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8060088 #
Numero do processo: 12448.723511/2017-80
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2014 IRPF. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). A falta de justificação acerca da natureza dos serviços prestados ou a ausência de comprovação dos dispêndios, quando exigidos, autoriza à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas declaradas, uma vez que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, que poderá promover as respectivas glosas sem a audiência do contribuinte (arts. 73, caput e §1º, e 80, § 1º, III, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99).
Numero da decisão: 2003-000.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic e Wilderson Botto. Ausente o conselheiro Raimundo Cássio Gonçalves Lima.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO

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DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). A falta de justificação acerca da natureza dos serviços prestados ou a ausência de comprovação dos dispêndios, quando exigidos, autoriza à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas declaradas, uma vez que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, que poderá promover as respectivas glosas sem a audiência do contribuinte (arts. 73, caput e §1º, e 80, § 1º, III, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic e Wilderson Botto. Ausente o conselheiro Raimundo Cássio Gonçalves Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 35 11 /2 01 7- 80 Fl. 43DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-000.449 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.723511/2017-80 Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de IRPF apurada no ano-calendário de 2014, exercício de 2015, no valor de R$ 9.396,75, já acrescido de juros de mora e multa de ofício, em razão da dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 17.000,00, conforme se depreende do auto de infração constante dos autos, importando na apuração do imposto de renda suplementar no valor R$ 4.675,00 (fls. 6/10). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 15-43.327, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador - DRJ/SDR (fls. 22/24): Trata-se de Notificação de Lançamento (NL) para constituição do crédito tributário, correspondente ao Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza da Pessoa Física (IRPF), relativo ao ano-calendário de 2014, no valor de R$ 9.396,75, incluídos os acréscimos legais, calculados até 28/04/2017. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes da NL, o lançamento de ofício foi efetuado em razão de se ter constatado dedução indevida de despesa médica no valor de R$ 17.000,00, conforme abaixo: Complementação da descrição dos fatos: O sujeito passivo foi cientificado da NL, em 19/04/2017, e apresentou impugnação, em 17/05/2017, alegando, em síntese, o seguinte: Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar o feito, a DRJ/SDR, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo-se incólume o crédito tributário lançado. Recurso Voluntário Cientificada da decisão, em 24/08/2018 (fls. 31), a contribuinte, em 17/09/2018 (segunda-feira), interpôs recurso voluntário (fls. 36/38), trazendo os argumentos a seguir brevemente sintetizados: Fl. 44DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.449 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.723511/2017-80 I – Os Fatos Os serviços prestados são de caráter pessoal, íntimo, não devendo haver aqui a necessidade de se indicar quais são, o que seria efetuado facialmente em caso de falsificação de recibos. Existe ainda o fato dos presentes recibos terem sido emitidos por pessoa física, prestadora de serviços autônomos de saúde, que declarou tais ganhos em sua declaração anual de imposto de renda, não havendo então a necessidade de numeração de tais recibos. DO DIREITO Uma vez que restam comprovados na forma da lei os gastos médicos por meio de documentos idôneos: recibos de pagamentos, cabe a fiscalização comprovar sua inidoneidade, e fiscalizar os rendimentos auferidos pelos prestadores de serviços médicos para fins de incidência do IRPF, e não simplesmente glosar os pagamentos, por presunção de fraude. Requer, ao final, o cancelamento do débito fiscal reclamado. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23-B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no presente recurso. Mérito Da glosa mantida sobre as despesas médicas declaradas: Insurge-se, o Recorrente, contra a decisão proferida pela DRJ/SDR, que manteve a glosa das despesas médicas, no valor de R$ 17.000,00, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise dos documentos constantes dos autos, ancorados nas razões suscitadas na peça recursal, no sentido do acatamento das aludidas despesas declaradas na DAA/2015. A fiscalização, por seu turno, não acatou dos recibos apresentados em decorrência da falta de comprovação ou justificação, mediante discriminação da natureza dos serviços fisioterápicos prestados, qualificando-os como não hábeis a comprovar as despesas declaradas por não transmitirem a verossimilhança necessária à convicção do julgador. Fl. 45DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-000.449 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.723511/2017-80 Pois bem. Em que pese as razões suscitadas, não há como prosperar a insurgência recursal. Da análise dos autos pode-se constatar que a autoridade fiscal requereu as justificativas sobre as despesas médicas declaradas, não tendo sido comprovado ou demonstrado pelo Recorrente o cumprimento dos requisitos legais a motivar as respectivas deduções, consubstanciado nos arts. 73, caput e § 1º, e 80, § 1º, III, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). Vale salientar, que o art. 73, por si só, autoriza expressamente ao Fisco, para formar sua convicção, solicitar documentos subsidiários aos recibos, para efeito de confirmá-los, especialmente nos casos em que as despesas sejam consideradas elevadas. Não se pode olvidar que na relação processual tributária, compete ao sujeito passivo oferecer os elementos que possam ilidir a imputação da irregularidade suscitada. Conclui-se, portanto, que a comprovação ou justificação da natureza dos serviços ou mesmo a comprovação do efetivo pagamento das despesas deduzidas, quando exigidos e não apresentados, além de vulnerar o inciso III do § 1º do art. 80 do RIR/99, autoriza a glosa da dedução pleiteada e a consequente tributação dos valores correspondentes. A própria lei estabelece a quem cabe provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. O art. 11, § 3º do Decreto-lei nº 5.844/43, por seu turno, reza que o sujeito passivo pode ser intimado a promover a devida justificação ou comprovação, imputando-lhe o ônus probatório. Mesmo que a norma possa parecer, ao menos em tese, discricionária, deixando ao sabor do Fisco a iniciativa, e este assim procede quando está albergado em indícios razoáveis de ocorrência de irregularidades nas deduções, mesmo porque o ônus probatório implica trazer elementos que afastem eventuais dúvidas sobre o fato imputado. Assim, considerando que a Recorrente, nesta fase recursal, não trouxe novas alegações hábeis e contundentes a modificar o julgado, me convenço do acerto da decisão recorrida, pelo que adoto como razão de decidir os fundamentos lançados no voto condutor (fls. 24), mediante transcrição dos excertos abaixo, à luz do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF: O sujeito passivo não acostou ao processo, nenhum elemento de prova que pudesse esclarecer a omissão quanto à discriminação da natureza dos serviços de fisioterapia, conforme apontados pela Autoridade Fiscal na Notificação de Lançamento. A discriminação dos serviços de saúde prestados é requisito essencial que confere robustez ao documento candidato a servir como meio de prova de despesa a ser utilizada na dedução da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física. A exigência formulada pela Autoridade Fiscal, portanto, encontra-se no âmbito de pertinência, visto que cabe à fiscalização investigar a adequação da despesa para validar a apuração realizada na declaração de ajuste e o impugnante não apresentou nenhum outro elemento de prova capaz de infirmar a dúvida suscitada quanto à certeza na realização dos serviços (Lei nº 9.250, de 26/12/1995, art.8º, inciso II, “a”, e § 2º, incisos I a V). A numeração dos recibos (fls. 11 a 14), apesar não consistir requisito normativo intrínseco do documento apresentado, se existente serviria como elemento adicional para afirmar positivamente a regularidade na emissão do documentário fiscal do prestador de serviço e sua ausência corrobora a incerteza da materialidade tanto do serviço quanto do pagamento. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-lei nº 5.844, de 23/9/1943, art. 11 §§3º a 5º; e Decreto nº 3.000, de 26/3/1999, art. 73, caput). É dever do contribuinte instruir a impugnação com os documentos em que se fundamente, sob pena de não prosperarem suas alegações (art. 15 e 29 do Decreto nº 70.235, de 1972). Fl. 46DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-000.449 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.723511/2017-80 Destarte, uma vez desatendidos os requisitos para dedutibilidade, correta é manutenção da atuação, tudo em sintonia com a legislação de regência, razão pela qual mantenho o valor glosado de R$ 17.000,00, por falta de cumprimento de requisito mínimo contido no art. 80, § 1º, III, do RIR/99 e justificação consistente, nos termos do art. 73, caput e § 1º, do RIR/99, que importaram no imposto suplementar ajustado no valor de R$ 4.675,00, mais acréscimos legais. Conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso, nos termos do voto em epígrafe, para manter a glosa das despesas médicas declaradas, no valor de R$ 17.000,00, na base de cálculo do imposto de renda no ano-calendário 2014, exercício 2015. É como voto. (assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 47DF CARF MF

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8060022 #
Numero do processo: 13896.722723/2017-24
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2015 IRPF. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais. Afasta-se parcialmente a glosa das despesas que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a dedutibilidade, mediante apresentação dos comprovantes das despesas médicas e dos dispêndios realizados. PAF. MATÉRIA DE PROVA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL. Sendo interesse substancial do Estado a justiça, é dever da autoridade utilizar-se de todas as provas e circunstâncias que tenha conhecimento, na busca da verdade material. Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo, devendo a autoridade utilizar-se dessas provas, desde que elas reúnam condições para demonstrar a verdade real dos fatos.
Numero da decisão: 2003-000.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução das despesas médicas alusivas ao plano de saúde AMIL Assistência Médica Internacional S/A, no valor de R$ 14.719,78, na base de cálculo do imposto de renda no ano-calendário 2015, exercício 2016. (documento assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic e Wilderson Botto. Ausente o conselheiro Raimundo Cássio Gonçalves Lima.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO

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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2015 IRPF. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais. Afasta-se parcialmente a glosa das despesas que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a dedutibilidade, mediante apresentação dos comprovantes das despesas médicas e dos dispêndios realizados. PAF. MATÉRIA DE PROVA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL. Sendo interesse substancial do Estado a justiça, é dever da autoridade utilizar-se de todas as provas e circunstâncias que tenha conhecimento, na busca da verdade material. Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo, devendo a autoridade utilizar-se dessas provas, desde que elas reúnam condições para demonstrar a verdade real dos fatos.

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DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais. Afasta-se parcialmente a glosa das despesas que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a dedutibilidade, mediante apresentação dos comprovantes das despesas médicas e dos dispêndios realizados. PAF. MATÉRIA DE PROVA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL. Sendo interesse substancial do Estado a justiça, é dever da autoridade utilizar- se de todas as provas e circunstâncias que tenha conhecimento, na busca da verdade material. Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo, devendo a autoridade utilizar-se dessas provas, desde que elas reúnam condições para demonstrar a verdade real dos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução das despesas médicas alusivas ao plano de saúde AMIL Assistência Médica Internacional S/A, no valor de R$ 14.719,78, na base de cálculo do imposto de renda no ano-calendário 2015, exercício 2016. (documento assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 27 23 /2 01 7- 24 Fl. 168DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-000.445 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13896.722723/2017-24 Wilderson Botto – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic e Wilderson Botto. Ausente o conselheiro Raimundo Cássio Gonçalves Lima. Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de IRPF relativa ao ano-calendário de 2015, exercício de 2016, no valor de R$ 13.738,441, já incluídos juros e mora e multa de ofício, em razão da dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 26.038,98, conforme se depreende da notificação de lançamento constante dos autos, importando na apuração do imposto suplementar no valor de R$ 7.084,96 (fls. 72/76). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 10-62.953, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre - DRJ/POA (fls. 81/84): O interessado acima qualificado recebeu a notificação de lançamento, exigindo o imposto suplementar de R$ 7.084,96, relativo ao ano-calendário 2015, em virtude da apuração de dedução indevida de despesas médicas, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal (fls. 10 e seguintes). O contribuinte, às fls. 04 a 07, impugna tempestivamente o lançamento, fazendo, em síntese, as alegações a seguir descritas. Na Declaração de Ajuste Anual 2016/2015 foi declarado os pagamentos realizados para CONVÊNIO MÉDICOS (despesas médicas) - empresa AMIL ASSISTÊNCIA MEDICA INTERNACIONAL S/A - de CNPJ n° 29.309.127/0026-27 - no valor de RS 26.038,98 - valores esses declarados referentes ao declarante e à dependente, seu cônjuge. Ao declarar as despesas médicas, que de fato foram pagas pelo declarante, não houve por parte do declarante a intenção de lesar o fisco. Ocorre que os valores pagos referentes ao convênio declarado, de fato, foram pagos pela pessoa física, apesar de se encontrar em nome de pessoa jurídica, trata-se de uma empresa de representação comercial que nunca teve funcionário e encontra-se sem movimento. Portanto, não gera receita para pagar despesas, o que ocorre é que o declarante não consegue alterar o convênio para pessoa física, por burocracia do próprio convênio de não aceitar contratação por parte de pessoa física, sendo obrigado para ter um convênio, pagar em nome de pessoa jurídica. Em anexo, estão os extratos bancários demonstrando que o dinheiro saiu de conta bancária de pessoa física, tanto que, ao verificar os extratos bancário da pessoa física pode-se ver os pagamentos realizados, conforme comprovantes e os relatórios do próprio convênio. Em vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer, o impugnante, que seja acolhida a impugnação, cancelando-se o débito fiscal reclamado. O impugnante solicita prioridade no julgamento, de acordo com a previsão contida no art. 69-A, inciso I, da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013) e no art. 2º da Portaria RFB nº 1006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013 e conforme definição da Coordenação-Geral do Contencioso Administrativo Fl. 169DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.445 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13896.722723/2017-24 e Judicial da RFB, o presente e-processo foi encaminhado para esta DRJ/POA/RS para julgamento. Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar o feito, a DRJ/POA, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação, para restabelecer parcialmente as despesas glosadas, e ajustar o imposto suplementar apurado para o valor de R$ 4.973,88, mas acréscimos legais. Recurso Voluntário Cientificado da decisão, em 08/10/2018 (fls. 88), o contribuinte interpôs, em 25/10/2018, recurso voluntário (fls. 91/92), repisando as alegações da peça impugnatória e trazendo outros argumentos, a seguir brevemente sintetizados: Ao fazer o pagamento do convênio o declarante paga outras despesas pessoais no mesmo dia, por isso aparecem valores superiores ao da fatura do convênio o que comprova mais uma vez que o pagamento do convênio é realizado pela pessoa física e não por PJ. Requer, ao final, o cancelamento do débito fiscal. Visando dar suporte à peça recursal, trouxe aos autos, em 04/02/2019, os documentos de fls. 100/167. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23-B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço e passo à sua análise Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no presente recurso. Mérito Da glosa mantida sobre as despesas realizadas com o plano de saúde: Insurge-se, o Recorrente, contra a decisão proferida pela DRJ/POA, que manteve parcialmente a glosa da despesa médica, em relação ao convênio médico realizado com a empresa AMIL ASSISTÊNCIA MÉDICA INTERNACIONAL S/A - CNPJ n° 29.309.127/0026- 27, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise do todo processado, com Fl. 170DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-000.445 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13896.722723/2017-24 especial destaque para os documentos ora trazidos, aliado às razões recursais, no sentido do acatamento da despesa declarada na DAA/2016. Visando suprir o ônus que lhe competia, o Recorrente instruiu os autos, dentre outros, e em especial, com os respectivos extratos bancários e o contrato relativo ao plano de assistência médica firmado com a AMIL, visando atestar e demonstrar a efetividade dos pagamentos por ele realizados (fls. 101/117 e 123/162). De início, vale salientar que no processo administrativo fiscal, os princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório devem prevalecer, sobrepondo-se ao formalismo processual, sobretudo quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento, ou mesmo questionado pela decisão recorrida, caso em que é cabível a revisão do lançamento pela autoridade administrativa. Nesse ponto o art. 149 do CTN, determina ao julgador administrativo realizar, de ofício, o julgamento que entender necessário, privilegiando o princípio da eficiência (art. 37, caput, CF), cujo objetivo é efetuar o controle de legalidade do lançamento fiscal, harmonizando- o com os dispositivos legais, de cunho material e processual, aplicáveis ao caso, calhando aqui, nessa ótica, por pertinente e indispensável, a análise dos documentos trazidos à colação pelo Recorrente. Assim, passo ao cotejo da documentação ora apresentada em relação aos fundamentos motivadores da glosa subsistente traçada na decisão recorrida (fls. 83/84): Foi glosada a despesa médica referente a AMIL Assistência Médica Internacional S.A, no valor de R$ 26.038,98, com a seguinte motivação: Prestador AMIL Assistência Medica Internacional S.A., por falta de comprovação da despesa médica, uma vez que foram apresentados apenas boletos bancários que não especificam quem são os beneficiários do plano de saúde. O contrato de prestação de serviços referente a cobertura de custos de assistência médica e hospitalar foi efetuado entre a AMIL e a empresa Marlucy Representações S. S Ltda ME (fl. 28), tendo como beneficiários o contribuinte, Bruna Magalhães Sanchez (filha) e Neide Magalhães Sanchez (cônjuge). Conforme DIRPF constante dos sistemas da RFB, somente Neide Magalhães Sanchez é dependente do interessado no ano-calendário em litígio. No caso, para a dedução das despesas com o plano de saúde, é necessário que o contribuinte, apresente comprovação de ter assumido o ônus financeiro. O impugnante junta os extratos bancários mensais do Banco Bradesco. No entanto, somente é possível identificar os seguintes pagamentos do plano de saúde pelo interessado: Do valor de R$ 2.231,30, R$ 1.919,17 refere-se ao plano de saúde do contribuinte e de seu cônjuge. Assim, o interessado tem direito à dedução das despesas médicas no valor de R$ 7.676,68 (R$ 1.919,17*4), que corresponde ao imposto de R$ 2.111,08. Pois bem. Entendo que o Recorrente desincumbiu do ônus que lhe competia. Pelo cotejo analítico dos extratos ora carreados aos autos (fls. 101, 103, 105, 110/112, 115, 117 e Fl. 171DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-000.445 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13896.722723/2017-24 131), de fato, o Recorrente arcou com os respectivos pagamentos nos valores de R$ 1.862,99 (janeiro e fevereiro – fls. 17/18) e R$ 2.231,31 (demais meses – 19/28). Entretanto, embora atestando o pagamento integral, cabe salientar que o Recorrente não é o único beneficiário do plano contratado, o qual também contempla a sua esposa, Neide Magalhães Sanchez, e sua filha, Bruna Magalhães Sanchez, que, por sua vez, esta última, não está relacionada como dependente na DIRPF/2016, conforme, aliás, fundamentado na decisão recorrida. Portanto, o Recorrente somente faz jus a dedução da quota destinada à sua participação e de sua esposa (janeiro e fevereiro: R$ 1.602,38 x 2 = R$ 3.204,76; e março, maio a agosto e dezembro: R$ 1.919,17 x 6 = R$ 11.515,02), calhando aqui o restabelecimento da despesa comprovada no valor total de R$ 14.719,78, razão pela qual, me convencendo da verossimilhança das alegações recursais e respaldado no conjunto probatório constante dos autos, afasto a glosa sobre as despesas médicas no valor total acima apurado. Conclusão Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao presente recurso, nos termos do voto em epígrafe, para restabelecer a dedução das despesas médicas glosadas, alusivas ao plano de saúde AMIL Assistência Médica Internacional S/A, no valor de R$ 14.719,78, na base de cálculo do imposto de renda no ano-calendário 2015, exercício 2016. É como voto. (assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 172DF CARF MF

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8060106 #
Numero do processo: 10980.013051/2006-62
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2001 IRPF. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). A falta de demonstração do cumprimento dos requisitos legais por documentação hábil e idônea quando solicitados, autoriza à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas declaradas, uma vez que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, que poderá promover as respectivas glosas sem a audiência do contribuinte (arts. 73, caput e §1º, e 80, § 1º, III, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). Deixam de ser admitidas as despesas médicas pleiteadas por se mostrarem sem a verossimilhança. IRRF. MULTA DE OFÍCIO PREVISÃO LEGAL. VEDAÇÃO AO CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF Nº 2. A multa de ofício tem como base legal o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, segundo o qual, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. O processo administrativo não é via própria para discutir constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PAF. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. DESNECESSIDADE. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INEXISITÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de diligência, perícia ou produção de outras provas, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo, a juízo e livre convencimento do julgador administrativo. PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e as judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão aquele objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. A doutrina não é oponível ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Inteligência do artigo 150, inciso I, da CF/88.
Numero da decisão: 2003-000.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic e Wilderson Botto. Ausente o conselheiro Raimundo Cássio Gonçalves Lima.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO

