Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,797)
- Primeira Turma Ordinária (16,268)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,177)
- Primeira Turma Ordinária (16,126)
- Primeira Turma Ordinária (16,115)
- Segunda Turma Ordinária d (15,858)
- Segunda Turma Ordinária d (14,456)
- Primeira Turma Ordinária (13,024)
- Primeira Turma Ordinária (12,395)
- Segunda Turma Ordinária d (12,382)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,433)
- Quarta Câmara (84,928)
- Terceira Câmara (67,526)
- Segunda Câmara (55,905)
- Primeira Câmara (20,315)
- 3ª SEÇÃO (16,177)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,442)
- Segunda Seção de Julgamen (114,527)
- Primeira Seção de Julgame (76,632)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,890)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- HELCIO LAFETA REIS (3,758)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,730)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,922)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,550)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,244)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10650.001046/2005-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. REDISCUSSÃO DE MÉRITO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE.
Os embargos de declaração prestam-se ao questionamento de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão proferido pelo CARF. Resta fora do universo de manejo dos embargos a simples rediscussão de mérito da matéria já decidida pelo colegiado.
Numero da decisão: 3401-003.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos apresentados, nos termos do voto. Houve sustentação oral, pela advogada Tatiana Zuconi Viana Maia, OAB/DF no 15.539.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. REDISCUSSÃO DE MÉRITO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. Os embargos de declaração prestam-se ao questionamento de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão proferido pelo CARF. Resta fora do universo de manejo dos embargos a simples rediscussão de mérito da matéria já decidida pelo colegiado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10650.001046/2005-68
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5578978
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3401-003.133
nome_arquivo_s : Decisao_10650001046200568.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10650001046200568_5578978.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos apresentados, nos termos do voto. Houve sustentação oral, pela advogada Tatiana Zuconi Viana Maia, OAB/DF no 15.539. ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
id : 6337274
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423810203648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1762; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 634 1 633 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10650.001046/200568 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3401003.133 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de março de 2016 Matéria DCOMPCOFINS Embargante VALE FERTILIZANTES S.A. (nova denominação de FERTILIZANTES FOSFATADOS S.A. FOSFERTIL) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. REDISCUSSÃO DE MÉRITO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. Os embargos de declaração prestamse ao questionamento de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão proferido pelo CARF. Resta fora do universo de manejo dos embargos a simples rediscussão de mérito da matéria já decidida pelo colegiado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos apresentados, nos termos do voto. Houve sustentação oral, pela advogada Tatiana Zuconi Viana Maia, OAB/DF no 15.539. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente Substituto. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 00 10 46 /2 00 5- 68 Fl. 634DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 556 a 567)1 opostos pela empresa, em relação ao Acórdão nº 3403003.488 (fls. 496 a 522), por mim relatado, no qual foi dado provimento parcial ao recurso voluntário pelo voto de qualidade. Alega a embargante que a decisão é omissa: em relação: (a) às razões que levaram a turma a entender que bens seriam de ativação obrigatória; (b) à impossibilidade de reclassificação de itens de modo a permitir o crédito com base na taxa de depreciação; e (c) à análise e consideração dos documentos apresentados pela embargante e à necessidade de realização de diligência. Figuram ainda no presente processo recurso especial interposto pela Fazenda (fls. 531 a 538), com exame de admissibilidade às fls. 540 a 543, e contrarrazões do contribuinte (fls. 571 a 580). Os embargos foram admitidos pelo despacho de fls. 632/633, e o processo foi a mim distribuído para inclusão em pauta de julgamento e apreciação pelo colegiado, no mérito. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no despacho de fls. 632/633, passase diretamente à análise das omissões objetivamente apontadas. Importante destacar que no exame de admissibilidade não se estava a verificar efetivamente se houve omissões, mas se estas haviam sido objetivamente apontadas. Relevante ainda informar que com o novo RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015, mais precisamente com seu art. 65, § 8º, passou a existir expressa previsão de sustentação oral pelas partes no julgamento de embargos de declaração. Como relatado, são três as omissões apontadas, em relação: (a) às razões que levaram a turma a entender que bens seriam de ativação obrigatória; (b) à impossibilidade de reclassificação de itens de modo a permitir o crédito com base na taxa de depreciação; e (c) à Fl. 635DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10650.001046/200568 Acórdão n.º 3401003.133 S3C4T1 Fl. 635 3 análise e consideração dos documentos apresentados pela embargante e à necessidade de realização de diligência. Sobre o primeiro tema, entendeu a embargante (às fls. 559/561) que, em relação "a (i) item ativado; (ii) itens utilizados em outras aquisições; e (iii) serviços utilizados como insumo; o acórdão embargado reconheceu que os bens/serviços foram efetivamente utilizados no processo produtivo", e que por serem tais bens e serviços de ativação obrigatória, restaria impossibilitado o crédito integral. No entanto, faltaria, no acórdão, justificativa / motivação que levasse à conclusão de que os bens seriam de ativação obrigatória, e não haveria manifestação sobre "as razões expostas pela embargante ao longo do processo administrativo, de que os itens não seriam de ativação obrigatória, uma vez que as partes e peças utilizadas na manutenção de seus equipamentos industriais não prolongam a vida útil dos bens". Verificando o acórdão embargado, percebese que não procede a alegação de omissão. Vejase que o item 2.1.2 do acórdão embargado ("gastos ativáveis" fls. 509 a 511) trata detalhadamente do tema, destacando qual o conceito de insumos adotado (que, reiterese, não coincide com o adotado pela embargante, nem com o adotado pelo fisco). E, nas subdivisões de tal item (2.1.2.1 a 2.1.2.4 fls. 512 a 515), o acórdão embargado trata, individualizadamente, sobre a motivação de cada uma das matérias discutidas, inclusive afastando as glosas em alguns casos (como o referente a 11 itens em estoque), e sobre a necessidade de ativação, fazendo expressa remissão aos dispositivos normativos que a determinam. A mesma afirmação é válida para serviços (fl. 517 do acórdão embargado). Assim, parece buscar a recorrente, apontando a omissão inexistente de fato, simplesmente rediscutir a matéria julgada, o que não se admite em sede de embargos. A segunda omissão indicada pela empresa se refere à impossibilidade de reclassificação de itens de modo a permitir o crédito com base na taxa de depreciação. Entende a empresa que, mesmo diante da manutenção das glosas, deveriam os itens ser "reclassificados de ofício em nome da verdade material", e o acórdão embargado entendeu que tal reclassificação não seria possível "sem, contudo, trazer qualquer justificativa plausível para tanto", sendo que o art. 7o da IN SRF no 457/2004, utilizado pelo acórdão para fundamentar a ausência de reclassificação, não se aplica ao caso. Não é preciso muito esforço para perceber que também em tal item está a embargante, de fato, simplesmente discordando de uma das justificativas constantes do acórdão embargado (relativa à IN SRF no 457/2004), não existindo omissão, mas inconformidade. Novamente, há que se destacar que o manejo de embargos não se destina a atacar discordâncias em relação ao entendimento expresso no julgamento. Por fim, a terceira omissão apontada se refere à análise e consideração dos documentos apresentados pela embargante e à necessidade de realização de diligência. Sobre tal tema, há também expressa menção no voto condutor do acórdão embargado (fls. 503/506), cabendo aqui transcrever excertos bastante esclarecedores do entendimento externado pela turma de julgamento: Em relação à afirmação de que o ônus probatório em processos desta natureza é da postulante ao crédito, temos que é absolutamente correta. Não se está aqui tratando de uma “autuação” (como afirmava inicialmente a manifestação de Fl. 636DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 inconformidade da empresa), mas de um pedido de crédito, no qual o solicitante tem o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito. (...) Não se pode em nome da verdade material promover uma dilação probatória 'ad infinitum', com conversões em diligência ou demandas de perícia para que a recorrente apresente detalhamentos ou documentos que já lhe eram demandados durante o procedimento de fiscalização. Daí a importância do disposto no art. 16, § 4o do Decreto n o 70.235/1972. Com tais observações, partese para o terceiro motivo alegado pela recorrente para suscitar a nulidade do acórdão de piso: a negativa de atendimento do pedido de diligência. Em relação a tal pedido, cabe a transcrição do correspondente excerto na manifestação de inconformidade do presente processo (fl. 130): “Por oportuno, a Requerente postula que, caso seja considerado necessário por este órgãos julgador, seja determinada a realização de diligência fiscal visando à comprovação das alegações expostas na presente Manifestação de Inconformidade” Aliás, o argumento é reiterado no Recurso Voluntário (fls. 485/486), requerendo a recorrente: “(...) a nulidade do acórdão recorrido para que outro seja proferido com a análise de todos os argumentos de fato e de direito expostos na peça de defesa, inclusive para a realização de diligência fiscal naquelas hipóteses em que se entendeu pela insuficiência dos documentos apresentados, sob pena de ofensa aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa, da legalidade e da verdade material.” Há, aqui, um equívoco manifesto por parte da recorrente: a diligência, como tem reiteradamente decidido esta turma, não se presta a suprir deficiência probatória, como já referido nos precedentes transcritos neste item. A postulante deve carrear ao processo os documentos necessários à comprovação da certeza e liquidez do crédito. E sua falha nesse desiderato implica negativa de acolhida do crédito. Destarte, jamais seria nula uma decisão da DRJ por rejeitar a realização de diligência demandada para suprir eventual deficiência probatória, pois a diligência definitivamente não se presta a tal propósito." (grifo nosso) Também a terceira omissão, assim, não passa de uma discordância em relação ao entendimento externado no acórdão. Parece, em síntese, a embargante, simplesmente desejar rediscutir, no mérito, o decidido pela turma, discordando da conclusão externada no acórdão. E, repitase, tal rediscussão não se encontra no universo permitido ao manejo de embargos de declaração. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10650.001046/200568 Acórdão n.º 3401003.133 S3C4T1 Fl. 636 5 Pelo exposto, restaram ausentes na decisão embargada as omissões apontadas, e os embargos de declaração, recordese, prestamse a questionamento de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão proferido pelo CARF. Voto, portanto, no sentido de rejeitar os embargos de declaração apresentados. Rosaldo Trevisan Fl. 638DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 13749.000152/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DIRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. EXIGÊNCIAS. MOTIVAÇÃO
A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringe-se a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º).
Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado.
Todo ato administrativo deve ser motivado. A motivação é a justificativa do ato. O motivo alegado é elemento que vincula o ato administrativo. Se o lançamento apresenta um expresso motivo para desconsiderar os recibos apresentados, a lide fica adstrita a essa motivação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$ 15.800,00, no ano de 2008.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 DIRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. EXIGÊNCIAS. MOTIVAÇÃO A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringe-se a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º). Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Todo ato administrativo deve ser motivado. A motivação é a justificativa do ato. O motivo alegado é elemento que vincula o ato administrativo. Se o lançamento apresenta um expresso motivo para desconsiderar os recibos apresentados, a lide fica adstrita a essa motivação. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13749.000152/2011-71
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5596920
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2202-003.400
nome_arquivo_s : Decisao_13749000152201171.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
nome_arquivo_pdf_s : 13749000152201171_5596920.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$ 15.800,00, no ano de 2008. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
dt_sessao_tdt : Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
id : 6403679
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423814397952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2355; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 79 1 78 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13749.000152/201171 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.400 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de maio de 2016 Matéria IRPF Recorrente EDUARDO BRUNO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DIRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. EXIGÊNCIAS. MOTIVAÇÃO A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringese a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º). Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Todo ato administrativo deve ser motivado. A motivação é a justificativa do ato. O motivo alegado é elemento que vincula o ato administrativo. Se o lançamento apresenta um expresso motivo para desconsiderar os recibos apresentados, a lide fica adstrita a essa motivação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$ 15.800,00, no ano de 2008. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 00 01 52 /2 01 1- 71 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13749.000152/201171 Acórdão n.º 2202003.400 S2C2T2 Fl. 80 2 Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância (fl. 44), complementandoo ao final: Trata o presente processo de impugnação à exigência formalizada através de NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO de imposto de renda pessoa física, f. 24 a 28, do exercício 2009, ano calendário 2008, por meio do qual se exige o crédito tributário no valor de R$ 12.741,78 calculado em 24/01/2011 tendo os seguintes valores originários: Imposto Suplementar sujeito à multa de ofício (parte A): R$6.650,16; Imposto sujeito à multa de mora (parte B): R$ 0,00. Segundo descrição dos fatos e enquadramento legal, f. 25, o lançamento de ofício decorre das seguintes infrações: Dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 24.182,40 pois a documentação apresentada pelo contribuinte não atende às formalidades legais. Houve a glosa das seguintes despesas médicas: (...) Em sua impugnação (f. 9), o interessado alega que: 1. São verdadeiras as despesas com a fonoaudióloga DANIELA PERES ASCHAR no valor de R$ 5.300,00 (11 recibos) e com a fisioterapeuta EVELISE DE BARROS PEREIRA no valor de R$ 10.500,00 (12 recibos); 2. São equivocadas as despesas referentes ao plano de saúde UNIMED que, por descuido, lançou inadvertidamente o valor total da apólice, ou seja, incluindo esposa e filhos. Portanto, a parte dedutível é de R$ 2.524,48 e a parte deduzida indevidamente é de R$ 5.857,92; Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13749.000152/201171 Acórdão n.º 2202003.400 S2C2T2 Fl. 81 3 3. O impugnante recolheu o valor de R$ 2.489,07, assim calculado: R$ 5.857,92 x 27,5% R$ 1.610,92 + R$ 604,11 (multa) + 274,02 (juros); 4. Solicita a prioridade na análise de acordo com a previsão contida no art. 71 da lei 10.472/2003 (Estatuto do Idoso); 5. Assim, solicita o cancelamento da Notificação de Lançamento; O contribuinte juntou cópia do DARF (f. 23) no valor originário de R$ 1.610,94 e valor total de R$ 2.489,07. Houve a transferência da cobrança no valor originário de R$ 1.610,94 para o processo 13749.000167/201130, restando neste processo o crédito tributário no valor originário de R$ 5.039,22 (f. 30). O processo foi reconstituído (f. 34) após ter sido extraviado pelos Correios conforme informado através de ofício de 24/05/2011 daquele órgão (f. 3). Ao analisar a manifestação da contribuinte, o Julgador recorrido assim dispôs, em suma: a) O contribuinte reconhece e aceita parte da glosa da despesa paga ao plano de saúde Unimed no valor de R$ 5.857,92. Efetuou o cálculo cujo valor originário obtido foi de R$ 1.610,94 que está correto. Em relação ao plano de saúde, ainda, o contribuinte trouxe aos autos um demonstrativo (f. 19) onde consta o valor relativo ao plano de saúde do interessado no valor de R$ 2.524,48. Em relação aos demais beneficiários, o contribuinte reconhece que foi deduzido indevidamente. Assim, será acatada a dedução de R$ 2.524,48. b) Revelase equivocado o entendimento de que os recibos são os únicos documentos necessários e hábeis para comprovação dos pagamentos e lisura das deduções pleiteadas. Esta não é a correta interpretação do dispositivo. A critério da Autoridade Fiscal, podem ser exigidas provas complementares, pois a tônica do dispositivo é a especificação e comprovação dos pagamentos. Havendo questionamento da autoridade fiscal, tornase necessária a comprovação da efetiva prestação do serviço e do pagamento correspondente. Assim, justificase a exigência por parte do Fisco de elementos adicionais para a comprovação da efetiva prestação dos serviços e do pagamento. Assim, deuse a decisão de 1ª instância para considerar procedente em parte o lançamento. Cientificado dessa decisão em 27/09/2012 (AR na folha 57), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 26/10/2012, com protocolo na folha 59. Em sede de recurso, procura rebater os argumentos da DRJ , dizendo que apresenta declarações das profissionais em questão com a discriminação dos serviços prestados, documentos que comprovam a necessidade desses tratamentos em razão de patologia crônica e que os serviços foram pagos em dinheiro, a partir de saldo em espécie que foi declarado ao Fisco, na DIRPF. PEDE o acolhimento do recurso, cancelandose a exigência fiscal. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13749.000152/201171 Acórdão n.º 2202003.400 S2C2T2 Fl. 82 4 É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. A lide que chega a esta instância recursal cingese à glosa de dedução com despesas médicas declaradas com as profissionais Gabriela Peres Aschar (R$ 5.300,00) e Evelise de Barros Pereira (R$ 10.500,00), uma vez que a glosa que fora efetuada em relação ao plano de saúde Unimed já está resolvida pela impugnação/acórdão de 1ª instância. Todo ato administrativo deve ser motivado. A motivação é a justificativa do ato. O motivo alegado é elemento que vincula o ato administrativo. Se o julgador de 1ª instância apresenta um expresso motivo para desconsiderar o recibo apresentado, a lide fica adstrita a essa motivação. Vejase na Notificação de Lançamento que o motivo apresentado para a glosa, ante a apresentação dos recibos foi "documentação apresentada pelo contribuinte não atende as formalidades legais"(fl. 26). Mesmo porque, o Termo de Intimação Fiscal que consta da folha 04 não exigiu do contribuinte a comprovação do efetivo pagamento ou efetivo tratamento, referindose apenas a "comprovantes originais e cópias das despesas médicas, com identificação do paciente." Nada obsta que a Administração Tributária exija que o Interessado comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas, quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no § 3º do art. 11 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943 e no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, assim descritos: DecretoLeinº 5.844/1943 Art. 11. (...) § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Observo, por oportuno, que tal faculdade deve ser concretizada por meio de um ato cuja materialização se dá com a lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Cito a jurisprudência que vem se observando neste CARF: Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13749.000152/201171 Acórdão n.º 2202003.400 S2C2T2 Fl. 83 5 Acórdão 2801003.769 – 1ª Turma Especial. Sessão de 9 de outubro de 2014 Exercício: 2004 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA. RESTABELECIMENTO. A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora, à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Hipótese em que não consta dos autos o termo que supostamente teria intimado o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento. Recurso Voluntário Provido Acórdão 2802002.743 – 2ª Turma Especial. Sessão de 18 de março de 2014 IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela Lei nº 9.250/95. A exigência de comprovação do efetivo pagamento das despesas é medida excepcional, que só se justifica quando há indícios de inidoneidade dos recibos apresentados, o que não ocorreu no caso. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos e declarações firmados pelos profissionais que confirma a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Recurso Voluntário Provido A própria DRJ transcreveu uma decisão deste CARF em que se condiciona a recusa dos recibos à exigência prévia da autoridade lançadora pela comprovação do pagamento. Vejamos (fl. 47): DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. todas as despesas médicas estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova dos respectivos pagamentos. nessa hipótese, a apresentação tão somente de recibos, sem a prova do efetivo pagamento, é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. multa de ofício. CARF Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13749.000152/201171 Acórdão n.º 2202003.400 S2C2T2 Fl. 84 6 2a. Seção 1a. Turma Especial / ACÓRDÃO 280100.497 em 12.05.2010. Publicado DOU: 16.09.2010.(destaquei) Assim, entendo descabida a exigência, no julgamento da impugnação, de que o contribuinte deveria ter comprovado o efetivo pagamento das despesas lastreadas pelos recibos apresentados, porque a Autoridade Fiscal não exigiu isso tampouco motivou a glosa na ausência dessa comprovação. Também, não descreveu a Autoridade Fiscal qual seria a formalidade não atendida pelos recibos apresentados. Ausência de assinatura, endereço, CPF do emissor? Apontou o Julgador de 1ª instância que faltava descrição dos serviços. A isso, o contribuinte apresenta declarações firmadas pelas duas profissionais, descrevendo o serviço prestado, além de uma declaração firmada por outro médico, que não é um dos signatários dos recibos apresentados, indicando "sessões intensivas e contínuas de fisioterapia". Considerando os recibos apresentados e a documentação complementar, com descrição do tratamento e indicação do mesmo, e pelo exposto, VOTO por dar provimento ao recurso para restabelecer a dedução com despesas médicas no importe de R$ 15.800,00, no ano de 2008. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720011/2012-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2007
CONCOMITÂNCIA. PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO.
A concomitância entre processos judiciais e administrativos exclui da apreciação dos órgãos administrativos de julgamento a matéria submetida ao crivo do Judiciário.
NULIDADE.
É legítima a lavratura de auto de infração na pendência de medida judicial, a teor do art. 63 da Lei nº 9.430/96.
DECADÊNCIA.
Os fatos geradores da CIDE são mensais por expressa determinação legal. Sendo assim, o prazo de decadência de cinco anos, previsto no art. 150, § 4º, do CTN, deve ser contado mês a mês.
CIDE. INCIDÊNCIA. SERVIÇOS DE ROAMING INTERNACIONAL.
