Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,733)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10510.900493/2012-25
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação.
INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO.
O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
Numero da decisão: 3803-006.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10510.900493/2012-25
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5356167
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-006.192
nome_arquivo_s : Decisao_10510900493201225.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BELCHIOR MELO DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10510900493201225_5356167.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
dt_sessao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
id : 5503400
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812571467776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1723; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 80 1 79 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.900493/201225 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.192 – 3ª Turma Especial Sessão de 28 de maio de 2014 Matéria PIS COMPENSAÇÃO Recorrente SÃO LUCAS MÉDICO HOSPITALAR LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 04 93 /2 01 2- 25 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório Esta contribuinte transmitiu declaração de compensação em que compensou o débito discriminado no referido PeR/DComp servindose de suposto crédito de pagamento a maior de PIS. Despacho Decisório da DRF/Aracaju reconheceu parcialmente o direito creditório e homologou parcialmente a DComp, por insuficiência de crédito. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Manifestante alegou que: a) a falta de retificação da DCTF não invalida o direito de proceder à compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior; b) discorreu sobre o direito à compensação administrativa, fazendo menção à legislação pertinente, tendo ainda tratado da retificação da DCTF e das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a Declaração de Compensação. Em julgamento da lide, a DRJ/Belo Horizonte consignou que o fato evidenciado pelo Despacho Decisório é que o crédito utilizado pela Contribuinte foi alocado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de compensação, além do montante já considerado na decisão. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 08/03/2014, 15 dias após a disponibilização da decisão na caixa postal eCAC, irresignada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/03/2014, em que identificou que a origem do crédito era pagamento indevido sobre as receitas decorrentes do fornecimento de medicamentos sujeitos à alíquota zero, com tributação concentrada no produtor, nos termos da Lei nº 10.147/00, com liminar deferida no processo judicial nº 2009.34.00.0314472, confirmada na segurança concedida, em trâmite na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal, ascendidos os autos ao TRF1ª Região em 02/05/2001 para o reexame necessário. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10510.900493/201225 Acórdão n.º 3803006.192 S3TE03 Fl. 81 3 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para admissibilidade, portanto dele conheço. Com efeito, na manifestação de inconformidade a Contribuinte não identifica a origem do crédito que utiliza na declaração de compensação e não anexa documentos nem sua escrita fiscal e contábil para comprovar a sua alegação de pagamento a maior. No recurso voluntário a Recorrente apresentase como substituída no mandado de segurança coletivo impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, ação que teve como objeto a exclusão da base de cálculo das contribuições apuradas por hospitais e clínicas das receitas obtidas com o fornecimento de medicamentos na prestação de serviços, uma vez que tais medicamentos estão sujeitos à incidência concentrada e da alíquota zero relativamente aos demais agentes da cadeia de circulação desses produtos. Anexa Certidão Narrativa de Objeto e Pé contendo o andamento do processo e em que é atestada a concessão de liminar, a posterior concessão da segurança, a subida dos autos para reexame necessário e seu estado de concluso para o relator. Com este argumento a Recorrente inova a sua defesa, trazendo questão que não foi posta perante o juízo de primeiro grau. Reza o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 que o impugnante deve arguir na impugnação todas as questões de fato e de direito, bem como apresentar todos os documentos que fazem a prova das alegações. Os processos de restituição, ressarcimento e compensação são de iniciativa do interessado, que se constitui em sujeito ativo no processo fazendo a afirmação do seu direito ao crédito e à concomitante compensação, cabendo a ele, dessa forma, o ônus de instruir o processo com as provas dos fatos constitutivos do seu direito. No presente caso, além de o novo argumento repercutir na supressão da primeira instância, que deixou de apreciar o mérito ora colocado, a Recorrente trouxe apenas a prova quanto à certeza do seu crédito, decorrente da existência da ação judicial em que é parte na condição de substituída processual, com provimento do pedido reconhecendo o direito de não se submeter ao pagamento do PIS/Cofins, porém não se desincumbiu de demonstrar a sua liquidez, comprovandoo por meio de controle segregado dos produtos alvo da exclusão da base de cálculo, bem como, adicionalmente, por meio da escrita contábil e fiscal. Os argumentos da Recorrente apoiados apenas no documento apresentado corresponde à pretensão de obter o provimento do recurso voluntário com base no direito em tese. A prova da certeza do crédito é necessária, mas insuficiente, porquanto não assegura minimamente a existência do seu direito material. Desse modo, a Recorrente apresenta uma defesa que não tem força para lhe favorecer, pois é elementar que restasse provada a materialidade do direito alegado, sintetizada, pelo menos, num demonstrativo de recuperação de crédito, tecnicamente consistente e facilitador de uma possível diligência fiscal, de vez que apresentada apenas na segunda instância. Somente assim, poderia a Recorrente obter, quando menos, alguma parcela de êxito no presente julgamento. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Dessarte, a carência de elementos probatórios que ministrassem em favor da sua alegação realça tão só a inovação no argumento de defesa, que, ante a correção da decisão recorrida, não tem índole bastante para ser conhecida. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso por inovação no argumento de defesa. Sala das sessões, 28 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 83DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10711.003785/2010-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 04/07/2008
MULTA. ART. 50 DA IN SRF Nº 800/2007. TRANSPORTE INTERNACIONAL. INFORMAÇÕES SOBRE A CONCLUSÃO DA DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. VIGÊNCIA. ALCANCE.
O dever de prestar informações acerca da conclusão da desconsolidação (art. 22, III) não se confunde com o dever de informação acerca das cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País (art. 50, § único, II).
As exceções à regra legal, como é o caso do parágrafo único do art. 50 da IN SRF 800/2007, devem ser interpretadas restritivamente.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-001.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 04/07/2008 MULTA. ART. 50 DA IN SRF Nº 800/2007. TRANSPORTE INTERNACIONAL. INFORMAÇÕES SOBRE A CONCLUSÃO DA DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. VIGÊNCIA. ALCANCE. O dever de prestar informações acerca da conclusão da desconsolidação (art. 22, III) não se confunde com o dever de informação acerca das cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País (art. 50, § único, II). As exceções à regra legal, como é o caso do parágrafo único do art. 50 da IN SRF 800/2007, devem ser interpretadas restritivamente. Recurso voluntário provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10711.003785/2010-90
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5351051
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3202-001.058
nome_arquivo_s : Decisao_10711003785201090.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10711003785201090_5351051.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
id : 5471437
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812589293568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1716; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 309 1 308 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10711.003785/201090 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.058 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2014 Matéria MULTA. DESCONSOLIDAÇÃO DA CARGA. VIGÊNCIA. Recorrente KUEHNE NAGEL SERVIÇOS LOGÍSTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/07/2008 MULTA. ART. 50 DA IN SRF Nº 800/2007. TRANSPORTE INTERNACIONAL. INFORMAÇÕES SOBRE A CONCLUSÃO DA DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. VIGÊNCIA. ALCANCE. O dever de prestar informações acerca da conclusão da desconsolidação (art. 22, III) não se confunde com o dever de informação acerca das cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País (art. 50, § único, II). As exceções à regra legal, como é o caso do parágrafo único do art. 50 da IN SRF 800/2007, devem ser interpretadas restritivamente. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 37 85 /2 01 0- 90 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração relativo à multa capitulada no art. 107, IV. “e”, do DecretoLei 37/66, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, no valor de R$ 5.000,00, por prestação de informação sobre carga transportada fora do prazo estabelecido pela IN SRF nº 800/2007, com alteração da IN SRF nº 899/2008. Cientificado do auto de infração, a contribuinte protocolizou impugnação, a qual foi julgada improcedente pela DRJ. O acórdão recorrido rejeitou a preliminar de nulidade, suscitada pela empresa, pois o presente auto de infração cita de forma clara e precisa as informações necessárias que deveriam ter sido prestadas pelo transportador, assim como indica os dispositivos legais infringidos. No mérito, alega a contribuinte de que apenas com a publicação da IN SRF nº 899/2008, em 31/12/2008, que alterou o art. 50 da IN SRF nº 800/2007, passou a ser prevista a exceção do parágrafo único, até então inexistente. Logo, na data dos fatos geradores não existia a obrigação do prazo para prestação de informações do parágrafo único do art. 50 e nem do art. 22 da IN nº. 800/2007. Porém, para o arresto recorrido, a IN SRF nº 899/2008 apenas alterou a data da entrada em vigor do art. 22. Na data da publicação da IN SRF nº 800/2007, que se deu em 31/03/2008, data anterior aos registros, já existia a obrigação da prestação das informações referentes às cargas antes da atracação da embarcação no País. Confirase: Ari 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta. Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto nos Pais. (grifei e sublinhei). Portanto, na ótica da DRJ, seria plenamente devido à multa em comento, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) de acordo com a IN SRF nº 800/2007, em razão ao atraso ocorrido na prestação das informações. Cientificada da decisão acima transcrita, a empresa interpôs recurso voluntário, pedindo que fosse julgado nulo ou improcedente o auto de infração, porquanto não há o que se falar em necessidade de observância do disposto no parágrafo único do art. 50 da IN 800/07, pelo fato de as matérias ali tratadas não abarcarem o regime jurídico da desconsolidação, que teria suas regras expressas no art. 22 do mesmo diploma legal. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10711.003785/201090 Acórdão n.º 3202001.058 S3C2T2 Fl. 310 3 O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Examino, primeiramente, a alegação da recorrente, de que o auto de infração seria nulo, porque traria deficiente descrição da infração cometida. Entendo que não procede tal argumento da recorrente, na medida em que o Auto de Infração em tela descreve suficientemente a conduta tida como ilegal, a saber: entrega intempestiva das informações acerca da desconsolidação das cargas pelo transportador. Igualmente, como bem destacou o acórdão recorrido, a autoridade fiscal também cita de forma clara a infração praticada (art. 107, IV, "e", do DecretoLei n.° 37/66, com a redação dada pela Lei n.° 10.833/2003) e o dispositivo legal infringido (IN SRF n.º 800/2007, alterada pela IN SRF n.º 899/2008). Tanto que a recorrente se defende da imputação discutindo a vigência e/ou a inaplicabilidade das referidas normas ao caso concreto. Nesse contexto, rejeito a preliminar de nulidade do auto de infração. Passemos ao mérito. O art. 107, IV, "e", do DecretoLei n.° 37/66, com a redação dada pela Lei n.° 10.833/2003, prevê multa à empresa de transporte internacional, que não apresentar informações a forma e no prazo exigido pela Receita Federal. In verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais):(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e [...] Fl. 157DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 Os prazos a que se reporta o preceptivo legal acima transcrito foram definidos pelo art. 22 da IN SRF n.º 800/2007: Art. 22.São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1º Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no sistema pela Coordenação Especial de Vigilância e Repressão (Corep), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. § 3º Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput, se reduz a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto. Ao seu turno, as redações do art. 50 da IN SRF n.º 800/2007, antes e depois da IN SRF nº 899/2008, eram respectivamente as abaixo indicadas: Art. 50.Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: Fl. 158DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10711.003785/201090 Acórdão n.º 3202001.058 S3C2T2 Fl. 311 5 I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. **** Art. 1ºO art. 50 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1o de abril de 2009. ........................................................................................" (NR) Em seu recurso voluntário, a recorrente defende que o início da vigência da norma, que fixou o prazo para o transportador prestar informações, previsto no art. 22, III, não teria sido excepcionado tanto pela redação original quanto pelo texto alterado do parágrafo único do art. 50 da IN SRF n.º 800/2007. Vale dizer, para a empresa, o dever de prestar informações acerca da conclusão da desconsolidação (art. 22, III) não se confundiria com o dever de informação acerca das cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País (art. 50, § único, II). O acórdão recorrido entendeu justamente o inverso, conforme se infere de suas palavras: Vêse, portanto, que apesar de os prazos de antecedência estabelecidos no art. 22 serem obrigatórios a partir de 01/01/2009, posterior aos embarques a que se referem a presente autuação, já havia desde o estabelecimento de seus efeitos em 31/03/2008, a obrigação da prestação das informações referentes às cargas antes da atracação da embarcação no País. O que a IN SRF n.° 899/2008 alterou foi apenas a dilação do prazo para entrada em vigor daqueles previstos no art. 22 para a data de 01/04/2009. Entendo, todavia, que merece provimento o recurso voluntário, porque o dever de prestar informações acerca da conclusão da desconsolidação (art. 22, III) não se confunde com o dever de informação acerca das cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País (art. 50, § único, II). Até porque, é certo que as exceções, como é o caso do parágrafo único do art. 50 da IN SRF 800/2007, devem ser interpretadas restritivamente. Forte nessas razões, voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 159DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 6 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10735.001847/2003-21
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
Decadência. Declaração De Débito.
O lapso temporal para se averiguar a decadência da exigência fiscal de tributo/contribuição sujeito ao lançamento por homologação, no caso de contribuinte que informou parte do(s) débito(s) em DCTF, ou os recolheu, ainda que parcialmente, deve ser contado de acordo com o disposto no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN.
