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Numero do processo: 10480.726101/2016-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
BENEFÍCIO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. INCIDÊNCIA
Apenas os rendimentos relativos a proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e suas respectivas complementações, recebidos por portador de moléstia grave, devidamente comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, são isentos do imposto sobre a renda.
Os demais rendimentos, inclusive as importâncias recebidas em pagamento único em virtude de resgate parcial ou total das contribuições efetuadas para entidades de previdência privada, sujeitam-se à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual.
Numero da decisão: 2201-004.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 BENEFÍCIO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. INCIDÊNCIA Apenas os rendimentos relativos a proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e suas respectivas complementações, recebidos por portador de moléstia grave, devidamente comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, são isentos do imposto sobre a renda. Os demais rendimentos, inclusive as importâncias recebidas em pagamento único em virtude de resgate parcial ou total das contribuições efetuadas para entidades de previdência privada, sujeitam-se à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual.
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PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. INCIDÊNCIA Apenas os rendimentos relativos a proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e suas respectivas complementações, recebidos por portador de moléstia grave, devidamente comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, são isentos do imposto sobre a renda. Os demais rendimentos, inclusive as importâncias recebidas em pagamento único em virtude de resgate parcial ou total das contribuições efetuadas para entidades de previdência privada, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 61 01 /2 01 6- 88 Fl. 111DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 95/103, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), de fls. 82/88, a qual julgou procedente lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, resultante de procedimento de revisão de declaração de ajuste do exercício 2013, anocalendário 2012, por meio da qual ajustou o imposto a restituir do valor declarado de R$ 644.186,84 para R$47.046,77, já tendo sido restituído o valor de R$ 2.774,42. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da Notificação de Lançamento foram apuradas as seguintes infrações: Rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave não comprovação da moléstia ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos de Pessoa Juridica sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 2.245.668,80, recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo, indevidamente declarados como isentos e/ou não tributáveis, em razão de o contribuinte não ter comprovado ser portador de moléstia considerada grave ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado nos termos da legislação em vigor, para fins de isenção do Imposto de Renda. (1)316.305,00: Rendimentos do trabalho assalariado (atividade Conselho de Gestão Recife. (2) R$ 1.929.363,80: Não houve comprovação acerca da natureza jurídica desse rendimento. Não foi demonstrado que se trata de proventos de aposentadoria. Ao contrário, os documentos apresentados indicam que se trata de resgate de contribuição (Saque Renda Participante/Patrocinadora). Rendimento Tributável recebido Rendimento Tributável Declarado Rendimento indevidamente declarado como isento e/ou não tributável IRRF retido IRRF declarado IRRF s/ omissão Fonte pagadora Votorantim Participações S.A CNPJ 61.082.582/000197 316.305,00 0,00 316.305,00 0,00 0,00 0,00 Fonte pagadora Fund Sem. José Ermírio de Moraes 1.929.363,80 0,00 1.929.363,80 0,00 0,00 0,00 O contribuinte foi cientificado em 07/06/2016 (fl.72) e apresentou impugnação em 01/07/2016 por intermédio de seu procurador. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10480.726101/201688 Acórdão n.º 2201004.621 S2C2T1 Fl. 112 3 Alega que é aposentado do Plano de Benefícios Votorantim Prev da Funsejem – Fundação Senador José Ermírio de Moraes desde o mês de agosto de 2012. No dia 31/08/2012 recebeu o pagamento do seu primeiro benefício no valor de R$1.960.708,61, tendo sido retido R$ 537.942,88 de IRRF. No período de setembro a dezembro de 2012 recebeu benefícios mensais de R$112.793,04, sendo retido R$28.261,15 de imposto de renda. Salienta que desde de 24/10/2011 já era portador de doença grave (alienação mental) conforme “Despacho para isenção de Imposto de Renda” e “Declaração” emitidos pelo INSS, expedidos em 15/04/2015. Alega que na Notificação de Lançamento o Auditor Fiscal mencionou que o requerente não comprovou ser portador de moléstia considerada grave, desconsiderando o “Despacho para Isenção de Imposto de Renda” e “Declaração”, ambos documentos expedidos pelo INSS e entregues a Receita Federal. Alega também que o Auditor Fiscal considerou, na Notificação de Lançamento, o valor de R$1.929.363,80 como sendo o total de benefícios recebidos pelo requerente no ano de 2012, quando o correto seria R$2.073.501,65, conforme Declaração de Ajuste Anual do Ano Calendário de 2012 e a Declaração da FUNSEJEM para a Receita Federal do Brasil – RFB, anexada ao presente requerimento. Sustenta que os valores recebidos por ele a título de complementação de aposentadoria, considerando que é portador de doença grave, se enquadra na lei são isentos de imposto de renda. Aduz que a natureza jurídica dos pagamentos efetuados ao requerente, conforme itens 8.7.1 e 8.9.1, capitulo VIII – dos Benefícios, do Regulamento do Plano de Benefícios da Fundação Sen. José Ermírio de Moraes, foram a titulo de benefícios e não de “resgate de contribuição (saque renda participante/patrocinadora)”, conforme interpretação dada pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Ressalta que optou por receber no momento da sua aposentadoria um montante significativo do benéfico, correspondente a 25% do saldo da aposentadoria a receber do participante em 31/08/2012 (R$1.960.708,61), conforme item 8.9.1 do Regulamento do Plano de Benefício – Votorantim Prev, datado de 20/04/2012, não se tratando, portanto, de saques e sim de benefício pago de uma só vez. Pede, ao final, que todo o valor recebido da FUNSEJEM no ano calendário 2012 seja considerado como benefícios apurandose a restituição do saldo restando do valor do IRRF. Da Decisão da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) Fl. 113DF CARF MF 4 Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo (fls. 82): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 BENEFÍCIO DE PREVIDÊNCIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Por força do disposto no art. 111, II, do Código Tributário Nacional, apenas os rendimentos relativos a proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e suas respectivas complementações, recebidos por portador de moléstia grave, devidamente comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, são isentos do imposto sobre a renda. Os demais rendimentos, inclusive as importâncias recebidas em pagamento único em virtude de resgate parcial ou total das contribuições efetuadas para entidades de previdência privada, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual; excluindose dessa incidência o valor do resgate das contribuições cujo ônus tenha sido da pessoa física, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada a parte do lançamento em relação a qual o contribuinte concorda ou não se manifesta expressamente. Impugnação Improcedente Outros Valores Controlados Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ, conforme aviso de recebimento constante às fls. 93/94, em 17/11/2016 e tempestivamente, apresentou o recurso voluntário de fls. 95/108, em 16/12/2016. Em sede de Recurso Voluntário, reafirmou os argumentos da impugnação, rebatendo os argumentos postos na decisão de primeira instância. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10480.726101/201688 Acórdão n.º 2201004.621 S2C2T1 Fl. 113 5 O Recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e, portanto, dele conheço. Restou incontroversa a discussão de que o Recorrente tem direito à isenção prevista no artigo 6º, incisos XIV e XXI, da Lei nº 7.713/88, conforme consta do acórdão recorrido: O interessado apresentou um Relatório Médico de emissão do Instituto Nacional do Seguro Social, que contem um “análise da perícia médica”. Essa análise informa que o contribuinte é portador de doença que enquadrase nos termos da Lei nº 7.713/88, art. 6º, incisos XIV e XXI desde 24/10/2011. Também foi juntada uma Declaração emitida pelo INSS que informa o deferimento da isenção do imposto de renda sobre o benefício pago conforme parecer médico oficial. Os documentos foram analisados durante procedimento fiscal e aceitos como comprovação de que o contribuinte é portador de moléstia previsto na Lei nº 7.713/88 O que ainda restaria para se discutir é o fato de receber valores da Fundação Senador José Ermirio de Moraes, à título de previdência. No caso, o resgate dos rendimentos do plano de previdência privada, regese pela legislação abaixo transcrita. O art. 33 da Lei 9.250/1995 dispõe: Art. 33. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. Da simples leitura do disposto no artigo acima mencionado, verificase pela improcedência do pedido alternativo formulado pelo Recorrente, no sentido de que seria devido apenas 50% (cinquenta porcento) do valor recebido corresponderia à devolução das contribuições feitas pelo próprio Recorrente, e, portanto, não se caracterizariam como renda ou ganho, uma vez que se trataria de mera devolução dos recursos do próprio Recorrente Merece destaque o fato de que o resgate de contribuições para plano de previdência privada somente possui tributação exclusiva na fonte se o contribuinte optar pelo regime regressivo de tributação, a teor do art. 1º da Lei 11.053. de 29 de dezembro de 2004, o que não se aplica ao caso. Também não merece prosperar a alegação de que se o resgate fosse parcial, os valores poderiam ser isentos. A Lei nº 7.713/88, em seu artigo 6º, inciso XV, temos: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XV os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, de transferência para a reserva remunerada ou de reforma pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno ou por entidade de previdência privada, a Fl. 115DF CARF MF 6 partir do mês em que o contribuinte completar 65 (sessenta e cinco) anos de idade, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal do imposto, até o valor de: Se o resgate fosse feito de forma parcial, dependendo do valor, também estaria sujeito à incidência do imposto de renda, não se lhe aplicando a isenção buscada nos presentes autos. Cumpre ressaltar que este ponto também constou da decisão recorrida: Por força do disposto no art. 111, II, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), a interpretação da lei que outorgue isenção deve ser literal . A lei n 7.713/88 estabelece textualmente que apenas os rendimentos relativos a proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e suas respectivas complementações, recebidos por portadores de moléstia grave, são isentos do imposto sobre a renda. Os demais rendimentos, inclusive as importâncias recebidas em pagamento único em virtude de resgate parcial ou total das contribuições efetuadas para entidades de previdência privada, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual (art. 33 da Lei nº 9.250/1995; arts. 43inc. XIV e 633 do Decreto nº 3.000, de 1999). Sendo que excluise dessa incidência o valor do resgate das contribuições cujo ônus tenha sido da pessoa física, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995 (art. 39, XXXVIII, do Decreto nº 3.000, de 1999). Sendo assim, os valores foram devidamente lançados. Conclusão Em razão do exposto, voto por negar provimento, ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10937.000014/2005-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2004
SIMPLES. PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA
A inclusão retroativa de ofício de empresas no SIMPLES só é possível quando, inexistindo o Termo de Opção ou a Ficha Cadastral, é comprovada a entrega das Declarações Anuais Simplificadas ou apresentados os devidos DARFsSimples.
Tal possibilidade só foi possível para o exercício de 2003,
ano calendário de 2002 (ADI 16, de 2002 e SCI 21, de 2003)
Numero da decisão: 1301-000.669
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Valmir Sandri e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Valmir Sandri
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2004 SIMPLES. PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA A inclusão retroativa de ofício de empresas no SIMPLES só é possível quando, inexistindo o Termo de Opção ou a Ficha Cadastral, é comprovada a entrega das Declarações Anuais Simplificadas ou apresentados os devidos DARFsSimples. Tal possibilidade só foi possível para o exercício de 2003, ano calendário de 2002 (ADI 16, de 2002 e SCI 21, de 2003)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1696; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10937.000014/200539 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 130100.669 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2011 Matéria SIMPLES/INCLUSÃO RETROATIVA Recorrente ALDEMIR N. SOARES ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 SIMPLES. PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA A inclusão retroativa de ofício de empresas no SIMPLES só é possível quando, inexistindo o Termo de Opção ou a Ficha Cadastral, é comprovada a entrega das Declarações Anuais Simplificadas ou apresentados os devidos DARFsSimples. Tal possibilidade só foi possível para o exercício de 2003, ano calendário de 2002 (ADI 16, de 2002 e SCI 21, de 2003) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Valmir Sandri e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. (assinado digitalmente) Alberto Pinto de Souza Junior Presidente. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS 2 (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Redator designado. EDITADO EM: 01/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto de Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Fl. 59DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 10937.000014/200539 Acórdão n.º 130100.669 S1C3T1 Fl. 2 3 Aldemir N.SoaresME, recorre da decisão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba, que indeferiu sua manifestação de inconformidade com a negativa de inscrição retroativa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Em maio de 2005 o contribuinte solicitou à autoridade competente da DRF em Cascavel inclusão no Simples a partir de 2004. Informou que a empresa foi constituída em 12/12/1989, com o ramo de estofaria, como empresa normal, tendo exercido suas atividades até o ano de 1997. A partir de novembro de 1997 passou a trabalhar como empregado, e de 1998 a 2003 entregou as declarações da empresa como inativa. Em 27 de fevereiro de 2004 alterou seu contrato social para passar a operar com pequeno comércio de artigos de vestuário, e por se tratar de microempresa, requereu inscrição no SIMPLES a partir de janeiro de 2004. A autoridade administrativa competente indeferiu a inclusão retroativa, fundamentando sua decisão no Ato Declaratório Interpretativo SRF n. 16, de 2002, e na solução de Consulta Interna nº 21, de 2003, a seguir transcritos: ADI 16, de 2002 “Artigo único. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de oficio tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. Parágrafo único. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada.” Solução de Consulta Interna n° 21, de 2003: "3. CONCLUSÃO 3.1. O ADI n° 16, de 2002, surgiu com o objetivo de ratificar o conteúdo do Parecer Cosit n° 60, de 1999. 3.2. Cabe, entretanto, a inclusão retroativa de oficio, para fatos ocorridos até o exercício de 2003 (anocalendário 2002), no caso de o contribuinte comprovar sua intenção de promover a alteração cadastral exigida pela Lei n° 9.317, de 1996. Essa comprovação pode ser feita, nos casos de não apresentação do TO e da não formalização da opção de adesão ao Simples mediante a FCPJ, pela comprovação de entrega das Declarações Anuais Simplificadas ou a apresentação dos comprovantes de pagamento (DarfSimples). Ressaltese que o pagamento efetuado por outro regime de tributação não caracteriza a intenção de opção pelo Simples ainda que o contribuinte tenha entregue a Declaração Anual Simplificada.” A 2ª Turma da DRJ em Curitiba indeferiu a manifestação de inconformidade, esclarecendo que os contribuintes não necessitam de autorização do fisco para ingresso no Fl. 60DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS 4 Simples, desde que preenchidos os requisitos da legislação de regência, e que se o contribuinte desejava aderir ao Simples, cabia a ele promover as alterações em seu CNPJ. Considerou, a decisão, que embora o Ato Declaratório Interpretativo n° 16 de 2002, preveja a possibilidade de a autoridade fiscal retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ), para incluir no Simples apenas as pessoas jurídicas que se julgavam inseridas na sistemática e que, por erro de fato, não estavam, na situação em exame não ficou configurado nenhum erro, não se podendo aplicar o disposto no Ato Declaratório, devendo o reclamante promover a alteração na Ficha Cadastral de Pessoa Jurídica para poder usufruir o beneficio. Concluiu não ser possível deferir a solicitação por falta de amparo legal. Em seu recurso a esta instância, o contribuinte repete suas alegações. É o relatório. Voto Vencido Fl. 61DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 10937.000014/200539 Acórdão n.º 130100.669 S1C3T1 Fl. 3 5 Conselheiro Valmir Sandri Recurso tempestivo. Dele conheço. Com a devida vênia ao entendimento esposado pela Turma a quo, não me parece razoável a solução adotada, que deu grande relevo ao formalismo, em situação em que sua falta nenhum prejuízo trouxe ao fisco. Os elementos dos autos indicam tratarse de empresa constituída em dezembro de 1989, e que ficou inativa de 1997 a 2003. Em 2004 voltou à atividade, com novo objeto, porém esqueceuse de registrar seu enquadramento no SIMPLES. Ao longo do processo, os agentes da administração pública reconhecem estar evidente o lapso do contribuinte. Vejase: Às fls. 13, o Técnico da Receita Federal de Santo Antônio do Sudoeste assenta: A requerente esqueceu de pedir enquadramento no SIMPLES quando da inscrição da matriz junto à Receita Federal; entretanto, vem se comportando como se enquadrada estivesse. Todavia (por) serem obrigatórios declaração e pagamentos (por ser fato ocorrido após exercício 2003), a contribuinte tentou transmitir a declaração SIMPLES, entretanto, conforme tela de fl. 06, o programa Receitanet forneceu a seguinte mensagem: "o CNPJ do declarante não consta como optante do SIMPLES". Assim, procedemos à transmissão sem criticar cadastro, conforme tela de fl. 11. (negrito acrescentado). No Relatório/Decisão da DRF de Cascavel lêse: 3. Consta ter o contribuinte entregue a Declaração Anual Simplificada do exercício 2005, conforme se pode verificar pelo extrato de folha 14. 4. Os pagamentos na sistemática do Simples, a partir de 14/06/2004, podem ser comprovados pelo extrato do Sistema SINAL de folha 09. (...) 7. (...), percebese que, no caso em questão, apesar de ser razoável concluir que o contribuinte tinha intenção de optar pelo Simples a partir de 2004, não se encontra um dos elementos imprescindíveis para se deferir o pedido, qual seja, o "Termo de Opção (TO)" ou a "Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ)". Deste modo, não há o que possa ser "retificado". (negritos acrescentados) Como se vê, o indeferimento pela DRF em Cascavel baseouse na Consulta Interna nº 21, de 2003, e dela inferiu que só se encontra autorizada a retificação de erro de fato Fl. 62DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS 6 em Termo de Opção (TO) ou em Ficha Cadastral de Pessoa Jurídica (FCPJ) e que, não há erro a ser retificado. Do mesmo modo, entendeu a 2ª Turma da DRJ em Curitiba. Ocorre que os atos da Receita (ADN 16/2002 e SCI 21/2003), não devem ser interpretados com tanta estreiteza. Vejase que não se trata de atos legais, mas sim interpretativos, e a possibilidade de alteração neles tratada repousa na possibilidade de se identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. Ora, se todos admitem estar evidente nos autos, pela apresentação da declaração pelo Simples e pelos pagamentos em DARF/Simples, a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples, entendo deva ser admitida sua inclusão retroativa. Observo, todavia, que não foram analisados os demais fatores que poderiam ensejar o não acatamento do pedido de inclusão retroativa no Simples (item 8, fl. 16). Por conseguinte, DOU PROVIMENTO ao recurso para determinar o retorno dos autos ao órgão de origem, para prosseguir na análise das demais condições para inclusão no sistema. Sala das Sessões, em 29 de setembro de 2011. (assinado digitalmente) Valmir Sandri – Relator Voto Vencedor Fl. 63DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 10937.000014/200539 Acórdão n.º 130100.669 S1C3T1 Fl. 4 7 Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas – Redator Designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do Ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência com relação a sua conclusão, ou seja, decidiuse, por maioria, em ratificar a decisão de primeiro instância, ou seja, por indeferir a solicitação da interessada, por falta de previsão legal. Os fatos descritos nos autos dão conta que a recorrente permaneceu na condição de empresa inativa do ano de 1997 a 2003. Em 2004 voltou à atividade, com novo objeto, porém “esqueceuse” de registrar seu enquadramento no SIMPLES. À época dos fatos a Instrução Normativa/SRF n° 250, de 26 de novembro de 2002, em seu art. 16, regulamentando o disposto na Lei n° 9.317, de 1996 (art. 8o.), assim expressava: Das Disposições Comuns às Microempresas e às Empresas de Pequeno Porte Da opção pelo Simples Art. 16. A opção pelo Simples darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou de empresa de pequeno porte no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: I aos impostos dos quais é contribuinte (IPI, ICMS, ISS); II ao porte da pessoa jurídica (microempresa ou empresa de pequeno porte). § 1º A pessoa jurídica, inscrita no CNPJ, formalizará sua opção para adesão ao Simples, mediante alteração cadastral efetivada até o último dia útil do mês de janeiro do anocalendário. § 2º A pessoa jurídica em início de atividade poderá formalizar sua opção para adesão ao Simples imediatamente, mediante utilização da própria Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ). § 3º As opções e alterações cadastrais relativas ao Simples serão formalizadas mediante preenchimento da FCPJ. § 4º No caso de a empresa iniciar as suas atividades no mês de janeiro e não exercer a opção pelo Simples quando da inscrição no CNPJ, poderá fazêla mediante alteração cadastral até o último dia útil do mês de janeiro desse anocalendário, retroagindo a opção para a data de início das atividades. Efeitos da opção Art. 17. A opção exercida de conformidade com o art. 16 será definitiva para todo o período a que corresponder e submeterá a pessoa jurídica à sistemática do Simples a partir: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS 8 I do primeiro dia do anocalendário da opção, na hipótese do § 1º do art. 16; II do primeiro dia do anocalendário subseqüente, na hipótese do § 1º do art. 16, no caso de opção formalizada fora do prazo ali mencionado; III do início de atividade, na hipótese do § 2º do art. 16. Ainda no plano normativo a Secretaria da Receita Federal, por meio do Ato Declaratório Interpretativo n° 16, de 2002, previu a possibilidade de a autoridade fiscal retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ), para incluir no Simples apenas as pessoas jurídicas que se julgavam inseridas na sistemática e que, por erro de fato, não estavam, vejamos: Ato Declaratório Interpretativo SRF no 16, de 2 de outubro de 2002: "Artigo único. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de oficio tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), , desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. Parágrafo único. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada." Solução de Consulta Interna n° 21, de 2003: "3. CONCLUSÃO 3.1. O ADI n° 16, de 2002, surgiu com o objetivo de ratificar o conteúdo do Parecer Cosit n° 60, de 1999. 3.2. Cabe, entretanto, a inclusão retroativa de oficio, para fatos ocorridos até o exercício de 2003 (anocalendário 2002), no caso de o contribuinte comprovar sua intenção de promover a alteração cadastral exigida pela Lei n° 9.317, de 1996. Essa comprovação pode ser feita, nos casos de não apresentação do TO e da não formalização da opção de adesão ao Simples mediante a FCPJ, pela comprovação de entrega das Declarações Anuais Simplificadas ou a apresentação dos comprovantes de pagamento (DarfSimples). Ressaltese que o pagamento efetuado por outro regime de tributação não caracteriza a intenção de opção pelo Simples ainda que o contribuinte tenha entregue a Declaração Anual Simplificada.” No presente caso, à época do pedido de inclusão (análise em 07/06/2005, fl. 13), consta do cadastro na Receita Federal que a pessoa jurídica não é optante pelo regime do Simples e, as declarações entregues até então (ano calendário de 1997 a 2003) era de Inativa, não constando a partir do ano de 2004 qualquer alteração da sua FCPJ. Vêse que a regulamentação então existente permitia a inclusão retroativa de oficio no sistema de quem não possuía o TO Termo de Opção ou a alteração da FCPJ se o Fl. 65DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 10937.000014/200539 Acórdão n.º 130100.669 S1C3T1 Fl. 5 9 interessado comprovasse a entrega da Declaração Anual Simplificada ou mediante a apresentação dos DARFsSimples dos pagamentos efetuados, mas apenas para fatos ocorridos até o exercício de 2003, ano calendário de 2002. Portanto, ao meu ver andou bem a decisão recorrida, pelo que acompanho o entendimento e a fundamentação: “Na situação presente não restou configurado nenhum erro. Assim, não se pode aplicar ao caso o disposto no Ato Declaratório que prevê a possibilidade de retificação de oficio e, neste caso, a reclamante deverá adotar as medidas previstas na legislação de regência, qual seja a alteração no FCPJ, para poder usufruir o beneficio. Assim, mesmo não tendo sido analisados os demais fatores que poderiam ensejar o não acatamento do pedido de inclusão retroativa no Simples, entendo que não há autorização legal ou infralegal para deferilo pela simples ausência de elemento essencial.” Não há como se dar guarida ao pleito da recorrente, no sentido de acolher o recurso voluntário haja vista que no processo inexiste qualquer fundamento fático ou legal que possa laborar em seu favor. Pelo exposto, a decisão do colegiado é no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Redator Designado Fl. 66DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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Numero do processo: 13971.001409/2004-40
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. ASSEMELHADOS.
Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica que preste serviços profissionais de fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida.
