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Numero do processo: 15889.000686/2007-42
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2003
NULIDADE.
O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO
COMPROVADA.
Caracteriza omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA.
Caracteriza-se como omissão no registro de receita a indicação na
escrituração de saldo credor de caixa, ressalvada à Recorrente a prova da improcedência da presunção
INEXATIDÕES MATERIAIS.
As meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL.
Tratando-se de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-000.593
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, em afastar as nulidade suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 NULIDADE. O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. Caracteriza-se como omissão no registro de receita a indicação na escrituração de saldo credor de caixa, ressalvada à Recorrente a prova da improcedência da presunção INEXATIDÕES MATERIAIS. As meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL. Tratando-se de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ.
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O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. Caracterizase como omissão no registro de receita a indicação na escrituração de saldo credor de caixa, ressalvada à Recorrente a prova da improcedência da presunção INEXATIDÕES MATERIAIS. As meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL. Tratandose de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000686/200742 Acórdão n.º 180100.593 S1TE01 Fl. 1.100 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, em afastar as nulidade suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 05/10 e 19/21, com a exigência do crédito tributário no valor de R$109.047,78, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido do anocalendário de 2002. O lançamento se fundamenta nas infrações que se seguem, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 11/18: Item 1 – Omissão de receitas constatada em razão da apuração do saldo credor de caixa pela não comprovação do suprimento de numerário, ou seja, da efetiva entrega e da origem dos recursos dos sócios Ricardo Franceschi, CPF 130.596.26804 e Eduardo Odilon Franceschi, CPF 983.132.40806, no valor total anual de R$834.056,48; Item 2 – Omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, em relação aos quais os titulares, sócios Ricardo Franceschi, CPF 130.596.26804 e Eduardo Odilon Franceschi, CPF 983.132.40806, regularmente intimados, não comprovaram a origem dos recursos utilizados nessas operações mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores na conta corrente nº 83147098 da agência nº 00010 do Banco Santander S/A com movimentação exclusiva da Recorrente e contabilizada no Livro Razão no valor total anual de R$377.095,79. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 25 e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 528 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000686/200742 Acórdão n.º 180100.593 S1TE01 Fl. 1.101 3 Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 22/31 com a exigência do crédito tributário no valor de R$20.494,37 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, art. 2º e art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e inciso I do art. 2º, inciso I do art. 8º e art. 9º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, bem como parágrafo único, alínea “a” do inciso I do art. 2º, parágrafo único do art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. III – O Auto de Infração às fls. 32/41 com a exigência do crédito tributário no valor de R$94.590,26 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 2º, art. 3º e art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, Medida Provisória nº 1.858, de 24 de setembro de 1999, e Medida Provisória 1.807, de 25 de fevereiro de 1999 e parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. IV – O Auto de Infração às fls. 42/50 a exigência do crédito tributário no valor de R$33.833,41 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 19 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 6º da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999. Cientificada em 21/12/2007, fls. 06, 12, 33 e 43, a Recorrente apresentou a impugnação em 21/01/2008, fls. 922/944, com as alegações abaixo sintetizadas. Argúi que os lançamentos são nulos, já que não foram considerados vários documentos apresentados. Alega que indícios e presunções não podem ser considerados evidências da realidade e que no presente caso cabe à Administração Pública o ônus da prova e não poderia deixar de examinar minuciosamente todo o acervo probatório apresentado. Em relação ao aspecto material da hipótese de incidência, diz que se dedica à prestação de serviços de transporte de cargas e intermediação de negócios, ou seja, revenda de álcool para postos de combustíveis. Por conseguinte, emite nota fiscal de prestação de serviços de comissão e conhecimento de transportes. Aduz que recebe os valores referentes a outras entregas efetuadas pela distribuidora aos postos de combustíveis, efetua compensação dos valores cobrados e repassa valores para a aquisição de novos produtos diretamente a distribuidoras. Expõe que Ricardo Franceschi e Eduardo Odilon Franceschi utilizavam suas contas bancárias particulares para efetuar a referida compensação mesmo posteriormente à sua constituição e todas as operações foram contabilizados. Procura demonstrar que Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000686/200742 Acórdão n.º 180100.593 S1TE01 Fl. 1.102 4 A cada período eram feitos os relatórios de prestação de contas e efetuado acerto com as distribuidoras. Pautada em contratos firmados com as distribuidoras de combustíveis, devidamente apresentados ao fisco, a empresa efetuava a retirada do combustível, devidamente acompanhada da documentação fiscal e conhecimento de transporte e entregava em postos de combustíveis referenciados nas notas. Também restou comprovado documentalmente que a recorrente e seus sócios possuíam autorização dos terceiros em comento para efetuar o recebimento de valores dos postos para, posteriormente, retirar a remuneração pelos serviços prestados e repassar os valores remanescentes diretamente à distribuidora ou a quem a mesma indicasse, caso em que os valores eram geralmente para pagamento de combustíveis adquiridos pela distribuidora das usinas. [...] É de se ressaltar, ademais, que alguns valores encontrados nas planilhas são impossíveis de "casar", ou seja, conciliar com outras informações, porque geraram pequenas diferenças justamente em razão dos repasses dos valores recebidos dos postos de combustíveis e que eram efetuados a terceiros distribuidoras ou a quem as mesmas indicassem, geralmente seus fornecedores. Mas, é importante frisar que essas diferenças não descaracterizam de forma alguma as alegações do autuado quanto a forma de serem efetuadas as operações, pois conforme consta dos contratos, havia diferenças nos valores e percentuais dos fretes, o que justifica a divergência. Explica que os valores os quais não era titular da propriedade não podem ser considerados aquisição ou disponibilidade da renda. Suscita efetuava saques de dinheiro em espécie para as despesas com pessoal. Esclarece que vários valores constantes em conta corrente pertenciam a terceiros que posteriormente eram repassados. Argumenta que “os terceiros envolvidos nas operações em questão ao emitirem as notas fiscais, efetivamente tinham que declarar tais valores como renda”. Informa que há erros na base de cálculo apurada de ofício. Expressa que Analisando as planilhas que integram o auto é possível verificar que no item 5.2.3. houve utilização do rateio proporcionalmente às receitas. Essa operação onerou parte do saldo em 32% na apuração da comissão, enquanto que a tributação do frete é de 8%. Na planilha EXCLUSÕES DA CONTA CAIXA HISTÓRICO BANCÁRIO DEMONSTRA OUTRA DESTINAÇÃO, verificase que os cheques com histórico "CHEQUE PGTO" foram excluídos da conta caixa, mas ocorre que este histórico é de cheque sacado na boca do caixa, portanto entrou na conta caixa. Outro erro consta da planilha EXCLUSÕES DA CONTA CAIXA HISTÓRICO BANCÁRIO DEMONSTRA OUTRA DESTINAÇÃO, verificase que os cheques com histórico "CHEQUE CAIXA" foram excluídos da conta caixa, no entanto, este histórico também referese a cheques que foram sacados na boca do caixa, cujos valores efetivamente ingressaram na conta caixa. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000686/200742 Acórdão n.º 180100.593 S1TE01 Fl. 1.103 5 [...] Apenas esses fatos, dentre muitos outros cujas conseqüências poderão ser semelhantes, são suficientes para concluirse que o levantamento levado a efeito foi incorreto. Pertinente ao excesso de exação, estabelece que Ora, se houve consideração de valores que, na verdade, não configuram renda da autuada, se houve inclusão de valores que seriam renda de terceiros e que já teriam sofrido incidência de tributos, ou seja, se houve apuração da base de cálculo, redundando em aumento significativo desta, claro está que o fisco está cobrando mais do que efetivamente o contribuinte deveria recolher. Evidente o excesso de exação. Discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic.e da aplicação da multa de ofício proporcional. Com o objetivo de fundamentar seus argumentos interpreta a legislação que rege a questão litigiosa, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e cita entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Assim, pelos fundamentos de fato e de direito constantes do presente recurso, REQUER : A Provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, inclusive através da oitiva de testemunhas, e outros desde que moralmente legítimos, requerendo, desde já, a juntada dos documentos inclusos. B Cancelamento do Auto de infração. C Suspensão da exigibilidade do crédito tributário em referência até decisão final. Pelo exposto, aguarda o recorrente sejam acolhidos os fundamentos e os pedidos supra declinados, acolhendo "in totum" as alegações e razões elaboradas, sendo reconsiderada a cobrança e a exigibilidade em pauta. Termos em que, P.Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1425.989, de 03/09/2009, fls. 1.059/1.071: “Impugnação Procedente em Parte”, oportunidade em que foi reconhecida a decadência dos primeiro, segundo e terceiro trimestres do anocalendário de 2002 do IRPJ e da CSLL e de janeiro a novembro do anocalendário de 2002 do Pis e da Cofins. Restou ementado Fl. 5DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000686/200742 Acórdão n.º 180100.593 S1TE01 Fl. 1.104 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Exercício: 2002 DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. OMISSÃO DE RECEITA. RESULTADO. ARBITRAMENTO. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. Caracteriza omissão de receita decorrente de presunção legal a ausência de comprovação da origem de depósitos mantidos em conta corrente bancária, bem assim do trânsito por conta de resultado, cujas importâncias dão ensejo ao arbitramento do lucro se existirem vícios ou deficiências nos registros contábeis que tornem a escrituração imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira e bancária. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de renda (fato jurídico tributário). Cabe ao Fisco apenas provar a ocorrência do fato indiciário; ao contribuinte cumpre provar que o fato presumido inexistiu na situação concreta. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente, não sendo da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. Inexiste ilegalidade na aplicação da taxa Selic, porquanto o Código Tributário Nacional (art. 161, § 1 0) outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Não é da competência da instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL. PIS. COFINS [...]. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e/ou contribuições que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos processos decorrentes. Decadência. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. MARCO INICIAL DE CONTAGEM DO PRAZO. A sistemática de lançamento denominada por homologação exige o pagamento antecipado do tributo, de modo a incidir o beneficio (para o contribuinte) da antecipação do início da contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador, Fl. 6DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000686/200742 Acórdão n.º 180100.593 S1TE01 Fl. 1.105 7 assim previsto no § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, bem assim a inocorrência das hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Presentes ditas premissas, reconhecese o fenômeno decadencial. Notificada em 07/12/2009, fl. 1.080, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 06/01/2010, fls. 1.081/1.092, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Conclui Assim sendo, REITERASE "in totum os termos da defesa, pelos fundamentos de fato e de direito constantes da mesma e REQUERSE, seja REFORMADA a DECISÃO DRJ/RPO N° 14.25.989 em 03/09/2009, para que seja ANULADO totalmente o Auto de Infração — MPF n. 08.1.03.002007000191. Termos em que, P. Deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A parcela litigiosa devolvida para reexame nesta segunda instância de julgamento, referese ao quarto trimestre do anocalendário de 2002 do IRPJ e da CSLL e de dezembro do anocalendário de 2002 do Pis e da Cofins. Pertinente à suspensão da exigibilidade dos presentes débitos, cabe transcrever a matéria regulada no Código Tributário Nacional (CTN): Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: [...] III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Verificase que como a Recorrente apresentou o recurso voluntário observando os requisitos legais, o crédito tributário constituído pelo lançamento está com a exigibilidade suspensa, nos termos das leis reguladoras do processo administrativo fiscal. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos e que houve excesso de exação. Os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente que Fl. 7DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000686/200742 Acórdão n.º 180100.593 S1TE01 Fl. 1.106 8 regularmente intimou a Recorrente para cumprilos ou impugnálos no prazo legal. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Foi oferecida à interessada a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a peça de defesa acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes. Ademais, o enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e a indicação dos enquadramentos legais não propiciam a nulidade do ato em litígio. Com referência ao dever de lançar, esclareçase que a autoridade administrativa possuindo competência privativa efetuou o lançamento, cuja atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art 142 do Código Tributário Nacional). Ademais, a Recorrente que fez opção pela tributação com base no lucro presumido devendo determinar a base de cálculo dos tributos aplicando o coeficiente sobre a receita bruta total auferida no período de apuração (art. 519 e seguintes do RIR, de 1999). A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia e ainda os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos obtidos em aplicações financeiras, as demais receitas, os resultados positivos e valores recuperados correspondentes a custos e despesas. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. A Recorrente deve manter a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, que faz prova em seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis e idôneos, inclusive o Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária. A Recorrente foi previamente notificada do procedimento mediante a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal, fls. 01/03 e 52/53, do Termo de Início de Fiscalização, fl. 51, do Termo de Prosseguimento da Ação Fiscal, fl. 226, dos Termos de Intimação Fiscal, fls. 228/229, 679/680, 686/688, 690/691, 693/694, 701/702, 704, e finalizou em 21/12/2007 com a ciência válida dos Autos de Infração, fls. 06, 12, 33 e 43. Nestes termos, mostrase infundada a alegação da Recorrente de a autoridade fiscal não havia apreciado a documentação apresentada. No presente caso o servidor competente verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal (art. 10 e art. 14 do Decreto 70.235, de 1972). No exercício da função pública, a autoridade administrativa corretamente lavrou os Autos de Infração com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. Foram asseguradas à Recorrente as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil CR e Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Logo, não lhe cabe razão. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A legislação pertinente ao processo administrativo fiscal estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. A Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência, embora tenha sido previamente notificada para solucionar as pendências tributárias. Assim, a realização desses meios probantes é prescindível, Fl. 8DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000686/200742 Acórdão n.º 180100.593 S1TE01 Fl. 1.107 9 uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas e os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Assim, a solicitação deve ser indeferida. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. No que se refere omissão de receita decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, a Lei nº 9.430, de 1997, prevê: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; [...] § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. O art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, positiva que, por presunção relativa, constitui omissão de receita os valores dos depósitos bancários de origem não comprovada. É regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da escrituração contábil da Recorrente, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre estes valores. Constatada a disparidade não justificada a origem dos depósitos bancários pela Recorrente, é lícito proceder ao lançamento por presunção de receita omitida. Ainda em relação à matéria, vale transcrever o enunciado de súmula do CARF n° 26, a qual é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria n° 256, de 22 de Fl. 9DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000686/200742 Acórdão n.º 180100.593 S1TE01 Fl. 1.108 10 junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF) que prevê: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Restou comprovado mediante a análise dos Contratos, fls. 657/677 que a Recorrente, além de exercer atividade de agenciamento de frete, presta serviços de representação comercial nas vendas de combustíveis, cuja comissão de 1% (um por cento) incide sobre o valor do negócio jurídico ou R$ 0,005 por litro comercializado. Anualmente, na conta corrente nº 83147098 da agência nº 00010 do Banco Santander S/A, de titularidade dos sócios Ricardo Franceschi, CPF 130.596.26804 e Eduardo Odilon Franceschi, CPF 983.132.40806, cujos valores são contabilizados pela Recorrente, os recebimentos dos postos de combustíveis somam do valor de R$11.303.712,78. Confrontando este valor com o montante de R$11.680.808,57 de depósitos não conciliados, fls. 751/807, recebidos das distribuidoras (Fórmula Brasil Petróleo Ltda, Gianpetro Distribuidora de Petróleo Ltda, Oil Petro Brasileira Ltda e Serta Distribuidora de Petróleo Ltda), remanesce o saldo anual de R$377.095,79 considerado como omissão de receita: Tabela 1 AnoCalendário 2002 Total da Receita Omitida – R$ Receita Omitida de Comissão – R$ Receita Omitida de Frete – R$ Janeiro 24.903,65 8.149,43 16.754,22 Fevereiro 21.613,85 9.791,02 11.822,83 Março 20.891,66 8.870,88 12.020,79 Abril 26.107,63 12.448,49 13.659,13 Maio 27.629,19 13.314,81 14.314,38 Junho 24.629,53 11.493,66 13.135,87 Julho 26.434,54 11.916,13 14.518,40 Agosto 26.117,81 12.160,10 13.957,72 Setembro 31.084,61 12.961,59 18.123,02 Outubro 42.055,77 18.326,43 23.729,34 Novembro 44.536,17 20.362,47 24.173,70 Dezembro 61.091,39 25.365,30 35.726,09 Total 377.095,79 165.160,31 211.935,49 Em relação à omissão de receita decorrente de saldo credor de caixa, o RIR, de 1999, determina: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; Fl. 10DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000686/200742 Acórdão n.º 180100.593 S1TE01 Fl. 1.109 11 II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §3º, e DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II). Caracterizase como omissão no registro de receita a indicação na escrituração de saldo credor de caixa, ressalvada à Recorrente a prova da improcedência da presunção, que é o efeito que a lei deduz de fato conhecido ou indício, para estabelecer por inferência a existência de outro. O intuito da norma é coibir a existência de recursos que transitam à margem da escrituração contábil da Recorrente e o suprimento da conta Caixa para satisfazer os dispêndios desta. Destarte, sem a comprovação efetiva de que este suposto empréstimo adveio de origem totalmente externa à Recorrente, quando se trata de pessoas ligadas por meio de comprovantes bancários da transferência de valores e não se logrando comprovar que a origem dos recursos é diverso daquele escriturado, não se ilide a tributação erguida com fulcro neste remissivo legal (art. 282 do RIR, de 1999). É correto procedimento de verificação de saldo credor mediante a recomposição da conta Caixa. Se a Recorrente não afasta a apuração de saldo credor de caixa, não obstante as oportunidades deferidas, subsiste incólume a presunção de receitas omitidas. Para que se possa comprovar o saldo credor de caixa, caracterizador da omissão de receita há que se efetuar a recomposição do mesmo, excluindo os valores que não representem efetivo ingresso ou saída de numerário. Vale transcrever excertos da jurisprudência administrativa sobre a questão 1: Autoridade Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 1ª Turma Ordinária Título Acórdão nº 120100127 do Processo 10580008975200226 Data 19/06/2009 Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE CAIXA. Somente infirmam a presunção de omissão de receitas do suprimento de caixa efetuado por sócios as provas concomitantes da origem dos recursos utilizados e da efetividade de sua entrega à pessoa jurídica. A ausência tãosomente de apenas uma delas já é o bastante suficiente para autorizar a presunção legal de omissão de receias. Não elide tãosomente essa omissão de receitas se o supridor comprovar apenas a efetiva entrega do dinheiro e não comprovar a origem externa à empresa destes mesmos valores.OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. A ocorrência de saldo credor de caixa na escrituração autoriza a presunção de omissão no registro de receitas se o 1 Fonte: http://www.lexml.gov.br/busca/search?keyword=saldo+credor+de+caixa+2009; acesso em 02/05/2011 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000686/200742 Acórdão n.º 180100.593 S1TE01 Fl. 1.110 12 sujeito passivo não apresenta provas para elidir a respectiva imputação. [...] Autoridade Primeiro Conselho de Contribuintes. 8ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 10809836 do Processo 13971000359200645 Data 05/02/2009 Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidas junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.SALDO CREDOR DE CAIXA. SUPRIMENTOS DE CAIXA INEXISTENTES. OMISSÃO DE RECEITAS. A apuração de saldo credor de caixa, em razão do expurgo do registro de suprimentos não comprovados, autoriza a presunção de omissão de receitas, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. Constatouse que a Recorrente adota a seguinte sistemática de registro contábil, fls. 15/16: 1) cheques prédatados recebidos dos postos de combustíveis na venda de combustíveis que não representava a efetiva transferência de recursos: Débito = Banco Santander — conta sócios (101.0050) Crédito = Caixa (100.0055) (cf fechamento recebiment) Simultaneamente, Débito = Caixa (100.0055) Crédito = Distribuidoras (Passivo — 242.0XXX) (cf relat.vencimentos) 2) cheques emitidos para as distribuidoras de combustíveis: Débito = Conta dos Sócios (Ativo — 143.00XX) Crédito = Banco Santander — conta sócios (101.0050) (Numerário cedido) Ou Débito = Distribuidoras (Passivo 242.0XXX) Crédito = Banco Santander — conta sócios (101.0050) (numerário cedido) 3) comissões recebidas das distribuidoras de combustíveis: Fl. 12DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000686/200742 Acórdão n.º 180100.593 S1TE01 Fl. 1.111 13 Débito = Distribuidoras (Passivo 242.0XXX) Crédito = Serviços Prestados (Receita — 302.00XX) (relat.prest contas) 4) fretes recebidos das distribuidoras de combustíveis: Débito = Distribuidoras (Passivo 242.0XXX) Crédito = Serviços de TransporteFrete (Receita) (relat. prest contas) A Recorrente foi intimada a comprovar o efetivo ingresso de valores contabilizados a débito da conta caixa e comprovar a efetiva destinação dada aos mesmos, uma vez que restou evidenciada a ausência de pagamentos correspondentes registrados a crédito da conta caixa e os históricos bancários dos respectivos débitos presumirem outra destinação, fls. 693/698. Concomitantemente, os sócios Ricardo Franceschi, CPF 130.596.26804 e Eduardo Odilon Franceschi, CPF 983.132.40806, foram intimados a comprovar a origem e efetiva entrega dos valores mencionados e contabilizados pela Recorrente, fls. 701/705. Os valores constantes na conta caixa se encontram discriminados na planilha às fls. 850/866. A Recorrente diz que há valores que foram sacados e que efetivamente deveriam constar como ingressos na conta caixa. Diferentemente de sua alegação, houve exclusão de todos os lançamentos a débito e a crédito, cujos históricos demonstram que não representam efetivo ingresso ou saída de valores, conforme os demonstrativos às fls. 868/887, remanescendo o saldo anual de R$834.056,48 considerado como omissão de receita: Tabela 2 AnoCalendário 2002 Total da Receita Omitida – R$ Receita Omitida de Comissão – R$ Receita Omitida de Frete – R$ Janeiro 74.383,30 24.341,05 50.042,25 Fevereiro 88.846,44 40.247,21 48.599,23 Março 85.604,99 36.349,01 49.255,98 Abril 180.847,38 86.230,65 94.616,73 Maio 24.773,17 11.938,46 12.834,71 Junho 25.000,00 11.666,55 13.333,45 Julho 35.302,16 15.913,47 19.388,69 Agosto 37.700,50 17.552,84 20.147,66 Setembro 95.336,96 39.753,39 55.583,57 Outubro 95.696,84 41.701,33 53.995,51 Novembro 8.088,14 3.697,99 4.390,15 Dezembro 82.476,60 34.244,49 48.232,11 Total 834.056,48 363.636,44 470.420,04 Todos os valores constantes nas Tabelas 1 e 2 foram considerados como omissão de receita da Recorrente em decorrência desta presunção legal que inverte o ônus da prova, ou seja, a autoridade fiscal fica desobrigada de comprovar a ocorrência do fato gerador Fl. 13DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000686/200742 Acórdão n.º 180100.593 S1TE01 Fl. 1.112 14 da obrigação tributária, cabendo à Recorrente desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida, o que não ocorreu nos autos. As referidas presunções legais são resultado de normas com os atributos de serem abstratas, gerais, imperativas e impessoais. As provas do ilícito tributário constante nos autos foram exaustivamente analisadas pelas autoridades fiscais. Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente não juntou novas provas aos autos mediante documentos hábeis e idôneos que demonstrem qualquer incorreção nos Autos de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 05/50. As meras alegações da Recorrente desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento, tendo em vista que as provas já constantes nos autos constituem um conjunto probatório robusto de que os lançamentos de ofício não contêm incorreções. Logo, não cabem reparos aos procedimentos fiscais. Observese que permanece inalterada a parcela litigiosa devolvida para reexame nesta segunda instância de julgamento, referente ao quarto trimestre do anocalendário de 2002 do IRPJ e da CSLL e de dezembro do anocalendário de 2002 do Pis e da Cofins. A Recorrente se insurge contra a aplicação da multa de ofício proporcional. As multas tributárias se fundamentam no interesse público e têm como pressuposto a prática de infração especificada e ainda como função a sanção pelo descumprimento de obrigação legal. As leis pertinentes à matéria são editadas com base nos princípios constitucionais, entre eles, os da legalidade e da tipicidade (art. 150 da Constituição da República). Ademais, a exclusão da multa ou a sua redução somente ocorrem com suporte na legislação tributária. A Lei nº 9.430, de 1996, orienta expressamente no seguinte sentido: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; De acordo com o princípio da legalidade (art. 37 da Constituição da República) deve prevalecer a multa de ofício proporcional no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) incidente sobre o tributo lançado do ofício em decorrência de infração à legislação tributária. Assim, não cabem reparos ao lançamento. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic. Pelo fato desse argumento, o Código Tributário Nacional determina: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000686/200742 Acórdão n.º 180100.593 S1TE01 Fl. 1.113 15 A Lei nº 9.430, de 1996, prevê: Art.5º [...] §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e CustódiaSELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. [...] Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Aplicando a legislação de regência ao presente caso, verificase que como a Recorrente não procedeu ao pagamento do crédito tributário até a data do vencimento, deve fazêlo acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic. Consta no Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, têm aplicação os entendimentos do STJ e do STJ em decisões definitivas de mérito proferidas em repercussão geral e em recurso repetitivo, respectivamente, cujas matérias vinculam esta segunda instância de julgamento. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000686/200742 Acórdão n.º 180100.593 S1TE01 Fl. 1.114 16 Em relação à matéria, cabe mencionar a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ proferida em recurso especial representativo da controvérsia, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09/09/20092: RECURSO ESPECIAL Nº 1.111.175 SP (2009/00188256) RELATORA : MINISTRA DENISE ARRUDA RECORRENTE : SOFT SPUMA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ADVOGADO: WALDEMAR CURY MALULY JUNIOR E OUTRO(S) RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. Ainda em relação à matéria, vale transcrever os enunciados de súmulas do CARF n°s 4 e 5, as quais são de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF) que prevêem: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. [...] 2 Fonte: https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=5338305&sReg=200900188256 &sData=20090701&sTipo=5&formato=PDF, acesso em 16/04/2011. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15889.000686/200742 Acórdão n.º 180100.593 S1TE01 Fl. 1.115 17 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Cabe ressaltar o crédito tributário da União constituído não pago até a data do vencimento é acrescido de juros de mora equivalentes à Selic para títulos federais. Por conseguinte, os lançamentos estão corretos. No que se refere à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e que assim determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Atinente ao PIS, à Cofins e à CSLL, tratandose de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ. Em face do exposto, em preliminar, por afastar as nulidade suscitadas e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 17DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 10166.720101/2008-27