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DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). A falta de demonstração do cumprimento dos requisitos legais por documentação hábil e idônea quando solicitados, autoriza à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas declaradas, uma vez que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, que poderá promover as respectivas glosas sem a audiência do contribuinte (arts. 73, caput e §1º, e 80, § 1º, III, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). Deixam de ser admitidas as despesas médicas pleiteadas por se mostrarem sem a verossimilhança. IRRF. MULTA DE OFÍCIO PREVISÃO LEGAL. VEDAÇÃO AO CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF Nº 2. A multa de ofício tem como base legal o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, segundo o qual, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. O processo administrativo não é via própria para discutir constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 30 51 /2 00 6- 62 Fl. 155DF CARF MF S2-TE03 Fl. 2 PAF. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. DESNECESSIDADE. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INEXISITÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de diligência, perícia ou produção de outras provas, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo, a juízo e livre convencimento do julgador administrativo. PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e as judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão aquele objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. A doutrina não é oponível ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Inteligência do artigo 150, inciso I, da CF/88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic e Wilderson Botto. Ausente o conselheiro Raimundo Cássio Gonçalves Lima. Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de IRPF apurada no ano-calendário de 2001, exercício de 2002, no valor de R$ 9.696,61, já acrescido de juros de mora e multa de ofício, em razão da dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 14.000,00, conforme se depreende do auto de infração constante dos autos, importando na apuração do imposto de renda suplementar no valor R$ 3.850,00 (fls. 96/102). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 06-20.955, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba - DRJ/CTA (fls. 111/124): Contra o contribuinte foi lavrado auto de Infração referente ao ano-calendário de 2001, fs. 95 a 101, exigindo R$ 3.850,00 de imposto suplementar, R$ 2.887,50 de multa de ofício de 75% e R$ 2.959,11 de juros de mora calculados até setembro de 2006. Fl. 156DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.446 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.013051/2006-62 O lançamento decorreu da glosa de despesas medicas, no montante de R$ 14.000,00. Cientificado do lançamento por via postal, em 23/10/2006 - fl. 109, o contribuinte apresentou, em 22/11/2006, por intermédio de procurador - fl. 24, a impugnação de fs. 01 a 23, acompanhada dos documentos de fs. 24 a 102, acatada como tempestiva pelo órgão de origem, fl. 109. Em preliminar, alega nulidade do lançamento por ter sido o auto de infração lavrado em local diverso ao de seu domicílio, corroborando essa afirmativa com doutrina acerca de auto de infração e suscitando desrespeito ao art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Aduz também nulidade do auto de infração em razão da falta de entrega de todos os elementos constantes do processo administrativo, afirmando ser a doutrina e a jurisprudência unânimes quanto a essa exigência. Adicionalmente suscita cerceamento do direito de defesa e consequente nulidade do lançamento em virtude de considerar os cálculos apresentados e o demonstrativo de débito “absolutamente indecifráveis, impossibilitando, com isso, a aferição da realidade do suposto crédito nele expressado", por não possuírem a origem dos índices, os critérios utilizados, a forma de atualização e as operações aritméticas efetuadas. Afirma que sua filha, Édina da Silva Muiños, é portadora de paralisia cerebral espástica desde o nascimento, conforme laudo médico pericial de fl. 36, necessitando de tratamento médico especializado e com a interdição já requerida, fls. 25 a 94. Dessa forma, considera “absolutamente improcedente a glosa" de despesas efetivamente desembolsadas com tratamentos clínicos de sua filha. Insurge-se contra a glosa de despesas médicas, que segundo o seu entendimento estariam corroboradas por recibos, afirmando que os emitentes dos recibos não foram intimados a comprovar a prestação dos serviços, o que, sem dúvida teriam feito. Informa estar providenciando tais documentos e solicita 15 dias de prazo para sua apresentação. Considera estranho haver sido intimado somente para apresentar os recibos médicos, não lhe sendo solicitado ou oportunizado qualquer outra demonstração, nem mesmo o reconhecimento de firmas. Solicita diligência junto aos profissionais, para que eles prestem informações e apresentem documentos para respaldar a efetividade das despesas declaradas. Suscita que a efetividade das despesas foi comprovada por meio de recibos e de extratos bancários com saques utilizados no pagamento, efetuado em dinheiro, asseverando que a comprovação de pagamento só é exigível se o contribuinte não possuir documentos probatórios e que o fisco sequer provou cabalmente serem os recibos apresentados inidôneos. Cita o art. 112 do Código Tributário Nacional para aplicação do brocado “in dúbio contra fisco", ressaltando que o conjunto probatório dos autos é sólido e suficiente para a comprovação das despesas glosadas. Salienta que os recibos apresentados são referentes a tratamento de sua dependente e preenchem todas as exigências legais: nome, endereço e número de CPF dos respectivos emitentes, considerando absurda a exigência de outro elemento probatório para os pagamentos efetuados em dinheiro, em razão de ser a moeda corrente de livre circulação no pais. Insurge-se contra a utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, por ter natureza ora remuneratória e ora moratória, considerando-a inconstitucional por não ter sido definida em lei e contrariar o limite máximo de 12% estabelecido no art. 192 da Constituição Federal. Permeia suas alegações com jurisprudência e doutrina. Sustenta que os juros estariam sendo aplicados sobre a multa e não somente sobre o imposto, requerendo a sua incidência somente sobre esses. Fl. 157DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-000.446 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.013051/2006-62 Considera imprescindível a perícia contábil, em razão de “toda suposta omissão de rendimentos foi aferida através de cruzamento entre dados contábeis do contribuinte com sua declaração de rendimentos” (sic) e que a “verificação da efetiva ocorrência destas “omissões” só poderá ser verificada após extensa análise contábil, mormente os demonstrativos constantes dos autos serem de produção unilateral da Fazenda” (sic). Finaliza requerendo: - a realização de diligências junto aos emitentes para que confirmem a efetividade dos valores declarados e dos serviços prestados; - a concessão de prazo de 15 dias para apresentação de documentação que estaria providenciando junto aos emitentes dos recibos; - o acolhimento dos fundamentos apresentados para que os recibos apresentados sejam considerados como comprobatório das despesas médicas glosadas pelo lançamento; - que o auto de infração seja considerado nulo ou improcedente ou, sucessivamente, que seja reduzido o montante do débito e dos acréscimos. Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar o feito, a DRJ/CTA, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo-se incólume o crédito tributário exigido. Recurso Voluntário Cientificado da decisão, em 02/04/2009 (fls. 127), o contribuinte, por procurador habilitado, em 04/05/2009 (segunda-feira), interpôs recurso voluntário por via postal (fls. 128/152), reportando-se e repisando as razões da peça impugnatória e trazendo outros argumentos, a seguir brevemente sintetizados: 1 – Preliminarmente Da incidência dos termos da Medida Provisória nº 449/2008: Em 31 de dezembro de 2002, a dívida já se encontrava vencida a 5 anos e 8 meses, atendendo desta forma o requisito temporal estabelecido pelo citado artigo. Quanto ao valor do débito, tem-se da DARF enviada ao recorrente junto com o acórdão recorrido o valor de R$13.146,63 - com vencimento para 31.03.2009. Desta forma, encontrando-se o valor da dívida para a data de 31.12.2007, afirma-se que faz jus o recorrente à remissão de R$ 10.000,00 do montante do débito cobrado em 31.12.2007, mantendo-se apenas o valor que por ventura ultrapasse tal limite. A Constituição Federal, em seu artigo 150, incisoéII é clara ao estabelecer que é vedado à União, aos_ Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios “instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente (...)", e aplicar-se o estabelecido pelo artigo 14' da MP 449/2008 de forma restritiva, entendendo-se por sua aplicação apenas para os casos de dívidas de no máximo R$ 10.000,00, não podendo os demais contribuintes que se encontrem na mesma condições de possuírem débitos vencidos até 31 de dezembro de 2002 se beneficiarem da remissão de tal valor seria uma verdadeira afronta ao dispositivo constitucional citado, pois se estaria dando tratamento desigual a contribuintes que se encontram na mesma situação. ' Desta forma deve-se “abater” do saldo devedor existente até 31 de dezembro de 2007 o valor de R$ 10.000,00 mantendo-se a cobrança somente sobre eventual saldo remanescente. Assim, REQUER seja reconhecida a validade da pretensão acima exposta, recalculando- se a dívida dentro dos limites acima apresentados, intimando-se na sequência o Fl. 158DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-000.446 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.013051/2006-62 contribuinte para que este se manifeste com o pagamento do saldo residual ou com a reiteração de suas razões de mérito. 2 – Dos fatos: A matéria sub examine refere-se a autuação lavrada contra o Recorrente, a qual decorreria da revisão de sua declaração de ajuste anual, referente ao exercício de 2002, ano-calendário 2001. 3 – Do Mérito: 3.1 – Do cerceamento de defesa: Note-se que razão da demanda e verificar se a documental apresentada é ou não hábil e idônea, sem embargo de que necessário aferir se houve ou não omissão de receita que enseje a autuação. Além disso, o quantum desta base tributável se mostra indispensável para a validade desse mesmo lançamento. Não possibilitar esta averiguação, ao singelo argumento de que se mostra prescindível, é atentar contra os mais comezinhos direitos do cidadão. Assim, a falta do exame pericial desrespeita mandamento constitucional, por não permitir o contraditório e não garantir a ampla defesa do autuado ora Recorrente. ADEMAIS, não obstante expressamente requerido, o fisco não diligenciou no sentido de proceder à intimação dos profissionais MAGNELY J. DE OLIVEIRA ALVES; CRISTIANE SINHOCA e ADRIANA PRADELLA ESPÍNDOLA, emitentes dos recibos glosados, a fim de que prestassem informações ou apresentassem documentação capaz de respaldar a efetividade dos valores declarados, bem como dos serviços prestados. Agindo desta forma, o julgado não deu ao recorrente a chance de produzir as provas necessárias para a elucidação dos questionamentos do fisco e consequentemente comprovar a validade das deduções médicas que o mesmo fez quando de sua declaração de imposto de renda. Desta forma feriu o direito constitucional do mesmo consagrados nos princípios da ampla defesa e do contraditório, uma vez que impediu o mesmo de apresentar todas as provas que desejava. 3.2 – Do local da lavratura: Afirma-se novamente que a medida fiscal combatida se encontra eivada de vício formal que leva à nulidade do auto de infração lavrado em local diverso de onde se constatou a suposta infração. In casu, tem-se que o local da lavratura é a Delegacia da Receita Federal em Curitiba e não o endereço do ora recorrente. Com efeito, a lavratura em local diverso do lugar onde se constatou a infração gera a nulidade do auto de infração, por franco desrespeito aos termos do artigo 10, do Decreto nº 70.235/72. 3.3 – Da glosa injustificada de valores: Nesse particular não merece prosperar o entendimento externado no Auto de Infração combatido, porquanto proferido ao arrepio da norma legal pertinente. A um, porque sequer o Agente Fiscal intimou os emitentes dos referidos recibos, para confirmarem ou não a emissão dos documentos glosados. A dois, porque a efetividade do pagamento com tais despesas não restou comprovada apenas pela mera exibição de recibos como alega o fisco, pois o autuado, procedeu, a juntada de extratos bancários que demonstram os saques feitos em conta corrente e cujas importâncias foram utilizadas para os respectivos desembolsos. A três, porque caberia ao fisco provar cabalmente que os recibos apresentados não se traduzem em documento idôneo ou ainda que os serviços prestados e recebidos pelos respectivos profissionais efetivamente não ocorreram. Fl. 159DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-000.446 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.013051/2006-62 Em suma a exclusão de tais recibos, ao contrário do asseverado no julgado não merece prosperar, pois referem-se a pagamentos efetuados a tratamentos previstos no art. 8°, inciso II, alínea a, da Lei 9.250/95. 3.4 – Do caráter confiscatório da multa de 75%: No presente caso vemos a aplicação de uma multa de 75% a qual acaba por perder a característica de punição e desestímulo ao contribuinte que supostamente deduziu incorretamente valores de seu imposto de renda, e passa a ser sinônimo de diminuição patrimonial, de ônus excessivo. Diante do raciocínio acima exposto, faz-se extremamente necessário o cancelamento da medida fiscal e a subsequente exclusão da multa combatida, posto que sua manutenção terá o condão de violar frontalmente o artigo 150, IV da CF/88, ou seja, a multa excessiva estaria por confiscar ilegalmente o patrimônio do recorrente. Desta forma, reiterando-se integralmente os fundamentos já bem expostos em sede de impugnação, os quais devem ser também reapreciados neste momento processual, requer desde já seja reformado o acórdão recorrido, reconhecendo se o evidente caráter confiscatório da multa aplicada e sua violação aos termos da Constituição Federal de 1988, conforme bem delineado acima, por se tratar de questão de direito e justiça. Requer, ao final, o cancelamento da medida fiscal. Caso superado o pedido, requer sejam reconhecidos os vícios formais e materiais alegados, validando-se a dedução das despesas médicas glosadas, cancelando-se a autuação efetuada. Requer, ainda, não sendo decretada a nulidade da autuação, seja aplicado o art. 14 da MP nº 449/2008, com o abatimento do valor de R$ 10.000,00, mantendo-se a cobrança sobre o saldo remanescente. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23-B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço e passo à sua análise Preliminares O Recorrente alega, em sede de preliminar, a ocorrência de cerceamento do direito da ampla defesa e do contraditório, por não permitir o exame pericial requestado e também por não diligenciar no sentido de promover a intimação dos profissionais para prestarem informações sobre os serviços realizados e os valores declarados, em face da glosa das despesas Fl. 160DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2003-000.446 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.013051/2006-62 médicas no ano-calendário de 2001, razão pela qual deverá ser revisto o lançamento em relação aos referidos pontos. Ademais, o local da lavratura da autuação difere do domicílio do Recorrente, o que também gera nulidade por desrespeito ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Requer, ainda, em sede preliminar, que lhe seja aplicado os benefícios do art. 14 da MP nº 449/2008, concedendo-lhe o perdão do valor consolidado de R$ 10.000,00, já que a dívida em cobrança, apurada no ano-calendário de 2001 (com vencimento em 30/04/2002), encontrava-se vendida, em 31/12/2007, a mais de cinco anos. Contudo razão não lhe socorre. O presente feito seguiu os trâmites regulares. A fiscalização atuou dentro da estrita legalidade e no limite institucional de sua competência, inclusive oportunizando ao contribuinte prestar as informações e esclarecimentos necessários a condução dos trabalhos fiscais, os quais não foram atendidos. O lançamento está claramente motivado e a base legal enquadrada. Denota-se que as alegações novamente repisadas nessa seara já foram detidamente apreciadas pela DRJ/CTA, estando a decisão recorrida assim fundamentada (fls. 114/118): Da alegação de nulidade O interessado questiona o fato de o auto de infração haver sido lavrado em local diverso ao de seu domicílio, arguindo suposta ofensa ao art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, (...). Todavia, como se percebe, exige-se que a lavratura do auto de infração se faça no local da verificação da falta, o que não significa o local onde a falta foi praticada, mas sim onde foi constatada, nada impedindo, portanto, que isso ocorra no interior da própria repartição ou em qualquer outro local, conforme o caso. No presente caso, em se tratando de revisão da declaração de ajuste anual e tendo o contribuinte, ao ser intimado, apresentado os recibos das despesas médicas, o local de verificação da falta foi a própria repartição lançadora, onde a autoridade autuante, cotejando as deduções de despesas médicas pleiteadas na DIRPF/2002 com os comprovantes apresentados, considerou como não comprovado o montante de RS 14.000,00. (...) Igualmente descabida a manifestação acerca da falta de recebimento de todos os documentos que embasaram a autuação, pois essa, conforme já explanado, decorreu somente da revisão da declaração de ajuste anual apresentada pelo contribuinte tendo por base os documentos por ele fornecidos à fiscalização, quando intimado, não tendo sido utilizado qualquer outro que ele não possuísse. Além disso, após a ciência do lançamento, o contribuinte teve o prazo de trinta dias para ter vista do inteiro teor do processo no Órgão Preparador e apresentar impugnação escrita, instruída com os documentos em que se fundamentasse, exercitando, dessa forma, seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Nessa ocasião teve direito ao pleno acesso a todos os termos e provas que embasaram o lançamento. Da produção de provas A Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física prova a declaração, mas não o fato declarado. Compete ao contribuinte o ônus de provar o fato, quando intimado pela fiscalização, a qual tem atribuição legal para verificar a autenticidade de todos os fatos declarados. Aliás, tudo que é colocado na declaração está sujeito à comprovação. Quando o contribuinte declara despesas médicas, ele está sujeito, se fiscalizado, a apresentar os Fl. 161DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2003-000.446 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.013051/2006-62 respectivos documentos hábeis e idôneos. (...). Isso está estabelecido no Decreto n° 3.000, de 1999, na seção que trata de declaração das pessoas físicas, art. 797 (...). A admissão de provas documentais, em momento posterior à impugnação, requer a pertinente justificativa, congruente com os motivos elencados nas alíneas do § 4° do art. 16 do Decreto 70.235, de 1972. Da mesma forma, o pedido para a realização de diligências deve vir acompanhado da pertinente justificativa, a teor do mesmo diploma legal (...). No presente caso, caberia ao contribuinte reunir e anexar à impugnação toda a documentação probatória referente às despesas médicas glosadas, inclusive as obtidas junto aos supostos prestadores dos serviços, tais como: laudos, fichas de atendimento e exames, o que, apesar de haver solicitado 15 dias para a apresentação, não foi acostado ao processo, mesmo já tendo transcorrido cerca de 2 anos desde a sua manifestação de inconformidade. Dessa forma, por ser obrigação do contribuinte apresentar as provas de suas alegações, indefere-se o pedido de realização de diligência junto aos supostos emitentes dos recibos. Igualmente incabível o pedido de perícia contábil para apurar a omissão de rendimentos, por ser o lançamento referente somente a glosa de despesas médicas. Ademais, no que tange à competência para lavratura, formalização e julgamento de primeira instância dos lançamentos fiscais, tais matérias já se encontram pacificadas neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, culminando inclusive com a edição das Súmulas nº 6, 27 e 102: Súmula nº 6 É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).). Súmula CARF nº 27: É valido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula CARF nº 102: É válida a decisão proferida por Delegacia da Receita Federal de Julgamento - DRJ de localidade diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Quanto ao requerimento de diligência e perícia, não vislumbro a necessidade de suas realizações, visto que o processo se encontra suficientemente instruído e é contundente a demonstrar a sujeição passiva. Ademais é pertinente ressaltar que no processo fiscal a produção probatória somente se justifica se necessária à formação de convicção do julgador (art. 18 do Decreto nº 70.235/72), o que torna-se despiciendo no presente feito. Por fim, em relação ao pedido formulado de remissão parcial do débito, no limite de R$ 10.000,00, nos termos do art. 14 da MP nº 449/2008, vale salientar que o presente processo – cuja origem foi a exigência de IRPF constituída somente em 26/07/2006, ante as glosas de despesas médicas operadas – não é via própria para discutir eventual direito a remissão pretendida. Ademais a competência deste CARF restringe-se em promover o julgamento de recursos contra decisões proferidas pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento/DRJ (sob pena, dentre outros, de supressão de instância), sendo competente para tal desiderato a unidade de origem da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona a contribuinte. Fl. 162DF CARF MF http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 9 do Acórdão n.º 2003-000.446 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.013051/2006-62 Portanto, rejeito as preliminares suscitadas. Mérito Da glosa mantida sobre as despesas médicas declaradas: Insurge-se, o Recorrente, contra a decisão proferida pela DRJ/CTA, que manteve a glosa das despesas médicas, no valor de R$ 14.000,00, por falta comprovação dos dispêndios efetivamente realizados, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise dos documentos constantes dos autos, ancorados nas razões suscitadas na peça recursal, no sentido do acatamento das aludidas despesas declaradas na DAA/2002. A fiscalização, por seu turno, não acatou dos recibos apresentados diante a ausência de comprovação e regularidade dos serviços prestados, aliado a efetividade dos pagamentos realizados, qualificando-os como não hábeis a comprovar as despesas declaradas por não transmitirem a verossimilhança necessária à convicção do julgador. Pois bem. Entendo que não há como prosperar a insurgência recursal. Da análise dos autos pode-se constatar que a autoridade fiscal requereu as justificativas sobre as despesas médicas declaradas, não tendo sido comprovado ou demonstrado pela Recorrente o cumprimento dos requisitos legais a motivar as respectivas deduções, consubstanciado nos arts. 73, caput e § 1º, e 80, § 1º, III, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). Vale salientar, que o art. 73, por si só, autoriza expressamente ao Fisco, para formar sua convicção, solicitar documentos subsidiários aos recibos, para efeito de confirmá-los, no que tange os efetivos pagamentos e a verossimilhança dos dados declarados, especialmente nos casos em que as despesas sejam consideradas elevadas. Ademais, não se pode olvidar que na relação processual tributária, compete ao sujeito passivo oferecer os elementos que possam ilidir a imputação da irregularidade suscitada. Conclui-se, portanto, que a comprovação da efetiva prestação dos serviços declarados, quando exigidos e não apresentados, além de vulnerar o inciso III do § 1º do art. 80 do RIR/99, autoriza a glosa da dedução pleiteada e a consequente tributação dos valores correspondentes. A própria lei estabelece a quem cabe provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. O art. 11, § 3º do Decreto-lei nº 5.844/43, por seu turno, reza que o sujeito passivo pode ser intimado a promover a devida justificação ou comprovação, imputando-lhe o ônus probatório. Mesmo que a norma possa parecer, ao menos em tese, discricionária, deixando ao sabor do Fisco a iniciativa, e este assim procede quando está albergado em indícios razoáveis de ocorrência de irregularidades nas deduções, mesmo porque o ônus probatório implica trazer elementos que afastem eventuais dúvidas sobre o fato imputado. Assim, considerando que o Recorrente, nesta fase recursal, não trouxe novas alegações hábeis e contundentes a modificar o julgado de piso, me convenço do acerto da decisão recorrida, pelo que adoto como razão de decidir os fundamentos lançados no voto condutor (fls. 119/120), mediante transcrição dos excertos abaixo, à luz do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF: Para a análise da glosa de despesas médicas por falta de comprovação de pagamento, é importante observar o disposto no art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (...). Importante frisar que à autoridade fiscal compete investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência ou não do fato tributário, observando os princípios do devido Fl. 163DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2003-000.446 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.013051/2006-62 processo legal, da verdade material, do contraditório e da ampla defesa. Ao sujeito passivo, cabe, por meio dos elementos que demonstrem a efetividade do direito alegado, apresentar provas hábeis e suficientes para afastar a imputação da irregularidade apontada. (...) Segundo o auto de infração, fl. 97, o contribuinte, quando intimado a comprovar as despesas médicas pleiteadas, “apresentou comprovantes, todavia, não comprovou desembolsos aos profissionais Dra. Magnely J. de Oliveira Alves - R$ 9.000,00; Dra. Cristiane Sinhoca - R$ 2. 000, 00 e Dra. Adriana Pradella Espíndola - R$ 3.000,00” Na impugnação, alegou que o pagamento das despesas glosadas “não restou comprovado apenas pela mera exibição de recibos como alega o fisco, pois além das declarações a serem oportunamente juntados, o autuado procedeu, a juntada de extratos bancários que demonstram os saques feitos em conta corrente e cujas importâncias foram utilizadas para os respectivos desembolsos”. No entanto, não acostou aos autos os recibos e nem os extratos bancários e tampouco as declarações que afirmou estar providenciando. Dessa forma, por haver inclusive admitido ter sido intimado a comprovar o desembolso das despesas médicas, que foram posteriormente glosadas no lançamento por falta de comprovação, e não haver apresentado com a impugnação provas do efetivo desembolso, é de se manter as glosas das despesas médicas por não terem sido comprovados o pagamento e a efetiva prestação do serviço. Destarte, uma vez desatendidos os requisitos para dedutibilidade, correta é manutenção da atuação, tudo em sintonia com a legislação de regência, razão pela qual mantenho o valor glosado de R$ 14.000,00, por falta de cumprimento de requisito mínimo contido no art. 80, § 1º, III, do RIR/99 e justificação consistente, nos termos do art. 73, caput e § 1º, do RIR/99, que importaram no imposto suplementar ajustado no valor de R$ 3.850,00, mais acréscimos legais. Quanto à incidência da multa de ofício sobre o crédito tributário, vale salientar que a mesma é lançada por estrita determinação legal contida nos arts. 44, I, da Lei nº 9.430/96 e 957 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), cujos dispositivos determinam o regramento para sua respectiva aplicação, como é o caso dos autos. Portanto, a multa de 75%, aplicada em decorrência do lançamento de oficio, não pode ser reduzida nem dispensada, uma vez que é expressamente determinada pela legislação de regência. E no que tange à suposta inconstitucionalidade aventada, como sabido, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – órgão revisor dos atos praticados pela Administração Tributária – não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, matéria esta, aliás, já sumulada: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Já em relação ao entendimento jurisprudencial e a doutrina trazidos para justificar as pretensões recursais, os mesmos, nesta seara, são improfícuos, pois, as decisões, mesmo que colegiadas, sem um normativo legal a lhes atribuir eficácia, não traduzem em normas complementares do Direito Tributário, e vinculam apenas as partes envolvidas nos litígios por elas resolvidos. Cabe salientar, por fim, que o lançamento fiscal rege-se por expressa determinação legal, sendo, portanto, a atividade fiscal vinculada e obrigatória sob pena de Fl. 164DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2003-000.446 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.013051/2006-62 responsabilidade funcional, na exata dicção do art. 142, caput e parágrafo único, do CTN. O que é determinante para a efetivação do lançamento é a ocorrência do fato gerador, competindo à fiscalização constituir o crédito tributário e calcular a exigência de acordo com a lei vigente à época dos fatos. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do presente recurso, para rejeitar as preliminares suscitadas, e no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do voto em epígrafe, para manter a glosa das despesas médicas declaradas, no valor de R$ 14.000,00, na base de cálculo do imposto de renda no ano-calendário 2001, exercício 2002. É como voto. (assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 165DF CARF MF

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Numero do processo: 10730.721777/2017-77
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2015 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. FILHOS MAIORES DE 24 ANOS. A pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124-A. O fundamento da obrigação alimentar muda com a maioridade civil do alimentando, deslocando-se do "dever de sustento" próprio do poder de família para o “dever de solidariedade” resultante do parentesco, quando os filhos maiores provam não estarem em condições de prover a respectiva subsistência ou, se até os 24 anos de idade, frequentarem curso técnico ou de graduação universitária (Lei nº 10.406, de 2002, arts. 5º, caput e § único, incisos I a V; 1.565; 1.566, inciso IV; 1.630; 1.631, caput; 1.632; 1.634, inciso I; 1.635, inciso III; 1.694, caput e § 1º; 1.695; 1.703; e 1.708, caput e § único). Mantém-se a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade. IRPF. GLOSA DE DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. ÓBITO DA ALIMENTANDA. Com o falecimento da alimentanda extingue-se o dever alimentar, incabível, portanto, a dedução dos valores pagos após a data da ocorrência do óbito, restando afastada a necessidade da prestação alimentar, devendo ser mantida a glosa efetuada.
Numero da decisão: 2003-000.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Wilderson Botto (relator), que lhe deu provimento parcial para restabelecer a dedução com pensão alimentícia, declarada, mantendo-se a glosa apenas sobre o valor de R$ 5.151,47, referente à pensão paga a ex-esposa Elza Cabral de Souza nos meses de novembro e dezembro, da base de cálculo do imposto de renda, ano-calendário 2015, exercício 2016. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco Ibiapino Luz. (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente (assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator (assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Redator designado. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO

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2003­000.069  –  Turma Extraordinária / 3ª Turma   Sessão de  25 de abril de 2019  Matéria  PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL ­ COMPROVAÇÃO            Recorrente  CELIO SAMPAIO DE SOUZA   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2015  IMPOSTO  DE  RENDA  PESSOA  FÍSICA.  DEDUÇÃO.  PENSÃO  ALIMENTÍCIA JUDICIAL. FILHOS MAIORES DE 24 ANOS.   A pensão  alimentícia  judicial  é  dedutível  na  apuração  do  imposto  de  renda  devido, quando  restar  comprovado  seu  efetivo pagamento,  como  também o  atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento  de decisão  judicial,  acordo homologado  judicialmente ou,  a partir  de 28 de  março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973,  art. 1.124­A.  O  fundamento  da  obrigação  alimentar  muda  com  a  maioridade  civil  do  alimentando,  deslocando­se  do  "dever  de  sustento"  próprio  do  poder  de  família para o “dever de solidariedade” resultante do parentesco, quando os  filhos  maiores  provam  não  estarem  em  condições  de  prover  a  respectiva  subsistência ou, se até os 24 anos de idade, frequentarem curso técnico ou de  graduação  universitária  (Lei  nº  10.406,  de  2002,  arts.  5º,  caput  e  §  único,  incisos  I  a  V;  1.565;  1.566,  inciso  IV;  1.630;  1.631,  caput;  1.632;  1.634,  inciso I; 1.635, inciso III; 1.694, caput e § 1º; 1.695; 1.703; e 1.708, caput e §  único).  Mantém­se  a  glosa  das  despesas  de  pensão  alimentícia  judicial  que  o  contribuinte  não  comprova  ter  cumprido  os  requisitos  exigidos  para  a  respectiva dedutibilidade.  IRPF. GLOSA DE DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. ÓBITO DA  ALIMENTANDA.  Com o falecimento da alimentanda extingue­se o dever alimentar, incabível,  portanto,  a  dedução  dos  valores  pagos  após  a  data  da  ocorrência  do  óbito,  restando afastada a necessidade da prestação alimentar, devendo ser mantida  a glosa efetuada.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 17 77 /2 01 7- 77 Fl. 194DF CARF MF     2     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento  ao recurso, vencido o conselheiro Wilderson Botto (relator), que lhe deu provimento parcial para  restabelecer  a  dedução  com  pensão  alimentícia,  declarada,  mantendo­se  a  glosa  apenas  sobre  o  valor  de R$  5.151,47,  referente  à  pensão  paga  a  ex­esposa Elza Cabral  de  Souza  nos meses  de  novembro  e  dezembro,  da  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda,  ano­calendário  2015,  exercício  2016. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco Ibiapino Luz.   (assinado digitalmente)  Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente   (assinado digitalmente)  Wilderson Botto – Relator  (assinado digitalmente)  Francisco Ibiapino Luz ­ Redator designado.  Participaram do presente  julgamento, os Conselheiros: Sheila Aires Cartaxo  Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.  Relatório  Trata­se de  recurso voluntário  (fls.  170/188)  interposto  contra o  acórdão  nº  09­67.142 da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG) ­  DRJ/JFA (fls. 152/162), que julgou improcedente impugnação da Notificação de Lançamento  nº 2016/048576204468272, objeto do presente feito – na qual foi apurado crédito tributário no  valor de R$ 47.761,06 – mantendo­se o crédito remanescente de imposto suplementar no valor  de R$ 10.663,89, reconhecido no Despacho Decisório nº 202/2018/EFI06­Sefis/DRF/NIT, de  15/05/2018 (fls. 123/129).   A decisão de primeira  instância, por meio dos  excertos a  seguir  transcritos,  assim  contextualizou  os  fatos  envolvidos  (fls.  153/158),  cujas  infrações  remanescentes  apuradas, ao final, referem­se a deduções indevidas de pensão alimentícia judicial da base  de cálculo do imposto de renda:  Para  o  contribuinte  retro  qualificado  foi  emitida  a Notificação  de Lançamento – IRPF de fls. 8/13, que lhe exige o recolhimento  do  crédito  tributário  no  montante  de  R$  47.761,06,  sendo,  consoante  ali  discriminado,  R$  25.307,90  de  imposto  suplementar e o restante de acréscimos legais correspondentes.   Decorreu  o  citado  lançamento  da  revisão  efetuada  na  Declaração de Ajuste Anual – DAA/2016, entregue à RFB pelo  interessado, cujo resultado era de imposto a restituir no valor de  R$746,79 ­ fl. 12.  De  acordo  com  a  Descrição  dos  Fatos  de  fls.  10/11,  pela  justificativa  fiscal:  "regularmente  intimado,  o  contribuinte  não  atendeu  a  intimação  até  a  presente  data",  foram  consideradas  Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10730.721777/2017­77  Acórdão n.º 2003­000.069  S2­C0T3  Fl. 195          3 indevidas as deduções de: 1) despesas médicas, no valor de R$  11.214,32;  e  2)  pensão  alimentícia  judicial,  no  valor  de  R$  83.530,00.   O notificado, cientificado em 08/06/2017 ­ AR fl. 42, apresentou,  em 30/06/2017, por meio de seu procurador nomeado conforme  instrumento de fls. 6/7, a  impugnação de fls. 4/5, instruída com  os documentos de fls. 14/40.  Nessa oportunidade, contesta o feito fiscal da seguinte forma:  (...).  Os elementos apresentados juntamente com a peça contestatória  foram  analisados  mediante  revisão  de  ofício,  promovida  pela  Fiscalização  da  DRF/Niterói/RJ  em  cumprimento  à  Instrução  Normativa  RFB  nº  958/2009,  em  seu  artigo  6ºA,  com  nova  redação dada pela  Instrução Normativa RFB nº  1061/2010,  no  propósito  de  se  observar  a  adequação  desses  documentos  aos  termos  que  estampa  a  pertinente  legislação  tributária.  A  par  disso,  foi  lavrado  o  Despacho  Decisório  SEFIS/DRF/NIT  nº  275/2017,  anexado  às  fls.  47/50,  cuja  conclusão  foi  pela  procedência  parcial  do  lançamento  em  foco,  passando  da  exigência de crédito tributário para imposto a restituir no valor  de R$160,07. A justificativa da autoridade fiscal que procedeu a  revisão de ofício foi:   8. Assim, de acordo com a documentação juntada ao presente processo  e as pesquisas efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal  do Brasil, constatou­se que:  8.1) DESPESAS MÉDICAS, no valor de R$ 11.214,32.  A  Glosa  da Dedução  Indevida  de  Despesas Médicas  no  valor  de  R$  11.214,32 deve  ser  cancelada,  tendo em vista a  conclusão da análise  dos  documentos  apresentados  para  a  comprovação  dos  pagamentos  informados na declaração de ajuste, conforme demonstrativo a seguir,  consoante o disposto no art. 8º, inciso II, alínea “a”, e parágrafos 2º e  3º  da Lei  nº  9.250/95;  arts.  73  e  80  do Decreto  3.000/99  – RIR/99  e  arts. 43 e 48 da Instrução Normativa SRF nº 15/2001:  8.2) PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL ­ Dedução Indevida no valor  de R$83.530,00.  A  Glosa  da  Dedução  Indevida  de  Despesas  com  Pensão  Alimentícia  Judicial no valor de R$83.530,00 deve ser mantida em parte, no valor  de  R$  81.396,47,  devendo  ser  cancelada  a  parcela  de  R$  2.133,53,  tendo  em  vista  a  conclusão  da  análise  dos  documentos  apresentados  para  a  comprovação  dos  pagamentos  informados  na  declaração  de  ajuste  (fl. 19), bem como a decisão  judicial em que  foi estabelecida a  referida pensão (fls. 14 a 17), conforme demonstrativo a seguir:  Após  a  análise  das  alegações  e  documentos  apresentados  restaram  mantidos  os  seguintes  valores:  R$  2.133,53  a  título  de  Pensão  Alimentícia Judicial.   O interessado após cientificado do referido Despacho Decisório  ­  fl.  57,  não  se  manifestou  sobre  seu  resultado,  tendo  sido,  então, o presente processo encaminhado para esta DRJ.   Fl. 196DF CARF MF     4 Da  análise  dos  autos  foi  proferido  por  esta  4ª  Turma  de  Julgamento o Acórdão DRJ/JFA nº 09­65.669, de 8 de fevereiro  de 2018, anexado às fls. 74/77, que considerou  improcedente a  impugnação  apresentada  com  relação  à  matéria  remanescente  nos autos, confirmando o resultado constante daquele Despacho  Decisório, com intuito de se resolver o processo.   Porém,  no  Acórdão  proferido  foi  registrada  a  discordância  do  relator quanto ao cancelamento de parte da glosa da dedução a  título  de  pensão  alimentícia  vinculada  à  Sra.  Elza  Cabral  de  Souza,  haja  vista  ter  sido  verificado,  na  análise  procedida,  o  falecimento  da  referida  senhora  durante  o  ano  calendário  de  2015, ano da DAA/2016, o que apontaria para um cancelamento  indevido de um valor superior ao que deveria ter sido realizado.  Além  disso,  foi  constatado  também  que  o  contribuinte  na  DAA/2017, ano calendário de 2016, se beneficiou indevidamente  da mesma dedução.   Em  complementação  ao  registro  feito  naquele  Acórdão,  foi  encaminhada  uma  representação  fiscal  ­  fls.  98/99,  via  comunicação  interna  da  RFB,  ao  Delegado  da  DRJ/JFA/MG  para  que  fossem  repassados  os  fatos  verificados  à  DRF/Niterói/RJ,  no  propósito  de  que  esta DRF,  entendendo da  mesma forma, procedesse à re­análise do decidido no Despacho  Decisório SEFIS/DRF/NIT nº 275/2017, e retificasse, se fosse o  caso, a situação do IRPF/2016 em litígio, por meio de um novo  procedimento  de  ofício,  bem  como  regularizasse  também  o  IRPF/2017 do contribuinte.   Em razão do exposto, a SEFIS/DRF/Niterói/RJ optou por refazer  a  revisão  de  ofício,  após  solicitar  o  reexame  do  período  fiscalizado  ao DRF/Niterói/RJ  ­  despachos  a  fls.  100/101.  Foi,  então, lavrado o Termo de Intimação Fiscal de fl. 118, por meio  do  qual  foi  solicitada  a  apresentação  da  certidão  de  óbito  da  Sra.  Elza  Cabral  de  Souza,  beneficiária  da  pensão  alimentícia  questionada. O interessado, em atendimento, ofereceu a certidão  de fl. 118 e os documentos de fls. 119/122.   A  re­análise  realizada  acerca  do  IRPF/2016  do  contribuinte  resultou  na  elaboração  do  Despacho  Decisório  nº  202/2018/EFI06­SEFIS/DRF/NIT,  datado  de  15/05/2018  e  apensado  a  fls.  123/129,  do  qual  se  extrai  de  seu  bojo  os  seguintes fragmentos:   Confrontando  os  documentos  acostados  ao  presente  processo  e  os  documentos  constantes  no Dossiê  10010.041270/0415­43,  referente  à  Solicitação  de  Antecipação  da  análise  da  DAA­14,  observou­se  um  documento  não  trazido  aos  autos  anteriormente  pelo  sujeito  passivo:  Termo de Audiência e Conciliação, exarado em 16­05­1980, pelo Juízo  de Direito da 2a Vara de Família do Estado da Guanabara, acostado  às fls. 06 e 07 do presente Dossiê.   Após  breve  análise,  constatou­se  que  o  referido  documento  teria  o  condão de alterar a decisão anteriormente proferida, tendo em vista as  condições acordadas  judicialmente no  que  tange aos beneficiários  da  pensão alimentícia paga pelo contribuinte ora em análise.  Assim,  em atenção ao determinado pela autoridade  julgadora no  que  concerne à apreciação de fato não conhecido por ocasião da revisão de  ofício  realizada anteriormente, e após autorização expressa do  titular  Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10730.721777/2017­77  Acórdão n.º 2003­000.069  S2­C0T3  Fl. 196          5 desta Unidade acostada à fl. 101 do presente processo, será feita uma  reanálise dos documentos e alegações apresentados por Célio Sampaio  de  Souza,  CPF  041.399.417­15,  no  que  tange  à  dedução  relativa  à  Pensão Alimentícia Judicial constante na Declaração de Ajuste Anual  do  exercício  de  2016  (§3o,  do  art.  18,  do  Decreto  70.235/02,  por  analogia;  inciso VIII, do  art.  149 da Lei 5.172/66, por analogia;  art.  906 do Decreto 3.000/99).  Em tempo, ressalte­se que a presente revisão tem por base a obediência  aos  princípios  basilares  do  regime  jurídico­administrativo,  tais  como  legalidade,  indisponibilidade  do  interesse  público  e  supremacia  deste  sobre  o  interesse  privado,  os  quais  se  baseiam  na  qualidade  de  autotutela  do Estado  que  pode,  a  qualquer momento,  por motivos  de  ilegalidade,  conveniência  e  oportunidade,  confirmar,  anular,  revogar  ou  modificar  a  decisão  recorrida,  sem  vincular­se  à  pretensão  das  partes.   * PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL ­ Dedução Indevida no valor  de R$83.530,00.  O  contribuinte  apresentou  documentos  comprobatórios  da  dedução  referente à pensão alimentícia judicial os quais foram acostados às fls.  14  a  25  do  presente  processo,  constam  contracheques  emitidos  pela  fonte  pagadora  Ministério  da  Agricultura,  Pecuária  e  Abastecimento  com  os  descontos  referentes  à  referida  pensão  (fls.  20  a  25),  comprovante anual de rendimentos emitido pela citada fonte pagadora  (fl. 19), documento extraído dos autos judiciais da obrigação alimentar  referente a Sra. Isis de Mattos Campra (fl. 17) e documentos extraídos  dos autos judiciais da obrigação alimentar referente a Sra. Elza Cabral  de Souza (fls. 14 a 16).  Após análise da documentação supra, podemos constatar que:  1) Contracheques referentes aos meses de janeiro a dezembro de 2015  –  observa­se  haver  dois  descontos  referentes  à  pensão  alimentícia  vinculado  à  obrigação  alimentar  com  Isis  de Mattos  Campra  e  Elza  Cabral de Souza;  2) Comprovante de Rendimentos referente ao ano­calendário de 2015 –  consta  informação  acerca  do  valor  anual  descontado  do  contribuinte  no  que  concerne  à  pensão  alimentícia  no  montante  de  R$81.396,47,  sendo R$65.117,24 pago à Elza Cabral de Souza e R$16.279,23 pago à  Isis de Mattos Campra (valor já excluído 13o salário);  3) Ofício nº 815/2011/OF, emitido em 10­05­2011 pelo Cartório da 4a  Vara de Família relativo à fixação de alimentos em favor de Leonardo  de Mattos  Sampaio  de  Souza  e  Isabela  de Mattos  Sampaio  de  Souza  (Representante  Legal:  Isis  de  Mattos  Campra),  o  qual  estabeleceu  o  desconto  dos  proventos  em  folha  de  pagamentos  do  contribuinte  em  tela (alimentos definitivos), a  título de pensão alimentícia definitiva, a  quantia  correspondente  a  10%  dos  seus  rendimentos  brutos,  com  dedução  apenas  dos  descontos  obrigatórios  (IRRF  e  Previdência  Social), sendo 5% para cada autor;  4) Termo de Audiência de Conciliação, datado de 18 de junho de 1979,  o qual estabeleceu que o contribuinte em tela pensionaria a esposa e os  sete filhos do casal com o equivalente a 40% de seus ganhos líquidos,  considerando  estes  como  a  diferença  entre  os  seus  ganhos  brutos  a  qualquer título e tão somente os descontos legalmente obrigatórios, ou  seja, os previdenciários e fiscais.  Fl. 198DF CARF MF     6 5) Termo de Audiência e Conciliação, datado de 16 de maio de 1980  (documento  posteriormente  trazido  aos  autos  extraído  do  dossiê  de  malha  fiscal  número  10010.041270­0415­43  –  fls.  106  e 107),  o qual  estabelece que dos 40% dos ganhos líquidos do contribuinte, 19% seria  destinado a Elza Cabral de Souza e os 21% divididos em partes iguais  pelos filhos do casal.  Do  documento  citado  no  item  5  supra,  constata­se,  pelas  datas  de  nascimentos dos filhos do casal, que todos eles, no ano­calendário que  ora  se  analisa,  seriam  maiores  de  24  anos.  Cumpre  mostrar  que  as  normas do Direito de Família, art. 1694 do Código Civil, tem entre os  pressupostos essenciais da obrigação de prestar alimentos, a existência  do vínculo de parentesco entre o alimentando e o alimentante, porém,  com  relação  aos  filhos  que  atingem  a  maioridade,  a  ideia  preponderante é que os alimentos cessam com ela.   A doutrina e boa parte da  jurisprudência admitem que tal pagamento  se dê até os 24 anos de idade, devendo ser comprovado, nessa hipótese,  que  o  alimentando  é  estudante  regularmente  matriculado  em  estabelecimento  de  ensino  superior,  sem  condições  próprias  de  subsistência  ou  que  ficasse  comprovada  a  sua  incapacidade  para  o  trabalho  ou  a  falta  de  condições  de  prover,  pelo  seu  trabalho,  a  sua  própria  mantença,  existindo  um  caráter  obrigacional  claro  de  sustento.   De  todo  o  exposto,  fica  claro  que  o  direito  à  redução  da  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda  mediante  dedução  de  pagamentos  efetuados  a  título  de  pensão  alimentícia  judicial  abrange  os  valores  correspondentes ao dever de sustento, vale dizer, até que o alimentando  atinja a maioridade civil, e desde que atendidos os requisitos  legais e  comprovado  o  efetivo  pagamento.  Exceção  a  essa  regra  é  o  caso  de  filhos maiores  inválidos  e  de maiores  com  até  24  anos  de  idade  que  comprovadamente  estejam  em  curso  superior  ou  técnico  de  segundo  grau, tendo por base o art. 77 do RIR/1999.   Ademais,  registre­se  que  também  não  constam  nos  autos  qualquer  documento judicial que ateste que os valores referentes aos sete filhos  do  casal  seriam  revertidos  para  Sra.  Elza,  após  completarem  a  maioridade  civil.  Destarte,  conclui­se  que  a  glosa  da  Dedução  Indevida de Despesas com Pensão Alimentícia Judicial relativa à Elza  Cabral  de  Souza  seria  19%  x  R$162.678,24  (rendimento  líquido),  totalizando R$30.908,86.  Ocorre que foi constatado nos sistemas informatizados desta RFB que  Elza Cabral de Souza  faleceu no ano de 2015. Ante essa  informação,  intimou­se  o  contribuinte,  por meio  do  Termo  de  Intimação Fiscal  nº  75/2018  ­  acostado  à  fl.  118  do  presente  processo  ­  a  fim  de  que  apresentasse  a  Certidão  de  Óbito  de  sua  ex­esposa.  Em  resposta  à  intimação  supra,  o  contribuinte  apresentou  a  referida  Certidão  de  Óbito  em que  consta  como data do  falecimento 27/10/2015. Destarte,  tendo em vista que a dedução, a título de Pensão Alimentícia Judicial,  referente ao pagamento à Elza C. de Souza seria de R$30.908,86 para  o  ano­calendário  de  2015,  ao  realizar  os  cálculos  até  a  data  do  seu  falecimento,  verifica­se  que  o  valor  total  a  ser  deduzido  seria  de  R$25.757,39.  Com relação à pensão alimentícia paga à Sra. Isis de Mattos Campra,  entende­se estar de acordo com texto da legislação regente da matéria,  devidamente enquadrada dentro das normas do Direito de Família (fl.  39). Assim, a glosa de R$16.279,23 relativo ao pagamento de pensão  alimentícia judicial à Isis de M. Campra deve ser cancelada.  Diante de todo o exposto, conclui­se que a Glosa da Dedução Indevida  de  Despesas  com  Pensão  Alimentícia  Judicial  no  valor  de  Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10730.721777/2017­77  Acórdão n.º 2003­000.069  S2­C0T3  Fl. 197          7 R$83.530,00  deve  ser  mantida  em  parte,  no  valor  de  R$41.493,38,  devendo  ser  cancelada  a  parcela  de  R$42.036,62,  tendo  em  vista  a  conclusão  da  análise  dos  documentos  apresentados  para  a  comprovação  dos  pagamentos  informados  na  declaração  de  ajuste,  bem  como  os  termos  constantes  nas  decisões  judiciais  em  que  foram  estabelecidas as referidas pensões, conforme preceitua o art.8.º, inciso  II,  alínea  "f",  da  Lei  n.º  9.250/95;  arts.  73,  78  e  841,  inciso  II  do  Decreto n.º 3.000/99 – RIR/99 e arts. 49 e 50 da Instrução Normativa  SRF n.º 15/2001.  (...).  Após tomar ciência do resultado da revisão de ofício acima ­ fl.  133,  o  contribuinte,  a  fls.  136/137,  apresenta  manifestação  de  inconformidade  sobre  a  glosa  da  dedução  a  título  de  pensão  alimentícia ora mantida, nos seguintes termos:    Na 1º Ação, de 18 de  junho de 1979, Elza Cabral de Souza requereu  uma  \Pensão  Alimentícia  de  40%  dos  meus  vencimentos,  e  ficou  estabelecido,  também,  que  eu  seria  responsável  pelo  pagamento  das  prestações do apartamento que  ficou para ela, bem como as despesas  com mensalidades escolares, material didático e uniforme.  Na  2ª  Ação,  datada  de  18  de  maio  de  1980,  Elza  Cabral  de  Souza  requereu Separação Judicial, sendo mantida a pensão de 40%. Ocorre,  porém, que o Juiz, por sua conta, determinou que à mãe caberia 19% e  aos  filhos  a  diferença  (21%). Determinou,  ainda,  que  a mim  caberia  pagamento da prestação do apartamento de residência da família, bem  como  o  reembolso  das  despesas  escolares,  etc.  não  especificando  a  idade  limite para os  filhos deixarem de participar dos 3% estipulados  para cada um.  E fez anexar os documentos de fls. 138/144.   A  impugnação  apresentada  foi  julgada  improcedente  (fls.  152/162),  resultando da cobrança de  imposto suplementar  remanescente no valor de R$ 10.663,89 (fls.  164/165).  Devidamente  intimado,  por  AR,  da  decisão  proferida  (16/07/2018)  (fls.  166/167), apresentou (em 03/08/0218) Recurso Voluntário (Fls. 170/188), insurgindo­se contra  a dedução glosada, repisando as alegações da impugnação, pugnando, ao final, pela reforma da  decisão recorrida com o cancelamento do débito fiscal reclamado.   Instruiu  a  peça  recursal,  com  cópia  dos  comprovantes  de  rendimentos  recebidos no ano de 2015 (fls. 177/188).   Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública.  É o relatório.  Voto Vencido  Conselheiro Wilderson Botto – Relator  Fl. 200DF CARF MF     8 O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade,  razões por que dele conheço e passo à sua análise.  MÉRITO   1 ­ Da glosa da despesa com pensão alimentícia judicial:  No  que  tange  a  glosa  remanescente  mantida  e  que  importou  no  imposto  suplementar  lançado, o Recorrente deduziu o valor de R$ 65.117,24,  relativo a despesas com  pensão alimentícia pagas a sua ex­esposa (Elza Cabral de Souza) e aos seus sete filhos (Valéria,  Lincoln, André, Jeferson, Célio, Patrícia e Rodolfo) com o equivalente a 40% de seus ganhos  líquidos, considerando este como a diferença entre os seus ganhos brutos a qualquer título, e os  descontos legalmente obrigatórios, ou seja, os previdenciários e fiscais.   Dos  40%  dos  ganhos  líquidos,  19%  seria  destinado  a  ex­esposa  e  21%  divididos  em  partes  iguais  pelos  sete  filhos  do  casal,  ou  seja,  3%  para  cada  um  deles.  (fls.  105/107).  A DRJ/JFA, por sua vez, entendeu que a dedução foi indevida (fls. 152/162):  A exigência  tributária  remanescente  nos  autos  se  deu  em  razão  da manutenção da glosa da dedução pleiteada a título de pensão  alimentícia,  referente  à  Sra. Elza Cabral  de Souza, no  valor  de  R$41.493,38, pelas justificativas já relatadas.   O  interessado  se  manifesta  contrariamente  à  glosa  mantida  alegando  que  a  obrigação  alimentar  determinada  na  primeira  sentença judicial foi na proporção de 40% de seus vencimentos, e  na  segunda  sentença  a  autoridade  judicial  distribuiu  aquele  percentual  entre  sua ex­esposa, que  ficou com 19%,  e  seus  sete  filhos,  os  restantes  21%  ­  3%  para  cada  um,  mas,  não  foi  estipulada  a  idade  limite  destes  para  o  recebimento  da  parte  correspondente.   Sobre o assunto o RIR/1999 assim dispõe:   Art.78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência  mensal  do  imposto,  poderá  ser  deduzida  a  importância  paga  a  título de pensão alimentícia  em face das normas do Direito de  Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo  homologado  judicialmente,  inclusive  a  prestação  de  alimentos  provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II)... (grifei)   Desse  modo,  a  regularidade  da  dedução  de  pensão  alimentícia  judicial  depende  do  atendimento  de  dois  requisitos,  a  serem  comprovados  pelo  contribuinte:  que  o  pagamento  decorre  de  sentença judicial ou acordo homologado judicialmente em face  das normas do Direito de Família e seu efetivo pagamento.   O exame da situação que ora se apresenta não pode ficar adstrito  à interpretação literal das normas pertinentes, sendo necessário,  também,  determinar  a  natureza  dos  pagamentos  efetuados  pelo  contribuinte  e  verificar,  por  meio  de  interpretação  finalística  e  sistemática  das  normas  tributárias  e  de  direito  de  família,  o  alcance  da  dedução  de  pagamentos  a  título  de  pensão  alimentícia.   Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10730.721777/2017­77  Acórdão n.º 2003­000.069  S2­C0T3  Fl. 198          9 (...).  Patente  que  não  há  como  interpretar  o  dispositivo  tributário  regente  da matéria,  como  se  fosse  norma  isolada  no  sistema,  é  importante  identificar a natureza dos pagamentos efetuados por  meio  de  sentenças  ou  acordos  judiciais,  pois  nem  todos  têm  a  natureza jurídica de pensão alimentícia, embora possam ter sido  assim denominados como no presente caso.   Cabe registrar que no Termo de Audiência e Conciliação de fls.  105/106,  datado  de  16/05/1980,  foram  discriminados  como  alimentantes a ex esposa do contribuinte e seus sete filhos, cujas  datas  de  nascimentos  estão  ali  informadas,  tendo  o  mais  novo  nascido  no  ano  de  1972,  portanto,  em  2015,  este  estaria  com  idade superior a 42 (quarenta e dois) anos e o mais velho acima  de 54 (cinquenta e quatro) anos idade.   Neste  ponto,  necessário  se  faz  analisar  dispositivos  do  Código  Civil,  para  esclarecimento  das  condições  de  dedutibilidade  da  pensão alimentícia. Seguem textos legais, os quais contêm grifos  ou destaques no original:   Art. 1.590. As disposições relativas à guarda e prestação de alimentos  aos filhos menores estendem­se aos maiores incapazes.[...]   Art.  1.630.  Os  filhos  estão  sujeitos  ao  poder  familiar,  enquanto  menores.[...]   Art. 1.635. Extingue­se o poder familiar: I ­ pela morte dos pais ou do  filho; II ­ pela emancipação, nos termos do art. 5o, parágrafo único; III  ­ pela maioridade; IV ­ pela adoção; V ­ por decisão judicial, na forma  do  artigo  1.638.[...]  Art.  1.694.  Podem  os  parentes,  os  cônjuges  ou  companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para  viver  de  modo  compatível  com  a  sua  condição  social,  inclusive  para  atender às necessidades de sua educação. § 1o Os alimentos devem ser  fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da  pessoa obrigada.  §  2o  Os  alimentos  serão  apenas  os  indispensáveis  à  subsistência,  quando a situação de necessidade resultar de culpa de quem os pleiteia.  Art. 1.695. São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem  bens  suficientes,  nem  pode  prover,  pelo  seu  trabalho,  à  própria  mantença,  e  aquele,  de  quem  se  reclamam,  pode  fornecê­los,  sem  desfalque do necessário ao seu sustento.   Pelos dispositivos  legais expostos,  a dedução  lançada não pode  ser aceita como proveniente de pensão alimentícia judicial devida  em  face  das  normas  de  Direito  de  Família,  condição  principal  para a dedução da base de cálculo do imposto de renda.   Não se está afastando a possibilidade de celebração de acordos,  visto que podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir  uns  aos  outros  os  alimentos  de  que  necessitem  para  viver  de  modo  compatível  com  a  sua  condição  social,  inclusive  para  atender  às  necessidades  de  sua  educação. É  o  que  determina  o  art.  1694  do  Código  Civil,  entretanto,  entre  os  pressupostos  essenciais da obrigação de prestar alimentos consta a existência  do  vínculo  de  parentesco  entre  o  alimentando  e  o  alimentante,  Fl. 202DF CARF MF     10 porém, com relação aos filhos que atingem a maioridade, a idéia  preponderante é que os alimentos cessam com ela.   (...)  A  doutrina  e  boa  parte  da  jurisprudência  admitem  que  tal  pagamento  se  dê  até  os  21  anos  de  idade,  admitido  até  os  24  anos de  idade, devendo ser  comprovado, nessa hipótese,  que o  alimentando  é  estudante  regularmente  matriculado  em  estabelecimento de  ensino  superior,  sem condições próprias de  subsistência  ou  que  ficasse  comprovada  a  sua  incapacidade  para  o  trabalho  ou  a  falta  de  condições  de  prover,  pelo  seu  trabalho, a sua própria mantença.   (...)  De todo o exposto, fica claro que o direito à redução da base de  cálculo  do  imposto  de  renda  mediante  dedução  de  pagamentos  efetuados  a  título  de  pensão  alimentícia  judicial  abrange  os  valores correspondentes ao dever de sustento, vale dizer, até que o  alimentando  atinja  a maioridade  civil,  e  desde  que  atendidos  os  requisitos  legais  e  comprovado  o  efetivo  pagamento.  Exceção  a  essa regra é o caso de filhos maiores inválidos e de maiores com  até  24  anos  de  idade  que  comprovadamente  estejam  em  curso  superior ou técnico de segundo grau, tendo por base o art. 77 do  RIR/1999.   Portanto, pagamentos efetuados a filhos que não se enquadrem na  condição de menoridade, ou nas  situações especiais previstas na  legislação,  não  geram  direito  a  redução  da  base  de  cálculo  do  IRPF mediante dedução.   Esse  é  o  caso  que  ora  se  apresenta,  visto  que  os  filhos  do  contribuinte  com  sua  ex­esposa,  no  ano  calendário  de  2015,  se  encontravam  com  idades  entre  42  e  54  anos,  situação  que  tem  como  condição  imprescindível,  para  fins  de  dedução,  que,  em  face  das  normas  do  Direito  de  Família,  os  alimentos  sejam  devidos  quando  o(s)  pretendente(s)  não  tenha(m)  bens  e  nem  possa(m) prover, pelo trabalho, a própria mantença, existindo um  caráter obrigacional claro de sustento, condição essa que não foi  comprovada nos presentes autos.   (...)  Conclui­se,  pois,  que  o  pleito  do  impugnante  é  indevido  em  relação aos seus filhos, e, da mesma forma, em relação à sua ex­ esposa,  haja  vista  que  não  foi  apensado  aos  autos  algum  documento  judicial  determinando  que  as  pensões  alimentícias  vinculadas  aos  seus  filhos,  ao  atingirem  a  maioridade  civil,  fossem revertidas para a Sra. Elza Cabral de Souza  Neste  ponto,  vale  transcrever  o  bem  fundamentado  voto  vencedor  trazido  Acórdão  nº  2201­003.406,  proferido  nos  autos  Processo  nº  13014.720475/2015­01,  cujas  razões de decidir perfilho – e que se amolda ao caso concreto – onde  a  ilustre Conselheira  Redatora  designada,  Dione  Jesabel  Wasilewski,  com  percuciência  assim  manifestou  suas  convicções:   Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10730.721777/2017­77  Acórdão n.º 2003­000.069  S2­C0T3  Fl. 199          11 Presto  minha  homenagem  à  percuciente  construção  feita  pelo  relator em seu voto, contudo não concordo com os seus termos e  conclusões.  Este  voto  trata  da  possibilidade  de  dedução  de  pensão  alimentícia  paga  a  filho  com  mais  de  21  anos  e  que  não  comprove  curso  em  faculdade  ou  ensino  técnico  superior  ou  impossibilidade  para  trabalho  ou  para  prover  a  própria  mantença.  As  atividades  legislativa  e  executiva  são  expressões  do  poder  político do Estado, a primeira responsável pela edição de normas  de  caráter  geral  e  abstrato  que  inovam  na  ordem  jurídica  e  a  segunda,  vocacionada  a  resolver  os  casos  concretos  de  acordo  coma ordem jurídica vigente.  Mesmo  o  poder  regulamentar  conferido  ao  executivo  deve  ser  exercido  dentro  dos  estreitos  limites  impostos  pelas  leis,  sendo  pacífico o entendimento de que ele não é autorizado, sob pena de  se  configurar  invasão  de  competência,  a  extrapolar  essas  fronteiras criando regras inovadoras.   Se  o  poder  regulamentar  está  contido  pela  rigidez  desses  contornos, que se dirá da atividade da Administração Pública, já  definida como aquela a quem compete aplicar a lei de ofício.  Na hipótese em questão, a norma que confere ao contribuinte o  direito  à  dedução  da  pensão  alimentícia  da  base  de  cálculo  do  imposto de renda tem a seguinte redação (Lei nº 9.250, de 26 de  dezembro de 1995):   Art.  8º  A  base  de  cálculo  do  imposto  devido  no  ano­calendário  será a diferença entre as somas:  I ­ de todos os rendimentos percebidos durante o ano­calendário,  exceto  os  isentos,  os  não­tributáveis,  os  tributáveis  exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva;    II ­ das deduções relativas:  f)  às  importâncias pagas a  título de pensão alimentícia  em  face  das  normas  do Direito  de  Família,  quando  em  cumprimento  de  decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais,  de  acordo homologado  judicialmente,  ou de  escritura  pública  a  que se refere o art. 1.124­A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de  1973, Código de Processo Civil; (...)   Essas  regras  são  diferentes  daquelas  relativas  à  dedução  dos  filhos  como  dependentes.  Para  cada  uma  dessas  situações,  dedução  como  dependente  ou  dedução  de  pensão  alimentícia,  existem  condições  legais  próprias  a  serem  atendidas,  que  expressam  verdadeiros  ônus  para  os  contribuintes,  mas  são  também  expressões  de  direitos  a  serem  respeitados  pela  Administração.   Ao estender as regras criadas textualmente para as situações de  dependência  para  as  de  dedução  da  pensão  alimentícia,  a  Fl. 204DF CARF MF     12 Administração  onera  os  contribuintes  nesta  situação  de  forma  que  extrapola  os  limites  impostos  pela  investigação  sintática  (literalidade).  E  este  é  o  critério  fixado  pelo Código  Tributário  Nacional  como  o  adequado  para  a  interpretação  das  normas  dessa natureza (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 111),  que  tanto  serve  para  limitar  o  exercício  do  direito,  como  para  definir  o  ônus  imposto  como  condição  para  ele.  Ou  seja,  a  literalidade da norma tanto serve para impedir a extensão, como  a redução do seu significado.  É  certo  que  o  CTN  autoriza  o  emprego  da  analogia  quando  houver  ausência  de  disposição  expressa"  (art.  108,  I),  ressalvando  que,  do  emprego  da  analogia,  não  poderá  resultar  na exigência de tributo não previsto em lei (art. 108, § 1º). Mas,  ao se indagar sobre a possibilidade de integração da norma, por  analogia,  no  caso  concreto  em  análise,  não  é  possível  superar  nem  o  primeiro  obstáculo  estabelecido  pelo  CTN,  pois,  indubitavelmente, há norma específica regulando a matéria.   A meu ver, criar condições que não podem ser extraídas do texto  legal  significar  inovar  no  ordenamento  jurídico,  e  inovar  no  ordenamento jurídico é legislar sobre direito tributário, atividade  estranha à esfera de competência desse órgão.  Isso não quer dizer que a administração está fadada a admitir as  deduções a título de pensão alimentícia sem qualquer valoração  do caso concreto. Pelo contrário, há um espaço a ser preenchido  na verificação da adequação do caso concreto ao preceito geral e  abstrato.  Assim, para que haja o direito à dedução não basta, por exemplo,  que  haja  um  acordo  homologado  judicialmente.  É  necessário  investigar  quais  foram  as  condições  estabelecidas  como  pressupostos  para  sua  validade  e  se  essas  condições  ainda  se  mantém  (aplicação  da  cláusula  rebus  sic  stantibus).  De  forma  que,  se  a  pensão  foi  justificada  pelo  estado  de  desemprego  involuntário, ou pelo fato do filho estar se dedicando à formação  acadêmica, ou pelo casal estar separado de fato, ou por doença  do  beneficiário  da  pensão  ou  de  seu  filho/cônjuge  a  exigir  atenção  integral  daquele,  pode  ser  feita  a  verificação  da  continuidade dessas  condições  como pressuposto  de  eficácia  do  acordo ou da sentença.  A fiscalização também pode e deve conferir se há efetivamente  pagamento da pensão. Para  tanto, é necessário que haja prova  da  transferência  dos  recursos  e  que  estes  foram  integrados  de  forma definitiva ao patrimônio do beneficiário. Não comprovado  pagamento, não há direito à dedução.   A verificação do atendimento dessas condições deve ser feita pela  fiscalização  e  caso  constate  a  existência  de  irregularidade,  ela  deve  estar  suficientemente  escrita  no  auto  de  infração,  com  a  demonstração  dos  seus  elementos  de  fato  e  de  direito.  Se  o  lançamento  não  aponta  esses  elementos,  falta­lhe  fundamentação.   Na hipótese em questão, o auto utilizou como fundamento para  glosa da dedução com pensão judicial (fls 34) o não atendimento  aos  critérios  estabelecidos  para  dedução  de  dependente.  Esse  Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10730.721777/2017­77  Acórdão n.º 2003­000.069  S2­C0T3  Fl. 200          13 critério não é idôneo para fundamentar essa glosa e outro não  pode ser manejado nessa sede recursal sob pena de cerceamento  do direito de defesa.  Dessa forma, com todo respeito àqueles que pensam de maneira  diferente,  entendo  que,  em  relação  à  dedução  da  pensão  alimentícia,  a  atividade  fiscal  está  limitada  a  verificar:  a  existência  do  acordo/sentença/escritura  pública;  se  seus  pressupostos  de  validade  continuam  a  existir  (condições  expressamente  fixadas  em  seu  texto)  e  se  houve  efetivo  pagamento.   Se as normas existentes não forem boas o suficiente para regular  as  situações  concretas  da  vida,  especialmente  considerando  as  grandes mudanças verificadas nas últimas décadas em relação à  organização e funcionamento familiar, o caminho a ser trilhado é  provocar o debate em sociedade e a  criação,  via  legislativa,  de  regras mais adequadas aos fins visados pelo Estado.  Em  vista  do  exposto,  voto  por  dar  provimento  ao  recurso  voluntário,  reformando  a  decisão  recorrida  e  restabelecendo  o  direito à dedução da pensão alimentícia no valor de R$ 9.682,53.  No  caso  dos  autos,  vislumbro  que  a  DRJ/JFA  buscou  suprir  o  que  o  lançamento deveria ter feito, ou seja, investigar a situação vivenciada pelos filhos/alimentados  Valéria, Lincoln, André, Jeferson, Célio, Patrícia e Rodolfo, no intuito de fundamentar a razão  da recusa ao direito à prestação alimentar, uma vez que não basta haver vínculos com o Direito  de Família, há que existir a indispensável necessidade de se pagar a pensão pelo Direito de  Família.   Esse  entendimento,  que  reputo  essencial,  não  ficou explicado na autuação e  nem no acórdão recorrido, cuja indedutibilidade está escorada apenas no argumento de que os  alimentados “são maiores de  24  anos  e não  ficou não  terem bens  e nem possam prover,  pelo  trabalho, a própria mantença,  existindo um caráter obrigacional  claro de  sustento,  condição essa que não foi comprovada nos presentes autos” (fls. 162).  Destarte,  em  relação  aos  filhos/dependentes,  a  quem  foram  destinados  21%  dos  rendimentos  líquidos  a  título  de  pensão  alimentícia,  restando  demonstrado  que  o  lançamento não apresentou elementos  fáticos mínimos para que o  contribuinte pudesse  ter se  defendido da autuação, deve ser afastada a glosa efetuada.  Por outo lado, em relação a pensão paga a ex­esposa Elza Cabral de Souza, no  percentual  de  19%  dos  rendimentos  líquidos,  deverá  ser  mantida  a  glosa  no  valor  de  R$  5.151,47,  relativa  aos  meses  de  novembro  e  dezembro  de  2015,  diante  de  seu  falecimento,  ocorrido em 27/10/2015 (fls. 119).  CONCLUSÃO  Em razão do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso  Voluntário,  nos  termos  do  voto  em  epígrafe,  para  restabelecer  a  dedução  com  pensão  alimentícia, declarada, mantendo­se a glosa apenas sobre o valor de R$ 5.151.,47,  referente a  pensão paga a ex­esposa Elza Cabral de Souza nos meses de novembro e dezembro, da base de  cálculo do imposto de renda, ano­calendário 2015, exercício 2016.  Fl. 206DF CARF MF     14  (assinado digitalmente)   Wilderson Botto   Voto Vencedor  (assinado digitalmente)  Conselheiro ­ Francisco Ibiapino Luz   Peço  especial  vênia  ao  nobre  relator  para  discordar  da  inferência  de  que  a  fiscalização  deveria  investigar  a  situação  vivenciada  pelos  filhos  maiores  de  idade,  como  também da conclusão, embora concordando com a tese paradigmática do eminente voto.  Como  se  há  verificar,  a  presente  análise  tratará  de  indagações  acerca  das  circunstâncias  em  que  o  pagamento  de  pensão  alimentícia  a  filho  maior  de  idade  estará  resguardado  pelas  normas  do  Direito  de  família,  condição  necessária  para  a  dedutibilidade  pretendida  pelo  recorrente.  Nessa  perspectiva,  verificando  a  jurisprudência  deste  Conselho  sobre  reportado  assunto,  constatamos  haver  três  suposições  postas  como  respostas  possíveis  para  a  problemática  suscitada,  as  quais  guiarão  as  diretrizes  do  diagnóstico  que  se  busca  realizar.  Assim  entendido,  o  escopo  do  presente  estudo  está  a  compreender  aquilo  que  efetivamente diz reportada norma tributária, como se passa o que alí está dito e de que modo a  situação fática a ela se subsume.   A  primeira  hipótese,  representada  pelo  Acórdão  nº  2201­003.406  da  1º  Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, em síntese, infere:  A  administração  não  dispõe  de  competência  para  estender  as  regras  da  dedução  com  dependente  às  de  pensão  alimentícia,  estando  a  atividade  fiscal  limitada  a  certificar­se  do  efetivo  pagamento e do cumprimento das normas do Direito de família.   Eis as evidências que sustentam patenteada inferência:   1. a administração pública deverá aplicar a  lei de ofício, sendo­lhe vedado exceder  aos limites por ela impostos, porquanto legislar sobre direito tributário se traduz atividade estranha à sua  esfera de competência;  2.  a  Lei  impõe  regras  próprias  e  distintas  para  a  dedutibilidade  de  dependente  e  pensão  alimentícia,  cujo  ônus  atribuído  ao  contribuinte  também  implica  direitos  que  lhes  deve  ser  respeitados pela administração pública;   3. ao estender as regras da dedução com dependente para a de pensão alimentícia, a  administração onera os contribuintes, por ultrapassar os limites  legais  impostos, contexto vedado pelo  art. 111 do CTN, já que a legalidade ali imposta tanto serve para limitar direitos do contribuinte, como  para definir o ônus a ele imposto pela administração;   4.  a administração deverá valorar a  adequação do caso  concreto  ao preceito  legal  abstrato, aí  se  incluindo as motivações por que  referida pensão  foi concedida. A exemplo:  formação  acadêmica, desemprego involuntário,  incapacidade laborativa, etc. Por conseguinte, a atividade fiscal  está  limitada  a  verificar:  a  existência  do  acordo/sentença/escritura  pública;  se  seus  pressupostos  de  validade  continuam  a  existir  (condições  expressamente  fixadas  em  seu  texto)  e  se  houve  o  efetivo  pagamento.  Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10730.721777/2017­77  Acórdão n.º 2003­000.069  S2­C0T3  Fl. 201          15 A segunda hipótese, representada pelo Acórdão nº 9202­007.117 da 2ª Turma  da CSRF do CARF, em síntese, afirma:  Enquanto  não  cancelada  judicialmente,  a  despesa  com  pensão  alimentícia concedida dentro das normas do Direito de família é  dedutível,  independentemente  da  idade  atingida  pelo  alimentando.  Eis suas evidências de origem:  1.  no Direito  de  família,  a  pensão  alimentícia  se  conforma  com  a  necessidade  do  alimentando e a possibilidade do alimentante, definidas caso a caso, independentemente da idade de seu  beneficiário;  2.  ainda  que  afastadas  as  causas  justificadoras  de  sua  concessão,  a  pensão  alimentícia deverá continuar sendo paga até a respectiva exoneração judicial ­ Súmula 209 (sic) do STJ;  3. não havendo limite de idade para o Direito Civil, não há que se exigi­la para fins  de  dedução  tributária.  Portanto  não  se  deve  confundir  limite  de  idade  para  fins  da  relação  de  dependência no imposto de renda com aquele destinado à concessão de pensão alimentícia.  A terceira hipótese, representada pelo Acórdão nº 2401­005.793 da 1º Turma  Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, em síntese, sustenta:  A pensão alimentícia concedida conforme normas do Direito de  família,  assim  como  o  abatimento  com  dependentes  estão  vinculadas à concepção de dependência econômica, motivo por  que a dedução da primeira está condicionada à observância das  regras  de  dedutibilidades  da  segunda,  ainda  que  vigente  o  comando judicial.  Eis seus fundamentos:  1.  mencionada  dedução  não  está  condicionada  apenas  ao  decidido  ou  ratificado judicialmente, já que afasta a interpretação isolada do dispositivo legal;   2. a  lei  tributária pressupõe a prestação de alimentos como sendo obrigação  alimentar decorrente do poder familiar ou derivado da relação de parentesco ou conjugal;  3.  a  conferência  do  cumprimento  de  requisitos  estipulados  na  legislação  tributária para a dedução da pensão alimentícia não implica negação de validade do decidido  ou acordado judicialmente.  Oportuno  registrar que a acepção do enfrentamento das  reportadas questões  se dará apenas em tese, não sendo os respectivo casos concretos abordados, porquanto alheios  ao  escopo  do  presente  estudo.  Dessa  forma  definida,  entendemos  razoável  sistematizar  a  pensão alimentícia sob os seguintes horizontes:  1. da legislação tributária ­ Lei nº 9.250, de 1995, arts. 4º, inciso III; 8º, inciso  II, alíneas "a", "b", "c" e "f", §§ 2º, inciso II, e 3º, e 35, caput; e Decreto nº 3.000, de 1999, art.  78, §§ 4º e 5º (vigente até 22/11/2018, quando foi revogado pelo Decreto nº 9.580, de 2018);  Fl. 208DF CARF MF     16 2.  do Direito  Civil  ­  Lei  nº  10.406,  de  2002,  arts.  5º,  caput;  1.565;  1.566,  inciso IV; 1.694, caput; 1.695 e 1.708, caput e § único.  Pensão alimentícia na perspectiva da legislação tributária  Posta assim a questão, confira­se o ordenamento presente na Lei nº 9.250, de  1995,  arts.  4º,  inciso  III;  8º,  inciso  II,  alíneas  "a",  "b",  "c"  e  "f",  §§ 2º,  inciso  II,  e 3º,  e 35,  caput:  Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência  mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas:   [...]  III ­ a quantia, por dependente, de:  [...]  Art. 8º A base de cálculo do  imposto devido no ano­calendário  será a diferença entre as somas:  [...]  II ­ das deduções relativas:  a) aos pagamentos efetuados [...] a médicos [...];  b) pagamentos de despesas com instrução [...];  c) à quantia, por dependente, de:  [...]  f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face  das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de  decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais,  de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a  que se refere o art. 1.124­A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de  1973 ­ Código de Processo Civil;   [...]  § 2º O disposto na alínea a do inciso II:  [...]  II  ­  restringe­se  aos  pagamentos  efetuados  pelo  contribuinte,  relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes;  [...]            Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10730.721777/2017­77  Acórdão n.º 2003­000.069  S2­C0T3  Fl. 202          17   §  3o  As  despesas  médicas  e  de  educação  dos  alimentandos,  quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento  de decisão judicial, de acordo homologado  judicialmente ou de  escritura pública a que se refere o art. 1.124­A da Lei nº 5.869,  de 11 de  janeiro de 1973  ­ Código de Processo Civil,  poderão  ser  deduzidas  pelo  alimentante  na  determinação  da  base  de  cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso  de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso  II do caput deste artigo.  (Redação dada pela Lei nº 11.727, de  2008)   Art.  35.  Para  efeito  do  disposto  nos  arts.  4º,  inciso  III,  e  8º,  inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes  [...]. (grifo nosso)  Registre­se,  ainda,  que  o  Decreto  nº  3.000,  de  1999,  art.  78,  §§  4º  e  5º  ­ vigente  até  22/11/2018,  quando  foi  revogado  pelo Decreto  nº  9.580,  de  2018  ­  ao  regular  o  mandamento legal presente no § 3º acima disposto, esclarece:  Art. 78.  Na  determinação  [...],  poderá  ser  deduzida  a  importância paga a título de pensão alimentícia [...].  [...]  § 4º  Não  são  dedutíveis  da  base  de  cálculo  mensal  as  importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação  dos  alimentandos,  quando  realizadas  pelo  alimentante  em  virtude  de  cumprimento  de  decisão  judicial  ou  acordo  homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º).  § 5º  As  despesas  referidas  no  parágrafo  anterior  poderão  ser  deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo  do  imposto  de  renda  na  declaração  anual,  a  título  de  despesa  médica  (art.  80) ou  despesa  com  educação  (art.  81) (Lei  nº  9.250, de 1995, art. 8º, § 3º).  Consoante interpretação literal do ordenamento legal acima, a dedutibilidade  atinente à pensão alimentícia  judicial na apuração do imposto de renda devido terá de acatar  tão somente os seguintes requisitos:   1. a comprovação do efetivo pagamento da obrigação (Lei nº 9.250, de 1995,  art. 8º, inciso II, alínea "f");  2.  a  comprovação  do  atendimento  das  normas  do  Direito  de  Família,  em  virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de  28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124­A  (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "f");  3.  as  quantias  pagas  a  título  de  despesa  médica  e  de  educação  dos  alimentandos,  quando  em  virtude  de  decisão  judicial  ou  acordo  homologado  judicialmente,  podem ser dedutíveis desde que em suas respectivas "rubricas", obedecido o limite legal anual  desta última, e não como pensão alimentícia propriamente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º).  Fl. 210DF CARF MF     18 Nessa  concepção,  plausível  evidenciar  as  03  (três)  rubricas  distintas  apropriadas para a declaração das deduções com alimentando, quais sejam:  1. "pensão alimentícia  judicial", destinada para declaração do pagamento da  obrigação de alimento propriamente (art. 8º, inciso II, alínea "f");  2  "despesa  médica",  destinada  para  a  declaração  do  pagamento  dos  dispêndios a tal título, em cumprimento das normas do Direito de família (art. 8º, inciso II, §  3º);  3.  "despesa  com  educação",  destinada  para  a  declaração  do  pagamento  dos  dispêndios dessa designação, em cumprimento das normas do Direito de família (art. 8º, inciso  II, § 3º).  Conforme  se depreende  do  até  então  exposto,  aludida  ordem  legal  somente  vai  além  do  objeto  da  presente  análise  ­  pensão  alimentícia  ­  exclusivamente  quanto  às  despesas médica e com educação de alimentando (art. 8º, § 3º). Nesse panorama,  remete  tais  deduções  para  os  preceitos  dispostos  nas  alíneas  "a"  e  "b"  do  apontado  art.  8º,  II,  respectivamente,  quedando  silente  quanto  à  alínea  "c"  desse  mesmo  artigo,  que  trata  da  dedução com dependentes. Ademais, de igual modo, não se observa qualquer referência direta  ao  art.  35  da  citada  matriz  legal,  o  qual  define  quem  poderá  ser  dependente  para  fins  de  dedutibilidade do imposto devido.  A par disso, é forçoso crer ser razoável interpretação sistêmica que pretenda  condicionar  a  dedutibilidade  de  pensão  alimentícia  ao  cumprimento  das  regras  destinadas  àquela com dependentes, porque inexistente correlação entre uma e a outra. Afinal, o comando  funcional ali presente  ­  art. 8º  inciso  II,  alínea "f", § 3º  ­  assim o quis,  já que  extremamente  preciso ao remeter a disciplina da primeira ao cumprimento das normas do Direito de família,  excepcionando  apenas  as  condicionantes  para  a  dedutibilidade  das  despesas  médica  e  de  instrução com alimentando.  Como visto, a vinculação da dedução de pensão alimentícia ao atendimento  das condições de dependência não está estabelecida no supracitado art. 8º, inciso II, alínea "f", ­  o  qual  preserva  sua  autonomia  normativa.  Assim  sendo,  embora  pareça  que  ela  ali  está  parcialmente prevista, via § 3º, a isso fazendo referência indireta, crível se interpretar tratar­se  do  pagamento  de  despesas  médica  e  com  educação  de  alimentando,  e  não  da  dedução  de  dependente. Logo, a referência indireta apontada mediante especificado parágrafo (§ 3º) sujeita  pretendidas  dedutibilidades  somente  à obrigatoriedade  de  serem declaradas  em  suas  próprias  rubricas, como também ser  respeitado o  limite anual da despesa com instrução própria ou de  dependente.   Pensão alimentícia na perspectiva do Direito Civil  Assimilado o que efetivamente disse citada norma tributária, oportuno trazer  a  configuração que  a Lei  nº 10.406, de 2002,  arts.  5º,  caput  e § único,  incisos  I  a V; 1.565;  1.566, inciso IV; 1.630; 1.631, caput; 1.632; 1.634, inciso I; 1.635, inciso III; 1.694, caput e §  1º; 1.695; 1.703; e 1.708, caput e § único; dá ao referenciado assunto. Nestes termos:  Art. 5o A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando  a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil.  (grifo nosso)  Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade:  Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10730.721777/2017­77  Acórdão n.º 2003­000.069  S2­C0T3  Fl. 203          19 I  ­  pela  concessão  dos  pais,  ou  de  um deles  na  falta  do  outro,  mediante  instrumento  público,  independentemente  de  homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se  o menor tiver dezesseis anos completos;  II ­ pelo casamento;  III ­ pelo exercício de emprego público efetivo;  IV ­ pela colação de grau em curso de ensino superior;  V ­ pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de  relação de emprego, desde que,  em função deles,  o menor com  dezesseis anos completos tenha economia própria.  Art.  1.565.  Pelo  casamento,  homem  e  mulher  assumem  mutuamente  a  condição  de  consortes,  companheiros  e  responsáveis pelos encargos da família. (grifo nosso)  Art. 1.566. São deveres de ambos os cônjuges:  [...]  IV ­ sustento, guarda e educação dos filhos; (grifo nosso)  Art. 1.630. Os filhos estão sujeitos ao poder familiar, enquanto  menores. (grifo nosso)  Art.  1.631. Durante  o  casamento  e  a  união  estável,  compete  o  poder familiar aos pais; na falta ou impedimento de um deles, o  outro o exercerá com exclusividade. (grifo nosso)  Art.  1.632.  A  separação  judicial,  o  divórcio  e  a  dissolução  da  união estável não alteram as relações entre pais e  filhos senão  quanto  ao  direito,  que  aos  primeiros  cabe,  de  terem  em  sua  companhia os segundos. (grifo nosso)  Art.  1.634. Compete  a  ambos  os  pais,  qualquer  que  seja  a  sua  situação  conjugal,  o  pleno  exercício  do  poder  familiar,  que  consiste em, quanto aos filhos:   I ­ dirigir­lhes a criação e a educação; (grifo nosso)   Art. 1.635. Extingue­se o poder familiar:  [...]  III ­ pela maioridade; (grifo nosso)  Art.  1.694.  Podem  os  parentes,  os  cônjuges  ou  companheiros  pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver  de modo  compatível  com a  sua  condição  social,  inclusive  para  atender às necessidades de sua educação.    Fl. 212DF CARF MF     20 §  1o  Os  alimentos  devem  ser  fixados  na  proporção  das  necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada.  (grifo nosso)  Art.  1.695. São  devidos  os  alimentos  quando  quem  os  pretende  não  tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu  trabalho, à  própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecê­ los, sem desfalque do necessário ao seu sustento. (grifo nosso)  Art. 1.703. Para a manutenção dos filhos, os cônjuges separados  judicialmente contribuirão na proporção de seus recursos.  Art. 1.708. Com o casamento, a união estável ou o concubinato  do credor, cessa o dever de prestar alimentos.  Parágrafo único. Com relação ao credor cessa, também, o direito  a  alimentos,  se  tiver  procedimento  indigno  em  relação  ao  devedor. (grifo nosso)  Igualmente relevante, seguem excertos da Lei nº 5.478, de 1968, que dispõe  sobre a ação de alimentos:  Art.  15.  A  decisão  judicial  sobre  alimentos  não  transita  em  julgado  e  pode  a  qualquer  tempo  ser  revista,  em  face  da  modificação da situação financeira dos interessados.  Art.  21.  O  art.  244  do  Código  Penal  passa  a  vigorar  com  a  seguinte redação:  "Art. 244. Deixar, sem justa causa, de prover a subsistência do  cônjuge, ou de filho menor de 18 anos ou inapto para o trabalho  ou  de  ascendente  inválido  ou  valetudinário,  não  lhes  proporcionando  os  recursos  necessários  ou  faltando  ao  pagamento  de  pensão  alimentícia  judicialmente  acordada,  fixada  ou  majorada;  deixar,  sem  justa  causa,  de  socorrer  descendente ou ascendente gravemente enfermo:  Pena ­ Detenção de 1 (um) ano a 4 (quatro) anos [...];  Art. 27. Aplicam­se supletivamente nos processos regulados por  esta lei as disposições do Código de Processo Civil.  Preliminarmente, como se há verificar, a solução do imbróglio está em saber  até  onde  o  pagamento  de  pensão  alimentícia  resulta  do  cumprimento  da  obrigação  de  alimentos,  e  não  de  liberalidade  do  alimentante.  Aquela,  dedutível  na  apuração  do  imposto  devido,  porque  decorrente  do  atendimento  das  normas  do Direito  de Família,  em  virtude  do  cumprimento  de  decisão  judicial,  acordo  homologado  judicialmente  ou  escritura  pública  referida na Lei nº 5.869, de 1973; esta, indedutível, por falta de previsão legal.  Nessa ótica, aproprio­me do entendimento exarado pelo Superior Tribunal de  Justiça  (STJ),  responsável  por  uniformizar  a  interpretação  da  lei  federal,  solucionando  definitivamente  os  litígios  civis  e  criminais,  exceto  quando  a  contenda  envolva  matéria  constitucional ou da justiça especializada. Confira­se:        Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10730.721777/2017­77  Acórdão n.º 2003­000.069  S2­C0T3  Fl. 204          21 AGRAVO  INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.  AGRAVO  DE  INSTRUMENTO.  DIVÓRCIO.  ALIMENTOS.  FILHA  MAIOR  DE  IDADE.  LEGITIMIDADE  ATIVA.  PEDIDOS.  CUMULAÇÃO.  POSSIBILIDADE.  SÚMULA  Nº  568/STJ.  ART.  538  DO  CPC/1973.  MULTA.  CABIMENTO.  1.  Recurso  especial  interposto  contra  acórdão  publicado  na  vigência  do  Código  de  Processo  Civil  de  1973  (Enunciados  Administrativos  nºs  2  e  3/STJ).2.  A  filha  maior  de  idade  tem  legitimidade  ativa  para  postular  alimentos  do  seu  genitor.3.  A  obrigação  alimentar  do  pai  em  relação  aos  filhos  não  cessa  automaticamente com o advento da maioridade, a partir da qual  subsiste  o  dever  de  assistência  fundada  no  parentesco  sanguíneo, devendo ser dada a oportunidade ao alimentando de  comprovar  a  impossibilidade  de  prover  a  própria  subsistência  ou  a  necessidade  da  pensão  por  frequentar  curso  técnico  ou  universitário. Precedentes.4. [...]. 6. Agravo interno não provido.  (STJ  ­ AgInt  no  Agravo  em Recurso  Especial  Nº  970.461  ­  RS  (2016/0220501­3),  3ª  Turma  do  STJ,  Rel.  Ricardo  Vilas  Bôas  Cuevaghi. j. 27.02.2018, unânime, DJe 08.03.2018) (grifo nosso)  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL.  AÇÃO  DE  ALIMENTOS.  LITISCONSÓRCIO  PASSIVO  NECESSÁRIO.  EXISTÊNCIA.  CURSO  SUPERIOR  CONCLUÍDO.  REALIZAÇÃO  DE  PÓS­ GRADUAÇÃO. NECESSIDADE/POSSIBILIDADE. Os alimentos  devidos  em  razão  do  poder  familiar  ou  do  parentesco,  são  instituídos, sempre, intuitu personae, para atender os ditames do  art.  1.694  do  Código  Civil  que  exige  a  verificação  da  necessidade  de  cada  alimentado  e  a  possibilidade  do  alimentante, razão pela qual, quando fixados globalmente, ainda  assim,  consistem  em  obrigações  divisíveis,  com  a  presunção  ­  salvo  estipulação  da  sentença  em  sentido  contrário  ­  que  as  dívidas são iguais, 2. O advento da maioridade não extingue, de  forma automática, o direito à percepção de alimentos, mas esses  deixam de ser devidos em face do Poder Familiar e passam a  ter fundamento nas relações de parentesco, em que se exige a  prova  da  necessidade  do  alimentado.  3.  O  estímulo  à  qualificação  profissional  dos  filhos  não  pode  ser  imposto  aos  pais  de  forma  perene,  sob  pena  de  subverter  o  instituto  da  obrigação  alimentar  oriunda  das  relações  de  parentesco,  que  tem  por  objetivo,  tão  só,  preservar  as  condições  mínimas  de  sobrevida do alimentado. 4. Em rigor, a formação profissional se  completa com a graduação, que, de regra, permite ao bacharel o  exercício  da  profissão  para  a  qual  se  graduou,  independentemente de posterior especialização, podendo assim,  em tese, prover o próprio sustento, circunstância que afasta, por  si só, a presunção iuris tantum de necessidade do filho estudante.  5. Persistem, a partir  de  então,  as  relações  de  parentesco,  que  ainda  possibilitam  a  percepção  de  alimentos,  tanto  de  descendentes  quanto  de  ascendentes,  porém  desde  que  haja  prova de efetiva necessidade do alimentado. 6. Recurso especial  não  provido.  (STJ  ­  Recurso  Especial  nº  1505079/MG  (2015/0001500­1),  3ª  Turma  do  STJ,  Rel.  Nancy  Andrighi,  13.12.2016, unânime, DJe 01.02.2017) (grifo nosso)  Fl. 214DF CARF MF     22 RECURSO  ESPECIAL.  DIREITO  CIVIL.  FAMÍLIA.  ALIMENTOS.  MAIORIDADE.  SÚMULA  Nº  358/STJ.  NECESSIDADE.  PROVA.  CONTRADITÓRIO.  1.  O  advento  da  maioridade  não  extingue,  de  forma  automática,  o  direito  à  percepção  de  alimentos,  os  quais  passam  a  ter  fundamento  nas  relações de parentesco, em que se exige a prova da necessidade  do  alimentado,  que  não  foi  produzida  no  caso  concreto.  2.  Incumbe ao interessado, já maior de idade, nos próprios autos e  com  amplo  contraditório,  a  comprovação  de  que  não  consegue  prover  a  própria  subsistência  sem  os  alimentos  ou,  ainda,  que  frequenta  curso  técnico  ou  universitário.  3.  Recurso  especial  parcialmente conhecido e nesta parte provido para determinar o  retorno dos autos ao Tribunal de origem. (STJ ­ REsp 1587280 /  RS  Recurso  Especial  2014/0332923­0,  3ª  Turma  do  STJ,  Rel.  Ricardo  Vilas  Bôas  Cuevas,  05.05.2016,  unânime,  DJe  13.05.2016) (grifo nosso)  PROCESSUAL CIVIL. CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE  ALIMENTOS.  CURSO  SUPERIOR  CONCLUÍDO.  NECESSIDADE.  REALIZAÇÃO  DE  PÓS­GRADUAÇÃO.  POSSIBILIDADE. 1. O advento da maioridade não extingue, de  forma automática, o direito à percepção de alimentos, mas esses  deixam de ser devidos em face do Poder Familiar e passam a ter  fundamento nas relações de parentesco, em que se exige a prova  da  necessidade  do  alimentado.  2.  É  presumível,  no  entanto,  ­  presunção iuris tantum ­, a necessidade dos filhos de continuarem  a receber alimentos após a maioridade, quando frequentam curso  universitário  ou  técnico,  por  força  do  entendimento  de  que  a  obrigação  parental  de  cuidar  dos  filhos  inclui  a  outorga  de  adequada  formação  profissional.  3.  Porém,  o  estímulo  à  qualificação profissional dos filhos não pode ser imposto aos pais  de forma perene, sob pena de subverter o instituto da obrigação  alimentar  oriunda  das  relações  de  parentesco,  que  tem  por  objetivo, tão só, preservar as condições mínimas de sobrevida do  alimentado.  4.  Em  rigor,  a  formação  profissional  se  completa  com a graduação, que, de regra, permite ao bacharel o exercício  da  profissão  para  a  qual  se  graduou,  independentemente  de  posterior  especialização,  podendo  assim,  em  tese,  prover  o  próprio sustento, circunstância que afasta, por si só, a presunção  iuris  tantum  de  necessidade  do  filho  estudante.  5.  Persistem,  a  partir de então, as relações de parentesco, que ainda possibilitam  a  percepção  de  alimentos,  tanto  de  descendentes  quanto  de  ascendentes, porém desde que haja prova de efetiva necessidade  do  alimentado.  6.  Recurso  especial  provido.  (STJ  ­  Recurso  Especial nº 1218510/SP (2010/0184661­7), 3ª Turma do STJ, Rel.  Nancy  Andrighi,  27.09.2011,  unânime,  DJe  03.10.2011)  (grifo  nosso)            Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10730.721777/2017­77  Acórdão n.º 2003­000.069  S2­C0T3  Fl. 205          23 AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO  NO  AGRAVO  EM  RECURSO  ESPECIAL.  AÇÃO  DE  EXONERAÇÃO  DE  ALIMENTOS.  MAIORIDADE.  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO  DA  NECESSIDADE.  REVISÃO.  INCIDÊNCIA DA SÚMULA N.  7/STJ. AGRAVO  IMPROVIDO.  1. Nos termos da jurisprudência desta Corte, em se tratando de  filho maior,  a  pensão  alimentícia  é devida  pelo  seu genitor  em  caso de  comprovada necessidade ou quando houver  frequência  em curso universitário ou técnico, por força do entendimento de  que a obrigação parental de cuidar dos filhos inclui a outorga de  adequada formação profissional. Porém, é ônus do alimentado a  comprovação de  que  permanece  tendo necessidade  de  receber  alimentos.  Precedentes.  2.  Agravo  regimental  a  que  se  nega  provimento.  (STJ  ­  AgRg  nos  EDcl  no  AREsp  791322  /  SP.  AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO  NO  AGRAVO  EM  RECURSO  ESPECIAL  2015/0247311­8  ,  Terceira  Turma  do  STJ,  Relator  Marco  Aurélio  Bellizze,  19/05/2016, unânime, DJe 01/06/2016) (grifo nosso)  Súmula 358 ­ O cancelamento de pensão alimentícia de filho que  atingiu  a  maioridade  está  sujeito  à  decisão  judicial,  mediante  contraditório,  ainda  que  nos  próprios  autos.  (Súmula  358,  SEGUNDA  SEÇÃO,  julgado  em  13/08/2008,  DJe  08/09/2008,  REPDJe 24/09/2008)  Oportuno  ressaltar  que  a  doutrina  não  diverge  do  STJ,  conforme  se  pode  verificar  nos  excertos  transcritos  na  sequência,  da  lavra  de Maria Berenice Dias  e  de Flávio  Tartuce. Confirma­se:   Flávio Tartuce ­ Manual de Direito Civil, 2015:  No  caso  de  menores,  a  obrigação  alimentar  é  extinta  quando  atingem a maioridade.  Entretanto,  por  questão  de  justiça,  essa  extinção não ocorre de forma automática, sendo necessária uma  ação de exoneração. (grifo nosso)  Maria Berenice Dias ­ Manual de Direito das Famílias, 2015:  Distingue a doutrina obrigação alimentar do dever de sustento,  que se vincula ao poder familiar e diz respeito ao filho menor de  idade (CC 1.566 III e 1.568). Uma vez cessado o poder familiar,  pela maioridade  ou  emancipação,  termina  o  ciclo  do  dever  de  sustento  e  começa  o  vínculo  da  obrigação  alimentar.  Dita  mudança  de  natureza,  no  entanto,  não  enseja  o  fim  da  obrigação,  que  precisa  ser  desconstituída  judicialmente.  No  entanto,  para  persistir  o  encargo,  indispensável  a  prova  da  necessidade do credor.  [...]        Fl. 216DF CARF MF     24 Enquanto o filho se encontra sob o poder familiar, o pai não lhe  deve alimentos, o dever é de sustento. Trata­se de obrigação com  assento constitucional (CF 229): os pais  têm o dever de assistir,  criar e educar os filhos menores. Esses são os deveres inerentes  ao  poder  familiar  (CC  1.634  e  ECA  22):  sustento,  guarda  e  educação.  Entre  sustento  e  alimentos  há  considerável  diferença.  A  obrigação  de  sustento  é  imposta  a  ambos  os  pais.  Trata­se  de  obrigação  de  fazer  que  não  possui  relação  com  a  guarda.  Normalmente a obrigação alimentar é imposta ao não guardião   [...].  O encargo de prestar alimentos é obrigação de dar, representada  pela  prestação  de  certo  valor  em  dinheiro.  Os  alimentos  estão  submetidos  a  controles  de  extensão,  conteúdo  e  forma  de  prestação.  Fundamentalmente,  acham­se  condicionados  pelas  necessidades de quem os  recebe  e pelas possibilidades de quem  os  presta  (CC  1.694,  §  1º).  Enquanto  os  filhos  são  menores,  a  presunção  de  necessidade  é  absoluta,  ou  seja,  juris  et  de  jure.  Tanto é assim que, mesmo não requeridos alimentos provisórios,  deve o juiz fixá­los (LA 4º).   O adimplemento da capacidade civil, aos 18 anos (CC 5º), ainda  que  enseje  o  fim  do  poder  familiar,  não  leva  à  extinção  automática  do  encargo  alimentar.  Após  a  maioridade  é  presumível  a  necessidade  dos  filhos  de  continuarem  a  perceber  alimentos.  No  entanto,  a  presunção  passa  a  ser  juris  tantum,  enquanto os filhos estiverem estudando, pois compete aos pais o  dever de assegurar­lhes educação (CC 1.694). Posta  assim  a  questão,  consoante  os  preceitos  transcritos  anteriormente,  sintetiza­se, abaixo, o modo como se apresentam as normas do Direito de família, para as  quais a legislação tributária remeteu a disciplina da pensão alimentícia dedutível:  1.  o  casamento,  a  união  estável  ou  o  concubinato  do  alimentando,  como  também  seu  comportamento  indigno  em  relação  ao  alimentante  são  as  únicas  hipóteses  previstas  em  lei  de  supressão  automática  do  pagamento  da  pensão  alimentícia.  Logo,  nas  demais  circunstâncias,  manifestada  cessação  estará  condicionada,  obrigatoriamente,  à  prévia  ponderação entre a necessidade do alimentando e a possibilidade do alimentante (art. 1.708,  caput e § único);  2. há duas categorias autônomas de obrigação alimentar a que estão sujeitos  os  pais  em  relação  aos  filhos,  independentemente  da  situação  conjugal  estabelecida,  quais  sejam:  (a)  a  suportada  na  obrigação  legal  de  exercício  do poder  familiar  atinente  aos  filhos menores  de  idade,  aí  se  incluindo  o dever de  sustento,  guarda  e  educação  (arts.  1.565; 1.566, inciso IV; 1.630; 1.631, caput; 1.632; 1.634, inciso I e 1.703);  (b) a padecida no dever de solidariedade entre parentes, que a lei impõe aos  pais, no sentido de prestarem assistência aos  filhos maiores de  idade que ainda careçam da  ajuda para sobreviver (arts. 1.694, caput e § 1º, e 1.695);    Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10730.721777/2017­77  Acórdão n.º 2003­000.069  S2­C0T3  Fl. 206          25 3. citadas obrigações têm naturezas distintas, pois enquanto a fundamentada  no "dever de sustento" dos filhos menores de idade carrega em si a presunção da necessidade  dos  alimentos  em  virtude  da  incapacidade  civil  do  alimentando;  aquela  assentada  no  "dever  solidário" do parentesco demanda prévia prova de sua efetiva necessidade por parte do suposto  necessitado;  4. a maioridade do alimentando cessa o poder familiar,  implicando extinção  da  causa  justificadora  do  dever  obrigacional  de  sustento,  mas  o  cancelamento  de  reportada  imposição carece de decisão judicial, mediante contraditório (STJ, Súmula nº 358);  5.  afastada  a  causa  da  obrigação  de  sustento  pela maioridade  do  credor  da  pensão,  cabe  ao  seu  devedor  peticionar  mencionado  cancelamento  em  ação  exoneratória  autônoma ou incidentalmente nos próprios autos onde foram convencionados os alimentos;  6. o devedor da pensão tem o direito de optar por não provocar o judiciário  em face da maioridade civil do filho que completou 18 (dezoito) anos de idade, caracterizando­ se  como  sendo  decorrentes  de  mera  liberalidade  os  pagamentos  efetivados  dali  em  diante.  Afinal, quem decide acerca do binômio "necessidade" x "possibilidades" é o juiz, ainda que se  trate  do  maior  com  até  24  (vinte  e  quatro)  anos  frequentando  curso  técnico  ou  graduação  universitária;  7.  entende­se  como  prova  suficiente  para  afastar  citada  liberalidade  a  comprovação  do  pedido  exoneratório,  em  ação  autônoma  ou  nos  próprios  autos,  onde  o  encargo foi fixado, enquanto o magistrado não decidir a questão;  8.  a  jurisprudência e a doutrina  se alinham no sentido de que o  filho maior  com  até  24  (vinte  e  quatro)  anos  de  idade  tem  direito  à  assistência  baseada  no  dever  de  solidariedade  entre  parentes,  desde  que  prove  a  impossibilidade  de  prover  a  própria  subsistência  ou  a  necessidade  da  pensão  por  frequentar  curso  técnico  ou  de  graduação  universitária;  9. dita pensão no dever de solidariedade entre parentes não alcança o capaz  com 25 (vinte e cinco) anos ou mais de idade, como também aquele maior com até 24 (vinte e  quatro) anos, já graduado, mas cursando pós­graduação;  10.  autorizada  judicialmente  a  continuidade  do  pagamento  de  pensão  alimentícia ao credor maior de idade ­ por impossibilidade de prover a própria subsistência ou  porque  frequentando  curso  técnico  ou  de  graduação  universitária  ­  muda  o  fundamento  da  obrigação alimentar, que deixa de ser decorrente do “dever de sustento” (arts. 1.565 e 1.566,  inciso IV); e passa a ter como base o “dever de solidariedade” resultante do parentesco (arts.  1.694, caput e § 1º, e 1.695);  11.  na  dedutibilidade  de  pensão  alimentícia  paga  a  filho  maior  de  idade,  quando a autoridade fiscal intima o contribuinte a comprovar o cumprimento das normas do  Direito  de  família,  estar  se  exigindo  a  validação  do  encargo  decorrente  do  dever  de  solidariedade entre parentes, e não no de sustento, já afastado com a maioridade civil. A título  de  exemplo,  intimação  supostamente  expedida  em  2014  exigindo  a  comprovação  de  pensão  declarada em 2010, época em que o credor já tinha atingido a maioridade, refere­se ao decidido  ou  acordado  a  partir  de  análise  do  binômio  "necessidade  x  possibilidade"  por  parte  do  magistrado  em  face  de petição  exoneratória  do  alimentante,  nada  se  referindo  ao  dever  de  sustento próprio do filho menor.  Fl. 218DF CARF MF     26 Admitida  a  compreensão  dada  pelo  Direito  de  família  à  presente  questão,  quanto às hipóteses representativas dos entendimentos dados ao assunto neste Conselho, com  todas as vênias que possam nos dar os ilustres julgadores que pensaram diferente, inferimos por  discordar das teses apontadas nas segunda e terceira proposições. Nestes termos:  1. Contrapondo a tese da segunda hipótese, tem­se:  (a) a restrição para a dedutibilidade se apresenta perante a natureza da pensão  concedida (no dever de sustento ou de solidariedade entre parentes), e não sobre o pagamento  em si, pois este ocorre por mera liberalidade do alimentante, quando o filho atinge a maioridade  civil e o devedor opta por não peticionar judicialmente anunciada exoneração;  (b) somente existe pensão alimentícia de duas naturezas, a fixada no dever de  sustento do menor ­ cuja necessidade é legalmente presumida ­ e aquela decorrente do dever de  solidariedade entre parentes  ­  em que a determinação é precedida de ponderação do binômio  "necessidade"  x  "possibilidade"  por  parte  do  juiz.  A  primeira  não  se  transmudando  automaticamente  para  a  segunda,  porquanto  dependente  de  petição  exoneratória  do  alimentante.  Logo,  afastados  os  dois  contextos,  um  pelo  alcance  da  maioridade  do  credor  (pensão no dever de sustento); o outro pela ausência de provocação judicial para a ponderação  do  já  citado  binômio  (pensão  no  dever  de  solidariedade  entre  parentes),  para  a  legislação  tributária,  nada  mais  ocorreu,  senão  pagamento  continuado  por  mera  liberalidade  do  devedor;   (c)  há,  sim,  limite  de  idade  para  o  pagamento  de  pensão  alimentícia  no  Direito Civil, definido pelo atingimento da maioridade do filho que completa 18 anos (dever de  sustento). Contudo,  a  jurisprudência  do STJ  tem  acatado  a  extensão  do  citado  encargo  até  o  limite de 24 (vinte e quatro) anos, excepcionalmente no caso do credor frequentar curso técnico  ou  de  graduação  universitária.  Esta  não mais  no  dever  de  sustento,  em  que  a  necessidade  é  presumida, mas, sim, no dever de solidariedade se provada ser necessária;  2. Contrapondo a tese da terceira hipótese, tem­se:  (a) o eixo conceitual presente no art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995, por si só já  afasta  o  condicionamento  da  dedução  de  pensão  alimentícia  ao  cumprimento  dos  preceitos  específicos na relação de dependência;  (b) considerando que  a  definição  legal deve  abranger o  todo  definido  e  tão  somente ele, como correlacionar pensão alimentícia com relação de dependência, se a própria  Lei assim não se pronunciou;  (c) pensar de modo diverso implicaria considerar perfeito o lançamento fiscal  com  enquadramento  legal  de  pensão  alimentícia  deduzida  indevidamente  (Lei  nº  9.250,  de  1995, art. 8º, inciso II, alínea "f") e descrição dos fatos apontando descumprimento das regras  de dependência, cujo enquadramento legal está na alínea "c" dos mesmos artigo e inciso.  Visto o que efetivamente disse a norma tributária e como se dá o que lá foi  dito,  oportuno  o  entendimento  do  modo  como  a  situação  fática  se  subsume  aos  preceitos  legalmente estabelecidos. Nesse mister, conforme se observa na Notificação e Lançamento (fls.  52), a glosa discutida na presente lide está fundamentada na falta de atendimentos das normas  do Direito  de  família,  porquanto  o  acordo  homologado  judicialmente  apresentado,  datado  de  30/04/2002, tratava de obrigação alimentar prestada no dever de sustento à alimentanda menor  de  idade Bruna Rossi,  já  com  27  anos  na  data  do  fato  gerador  da  reportada  autuação  (ano­ calendário de 2013).   Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10730.721777/2017­77  Acórdão n.º 2003­000.069  S2­C0T3  Fl. 207          27 A esse respeito, entendemos que a "investigação" transcorreu dentro do modo  esperado, pois, consoante já se mencionou, na dedutibilidade de pensão alimentícia paga a filho  maior de idade, quando a autoridade fiscal intima o contribuinte a comprovar o cumprimento  das normas do Direito de família, estar se exigindo a validação do encargo decorrente do dever  de solidariedade entre parentes, e não no de sustento, já afastado com a maioridade civil. Por  conseguinte,  no  caso,  o  recorrente  teria  de  ter  apresentado  nova  decisão  judicial  ou  acordo  homologado  judicialmente,  decorrente  de  parametrização  do  binômio  "necessidade"  do  alimentando maior de idade versos "possibilidade" do alimentante, o que não existe nos autos.   Conclusão  Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso interposto.  É como voto.  (Assinado digitalmente)  Francisco Ibiapino Luz ­ Redator designado                Fl. 220DF CARF MF