Numero da decisão: 1001-000.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ATIVIDADE VEDADA. ASSEMELHADOS. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica que preste serviços profissionais de fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 14 09 /2 00 4- 40 Fl. 52DF CARF MF 2 Tratase de Ato Declaratório DRF/Blumenau n° 464.331, de 07 de Agosto de 2003 (efl. 34), através do qual o contribuinte referenciado foi excluído do SIMPLES FEDERAL em razão de constatação de situação incluída nas hipóteses de vedação à opção pela sistemática tributária em questão, no caso, organização e exploração de atividades desportivas, por força do artigo 9°, inciso XIII, da Lei 9.317/96. Ciente do ADE, a interessada manifestou sua inconformidade assim resumida pela decisão recorrida (efl. 34): A reclamante, [..] segundo o seu contrato social — em anexo — tem por objeto social a organização e exploração de atividades desportivas relacionadas ao lazer, mais precisamente a organização e exploração do esporte denominado HAFTING, cujo exercício não condicionase a qualquer habilitação profissional exigida por lei. 3. A exclusão promovida pela Receita Federal, ao que parece, seu deu em vista da equiparação das atividades da impugnante, por assemelhação, com as atividades praticadas pelas empresas de representação comercial. [..] 6. Ao contrário do representante comercial propriamente dito, que sujeitase a regulamentação legal (Lei n° 4.886(65), inexiste qualquer regramento jurídico a respeito das atividades da impugnante, bem como não há qualquer semelhança entre estas, que ofertam serviços de lazer, com as de representante legal [...]. 7. Quanto ao inciso XIII do art. 90 da Lei n° 9.317/96, em momento algum determinou como sujeito passivo excluído a empresa que exerça atividade relacionada com esporte amador voltada para a diversão esportiva e ecológica. É de se registrar que não cabem interpretações extensivas no intuito de mascarar uma atividade em outra completamente diversa. 9. Com efeito, se o sujeito passivo tributário deve vir expresso na norma jurídica, não pode a lei tributária conter expressões que exijam o emprego de interpretação analógica para definilo. E se não estiver definido expressamente, não cabe – sob pena de estarse criando uma aberração jurídica a definição mediante mero Ato Declaratório. 10. Se a Lei a° 9.317/96 se destina as microempresas e empresas de pequeno porte, todas as empresas com essas características, e excluídas do regime por ela instituído, devem ser expressamente referidas na lei, porque para estas permanecem as obrigações tributárias que já lhes eram exigidas legalmente. 11. "Forçar" uma interpretação visando unicamente a arrecadação, não é atitude que coadunase com a Lei, além de ser vista com maus olhos pelos mais insignes doutrinadores do assunto. 12. Não bastasse, tratandose o SIMPLES de um "beneficio" aos contribuintes, uma espécie de "exclusão" do crédito tributário, sua interpretação deve ser literal, a teor do que preceitua o art. 111 do Código Tributário Nacional. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13971.001409/200440 Acórdão n.º 1001000.748 S1C0T1 Fl. 53 3 l...1 13. [..] nada dispondo a Lei n° 9.317/96 sobre impedimento a opção pelas empresas organizadoras e exploradoras de esporte amador, que sequer possui regulamentação legal, fica o intérprete preso ao texto literal da lei, sem possibilidade de qualquer interpretação analógica, até porque tal não é permitida na exigência de tributo – § 1°, do art. 108, do CTN/66. 14. É. de se dizer ainda que a reclamante tem suas atividades reguladas pela Lei n° 9.615/98 (Lei Pelé), não dependendo de habilitação profissional legalmente erigida, requisito este condicionante da opção pela sistemática simplificada de recolhimento de tributos. Em caso análogo, registrese, o Judiciário manifestouse a favor da manutenção da opção pelas empresas de turismo, as quais tinham lei regulamentadora própria, e não tinham a exigência legal de possuírem profissional habilitado, até porque inexiste habilitação legal neste ramo de atividade [..]. A 4ª Turma da DRJ/BH indeferiu a manifestação de Inconformidade, através do acórdão n° 0216.133 (efls. 33/37) mantendo a exclusão baseada no exercício da atividade de organização e exploração de atividades desportivas. Cientificada da decisão de primeira instância em 18/03/2008 (efl. 40) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 16/04/2008 (efl. 41), em que aduz: 3. Malgrado o disposto na Lei 9.696/98, a mesma não se aplica ao hafting, eis que apesar desta atividade ser recreativa, de puro lazer, a mesma não exige do profissional que a desenvolve a sua inscrição no Conselho Regional de Educação Física, tanto que a recorrente jamais foi cobrada neste sentido pelo referido órgão. 4. Inclusive, a atividade desenvolvida pela recorrente não é a de instrução em hafting, ou, em outras palavras, não se trata de atividade pedagógica, onde ocorre um aprendizado por parte do cliente, a ponto de ser necessária uma fiscalização através de um Conselho Regional para atestar a qualidade do ensino. 5. E ainda, é óbvio que os termos "lazer" e "recreação" contidos no art. 13 do Estatuto do CONFEF referemse àquelas atividades desenvolvidas pelos Profissionais de Educação Física em escolas e centros especializados, sobre os quais se demanda uma fiscalização sobre a teor e qualidade do ensino repassado. 6. No caso da recorrente, outrossim, não há qualquer atividade profissionalizante, nem há a expectativa de profissionalização, e sim, unicamente, a prática de recreação, de mero desporto não formal, tal como previsto no art. 1° , § 2° , da Lei 9.615/98 (Lei Pelé). (...) 8. Ora, primeiro que a ora recorrente não tem e sequer necessita da presença, em seu quadro de sócios, de um profissional que tenha diplomação em Educação Física. A atividade de hafting Fl. 54DF CARF MF 4 não exige tal profissional. E, de outro lado, se a atividade de hafting não exige que se tenha este profissional, por derradeiro, temse que a mesma não é uma atividade própria do mesmo, sequer incidindo ao caso o inciso III do art. 2° retro transcrito, o qual, em tese, poderia ser suscitado. 9. É incabível, outrossim, a confusão realizada entre o profissional de educação física, que pratica desporto formal e educacional ou de rendimento artigos 1° , § 1° e 3° , I e III, da Lei 9.615/98 o qual demanda uma fiscalização, com o praticante de hafting por simples lazer, que pratica o desporto nãoformal, de mera participação artigos 1° , § 2° e 3° , II, da Lei 9.615/98 , cuja fiscalização seria inócua e irrelevante. (...) 12. Portanto, prescindido a recorrente dos serviços do Profissional de Educação Física, não há como enquadrar a sua atividade em hipótese na qual se exigiria tal profissional, além do que, como dito no r. acórdão judicial, a simples previsão legal de necessidade de professor diplomado não respalda a exclusão de uma empresa do SIMPLES quando inexiste este profissional no seu quadro de sócios ou de funcionários. (...) 16. Registrese, ainda, que, se até o ato de exclusão as atividades da recorrente sempre foram aceitas pela Receita Federal como sendo compatíveis com o SIMPLES, esta mudança de entendimento que agora ocorre, não pode, todavia, de modo algum, importar em prejuízos empresa, que optou dotada de boafé e vinha recolhendo pela sistemática exatamente por achar que se encontrava agasalhada pela lei, até pela natureza de suas atividades. 17. Logo, a retroatividade da exclusão e a cobrança de diferenças é condenável por violar Direito Adquirido (CF/88 art. 5 °, XXXVI) do contribuinte de ser tributado pela sistemática do SIMPLES, pelo menos até a consolidação definitiva do Ato Declaratório de exclusão. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo. Dele conheço. Quanto ao mérito, o artigo 9°, inciso XIII, e art. 13, II, "a" da Lei n.° 9.317/96, prescrevem sobre o impedimento da opção e a obrigatoriedade da exclusão quando constatado que houve opção indevida: “Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (..) Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13971.001409/200440 Acórdão n.º 1001000.748 S1C0T1 Fl. 54 5 XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, fisico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida" (Destaquei)". (...) Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: (...) II Obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; Já os efeitos da exclusão foram fixados a partir de 1° de janeiro de 2002 conforme o disposto no art. 15, II, da Lei 9.317/96: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9°; Ressaltese que alegações de excesso inconstitucional do legislador ordinário deve ser levado a apreciação do Poder Judiciário, a quem cabe a verificação da compatibilidade da norma jurídica com os preceitos constitucionais. Estes argumentos são inoponíveis na esfera administrativa. Nesse sentido o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. E no mesmo sentido cabe a atenção da autoridade administrativa aos dispositivos legais, não cabendo seu afastamento por apelo à doutrina ou à jurisprudência não vinculante ou de que não foi parte a Recorrente. A Recorrente não teve deferido seu pleito de ver afastada a imputação de exercício da atividade assemelhada a professor de educação física. Concordamos com a decisão recorrida. Isto porque o próprio recorrente confirma o que está expresso em contrato social: de que tem por objeto social a organização e exploração de atividades desportivas relacionadas ao lazer, mais precisamente a organização e exploração do esporte denominado HAFTING. Ou seja, concorda que é instrutor de uma atividade esportiva. Mas discorda que enquadrese como profissional de educação física, que pratica desporto formal e educacional ou de rendimento artigos 1° , § 1° e 3° , I e III, da Lei 9.615/98. O fato de que pratica a instrução de prática esportiva recreativa sem registro profissional (e sem nunca ter sido demandado por esta prática) não o exonera da obrigação da Fl. 56DF CARF MF 6 qualificação exigida e do registro. E a só prática da instrução profissional já autoriza a exclusão. Como bem descreveu a decisão de primeira instância, o Estatuto do Conselho Federal de Educação Física estabelece em seu art. 13 o profissional de educação física como o especialista em atividades físicas, nas suas diversas manifestações, incluindo em sua descrição os desportos, o lazer e a recreação. No mesmo sentido o artigos 1° da Lei 9.615/98 A vedação legal contida no inciso XIII do art. 9° da Lei 9.317, de 1996, adota, pois, como referencial para a exclusão ou o direito à inscrição no SIMPLES, a identificação ou a semelhança dos serviços prestados pela pessoa jurídica com o que é típico das profissões relacionadas, entre elas a de professor de educação física, independentemente da qualificação ou habilitação legal dos profissionais que efetivamente prestam o serviço. A aplicação do termo "assemelhados" provém da autorização contida no CTN de uma interpretação analógica. Não há como dizer que o contribuinte prescindiria de conhecimento especializado em sua área de atuação profissional, para o exercício de suas atividades. Atentese que o dever de ofício (art. 142 do CTN e art. 13 da Lei 9.317/96) obriga que a autoridade tributária reveja eventual adesão tributária ao sistema simplificado, não se caracterizando direito adquirido à adesão irregular. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.900083/2009-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório 1. Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI – PER nº 03756.11394.140305.1.1.017010, referente ao 4º trimestre de 2004, no montante de R$ 86.435,47. Ao crédito foi vinculada a declaração de compensação DCOMP nº 12336.02575.300305.1.3.010145, transmitida para quitar débito no montante de R$ 13.110,08. 2. Tal pedido foi indeferido, o que motivou a recorrente interpor a Manifestação de Inconformidade de fls. 02/14, a qual foi julgada improcedente pelo acórdão n. 0941.718, proferido pela DRJ de Juiz de Fora/MG (fls. 48/57), assim ementado: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 00 08 3/ 20 09 -2 7 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10680.900083/200927 Resolução nº 3402001.391 S3C4T2 Fl. 93 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS NT O direito ao crédito do IPI condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, o que não ocorre quando estes produtos são nãotributados (NT), na forma do parágrafo único, do artigo 2º do RIPI/98 (Decreto nº 2.637, de 1998) ou do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544, de 2002). O mesmo ocorre com o crédito presumido que demanda que a operação de exportação se dê sobre produtos tributados. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Somente podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto novo, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização e desde que não correspondam a bens do ativo permanente. Dessa maneira, pneus fora da estrada, eletrodos para soldagem, graxas para máquinas e equipamentos, a energia elétrica e combustíveis, etc., elementos que não atuam diretamente sobre o produto, e, ainda, os gastos com a prestação de serviços não se enquadram nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário (PN CST, nº 65, de 1979; Lei nº 9.363, de 1996). ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros sobre créditos escriturais legítimos do IPI. Para créditos que se revelem inexistentes ou ilegítimos, a pretensão de tal incidência é, deveras, absurda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PERÍCIA. DILIGÊNCIA. É o julgador de primeira instância competente para denegar a diligência ou perícia prescindível, assim também entendida aquela que não afetará a solução do litígio, em razão de já haver já nos autos motivo suficiente para a formação de sua convicção e denegação do pleito do contribuinte (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972). Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10680.900083/200927 Resolução nº 3402001.391 S3C4T2 Fl. 94 3 3. Uma vez intimado, o contribuinte apresentou o "recurso voluntário" de fls. 62/63, oportunidade em que informou a adesão ao parcelamento veiculado pela lei n. 11.941/09, adesão essa que, segundo o contribuinte, por uma "falha sistêmica", teria sido efetuada mediante protocolo físico (fls. 64/67). 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. Como mencionado alhures, um dos fatos trazidos ao conhecimento deste Colegiado seria a adesão do contribuinte ao chamado REFIS IV, o que, se de fato ocorrido, implicará a extinção da presente contenda pela perda do seu objeto. Acontece que os documentos acostados aos autos não são suficientes para atestar se de fato a sobredita adesão foi efetivada, motivo pelo qual resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora providencie: (i) cópias dos documentos que atestam a suposta adesão do contribuinte ao REFIS IV e a eventual situação deste parcelamento, indicando, inclusive, (i.i.) a data em que tal fato teria ocorrido e (i.ii) se o débito aqui discutido está abrangido por este eventual parcelamento. 6. Uma vez realizada a diligência acima, (ii) deverá o Recorrente ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. 7. É a resolução. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro. Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.720002/2010-63
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÃO ISENTA. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. TRIBUTAÇÃO.
1- O processo de desmutualização trouxe ganhos patrimoniais à contribuinte, que passou de simples associada das antigas bolsas a detentora de ações nas novas bolsas, acrescendo ao seu patrimônio as novas ações adquiridas com os valores que havia despendido para a formação da associação e que lhe fora devolvido.
2- A devolução implicou em aplicação de parte dos valores que compunha o patrimônio das associações em ações de empresas com fins lucrativos, o que desnatura o processo de sucessão legal das associações e autoriza a incidência de tributos em razão do acréscimo patrimonial experimentado pela contribuinte.
3- Sujeita-se à incidência do imposto de renda, computando-se na determinação do lucro real do exercício, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. O processo de desmutualização autoriza a incidência do imposto de renda e da CSLL, como pretendido pelo Fisco, nos exatos termos do quanto disposto no artigo 17 da Lei nº 9.532/97.
AVALIAÇÃO DOS TÍTULOS DA ASSOCIAÇÃO PELO MEP OU POR MÉTODO A ELE EQUIPARÁVEL. NEUTRALIZAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL AUFERIDO TANTO NA DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DA BOVESPA QUANTO NA ALIENAÇÃO DE TÍTULO DA BM&F. IMPOSSIBILIDADE.
1- O cenário em que se aplica o Método da Equivalência Patrimonial (MEP) é muito distinto daquele no qual a contribuinte busca sua aplicação. Nas situações em que existe a presença de uma empresa investidora e de uma empresa investida, conforme previsto na Lei das S/A, a não tributação da investidora em momento posterior (em uma eventual transação com as ações que possui) está ligado ao fato de que o acréscimo patrimonial da investida já foi submetido à tributação em momento anterior, situação muito diferente do caso sob exame, em que os aumentos patrimoniais experimentados pelas associações civis não sofreram tributação, justamente porque elas eram entidades sem fins lucrativos, que gozavam de benesses fiscais. Esse é o ponto central que distingue o caso sob exame daqueles onde o MEP é regularmente aplicado, produzindo os efeitos tributários que a contribuinte inadequadamente reivindica aqui. As sociedades corretoras nunca estiveram autorizadas a avaliar as cotas ou frações ideais do patrimônio das bolsas de valores pelo MEP. Estavam, sim, autorizadas a postergar a tributação sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das cotas ou frações ideais, em virtude de aumento do capital social das bolsas de valores, para o momento em que houvesse a redução do capital ou até mesmo a extinção dessas associações.
2- Uma vez restabelecida a tributação sobre os ganhos auferidos com os títulos patrimoniais das antigas associações Bovespa e BM&F, os autos devem ser devolvidos à DRJ para que sejam examinadas as demais matérias constantes da impugnação, cuja análise restou prejudicada em razão do que lá foi decidido anteriormente.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL.
Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 9101-003.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que conheceram parcialmente do recurso, apenas quanto a` desmutualizac¸a~o. No me´rito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Por unanimidade de votos, acordam em determinar o retorno dos autos a` DRJ para ana´lise de todas as mate´rias relacionadas a`s multas, trazidas em sede de impugnac¸a~o, que restaram prejudicadas em raza~o do julgamento do me´rito. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Arau´jo.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto Relator
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Arau´jo Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rafael Vidal de Arau´jo, Cristiane Silva Costa, Fla´vio Franco Corre^a, Luis Fla´vio Neto, Viviane Vidal Wagner, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Re^go (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Andre´ Mendes Moura.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÃO ISENTA. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. TRIBUTAÇÃO. 1- O processo de desmutualização trouxe ganhos patrimoniais à contribuinte, que passou de simples associada das antigas bolsas a detentora de ações nas novas bolsas, acrescendo ao seu patrimônio as novas ações adquiridas com os valores que havia despendido para a formação da associação e que lhe fora devolvido. 2- A devolução implicou em aplicação de parte dos valores que compunha o patrimônio das associações em ações de empresas com fins lucrativos, o que desnatura o processo de sucessão legal das associações e autoriza a incidência de tributos em razão do acréscimo patrimonial experimentado pela contribuinte. 3- Sujeita-se à incidência do imposto de renda, computando-se na determinação do lucro real do exercício, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. O processo de desmutualização autoriza a incidência do imposto de renda e da CSLL, como pretendido pelo Fisco, nos exatos termos do quanto disposto no artigo 17 da Lei nº 9.532/97. AVALIAÇÃO DOS TÍTULOS DA ASSOCIAÇÃO PELO MEP OU POR MÉTODO A ELE EQUIPARÁVEL. NEUTRALIZAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL AUFERIDO TANTO NA DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DA BOVESPA QUANTO NA ALIENAÇÃO DE TÍTULO DA BM&F. IMPOSSIBILIDADE. 1- O cenário em que se aplica o Método da Equivalência Patrimonial (MEP) é muito distinto daquele no qual a contribuinte busca sua aplicação. Nas situações em que existe a presença de uma empresa investidora e de uma empresa investida, conforme previsto na Lei das S/A, a não tributação da investidora em momento posterior (em uma eventual transação com as ações que possui) está ligado ao fato de que o acréscimo patrimonial da investida já foi submetido à tributação em momento anterior, situação muito diferente do caso sob exame, em que os aumentos patrimoniais experimentados pelas associações civis não sofreram tributação, justamente porque elas eram entidades sem fins lucrativos, que gozavam de benesses fiscais. Esse é o ponto central que distingue o caso sob exame daqueles onde o MEP é regularmente aplicado, produzindo os efeitos tributários que a contribuinte inadequadamente reivindica aqui. As sociedades corretoras nunca estiveram autorizadas a avaliar as cotas ou frações ideais do patrimônio das bolsas de valores pelo MEP. Estavam, sim, autorizadas a postergar a tributação sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das cotas ou frações ideais, em virtude de aumento do capital social das bolsas de valores, para o momento em que houvesse a redução do capital ou até mesmo a extinção dessas associações. 2- Uma vez restabelecida a tributação sobre os ganhos auferidos com os títulos patrimoniais das antigas associações Bovespa e BM&F, os autos devem ser devolvidos à DRJ para que sejam examinadas as demais matérias constantes da impugnação, cuja análise restou prejudicada em razão do que lá foi decidido anteriormente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL. Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que conheceram parcialmente do recurso, apenas quanto a` desmutualizac¸a~o. No me´rito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Por unanimidade de votos, acordam em determinar o retorno dos autos a` DRJ para ana´lise de todas as mate´rias relacionadas a`s multas, trazidas em sede de impugnac¸a~o, que restaram prejudicadas em raza~o do julgamento do me´rito. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Arau´jo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Arau´jo Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rafael Vidal de Arau´jo, Cristiane Silva Costa, Fla´vio Franco Corre^a, Luis Fla´vio Neto, Viviane Vidal Wagner, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Re^go (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Andre´ Mendes Moura.
