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Numero do processo: 12448.723511/2017-80
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2014
IRPF. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO.
A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a").
A falta de justificação acerca da natureza dos serviços prestados ou a ausência de comprovação dos dispêndios, quando exigidos, autoriza à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas declaradas, uma vez que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, que poderá promover as respectivas glosas sem a audiência do contribuinte (arts. 73, caput e §1º, e 80, § 1º, III, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99).
Numero da decisão: 2003-000.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic e Wilderson Botto. Ausente o conselheiro Raimundo Cássio Gonçalves Lima.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). A falta de justificação acerca da natureza dos serviços prestados ou a ausência de comprovação dos dispêndios, quando exigidos, autoriza à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas declaradas, uma vez que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, que poderá promover as respectivas glosas sem a audiência do contribuinte (arts. 73, caput e §1º, e 80, § 1º, III, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic e Wilderson Botto. Ausente o conselheiro Raimundo Cássio Gonçalves Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 35 11 /2 01 7- 80 Fl. 43DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-000.449 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.723511/2017-80 Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de IRPF apurada no ano-calendário de 2014, exercício de 2015, no valor de R$ 9.396,75, já acrescido de juros de mora e multa de ofício, em razão da dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 17.000,00, conforme se depreende do auto de infração constante dos autos, importando na apuração do imposto de renda suplementar no valor R$ 4.675,00 (fls. 6/10). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 15-43.327, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador - DRJ/SDR (fls. 22/24): Trata-se de Notificação de Lançamento (NL) para constituição do crédito tributário, correspondente ao Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza da Pessoa Física (IRPF), relativo ao ano-calendário de 2014, no valor de R$ 9.396,75, incluídos os acréscimos legais, calculados até 28/04/2017. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes da NL, o lançamento de ofício foi efetuado em razão de se ter constatado dedução indevida de despesa médica no valor de R$ 17.000,00, conforme abaixo: Complementação da descrição dos fatos: O sujeito passivo foi cientificado da NL, em 19/04/2017, e apresentou impugnação, em 17/05/2017, alegando, em síntese, o seguinte: Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar o feito, a DRJ/SDR, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo-se incólume o crédito tributário lançado. Recurso Voluntário Cientificada da decisão, em 24/08/2018 (fls. 31), a contribuinte, em 17/09/2018 (segunda-feira), interpôs recurso voluntário (fls. 36/38), trazendo os argumentos a seguir brevemente sintetizados: Fl. 44DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.449 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.723511/2017-80 I – Os Fatos Os serviços prestados são de caráter pessoal, íntimo, não devendo haver aqui a necessidade de se indicar quais são, o que seria efetuado facialmente em caso de falsificação de recibos. Existe ainda o fato dos presentes recibos terem sido emitidos por pessoa física, prestadora de serviços autônomos de saúde, que declarou tais ganhos em sua declaração anual de imposto de renda, não havendo então a necessidade de numeração de tais recibos. DO DIREITO Uma vez que restam comprovados na forma da lei os gastos médicos por meio de documentos idôneos: recibos de pagamentos, cabe a fiscalização comprovar sua inidoneidade, e fiscalizar os rendimentos auferidos pelos prestadores de serviços médicos para fins de incidência do IRPF, e não simplesmente glosar os pagamentos, por presunção de fraude. Requer, ao final, o cancelamento do débito fiscal reclamado. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23-B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no presente recurso. Mérito Da glosa mantida sobre as despesas médicas declaradas: Insurge-se, o Recorrente, contra a decisão proferida pela DRJ/SDR, que manteve a glosa das despesas médicas, no valor de R$ 17.000,00, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise dos documentos constantes dos autos, ancorados nas razões suscitadas na peça recursal, no sentido do acatamento das aludidas despesas declaradas na DAA/2015. A fiscalização, por seu turno, não acatou dos recibos apresentados em decorrência da falta de comprovação ou justificação, mediante discriminação da natureza dos serviços fisioterápicos prestados, qualificando-os como não hábeis a comprovar as despesas declaradas por não transmitirem a verossimilhança necessária à convicção do julgador. Fl. 45DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-000.449 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.723511/2017-80 Pois bem. Em que pese as razões suscitadas, não há como prosperar a insurgência recursal. Da análise dos autos pode-se constatar que a autoridade fiscal requereu as justificativas sobre as despesas médicas declaradas, não tendo sido comprovado ou demonstrado pelo Recorrente o cumprimento dos requisitos legais a motivar as respectivas deduções, consubstanciado nos arts. 73, caput e § 1º, e 80, § 1º, III, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). Vale salientar, que o art. 73, por si só, autoriza expressamente ao Fisco, para formar sua convicção, solicitar documentos subsidiários aos recibos, para efeito de confirmá-los, especialmente nos casos em que as despesas sejam consideradas elevadas. Não se pode olvidar que na relação processual tributária, compete ao sujeito passivo oferecer os elementos que possam ilidir a imputação da irregularidade suscitada. Conclui-se, portanto, que a comprovação ou justificação da natureza dos serviços ou mesmo a comprovação do efetivo pagamento das despesas deduzidas, quando exigidos e não apresentados, além de vulnerar o inciso III do § 1º do art. 80 do RIR/99, autoriza a glosa da dedução pleiteada e a consequente tributação dos valores correspondentes. A própria lei estabelece a quem cabe provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. O art. 11, § 3º do Decreto-lei nº 5.844/43, por seu turno, reza que o sujeito passivo pode ser intimado a promover a devida justificação ou comprovação, imputando-lhe o ônus probatório. Mesmo que a norma possa parecer, ao menos em tese, discricionária, deixando ao sabor do Fisco a iniciativa, e este assim procede quando está albergado em indícios razoáveis de ocorrência de irregularidades nas deduções, mesmo porque o ônus probatório implica trazer elementos que afastem eventuais dúvidas sobre o fato imputado. Assim, considerando que a Recorrente, nesta fase recursal, não trouxe novas alegações hábeis e contundentes a modificar o julgado, me convenço do acerto da decisão recorrida, pelo que adoto como razão de decidir os fundamentos lançados no voto condutor (fls. 24), mediante transcrição dos excertos abaixo, à luz do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF: O sujeito passivo não acostou ao processo, nenhum elemento de prova que pudesse esclarecer a omissão quanto à discriminação da natureza dos serviços de fisioterapia, conforme apontados pela Autoridade Fiscal na Notificação de Lançamento. A discriminação dos serviços de saúde prestados é requisito essencial que confere robustez ao documento candidato a servir como meio de prova de despesa a ser utilizada na dedução da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física. A exigência formulada pela Autoridade Fiscal, portanto, encontra-se no âmbito de pertinência, visto que cabe à fiscalização investigar a adequação da despesa para validar a apuração realizada na declaração de ajuste e o impugnante não apresentou nenhum outro elemento de prova capaz de infirmar a dúvida suscitada quanto à certeza na realização dos serviços (Lei nº 9.250, de 26/12/1995, art.8º, inciso II, “a”, e § 2º, incisos I a V). A numeração dos recibos (fls. 11 a 14), apesar não consistir requisito normativo intrínseco do documento apresentado, se existente serviria como elemento adicional para afirmar positivamente a regularidade na emissão do documentário fiscal do prestador de serviço e sua ausência corrobora a incerteza da materialidade tanto do serviço quanto do pagamento. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-lei nº 5.844, de 23/9/1943, art. 11 §§3º a 5º; e Decreto nº 3.000, de 26/3/1999, art. 73, caput). É dever do contribuinte instruir a impugnação com os documentos em que se fundamente, sob pena de não prosperarem suas alegações (art. 15 e 29 do Decreto nº 70.235, de 1972). Fl. 46DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-000.449 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.723511/2017-80 Destarte, uma vez desatendidos os requisitos para dedutibilidade, correta é manutenção da atuação, tudo em sintonia com a legislação de regência, razão pela qual mantenho o valor glosado de R$ 17.000,00, por falta de cumprimento de requisito mínimo contido no art. 80, § 1º, III, do RIR/99 e justificação consistente, nos termos do art. 73, caput e § 1º, do RIR/99, que importaram no imposto suplementar ajustado no valor de R$ 4.675,00, mais acréscimos legais. Conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso, nos termos do voto em epígrafe, para manter a glosa das despesas médicas declaradas, no valor de R$ 17.000,00, na base de cálculo do imposto de renda no ano-calendário 2014, exercício 2015. É como voto. (assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.722723/2017-24
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2015
IRPF. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais.
Afasta-se parcialmente a glosa das despesas que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a dedutibilidade, mediante apresentação dos comprovantes das despesas médicas e dos dispêndios realizados.
PAF. MATÉRIA DE PROVA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL.
Sendo interesse substancial do Estado a justiça, é dever da autoridade utilizar-se de todas as provas e circunstâncias que tenha conhecimento, na busca da verdade material.
Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo, devendo a autoridade utilizar-se dessas provas, desde que elas reúnam condições para demonstrar a verdade real dos fatos.
Numero da decisão: 2003-000.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução das despesas médicas alusivas ao plano de saúde AMIL Assistência Médica Internacional S/A, no valor de R$ 14.719,78, na base de cálculo do imposto de renda no ano-calendário 2015, exercício 2016.
(documento assinado digitalmente)
Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic e Wilderson Botto. Ausente o conselheiro Raimundo Cássio Gonçalves Lima.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2015 IRPF. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais. Afasta-se parcialmente a glosa das despesas que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a dedutibilidade, mediante apresentação dos comprovantes das despesas médicas e dos dispêndios realizados. PAF. MATÉRIA DE PROVA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL. Sendo interesse substancial do Estado a justiça, é dever da autoridade utilizar-se de todas as provas e circunstâncias que tenha conhecimento, na busca da verdade material. Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo, devendo a autoridade utilizar-se dessas provas, desde que elas reúnam condições para demonstrar a verdade real dos fatos.
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DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais. Afasta-se parcialmente a glosa das despesas que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a dedutibilidade, mediante apresentação dos comprovantes das despesas médicas e dos dispêndios realizados. PAF. MATÉRIA DE PROVA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL. Sendo interesse substancial do Estado a justiça, é dever da autoridade utilizar- se de todas as provas e circunstâncias que tenha conhecimento, na busca da verdade material. Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo, devendo a autoridade utilizar-se dessas provas, desde que elas reúnam condições para demonstrar a verdade real dos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução das despesas médicas alusivas ao plano de saúde AMIL Assistência Médica Internacional S/A, no valor de R$ 14.719,78, na base de cálculo do imposto de renda no ano-calendário 2015, exercício 2016. (documento assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 27 23 /2 01 7- 24 Fl. 168DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-000.445 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13896.722723/2017-24 Wilderson Botto – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic e Wilderson Botto. Ausente o conselheiro Raimundo Cássio Gonçalves Lima. Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de IRPF relativa ao ano-calendário de 2015, exercício de 2016, no valor de R$ 13.738,441, já incluídos juros e mora e multa de ofício, em razão da dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 26.038,98, conforme se depreende da notificação de lançamento constante dos autos, importando na apuração do imposto suplementar no valor de R$ 7.084,96 (fls. 72/76). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 10-62.953, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre - DRJ/POA (fls. 81/84): O interessado acima qualificado recebeu a notificação de lançamento, exigindo o imposto suplementar de R$ 7.084,96, relativo ao ano-calendário 2015, em virtude da apuração de dedução indevida de despesas médicas, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal (fls. 10 e seguintes). O contribuinte, às fls. 04 a 07, impugna tempestivamente o lançamento, fazendo, em síntese, as alegações a seguir descritas. Na Declaração de Ajuste Anual 2016/2015 foi declarado os pagamentos realizados para CONVÊNIO MÉDICOS (despesas médicas) - empresa AMIL ASSISTÊNCIA MEDICA INTERNACIONAL S/A - de CNPJ n° 29.309.127/0026-27 - no valor de RS 26.038,98 - valores esses declarados referentes ao declarante e à dependente, seu cônjuge. Ao declarar as despesas médicas, que de fato foram pagas pelo declarante, não houve por parte do declarante a intenção de lesar o fisco. Ocorre que os valores pagos referentes ao convênio declarado, de fato, foram pagos pela pessoa física, apesar de se encontrar em nome de pessoa jurídica, trata-se de uma empresa de representação comercial que nunca teve funcionário e encontra-se sem movimento. Portanto, não gera receita para pagar despesas, o que ocorre é que o declarante não consegue alterar o convênio para pessoa física, por burocracia do próprio convênio de não aceitar contratação por parte de pessoa física, sendo obrigado para ter um convênio, pagar em nome de pessoa jurídica. Em anexo, estão os extratos bancários demonstrando que o dinheiro saiu de conta bancária de pessoa física, tanto que, ao verificar os extratos bancário da pessoa física pode-se ver os pagamentos realizados, conforme comprovantes e os relatórios do próprio convênio. Em vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer, o impugnante, que seja acolhida a impugnação, cancelando-se o débito fiscal reclamado. O impugnante solicita prioridade no julgamento, de acordo com a previsão contida no art. 69-A, inciso I, da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013) e no art. 2º da Portaria RFB nº 1006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013 e conforme definição da Coordenação-Geral do Contencioso Administrativo Fl. 169DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.445 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13896.722723/2017-24 e Judicial da RFB, o presente e-processo foi encaminhado para esta DRJ/POA/RS para julgamento. Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar o feito, a DRJ/POA, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação, para restabelecer parcialmente as despesas glosadas, e ajustar o imposto suplementar apurado para o valor de R$ 4.973,88, mas acréscimos legais. Recurso Voluntário Cientificado da decisão, em 08/10/2018 (fls. 88), o contribuinte interpôs, em 25/10/2018, recurso voluntário (fls. 91/92), repisando as alegações da peça impugnatória e trazendo outros argumentos, a seguir brevemente sintetizados: Ao fazer o pagamento do convênio o declarante paga outras despesas pessoais no mesmo dia, por isso aparecem valores superiores ao da fatura do convênio o que comprova mais uma vez que o pagamento do convênio é realizado pela pessoa física e não por PJ. Requer, ao final, o cancelamento do débito fiscal. Visando dar suporte à peça recursal, trouxe aos autos, em 04/02/2019, os documentos de fls. 100/167. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23-B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço e passo à sua análise Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no presente recurso. Mérito Da glosa mantida sobre as despesas realizadas com o plano de saúde: Insurge-se, o Recorrente, contra a decisão proferida pela DRJ/POA, que manteve parcialmente a glosa da despesa médica, em relação ao convênio médico realizado com a empresa AMIL ASSISTÊNCIA MÉDICA INTERNACIONAL S/A - CNPJ n° 29.309.127/0026- 27, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise do todo processado, com Fl. 170DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-000.445 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13896.722723/2017-24 especial destaque para os documentos ora trazidos, aliado às razões recursais, no sentido do acatamento da despesa declarada na DAA/2016. Visando suprir o ônus que lhe competia, o Recorrente instruiu os autos, dentre outros, e em especial, com os respectivos extratos bancários e o contrato relativo ao plano de assistência médica firmado com a AMIL, visando atestar e demonstrar a efetividade dos pagamentos por ele realizados (fls. 101/117 e 123/162). De início, vale salientar que no processo administrativo fiscal, os princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório devem prevalecer, sobrepondo-se ao formalismo processual, sobretudo quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento, ou mesmo questionado pela decisão recorrida, caso em que é cabível a revisão do lançamento pela autoridade administrativa. Nesse ponto o art. 149 do CTN, determina ao julgador administrativo realizar, de ofício, o julgamento que entender necessário, privilegiando o princípio da eficiência (art. 37, caput, CF), cujo objetivo é efetuar o controle de legalidade do lançamento fiscal, harmonizando- o com os dispositivos legais, de cunho material e processual, aplicáveis ao caso, calhando aqui, nessa ótica, por pertinente e indispensável, a análise dos documentos trazidos à colação pelo Recorrente. Assim, passo ao cotejo da documentação ora apresentada em relação aos fundamentos motivadores da glosa subsistente traçada na decisão recorrida (fls. 83/84): Foi glosada a despesa médica referente a AMIL Assistência Médica Internacional S.A, no valor de R$ 26.038,98, com a seguinte motivação: Prestador AMIL Assistência Medica Internacional S.A., por falta de comprovação da despesa médica, uma vez que foram apresentados apenas boletos bancários que não especificam quem são os beneficiários do plano de saúde. O contrato de prestação de serviços referente a cobertura de custos de assistência médica e hospitalar foi efetuado entre a AMIL e a empresa Marlucy Representações S. S Ltda ME (fl. 28), tendo como beneficiários o contribuinte, Bruna Magalhães Sanchez (filha) e Neide Magalhães Sanchez (cônjuge). Conforme DIRPF constante dos sistemas da RFB, somente Neide Magalhães Sanchez é dependente do interessado no ano-calendário em litígio. No caso, para a dedução das despesas com o plano de saúde, é necessário que o contribuinte, apresente comprovação de ter assumido o ônus financeiro. O impugnante junta os extratos bancários mensais do Banco Bradesco. No entanto, somente é possível identificar os seguintes pagamentos do plano de saúde pelo interessado: Do valor de R$ 2.231,30, R$ 1.919,17 refere-se ao plano de saúde do contribuinte e de seu cônjuge. Assim, o interessado tem direito à dedução das despesas médicas no valor de R$ 7.676,68 (R$ 1.919,17*4), que corresponde ao imposto de R$ 2.111,08. Pois bem. Entendo que o Recorrente desincumbiu do ônus que lhe competia. Pelo cotejo analítico dos extratos ora carreados aos autos (fls. 101, 103, 105, 110/112, 115, 117 e Fl. 171DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-000.445 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13896.722723/2017-24 131), de fato, o Recorrente arcou com os respectivos pagamentos nos valores de R$ 1.862,99 (janeiro e fevereiro – fls. 17/18) e R$ 2.231,31 (demais meses – 19/28). Entretanto, embora atestando o pagamento integral, cabe salientar que o Recorrente não é o único beneficiário do plano contratado, o qual também contempla a sua esposa, Neide Magalhães Sanchez, e sua filha, Bruna Magalhães Sanchez, que, por sua vez, esta última, não está relacionada como dependente na DIRPF/2016, conforme, aliás, fundamentado na decisão recorrida. Portanto, o Recorrente somente faz jus a dedução da quota destinada à sua participação e de sua esposa (janeiro e fevereiro: R$ 1.602,38 x 2 = R$ 3.204,76; e março, maio a agosto e dezembro: R$ 1.919,17 x 6 = R$ 11.515,02), calhando aqui o restabelecimento da despesa comprovada no valor total de R$ 14.719,78, razão pela qual, me convencendo da verossimilhança das alegações recursais e respaldado no conjunto probatório constante dos autos, afasto a glosa sobre as despesas médicas no valor total acima apurado. Conclusão Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao presente recurso, nos termos do voto em epígrafe, para restabelecer a dedução das despesas médicas glosadas, alusivas ao plano de saúde AMIL Assistência Médica Internacional S/A, no valor de R$ 14.719,78, na base de cálculo do imposto de renda no ano-calendário 2015, exercício 2016. É como voto. (assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 172DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.013051/2006-62
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2001
IRPF. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a").
A falta de demonstração do cumprimento dos requisitos legais por documentação hábil e idônea quando solicitados, autoriza à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas declaradas, uma vez que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, que poderá promover as respectivas glosas sem a audiência do contribuinte (arts. 73, caput e §1º, e 80, § 1º, III, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99).
Deixam de ser admitidas as despesas médicas pleiteadas por se mostrarem sem a verossimilhança.
IRRF. MULTA DE OFÍCIO PREVISÃO LEGAL. VEDAÇÃO AO CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF Nº 2.
A multa de ofício tem como base legal o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, segundo o qual, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição.
O processo administrativo não é via própria para discutir constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PAF. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. DESNECESSIDADE. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INEXISITÊNCIA.
Deve ser indeferido o pedido de diligência, perícia ou produção de outras provas, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo, a juízo e livre convencimento do julgador administrativo.
PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS.
As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e as judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão aquele objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação.
A doutrina não é oponível ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Inteligência do artigo 150, inciso I, da CF/88.
