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Numero do processo: 11020.002935/2009-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006
DECADÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA. FATO GERADOR
"O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário"(Súmula CARF nº 38).
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Súmula CARF nº 26
Numero da decisão: 2202-004.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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IMPOSTO DE RENDA. FATO GERADOR "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário"(Súmula CARF nº 38). OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Súmula CARF nº 26 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 29 35 /2 00 9- 55 Fl. 2979DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre (RS) (fls. 2825/2827). Através do Auto de Infração está sendo exigido do contribuinte o imposto suplementar no valor de R$ 472.661,87 relativos aos exercícios de 2005 e 2006 em decorrência da omissão de rendimentos de pessoa jurídica auferidos por dependente, omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições a previdência privada e Fapi, dedução indevida de despesas médicas, dedução indevida de previdência privada/Fapi e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. A descrição dos fatos e a legislação infringida constam do referido Auto de Infração e do Termo de Verificação Fiscal em fls. 2625/2650. O total do crédito tributário é de R$1.026.036,68. Na impugnação parcial (fls. 2658/2681) acompanhada de documentos, o contribuinte alega, em síntese, que: reconhece como procedente o crédito tributário que tem como fato e valores descritos nos itens 001;002;003 e 004 do auto de infração; tendo formalizado a adesão ao parcelamento e recolhido a 1a. parcela através do DARF em fl. 2685; é indevida tributação de rendimentos auferidos com base exclusivamente em depósitos e créditos bancários; os depósitos e créditos bancários nas contas correntes movimentadas pelo impugnante estão vinculadas às atividades e operações da Transportadora Maira Ltda da qual é sócio majoritário e administrador; “ tais créditos foram objeto de arbitramento para convertêlos em rendimento omitido” (sic); a movimentação financeira nas contas correntes do contribuinte tem relação direta com a movimentação na pessoa jurídica, coincidentes em datas e valores nas contas de titularidade da empresa, conforme documentação anexada ao processo; a fiscalização não estabeleceu nexo entre qualquer crédito bancário e o correspondente rendimento considerado como omitido; as decisões de órgãos colegiados são no sentido de que não basta a simples indicação dos depósitos ou créditos bancários Fl. 2980DF CARF MF Processo nº 11020.002935/200955 Acórdão n.º 2202004.619 S2C2T2 Fl. 2.980 3 (presunção simples) para constituir a prova material da infração, fazse necessário que a fiscalização apresente indícios, fatos, operações ou circunstância que pudesse caracterizar a efetiva percepção do rendimento não declarado pelo contribuinte; o fisco se prevalece da dificuldade comum às pessoas físicas, em razão de não estarem obrigadas à escrituração de suas operações contábeis, todavia, o contribuinte não mediu esforços em disponibilizar os elementos necessários que comprovam as inúmeras transferências, emissão de cheques entre as contas da pessoa jurídica e do impugnante; conforme valores informados na declaração de bens dos anos calendário de 2004 e 2005 verificase que não houve acréscimo patrimonial compatível com os rendimentos omitidos; não foram observados os princípios constitucionais, tais como: capacidade contributiva, razoabilidade, verdade absoluta, acusação com sustentação em prova irrefutável, tipicidade e outros que devem estar na relação do fisco e contribuinte; embora o extraordinário montante tributado (R$ 1.670.211,84) não há indicação do fisco de qualquer fato que pudesse caracterizar sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial sem origem; o arbitramento do rendimento tributado se constitui em arbitrariedade, uma vez que está evidenciado pelas contas bancárias do impugnante e da pessoa jurídica (Transportadora Maira Ltda) que as mesmas apresentam sistematicamente saldo devedor; o fisco teria arbitrado os rendimentos com base em suposições, em presunções simples, não provando a que título os rendimentos foram auferidos, em desacordo com o disposto no art. 849 do RIR/99; o fisco incorreu em outras impropriedades em relação ao arbitramento no ano de 2004, tais como:1) foram tributados depósitos inferiores a R$ 12.000,00; 2) a fiscalização apontou, em 2004, créditos nas contas bancárias no total de R$ 3.023.764.38,todavia, as planilhas de fls. 2198 a 2218 demonstram os depósitos de origem comprovada no montante de R$ 3.126.659,24; 3) da totalidade dos créditos a fiscalização considerou comprovada a origem no percentual de 91,11%, sendo que a tributação de 8,89% se constitui em arbitrariedade; os extratos em fls. 1909 a 1923 da pessoa jurídica (Transportadora Maira) junto ao Banrisul (ano 2004) comprovam as transferências da conta da mesma pessoa jurídicapara a conta do impugnante (amostragem em fl. 2667), não podendo as mesma serem tributadas, nos termos do art. 42,§3º, inciso I da Lei nº 9.430/96. Fl. 2981DF CARF MF 4 Prossegue, discriminando (fls. 2668/2671) diversos depósitos que estariam com a origem comprovada, os quais serão, posteriormente ,analisados individualmente. Com relação ao anocalendário de 2005, o contribuinte alega que, quando da ciência do Auto de Infração, não lhe foi concedido mais prazo para examinar os documentos e fatos relacionados a esse anocalendário. Argumenta que, tal como no ano de 2004, apresentou centenas de documentos, extratos bancários da Transportadora Maira relativos a 2005, comprovando as transferências de valores das pessoa jurídica para pessoa físic , os quais foram ignorados pela fiscalização. Destaca diversos depósitos efetuados em 2005 (fls. 2672/2675) que teriam sua origem comprovada, os quais serão, posteriormente, analisados, individualmente . Enfatiza que os documentos apresentado pelo impugnante sequer foram examinados pela fiscalização e que fatos apresentados na impugnação são suficientes para determinar a improcedência do lançamento, nos termos do art. 849 do RIR/99 e da IN SRF nº 246/2002. Transcreve diversas ementas de Acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito da matéria em exame. Conforme recibo de pedido de parcelamento da Lei nº 11.941, de 27/05/2009 (fl. 2682) o contribuinte solicitou parcelamento em 18/09/2009 tendo efetuado o recolhimento da 1a. parcela no valor de R$ 50,00 em 21/09/2009 de acordo com a cópia do DARF em fl. 2685. Através do Extrato do Processo (fl.2806) verificase que a parte incontroversa foi transferida para processo nº 11020.720.567/200921 o montante de R$ 5.376,74 (a/c. 2004) e R$ 8.076,87 (a/c. 2005). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) deu parcial provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 2824): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005,2006 Ementa: DECISÕES JUDICIAIS EFEITOS As decisões judiciais, à exceção das proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção Fl. 2982DF CARF MF Processo nº 11020.002935/200955 Acórdão n.º 2202004.619 S2C2T2 Fl. 2.981 5 legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – Excluise do lançamento os depósitos bancários devidamente comprovados. DEPÓSITOS DE VALOR IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. Não podem ser considerados, para efeito de lançamento dos rendimentos omitidos, os depósitos bancários não comprovados de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, cujo o somatório, dentro do anocalendário, não ultrapassar o valor de R$ 80.000,00. Em 26/09/2012 foi lavrado termo de ciência por decurso de prazo (fls. 2841) e em 26/10/2012 o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 2844/2873) no qual reitera as alegaçõe já suscitadas quando da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço 1) PRELIMINAR DECADÊNCIA DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS RELATIVOS AO PERÍODO DE JANEIRO À OUTUBRO DE 2004 De acordo com o Recorrente seus rendimentos estão sujeitos à tributação mensal. Sendo assim, no prazo de 5 (cinco) anos a contar do fim de determinado mês terá ocorrido a decadência do direito à constituição do crédito tributário correspondente ao IRPF relativo ao período de janeiro à outubro de 2004, uma vez que apenas em outubro de 2009 foi notificado do lançamento. Sem razão o Recorrente. A regra geral trazida pela Lei nº 7.713/88 é de que a apuração mensal constitui apenas uma antecipação do valor devido anualmente. As exceções estão previstas no artigo 83 do RIR/99 sujeitas à tributação exclusiva na fonte, dentre as quais, não se inclui a situação do Recorrente. Fl. 2983DF CARF MF 6 Ademais, é entendimento pacífico no âmbito do CARF que "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário"(Súmula CARF nº 38) . Sendo assim, não há que se falar em decadência dos lançamentos relativos ao perído de janeiro à outubro de 2004. Em face do exposto, rejeito a preliminar de decadência. 2) MÉRITO 2.1) DA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS E DA IMPOSSIBILIDADE DE EXTRATOS BANCÁRIOS SERVIREM, POR SI SÓ, PARA COMPROVAR A PROPRIEDADE DOS RECUROSS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA RENDA CONSUMIDA. Quanto ao mérito, o Recorrente discorre sobre o conceito de renda e a impossibilidade de inversão do ônus da prova estabelecido pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96. É correta a afirmação do Recorrente no sentido de que o simples depósito em conta corrente não significa renda. No entanto, é pacífico que uso de presunções em matéria tributária é admitido, desde que tais presunções sejam relativas, como é o caso da presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o qual dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Fl. 2984DF CARF MF Processo nº 11020.002935/200955 Acórdão n.º 2202004.619 S2C2T2 Fl. 2.982 7 Como destaca Ricardo Mariz de Oliveira1 as razões que justificam a aceitação do uso de presunções relativas no direito tributário são as seguintes: a ocorrência do fato gerador é constatada a partir de fatos conhecidos e comprovadamente existentes; há correlação lógica entre o fato conhecido (índices de produção, consumo de materiais, sinais exteriores de riqueza, acréscimos patrimoniais, saldo credor de caixa) e o fato desconhecido cuja existência se quer provar (fato gerador); o método de interpretação e aplicação da lei a partir da presunção é previsto e autorizado por lei, e não decorre apenas de suposição do agente lançador; a presunção não é absoluta, admitindo prova em contrário pelo contribuinte, característica implícita em toas as citadas hipóteses legais, quando não expressa; tratase de mero meio de prova, com inversão do ônus da prova da inocorrência do gerador, pela comprovação de outros fatos, também desconhecidos, mas hábeis a excluir a incidência tributária. (grifamos) A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Por fim, em relação à alegação do Recorrente de que a fiscalização não teria comprovado o consumo da renda, a matéria se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, conforme se constata pela Súmula nº 26 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. 2.2 DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS 1 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de Presunções no Direito Tributário. In Martins Ives Gandra da Silva (coord.). Presunções no Direito Tributário. São Paulo: Centro de Estudos de Extensão Universitária e Editora Resenha Tributária, 1984. (Caderno de Pesquisas Tributárias, 9) p. 299300 Fl. 2985DF CARF MF 8 Primeiramente, alega o Recorrente que a maior parte dos depósitos referem se de giro bancário que realizou para obter fôlego em suas negociações. Afirma que "eram emitidos cheques de diversas contas e descontadas em outras, de propriedade do mesmo contribuinte, também evolvendo a pessoa jurídica da Transportadora Maira de propriedade do sujeito passivo, a qual se confunde com a pessoa física principalmente porque o objeto dos depósitos era a obtenção de crédito e tempo para possibilitar a continuidade da atividade empresária." Nesse ponto, como bem observado pela decisão recorrida "no que tange as transferências de valores da pessoa jurídica para a pessoa física, esclareçase que somente poderiam ser excluídas mediante a comprovação da natureza da operação que deu causa a cada depósito. A transferência entre contas correntes de titularidade diferente não faz prova dos valores creditados nas contas correntes do interessado". Além disso, conforme exposto na súmula CARF nº 32 "a titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros". Logo em seguida, o Recorrente reitera as alegações quanto a comprovação da origem de diversos depósitos bancários relativos aos anos de 2004 e 2005. Tais depósitos foram individualizadamente pela decisão recorrida às fls. 2832 à 2834, a qual, inclusive, reconheceu a comprovação da origem de vários deles. Concordo com a análise realizada e remeto às conclusões ali expostas. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito a preliminar de decadência e, no mérito, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 2986DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.724632/2014-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/04/2012
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON.
O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.961
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/04/2012 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 46 32 /2 01 4- 38 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 11065.724632/201438 Acórdão n.º 3201003.961 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 076.172, julgou improcedente a Impugnação, sob o entendimento de que, estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação do Dacon, o atraso ou a falta no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.951, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 13811.725490/201208, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.951): Preliminarmente, em relação às alegações de inconstitucionalidade tecidas pela recorrente (irrazoabilidade e desproporcionalidade) em sua peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, tratase no caso, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON de uma declaração instituída com fundamento no art. 7º da Lei nº 10426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11051/2004. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 11065.724632/201438 Acórdão n.º 3201003.961 S3C2T1 Fl. 4 3 O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;" Constatase, então, que a obrigação acessória em apreço possui previsão legal. Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º: "Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e nãocumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 708, de 09 de janeiro de 2007) § 1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. § 4º Na hipótese de que trata o § 3º, será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado." "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: Fl. 68DF CARF MF Processo nº 11065.724632/201438 Acórdão n.º 3201003.961 S3C2T1 Fl. 5 4 a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. § 1º Excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o Dacon deverá ser apresentado pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo. § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento." No caso dos autos não existe controvérsia acerca dos fatos, no sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo, o que torna cabível a aplicação da multa legalmente prevista, incidente sobre o montante da Cofins informado no Dacon, ainda que tenha sido integralmente pago. Acerta a decisão recorrida ao consignar: "Assim, para o lançamento da multa basta o não cumprimento da obrigação acessória dentro prazo, independentemente de aspectos como falta de profissional especializado, desconhecimento ou não entendimento da legislação, problemas particulares (inclusive com equipamentos de informática e provedor de internet) ou de condição financeira, dano ao erário, culpa ou dolo do sujeito passivo. Notese que quando o contribuinte deixa para cumprir sua obrigação ao final do prazo estipulado, assume o risco de incorrer em problemas particulares que culminam com o não cumprimento de sua obrigação tempestivamente. Portanto, como no presente caso é incontroverso o atraso no cumprimento da obrigação acessória e não há dúvida quanto à interpretação da legislação tributária, correta a exigência da multa legalmente estabelecida." O entendimento do Conselho Administrativo e Recursos Fiscais CARF é no sentido de ser devida a multa pelo atraso na entrega do DACON. Em tal direção, temse os seguintes julgados: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Irreparável lançamento que exige multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente, em especial se, em sede de Recurso, não há apresentação e qualquer prova em sentido contrário." (Processo nº 16327.002626/200369; Acórdão nº 3802003.388; Relator Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 11065.724632/201438 Acórdão n.º 3201003.961 S3C2T1 Fl. 6 5 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/201016; Acórdão nº 3302002.666; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Exercício: 2008 Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória." (Processo nº 13227.000945/200884; Acórdão nº 3202001.224; Relator Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri; Sessão de 29/05/2013) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000563/2010-67
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO INDEVIDADA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS - SÚMULA CARF Nº 1
Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial
Numero da decisão: 2002-000.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que conheceu integralmente do recurso.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO INDEVIDADA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS - SÚMULA CARF Nº 1 Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que conheceu integralmente do recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que conheceu integralmente do recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 05 63 /2 01 0- 67 Fl. 131DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 10 a 13), relativa a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte,. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 7.299,66, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação às efls. 01 a 82 dos autos, no qual o contribuinte alega, de acordo com o relatório da DRJ, e fls. 86 e 87: que faz jus a atendimento preferencial, com base no estatuto do idoso; que apresenta os 12 contracheques emitidos pela fonte pagadora, que estão de acordo com as informações prestadas em sua Declaração de Ajuste, mas contradizem as informações prestadas em DIRF; que não poderiam os rendimentos tributáveis terem sido informados como zero em DIRF sendo que a fonte pagadora informou rendimentos com exigibilidade suspensa no valor de R$ 62.687,88, com IRRF de R$ 9.296,41; que o Rendimento Bruto no valor de R$ 85.801,51 corresponderá a um Rendimento Tributário no valor de R$ 62.687,88, em conformidade com o declarado pelo autor em sua Declaração de Ajuste Anual simplificada e também em conformidade com as orientações de verificação solicitada pela RFB em seu Extrato de Processamento; que a Declaração de Depósitos Judiciais emitida pela administração da CEF, em 25/02/2010, nº 104/0829, confirma os valores de lançamentos dos depósitos judiciais mensais efetivados e correspondendo aos mesmos valores constantes do quadro resumo (R$ 9.296,41); que não procede a glosa, pois a RFB glosou o IRRF no valor de R$ 9.296,41 declarado pelo Autor e informou que o valor devido do IRRF foi de R$ 8.571,08; que o contribuinte está sendo apenado por um erro cometido na Declaração emitida pela VALIA; que a Receita pretende tributar novamente o contribuinte, ou seja, apesar de já ter ocorrido a retenção de IR, como informou a VALIA e como comprovou o interessado por meio do extrato emitido pela CEF, a Receita quer cobrar novamente o Imposto de Renda que já foi pago; Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11543.000563/201067 Acórdão n.º 2002000.172 S2C0T2 Fl. 132 3 que o recorrente já demonstrou que só recebe os rendimentos pagos pelo INSS e complementados pela VALIA; que, existindo decisão judicial que determina o depósito dos valores devidos a titulo de imposto de renda, existe base de cálculo para o referido imposto, como declarado pelo recorrente, e não rendimentos nulos como declarado pela VALIA; que, à vista de todo o exposto, demonstrada a improcedência da Ação Fiscal, espera e requer o recorrente seja acolhido o presente recurso, cancelado o débito fiscal e restituído o IR atualizado. Em 01/10/2010, o contribuinte protocolou novo requerimento junto à Receita Federal do Brasil, que foi juntado às fls. 46 a 49, acompanhado dos documentos de fls. 50 a 82, por meio do qual alega, em suma: que sejam considerados como válidos os contracheques e as retenções de Imposto de Renda realizadas pela Valia e, assim, seja permitida a retificação das Declarações anuais respectivas; que retificou a DIRPF/2009; que anexa cópia de carta enviada à VALIA em 15/03/2010, por meio da qual comprova informações inverídicas emitidas pela fonte pagadora em seus Comprovantes de Rendimentos e Retenção de IR na fonte, anos calendário 2008 e 2009; que os documentos já apresentados à RFB comprovam que a VALIA passou dados errados ao fisco; que, por força do Decreto nº 6.932/2009, arts. 3°, 7°,10º e 11°, os Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Imposto de Renda Retido emitidos pela VALIA nos anos calendário 2008 e 2009, fornecidos à RFB, tornamse sem efeito, tendo em vista ter sido apresentado pelo Peticionário outros documentos anteriores válidos, também por ela emitidos, que comprovam que a empresa passou dados divergentes dos documentos válidos apresentados pelo Peticionário, confirmando o erro da empresa; que o referido Decreto dispõe sobre a simplificação do atendimento público prestado ao cidadão, ratifica a dispensa do reconhecimento de firma em documentos produzidos no Brasil, institui a "Carta de Serviços ao Cidadão" e dá outras providências; que apresenta quadro resumo consolidando as divergências; que, à vista de todo o exposto, demonstrada a improcedência da Notificação, espera e requer o recorrente seja acolhido o presente recurso, cancelado o débito fiscal e restituído o IR atualizado. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 30/01/2013, no acórdão 03050.303, às efls. 85 a 90, não conheceu da impugnação por concomitância de processo judicial e processo administrativo. Fl. 133DF CARF MF 4 Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, em 29/04/2013, apresentou recurso voluntário, às efls. 100 a 118, no qual alega, em resumo, que: § baseado na decisão judicial nos autos do processo nº 2000.50.01.003506716/ES, movido em face da VALIA, o lançamento tributário não deve subsistir. É o relatório. Voto Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 28/03/2013, efls. 95, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 29/04/2013, também às efls. 100, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Como mencionado, o presente processo de notificação de lançamento relativa a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Em sua impugnação o contribuinte informa que ingressou com ação judicial em face da União Federal (processo nº 2000.50.01.003506716/ES), no qual se discute a incidência de Imposto De Renda Pessoa Física (IRPF) sobre os valores de complementação de aposentadoria. Desta forma, pleiteou o cancelamento do auto de infração, baseado na decisão da Justiça. A DRJ aplicou a Súmula nº 1 deste CARF, declarando a definitividade do crédito tributário. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário sob os mesmos argumentos. Até 01/01/1996, com a vigência da Lei nº 9.250/1995, os valores recebidos de entidades de previdência complementar estavam sob a égide da Lei nº 7.713/88, que previa o seguinte: Art.6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) VII – os benefícios recebidos de entidades de previdência privada; (...) b) relativamente ao valor correspondente às contribuições cujo ônus tenha sido do participante, desde que os rendimentos e ganhos de capital produzidos pelo patrimônio tenham sido tributados na fonte. A redação do artigo 40 do Regulamento do Imposto de Renda de 1994 RIR/1994 (Decreto nº 1.041/1994) também concedia isenção dos valores de previdência complementar, como se vê: Art. 40. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11543.000563/201067 Acórdão n.º 2002000.172 S2C0T2 Fl. 133 5 XXXIII as importâncias correspondentes ao resgate das contribuições, cujo ônus tenha sido da pessoa física, recebidas por ocasião de sua retirada de entidade de previdência privada, inclusive a atualização monetária do respectivo encargo; Logo, a regra isentiva era aplicada aos resgates a título de previdência complementar, como se percebe pela leitura dos dispositivos colacionados. Contudo, com a edição da Lei nº 9.250/95, cuja vigência se deu a partir de 01/01/1996, a legislação atinente ao Imposto de Renda sofreu modificações substanciais, acabando com a regra isentiva e permitindo que os valores de previdência complementar pudessem ser deduzidos da base de cálculo do imposto devido. O artigo 4º da mencionada lei tem a seguinte redação: Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) V as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social; (grifos nossos) Mais a frente, o artigo 33 da mesma lei determina expressamente a incidência do imposto de renda no momento do resgate dos valores de previdência complemetar: Art. 33. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. (grifos nossos) O Regulamento do Imposto de Renda atualmente vigente (RIR/99 Decreto nº 3.000/99), seguiu na mesma linha: Art.43 São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) XIV os benefícios recebidos de entidades de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições, observado o disposto no art. 39, XXXVIII (Lei nº 9.250/1995, art. 33) (grifos acrescidos). Fl. 135DF CARF MF 6 Contudo, respeitando o direito adquirido dos contribuintes, o artigo 39 do RIR/99 manteve a regra isentiva pelo período em que vigeu, de 01/01/89 a 31/12/95, não incidindo imposto de renda nas parcelas de previdência complementar resgatadas pelas pessoas físicas neste intervalo: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXVIII o valor de resgate de contribuições de previdência privada, cujo ônus tenha sido da pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de benefício da entidade, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995 (Medida Provisória nº 1.74937, de 11 de março de 1999, art. 6º); A priori, foram considerados isentos apenas os resgates dos valores das pessoas físicas que contribuíram no período de 1989 (início da vigência da Lei nº 7.713/1988) a 1995 (final da vigência da Lei nº 7.713/1988), quedandose silente, a legislação, quanto o aporte/benefícios realizados no mesmo período e que foram resgatados posteriormente a vigência da regra de isenção. O Poder Judiciário, após provocado por inúmeros contribuintes, pacificou a matéria reconhecendo a isenção tanto aos valores resgatados quanto aos valores aportados pelas pessoas físicas no período de 1/1/89 a 31/12/95. Segue excerto do julgamento proferido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em recurso repetitivo: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. LEI 7.713/88 (ART. 6º, VII, B), LEI 9.250/95 (ART. 33). 1. Pacificouse a jurisprudência da 1ª Seção do STJ no sentido de que, por força da isenção concedida pelo art. 6º, VII, b, da Lei 7.713/88, na redação anterior à que lhe foi dada pela Lei 9.250/95, é indevida a cobrança de imposto de renda sobre o valor da complementação de aposentadoria e o do resgate de contribuições correspondentes a recolhimentos para entidade de previdência privada ocorridos no período de 1º.01.1989 a 31.12.1995 (...) (Resp nº 1.012.903/RJ, DJe 13/10/2008) Ainda, restou pacificado pelo tribunal superior que eventual apuração de valor recolhido no período de isenção, devidamente atualizados, teria o condão de gerar créditos a serem abatidos da base de cálculo do imposto de renda. Para normatizar o entendimento do STJ, a Receita Federal do Brasil (RFB) editou a Instrução Normativa RFB nº 1.343/13. Desta forma, o contribuinte tem direito a restituição do valor do imposto de renda retido na fonte sobre a complementação de aposentadoria correspondente às contribuições efetuadas entre 1º/01/89 a 31/12/1995 e eventual saldo pode ser aproveitado, na forma de dedução, nas DAA dos exercícios seguintes, até o exaurimento. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11543.000563/201067 Acórdão n.º 2002000.172 S2C0T2 Fl. 134 7 Logo, a isenção das contribuições para previdência complementar vigeu apenas no período de 1º/01/89 a 31/12/1995. O contribuinte então, querendo valerse da regra isentiva de forma perene, ingressou com ação na Justiça Federal do Espírito Santo em face da União. Consultando o andamento processual no sítio da Justiça Federal Seção Judiciária do Espírito Santo, temos: Logo, face a concomitância de instâncias, aplico a súmula 1 do CARF, cuja redação é: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial Fl. 137DF CARF MF 8 Diante do exposto, não conheço do presente Recurso por haver concomitância de processo judicial e administrativo, declarando a definitividade da exigência fiscal na instância administrativa. Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Thiago Duca Amoni Relator Fl. 138DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.720083/2011-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 07/10/2013
