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    <str name="ementa_s">Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003
COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02.
A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
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      <str>Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.

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S3­TE02 

Fl. 68 

 
 

 
 

1

67 

S3­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  10830.907379/2011­22 

Recurso nº               Voluntário 

Acórdão nº  3802­002.899  –  2ª Turma Especial  

Sessão de  23 de abril de 2014 

Matéria  COFINS­COMPENSAÇÃO 

Recorrente  CITRATUS ­ IBERTECH DO BRASIL LTDA. 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE 
SOCIAL ­ COFINS 

Ano­calendário: 2003 

COFINS.  ICMS.  EXCLUSÃO.  BASE  DE  CÁLCULO.  AUSÊNCIA  DE 
PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE  INCONSTITUCIONALIDADE. 
INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. 

A exclusão do  Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo 
com  a  legislação  vigente  (Lei  nº  10.833/200e,  art.  1º,  §  3º,  III;  Lei  nº 
9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art.  3º, parágrafo único; Lei nº 
10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição 
tributária  (Icms­ST).  No  demais  casos,  pressupõe  o  reconhecimento  da 
inconstitucionalidade da  incidência, matéria que,  como  se  sabe,  é objeto da 
Ação  Direta  de  Constitucionalidade  (ADC)  nº  14,  no  Supremo  Tribunal 
Federal.  Antes  do  julgamento  desta,  não  há  como  se  afastar  a  inclusão  do 
Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal 
e,  nos  termos  da  Súmula  CARF  nº  02,  pela  incompetência  do  Conselho 
Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a  inconstitucionalidade de 
atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. 

Recurso Voluntário Negado. 

Direito Creditório Não Reconhecido. 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar 
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. 

(assinado digitalmente) 

MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM ­ Presidente.  

  

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Fl. 68DF  CARF  MF

Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

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A

Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON

 SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM




 

  2

(assinado digitalmente) 

SOLON SEHN ­ Relator. 

Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Mércia  Helena 
Trajano  Damorim  (Presidente),  Francisco  José  Barroso  Rios,  Solon  Sehn,  Waldir  Navarro 
Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. 

Relatório 

Trata­se de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da 
Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente 
a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pelo  Recorrente,  assentada  nos  fundamentos 
resumidos na ementa a seguir transcrita: 

ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA 
SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS 

Ano­calendário: 2003 

PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  CRÉDITO  NÃO 
COMPROVADO. 

Na  falta  de  comprovação  do  pagamento  indevido  ou  a  maior, 
não há que se falar de crédito passível de compensação. 

Manifestação de Inconformidade Improcedente 

Direito Creditório Não Reconhecido 

O  interessado  apresentou  o  PER/Dcomp  (Pedido Eletrônico  de Restituição, 
Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração 
de Débitos  e Créditos  Tributários  Federais).  Tal  fato  fez  com  que  o  pagamento  continuasse 
atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. 

Em  sede  de  manifestação  de  inconformidade,  o  Recorrente  alegou  que  o 
crédito  seria  decorrente  do  recolhimento  indevido  de  PIS/Pasep  e  de  Cofins,  resultante  da 
inclusão do Icms na base de cálculo das contribuições. Sustentou ainda que, em se tratando de 
receita  tributária  dos  Estados  da  Federação,  o  referido  imposto  não  faria  parte  da  receita 
auferida pela empresa. Aduz que a manutenção do imposto na base de cálculo da contribuição 
afrontaria os arts. 146, III, da Constituição e art. 110 do Código Tributário Nacional. 

A Recorrente, nas razões de fls. 55 e ss., reitera os argumentos apresentados 
na manifestação de inconformidade, requerendo a reforma da decisão recorrida. 

É o relatório.

Voto            

Conselheiro Solon Sehn 

O  sujeito  passivo  teve  ciência  da  decisão  no  dia  09/10/2013  (fls.  65), 
interpondo recurso tempestivo em 04/11/2013 (fls. 55). Assim, presentes os demais requisitos 
de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. 

Fl. 69DF  CARF  MF

Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON

 SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM



Processo nº 10830.907379/2011­22 
Acórdão n.º 3802­002.899 

S3­TE02 
Fl. 69 

 
 

 
 

3

A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, de acordo 
com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, 
Lei  nº  9.715/1998,  art.  3º,  parágrafo  único;  Lei  nº  10.637/2002,  art.  1º,  §  3º,  II),  somente  é 
autorizada  no  regime  de  substituição  tributária  (Icms­ST).  No  demais  casos,  a  exclusão 
pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, 
é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. 

Antes do julgamento da referida ADC, não há como se afastar a inclusão do 
Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da 
Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para 
declarar a  inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do 
Regimento Interno: 

Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar 
sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 

Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do 
CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo 
internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de 
inconstitucionalidade. 

Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de 
tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 

I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão 
plenária  definitiva  do  Supremo  Tribunal  Federal;  ou  II  ­  que 
fundamente crédito tributário objeto de: 

a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do 
Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 
19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; 

b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da 
Lei Complementar nº 73, de 1993; ou 

c)  parecer  do  Advogado­Geral  da  União  aprovado  pelo 
Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei 
Complementar nº 73, de 1993. 

Vota­se pelo não conhecimento do recurso voluntário. 

(assinado digitalmente) 

Solon Sehn ­ Relator 

           

           

Fl. 70DF  CARF  MF

Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON

 SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM



 

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Fl. 71DF  CARF  MF

Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON

 SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM


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    <str name="ementa_s">Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
BENEFÍCIO FISCAL DE REDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. RECONHECIMENTO RETROATIVO. EFICÁCIA.
Confere-se eficácia plena a Laudo Constitutivo, e respectivo Ato Declaratório Executivo, que reconheceram o benefício fiscal de redução do imposto de renda de forma retroativa, de modo a propiciar à Recorrente todos os direitos que possuiria se tais normas individuais e concretas houvessem sido editadas contemporaneamente aos fatos tributários.
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      <str>Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.

(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva  Presidente

(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator

Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto.



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S1­TE03 

Fl. 100 

 
 

 
 

1

99 

S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  10380.904900/2009­09 

Recurso nº               Voluntário 

Acórdão nº  1803­002.117  –  3ª Turma Especial  

Sessão de  8 de abril de 2014 

Matéria  IRPJ ­ COMPENSAÇÃO 

Recorrente  GRANDE MOINHO CEARENSE S/A 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO 

Exercício: 2006 

BENEFÍCIO  FISCAL  DE  REDUÇÃO  DO  IMPOSTO  DE  RENDA. 
RECONHECIMENTO RETROATIVO. EFICÁCIA. 

Confere­se eficácia plena a Laudo Constitutivo, e respectivo Ato Declaratório 
Executivo,  que  reconheceram  o  benefício  fiscal  de  redução  do  imposto  de 
renda de forma retroativa, de modo a propiciar à Recorrente todos os direitos 
que possuiria se tais normas individuais e concretas houvessem sido editadas 
contemporaneamente aos fatos tributários. 

 
 

  

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Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2

014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA




Processo nº 10380.904900/2009­09 
Acórdão n.º 1803­002.117 

S1­TE03 
Fl. 101 

 
 

 
 

2

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar 
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. 

 

(assinado digitalmente) 

Cármen Ferreira Saraiva – Presidente 

 

(assinado digitalmente) 

Sérgio Rodrigues Mendes ­ Relator 

 

Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Cármen  Ferreira 
Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, 
Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto. 

 

Fl. 101DF  CARF MF

Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2

014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA



Processo nº 10380.904900/2009­09 
Acórdão n.º 1803­002.117 

S1­TE03 
Fl. 102 

 
 

 
 

3

 

Relatório 

Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório 
do acórdão recorrido (fls. 66­verso): 

Trata­se  de  Manifestação  de  Inconformidade  interposta  contra  Despacho 
Decisório  que  indeferiu  a  declaração  de  compensação  informada  por  meio  do 
PER/DCOMP nº 23992.39927.190106.1.3.04­4498.  

2.  O pedido de compensação objetivava compensar débito(s) com suposto 
pagamento a maior de Cofins (sic), efetuado em 28/02/2005. O Despacho Decisório 
(fls. 06/07) considerou improcedente o crédito informado na PER/DCOMP, à luz da 
seguinte fundamentação: 

Limite do  crédito analisado correspondente ao  valor do  crédito original na 
data  de  transmissão  informado  no  PER/DCOMP:  R$  146.750,11.  Analisadas  as 
informações  prestadas  no  documento  acima  identificado,  foi  constatada  a 
improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratar­se de pagamento a 
título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que 
o  recolhimento  somente  pode  ser  utilizado  na  dedução  do  Imposto  de  Renda  da 
Pessoa Jurídica – IRPJ ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL 
devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ 
ou CSLL do período. 

3.  O referido decisório está arrimado no seguinte enquadramento legal: os 
arts. 165 e 170 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); art. 10 da IN SRF n° 
600, de 2005; art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 

4.  Cientificado  da  decisão  em  03/04/2009  (fls.  08),  o  administrado 
apresentou manifestação de inconformidade (fls. 09/12), requerendo a homologação 
da  compensação  pleiteada  com  crédito  oriundo  de  pagamento  a  maior,  com  as 
seguintes alegações:  

a)  O pagamento a maior deveu­se ao fato de que o requerente não deduziu 
corretamente,  da base  de  cálculo  do  imposto,  as  receitas  da  atividade  incentivada, 
nos termos do artigo 223, § 6°, do RIR/1999; 

b)  O  crédito  que  o  requerente  possui  não  diz  respeito  a  uma  eventual 
diferença no resultado anual, ou seja, não decorre do ajuste relativo à efetiva base de 
cálculo do imposto, mas sim ao valor excedente indevidamente recolhido aos cofres 
públicos; 

c)  Trouxe decisões administrativas em seu favor. 

5.  Os  processos  n°  10380.905390/2009­89,  10380.905389/2009­54, 
10380.905388/2009­18  e  10380.904900/2009­09  foram  julgados  em  conjunto,  por 
referirem­se ao mesmo crédito pleiteado. 

2.  A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 66): 

ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ 

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Processo nº 10380.904900/2009­09 
Acórdão n.º 1803­002.117 

S1­TE03 
Fl. 103 

 
 

 
 

4

Ano­calendário: 2005 

INDÉBITO  DE  ESTIMATIVA  MENSAL.  SALDO  NEGATIVO. 
BALANCETE  DE  SUSPENSÃO/REDUÇÃO  IRREGULAR.  DEFERIMENTO 
PARCIAL. 

Não  caracterizado  o  indébito  do  pagamento  de  estimativa,  surgido  com  a 
apresentação de Balancete de Suspensão/Redução  irregular,  deve  ser  atendido,  em 
parte,  o  pedido  formulado,  na  forma  de  saldo  negativo,  desde  que  presentes  as 
seguintes condições: (i) o requerente não utilizou o alegado pagamento indevido de 
estimativa no ajuste anual do imposto ou contribuição; (ii) o sujeito passivo declarou 
saldo negativo. 

BALANCETE DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO. REGULARIDADE. PRAZO. 

É  irregular  o  Balancete  de  Suspensão/Redução,  original  ou  retificador,  que 
houver sido elaborado ou transcrito, nos livros Diário e Lalur, depois do vencimento 
do débito de estimativa, cujo pagamento se pretenda suspender ou reduzir. 

Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte 

Direito Creditório Reconhecido em Parte 

3.  Cientificada  da  referida  decisão  em  27/04/2011  (fls.  73),  a  tempo,  em 
20/05/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 77 a 82, nele argumentando, em síntese: 

a)  que,  apresentada  manifestação  de  inconformidade,  a  DRJ/FOR 
reconheceu a legitimidade da compensação, mas acolheu apenas em parte 
o  pedido,  para  excluir  do  crédito  o  valor  relativo  à  sua  atualização 
mensal, e determinar que tal atualização somente tivesse início em janeiro 
de  2006.  Para  tanto,  entendeu  que  o  pagamento  da  estimativa  do  IRPJ 
somente  se  tornou  indevido  (a maior)  com  a  apuração  do  imposto,  que 
ocorreu no dia 31 de dezembro de 2006 (sic), e que, depois de encerrado 
o  exercício,  não  poderia  mais  haver  a  retificação  dos  Balancetes  de 
Suspensão ou Redução BSR; 

b)  que  a  decisão  recorrida  faz  indevida  referência  ao  Balancete  de 
Suspensão ou Redução — BSR, que não foi o motivo da constatação do 
pagamento indevido das antecipações; 

c)  que, na verdade — independentemente da apuração do  resultado parcial 
que ocorre nos referidos balancetes — a Recorrente pagou a estimativa de 
forma  incorreta  e  a  maior.  Isso  porque  deixou  de  deduzir  da  base  de 
calculo  da  estimativa  o  valor  correspondente  às  receitas  da  atividade 
incentivada  (Benefício  concedido  pela Agência  de Desenvolvimento  do 
Nordeste  ­ ADENE em 20.12.2005, com efeitos  retroativos a  janeiro de 
2005), nos termos do § 6º do art. 223 do RIR/99); 

d)  que, uma vez aplicada corretamente a legislação que trata da apuração da 
base de cálculo da estimativa de IRPJ, o valor a ser pago deveria ser bem 
menor.  Assim,  trata­se  de  pagamento  indevido  cujo  crédito  dele 
decorrente poderia ser aproveitado no mês seguinte. Como tal, portanto, 
deve ser considerado para efeito de atualização pela SELIC; 

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Processo nº 10380.904900/2009­09 
Acórdão n.º 1803­002.117 

S1­TE03 
Fl. 104 

 
 

 
 

5

e)  que, na verdade, a própria decisão recorrida reconhece que o pagamento 
indevido  pode  restar  consumado  no  mesmo  mês  do  recolhimento  da 
estimativa, nos casos em que houver erro manifesto na apuração da base 
de cálculo sobre a receita bruta, como é precisamente o caso de que aqui 
se cuida. Os julgadores de primeiro grau deixaram de aplicar a SELIC a 
partir  do  mês  seguinte  ao  recolhimento  indevido  apenas  em  razão  do 
equívoco de considerar relevante o BSR, quando neste caso não o é; 

f)  que, com a revogação do art. 10 da  Instrução Normativa nº 600/2005, a 
Administração  Tributária  reconheceu  o  direito  de  os  contribuintes 
utilizarem o crédito oriundo dos pagamentos  indevidos de estimativa de 
IRPJ  para  compensar  com  débitos  de  outros  tributos  devidos  dentro  do 
mesmo ano, ou seja, antes da apuração feita em dezembro; e 

g)  que  não  há  a menor dúvida,  portanto,  de  que os  créditos  da Recorrente 
devem ser atualizados pela SELIC a partir do mês subsequente àquele em 
que ocorreu o pagamento indevido. 

Em mesa para julgamento. 

Voto            

Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator 

Atendidos  os  pressupostos  formais  e  materiais,  tomo  conhecimento  do 
Recurso. 

Estimativa paga indevidamente 

2.  O  presente  voto  se  reporta  a  diversos  processos  da Recorrente,  atinentes  a 
Pedidos  de  Ressarcimento  ou  Restituição/Declaração  de  Compensação  (Per/DComp),  cujos 
créditos pleiteados, decorrentes de pagamentos indevidos do IRPJ mensal por estimativa, são 
referentes  aos meses de  fevereiro, março,  setembro, outubro  e novembro  de 2005  (meses de 
pagamento). 

3.  Os  despachos  decisórios  de  todos  esses  processos  não  homologaram  as 
compensações  declaradas  mediante  Per/DComp,  com  fundamento  no  art.  10  da  Instrução 
Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. 

4.  Superada  essa  questão  já  nas  próprias  decisões  recorridas,  adentrou­se  ao 
mérito  do  pedido,  manifestando­se,  essas  decisões,  em  contrariedade  parcial  ao  pleito  da 
Recorrente, sob os seguintes fundamentos: 

a.  que,  no  caso,  se  trata  de  pagamento  a maior,  ou  seja,  devido  segundo 
determinação  legal  vigente  à  época  em  que  efetuado,  e  não  de 
pagamento indevido; 

b.  que, tendo o Balancete de Suspensão ou Redução (BSR) a finalidade de 
suspender  ou  reduzir  o  pagamento  da  estimativa  de  determinado mês, 
tais efeitos se exaurem no vencimento da correspondente estimativa, de 

Fl. 104DF  CARF MF

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Processo nº 10380.904900/2009­09 
Acórdão n.º 1803­002.117 

S1­TE03 
Fl. 105 

 
 

 
 

6

modo que eles não podem ser produzidos ou retificados posteriormente 
com eficácia retroativa; 

c.  que  o  BSR  apresentado  altera  a  forma  de  apuração  do  débito  de 
estimativa, originalmente determinado sobre a  receita bruta  (em alguns 
processos); e 

d.  que o ato concessivo do incentivo fiscal possui caráter constitutivo, não 
podendo retroagir ao início do ano de 2005. 

5.  Dessa forma, as decisões recorridas negaram a caracterização de pagamento 
indevido de estimativa, mas o admitiram como pagamento a maior do imposto, reconhecendo 
parcialmente  o  direito  creditório  pleiteado,  considerando­o  válido,  para  efeito  de  atualização 
monetária, a partir de janeiro de 2006. 

6.  Posta  assim a questão,  cumpre dizer,  de  início, que  é  fato  incontroverso  a 
existência de direito creditório por parte da Recorrente. 

7.  A única discussão que remanesce nos autos é quanto ao termo inicial a ser 
considerado  para  a  efetivação  desse  direito  creditório,  se  da  data  de  cada  pagamento 
efetuado, no decorrer do ano­calendário de 2005, ou se de janeiro de 2006, como entenderam 
as decisões recorridas. 

8.   Chamo  a  atenção  para  o  fato  de  que  não  se  está  diante  de  pedido  de 
retificação  ou  de  elaboração  de  BSR,  mas  de  pleito  de  restituição/compensação  de  valor 
pago indevidamente. 

9.  Assim, não procede a extensa argumentação da decisão recorrida, no sentido 
de ser impossível dita retificação ou elaboração e de que o BSR apresentado alteraria a forma 
de  apuração  do  débito  de  estimativa,  originalmente  determinado  sobre  a  receita  bruta  (em 
alguns processos). 

10.  Abre­se, aqui, um parêntese para se destacar o que segue. 

11.  Por  meio  do  Laudo  Constitutivo  nº  0334/2005,  de  20  de  dezembro  de 
2005,  expedido pela Agência de Desenvolvimento do Nordeste  (ADENE),  teve a Recorrente 
reconhecido o benefício fiscal de Redução do Imposto de Renda, nos termos do art. 13 da Lei 
nº 4.239, de 27 de junho de 1963, com a nova redação dada pelo art. 3º da Lei nº 9.532, de 10 
de dezembro de 1997, e alterações posteriores, conforme Medida Provisória nº 2.199­14, de 24 
de  agosto  de 2001  e Decreto  nº  4.213,  de  26  de  abril  de  2002,  sendo o  início do prazo de 
fruição do benefício o ano­calendário de 2005. 

12.  Posteriormente, pelo Ato Declaratório Executivo nº 016, de 13 de março 
de 2006, a Delegacia da Receita Federal em Fortaleza­CE reconheceu que a Recorrente faz jus 
à redução do imposto de renda, e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro da 
exploração, relativamente ao empreendimento de que trata o Laudo Constitutivo nº 0334/2005, 
expedido  pelo Ministério  da  Integração  Nacional,  na  forma  ali  discriminada  (Percentual  de 
redução do  Imposto de Renda e  adicionais não  restituíveís: 75% (setenta e cinco por cento); 
Início  do  prazo  de  fruição  do  beneficio:  ano­calendário  2005;  Prazo  total  de  fruição:  10 
anos; Término do prazo de fruição do beneficio: ano­calendário de 2014). 

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Processo nº 10380.904900/2009­09 
Acórdão n.º 1803­002.117 

S1­TE03 
Fl. 106 

 
 

 
 

7

13.  Fechado  o  parêntese,  observa­se  que,  na  determinação  do  imposto  devido 
mensalmente com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução (BSR), no período 
abrangido por esse mesmo balanço ou balancete, admite­se a dedução dos incentivos fiscais 
Regionais de Redução e/ou Isenção do Imposto. 

14.  Logicamente, se o citado Laudo Constitutivo, e o respectivo Ato Declaratório 
Executivo,  houvesse  sido  emitido  antes  do  início  do  ano­calendário  de  2005,  não  teria  feito 
uso, a Recorrente, da determinação do  imposto devido mensalmente com base em estimativa 
sobre a receita bruta (o que se deu em alguns processos), mas, sim, daquela primeira (BSR). 

15.  Não  é,  pois,  correto,  se  pretender  equiparar  a  situação  em  análise  a  uma 
espécie de “mudança de opção” (em alguns processos), tomada ao livre arbítrio da Recorrente, 
para a situação excepcional ora analisada. 

16.  Trata­se,  como  visto,  de  fato  superveniente  e  relevante,  com  reflexos 
retroativos por  força de  lei,  como  segue  (ano­calendário  em que o  empreendimento  entrou 
em operação ­ 2002): 

Art.  1º  Sem  prejuízo  das  demais  normas  em  vigor  aplicáveis  à 
matéria,  a  partir  do  ano­calendário  de  2000,  as  pessoas 
jurídicas que tenham projeto protocolizado e aprovado até 31 de 
dezembro de 2013 para instalação, ampliação, modernização ou 
diversificação  enquadrado  em  setores  da  economia 
considerados,  em  ato  do  Poder  Executivo,  prioritários  para  o 
desenvolvimento  regional,  nas  áreas  de  atuação  das  extintas 
Superintendência  de  Desenvolvimento  do  Nordeste  ­  Sudene  e 
Superintendência  de  Desenvolvimento  da  Amazônia  ­  Sudam, 
terão  direito  à  redução  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  do 
imposto  sobre  a  renda  e  adicionais,  calculados  com  base  no 
lucro da exploração. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) 

§ 1º A fruição do benefício fiscal referido no caput deste artigo 
dar­se­á a partir do ano­calendário subseqüente àquele em que 
o  projeto  de  instalação,  ampliação,  modernização  ou 
diversificação entrar em operação, segundo laudo expedido pelo 
Ministério da  Integração Nacional até o último dia útil do mês 
de  março  do  ano­calendário  subseqüente  ao  do  início  da 
operação. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) 

§ 2º Na hipótese de expedição de laudo constitutivo após a data 
referida no § 1º, a fruição do benefício dar­se­á a partir do ano­
calendário da expedição do laudo. 

§ 3º O prazo de fruição do benefício fiscal será de 10 (dez) anos, 
contado  a  partir  do  ano­calendário  de  início  de  sua  fruição. 
(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) 

17.  Essa,  aliás,  a  conclusão  a  que  chegou  a  Informação  Fiscal  que  instruiu  a 
edição do mencionado Ato Declaratório Executivo: 

4.4. De acordo com os parágrafos 1º a 3º do art. 73 da Instrução 
Normativa nº 267, de 23 de dezembro de 2002 c/c o § 3º do art. 
1º da Medida Provisória nº 2.199­14, de 24 de agosto de 2001, 
com  a  redação  dada  pelo  art.  32  da  Lei  nº  11.196/2005,  a 

Fl. 106DF  CARF MF

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Processo nº 10380.904900/2009­09 
Acórdão n.º 1803­002.117 

S1­TE03 
Fl. 107 

 
 

 
 

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fruição do benefício se dará, a partir do ano­calendário 2005 até 
o  ano­calendário  2014,  tendo  em  vista  que  o  empreendimento 
entrou  em  operação  no  ano­calendário  2002  e  o  Laudo 
Constitutivo foi expedido em 20 de dezembro de 2005 (fls. 24 a 
28). 

18.  E se referido favor fiscal possui, inegavelmente, efeitos ex tunc, não se pode 
pretender  limitar esses  efeitos com  fundamento  em procedimentos adotados pela Recorrente, 
quando ainda não reconhecido a ela aquele benefício. 

19.  Portanto, é de se conferir eficácia plena ao Laudo Constitutivo, e respectivo 
Ato Declaratório  Executivo,  que  reconheceram  o  benefício  fiscal  de  redução  do  imposto  de 
renda de forma retroativa, de modo a propiciar à Recorrente todos os direitos que possuiria se 
tais  normas  individuais  e  concretas  houvessem  sido  editadas  contemporaneamente  aos 
fatos tributários. 

20.  Afirma a decisão recorrida que, no caso, se trataria de “pagamento a maior”, 
ou  seja,  devido  segundo  determinação  legal  vigente  à  época  em  que  efetuado,  e  não  de 
“pagamento indevido”. 

21.  Se,  por  “pagamento  devido”  deve  ser  entendido  aquele  efetuado  de  acordo 
com a lei vigente ao tempo de sua realização – como, aliás, entende a própria decisão recorrida 
­  está­se  diante  de  um  pagamento  indevido,  já  que  a  lei  vigente  àquela  época  era  a  que 
concedia  o  benefício  fiscal  à  Recorrente,  fato  esse  reconhecido  posteriormente,  de  forma 
expressa, tanto pela ADENE, quanto pela RFB. 

22.  Afirma, ainda, a decisão recorrida que a utilização do BSR seria uma opção 
do  contribuinte  e  se  destinaria  a  suspender ou  reduzir  o  pagamento  do  imposto/contribuição 
devido  em  cada mês  (tendo por  referência  o  que  seria  recolhido  com base  na  receita  bruta), 
uma vez demonstrado que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto/contribuição, 
inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. 

23.  Sucede,  porém,  que,  no  presente  caso,  em  face  da  retroação  do  benefício 
fiscal  obtido  pela  Recorrente,  o  BSR  terá  outra  função,  que  não  a  de  simples  redução  ou 
suspensão  de  antecipação  mensal,  qual  seja,  apurar  se  ­  e  em  que  mês  ­  no  período 
correspondente, efetuou­se pagamento que, em face daquele benefício, não se teria procedido 
(“pagamento indevido”). 

24.  Não  se  trata,  portanto,  de  “gerar  pagamento  indevido  de  estimativa”,  mas, 
apenas, de reconhecer a sua inevitável existência no caso em análise. 

25.  Defende, ainda, a decisão recorrida, que o ato concessivo do incentivo fiscal 
possuiria caráter constitutivo, não podendo retroagir ao início do ano de 2005. 

26.  Considerando,  porém,  que  a  própria  Delegacia  da  Receita  Federal  em 
Fortaleza reconheceu a redução de imposto de renda, por meio do Ato Declaratório Executivo 
(ADE) nº 16, de 13/03/2006, com início do prazo de fruição do beneficio no ano­calendário 
2005,  não  se  sustenta o  alegado  “caráter  constitutivo do  ato  concessivo do  incentivo  fiscal”, 
mas sim, a sua natureza meramente declaratória, com a inevitável retroação de seus efeitos ao 
início do ano­calendário apontado.  

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014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA



Processo nº 10380.904900/2009­09 
Acórdão n.º 1803­002.117 

S1­TE03 
Fl. 108 

 
 

 
 

9

27.  Por  fim,  ainda que ultrapassado  tudo o que  se disse,  deve­se  ter presente o 
contido  no  §  3º  do  art.  15  da  Lei  nº  9.249,  de  26  de  dezembro  de  1995,  de  seguinte  teor 
(destacou­se): 

Art.  15.  A  base  de  cálculo  do  imposto,  em  cada  mês,  será 
determinada  mediante  a  aplicação  do  percentual  de  oito  por 
cento  sobre a  receita bruta auferida mensalmente,  observado o 
disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 
1995. 

 [...]. 

§  3º  As  receitas  provenientes  de  atividade  incentivada  não 
comporão  a  base  de  cálculo  do  imposto,  na  proporção  do 
benefício  a  que  a  pessoa  jurídica,  submetida  ao  regime  de 
tributação com base no lucro real, fizer jus. 1 

28.  Considerando­se  que  100%  (cem  por  cento)  da  receita  da  Recorrente  é 
incentivada,  apenas  25%  dessa  receita  comporia  a  base  de  cálculo  para  determinação  do 
imposto devido mensalmente com base em estimativa sobre a receita bruta (redução de 75%): 

 

 

 

                                                           
1 Perguntas e Respostas – DIPJ 2006: 
 
604 Na determinação da base de cálculo estimada qual o tratamento aplicável às receitas provenientes de 
atividades incentivadas (isenção ou redução)? 
 
A pessoa jurídica que gozar de incentivos fiscais calculados com base no lucro da exploração poderá excluir da 
receita bruta total, para fins de determinação da base de cálculo estimada, o valor da receita bruta ou redução a 
que tiver direito. 
 
O valor efetivo do benefício de isenção ou redução calculado com base no lucro da exploração será determinado 
em 31 de dezembro de cada ano. 
 
Disponível  em:  &lt;www.receita.fazenda.gov.br/publico/perguntao/dipj2006/PergRespDIPJ2006.pdf&gt;.  Acesso  em: 
30 mar. 2014. 

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014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA



Processo nº 10380.904900/2009­09 
Acórdão n.º 1803­002.117 

S1­TE03 
Fl. 109 

 
 

 
 

10

Conclusão 

Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto 
no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório 
adicional, a título de pagamento a maior de estimativa, de R$ 146.750,11, relativo a fevereiro 
de  2005,  na  parte  correspondente  à  Selic  calculada  até  janeiro  de  2006,  e  homologar  a 
compensação pleiteada dos débitos que a ele façam referência até o limite do direito creditório 
reconhecido  (processos  nºs  10380.905390/2009­89,  10380.905389/2009­54, 
10380.905388/2009­18 e 10380.904900/2009­09). 

É como voto. 

 

(assinado digitalmente) 

Sérgio Rodrigues Mendes 

           

           

 

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    <str name="anomes_sessao_s">201302</str>
    <str name="camara_s">Terceira Câmara</str>
    <str name="ementa_s">Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 10/03/2002, 20/03/2002, 31/03/2002, 10/04/2002, 20/04/2002, 30/04/2002, 20/12/2002, 31/03/2003, 10/04/2003, 20/04/2003, 30/04/2003, 10/05/2003, 20/05/2003, 31/05/2003, 10/06/2003, 30/06/2003, 31/08/2003, 30/09/2003
CRÉDITO PRESUMIDO, RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS MEDIANTE CREDITO PRESUMIDO DE IPI BENEFÍCIO CENTRALIZADO E EXPORTADO POR COOPERATIVA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, possui natureza e regulação específica (art. 150, § 6º CF), podendo alcançar apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada.
Recurso Improvido.
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    <str name="turma_s">Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção</str>
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    <arr name="decisao_txt">
      <str>Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro relator Antônio Lisboa Cardoso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Camila Gonçalves de Oliveira, OAB/DF 15.791 e pela PGFN a procuradora Indiara Arruda de Almeida Serra.
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
Antônio Lisboa Cardoso Relator
Andrea Medrado Darzé Redatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).


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S3­C3T1 

Fl. 842 

 
 

 
 

1

841 

S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  15956.000022/2007­32 

Recurso nº  01   Voluntário 

Acórdão nº  3301­001.735  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  

Sessão de  26 de fevereiro de 2013 

Matéria  IPI 

Recorrente  COPERSUCAR­ COOPERATIVA DE PRODUTORES DE CANA­
DE­ACUCAR, AÇUCAR E ALCOOL DO ESTADO DE SÃO PAULO 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI 

Data  do  fato  gerador:  10/03/2002,  20/03/2002,  31/03/2002,  10/04/2002, 
20/04/2002,  30/04/2002,  20/12/2002,  31/03/2003,  10/04/2003,  20/04/2003, 
30/04/2003,  10/05/2003,  20/05/2003,  31/05/2003,  10/06/2003,  30/06/2003, 
31/08/2003, 30/09/2003 

CRÉDITO  PRESUMIDO,  RESSARCIMENTO  DA  CONTRIBUIÇÃO 
PARA  O  PIS  E  COFINS  MEDIANTE  CREDITO  PRESUMIDO  DE  IPI 
BENEFÍCIO  CENTRALIZADO  E  EXPORTADO  POR  COOPERATIVA. 
AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. 

O crédito presumido de  IPI,  instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente 
ao  ressarcimento  das  contribuições  PIS  e  Cofins  sobre  as  aquisições  de 
matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem,  possui 
natureza e regulação específica (art. 150, § 6º CF), podendo alcançar apenas a 
pessoa  jurídica  produtora  exportadora,  não  podendo  usufruir  do 
correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda 
que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada. 

Recurso Improvido. 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira  
SSEEÇÇÃÃOO  DDEE  JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. 
Vencido o conselheiro relator Antônio Lisboa Cardoso. Designada para redigir o voto vencedor 
a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Camila 
Gonçalves  de  Oliveira,  OAB/DF  15.791  e  pela  PGFN  a  procuradora  Indiara  Arruda  de 
Almeida Serra. 

Rodrigo da Costa Pôssas Presidente 

  

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32

Fl. 853DF  CARF MF

Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20

14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi

nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE




 

  2 

Antônio Lisboa Cardoso Relator 

Andrea Medrado Darzé Redatora 

Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de 
Moraes,  Antônio  Lisboa  Cardoso  (relator),  Paulo  Guilherme  Déroulède,  Andrea  Medrado 
Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). 

 

Relatório 

Cuida­se de recurso em face de decisão da DRJ de Salvador (BA), que julgou 
procedente o auto de infração de fls. 08/16, cientificado à contribuinte em 13/02/2007 (fl. 07), 
relativo  ao  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados–  IPI,  sintetizado  na  ementa  a  seguir 
transcrito: 

ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS 
INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  

Data  do  fato  gerador:  10/03/2002,  20/03/2002,  31/03/2002, 
10/04/2002,  20/04/2002,  30/04/2002,  20/12/2002,  31/03/2003, 
10/04/2003,  20/04/2003,  30/04/2003,  10/05/2003,  20/05/2003, 
31/05/2003, 10/06/2003, 30/06/2003, 31/08/2003, 30/09/2003 

CRÉDITO  PRESUMIDO  DO  IPI.  COOPERATIVAS 
CENTRALIZADORAS  DE  VENDAS.  ILEGITIMIDADE 
ATIVA.  

In cabíveis a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito 
presumido  de  IPI  a  que  fazem  jus  os  cooperados  pela 
Cooperativa centralizadora de vendas. 

No caso de produtos fabricados por estabelecimentos cooperados 
que vierem a ser exportados pela sociedade cooperativa, eventual 
crédito pertence ao estabelecimento produtor e não à cooperativa.  

CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI INDEVIDO. LANÇAMENTO 
DO IPI. FALTA DE RECOLHIMENTO. 

A  concessão  e  o  aproveitamento  de  qualquer  benefício  ou 
incentivo  fiscal  estão  subordinados  ao  preenchimento  dos 
requisitos e condições determinados pela legislação de regência. 

É lícito ao Fisco proceder à glosa do crédito presumido do IPI 

irregularmente  apropriado  pela  sociedade  cooperativa,  e, 
verificado  o  aproveitamento  dos  créditos  presumidos 
indevidamente  apurados, mediante  recebimento  de  créditos  por 
transferência, cabe o lançamento de ofício do imposto que deixou 
de ser pago em razão da redução indevida do tributo a recolher.  

Impugnação Improcedente 

Crédito Tributário Mantido 

Fl. 854DF  CARF MF

Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20

14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi

nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE



Processo nº 15956.000022/2007­32 
Acórdão n.º 3301­001.735 

S3­C3T1 
Fl. 843 

 
 

 
 

3

De  acordo  com  a  decisão  recorrida,  em  relação  ao  item  001,  consta  que  a 
empresa fiscalizada, COPERSUCAR, CNPJ 61.149.589/0137­52, ora Recorrente, firmou com 
a  Usina  Açucareira  de  Jaboticabal  S.  A.,  CNPJ  50.376.912/0001­30,  Regime  Especial  de 
Substituição  Tributária  do  IPI,  consubstanciado  no  Termo  de Acordo  nº  24,  de  23/12/1997, 
cópia  às  fls.664/6  66,  assumindo  a  condição  de  responsável  tributária  relativamente  ao  IPI 
devido nas operações realizadas pela empresa citada, considerada substituída, inclusive quanto 
à  apuração  e  pagamento  do  imposto  na  forma  ali  estabelecida,  exclusivamente,  quanto  ao 
produto "açúcar " quando remetido pelo substituído ao substituto. 

Por consequência, a Cooperativa de Produtores de Cana, Açúcar e Álcool do 
Estado de São Paulo Ltda (Copersucar), apurou, de forma centralizada, o crédito presumido do 
IPI de suas cooperadas, transferindo o referido crédito de seu estabelecimento matriz para sua 
filial  (CNPJ  nº  61.149.589/0137­52)  para  a  compensação  de  débitos  do  IPI,  tendo  feito 
utilização indevida de crédito presumido de IPI, relativo ao 1º decêndio de março de 2003 ao 3º 
decêndio  de  setembro  de  2003,  ensejando  o  lançamento  do  imposto,  tendo  em  vista  que  o 
mesmo  se  destina  unicamente  ao  produtor  exportador  que  atenda  aos  requisitos  estipulados 
pela Lei nº 9.363, de 1996. 

Consta ainda que a contribuinte impetrou contra a União ações de mandado 
de  segurança  relativamente  às  safras  de  2001/2002,  2002/2003  e  2003/2004,  através  dos 
processos  ora  discriminados  respectivamente,  de  n°:MS  2001.61.00.008492­4  (obteve  em  1ª 
Instância Liminar e Sentença favorável, a qual foi cassada, pelo Tribunal Regional Federal, em 
18/09/2006,  fl.  387;  MS  2002.61.00.004796­8  (a  contribuinte  não  obteve  liminar  e  nem 
sentença favorável, inclusive em 2ª instância, fl. 388; e MS 2003.61.00.007758­8 (fls. 386/638, 
foi  indeferida  a  liminar  e  julgado  improcedente  o  pedido,  no  recurso  de  apelação  pela 
impetrante na esfera do Tribunal Regional Federal da 3ª Região,  foi  negado provimento, por 
unanimidade,  em  06/09/2006,  indeferida  concessão  de  segurança  para  que  fosse  eximido  do 
destaque e recolhimento do IPI nas saídas do produto "Açúcar ", considerando alíquota de 5% 
conforme dispõe o Decreto nº 2.917, de 19 98,  fl.  389);  no processo de Medida Cautelar nº 
2005.03.00.0  72722­9  (fl.391),que  tem  como  objeto  obstar  a  exigibilidade  do  IPI  incidente 
sobres  as operações de  saída de  açúcar da Safra  de 2003/2 004,  foi  concedido  "liminar para 
restaurar  a  eficácia  da  tutela  concedida  nos  autos  de  agravo  de  instrumento  até  que  haja 
pronunciamento da turma julgadora ". 

Ressaltando ainda que a glosa se deveu também pelo fato dos créditos terem 
sido  apurados  de  forma  concentrada  no  estabelecimento matriz  que  recebeu  os  créditos,  nos 
termos da Nota Técnica Cosit nº 234/2003, de interesse da Copersucar, a qual figuraria como 
responsável pelo recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins, conforme art. 66 da Lei nº 9.430, de 
27 de dezembro de 1996, e como substituta tributária do IPI, em relação às operações dos seus 
cooperados,  com base  na  então  vigente  Instrução Normativa SRF nº  64,  de  13  de  agosto  de 
1997, e, no caso “os créditos do IPI pertencem ao substituído; os débitos, ao substituto”. 

Cientificada  em 27/01/2012  (AR –  fl.  164)  a Recorrente  interpôs o  recurso 
voluntário  de  fls.  166  e  seguintes,  em  27/02/2012,  em  relação  ao  mérito  afirma  que,  na 
condição de uma das filiais operadoras da Cooperativa – Matriz (CNPJ 61.149.589/0001­89), 
utilizou­se de  créditos presumidos de  IPI,  calculados  e  transferidos por  aquela Matriz para a 
filial,  ora  Recorrente,  creditando­se  no  seu  Livro  de  Registro  de  Apuração  do  IPI,  pelos 
créditos transferidos, por meio de Notas Fiscais de Transferência, correspondentes ao período 
de 2003 a 2005, utilizando­os para compensação com débitos do mesmo IPI. 

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  4 

Argui  preliminar  de  nulidade  afirmando  que  a  decisão  recorrida,  acolheu  a 
argumentação  de  que  a  cooperada  tem  direito  ao  crédito  presumido  de  IPI,  por  ser  um 
estabelecimento produtor/exportador “que atende aos requisitos estipulados pela Lei nº 9.363, 
de 1996, para a fruição do incentivo”, afirmando que houve agravamento da exigência fiscal. 

Aduz  ainda  que  as  vendas  efetuadas  são  dos  cooperados,  visto  que,  no 
sistema  cooperativo  de  vendas  em  comum,  quem  vende  ou  exporta  é  o  próprio  produtor 
cooperado,  sendo a cooperativa mera mandatária  legal  em  todos os  atos  comerciais  relativos 
aos produtos que exporta, pois, embora não fabrique os produtos exportados, pode realiar todos 
os  cálculos  do  incentivo  em  discussão,  possuindo  todos  os  dados  necessários,  visto  que 
também é responsável na condição de substituo tributário do IPI devido pelas cooperadas, nos 
termos do art. 35, da Lei nº 4.502/64, com as modificações introduzidas pelo art. 31, da Lei nº 
9.430/96. 

Sustenta  por  fim,  quanto  è  elaboração  do DCP  (Demonstrativo  do  Crédito 
Presumido)  a Nota Cosit  nº  234/2003,  por  não  acolher  a  tese  de  que  as  vendas  em  comum 
devam ser rateadas, acabou propondo solução inexeqüível no âmbito do sistema cooperativo, 
sendo que, entretanto, por conta dos itens 19.2 e 21.3, só se poderia concluir que a SRFB teria 
admitido  a  transferência  de  crédito  presumido  entre  estabelecimentos  de  pessoas  jurídicas 
distintas, assim reconhecendo as peculiaridades do sistema cooperativo, o que se confirmaria 
no regime previsto na IN 635/06 para o recolhimento do PIS e da COFINS. 

É o relatório. 

 

Voto Vencido 

Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator 

O recurso é tempestivo e encontra­se revestido das demais condições legais, 
devendo o mesmo ser conhecido. 

Conforme  relatado,  o  presente  auto  de  infração  é  decorrente  da  glosa  da 
compensação  de  valores  originários  de  crédito  presumido  de  IPI,  instituído  pela  Lei  nº 
9.363/96, apurado pelo  estabelecimento matriz da COPERSUCAR e  transferido por meio de 
notas  fiscais  de  transferência  para  o  estabelecimento  filial,  ora  Recorrente,  os  qual  foram 
utilizada para a quitação do IPI dos períodos discutidos no presente processo. 

Segundo o entendimento da fiscalização, mantido pela decisão  recorrida, os 
referidos  créditos  não  poderiam  ter  sido  utilizados  pela  COPERSUCAR,  por  entender  que 
pertencem aos cooperados, que são de fato as empresas produtoras exportadoras. 

Inicialmente  deve  ser  rejeitada  a  preliminar  de  nulidade  suscitada  pela 
Recorrente,  vez que, o  reconhecimento pela decisão  recorrida no  sentido de  ser a  cooperada 
produtora e  exportadora,  com direito  à  fruição do  crédito presumido de  IPI,  apenas  reflete o 
entendimento do  julgador a quo quanto ao  real beneficiário do  incentivo, não caracterizando 
qualquer agravamento da exigência. 

A  decisão  recorrida  está  baseado  no  fato  da  Nota  Cosit  n°  234,  de  01  de 
agosto de 2003, que deu nova interpretação do tema, vedando­se à cooperativa centralizadora 

Fl. 856DF  CARF MF

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Processo nº 15956.000022/2007­32 
Acórdão n.º 3301­001.735 

S3­C3T1 
Fl. 844 

 
 

 
 

5

de vendas a apuração, escrituração e utilização do crédito presumido de IPI, cujos trechos de 
maior relevância para o assunto são a seguir transcritos: 

"21.Por tudo o que foi exposto, conclui­se: 

21.1.  O  Cooperado  que  entregar  sua  produção  à  Cooperativa 
centralizadora  de  vendas,  para  exportação,  faz  jus  a  crédito 
presumido  do  IPI,  relativa  à  parcela  de  sua  produção  que  haja 
sido efetivamente exportada; 

21.2.  O  Cooperado,  assim  que  receber  as  informações  da 
Cooperativa  centralizadora  de  vendas  de  que  sua  produção  foi 
exportada,  no  todo  ou  em  parte,  poderá  apurar  o  crédito 
presumido, ao  final do mês e escriturá­lo em seu  livro Registro 
de Apuração do IPI, observadas as quantidades da sua produção 
efetivamente exportadas e as normas da legislação especifica;  

21.3. Remanescendo saldo credor na escrituração do Cooperado, 
após a dedução com o IPI devido pela Cooperativa na condição 
de  substituta  tributária,  poderá  haver  transferência  do  crédito 
presumido  para  outros  estabelecimentos  da  pessoa  jurídica 
Cooperada,  se  houver,  apenas  para  dedução  do  valor  do  IPI 
devido por operações no mercado interno; ao final do trimestre­
calendário,  obedecidas  as  demais  normas  especificas,  poderá 
haver  a  compensação  com  outros  tributos  do  Cooperado, 
inclusive  o  PIS/Pasep  e  a  Cofins  devido  pela  Cooperativa,  na 
condição  de  responsável,  mas  só  a  parcela  que  di2a  respeito 
àquele Cooperado, isto é, a parcela referente à sua produção que 
tenha  sido  comercializada  no  mercado  interno.  Ao  invés  da 
compensação,  o Cooperado  poderá  solicitar  o  ressarcimento  do 
saldo credor em espécie, no todo ou em parte; 

21.4.  Não  cabe  à  Cooperativa  centralizadora  de  vendas  a 
apuração,  a  escrituração  ou  a  utilização  do  crédito 
presumido de IPI a que fazem jus os Cooperados; 

21.5. O preenchimento e a entrega do Demonstrativo do Crédito 
Presumido (DCP) está a cargo do Cooperado que se beneficie do 
crédito presumido, por intermédio de seu estabelecimento matriz. 
O  Cooperado  também  deverá  observar  o  cumprimento  das 
demais obrigações acessórias." 

Entretanto, a mencionada nota técnica, nesse ponto, está em desacordo com a 
legislação do IPI, sobretudo porque quanto à apuração do IPI centralizado no estabelecimento 
matriz, está em conformidade com o art. 15, II, da Lei nº 9.779, de 1999, determinando que a 
apuração do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, seja centralizados “pelo 
estabelecimento  matriz  da  pessoa  jurídica”,  podendo  ainda  ser  transferido  para  qualquer 
estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o próprio IPI, in verbis: 

Art.15.  Serão  efetuados,  de  forma  centralizada,  pelo 
estabelecimento matriz da pessoa jurídica: 

I  ­  o  recolhimento  do  imposto  de  renda  retido  na  fonte  sobre 
quaisquer rendimentos; 

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  6 

II  ­  a  apuração  do  crédito  presumido  do  Imposto  sobre 
Produtos Industrializados ­ IPI de que trata a Lei no 9.363, de 
13 de dezembro de 1996; 

[...] 