É legítima a incidência da CIDE sobre remessas a título de pagamento do serviço de roaming internacional.
MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
A exclusão da multa de ofício com base no art. 63 da Lei nº 9.430/96 só alcança o crédito tributário cuja exigibilidade houver sido suspensa antes do início de qualquer procedimento de ofício tendente a exigi-lo.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO.
Sempre que o contribuinte deixar de atender, no prazo fixado, intimação para prestar esclarecimentos, para apresentar arquivos ou sistemas, ou para apresentar documentação técnica, nos termos estabelecidos em lei, a multa deve ser agravada em 50%.
JUROS DE MORA.
A teor da Súmula CARF nº 5 a exclusão dos juros de mora em relação a crédito tributário com exigibilidade suspensa, só acontece nos casos em que houver o depósito do seu montante integral.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VALORES PAGOS ANTES DO INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO.
Sendo constatado pela fiscalização que houve lançamento de ofício de valores pagos antes do início da fiscalização, correta a exclusão de tais valores do auto de infração.
Recursos de ofício e voluntário negados.
Numero da decisão: 3402-003.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e não se tomar conhecimento do recurso voluntário na parte em que existe concomitância com os processos judiciais. Na parte conhecida, por maioria de votos, deu-se provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o agravamento da multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire e Waldir Navarro Bezerra, que negaram provimento na íntegra. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que deu provimento parcial em maior extensão para excluir a integralidade da multa de ofício. Designado o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto para redigir o voto vencedor quanto ao desagravamento da multa. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro apresentou declaração de voto. Tendo em vista a mudança na composição do colegiado, sustentou pela recorrente o Dr. João Rafael Carvalho, OAB/RJ 152.255.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
(Assinado com certificado digital)
Carlos Augusto Daniel Neto - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2007 CONCOMITÂNCIA. PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. A concomitância entre processos judiciais e administrativos exclui da apreciação dos órgãos administrativos de julgamento a matéria submetida ao crivo do Judiciário. NULIDADE. É legítima a lavratura de auto de infração na pendência de medida judicial, a teor do art. 63 da Lei nº 9.430/96. DECADÊNCIA. Os fatos geradores da CIDE são mensais por expressa determinação legal. Sendo assim, o prazo de decadência de cinco anos, previsto no art. 150, § 4º, do CTN, deve ser contado mês a mês. CIDE. INCIDÊNCIA. SERVIÇOS DE ROAMING INTERNACIONAL. É legítima a incidência da CIDE sobre remessas a título de pagamento do serviço de roaming internacional. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. A exclusão da multa de ofício com base no art. 63 da Lei nº 9.430/96 só alcança o crédito tributário cuja exigibilidade houver sido suspensa antes do início de qualquer procedimento de ofício tendente a exigi-lo. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Sempre que o contribuinte deixar de atender, no prazo fixado, intimação para prestar esclarecimentos, para apresentar arquivos ou sistemas, ou para apresentar documentação técnica, nos termos estabelecidos em lei, a multa deve ser agravada em 50%. JUROS DE MORA. A teor da Súmula CARF nº 5 a exclusão dos juros de mora em relação a crédito tributário com exigibilidade suspensa, só acontece nos casos em que houver o depósito do seu montante integral. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VALORES PAGOS ANTES DO INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. Sendo constatado pela fiscalização que houve lançamento de ofício de valores pagos antes do início da fiscalização, correta a exclusão de tais valores do auto de infração. Recursos de ofício e voluntário negados.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 11 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16561.720011/2012-36
anomes_publicacao_s : 201607
conteudo_id_s : 5609204
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-003.108
nome_arquivo_s : Decisao_16561720011201236.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 16561720011201236_5609204.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e não se tomar conhecimento do recurso voluntário na parte em que existe concomitância com os processos judiciais. Na parte conhecida, por maioria de votos, deu-se provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o agravamento da multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire e Waldir Navarro Bezerra, que negaram provimento na íntegra. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que deu provimento parcial em maior extensão para excluir a integralidade da multa de ofício. Designado o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto para redigir o voto vencedor quanto ao desagravamento da multa. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro apresentou declaração de voto. Tendo em vista a mudança na composição do colegiado, sustentou pela recorrente o Dr. João Rafael Carvalho, OAB/RJ 152.255. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. (Assinado com certificado digital) Carlos Augusto Daniel Neto - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
id : 6437619
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423823835136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2079; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720011/201236 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3402003.108 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de junho de 2016 Matéria CIDE TECNOLOGIA Recorrentes TIM CELULAR S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2007 CONCOMITÂNCIA. PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. A concomitância entre processos judiciais e administrativos exclui da apreciação dos órgãos administrativos de julgamento a matéria submetida ao crivo do Judiciário. NULIDADE. É legítima a lavratura de auto de infração na pendência de medida judicial, a teor do art. 63 da Lei nº 9.430/96. DECADÊNCIA. Os fatos geradores da CIDE são mensais por expressa determinação legal. Sendo assim, o prazo de decadência de cinco anos, previsto no art. 150, § 4º, do CTN, deve ser contado mês a mês. CIDE. INCIDÊNCIA. SERVIÇOS DE ROAMING INTERNACIONAL. É legítima a incidência da CIDE sobre remessas a título de pagamento do serviço de roaming internacional. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. A exclusão da multa de ofício com base no art. 63 da Lei nº 9.430/96 só alcança o crédito tributário cuja exigibilidade houver sido suspensa antes do início de qualquer procedimento de ofício tendente a exigilo. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Sempre que o contribuinte deixar de atender, no prazo fixado, intimação para prestar esclarecimentos, para apresentar arquivos ou sistemas, ou para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 11 /2 01 2- 36 Fl. 10503DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Ass inado digitalmente em 01/07/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 2 apresentar documentação técnica, nos termos estabelecidos em lei, a multa deve ser agravada em 50%. JUROS DE MORA. A teor da Súmula CARF nº 5 a exclusão dos juros de mora em relação a crédito tributário com exigibilidade suspensa, só acontece nos casos em que houver o depósito do seu montante integral. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VALORES PAGOS ANTES DO INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. Sendo constatado pela fiscalização que houve lançamento de ofício de valores pagos antes do início da fiscalização, correta a exclusão de tais valores do auto de infração. Recursos de ofício e voluntário negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e não se tomar conhecimento do recurso voluntário na parte em que existe concomitância com os processos judiciais. Na parte conhecida, por maioria de votos, deuse provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o agravamento da multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire e Waldir Navarro Bezerra, que negaram provimento na íntegra. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que deu provimento parcial em maior extensão para excluir a integralidade da multa de ofício. Designado o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto para redigir o voto vencedor quanto ao desagravamento da multa. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro apresentou declaração de voto. Tendo em vista a mudança na composição do colegiado, sustentou pela recorrente o Dr. João Rafael Carvalho, OAB/RJ 152.255. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. (Assinado com certificado digital) Carlos Augusto Daniel Neto Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 31/01/2012, lavrado para exigir a CIDE TECNOLOGIA, instituída pela Lei nº 10.168/2000, em relação aos fatos geradores ocorridos durante o anocalendário de 2007. Fl. 10504DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Ass inado digitalmente em 01/07/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 16561.720011/201236 Acórdão n.º 3402003.108 S3C4T2 Fl. 3 3 Segundo o Termo de Verificação, o contribuinte impetrou dois mandados de segurança preventivos para contestar a exigência da CIDE TECNOLOGIA perante o Poder Judiciário, tendo obtido em um deles liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário posteriormente ao início da ação fiscal. A fiscalização, contudo, entendeu que se tratando de mandados de segurança preventivos, as tutelas não alcançam os fatos geradores pretéritos às impetrações (ocorridos durante o ano de 2007). A fiscalização considerou que a CIDE TECNOLOGIA incide sobre pagamentos de serviços técnicos prestados por empresas estrangeiras independentemente de ocorrer transferência de tecnologia. Sendo assim, a fiscalização tributou serviços de Roaming Internacional; Aluguel de Links; Publicações e Assinaturas; Transporte Internacional CSP 41; Serviço de Sinalização; Treinamento. Serv. Div. Publicidade, Propaganda e Marketing; Pesquisa de Opinião; Pagamentos de Royalties; Licenças de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador (estes apenas quando houve transferência de tecnologia). Relata a fiscalização que agravou a multa de ofício, com base no art. 44, § 2º da Lei nº 9.430/96, em face de a empresa ter postergado o cumprimento das diversas intimações; de não ter entregue contratos comerciais de prestação de serviço; de não ter apresentado os esclarecimentos e as informações solicitadas pelo fisco ou, quando as apresentou, o fez com erros e de forma inconsistente. Relata a fiscalização que a TIM CELULAR é contumaz em não atender às solicitações do fisco, citando ocorrências nos processos administrativos 16643.000083/201091 e 16643.00085/201081. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: a) Ocorreu a decadência parcial do crédito tributário lançado; b) Impossibilidade de exigir a CIDE sobre remessas a domiciliados no exterior a título da cessão onerosa de meios e redes de telefonia, pois (i) existe decisão judicial proferida no mandado de segurança 1637.14.2011.4.03, que veda essa cobrança; (ii) porque tais serviços estão isentos por força do Regulamento das Telecomunicações Internacionais, aprovado pelo Tratado de Melbourne em 09/12/1988 e da Convenção da União Internacional das Telecomunicações UIT, aprovada pelo Tratado de Genebra de 22/12/1992; e (iii) porque tais remessas envolvem a remuneração pela cessão do direito de uso de um bem de terceiro e não configuram a hipótese de incidência da referida contribuição, nos termos do art. 2º da Lei nº 10.168/2000; c) As remessas efetuadas ao exterior como contraprestação de serviços técnicos profissionais, consultoria e licenciamento de software, dentre outros serviços que envolvem transferência de tecnologia, foram devidamente oferecidas à tributação pela CIDE, tendo o crédito tributário sido recolhido nos prazos de vencimento legal das respectivas obrigações. As remessas para pagamento desses serviços que não foram tributadas pela CIDE dizem respeito à remuneração de atividades que não envolvem transferência de tecnologia; d) Ainda que sejam desconsideradas todas as alegações acima, a fiscalização não pode incluir na base de cálculo da CIDE o valor do IRRF, nos casos em que a fonte pagadora arca com o ônus do imposto ("gross up"); e) Não pode haver cobrança de juros de mora e nem multa de ofício no caso concreto, pois a empresa está amparada por medida judicial; O julgamento foi convertido em diligência pela DRJ para verificação da alegação de pagamentos efetuados, tendo retornado com o relatório de diligência de fls. Fl. 10505DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Ass inado digitalmente em 01/07/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 4 10310/10312, nos quais a fiscalização reconheceu a procedência das alegações propondo a redução do valor da contribuição lançada de R$ 31.538.197,81 para R$ 22.532.209,12. Por meio do Acórdão 62.840, de 30/10/2014 a DRJ São Paulo julgou parcialmente procedente a impugnação. O julgado recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2007 NULIDADE.DESCABIMENTO. É incabível de ser pronunciada a nulidade de Auto de Infração lavrado por autoridade competente, tendo em conta o art. 59 do Decreto 70.235/72. DECADÊNCIA. DESCABIMENTO. É regular a constituição de crédito tributário cientificada ao sujeito passivo dentro do prazo de cinco anos contado do fato gerador. AÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A lavratura do Auto de Infração no curso de ação judicial está autorizada pela norma contida no art. 62 do Decreto nº 70.235/72, tendo em vista que a previsão de impedimento nele contida recai sobre a executoriedade da obrigação tributária, como evidenciado no parágrafo único do dispositivo (“Se a medida referirse à matéria objeto de processo fiscal, o curso deste não será suspenso exceto quanto aos atos executórios”). PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Descabe à instância julgadora administrativa pronunciarse sobre questão objeto de tutela judicial. AUTO DE INFRAÇÃO.DETERMINAÇÃO E EXIGÊNCIA DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. O Auto de Infração é instrumento competente para a determinação e exigência dos créditos tributários da União. MULTA DE OFÍCIO. Quanto o impugnante não dá notícias nos autos de suspensão da exigibilidade por ocasião do início da ação fiscal, descabe em sede de julgamento administrativo o afastamento da multa aplicada. MULTA DE OFÍCIO.AGRAVAMENTO. Sempre que o contribuinte deixar de atender, no prazo fixado, intimação para prestar esclarecimentos, ficará sujeito à aplicação de multa agravada. ADAPTAÇÃO À COISA JULGADA. Fl. 10506DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Ass inado digitalmente em 01/07/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 16561.720011/201236 Acórdão n.º 3402003.108 S3C4T2 Fl. 4 5 Tendo o sujeito passivo apelado à Justiça, cabe à Unidade jurisdicionante do contribuinte adaptar o crédito tributário à coisa julgada, fazendo os ajustes administrativos necessários ao fiel cumprimento das decisões judiciais aplicáveis. RESULTADO DE DILIGÊNCIA. EXONERAÇÃO PARCIAL. Diante do resultado de diligência empreendida pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que examinou a documentação do contribuinte, assentando a inexistência de parte do crédito tributário exigido no auto de infração, cabe exonerar as parcelas que se constataram indevidas. Impugnação Procedente em Parte. Houve interposição de recurso de ofício em relação à parcela do crédito tributário exonerada na DRJ. Regularmente notificado da decisão de primeira instância em 23/01/2015, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 24/02/2015, no qual, basicamente, reeditou as alegações de impugnação, acrescentando o seguinte: a) Decadência. O acórdão recorrido teria contado o prazo a partir do vencimento legal da obrigação e não a partir da data do fato gerador. Por tal motivo entende a defesa que os fatos geradores do mês de janeiro de 2007 devem ser excluídos da autuação; b) Nulidade da lavratura do auto de infração na pendência de medida judicial, pois caberia no máximo a lavratura de uma nota de lançamento, apenas para formalizar o lançamento nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96; c) Inexistência de plena concomitância entre as causas de pedir do processo judicial e do processo administrativo. A tese de que não deve incidir CIDE sobre as remessas a título de serviço internacional de telecomunicações porque não se verifica o fato gerador dessa contribuição, não foi submetida ao judiciário. Do mesmo modo, as questões relativas à composição da base de cálculo da CIDE também não foi submetida ao Judiciário. Esses argumentos merecem ser conhecidos no âmbito administrativo; d) Existe bis in idem entre a cobrança da CIDE e contribuição ao FUNTEL e ao FUST, que no entender da defesa seriam "CIDES" mais específicas; e) Impossibilidade de reajustar a base de cálculo da CIDE pelo valor do IRRF devido em razão da mesma remessa com base no art. 725 do RIR/99; f) Não incidência de juros de mora e multa de ofício em face da pendência de medida judicial suspensiva da exigibilidade do crédito tributário; g) Ilegalidade do agravamento da multa, pois a fiscalização não teria especificado quais documentos não foram entregues e como o não atendimento das exigências impactou de forma específica a ação fiscal; A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, alegando, em síntese, a legalidade da ação fiscal, a inexistência de nulidade e de decadência, a existência de concomitância com o processo judicial, bem como a tipificação do fato gerador da CIDE. Fl. 10507DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Ass inado digitalmente em 01/07/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 6 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Do recurso de ofício. O recurso de ofício preenche o pressuposto formal para sua admissibilidade, uma vez que o crédito tributário exonerado supera em 19 vezes o limite de alçada estabelecido na Portaria MF nº 3/2008. A exoneração promovida pela DRJ foi calcada no relatório de diligência fiscal de fls. 10310/10312, no qual a própria fiscalização constatou a existência dos pagamentos alegados em sede impugnação. Se a própria fiscalização constatou que uma parte do crédito tributário lançado de ofício já havia sido recolhido antes da ação fiscal, está correta a atitude da DRJSão Paulo em excluir do auto de infração os valores informados pelo fisco na diligência e os consectários a ele inerentes. Com esses fundamentos, meu voto é no sentido de negar provimento ao recurso de ofício para ratificar a exoneração do crédito tributário efetuada pela decisão de primeira instância por seus próprios fundamentos (o crédito tributário lançado estava pago). Do recurso voluntário. O recurso voluntário também preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido quanto às matérias em que não existe concomitância com a ação judicial. O pedido formulado no mandado de segurança nº 1637.14.2011.4.03.6100 e a liminar concedida podem ser verificados na certidão de objeto e pé de fls 9646: Já o pedido formulado no mandado de segurança 2008.61.00.0013031 e a decisão proferida podem ser verificados na certidão de objeto e pé de fls. 9643 onde consta o seguinte: Fl. 10508DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Ass inado digitalmente em 01/07/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 16561.720011/201236 Acórdão n.º 3402003.108 S3C4T2 Fl. 5 7 A inicial do mandado de segurança nº 2008.61.00.0013031 encontrase às fls. 58 e ss. dos autos do processo 16643.000085/201081, julgado nesta mesma assentada, e seu exame revela que o contribuinte alegou: a) inconstitucionalidade da Lei nº 10.168/2000 por violação de várias normas constitucionais; b) a existência de acordos internacionais com vários Países para evitar a dupla tributação e que suas inobservâncias por parte da União violam o art. 98 do CTN; e c) a inconstitucionalidade e a ilegalidade do reajustamento da base de cálculo da CIDE por meio da inclusão do IRRF, com base no art. 725 do RIR/99. O pedido formulado no referido mandado de segurança tem o seguinte teor, in verbis: Fl. 10509DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Ass inado digitalmente em 01/07/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 8 Desse modo, a teor da Súmula CARF nº 1 este colegiado não pode tomar conhecimento do recurso voluntário na parte em que solicita a aplicação dos acordos internacionais para limitar a incidência da contribuição à alíquota máxima fixada com cada País signatário, nem quanto ao reajustamento da base de cálculo da CIDE pela adição do IRRF incidente sobre a mesma remessa e nem quanto à questão da incidência da contribuição sobre o serviço de roaming internacional, pois todas essas questões estão submetidas ao crivo do Poder Judiciário. Passase ao exame das razões recursais passíveis de serem analisadas por este colegiado, na ordem em que foram apresentadas no recurso. DDAA DDEECCAADDÊÊNNCCIIAA Nesse sentido, o contribuinte contestou a decisão do acórdão recorrido sobre a decadência. Alegou que a DRJ, embora tenha adotado a regra do art. 150, § 4º do CTN, tomou como base a data do vencimento legal da obrigação e não a data da ocorrência do fato gerador. Não tem razão a defesa. O lançamento foi notificado ao contribuinte em 31/01/2012 (fl. 9716), enquanto que o fato gerador mais remoto lançado no auto de infração remonta ao mês de janeiro de 2007, pois os fatos geradores da CIDE são mensais, a teor do art. 2º, § 3º da Lei nº 10.168/2001, com a redação da Lei nº 10.332/2001, in verbis: § 3oA contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2odeste artigo. Sendo assim, embora a CIDE incida sobre a remuneração estipulada em contrato, a própria lei determina que a contribuição seja cobrada sobre os valores pagos ou remetidos a cada mês. Portanto, a pretensão da recorrente não pode prosperar, pois a CIDE devida em determinado mês só poderia ser lançada de ofício após o fechamento do mês. Não tem o menor cabimento considerar que o prazo do art. 150, § 4º do CTN possa começar a fluir antes de que o fato gerador se complete. O fisco não pode ser considerado inerte antes do fato Fl. 10510DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Ass inado digitalmente em 01/07/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 16561.720011/201236 Acórdão n.