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Numero da decisão: 3401-004.988
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 00 83 /2 01 1- 40 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10410.720083/201140 Acórdão n.º 3401004.988 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra decisão da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte contra Despacho Decisório que indeferiu totalmente o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, relativo a contribuições não cumulativas, face a ausência de comprovação dos créditos pleiteados. O Despacho Decisório adotou as razões exaradas em Parecer Fiscal resultante de diligência havida em cumprimento ao provimento judicial contido no Mandado de Segurança nº 000020560.210.4.05.8000, da 1ª Vara da Justiça Federal de Alagoas e ao MPF – Mandado de Procedimento Fiscal nº 0440100 004622010. Cientificada desta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que sustenta a legitimidade de seus créditos, pugna pela aplicação do princípio da verdade material, afirma que atendeu as solicitações do Fisco no curso da fiscalização e solicita que os autos sejam novamente baixados em diligência para apurar o valor que a autoridade administrativa entende ser devido. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA indeferiu o pedido de diligência e julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Entendeu este colegiado que é ônus do contribuinte a comprovação da existência de seu direito creditório e que há de se indeferir solicitação que objetive transferir esta obrigação à autoridade administrativa. Irresignada, a recorrente interpôs seu recurso voluntário tempestivo, requerendo em preliminar a nulidade do presente processo, pois tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão. No mérito, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10410.720083/201140 Acórdão n.º 3401004.988 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.972, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10410.720043/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.972): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 11/05/2015 (efl. 59.145), interpondo seu voluntário em 09/06/2015 (efls. 59.146/59.147), logo, dele tomo conhecimento. O ponto nodal diz respeito ao reconhecimento de créditos fiscais do PIS e da COFINS nãocumulativas, no ramo de laticínios leite e seus derivados , acumulados mensalmente, decorrentes das aquisições de matériasprimas, embalagens, materiais intermediários, dentre outros, os quais restaram indeferidos totalmente pela autoridade fiscal, por meio de despacho decisório em sede de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso PER. Notese que a questão cingese à formação, instrução, cognição da prova, e esta, quando se trata de PER/DCOMP um pedido de iniciativa do sujeito passivo , a ele cabe tal ônus. Por mais longínquo e penoso tenha sido o percurso judicial e administrativo percorrido pela Recorrente no caso concreto, a conclusão é de que o contribuinte há de fazer esta prova. Antes de adentrar neste assunto de mérito, necessário tratar da preliminar de nulidade. Entende a Recorrente que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão, asseverando que este teve como nascedouro o mesmo mandado de procedimento fiscal. A lógica é respeitável, porém, como se trata de Pedido de Restituição, a prova dos créditos diz respeito a cada um dos PER, para os quais, dependendo de sua instrução e prova cabal, logrará ou não êxito o Pleiteante. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10410.720083/201140 Acórdão n.º 3401004.988 S3C4T1 Fl. 5 4 Portanto, afasto a nulidade arguida. Volvendo a questão meritória, destacamse trechos do Termo de Encerramento de Diligência 0001 (efl. 9 e ss.): No dia 18/02/2010, o contribuinte entregou basicamente os livros contábeis e fiscais e alguns arquivos magnéticos contendo memórias de cálculo. Constatamos após examinar os primeiros arquivos entregues, que os mesmo possuíam erros formais e tivemos que solicitar que os arquivos fossem refeitos. Este fato demonstrou que o contribuinte não possuía memória de cálculo dos valores informados na DACON e conseqüentemente dos PER/DCOMP. A partir desta data começou um processo inverso. A Receita Federal que estava com o prazo fixado para apreciar os PER/DCOMP, teve que pedir prorrogações de prazo ao Judiciário, não para fazer o trabalho, mas para que o contribuinte pudesse apresentar os documentos e elementos necessários ao exame dos PER/DCOMP. Foram solicitadas e concedidas duas prorrogações de prazo. Uma de 250 dias em 10/05/2010 e outra de 180 em 02/08/2010. Desde a data da entrega dos primeiros arquivos, até 27/10/2010, data do último arquivo entregue, diversos contatos telefônicos, 02 reintimações fiscais e cerca de 30 e mails foram enviados e recebidos, cobrando as informações e recebendo arquivos magnéticos. Em 18/06/2010, através da Reintimação Fiscal nº0001, foi feito um resumo do que havia sido entregue e o que estava pendente. Podese verificar que passados quase 5 meses do termo de diligência fiscal/solicitação de documentos, apenas 4 itens haviam sido entregues, faltavam 12 itens. Mais uma vez o contribuinte apresentou pedido de prorrogação para entrega dos documentos. Em 08/07/2010 o contribuinte entregou a maior parte das informações restantes. Faltando ainda o arquivo do almoxarifado e da depreciação. (...) Estes mesmos arquivos de saída de mercadorias, no campo "tributação", onde informa se o produto vendido é tributado a alíquota zero ou é tributado a alíquota positiva, foram fornecidos com essa informação totalmente equivocada. Produtos que na época da emissão da nota fiscal eram tributados, foram considerados como alíquota zero e vice versa. Assim, tivemos que refazer esta informação, produto a produto, nota fiscal a nota fiscal obedecendo à legislação vigente, no intuito de aproveitar o arquivo para confronto com a DACON. Após finalizar, formatar e totalizar mensalmente os arquivos. Fomos fazer o confronto com os valores Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10410.720083/201140 Acórdão n.º 3401004.988 S3C4T1 Fl. 6 5 informados na DACON, para então passar para a segunda etapa do trabalho que é a auditoria propriamente dita, ou seja, fazer os devidos ajustes na ótica da Receita Federal, apurar os créditos devidos e confrontar com os respectivos PER/DCOMP. (...) Constatamos uma total divergência de valores. Nas rubricas acima relacionada, não houve um mês em que houvesse coincidência de valores entre os constantes na DACON e os valores constantes nos arquivos fornecidos. Elaboramos as planilhas denominadas: Demonstrativo das diferenças entre os valores constantes da DACON e arquivos magnéticos fornecidos como memória de cálculo I, II e III, os quais evidenciam as divergências encontradas. (...) CONCLUSÃO O ônus da prova dos créditos pleiteados é do contribuinte, assim deve haver uma correspondência entre os valores constantes no documentário fiscal, esses com os arquivos magnéticos, esses com a DACON, que é base de apuração dos créditos, e por final, a DACON com os PER/DCOMP, para que então possamos examinar, fazer os ajustes necessários de acordo com a legislação e deferir os eventuais créditos que o contribuinte esteja pleiteando. O fato de entregar uma série de arquivos magnéticos, livros fiscais e documentos, não fazem prova dos créditos. É preciso que os mesmos guardem estrita correlação com o valor exato do crédito pedido. Não se pode pedir um crédito de um determinado valor e tentar comprovar outro. No caso em tela, ao longo de 10 meses e muito esforço envidado para obtenção das informações e execução do trabalho, restou demonstrado que o contribuinte não possuía memória de cálculu dos créditos solicitados, foi fazendo durante a execução do trabalho e os elementos e documentos fornecidos, não guardam nenhuma correlação com os valores dos créditos pleiteados nos PED/COMP. Desta forma, face à falta de comprovação, não se revela possível deferir os créditos solicitados pelos motivos acima expostos. A partir de sua manifestação de inconformidade, juntou a Recorrente mais de 5.000 documentos, a partir da efl. 66 e seguintes, num total de 49 (quarenta e nove) Anexos, na realidade, planilhas, informando, em síntese, número das notas fiscais, CFOP, tipo de tributação (alíquota zero, isento e tributado), descrição do material, montante, etc. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10410.720083/201140 Acórdão n.º 3401004.988 S3C4T1 Fl. 7 6 Enfatiza a decisão da DRJ/CTA (efl. 59.137) que o direito creditório deve estar lastreado em documentação comprobatória (artigo 1.179 do CC c/c artigos 3°, 34 e 65, todos da IN/RFB 900/2008), asseverando ainda (efl. 59.138): Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. No presente processo, salientase que a unidade de origem não indeferiu o pleito com base na falta da escrituração contábil, pois, como bem acentuou a interessada, a fiscalização não encontrou nenhuma anormalidade formal nos arquivos da contabilidade. O crédito não foi concedido, simplesmente, porque a interessada, mesmo diante dos inúmeros demonstrativos e documentos apresentados, não logrou êxito em comprovar a origem dos valores solicitados. Ao que se viu, durante muitos meses fora oportunizado o direito de a Recorrente fazer prova de seus hipotéticos créditos, porém, embora juntando muitos documentos, faltou comprovação da origem de seus valores, e por conseguinte, o quantum respectivo para fins de restituição. Noutro falar, há se ter uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros, não bastando os apresentar, mas também indicar, de forma específica que os documentos estão associados aos respectivos registros; natureza da operação escriturada/documentada, a fim de caracterizar ou não o direito ao crédito. Dispõe o artigo 373, I do CPC/2015, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF (Decreto 70.235/72): "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;" A propósito, neste sentido entende o CARF: DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10410.720083/201140 Acórdão n.º 3401004.988 S3C4T1 Fl. 8 7 impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 154DF CARF MF
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Numero do processo: 10650.900554/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2006 Ementa: ESTIMATIVA MENSAL. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Nos termos do art. 6º da Lei nº 9.430, de 1996, o imposto pago a título de estimativa mensal poderá ser compensado se o saldo, em 31 de dezembro, for negativo. Na forma do disposto no Ato Declaratório SRF nº 3, de 2000, os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do ano- calendário subsequente ao do encerramento do período de apuração. Tal disposição, inclusive, guarda consonância com o art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, que estabelece que a compensação só é possível com importância correspondente a período subseqüente, isto é, o débito deve ser superveniente ao crédito. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Descabe acolher solicitação que visa converter pedido de compensação em pedido de restituição, trazida em sede de recurso voluntário, seja em razão de representar inovação em relação à demanda original, seja porque, no caso vertente, a contribuinte não aportou aos autos elementos indicativos de certeza e liquidez do crédito alegado.
Numero da decisão: 1301-001.012
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Nos termos do art. 6º da Lei nº 9.430, de 1996, o imposto pago a título de estimativa mensal poderá ser compensado se o saldo, em 31 de dezembro, for negativo. Na forma do disposto no Ato Declaratório SRF nº 3, de 2000, os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do ano calendário subsequente ao do encerramento do período de apuração. Tal disposição, inclusive, guarda consonância com o art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, que estabelece que a compensação só é possível com importância correspondente a período subseqüente, isto é, o débito deve ser superveniente ao crédito. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Descabe acolher solicitação que visa converter pedido de compensação em pedido de restituição, trazida em sede de recurso voluntário, seja em razão de representar inovação em relação à demanda original, seja porque, no caso vertente, a contribuinte não aportou aos autos elementos indicativos de certeza e liquidez do crédito alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10650.900554/200954 Acórdão n.º 130101.012 S1C3T1 Fl. 166 2 “documento assinado digitalmente” Alberto Pinto Souza Junior Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10650.900554/200954 Acórdão n.º 130101.012 S1C3T1 Fl. 167 3 Relatório CERRAGRI COMÉRCIO DE DEFENSIVOS AGRÍCOLAS, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, Minas Gerais, que indeferiu pedido veiculado por meio de manifestação de inconformidade, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de pedido de compensação, em que a contribuinte busca extinguir débito de sua titularidade com crédito decorrente de pagamento indevido de Imposto de Renda Pessoa Jurídica relativo ao anocalendário de 2005. Despacho Decisório (eletrônico) emitido pela Delegacia da Receita Federal em Uberaba, também em Minas Gerais, indeferiu a compensação pleiteada, visto que o pagamento tido como indevido guarda relação com estimativa mensal, circunstância em que o eventual direito creditório só sobressai ao final do período de apuração, compondo, se for o caso, o saldo negativo do imposto. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou: 1.Diante das não HOMOLOGAÇÕES (sic) declaradas nos Despachos Decisórios em relação às PERDCOMP'S citadas acima, gostaríamos de esclarecer que os créditos objetos de pedidos de compensações como pagamentos indevidos ou a maiores, foram oriundos de valores pagos por estimativa mensal durante o ano de 2005 e considerados no fechamento da apuração final do ano 2005. Tais valores, pagos por estimativa, compõem ao final da apuração do ano de 2005 o saldo negativo de IRPJ ou contribuição (CSLL), pois, a empresa neste ano fechou com prejuízo no resultado final, sendo apurados os créditos objetos dos pedidos de compensações. 2. Conforme nosso entendimento na época do pedido de compensação, estávamos cumprindo o que determinava a legislação, no que diz respeito à IN 600 SRF de 28/12/2005 DOU de 30/12/2005, no seu artigo 10. Os créditos ora compensados se referiam especificamente ao saldo negativo em função dos pagamentos indevidos ou a maiores a título de estimativa mensal, levantados o seu montante total após a devida apuração final do ano de 2005. Naquele momento entendemos se tratar de pagamentos indevidos ou a maiores. Ao, nosso ver, não se justifica agora depois de todo este tempo simplesmente a não homologação, mas, sim buscar uma forma de corrigir o possível procedimento adotado uma vez que a Empresa possui os referidos créditos. Até mesmo porque os pedidos de compensação somente foram efetuados no ano de 2006 e não antes da devida apuração final do referido crédito. [...] Assim, por todo o exposto, solicitamos que sejam analisadas as justificativas apresentadas e que possam nos orientar e dar oportunidade para que possamos corrigir as possíveis irregularidades. Caso sejam necessários maiores esclarecimentos, estaremos ao inteiro dispor e poderão contactarnos, através do telefone: 3436716276 ou no endereço acima citado. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10650.900554/200954 Acórdão n.º 130101.012 S1C3T1 Fl. 168 4 A já citada 1a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, analisando a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 0933.793, de 25 de fevereiro de 2011, pela improcedência da manifestação de inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO. 1 .A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. 2. A improcedência do crédito utilizado em compensação impõe o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação da compensação. 3. A Declaração de Compensação somente poderá ser retificada pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 61/69, por meio do qual assinala: que é imprescindível, na busca da verdade material, que seja reconhecida como válidas as declarações prestadas e o reconhecimento de que o IRPJ objeto do presente processo foi pago indevidamente, permitindo a compensação; que o seu erro foi ter retirado da DCTF semestral os valores que foram pagos a título do IRPJ, pois não poderia têlo feito, de modo que o Julgador pudesse verificar que tais valores foram recolhidos indevidamente, considerando que ficou demonstrado na DIPJ que no decorrer do ano ela teve prejuízos durante todo o período de apuração; que não pretende incluir novo débito ou aumentar o valor do débito compensado, somente pretende que seja reconhecido que foi pago IRPJ indevido, pois no corrente ano houve prejuízo, permitindo que se faça a sua compensação com o débito existente; que a operação pretendida não trará nenhum prejuízo para o Fisco, pois estarseá a compensando o valor recolhido indevidamente com o crédito da Fazenda, sendo que a compensação foi requerida com impostos de mesma natureza; que tentou, após ter sido notificada da decisão da Delegacia da Receita Federal em Uberaba, consertar o erro cometido na DCTF e DIPJ, todavia não foi possível pois o sistema não mais permitiu o acesso. É o Relatório. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10650.900554/200954 Acórdão n.º 130101.012 S1C3T1 Fl. 169 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Versa a lide sobre ausência de reconhecimento de direito creditório apontado para fins de compensação tributária. A ora Recorrente transmitiu pedidos de compensação (PER/DCOMP), em que indicou como crédito PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, efetuado em 25 de fevereiro de 2005, no montante de R$ 3.898,45. O Despacho Decisório emitido (cópia às fls. 03) indeferiu a compensação pleiteada sob alegação de improcedência do crédito por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do imposto devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do referido período. Em sede de Manifestação de Inconformidade1, a contribuinte, pelo que se pode depreender, procura esclarecer que o crédito apontado para o encontro de contas como PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR referese a SALDO NEGATIVO, vez que “oriundos de valores pagos por estimativa mensal durante o ano de 2005 e considerados no fechamento da apuração final do ano de 2005”. Reafirma tal ilação a afirmação de que “tais valores, pagos por estimativa, compõem ao final da apuração do ano de 2005 o saldo negativo de IRPJ ou contribuição (CSLL), pois, a empresa neste ano fechou com prejuízo no resultado final, sendo apurados os créditos objetos dos pedidos de compensações” – vide nota (1). Adiante, assinala a contribuinte: [...] No que diz respeito aos débitos, são provenientes da apuração final do período de Dezembro de 2004, pois, a Empresa não havia conseguido cumprir com os devidos pagamentos referentes à suas obrigações apuradas ao final de 2004, diante disso buscou ao abrigo da legislação pertinente uma forma legal de cumprir suas obrigações, neste caso em questão a legislação permitia naquele momento que fossem feitas as PER/DCOMP'S para o referido período. Situação que atualmente não é mais permitida, a partir de 04/12/2008, com a edição da Medida provisória 449/2008 no seu artigo 29. 1 A contribuinte faz referência a diversos PER/DCOMP, sendo que o presente processo cuida, apenas, do de nº 10250.32316.180406.1.3.047383. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10650.900554/200954 Acórdão n.º 130101.012 S1C3T1 Fl. 170 6 A autoridade julgadora de primeira instância, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Para tanto, serviuse dos seguintes fundamentos: i) não consta na DIPJ/2006 apresentada pela contribuinte em 28/06/2006, mais especificamente na Ficha 12A (CÁLCULO DO IR SOBRE O LUCRO REAL PJ EM GERAL), a apuração do saldo negativo para o anocalendário de 2005; ii) a contribuinte promoveu o cancelamento, através de retificação da DCTF em 18/04/2006, de todos os valores declarados a título de estimativa mensal do referido ano; iii) o direito creditório indicado na DCOMP referese a pagamento relativo à estimativa devida mensalmente e não a saldo negativo, como alegado; iv) a pretensão da requerente no sentido de alterar a origem do crédito, de pagamento a maior de estimativa para saldo negativo, equivale a um pedido de retificação do crédito, o que não seria possível na fase em que o processo se encontrava; v) a análise de pedido de retificação da Dcomp é de competência da DRF de jurisdição do contribuinte (nas lides que versam sobre declaração de compensação, a Delegacia de Julgamento somente possui competência para apreciar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação das compensações declaradas). No recurso voluntário, a contribuinte alega que é imprescindível, na busca da verdade material, que seja reconhecida como válidas as declarações prestadas e o reconhecimento de que o IRPJ objeto do presente processo foi pago indevidamente, permitindo a compensação. Diz que o seu erro foi ter retirado da DCTF semestral os valores que foram pagos a título do IRPJ, pois não poderia têlo feito, de modo que o Julgador pudesse verificar que tais valores foram recolhidos indevidamente, considerando que ficou demonstrado na DIPJ que no decorrer do ano ela teve prejuízos durante todo o período de apuração. Afirma que não pretende incluir novo débito ou aumentar o valor do débito compensado, somente pretende que seja reconhecido que foi pago IRPJ indevido, pois no corrente ano houve prejuízo, permitindo que se faça a sua compensação com o débito existente. Argumenta que a operação pretendida não trará nenhum prejuízo para o Fisco, pois estarseá a compensando o valor recolhido indevidamente com o crédito da Fazenda, sendo que a compensação foi requerida com impostos de mesma natureza. Esclarece que tentou, após ter sido notificada da decisão da Delegacia da Receita Federal em Uberaba, consertar o erro cometido na DCTF e DIPJ, todavia não foi possível pois o sistema não mais permitiu o acesso. Ao final requer que seja determinada a compensação, ou, alternativamente, a restituição dos valores pagos indevidamente. É certo que, ainda que ultrapassadas as questões relacionadas à falta de apuração do saldo negativo na DIPJ/2006 e às retificações promovidas na DCTF, circunstância que só poderia ser admitida a partir da aferição, pela unidade administrativa de origem (Delegacia da Receita Federal em Uberaba) da certeza e liquidez do crédito, a compensação pleiteada no presente processo não pode ser homologada haja vista o fato de que o débito indicado para o encontro de contas (IRPJ de dezembro de 2004) referese a período anterior a apuração do suposto saldo negativo (anocalendário de 2005). Com efeito, ainda que se considerasse o saldo negativo apurado em 31 de dezembro de 2005 como líquido e certo, não se pode admitir a sua compensação com débito de Fl. 178DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10650.900554/200954 Acórdão n.º 130101.012 S1C3T1 Fl. 171 7 dezembro de 2004, eis que, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, a compensação só é possível com importância correspondente a período subseqüente, isto é, o débito deve ser superveniente ao crédito. Ainda que não tenha sido reiterada em sede de recurso, cumpre ressaltar que, como visto, o impedimento para que se promova compensação de saldo negativo de determinado ano com débito de período anterior não foi trazida pela Medida Provisória nº 449, de 2008, seja porque a disposição referenciada não trata dessa matéria, seja porque tal disposição sequer foi recepcionada pela lei de conversão da referida Medida Provisória (Lei nº 11.941, de 2009). No que diz respeito ao pedido (alternativo) para que se reconheça, ao menos, o direito creditório supostamente representado por pagamentos indevidos no curso do ano calendário de 2005, além do fato de a solicitação representar inovação em relação ao documento originalmente apresentado (PER/DCOMP nº 10250.32316.180406.1.3.047383) e à Manifestação de Inconformidade anteriormente interposta, a contribuinte, como aponta a decisão recorrida, sequer demonstrou a apuração do saldo negativo na declaração de informações (DIPJ), não apresentou comprovação da extinção das estimativas declaradas na referida DIPJ, indica crédito no PER/DCOMP que não guarda relação com o suposto SALDO NEGATIVO e, mesmo que se considere os documentos retificados, apresenta DCTF com indicação de valores (a título de estimativa) que não convergem para os apontados na DIPJ. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 179DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR
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Numero do processo: 11020.000325/2006-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/02/2001 a 30/06/2001
OMISSÕES NÃO IDENTIFICADAS. REJEIÇÃO
Devem ser rejeitados os embargos de declaração, quando não verificadas as omissões apontadas pela embargante.