Numero da decisão: 2003-000.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic e Wilderson Botto. Ausente o conselheiro Raimundo Cássio Gonçalves Lima.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). A falta de demonstração do cumprimento dos requisitos legais por documentação hábil e idônea quando solicitados, autoriza à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas declaradas, uma vez que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, que poderá promover as respectivas glosas sem a audiência do contribuinte (arts. 73, caput e §1º, e 80, § 1º, III, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). Deixam de ser admitidas as despesas médicas pleiteadas por se mostrarem sem a verossimilhança. IRRF. MULTA DE OFÍCIO PREVISÃO LEGAL. VEDAÇÃO AO CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF Nº 2. A multa de ofício tem como base legal o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, segundo o qual, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. O processo administrativo não é via própria para discutir constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 30 51 /2 00 6- 62 Fl. 155DF CARF MF S2-TE03 Fl. 2 PAF. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. DESNECESSIDADE. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INEXISITÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de diligência, perícia ou produção de outras provas, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo, a juízo e livre convencimento do julgador administrativo. PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e as judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão aquele objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. A doutrina não é oponível ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Inteligência do artigo 150, inciso I, da CF/88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic e Wilderson Botto. Ausente o conselheiro Raimundo Cássio Gonçalves Lima. Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de IRPF apurada no ano-calendário de 2001, exercício de 2002, no valor de R$ 9.696,61, já acrescido de juros de mora e multa de ofício, em razão da dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 14.000,00, conforme se depreende do auto de infração constante dos autos, importando na apuração do imposto de renda suplementar no valor R$ 3.850,00 (fls. 96/102). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 06-20.955, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba - DRJ/CTA (fls. 111/124): Contra o contribuinte foi lavrado auto de Infração referente ao ano-calendário de 2001, fs. 95 a 101, exigindo R$ 3.850,00 de imposto suplementar, R$ 2.887,50 de multa de ofício de 75% e R$ 2.959,11 de juros de mora calculados até setembro de 2006. Fl. 156DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.446 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.013051/2006-62 O lançamento decorreu da glosa de despesas medicas, no montante de R$ 14.000,00. Cientificado do lançamento por via postal, em 23/10/2006 - fl. 109, o contribuinte apresentou, em 22/11/2006, por intermédio de procurador - fl. 24, a impugnação de fs. 01 a 23, acompanhada dos documentos de fs. 24 a 102, acatada como tempestiva pelo órgão de origem, fl. 109. Em preliminar, alega nulidade do lançamento por ter sido o auto de infração lavrado em local diverso ao de seu domicílio, corroborando essa afirmativa com doutrina acerca de auto de infração e suscitando desrespeito ao art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Aduz também nulidade do auto de infração em razão da falta de entrega de todos os elementos constantes do processo administrativo, afirmando ser a doutrina e a jurisprudência unânimes quanto a essa exigência. Adicionalmente suscita cerceamento do direito de defesa e consequente nulidade do lançamento em virtude de considerar os cálculos apresentados e o demonstrativo de débito “absolutamente indecifráveis, impossibilitando, com isso, a aferição da realidade do suposto crédito nele expressado", por não possuírem a origem dos índices, os critérios utilizados, a forma de atualização e as operações aritméticas efetuadas. Afirma que sua filha, Édina da Silva Muiños, é portadora de paralisia cerebral espástica desde o nascimento, conforme laudo médico pericial de fl. 36, necessitando de tratamento médico especializado e com a interdição já requerida, fls. 25 a 94. Dessa forma, considera “absolutamente improcedente a glosa" de despesas efetivamente desembolsadas com tratamentos clínicos de sua filha. Insurge-se contra a glosa de despesas médicas, que segundo o seu entendimento estariam corroboradas por recibos, afirmando que os emitentes dos recibos não foram intimados a comprovar a prestação dos serviços, o que, sem dúvida teriam feito. Informa estar providenciando tais documentos e solicita 15 dias de prazo para sua apresentação. Considera estranho haver sido intimado somente para apresentar os recibos médicos, não lhe sendo solicitado ou oportunizado qualquer outra demonstração, nem mesmo o reconhecimento de firmas. Solicita diligência junto aos profissionais, para que eles prestem informações e apresentem documentos para respaldar a efetividade das despesas declaradas. Suscita que a efetividade das despesas foi comprovada por meio de recibos e de extratos bancários com saques utilizados no pagamento, efetuado em dinheiro, asseverando que a comprovação de pagamento só é exigível se o contribuinte não possuir documentos probatórios e que o fisco sequer provou cabalmente serem os recibos apresentados inidôneos. Cita o art. 112 do Código Tributário Nacional para aplicação do brocado “in dúbio contra fisco", ressaltando que o conjunto probatório dos autos é sólido e suficiente para a comprovação das despesas glosadas. Salienta que os recibos apresentados são referentes a tratamento de sua dependente e preenchem todas as exigências legais: nome, endereço e número de CPF dos respectivos emitentes, considerando absurda a exigência de outro elemento probatório para os pagamentos efetuados em dinheiro, em razão de ser a moeda corrente de livre circulação no pais. Insurge-se contra a utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, por ter natureza ora remuneratória e ora moratória, considerando-a inconstitucional por não ter sido definida em lei e contrariar o limite máximo de 12% estabelecido no art. 192 da Constituição Federal. Permeia suas alegações com jurisprudência e doutrina. Sustenta que os juros estariam sendo aplicados sobre a multa e não somente sobre o imposto, requerendo a sua incidência somente sobre esses. Fl. 157DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-000.446 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.013051/2006-62 Considera imprescindível a perícia contábil, em razão de “toda suposta omissão de rendimentos foi aferida através de cruzamento entre dados contábeis do contribuinte com sua declaração de rendimentos” (sic) e que a “verificação da efetiva ocorrência destas “omissões” só poderá ser verificada após extensa análise contábil, mormente os demonstrativos constantes dos autos serem de produção unilateral da Fazenda” (sic). Finaliza requerendo: - a realização de diligências junto aos emitentes para que confirmem a efetividade dos valores declarados e dos serviços prestados; - a concessão de prazo de 15 dias para apresentação de documentação que estaria providenciando junto aos emitentes dos recibos; - o acolhimento dos fundamentos apresentados para que os recibos apresentados sejam considerados como comprobatório das despesas médicas glosadas pelo lançamento; - que o auto de infração seja considerado nulo ou improcedente ou, sucessivamente, que seja reduzido o montante do débito e dos acréscimos. Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar o feito, a DRJ/CTA, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo-se incólume o crédito tributário exigido. Recurso Voluntário Cientificado da decisão, em 02/04/2009 (fls. 127), o contribuinte, por procurador habilitado, em 04/05/2009 (segunda-feira), interpôs recurso voluntário por via postal (fls. 128/152), reportando-se e repisando as razões da peça impugnatória e trazendo outros argumentos, a seguir brevemente sintetizados: 1 – Preliminarmente Da incidência dos termos da Medida Provisória nº 449/2008: Em 31 de dezembro de 2002, a dívida já se encontrava vencida a 5 anos e 8 meses, atendendo desta forma o requisito temporal estabelecido pelo citado artigo. Quanto ao valor do débito, tem-se da DARF enviada ao recorrente junto com o acórdão recorrido o valor de R$13.146,63 - com vencimento para 31.03.2009. Desta forma, encontrando-se o valor da dívida para a data de 31.12.2007, afirma-se que faz jus o recorrente à remissão de R$ 10.000,00 do montante do débito cobrado em 31.12.2007, mantendo-se apenas o valor que por ventura ultrapasse tal limite. A Constituição Federal, em seu artigo 150, incisoéII é clara ao estabelecer que é vedado à União, aos_ Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios “instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente (...)", e aplicar-se o estabelecido pelo artigo 14' da MP 449/2008 de forma restritiva, entendendo-se por sua aplicação apenas para os casos de dívidas de no máximo R$ 10.000,00, não podendo os demais contribuintes que se encontrem na mesma condições de possuírem débitos vencidos até 31 de dezembro de 2002 se beneficiarem da remissão de tal valor seria uma verdadeira afronta ao dispositivo constitucional citado, pois se estaria dando tratamento desigual a contribuintes que se encontram na mesma situação. ' Desta forma deve-se “abater” do saldo devedor existente até 31 de dezembro de 2007 o valor de R$ 10.000,00 mantendo-se a cobrança somente sobre eventual saldo remanescente. Assim, REQUER seja reconhecida a validade da pretensão acima exposta, recalculando- se a dívida dentro dos limites acima apresentados, intimando-se na sequência o Fl. 158DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-000.446 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.013051/2006-62 contribuinte para que este se manifeste com o pagamento do saldo residual ou com a reiteração de suas razões de mérito. 2 – Dos fatos: A matéria sub examine refere-se a autuação lavrada contra o Recorrente, a qual decorreria da revisão de sua declaração de ajuste anual, referente ao exercício de 2002, ano-calendário 2001. 3 – Do Mérito: 3.1 – Do cerceamento de defesa: Note-se que razão da demanda e verificar se a documental apresentada é ou não hábil e idônea, sem embargo de que necessário aferir se houve ou não omissão de receita que enseje a autuação. Além disso, o quantum desta base tributável se mostra indispensável para a validade desse mesmo lançamento. Não possibilitar esta averiguação, ao singelo argumento de que se mostra prescindível, é atentar contra os mais comezinhos direitos do cidadão. Assim, a falta do exame pericial desrespeita mandamento constitucional, por não permitir o contraditório e não garantir a ampla defesa do autuado ora Recorrente. ADEMAIS, não obstante expressamente requerido, o fisco não diligenciou no sentido de proceder à intimação dos profissionais MAGNELY J. DE OLIVEIRA ALVES; CRISTIANE SINHOCA e ADRIANA PRADELLA ESPÍNDOLA, emitentes dos recibos glosados, a fim de que prestassem informações ou apresentassem documentação capaz de respaldar a efetividade dos valores declarados, bem como dos serviços prestados. Agindo desta forma, o julgado não deu ao recorrente a chance de produzir as provas necessárias para a elucidação dos questionamentos do fisco e consequentemente comprovar a validade das deduções médicas que o mesmo fez quando de sua declaração de imposto de renda. Desta forma feriu o direito constitucional do mesmo consagrados nos princípios da ampla defesa e do contraditório, uma vez que impediu o mesmo de apresentar todas as provas que desejava. 3.2 – Do local da lavratura: Afirma-se novamente que a medida fiscal combatida se encontra eivada de vício formal que leva à nulidade do auto de infração lavrado em local diverso de onde se constatou a suposta infração. In casu, tem-se que o local da lavratura é a Delegacia da Receita Federal em Curitiba e não o endereço do ora recorrente. Com efeito, a lavratura em local diverso do lugar onde se constatou a infração gera a nulidade do auto de infração, por franco desrespeito aos termos do artigo 10, do Decreto nº 70.235/72. 3.3 – Da glosa injustificada de valores: Nesse particular não merece prosperar o entendimento externado no Auto de Infração combatido, porquanto proferido ao arrepio da norma legal pertinente. A um, porque sequer o Agente Fiscal intimou os emitentes dos referidos recibos, para confirmarem ou não a emissão dos documentos glosados. A dois, porque a efetividade do pagamento com tais despesas não restou comprovada apenas pela mera exibição de recibos como alega o fisco, pois o autuado, procedeu, a juntada de extratos bancários que demonstram os saques feitos em conta corrente e cujas importâncias foram utilizadas para os respectivos desembolsos. A três, porque caberia ao fisco provar cabalmente que os recibos apresentados não se traduzem em documento idôneo ou ainda que os serviços prestados e recebidos pelos respectivos profissionais efetivamente não ocorreram. Fl. 159DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-000.446 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.013051/2006-62 Em suma a exclusão de tais recibos, ao contrário do asseverado no julgado não merece prosperar, pois referem-se a pagamentos efetuados a tratamentos previstos no art. 8°, inciso II, alínea a, da Lei 9.250/95. 3.4 – Do caráter confiscatório da multa de 75%: No presente caso vemos a aplicação de uma multa de 75% a qual acaba por perder a característica de punição e desestímulo ao contribuinte que supostamente deduziu incorretamente valores de seu imposto de renda, e passa a ser sinônimo de diminuição patrimonial, de ônus excessivo. Diante do raciocínio acima exposto, faz-se extremamente necessário o cancelamento da medida fiscal e a subsequente exclusão da multa combatida, posto que sua manutenção terá o condão de violar frontalmente o artigo 150, IV da CF/88, ou seja, a multa excessiva estaria por confiscar ilegalmente o patrimônio do recorrente. Desta forma, reiterando-se integralmente os fundamentos já bem expostos em sede de impugnação, os quais devem ser também reapreciados neste momento processual, requer desde já seja reformado o acórdão recorrido, reconhecendo se o evidente caráter confiscatório da multa aplicada e sua violação aos termos da Constituição Federal de 1988, conforme bem delineado acima, por se tratar de questão de direito e justiça. Requer, ao final, o cancelamento da medida fiscal. Caso superado o pedido, requer sejam reconhecidos os vícios formais e materiais alegados, validando-se a dedução das despesas médicas glosadas, cancelando-se a autuação efetuada. Requer, ainda, não sendo decretada a nulidade da autuação, seja aplicado o art. 14 da MP nº 449/2008, com o abatimento do valor de R$ 10.000,00, mantendo-se a cobrança sobre o saldo remanescente. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23-B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço e passo à sua análise Preliminares O Recorrente alega, em sede de preliminar, a ocorrência de cerceamento do direito da ampla defesa e do contraditório, por não permitir o exame pericial requestado e também por não diligenciar no sentido de promover a intimação dos profissionais para prestarem informações sobre os serviços realizados e os valores declarados, em face da glosa das despesas Fl. 160DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2003-000.446 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.013051/2006-62 médicas no ano-calendário de 2001, razão pela qual deverá ser revisto o lançamento em relação aos referidos pontos. Ademais, o local da lavratura da autuação difere do domicílio do Recorrente, o que também gera nulidade por desrespeito ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Requer, ainda, em sede preliminar, que lhe seja aplicado os benefícios do art. 14 da MP nº 449/2008, concedendo-lhe o perdão do valor consolidado de R$ 10.000,00, já que a dívida em cobrança, apurada no ano-calendário de 2001 (com vencimento em 30/04/2002), encontrava-se vendida, em 31/12/2007, a mais de cinco anos. Contudo razão não lhe socorre. O presente feito seguiu os trâmites regulares. A fiscalização atuou dentro da estrita legalidade e no limite institucional de sua competência, inclusive oportunizando ao contribuinte prestar as informações e esclarecimentos necessários a condução dos trabalhos fiscais, os quais não foram atendidos. O lançamento está claramente motivado e a base legal enquadrada. Denota-se que as alegações novamente repisadas nessa seara já foram detidamente apreciadas pela DRJ/CTA, estando a decisão recorrida assim fundamentada (fls. 114/118): Da alegação de nulidade O interessado questiona o fato de o auto de infração haver sido lavrado em local diverso ao de seu domicílio, arguindo suposta ofensa ao art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, (...). Todavia, como se percebe, exige-se que a lavratura do auto de infração se faça no local da verificação da falta, o que não significa o local onde a falta foi praticada, mas sim onde foi constatada, nada impedindo, portanto, que isso ocorra no interior da própria repartição ou em qualquer outro local, conforme o caso. No presente caso, em se tratando de revisão da declaração de ajuste anual e tendo o contribuinte, ao ser intimado, apresentado os recibos das despesas médicas, o local de verificação da falta foi a própria repartição lançadora, onde a autoridade autuante, cotejando as deduções de despesas médicas pleiteadas na DIRPF/2002 com os comprovantes apresentados, considerou como não comprovado o montante de RS 14.000,00. (...) Igualmente descabida a manifestação acerca da falta de recebimento de todos os documentos que embasaram a autuação, pois essa, conforme já explanado, decorreu somente da revisão da declaração de ajuste anual apresentada pelo contribuinte tendo por base os documentos por ele fornecidos à fiscalização, quando intimado, não tendo sido utilizado qualquer outro que ele não possuísse. Além disso, após a ciência do lançamento, o contribuinte teve o prazo de trinta dias para ter vista do inteiro teor do processo no Órgão Preparador e apresentar impugnação escrita, instruída com os documentos em que se fundamentasse, exercitando, dessa forma, seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Nessa ocasião teve direito ao pleno acesso a todos os termos e provas que embasaram o lançamento. Da produção de provas A Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física prova a declaração, mas não o fato declarado. Compete ao contribuinte o ônus de provar o fato, quando intimado pela fiscalização, a qual tem atribuição legal para verificar a autenticidade de todos os fatos declarados. Aliás, tudo que é colocado na declaração está sujeito à comprovação. Quando o contribuinte declara despesas médicas, ele está sujeito, se fiscalizado, a apresentar os Fl. 161DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2003-000.446 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.013051/2006-62 respectivos documentos hábeis e idôneos. (...). Isso está estabelecido no Decreto n° 3.000, de 1999, na seção que trata de declaração das pessoas físicas, art. 797 (...). A admissão de provas documentais, em momento posterior à impugnação, requer a pertinente justificativa, congruente com os motivos elencados nas alíneas do § 4° do art. 16 do Decreto 70.235, de 1972. Da mesma forma, o pedido para a realização de diligências deve vir acompanhado da pertinente justificativa, a teor do mesmo diploma legal (...). No presente caso, caberia ao contribuinte reunir e anexar à impugnação toda a documentação probatória referente às despesas médicas glosadas, inclusive as obtidas junto aos supostos prestadores dos serviços, tais como: laudos, fichas de atendimento e exames, o que, apesar de haver solicitado 15 dias para a apresentação, não foi acostado ao processo, mesmo já tendo transcorrido cerca de 2 anos desde a sua manifestação de inconformidade. Dessa forma, por ser obrigação do contribuinte apresentar as provas de suas alegações, indefere-se o pedido de realização de diligência junto aos supostos emitentes dos recibos. Igualmente incabível o pedido de perícia contábil para apurar a omissão de rendimentos, por ser o lançamento referente somente a glosa de despesas médicas. Ademais, no que tange à competência para lavratura, formalização e julgamento de primeira instância dos lançamentos fiscais, tais matérias já se encontram pacificadas neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, culminando inclusive com a edição das Súmulas nº 6, 27 e 102: Súmula nº 6 É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).). Súmula CARF nº 27: É valido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula CARF nº 102: É válida a decisão proferida por Delegacia da Receita Federal de Julgamento - DRJ de localidade diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Quanto ao requerimento de diligência e perícia, não vislumbro a necessidade de suas realizações, visto que o processo se encontra suficientemente instruído e é contundente a demonstrar a sujeição passiva. Ademais é pertinente ressaltar que no processo fiscal a produção probatória somente se justifica se necessária à formação de convicção do julgador (art. 18 do Decreto nº 70.235/72), o que torna-se despiciendo no presente feito. Por fim, em relação ao pedido formulado de remissão parcial do débito, no limite de R$ 10.000,00, nos termos do art. 14 da MP nº 449/2008, vale salientar que o presente processo – cuja origem foi a exigência de IRPF constituída somente em 26/07/2006, ante as glosas de despesas médicas operadas – não é via própria para discutir eventual direito a remissão pretendida. Ademais a competência deste CARF restringe-se em promover o julgamento de recursos contra decisões proferidas pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento/DRJ (sob pena, dentre outros, de supressão de instância), sendo competente para tal desiderato a unidade de origem da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona a contribuinte. Fl. 162DF CARF MF http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 9 do Acórdão n.º 2003-000.446 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.013051/2006-62 Portanto, rejeito as preliminares suscitadas. Mérito Da glosa mantida sobre as despesas médicas declaradas: Insurge-se, o Recorrente, contra a decisão proferida pela DRJ/CTA, que manteve a glosa das despesas médicas, no valor de R$ 14.000,00, por falta comprovação dos dispêndios efetivamente realizados, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise dos documentos constantes dos autos, ancorados nas razões suscitadas na peça recursal, no sentido do acatamento das aludidas despesas declaradas na DAA/2002. A fiscalização, por seu turno, não acatou dos recibos apresentados diante a ausência de comprovação e regularidade dos serviços prestados, aliado a efetividade dos pagamentos realizados, qualificando-os como não hábeis a comprovar as despesas declaradas por não transmitirem a verossimilhança necessária à convicção do julgador. Pois bem. Entendo que não há como prosperar a insurgência recursal. Da análise dos autos pode-se constatar que a autoridade fiscal requereu as justificativas sobre as despesas médicas declaradas, não tendo sido comprovado ou demonstrado pela Recorrente o cumprimento dos requisitos legais a motivar as respectivas deduções, consubstanciado nos arts. 73, caput e § 1º, e 80, § 1º, III, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). Vale salientar, que o art. 73, por si só, autoriza expressamente ao Fisco, para formar sua convicção, solicitar documentos subsidiários aos recibos, para efeito de confirmá-los, no que tange os efetivos pagamentos e a verossimilhança dos dados declarados, especialmente nos casos em que as despesas sejam consideradas elevadas. Ademais, não se pode olvidar que na relação processual tributária, compete ao sujeito passivo oferecer os elementos que possam ilidir a imputação da irregularidade suscitada. Conclui-se, portanto, que a comprovação da efetiva prestação dos serviços declarados, quando exigidos e não apresentados, além de vulnerar o inciso III do § 1º do art. 80 do RIR/99, autoriza a glosa da dedução pleiteada e a consequente tributação dos valores correspondentes. A própria lei estabelece a quem cabe provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. O art. 11, § 3º do Decreto-lei nº 5.844/43, por seu turno, reza que o sujeito passivo pode ser intimado a promover a devida justificação ou comprovação, imputando-lhe o ônus probatório. Mesmo que a norma possa parecer, ao menos em tese, discricionária, deixando ao sabor do Fisco a iniciativa, e este assim procede quando está albergado em indícios razoáveis de ocorrência de irregularidades nas deduções, mesmo porque o ônus probatório implica trazer elementos que afastem eventuais dúvidas sobre o fato imputado. Assim, considerando que o Recorrente, nesta fase recursal, não trouxe novas alegações hábeis e contundentes a modificar o julgado de piso, me convenço do acerto da decisão recorrida, pelo que adoto como razão de decidir os fundamentos lançados no voto condutor (fls. 119/120), mediante transcrição dos excertos abaixo, à luz do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF: Para a análise da glosa de despesas médicas por falta de comprovação de pagamento, é importante observar o disposto no art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (...). Importante frisar que à autoridade fiscal compete investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência ou não do fato tributário, observando os princípios do devido Fl. 163DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2003-000.446 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.013051/2006-62 processo legal, da verdade material, do contraditório e da ampla defesa. Ao sujeito passivo, cabe, por meio dos elementos que demonstrem a efetividade do direito alegado, apresentar provas hábeis e suficientes para afastar a imputação da irregularidade apontada. (...) Segundo o auto de infração, fl. 97, o contribuinte, quando intimado a comprovar as despesas médicas pleiteadas, “apresentou comprovantes, todavia, não comprovou desembolsos aos profissionais Dra. Magnely J. de Oliveira Alves - R$ 9.000,00; Dra. Cristiane Sinhoca - R$ 2. 000, 00 e Dra. Adriana Pradella Espíndola - R$ 3.000,00” Na impugnação, alegou que o pagamento das despesas glosadas “não restou comprovado apenas pela mera exibição de recibos como alega o fisco, pois além das declarações a serem oportunamente juntados, o autuado procedeu, a juntada de extratos bancários que demonstram os saques feitos em conta corrente e cujas importâncias foram utilizadas para os respectivos desembolsos”. No entanto, não acostou aos autos os recibos e nem os extratos bancários e tampouco as declarações que afirmou estar providenciando. Dessa forma, por haver inclusive admitido ter sido intimado a comprovar o desembolso das despesas médicas, que foram posteriormente glosadas no lançamento por falta de comprovação, e não haver apresentado com a impugnação provas do efetivo desembolso, é de se manter as glosas das despesas médicas por não terem sido comprovados o pagamento e a efetiva prestação do serviço. Destarte, uma vez desatendidos os requisitos para dedutibilidade, correta é manutenção da atuação, tudo em sintonia com a legislação de regência, razão pela qual mantenho o valor glosado de R$ 14.000,00, por falta de cumprimento de requisito mínimo contido no art. 80, § 1º, III, do RIR/99 e justificação consistente, nos termos do art. 73, caput e § 1º, do RIR/99, que importaram no imposto suplementar ajustado no valor de R$ 3.850,00, mais acréscimos legais. Quanto à incidência da multa de ofício sobre o crédito tributário, vale salientar que a mesma é lançada por estrita determinação legal contida nos arts. 44, I, da Lei nº 9.430/96 e 957 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), cujos dispositivos determinam o regramento para sua respectiva aplicação, como é o caso dos autos. Portanto, a multa de 75%, aplicada em decorrência do lançamento de oficio, não pode ser reduzida nem dispensada, uma vez que é expressamente determinada pela legislação de regência. E no que tange à suposta inconstitucionalidade aventada, como sabido, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – órgão revisor dos atos praticados pela Administração Tributária – não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, matéria esta, aliás, já sumulada: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Já em relação ao entendimento jurisprudencial e a doutrina trazidos para justificar as pretensões recursais, os mesmos, nesta seara, são improfícuos, pois, as decisões, mesmo que colegiadas, sem um normativo legal a lhes atribuir eficácia, não traduzem em normas complementares do Direito Tributário, e vinculam apenas as partes envolvidas nos litígios por elas resolvidos. Cabe salientar, por fim, que o lançamento fiscal rege-se por expressa determinação legal, sendo, portanto, a atividade fiscal vinculada e obrigatória sob pena de Fl. 164DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2003-000.446 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.013051/2006-62 responsabilidade funcional, na exata dicção do art. 142, caput e parágrafo único, do CTN. O que é determinante para a efetivação do lançamento é a ocorrência do fato gerador, competindo à fiscalização constituir o crédito tributário e calcular a exigência de acordo com a lei vigente à época dos fatos. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do presente recurso, para rejeitar as preliminares suscitadas, e no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do voto em epígrafe, para manter a glosa das despesas médicas declaradas, no valor de R$ 14.000,00, na base de cálculo do imposto de renda no ano-calendário 2001, exercício 2002. É como voto. (assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 165DF CARF MF
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Numero do processo: 10730.721777/2017-77
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2015
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. FILHOS MAIORES DE 24 ANOS.
A pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124-A.
O fundamento da obrigação alimentar muda com a maioridade civil do alimentando, deslocando-se do "dever de sustento" próprio do poder de família para o dever de solidariedade resultante do parentesco, quando os filhos maiores provam não estarem em condições de prover a respectiva subsistência ou, se até os 24 anos de idade, frequentarem curso técnico ou de graduação universitária (Lei nº 10.406, de 2002, arts. 5º, caput e § único, incisos I a V; 1.565; 1.566, inciso IV; 1.630; 1.631, caput; 1.632; 1.634, inciso I; 1.635, inciso III; 1.694, caput e § 1º; 1.695; 1.703; e 1.708, caput e § único).
Mantém-se a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade.
IRPF. GLOSA DE DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. ÓBITO DA ALIMENTANDA.
Com o falecimento da alimentanda extingue-se o dever alimentar, incabível, portanto, a dedução dos valores pagos após a data da ocorrência do óbito, restando afastada a necessidade da prestação alimentar, devendo ser mantida a glosa efetuada.
Numero da decisão: 2003-000.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Wilderson Botto (relator), que lhe deu provimento parcial para restabelecer a dedução com pensão alimentícia, declarada, mantendo-se a glosa apenas sobre o valor de R$ 5.151,47, referente à pensão paga a ex-esposa Elza Cabral de Souza nos meses de novembro e dezembro, da base de cálculo do imposto de renda, ano-calendário 2015, exercício 2016. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco Ibiapino Luz.
(assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente
(assinado digitalmente)
Wilderson Botto Relator
(assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Redator designado.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. FILHOS MAIORES DE 24 ANOS. A pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A. O fundamento da obrigação alimentar muda com a maioridade civil do alimentando, deslocandose do "dever de sustento" próprio do poder de família para o “dever de solidariedade” resultante do parentesco, quando os filhos maiores provam não estarem em condições de prover a respectiva subsistência ou, se até os 24 anos de idade, frequentarem curso técnico ou de graduação universitária (Lei nº 10.406, de 2002, arts. 5º, caput e § único, incisos I a V; 1.565; 1.566, inciso IV; 1.630; 1.631, caput; 1.632; 1.634, inciso I; 1.635, inciso III; 1.694, caput e § 1º; 1.695; 1.703; e 1.708, caput e § único). Mantémse a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade. IRPF. GLOSA DE DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. ÓBITO DA ALIMENTANDA. Com o falecimento da alimentanda extinguese o dever alimentar, incabível, portanto, a dedução dos valores pagos após a data da ocorrência do óbito, restando afastada a necessidade da prestação alimentar, devendo ser mantida a glosa efetuada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 17 77 /2 01 7- 77 Fl. 194DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Wilderson Botto (relator), que lhe deu provimento parcial para restabelecer a dedução com pensão alimentícia, declarada, mantendose a glosa apenas sobre o valor de R$ 5.151,47, referente à pensão paga a exesposa Elza Cabral de Souza nos meses de novembro e dezembro, da base de cálculo do imposto de renda, anocalendário 2015, exercício 2016. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco Ibiapino Luz. (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente (assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator (assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Redator designado. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 170/188) interposto contra o acórdão nº 0967.142 da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA (fls. 152/162), que julgou improcedente impugnação da Notificação de Lançamento nº 2016/048576204468272, objeto do presente feito – na qual foi apurado crédito tributário no valor de R$ 47.761,06 – mantendose o crédito remanescente de imposto suplementar no valor de R$ 10.663,89, reconhecido no Despacho Decisório nº 202/2018/EFI06Sefis/DRF/NIT, de 15/05/2018 (fls. 123/129). A decisão de primeira instância, por meio dos excertos a seguir transcritos, assim contextualizou os fatos envolvidos (fls. 153/158), cujas infrações remanescentes apuradas, ao final, referemse a deduções indevidas de pensão alimentícia judicial da base de cálculo do imposto de renda: Para o contribuinte retro qualificado foi emitida a Notificação de Lançamento – IRPF de fls. 8/13, que lhe exige o recolhimento do crédito tributário no montante de R$ 47.761,06, sendo, consoante ali discriminado, R$ 25.307,90 de imposto suplementar e o restante de acréscimos legais correspondentes. Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na Declaração de Ajuste Anual – DAA/2016, entregue à RFB pelo interessado, cujo resultado era de imposto a restituir no valor de R$746,79 fl. 12. De acordo com a Descrição dos Fatos de fls. 10/11, pela justificativa fiscal: "regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a intimação até a presente data", foram consideradas Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10730.721777/201777 Acórdão n.º 2003000.069 S2C0T3 Fl. 195 3 indevidas as deduções de: 1) despesas médicas, no valor de R$ 11.214,32; e 2) pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 83.530,00. O notificado, cientificado em 08/06/2017 AR fl. 42, apresentou, em 30/06/2017, por meio de seu procurador nomeado conforme instrumento de fls. 6/7, a impugnação de fls. 4/5, instruída com os documentos de fls. 14/40. Nessa oportunidade, contesta o feito fiscal da seguinte forma: (...). Os elementos apresentados juntamente com a peça contestatória foram analisados mediante revisão de ofício, promovida pela Fiscalização da DRF/Niterói/RJ em cumprimento à Instrução Normativa RFB nº 958/2009, em seu artigo 6ºA, com nova redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1061/2010, no propósito de se observar a adequação desses documentos aos termos que estampa a pertinente legislação tributária. A par disso, foi lavrado o Despacho Decisório SEFIS/DRF/NIT nº 275/2017, anexado às fls. 47/50, cuja conclusão foi pela procedência parcial do lançamento em foco, passando da exigência de crédito tributário para imposto a restituir no valor de R$160,07. A justificativa da autoridade fiscal que procedeu a revisão de ofício foi: 8. Assim, de acordo com a documentação juntada ao presente processo e as pesquisas efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse que: 8.1) DESPESAS MÉDICAS, no valor de R$ 11.214,32. A Glosa da Dedução Indevida de Despesas Médicas no valor de R$ 11.214,32 deve ser cancelada, tendo em vista a conclusão da análise dos documentos apresentados para a comprovação dos pagamentos informados na declaração de ajuste, conforme demonstrativo a seguir, consoante o disposto no art. 8º, inciso II, alínea “a”, e parágrafos 2º e 3º da Lei nº 9.250/95; arts. 73 e 80 do Decreto 3.000/99 – RIR/99 e arts. 43 e 48 da Instrução Normativa SRF nº 15/2001: 8.2) PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL Dedução Indevida no valor de R$83.530,00. A Glosa da Dedução Indevida de Despesas com Pensão Alimentícia Judicial no valor de R$83.530,00 deve ser mantida em parte, no valor de R$ 81.396,47, devendo ser cancelada a parcela de R$ 2.133,53, tendo em vista a conclusão da análise dos documentos apresentados para a comprovação dos pagamentos informados na declaração de ajuste (fl. 19), bem como a decisão judicial em que foi estabelecida a referida pensão (fls. 14 a 17), conforme demonstrativo a seguir: Após a análise das alegações e documentos apresentados restaram mantidos os seguintes valores: R$ 2.133,53 a título de Pensão Alimentícia Judicial. O interessado após cientificado do referido Despacho Decisório fl. 57, não se manifestou sobre seu resultado, tendo sido, então, o presente processo encaminhado para esta DRJ. Fl. 196DF CARF MF 4 Da análise dos autos foi proferido por esta 4ª Turma de Julgamento o Acórdão DRJ/JFA nº 0965.669, de 8 de fevereiro de 2018, anexado às fls. 74/77, que considerou improcedente a impugnação apresentada com relação à matéria remanescente nos autos, confirmando o resultado constante daquele Despacho Decisório, com intuito de se resolver o processo. Porém, no Acórdão proferido foi registrada a discordância do relator quanto ao cancelamento de parte da glosa da dedução a título de pensão alimentícia vinculada à Sra. Elza Cabral de Souza, haja vista ter sido verificado, na análise procedida, o falecimento da referida senhora durante o ano calendário de 2015, ano da DAA/2016, o que apontaria para um cancelamento indevido de um valor superior ao que deveria ter sido realizado. Além disso, foi constatado também que o contribuinte na DAA/2017, ano calendário de 2016, se beneficiou indevidamente da mesma dedução. Em complementação ao registro feito naquele Acórdão, foi encaminhada uma representação fiscal fls. 98/99, via comunicação interna da RFB, ao Delegado da DRJ/JFA/MG para que fossem repassados os fatos verificados à DRF/Niterói/RJ, no propósito de que esta DRF, entendendo da mesma forma, procedesse à reanálise do decidido no Despacho Decisório SEFIS/DRF/NIT nº 275/2017, e retificasse, se fosse o caso, a situação do IRPF/2016 em litígio, por meio de um novo procedimento de ofício, bem como regularizasse também o IRPF/2017 do contribuinte. Em razão do exposto, a SEFIS/DRF/Niterói/RJ optou por refazer a revisão de ofício, após solicitar o reexame do período fiscalizado ao DRF/Niterói/RJ despachos a fls. 100/101. Foi, então, lavrado o Termo de Intimação Fiscal de fl. 118, por meio do qual foi solicitada a apresentação da certidão de óbito da Sra. Elza Cabral de Souza, beneficiária da pensão alimentícia questionada. O interessado, em atendimento, ofereceu a certidão de fl. 118 e os documentos de fls. 119/122. A reanálise realizada acerca do IRPF/2016 do contribuinte resultou na elaboração do Despacho Decisório nº 202/2018/EFI06SEFIS/DRF/NIT, datado de 15/05/2018 e apensado a fls. 123/129, do qual se extrai de seu bojo os seguintes fragmentos: Confrontando os documentos acostados ao presente processo e os documentos constantes no Dossiê 10010.041270/041543, referente à Solicitação de Antecipação da análise da DAA14, observouse um documento não trazido aos autos anteriormente pelo sujeito passivo: Termo de Audiência e Conciliação, exarado em 16051980, pelo Juízo de Direito da 2a Vara de Família do Estado da Guanabara, acostado às fls. 06 e 07 do presente Dossiê. Após breve análise, constatouse que o referido documento teria o condão de alterar a decisão anteriormente proferida, tendo em vista as condições acordadas judicialmente no que tange aos beneficiários da pensão alimentícia paga pelo contribuinte ora em análise. Assim, em atenção ao determinado pela autoridade julgadora no que concerne à apreciação de fato não conhecido por ocasião da revisão de ofício realizada anteriormente, e após autorização expressa do titular Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10730.721777/201777 Acórdão n.º 2003000.069 S2C0T3 Fl. 196 5 desta Unidade acostada à fl. 101 do presente processo, será feita uma reanálise dos documentos e alegações apresentados por Célio Sampaio de Souza, CPF 041.399.41715, no que tange à dedução relativa à Pensão Alimentícia Judicial constante na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2016 (§3o, do art. 18, do Decreto 70.235/02, por analogia; inciso VIII, do art. 149 da Lei 5.172/66, por analogia; art. 906 do Decreto 3.000/99). Em tempo, ressaltese que a presente revisão tem por base a obediência aos princípios basilares do regime jurídicoadministrativo, tais como legalidade, indisponibilidade do interesse público e supremacia deste sobre o interesse privado, os quais se baseiam na qualidade de autotutela do Estado que pode, a qualquer momento, por motivos de ilegalidade, conveniência e oportunidade, confirmar, anular, revogar ou modificar a decisão recorrida, sem vincularse à pretensão das partes. * PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL Dedução Indevida no valor de R$83.530,00. O contribuinte apresentou documentos comprobatórios da dedução referente à pensão alimentícia judicial os quais foram acostados às fls. 14 a 25 do presente processo, constam contracheques emitidos pela fonte pagadora Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento com os descontos referentes à referida pensão (fls. 20 a 25), comprovante anual de rendimentos emitido pela citada fonte pagadora (fl. 19), documento extraído dos autos judiciais da obrigação alimentar referente a Sra. Isis de Mattos Campra (fl. 17) e documentos extraídos dos autos judiciais da obrigação alimentar referente a Sra. Elza Cabral de Souza (fls. 14 a 16). Após análise da documentação supra, podemos constatar que: 1) Contracheques referentes aos meses de janeiro a dezembro de 2015 – observase haver dois descontos referentes à pensão alimentícia vinculado à obrigação alimentar com Isis de Mattos Campra e Elza Cabral de Souza; 2) Comprovante de Rendimentos referente ao anocalendário de 2015 – consta informação acerca do valor anual descontado do contribuinte no que concerne à pensão alimentícia no montante de R$81.396,47, sendo R$65.117,24 pago à Elza Cabral de Souza e R$16.279,23 pago à Isis de Mattos Campra (valor já excluído 13o salário); 3) Ofício nº 815/2011/OF, emitido em 10052011 pelo Cartório da 4a Vara de Família relativo à fixação de alimentos em favor de Leonardo de Mattos Sampaio de Souza e Isabela de Mattos Sampaio de Souza (Representante Legal: Isis de Mattos Campra), o qual estabeleceu o desconto dos proventos em folha de pagamentos do contribuinte em tela (alimentos definitivos), a título de pensão alimentícia definitiva, a quantia correspondente a 10% dos seus rendimentos brutos, com dedução apenas dos descontos obrigatórios (IRRF e Previdência Social), sendo 5% para cada autor; 4) Termo de Audiência de Conciliação, datado de 18 de junho de 1979, o qual estabeleceu que o contribuinte em tela pensionaria a esposa e os sete filhos do casal com o equivalente a 40% de seus ganhos líquidos, considerando estes como a diferença entre os seus ganhos brutos a qualquer título e tão somente os descontos legalmente obrigatórios, ou seja, os previdenciários e fiscais. Fl. 198DF CARF MF 6 5) Termo de Audiência e Conciliação, datado de 16 de maio de 1980 (documento posteriormente trazido aos autos extraído do dossiê de malha fiscal número 10010.041270041543 – fls. 106 e 107), o qual estabelece que dos 40% dos ganhos líquidos do contribuinte, 19% seria destinado a Elza Cabral de Souza e os 21% divididos em partes iguais pelos filhos do casal. Do documento citado no item 5 supra, constatase, pelas datas de nascimentos dos filhos do casal, que todos eles, no anocalendário que ora se analisa, seriam maiores de 24 anos. Cumpre mostrar que as normas do Direito de Família, art. 1694 do Código Civil, tem entre os pressupostos essenciais da obrigação de prestar alimentos, a existência do vínculo de parentesco entre o alimentando e o alimentante, porém, com relação aos filhos que atingem a maioridade, a ideia preponderante é que os alimentos cessam com ela. A doutrina e boa parte da jurisprudência admitem que tal pagamento se dê até os 24 anos de idade, devendo ser comprovado, nessa hipótese, que o alimentando é estudante regularmente matriculado em estabelecimento de ensino superior, sem condições próprias de subsistência ou que ficasse comprovada a sua incapacidade para o trabalho ou a falta de condições de prover, pelo seu trabalho, a sua própria mantença, existindo um caráter obrigacional claro de sustento. De todo o exposto, fica claro que o direito à redução da base de cálculo do imposto de renda mediante dedução de pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia judicial abrange os valores correspondentes ao dever de sustento, vale dizer, até que o alimentando atinja a maioridade civil, e desde que atendidos os requisitos legais e comprovado o efetivo pagamento. Exceção a essa regra é o caso de filhos maiores inválidos e de maiores com até 24 anos de idade que comprovadamente estejam em curso superior ou técnico de segundo grau, tendo por base o art. 77 do RIR/1999. Ademais, registrese que também não constam nos autos qualquer documento judicial que ateste que os valores referentes aos sete filhos do casal seriam revertidos para Sra. Elza, após completarem a maioridade civil. Destarte, concluise que a glosa da Dedução Indevida de Despesas com Pensão Alimentícia Judicial relativa à Elza Cabral de Souza seria 19% x R$162.678,24 (rendimento líquido), totalizando R$30.908,86. Ocorre que foi constatado nos sistemas informatizados desta RFB que Elza Cabral de Souza faleceu no ano de 2015. Ante essa informação, intimouse o contribuinte, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 75/2018 acostado à fl. 118 do presente processo a fim de que apresentasse a Certidão de Óbito de sua exesposa. Em resposta à intimação supra, o contribuinte apresentou a referida Certidão de Óbito em que consta como data do falecimento 27/10/2015. Destarte, tendo em vista que a dedução, a título de Pensão Alimentícia Judicial, referente ao pagamento à Elza C. de Souza seria de R$30.908,86 para o anocalendário de 2015, ao realizar os cálculos até a data do seu falecimento, verificase que o valor total a ser deduzido seria de R$25.757,39. Com relação à pensão alimentícia paga à Sra. Isis de Mattos Campra, entendese estar de acordo com texto da legislação regente da matéria, devidamente enquadrada dentro das normas do Direito de Família (fl. 39). Assim, a glosa de R$16.279,23 relativo ao pagamento de pensão alimentícia judicial à Isis de M. Campra deve ser cancelada. Diante de todo o exposto, concluise que a Glosa da Dedução Indevida de Despesas com Pensão Alimentícia Judicial no valor de Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10730.721777/201777 Acórdão n.º 2003000.069 S2C0T3 Fl. 197 7 R$83.530,00 deve ser mantida em parte, no valor de R$41.493,38, devendo ser cancelada a parcela de R$42.036,62, tendo em vista a conclusão da análise dos documentos apresentados para a comprovação dos pagamentos informados na declaração de ajuste, bem como os termos constantes nas decisões judiciais em que foram estabelecidas as referidas pensões, conforme preceitua o art.8.º, inciso II, alínea "f", da Lei n.º 9.250/95; arts. 73, 78 e 841, inciso II do Decreto n.º 3.000/99 – RIR/99 e arts. 49 e 50 da Instrução Normativa SRF n.º 15/2001. (...). Após tomar ciência do resultado da revisão de ofício acima fl. 133, o contribuinte, a fls. 136/137, apresenta manifestação de inconformidade sobre a glosa da dedução a título de pensão alimentícia ora mantida, nos seguintes termos: Na 1º Ação, de 18 de junho de 1979, Elza Cabral de Souza requereu uma \Pensão Alimentícia de 40% dos meus vencimentos, e ficou estabelecido, também, que eu seria responsável pelo pagamento das prestações do apartamento que ficou para ela, bem como as despesas com mensalidades escolares, material didático e uniforme. Na 2ª Ação, datada de 18 de maio de 1980, Elza Cabral de Souza requereu Separação Judicial, sendo mantida a pensão de 40%. Ocorre, porém, que o Juiz, por sua conta, determinou que à mãe caberia 19% e aos filhos a diferença (21%). Determinou, ainda, que a mim caberia pagamento da prestação do apartamento de residência da família, bem como o reembolso das despesas escolares, etc. não especificando a idade limite para os filhos deixarem de participar dos 3% estipulados para cada um. E fez anexar os documentos de fls. 138/144. A impugnação apresentada foi julgada improcedente (fls. 152/162), resultando da cobrança de imposto suplementar remanescente no valor de R$ 10.663,89 (fls. 164/165). Devidamente intimado, por AR, da decisão proferida (16/07/2018) (fls. 166/167), apresentou (em 03/08/0218) Recurso Voluntário (Fls. 170/188), insurgindose contra a dedução glosada, repisando as alegações da impugnação, pugnando, ao final, pela reforma da decisão recorrida com o cancelamento do débito fiscal reclamado. Instruiu a peça recursal, com cópia dos comprovantes de rendimentos recebidos no ano de 2015 (fls. 177/188). Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Wilderson Botto – Relator Fl. 200DF CARF MF 8 O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. MÉRITO 1 Da glosa da despesa com pensão alimentícia judicial: No que tange a glosa remanescente mantida e que importou no imposto suplementar lançado, o Recorrente deduziu o valor de R$ 65.117,24, relativo a despesas com pensão alimentícia pagas a sua exesposa (Elza Cabral de Souza) e aos seus sete filhos (Valéria, Lincoln, André, Jeferson, Célio, Patrícia e Rodolfo) com o equivalente a 40% de seus ganhos líquidos, considerando este como a diferença entre os seus ganhos brutos a qualquer título, e os descontos legalmente obrigatórios, ou seja, os previdenciários e fiscais. Dos 40% dos ganhos líquidos, 19% seria destinado a exesposa e 21% divididos em partes iguais pelos sete filhos do casal, ou seja, 3% para cada um deles. (fls. 105/107). A DRJ/JFA, por sua vez, entendeu que a dedução foi indevida (fls. 152/162): A exigência tributária remanescente nos autos se deu em razão da manutenção da glosa da dedução pleiteada a título de pensão alimentícia, referente à Sra. Elza Cabral de Souza, no valor de R$41.493,38, pelas justificativas já relatadas. O interessado se manifesta contrariamente à glosa mantida alegando que a obrigação alimentar determinada na primeira sentença judicial foi na proporção de 40% de seus vencimentos, e na segunda sentença a autoridade judicial distribuiu aquele percentual entre sua exesposa, que ficou com 19%, e seus sete filhos, os restantes 21% 3% para cada um, mas, não foi estipulada a idade limite destes para o recebimento da parte correspondente. Sobre o assunto o RIR/1999 assim dispõe: Art.78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II)... (grifei) Desse modo, a regularidade da dedução de pensão alimentícia judicial depende do atendimento de dois requisitos, a serem comprovados pelo contribuinte: que o pagamento decorre de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente em face das normas do Direito de Família e seu efetivo pagamento. O exame da situação que ora se apresenta não pode ficar adstrito à interpretação literal das normas pertinentes, sendo necessário, também, determinar a natureza dos pagamentos efetuados pelo contribuinte e verificar, por meio de interpretação finalística e sistemática das normas tributárias e de direito de família, o alcance da dedução de pagamentos a título de pensão alimentícia. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10730.721777/201777 Acórdão n.º 2003000.069 S2C0T3 Fl. 198 9 (...). Patente que não há como interpretar o dispositivo tributário regente da matéria, como se fosse norma isolada no sistema, é importante identificar a natureza dos pagamentos efetuados por meio de sentenças ou acordos judiciais, pois nem todos têm a natureza jurídica de pensão alimentícia, embora possam ter sido assim denominados como no presente caso. Cabe registrar que no Termo de Audiência e Conciliação de fls. 105/106, datado de 16/05/1980, foram discriminados como alimentantes a ex esposa do contribuinte e seus sete filhos, cujas datas de nascimentos estão ali informadas, tendo o mais novo nascido no ano de 1972, portanto, em 2015, este estaria com idade superior a 42 (quarenta e dois) anos e o mais velho acima de 54 (cinquenta e quatro) anos idade. Neste ponto, necessário se faz analisar dispositivos do Código Civil, para esclarecimento das condições de dedutibilidade da pensão alimentícia. Seguem textos legais, os quais contêm grifos ou destaques no original: Art. 1.590. As disposições relativas à guarda e prestação de alimentos aos filhos menores estendemse aos maiores incapazes.[...] Art. 1.630. Os filhos estão sujeitos ao poder familiar, enquanto menores.[...] Art. 1.635. Extinguese o poder familiar: I pela morte dos pais ou do filho; II pela emancipação, nos termos do art. 5o, parágrafo único; III pela maioridade; IV pela adoção; V por decisão judicial, na forma do artigo 1.638.[...] Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. § 1o Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada. § 2o Os alimentos serão apenas os indispensáveis à subsistência, quando a situação de necessidade resultar de culpa de quem os pleiteia. Art. 1.695. São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecêlos, sem desfalque do necessário ao seu sustento. Pelos dispositivos legais expostos, a dedução lançada não pode ser aceita como proveniente de pensão alimentícia judicial devida em face das normas de Direito de Família, condição principal para a dedução da base de cálculo do imposto de renda. Não se está afastando a possibilidade de celebração de acordos, visto que podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. É o que determina o art. 1694 do Código Civil, entretanto, entre os pressupostos essenciais da obrigação de prestar alimentos consta a existência do vínculo de parentesco entre o alimentando e o alimentante, Fl. 202DF CARF MF 10 porém, com relação aos filhos que atingem a maioridade, a idéia preponderante é que os alimentos cessam com ela. (...) A doutrina e boa parte da jurisprudência admitem que tal pagamento se dê até os 21 anos de idade, admitido até os 24 anos de idade, devendo ser comprovado, nessa hipótese, que o alimentando é estudante regularmente matriculado em estabelecimento de ensino superior, sem condições próprias de subsistência ou que ficasse comprovada a sua incapacidade para o trabalho ou a falta de condições de prover, pelo seu trabalho, a sua própria mantença. (...) De todo o exposto, fica claro que o direito à redução da base de cálculo do imposto de renda mediante dedução de pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia judicial abrange os valores correspondentes ao dever de sustento, vale dizer, até que o alimentando atinja a maioridade civil, e desde que atendidos os requisitos legais e comprovado o efetivo pagamento. Exceção a essa regra é o caso de filhos maiores inválidos e de maiores com até 24 anos de idade que comprovadamente estejam em curso superior ou técnico de segundo grau, tendo por base o art. 77 do RIR/1999. Portanto, pagamentos efetuados a filhos que não se enquadrem na condição de menoridade, ou nas situações especiais previstas na legislação, não geram direito a redução da base de cálculo do IRPF mediante dedução. Esse é o caso que ora se apresenta, visto que os filhos do contribuinte com sua exesposa, no ano calendário de 2015, se encontravam com idades entre 42 e 54 anos, situação que tem como condição imprescindível, para fins de dedução, que, em face das normas do Direito de Família, os alimentos sejam devidos quando o(s) pretendente(s) não tenha(m) bens e nem possa(m) prover, pelo trabalho, a própria mantença, existindo um caráter obrigacional claro de sustento, condição essa que não foi comprovada nos presentes autos. (...) Concluise, pois, que o pleito do impugnante é indevido em relação aos seus filhos, e, da mesma forma, em relação à sua ex esposa, haja vista que não foi apensado aos autos algum documento judicial determinando que as pensões alimentícias vinculadas aos seus filhos, ao atingirem a maioridade civil, fossem revertidas para a Sra. Elza Cabral de Souza Neste ponto, vale transcrever o bem fundamentado voto vencedor trazido Acórdão nº 2201003.406, proferido nos autos Processo nº 13014.720475/201501, cujas razões de decidir perfilho – e que se amolda ao caso concreto – onde a ilustre Conselheira Redatora designada, Dione Jesabel Wasilewski, com percuciência assim manifestou suas convicções: Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10730.721777/201777 Acórdão n.º 2003000.069 S2C0T3 Fl. 199 11 Presto minha homenagem à percuciente construção feita pelo relator em seu voto, contudo não concordo com os seus termos e conclusões. Este voto trata da possibilidade de dedução de pensão alimentícia paga a filho com mais de 21 anos e que não comprove curso em faculdade ou ensino técnico superior ou impossibilidade para trabalho ou para prover a própria mantença. As atividades legislativa e executiva são expressões do poder político do Estado, a primeira responsável pela edição de normas de caráter geral e abstrato que inovam na ordem jurídica e a segunda, vocacionada a resolver os casos concretos de acordo coma ordem jurídica vigente. Mesmo o poder regulamentar conferido ao executivo deve ser exercido dentro dos estreitos limites impostos pelas leis, sendo pacífico o entendimento de que ele não é autorizado, sob pena de se configurar invasão de competência, a extrapolar essas fronteiras criando regras inovadoras. Se o poder regulamentar está contido pela rigidez desses contornos, que se dirá da atividade da Administração Pública, já definida como aquela a quem compete aplicar a lei de ofício. Na hipótese em questão, a norma que confere ao contribuinte o direito à dedução da pensão alimentícia da base de cálculo do imposto de renda tem a seguinte redação (Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil; (...) Essas regras são diferentes daquelas relativas à dedução dos filhos como dependentes. Para cada uma dessas situações, dedução como dependente ou dedução de pensão alimentícia, existem condições legais próprias a serem atendidas, que expressam verdadeiros ônus para os contribuintes, mas são também expressões de direitos a serem respeitados pela Administração. Ao estender as regras criadas textualmente para as situações de dependência para as de dedução da pensão alimentícia, a Fl. 204DF CARF MF 12 Administração onera os contribuintes nesta situação de forma que extrapola os limites impostos pela investigação sintática (literalidade). E este é o critério fixado pelo Código Tributário Nacional como o adequado para a interpretação das normas dessa natureza (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 111), que tanto serve para limitar o exercício do direito, como para definir o ônus imposto como condição para ele. Ou seja, a literalidade da norma tanto serve para impedir a extensão, como a redução do seu significado. É certo que o CTN autoriza o emprego da analogia quando houver ausência de disposição expressa" (art. 108, I), ressalvando que, do emprego da analogia, não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei (art. 108, § 1º). Mas, ao se indagar sobre a possibilidade de integração da norma, por analogia, no caso concreto em análise, não é possível superar nem o primeiro obstáculo estabelecido pelo CTN, pois, indubitavelmente, há norma específica regulando a matéria. A meu ver, criar condições que não podem ser extraídas do texto legal significar inovar no ordenamento jurídico, e inovar no ordenamento jurídico é legislar sobre direito tributário, atividade estranha à esfera de competência desse órgão. Isso não quer dizer que a administração está fadada a admitir as deduções a título de pensão alimentícia sem qualquer valoração do caso concreto. Pelo contrário, há um espaço a ser preenchido na verificação da adequação do caso concreto ao preceito geral e abstrato. Assim, para que haja o direito à dedução não basta, por exemplo, que haja um acordo homologado judicialmente. É necessário investigar quais foram as condições estabelecidas como pressupostos para sua validade e se essas condições ainda se mantém (aplicação da cláusula rebus sic stantibus). De forma que, se a pensão foi justificada pelo estado de desemprego involuntário, ou pelo fato do filho estar se dedicando à formação acadêmica, ou pelo casal estar separado de fato, ou por doença do beneficiário da pensão ou de seu filho/cônjuge a exigir atenção integral daquele, pode ser feita a verificação da continuidade dessas condições como pressuposto de eficácia do acordo ou da sentença. A fiscalização também pode e deve conferir se há efetivamente pagamento da pensão. Para tanto, é necessário que haja prova da transferência dos recursos e que estes foram integrados de forma definitiva ao patrimônio do beneficiário. Não comprovado pagamento, não há direito à dedução. A verificação do atendimento dessas condições deve ser feita pela fiscalização e caso constate a existência de irregularidade, ela deve estar suficientemente escrita no auto de infração, com a demonstração dos seus elementos de fato e de direito. Se o lançamento não aponta esses elementos, faltalhe fundamentação. Na hipótese em questão, o auto utilizou como fundamento para glosa da dedução com pensão judicial (fls 34) o não atendimento aos critérios estabelecidos para dedução de dependente. Esse Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10730.721777/201777 Acórdão n.