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Numero do processo: 11080.900508/2009-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 17277.56232.150705.1.3.040193, cujo fundamento é a integral vinculação do crédito indicado em outro(s) débito(s) de titularidade do sujeito passivo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 00 50 8/ 20 09 -2 0Fl. 299DF CARF MF Processo nº 11080.900508/200920 Resolução nº 3401001.337 S3C4T1 Fl. 4 2 Em manifestação de inconformidade o contribuinte defendeu a nulidade do despacho decisório, por inobservância do art. 10, IV do Decreto nº 70.235/72 e cerceamento do direito de defesa e esclareceu tratarse o crédito de recolhimento a maior de Cofins, conforme DACON e DCTF apresentadas. Foram juntadas cópias do DACON, PERD/COMP e DCTF. A DRJ Juiz de Fora/MG julgou a manifestação improcedente, em decisão assim ementada: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Incabível a alegação de cerceamento de defesa quando a decisão contestada evidenciar a motivação da não homologação da compensação, bem como os dispositivos legais pertinentes, possibilitando ao interessado aduzir suas razões de discordância. DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples apresentação de DACON, desacompanhada de qualquer outro elemento de prova, não é suficiente para modificar o Despacho Decisório de não homologação de compensação, fundamentado em valores confessados, repetidas vezes, em DCTF.” O recurso voluntário asseverou a existência do direito creditório utilizado, atribuindo o equívoco à ausência de retificação da DCTF, mero erro de fato que não poderia se sobrepor à verdade material, de modo a incidir o art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Na seqüência demonstrou pormenorizadamente o erro na apuração da Cofins não cumulativa, mormente a não apropriação de créditos devidos pela aquisição de energia elétrica; questionou o procedimento realizado e a conclusão da decisão de primeira instância, apontando cerceamento de defesa; discorreu sobre a atividade probatória e os princípios do formalismo moderado e da verdade material no processo administrativo fiscal; criticou a não aceitação do DACON como prova do indébito; sustentou o direito à diligência para aferição das alegações de fato; e, por fim, postulou o provimento do recurso. Na oportunidade foram juntados, além das declarações, DARF e despacho decisório, demonstrativo contábil, extratos do Livro Razão e, em 11/09/2014, através de petição avulsa, a relação e as cópias das notas fiscais de aquisição de energia elétrica, em tese, ensejadoras de créditos da não cumulatividade. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Fl. 300DF CARF MF Processo nº 11080.900508/200920 Resolução nº 3401001.337 S3C4T1 Fl. 5 3 O recurso protocolado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Em exame da situação observei que o fundamento inicial da não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Notei, também, que a Administração Tributária em momento algum contestou diretamente a existência do crédito vindicado, mas sim sua apropriação em outra finalidade. Na linha adotada pela decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exige uma perfeita demonstração dos argumentos deduzidos, tudo devidamente acompanhado de elementos que os embase, especialmente documentos contábeis e fiscais. É certo que na primeira oportunidade processual o recorrente não produziu a prova necessária, limitandose a anexar cópias de declarações, que, por si só, nada demonstram, entretanto, em recurso voluntário, trouxe relatório e cópias de notas fiscais de aquisição, extratos do Livro Razão (eletrônico) e demonstrativo contábil de apuração de tributo, o que, a meu sentir, consubstancia um início razoável de prova a justificar o retorno dos autos à DRF de jurisdição para exame das alegações do recorrente. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, não se pode olvidar que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, pois validado por meio de chancela eletrônica. Nestas condições, é natural que os contribuintes, como no caso vertente, compreendam que a singela retificação da DCTF seja suficiente para a solução da “pendência”, restando claro que esta providência não soluciona o problema somente com a prolação da decisão de primeiro grau administrativo, o que, aliás, até justifica a juntada tardia de um acervo probatório mínimo a supedanear a demonstração dos valores recolhidos indevidamente. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que a Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em especial esta 1ª Turma Ordinária/4ª Câmara, tem orientado sua jurisprudência no sentido que em situações como a deste processo, onde há um início razoável de prova, composto por documentos outros que não apenas declarações ou mesmo debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito invocado. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Fl. 301DF CARF MF Processo nº 11080.900508/200920 Resolução nº 3401001.337 S3C4T1 Fl. 6 4 · Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, · Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Robson José Bayerl Fl. 302DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.901064/2009-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade fiscal de origem analise os documentos acostados aos autos.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade fiscal de origem analise os documentos acostados aos autos. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. RELATÓRIO Dos fatos Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0949.127, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora /MG DRJ/JFA que, em sessão de julgamento realizada no dia 23.01.2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 159 a 163): Trata o presente processo de PER/DCOMP nº 19623.99009.200209.1.3.049385, com crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior, relativo ao DARF no valor de R$ 37.959,76, recolhido em 20/03/2007. Após análise dos elementos constitutivos do crédito pleiteado, foi emitido Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito, tendo em vista RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 01 06 4/ 20 09 -6 1 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10880.901064/200961 Resolução nº 3001000.024 S3C0T1 Fl. 234 2 que o pagamento indicado como indevido ou a maior não oferecia saldo disponível para compensação, uma vez que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Regularmente cientificada do Despacho Decisório, por via postal, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em breve síntese, que transmitiu DCTF retificadora que confirma o seu crédito e que o crédito informado no PER/DCOMP é suficiente para a compensação do(s) débito(s) declarado(s). É o relatório do necessário. Da decisão de 1ª Instância A 1ª Turma da DRJ/JFA, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/03/2007 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência O contribuinte, segundo por meio do "Aviso de Recebimento" (efl. 165), tomou conhecimento, em 14.02.2014, da "INTIMAÇÃO 272/2014" (efl. 164) dando conta do acórdão vergastado. Irresignado com a referida decisão, conforme o "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" (efl. 231), o recorrente, em 14.03.2014, registra a solicitação de juntada do recurso voluntário apresentado (efls. 167 a 230). No caso, compulsando as datas acima destacadas, concluise que o recurso voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação; de modo que dele conheço. Do recurso voluntário Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10880.901064/200961 Resolução nº 3001000.024 S3C0T1 Fl. 235 3 Sintetizo os argumentos de defesa apresentado que entendo suficiente para evidenciar a necessidade de deferirse a diligência pleiteada. Alega o recorrente que: 1 é pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido e, portanto, o regime de tributação das contribuições ao PIS e Cofins é o cumulativo; 2 apurou saldo devedor de Cofins no valor de R$ 37.959,76, referente a fevereiro/2007 e providenciou o devido recolhimento por meio de DARF; 3 constatou que apurou de forma indevida o referido saldo a pagar de Cofins no citado período, tendo em vista que, para as operações de industrialização por encomenda, a legislação reduziu a alíquota desta contribuição, ficando alterada de 3% para zero, gerando crédito em seu favor; 4 em face da legislação aplicável às operações de industrialização por encomenda, o valor correto a ser recolhido no referido período era de R$ 108,66, gerando, por consequente, um saldo credor de R$ 37.851,10; 5 desse modo, apresentou a DCOMP 19623.99009.200209.1.3.049385, com o objetivo de quitar débitos de tributos federais com o valor que recolheu indevidamente; 6 a fiscalização, ao analisar o direito creditório pleiteado, ao proferir o despacho decisório, não o homologou, por haver concluído que respectivo valor serviu para quitar integralmente os débitos informados na DCTF e Dacon; 7 a não homologação decorreu da não apresentação da DCTF e do Dacon retificados, o que impossibilitou de a fiscalização identificar que o saldo recolhido de Cofins não estava de acordo com a realidade dos fatos e, por conseguinte, de aferir o crédito existente a seu favor, em face do recolhimento a maior; 8 se a fiscalização o tivesse intimado a prestar esclarecimentos sobre referida divergência, à época, já poderia explicar que por mero vício formal não retificou em tempo a DCTF e o Dacon, o que não desqualifica a materialidade de seu crédito de Cofins; 9 com vista a sanar o equívoco que maculou o despacho decisório, ao apresentar a manifestação de inconformidade, procedeu à retificação dos referidos documentos (DCTF e Dacon), para que estes demonstrassem o saldo creditório correto, que por um lapso divergia de sua documentação contábil e fiscal; 10 a questão suscitada no acórdão recorrido não merece prosperar, pois comprovou que o crédito discutido surgiu de apuração equivocada de Cofins em relação à operação de industrialização por encomenda, conforme consta de seu Livro Razão e Balancete; 11 no intuito de corroborar com a verdade material dos fatos, possibilitar a aferição do crédito e consequente homologação da DComp, aproveita esta oportunidade para apresentar sua documentação contábil, bem como a fiscal, que inegavelmente comprovam a existência do direito creditório ora pleiteado. Do encaminhamento Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10880.901064/200961 Resolução nº 3001000.024 S3C0T1 Fl. 236 4 O processo digital, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Do voto condutor do acórdão recorrido Do voto condutor do acórdão recorrido colhese: (...) Consoante o § 1º do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, a compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir já na data da transmissão dessa Declaração. No caso, é inconteste que, segundo as informações constantes da DCTF apresentada pelo contribuinte até a data entrega do PER/DCOMP, não havia pagamento a maior ou indevido que respaldasse o crédito utilizado na compensação. Portanto, cabe ao interessado a prova de que cometeu erro de preenchimento na DCTF original e que o valor efetivamente devido é aquele declarado na DCTF retificadora (entregue após a transmissão do PER/DCOMP). Entretanto, a contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais e controles internos. Em situações tais como a analisada, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderia comprovar que inexistia tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado com outros débitos. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. De acordo com o § 11 do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, aplicase ao presente processo o rito estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Esse Decreto, com força de Lei, determina em seu art. 16 que a impugnação (manifestação de inconformidade) contenha as razões e provas que o interessado possua. No mesmo sentido, a Lei n.º 9.784/99, de aplicação subsidiária ao rito processual do Decreto n.º 70.235/72, estabelece, em seu art. 36, que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, em consonância, ainda, com o artigo 333, inciso I, do Código de Processo Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10880.901064/200961 Resolução nº 3001000.024 S3C0T1 Fl. 237 5 Civil, que afirma que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Com efeito, cumpre elucidar ainda que, nos moldes do art. 214, do Código Civil1, para a desconsideração da confissão de dívida por erro de fato, o equívoco deve ser devidamente comprovado, sendo do sujeito passivo (assim como ocorre em relação à comprovação do indébito) o encargo probante da circunstância, por aplicação do já comentado art. 333, I, do CPC. E isto deve ser feito por intermédio de documentos robustos, especialmente dos assentamentos contábeis/fiscais do contribuinte, não sendo suficiente, por si só, como prova a mera apresentação de DCTF retificadora. 1 “Art. 214. A confissão é irrevogável, mas pode ser anulada se decorreu de erro de fato ou de coação” É assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) é firme nesse sentido, conforme exemplificam as seguintes ementas: (...) Deste modo, considerando que a DCTF retificadora foi entregue somente após a transmissão do PER/DCOMP e que não foram aduzidos aos autos quaisquer elementos comprobatórios do crédito pleiteado, concluise que não há qualquer reparo a ser feito no Despacho Decisório sob análise. Nessa perspectiva, cumpre assinalar que, de acordo com a peça de defesa, a interessada também retificou o Dacon, em 30/03/2009 (fls. 50 a 93), alterando o valor da contribuição devida nos mesmos moldes da DCTF retificadora (fls. 94 a 136). Tal retificação, que resultou na diminuição do débito confessado, se deu em virtude da alteração da origem de grande parte da receita auferida, primeiramente informada como venda de produtos sujeitos à tributação monofásica e posteriormente alterada para revenda dos referidos produtos, cuja receita é tributada à alíquota zero. Entretanto, a interessada não comprovou a procedência da alteração efetuada, indispensável no presente caso, especialmente porque a atividade da contribuinte é, entre outras, a fabricação de medicamentos farmacêuticos, situação em que a tributação é concentrada no fabricante (fls. 141 a 155 e 158). Diante do exposto, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório de não homologação da compensação. Da justificativa para a proposta de diligência Compulsandose os autos verificase que o pedido de compensação do recorrente foi indeferido, por meio de despacho decisório eletrônico, número de rastreamento 849875868, em decorrência da inexistência de crédito. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10880.901064/200961 Resolução nº 3001000.024 S3C0T1 Fl. 238 6 O recorrente apresentou DCTF e Dacon retificadora, informando este fato quando da apresentação da manifestação de inconformidade. No seu entender, com a apresentação dessas declarações retificadora estaria sanada a irregularidade apontada no despacho decisório. Entretanto, o acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que o interessado não apresentou qualquer elemento contábil que demonstrasse ter havido pagamento a maior ou indevido e, deste modo, o recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na DComp em questão. Portanto, em síntese, o fundamento da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória (escrituração contábilfiscal) que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, na DCTF retificadora. O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, afirma, com suas próprias palavras, que houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual apresentou a retificadora da DCTF, juntamente com a Dacon, e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório seria apenas a inexistência de débito. Como o acórdão recorrido proferido pela 1ª Turma da DRJ/JFA indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente apresentou esses documentos, que entende serem suficientes para a devida comprovação do direito à compensação solicitada. Requer a realização de diligência para o esclarecimento acerca do crédito compensado, caso entendase necessário. Pois bem. Entendo que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos aos créditos que o recorrente pretende compensar. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábilfiscal do contribuinte. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para o recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, concluo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Desta forma, por entender que a mencionada retificação (DCTF e Dacon) levada a efeito pelo recorrente, sinaliza com a possibilidade de acerto quanto ao correto valor do indébito de Cofins, e, com isto, o reconhecimento da extinção do débito tributário objeto da compensação, nos termos do inciso II do artigo 156 do CTN, ainda mais com os documentos lastreados aos presentes autos, com a apresentação do recurso voluntário de que se cuida. Da conclusão Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da repartição de origem proceda à análise da documentação apresentada pelo recorrente em seu recurso voluntário, bem como intimeo para apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos que Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10880.901064/200961 Resolução nº 3001000.024 S3C0T1 Fl. 239 7 entenda necessários, a critério da fiscalização, com vistas a esclarecer e comprovar a existência dos supostos créditos suscetíveis de serem utilizados na compensação de tributos. Desta forma, os autos devem retornar à repartição de origem DERAT SÃO PAULO para realização da diligência solicitada. Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal da repartição de origem deverá elaborar relatório conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado pelo recorrente na PER/DCOMP 19623.99009.200209.1.3.049385. Encerrada a instrução processual o recorrente deverá ser intimado para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para este CARF, para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.920515/2009-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 15/02/2006
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito.
DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.867
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 15/02/2006 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 05 15 /2 00 9- 60 Fl. 126DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário interposto pela empresa TIM CELULAR S/A., contra a Decisão da DRJ, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade que manteve o Despacho Decisório eletrônico emitido pela Delegacia de Administração Tributária em São Paulo DERAT/SP, que não homologou as compensações declaradas com pagamento indevido de CIDE. No referido Despacho Decisório informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade a contribuinte reconhece que deixou de retificar as DCTFs relativas aos períodos que entende ter havido recolhimento a maior. Sustenta, contudo, que mero equívoco no preenchimento destas declarações não pode gerar débitos fiscais. Alega ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa, discorre sobre o princípio da verdade material e assevera que o equívoco é evidente e não justifica a glosa havida. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão nº Acórdão 16030.232, prolatado pela DRJ em São Paulo (SP): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 15/02/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10880.920515/200960 Acórdão n.º 3402004.867 S3C4T2 Fl. 3 3 efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÓNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito credit6rio, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, reprisando os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando, em síntese, as seguintes razões: Aduz que como explicitado na Manifestação de Inconformidade, por conta da sistemática tributária vigente, apurou créditos tributários a seu favor (recolhimento indevido ou a maior de diversos impostos e contribuições administrados pela RFB), sendo certo que tais montantes são plenamente utilizáveis para fins de compensação de débitos relativos a outros tributos federais administrados pela RFB. Com efeito, a partir de meados de 2006, constatou ter efetuado recolhimento a maior a titulo de IRRF, CIDE, PIS importação, COFINS importação, incidentes sobre operações de remessa ao exterior de Royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos, recolhimentos estes realizados desde o anocalendário de 2004 e que foram compensados com débitos de COFINS apurada em PER/DCOMP. (i) Da carência de Fundamentação do Despacho Decisório: Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e ignorado pela decisão recorrida, o Despacho Decisório é absolutamente carente de fundamentação legal (motivação), quedandose nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado; a carência de motivação que torna vazio o despacho decisório inquinado, viola frontalmente o principio da ampla defesa e do contraditório; o simples fato da DRJ/SP1 ter ultrapassado a nulidade alegada sem qualquer análise digna das atribuições da Autoridade Fiscal acarreta indevida supressão de instância; (ii) Quanto ao mérito, argumenta a violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade: afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais Fl. 128DF CARF MF 4 créditos; se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta; que o mero erro material no preenchimento dos valores descritos na DCTF não pode operar quaisquer efeitos; o fato de a Recorrente ter cometido o simples erro de preenchimento relativo à inclusão de débitos indevidamente na sua DCTF, não é bastante para que o Fisco ignore diversos outros elementos que, já analisados pela RFB, revelam manifestamente a validade dos créditos fiscais vindicados, pois estes existem e só não são reconhecidos por um equivoco na declaração; de se frisar que é dever da Administração Pública, em prol da legalidade de sua atuação, investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo a uma cobrança, ou seja, se a Administração possui dados para identificar os fatos, não deve ela se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo do contribuinte; (iii) Do escorreito procedimento de compensação realizado: o entendimento havido pelo Acórdão recorrido baseiase, pura e simplesmente, no fato de que as declarações não identificavam saldo (crédito) a restituir (ou compensar), mas somente a liquidação regular de débitos apurados, situação esta que, consoante já aduzido na Manifestação de Inconformidade, era devida unicamente em razão da falta de retificação das DCTFs enviadas com erros de preenchimento, equívocos perfeitamente sanáveis pelo Fisco, até mesmo de oficio, que tem livre acesso à toda a escrituração fiscal da Recorrente e, mesmo assim, jamais a solicitou para fins de imputação das compensações de créditos declaradas. Por fim, requer que seja o Recurso Voluntário conhecido e recebido com efeito suspensivo (nos termos do artigo 151, III do CTN) e declarado nulo o Despacho Decisório que fundamenta a exigência ante a patente carência de fundamentação ou, caso assim não entenda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do RI CARF, para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.849, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.679805/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.849): 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10880.920515/200960 Acórdão n.º 3402004.867 S3C4T2 Fl. 4 5 O caso se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. No Despacho Decisório o Fisco informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. A Recorrente alega que mero equivoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. 3. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório A Recorrente alega que há carência de fundamentação e motivação do Despacho Decisório prolatado pela DERAT/SP e que houve cerceamento do seu direito de defesa. Vejase trecho: "(...) Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e solenemente ignorado pela decisão da 5ª Turma da DRJ/SP1, o despacho decisório em comento é absolutamente carente de fundamentação legal, quedando nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado. "(...) não se pode admitir em nome desta agilidade a violação de direito expresso na Carta Magna, elementar ao principio do contraditório e da ampla defesa, que é a obrigatoriedade de fundamentação das decisões proferidas tanto em âmbito administrativo como judicial (....)". Pois bem, entendo que não assiste razão à Recorrente. Explico. De acordo com o dispositivo constitucional que trata do direito ao contraditório e à ampla defesa, temos que: (artº 5º, inciso LV): Artº 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade nos seguintes termos: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. É cediço que a autoridade competente, ao verificar a infração e entender presente as provas necessárias à caracterização da infração ou do ilícito fiscal, não está obrigada a conceder defesa antes da cientificação do respectivo lançamento ao sujeito passivo, posto que é com a apresentação da impugnação que o procedimento se verte em processo, estabelecendose, por conseguinte, o efetivo conflito de interesses: de um lado o Fisco que acusa a existência de débito tributário, fundando sua pretensão de recebêlo e, de outro, o sujeito passivo, que opõe resistência por meio da apresentação de defesa administrativa Fl. 130DF CARF MF 6 (impugnação). É a partir desse momento, ou seja, com o início da fase processual, que se impõe a aplicação, no âmbito administrativo, do princípio constitucional da garantia ao devido processo legal, no qual está compreendido o respeito à ampla defesa, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Verificase que o Despacho Decisório (eletrônico) teve origem em auditoria de análise de crédito declarado em PER/DECOMP pela Recorrente, realizada pela RFB, que encontrase detalhada no corpo do documento (campo 3), onde consta a motivação, fundamentação, decisão e o enquadramento legal que conduziram a autoridade fazendária a não homologação da compensação declarada. Vejase trecho: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 11.190,74. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". A Recorrente foi devidamente cientificada do referido Despacho Decisório e apresentou, tempestivamente, a sua Manifestação de Inconformidade (fls. 10/24) que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância administrativa. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou Recurso Voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, demonstrando perfeito conhecimento de todo o conteúdo deste processo, não lhe sendo oposto qualquer constrangimento ou dificuldade, e está exercendo seu direito de defesa de forma ampla, por meio deste processo. Portanto, a motivação para o indeferimento no Despacho Decisório, bem como, as do julgamento na primeira instância, estão claramente identificadas e fundamentadas no Acórdão recorrido, não havendo que se falar na "indevida supressão de instância". Com todo este histórico de discussão administrativa, cumpridos os prazos legais para manifestação, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no Despacho Decisório ou no julgamento da primeira instância, ou seja, todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235, de 1972 foi observado, tanto o Despacho Decisório, bem como, o devido processo administrativo fiscal (PAF). Pela leitura do Despacho Decisório, que foi emitido eletronicamente pela RFB, constatase o nome e matrícula Auditor Fiscal (foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções), bem como verificase a descrição de forma suficientemente, objetiva e cristalina os fatos o Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10880.920515/200960 Acórdão n.º 3402004.867 S3C4T2 Fl. 5 7 enquadramento legal e normativos, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da motivação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Por fim, apenas para um melhor esclarecimento sobre nulidade, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no âmbito do processo administrativo fiscal. Assim, prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como se vê, o caso aqui analisado, não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 59 acima reproduzido. Assim, respeitados pelo Fisco os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, inexiste o cerceamento do direito de defesa até esta fase processual e, portanto, improcedente é a alegação nulidade do feito fiscal. 4. Do pedido de diligência (produção de provas, escrita fiscal) Requer a Recorrente ao final de seu recurso que, "(...) ou, caso assim não entenda V.Sa., seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do Regimento Interno deste E. Conselho para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da ora Recorrente, confirmandose, ao final, a compensação declarada". Pois bem. Primeiramente, ressaltese que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja por parte do fisco ou da Recorrente. Conforme será abordado na parte meritória, as questões colocadas não justificam o deferimento de uma diligência uma vez que além de existir nos autos elementos que propiciam ao julgador a cognição dos fatos postos em lide, a Recorrente teve a oportunidade de apresentar seus elementos probatórios quando da Manifestação de Inconformidade. Fl. 132DF CARF MF 8 No art. 15 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal), consta que a impugnação deverá ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar. Sobre isso, coloquese, inicialmente, que no que se referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, a legislação processual administrativo tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição do contribuinte/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste. Mencionese, adicionalmente, que o Código de Processo Civil, aqui aplicável subsidiariamente ao Decreto 70.235/72, estabelece, em seu art. 373, que o ônus da prova incumbe ao autor, quando fato constitutivo do seu direito. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse mesmo sentido, segue a Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários. Já à autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18, Decreto nº 70.235/1972, cabe determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento ou as impraticáveis. Assim, há que se ter em conta, que tais previsões legais não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Dentro deste quadro, temse que não cabe a autoridade julgadora, em qualquer pleito repetitório apresentado, diligenciar para fins de, de ofício, promover a produção de prova da existência e/ou procedência do crédito pleiteado pelo Contribuinte. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindível é a diligência/perícia requerida pela contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferila. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência/perícia Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10880.920515/200960 Acórdão n.º 3402004.867 S3C4T2 Fl. 6 9 com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. 5. Quanto ao mérito Em seu recurso a Recorrente argumenta a violação ao princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas. Vejase: "(...) Conforme já delineado, o débito da ora Recorrente fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos". A Recorrente reconhece que informou, equivocadamente, na DCTF original, débito de CIDE quitado mediante recolhimento de DARF no valor informado no Despacho Decisório que ora se discute. Todavia, após revisão interna, constatou o pagamento a maior do referido débito, uma vez que os cálculos estavam sendo efetuados de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de COFINS após a correção do montante efetivamente devido. Que se fosse dado "a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta". Por outro lado, relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros, haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP, a decisão de piso observa que "a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova documental do que alega". Prossegue a Recorrente afirmando que, "(...) O PER/DCOMP em questão, transmitido em 18.06.2007 (DOC.02 da petição de juntada outrora protocolada), contemplou a utilização de crédito apurado de CIDE recolhido em 29.07.2005, conforme DARF no valor de R$ 11.190,74 (onze mil, cento e noventa reais e setenta e quatro centavos DOC.03, da petição de juntada outrora protocolada), para compensação de COFINS apurada no mês de maio de 2007 no valor de R$ 14.270,43 (catorze mil, duzentos e setenta reais e quarenta e três centavos), situação esta que foi finalmente e adequadamente espelhada na DCTF retificadora transmitida em 03.12.2009 (DOC.04, da petição de juntada outrora protocolada), a qual põe por terra quaisquer dúvidas quanto à liquidez do crédito cuja compensação foi pleiteada pelo PER/DCOMP sob exame". No entanto, verificase que tanto na Manifestação de Inconformidade como no Recurso Voluntário, a Recorrente limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer Fl. 134DF CARF MF 10 DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório prolatado pelo Fisco, que ocorreu em 23/10/2009. Como muito bem pontuado pela decisão a quo, a qual subscrevo algumas partes das considerações tecidas (com alterações pontuais), adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, "(...) a retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a Manifestação de Inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da Contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais, tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório". A Recorrente reconhece, a princípio, que não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Logo o sistema PER/DCOMP ao realizar a compensação não poderia ter encontrado saldo credor no DARF utilizado na Declaração de Compensação (DCOMP), eis que estava alocado ao débito segundo informado na DCTF. No entanto, após ciência do Despacho Decisório, quando da Manifestação de Inconformidade é que a Contribuinte informa o Fisco ter havido erro no preenchimento das DCTF e procede a retificação da declaração. É importante ressaltar que a conduta do Fisco é pautada em documentos formais e oficiais e, se a Recorrente resta inerte e não promove à tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Vale dizer que este Colegiado vem registrando noutros processos envolvendo matéria idêntica, em que esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior a ciência do Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhado de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147, do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (Grifei) Da interpretação do artigo acima, extraise que a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10880.920515/200960 Acórdão n.º 3402004.867 S3C4T2 Fl. 7 11 devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original (DCTF). Ressalto que, como já frisado no tópico anterior, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição deste/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste (ônus da prova). Assim, a Recorrente deveria ter acostado aos autos, junto com a Manifestação de Inconformidade a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Fiscais e Contábeis, como o Livro Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Reprisee que no caso em exame, a Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu (quando da Manifestação e agora em fase de recurso), qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que alega que cometera no preenchimento da DCTF (como a escrita contábil e fiscal, por exemplo). Veja que o processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/72, que em seu art. 16, III assim dispõe, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará. III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. I.° da Lei n.° 8.748/I993)" Ainda nos §§ 4° e 5° do mesmo artigo determinam que: " § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997) § 5°. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/I997)" (Grifei) Percebese que a Recorrente trouxe somente documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de Fl. 136DF CARF MF 12 documentos ou diligência, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal solicitação. Entre ser verdadeira a afirmação da Recorrente, segundo a qual o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil antes da transmissão das compensações, não lhe pode subtrair o direito ao crédito (o princípio da verdade material requerido), e reconhecerlhe o direito a esse crédito, passa, inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto, sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se juntasse as provas no recurso voluntário certamente contaria com a possibilidade de seu acolhimento nesta segunda instância de julgamento. No entanto, vale ressaltar que, até a presente data, passado quase dois anos entre a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário, nenhuma documentação foi apresentada pela Recorrente, que se limitou a juntar cópia da DCTF retificadora, não embasada por qualquer documentação comprobatória. Isto posto, para este Colegiado, portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida, ao afirmar que a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não seria óbice, mas também não seria suficiente para a demonstração do crédito vindicado, sendo indispensável, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, supra, a comprovação do erro em que se fundou a retificação, o que a Recorrente, conforme já ressaltamos neste voto, não logrou realizar. 6. Dos princípios da estrita legalidade, da razoabilidade e da proporcionalidade À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, legalidade, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 7. Dispositivo Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para no mérito, NEGARLHE provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.920515/200960 Acórdão n.º 3402004.867 S3C4T2 Fl. 8 13 Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900020/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano calendário:2001
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL E IRPJ.
INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS TRIBUTOS RECOLHIDOS A TÍTULO DE ESTIMATIVAS E DA APURAÇÃO DO MONTANTE EFETIVAMENTE DEVIDO. Nos pedidos de compensação a parte interessada deve apresentar DIPJ demonstrando a existência de saldo negativo do IRPJ ou de CSLL. Não basta alegar que o crédito a ser utilizado na compensação é decorrente de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, sem trazer aos autos os documentos que demonstram tal alegação.
Recurso negado.