Tributação Reflexa.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
Numero da decisão: 1801-001.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para, em preliminar, afastar a exigência fiscal incidente sobre os fatos geradores ocorridos de janeiro a maio de 1998, por força da decadência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201406
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 Decadência. Declaração De Débito. O lapso temporal para se averiguar a decadência da exigência fiscal de tributo/contribuição sujeito ao lançamento por homologação, no caso de contribuinte que informou parte do(s) débito(s) em DCTF, ou os recolheu, ainda que parcialmente, deve ser contado de acordo com o disposto no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN. Tributação Reflexa. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10735.001847/2003-21
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5356220
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1801-001.996
nome_arquivo_s : Decisao_10735001847200321.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANA DE BARROS FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10735001847200321_5356220.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para, em preliminar, afastar a exigência fiscal incidente sobre os fatos geradores ocorridos de janeiro a maio de 1998, por força da decadência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5504426
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812597682176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2072; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.001847/200321 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.996 – 1ª Turma Especial Sessão de 04 de junho de 2014 Matéria Cofins Cooperativas de Consumo Recorrente USIMED Petrópolis RJ Cooperativa de Usuários de Assistência Médica Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001 SOCIEDADES COOPERATIVAS DE CONSUMO. COFINS. As sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, sujeitamse às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União, aplicáveis às demais pessoas jurídicas (artigo 69, Lei nº 9.532/97). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA. DECLARAÇÃO DE DÉBITO. O lapso temporal para se averiguar a decadência da exigência fiscal de tributo/contribuição sujeito ao lançamento por homologação, no caso de contribuinte que informou parte do(s) débito(s) em DCTF, ou os recolheu, ainda que parcialmente, deve ser contado de acordo com o disposto no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para, em preliminar, afastar a exigência fiscal incidente sobre os fatos geradores ocorridos de janeiro a maio de 1998, por força da decadência, nos termos do voto da Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 18 47 /2 00 3- 21 Fl. 15DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1314.461/2006 exarado pela Quarta Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ II, efls. 180 a 186, que decidiu julgar procedente o lançamento tributário consubstanciado no Auto de Infração lavrado para a exigência de Cofins, relativa aos meses de janeiro de 1998 a dezembro de 2001, no valor de R$ 1.066.367,19, incluídos os acréscimos legais regulares (multa de ofício e juros de mora), por constatada a omissão de receitas dos valores excluídos da tributação escriturados na conta "Receitas de Atos Cooperativos", quando na verdade tratase de valores auferidos pela venda de bens de consumo efls. 102 a 122. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Na descrição dos fatos do Auto de Infração, à fl. 103, foi mencionado que foram constatadas, durante o procedimento de verificações obrigatórias, por amostragem, divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, conforme descrito no Termo de Esclarecimento (fls. 106 a 113), parte integrante do Auto de Infração. No referido Termo de Esclarecimento consta em síntese que: 1) em atendimento ao item 3 do Termo de Intimação lavrado em 12/02/03 (fl. 12), o contribuinte esclarece (fl. 13) que os produtos adquiridos para revenda, são produzidos por terceiros nãoassociados. São produtos de farmácia, elencados no artigo 2o, § Io, item b da 3a Alteração Estatutária de 25/03/1999 (fl. 20), que geraram uma Receita de Revenda de Mercadorias de R$5.052.652,32 em 1999, Esta receita corresponde a 96% da receita total de suas operações, conforme informação constante na ficha 07 de sua DIPJ de 2000 (fls. 14 a 17), sendo contabilizadas por meio das contas 3.1.1.01.002/304 Vendas a Associados; 3.1.1.01.003/305 Vendas a associados a prazo, e 3.2.1.01.001/320Vendas a nãoassociados; 2) conforme informação constante na ficha 07 de sua DIPJ de 2000 (fls. 80 a 83) e esclarecimento prestado, em atendimento ao item 2 do Termo de Intimação lavrado em 12/02/03 (fls. 12 e 13), verificouse que a Receita de Prestação de Serviços, que representa 4% da receita total declarada, é proveniente da Taxa de Manutenção/conta Mensalidades/conta 3.1.1.01.004/340, que é paga uma única vez ao ano pelos associados, pessoas físicas, e das mensalidades/Conta 3.1.1.01.001/303, que é cobrada mensalmente dos associados, pessoas jurídicas, por meio das emissões de faturas; 3) em atendimento ao item 1 do Termo lavrado em 25/02/03, o contribuinte esclarece (fls. 36 e 37) que os bens comercializados são produtos de farmácia, medicamentos e perfumaria, e os serviços prestados são comodatos de Fl. 16DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10735.001847/200321 Acórdão n.º 1801001.996 S1TE01 Fl. 3 3 equipamentos, tais como cadeiras de rodas, muletas, etc, equipamentos esses que o cooperado tem direito a utilizar quando se associa. Em atendimento ao Termo de Intimação lavrado em 08/04/03 (fl. 38), o contribuinte apresentou cópia do livro Razão da conta 1.1.2.08.002/143 Equipamentos p/ empréstimo (fl. 39), que demonstra o valor de R$1.683,50 em 31/12/99. Este total quando comparado com o valor de R$239.6I3,42, referente ao Estoque de Mercadorias p/ Revenda/ Produtos de farmácia, conforme cópia do balancete de Dezembro/1999 (fl. 41), representa 0,70% do mesmo; 4) os fatos relatados nos itens acima se repetem em relação aos anos calendários de 1998, 2000 e 2001, conforme esclarecimento prestado (fl. 91) em atendimento aos Termos de Intimação / Item 2 lavrados em 14/05/03 (fls. 88, 89 e 90); 5) os fatos descritos nos itens acima caracterizam a Cooperativa Usimed como de consumo, pois a contabilização de suas operações, nos anoscalendário de 1998, 1999, 2000 e 2001, fundamentados nos documentos analisados pela Fiscalização, e nos esclarecimentos dados pelo contribuinte, demonstram que o objetivo principal da cooperativa é a comercialização de produtos de farmácia; 6) a Lei 9.532, de 10/12/97, em seu artigo 69, e art. 146, § 5o do RIR/99, diz que "As sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, sujeitamse às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência dá União, aplicáveis às demais pessoas jurídicas". Assim, a partir do anocalendário de 1998, o contribuinte deixou de possuir as condições exigidas para a isenção tributária a que tinha direito, pois embora a Usimed Petrópolis RJ Cooperativa de Usuários de Assistência Médica não tenha se classificado como de consumo, conforme cópia do seu Estatuto Social (fls. 18 a 35), suas operações, conforme esclarecimentos prestados pelo contribuinte em atendimento aos Termos lavrados, citados anteriormente, demonstram o contrário; 7) sendo assim, as exclusões efetuadas da base de cálculo da Cofíns, a título de Receitas de Atos Cooperativos, foram consideradas pela Fiscalização como indevidas, já que ficaram sem embasamento legal. As exclusões são as identificadas pelo contribuinte nos Demonstrativos de Verificação de recolhimento de Tributos/Contribuições (fls. 06/09), e relacionados na planilha de fl. 110; 8) Com relação ao período de maio a dezembro de 2001, de acordo com os artigos 3 o e 10° da Instrução Normativa n° 40/2001, que dispõe sobre a Contribuição para o PIS/pasep e a Cofíns, de que trata a Lei n° 10,147/2000, para que determinados medicamentos tenham as alíquotas incidentes sobre a receita bruta de venda, reduzidas a zero, por pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou importador, é exigido, como obrigação acessória, que as respectivas obrigações sejam identificadas na documentação fiscal de venda e totalizada, em separado, nos livros fiscais; 9) Através do Termo de Intimação lavrado em 09/04/03 (fl, 45), foi solicitada a identificação na Receita da Revenda de Mercadorias, da parcela correspondente à venda de produtos não sujeitos à incidência da Contribuição para o PIS e Cofíns, sendo que, em esclarecimento (fl, 46), em atendimento ao referido Termo, o contribuinte informa que não foram contabilizadas em separado as operações solicitadas e aceitas, como, redutor da base de cálculos as contribuições, o valor original das compras, já tributadas pelos fornecedores, identificando as mesmas através de planilhas (fls. 47 a 87), apresentadas à Fiscalização; (...) Fl. 17DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 11) Ao não contabilizar em separado a parcela correspondente à venda de produtos não sujeitos à incidência da Contribuição para o PIS e Cofins, de modo a identificá los, conforme determina o art. 10 da IN 40/SRF, o contribuinte deixa de poder utilizarse da redução das alíquotas a zero. Em esclarecimento de 14/05/03 (fl. 46), a Fiscalizada reconhece como redutor da base de cálculo o valor original referente às compras já tributadas na forma da IN SRF 40/2001, entendimento este que embasou o cálculo do valor tributável adotado pela Fiscalização. (...) Cientificada em 21/06/2003, conforme fl. 102, a interessada ingressou, em 21/07/2003, com a petição de fls. 145 a 168, por meio da qual vem impugnar os lançamentos efetuados, alegando em síntese que: 1) no relatório que serve de base para a autuação, o Sr. Auditor dispõe que as exclusões efetuadas a título de "Resultado Positivo dos Atos Cooperativos" foram indevidas, sendo que "ato cooperativo" só existiria se os produtos adquiridos em nome dos cooperados fossem produzidos por estes próprios; 2) não resta dúvida que a Usimed se enquadra na condição de cooperativa de compra de produtos e aquisição de serviços em comum, podendo ser enquadrada como "cooperativa de consumo"; 3) ao contrário do que foi descrito pelo Sr. AuditorFiscal, a atividade da Impugnante não configura a hipótese tributária do art. 2° da Lei Complementar n° 70/91; 4) a autuação menciona a Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições, não podendo, assim, prosperar, pois incide sobre base de cálculo que a própria Medida Provisória, em seu art. 15, exclui da incidência tributária, ou seja, receitas de bens e mercadorias aos associados; 5) se insere no ramo de "consumo", ou seja, possibilita aos cooperados a aquisição de bens e medicamentos necessários a complementar o atendimento médico particular dos planos de saúde particulares; 6) foi constituída pelo interesse de pessoas que se dispuseram a congregar sua atividade em proveito comum, funcionando nos estritos termos da Lei 5.764/71, especialmente no que tange às peculiares características prescritas no seu art. 4o; (...) Voto (...) Cumpre inicialmente transcrever os artigos 69 e 81 da Lei n°. 9.532, de 10 de dezembro de 1997: "Art. 69. As sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, sujeitamse às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União, aplicáveis às demais pessoas jurídicas. " (...) Como se pode observar, a partir de 01/01/1998, estão as cooperativas de consumo sujeitas ao pagamento de todos os tributos e contribuições da União como as demais pessoas jurídicas, como o imposto de renda sobre o lucro (que no caso de Fl. 18DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10735.001847/200321 Acórdão n.º 1801001.996 S1TE01 Fl. 4 5 cooperativas tem o nome de sobras líquidas), a contribuição social sobre o lucro (mesma base, ajustada), Cofins e PIS/Pasep. (...) Com o art. 69 da Lei n°. 9.532, de 1997, anteriormente mencionado, as cooperativas de consumo perderam toda a isenção tributária. Portanto, a partir de 1o. de janeiro de 1998, estas se encontram obrigadas a se submeterem à tributação de impostos e contribuições federais, aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Salientese que o AuditorFiscal autuante, no Termo de Esclarecimento de fls. 106 a 113, consignou que os atos praticados pela autuada a caracterizavam como "cooperativa de consumo", sendo que ela própria, em sua impugnação, confirmou tal condição, Acrescentese que o referido dispositivo legal (art. 69 da Lei n° 9.532/97), que submeteu estas cooperativas à tributação de impostos e contribuições federais, aplicáveis às demais pessoas jurídicas, foi mencionado, pelo AuditorFiscal autuante, no citado Termo de Esclarecimento. A autuada assevera que, no relatório que serve de base para a autuação, o Sr. Auditor dispõe que as exclusões efetuadas a título de "Resultado Positivo dos Atos Cooperativos" foram indevidas, sendo que "ato cooperativo" só existiria se os produtos adquiridos em nome dos cooperados fossem produzidos por estes próprios. Da análise do Termo de Esclarecimento elaborado pelo AuditorFiscal autuante, às fls. 106 a 113, verificase total descabimento da alegação da autuada, a uma, por não constar neste a afirmativa citada, a duas, por ter sido a autuada caracterizada como cooperativa de consumo e não de produção, conforme já abordado. Alega a impugnante que a autuação menciona a Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições, não podendo, assim, prosperar, pois incide sobre base de cálculo que a própria Medida Provisória, em seu art, 15, exclui da incidência tributária, ou seja, receitas de bens e mercadorias aos associados. Inicialmente, cabe salientar que o art. 15 foi incluído na MP 1.807/99, em sua 2a reedição, e apenas revoga legislação anterior. Posteriormente, a Medida Provisória n° 1.8587, de 29/07/1999, art. 15, que transcrevo abaixo, estabeleceu algumas exclusões da base de cálculo da contribuição que poderiam ser praticadas pelas sociedades cooperativas. Ocorre que as exclusões do citado dispositivo se referem às cooperativa de produção, o que não é o caso, da autuada, conforme já exposto. Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto no art 66 da Lei no 9.430, de 1996, excluir da base de cálculo da COFINS: (...) II a s receitas de venda de bens e mercadorias a associados. § l º Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. Quanto à alegação da autuada de que a sua atividade não configura a hipótese tributária do art. 2o da Lei Complementar n° 70/91, cabe, inicialmente, observar que Fl. 19DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 o referido dispositivo está inserido num contexto, em conjunto com o art. Io da mesma lei, para caracterizar a instituição e a regra geral da contribuição. A regra geral é apropriada ao caso em virtude do que preceitua o art. 69 da Lei n° 9.532/97, que, conforme já visto, sujeita a cooperativas de consumo "às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União, aplicáveis às demais pessoas jurídicas". Assim, no período da autuação de 01/1998 a 01/1999, o contribuinte estava sujeito à incidência do art. 2° da Lei Complementar n° 70/91, sendo que, a partir de 02/1999, a incidência passou a ser dos artigos 2o, 3o e 8o da Lei n° 9.718/98, conforme consta no enquadramento legal do Auto de Infração, à fl. 105. A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de fls. 202 a 221, reiterando os termos da defesa exordial, requerendo a insubsistência da autuação, por considerar que a autuação incide exclusivamente sobre valores decorrentes da prática de atos cooperativos, com associados. Defende que os associados de empresa cooperativa (Unimed) associada à recorrente (Usimed) impõe o caráter de atos cooperativos e não podem as receitas decorrentes da venda de bens se sujeitar à tributação da Cofins. Encaminhado os autos ao então 2º Conselho de Contribuintes, a Quarta Câmara declinou a competência para o julgamento do litígio, em razão da autuação da contribuinte para a exigência da Cofins ter sido procedimento lastreado em mesmos fatos que serviram de base à apuração de infração à legislação do Imposto sobre a Renda (IRPJ), sendo, neste caso, de competência ao 1º Conselho de Contribuintes, consoante Regimento Interno vigente – Acórdão nº 20402.991/07, efls. 226 a 231. Ciente do retro mencionado acórdão, a contribuinte interpôs às efls. 238 e ss Recurso especial dirigido à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Diligentemente, corrigiuse a instância de julgamento, pelo despacho de efls.244, considerandose os autos em fase de julgamento do Recurso Voluntário, haja vista não ter havido, ainda, julgamento do mérito do litígio em segunda instância. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 AR – 12/03/07, efls. 198; Recurso – 09/04/07, efls. 202 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Preliminarmente, cumpre esclarecer que correto o entendimento esposado no Acórdão nº 20402.991/07 ao declinar a esta 1ª Seção a competência para o julgamento da presente lide, cujo objeto é exigência de Cofins lastreada em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Assim dispõe o artigo 2º, inciso IV do Regimento Interno do Conselho de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: Fl. 20DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10735.001847/200321 Acórdão n.º 1801001.996 S1TE01 Fl. 5 7 (...) IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; {2} Resta claro nos itens 09 e 10 do termo de Esclarecimento lavrado pelo autor do procedimento fiscal que as exclusões das receitas da base de cálculo da Cofins decorrem de infração apurada em relação ao IRPJ, as quais consistem na venda de remédios e demais medicamentos a pessoas que não seriam associadas – efls. 111 e 112. Portanto, competente a Primeira Seção de Julgamento do Carf para apreciar o presente litígio, consoante disposição regimental vigente. Em um segundo exame de preliminar, deve ser suscitado de ofício a decadência dos lançamentos tributários para as exigências das Cofins relativas aos meses de janeiro a maio de 1998, por tratarse de matéria de ordem pública. A recorrente foi cientificada do Auto de Infração em 23 de junho de 2003. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, com a circunstância de a contribuinte haver procedido a pagamentos nos períodos autuados (efls. 104), aplicase o entendimento do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional (CTN) para a contagem do prazo decadencial e devese reconhecer de ofício a impossibilidade de autuação do período compreendido entre janeiro e maio de 1998, período fulminado pela decadência. Este, inclusive, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, firmado em recurso representativo de controvérsia, Recurso Especial nº 973.733/SC (2007./01769940). No que respeita ao mérito, aproveito as bem fundamentadas razões de decidir expostas no Acórdão 110300.512, proferido em sessão em 03 de agosto de 2011, pela Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara, de lavra do Conselheiro Relator Shigueo Takata. Reproduzo parte da ementa e trechos do votocondutor: IRPJ, CSLL. MOTIVO DOS LANÇAMENTOS. ALCANCE DOS CONSUMIDORES COOPERADOS OU ASSOCIADOS O motivo dos lançamentos é a caracterização da recorrente como cooperativa de consumo. Do que se constata dos autos, quase toda a receita da recorrente decorre da revenda de produtos aos consumidores, associados ou não da recorrente, usuários da Unimed Petrópolis e de outras Unimed, ou outros. Caracterização como cooperativa de consumo. O art. 69 da Lei 9.532/97 alcança o produto da venda feita a consumidores cooperados ou associados. O produto da venda a consumidores não cooperados ou associados já era tributável antes do referido preceito legal. Pretensão fiscal que não merece reparos. “(...) A receita da recorrente provém do comércio de produtos de farmácia, medicamentos e perfumarias, e de serviços, relativamente a comodato de equipamentos para os cooperados. Fl. 21DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Diz o autuante que a recorrente trata como ato cooperativo a venda de bens e serviços a seus associados, como aos usuários da Unimed; a diferença das operações feitas com associados da recorrente e com os usuários da Unimed estaria no desconto oferecido: maior para aqueles do que para esses. Tais operações são contabilizadas indistintamente nas contas "vendas a associados" e "vendas a associados a prazo", que representam a maior parte da receita de revenda de mercadorias. Entretanto, os associados da Unimed não são identificados no livro de matrículas da recorrente e podem ser titular de qualquer plano de saúde da Unimed no Brasil, contrariando o próprio estatuto. O art. 69 da Lei 9.532/97 (o art. 146, § 5° do RIR/99) dispõe que as sociedades de consumo, que tenham por objeto a compra e o fornecimento de bens aos consumidores, assim definidos como associados e não associados pelo ADN 04/99, sujeitamse às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União, aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Dos fatos apurados, o autuante entendeu que a recorrente, desde o anocalendário de 1998, não mais preenchia as condições exigidas para a isenção tributária, pois, embora não tenha se classificado como cooperativa de consumo em seu estatuto, seus atos demonstram o contrário, como acima descrito, em que quase a totalidade das receitas é de revenda de mercadorias a associados, a usuários de várias Unimed, e a terceiros. Além disso, ficou evidenciado que a recorrente comercializa bens e serviços, com pessoas físicas associadas e com não associadas suas e sim do sistema Unimed, e trata indevidamente essas operações como atos cooperativos. Tal fato não seria suficiente para descaracterização de cooperativa mista, na hipótese de sêla, se esses usuários não associados estivessem inscritos no livro de matrícula da recorrente. Como não estão, de toda a forma, a recorrente seria classificável como cooperativa de consumo e seus resultados positivos devem ser integralmente tributados. (...) As quaestiones juris centrais em jogo se põem na intelecção da recorrente de que as vendas de produtos farmacêuticos aos usuários da Unimed, que, por sua vez, é cooperada pessoa jurídica da recorrente, são atos cooperativos, e de que cooperativas de consumo passaram a se sujeitar à incidência de tributos federais somente quanto às operações com não associados. (...) A partir de 1998, em face da Lei 9.532/97, as sociedades cooperativas de consumo passaram ter seus resultados tributados como as pessoas jurídicas em geral. Como se viu, a irresignação da recorrente se apoia nas seguintes teses: as vendas de produtos farmacêuticos pela recorrente aos usuários das Unimed (sendo a Unimed Petrópolis cooperada pessoa jurídica da recorrente), constituem atos cooperativos; o Ato Declaratório Normativo (ADN) COSIT 4/99, ao declarar que se entende como consumidores das cooperativas de consumo os associados e os não associados, é ilegal. O que o art. 69 da Lei 9.532/97 estabelece é a sujeição tributária da cooperativa de consumo quanto às operações feitas com não associados. Nesse passo, é curial acentuar o motivo dos lançamentos (que não se confunde com a capitulação legal ou motivação). Fl. 22DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10735.001847/200321 Acórdão n.