Assim  sendo,  o  fato  da  Recorrente  ter  centralizado  a  apuração  do  crédito 
presumido centralizado em seu estabelecimento matriz, não é motivo de  impedimento para a 
fruição  do  benefício,  pelo  contrário,  está  de  acordo  com  a  legislação  que  rege  o  crédito 
presumido. 

Da mesma  forma  dispõe  a Lei  nº  9.363,  de  1996,  constando  que  o  crédito 
presumido do IPI pode ser centralizado pelo estabelecimento matriz e transferido para qualquer 
estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o próprio IPI: 

Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada 
mediante  a  aplicação,  sobre  o  valor  total  das  aquisições  de 
matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de 
embalagem  referidos  no  artigo  anterior,  do  percentual 
correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita 
operacional bruta do produtor exportador. 

§ 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual 
de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei 
nº 10.637, de 2002) 

§  2°..No  caso  de  empresa  com mais  de  um  estabelecimento 
produtor  exportador,  a  apuração  do  crédito  presumido 
poderá ser centralizada na matriz. 

§  3º. O  crédito  presumido,  apurado na  forma do  parágrafo 
anterior,  poderá  ser  transferido  para  qualquer 
estabelecimento da empresa para efeito de compensação com 
o  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  observadas  as 
normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. (grifado). 

Pelos mesmos motivos acima expostos, também considero não haver nenhum 
óbice para que o estabelecimento filial possa utilizar o crédito presumido para a compensação 
de débitos do mesmo IPI. 

O principal ponto do processo se refere ao crédito presumido ter sido apurado 
e requerido pela Cooperativa, enquanto o Fisco entende que o benefício fiscal somente poderia 
ser utilizado e requerido pelo produtor exportador, entretanto, de acordo com a Lei nº 5.764, de 
16 de dezembro de 1971, que dispõe sobre a política nacional de cooperativismo, e, através de 
seu  art.  79,  define  o  que  seja  atos  cooperativos,  os  quais  não  implicam  em  operação  de 
mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria: 

Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas 
que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços 
para o exercício de uma atividade econômica, de proveito 
comum, sem objetivo de lucro. 

 Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e 
natureza  jurídica  próprias,  de  natureza  civil,  não  sujeitas  a 
falência,  constituídas  para  prestar  serviços  aos  associados, 
distinguindo­se  das  demais  sociedades  pelas  seguintes 
características 

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Processo nº 15956.000022/2007­32 
Acórdão n.º 3301­001.735 

S3­C3T1 
Fl. 845 

 
 

 
 

7

[...] 

Art. 79. Denominam­se atos cooperativos os praticados entre as 
cooperativas  e  seus  associados,  entre  estes  e  aquelas  e  pelas 
cooperativas  entre  si quando associados,  para a  consecução dos 
objetivos sociais. 

 Parágrafo único. O ato  cooperativo não  implica operação de 
mercado,  nem  contrato  de  compra  e  venda  de  produto  ou 
mercadoria. (grifado) 

Conquanto o produtor­exportador seja cada um dos produtores rurais, pessoas 
físicas  associados  à  cooperativa,  todo  o  processo  de  industrialização  e  exportação  é  feito 
através da pessoa jurídica, que age por conta e ordem dos cooperados, por interesse deles, isto 
é, os atos da cooperativa devem ser considerados como sendo praticados pelos seus associados, 
é o que depreende­se do art. 83, da citada lei: 

Art.  83.  A  entrega  da  produção  do  associado  à  sua 
cooperativa significa a outorga a esta de plenos poderes para 
a  sua  livre  disposição,  inclusive  para  gravá­la  e  dá­la  em 
garantia  de  operações  de  crédito  realizadas  pela  sociedade, 
salvo  se,  tendo  em  vista  os  usos  e  costumes  relativos  à 
comercialização de determinados produtos, sendo de interesse do 
produtor, os estatutos dispuserem de outro modo. (grifado). 

Conforme bem esclareceu a Recorrente, no sistema cooperativo de vendas em 
comum,  quem  vende  ou  exporta  é  o  próprio  produtor  cooperado.  A  cooperativa  é  mera 
intermediária,  mandatária  legal,  logo  o  benefício  fiscal  concedido  se  destina  ao  produtor­
exportador, não sendo apropriado pela cooperativa, não havendo que se  falar em apropriação 
pela  cooperativa  do  resultado  obtido  com  a  exportação,  que  será  revertido  aos  produtores 
rurais, na proporção de suas participações na sociedade empresarial. 

Para  fins  de  definição  do  ato  cooperado,  especialmente  no  que  se  refere  à 
entrega da produção pelo cooperado à cooperativa, nos termos dos arts. 79 e 83 da, da Lei nº 
5.764, de 1971,  a  jurisprudência do  colendo Supremo Tribunal Federal  (STF) que o  assunto 
depende  do  exame  dos  fatos,  isto  é,  depende  da  forma  em  que  o  negócio  ocorre  entre  a 
cooperativa e cooperado (daí porque não poder ser objeto de recurso extraordinário), in verbis: 

COMERCIAL. COOPERATIVA. ENTREGA DA PRODUÇÃO 
PELO COOPERADO A COOPERATIVA. NEGÓCIO QUE O 
ACÓRDÃO  LOCAL,  ANTE  O  EXAME  DOS  FATOS, 
ESPECIALMENTE A  EXECUÇÃO DADA  PELAS  PARTES, 
DEFINIU  COMO  CONTRATO  ESPECIFICO  ENTRE 
COOPERADO E COOPERATIVA (ARTS. 79 E 83 DA LEI N. 
5.764,  DE  16.11.71),  E  NÃO  COMO  CONTRATO  DE 
DEPOSITO  IRREGULAR  (ART.  1.280 DO CÓDIGO CIVIL). 
APLICAÇÃO DAS SUMULAS 279 E 454. 

 (RE  92902,  Relator(a):  Min.  DÉCIO  MIRANDA,  Segunda 
Turma,  julgado  em  07/10/1980,  DJ  24­10­1980  PP­08610 
EMENT  VOL­01189­03  PP­00727  RTJ  VOL­00095­03  PP­
01380). 

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  8 

No  mesmo  sentido,  entendendo  que  a  exportação  através  da  cooperativa, 
como mandatária dos cooperados, ser questão de fato que deve ser apreciado pelo julgador, in 
verbis: 

PRODUTO  INDUSTRIALIZADO.  EXPORTAÇÃO  POR 
COOPERATIVA,  QUE  TERIA  FUNCIONADO  COMO 
MANDATARIA DOS COOPERADOS. QUESTÃO DE FATO 
PARA  CUJO  REEXAME  NÃO  CABE  RECURSO 
EXTRAORDINÁRIO.  RECURSO  NÃO  CONHECIDO. 
 
(RE 76026, Relator(a): Min. LEITAO DE ABREU, SEGUNDA 
TURMA, julgado em 21/03/1975, DJ 02­06­1975 PP­*****)  

O aresto acima transcrito contempla através do voto condutor do acórdão, o 
seguinte trecho da v. sentença prolatada pelo colendo Tribunal de Alçada Cível do Estado de 
São Paulo (no Agravo de Instrumento nº 55.880), que naquele caso, a Cooperativa funcionou 
como mandatária no exercício das funções para as quais fora criada: 

“É de se ponderar ainda que a Cooperativa Central de Produtores 
de  Açúcar  e  Álcool  do  Estado  de  São  Paulo  não  adquire  o 
produto de  seus cooperados. Funciona  ela como mandatária No 
exercício  das  funções  para  as  quais  fora  criada,  podendo­se 
mesmo  dizer  que  atua  como  autêntica  “manus  longa”  dos 
cooperados.” 

Este entendimento ainda prevalece na Suprema Corte, conforme depreende­
se da ementa do acórdão recentemente publicado, in verbis: 

EMENTA  Agravo  regimental  no  agravo  de  instrumento. 
Tributário. ISS sobre atos cooperativos impróprios. Reexame de 
fatos e provas e de contrato social. Impossibilidade. Súmulas nºs 
279,  280  e 454  desta Corte.  1. O Tribunal  local,  com base  nos 
elementos  probatórios  do  autos  e  na  legislação 
infraconstitucional  (Leis  nºs  5.764/71,  5.641/89,  7.640/99, 
8.464/02  e  8.725/03),  consignou  que  a  agravada  presta 
serviços  aos  seus  próprios  cooperados.  Alterar  esse 
entendimento  para  análise  dos  argumentos  expendidos  pelo 
agravante  requereria  reexame  das  leis  em  comento,  do 
contrato social e dos fatos e das provas que permeiam a lide, 
fato vedado nesta  instância  recursal.  Incidência,  na espécie,  das 
Súmulas  nºs  279,  280  e  454  do  Supremo  Tribunal  Federal.  2. 
Agravo regimental não provido. 

 (AI  645954  AgR,  Relator(a):  Min.  DIAS  TOFFOLI,  Primeira 
Turma,  julgado  em  21/08/2012,  ACÓRDÃO  ELETRÔNICO 
DJe­176 DIVULG 05­09­2012 PUBLIC 06­09­2012) (grifado). 

O Superior Tribunal de Justiça (STJ)  tem entendimento firme no sentido de 
que  o  ato  cooperado  não  implica  operação  de mercado nem contrato  de  compra  e  venda,  in 
verbis: 

PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  COOPERATIVA  DE 
CONSUMO. OPERAÇÃO DE VENDA DE BENS A TERCEIROS 
NÃO­COOPERADOS. ATO MERCANTIL. CSLL. 

INCIDÊNCIA. 

Fl. 860DF  CARF MF

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Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20

14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi

nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE



Processo nº 15956.000022/2007­32 
Acórdão n.º 3301­001.735 

S3­C3T1 
Fl. 846 

 
 

 
 

9

1. O  ato  cooperativo  típico,  nos  termos  do  art.  79,  parágrafo 
único,  da  Lei  5.764/1971,  não  implica  operação  de  mercado 
nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, o 
que afasta a  incidência do PIS e da COFINS sobre o resultado 
de tal atividade. 

2.  A  operação  de  venda  de  bens  a  terceiros  por  sociedade 
cooperativa de consumo se reveste de natureza mercantilista. O 
resultado  positivo  advindo  dessa  atividade,  por  conseguinte, 
submete­se à incidência da CSLL. Precedentes do STJ. 

4. Agravo Regimental parcialmente provido. (Grifado). 

(AgRg  no  REsp  653.489/RS,  Rel.  Ministro  HERMAN 
BENJAMIN,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  15/09/2009,  DJe 
24/09/2009).  

No  caso  concreto,  entendo  que  o  estão  presentes  os  pressupostos 
estabelecidos pelos arts. 79 e 83, da Lei nº 5.764/71, que define o ato cooperativo, bem como a 
forma como ocorreram as relações entre cooperativa e cooperado, pois, de acordo com os arts. 
12  e  13  (Capítulo  III  – Dos Objetivos  e Operações),  do  Estatuto  Social  da COPERSUCAR 
(CNPJ nº 61.149.589/0001­89, estabelecimento matriz), aprovado pela AGE de 14/04/1987 (fl. 
192/193), consta dentre suas atribuições receber e vender a produção de seus associados, senão 
vejamos: 

“Capítulo III 

Dos Objetivos e Operações 

[...] 

Art. 12. A Cooperativa tem por objetivo prestar serviços a seus 
associados:  receber,  financiar e vender a produção de cana de 
açúcar, de álcool e de mel de seus associados. 

[...] 

Art. 13. A cooperativa, no cumprimento de seus objetivos sociais, 
venderá a produção de cana de açúcar,  de álcool e de mel,  de 
seus  associados,  de  forma  a  conciliar  os  interesses  dos 
produtores e consumidores. 

A AGE de 26/01/1999, deu a seguinte redação ao art. 15, do Estatuto Social 
da Cooperativa: 

Art.  15.  No  curso  da  safra,  o  associado  terá  direito  a 
adiantamento  em  valor  igual  aos  financiamentos  obtidos  pela 
Cooperativa  de  qualquer  estabelecimento  de  crédito,  com 
garantia  do  produto  que  lhe  foi  entregue  para  venda,  e 
proporcional à entrega. 

Parágrafo 1º: À proporção que forem sendo vendidos os produtos 
entregues  para  venda  em  comum,  a  Cooperativa  rateará  aos 
associados,  as  margens  líquidas  que  forem  resultando, 
respeitados  os  valores  dos  ágios  e  deságios  por  qualidade,  que 
houverem sido fixados pelo Conselho de Administração. 

Fl. 861DF  CARF MF

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14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi

nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE



 

  10 

Assim sendo, uma análise mais criteriosa dos fatos leva à conclusão de que 
os atos praticados pela Cooperativa com seus associados obedeceram aos comandos dos artigos 
79  e  83,  da  Lei  Geral  das  Cooperativas,  permitindo  concluir  que  não  se  não  houve  ato 
mercantil entre Cooperativa e seus associados. 

Por  último,  conforme  demonstrado,  o  fato  do  crédito  presumido  ter  sido 
apurado e  requerido pela Cooperativa, e não diretamente pelo produtor exportador, não deve 
impedir a fruição do benefício, salvo se tivessem sido constatados outros motivos impeditivos, 
o que no caso não restou comprovado. 

Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. 

Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2013 

Antônio Lisboa Cardoso, Relator 

Fl. 862DF  CARF MF

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Processo nº 15956.000022/2007­32 
Acórdão n.º 3301­001.735 

S3­C3T1 
Fl. 847 

 
 

 
 

11

Voto Vencedor 

Conselheira Andréa Medrado Darzé, Redatora 

Peço  vênia  para  divergir  do  ilustre  Conselheiro  Antônio  Lisboa  Cardoso, 
especialmente pelo fato do crédito presumido de  IPI,  instituído pela Lei nº 9.363/96,  ter sido 
apurado  pela  cooperativa,  no  caso  a  Recorrente,  a  COPERSUCAR,  ainda  que  tenha  sido 
transferido por meio de notas  fiscais de  transferência para os  estabelecimentos  filiais, da ora 
Recorrente, os qual foram utilizada para a quitação do IPI dos períodos discutidos no presente 
processo. 

De  fato,  comungo  com  o  entendimento  da  fiscalização,  igualmente  com  a 
decisão recorrida, os referidos créditos não poderiam ter sido utilizados pela COPERSUCAR, 
por  entender  que  pertencem  aos  cooperados,  vez  que  pertencem  às  empresas  produtoras 
exportadoras e não à cooperativa. 

Nesse sentido, quando a Lei nº 9.779/99, determina que o crédito presumido 
de  IPI  seja  centralizado  “pelo  estabelecimento  matriz  da  pessoa  jurídica”  (art.  15,  II), 
necessariamente quer significar mesma empresa, por  isso utilizou o termo “estabelecimento”, 
caso  contrário  autorizaria  sua  transferência  para  qualquer outra  empresa,  contudo manteve  a 
restrição aos estabelecimentos da mesma empresa. 

Logo,  a  autorização  acima  referida  não  se  estende  aos  estabelecimentos  da 
Cooperativa,  ainda  que  centralizado  no  estabelecimento matriz  da Coopersucar,  constituindo 
motivo  de  impeditivo  à  fruição  do  benefício,  que  pertence  às  empresas  produtoras 
exportadoras, não havendo previsão para sua transferência à terceiros. 

Ao  contrário  da  conclusão  do  i.  Relator,  a  própria  Lei  nº  9.363,  de  1996, 
somente  autoriza  a  centralização  pelo  estabelecimento  matriz,  isto  é,  da  mesma  sociedade 
empresarial,  por  isso  diz  “empresa  com  mais  de  um  estabelecimento  produtor 
exportador”quando a  apuração do crédito poderia  ser  centralizada pela matriz,  e no  caso  em 
tela  não  há  qualquer  evidência  da  existência  de  vínculo  empresarial  entre  as  usinas,  ao 
contrário, são empresas produtoras distintas, sem qualquer relação societária. 

O  fato  da  Lei  nº  5.764,  de  16  de  dezembro  de  1971,  dispor  que  os  atos 
cooperativos  não  implicam  em  operação  de  mercado,  nem  contrato  de  compra  e  venda  de 
produto ou mercadoria, não autoriza à cooperativa se beneficiar das prerrogativas e benefícios 
tributários gozados por seus filiados. 

Em  relação  às  ações  judiciais  noticiadas  nos  autos,  não  consta  nenhuma 
autorização  para  a  apuração  ou  aproveitamento  dos  benefícios  fiscais  usufruídos  por  seus 
cooperados, nem mesmo que a Fazenda Nacional tenha atuado nesses processos, não podendo 
alcançar os fatos discutidos no presente processo. 

Por  fim,  cumpre  registrar  que  em  sendo  o  crédito  presumido  constitui  um 
benefício  fiscal,  expressamente  previsto  no  art.  150,  §  6º,  da  Constituição  Federal,  há 
necessidade do mesmo ser regulado por lei específica, e como visto a Lei nº 9.363/96, dispõe 
expressamente  que  o  crédito  presumido  de  IPI  deve  ser  apurado  e  requerido  pela  própria 
empresa produtora exportadora 

Fl. 863DF  CARF MF

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  12 

Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. 

Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2013 

Andréa Medrado Darzé, Redatora 

 

           

 

 

Fl. 864DF  CARF MF

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nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE


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    <str name="ementa_s">Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO.
A Recorrente não pode ser excluída do Simples Nacional por crédito tributário que nunca existiu, conforme sentença judicial transitada em julgado.
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    <str name="turma_s">Segunda Turma Especial da Primeira Seção</str>
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      <str>Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão  - Relator.

Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marciel Eder Costa.


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S1­TE02 

Fl. 36 

 
 

 
 

1

35 

S1­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  13982.001611/2008­76 

Recurso nº               Voluntário 

Acórdão nº  1802­002.183  –  2ª Turma Especial  

Sessão de  08 de maio de 2014 

Matéria  Exclusão 

Recorrente  CARLOS JULIO FAVARETTO 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL 

Ano­calendário: 2008 

SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. 
A  Recorrente  não  pode  ser  excluída  do  Simples  Nacional  por  crédito 
tributário  que  nunca  existiu,  conforme  sentença  judicial  transitada  em 
julgado. 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  DAR 
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.  

(assinado digitalmente) 

Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente.  

(assinado digitalmente) 

Gustavo Junqueira Carneiro Leão  ­ Relator. 

 

Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de 
Sousa,  Gustavo  Junqueira  Carneiro  Leão,  Luis  Roberto  Bueloni  Santos  Ferreira,  José  de 
Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marciel Eder 
Costa. 

  

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2.
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16
11

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00

8-
76

Fl. 241DF  CARF  MF

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em

 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por ESTER MARQU

ES LINS DE SOUSA




Processo nº 13982.001611/2008­76 
Acórdão n.º 1802­002.183 

S1­TE02 
Fl. 37 

 
 

 
 

2

 

Relatório 

Trata­se  de  Recurso  Voluntário  contra  decisão  da  Delegacia  da  Receita 
Federal  de  Julgamento  em  Florianópolis  (SC),  que  por  unanimidade  de  votos  julgou 
improcedente  a Manifestação  de  Inconformidade  apresentada  pela  contribuinte,  mantendo  a 
exclusão no Simples Nacional. 

Por economia processual, passamos a adotar o relatório da DRJ: 

“Trata­se  o  presente  processo  de  manifestação  de 
inconformidade  frente  a  Ato  Declaratório  Executivo  que 
excluiu a contribuinte supracitada do Simples Nacional. 

A  exclusão  no  Simples  Nacional  foi  efetuada  devido  a 
contribuinte  possuir  débitos  com  a  Fazenda  Pública 
Federal cuja exigibilidade não se encontrava suspensa. 

A  contribuinte  apresentou  manifestação  de 
inconformidade,  afirmando  que  os  débitos  apontados  se 
encontram  com  a  exigibilidade  suspensa  por  força  do 
Pedido de Homologação, protocolado no dia 31/10/2005, 
ainda  pendente  de  Julgamento  pela  Receita  Federal, 
referente  à  várias  compensações  realizadas  pela 
peticionária  nos  anos  de  1997  a  1999,  inclusive  no 
período  relativo  ao  débito  apontado  como  causa  de  sua 
exclusão do SIMPLES no Ato Declaratório ora impugnado. 

Aduz  que  os  supostos  débitos  dizem  respeito  à 
compensação relativa a créditos da contribuição ao INSS 
com  débitos  do  próprio  INSS  devido  na  sistemática  de 
recolhimento  do  SIMPLES,  sendo  que  o  crédito 
compensado  pela  peticionária  seria  advindo  da 
inconstitucionalidade  do  art.  3º,  inciso  I,  da  Lei  nº 
7.787/89,  notadamente  a  contribuição  previdenciária 
sobre  a  remuneração  paga  aos  administradores, 
autônomos  e  avulsos  no  período  de  09/89  a  04/96, 
contribuição  esta  julgada  inconstitucional  pelo  STF  e 
reconhecida  tal  inconstitucionalidade  pelo  Senado 
Federal,  que  como  já  sabido  de  toda  a  comunidade 
jurídica,  emitiu  Resolução  neste  sentido  (matéria  já 
pacificada nos Tribunais Pátrios). 

Afirma  ainda  possuir  decisão  judicial  transitada  em 
julgado a seu favor a do processo referente ao INSS sobre 
a  Remuneração  de  Avulsos,  Autônomos  e 
Administradores,  na  qual  foi  reconhecido  o  direito  da 
empresa de promover a compensação dos valores pagos a 

Fl. 242DF  CARF  MF

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 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por ESTER MARQU

ES LINS DE SOUSA



Processo nº 13982.001611/2008­76 
Acórdão n.º 1802­002.183 

S1­TE02 
Fl. 38 

 
 

 
 

3

maior a titulo da exação com as parcelas devidas ao INSS 
(contribuição incidente sobre a folha de salários). 

Requer, por fim, sua manutenção no Simples Nacional, e o 
cancelamento do ato de exclusão. 

A ARF/Chapecó, por meio do Parecer 63/2009, presta as 
seguintes informações: 

“Analisando  a  documentação  apresentada, 
notadamente  a  cópia  da  informação  fiscal  de  fls. 
171 e 172, verifica­se que: 

­ Em outubro de 2002 o contribuinte protocolizou 
sob  n°13982.001386/2002­82,  Pedido  de 
Restituição  cumulado  com  Pedido  de 
Compensação,  onde  requeria  a  compensação  dos 
débitos  incluídos no âmbito do Sistema  Integrado 
de  Pagamentos  de  Impostos  e  Contribuições  das 
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte ­ 
Simples,  com crédito  relativo ao  INSS/Pró­labore, 
amparado  em  decisão  judicial  transitada  em 
julgado proferida na ação ordinária 96.60022867. 

­  No  entanto,  aquela  solicitação  foi  indeferida, 
conforme  Despacho  Decisório  n°  107/2003, 
proferido naquele processo; 

­  Cientificado  do  indeferimento,  o  contribuinte 
apresentou manifestação de inconformidade junto 
a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em 
Florianópolis/SC,  cujo  processo  se  encontra 
atualmente no Terceiro Conselho de Contribuintes­
DF, conforme documento de fls. 174; 

­  Os  débitos  geradores  do  ato  declaratório  foram 
inscritos  em  Divida  Ativa  através  do  processo 
10925.000985/2003­56 e extintos em 15/03/2009 
por  força  da  Lei  11.941  de  2009,  conforme 
documento de fls. 170. 

Portanto,  o  exame  dos  dispositivos  legais 
supracitados  e dos documentos mencionados  leva 
à conclusão da impossibilidade da revisão de oficio 
do termo de  indeferimento da opção pelo Simples 
Nacional.” 

A contribuinte, por meio de diligência solicitada por esta 
Delegacia  de  Julgamento,  foi  cientificada  dos  novos 
documentos  anexados  ao  processo,  tendo  apresentado 

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ES LINS DE SOUSA



Processo nº 13982.001611/2008­76 
Acórdão n.º 1802­002.183 

S1­TE02 
Fl. 39 

 
 

 
 

4

manifestação  de  inconformidade  com  os  mesmos 
argumentos expostos originalmente.” 

A  DRJ  de  Florianóopolis  (SC)  julgou  improcedente  a  manifestação  de 
inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: 

“ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL 

Ano­calendário: 2008 

DÉBITOS  COM  A  FAZENDA  PÚBLICA  FEDERAL. 
EXCLUSÃO. 

Deve  ser  excluída  do  Simples Nacional  a  pessoa  jurídica 
que possua débitos com a Receita Federal do Brasil  cuja 
exigibilidade não esteja suspensa. 

Manifestação de Inconformidade Improcedente 

Sem Crédito em Litígio” 

Inconformada  com  essa  decisão  da  qual  tomou  ciência  em  29/08/2012,  a 
Recorrente  apresentou  Recurso  Voluntário  em  21/09/2012,  onde  reitera  todas  as  alegações 
feitas  por  ocasião  de  sua  manifestação  de  inconformidade  e,  dentre  outros  argumentos, 
suscitando  que  já  fora  juntada  a  cópia  da  decisão  transitada  em  julgado  do  processo  cuja 
exigibilidade estava sendo questionada. 

Este é o Relatório. 

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ES LINS DE SOUSA



Processo nº 13982.001611/2008­76 
Acórdão n.º 1802­002.183 

S1­TE02 
Fl. 40 

 
 

 
 

5

 

Voto            

Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. 

O recurso voluntário é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. 

Trata­se  o  processo  de  exclusão  do  Simples  Nacional,  onde  a  autoridade 
administrativa considera que existe débito com o INSS, cuja exigibilidade não estaria suspensa, 
ao passo que a Recorrente alega que a exigibilidade a época estava suspensa e que em virtude 
do  êxito  na  esfera  judicial,  agora  com  o  trânsito  em  julgado,  que  o  referido  débito  nunca 
existiu. 

A  Lei  Complementar  nº  123,  de  14/12/2006,  revogou  a  Lei  nº  9.317/96 
(Simples  Federal),  e  instituiu  o  Regime  Especial  Unificado  de  Arrecadação  de  Tributos  e 
Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, 
assim dispõe no artigo 16, caput: 

Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica 
enquadrada na condição de microempresa e empresa de 
pequeno  porte  dar­se­á  na  forma  a  ser  estabelecida  em 
ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o ano­
calendário. 

E no artigo 17 do mesmo diploma legal: 

Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições 
na  forma  do  Simples  Nacional  a  microempresa  ou  a 
empresa de pequeno porte: 

[...] 

V – que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro 
Social  INSS,  ou  com  as  Fazendas  Públicas  Federal, 
Estadual  ou  Municipal,  cuja  exigibilidade  não  esteja 
suspensa; (grifo nosso) 

Vejamos  então  quais  seriam  as  hipóteses  de  suspensão  da  exigibilidade  do 
crédito tributário, de acordo com o CTN. 

Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: 

I ­ moratória; 

II ­ o depósito do seu montante integral; 

III ­ as reclamações e os recursos, nos termos das leis 
reguladoras do processo tributário administrativo; 

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Processo nº 13982.001611/2008­76 
Acórdão n.º 1802­002.183 

S1­TE02 
Fl. 41 

 
 

 
 

6

IV  ­  a  concessão  de  medida  liminar  em  mandado  de 
segurança. 

V  –  a  concessão  de  medida  liminar  ou  de  tutela 
antecipada, em outras espécies de ação judicial; 

VI – o parcelamento. (grifo nosso) 

Diferentemente  do  entendimento  da  DRJ,  a  Recorrente  estava  com  a 
disponibilidade suspensa por força de processo judicial. 

Além de tudo o que foi argumentado, a  razão sempre assistiu a Recorrente, 
eis que o próprio Poder Judiciário  reconheceu que não  tratava de tributo devido (e­fls. 114 e 
segs.), com sentença transitada em julgado em 28/10/2002 (e­fl. 164). 

Com efeito não há hipótese a considerar que no ano em questão a Recorrente 
estava excluída do Simples Nacional por crédito tributário indevido 

Assim sendo voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. 

(assinado digitalmente) 

Gustavo Junqueira Carneiro Leão  

           

 

           

 

 

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ES LINS DE SOUSA


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    <str name="ementa_s">Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.

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S3­TE03 

Fl. 10 

 
 

 
 

1

9 

S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  10930.904427/2012­83 

Recurso nº  1   Voluntário 

Acórdão nº  3803­004.777  –  3ª Turma Especial  

Sessão de  26 de novembro de 2013 

Matéria  PIS/COFINS 

Recorrente  A.M.R. GONCALVES &amp; CIA LTDA ­ EPP 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO 

Data do fato gerador: 26/10/2010 

COMPENSAÇÃO.  HOMOLOGAÇÃO.  LIQUIDEZ  E  CERTEZA  DO 
CRÉDITO. 

Para  a  homologação  da  DCOMP  transmitida  pelo  sujeito  passivo,  é 
necessária  a  demonstração  da  liquidez  e  certeza  do  crédito  de  tributos 
administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. 

ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL 

Data do fato gerador: 26/10/2010 

COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  A  MAIOR  OU  INDEVIDO. 
COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. 

Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e 
fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado 
sob pena de desprovimento do recurso. 

PROVAS.  PRODUÇÃO.  MOMENTO  POSTERIOR  AO  RECURSO 
VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. 

O  momento  de  apresentação  das  provas  está  determinado  nas  normas  que 
regem  o  processo  administrativo  fiscal,  em  especial  no Decreto  70.235/72. 
Não  há  como  deferir  produção  de  provas  posteriormente  ao  Recurso 
Voluntário por absoluta falta de previsão legal. 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar 
provimento ao recurso. 

(assinado digitalmente) 

  

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93

0.
90

44
27

/2
01

2-
83

Fl. 76DF  CARF MF

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Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/

02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M

ACHADO




 

  2

Corintho Oliveira Machado ­ Presidente.  

(assinado digitalmente) 

João Alfredo Eduão Ferreira ­ Relator. 

Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Belchior  Melo  de 
Sousa,  Corintho Oliveira Machado,  Hélcio  Lafetá  Reis,  João Alfredo  Eduão  Ferreira,  Jorge 
Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. 

Relatório 

Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em 
que  pretende  compensar  apontado  crédito  de  natureza  tributária  para  com  débito  por  ele 
apurado,  ambos  indicados  em  PER/DCOMP  (e­fl  2/6),  referente  aos  períodos  e  valores  ali 
descritos e analisados no bojo deste processo. 

O  pagamento  foi  identificado,  mas  constatou­se  que  o  mesmo  foi 
integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho 
Decisório,  dessa  forma,  o  direito  creditório  não  foi  reconhecido  e  a  compensação  declarada 
resultou não homologada. 

Intimado  a  recolher  o  crédito  tributário  decorrente  da  não  homologação  da 
compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando 
o que se segue: 

a)  Afirma  seu  direito  ao  recebimento  do  recurso,  bem  assim  o  regular 
processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; 

b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve 
esclarecimentos  quanto  à  suposta  indisponibilidade  de  crédito  e  não  foi  analisada  qualquer 
situação que legitima o crédito postulado; 

c)  Alega  não  ter  meio  de  se  defender  por  desconhecimento  da 
indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive 
em  relação  ao  significado  de  “disponibilidade  de  crédito”,  o  que  lhe  parece  se  tratar  do 
encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através 
do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; 

d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado 
a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a 
qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta  indisponibilidade, 
dessa  forma a  não  homologação  desta  compensação  ocorreu  por  uma questão  de  sistema de 
informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; 

e)  Afirma,  quanto  ao  mérito,  que  utilizou  de  valores  que  indevidamente 
integravam  a  base  de  cálculo  do  tributo,  conforme  teses  já  julgadas  pelo  Supremo Tribunal 
Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; 

f)  Alega  que  não  há  como  apresentar  os  documentos  comprobatórios  do 
direito  alegado,  já  que  nem  a  autoridade  administrativa  sabe  ao  certo  o  motivo  do 
indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção 
posterior das provas. 

Fl. 77DF  CARF MF

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02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M

ACHADO



Processo nº 10930.904427/2012­83 
Acórdão n.º 3803­004.777 

S3­TE03 
Fl. 11 

 
 

 
 

3

A  3ª  Turma  da  DRJ/CTA  julgou  improcedente  a  manifestação  de 
inconformidade  e  não  reconheceu  o  direito  creditório,  ementando  sua  decisão  nos  seguintes 
termos: 

ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] 

NULIDADE. PRESSUPOSTOS. 

Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa 
incompetente  e  os  despachos  e  decisões  proferidos  por 
autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 

CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  INTIMAÇÃO 
PARA ESCLARECIMENTOS. 

A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do 
procedimento  fiscal  não  caracteriza  cerceamento  do  direito  de 
defesa,  que  é  assegurado na  fase  do  contraditório,  inaugurada 
com a manifestação de inconformidade. 

COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. 

Aplica­se  a  disposição  do  §  1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718,  de 
1998,  até  a  sua  revogação  pela  Lei  11.941,  de  27  de maio  de 
2009,  uma  vez  que  o  julgamento  do  STF  pela 
inconstitucionalidade  da  ampliação  da  base  de  cálculo  contida 
naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi 
em  Recurso  Extraordinário  e  não  em  ADIN,  só  aproveitando, 
por  isso,  às  partes  envolvidas,  não  podendo  beneficiar  ou 
prejudicar terceiros. 

Manifestação de Inconformidade Improcedente 

Direito Creditório Não Reconhecido 

Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do 
qual  repete os argumentos expostos em manifestação de  inconformidade, chegando a afirmar 
tratar­se de um acórdão eletrônico,  à semelhança do despacho decisório,  sem que  tenha sido 
submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. 

É o relatório. 

Voto            

Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira ­ Relator 

O  recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  para  sua 
admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. 

 

Dos pedidos de nulidade. 

Fl. 78DF  CARF MF

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ACHADO



 

  4

O  contribuinte  defende  a  nulidade  do  despacho  decisório  e  do  acórdão  da 
DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. 

Entendemos  que  não  seja  obrigatória,  na  fundamentação  do  despacho 
decisório,  a  indicação  expressa  dos  dispositivos  legais  e  constitucionais  em  que  se  sustenta, 
desde  que  haja  consonância  dos  argumentos  utilizados  com  a  jurisprudência  e  com  o 
ordenamento jurídico vigente. 

Ressaltamos  que  o  despacho  decisório  é  processado  de  forma  eletrônica, 
realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil  ­ RFB. 
Como  confessado  pelo  próprio  contribuinte  sua  DCTF  do  período  estava  erroneamente 
preenchida,  e  esta  informação  estava  inserida  no  sistema  da  RFB,  ou  seja,  de  fato  o 
contribuinte  não  possuía  créditos  a  serem  ressarcidos  no  confronto  dos  valores  declarados 
como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). 

As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas 
nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses 
de  nulidade  presente  no  despacho  decisório,  muito  menos  ofensa  aos  princípios  do 
contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e 
teve  a  oportunidade  de  provar  seu  direito  creditório  em  pelo  menos  duas  oportunidades 
distintas,  uma  quando  da  manifestação  de  inconformidade  e  outra  quando  interpôs  recurso 
voluntário. 

O Despacho Decisório  aponta  como  enquadramento  legal  os  artigos  165  e 
170  do  CTN  e  artigo  74  da  Lei  9.430/96.  Tanto  o  artigo  170  do  CTN  quanto  o  74  da  Lei 
9.430/96,  reforçam  o  direito  do  contribuinte  em  compensar  os  seus  débitos  com  crédito 
líquidos  e  certos,  fica  claro  que  a  liquidez  e  certeza  do  crédito  tributário  é  que  ficou 
comprometida  ante  as  informações  prestadas  pelo  contribuinte,  em  especial  no  confronto  da 
DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do 
Despacho Decisório por falta de fundamentação. 

Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão 
proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de 
um  colegiado  que  fundamentou  coerentemente  sua  decisão  com  base  no Decreto  70.235,  de 
1972, além de  trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de 
Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla 
defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. 

 

Mérito e comprovação do crédito. 
                                                           
1   Art. 59. São nulos: 
  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; 
          II ­ os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de 
defesa. 
          § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam 
conseqüência. 
          § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências 
necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. 
          § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de 
nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir­lhe a falta. (Incluído pela 
Lei nº 8.748, de 1993) 
          Art.  60. As  irregularidades,  incorreções  e omissões diferentes  das  referidas  no  artigo  anterior não 
importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes 
houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. 

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ACHADO



Processo nº 10930.904427/2012­83 
Acórdão n.º 3803­004.777 

S3­TE03 
Fl. 12 

 
 

 
 

5

As  compensações  se  prestam  ao  encontro  de  contas,  entre  um  débito 
tributário  e  um  crédito  líquido  e  certo  da  contribuinte  contra  a  Fazenda  Pública,  conforme 
determina o artigo 170 do CTN. 

“Art.  170.  A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que 
estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à 
autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos 
tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, 
do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” 

Neste mesmo sentido expressa­se o artigo 74 da Lei 9.430. 

Daí concluir­se que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda 
Nacional  exige  averiguação  da  liquidez  e  certeza  do  suposto  pagamento  a maior  do  tributo, 
desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua 
defesa,  em especial a manifestação de  inconformidade, com documentos que  respaldem suas 
afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: 

“Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com 
os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao 
órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em 
que for feita a intimação da exigência. 

Art. 16. A impugnação mencionará: (...) 

III  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os 
pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir; 
(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” 

O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a 
base de cálculo do  tributo, conforme  teses  já  julgadas pelo Supremo Tribunal Federal,  e que 
por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. 

Apesar  de  se  referir  a  algumas  teses  de  forma  genérica,  o  contribuinte  não 
expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito 
menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o 
que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. 

Na  mesma  esteira,  admitindo­se  por  hipótese,  o  direito  subjetivo  do 
contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual 
seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido.  

O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que 
justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. 

Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, 
não  identificamos  Notas  Fiscais,  Escrita  Fiscal,  Escrita  Contábil,  Livro  de  Apuração,  Livro 
Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas,  ou qualquer outro documento que possibilite, 
minimamente que seja, a sua aferição. 

 No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de 
provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é 
assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: 

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02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M

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  6

Art.  36.  Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha 
alegado,  sem prejuízo  do  dever  atribuído  ao  órgão  competente 
para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. 

No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 
1973­CPC: 

Art. 333. O ônus da prova incumbe: 

I ­ ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; 

II ­ ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo 
ou extintivo do direito do autor. 

Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou 
a  resposta  (art.  297),  com os  documentos  destinados  a  provar­
lhe as alegações. 

Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este 
provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. 

Da apresentação das provas. 

O  artigo  16  do  Decreto  nº  70.235/72  em  seu  §  4º  determina,  ainda,  o 
momento  processual  para  a  apresentação  de  provas  no  processo  administrativo  fiscal,  bem 
como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: 

“§  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação, 
precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento 
processual, a menos que:  

 a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação 
oportuna, por motivo de força maior; 

 b) refira­se a fato ou a direito superveniente; 

 c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente 
trazidas aos autos.” 

A  análise  da  norma  supracitada  é  clara  e  direta  ao  estabelecer  o momento 
correto  a  serem carreadas  as provas  a  fim de  substanciar os  argumentos da  interessada, qual 
seja,  na  manifestação  de  inconformidade,  contudo,  esta  turma  recursal  tem  firmado 
entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de 
recurso  voluntário,  quando  estas  não  dependam  de  análise  técnica  aprofundada  e  sejam 
complementares  às  provas  trazidas  em Manifestação  de  Inconformidade,  entretanto,  mesmo 
neste  momento  processual,  nenhuma  prova  foi  carreada  aos  autos.  Não  há  como  deferir  o 
pedido  do  contribuinte  por  produção  de  provas  posteriores  a  este  ato,  por  absoluta  falta  de 
previsão legal. 

Conclusão. 

Pelo  exposto,  rejeito  as  preliminares  de  nulidade  e  no  mérito  NEGO 
PROVIMENTO. 

É como voto. 

(assinado digitalmente) 

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Processo nº 10930.904427/2012­83 
Acórdão n.º 3803­004.777 

S3­TE03 
Fl. 13 

 
 

 
 

7

João Alfredo Eduão Ferreira ­ Relator 

           

           

 

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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso  Presidente e Relator.
EDITADO EM: 16/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator
Em 29/12/2003, o contribuinte foi notificado de auto de infração do Imposto de Renda Pessoa Física, decorrente de duas infrações: a) falta de recolhimento do imposto sobre ganhos líquidos no mercado de renda variável (mercado à vista) nos meses de janeiro a abril de 1998 (fls. 365); e b) omissão de rendimentos, no ano-calendário 1998, caracterizada por valores creditados em contas correntes, em relação às quais o contribuinte foi intimado, porém não comprovou com documentação hábil e idônea a origem dos recurso utilizados (art. 42 da Lei 9.430/1996).
A fiscalização foi provocada pela verificação de que a movimentação financeira do contribuinte (base CPMF) era incompatível como a entrega de declaração de isento por parte do contribuinte.
Intimado para apresentar extratos de movimentação financeira, o contribuinte apresentou diversas Notas de Corretagem emitidas pela Corretora Solidez.
A fiscalização utilizou-se de Requisição de Informação Financeira  RMF (fls. 180).
Documento apresentado pelo Bradesco (fls. 182) indica que a conta 49.759-2, na agência 119-8 era uma conta conjunta, fazendo menção de que os dados cadastrais do co-titular não estavam sendo fornecidos à Receita Federal por não constar processo-administrativo instaurado contra o co-titular.
As conta 8.511.392-5 5 (Volume II) e 272.308-5 (Volumes II e Volume III) e 8.608.973-4 (Volume III) são contas individuais.
O demonstrativo dos depósitos inferiores a R$12.000,00 indicam que a soma anual desses alcançou cifra superior a R$80.000,00 (fls. 214/220).
O contribuinte foi intimado do referido demonstrativo, bem como para comprovar origem dos valores depositado e também documentos que comprovem a aquisição das ações com data, quantidade e custo de aquisição que justificassem os saldos em carteira em 31/12/1997, com a informação de que a falta de comprovação implicaria considerar o custo de aquisição igual a zero (fls. 221).
A partir da fl. 223 foram juntados Avisos de Negociação de Ações  ANA emitidos pela Bovespa.
O demonstrativo dos valores de depósitos justificados e não justificados foi juntado a partir das fls. 332. A consolidação desses valores está nas fls. 339.
A partir das fls. 340 estão as planilhas elaboradas pela fiscalização referente à apuração do resultados das operações com renda variável.
O Termo de Verificação Fiscal (fls. 359) resume o procedimento de fiscalização.
Os argumentos impugnatórios foram reiterados com a peça recursal e serão adiante resumido.
A impugnação foi indeferida pelos seguintes fundamentos, em resumo:
a) a decadência conta-se na forma do inciso I do art. 173 do CTN, com termo inicial em 01/01/1999 em relação à renda variável e 01/01/2000 quanto aos depósitos de origem não comprovada;
b) a aplicação retroativa da Lei 10.174/2001 encontra respaldo no §1º do art. 144 do CTN;
c) a alegação de que diversos depósitos teriam como origem as transferências pela Corretora Solidez, tendo em vista saldo credor existente em conta corrente interna de titularidade do impugnante, conforme documentos, às fls. 396/398, é improcedente, pois se constata que os referidos documentos são meras listagens, não estando revestidos de qualquer formalidade que lhes garantam validade como prova hábil para comprovar os fatos neles constantes. Além disso, as discriminações constantes em tais listagens fazem referência a uma conta no Banco Bamerindus, quando os depósitos foram realizados em contas do Banco Bradesco, que por sua vez é o único banco constante no Relatório de Movimentação Financeira  Base CPMF, às fls. 17;
d) quanto às alegações de que os depósitos de nos valores de R$ 1.200,00 efetuados em 28/07/1998, 13/08/1998, 25/08/1998, 26/08/1998 e 31/08/1998, teriam como origem a transferência procedida da conta poupança vinculada à conta corrente, conforme documentos, às fls. 399/400, o acórdão recorrido decidiu pela exclusão desses valores do lançamento (fls. 415)
e) o depósito no valor de RS 1.200,00 na conta corrente n° 272.308-5, agência 0097-3, em 28/07/1998, foi reconhecido como duplicado e sua exclusão também foi determinada pela DRJ (fls. 415)
f) a contestação acerca do custo de aquisição com base na existência de estoque de ações em dezembro de 10997 foi rejeitada porque os valores não devem ser computados uma vez que não constaram da declaração de bens do ano-calendário 1997, conforme extrato de fls. 18.
Ciência da decisão em 27/06/2008. Recurso voluntário interposto em 24/07/2008.
Em resumo, a peça recursal ampara-se nas seguintes alegações:
1. vedação à aplicação retroativa da permissão dada pela Lei nº 10.174/2001 para os fato ocorrido em 1998, por força do art. 105 do CTN e da restrição imposta pelo art. 11 da Lei 9.311/1996, tal como reconhecido no acórdão 104-19498, deste Conselho;
2. decadência em relação ao fato ocorrido até 25/12/1998, nos termos do §4º do art. 150 do CTN c/c inciso II do art. 4º da Lei 8.134/1990, este último dispositivo ao tratar do recolhimento mensal nas operações de renda variável, uma vez que a notificação do lançamento ocorreu em 26/12/2003, tal como no acórdão 101-93392;
3. No mérito, os documentos anexos e ignorados pelo órgão julgador de primeira instância comprovam as origens dos depósitos a seguir discriminados:
3.1. Conta Corrente  n° 0119/49.759-2 20/01/1998  R$20.000,00; 26/01/1998  R$3.184,89; e 02/02/1998  R$30.000,00 - transferências procedidas pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em conta-corrente interna de titularidade do recorrente;
3.2. Conta Corrente  n° 0097/8.608.973-4 01/06/1998  R$ 777,03- transferência procedida pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em conta-corrente interna de titularidade do recorrente;
3.3. Conta Corrente  n° 0097/272.308-5 05/06/1998  R$ 20.365,12 - transferência procedida pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em conta-corrente interna de titularidade do recorrente;
22/06/1998  R$ 21.845,36 - transferência procedida pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em conta-corrente interna de titularidade do recorrente;
28/07/1998  R$ 1.200,00 - transferência procedida da conta-poupança vinculada à conta-corrente 28/07/1998  R$ 1.200,00  lançamento inexistente 13/08/1998  R$ 1.200,00; 25/08/1998  R$ 1.200,00; 26/08/1998  R$ 1.200,00; 31/08/1998  R$ 1.200,00 - transferências procedidas da conta-poupança vinculada à conta-corrente 4. o cálculo do valor do imposto devido em relação às operações com renda variável não levou em consideração o estoque de ações existentes em dezembro de 1997: Eletrobrás PNB (50.000); Petrobras (210.000); Telebrás (800.000); Vale do Rio Doce (9500) e Gerasul (3.400.000);
5. o custo médio ponderado poderá ser obtido pelos documentos anexos À impugnação que refletem a oscilação das cotações das referidas ações àquela época; e 6. a impropriedade da planilha elaborada pela autoridade fiscal é flagrante, um exemplo de a adoção do custo de aquisição zero no demonstrativo de venda de 3.400 ações da Gerasul PNB.
Relatado, passa a deliberar.
O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele deve-se tomar conhecimento.
Das preliminares Rejeito a alegação de que não seria lícita a aplicação retroativa da lei 10.174/2001, com fundamento na Súmula CARF nº 35:
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
Da decadência A preliminar de mérito também deve ser rejeitada.
Não há qualquer indicativo de antecipação de pagamento pelo contribuinte, o qual entregou declaração de isento para o ano-calendário da autuação.
A matéria já foi pacificada no âmbito desse Colegiado e do CARF, bem como foi julgada pelo Superior Tribunal de Justiça sob a sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, cujo recurso representativo de controvérsia sobre o prazo decadencial foi julgado no Recurso Especial Nº 973.733  SC. Aplica-se a norma do art. 62-A do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010).
Nestes autos verifica-se que o fato gerador mais antigo em relação ao Imposto sobre Renda Variável ocorreu em janeiro de 1998, ao passo que aquele incidente sobre os depósitos de origem não comprovada, em 31 de dezembro de 1998, este último reconhecido no enunciado da Súmula CARF nº 38:
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
A falta de antecipação de pagamento e de entrega de Declaração de Ajuste Anual, acarreta a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN.
Desta forma, o acórdão recorrido está correto ao considerar que o temo inicial é 01/01/1999 para a incidência sobre os ganhos em renda variável e 01/01/2000 para a tributação dos depósitos de origem não comprovada.
Assim, o lançamento regularmente notificado até 31/12/2003 respeitou o prazo decadencial de todas as incidências.
A decisão acerca do mérito envolve duas questões a exatidão do cálculo do imposto incidente sobre ganho em aplicações de renda variável e comprovação da origem de depósitos para afastar a omissão de rendimentos baseada em depósitos de origem não comprovada.
Como já se manifestou esta Turma de Julgamento, por meio de resoluções aprovadas por unanimidade nas sessões de julgamento a partir de julho de 2012, a medida cabível é o sobrestamento do julgamento, uma vez que o STF tem reiteradamente e de forma expressa sobrestado o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314, tal como exemplificado pelas transcrições abaixo.
DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura - CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura  Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verifica-se que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publique-se. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente(RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe-035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) (grifos acrescidos)
DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA  PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA  SIGILO - DADOS BANCÁRIOS  FISCO  AFASTAMENTO  ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001  SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator(AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe-213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) (grifo acrescido)
REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discute-se nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verifica-se que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO  UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS  IMPOSTO DE RENDA  QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO  PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001  APLICAÇÃO IMEDIATA  RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN  PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO  RECURSO ESPECIAL PROVIDO. Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064-AgR-AgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626-AgR-AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473-ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543-B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publique-se. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente(RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe-158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011)
DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes - será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõe-se o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publique-se. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator(RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe-100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) (grifos acrescidos)
A apreciação das duas questões que constituem o mérito deste recurso voluntário deve ser feita em um mesmo momento.
Proponho o sobrestamento do julgamento, nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314 pelo STF.

