareceu que a maior parte da remuneração destes serviços se refere a afretamento e é destinada ao exterior, fazendo jus ao benefício da alíquota de IRRF reduzida a zero conforme previsto no artigo 691 do RIR/99; 3. Assevera que o artigo 8º, da Lei n° 9.779/99, determina a aplicação da alíquota de 25% quando o beneficiário da remuneração destes serviços for residente em paraíso fiscal ou em país com tributação favorecida; 4. O Ato Declaratório SRF n° 08, de 29/01/1999, esclarecia que a aplicação da alíquota zero só caberia para os contratos firmados até 31/12/1998, tendo sido esse Ato expressamente revogado pela IN SRF n° 252/2002; 5. O benefício da alíquota zero seria vinculado a quatro requisitos cumulativos: a. O pagamento tem que ser de frete, afretamentos, aluguéis e arrendamentos; b. O bem locado tem que ser necessariamente embarcação estrangeira ou aeronave; c. A operação tem que ser regular e autorizada por autoridade competente; d. O domicílio do beneficiário não pode ser em paraíso fiscal ou em país com tributação favorecida; Fl. 1849DF CARF MF 10 6. O artigo 2º, inciso V da Lei nº 9.537/97, define embarcação como sendo qualquer construção, inclusive plataformas flutuantes, sujeita à inscrição na autoridade marítima e suscetível de locomoção na água, transportando pessoas ou cargas; 7. Cita autuação anterior em que restou consignado que as plataformas não se enquadram no conceito de embarcação e por isso não se beneficiam da alíquota zero prevista no artigo 1° da Lei n° 9.481/97; 8. Destaca que em outros lançamentos ocorreram situações onde foram firmados dois contratos, constando a PETROBRAS como contratante, sendo um de prestação de serviços com empresa brasileira (autuada naqueles lançamentos), e outro de afretamento com empresa estrangeira controladora da primeira. Do total desses contratos eram atribuídos o percentual de 90% ao contrato de afretamento e 10 % ao contrato de prestação de serviços. Entretanto, constatouse que o pagamento relativo à prestação de serviços era insuficiente para cobrir os custos destes, fazendo com que a controladora estrangeira retornasse à empresa nacional parte dos valores recebidos a título de afretamento sob a forma de aporte. Esses repasses foram tributados por se entender que tais pagamentos feitos à empresa estrangeira, a título de afretamento, incluíam remuneração pela prestação de serviços; 9. Foram solicitados detalhes das remessas ao exterior englobadas na Ficha 32 linhas 50 (Operações com o Exterior Importações não especificadas) e os contratos relativos aos afretamentos pagos a empresas estrangeiras, no ano/calendário 2008, informados na Ficha 32 da DIPJ; 10. Da análise dos contratos de afretamento e de prestação de serviços concluiuse que afretamento é parte secundária, integrante e inseparável dos serviços contratados; 11. Foram efetuados 3.119 pagamentos a 243 beneficiários, referentes ao afretamento de 567 unidades, no montante de cerca de nove bilhões de reais no ano de 2008, sem retenção de IRRF e sem recolhimento da CIDE; 12. Diante do volume dos pagamentos foram selecionados os beneficiários do quadro abaixo e intimada a autuada para apresentar os contratos de afretamento com os seus respectivos anexos e aditivos, bem como cópia dos invoices e Relatórios/Boletins de Medição; 13. Afirma que devido ao diminuto prazo disponível para conclusão do trabalho, o histórico de pedidos de prorrogação de prazo e ao risco de decadência de créditos tributários, optouse por não demandar os contratos de prestação de serviços vinculados ao segundo lote de afretamentos informados. 14. O simples teor dos contratos, apresentados no segundo lote, já seria suficiente para demonstrar que o modelo de contratação era semelhante ao do primeiro lote; 15. Após análise dos documentos, confirmouse que as contratações de prestação de serviços de sondagem, perfuração ou exploração de poços foi artificialmente bipartida em dois contratos, um de afretamento e outro de serviços, onde de um lado estava a PETROBRAS, como contratante, e do outro, empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, atuando em conjunto, de forma interdependente, com responsabilidade solidária; 16. O percentual maior do preço é pago pelo afretamento da unidade e destinada ao exterior, sem retenção do imposto de renda na fonte e sem o recolhimento da Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.534 11 CIDE, e o percentual pago pelos serviços no Brasil, tributado na fonte, encontrase em um patamar bem inferior ao do afretamento; 17. Quanto à repartição formal dos contratos, não há que se falar em afretamento autônomo, pois o fornecimento da unidade é apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados; 18. Mesmo nos casos onde há somente pagamento de afretamento (ALASKAN STAR SS39, FALCON STAR SS45) o IRRF, no percentual de 25%, ainda seria devido uma vez que a empresa beneficiária está sediada em paraíso fiscal/país com tributação favorecida; 19. Assevera que as características dos contratos de afretamento e de prestação de serviços de cada unidade operacional apresentam vínculos que comprovam não serem eles autônomos e conclui que a autuada infringiu a legislação tributária quando efetuou pagamentos de afretamento ao exterior sem fazer a retenção do IRRF. 20. Em todos os casos analisados as empresas estrangeira e nacional pertenciam ao mesmo grupo econômico e desempenharam, de forma conjunta e solidária, atividades formalmente contratadas de forma segregada, tendo ambas um único objetivo que era a prestação de serviços para a autuada; 21. Na apuração do IRRF, foi observado o disposto no artigo 725 do RIR/99, com o reajustamento da base de cálculo. 22. A BASE LEGAL para lançamento do IRRF foram os artigos 682, inciso I; 685, inciso II, alínea “a” e 708 do RIR/99. 23. Restou demonstrado que os serviços contratados pela autuada, perante os quinze beneficiários selecionados, correspondem à definição de "serviços técnicos", sujeito à incidência do IRRF com alíquota de 15%, e da CIDE com alíquota de 10%, com exceção dos beneficiários sediados em países com tributação favorecida, sujeitos ao IR RF à alíquota de 25%, por força do artigo 8° da Lei n° 9.779/99, chegando no seguinte resultado: (...)" Como visto acima, tratase de situação que se amolda perfeitamente ao caso que ora se julga. Desnecessário transcrever as razões recursais daquele processo, passamos a parte do voto que nos interessa: "(...) Da decisão recorrida e a natureza de embarcação das plataformas Conforme se constata do Termo de Verificação Fiscal, conquanto a autoridade fiscal tenha se referido à tese de que as plataformas não são embarcações e, portanto, não estariam albergadas pela redução da alíquota zero de IRF positivada no art. 691 do RIR/99, o fez, dentro do contexto da análise de outros procedimentos fiscais anteriores que não chegaram a examinar as características dos contratos firmados para a obtenção das unidades (fls. 15.229/15.231). Fl. 1851DF CARF MF 12 A motivação inserida na acusação fiscal ora em exame, diz respeito à análise da artificialidade da bipartição dos contratos de afretamento e de prestação de serviços para justificar a tributação das remessas de valores para pagamento de afretamentos a empresas do exterior, além da caracterização de que os valores pagos decorreram da realização de serviços técnicos. Inobstante o conceito de embarcação não ter sido a motivação para o lançamento, a decisão de piso incluiu como fundamento jurídico adicional a tese de que a plataforma não seria embarcação para o fim de usufruir o benefício previsto no art. 691 do RIR/99. No entanto, o argumento principal adotado na decisão da DRJ para manter a procedência do Auto de Infração foi a contratação artificialmente bipartida em dois contratos. O Recurso Voluntário traz em seu bojo, nas fls. 16.051/16.082 vários conceitos de “embarcação”; disserta acerca da natureza das plataformas que sempre foram denominadas de embarcação e estão submetidas às regras a elas aplicáveis, tais como, registro de propriedade sob determinada bandeira com nome e nacionalidade, classificação, certificados de borda livre, linha de carga, tonelagem e segurança de equipamentorádio, apólice de seguro casco. Assevera sobre as características técnicas; destaca a jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais, do Supremo Tribunal Federal no RE 76.133/RJ, além da nomenclatura comum do Mercosul, das normas de Direito Marítimo, das manifestações administrativas da RFB, e legislação tributária que conferem às plataformas o tratamento de embarcações. Em face das razões recursais acerca do tema destacado, necessário se faz a análise da matéria em questão. Com efeito, a Lei nº 9.537, de 11 de dezembro de 1997, ao dispor sobre a segurança do tráfego aquaviário em águas sob jurisdição nacional, estabeleceu em seu art. 2º o conceito de embarcação nos seguintes termos: Art. 1° A segurança da navegação, nas águas sob jurisdição nacional, regese por esta Lei. § 1° As embarcações brasileiras, exceto as de guerra, os tripulantes, os profissionais nãotripulantes e os passageiros nelas embarcados, ainda que fora das águas sob jurisdição nacional, continuam sujeitos ao previsto nesta Lei, respeitada, em águas estrangeiras, a soberania do Estado costeiro. § 2° As embarcações estrangeiras e as aeronaves na superfície das águas sob jurisdição nacional estão sujeitas, no que couber, ao previsto nesta Lei. Art. 2° Para os efeitos desta Lei, ficam estabelecidos os seguintes conceitos e definições: V Embarcação qualquer construção, inclusive as plataformas flutuantes e, quando rebocadas, as fixas, sujeita a inscrição na autoridade marítima e suscetível de se locomover na água, por meios próprios ou não, transportando pessoas ou cargas;(Grifamos). Cumpre destacar que o inciso XIV do mesmo diploma legal define plataforma nos seguintes termos: Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.535 13 XIV Plataforma instalação ou estrutura, fixa ou flutuante, destinada às atividades direta ou indiretamente relacionadas com a pesquisa, exploração e explotação dos recursos oriundos do leito das águas interiores e seu subsolo ou do mar, inclusive da plataforma continental e seu subsolo; (Grifamos). Por sua vez, o Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do REsp 1341077/RJ, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, julgado em 09/04/2013, (DJe 16/04/2013), ao tratar da isenção do IPI de que trata