score : 1.0
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Numero do processo: 10640.722872/2017-05
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. OPÇÃO DE DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO NO CURSO DO PAF. MARCO INICIAL DO PRAZO RECURSAL. DATA DA ABERTURA DO ARQUIVO DIGITAL. TEMPESTIVIDADE. A Portaria SRF nº 259/2006, com redação dada pela Portaria RFB nº 574/2009, prevê como ônus do Fisco informar ao contribuinte o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica. Considerando que todas as intimações anteriores entregues haviam ocorrido na forma postal e que a Receita não informou especificamente sobre o trâmite eletrônico do processo, é de se considerar tempestivo o recurso apresentado dentro do prazo de 30 dias contados da data da abertura dos arquivos digitais, nos termos do art. 23, §2º, III, c, do Decreto nº 70.235/72. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS. INDEVIDAMENTE DECLARADOS COMO ISENTOS OU NÃO TRIBUTÁVEIS. NÃO COMPROVAÇÃO DE MOLÉSTIA GRAVE OU CONDIÇÃO DE APOSENTADO, PENSIONISTA OU REFORMADO. Para o gozo da isenção devem ser comprovados cumulativamente que os rendimentos decorrem de aposentadoria, pensão ou reforma; que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei; e que A moléstia esteja comprovada por laudo médico oficial. Desatendidas as exigências legais, impõe-se a glosa da dedução declarada. COBRANÇA DE TRIBUTOS JÁ QUITADOS. RENDIMENTOS OFERTADOS À TRIBUTAÇÃO E RECOLHIDOS NA DECLARAÇÃO ORIGINAL. BIS IN IDEM. Restando demonstrado por documentos hábeis e idôneos que os rendimentos foram oferecidos à tributação e os tributos integralmente recolhidos, torna-se indevida nova exigência sobre o mesmo fato gerador e, por conseguinte, no particular, insubsistente o crédito tributário lançado.
Numero da decisão: 2003-000.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente (assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. OPÇÃO DE DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO NO CURSO DO PAF. MARCO INICIAL DO PRAZO RECURSAL. DATA DA ABERTURA DO ARQUIVO DIGITAL. TEMPESTIVIDADE. A Portaria SRF nº 259/2006, com redação dada pela Portaria RFB nº 574/2009, prevê como ônus do Fisco informar ao contribuinte o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica. Considerando que todas as intimações anteriores entregues haviam ocorrido na forma postal e que a Receita não informou especificamente sobre o trâmite eletrônico do processo, é de se considerar tempestivo o recurso apresentado dentro do prazo de 30 dias contados da data da abertura dos arquivos digitais, nos termos do art. 23, §2º, III, c, do Decreto nº 70.235/72. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS. INDEVIDAMENTE DECLARADOS COMO ISENTOS OU NÃO TRIBUTÁVEIS. NÃO COMPROVAÇÃO DE MOLÉSTIA GRAVE OU CONDIÇÃO DE APOSENTADO, PENSIONISTA OU REFORMADO. Para o gozo da isenção devem ser comprovados cumulativamente que os rendimentos decorrem de aposentadoria, pensão ou reforma; que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei; e que A moléstia esteja comprovada por laudo médico oficial. Desatendidas as exigências legais, impõe-se a glosa da dedução declarada. COBRANÇA DE TRIBUTOS JÁ QUITADOS. RENDIMENTOS OFERTADOS À TRIBUTAÇÃO E RECOLHIDOS NA DECLARAÇÃO ORIGINAL. BIS IN IDEM. Restando demonstrado por documentos hábeis e idôneos que os rendimentos foram oferecidos à tributação e os tributos integralmente recolhidos, torna-se indevida nova exigência sobre o mesmo fato gerador e, por conseguinte, no particular, insubsistente o crédito tributário lançado.