Numero da decisão: 1402-000.624
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Moises Giacomelli Nunes da Silva
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Recorrida 5ª TURMA/DRJ RIBEIRÃO PRETO SP Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL E IRPJ. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS TRIBUTOS RECOLHIDOS A TÍTULO DE ESTIMATIVAS E DA APURAÇÃO DO MONTANTE EFETIVAMENTE DEVIDO. Nos pedidos de compensação a parte interessada deve apresentar DIPJ demonstrando a existência de saldo negativo do IRPJ ou de CSLL. Não basta alegar que o crédito a ser utilizado na compensação é decorrente de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, sem trazer aos autos os documentos que demonstram tal alegação. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 13888.900020/200851 Acórdão n.º 140200.624 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação de fls. 05/10, protocolizada em 31/10/2003, por meio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de IRPJ com crédito decorrente de pagamento a maior do mesmo tributo. Conforme despacho decisório de fl. 31, não foi homologada a compensação, tendo em vista que o pagamento informado como origem do crédito foi inteiramente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no DCOMP. Para melhor compreensão, transcrevo o despacho de fl. 31: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 8.271,06. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP. Período de apuração Código de Receita Valor Total do DARF Data de Arrecadação 30/09/2001 2362 8.271,06 31/10/2001 Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor original total Processo(PR)/PCECOMP(P D)/Débito (DB) Valor Original utilizado 3182456098 8.271,06 Db: cód 2362 PA 30/09/2001 8.271,06 Valor Total 8.271,06 Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a contribuinte ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 01/04, alegando, em síntese, que houve erro no preenchimento da DCOMP, pois informou crédito de pagamento a maior, ao invés de saldo negativo de IRPJ. A DRJ de origem, no acórdão de fls. 35/40, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação, conforme se verifica na decisão que resultou assim ementada: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITORIO. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa. Comprovação contábil do valor devido na apuração anual e que referido saldo negativo não tenha sido utilizado para compensar o imposto de renda devido nos períodos posteriores àqueles abrangidos no pedido. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 13888.900020/200851 Acórdão n.º 140200.624 S1C4T2 Fl. 3 3 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Solicitação Indeferida Intimada em 08/09/2009 (fl. 43), a autuada interpôs recurso em 08/10/2009 (fls. 44/48), reiterando os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 13888.900020/200851 Acórdão n.º 140200.624 S1C4T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado. Assim, conheçoo e passo ao exame do mérito. Em decisão anterior, este colegiado, em processo por mim relatado, a partir de considerações feitas pelo ilustre Conselheiro Antônio Praga, firmou entendimento de que é possível procederse, de ofício, a correção de pedido de compensação nas situações em que o sujeito passivo informa que o crédito a ser utilizado na compensação é decorrente de pagamento a maior quando, na realidade, pretendia destacar que o mesmo era decorrente de saldo negativo de imposto de renda. O erro quanto à denominação do crédito a ser utilizado na declaração de compensação não obsta o regular processamento do pedido de compensação, nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996. No caso concreto, alega a recorrente que, ao preencher o pedido de compensação, informou que o mesmo tinha origem em pagamento a maior quando, na realidade, dito pedido tinha como causa o saldo negativo do recolhimento de estimativas de IRPJ, conforme previsto nos artigos 2º e 6º da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir transcritos: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real se concretiza no Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 13888.900020/200851 Acórdão n.º 140200.624 S1C4T2 Fl. 5 5 final de cada anocalendário, é a partir deste momento que se encontra o saldo do imposto a pagar ou o montante do saldo negativo a ser compensado, nos termos do inciso II, do § 1º, do artigo 6º da Lei nº 9.430, de 1996. A existência de saldo negativo do IRPJ só é possível ser verificada a partir dos registros contábeis e da DIPJ onde se identifica o valor do imposto devido e o montante recolhido a título de estimativas. Nos casos em que o IRRF e o recolhimento a título de estimativas mensais ultrapassa o valor do imposto devido, apurado ao término de cada ano calendário, temse o saldo negativo de IRPJ que pode ser utilizado a título de compensação. Nos pedidos de compensação, conforme apontou o acórdão recorrido, não basta que a parte interessada apresente a DCOMP sem prova da existência de saldo negativo do IRPJ. Neste sentido, no mínimo, o referido pedido deve vir acompanhado da DIPJ e, nos casos em que a Fiscalização não localizar no sistema, dos respectivos DARF`s, provando o recolhimento das estimativas mensais. No caso presente não vieram aos autos nenhum dos documentos referidos no parágrafo anterior, sendo corretos os fundamentos do acórdão recorrido, do qual transcrevo a seguinte passagem que agrego ao meu entendimento: ...Portanto, não basta à interessada alegar o pagamento a maior do tributo, mas também deve trazer, por ocasião do presente contencioso, provas, lastreadas em lançamentos contábeis, que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo do IRPJ, o saldo negativo de IRPJ apurado e, por conseguinte, os registros contábeis relativos às compensações doIRPJ devida nos períodos subseqüentes à apuração do indigitado saldo negativo de IRPJ. Inclusive, por se tratar de contribuinte sujeita ao regime de apuração dos tributos com base no lucro real, esta deveria, ao fim de cada períodobase de incidência do tributo, apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração 'do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados, que serão transcritos no Livro de Apuração de Lucro Real (LALUR), nos termos dos artigos 7° e seu § 4°, e 8°, inciso I, ambos do DecretoLei n° 1.598, de 1977. (...) ISSO POSTO, em não havendo provas nos autos da existência do saldo negativo de imposto decorrente do pagamento das estimativas mensais, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 10880.676143/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2005
DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS.
A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457(2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito.
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.
VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO.
A verdade material é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.087
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2005 DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros). Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 61 43 /2 00 9- 29 Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 10880.676143/200929 Acórdão n.º 3401004.087 S3C4T1 Fl. 3 2 Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de COFINS. Tendo sido localizado o pagamento nos sistemas da RFB, mas utilizado para saldar débitos outros da empresa, não restando saldo, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação de Inconformidade, na qual alegou, basicamente, que em decorrência de equívocos no preenchimento de suas obrigações acessórias DACON e DCTF (todo o valor recebido a título de “receita de prestação de serviços” foi declarado no campo pertinente ao regime nãocumulativo, sem discriminação das receitas que deveriam figurar no regime cumulativo) a empresa acabou por apurar valor a maior a titulo de COFINS, promovendo o pagamento indevido de tal exação, gerando crédito passível de utilização na compensação de seus débitos. A empresa promoveu a retificação de DACON, alterando o valor devido, à época, a título de COFINS, ainda restando recolhimento a maior, em montante diverso do demandado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos; (b) a existência de erro no preenchimento das obrigações acessórias DACON e DCTF, não foi acompanhada de qualquer documento retificador até a data da ciência do Despacho Decisório, e nem de documentos de amparo, posteriormente; e (c) não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, argumentando que: (a) foi descumprindo o prazo estabelecido no artigo 24 da Lei no 11.457/2007, havendo perda de direito por parte da Fazenda; (b) houve mero erro de preenchimento de DACON e DCTF, devendo prevalecer a verdade material, e serem os autos baixados em diligência; e (c) o artigo 147 do CTN se refere apenas a lançamento por declaração. Juntou, posteriormente, peça de defesa colacionando cópias de livros que se prestariam a demonstrar o valor declarado no DACON retificador. É o relatório. Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 10880.676143/200929 Acórdão n.º 3401004.087 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.084, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.676139/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.084): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Após a interposição de recurso voluntário, restam contenciosos no presente processo os seguintes temas: (a) descumprimento do prazo estabelecido no artigo 24 da Lei no 11.457/2007; (b) existência de mero erro de preenchimento de DACON e DCTF, em face da verdade material, com demanda por diligência; e (c) aplicação do artigo 147 do CTN. Do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 Na peça recursal, alega a empresa que a decisão da DRJ foi proferida depois de mais de 360 dias da interposição da manifestação de inconformidade, havendo perda de direito por parte da Fazenda, com fulcro no artigo 24 da Lei no 11.457/2007. O citado artigo 24 (texto transcrito abaixo) se aplica ao processo administrativo tributário, conforme decisão do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.138.206/RS): “Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte.” É cediço que o comando legal indicado inserese em um contexto que busca dotar de maior celeridade o processo administrativo, em consonância com os princípios constitucionais que regem a matéria. Contudo, é preciso reconhecer que não atribuiu o legislador consequência (v.g., reconhecimento tácito do crédito, como parece demandar a recorrente) ao processo em desacordo com o comando. E poderia têlo feito, se o desejasse, visto que a mesma Lei no 11.457/2007 promove alterações ao Decreto no 70.235/1972, que disciplina o processo administrativo fiscal. Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 10880.676143/200929 Acórdão n.º 3401004.087 S3C4T1 Fl. 5 4 Neste Decreto é que se arrolam, por exemplo, as causas de nulidade (art. 59). Também é sabido que no processo há prazos próprios e impróprios, e que estes não acarretam consequências processuais, embora possam ensejar discussões sobre responsabilização funcional, caso o retardo não seja justificável. Vejase, a título ilustrativo, o art. 226 do novo Código de Processo Civil – CPC (artigo 189 do antigo CPC), que também tem por escopo a celeridade nos julgados: “Art. 226. O juiz proferirá: I os despachos no prazo de 5 (cinco) dias; II as decisões interlocutórias no prazo de 10 (dez) dias; III as sentenças no prazo de 30 (trinta) dias.” Embora se possa entender o objetivo do artigo, afigurase irrazoável dele deduzir que um processo com decisão judicial proferida após trinta dias seria, por exemplo objeto de nulidade, ou subtração de custas ou atualizações, ou ainda reconhecimento de direitos de crédito. No mesmo sentido as observações em relação ao art. 24 da Lei no 11.457/2007. Ademais, o art. 24 da Lei no 11.457/2007 possuía dois parágrafos que foram vetados pelo Poder Executivo (veto mantido). Um deles exatamente porque atribuía efeitos ao processo no caso de descumprimento (o § 2o dispunha que “haverá interrupção do prazo, pelo período máximo de 120 dias, quando necessária à produção de diligências administrativas, que deverá ser realizada no máximo em igual prazo, sob pena de seus resultados serem presumidos favoráveis ao contribuinte”). Na mensagem no 140, de 16/3/2007, são esclarecidas as razões do veto presidencial, proposto pelos Ministérios da Fazenda e da Justiça: “Razões do veto “Como se sabe, vigora no Brasil o princípio da unidade de jurisdição previsto no art. 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal. Não obstante, a esfera administrativa tem se constituído em via de solução de conflitos de interesse, desafogando o Poder Judiciário, e nela também são observados os princípios do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual a análise do processo requer tempo razoável de duração em virtude do alto grau de complexidade das matérias analisadas, especialmente as de natureza tributária. Ademais, observase que o dispositivo não dispõe somente sobre os processos que se encontram no âmbito do contencioso administrativo, e sim sobre todos os procedimentos administrativos, o que, sem dúvida, comprometerá sua solução por parte da administração, Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 10880.676143/200929 Acórdão n.º 3401004.087 S3C4T1 Fl. 6 5 obrigada a justificativas, fundamentações e despachos motivadores da necessidade de dilação de prazo para sua apreciação. Por seu lado, devese lembrar que, no julgamento de processo administrativo, a diligência pode ser solicitada tanto pelo contribuinte como pelo julgador para firmar sua convicção. Assim, a determinação de que os resultados de diligência serão presumidos favoráveis ao contribuinte em não sendo essa realizada no prazo de cento e vinte dias é passível de induzir comportamento não desejável por parte do contribuinte, o que poderá fazer com que o órgão julgador deixe de deferir ou até de solicitar diligência, em razão das consequências de sua não realização. Ao final, o prejudicado poderá ser o próprio contribuinte, pois o julgamento poderá ser levado a efeito sem os esclarecimentos necessários à adequada apreciação da matéria.” Derradeiramente, não devemos confundir a celeridade procedimental com a duração razoável do processo (ambas garantidas pelo Texto Constitucional): “Embora seja difícil conceituar precisamente a noção de razoável duração do processo, percebese que tal conceito não está relacionado única e exclusivamente ao “processo rápido” propriamente dito. O processo deve ser rápido o suficiente para dar a resposta apropriada à lide, porém adequadamente longo para garantir a segurança jurídica da demanda. Por tal motivo, o princípio da razoável duração do processo é dúplice, pois tanto a abreviação indevida como o alongamento excessivo são potencialmente danosos ao indivíduo.” 1 Improcedente, assim, o pleito no sentido de atribuição de efeitos à inobservância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007. Reparese que nem a norma e nem o julgado na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.138.206/RS) objetivam as consequências da inobservância, como deseja a recorrente. Nesse sentido já me manifestei em processos julgados neste tribunal, sempre com acolhida unânime da turma, inclusive recentemente, com sete dos oito conselheiros que atualmente compõem o colegiado: DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade, nem diminuição dos consectários legais do crédito tributário. (Acórdão no 3403 1 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 8.ed. São Paulo: Dialética, 2015, p.194195. Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 10880.676143/200929 Acórdão n.º 3401004.087 S3C4T1 Fl. 7 6 002.782, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25 fev. 2014) NULIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade. (Acórdão no 3403002.746, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30 jan. 2014) NULIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade. (Acórdão no 3403002.374, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 24 jul. 2013) DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. (Acórdão no 3401003.517, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25 abr. 2017) Portanto, não merecem prosperar as alegações de defesa no que se refere a prazos para a Administração se manifestar sobre pedidos de restituição/ressarcimento, ensejando consequências pelo descumprimento. Da existência de erro de preenchimento e da verdade material A recorrente alega que em decorrência de equívocos no preenchimento de suas obrigações acessórias DACON e DCTF (todo o valor recebido a título de “receita de prestação de serviços” foi declarado no campo pertinente ao regime não cumulativo, sem discriminação das receitas que deveriam figurar no regime cumulativo) acabou por apurar valor a maior a titulo de COFINS, promovendo o pagamento indevido de tal exação, gerando crédito passível de utilização na compensação de seus débitos, e que promoveu a retificação de DACON, sendo o valor correto devido, à época, a título de COFINS, diverso do pleiteado. Apresentou a empresa, então, indiscutivelmente, demanda de crédito em montante incorreto (a maior do que o que ela mesma reconhece como devido). E como prova de que teria incorrido em erro, não acrescentou nenhuma justificativa pormenorizada, limitandose, inicialmente, a informar que os documentos pertinentes estavam à disposição do fisco, e, posteriormente, após dois anos do decurso de prazo para interposição de recurso voluntário, a juntar cópias de livros e demandar, em adição, diligência, em caso de dúvida, para “apuração dos documentos que lastrearam os créditos”. Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 10880.676143/200929 Acórdão n.º 3401004.087 S3C4T1 Fl. 8 7 Recordese que, nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de compensação e demanda de crédito, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante, e é dever dele carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Assim vem decidindo unanimemente este CARF, inclusive na atual composição do colegiado (com sete dos oito componentes atuais): “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403 002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403 003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.470, 471, 474, 475, 476 e 477, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013)(grifo nosso) "PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente. (Acórdãos n. 3403003.550 e 551, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 24.fev.2015) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 10880.676143/200929 Acórdão n.º 3401004.087 S3C4T1 Fl. 9 8 dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.” (Acórdãos n. 3401003.784 a 787, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unanimidade – no que se refere à matéria) (grifo nosso) A diligência, como bem parece ter compreendido a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, e também esta 1ª Turma Ordinária, nos julgados com ementa aqui transcrita, não se presta a suprir deficiência probatória, seja da Fazenda ou do contribuinte. Cabe destacar que no último julgado transcrito, seis dos atuais oito conselheiros que compõem a turma expressamente concordaram com tal observação, dela dissentindo, em tese, o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D’Oliveira. Temos que, nos processos do gênero, três cenários podem surgir: (a) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade comprova o direito de crédito, caso em que se deve reconhecer tal direito, no julgamento; (b) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade não comprova o direito de crédito, caso em que se deve negar tal direito, no julgamento; e (c) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade gera, no julgador, dúvida em relação ao direito de crédito, dúvida essa que não é de direito, mas de fato, ensejando a realização de diligência ou perícia. Entendemos que a situação em análise melhor se amolda ao segundo cenário (‘b”), visto que nada de substancial se agregou na manifestação de inconformidade, havendo juntada de cópias de documentos – que, digase, sempre estiveram em poder da empresa – apenas dois anos após a interposição da peça recursal, documentos esses que sequer são suficientes para suscitar dúvida neste julgador, visto que não apontam, objetivamente, como se chegou nem aos valores originalmente demandados, nem àqueles que durante o contencioso a empresa sustentou estarem corretos. A ausência de dúvida torna impertinente invocar a verdade material, que não se apresenta como uma salvaguarda de quem não se desincumbe de seu ônus probatório, mas como um mecanismo do processo administrativo que permite sanar dúvidas com elementos adicionais diretamente obtidos, ou demandados às partes. A verdade material, como ensina James MARINS, é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros): “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 10880.676143/200929 Acórdão n.º 3401004.087 S3C4T1 Fl. 10 9 propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”2 No caso em análise, pouco contribuiu a recorrente para a identificação objetiva da incorreção que ela mesmo reconhece ter perpetrado, prejudicando a liquidez e a certeza do pedido. Não merece, assim, acolhida o pleito de diligência, nem a argumentação de defesa no sentido de que haveria sido comprovado o erro ou o direito de crédito. Do artigo 147 do CTN Alega a empresa, derradeiramente, em sede recursal, que o artigo 147 do CTN (abaixo transcrito) se refere apenas a lançamento por declaração. “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1o A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2o Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela.” (grifo nosso) É preciso esclarecer, inicialmente, que não se está aqui a tratar, propriamente, de lançamento, mas de demanda de crédito, de modo que o comando indicado não fundamenta exigência, mas é usado pela DRJ de modo acessório a seus argumentos pelo indeferimento do direito de crédito. No entanto, não se tem dúvidas da obviedade da parte inicial do comando do § 1o, que abstrai de considerações sobre eventual modalidade de lançamento: por certo que aquele que retifica sua declaração (qualquer que seja) ou as informações que presta ao fisco, deve justificar a retificação, fundandoa em elementos probatórios. Se a empresa deve, como qualquer postulante a crédito, provar a liquidez e a certeza de tais créditos, como aqui exposto, deve, ainda mais, provar eventuais retificações em seu pedido de crédito. Mas, no caso em análise, não prova a contento a empresa nem uma coisa nem outra, pelo que deve ser mantido o indeferimento do direito de crédito. 2 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 10880.676143/200929 Acórdão n.º 3401004.087 S3C4T1 Fl. 11 10 Considerações Finais Diante do exposto, e restando ausentes a certeza e a liquidez do crédito postulado (requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação), voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 1260DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.016369/2010-03