º 2003000.069 S2C0T3 Fl. 200 13 critério não é idôneo para fundamentar essa glosa e outro não pode ser manejado nessa sede recursal sob pena de cerceamento do direito de defesa. Dessa forma, com todo respeito àqueles que pensam de maneira diferente, entendo que, em relação à dedução da pensão alimentícia, a atividade fiscal está limitada a verificar: a existência do acordo/sentença/escritura pública; se seus pressupostos de validade continuam a existir (condições expressamente fixadas em seu texto) e se houve efetivo pagamento. Se as normas existentes não forem boas o suficiente para regular as situações concretas da vida, especialmente considerando as grandes mudanças verificadas nas últimas décadas em relação à organização e funcionamento familiar, o caminho a ser trilhado é provocar o debate em sociedade e a criação, via legislativa, de regras mais adequadas aos fins visados pelo Estado. Em vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, reformando a decisão recorrida e restabelecendo o direito à dedução da pensão alimentícia no valor de R$ 9.682,53. No caso dos autos, vislumbro que a DRJ/JFA buscou suprir o que o lançamento deveria ter feito, ou seja, investigar a situação vivenciada pelos filhos/alimentados Valéria, Lincoln, André, Jeferson, Célio, Patrícia e Rodolfo, no intuito de fundamentar a razão da recusa ao direito à prestação alimentar, uma vez que não basta haver vínculos com o Direito de Família, há que existir a indispensável necessidade de se pagar a pensão pelo Direito de Família. Esse entendimento, que reputo essencial, não ficou explicado na autuação e nem no acórdão recorrido, cuja indedutibilidade está escorada apenas no argumento de que os alimentados “são maiores de 24 anos e não ficou não terem bens e nem possam prover, pelo trabalho, a própria mantença, existindo um caráter obrigacional claro de sustento, condição essa que não foi comprovada nos presentes autos” (fls. 162). Destarte, em relação aos filhos/dependentes, a quem foram destinados 21% dos rendimentos líquidos a título de pensão alimentícia, restando demonstrado que o lançamento não apresentou elementos fáticos mínimos para que o contribuinte pudesse ter se defendido da autuação, deve ser afastada a glosa efetuada. Por outo lado, em relação a pensão paga a exesposa Elza Cabral de Souza, no percentual de 19% dos rendimentos líquidos, deverá ser mantida a glosa no valor de R$ 5.151,47, relativa aos meses de novembro e dezembro de 2015, diante de seu falecimento, ocorrido em 27/10/2015 (fls. 119). CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto em epígrafe, para restabelecer a dedução com pensão alimentícia, declarada, mantendose a glosa apenas sobre o valor de R$ 5.151.,47, referente a pensão paga a exesposa Elza Cabral de Souza nos meses de novembro e dezembro, da base de cálculo do imposto de renda, anocalendário 2015, exercício 2016. Fl. 206DF CARF MF 14 (assinado digitalmente) Wilderson Botto Voto Vencedor (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Peço especial vênia ao nobre relator para discordar da inferência de que a fiscalização deveria investigar a situação vivenciada pelos filhos maiores de idade, como também da conclusão, embora concordando com a tese paradigmática do eminente voto. Como se há verificar, a presente análise tratará de indagações acerca das circunstâncias em que o pagamento de pensão alimentícia a filho maior de idade estará resguardado pelas normas do Direito de família, condição necessária para a dedutibilidade pretendida pelo recorrente. Nessa perspectiva, verificando a jurisprudência deste Conselho sobre reportado assunto, constatamos haver três suposições postas como respostas possíveis para a problemática suscitada, as quais guiarão as diretrizes do diagnóstico que se busca realizar. Assim entendido, o escopo do presente estudo está a compreender aquilo que efetivamente diz reportada norma tributária, como se passa o que alí está dito e de que modo a situação fática a ela se subsume. A primeira hipótese, representada pelo Acórdão nº 2201003.406 da 1º Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, em síntese, infere: A administração não dispõe de competência para estender as regras da dedução com dependente às de pensão alimentícia, estando a atividade fiscal limitada a certificarse do efetivo pagamento e do cumprimento das normas do Direito de família. Eis as evidências que sustentam patenteada inferência: 1. a administração pública deverá aplicar a lei de ofício, sendolhe vedado exceder aos limites por ela impostos, porquanto legislar sobre direito tributário se traduz atividade estranha à sua esfera de competência; 2. a Lei impõe regras próprias e distintas para a dedutibilidade de dependente e pensão alimentícia, cujo ônus atribuído ao contribuinte também implica direitos que lhes deve ser respeitados pela administração pública; 3. ao estender as regras da dedução com dependente para a de pensão alimentícia, a administração onera os contribuintes, por ultrapassar os limites legais impostos, contexto vedado pelo art. 111 do CTN, já que a legalidade ali imposta tanto serve para limitar direitos do contribuinte, como para definir o ônus a ele imposto pela administração; 4. a administração deverá valorar a adequação do caso concreto ao preceito legal abstrato, aí se incluindo as motivações por que referida pensão foi concedida. A exemplo: formação acadêmica, desemprego involuntário, incapacidade laborativa, etc. Por conseguinte, a atividade fiscal está limitada a verificar: a existência do acordo/sentença/escritura pública; se seus pressupostos de validade continuam a existir (condições expressamente fixadas em seu texto) e se houve o efetivo pagamento. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10730.721777/201777 Acórdão n.º 2003000.069 S2C0T3 Fl. 201 15 A segunda hipótese, representada pelo Acórdão nº 9202007.117 da 2ª Turma da CSRF do CARF, em síntese, afirma: Enquanto não cancelada judicialmente, a despesa com pensão alimentícia concedida dentro das normas do Direito de família é dedutível, independentemente da idade atingida pelo alimentando. Eis suas evidências de origem: 1. no Direito de família, a pensão alimentícia se conforma com a necessidade do alimentando e a possibilidade do alimentante, definidas caso a caso, independentemente da idade de seu beneficiário; 2. ainda que afastadas as causas justificadoras de sua concessão, a pensão alimentícia deverá continuar sendo paga até a respectiva exoneração judicial Súmula 209 (sic) do STJ; 3. não havendo limite de idade para o Direito Civil, não há que se exigila para fins de dedução tributária. Portanto não se deve confundir limite de idade para fins da relação de dependência no imposto de renda com aquele destinado à concessão de pensão alimentícia. A terceira hipótese, representada pelo Acórdão nº 2401005.793 da 1º Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, em síntese, sustenta: A pensão alimentícia concedida conforme normas do Direito de família, assim como o abatimento com dependentes estão vinculadas à concepção de dependência econômica, motivo por que a dedução da primeira está condicionada à observância das regras de dedutibilidades da segunda, ainda que vigente o comando judicial. Eis seus fundamentos: 1. mencionada dedução não está condicionada apenas ao decidido ou ratificado judicialmente, já que afasta a interpretação isolada do dispositivo legal; 2. a lei tributária pressupõe a prestação de alimentos como sendo obrigação alimentar decorrente do poder familiar ou derivado da relação de parentesco ou conjugal; 3. a conferência do cumprimento de requisitos estipulados na legislação tributária para a dedução da pensão alimentícia não implica negação de validade do decidido ou acordado judicialmente. Oportuno registrar que a acepção do enfrentamento das reportadas questões se dará apenas em tese, não sendo os respectivo casos concretos abordados, porquanto alheios ao escopo do presente estudo. Dessa forma definida, entendemos razoável sistematizar a pensão alimentícia sob os seguintes horizontes: 1. da legislação tributária Lei nº 9.250, de 1995, arts. 4º, inciso III; 8º, inciso II, alíneas "a", "b", "c" e "f", §§ 2º, inciso II, e 3º, e 35, caput; e Decreto nº 3.000, de 1999, art. 78, §§ 4º e 5º (vigente até 22/11/2018, quando foi revogado pelo Decreto nº 9.580, de 2018); Fl. 208DF CARF MF 16 2. do Direito Civil Lei nº 10.406, de 2002, arts. 5º, caput; 1.565; 1.566, inciso IV; 1.694, caput; 1.695 e 1.708, caput e § único. Pensão alimentícia na perspectiva da legislação tributária Posta assim a questão, confirase o ordenamento presente na Lei nº 9.250, de 1995, arts. 4º, inciso III; 8º, inciso II, alíneas "a", "b", "c" e "f", §§ 2º, inciso II, e 3º, e 35, caput: Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: [...] III a quantia, por dependente, de: [...] Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados [...] a médicos [...]; b) pagamentos de despesas com instrução [...]; c) à quantia, por dependente, de: [...] f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: [...] II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; [...] Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10730.721777/201777 Acórdão n.º 2003000.069 S2C0T3 Fl. 202 17 § 3o As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II do caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes [...]. (grifo nosso) Registrese, ainda, que o Decreto nº 3.000, de 1999, art. 78, §§ 4º e 5º vigente até 22/11/2018, quando foi revogado pelo Decreto nº 9.580, de 2018 ao regular o mandamento legal presente no § 3º acima disposto, esclarece: Art. 78. Na determinação [...], poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia [...]. [...] § 4º Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). § 5º As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Consoante interpretação literal do ordenamento legal acima, a dedutibilidade atinente à pensão alimentícia judicial na apuração do imposto de renda devido terá de acatar tão somente os seguintes requisitos: 1. a comprovação do efetivo pagamento da obrigação (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "f"); 2. a comprovação do atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "f"); 3. as quantias pagas a título de despesa médica e de educação dos alimentandos, quando em virtude de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, podem ser dedutíveis desde que em suas respectivas "rubricas", obedecido o limite legal anual desta última, e não como pensão alimentícia propriamente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Fl. 210DF CARF MF 18 Nessa concepção, plausível evidenciar as 03 (três) rubricas distintas apropriadas para a declaração das deduções com alimentando, quais sejam: 1. "pensão alimentícia judicial", destinada para declaração do pagamento da obrigação de alimento propriamente (art. 8º, inciso II, alínea "f"); 2 "despesa médica", destinada para a declaração do pagamento dos dispêndios a tal título, em cumprimento das normas do Direito de família (art. 8º, inciso II, § 3º); 3. "despesa com educação", destinada para a declaração do pagamento dos dispêndios dessa designação, em cumprimento das normas do Direito de família (art. 8º, inciso II, § 3º). Conforme se depreende do até então exposto, aludida ordem legal somente vai além do objeto da presente análise pensão alimentícia exclusivamente quanto às despesas médica e com educação de alimentando (art. 8º, § 3º). Nesse panorama, remete tais deduções para os preceitos dispostos nas alíneas "a" e "b" do apontado art. 8º, II, respectivamente, quedando silente quanto à alínea "c" desse mesmo artigo, que trata da dedução com dependentes. Ademais, de igual modo, não se observa qualquer referência direta ao art. 35 da citada matriz legal, o qual define quem poderá ser dependente para fins de dedutibilidade do imposto devido. A par disso, é forçoso crer ser razoável interpretação sistêmica que pretenda condicionar a dedutibilidade de pensão alimentícia ao cumprimento das regras destinadas àquela com dependentes, porque inexistente correlação entre uma e a outra. Afinal, o comando funcional ali presente art. 8º inciso II, alínea "f", § 3º assim o quis, já que extremamente preciso ao remeter a disciplina da primeira ao cumprimento das normas do Direito de família, excepcionando apenas as condicionantes para a dedutibilidade das despesas médica e de instrução com alimentando. Como visto, a vinculação da dedução de pensão alimentícia ao atendimento das condições de dependência não está estabelecida no supracitado art. 8º, inciso II, alínea "f", o qual preserva sua autonomia normativa. Assim sendo, embora pareça que ela ali está parcialmente prevista, via § 3º, a isso fazendo referência indireta, crível se interpretar tratarse do pagamento de despesas médica e com educação de alimentando, e não da dedução de dependente. Logo, a referência indireta apontada mediante especificado parágrafo (§ 3º) sujeita pretendidas dedutibilidades somente à obrigatoriedade de serem declaradas em suas próprias rubricas, como também ser respeitado o limite anual da despesa com instrução própria ou de dependente. Pensão alimentícia na perspectiva do Direito Civil Assimilado o que efetivamente disse citada norma tributária, oportuno trazer a configuração que a Lei nº 10.406, de 2002, arts. 5º, caput e § único, incisos I a V; 1.565; 1.566, inciso IV; 1.630; 1.631, caput; 1.632; 1.634, inciso I; 1.635, inciso III; 1.694, caput e § 1º; 1.695; 1.703; e 1.708, caput e § único; dá ao referenciado assunto. Nestes termos: Art. 5o A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. (grifo nosso) Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade: Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10730.721777/201777 Acórdão n.º 2003000.069 S2C0T3 Fl. 203 19 I pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos; II pelo casamento; III pelo exercício de emprego público efetivo; IV pela colação de grau em curso de ensino superior; V pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que, em função deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria. Art. 1.565. Pelo casamento, homem e mulher assumem mutuamente a condição de consortes, companheiros e responsáveis pelos encargos da família. (grifo nosso) Art. 1.566. São deveres de ambos os cônjuges: [...] IV sustento, guarda e educação dos filhos; (grifo nosso) Art. 1.630. Os filhos estão sujeitos ao poder familiar, enquanto menores. (grifo nosso) Art. 1.631. Durante o casamento e a união estável, compete o poder familiar aos pais; na falta ou impedimento de um deles, o outro o exercerá com exclusividade. (grifo nosso) Art. 1.632. A separação judicial, o divórcio e a dissolução da união estável não alteram as relações entre pais e filhos senão quanto ao direito, que aos primeiros cabe, de terem em sua companhia os segundos. (grifo nosso) Art. 1.634. Compete a ambos os pais, qualquer que seja a sua situação conjugal, o pleno exercício do poder familiar, que consiste em, quanto aos filhos: I dirigirlhes a criação e a educação; (grifo nosso) Art. 1.635. Extinguese o poder familiar: [...] III pela maioridade; (grifo nosso) Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. Fl. 212DF CARF MF 20 § 1o Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada. (grifo nosso) Art. 1.695. São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecê los, sem desfalque do necessário ao seu sustento. (grifo nosso) Art. 1.703. Para a manutenção dos filhos, os cônjuges separados judicialmente contribuirão na proporção de seus recursos. Art. 1.708. Com o casamento, a união estável ou o concubinato do credor, cessa o dever de prestar alimentos. Parágrafo único. Com relação ao credor cessa, também, o direito a alimentos, se tiver procedimento indigno em relação ao devedor. (grifo nosso) Igualmente relevante, seguem excertos da Lei nº 5.478, de 1968, que dispõe sobre a ação de alimentos: Art. 15. A decisão judicial sobre alimentos não transita em julgado e pode a qualquer tempo ser revista, em face da modificação da situação financeira dos interessados. Art. 21. O art. 244 do Código Penal passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 244. Deixar, sem justa causa, de prover a subsistência do cônjuge, ou de filho menor de 18 anos ou inapto para o trabalho ou de ascendente inválido ou valetudinário, não lhes proporcionando os recursos necessários ou faltando ao pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada, fixada ou majorada; deixar, sem justa causa, de socorrer descendente ou ascendente gravemente enfermo: Pena Detenção de 1 (um) ano a 4 (quatro) anos [...]; Art. 27. Aplicamse supletivamente nos processos regulados por esta lei as disposições do Código de Processo Civil. Preliminarmente, como se há verificar, a solução do imbróglio está em saber até onde o pagamento de pensão alimentícia resulta do cumprimento da obrigação de alimentos, e não de liberalidade do alimentante. Aquela, dedutível na apuração do imposto devido, porque decorrente do atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública referida na Lei nº 5.869, de 1973; esta, indedutível, por falta de previsão legal. Nessa ótica, apropriome do entendimento exarado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), responsável por uniformizar a interpretação da lei federal, solucionando definitivamente os litígios civis e criminais, exceto quando a contenda envolva matéria constitucional ou da justiça especializada. Confirase: Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10730.721777/201777 Acórdão n.º 2003000.069 S2C0T3 Fl. 204 21 AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. DIVÓRCIO. ALIMENTOS. FILHA MAIOR DE IDADE. LEGITIMIDADE ATIVA. PEDIDOS. CUMULAÇÃO. POSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 568/STJ. ART. 538 DO CPC/1973. MULTA. CABIMENTO. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 1973 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ).2. A filha maior de idade tem legitimidade ativa para postular alimentos do seu genitor.3. A obrigação alimentar do pai em relação aos filhos não cessa automaticamente com o advento da maioridade, a partir da qual subsiste o dever de assistência fundada no parentesco sanguíneo, devendo ser dada a oportunidade ao alimentando de comprovar a impossibilidade de prover a própria subsistência ou a necessidade da pensão por frequentar curso técnico ou universitário. Precedentes.4. [...]. 6. Agravo interno não provido. (STJ AgInt no Agravo em Recurso Especial Nº 970.461 RS (2016/02205013), 3ª Turma do STJ, Rel. Ricardo Vilas Bôas Cuevaghi. j. 27.02.2018, unânime, DJe 08.03.2018) (grifo nosso) CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE ALIMENTOS. LITISCONSÓRCIO PASSIVO NECESSÁRIO. EXISTÊNCIA. CURSO SUPERIOR CONCLUÍDO. REALIZAÇÃO DE PÓS GRADUAÇÃO. NECESSIDADE/POSSIBILIDADE. Os alimentos devidos em razão do poder familiar ou do parentesco, são instituídos, sempre, intuitu personae, para atender os ditames do art. 1.694 do Código Civil que exige a verificação da necessidade de cada alimentado e a possibilidade do alimentante, razão pela qual, quando fixados globalmente, ainda assim, consistem em obrigações divisíveis, com a presunção salvo estipulação da sentença em sentido contrário que as dívidas são iguais, 2. O advento da maioridade não extingue, de forma automática, o direito à percepção de alimentos, mas esses deixam de ser devidos em face do Poder Familiar e passam a ter fundamento nas relações de parentesco, em que se exige a prova da necessidade do alimentado. 3. O estímulo à qualificação profissional dos filhos não pode ser imposto aos pais de forma perene, sob pena de subverter o instituto da obrigação alimentar oriunda das relações de parentesco, que tem por objetivo, tão só, preservar as condições mínimas de sobrevida do alimentado. 4. Em rigor, a formação profissional se completa com a graduação, que, de regra, permite ao bacharel o exercício da profissão para a qual se graduou, independentemente de posterior especialização, podendo assim, em tese, prover o próprio sustento, circunstância que afasta, por si só, a presunção iuris tantum de necessidade do filho estudante. 5. Persistem, a partir de então, as relações de parentesco, que ainda possibilitam a percepção de alimentos, tanto de descendentes quanto de ascendentes, porém desde que haja prova de efetiva necessidade do alimentado. 6. Recurso especial não provido. (STJ Recurso Especial nº 1505079/MG (2015/00015001), 3ª Turma do STJ, Rel. Nancy Andrighi, 13.12.2016, unânime, DJe 01.02.2017) (grifo nosso) Fl. 214DF CARF MF 22 RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL. FAMÍLIA. ALIMENTOS. MAIORIDADE. SÚMULA Nº 358/STJ. NECESSIDADE. PROVA. CONTRADITÓRIO. 1. O advento da maioridade não extingue, de forma automática, o direito à percepção de alimentos, os quais passam a ter fundamento nas relações de parentesco, em que se exige a prova da necessidade do alimentado, que não foi produzida no caso concreto. 2. Incumbe ao interessado, já maior de idade, nos próprios autos e com amplo contraditório, a comprovação de que não consegue prover a própria subsistência sem os alimentos ou, ainda, que frequenta curso técnico ou universitário. 3. Recurso especial parcialmente conhecido e nesta parte provido para determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem. (STJ REsp 1587280 / RS Recurso Especial 2014/03329230, 3ª Turma do STJ, Rel. Ricardo Vilas Bôas Cuevas, 05.05.2016, unânime, DJe 13.05.2016) (grifo nosso) PROCESSUAL CIVIL. CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE ALIMENTOS. CURSO SUPERIOR CONCLUÍDO. NECESSIDADE. REALIZAÇÃO DE PÓSGRADUAÇÃO. POSSIBILIDADE. 1. O advento da maioridade não extingue, de forma automática, o direito à percepção de alimentos, mas esses deixam de ser devidos em face do Poder Familiar e passam a ter fundamento nas relações de parentesco, em que se exige a prova da necessidade do alimentado. 2. É presumível, no entanto, presunção iuris tantum , a necessidade dos filhos de continuarem a receber alimentos após a maioridade, quando frequentam curso universitário ou técnico, por força do entendimento de que a obrigação parental de cuidar dos filhos inclui a outorga de adequada formação profissional. 3. Porém, o estímulo à qualificação profissional dos filhos não pode ser imposto aos pais de forma perene, sob pena de subverter o instituto da obrigação alimentar oriunda das relações de parentesco, que tem por objetivo, tão só, preservar as condições mínimas de sobrevida do alimentado. 4. Em rigor, a formação profissional se completa com a graduação, que, de regra, permite ao bacharel o exercício da profissão para a qual se graduou, independentemente de posterior especialização, podendo assim, em tese, prover o próprio sustento, circunstância que afasta, por si só, a presunção iuris tantum de necessidade do filho estudante. 5. Persistem, a partir de então, as relações de parentesco, que ainda possibilitam a percepção de alimentos, tanto de descendentes quanto de ascendentes, porém desde que haja prova de efetiva necessidade do alimentado. 6. Recurso especial provido. (STJ Recurso Especial nº 1218510/SP (2010/01846617), 3ª Turma do STJ, Rel. Nancy Andrighi, 27.09.2011, unânime, DJe 03.10.2011) (grifo nosso) Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10730.721777/201777 Acórdão n.º 2003000.069 S2C0T3 Fl. 205 23 AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE EXONERAÇÃO DE ALIMENTOS. MAIORIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE. REVISÃO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Nos termos da jurisprudência desta Corte, em se tratando de filho maior, a pensão alimentícia é devida pelo seu genitor em caso de comprovada necessidade ou quando houver frequência em curso universitário ou técnico, por força do entendimento de que a obrigação parental de cuidar dos filhos inclui a outorga de adequada formação profissional. Porém, é ônus do alimentado a comprovação de que permanece tendo necessidade de receber alimentos. Precedentes. 2. Agravo regimental a que se nega provimento. (STJ AgRg nos EDcl no AREsp 791322 / SP. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2015/02473118 , Terceira Turma do STJ, Relator Marco Aurélio Bellizze, 19/05/2016, unânime, DJe 01/06/2016) (grifo nosso) Súmula 358 O cancelamento de pensão alimentícia de filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão judicial, mediante contraditório, ainda que nos próprios autos. (Súmula 358, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 13/08/2008, DJe 08/09/2008, REPDJe 24/09/2008) Oportuno ressaltar que a doutrina não diverge do STJ, conforme se pode verificar nos excertos transcritos na sequência, da lavra de Maria Berenice Dias e de Flávio Tartuce. Confirmase: Flávio Tartuce Manual de Direito Civil, 2015: No caso de menores, a obrigação alimentar é extinta quando atingem a maioridade. Entretanto, por questão de justiça, essa extinção não ocorre de forma automática, sendo necessária uma ação de exoneração. (grifo nosso) Maria Berenice Dias Manual de Direito das Famílias, 2015: Distingue a doutrina obrigação alimentar do dever de sustento, que se vincula ao poder familiar e diz respeito ao filho menor de idade (CC 1.566 III e 1.568). Uma vez cessado o poder familiar, pela maioridade ou emancipação, termina o ciclo do dever de sustento e começa o vínculo da obrigação alimentar. Dita mudança de natureza, no entanto, não enseja o fim da obrigação, que precisa ser desconstituída judicialmente. No entanto, para persistir o encargo, indispensável a prova da necessidade do credor. [...] Fl. 216DF CARF MF 24 Enquanto o filho se encontra sob o poder familiar, o pai não lhe deve alimentos, o dever é de sustento. Tratase de obrigação com assento constitucional (CF 229): os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores. Esses são os deveres inerentes ao poder familiar (CC 1.634 e ECA 22): sustento, guarda e educação. Entre sustento e alimentos há considerável diferença. A obrigação de sustento é imposta a ambos os pais. Tratase de obrigação de fazer que não possui relação com a guarda. Normalmente a obrigação alimentar é imposta ao não guardião [...]. O encargo de prestar alimentos é obrigação de dar, representada pela prestação de certo valor em dinheiro. Os alimentos estão submetidos a controles de extensão, conteúdo e forma de prestação. Fundamentalmente, achamse condicionados pelas necessidades de quem os recebe e pelas possibilidades de quem os presta (CC 1.694, § 1º). Enquanto os filhos são menores, a presunção de necessidade é absoluta, ou seja, juris et de jure. Tanto é assim que, mesmo não requeridos alimentos provisórios, deve o juiz fixálos (LA 4º). O adimplemento da capacidade civil, aos 18 anos (CC 5º), ainda que enseje o fim do poder familiar, não leva à extinção automática do encargo alimentar. Após a maioridade é presumível a necessidade dos filhos de continuarem a perceber alimentos. No entanto, a presunção passa a ser juris tantum, enquanto os filhos estiverem estudando, pois compete aos pais o dever de assegurarlhes educação (CC 1.694). Posta assim a questão, consoante os preceitos transcritos anteriormente, sintetizase, abaixo, o modo como se apresentam as normas do Direito de família, para as quais a legislação tributária remeteu a disciplina da pensão alimentícia dedutível: 1. o casamento, a união estável ou o concubinato do alimentando, como também seu comportamento indigno em relação ao alimentante são as únicas hipóteses previstas em lei de supressão automática do pagamento da pensão alimentícia. Logo, nas demais circunstâncias, manifestada cessação estará condicionada, obrigatoriamente, à prévia ponderação entre a necessidade do alimentando e a possibilidade do alimentante (art. 1.708, caput e § único); 2. há duas categorias autônomas de obrigação alimentar a que estão sujeitos os pais em relação aos filhos, independentemente da situação conjugal estabelecida, quais sejam: (a) a suportada na obrigação legal de exercício do poder familiar atinente aos filhos menores de idade, aí se incluindo o dever de sustento, guarda e educação (arts. 1.565; 1.566, inciso IV; 1.630; 1.631, caput; 1.632; 1.634, inciso I e 1.703); (b) a padecida no dever de solidariedade entre parentes, que a lei impõe aos pais, no sentido de prestarem assistência aos filhos maiores de idade que ainda careçam da ajuda para sobreviver (arts. 1.694, caput e § 1º, e 1.695); Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10730.721777/201777 Acórdão n.º 2003000.069 S2C0T3 Fl. 206 25 3. citadas obrigações têm naturezas distintas, pois enquanto a fundamentada no "dever de sustento" dos filhos menores de idade carrega em si a presunção da necessidade dos alimentos em virtude da incapacidade civil do alimentando; aquela assentada no "dever solidário" do parentesco demanda prévia prova de sua efetiva necessidade por parte do suposto necessitado; 4. a maioridade do alimentando cessa o poder familiar, implicando extinção da causa justificadora do dever obrigacional de sustento, mas o cancelamento de reportada imposição carece de decisão judicial, mediante contraditório (STJ, Súmula nº 358); 5. afastada a causa da obrigação de sustento pela maioridade do credor da pensão, cabe ao seu devedor peticionar mencionado cancelamento em ação exoneratória autônoma ou incidentalmente nos próprios autos onde foram convencionados os alimentos; 6. o devedor da pensão tem o direito de optar por não provocar o judiciário em face da maioridade civil do filho que completou 18 (dezoito) anos de idade, caracterizando se como sendo decorrentes de mera liberalidade os pagamentos efetivados dali em diante. Afinal, quem decide acerca do binômio "necessidade" x "possibilidades" é o juiz, ainda que se trate do maior com até 24 (vinte e quatro) anos frequentando curso técnico ou graduação universitária; 7. entendese como prova suficiente para afastar citada liberalidade a comprovação do pedido exoneratório, em ação autônoma ou nos próprios autos, onde o encargo foi fixado, enquanto o magistrado não decidir a questão; 8. a jurisprudência e a doutrina se alinham no sentido de que o filho maior com até 24 (vinte e quatro) anos de idade tem direito à assistência baseada no dever de solidariedade entre parentes, desde que prove a impossibilidade de prover a própria subsistência ou a necessidade da pensão por frequentar curso técnico ou de graduação universitária; 9. dita pensão no dever de solidariedade entre parentes não alcança o capaz com 25 (vinte e cinco) anos ou mais de idade, como também aquele maior com até 24 (vinte e quatro) anos, já graduado, mas cursando pósgraduação; 10. autorizada judicialmente a continuidade do pagamento de pensão alimentícia ao credor maior de idade por impossibilidade de prover a própria subsistência ou porque frequentando curso técnico ou de graduação universitária muda o fundamento da obrigação alimentar, que deixa de ser decorrente do “dever de sustento” (arts. 1.565 e 1.566, inciso IV); e passa a ter como base o “dever de solidariedade” resultante do parentesco (arts. 1.694, caput e § 1º, e 1.695); 11. na dedutibilidade de pensão alimentícia paga a filho maior de idade, quando a autoridade fiscal intima o contribuinte a comprovar o cumprimento das normas do Direito de família, estar se exigindo a validação do encargo decorrente do dever de solidariedade entre parentes, e não no de sustento, já afastado com a maioridade civil. A título de exemplo, intimação supostamente expedida em 2014 exigindo a comprovação de pensão declarada em 2010, época em que o credor já tinha atingido a maioridade, referese ao decidido ou acordado a partir de análise do binômio "necessidade x possibilidade" por parte do magistrado em face de petição exoneratória do alimentante, nada se referindo ao dever de sustento próprio do filho menor. Fl. 218DF CARF MF 26 Admitida a compreensão dada pelo Direito de família à presente questão, quanto às hipóteses representativas dos entendimentos dados ao assunto neste Conselho, com todas as vênias que possam nos dar os ilustres julgadores que pensaram diferente, inferimos por discordar das teses apontadas nas segunda e terceira proposições. Nestes termos: 1. Contrapondo a tese da segunda hipótese, temse: (a) a restrição para a dedutibilidade se apresenta perante a natureza da pensão concedida (no dever de sustento ou de solidariedade entre parentes), e não sobre o pagamento em si, pois este ocorre por mera liberalidade do alimentante, quando o filho atinge a maioridade civil e o devedor opta por não peticionar judicialmente anunciada exoneração; (b) somente existe pensão alimentícia de duas naturezas, a fixada no dever de sustento do menor cuja necessidade é legalmente presumida e aquela decorrente do dever de solidariedade entre parentes em que a determinação é precedida de ponderação do binômio "necessidade" x "possibilidade" por parte do juiz. A primeira não se transmudando automaticamente para a segunda, porquanto dependente de petição exoneratória do alimentante. Logo, afastados os dois contextos, um pelo alcance da maioridade do credor (pensão no dever de sustento); o outro pela ausência de provocação judicial para a ponderação do já citado binômio (pensão no dever de solidariedade entre parentes), para a legislação tributária, nada mais ocorreu, senão pagamento continuado por mera liberalidade do devedor; (c) há, sim, limite de idade para o pagamento de pensão alimentícia no Direito Civil, definido pelo atingimento da maioridade do filho que completa 18 anos (dever de sustento). Contudo, a jurisprudência do STJ tem acatado a extensão do citado encargo até o limite de 24 (vinte e quatro) anos, excepcionalmente no caso do credor frequentar curso técnico ou de graduação universitária. Esta não mais no dever de sustento, em que a necessidade é presumida, mas, sim, no dever de solidariedade se provada ser necessária; 2. Contrapondo a tese da terceira hipótese, temse: (a) o eixo conceitual presente no art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995, por si só já afasta o condicionamento da dedução de pensão alimentícia ao cumprimento dos preceitos específicos na relação de dependência; (b) considerando que a definição legal deve abranger o todo definido e tão somente ele, como correlacionar pensão alimentícia com relação de dependência, se a própria Lei assim não se pronunciou; (c) pensar de modo diverso implicaria considerar perfeito o lançamento fiscal com enquadramento legal de pensão alimentícia deduzida indevidamente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "f") e descrição dos fatos apontando descumprimento das regras de dependência, cujo enquadramento legal está na alínea "c" dos mesmos artigo e inciso. Visto o que efetivamente disse a norma tributária e como se dá o que lá foi dito, oportuno o entendimento do modo como a situação fática se subsume aos preceitos legalmente estabelecidos. Nesse mister, conforme se observa na Notificação e Lançamento (fls. 52), a glosa discutida na presente lide está fundamentada na falta de atendimentos das normas do Direito de família, porquanto o acordo homologado judicialmente apresentado, datado de 30/04/2002, tratava de obrigação alimentar prestada no dever de sustento à alimentanda menor de idade Bruna Rossi, já com 27 anos na data do fato gerador da reportada autuação (ano calendário de 2013). Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10730.721777/201777 Acórdão n.º 2003000.069 S2C0T3 Fl. 207 27 A esse respeito, entendemos que a "investigação" transcorreu dentro do modo esperado, pois, consoante já se mencionou, na dedutibilidade de pensão alimentícia paga a filho maior de idade, quando a autoridade fiscal intima o contribuinte a comprovar o cumprimento das normas do Direito de família, estar se exigindo a validação do encargo decorrente do dever de solidariedade entre parentes, e não no de sustento, já afastado com a maioridade civil. Por conseguinte, no caso, o recorrente teria de ter apresentado nova decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, decorrente de parametrização do binômio "necessidade" do alimentando maior de idade versos "possibilidade" do alimentante, o que não existe nos autos. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso interposto. É como voto. (Assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Redator designado Fl. 220DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.722872/2017-05
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. OPÇÃO DE DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO NO CURSO DO PAF. MARCO INICIAL DO PRAZO RECURSAL. DATA DA ABERTURA DO ARQUIVO DIGITAL. TEMPESTIVIDADE.