º 3402003.108 S3C4T2 Fl. 6 9 gerador se completar, pois enquanto não existe fato gerador não existe obrigação principal a ser cumprida. Desse modo, se a lei presume que o fato gerador é mensal (ela manda que o tributo incida sobre os valores remetidos a cada mês), o fisco poderia ter lançado o fato gerador de janeiro de 2007 até 31/01/2012, como de fato foi feito. Portanto, o fato gerador de janeiro de 2007 permanece hígido em relação à decadência. DDAA NNUULLIIDDAADDEE PPRROOCCEESSSSUUAALL PPOORR IINNOOBBSSEERRVVÂÂNNCCIIAA DDEE OORRDDEEMM JJUUDDIICCIIAALL Outra alegação da defesa foi a nulidade do lançamento, pois o auto de infração não poderia ter sido lavrado na pendência de processo judicial, a teor do art. 62 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 62. Durante a vigência de medida judicial que determinar a suspensão da cobrança, do tributo não será instaurado procedimento fiscal contra o sujeito passivo favorecido pela decisão, relativamente, à matéria sobre que versar a ordem de suspensão. Parágrafo único. Se a medida referirse a matéria objeto de processo fiscal, o curso deste não será suspenso, exceto quanto aos atos executórios. O referido dispositivo legal não foi violado, porque quando o procedimento fiscal foi instaurado não havia medida judicial determinando a suspensão da cobrança da CIDE. A ação fiscal iniciouse em 13/01/2011 (fl. 3), mas o mandado de segurança 1637.14.2011.4.03.6100 só foi impetrado em 04/02/2011 (fl. 9646). Já o mandado de segurança 2008.61.00.0013031, embora tenha sido impetrado em 2008, antes do início da fiscalização, foi sentenciado com solução de mérito desfavorável à recorrente em 2009, conforme excerto da certidão de objeto e pé acima transcrita, fato que conduz à conclusão de que não houve suspensão da exigibilidade do crédito tributário antes do início da ação fiscal. Esclareçase que a apelação interposta nesse mandado de segurança só foi recebida no efeito devolutivo. Assim, no caso concreto só incide o art. 62, parágrafo único, acima transcrito, pois a suspensão da exigibilidade do crédito tributário no mandado de segurança 1637.14.2011.4.03.6100 ocorreu após a fiscalização ter sido iniciada. O contribuinte alega que não caberia a lavratura de auto de infração, mas sim a lavratura de "nota de lançamento", apenas para formalizar o lançamento, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96. A alegação é improcedente porque a lei só prevê duas formas de constituição de ofício do crédito tributário: o auto de infração (art. 10 do PAF) e a notificação de lançamento (art. 11 do PAF). Se o próprio art. 63 da Lei nº 9.430/96 menciona expressamente lançamento de ofício, o fisco não pode usar nenhum outro instrumento para efetuar o lançamento que não esteja o previsto em lei. Fl. 10511DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Ass inado digitalmente em 01/07/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 10 DDAA IINNEEXXIISSTTÊÊNNCCIIAA DDEE CCOONNCCOOMMIITTÂÂNNCCIIAA CCOOMM OOSS PPRROOCCEESSSSOOSS JJUUDDIICCIIAAIISS A defesa reconheceu que a questão do Tratado de Melbourne foi submetida ao Poder Judiciário no mandado de segurança 000163714.2011.4.03.6100, mas requereu que este colegiado aprecie essa questão, que se encontra exposta no item V, (a) da impugnação, caso entenda pela inexistência da concomitância. Se a questão foi submetida ao crivo do Poder Judiciário, como admitiu a própria defesa, então não é possível a emissão de nenhum juízo por parte deste colegiado sobre a aplicabilidade do Regulamento de Melbourne, sob pena de violar a Súmula CARF nº 1. Voto no sentido de não conhecer dessa matéria em virtude de concomitância com o processo judicial. DDAA NNÃÃOO IINNCCIIDDÊÊNNCCIIAA DDAA CCIIDDEE SSOOBBRREE AASS RREEMMEESSSSAASS AA TTÍÍTTUULLOO DDEE RREEMMUUNNEERRAAÇÇÃÃOO DDOO RROOAAMMIINNGG IINNTTEERRNNAACCIIOONNAALL Alegou a defesa que a CIDE não pode ser cobrada sobre o serviço de roaming internacional basicamente porque não é um serviço técnico que envolva transferência de tecnologia. Pois bem. No mandado de segurança impetrado especificamente para contestar a exigência da CIDE, a segurança foi denegada sem expedição de medida liminar e o recurso de apelação foi recebido apenas no efeito devolutivo, o que significa que até o presente momento a norma individual e concreta emanada do Judiciário estabelece que a CIDE é devida pelo contribuinte. Sendo assim, é perfeitamente válida a exigência da CIDE segundo os ditames do art. 2º da Lei nº 10.168, de 29/12/2000 (DOU 30/12/200 extra), com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.332, de 19/12/2001 (DOU de 20/12/2001), que para maior comodidade transcrevese a seguir: “Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1º Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 2º A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (introduzido pela Lei nº 10.332/2001) § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. (redação dada pela Lei nº 10.332/2001) § 4º A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). (redação dada pela Lei nº 10.332/2001) Fl. 10512DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Ass inado digitalmente em 01/07/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 16561.720011/201236 Acórdão n.º 3402003.108 S3C4T2 Fl. 7 11 § 5º O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subsequente ao mês de ocorrência do fato gerador.” (incluído pela Lei nº 10.332/2001) Conforme se pode verificar no dispositivo legal acima, a redação original da Lei nº 10.168/2000 realmente previa a incidência da contribuição apenas sobre pagamentos de obrigações estipuladas em contratos que envolvessem a transferência de tecnologia (§ 1º). Entretanto, com o advento da Lei nº 10.332/2001, foi incluído o § 2º que ampliou a hipótese de incidência para outros pagamentos efetuados em contratos que não necessariamente envolvam a transferência de tecnologia, como os contratos de assistência administrativa e os royalties remetidos "a qualquer título". Na regulamentação, o art. 10 do Decreto nº 4.195/2002 estabeleceu o seguinte: Art. 10. A contribuição de que trata o art. 2o da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I fornecimento de tecnologia; II prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IV cessão e licença de uso de marcas; e V cessão e licença de exploração de patentes. A redação do § 2º da Lei e a redação do art. 10 do Regulamento autorizam a interpretação oficial da Administração Tributária no sentido de que a hipótese de incidência da CIDE TECNOLOGIA abrange pagamentos relativos a contratos que não envolvam a transferência de tecnologia. Isso porque no art. 10 do Regulamento o Poder Executivo discriminou cinco categorias de contratos, sendo que os contratos incluídos nos incisos III, IV e V não envolvem a obrigatoriedade de transferência de tecnologia. Reforça este entendimento a inclusão do § 1ºA pela Lei nº 11.452/2007, posteriormente ao advento do Regulamento, por meio do qual o legislador ressalvou da incidência a remuneração pela licença ou direitos de comercialização e uso de programas de computador, quando o contrato não envolva a transferência de tecnologia. Em outras palavras, até a inclusão do referido § 1ºA qualquer remuneração relativa a contrato relativo a licença ou direito de comercialização de software deveria ser tributado pela CIDE, situação que só se alterou com a ressalva introduzida pelo § 1º A . A partir da inclusão desse parágrafo, somente haverá incidência da CIDE sobre a remuneração decorrente desses contratos, se houver transferência de tecnologia. Fl. 10513DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Ass inado digitalmente em 01/07/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 12 Isso significa que o legislador, por meio da introdução do § 2º, realmente quis ampliar a incidência da CIDE TECNOLOGIA para contratos que não envolvam a transferência de tecnologia. A tese da defesa não pode ser acolhida em sede de julgamento administrativo, por duas razões. A uma porque envolve o confronto das leis ordinárias com o art. 149 da Constituição, pois para que a Administração possa restringir o alcance da redação do § 2º aos contratos e royalties que envolvam a transferência de tecnologia é preciso invocar o desvio de finalidade em relação ao disposto no art. 149 da Constituição. E a duas, porque o CARF não pode afastar o art. 10 do Decreto nº 4.195/2002, por força do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, que impede este colegiado de negar vigência a norma jurídica de hierarquia igual ou superior a decreto. Desse modo, o fato de não existir transferência de tecnologia nos contratos de roaming internacional, não é fato impeditivo da cobrança da contribuição, pelo menos após a edição da Lei nº 10.332/2001. A defesa se insurgiu contra a aplicação do ADI nº 25/2004 por parte do fisco, alegando, em síntese, que nem todo serviço de telecomunicações pode ser enquadrado como serviço técnico e que caberia à fiscalização o ônus da prova desse fato, argumentando com os arts. 16 e 17 da IN SRF nº 252/2002. É improcedente a alegação da defesa, no sentido de que os contratos de roaming internacional configuram uma espécie de cessão de direito de uso de bem móvel, não se confundindo com prestação de serviço. Isto porque o exame dos contratos de roaming internacional anexados aos autos, revela que eles não fazem menção alguma a cessão de uso ("use assignment"), mas sim a serviços ("services"), conforme excerto a seguir extraído da fl. 5124: Está provado nos autos que todos os contratos versam sobre a contratação de um serviço e não sobre o mero direito de uso das redes das empresas estrangeiras ou sua locação, pois não é a TIM CELULAR quem opera essas redes, mas sim as empresas estrangeiras, suas legítimas proprietárias, que são contratadas pela empresa brasileira para completarem as chamadas originadas do Brasil (obrigação de fazer). Fl. 10514DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Ass inado digitalmente em 01/07/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 16561.720011/201236 Acórdão n.º 3402003.108 S3C4T2 Fl. 8 13 No que concerne à caracterização de serviço técnico, considero que o serviço de roaming internacional, prestado pelas operadoras estrangeiras à TIM CELULAR, preenche os requisitos da definição de serviço técnico estabelecido no art. 17, II, "a" da IN 252/2002: (...) II considerase a) serviço técnico o trabalho, obra ou empreendimento cuja execução dependa de conhecimentos técnicos especializados, prestados por profissionais liberais ou de artes e ofícios; Os contratos de serviço de roaming internacional anexados ao processo pela fiscalização comprovam que seu objeto consiste em uma obrigação de fazer caracterizada pela obrigatoriedade da empresa estrangeira, mediante a remuneração pactuada, completar as chamadas originadas no Brasil. O fato de ser necessário que as ondas eletromagnéticas transitem pela rede da empresa estrangeira não configura mera cessão de uso daquelas redes, pois sua operação depende da existência de inúmeros profissionais que possuem conhecimento técnico especializado, como engenheiros eletrônicos e de telecomunicações, que operam e mantêm em funcionamento aquelas redes, ainda que prestem esse serviço como empregados daquelas operadoras. Sendo assim, é improcedente a alegação de que o serviço de roaming internacional não constitui prestação de serviço pelo fato da prestação não estar vinculada ao caráter pessoal e ao conhecimento profissional específico. A defesa citou a Solução de Consulta nº 3/2014, que decidiu sobre o seguinte, conforme se extrai do próprio recurso: O quanto decidido pela Administração nesse processo de consulta nem de longe resvala as questões suscitadas no julgamento deste recurso, pois a Administração não decidiu que o serviço de roaming internacional não se enquadra como serviço técnico. A defesa citou, ainda, o RESP 1.201.635/MG, que teria sido proferido na sistemática do art. 543C do CPC, e que equiparia o serviço de telecomunicação a uma indústria para todos os fins do Decreto nº 640/62, alegando que este colegiado deve aplicar o referido entendimento por estar a ele vinculado. Fl. 10515DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Ass inado digitalmente em 01/07/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 14 Este colegiado não pode aplicar a interpretação contida no RESP 1.201.635/MG porque o caso concreto não versa sobre o direito de crédito de ICMS sobre a energia elétrica consumida pelas prestadoras de serviços de telecomunicações. Se for o caso, o contribuinte poderá ingressar em juízo posteriormente para requerer ao STJ que o próprio tribunal aplique o referido repetitivo ao caso concreto, pois este relator entende que o CARF não está obrigado a aplicar recursos repetitivos que decidiram matérias totalmente impertinentes ao objeto do recurso voluntário. DDAA EEXXIISSTTÊÊNNCCIIAA DDEE BBIISS IINN IIDDEEMM Alegou o contribuinte que existe bis in idem entre a cobrança da CIDE e a cobrança relativa à Contribuição ao Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FUST), instituída pela Lei nº 9.998/2000, e também com a Contribuição ao Fundo de Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (FUNTTEL), instituída pela Lei nº 10.952/2000, pois se tratariam de contribuições com a mesma finalidade. A alegação é improcedente, pois a verificação do bis in idem não tem por critério a finalidade da cobrança ou a destinação da receita, mas sim a base jurídica da incidência. Para que exista bis in idem deve existir dupla incidência tributária sobre a mesma base de cálculo, o que não acontece entre a CIDE TECNOLOGIA e as contribuições ao FUST e ao FUNTTEL. Com efeito, segundo o art. 6º da Lei nº 9.998/2000 as receitas do FUST são as seguintes: Art. 6oConstituem receitas do Fundo: I – dotações designadas na lei orçamentária anual da União e seus créditos adicionais; II – cinqüenta por cento dos recursos a que se referem as alíneas c, d, e e j do art. 2o da Lei no 5.070, de 7 de julho de 1966, com a redação dada pelo art. 51 da Lei no9.472, de 16 de julho de 1997, até o limite máximo anual de setecentos milhões de reais; III – preço público cobrado pela Agência Nacional de Telecomunicações, como condição para a transferência de concessão, de permissão ou de autorização de serviço de telecomunicações ou de uso de radiofreqüência, a ser pago pela cessionária, na forma de quantia certa, em uma ou várias parcelas, ou de parcelas anuais, nos termos da regulamentação editada pela Agência; IV – contribuição de um por cento sobre a receita operacional bruta, decorrente de prestação de serviços de telecomunicações nos regimes público e privado, exluindose o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transportes Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações – ICMS, o Programa de Integração Social – PIS e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins; V – doações; VI – outras que lhe vierem a ser destinadas. Fl. 10516DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Ass inado digitalmente em 01/07/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 16561.720011/201236 Acórdão n.º 3402003.108 S3C4T2 Fl. 9 15 Por seu turno, as receitas do FUNTTEL são as previstas no art. 4º da Lei nº 10.052/2000: Art. 4oConstituem receitas do Fundo: I – dotações consignadas na lei orçamentária anual e seus créditos adicionais; II –(VETADO) III – contribuição de meio por cento sobre a receita bruta das empresas prestadoras de serviços de telecomunicações, nos regimes público e privado, excluindose, para determinação da base de cálculo, as vendas canceladas, os descontos concedidos, o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS), a contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); IV – contribuição de um por cento devida pelas instituições autorizadas na forma da lei, sobre a arrecadação bruta de eventos participativos realizados por meio de ligações telefônicas; V – o produto de rendimento de aplicações do próprio Fundo; VI – o produto da remuneração de recursos repassados aos agentes aplicadores; VII – doações; VIII – outras que lhe vierem a ser destinadas. Parágrafo único. O patrimônio inicial do Funttel será constituído mediante a transferência de R$ 100.000.000,00 (cem milhões de reais) oriundos do Fistel. Portanto, como nenhuma dessas duas contribuições incide sobre a base de cálculo da CIDE TECONOLOGA, que é o valor das remessas efetuadas ao exterior contempladas no art. 2º da Lei nº 10.168/2000, é improcedente a alegação de bis in idem. DDAA EEXXCCLLUUSSÃÃOO DDAA MMUULLTTAA DDEE OOFFÍÍCCIIOO EE DDOOSS JJUURROOSS DDEE MMOORRAA O contribuinte entende indevida a cobrança da multa de ofício e dos juros de mora, pois deveria incidir o art. 63 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 10517DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Ass inado digitalmente em 01/07/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 16 § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Ora, no caso concreto a exclusão da penalidade com base nesse dispositivo legal é impossível, pois não havia medida judicial suspendendo a exigibilidade do crédito tributário antes do início da ação fiscal. O mandado de segurança 1637.14.2011.4.03.6100 foi interposto após o início da ação fiscal e o mandado de segurança 2008.61.00.0013031 teve sua segurança denegada antes do início da ação fiscal. Portanto, é incabível o pedido do contribuinte para que seja excluída a multa de ofício com base nesse dispositivo legal. No que tange à exclusão dos juros de mora, o art. 63 acima transcrito não faz menção a esse encargo. No caso concreto, a manutenção dos juros de mora é de rigor, pois se trata de matéria sumulada no âmbito do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. DDOO AAGGRRAAVVAAMMEENNTTOO DDAA MMUULLTTAA DDEE OOFFÍÍCCIIOO Por fim, resta analisar a questão do agravamento da multa, em razão do embaraço à fiscalização. A defesa alegou que tal agravamento não pode incidir sobre o crédito tributário com exigibilidade suspensa por força da Súmula CARF nº 17; que a decisão recorrida foi contraditória ao reconhecer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e ao mesmo tempo manter a multa aplicada; e que o auto de infração aplicou a multa agravada sobre todas as operações, sem demonstrar de forma pontual e concretamente qual esclarecimento deixou de ser prestado. A Súmula CARF nº 17 não pode ser aplicada ao caso concreto, pois seu enunciado diz que o não cabimento da multa de ofício só alcança os casos em que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário tiver ocorrido antes do início do procedimento fiscal, o que não se verificou no caso concreto. Não houve nenhuma contradição na decisão recorrida, pois do fato de ter constatado que houve suspensão da exigibilidade do crédito tributário após o início da ação fiscal, não decorre logicamente a conclusão de que a multa deveria ser excluída, uma vez que o art. 63 da Lei nº 9.430/96 e a Súmula CARF nº 17, exigem que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário seja precedente ao início da ação fiscal. Fl. 10518DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Ass inado digitalmente em 01/07/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 16561.720011/201236 Acórdão n.º 3402003.108 S3C4T2 Fl. 10 17 E no que tange à não especificação dos esclarecimentos que deixaram de ser prestados, também não tem razão o contribuinte, pois o Termo de Constatação Fiscal (fls. 9692/9703) e o Termo de Embaraço à Fiscalização (fls. 10101) apresentam farta descrição da conduta do contribuinte, revelando: a) sua contumácia em resistir à fiscalização e não entregar faturas, contratos de câmbio e contratos comerciais; e b) a sua contumácia em entregar planilhas e arquivos eletrônicos contendo informações erradas e incompletas. Desse modo, a contumácia do contribuinte em emperrar o desenvolvimento da ação fiscal prejudicou o procedimento como um todo, pois se a exigência fiscal recaiu sobre contratos de prestação de serviços técnicos ao exterior e a empresa deixou de entregar os referidos contratos, a morosidade e a dificuldade criada pela empresa ao desenvolvimento do trabalho atingiu todos os períodos de apuração do ano de 2007. Por mais que a defesa negue, tal conduta rende ensejo ao agravamento da multa sobre a totalidade do crédito tributário exigido na ação fiscal, a teor do disposto no art. 44, § 2º, da lei nº 9.430/96 na redação vigente à época dos fatos geradores. Com esses fundamentos, voto no sentido de não tomar conhecimento do recurso voluntário na parte em que existe concomitância com as ações judiciais, e, na parte conhecida, voto no sentido de negarlhe provimento. Antonio Carlos Atulim Voto Vencedor Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Da improcedência do agravamento da multa aplicada A recorrente procurou justificar o não atendimento às solicitações da fiscalização com base no volume de documentos a serem apresentados e no fato de não ter tido a intenção de atrapalhar a fiscalização, como forma de afastar o agravamento de multa do art. 44, § 2º da Lei nº 9.430/96, verbis: Art.44. (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1odeste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. O agravamento está condicionado ao não atendimento, isto é, a negativa plena do contribuinte em adimplir as solicitações fiscais veiculadas pelas intimações fiscais recebidas. Fl. 10519DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Ass inado digitalmente em 01/07/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 18 Conforme descrito no presente no relatório fiscal, é claro e inconteste que o atendimento às solicitações fiscais se deu parcialmente, mas não com uma negativa total, o que se verifica, exemplificativamente, nestes trechos: Desse modo, se há algo que pode ser indubitavelmente afirmado é que não há um não atendimento, mas sim um atendimento parcial das intimações fiscais, o que discrepa da hipótese de agravamento da multa, que se configura apenas quando o Contribuinte ignora absolutamente as intimações fiscais. Isso implica, pois, a incompatibilidade da situação fática com a hipótese de agravamento, não ocorrendo a tipicidade estrita essencial à incidência da penalidade. Fl. 10520DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Ass inado digitalmente em 01/07/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 16561.720011/201236 Acórdão n.º 3402003.108 S3C4T2 Fl. 11 19 Ad argumentandum, ainda que se compreenda a possibilidade de se interpretar o referido dispositivo como abarcando tanto o inadimplemento total quanto parcial, é inegável a existência de uma indeterminação lingüística objetivamente perceptível, o que enseja a aplicação do art.112 do Código Tributário Nacional, impondo ao Colegiado a adoção da interpretação mais favorável ao contribuinte, qual seja, a exigência de um descumprimento total das intimações fiscais. Corrobora esse entendimento o Acórdão 10194.820, julgado pelo 1º Conselho de Contribuintes em 27.01.2005, onde rechaçouse a aplicação da multa agravada sob o fundamento: "Nos termos do § 2º do art. 42, o que justifica o agravamento é o não atendimento da intimação para prestar esclarecimentos, e não a prestação de forma insatisfatória.". No caso, inclusive, considerou o relator ser irrelevante a intenção de ocultar ou fraudar a apuração dos fatos geradores para fins do agravamento em comento, quando houver o atendimento ainda que insatisfatório da intimação fiscal. No mesmo sentido, podese mencionar, exempli gratia, os Acórdãos 101 94.715 e 10194.711, ambos julgados no 1º Conselho de Contribuintes. A existência de precedentes julgados pelos tribunais administrativos fazem prova empírica da dúvida objetiva que se aponta, a exigir a aplicação do art.112 do CTN. Desse modo, afasto o agravamento de multa previsto no art.44, §2º da Lei 9.430/96. Conclusão Nos termos acima, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar o agravamento da multa previsto no art.44, §2º da Lei 9.430/96, acompanhando o relator quanto aos demais itens. É como voto. (Assinado com certificado digital) Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Declaração de Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. 1. Conforme já exposto no Relatório do presente voto, tratase de auto de infração lavrado para exigir a CIDE TECNOLOGIA, instituída pela Lei nº 10.168/2000, em relação aos fatos geradores ocorridos durante o anocalendário de 2007. Dentre os fundamentos convocados em Recurso Voluntário, o contribuinte alega que, mantida a exigência fiscal, deveria ser afastada a cobrança da multa de ofício, nos termos do art. 63, § 1º da lei n. 9.430/96. Fl. 10521DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Ass inado digitalmente em 01/07/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 20 2. Ainda nos termos expostos pelo contribuinte, houve a impetração de mandado de segurança (autos n. 000163714.2011.4.03.6100) em favor da Recorrente com o escopo de debater a exação aqui tratada o que, inclusive, motivou o douto Relator reconhecer, acertadamente, a concomitância parcial entre as questões judicialmente abordadas com as aqui tratadas. 3. Segundo consta dos autos, o referido mandamus foi impetrado em 02/02/2011 e a liminar, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, foi concedida em 16/02/2011. Tanto a impetração, quanto a concessão da tutela provisória foram posteriores ao início de procedimento fiscalizatório, mas antes do lançamento do crédito tributário. Diante deste quadro, o douto Relator entendeu pela incidência do art. 63, § 1º da lei n. 9.430/96, mais precisamente da parte final do referido parágrafo quando prescreve que a exclusão da multa em lançamento para prevenção da decadência só seria válida se a tutela provisória em ação judicial fosse concedida antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo, sendo o termo "procedimento" entendido como documento que ateste início de ação fiscal, mas não o veículo introdutor do lançamento do crédito tributário (resultado do procedimento) 4. Com a devida vênia, ouso divergir do ilustre Relator, uma vez que, embora a literalidade1 do dispositivo possa induzir a tal conclusão, me parece que sua análise deve ser feita mediante um processo hermenêutico que vá para além da interpretação literal e, por conseguinte, convoque uma interpretação histórica e finalística. E, para tanto, mister se faz neste momento, inclusive, analisar a súmula CARF n. 17, in verbis: Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. 5. Em um primeiro instante, a leitura do sobredito enunciado sumular poderia referendar o entendimento esposado pelo ínclito Relator do caso, em especial a parte final da referida súmula (suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo). Ocorre que, ao se analisar uma súmula de caráter judicativo, sua interpretação não pode se restringir a leitura do enunciado sumular per si, como se peça de lei fosse, cabendo ao intérprete, portanto, se debruçar sobre os acórdãos que lhe deram origem, comparando os fatos lá debatidos com os aqui tratados para, eventualmente, convocar a ratio decidendi dos precedentes para resolver o caso decidendo. 