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72
Numero da decisão: 1802-000.958
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marco Antonio Nunes Castilho e Marcelo Baeta Ippolito. O conselheiro Nelso Kichel declarouse impedido de votar por haver participado da decisão de primeira instância. Ausente justificadamente o conselheiro André Almeida Blanco. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório S.A ATACADISTA DE ALIMENTOS, já qualificada nos autos do processo, recorre a este colegiado da decisão de primeira instância, que julgou procedentes os lançamentos constantes dos Autos de Infração, fls.88/99, abaixo relacionados, e manteve o seguinte crédito tributário, relativo ao ano calendário de 2006: Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (Lucro Real) no valor principal de R$ 222.019,14, acrescido de multa de 75% e juros de mora calculados até 31/10/2008, totalizando R$ 433.733,10; Contribuição Social CSLL no valor principal de R$ 133.211,48, acrescido de multa de 75% e juros de mora calculados até 31/10/2008, totalizando R$ 260.263,85. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal e o Termo de Verificação Fiscal que faz parte integrante dos autos de infração, os lançamentos de ofício decorrem da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL que não foram declarados. A 2a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Brasília/DF) julgou procedentes os lançamentos conforme decisão proferida no Acórdão nº 0334.965, de 21/12/2009. O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 05/03/2010 conforme o Aviso de Recebimento (AR), interpôs recurso ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 16/04/2010. Em sua peça recursal a recorrente argúi, essencialmente, CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. Diz que o auto de infração acompanha um singelo quadro demonstrativo, supostamente calcado em efeitos fiscais da recorrente que teriam sido examinados pelos autuantes, porquanto, não é suficiente para atender aos preceptivos de regência da espécie, conforme preceitua o inciso LV do artigo 5º da Constituição Federal. Na defesa discorre sobre o mencionado princípio constitucional com doutrina e jurisprudência colacionada e adiante trata sobre noções de perícia contábil. Ao final requer provimento ao recurso para proclamar a nulidade do acórdão recorrido e proferida outra decisão de acordo com os ditames do devido processo legal e procedido o necessário exame pericial. É o relatório. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10166.720101/200827 Acórdão n.º 1802000.958 S1TE02 Fl. 2 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Conforme relatado acima, a interessada foi cientificada da decisão proferida mediante o Acórdão nº 0334.965, de 21/12/2009, conforme o Aviso de Recebimento (AR), em 05/03/2010, sexta feira, e, interpôs Recurso ao Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais CARF, somente em 16/04/2010, sexta feira, portanto, após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art.33 do Decreto nº 70.235/72, que teve como prazo fatal o dia 06/04/2010 (terça feira) para a apresentação do mencionado recurso. Diante do exposto, concluo que o presente recurso, é intempestivo, não preenche as condições de admissibilidade, nos termos do art.33 do Decreto nº 70.235/72, razão pela qual voto por não conhecêlo. (Assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10880.039173/90-98
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Outros Tributos ou Contribuições
Data do fato gerador: 31/12/2001, 31/07/2003 e 31/08/2003
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — RECURSO INTEMPESTIVO Não
se conhece de recurso voluntário protocolizado após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão de
primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.
NULIDADE A existência de vício de legalidade no acórdão que admitiurecurso interposto fora do prazo previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, dá causa à sua nulidade, portanto, impõe-se
que sejam aproveitados os embargos para anular o acórdão contaminado.
Numero da decisão: 1802-000.864
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o Acórdão nº 1802-00.277, de 04 de novembro de 2009, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Outros Tributos ou Contribuições Data do fato gerador: 31/12/2001, 31/07/2003 e 31/08/2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — RECURSO INTEMPESTIVO Não se conhece de recurso voluntário protocolizado após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. NULIDADE A existência de vício de legalidade no acórdão que admitiurecurso interposto fora do prazo previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, dá causa à sua nulidade, portanto, impõe-se que sejam aproveitados os embargos para anular o acórdão contaminado.
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NULIDADE A existência de vício de legalidade no acórdão que admitiu recurso interposto fora do prazo previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, dá causa à sua nulidade, portanto, impõese que sejam aproveitados os embargos para anular o acórdão contaminado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o Acórdão nº 180200.277, de 04 de novembro de 2009, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, André Almeida Blanco e Marcelo de Assis Guerra. Relatório Fl. 11DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional com base no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22/06/2009 e alterações posteriores), sob alegação de existência de contradição no julgado materializado no Acórdão nº 180200.277, na sessão de 04 de novembro de 2009. O acórdão foi recepcionado na Procuradoria da Fazenda Nacional, em 03/02/2011, conforme Relação de Movimentação – RM nº 12166 à fl.339, considerandose intimada 30 (trinta) dias após. (§§ 7º ao 9º, do art.23, do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 11.547, de 16/03/2007, D.O.U de 19/03/2007). Cientificado o Procurador em 01/03/2011, os embargos foram apresentados no mesmo dia (fl. 341). Nos termos do referido acórdão esta 2a. Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) decidiu, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte para reconhecer a decadência de o Fisco efetuar o lançamento do FINSOCIAL, do PIS Repique e do PIS Dedução no ano calendário 1984, exercício 1985. A Embargante afirma que há contradição merecedora de reparo no referido julgamento quanto ao prazo decadencial. Alega que, a decisão embargada assentouse na conclusão de que a decadência atingiria a exação sobre os fatos geradores na espécie, aplicandose o art. 173, I, do CTN, portanto, a aplicação de tal dispositivo legal escoimaria o ano calendário 1984 da decadência apregoada, haja vista que o lançamento perfectibilizouse com a ciência do autuado em 31/10/1990 (fls. 152, 185, 253). Aduz que, sob o manto da aludida regra, tomandose em conta que o início da contagem do lustro decadencial deuse somente no primeiro dia do exercício seguinte aquele em que poderia ter sido lançado o credito, ou seja, 1º/01/1986, o Fisco teria até 31/12/1990 para constituir o crédito. Assim, como o lançamento foi levado a cabo antes do citado termo final, não há que se falar em decadência dos tributos devidos relativamente ao anocalendário 1984. A Embargante conclui que nesse cenário, houve contradição ao se indicar a aplicação do art. 173, I, do CTN e se declarar que a decadência fulminou o credito tributário relativo ao anocalendário 1984, pois, como exposto acima, a aplicação do art. 173, I, do CTN lastreia a exigibilidade do crédito em comento. Finalmente, requer seja sanado o vicio apontado e, ato continuo, que se confira efeitos modificativos ao julgado, para negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte no que respeita ao ano calendário 1984, ante a correta aplicação do art. 173, I, do CTN a espécie. É o Relatório. Voto Fl. 12DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.039173/9098 Acórdão n.º 1802000.864 S1TE02 Fl. 12 3 Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa Conforme relatado o acórdão foi recepcionado na Procuradoria da Fazenda Nacional, em 03/02/2011, consoante Relação de Movimentação – RM nº 12166 à fl.339, considerandose intimada 30 (trinta) dias após. (§§ 7º ao 9º, do art.23, do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 11.547, de 16/03/2007, D.O.U de 19/03/2007). Cientificado o Procurador em 01/03/2011, os embargos de declaração foram apresentados no mesmo dia (fl. 341), sendo, portanto, tempestivo, dele conheço. Os presentes embargos foram opostos pela Fazenda Nacional, objetivando a manifestação deste colegiado quanto a contradição apontada no Acórdão nº 180200.277, de 04 de novembro de 2009, pois, ao indicar a aplicação do art. 173, I, do CTN como fundamento legal não poderia declarar que a decadência fulminou o credito tributário relativo ao anocalendário de 1984, pois, a aplicação do art. 173, I, do CTN lastreia a exigibilidade do crédito em comento. Registrese que esse fato teria implicações decisivas, merecendo ser apreciado se o credito tributário relativo ao anocalendário de 1984 estaria alcançado pela decadência considerando a aplicação do art. 173, I, do CTN. A rigor, não vejo como conhecer a contradição apontada, pois, há contradição no acórdão embargado que supera a questão acima, no que tange aos pressupostos de admissibilidade do processo, tendo em vista a inequívoca intempestividade da peça recursal. Compulsandose os autos, verificase que o contribuinte foi intimado da decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância em 09/05/2007, conforme o Aviso de Recebimento (AR), fl.284, contudo o contribuinte somente apresentou o recurso voluntário em 11/06/2007 (fls.285/292). Iniciada a contagem do prazo recursal no primeiro dia útil após a intimação, ou seja, em 10/05/2007 (quinta feira), podese concluir que o prazo de 30 (trinta) dias ultimouse em 08/06/2007 (sexta feira), e que, o recurso voluntário foi apresentado pela empresa extemporaneamente em 11/06/2007 (fl.285, registro do protocolo). Apesar do lapso temporal acima, consta do acórdão embargado à fl.335 que o recurso é tempestivo, motivo pelo qual dele se tomou conhecimento. Sabese que, as questões atinentes à regularidade processual são de ordem pública, não se sujeitam à preclusão, cabendo ao julgador, de ofício, revêlas para por ordem ao feito. A Câmara Superior de Recursos Fiscais manifestouse sobre matéria idêntica, tendo, por unanimidade de votos, acolhido os embargos, a fim de anular os Acórdãos n.° CSRF/0104.640, de 12 de agosto de 2003, e Acórdão n° 10245.567, de 19 de junho de 2002, em face da intempestividade do recurso voluntário. Como anotado, tratase de recurso de embargos inominados opostos pela DRJ em São Paulo/SP II, alegando existência de vícios nos autos, decorrentes de violação a dispositivo legal, posto não ter sido verificada a intempestividade do recurso voluntário enviado pelo contribuinte. De fato, compulsando os autos verifico que às fls. 63 há despacho da DRF em São Paulo, certificando a intempestividade Fl. 13DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 do recurso, mas o encaminhando para os Conselhos de Contribuintes, em vista a determinação contida no art. 35 do Decreto 70.235/72. No acórdão proferido pela 2° Câmara do Conselho de Contribuintes, contudo, essa certidão sequer foi examinada, o que revela que essa informação, crucial para o julgamento, por equívoco não foi apresentada na ocasião. Do exposto, verificase que há um vício legal nos autos, decorrente da admissão de recurso intempestivamente protocolado, e que, por conseqüência, não poderia ter sido examinado. Os artigos 53 e 54 da Lei n° 9.784/99, aplicável subsidiariamente ao procedimento administrativo fiscal, determinam a revisão de ofício dos atos administrativos, quando eivados de vício de legalidade. Referido comando legal, consolida o estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal na Súmula 473, verbis: "A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial competente". Ora, verificase a existência de vício de legalidade no acórdão 10245.567, posto ter sido admitido recurso interposto fora do prazo previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72. Por outro lado, como no acórdão CSRF/0104.460 essa Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais referendou aquele acórdão, padece esse também de vício de legalidade. Em assim sendo, devem ser esses dois atos administrativos anulados. Diante do exposto, voto no sentido de decretar a nulidade do Acórdão nº 180200.277, de 04 de novembro de 2009, posto ter sido admitido recurso interposto fora do prazo previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, e declarar a definitividade da decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento litigado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.039173/9098 Acórdão n.º 1802000.864 S1TE02 Fl. 13 5 Fl. 15DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13983.000273/2004-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 SIMPLES. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO HIDRÁULICA A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. (Súmula CARF n o. 57).