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-006.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 63 69 /2 01 0- 03 Fl. 65DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, contra o acórdão n. 2403002.894, julgado na sessão do dia 20/01/2015, que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 VALETRANSPORTE. NÃO INCIDÊNCIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INCIDÊNCIA Quando paga parcela de Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com a Lei 101.101/2000, ocorre a incidência da contribuição previdenciária. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Crédito Tributário Mantido Parcialmente Como bem relatado pela Câmara a quo, peço vênia para transcrever: Tratase de auto de infração n° 37.300.4923 referente a contribuições destinadas a terceiros (FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE) relativas às competências de 01/2006 a 12/2008, tendo o auditor fiscal assim relatado as irregularidades apuradas (fls.22/23): LEVANTAMENTO: "VT" (multa anterior, aplicada 03/2006, 03/2008 e 09/2008), "VT]" (multa anterior até 11/2008, aplicada em 01/2006 a 02/2006, 04/2006 a 02/2008, 04/2008 a 08/2008 e W/2008 a 11/2008) e "VT2" (multa de oficio após 11/2008, aplicada em 12/2008) — referese ao período de 01/2006 a Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10830.016369/201003 Acórdão n.º 9202006.526 CSRFT2 Fl. 66 3 12/2008 Onde as BASES DE CALCULO (consideradas pela contribuinte com isenção das Contribuições Previdenciárias e sem informar em GFIP) são os valores declarados pelo contribuinte em suas Folhas de Pagamentos, rubrica de provento entitulado Pagamento Vale Transporte (código n° 200 de remuneração), pagamentos efetuados aos funcionários, conforme demonstrado abaixo. A conquista social do valetransporte não integra o saláriodecontribuição (Base de Cálculo) quando paga em conformidade com A Lei n° 7.418, de 16/12/1985. Porém paga em dinheiro, em desconformidade com a Lei n" 7.418, integra a Base de Cálculo da Contribuição. A Fazenda Nacional apresenta o seguinte fundamento para interposição do presente Recurso Especial: Na determinação da penalidade aplicável no caso de lançamentos relativos às competências anteriores a 12/2008, o colegiado a quo determinou a incidência do art. 35 da Lei no 8.212/1991, com a redação dada pela Lei no 11.941/2009. O auto de infração foi lavrado após a edição da MP no 449/2008, posteriormente convertida na Lei no 11.941, de 2009. Na apuração da penalidade mais benéfica, o colegiado a quo determinou a comparação entre o art. 35 da Lei no 8.212/1991, com a redação dada pela Lei no 9.528/1997, com art. 35 da Lei no 8.212/1991, com a redação dada pela Lei no 11.941/2009. (...) Ao contrário do acórdão recorrido, que determina – para a apuração da penalidade mais benéfica – a comparação entre a multa prevista no art. 35 há época da ocorrência dos fatos objetos do lançamento com aquela prevista na nova redação do art. 35, ambos da Lei no 8.212/91, os acórdãos paradigmas entendem que em se tratando de auto de infração é incabível a aplicação da multa prevista naquele art. 35 com a redação dada pela Lei no 11.941/2009, devendo a apuração da penalidade mais benéfica ser feita pela comparação da multa prevista no art. 35A com as multas previstas na antiga redação do art. 35 e na antiga redação dos §§ 4o, 5o e 6º do art. 32 (em havendo também o descumprimento de obrigação acessória). Apresenta como paradigmas da divergência jurisprudencial os acórdãos no 2401002.453 (proferido pela 1a Turma da 4a Câmara da 2a Seção do CARF) e no 9202 002.696 (proferido por esta E. CSRF), cujas ementas seguem abaixo: “Processo no 10166.721492/201011 Recurso no 000.000 Voluntário Acórdão no 2401002.453 – 4a Câmara / 1a Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente RIOGRANDENSE CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA Fl. 67DF CARF MF 4 Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 MPF. PRORROGAÇÃO. NECESSIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA. Havendo prorrogação de MPF dentro do prazo de sua validade, não há o que se falar em substituição da autoridade fiscal. PREVIDENCIÁRIO. ALIMENTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INDEPENDENTEMENTE DE INSCRIÇÃO NO PAT. APLICAÇÃO EXCLUSIVAMENTE PARA AS PRESTAÇÕES IN NATURA. Independentemente de inscrição no PAT, não incidem contribuições sociais, desde que a empresa faça a prestação in natura. APURAÇÃO COM ESTEIO EM FOLHAS DE PAGAMENTO E RECIBOS. PRESUNÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. INOCORRÊNCIA. Não há o que se falar em presunção dos fatos geradores das contribuições lançadas quando a apuração fiscal se deu com base na documentação exibida pelo sujeito, principalmente em folhas e recibos de pagamento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 44, I, DA LEI n.o 9.430/1996. Nos lançamentos de ofício de contribuições sociais, aplicase a multa prevista no art. 44, I, da Lei n.o 9.430/1996, não se cogitando da aplicação da multa moratória prevista no art. 61 da mesma Lei. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado “Processo no 10166.720235/201062 Recurso no Especial do Procurador Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10830.016369/201003 Acórdão n.º 9202006.526 CSRFT2 Fl. 67 5 Acórdão no 9202002.636 – 2a Turma Sessão de 24 de abril de 2013 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MAX EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso. ” Conforme exame de admissibilidade de efls. 54 a 61, foi dado seguimento ao Recurso Especial da PGFN em relação a seguinte matéria: Rediscutir qual a multa cabível no caso em análise, em face da alteração da Lei n. 8.212, de 1991, pela Lei no 11.941/2009. Enquanto a decisão 'a quo' entende que a situação mais benéfica ao contribuinte será obtida do confronto entre a antiga redação do artigo 35 da Lei no 8212/91, com o artigo 61 da Lei 9.430/96; as decisões paradigmáticas propugnam que a multa mais benéfica deve ser aferida entre o disposto no artigo 35A, introduzido pela Lei no 11.941/09 e as disposições anteriormente prescritas. O contribuinte foi intimado, conforme termo de efls. 64, e não apresentou nenhuma manifestação. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Fl. 69DF CARF MF 6 Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado acima, a matéria em litígio é referente à aplicação da multa em face da alteração da Lei n. 8.212/1991, pela Lei no 11.941/2009. Quanto à retroatividade benigna. Já quanto ao mérito, este colegiado tem se debruçado frequentemente e o entendimento tem sido unânime, motivo pelo qual, trago a colação o constante do Acórdão 9202006.247, da lavra do ilustre colega Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior: Sob análise a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10830.016369/201003 Acórdão n.º 9202006.526 CSRFT2 Fl. 68 7 data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 71DF CARF MF 8 Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.016369/201003 Acórdão n.º 9202006.526 CSRFT2 Fl. 69 9 (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 73DF CARF MF 10 execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar a multa de mora nos termos do artigo 32A da Lei 8.212, de 1991. Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o art. 35, da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10830.016369/201003 Acórdão n.º 9202006.526 CSRFT2 Fl. 70 11 pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Fl. 75DF CARF MF 12 Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10830.016369/201003 Acórdão n.º 9202006.526 CSRFT2 Fl. 71 13 Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 77DF CARF MF 14 Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto de obrigação acessória, bem como aquelas aplicadas no âmbito do auto de obrigação principal vinculado, limitado o somatório de ambas ao patamar estabelecido pelo art. 44 da Lei no. 9.430, de 1996 (75%), na forma propugnada pela Fazenda Nacional. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.914673/2011-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 30/11/2000
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.144
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 30/11/2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Recorrente FÊNIX EMPREENDIMENTOS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 30/11/2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 46 73 /2 01 1- 13 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13888.914673/201113 Acórdão n.º 9303006.144 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao Acórdão nº 3802002.809, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do Fato Gerador: 30/11/2000 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 30/11/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento". Não conformada com tal decisão a Contribuinte interpôs o presente recurso. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial apontou como paradigmas os Acórdãos nºs 3302002.226 e 330201.748. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13888.914673/201113 Acórdão n.º 9303006.144 CSRFT3 Fl. 4 3 Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF foi dado seguimento ao recurso. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões nas quais requer o nãoconhecimento do recurso especial interposto pela Contribuinte. Alternativamente, requer, no mérito, que seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.142, de 13/12/2017, proferido no julgamento do processo 13888.916042/201139, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.142): "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial. A divergência suscitada pela Contribuinte em razão do acórdão recorrido ter decidido que o Recorrente não teria demonstrado nos autos o recolhimento indevido, pois apesar de ter acostado documentos, deixou de retificar a DCTF e o DACON, sendo que este último seria imprescindível para se confirmar a alegada inclusão indevida de receitas não tributáveis, na base de cálculo da contribuição em questão. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13888.914673/201113 Acórdão n.º 9303006.144 CSRFT3 Fl. 5 4 Verificase que o voto condutor da decisão recorrida, o recurso voluntário não mereceu provimento sob o fundamento de que: "Agora, além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período (ver fls. 80/81). Todavia, permanece sem apresentar a DCTF retificadora, o mesmo podendo ser dito em relação à DIPJ retificadora e ao DACON retificador. Ou seja, mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados – , entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados, não se pode olvidar da necessidade de apresentação dos documentos comprobatórios do reclamado indébito, dentre os quais o DACON retificador, imprescindível para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras do sujeito passivo, fonte do direito creditório reclamado. Sem a devida comprovação não há como afirmar que o crédito reclamado é indevido, ainda que admitidas as novas provas acostadas aos autos (Livro Razão) em homenagem ao princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, que deságua na busca pela verdade material. Mas esta há que ser harmonizada com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, não se podendo transferir para o Fisco o ônus de comprovar o direito creditório alegado, que é do sujeito passivo, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC". Como se observa, a decisão recorrida, fundamentou que a Contribuinte não comprovou o direito ao crédito reclamado, se desincumbiu do ônus probatório consistente em demonstrar o seu direito creditório. Isto é, não comprovou que houve erro ou pagamento a maior hábil a gerar o indébito alegado. Por outro lado, o acórdão paradigma nº 330201748, analisou tão somente a questão relativa a necessidade de retificação da DCTF em momento anterior à apresentação da DCOMP. Além disso, naquele caso o Sujeito Passivo providenciou a retificação da DCTF, circunstância que não se verifica no presente caso. Transcrevo parte do aresto: “Como relatado, a empresa Recorrente apurou a existência de pagamento indevido de Cofins e o utilizou para compensação de débito seu, apresentando a competente PER/DCOMP sem, contudo, efetuar a retificação da DCTF anteriormente apresentada. Corretamente, a DRF verificou que o valor do pagamento (Darfs) informado pela Recorrente foi integralmente aproveitado no débito informado na DCTF e, por esta razão, não reconheceu a existência de crédito e não homologou a compensação declarada. Somente após a ciência da decisão que não homologou a compensação declarada é que a Recorrente providenciou a retificação da DCTF e ingressou com manifestação de inconformidade, esta indeferida pela DRJ porque a DCTF fora apresentada após a ciência do Despacho Decisório da DRF e porque a Recorrente não apresentou a prova da existência do crédito alegado. Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o indeferimento do pedido de restituição e, conseqüentemente, para a não homologação da compensação declarada pela Recorrente. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13888.914673/201113 Acórdão n.º 9303006.144 CSRFT3 Fl. 6 5 todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção.” Neste mesmo sentido, o acórdão paradigma nº 3302002.226, trata de situação na qual foi apresentado o DACON retificador. Vejamos: Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Relatório “Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Brasília: (...) Considerado cientificado dessa decisão em 22/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 23/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 6, acrescida de documentação anexa. A contribuinte alega que houve inúmeros erros na consolidação dos dados da apuração da contribuição, o que teria originado o crédito pleiteado. Retificou a Dacon do período para demonstrar o valor que seria realmente devido. Anexa cópias das declarações retificadas. Voto “Em síntese, a Recorrente advoga a existência de pagamentos indevidos e junta ao processo a Dacon retificadora transmitida em data anterior ao despacho decisório exarado pela DRF.” Como se vê, as decisões paragonadas não se identifica semelhança fática, o acórdão recorrido entendeu imprescindível a apresentação dos documentos comprobatórios do indébito, dentre os quais o DACON retificador, para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras da Contribuinte, fonte do direito creditório guerreado. Por outro lado, Os acórdãos indicados como paradigmas, não apresentam similitude fática, considerada relevante para o resultado do julgamento. No que tange o acórdão nº 330201748, nada fala sobre a questão da apresentação do DACON retificador. Além disso, traz o fundamento com o qual concorda a Turma a quo, relativa à necessidade ou não de retificação da DCTF em momento anterior à emissão do despacho decisório. Se a presente controvérsia girasse apenas em torno dessa matéria, a Turma a quo poderia ter acatado a pretensão da Contribuinte. A decisão recorrida encampou o fundamento de que: “mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados –, entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados”. Sem embargo, a retificação do DACON, embora, possa parecer irrelevante para o Acórdão n. 3302002.226, o mesmo não ocorre em relação a decisão recorrida. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13888.914673/201113 Acórdão n.º 9303006.144 CSRFT3 Fl. 7 6 Entretanto, o fato é que essa retificação do DACON ocorreu no caso discutido no acórdão indicado como paradigma (Acórdão nº 3302002.226), ao passo que o mesmo não se verificou no presente caso. Com efeito, a situação examinada pelo Acórdão n. 3302002.226, poderia a Turma a quo ter decidido de forma diversa, ou acolhendo a pretensão da contribuinte, ou determinando o retorno dos autos em diligência. O fato é que ocorreu na situação abordada pelo Acórdão n. 3302002.226 circunstância relevante, não presente na decisão recorrida, que poderia ter alterado a convicção ou a fundamentação do colegiado a quo. O contexto fático exposto nas decisões paradigmas e no acórdão recorrido, patente pela leitura das passagens acima transcritas, demanda do mesmo modo, que o recurso especial não seja conhecido em face da ausência de demonstração de que, discutindo casos similares, foi dada interpretação jurídica diversa. Neste sentido, O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (versão atualizada, pg.30) estabelece que: O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabeleceu, em seu art. 67, § 1º, do Anexo II: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente." Em 15 de fevereiro de 2016, foi publicada a Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, com a seguinte redação: “§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente.” Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte, em razão de não ter sido comprovada divergência, e similitude fática, nos termos do § 1º da Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.009650/2008-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REQUISITOS
Na via estreita do recurso de embargos de declaração não é possível a rediscussão da matéria. Devendo a parte se valer do recurso próprio.