A Portaria SRF nº 259/2006, com redação dada pela Portaria RFB nº 574/2009, prevê como ônus do Fisco informar ao contribuinte o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica. Considerando que todas as intimações anteriores entregues haviam ocorrido na forma postal e que a Receita não informou especificamente sobre o trâmite eletrônico do processo, é de se considerar tempestivo o recurso apresentado dentro do prazo de 30 dias contados da data da abertura dos arquivos digitais, nos termos do art. 23, §2º, III, c, do Decreto nº 70.235/72.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS. INDEVIDAMENTE DECLARADOS COMO ISENTOS OU NÃO TRIBUTÁVEIS. NÃO COMPROVAÇÃO DE MOLÉSTIA GRAVE OU CONDIÇÃO DE APOSENTADO, PENSIONISTA OU REFORMADO.
Para o gozo da isenção devem ser comprovados cumulativamente que os rendimentos decorrem de aposentadoria, pensão ou reforma; que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei; e que A moléstia esteja comprovada por laudo médico oficial. Desatendidas as exigências legais, impõe-se a glosa da dedução declarada.
COBRANÇA DE TRIBUTOS JÁ QUITADOS. RENDIMENTOS OFERTADOS À TRIBUTAÇÃO E RECOLHIDOS NA DECLARAÇÃO ORIGINAL. BIS IN IDEM.
Restando demonstrado por documentos hábeis e idôneos que os rendimentos foram oferecidos à tributação e os tributos integralmente recolhidos, torna-se indevida nova exigência sobre o mesmo fato gerador e, por conseguinte, no particular, insubsistente o crédito tributário lançado.
Numero da decisão: 2003-000.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente
(assinado digitalmente)
Wilderson Botto Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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OPÇÃO DE DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO NO CURSO DO PAF. MARCO INICIAL DO PRAZO RECURSAL. DATA DA ABERTURA DO ARQUIVO DIGITAL. TEMPESTIVIDADE. A Portaria SRF nº 259/2006, com redação dada pela Portaria RFB nº 574/2009, prevê como ônus do Fisco informar ao contribuinte o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica. Considerando que todas as intimações anteriores entregues haviam ocorrido na forma postal e que a Receita não informou especificamente sobre o trâmite eletrônico do processo, é de se considerar tempestivo o recurso apresentado dentro do prazo de 30 dias contados da data da abertura dos arquivos digitais, nos termos do art. 23, §2º, III, c, do Decreto nº 70.235/72. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS. INDEVIDAMENTE DECLARADOS COMO ISENTOS OU NÃO TRIBUTÁVEIS. NÃO COMPROVAÇÃO DE MOLÉSTIA GRAVE OU CONDIÇÃO DE APOSENTADO, PENSIONISTA OU REFORMADO. Para o gozo da isenção devem ser comprovados cumulativamente que os rendimentos decorrem de aposentadoria, pensão ou reforma; que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei; e que A moléstia esteja comprovada por laudo médico oficial. Desatendidas as exigências legais, impõese a glosa da dedução declarada. COBRANÇA DE TRIBUTOS JÁ QUITADOS. RENDIMENTOS OFERTADOS À TRIBUTAÇÃO E RECOLHIDOS NA DECLARAÇÃO ORIGINAL. BIS IN IDEM. Restando demonstrado por documentos hábeis e idôneos que os rendimentos foram oferecidos à tributação e os tributos integralmente recolhidos, tornase AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 28 72 /2 01 7- 05 Fl. 206DF CARF MF 2 indevida nova exigência sobre o mesmo fato gerador e, por conseguinte, no particular, insubsistente o crédito tributário lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente (assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 181/192 e docs. 160/180) contra o acórdão nº 0445.185 proferido pela 1ªTurma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) DRJ/CGE (fls. 145/149), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte (fls. 2/18) em face da lavratura da notificação de lançamento de IRPF (fls. 20/25) objeto do presente feito, cujas infrações podem assim ser descritas (fls. 21/23): Infração; OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO E/OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO Fonte Pagadora: 22.780.498/000195 CASA DE CARIDADE DE MURIAE HOSPITAL SAG PAULO (ATIVA). CPF Beneficiário: 330.798.54772 DAVID PASSY. Valor da infração: R$ 1.615,35. Infração: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA, DECORRENTES DE AÇÃO TRABALHISTA Valor da infração: R$ 1.489,09. Infração: RENDIMENTOS INDEVIDAMENTE CONSIDERADOS COMO ISENTOS POR MOLÉSTIA GRAVE NÃO COMPROVAÇÃO DA MOLÉSTIA OU SUA CONDIÇÃO DE APOSENTADO, PENSIONISTA OU REFORMADO Fonte Pagadora: 29.979.036/009105 INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (ATIVA). CPF Beneficiário: 330.798.54772 DAVID PASSY. Valor da infração: R$ 199.198,59. Diante do apurado, a fiscalização promoveu o ajuste do imposto declarado, resultando da cobrança de imposto suplementar no valor de R$ 4.146,67 (fls. 24). Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10640.722872/201705 Acórdão n.º 2003000.037 S2C0T3 Fl. 207 3 Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação parcial tempestiva, traçando, em síntese, as seguintes ilações: o impugnando apresentou DAA retificadora, em 29/09/2016, solicitando a restituição do imposto recolhido indevidamente na DAA original do anocalendário de 2013, sobre os rendimentos recebidos da fonte pagadora INSS, no valor de R$ 199.198,59, por ser portador de Neoplasia Maligna, doença especificada na Lei nº 11.052/04 (moléstia grave). Contudo teve seu pedido glosado, em razão da não comprovação da condição de aposentado, uma vez que se tratava de rendimentos percebidos em atividade. ocorre que, ao invés de indeferir a declaração retificadora e não autorizar a restituição (que nunca foi realizada), o Auditor Fiscal exigiu novamente o IRPF que já havia sido recolhido sobre os rendimentos percebidos do INSS, sua fonte pagadora, no valor de R$ 3.529,29. o objeto da impugnação é, tão somente, a nova exigência de IRPF já integralmente recolhido (e não restituído), em outras palavras, o odioso bis in idem. Logo, o Fiscal Autuante acaba por exigir tributo já quitado, conforme comprovado na declaração original, o que não deve prosperar, pelo que se mostra improcedente a notificação de lançamento em epígrafe. Vale registar que a parte não impugnada foi transferida para o processo de nº 18183.720301/201774, conforme termo de transferência acostado aos autos (fls. 118/119), incluindose aí o imposto recolhido na DAA original, no valor de R$ 3.529,29. Atendendo a notificação postal recebida, o contribuinte comprovou o recolhimento tributário sobre os valores não impugnados (fls. 123). A DRJ/CGE, ao apreciar o feito, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário (fls. 145/149), por assim entender: O impugnante alega que já pagou o imposto de renda pessoa física objeto do lançamento, no valor de R$ 3.529,29. Em 23/04/2014, o contribuinte apresentou Declaração de Ajuste Anual (DAA) do Exercício 2014, oferecendo à tributação os rendimentos informados em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), a exceção dos rendimentos aqui lançados e não contestados, e compensando o imposto de renda retido na fonte correspondente aos rendimentos declarados, conforme tela abaixo, extraída dos bancos de dados da Receita Federal: Naquela ocasião, o contribuinte apurou imposto de renda a pagar no valor de R$ 3.529,29, conforme DAA Original às fls. 104. Em 29/09/2016, o contribuinte apresentou Declaração Retificadora, excluindo, da base de cálculo do IRPF o rendimento recebido do Instituto Nacional de Seguridade Social, Fl. 208DF CARF MF 4 apurando imposto a restituir de R$ 44.676,77, conforme DAA retificadora às fls. 106117. Não há controvérsia quanto à tributação dos rendimentos. A controvérsia recai sobre o valor do IRPF apurado pela fiscalização e a sua extinção ou não pelo pagamento. (...) Ao contrário do alegado, o contribuinte não efetuou o pagamento do IRPF apurado na DAA Original do Exercício 2014, no valor de R$ 3.529,29. Nos bancos de dados da Receita Federal não constam Documentos de Arrecadação (DARF) com código de recolhimento 0211 (IRPF Declaração de Ajuste Anual, Declaração de Saída Definitiva), referentes ao Exercício 2014. O IRPF apurado na DAA original não foi recolhido, sendo devida a sua exigência, assim como da multa de ofício e dos juros de mora. Após obter cópia integral dos autos (18/05/2018) (fls. 155), por procurador devidamente constituídos, apresentou (em 18/06/2018) Recurso Voluntário (fls. 181/192 e docs. 160/180), insurgindose contra a manutenção da autuação, repisando as alegações da impugnação e requerendo o cancelamento exigência reclamada. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto – Relator DA TEMPESTIVIDADE Assim dispõe os arts. 5º, parágrafo único, e 33 do Decreto nº 70.235/72: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Da inteligência dos aludidos dispositivos transcritos, temse que o prazo para interposição recursal é de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância administrativa proferida. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10640.722872/201705 Acórdão n.º 2003000.037 S2C0T3 Fl. 208 5 Por outro giro, quanto a data da ciência da decisão, o PAF estabelece que a intimação pode ser feita via postal ou por meio eletrônico. No presente feito, temse que a intimação do contribuinte da decisão proferida pela DRJ/CGE ocorreu por meio eletrônico (fls. 151/152). Nessa hipótese o Decreto nº 70.235/72, possui regramento próprio e específico: Art. 23. Farseá a intimação: III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 2° Considerase feita a intimação: (...) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) (...). No presente caso, o registro da intimação ocorreu em 05/03/2018 (segunda feira), ao teor do documento digital “Termo de Registro de Mensagem na Caixa Postal Comunicado” (fls. 151). Consta dos autos ainda o "Termo de Ciência por Decurso de Prazo – Comunicado” (fls. 152), considerando a data da ciência em 20/03/2018 (terçafeira), sendo esta, via de regra, a data inicial do curso do prazo recursal. Com efeito, o prazo de 30 dias para apresentação de recurso voluntário teria expirado em 19/04/2018 (quintafeira). A princípio, portanto, o recurso voluntário apresentado em 22/03/2018 é intempestivo. Ocorre que, no presente feito, até então, todas as notificações e/ou intimações endereçadas ao contribuinte foram efetivamente realizadas por “via postal”, e não há nos autos qualquer indício que ateste a opção do contribuinte pelo domicílio tributário eletrônico. Fl. 210DF CARF MF 6 Sobre o domicílio tributário eletrônico, o art. 23 do PAF assim estabelece: § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Da inteligência dos dispositivos transcritos, temse que o domicílio fiscal somente poderá ser implementado mediante expressa autorização e consentimento do sujeito passivo. E contrariando a legislação de regência, não há nos autos a comprovação da opção da opção do contribuinte pelo DTE, autorizando à Administração Fazendária a enviar lhe comunicações de atos oficiais ao seu então domicílio tributário eletrônico. Tampouco há, mesmo que genérica, declaração expressa de que o contribuinte será considerado intimado após decorrido o prazo de 15 dias contados do registro da comunicação em sua caixa postal eletrônica ou na data em que efetuar a consulta, caso esta seja realizada antes dos 15 dias do envio da comunicação, nos termos do art. 23. Por seu turno, cabe também registrar que a Portaria SRF nº 259/2006 (com redação dada pela Portaria RFB nº 574/2009), prevê como ônus da Receita Federal informar o contribuinte especificamente o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica: Art. 1º O encaminhamento, de forma eletrônica, de atos e termos processuais pelo sujeito passivo ou pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) será realizado conforme o disposto nesta Portaria. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 3º Para efeito do disposto no caput, a RFB informará ao sujeito passivo o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica.(Incluído(a) pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) Atentese, ainda, para o fato de que o procurador, regularmente constituído desde a apresentação da impugnação à notificação de lançamento – e não o contribuinte, obtive cópia integral dos autos, por mídia digital, na data de 18/05/2018 (fls. 155), presumindo se aí, a data da efetiva ciência da notificação do resultado do julgamento da impugnação apresentada, uma vez que, ao compulsar os documentos do processo, deparou com a decisão recorrida. Tal fato se corrobora, porquanto, conforme certificado pela própria Receita, o contribuinte, por sua vez, somente acessou sua caixa postal eletrônica em 01/06/2018, pela Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10640.722872/201705 Acórdão n.º 2003000.037 S2C0T3 Fl. 209 7 abertura dos arquivos digitais, conforme se depreende do “Termo de Abertura de Documento – Comunicado” constante dos autos (fls. 157). Assim, considerando que no presente caso todas as notificações foram enviadas ao contribuinte “via postal” e ante a ausência de comprovação de que ele tenha sido informado sobre o trâmite eletrônico do processo, reputo tempestivo o recurso, apresentado dentro do prazo de 30 dias contados da data da abertura dos arquivos digitais (fls. 155), nos exatos termos do art. 23, §2º, III, c, do Decreto nº 70.235/72. Logo, dele conheço e passo a analisálo. DA PRELIMINAR Do alegado cerceamento de defesa – Da suposta violação ao direito de defesa e ao contraditório – Da não apresentação de comprovação da quitação dos rendimentos reconhecidos Alega o Recorrente que restou violado o seu direito de defesa, porquanto não foi juntado neste processo – e sim no processo desmembrado nº 18183.720301/201774 – a petição que noticiou o recolhimento do tributo recolhido relativo a parte incontroversa da notificação de lançamento expedida (fls. 123). Razão não lhe assiste. A pretensão recursal e a cobrança ainda subsistente, referemse unicamente ao IRPF não pago, apurado na DAA original, exercício de 2014 no valor de R$ 3.529,29 – decorrente dos rendimentos percebidos da fonte pagadora INSS (R$ R$ 199.198,59), onde se objetivou ver como dedutível, ante a moléstia grave que acometera o Recorrente – fazendo jus, no seu entender, a restituição do imposto recolhido indevidamente. Esse, aliás, é o relato/fundamento contido na decisão de piso (fls. 147 e 148): Remanescem, nesses autos, a exigência da multa de ofício e dos juros de mora incidentes sobre o IRPF de R$ 3.529,29. O IRPF apurado na DAA original não foi recolhido, sendo devida a sua exigência, assim como da multa de ofício e dos juros de mora. Como se pode ver, a informação de que houve a quitação integral dos tributos alusivos às parcelas não impugnadas, assim incontroversas, em nada influenciará no resultado do presente julgamento, cuja motivação cingese tão somente na ocorrência e apuração do pagamento, ou não, do imposto devido e declarado na DAA original, exercício de 2014. Por essa razão, rejeito a preliminar suscitada. MÉRITO Da quitação do imposto de renda apurado O Recorrente alega que em virtude de apuração na DAA original, exercício de 2014, promoveu regularmente, a tempo e modo, o pagamento do IRPF decorrente do rendimento percebido da fonte pagadora INSS, no valor de R$ 3.529,29, em 4 cotas de R$ Fl. 212DF CARF MF 8 882,32, com vencimentos em 30/04/2014, 30/05/2014, 30/06/2014 e 30/07/2014 (vide DARF, código de receita “0211” e comprovantes de pagamento – fls.164/173), sendo totalmente indevida a cobrança do mesmo tributo levado a termo no presente feito. A DRJ/CGE, por seu turno, não conseguiu localizar os pagamentos realizados, e face disso concluiu que o “IRPF apurado na DAA original não foi recolhido, sendo devida a sua exigência, assim como da multa de ofício e dos juros de mora” (fls. 148). Pois bem. Os documentos carreados aos autos – com especial destaque nas guias e arrecadação (DARF) e comprovantes de pagamento realizados (fls.164/173), na Declaração de Ajuste Anual original do contribuinte (fls. 27/38) e no relatório fiscal emitido pela Receita Federal (fls. 175/180) – não deixam margem dúvida a comprovar a ocorrência do recolhimento do imposto, ora novamente cobrado. Contatase, contudo, que os pagamentos realizados com código de receita “0211 – IRPF – DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL, DECLARAÇÃO DEFINITIVA” foram alocados no sistema de dados da Receita Federal com código de receita “2904 – IRPF – LANÇAMENTO DE OFÍCIO”. Daí a não localização pela DRJ/CGE dos aludidos pagamentos nos sistemas de dados da Receita Federal, que, digase novamente, foram efetivamente realizados. Portanto, resta evidenciado que o Recorrente promoveu os recolhimentos a seu cargo, não devendo assim ser responsabilizado por conduta que não deu causa, já que os aludidos recolhimentos, realizados a tempo e modo, não foram corretamente alocados, cabendo à unidade fiscal de origem, promover os respectivos acertos de forma a refletir a correta conduta fiscal adotada pelo Recorrente. Por fim, nunca é demais relembrar que a Administração tem o dever de zelar pelos interesses primários (os de toda sociedade) em detrimento aos interesses secundários (da arrecadação). E um dos interesses primários mais caros a ser preservado, é que somente se cobre do administrado aquilo que ele realmente deva, no montante em que se deva, sob pena de se configurar indevida invasão no direito de propriedade, resultando no enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa, e no mérito DARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto em epígrafe, para reconhecer o recolhimento realizado e, no particular, declarar a insubsistência do crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10640.722872/201705 Acórdão n.º 2003000.037 S2C0T3 Fl. 210 9 Fl. 214DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.009581/2006-71
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS
Constatado que o sujeito passivo obteve rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, não tributados no ajuste anual do imposto de renda, há de ser mantida a omissão lançada a esse título.
IRPF. RENDIMENTOS BRUTOS TRIBUTÁVEIS
O imposto de renda retido na fonte, embora possa ser compensado na declaração de ajuste anual com o imposto devido calculado, deve compor os rendimentos brutos tributáveis
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DISPÊNDIOS.
Na declaração de ajuste anual são dedutíveis, desde que comprovado o efetivo pagamento, as despesas médicas atestadas em documentos hábeis e idôneos, e que atendam aos requisitos legais.
Afasta-se a glosa das despesas que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a dedutibilidade, apresentando os comprovantes de realização dos dispêndios.
DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL
Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que é titular o contribuinte, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
As decisões administrativas e judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação.
Numero da decisão: 2003-000.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, somente para restabelecer a dedução com despesas médicas alusivas ao Plano de Saúde Excelsior pagos em favor dos filhos Ana Carolina de Albuquerque Vasconcelos de Sá e José Umberto Maranhão de Albuquerque Neto, no valor de R$ 925,96, da base de cálculo do imposto de renda ano-calendário 2001.