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S2­TE02 

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1 

434 

S2­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  19515.004958/2003­59 

Recurso nº            Voluntário 

Resolução nº  2802­000.141  –  2ª Turma Especial 

Data  14 de maio de 2013 

Assunto  IRPF 

Recorrente  HONG WAH MO 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento 
nos termos do §1º do art. 62­A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.  

(Assinado digitalmente) 

Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. 

EDITADO EM: 16/05/2013  

Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Jaci  de  Assis  Júnior, 
Julianna  Bandeira  Toscano,  Dayse  Fernandes  Leite,  Carlos  André  Ribas  de Mello,  German 
Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). 

Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator  

Em 29/12/2003, o contribuinte foi notificado de auto de infração do Imposto de 
Renda Pessoa Física, decorrente de duas infrações: a) falta de recolhimento do imposto sobre 
ganhos líquidos no mercado de renda variável (mercado à vista) nos meses de janeiro a abril de 
1998  (fls.  365);  e  b)  omissão  de  rendimentos,  no  ano­calendário  1998,  caracterizada  por 
valores creditados em contas correntes, em relação às quais o contribuinte foi intimado, porém 
não comprovou com documentação hábil e idônea a origem dos recurso utilizados (art. 42 da 
Lei 9.430/1996). 

A fiscalização foi provocada pela verificação de que a movimentação financeira 
do  contribuinte  (base  CPMF)  era  incompatível  como  a  entrega  de  declaração  de  isento  por 
parte do contribuinte. 

Intimado  para  apresentar  extratos  de  movimentação  financeira,  o  contribuinte 
apresentou diversas Notas de Corretagem emitidas pela Corretora Solidez. 

  

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Processo nº 19515.004958/2003­59 
Resolução nº  2802­000.141 

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2 

A fiscalização utilizou­se de Requisição de Informação Financeira – RMF (fls. 
180). 

Documento apresentado pelo Bradesco (fls. 182) indica que a conta 49.759­2, na 
agência 119­8 era uma conta conjunta, fazendo menção de que os dados cadastrais do co­titular 
não  estavam  sendo  fornecidos  à  Receita  Federal  por  não  constar  processo­administrativo 
instaurado contra o co­titular. 

As conta 8.511.392­5 5 (Volume  II) e 272.308­5  (Volumes  II e Volume  III)  e 
8.608.973­4 (Volume III) são contas individuais. 

O  demonstrativo  dos  depósitos  inferiores  a  R$12.000,00  indicam  que  a  soma 
anual desses alcançou cifra superior a R$80.000,00 (fls. 214/220). 

O  contribuinte  foi  intimado  do  referido  demonstrativo,  bem  como  para 
comprovar origem dos valores depositado e também documentos que comprovem a aquisição 
das ações com data, quantidade e custo de aquisição que justificassem os saldos em carteira em 
31/12/1997, com a informação de que a falta de comprovação implicaria considerar o custo de 
aquisição igual a zero (fls. 221). 

A  partir  da  fl.  223  foram  juntados  Avisos  de  Negociação  de  Ações  –  ANA 
emitidos pela Bovespa. 

O  demonstrativo  dos  valores  de  depósitos  justificados  e  não  justificados  foi 
juntado a partir das fls. 332. A consolidação desses valores está nas fls. 339. 

A partir das  fls. 340 estão as planilhas elaboradas pela  fiscalização referente à 
apuração do resultados das operações com renda variável. 

O Termo de Verificação Fiscal (fls. 359) resume o procedimento de fiscalização. 

Os  argumentos  impugnatórios  foram  reiterados  com  a  peça  recursal  e  serão 
adiante resumido. 

A impugnação foi indeferida pelos seguintes fundamentos, em resumo: 

a) a decadência conta­se na forma do  inciso  I do art. 173 do CTN, com termo 
inicial  em  01/01/1999  em  relação  à  renda  variável  e  01/01/2000  quanto  aos  depósitos  de 
origem não comprovada; 

b)  a  aplicação  retroativa  da  Lei  10.174/2001  encontra  respaldo  no  §1º  do  art. 
144 do CTN; 

c)  a  alegação  de  que diversos  depósitos  teriam  como origem as  transferências 
pela  Corretora  Solidez,  tendo  em  vista  saldo  credor  existente  em  conta  corrente  interna  de 
titularidade  do  impugnante,  conforme  documentos,  às  fls.  396/398,  é  improcedente,  pois  se 
constata que os referidos documentos são meras listagens, não estando revestidos de qualquer 
formalidade  que  lhes  garantam  validade  como  prova  hábil  para  comprovar  os  fatos  neles 
constantes. Além disso, as discriminações constantes em tais listagens fazem referência a uma 
conta  no  Banco  Bamerindus,  quando  os  depósitos  foram  realizados  em  contas  do  Banco 

Fl. 444DF  CARF MF

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Processo nº 19515.004958/2003­59 
Resolução nº  2802­000.141 

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3 

Bradesco, que por sua vez é o único banco constante no Relatório de Movimentação Financeira 
— Base CPMF, às fls. 17; 

d)  quanto  às  alegações  de  que  os  depósitos  de  nos  valores  de  R$  1.200,00 
efetuados  em  28/07/1998,  13/08/1998,  25/08/1998,  26/08/1998  e  31/08/1998,  teriam  como 
origem  a  transferência  procedida  da  conta  poupança  vinculada  à  conta  corrente,  conforme 
documentos,  às  fls.  399/400,  o  acórdão  recorrido  decidiu  pela  exclusão  desses  valores  do 
lançamento (fls. 415) 

e) o depósito no valor de RS 1.200,00 na conta corrente n° 272.308­5, agência 
0097­3,  em  28/07/1998,  foi  reconhecido  como  duplicado  e  sua  exclusão  também  foi 
determinada pela DRJ (fls. 415) 

f) a contestação acerca do custo de aquisição com base na existência de estoque 
de  ações  em dezembro  de 10997  foi  rejeitada  porque  os  valores  não  devem  ser  computados 
uma vez que não constaram da declaração de bens do ano­calendário 1997, conforme extrato 
de fls. 18. 

Ciência  da  decisão  em  27/06/2008.  Recurso  voluntário  interposto  em 
24/07/2008. 

Em resumo, a peça recursal ampara­se nas seguintes alegações: 

1.  vedação  à  aplicação  retroativa  da  permissão  dada  pela  Lei  nº  10.174/2001 
para os fato ocorrido em 1998, por força do art. 105 do CTN e da restrição imposta pelo art. 11 
da Lei 9.311/1996, tal como reconhecido no acórdão 104­19498, deste Conselho; 

2. decadência em relação ao fato ocorrido até 25/12/1998, nos termos do §4º do 
art. 150 do CTN c/c inciso II do art. 4º da Lei 8.134/1990, este último dispositivo ao tratar do 
recolhimento  mensal  nas  operações  de  renda  variável,  uma  vez  que  a  notificação  do 
lançamento ocorreu em 26/12/2003, tal como no acórdão 101­93392; 

3.  No  mérito,  os  documentos  anexos  e  ignorados  pelo  órgão  julgador  de 
primeira instância comprovam as origens dos depósitos a seguir discriminados: 

3.1.  Conta  Corrente  —  n°  0119/49.759­2  20/01/1998  –  R$20.000,00; 
26/01/1998  –  R$3.184,89;  e  02/02/1998  –  R$30.000,00  ­  transferências  procedidas  pela 
Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em conta­corrente interna de titularidade 
do recorrente; 

3.2.  Conta  Corrente  —  n°  0097/8.608.973­4  01/06/1998  —  R$  777,03­ 
transferência procedida pela Corretora Solidez  em  razão de  saldo  credor  existente  em conta­
corrente interna de titularidade do recorrente; 

3.3.  Conta  Corrente  —  n°  0097/272.308­5  05/06/1998  —  R$  20.365,12  ­ 
transferência procedida pela Corretora Solidez  em  razão de  saldo  credor  existente  em conta­
corrente interna de titularidade do recorrente; 

22/06/1998 — R$  21.845,36  ­  transferência  procedida  pela  Corretora  Solidez 
em razão de saldo credor existente em conta­corrente interna de titularidade do recorrente; 

Fl. 445DF  CARF MF

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Processo nº 19515.004958/2003­59 
Resolução nº  2802­000.141 

S2­TE02 
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4 

28/07/1998  —  R$  1.200,00  ­  transferência  procedida  da  conta­poupança 
vinculada à conta­corrente 28/07/1998 — R$ 1.200,00 — lançamento  inexistente 13/08/1998 
— R$ 1.200,00; 25/08/1998 — R$ 1.200,00; 26/08/1998 — R$ 1.200,00; 31/08/1998 — R$ 
1.200,00  ­  transferências  procedidas  da  conta­poupança  vinculada  à  conta­corrente  4.  o 
cálculo do valor do imposto devido em relação às operações com renda variável não levou em 
consideração o estoque de ações existentes em dezembro de 1997: Eletrobrás PNB (50.000); 
Petrobras (210.000); Telebrás (800.000); Vale do Rio Doce (9500) e Gerasul (3.400.000); 

5.  o  custo  médio  ponderado  poderá  ser  obtido  pelos  documentos  anexos  À 
impugnação  que  refletem  a  oscilação  das  cotações  das  referidas  ações  àquela  época;  e  6.  a 
impropriedade  da  planilha  elaborada  pela  autoridade  fiscal  é  flagrante,  um  exemplo  de  a 
adoção do custo de aquisição zero no demonstrativo de venda de 3.400 ações da Gerasul PNB. 

Relatado, passa a deliberar. 

O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele 
deve­se tomar conhecimento. 

Das preliminares Rejeito a alegação de que não seria lícita a aplicação retroativa 
da lei 10.174/2001, com fundamento na Súmula CARF nº 35:  

O art.  11,  §  3º,  da Lei  nº 9.311/96,  com a  redação dada  pela Lei  nº 
10.174/2001,  que  autoriza  o  uso  de  informações  da  CPMF  para  a 
constituição  do  crédito  tributário  de  outros  tributos,  aplica­se 
retroativamente. 

Da decadência A preliminar de mérito também deve ser rejeitada. 

Não  há  qualquer  indicativo  de  antecipação  de  pagamento  pelo  contribuinte,  o 
qual entregou declaração de isento para o ano­calendário da autuação. 

A matéria  já foi pacificada no âmbito desse Colegiado e do CARF, bem como 
foi  julgada  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  sob  a  sistemática  do  art.  543­C  do Código  de 
Processo  Civil,  cujo  recurso  representativo  de  controvérsia  sobre  o  prazo  decadencial  foi 
julgado no Recurso Especial Nº 973.733 – SC. Aplica­se a norma do art. 62­A do Regimento 
Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria 
MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). 

Nestes autos verifica­se que o fato gerador mais antigo em relação ao Imposto 
sobre  Renda  Variável  ocorreu  em  janeiro  de  1998,  ao  passo  que  aquele  incidente  sobre  os 
depósitos de origem não comprovada, em 31 de dezembro de 1998, este último reconhecido no 
enunciado da Súmula CARF nº 38: 

O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à 
omissão  de  rendimentos  apurada  a  partir  de  depósitos  bancários  de 
origem  não  comprovada,  ocorre  no  dia  31  de  dezembro  do  ano­
calendário. 

A  falta  de  antecipação  de  pagamento  e  de  entrega  de  Declaração  de  Ajuste 
Anual, acarreta a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN. 

Fl. 446DF  CARF MF

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/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO



Processo nº 19515.004958/2003­59 
Resolução nº  2802­000.141 

S2­TE02 
Fl. 439 

 
 

 
 

5 

Desta forma, o acórdão recorrido está correto ao considerar que o temo inicial é 
01/01/1999 para a incidência sobre os ganhos em renda variável e 01/01/2000 para a tributação 
dos depósitos de origem não comprovada. 

Assim, o lançamento regularmente notificado até 31/12/2003 respeitou o prazo 
decadencial de todas as incidências. 

A  decisão  acerca  do  mérito  envolve  duas  questões  a  exatidão  do  cálculo  do 
imposto incidente sobre ganho em aplicações de renda variável e comprovação da origem de 
depósitos  para  afastar  a  omissão  de  rendimentos  baseada  em  depósitos  de  origem  não 
comprovada. 

Como  já  se  manifestou  esta  Turma  de  Julgamento,  por  meio  de  resoluções 
aprovadas  por  unanimidade  nas  sessões  de  julgamento  a  partir  de  julho  de  2012,  a  medida 
cabível é o sobrestamento do julgamento, uma vez que o STF tem reiteradamente e de forma 
expressa sobrestado o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria 
objeto  do  Recurso  Extraordinário  nº  601.314,  tal  como  exemplificado  pelas  transcrições 
abaixo. 

DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia 
do  sigilo  fiscal  em face do  inciso II  do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, 
que  possibilitou  a  celebração  de  convênios  entre  a  Secretaria  da 
Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura ­ CNA e a 
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a 
fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais 
para  possibilitar  cobranças  tributárias.  Verifica­se  que  no  exame  do 
RE  n°  601.314/SP,  Relator  o  Ministro  Ricardo  Lewandowski,  foi 
reconhecida  a  repercussão  geral  de  matéria  análoga  à  da  presente 
lide,  e  terá  seu  mérito  julgado  no  Plenário  deste  Supremo  Tribunal 
Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão 
do  julgamento  do  mencionado  RE  nº  601.314/SP.  Devem  os  autos 
permanecer  na  Secretaria  Judiciária  até  a  conclusão  do  referido 
julgamento. Publique­se. Brasília, 9 de  fevereiro de 2011. Ministro D 
IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente(RE 488993, 
Relator(a): Min.  DIAS  TOFFOLI,  julgado  em  09/02/2011,  publicado 
em  DJe­035  DIVULG  21/02/2011  PUBLIC  22/02/2011)  (grifos 
acrescidos) 

DECISÃO  REPERCUSSÃO  GERAL  ADMITIDA  –  PROCESSOS 
VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO ­ DADOS BANCÁRIOS – FISCO – 
AFASTAMENTO  –  ARTIGO  6º  DA  LEI  COMPLEMENTAR  Nº 
105/2001  –  SOBRESTAMENTO.  1.  O  Tribunal,  no  Recurso 
Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, 
concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade 
de  o Fisco  exigir  informações  bancárias  de  contribuintes mediante  o 
procedimento  administrativo  previsto  no  artigo  6º  da  Lei 
Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o 
recurso  veicular  a mesma matéria,  tendo  a  intimação do  acórdão da 
Corte  de  origem  ocorrido  anteriormente  à  vigência  do  sistema  da 
repercussão  geral,  determino  o  sobrestamento  destes  autos.  3.  À 
Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 
de  outubro  de  2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator(AI  691349 
AgR,  Relator(a):  Min.  MARCO  AURÉLIO,  julgado  em  04/10/2011, 

Fl. 447DF  CARF MF

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Processo nº 19515.004958/2003­59 
Resolução nº  2802­000.141 

S2­TE02 
Fl. 440 

 
 

 
 

6 

publicado  em  DJe­213  DIVULG  08/11/2011  PUBLIC  09/11/2011) 
(grifo acrescido) 

REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 
10.174/01.  APLICAÇÃO  PARA  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS 
TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE 
SUA  VIGÊNCIA.  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  DA  UNIÃO 
PREJUDICADO.  POSSIBILIDADE.  DEVOLUÇÃO  DO  PROCESSO 
AO TRIBUNAL DE ORIGEM  (ART.  328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO 
RISTF  ).  Decisão:  Discute­se  nestes  recursos  extraordinários  a 
constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o 
fornecimento  de  informações  sobre  movimentações  financeiras 
diretamente  ao  Fisco,  sem  autorização  judicial;  bem  como  a 
possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de 
créditos  tributários  referentes  a  exercícios  anteriores  ao  de  sua 
vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento 
à  remessa  oficial  e  à  apelação  da  União,  reconhecendo  a 
impossibilidade  da  aplicação  retroativa  da  LC  105/01  e  da  Lei 
10.174/01.  Contra  essa  decisão,  a  União  interpôs,  simultaneamente, 
recursos  especial  e  extraordinário,  ambos  admitidos  na  Corte  de 
origem. Verifica­se que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento 
ao  recurso  especial  em  decisão  assim  ementada  (fl.  281): 
“ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA 
CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS –  IMPOSTO 
DE  RENDA  –  QUEBRA  DE  SIGILO  BANCÁRIO  –  PERÍODO 
ANTERIOR  À  LC  105/2001  –  APLICAÇÃO  IMEDIATA  – 
RETROATIVIDADE  PERMITIDA  PELO  ART.  144,  §  1º,  DO CTN  – 
PRECEDENTE  DA  PRIMEIRA  SEÇÃO  –  RECURSO  ESPECIAL 
PROVIDO.”  Irresignado,  Gildo  Edgar  Wendt  interpôs  novo  recurso 
extraordinário,  alegando,  em  suma,  a  inconstitucionalidade  da  LC 
105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . 
O  Supremo  Tribunal  Federal  reconheceu  a  repercussão  geral  da 
controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do 
Pleno  desta  Corte,  nos  autos  do  RE  601.314,  Relator  o  Ministro 
Ricardo  Lewandowski.  Pelo  exposto,  declaro  a  prejudicialidade  do 
recurso  extraordinário  interposto  pela  União,  com  fundamento  no 
disposto  no  artigo  21,  inciso  IX,  do  RISTF.  Com  relação  ao  apelo 
extremo  interposto  por  Gildo  Edgar  Wendt,  revejo  o  sobrestamento 
anteriormente  determinado  pelo  Min.  Eros  Grau,  e,  aplicando  a 
decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 
503.064­AgR­AgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626­AgR­
AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473­ED, Rel. 
Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de 
origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543­B e seus 
parágrafos do Código de Processo Civil). Publique­se. Brasília, 1º de 
agosto  de  2011.  Ministro  Luiz  Fux  Relator  Documento  assinado 
digitalmente(RE  602945,  Relator(a):  Min.  LUIZ  FUX,  julgado  em 
01/08/2011,  publicado  em  DJe­158  DIVULG  17/08/2011  PUBLIC 
18/08/2011)  

DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão 
em  torno  da  suposta  transgressão  à  garantia  constitucional  de 
inviolabilidade  do  sigilo  de  dados  e  da  intimidade  das  pessoas  em 
geral,  naqueles  casos  em que  a  administração  tributária,  sem  prévia 
autorização  judicial, recebe, diretamente, das  instituições  financeiras, 

Fl. 448DF  CARF MF

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Processo nº 19515.004958/2003­59 
Resolução nº  2802­000.141 

S2­TE02 
Fl. 441 

 
 

 
 

7 

informações  sobre  as  operações  bancárias  ativas  e  passivas  dos 
contribuintes ­ será apreciada no recurso extraordinário representativo 
da  controvérsia  jurídica  suscitada  no  RE  601.314/SP,  Rel.  Min. 
RICARDO  LEWANDOWSKI,  em  cujo  âmbito  o  Plenário  desta Corte 
reconheceu  existente  a  repercussão  geral  da  questão  constitucional. 
Sendo  assim,  impõe­se  o  sobrestamento  dos  presentes  autos,  que 
permanecerão  na  Secretaria  desta  Corte  até  final  julgamento  do 
mencionado recurso extraordinário. Publique­se. Brasília, 21 de maio 
de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator(RE 479841, Relator(a): 
Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe­
100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) (grifos acrescidos) 

A  apreciação  das  duas  questões  que  constituem  o  mérito  deste  recurso 
voluntário deve ser feita em um mesmo momento. 

Proponho  o  sobrestamento  do  julgamento,  nos  termos  do  §1º  do  art.  62­A  do 
Regimento  Interno  do CARF  c/c  Portaria CARF  nº  01/2012,  até  o  julgamento  definitivo  do 
Recurso Extraordinário nº 601.314 pelo STF. 

 (Assinado digitalmente) 

Jorge Claudio Duarte Cardoso 

 

Fl. 449DF  CARF MF

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/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO


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    <str name="ementa_s">Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2005
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
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    <str name="turma_s">Primeira Turma Especial da Terceira Seção</str>
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    <str name="arquivo_indexado_s">S</str>
    <arr name="decisao_txt">
      <str>Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.


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S3­TE01 

Fl. 86 

 
 

 
 

1

85 

S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  11030.904416/2012­18 

Recurso nº  1   Voluntário 

Acórdão nº  3801­003.230  –  1ª Turma Especial  

Sessão de  27 de março de 2014 

Matéria  RESTITUIÇÃO 

Recorrente  LATICINIOS BOM GOSTO S.A. 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP 

Data do fato gerador: 30/04/2005 

PIS.  COFINS.  RESTITUIÇÃO.  EXCLUSÃO DO VALOR DO  ICMS DA 
BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. 

O  valor  do  ICMS  compõe  o  preço  da  mercadoria  integrando  assim  o 
faturamento,  que  é  base  de  cálculo  das  contribuições  para  o  PIS/Pasep  e  a 
Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.  

INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. 

O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade 
de lei tributária. 

Recurso Voluntário Negado  

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar 
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.  

(assinado digitalmente) 

Paulo Sérgio Celani ­ Presidente Substituto. 

(assinado digitalmente) 

Marcos Antonio Borges ­ Relator. 

Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Paulo  Sérgio Celani 
(Presidente  Substituto),  José  Luiz  Feistauer  De  Oliveira,  Sidney  Eduardo  Stahl,  Marcos 
Antonio  Borges,  Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva  Murgel  e  Jacques  Mauricio  Ferreira 
Veloso De Melo. 

  

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Fl. 86DF  CARF MF

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Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201

4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI




Processo nº 11030.904416/2012­18 
Acórdão n.º 3801­003.230 

S3­TE01 
Fl. 87 

 
 

 
 

2

Fl. 87DF  CARF MF

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Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201

4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI



Processo nº 11030.904416/2012­18 
Acórdão n.º 3801­003.230 

S3­TE01 
Fl. 88 

 
 

 
 

3

 

Relatório 

Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 
que narra bem os fatos: 

O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito 
nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de 
Pis, relativo ao fato gerador de 30/04/2005. 

A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  jurisdição  do  contribuinte 
emitiu  despacho  decisório  eletrônico  no  qual  indefere  a 
restituição  pleiteada,  sob o  argumento  de  que  o pagamento  foi 
utilizado na quitação  integral de débito(s) do  contribuinte,  não 
restando crédito disponível para restituição. 

Irresignado  com  o  indeferimento  do  seu  pedido,  tendo  sido 
cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 
20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com 
os argumentos a seguir sintetizados. 

Informa  que  pediu  a  restituição  dos  valores  pagos  a  maior  a 
título de Pis, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS 
da base de cálculo. 

Traz  entendimentos  doutrinários  e  jurisprudência  dos  tribunais 
acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar 
o  conceito  de  “ingresso”.  O  ICMS  seria  mero  ingresso  na 
escrituração  contábil  das  empresas,  para  posterior  destinação 
ao Fisco, terceiro titular de tais valores. 

Cita  o  recurso  extraordinário  nº  240785,  que  se  encontra  em 
fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios 
constitucionais,  discorrendo  acerca  da  impossibilidade  de 
inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  do PIS/Cofins,  visto  que 
não  representa  riqueza  do  contribuinte,  não  fazendo  parte  da 
receita ou do faturamento. 

Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição,  tendo 
em  vista  ser  inconstitucional  a  cobrança  do  PIS/Cofins  sem  a 
exclusão  do  ICMS da base  de  cálculo,  e  que os  créditos  sejam 
acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a 
data da restituição/compensação. 

A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte 
(MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: 

ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP 

Data do fato gerador: 30/04/2005 

EXCLUSÃO  DO  ICMS  DA  BASE  DE  CÁLCULO. 
IMPOSSIBILIDADE. 

Fl. 88DF  CARF MF

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4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI



Processo nº 11030.904416/2012­18 
Acórdão n.º 3801­003.230 

S3­TE01 
Fl. 89 

 
 

 
 

4

Não  há  previsão  legal  para  a  exclusão  do  ICMS  da  base  de 
cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes 
cumulativo e não­cumulativo. 

Manifestação de Inconformidade Improcedente 

Direito Creditório Não Reconhecido 

Inconformada,  a  contribuinte  recorre  a  este  Conselho,  conforme  recurso 
voluntário  apresentado,  no  qual  repisa  os  argumentos  apresentados  na  Manifestação  de 
Inconformidade. 

É o relatório. 

Fl. 89DF  CARF MF

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4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI



Processo nº 11030.904416/2012­18 
Acórdão n.º 3801­003.230 

S3­TE01 
Fl. 90 

 
 

 
 

5

 

Voto            

Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges 

O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto 
dele toma­se conhecimento. 

O  direito  creditório  não  existiria,  segundo  o  despacho  decisório  inicial, 
porque os  pagamentos  constantes  do  pedido  estariam  integralmente  vinculados  a  débitos  em 
DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. 

Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o 
objetivo  é  confirmar  a  existência  de  indébito  tributário,  confrontando  informações  das 
declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o 
mérito  da  questão,  o  que  somente  será  viável  a  partir  da  manifestação  de  inconformidade 
apresentada  pelo  requerente,  na  qual,  espera­se,  seja  descrita  a  origem  do  direito  creditório 
pleiteado e sua fundamentação legal.  

Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os 
créditos pleiteados  referem­se a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em 
razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. 

A questão da inclusão do  ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é 
objeto  do  Recurso  Extraordinário  (RE)  nº  240.785­2  MG,  que  não  foi  ainda  julgada  até  a 
presente data. 

Na  Ação  Declaratória  de  Constitucionalidade  (ADC)  nº  18,  que  trata  da 
mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar 
para determinar que, até o  julgamento  final da ação pelo Plenário do STF,  juízos e  tribunais 
suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 
2º,  inciso  I,  da  Lei  no  9.718/98.  A  suspensão  dos  julgamentos  deferida  liminarmente  foi 
sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, 
finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a 
eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. 

Quanto  ao  RE  nº  240.785­2/MG,  o  mesmo  foi  também  sustado  até  o 
julgamento do ADC no 18,  já que o Plenário do STF, ao  julgar questão de ordem  levantada 
pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento 
do  RE  em  tela,  uma  vez  que  a  ADC,  por  tratar­se  de  controle  concentrado  de 
constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. 

Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo 
em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a 
matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no­ 545, de 18 de novembro de 2013, que 
revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, 
que  previam  o  sobrestamento  dos  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também 

Fl. 90DF  CARF MF

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4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI



Processo nº 11030.904416/2012­18 
Acórdão n.º 3801­003.230 

S3­TE01 
Fl. 91 

 
 

 
 

6

sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria,  preliminarmente 
entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. 

Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. 

O  valor  do  ICMS  compõe  o  preço  da  mercadoria  sendo  calculado  “por 
dentro”,  ou  seja,  o  montante  do  próprio  imposto  está  incluído  na  sua  base  de  cálculo,  nos 
termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, 
que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa 
disposição legal para tanto. 

A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS 
“quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto 
tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. 

Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 
10.833,  de  2003,  para  aquelas  empresas  sujeitas  ao  regime  não  cumulativo  de  apuração  das 
referidas  contribuições,  estas passaram a  ter como  fato  gerador o  faturamento mensal,  assim 
entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua 
denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à 
possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas 
leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas 
decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações 
de exportação. 

Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontrava­se pacificada, sendo editada 
a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: 

Súmula:  68  A  PARCELA  RELATIVA  AO  ICM  INCLUI­SE  NA 
BASE DE CALCULO DO PIS.  

Em  relação  ao  FINSOCIAL,  que  também  tinha  por  base  de  cálculo  o 
faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: 

Súmula  94.  A  PARCELA  RELATIVA  O  ICMS  INCLUI­SE  NA 
BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. 

Este  também  é  o  entendimento  exarado  pelo  STJ,  superada  a  suspensão 
liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito 
do REsp no 1.127.877­SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do 
artigo 543­C do CPC, no  sentido de que o  ICMS  integra  sim a base de  cálculo do PIS  e da 
COFINS,  através  de  decisão  monocrática  que  negou  seguimento  ao  recurso,  com  base  em 
jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: 

PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  OMISSÃO  NÃO 
CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. 
INCLUSÃO  DO  ICMS.  POSSIBILIDADE.  PRECEDENTES. 
RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. 

A  jurisprudência  deste Tribunal  pacificou­se  no  sentido  de  que 
"a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo 
do  PIS  e  da  Cofins,  nos  termos  das  Súmulas  68  e  94  do  STJ" 
(AgRg  no  REsp  1.121.982/RS,  2ª  T.,  Min.  Humberto  Martins, 

Fl. 91DF  CARF MF

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Processo nº 11030.904416/2012­18 
Acórdão n.º 3801­003.230 

S3­TE01 
Fl. 92 

 
 

 
 

7

DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg 
no  Ag  1.069.974/PR,  1ª  T.,  Min.  Francisco  Falcão,  DJe  de 
02/03/2009;  REsp  1.012.877/PR,  2ª  T.,  Min.  Mauro  Campbell 
Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., 
Min.  Herman  Benjamin,  DJe  de  03/02/2011;  AgRg  no  Ag 
1.005.267/RS,  1ª  T.,  Min.  Benedito  Gonçalves,  DJe  de 
02/09/2009. 

Ocorre  ainda  que  eventuais  alegações  acerca  de  inconstitucionalidade  da 
legislação  tributária não  são oponíveis na  esfera  administrativa,  uma vez  que  sua  apreciação 
foge  à  alçada  da  autoridade  administrativa  de  qualquer  instância,  não  dispondo  esta  de 
competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no 
ordenamento jurídico nacional. 

Com  efeito,  a  apreciação  dessas  questões  acha­se  reservada  ao  Poder 
Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas 
deve  ser  submetida  àquele  Poder.  Portanto,  é  inócuo  suscitar  tais  alegações  na  esfera 
administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar  textos  legais em vigor, 
sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão 
julgador, nos  termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus 
membros. 

Assim,  diante  do  exposto,  voto  por  negar  provimento  ao  presente  recurso 
voluntário. 

(assinado digitalmente) 

Marcos Antônio Borges 

           

 

           

 

 

Fl. 92DF  CARF MF

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4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI


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    <float name="score">1.0</float></doc>
  <doc>
    <date name="dt_index_tdt">2021-10-08T01:09:55Z</date>
    <str name="anomes_sessao_s">201308</str>
    <str name="camara_s">Primeira Câmara</str>
    <str name="ementa_s">Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
Ementa:: LANÇAMENTOS. NULIDADE. Rejeita-se preliminar de nulidade dos lançamentos quando estes atendem aos requisitos de forma e conteúdo previstos na legislação de regência.
MULTA DE OFÍCIO. A prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximir-se de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64.
MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. A alegação de que a multa de ofício aplicada teria natureza confiscatória foge aos limites de cognição desse Tribunal Administrativo, ante a previsão legal da multa aplicada e o teor da Súmula 2 do CARF, que impede sejam examinadas questões relativas à constitucionalidade das leis (no caso, da Lei n. 9.430, art. 44, II).
Recurso voluntário negado.
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    <str name="turma_s">Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção</str>
    <date name="dt_publicacao_tdt">2014-07-30T00:00:00Z</date>
    <str name="numero_processo_s">10380.011537/2007-14</str>
    <str name="anomes_publicacao_s">201407</str>
    <str name="conteudo_id_s">5363005</str>
    <date name="dt_registro_atualizacao_tdt">2014-07-30T00:00:00Z</date>
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    <str name="nome_arquivo_s">Decisao_10380011537200714.PDF</str>
    <str name="ano_publicacao_s">2014</str>
    <str name="nome_relator_s">ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO</str>
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    <str name="secao_s">Primeira Seção de Julgamento</str>
    <str name="arquivo_indexado_s">S</str>
    <arr name="decisao_txt">
      <str>Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.

Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e cerceamento de defesa e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Francisco Alexandre dos Santos Linhares e João Carlos de Figueiredo Neto, que reduziam o percentual da multa de ofício aplicada para 75%.
(assinado digitalmente)
João Otavio Oppermann Thome - Presidente.

(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joao Otavio Oppermann Thome, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araujo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregorio, João Carlos de Figueiredo Neto

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    </arr>
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    <date name="atualizado_anexos_dt">2021-10-08T10:24:48.383Z</date>
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    <str name="conteudo_txt">Metadados =&gt; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2333; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo =&gt; 
S1­C1T2 

Fl. 2 

 
 

 
 

1

1 

S1­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  10380.011537/2007­14 

Recurso nº               Voluntário 

Acórdão nº  1102­000.916  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  

Sessão de  07 de agosto de 2013 

Matéria  IRPJ e reflexos ­ Omissão de Receitas ­ Arbitramento ­ Multa Qualificada 

Recorrente  REGINA AGROINDUSTRIAL S.A. 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ 

Ano­calendário: 2008, 2009, 2010 

Ementa:: LANÇAMENTOS. NULIDADE. Rejeita­se preliminar de nulidade 
dos  lançamentos  quando  estes  atendem  aos  requisitos  de  forma  e  conteúdo 
previstos na legislação de regência. 

MULTA  DE  OFÍCIO.  A  prática  de  ocultar  do  fisco,  mediante  a  não 
apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito  inferior ao do 
efetivo  montante  da  obrigação  tributária  principal,  para  eximir­se  de  seu 
pagamento,  sem  qualquer  justificativa  pelo  contribuinte,  constitui  fato  que 
evidencia  intuito  de  fraude  e  implica  qualificação  da  multa  de  ofício,  nos 
termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64. 

MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. A alegação de que 
a  multa  de  ofício  aplicada  teria  natureza  confiscatória  foge  aos  limites  de 
cognição  desse  Tribunal  Administrativo,  ante  a  previsão  legal  da  multa 
aplicada  e  o  teor  da  Súmula  2  do  CARF,  que  impede  sejam  examinadas 
questões relativas à constitucionalidade das leis (no caso, da Lei n. 9.430, art. 
44, II).  

Recurso voluntário negado. 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

 
Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  as 

preliminares  de  nulidade  e  cerceamento  de  defesa  e,  no mérito,  por maioria  de  votos,  negar 
provimento  ao  recurso,  vencidos os  conselheiros Francisco Alexandre dos Santos Linhares  e 
João Carlos de Figueiredo Neto, que reduziam o percentual da multa de ofício aplicada para 
75%. 

(assinado digitalmente) 

  

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10
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15
37

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00

7-
14

Fl. 370DF  CARF MF

Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

CÓ
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A

Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02

/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER

MANN THOME




Processo nº 10380.011537/2007­14 
Acórdão n.º 1102­000.916 

S1­C1T2 
Fl. 3 

 
 

 
 

2

João Otavio Oppermann Thome ­ Presidente.  

 

(assinado digitalmente) 

Antonio Carlos Guidoni Filho ­ Relator. 

Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Joao  Otavio 
Oppermann Thome, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araujo, 
Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregorio, João Carlos de Figueiredo Neto 

Relatório 

Trata­se de recurso voluntário contra acórdão proferido pela Quarta Turma da 
Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR) assim ementado, verbis: 

“ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA 
JURÍDICA ­ IRPJ 

Ano­calendário: 2004, 2005 

ARBITRAMENTO DO LUCRO 

A ausência de elementos concretos que permitam a apuração do 
lucro  real  da  empresa,  a  falta  de  apresentação  de  livros 
contábeis  e  fiscais  e  documentos  comprobatórios  de  registros 
contábeis justificam o arbitramento do lucro. 

ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO 

Ano­calendário: 2004, 2005 

MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÃO FALSA. 

Caracteriza  o  evidente  intuito  de  fraude  previsto  no  art.  71, 
inciso  I,  da  Lei  n°  4.502/64,  o  fato  de  o  sujeito  passivo 
sistematicamente  deixar  de  apresentar  as  Declarações  de 
Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  ­  DCTF  e 
Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais ­ Dacon, 
bem  como  informar  valores  zerados  nas  Declarações  de 
Informações Econômico­Fiscais da Pessoa Jurídica ­ DIPJ. 

ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES 

Ano­calendário: 2004, 2005 

TRIBUTAÇÃO REFLEXA 

Aplica­se As exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto 
A  exigência  matriz,  devido  à  intima  relação  de  causa  e  efeito 
entre elas. 

Lançamento Procedente” 

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MANN THOME



Processo nº 10380.011537/2007­14 
Acórdão n.º 1102­000.916 

S1­C1T2 
Fl. 4 

 
 

 
 

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O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: 

“Contra  o  Sujeito  Passivo  acima  identificado  foram  lavrados 
Autos de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e 
Reflexos (fls. 04/41), para formalização e cobrança dos créditos 
tributários  neles  estipulados  no  valor  total  R$  26.097.544,48, 
inclusive encargos legais, conforme Demonstrativo Consolidado 
do Crédito Tributário do Processo (fl. 03). 

Relata  o  autuante  que  a  razão  do  arbitramento  do  lucro,  nos 
anos­calendário  de  2004  e  2005,  decorreu  da  constatação,  no 
curso  da  ação  fiscal,  de  que  a  contribuinte  nesses  anos­
calendário  faturou  R$  69.446.703,89  e  R$  58.632.927,15, 
respectivamente,  porém  nada  recolheu  a  titulo  de  IRPJ, CSLL, 
PIS  e  Cofins,  não  apresentou  qualquer  DCTF  declarando  os 
tributos  devidos,  permaneceu,  também,  omissa  em  relação  à 
apresentação  das  Dacon  e  as  DIPJ  apresentadas  para  os 
referidos exercícios, onde assinalava o regime de tributação pelo 
lucro real, limitava­se a informar os dados cadastrais da pessoa 
jurídica,  omitindo  por  completo  os  valores  resultantes  de  suas 
atividades operacionais. 

Essa  conduta  bem  demonstra  a  intenção  deliberada  dos 
representantes da pessoa jurídica de omitir do conhecimento do 
Fisco os  elementos  essenciais A. apuração dos  fatos geradores 
de  suas  obrigações  tributárias.  A  indiferença  da  empresa 
também  ocorre  em  relação  ao  dever  de  escriturar  e  de 
apresentar à Fiscalização os livros de sua escrita contábil. 

Com efeito, no procedimento fiscal diversas foram as intimações 
e  reintimações  formuladas  —  termos  lavrados  em  23/05/2007, 
19/06/2007, 26/07/2007 e 27/08/2007 ­ para a apresentação dos 
livros da escrituração contábil da empresa. Entretanto, somente 
três meses após a 1a intimação é que o representante da intimada 
se  dignou  a  responder,  mediante  correspondência  datada  de 
12/09/2007,  em,  que  alegava  "problemas  técnicos"  para  a  não 
apresentação  desses  livros,  tendo  entregue  cópia  dos  registros 
inerentes  à  apuração  do  ICMS  e  algumas  listagens  com  os 
totalizadores de seu faturamento ocorrido no período sob exame, 
ressaltando­se  que  o  próprio  contador  da  empresa  'já  havia 
informado sobre a falta de contabilidade por parte da empresa, 
conforme documento de fl. 52. 

O  mais  grave  é  que  a  não­apresentação  de  livros  contábeis  à 
Fiscalização da Receita Federal  já é uma prática reiterada dos 
representantes  da  empresa,  pois  também  ocorreu  no  curso  da 
última fiscalização realizada (concluída no ano de 2004), em que 
os livros dos anos de 2001 a 2003 não foram exibidos ao agente 
do  Fisco,  o  que,  a  exemplo  do  desfecho  adotado  na  presente 
fiscalização,  culminou,  também,  com  a  aplicação do  regime de 
arbitramento de lucro. 

Destarte, tendo em vista que devidamente intimada por diversas 
vezes  a  empresa  não  apresentou  à  fiscalização  os  livros 
contendo  sua  escrituração  contábil  e  fiscal  inerentes  as  suas 

Fl. 372DF  CARF MF

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MANN THOME



Processo nº 10380.011537/2007­14 
Acórdão n.º 1102­000.916 

S1­C1T2 
Fl. 5 

 
 

 
 

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operações  realizadas  nos  anos­calendário  de  2004  e  2005, 
necessários  à  apuração  do  lucro  real,  na  forma  como 
preconizada na legislação comercial e fiscal, é de se proceder ao 
arbitramento  do  lucro,  nos  termos  do  art.  530,  inciso  III,  do 
RIR199, tomando­se por base a receita bruta conhecida a partir 
dos  dados  escriturados  nos  registros  de  apuração do  ICMS do 
período  e  informado  pela  própria  empresa  através  dos 
demonstrativos de vendas.” 

O  acórdão  recorrido  julgou  improcedente  a  impugnação  apresentada  pelo 
Contribuinte pelos fundamentos sintetizados na ementa acima transcrita.  

Em  sede  de  recurso  voluntário,  a  Contribuinte  reproduz  suas  alegações  de 
impugnação,  especialmente  no  que  se  refere  à  improcedência  dos  lançamentos  por:  (i) 
ilegalidade e nulidade do autuação; (ii) cerceamento de defesa; (iii) aplicação de multas ilegais 
e arbitrarias. 

É o relatório. 

Voto            

Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho 

O  recurso  voluntário  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade,  pelo  que 
dele se toma conhecimento. 

(i)  Preliminarmente: da nulidade do lançamento 

Alega  a  Contribuinte  que  o  lançamento  está  “eivado  de  vício  material 
insanável”,  contudo,  em  nenhuma  oportunidade  indica  de  forma  clara  e  objetiva  o  suposto 
vício do lançamento, nem ao menos apresenta provas que fundamentam sua alegação. 

Analisando  os  autos,  verifica­se  que  Autoridade  Fiscal,  diligentemente, 
apurou  que  a  Contribuinte  não  apresentou  declarações  (DIPJ,  DCTF  etc)  e  nem  tampouco 
efetuou recolhimentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS no período objeto da autuação. 

Intimada para a apresentação dos livros contábeis, deixou de apresentá­los. 

Com  base  nos  livros  de  apuração  e  ICMS  fornecidos  pela  Contribuinte,  a 
Fiscalização verificou o  registro de  saídas de mercadorias,  as quais não  foram registradas na 
contabilidade, nem ao menos oferecidas à tributação de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. 

Dado  o  referido  cenário,  o  Autoridade  Fiscal  não  teve  outra  opção  senão 
caracterizar  a  omissão  de  receita  e  proceder  ao  arbitramento  do  lucro,  exigindo  os  tributos 
incidentes  sobre  o  lucro  e  a  receita  que  deixaram  de  ser  recolhidos  voluntariamente  pela 
Contribuinte. 

Rejeito, pois, a preliminar de nulidade suscitada 

(ii)  Preliminarmente: cerceamento de defesa e o pedido de perícia 

Fl. 373DF  CARF MF

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Processo nº 10380.011537/2007­14 
Acórdão n.º 1102­000.916 

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Fl. 6 

 
 

 
 

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A preliminar de nulidade do auto de infração por cerceamento de direito de 
defesa também é improcedente, pois a Contribuinte teve inúmeras oportunidades para interagir 
com  a  Fiscalização  e  apresentar  documentos  e  eventuais  esclarecimentos  que  pudessem 
impedir a lavratura dos lançamentos.  

A alegação de cerceamento de defesa formulada pela Contribuinte é vaga e 
genérica,  no  sentido  de  que  “não  se  encontram  quaisquer  dados  que  possam  comprovar, 
efetivamente,  como,  quando,  e  de  que  maneira  a  empresa  autuada  praticou  as  alegadas 
infrigências de IRPJ, e os consectários relativos a CSLL, PIS e/ou COFINS, haja vista que isso 
somente poderia ser comprovado através de um exame pericial em Notas Fiscais, bem como 
outros  documentos  fiscais  e  contábeis  que  pudessem  servir  de  elementos  probatórios 
irrefutáveis”.  

A perícia solicitada é prescindível e injustificada no caso, seja pelo fato de os 
lançamentos  terem  sido  lavrados  com  fundamento  em  bases  econômicas  da  própria 
Contribuinte,  seja  pelo  fato  de  que  esta  (Contribuinte)  sequer  entregou  à  Fiscalização  para 
exame os documentos que pretende ver periciados.  