6. Pois bem. Realizando tal mister e analisando os acórdãos deste tribunal que originaram a referida súmula (Acórdão nº 20174351, de 21/03/2001 Acórdão nº 203 07480, de 11/07/2001 Acórdão nº 20215710, de 10/08/2004 Acórdão nº 20215782, de 15/09/2004 Acórdão nº 20216437, de 06/07/2005) percebese que as questões lá tratadas se diferem das aqui debatidas. Isso porque, conforme se observa de tais julgados, a discussão lá travada dizia respeito a inconformidade dos contribuintes em geral em se sujeitar a 1 " O desprestígio da chamada interpretação literal dispensa meditações mais profundas, bastando recordar que, prevalecendo com o método de interpretação do direito, seríamos forçados a admitir estarem os meramente alfabetizados, quem sabe co m o auxílio de u m dicionário de tecnologia jurídica, credenciados a outorgar substância às mensagens legisladas, explicitando as proporções de significado da lei. O reconhecimento de tal possibilidade subtrairia à Hermenêutica Jurídica e à Ciência do Direito todo o teor de suas conquistas, relegando o ensino universitário a um esforço sem expressão e sentido prático de existência." (CARVALHO, Paulo de Barros. "Entre a forma e o conteúdo na desconstituição dos negócios jurídicos". "in" Revista da Faculdade de Direito da USP vol. 105. jun./dez. 2010. p. 413.) Fl. 10522DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Ass inado digitalmente em 01/07/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 16561.720011/201236 Acórdão n.º 3402003.108 S3C4T2 Fl. 12 21 lançamentos para fins de prevenção de decadência. Em outros termos, os contribuintes questionavam a validade do art. 63, § 1º da lei n. 9.430/96, entendo ser incabível a realização de lançamentos (ainda que só de tributo para fins de prevenção de decadência) na hipótese de existir causa suspensiva da exigibilidade do crédito decorrente de ação judicial. 7. Logo, resta claro que a questão lá debatida não resolve o que se discute no presente caso. Aqui já estamos em outro estágio, no qual o art. 63, § 1º da lei n. 9.430/96 é tido como válido, inclusive pelo contribuinte, cabendo aqui definir o conteúdo semântico da expressão "procedimento" referida no citado prescritivo legal, questão esta que frisese não foi objeto de análise por este Tribunal e, por conseguinte, não está contemplada na súmula CARF n. 17. 8. Dito isso, cabe agora historiar a origem do art. 63, § 1º da lei n. 9.430/96 e, consequentemente, sua finalidade. 9. Neste diapasão, é sabido que referido dispositivo legal foi uma resposta dada pelo legislador para encerrar uma discussão levantada pelos contribuintes em determinadas demandas judiciais. Durante um longo período os contribuintes alegaram que, uma vez promovida demanda judicial de caráter preventivo em que houvesse concessão de tutela provisória liminar, estaria o fisco impedido de lançar o correlato tributo. Ao final da demanda judicial (em regra, em prazo superior a 5 anos) e saindo derrotado, os contribuintes em geral alegavam a decadência do fisco para lançar o tributo então debatido judicialmente, o que suscitou a resposta legislativa do art. 63, § 1º da lei n. 9.430/96. 10. A contextualização histórica do referido dispositivo permite alcançar a sua finalidade: permitir a preservação do crédito tributário, de modo que a demora na prestação jurisdicional provocada pelo contribuinte não afetasse, negativamente, o erário público. O objetivo, portanto, é salvaguardar o crédito tributário, o qual é aqui entendido como sinônimo do valor devido a título de tributo e não de montante decorrente de sanção negativa. 11. Sendo esta a finalidade da norma veiculada pelo art. 63, § 1º da lei n. 9.430/96, tenho para mim que o signo "procedimento" empregado na citada regra é sinônimo de veículo introdutor do crédito tributário (enunciado), ou seja, o resultado do processo de enunciação para a constituição do crédito tributário. Logo, se a suspensão da exigibilidade do crédito tributário é anterior ao seu lançamento, compete ao fisco lançar apenas o tributo (principal) sem, todavia, o acréscimo da correlata multa de ofício (acessório). 12. Desse modo, voto pelo afastamento da multa moratória no caso em tela. (Assinado com certificado digital) Diego Diniz Ribeiro Fl. 10523DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Ass inado digitalmente em 01/07/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO
score : 1.0
Numero do processo: 13770.000350/2001-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF).
Numero da decisão: 9303-006.781
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF).
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13770.000350/2001-96
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5891797
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.781
nome_arquivo_s : Decisao_13770000350200196.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 13770000350200196_5891797.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7390948
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050582663561216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1705; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13770.000350/200196 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.781 – 3ª Turma Sessão de 16 de maio de 2018 Matéria CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES DE INSUMOS PERANTE NÃO CONTRIBUINTE DO PIS/COFINS. Recorrente ARACRUZ CELULOSE S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF). Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 03 50 /2 00 1- 96 Fl. 1935DF CARF MF Processo nº 13770.000350/200196 Acórdão n.º 9303006.781 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte contra o Acórdão 330100.297, que, na parte de interesse, não reconheceu o direito de usufruir o crédito presumido do IPI em relação às aquisições de insumos efetuadas perante não contribuintes do PIS/Cofins. Mediante despacho de exame de admisssibilidade do Presidente da Câmara competente foi dado seguimento ao recurso especial no que tange ao mencionado direito (sobre aquisições de não contribuintes). A PGFN não apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.776, de 16/05/2018, proferido no julgamento do processo 13962.000237/200153, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.776): "Observados os requisitos e preenchidas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial, na parte admitida, qual seja, a inclusão ou não na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e as cooperativas. O tema não é mais passível do discussão no CARF, pois há decisão do STJ admitindo estes créditos, em Acórdão submetido ao regime do art 543C do Antigo CPC (Recursos Repetitivos), no REsp nº 993.164/MG, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, publicado em 17/12/2010. Transcrevo excerto da Ementa do referido Acórdão, no que interessa à discussão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. Fl. 1936DF CARF MF Processo nº 13770.000350/200196 Acórdão n.º 9303006.781 CSRFT3 Fl. 4 3 Por força regimental Portaria MF nº 343/2015, art. 62, § 2º, a decisão deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda que: 1) Existe Súmula do STJ a respeito, publicada em 13/08/2012: Súmula 494: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. 2) Antes disso já havia sido editado o Ato Declaratório nº 14/2011 da PGFN, nos seguintes termos: A PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida ..., DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN/SRF 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do art. 1º da Lei n. 9.363/1996”. JURISPRUDÊNCIA: AGREsp 913433/ES, REsp 627.941/CE, REsp 840.056/CE REsp 995285/PE, REsp 1008021/CE, REsp 921397/CE, REsp 840056/CE, REsp 767617/CE, todas do STJ. 3) Na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, mas em razão da manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.155/2012 (...) Em complementação à Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que delimitou a matéria decidida nos julgamentos submetidos à sistemática dos artigos 543 B e 543C, do Código de Processo Civil, ... encaminhase a presente nota na qual se acrescenta o item 84 da lista do art. 1º, V, da Portaria PGFN nº 294/2010, correspondente ao Recurso Especial nº 993.164/MG, acrescentado a esta lista na sua última atualização realizada no dia 10 de agosto de 2012. Fl. 1937DF CARF MF Processo nº 13770.000350/200196 Acórdão n.º 9303006.781 CSRFT3 Fl. 5 4 2. Em razão de o referido julgado ter repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, encaminhase o item relativo à delimitação do tema para fins de complementação do anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, com a seguinte redação: 84 – REsp 993.164/MG Relator: Min. Luiz Fux (...) Resumo: o tribunal julgou ilegal a IN RFB Nº 23/97, por ter ela extrapolado os limites da Lei 9.363/96, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. À vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte, para reconhecer o crédito relativo às aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como pessoas físicas e cooperativas." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento para reconhecer o direito a incluir, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, as aquisições de insumos efetuadas perante não contribuintes PIS/Cofins, como pessoas físicas e cooperativas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1938DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.950134/2008-24
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001
COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/1998, ART. 3º, § 2º, INCISO III. STJ. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Por meio do REsp nº 1.144.469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática dos recursos repetitivos, firmou-se a tese de que o art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9718/1998 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica.
COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa no indeferimento de diligência quando os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento.
Numero da decisão: 3002-000.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/1998, ART. 3º, § 2º, INCISO III. STJ. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Por meio do REsp nº 1.144.469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática dos recursos repetitivos, firmou-se a tese de que o art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9718/1998 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica. COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa no indeferimento de diligência quando os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.950134/2008-24
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5874581
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3002-000.241
nome_arquivo_s : Decisao_10880950134200824.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LARISSA NUNES GIRARD
nome_arquivo_pdf_s : 10880950134200824_5874581.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
id : 7352101
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050582707601408
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1850; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 2 1 1 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.950134/200824 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.241 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 14 de junho de 2018 Matéria PER/DCOMP Recorrente TRIFERRO COMÉRCIO DE MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO EM GERAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/1998, ART. 3º, § 2º, INCISO III. STJ. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Por meio do REsp nº 1.144.469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática dos recursos repetitivos, firmouse a tese de que o art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9718/1998 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica. COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa no indeferimento de diligência quando os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 01 34 /2 00 8- 24 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.950134/200824 Acórdão n.º 3002000.241 S3C0T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Trata o processo de declaração de compensação na qual o contribuinte informa a ocorrência de pagamento indevido ou a maior de Cofins, relativo ao período de apuração setembro/2001, e requer a compensação de R$ 3.789,67 com débitos de PIS/Pasep e Cofins (fls1. 6 a 10). Por meio de despacho decisório à fl. 2, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (Derat) decidiu pela não homologação da compensação por concluir que o crédito relativo ao Darf informado havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito para a realização de compensação. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou que pagou Cofins a maior ao desconsiderar o disposto no inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e requereu a nulidade do despacho decisório porque a Administração concluiu pela inexistência de crédito sem solicitar ao contribuinte documentação probatória e sem determinar diligência (fls. 11 a 13). Sua manifestação de inconformidade foi instruída com procuração e identificação dos advogados, consolidação do contrato social e cópia do despacho decisório (fls. 14 a 20). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1) proferiu o Acórdão nº 1638.624 (fls. 22 a 30), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade devido à inocorrência de nulidade e ao fato de o contribuinte não ter feito prova do pagamento a maior, uma vez que o Darf foi utilizado para quitar débito declarado em DCTF e nenhum documento foi juntado para demonstrar eventual erro. O pedido de realização de diligência foi indeferido por se entender que não havia nenhuma dúvida a ser sanada, nos termos da ementa que se transcreve a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 27/11/2001 1 A numeração informada segue a que foi inserida pelo eprocesso, e não a que foi efetuada manualmente. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.950134/200824 Acórdão n.º 3002000.241 S3C0T2 Fl. 4 3 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DCOMP. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INTIMAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. PRESCINDÍVEL. Quando não constatada pela Receita Federal do Brasil qualquer irregularidade ou inconsistência entre o DCTF e o DARF a que esta foi vinculada, inexiste motivação para intimação do sujeito passivo para comprovação do direito creditório declarado no PER/DCOMP, antes da emissão do Despacho Decisório. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É correto o despacho decisório que não homologa a compensação declarada pelo contribuinte devido a inexistência de direito creditório, tendo em vista a utilização integral do DARF indicado no PER/DCOMP para quitação de débitos declarados pelo contribuinte em DCTF. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. Instaurado o contencioso administrativo, a manifestação de inconformidade deve vir acompanhada das provas dos fatos alegados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do contribuinte, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 27/05/2013, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 33, e protocolizou seu recurso voluntário em 25/06/2013, conforme carimbo aposto na página inicial do Recurso Voluntário – fl. 34. Em seu recurso voluntário a recorrente retoma as mesmas alegações, em especial que a autoridade administrativa não solicitou qualquer documento capaz de comprovar a existência do crédito e o cerceamento do direito de defesa. Em relação ao mérito, afirma que o STF já reconheceu a inconstitucionalidade da exigibilidade das contribuições nos termos da Lei nº 9.718, de 1998, e que somente pode ser efetuada a retificação da DCTF pelo contribuinte, com o fim de ajustála à PER/Dcomp, após o reconhecimento do crédito pela Fazenda, sob pena de verse réu em processo penal. Por fim, transcreve precedentes no Carf e no STJ sobre a relação entre indeferimento de diligência e cerceamento de defesa e requer a Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.950134/200824 Acórdão n.º 3002000.241 S3C0T2 Fl. 5 4 anulação do despacho decisório, acompanhado da realização de diligência para comprovação do crédito ou, alternativamente, que seja homologada a compensação (fls. 34 a 40). Junta documentos de representação e identificação, bem como contrato social e cópia do Acórdão da DRJ (fls. 41 a 57). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Em relação à alegação de preterição do direito de defesa, que seria caracterizada pelo fato de não estar “sendo permitido ao contribuinte demonstrar o seu crédito”, entendo que não cabe razão à recorrente. O exame do processo e dos atos administrativos aqui registrados nos faz concluir que não há vício que o contamine. O despacho decisório eletrônico, ainda que lacônico, é fundamentado, contém a base legal para a decisão e foi emitido por servidor competente. Ademais, e tratase de aspecto elementar para a caracterização do cerceamento de defesa, pelo conteúdo da manifestação de inconformidade vêse que o sujeito passivo compreendeu perfeitamente o motivo da denegação do seu pedido, trazendo, entre vários outros, o argumento que se segue: Acaso tivesse a autoridade fiscal cumprido com seu dever de solicitar ao contribuinte a prova dos créditos, teria acesso às planilhas de apuração e poderia verificar a regularidade do encontro de contas efetuado. (grifado) Tratase de matéria pacífica que, nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, a demonstração da certeza e liquidez é ônus que pertence ao requerente. Define o CPC em seu artigo 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. E, ainda sobre as provas, dispõe da seguinte maneira o Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). (grifado) E quanto ao momento para fazer prova de seu direito, assim dispõe o Decreto nº 70.235, de 1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal (a manifestação de Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10880.950134/200824 Acórdão n.º 3002000.241 S3C0T2 Fl. 6 5 inconformidade segue o mesmo rito da impugnação por força do disposto no § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996): Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (grifado) Se, como asseverado no trecho da manifestação de inconformidade acima transcrito, o contribuinte possuía provas de seu direito, por que não as apresentou? Novamente adota a mesma postura no Recurso Voluntário: não traz um elemento que sugira a possibilidade de direito e alega ter sido privado da possibilidade de fazêlo, em uma tentativa infrutífera de inverter o ônus da prova. Verificase, por um lado, que o contribuinte falha em demonstrar o seu direito e, por outro, que os atos administrativos atendem aos requisitos que, se descumpridos, poderiam ensejar a sua nulidade. O Despacho Decisório foi fundamentado e emitido por autoridade competente, os prazos foram cumpridos e as devidas ciências providenciadas, concluindose pelo atendimento dos pressupostos do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como dos dispositivos constitucionais e legais que regem o processo administrativo fiscal. Assim, rejeito a preliminar de nulidade relativa a cerceamento de defesa. Mérito Considero imprescindível abordar o motivo de direito alegado pelo contribuinte, pois entendo que este processo não se resolve apenas a partir da ausência de prova, mas também a partir da ausência de direito. Extraise da manifestação de inconformidade, logo no primeiro parágrafo – Dos Fatos, à fl. 15: A Requerente é sociedade limitada constituída na forma dos documentos em anexo. Na qualidade de contribuinte do PIS/COFINS recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei 9.718/98 quando apurou a base de cálculo das contribuições. O crédito foi devidamente apurado e compensado na forma da legislação em vigor. (grifado) Transcrevese a seguir o artigo citado como o motivo de direito para o pedido de compensação, na versão vigente em novembro de 2004 da Lei nº 9.718, de 1998, quando da transmissão do PER/Dcomp: Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10880.950134/200824 Acórdão n.º 3002000.241 S3C0T2 Fl. 7 6 Art. 3o O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) §2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: (...) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (grifado) Por sua vez, extraise do art. 93 da Medida Provisória nº 2.15835 que o inciso III está revogado desde a publicação da MP no DOU, em 27 de agosto de 2001. Segundo consta do PER/Dcomp, o alegado pagamento a maior de Cofins referese ao período de apuração setembro/2001, ou seja, posterior à revogação do dispositivo. Entretanto, mesmo que se tratasse de período durante o qual o inciso esteve vigente, não seria possível aplicálo, pois temos decisão vinculante do Superior Tribunal de Justiça para esta matéria. Em julgamento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, afetado pela repercussão geral, REsp nº 1.144.469/PR, decidiuse que o inciso III não teve eficácia jurídica no período em que vigeu. Transcrevese a ementa apenas na parte de interesse para o nosso exame: RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10880.950134/200824 Acórdão n.º 3002000.241 S3C0T2 Fl. 8 7 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL.(grifado) Logo, e considerando que o § 2º do art. 62 do Regimento Interno do Carf determina que esse tipo de decisão deve ser reproduzida pelo conselheiro em julgamento de recurso, não é possível excluir da base de cálculo da Cofins o valor de receita transferido para outra pessoa jurídica, pois o inciso III da referida Lei nunca teve eficácia jurídica. Retomando então o aspecto da prova e do ônus probatório, que foi abordado de forma minuciosa no voto da DRJ, inclusive adentrando detalhes da verificação de informações que é efetuada pela unidade de origem, entendo que não há argumento a ser acrescentado. Ainda que coubesse razão ao contribuinte em relação aos motivos de direito, é indubitável que ele não logrou fazer prova do que alegou. Sua defesa consistiu apenas de alegações, não juntou qualquer documento contábil ou fiscal, seja na Manifestação de Inconformidade, seja no Recurso Voluntário, apesar dos protestos de que teria apresentado planilhas elucidativas se tivesse sido intimado para tal. Como dito anteriormente, a demonstração da certeza e liquidez no caso de compensação é ônus que pertence ao requerente. Caberia a ele essa demonstração, dado que é vedada a autorização de compensação de créditos que não sejam líquidos e certos pelo art. 170 do CTN, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifado) Relativamente ao pedido de diligência, devemos ter em mente que o seu objetivo é dirimir dúvidas em relação a aspectos essenciais do litígio, de modo a permitir ao julgador uma decisão com base em informações corretas e pertinentes, consoante as normas específicas que regem o processo administrativo fiscal – o Decreto nº 70.235/1972 e o Decreto nº 7.574/2011. Outros dispositivos legais, como o CPC e a Lei nº 9.874/1999, são utilizados de forma subsidiária, quando não houver disposição específica sobre determinada matéria nos Decretos citados. Nos termos das normas específicas que regem o PAF, extraímos do Decreto nº 7.574/2011: Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.950134/200824 Acórdão n.º 3002000.241 S3C0T2 Fl. 9 8 Art. 35. A realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada. (...) Art. 63. Na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou de perícias, observado o disposto nos arts. 35 e 36. (grifado) Tendo em vista a omissão do contribuinte em produzir provas, somada à constatação de que não há motivo de direito nem de fato a amparar o pleito de compensação, a determinação de diligência neste momento, estendendo este julgamento por tempo indeterminado, significaria prolongar esta lide sem motivação razoável ou legal. Por fim, no tocante aos demais argumentos trazidos no Recurso Voluntário, temse que: o reconhecimento de inconstitucionalidade pelo STF deuse em relação ao § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, ao passo que o sujeito passivo alegou crédito com fundamento no § 2º do art. 3º da Lei, não afetado pela decisão do STF; e, no tocante às justificativas por ausência de retificação de DCTF, não cabe qualquer consideração sobre o tema, uma vez que em nenhum ponto deste processo alegouse falta de retificação da DCTF como motivo de decidir. Em suma, por qualquer ângulo que se aborde este processo, não assiste razão ao contribuinte: nem na preliminar de nulidade, nem nas razões de direito (uma vez assentaremse em norma revogada), e nem na comprovação dos fatos. Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e voto por negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720060/2014-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
INTIMAÇÃO ELETRÔNICA. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. VALIDADE. ORDEM DE PREFERÊNCIA. INEXISTÊNCIA.