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2003­000.037  –  Turma Extraordinária / 3ª Turma   Sessão de  28 de março de 2019  Matéria  IRRF  Recorrente  DAVID PASSY  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2014  INTIMAÇÃO  POR  MEIO  ELETRÔNICO.  OPÇÃO  DE  DOMICÍLIO  TRIBUTÁRIO  ELETRÔNICO  NO  CURSO  DO  PAF.  MARCO  INICIAL  DO  PRAZO  RECURSAL.  DATA  DA  ABERTURA  DO  ARQUIVO  DIGITAL. TEMPESTIVIDADE.  A  Portaria  SRF  nº  259/2006,  com  redação  dada  pela  Portaria  RFB  nº  574/2009, prevê como ônus do Fisco informar ao contribuinte o processo no  qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica. Considerando que  todas as  intimações anteriores  entregues haviam ocorrido na  forma postal e  que  a  Receita  não  informou  especificamente  sobre  o  trâmite  eletrônico  do  processo,  é  de  se  considerar  tempestivo  o  recurso  apresentado  dentro  do  prazo  de  30  dias  contados  da  data  da  abertura  dos  arquivos  digitais,  nos  termos do art. 23, §2º, III, c, do Decreto nº 70.235/72.  IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS. INDEVIDAMENTE  DECLARADOS  COMO  ISENTOS  OU  NÃO  TRIBUTÁVEIS.  NÃO  COMPROVAÇÃO  DE  MOLÉSTIA  GRAVE  OU  CONDIÇÃO  DE  APOSENTADO, PENSIONISTA OU REFORMADO.  Para  o  gozo  da  isenção  devem  ser  comprovados  cumulativamente  que  os  rendimentos  decorrem  de  aposentadoria,  pensão  ou  reforma;  que  o  contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei; e que A moléstia  esteja  comprovada  por  laudo  médico  oficial.  Desatendidas  as  exigências  legais, impõe­se a glosa da dedução declarada.  COBRANÇA  DE  TRIBUTOS  JÁ  QUITADOS.  RENDIMENTOS  OFERTADOS  À  TRIBUTAÇÃO  E  RECOLHIDOS  NA  DECLARAÇÃO  ORIGINAL. BIS IN IDEM.   Restando demonstrado por documentos hábeis e idôneos que os rendimentos  foram oferecidos à tributação e os tributos integralmente recolhidos, torna­se     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 28 72 /2 01 7- 05 Fl. 206DF CARF MF     2 indevida nova exigência sobre o mesmo fato gerador e, por conseguinte, no  particular, insubsistente o crédito tributário lançado.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  rejeitar  a  preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente   (assinado digitalmente)  Wilderson Botto – Relator    Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros:  Sheila  Aires  Cartaxo  Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário (fls. 181/192 e docs. 160/180) contra o acórdão  nº  04­45.185  proferido  pela  1ªTurma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Campo  Grande  (MS)  ­  DRJ/CGE  (fls.  145/149),  que  julgou  improcedente  a  impugnação  apresentada pelo contribuinte (fls. 2/18) em face da lavratura da notificação de lançamento de  IRPF  (fls.  20/25)  objeto  do  presente  feito,  cujas  infrações  podem  assim  ser  descritas  (fls.  21/23):   Infração;  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  DO  TRABALHO  COM VÍNCULO E/OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO Fonte  Pagadora:  22.780.498/0001­95  ­  CASA  DE  CARIDADE  DE  MURIAE ­ HOSPITAL SAG PAULO (ATIVA). CPF Beneficiário:  330.798.547­72  ­  DAVID  PASSY.  Valor  da  infração:  R$  1.615,35.   Infração:  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  RECEBIDOS  DE  PESSOA  JURÍDICA,  DECORRENTES  DE  AÇÃO  TRABALHISTA Valor da infração: R$ 1.489,09.  Infração:  RENDIMENTOS  INDEVIDAMENTE  CONSIDERADOS COMO ISENTOS POR MOLÉSTIA GRAVE ­  NÃO COMPROVAÇÃO DA MOLÉSTIA OU  SUA CONDIÇÃO  DE  APOSENTADO,  PENSIONISTA  OU  REFORMADO  Fonte  Pagadora:  29.979.036/0091­05  ­  INSTITUTO  NACIONAL  DO  SEGURO SOCIAL (ATIVA). CPF Beneficiário: 330.798.547­72 ­  DAVID PASSY. Valor da infração: R$ 199.198,59.   Diante do  apurado, a  fiscalização promoveu o ajuste do  imposto declarado,  resultando da cobrança de imposto suplementar no valor de R$ 4.146,67 (fls. 24).  Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10640.722872/2017­05  Acórdão n.º 2003­000.037  S2­C0T3  Fl. 207          3 Cientificado,  o  contribuinte  apresentou  impugnação  parcial  tempestiva,  traçando, em síntese, as seguintes ilações:   o  impugnando  apresentou  DAA  retificadora,  em  29/09/2016,  solicitando a restituição do imposto recolhido indevidamente na  DAA original do ano­calendário de 2013, sobre os rendimentos  recebidos da fonte pagadora ­ INSS, no valor de R$ 199.198,59,  por ser portador de Neoplasia Maligna, doença especificada na  Lei  nº  11.052/04  (moléstia  grave).  Contudo  teve  seu  pedido  glosado,  em  razão  da  não  comprovação  da  condição  de  aposentado, uma vez que se  tratava de  rendimentos percebidos  em atividade.  ocorre que, ao invés de indeferir a declaração retificadora e não  autorizar  a  restituição  (que  nunca  foi  realizada),  o  Auditor  Fiscal  exigiu  novamente  o  IRPF  que  já  havia  sido  recolhido  sobre  os  rendimentos  percebidos  do  INSS,  sua  fonte pagadora,  no valor de R$ 3.529,29.  o  objeto  da  impugnação  é,  tão  somente,  a  nova  exigência  de  IRPF  já  integralmente  recolhido (e não restituído),  em outras  palavras, o odioso bis  in  idem. Logo, o Fiscal Autuante acaba  por  exigir  tributo  já  quitado,  conforme  comprovado  na  declaração  original,  o  que  não  deve  prosperar,  pelo  que  se  mostra improcedente a notificação de lançamento em epígrafe.  Vale registar que a parte não impugnada foi transferida para o processo de nº  18183.720301/2017­74,  conforme  termo  de  transferência  acostado  aos  autos  (fls.  118/119),  incluindo­se aí o imposto recolhido na DAA original, no valor de R$ 3.529,29.  Atendendo  a  notificação  postal  recebida,  o  contribuinte  comprovou  o  recolhimento tributário sobre os valores não impugnados (fls. 123).   A  DRJ/CGE,  ao  apreciar  o  feito,  julgou  improcedente  a  impugnação,  mantendo o crédito tributário (fls. 145/149), por assim entender:  O  impugnante  alega  que  já  pagou  o  imposto  de  renda  pessoa  física objeto do lançamento, no valor de R$ 3.529,29.   Em 23/04/2014, o contribuinte apresentou Declaração de Ajuste  Anual  (DAA)  do  Exercício  2014,  oferecendo  à  tributação  os  rendimentos  informados  em  Declaração  de  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  (DIRF),  a  exceção  dos  rendimentos  aqui  lançados e não contestados, e compensando o imposto de renda  retido  na  fonte  correspondente  aos  rendimentos  declarados,  conforme  tela abaixo, extraída dos bancos de dados da Receita  Federal:    Naquela  ocasião,  o  contribuinte  apurou  imposto  de  renda  a  pagar no  valor de R$ 3.529,29,  conforme DAA Original às  fls.  104.   Em  29/09/2016,  o  contribuinte  apresentou  Declaração  Retificadora,  excluindo,  da  base  de  cálculo  do  IRPF  o  rendimento recebido do Instituto Nacional de Seguridade Social,  Fl. 208DF CARF MF     4 apurando  imposto  a  restituir  de  R$  44.676,77,  conforme  DAA  retificadora às fls. 106­117.   Não  há  controvérsia  quanto  à  tributação  dos  rendimentos.  A  controvérsia  recai  sobre  o  valor  do  IRPF  apurado  pela  fiscalização e a sua extinção ou não pelo pagamento.   (...)  Ao  contrário  do  alegado,  o  contribuinte  não  efetuou  o  pagamento  do  IRPF  apurado  na  DAA  Original  do  Exercício  2014, no valor de R$ 3.529,29. Nos bancos de dados da Receita  Federal  não  constam  Documentos  de  Arrecadação  (DARF)  com  código  de  recolhimento  0211  (IRPF  ­  Declaração  de  Ajuste  Anual,  Declaração  de  Saída  Definitiva),  referentes  ao  Exercício 2014.   O  IRPF  apurado  na  DAA  original  não  foi  recolhido,  sendo  devida  a  sua  exigência,  assim  como  da  multa  de  ofício  e  dos  juros de mora.     Após obter cópia  integral  dos  autos  (18/05/2018)  (fls.  155),  por procurador  devidamente  constituídos,  apresentou  (em  18/06/2018)  Recurso  Voluntário  (fls.  181/192  e  docs.  160/180),  insurgindo­se  contra  a  manutenção  da  autuação,  repisando  as  alegações  da  impugnação e requerendo o cancelamento exigência reclamada.  Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Wilderson Botto – Relator  DA TEMPESTIVIDADE   Assim dispõe os arts. 5º, parágrafo único, e 33 do Decreto nº 70.235/72:   Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindo­se na sua contagem  o dia de início e incluindo­se o do vencimento.  Parágrafo único. Os prazos  só se iniciam ou vencem no dia de  expediente  normal  no  órgão  em que  corra  o  processo  ou  deva  ser praticado o ato.   (...)   Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência  da decisão.   Da inteligência dos aludidos dispositivos transcritos, tem­se que o prazo para  interposição recursal é de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância  administrativa proferida.  Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10640.722872/2017­05  Acórdão n.º 2003­000.037  S2­C0T3  Fl. 208          5 Por outro giro, quanto a data da ciência da decisão, o PAF estabelece que a  intimação pode ser feita via postal ou por meio eletrônico.   No  presente  feito,  tem­se  que  a  intimação  do  contribuinte  da  decisão  proferida pela DRJ/CGE ocorreu por meio eletrônico (fls. 151/152). Nessa hipótese o Decreto  nº 70.235/72, possui regramento próprio e específico:  Art. 23. Far­se­á a intimação:  III  ­ por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante:  (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída  pela Lei nº 11.196, de 2005)  b)  registro  em  meio  magnético  ou  equivalente  utilizado  pelo  sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005)  (...)  § 2° Considera­se feita a intimação:  (...)  III  ­ se por meio eletrônico:  (Redação dada pela Lei nº 12.844,  de 2013)  a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante  de entrega no domicílio  tributário do sujeito passivo;  (Redação  dada pela Lei nº 12.844, de 2013)  b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço  eletrônico  a  ele  atribuído  pela  administração  tributária,  se  ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada  pela Lei nº 12.844, de 2013)  c)  na  data  registrada  no  meio  magnético  ou  equivalente  utilizado  pelo  sujeito  passivo;  (Incluída  pela  Lei  nº  12.844,  de  2013)  (...).  No presente caso, o registro da intimação ocorreu em 05/03/2018 (segunda­ feira),  ao  teor  do  documento  digital  “Termo  de  Registro  de  Mensagem  na  Caixa  Postal  ­  Comunicado” (fls. 151). Consta dos autos ainda o "Termo de Ciência por Decurso de Prazo –  Comunicado”  (fls.  152),  considerando  a  data  da  ciência  em  20/03/2018  (terça­feira),  sendo  esta, via de regra, a data inicial do curso do prazo recursal.  Com efeito, o prazo de 30 dias para apresentação de recurso voluntário teria  expirado em 19/04/2018 (quinta­feira). A princípio, portanto, o recurso voluntário apresentado  em 22/03/2018 é intempestivo.  Ocorre que, no presente feito, até então, todas as notificações e/ou intimações  endereçadas ao contribuinte foram efetivamente realizadas por “via postal”, e não há nos autos  qualquer indício que ateste a opção do contribuinte pelo domicílio tributário eletrônico.   Fl. 210DF CARF MF     6 Sobre o domicílio tributário eletrônico, o art. 23 do PAF assim estabelece:  § 4º Para fins de intimação, considera­se domicílio tributário do  sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  I  ­  o  endereço postal por  ele  fornecido, para  fins  cadastrais,  à  administração  tributária;  e  (Incluído  pela  Lei  nº  11.196,  de  2005)  II  ­  o  endereço  eletrônico  a  ele  atribuído  pela  administração  tributária, desde que autorizado pelo  sujeito passivo.  (Incluído  pela Lei nº 11.196, de 2005)  § 5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será  implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e  a  administração  tributária  informar­lhe­á  as  normas  e  condições de sua utilização e manutenção.(Incluído pela Lei nº  11.196, de 2005)   Da  inteligência  dos  dispositivos  transcritos,  tem­se  que  o  domicílio  fiscal  somente poderá ser implementado mediante expressa autorização e consentimento do sujeito  passivo.  E contrariando a legislação de regência, não há nos autos a comprovação da  opção da opção do contribuinte pelo DTE, autorizando à Administração Fazendária a enviar­ lhe comunicações de atos oficiais ao seu então domicílio  tributário eletrônico. Tampouco há,  mesmo que genérica, declaração expressa de que o contribuinte será considerado intimado após  decorrido  o  prazo  de  15  dias  contados  do  registro  da  comunicação  em  sua  caixa  postal  eletrônica ou na data em que efetuar a consulta, caso esta seja realizada antes dos 15 dias do  envio da comunicação, nos termos do art. 23.  Por seu  turno, cabe  também registrar que a Portaria SRF nº 259/2006 (com  redação dada pela Portaria RFB nº 574/2009), prevê como ônus da Receita Federal informar o  contribuinte  especificamente  o  processo  no  qual  será  permitida  a  prática  de  atos  de  forma  eletrônica:  Art. 1º O encaminhamento, de forma eletrônica, de atos e termos  processuais  pelo  sujeito  passivo  ou  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB)  será  realizado  conforme  o  disposto  nesta Portaria.  (Redação dada  pelo(a) Portaria RFB nº  574, de  10 de fevereiro de 2009)   §  3º  Para  efeito  do  disposto  no  caput,  a  RFB  informará  ao  sujeito  passivo  o  processo  no  qual  será  permitida  a  prática  de  atos  de  forma  eletrônica.(Incluído(a)  pelo(a)  Portaria  RFB  nº  574, de 10 de fevereiro de 2009)  Atente­se,  ainda,  para o  fato de que o procurador,  regularmente  constituído  desde  a  apresentação  da  impugnação  à  notificação  de  lançamento  –  e  não  o  contribuinte,  obtive cópia integral dos autos, por mídia digital, na data de 18/05/2018 (fls. 155), presumindo­ se  aí,  a  data  da  efetiva  ciência  da  notificação  do  resultado  do  julgamento  da  impugnação  apresentada, uma vez que, ao compulsar os documentos do processo, deparou com a decisão  recorrida.  Tal fato se corrobora, porquanto, conforme certificado pela própria Receita, o  contribuinte,  por  sua  vez,  somente  acessou  sua  caixa  postal  eletrônica  em  01/06/2018,  pela  Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10640.722872/2017­05  Acórdão n.º 2003­000.037  S2­C0T3  Fl. 209          7 abertura dos arquivos digitais, conforme se depreende do “Termo de Abertura de Documento –  Comunicado” constante dos autos (fls. 157).   Assim,  considerando  que  no  presente  caso  todas  as  notificações  foram  enviadas ao contribuinte “via postal” e ante a ausência de comprovação de que ele tenha sido  informado sobre o  trâmite eletrônico do processo,  reputo  tempestivo o  recurso, apresentado  dentro do prazo de 30 dias contados da data da abertura dos arquivos digitais (fls. 155),  nos exatos termos do art. 23, §2º, III, c, do Decreto nº 70.235/72.  Logo, dele conheço e passo a analisá­lo.  DA PRELIMINAR   Do  alegado  cerceamento  de  defesa  – Da  suposta  violação  ao  direito  de  defesa  e  ao  contraditório  –  Da  não  apresentação  de  comprovação  da  quitação  dos  rendimentos reconhecidos  Alega o Recorrente que restou violado o seu direito de defesa, porquanto não  foi  juntado  neste  processo  –  e  sim no  processo  desmembrado nº  18183.720301/2017­74  –  a  petição  que  noticiou  o  recolhimento  do  tributo  recolhido  relativo  a  parte  incontroversa  da  notificação de lançamento expedida (fls. 123).   Razão não lhe assiste.  A pretensão  recursal  e  a  cobrança  ainda  subsistente,  referem­se unicamente  ao  IRPF não  pago,  apurado  na DAA original,  exercício  de 2014 no  valor  de R$ 3.529,29  –  decorrente dos  rendimentos  percebidos  da  fonte  pagadora  INSS  (R$ R$ 199.198,59),  onde  se  objetivou ver como dedutível, ante a moléstia grave que acometera o Recorrente – fazendo jus,  no seu entender, a restituição do imposto recolhido indevidamente.  Esse, aliás, é o relato/fundamento contido na decisão de piso (fls. 147 e 148):   Remanescem, nesses autos, a exigência da multa de ofício e dos  juros de mora incidentes sobre o IRPF de R$ 3.529,29.   O  IRPF  apurado  na  DAA  original  não  foi  recolhido,  sendo  devida  a  sua  exigência,  assim  como  da  multa  de  ofício  e  dos  juros de mora.   Como se pode ver, a informação de que houve a quitação integral dos tributos  alusivos às parcelas não impugnadas, assim incontroversas, em nada influenciará no resultado  do  presente  julgamento,  cuja  motivação  cinge­se  tão  somente  na  ocorrência  e  apuração  do  pagamento, ou não, do  imposto devido e declarado na DAA original, exercício de 2014. Por  essa razão, rejeito a preliminar suscitada.   MÉRITO   Da quitação do imposto de renda apurado  O Recorrente alega que em virtude de apuração na DAA original, exercício  de  2014,  promoveu  regularmente,  a  tempo  e  modo,  o  pagamento  do  IRPF  decorrente  do  rendimento  percebido  da  fonte  pagadora  INSS,  no  valor  de R$  3.529,29,  em  4  cotas  de R$  Fl. 212DF CARF MF     8 882,32, com vencimentos em 30/04/2014, 30/05/2014, 30/06/2014 e 30/07/2014 (vide DARF,  código  de  receita  “0211”  e  comprovantes  de  pagamento  –  fls.164/173),  sendo  totalmente  indevida a cobrança do mesmo tributo levado a termo no presente feito.   A  DRJ/CGE,  por  seu  turno,  não  conseguiu  localizar  os  pagamentos  realizados,  e  face  disso  concluiu  que  o “IRPF  apurado  na DAA  original  não  foi  recolhido,  sendo devida a sua exigência, assim como da multa de ofício e dos juros de mora” (fls. 148).  Pois bem. Os documentos carreados aos  autos – com especial destaque nas  guias  e  arrecadação  (DARF)  e  comprovantes  de  pagamento  realizados  (fls.164/173),  na  Declaração de Ajuste Anual original do contribuinte  (fls. 27/38) e no  relatório  fiscal emitido  pela Receita Federal (fls. 175/180) – não deixam margem dúvida a comprovar a ocorrência do  recolhimento do imposto, ora novamente cobrado.  Contata­se,  contudo,  que  os  pagamentos  realizados  com  código  de  receita  “0211 – IRPF – DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL, DECLARAÇÃO DEFINITIVA” foram  alocados  no  sistema  de  dados  da  Receita  Federal  com  código  de  receita  “2904  –  IRPF  –  LANÇAMENTO DE OFÍCIO”. Daí a não localização pela DRJ/CGE dos aludidos pagamentos  nos  sistemas  de  dados  da  Receita  Federal,  que,  diga­se  novamente,  foram  efetivamente  realizados.  Portanto,  resta  evidenciado  que  o Recorrente  promoveu os  recolhimentos  a  seu cargo, não devendo assim ser responsabilizado por conduta que não deu causa,  já que os  aludidos recolhimentos, realizados a tempo e modo, não foram corretamente alocados, cabendo  à  unidade  fiscal  de  origem,  promover  os  respectivos  acertos  de  forma  a  refletir  a  correta  conduta fiscal adotada pelo Recorrente.   Por fim, nunca é demais relembrar que a Administração tem o dever de zelar  pelos interesses primários (os de toda sociedade) em detrimento aos interesses secundários (da  arrecadação).  E  um  dos  interesses  primários mais  caros  a  ser  preservado,  é  que  somente  se  cobre do administrado aquilo que ele realmente deva, no montante em que se deva, sob pena de  se  configurar  indevida  invasão  no  direito  de propriedade,  resultando no  enriquecimento  sem  causa da Fazenda Pública.  CONCLUSÃO   Em razão do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar  a preliminar de cerceamento de defesa, e no mérito DAR­LHE PROVIMENTO, nos termos do  voto  em  epígrafe,  para  reconhecer  o  recolhimento  realizado  e,  no  particular,  declarar  a  insubsistência do crédito tributário lançado.   (assinado digitalmente)   Wilderson Botto                           Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10640.722872/2017­05  Acórdão n.º 2003­000.037  S2­C0T3  Fl. 210          9     Fl. 214DF CARF MF