Numero da decisão: 3301-004.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração opostos pelo contribuinte, nos termos do voto do relator.
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/02/2001 a 30/06/2001 OMISSÕES NÃO IDENTIFICADAS. REJEIÇÃO Devem ser rejeitados os embargos de declaração, quando não verificadas as omissões apontadas pela embargante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração opostos pelo contribuinte, nos termos do voto do relator. Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 03 25 /2 00 6- 74 Fl. 934DF CARF MF Processo nº 11020.000325/200674 Acórdão n.º 3301004.680 S3C3T1 Fl. 935 2 Relatório Adoto o relatório do Acórdão n° 3301003.234 ora embargado: "Adoto o relatório da decisão de primeira instância: 'A empresa acima identificada foi autuada pela fiscalização do IPI, em 10/02/2006, relativo ao período compreendido entre 10/02/2001 e 30/06/2001, para lançamento do imposto recolhido a menor, conforme Auto de Infração, de fls. 08/09 e anexos, pela ocorrência de irregularidades detalhadas no Relatório de Auditoria Fiscal, de fls. 32 a 40, resumidas a seguir. 1.1. 0 contribuinte industrializa o produto denominado "vinho espumante", também conhecido como "Champanha", utilizando como marcas comerciais os nomes de M. Chandon, M. Chandon — DemiSeco, M Chandon — Brut e Chandon, cujos enquadramentos, para fins de tributação do IPI, foram feitos nas classes A, D, I, J e N, de acordo com Portaria MF n° 352, de 24 de novembro de 1988 e Ato Declaratório da Secretaria da Receita Federal SRF n° 5 de 19 de janeiro de 1999, segundo informações prestadas pelo contribuinte, utilizando a classificação fiscal no código 2204.10.90, da TIPI/96. 1.2. Nos procedimentos de fiscalização, o agente fiscal identificou que o estabelecimento também industrializava outros produtos similares aos mencionados no item anterior, mas com marca comercial e prego distintos, adotando as seguintes denominações: Chandon Passion, Chandon Rouge, Excellence Chandon, Chandon Demisec, Excellence Par Chandon Brut Reserve, Chandon Magnum, Chandon Cuvee 500 anos e Chandon Cuvee du Millenaire. Em razão da industrialização desses novos produtos, bem assim dos novos pregos praticados nos produtos anteriormente industrializados, a empresa impugnante deveria ter tomado a iniciativa de informar e de solicitar, junto à Secretaria da Receita FederalSRF, o enquadramento nas classes correspondentes, o que não foi feito, preferindo adotar os mesmos enquadramentos nas classes dos produtos mais antigos. 1.3. Em vista disso, coube à fiscalização encaminhar, à Coordenação Geral de Tributação da SRF, os dados necessários para que se procedesse ao enquadramento nas classes dos novos produtos, juntamente com os preços praticados no mercado, pregos esses que foram informados pelo próprio contribuinte, conforme documentos das fls. 240/241 e fls. 310 e 311. Dessa forma, foi publicado o Ato Declaratório Executivo SRF ADE n° 69, de 20 de dezembro de 2005, D.O.U. de 26/12/2005, de fls. 312, com os enquadramentos de todos os produtos industrializados pelo impugnante, nas respectivas classes de tributação, relativamente aos anos de 2000 a 2004. Esse novo enquadramento se deu em classes de tributação superiores ( L, M, N, 0, P, Q, R e S) ao que vinha sendo adotado pelo contribuinte, ocasionando, por conseqüência, um valor maior de IPI por unidade de produto, conforme TABELA "A do art. 135, do Decreto n° 2.637, de 25 de junho de 1998 (RIPI/98). Dessa forma, constatada insuficiência no lançamento do IPI nas notas fiscais dos produtos saídos do estabelecimento, a fiscalização procedeu ao cálculo das diferenças do IPI em razão do novo enquadramento de classes atribuído pelo ADE n° 69, de 2005, cujas diferenças de imposto, não lançado, encontramse demonstrados nas planilhas das fls. 41 a 220. Fl. 935DF CARF MF Processo nº 11020.000325/200674 Acórdão n.º 3301004.680 S3C3T1 Fl. 936 3 1.4. As outras irregularidades apuradas pela autoridade fiscal, dizem respeito ao creditamento indevido do IPI, na escrita fiscal, das aquisições de produtos não conceituados como insumos pela legislação do IPI, das aquisições de insumos de empresas optantes pelo sistema SIMPLES, das devoluções de produtos em desacordo com os procedimentos previstos no art. 152 do RIPI/98 e pela não observância do valor tributável mínimo na saída de produtos adquiridos no mercado externo, tudo detalhado nas fls. 37/38 do relatório de auditoria fiscal. 1.5. Concluiu a fiscalização, mencionando que a descrição dos produtos nas notas fiscais de saída para venda não conteriam todas as indicações exigidas em regulamento, notadamente o previsto na letra "b" (descrição completa) e letra "c" (classificação fiscal) do inciso IV, do art. 316 do RIPI/98, o que tornariam essas notas documentos inidôneos e, portanto, como se não efetuado o lançamento do imposto pelo contribuinte. 1.6. Em razão das irregularidades acima apontadas, foi procedida a reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, de fls. 28 a 31, remanescendo saldos devedores de imposto não lançados e não recolhidos, que estão sendo exigidos no Auto de Infração e anexos, de fls. 08 a 25, com enquadramento legal nos artigos 15, 16, 17, 23, inciso III, 32, inciso II, 107, 109, 110, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 112, incisos I e II, 114, 117 e parágrafo único, 118, 123, 124, 125, 126, 127, parágrafos 1° ao 4° e 6°, 129, 130, inciso I, 131, 133, 135, 146, 147, inciso I, 150, 152, inciso I, 182, 183, inciso IV, 185 incisos II e III, 300 inciso II, 316, inciso IV, alíneas "b" e "c", 330, inciso II e 404 do Decreto n° 2.637, de 25 de junho de 1998 (RIPI/98), Decreto n° 3.777, de 23 de março de 2001, ADESRF n° 69, de 2005, Orientação Normativa COANA n° 1, de 15 de julho de 1999, art. 74 do Decreto n° 99.066, de 08 de março de 1990, Ato DeclaratórioSRF n° 74, de 12 de novembro de 1997, cujo lançamento do imposto foi acrescido da multa de oficio, no percentual de 75%, com enquadramento legal no art. 80, inciso I da Lei no 4.502, de 30 de novembro de1964 com a redação dada pelo art. 45 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, além dos juros de mora calculados pela taxa Selic, totalizando um crédito tributário no valor de R$ 5.995.184,40, calculado até 31/01/2006. 2. Na impugnação tempestiva das fls. 492 a 518, o interessado, por intermédio de seu procurador, instrumento de fls. 519, assim se manifesta. 2.1. 0 impugnante alega, inicialmente, que identificou erros nos cálculos do imposto exigido na autuação. Primeiramente, menciona que parte das saídas dos produtos do seu estabelecimento foram para armazenagem em estabelecimentos de terceiros e, nessa hipótese, as saídas poderiam se dar com suspensão do imposto, apesar de reconhecer que efetuou o destaque do IPI nas respectivas notas de saída. Em segundo, porque há a incidência única do IPI na industrialização de bebidas, de acordo com o disposto no art. 4°, da Lei n° 7.798, de 10 de julho de 1989, não podendo o fisco efetuar a sua cobrança em duplicidade, nas saídas para armazenagem e nas saídas para vendas ao consumidor. Dessa forma, o agente fiscal deixou de considerar, quando do retorno dos produtos da armazenagem, a mesma majoração do IPI imposta pela fiscalização na remessa, o que ocasionou distorção nos cálculos, afrontando o principio da nãocumulatividade. 2.2. Prossegue, alegando ser desnecessária a solicitação de novos enquadramentos dos produtos por ele industrializados, em face do reajuste de pregos praticados, por absoluta falta de previsão legal. Já a aplicação do art. 127, § 2° do RIPI/98, que estabelece a revisão de ofício dos enquadramentos, é apenas facultativa, e não obrigatória, o que justifica o motivo pelo qual o interessado não Fl. 936DF CARF MF Processo nº 11020.000325/200674 Acórdão n.º 3301004.680 S3C3T1 Fl. 937 4 solicitou a revisão dos enquadramentos dos seus produtos, em função da alteração dos preços. Além disso, os novos produtos que foram lançados no mercado eram semelhantes aos já anteriormente industrializados, o que o levou concluir pela não necessidade de um novo enquadramento. Ademais, não vê como se sustentar a aplicação retroativa do ADE n° 69, de 2005, pois se trata de um ato discricionário, alegando que o reenquadramento só poderia ser feito mediante lei. 2.3. Na seqüência, menciona que o agente fiscal também incorreu em erro ao classificar os produtos por ele industrializados, adotando o código 2204.10.10 "vinhos espumantes e vinhos espumosos — tipo champanha ("champagne"), quando o correto seria o código 2204.10.90 "vinhos espumantes e vinhos espumosos — outros", como vem utilizando desde longa data, isso porque a primeira classificação somente se aplicaria às bebidas com origem na região da França denominada "champagne " , produtos esses que não são objeto do presente litígio. 2.4. Em relação às notas fiscais consideradas inidôneas pela fiscalização, alega que basta uma simples análise das notas acostadas para verificar que existe uma perfeita identificação dos produtos nelas consignados, ocorrendo, quando muito, a falta de indicação do modelo ou série do produto, itens não presentes, no caso de bebidas. 2.5. Silencia quanto As demais irregularidades apuradas pela fiscalização e resumidas no item 1.4 deste relatório. Requer, por último, que se julgue improcedente o lançamento formalizado pela autoridade fiscal, como medida de justiça. 3. Após um primeiro exame do processo, restaram dúvidas a respeito da apuração do imposto exigido no auto de infração, o que acarretou o encaminhamento do processo, por esta DRJ, à repartição de origem, em diligência, fls. 606/607, para que a fiscalização revisse os cálculos efetuados na autuação. 3.1. Desta maneira, a fiscalização efetuou novos cálculos, emitindo o Relatório de Diligência Fiscal, de fls. 654 a 656, acompanhado dos documentos e demonstrativos, de fls. 616 a 653, com as seguintes conclusões: 3.1.1. 0 agente fiscal procedeu à nova apuração dos créditos do IPI quando do retorno dos produtos remetidos para depósito fechado, dessa vez com o mesmo valor de imposto em que se deu a remessa, ou seja, com valor unitário do IPI majorado. Para efetuar o cálculo, a fiscalização utilizou o livro Registro de Inventário, já que grande parte das notas de retorno não mencionavam a que notas de remessa se referiam. Além disso, a fiscalização desconsiderou, nos cálculos dos créditos do IPI majorados, as notas cujas remessas, e respectivos retornos, foram feitos sem destaque do imposto, vale dizer, com suspensão do imposto. 3.1.2. Por fim, foi efetuada nova reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, concluindo por remanescer, como exigência do valor lançado na autuação, os saldos devedores do IPI ali consignados, para os períodos em análise, no valor total de R$ 2.053.015,09, bem assim a multa isolada aplicada sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito, no valor de R$ 195.429,81, conforme demonstrativos anexos ao relatório de diligência, de fls. 652 e 653. 3.2. Após tomar ciência do Relatório de Diligência Fiscal, em 26/09/2007, fls. 658, o contribuinte se manifestou, no devido prazo, mediante um segundo arrazoado, de fls. 674 a 680, mencionando, primeiramente, que o agente fiscal deixou de considerar, na nova apuração, os créditos do IPI dos produtos retornados Fl. 937DF CARF MF Processo nº 11020.000325/200674 Acórdão n.º 3301004.680 S3C3T1 Fl. 938 5 da armazenagem sem destaque do imposto, desatendendo o que teria sido solicitado pela DRJ no pedido de diligência. 3.2.1. Na seqüência, protesta pela exigência da multa isolada do IPI não lançado com cobertura de crédito, no valor de R$ 195.429,81, inexistente na autuação original, alegando que a mesma é indevida, porque o relatório de diligência não poderia incluir nova penalidade, sob pena de ofensa ao art. 142 do CTN e aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, já que alterou os fundamentos e critérios jurídicos do Auto de Infração original. Ademais, não poderia o agente fiscal impor essa nova penalidade sobre períodos com mais de 5 anos da ocorrência do fato gerador, como aqui se verifica. Por fim, quanto à multa isolada, menciona, ainda, que a sua aplicação configura dupla imposição pela mesma infração, devendo incidir, quando muito, em apenas uma das saídas em que houve destaque a menor do imposto. É o relatório.' A impugnação foi julgada parcialmente procedente. O contribuinte destacou IPI nas saídas para depósito fechado, apesar de as mesmas gozarem de suspensão (art. 380 do RIPI/98). No âmbito do levantamento das diferenças de IPI, originadas de erros cometidos na classificação fiscal de produtos, tais saídas, erroneamente oneradas pelo IPI, também sofreram majoração do imposto. No âmbito do trabalho de diligência requerido pela DRJ em Porto Alegre RS (fls. 665 a 667), foram reconhecidos créditos de IPI derivados de retornos de produtos de depósitos fechados, nos montantes destacados nas correspondentes notas fiscais de remessa, adicionados das majorações impostas pela fiscalização. O objetivo foi o de tornar nula, para fins fiscais, as operações de remessa e retorno de depósito fechado. Julgaram que as faltas de informações sobre os produtos nas notas fiscais de venda não eram suficientes para considerálas como inidôneas, nos termos do inciso II do art. 300 do RIPI/98, posto que as descrições nelas contidas permitiam a perfeita identificação dos produtos, para fins de enquadramento fiscal. Por fim, destaquese que foi considerada indevida a multa isolada de R$ 195.429,81, não contida no auto de infração, porém indicada como devida no Relatório da Diligência. O Acórdão n° 1014.684 foi assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/02/2001 a 30/06/2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. 0 "vinho espumante do tipo champanha ("champagne")", com as características definidas no art. 74 do Decreto n° 99.066, de 1990, classificase no código 2204.10.10 da TIPI/96. ENQUADRAMENTO DE OFICIO. DIFERENÇAS DE IPI. Fl. 938DF CARF MF Processo nº 11020.000325/200674 Acórdão n.º 3301004.680 S3C3T1 Fl. 939 6 0 enquadramento em classes superiores daquelas adotadas pelo contribuinte, dos produtos classificados na posição 2204 da TIPI/96, feito de oficio, justifica o lançamento complementar do IPI, com aplicação retroativa autorizada por lei. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitivo o lançamento, na esfera administrativa, da matéria não impugnada. Lançamento Procedente em Parte" O contribuinte interpôs recurso voluntário , em que repete argumentos apresentados na impugnação e os seguintes: a) "Preliminar. Descumprimento da decisão proferida pela DRJ": aduz que a DRJ, ao admitir créditos adicionais de IPI relativos ao retorno de saídas para armazenagens, também deveria têlo efetuado para devoluções de vendas. Alega que teria havido "descumprimento da decisão proferida pela DRJ", em razão de ter recebido, juntamente com a notificação da decisão da DRJ, guia para pagamento de IPI, de cujo crédito tributário não teriam sido abatidos os créditos adicionais de IPI referentes às devoluções de vendas. b) "Ilegalidade do ADE no 69/05. Impossibilidade de reequadramento apenas para o passado.": alega que o ADE n° 69/05 utilizado pela fiscalização para reenquadramento fiscal de produtos é ilegal, pois conferiu nova classificação apenas para os anos de 200 a 2004, o que gerou insegurança jurídica à Recorrente, que não sabe como proceder a partir de então. Nesta linha, conclui: "Essa falha vicia o ato por completo, além de reforçar o argumento de que o Auto de Infração é nulo por motivação falha e deficiente, o que ensejou, inclusive, a modificação de seus fundamentos pela decisão recorrida." É o relatório." O recurso voluntário foi parcialmente provido e o Acórdão n° 3301003.234 (fls 787 a 804) teve as seguintes ementas e dispositivo: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2001 a 30/06/2001 ILEGALIDADE DO ADE N° 69/05 O CARF não tem competência para declarar a ilegalidade de ato do Poder Executivo. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/02/2001 a 30/06/2001 IPI MAJORADO. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. DIREITO AO CRÉDITO Nos casos de devoluções de produtos, cujas saídas tiveram o IPI majorado pela fiscalização, há de se reconhecer o direito ao registro de créditos adicionais de IPI. Contudo, foilhe negado o direito creditório, em razão de não ter indicado na peça recursal Fl. 939DF CARF MF Processo nº 11020.000325/200674 Acórdão n.º 3301004.680 S3C3T1 Fl. 940 7 os números das notas fiscais de devolução, em relação às quais teria direito a créditos adicionais de IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O "vinho espumante do tipo champanha ("champagne")", com as características definidas no art. 74 do Decreto n° 99.066, de 1990, classificase no código 2204.10.10 da TIPI/96. REENQUADRAMENTO DE OFICIO. DIFERENÇAS DE IPI. LEGALIDADE. EFEITO RETROATIVO OU PROSPECTIVO De acordo com o art. 127 do RIPI/98, o contribuinte deve requerer o reenquadramento fiscal dos produtos classificados na posição 2204 da TIPI/96, sem que houver alterações nos preços ou nas características de fabricação dos produtos. Uma vez que tal mandamento não foi observado pelo contribuinte, é correto o reenquadramento realizado por meio de procedimento de oficio, o qual pode produzir efeitos sobre vendas realizadas em períodos de apuração anteriores ao de sua edição. Não obstante, com relação aos produtos, cujos reenquadramentos foram pleiteados antes da realização das vendas objetos de revisão e da auditoria fiscal propriamente dita, a majoração do IPI deverá produzir efeitos somente a partir da publicação do ADE n° 69/05. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: por unanimidade votos, negouse provimento às alegações acerca da ilegalidade do ADE n° 69/05, às que tinham como objetivo o de obter reconhecimento de direito a crédito de IPI relativo a devoluções, cujas saídas tiveram o IPI majorado pela fiscalização, e às que contestavam a reclassificação fiscal do produto "vinho espumante" do código 2204.10.90 para o 2204.10.10; e por maioria de votos, negouse provimento às alegações da Recorrente no sentido de considerar desnecessário o reenquadramento dos produtos e inapropriados os efeitos retroativos do ADE n° 69/05. Contudo, em relação aos produtos "Chandon Rouge" e "Chandon Magnun", cujos pleitos de reenquadramento foram encaminhados antes de iniciarse o período cujas vendas tiveram o IPI majorado pela fiscalização 01/02/2001 a 30/06/2001 e da realização da auditoria fiscal propriamente dita (o MPF n° 10.1.06.002005000222 data de 18/01/2005), por maioria de votos, foram integralmente cancelados os créditos tributários correspondentes, devendo o IPI majorado ser aplicado somente a partir da publicação do ADE n° 69/05. Fl. 940DF CARF MF Processo nº 11020.000325/200674 Acórdão n.