º 1801001.996 S1TE01 Fl. 6 9 (...) Da apreciação dos autos, vejo que o motivo dos lançamentos em dissídio é a caracterização da recorrente como cooperativa de consumo, demonstrado pela contabilização de suas operações, nos anoscalendário objetivados nos lançamentos: em média, 96% da "receita" total das operações praticadas são de revenda de bens (produtos farmacêuticos), e cerca de 4% daquela é proveniente de taxa de manutenção cobrada dos associados. Noto que há outro motivo, mas subsidiário, conforme segue. A recorrente poderia ser em tese uma cooperativa mista, mas, ao comercializar com habitualidade, mercadorias com pessoas físicas, associadas do sistema Unimed Cooperativa de Trabalho Médico, e as considerar como cooperadas, sem estarem inscritas no Livro de Matrícula da recorrente, afasta a possibilidade de seu tratamento como cooperativa mista, observandose que a única cooperada pessoa jurídica no Livro de Matrícula é a Unimed Petrópolis Cooperativa de Trabalho Médico. E, em resposta a intimação, a recorrente declarara que podem ser associados da recorrente as pessoas físicas associadas a qualquer Unimed Cooperativa de Trabalho Médico no Brasil. Para que não sobrem dúvidas quanto ao motivo, transcrevo excertos do Termo de Esclarecimento que acompanha, ou melhor, integra os autos de infração (lançamentos): (...) E: Com (sic.) descrito anteriormente, nos Itens 2.5 à 2 7 (sic.), fica evidenciado que a COOPERATIVA USIMED, ao comercializar, com habitualidade, bens com pessoas físicas, associadas exclusivamente do sistema UNIMED COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO, e tratar estas operações como atos cooperados, deixa de usufruir dos benefícios fiscais a que têm direito as cooperativas mistas, pois tais usuários não estão inscritos no Livro de Matriculas da USIMED, como determina o Artigo 23 da Lei 5.764/71, cabendo ainda ressaltar que do sistema UNIMED, a única cooperada/associada como pessoa jurídica, (sic.) è a UNIMED PETRÓPOLIS COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. (fl. 124, grifos do original). O último excerto informa o motivo subsidiário. O contexto em que se põe esse motivo indica claramente que ele é subsidiário àquele outro. (...) A recorrente afirma que os usuários de uma Unimed (como os da Unimed Petrópolis, a qual é cooperada pessoa jurídica da recorrente) são usuários de todas as Unimed do Brasil, em face da integração entre as cooperativas médicas por meio de contrato denominado "manual de relacionamento". Pontua que há uma correlação dos objetivos das cooperativas de assistência médica com os da recorrente que é a de fornecer produtos farmacêuticos aos associados, na conformidade do art. 6°, I, da Lei 5.764/71. Esta, ao tratar das cooperativas singulares, dispõe que elas são constituídas por no mínimo 20 pessoas físicas, sendo excepcionalmente admitidas pessoas jurídicas que tenham objeto igual ou correlata atividade econômica ao das pessoas físicas ou, ainda, aquelas sem fins lucrativos. Assim, é óbvio que a venda de produtos não é para consumo da pessoa jurídica Fl. 23DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 cooperada, até porque ela não pode consumir nem usar assistência médica diretamente. A venda de produtos farmacêuticos só pode ser para e objetiva consumo dos usuários da pessoa jurídica cooperada, e isso corresponde a atos cooperativos. (...) A recorrente argui que só se colocam na esfera de incidência do art. 69 da Lei 9.532/97 a revenda de produtos aos não associados (fl. 312). O sentido de "consumidores" do referido preceito legal são os não associados. Assim, é ilegal o que declara o ADN 4/99. O ADN COSIT 4/99 declara que o termo "consumidores", referido no art. 69 da Lei n° 9.532/97, abrange tanto os não associados como também os associados das sociedades cooperativas de consumo". Também diz o ADN COSIT 4/99 que o art. 69 da Lei 9.532/97 não se aplica às sociedades cooperativas mistas. Eis a dicção do art. 69 da Lei 9.532/97: Art. 69. As sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, sujeitamse às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União, aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A se seguir a linha de raciocínio da recorrente a norma legal em questão seria absolutamente inútil Ora, mesmo antes do art. 69 da Lei 9.532/97, já eram tributáveis os resultados decorrentes de atos não cooperativos, com suporte nos arts. 87 e 111, da Lei 5.764/712. E, no caso da COFINS, sobre as receitas de atos não cooperativos (à época da edição da lei, o PIS não incidia sobre receitas, para pessoas jurídicas não financeiras), com apoio no art. 79, a contrario sensu combinado com o art. 87 da Lei 5.764/71. Seria, pois, um sem sentido o art. 69 da Lei 9.532/97, se ele fosse destinado somente ao lucro e às receitas decorrentes de atos não cooperativos, assim entendida a expressão "consumidores" do mencionado dispositivo. Mais. O preceito legal em discussão foi instituído em função de muitas sociedades cooperativas de consumo, assim constituídas, terem lojas abertas ao público em geral, em que o consumidorcomprador, antes de efetuar a compra assinava uma lista, para se tornar associado ou cooperado. Assim, o resultado da venda das mercadorias não era tributado, criandose uma concorrência desleal, pois aquelas ditas sociedades cooperativas de consumo na prática atuavam como empresa e não pagavam IRPJ nem CSL (e nem a COFINS). Não estou com isso, afirmando que este seja o caso da recorrente. (...) 2 Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria Fl. 24DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10735.001847/200321 Acórdão n.º 1801001.996 S1TE01 Fl. 7 11 A outra anotação é o que consta não só no Termo de Esclarecimento que integra os autos de infração, como na própria declaração da recorrente por seu diretor presidente. A revenda de produtos para os associados da Usimed Petrópolis (recorrente) é feita com desconto de 23%, e, para os "associados" das Unimed, é praticada com 15% de desconto (fls. 32 e 122). Enfim, não tenho dúvidas de que o preceito contido no art. 69 da Lei 9.532/97 incide sobre o resultado decorrente de operações com os cooperados ou associados. Ou seja, as cooperativas de consumo têm seu resultado positivo decorrente da revenda de produtos a consumidores, ainda que associados ou cooperados, sujeito ao IRPJ e à CSL. Não vejo eiva de ilegalidade no Ato Declaratório Normativo COSIT 4/99. E a Usimed Petrópolis (recorrente) é uma cooperativa de consumo? Do que se constata dos autos, quase toda a receita da Usimed Petrópolis é decorrente da revenda de produtos (que ela adquire no mercado) aos consumidores, associados ou cooperados da Usimed ou não, usuários da Unimed Petrópolis ou de outras Unimed, ou outros (não cooperados ou não associados da Usimed, nem usuários das Unimed). Uma pequena parcela da receita deriva de mensalidades dos associados e de taxa de manutenção anual dos associados. Praticamente não há receitas de outra atividade diversa à de revenda de produtos farmacêuticos (incluídos aí cosméticos, produtos de perfumaria). Diante desse quadro, não hesito em concluir que a recorrente é uma cooperativa de consumo. (...) Nesse passo, retomo a advertência feita alhures. O motivo dos lançamentos (glosa das exclusões dos resultados positivos feitas ao lucro líquido, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL) é a caracterização da recorrente como cooperativa de consumo, por ser objetivo fundamental a revenda de produtos farmacêuticos aos consumidores, constatandose que cerca de 96% da receita é derivada de revenda de mercadorias. Sem me desgarrar do motivo dos lançamentos, minha conclusão é a acima deduzida, i.e., o resultado positivo da venda de produtos pela cooperativa de consumo é tributado pelo IRPJ e pela CSL, ainda que os consumidores sejam associados ou cooperados da cooperativa. E a Usimed Petrópolis é uma cooperativa de consumo. Feitas essas considerações, esclarecese o porquê de ter dito anteriormente que não vejo necessidade de apreciar se a venda de produtos farmacêuticos pela recorrente aos usuários das Unimed são atos cooperativos ou se tais usuários são associados ou cooperados da recorrente. Entretanto, deixo registrado que os usuários das Unimed (que não são associados ou cooperados dela, vez que é uma cooperativa de trabalho médico cooperados são os médicos que prestam serviços aos usuários mediante a cooperativa) não são associados ou cooperados da recorrente, porquanto seus nomes sequer constam no Livro de Matrícula, como determina o art. 23 da Lei 5.764/71 , e consoante o art. 9° de seu estatuto (fl. 40). E como entendo. De tudo quanto ficou deduzido, afirmo conclusivamente que as receitas da Usimed Petrópolis decorrentes da revenda dos produtos aos consumidores, quer sejam Fl. 25DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 associados ou cooperados da recorrente, quer sejam usuários das Unimed, compõem o lucro tributável, para fins de IRPJ e de CSL, em face do art. 69 da Lei 9.532/97. Dessa forma, não merece reparos a glosa das exclusões dos "resultados positivos de atos cooperativos" (sobras líquidas ou reais) feitas ao lucro líquido, para apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL com exceção à da parcela atingida pela decadência, já reconhecida pelo órgão julgador de origem.” Por todo o exposto, à luz do artigo 69 da lei nº 9.532/97, restou comprovado nos autos que a Usimed é uma cooperativa de consumo e que os resultados das vendas de produtos de farmácia e outros a consumidores são suscetíveis de tributação de igual forma às demais pessoas jurídicas. Acrescento que o fato de a recorrente conceder desconto na aquisição de medicamentos e produtos a associados a planos de saúde da Unimed, esta sim cooperada da recorrente, não os alça à condição de cooperados da Usimed. O decidido no processo cujo objeto foram as exigências de IRPJ e CSL, com referência às receitas de vendas indevidamente excluídas da tributação, deve ser seguido nesta autuação reflexa da Cofins. Voto em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para afastar as exigências fiscais da Cofins relativas aos meses de janeiro a maio de 1998, por alcançadas pela decadência. No mérito, nego provimento. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 26DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720018/2011-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2008 a 28/02/2009
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido.
Numero da decisão: 2403-002.530
Decisão: Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio De Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas De Souza Costa e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2008 a 28/02/2009 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19311.720018/2011-15
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5363428
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2403-002.530
nome_arquivo_s : Decisao_19311720018201115.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
nome_arquivo_pdf_s : 19311720018201115_5363428.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio De Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas De Souza Costa e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
id : 5544899
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812602925056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1288; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19311.720018/201115 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.530 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente SIFCO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2008 a 28/02/2009 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 00 18 /2 01 1- 15 Fl. 409DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio De Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas De Souza Costa e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19311.720018/201115 Acórdão n.º 2403002.530 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, Acórdão 0534.598 da 6ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. COMPENSAÇÃO. GLOSA. Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. AUXÍLIO DOENÇA. A remuneração paga pela empresa nos primeiros 15 (quinze) dias do afastamento por motivo de doença, integra o saláriodecontribuição. CONTRIBUIÇÃO. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. LEGITIMIDADE. É pacífico entendimento no STF sobre a legitimidade da cobrança de contribuições previdenciárias incidentes sobre o décimo terceiro salário (gratificação natalina). ADICIONAL DE 1/3 DAS FÉRIAS. A remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integra o saláriodecontribuição. SAT/RAT. ATIVIDADE PREPONDERANTE O enquadramento da empresa quanto ao grau de risco se dá na atividade preponderante, de acordo com o Anexo V do Decreto nº 3.048, de 1999, alterado pelo Decreto 6.042, de 2007, para fins de recolhimento da contribuição patronal destinada à cobertura dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. INCONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pela Administração Pública. MULTA. CONFISCO. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, é dirigida ao legislador, não cabendo a autoridade administrativa afastar a incidência da lei. JUROS SELIC Os débitos previdenciários, por comando da Lei nº 8.212/91, sujeitamse ao cômputo de juros equivalentes à taxa SELIC aplicados em caráter irrelevável. REPRESENTAÇÃO FISCAL A Representação Fiscal para Fins Penais é formalizada na presença de fato que possa configurar crime em tese, no dever de ofício da fiscalização. Não compete as Delegacias de Julgamento a análise do mérito contido na Representação Fiscal. PROVAS. As provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo as exceções legais. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de crédito lançado contra o contribuinte identificado em epígrafe, no montante de R$ 16.633.928,85 (dezesseis milhões seiscentos e trinta e três mil, novecentos e vinte e oito reais e oitenta e cinco centavos), relativo à glosa da compensação de contribuições previdenciárias efetuada pela empresa, nas competências de 10/2008 a 02/2009, nos estabelecimentos CNPJ nº 60.499.605/000109, CNPJ nº 60.499.605/000281, CNPJ nº 60.499.605/000443 e CNPJ nº 60.499.605/000605, conforme consta do Relatório Fiscal, fls.05/25. A fiscalização constatou compensações indevidas de contribuições previdenciárias nos estabelecimentos acima discriminados, declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social –GFIP, conforme consta do Anexo V, e realizadas em desacordo com a legislação em relação às seguintes rubricas: · remuneração do AuxílioDoença e seu complemento, conforme discriminado no Anexo I; Adicional Constitucional de Férias, conforme discriminado no Anexo II – “terço de férias gozadas” (valores pagos entre 01/2000 e 09/2008); · 13 º Salário, conforme discriminado no Anexo III (valores pagos entre 01/2000 e 09/2008); Fl. 412DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19311.720018/201115 Acórdão n.º 2403002.530 S2C4T3 Fl. 4 5 · contribuições SAT/GILRAT, conforme discriminado no Anexo IV (valores pagos entre 01/2000 e 09/2008). Apesar de o contribuinte ter compensado, nas competências 10/2008 a 02/2009, os valores discriminados nos Anexos I a IV, referentes aos fatos geradores acima destacados, posteriormente continuou a recolher as contribuições devidas sobre tais rubricas. O lançamento foi apurado com base nas declarações em GFIP e tela constante dos sistemas de arrecadação da RFB “valores a recolher x valores recolhidos”, compreendendo os seguintes levantamentos: Levantamento GC1 Glosa de Compensação período de 10/2008 a 11/2008, com aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte, conforme discriminado no Anexo VI; Levantamento GC2 Glosa de Compensação período de 12/2008 a 02/2009, com multa de mora de 20%, conforme artigo 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Considerouse na aplicação da multa o contido no artigo 106, inciso II, “c”, do Código Tributário Nacional/CTN, quanto a penalidade mais benéfica ao contribuinte, conforme relatado no item 13.1.6 do relatório fiscal e Anexo VI. Em virtude da ocorrência, em tese, de crime contra a ordem tributária relacionada com as contribuições previdenciárias (art. 1º da Lei nº 8.137/90), foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais. Após ciência pessoal da autuação em 30/03/2011, fls. 202, a empresa apresentou defesa, fls. 211/253, alegando em síntese o que segue. Afirma que o lançamento não pode subsistir já que o crédito, legítimo e existente, decorre de pagamento indevido ou a maior de contribuições previdenciárias em virtude de inclusão na base de cálculo de rubricas que não deveriam compôla, com embasamento no sistema jurídico vigente e nas decisões reiteradas dos tribunais. Acrescenta que seguiu o prescrito na legislação para efetuar a compensação, conforme disposto no artigo 89 da Lei nº 8.212/91, artigo 66 da Lei nº 8.383/91, combinado com art. 74 da Lei nº 9.430/96, bem como § 7º, do artigo 44, da Instrução Normativa nº 900/2008. Discorre sobre a regra matriz de incidência das contribuições previdenciárias afirmando que somente as verbas com caráter salarial pagas como retribuição do trabalho efetivamente prestado podem compor a base de cálculo das aludidas contribuições, além do que, a base referente à contribuição do trabalhador é distinta da base de contribuição da empresa: esta incide sobre a remuneração, aquela sobre o salário de Fl. 413DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 contribuição, conforme se verifica da leitura do artigo 22, inciso I e artigo 28, inciso I, ambos da Lei nº 8.212/91. Enfatiza que há outra distinção entre as bases de incidência – remuneração e saláriodecontribuição– em função da aplicação ou não da analogia quando das exclusões e inclusões da base de cálculo, sendo de rigor sua aplicação quanto às exclusões descritas no § 9º, do artigo 28, da Lei nº 8.212/91, mas vedada a analogia quanto às inclusões descritas nos §§ 2º e 8º do artigo 28 da referida Lei, por expressa disposição do artigo 108, §1º do Código Tributário Nacional. As verbas recebidas nos primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença não possuem natureza salarial, conforme já sedimentado no STJ, pois inexiste prestação de serviço nesse período, motivo que inviabiliza a incidência de contribuição previdenciária, isto porque esta verba corresponde a benefício previdenciário que sequer integra o salário de contribuição do empregado, por expressa disposição do artigo 28, § 9º, “a” da Lei 8.212/91, dispositivo este que deve ser aplicado por analogia à base de cálculo da contribuição da empresa (remuneração). Transcreve recente jurisprudência a respeito e conclui que, não havendo incidência de contribuições previdenciárias sobre o auxílio doença pago nos primeiros quinze dias pela empresa, a glosa da compensação efetivada não pode ser mantida. O artigo 28, § 9º, “d”, da Lei nº 8.212/91 dispõe expressamente que não integram o salário de contribuição os valores pagos a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional e ainda a dobra da remuneração a que alude o artigo 137 da CLT. Esta norma de exclusão deve ser aplicada por analogia a contribuição da empresa, ainda porque segundo entendimento do STF esta rubrica possui caráter indenizatório e não integra o salário do servidor, sendo ilegítima a incidência de contribuição previdenciária, o que se aplica ao presente caso. Por derradeiro o Conselho Superior da Justiça do Trabalho editou a Resolução 45/2007, decidindo pela não incidência de contribuição previdenciária sobre 1/3 de férias e sobre o adicional de horas extras pagos aos magistrados e servidores da Justiça do Trabalho, o que pode ser estendido aos trabalhadores em geral, pois que tal verba é de idêntica natureza indenizatória, sendo indevida a glosa da compensação efetuada. Defende que o 13º salário não possui natureza salarial, sendo uma contribuição social da empresa de natureza compulsória em benefício do empregado, não podendo incidir contribuição sobre outra contribuição sob pena de bitributação, além de não ser possível a aplicação da analogia quanto a incidência na base de cálculo do empregado para inclusão na base de cálculo das empresas. A Súmula 351 do STJ pacificou o entendimento, no caso de empresa com diversos estabelecimentos, de que a aplicação da alíquota SAT deve ser por CNPJ e Estabelecimento, sendo exigido o cadastro das filiais no CNPJ, segundo a Ordem de Serviço 190 de 17/08/1998, dessa forma a empresa verificou que Fl. 414DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19311.720018/201115 Acórdão n.º 2403002.530 S2C4T3 Fl. 5 7 não houve aplicação correta dos graus de risco e assim originou o crédito compensado, sendo incorreta a glosa efetuada. Sustenta ser indevida a multa aplicada ao fundamento da inexistência da mora, pois com a compensação houve a extinção do crédito como autorizado pelo artigo 156, inciso II, do CTN, ainda que sob condição de ulterior homologação, motivo pelo qual a multa deve ser relevada ou ao menos reduzida de 20% para 2% frente ao seu caráter confiscatório e desproporcional, devendo ser reconhecida sua inconstitucionalidade. Insurgese contra a imposição de juros a taxa Selic, pois em afronta ao princípio da estrita legalidade previsto na Constituição Federal e ainda ao artigo 161, § 1º, do CTN. Aduz que, para a configuração do tipo penal mencionado pelo fiscal, deve haver fraude à fiscalização, o que não ocorreu no caso em questão, tampouco sendo descrita qualquer fraude no decorrer da ação fiscal, havendo apenas mera discordância nas teses jurídicas adotadas, sendo absurdo pensar que toda e qualquer compensação gera a prática de crime. Acrescenta que a Representação Penal, caso mantida, somente poderá ser encaminhada ao Ministério Público após o encerramento do processo administrativo e ainda se procedente o lançamento, conforme determinação contida no artigo 83 da Lei nº 9.430. Requereu ao final a improcedência do lançamento, ou sua extinção pela inconstitucionalidade e ilegalidade da taxa Selic e da multa, ou ao menos que esta seja reduzida, pleiteando ainda que a Representação Fiscal somente seja encaminhada ao Ministério Público após o encerramento do processo administrativo, caso subsista o lançamento. Protesta pela produção de todas as provas admitidas em direito. Juntou documentos: fls. 254/281. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Parcelou a competência 10/2008 nos termos da Lei 11.941/2009, devendo prosseguir o auto em relação às demais competências. · Vício no lançamento. · Legitimidade da compensação. · Incidência indevida sobre adicional de férias. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 · Incidência indevida sobre 13º salário. · Incidência indevida sobre o auxílio doença. · SAT. · Multa. Caráter confiscatório. · SELIC. É o relatório. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19311.720018/201115 Acórdão n.º 2403002.530 S2C4T3 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso foi interposto intempestivamente, o que impede a sua admissibilidade. Abaixo apresento transcrição do “Despacho de Encaminhamento”, folha 406, de lavra da DRF Jundiaí destacando a questão da intempestividade do recurso. DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Diante do Recurso Voluntário apresentado, proponho o encaminhamento do presente processo ao SECOJ/SECEX/CARF/MF/DF para prosseguimento. Ressalvase que o contribuinte teve ciência do acórdão de Impugnação e do despacho de folhas 354/355 em 23/08/2013 e apresentou o Recurso apenas em 30/09/2013, portanto intempestivamente. DATA DE EMISSÃO : 31/10/2013 Aguardar Pronunciamento / EDUARDO QUEIROZ BARBOSA LIMA EQCOBSECATDRFJUNDIAISP SECATDRFJUNDIAISP SP JUNDIAI DRF CONCLUSÃO Voto pelo NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO, em decorrência da sua intempestividade. É como voto. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 417DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Fl. 418DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11610.010473/2001-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita.