Uma vez que o contribuinte tenha autorizado a utilização da Caixa Postal eletrônica como sendo seu domicílio tributário, são válidas as notificações a ela encaminhadas nos termos, prazos e condições determinados pela Secretaria da Receita Federal.
Numero da decisão: 9303-007.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 INTIMAÇÃO ELETRÔNICA. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. VALIDADE. ORDEM DE PREFERÊNCIA. INEXISTÊNCIA. Uma vez que o contribuinte tenha autorizado a utilização da Caixa Postal eletrônica como sendo seu domicílio tributário, são válidas as notificações a ela encaminhadas nos termos, prazos e condições determinados pela Secretaria da Receita Federal.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10283.720060/2014-81
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5891806
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-007.251
nome_arquivo_s : Decisao_10283720060201481.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 10283720060201481_5891806.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7390957
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050582742204416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1565; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10283.720060/201481 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303007.251 – 3ª Turma Sessão de 12 de julho de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO PIS/COFINS Recorrente BRASIL NORTE BEBIDAS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 INTIMAÇÃO ELETRÔNICA. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. VALIDADE. ORDEM DE PREFERÊNCIA. INEXISTÊNCIA. Uma vez que o contribuinte tenha autorizado a utilização da Caixa Postal eletrônica como sendo seu domicílio tributário, são válidas as notificações a ela encaminhadas nos termos, prazos e condições determinados pela Secretaria da Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 00 60 /2 01 4- 81 Fl. 1985DF CARF MF Processo nº 10283.720060/201481 Acórdão n.º 9303007.251 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no acórdão nº 3201002.194, de 18 de maio de 2016 (efolhas 1.625 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se toma conhecimento do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias da ciência da decisão da DRJ. Recurso Voluntário Não Conhecido O presente processo é originário de autos de infração decorrentes do descumprimento da legislação de PIS e da Cofins. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 1.684 e segs) diz respeito à validade da intimação eletrônica nas circunstâncias em que especifica. O que se pretende é a consideração da tempestividade do recurso voluntário e que a análise do mérito seja devolvida para a turma recorrida. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 1.961 e segs. Contrarrazões da Fazenda Nacional às efolhas 1.965 e segs. Defende a manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 1986DF CARF MF Processo nº 10283.720060/201481 Acórdão n.º 9303007.251 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Mérito Sobressai incontroverso dos autos, que a recorrente optou pelo Domicílio Tributário eletrônico previsto na Instrução Normativa SRF nº 664/2006. A própria Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, em declaração de voto que integra o acórdão recorrido reconhece que não se discute a validade do procedimento de intimação do contribuinte por meio eletrônico. Tal como bem exposto pelo d. Relator em seu voto, tal forma de intimação é legítima e está amparada na legislação vigente. Em verdade, o que se discute nos autos não é o conhecimento do contribuinte, mas um aspecto processual, sobre a forma como lhe seria dado conhecimento das decisões tomadas nesse processo específico. Vejamos o que dispõe a legislação a respeito desta forma de intimação: Decreto nº 70.235/72: Art. 23. Farseá a intimação: (...) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Fl. 1987DF CARF MF Processo nº 10283.720060/201481 Acórdão n.º 9303007.251 CSRFT3 Fl. 5 4 § 2° Considerase feita a intimação: (...) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Portaria SRF nº 259/2006: Art. 1º O encaminhamento, de forma eletrônica, de atos e termos processuais pelo sujeito passivo ou pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) será realizado conforme o disposto nesta Portaria. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) (...) Fl. 1988DF CARF MF Processo nº 10283.720060/201481 Acórdão n.º 9303007.251 CSRFT3 Fl. 6 5 § 3º Para efeito do disposto no caput, a RFB informará ao sujeito passivo o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica. (Incluído(a) pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) (...) Art. 4º A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. § 2º A autorização a que se refere o § 1º darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do eCAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. (grifei) Art. 4º A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. § 2º A autorização a que se refere o § 1º darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do eCAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. (grifei) Disto já se pode concluir que é necessária expressa opção do contribuinte para que o seu domicílio eletrônico passe a ser utilizado pela Administração Tributária (RFB) para realizar as intimações. Ressaltase que esta opção é feita formalmente, mediante o Termo de Opção citado no §2º do artigo 4º da Portaria acima. O referido "Termo de Opção", foi objeto de regulamentação detalhada pela RFB, por meio da Instrução Normativa SRF nº 664, de 21 de julho de 2006, in verbis: "Aprova o Termo de Opção por Domicílio Tributário Eletrônico e o Termo de Cancelamento de Opção por Domicílio Tributário Fl. 1989DF CARF MF Processo nº 10283.720060/201481 Acórdão n.º 9303007.251 CSRFT3 Fl. 7 6 Eletrônico, para efeito de comunicação de atos oficiais por meio eletrônico no âmbito da Secretaria da Receita Federal". O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, e tendo em vista o disposto nos arts. 2º e 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação do art. 113 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, e no art. 4º da Portaria SRF nº 259, de 13 de março de 2006, resolve: Art. 1º Ficam aprovados o Termo de Opção por Domicílio Tributário Eletrônico e o Termo de Cancelamento de Opção por Domicílio Tributário Eletrônico constantes, respectivamente, dos Anexos I e II. § 1º Os Termos a que se refere o caput estão disponíveis no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (eCAC), na página da Secretaria da Receita Federal na Internet, no endereço § 2º Para acesso ao eCAC é obrigatória a utilização de certificado digital válido, conforme disposto no art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 580, de 12 de dezembro de 2005. Art. 2o Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. ANEXO I TERMO DE OPÇÃO POR DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO NI (dados de identificação do sujeito passivo obtidos automaticamente) Nome/Nome Empresarial "Autorizo a Secretaria da Receita Federal a enviar comunicação de atos oficiais para minha caixa postal eletrônica disponibilizada no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (eCAC), no endereço, a qual será considerada domicílio tributário eletrônico. Fico ciente de que o prazo para ser considerado intimado é de 15 (quinze) dias contados da data em que a comunicação for registrada em minha caixa postal eletrônica, a qual ficará disponível pelo prazo de 5 (cinco) anos, salvo se apagada manualmente". (grifei) Responsável legal perante a SRF <dados de identificação obtidos automaticamente>: NOME CPF Local e Data Fundamentação Legal: arts. 2º e 23, III, “a”, e § 4º, II, do Decreto nº 70.235 de 6 de março de 1972, com a redação do art. 113 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005; e Portaria SRF nº 259, de 13 de março de 2006. Fl. 1990DF CARF MF Processo nº 10283.720060/201481 Acórdão n.º 9303007.251 CSRFT3 Fl. 8 7 Ou seja, para ser intimado pelo meio eletrônico é necessário que o contribuinte tenha autorizado tal comportamento, segundo inteligência do artigo 23, § 4°, I e II e § 5° do Decreto 70.235/72. Pela leitura do artigo 4º, §2º da Portaria RFB nº 574, de 2009, não há dúvida de que uma das funções do "Termo de Opção" do DTE, é justamente informar os contribuintes sobre seus termos e condições de uso. Nesse sentido, o texto do Termo de Opção, instituído pelo Anexo I da Instrução Normativa SRF nº 664, de 2006, expressamente coloca que todos os atos oficiais, indistintamente, serão comunicados pela postagem na caixa eletrônica do contribuinte no eCAC. Em outras palavras, o Termo de Opção ao DTE informa que todos os atos, de todos os processos que relacionam o contribuinte à Receita Federal, ocorrerão eletronicamente. O contribuinte autoriza que assim seja e fica ciente dos prazos estabelecidos pela legislação para tais intimações eletrônicas. Por fim, como também adequadamente abordado na decisão recorrida, não há elementos de prova nos autos de que o sistema tenha apresentado falhas. Como bem esclareceu o Relator do processo, o dowload dos arquivos só permite conhecer o momento em que eles foram baixados. Outrossim, a recorrente dispunha de trinta dias para adotar alguma medida saneadora ou com a qual pudesse dar evidência à alegada falha. Não o fez. Este Colegiado já se manifestou a respeito de situações como a de aqui se trata. Acórdão nº 9303006.022, de 30 de novembro de 2017, do i. Conselheiro Rodrigo Pôssas. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2008 INTEMPESTIVIDADE. ADESÃO AO DTE. INTIMAÇÃO ELETRÔNICA. VALIDADE. Não pode alegar o contribuinte que aderiu ao Domicílio Tributário Eletrônico DTE somente para poder utilizarse do SISCOMEX, se no Termo de Adesão (Anexo I da IN/SRF nº 664/2006) ele autoriza expressamente a Receita Federal a enviar comunicação de atos oficiais (em caráter geral) para a sua caixa Fl. 1991DF CARF MF Processo nº 10283.720060/201481 Acórdão n.º 9303007.251 CSRFT3 Fl. 9 8 postal eletrônica, e fica ciente de que o prazo para ser considerado intimado é de 15 (quinze) dias contados da data em que a comunicação for nela registrada. Da mesma forma, não cabe o argumento de que foi surpreendido por uma intimação eletrônica (razão pela qual não a acessou a tempo), pois sempre recebia por via postal, já que o § 3º do Decreto nº 70.235/72 é claro ao dizer que os meios de intimação não estão sujeitos a ordem de preferência. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 1992DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10142.721281/2014-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 13/10/2014
CERTIFICADO DE ORIGEM. PRAZO DE EMISSÃO. DESCUMPRIMENTO. DESQUALIFICAÇÃO.
O artigo 17 do 44º Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica (ACE) nº 18 dispõe expressamente que os certificados de origem somente poderão ser emitidos durante os sessenta dias seguintes à emissão da fatura comercial correspondente. Trata-se de norma internacional proibitiva acerca da emissão do referido documento no país de origem da mercadoria que está em perfeita consonância com a não aceitação, pelo país de destino, de eventual documento emitido nessas condições para fins de tratamento tarifário preferencial.
Na hipótese de desqualificação do Certificado de Origem, a importação ficará sujeita à aplicação do tratamento tributário estabelecido para mercadoria originária de terceiro país, mediante a constituição do correspondente crédito tributário em Auto de Infração.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-005.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz (Relatora), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), que davam provimento. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 13/10/2014 CERTIFICADO DE ORIGEM. PRAZO DE EMISSÃO. DESCUMPRIMENTO. DESQUALIFICAÇÃO. O artigo 17 do 44º Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica (ACE) nº 18 dispõe expressamente que os certificados de origem somente poderão ser emitidos durante os sessenta dias seguintes à emissão da fatura comercial correspondente. Trata-se de norma internacional proibitiva acerca da emissão do referido documento no país de origem da mercadoria que está em perfeita consonância com a não aceitação, pelo país de destino, de eventual documento emitido nessas condições para fins de tratamento tarifário preferencial. Na hipótese de desqualificação do Certificado de Origem, a importação ficará sujeita à aplicação do tratamento tributário estabelecido para mercadoria originária de terceiro país, mediante a constituição do correspondente crédito tributário em Auto de Infração. Recurso Voluntário negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10142.721281/2014-81
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894192
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.455
nome_arquivo_s : Decisao_10142721281201481.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
nome_arquivo_pdf_s : 10142721281201481_5894192.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz (Relatora), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), que davam provimento. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7401644
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050582767370240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1877; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 261 1 260 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10142.721281/201481 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.455 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Recorrente ANDRE E. F. PARIZE EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 13/10/2014 CERTIFICADO DE ORIGEM. PRAZO DE EMISSÃO. DESCUMPRIMENTO. DESQUALIFICAÇÃO. O artigo 17 do 44º Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica (ACE) nº 18 dispõe expressamente que os certificados de origem somente poderão ser emitidos durante os sessenta dias seguintes à emissão da fatura comercial correspondente. Tratase de norma internacional proibitiva acerca da emissão do referido documento no país de origem da mercadoria que está em perfeita consonância com a não aceitação, pelo país de destino, de eventual documento emitido nessas condições para fins de tratamento tarifário preferencial. Na hipótese de desqualificação do Certificado de Origem, a importação ficará sujeita à aplicação do tratamento tributário estabelecido para mercadoria originária de terceiro país, mediante a constituição do correspondente crédito tributário em Auto de Infração. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz (Relatora), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), que davam provimento. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 2. 72 12 81 /2 01 4- 81 Fl. 261DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") de Fortaleza/CE, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Cuidam os autos da exigência de crédito tributário, relativo à cobrança do Imposto de Importação II (R$ 88.135,04), acrescido de multa de mora (R$ 17.627,01), em virtude de desqualificação de Certificado de Origem relativo a importação (DI nº 14/1960829 2) com tratamento favorecido no âmbito do Mercosul, conforme artigo 17 do Quadragésimo Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica n° 18 (ACE 18), internalizado no Brasil pelo Decreto n° 5.455, de 02 de junho de 2005; e artigo 10, II e parágrafo único da Instrução Normativa SRF n° 149, de 27 de março de 2002, em desfavor de ANDRÉ E. F. PARIZE EPP. De acordo com o Relatório de Fiscalização (fls. 0817), em procedimento de conferência documental, realizada pela autoridade fiscal responsável pela análise da Declaração de Importação em tela foram constatadas algumas incorreções, entre as quais a emissão do Certificado de Origem em data superior a sessenta dias da emissão da Fatura Comercial. Tendo em vista as constatações acima, em 16/10/2014, o importador tomou ciência, através de seu Despachante Aduaneiro, do Termo de Intimação Fiscal EAD n° 104/2014, para apresentar correções, bem como recolher o Imposto de Importação, pelo descumprimento do disposto no artigo 17 do Quadragésimo Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica n° 18 (ACE 18), regulamentado pela Instrução Normativa SRF n° 149/2002. A autoridade fiscal, em cumprimento ao disposto no Artigo 10, inciso II, e parágrafo único, da Instrução Normativa SRF n° 149, de 27 de março de 2002, que dispõe sobre os procedimentos de Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10142.721281/201481 Acórdão n.º 3402005.455 S3C4T2 Fl. 262 3 controle e verificação da origem de mercadorias importadas de EstadoParte do MERCOSUL, desqualificou o Certificado de Origem apresentado para acobertar a operação de Importação em tela. Em sendo assim, excluído o tratamento preferencial, pela desqualificação do Certificado de Origem do MERCOSUL, segundo a fiscalização, passa a ser inaplicável a alíquota interna do Mercosul relativa ao Imposto de Importação (II), tornandose aplicável a alíquota relativa a terceiros Estados, a qual, conforme a Resolução Camex nº 94/2014 é de 35%. Conforme o Relatório de Fiscalização, o procedimento adotado pela autoridade fiscal para exigência do tributo, tem embasamento no artigo 570 do Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009 – RA/2009), que dispensa a formalização de processo administrativo fiscal para correção de irregularidades no curso do despacho aduaneiro. Porém com a permissividade de o contribuinte manifestar sua inconformidade, para que então seja lavrado auto de infração para o exercício pleno do contraditório e ampla defesa. Em 27/10/2014, o Importador protocolou resposta ao Termo de Intimação Fiscal EAD n° 104/2014, ANEXO II, anexando documentos necessários para proceder as correções solicitadas e, ainda, documentos que, em sua tese, afastaria a incidência do art. 10 da IN SRF n° 149/2002. Esses documentos são, segundo consta no Relatório de Fiscalização: “Prorroga de Plazo (Documento emitido pelo exportador Paraguaio à entidade certificadora, UNION INDUSTRIAL PARAGUAYA, solicitando prorrogação do prazo da Fatura Comercial n° 0010330000064, do dia 26/07/2014 para o dia 06/10/2014); Ofício da UNION INDUSTRIAL PARAGUAYA ao Exportador (Documento emitido ao exportador com informação de acolhimento de sua solicitação, acima); Ofício da UNION INDUSTRIAL PARAGUAYA ao Ministério da Fazenda (Documento dirigido à Secretaria da Receita Federal do Brasil, informando que a entidade certificadora acatou a solicitação do exportador, de alteração da data de emissão da fatura).” Segundo a fiscalização, a Fatura Comercial n° 001033 0000064, emitida em 26/07/2014, foi utilizada pelo importador para instruir o procedimento de Licenciamento de Importação LI n° 14/34772874, substitutiva da LI n° 14/27064533, esta registrada em 28 de julho de 2014, ou seja, é fato que a Fatura Comercial foi emitida em 26/07/2014, não cabendo alegações de que o campo estaria incorreto. Além disso, na resposta ao Termo de Intimação Fiscal EAD n° 104/2014, o próprio importador afirma que a data da sua emissão é efetivamente o dia 26/07/2014. Fl. 263DF CARF MF 4 Da análise da documentação apresentada acima, é possível constatar, segundo o autuante, que o pleito do exportador perante a Entidade Certificadora, qual seja a "prorrogação da data da fatura comercial" é um instituto que não existe no Quadragésimo Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica n° 18 (ACE 18) do MERCOSUL e, em sendo assim, não poderia a entidade unilateralmente criar tal benefício, em detrimento dos dispositivos do Tratado Internacional. A fiscalização aduz que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal STF é pacífica no sentido de que, ressalvada a hipótese do § 3° do art. 5º da Constituição Federal de 1988, após regular incorporação ao direito interno, o tratado internacional adquire posição hierárquica idêntica à de uma lei ordinária (ADIMC 1.480 e RE 80.004SE), possibilitando que uma lei ordinária venha a modificálo ou revogálo internamente (o que equivaleria a uma denúncia no âmbito externo), ou seja, no ordenamento jurídico brasileiro, o Tratado Internacional tem força de lei, e assim deve ser interpretado. Aduz, ainda, que, do artigo 96 do Código Tributário Nacional, retirase que os tratados internacionais estão compreendidos no conceito de legislação tributária; e que do capítulo do CTN reservado à Interpretação da Legislação Tributária extraise dispositivo, de seu artigo 111, enfático sobre a obrigatoriedade de interpretação literal de determinados institutos tributários. Na realidade, o CTN, segundo o autuante, impõe que certas normas sejam interpretadas estritamente, impossibilitando ampliações. Nesse diapasão, o CTN afirma, no artigo 111, que se interpreta literalmente a legislação tributária que disponha sobre, dentre outros institutos, a isenção tributária. Sendo assim, a interpretação do disposto no artigo 17 do Quadragésimo Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica n° 18 não poderá tomar dimensões extensivas, por se tratar de benesse tributária, ou isenção tributária. Do próprio texto do artigo 17 do ACE 18 observase a ênfase restritiva, com a palavra "somente". Segundo a fiscalização, é princípio basilar de hermenêutica jurídica aquele segundo o qual a lei não contém palavras inúteis. Ou seja, as palavras devem ser compreendidas como tendo alguma eficácia. Não se presumem, na lei, palavras inúteis. Assim sendo, ainda de acordo com o agente fiscal, não restam dúvidas de que a palavra "somente" contida no artigo 17 do ACE 18 tem a notória função de restrição do período onde é permitido a emissão de um Certificado de Origem no âmbito do Mercosul. Por todo o exposto, não haveria, segundo o autuante, alternativa à autoridade fiscal responsável pelo exame Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10142.721281/201481 Acórdão n.