Numero da decisão: 2201-004.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos de declaração interpostos.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 06/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
1.0 = *:*
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REQUISITOS Na via estreita do recurso de embargos de declaração não é possível a rediscussão da matéria. Devendo a parte se valer do recurso próprio.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos de declaração interpostos. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 06/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
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REQUISITOS Na via estreita do recurso de embargos de declaração não é possível a rediscussão da matéria. Devendo a parte se valer do recurso próprio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos de declaração interpostos. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 06/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 96 50 /2 00 8- 50 Fl. 424DF CARF MF Processo nº 11080.009650/200850 Acórdão n.º 2201004.144 S2C2T1 Fl. 425 2 Relatório 1 Tratase de embargos de declaração de fls. 404/411 opostos em face do V. Acórdão 2102003.197 fls. 370/376 j. em 02/12/2014 pela extinta 2ª Turma da 1ª Câmara dessa 2ª Seção que negou provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 11080.009650/200850 Acórdão n.º 2201004.144 S2C2T1 Fl. 426 3 2 – Os embargos foram opostos para sanar 3 (três) itens indicados pelo contribuinte, (a) Da omissão quanto a alegação de desvio de finalidade do procedimento Fiscal; (b) Da contradição quanto ao sentido normativo atribuído ao art. 42 da Lei n.º 9.430/96 e (c) Da contradição quanto a competência dos Tribunais Administrativos para analisar a validade constitucional das leis, contudo, foram recebidos parcialmente através da decisão da Presidência dessa 2ª Seção às fls. 419/423 para conhecimento apenas da matéria indicada no item (a) assim indicada: “Diante do exposto, devese acolher parcialmente os Embargos de Declaração e, conseqüentemente, submeter os autos novamente à apreciação do Colegiado, com vistas a sanar o vício apontado pelo Embargante no item (a).” 3 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 5 – Adentrando ao questionamento do item (a) reportado pelo contribuinte em suas razões de embargos temos o seguinte relato na decisão de recepção dos embargos: (a) Da omissão quanto a alegação de desvio de finalidade do procedimento fiscal Afirma a embargante que, houve omissão no julgado, haja vista que o colegiado prolator do acórdão ora embargado, não se pronunciou, com relação a alegação Fl. 426DF CARF MF Processo nº 11080.009650/200850 Acórdão n.º 2201004.144 S2C2T1 Fl. 427 4 de nulidade do Auto de Infração em razão do desvio de finalidade do procedimento fiscal. Assinala que, o .procedimento fiscal foi instaurado exclusivamente para investigar a remessa ao exterior de US$ 101.000,00 (cento e um mil dólares americanos) e culminou por concluir que depósitos bancários na conta do contribuinte configurariam omissão de rendimentos, com base na presunção legal prevista no art. 42 da Lei n.º 9.430/96. Requer, a supressão da omissão apontada a fim de que esta Colenda Turma se pronuncie sobre a nulidade do Auto de Infração lavrado nos autos em razão do cerceamento de defesa decorrente do desvio de finalidade do procedimento fiscal. 6 – No recurso voluntário (fls. 344/350) a embargante assim destacou em suas razões: 7 – Apesar de entender que o parágrafo acima tratase mais de uma argumentação retórica do contribuinte, vamos analisar sua pertinência com o contexto do julgamento da extinta C. Turma. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 11080.009650/200850 Acórdão n.º 2201004.144 S2C2T1 Fl. 428 5 8 – Analisando a argumentação do contribuinte com o contexto dos fatos julgados e do procedimento fiscal instaurado reconheço que suposto desvio de finalidade está vinculado à prova dos autos, alegando o contribuinte que deveria o Fisco ter comprovado a omissão de receita da contribuinte uma vez que alega que tinha como financeiramente suportar tal omissão. 9 – Essa argumentação foi debatida durante o Acórdão que entendeu que por falta de provas e em decorrência da presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/96 e tais fatos foram exaustivamente debatidos e fundamentada a decisão conforme indicado abaixo, verbis: Conforme relatado, trata –se de lançamento para exigência de IRPF em razão da presunção de omissão de rendimentos fundada na existência de depósitos bancários cuja origem deixou de ser comprovada pela contribuinte. A fiscalização teve início em razão de remessa efetuada por ela ao exterior, através de “intermediador financeiro” (doleiro), o que desencadeou o início de procedimento fiscal contra ela, por meio do qual a fiscalização apurou que sua movimentação financeira excedia em muitas vezes os rendimentos declarados, verbis: Além disso, a movimentação financeira dos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005 foi superior em 85,82, 61,39 e 47,62 vezes aos rendimentos tributáveis declarados, e superior em 11,39, 13,62 e 11,25 58 vezes aos rendimentos totais declarados (soma dos rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis e sujeitos à tributação exclusiva), respectivamente. Ao mesmo tempo, existem indícios de variação patrimonial a descoberto no anocalendário de 2005, na ordem de R$ 567.122,71, tomandose por base a declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física e o dossiê integrado da contribuinte (R$ 179.395,37 de rendimentos totais declarados R$ 8.480,88 de deduções R$ 2.330.263,85 de bens e direitos no anobase De 2005 + R$ Fl. 428DF CARF MF Processo nº 11080.009650/200850 Acórdão n.º 2201004.144 S2C2T1 Fl. 429 6 1.593.421,52 de bens e direitos no ano anterior R$ 1.194,87 de diferença no transporte entre o valor inicial do ano e o valor final do ano anterior). Em sua defesa, a Recorrente afirma que remetera o referido valor ao exterior para custear despesas de sua filha e neto, que vivem na Indonésia, e quanto à movimentação financeira no Brasil, afirmou que os valores depositados em suas contas se referiam a empréstimos efetuados com terceiros, os quais eram iniciados e concluídos dentro do mesmo ano, mas que não lhe renderam qualquer alteração de patrimônio. No mais, restaram comprovados – ainda durante o procedimento fiscal – depósitos no montante de R$ 54.449,93, os quais eram decorrentes do recebimento de aluguéis. Antes de mais nada, é preciso lembrar que a exigência fiscal em exame decorre de expressa disposição legal, segundo a qual presumese como omissão de rendimento o valor depositado em conta bancária cuja origem não for comprovada pelo titular da referida conta. O art. 42 da Lei nº 9.430/96 estabeleceu esta presunção que, apesar de ser relativa, só pode ser derrubada contra a apresentação, pelo contribuinte, de documentação hábil e idônea que comprove a origem daqueles depósitos. Por isso que para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, cabe sempre ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos valores transitados por sua conta bancária. Este ônus é da Recorrente, razão pela qual caberia a ela demonstrar documentalmente, de forma satisfatória, as operações que ensejaram tais depósitos em sua conta. Somente com esta demonstração seria possível elidir a presunção legal contida no art. 42 já referido. Tal prova, porém, não foi feita. A Recorrente se limita a alegar que os depósitos efetuados em suas contas seriam decorrentes de empréstimos tomados e devolvidos ao longo do anocalendário. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 11080.009650/200850 Acórdão n.º 2201004.144 S2C2T1 Fl. 430 7 Sendo assim, caberia a ela, na qualidade de maior interessada, manter em boa ordem a documentação atinente a esta movimentação, sob pena de não conseguir elidir a presunção legal aqui em questão. Outrossim, também não merece acolhida a alegação da Recorrente de que não teria tido a oportunidade de apresentar a comprovação da origem dos depósitos bancários efetuados em suas contas, já que ela foi intimada diversas vezes ainda durante o procedimento fiscal (cf. detalhado no termo de Verificação de fls. 15 a 23 dos autos digitais) para que comprovasse a origem dos depósitos efetuados em suas contas, quedandose, porém, inerte em fazêlo, já que somente comprovou naquela ocasião a origem dos rendimentos recebidos a título de aluguéis – os quais, aliás, foram devidamente excluídos da base de cálculo do lançamento. No mais, quanto à alegação de que seu patrimônio não sofreu alteração ao longo dos referidos anoscalendário, melhor sorte não terá a Recorrente, pois como se disse, o que importa aqui é a comprovação da origem dos depósitos efetuados em suas contas, pouco importando se os valores depositados foram ou não consumidos – entendimento este que foi consolidado através do Enunciado nº 26 da Sumula deste CARF, que assim estabelece: (Grifei) 10 – Portanto, pela análise do contexto do argumento apresentado pelo contribuinte e o que foi objeto de decisão verificamos que houve sim a análise de suas razões e decidida dentro de um contexto maior em relação às provas, sendo que o contribuinte pretende nessa via estreita dos embargos rediscutir a matéria fática já decidida pela extinta turma julgadora. Conclusão 11 Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito REJEITO OS EMBARGOS mantendo a decisão recorrida. Fl. 430DF CARF MF Processo nº 11080.009650/200850 Acórdão n.º 2201004.144 S2C2T1 Fl. 431 8 (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 431DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.001841/2007-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
ANO CALENDÁRIO: 2001, 2002, 2003, 2004
CONDOMÍNIO E PARCERIAS DE PRODUTORES RURAIS. DESCARACTERIZAÇÃO DE ATIVIDADE RURAL DAS PESSOAS FÍSICAS. INOCORRÊNCIA. A união de empregadores rurais para a formação de um "Condomínio de Empregadores", à luz da legislação previdenciária, com a finalidade de contratar empregados rurais, bem como desenvolver parcerias para exploração da atividade rural, mantendo-se os
riscos e outras características inerentes a essa atividade, não caracteriza a constituição de uma pessoa jurídica, permanecendo aos produtores a opção de tributar individualmente seus resultados na pessoa física.
Recurso de oficio negado provimento.