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente
Wilderson Botto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS Constatado que o sujeito passivo obteve rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, não tributados no ajuste anual do imposto de renda, há de ser mantida a omissão lançada a esse título. IRPF. RENDIMENTOS BRUTOS TRIBUTÁVEIS O imposto de renda retido na fonte, embora possa ser compensado na declaração de ajuste anual com o imposto devido calculado, deve compor os rendimentos brutos tributáveis IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DISPÊNDIOS. Na declaração de ajuste anual são dedutíveis, desde que comprovado o efetivo pagamento, as despesas médicas atestadas em documentos hábeis e idôneos, e que atendam aos requisitos legais. Afastase a glosa das despesas que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a dedutibilidade, apresentando os comprovantes de realização dos dispêndios. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL Admitese documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que é titular o contribuinte, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 95 81 /2 00 6- 71 Fl. 89DF CARF MF 2 ocorrência, senão àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, somente para restabelecer a dedução com despesas médicas alusivas ao Plano de Saúde Excelsior pagos em favor dos filhos Ana Carolina de Albuquerque Vasconcelos de Sá e José Umberto Maranhão de Albuquerque Neto, no valor de R$ 925,96, da base de cálculo do imposto de renda anocalendário 2001. Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente Wilderson Botto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz. Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de IRPF apurada no ano calendário de 2001, exercício de 2002, no valor de R$ 26.875,42, já acrescido de multa de ofício e juros de mora, conforme se depreende auto de infração constante dos autos (fls. 32/39). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 1125.793, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife DRJ/REC (fls. 53/61), o qual transcrevo a seguir: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração, fls. 30 a 36, relativamente ao anocalendário de 2001, para exigência do seguinte crédito tributário.: IRPF Suplementar 10.670,78 Juros de Mora (calculados até 09/2006) 8.201,56 Multa de Oficio (75%) 8.003,08 Total do crédito tributário lançado 26.875,42 Conforme se verifica nas fls. 33 e 35 a 36, o auto de infração foi decorrente de: Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício, relativamente aos rendimentos parcialmente não declarados, pagos pela Prefeitura de Joaquim Nabuco (R$ 3.830,75), em confronto com a Declaração do Imposto Retido na Fonte DIRF da fonte Fl. 90DF CARF MF Processo nº 19647.009581/200671 Acórdão n.º 2003000.076 S2C0T3 Fl. 90 3 pagadora e comprovante de rendimentos que o contribuinte apresentou em 03/11/2005; Dedução indevida com dependentes. Intimado não apresentou comprovantes relativos a Adriana Rodrigues Maurício e Adriano Rodrigues Maurício; Dedução indevida de despesas com instrução. Intimado apresentou comprovante de despesas já utilizado pelo cônjuge que declara em separado; Dedução indevida de despesas médicas. Intimado, não comprovou satisfatoriamente as despesas declaradas. Não incluiu entre os documentos cheques nominais e extratos bancários, ficando sem comprovação o efetivo pagamento das despesas, além do que a despesa com a Excelsior Med. Ltda. já foi usada pela titular do plano médico em sua própria declaração; Dedução indevida a título de livro Caixa. Intimado a comprovar e prestar esclarecimentos, não apresentou o livro Caixa escriturado nem prestou quaisquer esclarecimentos a respeito. 3. Cientificado do Auto de Infração, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01 a 11, argumentando, em síntese, que; 3.1. os rendimentos auferidos em 2001 foram decorrentes do transporte de “passageiro” em veiculo próprio, serviço prestado à Prefeitura de Joaquim Nabuco PE, além de outros rendimentos tributáveis auferidos “na Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco e na Câmara Municipal dos Palmares”; 3.2. algumas das deduções glosadas não foram resolvidas por falta de comunicação, já que o auto de infração diz as correspondências com AR solicitando comprovação foram entregues, no entanto, nunca foram recebidas; 3.3. houve locação de dois ônibus para transporte de passageiros, sendo um veículo conduzido pelo contribuinte e o outro por motorista contratado, conforme contrato anexo, “inclusive aceito e considerado as informações nele contidas pelo agente autuante na época da autuação” (sic); 3.4. conforme entendimento da própria Receita Federal, através dos Parecer e Normativos 236/71 e 122/74, os quais transcreve, apenas o rendimentos de um dos veículos locados à Prefeitura de Joaquim Nabuco PE, seria passível da redução prevista no art. 47 do RIR/99, naquele caso em que o contribuinte é o condutor; 3.5. aos contribuintes nessa situação é permitido deduzir independentemente de comprovação, como despesas necessárias ao exercício da atividade profissional, 60% ou 40% sobre os rendimentos brutos declarados, percebidos do transporte de carga ou de passageiros, respectivamente; 3.6. para que se mantivesse a dedução das despesas relativas aos dois veículos haveria necessidade da equiparação do contribuinte à pessoa jurídica, fato não acontecido nem considerado. Entende Fl. 91DF CARF MF 4 se, portanto, que o rendimento de locação de um dos veículos, aquele dirigido pelo contribuinte, seu proprietário, enquadrase perfeitamente na norma citada; 3.7. como o contrato previa a locação de dois veículos por R$ 72.000,00, 0 aluguel de cada um deles seria de R$ 36.000,00; 3.8. no informe de rendimentos da Prefeitura de Joaquim Nabuco PE consta R$ 68.169,25 com retenção de IRRF de R$ 3.830,75; 3,9. “se verificarmos que o valor do Imposto de Renda na Fonte é igual ao valor considerado como Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, vamos deduzir que o Rendimento informado pela Prefeitura de Joaquim Nabuco para a Receita Federal R$ 72.000,00 considerou o valor correto, quando para o contribuinte o Informe de Rendimentos deduziu do Rendimento Total a parcela do imposto retido”; 3.10. os seus rendimentos tributáveis deveriam ser R$ 36.000,00 de locação do veículo com motorista contratado, R8 21.600,00 de locação do veículo com o motorista sendo contribuinte (= R$ 36.000,00 40% de abatimento fiscal), e R$ 10.860,00 de outros rendimentos declarados, sendo o total dos rendimentos tributáveis do contribuinte de R$ 68.460,00; 3.11. partindose desse rendimento tributável de R$ 68.460,00, e considerando dedução com dependentes (dois filhos) no valor de R$ 2.160,00, com despesas com instrução (dois filhos) de R$ 3.400,00, despesas médicas (plano de saúde) de R$ 2.255,40 e contribuição à previdência oficial de R$ 613,58, o imposto calculado seria de R$ 12.188,53; deduzindose o IRRF de R$ 4.938,40 e imposto apurado e recolhido de R$ 2.094,75, o saldo do imposto a pagar seria de R$ 5.155,38; 3.12. em relação à glosa de dependentes, aduz que julgou que seria possível a dedução de parentes seus que vivem às suas expensas, os quais foram glosados, Confirma, entretanto, a dedução dos seus filhos legítimos Ana Carolina de Albuquerque Vasconcelos e Sá e José Umberto de Albuquerque Neto; 3.13. quanto as despesas com instrução, quando da intimação apresentou duas cópias repetidas do recibo do mesmo dependente, mas nesse momento apresenta a declaração do Colégio Damas relativamente aos seus filhos e dependentes, apesar do recibo constar no nome do cônjuge do impugnante, os dependentes não constam da sua declaração de ajuste anual do ano de 2001 em anexo, além do que há orientação no “módulo de ajuda” da Declaração do Imposto de Renda que o cônjuge que incluir os filhos como dependentes deduzir as despesas com instrução ainda que o recibo esteja em nome do outro cônjuge; 3.14. em relação às despesas do plano de saúde “Ajuda” do programa da declaração 2001/2002 informa que o cônjuge que incluir o filho como dependente na declaração pode deduzir as despesas médicas ainda que o recibo esteja em nome do outro cônjuge; Fl. 92DF CARF MF Processo nº 19647.009581/200671 Acórdão n.º 2003000.076 S2C0T3 Fl. 91 5 3.15. o livro Caixa pode ser dispensado desde que o contribuinte declare rendimentos de serviço de transporte nas condições previstas no art. 47 do RIR/99; 3.16. requer a improcedência parcial do lançamento, apurando o imposto a pagar de R$ 5.155,38 Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar a impugnação apresentada, a DRJ/REC, registrou que o contribuinte acatou as glosas de dependentes, não havendo, pois, contencioso administrativo sobre tais glosas. E, após apreciar os pontos efetivamente impugnados – (i) despesas médicas; (ii) despesas com instrução; (iii) dedução de livro caixa; e (iv) omissão de rendimentos – por unanimidade, julgou procedente em parte o lançamento para restabelecer apenas as despesas com instrução até o valor de R$ 3.400,00, equivalente à soma dos limites individuais gastos com os filhos José Umberto e Ana Carolina, e por conseguinte, alterar o valor do imposto suplementar de RS 10.670,78 para R$ 9.735,78, a ser exigido com os acréscimos legais (multa de oficio e juros de mora), observandose que o contribuinte na impugnação já acatou o IR suplementar no valor de RS 5.155,38, sobre o qual não há mais contencioso. Recurso Voluntário Cientificado da decisão em 03/06/2009 (fls. 63), o contribuinte interpôs em 29/06/2009 recurso voluntário (fls. 68/86), reiterando os argumentos lançados na impugnação, quais sejam: 1 Do Fato e Enquadramento Legal, glosa indevida nos termos: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURIDICAS" Dúbio, o entendimento do fisco, creio, pois foram contratados dois ônibus, conforme foi provado pelo signatário onde a tributação desses rendimentos deveria resultar como Pessoa Jurídica, sujeito a Contribuição Social do PIS e CONFINS, ao invés do Imposto de Renda Retido na FontePessoa Física, conforme preceitua o seu art. 150, § 1°, inciso ll. Portanto, nos casos de exploração conjunta da atividade, haja ou não copropriedade do veículo, porque passa de individual para social o exercício da atividade econômica, devendo a “sociedade de fato” resultante ser tributada como pessoa jurídica (PNCST n° 122/74). Nesse sentido, o Conselho de Contribuintes a exemplo do seguinte Acórdão: “SERVIÇOS DE TRANSPORTES DE CARGA Equipara se a pessoa jurídica, como empresa individual, o contribuinte que explore o serviço de transporte de cargas com mais de um caminhão" (Ac. 1° CC 1042.149/81). Outrossim, esclarece este signatário, que só nos meses de novembro e dezembro de 2001, é que teve rendimentos do cargo comissionado da Fl. 93DF CARF MF 6 Assembleia Legislativa, sendo os demais meses do ano calendário em discussão, esteve à disposição da Secretaria Municipal de Educação Prefeitura Municipal de Joaquim Nabuco. 2 “DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS" Tendo sido prejudicado conforme a observação do MD. Sr. Relator, ítem 9, sobre documento apresentado por esse contribuinte, da Saúde Excelsior às (fl. 19), o qual não discrimina os seus dependentes/beneficiários, sofrendo então glosa pela RFB; que, por desconhecimento à Legislação do Imposto de Renda, veio acarretar em prejuízo, quando da minha impugnação, portanto, foi desconsiderado também, as despesas médicas declaradas, representadas pelos valores de R$ 1.800,00 (hum mil e oitocentos reais) e R$ 2.000,00 (dois mil reais), constante às (fl. 17 e 18) do processo ora em discussão (docs. xerox em anexo). Ao final pugna pela improcedência da autuação fiscal, e junta aos autos, em especial e por relevante, dentre outros, o extrato do Plano de Saúde Excelsior vigente no período de 01/2001 a 12/2001 (fls. 70/72). Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, vale salientar, que nessa seara recursal, o Recorrente não se insurgiu contra as glosas da “dedução de dependente” e “dedução de livro caixa”, razão pela qual tornouse definitiva a decisão vergastada no particular, importando na manutenção e subsistência da autuação em relação aos aludidos pontos ora incontroversos. Feito o registro acima, passo à análise da peça recursal. Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no recurso voluntário. Mérito Fl. 94DF CARF MF Processo nº 19647.009581/200671 Acórdão n.º 2003000.076 S2C0T3 Fl. 92 7 Da dedução com despesas médicas Insurgese, o Recorrente, contra a glosa das despesas médicas declaradas alusivas ao plano de Saúde Excelsior, este pago por sua esposa no valor integral de R$ 2.255,40. Junta novamente, os recibos relativos aos tratamentos odontológico, por ele realizado, no valor de R$ 2.000,00 (fls. 74), e fonoaudiológico de seu filho José Umberto, no valor de R$ 1.800,00 (fls. 73). Uma vez instado a comprovar os dispêndios realizados com os aludidos tratamentos, o Recorrente não apresentou os comprovantes hábeis e idôneos em sede de diligência, e também nada manifestou na impugnação, quedandose silente. Assim, diante da ausência de impugnação específica por parte do Recorrente, a matéria ora apresentada constituise inovação recursal, impedindo sobremaneira sua apreciação nesse momento processual diante da preclusão operada. Portanto mantémse a glosa no particular. Já em relação ao plano de Saúde Excelsior, revelase notar que a DRJ/REC não questiona o dispêndio ou mesmo exige eventual comprovação do valor pago de R$ 2.255,40, mas motiva a glosa tão somente diante da impossibilidade de apurar se, entre os beneficiários dos pagamentos do plano de saúde, encontramse os filhos do Recorrente (fls. 57): 7. Relativamente à despesa com o plano de saúde, no valor de R$ 2.255,00, o contribuinte apresentou o documento de fl. 19, em nome da sua esposa, a Sra. Liliane Coutinho de Albuquerque, com indica 07 prestações pagas no valor de R$ 322,20 cada, totalizando os R$ 2.255,00, ao referido plano em 2001. (...) 9. Observase, porém, que, embora o contribuinte queira atribuir tais pagamentos a planos de saúde dos seus dois filhos e dependentes, o referido documento de fl. 19 não discrimina os beneficiários dos pagamentos do plano de saúde, não sendo possível, simplesmente com o documento apresentado (fl. 19), atestar que os valores pagos, que estão em nome da Sra. Liliane Coutinho de Albuquerque, referemse também ao pagamento de planos de saúde dos filhos do casal e dependentes do contribuinte, Portanto, mantémse a glosa integral das despesas médicas. E visando comprovar suas alegações, o Recorrente traz aos autos instruindo sua peça recursal, o extrato completo emitido pelo plano de saúde no período de 01/2001 a 12/2001 (fls. 70/72), onde podese claramente verificar a relação dos beneficiários vinculados ao plano e os aportes individuais contratados e discriminados a cada um dos beneficiários, a saber (fls. 71/72): Liliane Coutinho de Albuquerque e Sá – titular – 7 x 89,87 = R$ 629,09 Antonio Elizaldo de Vasconcelos e Sá – titular – 7 x 100,05 = R$ 700,35 Jose Umberto M Albuquerque Neto – dependente – 7 x 66,14 = R$ 462,98 Ana Carolina A Vasconcelos e Sá – dependente – 7 x 66,14 = R$ 462,98 Fl. 95DF CARF MF 8 TOTAL (629,09 + 700,35 + 462,98 + 462,98) = R$ 2.255,40 Nessa perspectiva, e diante do quadro que se afigura, entendo ser razoável a admissão da prova documental que pretenda comprovar direito subjetivo de que é titular o contribuinte quando, em confronto com a ação do Estado, ainda se apresentada em fase recursal, tudo em homenagem, dentre outros, e em especial, aos princípios da ampla defesa, da verdade material e do formalismo moderado. Assim sendo, uma vez discriminado os beneficiários do plano – dentre os quais, os filhos do Recorrente – bem como individualizado o dispêndio realizado na contratação para cada um dos beneficiários, afasto a glosa das despesas médicas relativas ao plano de saúde pagos em prol dos filhos José Umberto e Ana Carolina, no valor de R$ 925,96. Da omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas O Recorrente explora a atividade de transporte de pessoas via a utilização de dois veículos próprios (ônibus), os quais encontramse locados à Prefeitura de Joaquim Nabuco, para transporte de passageiros, no valor de R$ 72.000,00, ao teor do contrato firmado (fls. 28/31), sendo o aluguel de cada um deles o valor de R$ 36.000,00. Um desses veículos é guiado por motorista contratado e o outro pelo próprio Recorrente, conforme registrado na peça recursal. Alega, ainda, que aos contribuintes nessa situação é permitido deduzir independentemente de comprovação, como despesas necessárias ao exercício da atividade profissional, 60% ou 40% sobre os rendimentos brutos declarados, percebidos do transporte de carga ou de passageiros, respectivamente; e para que se mantivesse a dedução das despesas relativas aos dois veículos haveria necessidade da equiparação do contribuinte à pessoa jurídica, fato não acontecido nem considerado. Entende, portanto, que o rendimento de locação de um dos veículos, aquele por ele dirigido, na qualidade de proprietário, enquadrase perfeitamente na hipótese da tributação do art. 47 do RIR/99, aplicável aos rendimentos em comento. Contudo, razão não assiste ao Recorrente. Considerando que a peça recursal não trouxe novos argumentos, somente reiterando os termos da impugnação, adoto como razão de decidir os fundamentos da decisão recorrida (fls. 59/60), mediante transcrição dos excertos abaixo, à luz do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015– RICARF: 13. O contribuinte declarou como rendimentos tributáveis R$ 3.900,00, sem IRRF, da Câmara Municipal CNPJ 11.223.534/000101, R$ 6.960,62, com IRRF de R$ 1.107,65, da Assembléia Legislativa do Estado de Pemambuco, e R$ 68.169,25, com IRRF de R$ 3.830,75, da Prefeitura Municipal de Joaquim Nabuco, totalizando R$ 79.029,87 de rendimentos tributáveis e R$ 4.938,40 de IRRF. 14. A fiscalização, através de DIRF e de comprovante de rendimentos, conforme descrição contida no demonstrativo das infrações de fl. 36, identificou que o contribuinte omitiu R$ 3.830,75, os quais correspondem ao mesmo valor do IRRF da fonte Prefeitura Municipal de Joaquim Nabuco, cuja DIRF informa rendimentos de RS 72.000,00. 15. Na impugnação, o contribuinte traz pleito novo em relação ao declarado, uma vez que não informou na sua DIRPF que Fl. 96DF CARF MF Processo nº 19647.009581/200671 Acórdão n.º 2003000.076 S2C0T3 Fl. 93 9 houvesse rendimentos isentos e nãotributáveis da Prefeitura de Joaquim Nabuco, e muito menos que fossem oriundos de parcela isenta de transporte de passageiros, tal como alega em sua defesa. Todos os seus rendimentos declarados da Prefeitura de Joaquim Nabuco foram declarados como tributáveis, sendo a omissão, identificada pela fiscalização, decorrente de exclusão por parte do contribuinte do IRRF dos rendimentos tributáveis brutos dessa mesma fonte, conforme foi verificado em DIRF, não sendo objeto desta autuaçao glosa de rendimentos declarados como isentos. 16. O contribuinte apresenta pleito que implicaria retificação da sua declaração de ajuste após o início do procedimento fiscal e que não diz respeito à presente autuação, ainda assim, a título de verificação da verdade material, percebese que o contrato apresentado pelo contribuinte referente ao ano de 2001, conforme documentos de fls. 26 a 29, indica que o Sr. Antônio Elizaldo de Vasconcelos e Sá, na condição de contratante, era “casado, comerciante” e “residente e domiciliado na cidade do Recife PE, na Rua Celestino Neves, n° 127, Aparamento 104, Bairro de Iputinga” (grifei) tendo sido locados os 02 ônibus de sua propriedade para “transporte de estudantes da Usina Pumaty e dos Engenhos: Bom Gosto, Pumatyzinho, Serra Nova, Jaqueira, Machado, Saudade, Colombo e Ribingudo; no percurso de ida e volta, ficando os ônibus agregados à Prefeitura Municipal de Joaquim Nabuco e à disposição da Secretaria Municipal de Educação”. Informa, ainda, o mesmo contrato, fl.6, na cláusula quarta, que correriam por conta do contratado os motoristas condutores dos veículos.. 17. Na sua DIRPF, fl. 42, também informou endereço em Recife, assim como nesta mesma cidade foi identificado pela fiscalização o domicílio do contribuinte, conforme se verifica no Auto de Infração, fl. 30, e documentos de fis. 38 e 40. I8. Além do contribuinte não ter provado que de fato era o motorista de um dos ônibus, os elementos constantes dos autos não convergem para o convencimento deste julgador das suas alegações, nos termos previstos no art. 29 do Decreto 70.235/72, pois o contribuinte, com profissão de comerciante, era residente em Recife, com esposa e filhos residindo, e estes estudando, em Recife, enquanto o contrato dizia respeito ao transporte de estudantes de ida e volta de Usina e Engenhos da Zona da Mata de Pemambuco, ficando os veículos “agregados à Prefeitura Municipal de Joaquim Nabuco e à disposição da Secretaria Municipal de Educação”, o que significa o contribuinte, em sendo um dos motoristas, como defendido pelo mesmo, teria que estar todos os dias também à disposição e a serviço da Prefeitura Municipal de Joaquim NabucoPE, mesmo morando em Recife PE, sem falar que também obteve rendimentos do trabalho assalariado da Assembléia Legislativa de Pemambuco, com sede em RecifePE, nos meses de novembro e dezembro de 2001, conforme a DIRF de fl. 49. Fl. 97DF CARF MF 10 Denotase, portanto, diante da ausência de suporte probatório consistente em contrário, não ser verossímil que o Recorrente, residente e domiciliado em Recife, pudesse estar diariamente à disposição integral da Prefeitura de Joaquim Nabuco para prestação direta e exclusiva dos serviços contratados. Milita ainda em seu desfavor, o fato de que nos meses de novembro e dezembro de 2001 – portanto durante a vigência do contrato celebrado – ter percebido rendimentos da Assembleia Legislativa de Pernambuco. Nada obstante, ainda que os fatos restassem claramente concisos, vale salientar que não há como repartir o valor unitário contratado – metade gozando do benefício tributário e a outra parte excluída – com a exploração da atividade de transporte que deve ser considerada integralmente para fins de tributação, até porque não há precificação separada dos veículos locados, uma vez que o contrato celebrado com a municipalidade previu apenas o valor global de R$ 72.000,00, sobre o qual incidiu o IRPF no valor de R$ 3.830,75, sendo este o objeto da omissão de rendimentos apurada. Por fim, vale salientar que o entendimento jurisprudencial administrativo trazido para justificar as pretensões recursais é improfícuo, pois, as decisões mesmo que colegiadas, sem um normativo legal que lhe atribua eficácia, não se traduzem em normas complementares do Direito Tributário, e somente vinculam as partes envolvidas no litígio por ela resolvido. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do voto em epígrafe, somente para restabelecer a dedução com despesas médicas alusivas ao Plano de Saúde Excelsior pagos em favor dos filhos Ana Carolina de Albuquerque Vasconcelos de Sá e José Umberto Maranhão de Albuquerque Neto, no valor de R$ 925,96, da base de cálculo do imposto de renda anocalendário 2001, exercício 2002. É como voto (assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.001729/2008-21
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003
IRPF. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais.
Afasta-se parcialmente a glosa das despesas médicas que o contribuinte comprovou ter cumprido os requisitos exigidos para a dedutibilidade, mediante apresentação do comprovante de realização dos dispêndios.
A falta da indicação do endereço nos recibos apresentados para comprovar despesas médicas autoriza à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas declaradas, uma vez que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, que poderá promover as respectivas glosas sem a audiência do contribuinte (arts. 73, caput e §1º, e 80, § 1º, III, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99).
IRPF. DINHEIRO EM ESPÉCIE. COMPROVAÇÃO DOS DISPÊNDIOS. POSSIBILIDADE.
Os recursos em dinheiro inseridos na declaração de bens, pelo contribuinte, devem ser aceitos para justificar a origem dos recursos, salvo prova em contrário, produzida pela autoridade lançadora de sua inexistência no término do ano-base em que foi declarado, ou ainda, que sua declaração de rendimentos tenha sido apresentada intempestivamente.
PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS.
As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e as judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão aquele objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação.
Numero da decisão: 2003-000.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, apenas para restabelecer a dedução da despesa médica paga ao cirurgião dentista Wilson Marques - CRO-SP 57.900, no valor de R$ 2.028,25, da base de cálculo do imposto de renda, ano-calendário 2003, exercício 2004.
(documento assinado digitalmente)
Raimundo Cássio Gonçalves Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cássio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003 IRPF. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais. Afasta-se parcialmente a glosa das despesas médicas que o contribuinte comprovou ter cumprido os requisitos exigidos para a dedutibilidade, mediante apresentação do comprovante de realização dos dispêndios. A falta da indicação do endereço nos recibos apresentados para comprovar despesas médicas autoriza à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas declaradas, uma vez que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, que poderá promover as respectivas glosas sem a audiência do contribuinte (arts. 73, caput e §1º, e 80, § 1º, III, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). IRPF. DINHEIRO EM ESPÉCIE. COMPROVAÇÃO DOS DISPÊNDIOS. POSSIBILIDADE. Os recursos em dinheiro inseridos na declaração de bens, pelo contribuinte, devem ser aceitos para justificar a origem dos recursos, salvo prova em contrário, produzida pela autoridade lançadora de sua inexistência no término do ano-base em que foi declarado, ou ainda, que sua declaração de rendimentos tenha sido apresentada intempestivamente. PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e as judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão aquele objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação.