º 3402005.455 S3C4T2 Fl. 263 5 documental do despacho de importação, senão a interpretação pela desqualificação do Certificado de Origem apresentado para instruir a DI de n° 14/1960711 3. E, assim sendo, para efeitos de aplicação do art. 570 do RA, em específico seu § 3°, em 05/11/2014, foi lavrado Termo de Intimação Fiscal EAD n° 112/2014, no qual o importador foi intimado a providenciar o recolhimento do Imposto de Importação devido, ou manifestar sua inconformidade quanto à exigência, para que fosse, então, lavrado o Auto de Infração para exercício pleno do contraditório e ampla defesa por parte do importador. Aduz a fiscalização que, em 06/11/2014, o importador protocolou, na Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Mundo NovoMS, sua manifestação de inconformidade, ANEXO II, quanto à desqualificação do Certificado de Origem do Mercosul de n° E 0000069540. Assim, foi lavrado o Auto de Infração com o fim de efetuar o lançamento do Imposto de Importação devido, utilizando a alíquota aplicável para importações de Estado não Parte do MERCOSUL, para a mercadoria com NCM 6301.40.00, nos termos da Resolução CAMEX n° 94/2014, alíquota de 35%. De acordo com o autuante, sobre o valor do Imposto de Importação incide a multa de mora de que trata o artigo 746 do Regulamento Aduaneiro/2009 (art. 61 da Lei nº 9.430/1996), no percentual de 0,33% por dia de atraso, limitada a 20%, sendo que a multa de mora é aplicada em substituição à multa de ofício de que trata o artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, em razão do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 10/09/2002. Da impugnação A autuada foi cientificada do auto de infração em 17/11/2014, pessoalmente, (fl. 03), e apresentou impugnação em 17/12/2014 (fl. 6778), onde alega que: I – DOS FATOS teve ciência da desqualificação do Certificado de Origem em 16/10/2014, quando recebeu a Intimação Fiscal EAD n° 104/2014 (fl. 34/41), em que foi intimada a apresentar carta de correção da fatura e do CRT e recolher o imposto de importação e a multa de mora, e informar na DI os recolhimentos, motivação e as bases legais; Fl. 265DF CARF MF 6 em busca de explicação para o ocorrido, a Impugnante buscou informação junto à empresa fabricante dos produtos que estavam sendo importados, a qual, em resposta, explicou que junto com seu pedido de emissão de certificado de origem para a fatura n° 001 0330000064, protocolado em 06/10/2014, foi apresentado também um oficio requerendo prorrogação da data de emissão da fatura, em decorrência do transcurso do prazo de 60 entre a data de sua emissão e do protocolo do pedido, que foi aceito pela entidade certificadora, tendo esta emitido o certificado de origem para a mercadoria objeto da fatura; a empresa certificadora também emitiu uma correspondência para a Secretaria da Receita Federal do Brasil em Mundo Novo/MS em que explica os fatos acima descritos, e confirma a emissão do certificado de origem em virtude do pedido de prorrogação da data e a aceitação dela de tal fato; em 27/10/2014, a Impugnante protocolou resposta à intimação supra (fl.43/44), apresentando as cartas de correção da fatura e CRT e os documentos acima citados. Em resposta aos documentos apresentados, a autoridade fiscal intima a Impugnante, por meio da Intimação Fiscal EAD n° 111/2014 (fl. 58), que fica mantida a exigência do recolhimento do imposto de importação sobre a operação acobertada pela DI nº 14/19607113, que deverá ser feito em 05 (cinco) dias, ou apresentar, por escrito, manifestação de inconformidade; II DO DIREITO de acordo com o 44º Protocolo Adicional ao ACE 18, no Anexo “Regime de Origem MERCOSUL”, artigo 14, os requisitos essenciais para a validade do Certificado de Origem são que as mercadorias sejam perfeitamente identificadas e que sejam inequivocadamente originárias do Estado Parte, nos termos dos acordos afirmados, e que a entidade certificadora seja legalmente autorizada a emiti lo; o certificado de origem n° E 0000069540 de 06/10/2014 preenche todos os requisitos essenciais para a sua validade, haja vista que a autoridade fiscal não questionou tais requisitos no Relatório de Verificação Fiscal da Declaração de Importação n° 14/19607113 parte integrante do auto de infração objeto do presente Processo Administrativo Fiscal; o certificado de origem apresentado foi desqualificado porque teria descumprido o disposto no artigo 17 do Quadragésimo quarto Protocolo Adicional ao ACE 18; em que pese a condição de que os certificados de origem somente poderão ser emitidos a partir da data da emissão Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10142.721281/201481 Acórdão n.º 3402005.455 S3C4T2 Fl. 264 7 da fatura comercial ou durante os sessenta dias subsequentes, o terceiro parágrafo do artigo 17 estipula que as administrações aduaneiras observarão o disposto no Anexo IV do regime, que contém as instruções para o controle do certificado de origem do Mercosul; o Anexo IV a que se refere o artigo 17 acima citado, por sua vez, contém as instruções para o controle dos certificados de origem do Mercosul por parte das Administrações Aduaneiras, e prevê a correção do certificado de origem no caso de constatação de erros formais; nesse Anexo IV, letra “A”, alínea “e”, citado pela mesma norma legal que dispõe que o certificado de origem não deve ser emitido após sessenta dias da emissão da fatura, também dispõe que os erros formais poderão ser corrigidos, e erros formais, segundo o acordo, serão todos aqueles erros que não modificam a qualificação de origem das mercadorias; o erro na emissão do Certificado de Origem em tela foi devidamente justificado pela entidade certificadora perante a Secretaria da Receita Federal, e tal fato não teve qualquer interferência da empresa importadora ora impugnante; a empresa certificadora, acatando o pedido de prorrogação da data da fatura feita pelo exportador paraguaio, emitiu regularmente o certificado de origem, que acoberta a mercadoria importada por meio da DI n° 14/19607113, com origem paraguaia comprovada, e que em nenhum momento foi questionado pela autoridade aduaneira; nenhuma irregularidade ou suspeita quanto a origem da mercadoria foi levantada. O erro cometido pela entidade certificadora para emissão do certificado de origem não pode ser causa suficiente para ensejar a perda da isenção tributária por parte do contribuinte, que importou a mercadoria de origem do Estado Parte Paraguai regularmente, com o benefício concedido para mercadoria dele originado; a lei não pode ser encarada como instrumento vazio de conteúdo, sobretudo porque os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade se constituem em fundamento de validade para todos os atos da Administração. Nesse sentido, a Lei n° 9.784/99, prevê, em seu art. 2º, VI, que é vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; Fl. 267DF CARF MF 8 sendo a mercadoria comprovadamente de origem paraguaia, a autoridade fiscal se baseou única e exclusivamente num parágrafo do acordo recepcionado pelo Decreto 5.455/2005, sem levar em consideração os demais dispositivos contidos na mesma norma legal, especialmente naquele específico ao caso em tela, que estipula que todos aqueles erros que não modificam a qualificação de origem da mercadoria, serão considerados erros formais e poderão ser corrigidos (Anexo IV, A CONTROLE DO CERTIFICADO DE ORIGEM, segundo parágrafo da letra "e"); A jurisprudência também tem se posicionado neste sentido, em casos similares (cita Acórdãos do TRF4, STJ e TRF1); III – DA MULTA DE MORA LANÇADA NO AUTO DE INFRAÇÃO a autoridade fiscal calculou a multa prevista no artigo 61, § 3º, da Lei n° 9.430/1996 de forma incorreta no Auto de infração (fls. 3 e 7), pois, segundo a legislação aplicável ao caso, incide a multa de mora, que será calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto, e limitada a vinte por cento (art. 61, §1° e §2°, da Lei n° 9.430/1996); a DI n° 14/19607113, foi registrada em data de 12/10/2014, sendo esta a data do fato gerador do imposto. O Auto de Infração foi lavrado em data de 17/11/2014 (fl. 3). Considerando o disposto na norma legal supracitada, a multa de mora é cobrada por dia de atraso, e é calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo legal, o que perfaz tão somente 36 (trinta e seis) dias quando da lavratura do Auto de Infração, que ocorreu em 17/11/2014; Portanto, incorreto o percentual da multa calculada no Auto de Infração, que considerou o teto de 20% (vinte por cento), quando o correto na data da lavratura do Auto de Infração seria de 36 (trinta e seis) dias, multiplicado pela taxa de 0,33% (trinta e três centésimos por cento), o que perfaz um percentual total de 11,88% (onze inteiros e oitenta e oito centésimos por cento), índice a ser aplicado ao valor do tributo calculado; IVCONCLUSÃO por todo o acima exposto, há que se concluir que a emissão do certificado de origem ocorreu por um erro formal da entidade certificadora, que acatando o pedido de prorrogação da data de emissão, emitiu regularmente o competente certificado de origem, que atesta Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10142.721281/201481 Acórdão n.º 3402005.455 S3C4T2 Fl. 265 9 incontestavelmente a origem paraguaia da mercadoria objeto do certificado de origem emitido; o erro cometido na aceitação do pedido de prorrogação da data de emissão da fatura não modifica a qualificação de origem da mercadoria, o que o classifica como erro formal, sujeito portanto a correção, nos termos da letra "e" do Anexo IV A CONTROLE DO CERTIFICADO DE ORIGEM, o que ocorreu com a apresentação da justificativa da emissão do Certificado de origem feita pela entidade certificadora; caso não seja este o entendimento desta douta autoridade julgadora, que seja refeito o cálculo da multa de mora, pois da forma em que foi lançada está incorreta, e tal erro repercutirá em todos os cálculos futuros; isto posto, REQUER: “1.seja o Auto de Infração julgado improcedente e arquivado em caráter definitivo, por ser essa a única medida de inteira justiça; 2.que seja recalculada a multa de mora lançada na data da lavratura do Auto de Infração, por estar incorreta, e que se mantida, repercutirá de forma negativa nos cálculos do débito futuro.” À fl. 183, consta Termo de Constatação, datado de 29/12/2014, segundo o qual: “Tratase de Auto de Infração com lançamento de ofício de Imposto de Importação devido a desqualificação de certificado de origem elaborado em desacordo com as normas vigentes. Ciente do Auto de Infração, o interessado apresentou IMPUGNAÇÃO no qual contesta a desqualificação do Certificado de Origem que dava cobertura a operação de importação e o lançamento efetuado, bem como a multa de mora aplicada. O encaminhamento para a competente Delegacia de Julgamento encontrase no momento pendente de regularização dos documentos de representação. Em paralelo, o interessado impetrou o Mandado de Segurança 0002680 69.2014.4.03.6006 pleiteando a liberação das mercadorias sem garantia (as quais encontramse retidas aguardando regularização da importação). O pedido de liminar foi postergado para momento posterior à chegada de informações solicitadas a esta Inspetoria. Em 19/12/2014 foi encaminhado à Primeira Vara Federal em Naviraí as informações solicitadas”. Às fls. 205215 foram anexadas sentença, Decisão do Reexame Necessário pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região e extrato do processamento relativo à citada Fl. 269DF CARF MF 10 ação judicial. A petição inicial e outros documentos relativos ao referido processo já tinham sido anexados pela impugnante às fls. 87 a 166. Quanto à pendência relativa à representação, foram apresentadas, às fls. 193 196, procuração e cópias dos documentos de identificação dos representantes. O julgamento da impugnação resultou no Acórdão da DRJ de Fortaleza/CE (fls 220 a 237), cuja ementa segue colacionada abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/10/2014 AÇÃO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA DE OBJETOS. NÃO EXISTÊNCIA DE RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Não havendo identidade entre os objetos do processo judicial e do processo administrativo, a propositura de ação judicial, por si só, não importa em renúncia à instância administrativa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 13/10/2014 CERTIFICADO DE ORIGEM. DESQUALIFICAÇÃO. Considerase ineficaz, para fins de reconhecimento do tratamento preferencial, Certificado de Origem emitido em data posterior a sessenta dias da data da emissão da fatura comercial que instruiu a declaração de importação. Desqualificado o Certificado de Origem, submetese a importação ao regime comum, aplicandose as alíquotas integrais previstas para as mercadorias objeto da operação. Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho por meio de petição de fls 247 a 255, repisando os argumentos de sua impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora Conforme o despacho de fls 260, o recurso é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10142.721281/201481 Acórdão n.º 3402005.455 S3C4T2 Fl. 266 11 De acordo com o relato acima, as questões a serem aqui solucionadas seriam duas: i) existência ou não de concomitância; ii) validade da desqualificação do certificado de origem da mercadoria importada, com a correspondente cobrança da diferença do Imposto de Importação ("II"), multa e juros. Entretanto, com relação à concomitância, a Contribuinte não apresentou em seu recurso voluntário nenhuma consideração atinente ao tema. Assim, aquiesceu com as conclusões adotadas pela DRJ no sentido de inexistência de similaridade entre a discussão travada no Mandado de Segurança n. 000268069.2014.4.03.6006 e o presente processo administrativo, com as quais concordo. 1 Por tais razões, o tema encontrase pacificado, não merecendo maiores considerações nesse momento. Passemos então à questão do certificado de origem. Depreendese da análise do processo, que a controvérsia gira em torno da aceitação ou não de Certificado de Origem do Mercosul apresentado em despacho aduaneiro, em virtude de o tempo decorrido entre a data de emissão deste documento e a data de emissão da fatura estar superior a sessenta dias, contrariando o disposto no artigo 17 do 44º Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18 (ACE 18), que é o tratado internacional que dispõe sobre o tratamento tributário favorecido entre os países membros do Mercosul. Como bem destacado neste processo, em 26/03/1991, foi assinado o Tratado de Assunção, instituindo o Mercosul – Mercado Comum do Sul, entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Em 29/11/1991, foi assinado o Acordo de Complementação Econômica (ACE 18), internalizado no País pelo Decreto nº 550 de 27/05/1992. Esse ACE foi alterado por diversos Protocolos Adicionais, sendo que o 44º Protocolo Adicional, que aprova o texto do atual Regime de Origem MERCOSUL, foi internalizado no País pelo Decreto n° 5.455, de 02/06/2005. No que interessa ao presente caso, para aplicação das alíquotas preferenciais, no âmbito do Mercosul, há que se comprovar a origem das mercadorias. Dessa forma, o Regulamento de Origem das Mercadorias definiu que o documento comprobatório da origem da mercadoria é o Certificado de Origem do Mercosul, emitido pelas repartições oficiais ou organismos ou entidades por elas credenciadas. No Brasil cabe à Secretaria da Receita Federal a tarefa de realizar o controle da origem, no curso do despacho de importação ou em procedimento de fiscalização posterior. No despacho de importação, o certificado de origem deve ser apresentado juntamente com os demais documentos instrutivos da Declaração de Importação, no modelo padrão aprovado. A aceitação do Certificado de Origem do Mercosul depende do cumprimento do disposto nas normas regulamentares. O 44º Protocolo Adicional revogou o 8º Protocolo Adicional ao ACE nº 18, de 1995, que trazia, em seu Anexo I, o Regulamento de Origem das Mercadorias no Mercado 1 Analisandose a petição inicial relativa ao Mandado de Segurança nº 0002680 69.2014.4.03.6006, impetrado pela impugnante, o qual tramitou na 1a Vara da Justiça Federal de NaviraíMS, que faz parte da Jurisdição do Tribunal Regional Federal da 3a Região (TRF3), verificase que a ação visava apenas à liberação da carga importada através da DI n° 14/19607113 (objeto da autuação a que se refere o processo em análise), bem como das DI’s nº 14/19608292, 14/19602642, conforme consta do pedido, às fls. 101102. Fl. 271DF CARF MF 12 Comum do Sul. Esse Regulamento de Origem foi disciplinado no Brasil pela Portaria Interministerial MF/MICT/MRE nº 11/1997, e pela IN SRF nº 149/2002, a qual ainda está em vigor, agora regulamentando o 44º Protocolo Adicional ao ACE 18. Quanto ao momento em que o Certificado de Origem pode ser emitido em relação à data da fatura, o artigo 17 do 44º Protocolo Adicional ao ACE 18 dispõe: Artigo 17 Os certificados de origem somente poderão ser emitidos a partir da data de emissão da fatura comercial correspondente, ou durante os sessenta (60) dias seguintes. (grifei) O certificado de origem deverá ser apresentado perante a autoridade aduaneira do Estado Parte importador no momento do despacho de importação. As administrações aduaneiras, por sua vez, observarão o disposto no Anexo IV deste Regime que contém “As instruções para o controle de certificados de origem do MERCOSUL por parte das administrações aduaneiras.” Disciplinando tal ponto, o artigo 10 da Instrução Normativa SRF nº 149/2002 determina que: Art. 10. O Certificado de Origem apresentado será desqualificado pela autoridade aduaneira, para fins de reconhecimento do tratamento preferencial, quando ficar comprovado que não acoberta a mercadoria submetida a despacho, por ser originária de terceiro país ou não corresponder à mercadoria identificada na verificação física, conforme os elementos materiais juntados, bem assim quando: I contiver rasuras, correções, emendas ou campos não preenchidos, com exceção daqueles reservados às observações e à identificação do consignatário; II tiver sido emitido anteriormente à data da respectiva fatura comercial ou após sessenta dias da sua emissão; ou III tiver sido firmado por entidade ou funcionário não autorizado. Parágrafo único. Na hipótese de desqualificação do Certificado de Origem, a importação ficará sujeita à aplicação do tratamento tributário estabelecido para mercadoria originária de terceiro país, mediante a constituição do correspondente crédito tributário em Auto de Infração. (grifei) No caso ora sob análise, é incontroverso o fato de que a fatura comercial está datada de 26/07/2014 (fls 25), enquanto que o certificado de origem apresentado pelo importador foi expedido em 08/10/2014 (fl. 31). Ou seja, está claro que o certificado de origem o foi emitido após sessenta dias da emissão da fatura comercial correspondente, em desconformidade com a norma acima transcrita. A Recorrente defendese explicando que foi apresentado um oficio requerendo prorrogação da data de emissão da fatura, em decorrência do transcurso do prazo Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10142.721281/201481 Acórdão n.