Relatório
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11610.010473/2001-42
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5367440
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3302-000.421
nome_arquivo_s : Decisao_11610010473200142.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 11610010473200142_5367440.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita. Relatório
dt_sessao_tdt : Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5562576
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812608167936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1970; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 483 1 482 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.010473/200142 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302002.759 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 23 de julho de 2014 Assunto Solicitação de diligência Recorrente SERRANA DE MINERAÇÃO LTDA (sucessoras: Fertisul S/A, Fertilizantes Serrana S/A e Bunge Fertilizantes S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita. Relatório Trata o presente de Auto de Infração, lavrado em 29/10/2001, para constituição de crédito tributário de PIS/Pasep, decorrente de auditoria interna de DCTF, relativo aos períodos de janeiro a junho de 1997, lançado na filial da empresa Serrana de Mineração Ltda, CNPJ 61.074.134/000494, fls. 149 a 161. As competências 04 (parte) a 06/1997 foram lançadas em razão da ocorrência “proc jud não comprova”, informando o processo de nº 9700003205 e a situação “compensação s/ DARF outros”. As competências 01 a 03/1997 e parte da 04/1997 foram lançadas em razão da ocorrência “pagto não localizado”. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 10 47 3/ 20 01 -4 2 Fl. 483DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 11610.010473/200142 Resolução nº 3302002.759 S3C3T2 Fl. 484 2 A recorrente impugnou o lançamento, alegando o seguinte: 1. Existência de créditos de PIS decorrentes da aplicação da semestralidade prevista no art. 6º, parágrafo único da LC nº 07, de 1970, e posterior compensação com os débitos de PIS, cuja efetivação independia de requerimento; 2. O lançamento relativo ao vencimento em 15/05/1997 é nulo, pois já foi objeto de compensação com DARF recolhido em 15/03/1996, pela Cimento e Mineração Bagé S.A, empresa que foi incorporada pela recorrente em janeiro de 1996; anexou os DARF´s e o razão de fevereiro de 1996. 3. O lançamento relativo às competências de abril a junho é nulo, pois os débitos foram objeto de compensação com crédito de PIS; 4. Incabíveis os lançamentos dos tributos e da multa de ofício pelo fato de os débitos estarem extintos por compensação e declarados em DCTF; 5. Incabível, por outro lado, a aplicação da multa vinculada de 75% por ser confiscatória, em ofensa ao art. 150, inciso IV, da Constituição Federal; 6. Incabível a aplicação da taxa Selic por ofensa aos princípios constitucionais da legalidade, isonomia e segurança jurídica. A Nona Turma da DRJ/SPOI proferiu o Acórdão nº 1618.585, decidindo pela manutenção parcial do lançamento, exonerando a multa de ofício, nos termos da ementa que, abaixo, transcrevese: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Estando o ato administrativo do lançamento revestido de suas formalidades essenciais não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES DA MESMA ESPÉCIE. EXISTÊNCIA DE DIREITO NÃO COMPROVADO. É cabível a formalização de crédito, por falta de recolhimento, quando nãocomprovada a existência de suposto direito de compensação. DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO OBJETO DE PROCESSO JUDICIAL. A compensação de créditos decorrentes de decisão judicial submetese ao procedimento fixado nas Instruções Normativas SRF nº 21/97 e 73/97. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 11610.010473/200142 Resolução nº 3302002.759 S3C3T2 Fl. 485 3 JUROS DE MORA.TAXA SELIC. Cabimento dos juros determinados pela taxa Selic, com base na Lei nº 9.065/95, art. 13. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003. Com a edição da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP nº 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, “c” do CTN), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. Lançamento Procedente em Parte A Bunge Fertilizantes S/A, sucessora da Serrana de Mineração Ltda, cientificada em 08/06/2009, interpôs recurso voluntário em 08/07/2009, alegando, fls. 316 a 324: 1. Que o lançamento deve ser anulado, pois os débitos estão extintos seja por pagamento na rede arrecadadora de receitas federais, seja por procedimento administrativo de compensação declarada em DCTF´s; 2. Que o processo judicial de nº 97.00003205 foi ajuizado pela Serrana de Mineração Ltda e não pela Fertilizantes Serrana, como afirmado pela DRJ, entendendo que a autuada não faria parte do processo judicial; daí teria a DRJ equivocadamente considerado que a compensação declarada em DCTF seria decorrente de processo judicial de outro contribuinte; 3. A conversão do julgamento em diligência para requisição junto às instituições financeiras da confirmação dos pagamentos informados para os meses de janeiro a março de 1997, não localizados pela Receita Federal; 4. Que os créditos são líquidos e certos e anteriores aos débitos compensados; 5. Que o argumento da DRJ de que a compensação prevista no art. 14 da IN SRF nº 21, de 1997 (tributos de mesma espécie) deveria ser comprovada na escrituração contábil da recorrente não procede, haja vista que o auto de infração foi lavrado em razão de pagamentos informados e não confirmados e de créditos vinculados, mas não comprovados; que se alguma dúvida existia sobre à origem e escrituração do crédito, deveria a autoridade fiscal ter notificado a recorrente para que prestasse esclarecimentos; que se converta o julgamento em diligência para esclarecimento deste ponto; 6. Que o PIS da competência de abril de 1997 foi objeto de “autocompensação” com crédito relativo a recolhimento indevido efetuado por Cimento e Mineração Bagé Ltda, em 15/03/1996 no valor de R$ 28.153,39, empresa sucedida pela Serrana Mineração Ltda; que a Serrana teria recolhido em duplicidade o valor do PIS relativo a fevereiro de 1996 sobre suas receitas e sobre as receitas da incorporada; que o julgamento seja convertido em diligência para esclarecimento deste ponto; 7. Que o direito ao reconhecimento do crédito e à sua compensação foi reconhecido nos autos do processo nº 97.00003205; Fl. 485DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 11610.010473/200142 Resolução nº 3302002.759 S3C3T2 Fl. 486 4 8. Que a Fertilizantes Serrana S/A consta como parte na ação, em razão das comunicações das incorporações da Serrana de Mineração Ltda pela Fertisul S/A e desta pela Fertilizantes Serrana S/A; 9. Que, à exceção da questão relativa ao prazo prescricional para reaver o indébito do PIS pago a maior em decorrência dos Decretoslei nº 2.445 e 2.449, de 1998, as demais matérias tratadas no processo judicial já transitaram em julgado; 10. Que os créditos utilizados para compensação das competências de abril, maio e junho de 1997 são oriundos do processo nº 97.0003205, conforme declarado em DCTF e pertenciam, desde o início, à Serrana de Mineração Ltda. Ao final, pede o cancelamento do lançamento. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. As competências autuadas foram janeiro a junho de 1997. As razões da autuação podem ser assim especificadas: * Janeiro a março de 1997 e parte de abril de 1997: foram lançadas em razão da ocorrência “pagto não localizado”; * Parte de abril a junho de 1997: foram lançadas em razão da ocorrência “proc jud não comprova”, informando o processo de nº 9700003205 e a situação “compensação s/ DARF outros PJU”. A recorrente, por sua vez, elaborou o recurso separando as alegações em função das competências, da seguinte forma: PIS de janeiro a março de 1997, PIS vencido em 15/05/1997, PIS compensado de abril a junho de 1997. Adotarseá esta divisão neste voto. Porém, antes de adentrarmos especificamente em cada competência, esclareça se a evolução histórica das incorporações realizadas: Incorporação da Cimento e Mineração Bagé Ltda, CNPJ 87.087.557/000190, pela Quimbrasil Química Industrial Brasileira Ltda, CNPJ 61.074.118/000159, em 28/02/1995, de acordo com a Segunda Alteração de Contrato Social às fls. 170 a 174. No cadastro da Receita Federal consta como incorporada em 27/02/1997 e a recorrente afirma que foi em janeiro de 1996; Incorporação da Quimbrasil Química Industrial Brasileira Ltda pela Serrana de Mineração Ltda, CNPJ 61.074.134/00141, em 31/01/1996, conforme Quarta Alteração do Contrato Social ás fls. 179 a 182; Incorporação da Serrana de Mineração Ltda, pela Fertisul S.A, CNPJ 94.845.930/000190, conforme AGE da incorporadora e 14º alteração contratual da Fl. 486DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 11610.010473/200142 Resolução nº 3302002.759 S3C3T2 Fl. 487 5 incorporada em 29/08/1997, arquivadas na junta comercial em 06/10/1997, fls. 325, 342 e 357. No cadastro da Receita Federal consta a incorporação em 29/08/1997, fls. 257; Incorporação da Fertisul S.A pela Fertilizantes Serrana S.A, CNPJ 60.398.989/000165, conforme AGE´s em 31/07/1998 e arquivamento na junta comercial em 05/08/1998, fls. 325, 340 e 341; Incorporação da Fertilizantes Serrana S.A pela Bunge Fertilizantes S.A, CNPJ 61.082.822/000153, conforme AGE´s em 31/08/2000 e arquivamento na junta comercial em 05/09/2000, fls. 325 e 332. No cadastro da Receita Federal consta a data do evento como sendo 31/08/2000. PIS/PASEP DE JANEIRO A MARÇO DE 1997 O lançamento efetuado para estas competências fundamentouse na não localização dos DARF´s informados pela recorrente na DCTF, conforme fls. 161. Em defesa, pede a conversão em diligência para que “possa requerer junto a instituição financeira onde esses pagamentos foram efetuados, a confirmação desses pagamentos; sob pena de caracterizar cerceamento de defesa;”. Neste ponto, ressaltase que a recorrente informou em DCTF a extinção dos débitos via pagamento em DARF, informando , inclusive, tais DARF´s os quais não foram localizados no sistema da Receita Federal. Importa asseverar que, no caso, o ônus de prova da existência dos pagamentos, já que não foi possível sua localização no sistema, e o momento processual para se apresentála é a impugnação, como depreendese das disposições do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 487DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 11610.010473/200142 Resolução nº 3302002.759 S3C3T2 Fl. 488 6 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) O Código de Processo Civil, instituído pela Código de Processo Civil, instituído pela Lei n° 5.869, de 1973, e adotado de forma subsidiária na esfera administrativa tributária, postula da mesma forma: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provarlhe as alegações. Art. 397. É lícito às partes, em qualquer tempo, juntar aos autos documentos novos, quando destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados, ou para contrapôlos aos que foram produzidos nos autos. Salientase que o pedido de diligência não deve servir para produção de provas que o contribuinte simplesmente deixou de apresentar no momento oportuno, não caracterizando seu indeferimento cerceamento do direito de defesa, o qual poderia ter sido exercido no momento da impugnação, admitindo, ainda, em sede de recurso voluntário, conforme situação específica de cada caso. Frisese que a prova que deveria ser apresentada se resume a três DARF´s informados, e não é razoável, nem mesmo em face do princípio da verdade material, que transcorridos mais de doze anos, a recorrente não tenha conseguido juntar os referidos DARF´s ao processo. Assim, indeferese o pedido de diligência formulado, pois que a recorrente não se desincumbiu do ônus processual que lhe cabe. Ainda neste tópico, a recorrente alega nos itens 13 a 19, fundamentos relacionados ao direito de compensação, afirmando que seus créditos são líquidos e certos, a compensação se refere a períodos subseqüentes aos créditos; que os créditos foram reconhecidos judicialmente nos autos do processo nº 97.00003205; que a compensação entre tributos de mesma espécie a que se refere o artigo 14 da IN SRF nº 21, de 1997, realizada pela recorrente não necessitaria ser comprovada na impugnação, já que o Auto de Infração limitou se ao fundamento de pagamentos informados na DCTF, mas não confirmados; que se houvesse alguma dúvida quanto à origem do crédito e sua escrituração contábil, a autoridade fiscal Fl. 488DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 11610.010473/200142 Resolução nº 3302002.759 S3C3T2 Fl. 489 7 deveria notificar a recorrente para prestar esclarecimentos. Por fim, pede a conversão em diligência para verificar estas questões. Primeiro, novamente pontuese que a autuação decorreu de pagamentos em DARF não localizados e não compensação não comprovada, como supõe a recorrente. A causa extintiva informada foi pagamento em DARF, e ausência de constatação destes pagamentos é causa suficiente para a configuração de falta de recolhimento e declaração inexata. Isto não significa que a recorrente, se porventura tivesse cometido um erro de fato no preenchimento da DCTF e, no lugar de pagamento, tivesse realizado de fato compensação, não pudesse agora alegar a extinção do crédito tributário. Mas ao contrapor esta nova causa extintiva do crédito tributário lançado, deve se desincumbir do ônus de provar tal alegação, como dito alhures. Assim, enganase a recorrente quanto à desnecessidade de provar a compensação entre tributos de mesma espécie a que se refere o artigo 14 da IN SRF nº 21, 1997 na impugnação, pois é justamente neste ato processual o momento para fazêlo, a teor do artigo 16, inciso III do Decreto nº 70.235, de 1972, além de que tal causa somente foi alegada em impugnação e não em DCTF (fls. 184 a 186), como, aliás, insiste em afirmar. Reprisese: para o primeiro trimestre de 1997, não houve compensação informada em DCTF pela recorrente, mas pagamentos em DARF, cuja falta de constatação nos sistemas da Receita Federal do Brasil resultou na lavratura do Auto de Infração. Por seu turno, a recorrente, novamente, propugna pela realização de diligência. Em que pese a alegação da recorrente ser desprovida de provas, o que por si só seria suficiente para o indeferimento do requerimento, admitirseá a realização da diligência, em vista do decidido nos tópicos seguintes. PIS/PASEP DE ABRIL DE 1997 (PARTE DECLARADA COMO PAGAMENTO – VALOR DE R$ 35.053,79) A recorrente alega que houve recolhimento de PIS/Pasep em duplicidade, relativo à competência de fevereiro de 1996, sendo R$ 28.153,39 recolhidos pela CIMENTO E MINERAÇÃO BAGÉ LTDA, em 15/03/1996 e recolhimento de R$ 95.098,24 pela SERRANA DE MINERAÇÃO LTDA, na mesma data, sendo indevido o recolhimento de R$ 28.153,39, que corrigido com juros resultaria no valor de R$ 35.053,79, informado erroneamente na DCTF como recolhimento em DARF. A compensação alegada referese ao procedimento de compensação entre tributos de mesma espécie, prevista no art. 14 da IN SRF nº 21, de 1997. Novamente, a recorrente informou em DCTF a extinção de parte do débito total de abril de 1997, mediante recolhimento em DARF no valor de R$ 35.053,79 e não como compensação. Anexou cópias do Razão da SERRANA DE MINERAÇÃO LTDA da conta contábil de PIS a recolher, relativa ao mês de março de 1996 e das contas de receitas de vendas relativa ao mês de fevereiro de 1996. A atualização do valor de R$ 28.153,39, recolhido em 15/03/1996, para 15/05/1997, importa em taxa acumulada de 25,02% (taxa Selic de abril de 1996 a abril de 1997 Fl. 489DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 11610.010473/200142 Resolução nº 3302002.759 S3C3T2 Fl. 490 8 e 1% em maio de 1997), resultando em valor atualizado de R$ 35.197,37, próximo do valor informado como DARF recolhido. Não obstante a ausência da conta contábil de PIS a compensar e seu encontro com a conta do passivo a recolher, a recorrente procurou demonstrar a base de cálculo do PIS de fevereiro de 1996, juntando os Razões das contas de receita e deduções, anexando planilha de demonstração da base de cálculo, informando DARF recolhido indevidamente de R$ 28.153,39, cuja atualização se aproxima do valor informado na DCTF como extinção do crédito tributário de abril de 1997 – R$ 35.053,79, produzindo indícios suficientes da verossimilhança de sua alegação de compensação. O princípio da verdade material impõe à autoridade julgadora o dever de buscar a verdade dos fatos apresentados, quando estes fatos indicam a veracidade das alegações apresentadas, e o conjunto probatório não seja suficiente para o deslinde da lide. Na lição de Marcus Vinícius Néder e Maria Teresa Martinez López1: “Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado. Odete Medauar preceitua que “o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos.” Deferese, portanto, a diligência requerida. PIS/PASEP DE ABRIL (PARTE INFORMADA COMO COMPENSAÇÃO SEM DARF PJU NO VALOR DE R$ 31.559,15) A JUNHO DE 1997 Para estes períodos, a recorrente informou em DCTF compensações sem DARF decorrentes de processo judicial, com indicação do processo 9700003205, com a ocorrência de “proc jud não comprova”, fls. 160. A DRJ manteve o lançamento, afirmando que o processo judicial informado era de titularidade da contribuinte Fertilizantes Serrana, CNPJ 60.398.989/000165 e não da recorrente, e que a compensação decorrente de direito creditório reconhecido em ação judicial dependeria de prévio requerimento à autoridade administrativa e da desistência da execução judicial, caso o autor não a tivesse renunciado. A recorrente alega que a titularidade da ação judicial de nº 9700003205 é dela própria SERRANA DE MINERAÇÃO LTDA, informando que o nome de FERTILIZANTES SERRANA S/A aparece como autora, em razão das comunicações efetuadas ao juízo a respeito 1 NEDER, Marcos Vinicius e MARTÍNEZ LÓPEZ, Maria Tereza. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. 2º ed. São Paulo: Dialética. 2004. p.74. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 11610.010473/200142 Resolução nº 3302002.759 S3C3T2 Fl. 491 9 das incorporações da SERRANA DE MINERAÇÃO LTDA pela FERTISUL e desta pela FERTILIZANTES SERRANA S/A. Neste ponto, assiste razão à recorrente. Em 08/01/1997, a SERRANA DE MINERAÇÃO LTDA ajuizou Medida Cautelar Inominada Preparatória de Ação Ordinária de Compensação de Tributos – processo nº 97.00003205, conforme petição inicial de fls. 363 a 371 e aditamento de fls. 372 a 373. Constatase, ainda, que, no momento da lavratura do Auto de Infração, em 29/10/2001, a recorrente já possuía sentença confirmatória de tutela antecipada, reconhecendo a) a inexistência de relação jurídica que obrigou a autora a recolher a contribuição ao PIS na forma dos Decretoslei n°s. 2.445/88 e 2.449/88, b) a validade da cobrança da exação nos termos da Lei Complementar n° 7, de 1970, e alterações legais posteriores, c) consequentemente, reconhecendo o crédito da autora referente ao pagamento a maior, relativo à diferença entre o valor devido e o montante recolhido, conforme os documentos de arrecadação que instruíram a ação, e d) o direito à compensação dos valores independentemente da prévia autorização administrativa com débitos vincendos da própria contribuição ao PIS. Assim, tendo em vista o deferimento de diligência para o tópico anterior, bem como a alegação da recorrente de que todos os períodos foram objeto de compensação, vislumbrase salutar estender a diligência de modo a abranger todo o primeiro semestre e possibilitar o julgamento da lide, de posse de todas as informações tidas como necessárias pelos demais conselheiros que participam do presente julgamento. Isto posto, voto no sentido de converter este julgamento em diligência para que a autoridade fiscal intime a recorrente a comprovar: 1. PIS efetivamente devido em fevereiro de 1996, e eventual indébito tributário em decorrência das extinções comprovadas pela contribuinte ou nos sistemas da Receita Federal, bem como confirme a compensação pleiteada em abril de 1997, a partir da escrituração contábil e demais documentos; 2. As compensações pleiteadas para os períodos de janeiro a junho de 1997, com fulcro nos créditos oriundos do provimento judicial obtido na ação 9700003205, a partir da escrituração contábil e demais documentos; Ao final, a autoridade fiscal deve elaborar relatório conclusivo, com juntada dos documentos que o embasarem, facultando à recorrente a oportunidade de se manifestar sobre o resultado no prazo de 30 dias, conforme art. 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574, de 2011, com posterior retorno dos autos a esta Câmara. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 491DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
score : 1.0
Numero do processo: 10865.721854/2012-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008
INTEMPESTIVIDADE. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA DEPOIS DE
FINDO O PRAZO DE 30 DIAS.