(iii)  Do  mérito:  da  qualificação  da  multa  de  ofício  e  sua  natureza 
confiscatória 

Filiei­me no passado à corrente jurisprudencial que assentava o entendimento 
de que a apresentação de declaração “zerada” pelo contribuinte, por si só, não seria suficiente 
para justificar a qualificação da multa de ofício aplicada no lançamento, independentemente do 
montante dos valores omitidos ou da quantidade de anos­calendário, em vista do fato de esta se 
caracterizar em mera “declaração inexata”. 

Contudo,  refletindo  melhor  sobre  a  questão,  parece­me  que  a  prática  de 
ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito 
inferior  ao  do  efetivo  montante  da  obrigação  tributária  principal,  para  eximir­se  de  seu 
pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de 
fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64. 

Citada conduta conduziu a Fiscalização a  (acertadamente)  lavrar a autuação 
com multa  qualificada,  nos  termos  do  art.  44,  II  da  Lei  n.  9.430/96,  lavrar  a  autuação  com 
multa qualificada, nos termos do art. 44, II da Lei n. 9.430/96 c/c art. 71 da Lei n. 4.502/64.  

Esse entendimento encontra respaldo em precedentes da Câmara Superior de 
Recursos Fiscais, verbis: 

PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  ­  NULIDADE.  ­  Os 
argumentos da autuada para sustentar nulidade dos lançamentos 
devem ser  rejeitados, quando as provas dos autos mostrarem o 
contrário  do  alegado.  Da  mesma  forma  este  Colegiado  não 
acolhe alegações de nulidade, quando os argumentos destoam de 
pacífica e conhecida jurisprudência da casa.  

IRPJ  ­  DECADÊNCIA  ­  CONTAGEM  DO  PRAZO  ­  Na 
existência de dolo, a regra de decadência do IRPJ, desloca­se do 
art.  150  do  CTN  para  o  art.  173  do  CTN,  hipótese  em  que  o 
prazo tem início no 1º dia do exercício seguinte àquele em que o 
tributo  era  exigível.  Para  os  fatos  geradores  trimestrais, 

Fl. 374DF  CARF MF

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Processo nº 10380.011537/2007­14 
Acórdão n.º 1102­000.916 

S1­C1T2 
Fl. 7 

 
 

 
 

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entende­se  por  exercício,  para  fins  de  contagem  do  prazo  de 
decadência a que se refere o art. 173 do CTN, o ano­calendário 
seguinte  àquele  em  que  ocorrido  o  fato  gerador.  Assim,  as 
exigências relativas aos fatos geradores trimestrais ocorridos em 
31.03.99; 30.06.99 e 31.10.99 devem ser canceladas. O  tributo, 
cujo  fato  gerador  ocorreu  em  31.12.99,  poderia  ser  exigido  a 
partir de 1º de janeiro de 2000, logo o prazo decadencial inicia­
se 1º de janeiro de 2001.  

CSLL  ­ DECADÊNCIA  ­ A Contribuição  Social  Sobre  o Lucro 
Líquido,  em  conformidade  com  os  arts.  149  e  195,  §  4º,  da 
Constituição  Federal,  têm  natureza  tributária,  consoante 
decidido  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  em  Sessão  Plenária, 
por unanimidade de votos, no RE Nº 146.733­9­SÃO PAULO, o 
que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, 
III, da Constituição Federal de 1988. Desta  forma, a contagem 
do prazo decadencial da CSLL se  faz de acordo com o Código 
Tributário  Nacional  no  que  se  refere  à  decadência,  mais 
precisamente no art. 150, § 4º. 

IRPJ/CSLL ­ ARBITRAMENTO DO LUCRO ­ RECEITA BRUTA 
CONHECIDA  A  PARTIR  DE  DOCUMENTOS  DE 
EXPORTAÇÃO ­ VALIDADE ­ É válido lançamento fiscal para 
exigência dos  tributos e contribuições  tendo como base o  lucro 
arbitrado a partir de receitas auferidas, provadas por regulares 
documentos  de  exportação  (Notas  Fiscais,  Conhecimentos  de 
Embarque  e  Registros  no  Siscomex),  não  tendo  o  contribuinte 
apresentado elementos materiais capazes de afastar a conclusão 
fiscal.  

MULTA QUALIFICADA ­ SONEGAÇÃO PATENTE ­ Auferir 
vultosas  receitas  de  exportação  sem  declará­las  à 
administração tributária e sem qualquer pagamento de tributos 
e  contribuições,  escondendo­  as  mediante  apresentação  de 
Declaração  de  Inatividade  é  conduta  dolosa  que  se  amolda 
perfeitamente  à  figura  delituosa  da  sonegação,  justificando  a 
qualificação da penalidade.  

Por  unanimidade  de  votos,  REJEITAR  as  preliminares  de 
nulidade  e  por  unanimidade  de  votos,  ACOLHER a  preliminar 
de  decadência  do  IRPJ  nos  três  primeiros  trimestres  de  1999. 
Pelo voto de qualidade, ACOLHER a preliminar de decadência 
da  CSLL  nos  três  primeiros  trimestres  de  1999,  vencidos  os 
Conselheiros  Albertina  Silva  Santos  de  Lima,  Luiz  Martins 
Valero (Relator) e Jayme Juarez Grotto. Designado para redigir 
o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, 
e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.  

Marcos Vinicius Neder de Lima ­ Presidente. 

A alegação da Contribuinte de que a multa de ofício aplicada teria natureza 
confiscatória foge aos limites de cognição dessa Corte, ante a expressa previsão legal e o teor 
da Súmula 2 do CARF, que impede sejam examinadas questões relativas à constitucionalidade 
das leis (no caso, da Lei n. 9.430, art. 44, II). 

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Acórdão n.º 1102­000.916 

S1­C1T2 
Fl. 8 

 
 

 
 

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(iv) Dispositivo 

Diante  do  exposto,  oriento  meu  voto  no  sentido  de  conhecer  do  recurso 
voluntário  para  rejeitar  as  preliminares  de  nulidade  e  cerceamento  de  defesa  e,  no  mérito, 
negar­lhe provimento. 

 

(assinado digitalmente) 

Antonio Carlos Guidoni Filho

           

 

           

 

 

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MANN THOME


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    <str name="anomes_sessao_s">201404</str>
    <str name="camara_s">Terceira Câmara</str>
    <str name="ementa_s">Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR COOPERADOS - NÃO CONFIGURADO
Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 22, IV, da Lei 8.212/91, é necessária que a prestação dos serviços pelas cooperativas à autuada fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91
Não restou comprovado a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, já que a autuada não celebrou contrato de prestação de serviços, mas sim contrato de permissão de serviço público de transporte coletivo de passageiros.
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    <str name="turma_s">Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção</str>
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    <str name="nome_relator_s">BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS</str>
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    <arr name="decisao_txt">
      <str>Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a).
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.

BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.

Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.


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S2­C3T1 

Fl. 762 

 
 

 
 

1

761 

S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  19311.720399/2011­24 

Recurso nº  999.999   De Ofício 

Acórdão nº  2301­003.986  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  

Sessão de  15 de abril de 2014 

Matéria  COOPERATIVA 

Recorrente  FAZENDA NACIONAL 

Interessado  MUNICÍPIO DE SÃO PAULO ­ SECRETARIA MUNICIPAL DE 
TRANSPORTES 

 

ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS 

Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008 

PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS  POR  COOPERADOS  ­  NÃO 
CONFIGURADO 

Para  que  sejam  apuradas  contribuições  com  base  no  art.  22,  IV,  da  Lei 
8.212/91,  é  necessária  que  a  prestação  dos  serviços  pelas  cooperativas  à 
autuada fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do 
AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91 

Não  restou  comprovado  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  contribuição 
previdenciária,  já  que  a  autuada  não  celebrou  contrato  de  prestação  de 
serviços,  mas  sim  contrato  de  permissão  de  serviço  público  de  transporte 
coletivo de passageiros. 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em negar 
provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a).  

MARCELO OLIVEIRA ­ Presidente.  

 

BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS ­ Relator. 

 

Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  Oliveira 
(Presidente),  Wilson  Antonio  De  Souza  Correa,  Mauro  Jose  Silva,  Bernadete  de  Oliveira 
Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério. 

  

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Processo nº 19311.720399/2011­24 
Acórdão n.º 2301­003.986 

S2­C3T1 
Fl. 763 

 
 

 
 

3

 

Relatório 

Trata­se  de  crédito  previdenciário  lançado  contra  o  sujeito  passivo  acima 
identificado,  referente  a  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social,  correspondente  à  15% 
sobre o valor dos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho 

Conforme  Relatório  Fiscal,  a  autuada  foi  contratante  de  serviços  prestados 
por  cooperados,  por  intermédio de  cooperativas  de  trabalho,  e deixou de  recolher,  em época 
própria, as contribuições incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação dos 
serviços,  em  desacordo  com  o  que  estabelece  o  art.  22  da  Lei  8.212/91,  em  seu  inciso  IV, 
incluído pela Lei 9.876/99. 

Segundo a fiscalização, a autuada, na condição de tomadora dos serviços de 
cooperativa, deve recolher 15% sobre o valor da prestação de serviços de transporte coletivo 
público de passageiros do subsistema local da ÁREA 1, no município de São Paulo, prestado 
pelo CONSÓRCIO TRANCOOPER FÊNIX. 

A autoridade lançadora traz o histórico da legislação municipal que trata do 
transporte  público  da  cidade  de  São  Paulo  e  discorre  sobre  a  criação  do  Consórcio 
Transcooper,  com  o  qual  foi  firmado  Termo  de  Permissão  Para  Prestação  do  Serviço  de 
Operação  de  Transporte  Coletivo  de  Passageiros,  na  Área  01  do  Subsistema  Local,  no 
Município de São Paulo.  

Informa  que  a  gestão  financeira  das  receitas  e  despesas  do  Serviço  de 
Transporte Coletivo Público permanece a cargo da São Paulo Transportes S/A e que a SPTrans 
é  responsável pelo pagamento das  remunerações das cooperativas que operam no sistema de 
transporte  coletivo,  conforme  estabelecido  nos  instrumentos  de  outorga  das  permissões 
(“contratos de adesão”). 

Discorre  sobre  a  forma  de  remuneração  das  cooperativas,  e  conclui  que, 
como contratante de cooperativas de trabalho para prestação de serviços, a autuada enquadra­se 
na condição de sujeito passivo da contribuição previdenciária prevista no art.22, inciso IV, da 
Lei 8.212/91, a partir de março de 2000, em razão da alteração promovida pela Lei 9.876/99. 

O agente autuante demonstra, a seguir, o cálculo utilizado para apuração do 
crédito previdenciário, esclarecendo que a base de cálculo foi aferida indiretamente, uma vez 
que não houve previsão contratual dos valores correspondentes aos materiais ou equipamentos 
utilizados, observando que, após 02/2007, além dos juros, foi cobrada multa de mora, conforme 
previsto no art. 259, §4o, da IN SRP 971/09. 

Esclarece, ainda, que foi feito um comparativo entre as multas vigentes antes 
e depois da MP 449/2008, e aplicada a mais benéfica ao contribuinte para os fatos geradores 
anteriores a 04/12/2008, conforme o princípio da retroatividade benigna, previsto no art. 106, 
inciso  II,  “c”,  do  CTN,  ou  seja,  aplicou­se  a  multa  de  mora  prevista  no  art.  35,  da  Lei  nº 
8.212/91, nas competências de 04/2007 a 11/2008, haja vista ter se demonstrado mais benéfica 
ao contribuinte, e a multa de 75% da legislação vigente na competência 12/2008. 

Fl. 765DF  CARF MF

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O Município de São Paulo apresentou defesa, alegando, em apertada síntese, 
que não há que se falar em ausência de recolhimento de contribuição previdenciária, por falta 
de previsão legal. 

Sustenta que a contribuição prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/91 é sobre o 
valor  pago  pelo  tomador  quanto  aos  serviços  que  lhe  são  prestados  por  cooperado  por 
intermédio  de  cooperativa de  trabalho,  e  que,  no  caso  em  tela,  a  contratação  da  cooperativa 
teve  como  intuito  a  prestação  de  serviço  público  de  transporte  à  população  por  meio  de 
permissionários, os quais recebem, como contrapartida, as tarifas pagas pelos usuários. 

A Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 05­039.639, da 6a Turma 
da  DRJ/CPS  (fls.  714),  julgou  a  impugnação  procedente,  exonerando  o  crédito  tributário  e 
recorrendo dessa decisão a este Conselho de Contribuintes. 

Entenderam os julgadores de primeira instância que a prestação dos serviços 
noticiados  nos  autos,  pelo  Consórcio  Transcooper  Fênix,  não  constitui  fato  gerador  da 
contribuição prevista no inciso IV, do art. 22, da Lei 8.212/91. 

Cientificada da decisão de primeira instância e do recurso de ofício, a autuada 
não se manifestou. 

É o relatório. 

Fl. 766DF  CARF MF

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Processo nº 19311.720399/2011­24 
Acórdão n.º 2301­003.986 

S2­C3T1 
Fl. 764 

 
 

 
 

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Voto            

Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros 

Todos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício foram cumpridos, 
não havendo óbice para seu conhecimento. 

A 6a  Turma da DRJ/CPS  recorre  de ofício  a  este Conselho  da  decisão  que 
julgou  procedente  as  impugnações  apresentadas  e  que  exonerou  o  débito  lançado  contra  o 
MUNICÍPIO DE SÃO PAULO e outros. 

Entenderam os julgadores de primeira instância, assim como a autuada, que 
não houve fato gerador da contribuição de que trata o inciso IV, ar. 22, da Lei 8.212/91. 

Já  a  fiscalização  entende  que  o  serviço  de  transporte  coletivo  público  de 
passageiros do Município de São Paulo foi prestado à autuada por cooperados, por intermédio 
de cooperativas de trabalho. 

Impõe,  portanto,  verificar  a  modalidade  com  que  os  serviços  públicos  de 
transporte de passageiros do município foram prestados. 

A  fiscalização  alega  que  o  Município  tomou  serviços  dos  cooperados  das 
cooperativas que integram o CONSÓRCIO TRANCOOPER FÊNIX e, nessa condição, deveria 
recolher  15%  sobre  o  valor  da  prestação  dos  serviços  de  transporte  coletivo  público  de 
passageiros do subsistema local da ÁREA 1. 

A  autuada  se  defende  do  débito  argumentando  que  a  contratação  da 
cooperativa  teve  como  intuito  a  prestação  de  serviço  público  de  transporte  à  população  por 
meio de permissionários, os quais recebem, como contrapartida, as tarifas pagas pelos usuários. 

É fato que a Administração Pública pode recorrer à colaboração de terceiros 
para melhor cumprir suas atividades e realizar suas funções. 

Contudo,  há  que  se  distinguir  terceirização  na  Administração  Pública,  das 
chamadas concessões e permissões de serviços públicos. 

A terceirização é o instituto pelo qual a Administração busca a parceria com 
o setor privado para a realização de suas atividades. 

Tudo  aquilo  que  não  é  objetivo  institucional  do  órgão  público  pode  ser 
transferido para terceiros. 

A  Lei  nº  8.666/93  define  “serviços”  como  a  atividade  destinada  a  obter 
determina utilidade de interesse para a Administração (art. 6º, II).  

Portanto,  o  serviço  objeto  de  terceirização  é  uma  tarefa  prestada  pelo 
particular  (contratado),  imediatamente  à  Administração,  para  apoio  ao  exercício  de  suas 
atribuições.  

Fl. 767DF  CARF MF

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Ou seja, o Órgão Público contrata uma cooperativa ou empresa para prestar 
serviços de limpeza, para manutenção de suas instalações, ou de segurança, para guardar suas 
repartições, ou mesmo de transporte de passageiros, para transportar seus funcionários. 

Assim, a Administração estaria terceirizando suas atividades­meio. 

O  objetivo  da  terceirização  restringe­se  ao  repasse  a  empresas  privadas  ou 
cooperativas  de  trabalho  especializadas  em  determinadas  atividades­meio  ou  atividades 
executivas e bucrocráticas de apoio (serviços administrativos), realizadas no âmbito interno da 
Administração  Pública,  a  fim  de  que  o  ente  ou  órgão  público  possa  se  empenhar  nas  suas 
competências finalísticas dispostas em lei. 

Já  as  atividades  fins  são  voltadas  diretamente  aos  administrados,  e  sua 
prestação  é  obrigatória  pelo Estado,  que  o  fará  como  serviço  público,  sob  regime  de  direito 
público. 

Constata­se que, cada vez mais, prestações de  serviços públicos vêm sendo 
repassadas  para  a  iniciativa  privada,  por  meio  dos  institutos  da  concessão  e  da  permissão, 
formas de descentralização de serviços por colaboração.  

Da  mesma  forma,  a  Administração  vem  enxugando  seus  quadros  e 
dinamizando a execução de suas atividades através da contratação de terceiros, vale dizer, por 
meio da terceirização. 

No  entanto,  a  diferença  é  que,  na  terceirização,  a  Administração  Pública 
apenas  transfere  a  execução  material  de  determinadas  atividades,  ao  passo  que  as 
concessionárias e permissionárias de serviços públicos também recebem a gestão operacional. 

O art. 175 da CF/88, estabelece que 

Art.  175  "Incumbe  ao  Poder  Público,  na  forma  da  lei, 
diretamente  ou  sob  regime de  concessão  ou permissão,  sempre 
através de licitação, a prestação de serviços públicos". 

Segundo Maria Sylvia Di Pietro (2005, p. 239): A concessão tem por objeto um 
serviço público; não uma determinada atividade  ligada ao  serviço público, mas  todo o  complexo de 
atividades  indispensáveis  à  realização  de  um  específico  serviço  público,  envolvendo  a  gestão  e  a 
execução material. [...] A Administração transfere o serviço em seu todo, estabelecendo as condições 
em que quer que ele seja desempenhado; a concessionária é que vai ter a alternativa de terceirizar ou 
não determinadas atividades materiais ligadas ao objeto da concessão. A locação de serviços tem por 
objeto  determinada  atividade  que  não  é  atribuída  ao Estado  como  serviço  público  e  que  ele  exerce 
apenas em caráter acessório ou complementar da atividade­fim, que é o serviço público." 

Na lição de Celso Antônio Bandeira de Mello (2010, p. 703): [...] Nos simples 
contratos de prestação de serviço,  o prestador do serviço  é  simples  executor material  para o Poder 
Público  contratante.  Daí  que  não  lhe  são  transferidos  poderes  públicos.  Persiste  sempre  o  Poder 
Público como o sujeito diretamente relacionado com os usuários e, de conseguinte, como responsável 
direto  pelos  serviços.  O  usuário  não  entretém  relação  jurídica  alguma  com  o  contratado­executor 
material, mas com a entidade pública à qual o serviço está afeto. Por  isto, quem cobra pelo serviço 
prestado – e o faz para si próprio – é o Poder Público. O contratado não é remunerado por tarifas, 
mas  pelo  valor  avençado  com  o  contratante  governamental.  Em  suma:  o  serviço  continua  a  ser 
prestado  diretamente  pela  entidade  pública  a  que  está  afeto,  a  qual  apenas  se  serve  de  um  agente 
material.  Já  na  concessão,  tal  como  se passa  igualmente na  permissão  –  e  em  contraste  com o que 
ocorre  nos  meros  contratos  administrativos  de  prestação  de  serviços,  ainda  que  públicos  –,  o 
concedente se retira do encargo de prestar diretamente o serviço e transfere para o concessionário a 

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Processo nº 19311.720399/2011­24 
Acórdão n.º 2301­003.986 

S2­C3T1 
Fl. 765 

 
 

 
 

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qualidade, o título jurídico, de prestador do serviço ao usuário, isto é, o de pessoa interposta entre o 
Poder Público e a coletividade. 

A Locação de Serviços é regida pela Lei 8.666/93, e a Concessão/Permissão 
de Serviços Públicos pela Lei Federal 8.987/95. 

Na  Terceirização  não  há  a  transferência  da  gestão  do  Serviço  Público  ao 
Privado. É só uma modalidade de execução. 

No caso dos presentes autos, verifica­se que o Município firmou um contrato 
de Permissão de um serviço público, o de transporte coletivo. 

Constata­se que a Administração não teve ônus algum, já que não arcou com 
o custo de tais serviços. 

Da  análise  dos  contratos  firmados  entre  a  Prefeitura  do Município  de  São 
Paulo e o Consórcio Um, constata­se que não houve contratação de cooperativa para prestação 
de serviços à Prefeitura, mas sim uma permissão de execução do serviço de transporte coletivo 
de passageiros. 

Verifica­se  que  o  Consórcio  Um  assumiu  a  prestação  de  serviços  públicos 
como um todo, diretamente ao usuário. 

E a fiscalização não demonstrou, nos autos, que houve prestação de serviços 
pelas cooperativas à Prefeitura. 

Para  que  sejam  apuradas  contribuições  com  base  no  art.  22,  IV,  da  Lei 
8.212/91,  é  necessária  que  a  prestação  dos  serviços  pelas  cooperativas  à  autuada  fique 
devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto 
no art. 37, da Lei 8.212/91 

Assim entendo que a  fiscalização não demonstrou que o  serviço público de 
transporte  de  passageiros  prestado  pelo  Consórcio  Um  se  enquadra  na  situação  prevista  no 
inciso IV, art. 22, da Lei 8.212/91. 

A atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência 
do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142:  

E,  para exigir  o  cumprimento da obrigação  tributária,  a  autoridade  fiscal,  a 
quem  compete  o  lançamento  do  crédito  previdenciário,  deverá  deixar  devidamente 
caracterizado o seu surgimento, demonstrando cabalmente, no relatório fiscal, que os requisitos 
necessários para configuração da prestação de serviços foram cumpridos, ou seja, que o serviço 
prestado se enquadra no conceito legal de fato gerador da contribuição previdenciária. 

No  caso  em  estudo,  verifica­se  que  houve  transferência  da  execução  e 
exploração de um serviço público, e são as cooperativas concessionárias que desenvolvem as 
atividades materiais, por sua conta e risco, e diretamente em face dos usuário, com a finalidade 
de atender as necessidades de “deslocamento da população” urbana do município de São Paulo. 

Não  restou  comprovado  que  a  autuada  tomou  serviço  das  cooperativas 
contratadas, pois os serviços eram prestados diretamente aos passageiros, usuários finais, e não 
à Prefeitura Municipal. 

Fl. 769DF  CARF MF

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O  contrato  apresentado  demonstra  que  houve,  sim,  um  deslocamento  do 
serviço  público  da  Administração  Pública  para  o  Consórcio  Transcooper  Fênix,  que  ficou 
incumbido do desempenho das atividades materiais. 

Portanto, reitera­se, o serviço não foi prestado à Prefeitura Municipal de São 
Paulo,  que  celebrou  o  contrato  de  permissão  com  as  cooperativas,  mas  sim  ao  usuário  do 
transporte público urbano do município. 

Dessa  forma,  entendo  que  não  restou  configurada  a  ocorrência  do  fato 
gerador  da  contribuição  previdenciária  nos  moldes  do  art.  22,  IV,  da  Lei  de  Custeio  da 
Previdência Social,  já que a autuada não celebrou com o Consórcio Transcooper contrato de 
prestação de serviços, mas sim contrato de permissão de serviço público de transporte coletivo 
de passageiros. 

Conforme  bem  observado  pelo  relator  do  acórdão  recorrido,  a  Orientação 
Normativa  01/2002­PREF,  que  consta  do  contrato  de  permissão,  e  citado  pela  autoridade 
autuante, dispõe sobre as providências a serem adotadas pela Prefeitura do Município de São 
Paulo,relativamente  à  contribuição  prevista  no  inciso  IV do  art.  22  da  Lei  nº  8.212/91, mas 
apenas  “nos  casos  de  contratação  de  prestação  de  serviço  a  ser  efetuada  por  intermédio  de 
cooperativas de trabalho”. 

Não há, no referido normativo, evidências de que as disposições ali contidas 
sejam igualmente aplicáveis aos casos de permissão de serviço público a cooperativas. 

E,  reitera­se,  o  contrato  firmado  entre  a  autuada  e  o Consórcio Trancooper 
Fênix foi de permissão para execução de serviço público de transporte de passageiros, e não de 
contratação de cooperativa para prestação de serviço à Prefeitura. 

Por tudo que foi exposto, entendo que não restou configurada a ocorrência do 
fato gerador da contribuição previdenciária, assistindo razão à primeira instância administrativa 
em julgar o lançamento improcedente. 

Nesse sentido e,  

CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta, 

VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGAR­
LHE PROVIMENTO. 

É como voto. 

Bernadete de Oliveira Barros ­ Relator 

 

           

 

           

 

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/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA


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    <date name="dt_index_tdt">2021-10-08T01:09:55Z</date>
    <str name="anomes_sessao_s">201403</str>
    <str name="camara_s">2ª SEÇÃO</str>
    <str name="ementa_s">Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário:2006
RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTO INTRÍNSECO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. NÃO DEMONSTRAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Para conhecimento do Recurso Especial interposto sob o fundamento de existência de divergência jurisprudencial, deverá o interessado demonstrar fazer constar do recurso interpretação divergente da que lhe dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Examinando o acórdão colacionado como paradigma, verifica­se que a situação enfrentada pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes foi diferente daquela do acórdão recorrido. Tratam-se de premissas fáticas completamente distintas que não se prestam para delinear a divergência pretendida pela Fazenda Nacional, uma vez que o regime jurídico nos casos são diferentes.
No acórdão paradigma resta evidente a existência de dolo por parte do contribuinte, com intuito de fraudar a atuação da entidade fiscal uma vez que a pessoa jurídica obsta o registro das contas bancárias sob exame, restando à margem da contabilidade depósitos bancários em montante superior a R$ 20.052.558,71, nos anos de 2002 a 2004.
Enquanto isso, no caso em tela, a contribuinte apenas não foi hábil a comprovar a origem dos depósitos em sua conta corrente, fato que, por si só, tem como consequência legal o lançamento por omissão de rendimentos, mas não justifica a qualificação da multa aplicada pelo Fisco. Até porque, não há no presente caso elementos que apontem de forma objetiva o dolo utilizado pela recorrente como justificativa para qualificação da multa.
Recurso especial naço conhecido.
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    <str name="turma_s">2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS</str>
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    <str name="nome_relator_s">MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR</str>
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    <arr name="decisao_txt">
      <str>Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo e Marcos Aurelio Pereira Valadão.

(Assinado digitalmente)
Marcos Aurelio Pereira Valadão  Presidente em exercício

(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Júnior  Relator
EDITADO EM: 26/05//2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurelio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, substituída pelo Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado).

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CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS 

 

Processo nº  10840.720223/2010­39 

Recurso nº               Especial do Procurador 

Acórdão nº  9202­003.142  –  2ª Turma  

Sessão de  27 de março de 2014 

Matéria  IRPF 

Recorrente  FAZENDA NACIONAL 

Interessado  NORMA SUELI NHOUNCANCE CUZZI           

 

ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF 

Ano­calendário:2006 

RECURSO  ESPECIAL.  PRESSUPOSTO  INTRÍNSECO.  DIVERGÊNCIA 
JURISPRUDENCIAL.  SIMILITUDE FÁTICA. NÃO DEMONSTRAÇÃO. 
NÃO CONHECIMENTO. 

Para  conhecimento  do  Recurso  Especial  interposto  sob  o  fundamento  de 
existência  de  divergência  jurisprudencial,  deverá  o  interessado  demonstrar 
fazer  constar  do  recurso  interpretação  divergente  da  que  lhe  dado  outra 
Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. 

Examinando  o  acórdão  colacionado  como  paradigma,  verifica­se  que  a 
situação  enfrentada  pela  Primeira  Câmara  do  Primeiro  Conselho  de 
Contribuintes  foi  diferente  daquela  do  acórdão  recorrido.  Tratam­se  de 
premissas fáticas completamente distintas que não se prestam para delinear a 
divergência pretendida pela Fazenda Nacional, uma vez que o regime jurídico 
nos casos são diferentes. 

No  acórdão  paradigma  resta  evidente  a  existência  de  dolo  por  parte  do 
contribuinte, com intuito de fraudar a atuação da entidade fiscal uma vez que 
a pessoa jurídica obsta o registro das contas bancárias sob exame, restando à 
margem  da  contabilidade  depósitos  bancários  em  montante  superior  a  R$ 
20.052.558,71, nos anos de 2002 a 2004. 

Enquanto  isso,  no  caso  em  tela,  a  contribuinte  apenas  não  foi  hábil  a 
comprovar a origem dos depósitos em sua conta corrente, fato que, por si só, 
tem como consequência legal o lançamento por omissão de rendimentos, mas 
não justifica a qualificação da multa aplicada pelo Fisco. Até porque, não há 
no presente caso elementos que apontem de forma objetiva o dolo utilizado 
pela recorrente como justificativa para qualificação da multa. 

Recurso especial naço conhecido. 

 
 

  

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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer 
do  recurso.  Vencidos  os  Conselheiros  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos,  Marcelo  Oliveira, 
Maria Helena Cotta Cardozo e Marcos Aurelio Pereira Valadão. 

 

(Assinado digitalmente) 

Marcos Aurelio Pereira Valadão – Presidente em exercício  

 

(Assinado digitalmente) 

Manoel Coelho Arruda Júnior – Relator 

EDITADO EM: 26/05//2014 

Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcos  Aurelio 
Pereira Valadão (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki 
Nishioka  (suplente  convocado),  Marcelo  Oliveira,  Manoel  Coelho  Arruda  Junior,  Maria 
Helena  Cotta  Cardozo,  Rycardo  Henrique  Magalhaes  de  Oliveira  e  Elias  Sampaio  Freire. 
Ausente,  justificadamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Ausente,  justificadamente,  a 
Conselheira  Susy Gomes Hoffmann,  substituída  pelo Conselheiro Marcelo  Freitas  de  Souza 
Costa (suplente convocado). 

Relatório 

Trata­se de Auto de Infração decorrente auto de  infração (fls. 02/08) com o 
lançamento de imposto de renda relativo ao ano­calendário 2006 de R$ 512.941,68, de multa 
de ofício de R$ 769.412,52 e de juros de mora calculados até 31/05/2010 de R$ 164.449,10. A 
presente ação fiscal contra o contribuinte foi iniciada, em 17/03/2009, com a ciência do Termo 
de  Início  de  Fiscalização  de  fls.  09/11,  em  que  o  contribuinte  foi  intimado  a,  entre  outros 
documentos relativos à Declaração de Ajuste do ano­calendário 2006, a apresentar extratos das 
contas  correntes mantidas  nas  seguintes  instituições: Banco Real  S.A,  Banco Bradesco  S/A, 
Banco  do  Estado  de  São  Paulo  S/A  –  Banespa,  Banco  Santander  S.A.  A  contribuinte 
apresentou tempestivamente Impugnação ao auto de infração em 23/06/2010 de fls. 660 à 710. 

A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II 
(SP), em face da  impugnação supra, proferiu decisão  (fls. 718 a 733), na qual entendeu pela 
IMPROCEDÊNCIA da impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário exigido. 

Notificada  do  Acórdão  de  primeira  instância,  em  07/06/2011  (vide  AR  de 
fl.736), a contribuinte interpôs, em 04/07/2011, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 738 
a 791, no qual reitera, basicamente, os termos de sua impugnação. 

O colegiado da 2ª  turma ordinária da 2ª câmara, da 2ª seção deste conselho 
decidiu dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo­a ao 
percentual de 75%, verbis: 

Fl. 877DF  CARF MF

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014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA

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Processo nº 10840.720223/2010­39 
Acórdão n.º 9202­003.142 

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 “ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA 
FÍSICA ­ IRPF 

Ano­calendário: 2006 

DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS 
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em 
conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando 
o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante 
documentação hábil  e  idônea, a origem dos  recursos utilizados 
nessas  operações,  sendo  dispensável  comprovar  o  consumo  da 
renda representado pelos depósitos bancários (Súmula CARF no 
26, em vigor desde 22/12/2009). 

DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  VALORES  COMPROVADOS. 
TRIBUTAÇÃO. Os depósitos bancários cuja origem houver sido 
comprovada sujeitam­se a tributação de acordo com as normas 
específicas  previstas  na  legislação  vigente  à  época  em  que  os 
rendimentos foram auferidos ou recebidos.  

ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  

Ano­calendário: 2006 

IMPUGNAÇÃO.  MARCO  INICIAL  DO  CONTENCIOSO.  No 
âmbito do processo administrativo fiscal, o litígio só se instaura 
com  a  apresentação  da  impugnação  tempestiva  do  crédito 
tributário  regularmente  constituído  pelo  lançamento,  não  se 
podendo assim cogitar de preterição do direito de defesa antes 
de iniciada a fase contenciosa.  

CERCEAMENTO  DIREITO  DEFESA.  DESCONSIDERAÇÃO 
DE  PROVAS.  INOCORRÊNCIA.  Não  caracteriza  cerceamento 
do direito de defesa a desconsideração por parte da fiscalização 
das  provas  apresentadas  pelo  contribuinte,  tendo  ele  a 
oportunidade  de  apresentar  impugnação  e  recurso  voluntário, 
submetendo­as  à  apresentação  dos  órgãos  julgadores 
responsáveis pela solução do litígio. 

PERÍCIA. INDEFERIMENTO É de se indeferir a solicitação de 
perícia  quando  não  for  necessário  o  conhecimento  técnico 
especializado,  não  podendo  servir  para  suprir  a  omissão  do 
contribuinte na produção de provas que ele tinha a obrigação de 
trazer aos autos. 

ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO 

Ano­calendário: 2006 

INCONSTITUCIONALIDADE  É  vedado  o  afastamento  da 
aplicação  da  legislação  tributária  sob  o  argumento  de 
inconstitucionalidade,  por  força  do  disposto  no  Regimento 
Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais. 
Matéria  que  já  se  encontra  pacificada  pela  Súmula  no  2  do 
CARF,  em  vigor  desde  22/12/2009.JUROS  DE  MORA.  TAXA 
SELIC A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios dos 

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014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA

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débitos  para  com  a  Fazenda  Nacional  passaram  a  ser 
equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de 
Liquidação  e  de  Custódia  ­  Selic  para  títulos  federais, 
acumulada  mensalmente,  de  acordo  com  precedentes  já 
definidos pela Súmula no 4 do CARF, vigente desde 22/12/2009.” 

A  Fazenda  Nacional,  inconformada  com  o  decidido  no  Acórdão  de  nº 
220201.569,  proferido  em  19/01/2012,  interpôs  Recurso  Especial  à  Câmara  Superior  de 
Recursos  Fiscais,  com  fulcro  nos  artigos  67  e  68  do  Regimento  Interno  do  Conselho 
Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho 
de 2009, visando a revisão do julgado. 

É o relatório. 

Voto            

Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator 

O recurso especial  interposto pela Fazenda Nacional é  tempestivo e passo a 
analisar a sua admissibilidade no que se refere à configuração da divergência. 

A apreciação do presente recurso considera o disposto nos arts. 7, inciso I, e 
15, do RICSRF (Anexo II da Portaria MF n 147/2007) c/c o art 4 da Portaria MF n 256/2009, a 
seguir transcritos: 

Art.7 Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas 
Turmas,julgar recurso especial interposto contra: 

 I­decisão  não­unânime da Câmara,  quando  for  contrária  à  lei 
ou à evidência da prova; (...)  

§1 No caso do inciso I, o recurso é privativo do Procurador da 
Fazenda  Nacional;  no  caso  do  inciso  II,  sua  interposição  é 
facultada também ao sujeito passivo.(...). 

Art.15.Orecursoespecial,doProcuradordaFazendaNacionaloudo
sujeitopassivo,deveráserformalizadoempetiçãodirigidaao 
Presidente  da  Câmara  que  houver  prolatado  a 
decisãorecorrida,noprazodequinzediascontadosdadatadaciência
dadecisão. 

§1º  Na  hipótese  de  que  trata  o  inciso  I  do  art.  7º 
desteRegimento,orecursodeverádemonstrar,fundamentadamente,
acontrariedadeàleiouàevidênciadaprovae,havendomatériasautôn
omas,  o  recurso  especial  alcançará  apenas  a  parte  da  decisão 
não unânime contrária à Fazenda Nacional.(...) 

Art.4°Os  recursos  com  base  no  inciso  I  do  art.7°e  do  art.9°do 
Regimento  Interno  da  Câmara  Superior  de  Recursos 
Fiscais,aprovado  pela Portaria MF  n°  147,  de  25  de  junho  de 
2007,interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de 
julgamento  ocorridas  em  data  anterior  à  vigência  do  Anexo 
IIdestaPortaria,serãoprocessadosdeacordocomoritoprevistonosa
rts.15e16enosarts.43e44daqueleRegimento. 

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Processo nº 10840.720223/2010­39 
Acórdão n.º 9202­003.142 

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Fl. 9 

 
 

 
 

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Conforme  se  infere  do  voto  proferido  nos  autos  do  acórdão  recorrido,  a 
Câmara a quo  analisou, em suma, os depósitos bancários não escriturados ou de origem não 
comprovada  existentes  referentes  à  renda  de  pessoa  física,  conforme  consta  da  quantia 
movimentada  no  decorrer  do  ano,  sem  que  a  impugnante  fosse  capaz  de  comprovar  com 
documentos hábeis a origem crédito em sua conta corrente. 

Paralelamente,  o  acórdão  utilizado  como paradigma pela  Fazenda Nacional 
refere­se  à  análise  acerca  da  omissão  de  receita  os  valores  depositados  em  conta  corrente 
mantidas à margem da contabilidade, como depreende­se do abaixo: 

 “Assunto:  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Jurídica  IRPJ 
Exercício:  2003  a  2005  DECADÊNCIA  O  direito  da  Fazenda 
Pública  de  realizar  o  lançamento,  no  caso  de  tributo  sujeito  a 
lançamento por homologação, está previsto no art. 150 do CTN, 
sendo  de  cinco  anos  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador, 
salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 
Se  caracterizada  a  conduta  dolosa  da  contribuinte,  o  prazo 
decadencial deve ser contado em conformidade com o art. 173, I, 
do  CTN.  OMISSÃO  DE  RECEITAS  Caracterizam  omissão  de 
receitas  os  valores  depositados  em  conta  corrente  mantidas  à 
margem da contabilidade. MULTA QUALIFICADA A multa  de 
ofício  qualificada  deve  ser  mantida  se  comprovada  a  fraude 
realizada  pelo  Contribuinte,  constatados  a  divergência  entre  a 
verdade  real  e  a  verdade  declarada  pelo  Contribuinte,  e  seus 
motivos  simulatórios.  Recurso  Voluntário  Negado.  (Grifos 
nossos) 

 (...) 

No  presente  caso,  observa­se  que  a  pessoa  jurídica  fiscalizada 
sequer  registrou  a  existência  das  contas  bancárias  sob  exame, 
deixando  à  margem  da  contabilidade  depósitos  bancários  em 
montante superior a R$ 20.052.558,71, nos anos de 2002 a 2004. 
A  própria  contribuinte,  em  petição  de  fls.  1660/1664,  admite 
que  as  contas  bancárias  estavam à margem da  contabilidade. 
De  acordo  com  as  planilhas  de  fls.  1761  e  1762,  os  valores 
contabilizados  não  chegam  a  10%  dos  valores movimentados 
em  instituições  financeiras  de  titularidade  da  contribuinte, 
caracterizando,  dessa  maneira,  a  intenção  fraudulenta  da 
contribuinte.”(grifou­se) 

Examinando  o  acórdão  colacionado  como  paradigma,  verifica­se  que  a 
situação enfrentada pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes foi diferente 
daquela  do  acórdão  recorrido.  Tratam­se,  a  meu  ver,  de  premissas  fáticas  completamente 
distintas  que  não  se  prestam  para  delinear  a  divergência  pretendida  pela  Fazenda Nacional, 
uma vez que o regime jurídico nos casos são diferentes. 

No  acórdão  paradigma  resta  evidente  a  existência  de  dolo  por  parte  do 
contribuinte, com intuito de fraudar a atuação da entidade fiscal uma vez que a pessoa jurídica 
obsta o registro das contas bancárias sob exame, restando à margem da contabilidade depósitos 
bancários em montante superior a R$ 20.052.558,71, nos anos de 2002 a 2004, verbis; 

 (...)  “Conforme  já mencionado,  os  sócios­administradores  não 
registraram na  escrituração da empresa  a  existência  de  contas 

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bancárias  de  titularidade  desta,  deixando  de  contabilizar  fluxo 
monetário durante três anos consecutivos, em valores superiores 
a R$ 20.000.000,00. A omissão de receitas, de forma reiterada e 
por três anos­calendários consecutivos, caracteriza a hipótese de 
responsabilidade tributária dos sócios­administradores, em face 
de manifesta infração dolosa à lei.” 

Enquanto  isso,  no  caso  em  tela  a  contribuinte  apenas  não  foi  hábil  a 
comprovar  a  origem  dos  depósitos  em  sua  conta  corrente,  fato  que,  por  si  só,  tem  como 
consequência legal o lançamento por omissão de rendimentos, mas não justifica a qualificação 
da multa aplicada pelo Fisco. Até porque, não há no presente caso elementos que apontem de 
forma objetiva o dolo utilizado pela recorrente como justificativa para qualificação da multa. 

Diante  disso,  não  verifico  a  similitude  entre  o  v  acórdão  recorrido  e  o 
paradigma  apresentado  pela  Procuradoria,  considerando  que  este  não  enfrentou  a  questão 
jurídica que seria central na reversão do resultado do julgamento no presente caso. 

No mesmo sentido, está consolidada a jurisprudência desta Câmara Superior 
no  que  tange  à  inadmissibilidade  de  recursos  especiais  nos  quais  os  acórdãos  paradigmas 
colacionados não atendem os requisitos legais, transcrevo abaixo alguns julgados: 

 “RECURSO  ESPECIAL.  NORMAS  PROCESSUAIS. 
ADMISSIBILIDADE.  A  falta  de  similitude  entre  o  substrato 
fático  da  situação  guerreada  e  aquele  do  acórdão  paradigma 
impede  o  conhecimento  do  recurso  especial  em  face  da  não 
caracterização  da  divergência.  Recurso  especial  não 
conhecido.(Processo  nº  13603.72144/2007­13,  acórdão  nº 
343.353,  2ª  turma  da  Câmara  superior  de  recursos  fiscais, 
Relator: Gustavo Lian Haddad, data do julgamento 6/11/2013)” 

“RECURSO  ESPECIAL.  DIVERGÊNCIA  NÃO 
CONFIGURADA.  NÃO  CONHECIMENTO.Não  deve  ser 
conhecido  recurso  especial  interposto  com  base  em  acórdão 
prolatado  diante  de  situação  fática  que  não  corresponde  à 
hipótese  figurada  nos  autos  em  que  foi  prolatado  o  acórdão 
recorrido. Ao passo que o presente processo trata da eficácia da 
realização  de  depósito  judicial  para  atender  à  condição 
necessária  ao  gozo  da  anistia  prevista  no  artigo  12  da MP  nº 
75/2002,o acórdão utilizado como paradigma refere­se à análise 
sobre a possibilidade de que o depósito judicial seja considerado 
como  pagamento 
parafinsdadispensabilidadedalavraturadeautodeinfraçãoparapre
venira  decadência.  Recurso  Especial  do  Procurador  Não 
Conhecido.  (Processo  nº  10680.01856/2003­62,  Acórdão  nº 
9303­002.451, Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos 
Fiscais, Relatora: Nanci Gama, data do julgamento 8/10/2013). 

Em  face  a  todo  exposto,  voto  no  sentido  de NÃO CONHECER  o  recurso 
especial interposto pela Fazenda Nacional por não ter sido configurada a divergência. 

É o voto. 

(Assinado digitalmente) 

Manoel Coelho Arruda Junior 

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Processo nº 10840.720223/2010­39 
Acórdão n.º 9202­003.142 

CSRF­T2 
Fl. 10 

 
 

 
 

7

           

 

           

 

 

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Tributario=254,PIS - ação fiscal (todas)=254,IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada=192,IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior=148,IRPJ - restituição e compensação=148,DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF=140,Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario=140,IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS=140,IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)=139,IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)=126,CSL - ação fiscal  (exceto glosa compens. bases negativas)=123,Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario=122,IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais=119,ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)=114,IRPJ - AF - lucro arbitrado=102,IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)=96,Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)=84,IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF=83,ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos=83,IPI- ação fiscal- insuf. na  apuração/recolhimento (outros)=71,Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario=70,II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento=68,ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua=59,IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza=58,Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento=58,IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)=55},nome_relator_s={Não Informado=3745,GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO=377,CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ=287,RODRIGO DA COSTA POSSAS=271,WINDERLEY MORAIS PEREIRA=264,PEDRO SOUSA BISPO=254,HELCIO LAFETA REIS=247,ROSALDO TREVISAN=230,CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA=210,MARCOS ROBERTO DA SILVA=195,Não se aplica=193,PAULO GUILHERME DEROULEDE=191,LIZIANE ANGELOTTI MEIRA=172,CARMEN FERREIRA SARAIVA=171,HONORIO ALBUQUERQUE DE BRITO=168,WALDIR NAVARRO BEZERRA=161,WILDERSON BOTTO=159,CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO=152,PAULO MATEUS CICCONE=151,MARCOS ANTONIO BORGES=145,THIAGO DUCA AMONI=143,PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA=136,RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE=134,MIRIAM DENISE XAVIER=126,LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES=125,MARIA HELENA COTTA CARDOZO=125,NILTON LUIZ BARTOLI=125,ALEXANDRE KERN=123,OTACÍLIO DANTAS CARTAXO=122,LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES=118,LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS=118,RAIMUNDO CASSIO GONCALVES 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Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR COOPERADOS - NÃO CONFIGURADO
Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 22, IV, da Lei 8.212/91, é necessária que a prestação dos serviços pelas cooperativas à autuada fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91
Não restou comprovado a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, já que a autuada não celebrou contrato de prestação de serviços, mas sim contrato de permissão de serviço público de transporte coletivo de passageiros.
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Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a).
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.

BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.

Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.


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S2­C3T1 

Fl. 762 

 
 

 
 

1

761 

S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  19311.720399/2011­24 

Recurso nº  999.999   De Ofício 

Acórdão nº  2301­003.986  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  

Sessão de  15 de abril de 2014 

Matéria  COOPERATIVA 

Recorrente  FAZENDA NACIONAL 

Interessado  MUNICÍPIO DE SÃO PAULO ­ SECRETARIA MUNICIPAL DE 
TRANSPORTES 

 

ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS 

Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008 

PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS  POR  COOPERADOS  ­  NÃO 
CONFIGURADO 

Para  que  sejam  apuradas  contribuições  com  base  no  art.  22,  IV,  da  Lei 
8.212/91,  é  necessária  que  a  prestação  dos  serviços  pelas  cooperativas  à 
autuada fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do 
AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91 

Não  restou  comprovado  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  contribuição 
previdenciária,  já  que  a  autuada  não  celebrou  contrato  de  prestação  de 
serviços,  mas  sim  contrato  de  permissão  de  serviço  público  de  transporte 
coletivo de passageiros. 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em negar 
provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a).  