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DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais. Afasta-se parcialmente a glosa das despesas médicas que o contribuinte comprovou ter cumprido os requisitos exigidos para a dedutibilidade, mediante apresentação do comprovante de realização dos dispêndios. A falta da indicação do endereço nos recibos apresentados para comprovar despesas médicas autoriza à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas declaradas, uma vez que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, que poderá promover as respectivas glosas sem a audiência do contribuinte (arts. 73, caput e §1º, e 80, § 1º, III, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). IRPF. DINHEIRO EM ESPÉCIE. COMPROVAÇÃO DOS DISPÊNDIOS. POSSIBILIDADE. Os recursos em dinheiro inseridos na declaração de bens, pelo contribuinte, devem ser aceitos para justificar a origem dos recursos, salvo prova em contrário, produzida pela autoridade lançadora de sua inexistência no término do ano-base em que foi declarado, ou ainda, que sua declaração de rendimentos tenha sido apresentada intempestivamente. PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e as judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão aquele objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 17 29 /2 00 8- 21 Fl. 105DF CARF MF S2-TE03 Fl. 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, apenas para restabelecer a dedução da despesa médica paga ao cirurgião dentista Wilson Marques - CRO-SP 57.900, no valor de R$ 2.028,25, da base de cálculo do imposto de renda, ano-calendário 2003, exercício 2004. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cássio Gonçalves Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cássio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto. Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de IRPF apurada no ano calendário de 2013, exercício de 2014, no valor de R$ 12.299,11, já acrescido de multa de ofício e juros de mora, em razão da dedução indevida com dependentes, no valor de R$ 3.816,00, dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 19.859,00, e dedução indevida de despesas com instrução, no valor de R$ 1.450,00, por falta de comprovação ou previsão legal para sua dedução, conforme se depreende na notificação de lançamento constante dos autos, culminando com a apuração do imposto suplementar no valor de R$ 5.326,60 (fls. 47/63). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 17-34.012, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II - DRJ/SPOII (fls. 71/79), transcrito a seguir: Contra o contribuinte acima qualificado, foi emitida a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF (fls. 25/31), referente ao exercício 2004, ano-calendário 2003, o qual lhe exige o recolhimento de crédito tributário, conforme demonstrativo abaixo (em Reais): De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 26/29) foram apuradas as seguintes deduções indevidas: Fl. 106DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.199 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.001729/2008-21 Dependentes: glosa no valor de R$ 3.816,00, relativos aos dependentes Flávio Arantes Matos e Daniela Arantes Matos, filhos maiores de 21 anos do contribuinte, pois não foi comprovada a condição de universitários, e Dilma Lane Arantes Junqueira, que apresentou declaração em separado; Instrução: glosa no valor de R$ 1.450,00, por não se tratar de despesas com instrução, pago a Management Horizon Br Cons Ltda, CNAE 6204-0-00, Consultoria em Tecnologia da Informação; Despesas médicas: glosa no valor de R$ 19.859,00, por falta de comprovação ou de previsão legal. Dos profissionais Wilson Oliveira Marques, Rogério de Oliveira e Ronaldo Ferreira não houve comprovação do efetivo pagamento; Mariângela Terra Nogueira, Maxclin Ltda e Hospital São Lucas Ltda tratam-se de despesas com não dependentes; Sindicato dos Empregados do Comércio de Rib. Preto não comprovou tratar-se de despesa médica; Em sua impugnação tempestiva (fl. 1), de acordo com o despacho de fl. 34- verso, o contribuinte: - solicita impugnação parcial da Notificação de Lançamento, referente aos itens 1 a 3 do Termo de Intimação Fiscal (fls. 3/4), quais sejam: despesas médicas relativas aos profissionais Wilson Oliveira Marques (R$ 5.101,00), Rogério de Oliveira (R$ 5.000,00) e Ronaldo Ferreira (R$ 4.800,00); - atendeu à solicitação da fiscalização, apresentando carta com as justificativas referentes àqueles itens, anexando, não só os documentos solicitados no manual de orientação da Receita Federal, mas também os extratos bancários, radiografias dos implantes dentários, prescrição médica para o caso da fisioterapia, orçamentos dos tratamentos dentários e recibos médicos. Pede o deferimento da impugnação. Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar o feito, a DRJ/SPOII, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação parcial apresentada, mantendo parcialmente as glosas em relação aos profissionais Wilson Marques, cirurgião dentista, no valor de R$ 2.028,25, e Ronaldo Ferreira, fisioterapeuta, no valor de R$ 4.800,00, reduzindo o saldo de imposto suplementar a pagar para o valor de R$ 1.877,97. Recurso Voluntário Cientificado da decisão, em 28/08/2009 (fls. 85), o contribuinte interpôs, em 30/09/2009, recurso voluntário (fls. 89/93), trazendo os argumentos a seguir sintetizados: Recorro a este Conselho de Contribuinte por estar inconformado e injustiçado pela decisão do Acórdão no. 17-34012 - proferido pela T. Turma da DRJ/SF'0II, no que se refere à manutenção parcial da glosa das despesas médicas que tive no ano de 2003, em detrimento de toda documentação legal e idônea que apresentei e sem que a Receita apresentasse qualquer motivo de relevância para duvidar da veracidade desta documentação, e conforme consta nos autos. Solicito a este Conselho de Contribuinte observar que na folha 03 deste acórdão, logo no primeiro parágrafo, a T. Turma ratifica que foi atendido a solicitação da fiscalização, onde apresentei carta com as justificativas referentes aos itens 1 a 3, anexando não só os documentos solicitados no manual de orientação da Receita Federal, mas também extratos, radiografias dos implantes, prescrição para o caso da fisioterapia, orçamentos dentários e recibos médicos. Embora concordando a mesma me penaliza de forma injusta, deixando de atentar para as justificativas apresentadas na minha carta de impugnação a saber: Fl. 107DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-000.199 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.001729/2008-21 1. Profissional Wilson Marques: Apresentei todos os documentos possíveis desde orçamentos, recibos, radiografias dos implantes e paguei em 4 prestações, sendo a primeira em dinheiro vivo, pois como justifiquei, eu tinha este dinheiro em casa, e que foi fruto do meu trabalho assalariado e devidamente declarado à receita, quando dos ajustes anuais. Anexo a minha declaração de bens de 2003, onde pode ser visto que eu tinha em domicilio, quantia bem superior ao valor de R$ 2.028,25, glosado pela receita. 2. Profissional Ronaldo Ferreira: Explico por parte, conforme acima: Item a) Falta de endereço nos recibos é fato, foi uma falta do profissional e minha por não tê-la observado, mas somente agora, após decorridos quase 5 anos é que a 9ª Turma observou esta falha, e se a mesma tivesse sido comunicada logo na primeira notificação em 2005, já teríamos corrigido. Informo-lhes que o endereço atual do Profissional Ronaldo Ferreira é Rua Avelino Jorge do Nascimento, 231, CEP 68.401-216 Bairro Rooselvelt, Uberlândia, Minas Gerais. O mesmo pode ser contactado e ratificar a veracidade da prestação dos serviços de fisioterapia em meus pais. Item b) A data da emissão do atestado do neurologista somente foi em 13/08/2007, por que a Receita Federal, setor de fiscalização orientou-me, quando da notificação, que este documento era necessário para atestar a veracidade do serviço prestado pelo fisioterapeuta. Nesta data, como informado, meus pais já não eram mais vivos, faleceram em meados de 2004 (os dois), portanto solicito reconsiderarem, pois não foi fácil localizar no hospital dentro de tantos relatórios, o médico responsável e o mesmo também teve que consultar seus arquivos para fornecer um documento do qual ele se responsabilizaria perante a qualquer investigação. Item c) Comprovação do pagamento: Vide o item 1 do profissional Wilson Marques, a comprovação é a mesma, tinha dinheiro em domicilio e o utilizei para pagamentos diversos. Senhores Conselheiros, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados neste Recurso: a) O meu direito de fazer pagamentos em dinheiro em moeda nacional, assim como meu direito manter dinheiro em espécie no domicilio, desde que a origem deste dinheiro possa ser comprovado, conforme tenho feito nas minhas declarações, inclusive a de 2003. Assim, solicito a este Conselho, do fato de ser verdadeiro, considerar o pagamento em dinheiro e cuja origem da reserva em domicilio está comprovada, conforme demonstrado no anexo abaixo citado. b) A Delegacia da Receita Federal Ribeirão Preto, não apresentou nos autos motivos embasados e com convicção para glosar as despesas medicas dos profissionais Wilson Marques e Ronaldo Ferreira. Assim, cito abaixo, alguns acordões em que este Conselho de Contribuinte atuou, como exemplo do meu caso. (...) Assim, em face da Receita Federal RP não ter apresentado elementos de convicção e a não existência de indícios veementes da não execução dos serviços, rogo a este Conselho a Presunção de veracidade dos recibos e a boa-fé a meu favor. Pugna, ao final, pela improcedência e insubsistência da exigência fiscal, e o cancelamento do lançamento efetuado. Instrui a peça recursal com cópia parcial de sua DAA/2004, relativa a situação da Declaração de Bens e Direito (fls. 95). Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23-B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Fl. 108DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-000.199 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.001729/2008-21 Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no presente recurso. Mérito Da glosa das despesas médicas declaradas: O Recorrente deduziu, na declaração de rendimentos (fls. 44/53), os valores de despesas médicas por ele suportadas no ano-calendário de 2003, exercício de 2004, dentre as quais os pagamentos realizados aos profissionais Wilson Marques, cirurgião dentista, e Ronaldo Ferreira, fisioterapeuta. A fiscalização, por seu turno, no particular, não acatou parcialmente as despesas com Wilson Marques – não apresentou prova do pagamento da parcela no valor de R$ 2.028,25 - e integralmente as despesas com Ronaldo Ferreira – porquanto os comprovantes apresentados não especificaram o endereço profissional do prestador dos serviços, bem como não houve prova dos dispêndios realizados – qualificando-os como não hábeis a comprovar os pagamentos das despesas realizadas, não possuindo, por esse fato, efeitos probantes perante o Fisco. Buscando suprir o ônus que lhe competia, o Recorrente apenas informou na peça recursal o endereço do fisioterapeuta, bem como argumentou que os pagamentos pendentes foram realizados em espécie, sobretudo diante do fato de possuir dinheiro em casa, situação esta, aliás, regularmente declarada na declaração de ajuste anual do exercício de 2004. É pertinente registar que na decisão recorrida houve questionamentos acerca da idoneidade dos recibos apresentados, sobretudo quanto a impossibilidade de se aferir o endereço do profissional Ronaldo Ferreira, bem como na ausência de comprovação efetiva dos dispêndios realizados em relação à Ronaldo Ferreira e Wilson Marques (fls. 71/79). Entendeu a DRJ/SPOII que “a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, portanto, condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos, sobretudo quando restar dúvida quanto idoneidade do documento” (fls. 77). Pois bem, razão parcial assiste ao Recorrente. Visando comprovar os pagamentos realizados, o contribuinte trouxe aos autos, ainda em sede de impugnação, cópia de sua movimentação financeira (fls. 39/43), bem como alegou ter declarado na DAA/2004 possuir “dinheiro em espécie moeda nacional” em sua residência, fazendo assim prova da disponibilidade financeira, informação tal, inclusive, trazida desde a peça impugnatória, e que não mereceu qualquer manifestação fiscal, quedando-se silente neste ponto a autoridade lançadora. Consoante exposto, levando-se em conta que o ônus da prova se deslocou ao Fisco, e diante da ausência de razões em contrário, merece acolhida as informações lançadas na Fl. 109DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-000.199 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.001729/2008-21 declaração de ajuste anual (fls. 95), presumindo-se também que foi apresentada tempestivamente. Com efeito, ante a comprovação da origem dos recursos utilizados no pagamento realizado, restabeleço a dedução das despesas médicas alusivas ao tratamento odontológico realizado pelo profissional Wilson Marques, no valor de R$ 2.028,25. Por outro lado, observo que em relação ao tratamento fisioterápico, além da falta de comprovação dos dispêndios, não se vislumbrou nos recibos apresentados o endereço do profissional prestador dos serviços, cujo dado é exigido no inciso III do § 2º da Lei nº 9.250/95, sendo este requisito essencial para validar os documentos comprobatórios apresentados. Vale salientar, que embora possa parecer de somenos importância a informação do endereço, ela proporciona, em casos de necessidade, o aprofundamento de investigações, por meio de diligências ao local do suposto atendimento profissional. Neste ponto, o informe trazido pelo Recorrente na peça recursal não se mostra suficiente para suprir a falha apontada ou mesmo validar os recibos apresentados, a qual deveria se dar com emissão de novo recibo ou declaração prestada pelo profissional, confirmando o endereço, tal qual requerido na legislação de regência. Assim, não restando suprida a falha, mediante a apresentação de documento hábil a demonstrar o endereço profissional do fisioterapeuta Ronaldo Ferreira – e, diga-se de passagem, somente por este motivo – deverá ser mantida a glosa no particular, ao teor da previsão contida na legislação de regência. Por fim, quanto ao entendimento jurisprudencial trazido para justificar as pretensões recursais, o mesmo, nesta seara, é improfícuo, pois, as decisões, mesmo que colegiadas, sem um normativo legal que lhe atribua eficácia, não se traduzem em normas complementares do Direito Tributário, e somente vinculam as partes envolvidas nos litígios por elas resolvidos. Conclusão Ante o exposto, voto por dar PARCIAL PROVIMENTO ao presente recurso, nos termos do voto em epígrafe, somente para restabelecer a dedução da despesa médica paga ao cirurgião dentista Wilson Marques – CRO-SP 57.900, no valor de R$ 2.028,25, da base de cálculo do imposto de renda, ano-calendário 2003, exercício 2004. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13629.000776/2007-79
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003
PAF. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. RECURSO VOLUNTÁRIO ADSTRITO À ANÁLISE DA INTEMPESTIVIDADE. PRECLUSÃO
A apresentação intempestiva da impugnação impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo, razão pela qual o conhecimento do recurso voluntário estará adstrito apenas à análise da tempestividade quando questionada.
Numero da decisão: 2003-000.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso, apenas em relação à preliminar de tempestividade suscitada, para rejeitá-la e, no mérito, negar-lhe provimento.
Francisco Ibiapino Luz - Presidente.
Wilderson Botto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. RECURSO VOLUNTÁRIO ADSTRITO À ANÁLISE DA INTEMPESTIVIDADE. PRECLUSÃO A apresentação intempestiva da impugnação impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo, razão pela qual o conhecimento do recurso voluntário estará adstrito apenas à análise da tempestividade quando questionada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso, apenas em relação à preliminar de tempestividade suscitada, para rejeitá-la e, no mérito, negar-lhe provimento. Francisco Ibiapino Luz - Presidente. Wilderson Botto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto. Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de IRPF apurada no ano calendário de 2003, exercício de 2004, no valor de R$ 6.948,94, já acrescido de multa de ofício e juros de mora, conforme se depreende na notificação de lançamento constante dos autos, em razão da dedução indevida de despesas médicas, no valor glosado de R$ 17.500,00, por falta de comprovação ou previsão legal para dedução das aludidas despesas realizadas (fls. 6/10). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 07 76 /2 00 7- 79 Fl. 90DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-000.170 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13629.000776/2007-79 Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 09-25.770, proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora - DRJ/JFA (fls. 70/74), transcrito a seguir: Em nome do contribuinte acima identificada foi lavrada em 26/03/2007, a Notificação de Lançamento de fls. 03/05v, relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física- IRPF, exercício 2004, ano-calendário 2003, que resultou em crédito total apurado de R$ 6.948,94, assim discriminado: R$ 3.160,48 de IRPF-Suplementar, R$ 2.370,36 de multa de oficio (passível de redução) e R$ 1.418,10 de juros de mora (calculados até 30/03/2007). Motivou o lançamento de ofício (fls. 05/05v), a dedução indevida a título de despesas médicas, no valor total de R$ 17.500,00, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução. Esclarece a autoridade lançadora que, intimada, a contribuinte apresentou parcialmente a documentação solicitada e deixou de comprovar os efetivos pagamentos das despesas médicas. Cientificada do lançamento em 03/04/2007 (fls. 52), a contribuinte apresentou em 10/05/2007, a impugnação de fls. 01/02, na qual, em síntese e entre outros aspectos alega que: - comprovou as despesas médicas com a apresentação dos originais dos recibos apresentados quando intimada; - o profissional Fábio Naomi Taniguchi emitiu os recibos apresentados e os informou em sua declaração de renda; - que houve um equívoco por parte da autoridade lançadora, visto que os profissionais Letícia Diniz de Souza Campos, Victor Diniz de Souza Campos e Elizete Maria de Souza, nominados no lançamento, são seus filhos menores de idade e a própria contribuinte; - acrescenta que todos os pagamentos foram feitos em moeda corrente e parceladamente e que em caso de dúvida sejam notificados os emitentes para esclarecimentos; - os profissionais lançaram em seus livros Caixa os valores recebidos e declararam estas receitas e em caso de inadimplência, deve o valor ser apurado individualmente para cada emitente; - requer que sejam ouvidos os profissionais e/ou devolvidos os documentos originais para as medidas de praxe; - requer a liberação imediata da restituição do imposto retido, na forma declarada, por tratar-se de verba de natureza alimentar. Em 26/06/2007, a DRF Coronel Fabriciano lavrou o Termo de Revelia de fls.53 e em 03/08/2007, conforme Comunicação NURAC n° 193/2007 (fls.55/57), informou ao sujeito passivo que a sua impugnação foi considerada intempestiva e o intimou para e efetuasse o recolhimento do crédito tributário. No despacho de fls.59, datado de 25/09/2007, o Núcleo de Arrecadação e Cobrança-Nurac da DRF Coronel Fabriciano alegando haver indícios no processo de que o contribuinte tivesse comparecido ao CAC e sido informado que o vencimento da Notificação se daria em 10/05/2007, encaminhou o processo para a Delegacia de Julgamento. Fl. 91DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.170 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13629.000776/2007-79 Em 28/09/2007, o contribuinte protocolou o aditamento a defesa de fls. 61/62, onde em síntese argui a tempestividade da impugnação apresentada em 10/05/2007 e ratifica os esclarecimentos prestados anteriormente, abrindo se necessário, o seu sigilo fiscal para solução de quaisquer dúvidas. Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar o feito, a DRJ/JFA, por unanimidade de votos, não conheceu a impugnação apresentada por intempestiva, mantendo-se incólume o crédito tributário lançado. Recurso Voluntário Cientificada da decisão em 16/09/2009 (fls. 78), a contribuinte interpôs, em 16/10/2009, recurso voluntário (fls. 79), suscitando exclusivamente a tempestividade da peça impugnatória pois a mesma foi apresentada dentro do prazo informado no demonstrativo de débito enviado junto com a Comunicação de Cobrança (fls. 64), ficando claro que realmente não houve intempestividade no processo, levando-se em conta que o CAC da DRF em Coronel Fabriciano-MG lhe induziu a considerar o prazo final estendido para o dia 10/05/2007. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23-B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que conheço e passo à sua análise. Centraliza-se a discussão recursal à análise da tempestividade da impugnação, haja vista que, uma vez ultrapassada, deverão ser apreciadas as questões de mérito, sobretudo em relação a incorreção da glosa das despesas médicas declaradas pela Recorrente, no valor de R$ 17.500,00, e que gerou o imposto suplementar no valor de R$ 6.948,94. Pois bem. A notificação de lançamento para cobrança do imposto suplementar foi encaminhada para o domicílio tributário da Recorrente, sendo ali recepcionada no dia 03/04/2007 (terça-feira), conforme AR juntado aos autos (fls. 56/57). Logo, a contagem de prazo para apresentação de impugnação iniciou, impreterivelmente, no dia 04/04/2007 (quarta-feira) se encerrando no dia 03/05/2007 (quinta-feira). Assim, a impugnação apresentada em 10/05/2007 (vide carimbo de protocolo - fls. 4) é intempestiva. Nada obstante, no que pertine ao prazo para a apresentação de impugnação urge transcrever os arts. 14, 15 e 23 do Decreto nº 70.235/72: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 23. Far-se-á a intimação: Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13629.000776/2007-79 Acórdão n.º 2003-000.170 S2-TE03 Fl. 2,5 (...) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Vale destacar, outrossim, que a Recorrente em nenhum momento se insurge contra o efetivo recebimento da intimação (AR - fls. 56/57) pelo contrário, somente alega que foi informada pelo “CAC” da DRF em Coronel Fabriciano-MG, que o vencimento da notificação de lançamento se daria somente no dia 10/05/2007, data esta constante do relatório da multa lançada anexa à Comunicação de Cobrança expedida (fls. 60/64). Ocorre, todavia, que inexiste previsão legal ou normativa que estabeleça prazos alternativos para apresentação de impugnação ao lançamento fiscal. O processo tributário encontra-se regulado pelo Decreto n° 70.235/72 que, com status de lei, estabelece os prazos processuais afins. E, o prazo de impugnação, de trinta dias da ciência, é aquele expressamente mencionado na “intimação” que consta da notificação de lançamento (fls. 6). Como se percebe, em momento algum a norma legal, ou mesmo a notificação de lançamento, cogitou a existência de prazo diferenciado, passível de livre opção pela contribuinte. Nesse contexto, estando legalmente determinado, o prazo não se encontra sob o poder discricionário da repartição preparadora, do “setor de atendimento” ou mesmo desta instância de julgamento, devendo ser observada a norma disciplinar que faculta o direito à apresentação de impugnação dentro de trinta dias contados da ciência do lançamento. Portanto, é irrelevante eventual pronunciamento do “CAC”, uma vez que não é suficiente para modificar o prazo legal de que disporia a contribuinte para impugnar a exigência fiscal autuada, sobretudo diante do fato de que a DRF não possui competência institucional para ampliar os prazos processuais regulamentares norteadores do processo administrativo fiscal, então regido pelo Decreto nº 70.235/72, sem que isso importe em violação ao dever funcional, além de depor, dentre outros, contra os princípios constitucionais da legalidade, moralidade e eficiência administrativa, segundo o art. 37 da CF/88. Diante dos fatos, e norteado pelos dispositivos legais aplicáveis ao processo administrativo fiscal, uma vez ocorrido em 03/04/2007, a ciência regular e válida da notificação de lançamento lavrada (AR de fls. 56/57), deve-se contar a partir dessa data o prazo para impugnar o débito, trintídio este encerrado no dia 03/05/2007. Portanto, não há como considerar tempestiva a peça impugnatória apresentada em 10/05/2007, razão pela qual mantenho a decisão recorrida. Conclusão Em razão do exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso, somente em relação à preliminar de tempestividade suscitada, para rejeitá-la e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO nos termos do voto em epígrafe, em razão da intempestividade da impugnação apresentada. É como voto. (assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.720339/2014-23
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2009, 2010
IRPF. VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
No caso de omissão de rendimentos com base em acréscimo patrimonial a descoberto, a inclusão do valor como origem de recurso no fluxo financeiro, só pode ser aceita se restar comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade da transferência de numerário.
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRESUNÇÃO LEGAL.
São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva.
Numero da decisão: 2003-000.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Raimundo Cassio Gonçalves Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic e Wilderson Botto.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2009, 2010 IRPF. VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. No caso de omissão de rendimentos com base em acréscimo patrimonial a descoberto, a inclusão do valor como origem de recurso no fluxo financeiro, só pode ser aceita se restar comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade da transferência de numerário. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRESUNÇÃO LEGAL. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva.