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Numero do processo: 19647.009581/2006-71
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS Constatado que o sujeito passivo obteve rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, não tributados no ajuste anual do imposto de renda, há de ser mantida a omissão lançada a esse título. IRPF. RENDIMENTOS BRUTOS TRIBUTÁVEIS O imposto de renda retido na fonte, embora possa ser compensado na declaração de ajuste anual com o imposto devido calculado, deve compor os rendimentos brutos tributáveis IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DISPÊNDIOS. Na declaração de ajuste anual são dedutíveis, desde que comprovado o efetivo pagamento, as despesas médicas atestadas em documentos hábeis e idôneos, e que atendam aos requisitos legais. Afasta-se a glosa das despesas que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a dedutibilidade, apresentando os comprovantes de realização dos dispêndios. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que é titular o contribuinte, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação.
Numero da decisão: 2003-000.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, somente para restabelecer a dedução com despesas médicas alusivas ao Plano de Saúde Excelsior pagos em favor dos filhos Ana Carolina de Albuquerque Vasconcelos de Sá e José Umberto Maranhão de Albuquerque Neto, no valor de R$ 925,96, da base de cálculo do imposto de renda ano-calendário 2001. Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente Wilderson Botto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO

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2003­000.076  –  Turma Extraordinária / 3ª Turma   Sessão de  25 de abril de 2019  Matéria  IRPF  Recorrente  ANTONIO ELIZALDO DE VASCONCELOS E SA   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2001  IRPF.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  RECEBIDOS  DE  PESSOAS  JURÍDICAS   Constatado que o sujeito passivo obteve rendimentos tributáveis recebidos de  pessoas jurídicas, não tributados no ajuste anual do imposto de renda, há de  ser mantida a omissão lançada a esse título.   IRPF. RENDIMENTOS BRUTOS TRIBUTÁVEIS   O  imposto  de  renda  retido  na  fonte,  embora  possa  ser  compensado  na  declaração de ajuste anual com o imposto devido calculado, deve compor os  rendimentos brutos tributáveis   IRPF.  DEDUÇÃO  DE  DESPESAS  MÉDICAS.  NECESSIDADE  DE  COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DISPÊNDIOS.   Na  declaração  de  ajuste  anual  são  dedutíveis,  desde  que  comprovado  o  efetivo  pagamento,  as  despesas médicas  atestadas  em  documentos  hábeis  e  idôneos, e que atendam aos requisitos legais.  Afasta­se a glosa das despesas que o contribuinte comprova ter cumprido os  requisitos  exigidos  para  a  dedutibilidade,  apresentando os  comprovantes  de  realização dos dispêndios.   DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL  Admite­se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que é  titular o contribuinte, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que  apresentada a destempo.  DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.  As decisões administrativas e judiciais não se constituem em normas gerais,  razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 95 81 /2 00 6- 71 Fl. 89DF CARF MF     2 ocorrência,  senão àquela objeto da decisão,  à  exceção das decisões do STF  sobre inconstitucionalidade da legislação.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso, somente para restabelecer a dedução com despesas médicas alusivas  ao Plano de Saúde Excelsior pagos em favor dos filhos Ana Carolina de Albuquerque Vasconcelos  de Sá e José Umberto Maranhão de Albuquerque Neto, no valor de R$ 925,96, da base de cálculo  do imposto de renda ano­calendário 2001.   Sheila Aires Cartaxo Gomes ­ Presidente   Wilderson Botto ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Sheila Aires  Cartaxo  Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.     Relatório  Autuação e Impugnação  Trata o presente processo, de exigência de IRPF apurada no ano calendário de  2001, exercício de 2002, no valor de R$ 26.875,42,  já acrescido de multa de ofício e  juros de  mora, conforme se depreende auto de infração constante dos autos (fls. 32/39).   Por  bem descrever  os  fatos  e  as  razões  da  impugnação,  adoto  o  relatório  da  decisão de primeira instância – Acórdão nº 11­25.793, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da  Receita Federal de Julgamento em Recife ­ DRJ/REC (fls. 53/61), o qual transcrevo a seguir:  Contra  o  contribuinte  acima  identificado  foi  lavrado  Auto  de  Infração,  fls. 30 a 36,  relativamente ao ano­calendário de 2001,  para exigência do seguinte crédito tributário.:   IRPF ­ Suplementar          10.670,78  Juros de Mora (calculados até 09/2006)     8.201,56   Multa de Oficio (75%)        8.003,08   Total do crédito tributário lançado     26.875,42    Conforme se verifica nas fls. 33 e 35 a 36, o auto de infração foi  decorrente de:   ­  Omissão  de  rendimentos  recebidos  de  pessoas  jurídicas,  decorrentes de  trabalho sem vínculo empregatício,  relativamente  aos  rendimentos  parcialmente  não  declarados,  pagos  pela  Prefeitura de Joaquim Nabuco (R$ 3.830,75), em confronto com a  Declaração  do  Imposto  Retido  na  Fonte  ­  DIRF  da  fonte  Fl. 90DF CARF MF Processo nº 19647.009581/2006­71  Acórdão n.º 2003­000.076  S2­C0T3  Fl. 90          3 pagadora  e  comprovante  de  rendimentos  que  o  contribuinte  apresentou em 03/11/2005;  ­ Dedução  indevida  com dependentes.  Intimado  não  apresentou  comprovantes relativos a Adriana Rodrigues Maurício e Adriano  Rodrigues Maurício;   ­  Dedução  indevida  de  despesas  com  instrução.  Intimado  apresentou comprovante de despesas já utilizado pelo cônjuge que  declara em separado;   ­  Dedução  indevida  de  despesas  médicas.  Intimado,  não  comprovou satisfatoriamente as despesas declaradas. Não incluiu  entre  os  documentos  cheques  nominais  e  extratos  bancários,  ficando sem comprovação o efetivo pagamento das despesas, além  do  que  a  despesa  com  a Excelsior Med.  Ltda.  já  foi  usada  pela  titular do plano médico em sua própria declaração;   ­ Dedução indevida a título de livro Caixa. Intimado a comprovar  e  prestar  esclarecimentos,  não  apresentou  o  livro  Caixa  escriturado nem prestou quaisquer esclarecimentos a respeito.   3. Cientificado do Auto de  Infração, o contribuinte apresentou a  impugnação de fls. 01 a 11, argumentando, em síntese, que;   3.1.  os  rendimentos  auferidos  em  2001  foram  decorrentes  do  transporte de “passageiro” em veiculo próprio, serviço prestado  à  Prefeitura  de  Joaquim  Nabuco  ­  PE,  além  de  outros  rendimentos  tributáveis auferidos “na Assembléia Legislativa do  Estado de Pernambuco e na Câmara Municipal dos Palmares”;   3.2.  algumas  das  deduções  glosadas  não  foram  resolvidas  por  falta  de  comunicação,  já  que  o  auto  de  infração  diz  as  correspondências  com  AR  solicitando  comprovação  foram  entregues, no entanto, nunca foram recebidas;   3.3.  houve  locação  de  dois  ônibus  para  transporte  de  passageiros,  sendo  um  veículo  conduzido  pelo  contribuinte  e  o  outro  por  motorista  contratado,  conforme  contrato  anexo,  “inclusive  aceito  e  considerado  as  informações  nele  contidas  pelo agente autuante na época da autuação” (sic);  3.4.  conforme  entendimento  da  própria Receita Federal,  através  dos Parecer  e Normativos 236/71 e 122/74, os quais  transcreve,  apenas o rendimentos de um dos veículos locados à Prefeitura de  Joaquim Nabuco ­ PE, seria passível da redução prevista no art.  47 do RIR/99, naquele caso em que o contribuinte é o condutor;   3.5.  aos  contribuintes  nessa  situação  é  permitido  deduzir  independentemente  de  comprovação,  como  despesas  necessárias  ao  exercício  da  atividade  profissional,  60%  ou  40%  sobre  os  rendimentos brutos declarados, percebidos do transporte de carga  ou de passageiros, respectivamente;   3.6. para que se mantivesse a dedução das despesas relativas aos  dois veículos haveria necessidade da equiparação do contribuinte  à pessoa jurídica, fato não acontecido nem considerado. Entende­ Fl. 91DF CARF MF     4  se,  portanto,  que  o  rendimento  de  locação  de  um  dos  veículos,  aquele  dirigido  pelo  contribuinte,  seu  proprietário,  enquadra­se  perfeitamente na norma citada;   3.7.  como  o  contrato  previa  a  locação  de  dois  veículos  por  R$  72.000,00, 0 aluguel de cada um deles seria de R$ 36.000,00;   3.8. no informe de rendimentos da Prefeitura de Joaquim Nabuco  ­ PE consta R$ 68.169,25 com retenção de IRRF de R$ 3.830,75;   3,9. “se verificarmos que o valor do Imposto de Renda na Fonte é  igual  ao  valor  considerado  como  Omissão  de  Rendimentos  Recebidos  de Pessoa  Jurídica,  vamos  deduzir  que  o Rendimento  informado  pela  Prefeitura  de  Joaquim  Nabuco  para  a  Receita  Federal ­ R$ 72.000,00 ­ considerou o valor correto, quando para  o contribuinte o  Informe de Rendimentos deduziu do Rendimento  Total a parcela do imposto retido”;   3.10. os  seus  rendimentos  tributáveis deveriam ser R$ 36.000,00  de locação do veículo com motorista contratado, R8 21.600,00 de  locação  do  veículo  com  o  motorista  sendo  contribuinte  (=  R$  36.000,00 ­ 40% de abatimento fiscal), e R$ 10.860,00 de outros  rendimentos declarados, sendo o total dos rendimentos tributáveis  do contribuinte de R$ 68.460,00;   3.11. partindo­se desse  rendimento  tributável de R$ 68.460,00, e  considerando dedução com dependentes  (dois  filhos) no valor de  R$  2.160,00,  com  despesas  com  instrução  (dois  filhos)  de  R$  3.400,00,  despesas  médicas  (plano  de  saúde)  de  R$  2.255,40  e  contribuição  à  previdência  oficial  de  R$  613,58,  o  imposto  calculado  seria  de  R$  12.188,53;  deduzindo­se  o  IRRF  de  R$  4.938,40 e  imposto apurado e recolhido de R$ 2.094,75, o saldo  do imposto a pagar seria de R$ 5.155,38;   3.12.  em  relação  à  glosa  de  dependentes,  aduz  que  julgou  que  seria  possível  a  dedução  de  parentes  seus  que  vivem  às  suas  expensas,  os  quais  foram  glosados,  Confirma,  entretanto,  a  dedução dos  seus  filhos  legítimos Ana Carolina  de Albuquerque  Vasconcelos e Sá e José Umberto de Albuquerque Neto;   3.13.  quanto  as  despesas  com  instrução,  quando  da  intimação  apresentou duas cópias repetidas do recibo do mesmo dependente,  mas  nesse  momento  apresenta  a  declaração  do  Colégio  Damas  relativamente  aos  seus  filhos  e  dependentes,  apesar  do  recibo  constar no nome do cônjuge do  impugnante, os dependentes não  constam  da  sua  declaração  de  ajuste  anual  do  ano  de  2001  em  anexo,  além  do  que  há  orientação  no  “módulo  de  ajuda”  da  Declaração  do  Imposto  de  Renda  que  o  cônjuge  que  incluir  os  filhos como dependentes deduzir as despesas com instrução ainda  que o recibo esteja em nome do outro cônjuge;   3.14.  em  relação  às  despesas  do  plano  de  saúde  “Ajuda”  do  programa  da  declaração  2001/2002  informa  que  o  cônjuge  que  incluir  o  filho  como  dependente  na  declaração  pode  deduzir  as  despesas  médicas  ainda  que  o  recibo  esteja  em  nome  do  outro  cônjuge;   Fl. 92DF CARF MF Processo nº 19647.009581/2006­71  Acórdão n.º 2003­000.076  S2­C0T3  Fl. 91          5 3.15. o livro Caixa pode ser dispensado desde que o contribuinte  declare  rendimentos  de  serviço  de  transporte  nas  condições  previstas no art. 47 do RIR/99;   3.16. requer a improcedência parcial do lançamento, apurando o  imposto a pagar de R$ 5.155,38     Acórdão de Primeira Instância  Ao  apreciar  a  impugnação  apresentada,  a  DRJ/REC,  registrou  que  o  contribuinte  acatou  as  glosas  de  dependentes,  não  havendo,  pois,  contencioso  administrativo  sobre tais glosas.   E, após  apreciar os pontos efetivamente  impugnados –  (i) despesas médicas;  (ii) despesas  com  instrução;  (iii) dedução de  livro caixa; e  (iv) omissão de rendimentos – por  unanimidade,  julgou  procedente  em  parte  o  lançamento  para  restabelecer  apenas  as  despesas  com instrução até o valor de R$ 3.400,00, equivalente à soma dos limites individuais gastos com  os  filhos  José  Umberto  e  Ana  Carolina,  e  por  conseguinte,  alterar  o  valor  do  imposto  suplementar de RS 10.670,78 para R$ 9.735,78, a ser exigido com os acréscimos legais (multa  de  oficio  e  juros  de mora),  observando­se  que  o  contribuinte  na  impugnação  já  acatou  o  IR  suplementar no valor de RS 5.155,38, sobre o qual não há mais contencioso.    Recurso Voluntário  Cientificado  da  decisão  em  03/06/2009  (fls.  63),  o  contribuinte  interpôs  em  29/06/2009 recurso voluntário  (fls. 68/86),  reiterando os argumentos  lançados na impugnação,  quais sejam:  1  ­  Do  Fato  e  Enquadramento  Legal,  glosa  indevida  nos  termos:  “OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  RECEBIDOS  DE  PESSOAS  JURIDICAS"   Dúbio,  o  entendimento  do  fisco,  creio,  pois  foram  contratados  dois  ônibus, conforme foi provado pelo signatário onde a tributação desses  rendimentos  deveria  resultar  como  Pessoa  Jurídica,  sujeito  a  Contribuição  Social  do  PIS  e  CONFINS,  ao  invés  do  Imposto  de  Renda Retido na Fonte­Pessoa Física, conforme preceitua o seu art.  150,  §  1°,  inciso  ll.  Portanto,  nos  casos  de  exploração  conjunta  da  atividade,  haja  ou  não  copropriedade  do  veículo,  porque  passa  de  individual para social o exercício da atividade econômica, devendo a  “sociedade  de  fato”  resultante  ser  tributada  como  pessoa  jurídica  (PNCST n° 122/74).   Nesse  sentido,  o  Conselho  de  Contribuintes  a  exemplo  do  seguinte  Acórdão: “SERVIÇOS DE TRANSPORTES DE CARGA  ­ Equipara­ se  a  pessoa  jurídica,  como  empresa  individual,  o  contribuinte  que  explore o serviço de transporte de cargas com mais de um caminhão"  (Ac. 1° CC 104­2.149/81).   Outrossim, esclarece este signatário, que só nos meses de novembro e  dezembro de 2001, é que teve rendimentos do cargo comissionado da  Fl. 93DF CARF MF     6  Assembleia Legislativa, sendo os demais meses do ano calendário em  discussão, esteve à disposição da Secretaria Municipal de Educação­ Prefeitura Municipal de Joaquim Nabuco.   2 ­ “DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS"   Tendo sido prejudicado conforme a observação do MD. Sr. Relator,  ítem 9, sobre documento apresentado por esse contribuinte, da Saúde  Excelsior  às  (fl.  19),  o  qual  não  discrimina  os  seus  dependentes/beneficiários, sofrendo então glosa pela RFB; que, por  desconhecimento  à  Legislação  do  Imposto  de Renda,  veio  acarretar  em  prejuízo,  quando  da  minha  impugnação,  portanto,  foi  desconsiderado  também,  as  despesas  médicas  declaradas,  representadas  pelos  valores  de  R$  1.800,00  (hum mil  e  oitocentos  reais)  e  R$  2.000,00  (dois mil  reais),  constante  às  (fl.  17  e  18)  do  processo ora em discussão (docs. xerox em anexo).   Ao final pugna pela  improcedência da autuação  fiscal,  e  junta  aos autos,  em  especial e por relevante, dentre outros, o extrato do Plano de Saúde Excelsior vigente no período  de 01/2001 a 12/2001 (fls. 70/72).    Processo  distribuído  para  julgamento  em  Turma  Extraordinária,  tendo  sido  observadas as disposições do art. 23­B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº  343/15, e suas alterações.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Wilderson Botto ­ Relator  Admissibilidade  O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade,  razão pela qual dele conheço.  Inicialmente,  vale  salientar,  que  nessa  seara  recursal,  o  Recorrente  não  se  insurgiu contra as glosas da “dedução de dependente” e “dedução de livro caixa”, razão pela  qual  tornou­se  definitiva  a  decisão  vergastada  no  particular,  importando  na  manutenção  e  subsistência da autuação em relação aos aludidos pontos ora incontroversos.   Feito o registro acima, passo à análise da peça recursal.      Preliminares  Não foram alegadas questões preliminares no recurso voluntário.    Mérito  Fl. 94DF CARF MF Processo nº 19647.009581/2006­71  Acórdão n.º 2003­000.076  S2­C0T3  Fl. 92          7 Da dedução com despesas médicas  Insurge­se,  o  Recorrente,  contra  a  glosa  das  despesas  médicas  declaradas  alusivas ao plano de Saúde Excelsior, este pago por sua esposa no valor integral de R$ 2.255,40.   Junta  novamente,  os  recibos  relativos  aos  tratamentos  odontológico,  por  ele  realizado, no valor de R$ 2.000,00 (fls. 74),  e fonoaudiológico de seu filho José Umberto, no  valor de R$ 1.800,00 (fls. 73). Uma vez instado a comprovar os dispêndios realizados com os  aludidos  tratamentos, o Recorrente não apresentou os comprovantes hábeis e  idôneos em sede  de diligência, e também nada manifestou na impugnação, quedando­se silente.      Assim, diante da ausência de impugnação específica por parte do Recorrente, a  matéria ora apresentada constitui­se inovação recursal, impedindo sobremaneira sua apreciação  nesse  momento  processual  diante  da  preclusão  operada.  Portanto  mantém­se  a  glosa  no  particular.   Já  em  relação  ao  plano  de Saúde Excelsior,  revela­se notar  que  a DRJ/REC  não  questiona  o  dispêndio  ou  mesmo  exige  eventual  comprovação  do  valor  pago  de  R$  2.255,40,  mas  motiva  a  glosa  tão  somente  diante  da  impossibilidade  de  apurar  se,  entre  os  beneficiários dos pagamentos do plano de saúde, encontram­se os filhos do Recorrente (fls. 57):  7. Relativamente à despesa com o plano de saúde, no valor de R$  2.255,00,  o  contribuinte  apresentou  o  documento  de  fl.  19,  em  nome da sua esposa, a Sra. Liliane Coutinho de Albuquerque, com  indica  07  prestações  pagas  no  valor  de  R$  322,20  cada,  totalizando os R$ 2.255,00, ao referido plano em 2001.  (...)  9. Observa­se, porém, que, embora o contribuinte queira atribuir  tais  pagamentos  a  planos  de  saúde  dos  seus  dois  filhos  e  dependentes,  o  referido  documento  de  fl.  19  não  discrimina  os  beneficiários  dos  pagamentos  do  plano  de  saúde,  não  sendo  possível,  simplesmente  com  o  documento  apresentado  (fl.  19),  atestar que os valores pagos, que estão em nome da Sra. Liliane  Coutinho de Albuquerque,  referem­se  também ao pagamento de  planos  de  saúde  dos  filhos  do  casal  e  dependentes  do  contribuinte, Portanto, mantém­se a glosa  integral das despesas  médicas.    E visando comprovar suas alegações, o Recorrente traz aos autos instruindo  sua  peça  recursal,  o  extrato  completo  emitido  pelo  plano  de  saúde  no  período  de  01/2001  a  12/2001 (fls. 70/72), onde pode­se claramente verificar a relação dos beneficiários vinculados ao  plano e os aportes individuais contratados e discriminados a cada um dos beneficiários, a saber  (fls. 71/72):   Liliane Coutinho de Albuquerque e Sá – titular – 7 x 89,87   = R$  629,09   Antonio Elizaldo de Vasconcelos e Sá – titular – 7 x 100,05  = R$  700,35  Jose Umberto M Albuquerque Neto – dependente – 7 x 66,14 = R$  462,98  Ana Carolina A Vasconcelos e Sá – dependente – 7 x 66,14  = R$  462,98  Fl. 95DF CARF MF     8  TOTAL (629,09 + 700,35 + 462,98 + 462,98)       =  R$ 2.255,40    Nessa perspectiva, e diante do quadro que se afigura, entendo ser razoável a  admissão  da  prova  documental  que  pretenda  comprovar  direito  subjetivo  de  que  é  titular  o  contribuinte quando, em confronto com a ação do Estado, ainda se apresentada em fase recursal,  tudo em homenagem, dentre outros, e em especial, aos princípios da ampla defesa, da verdade  material e do formalismo moderado.   Assim  sendo,  uma  vez  discriminado  os  beneficiários  do  plano  –  dentre  os  quais, os filhos do Recorrente – bem como individualizado o dispêndio realizado na contratação  para cada um dos beneficiários, afasto a glosa das despesas médicas relativas ao plano de saúde  pagos em prol dos filhos José Umberto e Ana Carolina, no valor de R$ 925,96.  Da omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas  O Recorrente explora a atividade de transporte de pessoas via a utilização de  dois  veículos  próprios  (ônibus),  os  quais  encontram­se  locados  à  Prefeitura  de  Joaquim  Nabuco,  para  transporte  de  passageiros,  no  valor  de  R$  72.000,00,  ao  teor  do  contrato  firmado  (fls.  28/31),  sendo o  aluguel  de  cada  um deles  o  valor  de R$ 36.000,00. Um desses  veículos  é  guiado  por  motorista  contratado  e  o  outro  pelo  próprio  Recorrente,  conforme  registrado na peça recursal.   Alega,  ainda,  que  aos  contribuintes  nessa  situação  é  permitido  deduzir  independentemente  de  comprovação,  como  despesas  necessárias  ao  exercício  da  atividade  profissional, 60% ou 40% sobre os rendimentos brutos declarados, percebidos do transporte de  carga  ou  de  passageiros,  respectivamente;  e  para  que  se  mantivesse  a  dedução  das  despesas  relativas aos dois veículos haveria necessidade da equiparação do contribuinte à pessoa jurídica,  fato não acontecido nem considerado. Entende, portanto,  que o  rendimento de  locação de um  dos veículos, aquele por ele dirigido, na qualidade de proprietário, enquadra­se perfeitamente na  hipótese da tributação do art. 47 do RIR/99, aplicável aos rendimentos em comento.  Contudo, razão não assiste ao Recorrente.  Considerando  que  a  peça  recursal  não  trouxe  novos  argumentos,  somente  reiterando os termos da impugnação, adoto como razão de decidir os fundamentos da decisão  recorrida (fls. 59/60), mediante transcrição dos excertos abaixo, à luz do disposto no § 3º do art.  57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015– RICARF:   13.  O  contribuinte  declarou  como  rendimentos  tributáveis  R$  3.900,00,  sem  IRRF,  da  Câmara  Municipal  CNPJ  11.223.534/0001­01, R$ 6.960,62, com IRRF de R$ 1.107,65, da  Assembléia Legislativa do Estado de Pemambuco, e R$ 68.169,25,  com  IRRF  de R$  3.830,75,  da Prefeitura Municipal  de  Joaquim  Nabuco, totalizando R$ 79.029,87 de rendimentos tributáveis e R$  4.938,40 de IRRF.   14.  A  fiscalização,  através  de  DIRF  e  de  comprovante  de  rendimentos,  conforme  descrição  contida  no  demonstrativo  das  infrações  de  fl.  36,  identificou  que  o  contribuinte  omitiu  R$  3.830,75,  os  quais  correspondem  ao mesmo  valor  do  IRRF  da  fonte  Prefeitura  Municipal  de  Joaquim  Nabuco,  cuja  DIRF  informa rendimentos de RS 72.000,00.   15. Na impugnação, o contribuinte traz pleito novo em relação ao  declarado,  uma  vez  que  não  informou  na  sua  DIRPF  que  Fl. 96DF CARF MF Processo nº 19647.009581/2006­71  Acórdão n.º 2003­000.076  S2­C0T3  Fl. 93          9 houvesse rendimentos isentos e não­tributáveis da Prefeitura de  Joaquim  Nabuco,  e  muito  menos  que  fossem  oriundos  de  parcela  isenta  de  transporte  de  passageiros,  tal  como alega em  sua defesa. Todos os  seus  rendimentos declarados da Prefeitura  de  Joaquim Nabuco  foram declarados  como  tributáveis,  sendo a  omissão,  identificada  pela  fiscalização,  decorrente  de  exclusão  por  parte  do  contribuinte  do  IRRF  dos  rendimentos  tributáveis  brutos dessa mesma fonte, conforme foi verificado em DIRF, não  sendo  objeto  desta  autuaçao  glosa  de  rendimentos  declarados  como isentos.   16. O contribuinte apresenta pleito que  implicaria retificação da  sua  declaração de  ajuste após  o  início  do  procedimento  fiscal  e  que não diz respeito à presente autuação, ainda assim, a título de  verificação  da  verdade  material,  percebe­se  que  o  contrato  apresentado pelo contribuinte referente ao ano de 2001, conforme  documentos de fls. 26 a 29, indica que o Sr. Antônio Elizaldo de  Vasconcelos  e  Sá,  na  condição  de  contratante,  era  “casado,  comerciante”  e  “residente  e  domiciliado  na  cidade  do Recife  ­  PE, na Rua Celestino Neves, n° 127, Aparamento 104, Bairro de  Iputinga”  (grifei)  tendo  sido  locados  os  02  ônibus  de  sua  propriedade  para  “transporte  de  estudantes  da Usina  Pumaty  e  dos  Engenhos:  Bom Gosto,  Pumatyzinho,  Serra Nova,  Jaqueira,  Machado, Saudade, Colombo e Ribingudo; no percurso de  ida e  volta,  ficando  os  ônibus  agregados  à  Prefeitura Municipal  de  Joaquim  Nabuco  e  à  disposição  da  Secretaria  Municipal  de  Educação”.  Informa,  ainda,  o mesmo  contrato,  fl.6,  na  cláusula  quarta,  que  correriam  por  conta  do  contratado  os  motoristas  condutores dos veículos..   17. Na sua DIRPF, fl. 42, também informou endereço em Recife,  assim como nesta mesma cidade foi identificado pela fiscalização  o  domicílio  do  contribuinte,  conforme  se  verifica  no  Auto  de  Infração, fl. 30, e documentos de fis. 38 e 40.   I8.  Além  do  contribuinte  não  ter  provado  que  de  fato  era  o  motorista  de  um  dos  ônibus,  os  elementos  constantes  dos  autos  não  convergem  para  o  convencimento  deste  julgador  das  suas  alegações, nos termos previstos no art. 29 do Decreto 70.235/72,  pois o contribuinte, com profissão de comerciante, era residente  em Recife, com esposa e filhos residindo, e estes estudando, em  Recife,  enquanto  o  contrato  dizia  respeito  ao  transporte  de  estudantes de ida e volta de Usina e Engenhos da Zona da Mata  de  Pemambuco,  ficando  os  veículos  “agregados  à  Prefeitura  Municipal  de  Joaquim  Nabuco  e  à  disposição  da  Secretaria  Municipal de Educação”, o que significa o contribuinte, em sendo  um dos motoristas, como defendido pelo mesmo, teria que estar  todos  os  dias  também  à  disposição  e  a  serviço  da  Prefeitura  Municipal de Joaquim Nabuco­PE, mesmo morando em Recife­ PE,  sem  falar  que  também  obteve  rendimentos  do  trabalho  assalariado da Assembléia Legislativa de Pemambuco, com sede  em  Recife­PE,  nos  meses  de  novembro  e  dezembro  de  2001,  conforme a DIRF de fl. 49.     Fl. 97DF CARF MF     10  Denota­se, portanto, diante da ausência de suporte probatório consistente em  contrário, não ser verossímil que o Recorrente, residente e domiciliado em Recife, pudesse estar  diariamente  à  disposição  integral  da  Prefeitura  de  Joaquim  Nabuco  para  prestação  direta  e  exclusiva dos  serviços  contratados. Milita ainda em seu desfavor, o  fato de que nos meses de  novembro  e  dezembro  de  2001 – portanto durante a  vigência do  contrato  celebrado –  ter  percebido rendimentos da Assembleia Legislativa de Pernambuco.      Nada obstante, ainda que os fatos restassem claramente concisos, vale salientar  que não há como repartir o valor unitário contratado – metade gozando do benefício tributário e  a outra parte excluída – com a exploração da atividade de transporte que deve ser considerada  integralmente para fins de tributação, até porque não há precificação separada dos veículos  locados, uma vez que o contrato celebrado com a municipalidade previu apenas o valor global  de R$ 72.000,00, sobre o qual incidiu o IRPF no valor de R$ 3.830,75, sendo este o objeto da  omissão de rendimentos apurada.  Por  fim,  vale  salientar  que  o  entendimento  jurisprudencial  administrativo  trazido  para  justificar  as  pretensões  recursais  é  improfícuo,  pois,  as  decisões  mesmo  que  colegiadas,  sem  um  normativo  legal  que  lhe  atribua  eficácia,  não  se  traduzem  em  normas  complementares do Direito Tributário, e  somente vinculam as partes envolvidas no  litígio por  ela resolvido.   Conclusão  Ante  o  exposto,  voto  por  conhecer  do  recurso,  para  no  mérito  DAR­LHE  PROVIMENTO  PARCIAL,  nos  termos  do  voto  em  epígrafe,  somente  para  restabelecer  a  dedução com despesas médicas alusivas ao Plano de Saúde Excelsior pagos em favor dos filhos  Ana Carolina de Albuquerque Vasconcelos  de Sá  e  José Umberto Maranhão  de Albuquerque  Neto,  no  valor de R$  925,96,  da  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda  ano­calendário  2001,  exercício 2002.  É como voto  (assinado digitalmente)  Wilderson Botto                                Fl. 98DF CARF MF