Apresentada a impugnação após finalizado o prazo legal, sendo portanto,
intempestiva, não há que se falar em análise do mérito.
Numero da decisão: 2302-003.085
Decisão: Recurso Voluntário Negado.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 INTEMPESTIVIDADE. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA DEPOIS DE FINDO O PRAZO DE 30 DIAS. Apresentada a impugnação após finalizado o prazo legal, sendo portanto, intempestiva, não há que se falar em análise do mérito.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10865.721854/2012-59
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352497
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2302-003.085
nome_arquivo_s : Decisao_10865721854201259.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
nome_arquivo_pdf_s : 10865721854201259_5352497.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
id : 5485010
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812630188032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1717; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 2 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.721854/201259 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302003.085 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2014 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente MUNICÍPO DE CASA BRANCA PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 INTEMPESTIVIDADE. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA DEPOIS DE FINDO O PRAZO DE 30 DIAS. Apresentada a impugnação após finalizado o prazo legal, sendo portanto, intempestiva, não há que se falar em análise do mérito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 18 54 /2 01 2- 59 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10865.721854/201259 Acórdão n.º 2302003.085 S2C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD nº 37.346.6226, consolidado em 10/07/2012, em face do MUNICÍPIO DE CASA BRANCA – PREFEITURA MUNICIPAL, no valor de R$ 2.135.937,43 (dois milhões, cento e trinta e cinco mil e novecentos e trinta e sete reais e quarenta e três centavos), referente à glosa de compensação indevida realizada pela Recorrente, no período de 01/07/2007 a 31/09/2008, de contribuições previdenciárias patronais e RAT incidentes sobre a remuneração dos membros do Poder Executivo (prefeito, vice prefeito), e do Poder Legislativo (vereadores). Segundo relatório fiscal, o contribuinte, ao realizar as compensações, não retificou previamente as GFIP para excluir destas todos os exercentes de mandato eletivo informados. Ademais, não obedeceu ao prazo prescricional de cinco anos (contados a partir do pagamento da contribuição indevida). Assim, as compensações por referiremse ao período de 02/1998 a 09/2004 teriam que ser iniciadas a partir de 02/2003, contudo, a prefeitura iniciouas em 05/2007. Em se tratando das contribuições para o Risco de Acidente do Trabalho – RAT, informa o Auditor Fiscal que não foi observado, no período de 11/2008 e 12/2008, o Decreto nº 6.042/2007 o qual determinou alíquota de 2% para as prefeituras municipais a partir da competência 06/2007. O contribuinte foi intimado do lançamento, pessoalmente, em 11/07/2012, todavia, apresentou impugnação intempestivamente. Desta feita, o lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 DEBCAD: 37.346.6226 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Petição apresentada fora de prazo não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade como preliminar. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada com a decisão, a Prefeitura interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese que: Fl. 128DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10865.721854/201259 Acórdão n.º 2302003.085 S2C3T2 Fl. 4 3 a) É inconstitucional a perda do benefício de redução da multa com a apresentação de recurso por parte do contribuinte. Assim sendo, em caso de não acolhimento do recurso, deve ser devolvida a oportunidade de quitação do débito com a redução constante na intimação ou qualquer outra redução prevista quando da não apresentação de impugnação ou recurso; b) Embasado pelo princípio da razoabilidade, a Fazenda Pública possui prazo dilatado por aplicação subsidiária e analógica do Art. 188 do Código de Processo Civil. Desta feita, devem os autos do processo ser devolvidos à turma julgadora a fim de que seja apreciado o mérito da impugnação apresentada. c) Toda a matéria suscitada nas razões recursais é de ordem pública, por conseguinte, merece apreciação por parte da Autoridade julgadora, cujo dever de reparar o ato ilícito é inconteste. Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentando os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Da Impugnação Intempestiva A ora Recorrente foi intimada do lançamento, pessoalmente, em 11/07/2012, e só apresentou impugnação em 16/08/2012, após o recebimento do comunicado do prazo de 30 dias de cobrança amigável para regularizar o presente débito. Aduz, a Recorrente, a tempestividade da impugnação, entendendo que a Fazenda Pública dispõe de prazo dilatado por aplicação subsidiária e analógica do Código de Processo Civil (art. 188). Aponta, também, que a questão posta no AI trata de matéria de ordem pública, podendo ser reconhecida a qualquer tempo pelo Fisco. Tais alegações não merecem prosperar, vejase: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10865.721854/201259 Acórdão n.º 2302003.085 S2C3T2 Fl. 5 4 Aos processos administrativos fiscais de determinação e exigência dos créditos fiscais não se aplica o art. 188 do CPC, pois, estes seguem regras específicas estabelecidas pelo Decreto nº 70.235/1972, (cujo status é de lei ordinária), o qual determina, em seus artigos 10 e 15 que o prazo para apresentação da impugnação é de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência do Auto de Infração pelo contribuinte, in verbis: Art.10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da Verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála No prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o Número de matrícula. Art.15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, ser apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Desta feita, se a ciência da decisão deuse em 11/07/2012, o fim do prazo para a apresentação da Impugnação ocorreu em 10/08/2012. Sendo assim, se a ora Recorrente apresentou suas razões em época posterior à data supramencionada (16/08/2012), temos que a Impugnação em referência se encontra, de fato, intempestiva. Sabese que a defesa apresentada intempestivamente equivale à defesa não apresentada e auto de infração não impugnado, não se instaurando a fase litigiosa do processo, operandose, em conseguinte, a preclusão processual. Seguemse os termos do art. 10 da Portaria RFB nº 10.875/2007: Art. 10. A petição apresentada fora do prazo não caracteriza a impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário e não comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade como preliminar. É bem verdade que, como argúi a recorrente, sendo matéria conhecível de ofício poderia se questionar sobre o seu exame, contudo este não é o caso dos autos aqui discutidos. Aplicase, portanto, a jurisprudência há muito consolidada neste conselho: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2007 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA PRECLUSÃO PROCESSUAL A declaração de intempestividade da impugnação pelo Acórdão de primeira instância, além de impedir a instauração da fase litigiosa do procedimento, restringe mérito a ser examinado no âmbito do recurso voluntário, que fica limitado à questão da intempestividade. (14041.000692/200961, CAST INFORMÁTICA S/A, Rel. Carlos Alberto Mees Stringari, acórdão nº 2403 001.572). Fl. 130DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10865.721854/201259 Acórdão n.º 2302003.085 S2C3T2 Fl. 6 5 Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA A impugnação intempestiva impede o inicio do contencioso administrativo. Recurso Voluntário Negado. (10320.003205/200924, FRANGO AMERICANO DO MARANHÃO LTDA, Rel. Liege Lacroix Thomasi, acórdão nº2302002.003). Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2004 a 31/12/2004 INTEMPESTIVIDADE. Tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestiva a impugnação apresentada após o decurso de trinta dias da ciência do lançamento ao sujeito passivo. Não se conhece das razões de mérito contidas em impugnação intempestiva. Computase na contagem do prazo o dia de feriado em município diverso do domicílio da recorrente Recurso Voluntário Negado. (12571.000120/200968, THON TUBOS ARTEF DE PAPEL E PAPELÃO S/A, Rel. Julio Cesar Vieira Gomes, acórdão nº 2402001.645, sessão de 14/04/2011). Conclusão Ante todo o exposto, conheço do recurso, para NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo integralmente o lançamento realizado. É como voto. Sala das Sessões, em 19 de março de 2014 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 131DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 16707.004425/2008-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 31/01/2007 a 18/04/2007
REPETRO. -CONTROLEINFORMATIZADO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA.