º 3402005.455 S3C4T2 Fl. 267 13 de 60 entre a data de sua emissão e do protocolo do pedido, o que foi aceito pela entidade certificadora, tendo esta emitido o certificado de origem para a mercadoria objeto da fatura. Enquanto a DRJ entende que tal defesa só confirma que, na data prevista pela lei, não existia o certificado de origem, o que necessariamente acarreta na consequência lógica imposta pelo auto de infração. Entretanto, não é essa a melhor resposta ao problema, de acordo com as normas jurídicas pertinentes e com a jurisprudência deste Conselho. Explico. O 44º Protocolo Adicional ao ACE 18 trata com acuidade do que se pretende comprovar por meio do certificado de origem, na redação de seu artigo 14: Artigo 14 O certificado de origem é o documento que permite a comprovação da origem das mercadorias, devendo acompanhar as mesmas em todos os casos sujeitos à aplicação do Regime de Origem do MERCOSUL. Esse certificado deverá satisfazer aos seguintes requisitos: Ser emitido por entidades certificadoras autorizadas; Identificar as mercadorias a que se refere; Indicar, inequivocadamente, que a mercadoria a que se refere é originária do Estado Parte de que se trate nos termos e disposições do presente Regime. No caso ora sob análise, em nenhum momento foi alegada qualquer desconfiança com relação à mercadoria em si, ao seu país de origem, à autoridade certificadora, nem qualquer outros problema com relação ao produtor final. Tais fatos, somados à peremptória confirmação pela autoridade certificadora da inexistência de qualquer motivo para a desconsideração do certificado de origem já que acatou o pedido de prorrogação da data da fatura feita pelo exportador paraguaio , deixam claro que os requisitos do certificado de origem encontramse plenamente preenchidos, conforme o artigo 14 supra transcrito. Ademais, apesar de o mesmo Protocolo determinar a necessidade de apresentação do certificado de origem dentro do prazo de 60 dias da emissão da fatura comercial (artigo 17), não impõe como consequência do descumprimento desse prazo a desqualificação do certificado de origem. O que o referido Protocolo faz é, a partir do seu artigo 18, tratar da verificação e controle do certificado de origem, justamente para que sejam extirpadas quaisquer dúvidas sobre seus requisitos, elencados no artigo 14 acima mencionado. A consequência sobre o descumprimento do prazo de 60 dias imposta pelo presente auto de infração só apareceu no âmbito interno, por meio da Instrução Normativa SRF nº 149/2002, anteriormente mencionada. É esse ato normativo infralegal que determinou a desqualificação do certificado de origem, com a subsequente cobrança da diferença de impostos devidos pela importação, pois deixará de existir o tratamento favorecido no âmbito do Mercosul. Inarredável, portanto, a conclusão pela ilegalidade do artigo 10, inciso II parágrafo único da IN 149/2009, que extrapolou o conteúdo do 44º Protocolo Adicional do ACE 18, ferindo a hierarquia das normas jurídicas, ao criar situação que inexiste no diploma normativo que lhe dá fundamento. Fl. 273DF CARF MF 14 Assim é que, dentro da legislação sobre o certificado de origem no âmbito do Mercosul, o que caberia à autoridade fiscal seria instaurar um procedimento de verificação do certificado de origem, para apurar eventual problema com relação à própria mercadoria ou a sua origem, para então promover a desconsideração dos benefícios fiscais e a respectiva cobrança da diferença tributária. Não poderia, pelo simples problema com relação à data da emissão do certificado, desconsiderálo, passando por cima de todo o tratamento tributário acordado no Mercosul, com vistas ao desenvolvimento do bloco econômico, em clara atuação do direito tributário com fins extrafiscais. Esse entendimento, sobre a necessidade de ser observado o verdadeiro conteúdo dos certificados de origem, para fins de sua eventual desqualificação, já foi enfrentada por este Conselho, conforme se depreende das ementas a seguir colacionadas: Ementa: CERTIFICADO DE ORIGEM. EMISSÃO POSTERIOR À DATA DE EMBARQUE DA MERCADORIA. VALIDADE. — Já está pacificado que não havendo prova de falso conteúdo ideológico, o Certificado de Origem cumpre a função para a qual foi concebido, que é a de apontar o país remetente das mercadorias importadas. Aplicável à hipótese o Decreto n° 1.300, de 04/11/1994 (ex vi art. 106 do CTN), o qual estabelece a validade do Certificado de Origem emitido dentro do prazo de 10 (dez) dias após o embarque da mercadoria. PRECEDENTES da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso especial provido. (Acórdão CSRF/0305.672, Processo 11128.001770/94 40) Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1994 CERTIFICADO DE ORIGEM. EMISSÃO POSTERIOR À DATA DE EMBARQUE DA MERCADORIA. VALIDADE. Já está pacificado que não havendo prova de falso conteúdo ideológico, o Certificado de Origem cumpre a função para a qual foi concebido, que é a de apontar o país remetente das mercadorias importadas. Aplicável à hipótese o Decreto n° 1300, de 04/11/1994 (Acórdão: CSRF/0306.033, Processo: 11131.001076/9870) Ementa: CERTIFICADO DE ORIGEM. VALIDADE Certificado de Origem válido, não pode ser considerado nulo se não houver prova convincente de sua falsidade. Aplicase a norma mais benéfica ao contribuinte (art. 1º, do 6º Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18). Havendo o contribuinte efetivamente obtido a necessária certificação de que a operação de importação foi realizada entre países signatários do ACE Nº 18, não é exigível o recolhimento dos tributos incidentes na importação. (CSRF/0304.659, Processo 11042.000065/9410) Destaco o seguinte trecho do voto do Conselheiro Relator, no julgamento do caso CSRF/0304.659, Processo 11042.000065/9410: Não existem dúvidas que o Certificado de Origem foi efetivamente emitido, com todos os elementos essenciais, sendo, portanto, um completo absurdo afirmar a nulidade do mesmo, posto que nos autos não há prova capaz de comprovar a invalidade do Certificado de Origem, nem mesmo causa prejuízo ao fisco a confusão de datas referidas nos autos. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10142.721281/201481 Acórdão n.º 3402005.455 S3C4T2 Fl. 268 15 Dessarte, no entender desta Relatora não existe na normativa assinada entre os países do Mercosul uma regra impondo a desqualificação do certificado de origem em casos como o presente, além do que inexiste in casu qualquer suspeita quanto à origem ou a qualidade das mercadorias importadas, devendo portanto ser reputado perfeito o tratamento tributário dado às operações internacionais com o cancelamento do respectivo auto de infração. Dispositivo Ex positis, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 275DF CARF MF 16 Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora Designada Na sessão de julgamento ousei divergir do voto da Ilustre Conselheira Relatora, no que fui acompanhada por outros Conselheiros, restando meu posicionamento vencedor por voto de qualidade, razão pela qual apresento abaixo as minhas razões de decidir. O artigo 17 do 44º Protocolo Adicional ao ACE 18 dispõe expressamente que "Os certificados de origem somente poderão ser emitidos a partir da data de emissão da fatura comercial correspondente, ou durante os sessenta (60) dias seguintes". [grifei e negritei] Como se vê, tratase de norma internacional proibitiva acerca da emissão do referido documento no país membro de origem da mercadoria, que atinge a existência/validade do Certificado de Origem, que está em perfeita consonância com a não aceitação, pelo país de destino (país membro importador), de eventual documento emitido nessas condições para fins de tratamento tarifário preferencial. Ora, se os países membros do Acordo Internacional, inclusive o país de destino (no caso, o Brasil), acordaram quanto à proibição de emissão de Certificado de Origem após 60 dias da emissão da fatura comercial correspondente, não faria nenhum sentido esse mesmo país de destino aceitar normalmente, para fins de tratamento tarifário preferencial, um documento emitido com infração à referida norma internacional. Dessa forma, não há qualquer lesão à hierarquia das normas na regulamentação dada pela Receita Federal no art. 10 da IN SRF nº 149/2002, que dispõe sobre a desqualificação do Certificado de Origem para fins de tratamento preferencial, quando esse tiver sido emitido após sessenta dias da emissão da fatura comercial. A decisão recorrida foi bem motivada quanto à validade da desqualificação do Certificado de Origem para fins de tratamento preferencial efetuada pela fiscalização que culminou com o presente lançamento, devendo ser mantida pelos seus próprios fundamentos, abaixo transcritos: (...) Nesse sentido, aplicase a máxima segundo a qual a lei não abriga palavras inúteis. Ora, devese admitir que a cláusula quanto ao prazo de expedição do Certificado de Origem, contida no acordo internacional, tem sua razão de ser, afigurandose relevante para assegurar os objetivos do pacto internacional, segundo a vontade dos países signatários. Por outro lado, se o acordo internacional pretendesse limitar a ineficácia do certificado de origem apenas a determinadas hipóteses, certamente as teria explicitado. Assim, é razoável inferir essa ineficácia, sempre que deixe o documento de preencher qualquer dos requisitos exigidos nos tratados internacionais pertinentes. Impõese concluir que a fruição do benefício tarifário depende do cumprimento dos requisitos estabelecidos no pacto internacional, dentre eles, a apresentação de certificado de origem expedido tempestivamente, o que não foi observado pelo importador. Cumpre esclarecer que cabe a autoridade aduaneira reconhecer ou não a eficácia do Certificado de Origem, consistente na redução tributária; isto é, considerar ou não um documento como hábil, na forma da lei, para produzir determinado efeito fiscal, atividade inerente aos poderes do Fisco, nos termos do art. 121 do Regulamento Aduaneiro/2009: Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10142.721281/201481 Acórdão n.º 3402005.455 S3C4T2 Fl. 269 17 Art. 121. O reconhecimento da isenção ou da redução do imposto será efetivado, em cada caso, pela autoridade aduaneira, com base em requerimento no qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou em contrato para sua concessão (Lei no 5.172, de 1966, art. 179, caput). Dada a importância do documento em análise como instrumento de certificação da origem da mercadoria, inferese que, ante a ausência de qualquer dos requisitos exigidos pelos acordos internacionais, o Estado importador fica impedido de reconhecer o tratamento preferencial, devendo ser aplicada à mercadoria o regime normal de tributação, previsto para as importações de terceiros países. Com efeito, se os países participantes estipularam regras obrigatórias para o reconhecimento da origem da mercadoria e, por conseguinte, do benefício tarifário, temse como inadmissível substituir a vontade dos referidos países, manifestada no acordo, com a pretensão de tentar demonstrar a origem por outros meios, sob pena de negar vigência ao acordo internacional. Assim, afora o Certificado de Origem emitido em conformidade com as normas do Mercosul, inexiste qualquer outro meio idôneo que possa suprir essa prova, sem a qual não se pode identificar a origem da mercadoria e reconhecer a redução tarifária. Repitase que a fruição do benefício de redução tarifária importa a observância estrita das condições e requisitos estabelecidos nos acordos internacionais de regência. O reconhecimento, pelo Fisco, do benefício tributário pactuado entre os países integrantes do Mercosul depende da constatação de que a importação ocorreu pelos exatos termos acordados, cuja prova documental de cumprimento de tais requisitos deve necessariamente ser inquestionável. Nesse sentido, além da apresentação de Certificado de Origem e fatura comercial, deve a operação de importação estar em conformidade com as demais regras estabelecidas nos acordos de regência. (...) Primeiramente cumpre destacar que o previsto no Anexo IV do 44º Protocolo Adicional ao ACE 18 é aplicável nos casos em que sejam detectados erros formais na confecção do Certificado de Origem, e desde que estes sejam avaliados como tais pelas Administrações Aduaneiras. O intento de prorrogar a data da fatura apenas confirma que, realmente, o Certificado de Origem foi emitido em data posterior a sessenta dias da data da emissão da fatura. Assim, não se pode dizer que houve mero erro formal da confecção do Certificado de Origem e sim que esse documento foi de fato emitido de modo intempestivo, desrespeitando, portanto, o prazo legal. (...) O pleito do exportador perante a Entidade Certificadora, qual seja a "prorrogação da data da fatura comercial" é um instituto que não existe no 44º Protocolo Adicional ao ACE 18 do Mercosul e, em sendo assim, não poderia a entidade unilateralmente criar tal benefício, em detrimento dos dispositivos do Tratado Internacional, que, como já mencionado, tem status jurídico de lei ordinária. O procedimento adotado pela fiscalização está em acordo com a legislação prevista para o caso, uma vez que o Certificado de Origem n° E0000069540 (fl. 31) possui data de emissão posterior a sessenta dias da data de emissão da fatura original n° 001033 0000064 (fl. 25), apresentada para despacho. Tal situação está prevista na legislação citada anteriormente, e há orientação específica sobre o procedimento a ser adotado para o caso no inciso II, artigo 10, da IN SRF n° 149/2002, que claramente instrui a autoridade aduaneira a desqualificar o certificado de origem quando este for emitido nessas condições. (...) Ocorre que o emprego da razoabilidade e proporcionalidade, pela instância administrativa, não autoriza afastar a aplicação da legislação nem de alterarlhe o Fl. 277DF CARF MF 18 teor com base em critérios subjetivos de justiça, tendo em vista que essa apreciação refoge à competência da autoridade administrativa. A solução inversa, ou seja, assentir com a prorrogação do prazo da fatura com mero o propósito de tornar o Certificado de Origem artificialmente tempestivo, sem que isso esteja previsto na legislação, implicaria sustentar que a vontade da autoridade administrativa sobrepõese à norma escrita, alterando, dessa maneira, a própria obrigação tributária, o que resultaria afronta ao princípio da legalidade, que norteia toda a atividade do setor público. (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 278DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13708.004958/2008-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de seus dependentes.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Mantém-se a tributação sobre rendimentos omitidos cuja percepção pelo contribuinte esteja devidamente comprovada.
Numero da decisão: 2001-000.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aceitar as despesas médicas referentes a APPAI e ao plano de saúde Golden Cross.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de seus dependentes. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Mantém-se a tributação sobre rendimentos omitidos cuja percepção pelo contribuinte esteja devidamente comprovada.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13708.004958/2008-10
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5897273
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.558
nome_arquivo_s : Decisao_13708004958200810.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JORGE HENRIQUE BACKES
nome_arquivo_pdf_s : 13708004958200810_5897273.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aceitar as despesas médicas referentes a APPAI e ao plano de saúde Golden Cross. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7409239
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050582805118976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1344; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13708.004958/200810 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.558 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Recorrente REGINA CELIA ROBERTO GONÇALVES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de seus dependentes. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Mantémse a tributação sobre rendimentos omitidos cuja percepção pelo contribuinte esteja devidamente comprovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aceitar as despesas médicas referentes a APPAI e ao plano de saúde Golden Cross. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 49 58 /2 00 8- 10 Fl. 100DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Esses destaques não constam desse relatório, pois estão disponíveis no processo. Tratase de discussão sobre omissão de rendimentos, despesas com instrução e despesas médicas, questão de prova, convencimento em relação aos documentos apresentados. Contribuinte apresentou recibos e agregou comprovantes financeiros de pagamento das despesas de plano de saúde. Argumentou que os pagamentos à APPAI referem se a serviços de saúde. Não apresentou argumentos nem documentos novos referentes a omissão de rendimentos nem quanto a despesas com instrução. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Sobre a omissão de rendimentos e despesas com instrução não foram apresentados argumentos novos, e nem identificamos alguma questão não abordada pelo acórdão de impugnação. Concordamos com esse acórdão que assim dispôs sobre essa matéria: Situação semelhante ocorre com a dedução indevida de despesas com instrução, haja vista que, apesar de ter sido claramente apontada a falta de documentação comprobatória como motivo da manutenção da glosa pela autoridade revisora, não foi juntado aos autos nenhum documento referente à despesa de R$ 1.980,00 informada na declaração em exame. Na contestação do Termo Circunstanciado a interessada faz menção a recibos do Instituto de Pesquisas Sócio Pedagógicas “que não foram considerados no valor total das despesas com educação”, mas tais documentos não se encontram anexados ao processo, ao contrário do que afirma. Assim, correto também o trabalho fiscal no tocante a essa infração. No que concerne à omissão de rendimentos recebidos da Capemi, verificase que os valores apurados no lançamento estão em consonância com a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF apresentada pela fonte pagadora (fls. 64). Não obstante, a contribuinte alega em sua defesa que “não cabe falar em omissão de rendimentos, quando de fato ocorreu apenas um erro na Declaração de Renda, uma vez que a contribuinte sofreu em todo o período retenção na fonte”. Acrescenta que o valor recebido da Capemi é “rendimento isento e não tributado”. Posteriormente, em contestação ao Termo Circunstanciado, sustenta que “não há relação de trabalho assalariado do contribuinte com código de receita 0561, sendo tal rendimento pecúlio feito durante mais de 20 anos”. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13708.004958/200810 Acórdão n.º 2001000.558 S2C0T1 Fl. 3 3 Inicialmente, devese esclarecer à impugnante que todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva, devem integrar a base de cálculo do ajuste anual independentemente de já terem sido tributados na fonte, submetendose à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual, nos termos do art. 83, I, do RIR/99. Dessa forma, apenas com a Declaração de Ajuste Anual o imposto se torna definitivo, podendo a autoridade administrativa aceitar os dados fornecidos pelo declarante ou, com base neles, exigir eventual diferença de tributo. Equivocase, portanto, a interessada ao entender que a retenção de imposto de renda efetuada pela fonte pagadora a exime da responsabilidade de informar em sua Declaração de Ajuste Anual os rendimentos dela recebidos. Impõese observar, ainda, que não há nos autos qualquer documento capaz de confirmar a alegação da notificada de que os rendimentos recebidos da Capemi são isentos e não decorrem do trabalho assalariado, ao contrário do que foi informado em DIRF. Cumpre ressaltar que a impossibilidade de se acatar argumentações desacompanhadas dos respectivos elementos de prova já havia sido apontada pela autoridade fiscal no Termo Circunstanciado, mas, ainda assim, a interessada contestou a omissão mantida na revisão do lançamento sem trazer aos autos nenhum documento referente a esses rendimentos. Dessa forma, tendo em vista que a DIRF é um documento declaratório de rendimentos e de retenção de imposto de renda na fonte previsto em lei e serve como prova relativa desses valores, não havendo nos autos elementos que contrariem as informações nela contidas, estas devem prevalecer. Mantémse, portanto, a omissão de rendimentos apurada.Em termos gerais, pede para que se reexamine, sem nominar, a impugnação. Examinamos todo o processo e entendemos que o acórdão de impugnação abordou corretamente a legislação, e os fatos. Em relação às despesas médicas pagas a plano de saúde, apresentou os comprovantes financeiros, para vários anoscalendário (houve lançamento para outros anos). No ano específico, apresentou as guias de pagamento, sem os comprovantes financeiros. Tratase de um ano intermediário, 2004, no conjunto dos anos examinados; foram também examinados por esse relator, os anoscalendários de 2003, 2005 e 2006, com apresentações de comprovantes financeiros. Considerando que há continuidade da prestação do serviço; que houve a apresentação das guias; que a falta de pagamento gera cancelamento de plano; que a comprovação de parcial de alguns períodos indica a continuidade da prestação, que não houve nenhuma investigação, ou conferência junto ao plano de saúde sobre a matéria; e tendo em conta também que um procedimento de diligência, nessa altura do processo administrativo, tornase mais oneroso que a dedução pleiteada; pelo conjunto dos anos examinados entendo pela aceitação das despesas referentes à Golden Cross. Os pagamentos à APPAI, já foram aceitos nos anoscalendários de 2003 e 2005, em Despachos Decisórios, em processos em exame por esse relator, como referentes a serviços médicos, entendemos como comprovadas, dessa forma, essas despesas. Fl. 102DF CARF MF 4 Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, aceitando as despesas médicas referentes a plano de saúde e APPAI. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000354/2010-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
FRETES. TRANSPORTE DE PRODUTOS SUJEITOS AO CRÉDITO PRESUMIDO. CRÉDITO INTEGRAL
A operação de compra de produtos sujeitos à sistemática de cálculo dos créditos presumidos do art. 8° da Lei n° 10.925/04, que não sofrem tributação pelo PIS e COFINS, é distinta e dissociável da relativa ao frete, integralmente tributável. Portanto, na primeira, há direito a créditos presumidos de PIS e COFINS, e, na segunda, ao crédito integral das contribuições.