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Numero do processo: 10840.001729/2008-21
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003 IRPF. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais. Afasta-se parcialmente a glosa das despesas médicas que o contribuinte comprovou ter cumprido os requisitos exigidos para a dedutibilidade, mediante apresentação do comprovante de realização dos dispêndios. A falta da indicação do endereço nos recibos apresentados para comprovar despesas médicas autoriza à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas declaradas, uma vez que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, que poderá promover as respectivas glosas sem a audiência do contribuinte (arts. 73, caput e §1º, e 80, § 1º, III, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). IRPF. DINHEIRO EM ESPÉCIE. COMPROVAÇÃO DOS DISPÊNDIOS. POSSIBILIDADE. Os recursos em dinheiro inseridos na declaração de bens, pelo contribuinte, devem ser aceitos para justificar a origem dos recursos, salvo prova em contrário, produzida pela autoridade lançadora de sua inexistência no término do ano-base em que foi declarado, ou ainda, que sua declaração de rendimentos tenha sido apresentada intempestivamente. PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e as judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão aquele objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação.
Numero da decisão: 2003-000.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, apenas para restabelecer a dedução da despesa médica paga ao cirurgião dentista Wilson Marques - CRO-SP 57.900, no valor de R$ 2.028,25, da base de cálculo do imposto de renda, ano-calendário 2003, exercício 2004. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cássio Gonçalves Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cássio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO

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DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais. Afasta-se parcialmente a glosa das despesas médicas que o contribuinte comprovou ter cumprido os requisitos exigidos para a dedutibilidade, mediante apresentação do comprovante de realização dos dispêndios. A falta da indicação do endereço nos recibos apresentados para comprovar despesas médicas autoriza à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas declaradas, uma vez que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, que poderá promover as respectivas glosas sem a audiência do contribuinte (arts. 73, caput e §1º, e 80, § 1º, III, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). IRPF. DINHEIRO EM ESPÉCIE. COMPROVAÇÃO DOS DISPÊNDIOS. POSSIBILIDADE. Os recursos em dinheiro inseridos na declaração de bens, pelo contribuinte, devem ser aceitos para justificar a origem dos recursos, salvo prova em contrário, produzida pela autoridade lançadora de sua inexistência no término do ano-base em que foi declarado, ou ainda, que sua declaração de rendimentos tenha sido apresentada intempestivamente. PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e as judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão aquele objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 17 29 /2 00 8- 21 Fl. 105DF CARF MF S2-TE03 Fl. 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, apenas para restabelecer a dedução da despesa médica paga ao cirurgião dentista Wilson Marques - CRO-SP 57.900, no valor de R$ 2.028,25, da base de cálculo do imposto de renda, ano-calendário 2003, exercício 2004. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cássio Gonçalves Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cássio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto. Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de IRPF apurada no ano calendário de 2013, exercício de 2014, no valor de R$ 12.299,11, já acrescido de multa de ofício e juros de mora, em razão da dedução indevida com dependentes, no valor de R$ 3.816,00, dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 19.859,00, e dedução indevida de despesas com instrução, no valor de R$ 1.450,00, por falta de comprovação ou previsão legal para sua dedução, conforme se depreende na notificação de lançamento constante dos autos, culminando com a apuração do imposto suplementar no valor de R$ 5.326,60 (fls. 47/63). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 17-34.012, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II - DRJ/SPOII (fls. 71/79), transcrito a seguir: Contra o contribuinte acima qualificado, foi emitida a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF (fls. 25/31), referente ao exercício 2004, ano-calendário 2003, o qual lhe exige o recolhimento de crédito tributário, conforme demonstrativo abaixo (em Reais): De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 26/29) foram apuradas as seguintes deduções indevidas: Fl. 106DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.199 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.001729/2008-21 Dependentes: glosa no valor de R$ 3.816,00, relativos aos dependentes Flávio Arantes Matos e Daniela Arantes Matos, filhos maiores de 21 anos do contribuinte, pois não foi comprovada a condição de universitários, e Dilma Lane Arantes Junqueira, que apresentou declaração em separado; Instrução: glosa no valor de R$ 1.450,00, por não se tratar de despesas com instrução, pago a Management Horizon Br Cons Ltda, CNAE 6204-0-00, Consultoria em Tecnologia da Informação; Despesas médicas: glosa no valor de R$ 19.859,00, por falta de comprovação ou de previsão legal. Dos profissionais Wilson Oliveira Marques, Rogério de Oliveira e Ronaldo Ferreira não houve comprovação do efetivo pagamento; Mariângela Terra Nogueira, Maxclin Ltda e Hospital São Lucas Ltda tratam-se de despesas com não dependentes; Sindicato dos Empregados do Comércio de Rib. Preto não comprovou tratar-se de despesa médica; Em sua impugnação tempestiva (fl. 1), de acordo com o despacho de fl. 34- verso, o contribuinte: - solicita impugnação parcial da Notificação de Lançamento, referente aos itens 1 a 3 do Termo de Intimação Fiscal (fls. 3/4), quais sejam: despesas médicas relativas aos profissionais Wilson Oliveira Marques (R$ 5.101,00), Rogério de Oliveira (R$ 5.000,00) e Ronaldo Ferreira (R$ 4.800,00); - atendeu à solicitação da fiscalização, apresentando carta com as justificativas referentes àqueles itens, anexando, não só os documentos solicitados no manual de orientação da Receita Federal, mas também os extratos bancários, radiografias dos implantes dentários, prescrição médica para o caso da fisioterapia, orçamentos dos tratamentos dentários e recibos médicos. Pede o deferimento da impugnação. Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar o feito, a DRJ/SPOII, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação parcial apresentada, mantendo parcialmente as glosas em relação aos profissionais Wilson Marques, cirurgião dentista, no valor de R$ 2.028,25, e Ronaldo Ferreira, fisioterapeuta, no valor de R$ 4.800,00, reduzindo o saldo de imposto suplementar a pagar para o valor de R$ 1.877,97. Recurso Voluntário Cientificado da decisão, em 28/08/2009 (fls. 85), o contribuinte interpôs, em 30/09/2009, recurso voluntário (fls. 89/93), trazendo os argumentos a seguir sintetizados: Recorro a este Conselho de Contribuinte por estar inconformado e injustiçado pela decisão do Acórdão no. 17-34012 - proferido pela T. Turma da DRJ/SF'0II, no que se refere à manutenção parcial da glosa das despesas médicas que tive no ano de 2003, em detrimento de toda documentação legal e idônea que apresentei e sem que a Receita apresentasse qualquer motivo de relevância para duvidar da veracidade desta documentação, e conforme consta nos autos. Solicito a este Conselho de Contribuinte observar que na folha 03 deste acórdão, logo no primeiro parágrafo, a T. Turma ratifica que foi atendido a solicitação da fiscalização, onde apresentei carta com as justificativas referentes aos itens 1 a 3, anexando não só os documentos solicitados no manual de orientação da Receita Federal, mas também extratos, radiografias dos implantes, prescrição para o caso da fisioterapia, orçamentos dentários e recibos médicos. Embora concordando a mesma me penaliza de forma injusta, deixando de atentar para as justificativas apresentadas na minha carta de impugnação a saber: Fl. 107DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-000.199 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.001729/2008-21 1. Profissional Wilson Marques: Apresentei todos os documentos possíveis desde orçamentos, recibos, radiografias dos implantes e paguei em 4 prestações, sendo a primeira em dinheiro vivo, pois como justifiquei, eu tinha este dinheiro em casa, e que foi fruto do meu trabalho assalariado e devidamente declarado à receita, quando dos ajustes anuais. Anexo a minha declaração de bens de 2003, onde pode ser visto que eu tinha em domicilio, quantia bem superior ao valor de R$ 2.028,25, glosado pela receita. 2. Profissional Ronaldo Ferreira: Explico por parte, conforme acima: Item a) Falta de endereço nos recibos é fato, foi uma falta do profissional e minha por não tê-la observado, mas somente agora, após decorridos quase 5 anos é que a 9ª Turma observou esta falha, e se a mesma tivesse sido comunicada logo na primeira notificação em 2005, já teríamos corrigido. Informo-lhes que o endereço atual do Profissional Ronaldo Ferreira é Rua Avelino Jorge do Nascimento, 231, CEP 68.401-216 Bairro Rooselvelt, Uberlândia, Minas Gerais. O mesmo pode ser contactado e ratificar a veracidade da prestação dos serviços de fisioterapia em meus pais. Item b) A data da emissão do atestado do neurologista somente foi em 13/08/2007, por que a Receita Federal, setor de fiscalização orientou-me, quando da notificação, que este documento era necessário para atestar a veracidade do serviço prestado pelo fisioterapeuta. Nesta data, como informado, meus pais já não eram mais vivos, faleceram em meados de 2004 (os dois), portanto solicito reconsiderarem, pois não foi fácil localizar no hospital dentro de tantos relatórios, o médico responsável e o mesmo também teve que consultar seus arquivos para fornecer um documento do qual ele se responsabilizaria perante a qualquer investigação. Item c) Comprovação do pagamento: Vide o item 1 do profissional Wilson Marques, a comprovação é a mesma, tinha dinheiro em domicilio e o utilizei para pagamentos diversos. Senhores Conselheiros, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados neste Recurso: a) O meu direito de fazer pagamentos em dinheiro em moeda nacional, assim como meu direito manter dinheiro em espécie no domicilio, desde que a origem deste dinheiro possa ser comprovado, conforme tenho feito nas minhas declarações, inclusive a de 2003. Assim, solicito a este Conselho, do fato de ser verdadeiro, considerar o pagamento em dinheiro e cuja origem da reserva em domicilio está comprovada, conforme demonstrado no anexo abaixo citado. b) A Delegacia da Receita Federal Ribeirão Preto, não apresentou nos autos motivos embasados e com convicção para glosar as despesas medicas dos profissionais Wilson Marques e Ronaldo Ferreira. Assim, cito abaixo, alguns acordões em que este Conselho de Contribuinte atuou, como exemplo do meu caso. (...) Assim, em face da Receita Federal RP não ter apresentado elementos de convicção e a não existência de indícios veementes da não execução dos serviços, rogo a este Conselho a Presunção de veracidade dos recibos e a boa-fé a meu favor. Pugna, ao final, pela improcedência e insubsistência da exigência fiscal, e o cancelamento do lançamento efetuado. Instrui a peça recursal com cópia parcial de sua DAA/2004, relativa a situação da Declaração de Bens e Direito (fls. 95). Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23-B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Fl. 108DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-000.199 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.001729/2008-21 Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no presente recurso. Mérito Da glosa das despesas médicas declaradas: O Recorrente deduziu, na declaração de rendimentos (fls. 44/53), os valores de despesas médicas por ele suportadas no ano-calendário de 2003, exercício de 2004, dentre as quais os pagamentos realizados aos profissionais Wilson Marques, cirurgião dentista, e Ronaldo Ferreira, fisioterapeuta. A fiscalização, por seu turno, no particular, não acatou parcialmente as despesas com Wilson Marques – não apresentou prova do pagamento da parcela no valor de R$ 2.028,25 - e integralmente as despesas com Ronaldo Ferreira – porquanto os comprovantes apresentados não especificaram o endereço profissional do prestador dos serviços, bem como não houve prova dos dispêndios realizados – qualificando-os como não hábeis a comprovar os pagamentos das despesas realizadas, não possuindo, por esse fato, efeitos probantes perante o Fisco. Buscando suprir o ônus que lhe competia, o Recorrente apenas informou na peça recursal o endereço do fisioterapeuta, bem como argumentou que os pagamentos pendentes foram realizados em espécie, sobretudo diante do fato de possuir dinheiro em casa, situação esta, aliás, regularmente declarada na declaração de ajuste anual do exercício de 2004. É pertinente registar que na decisão recorrida houve questionamentos acerca da idoneidade dos recibos apresentados, sobretudo quanto a impossibilidade de se aferir o endereço do profissional Ronaldo Ferreira, bem como na ausência de comprovação efetiva dos dispêndios realizados em relação à Ronaldo Ferreira e Wilson Marques (fls. 71/79). Entendeu a DRJ/SPOII que “a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, portanto, condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos, sobretudo quando restar dúvida quanto idoneidade do documento” (fls. 77). Pois bem, razão parcial assiste ao Recorrente. Visando comprovar os pagamentos realizados, o contribuinte trouxe aos autos, ainda em sede de impugnação, cópia de sua movimentação financeira (fls. 39/43), bem como alegou ter declarado na DAA/2004 possuir “dinheiro em espécie moeda nacional” em sua residência, fazendo assim prova da disponibilidade financeira, informação tal, inclusive, trazida desde a peça impugnatória, e que não mereceu qualquer manifestação fiscal, quedando-se silente neste ponto a autoridade lançadora. Consoante exposto, levando-se em conta que o ônus da prova se deslocou ao Fisco, e diante da ausência de razões em contrário, merece acolhida as informações lançadas na Fl. 109DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-000.199 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.001729/2008-21 declaração de ajuste anual (fls. 95), presumindo-se também que foi apresentada tempestivamente. Com efeito, ante a comprovação da origem dos recursos utilizados no pagamento realizado, restabeleço a dedução das despesas médicas alusivas ao tratamento odontológico realizado pelo profissional Wilson Marques, no valor de R$ 2.028,25. Por outro lado, observo que em relação ao tratamento fisioterápico, além da falta de comprovação dos dispêndios, não se vislumbrou nos recibos apresentados o endereço do profissional prestador dos serviços, cujo dado é exigido no inciso III do § 2º da Lei nº 9.250/95, sendo este requisito essencial para validar os documentos comprobatórios apresentados. Vale salientar, que embora possa parecer de somenos importância a informação do endereço, ela proporciona, em casos de necessidade, o aprofundamento de investigações, por meio de diligências ao local do suposto atendimento profissional. Neste ponto, o informe trazido pelo Recorrente na peça recursal não se mostra suficiente para suprir a falha apontada ou mesmo validar os recibos apresentados, a qual deveria se dar com emissão de novo recibo ou declaração prestada pelo profissional, confirmando o endereço, tal qual requerido na legislação de regência. Assim, não restando suprida a falha, mediante a apresentação de documento hábil a demonstrar o endereço profissional do fisioterapeuta Ronaldo Ferreira – e, diga-se de passagem, somente por este motivo – deverá ser mantida a glosa no particular, ao teor da previsão contida na legislação de regência. Por fim, quanto ao entendimento jurisprudencial trazido para justificar as pretensões recursais, o mesmo, nesta seara, é improfícuo, pois, as decisões, mesmo que colegiadas, sem um normativo legal que lhe atribua eficácia, não se traduzem em normas complementares do Direito Tributário, e somente vinculam as partes envolvidas nos litígios por elas resolvidos. Conclusão Ante o exposto, voto por dar PARCIAL PROVIMENTO ao presente recurso, nos termos do voto em epígrafe, somente para restabelecer a dedução da despesa médica paga ao cirurgião dentista Wilson Marques – CRO-SP 57.900, no valor de R$ 2.028,25, da base de cálculo do imposto de renda, ano-calendário 2003, exercício 2004. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 110DF CARF MF

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7858182 #
Numero do processo: 13629.000776/2007-79
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003 PAF. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. RECURSO VOLUNTÁRIO ADSTRITO À ANÁLISE DA INTEMPESTIVIDADE. PRECLUSÃO A apresentação intempestiva da impugnação impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo, razão pela qual o conhecimento do recurso voluntário estará adstrito apenas à análise da tempestividade quando questionada.
Numero da decisão: 2003-000.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso, apenas em relação à preliminar de tempestividade suscitada, para rejeitá-la e, no mérito, negar-lhe provimento. Francisco Ibiapino Luz - Presidente. Wilderson Botto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO

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IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. RECURSO VOLUNTÁRIO ADSTRITO À ANÁLISE DA INTEMPESTIVIDADE. PRECLUSÃO A apresentação intempestiva da impugnação impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo, razão pela qual o conhecimento do recurso voluntário estará adstrito apenas à análise da tempestividade quando questionada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso, apenas em relação à preliminar de tempestividade suscitada, para rejeitá-la e, no mérito, negar-lhe provimento. Francisco Ibiapino Luz - Presidente. Wilderson Botto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto. Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de IRPF apurada no ano calendário de 2003, exercício de 2004, no valor de R$ 6.948,94, já acrescido de multa de ofício e juros de mora, conforme se depreende na notificação de lançamento constante dos autos, em razão da dedução indevida de despesas médicas, no valor glosado de R$ 17.500,00, por falta de comprovação ou previsão legal para dedução das aludidas despesas realizadas (fls. 6/10). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 07 76 /2 00 7- 79 Fl. 90DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-000.170 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13629.000776/2007-79 Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 09-25.770, proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora - DRJ/JFA (fls. 70/74), transcrito a seguir: Em nome do contribuinte acima identificada foi lavrada em 26/03/2007, a Notificação de Lançamento de fls. 03/05v, relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física- IRPF, exercício 2004, ano-calendário 2003, que resultou em crédito total apurado de R$ 6.948,94, assim discriminado: R$ 3.160,48 de IRPF-Suplementar, R$ 2.370,36 de multa de oficio (passível de redução) e R$ 1.418,10 de juros de mora (calculados até 30/03/2007). Motivou o lançamento de ofício (fls. 05/05v), a dedução indevida a título de despesas médicas, no valor total de R$ 17.500,00, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução. Esclarece a autoridade lançadora que, intimada, a contribuinte apresentou parcialmente a documentação solicitada e deixou de comprovar os efetivos pagamentos das despesas médicas. Cientificada do lançamento em 03/04/2007 (fls. 52), a contribuinte apresentou em 10/05/2007, a impugnação de fls. 01/02, na qual, em síntese e entre outros aspectos alega que: - comprovou as despesas médicas com a apresentação dos originais dos recibos apresentados quando intimada; - o profissional Fábio Naomi Taniguchi emitiu os recibos apresentados e os informou em sua declaração de renda; - que houve um equívoco por parte da autoridade lançadora, visto que os profissionais Letícia Diniz de Souza Campos, Victor Diniz de Souza Campos e Elizete Maria de Souza, nominados no lançamento, são seus filhos menores de idade e a própria contribuinte; - acrescenta que todos os pagamentos foram feitos em moeda corrente e parceladamente e que em caso de dúvida sejam notificados os emitentes para esclarecimentos; - os profissionais lançaram em seus livros Caixa os valores recebidos e declararam estas receitas e em caso de inadimplência, deve o valor ser apurado individualmente para cada emitente; - requer que sejam ouvidos os profissionais e/ou devolvidos os documentos originais para as medidas de praxe; - requer a liberação imediata da restituição do imposto retido, na forma declarada, por tratar-se de verba de natureza alimentar. Em 26/06/2007, a DRF Coronel Fabriciano lavrou o Termo de Revelia de fls.53 e em 03/08/2007, conforme Comunicação NURAC n° 193/2007 (fls.55/57), informou ao sujeito passivo que a sua impugnação foi considerada intempestiva e o intimou para e efetuasse o recolhimento do crédito tributário. No despacho de fls.59, datado de 25/09/2007, o Núcleo de Arrecadação e Cobrança-Nurac da DRF Coronel Fabriciano alegando haver indícios no processo de que o contribuinte tivesse comparecido ao CAC e sido informado que o vencimento da Notificação se daria em 10/05/2007, encaminhou o processo para a Delegacia de Julgamento. Fl. 91DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.170 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13629.000776/2007-79 Em 28/09/2007, o contribuinte protocolou o aditamento a defesa de fls. 61/62, onde em síntese argui a tempestividade da impugnação apresentada em 10/05/2007 e ratifica os esclarecimentos prestados anteriormente, abrindo se necessário, o seu sigilo fiscal para solução de quaisquer dúvidas. Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar o feito, a DRJ/JFA, por unanimidade de votos, não conheceu a impugnação apresentada por intempestiva, mantendo-se incólume o crédito tributário lançado. Recurso Voluntário Cientificada da decisão em 16/09/2009 (fls. 78), a contribuinte interpôs, em 16/10/2009, recurso voluntário (fls. 79), suscitando exclusivamente a tempestividade da peça impugnatória pois a mesma foi apresentada dentro do prazo informado no demonstrativo de débito enviado junto com a Comunicação de Cobrança (fls. 64), ficando claro que realmente não houve intempestividade no processo, levando-se em conta que o CAC da DRF em Coronel Fabriciano-MG lhe induziu a considerar o prazo final estendido para o dia 10/05/2007. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23-B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que conheço e passo à sua análise. Centraliza-se a discussão recursal à análise da tempestividade da impugnação, haja vista que, uma vez ultrapassada, deverão ser apreciadas as questões de mérito, sobretudo em relação a incorreção da glosa das despesas médicas declaradas pela Recorrente, no valor de R$ 17.500,00, e que gerou o imposto suplementar no valor de R$ 6.948,94. Pois bem. A notificação de lançamento para cobrança do imposto suplementar foi encaminhada para o domicílio tributário da Recorrente, sendo ali recepcionada no dia 03/04/2007 (terça-feira), conforme AR juntado aos autos (fls. 56/57). Logo, a contagem de prazo para apresentação de impugnação iniciou, impreterivelmente, no dia 04/04/2007 (quarta-feira) se encerrando no dia 03/05/2007 (quinta-feira). Assim, a impugnação apresentada em 10/05/2007 (vide carimbo de protocolo - fls. 4) é intempestiva. Nada obstante, no que pertine ao prazo para a apresentação de impugnação urge transcrever os arts. 14, 15 e 23 do Decreto nº 70.235/72: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 23. Far-se-á a intimação: Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13629.000776/2007-79 Acórdão n.º 2003-000.170 S2-TE03 Fl. 2,5 (...) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Vale destacar, outrossim, que a Recorrente em nenhum momento se insurge contra o efetivo recebimento da intimação (AR - fls. 56/57) pelo contrário, somente alega que foi informada pelo “CAC” da DRF em Coronel Fabriciano-MG, que o vencimento da notificação de lançamento se daria somente no dia 10/05/2007, data esta constante do relatório da multa lançada anexa à Comunicação de Cobrança expedida (fls. 60/64). Ocorre, todavia, que inexiste previsão legal ou normativa que estabeleça prazos alternativos para apresentação de impugnação ao lançamento fiscal. O processo tributário encontra-se regulado pelo Decreto n° 70.235/72 que, com status de lei, estabelece os prazos processuais afins. E, o prazo de impugnação, de trinta dias da ciência, é aquele expressamente mencionado na “intimação” que consta da notificação de lançamento (fls. 6). Como se percebe, em momento algum a norma legal, ou mesmo a notificação de lançamento, cogitou a existência de prazo diferenciado, passível de livre opção pela contribuinte. Nesse contexto, estando legalmente determinado, o prazo não se encontra sob o poder discricionário da repartição preparadora, do “setor de atendimento” ou mesmo desta instância de julgamento, devendo ser observada a norma disciplinar que faculta o direito à apresentação de impugnação dentro de trinta dias contados da ciência do lançamento. Portanto, é irrelevante eventual pronunciamento do “CAC”, uma vez que não é suficiente para modificar o prazo legal de que disporia a contribuinte para impugnar a exigência fiscal autuada, sobretudo diante do fato de que a DRF não possui competência institucional para ampliar os prazos processuais regulamentares norteadores do processo administrativo fiscal, então regido pelo Decreto nº 70.235/72, sem que isso importe em violação ao dever funcional, além de depor, dentre outros, contra os princípios constitucionais da legalidade, moralidade e eficiência administrativa, segundo o art. 37 da CF/88. Diante dos fatos, e norteado pelos dispositivos legais aplicáveis ao processo administrativo fiscal, uma vez ocorrido em 03/04/2007, a ciência regular e válida da notificação de lançamento lavrada (AR de fls. 56/57), deve-se contar a partir dessa data o prazo para impugnar o débito, trintídio este encerrado no dia 03/05/2007. Portanto, não há como considerar tempestiva a peça impugnatória apresentada em 10/05/2007, razão pela qual mantenho a decisão recorrida. Conclusão Em razão do exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso, somente em relação à preliminar de tempestividade suscitada, para rejeitá-la e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO nos termos do voto em epígrafe, em razão da intempestividade da impugnação apresentada. É como voto. (assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 93DF CARF MF

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Numero do processo: 10945.720339/2014-23
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2009, 2010 IRPF. VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. No caso de omissão de rendimentos com base em acréscimo patrimonial a descoberto, a inclusão do valor como origem de recurso no fluxo financeiro, só pode ser aceita se restar comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade da transferência de numerário. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRESUNÇÃO LEGAL. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva.
Numero da decisão: 2003-000.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic e Wilderson Botto.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO

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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2009, 2010 IRPF. VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. No caso de omissão de rendimentos com base em acréscimo patrimonial a descoberto, a inclusão do valor como origem de recurso no fluxo financeiro, só pode ser aceita se restar comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade da transferência de numerário. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRESUNÇÃO LEGAL. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva.