º 3301004.680 S3C3T1 Fl. 941 8 Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões." Inconformado, o contribuinte opôs embargos de declaração, os quais foram parcialmente acolhidos, por meio do Despacho de Admissibilidade (fls. 918 a 925), datado de 14/09/17, e encaminho para este relator em 11/10/17. Foram apontadas omissões, obscuridades e contradições, cuja síntese foi assim apresentada no Despacho de Admissibilidade: "(. . .) O arrazoado de fls. 836 a 844, após síntese dos fatos relacionados com a lide, acusa a decisão de incorrer em omissões, obscuridades e contradição quanto aos seguintes pontos que teriam sido reclamados no recurso voluntário: (a) No entender da suplicante, a Lei nº 7.798, de 1989, dispõe que o reenquadramento teria efeitos retroativos apenas na hipótese de as informações terem sido prestadas de forma incompleta ou incorreta. Assim, ao suprimir da análise o § 2º do art. 127 do RIPI/98 (correspondente ao art. 2º, § 4º, da Lei nº 7.798/89) e ao deixar de considerar sua alegação a respeito da exigência instituída somente a partir de 2007 pela Instrução Normativa RFB nº 796/07, o Colegiado teria omitido elementos essenciais à apreciação do feito. (b) Afirma também a autuada que não haveria fundamento legal para o critério utilizado na definição das classes de incidência e corroborado pelo acórdão. Nesse caso, a recorrente alega que a decisão ignorou um ponto essencial do recurso voluntário, uma vez que o acórdão não teria indicado a fundamentação normativa para que a fiscalização adotasse a média ponderada de todo o período, calculada a partir dos preços unitários, em função da quantidade dos produtos comercializados que seriam objeto de enquadramento ou reenquadramento. (c) A reclamante acrescenta que o acórdão foi omisso quanto às edições comemorativas “Chandon Cuvée 500 anos” e “Chandon Cuvée du Millenaire”. Segundo afirma, o recurso voluntário defende que essas apresentações consistem apenas em subdenominações associadas à marca Chandon, de maneira que não seria exigível um novo enquadramento inicial. (d) Por fim, a interessada reivindica a necessidade de adoção das mesmas classes para o cálculo dos débitos nas saídas e dos créditos nas devoluções de produtos. Embora o acórdão embargado tenha reconhecido o direito ao registro de créditos adicionais de IPI, acabou por negar o direito creditório, em razão de não terem sido indicados, na peça recursal, os números das notas fiscais de devolução sobre as quais seriam aplicáveis esses créditos adicionais. (. . .)" Fl. 941DF CARF MF Processo nº 11020.000325/200674 Acórdão n.º 3301004.680 S3C3T1 Fl. 942 9 O Presidente desta Turma admitiu existirem omissões em relação às questões mencionadas nas letras (a) a (c). É o relatório. Fl. 942DF CARF MF Processo nº 11020.000325/200674 Acórdão n.º 3301004.680 S3C3T1 Fl. 943 10 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator O Presidente desta Turma acolheu os embargos de declaração opostos pelo contribuinte (Despacho de Admissibilidade DA, fls. 918 a 925), em razão de, em princípio, o ora embargado Acórdão n° 3301003.234 (fls 787 a 804) ter se omitido de apreciar as questões adiante tratadas. "(a) No entender da suplicante, a Lei nº 7.798, de 1989, dispõe que o reenquadramento teria efeitos retroativos apenas na hipótese de as informações terem sido prestadas de forma incompleta ou incorreta. Assim, ao suprimir da análise o § 2º do art. 127 do RIPI/98 (correspondente ao art. 2º, § 4º, da Lei nº 7.798/89) e ao deixar de considerar sua alegação a respeito da exigência instituída somente a partir de 2007 pela Instrução Normativa RFB nº 796/07, o Colegiado teria omitido elementos essenciais à apreciação do feito." No período de 01/02/01 a 30/06/01, a fiscalização verificou que a embargante promoveu alterações nos preços de produtos, porém não as comunicou à Autoridade Fiscal, para fins de reenquadramento nas classes de valores de IPI. Tal fato motivou o reenquadramento de ofício, o que resultou na apuração de diferença de IPI, cobradas com multa de ofício e juros Selic. A ação fiscal teve como lastro o art. 127 do RIPI/98, que encontra fundamento legal nos artigos 1° e 2° da Lei n° 7.798/89. No recurso voluntário e nos presentes embargos, o contribuinte afirma que os artigos 127 do RIPI/98 e o 2° da Lei n° 7.798/89 não determinavam que alterações no preço tinham de ser comunicadas ao Fisco. Que o Acórdão embargado, ao reproduzir este dispositivo legal, teria omitido o § 2°, que seria "de suma importância", posto que disporia, expressamente, que "feito o enquadramento inicial este PODERÁ (e não DEVERÁ) ser alterado". Que tal obrigação (comunicação de alteração nos preços) teria surgido, inicialmente, com a edição da IN RFB n° 796/07, que entrou em vigor em 01/01/07, a qual, todavia, não havia teria definido aspectos essenciais da nova regra. Tal lacuna, todavia, teria sido preenchida pelos Decretos n° 6.501/08 e 6.520/08 e, por fim, pela IN RFB n° 866/08. E a obrigação de reenquadramento, por fim, entrado em vigor a partir de setembro de 2008. Colaciona ementas dos Acórdão n° 3302004.084, 3102001.982 e 3102 001.670, os dois últimos proferidos em seu favor, cujos conteúdos corroborariam com seu entendimento. Conforme a seguir demonstro, não houve omissão, porém discordância entre a interpretação manifestada por este relator acerca do art. 127 do RIPI/98, acompanhada pela maioria dos integrantes desta Turma, e a da recorrente e dos julgados do CARF que menciona. E, nestes casos, o remédio processual não é a oposição de embargos de declaração. Fl. 943DF CARF MF Processo nº 11020.000325/200674 Acórdão n.º 3301004.680 S3C3T1 Fl. 944 11 Dispõe o art. 127 do RIPI/98, em vigor no período autuado (01/02/01 a 30/06/01): "Art. 127. Os produtos classificados nas posições 2204, 2205, 2206 e 2208 da TIPI serão enquadrados em classes de valores de imposto, por ato do Secretário da Receita Federal (Lei nº 7.798, de 1989, art. 1º). § 1º O contribuinte informará à Secretaria da Receita Federal as características de fabricação e os preços de venda, por espécie e marca do produto e por capacidade do recipiente (Lei nº 7.798, de 1989, art. 2º, § 2º). § 2º Feito o enquadramento inicial, este poderá ser alterado, de ofício ou a pedido do próprio contribuinte (Lei nº 7.798, de 1989, art. 2º, § 4º). § 3º O enquadramento inicial dos produtos nas classes ocorrerá segundo (Nota do Anexo I da Lei nº 7.798, de 1989): I a capacidade do recipiente em que são comercializados, agrupados em quatro categorias: a) até cento e oitenta ml; b) de cento e oitenta e um ml a trezentos e setenta e cinco ml; c) de trezentos e setenta e seis ml a seiscentos e setenta ml; d) de seiscentos e setenta e um ml a mil ml; II os preços normais de venda efetuada por estabelecimento industrial ou equiparado a industrial ou os preços de venda do comércio atacadista ou varejista. § 4º O contribuinte que não prestar as informações, ou que prestálas de forma incompleta ou com incorreções, terá o seu produto enquadrado ou reenquadrado de ofício, sendo devida a diferença de imposto, acrescida dos encargos legais (Lei nº 7.798, de 1989, art. 2º, § 3º). (. . .)" Depreendese que o enquadramento inicial nas classes de valores de IPI era efetuado com base nas informações prestadas pelo contribuinte e de acordo com a capacidade do recipiente e o preço de venda. E, na ausência de qualquer outro dispositivo em vigor que dispusesse de forma contrária ou mesmo complementar, da leitura dos §§ 1° e 4, concluise que, a cada alteração de um destes elementos, inclusive do preço, o contribuinte tinha realmente a obrigação de comunicar o fato ao Fisco, haja vista que o enquadramento inicial havia sido com base neles efetuado. E o § 2°, destacado pela embargante, não altera este entendimento. Fl. 944DF CARF MF Processo nº 11020.000325/200674 Acórdão n.º 3301004.680 S3C3T1 Fl. 945 12 Ao dispor que o enquadramento inicial PODERÁ ser efetuado de ofício, por óbvio que teve como objetivo o de conferir à autoridade fiscal o poder fazêlo, quando verificasse a ocorrência de alterações nos preços ou capacidade do recipiente e o contribuinte não tivesse, espontaneamente, requerido o reenquadramento. Com a devida vênia, não é admissível a interpretação do § 2° no sentido de que o legislador teria negado ao Fisco a possibilidade de realizar o reenquadramento de ofício, quando aplicável, e dado ao contribuinte a possibilidade de pleitear a mudança se e quando julgasse conveniente, a despeito do eventual impacto negativo que poderia causar no cálculo e pagamento do IPI. E o art. 127 do RIPI/98 era a regra em vigor, à época da autuação. E os §§ 1° e 4°, que fundamentaram a conclusão deste relator, foram reproduzidos no voto condutor (fl. 801). Não reproduzi o § 2°, conforme já expus anteriormente, por julgar desnecessário, haja vista que não influenciaria em meu posicionamento. E, com efeito, mesmo após a apresentação dos embargos, continua não impactando minha conclusão. Não obstante julgar o acima explanado suficiente para concluir a demanda, reproduzo o art. 150 do RIPI/02, cujos §§ 9° e 10° foram incluídos pelo Decreto n° 6.501/08, citado pela embargante. Com vigência a partir de 03/07/08, este dispositivo legal estabeleceu que as alterações nos preços promovidas entre o dia 02 de julho e até 30 junho do ano seguinte deveriam ser comunicadas ao Fisco até dia 1° de julho do segundo ano. Não obstante, em razão da data de publicação do Decreto n° 6.501/08, excepcionalmente no ano de 2008, as comunicações teriam de ser efetuadas no curso do mês de setembro: "Art. 150. O enquadramento dos produtos nacionais nas classes de valores de imposto será feito por ato do Ministro da Fazenda, segundo (Lei nº 7.798, de 1989, arts. 2º e 3º, e Nota do seu Anexo I): I a capacidade do recipiente em que são comercializados, agrupados em quatro categorias: a) até cento e oitenta mililitros; b) de cento e oitenta e um mililitros a trezentos e setenta e cinco mililitros; c) de trezentos e setenta e seis mililitros a seiscentos e setenta mililitros; e d) de seiscentos e setenta e um mililitros a mil mililitros; e II os preços normais de venda efetuada por estabelecimento industrial ou equiparado a industrial ou os preços de venda do comércio atacadista ou varejista. § 1º O contribuinte informará ao Ministro da Fazenda as características de fabricação e os preços de venda, por espécie e Fl. 945DF CARF MF Processo nº 11020.000325/200674 Acórdão n.º 3301004.680 S3C3T1 Fl. 946 13 marca do produto e por capacidade do recipiente (Lei nº 7.798, de 1989, art. 2º, § 2º). § 2º Para o enquadramento a que se refere o caput serão observadas as seguintes disposições: I – com base na espécie do produto e na capacidade do recipiente, o produto será classificado na menor classe constante da Tabela do art. 149; II – sobre o preço de venda praticado pelo estabelecimento industrial ou equiparado, será aplicada a alíquota constante da TIPI para o produto; III – com base no valor obtido no inciso II, será identificada a classe em que o produto se classificará entre aquelas constantes da NC (223) da TIPI, atendido que: a) a classe em que se enquadrará o produto será aquela cujo valor mais se aproxime do valor encontrado na operação a que se refere o inciso II; e b) se o valor calculado de acordo com o inciso II coincidir com a média dos valores de duas classes consecutivas será considerada a classe correspondente ao maior valor. b) se o cálculo de que trata o inciso II resultar em valor intermediário aos valores de duas classes consecutivas será considerada a classe correspondente ao maior valor; (Redação dada pelo Decreto nº 6158, de 2007) IV – com base nas classes identificadas nos incisos I e III deste artigo, o produto será enquadrado na classe de maior valor, entre elas, constante da NC (223) da TIPI, adotado, como limite máximo, a maior classe constante da Tabela do art. 149, observada a capacidade do recipiente. IV com base nas classes identificadas nos incisos I e III deste parágrafo e sem prejuízo do inciso V, o produto será enquadrado na classe de maior valor, entre elas, constante da NC (223) da TIPI, adotado, como limite máximo, a maior classe constante da Tabela do art. 149, observada a capacidade do recipiente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.859, de 14.10.2003) V O enquadramento de vinhos de mesa comum ou de consumo corrente e aguardentes de cana, exceto o rum e outras aguardentes provenientes do melaço da cana, classificados, respectivamente, nos códigos 2204.2 e 2208.40 da TIPI, comercializados em vasilhame retornável, darseá em classe imediatamente inferior à encontrada na forma do inciso IV, observada a classe mínima a que se refere o inciso I. (Incluído pelo Decreto nº 4.859, de 14.10.2003) § 3º No caso do inciso II do § 2º, observadas as condições de mercado, a alíquota a ser aplicada poderá ser reduzida em até cinqüenta por cento, ou em até sessenta por cento, na hipótese de aguardentes de cana, exceto o rum e outras aguardentes Fl. 946DF CARF MF Processo nº 11020.000325/200674 Acórdão n.º 3301004.680 S3C3T1 Fl. 947 14 provenientes do melaço da cana, classificadas no código 2208.40 da TIPI. (Redação dada pelo Decreto nº 4.859, de 14.10.2003) § 4º O contribuinte que não prestar as informações, ou que prestálas de forma incompleta ou com incorreções, terá o seu produto enquadrado ou reenquadrado de ofício, sendo devida a diferença de imposto, acrescida dos encargos legais (Lei nº 7.798, de 1989, art. 2º, § 3º). § 5º Feito o enquadramento inicial, este poderá ser alterado, de ofício ou a pedido do próprio contribuinte, observados os limites constantes do art. 141. § 6º Após a formulação do pedido de enquadramento de que trata o caput e enquanto não editado o ato pelo Ministro da Fazenda, o contribuinte deverá enquadrar o seu produto na tabela constante do art. 149 na maior classe de valores, observadas as classes por capacidade do recipiente. § 7º Os produtos acondicionados em recipientes de capacidade superior a mil mililitros, desde que autorizada a sua comercialização nessas embalagens, estão sujeitos ao imposto proporcionalmente ao que for estabelecido no enquadramento para o recipiente de capacidade de mil mililitros, arredondando se para mil mililitros a fração residual, se houver (Nota do Anexo I da Lei nº 7.798, de 1989). § 8o O disposto no inciso III do § 2o, alíneas a e b, não se aplica aos produtos classificados nos Códigos 2204.2 e 22.06 da TIPI, exceto os Ex 01 desses Códigos, cujo enquadramento se dará na classe de menor valor que mais se aproxime do valor encontrado na operação a que se refere o inciso II do § 2o. (Incluído pelo Decreto nº 6158, de 2007) § 9o Deverá ser solicitado, até o dia 1o de julho de cada ano, o reenquadramento das marcas de produtos já comercializadas que tenham seus preços alterados, de forma que esta alteração resulte em modificação na classe de valores do IPI em que se enquadra o produto. (Incluído pelo Decreto nº 6.501, de 2008) § 10. O reenquadramento de que trata o § 9o será efetuado com base na média ponderada dos preços praticados nos últimos doze meses pelas suas respectivas quantidades, excluindose o mês de junho do ano da solicitação e incluindose o mês de junho do ano anterior. (Incluído pelo Decreto nº 6.501, de 2008)" Pareceme claro que o legislador, reconhecendo os transtornos que a legislação anterior poderia causar aos negócios dos contribuintes comunicação ao Fisco, a cada alteração de preço , flexibilizou a norma. Contudo, definitivamente, não me parece plausível interpretar o anteriormente transcrito art. 127 no sentido de que, até 2008, caso o contribuinte não desejasse, toda e qualquer alteração de preço estava dispensada de comunicação à RFB. Fl. 947DF CARF MF Processo nº 11020.000325/200674 Acórdão n.º 3301004.680 S3C3T1 Fl. 948 15 Assim, com base no acima exposto, no tocante ao presente tópico, rejeito os embargos de declaração, em razão de não ter ocorrido omissão alegada pela embargante. "(b) Afirma também a autuada que não haveria fundamento legal para o critério utilizado na definição das classes de incidência e corroborado pelo acórdão. Nesse caso, a recorrente alega que a decisão ignorou um ponto essencial do recurso voluntário, uma vez que o acórdão não teria indicado a fundamentação normativa para que a fiscalização adotasse a média ponderada de todo o período, calculada a partir dos preços unitários, em função da quantidade dos produtos comercializados que seriam objeto de enquadramento ou reenquadramento." Também neste caso, não houve qualquer omissão O § 1° do art. 127 do RIPI/98, acima, e também no Acórdão embargado, reproduzido, dispõe que o enquadramento/reenquadramento darseá com base por força de alterações nas características do produto, bem como na capacidade do recipiente e no preço. Como, no curso do período compreendido entre o enquadramento inicial e o de ofício, houve mais de uma alteração nos preços, o agente fiscal adotou a média ponderada dos preços verificada naquele período, o que reputo ser uma sensata e razoável aplicação do determinado no § 1°, notadamente se considerarmos que o contribuinte não cumpriu com o dever legal de comunicar à RFB tais alterações nos preços, quando promovidas. Com efeito, com a introdução da periodicidade da comunicação de alterações nos preços tratada no tópico anterior (§ 10 do art. 150 do RIPI/02, acima transcrito), para fins de reenquadramento, passou a ser adotada a média ponderada dos preços verificada entre o enquadramento anterior e o novo. Portanto, por considerar que a decisão proferida por meio do Acórdão embargado foi resultado da interpretação do dispositivo legal que foi expressamente mencionado e transcrito no voto condutor, não identifico qualquer omissão e, por conseguinte, rejeito os argumentos contidos na letra (b). "(c) A reclamante acrescenta que o acórdão foi omisso quanto às edições comemorativas “Chandon Cuvée 500 anos” e “Chandon Cuvée du Millenaire”. Segundo afirma, o recurso voluntário defende que essas apresentações consistem apenas em subdenominações associadas à marca Chandon, de maneira que não seria exigível um novo enquadramento inicial." A embargante alega que não foi apreciado o seguinte argumento: os produtos “Chandon Cuvée 500 anos” e “Chandon Cuvée du Millenaire” não demandavam novos pedidos de enquadramento, pois não eram novos e sim variações do produto "Chandon", que já havia sido anteriormente enquadrado. Menciona o § 3° do art. 3° da Lei n° 7.798/89, que dispõe que "Para efeitos de classificação dos produtos nos termos de que trata este artigo, não haverá distinção entre os da mesma espécie, com a mesma capacidade e natureza do recipiente." Neste sentido, cita decisão proferida em seu favor, em sede do Acórdão n° 3102001.982. Fl. 948DF CARF MF Processo nº 11020.000325/200674 Acórdão n.º 3301004.680 S3C3T1 Fl. 949 16 Também neste caso, não houve omissão por parte do Acórdão embargado. Nas fls 41 a 47, encontramse os produtos cuja posição na TIPI e classe de valores de IPI foram alterados pela fiscalização. Dezenas de produtos! Este relator apreciou os argumentos constantes da peça recursal e compulsou os autos. Como prova disto, exemplificativamente, menciono que, no recurso voluntário, foi consignado que os produtos "Chandon Rouge" e "Chandon Magnun" tinham sido objetos de pedidos de enquadramento em data anterior ao do início da fiscalização, os quais não haviam sido respondidos pelo Fisco. Ao consultar os autos, confirmei a informação (impugnação doc. 06 fls. 569 e 570) consignada no recurso e propus que fosse dado provimento ao argumento, cancelando os créditos tributários correspondentes. O reenquadramento, então, não poderia produzir efeitos retroativos, porém tão somente a partir da publicação do ADE n° 69/05. E, neste tópico, esta Turma, por unanimidade de votos, acompanhou o voto condutor. Contudo, definitivamente, não é dever do relator, e tampouco seria plausível, citar, nominal e individualmente, todos os produtos, cujos argumentos não foram acatados. Entretanto, não obstante julgar que a discussão já poderia ser dada como encerrada, examino os argumentos atinentes aos produtos “Chandon Cuvée 500 anos” e “Chandon Cuvée du Millenaire”, para que não paire dúvidas acerca dos elementos documentais que motivaram o Acórdão embargado. O contribuinte alega que seriam "edições especiais" do produto "Chandon", que já teria sido "anteriormente enquadrado" e, por conseguinte, não demandava a apresentação de novo pleito de enquadramento. Sem adentrar no mérito se, para fins fiscais, realmente se tratava da mesma espécie de produto, o produto "Chandon" foi objeto de alteração de classificação fiscal e de classe de valor de IPI, conforme se observa nas fls. 41 a 44.Assim sendo, além de considerar que não há a alegada a omissão no Acórdão embargado, no mérito, não assiste razão à embargante. Portanto, voto por rejeitar os embargos de declaração, no que concerne ao argumento debatido no presente tópico. Conclusão Rejeito os embargos de declaração opostos pelo contribuinte. É como voto. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 949DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.907202/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Relatório
1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância:
O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 10827.15760.140904.1.3.04-0659[...].