Numero da decisão: 1402-000.567
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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Recorrente 1A.TURMA DE JULGAMENTO DA DRJ/RIBEIRÃO PRETOSP Recorrida CONDOMINIO DE PRODUTORES JOSE CARLOS DE OLIVEIRA FERNANDES NETO E OUTROS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2001, 2002, 2003, 2004 CONDOMÍNIO E PARCERIAS DE PRODUTORES RURAIS. DESCARACTERIZAÇÃO DE ATIVIDADE RURAL DAS PESSOAS FÍSICAS. INOCORRÊNCIA. A união de empregadores rurais para a formação de um "Condomínio de Empregadores", à luz da legislação previdenciária, com a finalidade de contratar empregados rurais, bem como desenvolver parcerias para exploração da atividade rural, mantendose os riscos e outras características inerentes a essa atividade, não caracteriza a constituição de uma pessoa jurídica, permanecendo aos produtores a opção de tributar individualmente seus resultados na pessoa física. Recurso de oficio negado provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Jaci de Assis Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10820.001841/200719 Acórdão n.º 140200.567 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório A 1A.TURMA DE JULGAMENTO DA DRJ/RIBEIRÃO PRETOSP, com fulcro no artigo 34 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorreu de oficio a este Conselho em face de decisão proferida em primeira instância, que julgou improcedente a exigência constituída em desfavor de CONDOMINIO DE PRODUTORES JOSE CARLOS DE OLIVEIRA FERNANDES NETO E OUTROS. Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Contra o interessado, acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração (A I) de fl.121, que lhe exigiu o imposto de renda pessoa jurídica dos exercícios de 2002, 2003, 2004 e 2005, períodosbase 2001, 2002, 2003 e 2004 na forma de lucro arbitrado em virtude de a fiscalização ter procedido à descaracterização do condomínio atribuindolhe caráter de sociedade de fato, procedendo à sua inscrição de ofício no CNPJ. O arbitramento deuse em razão de o contribuinte, após ter sua inscrição efetuada de ofício no CNPJ, não ter atendido às diversas intimações para apresentar os livros Diário e Razão, conforme descrito na folha de continuação ao A I (fls. 122 a 123). Foram exigidos os valores de R$ 2.401.335,56 de imposto, R$ 1.448.078,38 de juros de mora calculados até 31/08/2007; e R$ 1.801.001,64 de multa proporcional, perfazendo um crédito tributário total de R$ 5.650.415,58 Enquadramento legal: Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), retificado em 17/06/1999, art. 532. A base legal da penalidade aplicada e dos encargos moratórios encontrase às fls. 131/132, assim fundamentada: Multa: Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, I. Juros de mora: A partir de janeiro de 1997 – Apuração trimestral – (para fatos geradores a partir de 01/01/1997): percentual equivalente a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 3º. Como a infração apurada apresenta reflexos nos valores devidos às contribuições sociais, foram lavrados autos de infração referentes ao Programa de Integração Social – PIS (fl. 155), com crédito tributário de R$ 1.581.148,65; Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fl. 144), com crédito tributário de R$ 7.297.611,02; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fl. 133), com crédito tributário de R$ 2.606.897,76. O Termo de Constatação Fiscal, fls. 109/120, nos dá conta que durante os trabalhos de fiscalização na pessoa física de JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA FERNANDES, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10820.001841/200719 Acórdão n.º 140200.567 S1C4T2 Fl. 3 3 CPF 060.668.47864, foi verificada a existência de vendas de canadeaçúcar para a empresa Clealco Açúcar e Álcool S/A, da qual o fiscalizado era um dos “sócios”. O Termo de Constatação Fiscal, fls. 109/120, nos dá conta que durante os trabalhos de fiscalização na pessoa física de JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA FERNANDES, CPF 060.668.47864, foi verificada a existência de vendas de canadeaçúcar para a empresa Clealco Açúcar e Álcool S/A, da qual o fiscalizado era um dos “sócios”. Segundo a fiscalização, essas vendas estavam relacionadas com o chamado “Condomínio de Produtores JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA FERNANDES NETO E OUTROS”. Relata a fiscalização que para se ratear os resultados (receitas e despesas) utilizava se o percentual de participação de cada um no condomínio ao invés de se basear na produção de cada propriedade rural. Ainda de acordo com a fiscalização, o próprio Condomínio arrendava propriedade de terceiros para produção de canadeaçúcar para posterior entrega do produto para a empresa Clealco. A fiscalização aponta que além de despesas com folha de pagamento registradas nos livros do condomínio, foram encontrados outros gastos como: a) compra de lavoura de cana da Destilaria ocorrida em 2001 e 2002; b) compra de óleo diesel da empresa PETROCANA; c) despesas com locomoção dos trabalhadores; c) compra de materiais da própria usina, etc... Diante disso, entendeu a fiscalização tratarse de uma sociedade de fato, com “interesse comum”, motivo pelo qual elaborou uma Representação Fiscal para a inscrição de ofício do “Condomínio” no CNPJ, cujo processo administrativo recebeu o nº 10820.001990/200605, e foi anexado a este processo. O Condomínio, não concordando com o tratamento dado pela Fiscalização da SRFB, impetrou um mandado de segurança, na qual solicitava o cancelamento do CNPJ, dado de ofício pela Autoridade da Receita Federal do Brasil em Araçatuba. A Justiça Federal indeferiu o pedido liminar (cópia da decisão anexa). Na sentença, em razão da desistência da ação por parte do impetrante, o processo foi extinto (cópia também anexa). Lavrado o Auto de Infração, o Condomínio apresentou em 15/10/2007 impugnação de fls. 801 a 833, firmada pelos procuradores constituídos pela procuração de fl.302, e em 26/10/2007, foi apresentada outra impugnação, esta em nome de todos os consorciados solidários firmada pelo procurador constituído pela procuração de fls. 1.497 a 1.499, reproduzindo as mesmas razões de fato e de direito apresentadas pelo “Condomínio”, cujos argumentos reproduzo, em síntese, na mesma ordem em que foram apresentados, como segue: 1) Da desconsideração das operações de pessoas físicas e do auto de infração de exigência tributária. Neste tópico o impugnante descreve de modo sucinto todo procedimento da fiscalização que impôs ao condomínio de produtores rurais a condição de pessoa jurídica e culminou com a lavratura dos autos de infração ora em discussão e a imputação de responsabilidade solidária de todos os integrantes do condomínio. 2) Do “condomínio” ou “consórcio” de empregadores rurais pessoas físicas. Discorre sobre a evolução histórica do Condomínio e/ou Consórcio de Empregadores Rurais, destacando a Circular 56 de 25 de outubro de 1999, editada pelo INSS, que disciplinou a matéria e a Portaria nº 1.964/99 do Ministério do Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10820.001841/200719 Acórdão n.º 140200.567 S1C4T2 Fl. 4 4 Trabalho e Emprego, segundo a qual o consórcio de empregadores rurais pessoas físicas consiste na união de produtores rurais, pessoas físicas, com a finalidade única de contratar empregados rurais, e determinou às DRT’s conferir ampla divulgação a este novo modelo de contratação no meio rural, inclusive, com a edição no ano de 2000 de uma cartilha denominada “Condomínio de Empregadores, um novo modelo de contratação no meio rural”. Reproduz o art. 25A da Lei nº 8.212, de 1991, cuja redação foi dada pela Lei nº 10.256, de 2001, que equiparou o condomínio/consórcio de empregadores rurais aos empregadores rurais pessoas físicas. Alega que o Condomínio de Produtores Rurais estabelecidos pelos defendentes, o qual foi desconsiderado pela fiscalização, obedece aos requisitos legais e foi instituído com base na lei exclusivamente para contratação de mão de obra, haja vista que os participantes do mesmo mantiveram suas individualidades, antes e durante o condomínio, no cultivo de cana de açúcar, conforme demonstram as notas fiscais de entrada de cana encartada aos autos. Aduz que a realidade jurídica estabelecida no contrato de constituição do condomínio é totalmente distinta do contrato de parceira/arrendamento agrícola estabelecido entre os produtores rurais e os donos de propriedades rurais, sendo que deste contrato de parceria/arrendamento agrícola é que resultaram as receitas que a fiscalização atribuiu a uma suposta pessoa jurídica. Argumenta que a tributação das rendas provenientes do contrato de parceria/arrendamento deve ser feita individualmente por cada participante, proporcionalmente à sua participação na geração da renda, a qual deve ser levada à tributação na declaração de renda individual de cada produtor, exatamente como fizeram os produtores envolvidos na presente fiscalização. 3) Do tratamento dispensado pelos agentes fiscais da receita federal ao condomínio de empregadores rurais. Alega que o ‘Pacto de Solidariedade’ fixado entre os empregadores rurais, com a finalidade de contratarem em conjunto funcionários para o trabalho nas lavouras canavieiras de suas propriedades ou das lavouras que viessem a explorar em conjunto, está em total consonância com os permissivos legais acima enumerados, sendo forma de contratação de mãodeobra amplamente conhecida e incentivada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, conforme se depreende da Portaria 1.964/1999 deste órgão, bem como pelo INSS. Assevera que houve equivoco da fiscalização em desconsiderar o pacto de solidariedade dos condôminos e lhes atribuir uma pessoa jurídica, uma vez que o procedimento adotado pela fiscalização, constitui violação a texto literal de lei ordinária, segundo a qual o condomínio de empregadores rurais deve ser considerado pessoa física para fins previdenciários, assim, para fins de imputação dos demais tributos e contribuições, desnecessária seria a desconsideração da constituição do condomínio e pacto de solidariedade lavrado pelas pessoas físicas. Aduz que o Contrato de Constituição do Condomínio de Empregadores Rurais e Pacto de Solidariedade firmado entre as partes ampara a contratação de mão de obra em conjunto, possuindo inscrição conjunta na CEI — Cadastro Empregador Individual, servindo de amparo aos procedimentos de contratação, registro dos trabalhadores, recolhimentos de encargos do FGTS e INSS. Acrescenta que, para efeito de Imposto de Renda e quaisquer outras obrigações tributárias, os produtores rurais permanecem mantendo suas condições individuais, como sempre mantiveram, haja vista que são plantadores de canadeaçúcar desde Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10820.001841/200719 Acórdão n.º 140200.567 S1C4T2 Fl. 5 5 1983, quando se iniciou na região de Araçatuba, interior de São Paulo, a implantação de usinas de moagem de cana. Argumenta que não se mostra razoável o tratamento dispensado pela fiscalização ao condomínio de empregadores rurais, quando imputa aos seus componentes o tratamento tributário típico das pessoas jurídicas pelo simples fato de se reunirem, em condomínio, na forma da legislação de regência, para contratação de mãode obra rural, sem considerar qualquer outro reforço probatório de existência de sociedade de fato. Diz que a fiscalização se esquece que os participantes do mencionado condomínio sempre foram produtores de canadeaçúcar e sempre plantaram em suas terras próprias, bem como exploraram áreas de terceiros mediante parceria/arrendamento agrícola, mesmo antes da existência do mencionado condomínio agrícola, fatos estes que continuaram a ocorrer imutavelmente após a implantação do condomínio agrícola, inexistindo fato novo relevante a ensejar a desconsideração das pessoas físicas e imposição de pessoa jurídica, com objetivo único de locupletamento do fisco. 4) Da desconsideração do condomínio de produtores rurais e consideração de sociedade de fato. Alega que, diferentemente do que apontou a fiscalização, inexistiu a criação de pessoa jurídica consistente em sociedade de fato em razão de faltar a Afféctio Societatis, definida pelo próprio Superior Tribunal de Justiça como a vontade necessária à constituição da pessoa jurídica, inexistente no presente caso, já que restou demonstrado que os produtores continuaram a manter sua individualidade na exploração da atividade agrícola, simplesmente possuindo alguns contratos de parceria/arrendamento agrícola explorados em conjunto. 5) Da tributação da renda proveniente da parceria agrícola rural do produtor pessoa física. Enfatiza que o “condomínio agrícola” formado pelos produtores rurais que foram fiscalizados é realidade jurídica totalmente dissociada do contexto fático dos contratos de parceria agrícola, donde advieram as receitas provenientes da venda das canas produzidas em razão do mencionado contrato de exploração de áreas rurais. Após ressaltar que foi exaustivamente comprovado que as receitas e despesas mencionadas pela fiscalização, como de venda de cana, são decorrentes dos contratos de parceria agrícola explorados em conjunto pelos mesmos participantes do condomínio e não do contrato de “constituição do condomínio de empregadores rurais”, reproduz o art. 9° da Lei n° 9.250, de 1995, e o art. 13 da Lei n° 8.023, de 1990, que tratam de tributação da renda auferida pelas pessoas físicas decorrentes da venda de canadeaçúcar proveniente de contratos de parceria agrícola, pois, entende que a legislação invocada pela fiscalização é imprestável para tal finalidade. Cita, ainda, em reforço aos seus argumentos o art. 59 do Decreto n° 3.000, de 1999, que regulamentou o RIR/99, o art. 15 da IN SRF 83/2001. Alega que a legislação acima citada menciona que mesmo sendo a atividade rural explorada por meio de condomínio, comprovada a condição documentalmente, os participantes pagarão imposto de renda separadamente, na proporção dos rendimentos de cada participante, assim, ainda que se considerasse a existência de condomínio agrícola para exploração da atividade rural, não se poderia exigir constituição de pessoa jurídica, uma vez que a própria legislação do Imposto de Renda estabelece que as rendas auferidas nessa forma de exploração da atividade Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10820.001841/200719 Acórdão n.º 140200.567 S1C4T2 Fl. 6 6 rural deve ser tributada individualmente por cada participante na proporção de seus rendimentos. Afirma que no caso em tela as receitas apreciadas pela fiscalização não foram provenientes de exploração por meio de contrato de condomínio e sim por meio de contrato de parceira agrícola, cuja prova documental consiste nos contratos de parceria firmados com os donos das propriedades, com a finalidade de exploração do plantio e cultivo de cana de açúcar, provase ainda a condição de parceiros por meio das notas fiscais de venda dos produtos à Industria. Complementa que os contratos de parceria, acompanhados das notas fiscais de entrada de cana faturada em favor de José Carlos de Oliveira Fernandes Neto e Outros, bem como o rateio destes rendimentos em favor de cada um dos participantes da parceria agrícola, conforme documento anexo, justificam a tributação dos rendimentos na Declaração de Ajuste Anual de cada um dos participantes da parceria agrícola. Alega que é comum e corriqueiro no meio rural, a existência de parcerias agrícolas onde se tem pluralidade de pessoas no pólo ativo e no pólo passivo do contrato, como é o caso em tela, onde os produtores firmaram contratos de parceria agrícola com diversos proprietários rurais para exploração das propriedades por meio de plantio de cana, partilhandose os frutos entre os participantes da parceria de acordo com a participação de cada um, proporção esta também respeitada na tributação da renda. Cita o Parecer Normativo CST 68/76, onde restou consignado que “.. os parceiros rurais não têm, necessariamente, os mesmos deveres e responsabilidades no empreendimento: o proprietário da terra ou do gado pode participar unicamente pela cessão do imóvel a ser cultivado, ou pela entrega do gado a ser criado ou engordado, respectivamente, competindo ao (s) outro (s) parceiro (s) todos os demais encargos.”. Conclui: “Aspecto interessante e que se encaixa perfeitamente no caso em tela é a menção feita pelo Parecer Normativo à pluralidade de Parceiros Outorgados, ou seja, é perfeitamente possível e reconhecido pela própria Fazenda Pública a possibilidade de se explorar uma parceria agrícola com pluralidade de parceiros outorgados, exatamente o que ocorreu nos contratos encartados à presente.” 6) Do arbitramento do lucro e da tributação imposta pela fiscalização à pessoa jurídica agropastoril. Contesta o arbitramento efetuado pela fiscalização sob o argumento de que o livro Caixa é admitido pelo Regulamento do Imposto de Renda como apto a demonstrar as receitas, despesas e investimentos das pessoas físicas, e, em algumas hipóteses, pode ser aplicado às pessoas jurídicas, v.g. a previsão do Parágrafo Único do Artigo 527, o qual autoriza que a empresa que esteja na opção pelo lucro presumido mantenha a escrituração em livro caixa. Acrescenta que, não bastasse o livro caixa ser documento apto a demonstrar todas as receitas, despesas e investimento da pessoa jurídica, os contribuintes, ora penalizados, forneceram toda a documentação comprobatória das receitas e despesas registradas no livro caixa, bem como forneceram arquivo em meio magnético, no qual estava toda a escrituração realizada na forma das boas práticas contábeis. Alega que, conforme reconhece a própria fiscalização, os elementos de prova que lhe foram encaminhados serviram a comprovar as receitas e despesas em que incidiram os produtores rurais reunidos na exploração das parcerias agrícolas, tanto Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10820.001841/200719 Acórdão n.