MARCELO OLIVEIRA ­ Presidente.  

 

BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS ­ Relator. 

 

Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  Oliveira 
(Presidente),  Wilson  Antonio  De  Souza  Correa,  Mauro  Jose  Silva,  Bernadete  de  Oliveira 
Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério. 

  

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19
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1.
72

03
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01

1-
24

Fl. 763DF  CARF MF

Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

CÓ
PI

A

Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19

/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA




  2

Fl. 764DF  CARF MF

Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

CÓ
PI

A

Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19

/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA



Processo nº 19311.720399/2011­24 
Acórdão n.º 2301­003.986 

S2­C3T1 
Fl. 763 

 
 

 
 

3

 

Relatório 

Trata­se  de  crédito  previdenciário  lançado  contra  o  sujeito  passivo  acima 
identificado,  referente  a  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social,  correspondente  à  15% 
sobre o valor dos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho 

Conforme  Relatório  Fiscal,  a  autuada  foi  contratante  de  serviços  prestados 
por  cooperados,  por  intermédio de  cooperativas  de  trabalho,  e deixou de  recolher,  em época 
própria, as contribuições incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação dos 
serviços,  em  desacordo  com  o  que  estabelece  o  art.  22  da  Lei  8.212/91,  em  seu  inciso  IV, 
incluído pela Lei 9.876/99. 

Segundo a fiscalização, a autuada, na condição de tomadora dos serviços de 
cooperativa, deve recolher 15% sobre o valor da prestação de serviços de transporte coletivo 
público de passageiros do subsistema local da ÁREA 1, no município de São Paulo, prestado 
pelo CONSÓRCIO TRANCOOPER FÊNIX. 

A autoridade lançadora traz o histórico da legislação municipal que trata do 
transporte  público  da  cidade  de  São  Paulo  e  discorre  sobre  a  criação  do  Consórcio 
Transcooper,  com  o  qual  foi  firmado  Termo  de  Permissão  Para  Prestação  do  Serviço  de 
Operação  de  Transporte  Coletivo  de  Passageiros,  na  Área  01  do  Subsistema  Local,  no 
Município de São Paulo.  

Informa  que  a  gestão  financeira  das  receitas  e  despesas  do  Serviço  de 
Transporte Coletivo Público permanece a cargo da São Paulo Transportes S/A e que a SPTrans 
é  responsável pelo pagamento das  remunerações das cooperativas que operam no sistema de 
transporte  coletivo,  conforme  estabelecido  nos  instrumentos  de  outorga  das  permissões 
(“contratos de adesão”). 

Discorre  sobre  a  forma  de  remuneração  das  cooperativas,  e  conclui  que, 
como contratante de cooperativas de trabalho para prestação de serviços, a autuada enquadra­se 
na condição de sujeito passivo da contribuição previdenciária prevista no art.22, inciso IV, da 
Lei 8.212/91, a partir de março de 2000, em razão da alteração promovida pela Lei 9.876/99. 

O agente autuante demonstra, a seguir, o cálculo utilizado para apuração do 
crédito previdenciário, esclarecendo que a base de cálculo foi aferida indiretamente, uma vez 
que não houve previsão contratual dos valores correspondentes aos materiais ou equipamentos 
utilizados, observando que, após 02/2007, além dos juros, foi cobrada multa de mora, conforme 
previsto no art. 259, §4o, da IN SRP 971/09. 

Esclarece, ainda, que foi feito um comparativo entre as multas vigentes antes 
e depois da MP 449/2008, e aplicada a mais benéfica ao contribuinte para os fatos geradores 
anteriores a 04/12/2008, conforme o princípio da retroatividade benigna, previsto no art. 106, 
inciso  II,  “c”,  do  CTN,  ou  seja,  aplicou­se  a  multa  de  mora  prevista  no  art.  35,  da  Lei  nº 
8.212/91, nas competências de 04/2007 a 11/2008, haja vista ter se demonstrado mais benéfica 
ao contribuinte, e a multa de 75% da legislação vigente na competência 12/2008. 

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O Município de São Paulo apresentou defesa, alegando, em apertada síntese, 
que não há que se falar em ausência de recolhimento de contribuição previdenciária, por falta 
de previsão legal. 

Sustenta que a contribuição prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/91 é sobre o 
valor  pago  pelo  tomador  quanto  aos  serviços  que  lhe  são  prestados  por  cooperado  por 
intermédio  de  cooperativa de  trabalho,  e  que,  no  caso  em  tela,  a  contratação  da  cooperativa 
teve  como  intuito  a  prestação  de  serviço  público  de  transporte  à  população  por  meio  de 
permissionários, os quais recebem, como contrapartida, as tarifas pagas pelos usuários. 

A Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 05­039.639, da 6a Turma 
da  DRJ/CPS  (fls.  714),  julgou  a  impugnação  procedente,  exonerando  o  crédito  tributário  e 
recorrendo dessa decisão a este Conselho de Contribuintes. 

Entenderam os julgadores de primeira instância que a prestação dos serviços 
noticiados  nos  autos,  pelo  Consórcio  Transcooper  Fênix,  não  constitui  fato  gerador  da 
contribuição prevista no inciso IV, do art. 22, da Lei 8.212/91. 

Cientificada da decisão de primeira instância e do recurso de ofício, a autuada 
não se manifestou. 

É o relatório. 

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Processo nº 19311.720399/2011­24 
Acórdão n.º 2301­003.986 

S2­C3T1 
Fl. 764 

 
 

 
 

5

 

Voto            

Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros 

Todos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício foram cumpridos, 
não havendo óbice para seu conhecimento. 

A 6a  Turma da DRJ/CPS  recorre  de ofício  a  este Conselho  da  decisão  que 
julgou  procedente  as  impugnações  apresentadas  e  que  exonerou  o  débito  lançado  contra  o 
MUNICÍPIO DE SÃO PAULO e outros. 

Entenderam os julgadores de primeira instância, assim como a autuada, que 
não houve fato gerador da contribuição de que trata o inciso IV, ar. 22, da Lei 8.212/91. 

Já  a  fiscalização  entende  que  o  serviço  de  transporte  coletivo  público  de 
passageiros do Município de São Paulo foi prestado à autuada por cooperados, por intermédio 
de cooperativas de trabalho. 

Impõe,  portanto,  verificar  a  modalidade  com  que  os  serviços  públicos  de 
transporte de passageiros do município foram prestados. 

A  fiscalização  alega  que  o  Município  tomou  serviços  dos  cooperados  das 
cooperativas que integram o CONSÓRCIO TRANCOOPER FÊNIX e, nessa condição, deveria 
recolher  15%  sobre  o  valor  da  prestação  dos  serviços  de  transporte  coletivo  público  de 
passageiros do subsistema local da ÁREA 1. 

A  autuada  se  defende  do  débito  argumentando  que  a  contratação  da 
cooperativa  teve  como  intuito  a  prestação  de  serviço  público  de  transporte  à  população  por 
meio de permissionários, os quais recebem, como contrapartida, as tarifas pagas pelos usuários. 

É fato que a Administração Pública pode recorrer à colaboração de terceiros 
para melhor cumprir suas atividades e realizar suas funções. 

Contudo,  há  que  se  distinguir  terceirização  na  Administração  Pública,  das 
chamadas concessões e permissões de serviços públicos. 

A terceirização é o instituto pelo qual a Administração busca a parceria com 
o setor privado para a realização de suas atividades. 

Tudo  aquilo  que  não  é  objetivo  institucional  do  órgão  público  pode  ser 
transferido para terceiros. 

A  Lei  nº  8.666/93  define  “serviços”  como  a  atividade  destinada  a  obter 
determina utilidade de interesse para a Administração (art. 6º, II).  

Portanto,  o  serviço  objeto  de  terceirização  é  uma  tarefa  prestada  pelo 
particular  (contratado),  imediatamente  à  Administração,  para  apoio  ao  exercício  de  suas 
atribuições.  

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Ou seja, o Órgão Público contrata uma cooperativa ou empresa para prestar 
serviços de limpeza, para manutenção de suas instalações, ou de segurança, para guardar suas 
repartições, ou mesmo de transporte de passageiros, para transportar seus funcionários. 

Assim, a Administração estaria terceirizando suas atividades­meio. 

O  objetivo  da  terceirização  restringe­se  ao  repasse  a  empresas  privadas  ou 
cooperativas  de  trabalho  especializadas  em  determinadas  atividades­meio  ou  atividades 
executivas e bucrocráticas de apoio (serviços administrativos), realizadas no âmbito interno da 
Administração  Pública,  a  fim  de  que  o  ente  ou  órgão  público  possa  se  empenhar  nas  suas 
competências finalísticas dispostas em lei. 

Já  as  atividades  fins  são  voltadas  diretamente  aos  administrados,  e  sua 
prestação  é  obrigatória  pelo Estado,  que  o  fará  como  serviço  público,  sob  regime  de  direito 
público. 

Constata­se que, cada vez mais, prestações de  serviços públicos vêm sendo 
repassadas  para  a  iniciativa  privada,  por  meio  dos  institutos  da  concessão  e  da  permissão, 
formas de descentralização de serviços por colaboração.  

Da  mesma  forma,  a  Administração  vem  enxugando  seus  quadros  e 
dinamizando a execução de suas atividades através da contratação de terceiros, vale dizer, por 
meio da terceirização. 

No  entanto,  a  diferença  é  que,  na  terceirização,  a  Administração  Pública 
apenas  transfere  a  execução  material  de  determinadas  atividades,  ao  passo  que  as 
concessionárias e permissionárias de serviços públicos também recebem a gestão operacional. 

O art. 175 da CF/88, estabelece que 

Art.  175  "Incumbe  ao  Poder  Público,  na  forma  da  lei, 
diretamente  ou  sob  regime de  concessão  ou permissão,  sempre 
através de licitação, a prestação de serviços públicos". 

Segundo Maria Sylvia Di Pietro (2005, p. 239): A concessão tem por objeto um 
serviço público; não uma determinada atividade  ligada ao  serviço público, mas  todo o  complexo de 
atividades  indispensáveis  à  realização  de  um  específico  serviço  público,  envolvendo  a  gestão  e  a 
execução material. [...] A Administração transfere o serviço em seu todo, estabelecendo as condições 
em que quer que ele seja desempenhado; a concessionária é que vai ter a alternativa de terceirizar ou 
não determinadas atividades materiais ligadas ao objeto da concessão. A locação de serviços tem por 
objeto  determinada  atividade  que  não  é  atribuída  ao Estado  como  serviço  público  e  que  ele  exerce 
apenas em caráter acessório ou complementar da atividade­fim, que é o serviço público." 

Na lição de Celso Antônio Bandeira de Mello (2010, p. 703): [...] Nos simples 
contratos de prestação de serviço,  o prestador do serviço  é  simples  executor material  para o Poder 
Público  contratante.  Daí  que  não  lhe  são  transferidos  poderes  públicos.  Persiste  sempre  o  Poder 
Público como o sujeito diretamente relacionado com os usuários e, de conseguinte, como responsável 
direto  pelos  serviços.  O  usuário  não  entretém  relação  jurídica  alguma  com  o  contratado­executor 
material, mas com a entidade pública à qual o serviço está afeto. Por  isto, quem cobra pelo serviço 
prestado – e o faz para si próprio – é o Poder Público. O contratado não é remunerado por tarifas, 
mas  pelo  valor  avençado  com  o  contratante  governamental.  Em  suma:  o  serviço  continua  a  ser 
prestado  diretamente  pela  entidade  pública  a  que  está  afeto,  a  qual  apenas  se  serve  de  um  agente 
material.  Já  na  concessão,  tal  como  se passa  igualmente na  permissão  –  e  em  contraste  com o que 
ocorre  nos  meros  contratos  administrativos  de  prestação  de  serviços,  ainda  que  públicos  –,  o 
concedente se retira do encargo de prestar diretamente o serviço e transfere para o concessionário a 

Fl. 768DF  CARF MF

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Processo nº 19311.720399/2011­24 
Acórdão n.º 2301­003.986 

S2­C3T1 
Fl. 765 

 
 

 
 

7

qualidade, o título jurídico, de prestador do serviço ao usuário, isto é, o de pessoa interposta entre o 
Poder Público e a coletividade. 

A Locação de Serviços é regida pela Lei 8.666/93, e a Concessão/Permissão 
de Serviços Públicos pela Lei Federal 8.987/95. 

Na  Terceirização  não  há  a  transferência  da  gestão  do  Serviço  Público  ao 
Privado. É só uma modalidade de execução. 

No caso dos presentes autos, verifica­se que o Município firmou um contrato 
de Permissão de um serviço público, o de transporte coletivo. 

Constata­se que a Administração não teve ônus algum, já que não arcou com 
o custo de tais serviços. 

Da  análise  dos  contratos  firmados  entre  a  Prefeitura  do Município  de  São 
Paulo e o Consórcio Um, constata­se que não houve contratação de cooperativa para prestação 
de serviços à Prefeitura, mas sim uma permissão de execução do serviço de transporte coletivo 
de passageiros. 

Verifica­se  que  o  Consórcio  Um  assumiu  a  prestação  de  serviços  públicos 
como um todo, diretamente ao usuário. 

E a fiscalização não demonstrou, nos autos, que houve prestação de serviços 
pelas cooperativas à Prefeitura. 

Para  que  sejam  apuradas  contribuições  com  base  no  art.  22,  IV,  da  Lei 
8.212/91,  é  necessária  que  a  prestação  dos  serviços  pelas  cooperativas  à  autuada  fique 
devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto 
no art. 37, da Lei 8.212/91 

Assim entendo que a  fiscalização não demonstrou que o  serviço público de 
transporte  de  passageiros  prestado  pelo  Consórcio  Um  se  enquadra  na  situação  prevista  no 
inciso IV, art. 22, da Lei 8.212/91. 

A atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência 
do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142:  

E,  para exigir  o  cumprimento da obrigação  tributária,  a  autoridade  fiscal,  a 
quem  compete  o  lançamento  do  crédito  previdenciário,  deverá  deixar  devidamente 
caracterizado o seu surgimento, demonstrando cabalmente, no relatório fiscal, que os requisitos 
necessários para configuração da prestação de serviços foram cumpridos, ou seja, que o serviço 
prestado se enquadra no conceito legal de fato gerador da contribuição previdenciária. 

No  caso  em  estudo,  verifica­se  que  houve  transferência  da  execução  e 
exploração de um serviço público, e são as cooperativas concessionárias que desenvolvem as 
atividades materiais, por sua conta e risco, e diretamente em face dos usuário, com a finalidade 
de atender as necessidades de “deslocamento da população” urbana do município de São Paulo. 

Não  restou  comprovado  que  a  autuada  tomou  serviço  das  cooperativas 
contratadas, pois os serviços eram prestados diretamente aos passageiros, usuários finais, e não 
à Prefeitura Municipal. 

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O  contrato  apresentado  demonstra  que  houve,  sim,  um  deslocamento  do 
serviço  público  da  Administração  Pública  para  o  Consórcio  Transcooper  Fênix,  que  ficou 
incumbido do desempenho das atividades materiais. 

Portanto, reitera­se, o serviço não foi prestado à Prefeitura Municipal de São 
Paulo,  que  celebrou  o  contrato  de  permissão  com  as  cooperativas,  mas  sim  ao  usuário  do 
transporte público urbano do município. 

Dessa  forma,  entendo  que  não  restou  configurada  a  ocorrência  do  fato 
gerador  da  contribuição  previdenciária  nos  moldes  do  art.  22,  IV,  da  Lei  de  Custeio  da 
Previdência Social,  já que a autuada não celebrou com o Consórcio Transcooper contrato de 
prestação de serviços, mas sim contrato de permissão de serviço público de transporte coletivo 
de passageiros. 

Conforme  bem  observado  pelo  relator  do  acórdão  recorrido,  a  Orientação 
Normativa  01/2002­PREF,  que  consta  do  contrato  de  permissão,  e  citado  pela  autoridade 
autuante, dispõe sobre as providências a serem adotadas pela Prefeitura do Município de São 
Paulo,relativamente  à  contribuição  prevista  no  inciso  IV do  art.  22  da  Lei  nº  8.212/91, mas 
apenas  “nos  casos  de  contratação  de  prestação  de  serviço  a  ser  efetuada  por  intermédio  de 
cooperativas de trabalho”. 

Não há, no referido normativo, evidências de que as disposições ali contidas 
sejam igualmente aplicáveis aos casos de permissão de serviço público a cooperativas. 

E,  reitera­se,  o  contrato  firmado  entre  a  autuada  e  o Consórcio Trancooper 
Fênix foi de permissão para execução de serviço público de transporte de passageiros, e não de 
contratação de cooperativa para prestação de serviço à Prefeitura. 

Por tudo que foi exposto, entendo que não restou configurada a ocorrência do 
fato gerador da contribuição previdenciária, assistindo razão à primeira instância administrativa 
em julgar o lançamento improcedente. 

Nesse sentido e,  

CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta, 

VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGAR­
LHE PROVIMENTO. 

É como voto. 

Bernadete de Oliveira Barros ­ Relator 

 

           

 

           

 

Fl. 770DF  CARF MF

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Ano-calendário: 2008
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO.
A Recorrente não pode ser excluída do Simples Nacional por crédito tributário que nunca existiu, conforme sentença judicial transitada em julgado.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão  - Relator.

Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marciel Eder Costa.


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S1­TE02 

Fl. 36 

 
 

 
 

1

35 

S1­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  13982.001611/2008­76 

Recurso nº               Voluntário 

Acórdão nº  1802­002.183  –  2ª Turma Especial  

Sessão de  08 de maio de 2014 

Matéria  Exclusão 

Recorrente  CARLOS JULIO FAVARETTO 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL 

Ano­calendário: 2008 

SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. 
A  Recorrente  não  pode  ser  excluída  do  Simples  Nacional  por  crédito 
tributário  que  nunca  existiu,  conforme  sentença  judicial  transitada  em 
julgado. 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  DAR 
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.  

(assinado digitalmente) 

Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente.  

(assinado digitalmente) 

Gustavo Junqueira Carneiro Leão  ­ Relator. 

 

Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de 
Sousa,  Gustavo  Junqueira  Carneiro  Leão,  Luis  Roberto  Bueloni  Santos  Ferreira,  José  de 
Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marciel Eder 
Costa. 

  

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8-
76

Fl. 241DF  CARF  MF

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 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por ESTER MARQU

ES LINS DE SOUSA




Processo nº 13982.001611/2008­76 
Acórdão n.º 1802­002.183 

S1­TE02 
Fl. 37 

 
 

 
 

2

 

Relatório 

Trata­se  de  Recurso  Voluntário  contra  decisão  da  Delegacia  da  Receita 
Federal  de  Julgamento  em  Florianópolis  (SC),  que  por  unanimidade  de  votos  julgou 
improcedente  a Manifestação  de  Inconformidade  apresentada  pela  contribuinte,  mantendo  a 
exclusão no Simples Nacional. 

Por economia processual, passamos a adotar o relatório da DRJ: 

“Trata­se  o  presente  processo  de  manifestação  de 
inconformidade  frente  a  Ato  Declaratório  Executivo  que 
excluiu a contribuinte supracitada do Simples Nacional. 

A  exclusão  no  Simples  Nacional  foi  efetuada  devido  a 
contribuinte  possuir  débitos  com  a  Fazenda  Pública 
Federal cuja exigibilidade não se encontrava suspensa. 

A  contribuinte  apresentou  manifestação  de 
inconformidade,  afirmando  que  os  débitos  apontados  se 
encontram  com  a  exigibilidade  suspensa  por  força  do 
Pedido de Homologação, protocolado no dia 31/10/2005, 
ainda  pendente  de  Julgamento  pela  Receita  Federal, 
referente  à  várias  compensações  realizadas  pela 
peticionária  nos  anos  de  1997  a  1999,  inclusive  no 
período  relativo  ao  débito  apontado  como  causa  de  sua 
exclusão do SIMPLES no Ato Declaratório ora impugnado. 

Aduz  que  os  supostos  débitos  dizem  respeito  à 
compensação relativa a créditos da contribuição ao INSS 
com  débitos  do  próprio  INSS  devido  na  sistemática  de 
recolhimento  do  SIMPLES,  sendo  que  o  crédito 
compensado  pela  peticionária  seria  advindo  da 
inconstitucionalidade  do  art.  3º,  inciso  I,  da  Lei  nº 
7.787/89,  notadamente  a  contribuição  previdenciária 
sobre  a  remuneração  paga  aos  administradores, 
autônomos  e  avulsos  no  período  de  09/89  a  04/96, 
contribuição  esta  julgada  inconstitucional  pelo  STF  e 
reconhecida  tal  inconstitucionalidade  pelo  Senado 
Federal,  que  como  já  sabido  de  toda  a  comunidade 
jurídica,  emitiu  Resolução  neste  sentido  (matéria  já 
pacificada nos Tribunais Pátrios). 

Afirma  ainda  possuir  decisão  judicial  transitada  em 
julgado a seu favor a do processo referente ao INSS sobre 
a  Remuneração  de  Avulsos,  Autônomos  e 
Administradores,  na  qual  foi  reconhecido  o  direito  da 
empresa de promover a compensação dos valores pagos a 

Fl. 242DF  CARF  MF

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Processo nº 13982.001611/2008­76 
Acórdão n.º 1802­002.183 

S1­TE02 
Fl. 38 

 
 

 
 

3

maior a titulo da exação com as parcelas devidas ao INSS 
(contribuição incidente sobre a folha de salários). 

Requer, por fim, sua manutenção no Simples Nacional, e o 
cancelamento do ato de exclusão. 

A ARF/Chapecó, por meio do Parecer 63/2009, presta as 
seguintes informações: 

“Analisando  a  documentação  apresentada, 
notadamente  a  cópia  da  informação  fiscal  de  fls. 
171 e 172, verifica­se que: 

­ Em outubro de 2002 o contribuinte protocolizou 
sob  n°13982.001386/2002­82,  Pedido  de 
Restituição  cumulado  com  Pedido  de 
Compensação,  onde  requeria  a  compensação  dos 
débitos  incluídos no âmbito do Sistema  Integrado 
de  Pagamentos  de  Impostos  e  Contribuições  das 
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte ­ 
Simples,  com crédito  relativo ao  INSS/Pró­labore, 
amparado  em  decisão  judicial  transitada  em 
julgado proferida na ação ordinária 96.60022867. 

­  No  entanto,  aquela  solicitação  foi  indeferida, 
conforme  Despacho  Decisório  n°  107/2003, 
proferido naquele processo; 

­  Cientificado  do  indeferimento,  o  contribuinte 
apresentou manifestação de inconformidade junto 
a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em 
Florianópolis/SC,  cujo  processo  se  encontra 
atualmente no Terceiro Conselho de Contribuintes­
DF, conforme documento de fls. 174; 

­  Os  débitos  geradores  do  ato  declaratório  foram 
inscritos  em  Divida  Ativa  através  do  processo 
10925.000985/2003­56 e extintos em 15/03/2009 
por  força  da  Lei  11.941  de  2009,  conforme 
documento de fls. 170. 

Portanto,  o  exame  dos  dispositivos  legais 
supracitados  e dos documentos mencionados  leva 
à conclusão da impossibilidade da revisão de oficio 
do termo de  indeferimento da opção pelo Simples 
Nacional.” 

A contribuinte, por meio de diligência solicitada por esta 
Delegacia  de  Julgamento,  foi  cientificada  dos  novos 
documentos  anexados  ao  processo,  tendo  apresentado 

Fl. 243DF  CARF  MF

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Processo nº 13982.001611/2008­76 
Acórdão n.º 1802­002.183 

S1­TE02 
Fl. 39 

 
 

 
 

4

manifestação  de  inconformidade  com  os  mesmos 
argumentos expostos originalmente.” 

A  DRJ  de  Florianóopolis  (SC)  julgou  improcedente  a  manifestação  de 
inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: 

“ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL 

Ano­calendário: 2008 

DÉBITOS  COM  A  FAZENDA  PÚBLICA  FEDERAL. 
EXCLUSÃO. 

Deve  ser  excluída  do  Simples Nacional  a  pessoa  jurídica 
que possua débitos com a Receita Federal do Brasil  cuja 
exigibilidade não esteja suspensa. 

Manifestação de Inconformidade Improcedente 

Sem Crédito em Litígio” 

Inconformada  com  essa  decisão  da  qual  tomou  ciência  em  29/08/2012,  a 
Recorrente  apresentou  Recurso  Voluntário  em  21/09/2012,  onde  reitera  todas  as  alegações 
feitas  por  ocasião  de  sua  manifestação  de  inconformidade  e,  dentre  outros  argumentos, 
suscitando  que  já  fora  juntada  a  cópia  da  decisão  transitada  em  julgado  do  processo  cuja 
exigibilidade estava sendo questionada. 

Este é o Relatório. 

Fl. 244DF  CARF  MF

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Processo nº 13982.001611/2008­76 
Acórdão n.º 1802­002.183 

S1­TE02 
Fl. 40 

 
 

 
 

5

 

Voto            

Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. 

O recurso voluntário é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. 

Trata­se  o  processo  de  exclusão  do  Simples  Nacional,  onde  a  autoridade 
administrativa considera que existe débito com o INSS, cuja exigibilidade não estaria suspensa, 
ao passo que a Recorrente alega que a exigibilidade a época estava suspensa e que em virtude 
do  êxito  na  esfera  judicial,  agora  com  o  trânsito  em  julgado,  que  o  referido  débito  nunca 
existiu. 

A  Lei  Complementar  nº  123,  de  14/12/2006,  revogou  a  Lei  nº  9.317/96 
(Simples  Federal),  e  instituiu  o  Regime  Especial  Unificado  de  Arrecadação  de  Tributos  e 
Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, 
assim dispõe no artigo 16, caput: 

Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica 
enquadrada na condição de microempresa e empresa de 
pequeno  porte  dar­se­á  na  forma  a  ser  estabelecida  em 
ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o ano­
calendário. 

E no artigo 17 do mesmo diploma legal: 

Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições 
na  forma  do  Simples  Nacional  a  microempresa  ou  a 
empresa de pequeno porte: 

[...] 

V – que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro 
Social  INSS,  ou  com  as  Fazendas  Públicas  Federal, 
Estadual  ou  Municipal,  cuja  exigibilidade  não  esteja 
suspensa; (grifo nosso) 

Vejamos  então  quais  seriam  as  hipóteses  de  suspensão  da  exigibilidade  do 
crédito tributário, de acordo com o CTN. 

Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: 

I ­ moratória; 

II ­ o depósito do seu montante integral; 

III ­ as reclamações e os recursos, nos termos das leis 
reguladoras do processo tributário administrativo; 

Fl. 245DF  CARF  MF

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Processo nº 13982.001611/2008­76 
Acórdão n.º 1802­002.183 

S1­TE02 
Fl. 41 

 
 

 
 

6

IV  ­  a  concessão  de  medida  liminar  em  mandado  de 
segurança. 

V  –  a  concessão  de  medida  liminar  ou  de  tutela 
antecipada, em outras espécies de ação judicial; 

VI – o parcelamento. (grifo nosso) 

Diferentemente  do  entendimento  da  DRJ,  a  Recorrente  estava  com  a 
disponibilidade suspensa por força de processo judicial. 

Além de tudo o que foi argumentado, a  razão sempre assistiu a Recorrente, 
eis que o próprio Poder Judiciário  reconheceu que não  tratava de tributo devido (e­fls. 114 e 
segs.), com sentença transitada em julgado em 28/10/2002 (e­fl. 164). 

Com efeito não há hipótese a considerar que no ano em questão a Recorrente 
estava excluída do Simples Nacional por crédito tributário indevido 

Assim sendo voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. 

(assinado digitalmente) 

Gustavo Junqueira Carneiro Leão  

           

 

           

 

 

Fl. 246DF  CARF  MF

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Ano-calendário:2006
RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTO INTRÍNSECO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. NÃO DEMONSTRAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Para conhecimento do Recurso Especial interposto sob o fundamento de existência de divergência jurisprudencial, deverá o interessado demonstrar fazer constar do recurso interpretação divergente da que lhe dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Examinando o acórdão colacionado como paradigma, verifica­se que a situação enfrentada pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes foi diferente daquela do acórdão recorrido. Tratam-se de premissas fáticas completamente distintas que não se prestam para delinear a divergência pretendida pela Fazenda Nacional, uma vez que o regime jurídico nos casos são diferentes.
No acórdão paradigma resta evidente a existência de dolo por parte do contribuinte, com intuito de fraudar a atuação da entidade fiscal uma vez que a pessoa jurídica obsta o registro das contas bancárias sob exame, restando à margem da contabilidade depósitos bancários em montante superior a R$ 20.052.558,71, nos anos de 2002 a 2004.
Enquanto isso, no caso em tela, a contribuinte apenas não foi hábil a comprovar a origem dos depósitos em sua conta corrente, fato que, por si só, tem como consequência legal o lançamento por omissão de rendimentos, mas não justifica a qualificação da multa aplicada pelo Fisco. Até porque, não há no presente caso elementos que apontem de forma objetiva o dolo utilizado pela recorrente como justificativa para qualificação da multa.
Recurso especial naço conhecido.
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo e Marcos Aurelio Pereira Valadão.

(Assinado digitalmente)
Marcos Aurelio Pereira Valadão  Presidente em exercício

(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Júnior  Relator
EDITADO EM: 26/05//2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurelio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, substituída pelo Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado).

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CSRF­T2 

Fl. 7 

 
 

 
 

1

6 

CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS 

 

Processo nº  10840.720223/2010­39 

Recurso nº               Especial do Procurador 

Acórdão nº  9202­003.142  –  2ª Turma  

Sessão de  27 de março de 2014 

Matéria  IRPF 

Recorrente  FAZENDA NACIONAL 

Interessado  NORMA SUELI NHOUNCANCE CUZZI           

 

ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF 

Ano­calendário:2006 

RECURSO  ESPECIAL.  PRESSUPOSTO  INTRÍNSECO.  DIVERGÊNCIA 
JURISPRUDENCIAL.  SIMILITUDE FÁTICA. NÃO DEMONSTRAÇÃO. 
NÃO CONHECIMENTO. 

Para  conhecimento  do  Recurso  Especial  interposto  sob  o  fundamento  de 
existência  de  divergência  jurisprudencial,  deverá  o  interessado  demonstrar 
fazer  constar  do  recurso  interpretação  divergente  da  que  lhe  dado  outra 
Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. 

Examinando  o  acórdão  colacionado  como  paradigma,  verifica­se  que  a 
situação  enfrentada  pela  Primeira  Câmara  do  Primeiro  Conselho  de 
Contribuintes  foi  diferente  daquela  do  acórdão  recorrido.  Tratam­se  de 
premissas fáticas completamente distintas que não se prestam para delinear a 
divergência pretendida pela Fazenda Nacional, uma vez que o regime jurídico 
nos casos são diferentes. 

No  acórdão  paradigma  resta  evidente  a  existência  de  dolo  por  parte  do 
contribuinte, com intuito de fraudar a atuação da entidade fiscal uma vez que 
a pessoa jurídica obsta o registro das contas bancárias sob exame, restando à 
margem  da  contabilidade  depósitos  bancários  em  montante  superior  a  R$ 
20.052.558,71, nos anos de 2002 a 2004. 

Enquanto  isso,  no  caso  em  tela,  a  contribuinte  apenas  não  foi  hábil  a 
comprovar a origem dos depósitos em sua conta corrente, fato que, por si só, 
tem como consequência legal o lançamento por omissão de rendimentos, mas 
não justifica a qualificação da multa aplicada pelo Fisco. Até porque, não há 
no presente caso elementos que apontem de forma objetiva o dolo utilizado 
pela recorrente como justificativa para qualificação da multa. 

Recurso especial naço conhecido. 

 
 

  

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Fl. 876DF  CARF MF

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2

014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA

 JUNIOR




  2

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer 
do  recurso.  Vencidos  os  Conselheiros  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos,  Marcelo  Oliveira, 
Maria Helena Cotta Cardozo e Marcos Aurelio Pereira Valadão. 

 

(Assinado digitalmente) 

Marcos Aurelio Pereira Valadão – Presidente em exercício  

 

(Assinado digitalmente) 

Manoel Coelho Arruda Júnior – Relator 

EDITADO EM: 26/05//2014 

Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcos  Aurelio 
Pereira Valadão (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki 
Nishioka  (suplente  convocado),  Marcelo  Oliveira,  Manoel  Coelho  Arruda  Junior,  Maria 
Helena  Cotta  Cardozo,  Rycardo  Henrique  Magalhaes  de  Oliveira  e  Elias  Sampaio  Freire. 
Ausente,  justificadamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Ausente,  justificadamente,  a 
Conselheira  Susy Gomes Hoffmann,  substituída  pelo Conselheiro Marcelo  Freitas  de  Souza 
Costa (suplente convocado). 

Relatório 

Trata­se de Auto de Infração decorrente auto de  infração (fls. 02/08) com o 
lançamento de imposto de renda relativo ao ano­calendário 2006 de R$ 512.941,68, de multa 
de ofício de R$ 769.412,52 e de juros de mora calculados até 31/05/2010 de R$ 164.449,10. A 
presente ação fiscal contra o contribuinte foi iniciada, em 17/03/2009, com a ciência do Termo 
de  Início  de  Fiscalização  de  fls.  09/11,  em  que  o  contribuinte  foi  intimado  a,  entre  outros 
documentos relativos à Declaração de Ajuste do ano­calendário 2006, a apresentar extratos das 
contas  correntes mantidas  nas  seguintes  instituições: Banco Real  S.A,  Banco Bradesco  S/A, 
Banco  do  Estado  de  São  Paulo  S/A  –  Banespa,  Banco  Santander  S.A.  A  contribuinte 
apresentou tempestivamente Impugnação ao auto de infração em 23/06/2010 de fls. 660 à 710. 

A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II 
(SP), em face da  impugnação supra, proferiu decisão  (fls. 718 a 733), na qual entendeu pela 
IMPROCEDÊNCIA da impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário exigido. 

Notificada  do  Acórdão  de  primeira  instância,  em  07/06/2011  (vide  AR  de 
fl.736), a contribuinte interpôs, em 04/07/2011, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 738 
a 791, no qual reitera, basicamente, os termos de sua impugnação. 

O colegiado da 2ª  turma ordinária da 2ª câmara, da 2ª seção deste conselho 
decidiu dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo­a ao 
percentual de 75%, verbis: 

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Processo nº 10840.720223/2010­39 
Acórdão n.º 9202­003.142 

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Fl. 8 

 
 

 
 

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 “ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA 
FÍSICA ­ IRPF 

Ano­calendário: 2006 

DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS 
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em 
conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando 
o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante 
documentação hábil  e  idônea, a origem dos  recursos utilizados 
nessas  operações,  sendo  dispensável  comprovar  o  consumo  da 
renda representado pelos depósitos bancários (Súmula CARF no 
26, em vigor desde 22/12/2009). 

DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  VALORES  COMPROVADOS. 
TRIBUTAÇÃO. Os depósitos bancários cuja origem houver sido 
comprovada sujeitam­se a tributação de acordo com as normas 
específicas  previstas  na  legislação  vigente  à  época  em  que  os 
rendimentos foram auferidos ou recebidos.  

ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  

Ano­calendário: 2006 

IMPUGNAÇÃO.  MARCO  INICIAL  DO  CONTENCIOSO.  No 
âmbito do processo administrativo fiscal, o litígio só se instaura 
com  a  apresentação  da  impugnação  tempestiva  do  crédito 
tributário  regularmente  constituído  pelo  lançamento,  não  se 
podendo assim cogitar de preterição do direito de defesa antes 
de iniciada a fase contenciosa.  

CERCEAMENTO  DIREITO  DEFESA.  DESCONSIDERAÇÃO 
DE  PROVAS.  INOCORRÊNCIA.  Não  caracteriza  cerceamento 
do direito de defesa a desconsideração por parte da fiscalização 
das  provas  apresentadas  pelo  contribuinte,  tendo  ele  a 
oportunidade  de  apresentar  impugnação  e  recurso  voluntário, 
submetendo­as  à  apresentação  dos  órgãos  julgadores 
responsáveis pela solução do litígio. 

PERÍCIA. INDEFERIMENTO É de se indeferir a solicitação de 
perícia  quando  não  for  necessário  o  conhecimento  técnico 
especializado,  não  podendo  servir  para  suprir  a  omissão  do 
contribuinte na produção de provas que ele tinha a obrigação de 
trazer aos autos. 

ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO 

Ano­calendário: 2006 

INCONSTITUCIONALIDADE  É  vedado  o  afastamento  da 
aplicação  da  legislação  tributária  sob  o  argumento  de 
inconstitucionalidade,  por  força  do  disposto  no  Regimento 
Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais. 
Matéria  que  já  se  encontra  pacificada  pela  Súmula  no  2  do 
CARF,  em  vigor  desde  22/12/2009.JUROS  DE  MORA.  TAXA 
SELIC A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios dos 

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débitos  para  com  a  Fazenda  Nacional  passaram  a  ser 
equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de 
Liquidação  e  de  Custódia  ­  Selic  para  títulos  federais, 
acumulada  mensalmente,  de  acordo  com  precedentes  já 
definidos pela Súmula no 4 do CARF, vigente desde 22/12/2009.” 

A  Fazenda  Nacional,  inconformada  com  o  decidido  no  Acórdão  de  nº 
220201.569,  proferido  em  19/01/2012,  interpôs  Recurso  Especial  à  Câmara  Superior  de 
Recursos  Fiscais,  com  fulcro  nos  artigos  67  e  68  do  Regimento  Interno  do  Conselho 
Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho 
de 2009, visando a revisão do julgado. 

É o relatório. 

Voto            

Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator 

O recurso especial  interposto pela Fazenda Nacional é  tempestivo e passo a 
analisar a sua admissibilidade no que se refere à configuração da divergência. 

A apreciação do presente recurso considera o disposto nos arts. 7, inciso I, e 
15, do RICSRF (Anexo II da Portaria MF n 147/2007) c/c o art 4 da Portaria MF n 256/2009, a 
seguir transcritos: 

Art.7 Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas 
Turmas,julgar recurso especial interposto contra: 

 I­decisão  não­unânime da Câmara,  quando  for  contrária  à  lei 
ou à evidência da prova; (...)  

§1 No caso do inciso I, o recurso é privativo do Procurador da 
Fazenda  Nacional;  no  caso  do  inciso  II,  sua  interposição  é 
facultada também ao sujeito passivo.(...). 

Art.15.Orecursoespecial,doProcuradordaFazendaNacionaloudo
sujeitopassivo,deveráserformalizadoempetiçãodirigidaao 
Presidente  da  Câmara  que  houver  prolatado  a 
decisãorecorrida,noprazodequinzediascontadosdadatadaciência
dadecisão. 

§1º  Na  hipótese  de  que  trata  o  inciso  I  do  art.  7º 
desteRegimento,orecursodeverádemonstrar,fundamentadamente,
acontrariedadeàleiouàevidênciadaprovae,havendomatériasautôn
omas,  o  recurso  especial  alcançará  apenas  a  parte  da  decisão 
não unânime contrária à Fazenda Nacional.(...) 

Art.4°Os  recursos  com  base  no  inciso  I  do  art.7°e  do  art.9°do 
Regimento  Interno  da  Câmara  Superior  de  Recursos 
Fiscais,aprovado  pela Portaria MF  n°  147,  de  25  de  junho  de 
2007,interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de 
julgamento  ocorridas  em  data  anterior  à  vigência  do  Anexo 
IIdestaPortaria,serãoprocessadosdeacordocomoritoprevistonosa
rts.15e16enosarts.43e44daqueleRegimento. 

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Processo nº 10840.720223/2010­39 
Acórdão n.º 9202­003.142 

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Fl. 9 

 
 

 
 

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Conforme  se  infere  do  voto  proferido  nos  autos  do  acórdão  recorrido,  a 
Câmara a quo  analisou, em suma, os depósitos bancários não escriturados ou de origem não 
comprovada  existentes  referentes  à  renda  de  pessoa  física,  conforme  consta  da  quantia 
movimentada  no  decorrer  do  ano,  sem  que  a  impugnante  fosse  capaz  de  comprovar  com 
documentos hábeis a origem crédito em sua conta corrente. 

Paralelamente,  o  acórdão  utilizado  como paradigma pela  Fazenda Nacional 
refere­se  à  análise  acerca  da  omissão  de  receita  os  valores  depositados  em  conta  corrente 
mantidas à margem da contabilidade, como depreende­se do abaixo: 

 “Assunto:  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Jurídica  IRPJ 
Exercício:  2003  a  2005  DECADÊNCIA  O  direito  da  Fazenda 
Pública  de  realizar  o  lançamento,  no  caso  de  tributo  sujeito  a 
lançamento por homologação, está previsto no art. 150 do CTN, 
sendo  de  cinco  anos  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador, 
salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 
Se  caracterizada  a  conduta  dolosa  da  contribuinte,  o  prazo 
decadencial deve ser contado em conformidade com o art. 173, I, 
do  CTN.  OMISSÃO  DE  RECEITAS  Caracterizam  omissão  de 
receitas  os  valores  depositados  em  conta  corrente  mantidas  à 
margem da contabilidade. MULTA QUALIFICADA A multa  de 
ofício  qualificada  deve  ser  mantida  se  comprovada  a  fraude 
realizada  pelo  Contribuinte,  constatados  a  divergência  entre  a 
verdade  real  e  a  verdade  declarada  pelo  Contribuinte,  e  seus 
motivos  simulatórios.  Recurso  Voluntário  Negado.  (Grifos 
nossos) 

 (...) 

No  presente  caso,  observa­se  que  a  pessoa  jurídica  fiscalizada 
sequer  registrou  a  existência  das  contas  bancárias  sob  exame, 
deixando  à  margem  da  contabilidade  depósitos  bancários  em 
montante superior a R$ 20.052.558,71, nos anos de 2002 a 2004. 
A  própria  contribuinte,  em  petição  de  fls.  1660/1664,  admite 
que  as  contas  bancárias  estavam à margem da  contabilidade. 
De  acordo  com  as  planilhas  de  fls.  1761  e  1762,  os  valores 
contabilizados  não  chegam  a  10%  dos  valores movimentados 
em  instituições  financeiras  de  titularidade  da  contribuinte, 
caracterizando,  dessa  maneira,  a  intenção  fraudulenta  da 
contribuinte.”(grifou­se) 

Examinando  o  acórdão  colacionado  como  paradigma,  verifica­se  que  a 
situação enfrentada pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes foi diferente 
daquela  do  acórdão  recorrido.  Tratam­se,  a  meu  ver,  de  premissas  fáticas  completamente 
distintas  que  não  se  prestam  para  delinear  a  divergência  pretendida  pela  Fazenda Nacional, 
uma vez que o regime jurídico nos casos são diferentes. 

No  acórdão  paradigma  resta  evidente  a  existência  de  dolo  por  parte  do 
contribuinte, com intuito de fraudar a atuação da entidade fiscal uma vez que a pessoa jurídica 
obsta o registro das contas bancárias sob exame, restando à margem da contabilidade depósitos 
bancários em montante superior a R$ 20.052.558,71, nos anos de 2002 a 2004, verbis; 

 (...)  “Conforme  já mencionado,  os  sócios­administradores  não 
registraram na  escrituração da empresa  a  existência  de  contas 

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bancárias  de  titularidade  desta,  deixando  de  contabilizar  fluxo 
monetário durante três anos consecutivos, em valores superiores 
a R$ 20.000.000,00. A omissão de receitas, de forma reiterada e 
por três anos­calendários consecutivos, caracteriza a hipótese de 
responsabilidade tributária dos sócios­administradores, em face 
de manifesta infração dolosa à lei.” 

Enquanto  isso,  no  caso  em  tela  a  contribuinte  apenas  não  foi  hábil  a 
comprovar  a  origem  dos  depósitos  em  sua  conta  corrente,  fato  que,  por  si  só,  tem  como 
consequência legal o lançamento por omissão de rendimentos, mas não justifica a qualificação 
da multa aplicada pelo Fisco. Até porque, não há no presente caso elementos que apontem de 
forma objetiva o dolo utilizado pela recorrente como justificativa para qualificação da multa. 

Diante  disso,  não  verifico  a  similitude  entre  o  v  acórdão  recorrido  e  o 
paradigma  apresentado  pela  Procuradoria,  considerando  que  este  não  enfrentou  a  questão 
jurídica que seria central na reversão do resultado do julgamento no presente caso. 

No mesmo sentido, está consolidada a jurisprudência desta Câmara Superior 
no  que  tange  à  inadmissibilidade  de  recursos  especiais  nos  quais  os  acórdãos  paradigmas 
colacionados não atendem os requisitos legais, transcrevo abaixo alguns julgados: 

 “RECURSO  ESPECIAL.  NORMAS  PROCESSUAIS. 
ADMISSIBILIDADE.  A  falta  de  similitude  entre  o  substrato 
fático  da  situação  guerreada  e  aquele  do  acórdão  paradigma 
impede  o  conhecimento  do  recurso  especial  em  face  da  não 
caracterização  da  divergência.  Recurso  especial  não 
conhecido.(Processo  nº  13603.72144/2007­13,  acórdão  nº 
343.353,  2ª  turma  da  Câmara  superior  de  recursos  fiscais, 
Relator: Gustavo Lian Haddad, data do julgamento 6/11/2013)” 

“RECURSO  ESPECIAL.  DIVERGÊNCIA  NÃO 
CONFIGURADA.  NÃO  CONHECIMENTO.Não  deve  ser 
conhecido  recurso  especial  interposto  com  base  em  acórdão 
prolatado  diante  de  situação  fática  que  não  corresponde  à 
hipótese  figurada  nos  autos  em  que  foi  prolatado  o  acórdão 
recorrido. Ao passo que o presente processo trata da eficácia da 
realização  de  depósito  judicial  para  atender  à  condição 
necessária  ao  gozo  da  anistia  prevista  no  artigo  12  da MP  nº 
75/2002,o acórdão utilizado como paradigma refere­se à análise 
sobre a possibilidade de que o depósito judicial seja considerado 
como  pagamento 
parafinsdadispensabilidadedalavraturadeautodeinfraçãoparapre
venira  decadência.  Recurso  Especial  do  Procurador  Não 
Conhecido.  (Processo  nº  10680.01856/2003­62,  Acórdão  nº 
9303­002.451, Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos 
Fiscais, Relatora: Nanci Gama, data do julgamento 8/10/2013). 

Em  face  a  todo  exposto,  voto  no  sentido  de NÃO CONHECER  o  recurso 
especial interposto pela Fazenda Nacional por não ter sido configurada a divergência. 