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VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. No caso de omissão de rendimentos com base em acréscimo patrimonial a descoberto, a inclusão do valor como origem de recurso no fluxo financeiro, só pode ser aceita se restar comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade da transferência de numerário. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRESUNÇÃO LEGAL. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic e Wilderson Botto. Relatório Autuação e Impugnação Trata, o presente processo, de exigência de IRPF apurada nos anos-calendário de 2009 e 2010, exercícios de 2010 e 2011, no valor de R$ R$ 31.309,62, já acrescido de multa de ofício e juros de mora, em razão da omissão de rendimentos caracterizada pelo acréscimo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 03 39 /2 01 4- 23 Fl. 191DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-000.315 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10945.720339/2014-23 patrimonial a descoberto, em face do excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos tributáveis, não tributáveis exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, conforme se depreende do auto de infração constante dos autos, o que importou na apuração do imposto sobre rendimentos sujeitos à tabela progressiva no valor de R$ 15.090,69, cuja tributação refere-se à proporção de 50%, tendo sido atribuído ao cônjuge (Maria Maximiliana Kaefer), em processo próprio, os outros 50% dos rendimentos omitidos (fls. 109/120). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 03-65.616, proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília - DRJ/BSB (fls. 167/177), transcrito a seguir: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido o Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 109/120), referente ao exercício 2010, ano-calendário 2009 por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil da DRF/FOZ DO IGUAÇU PR). O valor do crédito tributário apurado está assim constituído: (em Reais) Conforme termo de Verificação e Conclusão da Ação Fiscal (fls. 42/46) o referido lançamento teve origem na constatação da seguinte infração: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA: Acréscimo Patrimonial a Descoberto Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, ou seja, excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, conforme demonstrado no Termo de Verificação e Conclusão da Ação Fiscal, parte integrante e indissociável deste Auto de Infração. O procedimento fiscal que resultou na constituição do credito tributário acima referido encontra-se relatado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 104/108) cujos trechos destaco abaixo: - O procedimento fiscal teve início para verificação do IRPF relativo a Ganhos de Capital e Variação Patrimonial referente aos exercícios 2009 a 2011, anos calendários 2008 a 2010 do contribuinte, tendo sido apurado Variação Patrimonial a Descoberto, onde se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldados por rendimentos declarados/comprovados; - Contribuinte intimado apresenta os documentos solicitados, e de posse dos documentos e após análise dos mesmos foi elaborado fluxo de caixa mensal do ano- calendário 2009 e 2010, exercício 2010 e 2011 do contribuinte e de Maria Maximiliana Fl. 192DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.315 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10945.720339/2014-23 Kaefer, cônjuge do contribuinte e encaminhado a ele através de intimações para sua análise, conferencia, correção ou complementação de valores e datas. Como a cônjuge do contribuinte declara o recebimento de lucros e dividendos em valores elevados, solicitamos também que apresentassem documentação comprobatória constando data e valor dos recebimentos, tais, como extratos bancários, cheques, etc, comprobatórios dos valores recebidos; - A cônjuge do contribuinte informa que houve o recebimento dos lucros exercícios 2008 e 2009, da empresa Mareka Representações Comerciais (CNPJ 04.728.102/0001- 82) e discrimina datas, valores nº livro diário e folhas, e informa que os livros diário e razão já se encontravam em poder dessa fiscalização e que os documentos de escrituração contábil eram haveis e idôneos para a comprovação dos lucros distribuídos. Os livros contábeis já haviam sido entregues a essa fiscalização pelo contribuinte, e pudemos averiguar que a distribuição de lucros, e a contabilizarão se dava através da conta Caixa, em valores de tal porte, inconcebíveis nos dias atuais, acreditar que a contribuinte retirasse valores de tal monta circulasse com os mesmos não fazendo transações através de instituições financeiras. Como exemplos, podemos citar os valores de R$155.000,00 em janeiro de 2008, R$250.000,00 em março de 2008, e R$270.000,00 em junho de 2008. - Além dos fatos mencionados, é importante assinalar que estes documentos foram produzidos pela empresa Mareka Reapresentações Comerciais LTDA, e o que está assentado nesses documentos pode não refletir, inequivocamente, a verdade dos fatos, sendo que, documentos contábeis não possuem valor probante inconteste. Não é crível que uma empresa, deixe em caixa valores de tal monta e que seja distribuído a um dos sócios lucros e dividendos em espécie e não através de transações bancárias. Os contribuintes foram intimados a comprovar através de extratos bancários e cheques, a efetiva saída do numerário da conta da empresa e a efetiva entrada dos valores na conta de pessoa física, e não lograram fazê-lo. Cabe ao contribuinte a comprovação mediante cheque, comprovante de depósito bancário ou do extrato da conta corrente ou outro meio admitido em direito, a efetiva transferência dos lucros e dividendos; - Para o fim de apurar os referidos acréscimos, é facultado à autoridade fiscal exigir do contribuinte esclarecimentos que julgar necessários, acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio. Uma vez efetuada a apuração do acréscimo patrimonial da pessoa física, o Regulamento do Imposto de Renda considera tributáveis as quantias correspondentes, quando o acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva (RIR/99, ART. 55, XIII); - Foi elaborado fluxo de caixa Mensal (fls. 102/103) relativos aos anos calendários 2009 e 2010, exercícios 2010 e 2011, onde foram utilizados todos os documentos e informações apresentadas pelos contribuintes em suas respostas às intimações, e nos demonstrativos elaborados foi constatado saldos negativos de caixa nos meses de junho a setembro 2009 e Abril a Agosto e em Dezembro 2010, o que indica Variação Patrimonial a Descoberto. Tanto nas Origens quanto nas Aplicações, foram incluídas Receitas e Despesas do Casal, constando do Fluxo de Caixa tais valores. A fundamentação legal encontra-se exposta no Auto de Infração (fls. 109/120) e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 104/108). O impugnante, tempestivamente apresentou defesa (fls. 127/136) alegando em breve síntese que: - A distribuição de lucros está comprovada pelos documentos Escrituração Mercantil da Mareka Representações (CNPJ 04.728.102/0001-89) e DIRPF dos impugnantes, e para facilitar os valores dos lucros distribuídos encontram-se lançados no livro diário nº 06, fls. 13, nos meses de 2009 no valor de R$235.000,00; Fl. 193DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-000.315 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10945.720339/2014-23 - Portanto dúvida não há de que os rendimentos recebidos pela pessoa física sob a rubrica “lucros e dividendos recebidos” devem ser considerados como origens/recursos no computo do fluxo de caixa, não obstantes terem sido efetuados via caixa, pois os fatos registrados na escrita contábil possuem fé pública e podem ser opostos ao fisco; - A sociedade empresa Mareka Representações LTDA que figura como fonte pagadora dos lucros distribuídos na Declaração de IRPF dos beneficiários, ora impugnantes, foi criteriosamente fiscalizada “sem ter sido constatado irregularidade passível de lançamento de crédito tributário” conforme consta do Termo de Encerramento de Ação Fiscal; - O Fisco não pode simplesmente presumir de forma genérica, que a escrituração é imprestável, e para fazer esta qualificação deveria a fiscalização desqualificar a escrituração da pessoa jurídica com base em elementos seguros de prova e veementes indícios de fraude; - Os fatos narrados no Termo de Verificação Fiscal são meros indicio, que induz ao aprofundamento das investigações, haja vista que, por si só, não possui o condão de desqualificar toda documentação apresentada; - Pede julgar improcedente a Notificação de Lançamento ora impugnada; Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar o feito, a DRJ/BSB, por maioria de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo-se incólume o crédito tributário exigido. Recurso Voluntário Cientificado da decisão em 24/02/2015 (fls. 180), o contribuinte, por procurador habilitado, em 09/03/2015, interpôs recurso voluntário (fls. 181/189), reportando-se e repisando as alegações da peça impugnatória, por meio dos seguintes tópicos: . Distribuição de Lucros – Prova de Transação Bancária – Desnecessidade; . Escrituração Mercantil; . Créditos Iguais ou Inferiores a R$ 12.000,00 – Somatório de R$ 80.000,00; . Documentação apresentada. Requer, ao final, o provimento do recurso e, por consequência, a reforma do acórdão recorrido. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23-B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Fl. 194DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-000.315 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10945.720339/2014-23 Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no presente recurso. Mérito Da omissão de rendimentos apurada – da variação patrimonial a descoberto: O Recorrente insurge-se contra a decisão proferida que manteve a autuação, alusiva a omissão de rendimentos caracterizada pelo acréscimo patrimonial a descoberto em face do excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos tributáveis, não tributáveis exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise dos documentos apresentados com a peça impugnatória. Pois bem. Do cotejo dos documentos carreados aos autos, aliado aos fundamentos contidos no voto vencedor da decisão recorrida (fls. 173/177) e atendo-se às informações fiscais contidas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 104/108), me convenço que não há como prosperar a insurgência recursal. Ademais, considerando que o Recorrente não trouxe novas alegações hábeis e contundentes a modificar o julgado de piso, me convenço do acerto da decisão recorrida, pelo que adoto como razão de decidir os fundamentos lançados no voto vencedor proferido (fls. 173/177), mediante transcrição dos excertos abaixo, à luz do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015– RICARF: No caso concreto, como relatado, a impugnante apresenta a tese de que rendimentos isentos recebidos e declarados deveriam ser considerados no fluxo de caixa, pois justificam a disponibilidade financeira. Alega que os valores foram pagos em espécie e que não é necessária a comprovação da transferência de numerário. O impugnante aponta rendimentos isentos que teriam sido auferidos de Mareka Representações Comerciais Ltda por seu cônjuge, em decorrência de lucros e dividendos recebidos, fato que estaria amparado, segundo a interessado, no Livro Diário da empresa em questão, referente ao período abrangido no lançamento. (...). Em suma, a fiscalização não incluiu os lucros e dividendos distribuídos pela empresa Mareka Representações Comerciais Ltda no fluxo de caixa em razão da falta de comprovação da transferência de numerário. O contribuinte aduz que a escrituração contábil da empresa, em conjunto com a DIRPF do contribuinte e cônjuge, são provas suficientes da distribuição de lucros. Em relação à escrituração contábil, isoladamente não comprova o efetivo recebimento de lucros ou dividendos, por ter, na realidade, força probatória relativa, mormente em relação aos seus próprios emitentes. Segundo o disposto no § 1º, do art. 223 do Decreto nº 1.041, de 1994, bem como no art. 923 do Decreto nº 3000, de 1999 a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Fl. 195DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-000.315 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10945.720339/2014-23 É por demais evidente que as declarações das empresas (livros contábeis) das quais a contribuinte era sócia não são aptas à comprovação da materialidade – espécie de prova requerida pela fiscalização – dos supostos fatos nelas inseridos. Note-se que, apesar de a contabilidade, em princípio, fazer prova em favor daquele que a produz, os assentamentos contábeis devem estar estribados em elementos concretos que os fundamentem e os comprovem. Vale dizer, a contabilidade não existe por si só e não é destinada ao registro de ficções; tem ela por finalidade, justamente, a exteriorização de fatos concretos, os quais, necessariamente, caso existentes, deveriam estar documentados. Ou seja, não é a contabilidade que se presta a comprovar os fatos concretos; esses é que comprovariam aquela. Tal prova, se a contabilidade retratasse fatos verdadeiros, existiria. Na fase de impugnação, novamente não foram apresentados documentos comprobatórios dos registros contábeis ou comprovantes da transferência de numerário. Ressalte-se, também, que a presente lide, no tocante ao acréscimo patrimonial a descoberto, é relativa às pessoas físicas, às quais incumbiria comprovar, em face da presunção de omissão de rendimentos, a existência efetiva dos recursos isentos que aventam terem sido recebidos. Essa é a discussão existente, em primeiro plano, no presente processo. Portanto, descabem as alegações do contribuinte acerca da regularidade da escrituração contábil da empresa, baseada em termo de encerramento de ação fiscal. Conforme já aventado, a escrita contábil deve estar lastreada em documentos que externem os fatos nela registrados, os quais não foram apresentados até o momento. Assim, muito embora não tenha havido constituição de crédito tributário na pessoa jurídica, tal fato não justifica a não apresentação das provas que caberia ao contribuinte, pessoa física, qual seja, a de que efetivamente recebeu os valores declarados como rendimentos isentos e não tributáveis. Ainda, nos termos da impugnação, as quantias retiradas como lucros não transitaram por contas bancárias, seja da empresa, seja da sócia. Ou seja, todo o lucro retirado pela sócia durante o ano, em valores que ultrapassam R$ 200.000,00 em alguns meses e somam R$ 922.000,00 no ano todo, não teriam deixado um rastro sequer em movimentação bancária. Também não teriam deixado rastro bancário algum os R$ 305.000,00 distribuídos em 2009. Sendo essa a justificativa do contribuinte para atestar a disponibilidade financeira, deveria cercar-se de comprovação mais robusta dos fatos alegados, tal como a apresentação dos documentos que dão suporte aos valores contabilizados e que poderiam demonstrar, por exemplo, que a empresa possuía em caixa o valor distribuído nos meses em questão. Nos termos da legislação acima transcrita, é ônus do contribuinte demonstrar a inexistência do acréscimo patrimonial, facultando-lhe todos os meios de prova admitidos em direito. Entretanto, os registros contábeis não são prova absoluta da distribuição de lucros, ainda mais quando apresentados parcialmente, sem os documentos comprobatórios que lhes dão suporte. A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, corrobora o entendimento de que a retirada de lucros, quando alegada para afastar o acréscimo patrimonial a descoberto, deve ser comprovada mediante a transferência de numerário: (...) Por conseguinte, acerca da comprovação ou não de que os acréscimos patrimoniais tidos como “a descoberto” teriam sido suportados por lucros ou dividendos recebidos de Mareka Representações Comerciais Ltda, há que se concluir, de fato, que não houve a apresentação de prova material efetiva por parte do impugnante. Fl. 196DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2003-000.315 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10945.720339/2014-23 Destarte, não restando comprovado o efetivo recebimento dos lucros supostamente distribuídos por meio de documentação hábil e idônea – sendo essa a origem dos recursos capazes de suportar a variação patrimonial ocorrida – correta é atuação fiscal decorrente da omissão de rendimentos caracterizada pelo acréscimo patrimonial a descoberto, acompanhada das penalidades cabíveis, tudo em estrita sintonia com a legislação de regência, razão pela qual mantenho a autuação lavrada. Conclusão Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso, nos termos do voto em epígrafe, para manter o auto de infração relativo ao imposto de renda no valor de R$ 15.090,69, apurado nos anos-calendário de 2009 e 2010, exercícios de 2010 e 2011. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 197DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.732495/2011-74
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2007
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DO TRABALHO COM VÍNCULO OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
São rendimentos da pessoa física para fins de tributação do Imposto de Renda aqueles provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos, funções e quaisquer proventos ou vantagens auferidos tais como salários, ordenados, vantagens, gratificações, honorários, entre outras denominações.
São tributáveis os rendimentos informados em Declaração de Imposto Retido na Fonte (DIRF), pela fonte pagadora, como pagos ao contribuinte e por ele omitidos na declaração de ajuste anual.
Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei.
IRPF. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. ENTIDADE FAMILIAR.
A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a").
Na hipótese de apresentação de declaração em separado, são dedutíveis apenas as despesas com plano de saúde relativas ao tratamento do declarante e de seus dependentes cujo ônus financeiro tenha sido suportado por um terceiro, se este for integrante da entidade familiar, não havendo, neste caso, a necessidade de comprovação do ônus.
PAF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não é competente para apreciar pedidos de restituição e/ou compensação, cuja competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte.
Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Numero da decisão: 2003-000.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Raimundo Cássio Gonçalves Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cássio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DO TRABALHO COM VÍNCULO OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. São rendimentos da pessoa física para fins de tributação do Imposto de Renda aqueles provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos, funções e quaisquer proventos ou vantagens auferidos tais como salários, ordenados, vantagens, gratificações, honorários, entre outras denominações. São tributáveis os rendimentos informados em Declaração de Imposto Retido na Fonte (DIRF), pela fonte pagadora, como pagos ao contribuinte e por ele omitidos na declaração de ajuste anual. Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. IRPF. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. ENTIDADE FAMILIAR. A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). Na hipótese de apresentação de declaração em separado, são dedutíveis apenas as despesas com plano de saúde relativas ao tratamento do declarante e de seus dependentes cujo ônus financeiro tenha sido suportado por um terceiro, se este for integrante da entidade familiar, não havendo, neste caso, a necessidade de comprovação do ônus. PAF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não é competente para apreciar pedidos de restituição e/ou compensação, cuja competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DO TRABALHO COM VÍNCULO OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. São rendimentos da pessoa física para fins de tributação do Imposto de Renda aqueles provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos, funções e quaisquer proventos ou vantagens auferidos tais como salários, ordenados, vantagens, gratificações, honorários, entre outras denominações. São tributáveis os rendimentos informados em Declaração de Imposto Retido na Fonte (DIRF), pela fonte pagadora, como pagos ao contribuinte e por ele omitidos na declaração de ajuste anual. Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. IRPF. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. ENTIDADE FAMILIAR. A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). Na hipótese de apresentação de declaração em separado, são dedutíveis apenas as despesas com plano de saúde relativas ao tratamento do declarante e de seus dependentes cujo ônus financeiro tenha sido suportado por um terceiro, se este for integrante da entidade familiar, não havendo, neste caso, a necessidade de comprovação do ônus. PAF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 24 95 /2 01 1- 74 Fl. 94DF CARF MF S2-TE03 Fl. 2 O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não é competente para apreciar pedidos de restituição e/ou compensação, cuja competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cássio Gonçalves Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cássio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto. Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de IRPF apurada no ano calendário de 2007, exercício de 2008, no valor de R$ 7.153,42, já acrescido de multa de ofício e juros de mora, em razão da omissão de rendimentos do trabalho com ou sem vínculo empregatício, no valor de R$ 3.450,00, tendo sido compensado o imposto de renda sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 123,35, e dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 10.239,20, por falta de comprovação ou previsão legal para sua dedução, conforme se depreende na notificação de lançamento constante dos autos, culminando com a apuração do imposto suplementar no valor de R$ 3.385,20 (fls. 7/12). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 16-54.569, proferido pela 22ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I - DRJ/SP1 (fls.63/69), transcrito a seguir: Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual 2008 do contribuinte acima identificado, procedeu-se ao lançamento de ofício, originário da apuração das infrações abaixo descritas, por meio da Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, de fls. 06/12. Fl. 95DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.249 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.732495/2011-74 Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal informa a fiscalização a glosa de R$ 10.239,20 correspondente à Dedução Indevida de Despesas Médicas, e a Omissão de Rendimentos Recebidos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício, no valor de R$ 3.450,00, compensado o imposto retido na retido na fonte sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 123,35. DA IMPUGNAÇÃO Devidamente intimado das alterações processadas em sua declaração, o contribuinte apresentou impugnação por meio do instrumento, de fls. 02/04, e dos documentos de fls. 15/22, alegando, em síntese, que: Despesas Médicas Neste valor pago à Unimed POÁ, ainda que esteja em nome de sua esposa, Lisiane Anzzulin Ayub, o plano de saúde o inclui, bem como seus filhos e dependentes Thais e Luis Otávio; Apesar de sua esposa apresentar declaração em separado, pagou o plano integralmente, tanto é assim que ela não fez qualquer abatimento a este título em sua declaração. Omissão de Rendimentos Concorda com a infração relativa ao CNPJ 04.516.636/000141; Em relação ao CNPJ 87.415.725/0001-29, o valor deveria ter sido pago em decorrência de aulas que ministrou nesta instituição, porém, até a presente data não registrou o pagamento de tais valores. Impugnação Parcial – Transferência do Crédito Tributário para outro Processo Tendo em vista a apresentação de impugnação parcial ao lançamento, o crédito tributário discriminado abaixo foi transferido deste para o Processo nº 11080.733083/2011-51, atendendo ao que dispõe o § 1º do art. 21 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 96DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-000.249 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.732495/2011-74 Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar o feito, a DRJ/SP1, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, para restabelecer a glosa dos valores pagos ao plano de saúde Unimed POÁ, somente em relação às despesas próprias e de seus dependentes, no valor de R$ 6.751,20, ajustando o imposto suplementar que foi reduzido para R$ 991,97, a ser acrescido dos encargos legais. Recurso Voluntário Cientificado da decisão, em 10/02/2014 (fls. 87/88), o contribuinte interpôs, em 07/03/2014, recurso voluntário (fls. 75/78), impugnando parcialmente a decisão recorrida, somente em relação à omissão de rendimentos, alegando em síntese que: Em 28.02.2014, obteve cópia da DIRF e obteve a informação que o pagamento referente a Fundação Attila Taborda teria sido realizado em novembro/2007. Diante disso, reexaminando os seus extratos bancários de novembro/2007, localizou o depósito no valor de R$ 959,00, realizado em 30.11.2007, na conta bancária junto ao Banco do Brasil. Após procurar o Banco e descobrir a origem do depósito, advindo da agência Bagé-RS e não de Laguna-SC, teve ciência que o depósito realizado, no valor de R$ 959,00 e não de R$ 1.050,00, na sua conta corrente foi efetuado pela Fundação Attila Taborda, em razão das aulas que lá ministrou em maio de 2006, ou seja, 18 meses após a apresentação do serviço. Em razão disso, requer a isenção da multa aplicada pela não declaração e não recolhimento do imposto de renda, posto que não tinha ciência da origem do depósito ocorrido em sua conta corrente. Em diligências junto à Previdência Social verificou que a fonte pagadora recolheu valores previdenciários no valor de R$ 90,83. Verificou, também que a outra fonte CETRA Centro de Estudos do Direito S/A, em relação ao pagamento efetuado de R$ 2.400,00, também recolheu à previdência o valor de R$ 264,00. Desta forma comprova que indevida a parcela cobrada de “Previdência Oficial sobre Rendimento Omitido” no valor de R$ 354,83, pois tais valores já haviam sido recolhidos pelas fontes pagadoras. Requer que tal parcela seja excluída do cálculo. Em face disso, acabou por recolher a maior o imposto sobre os R$ 2.400,00, pago pelo CETRA, posto que calculado sobre o valor bruto, sem o desconto efetuado a título de Previdência Social e de imposto de renda retido no valor de R$ 123,35. Requer a compensação do valor pago a maior. Com relação a exclusão do valor de R$ 3.072,30 relativa a parte do plano de saúde Unimed POÁ de sua esposa, a Solução de Consulta Interna nº 23 – Cosit, de 26.08.2010, autoriza a dedução e foi utilizada para justificar a não aceitação. Ademais, uma solução de consulta do ano de 2010, não pode retroagir para atingir o contribuinte, pois a origem do débito é de 2007. Ademais é injusto não poder deduzir as despesas médicas de um plano familiar, quando este é suportado exclusivamente pelo contribuinte. Aqui se extrapola a vontade de arrecadar. Requer, ao final, o restabelecimento da despesa médica glosada no valor de R$ 3.072,30, relativa ao plano de saúde de sua esposa. Instrui a peça recursal com os documentos de fls. 80/85, com especial destaque para o relatório contendo as informações apresentadas em DIRF pelas fontes pagadoras (fls. 80) Fl. 97DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-000.249 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.732495/2011-74 e extrato de sua conta-corrente do mês de novembro/2007, atestando o recebimento do valor pago pela fonte pagadora Fundação Attila Taborda (fls. 83). Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23-B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no presente recurso. Mérito Da omissão de rendimentos recebidos e da glosa parcial das despesas médicas relativas ao plano de saúde Unimed POÁ: Em relação a omissão de rendimentos apurada, insurge-se o Recorrente alegando que em relação aos rendimentos recebidos da Fundação Attila Taborda (fls. 80), no valor de R$ 1.050,00, somente teve ciência dos mesmos após apurar e constatar que foi creditado em sua conta-corrente, junto ao Banco do Brasil, apenas o valor de R$ 959,00, depósito este, diante dos dados constantes no seu extrato bancário, era oriundo da agência Laguna/SC. Alega, ainda, que houve retenção pela fonte pagadora do valor de R$ 90,83, a título de previdência oficial. Tais informações o induziram a erro no que se refere a origem do aludido valor recebido, sobretudo pela imprecisa indicação no extrato bancário da agência originária do depósito realizado – que na verdade é proveniente da agência Bagé/RS – não o vinculando à fonte pagadora, em face das aulas ministradas no decorrer do ano de 2006. Em razão disso, requer a isenção da multa aplicada pela omissão apurada, posto que não tinha ciência da origem do depósito uma vez que foi induzido a erro tanto pela instituição financeira (ao lançar dados incorretos no extrato bancário fornecido), quanto pela fonte pagadora que realizou o crédito apenas do valor líquido (R$ 959,00) em sua conta corrente. Fl. 98DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-000.249 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.732495/2011-74 A fiscalização, por seu turno, constatou a omissão de rendimentos do trabalho sujeitos à tabela progressiva, com base nas informações constantes do sistema de dados da Receita Federal, alimentados pela DIRF apresentada pela fonte pagadora. Já DRJ/SP1 (fls. 66), em relação à omissão de rendimentos, entendeu que “a informação em DIRF pela fonte pagadora dos rendimentos é suficiente para que o valor seja considerado pago ao contribuinte. Assim, deve-se manter o lançamento integralmente”. Pois bem. Denota-se de todo processado que o Recorrente alega ter sido induzido a erro pelo depósito a menor realizado pela fonte pagadora em sua conta-corrente junto ao Banco Brasil, sobretudo diante do desconto previdenciário ocorrido. Alega, ainda, que houve falha no extrato fornecido que o impossibilitou, a princípio, de identificar a agência originária do depósito realizado. Contudo, razão não lhe assiste. O próprio Recorrente reconhece e atesta haver ocorrido a prestação dos serviços e o consequente pagamento dos valores omitidos, os quais foram decorrentes do vínculo laboral mantido com a fonte pagadora Fundação Attila Taborda, configurando aí fato gerador para incidência tributária do imposto de renda. O fato de haver surgido dúvida em relação a origem do depósito, por si só, não o exime da ciência do pagamento realizado pelo serviço prestado, mesmo porque creditado em sua conta-corrente, tanto que ao procurar a instituição financeira restou-lhe superada a dúvida, a que deu causa, diante de sua interpretação equivocada dos dados constantes do seu extrato bancário. Assim, entendo que nem a instituição financeira e muito menos a fonte pagadora o induziram a erro, tanto que, esta última, ao remunerar pelas aulas ministradas, promoveu como lhe competia a retenção do desconto previdenciário com base na legislação de regência. Portanto, não restando demonstrado haver sido o Recorrente induzido a erro por declaração imprecisa ou incorreta prestada pela fonte pagadora, improcede a alegação de erro escusável passível de afastamento da multa de ofício, razão pela qual mantenho a autuação como aplicada no particular. Quanto as despesas médicas glosadas no valor de R$ 3.072,30, alega que faz jus a dedução integral do plano Unimed POÁ, porquanto suportou exclusivamente com a manutenção do aludido plano de saúde familiar, mesmo que contratado em nome de sua esposa. Alega, ainda, que uma solução de consulta do ano de 2010, não pode retroagir para atingir o contribuinte, pois a origem do débito é de 2007. Sobre o tema, assim está fundamentada a decisão recorrida (fls. 67): Consta da Descrição dos Fatos: Glosa das despesas médicas com plano de saúde no valor de R$10.239,20 indicadas como pagas a UNIMED, CNPJ 87.158.507/0001-56, pois foi apresentado um relatório de parcelas pagas, sem determinação dos beneficiários e que consta como contratante LISIANE ANZZULIN AYUB, cônjuge do contribuinte que apresentou DIRPF em separado e no modelo simplificado. O Impugnante alega que neste valor pago à Unimed POA, ainda que esteja em nome de sua esposa, Lisiane Anzzulin Ayub, o plano de saúde o inclui, bem como seus filhos e dependentes Thais e Luis Otávio. Apesar de sua esposa apresentar declaração em separado, pagou o plano integralmente, tanto é assim que ela não fez qualquer abatimento a este título em sua declaração. Com a impugnação foi apresentado o Relatório Detalhado de Parcelas para Imposto de Renda – Exercício 2007 que informa que Lisiane Anzzulin Ayub é a contratante do plano de saúde e que são dependentes no referido plano Luis Otavio Anzzulin Ayub, Fl. 99DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2003-000.249 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.732495/2011-74 Luiz César Keppes Ayub e Thais Anzzulin Ayub. O valor pago no ano de 2007 foi de R$ 9.823,50, sendo o valor relativo a Lisiane de R$ 3.072,30. A consulta à declaração do cônjuge Lisiane Anzzulin Ayub (modelo completo) revela que este não declarou dependentes e também não declarou deduções de despesas médicas. O fato de o cônjuge do Impugnante ser o titular do plano de saúde não impede que o Impugnante deduza as despesas médicas relativas ao mesmo plano como dependente, com base no conceito de entidade familiar. (...) Dessa forma, deve-se acatar como despesas dedutíveis as despesas médicas relativas ao plano de saúde do Impugnante e dos dependentes informados no Relatório Detalhado de Parcelas para Imposto de Renda – Exercício 2007, de fls. 16/17, no valor de R$ 6.751,20 (R$ 9.823,50 - R$ 3.072,30). Aqui também razão não lhe socorre. Emerge dos autos de forma incontroversa que o plano de saúde familiar contratado tem como titular sua esposa (e não dependente), sendo o Recorrente qualificado como dependente juntamente com seus dois filhos e dependentes. Sobre a suposta alegação de ter o mesmo suportado os pagamentos do plano, inexiste provas nos autos quanto a este fato. Consoante a legislação de regência, somente são dedutíveis os valores pagos a planos de saúde familiar de pessoas físicas consideradas dependentes perante a legislação tributária e incluídas na declaração do responsável em que forem consideradas dependentes. Assim, considerando que o titular/contratante do plano de saúde é a esposa do Recorrente – e que declara em separado – aliado ao fato de que os filhos estão vinculados à declaração do Recorrente (fls. 38/44), caberia a mesma promover a dedução dos seus gastos com o plano, exclusivamente. Em contrapartida, os dispêndios realizados pelos demais integrantes do plano familiar, poderão ser deduzidos pelo Recorrente, portanto correta é a interpretação dada pela decisão recorrida. No que se refere a alegação de que “uma solução de consulta do ano de 2010, não pode retroagir para atingir o contribuinte, pois a origem do débito é de 2007”, a mesma não merece qualquer guarida, porquanto a interpretação em nada afeta o Recorrente. Até o exercício de 2008 (ano-calendário de 2007), o titular do plano de saúde poderia deduzir integralmente o pagamento efetuado, ainda que os dependentes não constassem em sua declaração, e contando os dependentes não se aproveitassem também da respectiva dedução. Logo, restando comprovado que o Recorrente não é o titular do plano de saúde familiar contratado e sim sua esposa (e não dependente, e que declara em separado), não há como aproveitar os pagamentos a ela destinados em seu proveito, mesmo que, supostamente, tenha arcado integralmente com os respectivos dispêndios, situação que também não restou demonstrada nos autos. Em relação ao pedido de compensação formulado, vale salientar que o presente processo – cuja origem foi a exigência de IRPF em face da omissão de rendimentos apurada e dedução a indevida de despesas médicas – não é via própria para discutir eventual direito a restituição de contribuições previdenciárias recolhidas indevidamente, ou mesmo se é cabível a compensação com os débitos ora exigidos. Ademais a competência deste Conselho Administrativo restringe-se em promover o julgamento de recursos contra decisões de julgamentos proferidos pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento/DRJ – sob pena, dentre outros, de supressão de instância – sendo competente para tal desiderato, a unidade de origem da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Fl. 100DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2003-000.249 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.732495/2011-74 Portanto, nada impede que, de fato, possuindo créditos compensáveis, o Recorrente exercite tal direito, mas em procedimento próprio e distinto, perante à Receita Federal do Brasil. No que tange à suposta extrapolação da vontade de arrecadar, cabe esclarecer que a autoridade lançadora não deve e nem pode fazer um juízo valorativo sobre a conveniência do lançamento, o qual rege-se por expressa determinação legal sendo, portanto, a atividade fiscal vinculada e obrigatória sob pena de responsabilidade funcional, na exata dicção do art. 142, caput e parágrafo único, do CTN. Por fim, o que é determinante para a efetivação do lançamento é a ocorrência do fato gerador, competindo a autoridade fiscal, por força do dever funcional, constituir o crédito tributário e calcular a exigência de acordo com a lei vigente à época dos fatos, não tendo repercussão alguma nos trabalhos fiscais a situação econômica/financeira do sujeito passivo. Conclusão Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso, nos termos do voto em epígrafe, para manter as alterações constantes na base de cálculo do imposto de renda do ano-calendário de 2007, exercício de 2008. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 101DF CARF MF
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