a Lei nº 8.032/90, conferiu às plataformas marítimas a natureza de embarcação quando determinou que, “em se tratando de legislação especial, sua revogação não impede que as partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de embarcações, ainda que plataformas petrolíferas, gozem da isenção genérica prevista no art. 2°, inciso II, alínea "j", e o art. 3° da Lei n° 8.032/90, como disciplina geral”. Ademais, o Código Tributário Nacional determina que a definição, conceitos e formas de institutos típicos de direito privado não podem ser alterados pela lei tributária: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Assim, cumpre deixar claro que as plataformas (fixas ou flutuantes) devem ser consideradas como embarcações, tanto que esta natureza foi conferida aos navios sonda na Solução de Consulta COSIT nº 225/2014 e às plataformas semissubmerssíveis na Solução de Consulta COSIT nº 12/2015, ao analisar o tratamento legal para o IRRF sobre os valores remetidos ao exterior. Da coligação de contratos – Bipartição artificial – exigência do IRRF De acordo com a acusação fiscal, os contratos de afretamento e de prestação de serviços devem ser considerados como únicos e correspondentes à prestação de serviços técnicos de pesquisa e exploração de petróleo e gás. A bipartição dos contratos pela Recorrente deuse unicamente com o intuito de evitar a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre as remessas efetuadas às empresas sediadas no exterior. As empresas atuavam de forma conjunta, solidária e contínua, prestando serviços técnicos, embora sob a forma de contratos segredados formalmente, porém, eram de fato vinculados e sem independência, o que demonstra que não havia afretamento autônomo. O motivo pelo qual a fiscalização chegou a essa conclusão e considerou todos os valores pagos como prestação de serviços técnicos foi o fato das empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, tendo como única intenção, segundo a fiscalização, firmar contrato de prestação de serviços com menor impacto tributário. Em análise aos contratos (fls.15.257/15.335) afirma constar do contrato de afretamento determinação de que Fl. 1853DF CARF MF 14 este deve ser executado simultaneamente com o contrato de prestação de serviços, havendo estreita vinculação entre eles de modo a não ter uma existência autônoma. Ao estabelecer a base legal para o lançamento de ofício (item 6, fls. 15.336/15.341), a fiscalização destacou que a regra geral para a tributação do IRRF sobre valores pagos, creditados, entregues ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior é estabelecida pelo art. 685, inciso II do RIR/1999, com alíquota de 25% (vinte e cinco por cento). Porém, tratandose de serviços técnicos o Regulamento prevê o regramento no dispositivo do art. 708, com alíquota de 15% (quinze por cento). Indica que o conceito de serviço técnico pode ser extraído da IN SRF nº 252, de 3 de dezembro de 2002, para concluir que os serviços contratados pela Petrobras correspondem à definição de “serviços técnicos” e sujeitamse à incidência do IRRF à alíquota de 15% (quinze por cento), com exceção aos beneficiários sediados em países com tributação favorecida, sujeitos à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento), por força do art. 8º da Lei nº 9.779/99. Pois bem. Inicialmente, ante a desconsideração por parte da fiscalização da natureza dos contratos de afretamento, há de se fazer uma análise do fato conhecido e comprovadamente existente (pagamentos em favor de empresas estrangeiras a título de afretamento de plataformas) e o fato desconhecido cuja existência se quer provar (pagamentos a empresas estrangeiras por prestação de serviços técnicos). Deve ser verificado se os parâmetros adotados pela fiscalização configuram indícios para a artificialidade dos contratos, sua descaracterização e a absorção dos afretamentos pelos contratos de prestação de serviços. Conforme se constata do TVF, a razão para que a fiscalização entendesse que existia uma artificialidade nos contratos de afretamento e os considerasse como de prestação de serviço técnico foi a coligação dos contratos de afretamentos com os de prestação de serviços por empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico e o percentual adotado nos contratos relativos ao afretamento. A acusação fiscal constatou que os contratos firmados pela Petrobras para obtenção de unidade de pesquisa e exploração de petróleo/gás, inseremse em uma estrutura complexa de contratos interligados envolvendo empresas nacionais e estrangeiras, no entanto entendeu ser artificial a relação percentual entre o custo do afretamento e dos serviços adotados. Em razões recursais, a Recorrente disserta acerca da normalidade negocial da contratação simultânea de empresas vinculadas para o afretamento de embarcação destinada à prospecção e exploração de petróleo e para a prestação dos serviços relativos à referida exploração, de forma a proporcionar com maior grau de segurança e garantia do fornecimento concomitante dos dois objetos contratuais, na medida em que a execução dos serviços sem plataforma seria impossível e o fornecimento da embarcação sem a execução dos serviços seria inútil. Notoriamente, os contratos que ensejaram a exigência fiscal ora em debate foram firmados pela Petrobras através de contratos distintos, porém coligados, pela própria natureza e complexidade do negócio e dos objetos contratuais. O fato da pessoa jurídica que faz o afretamento pertencer ao mesmo grupo econômico da pessoa jurídica que faz a prestação de serviços não caracteriza, por si só, simulação ou abuso de direito, pela própria liberdade de contratar, conforme disciplinado no Código Civil: Fl. 1854DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.536 15 Art. 421. A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato. Nesse diapasão, os chamados contratos coligados são dependentes entre si, embora preservem sua autonomia. Segundo Maria Helena Diniz: Na coligação, as figuras contratuais unirseão em torno de relação negocial própria, sem perderem, contudo, sua autonomia, visto que se regem pelas normas alusivas ao seu tipo.1. Na definição de Orlando Gomes: Os contratos coligados são queridos pelas partes contratantes como um todo. Um depende do outro de tal modo que cada qual, isoladamente, seria desinteressante. Mas não se fundem. Conservam a individualidade própria, por isso se distinguindo dos contratos mistos. 2. Dessa forma, o fato de haver necessidade de serem executados simultaneamente contratos de afretamento e de prestação de serviços (fls. 15.257/15.335), de nenhum modo traz indicativo de inexistência ou artificialidade de negócio jurídico, mas tão somente da existência de contratos coligados de modo a garantir a segurança e eficácia dos objetos negociais sem os desnaturar como contratos distintos. (...) A caracterização de contrato de afretamento como sendo de prestação de serviços técnicos, por presunção, sem trazer motivação sólida e prova robusta e adequada da acusação, de modo a afastar a autonomia dos contratos e a liberdade na gestão dos negócios da empresa, não pode prevalecer. O lançamento foi efetuado tomando como base a totalidade dos valores remetidos ao exterior a título de afretamento das embarcações como se não existissem referidos contratos e sem comprovação de ausência de propósito negocial. Sendo assim, estarseia afirmando que foram cedidas plataformas sem pagamento de qualquer valor, ou que os serviços poderiam ser realizados sem a plataforma. Não verifico base fática e legal para se considerar 100% (cem por cento) do valor do afretamento como prestação de serviços técnicos. O fato dos contratos terem sido pactuados com empresas do mesmo grupo não autorizaria essa presunção. Da mesma forma, a existência de cláusulas contratuais estabelecendo a vinculação dos contratos de afretamento e de prestação de serviços não transformaria todos os valores pagos em prestação de serviços técnicos remetidos ao exterior. Tendo em vista que a constituição do crédito tributário é atividade administrativa plenamente vinculada, não pode a fiscalização lançar mão de presunções, sem autorização em lei, para a cobrança de tributo. A complexidade do negócio jurídico envolvido demandaria da autoridade Fiscal uma análise mais aprofundada da ocorrência do fato gerador para se chegar à conclusão de que os valores remetidos ao exterior decorreram da prestação de serviços e não do pagamento dos afretamentos. A vinculação na execução simultânea de contratos de afretamento e de prestação de serviços é perfeitamente legítima e Fl. 1855DF CARF MF 16 não autoriza a desconsideração dos contratos pactuados da forma como efetivada no lançamento. No caso em apreço constatase que a presunção lançada pela fiscalização para descaracterizar os contratos de afretamento não encontra respaldo na Lei nº 9.481/97, com as alterações estabelecidas pela Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014, que trouxe em seu bojo a bipartição de contratos como consequência natural do negócio jurídico, conforme se destaca: Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.97) I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras ou motores de aeronaves estrangeiros, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem como os pagamentos de aluguel de contêineres, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) § 2o No caso do inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, do valor total dos contratos a parcela relativa ao afretamento ou aluguel não poderá ser superior a: (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) Vigência I 85% (oitenta e cinco por cento), no caso de embarcações com sistemas flutuantes de produção e/ou armazenamento e descarga (Floating Production Systems FPS) (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) Vigência II 80% (oitenta por cento), no caso de embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação, manutenção de poços (navios sonda) ; e (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) Vigência III 65% (sessenta e cinco por cento), nos demais tipos de embarcações. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) Vigência § 7ºPara efeitos do disposto no § 2o, será considerada vinculada a pessoa jurídica proprietária da embarcação marítima sediada no exterior e a pessoa jurídica prestadora do serviço quando forem sócias, direta ou indiretamente, em sociedade proprietária dos ativos arrendados ou locados. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) § 8ºo O Ministro da Fazenda poderá elevar ou reduzir em até 10 (dez) pontos percentuais os limites de que trata o § 2o. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) (Grifamos). Conforme se vê do diploma legal, no caso de execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de Fl. 1856DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.537 17 serviço relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, do valor total dos contratos, a parcela relativa ao afretamento ou aluguel não poderá ser superior a 85% (oitenta e cinco por cento), no caso de embarcações com sistemas flutuantes de produção e/ou armazenamento e descarga, podendo referido percentual ser elevado em até 10 % (dez por cento). Referida lei apenas corroborou situação já existente em face de negócios jurídicos firmados em que envolviam a prospecção e exploração de petróleo em águas profundas no mar, por envolver afretamento de plataforma de custos elevadíssimos, equipadas com tecnologia específica para a tal exploração e que prepondera significativamente sobre o valor do serviço, tanto que o próprio legislador considerou as proporções percentuais razoáveis. Desse modo, se o próprio legislador trata da execução simultânea do contrato de afretamento de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural por pessoas jurídicas vinculadas entre si, inclusive estabelecendo o limite da parcela relativa ao afretamento, que poderá chegar a 95% (§ 8º, do art. 1º da Lei nº 9.481/97), verificase que a presunção configurada na acusação fiscal ressai totalmente insubsistente. A uma, porque não se pode motivar o lançamento por presunção não estabelecida em lei; a duas, porque não há ilegitimidade na contratação de afretamento na forma como pactuada; a três, porque dentro do conjunto dos contratos, independente se foi feito de forma conjunta ou separada, deveria o fiscal ter excluído da base de incidência o que efetivamente não configura a prestação de serviços. Não há motivação razoável para a interpretação a que chegou a fiscalização. Nesse diapasão, a Coordenação Geral de Tributação (COSIT) publicou a Solução de Consulta nº 225, de 19 de agosto de 2014, antes mesmo das alterações introduzidas na Lei nº 9.481/97, pela Lei nº 13.043/2014, em que respalda o procedimento adotado pela Recorrente no que tange a liberdade das empresas na forma de montar os seus negócios e de contratação, em especial para a exploração de petróleo. Vejamos: SC COSIT nº 225/2014 Assunto: Imposto de Renda Retido na Fonte Ementa:AFRETAMENTO DE NAVIOS SONDA. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA ZERO DE IRRF SOBRE OS VALORES REMETIDOS PARA O EXTERIOR 14. O centro da questão é a forma de contratação dos referido navios sonda para operação no Brasil, que será feito por meio de dois contratos distintos: (i) contrato de afretamento; e (ii) contrato de prestação de serviço. O primeiro contrato será efetuado entre a consulente, que é uma empresa domiciliada no exterior, e uma empresa brasileira da área de petróleo e gás. Já o contrato de prestação de serviços para operação do navio sonda será efetuado entre a empresa brasileira da área de petróleo e gás e uma empresa operadora brasileira. 15. É certo que as empresas são livres para montar os seus negócios e para contratar na forma que melhor entenderem, visando a otimização de suas operações e a obtenção de lucros. Fl. 1857DF CARF MF 18 Essa liberdade não é absoluta pois tem como limite a observância das leis. 16. Portanto, em princípio, não se vislumbra nenhum óbice que, na gestão de seus negócios, determinada empresa opte por efetuar dois contratos com empresas distintas, uma para afretamento do bem e outra para sua operação. Com base no exposto, concluise: 22. A presente Solução de Consulta não convalida nem invalida nenhuma das afirmativas da consulente, pois isso importa em análise de matéria probatória, incompatível com o instituto da consulta. Com efeito, as soluções de consulta não se prestam a verificar a exatidão dos fatos apresentados pelo interessado, uma vez que elas se limitam a interpretar a aplicação da legislação tributária a tais fatos, partindo da premissa de que eles estão corretos e vinculando sua eficácia à conformidade entre fatos narrados e realidade. 23. As empresas são livres para administrar os seus negócios e para contratar da forma que melhor entenderem, visando a otimização de suas operações e a obtenção de lucros. Essa liberdade não é absoluta, pois tem como limite a observância das leis. 24. Respeitados os aspectos acima citados nesta solução de consulta, o pagamento, crédito, emprego ou remessa da contraprestação do contrato de afretamento de navios sonda está enquadrado no inciso I do art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, estando sujeito à alíquota zero do IRRF. (Grifamos). Já sob a égide das alterações introduzidas pela Lei nº 13.043/2014, foi exarada a Solução de Consulta nº 12, de 9 de fevereiro de 2015 que trata da alíquota zero de IRRF sobre os valores remetidos ao exterior a título de afretamento de plataformas semissubmerssíveis, conforme se destaca a seguir: SC COSIT nº 12/2015 ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF AFRETAMENTO DE PLATAFORMAS SEMISSUBMERSSÍVEIS POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA ZERO DE IRRF SOBRE OS VALORES REMETIDOS PARA O EXTERIOR 18. O centro da questão é, portanto, se plataformas semissubmersíveis seriam embarcações para fins de enquadramento na alíquota zero de IRRF de que trata a I do art. 1º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, base legal do inciso I do art. 691 do RIR/1999, e, se for o caso, qual seria o limite da parcela relativa ao contrato de afretamento do valor global do contrato, já que há execução simultânea de prestação de serviço, relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, no s plataformas. 19. Nesse contexto, mediante consulta a internet ao sítio www.portalmaritimo.com, constatase que plataformas semissubmersíveis são espécies do gênero plataformas flutuantes Fl. 1858DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.538 19 que abrangem também os naviossonda, podendo em alguns casos navegar. Além disso, ambas as plataformas flutuantes são dotadas de equipamentos tipo sonda para perfuração e produção em águas profundas. 21. Assim, entendese que o legislador pátrio, ao limitar a oitenta por cento a parcela do contrato de afretamento, no caso de embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação, manutenção de poços, em relação ao do valor global do contrato, que envolver simultaneamente a de prestação de serviço de operação dessas embarcações, reconheceu a aplicabilidade da alíquota zero de IRRF para as plataformas semissubmersíveis, tendo em vista que se enquadram na definição de embarcação dotada de sistema tipo sonda. Conclusão 23. Com base no exposto, concluise que plataformas semissubmersíveis estão incluídas no disposto no inciso II do §2º do art. 1º da art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, alterado pela Lei nº 13.043, de 2014. 24. Assim, o pagamento, crédito, emprego ou remessa da contraprestação do contrato de afretamento de plataforma semissubmersível está sujeito à alíquota zero do IRRF, conforme disposto no inciso I do art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, base legal do inciso I do art. 691 do RIR/1999. A parcela relativa ao contrato de afretamento, por sua vez, estará limitada à 80% do valor global do contrato, quando houver execução simultânea de prestação de serviço, relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si. (Grifamos). Mais uma vez a Administração reafirma a legitimidade na bipartição dos contratos, o que corrobora a razoabilidade da forma contratual no tipo específico da atividade objeto da demanda e a indevida descaracterização dos contratos de afretamento. Além da clara insuficiência da configuração do fato gerador da forma como inserida na acusação fiscal, até mesmo por força da existência de contratos distintos e perfeitamente hígidos, necessário se faz ainda trazer à reflexão a distinção da natureza dos contratos. Enquanto que o afretamento tem por objeto uma obrigação de dar, o contrato de prestação de serviços tem por objeto uma obrigação de fazer. Também nesse ponto encontra se configurada a naturalidade na distinção contratual. Importante nesse ponto trazer à colação entendimento exarado pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Reclamação 14.290, quando do voto da Ministra Relatora Rosa Weber, traz em destaque os debates ocorridos para a aprovação da Súmula Vinculante nº 31 relativa ao ISS sobre locação de bens móveis, em que se discutiu a distinção da incidência tributária quando ocorre a locação de serviços juntamente com a prestação de serviços, em firmando entendimento de que a cobrança de forma conjunta não desnatura a distinção entre os contratos Vejamos: O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO […] Veja bem: Fl. 1859DF CARF MF 20 estamos afirmando que é inconstitucional quando incide sobre locação de móveis, mas só quando é dissociada da operação de serviço. Quando for associada, cabe imposto? Não. Então, a referência a dissociada é desnecessária, porque, quando associada, também não incide.[sic] (Fls. 324). Embora a Corte tenha optado por suprimir a expressão quando dissociada da prestação de serviço do texto da súmula, essa supressão foi motivada pela presunção de que ela seria redundante, pois serviria apenas para reforçar o óbvio: o tributo incide sobre a prestação de serviços, independentemente dos esforços para escamoteálo em contratos de locação. Nesse sentido são os seguintes trechos dos debates, omitidos das razões de agravo regimental: O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA – Eu não vejo prejuízo na supressão dessa expressão. A minha preocupação foi em relação àquelas situações em que a prestação de serviço vem escamoteada sob a forma de locação. Por exemplo: locação de maquinário, e vem o seu operador. Nessa hipótese, muito comum. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Então, esse caso aí é a prestação de serviço típica, não é a locação de móvel como tal. O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA – Pois é, mas a prestação é escamoteada aí. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Sim, mas a pergunta é a seguinte: existem, neste caso, locação de móvel e prestação de serviço, ou existem ambas ? O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA – Tem as duas coisas, mas o que aparece é só a locação de móveis. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Então a locação de móvel não tem incidência, mas a prestação de serviço tem. O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA Mas, como eu disse, não vejo essas questões periféricas que podem surgir aí, podem ser resolvidas em reclamação e em outros procedimentos. Não vejo nenhum problema. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO O meu receio é exatamente que se raciocine nestes termos: quando associadas, elas ficam sujeitas a imposto? Não ficam. A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA O que o Ministro Peluso aponta é sério. Nós temos que dar uma redação que não gere dúvida, porque, poder resolver por reclamação, é, de início, já acentuarmos que poderá haver dúvida. O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA – Que haverá reclamação, não tenho a menor dúvida. Reclamação virou a panaceia. A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA Então, eu acho que, se Vossa Excelência, que propôs, atentando inclusive aos precedentes, entender que realmente a proposta do Ministro Fl. 1860DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.539 21 Peluso cobre aquilo que discutimos e que foi consolidado como a matéria solucionada pelo Tribunal, melhor que se dê adesão à proposta e se elimine a parte final. O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES (PRESIDENTE E RELATOR) Portanto: É inconstitucional a incidência do Imposto Sobre Serviço de qualquer natureza sobre operações de locação de bens móveis. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO Presidente, com isso ficamos fiéis ao que assentado pela Corte, já que, quando da formalização do leading case , não houve o exame da matéria quanto à conjugação "locação de bem móvel e serviço". Devese esperar, portanto, reiterados pronunciamentos do Tribunal sobre possível controvérsia, envolvida a junção, para posteriormente editarse um verbete (grifei). Aliás, a própria sequência da frase pinçada pelo agravante, mas ausente de sua transcrição, revela o alcance do precedente: O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO [...]Veja bem: estamos afirmando que é inconstitucional quando incide sobre locação de móveis, mas só quando é dissociada da operação de serviço. Quando for associada, cabe imposto? Não. Então, a referência a dissociada é desnecessária, porque, quando associada, também não incide. Quando há contrato de locação de móveis e, ao mesmo tempo, prestação de serviço, a locação de móveis continua não suportando o imposto; o serviço, sim. Se não tiver nenhuma ligação com prestação de serviço, também continua não suportando; não há incidência. Noutras palavras, o dissociada aí realmente é inútil e pode gerar dúvida. E, quando for associada, está sujeita ao imposto sobre prestação de serviço? A meu ver, com o devido respeito, não há prejuízo algum ao sentido das inúmeras decisões, se for cortada a expressão final "dissociada da prestação de serviço". É inconstitucional a incidência sobre locação de móveis, só. Portanto, o que o agravante poderia ter discutido, mas não o fez, é a necessidade de adequação da base de cálculo do ISS para refletir apenas o vulto econômico da prestação de serviços, sem a parcela de retribuição relativa à locação de bem móvel. Em sentido diverso, com base em uma única fala tirada de contexto, incompleta, o agravante busca estender uma orientação evidentemente inaplicável ao caso. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental.” (ARE 656709 AgR, 2ª Turma, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgado em 14/02/2012). (Grifamos). No caso em exame, o contrato de afretamento não poderia ter sido tratado como um contrato único de prestação de serviços. O que a fiscalização poderia ter feito, mas Fl. 1861DF CARF MF 22 não o fez, seria o arbitramento da base de cálculo, nos termos do art. 148 do CTN, para refletir apenas o vulto econômico da prestação de serviços, sem a parcela relativa ao valor do afretamento No entanto, por entender que poderia existir potencialmente a realização do fato gerador, resolveu aferir a base tributável sobre a totalidade dos valores, sem a efetiva constatação da ocorrência do fato jurídico tributário. Conforme bem destaca a Recorrente à fl. 16.019, as embarcações em causa – navios, navios sonda e plataformas – em razão da complexidade técnica são bens de vultoso valor e essencial ao desenvolvimento da atividade a que se destinam, representam a maior parcela do valor contratado. Nesse contexto, se cabível a unificação, seria mais lógico e coerente que o afretamento abarcasse a prestação de serviços do que o contrário como pretendeu o Fisco. Quando muito, o que caberia, caso a fiscalização tivesse comprovado atribuição irreal de preços aos contratos – o que no caso sequer se cogitou – seria eventual glosa de excesso de custo de afretamento ou tributação de parte como serviço, nada justificando ou autorizando a desqualificação do contrato de afretamento para atribuirlhe a natureza de prestação de serviços e com isso tributálo integralmente como tal. Falta à acusação fiscal elementos de prova que ratifiquem as razões que a levaram para fundamentar a tese de que todos os valores pagos de afretamento são, na verdade, prestação de serviços, afastando a alíquota zero do IRRF, conforme determinação contida no art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, in verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (....) Como visto acima, tratase de situação semelhante à tratada nos presentes autos, razão pela qual adoto integralmente o entendimento daquele colegiado como razão para manifestar meu voto. Da Aplicação do Tratado para evitar Bitributação celebrado entre Brasil e França Ainda que seja superada a questão da natureza jurídica de afretamento para o contrato celebrado pela Recorrente, passamos a análise da aplicação doTratado para evitar Bitributação celebrado entre Brasil e França. O artigo VII do Tratado dispõe que "os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só podem ser tributados nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado. Se a empresa exercer sua atividade desse modo, seus lucros poderão ser tributados no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem imputáveis a esse estabelecimento permanente". Vale destacar também que o Ato Declaratório Cosit n. 1/00, que foi fundamento para a autuação fiscal, possuía caráter interpretativo e foi revogado expressamente pelo Ato Declaratório Interpretativo n. 05/14, que já refletia o entendimento da PGFN manifestado no Parecer PGFN/CAT n. 2363/13. Fl. 1862DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.540 23 Feitas estas considerações e por tudo mais que dos autos constam, Voto no Sentido de Conhecer do Recurso para Darlhe Provimento julgando improcedente a autuação. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Voto Vencedor Conselheiro João Maurício Vital, Redator Designado. Atrevome a discordar do relator nos dois pontos determinantes para o deslinde da controvérsia: a alíquota aplicável e o enquadramento das remessas ao exterior aos termos da Convenção para Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos sobre o Rendimento, concluída entre o Brasil e a França em Brasília, a 10 de setembro de 1971, e aprovada pelo Decreto Legislativo nº 87, de 27 de novembro de 1971, que adiante será referida apenas por Convenção. 1 Da alíquota aplicável A recorrente sustentou a aplicação da alíquota zero de IRRF às remessas em face dos contratos por ela celebrados com empresa estrangeira, na parte dos pagamentos referentes ao afretamento. Afirmou que, por ser um contrato complexo, com distintos valores atribuídos aos serviços e ao afretamento, a tributação deveria, também, ser segmentada conforme cada um desses componentes dos contratos. Pois bem, eu não entendo assim. A Lei nº 556, de 25 de junho de 1850 Código Comercial (CCom), é o principal diploma a regular o Direito Marítimo pátrio. Essa lei, do tempo do Império, foi resultante de séculos de experiência naval e, por essa razão, seus dispositivos e conceitos são até hoje bem mantidos e observados. É ali que estão as principais definições concernentes ao uso de embarcações e à navegação marítima em nossas águas. Obviamente, também no CCom está o conceito de afretamento, prática milenar entre os comerciantes. A simples leitura dos arts. 566 a 569 e 590 a 628 deixa cristalino que o afretamento é atividade de contratação de embarcação estrangeira para o transporte. A Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997, também dispõe sobre a atividade de afretamento e, como não poderia ser diferente, a relaciona com o transporte marítimo: Art. 8º A empresa brasileira de navegação poderá afretar embarcações brasileiras e estrangeiras por viagem, por tempo e a casco nu. Art. 9º O afretamento de embarcação estrangeira por viagem ou por tempo, para operar na navegação interior de percurso nacional ou no transporte de mercadorias na navegação de cabotagem ou nas navegações de apoio portuário e marítimo, Fl. 1863DF CARF MF 24 bem como a casco nu na navegação de apoio portuário, depende de autorização do órgão competente e só poderá ocorrer nos seguintes casos: I quando verificada inexistência ou indisponibilidade de embarcação de bandeira brasileira do tipo e porte adequados para o transporte ou apoio pretendido; II quando verificado interesse público, devidamente justificado; III quando em substituição a embarcações em construção no País, em estaleiro brasileiro, com contrato em eficácia, enquanto durar a construção, por período máximo de trinta e seis meses, até o limite: a) da tonelagem de porte bruto contratada, para embarcações de carga; b) da arqueação bruta contratada, para embarcações destinadas ao apoio. No sítio do Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma) na internet há uma clara definição de o que é afretamento1: Afretamento – Ato ou efeito de alugar (contratar o uso de) uma embarcação mercante para transporte de carga ou de passageiros. O conceito de afretamento como atividade relacionada ao transporte também está claro na definição de SILVA2: AFRETAMENTO. Como tal se designa o contrato pelo qual, mediante um preço ou aluguel ajustado (frete), um dos contratantes, proprietário de um navio ou qualquer embarcação(fretador), concede ou aluga a outro contratante (afretador) o uso parcial ou total do navio ou da embarcação, para transporte de mercadorias ou de outros objetos. Também se diz fretamento, nome aliás mais vulgarmente empregado, e o instrumento, em que semelhante contrato se formula, recebe a denominação de cartapartida ou carta de fretamento. Bem se vê que o afretamento é a contratação de embarcação para transporte. Todavia, basta ler os contratos juntados aos autos (efl. 80 a 91) para se perceber que não se referem ao afretamento de embarcação, mas à execução de um serviço especializado em que a contratada empregou seus próprios equipamentos e profissionais. Veja o que consta da cláusula 1.1 de um dos contratos (efl. 80): 1.1. O presente CONTRATO tem por objeto a prestação, pela CONTRATADA, com seus próprios recursos de pessoal, materiais e equipamentos técnicos especializados de levantamento sísmico de reflexão tridimensional (3D na Plataforma Continental Brasileira, estimado em 6.681,0 Km2, distribuídos em linhas primárias, conforme programas 1 http://www.syndarma.org.br/glossario.php 2 Silva, De Plácido e. Vocabulário Jurídico / atualizadores: Nagib Slaibi Filho e Priscila Pereira Vasques Gomes – 31. ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2014. Fl. 1864DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.541 25 especificados no programa a ser entregue nos Blocos BMFZ6; BMPAMA8 e BMBAR5. (Sem grifo no original.) Não houve um contrato de afretamento celebrado entre a recorrente e a prestadora de serviços, houve um contrato de prestação de serviços de levantamento sísmico no qual a contratada assumiu os riscos e custos para levar a cabo o objeto. Ou seja, a recorrente não assumiu qualquer risco inerente a afretamento, foi tudo suportado pela contratada que, obviamente, integrou ao preço dos serviços todos os custos inerentes. Pareceme que a distinção do preço contratado nas rubricas "afretamento" e "serviços" não passou de uma tentativa de dar, a uma parcela vultosa do preço, um tratamento tributário privilegiado. Os fatos geradores ocorreram em 2009. Ainda que tenha havido alterações em 2014 e 2017, vigorava, na ocasião, a seguinte redação da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, que a recorrente invoca em seu socorro: Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem assim os pagamentos de aluguel de containers, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; ......................................................................................................... § 2o Para fins de aplicação do disposto no inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea de contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e de contrato de prestação de serviço relacionados à exploração e produção de petróleo ou de gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, a redução a 0% (zero por cento) da alíquota do imposto sobre a renda na fonte fica limitada à parcela relativa ao afretamento ou aluguel, calculada mediante a aplicação sobre o valor total dos contratos dos seguintes percentuais: (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) (Produção de efeito) O CTN consagra a aplicação, ao lançamento, a lei vigente quando do fato gerador, mesmo que tenha sido posteriormente modificada. Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ora, o disposto no § 2º do art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, não se aplica ao caso porque foi introduzido após a ocorrência dos fatos geradores. Somente em 2014, com o advento da Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014, ratificado em 2017, com a Lei nº 13.586, de 28 de dezembro de 2017, que, para efeitos tributários, admitiuse a repartição do objeto contratual e o tratamento fiscal distinto a cada parte. Fl. 1865DF CARF MF 26 Portanto, os valores remetidos estavam sujeitos à incidência do IRRF à alíquota de 15%, como consta do auto de infração. 2 Da aplicação da Convenção Fixado o entendimento de que o contrato não é de afretamento, mas de prestação de serviços, resta analisar a que título os pagamentos contratados foram transferidos do Brasil para o fornecedor no estrangeiro. Aqui, coaduno com a afirmação do relator de que se aplica o disposto na Convenção para Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos sobre o Rendimento, concluída entre o Brasil e a França em Brasília, a 10 de setembro de 1971, e aprovada pelo Decreto Legislativo nº 87, de 27 de novembro de 1971, que adiante será referida apenas por Convenção. Pois bem, segundo o relator, o pagamento dos serviços prestados pela empresa estrangeira se enquadraria na definição de lucro de empresas, nos termos do Artigo VII da Convenção. Neste ponto, divirjo. A Convenção estabelece, no Artigo III, item 2, que as definições que não estejam nela contidas terão o significado que lhe atribuir a legislação do Estado Contratante3. Ora, a Convenção não traz clara definição de lucro das empresas, razão pela qual o conceito deve derivar do que a legislação pátria estabelece (e não da convençãomodelo da OCDE, como alegou a recorrente). E esse conceito está no art. 191, combinado com os arts. 187, 189 e 190, todos da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. O lucro pode ser definido, de forma simplificada, como sendo o resultado positivo aferido a partir do confronto entre as receitas, as despesas e os custos. Portanto, os valores remetidos ao exterior para remunerar os serviços prestados nos termos contratados somente poderiam ser considerados como lucro se houvessem sido precedidos de apuração do resultado da operação, nos termos do art. 187, § 1º, da Lei nº 6.404, de 1976. Desse modo, não podem ser aplicadas as disposições do Artigo VII da Convenção às remessas de que tratam os autos, já que lucro não são, senão o pagamento pelos serviços contratados. Por outro lado, a Convenção estabelece o peculiar conceito de royalties a ser observado pelos Estados Contratantes. Esse conceito está no Artigo XII, item 3, e inclui, dentre outras modalidades de remunerações, os pagamentos pelo uso ou pela concessão do uso de equipamento industrial, comercial ou científico e por informações concernentes à experiência adquirida no setor industrial, comercial ou científico. Como bem asseverado pelo relator e pela recorrente, o objeto do contrato é a execução de serviços técnicos especializados de prospecção sísmica marítima. Com efeito, ao analisar as cláusulas contratuais (efls. 80 a 91) observase que a contratante, empresa brasileira, contratou a empresa estrangeira para fazer levantamentos geofísicos e lhe fornecer, sob o manto do sigilo, os dados e informações obtidos. Para isso, a contatada usaria seus próprios equipamentos científicos e pessoal especializado. Esse objeto contratual subsumese exatamente ao conceito de royalties descrito no Artigo XII, item 3, da Convenção. 3 2. Para aplicação da Convenção por um Estado Contratante, qualquer expressão não definida de outro modo terá, a não ser que o contexto exija interpretação diferente, o significado que lhe é atribuído pela legislação desse Estado Contratante relativa aos impostos que são objeto da Convenção. Fl. 1866DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.542 27 Ora, a própria Convenção assegura a tributação de royalties pelo Estado Contratante até o limite de 15%, exatamente a alíquota aplicada no lançamento em análise: 1. Os "royalties" provenientes de um Estado Contratante e pagos a uma residente do outro Estado Contratante são tributáveis nesse outro Estado. 2. Todavia, esses "royalties" poderão ser tributados no Estado Contratante de que provêm, e de acordo com a legislação desse Estado, mas o imposto assim estabelecido não poderá exceder: a) 10% (dez por cento) do montante bruto dos "royalties" pagos, seja pelo uso ou pela concessão do uso de um direito de autor sobre uma obra literária, artística ou científica, seja pelo uso ou pela concessão do uso de filmes cinematográficos, de filmes ou de gravações de televisão ou de radiodifusão produzidos por um residente de um dos Estados Contratantes; b) 25% (vinte e cinco por cento) do montante bruto dos "royalties" pagos pelo uso de uma marca de fábrica ou de comércio; c) 15% (quinze por cento) nos demais casos. (Sem grifo no original.) Ademais, não há que se falar em dupla tributação, como asseverou a recorrente, porque a própria Convenção prevê, no item 2, alínea c, do Artigo XXII, que o imposto pago no Brasil seja creditado na França: c) no que concerne aos rendimentos indicados nos Artigos X, XI, XII, XIII, XIV, XVI e XVII sobre os quais tenha incidido o imposto brasileiro em conformidade com as disposições de tais artigos, a França concederá aos seus residentes que recebem tais rendimentos de fonte brasileira um crédito tributário correspondente ao imposto pago no Brasil, no limite do imposto francês referente a esses mesmos rendimentos; (Sem grifo no original.) Portanto, percebo que a tributação levada a efeito no presente processo não exorbitou ou contrariou o que consta da Convenção. Conclusões Voto, pois, por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Redator Designado Declaração de Voto Fl. 1867DF CARF MF 28 Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Com a devida vênia ao voto vencedor, entendo que no presente caso deve ser aplicado o artigo 7º da Convenção celebrada entre o Brasil e a França para Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos sobre o Rendimento, de modo que deve inexistir retenção fonte sobre os pagamentos feitos pela Recorrente à pessoa jurídica francesa prestadora de serviço. A celebração de convenções para evitar a bitributação da renda tem por objetivo delimitar a competência tributária entre dois países para relações econômicas transfronteiriças, evitando, com isso, o fenômeno da bitributação jurídica. Com relação às convenções para evitar a bitributação da renda, Luís Eduardo Schoueri assevera que: “Dada a inexistência de um princípio, oriundo do direito internacional, que vede a bitributação, passam os Estados a adotar medidas visando a afastála ou a mitigar os seus efeitos. (...) Ao lado das medidas unilaterais contra a bitributação, estão os acordos de bitributação: instrumentos de que se valem os Estados para, por meio de concessões mútuas, evitar o mitigar os efeitos da bitributação” (SCHOUERI, Luís Eduardo. Notas sobre