É o voto. 

(Assinado digitalmente) 

Manoel Coelho Arruda Junior 

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Processo nº 10840.720223/2010­39 
Acórdão n.º 9202­003.142 

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014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA

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Exercício: 2006
BENEFÍCIO FISCAL DE REDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. RECONHECIMENTO RETROATIVO. EFICÁCIA.
Confere-se eficácia plena a Laudo Constitutivo, e respectivo Ato Declaratório Executivo, que reconheceram o benefício fiscal de redução do imposto de renda de forma retroativa, de modo a propiciar à Recorrente todos os direitos que possuiria se tais normas individuais e concretas houvessem sido editadas contemporaneamente aos fatos tributários.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.

(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva  Presidente

(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator

Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto.



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S1­TE03 

Fl. 100 

 
 

 
 

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S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  10380.904900/2009­09 

Recurso nº               Voluntário 

Acórdão nº  1803­002.117  –  3ª Turma Especial  

Sessão de  8 de abril de 2014 

Matéria  IRPJ ­ COMPENSAÇÃO 

Recorrente  GRANDE MOINHO CEARENSE S/A 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO 

Exercício: 2006 

BENEFÍCIO  FISCAL  DE  REDUÇÃO  DO  IMPOSTO  DE  RENDA. 
RECONHECIMENTO RETROATIVO. EFICÁCIA. 

Confere­se eficácia plena a Laudo Constitutivo, e respectivo Ato Declaratório 
Executivo,  que  reconheceram  o  benefício  fiscal  de  redução  do  imposto  de 
renda de forma retroativa, de modo a propiciar à Recorrente todos os direitos 
que possuiria se tais normas individuais e concretas houvessem sido editadas 
contemporaneamente aos fatos tributários. 

 
 

  

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Fl. 100DF  CARF MF

Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2

014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA




Processo nº 10380.904900/2009­09 
Acórdão n.º 1803­002.117 

S1­TE03 
Fl. 101 

 
 

 
 

2

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar 
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. 

 

(assinado digitalmente) 

Cármen Ferreira Saraiva – Presidente 

 

(assinado digitalmente) 

Sérgio Rodrigues Mendes ­ Relator 

 

Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Cármen  Ferreira 
Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, 
Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto. 

 

Fl. 101DF  CARF MF

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014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA



Processo nº 10380.904900/2009­09 
Acórdão n.º 1803­002.117 

S1­TE03 
Fl. 102 

 
 

 
 

3

 

Relatório 

Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório 
do acórdão recorrido (fls. 66­verso): 

Trata­se  de  Manifestação  de  Inconformidade  interposta  contra  Despacho 
Decisório  que  indeferiu  a  declaração  de  compensação  informada  por  meio  do 
PER/DCOMP nº 23992.39927.190106.1.3.04­4498.  

2.  O pedido de compensação objetivava compensar débito(s) com suposto 
pagamento a maior de Cofins (sic), efetuado em 28/02/2005. O Despacho Decisório 
(fls. 06/07) considerou improcedente o crédito informado na PER/DCOMP, à luz da 
seguinte fundamentação: 

Limite do  crédito analisado correspondente ao  valor do  crédito original na 
data  de  transmissão  informado  no  PER/DCOMP:  R$  146.750,11.  Analisadas  as 
informações  prestadas  no  documento  acima  identificado,  foi  constatada  a 
improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratar­se de pagamento a 
título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que 
o  recolhimento  somente  pode  ser  utilizado  na  dedução  do  Imposto  de  Renda  da 
Pessoa Jurídica – IRPJ ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL 
devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ 
ou CSLL do período. 

3.  O referido decisório está arrimado no seguinte enquadramento legal: os 
arts. 165 e 170 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); art. 10 da IN SRF n° 
600, de 2005; art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 

4.  Cientificado  da  decisão  em  03/04/2009  (fls.  08),  o  administrado 
apresentou manifestação de inconformidade (fls. 09/12), requerendo a homologação 
da  compensação  pleiteada  com  crédito  oriundo  de  pagamento  a  maior,  com  as 
seguintes alegações:  

a)  O pagamento a maior deveu­se ao fato de que o requerente não deduziu 
corretamente,  da base  de  cálculo  do  imposto,  as  receitas  da  atividade  incentivada, 
nos termos do artigo 223, § 6°, do RIR/1999; 

b)  O  crédito  que  o  requerente  possui  não  diz  respeito  a  uma  eventual 
diferença no resultado anual, ou seja, não decorre do ajuste relativo à efetiva base de 
cálculo do imposto, mas sim ao valor excedente indevidamente recolhido aos cofres 
públicos; 

c)  Trouxe decisões administrativas em seu favor. 

5.  Os  processos  n°  10380.905390/2009­89,  10380.905389/2009­54, 
10380.905388/2009­18  e  10380.904900/2009­09  foram  julgados  em  conjunto,  por 
referirem­se ao mesmo crédito pleiteado. 

2.  A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 66): 

ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ 

Fl. 102DF  CARF MF

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014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA



Processo nº 10380.904900/2009­09 
Acórdão n.º 1803­002.117 

S1­TE03 
Fl. 103 

 
 

 
 

4

Ano­calendário: 2005 

INDÉBITO  DE  ESTIMATIVA  MENSAL.  SALDO  NEGATIVO. 
BALANCETE  DE  SUSPENSÃO/REDUÇÃO  IRREGULAR.  DEFERIMENTO 
PARCIAL. 

Não  caracterizado  o  indébito  do  pagamento  de  estimativa,  surgido  com  a 
apresentação de Balancete de Suspensão/Redução  irregular,  deve  ser  atendido,  em 
parte,  o  pedido  formulado,  na  forma  de  saldo  negativo,  desde  que  presentes  as 
seguintes condições: (i) o requerente não utilizou o alegado pagamento indevido de 
estimativa no ajuste anual do imposto ou contribuição; (ii) o sujeito passivo declarou 
saldo negativo. 

BALANCETE DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO. REGULARIDADE. PRAZO. 

É  irregular  o  Balancete  de  Suspensão/Redução,  original  ou  retificador,  que 
houver sido elaborado ou transcrito, nos livros Diário e Lalur, depois do vencimento 
do débito de estimativa, cujo pagamento se pretenda suspender ou reduzir. 

Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte 

Direito Creditório Reconhecido em Parte 

3.  Cientificada  da  referida  decisão  em  27/04/2011  (fls.  73),  a  tempo,  em 
20/05/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 77 a 82, nele argumentando, em síntese: 

a)  que,  apresentada  manifestação  de  inconformidade,  a  DRJ/FOR 
reconheceu a legitimidade da compensação, mas acolheu apenas em parte 
o  pedido,  para  excluir  do  crédito  o  valor  relativo  à  sua  atualização 
mensal, e determinar que tal atualização somente tivesse início em janeiro 
de  2006.  Para  tanto,  entendeu  que  o  pagamento  da  estimativa  do  IRPJ 
somente  se  tornou  indevido  (a maior)  com  a  apuração  do  imposto,  que 
ocorreu no dia 31 de dezembro de 2006 (sic), e que, depois de encerrado 
o  exercício,  não  poderia  mais  haver  a  retificação  dos  Balancetes  de 
Suspensão ou Redução BSR; 

b)  que  a  decisão  recorrida  faz  indevida  referência  ao  Balancete  de 
Suspensão ou Redução — BSR, que não foi o motivo da constatação do 
pagamento indevido das antecipações; 

c)  que, na verdade — independentemente da apuração do  resultado parcial 
que ocorre nos referidos balancetes — a Recorrente pagou a estimativa de 
forma  incorreta  e  a  maior.  Isso  porque  deixou  de  deduzir  da  base  de 
calculo  da  estimativa  o  valor  correspondente  às  receitas  da  atividade 
incentivada  (Benefício  concedido  pela Agência  de Desenvolvimento  do 
Nordeste  ­ ADENE em 20.12.2005, com efeitos  retroativos a  janeiro de 
2005), nos termos do § 6º do art. 223 do RIR/99); 

d)  que, uma vez aplicada corretamente a legislação que trata da apuração da 
base de cálculo da estimativa de IRPJ, o valor a ser pago deveria ser bem 
menor.  Assim,  trata­se  de  pagamento  indevido  cujo  crédito  dele 
decorrente poderia ser aproveitado no mês seguinte. Como tal, portanto, 
deve ser considerado para efeito de atualização pela SELIC; 

Fl. 103DF  CARF MF

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

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014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA



Processo nº 10380.904900/2009­09 
Acórdão n.º 1803­002.117 

S1­TE03 
Fl. 104 

 
 

 
 

5

e)  que, na verdade, a própria decisão recorrida reconhece que o pagamento 
indevido  pode  restar  consumado  no  mesmo  mês  do  recolhimento  da 
estimativa, nos casos em que houver erro manifesto na apuração da base 
de cálculo sobre a receita bruta, como é precisamente o caso de que aqui 
se cuida. Os julgadores de primeiro grau deixaram de aplicar a SELIC a 
partir  do  mês  seguinte  ao  recolhimento  indevido  apenas  em  razão  do 
equívoco de considerar relevante o BSR, quando neste caso não o é; 

f)  que, com a revogação do art. 10 da  Instrução Normativa nº 600/2005, a 
Administração  Tributária  reconheceu  o  direito  de  os  contribuintes 
utilizarem o crédito oriundo dos pagamentos  indevidos de estimativa de 
IRPJ  para  compensar  com  débitos  de  outros  tributos  devidos  dentro  do 
mesmo ano, ou seja, antes da apuração feita em dezembro; e 

g)  que  não  há  a menor dúvida,  portanto,  de  que os  créditos  da Recorrente 
devem ser atualizados pela SELIC a partir do mês subsequente àquele em 
que ocorreu o pagamento indevido. 

Em mesa para julgamento. 

Voto            

Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator 

Atendidos  os  pressupostos  formais  e  materiais,  tomo  conhecimento  do 
Recurso. 

Estimativa paga indevidamente 

2.  O  presente  voto  se  reporta  a  diversos  processos  da Recorrente,  atinentes  a 
Pedidos  de  Ressarcimento  ou  Restituição/Declaração  de  Compensação  (Per/DComp),  cujos 
créditos pleiteados, decorrentes de pagamentos indevidos do IRPJ mensal por estimativa, são 
referentes  aos meses de  fevereiro, março,  setembro, outubro  e novembro  de 2005  (meses de 
pagamento). 

3.  Os  despachos  decisórios  de  todos  esses  processos  não  homologaram  as 
compensações  declaradas  mediante  Per/DComp,  com  fundamento  no  art.  10  da  Instrução 
Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. 

4.  Superada  essa  questão  já  nas  próprias  decisões  recorridas,  adentrou­se  ao 
mérito  do  pedido,  manifestando­se,  essas  decisões,  em  contrariedade  parcial  ao  pleito  da 
Recorrente, sob os seguintes fundamentos: 

a.  que,  no  caso,  se  trata  de  pagamento  a maior,  ou  seja,  devido  segundo 
determinação  legal  vigente  à  época  em  que  efetuado,  e  não  de 
pagamento indevido; 

b.  que, tendo o Balancete de Suspensão ou Redução (BSR) a finalidade de 
suspender  ou  reduzir  o  pagamento  da  estimativa  de  determinado mês, 
tais efeitos se exaurem no vencimento da correspondente estimativa, de 

Fl. 104DF  CARF MF

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

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014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA



Processo nº 10380.904900/2009­09 
Acórdão n.º 1803­002.117 

S1­TE03 
Fl. 105 

 
 

 
 

6

modo que eles não podem ser produzidos ou retificados posteriormente 
com eficácia retroativa; 

c.  que  o  BSR  apresentado  altera  a  forma  de  apuração  do  débito  de 
estimativa, originalmente determinado sobre a  receita bruta  (em alguns 
processos); e 

d.  que o ato concessivo do incentivo fiscal possui caráter constitutivo, não 
podendo retroagir ao início do ano de 2005. 

5.  Dessa forma, as decisões recorridas negaram a caracterização de pagamento 
indevido de estimativa, mas o admitiram como pagamento a maior do imposto, reconhecendo 
parcialmente  o  direito  creditório  pleiteado,  considerando­o  válido,  para  efeito  de  atualização 
monetária, a partir de janeiro de 2006. 

6.  Posta  assim a questão,  cumpre dizer,  de  início, que  é  fato  incontroverso  a 
existência de direito creditório por parte da Recorrente. 

7.  A única discussão que remanesce nos autos é quanto ao termo inicial a ser 
considerado  para  a  efetivação  desse  direito  creditório,  se  da  data  de  cada  pagamento 
efetuado, no decorrer do ano­calendário de 2005, ou se de janeiro de 2006, como entenderam 
as decisões recorridas. 

8.   Chamo  a  atenção  para  o  fato  de  que  não  se  está  diante  de  pedido  de 
retificação  ou  de  elaboração  de  BSR,  mas  de  pleito  de  restituição/compensação  de  valor 
pago indevidamente. 

9.  Assim, não procede a extensa argumentação da decisão recorrida, no sentido 
de ser impossível dita retificação ou elaboração e de que o BSR apresentado alteraria a forma 
de  apuração  do  débito  de  estimativa,  originalmente  determinado  sobre  a  receita  bruta  (em 
alguns processos). 

10.  Abre­se, aqui, um parêntese para se destacar o que segue. 

11.  Por  meio  do  Laudo  Constitutivo  nº  0334/2005,  de  20  de  dezembro  de 
2005,  expedido pela Agência de Desenvolvimento do Nordeste  (ADENE),  teve a Recorrente 
reconhecido o benefício fiscal de Redução do Imposto de Renda, nos termos do art. 13 da Lei 
nº 4.239, de 27 de junho de 1963, com a nova redação dada pelo art. 3º da Lei nº 9.532, de 10 
de dezembro de 1997, e alterações posteriores, conforme Medida Provisória nº 2.199­14, de 24 
de  agosto  de 2001  e Decreto  nº  4.213,  de  26  de  abril  de  2002,  sendo o  início do prazo de 
fruição do benefício o ano­calendário de 2005. 

12.  Posteriormente, pelo Ato Declaratório Executivo nº 016, de 13 de março 
de 2006, a Delegacia da Receita Federal em Fortaleza­CE reconheceu que a Recorrente faz jus 
à redução do imposto de renda, e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro da 
exploração, relativamente ao empreendimento de que trata o Laudo Constitutivo nº 0334/2005, 
expedido  pelo Ministério  da  Integração  Nacional,  na  forma  ali  discriminada  (Percentual  de 
redução do  Imposto de Renda e  adicionais não  restituíveís: 75% (setenta e cinco por cento); 
Início  do  prazo  de  fruição  do  beneficio:  ano­calendário  2005;  Prazo  total  de  fruição:  10 
anos; Término do prazo de fruição do beneficio: ano­calendário de 2014). 

Fl. 105DF  CARF MF

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014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA



Processo nº 10380.904900/2009­09 
Acórdão n.º 1803­002.117 

S1­TE03 
Fl. 106 

 
 

 
 

7

13.  Fechado  o  parêntese,  observa­se  que,  na  determinação  do  imposto  devido 
mensalmente com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução (BSR), no período 
abrangido por esse mesmo balanço ou balancete, admite­se a dedução dos incentivos fiscais 
Regionais de Redução e/ou Isenção do Imposto. 

14.  Logicamente, se o citado Laudo Constitutivo, e o respectivo Ato Declaratório 
Executivo,  houvesse  sido  emitido  antes  do  início  do  ano­calendário  de  2005,  não  teria  feito 
uso, a Recorrente, da determinação do  imposto devido mensalmente com base em estimativa 
sobre a receita bruta (o que se deu em alguns processos), mas, sim, daquela primeira (BSR). 

15.  Não  é,  pois,  correto,  se  pretender  equiparar  a  situação  em  análise  a  uma 
espécie de “mudança de opção” (em alguns processos), tomada ao livre arbítrio da Recorrente, 
para a situação excepcional ora analisada. 

16.  Trata­se,  como  visto,  de  fato  superveniente  e  relevante,  com  reflexos 
retroativos por  força de  lei,  como  segue  (ano­calendário  em que o  empreendimento  entrou 
em operação ­ 2002): 

Art.  1º  Sem  prejuízo  das  demais  normas  em  vigor  aplicáveis  à 
matéria,  a  partir  do  ano­calendário  de  2000,  as  pessoas 
jurídicas que tenham projeto protocolizado e aprovado até 31 de 
dezembro de 2013 para instalação, ampliação, modernização ou 
diversificação  enquadrado  em  setores  da  economia 
considerados,  em  ato  do  Poder  Executivo,  prioritários  para  o 
desenvolvimento  regional,  nas  áreas  de  atuação  das  extintas 
Superintendência  de  Desenvolvimento  do  Nordeste  ­  Sudene  e 
Superintendência  de  Desenvolvimento  da  Amazônia  ­  Sudam, 
terão  direito  à  redução  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  do 
imposto  sobre  a  renda  e  adicionais,  calculados  com  base  no 
lucro da exploração. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) 

§ 1º A fruição do benefício fiscal referido no caput deste artigo 
dar­se­á a partir do ano­calendário subseqüente àquele em que 
o  projeto  de  instalação,  ampliação,  modernização  ou 
diversificação entrar em operação, segundo laudo expedido pelo 
Ministério da  Integração Nacional até o último dia útil do mês 
de  março  do  ano­calendário  subseqüente  ao  do  início  da 
operação. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) 

§ 2º Na hipótese de expedição de laudo constitutivo após a data 
referida no § 1º, a fruição do benefício dar­se­á a partir do ano­
calendário da expedição do laudo. 

§ 3º O prazo de fruição do benefício fiscal será de 10 (dez) anos, 
contado  a  partir  do  ano­calendário  de  início  de  sua  fruição. 
(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) 

17.  Essa,  aliás,  a  conclusão  a  que  chegou  a  Informação  Fiscal  que  instruiu  a 
edição do mencionado Ato Declaratório Executivo: 

4.4. De acordo com os parágrafos 1º a 3º do art. 73 da Instrução 
Normativa nº 267, de 23 de dezembro de 2002 c/c o § 3º do art. 
1º da Medida Provisória nº 2.199­14, de 24 de agosto de 2001, 
com  a  redação  dada  pelo  art.  32  da  Lei  nº  11.196/2005,  a 

Fl. 106DF  CARF MF

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Acórdão n.º 1803­002.117 

S1­TE03 
Fl. 107 

 
 

 
 

8

fruição do benefício se dará, a partir do ano­calendário 2005 até 
o  ano­calendário  2014,  tendo  em  vista  que  o  empreendimento 
entrou  em  operação  no  ano­calendário  2002  e  o  Laudo 
Constitutivo foi expedido em 20 de dezembro de 2005 (fls. 24 a 
28). 

18.  E se referido favor fiscal possui, inegavelmente, efeitos ex tunc, não se pode 
pretender  limitar esses  efeitos com  fundamento  em procedimentos adotados pela Recorrente, 
quando ainda não reconhecido a ela aquele benefício. 

19.  Portanto, é de se conferir eficácia plena ao Laudo Constitutivo, e respectivo 
Ato Declaratório  Executivo,  que  reconheceram  o  benefício  fiscal  de  redução  do  imposto  de 
renda de forma retroativa, de modo a propiciar à Recorrente todos os direitos que possuiria se 
tais  normas  individuais  e  concretas  houvessem  sido  editadas  contemporaneamente  aos 
fatos tributários. 

20.  Afirma a decisão recorrida que, no caso, se trataria de “pagamento a maior”, 
ou  seja,  devido  segundo  determinação  legal  vigente  à  época  em  que  efetuado,  e  não  de 
“pagamento indevido”. 

21.  Se,  por  “pagamento  devido”  deve  ser  entendido  aquele  efetuado  de  acordo 
com a lei vigente ao tempo de sua realização – como, aliás, entende a própria decisão recorrida 
­  está­se  diante  de  um  pagamento  indevido,  já  que  a  lei  vigente  àquela  época  era  a  que 
concedia  o  benefício  fiscal  à  Recorrente,  fato  esse  reconhecido  posteriormente,  de  forma 
expressa, tanto pela ADENE, quanto pela RFB. 

22.  Afirma, ainda, a decisão recorrida que a utilização do BSR seria uma opção 
do  contribuinte  e  se  destinaria  a  suspender ou  reduzir  o  pagamento  do  imposto/contribuição 
devido  em  cada mês  (tendo por  referência  o  que  seria  recolhido  com base  na  receita  bruta), 
uma vez demonstrado que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto/contribuição, 
inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. 

23.  Sucede,  porém,  que,  no  presente  caso,  em  face  da  retroação  do  benefício 
fiscal  obtido  pela  Recorrente,  o  BSR  terá  outra  função,  que  não  a  de  simples  redução  ou 
suspensão  de  antecipação  mensal,  qual  seja,  apurar  se  ­  e  em  que  mês  ­  no  período 
correspondente, efetuou­se pagamento que, em face daquele benefício, não se teria procedido 
(“pagamento indevido”). 

24.  Não  se  trata,  portanto,  de  “gerar  pagamento  indevido  de  estimativa”,  mas, 
apenas, de reconhecer a sua inevitável existência no caso em análise. 

25.  Defende, ainda, a decisão recorrida, que o ato concessivo do incentivo fiscal 
possuiria caráter constitutivo, não podendo retroagir ao início do ano de 2005. 

26.  Considerando,  porém,  que  a  própria  Delegacia  da  Receita  Federal  em 
Fortaleza reconheceu a redução de imposto de renda, por meio do Ato Declaratório Executivo 
(ADE) nº 16, de 13/03/2006, com início do prazo de fruição do beneficio no ano­calendário 
2005,  não  se  sustenta o  alegado  “caráter  constitutivo do  ato  concessivo do  incentivo  fiscal”, 
mas sim, a sua natureza meramente declaratória, com a inevitável retroação de seus efeitos ao 
início do ano­calendário apontado.  

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014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA



Processo nº 10380.904900/2009­09 
Acórdão n.º 1803­002.117 

S1­TE03 
Fl. 108 

 
 

 
 

9

27.  Por  fim,  ainda que ultrapassado  tudo o que  se disse,  deve­se  ter presente o 
contido  no  §  3º  do  art.  15  da  Lei  nº  9.249,  de  26  de  dezembro  de  1995,  de  seguinte  teor 
(destacou­se): 

Art.  15.  A  base  de  cálculo  do  imposto,  em  cada  mês,  será 
determinada  mediante  a  aplicação  do  percentual  de  oito  por 
cento  sobre a  receita bruta auferida mensalmente,  observado o 
disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 
1995. 

 [...]. 

§  3º  As  receitas  provenientes  de  atividade  incentivada  não 
comporão  a  base  de  cálculo  do  imposto,  na  proporção  do 
benefício  a  que  a  pessoa  jurídica,  submetida  ao  regime  de 
tributação com base no lucro real, fizer jus. 1 

28.  Considerando­se  que  100%  (cem  por  cento)  da  receita  da  Recorrente  é 
incentivada,  apenas  25%  dessa  receita  comporia  a  base  de  cálculo  para  determinação  do 
imposto devido mensalmente com base em estimativa sobre a receita bruta (redução de 75%): 

 

 

 

                                                           
1 Perguntas e Respostas – DIPJ 2006: 
 
604 Na determinação da base de cálculo estimada qual o tratamento aplicável às receitas provenientes de 
atividades incentivadas (isenção ou redução)? 
 
A pessoa jurídica que gozar de incentivos fiscais calculados com base no lucro da exploração poderá excluir da 
receita bruta total, para fins de determinação da base de cálculo estimada, o valor da receita bruta ou redução a 
que tiver direito. 
 
O valor efetivo do benefício de isenção ou redução calculado com base no lucro da exploração será determinado 
em 31 de dezembro de cada ano. 
 
Disponível  em:  &lt;www.receita.fazenda.gov.br/publico/perguntao/dipj2006/PergRespDIPJ2006.pdf&gt;.  Acesso  em: 
30 mar. 2014. 

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Processo nº 10380.904900/2009­09 
Acórdão n.º 1803­002.117 

S1­TE03 
Fl. 109 

 
 

 
 

10

Conclusão 

Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto 
no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório 
adicional, a título de pagamento a maior de estimativa, de R$ 146.750,11, relativo a fevereiro 
de  2005,  na  parte  correspondente  à  Selic  calculada  até  janeiro  de  2006,  e  homologar  a 
compensação pleiteada dos débitos que a ele façam referência até o limite do direito creditório 
reconhecido  (processos  nºs  10380.905390/2009­89,  10380.905389/2009­54, 
10380.905388/2009­18 e 10380.904900/2009­09). 

É como voto. 

 

(assinado digitalmente) 

Sérgio Rodrigues Mendes 

           

           

 

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Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.

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S3­TE03 

Fl. 10 

 
 

 
 

1

9 

S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  10930.904427/2012­83 

Recurso nº  1   Voluntário 

Acórdão nº  3803­004.777  –  3ª Turma Especial  

Sessão de  26 de novembro de 2013 

Matéria  PIS/COFINS 

Recorrente  A.M.R. GONCALVES &amp; CIA LTDA ­ EPP 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO 

Data do fato gerador: 26/10/2010 

COMPENSAÇÃO.  HOMOLOGAÇÃO.  LIQUIDEZ  E  CERTEZA  DO 
CRÉDITO. 

Para  a  homologação  da  DCOMP  transmitida  pelo  sujeito  passivo,  é 
necessária  a  demonstração  da  liquidez  e  certeza  do  crédito  de  tributos 
administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. 

ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL 

Data do fato gerador: 26/10/2010 

COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  A  MAIOR  OU  INDEVIDO. 
COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. 

Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e 
fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado 
sob pena de desprovimento do recurso. 

PROVAS.  PRODUÇÃO.  MOMENTO  POSTERIOR  AO  RECURSO 
VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. 

O  momento  de  apresentação  das  provas  está  determinado  nas  normas  que 
regem  o  processo  administrativo  fiscal,  em  especial  no Decreto  70.235/72. 
Não  há  como  deferir  produção  de  provas  posteriormente  ao  Recurso 
Voluntário por absoluta falta de previsão legal. 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar 
provimento ao recurso. 

(assinado digitalmente) 

  

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2-
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Fl. 76DF  CARF MF

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02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M

ACHADO




 

  2

Corintho Oliveira Machado ­ Presidente.  

(assinado digitalmente) 

João Alfredo Eduão Ferreira ­ Relator. 

Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Belchior  Melo  de 
Sousa,  Corintho Oliveira Machado,  Hélcio  Lafetá  Reis,  João Alfredo  Eduão  Ferreira,  Jorge 
Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. 

Relatório 

Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em 
que  pretende  compensar  apontado  crédito  de  natureza  tributária  para  com  débito  por  ele 
apurado,  ambos  indicados  em  PER/DCOMP  (e­fl  2/6),  referente  aos  períodos  e  valores  ali 
descritos e analisados no bojo deste processo. 

O  pagamento  foi  identificado,  mas  constatou­se  que  o  mesmo  foi 
integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho 
Decisório,  dessa  forma,  o  direito  creditório  não  foi  reconhecido  e  a  compensação  declarada 
resultou não homologada. 

Intimado  a  recolher  o  crédito  tributário  decorrente  da  não  homologação  da 
compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando 
o que se segue: 

a)  Afirma  seu  direito  ao  recebimento  do  recurso,  bem  assim  o  regular 
processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; 

b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve 
esclarecimentos  quanto  à  suposta  indisponibilidade  de  crédito  e  não  foi  analisada  qualquer 
situação que legitima o crédito postulado; 

c)  Alega  não  ter  meio  de  se  defender  por  desconhecimento  da 
indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive 
em  relação  ao  significado  de  “disponibilidade  de  crédito”,  o  que  lhe  parece  se  tratar  do 
encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através 
do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; 

d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado 
a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a 
qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta  indisponibilidade, 
dessa  forma a  não  homologação  desta  compensação  ocorreu  por  uma questão  de  sistema de 
informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; 

e)  Afirma,  quanto  ao  mérito,  que  utilizou  de  valores  que  indevidamente 
integravam  a  base  de  cálculo  do  tributo,  conforme  teses  já  julgadas  pelo  Supremo Tribunal 
Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; 

f)  Alega  que  não  há  como  apresentar  os  documentos  comprobatórios  do 
direito  alegado,  já  que  nem  a  autoridade  administrativa  sabe  ao  certo  o  motivo  do 
indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção 
posterior das provas. 

Fl. 77DF  CARF MF

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02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M

ACHADO



Processo nº 10930.904427/2012­83 
Acórdão n.º 3803­004.777 

S3­TE03 
Fl. 11 

 
 

 
 

3

A  3ª  Turma  da  DRJ/CTA  julgou  improcedente  a  manifestação  de 
inconformidade  e  não  reconheceu  o  direito  creditório,  ementando  sua  decisão  nos  seguintes 
termos: 

ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] 

NULIDADE. PRESSUPOSTOS. 

Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa 
incompetente  e  os  despachos  e  decisões  proferidos  por 
autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 

CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  INTIMAÇÃO 
PARA ESCLARECIMENTOS. 

A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do 
procedimento  fiscal  não  caracteriza  cerceamento  do  direito  de 
defesa,  que  é  assegurado na  fase  do  contraditório,  inaugurada 
com a manifestação de inconformidade. 

COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. 

Aplica­se  a  disposição  do  §  1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718,  de 
1998,  até  a  sua  revogação  pela  Lei  11.941,  de  27  de maio  de 
2009,  uma  vez  que  o  julgamento  do  STF  pela 
inconstitucionalidade  da  ampliação  da  base  de  cálculo  contida 
naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi 
em  Recurso  Extraordinário  e  não  em  ADIN,  só  aproveitando, 
por  isso,  às  partes  envolvidas,  não  podendo  beneficiar  ou 
prejudicar terceiros. 

Manifestação de Inconformidade Improcedente 

Direito Creditório Não Reconhecido 

Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do 
qual  repete os argumentos expostos em manifestação de  inconformidade, chegando a afirmar 
tratar­se de um acórdão eletrônico,  à semelhança do despacho decisório,  sem que  tenha sido 
submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. 

É o relatório. 

Voto            

Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira ­ Relator 

O  recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  para  sua 
admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. 

 

Dos pedidos de nulidade. 

Fl. 78DF  CARF MF

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Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/

02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M

ACHADO



 

  4

O  contribuinte  defende  a  nulidade  do  despacho  decisório  e  do  acórdão  da 
DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. 

Entendemos  que  não  seja  obrigatória,  na  fundamentação  do  despacho 
decisório,  a  indicação  expressa  dos  dispositivos  legais  e  constitucionais  em  que  se  sustenta, 
desde  que  haja  consonância  dos  argumentos  utilizados  com  a  jurisprudência  e  com  o 
ordenamento jurídico vigente. 

Ressaltamos  que  o  despacho  decisório  é  processado  de  forma  eletrônica, 
realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil  ­ RFB. 
Como  confessado  pelo  próprio  contribuinte  sua  DCTF  do  período  estava  erroneamente 
preenchida,  e  esta  informação  estava  inserida  no  sistema  da  RFB,  ou  seja,  de  fato  o 
contribuinte  não  possuía  créditos  a  serem  ressarcidos  no  confronto  dos  valores  declarados 
como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). 

As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas 
nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses 
de  nulidade  presente  no  despacho  decisório,  muito  menos  ofensa  aos  princípios  do 
contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e 
teve  a  oportunidade  de  provar  seu  direito  creditório  em  pelo  menos  duas  oportunidades 
distintas,  uma  quando  da  manifestação  de  inconformidade  e  outra  quando  interpôs  recurso 
voluntário. 

O Despacho Decisório  aponta  como  enquadramento  legal  os  artigos  165  e 
170  do  CTN  e  artigo  74  da  Lei  9.430/96.  Tanto  o  artigo  170  do  CTN  quanto  o  74  da  Lei 
9.430/96,  reforçam  o  direito  do  contribuinte  em  compensar  os  seus  débitos  com  crédito 
líquidos  e  certos,  fica  claro  que  a  liquidez  e  certeza  do  crédito  tributário  é  que  ficou 
comprometida  ante  as  informações  prestadas  pelo  contribuinte,  em  especial  no  confronto  da 
DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do 
Despacho Decisório por falta de fundamentação. 

Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão 
proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de 
um  colegiado  que  fundamentou  coerentemente  sua  decisão  com  base  no Decreto  70.235,  de 
1972, além de  trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de 
Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla 
defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. 

 

Mérito e comprovação do crédito. 
                                                           
1   Art. 59. São nulos: 
  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; 
          II ­ os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de 
defesa. 
          § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam 
conseqüência. 
          § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências 
necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. 
          § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de 
nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir­lhe a falta. (Incluído pela 
Lei nº 8.748, de 1993) 
          Art.  60. As  irregularidades,  incorreções  e omissões diferentes  das  referidas  no  artigo  anterior não 
importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes 
houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. 

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02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M

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Processo nº 10930.904427/2012­83 
Acórdão n.º 3803­004.777 

S3­TE03 
Fl. 12 

 
 

 
 

5

As  compensações  se  prestam  ao  encontro  de  contas,  entre  um  débito 
tributário  e  um  crédito  líquido  e  certo  da  contribuinte  contra  a  Fazenda  Pública,  conforme 
determina o artigo 170 do CTN. 

“Art.  170.  A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que 
estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à 
autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos 
tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, 
do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” 

Neste mesmo sentido expressa­se o artigo 74 da Lei 9.430. 

Daí concluir­se que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda 
Nacional  exige  averiguação  da  liquidez  e  certeza  do  suposto  pagamento  a maior  do  tributo, 
desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua 
defesa,  em especial a manifestação de  inconformidade, com documentos que  respaldem suas 
afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: 

“Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com 
os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao 
órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em 
que for feita a intimação da exigência. 

Art. 16. A impugnação mencionará: (...) 

III  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os 
pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir; 
(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” 

O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a 
base de cálculo do  tributo, conforme  teses  já  julgadas pelo Supremo Tribunal Federal,  e que 
por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. 

Apesar  de  se  referir  a  algumas  teses  de  forma  genérica,  o  contribuinte  não 
expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito 
menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o 
que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. 

Na  mesma  esteira,  admitindo­se  por  hipótese,  o  direito  subjetivo  do 
contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual 
seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido.  

O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que 
justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. 

Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, 
não  identificamos  Notas  Fiscais,  Escrita  Fiscal,  Escrita  Contábil,  Livro  de  Apuração,  Livro 
Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas,  ou qualquer outro documento que possibilite, 
minimamente que seja, a sua aferição. 

 No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de 
provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é 
assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: 

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02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M

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  6

Art.  36.  Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha 
alegado,  sem prejuízo  do  dever  atribuído  ao  órgão  competente 
para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. 

No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 
1973­CPC: 

Art. 333. O ônus da prova incumbe: 

I ­ ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; 

II ­ ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo 
ou extintivo do direito do autor. 

Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou 
a  resposta  (art.  297),  com os  documentos  destinados  a  provar­
lhe as alegações. 

Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este 
provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. 

Da apresentação das provas. 

O  artigo  16  do  Decreto  nº  70.235/72  em  seu  §  4º  determina,  ainda,  o 
momento  processual  para  a  apresentação  de  provas  no  processo  administrativo  fiscal,  bem 
como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: 

“§  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação, 
precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento 
processual, a menos que:  

 a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação 
oportuna, por motivo de força maior; 

 b) refira­se a fato ou a direito superveniente; 

 c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente 
trazidas aos autos.” 

A  análise  da  norma  supracitada  é  clara  e  direta  ao  estabelecer  o momento 
correto  a  serem carreadas  as provas  a  fim de  substanciar os  argumentos da  interessada, qual 
seja,  na  manifestação  de  inconformidade,  contudo,  esta  turma  recursal  tem  firmado 
entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de 
recurso  voluntário,  quando  estas  não  dependam  de  análise  técnica  aprofundada  e  sejam 
complementares  às  provas  trazidas  em Manifestação  de  Inconformidade,  entretanto,  mesmo 
neste  momento  processual,  nenhuma  prova  foi  carreada  aos  autos.  Não  há  como  deferir  o 
pedido  do  contribuinte  por  produção  de  provas  posteriores  a  este  ato,  por  absoluta  falta  de 
previsão legal. 

Conclusão. 

Pelo  exposto,  rejeito  as  preliminares  de  nulidade  e  no  mérito  NEGO 
PROVIMENTO. 

É como voto. 

(assinado digitalmente) 

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Processo nº 10930.904427/2012­83 
Acórdão n.º 3803­004.777 

S3­TE03 
Fl. 13 

 
 

 
 

7

João Alfredo Eduão Ferreira ­ Relator 

           

           

 

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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso  Presidente e Relator.
EDITADO EM: 16/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator
Em 29/12/2003, o contribuinte foi notificado de auto de infração do Imposto de Renda Pessoa Física, decorrente de duas infrações: a) falta de recolhimento do imposto sobre ganhos líquidos no mercado de renda variável (mercado à vista) nos meses de janeiro a abril de 1998 (fls. 365); e b) omissão de rendimentos, no ano-calendário 1998, caracterizada por valores creditados em contas correntes, em relação às quais o contribuinte foi intimado, porém não comprovou com documentação hábil e idônea a origem dos recurso utilizados (art. 42 da Lei 9.430/1996).
A fiscalização foi provocada pela verificação de que a movimentação financeira do contribuinte (base CPMF) era incompatível como a entrega de declaração de isento por parte do contribuinte.
Intimado para apresentar extratos de movimentação financeira, o contribuinte apresentou diversas Notas de Corretagem emitidas pela Corretora Solidez.
A fiscalização utilizou-se de Requisição de Informação Financeira  RMF (fls. 180).
Documento apresentado pelo Bradesco (fls. 182) indica que a conta 49.759-2, na agência 119-8 era uma conta conjunta, fazendo menção de que os dados cadastrais do co-titular não estavam sendo fornecidos à Receita Federal por não constar processo-administrativo instaurado contra o co-titular.
As conta 8.511.392-5 5 (Volume II) e 272.308-5 (Volumes II e Volume III) e 8.608.973-4 (Volume III) são contas individuais.
O demonstrativo dos depósitos inferiores a R$12.000,00 indicam que a soma anual desses alcançou cifra superior a R$80.000,00 (fls. 214/220).
O contribuinte foi intimado do referido demonstrativo, bem como para comprovar origem dos valores depositado e também documentos que comprovem a aquisição das ações com data, quantidade e custo de aquisição que justificassem os saldos em carteira em 31/12/1997, com a informação de que a falta de comprovação implicaria considerar o custo de aquisição igual a zero (fls. 221).
A partir da fl. 223 foram juntados Avisos de Negociação de Ações  ANA emitidos pela Bovespa.
O demonstrativo dos valores de depósitos justificados e não justificados foi juntado a partir das fls. 332. A consolidação desses valores está nas fls. 339.
A partir das fls. 340 estão as planilhas elaboradas pela fiscalização referente à apuração do resultados das operações com renda variável.
O Termo de Verificação Fiscal (fls. 359) resume o procedimento de fiscalização.
Os argumentos impugnatórios foram reiterados com a peça recursal e serão adiante resumido.
A impugnação foi indeferida pelos seguintes fundamentos, em resumo:
a) a decadência conta-se na forma do inciso I do art. 173 do CTN, com termo inicial em 01/01/1999 em relação à renda variável e 01/01/2000 quanto aos depósitos de origem não comprovada;
b) a aplicação retroativa da Lei 10.174/2001 encontra respaldo no §1º do art. 144 do CTN;
c) a alegação de que diversos depósitos teriam como origem as transferências pela Corretora Solidez, tendo em vista saldo credor existente em conta corrente interna de titularidade do impugnante, conforme documentos, às fls. 396/398, é improcedente, pois se constata que os referidos documentos são meras listagens, não estando revestidos de qualquer formalidade que lhes garantam validade como prova hábil para comprovar os fatos neles constantes. Além disso, as discriminações constantes em tais listagens fazem referência a uma conta no Banco Bamerindus, quando os depósitos foram realizados em contas do Banco Bradesco, que por sua vez é o único banco constante no Relatório de Movimentação Financeira  Base CPMF, às fls. 17;
d) quanto às alegações de que os depósitos de nos valores de R$ 1.200,00 efetuados em 28/07/1998, 13/08/1998, 25/08/1998, 26/08/1998 e 31/08/1998, teriam como origem a transferência procedida da conta poupança vinculada à conta corrente, conforme documentos, às fls. 399/400, o acórdão recorrido decidiu pela exclusão desses valores do lançamento (fls. 415)
e) o depósito no valor de RS 1.200,00 na conta corrente n° 272.308-5, agência 0097-3, em 28/07/1998, foi reconhecido como duplicado e sua exclusão também foi determinada pela DRJ (fls. 415)
f) a contestação acerca do custo de aquisição com base na existência de estoque de ações em dezembro de 10997 foi rejeitada porque os valores não devem ser computados uma vez que não constaram da declaração de bens do ano-calendário 1997, conforme extrato de fls. 18.
Ciência da decisão em 27/06/2008. Recurso voluntário interposto em 24/07/2008.
Em resumo, a peça recursal ampara-se nas seguintes alegações:
1. vedação à aplicação retroativa da permissão dada pela Lei nº 10.174/2001 para os fato ocorrido em 1998, por força do art. 105 do CTN e da restrição imposta pelo art. 11 da Lei 9.311/1996, tal como reconhecido no acórdão 104-19498, deste Conselho;
2. decadência em relação ao fato ocorrido até 25/12/1998, nos termos do §4º do art. 150 do CTN c/c inciso II do art. 4º da Lei 8.134/1990, este último dispositivo ao tratar do recolhimento mensal nas operações de renda variável, uma vez que a notificação do lançamento ocorreu em 26/12/2003, tal como no acórdão 101-93392;
3. No mérito, os documentos anexos e ignorados pelo órgão julgador de primeira instância comprovam as origens dos depósitos a seguir discriminados:
3.1. Conta Corrente  n° 0119/49.759-2 20/01/1998  R$20.000,00; 26/01/1998  R$3.184,89; e 02/02/1998  R$30.000,00 - transferências procedidas pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em conta-corrente interna de titularidade do recorrente;
3.2. Conta Corrente  n° 0097/8.608.973-4 01/06/1998  R$ 777,03- transferência procedida pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em conta-corrente interna de titularidade do recorrente;
3.3. Conta Corrente  n° 0097/272.308-5 05/06/1998  R$ 20.365,12 - transferência procedida pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em conta-corrente interna de titularidade do recorrente;
22/06/1998  R$ 21.845,36 - transferência procedida pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em conta-corrente interna de titularidade do recorrente;
28/07/1998  R$ 1.200,00 - transferência procedida da conta-poupança vinculada à conta-corrente 28/07/1998  R$ 1.200,00  lançamento inexistente 13/08/1998  R$ 1.200,00; 25/08/1998  R$ 1.200,00; 26/08/1998  R$ 1.200,00; 31/08/1998  R$ 1.200,00 - transferências procedidas da conta-poupança vinculada à conta-corrente 4. o cálculo do valor do imposto devido em relação às operações com renda variável não levou em consideração o estoque de ações existentes em dezembro de 1997: Eletrobrás PNB (50.000); Petrobras (210.000); Telebrás (800.000); Vale do Rio Doce (9500) e Gerasul (3.400.000);
5. o custo médio ponderado poderá ser obtido pelos documentos anexos À impugnação que refletem a oscilação das cotações das referidas ações àquela época; e 6. a impropriedade da planilha elaborada pela autoridade fiscal é flagrante, um exemplo de a adoção do custo de aquisição zero no demonstrativo de venda de 3.400 ações da Gerasul PNB.
Relatado, passa a deliberar.
O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele deve-se tomar conhecimento.
Das preliminares Rejeito a alegação de que não seria lícita a aplicação retroativa da lei 10.174/2001, com fundamento na Súmula CARF nº 35:
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
Da decadência A preliminar de mérito também deve ser rejeitada.
Não há qualquer indicativo de antecipação de pagamento pelo contribuinte, o qual entregou declaração de isento para o ano-calendário da autuação.
A matéria já foi pacificada no âmbito desse Colegiado e do CARF, bem como foi julgada pelo Superior Tribunal de Justiça sob a sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, cujo recurso representativo de controvérsia sobre o prazo decadencial foi julgado no Recurso Especial Nº 973.733  SC. Aplica-se a norma do art. 62-A do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010).
Nestes autos verifica-se que o fato gerador mais antigo em relação ao Imposto sobre Renda Variável ocorreu em janeiro de 1998, ao passo que aquele incidente sobre os depósitos de origem não comprovada, em 31 de dezembro de 1998, este último reconhecido no enunciado da Súmula CARF nº 38:
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
A falta de antecipação de pagamento e de entrega de Declaração de Ajuste Anual, acarreta a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN.
Desta forma, o acórdão recorrido está correto ao considerar que o temo inicial é 01/01/1999 para a incidência sobre os ganhos em renda variável e 01/01/2000 para a tributação dos depósitos de origem não comprovada.
Assim, o lançamento regularmente notificado até 31/12/2003 respeitou o prazo decadencial de todas as incidências.
A decisão acerca do mérito envolve duas questões a exatidão do cálculo do imposto incidente sobre ganho em aplicações de renda variável e comprovação da origem de depósitos para afastar a omissão de rendimentos baseada em depósitos de origem não comprovada.
Como já se manifestou esta Turma de Julgamento, por meio de resoluções aprovadas por unanimidade nas sessões de julgamento a partir de julho de 2012, a medida cabível é o sobrestamento do julgamento, uma vez que o STF tem reiteradamente e de forma expressa sobrestado o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314, tal como exemplificado pelas transcrições abaixo.
DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura - CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura  Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verifica-se que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publique-se. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente(RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe-035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) (grifos acrescidos)
DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA  PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA  SIGILO - DADOS BANCÁRIOS  FISCO  AFASTAMENTO  ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001  SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator(AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe-213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) (grifo acrescido)
REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discute-se nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verifica-se que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO  UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS  IMPOSTO DE RENDA  QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO  PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001  APLICAÇÃO IMEDIATA  RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN  PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO  RECURSO ESPECIAL PROVIDO. Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064-AgR-AgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626-AgR-AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473-ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543-B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publique-se. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente(RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe-158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011)
DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes - será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõe-se o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publique-se. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator(RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe-100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) (grifos acrescidos)
A apreciação das duas questões que constituem o mérito deste recurso voluntário deve ser feita em um mesmo momento.
Proponho o sobrestamento do julgamento, nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314 pelo STF.

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S2­TE02 

Fl. 435 

 
 

 
 

1 

434 

S2­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  19515.004958/2003­59 

Recurso nº            Voluntário 

Resolução nº  2802­000.141  –  2ª Turma Especial 

Data  14 de maio de 2013 

Assunto  IRPF 

Recorrente  HONG WAH MO 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento 
nos termos do §1º do art. 62­A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.  