Numero da decisão: 3301-004.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 FRETES. TRANSPORTE DE PRODUTOS SUJEITOS AO CRÉDITO PRESUMIDO. CRÉDITO INTEGRAL A operação de compra de produtos sujeitos à sistemática de cálculo dos créditos presumidos do art. 8° da Lei n° 10.925/04, que não sofrem tributação pelo PIS e COFINS, é distinta e dissociável da relativa ao frete, integralmente tributável. Portanto, na primeira, há direito a créditos presumidos de PIS e COFINS, e, na segunda, ao crédito integral das contribuições.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16349.000354/2010-33
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5893629
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.735
nome_arquivo_s : Decisao_16349000354201033.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 16349000354201033_5893629.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7398584
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050582816653312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1555; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 282 1 281 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16349.000354/201033 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.735 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2018 Matéria PIS Recorrente LOUIS DREYFUS COMMODITIES AGROINDUSTRIAL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 FRETES. TRANSPORTE DE PRODUTOS SUJEITOS AO CRÉDITO PRESUMIDO. CRÉDITO INTEGRAL A operação de compra de produtos sujeitos à sistemática de cálculo dos créditos presumidos do art. 8° da Lei n° 10.925/04, que não sofrem tributação pelo PIS e COFINS, é distinta e dissociável da relativa ao frete, integralmente tributável. Portanto, na primeira, há direito a créditos presumidos de PIS e COFINS, e, na segunda, ao crédito integral das contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 54 /2 01 0- 33 Fl. 282DF CARF MF Processo nº 16349.000354/201033 Acórdão n.º 3301004.735 S3C3T1 Fl. 283 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "1. LOUIS DREYFUS COMMODITIES AGROINDUSTRIAL S.A, empresa acima identificada, transmitiu PER/DCOMP (Pedido Eletrônico de Ressarcimento/Declaração de Compensação), citados na fl. 186. O crédito pleiteado pelo contribuinte no valor de R$ 374.717,08, referese ao PIS nãocumulativo, vinculado às receitas de exportação, apurado no 4º trimestre de 2005. 2. A DERATSP proferiu Despacho Decisório de fls. 169/187 no qual reconheceu crédito no valor de R$ 358.780,06 e homologou as compensações apresentadas até este montante. O crédito reconhecido está discriminado nos quadros de fl. 185. 3. O fundamento para o não reconhecimento de parte do crédito pleiteado encontrase no próprio Despacho Decisório e pode ser assim sintetizado: 15. Considerando todos os períodos de apuração analisados sob o MPFD em questão, verificase que os principais bens para industrialização e revenda geradores dos valores mais relevantes dos créditos do PIS/COFINS são a laranja para a fabricação de suco e o café em grãos adquirido junto a terceiros para revenda. (....) 36. Observase, assim, que de acordo com a sistemática da não cumulatividade da Contribuição para o PIS e da Cofins, que é possível a apuração de crédito sobre o valor da aquisição de bens, desde que, dentre outras limitações, essa operação se sujeite ao pagamento das mencionadas contribuições. Na aquisição de frutas, referidas no art. 28 da Lei nº 10.865, de 2004, não houve pagamento da Contribuição para o PIS nem da Cofins, pois tais produtos estão sujeitos à alíquota zero em toda a cadeia econômica, consequentemente, essa operação não gera direito ao creditamento das contribuições em exame por pessoa jurídica sujeita ao regime não cumulativo das contribuições; ou seja, não existe crédito a ser mantido na cadeia. (....) 38. Mesmos não havendo o direito ao crédito sobre as aquisições de frutas, o contribuinte se apropriou indevidamente de crédito presumido sobre as aquisições de laranja para produção de suco. Assim sendo, procedemos à glosa desses valores. (....) 51. Integrando os fretes sobre compras o custo de aquisição dos insumos, o crédito calculado deve ser dividido em dois tipos: insumos com direito a crédito integral e com direito a crédito presumido. Sobre os fretes de compras de insumos com direito a crédito presumido deve ser aplicada a alíquota reduzida do crédito presumido (0,5775% e 2,66%) e seus valores devem compor a base de cálculo dos insumos com direito a crédito presumido. Desta forma, excluímos esses valores da base de cálculo do crédito integral e os transportamos para a base do crédito presumido. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 16349.000354/201033 Acórdão n.º 3301004.735 S3C3T1 Fl. 284 3 (....) 57. A apropriação de créditos sobre devoluções de vendas somente ocorre quanto este tipo de operação é tributável, ou seja, quando as vendas são realizadas no mercado interno. Verificamos que o contribuinte distribuiu tais valores entre as colunas de rateio dos mercados interno e externo, incorretamente. (....) 59. Para que o contribuinte possa se creditar desta devolução, os seguintes requisitos devem ser atendidos: a) que seja uma devolução de venda; b) que a venda tenha integrado o faturamento do mês ou do mês anterior, tendo sido tributada conforme disposto na Lei respectiva contribuição. 60. Como decorrência, esse crédito deve ser tratado a parte já que deve existir uma relação direta entre a contribuição devida em razão da venda e a possibilidade de creditamento em mesmo montante e tipo de crédito no caso de eventual devolução desta venda. Não há, portanto, que se falar em rateio proporcional nesta rubrica. 62. Nos termos do art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03 a pessoa jurídica poderá descontar créditos em relação a bens e serviços, utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, desta forma os valores referentes a devolução de compras deverão ser estornados. 63. Na mesma linha deverá ser estornado o crédito do PIS e da COFINS relativo a bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, que tenham sido furtados ou roubados, inutilizados ou deteriorados, destruídos em sinistro ou, ainda, empregados em outros produtos que tenham tido a mesma destinação, nos termos do § 13° do art. 3° combinado com o art. 15 da Lei n° 10.833/03. 4. O contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório em 16/02/2012 (fl. 191) e apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 193/200 em 15/03/2012 na qual alega: a “conforme reportado no item 12 acima, que a EQAUD excluiu R$ 1.948.083,79 da base de cálculo do crédito integral referentes a "serviços utilizados como insumos"; b “o procedimento adotado pela EQAUD não se sustenta, uma vez que o credito presumido de que trata o art. 8° da Lei n° 10.925, de 2004, aplicase, única e exclusivamente, sobre o valor de BENS adquiridos de pessoa física e/ou de cooperado pessoa física, nos termos do caput do art. 8°, como também sobre o valor de certos BENS adquiridos de pessoas jurídicas, nos termos dos incisos I a III do § 1° do mesmo art. 8° da Lei n° 10.925”; c esta regra não se aplicaria aos serviços de transporte prestados por pessoas jurídicas. Neste caso, deveria ser concedido o crédito integral; d nenhum montante relativo a crédito presumido teria sido incluído no pedido de ressarcimento; Fl. 284DF CARF MF Processo nº 16349.000354/201033 Acórdão n.º 3301004.735 S3C3T1 Fl. 285 4 e “Se fosse o caso, a auditoria fiscal deveria ter aberto procedimento especifico (seria o caso de lavratura de Auto de Infração?) para tratar da questão. Entretanto, se imporia, na presente situação, a aplicação de questão prejudicial de ordem pública: a decadência do direito do fisco fazer o respectivo lançamento”; f A decisão teria se fundamentado no inciso II do § 2° do art. 3º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, entretanto a norma seria aplicável somente ao desconto do "crédito básico", e não do "crédito presumido", previsto no art. 8°, caput, da Lei 10.925, de 2004. Desta forma, não seria correto afirmar que o contribuinte não poderia apurar crédito presumido, pois tem por base o valor das aquisições feitas junto a pessoas físicas, conforme disposto no caput do citado art. 8° da Lei nº 10.925/2004, norma de caráter especial, em contrapartida à norma de caráter geral contida no § 2° do art. 3° das Leis 10.637 e 10.833; 5. Em 26/07/2012, a empresa interessada apresentou documento de fls. 208/213 no qual sustenta: DO CRÉDITO PRESUMIDO QUESTÃO SUPERVENIENTE 7. Com relação a esse tópico, a Requerente apresentou algumas considerações, nos 22 a 27 da manifestação protocolada em 15/03/2012, para deixar claro que nenhum valor a titulo de credito presumido fora incluído no pedido de ressarcimento que deu origem a este processo. 8. Referidas considerações se fizeram necessárias diante dos apontamentos feitos nos itens 30 a 38 do relatório da EQAUD e porque o quadro apresentado no item 65 do mesmo relatório contem erro material, o cálculo da EQAUD deve ser refeito, neste ponto, com a desconsideração do credito presumido pela alíquota de 0,5775% e adoção do crédito integral, mediante utilização da alíquota cheia de 1,65%, de modo a se recompor o credito apurado pela Requerente, cujo procedimento está dentro dos estritos limites determinados pela norma legal e normativa. A Requerente vem a esclarecer, a propósito, que a EQAUD reconheceu o equivoco no Termo de Encerramento de Diligência emitido no âmbito do RPF/MPF n° 08.1.80.002011000220/08.1.80.002010000154 (doc. 3), do qual tomou ciência em 11/05/2012 e destaca os seguintes trechos: Sendo o principal produto industrializado o suco de laranja, procuramos identificar durante as análises se o contribuinte tentou solicitar o crédito presumido sobre as aquisições da fruta laranja para industrialização por meio dos Pedidos de Ressarcimento constantes dos processos administrativos acima listados, pelo fato da existência de vedação legal a época da protocolização dos pedidos. (....) Concluímos pelas análises efetuadas que o contribuinte agiu corretamente ao não incluir nas bases de cálculos objetos dos Pedidos de Ressarcimento o crédito presumido sobre as aquisições de laranjas para industrialização. Para chegarmos a essa conclusão tivemos que calcular o crédito presumido da laranja aplicando o percentual de 35% da alíquota integral perfazendo a alíquota efetiva de 0,5775% (PIS) e 2,66% (COFINS), nos termos do art. 8°,§ 3°, III da Lei 10.925/2004, e finalmente comparando os resultados aferidos com os Pedidos de Ressarcimento e listandoos nos Despachos Decisórios dos processos administrativos aqui comentados. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 16349.000354/201033 Acórdão n.º 3301004.735 S3C3T1 Fl. 286 5 Acontece que o contribuinte compareceu a esta repartição para solicitar esclarecimentos de dúvidas acerca dos cálculos do crédito presumido comentado nos Despachos Decisórios. Checamos as planilhas de cálculos e constatamos que há um erro nas planilhas de cálculo do credito presumido da laranja, apesar de este erro não ocasionar uma necessidade de retificação dos despachos decisórios pelo motivo de não interferir nos créditos deferidos nas decisões dos Despachos Decisórios, pelo fato de o crédito presumido não ser objeto dos Pedidos de Ressarcimento. O erro de cálculo constatado foi a fórmula de cálculo do crédito presumido existente nas planilhas resumos de apuração dos créditos integrais ( não presumido) do item "CONCLUSÃO" de todos os Despachos Decisórios: ao invés de as alíquotas do crédito presumido recair sobre os montantes de compras de laranjas, a fórmula da planilha aponta para a base de cálculo do crédito integral (não presumido), conforme demonstramos no exemplo abaixo: (….) A fim de sanarmos o erro cometido, faço constar através deste Termo de Encerramento os créditos presumidos demonstrados pelo contribuinte e analisados, deixando claro que estes valores não fazem parte dos Pedidos de Ressarcimento nem dos créditos deferidos: (....) CONCLUSÃO E PEDIDO 12. Diante das considerações acima e em beneficio da economia processual e da eficiência administrativa, a Requerente entende que fica superada a necessidade de manifestação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo a respeito do tópico "CRÉDITO PRESUMIDO". 13. Adicionalmente e apenas por oportuno, a Requerente reforça seu pedido de reforma do despacho decisório da EQAUD/DERAT, com vistas à correta aferição do valor do crédito pleiteado, sem a exclusão, da base de cálculo do crédito integral, do valor de R$ 1.529.412,85 referentes a "serviços utilizados como insumos". 6. É o relatório" A DRJ em São Paulo (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 1669.869, datado de 18 de agosto de 2015, foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 CRÉDITO. FRETE NA COMPRA DE BENS. A natureza do crédito com despesas de frete na aquisição de bens segue a natureza do crédito do bem transportado. AQUISIÇÃO DE BEM. OPERAÇÃO SUBMETIDA À ALÍQUOTA ZERO. A compra de bens submetidas à alíquota zero não gera direito à apuração de crédito presumido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 286DF CARF MF Processo nº 16349.000354/201033 Acórdão n.º 3301004.735 S3C3T1 Fl. 287 6 Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, combatendo tão somente a glosa de créditos integrais sobre gastos com fretes incorridos na compra de produtos sujeitos ao crédito presumido do art. 8° da Lei n° 10.925/04. Consta nas fls. 274 a 281 cópia de decisão judicial que determinou que o presente processo fosse julgado no prazo de sessenta dias. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de glosa de créditos de PIS do 4° trimestre de 2005, objetos de Pedido de Ressarcimento (PER), ao qual foram vinculadas Declarações de Compensação (DCOMP). A recorrente calculou créditos integrais sobre fretes incorridos para transporte de produtos sujeitos à sistemática de créditos presumidos do art. 8° da Lei n° 10.925/04. A fiscalização, por sua vez, entendeu que a regra aplicável ao produto transportado aplicase também ao frete cálculo de créditos presumidos e não integrais pois o frete tão somente gera créditos, porque é item componente do custo de aquisição do produto, nos termos do art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). A DRJ corroborou com este posicionamento. Em suas peças de defesa, a recorrente sustentou que: o entendimento da fiscalização não tem respaldo legal e viola o princípio da não cumulatividade; que o caput do art. 8° da Lei n° 10.925/04 dispõe que o cálculo do crédito presumido farseá sobre o valor dos bens adquiridos de pessoas físicas ou cooperativas, cujas vendas não são tributadas, abrangendo os valores dos fretes tão somente se o vendedor for também o responsável pelo transporte do produto, o que, todavia, não se verifica no caso em discussão; que as operações em tela (compra do produto e serviço de frete) são autônomas e contratadas com pessoas jurídicas distintas; diferentemente da venda do produto agroindustrial, a totalidade do valor do frete é tributável pelo PIS e COFINS; e cita o Acórdão CARF n° 3302001.916, de 29/01/2013. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 16349.000354/201033 Acórdão n.º 3301004.735 S3C3T1 Fl. 288 7 Concordo com a recorrente. O direito ao crédito do frete na aquisição de bens, já consagrado no âmbito do CARF, nasce do fato de o mesmo integrar o custo de aquisição do bem (art. 289 do RIR/99) e, em última análise, para atendimento ao princípio da não cumulatividade, que rege as Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Não obstante, tão somente há tal direito, em razão de o serviço de transporte de carga ser tributado pelo PIS e a COFINS. Caso contrário, seria vedado, nos termos dos incisos II dos §§ 2° dos artigos 3° das citadas leis. Apesar de o custo com frete ser acessório ao custo do bem, sob o ponto de vista das regras de creditamento, devem ser analisados individualmente. Assim, são operações distintas e dissociáveis, inclusive para os fins de que trata a presente contenda. Há ainda outra razão, sobre a qual inicio, reproduzindo o caput do art. 8° da Lei n° 10.925/04: "Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física." (g.n.) Minha interpretação é a de que o art. 8° da Lei n° 10.925/04 teve como intuito o de incrementar as vendas de produtores rurais, pessoas físicas e cooperativas, que não são tributadas pelas contribuições, tornandoas mais atrativas para os compradores. Neste contexto, não se pode conceber que, da aplicação daquele mesmo dispositivo, resultasse a diminuição do valor do crédito de PIS sobre fretes, em cujos preços foi efetivamente computado. Destaquese ainda tratarse de fretes contratados com pessoas jurídicas de ramo distinto (transportadora) daquele ao qual pertencem os beneficiários do art. 8° da Lei n° 10.925/04. Verificase, portanto, que, se prevalecer a interpretação da fiscalização, seu efeito seria o inverso daquele que o legislador pretendeu alcançar com o incentivo fiscal concedido às vendas dos bens de origem animal e vegetal listados pelo art. 8° da Lei n° 10.925/04. Assim, de todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito ao crédito integral do PIS sobre os gastos com fretes incorridos para Fl. 288DF CARF MF Processo nº 16349.000354/201033 Acórdão n.º 3301004.735 S3C3T1 Fl. 289 8 transporte de produtos cujas compras geraram crédito presumido de PIS, nos moldes do art. 8° da Lei n° 10.925/04. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.721792/2015-73
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade fiscal competente proceda à análise e ao cotejo de todos os documentos trazidos tanto pela Contribuinte (fls. 54-75), quanto pela Fiscalização (fls 27-29), bem como adote as demais diligências que entender cabíveis, e elabore relatório circunstanciado esclarecendo a compensação pretendida pela Recorrente, conforme disposta nos autos, foi homologada e suficiente para a quitação integral do débito oriundo do atraso na entrega da DCTF do 1º Trimestre de 2009.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 18470.721792/2015-73
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894109
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.062
nome_arquivo_s : Decisao_18470721792201573.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : EDUARDO MORGADO RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 18470721792201573_5894109.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade fiscal competente proceda à análise e ao cotejo de todos os documentos trazidos tanto pela Contribuinte (fls. 54-75), quanto pela Fiscalização (fls 27-29), bem como adote as demais diligências que entender cabíveis, e elabore relatório circunstanciado esclarecendo a compensação pretendida pela Recorrente, conforme disposta nos autos, foi homologada e suficiente para a quitação integral do débito oriundo do atraso na entrega da DCTF do 1º Trimestre de 2009. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7401074
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050582941433856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1422; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18470.721792/201573 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1001000.062 – 1ª Turma Extraordinária Data 06 de junho de 2018 Assunto SIMPLES NACIONAL Recorrente VETERINARIA BOA PRA CACHORRO LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade fiscal competente proceda à análise e ao cotejo de todos os documentos trazidos tanto pela Contribuinte (fls. 5475), quanto pela Fiscalização (fls 2729), bem como adote as demais diligências que entender cabíveis, e elabore relatório circunstanciado esclarecendo a compensação pretendida pela Recorrente, conforme disposta nos autos, foi homologada e suficiente para a quitação integral do débito oriundo do atraso na entrega da DCTF do 1º Trimestre de 2009. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 70 .7 21 79 2/ 20 15 -7 3 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 18470.721792/201573 Resolução nº 1001000.062 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 44 a 78) interposto contra o Acórdão nº 03 70.791, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 33 a 36), que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2015 OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INDEFERIMENTO. Consoante o artigo 17, inciso V, da Lei nº 123, de 2006, é cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas que tenham débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, na data limite estipulada para formular a opção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio " Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Trata o presente processo de manifestação de inconformidade em face do indeferimento, constante do “Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional” de fl. 03 (data de registro em 24/02/2015), que não acatou a solicitação de opção pelo Simples Nacional formalizado pelo contribuinte em 13/01/2015. A opção foi indeferida em virtude de existir o débito não previdenciário a título de multa por atraso ou falta da DCTF (código da receita 1345) do período de apuração 08/10/2009 no valor de R$ 991,33; o qual não se encontrava com a exigibilidade suspensa, com fundamento no inciso V, artigo 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Cientificada dessa pendência a pessoa jurídica interessada apresentou em 06/03/2015, por intermédio de procurador regularmente constituído (instrumento de mandato de fl. 16), a manifestação de inconformidade de fl. 02 protestando, em síntese, que regularizou o débito mediante compensação com crédito de pagamento a maior de CSLL. Apresenta documentos e solicita o enquadramento no Simples Nacional. " Inconformada com a decisão de primeiro grau, que julgou improcedente a sua manifestação de inconformidade, a Recorrente apresentou o presente Recurso alegando, novamente, que todos os seus débitos se encontravam quitados antes do termo final do prazo para a opção. É o relatório. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 18470.721792/201573 Resolução nº 1001000.062 S1C0T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme narrado, a opção da Recorrente pelo Simples, referente ao ano calendário de 2015, foi obstada pela suposta existência de um débito sem exigibilidade suspensa no termo final do prazo para a realização da opção, qual seja a multa por atraso na entrega de DCTF do 1º trimestre de 2009. A contribuinte alega que quitou ainda no anocalendário de 2014 este débito por meio de compensação com créditos de CSLL pago a maior. Busca comprovar seu direito trazendo aos autos a documentação relativa à compensação às fls. 54 e 75. Em que pese a documentação trazida pela Recorrente demonstrando o recolhimento dos valores referentes ao débito em questão alguns meses antes do fim do prazo para a Opção pretendida, a decisão de primeira instância se limitou a dizer que: " constatase pelas telas de fls. 27 a 29 retiradas dos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil e, pelas telas 30 a 32 retiradas dos sistemas internos da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, que a multa por atraso ou falta da DCTF (código 1345) do período de apuração 08/10/2009 no valor de R$ 991,33 relacionada no “Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional” de fl. 03, encontravase ainda em aberto (devedora) na data da consulta realizada 11/05/2016 e, que em 08/05/2016 foi objeto de inscrição em Dívida Ativa da União." Notese que a decisão de piso não ofereceu qualquer argumento ou buscou qualquer justificativa para desconsiderar a validade da compensação demonstrada pela Recorrente nas fls. 54 a 75. Destarte, se por um lado temos a documentação oferecida pela Recorrente demonstrando a tempestiva regularização do débito em comento, por outro temse uma tela extraída deste mesmo sistema, em data posterior ao prazo para a Opção, indicando que o mesmo débito estaria em aberto ainda. Quer isto dizer que se faz imprescindível para o bom deslinde do presente caso obter a confirmação de qual das duas informações é a correta e qual está equivocada. Desta forma, pelo exposto, VOTO por CONVERTER o presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente proceda à análise e ao cotejo de todos os documentos trazidos tanto pela Contribuinte (fls. 5475), quanto pela Fiscalização (fls 2729), bem como adote as demais diligências que entender cabíveis, e elabore relatório circunstanciado esclarecendo a compensação pretendida pela Recorrente, conforme disposta nos autos, foi homologada e suficiente para a quitação integral do débito oriundo do atraso na entrega da DCTF do 1º Trimestre de 2009. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 18470.721792/201573 Resolução nº 1001000.062 S1C0T1 Fl. 5 4 Após, a Recorrente deve ser cientificada, com reabertura de prazo de 30 dias para complementar as suas razões do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