A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ, recolhido em 29/08/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...].
Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA.
Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE
Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que:
- detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP.
- o crédito tributário se refere a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e não pagamento indevido ou maior.
- de fato o DARF estava comprometido com o IRPJ Estimativa devida na competência de julho de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF do débito.
- quando da apuração do Lucro Real Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo do Lucro Real.
- no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de IRPJ o valor de R$ 227.538,27[...], em dezembro do mesmo ano apurou prejuízo fiscal. Não havendo IRPJ devido [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 227.538,27.
- a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior.
- o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário.
A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada.
2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 02-25.175, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo:
ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004
Retificação da Declaração de Compensação.
A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação.
Manifestação de inconformidade improcedente.
Direito creditório não reconhecido.
3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos:
3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu IRPJ por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de IRPJ em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir o IRPJ pago por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 17 da Ficha 09A da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de IRPJ oriundo de pagamento por estimativa.
3.2. A opção pela dedução do IRPJ pago por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de IRPJ é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato.
3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de IRPJ apurado no ano-calendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável.
4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de IRPJ por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, resultando em saldo negativo de IRPJ; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática.
5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas.
É o relatório.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório 1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 10827.15760.140904.1.3.04-0659[...]. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ, recolhido em 29/08/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...]. Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que: - detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP. - o crédito tributário se refere a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e não pagamento indevido ou maior. - de fato o DARF estava comprometido com o IRPJ Estimativa devida na competência de julho de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF do débito. - quando da apuração do Lucro Real Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo do Lucro Real. - no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de IRPJ o valor de R$ 227.538,27[...], em dezembro do mesmo ano apurou prejuízo fiscal. Não havendo IRPJ devido [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 227.538,27. - a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior. - o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário. A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada. 2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 02-25.175, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito creditório não reconhecido. 3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu IRPJ por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de IRPJ em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir o IRPJ pago por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 17 da Ficha 09A da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de IRPJ oriundo de pagamento por estimativa. 3.2. A opção pela dedução do IRPJ pago por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de IRPJ é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato. 3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de IRPJ apurado no ano-calendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável. 4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de IRPJ por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, resultando em saldo negativo de IRPJ; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática. 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas. É o relatório.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 07 20 2/ 20 08 -9 1 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10680.907202/200891 Resolução nº 1201000.495 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 10827.15760.140904.1.3.040659[...]. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ, recolhido em 29/08/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...]. Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que: detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP. o crédito tributário se refere a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e não pagamento indevido ou maior. de fato o DARF estava comprometido com o IRPJ Estimativa devida na competência de julho de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF do débito. quando da apuração do Lucro Real Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo do Lucro Real. no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de IRPJ o valor de R$ 227.538,27[...], em dezembro do mesmo ano apurou prejuízo fiscal. Não havendo IRPJ devido [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 227.538,27. a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10680.907202/200891 Resolução nº 1201000.495 S1C2T1 Fl. 4 3 o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário. A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada.” 2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0225.175, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito creditório não reconhecido”. 3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu IRPJ por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de IRPJ em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir o IRPJ pago por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 17 da Ficha 09A da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de IRPJ oriundo de pagamento por estimativa. 3.2. A opção pela dedução do IRPJ pago por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de IRPJ é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato. 3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável. 4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de IRPJ por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10680.907202/200891 Resolução nº 1201000.495 S1C2T1 Fl. 5 4 resultando em saldo negativo de IRPJ; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática. 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.483, de 11/06/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.903455/200896, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 30/05/2003 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débitos com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ recohido em 29/08/2003. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.483): "6. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 7. Alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo, mas deve buscar a verdade material. 8. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter baixado os autos em diligência para esclarecimentos dos fatos e análise de provas. Tal iniciativa cooperativa, inclusive, traria maior celeridade e eficiência processual, bem como teria otimizado o custo deste processo para o Estado1. 1 Em consonância com os seguintes dispositivos: Lei nº 13.105/2015 "Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportarse de acordo com a boafé. Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10680.907202/200891 Resolução nº 1201000.495 S1C2T1 Fl. 6 5 9. No mais, em homenagem ao princípio da verdade material, considero que assiste razão a contribuinte quando sustenta que meros erros no preenchimento de declarações não são suficientes para motivar o não reconhecimento do seu direito creditório. 10. Contudo, em linha com a jurisprudência deste E. Conselho, é imprescindível que tais erros sejam claramente demonstrados por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhe serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. 11. Reforçando essas diretrizes, transcrevo a seguinte ementa: "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DCTF. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. Comprovado que o débito confessado em estava equivocado mediante apresentação de declaração retificadora, DIPJ e elementos da escrituração contábil que corroboram o valor declarado/confessado nessa declaração retificadora, reconhecese o direito de crédito homologandose as compensações pleiteadas até esse limite." (Processo nº 13971.901692/201131, Acórdão nº 1402002.379, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 26.01.2017, Relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto) (grifos nossos). 12. O direito creditório do contribuinte só pode ser obstado diante de três hipóteses (i) se reconhecida decadência do direito pleiteado; (ii) se os valores já tiverem sido compensados; e (iii) quando a documentação suporte é insuficiente para demonstrar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos. 13. Logo, somente diante da comprovação pela autoridade fiscal de uma dessas três hipóteses é que o direito creditório não deve ser reconhecido. 14. Considero que não há, no presente caso, controvérsia acerca do preenchimento do requisito (i) constante do item 12, mas do (ii) e (iii). 15. No mais, é incontroverso que entre maio de 2003 e novembro de 2003 a Recorrente recolheu o IRPJ por Estimativa relativo às Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." Lei nº 9.784/1999 "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." "Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo." Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10680.907202/200891 Resolução nº 1201000.495 S1C2T1 Fl. 7 6 competências de abril a outubro de 2003 no total de R$277.538,27, conforme demonstrado nas guias de fls. 18/20. 16. Em dezembro de 2003, apurouse prejuízo fiscal e constatouse que não era devido IRPJ para o ano de 2003, daí a origem do direito creditório em exame, pagamento a maior de IRPJ no anocalendário de 2003. 17. Ocorre que, a DRJ (fls. 29/32) considerou que o despacho decisório (fl. 4) não merece reformas porque o erro cometido pelo contribuinte é material e, portanto, tratase de vício insanável. 18. Por outro lado, a Recorrente, tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto em seu Recurso Voluntário, afirma que, apesar de ter errado no preenchimento do formulário de compensação sobre a origem do crédito ao preencher como “pagamento indevido ou a maior” ao invés de “saldo negativo de IRPJ” o crédito decorrente do recolhimento de IRPJ estimativa não deixou de existir. 19. Para comprovar suas alegações, a Recorrente apresenta documentação probatória hábil, tais como: (i) seis DARFs de recolhimento de IRPJ referente ao segundo e terceiro trimestres de 2003 (fls.18/20); (ii) fichas 09A e 17 do ano calendário de 2003 da DIPJ original (fls.13/14); e (iii) a totalização por tributo e contribuição no segundo, terceiro e quarto trimestre de 2003 da DCTF. 20. A priori, a documentação trazida pela Recorrente cumpre o disposto no artigo 923 do RIR2 e é capaz de viabilizar o reconhecimento do direito creditório do contribuinte. 21. Contudo, deve ser verificada, à luz da documentação contábil, fiscal e demais provas suporte, a liquidez e certeza dos créditos constantes dos pedidos de compensação nos períodos em análise. 22. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: (i) providencie a juntada aos autos cópia integral da DIPJ 2004, ano calendário de 2003; (iii) verifique as DCTFs apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo a cada um dos meses para fins de verificação de recolhimentos a maior de estimativa mensal, observandose, no que couber, as disposições da IN RFB nº 1.110/2010; (iii) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas ao saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2003, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerando se, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. 23. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. 2 "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10680.907202/200891 Resolução nº 1201000.495 S1C2T1 Fl. 8 7 24. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 13656.720981/2012-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2007 a 30/06/2012
PEDIDO RESTITUIÇÃO. CRÉDITO DA COFINS CALCULADO SOBRE O CUSTO DE AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. CONSUMIDOR FINAL. IMPOSSIBILIDADE.
No regime monofásico de tributação não há previsão de restituição de tributos pagos na fase anterior/inicial da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez e, em face dessa característica, não há previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorria no regime de substituição tributária para frente vigente até 30/6/2000 para as operações de comercialização dos citados produtos.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2007 a 30/06/2012
PEDIDO RESTITUIÇÃO. CRÉDITO DO PIS CALCULADO SOBRE O CUSTO DE AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. CONSUMIDOR FINAL. IMPOSSIBILIDADE.
No regime monofásico de tributação não há previsão de restituição de tributos pagos na fase anterior/inicial da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez e, em face dessa característica, não há previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorria no regime de substituição tributária para frente vigente até 30/6/2000 para as operações de comercialização dos citados produtos.
Numero da decisão: 3201-004.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2007 a 30/06/2012 PEDIDO RESTITUIÇÃO. CRÉDITO DA COFINS CALCULADO SOBRE O CUSTO DE AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. CONSUMIDOR FINAL. IMPOSSIBILIDADE. No regime monofásico de tributação não há previsão de restituição de tributos pagos na fase anterior/inicial da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez e, em face dessa característica, não há previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorria no regime de substituição tributária para frente vigente até 30/6/2000 para as operações de comercialização dos citados produtos. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2007 a 30/06/2012 PEDIDO RESTITUIÇÃO. CRÉDITO DO PIS CALCULADO SOBRE O CUSTO DE AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. CONSUMIDOR FINAL. IMPOSSIBILIDADE. No regime monofásico de tributação não há previsão de restituição de tributos pagos na fase anterior/inicial da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez e, em face dessa característica, não há previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorria no regime de substituição tributária para frente vigente até 30/6/2000 para as operações de comercialização dos citados produtos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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COFINS.RESTITUIÇÃO. Recorrente MINERAÇÃO CURIMBABA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2007 a 30/06/2012 PEDIDO RESTITUIÇÃO. CRÉDITO DA COFINS CALCULADO SOBRE O CUSTO DE AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. CONSUMIDOR FINAL. IMPOSSIBILIDADE. No regime monofásico de tributação não há previsão de restituição de tributos pagos na fase anterior/inicial da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez e, em face dessa característica, não há previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorria no regime de substituição tributária para frente vigente até 30/6/2000 para as operações de comercialização dos citados produtos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2007 a 30/06/2012 PEDIDO RESTITUIÇÃO. CRÉDITO DO PIS CALCULADO SOBRE O CUSTO DE AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. CONSUMIDOR FINAL. IMPOSSIBILIDADE. No regime monofásico de tributação não há previsão de restituição de tributos pagos na fase anterior/inicial da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez e, em face dessa característica, não há previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorria no regime de substituição tributária para frente vigente até 30/6/2000 para as operações de comercialização dos citados produtos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 72 09 81 /2 01 2- 94 Fl. 267DF CARF MF Processo nº 13656.720981/201294 Acórdão n.º 3201004.054 S3C2T1 Fl. 268 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito das Contribuições para o Programa de Integração Social PIS e para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, oriundo da aquisição de combustível diretamente de distribuidora. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Tratase de pedido de ressarcimento de PIS e Cofins (rectius, restituição), apresentado por meio de formulário em papel (fl. 02), relativo ao período que vai de 01/09/2007 a 30/06/2012, decorrente da aquisição de combustível diretamente de distribuidora (parcela correspondente à incidência das contribuições na venda a varejo, com fundamento no art. 6º da IN SRF nº 06/1999). A unidade de origem, por intermédio do despacho decisório de fls. 147/153, indeferiu o pedido de ressarcimento, nos seguintes termos: “O contribuinte em epígrafe, na condição de empresa mineradora, que faz uso de óleo diesel como insumo básico em seu processo produtivo, requer ressarcimento de PIS/COFINS, no valor de R$ 25.556.100,26, referente à parcela correspondente à incidência na venda a varejo, uma vez que compra o combustível diretamente da distribuidora. Fundamenta seu pleito no Art. 6º da IN SRF nº 006/1999. (...)O regime de substituição tributária da COFINS sobre combustíveis e derivados de petróleo teve início com a LC nº.70/91, sendo o mesmo regime também adotado para as contribuições do PIS/PASEP por força da MP nº.1.212/95. Com o advento da Lei nº.9.718/98 houve a unificação da legislação relativa ao PIS/PASEP e da COFINS com a implementação de uma alteração no regime de substituição tributária até então vigente. A sujeição passiva tributária Fl. 268DF CARF MF Processo nº 13656.720981/201294 Acórdão n.º 3201004.054 S3C2T1 Fl. 269 3 passou a ser atribuída às refinarias de petróleo e não mais às distribuidoras de combustível. Essa modificação, introduzida pelo art. 4º, da Lei nº.9.718/98, determinava que as refinarias de petróleo ficariam, a partir de 1º de fevereiro/99, na condição de substitutas tributárias, responsáveis pelo recolhimento das contribuições devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo, incidentes sobre toda a cadeia de produção, conforme abaixo: (...)Com a edição desta norma, sobreveio a regulamentação desta modalidade de tributação através da IN SRF nº.6/99, cujo art. 6º assegurava o ressarcimento dos valores das contribuições referidas no artigo 5º, correspondentes à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente à distribuidora, conforme segue: (...) Nesse caso, a norma garantia o ressarcimento da COFINS, cobrada pela refinaria de petróleo, ao consumidor final relativamente a etapa da comercialização que não se realizou. Ocorre que tal regime de substituição tributária foi extinto com a edição da MP nº.1.99115/2000, e Lei nº 9.990/2000 veio a modificar a Lei nº 9.718/98, nos seguintes termos, passando a tributação ali tratada da sistemática da substituição tributária para a de incidência monofásica para as contribuições PIS/COFINS, a partir de 01 de julho/00. (...)Com isto foi estabelecido o regime de tributação monofásica, através do qual os combustíveis passaram a ser tributados exclusivamente na cadeia inicial, com estipulação de alíquotas maiores para as refinarias de petróleo, haja vista a redução a zero das alíquotas das contribuições PIS/COFINS incidentes nas cadeias posteriores de comercialização (distribuidoras e varejistas), consoante nova redação dada pela MP nº.1.99115/2000, ao art. 4º, da Lei nº.9.718/98, c/c o art. 43 desta mesma norma. Assim, dada a extinção do regime de tributação anteriormente vigente, restou sem efeito a norma da IN SRF nº.6/99, pelo que não há que se falar mais em crédito decorrente da aquisição direta de combustível por consumidor final a partir de 01/07/2000. (...)Somente em apreço ao debate, visto que a situação a seguir relatada somente seria possível enquanto esteve vigente a sistemática da substituição tributária, o que não se aplica ao presente caso, cabe discorrer sobre a questão da figura da pessoa jurídica consumidora final mencionado naquela legislação vigente até 01/07/2000. Em relação ao aspecto da conceituação de pessoa jurídica consumidora final, vem sendo adotada a tese prevista no Código Fl. 269DF CARF MF Processo nº 13656.720981/201294 Acórdão n.º 3201004.054 S3C2T1 Fl. 270 4 de Defesa do Consumidor em seu artigo 2º , que considera consumidor toda a pessoa que adquire bens ou contrata a prestação de serviços como destinatária final, ou seja, o que age com o fim de atender sua própria necessidade ou de outrem, e não para o desenvolvimento de sua atividade profissional (insumo). Desta forma, para que uma pessoa jurídica seja enquadrada como consumidora pelo CDC, o bem ou serviço de consumo deve ser para uso privado. Assim, se o bem ou serviço for utilizado por pessoa jurídica para atingir o seu objeto social, não existirá relação de consumo. (...)Por tudo quanto foi acima exposto, a requerente não faz jus aos créditos ora pleiteados, razão pela qual, proponho o INDEFERIMENTO do Pedido de Ressarcimento de folha 1 dos autos.” (destaques do original) Cientificado em 31/10/2012 (fl. 154), o contribuinte apresentou, em 09/11/2012, a manifestação de inconformidade de fls. 157/164, na qual alega: “Em primeiro lugar, é importantíssimo se ter em mente que a contribuinte não realiza o fato gerador presumido pela legislação, qual seja, alienação de óleo diesel, portanto, não pode ela suportar o ônus do PIS e da COFINS incidentes no combustível que adquire, uma vez que seu objeto social é diverso daqueles que compram e vendem óleo diesel como atividade fim. (...)O Auditor Fiscal menciona que não existe nenhuma relevância o fato da alíquota zero se tratar ou não tributação, o que acarretaria na classificação dessa sistemática "monofásica". As refinarias de combustível são instituições que visam obter lucro em suas operações e, obviamente, para alcançálo, dentre outros cálculos, embutem sim, nos seus preços, o PIS e a COFINS ao venderem combustível para as distribuidoras. Estas, por sua vez, também visam o lucro quando revendem seus combustíveis e, portanto, repassam ao próximo elo da cadeia de comercialização, no seu preço, o PIS e COFINS concentrado que pagou para a refinaria e a refinaria recolheu aos cofres públicos. Não enxergar sob essa ótica, é negar a tributação monofásica e, principalmente, a não cumulatividade a que estão sujeitas as contribuições em questão. Dessa forma, apesar de sair da distribuidora com alíquota zero, a legislação presume que o próximo elo da cadeia revenderá o combustível adquirido, o que não acontece no caso em tela. Portanto, se a contribuinte não se restituir do valor sobre o insumo, estará pagando imposto em cascata ao compor a base de cálculo com seu faturamento bruto, uma vez que para fabricar e depois vender e obter receita com sua atividade fim, a contribuinte precisou comprar óleo diesel e por isso pagou PIS e COFINS com alíquota concentrada, embutido nas vendas da refinaria para a distribuidora e da distribuidora para a contribuinte. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 13656.720981/201294 Acórdão n.º 3201004.054 S3C2T1 Fl. 271 5 Isso é o que se depreende de recente decisão proferida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no julgamento do Recurso Voluntário n.° 369.519, no processo administrativo n.° 11020.001952/200622, acórdão n.° 320200.226, proferido pela 2a Turma Ordinária, da 2a Câmara da 3a Seção de Julgamento, cujo relator é o conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior, que asseverou que o conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e COFINS deve ser entendido como todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IRI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. O mesmo raciocínio é demonstrado pelo Tribunal Regional Federal da 1a Região, no seguinte julgado: (...)Ora, Nobre Julgador, o óleo diesel que é adquirido diretamente da distribuidora é empregado totalmente no processo de produção, nos exatos termos acima declinados, o que deixa claro o direito da contribuinte de ter restituído o valor que pagou embutido no preço. O STJ também já se posicionou acerca da possibilidade da restituição / ressarcimento das contribuições na aquisição de insumos, conforme a ementa a abaixo transcrita: (...)No caso em tela, o contribuinte de fato é a contribuinte, ao passo que o contribuinte de direito é a refinaria, que sofre incidência concentrada e majorada de alíquota. Quando a contribuinte quebra a cadeia de comercialização do combustível, no caso o óleo diesel, ela assume o posto de contribuinte de fato, pois suporta o ônus da tributação concentrada, quando paga o preço pedido pela distribuidora, que, por sua vez, pagou no preço do óleo que adquiriu as alíquotas concentradas pela refinada. Não ter direito ao crédito pela aquisição do insumo e cobrar da contribuinte de fato o imposto em cascata, o que é vedado pela não cumulatividade. Com o advento da Lei n° 9.718/98 houve a unificação da legislação relativa ao PIS/PASEP e a COFINS, com a implementação de uma alteração no regime de substituição tributária até então vigente. A sujeição passiva tributária passou a ser atribuída às refinarias de petróleo e não mais às distribuidoras de combustível, sendo este o primeiro embrião da tributação monofásica, que posteriormente será comentada. Essa modificação, introduzida pelo art. 4o, da Lei n°. 9.718/98, determinava que as refinarias de petróleo ficariam, a partir de 1o de fevereiro/99, na condição de substitutas tributárias, responsáveis pelo recolhimento das contribuições devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo, incidentes sobre toda a cadeia de produção. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 13656.720981/201294 Acórdão n.º 3201004.054 S3C2T1 Fl. 272 6 Com a edição desta norma, sobreveio a regulamentação desta modalidade de tributação através da IN SRF n° 6/99, cujo art. 6o assegurava "...o ressarcimento dos valores das contribuições referidas no artigo anterior, correspondentes à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente à distribuidora". Com efeito, a alteração ao regime de susbtituição tributária que adveio com a implementação da tributação monofásica, em nada alterou a situação acima descrita, pois, ao invés da refinaria ser a substituta tributária, passou a ser a contribuinte de direito, pagando alíquota concentrada, o que, na prática, é a mesma situação de ser substituta tributária, não fazendo sentido o art. 6o da Instrução Normativa SRF n.° 6/99 perder sua eficácia e o contribuinte se ver sem a possibilidade de restituição ou ressarcimento, sendo exatamente isso que precisa ser revisto, analisado e modificado. Como já mencionado, através deste novo regime de substituição tributária, concentrouse no topo da cadeia de comercialização a incidência da tributação devida, o que, na verdade, consiste na cumulação das alíquotas que anteriormente incidiam nas demais fases de comercialização do produto, qual seja, naquelas praticadas pela distribuidora e pelo comerciante varejista. Com isso, as refinarias passaram a incorporar aos preços dos combustíveis as contribuições para o PIS/COFINS, fazendo repercutir o ônus do tributo, de modo que ao final, o encargo financeiro ainda fosse transferido ao contribuinte de fato, ou seja, o consumidor final, quando da aquisição de combustível na bomba dos postos de gasolina. Logo, verificase que, na prática, os efeitos produzidos pela substituição tributária anteriormente existente são os mesmos implementados pela tributação monofásica instituída pela MP n° 199115/2000 que deu nova redação ao art. 4o da lei 9.718/98. Desta forma, a saída tributada a alíquota zero e o fato do PIS e COFINS serem tributos indiretos não são motivos plausíveis para a restituição ser negada, mesmo porque, vale lembrar a contribuinte em questão não aliena gás natural para que a receita advinda desta venda seja tributada a alíquota zero.” É o relatório. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/BEL n.º 01 34.922, de 27/11/2017 (fls. 216 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2007 a 30/06/2012 PIS/PASEP E COFINS. RESSARCIMENTO. REQUISITOS NORMATIVOS. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 13656.720981/201294 Acórdão n.º 3201004.054 S3C2T1 Fl. 273 7 O ressarcimento de valores decorrentes da Contribuição para o PIS e da Cofins vinculase ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 231 e ss., por meio do qual, depois de relatar os fatos, alega, basicamente, os mesmos argumentos já delineados em sua manifestação de inconformidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou pedido de restituição (não ressarcimento) de crédito de PIS/Cofins, com origem nos períodos de apuração de 01/09/2007 a 30/06/2012. Muito embora a DRJ e até mesmo a unidade preparadora tenham identificado o pedido como se de ressarcimento se tratasse, a verdade é que, como ela própria afirma e adiante será esclarecido, a Recorrente requereu a restituição, não ressarcimento, do que pagou a título de PIS/Cofins na aquisição de combustíveis (óleo diesel). Indeferido o pedido e interposta manifestação de inconformidade, a DRJ julgou a improcedente. Em síntese, a Recorrente repete, no recurso voluntário, os mesmos argumentos já declinados na sua primeira peça de defesa. Afirma que adquire o óleo diesel, sujeito à tributação concentrada, e o utiliza como "insumo" para abastecer a sua frota. Sustenta que, nesse contexto, não realiza o "fato gerador presumido", pelo que faz jus à restituição. O litígio, portanto, não versa sobre o conceito de insumos para o efeito da apuração do PIS/Cofins não cumulativo, mas sobre o suposto direito à restituição de quem, na qualidade de consumidor final, adquire o óleo diesel e o consome na sua atividade. Ora, como a própria Recorrente reconhece, o regime de substituição tributária foi extinto com a edição da Medida Provisória MP nº.1.99115, de 2000, que, ao modificar o art. 4º da a Lei nº 9.718, de 1998, passou a prever a incidência monofásica do PIS/Cofins devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo: Art. 4o As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 273DF CARF MF Processo nº 13656.720981/201294 Acórdão n.º 3201004.054 S3C2T1 Fl. 274 8 I – 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44% (vinte inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) II – 4,21% (quatro inteiros e vinte e um centésimos por cento) e 19,42% (dezenove inteiros e quarenta e dois centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel e suas correntes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) III 10,2% (dez inteiros e dois décimos por cento) e 47,4% (quarenta e sete inteiros e quatro décimos por cento) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) IV – sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades. (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) Em regra, o regime de tributação concentrada é absolutamente incompatível com o regime não cumulativo de PIS/Cofins. Não há mais "fato gerador presumido" de que fala a Recorrente, mas uma única e exclusiva incidência na saída da refinaria. Ainda que consuma todo o óleo diesel na sua atividade, a Recorrente não faz jus à restituição das contribuições que pagou na aquisição do combustível. O que há é o direito, em tese, ao ressarcimento daquele que foi efetivamente empregado como insumo na sua atividade (na apuração não cumulativa). Porém, não é disso que aqui se trata, pois o que se pretende é o direito pura e simples à restituição do que se pagou na aquisição do óleo diesel durante o período de cinco anos. Cabe sublinhar que a Recorrente sequer o direito de pleitear a restituição no caso tem, conforme reiteradamente já decidiu o Superior Tribunal de Justiça STJ. Entre tantas outras decisões, a título de exemplo: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. COFINS. LEI 9.718/98. COMERCIANTE VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. AUSÊNCIA DE LEGITIMIDADE PARA REQUERER A COMPENSAÇÃO DA COFINS INCIDENTE SOBRE AS RECEITAS PROVENIENTES DA VENDA DE COMBUSTÍVEIS, A PARTIR DA LEI 9.990/00. REGIME MONOFÁSICO. 1. Sob o regime de tributação instituído pela Lei 9.718/98, a Cofins incidente sobre as operações com combustíveis era recolhida por meio de substituição tributária ‘para frente’, ou seja, as refinarias, na qualidade de contribuintes substitutas, recolhiam antecipadamente as contribuições que seriam devidas em toda a cadeia produtiva, presumindose as hipóteses de incidência e a base de cálculo das contribuintes substituídas. 2. Contudo, a partir da Lei 9.990/2000 (art. 3º), os comerciantes varejistas de combustíveis e demais derivados de petróleo Fl. 274DF CARF MF Processo nº 13656.720981/201294 Acórdão n.º 3201004.054 S3C2T1 Fl. 275 9 deixaram de se submeter ao recolhimento da Cofins, no que se refere à receita auferida com a comercialização daqueles bens. As referidas contribuições passaram a incidir somente sobre as refinarias na forma monofásica, afastandose a tributação dos varejistas pelo regime de substituição tributária, anteriormente previsto na Lei 9.718/98. (Min. Benedito Gonçalves, Acórdão nº REsp nº 1.121.918/ RS, julgado em 28/09/2009) Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 275DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.900233/2008-07
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DIPJ. PRAZO PARA RETIFICAÇÃO.
O prazo para retificação da DIPJ coincide com o prazo homologatório previsto no § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO COMPROVADO.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO.A DIPJ possui caráter meramente informativo, enquanto a DCTF possui caráter de confissão de dívida. Não tendo os débitos informados em DIPJ sido recolhidos ou compensados, nem tampouco declarados em DCTF, procedente o lançamento de ofício.
ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE
Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DIPJ. PRAZO PARA RETIFICAÇÃO. O prazo para retificação da DIPJ coincide com o prazo homologatório previsto no § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO COMPROVADO. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO.A DIPJ possui caráter meramente informativo, enquanto a DCTF possui caráter de confissão de dívida. Não tendo os débitos informados em DIPJ sido recolhidos ou compensados, nem tampouco declarados em DCTF, procedente o lançamento de ofício. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DIPJ. PRAZO PARA RETIFICAÇÃO. O prazo para retificação da DIPJ coincide com o prazo homologatório previsto no § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO COMPROVADO. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO.A DIPJ possui caráter meramente informativo, enquanto a DCTF possui caráter de confissão de dívida. Não tendo os débitos informados em DIPJ sido recolhidos ou compensados, nem tampouco declarados em DCTF, procedente o lançamento de ofício. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 02 33 /2 00 8- 07 Fl. 203DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 123 à 128) interposto tempestivamente contra o Acórdão n° 1225.162, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ I (efls. 113 à 118), que, por maioria de votos, indeferiu o pedido de compensação proposto pelo Contribuinte (PER/DCOMP n° 39722.62898.281103.1.3.026514). Decisão essa ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DIREITO CREDITORIO NÃO COMPROVADO. Ante A falta de provas do direito creditório alegado, mantémse o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em Per/Dcomp. Solicitação Indeferida O Despacho Decisório (efl. 09), de 07 de março de 2008, aduz que não foi possível confirmar a existência do crédito pleiteado, haja vista a discrepância das informações prestadas pelo Contribuinte, razão pela qual não se homologou a compensação. O teor é categórico em constatar que o valor informado na DIPJ não corresponde àquele do saldo negativo informado no PER/DCOMP. A seguir o teor do aludido despacho: Fl. 204DF CARF MF Processo nº 15374.900233/200807 Acórdão n.º 1002000.350 S1C0T2 Fl. 204 3 Em sua Manifestação de Inconformidade (efl. 11), o Recorrente admite o equívoco transmitido em suas informações ARBI RIO INCORPORAÇÕES IMOBILIÁRIAS LTDA., estabelecida na Av. Niemeyer, 02 Lojas 107, 108, 110, 111, 112 e 113 Leblon, Rio de Janeiro/RJ, devidamente inscrita no CNPJ(MF) sob o n° 28.280.576/000179, vem através do presente, pelo seu bastante procurador abaixo assinado, em atendimento ao Despacho Decisório acima citado, apresentar Manifestação de Inconformidade, conforme esclarecimentos abaixo: O despacho supra citado, referente Per/Dcomp N° 39722.62898.281103.1.3.026514, questiona o valor do crédito considerando que o mesmo não corresponde ao valor do saldo negativo informado na DIPJ Exercício 2000/Ano Base 1999. Gostaríamos de esclarecer que o saldo negativo no valor histórico de R$ 79.798,21 (setenta e nove mil setecentos e noventa e oito reais e vinte e um centavos), informado na DIPJ em questão está correto, conforme página 13 da DIPJ em anexo. Ocorre que quando do preenchimento da Per/Dcomp, foi mencionado apenas o valor suficiente para compensação do débito declarado na mesma, consequentemente não espelhando o montante do crédito declarado na DIPJ. (GN) Como arrazoado, o Acórdão da DRJ expõe a ausência de provas a amparar o pedido de compensação, pois o Contribuinte não apresentou documentos e nem Retificadora apta a lastrear os valores pleiteados em seu PER/DCOMP. Logo, o Recorrente não cumpriu com o mister de juntar provas hábeis a comprovar a liquidez e certeza de seu crédito, como bem requer o art. 170 do CTN. Nessa trilha, reforça que o Contribuinte sequer atendeu à intimação da autoridade lançadora (efl. 111), para que pudesse retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador, indicando corretamente o valor do saldo negativo apurado no período e, fosse o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição. Já em sede de Recurso Voluntário, o Contribuinte formula alegação genérica do direito à compensação e a ausência de prazo para apresentála. De igual modo, entende ter ocorrido violação de uma série de princípios norteadores do Direito: Fl. 205DF CARF MF 4 Consoante esclarecido à D. autoridade fiscal de 1a instância administrativa, a Recorrente promoveu a Retificação da DIPJ nos termos previstos no RIR, já que sob a mesma não havia iniciado qualquer procedimento de oficio (RIR/1999, art. 832); bem como não alterou o regime de tributação anteriormente adotado; apresentou em meio magnético (RIR/1999, art. 809) e se utilizou do programa aprovado para o exercício ora retificado. Assim sendo, e nos termos da melhor doutrina, e de acordo com o RIR os efeitos tributários no caso de declaração retificadora de valores a titulo de IRPJ diferente daqueles inicialmente apresentados são os seguintes: quando a retificação da declaração apresentar imposto maior que o da declaração retificada, a diferença apurada será devida com os acréscimos correspondentes (IN SRF n° 166, de 1999, art. 32); quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituida (IN SRF n° 166, de 1999, art. 42); e sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes 5. taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% (um por cento) no mês da restituição ou compensação (IN SRF n° 10, de 2002). Neste diapasão, e retornando ao tema em discussão, qual seja, o direito da Recorrente de compensar saldo negativo do IRPJ, há de acrescentar, que de acordo com a legislação fiscal aplicável a matéria, que não há na norma legal a observância estipulação de qualquer prazo para a compensação de prejuízos fiscais, mesmo relativamente àqueles apurados anteriormente à edição da Lei n° 8.981, de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 1995, bastando para tanto, que a compensação está condicionada A.manutenção dos livros e documentos exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do prejuízo fiscal utilizado, tudo consoante demonstrado a Recorrente. Assim senso, e em sendo o direito da Recorrente de compensar saldo negativo de IRPJ imprescritível, não há qualquer irregularidade com o procedimento adotado pela Recorrente, vez que é titular de crédito suficiente a compensar, nos termos demonstrados na Retificadora. III DA APLICAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DE DIREITO Por conseguinte, há de se acrescentar, que no julgamento do presente Recurso devem ser observados, sem prejuízo dos demais, os princípios da razoabilidade e da igualdade, ambos de fundamental importância na aplicação do Direito e satisfação da Justiça. A razoabilidade, no presente caso concreto, contrapõese a racionalidade, diante da insuficiência de seus critérios, permitindo assim que sejam definidas soluções que não seriam Fl. 206DF CARF MF Processo nº 15374.900233/200807 Acórdão n.º 1002000.350 S1C0T2 Fl. 205 5 possíveis no estrito campo do formalismo, e auxiliando na fundamentação das decisões jurídicas razoáveis. Pelo principio da igualdade, deverá ser observado que no processo administrativo e no âmbito da fiscalização, o Estado é, ao mesmo tempo, parte e juiz, evidenciando uma desigualdade fundamental. Mas essa desigualdade deve ser compensada por uma atuação da forma mais isenta possível. Na instrução e na decisão do processo administrativo a autoridade pública disso incumbida deve zelar pela maior igualdade possível entre as partes, inclusive compensando eventuais desigualdades, em busca de uma solução legal, justa e convincente. Tornase, assim, imperioso, que o presente Recurso seja examinado à luz das circunstâncias do caso concreto e se o ato em exame atendeu ou concorreu par a o atendimento do especifico interesse público almejado pela previsão normativa, ou seja, em sendo a Recorrente titular de créditos a compensar, não há qualquer ilegalidade no procedimento adotado, mormente por serem tais créditos imprescritiveis, nos termos da legislação aplicável. A análise do direito não pode se coadunar com a mera aparência de legalidade, mas, ao contrário, requer dos Julgadores uma atenção especial para com o espirito da lei e para com as circunstâncias do caso concreto. (...) Devese ressaltar que o que explica, justifica e confere sentido a uma norma é precisamente a finalidade a que se destina. A partir dela é que se compreende a racionalidade que lhe presidiu a edição. Logo, é na finalidade da lei que reside o critério norteador de sua correta aplicação, pois é em nome de um dado objetivo que se confere um direito ao contribuinte. Cabe consignar que não restou apresentada qualquer prova adicional em sede de Recurso Voluntário, tampouco se rebateu os fundamentos específicos da DRJ utilizados na formação do desiderato decisivo. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo, tendo respeitado o trintídio Fl. 207DF CARF MF 6 legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Trata o presente caso de pedido de compensação, alegando o Contribuinte possuir crédito contra a Administração Tributária (Art. 74 da Lei n° 9.430,). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (Art. 368 do CC). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com suas alterações. 1. Da decadência e prescrição Por primeiro, assevero que houve decadência do direito material do Contribuinte a compensar seu crédito. Conforme ressaltado no Relatório retro, o Recorrente não apresentou DCTF Retificadora (que é a Declaração que possui caráter de confissão de dívida) dentro do prazo de lustro. Assim ficou muito bem observado pelo Acórdão de piso, e desde já utilizo como fundamentação deste decisum: 9. De inicio, temse que, de acordo com a consulta de fls.59, o interessado, submetido ao lucro real, entregou apenas uma DIPJ concernente ao anocalendário de 1999: a de n° 0652098, entregue em 28.06.2000, cujas fichas 7A, 10A, 12 e 13A foram acostadas, nesta Turma, As fls.61/94. 10 Dessa forma, o interessado não entregou a esta Secretaria DIPJ retificadora concernente ao anocalendário de 1999. 11 Nas fichas 12 da DIPJ n° 0652098, que compreendem o cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, vêse que não há, em nenhum dos doze meses do ano, informação (mensal) a titulo de Imposto de Renda Retido na Fonte (fls.69/92). 12 Todavia, nas fichas de DIPJ juntadas pelo interessado, foram incluídos os seguintes valores de IRRF mensais: Fl. 208DF CARF MF Processo nº 15374.900233/200807 Acórdão n.º 1002000.350 S1C0T2 Fl. 206 7 13 Tais valores de retificação (relativos a DIPJ que, apesar de jun".• a Manifestação de Inconformidade, não consta tenha sido recebida por esta Secretaria), que também culminaram com apuração de IRPJ negativo de R$ 79.798,21 (fls.31), não foram processados. 14 Nos temos da legislação tributária, a declaração de rendimentos é o instrumento por meio do qual a pessoa jurídica demonstra os resultados auferidos no anocalendário (art.808 do RIR/1999). 15 Por isso, em atendimento aos princípios que sustentam o ordenamento jurídico, notadamente o da segurança jurídica, a legislação limita o tempo para que tal declaração seja objeto de retificação. 16 Na forma da Solução de Consulta Interna da Coordenação Geral de Tributação desta Secretaria, n° 11, de 24 de julho de 2006, extinguese em 5 (cinco anos), contados da ocorrência do fato gerador, o direito de o interessado, pessoa fisica, apresentar ou retificar sua declaração de rendimentos. (...) 