Os dados registrados pelo beneficiário no sistema de controle informatizado do Repetro devem apontar a efetiva localização dos bens, de modo a permitir ao Fisco o acompanhamento da aplicação do regime aduaneiro especial. Descumprida referida obrigação acessória, o contribuinte sujeita-se à multa prevista no art. 107, inciso VII, alínea "e", do Decreto-Lei 112 37, de 1966, além de outras penalidades cabíveis.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3302-002.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 31/01/2007 a 18/04/2007 REPETRO. -CONTROLEINFORMATIZADO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA. Os dados registrados pelo beneficiário no sistema de controle informatizado do Repetro devem apontar a efetiva localização dos bens, de modo a permitir ao Fisco o acompanhamento da aplicação do regime aduaneiro especial. Descumprida referida obrigação acessória, o contribuinte sujeita-se à multa prevista no art. 107, inciso VII, alínea "e", do Decreto-Lei 112 37, de 1966, além de outras penalidades cabíveis. Recurso voluntário negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16707.004425/2008-36
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5354773
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3302-002.416
nome_arquivo_s : Decisao_16707004425200836.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
nome_arquivo_pdf_s : 16707004425200836_5354773.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
id : 5499154
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812641722368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2007; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 289 1 288 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16707.004425/200836 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.416 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2014 Matéria MULTA ADUANEIRA Recorrente TUCKER WIRELENE SERV DE PETR BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2007 a 18/04/2007 RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES ADUANEIRAS. INTENÇÃO DO AGENTE. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações na legislação aduaneira independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 31/01/2007 a 18/04/2007 REPETRO. CONTROLE—INFORMATIZADO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA. Os dados registrados pelo beneficiário no sistema de controle informatizado do Repetro devem apontar a efetiva localização dos bens, de modo a permitir ao Fisco o acompanhamento da aplicação do regime aduaneiro especial. Descumprida referida obrigação acessória, o contribuinte sujeitase à multa prevista no art. 107, inciso VII, alínea "e", do DecretoLei 112 37, de 1966, além de outras penalidades cabíveis. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 44 25 /2 00 8- 36 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Tratase, na origem, de Auto de Infração, efls 2 a 6, por ter sido constatado descumprimento de norma para habilitarse ou utilizarse de regime aduaneiro especial, tal qual apontado na Representação formalizada pela Inspetoria da Receita Federal do Brasil em MacaéRJ direcionada à Delegacia da Receita Federal do Brasil em NatalRN, na qual mencionouse grande discrepância entre a real localização dos bens e as informações levantadas no sistema informatizado Repetro, consoante se observa pela comparação entre a localização conforme informações prestadas pela representada e a relação impressa que, segundo o sistema, estavam em sua base de Macaé. A fiscalização evidencia que a representada manteve seu sistema informatizado Repetro desatualizado, pelo menos, durante o período compreendido entre 31 de janeiro de 2007 (inclusive), data da primeira visita realizada ao estabelecimento, e 19 de abril de 2007 (exclusive), data em que a representada apresentou resposta ao Termo de Constatação e de Intimação SAFIA II, caracterizando desrespeito à condição essencial para a utilização do regime aduaneiro especial Repetro, prevista no inciso II do art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 4, de 10 de janeiro de 2001, então vigente, ratificada pelo art. 34 da Instrução Normativa RFB nº 844, de 9 de maio de 2008, sujeitando a contribuinte à penalidade contida no art. 107, inciso VII, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n2 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Extraise do Acórdão ora recorrido a descrição sucinta dos argumentos de impugnação apresentada pela contribuinte: “5. Na mesma data em que recebeu a presente intimação, a impugnante também foi intimada através do MPF nº 0420100 001/2008, com a mesma fundamentação, aplicando a penalidade de advertência., contra a qual tempestivamente apresentou defesa. Alega, assim, que não subsiste a aplicação de penalidade pecuniária fundada na mesma infração em que a interessada já está apenada com a advertência. 6. Defende que as diligências realizadas comprovaram que havia controle informatizado de Repetro, inclusive com a movimentação do estoque de bens sujeitos ao regime aduaneiro, exigência esta edificada na Instrução Normativa SRF n º 4, de 2001, sem qualquer amparo legal. Esta situação demonstra afronta ao principio da legalidade, vez que os elementos constituidores do lançamento se concretizaram através de instruções normativas. Cita doutrina quanto a esse aspecto. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16707.004425/200836 Acórdão n.º 3302002.416 S3C3T2 Fl. 290 3 7. Por força do art. 94, § 1º, do DecretoLei nº 37, de 1966, não pode a Instrução Normativa SRF nº 4, de 2001, tampouco o Regulamento Aduaneiro, definir obrigação e infração ou cominar penalidade que não estejam autorizadas ou previstas em lei. 8. Nos seus dizeres: a) a defendente não cometeu a infração nem teve a vontade de praticar qualquer ato infracional (dolo); b) não praticou ação de máfé ou ato clandestino de falsidade (fraude); c) não declarou enganosamente a sua vontade com objetivo de produzir efeito diferente daquele desejado (simulação). 8.1 Argumenta que a caracterização da infração deve atender a pelo menos um dos— três pressupostos básicos (dolo, fraude ou simulação). 9. Na hipótese de não ser decidido pela improcedência do auto de infração, protesta pela conversão do julgamento em diligência, para que o exercício do direito de defesa seja o mais amplo e regular. 10. Por fim, requer que seja declarado insubsistente o auto de infração ou, alternativamente, que seja relevada a aplicação da penalidade pecuniária.” A DRJ/REC, por meio do Acórdão nº 1135.831, da 5ªTurma, em Sessão de 21 de dezembro de 2011, por unanimidade de votos, julga improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, segundo se demonstra pela ementa e dispositivo a seguir transcritos: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2007 a 18/04/2007 RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES ADUANEIRAS. INTENÇÃO DO AGENTE. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações legislação aduaneira independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2007 a 18/04/2007 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de diligência que não contiver os requisitos estabelecidos pelo art. 16, inciso IV, do Decreto n2 70.235, de 1972. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 4 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 31/01/2007 a 18/04/2007 REPETRO. CONTROLE—INFORMATIZADO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA. Os dados registrados pelo beneficiário no sistema de controle informatizado do Repetro devem apontar a efetiva localização dos bens, de modo a permitir ao Fisco o acompanhamento da aplicação do regime aduaneiro especial. Descumprida referida obrigação acessória, o contribuinte sujeitase à multa prevista no art. 107, inciso VII, alínea "e", do DecretoLei 112 37, de 1966, além de outras penalidades cabíveis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Acórdão Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido”. Cientificada de decisão em 13/02/2012 (AR efl 268) e ainda inconformada, a contribuinte apresenta recurso voluntário, em 13/03/2012, reiterando todos os argumentos de defesa apresentados na peça impugnatória, para, ao final, requerer que seja o recurso julgado procedente para reformar o acórdão recorrido e julgar improcedente a autuação ou, alternativamente,. Seja relevada a aplicação da penalidade pecuniária, haja vista a aplicação da advertência. É o relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Conforme relatado, o lançamento referese à multa por descumprimento de norma para utilizar o regime aduaneiro especial Repetro, sendo relevante ressaltar que a contribuinte, ora recorrente, não se insurge especificamente contra a divergência, identificada pela fiscalização, entre a localização real dos bens e a localização informada no sistema informatizado. As alegações apresentadas no recurso voluntário continuam as mesmas da impugnação, em nada inovando, quais sejam: a) impossibilidade de aplicação da multa tendo por base a mesma infração pela qual a interessada já foi penalizada com advertência; b) a infração está definida em instrução normativa, afrontando o principio da legalidade; e Fl. 293DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16707.004425/200836 Acórdão n.º 3302002.416 S3C3T2 Fl. 291 5 c) não houve dolo, fraude ou simulação. Constatase que o relator do Acórdão ora recorrido em seu voto demonstrou de maneira clara e precisa a subsunção do fato à regra legal que estabelece a exigência da multa por descumprimento de norma para utilizar o regime aduaneiro especial Repetro, consoante disposição contida no art. 107, inciso VII, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, nos seguintes termos: "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei no 10.833, de 29. 12. 2003) (.) VII de R$ 1.000,00 (mil reais): (Redação dada pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003) e) por dia, pelo descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para habilitarse ou utilizar regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais, ou para habilitarse ou manter recintos nos quais tais regimes sejam aplicados " Como bem esclarece a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa, a norma operacional do Repetro foi ditada exatamente pela Instrução Normativa SRF nº 4, de 10 de janeiro de 2001, cuja regra, contida no art. 5º, II da mesma foi deixada de ser observada pela contribuinte, ora recorrente, haja vista que os dados registrados pelo beneficiário no sistema informatizado não apontam a efetiva localização dos bens sujeitos ao Repetro, e, sendo assim, não se prestam a possibilitar o acompanhamento da aplicação do regime mediante auditorias e diligências que objetivem a verificação do cumprimento do Repetro nos moldes em que foi concedido. Assim, fica demonstrado que, ao contrário do alegado, a multa tem previsão legal, não estando definida apenas em instrução normativa e, portanto, é indevida a alegação de inobservância do princípio da legalidade. Relativamente à arguição da impossibilidade de aplicação simultânea das penalidades de advertência e multa, a recorrente sustenta que essa possibilidade só seria possível, se o fato tido como infracional violasse mais de um dispositivo, aplicandose uma pena para cada um dos dispositivos violados. Não tem fundamento tal argüição. De fato, o §2º do art. 107do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, estabelece: "§2º As multas previstas neste artigo não prejudicam a exigência dos impostos incidentes, a aplicação de outras penalidades cabíveis e a representação fiscal para fins penais, quando for o caso. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003)”. (grifos nossos). Fl. 294DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Dessa forma, se a advertência foi aplicada com base em previsão legal, não haveria impedimento para a aplicação da penalidade da multa ora sob análise, posto que a norma acima transcrita permite a aplicação simultânea da multa sob litígio com outra penalidade cabível. Por outro lado, se não havia previsão legal para a aplicação da advertência, não sendo esta cabível, caberia à contribuinte questionála em momento oportuno,não estando, a advertência, sob litígio neste processo. E, no tocante às alegações de ausência de dolo, fraude e simulação, bem fundamenta o acórdão recorrido quando esclarece tratarse de responsabilidade objetiva, consoante regras estabelecidas no art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN), instituído pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 19661, bem como no § 2º do art. 94 do DecretoLei nº 37, de 19662, tendo em conta a inexistência, no que se refere à aplicação de referida multa, de disposição de lei exigindo a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, sendo, portanto, irrelevante a intenção da contribuinte. Portanto, não merece em nada ser reformado o Acórdão da autoridade a quo. CONCLUSÃO, Diante dos fundamentos acima postos, conduzo o meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo, em conseqüência, a integralidade do Crédito Tributário lançado. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora 1 CTN: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infraçõesda legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 2 Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. (.) § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000930/2008-51
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA.
Não se incluem no cálculo do crédito presumido de IPI os valores pagos a título de frete na movimentação de produtos/mercadorias entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, sem vinculação com as notas fiscais de aquisição de matérias-primas, produtos intermediários ou material de embalagem utilizados no processo produtivo.
Numero da decisão: 3803-005.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado Presidente
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. Não se incluem no cálculo do crédito presumido de IPI os valores pagos a título de frete na movimentação de produtos/mercadorias entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, sem vinculação com as notas fiscais de aquisição de matérias-primas, produtos intermediários ou material de embalagem utilizados no processo produtivo.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10925.000930/2008-51
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5365786
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-005.912
nome_arquivo_s : Decisao_10925000930200851.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : HELCIO LAFETA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 10925000930200851_5365786.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5553390
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812666888192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1808; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 255 1 254 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.000930/200851 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.912 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de março de 2014 Matéria CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RESSARCIMENTO Recorrente PAZA VANZELLA & CIA. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. Não se incluem no cálculo do crédito presumido de IPI os valores pagos a título de frete na movimentação de produtos/mercadorias entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, sem vinculação com as notas fiscais de aquisição de matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem utilizados no processo produtivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado – Presidente (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 09 30 /2 00 8- 51 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000930/200851 Acórdão n.º 3803005.912 S3TE03 Fl. 256 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 247 a 250) interposto em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Presto/SP (fls. 243 a 246) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do reconhecimento apenas parcial do crédito presumido de IPI pleiteado por meio de Pedido de Ressarcimento/Restituição, no valor de R$ 149.957,30, nos termos do Parecer Seort e do Despacho de Decisório de fls. 226 a 230. O contribuinte havia requerido o ressarcimento em espécie do crédito presumido de IPI, com base no disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, relativamente aos créditos das contribuições sociais (PIS e Cofins) incidentes nas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem empregados na fabricação de produtos exportados, bem como o ressarcimento dos créditos do IPI referentes a insumos aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, em conformidade com o art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. A repartição de origem reconheceu parcialmente o crédito pleiteado, tendo sido glosados os créditos relativos a fretes suportados na transferência de mercadorias (madeiras) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, por se tratar de custo de produção e não gasto na aquisição de insumos (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem), remanescendo controvertido desde então o valor de R$ 8.939,79. Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 233 a 236), o contribuinte requereu o reconhecimento integral do direito creditório, alegando que o dispêndio glosado pela autoridade administrativa decorreria da “necessidade de transferência dos insumos para outros estabelecimentos da mesma empresa, a fim de continuar ou concluir o processo produtivo”, o que caracterizaria o frete como insumo passível de apropriação no cálculo do crédito presumido de IPI (fl. 235). A decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP restou ementada nos seguintes termos: Assumo: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. CUSTOS DE AQUISIÇÃO ADMITIDOS. Para fins de cálculo do crédito presumido no regime alternativo, somente é admitida a inclusão na respectiva base de cálculo de custos de aquisição de energia elétrica e de combustíveis utilizados no processo industrial; devem ser observadas, outrossim, as restrições preconizadas na Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, aplicada subsidiariamente, notadamente quanto às aquisições de prestações de serviços de frete. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão em 15 de outubro de 2009, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 12 de novembro do mesmo ano e reiterou o seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa, ressaltando que a Lei nº 9.363/1996 e a Lei nº 10.276/2001 se Fl. 256DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000930/200851 Acórdão n.º 3803005.912 S3TE03 Fl. 257 3 referem ao valor total dos “custos de aquisição de insumos” (art. 1°, § l°, I), “expressão que abrange todo e qualquer fato que onere as matériasprimas adquiridas, como os seus variados deslocamentos antes de chegar ao destino final”, dada a ausência de estipulação de qualquer exceção por parte da lei (fl. 249). Alegou, ainda, o Recorrente que “a Instrução Normativa n. 69/2001 estabelece, no art. 18, que o valor do frete deve ser incluído no cômputo das despesas relativas a matériasprimas, produtos intermediários e materiais para embalagem e, portanto, compor a base de cálculo do crédito presumido” (fl. 249). Em sua peça recursal, o contribuinte reproduz a ementa de uma decisão do CARF e de uma solução de consulta da Receita Federal que, segundo ele, amparariam o direito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, a controvérsia nos autos se restringe à glosa, para fins de cálculo do crédito presumido de IPI, dos dispêndios com frete na movimentação de mercadorias (madeira) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica. A matéria controvertida encontrase regida nos seguintes termos: LEI Nº 9.363, DE 13 DE DEZEMBRO DE 1996. (...) Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art.2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de Fl. 257DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000930/200851 Acórdão n.º 3803005.912 S3TE03 Fl. 258 4 embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (...) Art 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Art.4º Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente. LEI No 10.276, DE 10 DE SETEMBRO DE 2001. (...) Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. (...) Fl. 258DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000930/200851 Acórdão n.º 3803005.912 S3TE03 Fl. 259 5 § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. Com base nos excertos supra, constatase que o crédito presumido de IPI deve ser calculado observandose as seguintes diretrizes: a) aplicamse ao crédito presumido da Lei nº 10.276, de 2001, as normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996; b) no cômputo do crédito presumido serão incluídas as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, bem como os gastos com energia elétrica e combustíveis utilizados no processo produtivo e os serviços decorrentes de industrialização por encomenda; c) a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador; d) a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados será utilizada subsidiariamente para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Considerando os termos supra, é possível concluir que, para que uma despesa de frete possa ser incluída no cômputo do crédito presumido de IPI, é necessário que se observem os seguintes requisitos: (i) seja o valor do frete cobrado do adquirente, (ii) esteja incluído no preço do produto e, (iii) caso seja pago a terceiros, nas hipóteses de o transporte ser efetuado por outra pessoa jurídica (contribuinte de PIS/Pasep e Cofins), com o Conhecimento de Transporte vinculado única e exclusivamente à nota fiscal de aquisição. No relatório fiscal (Parecer Saort), a repartição de origem informou que tais gastos com fretes referirseiam a meras transferências de mercadorias entre estabelecimentos da pessoa jurídica, não tendo o Recorrente comprovado que tais movimentações decorreriam de especificidades do seu processo produtivo a exigir os procedimentos adotados. Notese que os conhecimentos de transporte (fls. 153 a 176) identificam as notas fiscais emitidas pelo Recorrente, mas não vinculam as mercadorias às notas fiscais de aquisição dos insumos emitidas por terceiros. A previsão legal relativa aos gastos com combustíveis restringe sua inclusão no cômputo do crédito presumido às operações que compõem o processo produtivo da pessoa jurídica, exigência essa não demonstrada pelo Recorrente. O Recorrente deveria ter demonstrado a fase do processo industrial em que se inseririam os gastos com fretes na movimentação de mercadorias entre estabelecimentos, sem o que não se tem por configurada a inserção dos referidos dispêndios no processo produtivo. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000930/200851 Acórdão n.º 3803005.912 S3TE03 Fl. 260 6 Por não integrarem o processo de industrialização, os gastos com fretes nas movimentações de mercadorias entre os estabelecimentos não compõem a base de cálculo para a apuração do crédito presumido de IPI. Os fretes que dão direito ao creditamento são aqueles vinculados às aquisições de insumos (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem), conforme preceitua o art. 3º da Lei nº 9.363, de 1996, assim como o art. 289, § 1º, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 260DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.914916/2012-71
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2009
NULIDADE.