(Assinado digitalmente) 

Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. 

EDITADO EM: 16/05/2013  

Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Jaci  de  Assis  Júnior, 
Julianna  Bandeira  Toscano,  Dayse  Fernandes  Leite,  Carlos  André  Ribas  de Mello,  German 
Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). 

Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator  

Em 29/12/2003, o contribuinte foi notificado de auto de infração do Imposto de 
Renda Pessoa Física, decorrente de duas infrações: a) falta de recolhimento do imposto sobre 
ganhos líquidos no mercado de renda variável (mercado à vista) nos meses de janeiro a abril de 
1998  (fls.  365);  e  b)  omissão  de  rendimentos,  no  ano­calendário  1998,  caracterizada  por 
valores creditados em contas correntes, em relação às quais o contribuinte foi intimado, porém 
não comprovou com documentação hábil e idônea a origem dos recurso utilizados (art. 42 da 
Lei 9.430/1996). 

A fiscalização foi provocada pela verificação de que a movimentação financeira 
do  contribuinte  (base  CPMF)  era  incompatível  como  a  entrega  de  declaração  de  isento  por 
parte do contribuinte. 

Intimado  para  apresentar  extratos  de  movimentação  financeira,  o  contribuinte 
apresentou diversas Notas de Corretagem emitidas pela Corretora Solidez. 

  

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Processo nº 19515.004958/2003­59 
Resolução nº  2802­000.141 

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2 

A fiscalização utilizou­se de Requisição de Informação Financeira – RMF (fls. 
180). 

Documento apresentado pelo Bradesco (fls. 182) indica que a conta 49.759­2, na 
agência 119­8 era uma conta conjunta, fazendo menção de que os dados cadastrais do co­titular 
não  estavam  sendo  fornecidos  à  Receita  Federal  por  não  constar  processo­administrativo 
instaurado contra o co­titular. 

As conta 8.511.392­5 5 (Volume  II) e 272.308­5  (Volumes  II e Volume  III)  e 
8.608.973­4 (Volume III) são contas individuais. 

O  demonstrativo  dos  depósitos  inferiores  a  R$12.000,00  indicam  que  a  soma 
anual desses alcançou cifra superior a R$80.000,00 (fls. 214/220). 

O  contribuinte  foi  intimado  do  referido  demonstrativo,  bem  como  para 
comprovar origem dos valores depositado e também documentos que comprovem a aquisição 
das ações com data, quantidade e custo de aquisição que justificassem os saldos em carteira em 
31/12/1997, com a informação de que a falta de comprovação implicaria considerar o custo de 
aquisição igual a zero (fls. 221). 

A  partir  da  fl.  223  foram  juntados  Avisos  de  Negociação  de  Ações  –  ANA 
emitidos pela Bovespa. 

O  demonstrativo  dos  valores  de  depósitos  justificados  e  não  justificados  foi 
juntado a partir das fls. 332. A consolidação desses valores está nas fls. 339. 

A partir das  fls. 340 estão as planilhas elaboradas pela  fiscalização referente à 
apuração do resultados das operações com renda variável. 

O Termo de Verificação Fiscal (fls. 359) resume o procedimento de fiscalização. 

Os  argumentos  impugnatórios  foram  reiterados  com  a  peça  recursal  e  serão 
adiante resumido. 

A impugnação foi indeferida pelos seguintes fundamentos, em resumo: 

a) a decadência conta­se na forma do  inciso  I do art. 173 do CTN, com termo 
inicial  em  01/01/1999  em  relação  à  renda  variável  e  01/01/2000  quanto  aos  depósitos  de 
origem não comprovada; 

b)  a  aplicação  retroativa  da  Lei  10.174/2001  encontra  respaldo  no  §1º  do  art. 
144 do CTN; 

c)  a  alegação  de  que diversos  depósitos  teriam  como origem as  transferências 
pela  Corretora  Solidez,  tendo  em  vista  saldo  credor  existente  em  conta  corrente  interna  de 
titularidade  do  impugnante,  conforme  documentos,  às  fls.  396/398,  é  improcedente,  pois  se 
constata que os referidos documentos são meras listagens, não estando revestidos de qualquer 
formalidade  que  lhes  garantam  validade  como  prova  hábil  para  comprovar  os  fatos  neles 
constantes. Além disso, as discriminações constantes em tais listagens fazem referência a uma 
conta  no  Banco  Bamerindus,  quando  os  depósitos  foram  realizados  em  contas  do  Banco 

Fl. 444DF  CARF MF

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Processo nº 19515.004958/2003­59 
Resolução nº  2802­000.141 

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3 

Bradesco, que por sua vez é o único banco constante no Relatório de Movimentação Financeira 
— Base CPMF, às fls. 17; 

d)  quanto  às  alegações  de  que  os  depósitos  de  nos  valores  de  R$  1.200,00 
efetuados  em  28/07/1998,  13/08/1998,  25/08/1998,  26/08/1998  e  31/08/1998,  teriam  como 
origem  a  transferência  procedida  da  conta  poupança  vinculada  à  conta  corrente,  conforme 
documentos,  às  fls.  399/400,  o  acórdão  recorrido  decidiu  pela  exclusão  desses  valores  do 
lançamento (fls. 415) 

e) o depósito no valor de RS 1.200,00 na conta corrente n° 272.308­5, agência 
0097­3,  em  28/07/1998,  foi  reconhecido  como  duplicado  e  sua  exclusão  também  foi 
determinada pela DRJ (fls. 415) 

f) a contestação acerca do custo de aquisição com base na existência de estoque 
de  ações  em dezembro  de 10997  foi  rejeitada  porque  os  valores  não  devem  ser  computados 
uma vez que não constaram da declaração de bens do ano­calendário 1997, conforme extrato 
de fls. 18. 

Ciência  da  decisão  em  27/06/2008.  Recurso  voluntário  interposto  em 
24/07/2008. 

Em resumo, a peça recursal ampara­se nas seguintes alegações: 

1.  vedação  à  aplicação  retroativa  da  permissão  dada  pela  Lei  nº  10.174/2001 
para os fato ocorrido em 1998, por força do art. 105 do CTN e da restrição imposta pelo art. 11 
da Lei 9.311/1996, tal como reconhecido no acórdão 104­19498, deste Conselho; 

2. decadência em relação ao fato ocorrido até 25/12/1998, nos termos do §4º do 
art. 150 do CTN c/c inciso II do art. 4º da Lei 8.134/1990, este último dispositivo ao tratar do 
recolhimento  mensal  nas  operações  de  renda  variável,  uma  vez  que  a  notificação  do 
lançamento ocorreu em 26/12/2003, tal como no acórdão 101­93392; 

3.  No  mérito,  os  documentos  anexos  e  ignorados  pelo  órgão  julgador  de 
primeira instância comprovam as origens dos depósitos a seguir discriminados: 

3.1.  Conta  Corrente  —  n°  0119/49.759­2  20/01/1998  –  R$20.000,00; 
26/01/1998  –  R$3.184,89;  e  02/02/1998  –  R$30.000,00  ­  transferências  procedidas  pela 
Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em conta­corrente interna de titularidade 
do recorrente; 

3.2.  Conta  Corrente  —  n°  0097/8.608.973­4  01/06/1998  —  R$  777,03­ 
transferência procedida pela Corretora Solidez  em  razão de  saldo  credor  existente  em conta­
corrente interna de titularidade do recorrente; 

3.3.  Conta  Corrente  —  n°  0097/272.308­5  05/06/1998  —  R$  20.365,12  ­ 
transferência procedida pela Corretora Solidez  em  razão de  saldo  credor  existente  em conta­
corrente interna de titularidade do recorrente; 

22/06/1998 — R$  21.845,36  ­  transferência  procedida  pela  Corretora  Solidez 
em razão de saldo credor existente em conta­corrente interna de titularidade do recorrente; 

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Processo nº 19515.004958/2003­59 
Resolução nº  2802­000.141 

S2­TE02 
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28/07/1998  —  R$  1.200,00  ­  transferência  procedida  da  conta­poupança 
vinculada à conta­corrente 28/07/1998 — R$ 1.200,00 — lançamento  inexistente 13/08/1998 
— R$ 1.200,00; 25/08/1998 — R$ 1.200,00; 26/08/1998 — R$ 1.200,00; 31/08/1998 — R$ 
1.200,00  ­  transferências  procedidas  da  conta­poupança  vinculada  à  conta­corrente  4.  o 
cálculo do valor do imposto devido em relação às operações com renda variável não levou em 
consideração o estoque de ações existentes em dezembro de 1997: Eletrobrás PNB (50.000); 
Petrobras (210.000); Telebrás (800.000); Vale do Rio Doce (9500) e Gerasul (3.400.000); 

5.  o  custo  médio  ponderado  poderá  ser  obtido  pelos  documentos  anexos  À 
impugnação  que  refletem  a  oscilação  das  cotações  das  referidas  ações  àquela  época;  e  6.  a 
impropriedade  da  planilha  elaborada  pela  autoridade  fiscal  é  flagrante,  um  exemplo  de  a 
adoção do custo de aquisição zero no demonstrativo de venda de 3.400 ações da Gerasul PNB. 

Relatado, passa a deliberar. 

O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele 
deve­se tomar conhecimento. 

Das preliminares Rejeito a alegação de que não seria lícita a aplicação retroativa 
da lei 10.174/2001, com fundamento na Súmula CARF nº 35:  

O art.  11,  §  3º,  da Lei  nº 9.311/96,  com a  redação dada  pela Lei  nº 
10.174/2001,  que  autoriza  o  uso  de  informações  da  CPMF  para  a 
constituição  do  crédito  tributário  de  outros  tributos,  aplica­se 
retroativamente. 

Da decadência A preliminar de mérito também deve ser rejeitada. 

Não  há  qualquer  indicativo  de  antecipação  de  pagamento  pelo  contribuinte,  o 
qual entregou declaração de isento para o ano­calendário da autuação. 

A matéria  já foi pacificada no âmbito desse Colegiado e do CARF, bem como 
foi  julgada  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  sob  a  sistemática  do  art.  543­C  do Código  de 
Processo  Civil,  cujo  recurso  representativo  de  controvérsia  sobre  o  prazo  decadencial  foi 
julgado no Recurso Especial Nº 973.733 – SC. Aplica­se a norma do art. 62­A do Regimento 
Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria 
MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). 

Nestes autos verifica­se que o fato gerador mais antigo em relação ao Imposto 
sobre  Renda  Variável  ocorreu  em  janeiro  de  1998,  ao  passo  que  aquele  incidente  sobre  os 
depósitos de origem não comprovada, em 31 de dezembro de 1998, este último reconhecido no 
enunciado da Súmula CARF nº 38: 

O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à 
omissão  de  rendimentos  apurada  a  partir  de  depósitos  bancários  de 
origem  não  comprovada,  ocorre  no  dia  31  de  dezembro  do  ano­
calendário. 

A  falta  de  antecipação  de  pagamento  e  de  entrega  de  Declaração  de  Ajuste 
Anual, acarreta a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN. 

Fl. 446DF  CARF MF

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/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO



Processo nº 19515.004958/2003­59 
Resolução nº  2802­000.141 

S2­TE02 
Fl. 439 

 
 

 
 

5 

Desta forma, o acórdão recorrido está correto ao considerar que o temo inicial é 
01/01/1999 para a incidência sobre os ganhos em renda variável e 01/01/2000 para a tributação 
dos depósitos de origem não comprovada. 

Assim, o lançamento regularmente notificado até 31/12/2003 respeitou o prazo 
decadencial de todas as incidências. 

A  decisão  acerca  do  mérito  envolve  duas  questões  a  exatidão  do  cálculo  do 
imposto incidente sobre ganho em aplicações de renda variável e comprovação da origem de 
depósitos  para  afastar  a  omissão  de  rendimentos  baseada  em  depósitos  de  origem  não 
comprovada. 

Como  já  se  manifestou  esta  Turma  de  Julgamento,  por  meio  de  resoluções 
aprovadas  por  unanimidade  nas  sessões  de  julgamento  a  partir  de  julho  de  2012,  a  medida 
cabível é o sobrestamento do julgamento, uma vez que o STF tem reiteradamente e de forma 
expressa sobrestado o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria 
objeto  do  Recurso  Extraordinário  nº  601.314,  tal  como  exemplificado  pelas  transcrições 
abaixo. 

DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia 
do  sigilo  fiscal  em face do  inciso II  do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, 
que  possibilitou  a  celebração  de  convênios  entre  a  Secretaria  da 
Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura ­ CNA e a 
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a 
fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais 
para  possibilitar  cobranças  tributárias.  Verifica­se  que  no  exame  do 
RE  n°  601.314/SP,  Relator  o  Ministro  Ricardo  Lewandowski,  foi 
reconhecida  a  repercussão  geral  de  matéria  análoga  à  da  presente 
lide,  e  terá  seu  mérito  julgado  no  Plenário  deste  Supremo  Tribunal 
Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão 
do  julgamento  do  mencionado  RE  nº  601.314/SP.  Devem  os  autos 
permanecer  na  Secretaria  Judiciária  até  a  conclusão  do  referido 
julgamento. Publique­se. Brasília, 9 de  fevereiro de 2011. Ministro D 
IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente(RE 488993, 
Relator(a): Min.  DIAS  TOFFOLI,  julgado  em  09/02/2011,  publicado 
em  DJe­035  DIVULG  21/02/2011  PUBLIC  22/02/2011)  (grifos 
acrescidos) 

DECISÃO  REPERCUSSÃO  GERAL  ADMITIDA  –  PROCESSOS 
VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO ­ DADOS BANCÁRIOS – FISCO – 
AFASTAMENTO  –  ARTIGO  6º  DA  LEI  COMPLEMENTAR  Nº 
105/2001  –  SOBRESTAMENTO.  1.  O  Tribunal,  no  Recurso 
Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, 
concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade 
de  o Fisco  exigir  informações  bancárias  de  contribuintes mediante  o 
procedimento  administrativo  previsto  no  artigo  6º  da  Lei 
Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o 
recurso  veicular  a mesma matéria,  tendo  a  intimação do  acórdão da 
Corte  de  origem  ocorrido  anteriormente  à  vigência  do  sistema  da 
repercussão  geral,  determino  o  sobrestamento  destes  autos.  3.  À 
Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 
de  outubro  de  2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator(AI  691349 
AgR,  Relator(a):  Min.  MARCO  AURÉLIO,  julgado  em  04/10/2011, 

Fl. 447DF  CARF MF

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Processo nº 19515.004958/2003­59 
Resolução nº  2802­000.141 

S2­TE02 
Fl. 440 

 
 

 
 

6 

publicado  em  DJe­213  DIVULG  08/11/2011  PUBLIC  09/11/2011) 
(grifo acrescido) 

REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 
10.174/01.  APLICAÇÃO  PARA  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS 
TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE 
SUA  VIGÊNCIA.  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  DA  UNIÃO 
PREJUDICADO.  POSSIBILIDADE.  DEVOLUÇÃO  DO  PROCESSO 
AO TRIBUNAL DE ORIGEM  (ART.  328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO 
RISTF  ).  Decisão:  Discute­se  nestes  recursos  extraordinários  a 
constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o 
fornecimento  de  informações  sobre  movimentações  financeiras 
diretamente  ao  Fisco,  sem  autorização  judicial;  bem  como  a 
possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de 
créditos  tributários  referentes  a  exercícios  anteriores  ao  de  sua 
vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento 
à  remessa  oficial  e  à  apelação  da  União,  reconhecendo  a 
impossibilidade  da  aplicação  retroativa  da  LC  105/01  e  da  Lei 
10.174/01.  Contra  essa  decisão,  a  União  interpôs,  simultaneamente, 
recursos  especial  e  extraordinário,  ambos  admitidos  na  Corte  de 
origem. Verifica­se que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento 
ao  recurso  especial  em  decisão  assim  ementada  (fl.  281): 
“ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA 
CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS –  IMPOSTO 
DE  RENDA  –  QUEBRA  DE  SIGILO  BANCÁRIO  –  PERÍODO 
ANTERIOR  À  LC  105/2001  –  APLICAÇÃO  IMEDIATA  – 
RETROATIVIDADE  PERMITIDA  PELO  ART.  144,  §  1º,  DO CTN  – 
PRECEDENTE  DA  PRIMEIRA  SEÇÃO  –  RECURSO  ESPECIAL 
PROVIDO.”  Irresignado,  Gildo  Edgar  Wendt  interpôs  novo  recurso 
extraordinário,  alegando,  em  suma,  a  inconstitucionalidade  da  LC 
105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . 
O  Supremo  Tribunal  Federal  reconheceu  a  repercussão  geral  da 
controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do 
Pleno  desta  Corte,  nos  autos  do  RE  601.314,  Relator  o  Ministro 
Ricardo  Lewandowski.  Pelo  exposto,  declaro  a  prejudicialidade  do 
recurso  extraordinário  interposto  pela  União,  com  fundamento  no 
disposto  no  artigo  21,  inciso  IX,  do  RISTF.  Com  relação  ao  apelo 
extremo  interposto  por  Gildo  Edgar  Wendt,  revejo  o  sobrestamento 
anteriormente  determinado  pelo  Min.  Eros  Grau,  e,  aplicando  a 
decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 
503.064­AgR­AgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626­AgR­
AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473­ED, Rel. 
Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de 
origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543­B e seus 
parágrafos do Código de Processo Civil). Publique­se. Brasília, 1º de 
agosto  de  2011.  Ministro  Luiz  Fux  Relator  Documento  assinado 
digitalmente(RE  602945,  Relator(a):  Min.  LUIZ  FUX,  julgado  em 
01/08/2011,  publicado  em  DJe­158  DIVULG  17/08/2011  PUBLIC 
18/08/2011)  

DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão 
em  torno  da  suposta  transgressão  à  garantia  constitucional  de 
inviolabilidade  do  sigilo  de  dados  e  da  intimidade  das  pessoas  em 
geral,  naqueles  casos  em que  a  administração  tributária,  sem  prévia 
autorização  judicial, recebe, diretamente, das  instituições  financeiras, 

Fl. 448DF  CARF MF

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Processo nº 19515.004958/2003­59 
Resolução nº  2802­000.141 

S2­TE02 
Fl. 441 

 
 

 
 

7 

informações  sobre  as  operações  bancárias  ativas  e  passivas  dos 
contribuintes ­ será apreciada no recurso extraordinário representativo 
da  controvérsia  jurídica  suscitada  no  RE  601.314/SP,  Rel.  Min. 
RICARDO  LEWANDOWSKI,  em  cujo  âmbito  o  Plenário  desta Corte 
reconheceu  existente  a  repercussão  geral  da  questão  constitucional. 
Sendo  assim,  impõe­se  o  sobrestamento  dos  presentes  autos,  que 
permanecerão  na  Secretaria  desta  Corte  até  final  julgamento  do 
mencionado recurso extraordinário. Publique­se. Brasília, 21 de maio 
de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator(RE 479841, Relator(a): 
Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe­
100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) (grifos acrescidos) 

A  apreciação  das  duas  questões  que  constituem  o  mérito  deste  recurso 
voluntário deve ser feita em um mesmo momento. 

Proponho  o  sobrestamento  do  julgamento,  nos  termos  do  §1º  do  art.  62­A  do 
Regimento  Interno  do CARF  c/c  Portaria CARF  nº  01/2012,  até  o  julgamento  definitivo  do 
Recurso Extraordinário nº 601.314 pelo STF. 

 (Assinado digitalmente) 

Jorge Claudio Duarte Cardoso 

 

Fl. 449DF  CARF MF

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, score=1.0}, SolrDocument{dt_index_tdt=Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021, anomes_sessao_s=201404, ementa_s=Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003
COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02.
A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.

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S3­TE02 

Fl. 68 

 
 

 
 

1

67 

S3­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  10830.907379/2011­22 

Recurso nº               Voluntário 

Acórdão nº  3802­002.899  –  2ª Turma Especial  

Sessão de  23 de abril de 2014 

Matéria  COFINS­COMPENSAÇÃO 

Recorrente  CITRATUS ­ IBERTECH DO BRASIL LTDA. 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE 
SOCIAL ­ COFINS 

Ano­calendário: 2003 

COFINS.  ICMS.  EXCLUSÃO.  BASE  DE  CÁLCULO.  AUSÊNCIA  DE 
PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE  INCONSTITUCIONALIDADE. 
INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. 

A exclusão do  Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo 
com  a  legislação  vigente  (Lei  nº  10.833/200e,  art.  1º,  §  3º,  III;  Lei  nº 
9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art.  3º, parágrafo único; Lei nº 
10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição 
tributária  (Icms­ST).  No  demais  casos,  pressupõe  o  reconhecimento  da 
inconstitucionalidade da  incidência, matéria que,  como  se  sabe,  é objeto da 
Ação  Direta  de  Constitucionalidade  (ADC)  nº  14,  no  Supremo  Tribunal 
Federal.  Antes  do  julgamento  desta,  não  há  como  se  afastar  a  inclusão  do 
Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal 
e,  nos  termos  da  Súmula  CARF  nº  02,  pela  incompetência  do  Conselho 
Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a  inconstitucionalidade de 
atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. 

Recurso Voluntário Negado. 

Direito Creditório Não Reconhecido. 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar 
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. 

(assinado digitalmente) 

MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM ­ Presidente.  

  

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Fl. 68DF  CARF  MF

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON

 SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM




 

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(assinado digitalmente) 

SOLON SEHN ­ Relator. 

Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Mércia  Helena 
Trajano  Damorim  (Presidente),  Francisco  José  Barroso  Rios,  Solon  Sehn,  Waldir  Navarro 
Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. 

Relatório 

Trata­se de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da 
Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente 
a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pelo  Recorrente,  assentada  nos  fundamentos 
resumidos na ementa a seguir transcrita: 

ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA 
SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS 

Ano­calendário: 2003 

PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  CRÉDITO  NÃO 
COMPROVADO. 

Na  falta  de  comprovação  do  pagamento  indevido  ou  a  maior, 
não há que se falar de crédito passível de compensação. 

Manifestação de Inconformidade Improcedente 

Direito Creditório Não Reconhecido 

O  interessado  apresentou  o  PER/Dcomp  (Pedido Eletrônico  de Restituição, 
Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração 
de Débitos  e Créditos  Tributários  Federais).  Tal  fato  fez  com  que  o  pagamento  continuasse 
atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. 

Em  sede  de  manifestação  de  inconformidade,  o  Recorrente  alegou  que  o 
crédito  seria  decorrente  do  recolhimento  indevido  de  PIS/Pasep  e  de  Cofins,  resultante  da 
inclusão do Icms na base de cálculo das contribuições. Sustentou ainda que, em se tratando de 
receita  tributária  dos  Estados  da  Federação,  o  referido  imposto  não  faria  parte  da  receita 
auferida pela empresa. Aduz que a manutenção do imposto na base de cálculo da contribuição 
afrontaria os arts. 146, III, da Constituição e art. 110 do Código Tributário Nacional. 

A Recorrente, nas razões de fls. 55 e ss., reitera os argumentos apresentados 
na manifestação de inconformidade, requerendo a reforma da decisão recorrida. 

É o relatório.

Voto            

Conselheiro Solon Sehn 

O  sujeito  passivo  teve  ciência  da  decisão  no  dia  09/10/2013  (fls.  65), 
interpondo recurso tempestivo em 04/11/2013 (fls. 55). Assim, presentes os demais requisitos 
de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. 

Fl. 69DF  CARF  MF

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 SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM



Processo nº 10830.907379/2011­22 
Acórdão n.º 3802­002.899 

S3­TE02 
Fl. 69 

 
 

 
 

3

A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, de acordo 
com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, 
Lei  nº  9.715/1998,  art.  3º,  parágrafo  único;  Lei  nº  10.637/2002,  art.  1º,  §  3º,  II),  somente  é 
autorizada  no  regime  de  substituição  tributária  (Icms­ST).  No  demais  casos,  a  exclusão 
pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, 
é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. 

Antes do julgamento da referida ADC, não há como se afastar a inclusão do 
Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da 
Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para 
declarar a  inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do 
Regimento Interno: 

Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar 
sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 

Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do 
CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo 
internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de 
inconstitucionalidade. 

Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de 
tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 

I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão 
plenária  definitiva  do  Supremo  Tribunal  Federal;  ou  II  ­  que 
fundamente crédito tributário objeto de: 

a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do 
Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 
19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; 

b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da 
Lei Complementar nº 73, de 1993; ou 

c)  parecer  do  Advogado­Geral  da  União  aprovado  pelo 
Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei 
Complementar nº 73, de 1993. 

Vota­se pelo não conhecimento do recurso voluntário. 

(assinado digitalmente) 

Solon Sehn ­ Relator 

           

           

Fl. 70DF  CARF  MF

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  4

 

 

Fl. 71DF  CARF  MF

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Data do fato gerador: 30/04/2005
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.


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S3­TE01 

Fl. 86 

 
 

 
 

1

85 

S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  11030.904416/2012­18 

Recurso nº  1   Voluntário 

Acórdão nº  3801­003.230  –  1ª Turma Especial  

Sessão de  27 de março de 2014 

Matéria  RESTITUIÇÃO 

Recorrente  LATICINIOS BOM GOSTO S.A. 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP 

Data do fato gerador: 30/04/2005 

PIS.  COFINS.  RESTITUIÇÃO.  EXCLUSÃO DO VALOR DO  ICMS DA 
BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. 

O  valor  do  ICMS  compõe  o  preço  da  mercadoria  integrando  assim  o 
faturamento,  que  é  base  de  cálculo  das  contribuições  para  o  PIS/Pasep  e  a 
Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.  

INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. 

O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade 
de lei tributária. 

Recurso Voluntário Negado  

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar 
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.  

(assinado digitalmente) 

Paulo Sérgio Celani ­ Presidente Substituto. 

(assinado digitalmente) 

Marcos Antonio Borges ­ Relator. 

Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Paulo  Sérgio Celani 
(Presidente  Substituto),  José  Luiz  Feistauer  De  Oliveira,  Sidney  Eduardo  Stahl,  Marcos 
Antonio  Borges,  Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva  Murgel  e  Jacques  Mauricio  Ferreira 
Veloso De Melo. 

  

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Fl. 86DF  CARF MF

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4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI




Processo nº 11030.904416/2012­18 
Acórdão n.º 3801­003.230 

S3­TE01 
Fl. 87 

 
 

 
 

2

Fl. 87DF  CARF MF

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4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI



Processo nº 11030.904416/2012­18 
Acórdão n.º 3801­003.230 

S3­TE01 
Fl. 88 

 
 

 
 

3

 

Relatório 

Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 
que narra bem os fatos: 

O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito 
nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de 
Pis, relativo ao fato gerador de 30/04/2005. 

A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  jurisdição  do  contribuinte 
emitiu  despacho  decisório  eletrônico  no  qual  indefere  a 
restituição  pleiteada,  sob o  argumento  de  que  o pagamento  foi 
utilizado na quitação  integral de débito(s) do  contribuinte,  não 
restando crédito disponível para restituição. 

Irresignado  com  o  indeferimento  do  seu  pedido,  tendo  sido 
cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 
20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com 
os argumentos a seguir sintetizados. 

Informa  que  pediu  a  restituição  dos  valores  pagos  a  maior  a 
título de Pis, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS 
da base de cálculo. 

Traz  entendimentos  doutrinários  e  jurisprudência  dos  tribunais 
acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar 
o  conceito  de  “ingresso”.  O  ICMS  seria  mero  ingresso  na 
escrituração  contábil  das  empresas,  para  posterior  destinação 
ao Fisco, terceiro titular de tais valores. 

Cita  o  recurso  extraordinário  nº  240785,  que  se  encontra  em 
fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios 
constitucionais,  discorrendo  acerca  da  impossibilidade  de 
inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  do PIS/Cofins,  visto  que 
não  representa  riqueza  do  contribuinte,  não  fazendo  parte  da 
receita ou do faturamento. 

Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição,  tendo 
em  vista  ser  inconstitucional  a  cobrança  do  PIS/Cofins  sem  a 
exclusão  do  ICMS da base  de  cálculo,  e  que os  créditos  sejam 
acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a 
data da restituição/compensação. 

A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte 
(MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: 

ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP 

Data do fato gerador: 30/04/2005 

EXCLUSÃO  DO  ICMS  DA  BASE  DE  CÁLCULO. 
IMPOSSIBILIDADE. 

Fl. 88DF  CARF MF

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4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI



Processo nº 11030.904416/2012­18 
Acórdão n.º 3801­003.230 

S3­TE01 
Fl. 89 

 
 

 
 

4

Não  há  previsão  legal  para  a  exclusão  do  ICMS  da  base  de 
cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes 
cumulativo e não­cumulativo. 

Manifestação de Inconformidade Improcedente 

Direito Creditório Não Reconhecido 

Inconformada,  a  contribuinte  recorre  a  este  Conselho,  conforme  recurso 
voluntário  apresentado,  no  qual  repisa  os  argumentos  apresentados  na  Manifestação  de 
Inconformidade. 

É o relatório. 

Fl. 89DF  CARF MF

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CÓ
PI

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Processo nº 11030.904416/2012­18 
Acórdão n.º 3801­003.230 

S3­TE01 
Fl. 90 

 
 

 
 

5

 

Voto            

Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges 

O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto 
dele toma­se conhecimento. 

O  direito  creditório  não  existiria,  segundo  o  despacho  decisório  inicial, 
porque os  pagamentos  constantes  do  pedido  estariam  integralmente  vinculados  a  débitos  em 
DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. 

Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o 
objetivo  é  confirmar  a  existência  de  indébito  tributário,  confrontando  informações  das 
declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o 
mérito  da  questão,  o  que  somente  será  viável  a  partir  da  manifestação  de  inconformidade 
apresentada  pelo  requerente,  na  qual,  espera­se,  seja  descrita  a  origem  do  direito  creditório 
pleiteado e sua fundamentação legal.  

Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os 
créditos pleiteados  referem­se a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em 
razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. 

A questão da inclusão do  ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é 
objeto  do  Recurso  Extraordinário  (RE)  nº  240.785­2  MG,  que  não  foi  ainda  julgada  até  a 
presente data. 

Na  Ação  Declaratória  de  Constitucionalidade  (ADC)  nº  18,  que  trata  da 
mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar 
para determinar que, até o  julgamento  final da ação pelo Plenário do STF,  juízos e  tribunais 
suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 
2º,  inciso  I,  da  Lei  no  9.718/98.  A  suspensão  dos  julgamentos  deferida  liminarmente  foi 
sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, 
finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a 
eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. 

Quanto  ao  RE  nº  240.785­2/MG,  o  mesmo  foi  também  sustado  até  o 
julgamento do ADC no 18,  já que o Plenário do STF, ao  julgar questão de ordem  levantada 
pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento 
do  RE  em  tela,  uma  vez  que  a  ADC,  por  tratar­se  de  controle  concentrado  de 
constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. 

Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo 
em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a 
matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no­ 545, de 18 de novembro de 2013, que 
revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, 
que  previam  o  sobrestamento  dos  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também 

Fl. 90DF  CARF MF

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CÓ
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4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI



Processo nº 11030.904416/2012­18 
Acórdão n.º 3801­003.230 

S3­TE01 
Fl. 91 

 
 

 
 

6

sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria,  preliminarmente 
entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. 

Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. 

O  valor  do  ICMS  compõe  o  preço  da  mercadoria  sendo  calculado  “por 
dentro”,  ou  seja,  o  montante  do  próprio  imposto  está  incluído  na  sua  base  de  cálculo,  nos 
termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, 
que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa 
disposição legal para tanto. 

A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS 
“quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto 
tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. 

Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 
10.833,  de  2003,  para  aquelas  empresas  sujeitas  ao  regime  não  cumulativo  de  apuração  das 
referidas  contribuições,  estas passaram a  ter como  fato  gerador o  faturamento mensal,  assim 
entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua 
denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à 
possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas 
leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas 
decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações 
de exportação. 

Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontrava­se pacificada, sendo editada 
a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: 

Súmula:  68  A  PARCELA  RELATIVA  AO  ICM  INCLUI­SE  NA 
BASE DE CALCULO DO PIS.  

Em  relação  ao  FINSOCIAL,  que  também  tinha  por  base  de  cálculo  o 
faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: 

Súmula  94.  A  PARCELA  RELATIVA  O  ICMS  INCLUI­SE  NA 
BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. 

Este  também  é  o  entendimento  exarado  pelo  STJ,  superada  a  suspensão 
liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito 
do REsp no 1.127.877­SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do 
artigo 543­C do CPC, no  sentido de que o  ICMS  integra  sim a base de  cálculo do PIS  e da 
COFINS,  através  de  decisão  monocrática  que  negou  seguimento  ao  recurso,  com  base  em 
jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: 

PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  OMISSÃO  NÃO 
CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. 
INCLUSÃO  DO  ICMS.  POSSIBILIDADE.  PRECEDENTES. 
RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. 

A  jurisprudência  deste Tribunal  pacificou­se  no  sentido  de  que 
"a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo 
do  PIS  e  da  Cofins,  nos  termos  das  Súmulas  68  e  94  do  STJ" 
(AgRg  no  REsp  1.121.982/RS,  2ª  T.,  Min.  Humberto  Martins, 

Fl. 91DF  CARF MF

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4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI



Processo nº 11030.904416/2012­18 
Acórdão n.º 3801­003.230 

S3­TE01 
Fl. 92 

 
 

 
 

7

DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg 
no  Ag  1.069.974/PR,  1ª  T.,  Min.  Francisco  Falcão,  DJe  de 
02/03/2009;  REsp  1.012.877/PR,  2ª  T.,  Min.  Mauro  Campbell 
Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., 
Min.  Herman  Benjamin,  DJe  de  03/02/2011;  AgRg  no  Ag 
1.005.267/RS,  1ª  T.,  Min.  Benedito  Gonçalves,  DJe  de 
02/09/2009. 

Ocorre  ainda  que  eventuais  alegações  acerca  de  inconstitucionalidade  da 
legislação  tributária não  são oponíveis na  esfera  administrativa,  uma vez  que  sua  apreciação 
foge  à  alçada  da  autoridade  administrativa  de  qualquer  instância,  não  dispondo  esta  de 
competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no 
ordenamento jurídico nacional. 

Com  efeito,  a  apreciação  dessas  questões  acha­se  reservada  ao  Poder 
Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas 
deve  ser  submetida  àquele  Poder.  Portanto,  é  inócuo  suscitar  tais  alegações  na  esfera 
administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar  textos  legais em vigor, 
sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão 
julgador, nos  termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus 
membros. 

Assim,  diante  do  exposto,  voto  por  negar  provimento  ao  presente  recurso 
voluntário. 

(assinado digitalmente) 

Marcos Antônio Borges 

           

 

           

 

 

Fl. 92DF  CARF MF

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4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI


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Data do fato gerador: 10/03/2002, 20/03/2002, 31/03/2002, 10/04/2002, 20/04/2002, 30/04/2002, 20/12/2002, 31/03/2003, 10/04/2003, 20/04/2003, 30/04/2003, 10/05/2003, 20/05/2003, 31/05/2003, 10/06/2003, 30/06/2003, 31/08/2003, 30/09/2003
CRÉDITO PRESUMIDO, RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS MEDIANTE CREDITO PRESUMIDO DE IPI BENEFÍCIO CENTRALIZADO E EXPORTADO POR COOPERATIVA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, possui natureza e regulação específica (art. 150, § 6º CF), podendo alcançar apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada.
Recurso Improvido.
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ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro relator Antônio Lisboa Cardoso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Camila Gonçalves de Oliveira, OAB/DF 15.791 e pela PGFN a procuradora Indiara Arruda de Almeida Serra.
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
Antônio Lisboa Cardoso Relator
Andrea Medrado Darzé Redatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).


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S3­C3T1 

Fl. 842 

 
 

 
 

1

841 

S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  15956.000022/2007­32 

Recurso nº  01   Voluntário 

Acórdão nº  3301­001.735  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  

Sessão de  26 de fevereiro de 2013 

Matéria  IPI 

Recorrente  COPERSUCAR­ COOPERATIVA DE PRODUTORES DE CANA­
DE­ACUCAR, AÇUCAR E ALCOOL DO ESTADO DE SÃO PAULO 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI 

Data  do  fato  gerador:  10/03/2002,  20/03/2002,  31/03/2002,  10/04/2002, 
20/04/2002,  30/04/2002,  20/12/2002,  31/03/2003,  10/04/2003,  20/04/2003, 
30/04/2003,  10/05/2003,  20/05/2003,  31/05/2003,  10/06/2003,  30/06/2003, 
31/08/2003, 30/09/2003 

CRÉDITO  PRESUMIDO,  RESSARCIMENTO  DA  CONTRIBUIÇÃO 
PARA  O  PIS  E  COFINS  MEDIANTE  CREDITO  PRESUMIDO  DE  IPI 
BENEFÍCIO  CENTRALIZADO  E  EXPORTADO  POR  COOPERATIVA. 
AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. 

O crédito presumido de  IPI,  instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente 
ao  ressarcimento  das  contribuições  PIS  e  Cofins  sobre  as  aquisições  de 
matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem,  possui 
natureza e regulação específica (art. 150, § 6º CF), podendo alcançar apenas a 
pessoa  jurídica  produtora  exportadora,  não  podendo  usufruir  do 
correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda 
que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada. 

Recurso Improvido. 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira  
SSEEÇÇÃÃOO  DDEE  JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. 
Vencido o conselheiro relator Antônio Lisboa Cardoso. Designada para redigir o voto vencedor 
a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Camila 
Gonçalves  de  Oliveira,  OAB/DF  15.791  e  pela  PGFN  a  procuradora  Indiara  Arruda  de 
Almeida Serra. 

Rodrigo da Costa Pôssas Presidente 

  

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Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20

14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi

nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE




 

  2 

Antônio Lisboa Cardoso Relator 

Andrea Medrado Darzé Redatora 

Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de 
Moraes,  Antônio  Lisboa  Cardoso  (relator),  Paulo  Guilherme  Déroulède,  Andrea  Medrado 
Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). 

 

Relatório 

Cuida­se de recurso em face de decisão da DRJ de Salvador (BA), que julgou 
procedente o auto de infração de fls. 08/16, cientificado à contribuinte em 13/02/2007 (fl. 07), 
relativo  ao  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados–  IPI,  sintetizado  na  ementa  a  seguir 
transcrito: 

ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS 
INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  

Data  do  fato  gerador:  10/03/2002,  20/03/2002,  31/03/2002, 
10/04/2002,  20/04/2002,  30/04/2002,  20/12/2002,  31/03/2003, 
10/04/2003,  20/04/2003,  30/04/2003,  10/05/2003,  20/05/2003, 
31/05/2003, 10/06/2003, 30/06/2003, 31/08/2003, 30/09/2003 

CRÉDITO  PRESUMIDO  DO  IPI.  COOPERATIVAS 
CENTRALIZADORAS  DE  VENDAS.  ILEGITIMIDADE 
ATIVA.  

In cabíveis a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito 
presumido  de  IPI  a  que  fazem  jus  os  cooperados  pela 
Cooperativa centralizadora de vendas. 

No caso de produtos fabricados por estabelecimentos cooperados 
que vierem a ser exportados pela sociedade cooperativa, eventual 
crédito pertence ao estabelecimento produtor e não à cooperativa.  

CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI INDEVIDO. LANÇAMENTO 
DO IPI. FALTA DE RECOLHIMENTO. 

A  concessão  e  o  aproveitamento  de  qualquer  benefício  ou 
incentivo  fiscal  estão  subordinados  ao  preenchimento  dos 
requisitos e condições determinados pela legislação de regência. 

É lícito ao Fisco proceder à glosa do crédito presumido do IPI 

irregularmente  apropriado  pela  sociedade  cooperativa,  e, 
verificado  o  aproveitamento  dos  créditos  presumidos 
indevidamente  apurados, mediante  recebimento  de  créditos  por 
transferência, cabe o lançamento de ofício do imposto que deixou 
de ser pago em razão da redução indevida do tributo a recolher.  

Impugnação Improcedente 

Crédito Tributário Mantido 

Fl. 854DF  CARF MF

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Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20

14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi

nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE



Processo nº 15956.000022/2007­32 
Acórdão n.º 3301­001.735 

S3­C3T1 
Fl. 843 

 
 

 
 

3

De  acordo  com  a  decisão  recorrida,  em  relação  ao  item  001,  consta  que  a 
empresa fiscalizada, COPERSUCAR, CNPJ 61.149.589/0137­52, ora Recorrente, firmou com 
a  Usina  Açucareira  de  Jaboticabal  S.  A.,  CNPJ  50.376.912/0001­30,  Regime  Especial  de 
Substituição  Tributária  do  IPI,  consubstanciado  no  Termo  de Acordo  nº  24,  de  23/12/1997, 
cópia  às  fls.664/6  66,  assumindo  a  condição  de  responsável  tributária  relativamente  ao  IPI 
devido nas operações realizadas pela empresa citada, considerada substituída, inclusive quanto 
à  apuração  e  pagamento  do  imposto  na  forma  ali  estabelecida,  exclusivamente,  quanto  ao 
produto "açúcar " quando remetido pelo substituído ao substituto. 

Por consequência, a Cooperativa de Produtores de Cana, Açúcar e Álcool do 
Estado de São Paulo Ltda (Copersucar), apurou, de forma centralizada, o crédito presumido do 
IPI de suas cooperadas, transferindo o referido crédito de seu estabelecimento matriz para sua 
filial  (CNPJ  nº  61.149.589/0137­52)  para  a  compensação  de  débitos  do  IPI,  tendo  feito 
utilização indevida de crédito presumido de IPI, relativo ao 1º decêndio de março de 2003 ao 3º 
decêndio  de  setembro  de  2003,  ensejando  o  lançamento  do  imposto,  tendo  em  vista  que  o 
mesmo  se  destina  unicamente  ao  produtor  exportador  que  atenda  aos  requisitos  estipulados 
pela Lei nº 9.363, de 1996. 

Consta ainda que a contribuinte impetrou contra a União ações de mandado 
de  segurança  relativamente  às  safras  de  2001/2002,  2002/2003  e  2003/2004,  através  dos 
processos  ora  discriminados  respectivamente,  de  n°:MS  2001.61.00.008492­4  (obteve  em  1ª 
Instância Liminar e Sentença favorável, a qual foi cassada, pelo Tribunal Regional Federal, em 
18/09/2006,  fl.  387;  MS  2002.61.00.004796­8  (a  contribuinte  não  obteve  liminar  e  nem 
sentença favorável, inclusive em 2ª instância, fl. 388; e MS 2003.61.00.007758­8 (fls. 386/638, 
foi  indeferida  a  liminar  e  julgado  improcedente  o  pedido,  no  recurso  de  apelação  pela 
impetrante na esfera do Tribunal Regional Federal da 3ª Região,  foi  negado provimento, por 
unanimidade,  em  06/09/2006,  indeferida  concessão  de  segurança  para  que  fosse  eximido  do 
destaque e recolhimento do IPI nas saídas do produto "Açúcar ", considerando alíquota de 5% 
conforme dispõe o Decreto nº 2.917, de 19 98,  fl.  389);  no processo de Medida Cautelar nº 
2005.03.00.0  72722­9  (fl.391),que  tem  como  objeto  obstar  a  exigibilidade  do  IPI  incidente 
sobres  as operações de  saída de  açúcar da Safra  de 2003/2 004,  foi  concedido  "liminar para 
restaurar  a  eficácia  da  tutela  concedida  nos  autos  de  agravo  de  instrumento  até  que  haja 
pronunciamento da turma julgadora ". 

Ressaltando ainda que a glosa se deveu também pelo fato dos créditos terem 
sido  apurados  de  forma  concentrada  no  estabelecimento matriz  que  recebeu  os  créditos,  nos 
termos da Nota Técnica Cosit nº 234/2003, de interesse da Copersucar, a qual figuraria como 
responsável pelo recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins, conforme art. 66 da Lei nº 9.430, de 
27 de dezembro de 1996, e como substituta tributária do IPI, em relação às operações dos seus 
cooperados,  com base  na  então  vigente  Instrução Normativa SRF nº  64,  de  13  de  agosto  de 
1997, e, no caso “os créditos do IPI pertencem ao substituído; os débitos, ao substituto”. 

Cientificada  em 27/01/2012  (AR –  fl.  164)  a Recorrente  interpôs o  recurso 
voluntário  de  fls.  166  e  seguintes,  em  27/02/2012,  em  relação  ao  mérito  afirma  que,  na 
condição de uma das filiais operadoras da Cooperativa – Matriz (CNPJ 61.149.589/0001­89), 
utilizou­se de  créditos presumidos de  IPI,  calculados  e  transferidos por  aquela Matriz para a 
filial,  ora  Recorrente,  creditando­se  no  seu  Livro  de  Registro  de  Apuração  do  IPI,  pelos 
créditos transferidos, por meio de Notas Fiscais de Transferência, correspondentes ao período 
de 2003 a 2005, utilizando­os para compensação com débitos do mesmo IPI. 

Fl. 855DF  CARF MF

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14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi

nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE



 

  4 

Argui  preliminar  de  nulidade  afirmando  que  a  decisão  recorrida,  acolheu  a 
argumentação  de  que  a  cooperada  tem  direito  ao  crédito  presumido  de  IPI,  por  ser  um 
estabelecimento produtor/exportador “que atende aos requisitos estipulados pela Lei nº 9.363, 
de 1996, para a fruição do incentivo”, afirmando que houve agravamento da exigência fiscal. 

Aduz  ainda  que  as  vendas  efetuadas  são  dos  cooperados,  visto  que,  no 
sistema  cooperativo  de  vendas  em  comum,  quem  vende  ou  exporta  é  o  próprio  produtor 
cooperado,  sendo a cooperativa mera mandatária  legal  em  todos os  atos  comerciais  relativos 
aos produtos que exporta, pois, embora não fabrique os produtos exportados, pode realiar todos 
os  cálculos  do  incentivo  em  discussão,  possuindo  todos  os  dados  necessários,  visto  que 
também é responsável na condição de substituo tributário do IPI devido pelas cooperadas, nos 
termos do art. 35, da Lei nº 4.502/64, com as modificações introduzidas pelo art. 31, da Lei nº 
9.430/96. 

Sustenta  por  fim,  quanto  è  elaboração  do DCP  (Demonstrativo  do  Crédito 
Presumido)  a Nota Cosit  nº  234/2003,  por  não  acolher  a  tese  de  que  as  vendas  em  comum 
devam ser rateadas, acabou propondo solução inexeqüível no âmbito do sistema cooperativo, 
sendo que, entretanto, por conta dos itens 19.2 e 21.3, só se poderia concluir que a SRFB teria 
admitido  a  transferência  de  crédito  presumido  entre  estabelecimentos  de  pessoas  jurídicas 
distintas, assim reconhecendo as peculiaridades do sistema cooperativo, o que se confirmaria 
no regime previsto na IN 635/06 para o recolhimento do PIS e da COFINS. 