º 140200.567 S1C4T2 Fl. 7 7 que estas informações serviram a embasar as declarações de ajuste anual dos produtores rurais, daí a razão pela qual podemos concluir serem todas as informações do contribuinte de pleno e total conhecimento da Fiscalização. Vejase que o objetivo da norma, ao estabelecer as formas de escrituração contábil e fiscal, é proporcionar à Fiscalização a possibilidade de arbitrar o lucro nas hipóteses em que não seja possível se constatar as informações corretas sobre as receitas e despesas dos contribuintes, não se justificando, nem se mostrando razoável, nas hipóteses em que todas as informações das operações dos contribuintes são de pleno conhecimento da fiscalização. Em reforço aos seus argumentos reproduz a ementa do Acórdão 10807530 da Oitava Câmara do 1° Conselho de Contribuintes. Ressalta ser inaplicável o arbitramento, já que todas as informações pertinentes ao contribuinte são de pleno conhecimento da Autoridade Fazendária, tanto é assim que as receitas utilizadas como base de cálculo para todas as imposições tributárias são exatamente as mesmas fornecidas pelo contribuinte por meio do Livro Caixa e dos arquivos magnéticos, tudo devidamente comprovado por meio de documentos fiscais idôneos. Protesta que as imposições da fiscalização se mostram demasiadamente onerosas ao Contribuinte, primeiro, porque desconsidera que as receitas auferidas já foram efetivamente tributadas nas declarações de ajuste anual, conforme exposto supra, segundo que o regime de apuração pelo lucro arbitrado mostrouse demasiadamente prejudicial ao contribuinte, conforme se pode depreender da apuração pelo lucro presumido levada a efeito pela fiscalização. Menciona a planilha elaborada pelo Contador responsável pela escrituração dos produtores rurais e devidamente fundada no mesmo documento utilizado pela fiscalização, para concluir que o lucro arbitrado se mostra demasiadamente prejudicial ao contribuinte em comparação ao lucro presumido ou real. Solicita, caso não sejam acatadas suas razões de mérito, que o regime a ser aplicado para a tributação seja o lucro real. Insurgese contra a exigência das contribuições ao PIS/Cofins, pois, seria beneficiária da permissão legal de venda dos produtos com suspensão consoante § 3° do art. 15 da Lei n° 10.925, de 2004, com redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004. 7) Da solidariedade dos produtores rurais pelos débitos da pessoa jurídica criada pelo fisco. Alega que a responsabilidade solidária imposta pela Fiscalização aos participantes do Condomínio Agrícola, não encontra respaldo na legislação de regência, uma vez que o pacto de solidariedade firmado entre os produtores é feito de forma particular e com a finalidade de abranger obrigações trabalhistas e previdenciárias, entretanto, ainda que o mencionado Condomínio fosse considerado pessoa jurídica, não restou configurada nenhuma das hipóteses do Artigo 135, III do Código Tributário Nacional, razão pela qual inviável a imposição de solidariedade, por falta de amparo legal. 8) Da inadequação da multa de ofício imposta pelo fisco e de seu caráter confiscatório. Insurgese contra a multa de ofício, alegando que o lançamento deve ser efetuado sem a aplicação de multa de qualquer tipo, haja vista se tratar de confissão Fl. 7DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10820.001841/200719 Acórdão n.º 140200.567 S1C4T2 Fl. 8 8 espontânea dos contribuintes com o recolhimento do tributo devido à época, cujas diferenças e lançamentos somente ocorreram em razão de mudança de regime imposto pela fiscalização. Entretanto, caso não seja este o entendimento deste órgão julgador, aplicável somente a multa de mora prevista na legislação, haja vista ter a multa de ofício caráter nitidamente confiscatório. 9) Dos juros baseados na taxa do sistema de liquidação e custódia do Banco Central Selic. Contesta a exigência dos juros de mora, taxandoos de ilegais e inconstitucionais, haja vista serem superiores aos patamares permitidos pelo CTN, possuírem natureza eminentemente remuneratória e não possuírem legislação específica que tracem seus contornos para fins tributários. 10) Dos pedidos dos defendentes. Solicita seja efetivamente compreendida a realidade fática e jurídica pertinente ao assunto e o Distinto Julgador possa declarar inexistente a mencionada sociedade de fato, criada pela Fiscalização, uma vez que as receitas mencionadas pelo fisco são decorrentes de contratos de parcerias agrícolas e não do contrato de condomínio, afastandose pois todas as demais imposições de tributos e multas, entretanto, ainda que considerada existente a sociedade, necessária a observação de regime de tributação menos oneroso ao contribuinte, conforme o lucro real decorrente de apuração anexa, devidamente comprovada com o documental acostado aos autos, observandose ainda que as receitas já foram oferecidas à tributação nas pessoas físicas individuais de cada produtor, conforme manda a legislação de regência, razão pela qual deve ser julgada procedente a presente para desconstituir integralmente o auto de infração ou, na pior das hipóteses, sejam observados os pedidos alternativos. Requer ainda o afastamento dos juros de mora, em razão das irregularidades apontadas no decorrer da presente, bem como a multa de ofício, em razão das inconsistências apresentadas no decorrer da defesa e pelo fato de possui caráter eminentemente confiscatório, na linha da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. A decisão recorrida está assim ementada: CONDOMÍNIO/CONSÓRCIO DE PRODUTORES RURAIS. APURAÇÃO DE RESULTADO. A união de empregadores rurais para a formação de um "Condomínio de Empregadores" com a finalidade única de contratar empregados rurais não o caracteriza como pessoa jurídica, a teor do art. 25 A da Lei nº 8.212, de 1991, e alterações, e art. 200A do Decreto nº 3.048, de 1999, na redação dada pelo Decreto nº 4031, de 2001. Lançamento Improcedente. O voto condutor do acórdão recorrido traz a seguinte conclusão: Em que pese os contratos anexados aos autos referiremse a anoscalendário diversos dos anoscalendário objeto da autuação, ou seja 2005, 2006 e 2007, entendo que a partir do anocalendário de 2005, quando ocorreu a contratação de arrendamento/parcerias agrícolas em nome do “Condomínio Fl. 8DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10820.001841/200719 Acórdão n.º 140200.567 S1C4T2 Fl. 9 9 de Produtores José Carlos de Oliveira Fernandes Neto e Outros ”, nada mais aconteceu, senão a contratação por diversas pessoas físicas(produtores) para execução de trabalho comum, cuja receita seria destinada proporcionalmente à cada um dos produtores com a contratação única e exclusiva de mãodeobra para trabalho nas propriedades rurais dos condôminos. Pelo exposto, voto pela improcedência da autuação fiscal no que se refere aos anoscalendário de 2001, 2002, 2003 e 2004, por não vislumbrar a sociedade de fato referida pela fiscalização, e por entender que a figura do “consórcio rural” é regulada e autorizada por lei.. Aos Autos, foi juntada manifestação da douta Procuradoria da Fazenda Nacional, argumentando que se faz necessário o provimento do recurso de ofício, pelo fato de que "o contribuinte não se resume à simples união de produtores rurais, mas se constitui em verdadeira sociedade de fato", discorrendo longamente sobre suas razões de inconformismo. O recurso foi distribuído ao conselheiro Walmar Fonseca de Menezes, tendo sido apreciado na sessão de 11/03/2009 da 1a. turma da 4a. Câmara do CARF, sendo convertido o julgamento em diligência, mediante Resolução nº 140100.002, nos termos do voto condutor a seguir transcrito: Conselheiro VALMAR FONSECA DE MENEZES, Relator O recurso preenche as condições de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. No entanto, verifico, preliminarmente, que da Manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional não foi dada a ciência à recorrente. Em respeito ao princípio constitucional da ampla defesa e do contraditório, e atento às disposições do que Decreto 70.235/72, em especial no que concerne às nulidades processuais artigo 59 daquele diploma legal — entendo que deva ser convertido o presente julgamento em diligência, para que seja dada ciência ao contribuinte da referida manifestação, concedendose um prazo de 30(trinta) dias para que este possa se assim o quiser — se pronunciar sobre a mesma. O que é amplo não pode ser restrito. Sem delongas desnecessárias, é como voto. Cientificado em 16/11/2010, o contribuinte apresentou manifestação de fls. 1682 a 1688, requerendo, em síntese, seja negado provimento ao recurso de oficio. O processo retornou ao CARF e, tendo em vista que o conselheiro Relator, deixou o colegiado, foi realizado novo sorteio. É o relatório. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10820.001841/200719 Acórdão n.º 140200.567 S1C4T2 Fl. 10 10 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Conforme relatado, retorna o processo ao CARF após a diligência determinada pela resolução nº 140100.002 para que o contribuinte se manifestasse acerca das contrarrazões da Douta Procuradoria da Fazenda Nacional. De início, registrese que no entendimento deste Relator foi mesmo equivocado o encaminhamento do processo à PFN parra contrarrazões. Isso porque o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, vigente à época, aprovado pela Portaria 256/2007, determinava em seu art. 35 (verbis): Art. 35. O secretárioexecutivo entregará ao Procurador da Fazenda Nacional indicado pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional a relação dos processos distribuídos para as Câmaras. § 1º O Procurador da Fazenda Nacional terá prazo de quinze dias, a partir da data do recebimento da relação mencionada no caput, para requisitar ao chefe de secretaria os autos dos processos, os quais serão colocados à sua disposição. § 2º É facultado ao Procurador da Fazenda Nacional apresentar contrarazões ao recurso voluntário. § 3º O prazo para a apresentação de contrarazões pela Fazenda Nacional é de trinta dias, contados a partir da data da entrega dos processos requisitados. (grifei). Uma vez que se trata de um recurso de oficio, não caberia mesmo o encaminhamento para contrarrazões. Porem, máxima data vênia, o correto seria desconsiderar a manifestação da PFN e não abrir prazo para manifestação do contribuinte. Entendo outrossim, que o recurso de oficio pode ser julgado tão somente com a análise dos documentos juntados até a decisão de 1a. instância. Portanto, essa questão perde completamente a relevância. Pois bem, vejamos os fundamentos da decisão recorrida, a seguir transcritos: Trata a lide de questões relativas a “condomínios de empregadores rurais”, que serão analisadas para o deslinde da lide. Como se vê do relatório acima, a fiscalização contesta a formação do “Condomínio de Produtores JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA FERNANDES NETO E OUTROS” sob o entendimento de que tal condomínio fora formado por “sócios” (sic) pertencentes à empresa Clealco Açúcar e Álcool, cuja finalidade seria a venda de canadeaçúcar para a Clealco. Enfatizou a fiscalização que os resultados obtidos pelo condomínio eram rateados proporcionalmente a participação dos “sócios” na Clealco, ao invés de basearse na produção de cada propriedade. Portanto, a questão central da lide reside em definirse se o “Condomínio de Produtores JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA FERNANDES NETO E OUTROS”, Fl. 10DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10820.001841/200719 Acórdão n.º 140200.567 S1C4T2 Fl. 11 11 enquadrase no conceito de condomínio/consórcio simplificado de produtores rurais consoante determinação da legislação de regência. Para melhor situarmos o nosso entendimento necessário terse em mente o conceito de Condomínio/Consórcio simplificado de empregadores rurais. O consórcio/condomínio de produtores rurais, afeito ao direito previdenciário – que é direito público – guarda, naturalmente, suas peculiaridades. Observese, por exemplo, que o documento comprobatório da existência do consórcio/condomínio de produtores rurais, e que faz às vezes de um ato constitutivo, embora não o seja, deve ser levado a registro no cartório de títulos e documentos. Assim, podese dizer que o consórcio de produtores rurais é, em si, um ente despersonalizado, formado pela união de produtores rurais pessoas físicas por meio de um documento levado a registro no órgão competente e equiparado, para fins previdenciários, ao empregador rural pessoa física. Tem por finalidade permitir a contratação de trabalhadores para prestação de serviços, exclusivamente aos seus integrantes, sendo outorgados a um dos produtores poderes (mandato) para contratar e gerir a mãodeobra a ser utilizada em suas propriedades. Acreditase que o objetivo desta união está em fazer com que os produtores rurais regularizem a contratação da mãodeobra e racionalizem custos no cumprimento da legislação trabalhista e previdenciária. Buscouse, ao que parece, uma otimização das relações estabelecidas entre o Ministério do Trabalho e os trabalhadores rurais, facilitando também o trato das relações de natureza previdenciária fixadas entre o conjunto dos produtores rurais reunidos em consórcio e autarquia previdenciária. Isto porque o consórcio simplificado de produtores rurais se consubstancia numa técnica que viabiliza a atividade produtiva de todos os consorciados, mercê da regularização das carteiras de trabalho dos empregados. A representação em juízo e fora dele ficaria a cargo daquele produtor rural em cujo nome foi registrado o consórcio, a despeito da solidariedade – de natureza legal existente entre todos os seus membros no que tange às obrigações de natureza previdenciária. Isto posto, podese vislumbrar no consórcio/condomínio de produtores rurais as seguintes características: a formalização do consórcio será feita através de documento registrado em cartório de títulos e documentos; o documento conterá a identificação de cada produtor, seu endereço pessoal e o de sua propriedade bem como o respectivo registro no INCRA ou informações relativas à parceria, arredamento e a matrícula CEI de cada um dos produtores rurais; cada integrante do consórcio terá uma matrícula específica no Cadastro Específico do INSS CEI; o consórcio será matriculado no Cadastro Específico do INSS CEI em nome do empregador a quem hajam sido outorgados os poderes para contratar e gerir a mão de obra; os produtores rurais integrantes do consórcio serão solidariamente responsáveis em relação às obrigações previdenciárias e trabalhistas; cada produtor terá duas matrículas CEI, uma individual– por meio da qual serão recolhidas as contribuições de seus empregados permanentes e sobre a Fl. 11DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10820.001841/200719 Acórdão n.º 140200.567 S1C4T2 Fl. 12 12 comercialização de sua produção rural, outra coletiva na qual serão recolhidas as contribuições dos empregados comuns; o consórcio deverá preencher e recolher a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP por meio magnético, através do SEFIP, em relação aos empregados comuns ao condomínio. Importante, também, destacar as orientações das SRRF da 1ª, 6ª e 8ª RF, emanadas nos processos de consulta formulados por diversos contribuintes, produtores rurais, acerca do condomínio/consórcio de simplificado de empregadores rurais. A SRRFB da 8ª RF, ao solucionar as consultas: 292, 307, 308, 309, 310, 311, 312, 313, 314, 315, 316, 317, 318, 319, 320, 321, 322, 323, 324, 325, 326, 327, 328, 329, 330, 331, 332, 333,334, 335 e 336, de 2007, efetuadas por vários condomínios de empregadores rurais, situados no Estado de São Paulo assim se pronunciou, verbis: (...) Conclusão 14. Tendo em vista o exposto, soluciono a presente consulta declarando que as entidades constituídas nos moldes do art. 25A da Lei nº 8.212, de 1991, incluído pela Lei nº 10.256, de 9 de julho de 2001, regulamentado pelo art. 200A do Decreto nº3.048, de 6 de maio de 1999, na alteração promovida pelo Decreto nº 4.036, de 26 de novembro de 2001, denominadas por “consórcio simplificado de produtores rurais”, “consórcio de empregadores rurais pessoas físicas” ou “condomínio de empregadores rurais pessoas físicas”, embora não tendo personalidade jurídica, estão sujeitas a inscrição no CNPJ. Não estão, porém, obrigadas a entrega da DIPJ, uma vez que não são condomínios ou consórcios constituídos sob forma de sociedade por cotas, aos quais se refere art. 1º da IN SRF nº 257, de 11 de novembro de 2002. A SRRFB da 6ª RF já havia se posicionado no mesmo sentido ao se pronunciar sobre a Consulta n° 37 de 2003, cuja solução reproduzse: (....) No caso concreto que se apresenta nos autos, temse que em 28 de setembro de 2001, diversos produtores rurais reuniramse em um consórcio denominado “Condomínio de Produtores JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA FERNANDES NETO E OUTROS”, consoante contrato de constituição de fls.10/20, donde se destacam as cláusulas seguintes: I – DO OBJETO 1ª) o presente Condomínio tem por objetivo a finalidade de contratação de empregados rurais, para exploração da atividade agrícola, em especial o plantio de canadeaçúcar, em diversos imóveis rurais. IV – DA AREA E PERCENTUAIS DOS CONDÔMINOS 4ª Da área total a ser plantada e cultivada pelo CONDOMÍNIO cada qual ficará responsável em custear o equivalente aos seguintes percentuais: V – PACTO DE SOLIDARIEDADE 5ª Para o cumprimento de seus objetivos, o CONDOMÍNIO poderá contratar diretamente trabalhadores rurais, para a execução de serviços relacionados a agricultura, desde o preparo do solo, plantio, cultivo, colheita e outros serviços necessários, em especial das canadeaçúcar, assumindo os CONDÔMINOS, forma solidária, todas e quaisquer responsabilidades pelo conjunto das obrigações trabalhistas advindas de tais contratações. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10820.001841/200719 Acórdão n.