19 Se a Fazenda Nacional tem prazo de 5 (cinco) anos para proceder ao lançamento de oficio, o sujeito passivo, da mesma forma, deve ter prazo para retificar a sua DIPJ. 20 No caso, o fato gerador do IRPJ, tributo que se sujeita a lançamento por homologação, ocorreu em 31.12.1999, e, por isso, desde 31.12.2004, já havia expirado o prazo para a retificação da sobredita DIPJ. Como se pôde observar, a DRJ entendeu que teria ocorrido a decadência em virtude do transcurso do prazo superior a 5 (cinco) anos, a contar do lançamento por homologação em 31/12/1999. Outrossim, repiso que não foi apresentada DCTF Retificadora, e, tal como se sabe, a DIPJ possui caráter meramente informativo, a qual é incapaz de obstar a fluidez do lustro quinquenal. Portanto, tornase imperativo proceder a contagem do prazo segundo os ditames do art. 150, § 4°, do CTN. Nesse espeque convém ressaltar a existência de celeuma a circundar a aplicação do instituto da decadência entre o período da DIPJ e sua consequente retificadora. Esse debate engloba até mesmo a própria natureza do lustro, eis que alguns opinam se tratar de prescrição (e não decadência). Com efeito, há, ainda, quem entenda por aplicável a vertente Fl. 209DF CARF MF 8 advogada pelo Recorrente, segundo a qual há imprescritibilidade. Noutro giro, há quem sustente a necessidade de se respeitar o prazo quinquenal, especialmente em virtude da segurança jurídica (desdobrando, aí, o consequente debate se o lapso temporal seria decadência ou prescrição). Filiome à segunda vertente, adicionada da perspectiva da decadência, nos moldes do art. 150, § 4°, do CTN A observância aos preceitos da segurança jurídica e do princípio da razoabilidade faz com que seja imperativa a demarcação de claros lindes aos pleitos formulados nesta seara administrativa. Ademais, ressalto que o Direito Tributário, em toda sua notória complexidade e especificidade, demanda quiçá ainda maior enquadramento ao direito positivado e aos institutos da analogia e interpretação analógica. Noutro giro, não se despreza a interação e integração sistêmica frente aos demais ramos do Direito, com os quais opera de maneira autorrecursiva e autopoiética. Aliás, é justamente esse espeque de acoplamento estrutural que torna possível adequar uma melhor leitura principiológica da coletânea de legislação tributária. E, nesse aspecto, não se sustenta o argumento do Contribuinte no que cinge à violação de princípios norteadores do Direito. Seguindo essa toada, entendo que haveria inegável insegurança jurídica ao se admitir a inexistência de prazo decadencial para a retificação da DIPJ e DCTF. Tal situação elevaria o ônus da Administração Pública para com procedimentos infindáveis, o que vai em absoluta contraposição aos anseios da Constituição Federal, em especial aqueles introduzidos pósEmenda Constitucional n° 19/98 (Reforma Administrativa). Assevero que não se está a impedir o exercício de qualquer direito, mas sim de estabelecer um marco temporal para tanto, tal como ocorre em inúmeras ocasiões no espectro do Direito. Portanto, vejo que admitir a aplicação do lustro à apresentação da DCTF Retificadora (e não a DIPJ, que possui natureza informativa) é a interpretação mais consentânea à realidade jurídica e administrativa brasileira. Outrossim, assevero que a vertente intelectiva aqui exposada encontra igual amparo no Parecer Normativo COSIT n° 11, de 19/12/2014, no Parecer Normativo COSIT n° 2, de 28/08/2015, e na jurisprudência do CARF, os quais transcrevo abaixo: a. Parecer Normativo COSIT n° 11/2014: 6.1. Cabe separar duas situações distintas: (i) o pedido de restituição, ressarcimento e Declaração de Compensação, requerendo o reconhecimento do indébito pela própria Administração Pública; (ii) a declaração de compensação em que o reconhecimento daquele crédito do contribuinte deuse na via judicial. Na primeira circunstância, o que se requer é que a RFB analise o mérito da lide, quer dizer, se procede ou não aquele pedido ou se existe ou não o alegado crédito. Na segunda, a RFB simplesmente vai cumprir a sentença transitada em julgado, devendose analisar as questões formais (o que inclui eventual ocorrência de prescrição daquele crédito) e o quantum debeatur, no caso das sentenças ilíquidas. Mas é bom ressaltar que a regramatriz que gerou o direito ao crédito surgiu com a sentença transitada em julgado. 6.2. Na primeira circunstância, não há dúvida quanto ao prazo decadencial para interpor o pedido administrativo de restituição/ressarcimento ou apresentar a Declaração de Compensação: cinco anos contados da extinção do crédito tributário a ser restituído, ressarcido ou compensado, ou da reforma de decisão condenatória, consoante dispõe o art. 168 do CTN: Fl. 210DF CARF MF Processo nº 15374.900233/200807 Acórdão n.º 1002000.350 S1C0T2 Fl. 207 9 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. 6.3. Na segunda, entretanto, não há prazo expresso na legislação. O prazo do art. 168 do CTN (ou do art. 169, a depender do caso) é o prazo para interpor a ação judicial. O que se analisa aqui é o prazo prescricional após a ação judicial que gera um crédito decorrente de tributo federal em favor de um contribuinte, vale dizer, o prazo prescricional para extinguir o débito do Fisco. Não há que se falar em extinção de crédito tributário ou anulação de ação condenatória de que trata o art. 168 do CTN. Entretanto, como a lei que disciplinou a forma de compensação de créditos decorrente de ação judicial (art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996) não dispôs sobre essa contagem (assim como fez com o prazo para homologação de cinco anos da Dcomp), cabe ao intérprete fazêlo. 7. A tese de imprescritibilidade não pode prevalecer. Em prol da segurança jurídica, no direito tributário e processual tributário sempre há prazos extintivos para realizar um direito, pretensão ou ação, seja por parte do contribuinte, seja por parte da Administração Pública. A tese de imprescritibilidade estaria eivada de inconstitucionalidade, tendo em vista que a Constituição Federal traz expressamente os escassos casos em que ela ocorre. (GN) 9. Na linha do item 6.1, a restituição do indébito pode se dar mediante processo administrativo em que a própria Administração reconhece o indébito em favor do contribuinte (o que inclui a homologação de Declaração de Compensação), ou somente após ação judicial transitada em julgado (interposta após negativa de ação administrativa ou diretamente). O contribuinte deverá respeitar os prazos dos arts. 168 e 169 do CTN para assim proceder, seja em que instância for. b. Parecer Normativo COSIT n° 2/2005: DCTF 10. A princípio, não há razão para estipular vedações se a legislação tributária não o fez. É plausível que o contribuinte possa retificar a DCTF a qualquer tempo, observado o prazo de cinco anos e respeitadas as condições impostas pela Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, em consonância com o disposto no art. 18 da MP nº 2.189, de 23 de agosto de 2001: Fl. 211DF CARF MF 10 Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originalmente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. IN RFB nº 1.110, de 2010. Da Retificação de Declarações Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Fl. 212DF CARF MF Processo nº 15374.900233/200807 Acórdão n.º 1002000.350 S1C0T2 Fl. 208 11 Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. (grifouse) (GN) c. Jurisprudência do CARF (Acórdão 340301.376, Rel. i.Conselheiro Antonio Carlos Atulim): Realmente, não merece reparo a decisão recorrida. Uma coisa é a decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício e outra coisa totalmente distinta é o prazo de decadência para o fisco não homologar a compensação declarada pelo contribuinte. Os prazos de decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário estão previstos nos arts. 150, § 4º e 173, do CTN. Estes dispositivos legais deixam claro que a decadência fulmina o direito da administração tributária exigir tributo por meio de lançamento de ofício, não afetando de modo algum o direito de abrir fiscalização ou de rever os créditos lançados no livro de IPI. Em outras palavras, a decadência inibe o processo de positivação do direito consubstanciado no ato de lançamento tributário; mas não inibe o processo de positivação do direito do fisco declarar que o crédito, no todo ou em parte, é ilegítimo, ainda que este crédito tenha sido lançado na escrita há mais de cinco anos. No caso dos autos, a administração tributária agiu dentro dos lindes da legalidade, pois não foi expedida nenhuma norma individual e concreta por parte do fisco tendente a exigir tributo, o que existe é a exigência de crédito tributário em razão de norma individual e concreta que foi introduzida no mundo jurídico pelo próprio contribuinte, consistente na declaração de compensação. No que tange ao prazo de decadência para o fisco não homologar a compensação, o art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, com as alterações introduzidas pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 estabelece que o prazo é de cinco anos, contados da data entrega da declaração de compensação. Nesta parte, a defesa alegou que deve prevalecer como termo inicial de contagem do prazo decadencial a data de transmissão do PER/Decomp original, pois além da alteração ter alcançado apenas o valor do crédito, a retificação posterior não consubstancia cancelamento do pedido original, mas mera retificação dos dados anteriormente informados. Acontece que a retificação das informações referida pela defesa, significa, na verdade, a inserção de nova norma individual e concreta no mundo jurídico distinta da anterior, uma vez que o elemento quantitativo atinente ao crédito sofreu alteração. Fl. 213DF CARF MF 12 Assim, a norma individual e concreta consubstanciada no documento original, que declarava o direito de compensar um crédito equivalente a R$ 14.556,92 com um débito equivalente a R$ 14.362,22, foi revogada e substituída por uma nova norma individual e concreta, introduzida no mundo jurídico pelo próprio contribuinte, por meio da qual declarouse o direito de compensar um crédito equivalente a R$ 2.284.013,42 com o débito de R$14.362,22. A norma que declarava o direito de compensar o crédito de R$ 14.556,92 deixou de existir e foi substituída por uma nova, que passou a declarar a existência do direito de compensar um crédito cerca de cento e cinquenta vezes maior. É evidente que a mudança no elemento quantitativo, correspondente ao valor do crédito vinculado à compensação, acarreta uma alteração no mundo jurídico. E em decorrência deste fato, justificase o início do transcurso de novo prazo de decadência. A cada alteração no mundo jurídico provocada pelo contribuinte, é disparado o cronômetro do art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, concedendo um novo prazo de cinco anos para que o fisco possa aferir a legitimidade do novo direito alegado. Não foi por outro motivo, que as instruções normativas da Receita Federal que regulamentaram o procedimento de compensação, com base no permissivo legal no art. 74 § 14 da Lei nº 9.430/96, sempre estabeleceram que no caso de retificação, o termo inicial da contagem do prazo de decadência é a data da apresentação da retificadora. Portanto, também não em razão a recorrente quando alega que a Receita Federal está dispondo sobre interrupção ou suspensão de prazos de decadência por meio de atos administrativos, pois as instruções normativas apenas explicitaram a interpretação do art. 74, da Lei nº 9.430/96. A cada norma individual e concreta introduzida pelo contribuinte, nasce um prazo de cinco anos para que o fisco exerça a competência de homologar ou não a compensação. (GN) d. Jurisprudência do CARF (Acórdão 1302002.403, Rel. i.Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa): Saliente se que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. (...) O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de Fl. 214DF CARF MF Processo nº 15374.900233/200807 Acórdão n.º 1002000.350 S1C0T2 Fl. 209 13 compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários .Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. (...) A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089,inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art.150, §4°do CTN. Resta, portanto, reconhecida a decadência no presente caso, nos termos dispostos no Acórdão da DRJ. 2. Da ausência de lastro probatório apto a garantir a compensação de crédito Em que pese a recalcitrância do Recorrente em admitir o acerto do Acórdão de piso, ressalto que, em momento algum, foi acostado aos autos quaisquer elementos probatórios aptos a atestar o direito de compensação. Ainda que constem as DIRF's Retificadoras (efls. 104, 106, 107, 108 e 109), não foi possível extrair delas as informações que se requer; tampouco o Contribuinte cumpriu com sua obrigação de trazer os valores discriminados de forma objetiva e clara. Portanto, a decisão da DRJ resta irretocável, razão pela qual sua fundamentação serve de igual amparo no presente caso, valendose como fundamentação, com base no § 1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, e no § 3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF: (...) 21 Assim, a retificação veiculada pelo interessado não pode, por si só, produzir efeitos para os quais foi juntada, qual seja, o de substituir a DIPJ original. 22 Posto isso, temse, como já visto no Relatório, que, de acordo com o Despacho Decisório as fls.8, a compensação declarada Fl. 215DF CARF MF 14 não foi homologada porque, para uma mesma informação de natureza credit6ria — saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 1999 , o interessado atribuiu dois valores, a saber: 23 Em face disso, a autoridade lançadora (Derat/RJO), quando da análise do Per/Dcomp, emitiu o Termo de Intimação As fls.104, recebido pelo interessado ern 21.09.2006 (fls.105), para que este, no prazo de 20 (vinte) dias, sanasse as diferenças entre as informações prestadas em DIPJ e em Per/Dcomp. 24 0 interessado não atendeu A intimação da autoridade lançadora. 25 É a lei que, na compensação em matéria tributária, condiciona o reconhecimento da existência de direito creditório, A prova da certeza e da liquidez do direito alegado (art. 170 do CTN). 26 A divergência entre DIPJ e Perdcomp, independentemente de o saldo negativo informado na DIPJ original ser maior, igual ou menor que a compensação veiculada no PerdComp, fulmina o requisito de certeza erigido em lei para a compensação tributária. 29 A instrução da peça de impugnação/manifestação de inconformidade, com os documentos em que esta se funda, 6, pois, atividadeônus da qual o interessado se deve desincumbir, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, a menos que comprovada uma das circunstâncias de que tratam as alíneas "a" a "c" acima, o que não se verificou, no caso. 30 O interessado não junta aos autos provas do direito pretendido, que, se o referente a imposto retido na fonte, não pode prescindir da comprovação de que os rendimentos auferidos correspondentes foram oferecidos A tributação. 31 Também não junta os comprovantes de tal retenção, de apresentação obrigatória, (art.815 do RIR/1999), porquanto inexiste previsão legal para que as informações prestadas em Dirf (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte) os substituam. 32 Aliás, no caso, para alargar a incerteza quanto ao montante do direito creditório efetivamente apurado em 1999, temse que, em consulta ao sistema DIRF, o interessado figura como beneficiário de rendimentos (códigos de receita de prestação de serviços e de aplicação financeira) que totalizaram IRRF de apenas R$ 14.077,75, valor discrepante dos R$ 79.798,21 que informou em DIPJ. 33 Os ônus da prova do direito creditório, cuja certeza e liquidez são pressupostos, incumbem a quem dele alega ser detentor, não havendo previsão para que recaiam sobre a autoridade tributária, ainda mais quando o interessado não atende A Fl. 216DF CARF MF Processo nº 15374.900233/200807 Acórdão n.º 1002000.350 S1C0T2 Fl. 210 15 intimação da autoridade lançadora (em cuja sede, observese, os critérios de produção de provas para reconhecimento de direitos podem ser estabelecidos com fulcro em critérios de conveniência e oportunidade) para eliminar a incerteza que obstaculizou o reconhecimento do direito alegado. Impende destacar que, para que se tenha faculdade à compensação, tornase necessário que o Contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, a Administração Tributária corretamente não reconheceu a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo Contribuinte, sob o argumento de que faltavam elementos probatórios capazes de assegurar a existência do crédito, fosse um pagamento indevido ou a maior ou, mesmo, crédito decorrente de saldo negativo. Portanto, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância, quando conclui que não resta demonstrado o direito creditório Nesse espeque, ressalto que não há uma precisa indicação consubstanciada em elementos documentais para confrontar DIPJ, DCTF, LALUR, códigos de recolhimento, informativo quanto ao método, balancetes de apuração de resultados, a fim de comprovar o crédito, inclusive para também se compreender eventuais cálculos de valores originalmente declarados e dos valores retificados. Nesse sentido entendo por bem trazer aos autos o resumo da conclusão do seguinte precedente que entendo reforçar o presente fundamento: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Ressaltese, não caberia ao julgador, em instância do Fl. 217DF CARF MF 16 contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventual documentação contábil não pode ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e de devida fundamentação com análise circunstanciada das conclusões que se extrairiam da escrita contábil ou da escrita fiscal, a fim de demonstrar o fato jurídico constitutivo da situação de direito a crédito que se pretende invocar sob a ótica da restituição, que seria o elo para efetivar a compensação. Não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não o saneamento de erros imputados aos próprios contribuintes, notadamente quando destinados à constituição de créditos para fins de compensação e, mais, o ponto principal não resta claramente demonstrado o alegado saldo negativo. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte. No mais, a decisão da DRJ apreciou, com riqueza e rigor de detalhes, a matéria suscitada na manifestação de inconformidade, apresentando os devidos fundamentos transcritos ao longo destes autos para rebatêla; de seu turno, o Contribuinte não estabeleceu, através de seu recurso, dialeticidade suficiente para apontar, na decisão combatida, quais daqueles argumentos da primeira instância não seriam adequados e conteriam eventual erro de julgamento ou erro de procedimento. Não foram refutados pontos importantes da decisão vergastada, repetindoa sem enfrentar algumas das razões de decidir da decisão objeto do Recurso Voluntário. Nesse espeque, procedeu de forma acertada a decisão de piso, haja vista a ausência de DCTF em que também constasse a aludida retificação (dentro do prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional), bem como de quaisquer provas alusivas à formação do saldo negativo pleiteado. Isso porque apenas esta última Declaração possui caráter de confissão de dívida, sendo a DIPJ de natureza essencialmente informativa. Cumpro com o mister de citar jurisprudência recente do CARF a esse respeito: Uma vez que não foram apresentados os documentos ou os esclarecimentos necessários para a consideração dos dados constantes da DIPJ retificadora apresentada, a fiscalização considerou os dados da DIPJ original e procedeu com a lavratura do Auto de Infração quanto a diferença não declarada na DCTF apresentada. Portanto, a fiscalização se respaldou nos próprios dados originariamente apresentados pela Recorrente em sua DIPJ quanto ao valores de PIS devidos. Para que fosse alterada a conclusão alcançada pela fiscalização, seria necessário que a Recorrente demonstrasse, por meio de sua escrituração contábil e fiscal, que os valores indicados na DIPJ Retificadora são os valores efetivamente devidos de PIS no período. Entretanto, não constam dos autos quaisquer elementos probatórios nesse sentido. Ora, uma vez que a DIPJ Retificadora foi apresentada no curso da fiscalização e que não foram apresentados elementos probatórios para respaldar os dados nela indicados, o que seria cabível à luz do princípio da verdade material, inexiste qualquer Fl. 218DF CARF MF Processo nº 15374.900233/200807 Acórdão n.º 1002000.350 S1C0T2 Fl. 211 17 razão para o cancelamento ou retificação do Auto de Infração lavrado. Assim, a fiscalização se pautou na informação prestada pela própria empresa na DIPJ original, sendo certo que, para afastar qualquer elemento da autuação, caberia à ela comprovar o alegado, na forma do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72, trazendo os elementos comprobatórios do seu direito. Mas não foi o que ocorreu na hipótese. Como é assente, a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ é um instrumento de prestação de informações para o fisco quanto à diversos tributos federais, dentre os quais o PIS e a COFINS. Diferentemente da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, a DIPJ não possui o condão de confissão de dívida. À época dos fatos geradores autuados (2004), estas duas declarações eram disciplinadas pelas Instruções Normativas n.º 255/2002 (DCTF) e n.º 127/98 (DIPJ). (Acórdão n° 3402005.024, Rel. Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, em sessão de 22 de março de 20148) Quanto ao mais, o tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula n° 92: A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. Impende ressaltar, ainda, que o CARF tem consignado que o tema de restituição e compensação deve atender a quatro premissas: 1) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado e, 4) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em autocompensações. Por essas razões, há que se comprovar a estrita regularidade de tais procedimentos. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. 3. Da ausência de violação aos princípios norteadores do Direito De arremate, não pude observar qualquer malferimento aos princípios do Direito descritos na peça defensiva. O deslinde do processo administrativo fiscal e a decisão da DRJ seguiram a mais absoluta lisura e respeito aos ditames normativos, de modo que não há quaisquer máculas à legalidade, razoabilidade e igualdade. Fl. 219DF CARF MF 18 Por fim, destaco que eventual questionamento à legalidade do trâmite processual implicaria uma indagação reflexa de constitucionalidade das normas do PAF, o que é vedado a esta c. Corte, conforme teor da Súmula CARF n°2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dispositivo Ante o exposto, voto para conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar lhe provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 220DF CARF MF
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Numero do processo: 10711.002315/2009-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 27/10/2004, 24/01/2005
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SUMULA CARF Nº 1.
Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR DECISÃO JUDICIAL. MULTA DE OFÍCIO. NÃO CABIMENTO. SUMULA CARF Nº 17.
Comprovada nos autos a suspensão da exigibilidade do crédito tributário na forma do disposto no Art. 151, V, do CTN, bem como a realização de depósito do montante integral do crédito tributário, não cabe exigência de multa de ofício em lançamento para prevenção da decadência. Sumula CARF nº17.
JUROS DE MORA. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. INEXIGIBILIDADE. SUMULA CARF Nº5.
Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. No caso dos autos, restou comprovado o depósito integral do crédito tributário, não havendo que se falar em juros de mora.
PUBLICAÇÕES EM NOME DO PATRONO DA RECORRENTE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal para a realização de publicações relacionadas aos atos do PAF em nome do patrono do contribuinte.
Numero da decisão: 3302-005.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em dar-lhe provimento para excluir o lançamento da multa de ofício de 75% e dos juros de mora sobre o valor das contribuições ao PIS-Importação e COFINS-Importação relativas às Declarações de Importação de nºs. 04/1090665-9 e 05/0081286-6.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SUMULA CARF Nº 1. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR DECISÃO JUDICIAL. MULTA DE OFÍCIO. NÃO CABIMENTO. SUMULA CARF Nº 17. Comprovada nos autos a suspensão da exigibilidade do crédito tributário na forma do disposto no Art. 151, V, do CTN, bem como a realização de depósito do montante integral do crédito tributário, não cabe exigência de multa de ofício em lançamento para prevenção da decadência. Sumula CARF nº17. JUROS DE MORA. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. INEXIGIBILIDADE. SUMULA CARF Nº5. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. No caso dos autos, restou comprovado o depósito integral do crédito tributário, não havendo que se falar em juros de mora. PUBLICAÇÕES EM NOME DO PATRONO DA RECORRENTE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a realização de publicações relacionadas aos atos do PAF em nome do patrono do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 23 15 /2 00 9- 75 Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10711.002315/200975 Acórdão n.º 3302005.711 S3C3T2 Fl. 555 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em darlhe provimento para excluir o lançamento da multa de ofício de 75% e dos juros de mora sobre o valor das contribuições ao PISImportação e COFINSImportação relativas às Declarações de Importação de nºs. 04/10906659 e 05/00812866. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 485 a 495) interposto contra decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) (fls. 374 a 378) assim ementado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/10/2004, 24/01/2005 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. As matérias submetidas à via judicial devem ter o crédito tributário lançado, pois a atividade do lançamento é obrigatória e vinculada em relação à autoridade fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Por bem transcrever os fatos, adotase parte do relatório do acórdão recorrido. Trata o presente processo de autos de infração lavrados para constituição de crédito tributário no valor de R$ 18.212,72 referente a PIS/Pasepimportação, Cofinsimportação, multas de ofício e juros de mora. Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10711.002315/200975 Acórdão n.º 3302005.711 S3C3T2 Fl. 556 3 Depreendese da descrição dos fatos dos autos de infração que a interessada registrou as Declarações de Importação nº 04/10906659 e 05/00812866 em 27/10/2004 e 24/01/2005, respectivamente, para amparar a importação de pigmentos diversos, classificados no código NCM 3204.17.00. Com base em decisão exarada pelo Juízo da 16ª Vara Federal/RJ, nos autos da Ação Ordinária nº 2004.51.01.009101 7, que estendeu os efeitos da Antecipação de Tutela que fora anteriormente deferida para as importações amparadas pelas faturas comerciais 08092001 e 26102004/1, deixou de recolher das contribuições ao PIS/Pasepimportação e Cofins importação. A Antecipação de Tutela permitia que a interessada depositasse os valores relativos às contribuições incidentes com o fim de ter as mercadorias liberadas. Foram realizados depósitos das contribuições em 04/11/2004 e 04/02/2005, relativos às Declarações de Importação em tela. A decisão de mérito da ação judicial revogou os efeitos das decisões que justificavam o não recolhimento das contribuições. Assim, foram lavrados os autos de infração em apreço. Cientificada da lavratura dos autos de infração, a interessada apresentou impugnação, na qual alega, em síntese, que: A lavratura dos autos de infração é infundada, pois os valores referentes ao montante exigido encontramse depositados em juízo, conforme autorização no processo judicial. Anexa os comprovantes de depósito dos valores referentes ao PIS/Pasep importação e à Cofinsimportação. A lavratura do auto de infração é irregular, pois o tributo encontrase com a exigibilidade suspensa, sub judice, pendente de julgamento definitivo. A cobrança caracteriza enriquecimento sem causa do fisco, vez que parte do cobrado já foi recolhido. Requer sejam acolhidas suas alegações, seja anulado o auto de infração e, no mérito, sejam julgados procedentes seus argumentos, esperando que, pelo princípio da eventualidade, no mínimo sejam abatidos os valores já depositados, convertendose os mesmos em renda. Os depósitos foram confirmados pela unidade preparadora como suficientes para cobrir os valores relativos ao 1% correspondente ao primeiro mês e que não cobrem o valor referente à multa de ofício lançada (fl. 90). Por meio do Despacho Decisório de folhas 93 a autoridade competente decidiu por não conhecer da impugnação em relação ao PIS/Pasepimportação e à Cofinsimportação e declarou a sua definitividade; e tomou conhecimento da impugnação em Fl. 556DF CARF MF Processo nº 10711.002315/200975 Acórdão n.º 3302005.711 S3C3T2 Fl. 557 4 relação aos lançamentos das multas de ofício e juros de mora e à inconformidade da autuada em relação à constituição do crédito tributário por meio de auto de infração, tendo em vista o depósito em Juízo. De acordo com a informação de folha 368 a interessada apresentou Recurso Extraordinário que aguarda decisão do Supremo Tribunal Federal. A DRJ/FNS decidiu pela improcedência da Impugnação, alegando, em síntese, que: a) não houve contestação por parte da interessada no que tange ao lançamento das multas de ofício e dos juros de mora, sendo consideradas, portanto, matérias não impugnadas, nos termos do art. 17 do PAF; b) O Parecer PGFN/CRJN nº 1.064/93 dispõe, com fulcro nos arts. 142, 145 e 151 do CTN, c/c o art. 7º, I do Decreto nº 70.235/1972, sobre a possibilidade da realização de lançamento de ofício na pendência de decisão judicial sobre a matéria, mantida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em face da liminar concedida; c) Assim também autoriza o art. 63 da Lei nº 9.430/1996, que prevê a hipótese de lançamento de ofício, destinado à prevenção da decadência, para a constituição de crédito tributário cuja exigibilidade houver sido suspensa em face da existência de liminar concedida em mandado de segurança ou outra medida judicial acautelatória. Cientificado da decisão em 20.10.2015, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 18.11.2015, repisando argumentos e argüindo preliminarmente: a) A anulação do lançamento em razão da existência de ação judicial suspendendo a exigibilidade do tributo; b) Que a suspensão da exigibilidade elimina o pressuposto para a incidência de multa, tanto a moratória quanto a punitiva; c) Que a presente exação já foi objeto de ação de execução fiscal junto à 1ª Vara de Execuções Fiscais da Seção Judiciária da Justiça Federal do Rio de Janeiro, processo nº 051286026.2008.4.02.5101, conforme cópias anexadas, tendo sido tal feito extinto, inclusive com condenação de honorários de sucumbência; Alegou ainda a recorrente, no Recurso Voluntário, a não observância ao art. 63 da Lei 9.430/1997. Isso porque tal dispositivo veda a cobrança de multa de mora enquanto suspensa a exigibilidade do tributo por força de medida liminar, não se podendo haver penalização por se socorrer no judiciário. Pugna pelo provimento do Recurso Voluntário para anular ou desconstituir os lançamentos fiscais realizados em flagrante ilegalidade e excesso de exação. Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10711.002315/200975 Acórdão n.º 3302005.711 S3C3T2 Fl. 558 5 Requer que as futuras publicações em diário oficial da união sejam feitas em nome do patrono do Recorrente/Contribuinte, sob pena de nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. 1 Da renúncia ao PAF. Já é matéria sumulada neste tribunal que a busca por provimento jurisdicional no poder judiciário configura renúncia à discussão do mesmo objeto em processo administrativo. É o teor da Súmula CARF nº 1. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Depreendese dos autos que a matéria em discussão no poder judiciário é relativa à constitucionalidade da exigência das contribuições ao PIS e à COFINS sobre importações, instituída pela Lei nº 10.865/2004. Assim, não há como conhecer de pedidos relacionados à constituição do crédito tributário das contribuições ao PIS e COFINS sobre importações nestes autos, vez que é vedada a discussão de mesma matéria concomitantemente em processo administrativo e judicial. 2 Da suposta execução fiscal dos débitos relativos às DI´s 04/10906659 e 05/00812866. A recorrente alega, em sede de recurso voluntário, não ser cabível lançamento combatido, vez que ela guardaria estrita conexão com a ação de execução fiscal extinta pelo MM juízo federal da 1ª Vara de Execuções Fiscais da Seção Judiciária do Rio de Janeiro (fls. 489 a 491). Frisese que a ação de execução fiscal apontada no Recurso Voluntário foi proposta em 18.08.2008 (fls. 164 e 165), enquanto que a constituição do crédito tributário relativo às DI´s em discussão nestes autos foi realizada, por meio de auto de infração, somente em 08.04.2009 (fls. 4 e 10). Ou seja, os débitos em discussão foram constituídos em momento posterior ao ajuizamento da execução fiscal. Logo, não há como prosperar a alegação do contribuinte de que estes débitos fazem parte da citada execução. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10711.002315/200975 Acórdão n.º 3302005.711 S3C3T2 Fl. 559 6 Ademais, os documentos de fls. 131 a 211, e de fls. 272 a 342, evidenciam que nenhum dos débitos discutidos nos autos da execução fiscal de nº 0512860 26.2008.4.02.5101 (2008.51.01.5128607) se refere às DI´s objeto do auto de infração relativo a este PAF. Ainda que a execução em comente fosse relativa aos mesmos débitos aqui mencionados, careceria ela dos requisitos indispensáveis ao seu seguimento, a certeza e a liquidez do crédito exeqüendo, haja vista a existência de outra ação judicial em que se discute a exigibilidade de tais tributos, devendo ela a ação de execução ser extinta, e não as ações onde se discute o exigibilidade do crédito, e nem mesmo o processo administrativo que versa sobre o lançamento para prevenção da decadência. Ao que indicam os documentos acostados, estes foram os fundamentos do juízo ao extinguir a ação de execução de nº 0512860 26.2008.4.02.5101 Assim, afastase a alegação mencionada neste tópico. 3 Do lançamento para prevenção da decadência. Conquanto vedada a concomitância de discussões, sobre o mesmo objeto, nos autos de processos judiciais e administrativos, não se pode impedir a ação fiscal que tenha por finalidade constituir o crédito tributário em discussão judicial para evitar a decadência em caso de insucesso da tese encampada pelo sujeito passivo. O lançamento é o ato pelo qual se constitui o crédito tributário, tornando possível a sua exigência em face do sujeito passivo ou responsável pela obrigação. Destarte, o lançamento destinado a constituição do crédito tributário em discussão judicial mostrase como importante meio para impedir que a demora no julgamento da lide materialize a impossibilidade da fazenda pública haver o que lhe é devido em caso de assim decidir o poder judiciário. A hipótese do lançamento para prevenção da decadência na constituição do crédito tributário está consubstanciada no art. 63 da Lei nº 9.430/1996. No mesmo sentido prevê a Sumula Carf nº48. Súmula CARF nº 48: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Oportuno lembrar que consoante ao disposto nos art. 151, incisos IV e V, do CTN, com alterações introduzidas pela Lei Complementar nº104 de 2001, suspendem a exigibilidade do crédito tributário, dentre outras hipóteses, a concessão de medida liminar em mandado de segurança, bem como de medida liminar ou antecipação dos efeitos da tutela em outras espécies de ação judicial. De outro norte, o STJ decidiu, sob a sistemática do art. 543C do CPC/1973, no julgamento do REsp nº 1.140.956, sob a relatoria do Exmo. Ministro Luiz Fux, que Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10711.002315/200975 Acórdão n.º 3302005.711 S3C3T2 Fl. 560 7 relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta. Segundo tal decisão, nos casos em que houver o depósito integral do crédito em discussão nos autos de processo judicial, antes de qualquer procedimento por parte do fisco, estaria este impedido de realizar a lavratura do auto de infração, não estando presente o risco da decadência, vez que em caso de insucesso da ação antiexacional, haveria a conversão do depósito em renda em favor da fazenda pública, extinguindo o crédito tributário. In casu, o próprio contribuinte afirma, no décimo parágrafo de seu recurso voluntário, não pretender discutir a possibilidade e o dever de lançamento da União para prevenir a decadência, insurgindose tão somente quanto à cobrança de multa e dos encargos relacionados ao inadimplemento. Nesse sentido, não merece reforma a decisão guerreada no que diz respeito ao lançamento das contribuições ao PISImportação e COFINSImportação, vez que a legislação vigente autorizava o lançamento de crédito tributário com a finalidade de prevenir a decadência, tendo o contribuinte declinado de tal discussão, desde que observada a suspensão da exigibilidade e seus efeitos. 4 Da ausência de contestação sobre a multa de ofício e juros de mora. Aduziu a DRJ/FNS que a impugnante deixou de contestar o lançamento dos juros de mora e da multa de ofício, sendo tais matérias, portanto, consideradas como não impugnadas, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, sequer tendo se instaurado litígio sobre as mesmas. Para melhor analisar tal aspecto, convém transcrever os seguintes excertos da impugnação apresentada em 05.06.2009 (fls 68 a 72). 14. Todos sabemos que o art. 151 do CTN garante ao contribuinte o direito de depositar judicialmente o crédito que pretende discutir e que o exercício de tal faculdade acarreta a suspensão da exigibilidade do tributo em questão. 15. É por isso que o depósito judicial tem o condão de afastar os efeitos da inadimplência. O depósito garante o tributo e após finda a atividade jurisdicional do estado, caso remanesça o direito do fisco ao referido crédito, o judiciário lhe permitirá o levantamento do montante. ... 17. O contribuinte que deposita não se assemelha ao contribuinte inadimplente e não se sujeita aos mesmos efeitos e encargos, pois deles se preveniu mediante o auxílio do judiciário, que se afigura como verdadeiro garantidor do montante discutido. (sem grifos no original) Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10711.002315/200975 Acórdão n.º 3302005.711 S3C3T2 Fl. 561 8 Muito embora a peça impugnatória não tenha alegado expressamente a inexigibilidade dos juros de mora e da multa de ofício, insurgiuse contra os efeitos decorrentes da inadimplência do tributo, inclusive em relação aos seus encargos, alegando ter efetuado o depósito do montante integral. Ora, tanto a multa de ofício quanto os juros de mora revelamse corolários do descumprimento da obrigação principal. Logo, não havendo inadimplemento da obrigação de pagar o tributo, não subsiste a exigência de juros de mora e da multa de ofício em comento. Destarte, primando pelo atendimento aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, não deve prevalecer o excesso de formalismo da decisão proferida pela DRJ, no sentido de que não houve contestação à cobrança dos juros de mora e da multa de ofício. 5 Da multa de ofício e de mora. No Recurso Voluntário em julgamento, pugna o contribuinte pela eliminação da incidência das multas moratórias e punitiva do lançamento realizado. No que diz respeito a multa moratória, impende esclarecer que não houve lançamento sob tal rubrica. É o que se comprova pela análise do auto de infração presente nas fls. 2 a 17. Assim, não existindo lançamento de multa de mora no auto de infração combatido, não se justifica tal insurgência. Já em relação a multa de ofício, lançada no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o valor do crédito tributário, entende este julgador assistir razão ao contribuinte sobre a sua inexigibilidade, segundo fatos e fundamentos que passa a expor. No que toca a DI de nº 04/10906659 fls. 19 a 23, registrada em 27.10.2004, conforme comprova o documento de fls. 73, o contribuinte obteve, em 19.10.2004, provimento jurisdicional para liberar a mercadoria a ela relacionada, mediante o depósito da quantia questionada, o que se comprovou por meio das guias de fls. 74, e cujo recolhimento ocorreu em 04.11.2004. Vide demonstrativo de fls. 477. No concernente à DI de nº 05/00812866, registrada em 24.01.2005 (fls. 24 a 28), houve provimento jurisdicional para a liberação das mercadorias relacionadas em 13.01.2005, conforme se comprova pelo documento de fls. 75. Ademais, os tributos devidos foram depositados integralmente em 04.02.2005, por meio das guias de fls. 76 e conforme comprova o demonstrativo de fls. 477. Vêse que o contribuinte obteve, antes do registro das DI´s, liminar que antecipou os efeitos da tutela, determinando a liberação das mercadorias e autorizando os depósitos judiciais, que foram realizados poucos dias depois, devidamente acrescidos dos encargos moratórios. Ressaltase que o auto de infração que lançou a multa de ofício somente foi lavrado em 08.04.2009, depois de transcorridos mais de 4 (quatro) anos do depósito do montante integral dos tributos em discussão, enquanto que as mercadorias importadas por meio das DI´s em comento foram liberadas e desembaraçadas no canal verde de conferência, conforme se comprova pelo documento de fls. 57. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10711.002315/200975 Acórdão n.º 3302005.711 S3C3T2 Fl. 562 9 Não há nos autos indicação que entre 05.02.2005 e 08.04.2009, a recorrente tenha sido intimada da continuidade do procedimento fiscal, como preconizado pelos §§1º e 2º do artigo 7º do Decreto 70.235/72. Assim, a recorrente readquiriu sua espontaneidade, bem como restou comprovado o depósito em montante integral antes da lavratura do auto de infração. É cediço que o depósito do montante integral é causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, II, do CTN. Por todo o exposto, para o caso em tela, tendo em vista a existência decisões judiciais que anteciparam os efeitos da tutela em data anterior ao registro das DI´s, e considerando ainda que o contribuinte efetuou o depósito integral, acrescido dos encargos moratórios (fls. 477), muito tempo antes da instauração do procedimento de ofício que culminou na lavratura dos autos de infração (mais de 4 anos), deve ser cancelado o lançamento da multa de ofício, em estrita obediência ao comando normativo previsto no art. 63 da Lei nº 9.430/1996. Nesse sentido é, também, a literalidade do disposto na Súmula CARF nº 17, in verbis. Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Na mesma esteira decidiu a 1º Turma Ordinária, da 2ª Câmara, desta Seção de Julgamento, no acórdão de nº 3201003.149, da lavra do ilustre conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA ANTES DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MATÉRIA SUMULADA. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo, conforme Súmula CARF n° 17. (Acórdão 3201003.149. 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária/3ª Seção de Julgamento. Sessão de 26.09.2017. Relator: Leonardo Vinicius Toledo de Andrade) Assim, no que diz respeito à exigência da multa de ofício sobre os créditos tributários de PIS e COFINS importação, relativos às DI´s 04/10906659 e 05/00812866, assiste razão à contribuinte, devendo ser reformada a decisão de piso e cancelado o lançamento da multa de 75% sobre os créditos tributários em litígio na esfera judicial. Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10711.002315/200975 Acórdão n.º 3302005.711 S3C3T2 Fl. 563 10 6 Dos Juros de Mora A inteligência da Sumula Carf nº 5 é no sentido de que não são devidos juros de mora sobre o crédito tributário cuja exigibilidade estiver suspensa em razão de depósito do montante integral, nos termos do art. 151, II, do CTN. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Sem grifos no original) Tendo sido comprovado nos autos a suficiência do depósito realizado pelo recorrente (fls. 477), deve ser afastada a cobrança de juros de mora, cancelandose o lançamento de valores consignados no auto de infração sob tal rubrica. 7 Da Publicação de atos e decisões em nome do patrono do recorrente. Por fim, esclareçase que não há previsão legal para sustentar o requerimento do patrono da recorrente para que as futuras publicações em diário oficial da união sejam realizadas em seu nome, sob pena de nulidade. Por essas razões, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, darlhe provimento para excluir o lançamento da multa de ofício de 75% e dos juros de mora sobre o valor das contribuições ao PISImportação e COFINSImportação relativas às Declarações de Importação de nºs. 04/10906659 e 05/00812866. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 563DF CARF MF
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