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ASSOCIAÇÃO ISENTA. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. TRIBUTAÇÃO. 1 O processo de desmutualização trouxe ganhos patrimoniais à contribuinte, que passou de simples associada das antigas bolsas a detentora de ações nas novas bolsas, acrescendo ao seu patrimônio as novas ações adquiridas com os valores que havia despendido para a formação da associação e que lhe fora devolvido. 2 A devolução implicou em aplicação de parte dos valores que compunha o patrimônio das associações em ações de empresas com fins lucrativos, o que desnatura o processo de sucessão legal das associações e autoriza a incidência de tributos em razão do acréscimo patrimonial experimentado pela contribuinte. 3 Sujeitase à incidência do imposto de renda, computandose na determinação do lucro real do exercício, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. O processo de desmutualização autoriza a incidência do imposto de renda e da CSLL, como pretendido pelo Fisco, nos exatos termos do quanto disposto no artigo 17 da Lei nº 9.532/97. AVALIAÇÃO DOS TÍTULOS DA ASSOCIAÇÃO PELO MEP OU POR MÉTODO A ELE EQUIPARÁVEL. NEUTRALIZAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL AUFERIDO TANTO NA DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DA BOVESPA QUANTO NA ALIENAÇÃO DE TÍTULO DA BM&F. IMPOSSIBILIDADE. 1 O cenário em que se aplica o Método da Equivalência Patrimonial (MEP) é muito distinto daquele no qual a contribuinte busca sua aplicação. Nas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 00 02 /2 01 0- 63 Fl. 394DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 752 2 situações em que existe a presença de uma empresa investidora e de uma empresa investida, conforme previsto na Lei das S/A, a não tributação da investidora em momento posterior (em uma eventual transação com as ações que possui) está ligado ao fato de que o acréscimo patrimonial da investida já foi submetido à tributação em momento anterior, situação muito diferente do caso sob exame, em que os aumentos patrimoniais experimentados pelas associações civis não sofreram tributação, justamente porque elas eram entidades sem fins lucrativos, que gozavam de benesses fiscais. Esse é o ponto central que distingue o caso sob exame daqueles onde o MEP é regularmente aplicado, produzindo os efeitos tributários que a contribuinte inadequadamente reivindica aqui. As sociedades corretoras nunca estiveram autorizadas a avaliar as cotas ou frações ideais do patrimônio das bolsas de valores pelo MEP. Estavam, sim, autorizadas a postergar a tributação sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das cotas ou frações ideais, em virtude de aumento do capital social das bolsas de valores, para o momento em que houvesse a redução do capital ou até mesmo a extinção dessas associações. 2 Uma vez restabelecida a tributação sobre os ganhos auferidos com os títulos patrimoniais das antigas associações Bovespa e BM&F, os autos devem ser devolvidos à DRJ para que sejam examinadas as demais matérias constantes da impugnação, cuja análise restou prejudicada em razão do que lá foi decidido anteriormente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que conheceram parcialmente do recurso, apenas quanto à desmutualização. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Por unanimidade de votos, acordam em determinar o retorno dos autos à DRJ para análise de todas as matérias relacionadas às multas, trazidas em sede de impugnacã̧o, que restaram prejudicadas em razaõ do julgamento do mérito. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente Fl. 395DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 753 3 (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto – Relator (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”) em face do acórdão n. 1103001.047 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela então 3a Turma Ordinária, 1a Câmara, 1a Seção (doravante “Turma a quo”), em que figura como interessado PROSPER S/A CORRETORA DE VALORES E CÂMBIO (doravante “contribuinte” ou “recorrido”). A decisão recorrida, reproduzindo a decisão da DRJ, apresentou a seguinte descrição dos fatos: "1. No dia 12.01.2010, foram lavrados dois autos de infração contra a interessada: um para lhe exigir imposto sobre a renda (IRPJ) no valor de R$ 2.585.202,55 e o outro, contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) de R$ 938.592,92. Ambos lhe exigem também a multa proporcional de 75% (setenta e cinco por cento) e os juros de mora sob a acusação: 1.1. de ela ter deixado de escriturar, no anocalendário de 2007, o ganho de capital de R$ 4.959.805,03 auferido na alienação de bem classificado no ativo permanente, o que causou a redução indevida do respectivo lucro real (enquadramento legal: art. 3o, § 2o, IV, da Lei no 9.718, de 1998; e artigos 247, 248, 251 e seu parágrafo único e 418 do Regulamento do Imposto sobre a Renda aprovado pelo Decreto no 3.000, de1999 – RIR/1999); e 1.2. de ter omitido o ganho não operacional de R$ 5.469.005,21 auferido no recebimento da sua participação no patrimônio social de entidade isenta, que lhe foi devolvida naquele anocalendário (enq. legal: art. 17, caput e §§ 1o, 3o e 4o da Lei no 9.532, de 1997, e art. 239 do RIR/1999). 2. Os autos de infração exigem também da interessada a multa isolada prevista no art. 44, § 1o, IV, da Lei no 9.430, de 1996, modificado pelo art. 14 da Lei no 11.488, de 2007, em razão da falta do pagamento do imposto estimado sobre a totalidade da receita bruta e dos acréscimos. 3. Encontrase nos autos um termo de constatação no qual a autuante expôs inicialmente as características do processo de 'desmutualização' da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), Fl. 396DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 754 4 assim entendido o processo pelo qual aquelas bolsas, que se constituíam em sociedades civis sem fins lucrativos, transformaramse em uma sociedade anônima de capital aberto, para, em seguida, explicar as razões da autuação. 4. Sobre a 'desmutualização' da Bovespa, disse ela, em síntese: 4.1. que as associadas àquela bolsa – as corretoras de câmbio e valores mobiliários – detinham seus títulos patrimoniais, condição exigida para a intermediação dos negócios que se desenrolavam no seu recinto; 4.2. que, na data da sua 'desmutualização' (28.08.2007), o seu patrimônio social era de R$ 1.106.827.066,15, representado por 758 títulos patrimoniais no valor de R$ 1.460.194,02 cada um; 4.3. que a primeira etapa da 'desmutualização' compreendeu a sua cisão parcial, na qual se verteu grande parte do seu patrimônio para a Bovespa Serviços e Participações e para a Bovespa Holding, e a alteração da sua denominação social, que passou a ser Associação Bovespa; 4.4. que, com a cisão, reduziuse o patrimônio da Associação Bovespa para R$ 3.232.956,15; os seus associados, porém, entre estes a interessada, foram compensados com o recebimento de ações da Bovespa Serviços, cuja denominação foi alterada para Bolsa de Valores de São Paulo S/A – BVSP, e da Bovespa Holding; 4.5. que o valor patrimonial de cada um dos títulos da Associação Bovespa passou a ser então de R$ 4.265,11; o valor unitário da ação ordinária da Bovespa Serviços era de R$ 4,35 e cada 64.661 ações correspondia a um título patrimonial da Associação Bovespa; e o valor unitário da ação ordinária da Bovespa Holding era de R$ 2,06 e cada 570.535 ações correspondia a um título da Associação; 4.6. que a segunda etapa da 'desmutualização' compreendeu a 'incorporação de ações', por meio da qual a Bovespa Holding adquiriu a totalidade das ações emitidas pela Bovespa Serviços e pela Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), as quais passaram a ser suas subsidiárias; 4.7. que, em decorrência desta operação, as proprietárias das ações da Bovespa Serviços e da CBLC, entre elas a interessada, receberam, em troca, mais ações da Bovespa Holding; 4.8. que a 'incorporação das ações' da Bovespa Serviços aumentou o capital da Bovespa Holding em R$ 212.715.581,41, a qual emitiu 103.260.066 ações em favor das corretoras, à razão de 136.227 ações para cada lote de 64.661 ações da Bovespa Serviços em poder destas; e 4.9. que a 'incorporação das ações' da CBLC aumentou o capital da Bovespa Holding em R$ 349.293.688,77, a qual emitiu 169.549.662 ações em nome das acionistas da incorporada – as corretoras – à razão de 46.223 ações da Bovespa para cada lote de 25 ações da incorporada em poder das suas acionistas. 5. A 'desmutualização' da BM&F, semelhante à da Bovespa, desta se diferenciou apenas em razão da quantidade de títulos e ações e das quantias envolvidas, além do fato de a interessada ter alienado os seus títulos da BM&F antes da conclusão do processo. Por esta razão, disse a autuante que a alienação dos títulos da BM&F teve tratamento fiscal diverso do dispensado à 'desmutualização' dos títulos da Bovespa. 6. Ela passou então a descrever os aspectos tributários do processo de 'desmutualização' dos títulos das bolsas. Disse, em resumo: 6.1. que, anteriormente à desmutualização, as bolsas, constituídas na forma de associações civis sem fins lucrativos, eram regidas pela Lei no 10.406, de 2002 (Código Civil) e, por isso, gozavam da isenção prevista no art. 15 da Lei no 9.532, de 1997 ('Art. 15. Consideramse isentas ... as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos'); Fl. 397DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 755 5 6.2. que o custo dos seus títulos patrimoniais assim como as importâncias correspondentes à valorização deles, ocorrida em função das alterações positivas do patrimônio das bolsas, eram então registrados pelas suas proprietárias, as corretoras, no seu ativo permanente; 6.3. que a valorização dos títulos computada no ativo permanente era, em contrapartida, levada a crédito de conta especial de reserva de capital e, portanto, não sofria tributação desde que não fosse distribuída e permanecesse em conta de reserva para futuro aumento de capital, de acordo a Portaria MF no 785, de 1977 ('O ministro de Estado da Fazenda ..., com fundamento no que dispõe o art. 223, 'm' , do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto no 76.186/75, resolve: I. O acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital; II. Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no Decretolei no 1.109/70, art. 3o, § 3o RIR, art. 237'); 6.4. que a referida portaria se fundamenta na alínea 'm' do art. 223 do RIR/1975, a qual autoriza que seja excluído do lucro real, para efeitos de tributação, o valor das ações, quotas ou quinhões de capital recebidos em decorrência dos aumentos de capital efetuados nos termos e condições dos artigos 197, §§ 6o e 9o, 223, alínea 'I' e § 31, 236, 243, alínea 'd', 250, 254 § 3o, 283, 297, 577, 578 e 583; 6.5. que, embora fundamentada na alínea “m” do art. 223 do RIR/1975, a qual se refere a ações, quotas ou quinhões de capital recebidos pela investidora em decorrência de aumentos de capital da investida, a Portaria MF 785, de 1977, afasta da tributação a valorização dos títulos patrimoniais decorrente das variações do patrimônio das bolsas; 6.6. que a portaria, apesar de admitir que o aumento de capital mediante a incorporação de reservas ou lucros em suspenso não sofrerá a tributação do imposto de renda, adverte que, ocorrendo a redução do capital ou a extinção da pessoa jurídica nos cinco anos subsequentes, considerará distribuído o valor incorporado ao capital, o qual será tributado na pessoa jurídica como lucro distribuído e, como rendimentos dos sócios, acionistas ou titular, na declaração de rendimentos ou na fonte, no ano em que ocorrer a redução ou a extinção; 6.7. que a Solução de Consulta COSIT no 10, de 26.10.2007, ao se pronunciar sobre a consulta formulada pela Comissão Nacional de Bolsa de Valores, lembrou lhe que o § 3o do art. 17 da Lei no 9.532, de 1997, diz que será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado a diferença entre o valor em dinheiro ou o dos bens e direitos recebidos de instituição isenta a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o dos bens e direitos que houver entregado para a formação do referido patrimônio; 6.8. que a solução de consulta ressaltou que a hipótese de desmutualização descrita pela consulente prevê a transferência de bens das bolsas de valores para outras pessoas jurídicas. Tal transferência não tornará, evidentemente, as primeiras sócias das segundas; em verdade, 'as corretoras associadas é que se tornariam titulares de ações das novas companhias com fins lucrativos, restando caracterizada a devolução de capital aos associados', matéria disciplinada pelo art. 17 da Lei no 9.532, de 1997; 6.9. que a solução de consulta ressaltou também que a valorização periódica dos títulos patrimoniais das bolsas, ocorrida anteriormente à desmutualização, Fl. 398DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 756 6 configurava resultados não tributados, por terem sido auferidos por entidades isentas, constituídas na forma de associações sem fins lucrativos; 6.10. que, para as corretoras associadas, os títulos das bolsas de valores constituíam ativos necessários ao exercício das suas atividades, razão pela qual eram mantidos no seu ativo permanente; houve casos, contudo, em que essas circunstâncias se alteraram e, assim, transformaram a valorização dos títulos em ganhos tributáveis para as suas proprietárias, como, por exemplo, na sua alienação; 6.11. que outro exemplo é o caso da desmutualização, em que houve ganho: a) na devolução de capital às corretoras associadas, quando da redução do capital da entidade isenta, a bolsa; b) na versão do patrimônio dela para companhias com fins lucrativos; e c) na substituição dos seus títulos patrimoniais por ações da companhia em que ela se transformou; e 6.12. que a conclusão da solução de consulta é a de que, na hipótese descrita pela consulente, aplicase o art. 17 da Lei no 9.532, de 1997, sujeitandose ao imposto a diferença entre o valor nominal das ações recebidas pelas corretoras e o custo de aquisição dos títulos patrimoniais das bolsas. 7. Depois de descrever os aspectos tributários do processo de 'desmutualização' dos títulos da Bovespa e da BM&F, houve por bem a autuante atacar a Portaria MF no 785, de 1977. Assim, afirmou, em suma: 7.1. que ela exorbitou dos seus limites ao excluir, do conceito de ganho de capital para efeito da tributação do imposto de renda, o acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das bolsas de valores decorrente da alteração do seu patrimônio social; 7.2. que essa exclusão tem natureza jurídica de isenção, e esta, de acordo com o art. 176 do Código Tributário Nacional (CTN), decorre exclusivamente de lei, razão pela qual não pode ser concedida por meio de ato administrativo; 7.3. que, ao enunciar situações não previstas na lei para a concessão da isenção, a portaria burlou o dispositivo legal e invadiu a competência do legislador; 7.4. que, ao ato administrativo, cabe tãosomente reconhecer o cumprimento das condições e requisitos previstos em lei para a concessão da isenção quando ela não for concedida em caráter geral; 7.5. que, desta forma, é óbvio que a portaria está em evidente conflito com o ordenamento jurídicotributário e que fere o princípio da estrita legalidade, 'já que a mesma assume natureza constitutiva, reservada à lei, enunciando a isenção sem dispositivo legal algum que lhe dê embasamento' (sic); e 7.6. que, assim, não procede o entendimento segundo o qual o acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das bolsas de valores, apurado quando da alienação dos títulos patrimoniais da BM&F, deve ser excluído do lucro real do alienante. 8. A autuante concluiu então que, diante do exposto, o lucro obtido com a alienação dos títulos patrimoniais da BM&F deve ser tributado da mesma maneira como são tributados os resultados produzidos pela alienação dos demais ativos permanentes. 9. No que tange à autuação, disse ela basicamente: 9.1. que, no momento da desmutualização da Bovespa, a interessada detinha seis dos seus títulos patrimoniais, razão pela qual recebeu 4.240.572 ações da Bovespa Holding no valor de R$ 9.412.822,38, fato que traduz a devolução da sua participação no patrimônio de uma entidade isenta, a bolsa; 9.2. que, assim, na 1a hipótese de incidência – a devolução do patrimônio de entidade isenta – a diferença entre o valor devolvido, o correspondente ao montante das ações (R$ 9.412.822,38), e o originalmente entregue para a formação do patrimônio da bolsa, o custo original dos títulos patrimoniais (R$ Fl. 399DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 757 7 3.943.817,17), constitui ganho tributável (R$ 5.469.005,21), na forma do art. 17 da Lei no 9.532, de 1997; 9.3. que, na 2a hipótese de incidência – o ganho na alienação das ações – não apurou ganho tributável, em virtude de o valor da alienação ser igual ao custo das ações recebidas em função do processo de desmutualização; 9.4. que, no entanto, a interessada não adicionou o ganho de R$ 5.469.005,21 ao lucro real e nem recolheu nenhum tributo sobre ele; 9.5. que, além disso, deixou de computálo no cálculo da estimativa de setembro de 2007, mês em que recebeu as ações, o da devolução do capital, portanto; 9.6. que, no que toca à BM&F, a interessada não mais possuía seus títulos patrimoniais quando do término do respectivo processo de desmutualização, pois já os havia alienado, assim considerada a operação de integralização do aumento de capital da Prosper Gestão de Recursos Ltda que montou a R$ 4.966.430,23 (conforme alteração contratual da Prosper Gestão de Recursos); 9.7. que, como tais títulos foram adquiridos por R$ 6.625,20 (valor reajustado até 1o de janeiro de 1996), a sua alienação implicou um ganho tributável de R$ 4.959.805,23; e 9.8. que, em razão de não ter reconhecido os ganhos de capital obtidos, a interessada não somente apurou a menor o imposto de renda e a contribuição social, mas também as estimativas desses tributos do mês de setembro de 2007; ficou sujeita, desse modo, à multa isolada prevista no art. 44, § 1o, IV, da Lei no 9.430, de 1996, modificado pelo art. 14 da Lei no 11.488, de 2007, haja vista que se verificou a insuficiência do pagamento somente após o encerramento do anocalendário de competência." A DRJ decidiu cancelar o auto de infração, proferindo decisão assim ementada: LUCRO REAL. MULTA ISOLADA. IMPOSTO ESTIMADO. FALTA DE ANTECIPAÇÃO. A improcedência da ação fiscal que adiciona ganhos de capital e não operacional apurados de ofício à base de cálculo da estimativa de tributo prejudica a imposição da multa isolada prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, modificado pelo art. 14 da Lei no 11.488, de 2007. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, aplicase ao decorrente a decisão proferida relativamente ao lançamento principal, em razão da relação de causa e efeito que os une. Diante do recurso de ofício, a Turma a quo decidiu negarlhe provimento, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 BOLSAS DE VALORES CONSTITUÍDAS SOB A FORMA DE ASSOCIAÇÕES CIVIS. DESMUTUALIZAÇÃO. POSSIBILIDADE DE CISÃO. Os acréscimos de valor dos títulos patrimoniais decorrentes de valorização do patrimônio social das bolsas de valores constituídas sob a forma de associações civis sem fins lucrativos não constituem receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas, autorizandose a sua exclusão na apuração do lucro real desde que não sejam distribuídos e formem reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. As associações civis são passíveis de cisão, não se limitando tal instituto apenas às pessoas jurídicas reguladas Fl. 400DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 758 8 especificamente pela Lei Societária (Lei 6.404/1976). A desmutualizaçaõ das bolsas de valores processo de reorganizaçaõ da sua estrutura societária, alterandoas de associacõ̧es civis sem fins lucrativos para sociedades anônimas não resulta em receita tributável sujeita à incidência de IRPJ e CSLL nas corretoras decorrente da valorização dos títulos patrimoniais (avaliados pelo valor contábil atualizado pelo patrimônio líquido das bolsas) permutados por ações. Descabida a alegaçaõ do Fisco de devolucã̧o de patrimônio das bolsas às corretoras associadas. A PFN interpôs, então, recurso especial, requerendo a reforma do acórdão a quo e o reestabelecimento do auto de infração (efls. 325 e seg.). O referido recurso foi admitido por despacho (efls. 355 e seg.) O contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial, no qual apresenta oposição ao seu conhecimento e, no mérito, requer lhe seja negado provimento (efls. 369 e seg.). Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator Conhecimento Quanto à admissibilidade do recurso, alega o contribuinte: “O recurso especial, todavia, sequer poderia ter sido admitido, com relação à parte do lançamento que trata do ganho de capital na alienação de títulos patrimoniais da BM&F antes da desmutualização em em razão da ausência de semelhança fática entre a hipótese do acórdão recorrido e a dos acórdãos paradigmas, não e verificando, assim, a essencial divergência entre os julgados”. O recurso especial apresenta duas matérias distintas admitidas por despacho: i) incidência sobre a operação de integralizacã̧o de títulos da BM&F para aumento de capital promovido pela recorrida na PROSPER GESTÃO DE RECURSOS LTDA, antes do processo de desmutualização, pela consideração do valor histórico dos referidos títulos e a consequênte apuração de ganho de capital; ii) incidência sobre o ganho na suposta devolução patrimonial da entidade objeto de processo de desmutualização por meio de títulos por meio de ações da BOVESPA HOLDING (art. 17 da Lei no 9.532, de 1997). A recorrente apresenta como paradigmas de divergência, indistintamente para ambas as matérias ventiladas no recurso especial, os acórdãos 1202000.745 e 1301001.253. De fato, os referidos acórdão paradigmas trazidos pela recorrente apenas tratam da segunda matéria ventilada em seu recurso especial, qual seja, o efeito tributário do Fl. 401DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 759 9 processo de desmutualização de bolsa sob a perspectiva das associadas. Contudo, é forçoso reconhecer que os dois acórdãos indicados como paradigmas de divergência não tratam da primeira matéria citada, qual seja, a incidência tributária sobre a operaçaõ de integralizacã̧o de títulos de bolsa, para aumento de capital, antes do processo de desmutualização. O acórdão n. 1202000.745 apresenta a seguinte descrição da matéria analisada, atinente apenas ao tema da desmutualização: "Tratase de Autos de Infração (fls. 286/305) que exigem da contribuinte, ora Recorrente, o pagamento de IRPJ e CSLL referentes ao ano calendário de 2007, sob a alegação de suposta omissão de ganho auferido por conta da alegada ocorrência de devolução do patrimônio social das entidades isentas BOVESPA, em 28 de agosto de 2007, e BM&F, em 01 de outubro de 2007, em decorrência da operação conhecida como “desmutualização” das bolsas. O enquadramento legal utilizado para o lançamento do IRPJ foi o artigo 17, caput, §§ 1°, 3°e 4° da Lei n° 9.532/97 e o artigo 239 do RIR/99, e para lançamento da CSLL foi o artigo 2° e respectivos §§ da Lei n° 7.689/88, o artigo 1° da Lei n° 9.316/96, o artigo 28 da Lei n° 9.430/96 e o artigo 37 da Lei n° 10.637/02. Houve também o lançamento de multa de ofício e multa isolada pela suposta falta de recolhimento de IRPJ e CSLL incidentes sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos, tendo em vista a não inclusão do ganho auferido na alegada devolução do patrimônio da BOVESPA e BM&F. O enquadramento legal utilizado foram os artigos 222 e 843 do RIR/99 e o artigo 44, § 1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, conforme alterado pelo artigo 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007." O referido acórdão n. 1202000.745 restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do lançamento de ofício quando o Auto de Infração possui todos os requisitos necessários para a sua formalização, conforme estabelecidos pelo artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no artigo 59 do mesmo Decreto. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Verificada a ocorrência do fato gerador no momento da apuração do ganho de capital decorrente de “devolução de patrimônio”, o lançamento realizado menos de cinco anos depois obedece ao prazo decadencial. DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DE ASSOCIAÇÃO. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. AVALIAÇÃO PELO CUSTO DE AQUISIÇÃO. A operação de desmutualização das bolsas de valores, sob a forma de cisão parcial seguida de incorporação, não se faz possível, em razão do disposto no art. 61 do Código Civil de 2002, que veda a destinação de qualquer parcela do patrimônio de associações a entes com finalidade lucrativa. A inoponibilidade ao Fisco da operação de desmutualização das bolsas de valores atrai a incidência do IRPJ calculado sobre a diferença entre o valor nominal das ações das sociedades (Bovespa Holdings e da BM&F S.A.) recebidas pelas corretoras associadas e o custo de aquisição das cotas ou frações ideais representativo do patrimônio segregado das associações (Bovespa e BM&F). Fl. 402DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 760 10 Aplicase o art. 17 da Lei nº 9.532/97, e não o art. 16 da mesma lei, à operação de desmutualização, visto que a transferência de bens das bolsas de valores para outras pessoas jurídicas configura uma devolução de capital em razão da transferência dos títulos representativos do seu capital aos seus associados (sociedades corretoras), sem que as novas sociedades (Bovespa Holdings e da BM&F S.A) passem a integrar seu quadro social. Os títulos patrimoniais das bolsas de valores (associações) devem ser avaliados por seu custo de aquisição, e não pelo Método de Equivalência Patrimonial (MEP), estando apenas autorizadas pela Portaria nº 785/77, a postergar a tributação sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das cotas ou frações ideais recebidos em virtude de aumento do capital social das associações para o momento da redução do capital ou extinção das mesmas. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. A edição de Solução de Consulta à luz de novo ordenamento jurídico não representa mudança de critério jurídico em face de orientação baseada em legislação anterior. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A incidência de multa isolada aplicável na hipótese de falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL não é elidida pela apuração de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do período. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A exigência da CSLL decorre de expressa previsão do §4º do art. 17 da Lei nº 9.532/97, ao estabelecer que a base de cálculo expressa no caput prestase também para determinação da base de cálculo da CSLL, de modo que se aplicam as conclusões do julgamento do IRPJ sobre os mesmos fundamentos fáticos. Por sua vez, o acórdão n. 1301001.253 apresenta a seguinte descrição da matéria analisada, atinente apenas ao tema da desmutualização: 1. Ganho auferido em devolução do patrimônio social de entidade isenta (anocalendário 2007) 1.1. Descrição dos fatos A BM&F era uma associação civil sem fins lucrativos cujas associadas precisavam deter títulos patrimoniais dessa bolsa para nela operarem. Esses títulos eram contabilizados no ativo permanente das associadas, sujeitandose a atualizações periódicas de acordo com informações prestadas pela BM&F. A contrapartida desses acréscimos ao valor do ativo eram registradas na conta “Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais”, a qual compõe a conta “Reserva de Capital” do Patrimônio Líquido das associadas. A contribuinte detinha um título patrimonial de sócio efetivo da BM&F adquirido em 28/10/94 de outra empresa, a qual havia adquirido esse título por Cz$106.400,00 em 24/09/86 (fls.3840). Conforme a empresa informa às fls.73, o registro do processo de desmutualização referente a 10.000 ações trocadas pelo título patrimonial de sócio efetivo não foi efetuado. A contribuinte também adquiriu os direitos sobre um título patrimonial de membro de compensação diretamente da BM&F em 04/10/2001 por R$1.877.560,00 (fls.3637), valor contabilizado a débito da conta Cosif 21410200010007 – Títulos de Bolsa de Mercadorias e Futuros, conforme registros da empresa às fls.107. As atualizações patrimoniais foram lançadas a débito nessa conta até a data que antecedeu o processo de desmutualização, em contrapartida à conta Cosif 61370000010009 – Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais, sendo que em 01/08/2007 a conta apresentava um saldo devedor de R$4.877.537,67. Fl. 403DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 761 11 A BM&F passou por processo de cisão parcial, em 20/09/2007, pelo qual o patrimônio daquela associação foi vertido para a BM&F S/A, sendo os títulos patrimoniais convertidos em ações no curso do processo de desmutualização da BM&F, conforme decisão da Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de 20/09/2007 (fls.4143), da seguinte forma: Ações da BM&F S/A recebidas pela contribuinte (...) A contribuinte foi intimada a esclarecer o motivo da diferença de R$84.062,33 entre o valor contabilizado R$4.877.537,67 e R$4.961.610,00 (valor atribuído pela BM&F S/A ao título patrimonial), e respondeu que os valores considerados para apuração do valor dos títulos patrimoniais basearamse no saldo contábil existente em 31/10/2007, não sendo efetuada a atualização no mês do evento. Assim, o procedimento errôneo da contribuinte de não considerar a devida atualização do título patrimonial BM&F no mês de 09/2007 resultou na diferença de R$84.062,33. 1.2. Enquadramento legal e valor tributável Como relatado no tópico anterior, em 20/09/2007 a BM&F passou de uma instituição sem fins lucrativos para se tornar uma sociedade por ações, e as associadas (caso da contribuinte) receberam em troca dos títulos patrimoniais as ações da nova empresa BM&F S/A. A operação de desmutualização foi objeto das Soluções de Consulta Cosit nº 10/2007 e SRRF08/Disit nº 520/2008, nas quais há o entendimento de que incidem o IRPJ e a CSLL sobre a diferença entre o valor nominal das ações recebidas pelos associados, e o custo de aquisição dos títulos patrimoniais das antigas associações sem fins lucrativos. Desse modo, a associação sem fins lucrativos BM&F devolveu o patrimônio aos associados, que passaram a ser sócios de empresa com finalidade de lucro. Assim, a diferença entre o custo de aquisição e o valor contábil pelo qual foi realizada a capitalização da BM&F constitui ganho de capital tributado pelo IRPJ e CSLL, conforme o art.17 da Lei nº 9.532/97. O ganho de capital é apurado pela diferença entre o valor obtido na realização da capitalização da BM&F(títulos de membro de compensação e de sócio efetivo) e os respectivos custos de aquisição desses títulos, resultando num valor tributável de R$3.094.040,00, sobre o qual será constituído o crédito de IRPJ e de CSLL. Além desse tema atinente à desmutualização, o acórdão n. 1301001.253 trata também do tema “2 Excesso de juros pagos a título de remuneração do capital próprio”, que não tem relação com os temas abordados pelo acórdão recorrido. Tal acórdão restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÃO ISENTA. DEVOLUÇÃO DE TÍTULO PATRIMONIAL E SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DA NOVA EMPRESA. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. Sujeitase à incidência do imposto de renda, computandose na determinação do lucro real do exercício, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA DO TRANSCURSO DO PRAZO DECADENCIAL. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 762 12 No caso de tributação do ganho de capital, obtido com as ações da nova sociedade constituída, o fato gerador ocorreu quando a empresa recebeu tais ações, no momento da desmutualização da BM&F. Como não houve o transcurso do prazo decadencial de cinco anos contados da data do fato gerador, válidos são os lançamentos ora analisados. GANHO DE CAPITAL. FORMA DE APURAÇÃO. CUSTO CONTÁBIL. INAPLICABILIDADE DO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL AOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DA ASSOCIAÇÃO ISENTA BM&F. O ganho de capital deve ser apurado levandose em conta o custo contábil do bem registrado na escrituração da empresa. O método de avaliação de investimentos pela equivalência patrimonial não se aplica aos títulos patrimoniais da associação isenta BM&F. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DESPESAS COM PAGAMENTO/CREDITAMENTO A TITULAR, SÓCIOS OU ACIONISTAS. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. A dedução dos valores de juros pagos e/ou creditados a título de remuneração do capital próprio, autorizada pela Lei n° 9.249/1995, não alcança os juros pagos em períodos anteriores, em vista do regime de competência. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. LANÇAMENTO REFLEXO O decidido em relação ao tributo principal se aplica aos lançamentos reflexos, em virtude da estreita relação de causa e efeitos entre eles existentes. Voto, portanto, pelo conhecimento PARCIAL do recurso especial, de forma a não conhecer o tema (i) acima descrito, pertinente à incidência tributária sobre a operação de integralizacã̧o de títulos de bolsa, para aumento de capital, antes do processo de desmutualização, e conhecer a matéria (ii) acima descrita, atinente ao efeito tributário do processo de desmutualização de bolsa sob a perspectiva das associadas. Mérito Por restar vencido quanto ao conhecimento apenas parcial do recurso especial, passo à análise dos dois temas ventilados pela recorrente. Alinho o meu entendimento ao acórdão recorrido, adotando os seus fundamentos como razão de decidir para o presente julgamento (Lei nº 9.784/99, art. 50, § 1º): “Entendese por "desmutualização" o processo de reorganização da estrutura societária das bolsas, alterandoas de associações civis sem fins lucrativos para sociedades anônimas. Discutese a incidência de IRPJ e CSLL sobre as operações decorrentes da desmutualização da Bovespa, entidade extinta em decorrência do processo de reorganização, segundo a interpretação do Fisco, acarretando devolução de patrimônio aos associados, entre eles a autuada, na forma de ações de pessoas jurídicas com fins lucrativos, resultantes da desmutualização. Segundo a descrição no TVF com base nas atas de assembléias, a desmutualização teve início com a cisão parcial da da Bovespa e versão de parte do patrimônio para a Bovespa Serviços e Participações S/A (Bovespa Fl. 405DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 763 13 Serviços) e para a Bovespa Holding S/A (Bovespa Holding). A denominação social da Bovespa foi alterada para Associação Bovespa. A Bovespa Serviços absorveu as atividades desempenhadas pela Associação Bovespa e teve a sua denominação mudada para Bolsa de Valores de São Paulo S/A (BVSP), reservandose à Associação atribuições "acessórias", tais como estímulo a atividades do mercado mobiliário, promoção do contato e do intercâmbio entre associados, etc. A Bovespa Serviços (BVSP) e a Bovespa Holding emitiram ações ON em favor dos detentores de títulos patrimoniais da Associação Bovespa. A segunda etapa foi chamada de "incorporação de ações", na qual a Bovespa Holding adquiriu a totalidade das ações emitidas pela Bovespa Serviços e pela Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC). Em seguida, as antigas titulares das ações da Bovespa Serviços e da CBLC receberam em troca mais ações da Bovespa Holding. A incorporação das ações da Bovespa Serviços aumentou o capital da Bovespa Holding. Em contrapartida, Bovespa Holding emitiu ações em favor das corretoras acionistas da Bovespa Serviços, à razão de 136.227 ações da Bovespa Holding para cada lote de 64.661 da Bovespa Serviços em poder das corretoras. Operação do mesmo tipo ocorreu no caso das ações da CBLC. O processo da BM&F aconteceu de maneira semelhante. Entretanto, não será detalhado neste voto dada a sua irrelevância para o julgamento do item 001 do AI/IRPJ, cuja infração é relativa a alienação de títulos patrimoniais realizada antes da desmutualização. A Portaria MF n° 785/1977, considerando que os acréscimos de valor dos títulos patrimoniais decorrentes de valorização do patrimônio social das associações não constituem receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas, autorizou a exclusão desses acréscimos na apuração do lucro real desde que não sejam distribuídos e formem reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. No entendimento da fiscalização, a autorização dada pela Portaria seria apenas para postergar o oferecimento à tributação, incidindo o IRPJ nos casos de extinção da associação ou de devolução do patrimônio aos associados. O lançamento teve por fundamentação legal o art. 17, §3o, da Lei n. 9.532/1997, matriz legal do art. 239 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3.000/1999 (RIR/1999), que assim dispõe: "Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. § 1o. Aos valores entregues até o final do ano de 1995 aplicamse as normas doinciso I do art. 17 da Lei no 9.249, de 1995. § 2o. O imposto de que trata este artigo será: a) considerado tributação exclusiva; b) pago pelo beneficiário até o último dia útil do mês subseqüente ao recebimento dos valores. § 3o. Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. § 4o. Na hipótese do parágrafo anterior, para a determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a pessoa jurídica deverá computar: Fl. 406DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 764 14 a) a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real; b) o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos, se tributada com base no lucro presumido ou arbitrado." (destaque acrescido) Aspectos relevantes da matéria foram examinados por ocasião de consulta formulada pela Comissão Nacional de Bolsa de Valores no Processo no 10768.002443/2007 00, no qual foi expedida a Solução de Consulta no 10/2007 (SC 10/2007), pela Cosit – Coordenação de Tributação, órgão interno da Receita Federal encarregado de interpretar a legislação tributária federal. A SC 10/2007 tomou por ponto de partida as conclusões expostas na SC 13/1997, assim indicadas: "7. Inicialmente, analisemos o teor da SC 13/97, cuja parte dispositiva trazia três conclusões: a) primeiro, que não constituem fatos capazes de excluir a BOVESPA do gozo do benefício da isenção do imposto de renda de que é titular: a.1) a destinação de parte de seu patrimônio para a integralização do capital social de empresa comercial que desempenhará atividades auxiliares (informática e telefonia) ; e a.2) a sua cisão, com destinação parcial de seu patrimônio para a constituição da empresa comercial que terá atividade correlata (câmara de compensação e custódia de títulos – CLEARING); e b) por último, que, na apuração de ganho ou perda de capital na alienação, pelas corretorasmembros, das ações que receberem em substituição à parte do valor do título patrimonial da associação, considerarseá como custo de aquisição das referidas ações o seu valor contábil, que deverá ser proporcional à parcela do valor contábil do título patrimonial que for por elas substituída." Após detalhado arrazoado, no qual se procurou destacar o "desacerto" da SC 13/1997, concluiu a Cosit: "i) a operação de 'desmutualização' das bolsas de valores, conforme descrita pela consulente, encontra obstáculo insuperável na norma do art. 61 do Código Civil (Lei no 10.406, de 2002), a qual veda a destinação de qualquer parcela do patrimônio de associações a entes com finalidade lucrativa, dessa forma prejudicadas as indagações da consulente dos itens 'i' e 'ii'; ii) o art. 16 da Lei no 9.532, de 1997, não se aplica à operação de 'desmutualização', pois, nessa, a transferência de bens das bolsas de valores para outras pessoas jurídicas não tornará aquelas sócias dessas, mas, sim, os seus associados (as sociedades corretoras), o que configura uma devolução de capital, ao qual se aplica o art. 17 do mesmo diploma legal; iii) ao contrário do que sugere a consulente no item 'iii', os títulos patrimoniais das bolsas de valores devem ser avaliados por seu custo de aquisição, pois nunca estiveram as sociedades corretoras autorizadas a avaliar tais cotas ou frações ideais pelo MEP, mas, sim, autorizadas pela Portaria no 785, de 1977, a postergar a tributação sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das cotas ou frações ideais recebidos em virtude de aumento do capital social das bolsas de valores para o momento em que houvesse a redução do capital ou até mesmo a extinção dessas associações; iv) o fato de a operação de 'desmutualização' de associações não encontrar amparo no ordenamento jurídico não obsta a incidência do imposto de renda sobre a diferença entre o valor nominal das ações (da Fl. 407DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 765 15 sociedade) recebidas pelos associados (sociedades corretoras) e o custo de aquisição das cotas ou frações ideais representativo do patrimônio segregado das bolsas de valores, logo improcedentes as conclusões da consulente nos itens 'iv' e 'v'." A autoridade fiscal adotou as conclusões da SC 10/2007 para fundamentar o lançamento ora examinado. A matéria discutida nestes autos não é nova neste Conselho. A jurisprudência administrativa tem seguido orientação favorável à tributação das referidas operações, ratificando a interpretação da Receita Federal na SC 10/2007, como demonstram os acórdãos adiante indicados, de turmas desta Primeira Seção de Julgamento (1aSJ): (...) As associações são pessoas jurídicas de direito privado constituídas pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos, segundo dispõem os art. 44 e 53 do CC – Código Civil (Lei 10.406/2002). O art. 2.033 do CC remete para as disposições do próprio Código a regência das modificações das associações: "Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código." (destaque acrescido) O art. 44 classifica as associações entre as pessoas jurídicas de direito privado. Vêse, portanto, que a figura da cisão também é própria das associações, tratada expressamente no vigente Código Civil, o que afasta a conclusão da fiscalização de instituto exclusivo das pessoas jurídicas reguladas especificamente pela Lei Societária. A Resolução CMN 2.690/2000 tratou expressamente da possibilidade de constituição das bolsas como associações civis ou sociedades anônimas e das hipóteses de incorporação, fusão e cisão. O regulamento anexo à Resolução assim dispôs nos art. 1o e 5o, VII: "Art. 1o. As bolsas de valores poderão ser constituídas como associações civis ou sociedades anônimas, tendo por objeto social: (...) Parágrafo único. As bolsas de valores que se constituírem como associações civis, sem finalidade lucrativa, não podem distribuir a sociedades membros parcela de patrimônio ou resultado, exceto se houver expressa autorização da Comissão de Valores Mobiliários. (...) Art. 5o. O estatuto social das bolsas de valores deve estabelecer, além do que for exigido pela legislação aplicável, regras básicas relativas à adoção de estrutura administrativa e operacional que permitam assegurar o pleno atendimento do seu objeto social e dos requisitos inerentes à sua condição de instituição auxiliar da Comissão de Valores Mobiliários enquanto entidade reguladora e fiscalizadora do mercado, dispondo, ainda, sobre: (...) VII incorporação, fusão, cisão e dissolução da bolsa de valores;" (destaque acrescido) Na Parte Especial, Livro II, Título II, Subtítulo II, Capítulo X, nos art. 1.113 a 1.122, o CC trata da "Transformação, da Incorporação, da Fusão e da Cisão das Sociedades", disposições aplicáveis às associações por disposição expressa do art. 2.033, já comentado neste voto. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 766 16 Muito embora o capítulo mencionado contenha no seu título referência expressa a cisão, nenhum dos artigos que o integram trata do tema, o que remete a regulação da matéria para a Lei Societária, disciplinadora do instituto. O art. 229 da Lei 6.404/19762 define a cisão como "a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindose a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindose o seu capital, se parcial a versão". As ações integralizadas com parcelas de patrimônio da companhia cindida serão atribuídas a seus titulares, em substituição às extintas, na proporção das que possuíam, segundo o texto do §5o. A fiscalização alegou violação do art. 61 do CC, que impõe, no caput, a destinação do patrimônio líquido da associação, no caso de dissolução, para "entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes." Não se trata de dissolução no caso concreto. Viuse acima que ocorreu efetivamente cisão parcial. Ademais, no âmbito tributário, houve revogação pelo art. 18, IV, da Lei 9.718/1999, do §4o do art. 15 da Lei 9.532/1997, que determinava às entidades isentas, como condição para o gozo da isenção, a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atendesse às condições para gozo de imunidade ou isenção, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público. A própria referência expressa à hipótese de cisão no texto da Lei 9.532/1997 vem extirpar qualquer dúvida acerca da sua aplicabilidade às associações, ratificando o que já fora afirmado neste voto. Sendo, então, caso de cisão parcial, há de se examinar o efeito tributário sob tal enfoque, afastandose as hipóteses de extinção da associação e de devolução de participação às corretoras associadas. Nessa linha, os títulos patrimoniais são substituídos por outros da entidade surgida com o evento, proporcionalmente ao patrimônio vertido, pelo valor contábil com base no patrimônio líquido (PL). Nas duas situações indicadas no auto de infração, alienação e substituição por ações, a fiscalização considerou como custo o valor de aquisição dos títulos patrimoniais enquanto a contribuinte computou na apuração o valor contábil. Segundo o art. 1.275 do CC, alienação é forma de perda da propriedade. É o ato pelo qual o titular transfere sua propriedade a outrem, o que efetivamente ocorreu por ocasião da entrega dos títulos patrimoniais dados em integralização pelo aumento de capital na Prosper Gestão, quando deixaram de integrar o ativo permanente da autuada e passaram a compor o patrimônio da sociedade capitalizada. A contribuinte atualizava os valores dos seus títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F e excluía os acréscimos de valor na determinação do lucro real, procedimento expressamene autorizado pela Portaria MF n° 785/1977. Por ocasião da integralização do aumento de capital na Prosper Gestão, considerou os títulos patrimoniais pelo valor contábil atualizado pelo PL da bolsa, inexistindo, dessa forma, ganho a tributar. A autoridade fiscal, com suporte na interpretação dada pela SC Cosit 10/2007, concluiu que os títulos deveriam ser considerados pelo custo de aquisição (valor histórico) e não não pelo valor contábil determinado à semelhança do método da equivalência patrimonial (MEP), tendo em vista constar da Portaria autorização apenas para postergação da tributação sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das cotas ou frações ideais recebidos em virtude de aumento do capital social das bolsas de valores para o momento em que houvesse a redução do capital ou até mesmo a extinção dessas associações. Fl. 409DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 767 17 A turma recorrida adotou entendimento contrário ao da fiscalização: "Na apuração do ganho de capital, a autuante computou, como custo de aquisição, somente o valor pago pelos títulos da BM&F corrigido monetariamente até o início de 1996; deixou de computar na apuração, portanto, a sua valorização, que, segundo o entendimento exposto pela COSIT na Solução de Consulta no 13, de 1997 ('Processo de Consulta – Decisão Cosit 13, de 10.11.1997: Na apuração de ganho ou perda de capital na alienação pelas corretorasmembros, das ações [da 'clearing'], por receberem em substituição a parte do valor do título patrimonial da Bovespa, considerarseá como custo de aquisição das referidas ações o seu valor contábil, que deverá ser proporcional à parcela do valor contábil do título patrimonial que for por ela substituída.'), poderia ser considerada no seu custo de aquisição. Esse entendimento brotou, sem dúvida, da norma fixada na Portaria MF no 785, de 1977, segundo a qual o acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das bolsas de valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. É evidente, portanto, que, sem a comprovação de que a valorização dos títulos foi distribuída e que, assim, não se teria constituído em reserva para incorporação ao capital, não é possível a sua tributação. A autuante, ao exigir da interessada tributos sobre a valorização dos títulos patrimoniais das bolsas de valores mesmo sem acusála de distribuir a valorização ou de deixar de constituir, com ela, reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital, fez tábula rasa da referida portaria, procedimento inconcebível, pois não se pode admitir que a própria Administração Pública descumpra ato administrativo que estabeleça direito do administrado sob a alegação de ele ser infundado; tal conduta, além de afrontar o art. 100 do CTN, induziria o administrado a erro. Diante disso, na operação descrita, somente se alguma importância excedesse o valor contábil do título patrimonial da BM&F poderia ela ser considerada ganho de capital da interessada e, por conseguinte, tributada. Portanto, somente se houvesse, nos autos, comprovação de que os R$ 4.959.805,03 excederam tal valor é que eu poderia admitir a sua tributação a título de ganho de capital. À míngua dessa comprovação, fazse mister rejeição da autuação." (destaque em negrito consta do original). Prescreve a Portaria MF n° 785/1977: "O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, e, com fundamento no que dispõe o art. 223, "m" do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto no 76.186/75, RESOLVE I. O acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. II. Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no Decreto lei no 1.109/70, art. 3o , § 3o (RIR, art. 237. )." Fl. 410DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 768 18 Com efeito, constatase clara semelhança entre o procedimento autorizado pela Portaria e o MEP, muito embora inexista no ato ministerial qualquer referência expressa ao método. O MEP, tratado no art. 248 da Lei 6.404/1976, é definido no Pronunciamento Técnico CPC 18 como método de contabilização por meio do qual o investimento é inicialmente registrado pelo custo de aquisição e posteriormente ajustado pelo reconhecimento da participação atribuída ao investidor nas alterações dos ativos líquidos da investida. No âmbito tributário, o art. 22 do DL 1.598/1977 determina o registro contábil do ajuste decorrente da aplicação do MEP diretamente na conta de investimento, a débito ou a crédito conforme o caso, e o art. 23 prescreve que a sua contrapartida, aumento ou redução, não será computada na determinação do lucro real (art. 388 e 389 do RIR/1999). Os lucros ou dividendos distribuídos pela coligada ou controlada são registrados pelo contribuinte como diminuição do valor de patrimônio líquido do investimento, sem influenciar o resultado do período (art. 22). O valor contábil para fins de apuração de ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento avaliado com base no patrimônio líquido da investida deverá considerar o valor do patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade da contribuinte, segundo determinação do art. 33 do DL 1.598/1977 (art. 426 do RIR/1999). Alegouse na impugnação que a norma do art. 223, "m" do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto no 76.186/1975 (RIR/1975), utilizada pelo Excelentíssimo Ministro da Fazenda como fundamento legal para expedição da Portaria 785/1977, estaria baseada em princípio constante de vários dispositivos legais reveladores de isenção de imposto de renda quando os acréscimos de valor das participações societárias não sejam distribuídos aos seus titulares, mas sim mantidos no patrimônio líquido. A Portaria teria aplicado o referido princípio sem alterar o alcance e a inteligência da norma legal, o art. 223, "m" do RIR/1975. Prescreve o art. 223, "m", do RIR/19753 aprovado pelo Decreto 76.186/1975, tomado por fundamento para expedição da Portaria MF 785/1977: "Art. 223 Serão excluídos do lucro real para os efeitos de tributação: (...) m) valor das ações, quotas ou quinhões de capital, recebido em decorrência dos aumentos de capital efetuados nos termos e condições dos artigos 197, §§ 6o e 9o, 223, alínea I, 223, § 31, 236, 243, alínea d, 250, 254, § 3o, 283, 297, 577, 578, e 583 (Decretolei no 1.096/70, art. 1o, §§ 6o e 7o, Lei no 4.862/65, art. 49, Decretolei no 1.260/73, art. 4o, Decretolei número 1.109/70, art. 3o e § 1o, Lei no 4.357/64, art. 3o, § 6o, Decretolei no 756/69, art. 25, Decretolei no 1.338/74, art. 15, § 4o, Decreto lei no 1.191/71, art. 9o, § único, Decretolei no 221/67, art. 80, § 4o, Lei no 5.508/68, art. 36, Decretolei no 756/69, art. 24, § 4o, Decretolei no 1.346/74, arts. 6o, § 3o, e 11, e Decretolei no 1.370/74, art. 2o, § 3o); (...)" Segundo afirmação da autoridade fiscal no TVF, a Portaria teria ultrapassado o seu limite na condição de ato administrativo, concedendo isenção não prevista em lei, o que teria violado o art. 176 do CTN – Código Tributário Nacional (Lei 5.176/1966): "Sendo a isenção sempre decorrente de lei, é inegável que a mesma não pode ser concedida por meio de atos administrativos. Enunciando situações não previstas na lei para concessão da isenção, o ato Fl. 411DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 769 19 administrativo na verdade burla o dispositivo legal, invadindo a competência do legislador." A Portaria não concede isenção, ela fixa critério de avaliação do investimento das corretoras, representado pelos títulos patrimoniais, com base no PL das bolsas de valores, matéria perfeitamente cabível no âmbito de competência da Administração, e dá interpretação para tratamento contábil e fiscal adequado nas corretoras dos acréscimos dos títulos patrimoniais das bolsas de valores organizadas sob a forma de associações, cujos PL devem ser obrigatoriamente atualizados segundo as normas do Conselho Monetário Nacional (CMN), da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco Central do Brasil (Bacen), garantindo neutralidade tributária. 2.690/2000: Como exemplo, tomese novamente o regulamento anexo à Resolução CMN "Art. 9o. Ao término de cada exercício social, o valor do patrimônio social deve ser apurado com base nas demonstrações financeiras correspondentes, feitas de acordo com os procedimentos e critérios adotados pelas sociedades anônimas." O exercício social das bolsas de valores compreende o período de 1o de janeiro a 31 de dezembro de cada ano, segundo o art. 10 do regulamento citado. Nas corretoras associadas, as atualizações de títulos patrimoniais informadas pelas bolsas são valorizadas em cada levantamento de balanço de exercício para efeito de registro de ajustes, de acordo com o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (Cosif)4 anexo à Circular do Banco Central no 1.273/1987, criado para unificar os diversos planos contábeis existentes à época e uniformizar os procedimentos de registro e elaboração de demonstrações financeiras das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional. Não se deve esquecer que o valor contábil de um investimento integrante do ativo permanente pode ser expressado, a depender da situação específica, tanto pelo custo de aquisição quanto pela sua correspondência no PL da investida. No caso das corretoras associadas das bolsas de valores, optouse pela avaliação com base no PL também para fins fiscais, nos termos da tão citada Portaria MF n° 785/1977, incorporando ao âmbito tributário o modelo da Cosif. O art. 233, "m", do RIR/1975 disciplina o tratamento tributário no caso de participações societárias recebidas – de exclusão no lucro real da recebedora – em decorrência de incorporações ao capital da emitente consideradas isentas. O dispositivo legal equipara o tratamento nas duas pessoas jurídicas, emitente e recebedora, isentando as participações societárias recebidas como conseqüência de emissão resultante de incorporação de reserva ao capital isenta, a exemplo daquela formada sob aprovação da Cofie – Comissão de Fusão e Incorporação de Empresas, do art. 577 do mesmo regulamento e indicada no citado art. 223, "m". A Portaria reconhece o mesmo tratamento na corretora associada da reserva resultante do ajuste obrigatório decorrente da valorização do PL das bolsas constituídas sob a forma de associação. Como a valorização do PL das bolsas é isento para elas, também o é a contrapartida nas corretoras, representada pelos acréscimos dos títulos patrimoniais nos termos da Portaria. Descabe falarse em isenção concedida pela Portaria na existência de eventual ganho na alienação dos títulos patrimoniais. Consideramse especificamente para fins da apuração as disposições do art. 33 do DL 1.598/1977 (art. 426 do RIR/1999), computando se como custo de aquisição o valor contábil dos títulos avaliados segundo o PL das bolsas. Na hipótese de alienação por valor acima do contábil atualizado, incidirão IRPJ e CSLL nos termos do art. 31 do DL 1.598/1977 (art. 418 do RIR/1999). Observese o texto do art. 426 do RIR/1999: Fl. 412DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 770 20 "Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei no1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei no1.730, de 1979, art. 1o, inciso V): Ivalor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; IIágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; IIIprovisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior." No caso concreto, não há isenção. Tratase de inexistência de ganho na alienação. Concluise, pois, que as associações podem sim, legalmente, ser objeto de cisão e que os títulos patrimoniais das bolsas de valores constituídas como associações devem ser avaliados para fins de registro contábil nas corretoras associadas pelo valor do patrimônio líquido das bolsas, da mesma forma que o são os investimentos avaliados segundo o método da equivalência patrimonial (MEP), conforme critério determinado por disposição expressa da Portaria MF 785/1977. Sendo certo que ocorreu cisão na etapa inicial do processo de desmutualização, afastase a aplicação do art. 239 do RIR/1999, que trata de hipótese de devolução de patrimônio, distinta do fato examinado nestes autos. Ainda que se cogitasse atribuir a natureza de reserva de reavaliação à diferença entre o custo de aquisição e o valor com base no PL, tal montante permaneceria livre de tributação ao menos no momento da cisão, por disposição expressa do art. 37 do DL 1.598/1977, matriz legal do art. 440 do RIR/1999. (...) Pedese permissão para repetir a observação mencionada no início deste voto, de inexistência de qualificação da multa e de qualquer referência a ato simulado no relatório dos fatos da fiscalização, além de não se tratar de exigência tributária contra bolsas de valores, entidades que passaram pelo processo de desmutualização. O processo também inclui lançamento tributário do tipo conexo, decorrente ou reflexo, aplicandose a decisão relativa ao auto de infração matriz (IRPJ) igualmente ao julgamento do auto de infração conexo, decorrente ou reflexo (CSLL), conforme entendimento amplamente consolidado na jurisprudência deste colegiado, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção.” Voto, assim, para CONHECER PARCIALMENTE o recurso especial interposto e, adentrando ao mérito, para NEGARLHE PROVIMENTO. Fl. 413DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 771 21 Por restar vencido quanto ao mérito, com o provimento do recurso especial interposto pela PFN, voto pelo retorno dos autos à DRJ para análise de todas as matérias relacionadas às multas, trazidas em sede de impugnaçaõ, que restaram prejudicadas em razão do julgamento do mérito. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 414DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 772 22 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araujo Redator Designado. Em que pesem as razões de decidir do eminente relator, peço vênia para dele divergir tanto em relação ao conhecimento apenas parcial do recurso, quanto ao julgamento de seu mérito. PRELIMINAR Conforme já mencionado, o recurso especial apresenta duas situações tributáveis distintas: i) incidência sobre a operação de integralização de títulos da BM&F para aumento de capital promovido pela recorrida na PROSPER GESTÃO DE RECURSOS LTDA, antes do processo de desmutualização, pela consideração do valor histórico dos referidos títulos e a consequênte apuração de ganho de capital; ii) incidência sobre o ganho na suposta devolução patrimonial da entidade objeto de processo de desmutualização por meio de ações da BOVESPA HOLDING (art. 17 da Lei nº 9.532, de 1997). O relator destacou que a PGFN apresentou como paradigmas de divergência, indistintamente para ambas as matérias ventiladas no recurso especial, os Acórdãos 1202 000.745 e 1301001.253; que esses acórdãos tratam apenas da segunda matéria ventilada no recurso especial, qual seja, o efeito tributário do processo de desmutualização de bolsa sob a perspectiva das associadas; e que é forçoso reconhecer que os dois acórdãos indicados como paradigmas de divergência não tratam da primeira matéria citada, qual seja, a incidência tributária sobre a operação de integralização de títulos de bolsa, para aumento de capital, antes do processo de desmutualização. Diante disso, entendeu o relator que o recurso deveria ser conhecido apenas em relação à matéria (ii) acima descrita, atinente ao efeito tributário do processo de desmutualização de bolsa sob a perspectiva das associadas. Registro que a questão colocada pelo relator em relação ao conhecimento do recurso não passou despercebida no despacho monocrático que examinou sua admissibilidade: [...] Em apertada síntese, as matérias tributáveis apuradas nos presentes autos decorreram dos seguintes fatos: i) por ocasião do processo de desmutualização da BOVESPA, a fiscalizada detinha seis títulos patrimoniais da referida entidade, tendo recebido 4.240.572 ações da BOVESPA HOLDING no valor de R$ 9.412.822,38, fato que, na ótica da Fiscalização, traduziu devolução da sua participação no patrimônio de uma entidade isenta (BOVESPA); a devolução Fl. 415DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 773 23 do patrimônio de entidade isenta, representada pela diferença entre o valor das ações da BOVESPA HOLDING que foi recebido (R$ 9.412.822,38) e o originalmente entregue para a formação do patrimônio da BOVESPA (R$ 3.943.817,17), correspondente a R$ 5.469.005,21, constituiu o ganho passível de tributação com lastro nas disposições do art. 17 da Lei nº 9.532, de 1997; ii) relativamente à BM&F, a incidência se deu sobre o resultado da alienação dos títulos, considerada como tal a operação de integralização do aumento de capital promovido pela fiscalizada na PROSPER GESTÃO DE RECURSOS LTDA, que alcançou o montante de R$ 4.966.430,23; na medida em que os citados títulos foram adquiridos por R$ 6.625,20, a alienação em referência resultou em um ganho tributável de R$ 4.959.805,23. O acórdão recorrido negou provimento ao recurso de ofício com base nos seguintes fundamentos: [...] Os acórdãos nºs 1202000.745 e 1301001.253, apontados como paradigmas pela Recorrente, na parte em que tratam dos efeitos tributários decorrentes do processo de desmutualização das Bolsas de Valores, emitem pronunciamento no sentido de julgar procedentes os lançamentos tributários neles apreciados, servindose, como lastro, dos seguintes fundamentos: [...] Por bem sintetizar as razões de decidir nele esposadas, reproduzo as conclusões apresentadas no acórdão nº 1202000.745. [...] Vêse, pois, que o conflito de decisões é induvidoso, eis que os fundamentos de que se serviu o acórdão recorrido para afastar a tributação foram peremptoriamente repudiados pelos paradigmas trazidos ao processo pela Recorrente. Cumpre registrar que autuação objeto do presente processo teve por base a constatação de duas situações, que assim podem ser sintetizadas: a) relativamente à BOVESPA, tributação do ganho auferido no recebimento de ações em decorrência de processo desmutualização que, para a Fiscalização, caracterizou devolução do patrimônio de entidade isenta; e b) no que tange à BM&F, tributação do resultado da alienação dos títulos, considerada como tal a operação de integralização do aumento de capital promovido pela fiscalizada na PROSPER GESTÃO DE RECURSOS LTDA. Os acórdãos paradigmas trazidos pela Recorrente, no que diz respeito às matérias tributáveis acima elencadas, cuidaram tão somente da descrita na alínea "a", isto é, tributação do ganho auferido no recebimento de ações em decorrência de processo desmutualização, caracterizado pela Fiscalização como devolução do patrimônio de entidade isenta. Não obstante, o acórdão recorrido, ao declinar os fundamentos com base nos quais negou provimento ao recurso de ofício e, por consequência, exonerou o sujeito passivo dos créditos tributários constituídos, não dispensou tratamento distinto às referidas matérias, eis que, ao tratar especificamente Fl. 416DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 774 24 da segunda situação (tributação do resultado da alienação dos títulos, considerada como tal a operação de integralização do aumento de capital promovido pela fiscalizada na PROSPER GESTÃO DE RECURSOS LTDA), limitouse à repisar argumento que já havia utilizado para sustentar a insubsistência da primeira, qual seja, ausência de ganho haja vista a entrega dos títulos pelo valor contábil com base no patrimônio líquido da Bolsa. Diante dessa particular circunstância, tenho que a comprovação do dissídio jurisprudencial não restou prejudicada em relação à tributação do resultado da alienação dos títulos representada pela integralização de aumento de capital promovido pela contribuinte. Com essas considerações, concluise que a divergência jurisprudencial foi comprovada. De fato, no presente processo, a questão da desmutualização, da tributação por devolução de patrimônio de instituição isenta, diz respeito especificamente ao caso da Bovespa, e não ao caso da BM&F. Isso porque os títulos da BM&F foram utilizados pela contribuinte para integralização do aumento de capital que ela promoveu na Prosper Gestão de Recursos Ltda., pouco antes de ocorrer o processo de desmutualização da BM&F. Mas também não é difícil perceber que há um ponto comum e fundamental na análise das duas situações, que é a tributação dos ganhos auferidos quando a contribuinte deixa de possuir títulos patrimoniais de instituição isenta e passa a possuir ações/cotas de sociedades empresárias (seja na perspectiva da devolução do patrimônio da antiga Bovespa, seja na perspectiva da alienação dos antigos títulos da BM&F). A tributação desses ganhos, tanto em uma situação quanto em outra, está diretamente relacionada às questões sobre os acréscimos de valor dos títulos patrimoniais das antigas associações Bovespa e BM&F que a contribuinte vinha fazendo ao longo do tempo; às questões sobre a aplicação do MEP; e às questões referentes à Portaria MF n° 785/1977. E é justamente em razão dessas questões comuns que o acórdão recorrido não dispensou tratamento distinto às referidas matérias; que ao tratar especificamente da segunda situação (tributação do resultado da alienação dos títulos, considerada como tal a operação de integralização do aumento de capital promovido pela fiscalizada na Prosper Gestão de Recursos Ltda.), limitouse a repisar argumento que já havia utilizado para sustentar a insubsistência da primeira, qual seja, ausência de ganho haja vista a entrega dos títulos pelo valor contábil com base no patrimônio líquido da Bolsa. O fato é que as questões em torno da aplicação do MEP, e dos acréscimos ao valor dos antigos títulos, afetam igualmente o debate sobre a tributação de um ganho futuro nas duas situações acima mencionadas. Não é necessário reproduzir novamente o conteúdo já transcrito do acórdão recorrido, para evidenciar que ele empregou os mesmos fundamentos para as duas situações. Basta ver os seus parágrafos finais: Concluise, pois, que as associações podem sim, legalmente, ser objeto de cisão e que os títulos patrimoniais das bolsas de valores constituídas como associações devem ser avaliados para fins de registro Fl. 417DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 775 25 contábil nas corretoras associadas pelo valor do patrimônio líquido das bolsas, da mesma forma que o são os investimentos avaliados segundo o método da equivalência patrimonial (MEP), conforme critério determinado por disposição expressa da Portaria MF 785/1977. Sendo certo que ocorreu cisão na etapa inicial do processo de desmutualização, afastase a aplicação do art. 239 do RIR/1999, que trata de hipótese de devolução de patrimônio, distinta do fato examinado nestes autos. Ainda que se cogitasse atribuir a natureza de reserva de reavaliação à diferença entre o custo de aquisição e o valor com base no PL, tal montante permaneceria livre de tributação ao menos no momento da cisão, por disposição expressa do art. 37 do DL 1.598/1977, matriz legal do art. 440 do RIR/1999. Quanto à alienação de títulos patrimoniais anterior ao referido processo na BM&F, na forma de integralização de aumento de capital realizado pela autuada na Prosper Gestão, não ocorreu qualquer ganho, tendo em vista a entrega dos títulos pelo valor contábil com base no PL da bolsa, tal qual determinam a Portaria MF 785/1977 e o art. 426 do RIR/1999. O próprio acórdão recorrido tratou igualmente das duas infrações, em razão das questões comuns que elas apresentam, de modo que o recurso especial também poderia tratar conjuntamente dessas infrações, abordando as questões sobre a tributação dos ganhos auferidos quando a contribuinte deixa de possuir títulos patrimoniais de instituição isenta e passa a possuir ações/cotas de sociedades empresárias (seja na perspectiva da devolução do patrimônio da antiga Bovespa, seja na perspectiva da alienação dos antigos títulos da BM&F); as questões sobre os acréscimos de valor dos títulos patrimoniais das antigas associações Bovespa e BM&F que a contribuinte vinha fazendo ao longo do tempo; e as questões sobre a aplicação do MEP e sobre a Portaria MF n° 785/1977, no contexto de controvérsias travadas em processos de desmutualização. Correta, portanto, a conclusão do despacho de admissibilidade, no sentido de que os fundamentos de que se serviu o acórdão recorrido para afastar a tributação, tanto em uma situação quanto em outra, foram peremptoriamente repudiados pelos paradigmas trazidos pela PGFN. O fato de esses paradigmas terem sido proferidos em processos que trataram de casos de desmutualização não prejudicada em nada a caracterização da divergência para a situação referente aos títulos da antiga BM&F, conforme ela se apresenta nestes autos. Assim, voto para REJEITAR a preliminar de não conhecimento de parte do recuso, entendendo que ele deve ser conhecido em relação às duas situações em questão: (1) tributação do ganho auferido no recebimento de ações em decorrência de processo desmutualização da antiga Bovespa e (2) tributação do ganho auferido na alienação dos títulos da antiga BM&F, para fins de integralização de capital na Prosper Gestão. MÉRITO Quanto ao mérito, registro que o acórdão recorrido procurou inicialmente demonstrar que o processo de desmutualização da antiga Bovespa não configurou a hipótese de Fl. 418DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 776 26 devolução de patrimônio de instituição isenta, cuja tributação está prevista no art. 17 da Lei nº 9.532/1997. E uma vez afastada essa hipótese de devolução de patrimônio, o acórdão recorrido procurou então demonstrar que a contribuinte não auferiu nenhum ganho tributável, nem no caso da Bovespa, nem no caso da BM&F, porque tanto na "substituição" dos títulos da antiga Bovespa por ações da Bovespa Holding, quanto na alienação dos títulos da antiga BM&F para integralização de capital na Prosper Gestão, os antigos títulos foram avaliados pelo seu valor contábil com base no patrimônio líquido das associações, determinado à semelhança do método da equivalência patrimonial (MEP), e não pelo valor original de aquisição desses títulos. A tributação do valor em dinheiro ou do valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, a título de devolução de patrimônio, está prevista no art. 17 da Lei 9.532/1997: Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. As bolsas, tanto a Bovespa quanto a BM&F, durante o tempo em que foram organizadas na forma de associações civis sem fins lucrativos, desfrutando de benesses fiscais próprias para esse tipo de entidade, acumularam grande patrimônio, e a forma de apropriação desse patrimônio foi radicalmente alterada na chamada operação de desmutualização. É importante perceber que o lançamento fiscal não buscou desconstituir os eventos societários que, a partir das antigas bolsas (organizadas como associações sem fins lucrativos), criaram as atuais bolsas (estruturadas como sociedades anônimas), ou obstruir (nem mesmo tentar reverter) a destinação dos bens que já foi consumada nesse referido processo de transmutação das bolsas de valores. O que se buscou com o lançamento foi simplesmente dar o devido tratamento tributário que está previsto em lei, e que o acórdão recorrido pretendeu neutralizar adotando, a meu ver, um equivocado formalismo na sua linha de interpretação. Ficou bem evidente que o patrimônio que pertencia a uma associação sem fins lucrativos (no caso, à Bovespa), obrigada a destinar seu resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais, passou a pertencer a uma sociedade anônima, com evidente finalidade econômica e sem qualquer vinculação às regras impostas às entidades sem fins lucrativos, no que diz respeito à destinação dos resultados e do próprio patrimônio acumulado ao longo de muitos anos. O fato é que esse processo transferiu para a sociedade anônima destinatária (Bovespa Holding) a disponibilidade sobre os resultados auferidos durante todo o período no qual a associação se beneficiou de isenções tributárias, os quais, após esta operação, são passíveis de destinação aos agora acionistas da S/A sem as restrições legais anteriores. O texto do referido art. 17 da Lei nº 9.532/1997 não dá margem para uma linha de interpretação que coloca as hipóteses de devolução e de substituição (de patrimônio) Fl. 419DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 777 27 como possibilidades tão excludentes uma da outra, como se fossem conceitos jurídicos com conteúdos específicos e contrapostos. Devolver significa enviar de volta, restituir algo a alguém. E substituir significa colocar em lugar de, trocar. Nas próprias palavras do referido dispositivo legal, a devolução é de patrimônio, que pode estar representado por dinheiro, ou por quaisquer bens ou direitos. O que se devolve não são os próprios títulos (porque estes já pertenciam ao associado), e nem o mesmo patrimônio que o associado um dia entregou à associação para nela ingressar (o mesmo bem, o mesmo direito, etc.). O que se devolve é algum bem, algum direito, ou mesmo uma quantia em dinheiro que vai "substituir" os antigos títulos. No caso do art. 17 da Lei nº 9.532/1997, a devolução "de patrimônio" vai sempre se dar com a substituição dos títulos por alguma outra coisa. Aliás, se for para se apegar ao significado literal da palavra, nem se pode defender a idéia de que só haveria devolução se o que estivesse sendo devolvido fosse o próprio patrimônio da sociedade, porque o patrimônio da sociedade, na maioria dos seus itens, nunca pertenceu ao associado. O que se entrega para o associado é um patrimônio (representado por quaisquer bens, direitos ou dinheiro) em devolução (ou em substituição) de um patrimônio antigo do associado (também representado por quaisquer bens, direitos ou dinheiro), que ele um dia entregou para a associação. Até daria para aceitar a tese de que houve mera "substituição", na forma defendida pela contribuinte, se tivesse havido a troca dos títulos de uma instituição sem fins lucrativos por títulos de outra instituição sem fins lucrativos. Mas, diante do contexto ora analisado, não é razoável defender que houve mera substituição dos títulos de uma instituição sem fins lucrativos (entidade isenta de tributos) por ações de uma sociedade anônima, sem que se veja aí a devolução de um patrimônio formado após muitos anos de gozo de isenções tributárias. Registro novamente que a devolução de que trata o art. 17 da Lei nº 9.532/1997 é uma devolução de patrimônio, e não de um bem específico, de um direito específico, ou do mesmo valor em dinheiro que foi entregue anteriormente à associação. A devolução aqui tratada se caracteriza em função daquele que recebe algo "de volta" (no caso, um bem qualquer, um direito qualquer, ou uma quantia em dinheiro), e que é entregue por quem havia recebido algo anteriormente. Não é necessário que se devolva um item específico do patrimônio da associação. Nem mesmo importa se o que está sendo entregue a título de devolução chegou a ingressar efetivamente no patrimônio da associação. Se a associação entregou algo (ações da S/A) em "substituição" daquilo que gerava um vínculo específico dela com o associado (no caso, os títulos), não há como deixar de ver aí uma "devolução" de patrimônio, inclusive com extinção total ou parcial do vínculo que existia entre associado/associação sem fins lucrativos. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 778 28 Não há dúvida de que a associação, por meio de seus órgãos, participou dos atos que levaram aos eventos de desmutualização, e consentiu em devolver patrimônio aos seus associados. Essa devolução se deu por meio das ações da sociedade anônima que a associação também decidiu criar. O patrimônio que o associado tinha indiretamente, e que era representado pelos títulos da associação, deixou de existir. Esse patrimônio foi a ele devolvido, na forma de ações de uma S/A. A vontade individual do associado, em relação ao conjunto de eventos de transformação da bolsa, é irrelevante para que se possa visualizar a devolução de patrimônio. Basta notar que se tivesse ocorrido simplesmente a extinção da associação, com devolução de patrimônio aos associados, a tributação aqui em pauta se daria da mesma forma, independentemente de o associado ter ou não consentido individualmente com a extinção da associação. Desse modo, não há duvida de que a operação de desmutualização envolveu a devolução de patrimônio de entidade isenta, que era constituída como associação civil sem fins lucrativos. Há outras decisões do CARF que trataram dessa mesma matéria. Cito aqui trechos do Acórdão nº 1101000.833, orientado por voto da Conselheira Edeli Pereira Bessa, que traz elementos adicionais importantes para a correto tratamento da matéria, e que complementam os fundamentos do presente voto: No âmbito da incidência do IRPJ e da CSLL, a Lei nº 9.532/97, ao revogar o art. 28 do Decretolei nº 5.844/43, e o art. 30 da Lei nº 4.506/64, consolidou as regras para reconhecimento de isenção às associações civis sem fins lucrativos: [...] Nestes termos, a associação civil que atende aos requisitos legais e destina seu superávit, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais, está isenta dos tributos incidentes sobre o lucro. Caso esta associação devolva bens e direitos a pessoa jurídica que contribuiu para a formação de seu patrimônio, a diferença entre o valor recebido e o valor antes entregue à associação deverá ser adicionada à base de cálculo do IRPJ e da CSLL (art. 17, caput c/c §§ 3º e 4º da Lei nº 9.532/97). O Código Civil de 2002 somente cogita da destinação do patrimônio de uma associação em caso de dissolução, fixando que ela deve beneficiar entidade de fins não econômicos ou os associados que contribuíram para a formação daquele patrimônio: [...] Ao ser editado, o referido Código ainda trouxe algumas disposições transitórias para adaptação de todas as pessoas jurídicas, inclusive as associações, ao novo regime, estipulando prazo que foi prorrogado pela Lei nº 10.838/2004 e pela Lei nº 11.127/2005: Fl. 421DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 779 29 [...] Observase no referido diploma legal que as hipóteses de transformação, incorporação, cisão ou fusão somente foram previstas para sociedades, nos termos dos arts. 1.113 a 1.122, integrantes do Capítulo X (Da Transformação, da Incorporação, da Fusão e da Cisão das Sociedades) do Subtítulo II (Da Sociedade Personificada). Quando quis compartilhar as normas aplicáveis às sociedades com as demais pessoas jurídicas privadas, o legislador foi expresso: [...] Neste cenário jurídico, a dissolução da associação civil sem fins lucrativos deve resultar na destinação de seu patrimônio a entidade de fins não econômicos, idênticos ou semelhantes aos seus, ou favorecer os associados que contribuíram para a formação de seu patrimônio. E, caso bens e direitos sejam devolvidos a pessoa que contribuiu para formação do patrimônio da associação civil, haverá a incidência tributária prevista no art. 17 da Lei nº 9.532/97. Estas regras aplicamse, inclusive, em caso de dissolução parcial da associação civil, devendo o parágrafo único do art. 16 da Lei nº 9.532/97 ser interpretado à luz do Código Civil de 2002, que somente permite a transferência de bens e direitos do patrimônio das entidades isentas para o patrimônio de outra pessoa jurídica de fins não econômicos. Inexistindo a possibilidade de cisão da associação civil, ou mesmo de destinação de seu patrimônio a entidade de fins econômicos, o fato jurídico que converteu os títulos patrimoniais que a recorrente possuía em Bolsa de Valores em ações de Bolsa de Valores somente pode ser caracterizado como dissolução parcial da associação sem fins lucrativos, com devolução de patrimônio a associado, que utiliza este valor para aporte de capital na sociedade anônima referida. Em tais circunstâncias, a diferença entre o valor recebido e o valor antes entregue à associação deverá ser adicionada à base de cálculo do IRPJ e da CSLL (art. 17, caput c/c §§ 3º e 4º da Lei nº 9.532/97). Aliás, recente decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região orientase neste mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO MANDAMENTAL. IRPJ. CSSL. BM&F BOLSA DE MERCADORIAS E FUTURO DE SÃO PAULO. OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO. TÍTULOS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. LEI 9.532/97, ART. 17. INCIDÊNCIA NA ESPÉCIE. 1. O processo de desmutualização trouxe ganhos patrimoniais à impetrante que passou de simples associada da BM&F à detentora de ações na nova holding, acrescendo ao seu patrimônio as novas ações adquiridas com os valores que havia despendido para a formação da associação e que lhe fora devolvido. 2. A devolução implicou em aplicação de parte dos valores que compunha o patrimônio da associação em ações de empresa com fins lucrativos, o que desnatura o processo de sucessão legal das associações e autoriza a incidência de tributos em razão do acréscimo patrimonial experimentado pela impetrante. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 780 30 3. Não há que se falar em avaliação pelo método de equivalência patrimonial porquanto o Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), autoriza a utilização de tal método apenas na hipótese de investimentos em controladas e coligadas, não sendo este o caso dos autos. 4. Também não socorre a impetrante a Solução de Consulta nº 13 de 10/11/97, proferida antes da vigência da Lei 9.532/97. O mesmo vale para a aplicação da Portaria nº MF nº 785/77, já que esta cuidava de "constituição de reserva com os acréscimos no valor nominal dos títulos" e a exclusão de tais acréscimos ao lucro real, não sendo este o caso dos autos. 5. O processo de desmutualização autoriza a incidência do imposto de renda e da CSLL, como pretendido pelo Fisco, nos exatos termos do quanto disposto no artigo 17 da Lei nº 9.532/97. 6. Apelação que se nega provimento. (Apelação Cível nº 003517962.2007.4.03.6100/SP, processo nº 2007.61.00.0351795/SP, Relator Desembargador Federal Márcio Moraes, sessão de 19 de julho de 2012). Discordo, portanto, do I. Relator quando: · Admite a possibilidade de cisão de associação civil sem fins lucrativos com fundamento: no art. 2.033 do Código Civil de 2002, pois embora tais associações sejam uma das pessoas jurídicas de direito privado mencionadas no art. 44 do mesmo diploma legal (inciso I), a possibilidade de cisão destas pessoas jurídicas foi submetida à regência do Código, e este somente disciplinou tal procedimento relativamente às sociedades, pessoas jurídicas de direito privado referidas no inciso II do art. 44 de seu texto; no art. 174 do RIR/99, pois a base legal deste dispositivo é a Lei nº 9.532/97, anterior ao Código Civil de 2002, que estabeleceu o cenário jurídico antes mencionado; na prática civil, pois ainda que tal ocorra, e não há demonstração neste sentido, é necessário distinguir hipóteses como a presente, na qual a destinação do patrimônio ocorre em favor de uma entidade de fins econômicos; no arquivamento dos competentes atos sociais, sem objeção pelos órgãos públicos de registro, na medida em que os registros de dissolução parcial da associação civil e de constituição da sociedade anônima são independentes, em órgãos distintos. · Não vislumbra a devolução de patrimônio sujeita à tributação porque: não haveria solução de continuidade da BM&F, nem mesmo extinção de uma associação e constituição imediata de pessoas jurídicas diferentes, apesar de evidenciado que, na parte aqui tributada, o patrimônio antes administrado por uma associação sem fins lucrativos, obrigada a destinar seu resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais, passou a ser administrado por uma sociedade anônima, Fl. 423DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 781 31 com evidente finalidade econômica e sem qualquer vinculação às regras impostas às entidades sem fins lucrativos; houve mera transmutação de valores mobiliários, em estrita paridade patrimonial, sem que tenham ocorrido quaisquer perdas ou ganhos, apesar desta transmutação ter transferido à sociedade anônima destinatária a disponibilidade sobre os resultados auferidos durante todo o período no qual a associação se beneficiou da isenção tributária, os quais, após esta operação, são passíveis de qualquer destinação sem as restrições legais anteriores; a hipótese de incidência somente se verificaria quando, por ventura, as ações fossem alienadas, pois neste momento, para afastar o lançamento, bastaria à alienante demonstrar que, juridicamente, o fato gerador previsto em lei ocorrera no momento em que a associação civil sem fins lucrativos foi dissolvida, ainda que parcialmente. Demais disso, considerando que a sociedade anônima então constituída sofrerá mutações patrimoniais em razão de suas atividades não mais isentas, seria necessário um controle específico das ações gravadas com o passado de atividade isenta para aferir, em eventual alienação, qual parcela daqueles resultados antes beneficiados foram realizados segundo o conceito pretendido, em total afronta à disciplina legal fixada. Adicionalmente cabe também refutar outras alegações que a recorrente apresentou em sua defesa: · Não teria havido devolução patrimonial pela BM&F, mas sim transformação, na modalidade cisão, o que resultou na destinação de parte de seu patrimônio para o aumento de capital de uma sociedade anônima: os titulares das ações decorrentes deste aumento de capital são as sociedades corretoras de valores que antes integravam a associação, e não havendo previsão legal para a cisão desta, e quanto menos de destinação de seu patrimônio a entidade com fins econômicos, a disponibilização destes valores somente se efetiva mediante devolução do patrimônio aos associados e destinação, por estes, à sociedade anônima; · A cisão foi parcial e a BM&F continuou existindo, reunindo o patrimônio não operacional: inexistindo a previsão legal de cisão de associação civil, e somente podendo se cogitar de transferência de patrimônio de uma associação civil em favor de uma entidade de fins não econômicos, o ato praticado caracterizase como devolução parcial do patrimônio aos associados; · Há solução de consulta anterior no qual operação semelhante realizada por outra associação, há cerca de dez anos, não ensejou a apuração de ganho de capital em favor dos associados: a hipótese legal de incidência em razão da caracterização de ganho de capital surgiu com a Lei nº 9.532/97, e as associações civis submeteramse a novo regramento com a edição do novo Código Civil, em 2002, de modo que operação ocorrida em contexto legal anterior não serve como paradigma para validar a operação aqui questionada; · A Junta Comercial do Estado de São Paulo seria a autoridade competente para avaliar o procedimento societário: a pretendida cisão de uma associação civil, correspondente à sua extinção parcial, não está sujeita a registro na Junta Comercial, mas sim no Registro Civil das Pessoas Fl. 424DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 782 32 Jurídicas. À Junta Comercial do Estado de São Paulo coube, apenas, registrar os estatutos da nova sociedade anônima, inexistindo qualquer prova de que neste procedimento tenha sido convalidado o aporte de patrimônio vertido de associação civil; · Não haveria óbice legal à transformação, na modalidade cisão, de qualquer sociedade ou associação: a cisão é procedimento que somente passou a existir com a Lei nº 6.404/76, e sem esta previsão legal, era necessário que a sociedade devolvesse capital a seus sócios para que estes utilizassem tal parcela para integralização em outra sociedade. Não basta inexistir óbice legal, é preciso que haja previsão legal para que a forma jurídica “cisão” possa ser adotada. Inexistindo previsão legal para cisão de associação civil, o ato praticado somente pode ser caracterizado como devolução parcial do patrimônio aos associados, e assim ensejar a aplicação do art. 17 da Lei nº 9.532/97; · Os ativos patrimoniais teriam sido vertidos do patrimônio da associação BM&F para o patrimônio da sociedade anônima que surgiu pela cisão, pelo valor contábil: a sociedade anônima foi constituída com um capital equivalente ao valor do patrimônio devolvido pela associação aos seus associados. Em que pese a equivalência de valores, não era possível a versão direta de patrimônio da associação civil para a sociedade anônima, nem há evidências de que assim se fez na proposta de Estatuto das sociedades anônimas constituídas (fls. 272/306). Portanto, necessariamente ocorreu a devolução de patrimônio aos associados antes destes subscreverem as ações da nova sociedade com estes mesmos valores. E, mesmo na visão da recorrente, não se pode olvidar que a associação civil teria destinado patrimônio a entidade de fins econômicos, transmitindolhe os resultados beneficiados com isenção de IRPJ e CSLL, em afronta às condições legais deste benefício, especialmente a necessária destinação de seus resultados às atividades sem fins lucrativos. Em tais condições, a lei não cogita da suspensão da isenção, mas sim da tributação dos beneficiários daqueles rendimentos; · Em termos de valor absoluto nada teria mudado na contabilidade dos associados: isto porque foi dado indevidamente o tratamento de cisão, que tem como característica a permuta de ações/quotas no patrimônio do investidor. Não sendo possível a cisão da associação civil, a devolução do patrimônio com os rendimentos por ele produzidos durante o período que permaneceu sob a administração da entidade isenta, em confronto com o custo contabilizado deste aporte antes feito pelo associado, revela riqueza tributável segundo o disposto no art. 17 da Lei nº 9.532/97; · O custo para fins de apuração do resultado tributável seria aquele contabilizado no momento da cisão, pois há regras do BACEN e da CVM, além do art. 3º do Decreto Lei nº 1.109/70 e da Lei nº 8.849/94, e suas alterações, que determinam o registro em Patrimônio Líquido da contrapartida da diferença resultante entre o valor inicialmente contabilizado e o valor do patrimônio da Bolsa proporcional ao título detido pelo associado: as leis referidas afastam a incidência tributária sobre distribuição de lucros quando estes, mantidos em contas de reservas, sem distribuição, são utilizados para aumento de capital, bem como estabelecem presunções de distribuição se a incorporação é seguida ou precedida de redução do capital com devolução aos sócios. A Portaria MF nº 785/77 declarou que o acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, Fl. 425DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 783 33 em decorrência de alteração de seu patrimônio social não constitui receita nem ganho de capital, desde que mantido em reserva, providência, inclusive, determinada pelo BACEN. Nestes termos, enquanto não alienado ou baixado o investimento que gerou aquele rendimento, não há incidência de IRPJ e CSLL como extensamente justificado no início deste voto. A devolução de patrimônio pela associação isenta nada mais é do que a baixa deste investimento, e a apuração do ganho de capital deve observar o diz a legislação, consoante já expresso neste voto, integrando a hipótese de incidência expressa no art. 17 da Lei nº 9.532/97, que expressamente alcança todo o acréscimo auferido entre o aporte inicial e a devolução do patrimônio. Em suma, inexiste tributação se o patrimônio da associação isenta com ela permanece ou é destinado a outra entidade sem fins econômicos, consoante permite o Código Civil. Se o patrimônio é destinado a entidade com fins econômicos, o que pressupõe, necessariamente, a sua devolução aos associados, há realização dos resultados segundo a determinação legal e, por conseqüência, incidência de IRPJ e CSLL quando o beneficiário deste ganho é pessoa jurídica; · O entendimento da Solução de Consulta COSIT nº 10/2007 estabeleceria nova regra de tributação, desqualificaria a escrituração contábil dos associados e arbitraria o lucro: a regra de tributação foi fixada pela Lei nº 9.532/97 e a hipótese de incidência ocorreu tal qual interpretado na Solução de Consulta referida, na medida em que não houve cisão parcial da associação civil, mas sim devolução parcial de seu patrimônio aos associados, que