É o relatório. 

 

Voto Vencido 

Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator 

O recurso é tempestivo e encontra­se revestido das demais condições legais, 
devendo o mesmo ser conhecido. 

Conforme  relatado,  o  presente  auto  de  infração  é  decorrente  da  glosa  da 
compensação  de  valores  originários  de  crédito  presumido  de  IPI,  instituído  pela  Lei  nº 
9.363/96, apurado pelo  estabelecimento matriz da COPERSUCAR e  transferido por meio de 
notas  fiscais  de  transferência  para  o  estabelecimento  filial,  ora  Recorrente,  os  qual  foram 
utilizada para a quitação do IPI dos períodos discutidos no presente processo. 

Segundo o entendimento da fiscalização, mantido pela decisão  recorrida, os 
referidos  créditos  não  poderiam  ter  sido  utilizados  pela  COPERSUCAR,  por  entender  que 
pertencem aos cooperados, que são de fato as empresas produtoras exportadoras. 

Inicialmente  deve  ser  rejeitada  a  preliminar  de  nulidade  suscitada  pela 
Recorrente,  vez que, o  reconhecimento pela decisão  recorrida no  sentido de  ser a  cooperada 
produtora e  exportadora,  com direito  à  fruição do  crédito presumido de  IPI,  apenas  reflete o 
entendimento do  julgador a quo quanto ao  real beneficiário do  incentivo, não caracterizando 
qualquer agravamento da exigência. 

A  decisão  recorrida  está  baseado  no  fato  da  Nota  Cosit  n°  234,  de  01  de 
agosto de 2003, que deu nova interpretação do tema, vedando­se à cooperativa centralizadora 

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Processo nº 15956.000022/2007­32 
Acórdão n.º 3301­001.735 

S3­C3T1 
Fl. 844 

 
 

 
 

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de vendas a apuração, escrituração e utilização do crédito presumido de IPI, cujos trechos de 
maior relevância para o assunto são a seguir transcritos: 

"21.Por tudo o que foi exposto, conclui­se: 

21.1.  O  Cooperado  que  entregar  sua  produção  à  Cooperativa 
centralizadora  de  vendas,  para  exportação,  faz  jus  a  crédito 
presumido  do  IPI,  relativa  à  parcela  de  sua  produção  que  haja 
sido efetivamente exportada; 

21.2.  O  Cooperado,  assim  que  receber  as  informações  da 
Cooperativa  centralizadora  de  vendas  de  que  sua  produção  foi 
exportada,  no  todo  ou  em  parte,  poderá  apurar  o  crédito 
presumido, ao  final do mês e escriturá­lo em seu  livro Registro 
de Apuração do IPI, observadas as quantidades da sua produção 
efetivamente exportadas e as normas da legislação especifica;  

21.3. Remanescendo saldo credor na escrituração do Cooperado, 
após a dedução com o IPI devido pela Cooperativa na condição 
de  substituta  tributária,  poderá  haver  transferência  do  crédito 
presumido  para  outros  estabelecimentos  da  pessoa  jurídica 
Cooperada,  se  houver,  apenas  para  dedução  do  valor  do  IPI 
devido por operações no mercado interno; ao final do trimestre­
calendário,  obedecidas  as  demais  normas  especificas,  poderá 
haver  a  compensação  com  outros  tributos  do  Cooperado, 
inclusive  o  PIS/Pasep  e  a  Cofins  devido  pela  Cooperativa,  na 
condição  de  responsável,  mas  só  a  parcela  que  di2a  respeito 
àquele Cooperado, isto é, a parcela referente à sua produção que 
tenha  sido  comercializada  no  mercado  interno.  Ao  invés  da 
compensação,  o Cooperado  poderá  solicitar  o  ressarcimento  do 
saldo credor em espécie, no todo ou em parte; 

21.4.  Não  cabe  à  Cooperativa  centralizadora  de  vendas  a 
apuração,  a  escrituração  ou  a  utilização  do  crédito 
presumido de IPI a que fazem jus os Cooperados; 

21.5. O preenchimento e a entrega do Demonstrativo do Crédito 
Presumido (DCP) está a cargo do Cooperado que se beneficie do 
crédito presumido, por intermédio de seu estabelecimento matriz. 
O  Cooperado  também  deverá  observar  o  cumprimento  das 
demais obrigações acessórias." 

Entretanto, a mencionada nota técnica, nesse ponto, está em desacordo com a 
legislação do IPI, sobretudo porque quanto à apuração do IPI centralizado no estabelecimento 
matriz, está em conformidade com o art. 15, II, da Lei nº 9.779, de 1999, determinando que a 
apuração do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, seja centralizados “pelo 
estabelecimento  matriz  da  pessoa  jurídica”,  podendo  ainda  ser  transferido  para  qualquer 
estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o próprio IPI, in verbis: 

Art.15.  Serão  efetuados,  de  forma  centralizada,  pelo 
estabelecimento matriz da pessoa jurídica: 

I  ­  o  recolhimento  do  imposto  de  renda  retido  na  fonte  sobre 
quaisquer rendimentos; 

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II  ­  a  apuração  do  crédito  presumido  do  Imposto  sobre 
Produtos Industrializados ­ IPI de que trata a Lei no 9.363, de 
13 de dezembro de 1996; 

[...] 

Assim  sendo,  o  fato  da  Recorrente  ter  centralizado  a  apuração  do  crédito 
presumido centralizado em seu estabelecimento matriz, não é motivo de  impedimento para a 
fruição  do  benefício,  pelo  contrário,  está  de  acordo  com  a  legislação  que  rege  o  crédito 
presumido. 

Da mesma  forma  dispõe  a Lei  nº  9.363,  de  1996,  constando  que  o  crédito 
presumido do IPI pode ser centralizado pelo estabelecimento matriz e transferido para qualquer 
estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o próprio IPI: 

Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada 
mediante  a  aplicação,  sobre  o  valor  total  das  aquisições  de 
matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de 
embalagem  referidos  no  artigo  anterior,  do  percentual 
correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita 
operacional bruta do produtor exportador. 

§ 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual 
de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei 
nº 10.637, de 2002) 

§  2°..No  caso  de  empresa  com mais  de  um  estabelecimento 
produtor  exportador,  a  apuração  do  crédito  presumido 
poderá ser centralizada na matriz. 

§  3º. O  crédito  presumido,  apurado na  forma do  parágrafo 
anterior,  poderá  ser  transferido  para  qualquer 
estabelecimento da empresa para efeito de compensação com 
o  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  observadas  as 
normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. (grifado). 

Pelos mesmos motivos acima expostos, também considero não haver nenhum 
óbice para que o estabelecimento filial possa utilizar o crédito presumido para a compensação 
de débitos do mesmo IPI. 

O principal ponto do processo se refere ao crédito presumido ter sido apurado 
e requerido pela Cooperativa, enquanto o Fisco entende que o benefício fiscal somente poderia 
ser utilizado e requerido pelo produtor exportador, entretanto, de acordo com a Lei nº 5.764, de 
16 de dezembro de 1971, que dispõe sobre a política nacional de cooperativismo, e, através de 
seu  art.  79,  define  o  que  seja  atos  cooperativos,  os  quais  não  implicam  em  operação  de 
mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria: 

Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas 
que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços 
para o exercício de uma atividade econômica, de proveito 
comum, sem objetivo de lucro. 

 Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e 
natureza  jurídica  próprias,  de  natureza  civil,  não  sujeitas  a 
falência,  constituídas  para  prestar  serviços  aos  associados, 
distinguindo­se  das  demais  sociedades  pelas  seguintes 
características 

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Processo nº 15956.000022/2007­32 
Acórdão n.º 3301­001.735 

S3­C3T1 
Fl. 845 

 
 

 
 

7

[...] 

Art. 79. Denominam­se atos cooperativos os praticados entre as 
cooperativas  e  seus  associados,  entre  estes  e  aquelas  e  pelas 
cooperativas  entre  si quando associados,  para a  consecução dos 
objetivos sociais. 

 Parágrafo único. O ato  cooperativo não  implica operação de 
mercado,  nem  contrato  de  compra  e  venda  de  produto  ou 
mercadoria. (grifado) 

Conquanto o produtor­exportador seja cada um dos produtores rurais, pessoas 
físicas  associados  à  cooperativa,  todo  o  processo  de  industrialização  e  exportação  é  feito 
através da pessoa jurídica, que age por conta e ordem dos cooperados, por interesse deles, isto 
é, os atos da cooperativa devem ser considerados como sendo praticados pelos seus associados, 
é o que depreende­se do art. 83, da citada lei: 

Art.  83.  A  entrega  da  produção  do  associado  à  sua 
cooperativa significa a outorga a esta de plenos poderes para 
a  sua  livre  disposição,  inclusive  para  gravá­la  e  dá­la  em 
garantia  de  operações  de  crédito  realizadas  pela  sociedade, 
salvo  se,  tendo  em  vista  os  usos  e  costumes  relativos  à 
comercialização de determinados produtos, sendo de interesse do 
produtor, os estatutos dispuserem de outro modo. (grifado). 

Conforme bem esclareceu a Recorrente, no sistema cooperativo de vendas em 
comum,  quem  vende  ou  exporta  é  o  próprio  produtor  cooperado.  A  cooperativa  é  mera 
intermediária,  mandatária  legal,  logo  o  benefício  fiscal  concedido  se  destina  ao  produtor­
exportador, não sendo apropriado pela cooperativa, não havendo que se  falar em apropriação 
pela  cooperativa  do  resultado  obtido  com  a  exportação,  que  será  revertido  aos  produtores 
rurais, na proporção de suas participações na sociedade empresarial. 

Para  fins  de  definição  do  ato  cooperado,  especialmente  no  que  se  refere  à 
entrega da produção pelo cooperado à cooperativa, nos termos dos arts. 79 e 83 da, da Lei nº 
5.764, de 1971,  a  jurisprudência do  colendo Supremo Tribunal Federal  (STF) que o  assunto 
depende  do  exame  dos  fatos,  isto  é,  depende  da  forma  em  que  o  negócio  ocorre  entre  a 
cooperativa e cooperado (daí porque não poder ser objeto de recurso extraordinário), in verbis: 

COMERCIAL. COOPERATIVA. ENTREGA DA PRODUÇÃO 
PELO COOPERADO A COOPERATIVA. NEGÓCIO QUE O 
ACÓRDÃO  LOCAL,  ANTE  O  EXAME  DOS  FATOS, 
ESPECIALMENTE A  EXECUÇÃO DADA  PELAS  PARTES, 
DEFINIU  COMO  CONTRATO  ESPECIFICO  ENTRE 
COOPERADO E COOPERATIVA (ARTS. 79 E 83 DA LEI N. 
5.764,  DE  16.11.71),  E  NÃO  COMO  CONTRATO  DE 
DEPOSITO  IRREGULAR  (ART.  1.280 DO CÓDIGO CIVIL). 
APLICAÇÃO DAS SUMULAS 279 E 454. 

 (RE  92902,  Relator(a):  Min.  DÉCIO  MIRANDA,  Segunda 
Turma,  julgado  em  07/10/1980,  DJ  24­10­1980  PP­08610 
EMENT  VOL­01189­03  PP­00727  RTJ  VOL­00095­03  PP­
01380). 

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No  mesmo  sentido,  entendendo  que  a  exportação  através  da  cooperativa, 
como mandatária dos cooperados, ser questão de fato que deve ser apreciado pelo julgador, in 
verbis: 

PRODUTO  INDUSTRIALIZADO.  EXPORTAÇÃO  POR 
COOPERATIVA,  QUE  TERIA  FUNCIONADO  COMO 
MANDATARIA DOS COOPERADOS. QUESTÃO DE FATO 
PARA  CUJO  REEXAME  NÃO  CABE  RECURSO 
EXTRAORDINÁRIO.  RECURSO  NÃO  CONHECIDO. 
 
(RE 76026, Relator(a): Min. LEITAO DE ABREU, SEGUNDA 
TURMA, julgado em 21/03/1975, DJ 02­06­1975 PP­*****)  

O aresto acima transcrito contempla através do voto condutor do acórdão, o 
seguinte trecho da v. sentença prolatada pelo colendo Tribunal de Alçada Cível do Estado de 
São Paulo (no Agravo de Instrumento nº 55.880), que naquele caso, a Cooperativa funcionou 
como mandatária no exercício das funções para as quais fora criada: 

“É de se ponderar ainda que a Cooperativa Central de Produtores 
de  Açúcar  e  Álcool  do  Estado  de  São  Paulo  não  adquire  o 
produto de  seus cooperados. Funciona  ela como mandatária No 
exercício  das  funções  para  as  quais  fora  criada,  podendo­se 
mesmo  dizer  que  atua  como  autêntica  “manus  longa”  dos 
cooperados.” 

Este entendimento ainda prevalece na Suprema Corte, conforme depreende­
se da ementa do acórdão recentemente publicado, in verbis: 

EMENTA  Agravo  regimental  no  agravo  de  instrumento. 
Tributário. ISS sobre atos cooperativos impróprios. Reexame de 
fatos e provas e de contrato social. Impossibilidade. Súmulas nºs 
279,  280  e 454  desta Corte.  1. O Tribunal  local,  com base  nos 
elementos  probatórios  do  autos  e  na  legislação 
infraconstitucional  (Leis  nºs  5.764/71,  5.641/89,  7.640/99, 
8.464/02  e  8.725/03),  consignou  que  a  agravada  presta 
serviços  aos  seus  próprios  cooperados.  Alterar  esse 
entendimento  para  análise  dos  argumentos  expendidos  pelo 
agravante  requereria  reexame  das  leis  em  comento,  do 
contrato social e dos fatos e das provas que permeiam a lide, 
fato vedado nesta  instância  recursal.  Incidência,  na espécie,  das 
Súmulas  nºs  279,  280  e  454  do  Supremo  Tribunal  Federal.  2. 
Agravo regimental não provido. 

 (AI  645954  AgR,  Relator(a):  Min.  DIAS  TOFFOLI,  Primeira 
Turma,  julgado  em  21/08/2012,  ACÓRDÃO  ELETRÔNICO 
DJe­176 DIVULG 05­09­2012 PUBLIC 06­09­2012) (grifado). 

O Superior Tribunal de Justiça (STJ)  tem entendimento firme no sentido de 
que  o  ato  cooperado  não  implica  operação  de mercado nem contrato  de  compra  e  venda,  in 
verbis: 

PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  COOPERATIVA  DE 
CONSUMO. OPERAÇÃO DE VENDA DE BENS A TERCEIROS 
NÃO­COOPERADOS. ATO MERCANTIL. CSLL. 

INCIDÊNCIA. 

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Acórdão n.º 3301­001.735 

S3­C3T1 
Fl. 846 

 
 

 
 

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1. O  ato  cooperativo  típico,  nos  termos  do  art.  79,  parágrafo 
único,  da  Lei  5.764/1971,  não  implica  operação  de  mercado 
nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, o 
que afasta a  incidência do PIS e da COFINS sobre o resultado 
de tal atividade. 

2.  A  operação  de  venda  de  bens  a  terceiros  por  sociedade 
cooperativa de consumo se reveste de natureza mercantilista. O 
resultado  positivo  advindo  dessa  atividade,  por  conseguinte, 
submete­se à incidência da CSLL. Precedentes do STJ. 

4. Agravo Regimental parcialmente provido. (Grifado). 

(AgRg  no  REsp  653.489/RS,  Rel.  Ministro  HERMAN 
BENJAMIN,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  15/09/2009,  DJe 
24/09/2009).  

No  caso  concreto,  entendo  que  o  estão  presentes  os  pressupostos 
estabelecidos pelos arts. 79 e 83, da Lei nº 5.764/71, que define o ato cooperativo, bem como a 
forma como ocorreram as relações entre cooperativa e cooperado, pois, de acordo com os arts. 
12  e  13  (Capítulo  III  – Dos Objetivos  e Operações),  do  Estatuto  Social  da COPERSUCAR 
(CNPJ nº 61.149.589/0001­89, estabelecimento matriz), aprovado pela AGE de 14/04/1987 (fl. 
192/193), consta dentre suas atribuições receber e vender a produção de seus associados, senão 
vejamos: 

“Capítulo III 

Dos Objetivos e Operações 

[...] 

Art. 12. A Cooperativa tem por objetivo prestar serviços a seus 
associados:  receber,  financiar e vender a produção de cana de 
açúcar, de álcool e de mel de seus associados. 

[...] 

Art. 13. A cooperativa, no cumprimento de seus objetivos sociais, 
venderá a produção de cana de açúcar,  de álcool e de mel,  de 
seus  associados,  de  forma  a  conciliar  os  interesses  dos 
produtores e consumidores. 

A AGE de 26/01/1999, deu a seguinte redação ao art. 15, do Estatuto Social 
da Cooperativa: 

Art.  15.  No  curso  da  safra,  o  associado  terá  direito  a 
adiantamento  em  valor  igual  aos  financiamentos  obtidos  pela 
Cooperativa  de  qualquer  estabelecimento  de  crédito,  com 
garantia  do  produto  que  lhe  foi  entregue  para  venda,  e 
proporcional à entrega. 

Parágrafo 1º: À proporção que forem sendo vendidos os produtos 
entregues  para  venda  em  comum,  a  Cooperativa  rateará  aos 
associados,  as  margens  líquidas  que  forem  resultando, 
respeitados  os  valores  dos  ágios  e  deságios  por  qualidade,  que 
houverem sido fixados pelo Conselho de Administração. 

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14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi

nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE



 

  10 

Assim sendo, uma análise mais criteriosa dos fatos leva à conclusão de que 
os atos praticados pela Cooperativa com seus associados obedeceram aos comandos dos artigos 
79  e  83,  da  Lei  Geral  das  Cooperativas,  permitindo  concluir  que  não  se  não  houve  ato 
mercantil entre Cooperativa e seus associados. 

Por  último,  conforme  demonstrado,  o  fato  do  crédito  presumido  ter  sido 
apurado e  requerido pela Cooperativa, e não diretamente pelo produtor exportador, não deve 
impedir a fruição do benefício, salvo se tivessem sido constatados outros motivos impeditivos, 
o que no caso não restou comprovado. 

Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. 

Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2013 

Antônio Lisboa Cardoso, Relator 

Fl. 862DF  CARF MF

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CÓ
PI

A

Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20

14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi

nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE



Processo nº 15956.000022/2007­32 
Acórdão n.º 3301­001.735 

S3­C3T1 
Fl. 847 

 
 

 
 

11

Voto Vencedor 

Conselheira Andréa Medrado Darzé, Redatora 

Peço  vênia  para  divergir  do  ilustre  Conselheiro  Antônio  Lisboa  Cardoso, 
especialmente pelo fato do crédito presumido de  IPI,  instituído pela Lei nº 9.363/96,  ter sido 
apurado  pela  cooperativa,  no  caso  a  Recorrente,  a  COPERSUCAR,  ainda  que  tenha  sido 
transferido por meio de notas  fiscais de  transferência para os  estabelecimentos  filiais, da ora 
Recorrente, os qual foram utilizada para a quitação do IPI dos períodos discutidos no presente 
processo. 

De  fato,  comungo  com  o  entendimento  da  fiscalização,  igualmente  com  a 
decisão recorrida, os referidos créditos não poderiam ter sido utilizados pela COPERSUCAR, 
por  entender  que  pertencem  aos  cooperados,  vez  que  pertencem  às  empresas  produtoras 
exportadoras e não à cooperativa. 

Nesse sentido, quando a Lei nº 9.779/99, determina que o crédito presumido 
de  IPI  seja  centralizado  “pelo  estabelecimento  matriz  da  pessoa  jurídica”  (art.  15,  II), 
necessariamente quer significar mesma empresa, por  isso utilizou o termo “estabelecimento”, 
caso  contrário  autorizaria  sua  transferência  para  qualquer outra  empresa,  contudo manteve  a 
restrição aos estabelecimentos da mesma empresa. 

Logo,  a  autorização  acima  referida  não  se  estende  aos  estabelecimentos  da 
Cooperativa,  ainda  que  centralizado  no  estabelecimento matriz  da Coopersucar,  constituindo 
motivo  de  impeditivo  à  fruição  do  benefício,  que  pertence  às  empresas  produtoras 
exportadoras, não havendo previsão para sua transferência à terceiros. 

Ao  contrário  da  conclusão  do  i.  Relator,  a  própria  Lei  nº  9.363,  de  1996, 
somente  autoriza  a  centralização  pelo  estabelecimento  matriz,  isto  é,  da  mesma  sociedade 
empresarial,  por  isso  diz  “empresa  com  mais  de  um  estabelecimento  produtor 
exportador”quando a  apuração do crédito poderia  ser  centralizada pela matriz,  e no  caso  em 
tela  não  há  qualquer  evidência  da  existência  de  vínculo  empresarial  entre  as  usinas,  ao 
contrário, são empresas produtoras distintas, sem qualquer relação societária. 

O  fato  da  Lei  nº  5.764,  de  16  de  dezembro  de  1971,  dispor  que  os  atos 
cooperativos  não  implicam  em  operação  de  mercado,  nem  contrato  de  compra  e  venda  de 
produto ou mercadoria, não autoriza à cooperativa se beneficiar das prerrogativas e benefícios 
tributários gozados por seus filiados. 

Em  relação  às  ações  judiciais  noticiadas  nos  autos,  não  consta  nenhuma 
autorização  para  a  apuração  ou  aproveitamento  dos  benefícios  fiscais  usufruídos  por  seus 
cooperados, nem mesmo que a Fazenda Nacional tenha atuado nesses processos, não podendo 
alcançar os fatos discutidos no presente processo. 

Por  fim,  cumpre  registrar  que  em  sendo  o  crédito  presumido  constitui  um 
benefício  fiscal,  expressamente  previsto  no  art.  150,  §  6º,  da  Constituição  Federal,  há 
necessidade do mesmo ser regulado por lei específica, e como visto a Lei nº 9.363/96, dispõe 
expressamente  que  o  crédito  presumido  de  IPI  deve  ser  apurado  e  requerido  pela  própria 
empresa produtora exportadora 

Fl. 863DF  CARF MF

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  12 

Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. 

Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2013 

Andréa Medrado Darzé, Redatora 

 

           

 

 

Fl. 864DF  CARF MF

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nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE


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Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
Ementa:: LANÇAMENTOS. NULIDADE. Rejeita-se preliminar de nulidade dos lançamentos quando estes atendem aos requisitos de forma e conteúdo previstos na legislação de regência.
MULTA DE OFÍCIO. A prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximir-se de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64.
MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. A alegação de que a multa de ofício aplicada teria natureza confiscatória foge aos limites de cognição desse Tribunal Administrativo, ante a previsão legal da multa aplicada e o teor da Súmula 2 do CARF, que impede sejam examinadas questões relativas à constitucionalidade das leis (no caso, da Lei n. 9.430, art. 44, II).
Recurso voluntário negado.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e cerceamento de defesa e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Francisco Alexandre dos Santos Linhares e João Carlos de Figueiredo Neto, que reduziam o percentual da multa de ofício aplicada para 75%.
(assinado digitalmente)
João Otavio Oppermann Thome - Presidente.

(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joao Otavio Oppermann Thome, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araujo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregorio, João Carlos de Figueiredo Neto

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S1­C1T2 

Fl. 2 

 
 

 
 

1

1 

S1­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  10380.011537/2007­14 

Recurso nº               Voluntário 

Acórdão nº  1102­000.916  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  

Sessão de  07 de agosto de 2013 

Matéria  IRPJ e reflexos ­ Omissão de Receitas ­ Arbitramento ­ Multa Qualificada 

Recorrente  REGINA AGROINDUSTRIAL S.A. 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ 

Ano­calendário: 2008, 2009, 2010 

Ementa:: LANÇAMENTOS. NULIDADE. Rejeita­se preliminar de nulidade 
dos  lançamentos  quando  estes  atendem  aos  requisitos  de  forma  e  conteúdo 
previstos na legislação de regência. 

MULTA  DE  OFÍCIO.  A  prática  de  ocultar  do  fisco,  mediante  a  não 
apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito  inferior ao do 
efetivo  montante  da  obrigação  tributária  principal,  para  eximir­se  de  seu 
pagamento,  sem  qualquer  justificativa  pelo  contribuinte,  constitui  fato  que 
evidencia  intuito  de  fraude  e  implica  qualificação  da  multa  de  ofício,  nos 
termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64. 

MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. A alegação de que 
a  multa  de  ofício  aplicada  teria  natureza  confiscatória  foge  aos  limites  de 
cognição  desse  Tribunal  Administrativo,  ante  a  previsão  legal  da  multa 
aplicada  e  o  teor  da  Súmula  2  do  CARF,  que  impede  sejam  examinadas 
questões relativas à constitucionalidade das leis (no caso, da Lei n. 9.430, art. 
44, II).  

Recurso voluntário negado. 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

 
Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  as 

preliminares  de  nulidade  e  cerceamento  de  defesa  e,  no mérito,  por maioria  de  votos,  negar 
provimento  ao  recurso,  vencidos os  conselheiros Francisco Alexandre dos Santos Linhares  e 
João Carlos de Figueiredo Neto, que reduziam o percentual da multa de ofício aplicada para 
75%. 

(assinado digitalmente) 

  

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14

Fl. 370DF  CARF MF

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Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02

/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER

MANN THOME




Processo nº 10380.011537/2007­14 
Acórdão n.º 1102­000.916 

S1­C1T2 
Fl. 3 

 
 

 
 

2

João Otavio Oppermann Thome ­ Presidente.  

 

(assinado digitalmente) 

Antonio Carlos Guidoni Filho ­ Relator. 

Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Joao  Otavio 
Oppermann Thome, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araujo, 
Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregorio, João Carlos de Figueiredo Neto 

Relatório 

Trata­se de recurso voluntário contra acórdão proferido pela Quarta Turma da 
Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR) assim ementado, verbis: 

“ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA 
JURÍDICA ­ IRPJ 

Ano­calendário: 2004, 2005 

ARBITRAMENTO DO LUCRO 

A ausência de elementos concretos que permitam a apuração do 
lucro  real  da  empresa,  a  falta  de  apresentação  de  livros 
contábeis  e  fiscais  e  documentos  comprobatórios  de  registros 
contábeis justificam o arbitramento do lucro. 

ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO 

Ano­calendário: 2004, 2005 

MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÃO FALSA. 

Caracteriza  o  evidente  intuito  de  fraude  previsto  no  art.  71, 
inciso  I,  da  Lei  n°  4.502/64,  o  fato  de  o  sujeito  passivo 
sistematicamente  deixar  de  apresentar  as  Declarações  de 
Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  ­  DCTF  e 
Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais ­ Dacon, 
bem  como  informar  valores  zerados  nas  Declarações  de 
Informações Econômico­Fiscais da Pessoa Jurídica ­ DIPJ. 

ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES 

Ano­calendário: 2004, 2005 

TRIBUTAÇÃO REFLEXA 

Aplica­se As exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto 
A  exigência  matriz,  devido  à  intima  relação  de  causa  e  efeito 
entre elas. 

Lançamento Procedente” 

Fl. 371DF  CARF MF

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

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/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER

MANN THOME



Processo nº 10380.011537/2007­14 
Acórdão n.º 1102­000.916 

S1­C1T2 
Fl. 4 

 
 

 
 

3

O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: 

“Contra  o  Sujeito  Passivo  acima  identificado  foram  lavrados 
Autos de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e 
Reflexos (fls. 04/41), para formalização e cobrança dos créditos 
tributários  neles  estipulados  no  valor  total  R$  26.097.544,48, 
inclusive encargos legais, conforme Demonstrativo Consolidado 
do Crédito Tributário do Processo (fl. 03). 

Relata  o  autuante  que  a  razão  do  arbitramento  do  lucro,  nos 
anos­calendário  de  2004  e  2005,  decorreu  da  constatação,  no 
curso  da  ação  fiscal,  de  que  a  contribuinte  nesses  anos­
calendário  faturou  R$  69.446.703,89  e  R$  58.632.927,15, 
respectivamente,  porém  nada  recolheu  a  titulo  de  IRPJ, CSLL, 
PIS  e  Cofins,  não  apresentou  qualquer  DCTF  declarando  os 
tributos  devidos,  permaneceu,  também,  omissa  em  relação  à 
apresentação  das  Dacon  e  as  DIPJ  apresentadas  para  os 
referidos exercícios, onde assinalava o regime de tributação pelo 
lucro real, limitava­se a informar os dados cadastrais da pessoa 
jurídica,  omitindo  por  completo  os  valores  resultantes  de  suas 
atividades operacionais. 

Essa  conduta  bem  demonstra  a  intenção  deliberada  dos 
representantes da pessoa jurídica de omitir do conhecimento do 
Fisco os  elementos  essenciais A. apuração dos  fatos geradores 
de  suas  obrigações  tributárias.  A  indiferença  da  empresa 
também  ocorre  em  relação  ao  dever  de  escriturar  e  de 
apresentar à Fiscalização os livros de sua escrita contábil. 

Com efeito, no procedimento fiscal diversas foram as intimações 
e  reintimações  formuladas  —  termos  lavrados  em  23/05/2007, 
19/06/2007, 26/07/2007 e 27/08/2007 ­ para a apresentação dos 
livros da escrituração contábil da empresa. Entretanto, somente 
três meses após a 1a intimação é que o representante da intimada 
se  dignou  a  responder,  mediante  correspondência  datada  de 
12/09/2007,  em,  que  alegava  "problemas  técnicos"  para  a  não 
apresentação  desses  livros,  tendo  entregue  cópia  dos  registros 
inerentes  à  apuração  do  ICMS  e  algumas  listagens  com  os 
totalizadores de seu faturamento ocorrido no período sob exame, 
ressaltando­se  que  o  próprio  contador  da  empresa  'já  havia 
informado sobre a falta de contabilidade por parte da empresa, 
conforme documento de fl. 52. 

O  mais  grave  é  que  a  não­apresentação  de  livros  contábeis  à 
Fiscalização da Receita Federal  já é uma prática reiterada dos 
representantes  da  empresa,  pois  também  ocorreu  no  curso  da 
última fiscalização realizada (concluída no ano de 2004), em que 
os livros dos anos de 2001 a 2003 não foram exibidos ao agente 
do  Fisco,  o  que,  a  exemplo  do  desfecho  adotado  na  presente 
fiscalização,  culminou,  também,  com  a  aplicação do  regime de 
arbitramento de lucro. 

Destarte, tendo em vista que devidamente intimada por diversas 
vezes  a  empresa  não  apresentou  à  fiscalização  os  livros 
contendo  sua  escrituração  contábil  e  fiscal  inerentes  as  suas 

Fl. 372DF  CARF MF

Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02

/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER

MANN THOME



Processo nº 10380.011537/2007­14 
Acórdão n.º 1102­000.916 

S1­C1T2 
Fl. 5 

 
 

 
 

4

operações  realizadas  nos  anos­calendário  de  2004  e  2005, 
necessários  à  apuração  do  lucro  real,  na  forma  como 
preconizada na legislação comercial e fiscal, é de se proceder ao 
arbitramento  do  lucro,  nos  termos  do  art.  530,  inciso  III,  do 
RIR199, tomando­se por base a receita bruta conhecida a partir 
dos  dados  escriturados  nos  registros  de  apuração do  ICMS do 
período  e  informado  pela  própria  empresa  através  dos 
demonstrativos de vendas.” 

O  acórdão  recorrido  julgou  improcedente  a  impugnação  apresentada  pelo 
Contribuinte pelos fundamentos sintetizados na ementa acima transcrita.  

Em  sede  de  recurso  voluntário,  a  Contribuinte  reproduz  suas  alegações  de 
impugnação,  especialmente  no  que  se  refere  à  improcedência  dos  lançamentos  por:  (i) 
ilegalidade e nulidade do autuação; (ii) cerceamento de defesa; (iii) aplicação de multas ilegais 
e arbitrarias. 

É o relatório. 

Voto            

Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho 

O  recurso  voluntário  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade,  pelo  que 
dele se toma conhecimento. 

(i)  Preliminarmente: da nulidade do lançamento 

Alega  a  Contribuinte  que  o  lançamento  está  “eivado  de  vício  material 
insanável”,  contudo,  em  nenhuma  oportunidade  indica  de  forma  clara  e  objetiva  o  suposto 
vício do lançamento, nem ao menos apresenta provas que fundamentam sua alegação. 

Analisando  os  autos,  verifica­se  que  Autoridade  Fiscal,  diligentemente, 
apurou  que  a  Contribuinte  não  apresentou  declarações  (DIPJ,  DCTF  etc)  e  nem  tampouco 
efetuou recolhimentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS no período objeto da autuação. 

Intimada para a apresentação dos livros contábeis, deixou de apresentá­los. 

Com  base  nos  livros  de  apuração  e  ICMS  fornecidos  pela  Contribuinte,  a 
Fiscalização verificou o  registro de  saídas de mercadorias,  as quais não  foram registradas na 
contabilidade, nem ao menos oferecidas à tributação de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. 

Dado  o  referido  cenário,  o  Autoridade  Fiscal  não  teve  outra  opção  senão 
caracterizar  a  omissão  de  receita  e  proceder  ao  arbitramento  do  lucro,  exigindo  os  tributos 
incidentes  sobre  o  lucro  e  a  receita  que  deixaram  de  ser  recolhidos  voluntariamente  pela 
Contribuinte. 

Rejeito, pois, a preliminar de nulidade suscitada 

(ii)  Preliminarmente: cerceamento de defesa e o pedido de perícia 

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MANN THOME



Processo nº 10380.011537/2007­14 
Acórdão n.º 1102­000.916 

S1­C1T2 
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A preliminar de nulidade do auto de infração por cerceamento de direito de 
defesa também é improcedente, pois a Contribuinte teve inúmeras oportunidades para interagir 
com  a  Fiscalização  e  apresentar  documentos  e  eventuais  esclarecimentos  que  pudessem 
impedir a lavratura dos lançamentos.  

A alegação de cerceamento de defesa formulada pela Contribuinte é vaga e 
genérica,  no  sentido  de  que  “não  se  encontram  quaisquer  dados  que  possam  comprovar, 
efetivamente,  como,  quando,  e  de  que  maneira  a  empresa  autuada  praticou  as  alegadas 
infrigências de IRPJ, e os consectários relativos a CSLL, PIS e/ou COFINS, haja vista que isso 
somente poderia ser comprovado através de um exame pericial em Notas Fiscais, bem como 
outros  documentos  fiscais  e  contábeis  que  pudessem  servir  de  elementos  probatórios 
irrefutáveis”.  

A perícia solicitada é prescindível e injustificada no caso, seja pelo fato de os 
lançamentos  terem  sido  lavrados  com  fundamento  em  bases  econômicas  da  própria 
Contribuinte,  seja  pelo  fato  de  que  esta  (Contribuinte)  sequer  entregou  à  Fiscalização  para 
exame os documentos que pretende ver periciados.  

(iii)  Do  mérito:  da  qualificação  da  multa  de  ofício  e  sua  natureza 
confiscatória 

Filiei­me no passado à corrente jurisprudencial que assentava o entendimento 
de que a apresentação de declaração “zerada” pelo contribuinte, por si só, não seria suficiente 
para justificar a qualificação da multa de ofício aplicada no lançamento, independentemente do 
montante dos valores omitidos ou da quantidade de anos­calendário, em vista do fato de esta se 
caracterizar em mera “declaração inexata”. 

Contudo,  refletindo  melhor  sobre  a  questão,  parece­me  que  a  prática  de 
ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito 
inferior  ao  do  efetivo  montante  da  obrigação  tributária  principal,  para  eximir­se  de  seu 
pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de 
fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64. 

Citada conduta conduziu a Fiscalização a  (acertadamente)  lavrar a autuação 
com multa  qualificada,  nos  termos  do  art.  44,  II  da  Lei  n.  9.430/96,  lavrar  a  autuação  com 
multa qualificada, nos termos do art. 44, II da Lei n. 9.430/96 c/c art. 71 da Lei n. 4.502/64.  

Esse entendimento encontra respaldo em precedentes da Câmara Superior de 
Recursos Fiscais, verbis: 

PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  ­  NULIDADE.  ­  Os 
argumentos da autuada para sustentar nulidade dos lançamentos 
devem ser  rejeitados, quando as provas dos autos mostrarem o 
contrário  do  alegado.  Da  mesma  forma  este  Colegiado  não 
acolhe alegações de nulidade, quando os argumentos destoam de 
pacífica e conhecida jurisprudência da casa.  

IRPJ  ­  DECADÊNCIA  ­  CONTAGEM  DO  PRAZO  ­  Na 
existência de dolo, a regra de decadência do IRPJ, desloca­se do 
art.  150  do  CTN  para  o  art.  173  do  CTN,  hipótese  em  que  o 
prazo tem início no 1º dia do exercício seguinte àquele em que o 
tributo  era  exigível.  Para  os  fatos  geradores  trimestrais, 

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Processo nº 10380.011537/2007­14 
Acórdão n.º 1102­000.916 

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entende­se  por  exercício,  para  fins  de  contagem  do  prazo  de 
decadência a que se refere o art. 173 do CTN, o ano­calendário 
seguinte  àquele  em  que  ocorrido  o  fato  gerador.  Assim,  as 
exigências relativas aos fatos geradores trimestrais ocorridos em 
31.03.99; 30.06.99 e 31.10.99 devem ser canceladas. O  tributo, 
cujo  fato  gerador  ocorreu  em  31.12.99,  poderia  ser  exigido  a 
partir de 1º de janeiro de 2000, logo o prazo decadencial inicia­
se 1º de janeiro de 2001.  

CSLL  ­ DECADÊNCIA  ­ A Contribuição  Social  Sobre  o Lucro 
Líquido,  em  conformidade  com  os  arts.  149  e  195,  §  4º,  da 
Constituição  Federal,  têm  natureza  tributária,  consoante 
decidido  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  em  Sessão  Plenária, 
por unanimidade de votos, no RE Nº 146.733­9­SÃO PAULO, o 
que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, 
III, da Constituição Federal de 1988. Desta  forma, a contagem 
do prazo decadencial da CSLL se  faz de acordo com o Código 
Tributário  Nacional  no  que  se  refere  à  decadência,  mais 
precisamente no art. 150, § 4º. 

IRPJ/CSLL ­ ARBITRAMENTO DO LUCRO ­ RECEITA BRUTA 
CONHECIDA  A  PARTIR  DE  DOCUMENTOS  DE 
EXPORTAÇÃO ­ VALIDADE ­ É válido lançamento fiscal para 
exigência dos  tributos e contribuições  tendo como base o  lucro 
arbitrado a partir de receitas auferidas, provadas por regulares 
documentos  de  exportação  (Notas  Fiscais,  Conhecimentos  de 
Embarque  e  Registros  no  Siscomex),  não  tendo  o  contribuinte 
apresentado elementos materiais capazes de afastar a conclusão 
fiscal.  

MULTA QUALIFICADA ­ SONEGAÇÃO PATENTE ­ Auferir 
vultosas  receitas  de  exportação  sem  declará­las  à 
administração tributária e sem qualquer pagamento de tributos 
e  contribuições,  escondendo­  as  mediante  apresentação  de 
Declaração  de  Inatividade  é  conduta  dolosa  que  se  amolda 
perfeitamente  à  figura  delituosa  da  sonegação,  justificando  a 
qualificação da penalidade.  

Por  unanimidade  de  votos,  REJEITAR  as  preliminares  de 
nulidade  e  por  unanimidade  de  votos,  ACOLHER a  preliminar 
de  decadência  do  IRPJ  nos  três  primeiros  trimestres  de  1999. 
Pelo voto de qualidade, ACOLHER a preliminar de decadência 
da  CSLL  nos  três  primeiros  trimestres  de  1999,  vencidos  os 
Conselheiros  Albertina  Silva  Santos  de  Lima,  Luiz  Martins 
Valero (Relator) e Jayme Juarez Grotto. Designado para redigir 
o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, 
e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.  

Marcos Vinicius Neder de Lima ­ Presidente. 

A alegação da Contribuinte de que a multa de ofício aplicada teria natureza 
confiscatória foge aos limites de cognição dessa Corte, ante a expressa previsão legal e o teor 
da Súmula 2 do CARF, que impede sejam examinadas questões relativas à constitucionalidade 
das leis (no caso, da Lei n. 9.430, art. 44, II). 

Fl. 375DF  CARF MF

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Processo nº 10380.011537/2007­14 
Acórdão n.º 1102­000.916 

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(iv) Dispositivo 

Diante  do  exposto,  oriento  meu  voto  no  sentido  de  conhecer  do  recurso 
voluntário  para  rejeitar  as  preliminares  de  nulidade  e  cerceamento  de  defesa  e,  no  mérito, 
negar­lhe provimento. 

 

(assinado digitalmente) 

Antonio Carlos Guidoni Filho

           

 

           

 

 

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        <str name="processor">SimpleFacets</str>
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            <int name="inputDocSetSize">38331</int>
            <str name="field">secao_s</str>
            <int name="numBuckets">8</int>
          </lst>
          <lst>
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          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38683</int>
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          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38683</int>
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          <lst>
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          <lst>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">19</long>
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          </lst>
        </arr>
      </lst>
      <lst>
        <str name="processor">SimpleFacets</str>
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        <str name="action">field facet</str>
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        <arr name="sub-facet">
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          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38249</int>
            <str name="field">camara_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38249</int>
            <str name="field">secao_s</str>
            <int name="numBuckets">8</int>
          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38249</int>
            <str name="field">_nomeorgao_s</str>
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          </lst>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <str name="field">_nomeorgao_s</str>
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          <lst>
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          <lst>
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          <lst>
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          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">38668</int>
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          </lst>
          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">38668</int>
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          </lst>
          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">38668</int>
            <str name="field">_tiporecurso_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <str name="field">_processo_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38668</int>
            <str name="field">_resultadon2_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">38668</int>
            <str name="field">_orgao_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">38668</int>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38668</int>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38668</int>
            <str name="field">_nomerelator_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">38668</int>
            <str name="field">_recorrente_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">18</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">38668</int>
            <str name="field">decisao_txt</str>
            <int name="numBuckets">23867</int>
          </lst>
        </arr>
      </lst>
      <lst>
        <str name="processor">SimpleFacets</str>
        <long name="elapse">29</long>
        <str name="action">field facet</str>
        <int name="maxThreads">0</int>
        <arr name="sub-facet">
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38408</int>
            <str name="field">camara_s</str>
            <int name="numBuckets">13</int>
          </lst>
          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">38408</int>
            <str name="field">secao_s</str>
            <int name="numBuckets">8</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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          </lst>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38408</int>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38408</int>
            <str name="field">_nomeorgao_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">38248</int>
            <str name="field">materia_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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          <lst>
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          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38248</int>
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          </lst>
          <lst>
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            <str name="field">_ementa_assunto_s</str>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">38248</int>
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          </lst>
          <lst>
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            <str name="field">_processo_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">38248</int>
            <str name="field">_resultadon2_s</str>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">38248</int>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">38248</int>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38248</int>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38248</int>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38248</int>
            <str name="field">_recorrente_s</str>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">18</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">38248</int>
            <str name="field">decisao_txt</str>
            <int name="numBuckets">23613</int>
          </lst>
        </arr>
      </lst>
      <lst>
        <str name="processor">SimpleFacets</str>
        <long name="elapse">29</long>
        <str name="action">field facet</str>
        <int name="maxThreads">0</int>
        <arr name="sub-facet">
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <str name="field">turma_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38445</int>
            <str name="field">camara_s</str>
            <int name="numBuckets">13</int>
          </lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38445</int>
            <str name="field">secao_s</str>
            <int name="numBuckets">8</int>
          </lst>
          <lst>
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            <int name="numBuckets">87</int>
          </lst>
          <lst>
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          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38445</int>
            <str name="field">_nomeorgao_s</str>
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          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
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            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <str name="field">_orgao_s</str>
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          </lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <long name="elapse">0</long>
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      </lst>
      <lst>
        <str name="processor">SimpleFacets</str>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">38170</int>
            <str name="field">secao_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">38170</int>
            <str name="field">materia_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38170</int>
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            <int name="inputDocSetSize">38170</int>
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          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38170</int>
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          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38170</int>
            <str name="field">_turma_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">38170</int>
            <str name="field">_materia_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38170</int>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">38170</int>
            <str name="field">_julgamento_s</str>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">38170</int>
            <str name="field">_ementa_assunto_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">38170</int>
            <str name="field">_tiporecurso_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">38170</int>
            <str name="field">_processo_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">38170</int>
            <str name="field">_resultadon2_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">38170</int>
            <str name="field">_orgao_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">38170</int>
            <str name="field">_recorrida_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">38170</int>
            <str name="field">_tipodocumento_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">38170</int>
            <str name="field">_nomerelator_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">38170</int>
            <str name="field">_recorrente_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">20</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">38170</int>
            <str name="field">decisao_txt</str>
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          </lst>
        </arr>
      </lst>
      <lst>
        <str name="processor">SimpleFacets</str>
        <long name="elapse">30</long>
        <str name="action">field facet</str>
        <int name="maxThreads">0</int>
        <arr name="sub-facet">
          <lst>
            <long name="elapse">1</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38315</int>
            <str name="field">camara_s</str>
            <int name="numBuckets">13</int>
          </lst>
          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">38315</int>
            <str name="field">secao_s</str>
            <int name="numBuckets">8</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">38315</int>
            <str name="field">materia_s</str>
            <int name="numBuckets">83</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">38315</int>
            <str name="field">nome_relator_s</str>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">38315</int>
            <str name="field">ano_sessao_s</str>
            <int name="numBuckets">70</int>
          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38315</int>
            <str name="field">ano_publicacao_s</str>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">38315</int>
            <str name="field">_nomeorgao_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38315</int>
            <str name="field">_turma_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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          <lst>
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            <str name="field">_ementa_assunto_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38755</int>
            <str name="field">_tiporecurso_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38755</int>
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          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38755</int>
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          </lst>
          <lst>
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          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38755</int>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38755</int>
            <str name="field">_recorrente_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">19</long>
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            <int name="inputDocSetSize">38755</int>
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          </lst>
        </arr>
      </lst>
      <lst>
        <str name="processor">SimpleFacets</str>
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        <str name="action">field facet</str>
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            <int name="inputDocSetSize">38345</int>
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            <int name="inputDocSetSize">38545</int>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38545</int>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38545</int>
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            <int name="inputDocSetSize">38545</int>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38545</int>
            <str name="field">_orgao_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38545</int>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38545</int>
            <str name="field">_nomerelator_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">38545</int>
            <str name="field">_recorrente_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">38545</int>
            <str name="field">decisao_txt</str>
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          </lst>
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      </lst>
      <lst>
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        <str name="action">field facet</str>
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            <int name="inputDocSetSize">38531</int>
            <str name="field">secao_s</str>
            <int name="numBuckets">8</int>
          </lst>
          <lst>
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            <str name="field">materia_s</str>
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          </lst>
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            <str name="field">ano_sessao_s</str>
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          </lst>
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