os Tratados Internacionais sobre a Tributação. In: AMARAL, Antônio Carlos Rodrigues do. Tratados Internacionais na Ordem Jurídica Brasileira. São Paulo: Lex, 2005. p. 200) Dessa forma, as convenções explicitam essas concessões mútuas feitas entre os Estados contratantes para delimitar as suas respectivas competências com a finalidade de se evitar ou mitigar a bitributação. Considerando que a celebração de tais convenções exige uma negociação entre diferentes países, verificase que os países têm preferido adotar como ponta de partida para a celebração de tais acordos alguns modelos de convenção, sobretudo as Convenções Modelo da OCDE e da ONU. Cumpre destacar que o Brasil tem adotado a Convenção Modelo da OCDE como parâmetro para a celebração de seus acordos para evitar a bitributação da renda. A Convenção Modelo da OCDE estabelece artigos específicos dispondo sobre o tratamento tributário a ser reservado para determinadas modalidades de renda (que estariam potencial sujeitas à bitributação) de acordo com a natureza de tais receitas. No caso específico da Convenção celebrada entre o Brasil e a França, verificase que há artigos específicos para: (i) rendimentos dos bens imobiliários (artigo 6º); (ii) lucros das empresas (artigo 7º); (iii) lucros de navegação marítima e aérea (artigo 8º); (iv) dividendos (artigo 10); (v) juros (artigo 11); (vi) royalties (artigo 12); (vii) ganhos de capital (artigo 13); (viii) rendimentos de profissões independentes (artigo 14); (ix) rendimentos de profissões dependentes (artigo 15); (x) remunerações de direção (artigo 16); (xi) rendimentos de artistas e desportistas (artigo 17); (xii) pensões (artigo 18); (xiii) remunerações públicas (artigo 19); e (xiv) rendimentos de estudantes (artigo 20). No tocante especificamente ao artigo 7º das Convenções Modelo para evitar bitributação, Sergio André Rocha destaca que: Fl. 1868DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.543 29 “Os artigos 7º das Convenções Modelo da OCDE e da ONU estabelecem a regra geral de que a renda ativa derivada do exercício direto de atividades econômicas no país da fonte – sem a intervenção de um estabelecimento permanente , por um residente de outro Estado contratante, somente será tributada neste último. (...) As quatro principais categorias de rendimentos que se encontram sob o escopo do artigo 7º sãos as seguintes: (i) aluguel; (ii) prestação de serviços empresariais; (iii) seguro e resseguro, e (iv) venda de mercadorias. (ROCHA, Sergio Andre. Política Fiscal Internacional Brasileira. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2017. pp. 50 54) Dessa forma, o artigo 7º dispõe que a renda ativa derivada do exercício direto de atividades econômicas no país da fonte, sem que haja um estabelecimento permanente, somente será tributada no país de residência. Tal artigo possui uma lógica na medida em que é muito difícil ao país da fonte determinar o lucro do não residente, de modo que a tributação na fonte implica a tributação da receita bruta do não residente e não de sua renda. Ao passarmos para o artigo 7º da Convenção celebrada entre o Brasil e a França para Evitar a Dupla Tributação, verificase que não deve haver tributação da renda pelo Estado da Fonte a menos que exista um estabelecimento permanente: ARTIGO VII Lucros das empresas 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só podem ser tributados nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado. Se a empresa exercer sua atividade desse modo, seus lucros poderão ser tributados no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem imputáveis a esse estabelecimento permanente. 2. Quando uma empresa de um Estado Contratante exercer sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado, serão imputados, em cada Estado Contratante, a esse estabelecimento permanente os lucros que este obteria se constituísse uma empresa distinta e separada que exercesse atividades idênticas ou similares, em condições idênticas ou similares, e transacionasse com absoluta independência com a empresa da qual é um estabelecimento permanente. 3. No cálculo dos lucros de um estabelecimento permanente, é permitido deduzir as despesas que tiverem sido feitas para a realização dos fins perseguidos por esse estabelecimento Fl. 1869DF CARF MF 30 permanente, incluindo as despesas de direção e os gastos gerais de administração igualmente realizados. 4. Nenhum lucro será imputado a um estabelecimento permanente pelo simples fato de esse estabelecimento permanente comprar mercadorias para a empresa. 5. Quando os lucros compreenderem elementos de rendimentos tratados separadamente nos outros artigos da presente Convenção, as disposições desses artigos não serão afetadas pelas disposições deste Artigo. Vale ressaltar que o conceito de estabelecimento permanente é encontrado no artigo 5º da Convenção celebrada entre o Brasil e a França para Evitar a Dupla Tributação ARTIGO V Estabelecimento permanente 1. Para efeitos da presente Convenção, a expressão "estabelecimento permanente" significa uma instalação fixa de negócio em que a empresa exerça toda ou parte de sua atividade. 2. A expressão "estabelecimento permanente" compreende especialmente: a) uma sede de direção; b) uma sucursal; c) um escritório; d) uma fábrica; e) uma oficina; f) uma mina, uma pedreira ou qualquer outro local de extração de recursos naturais; g) um canteiro de construção ou de montagem cuja duração exceda seis meses. (...) 7. O fato de uma sociedade residente de um Estado Contratante controlar ou ser controlada por uma sociedade residente do outro Estado Contratante ou que exerce a sua atividade nesse outro Estado (quer seja através de um estabelecimento permanente, quer de outro modo) não é, por si, bastante para fazer de qualquer dessas sociedades estabelecimento permanente da outra. Como se vê, no caso concreto, no caso concreto não há que se falar em estabelecimento permanente da sociedade francesa (CGG Veritas Services S.A.) no Brasil, empresa que foi contratada para realizar o afretamento de embarcações (sendo que a operação das embarcações era feita por funcionários da empresa francesa) e prestação de serviços Fl. 1870DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.544 31 técnicos especializados de prospecção sísmica marítima (também realizada por funcionários da empresa francesa). Ao comentar o artigo 7º das Convenções Modelo da OCDE, Alberto Xavier assinala que: “A regra geral constante do art. 7º do Modelo OCDE é a de que o direito de tributar os lucros das empresas é objeto de atribuição exclusiva ao Estado de que tais empresas são residentes. São, pois, “estabelecimentos permanentes”, para efeito dos tratados, as sucursaisagências ou filiais destituídas de personalidade jurídica própria. O Estado da fonte é excepcionalmente autorizado a tributar os resultados das atividades que se exercem no seu território com certa intensidade, corporizada na instalação de um estabelecimento estável. (XAVIER, Alberto Direito Tributário Internacional do Brasil 8ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2015. pp. 625650) Diante da inexistência de estabelecimento permanente da empresa francesa no Brasil, temos um caso de total aplicação do artigo 7º da Convenção, visto que somente o Estado da Residência possui condições de saber, inclusive, se aquela atividade de afretamento de embarcações e de prestação de serviços gerará lucro ou não. Ao contrário do que foi levantado durante os debates da sessão de julgamento, não há que se falar que a Recorrente (CGG do Brasil Participações Ltda) seja um estabelecimento permanente da empresa francesa. Muito pelo contrário, a Recorrente é uma pessoa jurídica constituída no Brasil, controlada sim pela empresa francesa, mas é uma empresa independente, não sendo uma filial ou sucursal da francesa. Ademais, vale lembrar que a Recorrente, como pessoa jurídica brasileira, é contribuinte dos tributos brasileiros (dentre os quais o IRPJ), recolhendo devidamente os tributos sobre suas atividades, receitas e lucros, bem como a pessoa jurídica brasileira foi constituída como uma decorrência de uma exigência legal regulatória para fins de contratação junto a Petrobras. Também cumpre salientar que o Brasil, ao celebrar convenções para evitar bitributação, visa estimular as relações econômicas entre empresas brasileiras e estrangeiras, eliminando ou mitigando a bitributação, no entanto, a Administração Tributária acaba por restringir a aplicação das referidas convenções ao estabelecer unilateralmente entendimentos restritivos, sobretudo com relação ao artigo 7º das convenções. Nesse sentido, cumpre lembrar que o presente lançamento tributário teve por fundamento o Ato Declaratório Executivo Cosit n. 1/00, que trazia entendimento altamente restritivo com relação à aplicação do artigo 7º das Convenções, praticamente o tornando letra morta, o que implica até uma certa má fé do Estado Brasileiro, que celebra um acordo bilateral e depois emite interpretação unilateral que tira totalmente os efeitos do dispositivo que havia celebrado no âmbito de uma convenção internacional. Muito mais honesto e transparente, seria se o Estado Brasileiro denunciasse a Convenção para evitar a Bitributação se ela não concorda Fl. 1871DF CARF MF 32 com os seus termos do que apenas tirar a eficácia de um dispositivo da convenção por meio de uma interpretação unilateral demonstrada por ato infralegal. Ademais, o referido Ato Declaratório Executivo Cosit n. 1/00 foi revogado expressamente pelo Ato Declaratório Interpretativo n. 5/14. Sobre o histórico de interpretação do artigo 7º das convenções para evitar bitributação celebrados pelo Brasil, Alberto Xavier assinala que o tratamento dos serviços pelos tratados contra dupla tributação teve quatro diferentes fases: (i) primeira fase, em que a Administração Fiscal admitiu espontaneamente a aplicação do artigo 7º dos tratados; (ii) segunda fase, de rejeição da aplicação do artigo 7º dos tratados, submetendo os serviços em geral à classificação residual de “outros rendimentos”, sujeitos nos tratados brasileiros; (iii) terceira fase, em que o Superior Tribunal de Justiça se pronunciou no sentido de aplicabilidade do artigo 7º, com a consequente exclusão da retenção na fonte quanto aos serviços em geral; (iv) quarta fase, em que há uma tentativa por meio de atos administrativos de trazer definições unilaterais de serviços técnicos e de assistência técnica, que esvaziariam o teor do artigo 7º dos tratados (XAVIER, Alberto Direito Tributário Internacional do Brasil 8ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2015. p. 643). A primeira fase diz respeito exatamente ao momento em que as convenções foram celebradas, no qual verificavase o interesse brasileiro em desenvolver as relações econômicas bilaterais, mitigando ou eliminando situações potenciais de bitributação. A segunda fase, a qual alude Alberto Xavier, representa o período em que o Ato Declaratório Executivo Cosit n. 1/00 foi aplicado, em que pese ele contrariasse todo o contexto de celebração das convenções internacionais. A terceira fase, a qual Alberto Xavier alude, se fundamenta em decisão do Superior Tribunal de Justiça, que afastou totalmente a aplicação do Ato Declaratório Executivo Cosit n. 1/00. Em 17/05/2012, o Superior Tribunal de Justiça julgou o Recurso Especial n.1161467 / RS, que decidiu pela aplicação do artigo 7º de Convenções para Evitar Bitributação da Renda celebradas pelo Brasil, conforme ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. CONVENÇÕES INTERNACIONAIS CONTRA A BITRIBUTAÇÃO. BRASILALEMANHA E BRASILCANADÁ. ARTS. VII E XXI. RENDIMENTOS AUFERIDOS POR EMPRESAS ESTRANGEIRAS PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À EMPRESA BRASILEIRA. PRETENSÃO DA FAZENDA NACIONAL DE TRIBUTAR, NA FONTE, A REMESSA DE RENDIMENTOS. CONCEITO DE "LUCRO DA EMPRESA ESTRANGEIRA" NO ART. VII DAS DUAS CONVENÇÕES. EQUIVALÊNCIA A "LUCRO OPERACIONAL". PREVALÊNCIA DAS CONVENÇÕES SOBRE O ART. 7º DA LEI 9.779/99. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. ART. 98 DO CTN. CORRETA INTERPRETAÇÃO. 1. A autora, ora recorrida, contratou empresas estrangeiras para a prestação de serviços a serem realizados no exterior sem transferência de tecnologia. Em face do que dispõe o art. VII das Convenções BrasilAlemanha e BrasilCanadá, segundo o qual "os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade em Fl. 1872DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.545 33 outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado", deixou de recolher o imposto de renda na fonte. 2. Em razão do não recolhimento, foi autuada pela Receita Federal à consideração de que a renda enviada ao exterior como contraprestação por serviços prestados não se enquadra no conceito de "lucro da empresa estrangeira", previsto no art. VII das duas Convenções, pois o lucro perfectibilizase, apenas, ao fim do exercício financeiro, após as adições e deduções determinadas pela legislação de regência. Assim, concluiu que a renda deveria ser tributada no Brasil o que impunha à tomadora dos serviços a sua retenção na fonte , já que se trataria de rendimento não expressamente mencionado nas duas Convenções, nos termos do art. XXI, verbis: "Os rendimentos de um residente de um Estado Contratante provenientes do outro Estado Contratante e não tratados nos artigos precedentes da presente Convenção são tributáveis nesse outro Estado". 3. Segundo os arts. VII e XXI das Convenções contra a Bitributação celebrados entre BrasilAlemanha e BrasilCanadá, os rendimentos não expressamente mencionados na Convenção serão tributáveis no Estado de onde se originam. Já os expressamente mencionados, dentre eles o "lucro da empresa estrangeira", serão tributáveis no Estado de destino, onde domiciliado aquele que recebe a renda. 4. O termo "lucro da empresa estrangeira", contido no art. VII das duas Convenções, não se limita ao "lucro real", do contrário, não haveria materialidade possível sobre a qual incidir o dispositivo, porque todo e qualquer pagamento ou remuneração remetido ao estrangeiro está e estará sempre sujeito a adições e subtrações ao longo do exercício financeiro. 5. A tributação do rendimento somente no Estado de destino permite que lá sejam realizados os ajustes necessários à apuração do lucro efetivamente tributável. Caso se admita a retenção antecipada – e portanto, definitiva do tributo na fonte pagadora, como pretende a Fazenda Nacional, serão inviáveis os referidos ajustes, afastandose a possibilidade de compensação se apurado lucro real negativo no final do exercício financeiro. 6. Portanto, "lucro da empresa estrangeira" deve ser interpretado não como "lucro real", mas como "lucro operacional", previsto nos arts. 6º, 11 e 12 do Decretolei n.º 1.598/77 como "o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica", ai incluído, obviamente, o rendimento pago como contrapartida de serviços prestados. 7. A antinomia supostamente existente entre a norma da convenção e o direito tributário interno resolvese pela regra da especialidade, ainda que a normatização interna seja posterior à internacional. Fl. 1873DF CARF MF 34 8. O art. 98 do CTN deve ser interpretado à luz do princípio lex specialis derrogat generalis, não havendo, propriamente, revogação ou derrogação da norma interna pelo regramento internacional, mas apenas suspensão de eficácia que atinge, tão só, as situações envolvendo os sujeitos e os elementos de estraneidade descritos na norma da convenção. 9. A norma interna perde a sua aplicabilidade naquele caso especifico, mas não perde a sua existência ou validade em relação ao sistema normativo interno. Ocorre uma "revogação funcional", na expressão cunhada por HELENO TORRES, o que torna as normas internas relativamente inaplicáveis àquelas situações previstas no tratado internacional, envolvendo determinadas pessoas, situações e relações jurídicas específicas, mas não acarreta a revogação, stricto sensu, da norma para as demais situações jurídicas a envolver elementos não relacionadas aos Estados contratantes. 10. No caso, o art. VII das Convenções BrasilAlemanha e Brasil Canadá deve prevalecer sobre a regra inserta no art. 7º da Lei 9.779/99, já que a norma internacional é especial e se aplica, exclusivamente, para evitar a bitributação entre o Brasil e os dois outros países signatários. Às demais relações jurídicas não abarcadas pelas Convenções, aplicase, integralmente e sem ressalvas, a norma interna, que determina a tributação pela fonte pagadora a ser realizada no Brasil. 11. Recurso especial não provido. A decisão do STJ deixa claro que a Convenção para Evitar Bitributação deve ser aplicada, quer seja porque a ela prevalece sobre lei interna, conforme artigo 98 do Código Tributário Nacional, quer seja porque ela retira a eficácia da legislação tributária interna até que ela seja denunciada, tal qual explicita Klaus Vogel com sua alusão à convenção internacional como máscara que é sobreposta sobre a legislação interna, impedindo que a parte da legislação interna coberta por tal máscara irradie efeitos jurídicos. Dessa forma, não resta dúvida da aplicação do artigo 7º da Convenção. A quarta fase, a qual alude Alberto Xavier, decorre da edição do Ato Declaratório Interpretativo n. 5/14, que determina que o tratamento tributário a ser dispensado aos rendimentos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos por fonte situada no Brasil a pessoa física ou jurídica residente no exterior pela prestação de serviços técnicos e de assistência técnica, com ou sem transferência de tecnologia, com base em acordo ou convenção para evitar a dupla tributação da renda celebrado pelo Brasil será aquele previsto no respectivo Acordo ou Convenção no artigo que trata de royalties, quando o respectivo protocolo contiver previsão de que os serviços técnicos e de assistência técnica recebam igual tratamento, na hipótese em que o Acordo ou a Convenção autorize a tributação no Brasil. Em que pese, mais uma vez, a potencial ilegalidade e até má fé (na medida em que faz tábula rasa da convenção bilateralmente pactuada) na interpretação das convenções brasileiras por tal Ato Declaratório. Fl. 1874DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.546 35 Ocorre que, ainda que em alguns acordos exista uma previsão específica em protocolo de que serviços técnicos serão tratados como royalties, cumpre destacar que inexiste tal previsão no Protocolo Específico da Convenção celebrada entre Brasil e França. Assim, leciona Sérgio André Rocha: Em relação à prestação de serviços técnicos, a maioria dos tratados brasileiros tem uma previsão específica em seus protocolos, estabelecendo que tais serviços serão tratados como royalties. A exceção fica por conta dos tratados com a Áustria, a Finlândia, a França, o Japão e a Suécia. (ROCHA, Sergio André. Política Fiscal Internacional Brasileira. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2017. pp. 50 54) Assim, ainda que seja adotado o disposto no Ato Declaratório Interpretativo n. 5/14, verificase que a potencial requalificação dos serviços técnicos para royalties somente poderia acontecer quando o protocolo da Convenção para evitar Bitributação contiver previsão de que os serviços técnicos e de assistência técnica recebam igual tratamento. Ocorre que não há tal previsão no protocolo da Convenção celebrada entre Brasil e França, o que também é confirmado inclusive na supramencionada lição doutrinária de Sérgio André Rocha. Ante o exposto, entendo que o artigo 7º da Convenção para Evitar Bitributação celebrada entre Brasil e França é plenamente aplicável ao caso concreto, de modo que não deveria haver a incidência de IRRF nos pagamentos feitos pela Recorrente à empresa francesa. No âmbito dos debates da sessão de julgamento, foi discutida a potencial requalificação de pagamento de serviços (lucros das empresas) para royalties, inclusive com a menção de haveria um fornecimento de know how. Ora verificase que a legislação brasileira de propriedade industrial exige que contratos que tenham transferência de tecnologia tenham registro no INPI, de modo que não merece prosperar tal argumentação. É muito estranho que a Convenção para evitar Bitributação, que é um ato que limita a competência tributária de dois países, seja utilizada para ampliar competência tributária, o que ocorreria se tais pagamentos de serviço fossem enquadrados como royalties. Por fim, ainda que o referido artigo 7º não fosse aplicável, entendo também que o contrato celebrado entre a Recorrente e a empresa francesa é um contrato complexo que envolve tanto o afretamento da embarcação quanto os serviços técnicos. Dessa forma, considerar todo o objeto do contrato como prestação de serviços é muito arbitrário, pois não condiz com a realidade econômica. Como contrato complexo, o objeto do contrato deve ser desmembrado (vale lembrar que houve tributação do IRRF com relação