Numero da decisão: 1801-000.669
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Declarou-se impedida de votar a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva por ter participado do julgamento em 1º instância.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO HIDRÁULICA A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. (Súmula CARF no. 57). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Declarouse impedida de votar a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva por ter participado do julgamento em 1a. instância. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Fl. 112DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão da 4ª Turma da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte/MG que, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade da interessada apresentada contra o indeferimento da Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples. Consta dos autos que a empresa foi excluída do Simples, com efeitos a partir de 01/02/2002, pelo ADE 552.591, de 02/08/2004, da DRF/JOA (fl. 04), por praticar atividade vedada para ingresso e permanência na sistemática, qual seja, a atividade de “instalação, reparação e manutenção de máquinas e equipamentos para agricultura, avicultura, e obtenção de produtos animais”. Cientificada da exclusão a interessada protocolizou a SRS de fls. 06/10, indeferida pela autoridade de origem. Cientificada a contribuinte que interpôs a manifestação de inconformidade de fls. 01/02 na qual argumenta que exerce a atividade de manutenção de máquinas e implementos agrícolas, comércio varejista e atacadista de peças, acessórios, máquinas e implementos agrícolas e industriais, atividades que seriam permitidas pela Lei n° 10.964, de 2004 e não poderiam ser consideradas privativas ou assemelhadas às de engenheiro. Promovida diligência fiscal por solicitação da DRJ em Belo Horizonte/MG foram trazidos aos autos os elementos de fls. 38/58. A DRJ em Belo Horizonte/MG, pelo Acórdão no. 0219.800 da 4a. Turma de Julgamento, indeferiu o pleito ao argumento de que as atividades desenvolvidas pela empresa seriam privativas do profissional da engenharia, nos termos do artigo 9o., inciso XIII da Lei no. 9.317, de 1996, e Ato Declaratório Normativo n o.4 , de 2000, da CST, disporia a respeito do impedimento de as empresas prestadoras de serviços de montagem e manutenção de equipamentos industriais de optar pelo Simples. Notificada, em 16/12/2008, do indeferimento de sua solicitação, conforme quota à fl. 74, apresentou, a contribuinte, em 30/12/2008, o recurso voluntário de fls. 76 a 78 alegando que em vista de seu faturamento deveria ser mantida na sistemática e que a Lei Complementar n° 128, de 2008, teria introduzido como atividade permitida para o Simples Nacional “serviços de instalação, reparos e manutenção em geral, bem como usinagem, solda, tratamento e revestimento em metais”. Ao final pugnou pelo acolhimento do recurso e reforma da decisão de 1a. instância. Fl. 113DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 13983.000273/200411 Acórdão n.º 180100.669 S1TE01 Fl. 109 3 É o relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. O cerne do litígio diz respeito às atividades exercidas pela empresa excluída da sistemática simplificada de pagamento de impostos e contribuições federais – Simples Federal – se seriam vedadas para ingresso e permanência nesse sistema ou, ao contrário, se não estariam entre as vedações impostas pelo inciso XIII do artigo 9o. da Lei no. 9.317, de 1996. A 5a. Alteração e Consolidação do Contrato Social da empresa, datado de setembro de 2004 e registrada na JUCESC em 22/09/2004 (fls. 11/14), prevê como objeto social as seguintes atividades: “comércio varejista e atacadista de peças e acessórios para máquinas e implementos agrícolas e industriais, ferragens e ferramentas; comércio varejista de máquinas e implementos agrícolas e industriais; fabricação de peças e acessórios para máquinas e implementos agrícolas e industriais; importação e exportação e; conserto de máquinas e implementos agrícolas (exceto: balanceamento, suspensão, alinhamento, instalações, geometria, retifica, descarbonização de motor, parte elétrica e eletrônica)” Em diligência fiscal realizada junto à empresa, conforme relatório às fls. 57/58, a auditoria fiscal constatou a prestação dos serviços de torno, frezza, solda e retífica. Assim, a partir dos elementos constantes dos autos não se pode afirmar que a empresa pratica atividades típicas ou privativas dos profissionais de engenharia, ou ainda, que os serviços por ela prestados se assemelham aqueles serviços prestados por engenheiros ou por qualquer outro profissional cujo exercício da profissão dependa de regulamentação. No que toca, especificamente, às atividades descritas no objeto social da empresa consignado em seus atos constitutivos, assim como aqueles serviços por ela prestados constatados em procedimento de diligência fiscal, este órgão colegiado já pacificou seu entendimento, expressado na súmula CARF no. 57: Súmula CARF no. 57. A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem Fl. 114DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 115DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES
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Numero do processo: 11065.001797/2004-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.327
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente TECNOEVA TECNOLOGIA EM EVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 17 97 /2 00 4- 66 Fl. 404DF CARF MF Processo nº 11065.001797/200466 Acórdão n.º 9303005.327 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte contra o Acórdão 330100.611, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que, no período de apuração destes autos, a cessão onerosa de créditos do ICMS deve compor a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. O contribuinte requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão de créditos onerosa de créditos de ICMS não tem natureza jurídica de receita, tratando se de mera mutação patrimonial, não podendo, assim, compor a base de cálculo da contribuição, mesmo antes da eficácia da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. A Procuradoria da Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 11065.001797/200466 Acórdão n.º 9303005.327 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 11065.001797/200466 Acórdão n.º 9303005.327 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 407DF CARF MF Processo nº 11065.001797/200466 Acórdão n.º 9303005.327 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 408DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.722319/2014-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/12/2009
PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DO ADQUIRENTE. POSSIBILIDADE.
O Supremo Tribunal Federal reconheceu na análise do RE 718874 , com efeitos de repercussão geral, a constitucionalidade formal e material das disposições do artigo 25 da Lei nº 8.212/91 com a redação dada pela Lei nº 10.256/01. Tais disposições devem ser cumpridas na forma determinada pelo artigo 30, inciso IV da Lei de Custeio da Previdência Social.
Numero da decisão: 2201-003.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 22/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2007 a 31/12/2009 PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DO ADQUIRENTE. POSSIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal reconheceu na análise do RE 718874 , com efeitos de repercussão geral, a constitucionalidade formal e material das disposições do artigo 25 da Lei nº 8.212/91 com a redação dada pela Lei nº 10.256/01. Tais disposições devem ser cumpridas na forma determinada pelo artigo 30, inciso IV da Lei de Custeio da Previdência Social.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 22/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DO ADQUIRENTE. POSSIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal reconheceu na análise do RE 718874 , com efeitos de repercussão geral, a constitucionalidade formal e material das disposições do artigo 25 da Lei nº 8.212/91 com a redação dada pela Lei nº 10.256/01. Tais disposições devem ser cumpridas na forma determinada pelo artigo 30, inciso IV da Lei de Custeio da Previdência Social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 22/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 72 23 19 /2 01 4- 56 Fl. 143DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 5ª Turma da DRJ Curitiba/PR que manteve, integralmente, o lançamento tributário relativo às contribuições previdenciárias devidas, por subrogação, pelo adquirente de produto rural comercializado por produtor pessoa física, inclusive a alíquota SAT, devidas no período de 2007 a 2009 Tal crédito foi constituído por meio do auto de infração (fls. 2 do processo digitalizado), devidamente explicitado, pelo qual foi apurado o crédito tributário no valor de R$ 650.193,35, em valores consolidados em setembro de 2010. A ciência do auto de infração, que contém o lançamento referente às contribuições devidas por subrogação no período de agosto de 2007 a dezembro de 2009, ocorreu em 16 de setembro de 2010, conforme se verifica pela cópia do AR às folhas 68. Em 18 de outubro de 2010, foi apresentada a impugnação ao lançamento (fls.71). Em 29 de abril de 2011, a 5ª Turma da DRJ de Curitiba, por meio da decisão consubstanciada no Acórdão 0631.457 (fls. 100), de forma unânime, julgou improcedente a defesa administrativa apresentada. Tal decisão tem o seguinte relatório que, por sua clareza e precisão, reproduzo (fls. 101): O presente Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP, no montante de R$ 650.193,35, foi lavrado em 13/09/2010, para constituição do crédito previdenciário decorrente de contribuições previdenciárias não recolhidas pela empresa notificada na condição de subrogada, previstas no artigo 25, I e II, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, e devidas pelo empregador rural pessoa física (art. 12, V, "a" da Lei 8.212, de 1991) e pelo segurado especial (art. 12, VII, da Lei 8.212, de 1991), incidentes sobre a receita bruta da comercialização de seus produtos rurais. O relatório fiscal explicativo do lançamento oferece os seguintes esclarecimentos acerca da origem e da exigibilidade das contribuições lançadas: 1. O presente relatório é parte integrante do Auto de Infração n° 37.082.6477, e tem por objeto as contribuições do Produtor Rural Pessoa Física e do Segurado Especial, incidentes sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, e destinada à Seguridade Social, inclusive para o Seguro de Acidentes do Trabalho —SAT. 5. A agroindústria nas operações de aquisição da produção de outros produtores rurais é responsável como subrogada na obrigação do produtor pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, destinada à Seguridade Social, inclusive para o Seguro de Acidentes do Trabalho — SAT e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural —SENAR. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10930.722319/201456 Acórdão n.º 2201003.803 S2C2T1 Fl. 144 3 10. O contribuinte de acordo com o disposto no artigo 30, incisos III e IV, da Lei n° 8.212, de 24/07/91, com redação dada pela Lei n° 9.528, de 10/12197, na condição de subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física/segurado especial, descontou as contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor da comercialização da produção rural e não repassou à Seguridade Social, nas épocas próprias, o que configura, em tese, o ilícito tipificado no art.. 168A, do Decreto Lei n°2.848, de 07/12/1940 — Código Penal, alterado pela Lei n°9.983, de 14/07/2000 (DOU. de 17/07/2000). O fato será objeto de comunicação à autoridade pública competente — Ministério Público Federal, para a proposição de eventual ação penal, em relatório à parte. 11. As contribuições sociais lançadas no presente Auto de Infração, não foram declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, o que configura, em tese, o ilícito tipificado no art. 337A do DecretoLei n° 2.848, de 07/12/1940 — Código Penal, alterado pela Lei n° 9.983, de 14/07/2000 (D.O. U. de 17/07/2000). O fato será objeto de comunicação à autoridade pública competente — Ministério Público Federal, para a proposição de eventual ação penal, em relatório à parte. 