º 140200.567 S1C4T2 Fl. 13 13 5.1 – Poderá ainda o condomínio contratar outros trabalhadores a fim de dar operacionalidade e controle ao condomínio. VI – DO CUSTEIO 6ª Os valores para custeio de todas as despesas, inclusive preparo do solo, plantio e cultivo da lavoura, serão apurados e suportados pelos CONDÔMINOS, nos exatos termos de sua responsabilidade, conforme percentuais indicados na cláusula 4ª. Ora, pelo instrumento de constituição do consórcio, restou claro e evidente que o objetivo é a contratação de trabalhadores rurais, e que os custos seriam partilhados entre os vários produtores com base na dimensão de suas respectivas áreas de produção, fixandose o percentual que cada um participa dos custos. Além disso, conforme se infere dos autos, as receitas e despesas do condomínio foram efetivamente contabilizadas em Livro Caixa de cada empregador e oferecidas à tributação na declaração de ajuste anual, conforme determina a lei, e tiveram sua apuração contábil devidamente registrada em meio magnético. Por outro lado, a fiscalização em nenhum momento contestou a apuração do resultado efetuado pelo consórcio, tanto que as receitas utilizadas como base de cálculo para todas as imposições tributárias são exatamente as mesmas fornecidas pelo contribuinte por meio do Livro Caixa e dos arquivos magnéticos, respaldados em documentos fiscais, considerados idôneos pela fiscalização; Assim, consoante a documentação carreada aos autos, entendo como válidos e regulares todos os atos praticados pelos produtores rurais, enquanto pessoas físicas, e portanto, não vislumbro qualquer vício jurídico que pudesse macular a figura do consórcio simplificado de produtores, que pudesse transformálo em pessoa jurídica, e, a partir daí, promover a incidência de todos os tributos inerentes à pessoa jurídica. No tocante à venda do total da produção de canadeaçúcar para a empresa Clealco, após extensa pesquisa na legislação pertinente à matéria, não encontrei nenhum impedimento quer seja da venda da produção para um único comprador, quer seja da venda para empresa cujos consorciados sejam acionistas. Ou seja, a legislação não veda, em nenhum momento, que a matériaprima (no caso canadeaçúcar) advinda do resultado do trabalho do consórcio, possa ser destinada exclusivamente para uma única unidade industrial, e também, não veda que esta unidade industrial seja de propriedade dos próprios produtores. Nunca é demais lembrar que a Constituição Federal ao tratar dos direitos e deveres individuais e coletivos em seu art. 5º, assim dispõe: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: I ...; II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; Portanto, se a lei não trata como elemento descaracterizante do consórcio de empregadores rurais a venda da produção total para um único comprador, nem faz menção à proibição de que acionistas de uma mesma empresa possam reunirse em condomínio, é certo que no caso em questão não houve nenhuma transgressão à lei. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10820.001841/200719 Acórdão n.º 140200.567 S1C4T2 Fl. 14 14 O que a lei determina, no caso de consórcios simplificado de produtores rurais é que a receita auferida pelas vendas efetuadas pelos integrantes do consórcio sejam feitas de forma individualizada, e oferecidas à tributação na declaração de ajuste anual, e isso, como se vê dos autos, conforme notas fiscais de vendas de fls. 412/506, e cópias das Declarações de Ajuste Anual, fls. 522/799, foi feito. O fato de tais produtores serem acionistas de uma mesma empresa não desvirtua a finalidade do contrato de instituição de condomínio, que é o de contratar mãode obra para prestar serviços em todas as propriedades consignadas no referido contrato. Os objetivos inerentes a tais contratos são o barateamento da mãodeobra, assim como a redução dos custos trabalhistas e previdenciários. Correta, pois, a alegação do contribuinte quando afirma que: “não se mostra razoável o tratamento dispensado pela fiscalização ao condomínio de empregadores rurais, quando imputa aos seus componentes o tratamento tributário típico das pessoas jurídicas pelo simples fato de se reunirem, em condomínio, na forma da legislação de regência, para contratação de mãodeobra rural, sem considerar qualquer outro reforço probatório de existência de sociedade de fato...”. Para o Direito brasileiro "celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados", como disposto no artigo 981 da Lei 10.406, de 2002(Código Civil). O fato dos produtores rurais integrantes do “Condomínio de Produtores José Carlos de Oliveira Fernandes Neto e Outros” se unirem, num congraçamento com objetivos comuns, não significa, porém, proveito comum. Cada produtor aufere o seu lucro, como pessoa física, ao comercializar sua respectiva produção agrícola, ou seja, é ele quem vende. O proprietário de uma determinada gleba não arca com os bens e as despesas de outro. Cada qual usufrui das vantagens e dos encargos de forma individualizada. Não há bens e perdas divididos entre eles. Cada qual assume, de "per si", não se podendo, pois, falar em proveito comum, afastandose qualquer alegação de que haja uma sociedade de fato. Sociedade propriamente dita também não existe, eis que não há nenhuma constituição de pessoa jurídica que englobe todos os patrimônios dos integrantes do “Condomínio de Produtores José Carlos de Oliveira Fernandes Neto e Outros” Assim ausente a intenção do grupo de criar uma pessoa para realização de uma obra comum, não existe sociedade, quer de direito, quer de fato. Não é outro o entendimento esposado nas soluções de consultas pela SRRFB da 8ª nos seguintes termos: 8.1 Em síntese, os consórcios ou condomínios de empregadores rurais, que ora se analisa, dos quais trata o art. 25A da Lei nº 8.212, de 1991, incluído pela Lei nº 10.256, de 2001, não podem ser assimilados a nenhuma das figuras antes mencionadas associações, condomínios do direito civil ou sociedades. São uma figura nova e sui generis, que se caracteriza pela reunião de produtores para a contratação de mãodeobra, que será empregada pelos diversos integrantes consoante suas necessidades individuais, arcando cada um deles com uma parcela dos respectivos custos, de acordo com essa utilização, sendo todos eles solidários pelas obrigações trabalhistas e previdenciárias decorrentes dessa contratação, mas preservando, porém, a individualidade de sua atividade econômica. Dessa Fl. 14DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10820.001841/200719 Acórdão n.º 140200.567 S1C4T2 Fl. 15 15 forma, alguns autores consideram sua natureza jurídica como a de “contratação de solidariedade trabalhista”. 8.2 Em face dessas características concluise que os “consórcios de empregadores rurais” ou “condomínios de empregadores rurais” não constituiriam pessoas jurídicas. Relativamente aos contratos de parceria/arrendamentos, foram anexados aos autos cópias de diversos contratos que fazem às fls. 842/1.431. Da análise desses contratos, constatase que a partir de 2005, foram efetuados diversos contratos de parceria e arrendamento firmados em nome dos consorciados do condomínio para exploração de diversas propriedades rurais. Em que pese os contratos anexados aos autos referiremse a anoscalendário diversos dos anoscalendário objeto da autuação, ou seja 2005, 2006 e 2007, entendo que a partir do anocalendário de 2005, quando ocorreu a contratação de arrendamento/parcerias agrícolas em nome do “Condomínio de Produtores José Carlos de Oliveira Fernandes Neto e Outros ”, nada mais aconteceu, senão a contratação por diversas pessoas físicas(produtores) para execução de trabalho comum, cuja receita seria destinada proporcionalmente à cada um dos produtores com a contratação única e exclusiva de mãodeobra para trabalho nas propriedades rurais dos condôminos. Pelo exposto, voto pela improcedência da autuação fiscal no que se refere aos anos calendário de 2001, 2002, 2003 e 2004, por não vislumbrar a sociedade de fato referida pela fiscalização, e por entender que a figura do “consórcio rural” é regulada e autorizada por lei. A meu ver, os fundamentos acima, que não merecem reparos, são suficientes para embasar o equívoco no entendimento fiscal e o conseqüente cancelamento da exigência. Frisese que, à luz do art. 59 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), os produtores rurais associados, seja mediante condomínio, seja em parcerias, podem tributar individualmente seus resultados na sistemática da Atividade Rural. Vejamos a redação da aludida norma: Art. 59. Os arrendatários, os condôminos e os parceiros na exploração da atividade rural, comprovada a situação documentalmente, pagarão o imposto, separadamente, na proporção dos rendimentos que couberem a cada um (Lei nº 8.023, de 1990, art. 13). Parágrafo único. Na hipótese de parceria rural, o disposto neste artigo aplicase somente em relação aos rendimentos para cuja obtenção o parceiro houver assumido os riscos inerentes à exploração da respectiva atividade. (grifei). No caso dos autos, em relação aos anoscalendário objeto do auto de infração (2001 a 2004), os valores tributados referemse unicamente a produção agrícola dos condôminos/parceiros, cujos riscos inerentes à atividade rural foram suportados por todos, coletiva ou individualmente, portanto, não há vedação para que sejam submetidos à tributação beneficiada. Repito: caso a fiscalização fizesse prova de que os autuados não incorreram nos riscos da atividade rural, ou que comercializaram produtos adquiridos de terceiros, a autuação seria correta. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10820.001841/200719 Acórdão n.º 140200.567 S1C4T2 Fl. 16 16 Compulsando os autos, verificase que as notas fiscais emitidas antes da constituição do condomínio são individuais de cada produtor. Também consta dos autos notas fiscais que demonstram que, mesmo após a constituição do condomínio, esses mesmos produtores, venderam de forma individualizada sua produção. O instrumento de constituição do condomínio, restou claro e evidente que o objetivo é a contratação de trabalhadores rurais, e que os custos seriam partilhados entre o vários produtores com base na dimensão de suas respectivas áreas de produção, fixandose o percentual que cada um participa dos custos; Conforme asseverado pelo contribuinte na peça impugnatória, as receitas e despesas do condomínio foram efetivamente contabilizadas no Livro Caixa de cada empregador e oferecidas à tributação na declaração de ajuste anual, conforme determina a lei, e tiveram sua apuração contábil devidamente registrada em meio magnético; A fiscalização em nenhum momento contestou a apuração do resultado efetuado pelo condôminos, tanto que as receitas utilizadas com base de cálculo para as exigências são exatamente as mesmas fornecidas pelo contribuinte por meio de Livro Caixa e dos arquivos magnéticos, respaldados em documentos fiscais, considerados idôneos pela fiscalização. A legislação não veda que os produtores (condôminos) vendam sua produção exclusivamente para uma unidade industrial, e também não veda que esta unidade industrial seja de propriedade dos próprios produtores. Verificase nos autos que os produtores rurais exercem individualmente suas atividade econômicas; também consta dos auto documentos comprobatórios de que as receitas e despesas de cada produtor são contabilizadas no livro caixa de cada empregador, sendo levado a tributação na declaração de ajuste anual. Por fim, registrese que de acordo com o art. 59 do Regulamento do Imposto de renda, Decreto 3.000/1999, a atividade rural pode ser explorada por meio de condomínio, e nesse caso, deve ser tributada individualmente por cada participante na proporção de seus rendimentos. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 16DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 18088.000192/2009-43
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9202-000.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para que o presente processo seja apensado ao de nº 18088.000189/2009-20, com posterior devolução ao relator para julgamento conjunto, por conexão, caso aplicável.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para que o presente processo seja apensado ao de nº 18088.000189/200920, com posterior devolução ao relator para julgamento conjunto, por conexão, caso aplicável. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2403002.826, prolatado pela 3a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na sessão plenária de 06 de novembro de 2014 (efls. 174 a 182). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 80 88 .0 00 19 2/ 20 09 -4 3 Fl. 210DF CARF MF Processo nº 18088.000192/200943 Resolução nº 9202000.185 CSRFT2 Fl. 211 2 Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 LUCRO DISTRIBUÍDO. NÃO INCIDÊNCIA. O lucro regularmente distribuído não se sujeita à tributação par a previdência social. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Decisão: por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: (i) determinar a exclusão dos valores referentes ao Levantamento "CLD Crédito Lucro Distribuído"; (ii) determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 32A da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Enviados os autos à Fazenda Nacional em 10/03/2015 (efl. 183) para fins de ciência da decisão, insurgindose contra esta, sua Procuradoria apresentou, em 16/03/2015 (e fl. 194), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 184 a 193). Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, pela 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste CARF em 07/05/2009, no âmbito do Acórdão no. 240100.127, bem como em relação ao decidido, em 04/02/2009, no Acórdão no. 20601.782, de lavra da 6a. Câmara do então 2o. Conselho de Contribuintes, de ementas e decisões a seguir transcrita: Acórdão 240100.127 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do Fl. 211DF CARF MF Processo nº 18088.000192/200943 Resolução nº 9202000.185 CSRFT2 Fl. 212 3 artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, tratase de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória decorrente de Notificação Fiscal, onde fora reconhecida a decadência do artigo 150, § 4º, do CTN, impondo seja levada a efeito a mesma decisão nestes autos em face da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a empresa apresentar a GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA APLICAÇÃO Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte no caso da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, aplicase o princípio da retroatividade benigna da lei aos casos não definitivamente julgados, conforme estabelece o CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Decisão: I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas ate a competência 11/2000; II) Por maioria de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2001. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira (relatora), que votaram por declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000; e III) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa de acordo com o disciplinado 44, I da Lei no. 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a titulo de multa nas NFLD correlatas. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente à decadência o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Acórdão 20601.782 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 27/10/2006 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI Nº 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO Fl. 212DF CARF MF Processo nº 18088.000192/200943 Resolução nº 9202000.185 CSRFT2 Fl. 213 4 PELO DECRETO Nº 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP CO RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS MULTA RETROATIVIDADE A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999: “informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela empresa Incentive House é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. A fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Se assim não o fosse, estaríamos falando de uma empresa pessoa jurídica, com capacidade de pensar e agir. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: por unanimidade de votos, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para adequar o valor da multa ao disciplinado pela MP n° 449/2008. Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) O ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias. Isso significa dizer, em suma, que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito. O que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes; b) Nessa linha, constatase que antes das inovações da MP 449/2008, atualmente convertida na Lei 11.941/2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei 8.212/91, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei 8.212/91 (multa isolada). Com o advento da Fl. 213DF CARF MF Processo nº 18088.000192/200943 Resolução nº 9202000.185 CSRFT2 Fl. 214 5 MP 449/2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei 8.212/91. b.1) O art. 32A citado trata de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei 8.212/91. O atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei 8.212/91, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento). Assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida. b.2) Contudo, a MP 449/2008 também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35 A, que corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que a o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata). Por certo, devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. Por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91; c) houve lançamento de contribuições sociais em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito. Logo, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35A da Lei 8.212/91, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei 9.430/96). Nessa linha de raciocínio, a NFLD e o Auto de Infração devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da MP no. 449. Requer, assim, quanto à matéria, que seja conhecido e dado total provimento ao presente recurso, quanto às matérias, para reformar o acórdão recorrido, no ponto impugnado. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 196 a 202. Cientificada a autuada em 07/04/16 (efls. 206), esta quedou inerte quanto à apresentação de contrarrazões e/ou Recurso Especial de sua iniciativa. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Fl. 214DF CARF MF Processo nº 18088.000192/200943 Resolução nº 9202000.185 CSRFT2 Fl. 215 6 Verifico que a infração que deu azo ao descumprimento da obrigação acessória em testilha no presente processo é a mesma que levou à exigência de tributo, como obrigação principal, no âmbito dos processos n°s 18088.000188/200985 (DEBCAD 37.226.4484) e 18088.000189/200920 (DEBCAD 37.226.4492). A propósito, de se notar que, ainda que o primeiro processo mencionado (18088.000188/200985) esteja sendo objeto de apreciação em sede de Recurso Especial na presente sessão de julgamento, o segundo feito (18088.000189/200920) permanece, nesta data, ainda, em prazo de interposição recursal, pelo contribuinte, após ciência de Acórdão oriundo da 3a. Turma Ordinária da 4a. Câmara desta Seção (Acórdão 2403002.828, de 06/11/2014). Dessa forma, entendo que, como o deslinde daquele processo pode ter consequência direta sobre o presente, devem ambos serem reunidos, a fim de passarem a tramitar e eventualmente posteriormente serem apreciados em conjunto. Destarte, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, para que seja este processo seja apensado ao de n°. 18088.000189/200920, que trata de obrigação principal e se encontra em prazo de interposição recursal, pelo contribuinte, após ciência de Acórdão oriundo da 3a. Turma Ordinária da 4a. Câmara desta Seção (Acórdão 2403 002.828, de 06/11/2014), com posterior distribuição a este Relator para julgamento em conjunto de Recursos Especiais, por conexão, caso aplicável. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 215DF CARF MF
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