a parcela originalmente classificada pela Recorrente como prestação de serviços), de modo que claramente não deveria haver IRRF sobre os pagamentos a título de afretamento de embarcação, uma vez que há previsão de alíquota zero para os pagamentos destinados às embarcações. A própria DRJ reconhece isso ao dizer que “fica impossível à autoridade fiscal determinar qual a parte seria a remuneração tão somente da locação da embarcação”. Ora tal afirmação só confirma que diante da constatação de o contrato é complexo, optouse por Fl. 1875DF CARF MF 36 consideralo todo como prestação de serviço, que curiosamente é a qualificação que permite uma tributação mais gravosa. No meu ponto de vista, se a fiscalização entender que a mensuração da receita relativa a cada objeto (afretamento e prestação de serviço) está equivocada, caberia à ela comprovar que a mensuração está inadequada, demonstrando que houve fraude, dolo ou simulação com relação à mensuração. No caso concreto, inexistiu sequer tentativa de mensurar o que seria o montante mais usual a ser precificado como afretamento, muito um apontamento adequado e preciso da irregularidade que seria capaz de geral tal requalificação dos pagamentos. Ademais, cumpre mencionar que a Lei n. 13.043/14 alterou o artigo 1º, §2º, da Lei n. 9.481/97, que passou a ter a seguinte redação: Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.97) § 2o Para fins de aplicação do disposto no inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea de contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e de contrato de prestação de serviço relacionados à exploração e produção de petróleo ou de gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, a redução a 0% (zero por cento) da alíquota do imposto sobre a renda na fonte fica limitada à parcela relativa ao afretamento ou aluguel, calculada mediante a aplicação sobre o valor total dos contratos dos seguintes percentuais: (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) I 85% (oitenta e cinco por cento), quanto às embarcações com sistemas flutuantes de produção ou armazenamento e descarga; (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) (Produção de efeito) II 80% (oitenta por cento), quanto às embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação e manutenção de poços; e (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) (Produção de efeito) III 65% (sessenta e cinco por cento), quanto aos demais tipos de embarcações. (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) (Produção de efeito) Assim, o dispositivo legal atualmente em vigor prevê expressamente que existe execução simultânea de contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e contrato de prestação de serviço, o que somente corrobora uma realidade econômica que não está sendo observada se todo o objeto do contrato for considerado como prestação de serviço. Como decorrência de tal previsão legal, mostrase uma situação usual e normal a execução simultânea de afretamento de embarcação e prestação de serviço relacionado com a exploração e produção de petróleo e gás natural. Diante do exposto, entendo que não se aplica a tributação do IRRF sobre os pagamentos feitos pela Recorrente para a empresa francesa, uma vez que deve ser aplicado o artigo 7º da Convenção celebrada entre Brasil e França para evitar a Bitributação da Renda; e Fl. 1876DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.547 37 ainda que fosse superada tal questão, entendo que o contrato celebrado pela Recorrente é um contrato complexo, de modo que há claramente afretamento de embarcação, sendo que a remuneração por tal afretamento não deveria ser tributada pelo IRRF, o que é confirmado até pelo atual texto do artigo 1º, §2º, da Lei n. 9.481/97. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 1877DF CARF MF
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Numero do processo: 10825.900312/2006-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA.
Tendo sido apurado em acurada diligência saldo negativo suficiente para a compensação pleiteada, esta deve ser homologada.
Numero da decisão: 1302-003.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. Tendo sido apurado em acurada diligência saldo negativo suficiente para a compensação pleiteada, esta deve ser homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório A Empresa apresentou DComp eletrônica 16717.72732.301003.1.3.048349 pleiteando a compensação de crédito pagamento a maior ou indevido de IRPJ com débito de estimativa mensal de IRPJ de fevereiro de 2003, no valor de R$2.237,01. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 03 12 /2 00 6- 79 Fl. 183DF CARF MF 2 Despacho Decisório (DD) de 16 de junho de 2008 não homologou a compensação, uma vez que o DARF estava totalmente dedicado a pagamentos de tributos federais. Em manifestação de inconformidade a Empresa detalha confusão entre os valores considerados no DD e invoca o princípio da verdade material, pelo que a DRJ emite acórdão indeferindo a solicitação, com as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/03/2001 DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código . Tributário Nacional. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/03/2001 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. Sob pena de preclusão temporal, o momento processual para o oferecimento da manifestação de inconformidade é o marco para apresentação de provas e alegações com o condão de modificar, impedir ou extinguir a pretensão fiscal, consideradas as exceções previstas no estatuto processual tributário. Constatada confusão e para evitar decisão inconsistente, esta Turma Ordinária emitiu a Resolução nº 130000.072, em 23 de fevereiro de 2011, convertendo o julgamento em diligência, de seguinte teor: Nessa medida, vejo a necessidade de converter o julgamento em diligência, em conjunto com os demais processos com matéria interligada (no total, Processos no. 10825900.309/200655, 10825900.312/200679 e 10825900.315/200655) para que a autoridade preparadora, por favor, execute as seguintes providências. 1 – Levante os pedidos de compensação efetuados pelo contribuinte e também os processos em que se discutem pedidos de compensação relacionados ao saldo de IRPJ pago a maior de 2001 e também aqueles relacionados ao pagamento indevido de IRPJ em 31032001. 2 – Levante o Processo 10825900.311/200624, o correspondente extrato COMPROT, o pedido de compensação em discussão nesse processo, a decisão DRJ e se houver a decisão deste Conselho. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10825.900312/200679 Acórdão n.º 1302003.125 S1C3T2 Fl. 184 3 3 – Verifique em que medida o saldo de 24.557,48 de IRPJ pago a maior conforme apurado na DIPJ/02 para 31122001 foi objeto de compensação pelo contribuinte, esclarecendo as seguintes informações. 3.1. Qual foi o valor compensado e a data da compensação, o número do PER/DCOMP e do Processo Administrativo se houver. 3.2. A evolução do saldo de IRPJ a compensar com o abatimento das compensações efetuadas conforme 3.1., evidenciando qual é à data da análise o atual saldo em aberto a compensar de IRPJ pago a maior no ano de 2001. Analisar e incluir também os pedidos de compensação relacionados a recolhimento indevido no mês calendário de fevereiro de 2001. 4 Confronte as compensações analisadas nos itens 1, 2 e 3 com aquelas elencadas na tabela supra deste voto e conclua o relatório de diligência, tecendo os esclarecimentos que julgar necessário. 5 Cientifique o contribuinte do resultado dos trabalhos relativos aos itens 1 a 4, abrindo prazo para manifestação formal escrita. 6 Decorrido o prazo para manifestação, anexe a manifestação do contribuinte ao processo em conjunto com os demais documentos e encaminhe o processo novamente a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para decisão, em conjunto com os demais processos de matéria interligada (10825900.309/200655, 10825900.312/200679 e 10825900.315/200655) e, se ainda não houver decisão do Conselho, processo 10825900.311/200624). Em resumo: COMPENSAÇÃO – IRPJ Saldo Negativo x IRPJ Recolhimento Indevido – Está claro que o contribuinte recolheu IRPJ indevidamente em 31032001 e é necessário verificar as compensações que realizou com esse pagamento e o saldo de IRPJ pago a maior no anocalendário de 2001 para verificar a existência do crédito compensado. Realizada a diligência, a autoridade responsável apresentou Informação Fiscal concluindo pela existência, após todas as considerações, de saldo de direito creditório no montante de R$3.537,02, o que seria suficiente para as seguintes compensações, litteratim: Se efetuados os procedimentos de compensação desses débitos com o saldo remanescente apurado na presente diligência, o crédito remanescente de R$ 3.537,02, seria suficiente para compensar os débitos dos processos 10825.900309/200655 e 10825.900312/200679, restando um saldo de R$ 1.609,63 para o processo 10825.900315/200611, conforme abaixo demonstrado: O saldo do direito creditório de R$ 1.609,63, aplicada a selic até a data da declaração de compensação de 30/10/2003, seria suficiente para compensar parte do débito controlado no processo 10825.900315/200611, referente à declaração de compensação nº 06492.73776.290604.1.7.046688, conforme: Fl. 185DF CARF MF 4 Sendo assim, restaria um saldo devedor de R$ 3.290,20 do débito declarado na dcomp nº 06492.73776.290604.1.7.046688 e controlado no processo 10825.900315/200611. Regularmente intimada do resultado da diligência, a Recorrente quedou inerte. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator O Recurso é tempestivo e a representação é regular, pelo que conheço do Recurso Voluntário. A autoridade administrativa responsável pela realização da diligência, após acurado trabalho, constatou a existência de saldo negativo suficiente para a homologação das DComps 35446.74409.301003.1.3.040654 e 16717.72732.301003.1.3.048349, cujos débitos são de R$374,02 e 2.237,01, respectivamente, e homologação parcial da DComp 06492.73776.290604.1.7.046688, restando um saldo a pagar de R$ 3.290,20. Não havendo oposição ao trabalho fiscal, acolho as razões da Informação Fiscal de folhas 167/174, reconhecendo o direito creditório no valor de R$3.260,93 e homologo a compensação pleiteada neste processo, DComp 16717.72732.301003.1.3.048349. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 186DF CARF MF
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