14. Encontramse anexos a este Auto de Infração, além do presente Relatório Fiscal, os seguintes relatórios: Anexo I — Relação das Notas Fiscais de compra de produtos rurais de pessoas físicas. No prazo regulamentar, o sujeito passivo impugna o lançamento para requerer a declaração de nulidade da exigência fiscal ou a inexigibilidade do crédito apontado. Preliminar Para fundamentar seus pleitos, o impugnante aponta, em preliminar, hipótese de nulidade da autuação por ausência de motivação do ato. Nesse passo, diz que A ação fiscal alinhavou de forma superficial uma extensa gama de leis e decretos, sem, contudo, colocar de forma clara e precisa os motivos de fato, vale dizer, a conduta irregular que culminaria com as penalidades e obrigações impostas. A alusão genérica aos registros existentes na contabilidade não permitiria ao contribuinte saber quais os elementos que foram examinados (GFIP, GPS, folhas de pagamento e documentos contábeis), restando clara a dificuldade de compreensão dos elementos de que se valeu a ação fiscal para irrogar a conduta irregular da impugnante. Ainda em preliminar o impugnante alega hipótese de cerceamento do direito de defesa e afronta ao princípio do devido processo legal, mediante suposição de que antes da lavratura da NFLD a fiscalização deveria ter previamente Fl. 145DF CARF MF 4 notificado o contribuinte, com abertura de prazo para eliminar a irregularidade apontada, caso efetivamente existisse. A falta dessa providência acarretaria a nulidade do lançamento. Mérito No mérito, alega que seria inexigível a contribuição da agroindústria incidente sobre a comercialização da produção rural. Diz que pela Lei 8.870, de 1994, a contribuição empresarial relativa aos segurados empregados teria sido substituída pela contribuição de 2,5% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural. Supõe que a partir dessa alteração teria deixado de existir a contribuição empresarial sobre a folha de salários. Sustenta, mais, que a tributação previdenciária da receita bruta da comercialização da sua produção rural seria inconstitucional por não obedecer ao rito da Lei Complementar. Por isto, a exigência esbarraria na limitação contida do inciso I do art. 154 da Constituição Federal: Art. 154 — A União poderá instituir: I — mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam não cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição. Aduz que a contribuição não atende ao requisito de ser não cumulativa, visto que não admite a compensação da contribuição paga na etapa anterior, acarretando superposição contributiva para as empresas rurais e agroindustriais, contrariando a regra do art. 154, I, da Constituição. Alega que a fonte de custeio foi criada sem que tivessem sido esgotadas as fontes de custeio constitucionalmente previstas sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro, acarretando a sua inconstitucionalidade. Logo, seria inexigível também a contribuição ao SENAR, que seria objeto da presente NFLD. Supõe, por derradeiro, que seria indevida a cobrança da contribuição para o seguro de acidentes do trabalho nos percentuais de 1%, 2% ou 3%, por afronta ao princípio da legalidade, na medida em que deixa para o decreto do Poder Executivo a aferição das diferentes classes de risco e a definição de atividade preponderante." Cientificado da decisão que contrariou seus interesses em 19 de maio de 2011, o sujeito passivo apresentou tempestivamente (despacho de folhas 135), recurso voluntário, no qual, na essência, reproduz seus argumentos da impugnação. Às folhas 2 do processo digital, consta despacho da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário SACAT da Delegacia da Receita Federal em Londrina, que informa que: "O presente processo foi formalizado para dar seguimento à parcela do crédito tributário não abrangida no parcelamento da Lei 11.941/2009, conforme descrito no despacho de fls. 124 (numeração manual) do processo 11634.001313/201025: Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10930.722319/201456 Acórdão n.º 2201003.803 S2C2T1 Fl. 145 5 Processo: 11634.001313/201025 Contribuinte: USINA CENTRAL DO PARANÁ S/A Debcad n° 37.082.6477 (com competências parceladas pela Lci 11.941/2009) Debcad n° 43.995.2026 (com competências não abrangidas pelo parcelamento") Depreendese, portanto, que parte dos créditos constituídos pelo Debcad constante do lançamento originalmente realizado foi objeto de confissão e parcelamento, restando em litígio, pelo noticiado, as competências posteriores a outubro de 2008, ou seja de novembro de 2008 a dezembro de 2009. O recurso foi distribuído por sorteio eletrônico, em sessão pública, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Carlos Henrique de Oliveira Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do presente recurso voluntário e passo a analisálo na ordem de suas alegações. PRELIMINARES DA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO Entende, a Recorrente, padecer de nulidade o lançamento guerreado por falta de explicitação da hipótese de incidência da exação pretendida, "Com efeito, a ação fiscal alinhavou de forma superficial uma extensa gama de leis e decretos, sem, contudo, colocar de forma clara e precisa os motivos de fato, vale dizer, a conduta irregular que culminaria com as penalidades e obrigações impostas. Tanto isso é verdade que o relatório da ação fiscal fez com que a primeira instância julgadora concluise, equivocadamente, que as alegações tecidas na defesa preliminar pela Recorrente não possuem nenhuma relação com o crédito que se exige no processo. A falta de clareza da conclusão elaborada pelo fisco induziu a erro os julgadores "a quo", levandoos a fazer uma interpretação Fl. 147DF CARF MF 6 totalmente destorcida do ora objeto da apuração, tal como se demonstrará. Também ao contrário do que sustentado na decisão recorrida, não se tem, de igual modo um exato entendimento de quais foram os elementos objeto de análise pela ação fiscal que redundaram no valor perseguido. Os fiscais fizeram uma menção genérica a Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, Guias de Recolhimento da Previdência Social, folhas de pagamentos, e documentos contábeis. Ora, mas quais são folhas de pagamentos,. as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, as Guias de Recolhimento da Previdência Social, e assim por adiante, que foram analisados? Todos? Alguns? Não houve a particularização dos documentos analisados, de modo possibilitar a recorrente conferir dados como datas e números." Sobre o tema, assim se pronunciou a decisão de piso (fls. 104): "A conduta irregular do devedor achase descrita pela própria impugnação já em sua introdução, consumada na falta de recolhimento da contribuição devida pelo Produtor Rural Pessoa Física e do Segurado Especial: Consta da descrição sumária da NFLD que o presente débito referese às contribuições do Produtor Rural Pessoa Física e do Segurado Especial, incidentes sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, destinada à Seguridade Social, inclusive para o Seguro de Acidente do Trabalho — SAT. Ora, se o sujeito passivo tivesse se conduzido regularmente, ou seja, se tivesse pago as contribuições acima referidas é evidente que não teria ocorrido o lançamento respectivo. Assim, é do seu pleno conhecimento qual foi a sua conduta irregular." (destaques não consta da decisão recorrida) Acertada a decisão de primeiro grau. É obvio que o contribuinte conhece a sua conduta, os fatos econômicos realizados, os documentos de sua contabilidade, de sua escrituração. Sabe, empresa de porte que é, quais suas obrigações tributárias, quanto mais sobre o legislação que à época, remontava quase uma década de vigência. Não obstante, o relatório fiscal é claríssimo em apontar não só a fundamentação do lançamento quanto também os documentos ensejadores da determinação da base de cálculo do tributo não recolhido e agora exigido. Vejamos (fls. 40): DOCUMENTOS ANALISADOS 4. O lançamento encontrase baseado nos seguintes documentos analisados no decorrer da ação fiscal, apresentados pelo contribuinte à fiscalização: Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10930.722319/201456 Acórdão n.º 2201003.803 S2C2T1 Fl. 146 7 4.1. Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. 4.2. Guias de Recolhimento da Previdência Social. 4.3. Arquivos Digitais (contabilidade e folha de pagamento) OUTRAS INFORMAÇÕES 5. A agroindústria nas operações de aquisição da produção de outros produtores rurais é responsável como subrogada na obrigação do produtor pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, destinada à Seguridade Social, inclusive para o Seguro de Acidentes do Trabalho SAT e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR. 6. O fato gerador da contribuição apurada através deste Auto de Infração consiste na comercialização da produção rural, assim entendida a operação de venda ou consignação, diretamente com produtor rural pessoa física e produtor segurado especial. 7. Os valores da comercialização da produção rural canade açúcar e outros produtos foram contabilizados, pela empresa, nas seguintes contas: CanadeAçúcar: 4 Custos e Despesas 4.2 Custos e Despesas de Operação 4.2.1 Insumos 4.2.1.01 Insumos de Processos Industriais 4.2.1.01.004 CanadeAçúcar de Parceiros 8. Os valores de contribuições incidentes sobre os valores da comercialização da produção rural canadeaçúcar e outros produtos foram contabilizados nas seguintes contas contábeis da empresa: Contribuição; 2 Passivo 2.1 Passivo Circulante 2.1.3 Obrigações Sociais e Trabalhistas 2.1.3.02 Obrigações Sociais e Tributárias a Pagar 2.1.3.02.005 Funrural a Pagar" (negritei) O trecho acima transcrito não permite que subsista o argumento da Recorrente: não só o Contribuinte sabia da incidência tributária como a contabilizava como passivo, como exigível. Tinha portanto, pelo conhecimento da exação e de seu montante. Fl. 149DF CARF MF 8 Preliminar rejeitada nessa parte. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Argui a Recorrente cerceamento de seu direito de defesa em face da não abertura de prazo antes da lavratura da NFLD para que o contribuinte pudesse regularizar o suposto crédito tributário existente. Tal conduta, na visão do Recorrente, inverteu os atos do procedimento administrativo, ofendendo o direito de defesa previsto na Carta da República. São seus argumentos (fls 121): A autoridade fiscal não pode promover a notificação de lançamento antes da lavratura do auto de infração. A necessidade de elaboração de auto de infração se constitui em precedente de forma essencial ao início do processo administrativo fiscal, devendo ser anterior até mesmo à própria notificação do débito, posto que daria à recorrente a possibilidade de saber da existência de imputação de irregularidade contra si para poder corrigila, garantindo, assim, o contraditório e a ampla defesa. Esse procedimento, aliás, decorre da lei que disciplina o processo administrativo no âmbito da Administração Pública, mais especificamente no Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972. Referido decreto estabelece como etapas intransponíveis para a formação de um juízo de regularidade em torno do processo administrativo o auto de infração, seguido da notificação de lançamento. A propósito, transcrevemse os arts. 10 e 11, do Decreto n' 70.235, de 06 de março de 1972: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." (destaques constam do recurso) A criativa interpretação da norma esposada pelo Contribuinte não merece prosperar. É cediço na doutrina e na jurisprudência que o procedimento de fiscalização é inquisitório, ou seja, não permite a dialética típica do processo, não há contraditório. É a instauração do litígio, por meio da impugnação ao crédito, que inaugura o processo administrativo tributário. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10930.722319/201456 Acórdão n.º 2201003.803 S2C2T1 Fl. 147 9 Nesse sentido a lição de Cleide Previtalli Cais (O Processo Tributário, 7ª ed. Ed. Revista dos Tribunais, pag. 214), que ao asseverar que a expressão processo tributário engloba tanto a fase administrativa quanto a judicial, afirma: "O Decreto Federal 70.235/72, confirma esse entendimento nos arts 7º e 14 quando versa sobre o procedimento fiscal¸ou seja atos que darão início ao processo que será instaurado mediante a impugnação da exigência tributária perante a instância administrativa, conforme regula os artigos 14 e seguintes." Não poderia ser outra a posição doutrinária em razão da disposição legal. Recordemos os artigos mencionados do Decreto 70.235, pela douta processualista: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. (...) Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (destaques não constam do texto da lei) Ora, não há que se falar em direito ao contraditório, base da ampla defesa, em procedimento inquisitório, procedimento de fiscalização, pelo qual a autoridade busca verificar o cumprimento das obrigações legais impostas ao fiscalizado. Hugo de Brito Machado (Curso de Direito Tributário, 20ªed. Malheiros Ed. pag. 393), leciona no mesmo sentido: "O processo de determinação e exigência do crédito tributário, ou processo de acertamento, ou simplesmente lançamento tributário, dividese em duas fases: (a) unilateral ou não contenciosa e (b) bilateral, contenciosa ou litigiosa" Tal distinção é fundamental e aqui o maior equívoco teórico do Recorrente ´posto que além da inexistência de contraditório recordemos que a fase é unilateral ou não contenciosa com o início do procedimento de fiscalização operase a exclusão da espontaneidade do contribuinte, segundo expressa determinação do artigo 138 do CTN, ou seja, não pode mais o sujeito passivo corrigir seu erro senão suportando a sanção cabível. Fl. 151DF CARF MF 10 Justamente por isso, a interpretação do Recorrente de que o Decreto 70.235/72 determina a intimação para cumprimento da exigência para que o sujeito passivo possa 'corrigir' sua falta é totalmente equivocada. Ao reverso, a intimação é do crédito constituído, tributo devido mais consectários legais, para pagamento ( cumprimento da exigência), ou apresentação da devida impugnação (pressuposto de discordância), com a consequente instauração do devido processo legal. Por todo o exposto, forçoso rejeitar a preliminar também nessa parte. Passemos às alegações de mérito. INEXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL Argui o Recorrente, além de afastar a decisão de piso quanto ao erro na compreensão da exigência fiscal, a inconstitucionalidade do artigo 25 da Lei nº 8.870/94. Recordemos seus argumentos (fls.126): "Entretanto, claro está que a decisão atacada foi vazada em errônea interpretação dos dados e da legislação que rege a matéria! Nesse sentido, consta da própria descrição sumária da NFLD, no item 1 do "RELATÓRIO FISCAL DO AUTO DE INFRAÇÃO N° 37.082.6477" que o débito "tem por objeto as contribuições do Produtor Rural Pessoa Física e do Segurado Especial, incidentes sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, destinada à Seguridade Social, inclusive para o Seguro de Acidente do Trabalho SAT". Logo, não houve equívoco algum da recorrente, mas sim da instância julgadora "a quo". A despeito disso, como se disse na impugnação preliminar, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1103/DF, declarou a inconstitucionalidade do § 2° do art. 25 da Lei 8.870/94 exatamente com base nos argumentos suscitados na defesa (ou seja, exigência de lei complementar, de ser nãocumulativa .e ausência de esgotamento das outras fontes de custeio precedentes), conforme se pode ver a baixo: (...) Logo, a exigência fiscal em debate é, a toda evidência, inconstitucional, por força do pronunciamento da nossa Suprema Corte de Justiça." Recordemos a imputação fiscal (fls. 41): 10. O contribuinte de acordo com o disposto no artigo 30, incisos III e IV, da Lei no. 8.212, de 24/07/91, com redação Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10930.722319/201456 Acórdão n.º 2201003.803 S2C2T1 Fl. 148 11 dada pela Lei n°. 9.528, de 10/12/97, na condição de sub rogada nas obrigações do produtor rural pessoa física/segurado especial, descontou as contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor da comercialização da produção rural e não repassou à Seguridade Social, nas épocas próprias, o que configura, em tese, o ilícito tipificado no art. 168A, do Decreto Lei n°. 2.848, de 07/12/1940 Código Penal, alterado pela Lei n°. 9.983, de 14/07/2000 (D.O.0 de 17/07/2000). O fato será objeto de comunicação à autoridade pública competente Ministério Público Federal, para a proposição de eventual ação penal, em relatório à parte." Da leitura atenta dos trechos transcritos observase o equivoco cometido pelo Recorrente. Sua alegação de inconstitucionalidade norma embasadora da autuação não procede, posto que a obrigação tributária que aqui se discute decorre de norma de substituição de responsabilidade tributária pela qual (artigo 30, IV da Lei nº 8.212/91), o dever de reter recolher a contribuição devida pelo produtor rural pessoa física sobre a comercialização da produção desse (artigo 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei n 10.256/01), passa a ser do adquirente dessa produção, no caso, o Recorrente. É essa a fundamentação legal do débito como acima transcrito, que também se encontra explicitada no anexo do Auto de Infração (Fundamentos Legais do Débito, FLD, folhas 11). Não obstante o exposto, mister esclarecer que, no tocante a constitucionalidade da Lei de Custeio da Previdência no tocante à matéria, em recente sessão, ocorrida em 30 de março de 2017, o Pleno do STF em julgamento do mérito do RE 718874, de relatoria do Ministro Edson Fachin, com repercussão geral reconhecida, tomou a decisão abaixo transcrita: Decisão: O Tribunal, por maioria, apreciando o tema 669 da repercussão geral, conheceu do recurso extraordinário e a ele deu provimento, vencidos os Ministros Edson Fachin (Relator), Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Celso de Mello, que negavam provimento ao recurso. Em seguida, por maioria, acompanhando proposta da Ministra Cármen Lúcia (Presidente), o Tribunal fixou a seguinte tese: "É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção", vencido o Ministro Marco Aurélio, que não se pronunciou quanto à tese. Redator para o acórdão o Ministro Alexandre de Moraes. Plenário, 30.3.2017. Do exposto, o recurso voluntário não merece ser provido nessa parte. DA INEXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT Sobre o tema, argumenta o Recorrente (fls.130): Fl. 153DF CARF MF 12 No mesmo sentido, está impregnado de equívoco o entendimento externado na decisão administrativa recorrida de que é devida a parcela do débito constante da NFLD que é composta do SAT Seguro de Acidente do Trabalho. Ora, independentemente da alíquota aplicada (0,1%, 1% 2%, ou 3%), e da hipótese de incidência tributária (folhade pagamento ou comercialização da produção), ainda assim a contribuição para o custeio do SAT, na forma como concebida pela legislação infraconstitucional, afronta o .princípio da legalidade tributária na medida em que deixa para o decreto a aferição das diferentes classes de risco e a definição de atividade preponderante. Com efeito, o artigo 22 da Lei n° 8.212/91, alterado pela Lei n° 9.528/97 e Lei n° 9.732/98, previu as alíquotas de contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente do trabalho SAT. Porém, deixou a cargo de decreto a aferição das diferentes classes de risco e a definição de atividade preponderante. Ocorre que, se a lei é omissa quanto aos elementos necessários à cobrança do tributo, não cabe ao Poder Executivo suprir a lacuna mediante decretos, ainda que por ordem da própria lei, sob pena de afrontar o princípio da estrita legalidade, que permite tãosomente ao Poder Legislativo a descrição da norma matriz tributária, pormenorizando todos os seus elementos. Ora, não se pode permitir, face ao princípio da legalidade insculpido constitucionalmente, a aferição, por Decreto oriundo do Poder Executivo, das diferentes classes de risco e á definição de atividade preponderante da empresa para fins de cobrança do SAT." (destaques não constam do recurso) A leitura do excerto acima, em especial do trecho negritado, não deixa dúvida quanto ao cerne da argumentação do contribuinte: o princípio da legalidade estrita exposto no artigo 150, I, da Carta de 1988 exige que qualquer exação decorra de lei, somente ela "tem aptidão de fixar a norma tributária descrevendo integralmente seus componentes, sendo vedado ao legislador delegar poderes legiferantes ao Executivo", consoante expressamente assevera o Recorrente. Recordemos que a explicitação do crédito constituído consta do Relatório Fiscal (fls 38): 1. O presente relatório é parte integrante do Auto de Infração no.37.082.6477, e tem por objeto as contribuições do Produtor Rural Pessoa Física e do Segurado Especial, incidentes sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, e destinada à Seguridade Social, inclusive para o Seguro de Acidentes do Trabalho SAT Ora, seus argumentos restaram respeitados. Recordemos as disposições da Lei de Custeio, Lei nº 8.212/91, lei tributária: "Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10930.722319/201456 Acórdão n.º 2201003.803 S2C2T1 Fl. 149 13 alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001) I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho." Ora, a contribuição destinada a financiar as prestações da Lei de Benefícios relativas aos acidentes do trabalho está explicitamente determinada em lei, como exige a argumentação do Recorrente. Não há outra interpretação possível! Os argumentos do Recorrente estão acertadamente postos, vez que há sim lei em sentido formal e material a determinar os componentes da tributação. Recurso negado também nessa parte. CONCLUSÃO Diante do exposto e pelo fundamentos adotados, voto por conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720111/2007-75
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 30/11/2003
Ementa:
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECOLHIMENTO DO TRIBUTO ANTES DA SUA CONFISSÃO EM DCTF. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE.
O recolhimento do tributo anterior à sua confissão na DCTF configura a denúncia espontânea. Não há qualquer distinção entre multa moratória e multa punitiva, tendo em vista que ambas possuem caráter punitivo, ou seja, são aplicáveis em função de um comportamento ilícito do contribuinte.
Significa dizer que a denúncia espontânea levaria ao afastamento da possibilidade da incidência da multa moratória, uma vez que a
responsabilidade do sujeito passivo fica elidida, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Precedentes do STJ e da CSRF.
Numero da decisão: 1802-001.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Marco Antonio Nunes Castilho
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RECOLHIMENTO DO TRIBUTO ANTES DA SUA CONFISSÃO EM DCTF. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE. O recolhimento do tributo anterior à sua confissão na DCTF configura a denúncia espontânea. Não há qualquer distinção entre multa moratória e multa punitiva, tendo em vista que ambas possuem caráter punitivo, ou seja, são aplicáveis em função de um comportamento ilícito do contribuinte. Significa dizer que a denúncia espontânea levaria ao afastamento da possibilidade da incidência da multa moratória, uma vez que a responsabilidade do sujeito passivo fica elidida, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Precedentes do STJ e da CSRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 138DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.720111/200775 Acórdão n.º 180201.114 S1TE02 Fl. 139 2 Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.720111/200775 Acórdão n.º 180201.114 S1TE02 Fl. 140 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA (“DRJBEL”), que julgou improcedente Impugnação apresentada pela Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão recorrido, verbis: “Versa o presente processo sobre auto de infração (fls.23/24) para exigência de multa de mora (código 6378) no valor de R$ 183.557,76, a qual teria sido paga a menor em relação ao tributo IRPJ, 2362, PA's janeiro a julho e novembro/2003. O lançamento foi oriundo de auditoria interna DCTF. Ainda segundo consta nos demonstrativos de fls.25/33, o contribuinte efetuou o pagamento dos referidos tributos após o vencimento, somente com o acréscimo de juros de mora, portanto sem a inclusão de multa de mora. Tendo tomado ciência do lançamento em 27/04/2007 (fl. 1), o contribuinte apresentou impugnação (fls.1/12) na mesma data, através de procurador (fls.13/17), alegando em síntese que: 1) A impugnante declarou o recolhimento do IRPJ através da DCTF; 2) Em procedimento de auditoria interna, a Receita verificou que o IRPJ do ano calendário 2003 fora declarado e recolhido a menor; 3) Visando sanar o equívoco, a impugnante recolheu o montante devido, protocolando em seguida petição formalizando o instituto da Denúncia Espontânea, previsto no artigo 138 do CTN e, posteriormente ao referido recolhimento, efetuou a retificação das DCTF's; 4) Encaminhada a petição ao SECAT da DRF/BEL, foi emitido o Parecer n° 0252/2006 não aceitando a Denúncia Espontânea e indeferindo o pedido de cancelamento da multa de mora; 5) Irresignada, a impugnante protocolou manifestação de inconformidade, a qual nem chegou a ser julgada, tendo sido recebida a presente autuação na qual se procedeu à exigência de multa de mora isolada, no valor de R$ 183.557,76; Fl. 140DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.720111/200775 Acórdão n.º 180201.114 S1TE02 Fl. 141 4 6) Inconformada com a exigência, que no seu entender é ilegal, a impugnante servese da presente para demonstrar sua total improcedência; 7) De acordo com a autoridade administrativa, a recorrente deveria ter incluído no cálculo e no recolhimento do tributo em comento o montante relativo à multa moratória, que imputa ser devida nos termos do artigo 61 da Lei 9.430/96; 8) Alega ainda que a declaração em DCTF constitui confissão de dívida, afastando o benefício da denúncia espontânea, visto que não é possível denunciar fatos já conhecidos pela Administração Pública; 9) A DCTF retificadora que declarava os tributos recolhidos nos termos do artigo 138 do CTN somente foi entregue após a devida quitação destes; 10) Assim sendo, equivocase a autoridade administrativa no momento que afirma que houve confissão de dívida, já que, quando a DCTF dos referidos valores foi entregue à SRF, o valor retificado já havia sido devidamente quitado; 11) E, se não houve confissão de dívida, perfeitamente cabível o benefício da denúncia espontânea; (transcreve jurisprudência do STJ e o artigo 138 do CTN) 12) Segundo a doutrina e jurisprudência pátrias, não há qualquer distinção entre multa moratória propriamente dita e multa punitiva, posto que as mesmas possuem sempre caráter punitivo, ou seja, encerram uma sanção diante do comportamento ilícito do contribuinte; 13) Elucidando tal aspecto, vejamos, na doutrina brasileira, as bem traçadas palavras de Sacha Calmon Navarro Coelho e o entendimento de Misabel Abreu Machado Derzi; (transcreve a opinião dos doutrinadores) 14) A jurisprudência do STF firmouse, como dito, neste mesmo sentido; (transcreve a opinião do Ministro Moreira Alves) 15) Uma vez que a multa de mora traz em seu bojo a intenção de punir o sujeito passivo da obrigação tributária que descumpriu o dever legal, resulta inconteste a aplicabilidade do artigo 138 do CTN com o afastamento da responsabilidade do contribuinte infrator e, conseqüentemente, da multa de mora; 16) Em outras palavras, a imposição da multa com o nítido propósito de punir o contribuinte em mora deve ser repelida nos casos em que este denuncia e confessa, espontaneamente, o dever descumprido e o crédito correlato, Fl. 141DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.720111/200775 Acórdão n.