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VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. No caso de omissão de rendimentos com base em acréscimo patrimonial a descoberto, a inclusão do valor como origem de recurso no fluxo financeiro, só pode ser aceita se restar comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade da transferência de numerário. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRESUNÇÃO LEGAL. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic e Wilderson Botto. Relatório Autuação e Impugnação Trata, o presente processo, de exigência de IRPF apurada nos anos-calendário de 2009 e 2010, exercícios de 2010 e 2011, no valor de R$ R$ 31.309,62, já acrescido de multa de ofício e juros de mora, em razão da omissão de rendimentos caracterizada pelo acréscimo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 03 39 /2 01 4- 23 Fl. 191DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-000.315 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10945.720339/2014-23 patrimonial a descoberto, em face do excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos tributáveis, não tributáveis exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, conforme se depreende do auto de infração constante dos autos, o que importou na apuração do imposto sobre rendimentos sujeitos à tabela progressiva no valor de R$ 15.090,69, cuja tributação refere-se à proporção de 50%, tendo sido atribuído ao cônjuge (Maria Maximiliana Kaefer), em processo próprio, os outros 50% dos rendimentos omitidos (fls. 109/120). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 03-65.616, proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília - DRJ/BSB (fls. 167/177), transcrito a seguir: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido o Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 109/120), referente ao exercício 2010, ano-calendário 2009 por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil da DRF/FOZ DO IGUAÇU PR). O valor do crédito tributário apurado está assim constituído: (em Reais) Conforme termo de Verificação e Conclusão da Ação Fiscal (fls. 42/46) o referido lançamento teve origem na constatação da seguinte infração: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA: Acréscimo Patrimonial a Descoberto Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, ou seja, excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, conforme demonstrado no Termo de Verificação e Conclusão da Ação Fiscal, parte integrante e indissociável deste Auto de Infração. O procedimento fiscal que resultou na constituição do credito tributário acima referido encontra-se relatado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 104/108) cujos trechos destaco abaixo: - O procedimento fiscal teve início para verificação do IRPF relativo a Ganhos de Capital e Variação Patrimonial referente aos exercícios 2009 a 2011, anos calendários 2008 a 2010 do contribuinte, tendo sido apurado Variação Patrimonial a Descoberto, onde se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldados por rendimentos declarados/comprovados; - Contribuinte intimado apresenta os documentos solicitados, e de posse dos documentos e após análise dos mesmos foi elaborado fluxo de caixa mensal do ano- calendário 2009 e 2010, exercício 2010 e 2011 do contribuinte e de Maria Maximiliana Fl. 192DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.315 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10945.720339/2014-23 Kaefer, cônjuge do contribuinte e encaminhado a ele através de intimações para sua análise, conferencia, correção ou complementação de valores e datas. Como a cônjuge do contribuinte declara o recebimento de lucros e dividendos em valores elevados, solicitamos também que apresentassem documentação comprobatória constando data e valor dos recebimentos, tais, como extratos bancários, cheques, etc, comprobatórios dos valores recebidos; - A cônjuge do contribuinte informa que houve o recebimento dos lucros exercícios 2008 e 2009, da empresa Mareka Representações Comerciais (CNPJ 04.728.102/0001- 82) e discrimina datas, valores nº livro diário e folhas, e informa que os livros diário e razão já se encontravam em poder dessa fiscalização e que os documentos de escrituração contábil eram haveis e idôneos para a comprovação dos lucros distribuídos. Os livros contábeis já haviam sido entregues a essa fiscalização pelo contribuinte, e pudemos averiguar que a distribuição de lucros, e a contabilizarão se dava através da conta Caixa, em valores de tal porte, inconcebíveis nos dias atuais, acreditar que a contribuinte retirasse valores de tal monta circulasse com os mesmos não fazendo transações através de instituições financeiras. Como exemplos, podemos citar os valores de R$155.000,00 em janeiro de 2008, R$250.000,00 em março de 2008, e R$270.000,00 em junho de 2008. - Além dos fatos mencionados, é importante assinalar que estes documentos foram produzidos pela empresa Mareka Reapresentações Comerciais LTDA, e o que está assentado nesses documentos pode não refletir, inequivocamente, a verdade dos fatos, sendo que, documentos contábeis não possuem valor probante inconteste. Não é crível que uma empresa, deixe em caixa valores de tal monta e que seja distribuído a um dos sócios lucros e dividendos em espécie e não através de transações bancárias. Os contribuintes foram intimados a comprovar através de extratos bancários e cheques, a efetiva saída do numerário da conta da empresa e a efetiva entrada dos valores na conta de pessoa física, e não lograram fazê-lo. Cabe ao contribuinte a comprovação mediante cheque, comprovante de depósito bancário ou do extrato da conta corrente ou outro meio admitido em direito, a efetiva transferência dos lucros e dividendos; - Para o fim de apurar os referidos acréscimos, é facultado à autoridade fiscal exigir do contribuinte esclarecimentos que julgar necessários, acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio. Uma vez efetuada a apuração do acréscimo patrimonial da pessoa física, o Regulamento do Imposto de Renda considera tributáveis as quantias correspondentes, quando o acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva (RIR/99, ART. 55, XIII); - Foi elaborado fluxo de caixa Mensal (fls. 102/103) relativos aos anos calendários 2009 e 2010, exercícios 2010 e 2011, onde foram utilizados todos os documentos e informações apresentadas pelos contribuintes em suas respostas às intimações, e nos demonstrativos elaborados foi constatado saldos negativos de caixa nos meses de junho a setembro 2009 e Abril a Agosto e em Dezembro 2010, o que indica Variação Patrimonial a Descoberto. Tanto nas Origens quanto nas Aplicações, foram incluídas Receitas e Despesas do Casal, constando do Fluxo de Caixa tais valores. A fundamentação legal encontra-se exposta no Auto de Infração (fls. 109/120) e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 104/108). O impugnante, tempestivamente apresentou defesa (fls. 127/136) alegando em breve síntese que: - A distribuição de lucros está comprovada pelos documentos Escrituração Mercantil da Mareka Representações (CNPJ 04.728.102/0001-89) e DIRPF dos impugnantes, e para facilitar os valores dos lucros distribuídos encontram-se lançados no livro diário nº 06, fls. 13, nos meses de 2009 no valor de R$235.000,00; Fl. 193DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-000.315 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10945.720339/2014-23 - Portanto dúvida não há de que os rendimentos recebidos pela pessoa física sob a rubrica “lucros e dividendos recebidos” devem ser considerados como origens/recursos no computo do fluxo de caixa, não obstantes terem sido efetuados via caixa, pois os fatos registrados na escrita contábil possuem fé pública e podem ser opostos ao fisco; - A sociedade empresa Mareka Representações LTDA que figura como fonte pagadora dos lucros distribuídos na Declaração de IRPF dos beneficiários, ora impugnantes, foi criteriosamente fiscalizada “sem ter sido constatado irregularidade passível de lançamento de crédito tributário” conforme consta do Termo de Encerramento de Ação Fiscal; - O Fisco não pode simplesmente presumir de forma genérica, que a escrituração é imprestável, e para fazer esta qualificação deveria a fiscalização desqualificar a escrituração da pessoa jurídica com base em elementos seguros de prova e veementes indícios de fraude; - Os fatos narrados no Termo de Verificação Fiscal são meros indicio, que induz ao aprofundamento das investigações, haja vista que, por si só, não possui o condão de desqualificar toda documentação apresentada; - Pede julgar improcedente a Notificação de Lançamento ora impugnada; Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar o feito, a DRJ/BSB, por maioria de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo-se incólume o crédito tributário exigido. Recurso Voluntário Cientificado da decisão em 24/02/2015 (fls. 180), o contribuinte, por procurador habilitado, em 09/03/2015, interpôs recurso voluntário (fls. 181/189), reportando-se e repisando as alegações da peça impugnatória, por meio dos seguintes tópicos: . Distribuição de Lucros – Prova de Transação Bancária – Desnecessidade; . Escrituração Mercantil; . Créditos Iguais ou Inferiores a R$ 12.000,00 – Somatório de R$ 80.000,00; . Documentação apresentada. Requer, ao final, o provimento do recurso e, por consequência, a reforma do acórdão recorrido. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23-B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Fl. 194DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-000.315 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10945.720339/2014-23 Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no presente recurso. Mérito Da omissão de rendimentos apurada – da variação patrimonial a descoberto: O Recorrente insurge-se contra a decisão proferida que manteve a autuação, alusiva a omissão de rendimentos caracterizada pelo acréscimo patrimonial a descoberto em face do excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos tributáveis, não tributáveis exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise dos documentos apresentados com a peça impugnatória. Pois bem. Do cotejo dos documentos carreados aos autos, aliado aos fundamentos contidos no voto vencedor da decisão recorrida (fls. 173/177) e atendo-se às informações fiscais contidas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 104/108), me convenço que não há como prosperar a insurgência recursal. Ademais, considerando que o Recorrente não trouxe novas alegações hábeis e contundentes a modificar o julgado de piso, me convenço do acerto da decisão recorrida, pelo que adoto como razão de decidir os fundamentos lançados no voto vencedor proferido (fls. 173/177), mediante transcrição dos excertos abaixo, à luz do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015– RICARF: No caso concreto, como relatado, a impugnante apresenta a tese de que rendimentos isentos recebidos e declarados deveriam ser considerados no fluxo de caixa, pois justificam a disponibilidade financeira. Alega que os valores foram pagos em espécie e que não é necessária a comprovação da transferência de numerário. O impugnante aponta rendimentos isentos que teriam sido auferidos de Mareka Representações Comerciais Ltda por seu cônjuge, em decorrência de lucros e dividendos recebidos, fato que estaria amparado, segundo a interessado, no Livro Diário da empresa em questão, referente ao período abrangido no lançamento. (...). Em suma, a fiscalização não incluiu os lucros e dividendos distribuídos pela empresa Mareka Representações Comerciais Ltda no fluxo de caixa em razão da falta de comprovação da transferência de numerário. O contribuinte aduz que a escrituração contábil da empresa, em conjunto com a DIRPF do contribuinte e cônjuge, são provas suficientes da distribuição de lucros. Em relação à escrituração contábil, isoladamente não comprova o efetivo recebimento de lucros ou dividendos, por ter, na realidade, força probatória relativa, mormente em relação aos seus próprios emitentes. Segundo o disposto no § 1º, do art. 223 do Decreto nº 1.041, de 1994, bem como no art. 923 do Decreto nº 3000, de 1999 a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Fl. 195DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-000.315 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10945.720339/2014-23 É por demais evidente que as declarações das empresas (livros contábeis) das quais a contribuinte era sócia não são aptas à comprovação da materialidade – espécie de prova requerida pela fiscalização – dos supostos fatos nelas inseridos. Note-se que, apesar de a contabilidade, em princípio, fazer prova em favor daquele que a produz, os assentamentos contábeis devem estar estribados em elementos concretos que os fundamentem e os comprovem. Vale dizer, a contabilidade não existe por si só e não é destinada ao registro de ficções; tem ela por finalidade, justamente, a exteriorização de fatos concretos, os quais, necessariamente, caso existentes, deveriam estar documentados. Ou seja, não é a contabilidade que se presta a comprovar os fatos concretos; esses é que comprovariam aquela. Tal prova, se a contabilidade retratasse fatos verdadeiros, existiria. Na fase de impugnação, novamente não foram apresentados documentos comprobatórios dos registros contábeis ou comprovantes da transferência de numerário. Ressalte-se, também, que a presente lide, no tocante ao acréscimo patrimonial a descoberto, é relativa às pessoas físicas, às quais incumbiria comprovar, em face da presunção de omissão de rendimentos, a existência efetiva dos recursos isentos que aventam terem sido recebidos. Essa é a discussão existente, em primeiro plano, no presente processo. Portanto, descabem as alegações do contribuinte acerca da regularidade da escrituração contábil da empresa, baseada em termo de encerramento de ação fiscal. Conforme já aventado, a escrita contábil deve estar lastreada em documentos que externem os fatos nela registrados, os quais não foram apresentados até o momento. Assim, muito embora não tenha havido constituição de crédito tributário na pessoa jurídica, tal fato não justifica a não apresentação das provas que caberia ao contribuinte, pessoa física, qual seja, a de que efetivamente recebeu os valores declarados como rendimentos isentos e não tributáveis. Ainda, nos termos da impugnação, as quantias retiradas como lucros não transitaram por contas bancárias, seja da empresa, seja da sócia. Ou seja, todo o lucro retirado pela sócia durante o ano, em valores que ultrapassam R$ 200.000,00 em alguns meses e somam R$ 922.000,00 no ano todo, não teriam deixado um rastro sequer em movimentação bancária. Também não teriam deixado rastro bancário algum os R$ 305.000,00 distribuídos em 2009. Sendo essa a justificativa do contribuinte para atestar a disponibilidade financeira, deveria cercar-se de comprovação mais robusta dos fatos alegados, tal como a apresentação dos documentos que dão suporte aos valores contabilizados e que poderiam demonstrar, por exemplo, que a empresa possuía em caixa o valor distribuído nos meses em questão. Nos termos da legislação acima transcrita, é ônus do contribuinte demonstrar a inexistência do acréscimo patrimonial, facultando-lhe todos os meios de prova admitidos em direito. Entretanto, os registros contábeis não são prova absoluta da distribuição de lucros, ainda mais quando apresentados parcialmente, sem os documentos comprobatórios que lhes dão suporte. A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, corrobora o entendimento de que a retirada de lucros, quando alegada para afastar o acréscimo patrimonial a descoberto, deve ser comprovada mediante a transferência de numerário: (...) Por conseguinte, acerca da comprovação ou não de que os acréscimos patrimoniais tidos como “a descoberto” teriam sido suportados por lucros ou dividendos recebidos de Mareka Representações Comerciais Ltda, há que se concluir, de fato, que não houve a apresentação de prova material efetiva por parte do impugnante. Fl. 196DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2003-000.315 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10945.720339/2014-23 Destarte, não restando comprovado o efetivo recebimento dos lucros supostamente distribuídos por meio de documentação hábil e idônea – sendo essa a origem dos recursos capazes de suportar a variação patrimonial ocorrida – correta é atuação fiscal decorrente da omissão de rendimentos caracterizada pelo acréscimo patrimonial a descoberto, acompanhada das penalidades cabíveis, tudo em estrita sintonia com a legislação de regência, razão pela qual mantenho a autuação lavrada. Conclusão Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso, nos termos do voto em epígrafe, para manter o auto de infração relativo ao imposto de renda no valor de R$ 15.090,69, apurado nos anos-calendário de 2009 e 2010, exercícios de 2010 e 2011. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 197DF CARF MF

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Numero do processo: 11080.732495/2011-74
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DO TRABALHO COM VÍNCULO OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. São rendimentos da pessoa física para fins de tributação do Imposto de Renda aqueles provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos, funções e quaisquer proventos ou vantagens auferidos tais como salários, ordenados, vantagens, gratificações, honorários, entre outras denominações. São tributáveis os rendimentos informados em Declaração de Imposto Retido na Fonte (DIRF), pela fonte pagadora, como pagos ao contribuinte e por ele omitidos na declaração de ajuste anual. Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. IRPF. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. ENTIDADE FAMILIAR. A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). Na hipótese de apresentação de declaração em separado, são dedutíveis apenas as despesas com plano de saúde relativas ao tratamento do declarante e de seus dependentes cujo ônus financeiro tenha sido suportado por um terceiro, se este for integrante da entidade familiar, não havendo, neste caso, a necessidade de comprovação do ônus. PAF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não é competente para apreciar pedidos de restituição e/ou compensação, cuja competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Numero da decisão: 2003-000.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cássio Gonçalves Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cássio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO

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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DO TRABALHO COM VÍNCULO OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. São rendimentos da pessoa física para fins de tributação do Imposto de Renda aqueles provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos, funções e quaisquer proventos ou vantagens auferidos tais como salários, ordenados, vantagens, gratificações, honorários, entre outras denominações. São tributáveis os rendimentos informados em Declaração de Imposto Retido na Fonte (DIRF), pela fonte pagadora, como pagos ao contribuinte e por ele omitidos na declaração de ajuste anual. Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. IRPF. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. ENTIDADE FAMILIAR. A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). Na hipótese de apresentação de declaração em separado, são dedutíveis apenas as despesas com plano de saúde relativas ao tratamento do declarante e de seus dependentes cujo ônus financeiro tenha sido suportado por um terceiro, se este for integrante da entidade familiar, não havendo, neste caso, a necessidade de comprovação do ônus. PAF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não é competente para apreciar pedidos de restituição e/ou compensação, cuja competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.

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OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DO TRABALHO COM VÍNCULO OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. São rendimentos da pessoa física para fins de tributação do Imposto de Renda aqueles provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos, funções e quaisquer proventos ou vantagens auferidos tais como salários, ordenados, vantagens, gratificações, honorários, entre outras denominações. São tributáveis os rendimentos informados em Declaração de Imposto Retido na Fonte (DIRF), pela fonte pagadora, como pagos ao contribuinte e por ele omitidos na declaração de ajuste anual. Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. IRPF. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. ENTIDADE FAMILIAR. A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). Na hipótese de apresentação de declaração em separado, são dedutíveis apenas as despesas com plano de saúde relativas ao tratamento do declarante e de seus dependentes cujo ônus financeiro tenha sido suportado por um terceiro, se este for integrante da entidade familiar, não havendo, neste caso, a necessidade de comprovação do ônus. PAF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 24 95 /2 01 1- 74 Fl. 94DF CARF MF S2-TE03 Fl. 2 O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não é competente para apreciar pedidos de restituição e/ou compensação, cuja competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cássio Gonçalves Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cássio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto. Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de IRPF apurada no ano calendário de 2007, exercício de 2008, no valor de R$ 7.153,42, já acrescido de multa de ofício e juros de mora, em razão da omissão de rendimentos do trabalho com ou sem vínculo empregatício, no valor de R$ 3.450,00, tendo sido compensado o imposto de renda sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 123,35, e dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 10.239,20, por falta de comprovação ou previsão legal para sua dedução, conforme se depreende na notificação de lançamento constante dos autos, culminando com a apuração do imposto suplementar no valor de R$ 3.385,20 (fls. 7/12). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 16-54.569, proferido pela 22ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I - DRJ/SP1 (fls.63/69), transcrito a seguir: Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual 2008 do contribuinte acima identificado, procedeu-se ao lançamento de ofício, originário da apuração das infrações abaixo descritas, por meio da Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, de fls. 06/12. Fl. 95DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.249 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.732495/2011-74 Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal informa a fiscalização a glosa de R$ 10.239,20 correspondente à Dedução Indevida de Despesas Médicas, e a Omissão de Rendimentos Recebidos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício, no valor de R$ 3.450,00, compensado o imposto retido na retido na fonte sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 123,35. DA IMPUGNAÇÃO Devidamente intimado das alterações processadas em sua declaração, o contribuinte apresentou impugnação por meio do instrumento, de fls. 02/04, e dos documentos de fls. 15/22, alegando, em síntese, que: Despesas Médicas Neste valor pago à Unimed POÁ, ainda que esteja em nome de sua esposa, Lisiane Anzzulin Ayub, o plano de saúde o inclui, bem como seus filhos e dependentes Thais e Luis Otávio; Apesar de sua esposa apresentar declaração em separado, pagou o plano integralmente, tanto é assim que ela não fez qualquer abatimento a este título em sua declaração. Omissão de Rendimentos Concorda com a infração relativa ao CNPJ 04.516.636/0001­41; Em relação ao CNPJ 87.415.725/0001-29, o valor deveria ter sido pago em decorrência de aulas que ministrou nesta instituição, porém, até a presente data não registrou o pagamento de tais valores. Impugnação Parcial – Transferência do Crédito Tributário para outro Processo Tendo em vista a apresentação de impugnação parcial ao lançamento, o crédito tributário discriminado abaixo foi transferido deste para o Processo nº 11080.733083/2011-51, atendendo ao que dispõe o § 1º do art. 21 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 96DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-000.249 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.732495/2011-74 Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar o feito, a DRJ/SP1, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, para restabelecer a glosa dos valores pagos ao plano de saúde Unimed POÁ, somente em relação às despesas próprias e de seus dependentes, no valor de R$ 6.751,20, ajustando o imposto suplementar que foi reduzido para R$ 991,97, a ser acrescido dos encargos legais. Recurso Voluntário Cientificado da decisão, em 10/02/2014 (fls. 87/88), o contribuinte interpôs, em 07/03/2014, recurso voluntário (fls. 75/78), impugnando parcialmente a decisão recorrida, somente em relação à omissão de rendimentos, alegando em síntese que: Em 28.02.2014, obteve cópia da DIRF e obteve a informação que o pagamento referente a Fundação Attila Taborda teria sido realizado em novembro/2007. Diante disso, reexaminando os seus extratos bancários de novembro/2007, localizou o depósito no valor de R$ 959,00, realizado em 30.11.2007, na conta bancária junto ao Banco do Brasil. Após procurar o Banco e descobrir a origem do depósito, advindo da agência Bagé-RS e não de Laguna-SC, teve ciência que o depósito realizado, no valor de R$ 959,00 e não de R$ 1.050,00, na sua conta corrente foi efetuado pela Fundação Attila Taborda, em razão das aulas que lá ministrou em maio de 2006, ou seja, 18 meses após a apresentação do serviço. Em razão disso, requer a isenção da multa aplicada pela não declaração e não recolhimento do imposto de renda, posto que não tinha ciência da origem do depósito ocorrido em sua conta corrente. Em diligências junto à Previdência Social verificou que a fonte pagadora recolheu valores previdenciários no valor de R$ 90,83. Verificou, também que a outra fonte CETRA Centro de Estudos do Direito S/A, em relação ao pagamento efetuado de R$ 2.400,00, também recolheu à previdência o valor de R$ 264,00. Desta forma comprova que indevida a parcela cobrada de “Previdência Oficial sobre Rendimento Omitido” no valor de R$ 354,83, pois tais valores já haviam sido recolhidos pelas fontes pagadoras. Requer que tal parcela seja excluída do cálculo. Em face disso, acabou por recolher a maior o imposto sobre os R$ 2.400,00, pago pelo CETRA, posto que calculado sobre o valor bruto, sem o desconto efetuado a título de Previdência Social e de imposto de renda retido no valor de R$ 123,35. Requer a compensação do valor pago a maior. Com relação a exclusão do valor de R$ 3.072,30 relativa a parte do plano de saúde Unimed POÁ de sua esposa, a Solução de Consulta Interna nº 23 – Cosit, de 26.08.2010, autoriza a dedução e foi utilizada para justificar a não aceitação. Ademais, uma solução de consulta do ano de 2010, não pode retroagir para atingir o contribuinte, pois a origem do débito é de 2007. Ademais é injusto não poder deduzir as despesas médicas de um plano familiar, quando este é suportado exclusivamente pelo contribuinte. Aqui se extrapola a vontade de arrecadar. Requer, ao final, o restabelecimento da despesa médica glosada no valor de R$ 3.072,30, relativa ao plano de saúde de sua esposa. Instrui a peça recursal com os documentos de fls. 80/85, com especial destaque para o relatório contendo as informações apresentadas em DIRF pelas fontes pagadoras (fls. 80) Fl. 97DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-000.249 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.732495/2011-74 e extrato de sua conta-corrente do mês de novembro/2007, atestando o recebimento do valor pago pela fonte pagadora Fundação Attila Taborda (fls. 83). Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23-B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no presente recurso. Mérito Da omissão de rendimentos recebidos e da glosa parcial das despesas médicas relativas ao plano de saúde Unimed POÁ: Em relação a omissão de rendimentos apurada, insurge-se o Recorrente alegando que em relação aos rendimentos recebidos da Fundação Attila Taborda (fls. 80), no valor de R$ 1.050,00, somente teve ciência dos mesmos após apurar e constatar que foi creditado em sua conta-corrente, junto ao Banco do Brasil, apenas o valor de R$ 959,00, depósito este, diante dos dados constantes no seu extrato bancário, era oriundo da agência Laguna/SC. Alega, ainda, que houve retenção pela fonte pagadora do valor de R$ 90,83, a título de previdência oficial. Tais informações o induziram a erro no que se refere a origem do aludido valor recebido, sobretudo pela imprecisa indicação no extrato bancário da agência originária do depósito realizado – que na verdade é proveniente da agência Bagé/RS – não o vinculando à fonte pagadora, em face das aulas ministradas no decorrer do ano de 2006. Em razão disso, requer a isenção da multa aplicada pela omissão apurada, posto que não tinha ciência da origem do depósito uma vez que foi induzido a erro tanto pela instituição financeira (ao lançar dados incorretos no extrato bancário fornecido), quanto pela fonte pagadora que realizou o crédito apenas do valor líquido (R$ 959,00) em sua conta corrente. Fl. 98DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-000.249 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.732495/2011-74 A fiscalização, por seu turno, constatou a omissão de rendimentos do trabalho sujeitos à tabela progressiva, com base nas informações constantes do sistema de dados da Receita Federal, alimentados pela DIRF apresentada pela fonte pagadora. Já DRJ/SP1 (fls. 66), em relação à omissão de rendimentos, entendeu que “a informação em DIRF pela fonte pagadora dos rendimentos é suficiente para que o valor seja considerado pago ao contribuinte. Assim, deve-se manter o lançamento integralmente”. Pois bem. Denota-se de todo processado que o Recorrente alega ter sido induzido a erro pelo depósito a menor realizado pela fonte pagadora em sua conta-corrente junto ao Banco Brasil, sobretudo diante do desconto previdenciário ocorrido. Alega, ainda, que houve falha no extrato fornecido que o impossibilitou, a princípio, de identificar a agência originária do depósito realizado. Contudo, razão não lhe assiste. O próprio Recorrente reconhece e atesta haver ocorrido a prestação dos serviços e o consequente pagamento dos valores omitidos, os quais foram decorrentes do vínculo laboral mantido com a fonte pagadora Fundação Attila Taborda, configurando aí fato gerador para incidência tributária do imposto de renda. O fato de haver surgido dúvida em relação a origem do depósito, por si só, não o exime da ciência do pagamento realizado pelo serviço prestado, mesmo porque creditado em sua conta-corrente, tanto que ao procurar a instituição financeira restou-lhe superada a dúvida, a que deu causa, diante de sua interpretação equivocada dos dados constantes do seu extrato bancário. Assim, entendo que nem a instituição financeira e muito menos a fonte pagadora o induziram a erro, tanto que, esta última, ao remunerar pelas aulas ministradas, promoveu como lhe competia a retenção do desconto previdenciário com base na legislação de regência. Portanto, não restando demonstrado haver sido o Recorrente induzido a erro por declaração imprecisa ou incorreta prestada pela fonte pagadora, improcede a alegação de erro escusável passível de afastamento da multa de ofício, razão pela qual mantenho a autuação como aplicada no particular. Quanto as despesas médicas glosadas no valor de R$ 3.072,30, alega que faz jus a dedução integral do plano Unimed POÁ, porquanto suportou exclusivamente com a manutenção do aludido plano de saúde familiar, mesmo que contratado em nome de sua esposa. Alega, ainda, que uma solução de consulta do ano de 2010, não pode retroagir para atingir o contribuinte, pois a origem do débito é de 2007. Sobre o tema, assim está fundamentada a decisão recorrida (fls. 67): Consta da Descrição dos Fatos: Glosa das despesas médicas com plano de saúde no valor de R$10.239,20 indicadas como pagas a UNIMED, CNPJ 87.158.507/0001-56, pois foi apresentado um relatório de parcelas pagas, sem determinação dos beneficiários e que consta como contratante LISIANE ANZZULIN AYUB, cônjuge do contribuinte que apresentou DIRPF em separado e no modelo simplificado. O Impugnante alega que neste valor pago à Unimed POA, ainda que esteja em nome de sua esposa, Lisiane Anzzulin Ayub, o plano de saúde o inclui, bem como seus filhos e dependentes Thais e Luis Otávio. Apesar de sua esposa apresentar declaração em separado, pagou o plano integralmente, tanto é assim que ela não fez qualquer abatimento a este título em sua declaração. Com a impugnação foi apresentado o Relatório Detalhado de Parcelas para Imposto de Renda – Exercício 2007 que informa que Lisiane Anzzulin Ayub é a contratante do plano de saúde e que são dependentes no referido plano Luis Otavio Anzzulin Ayub, Fl. 99DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2003-000.249 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.732495/2011-74 Luiz César Keppes Ayub e Thais Anzzulin Ayub. O valor pago no ano de 2007 foi de R$ 9.823,50, sendo o valor relativo a Lisiane de R$ 3.072,30. A consulta à declaração do cônjuge Lisiane Anzzulin Ayub (modelo completo) revela que este não declarou dependentes e também não declarou deduções de despesas médicas. O fato de o cônjuge do Impugnante ser o titular do plano de saúde não impede que o Impugnante deduza as despesas médicas relativas ao mesmo plano como dependente, com base no conceito de entidade familiar. (...) Dessa forma, deve-se acatar como despesas dedutíveis as despesas médicas relativas ao plano de saúde do Impugnante e dos dependentes informados no Relatório Detalhado de Parcelas para Imposto de Renda – Exercício 2007, de fls. 16/17, no valor de R$ 6.751,20 (R$ 9.823,50 - R$ 3.072,30). Aqui também razão não lhe socorre. Emerge dos autos de forma incontroversa que o plano de saúde familiar contratado tem como titular sua esposa (e não dependente), sendo o Recorrente qualificado como dependente juntamente com seus dois filhos e dependentes. Sobre a suposta alegação de ter o mesmo suportado os pagamentos do plano, inexiste provas nos autos quanto a este fato. Consoante a legislação de regência, somente são dedutíveis os valores pagos a planos de saúde familiar de pessoas físicas consideradas dependentes perante a legislação tributária e incluídas na declaração do responsável em que forem consideradas dependentes. Assim, considerando que o titular/contratante do plano de saúde é a esposa do Recorrente – e que declara em separado – aliado ao fato de que os filhos estão vinculados à declaração do Recorrente (fls. 38/44), caberia a mesma promover a dedução dos seus gastos com o plano, exclusivamente. Em contrapartida, os dispêndios realizados pelos demais integrantes do plano familiar, poderão ser deduzidos pelo Recorrente, portanto correta é a interpretação dada pela decisão recorrida. No que se refere a alegação de que “uma solução de consulta do ano de 2010, não pode retroagir para atingir o contribuinte, pois a origem do débito é de 2007”, a mesma não merece qualquer guarida, porquanto a interpretação em nada afeta o Recorrente. Até o exercício de 2008 (ano-calendário de 2007), o titular do plano de saúde poderia deduzir integralmente o pagamento efetuado, ainda que os dependentes não constassem em sua declaração, e contando os dependentes não se aproveitassem também da respectiva dedução. Logo, restando comprovado que o Recorrente não é o titular do plano de saúde familiar contratado e sim sua esposa (e não dependente, e que declara em separado), não há como aproveitar os pagamentos a ela destinados em seu proveito, mesmo que, supostamente, tenha arcado integralmente com os respectivos dispêndios, situação que também não restou demonstrada nos autos. Em relação ao pedido de compensação formulado, vale salientar que o presente processo – cuja origem foi a exigência de IRPF em face da omissão de rendimentos apurada e dedução a indevida de despesas médicas – não é via própria para discutir eventual direito a restituição de contribuições previdenciárias recolhidas indevidamente, ou mesmo se é cabível a compensação com os débitos ora exigidos. Ademais a competência deste Conselho Administrativo restringe-se em promover o julgamento de recursos contra decisões de julgamentos proferidos pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento/DRJ – sob pena, dentre outros, de supressão de instância – sendo competente para tal desiderato, a unidade de origem da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Fl. 100DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2003-000.249 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.732495/2011-74 Portanto, nada impede que, de fato, possuindo créditos compensáveis, o Recorrente exercite tal direito, mas em procedimento próprio e distinto, perante à Receita Federal do Brasil. No que tange à suposta extrapolação da vontade de arrecadar, cabe esclarecer que a autoridade lançadora não deve e nem pode fazer um juízo valorativo sobre a conveniência do lançamento, o qual rege-se por expressa determinação legal sendo, portanto, a atividade fiscal vinculada e obrigatória sob pena de responsabilidade funcional, na exata dicção do art. 142, caput e parágrafo único, do CTN. Por fim, o que é determinante para a efetivação do lançamento é a ocorrência do fato gerador, competindo a autoridade fiscal, por força do dever funcional, constituir o crédito tributário e calcular a exigência de acordo com a lei vigente à época dos fatos, não tendo repercussão alguma nos trabalhos fiscais a situação econômica/financeira do sujeito passivo. Conclusão Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso, nos termos do voto em epígrafe, para manter as alterações constantes na base de cálculo do imposto de renda do ano-calendário de 2007, exercício de 2008. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 101DF CARF MF

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