o destinaram à constituição de uma entidade com fins econômicos, em total afronta às exigências fixadas em lei para manutenção dos efeitos da isenção dos resultados de entidades sem fins lucrativos; · Não há previsão de ajuste do lucro líquido na lei para refletir a valorização dos títulos, e, por conseqüência, não há incidência de CSLL sobre estes valores: o art. 17, §4º da Lei nº 9.532/97 estabelece que a base de cálculo expressa no caput do dispositivo prestase, não só à adição ao lucro real, como também para determinação da base de cálculo da CSLL. Assim, caracterizada a devolução parcial de patrimônio aos associados, há fundamento legal para exigência, também, da CSLL. As disposições do art. 17 da Lei 9.532/1997 bastariam para a tributação dos ganhos auferidos com os títulos patrimoniais da antiga Bovespa. É que nessa hipótese de recebimento de dinheiro/bens/direitos a título de devolução de patrimônio de instituição isenta, a lei é clara em definir que a apuração do ganho tributável se dá levandose em conta o valor original de aquisição dos antigos títulos (valor entregue para a formação do patrimônio da associação). Ocorre que nos processos de desmutualização, os contribuintes normalmente alegam que na devolução/substituição de patrimônio não haveria mesmo ganho de capital, porque a devolução/substituição se dá pelo valor contábil dos títulos, que deve corresponder ao valor de aquisição dos títulos somado aos acréscimos acumulados ao longo dos anos, de acordo com a variação do patrimônio das bolsas. E para defender a ideia de que esses acréscimos devem compor o valor dos títulos, para fins de apuração do ganho de capital, os contribuintes procuram demonstrar que a avaliação de seus antigos títulos patrimoniais deve ter tratamento fiscal equiparável ao método de equivalência patrimonial (MEP). Fl. 426DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 784 34 Conforme já destacado no tópico da preliminar, essa questão relativa ao valor dos antigos títulos para fins de apuração do ganho tributável afeta igualmente a tributação referente à "substituição" dos títulos da antiga Bovespa e a tributação referente à alienação dos títulos da antiga BM&F. Essa, aliás, é a razão pela qual o acórdão recorrido tratou conjuntamente das duas infrações, utilizando os mesmos fundamentos para cancelar o lançamento nesses dois itens, e também a razão pela qual os paradigmas serviram para configurar a divergência não apenas em relação ao ganho com os títulos da Bovespa, mas também com os da BM&F. O que a contribuinte defende (tese que foi acolhida pelo acórdão recorrido) é um mecanismo de cálculo que proporciona a majoração do valor dos antigos títulos patrimoniais das associações, de modo equivalente ao que ocorre no método da equivalência patrimonial MEP, para fins de neutralizar o ganho de capital auferido, e afastar a tributação, seja em relação aos títulos da Bovespa, seja em relação aos títulos da BM&F. A primeira observação a fazer é que as normas infralegais editadas pelo CMN, Bacen e CVM não tem o escopo de definir efeitos tributários para as situações sob exame, até porque não é essa a finalidade das normas editadas pelos referidos órgãos. Nesse sentido, transcrevo trecho do voto exarado pelo Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar no Acórdão nº 1402002.073, de 20/01/2016, onde se examinou questões semelhantes em torno de um outro caso de desmutualização (CETIP): Competência da Secretaria da Receita Federal para analisar os efeitos tributários da operação de desmutualização da CETIP. A competência da Secretaria da Receita Federal está definida no art. 15 do Decreto n° 7.482/2011. A seguir destacamos os itens que consideramos mais relevantes para o presente caso: [...] Ao analisarmos os elementos contidos no processo, e em especial o Termo de Verificação Fiscal, constatamos que a fiscalização seguiu os seguintes passos: i) descreveu os fatos (item 2.1 descrição dos fatos); ii) interpretou a legislação (item 2.2 do direito aplicado); iii) quantificou a base de cálculo e deu esclarecimentos sobre o lançamento (itens 2.3 e 4). O trabalho fiscal resumiuse à interpretação dos fatos à luz da legislação tributária, conforme demonstra trecho a seguir reproduzido com as conclusões específicas sobre a desmutualização (fls. 1399/1400): [...] Em nenhum momento, a fiscalização apreciou questões relativas à aplicação da legislação que disciplina o funcionamento do mercado de valores mobiliários e a atuação dos diversos integrantes do mercado. Nem tampouco, questionou a validade da operação sob a ótica do desenvolvimento dos negócios com valores mobiliários. A fiscalização limitouse a analisar a operação sob o ponto de vista fiscal, aplicando norma tributária relativa à apuração de ganho de capital. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 785 35 É equivocado falarse em "competência para afastar a natureza da operação". No Direito Administrativo, competência é a aptidão de uma autoridade pública para a efetivação de certos atos. As esferas de competência da Comissão de Valores Mobiliários e da Secretaria da Receita Federal são distintas e bem delimitadas, podendo um mesmo fato ser infração tributária mas não configurar ilícito à legislação que regula o funcionamento do mercado de valores mobiliários. O escopo da CVM ao analisar a operação de desmutualização da CETIP é, grosso modo, zelar pelo bom funcionamento do mercado de valores mobiliários, garantindo a confiabilidade e a regularidade das informações divulgadas pelas companhias e os demais integrantes do mercado. A regularidade da operação perante as normas que estão na esfera de sua competência não implica a inexistência de ilícito na esfera fiscal. A Secretaria da Receita Federal aprecia os fatos e as normas relativas à legislação dos tributos e demais receitas sob sua administração, exercendo a fiscalização e aplicando as penalidades nelas previstas. Concluise, pois, que a autoridade fiscal exerceu a competência que lhe é atribuída pela legislação, não se identificando em sua atuação qualquer incoerência com atos de outros órgãos da Administração Federal, uma vez que as normas aplicadas ao mesmo fato são de naturezas distintas. Embora as referidas normas do CMN, do Bacen e da CVM, estavam (e estão) voltadas para o controle do patrimônio das bolsas, elas não podem produzir o efeito pretendido pela contribuinte em relação ao seu próprio patrimônio, especificamente no que diz respeito a questões tributárias envolvendo seus antigos títulos patrimoniais, no sentido de se aplicar o MEP (ou outro método que lhe seja equiparável) para neutralizar o ganho de capital que devia ter sido reconhecido tanto na operação de desmutualização da Bovespa, quanto na alienação dos títulos da BM&F. Essa questão sobre a aplicação do MEP já foi bem examinada pela Receita Federal, quando ela proferiu a Solução de Consulta nº 10 Cosit, em 26/10/2007: DO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL 18. Mutatis mutandi, aplicamse as mesmas razões, retro aduzidas, para se refutar o entendimento, exarado na SC 13/97, de que seja aplicável o método da equivalência patrimonial (MEP) para a avaliação do ativo das corretoras representativo do título patrimonial das bolsas de valores. Ora, o MEP é criação, no direito pátrio, também da Lei nº 6.404, de 1976. Ademais, a referida Portaria nº 785, de 1977, do Ministro de Estado da Fazenda, citada na SC 13/97, em momento algum assim dispôs, se não vejamos os seus termos: [...] 19. Como se vê, em nenhum momento a Portaria determinou que se aplicassem as normas da Lei nº 6.404, de 1976, que disciplinam o MEP para avaliação dos investimentos das sociedades corretoras nas bolsas de Fl. 428DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 786 36 valores, como afirma a SC 13/97. Na verdade, se observarmos o que determina a alínea “m” do art. 223 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 76.186, de 1975, que fundamentou a aludida interpretação ministerial, verificaremos que tal Portaria se referia a quinhões ou frações ideais recebidas pelos associados em decorrência de meros aumentos de capital da bolsa de valores, nada a ver, portanto, com o MEP. Vale, assim, trazer à colação o art. 223, alínea “m”, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 76.186, de 1975, in verbis: [...] 20. Aliás, seria mesmo impossível o Ministro da Fazenda, com fundamento na norma regulamentar expedida em 1975 (art. 223, “m”), autorizar a aplicação do MEP, instituto que só veio a ser instituído no ordenamento pátrio um ano depois, pela Lei nº 6.404, de 1976. Com efeito, ao se revelar o verdadeiro sentido da Portaria nº 785, de 1977, verificase que ocorreu um erro interpretativo ao se confundir a situação tratada nos referidos atos normativos com o MEP. 21. Além disso, na SC 13/97, não foi observado que o item “II” da referida Portaria nº 785, de 1977, condiciona a aplicação do item I a que seja cumprido o disposto no art. 3º, § 3º do DecretoLei nº 1.109/70, que se assim dispunha: [...]. 22. Ora, até os aumentos nominais dos títulos patrimoniais em virtude de aumento do capital social das bolsas de valores ficam, conforme referida Portaria, sujeitos à tributação em caso de extinção ou de redução do capital social (a qualquer título) da bolsa de valores. Verifiquese que qualquer alteração no valor do ativo das sociedades corretoras que registre o título patrimonial das bolsas de valores só encontra amparo em tal Portaria, a qual autorizou também a postergação da tributação de tais acréscimos, para quando houver a redução do capital social da bolsa de valores ou a própria extinção dela. Se for alegado e comprovado que tal Portaria não tinha base legal, estará prejudicada tanto a autorização para acrescer ao patrimônio das sociedades corretoras como a própria postergação da tributação. 23. Por sua vez, equivocase também a consulente ao afirmar que o Ofício Circular CVM nº 325, de 1979, e a Carta Circular nº 1.273, de 1987, do Banco Central do Brasil, teriam obrigado as sociedades corretoras de valores a avaliarem seus títulos patrimoniais das bolsas de valores (associações) pelo MEP, se não vejamos o que se segue. 24. Não obstante o art. 9º da Resolução CMN nº 2.690, de 2000, determinar que as bolsas de valores, ao final de cada período, devam apurar o valor do patrimônio social com base nas demonstrações financeiras feitas de acordo com procedimentos e critérios adotados pelas sociedades anônimas, não autoriza que as sociedades corretoras possam avaliar seus títulos patrimoniais de associações (bolsas de valores) pelo MEP, mesmo porque sequer a norma indicada teve como destinatário as sociedades corretoras. 25. Entretanto, acrescenta a consulente que, uma vez observado o art. 9º da Resolução CMN nº 2.690, de 2000, as mutações patrimoniais sofridas pelas bolsas de valores teriam reflexos nas sociedades corretoras, por força Fl. 429DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 787 37 do disposto no Ofício Circular CVM nº 325, de 1979, e na Carta Circular nº 1.273, de 1987, do Banco Central do Brasil, os quais teriam obrigado as sociedades corretoras de valores a avaliarem seus títulos patrimoniais das bolsas de valores (associações) pelo MEP. Há que se refutar de plano tal alegação antes mesmo de analisar o teor dos referidos documentos, pois seria uma afronta ao princípio da legalidade e ao Estado de Direito se atos infralegais (cartas circulares e ofício) pudessem derrogar o art. 248 da Lei nº 6.404, de 1976, o qual dispõe que o MEP só se aplica aos investimentos em sociedades. Nem sequer o poder regulamentar conferido à CVM pela Lei nº 6.404, de 1976, poderia autorizar tamanha quimera, pois o § 1º do art. 235 da referida norma é claro ao dispor que as normas expedidas pela CVM sujeitam apenas as companhias abertas. 26. A situação fica ainda mais transparente, quando analisamos o teor dos documentos citados pela consulente. A Carta Circula nº 1.273, de 1987, do Banco Central do Brasil, apenas determina que as sociedades corretoras observem normas consubstanciadas no COSIF, mas, de forma nenhuma e em nenhum momento, a referida norma infralegal autorizou que se avaliassem investimentos em associações pelo MEP. Para que não reste dúvida sobre tal assertiva, vale transcrever in totum as disposições da referida Carta circular nº 1.273: [...] 27. Como se vê, não há na Carta Circular acima transcrita qualquer autorização ou determinação para que as sociedades corretoras avaliem seus ativos representativos dos títulos patrimoniais das bolsas de valores pelo MEP. 28. Com o fito de expor ainda mais o desacerto da consulente e da SC 13/97, analisemos também o já revogado art. 10 da Resolução Bacen nº 1.656, de 1989, que aprovou o Regulamento que disciplinava a constituição, a organização e o funcionamento das bolsas de valores, por força do disposto, à época, no art. 18 da Lei nº 6.385, de 1976, que assim dispunha: [...] 29. O parágrafo 1º do art. 10 acima transcrito não foi repetido na Resolução CMN nº 2.690, de 2000, que atualmente consolida as normas que disciplinam a constituição, a organização e o funcionamento das bolsas de valores, sendo que o disposto nos seus artigos 6º, 7º e 9º indicam que as bolsas de valores não podem mais alterar o valor dos títulos patrimoniais, pois agora, se quiserem, podem emitir novos títulos e colocálos em leilão, conforme a seguir se depreende da inteligência dos referidos artigos: [...] 30. O que tais dispositivos determinam não se confunde com equivalência patrimonial, primeiro porque o MEP é método de avaliação de investimento e não, método de apuração de patrimônio social. O que os aludidos dispositivo tratam é da apuração do próprio patrimônio das bolsas de valores e como deve ser repartido pelo número de títulos patrimoniais e da emissão de novos títulos. De qualquer sorte, tais dispositivos não autorizaram as sociedades corretoras a avaliarem seus títulos patrimoniais pelo MEP, mesmo porque vale lembrar aos mais desatentos, que a contrapartida do MEP não se resume somente a resultados, mais a outros Fl. 430DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 788 38 elementos, v.g., perdas e ganhos por variações societárias etc., os quais não entram na simples apuração do valor patrimonial da associação. 31. Verificado que as alegações do consulente são improcedentes, concluise que nunca estiveram as sociedades corretoras autorizadas a avaliar as cotas ou frações ideais do patrimônio das bolsas de valores pelo MEP. Estavam, sim, autorizadas pela Portaria nº 785, de 1977, a postergar a tributação sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das cotas ou frações ideais recebidos em virtude de aumento do capital social das bolsas de valores para o momento em que houvesse a redução do capital ou até mesmo a extinção dessas associações. A mesma questão também já foi examinada por outras decisões do CARF. Nesse sentido, cito outro trecho do voto proferido pela Conselheira Edeli Pereira Bessa no já referido Acórdão nº 1101000.833: A Resolução nº 1.656/89 do Conselho Monetário Nacional, ao disciplinar a constituição, a organização e o funcionamento das Bolsas de Valores, definiu sua natureza e objeto social nos seguintes termos: [...] O patrimônio social das Bolsas de Valores era formado mediante realização em dinheiro e dividido em títulos patrimoniais, colocados no mercado mediante leilão para aquisição pelas sociedades corretoras membros (art. 7º c/c art. 25 da Resolução CMN nº 1656/89). O valor nominal destes títulos patrimoniais era atualizado anualmente com base nas demonstrações financeiras do exercício social (art. 10 da Resolução CMN nº 1.656/89). Consoante observou o I. Relator no voto proferido na sessão de 08/05/2012, a conduta da recorrente teve em conta o disposto na Circular BACEN nº 1.273/87, responsável por criar o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – COSIF, in verbis: [...] O Capítulo 1, item 11, subitem 3, §3º do Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – Cosif estabelece que a conta utilizada para registro dos títulos patrimoniais pertence ao grupo do Ativo Permanente – Investimentos (contas Cosif 2.1.4.10.10.000183, 2.1.4.10.20.00037 e 2.1.4.10.20.00040), e que a Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais é registrada na conta Cosif 6.1.3.709, que integra o Patrimônio Líquido – Reserva de Capital. Consoante explicita a Fiscalização, este ganho obtido pela atualização dos Títulos Patrimoniais estava sujeito à tributação conforme definido pelo parágrafo único do art. 219 do RIR/99. Porém, estas operações contábeis foram objeto da Portaria MF nº 785/77, que assim classificou os resultados destas atualizações: [...] É possível também interpretar, como disse o I. Relator em seu voto apresentado na sessão de 08/05/2012, que tais variações, por não Fl. 431DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 789 39 transitarem em conta de resultado, dependeriam de determinação legal expressa para seu cômputo na apuração do lucro real, a teor de outra disposição do RIR/99: Art. 249. [...]; Ocorre que a alienação destes títulos patrimoniais pelas sociedades corretoras pode se verificar por valor superior ao de aquisição, e o debate, então, cingese à existência, ou não, de ganho de capital suscetível de tributação na forma estabelecida pelo Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 (RIR/99): art. 418 [...] art. 425 [...]; Defende a recorrente que o valor contábil do bem corresponderia àquele atualizado, periodicamente, em sua contabilidade, para equivalência ao patrimônio social da Bovespa. Todavia, como bem apontou o I. Relator em seu voto proferido na sessão de 08/05/2012, o “custo contábil” a que alude a legislação, obviamente, é aquele suportado na ocasião da aquisição dos bens do ativo permanente, devidamente escriturado. As únicas modificações permitidas, na conformação destes montantes, são condizentes a sua correção monetária, banda uma, e à dedução de depreciação, amortização ou exaustão acumulada, banda distinta. De fato, como aventa a recorrente, há, aqui, semelhanças procedimentais com o Método de Equivalência Patrimonial, que pode resultar em acréscimos periódicos não tributáveis (art. 389 do RIR/99), e ainda assim representativos do valor contábil do investimento, para fins de apuração do ganho de capital em eventual alienação. Mas o cenário que autoriza este entendimento é totalmente distinto daquele no qual a contribuinte busca sua aplicação. Inicialmente devese observar que o Método da Equivalência Patrimonial é critério contábil de avaliação de ativos, reconhecido pela Lei nº 6.404/76 e pela doutrina contábil, diversamente da atualização determinada pelas referidas Resoluções do Banco Central. Na seqüência, há que se considerar que este acréscimo não é tributável porque resulta de operações de uma sociedade controlada ou coligada cujo acréscimo patrimonial está sujeito à tributação, diversamente da atualização em referência, que tem por lastro os superávits de uma associação civil sem fins lucrativos. Por fim, a investidora que é obrigada a atualizar o valor contábil de seu investimento pelo Método da Equivalência Patrimonial tem poderes para influenciar nas decisões da investida, em razão da relevância do investimento, diversamente da sociedade corretora, que só pode cogitar da realização dos resultados auferidos por intermédio do título patrimonial representativo de sua participação na BOVESPA em caso de sua alienação. Outra não poderia ser a conclusão, em tais condições, senão que os resultados reconhecidos periodicamente, em razão desta participação em associação civil sem fins lucrativos, não afetam o lucro tributável das sociedades corretoras no momento de seu registro, mas também não podem afetar a apuração do ganho de capital no momento de sua alienação, de modo que a tributação incida no momento da realização efetiva dos resultados antes contabilmente reconhecidos por determinação do Banco Central do Brasil. A interessada ainda invoca os efeitos dos Pareceres Normativos CST nº 78/78 e 107/78, que trataram dos efeitos tributários dos resultados de equivalência patrimonial promovidos em razão de determinações do Banco Central do Brasil. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 790 40 O Parecer Normativo CST nº 78/78 aborda o alcance das normas tributárias acerca dos métodos de avaliação de investimentos. De seu texto, extraise: [...] Como se vê, referido ato normativo apenas esclarece que, nas hipóteses em que o Banco Central do Brasil ou a Comissão de Valores Mobiliários determinar que investimentos outros, que não aqueles previstos no Decretolei nº 1.598/77, sejam avaliados pelo método da equivalência patrimonial, o Fisco não poderá desqualificar esta operação, e deve atribuir ao resultado os efeitos que a legislação prevê no âmbito da equivalência patrimonial. Se não for este o caso, orienta o Parecer Normativo CST nº 107/78: 5. Inexistindo relevância ou influência na participação societária, o investimento se refletirá no balanço da investidora a custo contábil, é dizer, a custo de aquisição corrigido monetariamente, por força do art. 183, item III, da Lei n.º 6.404/76. A eventual avaliação desses investimentos acima dos custo de aquisição corrigido será considerada reavaliação tributável, observado quando for o caso o disposto no artigo 35 do Decretolei n.º 1.598/77. Todavia, a perda patrimonial registrada por esse processo não será dedutível na apuração do lucro real, excetuado o caso de provisão admitida nos termos do artigo 32 do Decreto n.º 1.598. Contudo, nenhuma razão existe para se cogitar, aqui, que a determinação fixada pelo Banco Central do Brasil, no sentido de que os títulos patrimoniais detidos pelas sociedades corretoras sejam atualizados periodicamente em razão do patrimônio da Bovespa, represente hipótese de avaliação de investimentos por valor de patrimônio líquido, em situações que não as referidas no § 4º do artigo 20, do Decretolei n. 1.598/77, mencionada no Parecer Normativo CST nº 78/78. Inadmissível cogitar de avaliação de investimento por valor de patrimônio líquido se não há nem investimento, no sentido de participação societária, nem patrimônio líquido, na medida em que se está tratando de um título patrimonial representativo do patrimônio social de uma associação civil sem fins lucrativos. A interpretação integrada, orientada pelo Parecer Normativo CST nº 78/78, diante das circunstâncias específicas da situação presente, é aquela expressa na Portaria MF nº 785/77, que afasta qualquer incidência sobre atualização patrimonial reconhecida contabilmente por determinação do Banco Central do Brasil, mas sem qualquer disponibilidade econômica ou jurídica, e que tem por reverso a inadmissibilidade destas parcelas como redutoras do ganho de capital na alienação, caso o valor da alienação disponibilize, à sociedade corretora, a atualização antes reconhecida contabilmente. De toda sorte, ainda que se interprete literalmente o §1º do art. 418 do RIR/99, de modo a adotar como valor contábil do bem o montante pelo qual ele estiver registrado na escrituração do contribuinte, independentemente das operações que ensejaram aquele resultado, não se pode olvidar que contabilmente também está registrado, no patrimônio líquido da sociedade corretora, o total das atualizações promovidas desde a aquisição do título patrimonial, em conta de reserva de capital. E tal reserva deve ser baixada no momento em que o ativo que a justifica também o é. Em conseqüência, Fl. 433DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 791 41 se a apuração do ganho de capital deve ter em conta o valor contábil do bem, no montante defendido pela recorrente, a reserva assim baixada deve necessariamente integrar o resultado tributável, o que mantém inalterada a presente exigência, no que tange ao primeiro grupo de infrações apreciado pelo I. Relator. É muito evidente que o cenário em que se aplica o MEP é muito distinto daquele no qual a contribuinte busca sua aplicação. Nas situações em que existe a presença de uma empresa investidora e de uma empresa investida, conforme previsto na Lei das S/A, a não tributação da investidora em momento posterior (em uma eventual transação com as ações/cotas que possui) está ligado ao fato de que o acréscimo patrimonial da investida já foi submetido à tributação em momento anterior, situação muito diferente do caso sob exame, em que os aumentos patrimoniais experimentados pelas associações civis (Bovespa e BM&F) não sofreram tributação, justamente porque elas eram entidades sem fins lucrativos, que gozavam de benesses fiscais. Esse é o ponto central que distingue o caso sob exame daqueles onde o MEP é regularmente aplicado, produzindo os efeitos tributários que a contribuinte inadequadamente reivindica aqui. Também é importante mencionar outras considerações sobre a Portaria MF nº 785/1977, constantes do voto que orientou o Acórdão nº 1302001634, de 05/02/2015, da lavra do Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior: Nona questão: o inciso II da Portaria 785 não limita a tributação ao ganhos ocorridos nos últimos 5 anos anteriores a alienação? A pergunta se faz necessário porque alguns cometem o erro crasso de concluir que só poderia ser tributado o aumento do valor contábil da cota ocorrido nos últimos 5 anos, por causa do que dispõe o inciso II da Portaria 785, in verbis: “II. Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no DecretoLei nº 1.109/70, art. 3º, § 3º (RIR, art. 237).” Isso porque o referido art 3º, §3º, do DecretoLei 1.109/70 assim preceituava: "Art. 3º Os aumentos de capital das pessoas jurídicas mediante a incorporação de reservas ou lucros em suspenso não sofrerão tributação do impôsto de renda. (...) § 3º Ocorrendo a redução do capital ou a extinção da pessoa jurídica nos 5 (cinco) anos subseqüentes o valor da incorporação será tributado na pessoa jurídica como lucro distribuído, ficando os sócios, acionistas ou titular, sujeitos ao impôsto de renda na declaração de rendimentos, ou na fonte, no ano em que ocorrer a extinção ou redução.” Parece incontroverso que é flagrantemente ilegal a Portaria 785, por ofensa frontal ao princípio da legalidade tributária, o qual ao meu ver obsta que se discipline aspectos da hipótese de incidência tributária por meio de atos infralegais. Fl. 434DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 792 42 Por outro lado, ainda que legal fosse a Portaria 785, de 20/12/1977, não seria mais aplicável a partir da entrada em vigor do DecretoLei 1.598/77, dez dias depois da publicação daquela (01/01/1978), já que o Decretolei regulou inteiramente a matéria de que tratava a Portaria, ou seja, como se avaliar ativos, senão vejamos os dispositivos legais: Art 31 Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, inclusive por desapropriação (§ 4º), na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente. § 1º Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte, corrigido monetariamente e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada. Não temos dúvida de que a cota da associação era à época contabilizado no ativo permanente da recorrente. Disso resulta que, ainda que a malfadada Portaria 785, de 20/12/1977, não ferisse o figurino constitucional, ela só poderia viger por 10 dias, já que o DL 1.598/77, que começou a ser aplicado ao IRPJ a partir de 1/01/1978 (art. 67) disciplinou inteiramente a matéria. Digamos, assim, que houve um aumento do valor da cota em 31/12/1977, devido aos resultados da Bovespa e às ilegais previsões da Portaria 785. Ora, a partir de 01/01/1978, tal ajuste do valor contábil da cota não era mais possível, pois o DL 1.598/77 claramente dispunha quais as possibilidades de alteração do valor contábil: correção monetária, depreciação, amortização ou exaustão. É verdade que o DL 1598/77 disciplinou os efeitos do MEP na tributação, sendo que, os seus preceitos afastam qualquer possibilidade de aplicação desse método para ajustar o valor contábil de cota de associação, senão vejamos: Art 21 Em cada balanço o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no artigo 248 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e as seguintes normas: Ora, o DL 1.598/77 regulou o MEP previsto na Lei das S/A, a qual conforme já exaustivamente demonstrado não se aplica às Associações. Aliás, que as cotas de participação em uma Associação não podem ser ajustadas pelo MEP é uma verdade que o Ministro Simonsen já tinha como inafastável, tanto que ao publicar a Portaria 785, em 1977, nada falou sobre MEP, embora tenha disciplinado algo muito próximo do que seria o MEP. Alfim, fica claro que, ainda que não ofendesse a legalidade, a Portaria 785, de 20/12/1977, deixou de viger, com entrada em vigor do DL 1.598/77 a partir de 01/01/1978, ou seja, 10 dias depois. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 793 43 Observo que, por uma questão de praticidade, em vários pontos me referir apenas a Bovespa, mas registro que todas as conclusões se aplicam também a operação ocorrida com a BM&F. [...] Vêse que a contribuinte deixou de possuir títulos patrimoniais de associações isentas e passou a ter ações/cotas de sociedades empresárias. A contribuinte recebeu ações da Bovespa Holding a título de devolução de patrimônio da antiga Bovespa. Na sua visão, ela recebeu as ações da Bovespa Holding em "substituição" aos títulos da antiga Bovespa. Além disso, a contribuinte entregou os títulos da antiga BM&F e recebeu cotas da Prosper Gestão. Essas operações podem ser analisadas por diferentes perspectivas, mas o que importa é que, seja como devolução de patrimônio, substituição de títulos, ou alienação sob qualquer forma, não há base legal que ampare a majoração do valor dos antigos títulos patrimoniais das associações, de modo equivalente ao que ocorre no método da equivalência patrimonial MEP, para fins de neutralizar o ganho de capital auferido com as mencionadas operações. O art. 440 do RIR/1999, ao contrário do que sustenta o acórdão recorrido, também não ampara a pretensão da contribuinte. Não estamos tratando aqui "do aumento do valor de bens do ativo em virtude de reavaliação na fusão, incorporação ou cisão". Tampouco estamos tratando de eventos entre sociedades empresárias. Como já mencionado, a questão envolve a apropriação, pela contribuinte autuada, de resultados auferidos e acumulados pelas antigas bolsas/associações durante todo o período em que elas desfrutaram de benefícios fiscais (apropriação direta no caso do recebimento das ações da Bovespa Holding, e indireta no caso do recebimento das cotas da Prosper Gestão, uma vez que o valor de alienação dos títulos da antiga BM&F também englobou os resultados acumulados por essa associação). Portanto, correta a tributação sobre os ganhos auferidos com os títulos patrimoniais das antigas associações Bovespa e BM&F. Finalmente, registro que há questões (relativamente às multas) que deixaram de ser apreciadas no julgamento da impugnação, em razão do que restou decidido naquela fase do processo. Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER integralmente do recurso especial da PGFN, para, no mérito, lhe DAR PROVIMENTO, determinando o retorno dos autos à DRJ para análise de todas as matérias relacionadas às multas, trazidas em sede de impugnação, cujo exame restou prejudicado em razão do que foi decidido naquela instância. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 436DF CARF MF Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 9101003.569 CSRFT1 Fl. 794 44 Fl. 437DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.928623/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO.
Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa.
Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
Numero da decisão: 1401-002.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
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PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatandose que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 86 23 /2 00 9- 69 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 11080.928623/200969 Acórdão n.º 1401002.595 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de CSLL devida por estimativa. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiase na retificação dos valores de apuração que, após a retificação das DIPJ e DCTF da empresa, resultaram como pagos a maior. Com base nestes créditos a empresa, por meio do PER/DCOMP objeto deste processo, a empresa realizou a compensação com débito da mesma contribuição de períodos subseqüentes. Quando da análise do PER/DCOMP o sistema informatizado reconheceu a existência do crédito mas, no entanto, considerou improcedente a utilização do crédito posto que o art. 10 da IN RFB nº 600/2005, veda a possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior de estimativa para a quitação dos valores devidos por estimativa de meses subseqüentes. O contribuinte, irresignado apresentou manifestação de inconformidade alegando a existência do crédito. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação, a considerou improcedente. Ainda inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual entende que não é cabível o indeferimento do crédito com base no art. 10, da IN 600/2005, haja vista que, quando da prolação do despacho decisório de nãohomologação referida norma não mais estava em vigor. É o breve relatório. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11080.928623/200969 Acórdão n.º 1401002.595 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.578, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 11080.928620/2009 25, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento a maior de CSLL devido por estimativa, relativo ao período de apuração de 30/09/2006, com débitos de mesma natureza de período subsequente. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, do período de apuração de 30/06/2006, com débito de mesma natureza de período subsequente. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.578): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação da possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior da CSLL com débitos da mesma contribuição de períodos subseqüentes e, ainda, a força impeditiva do art. 10, da IN RFB nº 600/2005. A norma questionada impedia a utilização, por parte do contribuinte, dos valores pagos a maior durante o ano calendário com outros débitos com base na justificativa de que os valores pagos a maior por estimativa deveriam ser levados ao ajuste do exercício, como se pagamentos por estimativas fossem, no sentido de que estes pagamentos a maior compusessem o saldo credor a vir ser apurado no exercício. Ocorre, no entanto, que referida norma impeditiva não encontra respaldo nos ditames da Lei nº 9.430/96, no que trata de restituição/compensação. Assim, se um pagamento foi realizado a maior em um determinado período. A existência do crédito relativo a este pagamento a maior exsurge desde a data do referido recolhimento, na forma do art, 170, do CTN, matriz legal de todas as normas de compensação. A limitação realizada pelo art. 10, da IN 600/2005 desborda dos limites impostos pela normas a ela superiores e, por isso, não pode produzir eficácia contra os direitos nestas inseridos. Em conformidade com este entendimento é que o CARF já se posicionou de forma consolidada, emitindo a Súmula nº 84, Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11080.928623/200969 Acórdão n.º 1401002.595 S1C4T1 Fl. 5 4 conforme abaixo transcrita e consoante os acórdão paradigmas precedentes que a justificaram. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. Verificado o teor da Súmula acima apresentada, há de se rever as decisões atacadas pelo recorrente. Assim decorreria este voto, quando da época de sua elaboração. Ocorre, no entanto, que iniciada a sessão de julgamento a representante do contribuinte informou acerca da existência de auto de infração lavrado por meio do processo nº 11080.732426/201161, pela sistemática do lucro arbitrado, no qual os pagamentos a maior de IRPJ e CSLL por estimativa realizados no ano e solicitados pela empresa em PER/DCOMP, para a compensação das estimativas devidas do mês de dezembro/2006. Verificase, pela consulta ao processo de auto de infração que para o ano de 2006 foi desconsiderada a escrituração fiscal da empresa e foi realizado o lançamento pelo lucro arbitrado trimestral. Da realização do lançamento foram utilizados os pagamentos por estimativa que não compuseram os saldos negativos já utilizados pela empresa (fls. 8831/8835 do processo nº 11080.732426/201161). Mais ainda, verificase que, sendo arbitrado o lucro, deixam de ser existentes os débitos por estimativa do ano de 2006, dada a modificação da sistemática de apuração do lucro. Ainda em consulta ao referido auto de infração constatamos que o mesmo já foi julgado em última instância por este CARF e mantido em definitivo os valores lavrados, já estando em fase de execução judicial (fls. 93232/93241 do processo nº 11080.732426/201161). À vista do exposto temos então que o PER/DCOMP objeto do presente processo, no qual são utilizados os pagamentos a maior de estimativas do ano de 2006 para a compensação com débitos de estimativa do mesmo ano, perdeu totalmente seu objeto, tanto pelo desaparecimento dos créditos, quanto dos débitos, em face da lavratura de auto de infração pelo lucro arbitrado já julgado em definitivo na esfera administrativa. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11080.928623/200969 Acórdão n.º 1401002.595 S1C4T1 Fl. 6 5 Por estas razões, deixo de analisar o presente recurso apenas em relação às limitações que levaram ao indeferimento do pedido e, analisando o caso em vista da verdade material, verificandose que deixaram de existir os débitos declarados no PER/DCOMP objeto deste processo, havemos de julgar no sentido de deixar de reconhecer os créditos em face de sua atual inexistência e determinar o cancelamento dos débitos declarados no PER/DCOMP em razão de igualmente não mais existirem, tudo em razão da lavratura do auto de infração pelo lucro arbitrado que modificou integralmente a situação dos débitos e créditos objeto do presente processo. Neste sentido voto por dar provimento ao recurso para: 1) Deixar de analisar os créditos solicitados, relativos aos pagamentos a maior de estimativa em razão de os créditos terem deixado de existir em face da lavratura do auto de infração do mesmo ano, no qual os referidos pagamentos foram utilizados; 2) Determinar o cancelamento dos débitos compensados no presente processo, tendo em vista trataremse de débitos de estimativa do ano de 2006, em face, também, da lavratura de auto de infração que apurou o IRPJ pelo lucro arbitrado e por consequência desfaz qualquer obrigação de recolhimento por estimativa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16707.006591/2009-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/10/2006
NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA.
O julgador não é obrigado a rebater alegações ou analisar documentos não relacionados à matéria da autuação.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
A autoridade julgadora pode indeferir a perícia que considerar prescindível, e as diligências desnecessárias.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 2202-004.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2006 a 31/10/2006 NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA. O julgador não é obrigado a rebater alegações ou analisar documentos não relacionados à matéria da autuação. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora pode indeferir a perícia que considerar prescindível, e as diligências desnecessárias. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo.
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INEXISTÊNCIA. O julgador não é obrigado a rebater alegações ou analisar documentos não relacionados à matéria da autuação. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora pode indeferir a perícia que considerar prescindível, e as diligências desnecessárias. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 65 91 /2 00 9- 58 Fl. 232DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1135.329, proferido pela 7a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE (DRJ/REC), que julgou procedente o lançamento, mantendo a cobrança do crédito tributário. Pela clareza, reproduzo o relatório do acórdão recorrido, na parte anterior à decisão da DRJ/REC: Temse em discussão, Auto de Infração AI lavrado para imposição de penalidade por descumprimento da obrigação prevista no art. 49, §§ 1o e 3o, da Lei 8.212/1991, com redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, c/c o art. 256, § Io, inciso II, e § 3o, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Segundo o relatório de fls. 2, o contribuinte autuado deixou de matricular, no prazo de 30 (trinta) dias contados do inícios de suas atividades, a obra realizada na Rodovia BR 242, Km 325,9, município de Lençóis/BA e a obra construída na BR 101, Km 14, subtrecho Garuva, município de Garuva/SC. As referidas obras forma matriculadas de ofício, recebendo, respectivamente, Cadastro Específico do INSS CEI 70.00125522/75 e 70.00125497/70. A constatação da infração foi efetuada por meio das (sic) "notas fiscais emitidas com as matrículas existentes e os centros de custos das referidas obras". A multa foi aplicada nos termos dos arts. 92 e 102, da Lei 8.212/1991, c/c os arts. 283, inciso I, alínea "d", e 373 do RPS. 0 autuado apresentou impugnação, fls. 87/141, arguindo, em síntese, que a penalidade aplicada decorre, exclusivamente, do julgamento da procedência do processo 16707.006588/200934, pelo que transcreve a impugnação deste processo, na qual afirma: I IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. BASES DE CÁLCULO NÃO RELACIONADAS AOS FATOS GERADORES. INCERTEZA E IL1QUIDEZ DO LANÇAMENTO. FATOS GERADORES EQUIVOCADOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE AMPLA DEFESA As três notas fiscais citadas pelo autuante foram contabilizadas. A falta de contabilização das folhas de pagamentos referida é apenas para o ano de 2005, Fl. 233DF CARF MF Processo nº 16707.006591/200958 Acórdão n.º 2202004.549 S2C2T2 Fl. 233 3 estando, portanto, o ano de 2006 em ordem, sendo descabido, para este ano, o arbitramento. Não foram explicitados no Relatório Fiscal os percentuais e a natureza das bases de cálculo arbitradas, não havendo indicação dos percentuais utilizados para cada obra, bem como dos documentos fiscais que embasaram o arbitramento. Requer, em preliminar, que seja determinada a elaboração de demonstrativos nos quais fiquem evidenciadas, obra a obra, a natureza de cada base de cálculo, a documentação pertinente e as alíquotas aplicadas. Só foram levados em consideração os créditos de determinada obra/ (cita como exemplo a obra 50.019.64708/77) do mês em que houve lançamento, desprezando os demais créditos, requerendo a revisão do lançamento em relação a todas as obras neste aspecto. A fiscalização apontou a não contabilização das folhas de pagamento das obras MS002, RJ033, RJ035 e RJ034 apenas no ano de 2005, pelo que se pode afirmar que somente existiram irregularidades nessas obras e no ano de 2005, requerendo a improcedência do arbitramento para as demais obras, no ano de 2005, e em relação a todo ano de 2006. As receitas devem ser contabilizadas quando o serviço for prestado, independentemente, deter sido ou não emitida a nota fiscal respectiva. A fiscalização aponta os fatos geradores as receitas dos meses 09/2005, 12/2005, 01/2006 e 12/2006, enquanto, por exemplo, as NF 001674 e 001677, emitidas em 09/2005, os serviços foram prestados em janeiro/2005 e em fevereiro/2005 (cita também as NF 1702, 1703, 1704, 1705, 1706, 1707, 1708, 1709, 1710, 1719, 1718, 1750, 1797), contrariando o regime de competência. II IMPROCEDENCIA DO LANÇAMENTO RELATIVO AS DIFERENÇAS ENTRE GFIP E CONTABILIZAÇÃO DOS SALÁRIOS. Não existem as diferenças consignadas pela auditoria fiscal, pois não foi levado em consideração o fato de que, nas rescisões de contrato de trabalho, existem verbas sobre as quais não incide contribuição previdenciária. Conforme documentos anexos (Obra 50.00400328/71, DOC n° 01 Obra 50.01695806/75, DOC n° 02 Obra 50.019647008/77, DOC n° 03 Obra 50.02340802/70, DOC n° 04 Obra 50.02077490/74, DOC n° 05 Obra 50.02358653/78, DOC n° 06 Obra 50.01958931/76, DOC n° 07 Obra 50.016917/76, DOC n° 09), verificase que existem verbas (saláriofamilia, férias indenizadas e respectivo 1/3 constitucional) não sujeitas à contribuição previdenciária. Quanto à obra 50.02037627/79, RJ034, (sic) Fl. 234DF CARF MF 4 registrou a Auditora: CÓDIGO 50.020.37627/79 SC 011 Nao conseguimos entender essa incorreção, porquanto a matricula n0 50.02037627/79se refere às OBRA RJ034. E, em relação à RJ033, não existem as diferenças citadas no Relatório da Auditora, às fl. 116, conforme planilha, fichas do Razão, Folhas de pagamento, rescisões contratuais. GPS, todas anexadas (DOC. N°08). III IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. ACRÉSCIMOS LEGAIS INDEVIDOS. A auditoria fiscal, em seu relatório, apontou que as GPS de código 2631 tinham, no campo de incidência, data diversa da real, conforme demonstrativo, tendo recolhido o principal, mas, em função do erro das datas, sem os acréscimos devidos. Não há qualquer irregularidade, em relação a estas datas, como pode ser comprovado através dos registros do Livro Diário, anexos. Requer realização de diligência. IV IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. CORRETA CONTABILIZAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS. Houve a contabilização das NF 22939 (folha 237 do Diário, no valor de RS 661,86), 18892 (folha 237 do Diário, no valor de R$ 609,23) e 094 (folha 478 do Diárib, no valor de R$ 14.734,00. Em relação à NF 18982, citada como sendo de R$ 14.734,00, é, na verdade, NF de prestação de serviço de corte e dobra de ferro, no valor de R$ 609,23, não sujeita a retenção. V COBRANÇA INDEVIDA. ITEM 7, FLS. 121/122. Houve retenção e recolhimento, em relação a (sic): a) CASAMATA COM. SER LTDA: Através da NF 115, emitida em 1/4/2005, foi relida a quantia de RS 209.00. cujo recolhimento se verificou mediante GPS. N. Fiscal e GPS estão sendo anexadas, como prova; b) MENDONÇA E MENDONÇA: Sobre a Nota Fiscal n° 257, emitida em 21/3/2005, nâo foi efetuada retenção de INSS. Aquela empresa pagou à previdência social, sobre o valor dessa Nota. c) UB MOTA FILHO: estamos anexando a GPS, no código 2631, de RS 206.80. relativa ao INSS incidente sobre a NF que ora juntamos como prova. d) Estamos anexando a documentação retro referenciada (DOC N° II). Requer a exclusão das quantias lançadas de forma indevida. UNIMED. VI IMPROCEDÊNCIA COBRANÇA INSS SOBRE FATURAS A cobrança de 15% de INSS sobre valor de serviços prestados por cooperativa (UNIMED) é indevida, pois qúe a esta não é cooperativa de trabalho. VII FALTA DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS NO "RADA" REFERENTE AO ESTABELECIMENTO 08.323.347/000187. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 16707.006591/200958 Acórdão n.º 2202004.549 S2C2T2 Fl. 234 5 Em relação ao estabelecimento 08.323.347/000187, a fiscalização listou GPS pagas com valores incorretamente apurados, conforme quadro de fls. 113/114 e 115, pelo que requer a retificação. Vin AUSÊNCIA DE DETALHAMENTO DAS ORIGENS DAS BASES DE CÁLCULO DO LEVANTAMENTO CON SALÁRIOS ADMINISTRATIVOS DO ESTABELECIMENTO 08.323.347/000187. As diferenças apontadas entre os valores dos livros Diário 2005 e 2006 e das GFIP não se referem ao estabelecimento 08.323.347/000187, pois que nenhuma justificativa foi solicitada no TIF n° 3. Ainda assim, no DD e no RL surgem cobranças no levantamento CON em relação ao dito estabelecimento, pelo que requer o saneamento do feito, com o detalhamento dos valores lançados, a confrontação com a documentação anexada e a emissão de relatório conclusivo, conforme art. 60, parágrafo único, do Decreto 70.235/72, a fim de se estabelecer o contraditório e a ampla defesa. Anexa documentação comprobatória em relação ao estabelecimento 08.323.347/000187 (DOC n° 12). IX FALTA DE APROPRIAÇÃO DE INSS RETIDO PELA FONTE PAGADORA. A fiscalização deixou de computar no RADA créditos correspondentes aos valores do INSS retidos pela fonte pagadora, bem como sobre serviços de subempreiteiros, relativamente aos CEI: 50.02077490/74; 50.02037627/79;50.01958931/76; 50.02358653/78; 50.01695806/75; 50.02340802/70; 50.01693906/71; e 50.01964708/77. Ressalta, ainda, em relação ao CEI 50.01958931/76, que, na competência 10/2006, houve lançamento com base de cálculo no valor de R$ 95.485,28, contudo, não existiria nota fiscal emitida nesta competência relativa a esta obra. Em relação aos CEI 50.02358653/78, 50.01695806/75, deixaram de ser computados os recolhimentos referentes ao décimo terceiro salário. Foram incluídos, indevidamente, na competência 12/2005, relativamente ao CEI 50.01964708/77 (obra PR 033), as quantias de R$ 87.831,17; R$ 187.506,70; RS 116.096,94; R$ 123.512,15; e R$ 129.495,20, os quais se referem à obra PR 032. X IMPROCEDÊNCIA DA COBRANÇA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE A ALIMENTAÇÃO FORNECIDA AOS EMPREGADOS. Contesta cobrança de contribuição previdenciária incidente sobre a alimentação fornecida aos funcionários, pois que a Fl. 236DF CARF MF 6 jurisprudência afasta tal incidência (transcreve texto doutrinário), bem como a Lei 6.321 não condiciona o direito (sic) à isenção ao atendimento da formalidade de inscrição no PAT. Também contesta, sem dizer o motivo, a forma de apuração das bases de cálculo das contribuições incidentes sobre tais verbas. XI CABE AO ÓRGÃO PAGADOR A CULPA PELO FATO DE ERRO NO RECOLHIMENTO QUE MOTIVOU A GLOSA DE COMPENSAÇÃO. XII IMPOSSIBILIDADE DE DEFESA EM RELAÇÃO AOS CEI 70.00125497/70E 70.00125522/75. Não há dados mínimos indispensáveis à defesa. No DD, existem apenas valores, sem referência aos documentos que embasaram a tributação, nem aos percentuais adotados. XIII DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. Requer a realização de diligência, em função de (sic): a) Os Autos de Infração lavrados pela fiscalização contêm obscuridade, dúvida e omissão na determinação dos valores lançados, impossibilitando à empresa, o exercício do direito constitucional de ampla defesa, o que somente poderá esclarecido com a realização de diligencia: b) Foram cometidos inúmeros equívocos, por parte da Auditora autuante que somente poderão ser identificados com a realização da diligência: c) Créditos foram omitidos do lançamento, fato a ser resolvido com a diligência; d) A grande quantidade de documentos anexados implica no aprofitndamenlo de sua análise, a cargo do diligenciante. Ainda, indicou quesitos a serem respondidos, a saber (sic): Quesito n" 01: Está correto afirmarsc que a fiscalização apontou, como não contabilizadas, apenas, as folhas das Obras MS002, RJ033, RJ034 e RJ035 e com relação, apenas, ao ano de ¡995? Caso negativo, evidenciar o registro. Quesito n° 02: Relativamente ao ano de 2006, indicar em qual obra não houve a contabilização da folha? Se positivo, indicar as fls. do processo, em que foram consignados. Quesito n° 03: No item 9, contesta a empresa que a fiscalização não expôs, de forma clara, como foram apurados, os valores lançados, rcf MOD. Elaborar demonstrativo detalhado, a respeito, indicandose, inclusive, sobre quais fatos foram quantificadas as bases de cálculo, quais as deduções, quais as alíquotas aplicadas, obra por obra; Quesito n° 04: a respeito nos intes 17 a 20, verificar a ocorrência desses fatos, obra por obra. quantificando os valores nâo computados e emitir parecer conclusivo, a respeito dos Fl. 237DF CARF MF Processo nº 16707.006591/200958 Acórdão n.º 2202004.549 S2C2T2 Fl. 235 7 procedimentos da fiscalização, se corretos ou incorretos, justificando a resposta. Quesito n° 05: No tópico II. a empresa contestou as diferenças entre valores contabilizados e GFIPs, anexando vasta documentação comprobatória. Requerse sejam os documentos analisados e elaborado demonstrativo detalhado a respeito da procedência ou não das alegações da defendente, por obra, por cada rescisão e referente a cada documento juntado. Quesito n° 06: No DOC. N° 12, a empresa juntou vasta documentação referente a créditos, não computados nos lançamentos, relativos ao Estabelecimento n° 08.323.347/0001 87. Pedese para conferir se os números do quadro do item 108 estão corretos ? Se houver alguma divergência, apontálas, detalhadamente. Emitir parecer conclusivo, a respeito do direito da empresa. Quesito n° 07: O mesmo questionamento deve ser efetuado, com relação ao contido no item III. Quesito n° 08: No tópico VIII, a empresa se insurge contra a falta de detalhamento dos valores lançados no título CON SALÁRIOS ADMINISTR. Está correio o acima referido. Em caso negativo, apontar em quais fls. do processo se encontra tal detalhamento. Quesito n° 09: Nos tópicos IX, Xy XI XII, XIII, XIV, XV, c XVI, a empreso juntou vasta documentação comprobatória sobre os créditos, não computados pela fiscalização, no lançamento relativos a cada obra. Solicitase: a) conferir as planilhas e suas diferenças, através da documentação anexada; b) emitir parecer conclusivo, a respeito do direito da defendenfe; c) elaborar quadro demonstrativo desses créditos; Quesito n° 10: em relação ao quesito n° 09, pedese sejam elaborados yuadros demonstrativos, nos quais fiquem evidenciados, por obra. esses créditohe seus meses de competência; Apôs realização da diligência, Requer seja cientificada dos seus resultados, para que se estabeleça o contraditório e a ampla defesa. A impugnação da recorrente foi julgada improcedente pela DRJ/REC, cuja decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2006 a 31/10/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE MATRICULAR OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. CONEXÃO AO PROCESSO 16707.006588/200934. INEXISTÊNCIA. No processo 16707.006588/200934, são apuradas contribuições devidas à seguridade social, utilizandose método de aferição Fl. 238DF CARF MF 8 indireta, sem ter. contudo, como fundamento a infração de deixar de matricular obra de construção civil, pelo que o julgamento daquele não refletirá neste e vice e versa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi cientificada do Acórdão da DRJ/REC em 22/03/2011. Inconformada com a decisão, postou Recurso Voluntário em 20/04/2014 (fls. 166), repisando os argumentos da impugnação, e ainda nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Das preliminares Da nulidade do acórdão recorrido. Inocorrência Ao longo de todo o recurso voluntário a recorrente alega que teve seu direito de defesa cerceado porque a autoridade julgadora deixou de analisar documentos juntados à impugnação, e por não haver pronunciamento sobre os quesitos apresentados em impugnação. Verifico nos autos que a defesa apenas reproduziu no Recurso Voluntário as alegações apresentadas ao processo nº 16707.006588/200934. Por ter feito o mesmo em relação à impugnação, o julgador a quo entendeu que essas alegações não se aplicariam aos fatos e fundamentos que gerou a infração aqui discutida. Não vislumbro a alegada nulidade nem cerceamento de direito de defesa. Sem entrar no mérito do acerto ou não das razões do julgador de primeira instância, o acórdão recorrido contém o fundamento necessário que embasou sua decisão, pois aquele ao entender não haver alegações à infração em debate, não teria porque analisar documentos não relacionados à autuação. Da diligência. Perícia A recorrente solicita a realização de diligência, apresentando quesitos. Entretanto, não vejo necessidade para o deferimento. Os relatórios da infração, de aplicação da multa e seus anexos (fls. 2/7) detalham de forma clara os critérios considerados para a autuação e cálculo da multa, o que deu à recorrente todas as condições para contestar o lançamento. Por isso, o Auto de Infração apresenta os elementos para formação da convicção do julgador, sendo desnecessária a diligência nesta fase, razão pela qual indefiro o pedido por entendêlo prescindível à solução do litígio. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 16707.006591/200958 Acórdão n.º 2202004.549 S2C2T2 Fl. 236 9 Do mérito Há que se observar que o auto de infração foi lavrado em função de a recorrente ter deixado de "[...] matricular de 30 dias contados do inicio de suas atividades, a obra realizada na Rodovia BR 242, KM 325,9 , município de Lençóis, BA e a obra construída na BR 101 Km 14 sub trecho Garuva , município de Garuva SC.". Verificase no recurso voluntário que a recorrente assevera que o julgamento deste processo depende do resultado do julgamento do processo nº 16707.006588/200934, transcrevendo o inteiro teor da impugnação apresentada aquele processo. Primeiramente, adoto como minhas as razões de decidir do acórdão recorrido quanto à inexistência de dependência entre este e o processo citado pela recorrente: Noutro ponto, a alegação do autuado de que a penalidade aplicada decorre, exclusivamente, do julgamento da procedência do processo 16707.006588/200934, não prospera, haja vista que, no dito processo, também cientificado ao autuado junto com este Al em comentário (vide AR de fls. 81), são apuradas contribuições devidas à seguridade social, utilizandose método de aferição indireta, contudo, sem ter como um de seus fundamentos a infração em testilha. Não há, portanto, que se falar em dependência do julgamento de um processo ao outro. Ocorre que neste recurso, a defesa não trouxe qualquer alegação em relação ao narrado pelo autuante, quer seja demonstrando que as obras foram matriculadas, quer afirmando que as obras não existem, nem sequer contestou a planilha com relação das notas fiscais por obras, acostadas pela fiscalização (fls. 5). Nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal no âmbito da União, consolidase administrativamente a matéria que não tenha sido expressamente impugnada, operandose em relação a ela a preclusão processual: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Em consequência, as matérias que deixaram de ser expressamente questionadas na impugnação não serão objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 240DF CARF MF 10 Fl. 241DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.726946/2016-02
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
RENDIMENTOS PROVENIENTES DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. INSTITUTO DA ISENÇÃO.