º 180201.114 S1TE02 Fl. 142 5 Destaquese as colocações de Sacha Calmon Navarro Coelho e de Fábio Augusto Junqueira de Carvalho e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva (transcreve a opinião dos doutrinadores), 17) Assim, ainda que legitimamente aplicáveis os juros moratórios e a correção monetária, certo é que em função da dicção do artigo 138 do CTN, a multa de mora exigida é totalmente descabida no caso em exame; 18) Na mesma esteira, verificamse os seguintes julgados dos Conselhos de Contribuintes e CSRF; (transcreve sete ementas de acórdãos) 19) Requer seja cancelado o auto de infração.” Em sua decisão, a DRJBEL houve por bem manter o lançamento através do Acórdão n° 0113.315, conforme ementa transcrita abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 30/11/2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. PREVISÃO LEGAL. É pressuposto da denúncia espontânea que o Fisco não tenha conhecimento do tributo por ocasião do pagamento, o que não ocorreu no presente caso pelo fato do débito ter sido declarado em DCTF. Cabível a exigência de multa de mora no caso de pagamento do tributo após o vencimento, por expressa disposição legal. Lançamento Procedente” Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual aduziu, em síntese, os mesmos argumentos apresentados na Impugnação, requerendo, ao final que o recurso seja totalmente provido para conceder o benefício da denúncia espontânea ora pleiteado. É o relatório, passo a decidir. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.720111/200775 Acórdão n.º 180201.114 S1TE02 Fl. 143 6 Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. Inicialmente e conforme informações de fls. 123 e 127, destaco que não há nos autos prova efetiva da data do recebimento do acórdão recorrido, motivo pelo qual entendo que o protocolo do Recurso Voluntário foi tempestivo e, por se tratar de manifestação espontânea do contribuinte, fica suprido qualquer tipo de vício que pudesse existir no que tange à notificação da decisão atacada. Com efeito, o recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que após procedimento de auditoria interna verificou declaração e recolhimento a menor de IRPJ. Dessa forma, sanou tais equívocos efetuando o recolhimento do tributo devido com os respectivos juros e daí procedeu à retificação da DCTF, de modo a caracterizar a formalização da denúncia espontânea. O artigo 138 do Código Tributário Nacional disciplina o instrumento da denúncia espontânea nos seguintes termos: “Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” No caso concreto, a Recorrente efetuou o recolhimento do tributo computando o valor dos juros de mora devidos em 22 de julho de 2005, conforme DARFs de fls. 45/46, 58/62, 73 e 83, antes de declarálos nas respectivas DCTFs retificadoras em 29 de julho de 2005 (DCTFs de fls. 47/51, 63/68, 74/77 e 84/87), uma vez que tais débitos não constavam das DCTFs originais (fls. 41/44, 52/57, 69/72 e 78/82). Dessa forma, o pagamento do tributo devido mais os juros de mora, acompanhados da denúncia espontânea antes de qualquer início de procedimento administrativo, exclui aplicação de multa moratória. Nesse sentido deve ser observado o precedente do E. Superior Tribunal de Justiça: "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA (CTN, ART. 138). Fl. 143DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.720111/200775 Acórdão n.º 180201.114 S1TE02 Fl. 144 7 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CONFIGURAÇÃO. MULTA MORATÓRIA. EXCLUSÃO. PRECEDENTE RESP 798.263. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE INTERESS RECURSAL. 1. A ausência de debate, na instância recorrida, sobre os dispositivos legais cuja violação se alega no recurso especial atrai, por analogia, a incidência da Súmula 282 do STF. 2. A 1ª a Seção do STJ, no julgamento do ERESP 435.835/SC, Rei. p/ o acórdão Min. José Delgado, sessão de 24.03.2004, consagrou o entendimento segundo o qual o prazo prescricional para pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de cinco anos, contados da data da homologação do lançamento, que, se for tácita, ocorre após cinco anos da realização do fato gerador — sendo irrelevante, para fins de cômputo do prazo prescricional, a causa do indébito. Adotase o entendimento firmado pela Seção, com ressalva do ponto de vista pessoal, no sentido da subordinação do termo a quo do prazo ao universal princípio da actio nata (votovista proferido nos autos do ERESP 423.994/SC, 1 a Seção, Min. Peçanha Martins, sessão de 08.10.2003). 3. A jurisprudência assentada no STJ considera inexistir denúncia espontânea quando o 'pagamento se referir a tributo constante de prévia Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF ou de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei. Considerase que, nessas hipóteses, a declaração formaliza a existência (= constitui) do crédito tributário, e, constituído, o crédito tributário, o seu recolhimento a destempo, ainda que pelo valor integral, não enseja o benefício do art. 138 do CTN (Precedentes da l a Seção: AGERESP 638069/SC, o Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 13.06.2005; AgRg nos EREsp 332.322/SC, l a Seção, Min. Teori Zavascki, DJ de 21/11/2005). 4. Entretanto, não tendo havido prévia declaração pelo contribuinte, configura denúncia espontânea, mesmo em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a confissão da dívida acompanhada de seu pagamento integral, anteriormente a qualquer ação fiscalizatória ou processo administrativo (Precedente: AgRg no Ag 600.847/PR, Ia Turma, Min. Luiz Fux, DJ de 05/09/2005). 5. Recurso especial desprovido". (STJ, Resp 754273/RS, 1ª Turma, Min. Rel. Teori Albino Zavascki, D.J. 03/04/2006) (grifouse). Pois bem, a multa de mora é devida em razão do pagamento em atraso de tributo ou de contribuição pelo sujeito passivo. Na verdade, a multa tem a função de punir, sancionar o descumprimento de obrigações e deveres jurídicos. Já a correção monetária atualiza o poder de compra da moeda e os juros recompõem o patrimônio estatal lesado pelo tributo não recebido a tempo. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.720111/200775 Acórdão n.º 180201.114 S1TE02 Fl. 145 8 A multa de mora, assim como a multa de ofício, ao contrário do que alega a autoridade administrativa, possui natureza jurídica de penalidade e não de compensação/indenização pelo atraso no pagamento. Não há qualquer distinção entre multa moratória e multa punitiva, tendo em vista que ambas possuem caráter punitivo, ou seja, são aplicáveis em função de um comportamento ilícito do contribuinte. Com efeito, a denúncia espontânea leva ao afastamento da possibilidade da incidência da multa moratória, uma vez que a responsabilidade do sujeito passivo fica elidida, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, o E. Superior Tribunal de Justiça entende pela exclusão da multa de mora nos casos de denúncia espontânea: “TRIBUTÁRIO DENÚNCIA ESPONTÂNEA – RESP 962.379/RS APRECIADO PELA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC INAPLICABILIDADE COFINS DÉBITO RECOLHIDO COM JUROS DE MORA ANTES DA APRESENTAÇÃO DA DCTF CONFIGURAÇÃO. 1.O REsp 962.379/RS, caso líder na sistemática prevista no art. 543 –C do CPC, é inaplicável às hipóteses em que se questiona a configuração da denúncia espontânea pelo pagamento a destempo, mas antes da entrega da DCTF, pois naquela oportunidade a Primeira Seção afastou a existência de denúncia espontânea a partir de outro enfoque, ou seja, considerando que houve declaração e o tributo não foi pago no vencimento. 2. Inexistindo prévia declaração e ocorrendo o pagamento integral da dívida com os juros de mora, configurada está configurada a denúncia espontânea, devendo ser excluída a sanção pela infração tributária: a multa, moratória ou punitiva. Precedentes. 3. Recurso especial não provido." (STJ, REsp n. 1.094.945, Segunda Turma, Min. Rel. Eliana Calmon, DJe 26/02/2009). “DIREITO TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CONFIGURAÇÃO. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. A Primeira Seção do STJ, no julgamento dos recursos repetitivos REsp n. 962.379 e REsp 886.462, reafirmou o entendimento já assentado pela Corte no sentido de que não existe denúncia espontânea quando o pagamento se referir a tributos já noticiados pelo contribuinte por meio de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS — GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei e pagos a destempo. Considerase que, nessas hipóteses, a simples declaração é apta a constituir o crédito tributário, sendo desnecessário, para tanto, o lançamento, de modo que, constituído o crédito tributário, o seu recolhimento a destempo, ainda que pelo valor integral, não enseja o benefício do art. 138 do CTN. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.720111/200775 Acórdão n.º 180201.114 S1TE02 Fl. 146 9 2. Contudo, in casu, o acórdão recorrido, com fundamento na prova dos autos, concluiu pela configuração da denúncia espontânea, porquanto não vislumbrou indício algum de que "realmente tenha havido declaração dos tributos anteriormente ao pagamento" ou de que o débito fora objeto de parcelamento. 3. Conclusão baseada em premissa fática cuja revisão é vedada a esta Corte por força do óbice da Súmula 7/STJ. 4. Assim, não havendo comprovação da ocorrência de parcelamento ou prévia declaração pelo contribuinte, configura se a denúncia espontânea, mesmo em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, em razão da confissão da dívida acompanhada de seu pagamento integral ter ocorrido em momento anterior a qualquer ação fiscalizatória ou processo administrativo. 5. No que tange à natureza da multa cujo perdão está previsto no artigo 138 do CTN, a jurisprudência desta Corte já assentou que, não havendo, no dispositivo legal, nenhuma distinção entre multa punitiva e moratória, ambas devem ser excluídas quando do reconhecimento da denúncia espontânea. Precedentes. 6. Recurso especial nãoprovido." (STJ, REsp 1062139/PR, Primeira Turma, Min. Rel. Benedito Gonçalves, DJe 19/11/2008) (grifouse). Com o devido respeito ao entendimento firmado em primeira instância, assiste razão à Recorrente em pleitear o benefício da denúncia espontânea, com o afastamento da multa moratória. É certo também que esse entendimento do STJ era o mesmo que vinha sendo aplicado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, a saber: “MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea, acompanhada do pagamento do tributo em atraso e dos juros de mora, antes de qualquer procedimento de fiscalização e da declaração do contribuinte, exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela infração cometida, nos termos do art. 138 do CTN, o qual não estabelece distinção entre multa punitiva e multa compensatória.” (CSRF – 1ª Turma da 1ª Câmara, Acórdão n. 910100.499, Data de decisão: 25/01/2010). “TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO – DENÚNCIA ESPONTÂNEA MULTA MORATÓRIA INDEVIDA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do Fl. 146DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.720111/200775 Acórdão n.º 180201.114 S1TE02 Fl. 147 10 procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF , de GIA, de GFIP, entre outros, tal qual ocorre no caso em tela. Precedentes da CSRF e do Egrégio STJ.” (CSRF, 2ª. Turma da 2ª Câmara, Acórdão n. 920200.257, Data de decisão: 22/09/2009). Por fim, corroborando esse posicionamento, citase o Parecer PGFN/CRJ/No. 2113/2011, que permitiu à PGFN não contestar, não interpor recursos e desistir dos já interpostos, quanto à questão da denúncia espontânea, senão vejamos: “Denúncia Espontânea. Exclusão da multa moratória. Inexistência de distinção entre multa moratória e multa punitiva, visto que ambas são excluídas em caso de configuração da denúncia espontânea. Inteligência do art. 138 do Código Tributário Nacional” Assim, tanto o STJ, como a CSRF, quanto a própria PGFN são favoráveis à aplicação do instituto da denúncia espontânea ao caso em tela. Diante de todo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao Recurso Voluntário, reformandose totalmente a r. decisão combatida. Marco Antonio Nunes Castilho Fl. 147DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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Numero do processo: 10640.001922/2005-75
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2003
DIPJ. ENTREGA FORA DO PRAZO ESTABELECIDO. MULTA POR ATRASO. APLICAÇÃO.
É devida multa por atraso na entrega da DIPJ de contribuinte que apresenta declarações após o prazo assinalado para cumprimento da obrigação acessória.