As atos administrativos que contêm todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia, em observância às garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa não são passíveis de nulidade.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-002.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201406
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2009 NULIDADE. As atos administrativos que contêm todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia, em observância às garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa não são passíveis de nulidade. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10830.914916/2012-71
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352986
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1803-002.227
nome_arquivo_s : Decisao_10830914916201271.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 10830914916201271_5352986.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5490233
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812697296896
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1910; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 66 1 65 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.914916/201271 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.227 – 3ª Turma Especial Sessão de 04 de junho de 2014 Matéria PER/DCOMP Recorrente INDASEG CORRETORA DE SEGUROS LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009 NULIDADE. As atos administrativos que contêm todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia, em observância às garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa não são passíveis de nulidade. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 49 16 /2 01 2- 71 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914916/201271 Acórdão n.º 1803002.227 S1TE03 Fl. 67 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 38619.17247.130812.1.3.040483, em 13.08.2012, fls. 2327, utilizandose do pagamento a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2089, no valor de R$1.078,33 contido no DARF no valor de R$1.212,06 recolhido em 30.05.2008, apurado pelo lucro presumido para fins de compensação do débito ali confessado. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 28, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 1.078,33 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Características do DARF discriminado no PER/DCOMP PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 30/06/2008 2089 1.212,06 30/05/2008 UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO(PR)/ PERD/COMP(PD)/DÉBITO(DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO 4708854061 1.212,06 Db: cód 2089 PA 30/06/2008 1.212,06 [...] Fl. 67DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914916/201271 Acórdão n.º 1803002.227 S1TE03 Fl. 68 3 Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 0211, suscitando: II Do Mérito II. a Das nulidades O despacho decisório, em que pese o esforço da autoridade administrativa em cumprir os prazos a que está submetida, para não se ver compelida a acatar o ato praticado pelo sujeito passivo, em razão de sua inércia, está totalmente eivado de nulidades. [...] A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório, sem constar o porquê desta ir existência. A autoridade quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado, sendo que esta deve total obediência à legalidade, nos termos em que preconiza [o art. 37 da] Carta Magna [,...]. Assim sendo, o processo administrativo no âmbito federal, tal como é o caso, tem regulamentação própria e deve ser observada pela autoridade administrativa julgadora. Dispõe a Lei n.° 9.784/99: "Art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. (...) VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados" [...]. Resta claro que, tendo a administração pública o dever de obediência à legalidade e dispondo a lei que em seus atos tem de ser motivados, logo se conclui facilmente que há o dever de motivar as decisões proferidas nos processos sob sua jurisdição. Tanto é assim que a própria Lei n.° 9.784/99 prevê [...]: "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou Interesses; (...) § lº A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato" [...]. Devese entender por motivação, os fundamentos fatídicos e legais que formaram a convicção da autoridade administrativa no caso concreto.Deveras, a autoridade administrativa simplesmente não homologou a compensação realizada pela empresa, por supostamente o crédito não existir. Não se deu sequer ao trabalho de motivar sua decisão, de tal como que a empresa está impedida de promover a sua defesa, na medida em que sequer sabe o motivo pelo qual o crédito inexiste. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914916/201271 Acórdão n.º 1803002.227 S1TE03 Fl. 69 4 Nem se diga ao fato de se tratar de um despacho decisório eletrônico, que sequer passou pelo crivo de um auditor fiscal. É evidente que a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito sequer foi apreciado.Limitouse a autoridade administrativa, em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Todavia, para o deslinde da questão aqui trazida, mister seja definido o significado de "inexistência do crédito" a que afirma a autoridade administrativa. Como se pode observar do despacho decisório, não há esclarecimentos quanto a esse significado, aliás, não há qualquer outro esclarecimento. Diversas são as situações que acarretariam na restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo da exação. [...] O fato é que a autoridade administrativa furtouse em analisar, efetivamente, qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada. Denotamse facilmente esses fatos, por se tratar de um despacho eletrônico, que não é submetido ao crivo de um auditor fiscal para analisar essas situações. A ausência de motivação das decisões, como é o caso, importa em nulidade do ato praticado, consoante preleciona o artigo 59 do Decreto n.° 70.235/72 que, digase, é aplicado subsidiariamente ao processo de compensação. [...] É cediço que simplesmente não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta inexistência do crédito em que se funda, torna a decisão NULA, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito. [...] Deve, pois, ser julgado NULO o despacho decisório, por ausência de motivação, devendo o crédito postulado ser totalmente reconhecido, bem como a compensação totalmente homologada. II.b Do cerceamento do direito de defesa Reza a Constituição Federal que: "Art. 5º (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral, são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". A ampla defesa e o contraditório devem ser entendidos em seu sentido amplo, de utilizarse de todos os meios admitidos em direito para promover a defesa de seus interesses. [...] Primeiramente, porque a autoridade administrativa simplesmente não analisou o mérito do pedido de restituição/compensação postulado peia empresa. Da mesma forma, sequer intimou a empresa a esclarecer os motivos de ter pleiteado a restituição do tributo pago, quando poderia têlo feito, conforme dispõe a IN 1.300/2012: "Art. 76. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". Fl. 69DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914916/201271 Acórdão n.º 1803002.227 S1TE03 Fl. 70 5 Apesar de que a previsão normativa se utilize da expressão "poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito", há um dever previsto na Constituição Federal de Eficiência. Em observância a este princípio, a administração deve intimar o interessado a fazer os esclarecimentos necessários e a comprovar o alegado, sempre que lhe restar dúvidas. Isto porque, a ampla defesa como garantia constitucional, deve ser entendida em seu sentido amplo, como o direito de produzir todas as provas necessárias à defesa do interesse postulado. Desta forma, não há que se dizer que este direito somente restaria violado em sede de recurso, principalmente à vista do dever de Eficiência, como dito alhures. Restou violado, além do direito de ampla defesa, este dever de eficiência dos atos administrativos. Além de não analisar o mérito da questão, a autoridade administrativa quedouse omissa quanto aos fundamentos que formaram o seu entendimento. Essa fundamentação é essencial e extremamente necessária para preservar a garantia de ampla defesa e contraditório, inerente ao processo administrativo. A não observância deste dever de motivar suas decisões, como se observa no caso destes autos, obsta o exercício dessas garantias constitucionais. Ora, não é possível promover uma defesa quando não são expostos os argumentos que levaram ao indeferimento do seu pedido. A falta de motivação/fundamentação da decisão proferida pela Autoridade Administrativa obsta até mesmo a produção das provas necessárias, já que sequer é sabido o que não foi reconhecido. Portanto, TOTALMENTE NULO o despacho decisório, devendo estes autos retornarem à origem para efetiva apreciação e total homologação da compensação postulada. II.c Da produção de provas Determina o Decreto n.° 70.235/72, lei que regula o processo administrativo de exigência de créditos tributários e é aplicado subsidiariamente ao processo de restituição/compensação: "Art. 16. (...) § 4° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior; [...]. Como amplamente defendido nesta peça processual, a autoridade administrativa quedouse inerte em expor os motivos pelos quais entendeu por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar as compensações realizadas. Aliado a essa omissão, há também o fato de a empresa não ter tido oportunidade de esclarecer as razões pelas quais é detentora do crédito postulado. Logo, não há como promover uma defesa, com a apresentação de documentos comprobatórios do direito alegado, já que, nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a requerente. Neste diapasão, a empresa está impedida de exercer plenamente o seu direito de defesa, como já dito alhures e de forma exaustiva. Desta feita, ao caso em tela, há de ser aplicada a regra autorizadora da produção posterior das provas, para o momento em que a lide esteja delineada em seus termos. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914916/201271 Acórdão n.º 1803002.227 S1TE03 Fl. 71 6 Conclui que: Diante do exposto, requer: • seja o presente recurso recebido e processado, bem como encaminhado à autoridade competente para o seu julgamento; • seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em questão, conforme artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional; • seja acatada as preliminares arguidas neste manifesto, a fim de declarar NULO DE PLENO DIREITO o despacho decisório, pois eivado de vício insanável decorrente da ausência da exposição dos fundamentos que culminaram a não homologação da compensação. • sejam os autos remetidos à Delegacia de origem, para que, enfim, sejam promovidas todas as diligências necessárias à comprovação do crédito. • caso o entendimento dos Nobres Julgadores seja pelo não reconhecimento das nulidades arguidas, requer seja o presente manifesto julgado TOTALMENTE PROCEDENTE, reformando o despacho decisório, reconhecendose o direito creditório em sua integralidade, assim como, homologando toda a compensação realizada. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 09 46.802, de 26.09.2013, fls. 4043: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. Se o pagamento utilizado como crédito encontrase alocado a débito declarado pela empresa, não existe o crédito pretendido. DISCUSSÃO DE MÉRITO. Se a manifestante não discute o mérito da lide, ou seja, não traz aos autos documentação hábil e idônea que demonstre o certeza e liquidez do crédito pretendido, a decisão administrativa deve ser mantida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada em 06.11.2013, fl. 62, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 06.12.2013, fls. 4760, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que: Tratase de RECURSO VOLUNTÁRIO interposto contra decisão que manteve o despacho decisório que não homologa a compensação realizada, utilizandose como fundamentação a simples menção de que inexiste crédito. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914916/201271 Acórdão n.º 1803002.227 S1TE03 Fl. 72 7 Em que pese às razões, de fato e de direito, apresentadas pela ora Recorrente, na Manifestação de Inconformidade apresentada, o nobre julgador a quo decidiu pela manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, afirmando que este havia sido fundamentado. Pelo que se percebe, a r. decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo a Recorrente de apresentar defesa, bem como demonstrar a existência do crédito. O princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional, tendo a decisão de primeira instância alegado que esta estava fundamentada, com a menção de artigos genéricos da legislação tributária. Ora, como pode a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada? Logo, inexistindo fundamentação que sustenta decisão da autoridade administrativa, esta passa a ser nula, por desrespeitai o princípio da motivação dos atos administrativos, impedindo que a Recorrente apresente uma defesa concreta. Além do princípio da motivação dos atos administrativos, restou violado o direito a ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa está prejudicada. Sendo assim, resta claro que o despacho decisório é completamente nulo, pois não apresenta fundamentações que permitam a Recorrente compreender por qual motivo sua compensação não foi homologada e impedindo que esta comprove seu direito ao crédito, constituindo o cerceamento de defesa. Ante o exposto, a Recorrente requer seja o RECURSO VOLUNTÁRIO conhecido e provido, reformandose a r. decisão de primeira instância, declarando insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação, sendo acolhido o presente recurso para homologar a compensação. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914916/201271 Acórdão n.º 1803002.227 S1TE03 Fl. 73 8 Em conformidade com o processo administrativo fiscal, a manifestação de inconformidade instaura a fase litigiosa no procedimento. Deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos, incluindo necessariamente os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir e apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação do Despacho Decisório Eletrônico. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente na peça de defesa por ter sido alcançada pela preclusão1. O Despacho Decisório Eletrônico foi lavrado por servidor competente, na forma prescrita e com a observância completa das formalidades indispensáveis à existência do ato. O objeto está previsto em ato normativo, contendo expressamente os motivos referentes à matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, sendo materialmente existente e juridicamente adequado ao resultado obtido. Ainda o ato foi exarado com a finalidade, pois o agente pratica o ato visando o fim previsto explicitamente na regra de competência, com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal2. A decisão de primeira instância e o Despacho Decisório Eletrônico estão motivados de forma explícita, clara e congruente e dos quais a Recorrente foi regularmente cientificada para se defender. Ademais, o procedimento de ofício foi realizado sem prévia intimação à Recorrente, uma vez que a Administração Tributária dispunha de elementos suficientes à análise do direito creditório 3. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 28, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 1.078,33 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Características do DARF discriminado no PER/DCOMP PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 30/06/2008 2089 1.212,06 30/05/2008 UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP 1 Fundamentação legal: art. 14, art. 15 e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 3 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmula CARF 46. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914916/201271 Acórdão n.º 1803002.227 S1TE03 Fl. 74 9 NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO(PR)/ PERD/COMP(PD)/DÉBITO(DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO 4708854061 1.212,06 Db: cód 2089 PA 30/06/2008 1.212,06 [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No Voto condutor do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0946.802, de 26.09.2013, fls. 4043, está registrado: O Despacho Decisório em questão foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, competente para tal, e não há que se falar em preterição do direito de defesa, pois, pelo fato de ter sido dado à contribuinte o direito de apresentar sua manifestação de inconformidade, instaurando a fase litigiosa do procedimento, nos termos do disposto no art. 14 do Decreto n.º 70.235/1972, e não tendo havido qualquer ato que a impedisse de apresentar na manifestação, todos os seus argumentos e comprovantes contrários a não homologação, verificase que não foram feridos os princípios do contraditório e da ampla defesa. Quaisquer defeitos porventura presentes no despacho decisório não ensejam sua nulidade e serão sanados se comprovadamente resultarem em prejuízo para a empresa (art. 60). A empresa afirma que “a alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório, sem constar o porquê desta inexistência”, pois segundo ela “para o deslinde da questão aqui trazida, mister seja definido o significado de ‘inexistência do crédito’ a que afirma a autoridade administrativa” e “como se pode observar do despacho decisório, não há esclarecimentos quanto a esse significado, aliás, não há qualquer outro esclarecimento”. Tais alegações mostram que a manifestante não leu com atenção ou não entendeu os termos despacho decisório, tendo em vista que esse é claro ao afirmar que “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP” (grifei). Como se vê, está explicado com clareza o motivo da inexistência de crédito: a utilização do pagamento relacionado pela empresa na Dcomp em análise, para quitar débito dela própria. Ora, que débito seria esse para o qual o pagamento foi integralmente utilizado? O despacho decisório esclarece informando o código do tributo e o período de apuração a que se refere, quais sejam, Db: código 2089 PA 30/06/2008. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914916/201271 Acórdão n.º 1803002.227 S1TE03 Fl. 75 10 Mas como teria surgido esse débito? Obviamente que da DCTF apresentada pela empresa em 07/10/2008, referente ao 2º trimestre de 2008. Nessa DCTF ela declara débito de IRPJ para o 2º trim/2008 no valor de R$2.649,97 e vincula a ele o pagamento efetuado em 30/05/2008 no valor de R$ 1.212,06 (o mesmo que usa como crédito na Dcomp em análise). O saldo de R$ 1.437,91, ela transfere para o parcelamento concedido pela Lei 11.941/2011, por meio do processo administrativo nº 18208.079223/201108 [que se encontra no Setor Proc Eletrônico REFIS DRF/CPS/SP4. [...] Posteriormente, essa mesma empresa, entendendo o débito era menor que o declarado, e que portanto, segundo ela, o pagamento teria sido efetuado a maior apresenta uma declaração de compensação utilizando o valor supostamente pago a maior como crédito. No entanto, ela não retifica a DCTF apresentada anteriormente e conseqüentemente o sistema mantém o pagamento alocado ao débito que ela declarou e não retificou. Daí a informação esclarecedora constante do despacho decisório que “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte”. A manifestante poderia trazer nessa fase do processo as explicações (acompanhada da documentação hábil e idônea para comprovar a afirmação) sobre o motivo do débito real ser menor do que o que ela declarou. Considerando que ela não fez isso, ou seja, ela não discutiu o mérito da lide, a decisão administrativa deve ser mantida. Assim, estes atos estão motivados e contêm todos os requisitos legais, que lhes conferem existência, validade e eficácia, em observância às garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, inclusive a partir da informações prestadas pela própria Recorrente à`RFB, O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos5. 4 Diaponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/egov/cons_dados_processo.asp?proc=18208079223201108>. Acesso em: 22 mai.2014. 5 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914916/201271 Acórdão n.º 1803002.227 S1TE03 Fl. 76 11 Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência, tampouco procurou de alguma forma evidenciar inequivocamente a liquidez e a certeza do valor de direito creditório pleiteado. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente suscita que o Per/DComp deve ser deferido. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Ainda, o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional 6. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais7. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela 6 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 7 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914916/201271 Acórdão n.º 1803002.227 S1TE03 Fl. 77 12 legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Nos presentes autos não há como aferir e corroborar o valor inequivocamente do direito creditório pleiteado, uma vez que a Recorrente apenas argumenta e efetivamente não apresenta seus assentos contábeis e os documentos correspondentes para essa finalidade. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade8. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 8 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914916/201271 Acórdão n.º 1803002.227 S1TE03 Fl. 78 13 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10909.004513/2009-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 17/01/2005 a 26/12/2005
ILEGITIMIDADE PASSIVA - A responsabilidade em relação as infrações é do representante do transportador estrangeiro, nos termos da legislação pátria.
NULIDADE - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não caracteriza. Necessidade de restar demonstrado o prejuízo a defesa. Acusação fiscal compreendida.
MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, subsume-se à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar.
MULTA ADMINISTRATIVA. INFRAÇÃO ADUANEIRA. INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DA CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que o cumprimento espontâneo da obrigação fora do prazo também representa a denúncia espontânea da correspondente infração.
2. A multa por atraso na prestação de informação sobre a carga descarregada em porto alfandegado nacional não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da respectiva infração.
AUSÊNCIA DE NORMA ESTABELECENDO PRAZO PARA COMUNICAÇÃO DO EMBARQUE ANTES DE 15/02/2005. Até a edição da IN SRF nº 510/2005 não havia prazo estabelecendo data para comunicação de embarque. Expressão imediatamente é indeterminada. Excluir a penalidade imposta decorrente dos embarques realizados antes de 15/02/2005.
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-002.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a multa sobre embarques anteriores a 15/02/2005. Vencidos os conselheiros Álvaro Almeida Filho, relator, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama, que davam provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
(assinado digitalmente)
LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO - Presidente.
(assinado digitalmente)
ÁLVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO - Relator.
(assinado digitalmente)
JOSÉ FERNANDES DO NASCIMENTO Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (presidente da turma), Nanci Gama, Andréa Medrado Darzé, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento.