Ser portador de moléstia grave/profissional, ter rendimentos auferidos decorrentes de aposentadoria, e comprovação da doença por Laudo Oficial, o contribuinte fica isento do IR, sobre estes rendimentos.
Numero da decisão: 2002-000.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1297; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 2 1 1 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18470.726946/201602 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.195 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 21 de junho de 2018 Matéria IRPF Recorrente RUBENS TEIXEIRA BARROS FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 RENDIMENTOS PROVENIENTES DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. INSTITUTO DA ISENÇÃO. Ser portador de moléstia grave/profissional, ter rendimentos auferidos decorrentes de aposentadoria, e comprovação da doença por Laudo Oficial, o contribuinte fica isento do IR, sobre estes rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 69 46 /2 01 6- 02 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 18470.726946/201602 Acórdão n.º 2002000.195 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl.40) contra decisão de primeira instância (fls.33/37), que negou provimento à impugnação do sujeito passivo. Foi lavrado o auto de infração por, "Rendimentos Indevidamente considerados como isentos por moléstia grave não comprovação da moléstia ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado". Inconformado com o auto de infração, o contribuinte apresentou impugnação, alegando que está isento do imposto, por tratarse de proventos de aposentadoria, e que é portador de moléstia grave (fls.4/5). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento à impugnação, para manter o auto em sua integralidade. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O Recurso Voluntário está assinado por procurador (fl.25), foi recebido em 18/04/2017, á fl.48, existe informação que o recebimento referente ao envio do Acórdão de fls.33/37, não retornou e que as informações sobre o rastreamento do objeto não estão disponíveis no site dos correios. Pois bem, não existe dúvidas, que os recebimentos que o contribuinte efetuou tem como fonte pagadora o INSS, e a Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social "REFER". No que diz respeito ao Laudo Médico trazido aos autos pelo recorrente, notamos o seguinte: "Apresenta no momento, hemiplegia a direita de membro superior direito e membro inferior direito associado a paresia de membro superior esquerdo. Sua deficiência é de caráter definitivo e permanente". Apenas para uma melhor compreensão do assunto: HEMIPLEGIA significa, paralisia que interrompe parcial ou totalmente os movimentos de uma das metades do corpo ® Hemiplegia é sinônimo de paralisia. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 18470.726946/201602 Acórdão n.º 2002000.195 S2C0T2 Fl. 4 3 A hemiplegia pode produzirse por diversos fatores como acidente vascular cerebral (AVC), um tumor cerebral, um traumatismo craniano, uma encefalite, uma meningite ou uma patologia na espinha dorsal, existindo tratamento da moléstia, mas sem cura, apenas para amenizar as dores As provas trazidas aos autos, dão conta que o recorrente faz jus ao benefício da isenção, eis que portador de moléstia grave, prevista em lei, conforme atestado médico oficial, e seus proventos tem como fonte sua aposentadoria. Isto posto, e pelo que mais consta nos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento para cancelar o lançamento fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12689.000089/2009-48
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 12/05/2004, 26/09/2004
DEFESA. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário, devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, ex vi dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 3001-000.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 12/05/2004, 26/09/2004 DEFESA. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário, devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, ex vi dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal.
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MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário, devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, ex vi dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 68 9. 00 00 89 /2 00 9- 48 Fl. 84DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Auto de Infração apurou através de auditoria quantidade elevada de DDEs com informação dos dados de embarque no Siscomex fora do prazo legal, foi realizado levantamento na Seção de Fiscalização Aduaneira da Alfândega do Porto de Salvador, que constatou informação fora do prazo por parte da transportadora AGÊNCIA MARÍTIMA BRANDÃO FILHOS LTDA. (CNPJ: 16.484.453/000170) no ano de 2004 de 02 embarques realizados por navios por ela representados O atraso na informação dos dados de embarque no Siscomex, de acordo com o art. 44 da IN 28/1994, constitui embaraço A fiscalização, e sujeita o Transportador Marítimo ao pagamento de multa no valor de R$ 5.000,00, conforme previsão legal do art. 107, inciso Iv, alínea "c", do DecretoLei 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei10.833/2003: Diante dos fatos expostos, fica clara a infração cometida pela AGENCIA MARÍTIMA BRANDÃO FILHOS LTDA., por descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque no Siscomex em 02 embarques de navio, ensejando a multa. EMBARAÇO OU IMPEDIMENTO A AVio DA FISCALIZAÇÃO, INCLUSIVE NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO haver informação fora do p:ilzo por parte da transportadora MARITIMA DE AGENCIAMENTOS E REPRESENTACOES LTDA no mês 6. fevereiro de 2004 em 1 embarque realizados através de 1 navio/viagem por ela representado. IN RF n° 28/1994 A IN RF n° 28/1994, em seu art. 37 nos traz que: "Art 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias. contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN 510, de 2005) § 2 ° 'a hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o regist.ro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo." Abaixo a planilha utilizada para demonstrar os dados do embarque informados fora do prazo Fl. 85DF CARF MF Processo nº 12689.000089/200948 Acórdão n.º 3001000.408 S3C0T1 Fl. 85 3 O atraso na prestação de informações consiste em embaraço à fiscalização conforme artigo 44 da IN 28/1994 Tal embaraço será punido com o teor do artigo 107, IV, 'c' e 'e' do DL 37/66. Impugnação Em sua peça de defesa inaugural, a recorrente limitase a contestar sua Ilegitimidade passiva Ilegitimidade passiva Afirma que, na leitura da IN28/94 fica demonstrada que deve ser o transportador o responsável pela envio da informação por consequência, destinatário da multa, concluindo pela ilegitimidade da recorrente para figurar como infratora. DRJ/REC A impugnação foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 1142.397 6 ª Turma ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 12/05/2004, 26/09/2004 PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. O registro dos dados de embarque, no Siscomex, relativo à mercadoria destinada à exportação realizado fora do prazo fixado constitui infração pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994 sujeitando o transportador à multa prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 04 do processo eletrônico), levantamento realizado na Seção de Fiscalização Aduaneira da Alfândega do Porto de Salvador, para o ano de 2004, constatou que a interessada deixou de prestar informação dos dados de embarque, no Siscomex, na forma e prazo estabelecidos pela RFB, referente a dois embarques realizados por navios por ela representados. Tal conduta, segundo a autoridade fiscal, configuraria descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque no Siscomex, sujeitando o infrator à multa de R$ 5.000,00 por embarque, perfazendo um total de R$ 10.000,00 (dez mil reais). Fl. 86DF CARF MF 4 Acrescenta a fiscalização que em anexo ao auto de infração encontramse os extratos das DDEs, históricos dos despachos e consultas aos dados de embarque das DDEs. Devidamente cientificada a contribuinte apresenta impugnação, com base sinteticamente nos seguintes fundamentos: a) alega sua ilegitimidade passiva, pois se trata de mera mandatária comercial do armador, a este vinculado por um ajuste de representação ou mandato mercantil, falando e agindo sempre em nome e por conta do armador, nunca em nome próprio. Cita as atividades da agência marítima, doutrina, trechos de julgados do STJ, do STF , do extinto TFR e de Tribunais de Justiça dos Estados Brasileiros; b) a Receita Federal reconhece que o fato gerador da multa decorre de inadimplemento obrigacional de TRANSPORTADOR MARÍTIMO, ou seja, o armador do navio transportador da mercadoria, entretanto autua a ora impugnante, seu agente marítimo. Acrescenta que inexiste LEI que imponha ao mandatário a assunção da responsabilidade pelas obrigações do mandante; c) o STJ já consolidou entendimento no sentido de que, apesar do Agente Marítimo assinar o Termo de Responsabilidade, tal ato não o responsabiliza às obrigações tributárias do seu principal, no caso o transportador/armador, não servindo tal "termo” como condição impositiva dessa obrigação, já que sem previsão legal que a impute esse instrumento, mesmo que assinado, não tem o condão de estabelecer a responsabilidade tributária; d) salienta que as informações que deverão ser prestadas pelo transportador, são oriundas dos exportadores, (embarcadores), Recurso Voluntário Em sua defesa, a recorrente alega que os dados de embarque foram registrados fora do prazo por tratarse de navios afretados pela PETROBRAS. Ainda, menciona que teria prazo diferenciado para registro do RE, conforme IN 28/84 Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de auto de infração por DDEs com inserção das informações sobre os dados de embarque no Siscomex fora do prazo legal, com fundamento no art. 44 da IN 28/1994, constitui embaraço A fiscalização, e sujeita o Transportador Marítimo ao pagamento de multa no valor de R$ 5.000,00, conforme previsão legal do art. 107, inciso Iv, alínea "c", do DecretoLei 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei10.833/2003 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO Fl. 87DF CARF MF Processo nº 12689.000089/200948 Acórdão n.º 3001000.408 S3C0T1 Fl. 86 5 Em sua peça de defesa inaugural, a recorrente limitase a contestar sua Ilegitimidade passiva Já no Recurso Voluntário, a recorrente alega que os dados de embarque foram registrados fora do prazo por tratarse de navios afretados pela PETROBRAS, e, que por isto, menciona que teria prazo diferenciado para registro do RE. Desta forma, a recorrente não reforça seu argumento inicial, sobre a preliminar de sujeição passiva, e, ainda, inaugura nova discussão, sem amparo, portanto, dos artigo 16 e 17 do Decreto n.º 3.048/99. 7023/72. Neste sentido, transcrevese decisão deste CARF: Acórdão nº 3401004.446 DEFESA. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário, devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, ex vi dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. CONCLUSÃO Voto por negar conhecimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.015741/00-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: INCENTIVOS FISCAIS — PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS — PERC.
Não deve prevalecer o indeferimento do PERC, quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal no momento do despacho denegatório de seu pleito.
PERC — MOMENTO DE COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE
A exigência de comprovação de regularidade fiscal, com vistas ao gozo do beneficio fiscal, deve se ater ao período a que se referir a DIPJ na qual se deu a opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos correspondentes, admitindo-se a prova de quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto 70.235/72. (Súmula CARF 37).
Numero da decisão: 1301-000.585
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário da contribuinte.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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ementa_s : INCENTIVOS FISCAIS — PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS — PERC. Não deve prevalecer o indeferimento do PERC, quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal no momento do despacho denegatório de seu pleito. PERC — MOMENTO DE COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE A exigência de comprovação de regularidade fiscal, com vistas ao gozo do beneficio fiscal, deve se ater ao período a que se referir a DIPJ na qual se deu a opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos correspondentes, admitindo-se a prova de quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto 70.235/72. (Súmula CARF 37).
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Não deve prevalecer o indeferimento do PERC, quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal no momento do despacho denegatório de seu pleito. PERC — MOMENTO DE COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE A exigência de comprovação de regularidade fiscal, com vistas ao gozo do beneficio fiscal, deve se ater ao período a que se referir a DIPJ na qual se deu a opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos correspondentes, admitindose a prova de quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto 70.235/72. (Súmula CARF 37). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário da contribuinte. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Sousa Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/ 07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Fl. 177DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/ 07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.015741/0068 Acórdão n.º 1301000.585 S1C3T1 Fl. 2 3 Por bem descrever os fatos adoto o relatório do acórdão recorrido: Indaiá Brasil Águas Minerais Ltda., inscrito no CNPJ sob o n° 00.048.785/000172, ingressou com manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório de fls. 102/104, expedido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE, no qual foi indeferido o seu Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC relativo ao anocalendário de 1997, apresentado em 28/09/2000 (fls. 01). 0 contribuinte foi cientificado do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais, IRPJ/98, anocalendário 1997, fls. 02, alterando o valor declarado a titulo de incentivo fiscal, em face das seguintes ocorrências: "07 — Débito de tributos e contribuições encaminhados a PFN", e "11 — Contribuinte com débito de tributos e contribuições federais (Lei 9.069/95, art. 60)". Em 28/09/2000, o contribuinte ingressou com Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, fls. 01, dirigido à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE. De acordo com a Informação Fiscal de fls. 102/103, que fundamentou o ato administrativo ora guerreado, o indeferimento do PERC está assim motivado: "Intimada novamente através do termo de intimação n° 416 de 11/06/08 (fls. 74); a empresa responde a intimação (fls. 72 a 92), peticionando por um prazo de 20 (vinte) dias úteis para apresentação da Certidão Negativa de Débitos do INSS; prazo que ora se indefere por não terem sido sanadas as pendências solicitadas na intimação 166 de 13/03/08 (fls. 51), continuando com as pendências junto ao Cadin, conforme verificase através de pesquisa junto ao Sisbacen (fls. 98/99); não comprovando a empresa desta forma a Regularidade Fiscal para obtenção do beneficio solicitado; no prazo estabelecido pelas intimações fiscais de n° 166 de 13/03/08 (fls. 51) e 416 de 11/06/08, as quais estabeleciam que o não atendimento da intimação no prazo solicitado implicará no indeferimento do processo." Dessarte, conclui a autoridade fiscal que estas circunstâncias representam um óbice ao reconhecimento de beneficio fiscal aqui tratado, nos termos do parágrafo único, do artigo 614, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99), que tem como matriz legal, o artigo 60, da Lei n° 9.069, de 1995. 0 contribuinte foi intimado do Despacho Decisório, por via postal, conforme Aviso de Recebimento acostado as fls. 106. Inconformado com o Despacho Decisório, o contribuinte apresentou em 19/08/2008 a contestação de fls. 107/111, alegando, em síntese, que: verificase que a causa que motivou o indeferimento da liberação do montante dos incentivos fiscais foi, segundo as informações prestadas pelo Fisco, a regularidade fiscal da empresa; decorre que o sistema de consultas da situação fiscal do contribuinte junto Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, não traduz a real situação fiscal do recorrente, em razão da inconstância das informações, já que muitas das vezes os débitos apontados são frutos Fl. 178DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/ 07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 da alocação indevida de pagamentos realizados pelo contribuinte que são satisfeitos com a apresentação do comprovante de pagamento; outro exemplo válido dessa inconsistência ocorre quando medidas judiciais não são cadastradas no sistema, o contribuinte fica na dependência dos servidores que devem alimentar os computadores com tais informações; ademais, é totalmente inviável para o contribuinte de grande porte, manter se com a situação fiscal imaculada durante todo o período de tempo de validade da Certidão Negativa de Débitos. Tudo porque a grande quantidade de informações prestadas nas declarações acarreta uma série de equívocos que acabam por gerar a existência de falsos débitos tributários, sem possibilidade de defesa prévia; acrescentese, ainda, a atualização quase diária dos supostos débitos e a necessidade constante de liquidar as exigências junto àquele órgão. As diferenças entre pesquisas de situação fiscal do contribuinte realizada em dias distintos são consideráveis; tais fatos inviabilizam o trabalho do contribuinte que não tem como permanecer diuturnamente em busca de pesquisas e demonstrando pagamentos perante a RFB que, tampouco, disponibiliza uma estrutura capaz de atender diariamente todos os contribuintes do Estado; desta feita, para o contribuinte manterse em regularidade perante a RFB, o único documento capaz de satisfazer tal exigência é a Certidão Negativa de Débitos (seja nos termos do art. 205 ou 206 do Código Tributário Nacional); documento que basta para comprovar perante todos os órgãos a situação de regularidade fiscal do contribuinte durante o período em que esta é válida; o núcleo da controvérsia está na regularidade fiscal da empresa junto a Receita e a Divida Ativa da Unido. E mister esclarecer que, o que deve ser observado é que, no campo da materialidade jurídica a Certidão Negativa ou Positiva com Efeitos de Negativa da empresa encontravase válida; o 1° CC vem solidificando suas decisões no sentido de que a verificação da regularidade fiscal da empresa deveria ter sido analisada na data da declaração que optou pelos investimentos no FINOR; desta forma, é inconcebível o indeferimento do PERC inutilizando os incentivos fiscais, sem que seja analisada a regularidade fiscal da empresa no momento da entrega da declaração ou sem que seja dada ao contribuinte a chance de provar sua regularidade perante o fisco, através das Certidões Negativas ou Positivas com Efeitos de Negativa, documento este que se encontra válido; conforme ficou demonstrado acima, a Impugnante na data do indeferimento tinha total condição de obter a liberação dos incentivos fiscais em questão. A autoridade julgadora de primeira instância decidiu a questão por meio do acórdão DRJ/FOR 0814.438, de 13/11/2008, julgando improcedente a solicitação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/ 07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.015741/0068 Acórdão n.º 1301000.585 S1C3T1 Fl. 3 5 Incentivo Fiscal Aplicação do Imposto em Investimentos Regionais PERC A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, fica condicionada a comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais (art. 60 da Lei n° 9.069/95). Conforme determinação contida na Instrução Normativa SRF n° 267/2002, em seu art. 124, é obrigatória a consulta prévia ao Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin), pelos órgãos e entidades da Administração Pública Federal, direta e indireta, para a concessão ou reconhecimento de incentivos fiscais (art. 6°, II, da Lei n° 10.522/02). Solicitação Indeferida” É o relatório. Passo ao voto. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/ 07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Nesta fase, reitera os argumentos já expostos na impugnação. A questão posta ao conhecimento do Colegiado cingese ao exame do indeferimento do pedido de revisão da ordem de emissão de incentivos fiscais — PERC em razão da situação irregular da contribuinte perante os órgãos fazendários (SRF, PGFN e INSS) e, ainda, FGTS e CADIN. Ressaltese que a opção pela aplicação em incentivos fiscais é formalizada na declaração de rendimentos e só se transforma em investimentos, com o direito aos certificados correspondentes, a partir do momento da concordância da SRF com a opção formalizada. A emissão do extrato representa um ato administrativo da Secretaria da Receita Federal e que tem por objetivo informálo a respeito da confirmação ou não da opção pelos incentivos fiscais. O art. 60 Lei n° 9.069/95 estabelece como condição para a concessão do incentivo a comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. O dispositivo está assim redigido: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Transcrevemos a seguir outra norma que trata do tema: Lei n o.10.522, de 2002 "Art. 6° É obrigatória a consulta prévia ao Cadin, pelos órgãos e entidades da Administração Pública Federal, direta e indireta, para: (...) II concessão de incentivos fiscais e financeiros;" No caso em tela, a autoridade julgadora em primeira instancia, manteve o indeferimento nos termos pleiteado, sob a argumentação de que o contribuinte deixou de cumprir os requisitos dispostos no art. 60 da Lei n° 9.069/95 e art. 6°, II, da Lei n° 10.522/02, posto que não apresentou a CND junto ao INSS e não comprovou a inexistência de pendências junto ao Cadin, acusadas através de pesquisas junto ao Sisbacen, até o momento da análise da matéria pela DRF/Fortaleza e, nem mesmo nessa fase contestatória. Para a solução da lide fazse necessário identificar qual o momento em que o sujeito passivo deveria provar sua regularidade fiscal com o fito de aproveitar o beneficio fiscal para o qual fez a opção, sob pena de impossibilitar ao sujeito passivo efetuar a prova de tal regularidade. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/ 07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.015741/0068 Acórdão n.º 1301000.585 S1C3T1 Fl. 4 7 Em primeiro plano, cumpre ressaltar que esta matéria encontrase pacificada , através da Súmula CARF n° 37, publicada no DOU em 17/07/2010, de aplicação obrigatória, haja vista seu caráter vinculante, nos termos abaixo transcritos: “Súmula CARF no. 37: IRPJ – Incentivos Fiscais Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova de quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto no. 70.235/72.” Constatase, dos autos que a recorrente intimada a apresentar Certidão Negativa de Débitos relativos a Tributos Federais, Dívida Ativa da União, INSS e do FGTS, além da intimação para regularizar pendências junto ao IBAMA, cumpriu às determinações conforme atesta informação fiscal do Seort/DRFFortaleza de fls. 102/103, restando, apenas, o saneamento da pendência junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (lbama), conforme pesquisa no Sistema Sisbacen referente ao Cadastro de Créditos Não Quitados (CADIN), fls. 73. Em que pese pesquisa realizada em 19/02/2008, junto ao sistema Sisbacen/Cadin, (anexa às fls. 49/50, repetidas às 73 e 98/99), na qual consta pendência de 19/02/2008, junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), sem a devida discriminação, (doc. de fl. 50), a recorrente alega desconhecer e solicita sua identificação para as providencias devidas (doc. fl. 53), não tendo sido atendida sua solicitação. Não bastasse isto, em data anterior ao indeferimento do pleito (14/02/2008, a ciência se deu em 01 de julho de 2008), o contribuinte encontravase com certidão indicativa de sua regularidade junto à SRF e PGFN, conforme se pode notar de informação coletada às fls. 37/47, no extrato de informações de apoio à emissão de certidão, onde se pode ler "CERTIDÃO EMITIDA: em 26/11/2007 validade: 24/05/2008.” Pelo exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 182DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/ 07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/ 07/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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