Numero da decisão: 1802-000.790
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DIPJ. ENTREGA FORA DO PRAZO ESTABELECIDO. MULTA POR ATRASO. APLICAÇÃO. É devida multa por atraso na entrega da DIPJ de contribuinte que apresenta declarações após o prazo assinalado para cumprimento da obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA – Presidente. (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR – Relator. Fl. 42DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 22/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kichel, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gilberto Baptista. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ. Versa o presente processo sobre o auto de infração (fl. 02) por meio do qual é exigida da recorrente multa por atraso na entrega de sua Declaração de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ ano calendário 2003. Devidamente cientificada, a recorrente apresentou Impugnação (fl. 01) esclarecendo que apresentou a dita declaração fora do prazo porquanto, na qualidade de entidade “isenta” (SIC!) desconhecia a obrigatoriedade de entrega da declaração. A 5ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro, nos termos do acórdão e voto de folhas 15 a 17, julgou o lançamento procedente, observandose que o prazo limite para entrega da Declaração, conforme consta do auto de infração objeto do presente processo fora fixado em 31/05/2004, tendo a recorrente apresentadoa extemporaneamente, em 24/06/2004, ensejando, portanto, a aplicação da penalidade pecuniária impugnada. Devidamente cientificada (fl. 20), a recorrente apresentou o requerimento de folha 21 pugnando pela redução da multa aplica. É o relatório. Voto Conselheiro EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A recorrente é empresa isenta e nessa condição, relativamente ao ano calendário 2003, inegavelmente apresentou DIPJ em atraso. Sendo assim, é conveniente relembrar que a obrigação considerada descumprida pela recorrente é do rol das chamadas “obrigações acessórias”, ou seja, daquelas Fl. 43DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 22/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10640.001922/200575 Acórdão n.º 180200.790 S1TE02 Fl. 43 3 que o Código Tributário Nacional traduz em positivas ou negativas (obrigação de fazer ou não fazer), mirando o interesse da arrecadação e fiscalização tributária, vejamos: Artigo 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (...) § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (...) É cediço que as obrigações acessórias objetivam dar meios à fiscalização tributária para investigar e controlar o recolhimento de tributos, que nada mais é, do que a obrigação principal a qual o próprio sujeito passivo da obrigação acessória, ou terceiro, estejam ou possam estar jungidos, em resumo, as obrigações acessórias viabilizam a aferição do cumprimento das obrigações tributárias em geral, por tal justificativa é que as obrigações tributárias formais, muito embora independam da efetiva existência de uma obrigação principal, (a exemplo dos autos aqui discutidos visto que a recorrente é imune), se atrelam à possibilidade ou probabilidade de existência destas, dando à administração tributária meios de aferir a realidade fiscal dos contribuintes. No caso dos autos, a recorrente estava como todos os contribuintes estão adstrita ao cumprimento de obrigação acessória, aperfeiçoada na entrega da DIPJ, e o fez em inconteste atraso. É lícito depreender da sistemática vigente, portanto, que a obrigação formal deve ser cumprida da maneira legalmente estabelecida, ou seja, as informações precisam ser apresentadas a tempo e com dados fidedignos ou em caso de erro, retificadas até a data limite estabelecida. Por essas razões encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 22 de fevereiro de 2011 (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Fl. 44DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 22/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 4 Fl. 45DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 22/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 13819.901037/2008-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/03/2000
INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito que motivou a não homologação da compensação declarada.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3302-004.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito que motivou a não homologação da compensação declarada. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 10 37 /2 00 8- 40 Fl. 58DF CARF MF 2 Por bem descrever os fatos, aqui adotase o relatório encartado na decisão de primeira instância, que segue transcrito: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: Em 29/12/2005, a empresa temendo que a Receita Federal não processasse o citado PER/DCOMP, a mesma por sua liberalidade quitou este débito com multa e juros, através do Darf código 2372 referente ao período de apuração 31/12/2003, no valor de R$ 10.701,94, portanto não há o que se falar em valores devidos, ou seja, a empresa não é devedora de débito algum, pois foi devidamente quitado, conforme cópia em anexo. Desta feita os débitos se tornam extintos face a quitação dos mesmos, em que pese a mesma ter cometido o lapso de não efetuar o cancelamento do PER/DCOMP, pois seguimos orientações do Setor de Atendimento da SRF de que não havia necessidade de cancelar o PER/DCOMP. Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Manifestação de Inconformidade: a) A empresa quitou este débito, desta maneira não há o que se falar em valor devido, ou seja, a empresa não é devedora de débito algum, pois este débito está pago conforme citado anteriormente, segue cópia em anexo, bem como qualquer cobrança relacionada a não utilização dos créditos como consta no Despacho Decisório. b) Em que pese a Lei 10.833, capítulo II, artigo 17, § 6º ‘A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados’. Tal Lei por subordinação não pode ferir o artigo 149 inciso IV do CTN, no sentido de promover a revisão de ofício do lançamento (confissão efetuada pela própria empresa, já que foi comprovado erro de fato, pela ausência do cancelamento do PER/DCOMP). c) Destarte requer que seja feita a revisão de ofício do Despacho Decisório, contemplando o respectivo cancelamento da PER/DCOMP e eximir a empresa de pagamento de qualquer débito oriundo da falta de cancelamento desta decl Sobreveio a decisão de primeira Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13819.901037/200840 Acórdão n.º 3302004.645 S3C3T2 Fl. 59 3 instância (fls. 25/28), em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e mantida a não homologação da compensação declarada, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas, que seguem transcritos: ração. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas, que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/03/2000 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 16/11/2011, a contribuinte foi cientificada da referida decisão e apresentou o recurso voluntário em 15/12/2011, em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na manifestação de inconformidade. O julgamento foi convertido em diligência, perante a unidade da Receita Federal de origem juntasse aos autos o Aviso de Recebimento (AR), por meio do qual a recorrente fora cientificada da decisão de primeiro grau. A referida diligência foi prontamente cumprida, mediante a juntada aos autos do referido documento. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado, mas, por falta de objeto, não deve ser conhecido. Com efeito, no recurso em apreço, a recorrente não contestou o motivo da não homologação da compensação, ou seja, a inexistência do valor crédito utilizado na compensação em apreço. Fl. 60DF CARF MF 4 A confirmação do asseverado foi feita pela própria recorrente no demonstrativo de apuração e pagamento integral do débito da CSLL do período, colacionado na peça recursal em apreço. Assim, se não está em questão a existência ou não do direito creditório informado pela recorrente na Declaração de Compensação (DComp) colacionada aos autos e declarado inexistente pela autoridade fiscal, no âmbito do questionado Despacho Decisório, obviamente, não existe litígio a ser dirimido por este Colegiado. Em consequência, o presente o recurso, inequivocamente, perdeu o seu objeto. De toda sorte, cabe esclarecer que, caso a recorrente não tenha recolhido a parcela do débito confessado na referida DComp, obviamente, a cobrança desse valor deverá ser feita pela unidade da Receita Federal de origem, na forma da legislação vigente. Por todo o exposto, votase pelo não conhecimento do recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721545/2013-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão na apreciação de fundamento relevante e autônomo no acórdão embargado.
CONTRIBUIÇÃO PARA O FNDCT VIA PARCELA DOS ROYALTIES - BIS IN IDEM - INAPLICABILIDADE
A contribuição para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, mediante parcela dos royalties pagos, não afasta a cobrança da CIDE sobre as remessas ao exterior para pagamento de contratos de prestação de serviços técnicos e de assistência técnica. Não ocorre bis in idem, pois os pagamentos possuem naturezas jurídicas distintas.
Embargos Acolhidos.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-004.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a omissão alegada e integrar o acórdão embargado com as razões acima expostas, sem contudo imprimir-lhe efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão na apreciação de fundamento relevante e autônomo no acórdão embargado. CONTRIBUIÇÃO PARA O FNDCT VIA PARCELA DOS ROYALTIES - BIS IN IDEM - INAPLICABILIDADE A contribuição para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, mediante parcela dos royalties pagos, não afasta a cobrança da CIDE sobre as remessas ao exterior para pagamento de contratos de prestação de serviços técnicos e de assistência técnica. Não ocorre bis in idem, pois os pagamentos possuem naturezas jurídicas distintas. Embargos Acolhidos. Crédito Tributário Mantido.
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EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão na apreciação de fundamento relevante e autônomo no acórdão embargado. CONTRIBUIÇÃO PARA O FNDCT VIA PARCELA DOS ROYALTIES BIS IN IDEM INAPLICABILIDADE A contribuição para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, mediante parcela dos royalties pagos, não afasta a cobrança da CIDE sobre as remessas ao exterior para pagamento de contratos de prestação de serviços técnicos e de assistência técnica. Não ocorre “bis in idem”, pois os pagamentos possuem naturezas jurídicas distintas. Embargos Acolhidos. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a omissão alegada e integrar o acórdão embargado com as razões acima expostas, sem contudo imprimirlhe efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 15 45 /2 01 3- 94 Fl. 27123DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302004.780 S3C3T2 Fl. 27.124 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratamse de embargos de declaração opostos pela contribuinte em face do Acórdão nº 3302003.095, por omissão do colegiado em não enfrentar as razões em torno do argumento de que a CIDE instituída pela Lei n° 10.168/2000 não lhe poderia ser exigida, uma vez que ela já contribui de forma específica para programa de amparo à pesquisa científica e ao desenvolvimento tecnológico também administrado pelo FNDCT. Os embargos foram acolhidos por este próprio relator, uma vez que versou sobre parte do voto vencedor proferido por mim, no acórdão embargado, com fulcro no artigo 65 do Anexo II do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. A omissão alegada diz respeito às razões em torno do argumento de que a CIDE instituída pela Lei n° 10.168/2000 não lhe poderia ser exigida, uma vez que ela já contribui de forma específica para programa de amparo à pesquisa científica e ao desenvolvimento tecnológico também administrado pelo FNDCT. A embargante esclareceu que "jamais pretendeu que o CARF declarasse a inconstitucionalidade da contribuição instituída pela Lei n° 10.168/2000, única situação em que caberia a aplicação da Súmula CARF n° 2, mas apenas e tão somente que este E. Colegiado reconhecesse que a Embargante não é contribuinte daquela contribuição por já contribuir para o FNDCT nos termos do Decreto n° 2.851/98." A parte do voto vencedor embargada foi assim decidida: "De outro giro, a recorrente propugna pela ocorrência de bis in idem na tributação pela CIDE, por já contribuir com parcelas de royalties ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – FNDCT, em ofensa ao princípio da isonomia consagrado na Constituição Federal. Neste aspecto, deixo de conhecer de tal argumentação por envolver apreciação de inconstitucionalidade na aplicação da Lei nº 10.168/2000, o que é vedado a este Conselho, nos termos da Súmula CARF nº 2." Assim, embora a embargante tenha mencionado em seu recurso voluntário que o pagamento de parcela dos royalties para o FNDCT, estipulado pelo Decreto nº 2.851/1998, concomitante à sujeição à incidência da CIDE pela Lei nº 10.168/2000, Fl. 27124DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302004.780 S3C3T2 Fl. 27.125 3 configuraria ofensa ao princípio da isonomia consagrado na Constituição Federal, de fato, cabe uma apreciação sobre a concomitância dos pagamentos dos royalties e da sujeição à CIDE, sem abordar questões constitucionais. Neste ponto, conforme destacado pela própria embargante, a matéria fora enfrentada pela decisão de primeira instância, cujos argumentos transcrevo abaixo e adoto como razão de decidir, nos termos do artigo 50, §1º da Lei nº 9.784/19991: "A Impugnante já contribui para o FNDCT via parcela dos royalties: ilegitimidade da cobrança em duplicidade para financiar a mesma atividade. Alega a interessada que, por força do Decreto nº 2.851/98, já contribui para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, mediante parcela dos royalties pagos. Afirma que esta contribuição é específica para o financiamento de pesquisas cientificas e desenvolvimento tecnológico, enquanto que CIDE se refere a um programa geral com o mesmo objetivo. Assim, a cobrança da CIDE deve ser afastada em razão do “bis in idem”. Primeiramente, cabe esclarecer que o pagamento de royalties não se confunde com o pagamento da CIDE. Os royalties, conforme define o artigo 11 do Decreto nº 2.705/98, constituem compensação financeira devida pelos concessionários de exploração e produção de petróleo ou gás natural, e serão pagos mensalmente, com relação a cada campo, a partir do mês em que ocorrer a respectiva data de início da produção, vedada quaisquer deduções. Já a CIDE tem natureza jurídica de tributo. Segundo Hugo de Brito Machado, em sua obra Curso de Direito Tributário, o crédito tributário “... é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional).” Assim, uma vez ocorrendo o fato gerador, previsto na lei instituidora do tributo, surge a obrigação tributária, devendo o crédito tributário ser constituído e pago. Se a autuada incorre nestas duas situações, deve se submeter aos ditames da lei, e cumprir com as obrigações, seja de natureza tributária (crédito tributário), seja de natureza compensatória (royalties). Cabe ainda ressaltar que, nos termos do artigo 141 do CTN, a exclusão de crédito tributário deve ter previsão legal, o que não ocorre no presente caso. Logo, correta a cobrança da CIDE, mesmo que a destinação dos recursos seja a mesma da parcela dos royalties pagos. E por terem naturezas diversas, não há que se falar em “bis in idem”, instituto que só ocorre quando há cobrança de mais de 1 § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 27125DF CARF MF Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302004.780 S3C3T2 Fl. 27.126 4 um tributo sobre o mesmo fato gerador, e pelo mesmo ente tributante. Logo, os motivos trazidos neste item não tem o condão de ilidir o lançamento." Diante do exposto, voto para acolher os embargos de declaração para sanar a omissão alegada e integrar o acórdão embargado com as razões acima expostas, sem contudo imprimirlhe efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 27126DF CARF MF
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