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 17/01/2005 a 26/12/2005 ILEGITIMIDADE PASSIVA - A responsabilidade em relação as infrações é do representante do transportador estrangeiro, nos termos da legislação pátria. NULIDADE - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não caracteriza. Necessidade de restar demonstrado o prejuízo a defesa. Acusação fiscal compreendida. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, subsume-se à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. MULTA ADMINISTRATIVA. INFRAÇÃO ADUANEIRA. INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DA CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que o cumprimento espontâneo da obrigação fora do prazo também representa a denúncia espontânea da correspondente infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação sobre a carga descarregada em porto alfandegado nacional não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da respectiva infração. AUSÊNCIA DE NORMA ESTABELECENDO PRAZO PARA COMUNICAÇÃO DO EMBARQUE ANTES DE 15/02/2005. Até a edição da IN SRF nº 510/2005 não havia prazo estabelecendo data para comunicação de embarque. Expressão imediatamente é indeterminada. Excluir a penalidade imposta decorrente dos embarques realizados antes de 15/02/2005. Recurso Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10909.004513/2009-66
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5350724
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3102-002.039
nome_arquivo_s : Decisao_10909004513200966.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10909004513200966_5350724.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a multa sobre embarques anteriores a 15/02/2005. Vencidos os conselheiros Álvaro Almeida Filho, relator, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama, que davam provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO - Presidente. (assinado digitalmente) ÁLVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO - Relator. (assinado digitalmente) JOSÉ FERNANDES DO NASCIMENTO Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (presidente da turma), Nanci Gama, Andréa Medrado Darzé, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
id : 5468434
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812704636928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2473; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 2 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.004513/200966 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102002.039 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2013 Matéria MULTA REGULAMENTAR Recorrente HAPAGLLOYD BRASIL AGENCIAMENTO MARÍTIMO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 17/01/2005 a 26/12/2005 ILEGITIMIDADE PASSIVA A responsabilidade em relação as infrações é do representante do transportador estrangeiro, nos termos da legislação pátria. NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não caracteriza. Necessidade de restar demonstrado o prejuízo a defesa. Acusação fiscal compreendida. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. MULTA ADMINISTRATIVA. INFRAÇÃO ADUANEIRA. INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DA CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que o cumprimento espontâneo da obrigação fora do prazo também representa a denúncia espontânea da correspondente infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação sobre a carga descarregada em porto alfandegado nacional não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 45 13 /2 00 9- 66 Fl. 436DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 2 O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da respectiva infração. AUSÊNCIA DE NORMA ESTABELECENDO PRAZO PARA COMUNICAÇÃO DO EMBARQUE ANTES DE 15/02/2005. Até a edição da IN SRF nº 510/2005 não havia prazo estabelecendo data para comunicação de embarque. Expressão “imediatamente” é indeterminada. Excluir a penalidade imposta decorrente dos embarques realizados antes de 15/02/2005. Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a multa sobre embarques anteriores a 15/02/2005. Vencidos os conselheiros Álvaro Almeida Filho, relator, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama, que davam provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) ÁLVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. (assinado digitalmente) JOSÉ FERNANDES DO NASCIMENTO – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (presidente da turma), Nanci Gama, Andréa Medrado Darzé, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento. Relatório Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão nº 0724.390 da 2ª Turma da DRJ/FNS, que julgou procedente em parte a impugnação ao lançamento. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: Versa o presente processo sobre aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, no valor de R$ 235.000,00 (duzentos e cinco mil reais), em face de o interessado em epígrafe ter deixado de informar no Siscomex, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, os dados de embarque de mercadorias que ocorreram entre 06/01/2005 e 17/12/2005, em navios de transportadores estrangeiros representados no Brasil pela empresa autuada, havendo as respectivas informações sido registradas após o Fl. 437DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 10909.004513/200966 Acórdão n.º 3102002.039 S3C1T2 Fl. 3 3 prazo de sete dias estabelecido no art. 37 da DM SRF n.° 28, de 1994, com redação dada pela IN SRF n.°510, de 2005. Em conseqüência, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01 a 13, com fulcro no disposto pela alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n.° 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n.° 10.833, de 2003. Regularmente cientificado da exação em 24/11/2009 (fl. 01), o sujeito passivo irresignado apresentou, em 17/12/2009, os documentos colacionados às fls. 125 a 233 e a impugnação de fls. 113 a 124, onde, em síntese: Alega, preliminarmente, a sua ilegitimidade para figurar no pólo passivo da autuação, ao argumento de que a regra contida no art. 37 da IN SRF n.° 28, de 1994, destinase aos transportadores marítimos, ao passo que exerce a atividade de agente marítimo, não podendo ser considerado representante do transportador para fins de responsabilidade tributária, a teor do entendimento veiculado na Súmula 192 pelo extinto Tribunal Federal de Recursos e do entendimento consignado em decisões judiciais cujos excertos transcreve na peça de defesa, ao que aduz tampouco haver amparo legal para a aplicação da multa em causa ao agente marítimo, já que a alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DL 37, de 1966, referese tão somente ao transportador marítimo e ao agente de carga; No mérito, alega que a norma que estipula o prazo de sete dias para que o transportador marítimo registre os dados de embarque no Siscomex foi introduzida no ordenamento jurídico somente a partir da IN SRF n.° 510, de 15 de fevereiro de 2005, razão pela qual entende ser inaplicável essa disposição a fatos ocorridos anteriormente, época em que, segundo argumenta, não havia um prazo expressamente previsto para a realização do registro dos dados de embarque no Siscomex, já que a expressão "imediatamente após, realizado o embarque da mercadoria", que figurava na redação original do art. 37 da IN SRF n.° 28, de 1994, contém um conceito indeterminado, sendo, portanto, aceitável a realização dos aludidos registros em prazo superior a sete dias; Nesta linha, aduz, com fulcro nos artigos 112 e 144 do CTN, que a autoridade aduaneira não pode valerse de posterior alteração no comando normativo para interpretar que a expressão "imediatamente" deve ser entendida como um prazo de sete dias; Em outro plano, cita a Solução de Consulta SRRF 9a . RF/DISIT n.° 215, exarada em 16/08/2004, e alega que a informação sobre os dados do embarque realizado no navio CP YELLOWSTONE, em 17/12/2005 (sábado), foi prestada tempestivamente, se considerado o prazo de sete dias contados da do primeiro dia útil subseqüente à data do embarque, aduzindo que as agências marítimas não tratam de questões operacionais nos finais de semana e feriados, mas apenas de questões emergenciais, e Receita Federal só trata desses processos em dias úteis; Fl. 438DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 4 Reclama que a autoridade autuante incorreu também em duplicidade de autuação, no concernente ao embarque realizado no navio TMM COLIMA, em 10/09/2005, tendo sido aplicada a multa em questão relativamente a 47 (quarenta e sete) navios, porém a listagem anexa ao feito demonstra a existência de somente 46 (quarenta e seis) navios/viagens; Sob outro prisma, alega que a aplicação da penalidade em causa é ato ilegal e arbitrário, tendo em conta a teoria da infração continuada que repele a aplicação de penalidades sucessivas de molde a cominar uma única infração e transcreve ementa de acórdão exarado por esta 2a . Turma de Julgamento da DRJ/FLORIANÓPOLIS, no sentido de que a multa em comento deve ser aplicada uma única vez por veículo transportador e viagem, não por quantitativo de despachos de exportação; Reclama também ter havido duplicidade de autuação relativamente a diversos navios/viagens listados na petição impugnatória, cuja infração relacionada à prestação intempestiva dos dados de embarque já foi objeto de lançamento nos autos de infração que constituíram o objeto dos processos administrativos n.° 11128.005272/200922, 10909.006898/2008 15 e 11128.005669/200914; Na seqüência, alega ter a fiscalização entendido que a conduta da empresa autuada caracterizaria a infração descrita nas aliena "c", do inciso IV do art. 107 do DL 37, de 1966, e reclama que a informação extemporânea dos dados de embarque não configura embaraço à fiscalização; Evoca os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, além do que cita disposições contidas no inciso VI do parágrafo único do art. 2o da Lei n.° 9.784, de 1999, para argumentar que é vedada a aplicação de penalidade em medida superior àquela estritamente necessária ao atendimento do interesse público, mormente no presente caso, onde não se está diante de fraude, máfé ou tentativa de embaraço à fiscalização, uma vez que todos os registros de todos os dados de embarque foram realizados. Finalmente, em face de tudo o quanto foi exposto, requer o cancelamento do auto de infração hostilizado. Após analisar a impugnação, decidiu a DRJ pela procedência parcial do lançamento, consoante se depreende da ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Período de apuração: 17/01/2005 a 26/12/2005 AGENTE MARÍTIMO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. A responsabilidade, pelo cometimento de infrações, de quem representa o transportador quando desincumbindose do cumprimento das obrigações acessórias que lhe são próprias, é expressa nos termos da legislação de regência. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 439DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 10909.004513/200966 Acórdão n.º 3102002.039 S3C1T2 Fl. 4 5 Período de apuração: 17/01/2005 a 26/12/2005 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. DILAÇÃO DE PRAZO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A legislação aplicase a ato pretérito não definitivamente julgado quando a norma superveniente deixa de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado na falta de pagamento de tributo. INFRAÇÃO CONTINUADA. EMBARQUES DIFERENTES. MERA REITERAÇÃO DA CONDUTA INFRACIONAL. É incabível falar em infração continuada quando os atos caracterizadores da infração não resultam do aproveitamento das condições objetivas que balizaram a prática das infrações anteriores. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO OBJETIVA. A infração consistente no descumprimento de obrigação acessória tem natureza objetiva e independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato praticado, em razão de que a aplicação da multa que comina referida infração prescinde da constatação de ter havido, ou não, máfé por parte do sujeito passivo, prejuízo ao Erário ou embaraço à fiscalização. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. Inconformada com a decisão acima, a contribuinte apresenta recurso, destacando em apertada síntese: Em sede preliminar, alega: 1) ser parte ilegítima para figurar no pólo passivo da demanda, afirma ainda ser apenas mandatária do transportador e que por isso não seria responsável por eventuais erros cometidos por este, completando, que cabe a ela o ônus de responder por eventuais atrasos nos registros de DDE´s junto a Siscomex; 2) Ser descabida a multa, em razão da configuração de denúncia espontânea no ato de registro das DDE’s, fundamentando tal entendimento através da nova redação dada pela lei 12.350/2010 ao Art. 102 do Decreto Lei 37/1966 e acostando julgados sobre o tema; e 3) Ter havido, cerceamento do direito de defesa, em virtude de nulidades insanáveis, afirmando que a fiscalização valeuse de planilha e deixou de mencionar no corpo da autuação quais DDE’s supostamente teriam sido vinculadas com atraso. Já no mérito, a recorrente afirma que: Fl. 440DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 6 1) À época, inexistiam prazos expressos para alguma das infrações imputadas, nesse sentido atesta que, somente com a edição da IN SRF n.º 510, de 14/02/2005, é que o artigo 37 passou a indicar prazo de 07 (sete) dias para registro no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque marítimo, em continuidade alega que o artigo 37 da IN SRF n.º 28/94, donde a autoridade fiscal pretende imputar a multa, não especifica a existência de nenhum prazo, mas tão somente a expressão “imediatamente após”, que ao seu entender é um conceito indeterminado e por isso, abarcaria prazos superiores a 07 (sete) dias; 2) não estaria vinculada ao prazo de 07 (sete) dias, para o registro das DDE’s, posto que as informações relativas ao embarque no Siscomex só poderiam ser levadas a efeito, no momento em que o transportador efetuasse o registro da respectiva declaração de exportação, nesse sentido de maneira analógica ao prazo dado ao exportador, consolidado pela IN 98/2004, que é superior aos 07 (sete) dias, entende que o prazo ora guerredo, seria incompatível com a atividade desenvolvida e que portanto, a regra insculpida no artigo 37, §2º da IN 28/94, deveria ter a aplicação afastada no referido caso; 3) houveram registros de DDE’s no Siscomex, que foram considerado intempestivos, mesmo tendo sido realizados no prazo de 07 (sete) dias úteis, destacando o lançamento com a data de embarque e o respectivo registro (fl.385); 4) diversas multas foram aplicadas em duplicidade, por entender que a multa deve ser aplicada por navio/viagem, independentemente da quantidade de DDE’s que supostamente foram registradas com atraso na Siscomex, listando os supostos lançamentos em duplicidada nas Fls. 386 e 387, nesse sentido, entende que deve ser excluída as multas das embarcações que já foram objeto dos autos de infração relacionado aos processos administrativos n.ºs 11128.005272/200922; 10909.006898/200815 e 11128.005669/200914; 5) a fiscalização não promoveu qualquer ação positiva afim de buscar as informações pertinentes à sua atividade de controle e portanto não teria incidido a alínea “c” do inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei 37/66, a qual dispões sobre a existência de embaraço a fiscalização; 6) as multas que a Autoridade Fiscal pretende aplicar, ofendem os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, atinentes a administração pública, presentes no artigo 2º, da Lei 9.784/99, alegando que todos os registros de dados de embarque teriam sido realizados; e 7) Por fim, requer a reforma integral do v. Acórdão ora recorrido, bem como seja julgado totalmente improcedente o lançamento objeto do processo administrativo n.º 10909.004513/200966 e de maneira subsidiária, caso não seja acolhido tal pleito, seja julgado parcialmente procedente, afastando as multas aplicadas em duplicidade. É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Fl. 441DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 10909.004513/200966 Acórdão n.º 3102002.039 S3C1T2 Fl. 5 7 Conheço do presente recurso por ser tempestivo e tratar de matéria de competência da terceira sessão. Ilegitimidade Passiva O Recorrente, no escopo de seu Recurso Voluntário ora em análise, tratou de salientar e, pois, diferenciar a função e poderes concernentes ao Agente Marítimo. Neste entendimento, fundamentou que o agente marítimo não executa tampouco responde pelos negócios praticados por seu mandante. Assim sendo, ressalta que, apesar de ter assinado um Termo de Responsabilidade para com o mandante, não responde pelo pagamento do tributo em face do princípio da reserva legal, elencando, para tanto, jurisprudências e doutrinas atinentes à referida ausência de responsabilidade. Desse modo, o Recorrente arguiu sua ilegitimidade. Ocorre, entretanto, que o Decretolei nº 37/66 dispõe e atribui, em observância ao art. 32, a responsabilidade tributária ao representante assim disciplina: Art . 32. É responsável pelo imposto: I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incubida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. Parágrafo único. É responsável solidário: I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; II o representante, no País, do transportador estrangeiro; III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. Ora, expressa é a disposição deste diploma legal acerca da responsabilidade solidária do Recorrente, na qualidade de representante, para com o transportador estrangeiro. Neste entendimento já se pronunciou este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II Data do fato gerador: 05/04/2005 Fl. 442DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 8 VISTORIA ADUANEIRA. Extravio de Mercadoria Responsabilidade do Transportador. A responsabilidade pelos tributos apurados em relação ao extravio de mercadoria ocorrida durante o transporte será do representante do transportador estrangeiro, por expressa determinação legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Data do fato gerador: 05/04/2005 ILEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o Agente Consolidador / Desconsolidador /Marítimo, no caso de também ser o representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, com relação à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. Recurso Voluntário Negado. 1 Pelas razões acima, rejeitase a preliminar arguida. Nulidade – Cerceamento do direito de defesa. Defende a recorrente que houve cerceamento do direito de defesa, sob argumento de que a fiscalização não mencionou na autuação, quais DDE’s teriam sido apresentada em atraso. Apesar de não ser uma regra taxativa, é oportuno esclarece que o art.59 do Decreto nº 70.235, de 1972 estabelece que hipóteses acarretam a nulidade do procedimento, são elas: 1) cerceamento do direito de defesa e 2) incompetência do agente, as quais não se identificam no presente caso. Sobre o tema, a jurisprudência dos extintos Conselhos de Contribuintes e do próprio CARF vem entendo que em casos análogos, que não há nulidade do lançamento quando não ocorra prejuízo a defesa, o que resta configurado, pois é possível identificar que houve a correta compreensão da acusação fiscal pelo autuado. Compulsando os autos, identificase na planilha às fls. 06/07 todos os dados de embarque que foram registrados com seus respectivos números, identificando ainda as respectivas datas, para assim fundamentar a autuação. Percebese que não resta caracterizado o cerceamento do direito de defesa, razão pela qual é rejeitada a preliminar arguida. Denúncia Espontânea Como demonstrado foi lavrado contra a recorrente auto de infração visando a exigência da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, ao ser identificado que a recorrente realizou em atraso o registro dos dados de embarque no siscomex. Entretanto, argumenta a recorrente que teria realizado o registro das declarações de exportação antes do lançamento, e, portanto, deveria ser afastada a penalidade em atenção a denúncia espontânea. 1 CARF 3ª Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 1ª Turma Ordinária Acórdão nº 310100445 do Processo 11128003841200571 Fl. 443DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 10909.004513/200966 Acórdão n.º 3102002.039 S3C1T2 Fl. 6 9 No caso em liça, de acordo com a planilha de fls 06/07, todos os 47(quarenta e sete) dados de embargos foram realizados após o prazo de 07(sete) dias do envio da mercadoria, sendo o menor período de 08(oito) dias e o maior de 206(duzentos e seis) dias, enquanto último ocorreu em 26/12/2005, acontece que a recorrente apenas foi regularmente intimada do lançamento em 24/11/2009, o que motiva e fundamenta o pedido de reconhecimento da denúncia espontânea, por ser tratar de obrigação acessória. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 1382 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Até a edição da lei nº 12.350/2010 a caracterização da denuncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo, assim não eram alcançadas pelo art. 138 do CTN, porém com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: "Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento." Como no caso dos autos os dados de embarque foram apresentados antes de qualquer procedimento de fiscalização, deve ser observado o art. 106 do CTN, em atenção a retroatividade benigna, afastando assim a penalidade ora discutida. A legislação tributária de forma precípua, trata da vigência das leis sempre com visão de aplicação futura, ou seja, a eficácia da lei se faz sentir a partir da sua existência no mundo jurídico. Entretanto, em algumas situações quis o legislador criar exceções a regra 2 Código Tributário Nacional Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 10 geral, atribuindo a legislação tributária, o que se convencionou chamar de retroatividade benigna. As exceções estão previstas no artigo 1063 do CTN. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso voluntário, aplicando a retroatividade benigna para excluir a penalidade aplicada em razão da denúncia espontânea. Ausência de prazo para comunicação de embarque. Superada a questão acima, passase analisar o argumento de que para algumas infrações lançadas, afastase a penalidade imposta, pois até a edição da IN SRF nº 510/2005, não havia prazo especifico para o registro de mercadoria, já que a SRF nº 28/94 assim disciplinava: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Já a partir de 15/02/2005, com a redação dada pela IN SRF nº 510/2005 a redação passou a definir o prazo de comunicação em 02(dois) dias, o que apenas veio ser alterado a parti da IN nº 1.096/2010, que estendeu o prazo para 07(sete) dias. Percebese portanto que antes 15/02/2005, não havia norma estabelecendo prazo para comunicação do embarque, pois a expressão “imediatamente” é indeterminada, assim observando que na planilha de fls. 06/07 constam 08(oito) embarque realizados antes de 15/02/2005, e como nenhum deles corresponde ao lançamento em duplicidade identificado pela DRJ, julgo parcialmente procedente o recurso para excluir a penalidade imposta pela omissão da comunicação dos embarque realizados antes 15/02/2005. Sala de sessões 25 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. 3 CTN Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Fl. 445DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 10909.004513/200966 Acórdão n.º 3102002.039 S3C1T2 Fl. 7 11 Aqui será analisada apenas a matéria concernente à denúncia espontânea da infração, questão que se ousa discordar, com a devida vênia, do entendimento esposado pelo i. Relator. Alegou a recorrente que, no caso em tela, era incabível a aplicação penalidade aplicada na autuação em comento, sob o argumento de que as informações sobre a carga transportada e vinculação de manifesto à escala, após a atracação dos navios, fora feita a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que configurava denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966. Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o preceito legal específico da infração à legislação aduaneira, previsto no art. 102 do Decreto lei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 12 No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em Fl. 447DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 10909.004513/200966 Acórdão n.º 3102002.039 S3C1T2 Fl. 8 13 hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Da mesma forma, em situação análoga, relacionada ao descumprimento de obrigação acessória de natureza tributária, caracterizada pelo atraso na entrega de declaração, a jurisprudência deste E. Conselho firmou o entendimento no sentido da inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, nos termos do enunciado da Súmula Carf nº 49, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No mesmo sentido, tem se firmado a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme enunciado da ementa a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DCTF. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. I A inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária. De acordo com a moldura fática delineada no acórdão recorrido, deixou a agravante de cumprir obrigação acessória, razão pela qual não se aplica o benefício da denúncia espontânea e não se exclui a multa moratória. "As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN" (AgRg no AG nº 490.441/PR, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ de 21/06/2004, p. 164). II Agravo regimental improvido. (STJ, ADRESP 885259/MG, Primeira Turma, Rel. Min Francisco Falcão, pub. no DJU de 12/04/2007). Portanto, segundo o entendimento do STJ, o cumprimento extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória configura infração formal, não passível do benefício do instituto da denúncia espontânea da infração, previsto no art. 138 do CTN, por se tratar de responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Com esse mesmo entendimento, existem vários julgados do e. Tribunal Superior em que foi declarada a impossibilidade de aplicação dos benefícios da denúncia espontânea aos casos em que configurada a infração por atraso na entrega da declaração (DCTF, DIPJ etc). Com base nessas considerações, fica demonstrado que o efeito da denúncia espontânea da infração, previstos no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, não se aplica às infrações aduaneiras de natureza acessória, caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, em especial, a infração por informação extemporânea da carga descarregada em porto alfandegado do País, objeto da presente autuação. Por todo o exposto, votase por afastar as alegações de denúncia espontânea, dando parcial provimento ao recurso, afastandose apenas as multas sobre embarques anteriores a 15/02/2005. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 14 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 449DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
score : 1.0
